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  • BISPO DO PARAGUAI MENTE EM NOTA AFIRMANDO QUE PADRE RODRIGO MARIA FOI DECLARADO CULPADO EM PROCESSO

    BISPO DO PARAGUAI MENTE EM NOTA AFIRMANDO QUE PADRE RODRIGO MARIA FOI DECLARADO CULPADO EM PROCESSO Após a divulgação de uma nota ambígua no dia 20 de fevereiro, sobre a dispensa que Roma concedeu ao pedido feito pelo Padre Rodrigo Maria, que levou muitos a crerem e divulgarem que o padre havia sido “expulso” pelo Papa ou punido com a demissão clerical, o bispo do Paraguai surpreendeu a todos com uma nota onde pedia perdão em nome da Igreja às supostas vítimas e às suas famílias, onde dizia que o processo canônico contra o padre havia sido concluído e o mesmo condenado. A mesma nota ainda incentiva as supostas vítimas a buscarem punição para o padre na justiça comum. Ora, esclarecemos a quem o desejar que, de acordo com o Padre Rodrigo Maria e o muito respeitado canonista que atuou no processo canônico Dom Hugo Cavalcante OSB, que conteúdo da declaração do bispo é falso. O bispo de Ciudad del Este faltou com a verdade ao afirmar que o processo havia sido concluído (o que realmente não aconteceu), uma vez que o pedido de dispensa por parte do sacerdote e a concessão do pedido por parte da Igreja paralisam e extinguem o processo, que por essa razão não foi concluído, não se chegando dessa forma a um veredito, favorável ou contrário. Ao sugerir ao Padre Rodrigo Maria a renúncia, o bispo de Ciudad del Este, assegurou exatamente que o processo seria extinto assim como sua autoridade sobre o padre enquanto membro do Clero diocesano. A mesma coisa confirmou o canonista do bispo de Ciudad del Este. O especialista em Direito canônico que atuou no processo feito conta o Padre Rodrigo Maria, Dom Hugo Cavalcante OSB, classificou a nota do bispo como “desprovida de verdade” e a atitude do prelado como “grave”. Demostrando o óbvio, afirmou que o processo NÃO foi concluído, razão pela qual não se pode falar em condenado, muito menos em “vítimas”. Dom Hugo Cavalcante conheceu bem o processo e também as acusações feitas contra o Padre Rodrigo Maria, e após minucioso estudo chegou à mesma conclusão que Roma havia chegado a respeito das denúncias contra o padre que para lá haviam sido enviadas, ou seja: que a acusação de abuso não tinha fundamento. Dom Hugo demostrou isso de forma escrita e também oral diante do bispo de Ciudad del Este e de seus dois canonistas. Como a excelente defesa feita por Dom Hugo Cavalcante foi completamente desconsidera pelo bispo, o mesmo aconselhou o padre a fazer a renúncia, uma vez que não havia sinal de boa vontade por parte da diocese, mas sim o ânimo de condenação, apesar do parecer de Roma favorável ao padre e das evidências contrário às acusações. O bispo de Ciudad del Este faltou com a verdade e com a honestidade ao agir como agiu. A Referida nota feita pelo ordinário de Ciudad del Este será, nos próximos dias, apresentada a Roma por Dom Hugo que solicitará providências. Várias pessoas sérias que foram do Brasil e do Paragua que forami falar com o bispo de Ciudad del Este e testemunhar em favor do Padre Rodrigo Maria podem atestar os fatos narrados. Além dessa flagrante impostura, também se verifica a má fé na forma como a nota da dispensa do Padre Rodrigo Maria foi publicada pela diocese de em sua página no Facebook. Ali, se faz economia de palavras, mas sobra malícia, pois dá a entender que a dispensa do padre foi uma decisão do Papa ou uma punição de Roma quando isso não é verdade. O bispo em alto e bom tom havia dito, por ocasião da leitura para o Padre Rodrigo Maria da dispensa concedida por Roma, que seria publicado o seguinte comunicado: “A diocese de Ciudad del Este informa que o presbítero Jean Rogers Rodrigo de Sousa pediu ao Papa Francisco a dispensa do estado clerical e que a mesma lhe foi concedida.” Deixando claro que foi uma solicitação do padre atendida pela Igreja… Entretanto o que efetivamente foi publicado levou muitas pessoas a pensarem que o padre havia sido punido com a demissão do estado clerical, fazendo com que jornais comunistas, como a “Folha de São Paulo” e outros, estampassem a notícia: “Papa expulsa padre acusado de abuso sexual contra freiras”. O comunicado, maliciosamente ambíguo, do dia 20/02 e a nota do bispo do dia 21/02 deram a base e o incentivo à toda avalanche de calúnias e difamações que se precipitaram contra o padre Rodrigo Maria e contra a Igreja. Foram essas declarações “desprovidas de verdade” e ambíguas que levaram ao erro muitas pessoas, sites, blogs e páginas católicas a se tornarem cúmplices e agentes da calúnia e da difamação. Quem irá reparar esse estragado na imagem do padre e da Igreja? Da comunista e anticristã “Folha de São Paulo” não se espera outra coisa do que o que fizeram, mas e dos sites, blogs e comunicadores ditos católicos que alimentaram e difundiram tudo isso? Além da honestidade, faltou também muita prudência ao bispo de Ciudad del Este, uma vez que não existindo contra o padre Rodrigo Maria nenhuma condenação, processo ou denuncia ou qualquer prova concreta das falsas acusações, incentivou as supostas vítimas a buscarem na justiça do Estado a punição para o padre. É falso afirmar que o Padre Rodrigo Maria só pediu a demissão do estado clerical porque sabia que iria ser condenado. Quem diz isso não sabe o que está dizendo… É evidente que o parecer da diocese seria desfavorável, uma vez que estavam determinados a “cortar a cabeça” do padre de qualquer forma, mas o padre poderia recorrer a Santa Sé, e já tinha a seu favor um parecer de Roma que declarava sem fundamento as acusações de abuso contra ele ali enviadas. A verdadeira razão de o padre pedir a dispensa do estado clerical foi para, por esse meio, ser liberado da autoridade do bispo daquela diocese de Ciudad del Este, que já o vinha restringindo e silenciando a vários anos e que continuaria isso por tempo indeterminado, para colocar-se debaixo da autoridade de um bispo de boa doutrina que o permitisse trabalhar. Muitos se enganam com a ideia de que a palavra de um bispo é infalível, ignorando o fato de que em nosso tempo boa parte dos padres e bispos não possuem mais a fé católica, mas sucumbiram na apostasia. Não são capazes de ensinar a verdade, mas combatem a piedade, trabalhando para calar, denegrir e anular quem tem coragem de pregar a verdade e se preocupa com o bem e salvação das almas. Muitos que julgaram e denegriram o padre Rodrigo Maria por causa das falsas afirmações, deveriam colocar a mão na consciência e se perguntar se agiram de uma forma agradável a Deus. É curioso ver muitos conservadores e tradicionalistas discordarem e criticarem (com razão ou não) de muita coisa que boa parte dos bispos fazem ou dizem, mas nesse caso do padre Rodrigo Maria, tomam a palavra do bispo como se fosse uma sentença infalível e inquestionável. A maior parte não se pergunta porque estas supostas vítimas não foram à polícia ou fizeram ao menos uma denúncia ou boletim de ocorrência se alegam terem sido agredidas… ou porque tais “supostos delitos” não se verificaram em nenhuma das paróquias onde o padre serviu durante vários anos, fato que é atestado documentalmente pelos bispos, padres, ex irmãos, ex irmãs, secretárias, cozinheiras e pessoas que viveram diariamente com o padre nas paróquias pelas quais passou… ou porque o bispo quis impedir o padre Rodrigo de abrir os processos na justiça do Estado para responsabilizar 10 dos indivíduos que o caluniaram publicamente… São numerosas as perguntas que muitos não se fazem, mas repetem acusações seríssimas sem se certificar se são verdadeiras. Devemos respeitar e obedecer a todas as autoridades da Igreja naquilo que lhes compete e no que estejam de acordo com a verdade ensinada pela Igreja. Não é desobediência, nem falta de respeito discordar de uma autoridade se esta está fora da verdade ensinada por Cristo e sua Igreja. É impressionante como pessoas e mídias se dizentes católicas, replicaram a falsa, irresponsável e destruidora matéria feita por uma repórter militante LGBT da “Folha de São Paulo”, citando seus números e falsos depoimentos, sem se atinarem para a ausência de provas em tudo que esta afirmava. Essa história ainda não terminou. Aguardemos os desdobramentos. Que Deus, Pai e autor da verdade guie a todos. Equipe Templário de Maria

  • BISPO DO PARAGUAI MENTE EM NOTA AFIRMANDO QUE PADRE RODRIGO MARIA FOI DECLARADO CULPADO EM PROCESSO

    BISPO DO PARAGUAI MENTE EM NOTA AFIRMANDO QUE PADRE RODRIGO MARIA FOI DECLARADO CULPADO EM PROCESSO Após a divulgação de uma nota ambígua no dia 20 de fevereiro, sobre a dispensa que Roma concedeu ao pedido feito pelo Padre Rodrigo Maria, que levou muitos a crerem e divulgarem que o padre havia sido “expulso” pelo Papa ou punido com a demissão clerical, o bispo do Paraguai surpreendeu a todos com uma nota onde pedia perdão em nome da Igreja às supostas vítimas e às suas famílias, onde dizia que o processo canônico contra o padre havia sido concluído e o mesmo condenado. A mesma nota ainda incentiva as supostas vítimas a buscarem punição para o padre na justiça comum. Ora, esclarecemos a quem o desejar que, de acordo com o Padre Rodrigo Maria e o muito respeitado canonista que atuou no processo canônico Dom Hugo Cavalcante OSB, que conteúdo da declaração do bispo é falso. O bispo de Ciudad del Este faltou com a verdade ao afirmar que o processo havia sido concluído (o que realmente não aconteceu), uma vez que o pedido de dispensa por parte do sacerdote e a concessão do pedido por parte da Igreja paralisam e extinguem o processo, que por essa razão não foi concluído, não se chegando dessa forma a um veredito, favorável ou contrário. Ao sugerir ao Padre Rodrigo Maria a renúncia, o bispo de Ciudad del Este, assegurou exatamente que o processo seria extinto assim como sua autoridade sobre o padre enquanto membro do Clero diocesano. A mesma coisa confirmou o canonista do bispo de Ciudad del Este. O especialista em Direito canônico que atuou no processo feito conta o Padre Rodrigo Maria, Dom Hugo Cavalcante OSB, classificou a nota do bispo como “desprovida de verdade” e a atitude do prelado como “grave”. Demostrando o óbvio, afirmou que o processo NÃO foi concluído, razão pela qual não se pode falar em condenado, muito menos em “vítimas”. Dom Hugo Cavalcante conheceu bem o processo e também as acusações feitas contra o Padre Rodrigo Maria, e após minucioso estudo chegou à mesma conclusão que Roma havia chegado a respeito das denúncias contra o padre que para lá haviam sido enviadas, ou seja: que a acusação de abuso não tinha fundamento. Dom Hugo demostrou isso de forma escrita e também oral diante do bispo de Ciudad del Este e de seus dois canonistas. Como a excelente defesa feita por Dom Hugo Cavalcante foi completamente desconsidera pelo bispo, o mesmo aconselhou o padre a fazer a renúncia, uma vez que não havia sinal de boa vontade por parte da diocese, mas sim o ânimo de condenação, apesar do parecer de Roma favorável ao padre e das evidências contrário às acusações. O bispo de Ciudad del Este faltou com a verdade e com a honestidade ao agir como agiu. A Referida nota feita pelo ordinário de Ciudad del Este será, nos próximos dias, apresentada a Roma por Dom Hugo que solicitará providências. Várias pessoas sérias que foram do Brasil e do Paragua que forami falar com o bispo de Ciudad del Este e testemunhar em favor do Padre Rodrigo Maria podem atestar os fatos narrados. Além dessa flagrante impostura, também se verifica a má fé na forma como a nota da dispensa do Padre Rodrigo Maria foi publicada pela diocese de em sua página no Facebook. Ali, se faz economia de palavras, mas sobra malícia, pois dá a entender que a dispensa do padre foi uma decisão do Papa ou uma punição de Roma quando isso não é verdade. O bispo em alto e bom tom havia dito, por ocasião da leitura para o Padre Rodrigo Maria da dispensa concedida por Roma, que seria publicado o seguinte comunicado: “A diocese de Ciudad del Este informa que o presbítero Jean Rogers Rodrigo de Sousa pediu ao Papa Francisco a dispensa do estado clerical e que a mesma lhe foi concedida.” Deixando claro que foi uma solicitação do padre atendida pela Igreja… Entretanto o que efetivamente foi publicado levou muitas pessoas a pensarem que o padre havia sido punido com a demissão do estado clerical, fazendo com que jornais comunistas, como a “Folha de São Paulo” e outros, estampassem a notícia: “Papa expulsa padre acusado de abuso sexual contra freiras”. O comunicado, maliciosamente ambíguo, do dia 20/02 e a nota do bispo do dia 21/02 deram a base e o incentivo à toda avalanche de calúnias e difamações que se precipitaram contra o padre Rodrigo Maria e contra a Igreja. Foram essas declarações “desprovidas de verdade” e ambíguas que levaram ao erro muitas pessoas, sites, blogs e páginas católicas a se tornarem cúmplices e agentes da calúnia e da difamação. Quem irá reparar esse estragado na imagem do padre e da Igreja? Da comunista e anticristã “Folha de São Paulo” não se espera outra coisa do que o que fizeram, mas e dos sites, blogs e comunicadores ditos católicos que alimentaram e difundiram tudo isso? Além da honestidade, faltou também muita prudência ao bispo de Ciudad del Este, uma vez que não existindo contra o padre Rodrigo Maria nenhuma condenação, processo ou denuncia ou qualquer prova concreta das falsas acusações, incentivou as supostas vítimas a buscarem na justiça do Estado a punição para o padre. É falso afirmar que o Padre Rodrigo Maria só pediu a demissão do estado clerical porque sabia que iria ser condenado. Quem diz isso não sabe o que está dizendo… É evidente que o parecer da diocese seria desfavorável, uma vez que estavam determinados a “cortar a cabeça” do padre de qualquer forma, mas o padre poderia recorrer a Santa Sé, e já tinha a seu favor um parecer de Roma que declarava sem fundamento as acusações de abuso contra ele ali enviadas. A verdadeira razão de o padre pedir a dispensa do estado clerical foi para, por esse meio, ser liberado da autoridade do bispo daquela diocese de Ciudad del Este, que já o vinha restringindo e silenciando a vários anos e que continuaria isso por tempo indeterminado, para colocar-se debaixo da autoridade de um bispo de boa doutrina que o permitisse trabalhar. Muitos se enganam com a ideia de que a palavra de um bispo é infalível, ignorando o fato de que em nosso tempo boa parte dos padres e bispos não possuem mais a fé católica, mas sucumbiram na apostasia. Não são capazes de ensinar a verdade, mas combatem a piedade, trabalhando para calar, denegrir e anular quem tem coragem de pregar a verdade e se preocupa com o bem e salvação das almas. Muitos que julgaram e denegriram o padre Rodrigo Maria por causa das falsas afirmações, deveriam colocar a mão na consciência e se perguntar se agiram de uma forma agradável a Deus. É curioso ver muitos conservadores e tradicionalistas discordarem e criticarem (com razão ou não) de muita coisa que boa parte dos bispos fazem ou dizem, mas nesse caso do padre Rodrigo Maria, tomam a palavra do bispo como se fosse uma sentença infalível e inquestionável. A maior parte não se pergunta porque estas supostas vítimas não foram à polícia ou fizeram ao menos uma denúncia ou boletim de ocorrência se alegam terem sido agredidas… ou porque tais “supostos delitos” não se verificaram em nenhuma das paróquias onde o padre serviu durante vários anos, fato que é atestado documentalmente pelos bispos, padres, ex irmãos, ex irmãs, secretárias, cozinheiras e pessoas que viveram diariamente com o padre nas paróquias pelas quais passou… ou porque o bispo quis impedir o padre Rodrigo de abrir os processos na justiça do Estado para responsabilizar 10 dos indivíduos que o caluniaram publicamente… São numerosas as perguntas que muitos não se fazem, mas repetem acusações seríssimas sem se certificar se são verdadeiras. Devemos respeitar e obedecer a todas as autoridades da Igreja naquilo que lhes compete e no que estejam de acordo com a verdade ensinada pela Igreja. Não é desobediência, nem falta de respeito discordar de uma autoridade se esta está fora da verdade ensinada por Cristo e sua Igreja. É impressionante como pessoas e mídias se dizentes católicas, replicaram a falsa, irresponsável e destruidora matéria feita por uma repórter militante LGBT da “Folha de São Paulo”, citando seus números e falsos depoimentos, sem se atinarem para a ausência de provas em tudo que esta afirmava. Essa história ainda não terminou. Aguardemos os desdobramentos. Que Deus, Pai e autor da verdade guie a todos. Equipe Templário de Maria

  • UNIÕES ENTRE HOMOSSEXUAIS – Congregação para a Doutrina da Fé

    INTRODUÇÃO Diversas questões relativas à homossexualidade foram recentemente tratadas várias vezes pelo Santo Padre João Paulo II e pelos competentes Dicastérios da Santa Sé.(1) Trata-se, com efeito, de um fenómeno moral e social preocupante, inclusive nos Países onde ainda não se tornou relevante sob o ponto de vista do ordenamento jurídico. A preocupação é, todavia, maior nos Países que já concederam ou se propõem conceder reconhecimento legal às uniões homossexuais, alargando-o, em certos casos, mesmo à habilitação para adoptar filhos. As presentes Considerações não contêm elementos doutrinais novos; entendem apenas recordar os pontos essenciais sobre o referido problema e fornecer algumas argumentações de carácter racional, que possam ajudar os Bispos a formular intervenções mais específicas, de acordo com as situações particulares das diferentes regiões do mundo: intervenções destinadas a proteger e promover a dignidade do matrimónio, fundamento da família, e a solidez da sociedade, de que essa instituição é parte constitutiva. Têm ainda por fim iluminar a actividade dos políticos católicos, a quem se indicam as linhas de comportamento coerentes com a consciência cristã, quando tiverem de se confrontar com projectos de lei relativos a este problema.(2) Tratando-se de uma matéria que diz respeito à lei moral natural, as seguintes argumentações são propostas não só aos crentes, mas a todos os que estão empenhados na promoção e defesa do bem comum da sociedade. NATUREZA E CARACTERÍSTICAS IRRENUNCIÁVEIS DO MATRIMÓNIO O ensinamento da Igreja sobre o matrimónio e sobre a complementaridade dos sexos propõe uma verdade, evidenciada pela recta razão e reconhecida como tal por todas as grandes culturas do mundo. O matrimónio não é uma união qualquer entre pessoas humanas. Foi fundado pelo Criador, com uma sua natureza, propriedades essenciais e finalidades.(3) Nenhuma ideologia pode cancelar do espírito humano a certeza de que só existe matrimónio entre duas pessoas de sexo diferente, que através da recíproca doação pessoal, que lhes é própria e exclusiva, tendem à comunhão das suas pessoas. Assim se aperfeiçoam mutuamente para colaborar com Deus na geração e educação de novas vidas. A verdade natural sobre o matrimónio foi confirmada pela Revelação contida nas narrações bíblicas da criação e que são, ao mesmo tempo, expressão da sabedoria humana originária, em que se faz ouvir a voz da própria natureza. São três os dados fundamentais do plano criador relativamente ao matrimónio, de que fala o Livro do Génesis. Em primeiro lugar, o homem, imagem de Deus, foi criado «  homem e mulher  » (Gn 1, 27). O homem e a mulher são iguais enquanto pessoas e complementares enquanto homem e mulher. A sexualidade, por um lado, faz parte da esfera biológica e, por outro, é elevada na criatura humana a um novo nível, o pessoal, onde corpo e espírito se unem. Depois, o matrimónio é instituído pelo Criador como forma de vida em que se realiza aquela comunhão de pessoas que requer o exercício da faculdade sexual. «  Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher e os dois tornar-se-ão uma só carne  » (Gn 2, 24). Por fim, Deus quis dar à união do homem e da mulher uma participação especial na sua obra criadora. Por isso, abençoou o homem e a mulher com as palavras: «  Sede fecundos e multiplicai-vos  » (Gn 1, 28). No plano do Criador, a complementaridade dos sexos e a fecundidade pertencem, portanto, à própria natureza da instituição do matrimónio. Além disso, a união matrimonial entre o homem e a mulher foi elevada por Cristo à dignidade de sacramento. A Igreja ensina que o matrimónio cristão é sinal eficaz da aliança de Cristo e da Igreja (cf. Ef 5, 32). Este significado cristão do matrimónio, longe de diminuir o valor profundamente humano da união matrimonial entre o homem e a mulher, confirma-o e fortalece-o (cf. Mt 19, 3-12; Mc 10, 6-9). Não existe nenhum fundamento para equiparar ou estabelecer analogias, mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus sobre o matrimónio e a família. O matrimónio é santo, ao passo que as relações homossexuais estão em contraste com a lei moral natural. Os actos homossexuais, de facto, «  fecham o acto sexual ao dom da vida. Não são fruto de uma verdadeira complementaridade afectiva e sexual. Não se podem, de maneira nenhuma, aprovar  ».(4) Na Sagrada Escritura, as relações homossexuais «  são condenadas como graves depravações… (cf. Rm 1, 24-27; 1 Cor 6, 10; 1 Tm 1, 10). Desse juízo da Escritura não se pode concluir que todos os que sofrem de semelhante anomalia sejam pessoalmente responsáveis por ela, mas nele se afirma que os actos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados  ».(5) Idêntico juízo moral se encontra em muitos escritores eclesiásticos dos primeiros séculos,(6) e foi unanimemente aceite pela Tradição católica. Também segundo o ensinamento da Igreja, os homens e as mulheres com tendências homossexuais «  devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Deve evitar-se, para com eles, qualquer atitude de injusta discriminação  ».(7) Essas pessoas, por outro lado, são chamadas, como os demais cristãos, a viver a castidade.(8) A inclinação homossexual é, todavia, «  objectivamente desordenada  »,(9) e as práticas homossexuais «  são pecados gravemente contrários à castidade  ».(10) ATITUDES PERANTE O PROBLEMA DAS UNIÕES HOMOSSEXUAIS Em relação ao fenómeno das uniões homossexuais, existentes de facto, as autoridades civis assumem diversas atitudes: por vezes, limitam-se a tolerar o fenómeno; outras vezes, promovem o reconhecimento legal dessas uniões, com o pretexto de evitar, relativamente a certos direitos, a discriminação de quem convive com uma pessoa do mesmo sexo; nalguns casos, chegam mesmo a favorecer a equivalência legal das uniões homossexuais com o matrimónio propriamente dito, sem excluir o reconhecimento da capacidade jurídica de vir a adoptar filhos. Onde o Estado assume uma política de tolerância de facto, sem implicar a existência de uma lei que explicitamente conceda um reconhecimento legal de tais formas de vida, há que discernir bem os diversos aspectos do problema. É imperativo da consciência moral dar, em todas as ocasiões, testemunho da verdade moral integral, contra a qual se opõem tanto a aprovação das relações homossexuais como a injusta discriminação para com as pessoas homossexuais. São úteis, portanto, intervenções discretas e prudentes, cujo conteúdo poderia ser, por exemplo, o seguinte: desmascarar o uso instrumental ou ideológico que se possa fazer de dita tolerância; afirmar com clareza o carácter imoral desse tipo de união; advertir o Estado para a necessidade de conter o fenómeno dentro de limites que não ponham em perigo o tecido da moral pública e que, sobretudo, não exponham as jovens gerações a uma visão errada da sexualidade e do matrimónio, que os privaria das defesas necessárias e, ao mesmo tempo, contribuiria para difundir o próprio fenómeno. Àqueles que, em nome dessa tolerância, entendessem chegar à legitimação de específicos direitos para as pessoas homossexuais conviventes, há que lembrar que a tolerância do mal é muito diferente da aprovação ou legalização do mal. Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimónio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que abster-se de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do possível, abster-se também da cooperação material no plano da aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objecção de consciência. ARGUMENTAÇÕES RACIONAIS CONTRA O RECONHECIMENTO LEGAL DAS UNIÕES HOMOSSEXUAIS A compreensão das razões que inspiram o dever de se opor desta forma às instâncias que visem legalizar as uniões homossexuais exige algumas considerações éticas específicas, que são de diversa ordem. De ordem relativa à recta razão A função da lei civil é certamente mais limitada que a da lei moral.(11) A lei civil, todavia, não pode entrar em contradição com a recta razão sob pena de perder a força de obrigar a consciência.(12) Qualquer lei feita pelos homens tem razão de lei na medida que estiver em conformidade com a lei moral natural, reconhecida pela recta razão, e sobretudo na medida que respeitar os direitos inalienáveis de toda a pessoa.(13) As legislações que favorecem as uniões homossexuais são contrárias à recta razão, porque dão à união entre duas pessoas do mesmo sexo garantias jurídicas análogas às da instituição matrimonial. Considerando os valores em causa, o Estado não pode legalizar tais uniões sem faltar ao seu dever de promover e tutelar uma instituição essencial ao bem comum, como é o matrimónio. Poderá perguntar-se como pode ser contrária ao bem comum uma lei que não impõe nenhum comportamento particular, mas apenas se limita a legalizar uma realidade de facto, que aparentemente parece não comportar injustiça para com ninguém. A tal propósito convém reflectir, antes de mais, na diferença que existe entre o comportamento homossexual como fenómeno privado, e o mesmo comportamento como relação social legalmente prevista e aprovada, a ponto de se tornar numa das instituições do ordenamento jurídico. O segundo fenómeno, não só é mais grave, mas assume uma relevância ainda mais vasta e profunda, e acabaria por introduzir alterações na inteira organização social, que se tornariam contrárias ao bem comum. As leis civis são princípios que estruturam a vida do homem no seio da sociedade, para o bem ou para o mal. «  Desempenham uma função muito importante, e por vezes determinante, na promoção de uma mentalidade e de um costume  ».(14) As formas de vida e os modelos que nela se exprimem não só configuram externamente a vida social, mas ao mesmo tempo tendem a modificar, nas novas gerações, a compreensão e avaliação dos comportamentos. A legalização das uniões homossexuais acabaria, portanto, por ofuscar a percepção de alguns valores morais fundamentais e desvalorizar a instituição matrimonial. De ordem biológica e antropológica Nas uniões homossexuais estão totalmente ausentes os elementos biológicos e antropológicos do matrimónio e da família, que poderiam dar um fundamento racional ao reconhecimento legal dessas uniões. Estas não se encontram em condição de garantir de modo adequado a procriação e a sobrevivência da espécie humana. A eventual utilização dos meios postos à sua disposição pelas recentes descobertas no campo da fecundação artificial, além de comportar graves faltas de respeito à dignidade humana,(15) não alteraria minimamente essa sua inadequação. Nas uniões homossexuais está totalmente ausente a dimensão conjugal, que representa a forma humana e ordenada das relações sexuais. Estas, de facto, são humanas, quando e enquanto exprimem e promovem a mútua ajuda dos sexos no matrimónio e se mantêm abertas à transmissão da vida. Como a experiência confirma, a falta da bipolaridade sexual cria obstáculos ao desenvolvimento normal das crianças eventualmente inseridas no interior dessas uniões. Falta-lhes, de facto, a experiência da maternidade ou paternidade. Inserir crianças nas uniões homossexuais através da adopção significa, na realidade, praticar a violência sobre essas crianças, no sentido que se aproveita do seu estado de fraqueza para introduzi-las em ambientes que não favorecem o seu pleno desenvolvimento humano. Não há dúvida que uma tal prática seria gravemente imoral e pôr-se-ia em aberta contradição com o princípio reconhecido também pela Convenção internacional da ONU sobre os direitos da criança, segundo o qual, o interesse superior a tutelar é sempre o da criança, que é a parte mais fraca e indefesa. De ordem social A sociedade deve a sua sobrevivência à família fundada sobre o matrimónio. É, portanto, uma contradição equiparar à célula fundamental da sociedade o que constitui a sua negação. A consequência imediata e inevitável do reconhecimento legal das uniões homossexuais seria a redefinição do matrimónio, o qual se converteria numa instituição que, na sua essência legalmente reconhecida, perderia a referência essencial aos factores ligados à heterossexualidade, como são, por exemplo, as funções procriadora e educadora. Se, do ponto de vista legal, o matrimónio entre duas pessoas de sexo diferente for considerado apenas como um dos matrimónios possíveis, o conceito de matrimónio sofrerá uma alteração radical, com grave prejuízo para o bem comum. Colocando a união homossexual num plano jurídico análogo ao do matrimónio ou da família, o Estado comporta-se de modo arbitrário e entra em contradição com os próprios deveres. Em defesa da legalização das uniões homossexuais não se pode invocar o princípio do respeito e da não discriminação de quem quer que seja. Uma distinção entre pessoas ou a negação de um reconhecimento ou de uma prestação social só são inaceitáveis quando contrárias à justiça.(16) Não atribuir o estatuto social e jurídico de matrimónio a formas de vida que não são nem podem ser matrimoniais, não é contra a justiça; antes, é uma sua exigência. Nem tão pouco se pode razoavelmente invocar o princípio da justa autonomia pessoal. Uma coisa é todo o cidadão poder realizar livremente actividades do seu interesse, e que essas actividades que reentrem genericamente nos comuns direitos civis de liberdade, e outra muito diferente é que actividades que não representam um significativo e positivo contributo para o desenvolvimento da pessoa e da sociedade possam receber do Estado um reconhecimento legal especifico e qualificado. As uniões homossexuais não desempenham, nem mesmo em sentido analógico remoto, as funções pelas quais o matrimónio e a família merecem um reconhecimento específico e qualificado. Há, pelo contrário, razões válidas para afirmar que tais uniões são nocivas a um recto progresso da sociedade humana, sobretudo se aumentasse a sua efectiva incidência sobre o tecido social. De ordem jurídico Porque as cópias matrimoniais têm a função de garantir a ordem das gerações e, portanto, são de relevante interesse público, o direito civil confere-lhes um reconhecimento institucional. As uniões homossexuais, invés, não exigem uma específica atenção por parte do ordenamento jurídico, porque não desempenham essa função em ordem ao bem comum. Não é verdadeira a argumentação, segundo a qual, o reconhecimento legal das uniões homossexuais tornar-se-ia necessário para evitar que os conviventes homossexuais viessem a perder, pelo simples facto de conviverem, o efectivo reconhecimento dos direitos comuns que gozam enquanto pessoas e enquanto cidadãos. Na realidade, eles podem sempre recorrer – como todos os cidadãos e a partir da sua autonomia privada – ao direito comum para tutelar situações jurídicas de interesse recíproco. Constitui porém uma grave injustiça sacrificar o bem comum e o recto direito de família a pretexto de bens que podem e devem ser garantidos por vias não nocivas à generalidade do corpo social.(17) COMPORTAMENTOS DOS POLÍTICOS CATÓLICOS PERANTE LEGISLAÇÕES FAVORÁVEIS ÀS UNIÕES HOMOSSEXUAIS Se todos os fiéis são obrigados a opor-se ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, os políticos católicos são-no de modo especial, na linha da responsabilidade que lhes é própria. Na presença de projectos de lei favoráveis às uniões homossexuais, há que ter presentes as seguintes indicações éticas. No caso que se proponha pela primeira vez à Assembleia legislativa um projecto de lei favorável ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, o parlamentar católico tem o dever moral de manifestar clara e publicamente o seu desacordo e votar contra esse projecto de lei. Conceder o sufrágio do próprio voto a um texto legislativo tão nocivo ao bem comum da sociedade é um acto gravemente imoral. No caso de o parlamentar católico se encontrar perante uma lei favorável às uniões homossexuais já em vigor, deve opor-se-lhe, nos modos que lhe forem possíveis, e tornar conhecida a sua oposição: trata-se de um acto devido de testemunho da verdade. Se não for possível revogar completamente uma lei desse género, o parlamentar católico, atendo-se às orientações dadas pela Encíclica Evangelium vitae, «  poderia dar licitamente o seu apoio a propostas destinadas a limitar os danos de uma tal lei e diminuir os seus efeitos negativos no plano da cultura e da moralidade pública  », com a condição de ser «  clara e por todos conhecida  » a sua «  pessoal e absoluta oposição  » a tais leis, e que se evite o perigo de escândalo.(18) Isso não significa que, nesta matéria, uma lei mais restritiva possa considerar-se uma lei justa ou, pelo menos, aceitável; trata-se, pelo contrário, da tentativa legítima e obrigatória de proceder à revogação, pelo menos parcial, de uma lei injusta, quando a revogação total não é por enquanto possível. CONCLUSÃO A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimónio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade actual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do património comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade. O Sumo Pontífice João Paulo II, na Audiência concedida a 28 de Março de 2003 ao abaixo-assinado Cardeal Prefeito, aprovou as presentes Considerações, decididas na Sessão Ordinária desta Congregação, e mandou que fossem publicadas. Roma, sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 3 de Junho de 2003, memória de São Carlos Lwanga e companheiros, mártires. Joseph Card. Ratzinger Prefeito Angelo Amato, S.D.B. Arcebispo titular de Sila Secretário (1) Cf. João Paulo II, Alocuções por ocasião da recitação do Angelus, 20 de Fevereiro de 1994 e 19 de Junho de 1994; Discurso aos participantes na Assembleia Plenária do Conselho Pontifício para a Família, 24 de Março de 1999; Catecismo da Igreja Católica, nn. 2357-2359, 2396; Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Persona humana, 29 de Dezembro de 1975, n. 8; Carta sobre a cura pastoral das pessoas homossexuais, 1 de Outubro de 1986; Algumas Considerações sobre a Resposta a propostas de lei em matéria de não discriminação das pessoas homossexuais, 24 de Julho de 1992; Conselho Pontifício para a Família, Carta aos Presidentes das Conferências Episcopais da Europa sobre a resolução do Parlamento Europeu em matéria de cópias homossexuais, 25 de Março de 1994; Família, matrimónio e «  uniões de facto  », 26 de Julho de 2000, n. 23. (2) Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao empenho e comportamento dos católicos na vida política, 24 de Novembro de 2002, n. 4. (3) Cf. Concílio Vaticano II, Constituição pastoral Gaudium et spes, n. 48. (4) Catecismo da Igreja Católica, n. 2357. (5) Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Persona humana, 29 de Dezembro de 1975, n. 8. (6) Cf. por exemplo, S. Policarpo, Carta aos Filipenses, V, 3; S. Justino, Primeira Apologia, 27, 1-4; Atenágoras, Súplica em favor dos cristãos, 34. (7) Catecismo da Igreja Católica, n. 2358; cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre a cura pastoral das pessoas homossexuais, 1 de Outubro de 1986, n. 10. (8) Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2359; Congregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre a cura pastoral das pessoas homossexuais, 1 de Outubro de 1986, n. 12. (9) Catecismo da Igreja Católica, n. 2358. (10) Ibid., n. 2396. (11) Cf. João Paulo II, Carta encíclica Evangelium vitae, 25 de Março de 1995, n. 71. (12) Cf. ibid., n. 72. (13) Cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, I-II, q. 95, a. 2. (14) João Paulo II, Carta encíclica Evangelium vitae, 25 de Março de 1995, n. 90. (15) Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução Donum vitae, 22 de Fevereiro de 1987, II. A. 1-3. (16) Cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 63, a. 1, c. (17) Deve, além disso, ter-se presente que existe sempre «  o perigo de uma legislação, que faça da homossexualidade uma base para garantir direitos, poder vir de facto a encorajar uma pessoa com tendências homossexuais a declarar a sua homossexualidade ou mesmo a procurar um parceiro para tirar proveito das disposições da lei  » (Congregação para a Doutrina da Fé, Algumas Considerações sobre a Resposta a propostas de lei em matéria de não discriminação das pessoas homossexuais, 24 de Julho de 1992, n. 14). (18) João Paulo II, Carta encíclica Evangelium vitae, 25 de Março de 1995, n. 73. http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20030731_homosexual-unions_po.html

  • CRER NA CARIDADE SUSCITA CARIDADE – Mensagem de papa Bento XVI para a Quaresma de 2013

    «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16) Queridos irmãos e irmãs! A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da acção do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros. 1. A fé como resposta ao amor de Deus Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16), recordava que, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (…) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro» (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal – que engloba todas as nossas faculdades – à revelação do amor gratuito e «apaixonado» que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: «O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no acto globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está “concluído” e completado» (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os «agentes da caridade», a necessidade da fé, daquele «encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor» (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor – «caritas Christi urget nos» (2 Cor 5, 14) – , está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus. «A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (…) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única – que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir» (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente «o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado» (ibid., 7). 2. A caridade como vida na fé Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o «sim» da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20). Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n’Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma «fé que actua pelo amor» (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12). A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é «caminhar» na verdade (cf. Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30). 3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma «dialéctica». Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o activismo moralista. A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e acção, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). De facto, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não há acção mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal factor de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8). Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contacto com o divino que é capaz de nos fazer «enamorar do Amor», para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros. A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: «É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas acções que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos» (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola. 4. Prioridade da fé, primazia da caridade Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a acção do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:«Abbá! – Pai!» (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: «Jesus é Senhor!» (1 Cor 12, 3) e «Maranatha! – Vem, Senhor!» (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20). Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5). A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Baptismo e a Eucaristia. O Baptismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé («saber-se amado por Deus»), mas deve chegar à verdade da caridade («saber amar a Deus e ao próximo»), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13). Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor! Vaticano, 15 de Outubro de 2012

  • NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE O PEDIDO DE DEMISSÃO DO ESTADO CLERICAL DO PE. RODRIGO MARIA

    NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE A ATUAL SITUAÇÃO DO PE. RODRIGO MARIA Diante da repercussão da nova situação do Padre Rodrigo Maria convém esclarecer e comunicar alguns pontos. 01 – A fé do Padre Rodrigo Maria, sua pertença e seu serviço a Igreja Católica nunca estiveram em questão. O mesmo seguirá no serviço a Deus e a Santa Igreja de Cristo; 02 – A renúncia ao exercício do ministério sacerdotal e consequentemente ao estado clerical, nunca foram desejados ou queridos pelo Padre Rodrigo Maria que, porém, acolheu a orientação de seu bispo para poder voltar a servir a Igreja, fazendo o que qualquer leigo pode fazer, sem ser impedido por amarras e restrições; 03 – O Padre Rodrigo Maria não deixou o exercício do ministério sacerdotal por confusão ou crise vocacional, mas tão somente para poder voltar a servir a Igreja da forma que compreendeu ser a mais adequada no momento, uma vez que há quase cinco anos vinha passando por restrições na realização de seu trabalho (às vezes parcial, às vezes totalmente); situação que poderia se prolongar por tempo indeterminado; 04 – O Padre Rodrigo Maria nunca foi afastado, interditado ou suspenso por Roma no exercício do ministério sacerdotal. Todas as restrições ou impedimentos por ele sofridos, emanaram da autoridade diocesana. Porém, é útil esclarecer que não pesa sobre ele nenhum tipo de castigo ou censura por parte da Igreja, seja universal ou diocesana; 05 – As falsas acusações enviadas a Roma (Congregação para Doutrina da Fé), foram consideradas sem fundamento por esse órgão da Santa Sé que as examinou; 06 – Após o parecer de Roma (CDF), que não encontrou fundamento nas acusações enviadas aí contra o Padre Rodrigo Maria, o bispo diocesano resolveu fazer um processo local para averiguar as acusações que foram feitas. Hoje, o citado processo não existe mais e o Padre Rodrigo Maria não foi condenado em nenhum momento em decorrência do mesmo; 07 – Não existe na justiça comum nenhuma denúncia ou processo contra o Padre Rodrigo Maria, e o que havia a nível canônico, como já dito, foi extinto sem que houvesse qualquer condenação; 08 – Segue na Justiça comum do Brasil os processos que o Padre Rodrigo Maria está movendo contra 10 pessoas que o caluniaram e denegriram publicamente em redes sociais; 09 – O Padre Rodrigo Maria nunca recebeu nenhum salário durante todo o tempo que serviu em sua diocese no Paraguai, nem pediu ou recebeu da mesma qualquer tipo de ajuda financeira a título de auxílio para essa nova etapa de sua vida. Confiando na providência divina, com a graça de Deus e seu trabalho, procurará prover seu próprio sustento; 10 – O Padre Rodrigo, pretende utilizar o tempo que se seguirá para alcançar junto a Deus a graça de uma mais profunda conversão e purificação, retomando ao serviço de evangelização e formação da forma possível a seu estado; 11 – Fazendo eco ao ensinamento magisterial de sempre da Santa Igreja Católica, seguirá lutando pela sã doutrina, contra a mentalidade e prática revolucionária e pelo bem e salvação dos irmãos; 12 – O Padre Rodrigo Maria deixa expressa sua gratidão a Deus e ao povo a quem pôde servir como sacerdote durante 19 anos. E, ao mesmo tempo em que pede perdão a Deus e aos irmãos pelas muitas faltas e erros cometidos durante sua caminhada, suplica a todos a caridade da intercessão para que seja fiel a vontade de Deus nos passos que se seguirão; Assim que, juntamente com seu orientador espiritual, o Padre Rodrigo Maria entender ser o tempo, falará pessoal e diretamente sobre os temas aqui tratados. A página TEMPLÁRIO DE MARIA, assim como outras mídias, continuarão a postar as pregações, formações e artigos do Padre Rodrigo Maria. Na consciência que a ordenação sacerdotal imprime caráter indelével tornando-o receptor das sagradas ordens “sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque”, segue, de nossa parte, o respeito, a gratidão e o compromisso de oração pelo Padre Rodrigo Maria. Equipe TEMPLÁRIO DE MARIA

  • NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE O PEDIDO DE DEMISSÃO DO ESTADO CLERICAL DO PE. RODRIGO MARIA

    NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE A ATUAL SITUAÇÃO DO PE. RODRIGO MARIA Diante da repercussão da nova situação do Padre Rodrigo Maria convém esclarecer e comunicar alguns pontos. 01 – A fé do Padre Rodrigo Maria, sua pertença e seu serviço a Igreja Católica nunca estiveram em questão. O mesmo seguirá no serviço a Deus e a Santa Igreja de Cristo; 02 – A renúncia ao exercício do ministério sacerdotal e consequentemente ao estado clerical, nunca foram desejados ou queridos pelo Padre Rodrigo Maria que, porém, acolheu a orientação de seu bispo para poder voltar a servir a Igreja, fazendo o que qualquer leigo pode fazer, sem ser impedido por amarras e restrições; 03 – O Padre Rodrigo Maria não deixou o exercício do ministério sacerdotal por confusão ou crise vocacional, mas tão somente para poder voltar a servir a Igreja da forma que compreendeu ser a mais adequada no momento, uma vez que há quase cinco anos vinha passando por restrições na realização de seu trabalho (às vezes parcial, às vezes totalmente); situação que poderia se prolongar por tempo indeterminado; 04 – O Padre Rodrigo Maria nunca foi afastado, interditado ou suspenso por Roma no exercício do ministério sacerdotal. Todas as restrições ou impedimentos por ele sofridos, emanaram da autoridade diocesana. Porém, é útil esclarecer que não pesa sobre ele nenhum tipo de castigo ou censura por parte da Igreja, seja universal ou diocesana; 05 – As falsas acusações enviadas a Roma (Congregação para Doutrina da Fé), foram consideradas sem fundamento por esse órgão da Santa Sé que as examinou; 06 – Após o parecer de Roma (CDF), que não encontrou fundamento nas acusações enviadas aí contra o Padre Rodrigo Maria, o bispo diocesano resolveu fazer um processo local para averiguar as acusações que foram feitas. Hoje, o citado processo não existe mais e o Padre Rodrigo Maria não foi condenado em nenhum momento em decorrência do mesmo; 07 – Não existe na justiça comum nenhuma denúncia ou processo contra o Padre Rodrigo Maria, e o que havia a nível canônico, como já dito, foi extinto sem que houvesse qualquer condenação; 08 – Segue na Justiça comum do Brasil os processos que o Padre Rodrigo Maria está movendo contra 10 pessoas que o caluniaram e denegriram publicamente em redes sociais; 09 – O Padre Rodrigo Maria nunca recebeu nenhum salário durante todo o tempo que serviu em sua diocese no Paraguai, nem pediu ou recebeu da mesma qualquer tipo de ajuda financeira a título de auxílio para essa nova etapa de sua vida. Confiando na providência divina, com a graça de Deus e seu trabalho, procurará prover seu próprio sustento; 10 – O Padre Rodrigo, pretende utilizar o tempo que se seguirá para alcançar junto a Deus a graça de uma mais profunda conversão e purificação, retomando ao serviço de evangelização e formação da forma possível a seu estado; 11 – Fazendo eco ao ensinamento magisterial de sempre da Santa Igreja Católica, seguirá lutando pela sã doutrina, contra a mentalidade e prática revolucionária e pelo bem e salvação dos irmãos; 12 – O Padre Rodrigo Maria deixa expressa sua gratidão a Deus e ao povo a quem pôde servir como sacerdote durante 19 anos. E, ao mesmo tempo em que pede perdão a Deus e aos irmãos pelas muitas faltas e erros cometidos durante sua caminhada, suplica a todos a caridade da intercessão para que seja fiel a vontade de Deus nos passos que se seguirão; Assim que, juntamente com seu orientador espiritual, o Padre Rodrigo Maria entender ser o tempo, falará pessoal e diretamente sobre os temas aqui tratados. A página TEMPLÁRIO DE MARIA, assim como outras mídias, continuarão a postar as pregações, formações e artigos do Padre Rodrigo Maria. Na consciência que a ordenação sacerdotal imprime caráter indelével tornando-o receptor das sagradas ordens “sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque”, segue, de nossa parte, o respeito, a gratidão e o compromisso de oração pelo Padre Rodrigo Maria. Equipe TEMPLÁRIO DE MARIA

  • ST. THOMAS AND THE IDEAL OF NATIONAL SELF-SUFFICIENCY

    In his treatise on the Governance of Princes, the Angelic Doctor writes: “There are two ways in which an abundance of the things it requires can be supplied to a State. The first, which we have already mentioned, is met with where the soil is so fertile that it abundantly provides for all the needs of human life. The second is by trade, by which the necessities of life are brought to the State from different places. It is quite clear that the former means is the better. For the higher a thing is in the scale of being, the more fully self-sufficient it is. since whatever needs another’s help is by that very fact shown to be defective. But that State is more fully self-sufficing which is supplied with all that it needs from its own territory, than is one which must obtain its supplies from abroad by trade. A State which has an abundance of food from its own territory in a more dignified position than one which is supplied by merchants. It appears to be in greater security also, for the importing of supplies from abroad can be easily hindered, whether owing lo the uncertain issue of wars or to the many dangers of the roads, and thus the State may be vanquished through lack of food. Again, this method is. better for social morality. For the country which needs considerable imports for its support must tolerate continuous intercourse with foreigners . . . who, having been brought up under different laws and customs, behave in many ways differently from the inhabitants of the country, so that these latter are spurred on to act similarly, and social life is disturbed. Again, if the citizens devote their lives to trade, the way will be opened to many vices. For, since the aim of traders is especially to make money, familiarity with trade leads to the awakening of greed in the hearts of the citizens. The result is that everything in the State will be put up for sale, mutual confidence will be destroyed and an atmosphere favourable to deceit and fraud created. Everyone, growing careless about the Common Good, will seek only his own advantage. The cultivation of virtue will decline, since honour, the reward of virtue, will be bestowed indiscriminately upon all comers. Hence, in such a State, social morality will inevitably suffer …. “Accordingly, it is better that a State should be supplied with food and whatever it needs from its own territory than that it should be completely dependent on trade. This does not mean, however, that merchants should be altogether excluded from the State, for it is not easy to find a State so well provided with all that it needs in every department that it can do without foreign trade. Then, in addition, many of the inhabitants would lose heavily, if their surplus could not be marketed elsewhere by traders. Hence a well-balanced State will have recourse to trade and traders in moderate fashion.” Legitimate trading, then, is meant to be carried on with a view-to supplementing the native resources of a country. Much of our modern trade is the result of the desire to get interest from weaker nations, by compelling them to accept loans from and buy the goods of the lending country, A modern loan from a foreign country, in addition to upsetting the price-level of the borrowing country, leaves the way open to the enslavement of the inhabitants to finance. Wars are frequently brought about by the endeavour to force a people to accept a loan, that is, to purchase goods in the creditor country. “To put it quite bluntly, the purpose of wars is to compel weaker nations to take surpluses off the hands of the stronger, running up debts, if need be, in order to pay for them. Then the threat of future war is necessary to ensure that the debts and the interest mi them shall not be repudiated.” (Denis Fahey C.S.Sp.; The Mystical Body of Christ)

  • A MAIOR CONSPIRAÇÃO – Padre Paul Crane, SJ

    Alguns meses atrás, durante o bate-papo social que se voltou, com previsível preocupação, para a moderna praga da apostasia clerical, um venerável membro da Companhia de Jesus contou várias histórias sobre a infiltração comunista entre os jesuítas. Uma delas era a de dois homens enviados para se juntar à Companhia na Itália e na Espanha por seus respectivos partidos comunistas nacionais: o primeiro retornou ao Partido no início dos anos 50, depois de mais de uma dúzia de anos de estudo e ordenação sacerdotal; o último deixou a Companhia antes da ordenação, há uma década. Ainda mais perturbador foi o caso de um proeminente reitor do seminário jesuíta em Roma, sobre o qual, após ser atropelado e morto, descobriu-se ser membro da KGB. Ponderemos, um pouco, sobre todos os imponderáveis de tal infiltração, o efeito dominó que poderia ter provocado, tais como os muitos alunos que foram deformados pelos professores, no seminário, ao longo dos anos; os clérigos e leigos que eles, por sua vez, como sacerdotes, teriam corrompido; os seminários e Ordens religiosas que foram igualmente infiltrados; e, acima de tudo, os infiltrados (e sua descendência deformada) que teriam ascendido ao episcopado. Nos últimos anos, essa situação problemática saiu ridicularizada dos reinos da “teoria da conspiração”, para se tornar uma explicação plausível para os níveis de corrupção, negligência e indiferença dos episcopados ocidentais. O fato de nunca podermos quantificar, precisamente, o grau de infiltração, não é motivo para se ignorar a realidade. Além disso, não podemos dizer que não fomos avisados. O ex-comunista e célebre converso Douglas Hyde revelou há muito tempo que, na década de 1930, a liderança comunista havia adotado uma política mundial sobre a infiltração da Igreja Católica. No início dos anos 50, a Sra. Bella Dodd também estava fornecendo explicações detalhadas sobre a subversão comunista da Igreja. Falando como ex-oficial de alto escalão do Partido Comunista Americano, a Sra. Dodd disse: “Na década de 1930, colocamos mil e cem homens no sacerdócio para destruir a Igreja por dentro”. A idéia era que esses homens fossem ordenados e assumissem posições de influência e comando, como monsenhores e bispos. Uma dúzia de anos antes do Vaticano II, ela afirmou: “Agora eles estariam nos lugares mais elevados da Igreja”, de onde trabalhariam por mudanças que enfraquecessem a eficácia da Igreja contra o comunismo. Ela também afirmou que essas mudanças seriam tão drásticas que, afinal, “não se reconheceria mais a Igreja Católica”. A Sra. Dodd, que se converteu à fé no final de sua vida, estava pessoalmente familiarizada com esse projeto diabólico, visto que, como agente comunista, parte de sua missão era incentivar jovens radicais (nem sempre comunistas de carteirinha) a entrar em seminários católicos. Somente ela havia encorajado quase mil jovens a se infiltrarem nos seminários e ordens religiosas! Um monge, que assistiu a uma palestra de Bella Dodd no início dos anos 1950, relembrou: “Eu escutei aquela mulher por quatro horas e ela deixou meu cabelo arrepiado. Tudo o que ela disse foi cumprido ao pé da letra. Poder-se-ia pensar que ela fosse o maior profeta do mundo, mas ela não era profeta. Ela estava apenas expondo, passo passo, o plano de batalha da subversão comunista da Igreja Católica. Ela explicava que, de todas as religiões do mundo, a Igreja Católica era a única temida pelos comunistas, por ser o seu único oponente efetivo. A ideia era destruir, não a instituição da Igreja, mas antes a fé do povo, e até usar a instituição da Igreja, se possível, para destruir a fé através da promoção de uma pseudo-religião: algo que se assemelhasse ao catolicismo, mas que não o fosse realmente. Uma vez que a Fé fosse destruída, ela explicou que haveria um complexo de culpa introduzido na Igreja, para rotular a Igreja do passado como sendo opressiva, autoritária, cheia de preconceitos; e arrogante, ao alegar ser a única possuidora da verdade, terminando por ser responsável pelas divisões ocorridas em seu corpo ao longo dos séculos. Isso bastaria para envergonhar os líderes da Igreja, já dispostos a uma abertura ao mundo, e a uma atitude mais flexível em relação a todas as religiões e filosofias. Os comunistas explorariam essa abertura para minar a Igreja ”. Essa conspiração foi confirmada repetidas vezes por desertores soviéticos. O ex-oficial da KGB, Anatoliy Golitsyn — que desertou em 1961 e em 1984 previu com 94% de precisão todos os desenvolvimentos surpreendentes no Bloco Comunista a partir de então —, confirmou há vários anos que essa “penetração das igrejas católicas e outras” era parte da “linha geral do partido na luta contra a religião”. Centenas de arquivos secretos sobre o Ocidente, revelados pelo antigo arquivista da KGB, Vassili Mitrokhin, publicados em 1999, contam uma história semelhante: a KGB cultivaria as relações mais próximas possíveis com católicos “progressistas” e financiaria suas atividades. Um dos órgãos esquerdistas identificados foi a pequena agência de imprensa católica italiana Adista, que durante décadas promoveu todas as causas pós-conciliares imagináveis ou “reformas”, e cujo diretor foi mencionado, no Arquivo Mitrokhin, como agente remunerado pela KGB. Curiosamente, pouco antes da exposição de Mitrokhin, foi justamente a pequena Adista que o cardeal Martini, ultramodernista, utilizou para difundir seu discurso dissidente no Sínodo Europeu de 1999, onde, entre outras coisas, propôs um “novo Concílio”. No entanto, o que muitas vezes se esquece, em tudo isto, é que o comunismo (junto com o movimento da Nova Era) é simplesmente a principal ferramenta da Maçonaria; sua política de infiltração na Igreja é apenas uma extensão do plano maçônico claramente exposto em Alta Vendita e outros documentos maçônicos, logo percebidos pelos Papas. Mesmo especialistas como Anatoliy Golitsyn não entenderam este ponto. Em O engano da Perestroika (1996), sua coleção de análises e previsões muito precisas submetidas à CIA durante o período 1985-95, ele insinua haver uma força controladora por trás do comunismo soviético, mas carece das “condições para estudar como poderia estar operando”, ocultamente, alguma organização poderosa. Ao mesmo tempo, ele lamenta que, apesar dos aplausos públicos pela precisão de suas previsões, os líderes ocidentais têm regularmente ignorado seus avisos. Não consegue perceber que, tendo financiado e alimentado o comunismo russo desde seu início, a elite maçônica (em aliança simbiótica com bilionários transnacionalistas que articulam negócios mundiais pelas razões mais prosaicas de poder e lucro) nem sempre dará liberdade aos caprichos de Bill Clinton, que atribui “muitas rupturas” em sua vida aos quarenta anos de filiação à Ordem Maçônica de De Molay. Existem, é claro, teorias de conspiração logicamente implausíveis e simplesmente tolas. No entanto, como atesta a generalizada infiltração homossexual da Igreja pós-conciliar, a idéia de que homens maus nunca se procuram para trabalhar juntos é ainda mais tola. Além disso, a insistência dos propagandistas liberais de que não há conspiração maçônica (auxiliada e estimulada por companheiros de viagem) é, sem dúvida, a maior conspiração de todas. Como E. Michael Jones esclarece em sua análise dessa tentativa de propaganda, que distorce e deturpa fontes históricas primárias — como o ex-maçom Abbe de Barruel, que escreveu no final do século XVIII que “o objetivo de sua conspiração [maçônica] é derrubar todos os altares onde Cristo é adorado” —, o establishment liberal procura proteger e manter a todo custo o espírito niilista do Iluminismo; é o legado maçônico que sustenta esse artifício dissoluto e decadente que chamamos de Modernidade. Como muitos de nossos Pastores se curvaram às insidiosas forças do Iluminismo e abraçaram a Modernidade, pode-se dizer que todas essas ruminações são agora supérfluas; e que, com a mentalidade liberal secular tão arraigada dentro da Igreja, toda a tese da infiltração/subversão se tornou puramente acadêmica. No entanto os católicos, em especial, devem saber mais sobre tudo isso; sobre como distinguir aquilo que é real de “conspirações” de maçons e comunistas escondidos debaixo da cama. E uma vez que os bispos não estão dispostos a alertá-los ou explicar a diferença, esta edição da revista, embora soe inquietante para alguns, buscará preencher uma lacuna. http://www.christianorder.com/editorials/editorials_2000/editorials_nov00.html

  • SIMÃO, O MAGO, O PAI DAS HERESIAS GNÓSTICAS

    SIMÃO, O MAGO, O PAI DAS HERESIAS GNÓSTICAS Para quem não tem nenhum conhecimento do que se trata a gnose, temos um exemplo em nossos tempos, que é a maçonaria e outras doutrinas filosóficas-teologicas como o perenialismo, vamos por enquanto conhecer o pai terreno de todas essas heresias. Foi em Samaria, enquanto S. Filipe ali pregava, que apareceu o primeiro heresiarca, Simão, o Mago, natural de Gita, em Samaria, e tão célebre pelos seus prodigios que o intitulavam a Virtude de Deus. Não obstante isso, não pôde resistir ao santo diácono e, mostrando-se movido das suas pregações, pediu e recebeu o batismo. Quando os dois Apóstolos, vindos de Jerusalém para confirmar na fé os samaritanos, impuseram-lhes as mãos, Simão admirou-se de ver o Espirito Santo descer sobre os Apóstolos e manifestar-se de um modo sensível por meio do dom das linguas e dos outros milagres. Esse maravilhoso espetáculo excitou-lhe inveja, e, para obter o poder de obrar os mesmos prodigios em seu proveito, ofereceu-lhes dinheiro. Queria ser bispo de Samaria a fim de aumentar a sua influéncia sobre o povo vivamente impressionado com a pregação e com os milagres dos Apóstolos. “O teu dinheiro pereça contigo, disse-lhe Pedro, cheio de santa indignação, uma vez que tu te persuadiste de que o dom de Deus se podia adquirir com dinheiro. Tu não tens parte alguma neste ministerio, porque o teu coração não é reto diante de Deus”; e exortou-o a que fizesse penitência. O novo apóstata estava longe de sentir arrependimento, por isso, em lugar de fazer o que S. Pedro lhe recomendava, procurou tirar proveito da revelação e fez-se inimigo dos Apóstolos. Opôs à sua divina doutrina uma ambiciosa e absurda síntese, em que, segundo Receveur e Darras, se achava o gérmen de todas as heresias, que afligiram a Igreja durante muitos séculos. Espalhou, sobretudo, a doutrina dos éons, espécie de entes gerados uns dos outros, cuja primeira classe, emanada do próprio Deus, era inteiramente celeste e cuja última se referia ao mundo material. Esse sistema, que Valentim desenvolveu mais tarde, formou a base dos gnósticos e dos panteistas alexandrinos. O próprio Simão se intitulava o primeiro dos éons e só colocava o Verbo na quinta classe, preludiando com isso o arianismo. Segundo ele, a matéria era eterna, inimiga de Deus, e atribuía a sua ordem atual aos maus anjos. Explicava assim a origem do mal pelos principios, que desenvolveram depois os maniqueus. A descoberta do manuscrito dos philosophumena mostrou ainda mais claramente o vasto sistema gnóstico, organizado pelo patriarca da heresia. Quanta à moral, Simão negava toda distinção entre o bem e o mal. Segundo ele os atos não são bons nem maus, os vínculos do matrimônio são uma superstição, a família é uma instituição perversa; todas as suas leis emanaram dos maus anjos. Por isso os discípulos do mago de Gita viviam na mais grosseira devassidão; e ele mesmo levava consigo por toda parte uma mulher chamada Helena, que ele tinha comprado em um prostíbulo e a respeito da qual dizia milhares de sandices. A vergonha do crime, que ele propôs a S. Pedro, esta ligada para sempre a sua memória, e, depois de passados vinte e um séculos, designa-se ainda com o nome de simonia o trafico das coisas espirituais e santas. A arte e as operações mágicas de Simão, reveladas pelos philosophumena, oferecem muita semelhanga com o espiritismo atual e com as tenebrosas evocações dos tempos modemos. Por esse tempo, suscitou o inferno outro inimigo aos Apóstolos: é Apolônio de Tiana, nascido alguns anos antes de Jesus Cristo. Ele nao tinha doutrina nova e particular. Adotou o sistema de Pitágoras, cujo misticismo exaltado convinha perfeitamente ao seu espírito entusiasta. Fez-se passar por amigo dos deuses e protegeu o culto popular dos ídolos. Dotado de um génio superior, de uma memória sem exemplo, hábil em todas as ciências e artes da Grécia, casto ao menos na aparência, tinha, além disso, uma estatura majestosa e como sobre-humana, uma presença tão cheia de dignidade e um rosto tao formoso que lhe atraía os povos. Conhecendo que a linguagem empática e o entoo costumado dos filósofos, longe de lhes granjear estima e valimento, fazia-os quase sempre ridiculos, exprimia-se de um modo claro e simples, que cativava os corações, conseguindo assim que o recebessem em toda parte com extraordinárias honras e que algumas cidades solicitassem a sua amizade. Nunca o paganismo teve talvez apóstolo mais sedutor. Até lhe atribuíram atos sobre-humanos. Campeão da idolatria, não seria para admirar que o demônio o protegesse. No combate supremo da verdade com o erro, Satanás, diz Mons. Freppel, reunia todas as suas forças para contrastar com os seus artifícios os efeitos da verdade. Porém esses fatos estão longe de ser certos, porque foram registrados por Damis, de Nínive, seu discípulo e amigo, a quem o filósofo Luciano chama aventureiro indigno de crédito e da menor consideração. O escrito de Damis nem mesmo jé existe, e só dele nos restam alguns fragmentos alterados e ideias vagas, que coligiu, passados mais de cem anos, o sofista Filostrato, “o mais mentiroso dos homens depois de Voltaire”, diz Nonote. Ainda assim Filostrato não fez essa coleção senão para comprazer com a imperatriz Júlia, esposa do imperador Sétimo Severo, de costumes dissolutos, amiga do maravilhoso e inimiga do cristianismo. Além disso, esses fatos extraordinários, tais como Filostrato os narra, não excedem, em rigor, os limites da força e destreza humanas. O mais notável de todos é, sem contradição, a suposta ressurreição de uma moça cujo saimento Apolônio encontrou nas ruas de Roma. Mas o proprio Filostrato não ousa afirmar que ela estivesse morta; o seu rosto achava-se ainda tépido, e caia então orvalho, que pôde reanimá-la. É deste modo que os mesmos admiradores de Apolônio referiram esse suposto milagre. Ademais, diz Rohrbacher, a narração de Filostrato é cheia de tantos contos pueris e ridículos que ele próprio se priva de todo o crédito, e refutá-los seriamente seria perder tempo e ofender o bom senso dos leitores. Assim o entenderam entre os antigos: Lactâncio, Eusébio, S. João Crisóstomo, Santo Agostinho, Fócio, Suídas; e entre os modemos: Ellies Dupin, Scaliger, Vosso, Casaubon, Baur, etc. (O principal dogma da filosofia de Pitágoras era a metempsicose tomada dos egípcios ou brâmanes. A alma do homem era uma parte da suprema inteligência, da qua a sua uniao com o corpo a conservava separada, e que se lhe reunia quando se desprendia de todo afeto às coisas temporais). Padre RIVAUX, Tratado da história eclesiástica, 1876, Brasília: Editora Pinus, 2011. #USA #maçonaria #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #Gnosticismo #desenvolvimentodoutrinal #HistóriadasHeresias #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Doctrinaldevelopment

  • A POBREZA DOS RICOS & E A RIQUEZA DOS POBRES – 6º Domingo do Tempo Comum

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “O que pode nos fazer realmente felizes?”, clicar AQUI. Não é nas riquezas, não é nos prazeres, nem tampouco nas “aparentes alegrias” que este mundo pode nos oferecer, que se encontra a verdadeira fonte de nossa realização. “Ai de nós”, na verdade, se achamos ser possível comprar das criaturas o que só Deus, de graça, pode nos dar. Assista a esta meditação do Padre Paulo Ricardo sobre o Evangelho das bem-aventuranças e aprenda com Nosso Senhor onde está e onde não está a nossa felicidade. A POBREZA DOS RICOS (Meditação de Scott Hahnn) As bênçãos e desgraças que ouvimos no evangelho de hoje significam a perfeição de toda a sabedoria do Antigo Testamento. Essa sabedoria é resumida, com maravilhosa simetria, na Primeira Leitura e no Salmo de hoje: cada qual declara que os justos — aqueles que esperam no Senhor e se deleitam em Sua Lei — prosperarão como árvore plantada perto de águas vivas. Os ímpios, que colocam sua “confiança nos seres humanos”, são condenados a murchar e morrer. Jesus está dizendo a mesma coisa no Evangelho. Os ricos e pobres são, para Ele, mais do que membros de classes sociais. Seu estado material simboliza seu estado espiritual. Os ricos são o “insolente” do salmo de hoje, gabando-se de sua auto-suficiência, do vigor de sua carne, como diz Jeremias na primeira leitura. Os pobres são os humildes, que depositam toda a sua esperança e confiança no Senhor. Já vimos as imagens dramáticas dessa inversão de termos no “Magnificat” de Maria. Lá, também, os ricos são derrubados de seus tronos, enquanto os famintos são saciados e os humildes exaltados (Lucas 1, 45-55 e16, 19-31). Esse é o mundo surpreendente do Evangelho de hoje: na pobreza, ganhamos um tesouro espiritual inimaginável; sofrendo, e até mesmo morrendo “por causa do Filho do Homem”, encontramos a vida eterna. As promessas do Antigo Testamento eram promessas de poder e prosperidade — para o aqui e agora. A promessa da Nova Aliança é alegria e verdadeira liberdade, mesmo em meio à miséria e labutas desta vida. Mas não é só isso. Como Paulo diz na epístola de hoje, seremos o mais dignos de compaixão se nossa esperança for “somente para esta vida”. As bênçãos de Deus significam que exultaremos com a ação de graças dos cativos libertos do exílio (Salmos 126, 1-2), festejaremos na mesa celestial do Senhor (Salmos 107, 3–9), “saltaremos de alegria” como João Batista saltou no ventre de sua mãe (Lucas 6, 23; 1, 41, 44) e ressuscitaremos com Cristo, “primícias dos que adormeceram”. https://stpaulcenter.com/rich-in-poverty-scott-hahn-reflects-on-the-sixth-sunday-in-ordinary-time/ PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Jeremias 17, 5-8) O deserto e o jardim Isto diz o Senhor: “Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor; como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar na secura do ermo, em região salobra e desabitada. Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; é como a árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca de umidade; por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem mantém-se verde, não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa de dar frutos”. SALMO 1 A palha seca e a árvore frondosa (Antífona): É feliz quem a Deus se confia! — Feliz é todo aquele que não anda/ conforme os conselhos dos perversos;/ que não entra no caminho dos malvados,/ nem junto aos zombadores vai sentar-se;/ mas encontra seu prazer na lei de Deus/ e a medita, dia e noite, sem cessar. — Eis que ele é semelhante a uma árvore,/ que à beira da torrente está plantada;/ ela sempre dá seus frutos a seu tempo,/ e jamais as suas folhas vão murchar./ Eis que tudo o que ele faz vai prosperar. — Mas bem outra é a sorte dos perversos./ Ao contrário, são iguais à palha seca/ espalhada e dispersada pelo vento./ Pois Deus vigia o caminho dos eleitos,/ mas a estrada dos malvados leva à morte. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1Coríntios  15,12.16-20) A vida plena da ressurreição Irmãos: Se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como podem alguns dizer entre vós que não há ressurreição dos mortos? Pois, se os mortos não ressuscitam, então Cristo também não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, a vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados. Então, também os que morreram em Cristo pereceram. Se é para esta vida que pusemos a nossa esperança em Cristo, nós somos — de todos os homens — os mais dignos de compaixão. Mas, na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. EVANGELHO (São Lucas 6, 17-20-26) Os dois caminhos Naquele tempo, Jesus desceu da montanha com os discípulos e parou num lugar plano. Ali estavam muitos dos seus discípulos e grande multidão de gente de toda a Judeia e de Jerusalém, do litoral de Tiro e Sidônia. E, levantando os olhos para os seus discípulos, disse: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus! Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque havereis de rir! Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome, por causa do Filho do Homem! Alegrai-vos, nesse dia, e exultai, pois será grande a vossa recompensa no céu; porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação! Ai de vós, que agora tendes fartura, porque passareis fome! Ai de vós, que agora rides, porque tereis luto e lágrimas! Ai de vós quando todos vos elogiam! Era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas”.

  • Três formas de viver – Fulton Sheen

    Parte da doutrina cristã é a ideia de que o cristão deve ser uma imitação de Cristo, tomar sua cruz e seguir o caminho que foi tomado pelo Senhor. Isso não ocorre por acaso. Indo a algum lugar, podemos não seguir nenhum caminho específico, seguir um caminho específico apenas porque é o caminho, e podemos ainda seguir um caminho porque desejamos verdadeiramente seguir aquele caminho. Da mesma forma o Venerável Fulton Sheen fala sobre Cristo: é o último caminho, o caminho com amor. Tradução: Andrey Costa APOIE OS TRADUTORES DE DIREITA https://apoia.se/tradutoresdedireita Webpage: http://TradutoresdeDireita.org Facebook: http://facebook.com/tradutoresdedireita Twitter: http://twitter.com/tradutores_br Instagram: https://www.instagram.com/tradutoresdedireita/ YouTube: https://youtu.be/JmUBCsuW_ik #Cristo #Deus #fultonsheen #Jesus

  • Vida comum e edificante dos primeiros cristãos. Diferença entre ela e o comunismo moderno

    Vida comum e edificante dos primeiros cristãos. Diferença entre ela e o comunismo moderno Esses primeiros cristãos, primícias da Igreja nascente, elevaram-se logo a perfeição evangélica e deram um exemplo dessa incomparável união, dessa completa abnegação e sublime caridade, que se admirou por tanto tempo na Igreja de Jerusalém. Tudo que cada um tinha era possuído em comum. Vendiam as suas fazendas e os seus bens e distribuíam-nos por todos, segundo a necessidade que cada um tinha. Congregavam-se nos cenáculos ou oratórios das casas particulares para orar e participar da fração do pão, isto é, da Eucaristia. Depois da oração e da instrução, para conservar entre si a união e a Concórdia e para restabelecer, ao mesmo junto dos altares, a fraternidade destruída na sociedade civil pela grande desigualdade das condições, faziam em comum uma refeição conhecida pelo nome de ágape, que significa amor, e tomavam a comida com alegria e simplicidade de coração. Realmente esses primeiros fiéis eram meninos pela humildade, pela pureza e pelo desinteresse; eram como uma república angélica, angélica república, diz São João Crisóstomo. Em memória das ágapes da primitiva igreja, é que em algumas paróquias se oferece e distribui aos fiéis o pão Bento a missa conventual. Esse admirável procedimento da Igreja de Jerusalém, em perfeita harmonia com o tempo e as pessoas, durou perto 40 anos, até que os cristãos se retiraram para Pela. os mosteiros e as comunidades religiosas, que seguiram mais tarde o mesmo caminho da perfeição cristã, continuam a segui-lo ainda hoje, no meio das nossas sociedades corrompidas. Eis um exemplo sensível e real dessa igualdade de bens, dessa vida comum, que alguns legisladores e filósofos da antiguidade propuseram como o meio mais próprio para fazer a felicidade dos homens, mas sem poder consegui-lo. Os socialistas dos nossos dias sonham ainda a mesma coisa, sem obter melhor o resultado. mais instruídos que uns e outros, os apóstolos e a Igreja a designaram como a sorte exclusiva e livre da virtude perfeita e estabeleceram assim, solidamente e por toda a parte, o que esses pretensos sábios só sonharam. A comunhão de bens realizada pela fé dos primeiros fiéis dava aos Apóstolos a administração e o domínio das coisas temporais. Desse modo se acha constituída a propriedade eclesiástica no próprio berço da Igreja. Dentre os que venderam os seus bens para fazer comum o valor deles, cita a Escritura Sagrada principalmente um levita, natural de Chipre, chamado José, que recebeu o sobrenome de Barnabé e que, pouco tempo depois, elevado à dignidade de apóstolo, veio a ser companheiro de São Paulo. Tendo outro fiel, por nome Ananias, vendido um campo e trazido aos apóstolos só uma parte do valor, fazendo eles crerem que trazia todo o dinheiro, São Pedro disse-lhe: “Ananias, porque tentou Satanás o teu coração para que tu mentisses ao Espírito Santo e reservasses parte do preço do campo? Por ventura não era livre ficar com ele e ainda hoje, depois de vendido, não era teu o dinheiro?”. Essas palavras do apóstolo mostram que o crime não consistia no direito exclusivo de propriedade nem no de reservar para si a totalidade ou a parte do que lhe pertencia, mas na mentira do discípulo, depois de afirmar que dava todos os seus bens, como os outros, retinha uma parte por espírito de cobiça e avareza. Ricos com o que conservavam em seu poder, Ananias e Safira vinham a sê-lo muito mais adquirindo o direito de participar do tesouro comum da Igreja. Essa criminosa especulação foi o primeiro atentado contra os bens da Igreja e dos pobres. Como se vê, a oblação foi livre e Santa desde o princípio da pregação evangélica e é o que estabelece uma diferença essencial entre o evangelho e o comunismo. O comunismo é a exaltação até ao delírio de todos os apetites materiais e de todos os desejos grosseiros. A comunhão evangélica é a abnegação, a emulação do orgulho e da carne. Do evangelho ao comunismo há a distância do céu ao inferno. A repreensão que São Pedro deu a Ananias foi seguida logo do castigo, porque, passado quase o espaço de 3 horas, Ananias e Safira, sua mulher e cúmplices, caíram aos pés do Apóstolo e expiraram. #USA #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #desenvolvimentodoutrinal #históriadaigrejaprimitiva #Igreja

  • Resposta a Calvino: Tonsura, Sagrado Crisma e ”Judaização”?

    ***** IV, 19:26, 30-31 *** Livro IV CAPÍTULO 19 DOS CINCO SACRAMENTOS, FALSAMENTE CHAMADOS. SUA ESPURIA PROVA E SEU VERDADEIRO CARÁTER EXPLICADO. * DAS ORDENS ECLESIÁSTICAS. * 26. A natureza judaizante da tonsura. Por que Paulo raspou a cabeça em consequência de um voto. * Além disso, quando eles dizem que a coroa clerical tem sua origem e natureza dos nazarenos, o que mais eles dizem do que que seus mistérios são derivados de cerimônias judaicas, ou melhor, são apenas judaísmo? Como o desenvolvimento de observâncias judaicas anteriores equivale a “mero judaísmo”? Isso é um raciocínio absurdo. Jesus disse: “Não penseis que vim abolir a lei e os profetas; Eu vim não para aboli-los, mas para cumpri-los ”(Mateus 5:17) e“ até que o céu e a terra passem, nem um jota, nem um ponto, passará da lei até que tudo seja cumprido ”(Mateus 5:18). No entanto, Calvino opõe a semelhança de costume aos nazarenos como “mero judaísmo” como se isso fosse 1) lógico, ou 2) indicativo no menor grau do alto respeito que os primeiros apóstolos tinham pelo judaísmo? Jesus até aconselhou Seus seguidores a seguirem as instruções dos fariseus (Mateus 23: 2-3), e Ele o fez independentemente de sua própria consistência moral (“eles pregam, mas não praticam”). Quando eles acrescentam que Priscila, Áquila e o próprio Paulo, depois de terem feito um voto, rasparam a cabeça para que pudessem ser purificados, eles traem sua grosseira ignorância. Pois em parte alguma lemos isso de Priscila, enquanto, no que diz respeito a Áquila, é incerto, uma vez que a tonsura pode se referir igualmente bem a Paulo quanto a Áquila (At 18.18). A passagem diz: “Em Cen’chre-ae ele cortou o cabelo, pois ele tinha um voto.” Este é, supostamente, um profundo argumento contra a tonsura? Por que Calvino gostaria de argumentar contra isso? Eu afirmo que é simplesmente porque ele tem que se opor aos católicos a cada passo: mesmo nas áreas mais óbvias onde não há objeção sólida a ser feita. Se foi argumentado que Priscila e Áquila também rasparam a cabeça, então foi uma dedução baseada na associação com Paulo em At 18:18. Mas o fato é que Paulo o fez, e esse é um exemplo adequado de algo não diferente da tonsura. Por que, então, Calvino não desiste do argumento? Por que é tão importante para ele discordar de quase todos os tipos de catolicismo Mas não deixando-os na posse do que eles pedem – visto que eles tenham um exemplo em Paulo, deve-se observar, para o mais simples, que Paulo nunca raspou a cabeça para qualquer santificação, mas apenas em subserviência à fraqueza dos irmãos. Seja qual for o giro que Calvin possa querer colocar, ele ainda o fez, e é um exemplo que poderia ser imitado. Afinal, Paulo disse que devemos imitá-lo (2 Tessalonicenses 3: 7, 9). Votos desse tipo estou acostumado a chamar votos de caridade, não de piedade; em outras palavras, votos não realizados para o culto divino, mas apenas em deferência para com a fraqueza do fraco, como ele mesmo diz, que para os judeus ele se tornou um judeu (1Co 9:20). Isso, portanto, ele fez, e uma vez por pouco tempo, para que ele pudesse acomodar-se um pouco aos judeus. Quando esses homens, para nenhum fim, imitam as purificações dos nazarenos (Nm 6:18), o que mais eles estabeleceriam do que um novo, enquanto eles incorretamente assumem rivalizar com o antigo judaísmo? Auto-purificação é um tema comum no Novo Testamento também, visto especialmente em Paulo. Ele escreve, por exemplo, logo após a passagem acima citada por Calvino: 1 Coríntios 9: 23-27 Eu faço tudo por causa do evangelho, para que possa compartilhar suas bênçãos. [24] Vocês não sabem que em uma corrida todos os corredores competem, mas apenas um recebe o prêmio? Então corra para que você possa obtê-lo. [25] Todo atleta exerce autocontrole em todas as coisas. Eles fazem isso para receber uma coroa de flores perecíveis, mas nós somos uma imperecível. [26] Bem, eu não corro sem rumo, não luto como alguém batendo no ar; [27] mas eu esmurro meu corpo e o submeto, para que depois de pregar a outros eu mesmo seja desclassificado. Se São Paulo é uma figura proeminente do Novo Pacto, e ele nos incita a imitá-lo, e ele se envolve em todos os tipos de atividades penitenciais, então nada disso equivale a meramente “judaísmo antigo”. No mesmo espírito, a Epístola Decretal foi composta, a qual ordena ao clero, depois do apóstolo, que não alimente os seus cabelos, mas que os raspe em toda a volta (Cap. Prohibitur, Dist. 24); como se o apóstolo, ao mostrar o que é belo para todos os homens, tivesse sido solícito pela tonsura esférica do clero. Portanto, que meus leitores considerem que tipo de força ou dignidade pode haver nos mistérios subsequentes, aos quais esta é a introdução. Consideramos que Calvino não se importa com o exemplo bíblico. Quando confrontado com ele, ele joga jogos sofistas, a fim de agir como se não tivesse relevância, quando claramente, e é completamente não objetável como um modelo para os católicos imitarem. Mas o cabelo é uma coisa material, e como vimos repetidas vezes, Calvino parece sempre ter um problema (um pouco estranho) com a matéria tendo algo a ver com espiritualidade: uma atitude bizarra, à luz da encarnação e da crucificação de Jesus. * [. . . ] * 30. Absurdidade da unção empregada. * Mas de quem, ora, eles receberam sua unção? Eles respondem que receberam dos filhos de Aarão, dos quais também a ordem deles derivou sua origem (Sent. Lib. 4 Dist. 14, cap. 8, e em Canon. Dist. 21, cap. 1). Assim, eles constantemente escolhem se defender por exemplos perversos, em vez de confessar que qualquer uma de suas práticas precipitadas é inventada por eles mesmos. Em outras palavras, Calvino desaprova, parece ter um animus em andamento contra Tudo Judaico (como visto em seus frequentes comentários depreciativos sobre o Antigo Testamento, como se mal fosse necessário ou valioso para o cristão), e assim tem que agir como se os católicos não tivessem nenhuma razão para qualquer coisa que façam, a menos que concordem 100% com ele. Nós não temos nenhuma, ou se oferecemos uma, Calvino imediatamente a derruba por um de seus agora sofisticados subterfúgios sofistas patenteados e técnicas lógicas verbais de mão. Se ele estava ciente de que ele faz essas coisas constantemente, eu não sei, e não me importo, na caridade, de especular. Mas o fato de que ele as faz (inconscientes ou não, deliberadas ou não) com frequência está além de qualquer disputa. Enquanto isso, eles não observam que, ao professarem ser os sucessores dos filhos de Aarão, são prejudiciais ao sacerdócio de Cristo, o único que foi esboçado e tipificado por todos os antigos sacerdócios. Mais ou não sequências e falsas dicotomias absolutamente desnecessárias. . . Nele, portanto, todos eles foram concluídos e completos, nele cessaram, como temos repetidamente dito, e como a Epístola aos Hebreus, sem qualquer explicação, declara. Mas se eles estão muito satisfeitos com as cerimônias mosaicas, Aqui está o sentimento antijudaico novamente. Jesus com certeza não mostrou nada disso. São Paulo mostrou respeito ao sumo sacerdote judeu, mesmo em seu julgamento no tribunal canguru. Ambos adoravam no templo e nas sinagogas e observavam festas e rituais, etc. por que não apressam os bois, bezerros e cordeiros aos seus sacrifícios? Porque não temos “sacrifícios” – temos o único Sacrifício de Cristo feito presente na missa. Eles têm, de fato, uma grande parte do antigo tabernáculo e de todo o culto judaico. Que horror!!! Que coisa horrível! Como os cristãos se atrevem a tirar proveito da antiga herança da espiritualidade judaica! Que coisa ultrajante e inconcebível fazer. . . Imagine ter qualquer senso de história e respeitar o que veio antes (qualidades que são frequentemente ausentes nos delírios pontifícios e revolucionários de Calvino). . . A única coisa que queria a religião deles é que eles não sacrificam bois e bezerros. Quem não vê que esta prática da unção é muito mais perniciosa do que a circuncisão, especialmente quando se acrescenta superstição e uma opinião farisaica do mérito da obra? Ah; vamos agora usar a abordagem “critique dez coisas ao mesmo tempo”. Quão prevalente isso é entre os anticatólicos de hoje: e novamente vemos que provavelmente foi primeiro aprendido aos pés do próprio Calvino (que o recebeu de Lutero). Depois de um tempo, essas deficiências retóricas indignas são simplesmente tomadas como leite materno, sem pensar. Torna-se um modo de vida na luta contra a Grande Besta e a Prostituta. Os judeus colocaram sua confiança na justificação na circuncisão, Isso não é verdade. O consenso de hoje, mais e mais, em círculos acadêmicos de todos os tipos (até dois apologistas anti-católicos recentemente me disseram isso de volta) é defender que os judeus também acreditavam na salvação pela graça de Deus, através da fé, com essas várias obras. como sinais de obediência. O equívoco de Calvino foi transmitido no protestantismo histórico quase até os dias atuais, quando os melhores estudiosos estão finalmente vendo a injustiça dessas percepções cínicas da antiga fé judaica. esses homens procuram dons espirituais na unção. Esses homens olham para Jesus, que é o assunto da missa. Portanto, desejando ser rivais dos levitas, eles se tornam apóstatas de Cristo e se descartam do ofício pastoral. Certo. A conclusão ridícula, baseada em nada. . . Calvino se mostra um mestre nisso, o que não está dizendo muito. 31. Imposição de mãos. Absurdidade de, na ordenação papística. * É, se for de vossa mercê, o óleo sagrado que imprime um caráter indelével. Como se o óleo não pudesse ser lavado pela areia e sal, Isso é completamente irrelevante. A água batismal se vai em poucos minutos também. ou se grudar mais perto, com sabão. Mas esse caráter é espiritual. O que tem óleo a ver com a alma? A mesma coisa que a encarnação e nascimento virginal e a cruz e ressurreição e ascensão têm a ver com a alma. Deus usa matéria. Essa parece ser a coisa mais inexplicável para Calvino, mas para mim sua profunda ignorância (e / ou rejeição) do princípio sacramental evidente em toda parte na Bíblia é muito mais inexplicável. Esqueceram o que citam de Agostinho, que se a palavra for retirada da água, não haverá nada além de água, mas é devido à palavra que é um sacramento? Não. Ninguém está separando a Palavra do ritual (exceto Calvino, que muitas vezes é culpado do erro oposto: toda a Palavra e nenhum mistério ou cerimônia ou ritual ou milagre). Que palavra eles podem mostrar em seu óleo? É porque Moisés foi ordenado a ungir os filhos de Arão? (Êx 30:30) Eu já destaquei os usos escriturísticos do óleo em textos passadas. Mas ali recebe ordem referente à túnica, ao éfode, ao peitoral, à mitra, à coroa de santidade com a qual Aarão devia ser adornado; e sobre as túnicas, cintos e mitras que seus filhos deviam usar. Ele recebe o comando de sacrificar o bezerro, queimar sua gordura, cortar e queimar carneiros, santificar brincos e vestimentas com o sangue de um dos carneiros e inúmeras outras observâncias. Tendo passado por cima de tudo isso, eu me pergunto por que a unção do óleo, por si só, os agrada. Eu me pergunto por que Calvino está tão obcecado em abaixar o óleo, como se fosse tão supérfluo para o pensamento bíblico quanto, digamos, o ácido sulfúrico. Se eles se deliciam em ser aspergidos, por que são aspergidos com óleo e não com sangue? Porque o óleo representava ser “ungido” nas Escrituras. Isso é perfeitamente apropriado na ordenação, assim como foi para Davi e os outros reis. Eles estão tentando, de fato, um artifício engenhoso; eles estão tentando, por uma espécie de colcha de retalhos, fazer uma religião fora do cristianismo, judaísmo e paganismo. Ninguém que proclama a Cristo e Sua crucificação e redenção pode ser acusado do Judaísmo Próprio; no entanto, o cristianismo extraiu virtualmente todas as suas verdades dessa religião e simplesmente as desenvolveu ainda mais, aceitando a Jesus como Messias e Senhor. A acusação pagã não faz sentido aqui, mas eu entendo que a imensa animosidade de Calvino contra a matéria usada em quaisquer cerimônias espirituais é equacionada em sua mente ao paganismo. Ele não parece ser capaz de processá-lo de outra maneira. Mas isso não segue. Sua unção, portanto, é sem sabor; quer sal, isto é, a palavra de Deus. Permanece a imposição de mãos que, embora eu admita que seja um sacramento em verdadeira e legítima ordenação, Calvino concorda com alguma coisa! Eu nego ter tal lugar nesta fábula, onde eles não obedecem ao comando de Cristo, nem olham para o fim ao qual a promessa deve nos guiar. Se não tivessem o sinal negado, deveriam adaptá-lo à realidade a que se dedicam. A habitual conclusão cínica, non sequitur de Calvino. . . Tradução ARMSTRONG, David. Tonsure, Holy Oil,  and ”Judaizing”? (vs. Calvin #54) Disponível em: https://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2019/02/tonsure-holy-oil-and-judaizing-vs-calvin-54.html

  • TODAS AS RELIGIÕES SÃO ALGO QUERIDO POR DEUS?

    TODAS AS RELIGIÕES SÃO ALGO QUERIDO POR DEUS? A ação de Deus na conservação da verdade religiosa, desde Moisés até Jesus Cristo Vejamos a época dos patriarcas. É incontestável aquela em que a verdade correu menos perigo sobre a terra. Desde Adão até Moisés houve apenas cinco gerações: Adão viveu 100 anos com Matusalém . E, Matusalém 600 anos com Noé e 98 com Sem; Sem como viveu por muito tempo com Abraão e Isaque quando, Isaque foi avô de Davi, e Levi o foi de Moisés, que viveu alguns anos com ele. Ora, não parece que a tradição das verdades santas, que Adão tinha recebido do próprio Deus, podia facilmente chegar intacta e pura até Moisés, levada entre as mãos de cinco anciãos venerandos? Essa transmissão mostrava-se tanto mais fácil e segura que, únicos e pacíficos possuidores de toda terra e convivendo somente com as suas famílias e entregue a trabalho simples e inocentes, os patriarcas estavam infinitamente menos expostos ao influxo das paixões humanas, cujo sopro violento assola hoje o mundo e procura dissipar, confundir e extinguir as verdades morais e sobrenaturais que lhes são tão opostas. Sabe-se também que, antes do dilúvio, todos os homens falavam uma só e mesma língua e que a revelação primitiva era quase a única história que tinham de aprender e de ensinar a seus filhos. E, todo dia, para conservar a verdade, Deus não ser fiel totalmente na reminiscência, na retidão e nas luzes dos patriarcas nem na evidência dos princípios vírgulas aliás, pouco numerosos, da lei natural. Ele mesmo desceu, para se dizer viva ao meio desses Santos patriarcas. Foi ele que principiou por cometer O precioso depósito a fidelidade de Adão, vindo falar com ele. Depois falou várias vezes a Noé e teve tanta intimidade com Abraão que este patriarca estava de alguma sorte com ele para que acendesse aos seus pedidos, diz São João Crisóstomo, como se está com um amigo. Enquanto assim os conduzirá pela mão e os conservavam as suas famílias da Santa interpretação e fiel observância de sua lei pela mandava de tempos em tempos castigos rios a fim de operar o mesmo efeito entre os outros homens. O anátema de carrinho que a sua vida errante, O dilúvio universal, a confusão das línguas na torre de babel pela a destruição de Sodoma e Gomorra, etc. Foram as punições que o todo-poderoso infligiu aos transgressores de seus preceitos divinos. Mais tarde, quando os homens se tinham multiplicado, quando as paixões começaram a dominar na terra e quando, como se exprime a Sagrada Escritura, “toda a carne tinha confundido os seus caminhos “, Deus apressou-se, para assim dizer, em pôr a verdade a coberto de todo o perigo. Então é que ele chama a Abraão, separa-o dois demais homens e o faz pai de um povo, que ele separa também de todos os outros povos e que destina a guardar fielmente a fé antiga dos patriarcas. Nesse intuito prescreve-lhe praticas particulares, observâncias especiais, e dá-lhe um código completo, que tinha por fim preservado de todo contato perigoso com as nações que se afastavam das verdades reveladas. Não se limitou a isso. Ele mesmo tomou o regime e a direção da nação. Moisés, Josué e os juízes não foram, por espaço de mais de 300 anos, se não os seus lugares-tenentes; e o tabernáculo era como a tenda ou o palácio, onde os chefes subalternos iam receber as ordens do primeiro e verdadeiro soberano. Esse governo puramente teocrático, de uma autoridade evidentemente infalível, e cujos atos pela maior parte foram grandes milagres, durou perto de 400 anos. Nessa época, o povo de Deus pedia um rei, como os demais povos. Obteve-o, E esse novo governo subsistiu até ao tempo de Jesus Cristo. Mas, ainda que o Senhor tivesse abdicado de alguma sorte a autoridade temporal, vigiou sempre o precioso depósito da verdade e nunca o deixou à mercê do povo judaico. Porquanto conservou ainda debaixo da sua dependência o chefe da nação; os reis não foram, para assim dizer, mais que súditos seus, e, quando violavam a sua lei, depunha-os como a Saul ou castigava-os e ao seu povo com calamidades, que os faziam voltar ao caminho da verdade. Além disso, instituiu-se um tribunal especial para zelar pela conservação do depósito sagrado. Ademais, foi exatamente nessa época que começaram a aparecer os profetas. Houve, diz Bossuet, uma série não interrompida de grandes ou pequenos que, longe de aderir aos erros do povo, quando se estraviava, ou de os encobrir, se lhes opunham com toda a força. Era tão contínua essa sucessão que o Espírito Santo diz que Deus lhe dirigia frequentemente a sua palavra por meio de seus profetas, levantando-se de noite e admoestando-os todos os dias; para mostrar que a verdadeira fé nunca deixou de ser publicada nem o povo que a conservava de ser advertido por Deus. Esses profetas pertenciam ao povo escolhido; confirmavam a sua missão com numerosos milagres e mantinham no dever e na verdade uma grande parte dos sacerdotes e do mesmo povo; e quanto mais a impiedade parecia dominar, mais Deus fazia resplandecer o poder de seus enviados e mais meio da instrução e salvação subministrava. Desde o cativeiro de Babilônia até Jesus Cristo, não houve idolatria pública e duradoura. É verdade, sabemos, que sobreveio uma perseguição durante o reinado de Antíoco IV, chamado Epifânio ou o Ilustre; mas também não ignoramos o zelo de Matatias e o grande número de verdadeiros fiéis, que ser agregaram a sua família, e as brilhantes Vitórias de Judas Macabeus e de seus irmãos em todo o tempo do seu governo e do de seus sucessores até Jesus Cristo, subsistiu a profissão da verdadeira fé. Por último, os fariseus introduziram na religião e no culto numerosas superstições. Como a corrupção ia prevalecer, Jesus Cristo apareceu no mundo. Até então, a religião havia se conservado. É verdade que os doutores da lei possuíam muitas máximas e práticas perniciosas, que se propagavam pouco a pouco, mas elas não tinham sido ainda recebidas como dogma da sinagoga (pelo contrário, entre todas as outras nações, a lei natural e a revelação primitiva naufragaram tristemente. Em toda a superfície do Globo, era a nação judaica a única que proclamava a unidade de Deus; que recusava a toda criatura, até aos anjos, o direito de participar das honras Divinas; que teve ideias razoáveis a respeito da criação; que compreendeu a necessidade do culto interno; que rendeu à Divindade um culto externo e irrepreensível, etc. Todas as outras nações, até as mais instruídas, tinham se afastado da direção primitiva. É verdade que nas suas tradições apareceu ainda vestígios das verdades reveladas, mas horrivelmente desfiguradas. “Nessas nações tudo era Deus, diz Bossuet, exceto o mesmo Deus.” Expulsaram Deus dos seus altares, acrescenta Nicolau, e puseram em seu lugar tudo quanto há de mais criminoso e repugnante. A única exceção digna de se notar, que aqui apresenta a nação judaica, mostra bem a necessidade da intervenção divina para a conservação da verdade na terra.(Rollon, tratado dos estudos. Pluché, história do Céu. Riambourg). Por isso é que Jesus Cristo dizia também: “sobre a cadeira de Moisés se assentaram os escribas e os fariseus; fazei tudo quanto eles vos disserem; porém não andeis segundo a prática das suas ações” (São Mateus capítulo 23, versículo 2-3). Ele não cessou de honrar o ministério dos sacerdotes; enviou-lhes os leprosos, nos termos da lei; frequentou o templo e, repreendendo os abusos, foi sempre dedicado ao povo de Deus e ao culto público. Finalmente, chegou-se ao estado de decadência e de reprovação do antigo povo, designado pelas escrituras e pelos profetas, quando a sinagoga condenou Jesus Cristo e a sua doutrina. Mas então Jesus Cristo tinha aparecido e começado na sinagoga a reunir a sua Igreja, que devia subsistir eternamente. “Deus, diz o grande apóstolo, tendo falado muitas vezes e de muitos modos em outro tempo pelos profetas, ultimamente nestes dias nos falou pelo seu próprio filho.” “o verbo se fez carne, diz São João; e habitou entre nós: e nós o vimos; era cheio de graça e de verdade.” veio ao mundo no estábulo, “porque não havia lugar para seus pais na estalagem”. A riqueza do Redentor dos homens consistiu no presépio. Jesus Cristo pregou depois o seu santo evangelho; Revelou à terra por um espaço de 3 anos os segredos que ele via desde toda a eternidade no seio de seu pai. Percorreu a Judeia e encheu de benefícios. caritativo para com todos, misericordioso para com os pecadores, de quem se mostrou o verdadeiro médico, era dotado de uma autoridade e bondade que nunca tinham aparecido senão em sua pessoa. Foi amigo dos pobres, mas não desprezou os ricos. Anunciou altos mistérios, mas confirmou-os com estrondosos milagres. Prescreveu grandes virtudes, mas dava ao mesmo tempo grandes instruções, grandes exemplos e liberalizava grandes favores. Tudo atesta a divindade da sua pessoa: a sua vida, a sua doutrina, os seus milagres, a mesma verdade que nele resplandeceu por toda parte, tudo concorreu para que o conhecessem como supremo Senhor e modelo de perfeição. E só Ele, no meio dos homens e diante de seus inimigos, pôde dizer: “qual de vós me seguirá de pecado?”. E também: eu sou a luz do mundo. “As raposas tem o seu covil e as aves do céu o seu ninho; mas o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. Pobre até o fim, recebe da caridade o pão que o sustenta, os vestidos que cobrem amostra em que o envolvem. Sofreu as maiores dores sem fraqueza e sem ostentação e morreu orando pelo pelos seus inimigos e abençoando os seus algozes. Numa palavra, a sua morte foi milagrosa é inteiramente divina como a sua vida. Seus próprios inimigos o declararam: “na verdade este homem era filho de Deus” (São Mateus capítulo 27 versículo 54). E os mais ímpios filósofos não puderam deixar de reconhecê-lo. “Se a vida e a morte de Sócrates são as de um sábio, diz Rousseau, a vida e a morte de Jesus Cristo são as de um Deus” quando morreu, a natureza cobriu-se de luto. Três dias depois da sua morte, ressuscitou por sua própria virtude; e 40 dias depois da sua ressurreição, subiu ao céu de onde intercede por todos nós. A Igreja católica. Sua missão Contudo, o depósito da verdade, guardado até ali pelo mesmo Deus, e agora enriquecido, desenvolvido por Jesus Cristo e regado com seu Divino sangue, mais que nunca necessitava de não ser abandonado à mercê dos homens e ao furor das paixões cada vez mais terríveis Deus. Os profetas e Jesus Cristo tinham falado sempre ao homem uma linguagem exterior e sensível, porque a sua natureza e a sua necessidade exigem esse modo de ensino. Depois da morte do Salvador, a sua doutrina devia, pois, continuar a tomar uma forma visível; convinha que ela fosse confiada ainda a enviados, que falassem e ensinasem, como ele, de uma maneira sensível. É por isso,como já observamos com Bossuet, que Jesus Cristo, mesmo no meio da sinagoga, tinha tido o cuidado de fundar a sua Igreja pelo chamamento de 12 pescadores. Havia-lhes dado por chefes Simão Pedro, com uma prerrogativa tão manifesta que os evangelistas, na enumeração que faz dos Apóstolos, não seguem ordem certa, são todos concordes em designar Pedro como o primeiro de todos os outros. Depois, antes de subir ao céu, Jesus Cristo convocou esse sacro colégio, que o devia substituir neste mundo, e disse: “Assim como o pai me enviou a minha, também eu vos envio a vós: foi-me dado todo o poder no céu e na terra: ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura; ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do pai e do filho e do espírito santo; e estais certos de que eu sou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”. palavras dignas do esposo Celeste, diz Bossuet, que dá o seu poder e empenha para sempre a sua fé a sua Santa Igreja. De onde se segue que a Igreja não é para assim dizer, senão Jesus Cristo, falando e ensinando continuamente debaixo de uma forma humana. “É, como a encarnação permanente do filho de Deus”. assim como em Jesus Cristo, a divindade e a humanidade, ainda que distintas entre si, estavam estritamente unidas, assim também a Igreja, sua manifestação permanente, tem um lado Divino e um lado humano. Humano quanto aos homens que a compõem e Divina quanto ao espírito de Deus, que a anima e a governo, a igreja está agora encarregada do depósito da verdade até o fim do mundo (Fora da igreja católica, a verdade evangélica teve a sorte que havia tido a revelação primitiva fora do povo judaico. Foi dividida e confundida e horrivelmente desfigurado em todos os seus diversos pontos. Os milhares de hereges que tem aparecido a 21 séculos foram tão versáteis, tão discordantes e opostos uns aos outros como o foram entre si os filósofos pagãos. Disseram sim e não a todas as questões, a respeito da revelação, assim como os primeiros o tinham feito a todas as questões sobre a lei natural. A história das aberrações e das contradições da heresia é talvez até mais longa e deplorável que a da filosofia. “Todo erro, diz Bossuet, é uma verdade de que se abusou”. Ora, tendo sido o depósito da verdade aumentado e completado por Jesus Cristo, é evidente que os estragos dos novos racionalistas deveram sobrepujar os de seus antecessores. Ademais, todo universo sabe que os sublimes e profundos mistérios do Evangelho são menos acessíveis à razão humana que os princípios da lei natural. As paixões, sempre inimigas da verdade, vão também aumentando à proporção que os homens se multiplicam, etc. Todos esses desvarios da razão humana mostram o motivo porque Pascoal dizia: “Escarnecer a filosofia é verdadeiramente filosofar”. Logo é necessária hoje, mais que nunca, uma autoridade infalível para a conservação do depósito sagrado da verdade. Como o seu Divino esposo, ela ela deve esclarecer, ensinar, consolar e conduzir o homem pelo caminho da verdade. Fiel à sua missão, ela esclarece, consola, ensina o mundo, fazendo sempre bem, a exemplo de Jesus Cristo; E desde há 21 séculos alivia todas as dores que pesam sobre a humanidade. Mas os seus benefícios são negados, e o mundo tem lhe respondido sempre com a maior ingratidão. Nunca a Igreja de Jesus Cristo deixou de ser caluniada, atacada e perseguida em toda parte. Esse último fato completa a sua semelhança com seu Divino autor, de quem se disse: “veio para o que era seu, e os seus não o receberam… Está posto para ser alvo de contradição… “. A igreja, cumprindo, através das idades, a missão que Deus lhe deu, de ensinar a verdade e de fazer bem. Filha do céu, recebeu e contém em si 5 caracteres que proclamam sua Celeste origem: é uma, Santa, católica, apostólica, Romana. O inferno tem empregado os maiores e mais repetidos esforços para derrubar esses sinais divinos; mas não pôde consegui-lo nunca. Depois de decorridos 21 séculos, em que a perseguição foi contínua, eles brilham mais do que nunca sobre sua fronte. Os fatos, os monumentos, os testemunhos escritos e todo esse tempo provam unânime e irrefragavelmente, durante todos estes séculos, que a Igreja foi sempre uma, Santa, católica, apostólica, Romana, ou, por outros termos, que foi sempre divina e a verdadeira esposa de Jesus Cristo. É esse o Belo e consolador espetáculo que vemos por cada século da história da Igreja. Se nossa coragem tendesse a ser abalada à vista das cruéis provações porque está passando a Igreja, e ainda das mais cruéis que pareçam ameaçá-la, deveríamos lembrar-nos de que é essa a sua sorte constante e como que um poderoso elemento para sua sustentação. Esposa do Salvador, ela deve ser a primeira a seguir o caminho da Cruz, que o filho de Deus abriu e que todos os santos trilharam uns após outros. Mãe dos cristãos, o sofrimento é para ela, assim como para cada um dos seus filhos tomados individualmente, o meio de conseguir a salvação. A igreja foi inabalável através de 21 séculos de perseguição; porque o não será em face das tempestades contemporâneas? Nossos pais não desanimaram nos lances das provações passadas. No meio de tantas dúvidas, tinham fé; no meio de tantos desesperos, esperavam; no meio de tantos ódios, amavam. Façamos como eles ergamos a cabeça. Ouvimos vozes inimigas e impacientes clamar: “não chegará um dia em que se possa disser: eis o último Papa!” sim, mas esse dia vós não vereis; só chegará no fim dos tempos, quando Jesus Cristo aparecer para julgar os vivos e os mortos. Então ele já não precisará de um representante visível na terra; então terá acabado de sofrer na pessoa de seu último Vigário tudo quanto tinha de sofrer neste mundo. Quanto a nós, que não sabemos o dia nem a hora; quanto a nós, que no pó do combate vemos o Cristo encetar no seu representante atual um novo caminho da Cruz, sigamos com amor e fé, repetindo esse brado de dolorosa admiração, pelo qual a liturgia grega interrompe algumas vezes na sexta-feira Santa a solene leitura da paixão: “Glorificada seja a vossa paciência, senhor!’

  • Sebastian Franck: um protestante consistente

    Sebastian Franck nasceu em 20 de janeiro de 1499. Foi ordenado sacerdote católico romano, mas em 1525 converteu-se aos Protestantes Reformados e tornou-se pregador do Evangelho. No entanto, com o passar do tempo, ele até deixou o movimento Reformado e simpatizou principalmente com as seitas anabatistas, enquanto nunca se juntava formalmente a eles. O que atraiu minha atenção para Franck foi sua incrível profundidade de raciocínio sobre as implicações do que os reformadores e anabatistas estavam ensinando nos anos de protesto. Franck entendeu que o materialismo sacramental externo foi originalmente instituído por Deus, como os católicos acreditavam, mas que eles não estavam mais operacionais à luz da apostasia dos cristãos logo após os apóstolos. Ele sabia que uma religião sacramental exigiria um chamado divino junto com um sinal externo para validar esse chamado. Uma vez que os reformadores e anabatistas estavam apenas saindo de sua própria autoridade, eles não tinham meios para reconstruir a Igreja adequadamente, sem uma imediata sanção divina de Cristo para fazê-lo. Portanto, os reformadores e anabatistas estavam, sem saber, afirmando ter a autoridade para restabelecer e reconstruir a Igreja, mas sem qualquer sanção de Cristo que pudesse ser fornecida por significação externa. Foi tudo “Bem, minha leitura da Bíblia diz X, e então devemos fazer X, não Y”, onde Y é a praxis dos papistas ou dos anabatistas ou reformadores, e vice-versa. Tudo isso é revelado na carta de Franck a um certo João Campano, que era um católico que se tornou luterano, e então de um luterano virou radical anabatista. Nesta carta, Franck mostra o que parece ser uma pílula vermelha sobre as implicações de Martinho Lutero. Se, de fato, os pais da Igreja iniciados logo após São João (95 dC) caíram em heresias, então a Igreja também perdeu sua operação de poder celestial nos sacramentos. Franck acreditava que isso durou 14 séculos até o seu tempo, e só poderia ser restaurado através de uma revelação imediata de Cristo para fazê-los funcionar novamente. Além disso, Franck parece ter percebido que a Sola-Scriptura também não podia ajudar os luteranos, já que a Escritura não era perspícua. Havia Lutero vs. Zuínglio, os reformadores versus os papistas e os anabatistas contra todos eles. Assim, Franck conclui que a verdadeira mensagem da Escritura está escondida no Filho de Deus, e não nas Escrituras, e Ele revela a verdade para “aqueles que são devidamente instruídos”. Esta é a Igreja invisível 101. O que eu achei absolutamente fascinante sobre esse personagem é sua consistência maravilhosa. Ele estava olhando para Lutero, Zuínglio e os anabatistas e simplesmente não conseguia se dar bem com seus esforços de restauração. Se fosse necessária uma intervenção sobrenatural e imediata de Jesus Cristo para fazer a Igreja visível externa no começo, certamente não menos seria necessário reiniciar a Igreja 14 séculos depois de ter sido destruída por todos esses anos. E, no entanto, os protestantes não tiveram tal revelação de Cristo, e assim seus esforços são, do começo ao fim, iguais à autoridade dos seres humanos. Isto é, naturalmente, porque não há prevenção de cismas intermináveis, uma vez que cada reconstrução formatada do cristianismo tem um homem como seu autor, e com isso, qualquer homem poderia se opor a ela com a mesma autoridade. Franck acreditava que era muito mais consistente apenas perceber que o movimento protestante é um movimento feito pelo homem, sem nenhuma sanção para realizar qualquer ritual externo de adoração e salvação. Alguém em um relacionamento espiritual com Deus era tudo que era necessário, até que Cristo pudesse redefinir a vida da Igreja. Agora Agora. Os reformados de hoje e / ou os luteranos se recusarão a tudo isso e insistirão: “Não devemos jogar fora o bebê com a água do banho”. Mas realmente, o que eles retiveram não é o que a Igreja da Idade Média acreditava (500-1500). Como Frank assinala, esses cristãos sustentavam um sacrifício real no sagrado sacramento eucarístico. Aquilo ali foi o suficiente para mostrar que eles ficaram malucos logo depois dos apóstolos. Onde os reformadores queriam restaurar o autêntico evangelho e a praxis evangélica, que haviam sido eclipsados pelos papistas romanos durante séculos, eles não perceberam que suas instalações já tinham esvaziado qualquer base firme sobre a qual restaurar a Igreja, uma vez que cada um de seus protestos tinha para sua base, uma interpretação feita pelo homem das Escrituras, que em si não tinha sanção divina de Cristo. Quem deve validar se os luteranos, os calvinistas, os zuinglianos, os ingleses divinos, os anabatistas ou os papistas estavam certos ou errados? Apelos à Escritura apenas davam uma aparência de autenticidade, mas, na realidade, a Escritura chegou aos protestantes, não por referência bíblica, mas através da tradição eclesial católica. Assim, os apelos às Escrituras vieram com um apelo à autoridade da Igreja Católica. Além disso, os apelos à razão clara ainda existem no plano da autoridade humana, e isso pode ser derrotado com outra autoridade humana, que, em matéria de revelação divina, recai numa opinião contra uma opinião. Tudo isso orbitando em torno de fracos fundamentos epistemológicos, embora bem defendidos por cada parte, deixou o investigador crítico em falta. Franck acabou sendo tão cético que até se opôs aos próprios menonitas. Mas, novamente, não posso deixar de admirar sua consistência, por mais gravemente enganado que ele estivesse. Apenas pense nisso. Em que o protestante pode bater para enfatizar a necessidade de seguir sua tradição? Premissas protestantes já tomaram como certo que o Espírito Santo poderia adormecer por quase 14 séculos, e abster-se de levar qualquer homem à verdade do evangelho, pelo menos de qualquer maneira visível como existia na Igreja dos Apóstolos, que começou em Jerusalém . Que protestante poderia assegurar a alguém que o Espírito Santo retornou ao campo para jogar bola? As premissas protestantes já permitiam uma mudança nas crenças de uma época para a outra, admitindo aqui um erro grosseiro ou retendo a verdade essencial do evangelho em outra parte em uma variedade de proporções. Com essas premissas, quem proibiria a entrada de novas crenças? Novas crenças já haviam sido mais do que bem-vindas com Lutero. Etc etc. Sebastian Franck percebeu tudo isso e queimou todo o edifício, deixando-o com uma interação puramente invisível e puramente espiritual, ao estilo Quaker, com Deus, numa economia inescapavelmente arbitrária. Seria apenas um par de séculos antes que esse tipo de ceticismo conduzisse diretamente aos pensadores iluministas, ao movimento liberal e ao próprio ateísmo no fundo da longa espiral descendente. A parte da carta para Campano está abaixo. Eu peguei o inglês do The Spiritual and Anabaptist Writers editado por George H. Williams, página 147-160. “Graças a ti, querido Campano, do Pai das Luzes através do Senhor Cristo, por sentir e acreditar e preferir ficar sozinho contra todos os doutores da Igreja Romana ou (se agrada a Deus), que desde o tempo dos apóstolos até esta hora presente gozaram de grande renome – por preferir manter-se sozinho contra todos, em vez de errar com todos ou a maior parte deles … De fato, eu não duvido, mas o que todos os doutores altamente famosos cujas obras são ainda disponíveis, estão [aqueles] lobos que Paulo antecipou espiritualmente que cairiam sobre o rebanho e que João chama de anticristo, homens que até mesmo nos dias dos apóstolos se afastaram deles e realmente nunca estiveram com eles. Isto é provado por suas obras, especialmente as de Clemente, Irineu, Tertuliano, Cipriano, Crisóstomo, Hilário, Cirilo, Orígenes e outros, que são meramente brincadeiras de criança e muito diferentes do espírito dos apóstolos, isto é, completamente cheios de mandamentos, leis, elementos sacramentais e todos os tipos de invenções humanas. Jerônimo fala das sete ordens [da igreja]; Clemente, um discípulo de São Tiago – se alguém quiser acreditar – escreve algo sobre o purgatório e traz um absurdo mais tolo. Logo após os Apóstolos, tudo se desdobrou de maneira contrária. O batismo foi mudado para o batismo infantil; a Ceia do Senhor em uso indevido e sacrifício. O que eles escreveram nada mais é que vergonha e desgraça. Portanto, creio que a Igreja exterior de Cristo, incluindo todos os seus dons e sacramentos, por causa do assolamento e devastação do Anticristo logo após a morte dos apóstolos, subiu ao céu e está oculta no Espírito e na verdade. Estou, portanto, bastante certo de que, há mil e quatrocentos anos, não existiu nenhuma igreja reunida nem qualquer sacramento. Pois isto é provado junto com a experiência pelas obras, comportamento externo e uso indevido com o qual o Anticristo borrachou e estragou tudo … Para ser breve, meu querido irmão Campo, para que eu possa dizer de maneira sumária e abertamente ser compreendido por ti. , Eu defendo contra todas as autoridades eclesiásticas que todas as coisas externas e cerimônias, que eram habituais na Igreja dos Apóstolos, foram eliminadas e não devem ser reinstituídas, embora muitas pessoas sem autorização ou vocação se comprometam a restaurar por conta própria os sacramentos degenerados. Estas são as coisas que os lobos acima mencionados, os doutores da insensatez, macacos dos apóstolos e anticristos, propagaram vigorosamente. E aqueles que entendiam a verdade dessas coisas – seus escritos e instruções foram suprimidos por esses como heresias e tolices sem deus; e em seu lugar em estima vêm o tolo Ambrósio, Agostinho, Jerônimo, Gregório – de quem nem mesmo um conhecia o Senhor, então me ajude Deus, nem foi enviado por Deus para ensinar. Mas todos eram os apóstolos do Anticristo e ainda são assim. Eu sou um mentiroso se todos os seus livros não provam tanto, que nunca se mantêm juntos e são muito diferentes e afastados dos apóstolos. Não há um deles, até onde pode ser visto nos livros que eles deixaram, que parece ter sido um cristão, a menos que eles, pelo menos, se sentissem diferente em seus corações, sendo ensinados por Deus sem mais e arrependeram-se de suas obras perdidas. Porque eles não ensinam nada adequadamente que diz respeito à fé cristã. Sim, eles não conheceram nem ensinaram … o evangelho, a fé, o batismo, a ceia, a verdadeira justiça, a Escritura, a igreja e sua lei. … Eu, no entanto, acredito firmemente que a Igreja exterior de Cristo foi desperdiçada e destruída logo após os apóstolos. É isso que os lobos, isto é, o Pai, amplamente provam para mim, embora a Escritura não dê testemunho sobre esse ponto. Por tudo o que eles ensinam é certamente brincadeira de criança ociosa, se eles são comparados com os Apóstolos … Agora, entretanto, desde que a experiência ensina que o poder das igrejas externas e todas as coisas externas caíram em decadência e que a Igreja está [invisivelmente] dispersa entre os pagãos, verdadeiramente é minha opinião que nenhuma pessoa na terra pode, sem um chamado especial de Deus, reunir os mesmos e trazer novamente seus sacramentos em uso. Pois esta é uma obra de vocação externa e especial … Portanto, eu disse que as cerimônias externas da Igreja não devem ser restabelecidas, a menos que o próprio Cristo ordene, que não tenha falado verbalmente para usar, mas para os apóstolos e originalmente ordenou as coisas que eles deveriam pregar e batizar … Isto é o que eu Estou dizendo: Eles [reformadores] estão restaurando sacramentos desgastados, como eu os considero, o que ninguém deve fazer a menos que ele seja especialmente enviado para o propósito e provido de um sinal externo e chamado … Resumindo, tudo o que aprendemos desde infância dos papistas, devemos, de repente, desaprender. Novamente, o mesmo para o que recebemos de Lutero e Zuínglio- todos devem ser abandonados e alterados. Por um lado, será mais facil sair um bom cristão de um turco do que de um cristão ruim ou um divino instruído! Pois o véu de Moisés os impede, isto é, a carta da escritura que mata a morte, que eles receberam como vida e como Espírito que dá vida. Eu, no entanto, sustento completamente que a intenção do Senhor não reside precisamente na casca da Escritura. Isto é, a Escritura não é tão fácil para todos entenderem, mas eu logo creria que ela está trancada com sete selos e não podia ser conhecida por ninguém além do Cordeiro. Pois até certo ponto Deus esconde sua sabedoria sob a aparência de parábola literária e semelhança que ninguém, a não ser aqueles que são ensinados pelo próprio Deus, possam entendê-las. E ele não expõe tão levemente seu segredo ao mundo ímpio e a todos os escorpiões, mas antes oculta-o sob a casca, de modo que somente os instruídos por Deus, como eu disse, possam compreendê-lo ”. Tradução:  BARRA, Ericky. Sebastian Franck: A Consistent Protestant Disponível em: https://erickybarra.org/2019/02/11/sebastian-franck-a-consistent-protestant/#more-6266

  • DEUS PODE QUERER RELIGIÕES QUE NEGAM A DIVINDADE E A RESSURREIÇÃO DE CRISTO? – Josef Seifert

    Ninguém duvida de que muitas verdades sobre Deus e a lei moral natural, e muitas Semina Verbi [sementes do Verbo] foram conhecidas pelos pagãos e estão contidas em muitas religiões (exceto aquelas diretamente satânicas), como por exemplo a “regra de ouro”. “Ninguém acredita que Deus não pode dar a graça da salvação eterna fora do reino da Igreja visível, de seus sacramentos e da fé cristã consciente. Ninguém está errado em ver as muitas boas e belas verdades que o Papa Francisco e o Imam confirmam no documento [“A Fraternidade Humana para a paz mundial e a convivência comum”, assinado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, pelo Papa Francisco e o Grande Imam de Al-Azhar]. No entanto, afirmar que o pluralismo e a diversidade das religiões são desejados por Deus em sua sabedoria, através da qual Ele criou os seres humanos, vai muito além de tudo isso. Como Deus pode querer religiões que negam a divindade e a ressurreição de Cristo? Como isso é compatível com a lógica? Deus pode querer que os homens afirmem crenças opostas sobre Jesus Cristo, sobre Deus ou sobre qualquer coisa? Como pode Deus, desde a criação, querer que os homens caiam em pecado, na falsa adoração aos deuses, sejam vítimas de erros e superstições de todos os tipos, de respeitar religiões sutilmente ateístas ou panteístas, como o budismo, ou religiões condenadas pelo Antigo Testamento, atribuídas a demônios e ao culto demoníaco? Como pode Deus, que quer que seus discípulos saiam a pregar ao redor do mundo e batizem a todos, querer alguma heresia, e muito menos religiões que negam a fé em Jesus, o qual disse a Nicodemos que quem  n’Ele crê se salvará e quem não crer será condenado (Jo 3, 18)? Se lemos o Antigo e o Novo Testamento, ou observamos os ensinamentos universais da Igreja sobre o mandamento divino, dado pelo próprio Cristo, de pregar o Evangelho a todas as nações, sobre a necessidade do batismo e da fé para a salvação etc., o que ocorre é claramente o oposto. Como pode ser verdade que Deus, em Sua sabedoria, tenha desejado desde a criação que muitas pessoas não creiam em seu único Redentor? Não posso imaginar nenhuma engenhosa pirueta mental que possa negar que esta declaração não só contem todas as heresias, como também postule a vontade divina de que a grande maioria da humanidade aprove todo tipo de falsas crenças não-cristãs. Além disso, atribuindo a  Deus a vontade de  que haja religiões que contradizem a Revelação divina, em vez de atribuir-lhe a vontade de que todas as nações devem crer no único Deus verdadeiro e em seu Seu Filho e nosso Redentor, Deus se tornou um relativista que não sabe que existe apenas uma verdade e que seu oposto não pode ser verdadeiro para nações diferentes, ou então que ele não se importa se os homens acreditem na verdade ou na falsidade. Esta frase afirma que Deus deseja os equívocos religiosos. Ao assinar a declaração de que Deus quer uma pluralidade de religiões, o Papa desafia tanto a fides como a ratio e rejeita o próprio cristianismo, que é inseparável da crença em Jesus Cristo, o unus Dominus (suponho que também as mais altas autoridades islâmicas também expulsarão a este Imam, porque o Islã também faz uma afirmação absoluta da verdade). Na verdade, se Deus “realmente deseja todas as religiões”, então deve odiar a Igreja Católica mais do que qualquer outra coisa, porque esta afirma que é a única, santa, católica e apostólica, rejeitando em seus dogmas e seus perenes ensinamentos magisteriais toda relativização da religião cristã — relativização que transformaria o cristianismo em uma das muitas religiões contraditórias que há por aí. Em suma: todos os católicos devem rezar para que o Papa se converta e rejeite essa frase horrível no “A Fraternidade Humana para a paz mundial e a convivência comum”, assinado por ele e o Grande Imam Ahmad Al-Tayyeb, porque essa frase abala todas as coisas verdadeiras e belas que este documento diz sobre a fraternidade. Não é impossível nem vergonhoso para um Papa retratar os erros que ele cometeu em seus ensinamentos não infalíveis. O primeiro Papa, instituído pelo próprio Jesus Cristo, São Pedro, o fez por causa da repreensão de São Paulo, durante o primeiro Conselho Apostólico da Igreja. O Papa João XXII renunciou, em seu leito de morte, a uma heresia sobre o destino das almas, que ele havia afirmado em um documento anterior, e que, num segundo momento, foi condenado como heresia por seu sucessor. Consequentemente, temos boas razões para esperar que o Papa Francisco revogue uma fradse que constitui uma ruptura total com a lógica, assim como com o ensino bíblico e eclesial. Se não o fizer, temo que se possa aplicar a lei canônica, segundo a qual um Papa perde automaticamente seu ministério petrino se professa uma heresia, especialmente se professa a maior de todas as heresias. https://infovaticana.com/2019/02/11/profesor-seifert-como-puede-dios-querer-religiones-que-niegan-la-divinidad-de-cristo/

  • SANTA INÊS

    Santa Inês Inês [Agnes] vende agnus, “Cordeiro”, porque ela foi doce e humilde como um Cordeiro. Ou vem do grego agnos, “piedoso”, pois foi cheia de Piedade e de misericórdia. Ou vem de agnoscendo, “conhecendo”, porque conheceu o caminho da verdade. Segundo Santo Agostinho, a verdade opõe-se à vaidade, à falsidade, e à irresolução, três vícios que por suas virtudes Santa Inês soube evitar. Inês, viagem de elevadíssima prudência, com a idade de 13 anos sofreu a morte e ganhou a vida, segundo testemunho de Ambrósio, que escreveu seu martírio. Contando-se apenas seus anos, era uma criança, mas madura de espírito; de corpo ela jovem, mas de alma era dela . E, de rosto era dela, porém mais dela ainda por sua fé. Um dia, ao voltar da escola, encontrou o filho do prefeito, que ficou apaixonado por ela. Ele prometeu pedrarias e riqueza imensas se casasse com ele ponto Inês respondeu ler: “afaste-se de mim, lar de pecado, alimento de crime, pacto de morte, pois já estou prometida a outro Amado”. E começou a fazer um elogio desse amante, desse esposo, que tinha as cinco qualidades exigidas pelas esposas dos pontos nobreza de raça, beleza deslumbrante e, abundância de riquezas, coragem e força, amor verdadeiro. E explicou: Amo alguém que é muito mais nobre e de melhor linhagem que você. A mãe dele é virgem, seu pai gerou-o sem mulher, tem anjos por servidores; sua beleza é admirada pelo sol e pela lua, suas riquezas nunca diminuem, são inesgotáveis. As emanações de sua pessoa ressuscitam os mortos, seu toque fortalece os enfermos. Quando o amo sou casta, quando me aproximo dele sou pura, quando o abraço sou virgem. Diga-me, você conhece alguém de generosidade mas eminente, de força mais forte, e aspectos mais belo, de amor mais suave e mais cheio de graça? Em seguida, ela descreveu os cinco benefícios que seu esposo concedia a ela e as suas outras esposas: que ele se compromete com o anel da fé, veste-as e enfeita-as com uma variedade infinita de virtudes, marca-as com o sangue da sua paixão, prende-as pelo laço do amor e enriquece-as com tesouros da glória Celeste. e acrescentou: “aquele que se comprometeu comigo pelo anel que pôs em minha mão direita, rodeou meu pescoço de pedras preciosas, vestiu-me com um manto tecido de ouro, adornou-me com prodigiosas quantidade de joias, imprimiu um sinal é meu rosto para que eu não tome nenhum outro amante que não ele embelezou meu rosto com sangue do seu. Seus castos abraços Já me estreitaram, seu corpo já se uniu ao meu, ele me mostrou tesouros incomparáveis que prometeu me dar se eu lhe for fiel para sempre “. Ao ouvir isso o rapaz ficou fora de si, adoeceu de amor, passou a soltar longo suspiros. Seu pai fez a jovem virgem ficar sabendo disso e ao ouvi-la garantir que não podia violar a aliança jurada a seu primeiro esposo, o prefeito procurou saber quem era esse esposo que Inês se gabava de ter. Alguém lhe assegurou que o esposo de que ela falava era Cristo, e então o prefeito que dissuadi-la, primeiro por doces palavras, depois pelo temor. Então Inês disse: ” o que você quiser fazer, faça, mas não poderá conseguir o que exige“. E ria tanto de suas lisonjas quanto de suas ameaças. O prefeito disse-lhe: “escolha entre duas coisas, se sua virgindade lhe é cara, sacrifique à deusa Vesta que junte-se às suas virgens, ou então assuma o ofício de Meretriz”. Ora, como Inês era Nobre, ele não podia condená-la assim, por isso alegou contra ela sua qualidade de cristão. Mas Inês respondeu: “não sacrificarei aos seus deuses, como tampouco serei maculada pelas ações infames de quem quer que seja, porque tenho como guardião de Meu corpo um anjo do Senhor “. O prefeito ordenou então que a despissem e a levassem nua ao lupanar. Mas o senhor tornou seus cabelos tão espessos que ela ficou mais bem coberta por eles do que por sua roupa. E quando entrou naquele lugar infame, encontrou um anjo do Senhor que a esperava e que encheu o quarto de uma claridade extraordinária, ao mesmo tempo que a cobria com uma túnica de resplandecente brancura. O lugar de prostituição tornou-se assim um lugar de oração, e todo homem saía de lá mais puro do que entrava, graças a essa luz imensa que revestia a todos. Ora, o filho do prefeito foi ao lupanar com outros jovens e instou-os a entrar primeiro. Mal lá puseram os pés, saíram cheios de compunção, assustados com o milagre. Ele o chamou de miseráveis e entrou furioso, mas quando quis se aproximar de Inês, a luz precipitou-se sobre ele, e como não tinha prestado homenagem a Deus, foi estrangulado pelo diabo e expirou. Diante dessa notícia, o prefeito foi em prantos encontrar Inês e colher informações precisas sobre a causa da morte de seu filho. Inês disse: “aquele cujas vontades ele queria executar apossou-se dele e o matou, enquanto seus companheiros, impressionados pelo milagre que viram, saíram sem sentir mal algum”. Disse o prefeito: “saberemos que você não usou de artes mágicas se puder ressuscitá-lo”. Inês pôs-se a orar, o rapaz ressuscitou e pregou publicamente a fé em Cristo. Em razão disso, os sacerdotes dos templos excitavam o povo gritando: “levem essa maga, levem essa malfeitora que transforma os espíritos e perde os corações”. O prefeito, tendo visto aquele milagre, quis libertá-la, mas temendo a proscrição confiou-a a seu suplente e retirou-se triste por não poder salvá-la. O suplente, que se chamava Aspásio, mandou jogá-la numa grande fogueira, mas a chama, dividindo-se em duas, queimou o povo que estava em volta, sem atingir Inês. Aspásio mandou então enfiar uma espada na garganta dela. Foi assim que Cristo, seu esposo fulgurante de brancura e de vermelhidão, sangrou-a sua esposa e sua Mártir. Crê-se que ela sofreu no tempo de Constantino, o grande, que subiu ao trono no ano 309 do Senhor. Enquanto os cristãos e seus pais prestavam-lhe a última homenagem com alegria, os pagãos cobriam-nos de pedradas. Emerenciana, sua irmã de leite, virgem cheia de santidade apesar de ainda catecúmena, estava ao lado do sepulcro de Inês debatendo com energia com os gentios, quando foi lapidada por eles. Imediatamente ocorreu um terremoto, surgiram relâmpagos e raios que mataram muitos pagãos. Os sobreviventes deixaram de incomodar os cristãos que queriam ir até o túmulo da virgem. O corpo de Emerenciana foi inumado ao lado do de Santa Inês. Oito dias depois, quando seus pais velavam junto ao túmulo, viram um coro de virgens em brilhantes trajes Dourados, e no meio delas reconheceram a bem-aventurada Inês, também ricamente vestida, e a sua direita encontrava-se um Cordeiro mais deslumbrante ainda. Ela lhes disse: “não chore minha morte, ao contrário, rejubilem-se comigo e felicitem-me por eu ocupar um trono de luz com todas as que aqui estão “. Em lembrança dessa aparição, é que há uma segunda festa de Santa Inês. Constância, filha de Constantino, estava coberta por uma lepra pavorosa, e quando soube dessa aparição foi ao túmulo de Inês, onde após ter rezado por muito tempo e adormecido, viu a beata, que lhe disse: “Constância, age com Constância; logo que você acreditar em Cristo será curada”. A essas palavras ela acordou, encontrando-se perfeitamente sadia. Recebeu então o batismo e ergueu uma basílica sobre o corpo de Santa Inês, onde viveu na virgindade e reuniu à sua volta uma multidão de virgens que seguiram seu exemplo. Eis o que diz Ambrósio daquela virgem em seu livro a virgindade Anciãos, rapazes, crianças, cantem todos a ela. Ninguém é mais louvável do que aquele que pode ser louvado por todos. Tantas são as pessoas, tantos são seus elogios. Todos exaltam essa mártir. Admirem todos como ela foi capaz de prestar testemunho de Deus quando ainda não podia ser senhora de si em razão de sua idade. Ela comportou-se de maneira a receber de Deus o quê um homem não lhe teria confiado, porque o que está acima da natureza é obra do autor da natureza. com ela começou um novo gênero de martírio, pois ainda não estava preparada para o sofrimento e já estava madura para o triunfo. Ela mal podia combater e já era digna da coroa da Vitória. Não estava na idade do juízo mas era mestra em virtude. Nenhuma esposa teria dirigido seus passos para o leito do esposo de maneira como fez essa virgem, que se apresentou para os suplícios feliz. O mesmo Ambrósio diz: “Ao desprezar as vantagens de um Nascimento ilustre, a bem-aventurada Inês mereceu os esplendores do céu; ao menosprezar o que é objeto do desejo dos homens, casou-se com o rei eterno; ao receber uma morte preciosa por aceitar Cristo, mereceu unir-se a ele “. De Varazze, Jacopo, Arcebispo de Gênova, 1229-1298, Legenda Áurea — São Paulo: companhia das Letras, 2003. #USA #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte

  • Um remédio poderoso para quem quer se libertar de uma vida pecaminosa

    Deus, rico em misericórdia, está pronto para dar um basta naquilo que nos escraviza Nós nem sempre pensamos assim, mas o pecado realmente nos escraviza, enquanto a virtude nos liberta. Às vezes, quando queremos fazer o bem e seguir a vontade de Deus, sentimo-nos sobrecarregados e aprisionados pelos nossos pecados. A escravidão pode até chegar ao ponto de causar cegueira espiritual. Nós, literalmente, não conseguimos “ver” que estamos pecando, e não percebemos o dano que estamos causando a nós mesmos e a toda a criação de Deus. No livro “O Combate Espiritual”, o Padre Lorenzo Scupoli diz: “Quando o diabo mantém um homem na escravidão do pecado, seu principal cuidado é cegar cada vez mais os olhos e afastar dele tudo aquilo que possa levá-lo ao conhecimento de sua condição mais infeliz.” O que começa com um pecado pequeno de repente se torna um pecado maior e assim só vai crescendo de proporção. Scupoli explica: “Da cegueira à cegueira mais profunda, do pecado ao pecado mais impuro, sua vida miserável irá rodopiar até a morte, a menos que Deus, por sua graça, intervenha para salvá-lo”. Um remédio simples (mas poderoso) para libertar-se desta vida de pecado é voltar-se para Deus de todo o coração. Scupoli aconselha: “O remédio para quem está nesta condição infeliz é estar pronto para dar atenção diligente aos pensamentos e inspirações que o chamam das trevas para a luz, clamando de todo o coração para o seu Criador.” O autor, então, sugere a seguinte oração: “Ó Senhor, ajudai-me; ajudai-me rapidamente; não me deixeis mais na escuridão do pecado.” A oração deve ser repetida várias vezes, implorando a Deus que a Sua misericórdia seja derramada sobre você. A prece também deve ser acompanhada pelo sacramento da Reconciliação Pode parecer antipático, mas este tem sido o caminho de muitos santos ao longo dos séculos. Eles conseguiram iniciar o caminho da conversão depois de se voltarem para Deus, caindo diante dele com lágrimas de arrependimento. Deus deseja um coração contrito e, como o Papa Francisco diz, ele nunca se cansa de perdoar. Uma vez que a contrição toma conta de uma pessoa, a verdadeira mudança acontece. #libertar #pecaminosa #Poderoso #remedio

  • DECLARAÇÃO DE FÉ – Cardeal Gerhard Müller

    “Não se perturbe o vosso coração!” (João) Ante a crescente confusão no ensinamento da doutrina da fé, muitos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos da Igreja Católica me convidaram a dar testemunho público da verdade da Revelação. É tarefa dos pastores guiar pelo caminho da salvação os homens que lhes foram confiados, e isso só pode acontecer se esse caminho for conhecido e eles o tiverem percorrido primeiro. A tal respeito, admoestava o apóstolo: “Porque sobretudo vos entreguei o que eu também recebi” (1 Cor 15,3). Hoje muitos cristãos não conhecem sequer os ensinamentos básicos da fé, com um perigo crescente de não encontrarem mais o caminho que leva à vida eterna. Mas continua sendo tarefa própria da Igreja conduzir os homens a Jesus Cristo, luz das nações (cf. LG 1). Nesta situação, pergunta-se como encontrar a orientação correta. Segundo João Paulo II, o Catecismo da Igreja Católica representa uma “norma segura para o ensinamento da fé” (Fidei Depositum IV). Ele foi escrito com o objetivo de fortalecer os irmãos e irmãs na fé, uma fé colocada amplamente à prova pela “ditadura do relativismo”. O Deus Uno e Trino, revelado em Jesus Cristo A personificação da fé de todos os cristãos se encontra na confissão da Santíssima Trindade. Convertemo-nos em discípulos de Jesus, filhos e amigos de Deus pelo batismo no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. A diferença das três pessoas na unidade divina (254) marca uma diferença fundamental em relação às outras religiões na crença em Deus e na imagem do homem. Na confissão de Jesus Cristo os espíritos se dividem. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, gerado segundo sua natureza humana pelo Espírito Santo e nascido da Virgem Maria. O Verbo feito carne, o Filho de Deus, é o único redentor do mundo (679) e o único mediador entre Deus e os homens (846). Em consequência, a Primeira Carta de São João descreve como Anticristo àquele que nega sua divindade (1 João 2,22), já que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é desde a eternidade um ser com Deus, seu Pai (663). A recaída em antigas heresias, que viam em Jesus Cristo só um bom homem, um irmão e amigo, um profeta e um moralista, deve ser combatida com clara determinação. Ele é, acima de tudo, o Verbo que estava com Deus e é Deus, o Filho do Pai, que assumiu nossa natureza humana para nos redimir e que deverá julgar os vivos e os mortos. Só ao Ele adoramos como o único e verdadeiro Deus na unidade com o Pai e o Espírito Santo (691). A Igreja Jesus Cristo fundou a Igreja como sinal visível e instrumento de salvação, que subsiste na Igreja Católica (816). Deu uma constituição sacramental à sua Igreja, que surgiu “do lado de Cristo dormido na Cruz” (766), e que permanece até sua consumação (765). Cristo Cabeça e os fiéis como membros do Corpo são uma pessoa mística (795), por isso a Igreja é Santa, porque o único mediador a estabeleceu e mantém sua estrutura visível (771). Através deles, a obra da redenção de Cristo se faz presente no tempo e no espaço na celebração dos santos sacramentos, especialmente no sacrifício eucarístico, a Santa Missa (1330). A Igreja transmite em Cristo a revelação divina que se estende a todos os elementos da doutrina, “incluindo a doutrina moral, sem a qual as verdades da salvação da fé não podem ser salvaguardadas, expostas ou observadas” (2035). A ordem sacramental A Igreja, em Jesus Cristo, é o sacramento universal de salvação (776). Ela não se reflete a si mesmo, senão a luz de Cristo que brilha em seu rosto. Isto acontece só quando, não a maioria nem o espírito dos tempos, senão a verdade revelada em Jesus Cristo se converte no ponto de referência, porque Cristo confiou à Igreja católica a plenitude da graça e da verdade (819): Ele mesmo está presente nos sacramentos da Igreja. A Igreja não é uma associação fundada pelo homem cuja estrutura é votada por seus membros à vontade. É de origem divina. “O mesmo Cristo é a fonte do ministério na Igreja. Ele o instituiu, deu-lhe autoridade e missão, orientação e finalidade” (874). A admoestação do apóstolo segue sendo válida hoje em dia para que quem quer que pregue outro evangelho seja amaldiçoado, “embora sejamos nós mesmos ou um anjo do céu” (Gl 1,8). A mediação da fé está indissoluvelmente ligada à credibilidade humana de seus mensageiros, que em alguns casos abandonaram aos que lhes foram confiados, perturbaram-nos e danificaram gravemente sua fé. Aqui a palavra da Escritura vai dirigida àqueles que não escutam a verdade e seguem seus próprios desejos, que adulam os ouvidos porque não podem suportar o são ensinamento (cf. 2 Tm 4,3-4). A tarefa do Magistério da Igreja é “proteger o povo dos desvios e das falhas e lhe garantir a possibilidade objetiva de professar sem erro a fé autêntica” (890). Isto é especialmente certo com relação aos sete sacramentos. A Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã” (1324). O sacrifício eucarístico, no qual Cristo nos implica em seu sacrifício da cruz, aponta à união mais íntima com Cristo (1382). Por isso, as Sagradas Escrituras, em relação à recepção da Sagrada Comunhão, advertem: “‘quem come do pão e bebe da taça do Senhor indignamente, é réu do Corpo e do Sangue do Senhor’ (1 Cor 11,27). Quem tem consciência de estar em pecado grave deve receber o sacramento da Reconciliação antes de aproximar-se a comungar” (1385). Da lógica interna do sacramento se desprende que os fiéis divorciados pelo civil, cujo matrimônio sacramental existe diante de Deus, os outros Cristãos, que não estão em plena comunhão com a fé católica, assim como todos aqueles que não estão propriamente dispostos, não recebem a Sagrada Eucaristia de maneira frutífera (1457) porque não lhes traz a salvação. Assinalar isto corresponde às obras espirituais de misericórdia. A confissão dos pecados na confissão pelo menos uma vez ao ano pertence aos mandamentos da igreja (2042). Quando os fiéis já não confessam seus pecados nem recebem a absolvição, a redenção cai no vazio, já que, acima de tudo, Jesus Cristo se fez homem para nos redimir de nossos pecados. O poder do perdão que o Senhor Ressuscitado conferiu aos apóstolos e aos seus sucessores no ministério dos bispos e sacerdotes se aplica também aos pecados graves e veniais que cometemos depois do batismo. A prática atual da confissão deixa claro que a consciência dos fiéis não está suficientemente formada. A misericórdia de Deus nos é dada para cumprir seus mandamentos a fim de nos converter em um com sua santa vontade, não para evitar o chamado ao arrependimento (1458). “O sacerdote continua a obra de redenção na terra” (1589). A ordenação sacerdotal “dá-lhe um poder sagrado” (1592), que é insubstituível porque, através dele, Jesus Cristo se faz sacramentalmente presente em sua ação salvífica. Portanto, os sacerdotes escolhem voluntariamente o celibato como “sinal de vida nova” (1579). Trata-se da entrega no serviço de Cristo e de seu reino vindouro. Enquanto à recepção da consagração nas três etapas deste ministério, a Igreja se reconhece a si mesma “vinculada por esta decisão do Senhor. Esta é a razão pela qual as mulheres não recebem a ordenação” (1577). Assumir isto como uma discriminação contra a mulher só mostra a falta de compreensão deste sacramento, que não se trata de um poder terreno, senão da representação de Cristo, o Esposo da Igreja. A lei moral A fé e a vida estão inseparavelmente unidas, porque a fé sem obras está morta (1815). A lei moral é obra da sabedoria divina e conduz o homem à bem-aventurança prometida (1950). Em consequência, “o conhecimento da lei moral divina e natural é necessário para fazer o bem e alcançar seu fim” (1955). Sua observância é necessária para a salvação de todos os homens de boa vontade. Porque os que morrem em pecado mortal sem se haver arrependido serão separados de Deus para sempre (1033). Isto leva a conseqüências práticas na vida dos cristãos, entre as quais se deve mencionar as que hoje se obscurecem com freqüência (cf. 2270-2283; 2350-2381). A lei moral não é uma carga, senão parte dessa verdade liberadora (cf. Jo 8,32) pela qual o cristão percorre o caminho da salvação, que não deve ser relativizada. A vida eterna Muitos se perguntam hoje por que a Igreja, todavia está ali, embora os bispos prefiram desempenhar o papel de políticos em lugar de proclamar o Evangelho como mestres da fé. A visão não deve ser diluída por trivialidades, mas o proprium da Igreja deve ser tematizado. Cada pessoa tem uma alma imortal, que é separada do corpo na morte, esperando a ressurreição dos mortos (366). A morte faz definitiva a decisão do homem a favor ou contra Deus. Todo o mundo deve comparecer ante o tribunal imediatamente depois de sua morte (1021). Ou é necessária uma purificação ou o homem chega diretamente à bem-aventurança celestial e pode ver deus cara a cara. Existe também a terrível possibilidade de que um ser humano permaneça em contradição com Deus até o fim e, ao rejeitar definitivamente o seu amor, “condenar-se imediatamente para sempre” (1022). “Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti” (1847). O castigo da eternidade do inferno é uma realidade terrível, que -segundo o testemunho da Sagrada Escritura- atrai para si todos aqueles que “morrem em estado de pecado mortal” (1035). O cristão passa pela porta estreita, porque “larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela” (Mt 7,13). Ocultar estas e outras verdades de fé e ensinar ao povo em consequência, é o pior engano do qual o Catecismo adverte enfaticamente. Representa a prova final da Igreja e leva o povo a um engano religioso de mentiras, ao “preço de sua apostasia da verdade” (675); é o engano do Anticristo. “Ele enganará os que se perdem por toda classe de injustiça, porque se fecharam ao amor da verdade, pela qual deviam ser salvos” (2 Tessalonicenses 2,10). Invocação Como operários da vinha do Senhor, temos todos a responsabilidade de recordar estas verdades fundamentais aderindo-nos ao que nós mesmos recebemos. Queremos animar o povo a caminhar pelo caminho de Jesus Cristo com decisão, para alcançar a vida eterna obedecendo seus mandamentos (2075). Peçamos ao Senhor que nos faça saber quão grande é o dom da fé católica, que abre a porta para a vida eterna. “Porque quem se envergonhar de mim e de minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, também o Filho do homem se envergonhará dele quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos” (Mc 8, 38). Portanto, estamos comprometidos a fortalecer a fé, na qual confessamos a verdade, que é o mesmo Jesus Cristo. Estas palavras também se dirigem em particular a nós, Bispos e sacerdotes quando Paulo, o apóstolo de Jesus Cristo, dá esta admoestação ao seu companheiro de armas e sucessor Timóteo: “Conjuro-te em presença de Deus e de Cristo Jesus que há de vir julgar os vivos e mortos, por sua Manifestação e por seu Reino: “Proclama a Palavra, insiste a tempo e a destempo, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e doutrina. Porque virá um tempo em que os homens não suportarão, a sã doutrina, mas sim, arrastados por suas próprias paixões, far-se-ão com um acervo de mestres pelo afã de ouvir novidades; apartarão seus ouvidos da verdade e se voltarão para as fábulas. Tu, pelo contrário, portas-te em tudo com prudência, suporta os sofrimentos, realiza a função de evangelizador, desempenha com perfeição teu ministério.” (2 Tm 4,1-5). Que Maria, a Mãe de Deus, nos implore a graça de nos prender firmemente à verdade de Jesus Cristo sim vacilar. Unido na fé e na oração Roma, 10 de fevereiro de 2019 Cardeal Gerhard Müller Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fe, desde 2012/2017

  • SÓ HÁ UMA VOCAÇÃO: IR PARA O CÉU – 4º Domingo do Tempo Comum

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Profissão não, vocação!”, clicar AQUI. Jesus encontrou Pedro ocupado com os próprios afazeres e deu à sua existência um novo sentido: agora ele seria “pescador de homens”. Do mesmo modo, Cristo vem nos visitar também em nossas tarefas, a fim de nos manifestar a verdadeira vocação e sentido de nossas vidas. É o que nos ensina Padre Paulo Ricardo nesta meditação, mostrando como podemos converter nossa vida comum em um apostolado eficaz para a salvação das almas. NAS ÁGUAS MAIS PROFUNDAS (Meditação de Scott Hahn) Simão Pedro, o pescador, é o primeiro a ser chamado pessoalmente por Jesus, no Evangelho de São Lucas. Seu chamado se assemelha à missão de Isaías na Primeira Leitura: confrontados com a santidade do Senhor, tanto Pedro como Isaías são dominados pelo sentimento da própria pecaminosidade e indignidade. No entanto, cada um experimenta o perdão do Senhor e é enviado para pregar, ao mundo, as boas novas de Sua misericórdia mundo. Ninguém está em condições de ser chamado de apóstolo, reconhece São Paulo na epístola de hoje. Mas, pela “graça de Deus”, até mesmo um perseguidor da Igreja —como São Paulo já foi — pode ser elevado ao serviço do Senhor. No Antigo Testamento, a humanidade era incapaz de acercar-se ao divino — nenhum homem podia permanecer na presença de Deus e continuar vivo (Êxodo 33, 20). Mas com Jesus, somos capazes de falar com Ele face a face, degustando a Sua Palavra em nossa língua. A cena de hoje, em Isaías, é lembrada em cada Missa. Antes de ler o Evangelho, o padre pede silenciosamente a Deus que limpe os seus lábios, para que possa dignamente proclamar Sua Palavra. A Palavra de Deus vem a nós como veio a Pedro, Paulo, Isaías e ao Salmista de hoje — como um chamado pessoal para deixar tudo e segui-Lo, entregando-Lhe nossas fraquezas a fim de sermos completados com Sua força. Simon mergulhou em águas profundas, embora, como pescador profissional, soubesse que seria imprudente esperar alguma pesca. Ao se humilhar perante o mandamento do Senhor, ele foi exaltado — suas redes se encheram até transbordar; mais tarde, como São Paulo nos diz, ele se tornará o primeiro a ver o Senhor ressuscitado. Jesus nos tornou dignos de recebê-Lo na companhia dos anjos, no santo templo de Deus. De joelhos como Pedro, com a humildade de Davi no Salmo de hoje, agradeçamos a Ele de todo o coração e nos unamos ao interminável hino que Isaías ouviu em torno do altar de Deus: “Santo, santo, santo… ”(V. também Apocalipse 4, 8). https://stpaulcenter.com/into-the-deep-scott-hahn-reflects-on-the-fifth-sunday-in-ordinary-time/ PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Isaías 6, 1-2a.3-8) Deus escolhe Seus profetas No ano da morte do rei Ozias, vi o Senhor sentado num trono de grande altura; o seu manto estendia-se pelo templo. Havia serafins de pé a seu lado; cada um tinha seis asas. Eles exclamavam uns para os outros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está repleta de sua glória”. Ao clamor dessas vozes, começaram a tremer as portas em seus gonzos e o templo encheu-se de fumaça. Disse eu então: “Ai de mim, estou perdido! Sou apenas um homem de lábios impuros, mas eu vi com meus olhos o rei, o Senhor dos exércitos”. Nisto, um dos serafins voou para mim, tendo na mão uma brasa, que retirara do altar com uma tenaz, e tocou minha boca, dizendo: “Assim que isto tocou teus lábios, desapareceu tua culpa, e teu pecado está perdoado”. Ouvi a voz do Senhor que dizia: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” Eu respondi: “Aqui estou! Envia-me”. SALMO 137 Os profetas agradecem (Antífona): Vou cantar-vos ante os anjos, ó Senhor, e ante o vosso templo vou prostrar-me. — Ó Senhor, de coração eu vos dou graças,/ porque ouvistes as palavras dos meus lábios!/ Perante os vossos anjos vou cantar-vos/ e ante o vosso templo vou prostrar-me. — Eu agradeço vosso amor, vossa verdade,/ porque fizestes muito mais que prometestes;/ naquele dia em que gritei, vós me escutastes/ e aumentastes o vigor da minha alma. — Os reis de toda a terra hão de louvar-vos,/ quando ouvirem, ó Senhor, vossa promessa./ Hão de cantar vossos caminhos e dirão:/ “Como a glória do Senhor é grandiosa!” — Estendereis o vosso braço em meu auxílio/ e havereis de me salvar com vossa destra./ Completai em mim a obra começada;/ ó Senhor, vossa bondade é para sempre!/ Eu vos peço: não deixeis inacabada/ esta obra que fizeram vossas mãos! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1Coríntios  15, 3-8.11) A humildade dos profetas Irmãos: O que vos transmiti, em primeiro lugar, foi aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras; e que apareceu a Cefas e, depois, aos Doze. Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma vez. Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram. Depois, apareceu a Tiago e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos. Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo. É isso, em resumo, o que eu e eles temos pregado e é isso o que crestes. EVANGELHO (São Lucas 5, 1-11) A obediência dos profetas Naquele tempo, Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões. Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”. Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”. Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem. Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” É que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer. Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Jesus, porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”. Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus.

  • AS NORMAS DA DOUTRINA TRADICIONAL

    AS NORMAS DA DOUTRINA TRADICIONAL São Máximo, o Confessor, nasceu em Constantinopla próximo do ano 580. Depois de haver recebido uma esmerada educação civil e religiosa, ocupou um alto cargo estatal que abandonou no ano 630 para tornar-se monge. No início, combateu o monofisismo; mais tarde, dedicou todas as suas energias contra a heresia monotelita. Participou em numerosos sínodos africanos e tomou parte ativa no concílio de Latrão no ano 649 que condenou o monotelismo junto com os patriarcas que o haviam favorecido. Em seu regresso à Constantinopla, foi arrastado por ordem do imperador Constante II, torturado e desterrado. Morreu no exílio em 13 de agosto do ano 662. Nesse texto vemos claramente São Máximo condenar uma interpretação pessoal das Escrituras, sua experiência como patriarca de Constantinopla nos mostra que já existiam problemas com a interpretação das Escrituras, por conta daqueles que estavam fora da verdadeira comunhão com o tronco principal da ortodoxia católica, vemos os mesmos erros se repetirem nos dias atuais, sabemos que o final desse momento conturbado será a vitória da verdade, a verdade está na Igreja Católica apostólica Romana ou Oriental, desde que esteja em comunhão com Roma. A origem dessa verdade imutável tinha de ser encontrada nos aspas do animais dos evangelistas, apóstolos e profetas ” (são Máximo, o confessor, discussão com Pirro). O conhecimento salvífico dessa verdade, a fonte da vida, tinha sido extraído por intermédio de uma sucessão de testemunhos do antigo e do novo testamento, começando com os patriarcas, os legisladores e os líderes, continuando com os juízes e os reis e percorrendo todo o caminho até os profetas, os evangelistas e os apóstolos (São Máximo, o confessor, questões para Talássio sobre a Escritura; São Máximo, o confessor, comentário sobre a teologia Mística de Dionísio, areopagita). as palavras deles, contidas nas escrituras inspiradas, não eram da terra, mas do céu. O estudo vitalício ia continuar meditação sobre as Escrituras divinas (São Máximo, o livro ascético) era o caminho para a saúde espiritual. portanto não era admissível que alguém se recusasse acreditar no que a Escritura diz. Antes, o indivíduo tinha de prestar atenção a palavra da Escritura; pois se foi Deus quem falou e se ele não estava circunscrito a sua essência, então era óbvio que a palavra dita por ele também não estava circunscrita (são máximo, o confessor, questões para Talássio sobre a Escritura). o fundamento da fé era a autoridade dos apóstolos, os arquitetos e arautos da verdade (patriarca Nicéforo de Constantinopla, Apologia maior para as imagens santas). Por isso, o apóstolo Paulo foi um servo de mistérios sobrenaturais, o líder e guia universal, um verdadeiro sumo sacerdote (São Máximo, o confessor, questões para Talássio sobre a Escritura; só o máximo o confessor, comentário de “sobre os nomes divinos” de Dionísio, areopagita; São Máximo o confessor, comentário sobre a “hierarquia celestial “de Dionísio, o areopagita). Não só a inspiração da Escritura, mas também sua clareza, certifica-a como a autoridade suprema da doutrina cristã (São Máximo epístolas 7). Contudo, as controvérsias dos séculos sobre o sentido da doutrina cristã deixou evidente que os teólogos, apesar de a escritura ser inspirada e Clara, podiam lê-la e entendê-la de maneiras distintas, na verdade, contraditórias. Era essencial não sair da “intenção da escritura”(São Máximo, cor confessor, comentário de “sobre os nomes divinos “de Dionísio o areopagita). Pois “aquele que não lê as palavras do espírito com sabedoria e cuidado “podiam incorrer “em muitos tipos de erros” (São Máximo, o confessor, questões para Talássio sobre as escrituras). E tinham feito isso. Não bastava conhecer as escrituras do começo ao fim e em detalhes e ser treinado nelas; os hereges, a despeito dessas vantagens, ainda manobravam para enganar a si mesmos (São Máximo, o confessor, comentário “sobre os nomes divinos” de Dionísio, o areopagita) Eles distorcem as Escrituras para ajustà-la a própria mente deles, que era hostil a Deus. Essa falsa interpretação acontecia quando o leitor, por ignorância e, sobretudo, por deliberada distorção, não observava a nitidez da forma bíblica de falar. Era “costume da escritura explicar os conselhos inefáveis e secretos de Deus de uma maneira real para que consigamos conhecer os assuntos divinos com base nas palavras e sons que são cognatos: pois a mente de Deus, do contrário, permanece desconhecida, sua palavra não falada e sua vida incompreensível (São Máximo, o confessor questões para Talássio sobre as Escrituras). isso significava que essas coisas não eram de fato como a Escritura as descrevia (São Máximo comentário sobre a “hierarquia celestial” de Dionísio, areopagita), mas a escritura era verdadeira mesmo quando não era literalmente acurada. Qualquer pessoa que tentasse aprender o sentido das escrituras tinha de prestar muita atenção a maneira dela de falar. Também tinha de observar que uma palavra ou nome próprio usado nela tinha múltiplos sentidos (São Máximo o confessor, questões para Talássio sobre as Escrituras). A escritura põe de forma consistente seu sentido verdadeiro e espiritual antes do que narra nos relatos históricos, mas isso só ficava evidente para os que a viam com visão sã e olhos saudáveis (São Máximo, o confessor, questões para Talássio sobre as Escrituras)

  • Trento e o Evangelho: uma resposta a Tim Challies

    Em 16 de abril, Tim Challies, um pastor reformado da Grace Fellowship Church em Toronto, Ontário, e co-fundador da Cruciform Press, publicou um post intitulado “Os Falso Mestres: Papa Francisco”. “ Anti-católico ou pró-Evangelho?”, no qual ele procura mostrar não apenas que ele entende a doutrina católica da justificação, mas que ela é contrária à Escritura. Ele faz isso examinando seis cânones da Sexta Sessão do Concílio de Trento e alegando implicitamente que são contrários às Escrituras. Então vamos dar uma olhada nesses cânones um de cada vez. Tim primeiro cita o Cânon 9 da Sexta Sessão do Concílio de Trento: Se alguém disser que o pecador é justificado somente pela fé, ou seja, que nada mais é necessário para cooperar a fim de obter a graça da justificação, e que não é de modo algum necessário que ele seja preparado e disposto pela ação de sua própria vontade, seja anátema. (Cânon 9) Para isso ele responde: Eu acredito que o pecador é justificado somente pela fé, significando que nada mais é requerido e nada mais precisa ser cooperado, para obter a graça da justificação. Roma entende exatamente o que eu acredito aqui e rejeita isso. (Rm 3: 20-28, Ef 2: 8) Tim sugere que há uma contradição entre a Sessão 6 de Trento, Cân. 9 e as Escrituras, a saber (Rm 3: 20-28 e Ef 2: 8). Mas é por isso que não há contradição. A Sessão 6, Cân. 9 está condenando a noção de que nada é requerido da parte do Catecúmeno para se preparar para receber a graça da justificação no batismo, 1 que ele não precisa se arrepender de seus pecados ou orar ou amar a Deus ou mesmo resolver buscar batismo. Em Romanos 3:28, no entanto, São Paulo não está falando do que é necessário para se preparar para receber a graça da justificação no batismo, mas sim da impossibilidade de justificação pelas obras feitas à parte da graça. Da mesma forma, o que Trento diz sobre a necessidade de se preparar para receber a graça da justificação no batismo é totalmente compatível com a verdade que São Paulo ensina em Efésios 2: 8-9, segundo a qual a fé salvadora é um dom de Deus e não de nós mesmos. , e essa fé salvadora não é merecida pelas obras. A Igreja Católica afirma que a fé é um dom de Deus, não de nós mesmos, e que a fé não é merecida pelas obras. Portanto, ambas as passagens são totalmente compatíveis com o que a Cânon 9 diz. Então Tim cita Trento 6, Cânon 12: Se alguém diz que a fé justificadora nada mais é do que a confiança na misericórdia divina, que redime pecados por amor a Cristo, ou que é somente essa confiança que nos justifica, seja anátema. (Cânon 12) Para este Tim responde: Eu acredito nisso! Acredito que a fé justificadora é a confiança na divina misericórdia de Deus, que redime o pecado por causa de Cristo e com base na obra de Cristo. É isso – fé – e nada mais que nos justifica. (Rom 3:28, João 1:12) Aqui, Tim implica que, de acordo com Romanos 3:28 e João 1:12, a fé justificadora nada mais é do que a confiança na misericórdia divina. É importante notar que existem duas diferenças entre a concepção de Tim sobre o que é a fé justificadora e o que a Igreja Católica ensina que a fé justificadora é. A primeira diferença está na concepção da fé em si. Para Tim, fé é meramente confiança na misericórdia divina. Mas, de acordo com a Igreja Católica, fé não é apenas “uma adesão pessoal do homem a Deus”, mas também, ao mesmo tempo e inseparavelmente, é um consentimento livre para toda a verdade que Deus revelou. ”(CCC 150) Por essa razão, um ponto do Cânon 12 é condenar a noção de que a fé justificadora não inclui o assentimento a toda a verdade que Deus revelou (por exemplo, assentir ao Credo), mas é somente a confiança em Sua misericórdia. A segunda diferença entre a concepção de Tim do que é fé justificadora e o que a Igreja Católica ensina a respeito da fé justificadora é que, para Tim, a fé justificadora não é informada pelo ágape, enquanto que, segundo a Igreja Católica, a fé que não é informada pelo ágape está morta, e portanto não é fé justificadora. Então agora a questão é se as duas passagens citadas por Tim sustentam sua concepção de fé sobre a da Igreja Católica. Quando nos voltamos para Romanos 3:28, descobrimos que ela não decide essa questão, ou seja, qual concepção de fé (de Tim ou da Igreja Católica) é a correta. Romanos 3:28 diz: “Pois nós afirmamos que o homem é justificado pela fé sem as obras da Lei”. Isso é totalmente compatível com a concepção católica de fé. Portanto, este versículo não apóia a posição de Tim contra o ensinamento católico sobre o que é a fé justificadora. João 1:12 também não decide a questão. João 1:12 diz: “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, mesmo daqueles que crêem em seu nome”. Esse verso não diz que crer em Seu Nome significa apenas confiança em sua sua misericórdia, ou se inclui o assentimento a toda a verdade que Deus revelou, e é informado pelo ágape. O verso simplesmente não responde à pergunta; esse não é o seu propósito. Assim, ambos os versos aos quais Tim apela aqui não apóiam a posição de Tim contra o ensinamento católico sobre o que é a fé justificadora. Eles deixam a questão sem resposta. No mínimo, nada nestes versos implica uma contradição com o que a Cânon 12 diz. Em seguida Tim cita Trento 6, Cânon 14: Se alguém disser que o homem é absolvido de seus pecados e justificado porque crê firmemente que ele é absolvido e justificado, ou que ninguém é verdadeiramente justificado a não ser aquele que acredita ser justificado, e que por essa fé somente a absolvição e justificação são efetuadas, seja anátema. (Cânon 14) Para isso ele responde: Isso pode exigir alguma nuance, porque não creio que estou absolvido do pecado porque acredito que estou absolvido do pecado; no entanto, eu defendo, como o Concílio diz aqui, que a fé em Cristo somente absolve o pecado e justifica os pecadores. (Rom 5: 1) A razão para o Cânon 14 é muito semelhante à razão para Cânon 12. O Concílio estava condenando (a) uma concepção de fé que não incluiu assentimento a toda a verdade revelada por Deus e sua vivificação por ágape, (b) concepção de fé que fez do próprio status justificatório o objeto da fé, (c) uma concepção de justificação segundo a qual uma crença sobre o próprio status justificatório é o meio necessário e suficiente pelo qual a justificação é efetuada. Quando Tim responde dizendo: “Eu acredito, como o Concílio diz aqui, que a fé em Cristo somente absolve o pecado e justifica os pecadores”, ele interpreta erroneamente este cânon em particular, porque neste cânon a concepção de fé sendo condenada é do tipo que tem a si mesmo como seu objeto, ou seja, o próprio status justificatório é o objeto da crença. Este cânon não está falando sobre “fé em Cristo”. Em apoio à sua posição, Tim apela a Romanos 5: 1: “Portanto, tendo sido justificados pela fé, temos paz com Deus através de nosso Senhor Jesus Cristo”. , este versículo não especifica se a fé é o que a Igreja Católica diz que é a fé, ou se é a fé que tem o próprio status justificatório como seu objeto. O verso simplesmente não responde a essa pergunta, porque o propósito do verso não é definir o que é fé. Portanto, este versículo não suporta o que este cânon condena. E dado o que Tim diz em resposta a este cânon, isto é, dado que ele interpreta erroneamente como se referindo a “fé em Cristo”, ele pode realmente concordar com este cânon. Próximo Tim cita Trento 6, Cânon 24: Se alguém disser que a justiça recebida não é preservada e também não é aumentada diante de Deus através de boas obras, mas que essas obras são meros frutos e sinais de justificação obtidos, mas não a causa de seu aumento, seja anátema. (Cânon 24) Ele responde: Acredito que as boas obras – obras que glorificam a Deus – são o fruto e a prova da justificação. Eu nego que eles sejam de alguma forma a causa do aumento e preservação da justificação. (Gl 3: 1-3, Gálatas 5: 1-3) Tim apela a Gálatas 3: 1-3 e 5: 1-3 como apoio à sua negação de que as boas obras realizadas em estado de graça preservam e aumentam a justificação. Então, vamos ver essas passagens. Gálatas 3: 1-3 diz o seguinte: Vocês gálatas tolos, quem enfeitiçou a vós, diante de cujos olhos Jesus Cristo foi publicamente retratado como crucificado? Esta é a única coisa que eu quero descobrir de vocês: vocês receberam o Espírito pelas obras da Lei, ou ouvindo com fé? Vocês são tão tolos? Tendo começado pelo Espírito, vocês estão agora sendo aperfeiçoados pela carne? (Gl 3: 1-3) E Gálatas 5: 1-3 diz o seguinte: Foi pela liberdade que Cristo nos libertou; portanto, mantenham-se firmes e não se sujeitem novamente a um jugo de escravidão. Eis que eu, Paulo, te digo que se vocês receberem a circuncisão, Cristo não será de nenhum benefício para vocês. E eu testifico novamente a todo homem que receber a circuncisão, que ele tem a obrigação de guardar toda a Lei. (Gál 5: 1-3) Estes versos não são sobre boas obras feitas de ágape em estado de graça, mas sobre um retorno à Lei da Antiga Aliança. Em sua carta aos gálatas, São Paulo não estava condenando ou mesmo referindo-se ao crescimento da justificação por meio de boas obras feitas em estado de graça; ele estava condenando um retorno à Antiga Aliança pelos cristãos, porque isso era uma rejeição da Nova Aliança e implicitamente, portanto, uma rejeição de Jesus como o Messias que estabeleceu a Nova Aliança na qual a exigência dessas leis cerimoniais é abolida. A condenação de São Paulo ao ensino dos judaizantes não foi por acreditar que as obras feitas em ágape (de acordo com a lei moral sob a Novo Aliança) aumentam nossa justificação, mas por acreditar que a observância da lei cerimonial e, portanto, retornar a a Antiga Aliança e toda a lei judaica são necessárias para a justificação. Os judaizantes estavam rejeitando a Nova Aliança, na qual somos justificados pela graça santificante e [viva] fé em Cristo, recebidos através do sacramento do batismo instituído por Cristo. Mas a Igreja Católica afirma a Nova Aliança. De fato, a Igreja Católica é o Novo Israel, o Israel da Nova Aliança. (cf. Gal 6:16) A Igreja Católica ensina que somos justificados pela [vivência] da fé em Cristo, uma fé que recebemos como um dom de Deus, juntamente com a graça santificante, no sacramento do batismo instituído por Cristo. A suposição de Tim de que a condenação de São Paulo da doutrina dos judaizantes se aplica à doutrina católica negligencia o papel das alianças no relato de Gálatas. Tim aparentemente acha que a preocupação de São Paulo em sua carta aos Gálatas é simplesmente excluir obras de qualquer tipo da justificação. É verdade que São Paulo reconhece que as obras não podem justificar. Mas a principal preocupação de São Paulo para os crentes da Galácia é que eles permaneçam dentro da Nova Aliança, e assim permaneçam unidos a Cristo. Ao adicionar a exigência da lei cerimonial, eles estavam retornando à Antiga Aliança, anulando assim a Nova Aliança e o sacrifício de Cristo, o tão esperado Messias e Salvador. (cf. Gal 5: 1 ss) A Igreja Católica rejeita a permissibilidade de rejeitar o batismo de alguém e retornar à Antiga Aliança para justificação ou salvação. Do ponto de vista católico, acrescentar os requisitos da lei cerimonial seria nada menos que a apostasia da Nova Aliança estabelecida pelo sangue de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus. Assim, a este respeito, a Igreja Católica não cai sob a condenação de São Paulo da doutrina dos judaizantes. E da mesma forma, por essa razão, esses versículos não apóiam a posição de Tim nem se opõem à Cânon 24. Então Tim cita Trento 6, Cânon 30: Se alguém disser que depois da recepção da graça da justificação, a culpa é tão remetida e a dívida da punição eterna tão apagada a todo pecador arrependido, que nenhuma dívida de castigo temporal permanece para ser descarregada neste mundo ou no purgatório antes das portas do céu serem abertas, seja anátema. (Cânon 30) Em resposta, ele escreve: Eu acredito nesta preciosa verdade e lutarei até a morte por ela! Acredito que, no momento da justificação, a culpa e o castigo do pecador são removidos de tal forma que não resta dívida alguma para ser descarregada neste mundo ou no purgatório antes que ele possa entrar no céu. (Rom 5: 1, Col 2: 13-14) Este cânon está condenando a noção de que pecar depois de ter sido justificado não produz uma dívida de castigo temporal. Eu expliquei a base para a distinção entre a dívida eterna da punição e a dívida temporal da punição em “São Tomás de Aquino sobre a Penitência ”. Com referência a Rm 5: 1 e Col 2: 13-14, Tim insinua que Rm 5: 1 e Cl 2: 13-14 apoiam sua posição e se opõem ao ensino católico. Rm 5: 1 novamente lê-se, Portanto, tendo sido justificados pela fé, temos paz com Deus através de nosso Senhor Jesus Cristo. Este verso é totalmente compatível com a posição católica, porque a dívida de castigo temporal não implica ou endossa não estar em paz com Deus. A dívida de castigo temporal é devida a atos de injustiça “horizontais” (isto é, de criatura para criatura). Podemos estar em paz com Deus enquanto ainda estamos devendo a outras criaturas. Por isso, este versículo é totalmente compatível com o ensinamento católico. Colossenses 2: 13-14 diz: Quando estavas morto nas tuas transgressões e na incircuncisão da vossa carne, Ele vos fez vivos juntamente com Ele, perdoando-nos todas as nossas transgressões, havendo anulado o certificado da dívida, constituído por decretos contra nós, hostis a nós; e Ele tirou isto do caminho, tendo pregado isto na cruz. Nestes dois versos, a “dívida” em questão é a dívida do castigo eterno. São Paulo não está dizendo que a dívida inclui todas as dívidas que os cristãos podem dever ao seu próximo. Caso contrário, os cristãos nunca teriam que pagar empréstimos a outros humanos, porque a dívida já teria sido paga por Cristo na Cruz. Por essa mesma razão, esse versículo não está se referindo à dívida de castigo temporal e, portanto, não se opõe ou contradiz o ensino católico quanto à possibilidade de acumular uma dívida de castigo temporal após a justificação. Qual é a razão fundamental subjacente ao desacordo entre Tim e os católicos em relação à interpretação dos versos aos quais ele apelou na crítica desses cinco cânones? Eu coloquei isso em “A Tradição e o Léxico”. Finalmente Tim cita Trento 6, Cânon 33: Se alguém disser que a doutrina católica da justificação estabelecida pelo santo concílio no presente decreto, derroga em algum aspecto da glória de Deus ou dos méritos de nosso Senhor Jesus Cristo, e não melhor ilustre a verdade de nossa fé e não menos a glória de Deus e de Cristo Jesus, seja anátema. (Cânon 33) Para isso ele responde: Este é o coração da questão, não é? A doutrina católica romana da justificação, tal como estabelecida pelo Concílio de Trento e sistematizada nos cânones, faz exatamente isso – diminui a glória de Deus e os méritos de Jesus Cristo. Adicionar qualquer coisa para a Obra de Cristo é destruí-lo. A preocupação de Tim é que a doutrina de que o homem participa de sua salvação tira um pouco de glória de Deus e a dá ao homem. Essa preocupação é baseada em três suposições filosóficas implícitas: (1) que Deus recebe a maior glória quando somente Deus recebe a glória, (2) que a glória é o tipo de coisa que é perdida pelo doador quando o doador a dá aos outros, e (3) que o grau de glória é determinado inteiramente pelo grau de causalidade exercido, de modo que quanto maior a causalidade exercida, maior a glória. Mas cada uma dessas três suposições não é verdadeira. Se (2) e (3) fossem verdadeiros, então Deus perderia a glória criando criaturas e dando-lhes poderes causais reais, já que São Paulo nos diz que as criaturas já têm glória simplesmente pelo tipo de natureza que possuem. (1 Coríntios 15:41) Além disso, se cada uma dessas três suposições fossem verdadeiras, então se Deus quisesse maximizar Sua glória, Ele teria que, ou evitar criar qualquer coisa, ou Ele teria que dar apenas a ilusão de poderes causais às criaturas, reservando toda a causalidade para Si mesmo. Essa posição é chamada ocasionalismo, e eu a discuti em outro lugar. Vamos considerar o que São Tomás de Aquino diz sobre isso. Com relação à nossa participação genuína no governo providencial do mundo de Deus, São Tomás argumenta que é mais perfeito para Deus dar uma causalidade às criaturas do que criar criaturas, mas reter a causalidade delas. Ele escreve: Há certos intermediários da providência de Deus; pois Ele governa as coisas inferiores pelas superiores, não por causa de qualquer defeito em Seu poder, mas em razão da abundância de Sua bondade; para que a dignidade da causalidade seja transmitida às criaturas [ut dignitatem causalitatis etiam criauris communicet]. ”(ST I Q.22 a.3) Se Deus governasse sozinho, as coisas seriam privadas da perfeição da causalidade [subtraheretur perfectio causalis a rebus]. (ST I Q.103 a.6 ad.2) Alguns entenderam que Deus trabalha em todos os agentes de tal maneira que nenhum poder criado tem qualquer efeito nas coisas, mas que somente Deus é a causa última de tudo forjado; por exemplo, que não é o fogo que dá calor, mas Deus no fogo e assim por diante. Mas isso é impossível. Primeiro, porque a ordem de causa e efeito seria tirada das coisas criadas: e isso implicaria falta de poder no Criador: pois é devido ao poder da causa, que confere poder ativo ao seu efeito. Em segundo lugar, porque os poderes ativos que são vistos existir nas coisas, seriam concedidos a coisas sem nenhum propósito, se estes não produzissem nada através delas. De fato, todas as coisas criadas pareceriam, de certo modo, desprovidas de propósito, se lhes faltasse uma operação adequada a elas; já que o propósito de tudo é a sua operação… Devemos, portanto, entender que Deus opera nas coisas de tal maneira que as coisas têm seu funcionamento adequado. (ST I Q.105 a.5) É preciso um poder maior para criar uma criatura com poderes causais reais do que uma realidade virtual na qual Deus é o único agente causal. Portanto, criar criaturas com poderes causais reais dá a Deus mais glória do que criar criaturas que não têm poderes causais. Já que a atividade causal natural da parte das criaturas não diminui a glória de Deus, mas revela Seu grande poder e assim aumenta sua glória, assim também a atividade causal das criaturas racionais em cooperação com a graça não diminui a glória de Deus, mas também aumenta . Em relação à nossa participação genuína na obra salvífica de Deus, São Tomás escreve: Assim, Deus é ajudado por nós; na medida em que executamos Suas ordens, de acordo com 1 Coríntios 3: 9: “Somos co-adjutores de Deus”. Nem é por causa de qualquer defeito no poder de Deus, mas porque Ele emprega causas intermediárias, a fim de que a beleza daFi ordem possa ser preservada no universo; e também que Ele possa comunicar às criaturas a dignidade da causalidade [ut etiam creaturis dignitatem causalitatis communicet]. (ST I Q.23 a.8 ad.2) Observe que São Tomás cita a declaração de São Paulo de que [os apóstolos] são os “co-adjutores” de Deus. No grego, lê-se: θεοῦ γάρ ἐσμεν συνεργοί. “Pois somos cooperadores de Deus.” É claro que São Paulo está falando sobre o trabalho de pregar o evangelho e edificar a Igreja por meio da oração, do ensino e do serviço. Mas, se o homem pode ser um cooperador com Deus na salvação de outros, então seria ad hoc alegar que o homem não pode, em princípio, ser um cooperador em sua própria salvação. São Paulo implica tanto quando ele declara explicitamente aos filipenses que eles deveriam “trabalhar [sua] salvação com medo e tremor” [μετὰ φόβου καὶ τρόμου τὴν σαυτῶν σωτηρίαν κατεργάζεσθε]. (Filipenses 2:12) S. Tomás Continua: Agora é uma perfeição maior uma coisa ser boa em si mesma e também a causa da bondade nas outras, do que apenas ser boa em si mesma. Portanto, Deus governa as coisas que faz com que algumas delas sejam causas de outras no governo; como mestre, que não só transmite conhecimento aos seus alunos, mas também dá a faculdade de ensinar os outros. (ST I Q.103 a.6) Uma coisa é mais perfeita, diz S. Tomás, quando pode ser a causa da bondade nos outros, do que apenas ser boa em si mesma. Assim, Cristo dá um presente maior e recebe mais glória, quando nos dá uma participação na sua obra salvífica, de tal modo que podemos ser colaboradores com Ele, tanto na salvação dos outros como na nossa própria salvação. Tudo isso mostra que o que está subjacente à oposição de Tim ao Cânon 33 é uma suposição filosófica de que Deus recebe mais glória quando Deus faz tudo sozinho, e não nos permite participar. Mas isso não é uma suposição segura, e como São Tomás mostra, um bom argumento pode ser feito para o oposto, a saber, que Deus recebe mais glória quando não faz tudo sozinho, mas permite que Suas criaturas participem de Sua obra. , tanto no nível da natureza, quanto no nível da graça. Finalmente Tim escreve: Ao ler os cânones do Concílio de Trento, vejo uma explicação sistemática e uma completa negação da justificação pela graça somente pela fé somente em Cristo. Eu vejo que Roma entende o que eu acredito e declara anátema. É claro que é seu direito fazer isso, mas não deixemos de ter algumas implicações importantes: qualquer outra coisa que Roma ensine, ela não ensinará que somos justificados somente pela graça através da fé em Cristo Jesus. Se ela ensina um evangelho que adiciona na obra de Cristo, ela ensina um falso evangelho, não é? E se Francisco é o chefe da organização que afirma isso como doutrina oficial, se ele é seu principal defensor e propagador, devo julgá-lo um falso mestre. O que mais eu poderia fazer? A Igreja Católica claramente não ensina o que Tim acredita, ou seja, que somos justificados pela fé [como mera confiança na misericórdia divina, sem assentimento em toda a revelação de Deus, e sem ágape] somente. Até mesmo a expressão fé “em Cristo somente” pressupõe uma concepção de confiança da fé, e não necessariamente inclui o “assentimento livre a toda a verdade que Deus revelou”, por exemplo, não inclui afirmar o Credo. Caso contrário, “somente em Cristo” implicaria uma negação da Trindade. Assim, mesmo com frases como “somente em Cristo”, a discordância não é um simples sim ou não (afirmação ou negação), mas sim uma diferença de paradigma, porque os respectivos conceitos do que justifica a fé são diferentes. Mesmo a afirmação de Tim de que a Igreja Católica ensina um evangelho que “adiciona na obra de Cristo” pressupõe um paradigma diferente em relação à natureza da obra de Cristo. No paradigma católico, a obra de Cristo nos inclui e inclui nossa participação nela. Não podemos acrescentá-la no sentido de fazer algo não incluído nela; isso seria uma obra feita à parte da graça, e esse tipo de noção seria o pelagianismo. Mas podemos “adicionar” a ela no sentido de fazer algo nela, através dela. Cristo não é o único agente de sua salvação; pelo Seu trabalho Ele nos faz cooperadores com Ele, de tal forma que Nele e por Aquele que vive dentro de nós, nos é dado o dom de participar e cooperar com o Seu trabalho salvífico. Isso não é um falso evangelho; isso é apenas o evangelho. Somente quando se olha através de uma lente paradigmática não participativa de soma zero parece que ela está indo além de Cristo e, portanto, aparenta ser pelagiana. Mas no paradigma participativo católico, a união real com Cristo é apenas o evangelho. Tradução CROSS, Bryan. Trent and the Gospel: A Reply to Tim Challies. Disponível em: http://www.calledtocommunion.com/2014/05/trent-and-the-gospel-a-reply-to-tim-challies/

  • Por que os Católicos tem a Obrigação de Defender o Celibato e Por que os Protestantes são contra?

    Com o advento do mundo moderno, a sexualidade está totalmente paganizada . Desde Freud e a psicanálise as coisas só pioraram. Diante disso, o celibato virou uma espécie de fardo que reprime o Homem na visão do mundo moderno, dos protestantes e de muitos católicos que , contrariando Nosso Senhor , começam a concordar com o mundo e com Hereges . Esse texto busca mostrar que os católicos são obrigados a defender o celibato como forma perfeita de vida superior o Matrimônio e conprovar isso aos protestantes. Primariamente, um Católico é obrigado a defender o Celibato! Isso foi definido pelo infalível Concílio de Trento : Papa Pio IV, Concílio de Trento, Sessão 14, 11 de novembro de 1563, sobre o matrimônio: «Se alguém disser que o estado matrimonial é preferível ao estado de virgindade ou celibato, e que não é melhor e mais feliz permanecer na virgindade ou no celibato do que se unir no matrimônio [ver Mateus 19:11; 1 Cor. 7:25]: seja excomungado» (Denzinger 980) Um católico que defende o ” fim do celibato ” por considerá-lo um estado ” imperfeito ” ou um ” Fardo ” está longe da verdadeira Fé. A condenação do concílio deveu-se , obviamente , ao protestantismo que trouxe uma visão completamente nova e maligna sobre a sexualidade . Na visão católica , a sexualidade deve ser regulada devido ao pecado original. São Paulo diz, nas Sagradas Escrituras: “Não vos defraudeis um ao outro, senão de comum acordo, durante algum temo, para vos aplicardes à oração; e de novo tornai a coabitar, para que não vos tente satanás por vossa incontinência. Mas digo-vos isto por condescendência, não por mandamento.” 1 Cor 7:5-6.  Quer dizer, o casal, para melhor se pôr em oração, deve se abster do débito conjugal durante um tempo. A Igreja também não falava publicamente sobre os ” contraceptivos naturais ” porque tais meios são exceções para casos extremos como miséria ( https://youtu.be/85nlXn7-HP8 e https://youtu.be/ErhZCkNdOUU) eram exceções – e ainda são apesar de muitos erradamente tomarem como regra . Essa visão católica é oposta a visão protestante. Lutero era um frade que tinha feito voto de celibato e o rompeu se casando com uma Freira que também o tinha feito. Por toda a Europa o Heresiarca mandou os seus ” pastores ” libertarem freiras dos conventos. Protestantismo foi a primeira revolução sexual e ela trouxe uma visão ” positiva ” da sexualidade ignorando o pecado original e descartando o celibato. Um católico que segue essa ideia age como um protestante e , portanto , se afasta da Fé da Igreja . A visão católica está em pleno acordo com as Escrituras Sagradas conforme o concílio de Trento cita 1 Coríntios, Capítulo 7: «Quanto aos assuntos sobre os quais vocês escreveram, é bom que o homem não toque em mulher, mas, por causa da imoralidade, cada um deve ter sua esposa, e cada mulher o seu próprio marido… Digo isso como concessão, e não como mandamento. Gostaria que todos os homens fossem como eu; mas cada um tem o seu próprio dom da parte de Deus; um de um modo, outro de outro. Digo, porém, aos solteiros e às viúvas: é bom que permaneçam como eu…» .Vemos claramente que São Paulo identifica o estado de virgindade ou celibato como um estado melhor do que o estado matrimonial. Nós também vemos isso nas palavras do próprio Jesus: Mateus 19:11-12: «Jesus respondeu: “Nem todos têm condições de aceitar esta palavra; somente aqueles a quem isso é dado. Alguns são eunucos porque nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros ainda se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus. Quem puder aceitar isso, aceite“.» Esta verdade bíblica, que é rejeitada pelos protestantes, foi ensinada repetidamente pelos padres da Igreja – isto é, aqueles proeminentes escritores cristãos dos primeiros séculos que repetiram as verdades aprendidas dos apóstolos. Aqui estão dois exemplos de vários que podem ser citados. São João Crisóstomo, 392 d.C.: «Que a virgindade é boa, estou de acordo. Mas ela é ainda melhor que o matrimônio, isso eu confesso. E se você quiser, acrescentarei que isso é muito melhor do que o matrimônio, assim como o céu é melhor do que a Terra, assim como os anjos são muito melhores do que os homens.» (The Faith of the Fathers, vol. 2: 1116) São Cirilo de Jerusalém, 350 d.C.: «Enquanto você mantiver a castidade perfeita, não se vanglorie daqueles que andam por um modesto caminho matrimonial… Porque você possui ouro, não despreze aqueles que têm prata.» (The Faith of the Fathers, vol. 1: 818 Diante disso , surge uma objeção. Por que, então , a Igreja permite o casamento de padres na suas Igrejas Orientais? É importante explicar isso conceituando isso na história . No passado , não existiam meios de comunicação eficazes e o ocidente e o oriente ficaram isolados . Quando os contatos voltaram já havia a tradição nos orientais de permitir que os padres casem . A Tradição já era recorrente . A Igreja ,então, foi piedosa e concedeu essa concesão aos Orientais . Mas foi uma exceção! No rito Latino o Celibato sempre existiu ( conforme mostra o Padre Paulo Ricardo nesse vídeo : https://youtu.be/hpMNNeo57mk) . Ainda sim, o casamento é só permitido não é obrigatório e os Bispos precisam ser celibatários no oriente . Outra situação são as adulterações. Os protestantes ignoram as passagens que mostram claramente o celibato e adulteram outras para legitimar sua ideia degenerada de sexualidade . Podemos citar : (I Corintos 9-5) mê ouk echomen exousian (adelphên gunaika) periagein ôs kai oi loipoi apostoloi kai oi adelphoi tou kuriou kai kêphas Tradução Correta. 5. Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma (mulher irmã), a exemplo dos outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas? Podermos observar nesse versículo que São Paulo estava fazendo uma referencias as (Mulheres Irmãs) que hoje chamamos de (freiras) e sua missão junto do ministério Apostólico, nesse caso ele diz que essas (Mulheres Irmãs) acompanhavam os Apóstolos e Discípulos (era o caso de Maria Madalena, Maria de Cleofas, Salomé, Joana entre outra), porém nossos amigos hereges trocaram a palavra (Adelphen gunaika) que significa (Mulher Irmã) para (Esposa Crente) insinuando que os Apóstolos não eram Celibatários. Essa é a Tradução Satânica da João Ferreira de Almeida (Falso Padre). “Não temos nós direito de levar conosco uma (esposa crente), como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?” E elas não param por ai. Por isso aliás os protestantes tem tanto problema com a Virgindade da Santíssima Virgem. Eles não podem crer que uma pessoa tão Santa pode ser Virgem. Essa perseguição contra o Celibato eles herderam de seu pai…. Diante dessas provas, fica evidente que o Celibato é algo fundado na Revelação e que deve ser defendido por qualquer um que se diz cristão .

  • Por que os católicos tem a obrigação de defender o Celibato Sacerdotal e por que os protestantes São

    ” Estes são os que não se contaminaram com mulheres, pois são virgens. São eles que acompanham o Cordeiro por onde quer que vá; foram resgatados dentre os homens, como primícias oferecidas a Deus e ao Cordeiro.” Apocalipse 14:4 Com o advento do mundo moderno, a sexualidade está totalmente paganizada . Desde Freud e a psicanálise as coisas só pioraram. Diante disso, o celibato virou uma espécie de fardo que reprime o Homem na visão do mundo moderno, dos protestantes e de muitos católicos que , contrariando Nosso Senhor , começam a concordar com o mundo e com Hereges . Esse texto busca mostrar que os católicos são obrigados a defender o celibato como forma perfeita de vida superior o Matrimônio e conprovar isso aos protestantes. Primariamente, o um Católico é obrigado a defender o Celibato! Isso foi definido pelo infalível Concílio de Trento : Papa Pio IV, Concílio de Trento, Sessão 14, 11 de novembro de 1563, sobre o matrimônio: «Se alguém disser que o estado matrimonial é preferível ao estado de virgindade ou celibato, e que não é melhor e mais feliz permanecer na virgindade ou no celibato do que se unir no matrimônio [ver Mateus 19:11; 1 Cor. 7:25]: seja excomungado» (Denzinger 980) Um católico que defende o ” fim do celibato ” por considerá-lo um estado ” imperfeito ” ou um ” Fardo ” está longe da verdadeira Fé. A condenação do concílio deveu-se , obviamente , ao protestantismo que trouxe uma visão completamente nova e maligna sobre a sexualidade . Na visão católica , a sexualidade deve ser regulada devido ao pecado original. São Paulo diz, nas Sagradas Escrituras: “Não vos defraudeis um ao outro, senão de comum acordo, durante algum temo, para vos aplicardes à oração; e de novo tornai a coabitar, para que não vos tente satanás por vossa incontinência. Mas digo-vos isto por condescendência, não por mandamento.” 1 Cor 7:5-6.  Quer dizer, o casal, para melhor se pôr em oração, deve se abster do débito conjugal durante um tempo, da onde decorre que no ato não é possível rezar o rosário, alguma ladainha, ou louvar a Deus, mesmo não sendo um ato mau em si mesmo A razão reside em que o ato toma conta de todo o ser humano, sua vontade, seu intelecto, seu corpo, por ser o prazer mais forte dentre os naturais, segundo S. Tomás de Aquino, e, além disso, o ato se reveste de pouca dignidade, pela nudez e pelo instinto humano ter de ser exacerbadamente posto em cena para que o ato atinja seu fim, e este instinto, por causa da mancha do pecado original, não é algo a ser oferecido a Deus, lembrando a moita onde se esconderam Adão e Eva, de modo que não é um ato próprio para louvar a Deus, o ato que se faz pela nudez que os primeiros pais esconderam de Deus. Assim, a Igreja recomendava antigamente que os casados se abstivessem do ato conjugal durante certos dias de festa para se dar mais à oração, conforme ao que dizia S.Agostinho: “Nada faz descer tanto a alma dos altos da virtude como o contato corporal, sem o qual não é possível ter uma esposa” (Comentários à primeira epístola aos Coríntios, capítulo 7, vers.1-9). A Igreja também não falava publicamente sobre os ” contraceptivos naturais ” porque tais meios são exceções para casos extremos como miséria ( https://youtu.be/85nlXn7-HP8 e https://youtu.be/ErhZCkNdOUU) eram exceções – e ainda são apesar de muitos erradamente tomarem como regra . Essa visão católica é oposta a visão protestante. Lutero era um frade que tinha feito voto de celibato e o rompeu se casando com uma Freira que também o tinha feito. Por toda a Europa o Heresiarca mandou os seus ” pastores ” libertarem freiras dos conventos. Protestantismo foi a primeira revolução sexual e ela trouxe uma visão ” positiva ” da sexualidade ignorando o pecado original e descartando o celibato. Um católico que segue essa ideia age como um protestante e , portanto , se afasta da Fé da Igreja . A visão católica está em pleno acordo com as Escrituras Sagradas conforme o concílio de Trento cita 1 Coríntios, Capítulo 7: «Quanto aos assuntos sobre os quais vocês escreveram, é bom que o homem não toque em mulher, mas, por causa da imoralidade, cada um deve ter sua esposa, e cada mulher o seu próprio marido… Digo isso como concessão, e não como mandamento. Gostaria que todos os homens fossem como eu; mas cada um tem o seu próprio dom da parte de Deus; um de um modo, outro de outro. Digo, porém, aos solteiros e às viúvas: é bom que permaneçam como eu…» .Vemos claramente que São Paulo identifica o estado de virgindade ou celibato como um estado melhor do que o estado matrimonial. Nós também vemos isso nas palavras do próprio Jesus: Mateus 19:11-12: «Jesus respondeu: “Nem todos têm condições de aceitar esta palavra; somente aqueles a quem isso é dado. Alguns são eunucos porque nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros ainda se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus. Quem puder aceitar isso, aceite“.» Esta verdade bíblica, que é rejeitada pelos protestantes, foi ensinada repetidamente pelos padres da Igreja – isto é, aqueles proeminentes escritores cristãos dos primeiros séculos que repetiram as verdades aprendidas dos apóstolos. Aqui estão dois exemplos de vários que podem ser citados. São João Crisóstomo, 392 d.C.: «Que a virgindade é boa, estou de acordo. Mas ela é ainda melhor que o matrimônio, isso eu confesso. E se você quiser, acrescentarei que isso é muito melhor do que o matrimônio, assim como o céu é melhor do que a Terra, assim como os anjos são muito melhores do que os homens.» (The Faith of the Fathers, vol. 2: 1116) São Cirilo de Jerusalém, 350 d.C.: «Enquanto você mantiver a castidade perfeita, não se vanglorie daqueles que andam por um modesto caminho matrimonial… Porque você possui ouro, não despreze aqueles que têm prata.» (The Faith of the Fathers, vol. 1: 818 Diante disso , surge uma objeção. Por que, então , a Igreja permite o casamento de padres na suas Igrejas Orientais? É importante explicar isso conceituando isso na história . No passado , não existiam meios de comunicação eficazes e o ocidente e o oriente ficaram isolados . Quando os contatos voltaram já havia a tradição nos orientais de permitir que os padres casem . A Tradição já era recorrente . A Igreja ,então, foi piedosa e concedeu essa concesão aos Orientais . Mas foi uma exceção! No rito Latino o Celibato sempre existiu ( conforme mostra o Padre Paulo Ricardo nesse vídeo : https://youtu.be/hpMNNeo57mk) . Ainda sim, o casamento é só permitido não é obrigatório e os Bispos precisam ser celibatários no oriente . Outra situação são as adulterações. Os protestantes ignoram as passagens que mostram claramente o celibato e adulteram outras para legitimar sua ideia degenerada de sexualidade . Podemos citar : (I Corintos 9-5) mê ouk echomen exousian (adelphên gunaika) periagein ôs kai oi loipoi apostoloi kai oi adelphoi tou kuriou kai kêphas Tradução Correta. 5. Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma (mulher irmã), a exemplo dos outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas? Podermos observar nesse versículo que São Paulo estava fazendo uma referencias as (Mulheres Irmãs) que hoje chamamos de (freiras) e sua missão junto do ministério Apostólico, nesse caso ele diz que essas (Mulheres Irmãs) acompanhavam os Apóstolos e Discípulos (era o caso de Maria Madalena, Maria de Cleofas, Salomé, Joana entre outra), porém nossos amigos hereges trocaram a palavra (Adelphen gunaika) que significa (Mulher Irmã) para (Esposa Crente) insinuando que os Apóstolos não eram Celibatários. Essa é a Tradução Satânica da João Ferreira de Almeida (Falso Padre). “Não temos nós direito de levar conosco uma (esposa crente), como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?” E elas não param por ai. Por isso aliás os protestantes tem tanto problema com a Virgindade da Santíssima Virgem. Eles não podem crer que uma pessoa tão Santa pode ser Virgem. Essa perseguição contra o Celibato eles herderam de seu pai…. Diante dessas provas, fica evidente que o Celibato é algo fundado na Revelação e que deve ser defendido por qualquer um que se diz cristão .

  • OS PRIMÓRDIOS DA IGREJA NA CHINA E EXTREMO ORIENTE

    OS PRIMÓRDIOS DA IGREJA NA CHINA E EXTREMO ORIENTE Esse texto tem como objetivo demonstrar que não houve perseguições gratuitas aos outros cristãos com doutrina heréticas, houve de forma pontual pela população de certos lugares, e por parte do Império Bizantino, que o historiador Philip Jenkis afirma no seu “guerras santas” que a ortodoxia se deu pela violência e o braço do império romano, lembrando que o Papa Virgílio foi levado a força para Constantinopla a mando do Imperador Juliano para assinar os três cânones, vemos a importância da assinatura de um Papa, e também a forma como Roma tratava às perseguições que sofria, tudo era resolvido com argumentos, não com choros de pobres coitados perseguidos. Podemos afirmar que o que a cristandade crê não foi definido por quatro patriarcas, 3 Rainhas e dois Imperadores, pelos mil e quinhentos anos seguintes, como afirma o historiador em seu livro, o que a cristandade sempre levou como ortodoxia, foi exatamente o que os concílios decidiram, que inclusive tiveram a participação de nestorianos e monofisitas, isto o que o senhor Philip Jenkis escreveu se chama anacronismo histórico, podemos observar que existem nestorianos e monofisitas até hoje, respectivamente em Antioquia e Alexandria como um patriarcado, e tendo uma vasta área que seguem essas igrejas, como Etíopia, Eritréia, Caldéia, grande parte da Índia, extremo Oriente e Oriente setentrional, isso também acaba com a falácia da janela 10/40 que protestantes dizem nunca terem ouvido falar de Jesus Cristo, sim, já ouviram, e muito antes de uma igreja protestante pensar em existir. O concílio de calcedônia foi um grande triunfo da ortodoxia da Igreja, foi realizado em novembro de 451, neste concílio vemos a definição do que hoje conhecemos como as duas naturezas de uma substância referente a humanidade e a divindade de Jesus Cristo, hoje a Igreja não calcedônias reconhece que o conflito se deu por uma má interpretação um jogo de palavras que não foi bem entendido de ambos os lados. Nestório, patriarca de Constantinopla desde 428. Afirmava que em Jesus havia dois “eus” ou duas pessoas: uma divina, com a sua natureza divina, e outra, humana, com a sua natureza humana. Essa doutrina foi rejeitada pelo Concilio de Éfeso em 431. Muitos seguidores de Nestório não aceitaram a decisão do Concilio e se separaram da Igreja, formando o bloco nestoriano. Espalharam-se até a China e a Índia, mas em nossos dias são um pequeno número, pois nos últimos quatro séculos a maioria voltou à comunhão católica. Não podemos falar em divisões no cristianismo, podemos falar questões teológicas e filosóficas que já aconteceram com os apóstolos quando deixaram Jerusalém, sempre houve uma interpretação única na igreja dentro da história sobre questões teológicas, isso não quer dizer que todos pensavam iguais, correntes teologicas sempre existiram e existem e existirão. Em meados do século 4, a tese de alguns historiadores de vários tipos de cristianismos é falaciosa, tendo em conta a ortodoxia de sempre. talvez metade de todos os cristãos pertenciam ao mesmo grupo que é a grande igreja católica, a representante da ortodoxia, considerava herética ou cismática tanto as doutrinas Nestorianas quanto as monofisitas., as novas divisões continuavam a crescer, podemos verificar que todas essas correntes foram derrotadas definharam com tempo, muitas voltaram aà comunhão com Roma Após o concílio de calcedônia ocorreram numa grande escala uma resistência contra a doutrina ortodoxa que virou dois grandes movimentos duradouro, que são denominados respectivamente os nestorianos e os monoteístas (monofisitas), e cada um deixou remanescentes até os dias de hoje. Verificamos aqui que os dois centros do cristianismo oriental eram Alexandria no Egito e ante o que é na Síria, justamente onde cresceram as heresias de nestório e monoteístas.( Aos 11/11/94 a comunidade cristã monofisita da Assíria (Iraque), representada por seu Patriarca Mar Dinkha IV, e o S. Padre João Paulo II assinaram uma Declaração conjunta que professa a fé em Cristo como definida pelo Concílio de Calcedônia em 451 e como fora guardada pela Igreja Católica através dos séculos. Aliás, em 1986 semelhante Declaração conjunta foi assinada pelo Patriarca Zikka Iwas I, da comunidade monofisita síria, ratificando Declaração anterior feita pelo Patriarca Moran Mar e Paulo VI. Por sua vez, em 1973 o Patriarca copta Shenouda III, em nome dos monofisitas do Egito emitiu juntamente com Paulo VI uma Declaração de fé cristológica professando a doutrina do Concíliode Calcedônia.) Os Jacobitas (ou Igreja Ortodoxa Jacobita) são um grupo de cristãos originários da Síria, geralmente integrada no conjunto das Igrejas Ortodoxas Orientais, cujos membros se encontram atualmente, na sua maioria, no Sul da Índia. O seu nome deriva de Jacob Baradeu, bispo de Edessa no séc. VI, que reavivou a heresia de Eutiques (o Eutiquianismo) ou heresia Monofisita, segundo a qual a natureza humana de Jesus Cristo foi absorvida pela natureza divina, o que contrariava o dogma da Igreja que afirmava que Jesus Crista mantinha as duas naturezas, humana e divina (o chamado Diofisimo). Antioquia, chamada “Rainha do Oriente”, foi uma das sedes dos quatro patriarcados originais, junto com Jerusalém, Alexandria e Roma. Foi também um grande centro teológico, monástico, cultural e litúrgico na Igreja antiga. Os cristãos sírios que não abraçaram o monofisismo são os melquitas, Igreja siro-malancar católica Como vimos anteriormente na Igreja caldeia, os siro-orientais evangelizaram, durante os séculos VII a XIII, grande parte da Ásia Central. Daquela evangelização surgiu a Igreja siro-malabar, que, séculos mais tarde, com a chegada dos portugueses, passou a depender de Roma. No entanto, segundo explica Nadal, em 1665, aproveitando certo vazio de poder deixado pelos portugueses, e com o desejo de preservar seu próprio rito, o arquidiácono Tomás Parambil e muitos seguidores romperam com Roma e passaram a obedecer o patriarca ortodoxo siro-ocidental. Criou-se assim a Igreja malancar ortodoxa. No entanto, em 1930, uma parte da Igreja siro-malancar ortodoxa voltou novamente a obedecer Roma. De 542 a 578 e o maior líder da igreja monofisismo foi Jacob baradeus cujo apelido refere-se aos trapos que usava para escapar da atenção das autoridades imperiais, constantemente em alerta contra esse notório dissidente. Traduzir seu nome como Jacó, o vagabundo não seria fora de propósito em vez de viver no palácio de luxo, ele ficava sempre em movimento vaganndo de cidade em cidade. Ele perambulou entre o Egito e a Pérsia ordenando bispos e padres para o crescimento secreto da igreja. Sua carreira em outras palavras foi mais parecida com a de um apóstolo primitivo e a de um prelado medieval, existiram muitos outros como ele. Numericamente, Jacob conquistou muito mais conversões que Paulo de Tarso, e também percorreu uma área maior. A lenda sobre a chegada à China de São Tomé ganhou uma nova informação quando Wang Weifan, mestre estudioso da História do Cristianismo primitivo assim como de Arte e Cultura Chinesa, ao analisar as pedras em baixo-relevo de dois túmulos da dinastia Han do Leste (25-220) encontradas em Xuzhou, na província de Jiangsu, nelas descobriu representados episódios Bíblicos. Se os estudos provarem que Wang Weifan tem razão, então a chegada do Cristianismo à China recua para o final do século I, quinhentos anos antes do que até hoje se pensava. OS NESTORIANOS NA CHINA Existiam comunidades cristãs espalhadas pelo Sul da Índia e evangelizadas por S. Tomé quando os nestorianos se espalharam pelas costas do Ceilão, Índia e pela Ásia Central até à Mongólia. Haviam outros reinos cristãos (os monofisistas) situados na Geórgia e Arménia, que se tinham separado da Igreja de Roma no Concílio de Calcedónia em 451. A primeira referência a nestorianos na China é do ano 552 quando, durante o reinado bizantino do Imperador Justiniano (527-565), dois monges nestorianos persas, que viveram longo tempo na China, daí conseguiram sair com os segredos da produção de seda. Certo foi os nestorianos terem ficado a viver na China desde a aprovação do Imperador Tai Zong (626-649) no ano de 635 (uma informação importante, e que nesse tempo , quando os nestorianos levaram o evangelho à china, o povo chinês reconheceu em Maria a rainha mãe, pois, no império chinês a mãe do rei também era rainha, e Jesus foi apresentado como o rei dos reis, isso foi um choque para os nestorianos, pois, eles acreditavam que Maria era Christotokos e não Theotokos) como consta numa estela encontrada perto de Chang’an (Xian) e que actualmente está no Museu da Floresta de Estelas. Foram os padres jesuítas portugueses Álvaro Semedo (1586-1657) e Manuel Dias Júnior (1574-1659) quem traduziram a estela, que se revelou nestoriana e que os precedia mil anos. Na Memória da Diocese de Macau vem o seguinte: “O célebre monumento syro-sinico de Si-ngan- fú (西安府, Xian fu) descoberto em 1625, e interpretado em linguagem chinesa vulgar pelo missionário jesuíta português P. Manuel Dias, dá claro testemunho da existência do Cristianismo na China, apresentando uma narração sumária da propagação do Evangelho neste país desde o ano de 635 até 781 da nossa era. Efetivamente, em 1625, provavelmente em princípios de Março, foi desenterrada uma grande lápide de pedra, no arrabalde ocidental de Xian, no Shaanxi” que havia sido erigida pelo nestoriano Zazdbozed, do clero secular, natural da cidade de Balk no Turquestão, na reunião anual do Inverno de 780-781, como se vê do final da inscrição nela gravada: “Erigida no segundo ano do período Kien-Chung (781) da grande dinastia Tang, estando o ano em Tso-yo, no sétimo dia do primeiro mês, que foi Domingo”. No topo da lápide está uma cruz, sob a qual foram gravados nove caracteres em três colunas que dizem: “Monumento comemorativo da nobre lei de Ta-Tsin no Império do Meio”. Segundo o texto, Alopen chegou a Si-ngan-fu (Xian) em 635, vindo do país de Ta-Chin (大秦, Daqin era o nome que os chineses davam ao Império Romano) provavelmente a Pérsia; o Imperador Tai-Tsong (太宗, Tai Zong) enviou o seu ministro Fang Huang ling a recebê-lo e conduzi-lo ao palácio e, depois de se convencer da verdade da sua religião, favoreceu a sua propagação e por ordem do mesmo Imperador, foi construído, em 638, um mosteiro nestoriano; outros se construíram no reinado do seu sucessor Kao Tsong (高宗, Gao Zong) (650-683) e Alopen foi promovido a Grande Senhor Espiritual, Protetor do Império. A placa de Si-ngan-fu tem gravada uma inscrição com 1780 caracteres”, segundo o Padre Manuel Teixeira. A História dos Nestorianos teve a sua origem em Antioquia, cidade na actual Turquia. Na Escola de Antioquia formou-se Nestorius, que foi Patriarca de Constantinopla de 428 a 431. Esta Escola advogava a separação das duas Naturezas de Cristo, a humana e a divina, e por consequência consideravam que Maria, a Nossa Senhora, não era Mãe de Deus, mas do Homem, Jesus. Tal ia contra o que os Alexandrinos defendiam. A Igreja de Alexandria era de tradição neo-platónica e fazia a interpretação simbólica da Bíblia, contemplando mais o Verbo Divino do que a humanidade de Cristo. O pensamento grego fundiu-se com a herança da revelação cristã e Cirilo venceu os nestorianos, em 431 no terceiro Concílio em Éfeso, com a tese (monofisista) de que em Cristo há uma só pessoa numa dupla Natureza (humana e divina). Era a Natureza de Cristo que se debatia no Concílio de Éfeso, ao qual Nestório não compareceu, tendo prevalecido a doutrina da Natureza divina de Cristo, defendida pelo Patriarca de Alexandria, S. Cirilo. Condenado pelo Concílio de Éfeso, o Patriarca de Constantinopla, Nestório foi excomungado em 431 e deposto pelo Imperador exilou-se no Egito. A sua doutrina expandiu-se para Oriente, de Edessa, os nestorianos daí expulsos fugiram para a Pérsia. Ctesifonte (uma das quatro capitais persas) tornou-se o seu principal centro, que aceitou estes cristãos fugidos do Império Romano. Após Roma ter abraçado a Religião Cristã, na Pérsia os cristãos passaram a ser considerados inimigos e começaram a ser perseguidos. Muitos foram mortos, o que os levou a empreender nova viagem para mais longe, passando a Igreja do Oriente para a Índia e pelos países da Ásia Central, chegaram ao Extremo Oriente. Vivia o Nestorianismo (Jing Qiao) na China há mais de dois séculos quando, a 30 de Setembro de 845, por decreto do Imperador Wu Zong da dinastia Tang foram proscritas no país as religiões estrangeiras. Tal se deveu sobretudo aos templos budistas serem detentores de imensas fortunas, quando os cofres do Estado estavam na penúria. Já os cristãos nestorianos, referenciados na estela do século VIII enterrada pouco depois do Decreto de proibição das religiões, viram-se forçados a fugir para as estepes do Norte, juntando-se a algumas tribos mongóis que, por volta do ano mil foram por eles convertidos. As tribos mongóis foram unificadas por Gengis Khan e mais tarde tomaram o poder na China, como dinastia Yuan. Os irmãos Polo encontraram-se com nestorianos quando chegaram em comércio ao reino dos mongóis. Uma pedra com o nome de quatro monges nestorianos, encontrada no templo budista Yunju, no distrito de Fangshan, subúrbios de Beijing comprova a sua estadia aí, assim como um documento árabe que fala de dois monges vindos de Beijing que chegaram à Pérsia em 1275. Em 11/11/1994 o Patriarca Mar Dinkha IV, da Igreja Assíria do Oriente, e o Santo Padre João Paulo II assinaram uma declaração que professa a mesma fé cristológica; este foi um caso entre outros semelhantes ocorridos anteriormente. Foi o bispo de Edessa de 543/544 até sua morte em 578. Ele é venerado como um santo na Igreja Ortodoxa Oriental e sua festa é 31 de julho. Os esforços missionários de Jacó ajudaram a estabelecer a Igreja Ortodoxa Siríaca, também conhecida como a Igreja “Jacobita”, depois de seu fundador homônimo, e garantiu sua sobrevivência apesar da perseguição. Jacob nasceu em c. 500 na cidade de Tall Mawzalt , e era filho de Theophilus bar Manu, um sacerdote. Aos dois anos de idade, Jacob foi deixado aos cuidados de Eustáquio, Abade do Mosteiro de Fsilta, e estudou grego, siríaco e textos religiosos e teológicos. A mãe de Jacob retornou mais tarde ao mosteiro e tentou trazê-lo para casa, porém, Jacó recusou-se a voltar e declarou sua dedicação a Cristo. Após a morte de seus pais, Jacó doou sua herança aos pobres e deixou vários escravos herdados, a quem concedeu a casa de seus pais. Mais tarde, Jacob foi ordenado diácono e sacerdote no mosteiro. Nessa época, Jacob tornou-se renomado como milagreiro e as pessoas procuravam-no buscando cura. Vários milagres são atribuídos a Jacob, como a ressurreição dos mortos, a cura dos cegos, a obtenção de chuva e a interrupção do movimento do sol. Ele também é conhecido por ter terminado o cerco deEdessa como Khosrow eu estava aflito com uma visão e abandonou o cerco. A Imperatriz Theodora , uma não-calcedoniano, aprendeu de Jacob e convidou-o para se encontrar com ela em Constantinopla , no entanto, ele estava relutante em fazê-lo. Em uma visão, Jacob foi instruído a viajar para Constantinopla, e assim, em c. 527, ele chegou na capital. Theodora recebeu Jacob com honra, no entanto, ele não estava interessado na vida na corte, e entrou no Mosteiro de Sykai , onde permaneceu por 15 anos. Enquanto em Constantinopla, ele ganhou o favor de Theodora e Al-Harith ibn Jabalah , rei dos Ghassanids ambos companheiros não-calcedonianos. Um surto de perseguição de não-calcedonianos realizado por Efraim , Patriarca de Antioquia, incitou a Imperatriz Teodora e Al-Harith a exortar o Papa Teodósio I de Alexandria a consagrar bispos para combater Efraim e garantir a sobrevivência do não-calcedonismo. Assim, Jacob foi consagrado Bispo de Edessa pelo Papa Teodósio em Constantinopla em 543/544. Após sua nomeação episcopal, Jacob viajou para Alexandria , onde ele, com dois bispos não calcedonianas, consagraram Conon como Bispo de Tarso e Eugenius como Bispo de Seleucia . Ele então começou a consagrar clérigos não-calcedonianos através da Mesopotâmia, Anatólia, Síria, Palestina e Egito. Neste momento, através de sua obra missionária, Jacob pretendia restaurar o não-calcedoniano como a posição oficial da Igreja no Império Romano do Oriente (Bizâncio). O governo romano tentou impedir o renascimento não-calcedoniano e aprisionar Jacó, no entanto, em suas viagens ele usou um disfarce e, assim, ficou conhecido como Burde’ana.“Homem em roupas esfarrapadas”, do qual deriva o apelido “Baradaeus”. Jacob ordenou Sérgio Bari Karya como Bispo de Haran e Sérgio de Tella como Patriarca de Antioquia em 544. Após a morte de Sérgio de Tella em 547, com Eugênio, Jacó ordenou Paulo como Patriarca de Antioquia em 550. Diferenças entre Jacó e Eugênio e Conon surgiram mais tarde e Jacob anatematizou o casal por sua adesão ao triteísmo , e eles anatematizaram Jacó na acusação de adesão ao sabelianismo. Em 553, o Imperador Justiniano I convocou o Segundo Concílio de Constantinopla em uma tentativa de unir calcedonianos e não-calcedonianos. No entanto, o concílio não convenceu os não-calcedonianos sírios, e Jacó começou a formar uma igreja separada, não-calcedoniana, que mais tarde se tornaria a Igreja Ortodoxa Siríaca. Jacob ordenou João de Éfeso como Bispo de Éfeso em 558. Em 559, Jacó consagrou Ahudemmeh como Metropolita do Oriente. Em 566, Jacob participou de discussões realizadas pelo imperador Justino II. Em Constantinopla, entre calcedonianos e não-calcedonianos, com o objetivo de um compromisso entre as duas facções. No final das discussões em 567, Justino emitiu um edital que foi acordado por todos que compareceram, no entanto, o edital foi rejeitado por um conselho não-calcedoniano em Raqqa. Mais tarde, em 571, Jacob Baradaeus e outros bispos não-calcedonianos deram sua aprovação a um decreto de união com a igreja de Calcedônia, pois ambos concordaram que eles tinham as mesmas crenças, mas as expressaram de forma diferente. Jacó e os outros bispos posteriormente aceitaram a comunhão de João Escolástico , Patriarca Ecumênico de Constantinopla. Isso irritou muitos não-calcedonianos, no entanto, e os bispos retiraram sua aprovação do decreto. Sem o conhecimento de Jacob, Paulo, Patriarca de Antioquia e vários outros bispos não-calcedonianos tinham sido torturados pelo governo romano (Bizâncio) e, a contragosto, concordaram em aderir ao calcedonismo. Jacó consequentemente proibiu Paulo de receber a comunhão e Paulo se refugiou no Reino dos Ghassanidas. Três anos depois, Paulo foi levado perante um sínodo não-calcedônio e Jacob o restaurou à comunhão por sua penitência. Isso enfureceu os não-calcedonianos egípcios e, em 576, o papa Pedro IV de Alexandria depôs Paulo como Patriarca de Antioquia, contrariando a lei canônica. Jacó denunciou Pedro, no entanto, em um esforço para reunir não-calcedonianos, ele viajou para Alexandria e concordou em dar seu consentimento ao depoimento de Paulo sobre a condição de que ele não fosse excomungado, restaurando assim boas relações entre os não-calcedonianos sírios e egípcios. No entanto, no retorno de Jacó à Síria, muitos não-calcedonianos sírios expressaram raiva pelo compromisso e violência entre os partidários de Jacó e Paulo. O rei Al-Mundhir III ibn al-Harith , sucessor de Al-Harith, e Paulo tentaram discutir o conflito com Jacó, no entanto, ele se recusou a buscar outro compromisso. Jacob, com vários outros bispos, deixou abruptamente a Síria com a intenção de viajar para Alexandria. No caminho, Jacob e seu grupo pararam no Mosteiro de São Romano em Maiuma, onde ficaram doentes e Jacó morreu em 30 de julho de 578. [9] Segundo Cyriacus, bispo de Mardin , os restos mortais de Jacob foram mantidos no local. Mosteiro de São Romano até se mudar para o Mosteiro de Fsilta em 622. Senhor Jenkis, seja menos ideológico e mais pesquisador. Uma resposta à: Fhilip Jenkins, Guerras santas, capítulo 1, Rio de janeiro, LEYA, 2013 #USA #Bizâncio #France #JustinoI #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #ConcíliodeCalcedônia #China #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #Dogmas #desenvolvimentodoutrinal #HistóriadasHeresias #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Doctrinaldevelopment #Monofisismo

  • QUE É A HUMILDADE? (1) – Monsenhor Ascânio Brandão

    (UMA PALAVRA… Aí vai este opúsculo. A humildade foi o seu tema. Comecemos pelo alicerce, pela raiz. Fundamento do edifício da perfeição e raiz das virtudes é a humildade. Não se constrói sem alicerce, e toda árvore dá frutos quando bem enraizada e alimentada pelas raízes profundas. Se algum bem fizer este livrinho, peço a Nosso Senhor conceda-me a graça de viver as páginas que escrevi. É tão fácil escrever sobre a humildade e tão difícil praticá-la! Rezai por mim, piedosos leitores! O AUTOR.) A humildade é uma virtude que pertence à virtude cardial da temperança e tem por fim moderar as nossas loucas aspirações de grandezas. Humildade vem de humus: terra. Humildade .quer dizer: o que está abatido até a terra. A virtude da humildade modera, regula as tendências da alma que deseja se elevar acima dos limites traçados pela razão e pela graça. É um conhecimento de si mesmo sem as ilusões do amor próprio. Uma luz que faz o homem se conhecer e conhecer melhor a Deus. É o desprezo de si até o amor de Deus, como o orgulho é o amor de si mesmo até o desprezo de Deus, no expressivo dizer de Santo Agostinho (De civitate Dei, Livro XIV, capítulo 28.). Enfim “a humildade é a verdade”, diz Santa Teresa. É um ato da inteligência e da vontade. A inteligência que conhece a sua miséria e pequenez e reconhece a grandeza de Deus. A vontade que se abate e se humilha, enfim. Pode-se então definir a humildade: “Uma virtude sobrenatural que, pelo conhecimento que nos dá de nós mesmos, nos inclina a nos estimarmos em nosso justo valor, e a buscarmos o abatimento e o desprezo” (Tanquerey, Ascética e mística. 2ª parte, cap. 2). Noverim me, noverim te! diz Santo Agostinho: “Que eu me conheça, ó Senhor, e que eu Vos conheça!” Noverim me ut despiciam me! “Que eu me conheça para que me despreze!” Noverim Te ut amem Te! “Que eu Vos conheça, para que Vos ame!” Eis aí a humildade. É, sim, a verdade pura. Para ser humilde basta, pois, ser verdadeiro. Reconhecer e confessar nossas misérias, nosso nada. E, mais ainda, aceitar esta condição miserável, eis ai a dupla humildade de espírito e de coração. Quando a alma, esclarecida sobre a sua condição, se vê bem pequenina e pobre, então pode dizer ao Senhor: — “Nada sou, nada tenho, nada posso. Só tenho de próprio a miséria e o pecado, o nada. Na ordem natural e sobrenatural nada tenho e tudo recebi de Vós”. Quando de coração se chegou a reconhecer e viver praticamente de acordo com estes sentimentos, eis a humildade. (Mons. Ascânio Brandão, A humildade. Taubaté, Ed. Sagrado Coração de Jesus, 1941)

  • Quando Deus fala através dos animais

    Se você sente dificuldade para rezar, precisa ler isso O que os cachorros têm a ver com a adoração à Eucaristia? O bispo Fulton Sheen encontrou uma bela relação entre eles num dia em que se sentia desanimado e lhe custava rezar. Já fazia algum tempo que ele estava passando por um período de aridez espiritual. Sua impressão era de que seus tempos dedicados à oração não eram agradáveis a Deus. Como outros dias, o arcebispo estadunidense (atualmente em processo de beatificação) foi a uma capela e se sentou. Mas não conseguia dizer sequer uma palavra a Jesus. Então se lembrou de uma coisa: seu cachorro tampouco podia falar, mas quando o bispo se sentava em sua poltrona para ler o jornal, o animal se sentava no chão ao seu lado. E ele se sentia acompanhado. Só estando aí, ao seu lado, o cachorro era para o bispo um grande consolo e o fazia muito feliz. Enquanto o bispo pensava nisso, recebeu uma inspiração de Deus: Sheen era um grande consolo e muito agradável ao Senhor, inclusive quando só conseguia ficar lá, aos pés do Santíssimo Sacramento, como seu cachorro, sem dizer nada a Jesus, apenas permanecendo junto dele. Dom Josefino Rodríguez, que narra esta história, confessa: “Eu também tenho um cachorrinho. E, como para mim ele é um grande consolo, eu o chamo de amigo”. E explica algo parecido que aconteceu com um sacerdote amigo seu: “Ele estava fazendo sua hora santa em nossa capela de adoração perpétua. Era um dia terrivelmente quente e ele se sentia tão cansado e esgotado pelo calor, que não conseguia rezar”. “Só permanecer na capela em sua hora representava um grande esforço – relata. Ele se perguntava se aquela hora teria algum valor e, enquanto pensava nisso, um gatinho branco entrou na capela.” Fazia tanto calor naquele dia, que alguém deixou a porta aberta. “No começo, meu amigo recordou o quanto odiava gatos. Depois observou como o gatinho passeava por cada um dos bancos, até chegar à parte de trás de onde meu amigo estava sentado. O gatinho parou, olhou para ele, colocou a cabeça sobre o seu sapato, como se fosse sua almofada, e deitou para dormir.” Isso pode parecer bobagem, mas ele se emocionou, porque aquele gatinho havia escolhido seu pé para descansar. “Mais tarde, meu amigo sentiu uma inspiração forte: se ele, que odiava gatos, estava tão contente por ter um que escolheu estar com ele, quanto mais Jesus estaria encantado conosco, a quem ama infinitamente, quando escolhemos estar com Ele.” E finaliza: “Meu amigo, assim como o bispo Sheen, nunca mais se desanimou ao sentir que não conseguia rezar. O simples fato de estar ali é uma oração de fé, significa crer realmente que Jesus está presente. É uma oração de amor, porque a pessoa escolhe estar com quem ela ama”. de Patricia Navas González, pt.aleteia.org #Deus #animais #Através #Bíblia #Jesus #quando

  • A Escrita e a imagem

    A Escrita e a imagem Por escrita e imagem podemos designar dois tipos de objetos e de práticas culturais que desempenharam um papel central no cristianismo medieval. Não foram os únicos: nesta religião do verbo encarnado, não esqueçamos a importância da palavra viva e da voz na pregação e nos cantos da liturgia e até na escrita literária. Não esqueçamos também o papel do corpo e dos gestos e na simbólica cristã do corpo (corpo místico e corpo eucarístico) e nas práticas rituais. Por ora, propõe-se dar atenção especialmente à relação da escrita com a imagem e à sua evolução histórica. Por escrita, num entendimento puramente histórico, vemos em primeiro lugar o texto sagrado, como a Igreja sempre acreditou na autoridade fundamental das escrituras, mas não podemos afirmar que o cristianismo é uma religião do livro; as escrituras, existem o magistério e a tradição Apostólica. Entendo também toda prática letrada, da qual os clérigos, obliterante, conservaram durante séculos o monopólio, porque é a única capaz de nos dar uma interpretação correta das escrituras. Pelo termo imagem, pretendo expressar todas as acepções do termo latino imago; a imagem é, antes de tudo, um fundamento da antropologia judaico-cristã, pois o homem foi criado “a imagem de Deus”. É também o conjunto dos modos de figuração do invisível, da crença e da história sacra; imagens dos sonhos; metáforas poéticas e místicas; imagens materiais enfim, cujo os modos de representação e os usos públicos e privados variaram no decurso dos séculos. Escrita e imagem: a simetria não é enganadora? Ao seguir os autores eclesiásticos da idade média — mas seu ponto de vista era evidentemente parcial —, fica assim imediatamente persuadido que entre essas duas noções existe uma hierarquia em benefício da primeira. Entre o livro e as imagens, havia uma diferença de dignidade. A imagem (aí incluindo o homem “imagem de Deus”) passa por ser inferior ao protótipo; imagem onírica é muitas vezes falacioso, tendo boa chance de ser obra do inimigo; enfim, as imagens materiais não desempenham no ocidente o papel importante das práticas culturais, a não ser numa data relativamente tardia. Com efeito, na ordenação dos objetos sacros de uma igreja viva elas vem depois das espécies sacramentais, isto é, das escrituras, da Cruz, das relíquias. A escrita e à imagem eram igualmente reservados papéis desiguais no conhecimento do divino. As práticas da escrita estavam associadas aos procedimentos da inteligência racional, à arte de escolher e de ordenar as rationes e as autoridades, dominar a técnica da escrita e, mais ainda, aceder à inteligência das Letras suponham uma longa educação, num meio exclusivamente clerical. Nas representações que tinham de si mesmo, os homens da Igreja (oratores) associavam mais ou menos tacitamente seu estatuto dominante na sociedade à função superior da alma, à faculdade do conhecimento racional (ratio, mens, intelectus) pelo qual o homem participa mais intimamente da divindade. As práticas da imagem derivam ao contrário da função da imaginatio, cujo estatuto se encontrava em posição intermediária entre o espírito e os sentidos corporais; os sonhos e os fantasmas, tidos em suspeita, procedem entre outras dessa função da alma mais próxima do corpo. Sem dúvida a imaginatio tem um papel a desempenhar na aproximação como o Divino e, a partir do século 12, a linguagem mesmo a escrita dos místicos souberam exprimir sua riqueza e impor seu reconhecimento. Mas foi necessário tempo para que isso viesse a ocorrer. Santo Agostinho bem exaltava o sentimento estético que uma bela imagem suscita ( tratado sobre o Evangelho de São João), que se deixa apreender e agradar de uma só vez, mas também para ele a decifração do sentido oculto da letra continuava a ser o que havia de mais nobre. A escrita de São Bernardo, em seus sermões sobre o cântico dos cânticos e mesmo na Apologia a Guilherme de Sant-Thierry — em que baniu as esculturas dos claustros — são o testemunho de uma sensibilidade quase sensual em relação à imagem, e de uma imaginação tanto mais invasora que o autor procura refreá-la, pois, pensa ele, as imagens enganosas desviam o monge da meditação da lei escrita de Deus. Numa soberba composição escrita, Aelred de Rievaulx, também ele cisterciense, mostrou como a alma pecadora se reflete no espelho das Escrituras. A exemplo da colomba medrosa, tenha o hábito de ir espiar a superfície das águas se a área de rapina não vem aí refletir-se como no espelho enquanto plana acima de ti. Tu serás alertado. Os cursos d’água são as sentenças das escrituras elas correm das fontes mais puras da sabedoria. Elas farão aparecer a imagem das sugestões diabólicas e despertarão em ti o instinto de os evitar. Nada expulsa ou reprime melhor os pensamentos inúteis volúveis do que a meditação da palavra de Deus. Escrita e imagem: sua relação é, desse modo, mais complexa do que pode parecer e não permaneceu imutável na história. Também as imagens de devoção, as únicas sobre as quais vamos comentar aqui, só muito lentamente conquistaram seu lugar, ao menos no ocidente, entre os modelos de espiritualidade e as práticas cultuais legítimas. A igreja Franca, na época carolíngia, as rejeita sem qualquer consideração: os libre Carolini (791-794) denunciaram, contra a vontade do Papa e da Igreja do Oriente, os cânones favoráveis ao culto dos ícones do VII Concílio ecumênico de Nicéia II (787). Mas em torno do ano mil, o culto das estátuas-relicário em três dimensões, das quais a mais célebre foi de Santa fé de Conques, mostra bem que no ocidente também as atitudes mudaram. Nos séculos 11 e 12, as polêmicas com os heréticos e com os judeus — que acusavam os cristãos de idolatria — permitiram aos bispos (como Geraldo de Cambrai perante os heréticos de Arras em 1025) ou a outras autoridades eclesiásticas de primeiro plano (como o Rubert de Deutz ou Guibert de Nogent) elaborar uma teoria cristã ocidental das imagens religiosas. Essas imagens, e as práticas cultuais de que eram objeto, ganhavam desde então inteira legitimidade. Com mais forte razão, o neoplatonismo de Suger levou a uma completa reabilitação da imagem como instrumento de contemplação de Deus (ver o texto “de Nicéia II a São Tomás de Aquino: a emancipação da imagem religiosa no Ocidente). Existe assim uma história das imagens e das atitudes a respeito das imagens: umas e outras mudaram ao mesmo tempo. E, correlativamente, modifica-se a relação da escrita com a imagem. Para tentar fixar as balizas dessa história, podemos fixar a atenção num personagem cuja importância na cultura medieval é central tanto para a escrita quanto para as imagens e as relações entre ambos: o Papa Gregório Magno (590-604). Gregório Magno é, na cultura medieval, o escritor Eclesiástico por excelência. Suas Vitae não deixam jamais de mostrar o catálogo das obras que escreveu (as Moralia in Job, a Regula Pastoralis, as inúmeras cartas, os Diálogos que lhe são também atribuídos) e a iconografia cristã mostra-o mais frequentemente e escrevendo em sua mesa sob inspiração da colomba (essa imagem se refere a um episódio miraculoso mencionado desde as mais antigas biografias de São Gregório Magno; a colomba do Espírito Santo lhe teria aparecido quando ele penava ao comentar a visão de Ezequiel. No século 13, Vicente de Beauvais enumerava os livros escritos por Gregório e depois menciona dois milagres bem dignos de um escritor: o da colomba e o do manuscrito das Moralia desaparecido e depois reencontrado contra toda probabilidade; ele por fim apresenta extratos da Regula Pastoralis e de outras obras do Papa: Speculum historiale, XXII, cap. 24 a 27; todos os retratos literários de Gregório Magno insistem sobre a abundância e a qualidade de sua obra escrita, citações de nove autores louvando seus escritos, Gregório de Tours a Honorius Augustodunensis). Mas Gregório Magno também desempenhou um papel muito importante na definição das atitudes ocidentais em relação as imagens religiosas. Seu papel, particularmente nesse aspecto, é bem ou de um fundador da Idade Média. Entretanto, a escolha que faço de Gregório Magno tem ainda outra razão. Gregório ocupa, parece-me, um lugar à parte entre as autoridades patrística, ao lado de Jerônimo, Ambrósio e Agostinho. Na Idade Média, seu nome não era mais do que uma referência abstrata para os letrados, a única cautela de uma citação. Ele se prestava também à evocação de lendas, das quais a mais célebre, lembrada pela literatura vernácula, é a de um duplo incesto cujo epílogo é a eleição de Gregório ao trono pontifício. Não é essa lenda que deveremos estudar, pois ela não se refere as imagens, mas nos confirma já a ideia de que o modelo gregoriano de imagem religiosa não é apenas uma doutrina, um conjunto de proposições mais ou menos teóricas. É também uma “figura”, que se deixa descobrir nas obras de Gregório, mas também nos escritos que lhe foram atribuídos, nas lendas, numa hagiografia crescente, nos relatos da literatura narrativa ou edificante. Ora, essa figura, veremos, não cessa de encontrar as imagens. Mas ela não se oferece a nós pronta e acabada: foi sendo construída pouco a pouco no decurso dos séculos. Ela desenha uma sorte de destino póstumo de Gregório. De passagem, ajuda a descrever também a longa evolução das atitudes do ocidente medieval em relação as imagens religiosas. Schmidt, jean-claude, o corpo das imagens, Bauru, São Paulo: EDUSC, 2007. #USA #Históriadaidademédia #France #Patrística #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #imagenssacraseídolos #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte

  • How does the Holy Ghost preserve the Church in the purity of faith?

    How does the Holy Ghost preserve the Church in the purity of faith? By making the head of the Church the infallible teacher in matters of faith and morals. When our Lord Jesus Christ established his Church,  he knew that in all future ages certain men,moved by human weakness or Satanic malice,or by both combined, would arise to corrupt or misinterpret the holy doctrine of his Church; for, men are free agents, and if they will go against God, God, having given them this most glorious privilege of freedom,does not deprive the of it, even when they use it against himself, though, as he has unmistakably warned them, he will call them to strict account for their use or abuse of man’s noblest gift. Now, to remove all doubts about the true meaning of Christ’s doctrine, and to preserve it pure and free even from every chance of error, it was necessary that there should be someone privileged by God to state plainly, with divine certainty, that doctrine in all points of faith and morals; in other words, it was necessary that there should be a supreme judge to decide in all disputed points of divine Law, from whose sentence there should be no appeal. Without this necessary safeguard, the way was forever open to error,and the work of Christ on earth practically useless. If everyman in the country were to explain the laws of the state as he pleases, there would be nothing but confusion and disorder in society. In like manner,if everyman were to interpret the sacred, eternal law of God, the doctrine of Christ, as he pleases, there would be nothing but confusion and disorder in religion. In order to prevent confusion and disorder in society, human wisdom found it necessary to appoint a supreme judge to decide ultimately in all disputed points of civil law. Now, if even human wisdom sees the necessity of appointing a supreme judge, to decide ultimately in all points of civil law,it is most clear that God,who is infinite wisdom,could not and did not fail to appoint a supreme judge to decide ultimately in all points of divine law,in order thus to prevent the possibility of confusion in religion. There never was a time when men were left to themselves to fashion their own religion,to invent their own creed,their own form of worship,and to decide in matters of religion,as they pleased. There always existed on earth a visible teaching authority,to which it was the bounded duty of everyman to submit. During the four thousand years that elapsed before the coming of the Redeemer, the doctrines that were to be believed, the feasts that were to be observed,the sacrifices, the ceremonies of worship,everything connected with religion,were regulated by the living, authoritative voice of the patriarchs, the priests, and the prophets. In the Old Law,God appointed a tribunal,presided over by the high goriest, to judge in all controversies,both of doctrine and morals. The decision of this tribunal was final, and without appeal. The Jewish historian,Josephus, who was well acquainted with the laws and religion of his own nation, says (lib.2,contraAppium): “The high priest offers sacrifice to God before the other priests he guards the laws,judges controversies,punishes the guilty,and whoever disobeys him is punished as one that is impious toward God.” But a still greater authority than Josephus, the word of God itself, bears witness to the fact(Deut.xvii,8-12): “If thou perceive,” says Holy Scripture, “that there be among you a hard and doubtful matter in judgment between blood and blood,cause and cause, and thou seest that the words of the judges within the gates do vary, arise and go up to the place which the Lord thy God shall choose. And thou shalt come to the priests and to the judge,that shall be at that time,and thou shalt ask them,and they shall show thee the truth of the judgment. And thou shalt do whatsoever they say, and thou shalt follow their sentence. Neither shalt thou decline to the right hand,nor to the lefthand. But he that will be proud, and refuse to obey the commandments of the priest who ministers that the time to the Lord thy God,and to the decree of the judge,that man shall die,and thou shalt takeaway the evil from Israel.” Here, then, is clearly a tribunal, appointed by Almighty God himself, to decide in the last resort, a tribunal from whose sentence there is no appeal. Consider carefully every word of the inspired text. There is no exception, the rule is for all; the terrible sentence is pronounced against every transgressor: whosoever shall refuse to abide by the decision of the high-priest, shall die the death. Witness the punishment of Core, Dathan and Abiron: the earth opened and swallowed them up for refusing to obey. This supreme tribunal remained intact until the coming of the Redeemer. Our Lord himself assures us of this: “The Scribes and Pharisees have sat on the chair of Moses. All things, therefore, whatsoever they shall say to you observe and do.”(Matt,xxiii,2.) Again, our Lord assures us that he came not to destroy the law,but to make it perfect. He therefore established,in the New Law, in his Church, that which, in the Old Law, was most necessary for the preservation of faith and morals, He gave to the whole world an infallible judge and teacher in the person of St. Peter,the head of his Church,and in every successor of St. Peter, to decide ultimately in all points of faith and morals. Christ himself assures us that Peter and his successors are the infallible teachers of his religion. He told St. Peter that,by his prayer to his heavenly Father,he had obtained the gift of infallibility for him and all his successors: “I have prayed for thee(Peter), that thy faith fail not;and thou,being once, converted,confirm thy brethren.”(Luke xxii,31,32.) (Michael Muller C.SS.R., ” The Church and Her Enemies)

  • O QUASE CALVÁRIO DE NAZARÉ – 4º Domingo do Tempo Comum

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Mas os seus não O receberam”, clicar AQUI. Nosso Senhor Jesus Cristo “veio para o que era seu, mas os seus não O receberam”. É o que acontece na sinagoga de Nazaré, quando todos se levantam e O expulsam da cidade. É o que acontece em sua Paixão, quando zombam e se escarnecem dEle. E é o que acontece também em nossa época, quando, recusando-nos a crer no mistério da Encarnação do Filho de Deus, perdemos a ocasião de nos tornarmos, também nós, filhos de Deus. O PROFETA DAS NAÇÕES (Meditação de Scott Hahn) As palavras de Deus na primeira leitura de hoje nos apontam, para além de Jeremias, o próprio Jesus. Como Jeremias, Jesus foi consagrado já no ventre materno e enviado como “profeta para as nações” (Lucas 1, 31–33). Como os profetas antes dele, também Jesus enfrentou hostilidades. No Evangelho de hoje, a multidão na sinagoga de Sua cidade natal rapidamente se volta contra Ele, aparentemente exigindo um sinal, alguma prova de suas origens divinas — pois Ele é mais do que apenas “o filho de José”. O sinal que Ele lhes dá é o dos profetas Elias e Eliseu. De suas passagens interessantes, Jesus extrai duas histórias. Em cada uma delas, os profetas ignoram “muitos em Israel”, para conceder as bênçãos de Deus aos não-israelitas, que tinham fé nos profetas como homens de Deus (1 Reis 17, 1–16; 2 Reis 5, 1–14). “Ninguém em Israel foi considerado merecedor”, enfatiza Jesus. Esse aspecto não passou despercebido aos que O ouviam. Sabiam que Ele os estava comparando àqueles “muitos em Israel” dos dias dos profetas. É por isso que tentam atirá-lo do penhasco. Mas, assim como Deus prometeu proteger Jeremias, também livrou Jesus daqueles que O destruiriam. E como Elias e Eliseu, Jesus é enviado para proclamar o dom da salvação de Deus; não exclusivamente a uma nação ou povo, mas a todos que compreendem, pela fé, que desde o ventre materno só Deus é a sua esperança, o seu redentor, a sua “rocha protetora”, como cantamos no salmo de hoje. As profecias, como São Paulo nos diz na Epístola de hoje, são parciais e passarão “quando vier o que é perfeito”. Em Jesus, a palavra dos profetas foi levada à perfeição, cumprida naqueles que têm ouvidos para ouvir, como Ele declara no Evangelho de hoje. Maior que os dons da fé e da esperança, Jesus nos mostra como devemos amar como Ele amou: amar a Deus como nosso Pai, como aquele que nos formou no ventre materno e nos destinou a ouvir a Sua Palavra de salvação. Esta é a salvação, as “obras poderosas do Senhor”; como o salmista, damos graças por poder proclamá-las diariamente na Eucaristia. https://stpaulcenter.com/prophet-to-the-nations-scott-hahn-reflects-on-the-fourth-sunday-in-ordinary-time/ PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Jeremias 1, 4-5.17-19) Deus protege os Seus profetas Nos dias de Josias, rei de Judá, foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: “Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações. Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer: não tenhas medo, senão, eu te farei tremer na presença deles. Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te”, diz o Senhor. SALMO 70 A Rocha protetora (Antífona): Minha boca anunciará todos os dias vossas graças incontáveis, ó Senhor. — Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor:/ que eu não seja envergonhado para sempre!/ Porque sois justo, defendei-me e libertai-me!/ Escutai a minha voz, vinde salvar-me! — Sede uma rocha protetora para mim,/ um abrigo bem seguro que me salve!/ Porque sois a minha força e meu amparo,/ o meu refúgio, proteção e segurança!/ Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio. — Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança,/ em vós confio desde a minha juventude!/ Sois meu apoio desde antes que eu nascesse,/ desde o seio maternal, o meu amparo. — Minha boca anunciará todos os dias/ vossa justiça e vossas graças incontáveis./ Vós me ensinastes desde a minha juventude,/ e até hoje canto as vossas maravilhas. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1Coríntios  12, 31-13,13) A perfeição da Caridade Irmãos: Aspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior. Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse caridade, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, mas se não tivesse caridade, eu não seria nada. Se eu gastasse todos os meus bens para sustento dos pobres, se entregasse o meu corpo às chamas, mas não tivesse caridade, isso de nada me serviria. A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor; não se alegra com a iniquidade, mas se regozija com a verdade. Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo. A caridade não acabará nunca. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá. Com efeito, o nosso conhecimento é limitado e a nossa profecia é imperfeita. Mas, quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança. Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face. Agora, conheço apenas de modo imperfeito, mas, então, conhecerei como sou conhecido. Atualmente permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é a caridade. EVANGELHO (São Lucas 4, 21-30) A Caridade rejeitada Naquele tempo, estando Jesus na sinagoga, começou a dizer: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?” Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”. Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

  • ANJOS DE CARA SUJA

    No último 31 de janeiro a Igreja comemorou São João Bosco, o padre que cuidou de jovens problemáticos e lutou sem medo contra os inimigos do cristianismo. Há um velho e famoso filme americano, um clássico dos anos 30, que vale a pena ver dentro desse espírito que animou o grande sacerdote italiano: Anjos de cara suja (de Michael Curtiz, o mesmo diretor do clássico Casablanca, com James Cagney, Pat O’Brien, Humphrey Bogart). Está no youtube, com legenda. A história se ambienta nos anos 20, numa típica cidade grande americana. Os personagens centrais, Rocky Sullivan e Jerry Connelly, eram amigos de infância e adolescência, que viviam numa cidade de gângsteres e pareciam destinados ao mundo do crime. Há uma cena do início que é decisiva para o enredo e para a compreensão dos caminhos opostos que os dois amigos trilharam. Rocky e Jerry tentaram roubar um vagão que transportava canetas. Os guardas chegaram e Rocky foi pego, enviado a um reformatório, a partir do qual teve início sua carreira na contravenção, tornando-se mafioso. Jerry, mais forte e veloz, conseguiu escapar da polícia; ao contrário do amigo, porém, pensou melhor e escolheu outra espécie de vida: foi para o seminário e se ordenou padre católico. Muitos anos depois, Rocky foi preso por assalto à mão armada, condenado a três anos de prisão. Cumprida a sentença, voltou ao antigo bairro e visitou Jerry, já então padre. Os caminhos dos dois, no entanto, iriam separar-se cada vez mais: enquanto Rocky voltava à vida anterior do vício e do crime, padre Jerry mergulhou na missão especial de converter um grupo de jovens seduzidos pelos anti-heróis da máfia e, por fim, se engajaria numa cruzada anti-máfia que quase lhe custou a vida.  Recusou uma grande quantia de dinheiro sujo oferecida pelo amigo, alegando que não podia aceitar: os fins, por mais elevados que fossem, não poderiam justificar meios torpes para a sua obtenção. O clímax do filme é memorável. Condenado à cadeira elétrica, Rocky está decidido a morrer como viveu, afrontando os executores da lei e recusando a extrema-unção. Um anti-herói durante toda a vida e até na hora da morte. A sua valentia canalha seria bem explorada e registrada pela imprensa, alimentando na população (sobretudo no pequeno grupo de jovens de quem o padre cuidava) o respeito por aqueles inimigos da ordem e o sentimento de que o crime compensa. O padre, contudo, nos últimos minutos de vida do amigo convenceu-o a morrer como covarde, o covarde que ele efetivamente não era: Rocky atirou-se dramaticamente aos pés dos algozes e implorou misericórdia, desconstruindo o próprio mito de homem durão e impiedoso. A covardia do bandido teve grande destaque dos jornais no dia seguinte, deixando os jovens do padre Jerry frustrados com o falso ídolo, que não tinha conseguido morrer como o “herói” que eles esperavam. Mas a “mentira” de Rocky funcionou: eles voltaram a freqüentar a paróquia do padre Jerry. Rocky foi um fingidor? Humilhou-se em público, para toda a posteridade, somente para agradar ao amigo sacerdote? Ninguém pode garantir que o bandido não se tenha convertido realmente, naqueles segundos finais de vida, convencido de súbito da inutilidade da vida malévola. Essa possibilidade em aberto é um dos encantos, talvez o principal, desse velho filme de 1938.

  • Celibato e Continência de Acordo com os Padres da Igreja – Um Estudo do Oriente Grego e do Oci

    Os escândalos que eclodiram na Igreja Católica Romana nas últimas décadas, particularmente desde o verão de 2018, levaram muitos estudiosos e analistas a ponderar se a regra sobre o celibato para o clero ordenado poderia ser uma causa para os atos graves de má conduta sexual. Por mais que haja uma conexão a ser feita ou não feita, eu queria dedicar um extenso artigo sobre a regra do celibato sacerdotal (abstenção da vida conjugal) e continência (abstenção da relação sexual, mas não necessariamente casamento) nos primeiros Padres da Igreja. Antes de me arriscar a fazer isso, seria negligente se eu não apontasse o leitor para um post já publicado por Unam Sanctam Catholicam sobre o assunto, que é dedicado principalmente a citações dos primeiros padres da Igreja e concílios sobre este importante assunto. O que ofereço aqui é menos citação (embora acrescente outras não fornecidas por Unam) e mais comentários e reflexões, particularmente como esse fenômeno se desenvolveu na cristandade oriental e ocidental. Embora nem sempre seja mencionado, a regra do celibato sacerdotal era uma das questões que separavam os centros eclesiais de Bizâncio e do Ocidente latino durante a época do grande cisma. Seria, portanto, muito mais benéfico ver como a prática começou desde os primeiros séculos. Alguns dias antes da presença de Deus descer sobre o Monte Sinai, que o Senhor Deus instruiu Moisés a ir e santificar os filhos de Israel, em preparação para a Sua manifestação. Ele disse a Moisés para dar aos israelitas dois dias para lavar suas roupas, estarem prontos para a vinda do Senhor e “não se aproximarem de suas esposas” (Êx 19: 14-15). No livro do Profeta Samuel, quando Davi pediu ao sacerdote Abimeleque pão do Templo para si e para seus soldados, Abimeleque respondeu dizendo: “Não há pão comum à mão; mas há pão santo, se os jovens, pelo menos, se conservarem das mulheres ”(1 Sm 21: 1-4). Essa exigência de abstinência periódica das relações conjugais e serviço ao Senhor pode parecer estranha para o homem moderno. Foi-me dito em uma conversa aleatória enquanto estava sentado em um restaurante Denny’s por uma senhora judia idosa encantadora que para um homem estar com uma mulher é simplesmente natural, e o contexto era imediatamente à luz da demanda pelo celibato sacerdotal no catolicismo. Mas mesmo o Antigo Testamento, como vimos, mostra a associação inflexível das relações conjugais e perfeita consagração a Deus, mesmo que seja por um período. Naturalmente, o sacerdócio no Antigo Testamento era tribal e, portanto, hereditário. Foi a tribo de Levi que foi reservada para o serviço sacerdotal na legislação sinaítica, e a carreira como sacerdote passou de pai para filho, com a provável exceção dos sacerdotes essênios que habitavam lugares como Qumran. Como tal, o celibato sacerdotal era apenas uma impossibilidade no Antigo Testamento. No entanto, esperava-se que o sacerdote observasse a continência durante os tempos em que servia no Templo de Deus. Dado que o sacerdócio do Novo Testamento não é hereditário e não passa de Pai para Filho, haveria um desenvolvimento na direção do celibato permanente? Isso é certamente o que vemos na história da Igreja, uma vez que desde o início da Igreja, a regra do cristianismo oriental e ocidental era absolutamente nenhuma permissão para o casamento de diáconos, presbíteros ou bispos. Isso significa que se você foi ordenado como um homem solteiro em qualquer um dos três graus principais de ordens sagradas, você estava fadado ao celibato pelo resto de sua vida. Esse é um desenvolvimento bastante significativo do Antigo para o Novo Testamento. Tirando da mulher judia com quem falei, a questão ainda pode ser levantada como se o cristianismo grego, e não apenas o latino, tenha negado às pessoas que vivessem naturalmente. E aqueles homens que foram ordenados em ordens sagradas como já casados? Tanto o Oriente como o Ocidente permitiam a ordenação de homens casados (embora isso já fosse desencorajado desde o início), mas o Ocidente proibia completamente que esses homens tivessem relações conjugais com seus cônjuges desde o momento de sua ordenação até as ordens que se seguiriam. Como veremos, havia vozes orientais em apoio a isso, mas não se tornaria uma plataforma formal, vinculativa e canônica devido a razões compreensíveis, embora a cristalização da tradição canônica oriental no Concílio de Trullo (692) tenha chegado um pouco perto da disciplina ocidental (veja abaixo). Por que não permitir relações conjugais? Bem, mais uma vez, remonta àquela concepção que já foi dada testemunho do Senhor em Sua aparição no Monte Sinai O povo de Israel teve que lavar suas roupas, separar-se do pecado e abster-se de suas esposas? Por quê? Não é a relação sexual dentro do casamento natural e, portanto, consistente com a justiça perfeita? Idealmente, este teria sido o caso desde quando Deus criou o homem e a mulher, ele os criou e seus descendentes para dominar a criação através do veículo da reprodução sexual. No entanto, desde a queda da humanidade em Adão, algo mudou drasticamente sobre a condição humana que afetou até mesmo o ato sexual durante o casamento. Não tenho espaço nem tempo para dedicar-me a um tratamento adequado do entendimento Patrístico, mas é possível acessar o Casamento e a Concupisciência de Santo Agostinho. É claro que posso dizer que não há nada “intrinsecamente” maligno no intercurso conjugal (o livro de Hebreus diz que o leito conjugal é puro), mas minha melhor aposta é que a história do homem identificou algo sobre o evento sexual que pelo qual a abstenção permite uma consagração mais perfeita a Deus. Isso é visto de forma tão curta quando São Paulo diz abruptamente: “É bom que o homem não toque em uma mulher” (1 Co 7: 1). Claro, se você for ler o contexto, São Paulo não está dizendo que ter uma esposa ou se envolver em intimidade sexual é pecaminoso. O provérbio hebreu 18:22 declara: “Aquele que acha uma esposa acha uma coisa boa”. No entanto, se você quiser mergulhar em uma mentalidade patrística, este trecho de um comentário de São Jerônimo é bastante impressionante. Ele escreve: “Se é bom não tocar uma mulher, é ruim tocá-la: pois não há oposto à bondade, além da ruindade. Mas se for ruim e o mal for perdoado, a razão da concessão é evitar o mal maior. Mas certamente uma coisa que só é permitida porque pode haver algo pior tem apenas um pequeno grau de bondade ”(Contra Joviano, Livro 1.7). Se pensarmos nesse paradigma, então não é surpresa que o Senhor exigisse que os sacerdotes de Israel se abstivessem das relações conjugais com suas esposas durante os tempos de serviço no Templo, porque mesmo que encontrar uma esposa seja uma coisa boa, e mesmo que o leito conjugal esteja incontaminado, há algo em não ter uma esposa e não agir nas relações conjugais que a tornam mais adequada para o serviço de Deus. Realmente não há maneira de contornar isso, pois o próprio Paulo afirma: “Eu digo aos solteiros e às viúvas: é bom para eles se permanecerem como eu sou; mas se não puderem exercer autocontrole, que se casem. Pois é melhor casar do que queimar com paixão … Aquele que é solteiro cuida das coisas do Senhor – como ele pode agradar ao Senhor. Mas aquele que é casado se preocupa com as coisas do mundo – como ele pode agradar a sua esposa. Há uma diferença entre uma esposa e uma virgem. A mulher solteira se preocupa com as coisas do Senhor, para que ela seja santa tanto no corpo como no espírito. Mas aquela que é casada se preocupa com as coisas do mundo – como ela pode agradar seu marido. (1 Cor 7: 8-9, 32-34) Fica bem claro disso que São Paulo entendia que a vida matrimonial, mesmo sendo uma dádiva de Deus (ibid. V. 7), é uma concessão à fraqueza de não ser capaz de exercer o autocontrole e, portanto, ser mais perfeitamente apto a servir a Deus com uma santidade mais perfeita tanto no corpo como no espírito. Mas espere. Paulo não dá como uma das qualificações para o bispo ou diácono que ele seja “o marido de uma só mulher” (Tito 1: 6). Não é assim, Paulo em outra parte diz aos solteiros que “é bom para eles, se assim permanecerem, assim como eu [i.e. celibatário] ”porque, como vimos acima,” .. Aquele que é solteiro se preocupa com as coisas do Senhor, como ele pode agradar a Deus ”. Certamente, a afirmação de um homem ser “marido de uma esposa” não era, como alguns acreditam, endossar a necessidade de homens casados para o ministério, mas garantir a exclusão de homens que haviam se casado novamente, particularmente homens viúvos re-casados. Em face disto, esta interpretação parece estranha, mas há boas razões para isso. A idéia, francamente, era que um homem que buscasse o casamento novamente após a morte de sua esposa seria menos qualificado para ser sincero em seu “serviço ao Senhor”. Como pode ser que Paulo em um lugar diga que a virgindade consagrada faz mais um ajuste para o serviço ao Senhor em ambos corpo e espírito, que ele deseja que todos sejam virgens consagradas como ele mesmo, e então insiste na exigência do oposto para pastores e diáconos? Como é que, depois de defender o casamento com base na concessão à fraqueza humana e falta de autocontrole, ele faria esse mesmo curso de vida que diminui uma devoção mais sincera a Deus obrigatória para os ministros da igreja de Cristo?Uma leitura alternativa parece muito mais razoável: procurar um segundo casamento após a morte do cônjuge (ou talvez depois de ter sido abandonado sob o privilégio bíblico – por exemplo, 1 Coríntios 7:15) foi um sinal de que há uma falta admitida de “ autocontrole ”e a necessidade de satisfação carnal para manter esse controle; e isto foi pensado para tornar alguém, em geral, impróprio para a devoção sincera requerida para os ministros na Igreja. A mesma regra era obrigatória para os candidatos ao ofício de diácono (1 Tim 3:12). Embora as Escrituras não ensinem explicitamente isto, há uma testemunha substancial na Igreja primitiva que os Apóstolos ordenaram (se houve exceções nas mentes dos bispos, eu não conheço nenhuma fonte para substanciar) continência absoluta de sua ordenação em frente. Se fosse esse o caso, um homem que se casasse novamente depois de ser viúvo estaria se preparando para o fracasso assumindo um voto de continência perfeita e perpétua; daí a qualificação “marido de uma esposa”. Além disso, o monasticismo, particularmente no Oriente, foi uma motivação motriz para muitos viverem vidas celibatárias. Contudo, mesmo muito antes do crescimento generalizado do monaquismo, vemos fortes evidências do celibato sacerdotal como ideal e exemplo. Tertuliano (160-220) escreve: “Quantos você vê nas ordens sagradas que abraçaram a continência, que preferiram ser casados com Deus!” (Exortação à castidade, 13). Certamente, o celibato é aqui pintado como o ideal, mesmo que por livre escolha e não por compulsão. Mas na discussão do celibato e da continência sacerdotal, é precisamente entre o que é feito por livre escolha versus o que é mantido como política obrigatória que merece nosso interesse aqui. Um dos primeiros exemplos que obtemos dessa idéia de continência obrigatória para o clérigo está nos escritos de Santo Hipólito de Roma (170-235), cuja refutação contra as heresias abre espaço para criticar zombeteiramente o papa São Calisto (160-222), por supostamente permitir que homens do clero se casassem após suas ordenações sem serem degradados ou punidos. Ele escreve descrevendo a “frouxidão abusiva” (se é verdade, não tenho certeza) do Papa: “Se, no entanto, qualquer um que está em ordens sagradas se casar, Calisto permitiu que tal pessoa continuasse em ordens sagradas, como se não tivesse pecado. E na justificação, ele alega que o que foi dito pelo Apóstolo foi declarado em referência a essa pessoa: “Quem é você que julga o servo de outro homem?” (Livro 9.7) O que São Hipólito aqui implica, ou seja, é a regra para o clero não casado permanecer solteiro por compulsão, seria a visão tanto do cristianismo oriental quanto do ocidental, até então e até hoje. Mais uma vez, esse aspecto é totalmente ignorado à luz do fato de que muitos padres orientais são casados na época e hoje em dia. Isso porque sua disciplina permite que homens que já são casados sejam ordenados. Esse subsídio foi descontinuado no Ocidente certamente em 1322 pelo papa João XXII, embora tenha sido fortemente endossado desde o início. No entanto, se você for ordenado como solteiro, a obrigação obrigatória é a de permanecer solteiro. Mais uma vez, o estresse está na pureza e devoção sincera de uma pessoa a Deus, e como a vida conjugal pode representar um obstáculo para isso. É por essa razão que seria estranho para os protestantes apelar à Ortodoxia Oriental como testemunha da permissão dos padres casados. Os protestantes pensariam que é extremamente duvidoso insistir que os homens ordenados não possam se casar depois de suas ordenações. E ainda assim, está nos cânones das igrejas orientais. O primeiro esforço conciliar para a solidez da continência sacerdotal perpétua foi em Elvira, na Espanha (305 dC), e este Concílio decidiu que ministros em todos os três graus de ordens sagradas devem manter a continência. Sabemos que a continência periódica não está sendo falada, já que a proibição também exclui a gravidez. A evidência de uma criança dentro da casa de um padre, diácono ou bispo e sua esposa era evidência para indiciar e sentenciar a seguinte pena: “Pareceu bom proibir absolutamente os bispos, os sacerdotes e os diáconos, ou seja, todos os clérigos a serviço do ministério sagrado, para ter relações com suas esposas e procriar filhos; se alguém o fizer, seja excluído da honra do clero. ”(Canon 33) Note-se que ao proibir “as relações com suas esposas” e a procriação de crianças, isso se refere ao clero casado, e, no entanto, elas são obrigadas a nunca se envolver em relações conjugais sem a dor da laicização. A justificativa para essa continência perfeita e obrigatória é revelada em outro Concílio realizado em Arles aproximadamente dez anos depois (314), e estabeleceu o seguinte: “Além disso, preocupados com o que é digno, puro e honesto, exortamos nossos irmãos no episcopado a certificarem-se de que os sacerdotes e os diáconos não tenham relações [sexuais] com suas esposas, já que estão servindo ao ministério todos os dias. Quem quer que aja contra esta decisão será deposto da honra do clero. ”(Canon 29) Assim, vemos que o serviço sacerdotal diário requer que o clero seja perfeitamente continente, mesmo se casado. Isso se assemelha à preocupação do Senhor quando instruiu Moisés a consagrar o povo de Israel antes que Ele descesse à montanha, ordenando-lhes que se abstivessem de suas esposas, bem como a continência periódica dos sacerdotes levíticos quando eles servissem no Templo. Aparentemente, há na mente de Deus algo sobre a intimidade sexual, pelo menos no mundo caído, que não está apropriadamente associado ao serviço sacerdotal ao Senhor. Por outro lado, durante um Concílio ao mesmo tempo em que aquele realizado em Arles é o realizado na cidade de Ancira (314), que está localizado na Ásia Menor e, portanto, Oriental. O seguinte é dito em relação aos diáconos: “Aqueles que foram feitos diáconos, declarando quando foram ordenados que deveriam se casar, porque não foram capazes de permanecer como estavam, e que depois se casaram, continuarão no ministério porque lhes foi concedido pelo bispo. Mas se eles silenciassem sobre o assunto, comprometendo-se em sua ordenação a permanecer como estavam, e depois procedendo a se casar, eles cessarão do diaconato ”(Cânon 10). Assim, vemos aqui que este Sínodo permitiu que os diáconos vivessem a vida conjugal (e presumivelmente, um com relações conjugais, já que a premissa é que eles não podem manter o controle de um celibatário) mesmo após a ordenação, mas esta provisão vem na forma de um concessão à fraqueza. Um jovem que aspira ao ofício de diácono, e que não percebe que lutará muito com o celibato e é ordenado sem a permissão do bispo, terá que viver seu diaconato em perfeito celibato e continência, e se ele não o fizesse, ele seria removido do ofício de diácono. Assim, mesmo no Oriente, existe essa restrição canônica especial que proíbe que até mesmo os diáconos se casem depois de serem ordenados, a menos que tenham uma dispensação especial (conforme observado). Isso também significaria que o Oriente, neste Sínodo, refletia a mesma preocupação com a intimidade sexual e a mente antiga em sua consagração a Deus. Por que seria normalmente obrigatório para os diáconos permanecer celibatários se não fossem casados no momento de sua ordenação, se não fosse porque o dever associado ao ofício exigia uma vida celibatária? De qualquer maneira, vemos aqui uma diferença de política no Oriente, apesar da preocupação com a continência na vida clerical. Além disso, ficará claro abaixo que essa concessão diaconal não foi concedida em outro lugar. O historiador da Igreja primitiva, Eusébio de Cesaréia (263-339), diz-nos o seguinte sobre o celibato dos sacerdotes, mesmo em face da Escritura: “Pois um bispo”, diz a Escritura, “deve ser o marido de uma só esposa”. No entanto, é apropriado que aqueles que estão no sacerdócio e ocupados no serviço de Deus, se abstenham após a ordenação das relações do casamento. A todos os que não assumiram este sacerdócio maravilhoso, a Escritura quase que cede quando diz: “O casamento é honroso e o leito não está contaminado, mas os promíscuos e adúlteros Deus os julgará”. (Demonstratio Evangelica, Livro 1.9) No Concílio de Nicéia, lemos: “O grande Sínodo proibiu rigorosamente qualquer bispo, presbítero, diácono ou qualquer um dos membros do clero de ter uma subintroducta (mulher não casada que coabita habitualmente com um clérigo sem compromisso íntimo) morando com ele, exceto apenas uma mãe ou irmã, tia, ou tais pessoas apenas como estão além de qualquer suspeita ”(Canon 3) Este cânon não diz nada sobre proibir as esposas de coabitarem com seus maridos ordenados, mas foi interpretado (ver Hefele) historicamente com o pano de fundo que tantos clérigos escolheram a vida do celibato que se tornou comum que uma subintroducta o acompanhasse na mesma moradia, embora sem relacionamento íntimo físico. Isso obviamente pode ser uma ocasião próxima do pecado, e assim o Concílio proíbe isso completamente, exceto as mulheres pelas quais esse tipo de pecado não pode ser compreendido como mãe, irmã, tia ou pessoas “além de qualquer suspeita”. Quaisquer que sejam os méritos dessa interpretação, sabemos que o Oriente permitiu que os diáconos e presbíteros coabitassem com suas esposas. Como aludido já, o Concílio de Trullo (692), que é aceito como ecumênico pelos calcedonianos-ortodoxos, afirma que “o casamento legal de homens que estão em ordens sagradas seja deste tempo em diante firme, de modo algum dissolvendo sua união com suas esposas, nem privando-as de suas relações mútuas em uma estação conveniente ”(Canon 13). Ali está claro que os sacerdotes e diáconos podem ter relações conjugais e ter filhos no Oriente. No entanto, o mesmo cânon prossegue, “… Pois é certo que aqueles que assistem no altar divino devem ser absolutamente continentes quando estão lidando com coisas santas, a fim de que possam obter de Deus o que eles pedem com sinceridade. ” Lá vai novamente o princípio subjacente por trás da abstinência do sexo quando se associa com o serviço sacrificial a Deus. Mas não devemos parar por aí. O mesmo Concílio decidiu nos cânones 12/48 que os bispos, deixando de lado sacerdotes e diáconos, * não podem * coabitar com suas esposas. Isto também é claro como o dia: o Oriente obrigou a continência episcopal. As conseqüências de quebrar essa regra foram deposição. É verdade que esta é a formulação do século VII, e estou pulando um pouco aqui (como você verá abaixo). No entanto, aqui no Oriente, bispos que foram ordenados como solteiros estavam sob a proibição universal contra o casamento por um, mas mesmo aqueles bispos que foram ordenados como casados estão sob essa proibição completa de relações conjugais e um alojamento separado para suas esposas. . Pelo que posso dizer, isso não representa a tradição universal do Oriente antes do século VII, mas podemos dizer que o Concílio de Trullo certamente solidificou a praxis e a disciplina orientais sobre o assunto. [7] (Se o leitor souber de alguma fonte a este respeito, por favor me envie uma mensagem. Obrigado gentilmente). Vamos voltar um pouco e voltar ao Concílio em Nicéia (325). Sabemos que houve uma tentativa por parte dos bispos de impor continência clerical absoluta a todas as três ordens sagradas. O historiador grego Sócrates nos informa que Pafnúcio, bispo de Alta-Tebas, que era um milagreiro e havia perdido um olho na perseguição imperial anterior, levantou-se para compartilhar sua opinião no Concílio. O historiador escreve: “Pafnúcio, tendo surgido em meio à assembléia de bispos, sinceramente pediu-lhes que não impusessem um jugo tão pesado aos ministros da religião: afirmando que ‘o casamento em si é honroso, e o leito não é contaminado’; exortando a Deus que eles não devessem ferir a Igreja por restrições muito rigorosas. “Pois todos os homens”, disse ele, “não pode suportar a prática da continência rígida; nem talvez a castidade da esposa de cada um fosse preservada ”, e ele denominou o intercurso de um homem com sua legítima de esposa castidade. Seria suficiente, pensava ele, que os que anteriormente haviam entrado em seu sagrado chamado renunciassem ao matrimônio, de acordo com a antiga tradição da Igreja; mas que ninguém deveria ser separado dela para quem, embora ainda não ordenado, ele estava unido. E esses sentimentos ele expressou, embora ele mesmo sem experiência de casamento, e, falando claramente, sem nunca ter conhecido uma mulher: pois desde um menino ele havia sido criado num mosteiro, e era especialmente reconhecido acima de todos os homens por sua castidade. Toda a assembléia do clero concordou com o raciocínio de Pafnúcio: portanto, eles silenciaram todo o debate sobre esse ponto, deixando ao critério daqueles que eram maridos exercer a abstinência se assim o desejassem em referência às suas esposas. Assim, isso se refere a respeito de Pafnúcio. ”(História Eclesiástica, Livro 1.11) Agora, antes que isso se torne desproporcional, devemos lembrar que o Concílio de Nicéia era principalmente um concílio oriental, e assim as disciplinas de continência absoluta ainda eram impostas como uma questão de cânone no Ocidente (cf Elvira, Arles, e o que segue). Em todo caso, o heróico Pafnúcio testemunha a regra do celibato absoluto sobre os homens que não são casados quando são ordenados como “de acordo com a antiga tradição da Igreja”. Isso é extremamente significativo, pois mais uma vez significa que o clero casado tem permissão para temporadas periódicas de atividade sexual por meio de concessão, embora a demanda por continência periódica seja mantida quando se trata de servir sacerdotalmente na casa de Deus. Pois, se uma vida clerical casada e sexualmente ativa fosse tão boa e proveitosa quanto a vida clerical celibatária, a última nunca se tornaria obrigatória uma vez que a porta da oportunidade se fecha após a ordenação para os ordenados quando não são casados. O significado é bem claro. Agora, enquanto Sócrates estava lá descrevendo eventos no século IV, ele nos dá outro testemunho que é muito mais contemporâneo ao tempo de sua escrita (5º século, 445 dC). Ele afirma: Eu também aprendi outro costume na Tessália. Se um clérigo naquele país, depois de receber ordens, dormisse com sua esposa, com quem se casara legalmente antes de sua ordenação, ele seria degradado. No Oriente, na verdade, todos os clérigos, e até mesmo os próprios bispos, se abstêm de suas esposas; mas isso eles fazem por sua própria vontade, e não pela necessidade de qualquer lei; pois houve entre eles muitos bispos que tiveram filhos por suas esposas legítimas durante seu episcopado. Diz-se que o autor do costume que se obtém na Tessália foi Heliodoro, bispo de Trica naquele país; sob cujo nome existem livros de amor, intitulados Ethiopica, que ele compôs em sua juventude. O mesmo costume prevalece em Tessalônica, na Macedônia e na Grécia. ”(Ibid 5.22) Sócrates escreve a partir da Grécia do século V, e assim sua afirmação abrangente de que todos os clérigos no Oriente se abstêm de suas esposas é bastante interessante, para dizer o mínimo. Chame isso de opção, tudo que você deseja, esse relato é, no entanto, indicativo do que tenho chamado a atenção em relação ao excelente ideal da vocação sacerdotal. É claro que isso não é surpreendente de se ler no século V, pois, como vimos, na época em que o Concílio de Trullo chegou, era absolutamente incontroverso obrigar a continência episcopal absoluta. Apesar desse testemunho do sagrado guerreiro de Deus Pafnúcio no concílio de Nicéia, há vozes proeminentes do Oriente que cantam a mesma melodia que o Ocidente, e estou convencido de que seria simplesmente irresponsável deixar de mencionar. Por exemplo, Santo Epifânio de Salamina (310-403), um defensor erudito da ortodoxia, que foi denominado por São Jerônimo como o Pentaglossis (5 de língua, devido à sua fluência em hebraico, siríaco, egípcio, grego e latim ), e autor de um dos primeiros compêndios de heresias conhecidos até o seu tempo, intitulado Panarion, escreveu o seguinte sobre a regra da continência perpétua para a ordem do clero: “Em face do chamado para o santo sacerdócio de Deus, desde a vinda de Cristo e por causa da excessiva grandeza da honra do sacerdócio, não é aprovado para aqueles que, após um primeiro casamento, e sua esposa ter morrido, Entre em um segundo casamento. E isto a santa Igreja de Deus vigia infalível e estritamente. Mas mesmo aquele que é marido de uma esposa, se ainda estiver viva e ainda tiver filhos, não é aprovado; mas depois de um casamento, se um marido mantém continente ou, se sua esposa morreu, ele permanece viúvo, ele pode ser aprovado como diácono e presbítero e bispo e subdiácono, especialmente onde os cânones eclesiásticos são precisos ”(Panarion 59, De FIDE, 21,7) Agora isso é irônico. Parece que, aqui, de uma testemunha oriental, não menos, há algo ainda mais forte do que os cânones Elverianos e Arlesianos exigindo continência perpétua. Santo Epifânio chega a ponto de dizer que, se um homem tem uma esposa que ainda está gerando filhos, ele não está apto para ordens sagradas. São Cirilo de Jerusalém, outro batedor pesado, em sua 12ª instrução catequética, argumenta que um sacerdote que cumpre seu cargo se abstém fielmente de uma esposa (não nos dizem se é abstinência de casamento, continência periódica, nem perpétua), então certamente o Senhor Jesus seria um celibatário: “Pois isso tornou-se Ele que é mais puro e professor de pureza, tornou-se Aquele que veio de uma câmara de noiva pura. Porque, se aquele que cumpre bem o ofício de sacerdote de Jesus se abstém de uma esposa, como deve o próprio Jesus nascer de homem e mulher? ”(Instrução 12) São João Crisóstomo comenta a passagem da Escritura, onde São Paulo fala de uma das qualificações de um homem para ser candidato a bispo como “marido de uma só esposa”: “Se então“ aquele que é casado cuida das coisas do mundo ”, e um Bispo não deve se importar com as coisas do mundo, por que ele diz o marido de uma só esposa? Alguns realmente pensam que ele diz isso com referência a alguém que permanece livre de uma esposa [isto é, viúvos]. Mas se de outra forma, aquele que tem uma esposa fosse ser como se não tivesse nenhuma. Pois essa liberdade foi então devidamente concedida, adequada à natureza das circunstâncias então existentes. E é muito possível, se um homem assim o permitir, regular sua conduta. Porque, assim como as riquezas dificultam a entrada no reino dos céus, embora os ricos, porém, muitas vezes entrem, assim acontece com o casamento. ”(Homilia em 1 Tim 10) Qualquer que seja a interpretação dessa passagem, o que fica claro é que Crisóstomo entende que a dificuldade de um bispo casado alcançar o Reino dos Céus é semelhante a um homem rico que entra no reino dos céus. Isso já leva de linha de raciocínio contrária aos tempos modernos. Além disso, Crisóstomo afirma que a possível concessão de bispos casados nos tempos da escrita de Paulo foi devido às circunstâncias que o exigiram então. A implicação ainda é que aquele que é um bispo ordenado, mas casado, deve viver como se não fosse casado. Mesmo assim, ele admite a possibilidade de regular a conduta de alguém, a fim de alcançar o céu mesmo como bispo casado. Não há mais detalhes sobre se isso inclui ou não as relações conjugais, já que até mesmo o mero “cuidado” de uma esposa era visto como obstruindo a devoção sincera a Deus. Se ficarmos imaginando o que Crisóstomo acreditava sobre um bispo que mantinha relações conjugais com sua esposa, vale a pena mencionar uma história. No Diálogo sobre a Vida de Crisóstomo (cap. 14-15), o autor, provavelmente Paládio da Galácia, registra como Crisóstomo presidiu um julgamento que acusou certo Antonino, bispo de Éfeso, de sete crimes, um dos quais foi “Depois de se separar de sua esposa casada, ele a tomou novamente e teve filhos nascidos por ela”. Agora, por “separar” entende-se o compromisso de um homem casado separar-se de sua esposa ao entrar no ofício de bispo (isto é, muitas vezes implicando que o bispo viva em quartos diferentes de sua esposa). Quando Crisóstomo aceitou a audiência das acusações, os bispos presentes no Concílio disseram o seguinte sobre cada acusação: “Sem dúvida, cada ponto de cada relato é ímpio e proibido de qualquer ponto de vista pelas leis sagradas”. Para encurtar a história, o julgamento nunca poderia condenar Antonino por algumas razões diferentes, mas o mais importante é que Antonino morreu antes que testemunhas suficientes pudessem ser fornecidas. Em suma, o ponto digno de atenção é que durante o final do século IV da lei oriental em Constantinopla e Éfeso, um bispo que, após a sua ordenação, havia se separado de sua esposa apenas para voltar a se envolver em relações conjugais, era considerado crime contra as leis sagradas da Igreja. É claro que isso não é de todo surpreendente, uma vez que, como vimos, os cânones de Trullo refletem isso. Mas, pelo menos para mim, isso ainda complica as coisas, já que Sócrates falava em bispos capazes de ter filhos durante seu episcopado e, portanto, relações conjugais. No final do século IV, o papa São Sirício (384) escreveu um decreto para o bispo de Tarragona (na Espanha), Himério, sobre várias questões disciplinares, e em um lugar ele claramente menciona que os padres devem permanecer perpetuamente celibatários, mesmo se casado. O que é tão significativo neste decretal é a linguagem dura que ele usa para proibir a permissão de relações conjugais para qualquer um dos clérigos que são casados. É realmente de cair o queixo: “Pois aprendemos que muitos sacerdotes e diáconos de Cristo, muito depois de sua ordenação, produziram descendentes tanto de suas próprias esposas e até através de ligações imundas, e defendem seus pecados com essa desculpa, que é lida no Antigo Testamento que a oportunidade de procriar era dada a sacerdotes e ministros … Deixe-o falar comigo agora, seja quem for, viciado em obscenidades e professor de vícios. Se ele pensa que aqui e ali na lei de Moisés as restrições da indulgência são relaxadas pelo Senhor para as ordens sagradas, por que Ele admoesta aqueles a quem o Santo dos Santos estava comprometido dizendo: “Seja santo, porque eu, o Senhor teu Deus, sou santo ”?… Por que os sacerdotes foram ordenados a viver no templo, longe de seus lares, no ano de seu serviço? Exatamente por esse motivo: para que não pudessem entrar em contato físico nem mesmo com esposas, e que, brilhando na integridade da consciência, pudessem oferecer um serviço aceitável a Deus. O período de serviço foi completado, o uso de esposas era permitido a eles apenas por motivo de sucessão, porque ninguém de uma tribo que não fosse de Levi era direcionado para ser admitido no ministério de Deus … .Agora o Senhor Jesus, quando ele nos iluminou por seu advento, testificou no Evangelho que ele veio para cumprir a lei não para destruí-la. E desejou, assim, que a figura da Igreja, cujo esposo ele é, irradie-se com o esplendor da castidade, de modo que no dia do juízo, quando ele vier novamente, possa encontrá-la sem mancha e mácula, assim como ensinou por meio de seu apóstolo. . Todos nós, sacerdotes e diáconos, somos obrigados pela lei inquebrantável daquelas sanções, de modo que desde o dia de nossa ordenação submetemos nossos corações e corpos à moderação e modéstia a fim de que em todos os aspectos possamos agradar a nosso Deus nestes sacrifícios que diariamente ofereçamos … E porque um considerável número daqueles de quem falamos, como a sua santidade relatou, lamentam que eles tenham ficado na ignorância, nós declaramos que a misericórdia não deveria ser negada a eles, com esta condição: se daqui em diante eles se esforçarem para se conduzirem continuamente , eles devem continuar enquanto viverem no ofício que ocuparam quando foram pegos, sem qualquer avanço na hierarquia. Mas aqueles que se apóiam na desculpa de um privilégio ilícito, afirmando que isso foi concedido a eles na antiga lei, que eles saibam que foram expulsos pela autoridade da sé apostólica de todo ofício eclesiástico, que eles usaram indignamente, nem eles podem tocar os mistérios que deveriam ser venerados, dos quais eles se privavam quando se tornaram obcecados por desejos obscenos. E como os exemplos atuais nos advertem para sermos vigilantes no futuro, qualquer bispo, sacerdote e diácono, doravante encontrado nesta situação – que esperamos que não aconteça – deve compreender agora que toda via de perdão de nós para si mesmo está bloqueada, porque É necessário que as feridas que não respondem à medicação de uma compressa calmante sejam removidas com uma faca. ”(Para Himério de Tarragona; PL 13, 1132) Agora, sem dúvida, estas são palavras sérias. Não se pode deixar de ajudar a ver uma diferença de tom nesta questão entre Oriente e Ocidente já por esta altura, não obstante a acusação de quebrar os cânones sagrados por Antonino sob S. Crisóstomo. Embora, pelo menos, possamos dizer que o idealismo de pelo menos a continência perfeita é, no entanto, mais ou menos concordado em ambos os lados. No entanto, aqui está um Papa do século IV emitindo ameaças de deposição e excomunhão por não aderir às leis da Igreja que proíbem as relações conjugais para os três principais graus de ordens sagradas. São Jerônimo (347-420), comentando a Virgindade de Maria e o Senhor Jesus, fala às expectativas do clero em seus dias: “Portanto, como ia dizer, o virgem Cristo e a virgem Maria dedicaram em si mesmos os primeiros frutos da virgindade para ambos os sexos. Os apóstolos ou foram virgens ou, embora casados, viveram vidas celibatárias. As pessoas escolhidas para serem bispos, sacerdotes e diáconos são virgens ou viúvos; ou, pelo menos, quando receberem o sacerdócio, juram a castidade perpétua ”(Carta a Pamáquio 48.21). E: Se os homens casados se sentirem indignados com essa afirmação, deixem que eles expressem sua raiva não em mim, mas nas Sagradas Escrituras; mais ainda, sobre todos os bispos, presbíteros e diáconos, e toda a companhia de sacerdotes e levitas, que sabem que não podem oferecer sacrifícios se cumprirem as obrigações do casamento ”(ibid 48.10). Aqui, Jerônimo testemunha as qualificações e condições para ser candidato a ordens sagradas. Em primeiro lugar, tanto as virgens quanto os viúvos são qualificados e, a partir de então, prometem o celibato perpétuo ou, se forem casados, prometem cessar todas as relações conjugais à abstinência perpétua. Esta é uma afirmação bastante significativa, já que Jerônimo era bem conhecido e viajou muito, sem mencionar sua preeminência erudita. “Mas a própria escolha de um bispo é o suficiente para mim. Pois ele não diz: ‘Seja escolhido um bispo que se case com uma esposa e crie filhos”; mas “quem se case com uma esposa e tenha seus filhos em sujeição e bem disciplinados”. Você certamente admite que ele não é um bispo que durante seu episcopado gera filhos. O reverso é o caso – se ele for descoberto, ele não será obrigado pelas obrigações ordinárias de um marido, mas será condenado como adúltero. Ou permite que os sacerdotes realizem a obra matrimonial, com o resultado de que a virgindade e o matrimônio são equivalentes: ou se é ilegal os sacerdotes tocarem suas esposas, que são tão santos, que imitam a castidade virgem. Mas algo mais segue. Um leigo, ou qualquer crente, não pode orar, a menos que se abstenha da relação sexual. Agora um padre deve sempre oferecer sacrifícios pelo povo: ele deve, portanto, sempre orar. Pois mesmo sob a lei antiga, aqueles que costumavam oferecer sacrifícios pelo povo não apenas permaneciam em suas casas, mas se purificavam para a ocasião se separando de suas esposas, nem beberiam vinho ou bebida forte que são usadas para estimular a luxúria. Que os homens casados sejam eleitos para o sacerdócio, não nego: o número de virgens não é tão grande quanto o dos sacerdotes exigidos. Segue-se que, porque todos os homens mais fortes são escolhidos para o exército, homens mais fracos não deveriam ser levados também? Todos não podem ser fortes. Se um exército fosse constituído somente de força, e os números fossem em vão, os homens mais fracos poderiam ser rejeitados. Como é, homens de força de segunda ou terceira categoria são escolhidos, para que o exército possa ter seu complemento numérico completo. ”(Contra Joviniano, Livro 1.34) Santo Ambrósio de Milão (340 – 397) faz um comentário sobre a castidade do clero ordenado que assume a continência perfeita como obrigatório, e até mesmo retorna ao Antigo Testamento, como fizemos, a fim de mostrar que a atividade sexual e serviço sacerdotal na casa de Deus não é prático. Chega até a dizer que o ofício ministerial é contaminado pelo intercurso conjugal. Ele escreve: Mas vós sabeis que o ofício ministerial deve ser mantido puro e sem manchas, e não deve ser contaminado pelo intercurso conjugal; Vós sabeis isto, digo eu, que receberam os dons do ministério sagrado, com corpos puros e modéstia imaculada, e sem nunca ter desfrutado do intercurso conjugal. Eu estou mencionando isto, porque em alguns lugares distantes, quando eles entram no ministério, ou até mesmo quando eles se tornam sacerdotes, eles geram filhos [isto é, eles são sexualmente ativos com suas esposas após a ordenação]. Eles defendem isso com base no antigo costume, quando, como aconteceu, o sacrifício era oferecido em longos intervalos. No entanto, até mesmo o povo teve que ser purificado dois ou três dias antes, para se tornar limpos para o sacrifício, como lemos no Antigo Testamento. Eles até costumavam lavar suas roupas. Se tal consideração fosse prestada no que era apenas a figura, quanto deveria ser mostrado na realidade! Aprenda então, Sacerdote e Levita, o que significa lavar suas roupas. Você deve ter um corpo puro para oferecer os sacramentos. Se as pessoas fossem proibidas de se aproximarem de suas vítimas, a menos que lavassem suas roupas, vocês, mesmo que de mau coração e corpo, se atrevem a fazer súplicas pelos outros? Vocês se atrevem a fazer uma oferta para eles? ”(Sobre os Deveres do Clero 1.50.258) Santo Agostinho e Santo Ambrósio Para nenhuma surpresa, Santo Agostinho pode usar a perfeita continência do clero como um exemplo a ser seguido até mesmo para homens casados. Ele escreve: “Portanto, dizemos a eles:“ Agora, suponha que as súplicas vigorosas do povo o obrigassem a assumir seu ofício [ou seja, ou clérigos], você não cumpriria as obrigações de castidade, uma vez que fossem assumidas? (…) Se muitos dos ministros de Deus aceitaram o que foi imposto repentina e inesperadamente na esperança de que brilharão com grande brilho na herança de Cristo, quanto mais vocês devem evitar o adultério e viver continuamente, não por temer que vocês possam brilhar menos brilhantemente no reino de Deus, mas que você pode queimar na Gehenna de fogo ”(Sobre Casamentos Adúlteros, 2, 22 tirado de Sacramentos de Cura e de Vocação, por Pe. Paul F. Palmer, SJ pg. 74; como Até onde eu sei, ambos os livros sobre Casamentos Adúlteros podem ser encontrados em Inglês em Treatises on Marriage and Other Subjects, no volume 27 da série The Fathers of the Church.) Em um trabalho que tinha sido amplamente duvidado quanto à sua aclamada origem apostólica, as Constituições Apostólicas (375-390) foram, no entanto, tidas em alta consideração no que diz respeito à legislação eclesiástica. Em seu 8º livro, lemos o seguinte cânon sob os cânones eclesiásticos dos mesmos santos apóstolos: “Daqueles que entram no clero solteiros, permitimos que somente os leitores e cantores, se tiverem uma mente, se casem depois” (Canon 27). Nos tempos primitivos, era comum referir-se a leitores, cantores, acólitos, porteiros, leitores e exorcistas que são membros do clero inferior. Este cânon implica que os únicos membros do clero, neste sentido mais amplo, que podem se casar depois de serem ordenados, são os leitores e cantores. No final do século IV, no Concílio de Cartago (390), cujos cânones foram aprovados novamente em um grande Concílio na mesma cidade no ano de 418, os bispos do norte da África estabeleceram a abstinência absoluta da união conjugal para todas as três fileiras de ordens sagradas. Novamente, o exemplo levítico do Antigo Testamento de continência periódica “Quando no concílio passado o assunto sobre continência e castidade foi considerado, esses três graus, que por uma espécie de vínculo estão unidos à castidade por sua consagração, a bispos, presbíteros e diáconos, então parecia que estava se tornando aos governantes sagrados e sacerdotes de Deus, bem como aos levitas, ou aqueles que serviam nos sacramentos divinos, deveriam ser todos continentes, pelo qual eles seriam capazes, com a singeleza de coração, de pedir o que procuravam do Senhor: para o que os apóstolos ensinaram e antiguidade manteve, também possamos manter. ”(Canon 3) O próximo cânon diz: “Faustino, o bispo da Igreja Potentina, na província de Picenum, legado da Igreja Romana, disse:“ Parece bom que um bispo, um presbítero e um diácono, ou quem executa os sacramentos, seja um guardião da modéstia e deva se abster de suas esposas. Por todos os bispos foi dito: “É justo que todos os que servem ao altar devam manter a pudicidade de todas as mulheres” (cânon 4). Mais uma vez, outra sombra clara do que viria a ser uma das questões sobre a bula de excomunhão em Constantinopla em 1054. O Ocidente, incluindo muitos no Oriente, veria o mandato para a perpétua continência para o clero casado ser uma tradição apostólica. Isso é muito significativo. O Papa São Leão Magno (400-461), em sua carta a Anastácio de Tessalônica (lembre-se do que Sócrates afirma sobre as igrejas em Tessalônica acima), afirma o seguinte: “Pois, embora aqueles que não estão nas fileiras do clero sejam livres para desfrutar da companhia do matrimônio e da procriação de filhos, contudo, para a exibição da pureza da continência completa, mesmo os subdiáconos não têm permissão para o casamento carnal: que “ambos aqueles que têm, possam ser como se não tivessem”, e aqueles que não têm, possam permanecer solteiros. Mas se nesta ordem, que é a quarta da Cabeça, isto é digno de ser observado, quanto mais ela deve ser guardada na primeira, segunda ou terceira, para que ninguém seja considerado apto para os deveres do diácono ou a posição honrosa do presbítero, ou a preeminência do bispo, que seja descoberto ainda não ter refreado seus desejos vorazes. ”(Carta 14.5) Em uma carta de resposta ao Bispo Narbonense da Gália sobre questões de disciplina, São Leão repete a pergunta enviada e segue com sua resposta: “Quanto àqueles que ministram no altar e têm esposas, se podem coabitar legalmente com elas? Resposta. A lei da continência é a mesma para os ministros do altar, assim como para os bispos e sacerdotes que, quando eram leigos ou leitores, podiam legalmente casar e ter filhos. Mas quando chegaram às referidas fileiras, o que antes era legal deixou de ser assim. E, portanto, para que seu casamento possa se tornar espiritual em vez de carnal, cabe a eles não afastar suas esposas, mas “tê-las como se não as tivessem”, pelo que tanto a afeição de suas esposas possa ser retida e as funções do casamente cessem. ”(Carta 167.3.3) Tão difícil esta lei da continência poderia ser que São Gregório Magno poderia compartilhar a seguinte história a respeito de um certo padre: “Não posso esquecer de mencionar um relato relacionado a mim pelo abade Estevão, a quem você conhece muito bem. Ele morreu em Roma não muito tempo atrás. Segundo ele, havia na província de Nursia um certo presbítero que governava a Igreja a ele confiada com grande temor ao Senhor. Desde o momento em que recebeu sua ordenação, ele amava sua esposa como irmã, mas a evitava como inimiga, e nunca permitia que ela se aproximasse dele. Nunca se permitindo em nenhuma ocasião visitá-la, cortou-se completamente de toda a comunhão familiar com ela … Depois de uma longa vida na qual ele passou quarenta anos no ministério sacerdotal, foi levado com uma febre severa e ficou a ponto de morte. Quando sua esposa o viu deitado meio morto e com toda a sua força corporal desperdiçada, ela colocou a orelha no rosto dele para pegar o menor som da respiração. Consciente de sua presença, reuniu todas as suas forças e, com o pequeno fôlego que lhe restava, murmurou com um sussurro rouco: – Afaste-se de mim, mulher! O fogo ainda está ardendo! Tire o combústivel! ”(Diálogos 4.12; extraído de Jurgens Vol. 3, página 319). Como a Igreja moveu para os séculos 7 a 11, crescentes tensões entre o Oriente grego e Ocidente latino tornam-se muito aparentes na literatura histórica, e isso finalmente se tornou formal em uma ruptura trágica começando em 1054, que teria então um efeito dominó criando o grande cisma geral entre Bizâncio e o Ocidente. O tempo e o espaço proíbem entrar em detalhes sobre os acontecimentos anteriores ao envio do cardeal Humberto a Constantinopla pelo papa São Leão IX (veja aqui para mais informações), mas achei que valeria a pena compartilhar um pouco do confronto entre os legados romanos, liderado por Humberto, e Patriarca Miguel Cerulário de Constantinopla, no que se refere a este assunto de celibato clerical. Para aqueles de vocês que estão familiarizados, a bula de excomunhão que foi colocada sobre o altar principal da Catedral de Santa Sofia, assim como o culto estava prestes a começar, incluía várias acusações de heresias e abusos de “Miguel, falsamente chamado de Patriarca, e seu seguidores “, e uma delas declarou o seguinte: “.. Os Nicolaítas permitem e defendem o casamento do altar sagrado” (Readings in Christianity, de Robert E. Van Voorst, pg. 123) Aqui, Humberto acusa o Patriarca de Constantinopla de permitir a má conduta carnal para o clero casado. E então, quando Cerulário encontrou a chance de escrever uma resposta condenatória, ele escreveu o seguinte para o cardeal, deixando de lado a Sé de Roma ou o papa, pois Miguel e seu concílio não perceberam que a bula vinha de Roma: “Nem eles [legados romanos] querem entender completamente que Deus, o Criador, de maneira apropriada criou a mulher, e ele decretou que era impróprio para os homens estarem sozinhos … nós continuamos a observar os antigos cânones da perfeição Apostólica e ordenamos e desejamos afirmar que o casamento de homens ordenados não deve ser dissolvido e eles não devem ser privados de ter relações sexuais com suas esposas, o que de vez em quando é apropriado. Assim, se alguém for considerado digno do ofício de diácono ou subdiácono, ele não deve ser afastado deste cargo e ele deve ser restaurado à sua legítima esposa, a fim de que o que Deus ordenou e abençoou não seja desonrado por nós, especialmente porque o Evangelho declara: ‘Aqueles a quem Deus uniu, não separe o homem’. Se alguém ousar contra os cânones apostólicos remover qualquer um do clero que é um presbítero, diácono ou subdiácono, privando-o de seu vínculo legal com sua esposa, que ele seja excomungado ”(ibid, 124). É claro que o Ocidente latino, como já vimos, já havia canonizado a penalidade de laicizar quaisquer membros das três classes principais de ordens sagradas se eles fossem encontrados praticando relações conjugais pelo menos voltando ao final do segundo século com o testemunho de Santo Hipólito, no início do século IV, o mais tardar com o testemunho do Concílio de Elvira e Arles. Nós até vimos que muitos padres orientais estavam por trás disso. O decreto do papa São Sirício (384), na verdade, faz com que a bula de excomunhão de Humberto pareça leve. E quanto ao testemunho do historiador grego Sócrates, que relatou no século 5 que o clero em Tessalônica, Macedônia e Grécia sofria penalidade de ser degradado das ordens se eles realizam relações conjugais após suas ordenações? Se Cerulário pretendesse dizer que a posição de Humberto era herética, então a força dessa acusação para todo o Ocidente, incluindo os santos da devoção bizantina, terá uma consequência terrível. Independentemente disso, Cerulário estava certo de que o Oriente havia tomado os cânones trullanos é a cristalização ou codificação da praxis oriental, e esses cânones permitem que os diáconos e presbíteros se engajem em relações conjugais, embora não os bispos. Por fim, a fidelidade à tradição canônica da continência perpétua, especialmente o ideal celibatário, foi em grande parte perdida. A infidelidade da vocação sacerdotal ao celibato e à continência era um sinal de degradação moral. Em resposta a isso, várias tentativas de reforma foram feitas, mas teria que esperar até a Reforma Gregoriana no século XI que uma posição de sucesso fosse tomada contra a incontinência nas ordens sagradas. Daquele momento em diante, não houve disputa pela necessidade de celibato no sacerdócio. Isto é, é claro, até a Reforma do século XVI. Martinho Lutero, olhando para trás, para a prática universal do cristianismo, afirma isso: “Agora é certamente óbvio que essas leis humanas que proíbem o casamento de padres não são realmente leis do homem, mas do diabo. (Crítica da “ordens espirituais do papa e dos bispos, falsamente assim chamadas” tirada de “What Luther Says”, compilada por Ewald M. Plass, 890) e “Se o Papa não tivesse provocado nenhuma outra calamidade além desta proibição do casamento, bastaria chamá-lo de Anticristo, que é justamente chamado de homem do pecado e filho da perdição e da abominação de tanto pecado e perdição que veio desta proibição ”(ibid 890) É claro que o protestantismo carregaria essa linha de Lutero e derrubaria os séculos de celibato como um alto chamado de Deus para muitas almas na Igreja. CONCLUSÃO Podemos ver que já no final do século II ou início do século III, o casamento do clérigo e a permissão das relações conjugais entre o clero e suas esposas eram entendidos por pelo menos alguns como contrários às regras da Igreja, e que violar isso seria pecar contra a disciplina da Igreja (Hipólito). Esta regra de continência perpétua não era universal, uma vez que temos o testemunho do Concílio de Nicéia (Pafnúcio), que rejeitou a tentativa dos bispos de traçar uma proibição ecumênica. Apesar disso, temos muitas vozes importantes no Oriente que, no entanto, endossaram essa regra como se fosse a tradição da Igreja (Epifânio, Cirilo, Eusébio, Sócrates). Além disso, no final do século VII, as igrejas orientais fizeram um cânon sólido proibindo os bispos (não diáconos e presbíteros) que se casaram em sua ordenação em ordens sagradas de, não apenas relações conjugais, mas até mesmo para viver nos mesmos quadrantes com suas esposas. Isso não quer dizer que essa regra tenha sido inventada no século VII, uma vez que, segundo uma fonte confiável (Paládio), São João Crisóstomo presidiu um julgamento no final do século IV em que os bispos estavam prontos para apresentar queixa em um trinunal contra um Bispo por ter filhos pós-ordenação. Ao mesmo tempo, outra fonte confiável (Sócrates) relata que os bispos orientais no século 5 (e antes) eram conhecidos por terem tido filhos sem nenhum escrúpulo após a ordenação. Onde vemos que não há variação no Ocidente, como testemunham os grandes santos, concílios, cônegos e doutores da Igreja. E o que torna seu testemunho único é que eles frequentemente apelaram à tradição apostólica como base para tal proibição perpétua contra as relações conjugais para os membros casados das principais ordens do clero. Com isso dito, tanto o Ocidente Latino quanto o Oriente Grego se apegaram à proibição universal da permissão de bispos, presbíteros e diáconos se casarem se fossem solteiros ao entrar em ordens (mesmo no nível de subdiácono, a menos que, como o Concílio de Ancira especifou, houvesse uma dispensa do Bispo no momento de sua ordenação) e, pelo menos desde o século VII, tanto o Oriente como o Ocidente estão unidos na proibição absoluta das relações conjugais entre os Bispos e suas esposas. Portanto, pode haver uma tendência a exagerar as diferenças entre os latinos e os gregos em toda essa discussão, especialmente ao examinar a fenda em 1054. No entanto, na época em que Humberto coloca aquela bula de excomunhão no altar da Hagia Sophia, a permissão Trullana (692) de diáconos e sacerdotes ter relações conjugais com suas esposas em épocas apropriadas era totalmente oposta à imutável praxe ocidental desde o tempo do Concílio de Elvira (305). Escusado será dizer, também, que tudo isso é contrastado com as convicções dos reformadores protestantes, começando com Martinho Lutero, e não é de surpreender que tal ceticismo das visões de longa data sobre a virgindade, monasticismo e celibato clerical levaram à abertura do porta para o divórcio e o re-casamento, bem como quebrar os votos de virgens consagradas. Nos dias de hoje, a maioria dos protestantes nunca tem a idéia em mente, a menos que sejam confrontados com uma estranheza no catolicismo ou nos cristãos orientais. Até agora, me abstive de dar minha opinião pessoal sobre qual prática é a melhor; e por uma boa razão, já que não é da minha conta decidir sobre a questão, e devo submeter à Igreja Católica a resposta. No entanto, eu direi isto – As igrejas orientais tenderam a permitir mais frouxidão, e por razões que parecem ser muito mais compreensíveis, dada a fraqueza da carne, enquanto o Ocidente parece ter sempre tido uma determinação unilateral para impor o ideal de continência, celibato e virgindade. Poderíamos apontar a atual crise dos abusos sexuais à intolerância da Igreja Católica ao clero casado ou sexualmente ativo? Eu não penso assim, e se houvesse uma conexão, então por que é que não vemos uma crise mais massiva sobre esse assunto voltando aos séculos IV, 5, 6 ou 7? Ou que tal a regra compartilhada pelo Oriente e pelo Ocidente da continência episcopal absoluta por pelo menos mais de 1300 anos? Portanto, eu não acho que a solução para o nosso problema será encontrada na direção de desfazer todos esses costumes antigos. Tradução Celibacy and Continence in the Priesthood according to the Church Fathers – A Study of Greek East & Latin West Disponível em: https://erickybarra.org/2019/01/15/celibacy-and-continence-in-the-priesthood-what-saith-the-church-fathers/

  • A conversão de Clovis

    A conversão de Clovis Depois da queda do império do Ocidente, todos os diversos povos, que se tinham apoderado de seus vastos despojos, procuraram consolidar a sua nova dominação. Foi o começo da era, que dura ainda, e como o berço da maior parte dos reinos, que existem hoje no continente europeu. No V e no VI século, diz Lenormant, a Europa atual não subsistia ainda, sem dúvida, mas os seus alicerces, se assim posso falar, estavam lançados; e todas as nações, de que se formou a Europa moderna, e que lhe imprimiram o seu caráter intelectual, moral e literário, existiam já, ao menos no estado de preparação e de infância como assim, nessa época, os godos povoam o meio-dia da França, e depositam no solo ibérico os germes da nação, que se atribuira mais tarde o nome de velhos cristãos. Já os francos se misturaram contra os gauleses; já os saxônios penetraram na grã-bretanha. No decurso do VI século, os lombardos sucedendo a outros povos, chegam a Itália. — Se a estes primeiros elementos das grandes nações da Europa, as nações francesa, inglesa, e espanhola, italiana, juntarmos os povos, que não eram ainda cristãos, mas que em breve haviam de se tornar, já, pela maior parte, na posse dos territórios, que ocupam agora na Europa, se juntarmos, digo, Os germanos e os escandinavos, desde o VI século, temos os verdadeiros elementos da Europa moderna. os flancos, os borguinhões, os visigodos aprenderam a língua latina, mas introduziram nela palavras célticas e germânicas. Deste misto saiu uma língua geral, entendida por quase todos e em que dominavam o latim. Chamam-na romana. De todos estes povos conquistadores, nenhum se distinguiu tanto como o dos francos no estabelecimento e na extensão de seu império. Eles tinham então à sua frente Clovis I, filho de Childerico, a quem sucederá em 481. Clovis era pagão; e, mas, mas em 493, casou-se com uma princesa cristã, sobrinha de Gomdebaldo, rei dos borguinhões, chamada Clotilde que, por seus conselhos e suas fervorosas orações o induziu a abandonar o culto dos ídolos e a abraçar a religião verdadeira. Como porém ele se não apressasse em seguir a voz celestial, uma guerra contra os alemães foi a ocasião, de que Deus se serviu para o decidir a dar o último passo e a receber o batismo. O combate estava travado com eles na planície de Tolbiac, perto de Colônia. A desordem espalhou-se no seu exército, e ele mesmo estava a ponto de cair entre as mãos dos inimigos. Recorreu aos seus deuses, mas não o ouviram neste transe, ele exclamou: Deus, a quem Clotilde adora, socorrei-me; se me derdes a vitória, nunca mais adorarei a outro deus do que a vós. No mesmo momento, o triunfo declara-se a favor dos francos. Os alemães fogem, e os que escaparam da morte, entregam-se a discrição. Clóvis não esperou mais para ser converter . E, juntou seu soldados, exortou a seguir o seu exemplo, renunciando aos ídolos para adorarem a Deus. Que lhes dera a Vitória. Ele foi repentinamente interrompido pelas aclamações dos francos, que bradavam por toda a parte: “renunciamos aos deuses mortais e estamos prontos a adorar o Deus verdadeiro. — são Remígio, arcebispo de Reims, instruiu o real catecúmeno, que recebeu o batismo nesta cidade, na véspera do natal do ano 496. Houve uma festa soleníssima. Os três mil francos, que acompanhavam o rei, sem contar as mulheres e as crianças, foram batizados ao mesmo tempo pelos bispos e outros ministros, que estavam em Reims para a cerimônia. Das duas irmãs de Clovis, uma Albofleda, recebeu também o batismo, e a outra, que já era cristã, mas que tivera a desgraça de cair na heresia, foi reconciliada pela unção do santo crisma. A notícia da conversão de Clóvis alegrou todo o mundo cristão. A igreja olhou com complacência para o recém batizado, e o Papa santo Anastácio II escreveu-lhe a felicita-lo e a pedir-lhe que proteger-se a Igreja. O júbilo do sumo pontífice foi tanto mais vivo, que Clovis era então o único príncipe verdadeiramente cristão; pois Anastácio, imperador do oriente, era suspeito de maniqueísmo e inteiramente dado aos eutiquianos. Teodorico, rei dos ostrogodos na Itália, Alarico, rei dos visigodos na Espanha e na Aquitânia,, Gondebaldo, rei dos borguinhões, e Trazamundo, rei dos vândalos na África, eram todos arianos. (No ano 377, os godos, tendo pedido licença ao imperador Valente para entrar nas terras de sua dependência, obtiveram com a condição de que abraçarram o arianismo. Um de seus deputados, o bispo Ulfilas,, que primeiro fora a fiel a fé de Nicéia, deixou-se seduzir pelas promessas do imperador, e sem alterar a sua doutrina, deixou a na sua nação seguir o erro. Daí passou às nações aliadas dos godos, aos ostrogodos, aos gepidos, depois aos vândalos, aos alanos, e aos suevos. Genserico, rei dos vândalos, abraçou o arianismo, em 428. — em 430, Gomdebaldo, rei dos borguinhões, fez o mesmo. — Os suevos receberam o arianismo, em 469, de seu rei Remismundo, e de um sacerdote gálatas, chamado Ajax, que havia abraçado a heresia assim como o monarca, etc. A adesão de todos esses povos ao arianismo parece ser devido a ligação natural, que existe entre esta heresia e o politeísmo (Tillemont, história eclesiástica, sobre o ano 377 artigo sobre Ulfilas). Os príncipes anglo-saxões na grã-bretanha e todos os outros Reis do norte eram ainda idólatras. — É por esta razão, que os reis de França receberam o título de reis cristianisímos e de filhos primogênitos da igreja (os papas chamavam Carlos Martel seu filho cristianisímo — Pio II [1460]declarou hereditário este título nos Reis da França). TRATADO DE HISTÓRIA ECLESIÁSTICA,PADRE RIVAUX, 1876,TOMI II, LIVRARIA INTERNACIONAL #IdadeMédia #USA #Bizâncio #Históriadaidademédia #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Doctrinaldevelopment #Igreja

  • “Expulsarei Satanás do Trono”

    Entre 1588 e 1634, Madre Mariana de Jesus Torres foi agraciada com sete aparições da Virgem Maria. Quando dessas aparições, a Virgem Maria declarou à Madre Mariana uma série de acontecimentos situados nos séculos XIX e XX. Em algumas dessas aparições, sobretudo no dia 2 de fevereiro de 1610, quando se deu a quinta aparição, a Virgem Maria confiou as seguintes palavras à Madre Mariana: “Tudo isso só será conhecido pelo grande público no século XX. Durante esse período, a Igreja se encontrará atacada por terríveis hordas da seita maçônica, e esta pobre terra do Equador estará agonizante por causa da corrupção dos costumes, da luxúria desenfreada, da imprensa ímpia e da educação laica”. Após as aparições, uma capela e um convento foram erigidos nesses locais, e foram chamados de Maria Santíssima do Bom Sucesso (Rainha dos Céus e da Terra), seguindo o pedido de Nossa Senhora: “O meu culto sob a consoladora invocação do Bom Sucesso (…) será a sustentação e a salvaguarda da Fé na quase total corrupção do século XX” (II, 190). A vidente de Quito, Mariana de Jesus Torres, só foi mencionada nos anais da História, no final do século XX. Este é o motivo pelo qual as aparições recebidas se mantiveram escondidas, por mais de 300 anos. Em 1991, a capela foi declarada santuário mariano da arquidiocese de Quito. Apenas as gerações contemporâneas da vidente puderam tomar conhecimento das palavras pronunciadas pela Mãe de Deus em 1634: “No momento em que a vitória do mal parecerá inevitável, este será para vós um sinal, revelando que a minha hora chegou. Então, eu expulsarei Satanás do trono, imbuído de orgulho e condenado para sempre, esmagando-o com meus pés e encadeando-o nos abismos do inferno”. Estas palavras da Virgem Maria parecem ter sido proféticas, precisamente para o tempo em que estamos vivendo, os primeiros decênios do século XXI. A Virgem Santíssima nos dá, então, a reconfortante perspectiva de esperança no futuro! O que prova que não poderíamos esperar outra coisa: o Senhor não pode abandonar seus filhos e Ele venceu Satanás. Antônio Maria Trecho do livro France, fille aînée de l’Église Rassemblement à Son image éditions, 2015, p. 255. (França, Filha primogênita da Igreja, Unindo-se à sua imagem) E também em: Quito (Vue d’ensemble) #Jesus #Satanás #VirgemMaria

  • EXAME CRÍTICO DA INQUISIÇÃO – José Bernardino Gonzaga

    A Inquisição constitui assunto de eterno interesse, que até hoje continua despertando apaixonados debates. Tentou-se já o levantamento das obras por toda parte sobre ela publicadas, mas a pesquisa é difícil e precários os números apresentados. Basta sabermos que há alguns milhares de trabalhos dedicados ao seu estudo e que, para lê-los todos, não seria suficiente a inteira vida de um homem. A história autêntica, ou oculta, da tenaz campanha acusatória de que foi sempre objeto talvez nunca seja por inteiro desvendada; o certo é que a preocupação de atacá-la traz, subjacentes, variáveis mas fortíssimos interesses políticos, econômicos e religiosos. Nas investidas se congregam ‘os protestantes, os judeus e correntes de pensamento que chamaremos de “liberais”, com múltiplos matizes, orquestrando todos formidável montagem propagandística, que atravessa os séculos. O público, ávido de mistérios,e de narrativas escabrosas, se deixa envolver, mesmo porque é fácil despertar nas pessoas a simpatia pelos perseguidos de qualquer espécie, cujos sofrimentos são exaltados. A Inquisição se tornou assim um arquétipo, um símbolo universalmente aceito de intolerância, prepotência, crueldade; e a ela ficou sobretudo ligada, de modo indissolúvel, à Espanha: quando se fala naquela, todos logo pensam nesta, como re flexo condicionado. A ofensiva principiou no século XVI, quando esse: país se converteu na maior potência mundial, quando Espanha e Portugal dominaram o comércio marítimo, fundaram imensos impérios coloniais e buscaram o monopólio das riquezas. Tal hegemonia despertou a cobiça dos protestantes, tendo à frente a Holanda, que ansiava por assenhorear-se do tráfico internacional. A propaganda desmoralizadora foi uma das grandes armas utilizadas: valendo-se da imprensa recém-inventada, os protestantes inundaram a Europa de livros e panfletos, todos insistindo em denegrir a imagem dos papas, da Igreja e dos católicos ibéricos. O combate foi engrossado pelos anglo-saxões, logo que ambicionaram o domínio do mundo. A técnica utilizada para atacar o catolicismo foi sempre a mesma: o leitmotiv era a figura de uma Espanha dirigida pelo clero, por isso atrasada, obscurantista e, em conseqüência, reduzida afinal à pobreza. Para a campanha, com muito empenho sempre contribuíram também os judeus, que se consideram grandes vítimas da Inquisição. Esse clima, cuidadosamente preparado, recebeu mais adiante o reforço do movimento iluminista do século XVIII, o “século das luzes”. Tomados de feroz anticlericalismo, os enciclopedistas franceses, com Voltaire à frente, converteram a Inquisição na sua principal arma de combate à Igreja. Tratava-se, diziam, de instrumento de opressão contra as liberdades individuais, manejado por um clero fanático e corrupto, desejoso de manter o povo na ignorância e que se impôs pela tortura. Aludem a “esse terrível tribunal que julga os pensamentos dos homens” (Encyclopedie ou Dictionnaire Raisonné des Sciences, des Arts et des Métiers (1765), tomo VIII, pág. 773), e completam: “Por acréscimo é um padre; é um monge, dedicado à caridade e à doçura, que faz aplicar a homens, em vastos e profundos calabouços, torturas as mais cruéis” (ib., pág. 775). As mesmas idéias, as mesmas palavras, idênticos chavões continuaram sendo utilizados, como num cantochão, com infatigável insistência pelas correntes liberais do século XIX e chegaram até nossos dias. Reproduzem-nos todos os adversários da Igreja: os que se intitulam “homens arejados”, porque adeptos da liberdade de pensamento e inimigos de qualquer censura; os ateus, os materialistas, os agnósticos, os comunistas, porque se opõem a qualquer religião institucionalizada. Cumpre não esquecer também a relevante contribuição moderna de certos psicanalistas que se servem da Inquisição, ‘da tortura, da crença nos demônios, do papel da mulher, do combate às bruxas, etc., para investirem contra a Igreja. Sobranceiros em sua linguagem empolada e quase impenetrável, esses novos críticos não alcançam a dimensão sobrenatural dos problemas e ignoram o fato da divindade de Cristo. Hoje, muito tempo já passou desde aqueles recuados séculos em que a Igreja detinha poder de vida e de morte sobre as pessoas, tudo está mudado, o mundo é outro, problemas novos surgiram, de sorte que o estudo da Inquisição deveria ter perdido quase todo o interesse; mas, curiosamente, ela permanece viva, a produção bibliográfica que lhe é dedicada mantém-se abundante, editam-se obras novas e reeditam-se as antigas. Na medida em que sentem o catolicismo indestrutível, os adversários procuram, na Inquisição, o seu “calcanhar de Aquiles” e se unem para não deixarem o assunto perecer. Com o Tribunal do Santo Ofício, a Igreja pretendeu defender a própria integridade. Paradoxalmente, no entanto, o efeito se tornou depois inverso, e o fato de ter existido esse tribunal se acabou convertendo na mais possante máquina de guerra contra ela dirigida. Estudiosos católicos já reiteradamente colocaram os acontecimentos históricos em suas corretas dimensões, já tudo explicaram, já reconheceram humildemente os erros e os excessos praticados pela Inquisição; o que todavia pouco ou nada adianta, porque o que os detratores objetivam é justamente o escândalo; há interesse em manter vivo o arquétipo, e as mesmíssimas críticas são reiteradas à exaustão, como se jamais tivessem sido respondidas. Assim, os debates seguem contundentes, apaixonados, insolúveis. Para suscitar revolta e angústia nos leitores, utilizam-se expressões muito fortes, argumentos ad terrorem, com extrema agressividade. Masmorras, suplícios, fogueiras… Um escritor atual resume a Inquisição nestes termos: “Tribunais , secretos, com julgamentos arbitrários e sem recurso, baseados em depoimentos de testemunhas sem rosto, encarniçados em destruir vidas humanas para castigar pretensos crimes, quase sempre de essência religiosa, e dos quais cabia freqüentemente ao acusado adivinhar e definir ele próprio a natureza” (Frédéric Max, Prisonniers de l’Inquisition, Paris, 1989, pág. 11). Ou então se opta pelo artifício da manhosa ironia: “Em presença de excessos cometidos outrora pelo partido ao qual aderimos, a técnica muito simples consiste sempre em denegrir as vítimas, de uma parte, de outra em assegurar que os suplicios eram necessários à boa ordem, menos numerosos aliás do que se diz, e conformes ao espírito dos tempos […]. Esse tipo de apologética não é especial dos defensores dos crimes papistas aqui e «parpaillots» acolá: os fanáticos e os aproveitadores de ideologias em nossos dias não sentem diferentemente” (Marguerite Youcenar, Archives du Nord, Ed. Gallimard, 1977, págs. 53-54). A comprovar o nível baixíssimo atingido por alguns detratores, há os que chegam até mesmo à desonestidade intelectual de equiparar a Inquisição católica às façanhas do nacional-socialismo germânico das décadas 1930-1940, fingindo não perceber a óbvia e abismal diferença que os separa. Na Alemanha nazista, não nos olvidemos, sob a liderança de um desequilibrado mental, montou-se a farsa da “raça superior”, que se auto-atribuía o direito de escravizar ou, quando isto melhor conviesse, exterminar os “povos inferiores”, pelos quais nutria o maior desprezo; e milhões de seres humanos foram estupidamente assassinados. O cristianismo, inclusive durante a Inquisição, sempre viu os homens como essencialmente iguais entre si e merecedores de total respeito, porque todos criados à imagem e semelhança de Deus. Verifica-se enfim que, “desde seu estabelecimento, a Inquisição fascina e perturba — não tanto pelo que ela foi «realmente» (e que durante muito tempo foi mal conhecido), mas pelo que o inconsciente coletivo quis ver unicamente nela: uma instância de tortura e de morte, um elemento de repressão ideológica a serviço de todos os totalitarismos, religião e aparelhos do Estado” (Jean-Pierre Guicciardi. Introdução à obra de André Morellet, Abrégé du Manuel des Inquisiteurs, Grenoble, 1990, pág. 7). (João Bernardino Gonzaga bacharelou-se em Direito pela Universidade de São Paulo e doutorou-se pela Faculdade de Direito de Paris. Especialista em Direito Penal, foi Professor Titular de Direito Penal nas Faculdades de Direito da Universidade de São Paulo e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Foi ainda presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Penais e autor de numerosos livros e artigos. O texto publicado em Opus Matris Dei, “Exame crítico da inquisição”, é um capítulo de sua obra A Inquisição em seu mundo, lançada originalmente pela editora Saraiva e agora relançada pela editora Quadrante. O livro é produto de uma abordagem séria sobre o assunto, analisado como fenômeno histórico imerso na atmosfera que a envolveu e sob a influência dos fatores culturais, políticos, sociais, econômicos, religiosos e científicos à época existentes. Prof. João Bernardino Gonzaga realizou uma análise profunda e serena da Inquisição européia, mostrando-a não como um fato isolado, mas dentro das condições de vida que a explicam e a justificam). O livro A Inquisição em seu mundo, de João Bernardino Gonzaga, está à venda aqui: https://www.quadrante.com.br/autores/autores/jo-o-bernardino-gonzaga

  • Na cruz não falta nenhum exemplo de virtude

    Das Conferências de Santo Tomás de Aquino, presbítero (Colatio 6 super Credoin Deum) (Séc.XIII) Na cruz não falta nenhum exemplo de virtude Que necessidade havia para que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma necessidade grande e, por assim dizer, dupla: para ser remédio contra o pecado e para exemplo do que devemos praticar. Foi em primeiro lugar um remédio, porque na paixão de Cristo encontramos remédio contra todos os males que nos sobrevêm por causa dos nossos pecados. Mas não é menor a utilidade em relação ao exemplo. Na verdade, a paixão de Cristo é suficiente para orientar nossa vida inteira. Quem quiser viver na perfeição, nada mais tem a fazer do que desprezar aquilo que Cristo desprezou na cruz e desejar o que ele desejou. Na cruz, pois, não falta nenhum exemplo de virtude. Se procuras um exemplo de caridade: Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos (Jo 15,13). Assim fez Cristo na cruz. E se ele deu sua vida por nós, não devemos considerar penoso qualquer mal que tenhamos de sofrer por causa dele. Se procuras um exemplo de paciência, encontras na cruz o mais excelente! Podemos reconhecer uma grande paciência em duas circunstâncias: quando alguém suporta com serenidade grandes sofrimentos, ou quando pode evitar os sofrimentos e não os evita. Ora, Cristo suportou na cruz grandes sofrimentos, e com grande serenidade, porque atormentado, não ameaçava (1Pd 2,23); foi levado como ovelha ao matadouro e não abriu a boca (cf. Is 53,7; At 8,32). É grande, portanto, a paciência de Cristo na cruz. Corramos com paciência ao combate que nos é proposto, com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé. Em vista da alegria que lhe foi proposta, suportou a cruz, não se importando com a infâmia (cf. Hb 12,1-2). Se procuras um exemplo de humildade, contempla o crucificado: Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer. Se procuras um exemplo de obediência, segue aquele que se fez obediente ao Pai até à morte: Como pela desobediência de um só homem, isto é, de Adão, a humanidade toda foi estabelecida numa condição de pecado, assim também pela obediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça (Rm 5,19). Se procuras um exemplo de desprezo pelas coisas da terra, segue aquele que é Rei dos reis e Senhor dos senhores, no qual estão encerrados todos os tesouros da sabedoria e da ciência (Cl 2,3), e que na cruz está despojado de suas vestes, escarnecido, cuspido, espancado, coroado de espinhos e, por fim, tendo vinagre e fel como bebida para matar a sede. Não te preocupes com as vestes e riquezas, porque repartiram entre si as minhas vestes (Jo 19,24); nem com honras, porque fui ultrajado e flagelado; nem com a dignidade, porque tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na em minha cabeça (cf. Mc 15,17); nem com os prazeres, porque em minha sede ofereceram-me vinagre (Sl 68,22). #exemplo #falta #nenhum #virtude

  • Conversão e civilização dos bárbaros

    Conversão e civilização dos bárbaros Em uma recente publicação, o Professor Joathas Bello trouxe uma questão muito importante, e muito atual, como venho tentando mostrar em vários textos produzidos no ano passado e que continuarei a fazer esse trabalho, quero demonstrar que vivemos em tempos pagãos, o barbarismo ganhou uma evidência midiática, vale lembrar que o aborto, eutanásia, desprezo pelo casamento, decadência moral, foram problemas sérios que a república Romana e depois o império romano enfrentaram, a única solução foi o cristianismo, a moral foi restabelecida, não haviam mais prostitutas sagradas, nem imperadores travestidos de mulher, com seus rostos pintados como uma dama da corte, como faziam Nero e Caracala, no segundo parágrafo podemos verificar toda Europa clamando pelo cristianismo, o que contraria algumas teses de que a Igreja se impôs, pois o povo viu a superioridade da Igreja na moral e na espiritualidade, e deixo uma pergunta, onde estão os nossos Santos para mostrar o oriente (Cristo Jesus) aos Bárbaros modernos? Muitas pessoas não sabem que a Igreja tem a resposta, mas cabe as pedras falarem se os príncipes da Igreja calarem. “Um dos maiores equívocos e falhas na evangelização contemporânea se dá na noção do “aggiornamento”. A utilização da “linguagem” moderna deve ser tão criteriosa quanto sempre foi a utilização da linguagem antiga pela Igreja: a Igreja não admitiu, da filosofia grega, o panteísmo, o monismo ou o materialismo presente nos pré-socráticos, mas a filosofia que admite a Transcendência de Sócrates, Platão e Aristóteles; se assumiu a ideia de “Lei Natural” dos estoicos, não entendeu essa “razão imanente” no mundo como a instância suprema da realidade, etc. Se assumiu a indumentária litúrgica ou o simbolismo do “Sol invicto” dos romanos ou da “árvore” dos nórdicos, não assumiu seu significado, etc. Se quer utilizar a linguagem moderna, não pode assumir perspectivas filosóficas imanentistas, como o kantismo ou o marxismo, por exemplo. Tampouco pode ser subserviente à compreensão das ciências do homem, mas deve julgá-la à luz de uma teologia e uma filosofia metafísica atualizada, que compreenda os meandros da fenomenologia, da psicologia empírica, da psiquiatria, da política, e possa discernir a verdade e julgar os limites e erros nestas ciências. A “autonomia das realidades temporais” não pode ser uma espécie de fetiche que impeça os teólogos e filósofos católicos de compreenderem sua tarefa de julgar as ciências humanas e até as ciências da natureza no que tange à sua significação metafísica e teológica. Tampouco deve utilizar expressões artísticas que só ajudam a distorcer a mensagem do Evangelho, fomentando uma sensualidade desordenada ou uma afetividade superficial, por exemplo. Ao abdicar da beleza da sua linguagem litúrgica (a sobriedade do Rito Tridentino, do canto gregoriano) em nome de uma liturgia “pastoral” voltada “para o homem de hoje”, e de uma “inculturação” sem critérios bem definidos, a vida dos católicos vai perdendo senso sobrenatural e senso estético; acolher a graça da missa e dos sacramentos se torna mais difícil, viver no mundo sem ser do mundo, idem. A Igreja precisa recuperar sua Sabedoria e sua Beleza. O “hoje” da década de 60 já não é o “hoje” deste tempo em que nos cabe viver, e que é pior do que o “ontem”. Voltar o olhar para o Hoje Eterno, e para Jesus Cristo, “o mesmo ontem, hoje e sempre”, com os braços pregados à Cruz para nos esperar, e abertos para nos receber.” (Joathas Bello, professor de filosofia) Desde o fim do império do Ocidente, em 476, até no seu restabelecimento pela coroação de Carlos Magno, em 800 a Igreja teve uma ação Santa civilizadora durante esta época. Na época, em que entramos, foi a igreja chamada pela Divina providência e pelas necessidades dos povos da Europa a preencher uma missão nova. Tendo a seu cargo os interesses espirituais e eternos das nações, devia, nesta época deplorável, ajudá-las também nos seus negócios temporais. muitas vezes se tem condenado esta ingerência da Igreja nas coisas deste mundo, e censuras de ambição tem sido muitas vezes dirigidas aos papas e aos bispos. Mas declinando a meia-luz, que se presta facilmente a erros e a ilusões, e colocando-nos no verdadeiro ponto de vista histórico, reconheceremos sem custo, que a ação do clero sobre o temporal dos povos, nesta época, foi natural, necessária e legítima. Resultado da própria situação dos acontecimentos, e foi conduzida por força dos acontecimentos, cujo complemento e realização não é dado ao homem impedir. Quando uma sociedade cai no abismo, diz Balmes, nada há tão justo como que a salve quem a possa salvar; ora, somente a Igreja podia salvar então a sociedade. >> — com efeito, ao vermos o antigo mundo desmembrado e feito pedaços sob os golpes e vinte povos bárbaros, nos é fácil compreender, que somente a religião poderia amaciar a selvageria de seus costumes, e unir uns aos outros todos os elementos heterogêneos, que se debatiam entre si nesse imenso caos.<< No meio desta dissolução social, diz ainda Balmes, nesta monstruosa confusão de raças, de leis, de costumes e tradições, o cristianismo conservava-se em pé como uma coluna solitária no seio de uma cidade em ruínas, como um brilhante farol no centro de um Horizonte tenebroso, e era o único elemento capaz de animar os germes da regeneração sepultados debaixo de ruínas e sangue.>> Posto que bárbaros e orgulhosos com os seus triunfos, os povos conquistadores curvaram a fronte diante do báculo, que regia o rebanho de Cristo. Colocados pela lei Romana na primeira ordem dos habitantes da cidade, revestidos de um caráter sagrado, que era respeitado pelos mesmos pagãos, superiores aos homens da sua época na inteligência, e sobretudo na verdade, na posse de uma autoridade espiritual imensa, incontestada, não podiam os bispos deixar de (pela própria força dos acontecimentos) adquirir um grande ascendente sobre o espírito dos bárbaros. Assim, logo que eles quiseram constituir-se em sociedade, chamaram em seu auxílio os únicos homens, que eram capazes de os civilizar e de modificar a sua legislação feroz, e colocá-la em harmonia com a moral cristã, cuja beleza os enchia de admiração. A Igreja, diz Guizot, era infinitamente superior aos governos temporais de então; o clamor dos povos vinha continuamente colaborando para que tomasse o seu lugar. É claro, que era necessário uma sociedade fortemente organizada para lutar contra tais desastres para sair vitoriosa de um tal furacão. Os bispos adquiriram deste modo na sociedade nova uma intervenção poderosa, de princípio puramente moral, mas que se constituiu progressivamente como a autoridade dos reis e dos senhores. — Na época merovíngia, diz ainda outro historiador, todas as bases da sociedade, todos os elementos de cultura intelectual, tudo o que estava de artes e ciências estava nas mãos da religião; a ela pertencia pois de direito à educação e a direção da nova Europa. — Compreende -se facilmente, conclui Balmes, que o Papa, colocado acima de todos os outros pastores da Igreja, como uma soberba cúpula sobreposta a um suntuoso edifício, devia necessariamente ver a sua influência e o seu poder sobrepuja em muito a autoridade dos simples bispo. Tal foi a primeira origem e como a raiz do poder temporal da Igreja. O papado e o episcopado não foram portanto poderes usurpadores. O instinto de conservação rebanhava debaixo da sua égide as raças: a sua superioridade moral, unanimemente reconhecida, curvava diante da sua autoridade as raças vitoriosas. Tudo o que abatia o império da Roma terrestre contribuía para elevar o império da Roma cristã. Não se tem notado de maneira suficiente, que o movimento, que impediu a Igreja a tomar a direção dos negócios temporais, foi uma evolução espontânea e natural dos povos, que vieram de si mesmo agrupar-se em torno de uma instituição dotada de força vitais. Não foi mais que a consequência necessária, e como a mesma lógica dos acontecimentos.. É um espetáculo admirável vermos, nessa época, os papas e os bispos tendo, por assim dizer, entre as suas mãos o berço da Europa mas senti, e trabalhando para a civilização e santificação dessas hordas ferozes, que inundaram todo o ocidente. (Tratado de história eclesiástica, Tomo II Padre Rivaux diretor do seminário maior de Grenoble, livraria internacional, 1877) #USA #Históriadaidademédia #Fé #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte

  • Oração de quebra de maldição

    Maldição é toda e qualquer palavra que é mal dita, mal empregada, lançada contra nós ou contra qualquer pessoa. 1 – ORAÇÃO DE RESISTÊNCIA Em nome do pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém. Satanás, levantamos nosso escudo da fé contra ti e te resistimos com a espada do Espírito Santo, a palavra de Deus, que proclama o teu julgamento como falso deus, acusador e afligidor dos filhos do Altíssimo. Anunciamos que estão destruídas as tuas obras em nossas vidas e na vida de nossos familiares, companheiros de equipe e servos dos ministérios… Pelo poder do Sangue de Jesus Cristo (Sinal da Cruz), rejeitamos e quebramos todas as pragas malignas, maldições, encantamentos, rituais, poderes psíquicos, obras de feitiçaria enviadas para derrotar ou destruir nossas vidas e ministérios. Resistimos a todos os poderes demoníacos enviados contra nós por quem quer que seja. Ordenamos a todos os poderes do mal que voltem imediatamente para o lugar de onde vieram. No nome de Jesus, abençoamos os que nos amaldiçoaram. Enviamos o Espírito Santo a eles, para que os convença de seus pecados e os leve para Sua Luz e os envolva na misericórdia do Deus Vivo. Assim seja, em nome do Senhor nosso Deus, Jesus Cristo, Amém. 2 – ORAÇÃO PARA CORTAR OS LAÇOS DO PASSADO (Repetir 3 vezes) Em nome de minha família, eu (falar seu nome completo), rejeito toda influência má que me foi transferida por minha família. Eu quebro todos os pactos, alianças de sangue, todos os acordos com o demônio, em nome de Jesus Cristo (Sinal da Cruz). (Repetir 3 vezes) Eu coloco o Sangue de Jesus e a Cruz de Jesus entre cada geração minha. E em nome de Jesus (Sinal da Cruz). eu amarro todos os espíritos de hereditariedade má de nossas gerações e ordeno que saiam em nome de Jesus Cristo (Sinal da Cruz). Pai, em nome de minha família, eu vos peço perdão por todos os pecados do espírito, por todos os pecados da mente, e por todos os pecados do corpo. Eu peço perdão para todos os meus ancestrais. Eu peço o vosso perdão, por todos aqueles que eles magoaram de alguma forma, e aceito o perdão em nome de meus ancestrais, daqueles que os magoaram. Pai Celestial, pelo Sangue de Jesus, hoje peço que leveis todos os meus parentes mortos , à luz do céu. Eu agradeço, Pai celestial, por todos os meus parentes e ancestrais que vos amaram e vos adoraram, e transmitiram a fé aos seus descendentes. Obrigado Pai! Obrigado Jesus! Obrigado Espírito Santo! Amém. #Deus #maldição #oração #Cruz #Jesus

  • O SIONISMO E O TERCEIRO TEMPLO PROFECIA PARA O SEGUNDO TEMPLO

    O SIONISMO E O TERCEIRO TEMPLO PROFECIA PARA O SEGUNDO TEMPLO Esse estudo é muito atual, tendo em vista uma grande propaganda em favor de uma supremacia do povo judeu na região de Israel, posso afirmar que Israel como nação tem todo o direito de existir, mas como povo escolhido foi suplantado pela Igreja, a verdadeira Israel, lembrando que o povo judeu se encontra na diáspora (exílio), isso por sua maldade, sua arrogância em negar as profecias sobre o messias, vez por ouvimos que existem planos de se construir um terceiro templo, nenhum Judeu que é seguidor da ortodoxia da sua religião concorda com isso, eles creem que o terceiro templo virá dos Céus, feito pelo próprio criador, e o seu grande Messias virá para combater pelo povo judeu, nesse momento é que verão que o seu Messias é Cristo Jesus, vamos examinar às escrituras e a história da Igreja sobre acontecimentos que precederam a construção do segundo templo, que foi destruído por volta do ano 70 a.c., o Amor aos JUDEUS (cf. Rm 9,1-5; 11,1-2a.11-12.25), que não é sinônimo de sionismo (ideologia pró Estado de Israel). De fato, o judaísmo ortodoxo e os judeus religiosos em geral, eles mesmos rejeitam o sionismo. Este é um arremedo agnóstico/ateu-maçônico do Reino de Israel, a ser restaurado em tempo só conhecido por Deus (cf. At 1,6-7). Os judeus começaram a ser levados para Babilônia, como colonos, (+ ou – 605 a.C.). Após a destruição de Jerusalém em (587 a.C.) todo o contingente se tornou escravo do rei Nabucodonosor. (+ ou – 730 a.C.) – Profeta Isaías escreveu: (Is 44.26-28) – “Sou Eu quem confirma as palavras do meu servo e cumpre o conselho dos meus mensageiros; quem diz a Jerusalém: tu serás habitada e com as cidades de Judá, sereis reedificadas e Eu levantarei suas ruínas; quem diz à profundeza: Seca-te, e eu secarei seus rios; quem diz: Ciro é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz, dizendo também a Jerusalém: Sê edificada e ao Templo: Funda-te”. (+ ou – 180 anos antes do rei Ciro, da Pérsia aparecer para a história bíblica. Decreto do rei Ciro (+ ou – 550 a.C.), dizia: (Ed 1.2-3) – “Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e Ele me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém que é em Judá. Quem há entre vós, todo o seu povo, seja Deus com ele e suba a Jerusalém que é em Judá, e edifique a Casa do Senhor Deus de Israel, Ele é o Deus que habita em Jerusalém”. Logo, se juntou grande multidão. (Ed 2.62) – “Esses buscavam o seu registro entre os que estavam registrados nas genealogias, mas não se acharam nelas, pelo que imundos foram rejeitados do sacerdócio”. No cativeiro do Egito, outras etnias, também cativas, acabaram misturadas à comunidade israelita. Na peregrinação pelo deserto foram 40 anos de problemas decorrentes daquela mistura de povos. A porta dos gentios foi aberta muito mais tarde, com Jesus. Os cativos na Babilônia cuidaram para que houvesse o registro de cada um que nascesse, sua família, sua tribo. Com o passar do tempo, a mistura entre os povos escravizados era inevitável e os costumes eram transferidos entre eles. Na Babilônia foram 70 anos. Os persas dominaram os babilônicos e o rei Ciro da Pérsia indultou o povo judeu. Após o indulto, Zorobabel, o governador, o tirsata, foi muito exigente com a formação do grupo que iria trabalhar no Templo. (Ag 2.9) -” A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos”. (+ ou – 520 a.C.) (Ed 2.63) – “E o tirsata lhes disse que não comessem das coisas sagradas até que houvesse um sacerdote com Urim e Tumim. Urim e Tumim eram duas pedras que eram colocadas no peitoral que o sacerdote consagrado usava durante as cerimônias diante do Senhor. Aninhavam-se sobre o coração daquele sacerdote que receberia luz do Senhor para suas decisões. O final das palavras (im) designa plural. Elohim é o plural de Eloah. (Ed 2.64-65) – Quase 50.000 pessoas formaram a primeira turma que retornou para Jerusalém, chefiada por Zorobabel. O Templo foi consagrado e inaugurado (+ ou – em 515 a.C.). [ O Imperador Juliano , o Apóstata , e a reconstrução do Templo de Salomão] Com o anúncio da reconstrução do Templo de Salomão ,recentemente na mídia, muitos ficaram espantados com tal atitude que aparentemente busca desafiar diretamente a Profecia de Nosso Senhor Jesus Cristo ” não ficará pedra sobre pedra ” . O que poucos sabem é que o último imperador pagão de Roma , chamado de Juliano O Apóstata , já tentou reconstruir o templo na tentativa de desafiar ” um certo Galileu ” que ganhava mais e mais seguidores . Tal ato foi comemorado pelos Judeus Farisaicos da época – a seita que matou Nosso Senhor e que produziu aquele livro Blasfemo chamado Talmúde . O texto a seguir apresenta o que aconteceu após ele tentar Reconstruir o templo e como se sucedeu a sua morte após isso : Espalhados pelos quatros cantos do mundo, no ano de 362 os judeus se reuniram, como no tempo de Zorobabel, para novamente tomar posse do solo de sua pátria. Essa movimentação não deixava de comprometer, em diversos lugares, a segurança dos cristãos. Ufanos da proteção do imperador Juliano, os filhos de Israel não resistiram à cruel satisfação da vingança.~ Juliano, em sua ambição, não estava satisfeito. Queria legar à posteridade um monumento digno da grandeza de seu gênio. Com essas idéias, concebeu o projeto de restabelecer o templo de Jerusalém, outrora assediado por Vespasiano, e destruído por Tito após um cerco famoso. Este empreendimento devia custar uma soma imensa. Foi uma razão a mais para Juliano tentar realizá-lo. Colocou à frente desse gigantesco trabalho Alípio de Antioquia, que pôs energicamente mãos à obra. Mas turbilhões de fogo terríveis, lançando-se das entranhas da terra em jatos contínuos, devoraram os trabalhadores e tornaram impossível o acesso aos canteiros de construção. No começo de 363, os trabalhos preliminares da reconstrução do templo estavam quase concluídos. O concurso de trabalhadores estrangeiros sob a direção de Alípio e os créditos abertos generosamente por Juliano tinham imprimido à obra nacional dos judeus uma incrível atividade. Os fundamentos do novo edifício estavam prontos; o terreno estava preparado; o material necessário estava junto à obra. Foi fixado o dia para a colocação solene da primeira pedra do novo edifício. De manhã, uma imensa multidão invadiu o monte Sião, para assistir à grande cerimônia. Nesse momento fez-se sentir um tremor de terra. A convulsão intestina foi tal, que lançou pedaços de rochas das entranhas da terra, como se movidas por uma erupção vulcânica, matando os operários mais próximos e levando a morte longe, nas fileiras dos espectadores. Juliano Os edifícios públicos vizinhos desmoronaram com imenso fragor, sepultando sob os escombros uma multidão de curiosos que se tinham juntado ali. Os gritos dos moribundos e dos feridos eram ouvidos no meio do “salve-se quem puder” geral. No meio da multidão espavorida, que fugia para todos os lados, uns tinham perdido um braço, outros um olho, outros uma perna. O tremor de terra durou o dia todo, com terríveis intermitências. No dia seguinte, os abalos não mais se fizeram sentir. As pessoas retomaram coragem e foram revistar os escombros, para retirar as vítimas que pudessem ter sobrevivido à catástrofe. Após a primeira operação, que nada veio perturbar, a esperança e a coragem foram reanimadas no fundo dos corações. Pensaram poder retomar a obra, tão bruscamente interrompida. O exército de trabalhadores ocupou de novo aquele canteiro de desolação, para reparar o desastre. No entanto, mal os operários se instalaram, uma erupção de fogos subterrâneos, combinados com horrível tempestade, arrebentou de repente. Desta vez as vítimas foram em número muito maior. A chama produzida pelos raios tinha tal energia, que consumia num piscar de olhos e reduzia a cinzas o ferro dos martelos, dos machados, das picaretas e das serras. Um ciclone, turbilhonado sobre a montanha, dispersou como se fosse de palha o material reunido para a construção. A tormenta durou o dia todo. Quando chegou a noite, tomou ela um caráter ainda mais prodigioso. Uma grande cruz de fogo foi desenhada no céu, e milhares de outras pequenas cruzes do mesmo tipo, circulando nos ares, vinham incrustar-se nas roupas dos judeus, traçando nelas distintamente cruzes negras, consteladas por meio de furos de uma estreiteza e regularidade que teriam desafiado a agulha mais sutil. Nessa terrível noite, cujo espanto lembrava o dos egípcios sob a vara de Moisés, eram ouvidas vozes atônitas proclamando a divindade de Jesus Cristo e pedindo o batismo. Todavia, grande número de judeus se obstinaram em sua incredulidade. Atribuíram os fenômenos estranhos ao tremor de terra, que devastou não apenas a cidade de Jerusalém, mas também Nicópolis, Napluse, Eleuterópolis, Gaza, enfim, toda a zona do litoral asiático. (Pe. J.E. Darras, “Histoire Generale de L’Église” – Ed. Louis Vivès, Paris, 1867, vol. 10) Juliano sabia que, segundo a predição de Jesus Cristo, não devia ficar pedra sobre pedra do edifício do templo, e quis dar um desmentido ao “Deus dos galileus”. Posto que não gostasse dos judeus, chamou-os para a obra e prodigalizou-lhes dinheiro e promessas. Encarregou o conde Alípio, um dos seus mais fiéis oficiais, de vigiar e apressar os trabalhos. Começaram por arrancar os antigos alicerces. O número dos operários era incalculável, e o seu ardor parecia que superaria todos os obstáculos. Contudo, S. Cirilo, Bispo de Jerusalém, zombava de todos os seus esforços e dizia publicamente que era chegado o tempo em que se cumpririam literalmente os oráculos do Senhor: “Nem sequer porão uma pedra sobre outra” — repetia o santo prelado sem se perturbar. Efetivamente, tirados os velhos fundamentos, sobreveio um horrível terremoto, que encheu as escavações, dispersou os materiais amontoados, derrubou os edifícios vizinhos, matou ou feriu uma parte dos trabalhadores. Passados poucos dias, lançaram outra vez mão à obra. Mas imensos globos de fogo saíram das entranhas da terra, repeliram os materiais e devoraram os obreiros e as ferramentas. Este terrível fenômeno reproduziu-se várias vezes. O fogo só cessou de aparecer depois de abandonada a obra. Este fato é incontestável. Atestam-no S. Cirilo, testemunha ocular, S. Jerônimo, S. Ambrósio, S. Crisóstomo e S. Gregório Nazianzeno, contemporâneos deste prodígio. Além desses, os historiadores Rufino, Sócrates, Sozomeno, Teodoreto, Zonoras, Epifânio, o diácono Nicéforo, Calixto, o ariano Filostorgo, o judeu David Gunzi, o rabino Gédaliah e o próprio Amiano Marcelino, pagão, amigo íntimo e zeloso defensor de Juliano. A este respeito, S. Crisóstomo exclama: “Cristo edificou a sua Igreja sobre a pedra, e nada pôde derrubá-la. Ele derrubou o templo, e nada pôde reedificá-lo. Ninguém abate o que Deus eleva, nem eleva o que Deus abate”. Segundo a maior parte dos autores eclesiásticos, juntou-se um fogo vindo do céu às chamas saídas da terra, e apareceram cruzes luminosas nos ares, e até sobre a roupa dos trabalhadores. Tão extraordinário prodígio espantou todos os espectadores. Muitos judeus, e até idólatras, confessaram a divindade de Jesus Cristo e pediram o batismo. Deste modo, em lugar de destruir a profecia do Salvador, Juliano completou-a, tirando até a última pedra do templo de Jerusalém. Ele ficou confundido, mas nem por isso abriu os olhos à luz. (Pe. Rivaux, “Tratado de História Eclesiástica” – Livraria Chardron, Porto, 1876, Tomo I, pp. 305-307). Expedição de Juliano contra os persas Depois de magra refeição, Juliano sentou-se numa cama de campanha para redigir seu diário. Durante esse trabalho, viu ele aparecer a seu lado o gênio do império, o mesmo que já o tinha visitado no palácio de Lutécia (atual Paris) na noite em que as legiões gaulesas o tinham saudado com o título de Augusto. Desta vez o espectro estava vestido com um manto negro. Fitou longamente em Juliano um olhar tristonho e saiu da tenda sem pronunciar uma única palavra. O imperador saiu em disparada, aterrorizado, ao encalço do fantasma. Por causa de seus gritos, acorreram à sua tenda seus mágicos e sacerdotes pagãos habituais, tendo Máximo à frente. Tentaram tranqüilizá-lo. Aconselharam-no a oferecer um sacrifício aos gênios protetores. À meia-noite, a vítima, uma novilha branca, foi levada para junto do altar. Mas no momento em que a faca do sacerdote lhe abria o pescoço, uma estrela que deslizava lentamente descreveu um arco no zênite, traçando um rastro de luz que se extinguiu repentinamente no horizonte. “É o deus Marte que se vinga de mim!” — exclamou Juliano. A última noite de Juliano, perturbada por essa série de presságios funestos, findou em consultas aos mágicos e sacerdotes. Os intérpretes oficiais da vontade dos deuses declararam unanimemente que esses fenômenos eram uma advertência do céu, e que se tornava necessário suspender todos os planos de ataque para o dia seguinte. Sob um sol tórrido, Juliano acabava de depor sua couraça quando um clamor intenso irrompeu em torno dele. Era o exército persa que, aproveitando a situação excepcional, invadia o acampamento. Sem se dar o tempo de revestir a armadura, Juliano monta a cavalo, voa até a retaguarda onde tinha lugar o ataque, e organiza a resistência. Alguns instantes depois, um grupo de arqueiros persas faz chover sobre o imperador e sua escolta uma saraivada de flechas. Uma delas, após arranhar o braço direito do imperador, vem enterrar-se-lhe no fígado. Diz Teodoreto que nesse momento Juliano levou a mão à ferida, recolheu o sangue que saía aos borbotões e o lançou ao céu, gritando: “Venceste, Galileu!” (Pe. J.E. Darras, “Histoire Generale de L’Église” – Ed. Louis Vivès, Paris, 1867, vol. 10) #USA #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #SãoJoãoCrisóstomo #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja

  • A ARMA DO PADRE PIO

    Certa vez Padre Pio, necessitado que um frade lhe ajudasse a ir para a cama, pediu-lhe que tirasse sua arma do bolso do hábito. O frade, depois de garantir não haver arma alguma no bolso do Padre Pio, ouviu o santo insistir que ali havia, sim, uma arma. Ao que o frade, procurando mais uma vez, retrucou dizendo que ali só havia um terço, não uma arma. — E o terço, o que é? Não é por acaso uma arma? — perguntou Padre Pio. Era assim que Padre Pio via o Rosário: uma eficientíssima arma de defesa sobrenatural contra os ataques do demônio, que o acompanhou anos afora desde a mais remota infância. Os frades, que com ele conviveram no convento de San Giovanni Rotondo, mais de uma vez o ouviram referir-se ao Rosário dessa maneira. Rezava essa oração mariana várias vezes ao dia. Sua intimidade com a Virgem Maria sempre foi muito grande: viu-a, pela primeira vez, aos cinco anos de idade, e, até o final da vida, aos oitenta e dois anos, foram incontáveis as vezes em que a mãe de Jesus lhe apareceria. E esse homem, que provavelmente mais terços rezou no século XX, morreria em 1968 com as contas do Rosário entre os dedos. Ou seja, nos braços da Mãe de Deus. (https://jczamboni.com.br/home/sobre/)

  • De Constantinopla a Roma: Por que eu não me juntei à Igreja Ortodoxa Oriental

    por Brian W. Harrison NB: Este artigo é uma versão levemente editada de uma palestra no Festival Trialogos em Tallinn, Estônia, em 28 de setembro de 2007. A palestra do dia anterior foi intitulada “De Genebra a Constantinopla”, na qual o autor explica por que ele se tornou desiludido com o protestantismo calvinista de sua educação. Baseava-se, por sua vez, em um artigo anterior da Tradição Viva, “Lógica e os Fundamentos do Protestantismo” (n. 18, julho de 1988). Na palestra de ontem falei da minha jornada espiritual pessoal longe do calvinismo da minha juventude, guiada pelos λόγος da filosofia clássica. A lógica me permitiu atravessar as montanhas da erudição que durante séculos encheu bibliotecas com controvérsias religiosas, a fim de detectar uma fraqueza fatal na estrutura básica do cristianismo da Reforma. Cheguei a ver que ela sofre irremediavelmente da incoerência interna: seu próprio princípio fundamental da Sola Scriptura em nenhum lugar aparece nas Escrituras e, portanto, é auto-referencialmente contraditório. Eu também compartilhei com vocês como eu fiquei cada vez mais convencido de que se há alguma revelação verdadeira e definitiva de Deus para a humanidade, então – dado que Deus claramente não decidiu oferecer essa revelação imediatamente e diretamente a cada indivíduo – ele precisará estabelecer um intermediário completamente confiável, perenemente acessível aqui na terra para pessoas comuns como você e eu. Em suma, uma autoridade de ensino infalível. Minha palestra terminou naquele ponto da minha história em que me vi confrontado pela realidade de duas grandes comunhões – as duas maiores da cristandade, de fato – apresentando-se como pretendentes rivais ao dom da infalibilidade. Eu sabia há muito tempo da alegação da Igreja Católica de ser a autoridade divinamente dotada dotada desse carisma. Mas agora havia descoberto a afirmação semelhante da Ortodoxia Oriental. Constantinopla agora brilhava na minha tela de radar como uma desafiante para Roma. Como eu ia decidir entre elas? Neste ponto, eu preciso abrir um parêntese sobre outro aspecto importante da minha busca espiritual que eu não mencionei na palestra de ontem. Estamos falando agora do ano de 1971, em que a Igreja Católica ainda estava convulsionada pela controvérsia que eclodiu três anos antes com a promulgação da encíclica Humanae Vitae de Paulo VI. O mundo em geral – e de fato, muitos católicos – dissuadiram indignados da reiteração da tradicional repreensão judaico-cristã do papa Paulo de todas aquelas técnicas antinaturais e manipuladoras de intimidade sexual que roubam do ato do casamento de seu poder de gerar nova vida. No entanto, embora a “afirmação dura” da encíclica alienasse milhões de modernos do catolicismo ortodoxo, estava começando a ter o efeito oposto em mim. A decisão do papa Paulo estava começando a parecer uma decisão muito mais sábia do que eu pensava que fosse a princípio – um sinal adicional da credibilidade da Igreja, na verdade! Por que eu estava mudando de idéia? Bem, é preciso lembrar que o final dos anos 60 e início dos 70 também foram aqueles mesmos anos em que o movimento pela “liberação gay” (como era então chamado) começou a flexionar seus músculos desafiadoramente e se propagar como um incêndio. Isso começou nos EUA e depois se espalhou rapidamente pelo restante do Ocidente. E eu tive que admitir que um dos argumentos que os militantes homossexuais estavam usando para justificar seu estilo de vida, pelo menos, tinha a lógica do seu lado. Eles estavam dizendo que uma vez que você aceitou como moralmente permissível para um homem e uma mulher (ou um indivíduo solitário) alcançar o orgasmo sexual com atos que pela sua natureza 1 excluem qualquer possibilidade de procriação, então você deve, logicamente, permitir atos homossexuais também. Para uma sociedade ocidental já permissiva e impassível, os “gays” estavam proclamando dos telhados que se você permitir preservativos, diafragmas, pílulas, “coito interrompido”, sexo oral e anal heterossexuais e masturbação, então você não pode mais condenar consistentemente a sodomia sexual como “não natural”. Pois todas essas práticas em si são igualmente “não naturais” no mesmo sentido básico: isto é, todas elas são o tipo de ações que nunca podem resultar na função biológica primária da atividade genital – a reprodução da espécie. (Santo Tomás de Aquino, em sua sabedoria, classificou todos eles juntos como essencialmente o mesmo pecado, que ele chamou de “o pecado contra a natureza”.) A lógica com que essa conclusão espantosamente permissiva seguiu a partir de sua premissa (que, acrescentamos, também logicamente abre o caminho para a aprovação de outras práticas ainda mais obviamente perversas como bestialidade, sadomasoquismo e diversas ‘filias’ patológicas) me ajudou a perceber que algo deve, de fato, estar errado com essa premissa. Era uma que eu e a maioria das pessoas “modernas” e “respeitáveis” aceitávamos de forma muito acrítica: a premissa de que técnicas contraceptivas artificiais podem às vezes ser moralmente aceitáveis para casais no interesse do espaçamento de crianças. O fato de Roma – quase sozinha – estar firme neste princípio fundamental de castidade, destemida pelo desprezo e rejeição de um mundo cada vez mais impuro e dos próprios filhos rebeldes da Igreja, agora me pareceu confirmar sua credibilidade como verdadeira mensageira de Deus na terra. Por que esse parênteses sobre a controvérsia do controle de natalidade foi relevante para o tema principal da palestra de hoje – minha escolha entre “Roma” e “Constantinopla”? Simplesmente porque descobri rapidamente que a reprovação de práticas anticoncepcionais não naturais era outro ponto em que esses dois grandes pretendentes à infalibilidade estavam de acordo. Ou assim parecia naquela época.2 Minha principal fonte de informação sobre a doutrina ortodoxa oriental era A Igreja Ortodoxa, um livro escrito na década de 1960 por um inglês convertido à ortodoxia, Timothy Ware (que mais tarde se tornou um arcebispo ortodoxo grego). Foi amplamente considerada uma fonte autorizada. Agora, Ware declarava categoricamente em seu livro que a Igreja Ortodoxa não permite tais práticas. Assim, dada a recente evolução em meu próprio pensamento sobre esse assunto, essa firmeza em face da impureza mundana foi outro fator, juntamente com a reivindicação da ortodoxia de infalibilidade que reforçou sua credibilidade aos meus olhos como um rival do catolicismo romano. Outra característica da atratividade da Ortodoxia em 1971 era simplesmente que, para mim, ela permanecia refrescantemente imaculada pelos preconceitos calvinistas anticatólicos emocionais que eu havia absorvido durante a adolescência. Estes ainda eram fortes o bastante para me impedir de chegar mais perto do que necessário àquele grande “mistério da iniqüidade” – aquela suposta montanha de enganos diabólicos e sutis disfarçados de santidade – pela qual eu tinha sido advertido durante tanto tempo sob o terrível título de “ Romanismo”. Em contraste, a Ortodoxia Oriental não evocou tais fobias das profundezas do meu disco rígido interno. Ninguém, até onde eu sabia, estava descrevendo Istambul como “Babilônia Misteriosa”. Eu não tinha lido nenhum relato de uma Mulher Escarlate, bêbada com o sangue dos santos, sentada em cima de uma Besta Bósforo de dez cabeças. E eu não vi dedos acusadores apontando para o patriarca de barba branca de Constantinopla como “aquele homem do pecado” – o Anticristo invadindo o templo de Deus e blasfemando “grandes coisas” contra o Senhor e seus eleitos. De fato, a verdade é que alguns dos episódios mais sombrios da história que alimentaram essas chamas do ódio contra a Igreja de Roma “intolerante” e “ditatorial” não encontram paralelo na história da Ortodoxia Oriental. Quantos apologistas católicos modernos, para sermos sinceros, não suspirariam aliviados se só fosse possível desfazer o passado e, por exemplo, eliminar de nossas práticas históricas de “bagagem”, o uso de tortura da Inquisição ou a queima de hereges? Não aliviaríamos nossa carga apologética para nos livrarmos da necessidade perene de explicar novamente a cada novo interlocutor por que, ao contrário do que parece, tão extrema dureza – para a qual o papa João Paulo II se desculpou publicamente na Quarta-Feira de Cinzas do ano jubilar de 2000 – de fato, militam contra a reivindicação da Igreja cuidadosamente circunscrita à infalibilidade? No entanto, depois de algumas tentativas de visitas de domingo às liturgias ortodoxas gregas em Sydney (eu sou australiano), após o que tentei conversar com o padre local, obstáculos de um tipo muito diferente logo começaram a balançar o equilíbrio na outra direção. Dado o conhecimento muito limitado do padre sobre o inglês, qualquer discussão séria entre nós sobre questões doutrinárias ou teológicas mostrou-se impossível. De fato, ele parecia bastante surpreso por eu, como um ‘Anglo’, estar interessado em me unir à sua denominação. Todos os seus outros paroquianos, mesmo no centro de uma cidade grande e cosmopolita, eram etnicamente gregos. Na verdade, minha busca muito teórica e dada aos livros da verdadeira marca do cristianismo – entendida quase como um tipo de filosofia abstrata ou conjunto de crenças doutrinárias corretas – estava sendo trazida à Terra por um resquício frio da realidade prática: o tipo de realidade que Deus, em sua sabedoria, percebe que vai carregar ainda mais peso para a vasta massa não erudita da humanidade do que para acadêmicos como eu. Eu estava correndo contra o fato óbvio de que a Ortodoxia é, bem, não exatamente católica. Quero dizer, não no sentido original dessa palavra. Falta-lhe a universalidade e abertura cultural, a capacidade de proporcionar um lar verdadeiro e acolhedor para todas as tribos e nações do mundo, que é de fato uma daquelas quatro marcas da verdadeira Igreja que a maioria das denominações cristãs inclui em sua profissão de fé nicena: una, santa, católica e apostólica. Eu sei que hoje em dia, em algumas grandes cidades em terras não orientais, é possível encontrar igrejas ortodoxas que atendem àqueles que vêm de origens ocidentais e, portanto, oferecem serviços pelo menos parcialmente em inglês e outros idiomas locais. Mas essas igrejas são bem poucas e distantes entre si. E em 1971 elas não existiam na Austrália (nem, eu suspeito, em nenhum outro lugar na metade sul deste planeta). Cada palavra das liturgias que assisti em Sydney – incluindo as leituras bíblicas e pregações – eram em grego, da qual eu não entendia absolutamente nada. Assim, na medida em que o cristianismo é uma realidade comunitária vivida, e não apenas um conjunto de doutrinas, a tese de que a Ortodoxia Oriental é a verdadeira religião estava se mostrando como um corolário prático que, para a vasta maioria da humanidade, se tornar um verdadeiro cristão exigiria praticamente uma espécie de guetização espiritual: alienação da própria língua e cultura de cada um precisamente no aspecto mais importante da vida de alguém. Para compartilhar plena e proveitosamente na vida do Corpo de Cristo, quase se teria que se tornar um grego. (Bem, O.K., talvez um russo, um sérvio, um sírio, ou qualquer outra coisa – mas, de qualquer forma, as opções étnicas seriam muito limitadas). E esse tipo de acréscimo de facto muito oneroso ao Evangelho era claramente estranho ao Novo Testamento. Pelo contrário, sua mensagem enfatiza que em Cristo não existe mais, judeus, gentios, gregos, etc. Assim foi possível, eu fui forçado a me perguntar, que depois de dois mil anos Deus em sua Providência ainda não tinha conseguido prover sua própria Igreja verdadeira com algo parecido com a universalidade geográfica e cultural que caracteriza tão claramente sua principal rival (cujo nome, paradoxalmente, inclui o de uma cidade italiana bastante específica)? Em suma, a Ortodoxia Oriental, até onde pude ver neste estágio de minha jornada, tinha certas forças contra o catolicismo, mas também certas fraquezas. Então eu ainda me sentia longe de certo para onde ir. De fato, me senti confrontado por outra versão do mesmo problema que eu já havia enfrentado na tentativa de decidir se o protestantismo era verdadeiro ou falso: o problema de ter que negociar montanhas de erudição que poderiam facilmente ocupar uma vida inteira de estudo, se eu tivesse qualquer esperança de chegar a uma resposta definitiva. Se essas questões detalhadas de teologia, exegese e história mantiveram os especialistas rivais católicos e ortodoxos nesses campos interminavelmente divididos, apesar de séculos de debates acadêmicos e oceanos de tinta derramada, quem era eu para presumir a capacidade de alcançar alguma certeza como para qual lado estava certo? Neste caso, o debate foi principalmente sobre a natureza da primazia petrina, como revelado nas Escrituras e manifestado na antiga tradição da igreja. Os ortodoxos contra-atacaram a leitura católica padrão dos textos petrinos do Novo Testamento com interpretações semelhantes às dos estudiosos protestantes. E quando chegou ao testemunho da história, eles afirmaram que o reconhecimento oriental da jurisdição universal do Bispo de Roma sobre todas as igrejas locais nos primeiros mil anos era um reflexo apenas do alto status político de Roma e da lei eclesiástica humana, ao invés de (como os católicos alegam) uma disposição da lei divina emitida pelo próprio Cristo. Os apologistas ortodoxos modernos, é claro, também fizeram muito do fato de que a infalibilidade papal não foi definida pela Igreja Romana até 1870. Os católicos então contrapuseram a afirmação de que essa definição era uma novidade injustificada ao apelar para o princípio de “desenvolvimento” na doutrina que ocupava tanto o grande cardeal Newman. E assim o debate continuou – e continuou. Tudo parecia muito assustador – e o resultado era muito duvidoso – para este jovem amador não muito erudito à procura de uma resposta clara e certa. Inevitavelmente, em minhas orações e estudos durante o ano de 1971, comecei a me perguntar se havia outro argumento rápido, “de bala de prata”, como o que eu já achara ser fatal para a teologia protestante. Isto é, talvez houvesse um procedimento heurístico que, ao enfatizar a lógica pura em vez da tentativa infindável de acumular e avaliar dados bíblicos e históricos, penetrasse diretamente nessa massa de vegetação erudita, a fim de revelar uma inconsistência interna oculta – um incoerência fatal, destruidora da credibilidade – na estrutura fundamental do catolicismo ou da ortodoxia? Por fim, encontrei o que acreditava – e ainda acredito até hoje – ser aquela bala de prata. Isso me deu uma certeza que eu acho que nunca poderia ter chegado apenas com base em mais pesquisas sobre exegese e história da igreja. Revelou uma falha fatal na explicação da Ortodoxia de como podemos saber o que Deus revelou. Assim como com a minha explicação ontem sobre por que a doutrina básica do protestantismo da Sola Scriptura é incoerente, usarei uma série de várias proposições simples para argumentar que a explicação da ortodoxia oriental da infalibilidade da igreja está viciada por um argumento circular e, portanto, não pode ser verdadeira. Vocês se lembrarão de que minha busca espiritual a essa altura me levara à convicção de que uma revelação cristã genuína dirigida a toda a humanidade exigiria a existência de uma instituição estável de algum tipo, dotada permanentemente do carisma da infalibilidade. O propósito deste presente seria, simplesmente, permitir que os cristãos distinguissem com certeza a verdadeira doutrina da falsa doutrina (heresia). Agora, claramente, se Deus deu o dom da infalibilidade à sua Igreja, deve haver alguma autoridade ou agente identificável dentro dela capaz de exercer esse dom – de colocá-la para trabalhar, por assim dizer. E os católicos, como é bem conhecido, acreditam que o “colégio dos bispos” – os sucessores dos apóstolos, liderados pelo papa, o sucessor de São Pedro – constituem essa autoridade. Eles podem exercer o dom de várias maneiras (conforme explicado pelo Concílio Vaticano II no artigo 25 da Lumen Gentium, a Constituição dogmática sobre a Igreja). Todo o grupo (o ‘colégio dos bispos’) pode ensinar infalivelmente, reunido em Concílios que o seu líder, o Papa, reconhece como “ecumênico” (isto é, suficientemente representativo de toda a Igreja), ou mesmo, sob certas condições. , enquanto permanece dispersa pelo mundo. Finalmente, o papa, mesmo quando fala sozinho, tem garantido o carisma da infalibilidade em seus pronunciamentos mais formais (ex cathedra). Agora, o que a comunhão ortodoxa oriental vê como o agente da infalibilidade que ela reivindica? De fato, ele reconhece apenas uma dessas formas de ensino mencionadas acima. Vamos destacar esta resposta: Proposição 1: A infalibilidade deve ser reconhecida nas solenes decisões doutrinais dos concílios ecumênicos. No entanto, isso significa que os ortodoxos reconhecem a autoridade de todos os mesmos concílios ecumênicos que nós, católicos, reconhecemos? Infelizmente não. Enquanto nossos irmãos orientais separados afirmam que, em princípio, qualquer concílio ecumênico entre o Pentecostes e o Dia do Julgamento desfrutaria do carisma de poder decretar decretos dogmáticos infalíveis, eles de fato reconhecem como ecumênico apenas os sete primeiros concílios: aqueles que aconteceram no primeiro milênio cristão, antes da ruptura entre Oriente e Ocidente. De fato, embora eles afirmem que é a verdadeira Igreja, eles nunca, desde a divisão medieval, tentaram convocar e celebrar qualquer concílio ecumênico próprio. Pois eles ainda reconhecem como parte válida da tradição antiga o papel da Sé de Pedro como tendo uma certa primazia – pelo menos de honra ou precedência – sobre os outros centros antigos do cristianismo (Constantinopla, Antioquia, Jerusalém e Alexandria). Afinal, a evidência histórica do primeiro milênio é abundantemente clara para praticamente todos os historiadores de que a confirmação (não necessariamente convocação) pelo bispo de Roma era vista pelos cristãos orientais e ocidentais como essencial para que um concílio se qualificasse como verdadeiramente ecumênico. Isso significa, então, que a teologia ortodoxa cai na mesma armadilha ilógica que discutimos ontem em conexão com certas teorias protestantes e anglicanas, a saber, a absurda postulação de uma infalibilidade de igreja meramente temporária? Não é bem assim. Para os teólogos ortodoxos tradicionais, como eu os entendo, preferiria dizer, ao contrário, que por mil anos tivemos uma situação de infalibilidade interrompida. A interrupção, eles sustentariam, tem sido causada, acima de tudo, pela “ambição”, “intransigência” ou “arrogância” dos bispos da Sé de Pedro, que dizem ter gradualmente exagerado seus privilégios a ponto de ultrapassar seriamente os limites da modesta primazia que lhes foi dada por Jesus. No entanto (diz-se), uma vez que o papado reconhece este grave erro e renuncia às suas reivindicações de infalibilidade pessoal e jurisdição universal sobre todos os cristãos – doutrinas “novas” solenemente definidas apenas em 1870 – porque, então, o deplorável cisma finalmente poderá ser curado e toda a Igreja, com a devida representação tanto do Oriente como do Ocidente, será novamente capaz de realizar concílios ecumênicos. Como tal, estes serão dotados, como antes, com a capacidade de emitir decretos dogmáticos infalíveis. Agora, enquanto esta posição pode parecer plausível à primeira vista, ou pelo menos, não é obviamente irracional, envolve sérios problemas. Nossos irmãos orientais separados estão reconhecendo que qualquer concílio verdadeiramente ecumênico precisará incluir não apenas seus próprios representantes, mas também aqueles do Bispo de Roma, cuja confirmação de seus decretos seria necessária no devido tempo, como foi naqueles primeiros sete concílios da antiguidade. Bem, até aí tudo bem. Mas isso significa que os ortodoxos reconhecem que a confirmação do papa de um concílio no qual eles participam não será apenas necessária, mas também suficiente, como uma condição para o seu próprio reconhecimento como ecumênico e infalível? Infelizmente, a resposta aqui é novamente negativa. E é a própria história dos orientais que, como veremos agora, reformularam sua teologia nesse ponto durante o último meio milênio. Depois da ruptura Oriente-Ocidente, que se consolidou como resultado das excomunhões mútuas de 1054 e do brutal saque de Constantinopla pelos cruzados latinos em 1204, dois concílios ecumênicos foram convocados por Roma com o propósito de curar a brecha. Eles foram detidos, respectivamente, em Lyon, em 1274, e em Florença, em 1439, com a cristandade oriental sendo devidamente representada em ambos os concílios por bispos e teólogos enviados de Constantinopla. E em ambos os casos esses representantes acabaram aceitando totalmente, em nome da Igreja Oriental, os decretos promulgados por esses concílios que professavam a jurisdição verdadeira e divinamente ordenada dos Sucessores de Pedro sobre a Igreja universal de Cristo – algo muito mais do que uma mera primazia de honra. E estes decretos foram obviamente confirmados pelos papas então reinantes. Por que, então, nenhum desses dois concílios efetivamente pôs fim ao trágico e antigo cisma? Basicamente, porque as delegações orientais de Lyon e Florença, ao retornarem ao seu próprio eleitorado, não conseguiram fazer com que a recém-decretada união “ficasse” e tivesse efeito prático. Em Constantinopla, o centro nervoso do Império Bizantino, a profunda desconfiança e até mesmo a ardente hostilidade contra os “inimigos” latinos ainda estava fortemente enraizada nos corações e mentes de muitos cidadãos – grandes e pequenos. O resultado foi que a política e a opinião pública superaram os acordos conciliares. Os cristãos orientais como um todo simplesmente se recusaram a concordar com a ideia de permitir que aquele homem – o amplamente temido e detestado bispo de Roma – tivesse qualquer tipo de jurisdição real sobre seus assuntos espirituais e eclesiásticos. Como resultado, a fim de justificar essa contínua separação de Roma, os ortodoxos tiveram que modificar sua posição sobre a infalibilidade dos concílios ecumênicos. Eles tiveram que sustentar que a participação em um determinado concílio de bispos representando toda a Igreja e a confirmação de seus decretos pelo Papa, enquanto indubitavelmente necessário, ainda não é suficiente para garantir o verdadeiro status ecumênico e infalibilidade daquele concílio. Para além do cumprimento dessas condições, também é necessário (de acordo com a eclesiologia ortodoxa dos séculos recentes) que os fiéis como um todo no Oriente e no Ocidente – não apenas o papa e os bispos ou até mesmo todo o clero – aceitem os decretos desse concílios expressando a verdadeira fé.3 Assim, a simples Proposição 1 exposta acima agora se torna: Proposição 2: A infalibilidade deve ser reconhecida nas solenes decisões doutrinais daqueles Concílios que não só são papalmente confirmados como ecumênicos, mas que também são posteriormente aceitos como tais por toda a Igreja. No mundo ocidental pós-iluminista, em que a oposição ao “clericalismo” (real ou imaginário) e as idéias de democracia e soberania popular há muito gozam de grande popularidade política, essa eclesiologia ortodoxa oriental, com ênfase no papel dos leigos, inevitavelmente soa atraente para muitos. De fato, alguns neo-modernistas, dissidentes católicos defensores da “teologia da libertação” e uma “Igreja do Povo” têm defendido nas últimas décadas uma “democratização” de estruturas e procedimentos da igreja como um remédio para o chamado “centralismo romano”. Mas, em uma inspeção mais próxima, uma falha lógica fatal na teoria ortodoxa vem à luz. Pois, se o fator crucial para decidir se um ensinamento de um determinado concílio é infalível ou não, depende de como ele é recebido pelos membros comuns de “toda a Igreja”, então torna-se criticamente importante saber quem, precisamente, constitui “ toda a Igreja ”. Como os membros dela podem ser identificados? Quem tem direitos de voto, por assim dizer, nesta monumental decisão comunitária de aceitar ou rejeitar os decretos doutrinários de um determinado concílio? Em resposta a essa pergunta, nossos amigos orientais certamente não podem dizer que, para esses propósitos, “toda a Igreja” consiste de todos os que professam a fé em Cristo, ou todos os batizados. Pois, nessa base, os ortodoxos descartariam como “não-ecumênico” (e, portanto, não infalível) não apenas os concílios do segundo milênio reconhecidos por Roma e pela Igreja Ocidental, mas também os sete grandes concílios do primeiro milênio que eles se reconhecem em comum com os católicos! Pois cada um desses concílios foi rejeitado por significativas minorias de pessoas batizadas (arianos, monofisitas, nestorianos, etc.) que professavam o cristianismo. É igualmente claro que eles não podem definir “toda a Igreja” como os católicos, ou seja, como consistindo de todos aqueles cristãos que estão em comunhão com Roma, a Sé de Pedro, Príncipe dos Apóstolos. Por essa base, os ortodoxos se desqualificariam como parte de “toda a Igreja”, dado que eles não estiveram em comunhão com Roma durante a maior parte de mil anos. Poderão talvez tentar definir “toda a Igreja” em termos de comunhão com a sua atual Sé patriarcal de Constantinopla? Até onde eu sei, nenhum teólogo ortodoxo se atreveria a ir tão longe, não apenas porque não pode negar que essa Sé esteve em heresia em certos períodos da antiguidade, mas acima de tudo porque nem existia por três séculos depois de Cristo que estava na terra. Por isso, não poderia reivindicar – e nunca reivindicou – qualquer status privilegiado no nível da revelação e da lei divina. (Os ortodoxos concordam com os católicos, e com quase todos os outros cristãos professos, exceto os mórmons, que essa revelação foi concluída no primeiro século d.C., na época de Cristo e dos Apóstolos.) Em resumo, qualquer tentativa ortodoxa de formular uma definição teológica de “toda a Igreja” em termos de qualquer critério empiricamente verificável – por exemplo, como a comunidade daqueles que passaram pelo sacramento visível, audível e tangível do batismo, ou daqueles que visivelmente e audivelmente se chamam cristãos, ou daqueles que visivelmente e audivelmente professam sua comunhão com certos prelados publicamente identificáveis que por sua vez ocupam cargos eclesiásticos em alguma cidade fixa, altamente visível e publicamente identificada – qualquer tentativa deste tipo colocará nossos irmãos orientais em absurdos impossíveis . Assim, o único outro caminho aberto a eles, logicamente, é tentar definir “toda a Igreja” em termos de um critério empiricamente não verificável, a saber, a adesão à verdadeira doutrina ortodoxa. Ao contrário das cidades, ditos e sacramentos, a ortodoxia doutrinal não pode ser reconhecida como tal por nenhum dos cinco sentidos. Não pode, como tal, ser vista, tocada ou ouvida, apenas discernido na mente e no coração. Tendo inevitavelmente recorrido a este critério aparentemente razoável – tentando definir a verdadeira Igreja como aquela que ensina a verdadeira doutrina – não é por acaso que o principal grupo de cristãos orientais começou a chamar sua comunhão de Igreja “Ortodoxa” após a ruptura com Roma. Por que eles não reconhecem como partes constituintes da “Igreja inteira” aqueles arianos batizados, cristãos, nestorianos, etc., que rejeitaram um ou mais dos sete concílios do primeiro milênio? A resposta é enganosamente simples: “Porque, porque eles eram heterodoxos, é claro! Eles caíram em heresia enquanto nós – e até então a Igreja latina também sob Roma – mantivemos a verdadeira fé ”. Agora que a posição ortodoxa em relação à infalibilidade e aos concílios ecumênicos foi mais especificada, podemos reformulá-la pela terceira vez, substituindo a expressão “a Igreja inteira” no final da Proposição 2 por outra que esclarece o significado dessas três palavras: Proposição 3: A infalibilidade deve ser reconhecida nas solenes decisões doutrinais daqueles Concílios que não só são papalmente confirmados como ecumênicos, mas que também são posteriormente aceitos como tais por toda a comunidade daqueles cristãos que aderem à verdadeira doutrina. Mas, receio, ficamos cara a cara com a falha lógica fundamental de toda a doutrina ortodoxa oriental de como podemos saber o que Deus revelou à humanidade. Como Cristo fundou sua Igreja na Terra para ser uma comunidade visível, não podemos defini-la em termos de um critério invisível – a posse da verdade doutrinária – sem cair no absurdo. A falha que isso envolve é a de um argumento circular – ou, se você quiser, incluindo o termo a ser definido dentro da própria definição. Isso resulta em uma mera tautologia: uma afirmação auto-repetida que não fornece nenhuma informação. Podemos ver isso mais claramente se recordarmos mais uma vez o propósito básico de todas as três proposições ortodoxas orientais acima em negrito: elas visam identificar e indicar para nós o órgão daquele ensinamento infalível da igreja que precisa existir – e ser claramente reconhecível – se é que deve haver qualquer revelação divina pública credível. Pois o próprio conceito de revelação divina implica a comunicação de um conhecimento claro e certo de algo (mesmo que essa “coisa” seja ela mesma – como a Trindade e a Encarnação – profundamente misteriosa e não totalmente compreensível para nossas mentes finitas). Mas suponha que o Ser Supremo fosse “revelar” alguma mensagem para a humanidade em geral através da ação de mensageiros declaradamente falíveis – profetas modestos que poderiam anunciar sua mensagem para nós (seja na fala ou na escrita) apenas em algo como os seguintes termos: “ Bem, eu acho que Deus disse e fez tal e tal coisa, e estou pessoalmente muito confiante de que tal e tal é o que ele quer dizer com o que ele disse; mas, lembre-se, eu posso estar errado ”. Nesse caso, é claro, o resto de nós não poderia ter um conhecimento claro e certo de toda a mente e intenção divinas. Deus de fato não revelaria a nós absolutamente nada – certamente nada que pudéssemos aceitar com aquela firme e incondicional fé que as Escrituras tomam como garantida como a resposta apropriada dos cristãos à Palavra de Deus. Tendo em mente, então, que todo o propósito de uma autoridade infalível da igreja é simplesmente capacitar os cristãos a distinguir clara e claramente a verdade revelada da falsidade e heresia, podemos formular mais uma vez a proposição Ortodoxa Oriental, reformulando a Proposição 3 acima para ‘ descompactar “a palavra” infalível “, soletrando sua importância epistemológica: Proposição 4: Os cristãos podem conhecer com certeza a verdadeira doutrina, reconhecendo as solenes decisões doutrinais dos Concílios que não só são papalmente confirmados como ecumênicos, mas que também são posteriormente aceitos como tal por toda a comunidade dos cristãos que aderem à doutrina verdadeira. As palavras em itálico expõem a circularidade subjacente – a tautologia – que vicia a coerência lógica do cristianismo ortodoxo oriental, destruindo, portanto, sua credibilidade racional. Queremos saber como identificar a verdadeira doutrina cristã com certeza; mas a resposta oferecida ao nosso problema pressupõe que já sabemos exatamente o que estamos procurando descobrir! Estamos nos dizendo: “Para descobrir o que é a verdadeira doutrina cristã, você deve prestar atenção ao ensino daqueles que aderem à verdadeira doutrina cristã”! Não muito tempo depois de chegar à firme conclusão de que a Ortodoxia Oriental era ilógica, de modo que sua reivindicação de infalibilidade não podia ser sustentada, fui recebido na Igreja Católica Romana na Missa da Vigília da Páscoa em 1972. Minha longa jornada havia sido completada. , algo pelo qual continuo diariamente a dar graças a Deus. Resta apenas acrescentar que, nos trinta e cinco anos desde que voltei à plena comunhão com a única Igreja fundada por Cristo, minha convicção como católico só se tornou mais forte. Pois a Igreja Ortodoxa hoje não está de maneira alguma na mesma condição em que estava naquela época. As mesmas características que mais me atraíram naquela época agora se desvaneceram em um crepúsculo de dúvida e confusão. Por alguns séculos, a tenacidade dos ortodoxos em aderir estritamente às antigas e estáveis tradições litúrgicas, juntamente com seu relativo isolamento do Ocidente pós-iluminista, combinou-se para atuar como um antídoto bastante poderoso, na prática, para os efeitos do vírus da ilogicidade que acabamos de expor. Mas nas últimas décadas, com contatos culturais e ecumênicos mais extensos, e com uma diáspora oriental cada vez maior e ativa nos países ocidentais, a vulnerabilidade subjacente da ortodoxia às mesmas tendências liberais e secularizantes na fé, moral e culto que devastaram o Ocidente está se tornando mais aparente. Esse vírus – um resultado inevitável da ruptura da comunhão com a visível “rocha” da verdade e da unidade constituídas pela Sé de Pedro – agora está inexoravelmente incitando a ortodoxia em direção ao pluralismo e à desintegração doutrinal. De minha leitura sobre os assuntos eclesiásticos orientais nos últimos anos, tenho a impressão de que muitos teólogos e bispos ortodoxos agora qualificaram severamente ou até mesmo renunciaram a qualquer reivindicação séria de infalibilidade por parte de sua Igreja. Além disso, não há mais nenhuma unidade, qualquer posição “oficial” identificável da Ortodoxia como tal, em relação aos métodos antinaturais de controle de natalidade. Algumas autoridades continuam reprovando essas práticas, enquanto outras – provavelmente a maioria até agora – as toleram. Cada vez mais, os casais ortodoxos são aconselhados a seguir sua própria consciência sobre esta questão – em diálogo, se possível, com um padre que é confiável como “pai espiritual”. Um apologista ortodoxo de mentalidade tradicional poderia responder, é claro, que a confusão e a discordância sobre esses e muitos outros assuntos também são desenfreados dentro do catolicismo romano e, na verdade, em grande medida se espalharam para a Ortodoxia como resultado de poderosas influências liberais e neo-modernistas virtualmente descontroladas em nossa própria comunhão, especialmente desde o Concílio Vaticano II. Esta objeção, infelizmente, é muito bem fundamentada até onde vai. Mas falta o ponto vital para os propósitos atuais, que é que a confissão reconhecidamente grave no catolicismo contemporâneo não se deve à sua própria estrutura epistêmica subjacente – sua própria teologia fundamental da revelação. Isso se deve, em vez disso, ao que muitos de nós católicos veriam como uma fraqueza temporária no nível prático: o nível de disciplina e governo da Igreja. Temos assistido a um fracasso de muitos bispos e, possivelmente, mesmo dos papas recentes, de vigiar e aplicar com suficiente determinação a doutrina que permanece coerente e infalivelmente ensinada em teoria e em princípio pelo magistério católico. Uma solução para os problemas atuais não exigirá a reversão de qualquer doutrina católica; pelo contrário, envolverá a insistência mais resoluta, na teoria e na prática, em nossas doutrinas existentes. (Essa insistência, é verdade, provavelmente precisará incluir outras interpretações papais autoritativas de certos textos do Vaticano II cuja ambigüidade ou falta de clareza revelam algo das tendências pastorais, filosóficas e teológicas conflitantes que eram muito aparentes entre os próprios Padres do Concílio. ) Na Ortodoxia Oriental, por outro lado, o crescente problema de confusão e divisão interna desce para um nível mais profundo. Está enraizado no princípio doente, não apenas na prática defeituosa. É um problema que envolve a característica definidora essencial da comunhão ortodoxa contra o catolicismo, a saber, sua fatídica decisão medieval de repudiar a total primazia e autoridade daquela ‘Rocha’ estabelecida por Cristo na pessoa do bem-aventurado Pedro e seus sucessores na Sé de Roma. Talvez, se mais de nossos irmãos ortodoxos puderem reconhecer a falha lógica subjacente em sua eclesiologia, que tentei identificar e explicar nesta palestra, veremos um progresso ecumênico mais frutífero em direção à restauração da plena comunhão. Notas finais 1 – Ressalto as palavras “pela sua própria natureza” para rebater o argumento comum de que, uma vez que a procriação é igualmente impossível como resultado de atos conjugais normais praticados quando um ou ambos os cônjuges são temporária ou permanentemente inférteis, a doutrina da Igreja Católica é logicamente inconsistente, e, portanto, racionalmente insustentável. Muitas vezes nos é dito que, para ser coerente com sua própria ‘proibição’ de atos sexuais não naturais, a Igreja não deve apenas proibir o uso de continência periódica para evitar a gravidez (Planejamento Familiar Natural), mas também proibir o casamento em si onde a mulher já passou pela menopausa, ou se qualquer dos parceiros é por qualquer outra razão permanentemente estéril. De fato, não há inconsistência aqui por parte da doutrina católica. Pois a impossibilidade de procriação nesses atos conjugais que a Igreja permite não se deve ao tipo ou forma de ato sexual realizado pelos cônjuges, mas à condição biológica de um ou de ambos no momento do intercurso. Esta condição é algo projetado pelo próprio Criador quando é normal e saudável, e pelo menos permitida por sua Providência quando não é. Em ambos os casos, a infertilidade dos atos em questão não é causada por nenhuma decisão ou iniciativa humana. O ato em si – pelo qual o sêmen é depositado na vagina – continua sendo um ato do tipo procriativo, embora nenhuma procriação possa ocorrer. Em contraste, no caso desses pecados sexuais condenados pela Igreja como contra naturam (“contra a natureza”), é o caráter essencial do próprio ato livremente escolhido, e não a condição biológica do agente, que torna a procriação impossível. Independentemente do agente estar ou não escolhendo tais atos para o objetivo consciente e subjetivo de prevenir a prole, esses atos são imorais porque, por sua própria estrutura essencial, expressam objetivamente uma inversão da verdadeira ordem de valores. Usando uma “linguagem do corpo” perversa, eles insultam o valor e a nobreza da nova vida humana como tal. (Essa é a razão básica pela qual, reagindo ao pensamento da masturbação, ejacular em preservativos, relações sexuais orais e anais, aparelhos lésbicos, etc., toda pessoa de coração puro que entende nossa anatomia humana vê intuitivamente, percebe e aprecia que “nossos corpos não são feitos para isso! ”) De fato, tais ações usurpam a soberania do Criador sobre a vida humana. O homem ou a mulher que busca o orgasmo dessa maneira elimina a possível criação, por Deus, de um novo ser humano através de seu ato em prol de algo de valor muito inferior: a gratificação física e / ou emocional que produz. 2 – Veja a discussão adicional deste ponto abaixo, p. 133 3- Um livro padrão do ensino dogmático ortodoxo coloca assim: “Concílios Verdadeiros – aqueles que expressam a fé Ortodoxa – são aceitos pela consciência católica [isto é universal] da Igreja; os falsos concílios – aqueles que ensinam heresia ou rejeitam algum aspecto da Tradição da Igreja – são rejeitados pela mesma consciência católica. A Igreja Ortodoxa é a Igreja não de ‘concílios’ como tal, mas apenas dos concílios verdadeiros, inspirados pelo Espírito Santo, que estão em conformidade com a consciência católica da Igreja ”(M. Pomazansky, Teologia Dogmática Ortodoxa: Uma Exposição Concisa, 3ª edição (Platina, Califórnia: St. Herman of Alaska Brotherhood, 2005), p.41, 21. Pomazansky não usa a palavra “infalibilidade” aqui em conexão com “concílios verdadeiros”, mas que o carisma está claramente implícito em terminologia diferente quando ele afirma que eles são “inspirados pelo Espírito Santo.” Observe, no entanto, que mesmo quando ele atribui esse incrível privilégio divino aos “concílios verdadeiros”, Pomazansky não oferece nenhum critério para decidir quais cristãos devem ser considerados como pertencentes à ”Igreja”. No entanto, esta é uma questão absolutamente crucial, uma vez que, se for respondida incorretamente, a “consciência” resultante das pessoas consultadas pode, de acordo com a própria teoria ortodoxa, refletir a heresia inspirada por Satanás ao invés da verdade inspirada pelo Espírito. 4 Cf. J. Likoudis, Ortodoxia Oriental e a Sé de Pedro (Waite Park, Minnesota: Park Press, 2006), pp. 87-99, “Contracepção e Ortodoxia Oriental”). Tradução From Constantinople to Rome: Why I did not join the Eastern Orthodox Church Disponível em: http://www.rtforum.org/lt/lt133.html?fbclid=IwAR3_GTXeOJnyJwYpiGmgxaQTugn3VKrFM4yCjy5eJ2Xf6uYqdUMTPn778YM#Harrison

  • A CAPELA DO ROSÁRIO EM VENEZA EM HONRA DA  VITÓRIA DO ROSÁRIO NA BATALHA DE LEPANTO – John Ven

    No dia 7 de Outubro de 1571, o Papa São Pio V reunia-se em Roma com os seus Cardeais na Basílica Dominicana de Santa Sabina. De repente o Papa levantou-se, olhou intensamente através da janela, voltou-se para os seus prelados e disse: “Não é este o momento para a reunião; apressemo-nos a agradecer a Deus, porque neste momento a nossa frota ganhou uma grande vitória contra os Turcos.” Naquele momento fora-lhe concedida, por Nossa Senhora, uma visão da vitória marítima obtida em Lepanto, embora as notícias do triunfo não chegassem a Roma por canais normais senão duas semanas mais tarde. O Papa Pio V tinha-se preparado bem para a batalha. Além dos preparativos de ordem natural, São Pio V recorrera a meios sobrenaturais. Exortou os Católicos por toda a Europa a rezarem o Terço, suplicando a ajuda e proteção de Nossa Senhora. E a Nossa Mãe Santíssima respondeu-lhes. A data da batalha – dia 7 de Outubro – é hoje celebrada como a festa do Santo Rosário. Poucos anos depois da batalha, em ação de graças, foi dedicada em Veneza, uma magnífica capela votiva à Senhora do Rosário. Situada dentro da grande Basílica de São João e São Paulo, a capela permanece hoje como um esplêndido testemunho do poder do Terço. Porque estará a capela em Veneza? Porque a frota veneziana era uma das três principais forças marítimas que conseguiram a vitória contra os Turcos em Lepanto. A Ameaça do Islão O Islão foi desde o começo uma religião de conquista. Os conflitos na Espanha que duraram 700 anos, a derrota de Constantinopla, o saque de Jerusalém que lançou as Cruzadas como uma contra-ofensiva: tudo isto e muito mais foram manifestações da incessante agressão muçulmana. No século anterior à batalha de Lepanto, o Mediterrâneo era considerado um “lago muçulmano”. Os Turcos Otomanos eram implacáveis nos seus empreendimentos de conquista. Pelo século XVI, não havia nenhum poder marítimo que fosse superior ao da armada islâmica turca. Os Muçulmanos saquearam, assassinaram, violaram e destruíram em todos os lugares que procuraram conquistar. Sequestraram crianças em Constantinopla e noutros lugares, escravizando-as para servirem a perversa luxúria muçulmana. Assassinaram civis indefesos aos milhares, e forçaram prisioneiros cristãos a serem remadores nos seus navios de guerra. Em Chipre, não muito antes da Batalha de Lepanto, 500 soldados venezianos da guarnição renderam-se aos Muçulmanos mediante um acordo. No entanto, assim que as portas da cidade foram abertas, os Turcos arrasaram a cidade, chacinaram a guarnição, e atacaram e violaram brutalmente os civis. E outras inúmeras atrocidades, ainda piores, aumentaram com persistência. Tal era o perigo muçulmano que ameaçava toda Europa. A Cristandade sabia que o Islão planeava a conquista da Europa, e de Roma em particular. O autor católico Christopher Check escreve que “o maior sonho, o sonho de todos os Turcos”, o sonho a que os soldados do conquistador Soleimão “brindavam antes de partirem para qualquer campanha, era a conquista de Roma.” São Pio V O Papa São Pio V, o santo e erudito dominicano que subiu à Catedra Pontifícia em 1566, compreendeu a ameaça. A sua abordagem não era a moderna, da cobardia disfarçada de diálogo – mas sim a de uma confrontação varonil contra o mal. “Estou a pegar em armas contra os Turcos” – afirmou ele – “mas a única coisa que me pode valer é a oração dos sacerdotes de vida pura.” O historiador veneziano John Julius Norwich escreve que, para Pio V, “o objetivo primeiro da Cristandade deveria ser restabelecer o controle do Mediterrâneo central, isolando os territórios africanos do Sultão dos da Europa e da Ásia, dividindo deste modo o seu império em duas partes.” Para obter este objetivo, o Papa Pio V fundou, na Primavera de 1571, a Santa Aliança – uma armada de navios de guerra para defrontar a frota marítima do Islão. A Santa Aliança era constituída por navios de guerra de Génova, dos Estados Pontifícios, de Espanha e de Veneza. A participação da República das ilhas de Veneza, que gozava do prestígio de séculos de perícia marítima, foi considerada crucial para o êxito da Aliança. Ter o Papa Pio V unificado estas forças não foi um feito nada pequeno, porque naquela altura havia várias fações que, disputavam a Europa entre si. Veneza quase não pôde participar, por causa de uma disputa que tinha com a Espanha sobre uns territórios perto de Milão. A França e a Polónia, que se poderiam ter unido à Santa Aliança, nunca o fizeram. Dizia-se que a Inglaterra protestante estava a enviar apoio aos Turcos, enquanto que a administração anglicana, recém-formada, também não tinha amor algum pela Roma Pontifícia; e nada une tanto os povos como um inimigo comum. Mesmo assim, formou-se a Santa Aliança. E o mais importante de tudo é que o Papa Pio V recorreu a meios sobrenaturais. Pediu a toda a Europa que rezasse o Terço pela vitória sobre os Muçulmanos. Nisto, a Europa atendeu ao apelo. Em Aliança com o Céu João da Áustria, irmão ilegítimo de Felipe II de Espanha, foi escolhido para liderar a frota. Católico piedoso, com 26 anos, extraordinariamente bem-parecido e um líder natural de homens, ele já se tinha distinguido no ano anterior por ter acabado com a sublevação mourisca na Espanha. Tal como Pio V, D. João reconheceu que, sem a ajuda do Céu, a frota estaria condenada. Por isso, lançou mão a todas as armas espirituais que tinha ao seu dispor. João proibiu que subissem mulheres a bordo dos navios, proclamou que a blasfémia fosse castigada com a execução, e ele e toda a sua frota fizeram três dias de jejum. São Pio V concedeu Indulgência Plenária às tripulações e soldados da Santa Aliança. Havia sacerdotes de várias Ordens e Congregações no convés dos navios, a celebrarem a Santa Missa e a ouvirem confissões. D. João deu um Terço de presente a cada homem da frota. A Batalha A Batalha de Lepanto foi travada no local que agora se chama Golfo de Corinto, perto da Grécia. No dia da batalha, D. João de Áustria ocupou a posição central, com 64 navios; a ala direita tinha 54 navios sob o comando do Andrea Doria de Espanha que, nesse dia, avançou para o meio da batalha levando a bordo uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe; o flanco esquerdo consistia nos 53 navios de Veneza sob o comando do veneziano Augustino Barbarigo. Outros navios cristãos uniram-se também à batalha. Considerada o maior combate naval desde a Batalha de Actium (em 31 aC), a Batalha de Lepanto começou ao amanhecer. Houve sacerdotes a ouvir confissões até ao momento do conflito, e provavelmente também durante o conflito. O Padre Ladis Cizik explica: “em batalhas navais com navios a remos, o ‘posicionamento’ é sumamente importante quando um navio procura chocar com o inimigo lateralmente, para o fazer naufragar. Além disso, as forças católicas tinham bastantes navios com a característica inovadora dos canhões montados dos lados; também aqui o posicionamento era importante. Os navios turcos estavam ordenados em forma de um Quarto Crescente islâmico, com umas três milhas de comprimento. Os navios católicos estavam dispostos formando a Santa Cruz de Nosso Senhor. Nesse dia histórico, era literalmente a Cruz de Cristo contra o Crescente do Islão.” No momento decisivo da batalha, o vento mudou misteriosamente de direção 180º. Os Muçulmanos encontraram-se de repente com o vento contrário a si, o que provocou a desordem na frota turca. A batalha durou cinco horas, a frota cristã foi vitoriosa e foram libertados uns 13.000 escravos que remavam a bordo dos navios muçulmanos. Um Triunfo do Rosário Como já mencionei, São Pio V recebeu uma comunicação miraculosa de Nossa Senhora no momento da Vitória da batalha. Por isso, o Papa Pio V acrescentaria depois o título “Auxilio dos Cristãos” às invocações de Nossa Senhora na Sua ladainha. O dia 7 de Outubro tornou-se a ‘Festa de Nossa Senhora da Vitória’, depois mudada para ‘Festa de Nossa Senhora do Rosário’. Escreve o Padre Cizik: ‘A paz conseguiu-se por meio da força na Batalha de Lepanto quando o poder do Rosário impeliu as forças católicas prontas para o combate a uma vitória histórica e decisiva.” O historiador John Julian Norwich observou: “A batalha de Lepanto resultou numa vitória esmagadora. Segundo os cálculos mais fidedignos, só se perderam 12 navios e outro foi capturado; as perdas turcas foram de 113 e 117 respetivamente. As baixas foram pesadas para ambos os lados, o que era inevitável, porque a luta era na sua maior parte corpo a corpo; mas, enquanto as perdas cristãs provavelmente não ultrapassariam 15.000, acredita-se que os Turcos terão perdido o dobro desse número, fora os 8.000 que foram feitos prisioneiros.” Entre os feridos cristãos em Lepanto estava Miguel de Cervantes, de Espanha, que sobreviveria para escrever a sua obra clássica Don Quixote. Devidamente chamada “A Batalha que Salvou o Ocidente Cristão”, Lepanto assinalou o fim da supremacia marítima islâmica, e deteve com sucesso a invasão islâmica da Europa (os Muçulmanos agora voltam em grande número mediante leis pouco exigentes de imigração e de invasão de refugiados – veja-se a página 41). Lepanto também transformou para sempre o combate marítimo. Os navios a remos que chocavam com os dos inimigos são agora substituídos por navios que usam a pólvora e têm canhões, iniciando-se um reposicionamento total dos navios de guerra. E o mais significativo foi que a Batalha de Lepanto, ganha pelo poder do Terço, foi uma lição, a uma Cristandade desanimada, de que o Islão não era invencível. Um mês depois de Lepanto, a 11 de Novembro de 1571, o Secretário de Estado de Veneza João Luís de Alzamora escreveu a D. João de Áustria: “Não há nenhum homem na corte que não perceba nela a mão do Senhor, e a todos nos parece um sonho, isto é: nunca se viu nem ouviu uma batalha assim.” Em Veneza a Procissão Vitoriosa em São Marcos depois da Batalha de Lepanto Igualmente, o historiador veneziano Paolo Paruta resumiu o sentimento público na sua oração fúnebre na Praça de São Marcos (Veneza), pelos que foram mortos na batalha: “Nós aprendemos com o seu exemplo: os Turcos não são insuperáveis, como anteriormente acreditávamos… Por isso pode dizer-se que, para nós, o começo desta guerra era como que um tempo de crepúsculo, deixando-nos na noite perpétua, agora o valor destes homens, como um sol verdadeiro que dá vida, outorgou-nos o dia mais belo e mais alegre que esta cidade, em toda a sua História, jamais viu. O povo de Veneza viu esta Vitória como a dissipação repentina da pesada nuvem negra que o ensombrara durante dois séculos, quando pensava que tinha os dias contados. A Capela do Rosário Na Basílica de São João e São Paulo, os Católicos de Veneza pouco tempo depois dedicaram, em ação de graças, a magnifica capela votiva da Senhora do Santo Rosário. A capela foi construída pelo grande veneziano Alessandro Vittoria; e o tecto foi pintado pelo célebre Paolo Veronese. Em Agosto de 1867, um trágico incêndio destruiu inteiramente a capela original, juntamente com algumas grandes obras de arte que estavam armazenadas no edifício. O trabalho de restauro começou pouco tempo depois, e a capela foi solenemente reaberta ao culto em 1959. A partir do momento em que entra na capela do Rosário, o visitante de hoje fica impressionado pelo ambiente católico, pelo interior espetacular, e pela presença formosa e dominante da imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus ao colo, colocada sobre o altar-mor. Só por olharmos a Sua santa imagem nesta magnífica capela veneziana nos é logo transmitido um sentimento de esperança e de segurança. Tudo neste lugar transpira reverência e admiração, unidas ao elemento da intimidade divina. A capela é um monumento perene ao poder de Nossa Senhora e do Seu Santo Terço. E faz-nos lembrar de que, contra a superioridade insuperável, as forças do Catolicismo – armadas com o Terço, liderança católica genuína, Fé verdadeira e renúncia ao pecado – podem prevalecer sobre o inimigo mais feroz. -Que Nosso Senhor em breve nos conceda um Papa como São Pio V cujo principal esforço em prol da paz mundial se encontre não na sabedoria mundana nem no diálogo com entidades laicas como as Nações Unidas! -E que a nossa geração indigna seja em breve abençoada com um Papa que confie primeiro em Nossa Senhora do Rosário e que obedeça os Seus pedidos em Fátima! Tal obediência resultará no prometido período de paz concedido ao Mundo, sem necessidade de batalhas nem de derramamento de sangue. Este Triunfo do Imaculado Coração de Maria será uma Vitória ainda mais transcendental do que a que foi conseguida por Nossa Mãe Santíssima em Lepanto. Bibliografia escolhida: John Julius Norwich, A History of Venice; D.S. Chambers, The Imperial Age of Venice 1380-1580; Diane Moczar, Ten Dates Every Catholic Should Know; William J Bouwsman, Venice and the Defense of Republican Liberty; Father Ladis J. Cizik, “Our Lady and Islam: Peace Through Strength”, in Catholic Family News, Nov. de 2015; Christopher Check, “The Battle that Saved the Christian West”, in This Rock, Março de 2007; Além destas fontes, foram importantes os pormenores recolhidos pelo Autor durante uma viagem a Veneza em Julho de 2015.

  • Sobre à questão das imagens sacras Retornar aos gregos Parte II A imagem r

    Sobre à questão das imagens sacras Retornar aos gregos Parte II A imagem religiosa do ocidente e a sua plena justificação teológica na Escolástica O dispositivo de conjunto que consagra um retorno das atitudes eclesiásticas no Ocidente com respeito às imagens se completou ao fim do século XII pela reflexão teológica. Junto com outras, a questão das imagens se beneficiará do recurso do argumento escolástico (o raciocínio pró e contra, os silogismos), da utilização explícita de grandes teólogos gregos (São Basílio, São João Damasceno), de um trabalho sem precedentes no vocabulário: a distinção, emprestada do grego, das categorias latria e filial, permite pela primeira vez contornar as antigas ambiguidades do verbo adorare. Um dos primeiros domínios em que essas inovações se manifestam é a polêmica contra os heréticos, em que se pode ver na passagem do século XII para o XIII Alain de Lille utilizar a distinção ” feita pelos gregos “entre dulia e latria, ao mesmo tempo que a velha teoria gregoriana das imagens. Nos mesmos anos, a Suma contra os hereges atribuída a Prevotin de Cremona, chanceler das escolas parisiense, sofistica as distinções ao falar de uma “dulia superior” e de uma “dulia inferior”. Essas distinções servem também a Pedro lombardo e depois aos comentadores de seu livro das sentenças, em particular santo Tomás de Aquino, para opor os dois tipos fundamentais de imagens, a saber a imagem do Salvador, que merece a mesma adoração que seu protótipo”, e as demais imagens sacras, que são objetos de uma simples veneração, sendo esta justificada pela “significação” dessas imagens, mas também pelo fato de que, graças a elas, “se exprime e se confirma no espírito dos homens a fé na excelência dos anjos e nos santos”. mesmo para essas imagens, a fórmula é forte e vai além da simples doutrina gregoriana que, aliás, São Tomás nem ao menos relembra. Com a Escolástica, imagem religiosa do Ocidente encontrou, enfim, sua plena justificação teológica. Esta não se constitui de uma só vez: sua preparação durou diversos séculos, marcados em particular por debates e polêmicas que contribuíram fortemente para forjar os traços principais. Mas se ela pode se impor, foi porque aplicava-se a imagem que, elas próprias, tinham mudado: a concepção tomista de imagem é contemporânea da multiplicação dos quadros pintados, oferecidos à devoção dos fiéis, que constituem uma novidade na arte Ocidental. Na Itália, essa evolução é ilustrada desde 1138, e sobretudo a partir do século XIII, pelo quadro da paixão — em que o corpo crucificado e morto de Cristo é cercado pelas figuras de Maria e de São João em atitude de lamentação, como é o caso, por exemplo, do crucifixo pintado por Giunta Pisano para os franciscanos de Assis em 1236, ou depois o que Cimabue pintou para Santa Croce de Florença. Os de Giotto, enfim, são vistos nesse mesmo convento franciscano e junto aos pregadores de Santa Maria Novella. Outro tipo de quadro destinado a gozar de favor crescente é o da virgem e o menino, que inspirou a representação de muitos outros Santos. Essa evolução se explica em parte pela recepção de modelos formais orientais, a chegada de um número crescente de ícones após a tomada de Constantinopla pelos cruzados em 1204, no mesmo momento, como já se viu, em que a teologia do Ocidente se mostrava mais atenta à teologia grega do ícone. Todavia é preciso apontar, também, mudanças mais profundas da sociedade e, em consequência, nas práticas da imagem. O culto das imagens é levado a cabo no século XIII por novas ordens religiosas, franciscanos e dominicanos, as confrarias laicas ligadas a elas (em 1285, Duccio dito Buoninsegna pinta a Madona Rucellai para os Laudesi de Santa Maria Novella) e as comunidades urbanas, como se vê em Siena. Em 1311-1311, Duccio pinta a maestà da catedral e, em 1315, Simone Martini acaba a mais tá do palácio público da comuna. As novas imagens em duas ou três dimensões como no caso dos grupos esculpidos da deposição da Cruz correspondem às práticas novas da imagem, com, de uma parte, procissões públicas, o culto solene da imagem Santa, sob a proteção da qual se colocam a confraria, a paróquia, a cidade; ou ainda o uso das imagens no teatro religioso; e, de outra parte, o desenvolvimento das devoções privadas, que também reservam lugar maior às imagens. Em todos os planos; o da forma das imagens, de seus temas (que se pense aqui na fixação de modelos da representação da anunciação, da coroação da Virgem ou da Trindade), das práticas cultuais como da reflexão teórica sobre as imagens, é na passagem do século XII para o XIII que se fixam todas as atitudes características da Cristandade latina da baixa Idade Média que fizeram dela mais que nunca uma “religião das imagens”. Pelo menos uma parte das novas atitudes em relação as imagens não teria sido levado em conta pelas codificações litúrgicas cujo desenvolvimento também caracteriza esse período? É surpreendente constatar que as imagens ainda ocupam lugar Modesto na Suma dos ofícios eclesiásticos de João Beleth, por volta de mil e duzentos. O autor trata apenas a propósito da liturgia da Quaresma, limitando-se a lembrar uma vez a doutrina gregoriana. Com Guilherme Durand de Mend, pelo contrário, um capítulo inteiro do Rationale divinorum officiorum é consagrado às “imagens, tinturas e ornamentos da igreja”. Como não podia deixar de ser, a primeira “autoridade” citada é a carta a Serenus. Guilherme se apoia nela para refutar a idolatria dos pagãos, e as críticas que os sarracenos dirigiam aos cristãos. Trata em seguida dos gregos: “Os gregos também usam imagens que pintam, por assim dizer, sempre acima do umbigo e nunca abaixo dele, para evitar todo pensamento tolo; não fazem nenhuma imagem esculpida, porque foi dito: não fazer esculturas… Êxodo 20,4 “. O primeiro dado a ser observado é o conhecimento que o bispo de Mende tinha com dos ícones bizantinos. O segundo é que ele não os julga: preocupa-se apenas em assinalar as diferenças entre gregos e latinos, mas todas as imagens lhe parecem igualmente aceitáveis. O pudor dos pintores gregos é mencionado quase como uma curiosidade etnográfica, certamente digna de elogios. Em suma, os ícones ocupam lugar singular na diversidade dos costumes que a Igreja do ocidente podia admitir e cada vez mais admitia efetivamente. No restante, a posição do próprio Guilherme Durand revela-se bastante iconófila quando, deixando o plano puramente teológico, ele desenvolve uma justificação psicológica das imagens, conferindo às pinturas maior capacidade de emocionar do que às palavras. “Por isto é que, diz ele, na Igreja, reverenciamos mais as imagens e pinturas do que os livros”. Em pleno período da Escolástica, no meio de uma cultura de muita leitura, da criação de muitas obras filosóficas e teológicas, o primado conferido às imagens nos dá a medida das evoluções que tinham ocorrido. Ao descrever essa evolução por quase seis séculos, é possível apreciar os limites da recepção e as vicissitudes da lembrança de Nicéia II no Ocidente: os cânones sobre as imagens foram inicialmente rejeitados no reino Franco com o mesmo rigor com o qual eram defendidos pelo papado; em seguida, e em toda parte, vieram a ser esquecidos; finalmente, sua redescoberta foi tardia e tímida. Mas só a história de um texto não permite julgar plenamente as transformações profundas ocorridas nas atitudes em relação às imagens. O Ocidente afirmou sua originalidade, tanto em sua escolha das formas e icônicas — admitindo a tridimensionalidade, sem por isso excluir as imagens em suas dimensões — quanto no que respeita a cronologia: Se não se temer se avaliar ao mesmo tempo duas sociedades tão diversas, poder-se-ia falar de um “atraso” do ocidente em relação ao oriente. Paradoxalmente, no plano das práticas devocionais como no da reflexão sobre as imagens e mesmo da teologia das imagens e agora o ocidente se aproximou do oriente no mesmo momento em que o cisma separava de forma duradoura as duas cristandades. Poderia o historiador tentar encontrar uma explicação para essa evolução? A tarefa é árdua e não é possível fazê-lo em poucos textos. evidentemente, as evoluções participam de um fato maior da história da espiritualidade no ocidente medieval: a humanização do divino, termo pelo qual se pode designar a uma só vez a promoção do culto eucarístico, a insistência sobre a historicidade de Cristo e de sua mãe, o desenvolvimento da promoção do corpo na espiritualidade (penso, por exemplo, nos estigmas a partir de São Francisco). O desenvolvimento da economia de Cristo, da virgem e dos Santos está por ser colocado nesse vasto contexto. Contudo, mais do que acontece com a história da arte e a história da espiritualidade não poderia encontrar nela própria todas as razões desse objeto. Parece-me assim necessário colocar os problemas ainda mais fundamentais da realidade e das funções antropológicas da imagem religiosa. Sem esquecer o fato essencial da diversidade das imagens (sujeitos que são figurados, suportes, materiais, tamanho, mobilidade, lugares de exposição, identidade dos possuidores e, sobretudo, uso de que elas são objeto), pode-se dizer que a imagem é, ou tem a vocação de ser, um instrumento de mediação entre o visível e o invisível; para melhor dizer e dar um caráter dinâmico à definição, essa imagem é uma mediação a ser apreendida, que está por ser apropriada. Como apropriar-se dela? Todas as práticas de veneração (prosternações, preces, beijos, oferendas, compensações espirituais, procissões, sonhos, etc.), Independentemente do que pudesse dizer a teologia, supõe fundamentalmente o reconhecimento de uma presença. De que essa mediação vai se apropriar? Todos aqueles, indivíduos ou grupos, clérigos e também os laicos, que entendem mobilizar em seu proveito — para agir no mundo, no corpo e nas relações sociais — poderes visíveis tornados visivelmente presentes, no oriente pelo ícone, no ocidente pela estátua ou imagem cultuais. Não se pode, dessa maneira, colocar o problema na imagem sem falar do direito aí ela, ou ainda da imagem e do poder na sociedade. Parece claro que a imagem tenha sido, durante o período carolíngio, objeto de rivalidades teológico-políticas entre três poderes: a realeza e o episcopado Franco, o papado e o imperador bizantino. Entendamos teológico-político no sentido mais fundamental: porque está bem jogo era o governo do mundo; esse objetivo era controlar a junção das duas faces do mundo, a visível e o invisível, por meio de objetos simbólicos que assegurassem sua ligação, isto é, as relíquias ou as imagens. Dois séculos mais tarde, as novas imagens (grandes crucifixos ou estátuas-relicário) são contemporâneas ” primeira idade feudal ” — para retomar a terminologia de Marc Bloch —, período de extrema fragmentação do poder na sociedade. Essas imagens, como a de Santa fé de Conques, ajudaram os grandes centros monásticos e catedralícias a defender e a aumentar sua empresa material e simbólica na sociedade feudal. Elas não eram certamente o único meio de ação de que o clero dispunha; sob todos os aspectos da “paz de Deus” que convidar falar aqui. Mas o caso de Conques, inteiramente organizado em torno de seu padroeiro, mostra bem que a função das imagens era central no exercício na defesa de um poder sobre a sociedade. Saltemos ainda algumas gerações. Na “segunda idade feudal”, marcada pelo desenvolvimento das trocas e pela renovação urbana, um perigo bem maior ameaçava a igreja: o mundo que estava nascendo era estranho às suas estruturas institucionais e mentais tradicionais. Para manter sua preeminência na sociedade, o clero teve que, nessa época, e pensar profundamente sua relação com o mundo laico, reafirmando e aprimorando os instrumentos de mediação de que dispunha e obtendo novos outros. Esse trabalho se completou no decurso dos séculos XII e XII pelo desenvolvimento da teologia dos sete sacramentos, do culto eucarístico, da confissão e da pregação, E também pelas imagens — que os clérigos se esforçavam por enunciar as razões e controlar o culto. A contestação herética do sacerdócio e de todas as mediações clericais (entre as quais as imagens ocupavam lugar crescente) confirma negativamente qual seria doravante o papel delas. A igreja e a religião identificaram-se ao culto das imagens, que por sua vez não podia mais escapar da crítica dos heréticos. Um fio condutor liga os hereges de Arras aos hussitas e aos reformistas, enquanto outro liga São Tomás de Aquino ao concílio de Trento. Schmidt, jean-claude, o corpo das imagens — Bauru, São Paulo: Edusc, 2007. #IdadeMédia #Bizâncio #Históriadaidademédia #Maria #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #Belarus #imagenssacraseídolos #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Santos #Igreja

  • UNIDOS A CRISTO PELA PALAVRA – 3º Domingo do Tempo Comum

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “O Espírito do Senhor está sobre mim”, clicar AQUI. No Evangelho deste domingo, Jesus se revela na sinagoga de Nazaré como o Messias anunciado pelo profeta Isaías: Ele é o ungido do Senhor para “proclamar a libertação aos cativos” e “a Boa-nova aos pobres”. De nossa parte, ensina Padre Paulo Ricardo nesta meditação, é necessário fugir da atitude dos conterrâneos de Cristo, que não O receberam, e deixar que nosso coração se alegre com as palavras do Senhor, sem o que não teremos forças para prosseguir em nossa jornada rumo ao céu. AURORA DE UM NOVO DIA (Meditação de Scott Hahn) O significado da liturgia de hoje é sutil e cheio de camadas. Precisamos de algumas informações para compreender o que está acontecendo na primeira leitura de hoje. Tendo Babilônia sido derrotada, o rei Ciro da Pérsia decretou que os judeus exilados poderiam voltar para casa em Jerusalém. Eles reconstruíram seu templo em ruínas (Esdras 6, 15–17) e, sob Neemias, terminaram de reconstruir as muralhas da cidade (Neemias 6,15). O palco estava montado para a renovação da aliança e o restabelecimento da Lei de Moisés como regra de vida do povo. É isso que está acontecendo na primeira leitura de hoje: Esdras lê e interpreta (Neemias 8: 8) a Lei e as pessoas respondem com um grande “Amém!” Israel, como cantamos no Salmo de hoje, está se dedicando novamente a Deus e Sua lei. A cena parece a profecia de Isaías que Jesus lê no Evangelho de hoje. Veja todo o capítulo 61 de Isaías. As “boas novas” trazidas por Isaías incluem estas promessas: a libertação dos prisioneiros (61, 1); a reconstrução de Jerusalém ou Sião (61, 3-4; v. também Isaías 60, 10); a restauração de Israel como um reino de sacerdotes (61, 6; Êxodo 19, 6); e a forja de uma aliança eterna (61, 8; e também Isaías 55, 3). Soa muito parecido à primeira leitura. Jesus, por sua vez, declara que a profecia de Isaías se cumpre Nele. A cena do Evangelho também lembra a Primeira Leitura. Como Esdras, Jesus está diante do povo, recebe um pergaminho, desenrola-o, depois o lê e interpreta (compare Lucas 4, 16-17, 21 com Neemias 8, 2–6, 8–10). Testemunhamos na liturgia de hoje a criação de um novo povo de Deus. Esdras começou a ler no alvorecer do primeiro dia do ano novo judaico (Levítico 23, 24). Jesus também proclama um “sabbath”, um grande ano de Jubileu, uma libertação da escravatura do pecado, uma quitação das dívidas que temos com Deus (Levítico 25, 10). Esdras foi saudado pela multidão das pessoas como se esta fosse um único homem. E, como ensina a epístola de hoje, no Espírito o novo povo de Deus — a Igreja — se fez “um só corpo” com Ele. https://stpaulcenter.com/new-day-dawns-scott-hahn-reflects-on-the-third-sunday-in-ordinary-time/ PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Neemias 8, 2-4a.5-6.8-10) A renovação da aliança pela Palavra Naqueles dias, o sacerdote Esdras apresentou a Lei diante da assembleia de homens, de mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. Era o primeiro dia do sétimo mês. Assim, na praça que fica defronte da porta das Águas, Esdras fez a leitura do livro, desde o amanhecer até ao meio-dia, na presença dos homens, das mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. E todo o povo escutava com atenção a leitura do livro da Lei. Esdras, o escriba, estava de pé sobre um estrado de madeira, erguido para esse fim. Estando num lugar mais alto, ele abriu o livro à vista de todo o povo. E, quando o abriu, todo o povo ficou de pé. Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus, e todo o povo respondeu, levantando as mãos: “Amém! Amém!” Depois inclinaram-se e prostraram-se diante do Senhor, com o rosto em terra. E leram clara e distintamente o livro da Lei de Deus e explicaram seu sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura. O governador Neemias e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que instruíam o povo, disseram a todos: “Este é um dia consagrado ao Senhor, vosso Deus! Não fiqueis tristes nem choreis”, pois todo o povo chorava ao ouvir as palavras da Lei. E Neemias disse-lhes: “Ide para vossas casas e comei carnes gordas, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que nada prepararam, pois este dia é santo para o nosso Senhor. Não fiqueis tristes, porque a alegria do Senhor será a vossa força”. SALMO 18B As palavras do Espírito (Antífona): Vossas palavras, Senhor, são espírito e vida! — A lei do Senhor Deus é perfeita,/ conforto para a alma!/ O testemunho do Senhor é fiel,/ sabedoria dos humildes. — Os preceitos do Senhor são precisos,/ alegria ao coração./ O mandamento do Senhor é brilhante,/ para os olhos é uma luz. — É puro o temor do Senhor,/ imutável para sempre./ Os julgamentos do Senhor são corretos/ e justos igualmente. — Que vos agrade o cantar dos meus lábios/ e a voz da minha alma;/ que ela chegue até vós, ó Senhor,/ meu Rochedo e Redentor! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1Coríntios 12,12-14.27) Os membros do corpo de Cristo Irmãos: Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito. Com efeito, o corpo não é feito de um membro apenas, mas de muitos membros. Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo. EVANGELHO (São Lucas 1, 1-4; 4,14-21) A Palavra que se fez carne Muitas pessoas já tentaram escrever a história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, como nos foram transmitidos por aqueles que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da palavra. Assim sendo, após fazer um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio, também eu decidi escrever de modo ordenado para ti, excelentíssimo Teófilo. Deste modo, poderás verificar a solidez dos ensinamentos que recebeste. Naquele tempo, Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam. E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura. Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”. Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.

  • São Paulo, Eremita

    São Paulo, Eremita Paulo, o primeiro eremita irmã conforme o testemunho de Jerônimo que escreveu sua vida, durante a violenta perseguição de Décio retirou-se para um vasto deserto (para o cristianismo medieval, desertum não era necessariamente um espaço inóspito, e sim de solidão, de retiro espiritual, de encontro com Deus, de embate com as forças demoníacas. Ele podia ser o mar, a ilha, a montanha ou, sobretudo nas condições geográficas da Europa, a floresta (ver Jacques Le Goff, “o deserto-floresta no ocidente medieval”, Idem,”o maravilhoso e o quotidiano no ocidente medieval”) onde viveu 60 anos no fundo de uma caverna, totalmente afastado dos homens. Esse Décio teve dois nomes, sendo também conhecido por Galiano, e começou a reinar no ano do Senhor de 256. Vendo os cristãos submetidos a toda sorte de suplícios, São Paulo fugiu para o deserto. Nessa mesma época, dois jovens cristãos foram capturados. Um deles teve o corpo inteiro untado de mel e foi exposto, sobre o ardor do sol, às picadas das moscas, dos insetos e das vespas. O outro foi posto numa cama das mais macias, situada num Jardim encantador, onde uma temperatura amena, o murmúrio dos córregos, o canto dos passarinhos, o cheiro das flores, eram embriagadores. Esse jovem foi amarrado com cordas da cor das flores, de sorte que não podia se valer nem das mãos e dos pés. Veio então uma bela mulher e maliciosa, que de forma erótica começou a acariciar o jovem, cheio de amor a Deus. Sentindo na carne movimentos contrários à razão, mas privados de armas para escapar do inimigo, ele cortou a própria língua com os dentes e cuspiu na cara da impudica, vencendo desta forma a tentação pela dor e merecendo um troféu digno de louvores. Preocupado com estes e outros tormentos, de São Paulo foi para o deserto. António, que se imaginava o primeiro a viver como eremita, foi prevenido em sonho que existia alguém muito melhor que ele na vida eremítica. Pôs-se então a procurá-lo através das florestas, onde encontrou um Centauro, ser metade homem metade cavalo, que lhe disse que se dirigir-se à direita. Logo depois encontrou um animal cuja parte inferior era de bode e a superior de homem, segurando alguns frutos de Palmeiras. Antônio conjurou-o em nome de Deus vai dizer o que ele era. O animal respondeu que era um Sátiro, deus dos bosques conforme a errônea crença dos gentios. Emfim encontrou um lobo, que o levou à cela de são Paulo. Mas este pressentira que António vinha, e como não queria encontrar ninguém, fechara porta. António rogou-lhe que abri-se, garantido que caso contrário não sairia dali, ficaria até morrer. Paulo cedeu e abriu, e ambos se abraçaram. Quando chegou a hora do almoço, um corvo trouxe uma dupla ração de pão. Como Antônio ficou admirado com aquilo, Paulo explicou que Deus o servia todos os dias daquele modo, mas que dobrara a porção em função de seu hóspede. Seguiu-se um piedoso debate entre eles para saber quem era mais digno de partir o pão: Paulo queria conceder essa honra a seu hóspede, e Antônio a seu decano. Por fim ambos seguraram o pão ao mesmo tempo e dividiram-no igualmente em dois. Terminada a visita, quando o Antônio já estava perto da sua cela, viu anjos levando a alma de Paulo. Apressou-se a retornar para lá e encontrou o corpo de Paulo ajoelhado, como se orasse, parecendo estar vivo. Mas ao verificar que estava morto, exclamou: “Ó santa alma, você mostrou por sua morte o que era em vida”. Como Antônio vinha desprovido do necessário para abrir uma cova, apareceram dois leões que a cavaram e após a inumação retornaram à floresta. Antônio pegou a túnica de Paulo, tecida com fibra de palmeira, e desde então passou a usá-la nos dias solenes. Paulo morreu por volta do ano de 287. #Fé #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Santos

  • OS SETE FILHOS DA SANTA FELICIDADE

    OS SETE FILHOS DA SANTA FELICIDADE Os sete filhos da bem-aventurada felicidade chamavam-se Januário, Félix, Filipe, Silvano, Alexandre, Vidal e Marcial. Todos eles foram levados junto com a mãe diante do prefeito Públio — que os convocara por ordem do imperador Antonino — que a exortou a ter piedade desse si própria e de seus filhos. A isso ela respondeu: “não me deixarei conquistar por suas gentilezas nem me amedrontar por suas ameaças. Tenho certeza que o espírito santo está comigo e fará com que eu supere em vida e mais ainda morta “. E, voltando-se para os filhos, disse: “olhem para o Céu, filhos caríssimos, porque é lá que Cristo nos espera. Lutem com coragem por Cristo, persistam fielmente no amor a Cristo “. Ao ouvir aquilo, o prefeito esbofeteou-a. Como a mãe e seus filhos mantenham-se firmes na fé, cada um deles foi morto com um suplício diferente diante dos olhos da Mãe, que os encorajavam. A beata felicidade é chamada por Gregório de mais do que mártir, porque foi utilizada sete vezes em seus filhos e uma oitava vez em seu próprio corpo. Gregório diz em uma de suas homilias: A bem-aventurada felicidade, que por sua fé foi escrava de Cristo, tornou-se mártir de Cristo por sua pregação. Enquanto os pais carnais costumam temer sobreviver a seus filhos, ela temeu que seus sete filhos ficassem vivos depois dela. Assim como ela os parira na carne, pariu no espírito afim de dar a Deus por suas palavras aqueles que deram ao mundo pela carne. Ela não podia sem dor ver morrer aqueles filhos de seu sangue, mas tinha no coração um amor tão forte que foi capaz de superar a dor corporal. Por isso tenho razão em chamar essa mulher de mais do que mártir, já que ela morreu tantas vezes e com tanta dor quantos eram seus filhos. Depois de ter merecido esse múltiplo martírio, obteve também para si a Palma vitoriosa dos mártires quem, por amor a Cristo, não se satisfez em morrer uma só vez. Eles foram martirizados por volta do ano do Senhor de 110. #France #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric

  • A Idade Média, A Idade de ouro.

    A Idade Média, idade de ouro. Como em toda época, a história contemporâneo um dia terá um nome, eu tenho a impressão que será chamada de a “Idade da Vergonha”, refiro-me aos séculos XX e XXI, e isto infelizmente não seria desonesto, como o foi com a Idade Média, pois, essa Idade Média recebeu esse nome por desonestidade dos renascentistas e iluministas, como poderão confirmar mais abaixo através das citações de autores de grande reputação universal, e que são citados nas universidades, mas só em partes que não vão afetar a contínua calúnia contra essa época e a Igreja, este será um estudo sobre a Idade Média que farei através do semestre, quem puder acompanhar, será bem esclarecedor, esse material será usado para como material de pesquisa na minha faculdade, vamos mostrar a tamanha desonestidade intelectual, em primeiro podemos questionar, o que Idade Média? No conceito dos renascentistas e iluministas, foi um período meio termo, um período em que não se fez nada de bom, você acredita que em um período de mil anos o homem não foi capaz de fazer nada de bom para ele mesmo e seu semelhante? Eu não acreditei, por fui pesquisar, e a cada dia descubro coisas sensacionais, podemos ver que foi um período em que houve cotas para universidade, e você achando que isso é novidade, mas o detalhe é que essas cotas eram para quem tinha necessidade financeira, e não privilegiados por sua cor ou etnia, podemos citar muitos exemplos, mas citarei um por enquanto: o Papa Urbano IV era filho de um sapateiro. O (pre)CONCEITO DE IDADE MÉDIA Se Numa conversa com homens medievais utilizássemos a expressão “idade média”, eles não teriam ideia do que estaríamos falando. Como todos os homens de todos os períodos históricos, eles viam-se na época contemporânea. De fato, falarmos na Idade média ou antiga representa uma rotulação a posteriori, uma satisfação de necessidade de se dar nome aos momentos passados. No caso do que chamamos de Idade Média, foi no século XVI que se elaborou tal conceito. Ou melhor, tal preconceito, pois o termo expressava em desprezo em disfarçado em relação aos séculos localizados entre a antiguidade clássica e o próprio século XVI. Este se via como o renascimento da civilização greco-latina, e portanto tudo que estivera entre aqueles bicos de criatividade artístico-literário (de seu seu ponto de vista, é claro) não passará de um hiato, em um intervalo. Logo, de um tempo intermediário de uma Idade Média. A idade média para os renascentistas e iluministas Admirador dos clássicos, o italiano Francesco Petrarca (1304-1374) já se referindo ao período anterior como de tenebrae, nascia o mito historiográfico da idade das trevas. Em 1469, o bispo Giovanni Andrea, bibliotecário papal, falava em média tempestas, literalmente “tempo médio”, mas também com o sentido figurado de “flagelo”, “ruína”. A ideia é enraizou-se quando em meados do século XVI Giorgio Vasari, numa obra biográfica de grandes artistas do seu tempo, popularizou o termo ” renascimento “. Assim, por contraste, difundiram-se em relação ao período anterior as expressões media aetas, media antiquitas e media tempora. De qualquer forma, o critério era inicialmente filológico. O ponha-se o século XVI, que buscava na sua produção literária utilizar o latino os moldes clássicos, aos séculos anteriores caracterizados por um latim bárbaro. A arte medieval, por fugir dos padrões clássicos, também é vista como grosseira, daí o grande pintor Rafael Sanzio (1433-1520) chamava de gótica, termo então sinônimo de “Bárbara” ponto na mesma linha, François Rabelais (1483-1553) falava da Idade Média como a “espessa noite gótica”. No século XVII, foi ainda com aquele sentido filológico que passou a prevalecer a expressão medium aevum, usada pelo francês Charles de Fresne Du Cange em 1678. Mas o sucesso do termo veio com o manual escolar do alemão Christoph keller (1638-1707, conhecido também pela latinização de seu nome, Cellarius), publicado em 1688 e intitulado historia Medii Aevi a temporibus Constantini magni ad constantinopolim a Turis captam deducta. Esse livro completava outros dois do autor, um dedicado aos templos “antigos” e outro aos “modernos”. Portanto, o sentido básico mantinha-se renascentista: “Idade Média” teria sido uma interrupção no progresso humano, inaugurado pelos gregos e romanos e retomado pelos homens no século XVI. Ou seja, também para o século XVII os tempos” medievais “teriam sido de barbárie, ignorância e superstição. Os protestantes criticavam-nos como época de supremacia da Igreja católica. Os homens ligados às poderosas monarquias absolutistas lamentavam aquele período de Reis fracos, de fragmentação política. Os burgueses capitalistas desprezavam tais séculos de limitada atividade comercial. Os intelectuais racionalistas deploravam aquela cultura muito ligada a valores ESPIRITUAIS. O século XVIII, antiaristocrático e anticlerical, acentuou o menosprezo à Idade Média, vista como um momento Áureo da nobreza e do clero. A filosofia da época, chamada de iluminista por se guiar pela luz da razão, censurava, sobretudo, a forte religiosidade medieval, o pouco apego da Idade Média a um estrito racionalismo e o peso político de que a Igreja então desfrutara. Sintetizando tais críticas, Denis Diderot (1713-1784) afirmava que “sem religião seríamos um pouco mais felizes”. Para o marquês de Condorcet (1743-1794), a humanidade sempre marchou em direção ao progresso, com exceção do período no qual predominou o cristianismo, isto é, a idade média. Para Voltaire (1694-1778), os papas eram símbolo do fanatismo e do atraso daquela fase histórica, por isso afirmava, irônico, que “é uma prova da divindade de seus caracteres terem subsistido a tantos crimes”. A posição daquele pensador sobre a Idade Média poderia ser sintetizada pelo tratamento que dispensava à Igreja: “a Infame”. (Franco Júnior, Hilário 1948 – A Idade Média, nascimento do ocidente — São Paulo: Brasiliense, 2006). ★★★ A história se faz com documentos e ideias, fontes e imaginação. Porém, o historiador da antiguidade (eu me enganava, com certeza — pelo menos por exagero) me parecia condenado a uma alternativa desencorajadora: ou se prender ao mago espólio dos legados de um passado mal preparado para poder se perpetuar e, portanto, abandonar-se as reduções castradoras da pura erudição, ou se entregar aos encantos da reconstituição temerária. A história das épocas recentes (aqui ainda meus pontos de vista eram excessivos, quando não falsos) me inquietava por razões diversas. Ou o historiador era sobrecarregado pelo fardo de uma documentação que o submetia uma história estatística e quantitativa, também ela redutora (pois, se é necessário contar com o que existe na documentação histórica, é preciso também fazer a história com tudo aquilo que escapa ao número e que é frequentemente o essencial), ou ele renunciava às visões de conjunto. Aqui uma história parcial, lá uma história lacunar. Entre as duas, havia esta Idade Média na qual os humanistas tinham visto, mais do que uma transição e uma passagem, um intermédio medíocre, um intervalo da grande história, uma cunha da vaga do tempo, esta Idade Média me pareceu como o domínio eletivo de uma aliança necessária da erudição (a história científica não tinha nascido, entre meados do século XVII e meados do século XIX, do estudo das cartas e das escrituras medievais?) Logo uma motivação mas profunda me prendeu à Idade Média, contudo, sem me dissuadir de olhar para todos os lados. Pertenço a uma geração de historiadores marcados pela problemática da longa duração. Esta sai da tripla influência de um marxismo ao mesmo tempo retomado e modernizado, de Fernand Braudel e da etnologia. De todas as ciências ditas equivocadamente humanas (e por que não simplesmente sociais?), a etnologia é aquela com a qual a história estabeleceu (apesar dos mal-entendidos e de algumas refutações num caso e no outro) o diálogo mais livre e mais fecundo. Para minha geração, Marcel Mauss é tardiamente o fermento que Durkheim, há 50 anos, pôde ser — tardiamente também — para os melhores historiadores de entre as duas guerras. Eu tentei dizer, num texto que é somente uma primeira escala no caminho de uma reflexão e de uma prática, que desejaria aprofundar e definir as relações que história e etnologia mantiveram no passado e renovam atualmente. Se eu seguir os eruditos e os pesquisadores que ao termo etnologia, muito ligado ao domínio e à época do colonialismo europeu, preferem o termo antropologia, suscetível de ser aplicar aos homens de todas as culturas esse, por consequente falaria com mais boa vontade de antropologia histórica do que de etno-história, observo, todavia, que se os historiadores — alguns historiadores — ficaram seduzidos pela etnologia, porque ela colocava antes a noção de diferença, ao mesmo tempo os etnólogos, por sua vez, se orientavam na via de uma concepção unificada das sociedades humanas, ou seja, na via de um conceito de homem que a história, hoje como ontem, ignora. Esta contradança é interessante e ao mesmo tempo inquietante. Se o historiador, tentado pela antropologia histórica, quer dizer, por uma história distinta daquela das camadas dirigentes brancas, mais lenta e profunda do que a história dos acontecimentos, fosse levado pela antropologia a uma história universal e imóvel, eu aconselharia a abandonar o seu empreendimento. Mas, por agora, a fecundidade de uma história situada na longa duração me parece longe de estar esgotada. Por outro lado, o folclore, ainda que muito distante da história, oferece ao historiador das sociedades europeias que quer recorrer à antropologia um tesouro de documentos, métodos e trabalhos, que ele faria bem em interrogar antes de se voltar para a etnologia extraeuropeia. Folclore muito desprezado, etnologia do pobre, que é, porém, uma fonte essencial para a antropologia histórica das nossas sociedades ditas “históricas”. Ora, a longa duração pertinente da nossa história — para nós enquanto homens de profissão e homens vivendo no fluxo da história — me parece ser esta longa Idade Média que durou desde o século II ou III da nossa era para morrer lentamente sobre os golpes da revolução industrial — as revoluções industriais — entre o século XIX e nossos dias. Esta longa Idade Média é a história da sociedade pré-industrial. Acima, há uma outra história, abaixo, há uma história contemporânea — a fazer, ou melhor, a inventar, quanto aos métodos. Esta longa Idade Média é, para mim, o contrário do hiato que os humanistas do renascimento viram e, salvo raras exceções, também os homens do iluminismo. Este é o momento da criação da sociedade moderna, de uma civilização moribunda ou morta sob suas formas camponesas tradicionais, mas viva pelo que ela criou de essencial nas nossas estruturas sociais e mentais. Ela criou a cidade, a nação, o estado, a universidade, o moinho e a máquina, a hora e o relógio, o livro, o garfo, o vestuário, a pessoa, a consciência e finalmente a revolução. Entre o neolítico e as revoluções industriais e políticas dos dois últimos séculos, ela é — pelo menos para as sociedades ocidentais — não uma cunha ou uma ponte, mas um grande impulso criador — cortado por crises, graduado por deslocamentos de acordo com as regiões, as categorias sociais, os setores de atividades diversificada nos seus processos. (Le Goff, Jacques: para uma outra Idade Média; tempo, trabalho e cultura no ocidente, Petrópolis, Rio de janeiro: vozes, 2004.) ★★★ A Organização social Julgou-se durante muito tempo que bastava, para explicar a sociedade medieval, recorrer à clássica divisão em três ordens: clero, nobreza e o terceiro estado é a noção que dão ainda os manuais de história: três categorias de indivíduos, bem definidas, tendo cada uma as suas atribuições próprias e nitidamente separadas uma das outras. Nada está mais afastado da realidade histórica. a divisão em três classes pode aplicar-se no antigo regime, aos séculos XVII e XVIII, onde, efetivamente, as diferentes camadas da sociedade formaram ordens distintas, cuja as prerrogativas e relações dão conta do mecanismo da vida. No que concerne à Idade Média, semelhante divisão superficial dos pontos explica o agrupamento, a repartição e distribuição das forças, mas nada revela sobre a sua origem, sobre a sua jurisdição, sobre a estrutura profunda da sociedade com tal como aparece nos textos jurídicos, literários e outros, esta é bem uma hierarquia, confortando uma ordem determinada Mas esta ordem é outra senão a que seja o gol, e a partida muito mais diversa. Nos atos notariais, vê-se corretamente o senhor de um condado, ou cura de uma paróquia aparecerem como testemunhas em transações entre Vilas, e corte de um Barão — quer dizer, o seu meio, os seus familiares — comporta tantos erros e fraudes como altas personagens. As atribuições destas classes estão também estreitamente misturadas: a maior parte dos bispos são igualmente senhores; ora muitos deles saem do povo humilde e pobre; um burguês que compra uma terra Nobre torna-se, em certas regiões, ele próprio nobre. Logo que abandonamos os manuais para mergulhar nos textos, esta noção das “três classes da sociedade aparece-nos como fictícia e sumária”. Mais próxima da verdade, a divisão em privilegiados e não privilegiados permanece, ela também, incompleta, porque houve, na Idade Média, privilegiados da alta à mais baixa escala social. O mais simples aprendiz é, a determinados níveis, um privilegiado, pois participa dos privilégios do corpo de ofício; as isenções da universidade aproveitam tanto aos estudantes e mesmo aos seus criados como aos mestres e aos doutores. Alguns grupos de servos rurais gozam de privilégios precisos que o seu senhor é obrigado a respeitar. Não considerar, como privilégio, senão os da nobreza e do clero, é conceder uma noção completamente errônea da ordem social. (Pernoud, Régine, Luz sobre a Idade Média, Portugal, publicações Europa-América, 1997). Nas publicações futuras vamos comparar, o trabalho, o direito, a condição da mulher e do servo com os tempos pagãos, e os nossos dias atuais, ao final desse estudo poderemos verificar que a Igreja realmente construiu a civilização ocidental, que o homem medieval era um homem que vivia com dignidade e liberdade de expressão, não nego a herança da cultura helenística com sua filosofia, o direito romano, mas a Igreja criou uma nova sociedade utilizando o que as culturas tinham de bom e não simplesmente usou uma base pagã, mas criou um novo mundo, mais justo para todos os homens. Lembrando que este texto é uma pequena introdução. #IdadeMédia #Históriadaidademédia #France #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Doctrinaldevelopment #Igreja

  • A FILHA QUE NASCEU ENQUANTO O PAI MORRIA

    Numa tarde de verão, em 1922, uma jovem italiana de dezessete anos foi à Basílica de São Pedro para rezar, em companhia de uma amiga. De família nobre, era marquesa e natural de Údine; desde muito pequena, vivia em Roma com a mãe viúva. Na igreja, caminhando sob a abóbada do grande templo, reparou num padre que passava por ali e sentiu uma grande vontade de confessar-se (vivia as dúvidas da fé próprias da idade). Foi logo ao seu encontro. O padre — na verdade, um frade capuchinho — de pronto concordou e foram a um dos muitos confessionários da basílica. Foi uma longa conversa. Giovanna Rizzani — esse era o nome da jovem — começou a abrir o coração, com inesperada confiança naquele sacerdote que a ouvia e aconselhava. Tanto gostou de suas palavras que, depois da absolvição, sentou-se por ali perto, aguardando que o frade saísse: pediria seu endereço para poder ouvi-lo mais vezes. Ela e amiga esperaram, esperaram… O frade, inexplicavelmente, nunca saía do confessionário, sem ninguém que se apresentasse para confissão durante o tempo em que esteve à espera. Já quase à hora de fechar-se a igreja, a jovem decidiu ir até o confessionário. O sacristão, que a acompanhou, chamou o frade; nenhuma resposta. Aberta a pequena cortina, Giovanna viu que o frade já não estava no assento. No ano seguinte, outro frade apareceu na vida daquela jovem: ouviu falar de um capuchinho que numa pequena cidade da Puglia (São Giovanni Rotondo) tinha recebido nas mãos e nos pés os mesmos estigmas de São Francisco de Assis; e fazia muitos milagres. Era grande o número de peregrinos que para lá se dirigiam, sobretudo para com ele se confessarem. Com a fé cristã renovada, a jovem decidiu partir para São Giovanni Rotondo. Na capela cheia de gente, conseguiu um lugar na primeira fila para assistir à Missa celebrada pelo já famoso frade. Quando passou por ela, a caminho do altar, o frade parou e lhe disse, sorrindo, fitando-a nos olhos: “Giovanna, eu te conheço. Você nasceu no mesmo dia em que morreu teu pai.” A jovem espantou-se. Como sabia seu nome? Como conhecia aquela estranha circunstância de sua vida? No dia seguinte, depois de aguardar ansiosamente a sua vez, ajoelhou-se para confessar e ouviu do frade: “Enfim, você veio. Há muito que te esperava.” Giovanna disse que, na certa, ele a estava confundindo com outra pessoa, pois era a primeira vez que vinha àquela cidade. O frade contou-lhe, a seguir, duas coisas surpreendentes. A primeira, que tinha sido ele o seu confessor em Roma, na Basílica de São Pedro. A segunda, que ele fora conduzido pela Virgem Maria, dezoito anos atrás, ao palácio dos pais de Giovanna em Údine, no dia do seu nascimento; e que Nossa Senhora lhe havia confiado a recém-nascida, de cuja alma o frade deveria cuidar. A jovem chorou tudo o que tinha direito. Finalmente, reencontrava o misterioso confessor que se evaporara do confessionário romano, do qual ouvira coisas pessoais que ele jamais poderia conhecer. Muitos anos mais tarde, Giovanna receberia de um companheiro de congregação do frade uma folha de caderno em que este, de próprio punho (com a data de fevereiro de 1905), havia relatado a estranha viagem espiritual — uma das tantas bilocações que esse frade teria em seus oitenta e um anos de vida — feita a certo palácio de Údine, no qual um pai morria ao mesmo tempo em que lhe nascia a filha. Eis a narrativa do frade: “Há alguns dias aconteceu-me um fato insólito. Por volta da 23 horas do dia 28 do mês passado, e enquanto eu me encontrava no coro com frei Anastasio, dei comigo a grande distância, numa casa senhorial, onde o pai morria, ao mesmo tempo que uma menina nascia. Apareceu-me então Maria Santíssima, que me disse: ‘Confio-te esta criatura. É uma pedra preciosa em estado bruto: trabalha-a, torna-a o mais reluzente possível, para que um dia possa adornar-me. Não duvides ela própria virá ter contigo, mas primeiro a encontrarás em São Pedro.’ Depois disso, dei comigo novamente no coro.” O frade chamava-se Pio — o nosso Padre Pio, hoje São Pio de Pietrelcina. E a jovem udinense seria uma de suas mais queridas filhas espirituais. Essa história espantosa está no livro Padre Pio, um santo entre nós, de Renzo Allegri (edições Paulinas, 2012). O biógrafo, que conheceu Giovanna já velha, pode verificar com os próprios olhos o trabalho de joalheria do Padre Pio. De fato, achava-se diante de uma mulher extraordinária, de espírito fascinante e vivo, uma reluzente pedra preciosa, apesar dos seus avançados 78 anos — nascida no mesmo instante em que se iniciava a  miraculosa “viagem” do Padre Pio: às 23 horas do dia 28 de janeiro de 1905.

  • [SOBRE MILAGRES EUCARÍSTICOS] – Santo Tomás de Aquino

    Se quando neste sacramento aparece miraculosamente a carne ou um menino, aí está o verdadeiro corpo de Cristo. O oitavo discute-se assim. — Parece que quando neste sacramento aparece miraculosamente a carne ou um menino, aí não está o verdadeiro corpo de Cristo. — Pois, o corpo de Cristo deixa de estar neste sacramento, quando deixam de existir as espécies sacramentais, como se disse. Ora, quando aparece a carne ou um menino, deixam de existir as espécies sacramentais. Logo, aí não está o verdadeiro corpo de Cristo. Demais. — Onde quer que esteja o corpo de Cristo, aí está ou sob a espécie própria ou sob a espécie sacramental. Ora, quando se dão tais aparições, é manifesto que aí não está o corpo de Cristo sob a espécie própria. Pois, neste sacramento está Cristo contido totalmente, que permanece na forma íntegra com que subiu ao céu. E, contudo, o que aparece milagrosamente neste sacramento umas vezes é visto sob a forma de um pequeno corpo, e outras sob a de um menino pequeno. Mas, como é manifesto, também aí não está sob a espécie sacramental, que é a espécie do pão ou do vinho. Logo, parece que de nenhum modo aí está o corpo de Cristo. Demais. — O corpo de Cristo começa a existir neste sacramento pela consagração e pela conversão, como se disse. Ora, a carne e o sangue milagrosamente aparecidos, não foram consagrados nem convertidos no verdadeiro corpo e sangue de Cristo. Logo, sob tais espécies não está o corpo nem o sangue de Cristo. Mas, em contrário, em tais aparições, presta-se a mesma reverência ao aparecido, que também se prestava à hóstia consagrada. O que se não faria se ai não estivesse verdadeiramente Cristo, a quem prestamos a reverência de latria. Logo, mesmo quando tem lugar tal aparição, Cristo está sob este sacramento. SOLUÇÃO. — De dois modos pode dar-se essa aparição, pela qual às vezes miraculosamente se vê neste sacramento a carne, o sangue ou também um menino. Assim, às vezes isso se dá da parte dos videntes, cuja vista sofre uma tal alteração, como se vissem exterior e expressivamente a carne, ou o sangue ou um menino, sem o sacramento sofrer nenhuma alteração. E isto acontece quando um vê sob a espécie de carne ou de um menino, continuando os outros a ver, como de antes, a espécie do pão; ou quando o mesmo corpo de Cristo é visto primeiro sob a espécie de carne ou de um menino, e depois sob a espécie de pão. Nem isto induz em qualquer engano, como o fazem as prestigitações dos magos; porque tal espécie é formada por Deus nos olhos, para figurar alguma verdade, isto é, para manifestar que o corpo de Cristo está verdadeiramente sob esse sacramento, assim como também Cristo, sem engano, apareceu aos discípulos que iam para Emaús. Pois, como diz Agostinho, quando a nossa ficção implica um significado, não há mentira, mas uma verdade figurada. E não sofrendo deste modo nenhuma alteração o sacramento, é claro que Cristo não deixa de nele estar, realizada a aparição. Outras vezes porém se dá essa aparição, não pela só alteração nos olhos dos videntes, mas também na forma vista, real e exteriormente. E isto se dá quando todos vêem o corpo de Cristo sob tal espécie, e não momentaneamente, mas permanecendo durante longo tempo. E neste caso, certos dizem que se trata da espécie própria do corpo de Cristo. Nem importa que, às vezes, não seja aí visto todo o corpo de Cristo, mas só uma parte; ou ainda, que não seja visto sob uma figura juvenil, mas em efígie pueril. Pois, está no poder de um corpo glorioso deixar-se ver por olhos não glorificados, total ou parcialmente, e em efígie própria ou alheia, como a seguir se dirá. Mas esta opinião não é admissível. – Primeiro, porque o corpo de Cristo não pode ser visto da sua figura própria, senão no lugar em que definidamente está. Por onde, sendo contemplado e adorado nos céus, na sua figura própria, não pode ser sob essa mesma figura contemplado neste sacramento. – Segundo, porque o corpo glorioso, que aparece como quer, desaparece quando quer, depois da aparição; assim, refere o Evangelho, que o Senhor desapareceu aos olhos dos discípulos. Ora, o que aparece sob a espécie de carne neste sacramento, permanece longamente; e até mesmo, como se lê, foi às vezes encerrado e conservado numa pixide, por conselho de muitos bispos; o que não se poderia pensar, de Cristo, na sua figura própria. Por onde, devemos concluir que, enquanto permanecem as dimensões anteriormente existentes, opera-se milagrosamente uma alteração sobre certos acidentes, por exemplo, a figura, a cor e outros semelhantes, de modo a ser vista a carne ou o sangue ou ainda um menino. E, como dissemos, não há aí nenhum engano; porque isso se dá para figurar uma verdade, isto é, para mostrar, por essa milagrosa aparição, que no sacramento está verdadeiramente o corpo e o sangue de Cristo. Por onde, é claro que, permanecendo as dimensões, fundamentos dos outros acidentes, como depois dizemos permanece o verdadeiro corpo de Cristo neste sacramento. DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Durante essa aparição, as espécies sacramentais às vezes permanecem totalmente tais quais são; outras vezes porem, só no que têm de principal, como dissemos. RESPOSTA À SEGUNDA. — Em tais aparições, como dissemos, não é visto o corpo de Cristo na sua forma própria, mas uma espécie formada milagrosamente ou nos olhos dos videntes, ou então nas próprias dimensões sacramentais, como se disse. RESPOSTA À TERCEIRA. — As dimensões do pão e do vinho consagradas permanecem, sofrendo alteração milagrosa só os outros acidentes delas, como se disse. (Suma teológica, 3ª parte, questão 76, artigo 8, trad. de Alexandre Correia)

  • Aparições ou fantasmas? Agostinho e Evódio

    Aparições ou fantasmas? Agostinho e Evódio O bispo de Hipona, Agostinho (354-430), é o verdadeiro fundador da teoria cristã dos fantasmas. Esta apresenta três aspectos principais, que vão todos os três no sentido de uma forte restrição imposta às aparições dos mortos. Essas aparições são consideradas, senão impossíveis, pelo menos excepcionais; eventualmente, não é nem o corpo nem a alma do morto que aparece, mas apenas uma “imagem espiritual” do morto; essas “imagens espirituais” são com muita frequência introduzidas pelos demônios no espírito dos homens, especialmente nos sonhos, durante o sono: é preciso, portanto, desconfiar dos sonhos. Já Tertuliano (160-230) combatera a ideia segundo a qual a visão de um morto permitiria ver sua alma mesmo. Tratar-se-ia antes de demônios fazendo-se passar por parentes dos vivos aos quais aparecem e que um exorcismo pode obrigar a confessar sua verdadeira natureza. Pode tratar-se de um “demônio pessoal” que o visitou o homem durante sua vida e levou a agir mal. Lactâncio (250-325), por seu lado, confundia em uma mesma reprovação a opinião do povo (vulgus), segundo a qual “as almas dos mortos vagam em torno dos túmulos e dos despojos de seus corpos “, e os ídolos, que são eles próprios “simulacros de mortos “. O verdadeiro Deus não tem necessidade de tais “imagens”. No entanto, fantasmas aparecem: mesmo Ambrósio de Milão — o próprio mestre de Agostinho — descreve com emoção um sonho no qual seu falecido irmão Sátiro lhe apareceu. Agostinho levanta de maneira bem mais sistemática e ampla a questão dos fantasmas. Trata deles nos meandros de uma reflexão mais completa sobre a morte e os mortos, as visões e os sonhos, os anjos, os demônios e o santos. Notemos que uma parte do dossiê agostiniano sobre esse assunto é de natureza epistolar: seu interesse é, portanto, confrontar as opiniões de Agostinho com as de seus correspondentes Evódio (quanto a carta 158), depois Paulino de Nota (quanto ao tratado sobre os “cuidados a dar aos mortos”). Seu correspondente Evódio retoma em uma carta um diálogo que é familiar a Agostinho e a ele a muito tempo. Mais jovem que Agostinho, também ele se converteu em Milão, depois seguiu o seu amigo em Roma e em Tagasta, da qual se tornou um dos primeiros monges, antes de tornar-se bispo de Uzális, perto de Utica. Foi já respondendo às suas perguntas que Agostinho compôs seus tratados sobre a alma (De quantitate animae) e sobre o livre arbítrio (De líbero arbítrio). O método do diálogo é sempre o mesmo: Evódio finge a dúvida (simulata dubitatio), para dar toda a liberdade a Agostinho de desenvolver seus argumentos. Para Evódio, as aparições dos mortos não causariam nenhuma dúvida, elas parecem mesmo muito numerosas e teriam por função anunciar acontecimentos futuros, que se realizam efetivamente. “Mais de uma vez” ele ouviu dizer que muitos mortos voltaram, tanto de dia como de noite, às casas que lhes eram familiares. Pessoas despertas os encontraram no caminho. Ao que se diz, muitos vêm em certo momento da noite aos lugares onde seu corpo está enterrado, isto é, principalmente às basílicas onde preces são ditas sobre as sepulturas. Evódio cita sobretudo o testemunho, digno de fé, de um padre muito santo que viu uma multidão de mortos saindo do batistério com corpos luminosos. Evódio diz ter feito uma verdadeira investigação, uma inquisitio em que todos os indícios concordam. Ele não consegue decidir-se a pensar, portanto, que tudo isso não passa de uma trama de fábulas : para ele, os mortos visitam os vivos em seus sonhos e mesmo quando estão acordados. Essas visitationes não são fantasmas (fantasia: a palavra tem uma conotação diabólica muito forte), são tão verídicas quanto ou são, nas escrituras, os sonhos de José. O próprio Evódio beneficiou-se dos anúncios, que se revelaram exatos, de três monges falecidos (Profuturos, Privatus e Servilius). Ele apela então à sabedoria de Agostinho para lhe dar um conselho, notadamente sobre o caso muito complexo de seus jovens secretário que acaba de morrer prematuramente aos 22 anos. É preciso desemaranhar o fio com tanto embaralhado desse relato para reconstruir a cronologia rigorosamente estabelecida por Evódio, dos gestos rituais que acompanharam a morte do jovem e dois sinais que, sob a forma de visões e aparições, anunciaram e a ela se seguiram. Esses gestos e esses sinais revelam a coesão de uma microssociedade unida por esta morte e suas consequências: ela reúne pessoas bem vivas, outras que estão mortas, outras enfim que não tardarão a morrer. Esse meio é aquele em que vive Evódio, e ele compõe sua narração com base nas palavras dos que o cercam. É notável, contudo, que não fale em nenhum momento de uma aparição da qual se teria beneficiado pessoalmente, mas sempre das visões dos sonhos dos outros. Para maior clareza, distingamos as etapas sucessivas do relato. 1. Enquanto o jovem agoniza, um de seus discípulos, falecido 8 meses antes, aparece em sonho para anunciar que vem buscar seu amigo. 2. no dia mesmo de sua morte, o jovem chama seu pai, que é Padre, e, por três vezes, troca com ele um beijo de paz, exortando-o a juntar-se a ele em breve, na morte. Esse voto vai realizar-se muito depressa. 3. Mal o jovem secretário de Evódio morreu, um outro “homem” — provavelmente um morto, mas sua identidade não é esclarecida —, tendo na mão um ramo de loureiro e um escrito (tampouco se sabe de que escrito se trata), aparece na mesma casa a um velho semidesperto. Embora misteriosa, essa aparição deve significar que o morto vai ser a salvo. 4. Com efeito, enquanto Preces são organizadas durante três dias para salvação do defunto, desde o segundo dia uma viúva de vida Santa, Urbica, vê em sonho um diácono, ele próprio falecido 4 anos antes. Ele está preparando um palácio cintilante com prata, a fim de ali acolher o jovem secretário falecido “na antevéspera”. Entrega-se ao trabalho em companhia de servidores de Deus, virgens e viúvas, enquanto um velho brilhante de brancura (senex candidatos: é o próprio Deus?) Ordena a dois seres igualmente brancos (anjos) que tirem o jovem de seu sepulcro e o conduzam ao céu. Essa visão Celeste confirma então o destino bem-aventurado do morto . 5. Enfim, no terceiro dia, o próprio morto aparece em sonho a um de seus irmãos, que lhe faz uma série de perguntas: ele sabe que está morto? Ele responde afirmativamente. Foi recebido por Deus? (Sim.) Que quer ele? “Fui enviado”, diz, “para buscar meu pai.” Este é um padre que, em companhia do velho bispo Theasius, tenta consolar-se no mosteiro da perda do filho. O que sonha desperta e conta sua visão ao bispo, que hesita em perturbar o padre com tal notícia. Como foi anunciado, o pai morre 4 dias depois da visitatio de seu filho, ou seja, 7 dias depois da morte deste. Essa série divisões oníricas compreende pelo menos três aparições de fantasmas diferentes (o diácono morto a quatro anos, o discípulo falecido 8 meses antes e, enfim, o próprio jovem), que têm todas a mesma função: seja anunciar a alguém a morte próxima de uma outra pessoa (o jovem, depois seu pai),seja revelar o futuro do morto no além (é o caso do jovem, que está salvo). Esses mortos informam os vivos sobre a morte e os mortos, mas não lhes pedem sufrágios, ainda que o joven exprima sua gratidão pelas preces que seus amigos disseram por sua salvação. Essa é uma diferença notável em relação aos fantasmas da idade média central. A carta de Evódio inscreve também as revelações do morto em um espaço particular, o das sepulturas cada vez mais concentradas nas igrejas, perto dos túmulos dos Santos (ad sanctos). Qual é, a nas palavras de Evódio, a parte simulata dubitatio? É difícil adivinhar precisamente sua convicção íntima. Agostinho, em todo caso, dificilmente podia aceitar tudo o que Evódio lhe apresentava como certo. Avalia-se isso por sua resposta a uma outra carta, a de Paulino de Nola, que analisaremos em outra ocasião. Schmidt, Jean-Claude, os vivos e os mortos na sociedade medieval São Paulo: companhia das Letras, 1999. #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Doctrinaldevelopment #Igreja #Mauritânia

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