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  • O COMUNISMO JUSTIFICA A EXPLORAÇÃO DO TRABALHADOR PELO PARTIDO (7) – Bispo Fulton J. Scheen

    Para compreender esta afirmação devemos considerar o fato de que há menos de três milhões de membros do Partido Comunista na Rússia, e de que, pelo terror e pela propaganda, esses poucos milhões governam cento e sessenta milhões. A máscara favorita do Partido para a exploração é o seu ódio ao capitalismo, capitalismo que ele diz ter reduzido os trabalhadores a pó. Na realidade, o Comunismo não é inimigo do capitalismo. Antes, o Comunismo tem ignorado certos aspectos benéficos do capitalismo, e tem elevado a uma filosofia da vida todas as suas formas perversas e corrompidas. O capitalismo disse que o fim econômico é o principal fim do homem; o Comunismo diz que o fim econômico é o único fim do homem. O capitalismo muitas vezes pagou ao operário um salário tão baixo, que este não podia possuir casa própria; o Comunismo paga um salário ainda mais baixo, e nega ao operário o direito de possuir sua casa. O capitalismo desenvolveu o egoísmo individual; o Comunismo gera o egoísmo coletivo. O capitalismo concentrou a riqueza nas mãos de alguns; o Comunismo concentra a riqueza nas mãos do Partido. O capitalismo até certo ponto controlou o contrato de salário, controlando a maioria dos empregos; o Comunismo elimina o contrato de salário, controlando todos os empregos; nele há só um patrão, o Partido, e, se recusardes trabalhar para esse patrão, perdereis o direito de comer — pois na Rússia não há caridade. O Comunismo é o capitalismo enlouquecido, e um comunista é um capitalista que tem ganância no coração mas não tem dinheiro no bolso. Ponha-se uma vez a máscara do Comunismo, e a exploração dos trabalhadores é fácil; se o Plano Qüinqüenal falhar, lance-se a culpa sobre os operários nos campos, por haverem recusado cooperar com os ideais do Partido. Que pensaríamos nós se o Ministério da Agricultura fuzilasse trinta e cinco dos seus funcionários, sem processo, por causa de um fracasso de colheita, ou se o Governo fuzilasse quarenta e oito dos seus especialistas, sem processo, por haver a produção declinado? Todavia, foi justamente isto que o Partido Comunista fez em 1930 e 1933. Que sucederia no nosso País se alguma grande organização produtora afixasse amanhã de manhã no seu quadro de avisos o Código 47 da União Soviética, para o fim de que todo empregado que faltasse ao trabalho por um dia perdesse o emprego, e ele e sua família fossem privados das suas posses (Izvestia, 21 de Novembro de 1932)? Não chamaríamos de explorador o nosso Governo se, na sua ânsia de colher uma grande safra, mesmo na área seca, publicasse uma nota proibindo os agricultores de comerem as próprias espigas de milho que eles haviam plantado e cultivado? Contudo, foi isto o que o Partido Comunista fez aos famintos lavradores das fazendas coletivas na Rússia, rezando a nota: “O culpado deve ser fuzilado e seus bens confiscados” (Izvestia, 8 de Agosto de 1932). Suponde que, por causa do decréscimo nas colheitas, o nosso Departamento de Agricultura ordenasse às crianças “guardarem os campos mesmo durante a noite, desde que tenham oito anos de idade” (Moldaia Guardia, 17 de Agosto de 1935); não seria isto uma máscara para encobrir a mais diabólica espécie de exploração? Suponde, ademais, que o Presidente confiscasse toda propriedade privada, e depois, em nome de um Brasil maior, fizesse o lavrador pagar, por uma broa ou por um pão, dezenove vezes mais do que o governo deu ao lavrador pelo seu trigo (Izvestia, 26 de Setembro de 1935)! Contudo, esta é a situação na Rússia, país sem intermediários, porém com centenas de funcionários desonestos. Certamente, se o termo exploração pertence a alguém, deve ser aplicado àqueles que o usam mais para encobrir os seus próprios pecados, ou seja, àquele país onde o Comunismo ilude o explorado trabalhador mantendo baixos os salários dos funcionários públicos e altos os seus privilégios — tais como cartões especiais, casas de férias, carros particulares, transporte especial e casas de luxo; — onde o operário é tão explorado para efeito de comércio exterior e de propaganda, que em 1934 o Estado produziu para cada cidadão, no seu clima frio, somente 2/5 de uma jarda de fazenda de lã e 11/10 de jardas de fazenda de linho (Izvestia, 22 de Abril de 1935), e para cada 4,5 pessoas somente um par de sapatos. A exploração torna-se nada menos que criminosa quando diz aos trabalhadores que há tanto trigo que eles não precisam mais de racionamento de pão; mas, de fato, fecha os armazéns das cooperativas onde eles podem comprá-lo a preço mais ou menos razoável, e força-os a comprar em armazéns comerciais onde se sabe que o preço é muitas vezes mais alto. Em virtude desta exploração, o Partido Comunista alardeou haver aumentado a sua renda de vinte e quatro bilhões de rublos para 1935 (Za Ind., 9 de Fevereiro de 1935). Não é, pois, de admirar que uma das anedotas mais populares na Rússia seja a de um explorado operário pendurado precariamente a um coletivo superlotado, e que, quando viu Stalin e seus ajudantes passarem perto num Rolls-Royce, observou sarcasticamente: “Eu sou o patrão. Esses são os meus caixeiros”. (Em: Bispo Fulton J. Scheen. Comunismo: ópio do povo. Petrópolis, Vozes, 1952).

  • Celibato Sacerdotal:Variedade de Objeções no Nível do Jardim da Infância Refutadas

    Tradução: Priestly Celibacy: Garden-Variety Objections Debunked | Dave Armstrong morganB nos forneceu as seguintes questões rápidas (como se a mera quantidade de objeções de alguma forma provasse o alvo pretendido menos plausível): As regras feitas pelo homem, aplicadas globalmente, frequentemente colidem com a maneira como Deus nos criou … todos são únicos. Todo mundo tem uma libido única. Sim. É por isso que Paulo diz que os homens devem “levar a vida que o Senhor designou para ele, e na qual Deus o chamou” (1 Cor 7:17). O catolicismo do rito latino escolhe seus sacerdotes do grupo de homens que são chamados por Deus ao celibato (1 Cor 7: 32-35). Ele descreve o casamento como “bem” (7:38) e o celibato “melhor” (7:38). O catolicismo do rito latino prefere o estado “melhor” paulino para seus sacerdotes, que segue o conselho do Grande Apóstolo em revelação inspirada. Desculpe ser tão bíblico! Além disso, a exigência de celibato não é “globalmente aplicada” em primeiro lugar. É aplicado àqueles (um número muito pequeno de toda a humanidade ou de todos os católicos) que desejam se tornar sacerdotes no Rito Latino: que já são chamados ao celibato e ao sacerdócio por Deus (1 Coríntios 7:17). Quando Deus fez Eva, ele procurou que Adão fosse celibatário? Não. Non sequitur.. . Dizem que São Pedro tinha uma esposa. Sim ele teve. E é dito que São Paulo e Jesus não o tiveram. Este é outro non sequitur sobre o qual acabei de escrever. Eu sinto que o celibato não é natural. Para você e eu é; não para todos os homens, como Jesus disse (Mateus 19: 10-12). Você erra em extrapolar meramente sua própria opinião e sentimentos para toda a raça humana. Nem todo mundo tem que (ou quer) ser como você. Você vai se casar (se você não for já). Que os sacerdotes sigam seu chamado de Deus. Um padre não pode se casar porque não pode atender ao seu rebanho? Não é um absoluto; simplesmente uma questão de praticidade e sabedoria; nenhum interesse dividido, como Paulo observa. Se isso era verdade, como é explicado quando a igreja aceita clérigos casados como convertidos? Pelo ditado, “sempre há uma exceção à regra”. Como outras religiões lidam com isso? Eles geralmente não lidam. Mas porque tomamos todas as Escrituras relevantes em consideração, nós fazemos. Um bom exemplo de como é difícil… se um jovem sacerdote encontra uma mulher bonita em uma igreja e se apaixona loucamente, como ele age? Ele se afasta dela e reza pela força de resistir às tentações que podem levar ao que é contrário à moralidade e seus votos. Psicologicamente, pode ser prejudicial para ele permanecer celibatário. Em casos extremos, ele pode ser libertado de seus deveres sacerdotais e laicizado. Não se constroem regras e políticas (ou decidem contra elas) com base em casos difíceis ou casos extremos. A loucura dessa mentalidade é o que eventualmente nos trouxe o aborto sob demanda, por qualquer motivo. *** Se há padres casados na igreja católica, independentemente do rito, toda essa tentativa de provar que o celibato é melhor do que o casamento para os sacerdotes é tanto “som e fúria significando nada”. Se o ponto apresentado no artigo estiver correto, então as Igrejas Orientais estão em um escândalo para o resto da Igreja não seguindo o ideal estabelecido nas escrituras, tradição e prática, ou assim acredita o autor. Isso não se segue de forma alguma. É uma disciplina, não um dogma, e pode mudar e mudou no rito latino. Simplesmente não mudou no catolicismo oriental. Nós, no catolicismo ocidental, acreditamos, seguindo Paulo, que a renúncia sacrificial ao sexo e ao casamento é uma santidade heróica (em nossos sacerdotes) que não é exigida de todos, por Deus (pelo chamado). A Igreja Oriental simplesmente escolheu não fazer disso uma exigência para seus sacerdotes (assim como o Ocidente costumava não fazer). Eles acreditam, seguindo Paulo (1Tm 3: 2), que os padres podem ser casados, como os bispos (no tempo de Paulo) poderiam ser. Isso não é um “escândalo”. É simplesmente uma escolha disciplinar diferente do catolicismo latino. Mas mesmo no Oriente, os bispos devem ser celibatários, então seguiram esse caminho, mas de uma forma mais limitada. Eles exigem o celibato dos bispos; o Ocidente exige isso para bispos e padres. As pessoas estão tão frequentemente ligadas a qualquer coisa relacionada com sexo. Eles têm que pensar em rígidas categorias: “se o casamento é bom, então o celibato deve ser ruim” ou “se o celibato é o ideal, então o casamento deve ser ruim e o sexo perverso e maligno”. Nenhuma dessas é a visão católica. São Paulo descreve o matrimônio e o celibato como “bom” e “melhor” (1Co 7:38): não “ruim” e “bom” ou “bom” e “ruim”. O catolicismo oriental também tem aspectos de renúncia: apenas de maneiras diferentes. Por exemplo, tem um requisito mais rígido de jejuar antes de receber a Sagrada Eucaristia. A Igreja Católica é grande o suficiente para ter diversidade disciplinar e litúrgica sem ter que jogar o jogo da criança de assumir falsamente que um caminho deve ser superior ao outro. Oriente e Ocidente preferem diferentes liturgias; do mesmo modo, eles podem preferir disciplinas diferentes em relação ao modo de vida dos sacerdotes. Muito barulho por nada . . .

  • O COMUNISMO É O ÓPIO DO POVO (6) – Bispo Fulton J. Scheen

    Cuba em 1909 Sucede com freqüência certos indivíduos acusarem outros de pecado, com o fim de encobrirem os seus próprios. Isto também é verdade no Comunismo. Este tem acusado a religião de ser o ópio do povo, para encobrir o fato de ser o próprio Comunismo o ópio do povo. E por que é ele o ópio do povo? Por três razões : 1) Porque explora os pobres, submetendo-os à vontade do Partido Comunista; 2) Porque adormece os pobres prometendo-lhes algo que ele nunca pode dar, a saber: um paraíso terrestre; 3) Porque torna o homem passivo, fazendo-o um instrumento do Partido Comunista. (Em: Bispo Fulton J. Scheen. Comunismo: ópio do povo. Petrópolis, Vozes, 1952). Cuba hoje

  • The Vital Importance of Education

    The following is extracted from the letters of Condé B. Pallen to Henry an old friend who embraced the false ideologies of secularism. The point you here urge as a plea for an indifferent(secular) education is the very reason I advanced in my first letter for the necessity of a religious education. It is the appalling spread of secularism in all departments of modern life, its subtle dangers and insidious temptations, its vast and persistent influence, exercised in a thousand remote and indirect ways, that should rouse us to our own peril and to the necessity of extraordinary measures for the preservation of the Faith. In short, it is that very distinction so sharply drawn between religion and the affairs of life, between the Church and practical human living, as the world now conceives it, that forces upon us the need of a thoroughly positive Catholic education. If we want to hold our own we must protect our own against the assault of the enemy, whether it come disguised or open. Secularism is the enemy, and its blight is deadly. To divorce practical life from the consideration of its eternal end is virtually to deny that end; it is practical atheism; it is to make God an abstract theory, a speculative nothing, and not that living God in whom we live and move and are so much for the general bearing of your argument; let us go to the particulars. You tell me that education has its secular side; that its immediate object is to prepare and equip the child for the practical struggle of life; to sharpen and develop his intelligence; to form his character in a practical way, that he may be the better able to make his way in the world. This is true, but it is not the whole truth. The general purpose of education is to make a stronger man in all respects. In your way of putting it, you ignore a consideration that is vital; education should not only make a man stronger in his mental capacities and abilities and in his resourcefulness to cope with the difficulties of life, for this is your meaning of character, but it should make the truer man, the righteous man, i.e., the man morally stronger, not only the man who can make his way in the world, but the man who can make his way against the world under the stress of its temptations, its deceits, and its snares. In other words, there is an ethical side of education, which is paramount and determines its true scope. Education may be secular in its immediate ends, but it must be moral in his ts ultimate end. It must, indeed, fit a man for the practical uses of life; but it must fit him in a certain way. Education, in reality, is a fundamental training of conduct. Ethics, as you know, concerns conduct; and conduct, or rational action, as you well know, is always measured by a final end. The norm of human acts is always fashioned upon man’s conception of his final end. The man who looks upon this life as the be-all and end-all will have an entirely different norm or moral standard from the man who finds the law of life founded in an eternal existence hereafter. The man who looks upon time as the vestibule of eternity, and realized that his every act is charged with immortal issues, sees life from a standpoint radically different from that which, he has fashioned for himself who regards the sum of existence to be exhausted in the limits of time. Now, as education ultimately has to do with life as conduct, it must have an ethical basis. It will be postulated either upon the theory that life is merely secular, beginning and ending in time, or upon the theory that life is immortal, beginning in time and enduring through an eternity of misery or happiness as the result of conduct here. As you see, these two theories are sharply opposed. Education cannot escape this ethical necessity, and every educational system stands upon one or the other postulate. In our day all education is divided into one or the other of these camps. We arrive, then, at this position. You cannot hold that education is merely secular, unless you are prepared to accept as your premise the denial of the life hereafter. This, of course, as a Catholic, you repudiate, and must, therefore reject the conclusion. By the same logical process you are forced to hold that, though education is immediately connected with the preparation for practical life, in its ultimate intent it looks to the paramount interests of eternity. Your statement that there are many things in an educational curriculum that have no religious element or character, I pass over with the remark, that these studies by no means constitute an education; and I moreover add, that though there may be some courses indifferent in themselves, there are many, and these of the utmost importance, which have a direct and intimate relation relation with religion. You cannot touch history or literature without considering their religious bearings, or even geography, as it is now taught, without some allusion to religion; and it goes without saying, that philosophy has a most essential bearing upon theology. When you declare that religion can supply at home and at Sunday-school all that is necessary, it seems to me that you have woefully mistaken the significance and scope of true education; that you forget the weakness and limitations of human nature, and fail to realize the exigencies of our present conditions. When you instruct the mind apart from God, you are laying the foundations of religious indifference. The mind that has been taught without God in its knowledge, and even that God is to be excluded from its knowledge, soon grows into the habit of shutting out God from its mental horizon altogether. The mind that has been developed under a system which excludes God and the things of God from its consideration, soon logically learns to divorce God from its rational processes and to ignore Him in all its intellectual life. God at home and God at church will never make up in the child’s mind the banishment of God as school. Then the process of religious disintegration sets in; the God who does not reign at school, who has no relation to the intellectual life, nay, is ignominiously thrust out of doors in the temple of knowledge, is but a half God, not the all-powerful Creator and Judge who holds us in the hollow of His hand. Reverence for Him dies where He is thus negatively regarded. When Christ and His Church are barred from the schoolroom, it is not a long stride to banishing Christ and His Church from the heart. Never have the enemies of the Church calculated so shrewdly, devised so astutely, and struck more successfully at the Spouse of Christ, than when they laid their plans to divorce religion from education, and so wean the child from its Divine Mother by putting it to suckle the empoisoned breasts of the monster of secularism. And the Church, with the mother’s instinct and love, battles for her children. She fully realizes the danger. She is filled with the love of Christ and cries out with Him: “Suffer these little ones to come unto me; they are mine by the authority of Christ; they are mine under the responsibilities of their eternal salvation.” And she struggles and labors, in suffering and in sacrifice, to educate them in all that a Catholic education means. She is not satisfied with the crumbs or the half-loaf for her children; she gives them a full spiritual feast. She educates them all in all and is not content to give up half to God and half to the Moloch of secularism. Education does not consist merely in feeding the mind with knowledge, but in informing the mind with truth, the will with good, and training all the faculties to the fullness and completeness of the perfectly rounded character. Religion in the classroom is like the sunlight to the plant; it warms,it nourishes, it illuminates. It is not sufficient for the plant to gather the elements which it takes from the soil to assimilate into its own being; it must have the light and air of heaven, the vital principle of its energy, without which it soon languishes and dies. Religion should be the light and aroma of the classroom, to be absorbed by the child’s entire being. It should radiate into his soul through the intellect, energizes through his will, fashion and form his faculties until there is perfect balance of mind and heart and will in that moral harmony of his nature of his nature of which religion alone possesses the gift. (Condé B. Pallen, PH.D., The Education of Boys)

  • Desenvolvimento Primitivo do Papado: Reflexões Aleatórias

    Tradução: Early Development of the Papacy: Random Reflections | Dave Armstrong Por que estabelecer um ofício (Pedro, na verdade, foi feito primeiro ministro da Igreja por Jesus, como a exegese das “chaves do reino” estabelece, com muito apoio exegético protestante), apenas para cessar com a morte de Pedro? Isso não faz sentido. A própria natureza de um ofício deve ser carregada; ter uma sucessão. Não se inicia um negócio, por exemplo, com um presidente, e depois que o primeiro presidente morre, o ofício deixa de existir e todos estão sozinhos. Seu antigo ofício é deixado às traças. . . Dizem que “a Bíblia não menciona os bispos romanos”. E daí? Também não menciona o cânone ou a sola Scriptura. Mas certamente menciona bispos e menciona igrejas distintas. Não é preciso um cientista de foguetes para colocar dois e dois juntos. O caso do papado é um argumento cumulativo. Como tal, mostrando que o consenso hoje é que Pedro era a Rocha é um aspecto disso. Não é toda uma bola de cera. Também mostramos o que significava ter as chaves do reino, etc. Apoiamos nossas posições uma a uma e concluímos que as evidências são fortes. É irrelevante se os estudiosos citaram aceitar o papado ou não. Se em alguma coisa, eles são importantes como “testemunhas” para o nosso “caso” bíblico precisamente porque eles são, em última instância, testemunhas “hostis”, que não podem ser acusadas de preconceito católico. As principais coisas, de longe, foram as palavras de Jesus para Pedro. É aí que toda a noção se originou. Não veio do nada, ou “fantasias românticas vãs e pensamentos positivos”. E esse é um ótimo lugar para começar (com nosso Senhor e Salvador Jesus). Uma vez admitido que Pedro era o líder dos apóstolos, isso é perfeitamente consistente com nosso argumento de que isso é uma indicação de que ele seria o líder da Igreja Universal. É significativo que Pedro, como indivíduo, tenha recebido o poder de ligar e desligar, enquanto os outros discípulos o receberam corporativamente. Para mim isso significa uma liderança ou preeminência. Essa é a mentalidade hebraica e bíblica. Ele também recebe as chaves do reino, que não pode ser sem grande importância. E ninguém mais é chamado a Rocha, sobre a qual Jesus constrói Sua Igreja. Não há como sair dessa singularidade. Concordamos que os outros ligam e desligam também (eles até “desligam” o papa do pecado, pois ele regularmente confessa seus pecados a outro sacerdote). Bispos e sacerdotes também receberam prerrogativas de Deus. A negação de Cristo a Pedro não prova mais que ele não era papa, que o pecado de Davi com Batsabá e o assassinato de seu marido provaram que ele não era rei, ou o sujeito de um pacto com Deus, ou o escritor da maioria dos Salmos. Paulo matou os cristãos antes que Deus o derrubasse do seu cavalo alto. O que o fato de uma pessoa pecar tem a ver com alguma coisa? Não é isso que o cristianismo é sobre? Para redimir os pecadores? Se os pecadores podem escrever uma Bíblia inspirada, inerrante e infalível, eles certamente podem ser usados como papas infalíveis também. O desenvolvimento do papado levou um pouco de tempo, assim como o cânon e o trinitarianismo e a mariologia. Somente a fé e a justificação forense imputada levaram muito tempo também, não é? Os estudiosos protestantes Norman Geisler e Alister McGrath admitem essencialmente que tais doutrinas estavam ausentes da Igreja Cristã entre o tempo de Paulo e Lutero (o mesmo é certamente verdade de uma Eucaristia e batismo simbólicos, e muitas outras novas doutrinas Protestantes). 1500 anos para que um dos pilares do protestantismo seja entendido como o ensinamento “simples” nas Escrituras que se afirma ser? Isso leva uma surra de um pleno entendimento e desenvolvimento do papado por uns bons 900 anos (se datarmos o papado plenamente desenvolvido no reinado do Papa Gregório Magno (590-604). Afirma-se que Santo Agostinho tinha uma visão fraca do papado na melhor das hipóteses. A evidência de suas próprias palavras contradiz isso: Se a própria ordem da sucessão episcopal deve ser considerada, com muito mais certeza, verdade e segurança, nós os numeramos do próprio Pedro, a quem, quanto a um que representa toda a Igreja, o Senhor disse: Sobre esta rocha edificarei Minha Igreja e as portas do inferno não a vencerão. Pedro foi sucedido por Lino, Lino por Clemente, Clemente por Anacleto, Anacleto por Evaristo. . . (Carta a Generusus, 53, 1, 2 [c. 400]) A sucessão de sacerdotes, desde a própria Sé do Apóstolo Pedro, a quem nosso Senhor, após a sua ressurreição, deu a tarefa de alimentar as suas ovelhas, até o presente episcopado, me mantém aqui [na Igreja Católica]. (Contra a Carta de Mani Chamada à Fundação, 4,5 [escrito em 397]) O historiador protestante J. N. D. Kelly afirma: [Agostinho] . . Considerava São Pedro como o representante ou símbolo da unidade da Igreja e do colégio apostólico, e também como o apóstolo a quem a primazia foi concedida (mesmo assim, ele era um tipo da Igreja como um todo). Esta é a Igreja Romana, a sede de São Pedro, “a quem o Senhor depois da sua ressurreição confiou a alimentação de Suas ovelhas” [C. ep. fundo. 5], foi para ele a igreja “na qual a primazia (‘principatus’) da cátedra apostólica floresceu” [Ep. 43,7]. As três cartas [Epp. 175-177], relativas ao Pelagianismo, que a igreja africana enviou a Inocêncio I em 416, e de que Agostinho era articulador, sugeriu que ele atribuísse ao papa uma autoridade pastoral e de ensino que se estendia a toda a Igreja, e encontrou uma base para isso na Escritura. Ao mesmo tempo, não há provas de que ele estivesse preparado para atribuir ao bispo de Roma, na qualidade de sucessor de São Pedro, um magistério doutrinal soberano e infalível. (Early Christian Doutrines, São Francisco: HarperCollins, edição revisada, 1978, 419) Isso está perfeitamente de acordo com o que esperaríamos naquele tempo, nesse período de desenvolvimento.

  • Desenvolvimento do Cânon Bíblico: Dificuldades Protestantes

    Tradução: Development of the Biblical Canon: Protestant Difficulties | Dave Armstrong Esta é uma versão resumida de minhas partes de um longo diálogo (em duas partes), originalmente com o apologista anticatólico Jason Engwer. *** Os defensores protestantes podem argumentar que o conceito de livros bíblicos é bíblico? Sim eles podem. Mas eles podem fazer um argumento bíblico racional para numerar os livros do Novo Testamento aos vinte e sete? Não, eles não podem. A essência dos livros bíblicos é que eles são todos inspirados. Mas determinar exatamente quais e quantos livros possuem essa característica, e por que, é outra questão inteiramente diferente. Os protestantes minimizam as opiniões divergentes dos Padres da Igreja no cânon das Escrituras, ao passo que as maximizam quando se trata, por exemplo, da impecabilidade de Maria e do motivo patrístico da Segunda Eva. A única diferença é que uma envolve uma noção que elas aceitam e a outra que rejeitam; daí o viés histórico e a ênfase histórica convenientemente seletiva. Mas isso não é justo, a uma investigação de mente aberta. Em vez de reconhecer o consenso patrístico sobre Maria, os polemistas protestantes insistem nas exceções à regra, como se isso refutasse alguma coisa (com a Igreja Católica já concordando que as exceções ocorrerão e ocorreram de fato). Eu poderia facilmente fazer um argumento vago e especioso de que o cânon do Novo Testamento de 27 livros é ilegítimo porque, até 160 dC, ninguém parecia reconhecer a canonicidade dos livros de Atos, Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1 2, 3 João, Judas e Apocalipse (são 10 de 27 livros). Justino Mártir (m. 165) não reconheceu Filipenses ou 1 Timóteo, e seus Evangelhos incluíram material apócrifo. Clemente de Alexandria e Orígenes (antes de meados do terceiro século) pareciam pensar que a Epístola de Barnabé era Escritura inspirada. Eles pensavam o mesmo sobre a Didaque e o Pastor de Hermas (junto com Irineu e Tertuliano, no último caso). Clemente de Alexandria (m. 215) também pensava que O Apocalipse e Pedro e o Evangelho de Hebreus eram Escritura, e Orígenes aceitou os Atos de Paulo. Nenhum Padre acertou todos os livros corretamente (e excluiram outros mais tarde decididos a não ser canônicos) até Santo Atanásio, em 367, mais de 300 anos após a morte de Cristo. O famoso Cânon Muratoriano de c. 190 excluiu Hebreus, Tiago e 1 e 2 Pedro e incluíu O Apocalipse de Pedro e Sabedoria de Salomão. O Concílio de Nicéia, em 325, questionou a canonicidade de Tiago, 2 Pedro, 2 João, 3 João e Judas. Tiago nem foi citado no Ocidente até por volta de 350 dC! Apocalipse foi rejeitado por Cirilo de Jerusalém, João Crisóstomo e Gregório de Nazianzo, e a Epístola de Barnabé e Pastor de Hermas foram incluídos no Codex Sinaiticus no final do século IV. No entanto, quando se trata de algo como a Imaculada Conceição, o fato de que algumas anomalias totalmente previsíveis nos padres da Igreja podem ser encontradas é uma prova positiva para muitos protestantes de que a doutrina é ilegítima e deve ser descartada. Pelo processo de raciocínio de alguns apologistas protestantes (que eles aplicam às doutrinas marianas), devemos rejeitar o cânon do Novo Testamento, já que havia tantas anomalias nas listas dos livros até o século IV. Alguns concílios católicos locais fizeram uma lista oficial em 393 e 397 (que foi autoritativamente aprovada por dois papas como obrigatórios para todos os fiéis), e isso foi aceito praticamente sem questionamentos por todos os cristãos posteriores (exceto pelos livros deuterocanônicos depois do século XVI), como se a lista em si fosse inspirada. O Papa Inocêncio I concordou com e sancionou a decisão canônica dos concílios (em 393 e 397) de Hipona e Cartago (Carta para Exupério, Bispo de Toulouse) em 405. Ele também reiterou isso em 414. Cartago e Hipona foram precedidos por um Concílio Romano (382) de opinião idêntica, e foram ainda ratificados pelo Papa Gelásio I em 495, bem como o 6º Concílio de Cartago em 419. O trabalho de referência protestante, Oxford Dictionary ofthe Christian Church (2a edição, editado por F. L. Cross e E. A. Livingstone, Oxford University Press, 1983, 232) declara: Um concílio provavelmente realizado em Roma, em 382, sob São Dâmaso, forneceu uma lista completa dos livros canônicos do Antigo Testamento e do Novo Testamento (também conhecido como o “Decreto Gelasiano” porque foi reproduzido por Gelásio em 495), que é idêntico à lista dada em Trento. O erudito de Patrística William A. Jurgens, escreve sobre o Concílio em Roma em 382: O Papa São Dâmaso I é lembrado como tendo encomendado a tradução das Escrituras por Jerônimo. . . Santo Ambrósio de Milão foi fundamental para que um concílio se reunisse em Roma. . . em 382 dC. . . Pertencendo também às Atas do Concílio de Roma de 382 DC é um decreto do qual três partes são existentes. . . A segunda parte do decreto. . . é mais familiarmente conhecida como a parte inicial do Decreto Gelasiano, em relação ao cânon da Escritura: De libris recipiendis vel non recipiendis. Agora é comumente entendido que a parte do Decreto Gelasiano que lida com o cânon aceito da Escritura é uma obra autêntica do Concílio de Roma de 382 dC, e que Gelásio a editou novamente no final do quinto século, acrescentando-lhe o catálogo dos livros rejeitados,. . . Hoje é quase universalmente aceito que essas partes um e dois do Decreto de Dâmaso são partes autênticas das Atas do Concílio de Roma de 382 dC. Sobre a terceira parte. . . a opinião ainda está dividida. . . O texto do Decreto de Dâmaso pode ser encontrado em Mansi, vol. 8, 145-147; em Migne, PL 19, 787-793. . . (A Fé dos Primeiros Padres, Collegeville, Minnesota: The Liturgical Press, 1970, volume 1 de 3, 402, 404-405) A lista de 382 – que o Dicionário Oxford da Igreja Cristã considerou “idêntica à lista dada em Trento” inclui: Sabedoria, Eclesiástico, Tobias, Judite e 1 e 2 Macabeus. Baruque foi incluído como parte de Jeremias, como na lista de Santo Atanásio de 15 anos antes. Isto é de fato idêntico à lista tridentina, e compreende os sete livros ”extras” deuterocanônicos nas Bíblias católicas, que os protestantes rejeitam do cânon como “apócrifos”. No entanto, lá estão eles no Concílio de 382. O Concílio de Cartago aceitou a mesma lista, conforme detalhado por Brooke Foss Westcott (Um Levantamento Geral da História do Cânon do Novo Testamento, Grand Rapids, Michigan Baker Book House, 1980, reimpresso da 6ª edição de 1889, 440). Bruce questionou a autenticidade do Decreto Gelasiano, mas notou que ele não questionou o fato de que o “Sexto Concílio de Cartago (419) reeditou a decisão do Terceiro Concílio [Cartago, 397], novamente com a inclusão dos livros apócrifos. ”Antes de 367, havia todos os tipos de livros considerados inspirados e parte do Novo Testamento (e uma falta de reconhecimento de certos livros inspirados). A noção de que não há menos e não mais do que vinte e sete é um conceito de meados do século IV, no mínimo (Santo Atanásio). A dificuldade protestante (ou pelo menos a posição protestante, como argumentado por alguns apologistas, como o anti-católico James White) pode ser resumida da seguinte forma: 1. Os verdadeiros desenvolvimentos devem ser explicitamente fundamentados nas Escrituras, ou então eles são arbitrários e “não-bíblicos” ou “antibíblicos” – portanto, falsos. James White diz: “O texto das Escrituras fornece os fundamentos e, mais importante, os limites para esse desenvolvimento ao longo do tempo” (Controvérsia Católica Romana, p. 83). 2. A Trindade e a Ressurreição de Cristo e o Nascimento Virginal, por exemplo, são completamente fundamentados nas Escrituras e, portanto, são apropriados (mas os católicos também sustentam essas crenças). 3. O cânon do Novo Testamento é (inegavelmente) não uma “doutrina bíblica”. O Novo Testamento nunca dá um “texto” para a lista oficial de seus livros. 4. Portanto, o cânon do Novo Testamento não é um desenvolvimento legítimo da doutrina (de acordo com o nº 1), e é, de fato, uma corrupção e um falso ensino. 5. Portanto, à luz do nº 4, o Novo Testamento (isto é, na forma de 27 livros que foi passada através dos séculos católicos para Lutero e os protestantes como uma tradição recebida) não pode ser usado como uma medida para julgar a ortodoxia de outras doutrinas. 6. # 5 sendo o caso, o critério branco para desenvolvimentos legítimos é radicalmente autodestrutivo, e deve ser descartado (juntamente com a própria sola Scriptura). Os apologistas católicos estão bem conscientes do que é a vara de medição protestante. Queremos conhecer o processo pelo qual ele é alcançado dentro das pressuposições protestantes, e como e por que esse processo (epistemológico) é autoconsistente e supostamente diferente em espécie do que o mesmo tipo de processos que citaríamos em relação ao desenvolvimento de doutrinas com que protestantes discordam. Em outras palavras, em que base os protestantes podem se curvar à autoridade (católica) da Igreja em um exemplo (o cânon bíblico), enquanto eles negam sua natureza obrigatória em todos os outros, e retornam à Escritura Sozinha, o próprio cânon do qual foi proclamado autoritativamente pela Igreja Católica? Como é que ninguém no período inicial parecia saber que o livro de Atos era apostólico na época (escrito, por assim dizer, por Lucas, cujo Evangelho foi aceito logo no início)? Não acreditamos que um livro seja apostólico simplesmente porque Roma o diz. A Igreja apenas reconhece o que é inerentemente inspirado. Mas ainda deve haver algum reconhecimento oficial. A doutrina da Santíssima Trindade desenvolveu-se sob os mesmos processos e condições em que as doutrinas “distintamente católicas” se desenvolveram. O tipo de questões envolvidas na discussão sobre o desenvolvimento da Trindade foi tocado pelo historiador da Igreja Luterana (mais tarde ortodoxo) Jaroslav Pelikan: Apesar da elevação do dogma da Trindade ao status normativo como doutrina supostamente tradicional pelo Concílio de Nicéia em 325, não havia um único pensador cristão do Oriente ou do Ocidente antes de Nicéia, que poderia qualificar como consistentemente e impecavelmente ortodoxa. . . até mesmo os mais santos dos padres da igreja primitiva parecia confuso sobre tais artigos fundamentais de fé como a Trindade e o pecado original. Era de se esperar, porque eles eram participantes do desenvolvimento contínuo, não transmissores de um patrimônio puro e intocado. . .. . a falta de qualquer passagem da Escritura na qual toda a doutrina da Trindade foi afirmada. Estritamente falando, a Trindade não é uma doutrina bíblica, mas uma doutrina da igreja que tenta fazer um sentido consistente da linguagem e do ensino bíblico. (A Melodia da Teologia: Um Dicionário Filosófico, Cambridge, Massachusetts: Harvard Univ. Press, 1988, 52-54, “Desenvolvimento da Doutrina”, 257, “Trinity”) Nesse sentido, a Trindade e o cânon são questões que os protestantes têm de trabalhar, para que seu argumento contra o status “corrupto” dos desenvolvimentos católicos tenha qualquer força, e não seja arbitrário ou logicamente inconsistente. A tarefa do protestante é apresentar um critério consistente de um desenvolvimento legítimo. O cânon bíblico é uma questão única, uma vez que todas as partes concordam que está totalmente ausente da própria Escritura. Isso cria grandes dificuldades tanto para o paradigma sola Scriptura de autoridade formal quanto para a polêmica e antipatia protestante em relação às chamadas doutrinas católicas “não-bíblicas” ou “extrabíblicas” que pelo menos têm alguma indicação bíblica – por mais insignificante que os críticos pensem que seja. Além disso, o protestante tem que explicar como a Tradição é maravilhosa e obrigatória em um exemplo (o cânon), mas em nenhum outro. Estas são questões sérias e altamente problemáticas A Suposta “Completude” do cânon do Antigo Testamento à Luz dos Eruditos Bíblicos Protestantes Houve um consenso canônico “geral” em relação ao Novo Testamento, mas isso não foi suficiente para resolver o problema. Da mesma forma, havia um consenso geral dos judeus em relação ao Antigo Testamento que também não era totalmente suficiente, o que sugere que a analogia que Jason está desenhando é muito mais parecida com a perspectiva católica. Assim, a erudição bíblica protestante nos diz que nos últimos quatro séculos antes de Cristo: É claro que naqueles dias os judeus tinham livros sagrados aos quais atribuíam autoridade. Não se pode provar que já existia um cânon completo, embora a expressão “os livros sagrados” (1 Mac. 12: 9) possa apontar nessa direção. (O Novo Dicionário Bíblico, editado por J. Douglas, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, edição de 1962, 190, “Canon of the Old Testament”) Quanto ao período do Novo Testamento: Mais de uma vez a sugestão foi feita de que o sínodo de Jabneh ou Jâmnia, dito ter sido realizado por volta do ano 90 dC, fechou o cânon do Antigo Testamento e fixou os limites do cânon. Falar sobre o “sínodo de Jâmnia”, no entanto, é suplicar a questão. . . É verdade, certamente, que na casa de ensino de Jâmnia, cerca de 70-100 dC, certas discussões foram realizadas, e certas decisões foram tomadas a respeito de alguns livros do Antigo Testamento; mas discussões semelhantes foram realizadas antes e depois desse período. . . Essas discussões trataram principalmente da questão de saber se alguns livros do Antigo Testamento (por exemplo, Ester, Provérbios, Eclesiastes, Cânticos, Ezequiel) “sujavam as mãos” ou tinham que ser “ocultados”. . . No que diz respeito à expressão “sujar as mãos”, a opinião predominante é que se referia à canonicidade do livro em questão. . . Se, de fato, a canonicidade de Ester, Eclesiastes e Cânticos fosse contestada, teríamos que ter a seguinte visão. Em geral, esses livros foram considerados canônicos. Mas com alguns, e provavelmente com alguns rabinos em particular, surgiu a questão se as pessoas estavam certas em aceitar sua canonicidade, como, por exemplo, Lutero em séculos posteriores achou difícil considerar Ester como um livro canônico. . Nós podemos presumir que os vinte e dois livros mencionados por Josefo são idênticos aos trinta e nove livros dos quais o Antigo Testamento consiste de acordo com o nosso cálculo. . . Por uma questão de completude, devemos observar que Josefo também usa livros que contamos entre os apócrifos, i.e 1 Esdras e as adições a Ester. . . (Ibid., 191) O apologista protestante Norman Geisler concorda, com relação ao “Concílio de Jâmnia” judaico: O chamado Concílio de Jâmnia (c. DC. 90), quando esta terceira seção de escritos é supostamente canonizada, não foi explorado. Não havia concílio com autoridade para o judaísmo. Foi apenas uma reunião de estudiosos. Sendo este o caso, não havia nenhum corpo autorizado para fazer ou reconhecer o cânone. Assim, não houve canonização em Jâmnia. (De Deus para nós: Como chegamos a nossa Bíblia, co-autor William E. Nix, Chicago: Moody Press, 1974, 84) Os judeus da Dispersão consideravam vários livros gregos adicionais como igualmente inspirados, viz. a maioria dos livros impressos no AV e RV entre os Apócrifos. Durante os primeiros três séculos, estes foram regularmente usados também na Igreja. . . Santo Ambrósio, Santo Agostinho e outros os colocaram em pé de igualdade com os outros livros do Antigo Testamento. (Dicionário Oxford da Igreja Cristã, Oxford University Press, editado por FL Cross e EA Livingstone, 1989, 232, “Cânon das Escrituras”) Na Septuaginta (LXX), que incorporou todos [os chamados livros “Apócrifos”] exceto 2 Esdras, eles não eram de forma alguma diferenciados dos outros livros do AT. . . Cristãos . . A princípio receberam todos os livros da Septuaginta igualmente como Escritura. . . Até o quarto século a Igreja geralmente aceitou todos os livros da Septuaginta como canônicos. Grega e Latina. Os padres igualmente (por exemplo, Irineu, Tertuliano, Cipriano) citam ambas as classes de Livros sem distinção. No 4° Séc, entretanto, muitos Padres Gregos (por exemplo, Eusébio, Atanásio, Cirilo de Jerusalém, Epifânio, Gregório de Nazianzo) passaram a reconhecer uma distinção entre aqueles canônicos em Hebreus. e o resto, embora os últimos ainda fossem costumeiramente citados como Escritura. São Jerônimo. . . aceitou essa distinção e introduziu o termo “apócrifo” para a última classe. . . Mas com algumas exceções (por exemplo, Hilário, Rufino), os escritores ocidentais (especialmente Agostinho) continuaram a considerar todos igualmente canônicos. . . Na Reforma, os líderes protestantes, ignorando a aceitação tradicional de todos os livros da LXX na Igreja primitiva. . . recusou o status da Escritura inspirada àqueles livros da Vulgata que não podem ser encontrados no hebraico. Cânone. M. Lutero, no entanto, incluiu os Apócrifos (exceto 1 e 2 Esd.) Como um apêndice à sua tradução da Bíblia (1534), e em seu prefácio permitiu que eles fossem “úteis e bons para serem lidos”. . . [os “Apócrifos”] foram lidos como Escritura pela Igreja Pré-Nicéia e muitos Padres pós-nicenos. . . (Ibid., 70-71, “Os apócrifos”) A igreja cristã primitiva herdou os LXX, e os escritores do Novo Testamento comumente citaram os Livros do Antigo Testamento a partir dela. . . Nos tempos pós-NT, os Padres Cristãos até o final do 4º século quase todos consideravam a Septuaginta como a forma padrão do AT e raramente se referiam ao hebraico. (Ibid., 1260, “A Septuaginta [” LXX “]”) A sugestão de que um sínodo particular de Jâmnia, realizado em 100 DC., finalmente estabeleceu os limites do Cânon do AT, foi feito por H.E. Ryle; embora tenha tido uma ampla circulação, não há evidências para fundamentá-lo. (Ibid., 726, “Jamnia ou Jabneh”) O grande erudito bíblico evangélico F. F. Bruce comentou sobre o uso de escritos judaicos mais antigos no Novo Testamento: Tão completamente, de fato, os cristãos se apropriaram da Septuaginta como sua versão das escrituras que os judeus ficaram cada vez mais desencantados com ela. . . Não podemos dizer com absoluta certeza, por exemplo, se Paulo tratou Ester ou o Cântico de Salomão como escritura, mais do que podemos dizer se esses livros pertenceram à Bíblia que Jesus conhecia e usava. . . o livro da Sabedoria possivelmente estava na mente de Paulo quando ele ditou parte dos dois primeiros capítulos de Romanos. . . [nota de rodapé 21: A exposição da imoralidade pagã em Rom. 1: 18-32 ecoa a Sabedoria 12-14; a atitude dos justos judeus criticados por Paulo em Rom. 2: 1-11 tem afinidades com passagens na Sabedoria 11-15]. O escritor para os hebreus provavelmente teve as martirologias de 2 Macabeus 6: 18-7: 41 ou 4 Macabeus 5: 3-18: 24 em vista quando ele falou das torturas e outras dificuldades que alguns suportaram através da fé (Hebreus 11: 35b-38, e quando ele diz no mesmo contexto que alguns foram serrados em dois, ele pode aludir a um documento que descreveu como o profeta Isaías foi tratado dessa maneira [nota de rodapé 23: Talvez a Ascensão de Isaías …]. A edição de Nestle-Aland do Novo Testamento Grego (1979) tem um índice de textos do Antigo Testamento citados ou aludidos no Novo Testamento, seguidos de um índice de alusões não apenas ”Seputuaginstais+”, mas também a vários livros não incluídos na Septuaginta … apenas uma é uma citação direta explicitamente atribuída à sua fonte. Essa é a citação de ‘Enoque na sétima geração de Adão’ em Judas 14 f; isso vem reconhecidamente do livro apocalíptico de Enoque (1 Enoque 1: 9) Anteriormente, na Epístola de Judas, o relato da disputa de Miguel com o Demônio sobre o corpo de Moisés pode se referir a uma obra chamada Assunção de Moisés ou Ascensão de Moisés, mas se assim for, a parte do trabalho que contém o incidente foi perdida (Judas 9). Há, no entanto, várias citações no Novo Testamento que são apresentadas como se tivessem sido tiradas das escrituras sagradas, mas sua fonte não pode mais ser identificada. Por exemplo, as palavras “Ele será chamado Nazareno”, citado em Mateus 2:23 como “o que foi falado pelos profetas”, permanecem nessa forma em nenhum livro profético conhecido. . . Novamente, em João 7:38, “do seu coração fluirão rios de água viva” é introduzido pelas palavras “como a Escritura disse” – mas a qual escritura é referida? . . . não pode haver certeza. . . As palavras de Paulo em 1 Coríntios 2: 9, “O que nenhum olho viu, nem o ouvido ouviu. . . “, Introduzido pela cláusula” como está escrito “, assemelha-se a Isaías 64: 4, mas elas não são uma citação direta a partir dele. Alguns padres da igreja dizem que eles vêm de um trabalho chamado Os Segredos de Elias ou Apocalipse de Elias, mas este trabalho não é acessível a nós e não sabemos se existiu no tempo de Paulo. . . A nomeação de oponentes de Moisés como Janes e Jambres em 2 Timóteo 3: 8 pode depender de algum documento não mais identificável; os nomes, em formas variadas, aparecem em vários escritos judaicos, principalmente depois da data das Epístolas Pastorais. . . Não temos idéia de qual “a escritura” que diz, de acordo com Tiago 4: 5: “Ele anseia com ciúmes o espírito que ele criou para habitar em nós”. . . Quando pensamos em Jesus e seus apóstolos palestinos. . . não podemos dizer com confiança que eles aceitaram Ester, Eclesiastes ou o Cântico dos Cânticos como escritura, porque a evidência não está disponível. Podemos argumentar apenas a partir da probabilidade, e os argumentos da probabilidade são ponderados de forma diferente por juízes diferentes. (O Cânon das Escrituras, Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1988, 50-52, 41) Jâmnia e Qumran: É provavelmente insensato falar como se houvesse um Concílio ou Sínodo de Jamnia que estabelecesse os limites do cânon do Antigo Testamento. . Um relato comum, e não despropositado, da formação do cânon do Antigo Testamento é que ele tomou forma em três estágios. . . A Lei foi primeiro canonizada (no início do período após o retorno do exílio babilônico), os Profetas em seguida (no final do século III aC). . . a terceira divisão, os Escritos. . . permaneceu aberta até o final do primeiro século dC, quando foi “fechada” em Jâmnia. Mas deve ser salientado que, apesar de toda a sua atratividade, esse relato é completamente hipotético: não há provas para isso, seja no próprio Antigo Testamento ou em outro lugar. Temos evidências no Antigo Testamento de que o reconhecimento público das escrituras transmite a palavra de Deus, mas isso não é a mesma coisa que canonização. (Ibid., 34, 36) As descobertas feitas em Qumran, a noroeste do Mar Morto, nos anos que se seguiram a 1947 aumentaram enormemente nosso conhecimento da história das Escrituras Hebraicas durante os dois séculos ou mais anteriores a 70 dC . . Todos os livros da Bíblia hebraica são representados entre eles, com exceção de Ester. Esta exceção pode ser acidental. . . ou pode ser significativa: há evidência de alguma dúvida entre os judeus, como depois entre os cristãos, sobre o status de Ester. . . Mas os homens de Qumran não deixaram nenhuma declaração indicando precisamente quais dos livros representados em sua biblioteca foram classificados como sagradas escrituras em sua estimativa, e quais não. . . Mas e Tobias, Jubileus e Enoque, fragmentos dos quais também foram encontrados em Qumran? . . . eles foram considerados canônicos pela comunidade de Qumran? Não há provas que justifiquem a resposta “sim”; por outro lado, não sabemos o suficiente para retornar a resposta “Não”. (Ibid., 38-40) Santo Atanásio foi o primeiro Padre da Igreja a listar os 27 livros do Novo Testamento como os temos hoje, e nenhum outro, como canônico, em 367. O que não é freqüentemente mencionado pelos apologistas protestantes, entretanto, é o fato de que quando ele listou os Livros do Antigo Testamento, eles não eram idênticos aos 39 Protestantes: Como Atanásio inclui Baruque e a “Epístola de Jeremias”. . . então ele provavelmente inclui as adições gregas a Daniel no livro canônico desse nome, e as adições a Ester no livro daquele nome que ele recomenda para ler na igreja,. . . Somente aquelas obras que pertencem à Bíblia hebraica (exceto Ester) são dignas de inclusão no cânon (as adições a Jeremias e Daniel não fazem nenhuma diferença significativa a este princípio … Na prática, Atanásio parece ter prestado pouca atenção à distinção entre aqueles livros que ele listou no cânon e aqueles que eram adequados para a instrução de novos cristãos [ele cita Sabedoria de Salomão, Sabedoria de Siraque, Ester, Judite e Tobias] … e citou-os livremente, freqüentemente com as mesmas fórmulas introdutórias – “como está escrito”, “como diz a escritura”, etc. [nota de rodapé 46: Ele não diz em tantas palavras por que Ester não está incluído no cânon …] (Bruce, ibid. 79-80) Bruce observa que o Concílio de Hipona em 393 (“na linha aprovada por Agostinho”) e o Terceiro Concílio de Cartago em 397: . . . parecem ter sido os primeiros concílios da igreja a fazer um pronunciamento formal sobre o cânon. Quando o fizeram, não impuseram nenhuma inovação às igrejas; eles simplesmente endossaram o que se tornou o consenso geral das igrejas no ocidente e na maior parte do oriente . . O Sexto Concílio de Cartago (419) reeditou a decisão do Terceiro Concílio, novamente com a inclusão dos livros apócrifos. . . Ao longo dos séculos seguintes, a maioria dos usuários da Bíblia não fez distinção entre os livros apócrifos e os outros: todos foram distribuídos como parte da Vulgata. . . As duas versões Wycliffitas da Bíblia completa em inglês (1384, 1395) incluíam os livros apócrifos como uma coisa natural. (Ibid., 97, 99-100) O proeminente historiador protestante Philip Schaff concorda: Este cânon [de Cartago – veja a citação acima] permaneceu inalterado até o século XVI, e foi sancionado pelo Concílio de Trento em sua quarta sessão. (História da Igreja Cristã, vol. 3: Cristianismo Niceno e Pós-Niceno, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1974 [originalmente 1910], 609-610) Por último, a Enciclopédia Britânica notou a “fluidez” das noções judaicas do cânon por cerca de duas gerações após a era apostólica: Diferenças de opinião também são registradas entre os tannaim (eruditos rabínicos da tradição que compilaram a Mishna, ou Lei Oral) e amoraim (que criou o Talmud, ou Gemara) sobre o status canônico de Provérbios, Cântico dos Cânticos, Eclesiastes e Ester. Tudo isso indica um estado prolongado de fluidez em relação à canonização dos Ketuvim [“os Escritos”]. Um sínodo em Jabneh (c. 100 dC) parece ter decidido sobre o assunto, mas levou uma ou duas gerações antes de suas decisões serem unanimemente aceitas e os Ketuvim considerados definitivamente fechados. (Edição de 1985, vol. 14 [Macropedia], 758, “Literatura Bíblica”, “cânon do Antigo Testamento, textos, versões”) Um consenso geral pode ser traçado, mas não sem numerosas discrepâncias e diferenças insolúveis, exigindo uma proclamação eclesial autorizada (o Concílio de Cartago, ou a reunião judaica semi-autoritária em Jâmnia, que operou por maioria, assim como os concílios católicos) para se estabelecer. isto. Em outras palavras, os textos em si não eram suficientes para produzir o resultado final, como se algum tipo de mentalidade “sola Scriptura canônica” existissem, entre judeus ou cristãos. Os judeus ainda estavam discutindo sobre a canonicidade dos livros escritos antes de 400 aC por volta de 170-180 dC, e tiveram que se basear nos julgamentos prévios de estudiosos em Jâmnia para finalmente decidir o assunto. Da mesma forma, os cristãos confiam nos juízos “humanos” dos Concílios de Cartago (397) e Hipona (393) e de Roma (em 382) para resolver suas disputas, que duraram cerca de nove gerações, sobre o desenvolvimento do Cânon do Novo Testamento. Nossas disputas sobre o nosso cânon, então, levaram quase tanto tempo quanto as disputas judaicas sobre as suas (quase 300 anos a partir do final da era apostólica, e aproximadamente 365 da morte de Jesus). Se isso não é quintessencialmente desenvolvimento de doutrina, então eu não sei o que é. De que adianta um “consenso” sobre o cânon se ele tiver um milhão de buracos? De que vale um consenso que não é idêntico ao que mais tarde veio a ser aceito, por 365 anos? Como isso é de alguma forma um argumento convincente (se é que isso seja argumento) contra o desenvolvimento da doutrina? Os protestantes citarão os pais da Igreja que dissentirem de um modo ou de outro sobre vários aspectos do papado ou textos de prova católicos para os mesmos, mas quando citarmos exatamente o mesmo tipo de anomalias no “consenso” relativo ao cânon do Novo Testamento, não é anulado e torna-se irrelevante por encantamento (com pó de fada) da palavra mágica “consenso”, como se isso resolvesse o problema protestante. Não resolve. Não pode ter sucesso, dados certos fatos indiscutíveis da história. A determinação real do cânon requeria uma comunidade autoritária de crentes (a Igreja Católica). A história mostrou que isso por si só era totalmente inadequado para resolver os problemas de opiniões divergentes. Para recapitular: eu tenho examinado o caso protestante que está tentando provar que a canonicidade é uma instância de desenvolvimento diferente em espécie e essência dos argumentos desenvolvimentistas católicos para o papado, a Imaculada Conceição, ou qualquer número de doutrinas, e os resultados não me persuadem, pelo menos, de que há alguma diferença. A mera existência de livros do Novo Testamento não prova que cada um deles era canônico, mais do que a mera existência de livros que mais tarde não foram considerados canônicos, prova que eles faziam parte do cânon. Inspiração ou existência é uma questão separada da canonicidade. F. F. Bruce observa distinções semelhantes acima. Os livros do Novo Testamento e outros livros estavam presentes no primeiro século, mas a natureza dos livros individuais foi contestada, até pelo menos 367 DC. Da mesma forma, Maria viveu, e vários aspectos de sua vida e status no âmbito da teologia cristã foram contestados (assim como também na interpretação da cristologia e da vida de Jesus) por séculos depois, tornando-se cada vez mais definidos como o tempo passou. As doutrinas protestantes da justificação, batismo simbólico e Eucaristia (e várias outras novidades, eu diria) levaram mais de 14 séculos para assumir sua forma (ou para serem inventadas), tendo sido quase total ou totalmente ausentes no pensamento cristão no período interino. . Eu reconheço que existem diferenças na rapidez do desenvolvimento e na força das fontes patrísticas; isso não supera as dificuldades na aceitação protestante do cânon dentro da estrutura de seu próprio princípio formal de sola Scriptura. Eric Svendsen: um apologista protestante anti-católico vocal, escreveu em seu próprio fórum de discussão: Não acreditamos na noção católica romana de “desenvolvimento de doutrina”. Nada – absolutamente nada – adicionado ao ensino das Escrituras é vinculativo para a consciência do crente. . . O cânon da Bíblia não é ensinado nas Escrituras; portanto, pela lógica de Eric, não é “obrigatório” para o crente. Eu (e muitos outros) acho um pouco estranho que a sola Scriptura (a noção de que a Bíblia é a autoridade suprema em assuntos teológicos, acima da Igreja e da Tradição) não seja inequivocamente encontrada na própria Escritura. Resumo de 27 pontos do tratamento acadêmico protestante dos aspectos históricos do cânon bíblico 1. Nos quatro séculos anteriores a Cristo, “não se pode provar que já existia um cânon completo” (O Novo Dicionário Bíblico). Veja também, F. F. Bruce, O Cânon das Escrituras. 2. Não houve “Sínodo de Jâmnia” judaico em si, mas sim uma série de discussões acadêmicas, do período de 70-100 dC, e mesmo estas não resolveram finalmente a questão do cânon do Antigo Testamento (The New Bible Dictionary; Norman Geisler, De Deus para nós: Como chegamos a nossa Bíblia, Dicionário Oxford da Igreja Cristã, FF Bruce, O Canon da Escritura). 3. Essas discussões ainda estavam lidando com a disputada canonicidade de livros como Ester, Provérbios, Eclesiastes, Cânticos e até mesmo Ezequiel após a morte de Jesus e depois que a maioria ou todo o Novo Testamento foi completado (O Novo Dicionário Bíblico). Então Paulo e Jesus (ou qualquer escritor do Novo Testamento) dificilmente poderiam ter assumido um cânon do Antigo Testamento comumente aceito antes desta época. 4. O historiador judeu Josefo “também usa livros que contamos entre os Apócrifos, e. 1 Esdras e as adições a Ester. ”(The New Bible Dictionary) 5. Os Judeus da Dispersão (particularmente os judeus de fala grega, alexandrinos) consideraram vários livros gregos adicionais como igualmente inspirados – isto é, os chamados Apócrifos. (Dicionário Oxford da Igreja Cristã) 6. “Durante os primeiros três séculos, estes foram regularmente usados também na Igreja. . . Santo Ambrósio, Santo Agostinho e outros os colocaram em pé de igualdade com os outros livros do Antigo Testamento. ”(Dicionário Oxford da Igreja Cristã) 7. A Septuaginta (LXX) incorporou todos os livros chamados “Apócrifos”, exceto 2 Esdras, e eles não foram de forma alguma diferenciados dos outros livros do AT. (Dicionário Oxford da Igreja Cristã) 8. “Cristãos. . . A princípio receberam todos os livros da Septuaginta igualmente como Escritura. . Pelo o 4° Séc a Igreja geralmente aceitou todos os livros da Septuaginta como canônicos. Grega e Latina. Os pais igualmente (por exemplo, Irineu, Tertuliano, Cipriano) citam ambas as classes de Livros sem distinção. . . com algumas exceções (por exemplo, Hilário, Rufino), os escritores ocidentais (especialmente Agostinho) continuaram considerando todos como igualmente canônicos. . . [os “Apócrifos”] foram lidos como Escritura pela Igreja Pré-Nicéia e muitos Padres pós-nicenos. . . ”(Dicionário Oxford da Igreja Cristã) 9. “No 4º Séc, no entanto, muitos Padres Gregos. . . vieram a reconhecer uma distinção entre os canônicos em hebraico e o resto, embora os últimos ainda fossem habitualmente citados como Escrituras. ”(Dicionário Oxford da Igreja Cristã) 10. “Lutero, no entanto, incluiu os Apócrifos (exceto 1 e 2 Esd.) Como um apêndice à sua tradução da Bíblia (1534), e em seu prefácio permitiu que eles fossem ‘úteis e boas para serem lidas’” (Oxford Dicionário da Igreja Cristã) 11. “Os escritores do NT comumente citaram os Livros do AT da [Septuaginta]. . . Nos tempos pós-NT, os Padres Cristãos até o final do 4º século, quase todos consideravam a Septuaginta como a forma padrão do Antigo Testamento ”. (Dicionário Oxford da Igreja Cristã) 12. “Não podemos dizer com absoluta certeza, por exemplo, se Paulo tratou Ester ou o Cântico de Salomão [noutro lugar Bruce acrescenta Eclesiastes] como escritura mais do que podemos dizer se aqueles livros pertenciam à Bíblia que Jesus conhecia e usava.” (Bruce, ibid.) 13. De acordo com “A edição Nestlé-Aland do Novo Testamento grego (1979)” Judas 14 e segs. é “uma citação direta. . . do livro apocalíptico de Enoque (1 Enoque 1: 9). ”(Bruce, ibid.) 14. “Várias citações no Novo Testamento. . . são introduzidas como se tivessem sido tirados das escrituras sagradas, mas sua fonte não pode mais ser identificada. Por exemplo, as palavras “Ele deve ser chamado de Nazareno”, citado em Mateus 2:23 como “o que foi falado pelos profetas”. . . João 7:38 . . é introduzido pelas palavras “como a escritura disse” – mas qual escritura é referida? . . . não pode haver certeza. . . 1 Coríntios 2: 9. . . Tg 4: 5 . . ”(Bruce, ibid.) 15. Os Manuscritos do Mar Morto, da comunidade de Qumran, revelaram que eles não tinham Ester incluída em seu cânon. (Bruce, ibid.) 16. Quanto a Tobias, Jubileus e Enoque, fragmentos dos quais também foram encontrados em Qumran? . . . eles foram considerados canônicos pela comunidade de Qumran? Não há provas que justifiquem a resposta “sim”; por outro lado, não sabemos o suficiente para retornar a resposta “Não”. (Bruce, ibid.) 17. “Como Atanásio inclui Baruque e a ‘Epístola de Jeremias’. . . então ele provavelmente inclui as adições gregas a Daniel no livro canônico desse nome. . . ”(Bruce, ibid.) 18. Santo Atanásio exclui Ester do cânon. (Bruce, ibid.) 19. “Na prática, Atanásio parece ter prestado pouca atenção à distinção formal entre aqueles livros que ele listou no cânon e aqueles que eram adequados para a instrução de novos cristãos [ele cita Sabedoria de Salomão, Sabedoria de Siraque, Ester, Judite e Tobias]. . . e citou deles livremente, muitas vezes com as mesmas fórmulas introdutórias – “como está escrito”, “como diz a escritura” etc. “(Bruce, ibid.) 20. Os Concílios de Hipona em 393 (“na linha aprovada por Agostinho”) e o Terceiro Concílio de Cartago em 397:. . . parecem ter sido os primeiros concílios da igreja a fazer um pronunciamento formal sobre o cânon. . . ”(Bruce, ibid.) 21. Os Concílios de Hipona em 393 e Cartago em 397 “simplesmente endossaram o que havia se tornado o consenso geral das igrejas no ocidente e na maior parte do oriente. . . ”(Bruce, ibid.) 22. No entanto, Hipona e Cartago, junto com “O Sexto Concílio de Cartago (419)” incluiu “os livros apócrifos”. (Bruce, ibid.) 23. “Ao longo dos séculos seguintes, a maioria dos usuários da Bíblia não fez distinção entre os livros apócrifos e os outros: todos foram distribuídos como parte da Vulgata. . . ”(Bruce, ibid.) 24. “Diferenças de opinião também são registradas entre os tannaim (eruditos rabínicos da tradição que compilaram a Mishna, ou Lei Oral) e amoraim (que criou o Talmude, ou Gemara) sobre o status canônico de Provérbios, Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, e Ester. ”(Enciclopédia Britânica) 25. “Tudo isso indica um estado prolongado de fluidez em relação à canonização dos Ketuvim [“ os Escritos ”]. Um sínodo em Jabneh (c. 100 EC) parece ter decidido sobre o assunto, mas demorou uma ou duas gerações antes de suas decisões serem unanimemente aceitas e o Ketuvim considerado definitivamente fechado. ”(Enciclopédia Britânica) 26. “Um concílio provavelmente realizado em Roma, em 382, sob São Dâmaso, forneceu uma lista completa dos livros canônicos do Antigo Testamento. . . que é idêntico à lista dada em Trento. ”(O Dicionário Oxford da Igreja Cristã) 27. “Este cânon [de Cartago] permaneceu inalterado até o século XVI e foi sancionado pelo Concílio de Trento em sua quarta sessão.” (Philip Schaff, História da Igreja Cristã) Estabelecemos sem sombra de dúvida que o cânon do Antigo Testamento ainda não estava fechado durante todo o período do Novo Testamento e do período apostólico; Portanto, não é possível apelar a “consenso geral” para esses livros. Em ambos os casos, a autoridade da Igreja está necessariamente envolvida, e isso contraria a sola Scriptura e a antipatia protestante ou seletividade freqüente com relação ao desenvolvimento da doutrina.

  • A RELIGIÃO, ESTIMULADORA DAS ATIVIDADES HUMANAS (5) – Bispo Fulton J. Scheen

    Dom Bosco, santo e homem de ação Consideremos o argumento dos comunistas de que a religião torna o homem passivo. a) Provavelmente, não haverá maior perversão da verdade do que esta afirmação do Comunismo. O contrário é que é verdade. A religião é essencialmente dinâmica. A Igreja, é verdade, prega-nos a resignação à nossa própria sorte, mas isto não significa passividade. Antes, é uma resignação orientada para a ação. Resignação significa aceitação da nossa sorte enquanto se aguardam melhores coisas que devem ser alcançadas não por meio de revolução, mas mediante atuação inteligente. Não é esta a atitude de uma mãe para com seu filhinho? Ela se resigna à infância deste, mas isto não quer dizer que ela se recuse a criá-lo e educá-lo até que ele entre na adolescência e na maturidade. O lavrador que semeia a sua semente resigna-se ao fato de ter ela de crescer mediante um processo lento, misterioso, pois nem em pensamento pode ele aumentar um côvado à sua própria estatura. Porém semelhante resignação não significa que ele não deva cultivar a sua seara, ou não deva extirpar o joio ou receber com agrado a ação do sol e da chuva. De igual modo, quando a Igreja fala de resignação cristã, entende dizer que devemos trabalhar efetivamente pela melhoria social como o lavrador o faz com sua semente, isto é, que nos devemos capacitar de que toda reforma deve proceder de uma verdadeira consideração da natureza da coisa a ser reformada. Ela repudia o sistema comunista, por saber que não se pode criar um paraíso terrestre econômico mediante uma revolução, tão pouco como se pode fazer uma criança crescer acendendo-lhe uma bomba debaixo do berço. b) Por que é que os comunistas não podem ver esse fato óbvio de que, se a religião acentuasse a passividade do homem, então nunca admitiria a terrível realidade do pecado? O pecado não significa que o homem é consciente, deliberado e ativo, e que a criatura pode levantar o seu Non serviam contra o Criador? O próprio símbolo do Cristianismo, que é a Cruz, atesta melhor do que qualquer outra coisa a atividade do homem na religião. Diante dessa Cruz o homem não pode ficar indiferente; não pode ser passivo; ou tem de pregar nela o Salvador, ou tem de subir a ela para ser crucificado com Ele. Se a religião é passiva, por que então os comunistas hão de ser tão ativos para destruí-la? Acaso organizamos exércitos para matarmos aquilo que acreditamos serem cães mortos? Se a religião é passiva, por que então incentivava o martírio entre os católicos na Espanha? Realmente, se a religião é um ópio, é uma estranha espécie de ópio que faz mártires. c) Além disto, se for verdade que o Cristianismo lança toda a responsabilidade sobre Deus, então como explicarmos a sua filosofia do progresso técnico? De acordo com a Igreja, todo progresso na ciência e na tecnologia é devido à livre atividade do homem. Por que é que ela condena o quietismo, senão por ser ele bastante néscio para esperar que Deus diga por nós as nossas preces, como néscio é esperar que Deus venha em pessoa cultivar as nossas searas? Deus dá ao homem a graça para elevá-lo e sustentá-lo num estado sobrenatural; mas a invenção das suas máquinas, o incremento da sua agricultura, a melhoria da sua condição econômica deve vir dele mesmo, como causa secundária, ainda mesmo quando ele reconheça a Deus como causa primária. Um dos princípios mais básicos da filosofia católica é que o controle sobre a natureza, que é o requisito da ciência, só é possível a um espírito superior à natureza. Quer isto dizer que todo progresso científico, todo progresso técnico e adiantamento cultural procede do homem, cuja liberdade é conseqüência da espiritualidade da sua alma. Por que é que as pedras não podem conhecer? Por que é que a erva não pode pensar e refletir no seu crescimento? Por que é que o ferro, nas entranhas da terra, não pode clamar pela sua libertação? É porque essas coisas não têm um espírito desligado da sua materialidade; é porque cada uma delas está tão imersa na matéria, que não pode voltar-se sobre si mesma para jazer alguma coisa consigo mesma. Mas um homem pode justamente fazer isso; pode pensar sobre si mesmo, entristecer-se com os seus fracassos e alegrar-se com os seus êxitos, porque tem uma alma que transcende à matéria. É o espírito que o torna livre; e, pelo fato de ser livre da matéria, ele pode transformar a matéria: converter árvores em estátuas, pedras em edifícios, carvão em calor, e a insignificância de um carbono no brilho de um diamante. Porém o Comunismo, partindo do princípio de que só há matéria, é, por isso, incapaz de explicar o progresso científico, ou por que razão o homem pode edificar mil cidades diferentes, e uma formiga tem de construir sempre um formigueiro. Negar o espírito é negar a liberdade, negar a liberdade é arruinar a atividade criadora do homem — e tal é a essência do Comunismo. Daí achar-se ele na contingência de deixar inexplicada a própria coisa que ele exalta, ou seja o progresso técnico. Ele nos diz que a civilização muda com as suas ferramentas, mas não nos diz por que razão o homem faz ferramentas e não as fazem os esquilos. De fato, se há filosofia que torne o homem passivo, é a filosofia que diz ao homem que ele é apenas material; porquanto podeis imaginar algo mais passivo do que uma ferramenta? d) Finalmente, a religião é dinâmica porque se interessa pelo futuro. O Comunismo assevera que os pensamentos acerca do futuro tornam o homem passivo. Se isto é verdade, por que então eles insistem tanto no Plano Qüinqüenal? É o futuro ou é o presente que faz a vaca ficar satisfeita com o seu pasto? A verdade é esta: quanto mais ideal é o futuro, tanto mais forte é o incentivo à ação. O simples fato de eu ter que tomar uma refeição amanhã não reclama grande ação da minha parte hoje. Mas o fato de eu querer ser médico ou advogado em dez anos dá-me energias para dez anos de estudo. Ora, o futuro que a religião ostenta diante do homem não é somente uma consciência tranqüila todos os dias da sua vida, mas também uma eterna recompensa na outra. Destarte o cristão é convidado a ser um homem de ação tal, que, se lhe forem dados dez talentos, deve ele ganhar mais outros dez para conquistar o reino dos céus, e, se lhe forem dados cinco, deve ele ganhar mais cinco; porém ai dele se for passivo e enterrar o seu talento dentro de um guardanapo — então, até mesmo aquilo que ele tem ser-lhe-á tirado. A religião é tão ativa que baseia o seu incentivo numa intérmina vista de perfeição. Ao cristão é dito que ele deve não somente correr a corrida ou combater o bom combate, porém ganhar; e que a coroa só virá àqueles que são bastante enérgicos para tomar uma cruz, ser benignos para com os que blasfemam, bendizer os que os perseguem e dizer “perdoai-lhes” até mesmo àqueles que nos pregam numa cruz. Isto é ação, e o comunista que disser que não é deve experimentar viver por um dia a vida ativa de um santo. Então descobrirá que, quando se rouba a um homem o seu ideal futuro, rouba-se a esse homem a sua força motriz para agir. Porquanto, se esta vida é tudo, então que diferença faz, para o regime comunista, que eu viva mal ou bem? Se esta vida presente é um mero sonho entre dois vácuos, então por que construir um túmulo para Lenine e não o construir para um fiel cavalo velho numa fazenda coletiva? Se ambos têm o mesmo fim, e se ambos são materiais, então por que um deve ser honrado de preferência ao outro? Certamente, no fundo dos seus corações os comunistas devem perguntar-se que lhes aproveita encherem o mundo de tratores e perderem suas almas imortais. E, do momento em que eles fizerem a si esta pergunta, começarão a ser ativos como os cristãos, planejando não somente como hão de salvar suas colheitas, mas também como hão de salvar as suas almas. (Em: Bispo Fulton J. Scheen. Comunismo: ópio do povo. Petrópolis, Vozes, 1952).

  • O DIA EM QUE O PAPA ENTREGARÁ ÀS CHAVES DA IGREJA A JESUS CRISTO

    O DIA EM QUE O PAPA ENTREGARÁ ÀS CHAVES DA IGREJA A JESUS CRISTO TEXTO DO TEÓLOGO RUSSO, VLADIMIR SOLOVIEV: breve relato do anticristo Após um período de uma grande guerra mundial, fome e desgraça, aparece aquele que dará solução aos problemas desse mundo O Papado há muito fora expulso de Roma, e após muito vaguear encontrou refúgio em São Petesburgo, com a condição de evitar qualquer proselitismo ali e em todo o país. Os principais dirigentes da política européia, que pertenciam à poderosa irmandade maçônica, ressentiam a falta de um poder executivo comum. A unidade européia que tinha sido obtida a um custo exorbitante estava prestes a se estilhaçar. Não havia qualquer unanimidade no Conselho da União, pois nem todos os assentos estavam nas mãos dos maçons. O Imperador sobre-humano entendeu o que a massa desejava. Naquele tempo um grande mágico, abrigado em uma densa nuvem de fatos estranhos e histórias selvagens, veio até ele em Roma do Extremo Oriente. Um rumor, que se espalhou entre os neo-budistas, concedia a ele a origem divina em uma relação do deus-sol Suria e alguma ninfa dos rios. Esse mágico, Apolônio seu nome, era sem dúvida um homem de gênio. Metade europeu, metade asiático, um bispo católico in partibus infidelium, combinava em si mesmo de maneira marcante as últimas aplicações e conclusões da ciência ocidental com a arte de utilizar tudo que era verdadeiro e saudável no misticismo oriental. Os resultados dessa combinação eram Em um único ano, uma monarquia realmente universal no sentido próprio e verdadeiro da palavra se estabeleceu. As raízes das guerras foram radicalmente destruídas. A Liga Universal da Paz se encontrou pela última vez, e tendo realizado um panegírico exaltado ao Grande Pacificador, dissolveu-se devido à sua presente e futura irrelevância. No começo de seu segundo ano de reinado, o Imperador Mundial publicou um manifesto: “ Nações do Mundo! Eu lhes prometi a paz, e enfim a realizei. Mas a paz só é jubilosa com prosperidade. Na Rússia, o Papado rapidamente se simplificou. Deixando praticamente intocado o número de seus colégios e ofícios, foi obrigado a infundir em seus trabalhos um espírito mais fervoroso, e a reduzir ao máximo seus rituais e cerimônias elaborados. Muitos costumes estranhos e sedutores, apesar de não serem completamente abolidos, caíram por si mesmos em desuso. Em todos os outros países, particularmente na América do Norte, o sacerdócio católico ainda tinha um bom número de representantes dotados de uma forte vontade, energia inexaurível, e caráter independente, o que permitiu fundir a Igreja Católica em uma unidade desconhecida no passado, preservando sua importância internacional e cosmopolita. Quanto ao Protestantismo, que ainda era liderado pela Alemanha, especialmente desde a união da maior parte da Igreja Anglicana à Igreja Católica – o Protestantismo tinha se purgado de suas tendências excessivamente negativas, e os apoiadores dessas tendências decaíram na apatia e na descrença religiosa. A Igreja Evangélica continha agora somente aqueles que eram sinceramente religiosos. comandada por pessoas que combinavam um vasto conhecimento com um sentimento religioso profundo e um desejo crescente de trazer à vida em suas próprias pessoas a imagem viva do verdadeiro Cristianismo antigo. A Ortodoxia Russa, após os eventos políticos que alteraram a posição oficial da Igreja, perdera muitos dos seus milhões de falsos membros nominais; mas ganhara o júbilo da unidade com a melhor parte dos “velhos crentes”, até mesmo com os mais profundamente sectários. A Igreja revivificada, apesar de não crescer em números, começou a crescer na força do espírito, a qual revelou particularmente na luta com as numerosas seitas extremistas (algumas não inteiramente carentes de elementos demoníacos e satânicos) que estabeleceram raízes no povo e na sociedade. Nos primeiros dois anos do novo reinado, todos os cristãos, temerosos e cansados da quantidade de revoluções e guerras precedentes, olhavam para seu novo senhor e suas reformas pacíficas em parte com esperança benevolente e em parte com simpatia sem reservas e até mesmo entusiasmo fervoroso. Mas no terceiro ano, assim que o grande mágico fez sua aparição, sérios temores e antipatia começaram a crescer nas mentes de muitos ortodoxos, católicos e protestantes. O Evangelho e os textos apostólicos que falavam do Príncipe deste Mundo e do Anticristo eram agora lidos com mais cuidado e davam margem a conversas acaloradas. O Imperador logo percebeu alguns sinais de que uma tempestade estava se formando e resolveu encerrar o assunto apressadamente. No começo do quarto ano de seu reinado, publicou um manifesto a todos os verdadeiros cristãos, sem distinção de igrejas, convidando-os a eleger ou apontar representantes de peso para o congresso mundial a ser realizado sob sua presidência. Naquele tempo, a residência imperial foi transferida de Roma a Jerusalém. A Palestina já era uma província autônoma, habitada e governada principalmente por judeus. Jerusalém era uma cidade livre e agora imperial. Os locais sagrados cristãos permaneceram intocados,mas, sobre toda a grande plataforma de Haram-esh-Sheriff, passando por Birket-Israin e as tendas até a mesquita de El-Ax e o estábulos de Salomão, foi erigido um imenso prédio, que incorporava além das duas pequenas mesquitas antigas, um enorme templo imperial para a unificação de todos os cultos, e dois palácios imperiais luxuosos com bibliotecas, museus e apartamentos especiais para experimentos mágicos e exercícios. Era nesse prédio metade templo, metade palácio, que o congresso iria se realizar em 14 de setembro. Como a Igreja Evangélica não tem qualquer hierarquia no sentido próprio da palavra, a hierarquia católica e ortodoxa, seguindo o pedido expresso do Imperador, e para que que uma maior uniformidade de representação se desse, decidiu admitir aos procedimentos do congresso um certo número de membros laicos conhecidos por sua piedade e devoção aos interesses da Igreja. Entre os membros presentes, três homens eram particularmente conspícuos. O primeiro era o Papa Pedro II, que comandava legitimamente a parte católica do congresso. Seu predecessor falecera a caminho do Congresso, e um conclave foi realizado em Damasco, o qual elegeu com unanimidade o Cardeal Simone Barionini, que tomou o nome de Pedro. Ele era de origem plebéia, da província de Nápoles, e tinha se tornado famoso como pregador da Ordem Carmelita, tendo obtido grande sucesso em sua luta contra uma seita satânica que vinha se espalhando em São Petesburgo e imediações, seduzindo não somente os ortodoxos mas também os fiéis católicos. O novo Papa não tinha confiança alguma no Imperador, e olhava para ele com um olhar desaprovador, ainda mais com o fato de que o Papa recém-falecido, dobrando-se à pressão do Imperador, tinha tornado cardeal o Chanceler Imperial e grande mágico do mundo, o exótico Bispo Apolônio, que Pedro considerava um católico duvidoso e quase certamente uma fraude. O líder efetivo, mas não oficial, dos membros ortodoxos era o Ancião João, muito conhecido do povo russo. Oficialmente, ele era considerado um bispo aposentado, mas não vivia em um monastério, permanecendo sempre em viagem ao redor do mundo. Muitas histórias lendárias circulavam sobre ele. Algumas pessoas acreditavam que era Feodor Kuzmich, isto é, o Imperador Alexandre I, que tinha falecido há três séculos e agora retornava à vida. Outros iam além e diziam que ele era o verdadeiro Ancião João, isto é, o apóstolo João, que nunca morrera e que agora reaparecera nos últimos dias. Liderando os membros evangélicos estava o mais culto dos teólogos alemães, o Professor Ernst Pauli. Ele era um homem baixo e sábio, com uma grande testa e nariz e uma face perfeitamente barbeada. Seus olhos se distinguiam por uma ferocidade peculiar, mas ainda assim eram suaves. A abertura do congresso foi imponente. Dois terços do imenso templo, devotado à unificação de todos os cultos, estavam coberto de bancos e outros arranjos para os membros do congresso. O outro terço era tomado por uma plataforma elevada onde foram colocados o trono do Imperador e um trono menor um pouco abaixo, destinado ao grande mágico – que era ao mesmo tempo cardeal e chanceler imperial – e atrás deles fileiras de poltronas para os ministros, cortesãos e oficiais, enquanto ao lado estavam fileiras ainda mais longas de poltronas destinadas a não se sabia quem. A galeria estava tomada pela orquestra, enquanto na praça adjunta foram instalados regimentos de guardas e uma bateria de armas para os salves triunfais. Os membros do congresso já tinham comparecido às cerimônias respectivas nas várias igrejas: a abertura do congresso seria completamente laica. Quando o Imperador, acompanhado pelo grande mágico e sua corte, fez sua entrada, a banda começou a tocar a “ Marcha da Humanidade Unificada”, que era o hino internacional do Império, e todos os membros se levantaram, e, abanando seus chapéus, ecoaram três gritos entusiasmados: “Vivat! Hurrah! Hoch!” O Imperador, de pé em frente ao trono e estendendo sua mão com um ar de benevolência majestosa, proclamou com uma voz agradável e sonora: “ Cristãos de todas as denominações! Meus amados súditos, irmãos e irmãs! Desde o começo de meu reinado, que o Altíssimo abençoou com feitos gloriosos e maravilhosos, não encontrei nenhum motivo para me decepcionar com vocês. Vocês sempre realizaram suas tarefas em consonância com sua fé e consciência. Mas isso não é suficiente para mim. Meu amor sincero, meus caros irmãos e irmãos, exige reciprocidade. Desejo ser reconhecido como seu verdadeiro líder em toda e qualquer iniciativa executada para o bem-estar da humanidade, não por um mero senso de dever, mas sim pelo amor que vocês têm por mim. Portanto, além do que faço para todos, estou prestes a lhes mostrar a minha benevolência especial. Cristãos! O que posso lhes dar? O que posso lhes dar, não como súditos, mas como correligionários, meus irmãos e irmãs! Cristãos! Digam-me o que é a coisa mais preciosa do Cristianismo para vocês, afim de que direcione meus esforços neste sentido! Parou por um momento, esperando uma resposta. O salão reverberava com sons abafados. Os membros do congresso consultavam uns aos outros. O Papa Pedro, com gestos ardorosos, explicava algo a seus seguidores. O Professor Pauli, balançava sua cabeça e mordia ferozmente seus lábios. O Ancião João, dobrando-se diante dos bispos e monges orientais tranquilamente tentava transmitir algo a eles. Após esperar alguns minutos, o Imperador novamente se dirigiu ao congresso com o mesmo tom educado, no qual, no entanto, podia-se ouvir uma nota rarefeita de ironia: “ Caros cristãos”, disse ele, “Eu entendo como lhes é difícil me dar uma resposta direta. Vou ajudar-lhes. Desde tempos imemoriais, vocês caíram na infelicidade da divisão em várias denominações e confissões, de forma que hoje quase nada têm em comum. Como não conseguem concordar entre si, espero trazer a harmonia dando a cada denominação o mesmo amor e a mesma disposição em satisfazer o verdadeiro desejo de cada uma. “Caros cristãos! Sei que para muitos, e não os menores, a coisa mais valiosa do Cristianismo é a autoridade espiritual dada a seus representantes legais – claro que não para seu benefício pessoal, mas para o bem comum, já que sobre essa autoridade reside a verdadeira ordem espiritual e a disciplina moral necessária a todos. Caros irmãos e irmãs católicas! Quão bem compreendo sua visão de mundo, e como desejaria basear meu poder imperial na autoridade de sua liderança espiritual! Para que vocês não creiam que isso é somente adulação e palavras ao vento, eu, doravante, declaro solenemente que agrada ao poder autocrático que o Supremo Bispo de todos os católicos, o Papa de Roma, seja restaurado a seu trono em Roma com todos os antigos direitos e privilégios associados a seu título e concedidos por meus predecessores, de Constantino em diante. “Em troca, irmãos e irmãs católicos, desejo receber somente seu reconhecimento amoroso de minha pessoa como seu único protetor e patrono. Que aqueles que aqui me reconhecem em seus corações e consciências como seu único protetor e patrono se dirijam para o lado!” E aí apontou as cadeiras vazias da plataforma. E instantaneamente, quase todos os príncipes da Igreja Católica, bispos e cardeais, a maior parte do laicato e quase todos os monges, proclamando com exultação “Gratias agimus! Domine! Salvum fac Magnum imperatorem!”, ergueram-se à plataforma, e, inclinando humildemente suas cabeças diante do Imperador, tomaram seus assentos. Abaixo, no entanto, no meio do salão, reto e impávido, como uma estátua de mármore, permanecia o Papa Pedro II em seu assento. Todos aqueles que o cercavam estavam agora na plataforma. Mas a diminuta multidão de monges e fiéis que permanecia abaixo se moveu cada vez mais próxima dela, formando um denso círculo a seu redor. E podia-se escutar o murmúrio controlado que deles emergia: “Non praevalebunt, non praevalebunt portae inferni”. Com um olhar preocupado direcionado ao Papa imóvel, o Imperador novamente ergueu sua voz: “Caros irmãos e irmãs! Eu sei que há entre vocês muitos para os quais a coisa mais preciosa no Cristianismo é a tradição sagrada – os antigos símbolos, os antigos hinos e orações, os ícones e rituais antigos. O que, de fato, poderia ser mais precioso para uma alma religiosa? Saibam, então, meus amados, que hoje eu assinei um decreto e separei vastas somas de dinheiro para o estabelecimento de um museu mundial de arqueologia cristã em nossa gloriosa cidade imperial, Constantinopla. “Esse museu deverá ter o objetivo de coletar, estudar, e resgatar todos os monumentos da Igreja antiga, mais particularmente da Igreja Oriental; e peço que selecionem amanhã um comitê para decidir as medidas a serem tomadas, de forma que a vida moderna, a moral e o costumes sejam organizados o mais próximo possível das tradições e instituições da Sagrada Igreja Ortodoxa.” “ Meus irmãos e irmãs ortodoxos! Aqueles de vocês que favorecem esse desejo meu, que podem em sua consciência interior me chamar de verdadeiro líder e senhor, subam até mim!” Nesse momento a maior parte da hierarquia do Oriente e do Norte, metade dos antigos velhos crentes e mais da metade do clero, dos monges e do laicato ortodoxo se ergueu com exclamação jubilosa à plataforma, lançando olhares suspeitos aos católicos, que já ocupavam orgulhosamente seus assentos. Mas o Ancião João permanecia em seu lugar, e suspirou bem alto. E quando a multidão ao seu redor se afinou grandemente, deixou seu assento e se juntou ao Papa Pedro e seu grupo. Foi seguido pelos outros ortodoxos que não subiram à plataforma. Então o Imperador falou novamente: “ Estou ciente, caros cristãos, que há muitos dentre vocês que valorizam supremamente a posse pessoal da verdade e o livre exame das Escrituras. Não preciso aqui desenvolver minha visão acerca do assunto. Talvez vocês saibam que, na minha juventude, escrevi um longo livro sobre o criticismo bíblico, que gerou muitos comentários excitados e criou a base de minha popularidade e reputação. Em memória disso, presumo eu, a Universidade de Tubingen poucos dias atrás pediu que aceitasse o título de Doutor em Teologia honoris causa. Respondi que aceito com todo o prazer e gratidão. “E hoje, simultaneamente como o decreto do Museu de Arqueologia Cristã, assinei outro decreto estabelecendo um instituto mundial para o livre exame das Sagradas Escrituras de todos os pontos de vistas e em todas as direções possíveis, e para o estudo das ciências subsidiárias – para cujo fim reservo aqui e agora um milhão e meio de marcos. Conclamo a todos que olham com sinceridade para esse ato de boa vontade de minha parte e que são capazes de reconhecer-me, com sentimento verdadeiro, como líder soberano, que subam até o novo Doutor em Teologia.” Um estranho e sutil sorriso atravessou levemente os belos lábios do grande homem. Mais da metade dos doutos teólogos se moveu para a plataforma, mas de forma lenta e hesitante. Todos olhavam para o Professor Pauli, que parecia enraizado em seu assento. Ele abaixou sua cabeça, curvou-se e retraiu-se. Os doutos teólogos que já tinham chegado à plataforma pareciam se sentir estranhos, e um deles subitamente abaixou suas mãos em renúncia, e, tendo pulado escada abaixo, correu para o Professor Pauli e seus companheiros e lá ficou. Nesse momento, o Professor ergueu sua cabeça, se levantou sem parecer ter algum objetivo definido, e passou então pelos bancos vazios, acompanhado por seus correligionários que tinham resistido à tentação.Tomou seu assento ao lado do Ancião João, do Papa Pedro e de seus seguidores. A maior parte dos membros, incluindo agora quase todos os hierarcas do Oriente e do Ocidente, estavam na plataforma. Abaixo permaneciam apenas três grupos de membros, se aproximando cada vez mais ao redor do Ancião João, do Papa Pedro e do Professor Pauli. Agora, com uma voz ofendida, o Imperador a eles se dirigiu: “ O que mais posso dar a vocês, povo estranho? O que querem de mim? Não posso compreender. Digam-me vocês mesmos, cristãos, abandonados pela maioria de seus amigos e líderes, condenados pelo sentimento popular. O que vocês mais valorizam no Cristianismo” Foi aí que o Ancião João se levantou com uma vela branca e respondeu calmamente: “Grande Soberano! O que mais valorizamos no Cristianismo é o próprio Cristo – em sua pessoa. Tudo vem dele, pois sabemos que nele reside a plenitude da Divindade em carne. Estamos prontos, senhor, para aceitar toda dádiva de sua parte, desde que reconheça a mão do Cristo em sua generosidade. Nossa cândida resposta à sua pergunta, sobre o que pode fazer por nós, é esta: Confesse agora e diante de nós o nome de Jesus Cristo, o Filho de Deus, que veio na carne, se ergueu, e que retornará – Confesse seu nome, e nós o aceitaremos com todo amor como o antecessor de sua gloriosa segunda vinda” O Ancião terminou sua fala e fixou seus olhos na face do Imperador. Uma mudança terrível tinha se operado nela. Uma tempestade infernal agitava seu interior, como aquela que ele experimentou na fatídica noite. Tinha perdido completamente seu equilíbrio interior, e concentrava todos os seus pensamentos na preservação do controle exterior, para não se trair de forma inoportuna. Estava realizando um esforço sobre-humano para não se lançar com urros selvagens sobre o Ancião João e despedaçá-lo com seus dentes. Subitamente ouviu uma voz familiar de outro mundo: “ Permanecei em silêncio e nada temas! “ Ele permaneceu então em silêncio. Somente sua face, lívida como a morte, parecia distorcida e seus olhos esbugalhados. Enquanto isso, ainda durante a fala do Ancião João, o grande mágico, adornado de seu manto tricolor que cobria quase toda sua púrpura cardinalícia, podia ser visto manipulando freneticamente algo oculto abaixo dele. Os olhos do mágico estavam fixos e brilhantes, e seus lábios se moviam levemente. Através das janelas abertas do templo uma imensa nuvem negra podia ser vista cobrindo o céu. Logo, a completa escuridão se instalou. O Ancião João, impressionado e assustado, olhou para a face do Imperador silencioso. Subitamente voltou a si e, virando-se para seus seguidores, gritou com uma voz esmaecida: “Pequeninos, é o Anticristo!” Nesse momento, um grande raio atravessou o templo, seguido de um estrondo ensurdecedor. Ele acertou o Ancião João. Todos ficaram estupefatos por um segundo, e quando os cristãos emudecidos recuperaram os sentidos, o Ancião se encontrava morto no chão. O Imperador, pálido mas calmo, se dirigiu à assembléia: “Vocês testemunharam o julgamento de Deus. Eu não desejava tirar a vida de ninguém, mas o meu Pai Celestial vingou seu filho amado. Acabou. Quem se oporá ao Altíssimo? Secretários, escrevam isto: O Concílio Ecumênico do Todos os Cristãos, após um tolo oponente da Majestade Divina ser alvejado pelo fogo do céu, reconheceu unanimemente o soberano Imperador de Roma e de todo o Universo como líder supremo e senhor” De repente uma palavra, alta e distinta, atravessou o templo: “Contradicatur!” O Papa Pedro se ergueu. Sua face se avermelhou de sangue, e,tremendo de indignação, ergueu seu cajado na direção do Imperador: “ Nosso único Senhor”, disse ele, “ É Jesus Cristo, o Filho do Deus Vivo! E você acabou de escutar quem é! Fora! Caim, assassino! Vá embora, encarnação do demônio! Pela autoridade de Cristo, eu, o servo dos servos de Deus, expulso-o eternamente, cão sarnento, da cidade Deus, e entrego-o a seu pai Satanás! Anátema! Anátema! Anátema! Enquanto falava, o grande mágico se movia incansavelmente sob seu manto. Mais alto do que o último “Anátema!” soou o trovão, e o último Papa caiu morto no chão. “ Assim morrem todos os inimigos pela mão de meu Pai!” clamou o Imperador. “Pereant, pereant!” exclamaram os assustados príncipes da Igreja. O Imperador se virou e, apoiado pelo grande mágico e acompanhado por toda sua multidão, caminhou lentamente para fora da porta atrás da plataforma. Permaneciam no templo somente os corpos e um pequeno grupo de cristãos quase mortos de medo. A única pessoa que não perdeu o controle sobre si mesmo foi o Professor Pauli. O horror geral parecia ter elevado nele todos os poderes de seu espírito. Ele até mudou de aparência; seu semblante se tornou nobre e inspirado. Com passos determinados, caminhou até a plataforma, tomou um dos assentos antes ocupados por algum oficial, e começou a escrever em um pedaço de papel. Quando terminou, ergueu-se e leu em voz alta: “ Para a glória de nosso único Salvador, Jesus Cristo! O Concílio Ecumênico das igrejas de Nosso Senhor, reunindo-se em Jerusalém, com nosso abençoado irmão João, representante da Cristandade do Oriente, expôs o enganador, o inimigo de Deus como o verdadeiro Anticristo previsto nas Escrituras; e depois nosso abençoado pai, Pedro, representante da Cristandade do Ocidente, com toda a justiça e legalidade o expulsou para sempre da Igreja de Deus; agora, diante dessas duas testemunhas de Cristo, assassinados pela verdade, este Concílio Ecumênico decide: cessar toda comunhão com o excomungado e sua assembléia abominável, e ir para o deserto e ali esperar pelo retorno inevitável de nosso verdadeiro Senhor, Jesus Cristo.” O entusiasmo dominou a multidão, e elevadas exclamações podiam ser ouvidas de todos os lados. “Adveniat! Adveniat cito! Komm, Herr Jesu, komm! Come, Lord Jesus Christ!” O professor Pauli escreveu novamente e leu: “Aceitando unanimemente este primeiro e último ato do último Concílio Ecumênico, assinamos nossos nomes” – e aí convidou todos os presentes a fazê-lo. Todos correram para a plataforma e assinaram seus nomes. E por último na lista em grandes caracteres góticos podia-se ler: “Duorum defunctorum testium locum tenes Ernst Pauli.” “ Caminhemos agora com a arca de nossa última aliança,” disse ele, apontando para os dois mortos. Os corpos foram colocados em macas. Lentamente, cantando hinos latinos, germânicos e eslavos, os cristãos caminharam para o portão que levava para fora de Haram-esh-Sheriff. Ali a procissão foi parada por um dos oficiais do Imperador acompanhado por um esquadrão de guardas. Os soldados permaneceram na entrada enquanto o oficial lia: “Por ordem de sua Divina Majestade, para a iluminação do povo cristão e para sua proteção de homens sinistros que espalham a tentação e a rebeldia, consideramos necessário que os corpos dos dois agitadores, mortos pelo fogo dos céus, sejam publicamente exibidos na rua dos cristãos (Haret-em-Nasara), na entrada do principal templo de sua religião, conhecido com o Templo do Sepulcro de Nosso Senhor, ou templo da Ressurreição, para que todos se persuadam da realidade de sua morte. Seus seguidores obstinados, que ignominiosamente rejeitaram nossas dádivas e insanamente fecharam seus olhos aos sinais patentes do próprio Deus, por nossa misericórdia e presença diante do Pai Celestial, foram salvos de um morte merecida pelo fogo do céu, e serão deixados livres com a única proibição, necessária para o bem comum, de não viverem em cidades e outros lugares habitados, evitando com isso que possam perturbar e tentar os inocentes e ingênuos com suas invenções maliciosas” Quando os oficiais terminaram sua leitura, oito soldados, ao sinal do oficial, aproximaram-se das macas que carregavam os corpos. “Que se cumpra aquilo que foi escrito”, disse o professor Pauli. E os cristãos que seguravam as macas passaram-nas silenciosamente para os soldados, que foram embora através do portão noroeste. Os cristãos, tendo saído pelo portão nordeste, caminharam rapidamente rumo ao Monte das Oliveiras e depois Jericó, por uma estrada que tinha sido previamente esvaziada de outras pessoas por soldados e dois regimentos de cavalaria. Nas colinas áridas próximas de Jericó, decidiram esperar por alguns dias. Na próxima manhã, peregrinos cristãos simpáticos vieram de Jerusalém e contaram o que vinha ocorrendo em Sião. todos os membros do congresso foram convidados a um vasto salão real (próximo ao suposto assento do trono de Salomão), e o Imperador, dirigindo-se aos representantes da hierarquia católica, disse-lhes: que o bem-estar da Igreja exigia claramente a eleição imediata de um digno sucessor do apóstata Pedro; que sob as presentes circunstâncias a eleição deveria ser sumária; que a sua presença como Imperador compensaria amplamente as inevitáveis omissões no ritual; e que ele, em nome de todos os cristãos, sugeria que o Sacro Colégio elegesse seu amado amigo e irmão Apolônio, para que sua amizade próxima pudesse unir a Igreja e o Estado de forma firme e indissolúvel em benefício mútuo. O Sacro Colégio se retirou para uma sala separada para um conclave e, em uma hora e meia, retornou com seu novo Papa, Apolônio. No mesmo momento em que se desenrolava a eleição, o Imperador estava persuadindo os representantes ortodoxos e protestantes de forma humilde, sagaz e eloquente a colocar, em vista da nova grande era da história cristã, um fim a todas as dissensões antigas, dando sua palavra de que Apolônio extinguiria todos os abusos da autoridade papal conhecidos na história. Persuadidos pela fala, os representantes ortodoxos e protestantes realizaram um ato de unificação de todas as igrejas, e quando Apolônio apareceu com os cardeais no salão foi recebido com gritos de júbilo por todos os presentes, e um bispo grego e um pastor evangélico lhe apresentaram seu documento. “Accipio et approbo et laetificatur cor meum,” disse Apolônio, assinando-o. “Sou tanto verdadeiramente ortodoxo e protestante quanto sou católico,” acrescentou ele, e trocou beijos amistosos com o grego e o alemão. Dirigiu-se então ao Imperador, que o abraçou e por longo tempo o deteve em seus braços. Nesse momento, línguas de fogo começaram a voar pelo palácio e pelo templo. Elas cresceram e se transformaram em formas luminosas de seres estranhos e flores nunca dantes vistas caíram, preenchendo o ar de um perfume desconhecido. Sons encantadores de música, que moviam as profundezas da alma, produzidos por instrumentos pouco familiares, foram ouvidos, com vozes angelicais de cantores invisíveis cantando a glória do novo senhor do céu e da terra. De repente, um barulho subterrâneo terrível foi ouvido no canto noroeste do palácio sob “Kubbet-el-Aruah”, “ o domo das almas”, onde, de acordo com a crença islâmica, se escondia a entrada do inferno. Quando a assembléia, convidada pelo Imperador, dirigiu-se para aquele rumo, todos podiam escutar claramente inumeráveis vozes, agudas e penetrantes – infantis ou demoníacas- exclamando: “ O tempo chegou, libertem-nos, caros salvadores, caros salvadores!”. Mas quando Apolônio, ajoelhando-se no chão, gritou para baixo algo em uma língua desconhecida por três vezes, as vozes desfaleceram e cessou o barulho subterrâneo. Enquanto isso, uma vasta multidão cercava Haram-esh-Sheriff por todos os lados. A escuridão se instalou e o Imperador, junto ao novo Papa, mostrou-se no terraço leste – o sinal para uma tempestade de júbilo. O Imperador se curvou afavelmente para todos os lados, enquanto Apolônio tirava esplêndidos fogos e foguetes de grandes cestos trazidos pelos diáconos dos cardeais. Inflamando-os com um mero toque de suas mãos, lançou-os um após o outro no ar, onde brilhavam como pérolas fosforescentes e explodiam com todas as cores de um arco-íris. Quando chegavam ao chão, todas as faíscas se transformavam em incontáveis folhas de cores variadas, que continham a indulgência completa e absoluta de todos os pecados – passados, presentes e futuros. A exultação popular superava todos os limites. É verdade que muitos disseram ver com seus próprios olhos muitas dessas indulgências se transformarem em horrorosos sapos e cobras. Mas a maior parte do povo estava imensamente satisfeita, e as festividades populares se prolongaram por dias. Os prodígios do novo Papa superavam toda a imaginação, tornando uma tarefa desesperançosa a mera tentativa de descrevê-los. Nas montanhas desérticas de Jericó, os cristãos remanescentes se devotavam ao jejum e oração. Na noite do quarto dia, o Professor Pauli e nove companheiros, montados em asnos e levando consigo uma carroça, se esgueiraram em Jerusalém e, passando por ruas laterais de Haram-esh-Sheriff até Haret-em-Nasara, chegaram até a entrada do Templo da Ressurreição, à frente do qual, no pavimento, estavam os corpos do Papa Pedro e do Ancião João. A rua estava deserta naquela hora da noite, já que todos tinham ido para Hasam-esh-Sheriff. Os guardas dormiam pesadamente. O grupo que veio atrás dos corpos os encontrou intocados pela decomposição, nem mesmo duros ou pesados. Colocaram-nos em macas e cobriram-nos com capas que tinham trazido. Pela mesma rota intrincada, retornaram a seus seguidores. Mal tinham abaixado as macas até o chão quando subitamente o espírito da vida pôde ser visto voltando aos corpos. Os corpos se moveram sutilmente, como se estivessem tentando se livrar das capas em que estavam enrolados. Com gritos de alegria, todos ajudaram e logo ambos os homens ressuscitados se ergueram, seguros de si e saudáveis. Disse então o Ancião João: “ Ah, meus pequeninos, não partimos de forma alguma! Direi a vocês o seguinte: é hora de realizarmos a última oração de Cristo a seus discípulos – que eles possam ser um, assim como ele é um com seu Pai. Para essa unidade em Cristo, honremos nosso amado irmão Pedro. Deixem que ele finalmente pastoreie os rebanhos de Cristo. Ai está, irmão!” E colocou seus braços ao redor de Pedro. Então se aproximou o Professor Pauli. “ Tu est Petrus!”(“ Tu és Pedro!”) disse ao Papa, “Jetzt ist es ja grundlich erwiesen und ausser jedem Zweifel gesetzt”. “ ( Agora isso foi provado e colocado para além de qualquer dúvida”). E segurou firmemente a mão de Pedro com sua mão direita enquanto estendia a mão esquerda a João dizendo: “ So also Vaterchen nun sind wir ja Eins in Christo”(“ Agora, caro pai, somos um em Cristo”). Desta forma, a unidade das igrejas se realizou no meio da noite em um lugar elevado e deserto. Mas a escuridão noturna foi subitamente iluminada por uma luz brilhante e um grande sinal apareceu nos céus; era uma mulher, vestida com o sol e com a lua sob seus pés e uma coroa de doze estrelas em sua cabeça. A aparição permaneceu imóvel por muito tempo, e então começou a se mover lentamente na direção sul. O Papa Pedro ergueu seu cajado e exclamou: “ Eis o nosso estandarte! Sigam-no! E caminhou atrás da aparição, acompanhado tanto por ambos os anciões quanto por toda a multidão de cristãos, indo para a montanha de Deus, para o Sinai… não ignorava os preparativos para a consolidação do sucesso mundial do super-homem. Quando o Imperador transferiu sua residência para Jerusalém, espalhando secretamente entre os judeus o rumor de que seu principal objetivo era realizar a dominação do mundo por Israel, os judeus o proclamaram seu Messias, e sua exultação e devoção a ele não conhecia limites. Mas agora tinham se erguido subitamente, cheios de fúria e sedentos de vingança. Essa reviravolta nos eventos, prevista tanto nos Evangelhos quanto na tradição da igreja, foi narrada pelo Padre Pansófio com grande simplicidade e realismo. Vejam vocês, os judeus, que consideravam o Imperador como um israelita de sangue verdadeiro e perfeito, descobriram inadvertidamente que ele não era sequer circuncidado. No mesmo dia toda Jerusalém, e no outro toda a Palestina ergueu-se em armas contra ele. A devoção irrestrita e ardorosa ao salvador de Israel, o Messias prometido, deu lugar a um ódio ilimitado e ardoroso ao enganador, o impostor indecente. Toda a nação judia se ergueu como um só homem, e seus inimigos se surpreenderam ao ver que no fundo a alma de Israel vivia não pelos cálculos e aspirações de Mamón, mas por um poder que tudo absorvia – a esperança e a força de sua fé eterna no Messias. O Imperador, tomado de surpresa pela súbita explosão, perdeu todo o autocontrole e emitiu um decreto sentenciando à morte todos os judeus e cristãos insubordinados. Milhares e milhares de homens que não conseguiram se armar foram cruelmente massacrados. Mas um exército de judeus, composto de um milhão de homens, rapidamente tomou o controle de Jerusalém e prendeu o Anticristo em Haram-esh-Sheriff. O único apoio do Anticristo era uma porção de guardas que não eram fortes o suficiente para vencer a força do inimigo. Ajudado pela arte mágica do Papa, o Imperador teve sucesso em atravessar a linha inimiga, e rapidamente apareceu na Síria com um exército inumerável de pagãos das mais diferentes raças. Os judeus avançaram para encontrá-lo com poucas chances de sucesso. Mas mal tinham se encontrado os exércitos quando um terremoto de violência inaudita ocorreu. Um enorme vulcão, com uma cratera gigante, se ergueu no Mar Morto, ao redor do qual o exército imperial estava acampado. Rios de fogo fluíam rumo a um lago flamejante que engoliu o próprio Imperador, junto com suas forças inumeráveis – sem mencionar o Papa Apolônio, que sempre o acompanhava, e cuja mágica de nada serviu. Enquanto isso, os judeus se apressaram para Jerusalém, tomados pelo medo e o temor, clamando por salvação ao Deus de Israel. Quando a Cidade Santa já se encontrava a vista, os céus foram tomados por raios vívidos do leste ao oeste, e eles viram Cristo vindo até eles em seus paramentos reais, e as feridas dos pregos em suas mãos estendidas. Ao mesmo tempo, o grupo de cristãos comandado por Pedro, João e Paulo veio do Sinai a Sião e de vários outros cantos se aproximaram multidões triunfantes, consistindo de todos os judeus e cristãos que tinham sido mortos pelo Anticristo. Por mil anos, viveram e reinaram com o Cristo. #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja

  • O OUTONO DA IDADE MÉDIA NA MÚSICA: THOMAS TALLIS – Otto Maria Carpeaux

    Muitos outros “flamengos” poder-se-iam citar, entre os contemporâneos e sucessores de Josquin des Près: Fevin, La Rue, Gombert, Clemens non papa, Vaet, Hollander. Mas não adiantaria. Fora do círculo limitado dos musicólogos, são apenas nomes. Pelo menos, não será esquecido o do inglês Thomas Tallis (1505-1585), compositor insular que ainda cultiva o estilo de Josquin quando já o tinham abandonado no continente europeu. Mas já são palestrinianas suas imponentes Lamentationes Jeremiae. Seu motete Spem in alium e o Miserere (40 vozes) são imensas construções góticas, pedras de toque, até hoje, para a arte de cantar a capela dos coros ingleses. (Otto Maria Carpeaux, Uma nova história da música) Thomas Tallis – Lamentações de Jeremias (The Deller Consort)

  • AMARÁS

    Os dois maiores ou principais mandamentos do Cristianismo nasceram do pronunciamento direto de Jesus e estão contidos no texto de Marcos 12,28-34: “Achegou-se dele um dos escribas que os ouvira discutir e, vendo que lhes respondera bem, indagou dele: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor; amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças. Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento maior do que estes não existe. Disse-lhe o escriba: Perfeitamente, Mestre, disseste bem que Deus é um só e que não há outro além dele. E amá-lo de todo o coração, de todo o pensamento, de toda a alma e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, excede a todos os holocaustos e sacrifícios. Vendo Jesus que ele falara sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do Reino de Deus. E já ninguém ousava fazer-lhe perguntas.” O escriba indaga a Jesus: “Qual é o princípio ou norma básica, o mais importante, aquele mandamento do qual depende toda a Lei, os Profetas e os Escritos?! Jesus responde e indica os dois principais preceitos de toda a vida cristã ou revelação divina: 1) “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração…” 2) “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (cf. Levítico 19,18). E assevera Jesus: “Outro mandamento maior do que estes não existe.” Já no Antigo Testamentos encontramos paulatinamente os hagiógrafos resumindo os mandamentos para facilitar a compreensão e a vivência do povo, como é o caso de Amós 5,4: “Buscai-me e vivereis!” Moisés recebeu 614 (seiscentas e treze) ordenanças, sendo 365 (trezentas e sescenta e cinco) negativas/proibitivas e 248 (duzentas e quarenta e oito) positivas. 365 = número de dias do ano ou 365 veias do organismo humano (tradição judaica). 248 = número de partes do copro da pessoa humana (ossos e veias). O Rei David resumiu os preceitos a 11 (onze), conforme Salmos, 14 (15). Para residir no santo tabérnaculo de Javé é preciso: a) viver a inocência; b) praticar a Justiça; c) pensa o que é reto no seu coração; d) não tem língua que calunia; e) não faz mal a seu próximo; f) não ultraja seu semelhante; g) tem o malvado por desprezível; h) honra os que temem a Deus; i) quem sustenta o que jurou, mesmo com prejuízo seu; j) quem não empresta dinheiro com usura; k) quem nãoa ceita suborno para condenar um inocente. Isaías 33,14-16, por sua vez, diminuiu para 6 (seis) os preceitos: “Os pecadores em Sião ficam apavorados, um tremor tomou conta dos maldosos. Eles dizem: «Quem de nós poderá se hospedar junto ao calor desse fogo? Quem de nós poderá se hospedar nesse braseiro que não se apaga?» Quem age com justiça, quem fala com retidão, quem recusa o lucro da opressão, quem sacode a mão recusando o suborno, quem tapa os ouvidos a propostas sanguinárias, quem fecha os olhos para não ver o mal. 16 Esse vai morar nas alturas: fortaleza sobre a rocha será o seu refúgio, com abundância de pão e reserva de água.” No livro do profeta Miqueias 6,8 fala-se em 3 (três) principais preceitos: “Ó homem, já foi explicado o que é bom e o que Javé exige de você: praticar o direito, amar a misericórdia, caminhar humildemente com o seu Deus.” O profeta Habacuc 2,4 aduz: “o justo viverá por sua fidelidade” (cf. Romanos 1,7; Gálatas 3,11; Hebreus 10,38). Assim, devemos compreender que todos os outros mandamentos (mais de 1000) encontrados nas páginas do Novo Testamento só tem validade plena se forem vividos com base no resume apresentado por Jesus: AMARÁS [agaphseiV] O SENHOR, AMARÁS [agaphseiV] O TEU PRÓXIMO. Porque “a estes dois mandamentos estão sujeitos toda a Lei e os Profetas” (Mateus 22,40). Usar o nome de Deus é bem fácil, o difícil é viver Deus com compaixão no dia a dia: “DEUS É AMOR” (1 João 4,8). Paulo nos dá as principais características do AMOR (1 Coríntios 13): a) o amor é paciente; b) é bondoso; c) não é invejoso; d) não se vangloria; e) não se orgulha; f) não maltrata; g) não procura seus próprios interesses; h) não se irrita facilmente; i) não guarda rancor; j) não se alegra com a injustiça; k) se alegra com a verdade; l) tudo sofre; tudo crê; m) tudo espera; n) tudo suporta; o) nunca acabará. A Igreja tem a Trindade Santíssima como fonte ou nascedouro do verdadeiro AMOR. JESUS CRISTO é a própria graça encarnada (cf. João 1,14). A grande demonstração do amor de Deus por nós se chama JESUS CRISTO: “Mas Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo GRANDE AMOR com que nos AMOU, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo – é por graça que fostes salvos! -, juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus, com Cristo Jesus. Ele demonstrou assim pelos séculos futuros a imensidão das riquezas de sua graça, pela bondade que tem para conosco, em Jesus Cristo.” (Efésios 2,4-7). O AMOR é o grande MANDAMENTO NOVO que JESUS nos deixou na véspera de sua entrega vicária na Cruz do Calvário pela redenção do mundo: “Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (João 13,34-35). Na Quinta-feira Santa celebramos três pontos centrais da nossa fé: a) a instituição da Eucaristia (“Fazei isto em memória de mim”); b) a instituição do Sacerdócio ministerial pelo qual temos a Eucaristia; c) o presente do novo mandamento que o Senhor deu aos seus discípulos (descer do nosso posto para servir os irmãos: o episódio do Lava-pés). A Eucaristia é, pois, o memorial perpétuo do AMOR DE DEUS por nós. É o sacramento do serviço a Deus pelo serviço aos irmãos por meio da vivência do AMOR/ENTREGA: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (João 15,13). Sem AMOR é impossível ser cristão, é impossível o exercício da JUSTIÇA, pois a própria JUSTIÇA DE DEUS é proveniente ou impulsionada pelo AMOR: “Deus é um juiz íntegro,” (Salmos, 7,12). E desta maneira, firmados na Pedra Angular que é Cristo Jesus, devemo viver e ser. “Não julgueis pela aparência, mas julgai conforme a reta Justiça” (João 7,24). Tudo o que a pessoa é, possui e faz deve ser servido ao mundo dentro do sólido fundamento do amor a Deus e ao próximo. Oração: Ó Pai, que resumistes toda a lei no amor a Deus e ao próximo, fazei que, observando o vosso mandamento, consigamos chegar um dia à vida eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! #Bíblia #Cristologia #Igreja

  • A RELIGIÃO, DEFENSORA DOS POBRES (4) – Bispo Fulton J. Scheen

    São Vicente de Paulo A Igreja nunca foi unilateral a ponto de ensinar aos pobres somente os seus deveres. Os comunistas não podem apontar uma simples linha, em toda a história da Igreja, na qual ela tenha pedido aos pobres se submeterem à exploração. Pelo contrário, a Igreja ensina que o Estado tem deveres para com os pobres. Leão XIII diz: “Assim como o Estado pode tornar-se útil às outras classes, assim também pode melhorar muitíssimo a sorte da classe operária; e quanto mais se multiplicarem as vantagens desta ação de ordem geral, tanto menos necessidade haverá de recorrer a outros expedientes para remediar a condição dos trabalhadores” (Rerum Novarum n. 48). Não é apenas uma questão de caridade para com o pobre; é, antes, uma questão de verdadeira justiça, e uma questão que reclama aplicação estrita, se não por outra razão, ao menos pelo fato de serem os pobres a maioria. “Os pobres, com o mesmo título que os ricos, são, por direito natural, cidadãos; isto é, do número das partes vivas de que se compõe, por intermédio das famílias, o corpo inteiro da nação, para não dizer que em todas as cidades são o grande número. Como, pois, seria desrazoável prover a uma classe de cidadãos e negligenciar outra, torna-se evidente que a autoridade pública deve também tomar as medidas necessárias para salvaguardar a salvação e os interesses da classe operária. Se ela faltar a isto, viola a estrita justiça que quer que a cada um seja dado o que lhe é devido. A esse respeito São Tomás diz muito sabiamente: “Assim como a parte e o todo são em certo modo uma mesma coisa, assim o que pertence ao todo pertence de alguma sorte a cada parte” (Suma teológica II-II, q. 61, a. 1, 2). É por isso que, entre os graves e numerosos deveres dos governantes que querem prover, como convém, ao bem público, o principal dever, que domina todos os outros, consiste em cuidar igualmente de todas as classes de cidadãos, observando rigorosamente as leis da justiça, chamada distributiva” (Rerum Novarum, n. 49). Se houver possibilidade de escolha, devem os pobres ser favorecidos de preferência aos ricos: “Na proteção dos direitos particulares, o Estado deve preocupar-se, de maneira especial, dos fracos e dos indigentes. A classe rica faz das suas riquezas uma espécie de baluarte e tem menos necessidade da tutela pública. A classe indigente, ao contrário, sem riquezas que a ponham a coberto das injustiças, conta principalmente com a proteção do Estado. Que o Estado se faça, pois, sob um particularíssimo título, a providência dos trabalhadores, que em geral pertencem à classe pobre” (Rerum Novarum, n. 54). É precisamente contra a exploração dos pobres que o Pontífice protesta, e em particular contra essa exploração que o Comunismo pratica, a saber, o trato dos homens como outros tantos estômagos a fazerem dinheiro para o Estado. “No que diz respeito aos bens naturais e exteriores, primeiro que tudo é um dever da autoridade pública subtrair o pobre operário à desumanidade de ávidos especuladores, que abusam, sem nenhuma discrição, das pessoas como das coisas” (Rerum Novarum, n. 59). Nem é verdade, como diz Lenine, que a Igreja não faz outra coisa senão ensinar “aqueles que labutam na pobreza a vida toda a serem resignados e pacientes neste mundo, e consolá-los com uma recompensa no céu”. A verdade é o contrário: “Nem se pense que a Igreja se deixa absorver de tal modo pelo cuidado das almas, que põe de parte o que se relaciona com a vida terrestre e mortal. Pelo que em particular diz respeito à classe dos trabalhadores, ela faz todos os esforços para os arrancar à miséria e procurar-lhes uma sorte melhor. E, certamente, não é um fraco apoio que ela dá a esta obra só pelo fato de trabalhar, por palavras e atos, para reconduzir os homens à virtude. Os costumes cristãos, desde que entram em ação, exercem naturalmente sobre a prosperidade temporal a sua parte de benéfica influência; porque eles atraem o favor de Deus, princípio e fonte de todo o bem; comprimem o desejo excessivo das riquezas e a sede dos prazeres, esses dois flagelos que freqüentes vezes lançam a amargura e o desgosto no seio mesmo da opulência (1 Timóteo 6, 10); contentam-se enfim com uma vida e alimentação frugal, e suprem pela economia a modicidade do rendimento, longe desses vícios que consomem não só as pequenas, mas as grandes fortunas, e dissipam os maiores patrimônios” (Rerum Novarum, n. 42). Para que não fosse deixado vago o interesse pela prosperidade terrena do homem, Pio XI adita à concreta sugestão de Leão XIII uma recomendação que é o contrário do Comunismo, como seja — ajudar os trabalhadores a possuírem a propriedade. Não arrancá-la e tornar milionários os “leaders” do Partido Comunista; porém dá-la aos pobres como posse deles: “É, pois, necessário empregar energicamente todos os esforços, para que, ao menos de futuro, as riquezas granjeadas se acumulem em justa proporção nas mãos dos ricos, e, com suficiente largueza, se distribuam pelos operários; não para que estes se dêem ao ócio, — já que o homem nasceu para trabalhar como a ave para voar, — mas para que, vivendo com parcimônia, aumentem os seus haveres, aumentados e bem administrados provejam aos encargos da família; e, livres assim de uma condição precária e incerta qual é a dos proletários, não só possam fazer frente a todas as eventualidades durante a vida, mas deixem ainda por morte alguma coisa aos que lhes sobrevivem” (Quadragesimo Anno, n. 61). (Em: Bispo Fulton J. Scheen. Comunismo: ópio do povo. Petrópolis, Vozes, 1952).

  • Todos os Livros Bíblicos são Auto-Evidentemente Canônicos?

    Tradução: Todos os Livros Bíblicos são Auto-Evidentemente Canônicos? – Apologistas da Fé Católica Mesmo os livros de São Paulo foram contestados por pelo menos duas grandes figuras antigas, ou pelo menos não apresentados como “Escritura” em si. Por exemplo, não temos nenhuma evidência positiva de que São Justino Mártir (d. C. 165) considerasse Filipenses, 1, 2 Timóteo, Tito, Filemom, Hebreus, Tiago, 2 Pedro, ou 1, 2 e 3 João. como livros bíblicos. São onze dos 27 livros. O mesmo se aplica a 2 Timóteo, Tito e Filêmon, em relação a São Policarpo (c. 69 – c. 155). São Irineu, Orígenes, Tertuliano e São Clemente de Alexandria não afirmam expressamente que Filemom é canônico, no período compreendido entre 160 e 250. Além disso, 1 Pedro não foi considerado canônico no período de 30-160, e foi aceito pela primeira vez apenas por São Irineu (c. 130 – c. 200) e São Clemente de Alexandria (c. 150 – c. 215). O mesmo acontece com 1 João, que também foi aceito pela primeira vez por São Irineu. Ainda estava sendo disputado por uma minoria no período “tardio” de 250-325 (como foi 1 Pedro). O Livro de Atos era pouco conhecido ou citado no período de 30-160, e só gradualmente aceito de 160 a 250. Era ou não conhecido ou não citado por São Clemente de Roma, Santo Inácio e Papias, e a Didaqué (todos antes de 150 dC). São Justino Mártir, São Clemente de Alexandria, Tertuliano e Orígenes todos citam ou aludem a ele, mas não se referem especificamente a ele como uma Escritura Sagrada canônica ou inspirada. Isso dificilmente é consistente com um cenário de pouca dúvida ou “virtualmente nenhuma luta” sobre sua canonicidade (para não mencionar um típico ”zé” lendo e imediatamente discernindo que é Escritura sem ter o benefício da tradição Cristã previamente recebida e uma Bíblia atual). Todas as informações acima foram originalmente obtidas (para o meu primeiro livro) exclusivamente por fontes protestantes: Novo Dicionário Bíblico, Dicionário Oxford da Igreja Cristã, e De Deus para Nós: Como Temos a Bíblia (Norman L. Geisler e William E. Nix, Chicago: Moody Press, 1974). Tudo isso confirma minha alegação de que não é simplesmente uma questão fácil de ler todos os livros bíblicos e “saber” que eles são inspirados e canônicos apenas a partir de evidências internas. A autoridade da igreja era necessária, e essa é a minha principal disputa aqui. Eu estou me opondo aos protestantes que tolamente sustentam que a autoridade da Igreja não era necessária no estabelecimento do cânon. Uma abordagem racional e inteligente da questão do cânon exige que reconheçamos a complexidade do processo (e, eu diria, a necessidade da autoridade da Igreja em algum sentido, mesmo a partir de uma perspectiva protestante). Quanto aos livros eventualmente não decididos a fazer parte do cânon bíblico: os Atos de Paulo foram aceitos por Orígenes e apareceu em traduções gregas, latinas, siríacas, armênias e árabes. O Evangelho dos Hebreus que foi aceito por São Clemente de Alexandria. 1 e 2 Clemente e Salmos de Salomão foram incluídos no Codex Alexandrinus do início do quinto século. Eusébio (História Eclesiástica, 3, 16) nos diz que 1 Clemente era lido em muitas igrejas. A Epístola aos Laodiceanos, conhecida por ser uma falsificação por São Jerônimo, foi incluída em muitas Bíblias do sexto ao décimo quinto século; até mesmo reaparecendo nas Bíblias Protestantes Alemãs e Inglesas do século XVI. Norman Geisler nos informa que A Epístola de Policarpo para os Filipenses é parte dos “Apócrifos do Novo Testamento”, uma classificação de livros que ele descreve como aqueles que foram “aceitos por um grupo limitado de cristãos por tempo limitado, mas nunca ganharam muito reconhecimento amplo ou permanente ”(Ibid., pp. 121, 124). Ele inclui as sete epístolas de Inácio também. De acordo com F. F. Bruce (O Cânon das Escrituras, Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1988), A Pregação de Pedro foi “altamente considerada” por São Clemente de Alexandria (p. 194). Bruce também notou o trabalho aparentemente docético, Evangelho de Pedro: No segundo século, foi lido e apreciado por cristãos que estavam dispostos a considerá-lo como sendo composto por Pedro. Até Jústino Mártir parece citá-lo em um lugar. (p. 200) Bruce afirma que São Clemente de Alexandria chegou a citar o Evangelho “completamente gnóstico” segundo os egípcios “não uma, mas quatro vezes” (p. 189), explicando que “Clemente pode tomar um ditado gnóstico que atribui a Jesus e dar é uma reinterpretação ética que não ofende ninguém ”. O mesmo padre (exercendo o que Bruce chama de“ hospitalidade ”) citou com aprovação as Tradições de Matias e Oráculos Sibilinos (p. 191). Ele também citou declarações não canônicas de Jesus, conhecidas como agrapha. De acordo com Brooke Foss Westcott (Um Levantamento Geral da História do Cânon do Novo Testamento: Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 6ª edição, 1980, de 1889 edição, 110-111; cf. Bruce, ibid., 127 ), Jústino Mártir também cita repetidamente uma obra chamada Memórias dos Apóstolos (por exemplo, dez vezes em seu Diálogo com Trifão). Santo Atanásio pensou que a Didaqué era boa o suficiente para incluir ao lado dos livros canônicos, na mesma lista onde ele primeiro lista os 27 livros do NT, e para serem proveitosamente lido nas igrejas para edificação (Bruce, ibid., 209). São Cirilo de Jerusalém (d. 386) tomou a mesma posição (Ibid., 211), assim como Rufino (410) (Ibid., 225). São Pedro em 2 Pedro 3:16 (RSV) se refere às “cartas” de São Paulo, nas quais “Há algumas coisas difíceis de entender, as quais os ignorantes e instáveis distorcem para sua própria destruição, como fazem às outras escrituras. Mas tudo o que podemos determinar a partir disso é que Pedro considerou as escrituras de Paulo (isto é, aquelas de que ele estava ciente) como Escrituras. Nós não sabemos quantos ou quais ele estava falando. O International Standard Bible Encyclopedia afirma sobre o livro de Hebreus: O autor e seus leitores não eram discípulos pessoais de Jesus, mas haviam recebido o evangelho daqueles que haviam ouvido o Senhor (2: 3) e não estavam mais vivos (13: 7). . . . A passagem que é mais conclusiva contra a autoria paulina (2: 3) é igualmente conclusiva contra qualquer outro apóstolo sendo o autor. (Vol. II, 1357-1358, “Hebreus, Epístola aos”) Este padrão de referência bíblica protestante considera 2: 3 uma evidência “conclusiva” de que nenhum apóstolo escreveu a obra. São Paulo viu o Jesus ressuscitado. Portanto, Ele era uma testemunha de Jesus (1 Coríntios 9: 1, 15: 8; Atos 22: 6-11), e totalmente qualificado para ser um apóstolo, sobre esta terra bem conhecida. A definição bíblica de apóstolo é um tanto fluida e flexível (como é o caso da maioria dos ofícios bíblicos em seu estágio inicial de desenvolvimento), mas se apostolicidade e autoria conhecida são duas maneiras de identificar facilmente um livro como canônico, então Hebreus falha em ambos os casos. . A Igreja, por fim, reconheceu seu status intrínseco como Sagrada Escritura, mas não teria sido tão fácil para um indivíduo. Tem sido argumentado que a crença generalizada da Igreja primitiva de que o livro foi escrito por São Paulo foi a razão pela qual poderia ser aceito. Mas tal teoria não é evidente no livro em si. Só pode ser alcançada por comparações complicadas e análise interna, que é, naturalmente, além da capacidade média do indivíduo de determinar. A autoria de um apóstolo não era estritamente necessária na compreensão da canonicidade da Igreja primitiva. Alguns protestantes parecem achar necessário, mas não foi. Isso só tornou mais fácil concluir que um livro foi inspirado. F. F. Bruce explica isso: A insistência de Jerônimo de que a canonicidade não depende de uma autoria particular, nem mesmo da autoria apostólica, revela um insight que muitas vezes foi ignorado nas discussões sobre o cânon das escrituras, tanto em épocas anteriores quanto mais recentes. (O Cânon das Escrituras, 227) Bruce afirma que Santo Agostinho tomou a mesma opinião: [P]ara ele, como para Jerônimo, canonicidade e autoria são questões separadas. Como seu contemporâneo Jerônimo mais antigo, ele distinguia entre canonicidade e autoria apostólica. (Ibid., 232, 258) Os critérios antigos mais precisos para canonicidade são descritos por Bruce da seguinte forma: Mesmo em um período anterior, a autoria apostólica no sentido direto não era insistida, se alguma forma de autoridade apostólica pudesse ser estabelecida. . . . Se um escrito foi obra de um apóstolo ou de alguém intimamente associado a um apóstolo, deve pertencer à era apostólica. Escritos de data posterior, qualquer que seja seu mérito, não poderiam ser incluídos entre os livros apostólicos ou canônicos. (Ibid., 258-259) Bruce faz uma declaração interessante sobre o Evangelho de João: Jústino não diz nada sobre a autoria do Quarto Evangelho. . . O primeiro escritor conhecido a chamar o evangelista João é Teófilo, bispo de Antioquia c. 180 DC (para Autolycus, 2,22). (Ibid., 129) O autor de 1 João é anônimo. Acredito que todas as três epístolas foram escritas pelo apóstolo João, autor também do Evangelho que leva esse nome, mas, novamente, isso não seria necessariamente imediatamente ou facilmente aparente para um leitor casual. “Ancião” ou “presbítero” dificilmente é uma identificação conclusiva. Eu poderia escrever uma carta assinada, “o apologista” – mas isso dificilmente diria às pessoas que o autor era Dave Armstrong! O polemista anti-católico Ken Temple declarou: “Paulo e Pedro reivindicam inspiração em seus escritos: I Coríntios capítulo 2, 7: 1, 40, 2 Pedro 1: 12-21, 3: 1, 3:16.” Ele está distorcendo 1 Coríntios 2, para chegar a essa conclusão. Nenhuma das palavras usadas é uma prova convincente de inspiração. Pelo contrário, Paulo está expressando orientação pelo Espírito Santo de tal forma que todos os cristãos têm, ou deveriam ter. Obviamente, nem todos nós fomos inspirados a escrever as Escrituras. Assim, São Paulo escreve, por exemplo: “‘. . . o que Deus preparou para aqueles que o amam, ‘Deus nos revelou através do Espírito. . . ”(2: 9-10). Portanto, esta é uma iluminação espiritual, mas não apenas para os apóstolos e / ou escritores inspirados da Escritura, mas “para aqueles que o amam”. Em 2:12, ele explica que o Espírito interior nos ajuda a “compreender os dons que nos foram concedidos por Deus.” Isto não tem nada a ver com inspiração e Escritura, como indicado novamente em 2:13: “. . . aqueles que possuem o Espírito ”. Paulo continua seu ensino geral sobre o Espírito que habita em nós e discernindo as coisas espirituais, referindo-se aos“ dons do Espírito ”em 2:14 e“ o homem espiritual ”em 2:15. Quando ele conclui “Mas nós temos a mente de Cristo” (2:16), isso também não está se referindo apenas à inspiração dos escritores bíblicos. É um tema comum em Paulo (cf. Rm 8: 6, 27; 11:34; 15: 6; 1 Coríntios 1:10; cf. Hb 8:10). Além disso, o início do capítulo refere-se à anterior proclamação oral de Paulo, não às Escrituras escritas (2: 1-4). Tudo o que 1 Coríntios 7:40 nos diz é que Paulo tem “o Espírito de Deus”. Sim; o mesmo acontece com todos os cristãos (Jo 14: 16-18; Rm 8: 9-11; 1 Cor 2:12; 3: 16-17; 6:19; Gl 4: 6; 1 Jo 3:24; 4: 12- 16). Mas todos nós não escrevemos a Bíblia, não é? Então isso não prova exatamente nada, e é um raciocínio e exegese circulares desesperados. 2 Pedro 1: 19-21, por outro lado, na verdade aborda a inspiração (embora não prove o que Ken acha que isso prova). Todos nós concordamos que as Escrituras são inspiradas. Mas tecnicamente, Pedro não está aqui reivindicando inspiração para sua própria escrita, na qual ele faz essa observação; também há uma aplicação para a profecia falada em 1:21 (“homens movidos pelo Espírito Santo falaram de Deus”), que pode mais tarde ser registrada nas escrituras, mas não necessariamente são (e não há muita profecia no NT). Somente o autor do Apocalipse expressamente reivindicou inspiração (isto é, para a escrita que ele estava escrevendo, como ele estava escrevendo: como os profetas do AT reivindicavam inspiração direta). Uma vez que Pedro aqui se refere genericamente a “escritura” e “profecia”, e não ao seu presente escrito, isso não refuta minha alegação. Tudo o que isso faz é sugerir que as Escrituras são inspiradas, como todos os crentes cristãos concordam. Novamente, em 2 Pedro 3:16, Pedro chama os escritos de Paulo (ele não nos diz quais) “Escritura”. Claro: ninguém discorda. Eu não sei qual conexão 3: 1 tem com isso. Pedro diz que esta é sua segunda carta. Ele ainda não afirma que é a Escritura. Nós acreditamos que é. Talvez haja outras evidências internas sugerindo que sim, mas isso não refuta minha afirmação. Não podemos concluir que o fato de Pedro ter simplesmente chamado sua carta de uma carta significa que ela está chamando-a de Escritura, porque comparou as cartas de Paulo com as Escrituras. Isso não segue, mesmo que a carta de Pedro seja de fato a Escritura, como acreditamos. Eu não acho que os escritores bíblicos necessariamente sempre soubessem que o que eles estavam escrevendo era inspirado. Eles muitas vezes parecem não estar cientes, ou se assim for, não declaram tal coisa, em função da humildade. Quanto à minha opinião, tenho o apoio de F. F. Bruce (em sua seção “Inspiração”, no capítulo 21: “Critérios de canonicidade”): Por inspiração, neste sentido, entende-se que a operação do Espírito Santo, através da qual os profetas de Israel foram capazes de proferir a palavra de Deus. . . . Apenas um dos escritores do Novo Testamento baseia expressamente a autoridade do que ele diz em inspiração profética. O Apocalipse é chamado “o livro desta profecia” (por exemplo, Apocalipse 22:19); o autor sugere que suas palavras são inspiradas pelo mesmo Espírito de profecia que falou através dos profetas dos primeiros dias. . . Seu apelo em todo o Apocalipse não é para a autoridade apostólica, mas para a inspiração profética. . . Que eles [os livros do NT] foram (e são) tão inspirados não deve ser negado, mas a maioria dos escritores do Novo Testamento não baseiam sua autoridade na inspiração divina. . . quando ele [Paulo] precisa afirmar sua autoridade. . . ele repousa sobre a comissão apostólica que ele recebeu do exaltado Senhor. . . . A inspiração divina dos Evangelhos de Marcos e Lucas não deve ser negada, mas essas obras foram aceitas, primeiro como autoritárias e depois como escrituras canônicas, porque foram reconhecidas como testemunhas confiáveis dos eventos salvíficos. Clemente de Roma reconhece que Paulo escreveu “com verdadeira inspiração” [1 Clem. 47,3]. Mas ele faz reivindicações semelhantes para sua própria carta. [Nota de rodapé 38: 1 Clem. 63,2; cf 59: 1. . . A liberdade com a qual a idéia de inspiração foi usada por alguns dos padres da igreja é bem ilustrada por uma carta de Agostinho a Jerônimo, na qual se diz que a interpretação bíblica de Jerônimo é realizada “não apenas pelo dom, mas pelo ditado do Espírito Santo ‘(Agostinho, Epístola 82.2 = Jerônimo, Epístola 116.2). . .] . . . Da mesma forma, Inácio afirma falar e escrever pelo Espírito: ele, de fato, teve o dom da profecia (ocasional). “Não é de acordo com a carne que eu escrevo para você”, ele diz à igreja romana, “mas de acordo com a mente de Deus.” [Aos romanos, 8.3] . . . Mas neste estágio [o tempo de Orígenes] a inspiração não é mais um critério de canonicidade: é um corolário da canonicidade. “Não foi até que a fita vermelha do auto-evidente tivesse sido amarrada em torno dos vinte e sete livros do Novo Testamento que a“ inspiração ”poderia servir os teólogos como uma resposta à pergunta: Por que esses livros são diferentes de todos os outros livros? ‘ [Nota de rodapé 47: K. Stendahl, “O Apocalipse de João e as Epístolas de Paulo. . . ‘, P. 243 . .] (Ibid., 264-268) Sim, exatamente. Isso complementa perfeitamente e apóia meu argumento. Eu estou afirmando que uma maneira particular de determinar o cânon é inadequada. Também estou argumentando que a Igreja é necessária para que os cristãos tenham uma compreensão ou estrutura definida de quais livros são bíblicos e quais não são. Tal abordagem não é uma espécie de explosão “contra a Bíblia”. A Bíblia não pode ser usada para produzir um argumento baseado no que os livros bíblicos supostamente reivindicam, quando eles não o reivindicam. Decidir um cânon é diferente de fazer das Escrituras o que são, porque as Escrituras são inerentemente inspiradas. Em outras palavras, o cânon não é idêntico à Escritura, mais do que uma tabela de conteúdo é idêntica ao livro que descreve por capítulo. Eu não nego qualquer “auto-atestamento”; Eu apenas nego que isso por si só foi suficiente para estabelecer um cânon conhecido com limites definidos, ou que é uma característica tão abrangente de “todos” os livros bíblicos quanto alguns protestantes decifram.

  • Os Católicos Acreditam em Predestinação? Sim! Mas…

    Tradução: Do Catholics Believe in Predestination? Yes! But . . . | Dave Armstrong SALVAÇÃO Católicos não acreditam em predestinação *** Os católicos pensam que o livre arbítrio do homem é o determinante final da salvação Resposta inicial A Igreja Católica acredita na predestinação dos eleitos ou daqueles que são salvos; só nega que Deus predestine alguém para o inferno desde a eternidade, sem qualquer consideração de suas próprias decisões de livre arbítrio. Resposta extensa É uma percepção errônea comum que a Igreja Católica de alguma forma nega a soberania de Deus sobre Sua criação e Sua providência, ou controle final sobre todas as coisas, incluindo quem é salvo e quem está perdido. Muito do mal-entendido vem da noção de que se qualquer livre-arbítrio é permitido no homem (mesmo no sentido de cooperar com a graça de Deus) isso tira a soberania de Deus. Mas os católicos sustentam que a Bíblia ensina uma posição paradoxal de Deus estar no controle, enquanto o homem trabalha junto com ele. De uma maneira misteriosa, Suas obras ou decretos (inteiramente causados e capacitados por Ele) são feitos por nós mesmos, através da cooperação (Marcos 16:20; Atos 13: 1-4; 1Co 3: 8-9, 12: 6 2 Co 6: 1; Fp 2: 12-13. Uma das declarações dogmáticas mais claras da Igreja sobre esta questão foi feita no Concílio de Quiersy em 853: Redenção e Graça Cap. 1. Deus onipotente criou o homem nobre sem pecado com livre arbítrio, e cuja a quem Ele desejou que permanecesse na santidade da justiça, Ele colocou no Paraíso. O homem usando seu livre arbítrio pecou e caiu, e se tornou a “massa de perdição” de toda a raça humana. O justo e bom Deus, contudo, escolheu da mesma massa de perdição segundo a Sua presciência aqueles a quem pela graça Ele predestinou para a vida [Rom. 8:29 e segs .; Ef. 1:11], e Ele predestinou para essa vida eterna; os outros, que pelo julgamento da justiça ele deixou na massa de perdição, no entanto, Ele sabia que pereceriam, mas Ele não predestinou que eles pereceriam, porque Ele é justo; no entanto, Ele predestinou o castigo eterno para eles. E por conta disso falamos de apenas uma predestinação de Deus, que pertence tanto ao dom da graça quanto à retribuição da justiça. Cap. 2. A liberdade de vontade que nós perdemos no primeiro homem, nós recebemos de volta através de Cristo, nosso Senhor; e temos livre arbítrio para o bem, precedidos e auxiliados pela graça, e temos livre arbítrio para o mal, abandonados pela graça. Além disso, porque libertos pela graça e pela graça, curados da corrupção, temos livre-arbítrio. (em Henry Denzinger, As Fontes do Dogma Católico [Enchiridion Symbolorum], 13ª edição, traduzido por Roy J. Deferarri, 1955, nº 316-317, pp. 126-127) A dupla predestinação foi rejeitada pelo Concílio de Trento (1545-1563): Se alguém disser que não está no poder do homem tornar seus caminhos malignos, mas que Deus produz tanto o mal quanto as boas obras, não apenas com permissão, mas também de maneira própria e de Si mesmo, de modo que a traição de Judas não é menos seu próprio trabalho do que a vocação de Paulo: seja anátema. (em Denzinger, ibid., cânones em justificação: Canon 6, # 816, p. 258) A concepção católica da providência divina é brevemente delineada nesta declaração do Catecismo da Igreja Católica (nº 321): A providência divina consiste nas disposições pelas quais Deus guia todas as suas criaturas com sabedoria e amor até o seu objetivo final. Objeção Mas, ao permitir o livre-arbítrio nesse sentido, não significa que a criatura tenha a decisão final em vez de Deus, de modo que Deus não seja mais soberano? Resposta à objeção Isso não acontece, mesmo se a decisão de aceitar a graça de Deus é causada pela mesma graça, como os católicos acreditam (Trento: cânones sobre a justificação). Mas a alternativa horrível é a predestinação para o inferno a partir da eternidade, como na teologia de João Calvino: seu próprio mérito. . . . aqueles, então, a quem ele criou para a desonra na vida e destruição na morte. . . . . . seu decreto imutável de uma vez por todas os destinou à destruição. (Institutes of the Christian Religion, editado por John T. McNeill, traduzido por Ford Lewis Battles, Filadélfia: The Westminster Press, 1960, III, 23, 2; Vol. 2, 949; III, 24, 12, Vol. 2, 978; III, 24, 14, Vol. 2, 981; cf. III, 22, 11; III, 23, 1,4-5) São Tomás de Aquino (1225-1274) A causalidade da reprovação é diferente da predestinação. Pois a predestinação é a causa tanto do que é esperado no futuro, a saber, a glória, e do que é recebido no presente, a saber, a graça. Considerando que a reprovação não é a causa da falta presente, mas do resultado futuro, a saber, de ser abandonado por Deus. A culpa nasce do livre arbítrio da pessoa que deserta da graça. (Summa Theologica, I, 23, 4)

  • Reflexões Católicas Clássicas sobre a Penitência

    Tradução: Classic Catholic Reflections on Penance | Dave Armstrong I. PENITÊNCIA: INTRODUÇÃO / DEFINIÇÕES 1. Penitência A. Servo de Deus John A. Hardon, S. J. A virtude ou disposição do coração pela qual alguém se arrepende dos próprios pecados e se converte a Deus. Também a punição pela qual alguém expia os pecados cometidos, seja por si mesmo ou pelos outros. E finalmente o sacramento da penitência, onde os pecados confessados cometidos após o batismo são absolvidos por um sacerdote em nome de Deus. (Pocket Catholic Dictionary, Nova York: Doubleday Image, 1980, 320) B. Ludwig Ott A virtude da penitência, que é insistentemente recomendada tanto no Antigo como no Novo Testamento. . ., e que em todos os tempos foi uma pré-condição necessária para o perdão dos pecados, é essa virtude moral, que inclina a vontade de se afastar interiormente do pecado, e de fazer expiação a Deus por isso. Consiste no pesar da alma pelos pecados cometidos, na medida em que o pecado é um insulto a Deus, juntamente com um propósito de emenda. Manifestações externas da virtude da penitência são a confissão de pecados, a realização de obras penitenciais de todo tipo, por exemplo, oração, jejum, esmola, mortificações e o paciente cuidado de todas as provações enviadas por Deus. (Fundamentos do Dogma Católico, Rockford, Illinois: TAN Books, 1974, 416) II. PENITÊNCIA: EXPLICAÇÕES DE RAZÃO A. Bertrand Conway Não somente o pecador deve verdadeiramente se arrepender por seus pecados, ele também deve fazer satisfação por eles. Mesmo quando os pecados foram perdoados por Deus, muitas vezes permanece a responsabilidade de punição temporal para expiar o dano causado a Ele e para provocar a reforma do pecador. Deus freqüentemente requer satisfação do pecador pela transgressão de Suas leis, tanto natural quanto sobrenatural. O homem impuro pode ser perdoado por seu pecado e, ainda assim, ser punido por sua imoralidade devido a problemas de saúde; o assassino pode ser perdoado por seu crime e ainda ter que expiá-lo na cadeira elétrica. As Escrituras nos dizem que Deus perdoou desobediência de Adão, os israelitas no deserto por sua murmuração e idolatria, Moisés por sua falta de fé e Davi pelo seu assassinato, adultério e orgulho; mas todos eles foram severamente punidos por Ele (Gn 3:19; Êx 22: 14,27; Nm 14: 20-23; 20:12; Dt 32: 51-52; 2 Sm 12: 13-14, cap. 24 ). São Paulo também fala da doença e da morte como castigos temporais para as comunhões indignas (1 Coríntios 11: 30-32). (The Question Box, Nova York: Paulist Press, 1929, 293) B. Servo de Deus John A. Hardon, S. J. É uma verdade divinamente revelada que os pecados trazem punições infligidas pela santidade e justiça de Deus. Estes devem ser expiados nesta terra através das tristezas, misérias e provações da vida, e acima de tudo através da morte, ou então através de penalidades purificadoras na vida além. Além disso, eles devem ser expiados pelo próprio pecador ou também por outros que fazem reparação, tanto quanto possível, em seu lugar. O justo e misericordioso Deus impõe essas punições para a purificação das almas, a defesa da santidade da ordem moral e a restauração de sua glória à sua plena majestade. Todo pecado, acreditamos, provoca um distúrbio na ordem estabelecida por Deus, juntamente com a destruição de valores preciosos dentro do pecador e na comunidade humana. Os cristãos sempre consideraram o pecado não apenas como uma transgressão da lei divina, como é; eles também viram isto como desrespeito pela amizade entre Deus e o homem, uma ofensa contra o Criador, e uma rejeição ingrata do amor de Deus que nos mostrou de muitas maneiras, mas especialmente na pessoa de Jesus Cristo. Para obter a remissão completa dos pecados, portanto, duas coisas são necessárias. A amizade com Deus deve ser restabelecida por uma sincera conversão de coração, e devem ser feitas emendas pela injustiça cometida contra sua bondade. Além disso, no entanto, todos os valores pessoais e sociais e mesmo aqueles da natureza universal que foram diminuídos ou destruídos pelo pecado, devem de alguma forma ser reparados. Chame isso de reparação ou reintegração. O importante é que a restauração seja feita voluntariamente “compensando” o mal feito ou aceitando livremente as punições exigidas por um sábio e santo Senhor. Como as Escrituras declaram tão eloqüentemente, a própria existência e gravidade da punição deve nos impressionar com a loucura e a gravidade do pecado e suas conseqüências danosas para a humanidade. (Catecismo Católico, Gardem City, Nova York: Doubleday, 1975, 560-561) C. Ludwig Ott A virtude da penitência, que é insistentemente recomendada tanto no Antigo como no Novo Testamento (cf. Ez 18:21 e segs .; 33:11; Jr 18:11; 25: 5 e segs .; Joel 2:12 e ss .; Mt 3 : 2; 4:17; Atos 2:38), e que em todos os tempos foi uma precondição necessária para o perdão dos pecados, é essa virtude moral, que inclina a vontade de se afastar interiormente do pecado, e de fazer expiação a Deus para isso. Consiste no pesar da alma pelos pecados cometidos, na medida em que o pecado é um insulto a Deus, juntamente com um propósito de emenda. Manifestações externas da virtude da penitência são a confissão de pecados, a realização de obras penitenciais de todo tipo, por exemplo, oração, jejum, esmola, mortificações e o paciente cuidado de todas as provações enviadas por Deus. (Ott, ibid., 416) Os fiéis da terra podem, por suas boas obras realizadas no estado de graça, fazer expiação uns pelos outros. O efeito da expiação é a remissão da punição temporal pelo pecado. A possibilidade de expiação vicariante é fundada na unidade do Corpo Místico. Como Cristo, o Cabeça, em Seus sofrimentos expiatórios, tomou o lugar dos membros, assim também um membro pode tomar o lugar de outro. A doutrina das indulgências baseia-se na possibilidade e realidade da expiação vicariante. . . Mesmo no Antigo Testamento, a idéia de expiação vicariante por pessoas inocentes por culpa é conhecida. O inocente assume a responsabilidade pelo desagrado de Deus que o culpado mereceu, por meio de sacrifício para ganhar novamente o favor divino para o último. Moisés se oferece a Deus como sacrifício pelo povo que pecou (Êx 32:32). Jó traz a Deus um holocausto, a fim de expiar os pecados de seus filhos (Jó 1: 5). Isaías profetiza o sofrimento vicariante da expiação de Cristo como um resgate, como uma oferta em expiação pelos pecados da humanidade. O apóstolo Paulo ensina que também os fiéis podem expiar uns aos outros. Cl 1:24: “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja.” 2 Coríntios 12:15: `Mas eu mais de bom grado gastarei e serei gasto para suas almas. ”2 Timóteo 4: 6: ‘Estou agora pronto para ser sacrificado’ (isto é, sofrer a morte de um mártir). . . A possibilidade de merecer pelos outros baseia-se na amizade de Deus pelos justos e na comunhão dos santos. Mais eficaz do que esse mérito é a oração pelos outros. Cf. Tiago 5:16: Orar uns pelos outros, para que sejais salvos, porque a oração contínua do justo faz muito (cf. 1 Tm 2: 1-4). (Ibid., 317, 269) D. Concílio de Trento (1545-63) Sessão 14, 25 de novembro de 1551 Sobre o Santíssimo Sacramento da Penitência e Extrema Unção Capítulo 8: “Sobre a necessidade e o fruto da satisfação” Finalmente, no que diz respeito à satisfação – que, como é, de todas as partes da penitência, o que tem sido sempre recomendado ao povo cristão por nossos Padres,. . . – o santo sínodo declara que é totalmente falso, e alheio à palavra de Deus, que a culpa nunca é perdoada pelo Senhor sem que toda a punição também seja perdoada. Pois exemplos claros e ilustres são encontrados nas Sagradas Escrituras (Gen 03:16 ff., Num 00:14 ff., 20:11 e segs., 2 Sm 12:13 ff., Etc), segundo o qual, além de por tradição divina, esse erro é refutado da maneira mais simples possível. . . Pois, sem dúvida, essas punições satisfatórias remetem grandemente ao pecado e conferem como se fosse um freio, tornando os penitentes mais cautelosos e atentos ao futuro; são também remédios para os restos do pecado e, por atos de virtudes opostas, removem os hábitos adquiridos pelo mal vivido. Nem em verdade nunca existiu na Igreja de Deus de forma alguma algo mais seguro para desviar o castigo iminente do Senhor do que os homens fazeren, com verdadeira tristeza de espírito, estas obras de penitência (Mt 3: 8, 04:17, 11 : 21, etc.). Acrescente a estas coisas que, enquanto nós, assim, fazendo satisfação, sofremos por nossos pecados, somos feitos conformes a Jesus Cristo, que satisfez pelos nossos pecados (Rm 5:10, 1 Jo 2: 1 e ss.), do Qual procede toda suficiência (2 Coríntios 3: 5); tendo também, por meio disso, uma garantia muito certa de que, se sofrermos com Ele, também seremos glorificados com Ele (Rm 8:17). Nem se deve dizer que esta nossa satisfação, com que pagamos pelos nossos pecados, é tal, que não seja por Cristo Jesus; pois, não podendo coisa alguma por nós mesmos, tudo podemos com a cooperação daquele que nos conforta (Fp 4:13). Assim, o homem não tem onde se gloriar, mas toda a nossa glória está em Cristo (1 Coríntios 1:31, 2 Cor 10:17, Gl 6:14): em quem vivemos; em quem nós merecemos (cf. Atos 17:28); em quem nos satisfazemos; produzindo frutos dignos de penitência (Lc 3, 8), que dele são eficazes; por Ele são oferecidos ao Pai; e por Ele são aceitos pelo Pai. . . Porque os antigos Padres crêem e ensinam que as chaves foram concedidas aos sacerdotes não somente para desatar, mas também para ligar (cfr. Mt 16, 19; 18, 18; Jo 20, 23) [cân. 15]. E nem por isso julgaram eles que o sacramento da Penitência é o tribunal da ira ou do castigo; da mesma forma como nenhum católico jamais entendeu que com estas nossas satisfações se obscurece ou diminui em parte a eficácia do merecimento ou a satisfação de Nosso Senhor Jesus Cristo, a despeito dos Inovadores que dizem que a melhor penitência é a nova vida, e assim tiram toda a virtude e uso da satisfação. (Dogmatic Canons and Decrets, Rockford, Illinois: TAN Books, 1977 [orig. Nova York: 1912; Documentos dos Concílios de Trento e Vaticano I], 104-108) Cânones no Santíssimo Sacramento da Penitência Cânon III Se alguém disser que estas palavras de Nosso Senhor: Recebei o Espirito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados e a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos (Jo 22, 22 s) não se devem referir ao poder de perdoar e reter os pecados no sacramento da Penitência, segundo sempre o entendeu a Igreja Católica desde o princípio, mas as torcer, contra a instituição deste sacramento, para a autoridade de pregar o Evangelho — seja excomungado [cfr. n° 894]. Cânon XII Se alguém disser que Deus sempre perdoa toda a pena junto com a culpa, e que a satisfação dos penitentes não é outra coisa senão a fé com a qual crêem ter Cristo satisfeito por eles — seja excomungado [cfr. n° 904]. Cânon XIV Se alguém disser que as satisfações com que os penitentes por Jesus Cristo dirimem os pecados, não são culto de Deus, mas tradições dos homens, que obscurecem a doutrina da graça e o verdadeiro culto de Deus e o próprio benefício da morte de Cristo – seja excomungado [cfr. n° 905]. E. Expiação no Antigo Testamento (Novo Dicionário Bíblico) (Protestante) A expiação é garantida, não por qualquer valor inerente à vítima do sacrifício, mas porque o sacrifício é a maneira divinamente designada de assegurar a expiação. . . As vítimas custam algo, pois a expiação não é barata, e o pecado nunca deve ser negligenciado. . . Existem várias alusões à expiação, efetuadas ou contempladas por outros meios que não o culto. . . Assim, em Êx 32: 30-32, Moisés procura fazer expiação pelo pecado do povo. . . Finéias fez uma expiação matando certos transgressores (Nm 25: 6-8,13). Outras passagens podem ser citadas. (J. D. Douglas, editor, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1962, 108) F. Filipenses 3:10 “Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da sua Ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte,” G. Colossenses 1:24 Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja. i) Comentário bíblico de Wycliffe (protestante) Essa idéia deve ser entendida do ponto de vista do conceito hebraico de personalidade corporativa ilustrado na declaração gráfica de Jesus sobre sua igreja: “Por que me persegues?” (Atos 9: 4). . . União com Cristo envolve a união ipso facto com os sofrimentos de Cristo: [cita Rom 8:17]. . . A realidade corporativa ’em Cristo’ (Gl 2:20) deve ser atualizada em cristãos individuais; assim Paulo pode falar até de sua própria morte como um sacrifício (Fp 2:17; 2 Tm 4: 6). (Charles F. Pfeiffer e Everett F. Harrison, editores, The Wycliffe Bible Commentary, Chicago: Moody Press, 1962, 1339) ii) Novo Comentário Bíblico (Protestante) Cristo ainda está sofrendo com os sofrimentos do Seu povo. O que Paulo suporta é, portanto, uma extensão dos sofrimentos de Cristo. Esses sofrimentos são em nome do corpo, da igreja como um todo, não apenas da comunidade local. (D. Guthrie e J. A. Motyer, editores, The New Bible Commentary, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 3a edição, 1970; reimpresso em 1987 como The Eerdmans Bible Commentary, 1145) iii) Novo Dicionário Bíblico (Protestante) O sofrimento pode ter um novo significado para aqueles que são membros do corpo de Cristo. Eles podem compartilhar os sofrimentos de Cristo (2 Coríntios 1: 5 e segs .; Mc 10,39; Rm 8:17), e consideram-se comprometidos com uma carreira ou vocação de sofrimento (Fp 1:29; 1 Pedro 5: 1-2), uma vez que os membros do corpo devem ser conformados com a cabeça a este respeito (Fp 3:10, Rom 8:29), bem como em relação a sua glória. . . É inteiramente pela graça, e não de qualquer maneira por necessidade [também o ensino católico], que os sofrimentos nos quais o Seu povo participa com Ele podem ser mencionados como preenchendo o que está faltando em Sua aflição (Cl 1:24), e como dar companheirismo em Seu sofrimento vicarizante e redentor. (Douglas, ibid., 1221)

  • Deus ”não tem problema com estupro”?

    Tradução: Seidensticker Folly #6: God Has “No Problem with Rape”? | Dave Armstrong Em seu post, “Deus cria o mal” (4-27-18; atualização do post original de 8-20-14), Bob declarou: “Deus também não tem nenhum problema com o estupro (Deuteronômio 22: 28-9),. . Mais tarde, no artigo, Bob afirma que Deus “defendia” o estupro. Em outro trabalho (originalmente 12-13-13), Bob opinou: “A Bíblia. . . fala sobre quando o estupro está permitido ”. E novamente em 6-17-15:“ [A] Bíblia diz muito sobre todos os tipos de costumes e proibições matrimoniais embaraçosas sancionados por Deus:. . . Estupro por diversão e lucro. . .”Bem; vamos dar uma olhada em sua passagem e alegado “texto de prova”: Deuteronômio, 22: 28-29: “Se um homem encontrar uma jovem virgem, que não seja casada, e, tomando-a, dormir com ela, e forem apanhados, esse homem dará ao pai da jovem cinqüenta siclos de prata, e ela tornar-se-á sua mulher. Como a deflorou, não poderá repudiá-la em todos os dias de sua vida.” Em primeiro lugar, isso não significa “nenhum problema” com o estupro, na lei mosaica que acreditamos ter sido dada a Moisés e aos antigos hebreus por Deus. O apologista cristão Glenn Miller, que dirige o maravilhoso site Christian Thinktank, lidou com o tema do estupro na Bíblia em extensão extrema. Ele comentou essa passagem da seguinte maneira: Aqui está um caso claro em que o estuprador (1) roubou a capacidade da menina de garantir a paternidade e, ao fazê-lo, limitou enormemente suas opções futuras; e (2) limitou as opções do pai de organizar um bom casamento para ela. O estuprador agora é forçado a se tornar àquilo que ele ludibriou a garota – um marido “bom”. O dote da noiva de cinquenta shekels (veja abaixo na passagem do Êxodo 22.16) é de cinco anos de salário médio, e é o preço pago pelo faraó Amenófis III pelas mulheres de Gezer destinadas ao seu harém! O futuro da garota agora está garantido – ela tem uma fonte de apoio garantida (ele não pode se divorciar dela) – e ela tem um “grande” dote no depósito. A lei protegeu alguém que estava tentando ajudar a comunidade, preservando sua virgindade. Como tudo isso é de alguma forma considerado como Deus tendo “nenhum problema” com o estupro é, confesso, além das minhas capacidades racionais de compreender. É claro que Bob, em sua corrida para zombar de Deus e do Cristianismo, negligencia (por alguma razão estranha) incluir também a passagem imediatamente anterior: Deuterônomio, 22:25-27: “Mas se foi no campo que o homem encontrou a jovem e lhe fez violência para dormir com ela, nesse caso só ele deverá morrer, e nada fareis à jovem, que não cometeu uma falta digna de morte, porque é um caso similar ao do homem que se atira sobre o seu próximo e o mata: foi no campo que o homem a encontrou; a jovem gritou, mas não havia ninguém que a socorresse.” Isso soa como Deus sendo todo entusiasmado com estupro? O violador deve ser executado. Nada deve ser feito para a mulher porque ela não fez nada errado, e o estupro é análogo a alguém que está sendo assassinado. A diferença no caso anterior era que a mulher não era noiva (a diferença cultural disso foi explicada por Glenn Miller acima). No artigo “O que a Bíblia diz sobre agressão sexual?”, A Batista do Sul Katie McCoy escreve: A Bíblia não silencia sobre estupro. Os relatos de agressão sexual contra as mulheres são devastadores, até horripilantes. Mas eles não são empurrados sob um tapete ou silenciados. De fato, dos três relatos descrevendo uma mulher que foi sexualmente agredida, cada um deles precipitou uma guerra civil. Quando a filha de Jacó, Dinah, foi violada pelo filho de um governante vizinho, Siquém, seus irmãos o assassinaram, seu pai e todos os homens de sua cidade em vingança (Gênesis 34). Depois que a Concubina Sem Nome foi estuprada por gangues e deixada como morta pelos homens da tribo de Benjamim, as outras tribos foram guerrear contra eles ao ouvirem sobre sua injustiça (Jz 19-21). E depois que Tamar foi estuprada por seu meio-irmão, Amnom, seu irmão Absalão o matou e incitou uma rebelião contra seu pai, o rei Davi (2 Samuel 13). O estupro não foi encoberto nem ignorado. Em vez disso, foi respondido e vingado. Foi uma convulsão cultural tão grande que foi respondida com indignação e mais violência. Os casos de estupro nas Escrituras nos dizem algo sobre os casos de estupro que estamos ouvindo hoje: essas mulheres devem ser ouvidas e devem ser protegidas. O apologista cristão Kyle Butt, pega outra tática atéia repugnante em relação à Bíblia e ao estupro, em seu artigo “Deus não tolera estupro”: Os ateus militantes do século XXI se alegram em acusar Deus de tolerar as mais imorais imoralidades. Eles insistem que o Deus da Bíblia, especialmente do Antigo Testamento, era um vilão assassino culpado de muito pior do que seus súditos humanos. Richard Dawkins acusou Deus de ser um “valentão misógino, homofóbico, racista, infanticida, genocida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, caprichosamente malévolo” (2006, p. 31 [The God Delusion]). Uma tentativa que foi feita para reforçar estas acusações infundadas é sugerir que no Antigo Testamento Deus perdoa o estupro. Dan Barker comentou: “Se Deus lhe dissesse para estuprar alguém, você faria isso? Alguns cristãos, ignorantes das injunções bíblicas ao estupro, poderiam responder: “Deus nunca me pediria para fazer isso” (Barker, 1992, p. 331, acrescentado). Se o sincero buscador da verdade pedisse para ver as “injunções bíblicas de estupro”, ele ficaria impressionado com o fato de que tais injunções não existem. A passagem mais usada para “provar” que Deus tolera estupro é Números 31: 25-40. Nesta passagem, as moças que foram levadas cativas depois que Moisés destruiu os midianitas foram divididas entre os israelitas e os sacerdotes. Os sacerdotes foram responsáveis por 32 das mulheres. Os céticos freqüentemente sugerem que essas mulheres foram fornecidas para que os sacerdotes pudessem abusar sexualmente delas e estuprá-las. Mas nada poderia estar mais longe da verdade. O cético erra muito a esse respeito, seja devido à sua ignorância das instruções de Deus ou à desonestidade intencional. Em Deuteronômio 21: 10-14, Moisés declarou especificamente o que deveria ser feito com as mulheres cativas: Quando você sai para a guerra … e você vê entre os cativos uma linda mulher, e a deseja e a toma por sua esposa, então você a trará para sua casa, e ela raspará a cabeça e cortará as unhas. Tirará as roupas do seu cativeiro, permanecerá na sua casa e chorará o pai e a mãe um mês inteiro; depois disso, você pode ir até ela e ser seu marido, e ela será sua esposa (ênfase acrescentada). É importante entender que Deus nunca tolerou qualquer tipo de atividade sexual fora de um casamento legal. A única maneira pela qual um israelita seria moralmente justificado em ter relações sexuais com uma mulher cativa era se ele a fizesse sua esposa, concedendo-lhe os direitos e privilégios devidos a uma esposa. Observe que o homem israelita não podia “ir até ela” (um eufemismo para relações sexuais) até que ela tivesse observado um período de luto e purificação, e ele só poderia “ter com ela” com a intenção de ser seu marido. Quando as alegações dos céticos a respeito de Deus tolerarem o estupro são demolidas pelas instruções muito claras em Deuteronômio 21, o ataque geralmente é deslocado, e Deus é acusado de ser injusto por permitir prisioneiros de guerra ou escravidão de qualquer tipo, seja ou não o estupro permitido. . . . Para o cético implicar que Deus tolera estupro, usar Números 31, sem mencionar as instruções de Moisés em Deuteronômio 21, é inconcebível. É simplesmente outro exemplo de propaganda desonesta destinada a desacreditar Deus e a Bíblia.

  • A HUMILDADE DO SERVIR – 25º Domingo do Tempo Comum

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “O abraço de Deus aos humildes”, clicar AQUI. O maior pecado dos anjos está sempre se insinuando entre os seres humanos, assim como se insinuou entre os discípulos de Cristo: no Evangelho, os Apóstolos discutiam soberbamente pela Galileia “quem era o maior” entre eles. Jesus, porém, abraça uma criança e ensina-lhes que “são os humildes as pessoas dignas de seu abraço e de seu amor”. Assista a esta meditação do Padre Paulo Ricardo e deixe-se transformar pelo Deus que “resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes”! PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Sabedoria 2,12.17-20) O servo humilde posto à prova Os ímpios dizem: “Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina. Vejamos, pois, se é verdade o que ele diz, e comprovemos o que vai acontecer com ele. Se, de fato, o justo é ‘filho de Deus’, Deus o defenderá e o livrará das mãos dos seus inimigos. Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, para ver a sua serenidade e provar a sua paciência; vamos condená-lo à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro”. SALMO 53 O Senhor sustenta os servos humildes (Antífona): É o Senhor quem sustenta minha vida! — Por vosso nome, salvai-me, Senhor;/ e dai-me a vossa justiça!/ Ó meu Deus, atendei minha prece/ e escutai as palavras que eu digo! — Pois contra mim orgulhosos se insurgem,/ e violentos perseguem-me a vida;/ não há lugar para Deus aos seus olhos./ Quem me protege e me ampara é meu Deus;/ é o Senhor quem sustenta minha vida! — Quero ofertar-vos o meu sacrifício,/ de coração e com muita alegria;/ quero louvar, ó Senhor, vosso nome,/ quero cantar vosso nome que é bom! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (São Tiago 3,16-4,3) O servo humilde busca a sabedoria que vem do alto Caríssimos: Onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e toda espécie de obras más. Por outra parte, a sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura, depois pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento. O fruto da justiça é semeado na paz para aqueles que promovem a paz. De onde vêm as guerras? De onde vêm as brigas entre vós? Não vêm, justamente, das paixões que estão em conflito dentro de vós? Cobiçais, mas não conseguis ter. Matais e cultivais inveja, mas não conseguis êxito. Brigais e fazeis guerra, mas não conseguis possuir. E a razão está em que não pedis. Pedis, sim, mas não recebeis, porque pedis mal. Pois só quereis esbanjar o pedido nos vossos prazeres. EVANGELHO (São Marcos 9, 30-37) Servo humilde de todos Naquele tempo, Jesus e seus discípulos atravessavam a Galileia. Ele não queria que ninguém soubesse disso, pois estava ensinando a seus discípulos. E dizia-lhes: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará”. Os discípulos, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar. Eles chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: “O que discutíeis pelo caminho?” Eles, porém, ficaram calados, pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior. Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, disse: “Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas àquele que me enviou”. SERVO DE TODOS (Comentário de Scott Hahn) A primeira leitura de hoje pode nos ajudar a imaginar que ouvimos, por trás da parede, as murmuracões homicidas dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos escribas. Deles Jesus falou no Evangelho da semana passada, dizendo que eles o fariam sofrer e o matariam (v. Mc 8, 31; 10, 33-34). A liturgia nos convida a ver, nesta passagem do livro da Sabedoria, uma profecia da Paixão do Senhor. Ouvimos os seus inimigos se queixarem de que “o Justo” desafiou a sua autoridade, repreendendo-os por violar a Lei de Moisés e trair o que aprenderam como líderes e mestres do povo. E ouvimos palavras assustadoras que predizem as zombarias que se dirigirão ao Cristo pregado à cruz: “Se o justo é filho de Deus, Deus o ajudará e o livrará de seus adversários” (v. Sab. 2: 18; Mt 27,41-43) . O Evangelho e o Salmo hoje nos dão o outro lado da moeda com relação à primeira leitura. Em ambos, vemos os sofrimentos de Cristo a partir do seu ponto de vista. Embora seus inimigos o assediem, ele se oferece livremente em sacrifício, confiando que Deus o sustentará. Mas os apóstolos não entendem este segundo anúncio de sua paixão. Eles começam a discutir sobre sucessão; divergem sobre qual deles é o mais importante e quem será eleito líder depois que Cristo for morto. Outra vez, eles estão pensando não como Deus, mas como homens (v. Marcos 8, 33). E novamente Cristo ensina aos Doze — os dirigentes escolhidos de sua Igreja — a liderar imitando seu exemplo de amor e sacrifício de Si mesmo. Eles têm que ser “servos de todos”, especialmente dos fracos e desamparados, representados pela criança que Jesus abraça e põe no meio deles. Esta lição é também dirigida a nós. Devemos pensar como Cristo, que se humilhou a Si mesmo para nos salvar (Fil 2, 5-11). Temos que nos entregar livremente e oferecer tudo o que fazemos, como sacrifício de louvor ao Seu nome. Como o apóstolo São Tiago diz na epístola de hoje, devemos buscar a sabedoria que vem do alto: humilde, não arrogante; sempre pacífica e cheia de misericórdia. https://stpaulcenter.com/siervo-de-todos-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-25o-domingo-de-tiempo-ordinario/ https://stpaulcenter.com/servant-of-all-scott-hahn-reflects-on-the-twenty-fifth-sunday-in-ordinary-time/

  • PROFESSOR JESUS CRISTO

    JESUS PROFESSOR. Não é possível esquecer que Jesus foi professor, e o seu modelo de magistério é que está sendo abolido atualmente, sobretudo a necessidade de ser o mais claro possível naquilo que se ensina. “Que o teu sim seja sim, e o teu não seja não”, dizia o Mestre aos discípulos, “e o que passar disto vem do diabo.” A PEDAGOGIA DO CRISTO. Em seu modelo pedagógico distinguem-se, entre outros aspectos, a distinção de papéis entre quem ensina e quem aprende, o falar com autoridade e coragem sem deixar de ser humilde, a correção fraterna dos discípulos, a cobrança do conteúdo ensinado, o vínculo estreito entre o que se ensina e o que se vive, a dedicação em tempo integral à sua missão (e em qualquer lugar onde estivesse), nada ensinar que não seja útil à vida eterna e, o que só Ele podia fazer, entremeando um milagre aqui e ali para mostrar Quem era. JESUS NUNCA FEZ GREVE.  Jesus, que nem tinha onde reclinar a cabeça, também nunca reclamou do salário. Nem precisava: o que ensinava atraía de tal modo as pessoas, que nunca faltaram homens e mulheres de posses que lhe ajudassem materialmente. Não massificou seus ensinamentos. A cada faixa de público ensinava o que lhe fosse mais conveniente, tratando de forma diferente o público em geral, seus discípulos mais próximos e o círculo reduzido dos apóstolos. TÉCNICAS DIDÁTICAS DE JESUS. É impossível, também, não falar da utilização que Ele fez de técnicas didáticas adequadas a seu público, sobretudo a parábola, em que era ao mesmo tempo criador literário e intérprete da própria criação. A própria Palavra de Deus, tal como aparece nas Escrituras, é também alta literatura. Infelizmente, nossos cursos de Letras nunca tratam Jesus, o Verbo Encarnado, como poeta, e, no entanto, os Evangelhos possuem farto material para os estudiosos de literatura. O Autor da salvação humana e principal mestre da moral ocidental foi, também, um mestre da linguagem figurada. Um poeta, para resumir numa só palavra; o Poeta dos poetas, cujas frases ficaram gravadas para sempre na memória das pessoas, cultas ou iletradas. MESTRE DE ORAÇÃO. Professor Jesus Cristo, além de ensinar a melhor forma de viver, foi um grande mestre de oração, o maior de todos: ensinou a prece mais completa que existe, o Pai Nosso, que é a oração por excelência, onde em poucas palavras se condensam todas as coisas que temos de pedir a Deus. E não só ensinou a rezar, mas como rezar, recolhendo-se na solidão das horas mortas, em plena comunhão com o Pai. Nada há de mais sublime do que a prece cristã, essa linguagem especial para nos comunicarmos com Aquele que dá sentido às nossas vidas. O homem moderno, é certo, encontra sérias dificuldades em ajoelhar-se diante da magnificência divina, aceitando a misteriosa poesia da prece, com seu tom súplice de pedido humilde, de declaração explícita de inferioridade diante do Criador. Mas, se quiser salvar-se das tretas demoníacas, não há outra saída senão dobrar o joelho por terra e implorar: “Vinde, Senhor Jesus!”.

  • Vida de Santa Lúcia de Siracusa – Elfrico de Eynsham

    Tradução: Library : Life of St. Lucy | Catholic Culture O Renome de Santa Ágata [outra mártir virgem] espalhou-se pela terra e pelo mar, e uma grande multidão de Siracusa procurou com grande devoção o túmulo da virgem, a uma distância de oitenta quilômetros, na cidade de Catana. Então uma certa viúva chamada Eutíquia veio para a famosa tumba junto com outras, incluindo a bem-aventurada Lúcia. A viúva estava doente, tendo um fluxo sanguíneo pelo espaço de quatro anos, e tentara muitos médicos; mas todos eles não podiam curar o dela. Então, na missa, por acaso, foi lida como a mulher que tinha um fluxo de sangue foi curada quando tocou o manto do Salvador. Então a fiel Lúcia disse a sua mãe: “Se você acredita nesse conhecido evangelho, mãe, acredite que Ágata mereceu de Cristo, desde que ela sofreu por seu nome, que ela pudesse sempre vê-lo em sua presença, em eterna felicidade. Agora toque sua tumba e você estará imediatamente bem. ” Depois da missa, a mãe e a filha se prostraram em oração no túmulo. Enquanto eles estavam lá orando, Lúcia adormeceu e viu Ágata entre as hostes dos anjos, esplendidamente adornados, e chamou-a assim, gritando de cima: “Minha irmã Lúcia, verdadeira virgem de Deus, por que você me pede o que você mesmo poderia? Sua santa fé ajudou sua mãe: olhe, ela está completamente curada em Cristo, e mesmo que esta cidade seja famosa por mim através do favor de Cristo, então Siracusa será famosa por você, porque você se preparou para Cristo, em sua virgindade pura, como uma habitação pura “. Então Lúcia acordou. Ela levantou-se, tremendo por causa daquela visão brilhante, e disse à mãe: “Você está poderosamente curada. Agora eu peço a você, pelo mesmo que te curou com orações, que você nunca nomeie para mim qualquer noivo, nem espere de meu corpo qualquer fruto mortal. Sobre a propriedade que você me daria pela minha poluição, dê-me a minha castidade: porque eu vou a Cristo ”. Sua mãe disse: “Você conhece a minha riqueza, e eu guardei a propriedade de seu pai por nove anos contra todas as perdas, e aumentei ainda mais. Primeiro feche meus olhos, então descarte a propriedade como quiser, querida filha.” Então Lúzia disse, “ouça meu conselho; você não pode levar nada com você desta vida, e tudo o que você doa na morte pelo amor de Deus você dá porque você não pode levar com você. Dê agora ao verdadeiro Salvador, enquanto você é saudável, tudo o que você pretendia dar na sua morte “. Assim, Lúcia freqüentemente exortava sua mãe até que ela vendesse suas jóias brilhantes e até mesmo sua terra por dinheiro pronto, e a distribuiu aos pobres e a estranhos, a viúvas e exilados, e aos sábios servos de Deus. Isso chegou aos ouvidos do jovem nobre que estava cortejando Lúcia, que se chamava Pascásio. Ele era um pagão ímpio, que instigava a santa donzela a fazer oferendas aos demônios; mas a virgem do Senhor disse: “Uma oferta pura é essa, e aceitável a Deus, que se deve visitar viúvas e consolar exilados, e ajudar crianças órfãs em sua aflição. Por três anos eu tenho sido empregada sobre nenhum outro ato, mas Ofereci estas ofertas ao Senhor vivo, e agora desejo verdadeiramente oferecer-me a ele, porque durante algum tempo não tive nada para gastar em seu serviço. Então Pascásio ficou com raiva, e eles falaram muito até que ele lhe prometeu uma surra se ela não ficasse calada. Lúcia disse a ele: “as palavras do Deus vivo não podem ser suprimidas ou colocadas em silêncio”. Então ele perguntou-lhe caluniosamente: “O que, você é Deus?” Lúcia respondeu: “Eu sou a serva do Todo-Poderoso e, portanto, eu falo as palavras de Deus, uma vez que ele diz em seu evangelho:” Não é você quem fala lá, mas o Espírito Santo fala em você. Depois disso Pascásio perguntou arrogantemente: “Realmente! O Espírito Santo habita em você?” Lúcia respondeu ao ímpio e disse: “O apóstolo prometeu àqueles que preservam sua castidade que eles podem ser o templo de Deus e a habitação do Espírito Santo”. O ímpio disse: “Eu imediatamente farei com que os homens levem você à casa da prostituição, onde você perderá sua virgindade. O Espírito Santo fugirá de você quando você for assim desonrada”. Lúcia respondeu: “O corpo de ninguém está poluído para pôr em perigo a alma se não se agradou a mente. Se você fosse levantar a minha mão ao seu ídolo e assim me fazer oferecer contra a minha vontade, eu ainda estaria inocente à vista do verdadeiro Deus, que julga de acordo com a vontade e conhece todas as coisas.Se agora, contra a minha vontade, você me causar poluição, uma dupla pureza será gloriosamente imputada a mim.Você não pode dobrar a minha vontade para o seu propósito; seja o que você fazer para o meu corpo, isso não pode acontecer comigo “. Então o cruel quis cumprir sua palavra, levá-la a uma poluição repugnante e começou a arrastá-la para a casa da luxúria. Mas o poder de Deus foi exibido imediatamente na donzela: o Espírito Santo a abraçou e prendeu-a com grande peso, para que os iníquos não pudessem remover a donzela. Com cruel intenção, amarraram cordas a suas mãos e pés, e muitos puxaram ao mesmo tempo, mas ela não se comoveu: ela permaneceu firme como uma montanha. O ímpio Pascásio ficou perplexo e ordenou que falsos feiticeiros fossem trazidos a ele, para que pudessem dominar a virgem de Deus com seus encantamentos. Mas quando eles não tiveram sucesso, ele ordenou que os bois fossem atrelados a ela, mas mesmo assim eles não podiam mover a donzela. O assassino disse à pura donzela: “Por que mil homens não podem te mover, fraca como você é?” Lúcia disse-lhe: “Mesmo que você chamasse dez mil homens, eles ouviriam o Espírito Santo falando assim:” Cadente, um latte tuo mille, et decem millia a dextris tuis, tibi autem non ad pro- fininquabit malum. ‘Mil cairão ao seu lado, e então mil à sua mão direita, mas nenhum mal se aproximará de você. ‘” O ímpio ficou ainda mais perplexo, e ordenou aos homens que acendessem uma grande pilha em volta da donzela e a polvilhassem com breu e óleo. Ela permaneceu indiferente ao fogo e disse: “Eu obtive de Cristo em oração que este fogo mortal não tenha poder sobre mim, que você será envergonhado, e que este exemplo dissipará todo o medo da tortura dos crentes e tirará dos incrédulos sua alegria cruel. ” Então o ímpio ficou enlouquecido, e seus amigos não puderam aplacar sua loucura; mas eles insistiram para que ele matasse donzela pura com a espada. Então ela foi ferida, de modo que suas entranhas caíram, e ainda assim ela não morreu, mas continuou em oração o tempo que quisesse, e disse ao povo: “Eu lhes digo verdadeiramente que a paz é concedida à congregação de Deus, e o imperador furioso Diocleciano é deposto de seu império, e Maximiano, o malvado, está morto. Assim como a cidade de Catana dentro de seus muros tem as poderosas intercessões de minha irmã Ágata, eu também sou distribuída pelo Deus Todo-Poderoso a esta cidade de Siracusa para interceder para vocês, se vocês receberem a fé “. Enquanto ela falava assim, o perverso Pascásio foi amarrado com correntes e conduzido diante da virgem. Ele já havia sido acusado, por seus atos cruéis, com o povo romano, que governavam toda a terra. Ele foi trazido em correntes para Roma, e quando ele não pôde desculpar seus atos malignos, os senadores ordenaram que ele fosse decapitado. A bem-aventurada Lúcia permaneceu no mesmo lugar onde foi atingida até que os sacerdotes chegaram e administraram o sacramento com os santos mistérios, e ela partiu para Cristo enquanto eles estavam dizendo “Amém”. Então as pessoas criaram uma igreja no local onde ela estava e a santificaram em seu nome para a glória do Salvador que reina como Deus por toda a eternidade. Amém.

  • A RELIGIÃO E OS RICOS (3) – Bispo Fulton J. Scheen

    Papa Leão XIII Primeiramente, será verdade que a religião é o ópio do povo pelo fato de ensinar aos ricos os seus direitos? Desafiamos os comunistas a apontarem, em toda a história da Igreja, uma única passagem oficial em que ela use a religião como ópio do povo. Karl Marx nos seus melhores momentos e Lenine nos seus mais amargos, nunca protestaram com tanta justiça e com tanta delicadeza e exatidão contra a exploração dos pobres pelos ricos, como o fizeram Leão XIII e Pio XI. Será que esta advertência de Leão XIII, por exemplo, soa como se ele estivesse defendendo os direitos do rico?: “Os ricos e os patrões devem lembrar-se de que explorar a pobreza e a miséria e especular com a indigência, são coisas igualmente reprováveis pelas leis divinas e humanas” (Rerum Novarum, Ed. Vozes, n.º 32). E Pio XI, com maior ênfase, condena os ricos que são réus de exploração e de domínio: “É coisa manifesta que em nossos tempos não só se amontoam riquezas, mas se acumula um poder imenso e um verdadeiro despotismo econômico nas mãos de poucos, que as mais das vezes não são senhores, mas simples depositários e administradores de capitais alheios, com que negociam a seu talante. Este despotismo torna-se intolerável naqueles que, tendo nas suas mãos o dinheiro, são também senhores absolutos do crédito e por isso dispõem do sangue de que vive toda a economia, e de tal maneira a manejam, que ninguém pode respirar sem sua licença. Este acumular de poderio e recursos, nota característica da economia atual, é conseqüência lógica da concorrência desenfreada, à qual só podem sobreviver ordinariamente os mais fortes, isto é, os mais violentos competidores e que menos sofrem de escrúpulos de consciência. Por outra parte, este mesmo acumular de poderio gera três espécies de lutas pelo predomínio: primeiro luta-se por alcançar o predomínio econômico; depois combate-se renhidamente por obter o predomínio no governo da nação, a fim de poder abusar do seu nome, forças e autoridade nas lutas econômicas ; enfim, lutam os Estados entre si, empregando cada um deles a força e influência política para promover as vantagens econômicas dos seus cidadãos, ou ao contrário empregando as forças e predomínio econômico para resolver as questões políticas que surgem entre as nações” (Quadragesimo Anno, Ed. Vozes, nº 105-108). Nessa mesma Encíclica o Santo Padre parece insinuar que, a menos que os ricos ponham a sua casa em ordem, devem estar preparados para a subversão da sociedade que o Comunismo fará cair sobre eles: “Digna de censura é a inércia daqueles que não tratam de suprimir ou mudar um estado de coisas que, exasperando os ânimos, abre caminho à subversão e ruína completa da sociedade” (Quadragesimo Anno, Ed. Vozes, nº 112). Não há aqui, da parte da Igreja, apelo em favor disso a que chamamos liberdade econômica de amontoar riqueza sem consideração com a justiça social; Leão XIII também já condenara esse erro do Liberalismo. As Encíclicas indicam muito bem que a riqueza protege aqueles que a possuem, e não os que não a possuem; que a iniciativa abre novos horizontes para aqueles que podem conseguir a independência, mas não para aqueles que são escravos de salários semanais. Mas, pelo fato de haver a riqueza muitas vezes redundado em exploração, a solução das Encíclicas não é a dos comunistas, que quereriam destituir os homens da sua propriedade. O Santo Padre sustenta que a solução dos nossos males não está na destituição, porém na distribuição; se há ratos no celeiro, não é isto razão para que se toque fogo ao celeiro; é razão somente para que se enxotem os ratos. Nem é verdade, como Lenine insinuou, que a Igreja pede aos ricos serem caridosos com o fim de cobrirem as suas injustiças, dando-lhes assim um bilhete fácil para o céu. Como Pio XI afirma: “As riquezas terrenas não são garantia daquela bem-aventurança que nunca findará, antes pelo contrário, porquanto os ricos deveriam tremer ante a ameaça de Jesus Cristo — ameaça tão estranha na boca de Nosso Senhor, — de que muito estrita conta deve ser dada ao Supremo Juiz por tudo quanto possuímos”. E se isto ainda não é bastante forte, então ouçamos as palavras de Pio XI sobre a caridade em relação com a justiça: “Com tal estado de coisas (divisão da sociedade em duas classes) facilmente se resignavam os que, nadando em riquezas, o supunham efeito inevitável das leis econômicas, e por isso queriam que se deixasse à caridade o cuidado de socorrer os miseráveis; como se a caridade houvesse de cobrir estas violações da justiça, que os legisladores toleravam e, por vezes, sancionavam” (Quadragesimo Anno, Ed. Vozes, n.º 4). Em face destas afirmações oficiais da Igreja, semelhante às quais nem uma simples página existe em toda a literatura comunista, imediatamente evidente deveria ser que a religião não é o ópio do povo pelo fato de ensinar aos ricos os seus direitos. Estas passagens do Santo Padre acentuam, antes, os deveres dos ricos, e para um comunista é muito inconveniente acusar a Igreja de se aliar somente com os ricos, quando às almas a ela consagradas ela pede fazerem voto de pobreza. Não podemos colher uvas de abrolhos; como então poderia a Igreja colher da sua vinha o Pobrezinho de Assis, se plantasse somente o amor dos ricos? (Em: Bispo Fulton J. Scheen. Comunismo: ópio do povo. Petrópolis, Vozes, 1952).

  • QUANDO O PADRE SE TORNA ATEU – Anthony Esolen

    “[…] Cada sacerdote é um homem como qualquer outro, e pode sofrer o mesmo que qualquer um de nós. Mas se perguntarmos quais são os perigos especiais para a fé do sacerdote, temos que concluir que, em nosso mundo, eles fizeram morada ao lado do poder, do conforto e do prestígio, e não ao lado da fraqueza, da privação física e humilhação. Não estou fazendo uma acusação, nem dizendo que os padres deveriam submeter-se a uma dieta de pão e água. Estou só reconhecendo um fato: nossos sacerdotes não perdem a fé por perseguição, mas por complacência. O que acontece, se eles perdem a fé? Mais uma vez devemos ter o cuidado de lembrar os emaranhados e contradições que existem no coração humano. Nós fugimos da dura verdade. O desgraçado cardeal McCarrick pode ter acreditado que acreditava. Mas o que alguém faria se estivesse se tornando ateu, e toda a sua vida tivesse sido direcionada apenas para uma coisa: o ministério de Deus? Já não poderia voltar ao antigo negócio, porque não teve nenhum. Não poderia vender seus serviços, porque não tem nenhum serviço para vender. Não poderia se dar ao luxo de entrar para uma escola, mesmo que pudesse suportar o constrangimento. Sem o hábito do trabalho físico pesado, não poderia trabalhar com uma equipe de paisagismo. Deveria, enfim, permanecer onde está. Se essa pessoa é sincera, vai rezar e rezar, mortificar-se, procurar um diretor espiritual sadio e enfrentar a tempestade. Mas se é fraca e insincera, deixará a fé ficar cada dia mais tênue, enquanto, para sustentar sua imagem, dirá a si mesmo que é o precursor de uma nova fé, de uma nova maneira de acreditar. […]” (Trechos de artigo de Anthony Esolen publicado aqui, em The catholic thing, no dia 16/09/2018)

  • Oração Formal Não é ”Vã Repetição”

    Tradução: Biblical Evidence: Formal Prayer Isn’t “Vain Repetition” | Dave Armstrong ***** Salmos 136: 1-5 [1] Dai graças ao SENHOR, porque ele é bom, porque o seu amor constante dura para sempre. [2] Dai graças ao Deus dos deuses, porque o seu amor constante dura para sempre. [3] Dai graças ao Senhor dos senhores, porque o seu amor constante dura para sempre; [4] para aquele que sozinho faz grandes maravilhas,porque o seu amor constante dura para sempre; [5] àquele que, inteligentemente fez os céus, porque o seu amor constante dura para sempre; A mesma frase exata é repetida em 26 versos seguidos, para todo o Salmo. Obviamente, então, Deus não se opõe a toda repetição. Repetição é um dispositivo usado em todos os Salmos e também em Provérbios e nos profetas. Por exemplo, no Salmo 29, “voz do Senhor” é repetida sete vezes em tantos versículos. “Tu tens” é repetido em seis versos diretos no Salmo 44: 9-14. Instruções relativas à Lei mosaica nos cinco primeiros livros são extremamente repetitivas. Instruções elaboradas e meticulosas para a arca da aliança (Êx 25: 1-22), o tabernáculo (Êx 25: 23-40; capítulos 26-27) e o Templo (1 Reis, capítulos 6-7) ilustram a altamente natureza ritualística do culto hebraico (ver também Levítico 23: 37-38 e 24: 5-8). Os quatro evangelhos frequentemente repetem os ditos uns dos outros. Muitos outros exemplos podem ser citados. Mateus 6:7:“Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras.” Jesus está discutindo “frases vazias”. O battalogeo grego aqui significa “repetir futilmente” ou “frases sem sentido e mecanicamente repetidas”. Assim, o Senhor está condenando orações proferidas sem a devida reverência ou respeito a Deus. Apocalipse 4:8:“Estes Animais tinham cada um seis asas cobertas de olhos por dentro e por fora. Não cessavam de clamar dia e noite: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Dominador, o que é, o que era e o que deve voltar.” Deus está preocupado com as disposições interiores e a justiça do adorador, e adesão aos Seus mandamentos (por exemplo, Is 56: 6-7; Jr 17: 24-26; Mal 1:11), não com aparência exterior ou quantas vezes algo é repetido (o que é contradito pelo Salmo 136 e a passagem acima). Este é um tema comum nas Escrituras, e é visto nas seguintes passagens: Isaías I: 13-17: “De nada serve trazer oferendas; tenho horror da fumaça dos sacrifícios. As luas novas, os sábados, as reuniões de culto, não posso suportar a presença do crime na festa religiosa. Eu abomino as vossas luas novas e as vossas festas; elas me são molestas, estou cansado delas. Quando estendeis vossas mãos, eu desvio de vós os meus olhos; quando multiplicais vossas preces, não as ouço. Vossas mãos estão cheias de sangue, lavai-vos, purificai-vos. Tirai vossas más ações de diante de meus olhos. Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido; fazei justiça ao órfão, defendei a viúva.” Jeremias 6: 19-20:“Terra, escuta: vou mandar sobre esse povo uma desgraça, fruto de suas maquinações, já que não ouviu as minhas palavras, e desprezou os meus ensinamentos. Que me importam o incenso de Sabá e as canas aromáticas de longínquos países? Não me agradam vossos holocaustos, nem me comprazem os sacrifícios” Amós 5: 2-14, 21-24: “caiu, e não se levantará mais a virgem de Israel. Está atirada sobre o seu próprio solo; ninguém a levanta. Porque eis o que diz o Senhor Javé: A cidade que punha em linha de combate mil guerreiros não possuirá mais que cem; a que punha cem guerreiros ficará reduzida a dez, na casa de Israel. Eis o que diz o Senhor à casa de Israel: Buscai-me e vivereis! Não busqueis Betel, não entreis em Gálgala, nem vos dirijais a Bersabéia. Porque Gálgala será deportada e Betel, aniquilada. Buscai o Senhor e vivereis; do contrário ele mandará sobre a casa de José um fogo que a devorará, sem haver em Betel quem o apague. Convertem o direito em absinto, e lançam por terra a justiça. (Aquele que criou as Plêiades e o Órion, aquele que muda as trevas em aurora e transforma o dia em noite, que chama as águas do mar e as derrama sobre a face da terra, seu nome é o Senhor. Ele faz cair os lugares fortificados, e lança a ruína sobre a fortaleza.) Eles aborrecem os que os repreendem à porta, e detestam o homem de palavras íntegras. Por isso, porque oprimis o pobre e lhe extorquis tributos em trigo, não habitareis estes palácios de pedra que construístes; não bebereis o vinho destas vinhas de escol que plantastes. Porque conheço o número de vossos crimes e a gravidade de vossos pecados, opressores do justo, exatores de dádivas, violadores do direito dos pobres em juízo. Por isso o prudente se cala neste tempo, porque é tempo mau. Buscai o bem e não o mal, e vivereis; e o Senhor Deus dos exércitos estará convosco, como o dizeis… “Aborreço vossas festas; elas me desgostam; não sinto gosto algum em vossos cultos; quando me ofereceis holocaustos e ofertas, não encontro neles prazer algum, e não faço caso de vossos sacrifícios e animais cevados. Longe de mim o ruído de vossos cânticos, não quero mais ouvir a música de vossas harpas; mas, antes, que jorre a eqüidade como uma fonte e a justiça como torrente que não seca.” Mateus 15: 7-9: “Hipócritas! É bem de vós que fala o profeta Isaías: Este povo somente me honra com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim. Vão é o culto que me prestam, porque ensinam preceitos que só vêm dos homens (Is 29,13).” Mateus 23:23: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, sem contudo deixar o restante.” Tiago 1: 26-27: “Se alguém pensa ser piedoso, mas não refreia a sua língua e engana o seu coração, então é vã a sua religião. A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições, e conservar-se puro da corrupção deste mundo. A adoração ritualística e formal de Deus é descrita como ocorrendo no céu (Apocalipse 4: 8-11; 5: 8-14), completa com orações repetitivas (Apocalipse 4: 8 acima), e cantos repetidos ou hinos (4:11, 5: 9-10).

  • A Bíblia Condena Sexo Homosexual?

    Tradução: Does the Bible Condemn Homosexual Sex? | Dave Armstrong Este é um “outtake” do meu livro, The One-Minute Apologist. Eu o expandi adicionando comentários sobre Judas 7. ***** CASAMENTO E FAMÍLIA A Igreja Católica está errada em condenar a homossexualidade, porque é natural Nenhuma Igreja tem o direito de dizer às pessoas o que fazer com seus próprios corpos. Resposta Inicial A Bíblia condena claramente os atos homossexuais como intrinsecamente, gravemente pecaminosos. Tentativas desesperadas de explicar essa proibição são fúteis; a Bíblia é clara demais. Resposta extensa Para aqueles que acreditam que a Bíblia é a palavra inspirada de Deus, esta questão é facilmente resolvida. Católicos e outros cristãos não fizeram essa regra; Deus fez. Mas se alguém negar que a Bíblia é inspirada, então, naturalmente, nenhum dos seguintes textos de prova terá importância: Levítico 20:13: “Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometerão uma coisa abominável. Serão punidos de morte e levarão a sua culpa.” Juízes 19: 22-23:“Enquanto restauravam as forças, vieram os habitantes da cidade, gente péssima, e, cercando a casa do velho, bateram violentamente à porta: Faze sair, gritaram eles ao velho, dono da casa, faze sair o homem que entrou em tua casa para que nós o conheçamos! O velho saiu e foi ter com eles, dizendo: Não queirais, irmãos, cometer semelhante maldade, pois esse homem é hóspede de minha casa. Não pratiqueis tal infâmia.” I Reis 14: 24: ”e também havia prostitutos de culto masculinos na terra. Eles fizeram conforme todas as abominações das nações que o Senhor expulsou de diante do povo de Israel.”(cf. 15:12; 22:46; Deuteronômio 23:17; 2 Reis 23: 7) Romanos I: 24-27:“Por isso, Deus os entregou aos desejos dos seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém! Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario.” I Timóteo 1:8-11: ”Agora sabemos que a lei é boa, se alguém a usa legalmente, entendendo isto, que a lei não é estabelecida para os justos, mas para os sem lei e desobedientes, para os ímpios e pecadores, para os ímpios e profanos, para os assassinos de pais e assassinos de mães, para homicidas, imorais, sodomitas, raptores, mentirosos, perjuros e tudo o que for contrário à sã doutrina, de acordo com o glorioso evangelho do bendito Deus ao qual me foi confiado.” (enfase adicionada) Judas 1:7: “Da mesma forma Sodoma, Gomorra e as cidades circunvizinhas, que praticaram as mesmas impurezas e se entregaram a vícios contra a natureza, jazem lá como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno.” (ênfase acrescentada; cf. Gênesis 19: 4-7 e 2Pedro 2: 4-10; o último descreve o comportamento dos sodomitas não apenas como estupro violento, mas como “licenciosidade dos ímpios” e “desejo de paixão corrompida”. ) Comentário sobre Judas 7: A. T. Robertson, Imagens do Novo Testamento (Judas 1: 7): Tendo se entregado à fornicação (ekporneusasai). Primeiro aoristo ativo partícipio feminino plural de ekporneuw, palavra composta tardia e rara (uso perfectivo de ek, fora da lei moral), só aqui no N.T., exceto em LXX (Gênesis 38:24; Êxodo 34:15, etc.). Cf. aselgeian no verso de Judas 1:4. Carne estranha (sarko etera). Licenciosidade horrível, não simplesmente com mulheres que não são suas esposas ou em outras nações, mas até usos não naturais (Romanos 1:27) para os quais a própria palavra “sodomia” é usada (Gênesis 19: 4-11). Ralph Earle, significados de palavras no Novo Testamento (Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1984): O substantivo porneia. . . inclui toda a “imoralidade sexual” (NIV) ou “imoralidade grosseira” (NASB). Isto é ainda mais ampliado aqui pelo adicional “ir atrás de carne estranha”, o que obviamente sugere a homossexualidade. Comentário de Navarra (católico): Os habitantes de Sodoma e Gomorra eram particularmente depravados (cf. Gn 18, 20ss): seus pecados – incluindo o vício antinatural (“sodomia”) – eram proverbiais (Jr 23:14; Ez 16: 48-50). Toda a região foi destruída (cf. Gn 19, 24-25) e as suas cidades foram sempre citadas como o exemplo clássico da severidade do castigo de Deus aos malfeitores (cf. Jr 49, 18; 50, 40; Amós 4, 11). ). Notas de Barnes sobre a Bíblia: Indo atrás de carne estranha – Margem: “outra”. A referência parece ser ao pecado incomum que, do nome Sodoma, tem sido chamado de “sodomia”. Compare Romanos 1:27. O significado da frase “ir atrás” é que eles estavam muito viciados nesse vício. A palavra “estranho, ou outra” refere-se àquilo que é contrário à natureza. Comentário bíblico de Jamieson-Fausset-Brown: indo atrás de carne estranha – partindo do curso da natureza e indo atrás daquilo que não é natural. Em tempos posteriores, as nações pagãs mais iluminadas entregaram-se ao pecado de Sodoma sem remorso ou vergonha. Comentário de Matthew Poole: Carne estranha; margem, outra carne; ele quer dizer carne masculina, que é diferente do que Deus designou para aquele uso que eles fizeram dela; ou, como nós o processamos, carne estranha, isto é, aquilo que é estranho, impróprio e inapropriado para tal fim. É a descrição da imundície antinatural dos sodomitas, Gênesis 19: 5: ver Romanos 1: 26,27. Comentário do púlpito: entregaram-se à fornicação e foram atrás de carne estranha. Os verbos são selecionados para realçar a intensa pecaminosidade do pecado – sendo um forte composto manifestando a entrega sem reservas, o outro uma forma composta igualmente forte que denota um desvio da lei. da natureza nas impurezas praticadas. O pecado tomou o nome da cidade com a qual o Livro de Gênesis conecta com tanta temor a sua indulgência. Forma um dos traços mais sombrios da terrível imagem que Paulo nos deu do estado do antigo mundo pagão (Romanos 1:27). Ver Também: “O que Judas 7 entende por ”Outra Carne?” (Kevin DeYoung, The Gospel Coalition, 5-22-15) “Homosexualidade e ” Carne Estranha” “ (Dave Miller, Apologetics Press, 2004) “Perguntas e Respostas Católicas da EWTN: Judas 7 & homo sarx“ (Fr. John Echert, 6-11-03) Objeção O que é condenado na Bíblia é o sexo egoísta, abusivo e violento (de qualquer tipo), e não os atos homossexuais, que são simplesmente o resultado do desejo natural de algumas pessoas. Sabemos muito mais agora sobre genes e psicologia do que nos tempos bíblicos. Resposta à objeção Deus não muda. Se Ele afirma que algo é pecaminoso e nunca permissível, então essa proibição se aplica em todos os momentos. Em segundo lugar, não é verdade que a Bíblia apenas condena o estupro homossexual e não esses atos por consentimento mútuo. Todas as passagens acima, com exceção dos Juízes 19: 22-23 e 1 Timóteo 1: 8-11, condenam atos homossexuais consensuais. Judas 7 menciona “luxúria não natural” e 2 Pedro 2: 4-10 declara similarmente. Portanto, essa objeção entra em colapso. Quanto ao desejo em si, os católicos não acreditam que é inerentemente pecaminoso, desde que não seja posto em prática (Catecismo da Igreja Católica, # 2358-2359), assim como a luxúria heterossexual, a fornicação e o adultério devem ser rejeitados. na vontade, pela graça de Deus, a fim de evitar o pecado. Todos têm tentações mais do que suficientes para resistir e superar. São Paulo em Romanos 1 faz um argumento explícito contra atos sexuais homossexuais, como uma prática antinatural; ele também apresenta um argumento semelhante em 1 Coríntios 6: 12-20, afirmando que o apetite excessivo por sexo (e também comida?) equivale a ser “escravizado” (6:12). Existe uma realidade criada e uma ordem natural além do mero prazer físico, que não deve ser violada. Certas coisas estão erradas por sua própria natureza. Sexo fora do casamento – seja heterossexual ou homossexual – pertence a essa categoria (6: 18-20). Novamente, ele supõe casualmente que a sodomia está intrinsecamente errada em 1 Timóteo 1: 8-11. C.S Lewis (Apologista Anglicano): Os discípulos não foram informados sobre o porquê (em termos de causa eficiente) o homem nasceu cego (João 9: 1-3): somente a causa final, que as obras de Deus deveriam se manifestar neles. Isso sugere que na homossexualidade, como em todas as outras tribulações, essas obras podem se manifestar: ou seja, toda deficiência oculta uma vocação. . . O homossexual tem que aceitar a abstinência sexual, assim como o pobre tem que renunciar a prazeres legais, porque ele seria injusto com sua esposa e filhos se os adotasse. (in A Severe Mercy, de Sheldon Vanauken, Nova York: Harper & Row, 1977, edição Bantam Books, 1979, 146; carta de 14 de maio de 1954; abreviaturas removidas)

  • Uma Igreja dividida não poderá manter-se

    “Se um reino se dividir contra si mesmo, esse reino não consiguirá manter-se. E se uma casa se dividir contra si mesma, essa casa não poderá manter-se.” (Marcos 3, 24-25) A Igreja Católica Brasileira apresenta uma profunda divisão que está em gestação desde meados dos anos 1950 -1960, quando foi introduzido o veneno do marxismo-leninismo do seu seio. O demônio, desde que perdeu protagonismo com a vinda de Cristo, nunca desistiu e não desistirá de tentar destruir o Corpo Místico de Deus que é a sua Igreja Católica. Durante seus mais de 2000 anos de existência, a Igreja de Nosso Senhor sofreu inúmeros ataques, externos e internos, por obra do demônio. Já no início da sua história, os movimentos hereges tentaram desfigurar a mensagem Divina, forçando a porta de entrada para introduzir o misticismo pagão na Santa Igreja. Santos, como Agostinho e Tomas de Aquino, resistiram e reforçaram os alicerces da Santa Igreja de forma fundamental, preparando-a para resistir aos futuros ataques. Nos meados do século XVI, outro golpe poderoso contra o catolicismo, a reforma protestante que produziu divisão devastadora que persiste até hoje. Nos séculos XVII e XVIII, o iluminismo inicia a perseguição da própria ideia de Deus, substituindo-a pela ideia do super-humano: o  reino do homem é que deve ser perseguido, esqueçam-se do Reino de Deus. Vivamos a vida na sua plenitude, inclusive o pecado, pois tudo termina na morte irrevogável e definitiva. No final do século XIX, Marx e toda a legião demoníaca que se seguiu, decretou a morte de Deus e de sua Religião. “A religião é o ópio do povo”; destruamos, pois, o seu edifício, persigamos seus adeptos, proibamos sua prática. Este veneno mortal para a Igreja de Cristo infectou dezenas de países e milhões de pessoas foram escravizadas e mortas por obra do demônio. Agentes secretos deste culto diabólico foram inoculados no seio da Igreja de Jesus e foi no Brasil que o ovo da serpente incubou e originou o maior inimigo interno do Catolicismo, a chamada Teologia da Libertação. Este monstro, falsamente apelidado de teologia cristã, introduziu o vírus  fatal do marxismo, do comunismo, do socialismo materialista no seio da Sagrada Teologia. O golpe de mestre das hostes demoníacas começou quando as ideias de padres ditos progressistas, vindos do continente europeu com o Pe. Lebret, impregnados de marxismo, começaram a ter eco na Igreja Católica brasileira. Padres franceses, como o Pe Lebret e o Frei Desroches, fundadores do movimento chamado “Economia e Humanismo”, introduziram a dialética comunista da luta de classes no seio da Igreja. Segundo esses padres, a Igreja deveria se preocupar  mais com a luta terrena para implantar um ordem temporal mais justa, do que com a  redenção eterna. O movimento comunista dentro da Igreja logo arrebanhou adeptos, com o Pe. Francisco Lage Pessoa, que foram os inspiradores a Teologia da Libertação que teve no Pe peruano  Gustavo Gutierres e no frei brasileiro Leonardo Boff os seus expoentes. A Teologia da Libertação, em sua essência, prega que a Igreja de Cristo deva ser o bastião da luta política em favor da reforma social socialista; deve apoiar todos os movimentos revolucionários ditos progressistas, como a Ação Popular (organização guerrilheira que recrutou muitos jovens católicos) no passado e o MST no presente. A Teologia da Libertação teve e ainda tem enorme influência sobre a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do  Brasil) que muitas vezes interfere na política nacional apoiando os partidos radicais de esquerda como o PT e assemelhados. Consequência natural desta infiltração materialista no clero é a divisão da igreja e o seu enfraquecimento. A Igreja dividida, com agenda política, numa sociedade também dividida separa ao invés de reunir. Esta “igreja”, vermelha na essência, anda de mãos dadas com o pecado ao apoiar, mesmo que veladamente, partidos e candidatos que defendem o aborto, o casamento gay, o ensino da ideologia de gênero no ensino fundamental, o feminismo radical, a ecologia fundamentalista, o socialismo materialista, o comunismo e tantas outras agendas ditas “progressistas” (vide o artigo sobre A forma Progressista de Vida neste blog). Ao católico tradicional, crente na verdade de Deus expressa nos Evangelhos, cabe se afastar desta “igreja” cooptada que colocou no altar o anjo rejeitado por Deus e votar naqueles candidatos que professam a fé e defendem os princípios compatíveis com o dogma católico. A unificação da Igreja Católica somente será possível com o exorcismo do mal e do pecado presente no seu clero. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”(Marcos 14, 38) “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” São Marcos, 14 – Bíblia Católica OnlineLeia mais em: https://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-marcos/14/

  • O PAPEL DA MULHER NA IGREJA E NA SOCIEDADE DA IDADE MÉDIA

    • O PAPEL DA MULHER NA IGREJA E NA SOCIEDADE DA IDADE MÉDIA • A mulher, ela que sempre levou inspiração, aos poetas, cancioneiros, sempre esteve presente na imaginação dos grandes artistas, seria essa mulher subjugada numa sociedade medieval? Não é isso que vemos em uma sociedade do século XI, vemos razões e inspirações de canções e poesias, infelizmente os historiadores da literatura cometeram, em suas obras, o mesmo erro que os historiadores da arte: transpuseram para a época feudal um imperativo que só se faz sentir na época clássica. Essa mesma época clássica que tem sido a inspiração da sociedade moderna, talvez seja esse o ponto em que a mulher perdeu totalmente sua identidade, tratada como um objeto, algumas como um artigo de luxo, que não tem uma identidade espiritual, não tem um caráter recatado, o corpo é o seu poder, e diante disto, a sociedade vai ladeira abaixo, pois, precisamos dessa mulher que quer ser mãe, esposa e sinta honra do que é, vejamos como você mulher era tratada em um período que muitas de vocês aprenderam que foi um período ruim para o sexo feminino. • O que observamos é uma mulher torna-se Senhora do poeta, A suserana; uma mulher que exige fidelidade. Ela suscita um amor que carece também de respeito: amor Distante, que criou uma tensão exasperante entre sentimentos contrários e é, paradoxalmente, a Joy, a alegria do poeta; à Dama, ele dedica uma espécie de culto fervoroso, constante; ela é toda-poderosa para ele; o amor que vive entre os dois tornasse uma auto segredo que ele não saberia Trair e a por um senhal (O senhal é uma figura retórica usada pela primeira vez na poesia trocânica. Era um termo geralmente reservado para a amada.), Um pseudônimo, que ele a designa. É, aliás, um traço característico dessa época fazer-se grande o uso de emblemas, insígnias, do senhal. • Nós carecemos muito de obras que relatam com fidelidade o papel da mulher na Idade Média, podemos perguntar as mulheres atuais quem já ouviu falar de Leonor de aquitânia? Uma sala de aula em qualquer faculdade talvez apareça uma pessoa em 50, Leonor da Aquitânia 1122-1204, Duquesa da Aquitânia neta de Guilherme IX, foi uma protagonista das relações entre os reinos da França e da Inglaterra, pois se casou, sucessivamente, com Luís VII, o jovem (1120-1180) e Henrique II (1133-1189). Portanto, foi rainha da França e depois rainha da Inglaterra. Em sua corte na Aquitânia promoveu os trovadores da língua occitana. • Algumas pessoas ainda não se deram conta de que, por exemplo, tínhamos uma realidade, que é surpreendente tendo em vista a desinformação atual em relação à Idade Média, nos tempos feudais a rainha é coroada como o rei, estamos falando da França isso acontecia em Reims, ou em outra catedral, mas sempre coroada pelas mãos do Arcebispo de Reims. Como Margarida da Provença (1221-1295), rainha da França, esposa de São Luís IX (1214-1270) coroada em Sens pelo Bispo de Reims. A última rainha a ser coroada foi Maria de Médici (1575-16429), rainha-consorte, Regente, e rainha-mãe da França. seu mecenato ajudou a desenvolver as artes. Ela o foi, tardiamente, em 1610, na véspera do assassinato de seu marido, Henrique IV— a cerimônia ocorreu em Paris, segundo um costume consagrado nos séculos anteriores (atingir reims representado então um feito militar por causa das guerras anglo-francesas). E, Além disso, desde os tempos medievais (o termo é tomado aqui em Oposição, a tempos feudais), a coroação da rainha tinha se tornado menos importante que a do rei; numa época em que a guerra se alastrava pela França de forma endêmica (o da famosa Guerra dos Cem Anos), as necessidades militares começaram a ter primazia entre todas as preocupações, por ser o rei antes de tudo, o chefe da Guerra. Tanto assim é que, no século XVII, a rainha desaparece literalmente da cena em proveito da favorita. Para se convencer basta lembrar Qual foi o destino de Maria Teresa da Áustria e Bourbon ou de Maria Leszczynska, (1703-1768), princesa da Polônia e rainha-consorte da França e de Navarra. E quando a última rainha quis retomar uma parte desse poder, lhe foi dada oportunidade de se arrepender, Pois ela se chamava Maria Antonieta arquiduquesa da Áustria e rainha da França e de Navarra guilhotinado na Revolução Francesa (1755-1793), é importante lembrar que a última favorita, a madame Du Barry (amante das amantes) reuniu-se a última rainha do cadafalso para ser guilhotinado pela Revolução Francesa. • esta rápida visão do papel das rainhas dá ideia bem exata do que se passou com as mulheres; o lugar que elas ocuparam na sociedade; a influência que exerceram seguiu exatamente um trabalho paralelo. Enquanto uma Leonor de Aquitânia, uma Branca de Castela (rainha-consorte da França e regente durante a menor idade de seu filho, Luís IX 1188-1252) elas dominam realmente seus séculos, exercem Poder Sem contestação no caso de ausência do Rei, seja por doença ou Morte, e têm suas chancelarias, suas Alfândegas, seus Campos de atividade pessoal (que poderia ser reivindicado como um fecundo exemplo para os movimentos feministas de nosso tempo), a mulher, nos tempos clássicos, foi relegada a um segundo plano; exerce influência só na clandestinidade e se encontra notoriamente excluída de toda a função política ou administrativa. Ela é mesmo dita com incapaz de reinar, de suceder no feudo ou no domínio, Principalmente nos países latinos e, finalmente em nosso Código, de exercer qualquer direitos sobre seus bens pessoais. • É, como sempre, na história do direito que se deve procurar os fatos e seu significado, ou seja, a razão desta decadência que se transformou, como o século XIX, no desaparecimento total do papel da mulher, principalmente na França. Sua influência diminuí paralelamente à ascensão do Direito Romano nos estudos jurídicos, depois nas instituições e, por fim, nos costumes. É um apagar progressivo do qual se pode seguir as principais etapas pelo menos na França. • Curiosamente a primeira disposição que afasta a mulher da sucessão ao trono foi tomada por Filipe, o belo. É verdade que este Rei estava sob influência dos legisladores meridionais, que tinham literalmente invadido a corte de França, no começo do século XIV, e que, representantes típicos da burguesia das cidades e notadamente das cidades muito comercializadas do Sul, redescobriram o direito romano. • O Direito Romano não é favorável à mulher, nem tão pouco à criança. É um direito monárquico, que só admite um fim. É o direito do Pater famílias, pai, proprietário e, em sua casa, grande-sacerdote, chefe da Família com poderes sagrados, Sem Limites ao que concerne a seus filhos: tem sobre Eles direito de vida e de morte — se da mesma forma para com sua mulher, apesar das limitações tardiamente introduzidas sobre o Baixo Império. • Apoiando-se no Direito Romano o que juristas como do Dumoulin, Por seus tratados e seus ensinamentos, contribuem, por sua vez, para estender o poder do estado Centralizado e também — o que nos interessa neste texto, que é restringir a liberdade da mulher e de sua capacidade de ação, principalmente no casamento. A influência deste direito era tão forte que, no século XVI, a maioridade, que era aos 12 anos para as meninas e 14 para os rapazes, na maior parte dos costumes, vai ser transferida para a mesma idade fixada em Roma, Isto é, 25 anos. • O código de Napoleão dá o último retoque a este dispositivo e dão sentido imperativo às tendências que começaram a se firmar desde o fim da época medieval. Lembremos que apenas no fim do século XVIII que a mulher toma obrigatoriamente o nome do marido; e também que é somente com o Concílio de Trento, portanto na segunda metade do século XVI, que o consentimento dos Pais torna-se necessário para o casamento de adolescentes; tanto quanto se tornou indispensável à sanção da igreja. • Em relação as uniões arranjadas pelas famílias nos tempos feudais, a única força que lutou contra essas uniões impostas foi a Igreja; ela multiplicou, no direito canônico, as causas de nulidade, reclamou sem cessar a liberdade para os que se unem, um com relação ao outro e, com frequência, mostrou-se bastante indulgente ao Toledo, na realidade, a ruptura de Laços impostos — muito mais nesta época do que mais tarde, notemos. O resultado é a constatação que provém da simples evidência de que o progresso da livre escolha do esposo acompanhou em toda parte o progresso da difusão do cristianismo. Hoje ainda é, em países cristãos, que esta liberdade, tão justamente reclamada, é reconhecida pelas leis, enquanto que, nos países muçulmanos ou nos países do extremo oriente, essa liberdade, que nos parece essencial, não existe. • Isso nos leva a discutir o slogan feminista: “Igreja hostil à mulher”. é um assunto bem longo que não vamos nos apegar, mas somente fazer uma citação em resposta às tolices ensinadas até em salas de universidades, eis uma, “não foi senão no século XV que a Igreja admitiu que a mulher tinha alma”, ainda hoje algumas pessoas de má fé, ignorantes, ou com problemas de pesquisa ou de falta de inteligência mesmo, essas afirmações nasceram na mente de pessoas no Iluminismo, Voltaire foi um dos grandes propagadores de mentiras, que nos dias atuais ainda são usadas pelos inimigos da verdade e repetem essas bobagens, eles se esqueceram que durante séculos, batizou-se, confessou-se e ministrou-se a Eucaristia a seres sem alma! Neste caso, porque não aos animais? É estranho que os primeiros Mártires honrados como Santos tenham sido mulheres e não homens. Santa Inês, Santa Cecília, Santa Ágata e tantas outras. É verdadeiramente triste que Santa Blandina ou Santa Genoveva tenham sido desprovidas de uma alma Imortal. É surpreendente que uma das mais antigas pinturas das catacumbas (no cemitério de Priscila) representasse, precisamente, a Virgem com o menino, bem designado pela estrela e pelo profeta Isaías. Enfim, em quem acreditar, nos que provam a igreja medieval justamente o culto da Virgem Maria, ou naqueles que julgam que a virgem maria era, então, considerada como a criatura sem alma? • Sem perder muito tempo com essas bobagens, recordaremos aqui, que algumas mulheres que nada designava particularmente, pela família pelo nascimento, pois que vinham, como diríamos atualmente, de todas as camadas sociais, como por exemplo a pastora de Nanterre > Santa Genoveva, desempenharam na Igreja, e justamente por sua função na igreja, um extraordinário poder na Idade Média. Certas abadesas eram senhoras feudais cuja poder era respeitado do mesmo modo que o de outros senhores; algumas usavam báculo como os bispos; administravam, muitas vezes, vastos territórios com cidades e paróquias… Um exemplo, entre mil outros: no meio do século XII, os cartórios nos permitem seguir a formação do mosteiro de Paraclet, cuja superiora é Heloísa; basta percorrê-los para constatar que a vida de uma Abadessa, na época, comporta todo um aspecto administrativo: as doações que se acumulam, que permitiam perceber aqui o dízimo de um Vinhedo, lá o direito às taxas sobre o feno e o trigo, aqui o direito de usufruir de uma granja, e lá o direito de pastagem na floresta… Sua atividade é também a de um usufruidor, ou seja, a de um senhor. Quer dizer que, a par de suas funções religiosas, algumas mulheres exerciam, mesmo na vida laica, um poder que muitos homens teriam inveja nos dias atuais. • Por outro lado, constata-se que as religiosas desta época — sobre as coisas, digamos de passagem, ainda nos faltam para estudos Sérios — são na maioria casos de mulheres extremamente instruídas, que poderiam rivalizar em Sabedoria com os monges mais letrados do tempo. A própria Heloísa conhece e ensina às monjas o grego e o hebraico. • É uma Abadia de mulheres, de Gandershein, que provém um manuscrito do século x contendo seis comédias, em prosa rimada, imitação de Terêncio, e que são atribuídas à famosa abadessa Hrotsvitha (935-973, cônega Beneditina e escritora alemã), da qual há muito tempo conhecemos a influência sobre o desenvolvimento literário nos países germânicos. Essas comédias, provavelmente representadas pelas religiosas, são, do ponto de vista da história dramática, consideradas como prova de uma tradição escolar que terá contribuído para o desenvolvimento do teatro na Idade Média. Digamos, de passagem, que muitos Mosteiros de homens e de mulheres ministravam instrução às crianças da região. • É surpreendente também constatar que a mais conhecida Enciclopédia do século XII é da autoria de uma religiosa, a Abadessa Herrada de Landsberg (1130-1195). É a famosa Hortus deliciarum (Jardim de delícias) na qual os eruditos retiravam os ensinamentos mais correto sobre o avanço das técnicas em sua época. Poder-se-ia dizer o mesmo das obras da célebre Hildegard de Bingen. Enfim, uma outra religiosa, Gertrudes de Helfta (1256-1302, Beneditina, mística e teóloga), no século XIII, conta-nos como sentiu-se feliz ao passar de estado de “gramáticista” ao de teóloga, Isto é, que depois de ter percorrido o ciclo de estudos preparatórios ela galgara o ciclo superior, como se fazia na universidade. O que prova que, ainda no século XIII, os Conventos de mulheres permaneciam sendo o que sempre foram desde São Jerônimo, que instituiu o primeiro dentre eles, a comunidade de Belém: lugares de oração, Mas também de ciência religiosa, de exegese, de erudição; estuda-se a Sagrada Escritura, considerada como a base de todo o conhecimento, e também os elementos de saber religioso e profano. As religiosas são moças instruídas; portanto, entrar para o convento é o caminho normal para as que querem desenvolver seus conhecimentos além do nível comum. O que parece o extraordinário em Heloísa é que, em sua Juventude, não sendo religiosa e não desejando claramente entrar para o convento, procurava, todavia, estudos muito áridos, ao invés de se contentar com a vida mais frívola, mais despreocupada, de uma jovem desejando “viver no século” a carta que Pedro, o venerável (Abade de Cluny, 1092-1156) lhe enviou o dez espressamente. • Se quisermos fazer uma ideia do lugar ocupado pela mulher na igreja dos tempos feudais é preciso perguntarmos o que se diria, em nosso século XX, de convento de homens colocado sob a direção de uma mulher. Um projeto desse gênero teria, em nosso tempo, alguma possibilidade de se realizar? E, no entanto, Isto foi realizado com pleno sucesso, e sem provocar o menor escândalo na igreja, por Roberto d’ Arbrissel (fundador da ordem de Fontevralt, desaparecida com a revolução francesa), isto aconteceu em Fontevralt, nos primeiros anos do Século XII. Tendo resolvido fixar a incrível multidão de homens e mulheres que se arrastavam atrás dele —porque ele foi um dos maiores pregadores de todos os tempos — Roberto d’ Arbrissel decidiu fundar dois Conventos, um de homens, outro de mulheres, entre eles se elevava a igreja, único lugar em que monges e monjas podiam se encontrar: este mosteiro duplo foi colocado sobre autoridade não de um Abade, mais de uma abadessa. Esta, por vontade do fundador, devia ser viúva, tendo tido a experiência do casamento. Para completar, digamos que a primeira Abadessa que presidiu Os destinos da ordem de Fontevralt, Petrolina de Chemillé, tinha 22 anos. Não acreditamos que, mesmo nos dias de hoje, semelhante audácia tivesse a menor oportunidade de ser considerada ao menos uma única vez. • Examinando as fontes, os fatos, chegamos à uma conclusão, naturalmente imposta pelos fatos: durante todo o período feudal, o lugar da mulher na igreja apresentou algumas diferenças do homem (em que medida não seria esta uma prova de sabedoria: levar em conta que o homem e a mulher são duas criaturas equivalentes, mas diferentes?), Mas este foi um lugar eminente quem simboliza, por outro lado, perfeitamente o culto, prestado à Virgem entre todos os Santos. Sem nos esquecermos que a época termina por uma figura de mulher: a de Joana D’Arc que, seja dito de passagem, não poderia jamais nos séculos seguintes obter a audiência e suscitar a confiança que conseguiu. • Podemos afirmar que lugar da mulher na igreja é exatamente o mesmo que ela ocupa na sociedade civil e que, pouco a pouco, lhe foi retirado, depois da idade média, tudo o que lhe conferia alguma autonomia, alguma Independência, alguma instrução. Ao mesmo tempo a universidade, que admite apenas os homens — tenta concentrar o saber e o ensino, os Conventos deixam, de modo gradativo, descer os centros de estudo que tinham sido anteriormente; Digamos que eles param também, ir muito rapidamente, de ser centro de oração. • A mulher se encontra, portanto, excluída da vida eclesiástica, como da vida intelectual. O movimento se precipita quando, no começo do século XVI, O Rei da França mantém nas mãos a nomeação de abadessa e abades. O melhor exemplo disso continua sendo a ordem de Fontevrault, que se torna um asilo para as velhas Amantes do Rei. Asilo onde se leva daí em diante uma vida cada vez menos edificante. • Falaremos agora de forma bem resumida, sobre as mulheres que não eram nem grandes damas nem abadessas, nem mesmo monjas: mas, camponesas ou citadinas, Mães de família ou trabalhadoras. Este é um tema que seria indispensável uma pesquisa das coleções sobre os costumes ou os estatutos das cidades, e também aos cartorários, os documentos Judiciários, ou ainda os inquéritos ordenados por São Luís, o que poucos se dão ao trabalho de fazer, vemos São Luís tomar uma iniciativa sem precedente, que consistia em fazer supervisionar pelo Rei sua própria administração, dirigindo-se diretamente aos administradores: o rei enviava aos lugares os pesquisadores, unicamente encarregados de recolher as palavras das pessoas sem importância, que tinham um motivos de reclamar dos agentes reais, reformar assim, no local, os abusos cometidos; em outras palavras, era o caminho eficaz, que remediou os defeitos do estatismo. Destacam-se aí, questões colhidas na vida quotidiana, milhares de pormenores colhidos ao acaso e sem ordem pré-concebida, que nos mostram homens e mulheres através dos pormenores atos de suas existências: vemos a queixa de uma cabeleireira, em outra uma Salineira (comércio de sal), de uma moleira, da viúva de um agricultor, de uma castelã, da mulher de um cruzado etc. • É por documentos deste gênero que se pode, peça por peça, reconstituir, como em um mosaico, a história real. Ela nos parece aí, é inútil dizer, muito diferente dos romances de Cavalaria ou das fontes literárias que dão frequentemente tomadas por Fontes históricas. • O quadro que se delineia da reunião desses documentos nos apresenta mais de um traço surpreendente, pois que vemos, por exemplo, mulheres votarem como homens em assembleias urbanas ou nas das comunas rurais. É divertido ler como eram realizadas as conferências ou palestras diversas, citando o caso de gaillardine de Fréchou, que diante de um arrendamento proposto aos habitantes e Cauterets, nos Pirineus, pela Abadia de Saint-Savins, foi a única a votar não, quando todo o resto da população votou sim. O voto das mulheres Nem sempre é expressamente mencionado, mas isso pode ser porque não se via necessidade em fazê-lo. Quando os textos permitem diferenciar a origem dos votos, percebe-se que, em certas regiões, tão diferentes como As comunas bernenses, certas cidades de Champagne, ou algumas cidades do leste Como Pont- à-Mousson, ou ainda na Toraine, na ocasião dos estados-gerais de 1308, as mulheres são explicitamente citadas entre os votantes, sem que isso seja apresentado como um uso particular do local. Nos estatutos das cidades indica-se, em geral que os votos são recolhidos na Assembleia dos habitantes sem nenhuma especificação; às vezes, faz-se menção da idade indicando, como em Aurillac, que o direito de voto é exercido com a idade de 20 anos, ou em Embrum, a partir de 14 anos acrescentemos a isso que, como Geralmente os votos se fazem por “fogo” quer dizer Lar, lareira, por casa, de preferência por indivíduo, é aquele que representa o “fogo”, Portanto, o pai de família que é chamado a representar os seus; se é o pai de família que é naturalmente seu chefe, fica bem claro que sua autoridade é a de um gerente e de um administrador, não a de um proprietário. • Nas atas de notários é muito frequente ver uma mulher casada agir por si mesma, abrir por exemplo uma loja ou uma venda, e isto sem ser obrigada a apresentar uma autorização do marido. Enfim, os registros de impostos, nós diríamos os registros de coletor, desde que foram conservados como é o caso de Paris, no fim do século XIII, mostram multidões de mulheres exercendo funções: professora, médica, boticária, Estucadora, tintureiras, copista, miniaturista, encadernadora, cabeleireira, etc. • Somente no fim do século XVI, por um decreto do Parlamento, datado de 1593, que a mulher será afastada explicitamente de toda a função do Estado. A influência crescente do Direito Romano não tarda então a confinar a mulher no que foi sempre seu domínio privilegiado: os cuidados domésticos e a educação dos filhos. Até o momento em que isto também lhe será retirado por lei, porque, destaquemos, com o Código de Napoleão, ela já não é nem mesmo a senhora de seus próprios bens e desempenha, em sua casa, papel subalterno. Embora desde Montaigne até Jean-Jacques Rousseau sejam os homens que elaborem tratados sobre a educação, o primeiro tratado sobre educação, publicado em França, foi de uma mulher, Dhuoda, que o elaborou em versos latinos por volta de 841-843, para uso de seus filhos. • Para o historiador da Idade média; a ideia de que foi necessária uma lei para dar a mulher direito de olhar pela educação de seus filhos é totalmente paradoxal olhando os tempos feudais. A comunidade conjugal, o pai a mãe, exerciam conjuntamente então a função de educação e da proteção dos filhos, assim como, eventualmente, a administração de seus bens. É verdade que então a família era concebida em um sentido mais amplo; esta educação causa infinitamente menos problemas, porque ela se faz no meio de um contexto Vital, de uma comunidade familiar mais abrangente e mais diversificado do que hoje, pois não está reduzida à célula inicial pai -mãe-criança, mas comporta também avós, colaterais, domésticos no sentido etimológico do termo. O que não impede que a criança tenha, eventualmente sua personalidade jurídica distinta; assim se ela herda bens próprios (legados, por exemplo, por um tio), estes são administrados pela comunidade familiar, que em seguida deverá dar-lhe contas. • Poderíamos multiplicar muitos os exemplos, com pormenores fornecidos pela história do direito e dos costumes, atestando a degradação do lugar ocupado pela mulher entre os costumes feudais e o triunfo de uma legislação “à Romana”, que só veio tardiamente próximo a revolução francesa, da qual o nosso código ainda está impregnado. Seria melhor que, na época em que os moralistas queriam ver “a mulher em casa”, fosse mais indicado inverter a proposição e exigir que o lar fosse da mulher. • A reação só chegou em nossos tempos. Entretanto, ela é muito decepcionante; tudo se passa como se a mulher, alucinada de satisfação pela ideia de ter penetrado no mundo masculino, continuasse incapaz da força da Imaginação suplementar, que lhe seria preciso, para levar a este mundo seu traço particular, precisamente aquele que faz falta à nossa sociedade. Basta-lhe imitar o homem, ser julgada capaz de exercer as mesmas funções, adotar os comportamentos e até os hábitos de vestir dos homens, sem mesmo se questionar sobre o que é realmente contestável e o que deveria ser Contestado. Se se perguntar se ela não está movida por uma admiração inconsciente, o que podemos considerar até excessivo, por um mundo masculino que ela acredita necessário e suficiente copiar com tanta exatidão quanto possível, seja perdendo ela própria sua identidade, o negando antecipadamente sua originalidade. • Essas constatações levaram-nos bem longe do mundo feudal; elas podem, em todo caso, levar ao desejo que este mundo feudal seja um pouco mais bem conhecido dos que creem, de boa-fé, que a mulher “sai enfim da Idade Média”: elas têm muito que fazer para reencontrar o lugar que foi seu Nos Tempos da rainha Leonor ou da Rainha Branca… • Bibliografia: Idade Média, o que não nos ensinaram; Régine Pernoud; A Idade Média, nascimento do Ocidente, Hilário Franco Júnior #Históriadaidademédia #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte

  • Rm 2-4 & “Obras da Lei”: interpretação Patrística

    Tradução: Romans 2-4 & “Works of the Law”: Patristic Interpretation | Dave Armstrong Nós não somos intrinsecamente pecadores. Nós fomos originalmente criados sem pecado; o batismo remove as penalidades do pecado original, e nós seremos sem pecado novamente se formos para o céu. A justiça vem somente de Deus, e Ele nos transforma, e nós cooperamos com ele para nos tornarmos mais santos o tempo todo. A graça é sempre primária e inicial. Assim que aceitamos essa graça, podemos cooperar com ela para fazer boas obras banhadas em graça, e essas obras (e nenhuma outra) são meritórias. Em toda Missa, os católicos se examinam, confessam seus pecados (venial) e reconhecem sua indignidade de receber Cristo na Eucaristia, exceto por Sua graça. A Lei e o Evangelho não são opostos um ao outro. Jesus e Paulo ensinaram que a Lei por si só nunca salvou ninguém – sempre foi fé e graça. Mas isso não é o mesmo que dizer que a Lei é antitética ao Evangelho. Esse foi o erro de Lutero (um dos muitos) e é simplesmente antibíblico. Mateus 5: 17-20 é suficiente em si mesmo para pregar este ponto. A salvação é um processo para toda a vida, o livre arbítrio coopera após o puro ato inicial de graça de Deus. Não pode ser diferente. As obras sozinhas (isto é, o pelagianismo) é tão antibíblica quanto a fé somente. Nós acreditamos na fé + obras como duas lâminas de uma tesoura, ou dois lados de uma moeda. Eles não podem ser separados, ou você não pode ter nenhum deles. Não há tal coisa como uma “tesoura” com uma lâmina. Não pode funcionar dessa maneira. Obras, sozinhas, no sentido de obras auto-produzidas consideradas separadas da graça capacitadora de Deus, não podem nos salvar. A Lei não pode salvar ninguém sem fé e graça, nem pode gerar obras internas sem fé e graça. Agora vou citar os Padres, em seu comentário sobre Romanos 4. Comentaristas cristão antigos (editor geral Thomas C. Oden, Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1998 -): Romanos 4: 2 Que ninguém pense que alguém que tem fé suficiente para ser justificado e ter glória diante de Deus pode ao mesmo tempo ter injustiça habitando nele também. Pois a fé não pode coexistir com a incredulidade, nem a justiça com a iniqüidade, assim como a luz e as trevas não podem viver juntas. [Orígenes, Comentário sobre Romanos] Romanos 4: 4 Paulo estava falando aqui da maneira como os salários são dados. Mas Deus deu pela graça, porque deu aos pecadores para que, pela fé, pudessem viver justamente, isto é, fazer boas obras. Assim, as boas obras que fazemos depois de recebermos a graça não devem ser atribuídas a nós, mas sim àquele que nos justificou pela sua graça. [St. Agostinho, sobre Romanos 21] Romanos 4: 5 A raiz da justiça não brota das obras; antes, o fruto das obras cresce a partir da raiz da justiça, a saber, pela raiz da justiça pela qual Deus traz justiça àquele a quem ele aceitou sem as obras. [Orígenes, Comentário sobre Romanos] Deus faz o homem ímpio piedoso, a fim de que ele possa perseverar nesta piedade e justiça. Pois um homem é justificado para que ele seja justo, não para pensar que não há problema em continuar pecando. [St. Agostinho, sobre Romanos 22] Paulo, em Romanos 3:28, separa a fé das “obras da lei”, que é diferente das obras em si. Paulo estava dizendo que os judeus não foram salvos pela Lei do AT, mas pela fé o tempo todo. Mas isso não significa que a Lei não tenha efeito, ou seja, nula e vazia, como ele aponta em 3:31 (cf. declaração de Jesus em Mt 5: 17-20). Da mesma forma, quando ele passa a contrastar a fé e as “obras” de Abraão no capítulo 4, ele continua a se referir à Lei do Antigo Testamento, e não às obras em geral (ver, por exemplo, 4: 10, 13-16). Agora eu vou citar os Padres em seus comentários sobre Romanos 2-3 também: Comentaristas Cristãos Antigos: Romanos 2: 2 Os feitos de um homem bom e um homem mau passam, mas eles moldam e constroem a mente do fazedor de acordo com sua respectiva qualidade e a deixam boa ou ruim e, portanto, destinada a receber punição ou recompensas. [Orígenes, Comentário sobre Romanos] Romanos 2: 5 Agora, vamos considerar o que se entende pelo julgamento justo de Deus, no qual ele recompensará cada um de acordo com suas obras. Antes de mais nada, devemos rejeitar os hereges que dizem que as almas são boas ou más por natureza e, em vez disso, que Deus recompensará cada um de acordo com seus atos e não de acordo com sua natureza. Segundo, os crentes devem ser instruídos a não pensar que é suficiente apenas crer [sem frutos]; eles devem perceber que o julgamento justo de Deus recompensará cada um de acordo com suas obras. [Orígenes, Comentário sobre Romanos] Romanos 2: 7 Deus deu aquilo que é bom, e aqueles que o fazem receberão glória e honra porque fizeram o bem quando tiveram o poder de não fazê-lo. Mas aqueles que não o fizerem receberão o julgamento justo de Deus, porque não fizeram o bem quando tiveram o poder de fazê-lo. [St. Irineu, Contra as Heresias, 4.37.1] Aqui Paulo desperta aqueles que se afastaram durante as perseguições e mostra que não é certo confiar apenas na fé. Pois o tribunal de Deus exigirá ações também. [S. João Crisóstomo, Homilias sobre Romanos 5] Portanto, aqueles que buscam a vida eterna não são apenas aqueles que acreditam corretamente, mas aqueles que vivem corretamente também. [Ambrosiastre, comentário sobre as epístolas de Paulo] Fazer bem é por um tempo, mas a recompensa é eterna. . . Paulo queria mostrar que há muitas recompensas para aqueles que são bons. [Teodoreto, Interpretação dos Romanos] Romanos 2:10 Portanto, não creio que se possa duvidar de que alguém que merece ser condenado por causa de suas más ações também será considerado digno da recompensa de boas obras se ele fizer algo de bom [então cita 2Coríntios 5:10]. [Orígenes, Comentário sobre Romanos] É nas obras que a punição e a recompensa dependem, não da circuncisão e da incircuncisão. . . Pois nesta passagem são os judeus que ele está principalmente se opondo. [S. João Crisóstomo, Homilias sobre Romanos 5] Romanos 2:11 Paulo diz que os judeus diferiam dos gentios, não em suas ações, mas apenas em suas pessoas. Mas não é por essa razão que alguém é honrado e o outro desonrado. É de suas obras que a honra ou a desgraça virão. [S. João Crisóstomo, Homilias sobre Romanos 5] Romanos 2:12 Por “lei”, ele quer dizer a lei de Moisés, à qual os judeus estão ligados, embora não acreditem. Os gentios também estão sob o julgamento da lei natural, mas apenas na medida em que escolheram não se ligar a ela. [Ambrosiastre, comentário sobre as epístolas de Paulo] Romanos 2:13 Qual é o benefício disso se, enquanto ouvimos todos os dias, negligenciamos praticar o que ouvimos? Por isso, peço-lhe que sejamos zelosos ao praticar essas mesmas obras (de modo algum, de fato, é possível sermos salvos), para que também possamos lavar nossos pecados e receber a benignidade do Senhor em suas próprias mãos graças e misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo. [S. João Crisóstomo, Homilias sobre Gênesis 47.18] Romanos 2:14 Quando Paulo está desafiando o orgulho do judaísmo, ele é cuidadoso em não parecer estar condenando a lei como tal. Ao contrário, ao exaltar a lei e mostrar sua grandeza, ele expõe toda a sua posição. [S. João Crisóstomo, Homilias sobre Romanos 5] Romanos 2:25 Se a contenção do mal que a circuncisão significa não é correspondida por obras de fé, é considerada como uma forma de maldade. Mesmo na igreja, se alguém está ‘circuncidado’ pela graça do batismo e, em seguida, torna-se um transgressor da lei de Cristo, a circuncisão de batismo é contado a ele como incircuncisão, porque ‘a fé sem obras é morta’. [Orígenes, Comentário sobre Romanos] Romanos 2:29 Paulo deixa de lado tudo o que é apenas do corpo. Porque a circuncisão é externa, e assim são os sábados, os sacrifícios e as purificações. . . O gentio que faz o bem é mais louvável que o judeu que infringe a lei. Quando isso é acordado, a circuncisão da carne deve ser deixada de lado, e a necessidade de uma boa vida é demonstrada em toda parte. [S. João Crisóstomo, Homilias sobre Romanos 6] Isso significa que a lei deve ser entendida de acordo com o Espírito e não de acordo com o que a letra diz. [St. Agostinho, sobre Romanos 11] Romanos 3:10 Eu acho que aqui o apóstolo está dizendo que ninguém fez o bem no sentido de que ninguém trouxe bondade à perfeição e conclusão. [Orígenes, Comentário sobre Romanos] Romanos 3:20 Mais uma vez Paulo retoma sobre a lei, mas desta vez com moderação, pois o que ele diz é uma acusação não contra a lei, mas contra a negligência do povo da aliança. [S. João Crisóstomo, Homilias sobre Romanos 7] Alguns pensam que declarações como essa são um ataque à lei. Mas eles devem ser lidos com muito cuidado, de modo que nem a lei é condenada pelo apóstolo nem o livre-arbítrio é tirado do homem. . . A lei é boa porque proíbe o que deveria ser proibido e requer o que deveria ser requerido. Mas quando alguém pensa que pode cumprir a lei em sua própria força e não pela graça de seu Libertador, essa presunção não lhe faz bem, mas prejudica-o tanto que ele é tomado por um desejo ainda mais forte de pecar e por seus pecados acaba como um transgressor. [St. Agostinho, Romanos 13-18] Romanos 3:21 O apóstolo menciona muitos tipos diferentes de lei nesta epístola, e somente o leitor mais atento será capaz de detectar quando ele está mudando de uma para a outra. . . Não se surpreenda que a palavra “lei” seja usada aqui em dois sentidos diferentes! . . . Além disso, existe uma maneira de dizer qual o significado da palavra “lei”. A língua grega usa artigos na frente de nomes próprios. Assim, quando a lei de Moisés é pretendida, o artigo é usado, mas quando a lei natural é entendida, o artigo é omitido. [Orígenes, Comentário sobre Romanos] Pois quando a lei os considerou culpados, a justiça de Deus os perdoou e o fez à parte da lei, de modo que até que a lei devesse ser suportada Deus lhes perdoou seus pecados. E para que alguém pense que isso foi feito contra a lei, Paulo acrescentou que a justiça de Deus tinha uma testemunha na Lei e nos Profetas, o que significa que a própria lei havia dito que no futuro viria alguém que salvaria a humanidade. Mas não era permitido que a lei perdoasse o pecado. [Ambrosiastre, comentário sobre as epístolas de Paulo] Paulo não diz que a justiça de Deus foi “dada”, mas que foi “manifestada”, destruindo assim a acusação de que é algo novo. Pois o que é manifestado é antigo, mas previamente oculto. Ele reforça esse ponto mencionando que a Lei e os Profetas a predisseram. [S. João Crisóstomo, Homilias sobre Romanos 7] A justiça de Deus não se manifesta fora da lei, pois, nesse caso, não poderia ter sido testemunhada na lei. É uma justiça de Deus à parte da lei porque Deus a confere ao crente através do Espírito de graça sem a ajuda da lei. [St. Agostinho, O Espírito e a Letra 15] Romanos 3:22 Como poderia Paulo ter prometido glória, honra e paz às boas obras dos gentios à parte da graça do evangelho? Porque de outra forma não há aceitação de pessoas com Deus. E porque não são os ouvintes, mas os executores da lei que são justificados, ele argumenta que todos, sejam judeus ou gentios, terão a mesma salvação no evangelho. [St. Agostinho, O Espírito e a Letra 44] Romanos 3:28 Paulo diz que um gentio pode ter certeza de que ele é justificado pela fé sem fazer as obras da lei, por exemplo, a circuncisão ou novas luas ou a veneração do sábado. [Ambrosiastre, comentário sobre as epístolas de Paulo] Paulo não disse “nós mantemis” porque ele mesmo estava incerto. Ele disse isso para contrabalançar aqueles que concluíram com isso que qualquer um que quisesse poderia ser justificado simplesmente pela fé voluntária. Note cuidadosamente que Paulo não diz simplesmente “sem a lei”, como se pudéssemos apenas realizar a virtude querendo, nem fazemos as obras da lei pela força. Nós as fazemos porque fomos levados a fazê-los por Cristo. [Teodoro de Mopsuéstia, Comentário Paulino da Igreja Grega] Paulo diz isso porque não podemos ser justificados pelas obras da lei, mas somente pela fé. [Pseudo-Constâncio, a Santa Carta de São Paulo aos Romanos] Isso não deve ser entendido de maneira a dizer que um homem que recebeu fé e continua a viver é justo, mesmo que leve uma vida iníqua. [St. Agostinho, Questões 76.1] Romanos 3:31 O próprio Senhor disse: “Eu não vim abolir a lei, mas cumpri-la”. Nenhum dos santos nem o próprio Senhor destruiu a lei. Antes, sua glória, que é temporal e transitória, foi destruída e substituída por uma glória que é eterna e permanente. [Orígenes, Comentário sobre Romanos] Paulo diz que a lei não é anulada pela fé, mas cumprida. . . . . [Ambrosiastre, comentário sobre as epístolas de Paulo] Pela liberdade de escolha vem o amor da justiça; pelo amor da justiça vem a obra da lei. Assim, como a lei não é tornada nula, mas estabelecida pela fé, visto que a fé obtém a graça pela qual a lei pode ser cumprida, assim a liberdade de escolha não é anulada, mas estabelecida pela graça, pois a graça cura a vontade pela qual a justiça pode ser amada livremente . [St. Agostinho, O Espírito e a Letra 52] Quanto ao uso de Paulo de “obras da lei” em um sentido técnico, referindo-se principalmente aos judeus (ou seja, aqueles que entenderam mal a essência da lei, nem todos), cito o International Standard Bible Encyclopedia (ed. James Orr, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1939/1956, rep. 1974, vol. 5, “Works,” p. 3105): ‘Obras’ é usado por Paulo e Tiago, em um sentido especial, como denotando (com Paulo) aquelas representações legais por meio das quais os homens procuravam ser aceitos por Deus, em contraposição àquela fé em Cristo pela qual o pecador é justificado à parte de todas as obras legais (Rm 3:27; 4: 2,6, etc; Gl 2:16; 3: 2,5,10). . . O julgamento está de acordo com “obras” (Mt 16:27 … Rm 2: 6, 1 Pe 1:17, etc.), a nova vida sendo evidenciada. Um contraste entre “fé” e “boas obras” nunca é desenhado no NT. [W.L. Walker – Ministro Congregacional] A determinação de quando esse significado das “obras da lei” ocorre é facilmente obtida por consulta de contexto. Se examinarmos as passagens mencionadas acima nesse sentido, podemos prontamente ver o sentido técnico sugerido, examinando as indicações que cercam a Lei Mosaica (isto é, sendo confiada acima da graça e da fé, que sempre foi errado e impróprio em qualquer momento; ver por exemplo, Romanos 2:28, 10: 1-4, Gal 6:13). Por exemplo: Romanos 3: 27-29: “circuncidado” mencionado em v.30; menção de judeus e gentios em v.29; “A lei” mencionada duas vezes no v.31. Paulo declara lá que – longe de “derrubar” a lei pela fé – nós, pelo contrário, “a sustentamos” (cf. 9: 30-33). Romanos 4: 2: “a carne” mencionada no versículo 1, em referência a Abraão; circuncisão referida em vss. 9-12. Em 4:13 ele afirma que o pacto abraâmico não veio através da lei, mas através da “justiça da fé” (cf. 4: 14-16; 6: 14-15). Gálatas 2:16: Paulo repreende Pedro por suas ações “judaizantes” em 2: 11-12

  • A Torá e o Antigo Testamento Ensinam Politéismo?

    Tradução: Seidensticker Folly #19: Torah & OT Teach Polytheism? | Dave Armstrong Em seu artigo, “O Grande Debate: Teísmo vs Naturalismo. Onde a evidência aponta”(11-17-16), Bob pontificou: A própria Bíblia documenta como as propriedades fundamentais de Deus evoluíram. . . . Deus foi inicialmente parte de um panteão, e só mais tarde conseguimos uma declaração clara de monoteísmo (Isaías 43:10, por exemplo [“. . . Diante de mim nenhum deus foi formado, nem haverá depois de mim ”: RSV] Ele linka um tratamento completo desta última falsidade que ele procura promulgar sobre o Deus Judaico-Cristão e o Antigo Testamento: “Politeísmo Biblíco” (2-13-13; Rev. 1-6-16). Ele está cheio de auto-ilusão de “confiança” nele. Ele claramente acha que ele acertou um home run. Então desculpe desapontá-lo. . . A ignorância bíblica “triunfa” mais uma vez. O primeiro dos dez mandamentos diz: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20: 3). (Existem dois conjuntos muito diferentes de Dez Mandamentos em Êxodo, mas vamos ignorar isso por enquanto.) [Sim, Eu refutei essa afirmação ridícula, também, não muito tempo atrás] Você já pensou muito sobre a redação deste mandamento? Por que não diz que Jeová é o único deus? É porque esta seção da Bíblia foi escrita aproximadamente no século 10 aC, os primeiros dias da religião israelita, quando ainda era politeísta. . . . O próximo mandamento observa: “Eu, Jeová, teu Deus, sou um Deus zeloso” – zeloso, porque de fato havia outras opções viáveis, e Jeová insistiu em um compromisso. Claro, eu pensei sobre isso. A resposta é simples: as pessoas estavam de fato adorando outros deuses [inexistentes]; o politeísmo era a norma nas culturas que cercavam os antigos israelitas, por isso Deus abordou a questão dessa maneira. É outra maneira de dizer: “Não adore outros deuses”. Nós cristãos conversamos dessa maneira o tempo todo. Poderíamos dizer, por exemplo: “João substituiu Deus em seu coração pelo deus do dinheiro [ou fama, hedonismo, poder, luxúria ou qualquer outro tipo de ídolos]”. Isso é idolatria: colocar qualquer outra coisa no lugar do único Deus verdadeiro; usurpando Sua preeminência sobre tudo. Esse tipo de pensamento será explicado mais à medida que avançamos. A noção de Deus sendo “ciumento” é claramente antropopatismo: um aspecto muito mal compreendido da Bíblia e a revelação de Deus (condescendente ao entendimento humano) que é virtualmente nunca entendido pelos ateus (nem – infelizmente – por muitos cristãos subeducados, pois isso importa). Uma busca dessa palavra não produziu absolutamente nada em seu volumoso blog. Ele faz, no entanto brevemente alusão ao conceito relacionado de antropomorfismo em um post: colocado apenas cerca de um mês atrás (mostrando o potencial de talvez realmente compreendê-lo em certa medida). No mesmo post, ele opinou: “A Bíblia evoluiu com o tempo. Nos primeiros anos, a religião da Bíblia era politeísta. Yahweh era semelhante aos deuses gregos e romanos. . . Henoteísmo judaico Vamos usar o termo adequado para isso, o henoteísmo. Os politeístas reconhecem muitos deuses e adoram muitos deuses, enquanto os henoteístas reconhecem muitos deuses, mas adoram apenas um. Nesta visão, diferentes deuses governavam diferentes territórios, assim como os reis, e as tribos deviam fidelidade a qualquer deus que os protegesse. Isso é asinino. Sim, os judeus não-observantes que se desviaram e não seguiram a Lei mosaica podem ter feito / acreditado nisso (como uma espécie de idolatria), mas a Bíblia (mesmo os primeiros cinco primeiros livros, ou Torá) claramente não o faz. Ela ensina monoteísmo: um verdadeiro Deus e nenhum outro deus, não importa quantas pessoas possam adorá-los. Eu elaborarei isto enquanto prosseguimos. O Cântico de Moisés em Deuteronômio 32 é considerado um dos materiais mais antigos da Bíblia – datado de meados do século XIII aC. Temos várias cópias um pouco inconsistentes, sendo a mais antiga dos Manuscritos do Mar Morto: Quando Elyon dividiu as nações, quando separou os filhos de Adão, estabeleceu as fronteiras das nações de acordo com o número dos filhos dos deuses. A porção de Yahweh era seu povo, [Israel] sua herança atribuída. (Deuteronômio 32: 8–9) Aqui vemos Elyon, a cabeça do panteão divino, dividindo a humanidade entre seus filhos, dando a cada um sua herança. A idéia de um panteão divino com uma divindade principal, sua consorte e seus filhos (o conselho dos deuses) foi difundida através do Antigo Oriente Próximo. Os Manuscritos do Mar Morto não são a Bíblia e, portanto, não devem ser discutidos em um debate sobre a mesma. A versão do RSV (que usarei aqui quando cito a Escritura), lê-se: Deuteronômio 32: 8-9 Quando o Altíssimo deu às nações a sua herança, quando separou os filhos dos homens, fixou os limites dos povos conforme o número dos filhos de Deus. [9] Porque a porção do SENHOR é o seu povo, Jacó, a herança que lhe foi atribuída. O versículo 9 se refere à noção de “povo escolhido de Deus” (Êx 3: 7, 10; 6: 7; 7: 4; Levítico 26:12; 2 Sam 3:18; muitos mais). Talvez Bob tenha ouvido falar disso? Ou isso não está na Bíblia? Agora, desde que Bob trouxe Deuteronômio 32 e, de fato, afirma ele mesmo que é “um dos materiais mais antigos da Bíblia”, ele pode estar interessado em descobrir outra parte dele que refuta decisivamente sua tola hipótese do “politeísmo bíblico primitivo”: Deuteronômio 32:39 Vede agora que Eu Sou, e não há outro deus além de mim; Eu mato e faço viver; Eu firo e curaro; e não há quem possa livrar da minha mão. Esse é um Deus, pessoal: monoteísmo: certo no que Bob admite ser uma parte muito antiga das Escrituras. Sua pretensão já está praticamente destruída, mas eu tenho muito mais e nem comecei! Há mais no mesmo capítulo: Deuteronômio 32:17, 21 sacrificaram aos demônios que não eram deuses. . . Eles me provocaram ciúmes pelo o que não é deus; eles me provocaram com seus ídolos. . . . Hã?! Isso reforça o ponto que fiz anteriormente. A Bíblia se refere a outros deuses, mas no sentido de que eles existem em outros sistemas de crença religiosa: não porque existam de fato ou realidade. Este verso prova este tipo de entendimento entre os judeus, em (novamente) uma passagem muito antiga e parte da Torá. Deuteronômio 28:64 refere-se a “outros deuses, de madeira e pedra” (cf. 28:36 e 4:28, que acrescenta, “o trabalho das mãos dos homens”). Obviamente, o texto está dizendo (junto com os notáveis relacionados) que todos esses supostos “deuses” são: madeira e pedra. Eles não têm existência consciente. É uma idolatria clássica: que os judeus foram julgados repetidas vezes durante o período do Antigo Testamento. A Bíblia condena consistentemente outros reputados deuses como realmente nenhum sendo deus (isto é, meramente imaginários; pedaços de madeira e pedra): 2 Reis 19: 15-19 15 Ora, Ezequias orou ao Senhor e disse: “Ó Senhor, Deus de Israel, que estás entronizado acima dos querubins, tu és o Deus, tu só, de todos os reinos da terra; tu fizeste o céu e a terra. [16] Inclina a tua orelha, ó SENHOR, e ouve; abre os teus olhos, ó SENHOR, e vê; e ouça as palavras de Senaqueribe, que ele enviou para zombar do Deus vivo. [17] Na verdade, ó Senhor, os reis da Assíria devastaram as nações e as suas terras, [18] e lançaram os seus deuses no fogo; porque não eram deuses, mas obra de mãos de homens, madeira e pedra; portanto eles foram destruídos. [19] Agora, pois, ó Senhor nosso Deus, livra-nos da mão das tuas mãos; para que todos os reinos da terra saibam que só tu, Senhor, és o único Deus. ”(Cf. Is 37, 19; 45:20) 2 Crônicas 13: 9. . . Quem quer que se consagre com um novilho ou sete carneiros torna-se sacerdote daquilo que não são deuses. Jeremias 2:11 Uma nação já mudou de deuses, apesar de não serem deuses? . . . Jeremias 5: 7. . . Os vossos filhos me abandonaram e juraram por aqueles que não são deuses. . . . (cf. 10:14) Jeremias 16:20 Pode o homem fazer para si mesmo deuses? Tais não são deuses! (cf. 51:17) 1 Coríntios 8: 4-6 Assim, quanto ao consumo de alimentos oferecidos a ídolos, sabemos que “um ídolo não tem existência real” e que “não há outro Deus senão um só”. [5] Pois embora possa haver os chamados deuses no céu ou na terra – como de fato existem muitos “deuses” e muitos “senhores” – [6] ainda para nós há um Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós existimos, e um Senhor, Jesus Cristo, através de quem são todas as coisas e através de quem nós existimos. Gálatas 4: 8 Antigamente, quando vocês não conheciam a Deus, estavam em escravidão com os seres que, por natureza, não são deuses; O Antigo Testamento é cheio de pistas que apontam para vários deuses. Gênesis é um bom lugar para começar. Então [Elohim] disse: “Façamos a humanidade à nossa imagem, à nossa semelhança” (Gênesis 1:26). Também vemos deuses plurais quando Jeová os adverte que o homem não deve comer a árvore da vida (Gn 3:22). . . [Gênesis 3:22 Então o Senhor Deus disse: “Eis que o homem se tornou semelhante entre nós, conhecendo o bem e o mal; e agora, para que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente ”-] O quase magistral comentário Keil & Delitzsch sobre o Antigo Testamento afirma em Gênesis 1:22: Portanto, não resta outra explicação senão considerá-lo como pluralis majestatis, – uma interpretação que compreende na sua forma mais profunda e mais intensa (Deus falando de si mesmo e consigo mesmo no plural, não reverentiae causa, mas com referência a plenitude dos poderes divinos e essências que Ele possui). . . Enciclopédia da Língua e Lingüística Hebraica explica pluralis majestatis: O termo ‘plural majestático’ ou pluralis majestatis refere-se ao uso de uma palavra plural para se referir honorificamente a uma única pessoa ou entidade. É também chamado de “plural de respeito”, “plural honorífico”, “plural de excelência” ou “plural de intensidade”. Na Bíblia hebraica, essas formas plurais são mais comumente usadas quando se refere ao Deus de Israel, por exemplo, אֲדוֹנִ֣ים אָנִי֩ ʾăḏōnīm ʾå̄nī ‘Eu sou um mestre (lit.’ mestres ‘)’ (Mal. 1.6), embora também possa ser usado quando se refere a um humano, por exemplo, אַבְרָהָ֖ם אֲדֹנָ֑יו ʾaḇrå̄hå̄m ʾăḏōnå̄w ‘Abraão, seu mestre (lit.’ mestres ‘)’. . . [Gênesis 24] Wikipedia, “Royal we” (o equivalente em inglês) explica ainda: O Royal We, ou plural majestoso (pluralis maiestatis), é o uso de um pronome plural (ou formas verbais flexionadas plurais correspondentes) para se referir a uma única pessoa que é um monarca. A palavra mais geral para o uso de um we, us ou our para nos referirmos a nós mesmos é o nosismo. . . . É comumente empregado por uma pessoa de alto cargo, como monarca, conde ou papa. É também usado em certos contextos formais por bispos e reitores de universidades. William Longchamp é creditado com a sua introdução à Inglaterra no final do século 12, seguindo a prática da Chancelaria dos Breves Apostólicos. Um artigo judaico, “Os Plurais de Gênesis”, de Paul Sumner, tem uma visão diferente: “Historicamente, a maioria dos comentaristas judeus disse que o Criador está falando aqui aos anjos da assembléia celestial, sua corte divina”. De qualquer maneira, uma razoável interpretação não politeísta é possível e plausível. Bob antecipa a interpretação angélica e responde da seguinte forma: “Porque imaginar uma assembléia angélica quando a interpretação politeísta de Gênesis simplesmente crescendo a partir da cultura cananéia precedente está disponível e é plausível?” Bem, é porque essa interpretação já foi tirada da água pelos argumentos acima. Deuteronômio 32: acreditado por Bob como “um dos materiais mais antigos da Bíblia”, renuncia expressamente ao politeísmo e afirma o monoteísmo (32:17, 39; cf. 4:28; 28:36, 64). Salmos é outro livro antigo que fossilizou as primeiras formas do judaísmo. Nós vemos a assembléia dos deuses mencionadas várias vezes. [Elohim] está na assembléia de El; no meio dos deuses ele faz julgamento (Salmo 82: 1). . . . E muitos outros versos celebram a Jeová, embora reconheçam a existência dos outros. Porque [Jeová] é o grande Deus e o grande Rei acima de todos os deuses (Sl 95: 3). Todos os deuses se prostram diante de Jeová (Sl 97: 7). Eu sei que [Jeová] é grande e nosso Senhor é superior a todos os deuses. (Sl 135: 5) Tudo isso já foi explicado também. É simplesmente uma maneira de falar (mais poética). A linha de fundo, em qualquer caso, é que existe apenas um Deus verdadeiro, e outros “deuses” reputados “não são deuses”, como vimos acima: afirmado repetidamente na Bíblia. Os Salmos incluem esse entendimento também (assim não são politeístas nem henoteístas, como afirma Bob): Salmo 40: 4. . . aqueles que se desviam por falsos deuses! Salmo 83:18 Que eles saibam que só tu, cujo nome é o Senhor, és o Altíssimo sobre toda a terra. Salmo 86:10 Pois tu és grande e fazes maravilhas, só tu és Deus. Salmo 89: 6 Pois quem nos céus pode ser comparado ao SENHOR? Quem entre os seres celestiais é como o SENHOR? Salmos 96: 5 Porque todos os deuses dos povos são ídolos; mas o SENHOR fez os céus. (cf. 97: 7; 115: 4; 135: 15) Em um post recente, vimos onde a Bíblia documenta como Yahweh perdeu uma briga com o deus moabita Quemós (2 Reis 3:27). Absurdo. Eu já refutei essa ”exegese” na parte 12 desta série. Deuteronômio [aparentemente excetuando a porção do cântico de Moisés / capítulo 32 : de acordo com Bob] foi escrito após a conquista de Israel e antes da conquista de Judá, no século 7 aC. A filosofia passou agora do henoteísmo para a monolatria. Como o henoteísmo, muitos deuses são aceitos e apenas um é adorado, mas agora a adoração de outros deuses é proibida. Hogwash. Os outros “deuses” de outras culturas nunca foram aceitos – nunca permitiram ser adorados na lei mosaica – e foram renunciados como inexistentes, como eu já mostrei em Deuteronômio 4:28 e 28:36, 64. Além disso, Êxodo e Deuteronômio claramente ensina um monoteísmo exclusivo: Êxodo 8:10. . . Não há ninguém como o Senhor nosso Deus. (cf. 1 Cr 17.20; 2 Cr 6.14) Deuteronômio 4:35 39 Foi-te mostrado a ti que sabes que o SENHOR é Deus; não há outro além dele. . . . [39]. . . o SENHOR é Deus no céu e embaixo na terra; não há outro. (cf. Ne 9: 6; 2 Sam 7:22; 1 Rs 8:23; Is 43:10; 44: 6, 8; 45: 5-6, 14, 18, 21-22; 46: 9; 47 : 8; Os 13: 4) Deuteronômio 6: 4: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único SENHOR. Segundo Isaías (a segunda parte de Isaías) foi escrito mais tarde, perto do fim do exílio babilônico. Aqui encontramos a transição para o monoteísmo é completa. O monoteísmo e a proibição de adorar outros “deuses” imaginários já estavam em vigor na Torá, como mostrado acima e abaixo. A própria idéia de um ídolo é ridicularizada em Isaías 44: 9–20. Pode um homem cozinhar sua refeição em fogo feito da metade da árvore que ele usou para esculpir seu ídolo e imaginar que um ídolo de origem tão não refinada é realmente um deus? O que explica essa migração para o monoteísmo? Um fator importante foi o exílio babilônico. Não houve “migração” porque a zombaria dos deuses falsos e inexistentes e dos ídolos materiais que os representam já estava presente em Gênesis, Êxodo, Levítico e Deuteronômio: Gênesis 31:19. . . Raquel roubou os deuses domésticos de seu pai. Gênesis 35: 2, 4 Então Jacó disse à sua família e a todos os que estavam com ele: “Afaste os deuses estrangeiros que estão no meio de você, purifique-se e mude suas vestes; . . . [4] Então eles deram a Jacó todos os deuses estrangeiros que eles tinham, e os anéis que estavam em suas orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que estava perto de Siquém. Êxodo 20:23 Não farás com que os deuses de prata estejam comigo, nem faças para vós deuses de ouro. Levítico 19: 4 Não recorram a ídolos nem façam para vós deuses de fundição: Eu sou o Senhor vosso Deus. Deuterorônomio 4: 27-28 27 E o Senhor vos espalhará entre os povos, e ficareis poucos em número entre as nações para as quais o Senhor vos conduzirá. [28] E ali servirás a deuses de madeira e pedra, obra das mãos dos homens, que não vêem, nem ouvem, nem comem nem cheiram. (cf. 29:17; 1 Cr 16:26; Is 2: 8, 20; 31: 7; 37:19; 44:10, 15, 17; 46: 6; Jer 1:16) O exílio babilônico (depois de 586 aC) ocorreu após a datação de Deuteronômio de Bob (sétimo aC). Portanto, dificilmente pode ter causado essa suposta “migração” ou evolução para o verdadeiro monoteísmo.

  • LITERATURA E EROTIZAÇÃO DO MUNDO MODERNO

    Dante Gabriel Rossetti, Paolo e Francesca (1855) Se a liberação sexual é boa estratégia para deixar mais dependente do Estado o indivíduo entorpecido, tem contado sempre com a colaboração da literatura, e isso desde o século XVIII, a época de Rousseau e outros liberadores. Um século mais tarde, com o romance naturalista, muito mais zoológico do que antropológico — era quase o Kama sutra do ocidente —, o público literário já podia se deliciar abertamente com longas cenas de sexo explícito, que tinham pouco a ver com a neutralidade da ciência natural e funcionavam mais como guias-práticos de masturbação, quando não eram pornografia pura e simples (é o caso do grotesco romance O bom crioulo, de Adolfo Caminha, explorando o homossexualismo entre marinheiros). Essa literatura pró-sexual, que aparece para valer com o romance naturalista, conseguiu criar um público cativo para a moderna pornografia. Funcionava como aquela sereia maviosa do início Canto XIX do Purgatório dantesco, cuja aparência sedutora (que encantava os marinheiros no meio do mar, “che ‘marinari in mezzo mar dismago”), no fundo encobria uma bruxa vesga, gaga, coxa e maneta, de cujo ventre emanava um cheiro fétido e nauseante. Interessante estudo seria o de verificar como esse caminho barbarizante para o inferno já começa a ser aplainado pela própria literatura, desde o século XVIII. Há uma espécie de literatura engajada numa anti-ascese libertária, a reboque dos pecados capitais. Essa literatura militante tem em O Amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence, um exemplo perfeito, cuja estimulação quase ritualística do sexo revivia certas experiências gnósticas da Antiguidade (Buñuel recriou uma dessas orgias místicas em cena d’A via Láctea, filme de 1969, prato cheio para aquele final de década). Ao lado do ascetismo cristão, que conduz ao mundo superior, há uma ascese que leva ao mundo inferior, na distinção bem feita de Mário Ferreira dos Santos, em A invasão vertical dos bárbaros, de 1967 (reposta em circulação pela Editora É, em 2012).

  • A FORÇA DO SILÊNCIO

    Valem por um livro de quinhentas páginas o simples título e subtítulo do último livro do cardeal africano Robert Sarah, A força do silêncio (contra a ditadura do ruído). Ensina o cardeal que, sem o silêncio — sem a permanência no silêncio —, ninguém poderia falar com Deus. Não há oração sem silêncio. O próprio Jesus, Deus encarnado, tinha necessidade de recolhimentos silenciosos para unir-se ao Pai, e era da fonte do silêncio orante que brotava a água viva de sua Palavra. Nossos templos, porém, parece que já não prezam o silêncio como antes. Nem os templos, nem outros lugares em que a ausência de ruído era o pano de fundo obrigatório. Por exemplo, nas escolas. Se o silêncio é fundamental para o encontro vivo com Deus, não o será menos para o trabalho intelectual. Os estudos superiores necessitam do silêncio como a planta precisa da luz do sol. Por isso, é lamentável ver como as escolas superiores têm se transformado em verdadeiros templos do barulho e da agitação. O barulho é o fundo musical das guerras. Em breve, não ficará pedra sobre pedra no mundo acadêmico; e é duro constatá-lo, quando sabemos que uma de suas pedras angulares é, sem dúvida, o silêncio. Lembro-me, quando comecei a trabalhar na universidade pública, no final dos anos oitenta, do efeito que provocava em mim um pequeno luminoso, já sem lâmpada, que havia no alto do corredor das salas de aula — pedindo justamente isto: Silêncio. Gostava de vê-lo lá no alto, como sinal de outra época e outra maneira de compreender a relação com os livros e o conhecimento. Aquele pedido de “silêncio” vinha de longe, de muito longe, da própria aurora do pensamento humano. Concretamente, no caso da minha escola, vinha pelo menos dos anos cinquenta, dos fundadores e primeiros professores da faculdade (homens de estudo como Almeida Prado, Soares Amora, José van der Besselaar, Rolando Morel Pinto, Jorge de Sena, José Carlos Garbuglio, Ênio Fonda, Júlio Garcia Morejón, Antônio Cândido), os quais, independente do que pensavam sobre política, sociedade ou Deus, ainda acreditavam no aspecto mais ou menos monástico do trabalho intelectual, apesar da influência negativa que alguns deles, como Antonio Candido, exerceriam sobre os professores seguintes, mais preocupados com militância política do que com o mundo do conhecimento. Todos, porém, representam uma universidade que não há mais; e que só sobreviveu um pouco mais, graças a alguns de seus assistentes, por eles instruídos e orientados. Mas esses, também, há muito que já não estão mais na docência: vestiram o pijama e os chinelos da aposentadoria, deixando a universidade entregue à primeira geração formada nos ginásios e colégios do regime militar, de cujos currículos foram expulsos o latim, o grego, o francês, o alemão, o canto orfeônico, decadência que a “nova república” posterior (PMDB, PSDB, PT) cuidou de fazer chegar mais rápido ao fundo do poço. O barulho é o fundo musical das guerras; é a música-ambiente desses nossos belicosos tempos modernos. Se o pequeno luminoso pedindo silêncio já não fazia mais sentido naquela última década do século XX, e era uma simples peça de museu esquecida em seu lugar de origem, hoje deve provocar observações no mínimo sarcásticas aos poucos alunos que ainda o enxergam, no vasto corredor do nosso prédio de Letras.

  • O OUTONO DA IDADE MÉDIA NA MÚSICA: JOSQUIN DES PRÈS – Otto Maria Carpeaux

    Cenas da Paixão de Cristo, por Hans Memling (1430-1494) O primeiro mestre ainda “vivo” da história da música ocidental é Josquin DES PRÈS. Josquin DES PRÈS (1450–1521) é, na música, o representante do Quattrocento. A historiografia romântica, confundindo as diversas fases da Renascença, gostava de compará-lo a Rafaelo, a Andréa del Sarto, a Correggio, comparações que se encontram em escritos musicológicos da primeira metade do século XIX, em Fétis e em Ambros. Mas Josquin não tem nada de italiano; sua Renascença é nórdica, a das cidades de Flandres, Gent, Bruges; região de tão intensa vida estética como a Florença e a Veneza do Quattrocento, mas inspirada por mais profunda religiosidade. A propósito da Ave Maria de Josquin, a quatro vozes, não nos ocorrem Rafaelo nem Correggio, mas as virgens humildes e secretamente extáticas de Memling; o De Profundis e o sombrio e incomparavelmente poderoso Grande Miserere nos lembram os anjos pretos que, nos quadros de Roger van der Weyden, voam como grandes aves da morte em torno da cruz erigida no Gólgota. No entanto, Josquin esteve na Itália; mas não para aprender e, sim, para ensinar. Ali, assim como na França, foi chamado de Princeps musicae; sua posição, no fim do século XV, parece ter sido a de Beethoven em nosso tempo. Mas comparações dessas nunca se referem ao estilo, nem sequer ao valor. Pois este último não nos é completamente acessível. Essa música, com suas requintadíssimas artes contrapontísticas, com seus artifícios audaciosos na inversão e imitação das vozes por outras vozes, com as suas complexidades que não podem ser ouvidas, mas que só se percebem na leitura, essa música nos é permanentemente estranha. Já se aventuraram hipóteses: de que parte dessas obras não estaria destinada à execução, mas ao ensino; ou então, de que só poderiam ser executadas com acompanhamento do órgão, porque sem isso os coros ficariam desorientados, caindo na confusão. Podemos admirar infinitamente obras como a complicadíssima missa L’Homme armé, o salmo In exitu Israel, os grandiosos motetes Praeter rerum seriem (seis vozes), Hic in sidereo e Qui habitat in adjutório (24 vozes), que parecem dizer de um outro mundo, inefável. Mas para a nossa vida musical, na igreja ou na sala de concertos, só poucas obras de Josquin ainda têm atualidade: aqueles De Profundis e Ave Maria; a missa Pange lingua, provavelmente a obra-prima de Josquin, de beleza angélica; a gloriosa missa Une musique de Biscaye já ressuscitada em disco (Renaissance Chorus de Nova Iorque); e o sereno Stabat Mater (cinco vozes), que está definitivamente reincorporado ao repertório das grandes associações corais. São obras de complexidade algo menor, que os coros modernos podem executar em puro estilo a capela, isto é, sem qualquer apoio de vozes humanas por instrumentos; e que revela melhor o elemento novo da arte de Josquin: sua música comunica emoção religiosa, talvez já um pouco subjetiva. Mas não exageremos. O compositor não pode nem pretende exprimir musicalmente o conteúdo todo das palavras litúrgicas; pois as muitas vozes cantam, ao mesmo tempo, textos diferentes, dos quais um é quase sempre profano; e todas as palavras ficam incompreensíveis, como devoradas pelas colossais ondas sonoras. Na verdade, as palavras não significam nada para o compositor; são apenas o fundamento da arquitetura, construída com vozes humanas. É arte abstrata. (Otto  Maria Carpeaux, Uma nova história da música). Josquin Des Près: Missa Pange lingua (Tallis Scholars)

  • “The Sheep and the Wolves” by St. Thomas Aquinas

    S. Luke x.3 – “Behold I send you forth as lambs among wolves.” In these words three things are to be noted. Firstly, the confidence which is given to the saints – “I send you.” Secondly, their innocence – “as lambs.” Thirdly, the malice of the wicked – “among wolves.” I. On the first head is to be noted the confidence of the saints from their Master, “I send you for forth” – I Who am – Good; that I may be willing to defend you. “I am the Good Shepherd; the good shepherd giveth his life for the sheep” (S. John x.11), for their defence. Wise; that I may know how to defend them. “While I was with them I kept them” (S. John xvii.12). Omnipotent; that I may be able to deliver them. “He shall gather the lambs with His arm” (Isa. xl.11). The arm signifies strength, so it means, He shall defend them by His strength. II. On the second head, is to be noted the innocency of the saints, who are called “lambs” for three reasons. Firstly, on account of their simplicity. “Be ye humble as doves”(S. Matt. x. 16). Secondly, on account of their innocency. “Giving no offence in anything” (2 cor. vi.3). Thirdly, on account of their meekness. “I was like a lamb brought to the slaughter” (Jer. xi. 19). III. On the third head is to be noted the malice of the wicked, who are called “wolves” for three reasons. Firstly, on account of worthlessness. The wolf is a rapacious animal, and therefore it signifies the worthlessness of harming by evil things. “A wolf of the evening shall spoil them” (Jer. v.6). Secondly, on account of envy. The wolf has a lowering countenance, it gives tongue to a man if it sees him before it is seen by him, and therefore it signifies envy. “An evil beast (that is, envy) hath devoured him” (Gen. xxxvii.33). Thirdly, the wolf is a cruel animal, and it signifies the cruelty of the wicked. “Her judges are evening wolves” (zeph. iii.3) Blessed is the holy one, innocent and gentle as a lamb, yet guarded by wisdom and goodness, and led to the fold of eternal life. (Homily on the Feast of St. Luke the Evangelist)

  • A Eucarístia é estritamente necessária para a salvação?

    Tradução: Is the Eucharist Necessary for Salvation? – Shameless Popery – http://shamelesspopery.com/is-the-eucharist-necessary-for-salvation/ Protestantes podem ser salvos, dado que eles não têm a Eucaristia? Em João 6: 53-55, Jesus fala sobre a Eucaristia de uma maneira que parece sugerir que, sem ela, você não pode ser salvo: “Em verdade, em verdade te digo, a menos que comais a carne do Filho do homem e bebei o seu sangue, você não tem vida em você; Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é comida, e meu sangue é de fato bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele ”. Assim, devemos concluir disto que a Eucaristia é estritamente necessária para a salvação? Não, digamos Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Em seu estilo típico, Tomás de Aquino faz uma distinção útil: Primeiro, uma coisa pode ser necessária para que, sem ela, o fim não possa ser alcançado; assim, a comida é necessária para a vida humana. E isso é simples necessidade de fim. Em segundo lugar, diz-se que uma coisa é necessária se, sem ela, o fim não puder ser alcançado de forma tão atraente: assim, um cavalo é necessário para uma viagem. Mas isso não é simples necessidade de fim. Usamos esse segundo sentido de “necessário” frequentemente, geralmente sem pensar nisso. Se eu disser que você vai precisar de um avião para ir da Cidade A até a Cidade B, isso não é estritamente verdadeiro: um longo carro ou passeio de barco pode levar você até lá, mas será muito mais difícil , e há uma maior probabilidade de as coisas darem errado e você não chegar ao seu destino com segurança. Ou se o seu professor disser que você precisa de um livro específico para a turma dele, ele provavelmente não está dizendo que você falhará automaticamente se não tiver o livro, ele está dizendo que você estará comprometendo desnecessariamente sua capacidade de ter sucesso, aumentando sua probabilidade de falha. É estritamente necessário ficar acima de um “F” para passar um curso: é literalmente impossível passar com um “F”. Não é estritamente necessário estudar ou prestar atenção, etc., mas ainda podemos dizer coerentemente que você precisa fazer estas coisas. Estamos apenas usando o segundo significado de “necessidade”. Assim, a Eucaristia é “necessária” neste segundo sentido, mas não no sentido de estrita necessidade. Afinal, Tomás de Aquino salienta que “as crianças são salvas somente pelo batismo sem os outros sacramentos”. Isso nos deixa duas perguntas: primeiro, o que fazemos com as palavras de Nosso Senhor? E segundo, isso significa que não devemos nos preocupar tanto com a Eucaristia? Santo Agostinho responde a primeira destas questões, explicando que é sobre a realidade da Eucaristia: E assim Ele teria essa carne e bebida para ser entendida como significando a comunhão de Seu próprio corpo e membros, que é a Santa Igreja em seus santos e crentes predestinados, e chamados, justificados e glorificados. Destes, os primeiros já são efetuados, a predestinação; os segundos e os terceiros, isto é, a vocação e a justificação, estão ocorrendo, estão acontecendo e acontecerão; mas a quarta, a saber, a glorificação, está presentemente na esperança; mas uma coisa futura em realização. O sacramento desta coisa, a saber, da unidade do corpo e sangue de Cristo, é preparado na mesa do Senhor em alguns lugares diariamente, em alguns lugares em certos intervalos de dias, e da mesa do Senhor é levada, por alguns para a vida, por alguns para a destruição: mas a coisa em si, da qual é o sacramento, é para todos os homens para a vida, para nenhum homem para a destruição, qualquer um que tenha sido seu participante. Em outras palavras, o Sacramento da Eucaristia é o sacramento do Corpo e Sangue do Senhor, e é comunhão neste Corpo de Cristo que é salvífico. Não é a mera recepção da própria Eucaristia. Como observa São Paulo em 1 Coríntios 11: 27-29, a indigna recepção da Eucaristia é realmente condenável: Quem, pois, comer o pão ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado de profanar o corpo e o sangue do Senhor. Deixe um homem examinar a si mesmo e assim comer do pão e beber do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o corpo come e bebe o juízo sobre si mesmo. Então, não é a mera recepção física do sacramento que salva, ou então aqueles que receberam a Eucaristia indignamente seriam salvos, não condenados. E, de fato, esse tipo de visão dos sacramentos poderia tornar possível não crer em Jesus, nem mesmo estar disposto a receber a Comunhão, e ter alguém te salvando, forçando-te a Eucaristia. Agostinho argumenta que isso é contra a natureza livre da crença e da salvação: “Um homem pode ir à igreja a contragosto, pode se aproximar do altar a contragosto, participar do sacramento a contragosto: mas ele não pode crer a menos que esteja disposto. Se acreditássemos com o corpo, os homens poderiam ser levados a acreditar contra sua vontade. E assim Agostinho argumentará que “o sacramento é uma coisa, a virtude do sacramento é outra”, e que “isto é o que pertence à virtude do sacramento, não ao sacramento visível; aquele que come dentro, não por fora; quem come em seu coração, não quem pressiona com seus dentes. ”Tomás de Aquino concorda, argumentando que as palavras de Jesus em João 6: 53-55“ devem ser entendidas como espirituais, e não meramente sacramentais. ”Não é suficiente receber o Corpo de Cristo em sua boca se você não receber Jesus em seu coração. Então, quando Jesus diz que “quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”, ele está se referindo àqueles que O recebem em fé. Da mesma forma, é essa recepção na fé à qual Ele está se referindo quando fala da necessidade de “comer a carne do Filho do homem e beber seu sangue”. Mas observe que Agostinho e Tomás de Aquino não vão ao extremo oposto, de tratar o Sacramento como meramente irrelevante. Como diz Aquino, não basta comer “meramente sacramentalmente”, como se os sacramentos o salvassem da fé. Mas isso não significa que essa alimentação sacramental seja irrelevante. Tomás de Aquino salienta que “Deus não faz nada sem um propósito”, e todos os sete dos sacramentos instituídos por Cristo nos são dados por uma boa razão. De fato, Aquino argumenta que a Eucaristia é o maior dos sete sacramentos, “porque contém o próprio Cristo substancialmente”, enquanto os outros sacramentos contêm apenas “um certo poder instrumental que é uma parte do poder de Cristo”. O batismo nos salva e capacita receber o dom ainda maior de Jesus Cristo, no dom da Eucaristia. Deste modo, podemos dizer que a Eucaristia é maior que o Batismo e que é menos necessária para a salvação. Lembrem-se de que a Eucaristia e os outros sacramentos são necessários no segundo sentido necessário: que “sem isso, o fim não pode ser atingido de maneira tão atraente”. Tentando chegar ao Céu sem receber absolvição por seus pecados na Confissão ou ser capacitado com os dons do Espírito Santo na Confirmação, ou ser capaz de receber o próprio Jesus Cristo na Eucaristia (com todas as graças que acompanham uma digna recepção da Eucaristia) é como tentar passar a aula sem os materiais necessários, ou tentando atravessar o oceano sem pegar um avião. Não é estritamente impossível, mas por que tornar as coisas desnecessariamente mais difíceis para você? Deus nos deu esses grandes presentes para nosso benefício e para a facilidade de nossa salvação, então vamos nos deleitar e compartilhar essas Boas Novas com aqueles (mesmo outros cristãos!) Que podem não conhecer os meios completos de salvação que Jesus nos dá cada dia.

  • RENUNCIAR A SI MESMO E SEGUIR O MESSIAS – 24º Domingo do Tempo Comum

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Como renunciar a si mesmo?”, clicar AQUI. “Se alguém quer me seguir”, adverte Jesus no Evangelho deste domingo, “renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. O seguimento de Cristo exige necessariamente um despojamento de nossos caprichos, projetos e ideais, para que Ele seja o centro de tudo. Temos de morrer para que Cristo viva em nós. Nesta meditação, Padre Paulo Ricardo mostra como podemos alcançar esse desprendimento de nós mesmos através da virtude da perseverança. PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Isaías 50, 5-9a) Sei que não sairei humilhado O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas, o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. A meu lado está quem me justifica; alguém me fará objeções? Vejamos. Quem é meu adversário? Aproxime-se. Sim, o Senhor Deus é meu Auxiliador; quem é que me vai condenar? SALMO 114 Eu estava oprimido e Ele me salvou (Antífona): Andarei na presença de Deus, junto a ele, na terra dos vivos. — Eu amo o Senhor, porque ouve/ o grito da minha oração./ Inclinou para mim seu ouvido,/ no dia em que eu o invoquei. — Prendiam-me as cordas da morte,/ apertavam-me os laços do abismo;/ invadiam-me angústia e tristeza;/ eu então invoquei o Senhor:/ “Salvai, ó Senhor, minha vida!” — O Senhor é justiça e bondade,/ nosso Deus é amor-compaixão./ É o Senhor quem defende os humildes;/ eu estava oprimido e salvou-me. — Libertou minha vida da morte,/ enxugou de meus olhos o pranto/ e livrou os meus pés do tropeço./ Andarei na presença de Deus,/ junto a ele na terra dos vivos. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (São Tiago 2, 14-18) A fé que opera pelo amor Meus irmãos: que adianta alguém dizer que tem fé, quando não a põe em prática? A fé seria então capaz de salvá-lo? Imaginai que um irmão ou uma irmã não têm o que vestir e que lhes falta a comida de cada dia; se então alguém de vós lhes disser: “Ide em paz, aquecei-vos”, e: “Comei à vontade”, sem lhes dar o necessário para o corpo, que adiantará isso? Assim também a fé: se não se traduz em obras, por si só está morta. Em compensação, alguém poderá dizer: “Tu tens a fé e eu tenho a prática!” Tu, mostra-me a tua fé sem as obras, que eu te mostrarei a minha fé pelas obras! EVANGELHO (São Marcos 8, 27-35) A renúncia de si mesmo Naquele tempo, Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesaréia de Filipe. No caminho perguntou aos discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?” Eles responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas”. Então ele perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o Messias”. Jesus proibiu-lhes severamente de falar a alguém a seu respeito. Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei; devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias. Ele dizia isso abertamente. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo. Jesus voltou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: “Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens”. Então chamou a multidão com seus discípulos e disse: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la”. SEGUINDO O MESSIAS (Comentário de Scott Hahn) No evangelho de hoje, nos deparamos com um momento chave para nossa caminhada com o Senhor. Depois de semanas ouvindo suas palavras e vendo suas maravilhas, somos questionados, assim como os discípulos, sobre quem realmente é Jesus. São Pedro responde por eles e também por nós, quando diz: “Tu és o Messias”. Muitos esperavam um Messias milagreiro, que vencesse os inimigos de Israel e restaurasse o reino de Davi (v. Jo 6,15). Jesus nos revela hoje uma imagem diferente. Ele se autodenomina o Filho do Homem, evocando a figura real que o profeta Daniel contemplou em suas visões celestiais (v. Dn 7, 13-14). No entanto, a sua realeza não é como a deste mundo (v. Jo 18, 36); e o caminho para o seu trono, conforme nos ensina, passa pelo sofrimento e pela morte. Jesus identifica o Messias com o Servo sofredor de quem Isaías fala na primeira leitura deste domingo. Suas palavras são as mesmas de Jesus, que se entrega para ser humilhado e espancado, confiando que Deus o ajudará. Ao mesmo tempo, ouvimos novamente a voz do Senhor no salmo de hoje, agradecendo a Deus por livrá-lo das teias da morte. Como Jesus nos diz neste domingo, acreditar que Ele é o Messias implica seguir um caminho de autonegação, perdendo a vida para salvá-la e ressuscitar com Ele para uma nova vida. Nossa fé, como ouvimos novamente na epístola de hoje, precisa ser expressa com obras de amor. É notório que Jesus questiona seus apóstolos, nessa leitura, enquanto vão “pelo caminho”. Eles vão a Jerusalém, onde o Senhor entregará a sua vida. Nós também estamos no caminho com o Senhor. Precisamos aceitar e carregar nossa cruz, oferecendo-nos aos outros e perseverando em todas as nossas provações pela causa de Cristo e do Evangelho. Nossas vidas devem ser um sacrifício de ação de graças pela nova vida que Deus nos deu, até o dia em que cheguemos ao nosso destino e caminhemos diante do Senhor na terra dos vivos (v. Ez 26, 20). https://stpaulcenter.com/siguiendo-al-mesias-scott-hahn-refleja-sobre-las-lecturas-del-24er-domingo-de-tiempo-ordinario/ https://stpaulcenter.com/following-the-messiah-scott-hahn-reflects-on-the-twenty-fourth-sunday-in-ordinary-time/

  • Perseverança dos Santos: uma falácia lógica

    Tradução: Perseverance of the Saints: An Illogical Doctrine – Shameless Popery Perseverança dos Santos e 1 João 2:19 Suponha que você e eu estamos em uma reunião da associação de bairro quando vemos várias pessoas, incluindo um vizinho amigável nosso, levantarem-se e saírem cedo. É perturbador e estamos surpresos que nosso vizinho (cirurgião e normalmente muito profissional) faça algo assim. Então você pergunta a ele sobre isso diretamente, e você responde de volta para mim, “Ele saiu da reunião cedo, porque ele tem que realizar uma cirurgia de emergência. Se ele não tivesse feito a cirurgia, ele teria ficado o tempo todo. ”Eu respondo:“ Ah, entendo. Portanto, todos que saíram cedo da reunião devem ter que realizar uma cirurgia de emergência ”. Claro, você reconheceria imediatamente minha conclusão como irracional e ridícula. Só porque isso era verdade para uma pessoa ou um grupo, isso não significa que essa mesma explicação seja verdadeira para todos os outros. Isto é essencialmente um “contrário ilícito”, o que significa que é na verdade uma falácia lógica. E ainda assim encontramos os protestantes cometendo essa falácia muito comumente na defesa da doutrina da perseverança dos santos (intimamente relacionada à idéia de “uma vez salvos, sempre salvos”). É um dos dois principais campos dentro do pensamento protestante. R.C. Sproul, que o subscreve, explicando a diferença dentro do protestantismo desta maneira: De um modo geral, a teologia arminiana ensina que é possível se converter genuinamente e depois se afastar da fé permanentemente. A teologia reformada, por outro lado, ensina que todos aqueles com fé salvadora perseverarão e nunca perderão sua salvação. Os crentes podem vacilar em sua profissão, mas ao longo de suas vidas eles persistirão nas boas obras que evidenciam a justificação e finalmente serão glorificados. Os teólogos reformados – pessoas inteligentes o bastante para saberem melhor – tendem a fundamentar sua crença na perseverança dos santos em 1 João 2: 18-19, que diz: Filhos, é a última hora; e como você ouviu que o anticristo está chegando, agora muitos anticristos vieram; portanto sabemos que é a última hora. Eles saíram de nós, mas não eram de nós; porque se tivessem sido de nós, teriam continuado conosco; mas eles saíram, para que ficasse claro que todos eles não são de nós. Por “anticristos”, João significa “aquele que nega que Jesus é o Cristo”, ou “aquele que nega o Pai e o Filho” (1 João 2:22). E assim, no v. 19, ele diz que esses indivíduos deixaram a Igreja porque “eles não eram de nós; porque, se tivessem sido de nós, teriam continuado conosco. Nosso amigo deixou a reunião do bairro por causa de uma cirurgia de emergência, ou então ele teria ficado. Esses anticristos deixaram a Igreja porque nunca verdadeiramente acreditaram, ou então teriam ficado. Ambas as afirmações são específicas para determinados indivíduos, explicando por que eles foram embora e por que teriam permanecido. Em ambos os casos, aprendemos exatamente nada sobre o motivo pelo qual todos os outros saíram. Talvez todo mundo estivesse fugindo para cirurgias de emergência. Talvez todos os outros saiam da Igreja porque nunca acreditaram verdadeiramente. Mas absolutamente nada que dissemos até agora prova (ou até sugere) essas conclusões. E, no entanto, um número surpreendente de teólogos reformados faz exatamente esse erro lógico. Sproul, que eu mencionei anteriormente, baseia todo o seu caso para a perseverança dos santos desta leitura errada de 1 João 2:19: Alguns professam a Cristo e depois se afastam, persuadindo muitos da visão arminiana. O versículo 19 da passagem de hoje, no entanto, nos diz que quando alguém cai, ele nunca possuiu fé salvadora. Conforme observamos em 1 João 2: 12–14, foi a audiência de João que teve verdadeira fé. Foi esse público que acreditou na encarnação, santidade pessoal e amor pelos outros cristãos. Se aqueles que deixaram a comunidade realmente fizessem parte dela, teriam permanecido nessa confissão ortodoxa. Eles tinham apenas uma fé transitória e não mantinham sua confissão. Assim, seus membros e conversões eram falsos. Todos aqueles que abandonam o cristianismo nunca conheceram Jesus em primeiro lugar. João Calvino comenta nesses versículos que “os que caíram nunca foram completamente imbuídos do conhecimento de Cristo, mas tinham apenas uma luz e um sabor passageiro disso”. Alguns que chamam a Jesus de “Senhor” não são verdadeiros crentes (Mt 7:21). Os professos de fé (a igreja visível) não são necessariamente possuidores de fé (a igreja invisível). Aqueles que se afastam finalmente nunca conheceram Jesus em primeiro lugar. Sproul e Calvino estão fazendo a mesma falácia lógica, que desde que alguns caíram por este motivo (nunca sendo verdadeiros cristãos), todos caem por este motivo. Você simplesmente não pode concluir de “alguns A são B” que “todos os A são B”. Só porque alguns gatos são cinzas não significa que todos os gatos são cinzentos. Só porque algumas pessoas só saíram porque nunca foram realmente cristãs, não significa que todos os que saíram o fizeram porque nunca foram realmente cristãos. O que mais chama a atenção neste exemplo em particular é que Sproul cita justamente Mateus 7:21 como evidência de que “alguns que chamam a Jesus de“ Senhor ”não são crentes verdadeiros”. Mas ele nunca concluiria que isso é verdade para todos que chamam Jesus “ Senhor. Por quê? Porque em algum nível, ele tem que perceber que você não pode ir de “alguns A’s são B” para “todos os A’s são B.” Sam Storms, ex-presidente da Sociedade Teológica Evangélica, comete o mesmo erro em seu comentário sobre 1 João 2:19, mas na direção oposta: A doutrina da perseverança dos santos – Permanecer ou continuar ou resistir é o sinal dos salvos, assim como a apostasia é a evidência da incredulidade inicial. Observe a ênfase da frase: “se tivessem sido de nós, teriam permanecido conosco. . . ”(Cf. Hb 3: 6,14). A presença da fé genuína (“de nós”) implica (exige) perseverança. Storms está dizendo que, uma vez que esses anticristos teriam permanecido na Igreja se fossem cristãos verdadeiros, qualquer um que tivesse fé genuína permaneceria na Igreja. Volte para o exemplo do vizinho: ele teria ficado na reunião se ele não tivesse tido uma cirurgia de emergência para atender. Isso significa que todo mundo sem uma cirurgia de emergência para atender permaneceria na reunião? Claro que não. É outra variação da falácia lógica, passando de “alguns A’s são B” para “todos os A’s são B.” Assim, o caso Reformado para a perseverança dos santos é literalmente construído sobre uma falácia lógica rastreável até o reformador João Calvino. Este não é um caso em que temos que pesar cuidadosamente os argumentos escriturísticos a favor e contra a doutrina, porque é apenas um argumento logicamente incorreto. Mas, de fato, as Escrituras são bastante claras contra essa doutrina. A Objeção Católica à perseverança dos Santos Em Marcos 16:16, Jesus diz que “quem crer e for batizado será salvo”. Em Atos 8: 12-13, ouvimos falar de um homem, Simão, que crê e é batizado, mas que depois cai. Ao contrário das pessoas que São João está falando em 1 João 2, ele não caiu porque ele é um anticristo que apenas fingiu aceitar a Encarnação. Sua queda é o pecado da simonia (nomeado seguindo seu nome), uma vez que ele tenta comprar a capacidade de chamar o Espírito Santo na imposição das mãos (Atos 8:19), levando a este poderoso confronto entre São Pedro e Simão em Atos 8: 20-24: Mas Pedro disse-lhe: “A tua prata perece contigo, porque pensaste que podias obter o dom de Deus com dinheiro! Você não tem nem parte nem sorte neste assunto, pois o seu coração não está certo diante de Deus. Portanto, arrependa-se desta iniqüidade e ore ao Senhor para que, se possível, a intenção do seu coração seja perdoada. Pois vejo que você está no fel da amargura e no laço da iniqüidade ”. E Simão respondeu: “Rezai por mim ao Senhor, para que nada do que disseste venha sobre mim”. Ele foi salvo, mas depois perdeu sua salvação, e seu estado eterno nunca é revelado pela Escritura. Esse é um exemplo claro do tipo de indivíduo que Calvino e os outros afirmam não existir. Onde Atos 8 nos dá um exemplo individual, 2 Pedro 2 fala mais genericamente, quando fala sobre como “haverá falsos mestres entre vocês, que trarão secretamente heresias destrutivas, negando até mesmo o Mestre que os comprou, trazendo sobre si mesmos rapidamente destruição ”(2 Pedro 2: 1). Pedro então os compara com os anjos caídos que foram salvos, mas que então rejeitaram a salvação e condenaram a si mesmos (2 Pedro 2: 4), Ele conclui (2 Pedro 2: 20-22): Pois se, depois de terem escapado das impurezas do mundo através do conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, eles são novamente enredados neles e dominados, o último estado se tornou pior para eles do que os primeiro. Pois teria sido melhor para eles nunca terem conhecido o caminho da justiça do que depois de saberem se afastarem do sagrado mandamento que lhes foi entregue. Aconteceu com eles de acordo com o verdadeiro provérbio: O cão volta para o seu próprio vômito, e a porca é lavada apenas para chafurdar na lama. Isso dificilmente poderia ser mais claro – esses indivíduos, uma vez salvos por serem resgatados por Cristo, rejeitam Sua salvação. Eles não fazem isso negando a Encarnação, como os indivíduos em 1 João 2. Em vez disso, São Pedro está se referindo a “aqueles que se entregam à luxúria de contaminar a paixão e desprezar a autoridade” (2 Pedro 2:10). Muito mais poderia ser dito em favor da visão católica contra a perseverança dos santos, mas, novamente, o caso em si envolve, em grande parte, confundir “alguns” com “todos” os ex-cristãos. Enquanto este é um caso óbvio de uma posição teológica sendo fundamentada em uma falácia lógica, dificilmente é a única. Na próxima vez, veremos por que os defensores da Sola Scriptura (a crença de que “somente a Bíblia” é o que precisamos para a fé).

  • CATOLICISMO: A FORMA DE VIDA MAIS PROGRESSISTA QUE HÁ – Padre Bevil Bramwell, OMI

    Hospital concebido pelo Padre Pio, em San Giovanni Rotondo Em nossa cultura, há muitas palavras usadas incorretamente, mas talvez a mais abusada de todas seja “progresso”. A palavra provém originalmente do latim e significa “ir adiante”. A Renascença deu à palavra um sentido eminentemente subjetivo: novas ideias sobre pessoa humana e sobre governo, que precederam a sua concreta aplicação mais tarde. A Revolução Industrial adicionou-lhe a expectativa de que a tecnologia viesse resolver os problemas do mundo. Isto não ocorreu, obviamente. Só criou um mundo de máquinas, sem o necessário desenvolvimento moral do homem. Historicamente, o maior abuso da palavra começou quando o progresso veio a ser compreendido simplesmente em termos de ideias. Quando essa ou aquela elite intelectual constrói uma ideia de progresso, suas concepções podem ou não ter relação com a realidade. Karl Marx, por exemplo, pode ter sido motivado pelas duras condições dos trabalhadores, mas tudo o que propôs foram só ideias alternativas sobre propriedade e governo, Ideias não muito boas, como podemos ver muito bem agora, no ducentésimo aniversário de seu nascimento.    Não havia garantia (exceto na mente do autor) de que as ideias de Marx levariam ao “progresso” que ele visava. Forçando as complicadas dinâmicas do mundo a se ajustar às suas ideias, provocou a morte de dezenas de milhões de pessoas, que é um fato verificável — e isto não pode ser chamado de progresso. Contudo, pesquisas revelam que muitos departamentos de filosofia, nos EUA, ainda ensinam marxismo como coisa séria. Há muito tempo que a Igreja vem apontando falhas nas ideologias progressistas. Em 1891, Papa Leão XIII já sabia aonde chegaria o socialismo. Os que abraçam tais ideologias odeiam a Igreja. * Mas vamos considerar mais de perto a relação da Igreja com o progresso. Joseph Ratzinger lembrou-nos, há décadas, que nossa fé na Divina Trindade provém das experiências históricas concretas dos judeus e dos cristãos. A aliança de Deus com o povo judeu começou com um pequeno pedaço de céu nos Dez Mandamentos. E foi na terra desses mandamentos que nasceu uma pessoa real, Jesus Cristo, autor da Nova Aliança. Eis o que é progresso: a crença em — e aliança com — uma pessoa que possuía tanto a natureza divina como a humana. Assim como é progresso conhecer a verdade sobre o Criador e sua Criação. O ensinamento católico constantemente se refere à realidade concreta, tanto na nova como na velha aliança.  A consciência cristã é regulada por nossa direta experiência do mundo — um mundo criado por Deus.   Tais experiências não conduzem a ideologias irreais, mas a um mundo que reflete o divino, e que pode ser alcançado por nosso pensamento. Esse é o melhor uso que se pode fazer da consciência humana: voltar ao mundo sensível para conferir se nossos conceitos tem ou não validade. Disse Santo Tomás de Aquino: “Embora o intelecto seja superior aos sentidos, de certa maneira é por eles que faz a experiência das coisas, e seus primeiros e principais objetos se fundamentam nas coisas sensíveis”. É um verdadeiro progresso auxiliar o entendimento humano a se desenvolver de forma consistente, conservando-o intelectualmente fundamentado no mundo que nos cerca. Por exemplo: os católicos dizem não à contracepção.  Como as relações sexuais envolvem tanto o corpo como o espírito, são várias as maneiras pelas quais o uso de contraceptivos prejudica a experiência do mundo real feita por um espírito encarnado. O mesmo ocorre com o sexo casual, que diminui irreversivelmente os nele envolvidos. Evitam a plena realização da própria pessoa, o que significa: estão regredindo. Proteger a humanidade dos indivíduos, de cada indivíduo em particular, da concepção à morte natural: isto também é progresso. Especialmente num mundo em que muitas nações não o fazem, pensa-se até que isso é algo desumano. No entanto, a Igreja não é só um corretivo intelectual. Ela é um sacramento e celebra sacramentos. Os sacramentos são sinais visíveis concretos extraídos do mundo natural, sobre o qual atuam em graça e verdade.  Cada sacramento vai mudando as pessoas  progressivamente — se entendemos corretamente esse conceito —, chamadas a ser, cada vez mais, integrantes do Reino de Deus. Este o que é um progresso: compartilhar a vida divina, junto de “Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos vós”. (Efesios, 4, 6) Precisamos compreender isto e proclamá-lo corajosamente: a vida católica é uma vida progressista, mas não no sentido arbitrário decidido por alguém numa biblioteca (as salas de leitura do Museu Britânico, por exemplo, frequentadas diariamente por Karl Marx). O progresso católico é um progresso divinamente ordenado, que aprofunda a humanidade do indivíduo, elevando-o a uma união espiritual com o Onipotente e o próximo. Na Igreja, progresso é direcionar-se à santidade, que é o ponto culminante do progresso humano. É a plenitude do desenvolvimento humano, em graça e em verdade, tanto que Santo Irineu descreve essa situação com as seguintes palavras: “A glória de Deus é o homem completamente vivo.” Uma pessoa plenamente viva é aquela que não foi abortada (aborto é hoje uma obsessão “progressista”) e que usa a liberdade humana para relacionar-se com Deus, mesmo quando a ideologia predominante tenta sufocar a fé (outra obsessão muito comum dos “progressistas”). Progresso, em sentido católico, é promover a união do ser humano com Deus e com as outras pessoas. Desde que Deus capacite essa união, não se trata de uma utopia, mas de algo real. O progresso católico tem um objetivo concreto, que é tão positivo quanto transcendente — o único progresso verdadeiro. [Padre Bevil Bramwell OMI vive nos EUA e pertence à comunidade missionária Oblatos de Maria Imaculada. É professor em seminários e universidades e tem vários livros publicados.] Publicado em: https://www.thecatholicthing.org/2018/04/29/catholicism-the-most-progressive-way-of-life/

  • O RELATIVISMO VAI ACABAR COM A UNIVERSIDADE

    Universidade de Bolonha, fundada pela Igreja na Idade Média Haverá lugar para o cristianismo em nossa universidade repaganizada? Essa pergunta me fez lembrar uma conversa com velho colega, já aposentado. De vez em quando aparecia pelo campus para matar a saudade. Ainda estava com saúde, de pensamento ágil; só lamento que esteja longe da docência. Naquele dia, eu tinha acabado de dizer algumas palavras sobre Alceu de Amoroso Lima, num simpósio qualquer, e ele se aproximou: “Meu caro, é preciso recristianizar urgentemente a universidade!” A meu lado ouvia-o um outro colega, porém mais cético com as coisas cristãs, que observou: “Mas não do jeito como está sendo feito, professor: um grupo de alunos carismáticos vêm duas ou três vezes até uma sala do Prédio I e ali começam a cantar, a rezar desconexamente…” O velho professor, que já foi marxista noutros tempos, não se deu por vencido: “Por que não? É preciso trazer os valores cristãos de qualquer jeito para cá, seja por carismáticos católicos ou evangélicos. Do contrário, o relativismo ainda vai acabar com a universidade.” Não me constava que o velho professor estivesse num processo de conversão; parecia-me antes ser daqueles católicos sem prática, mas que percebiam o quanto a Igreja e o mundo do conhecimento não podiam ficar separados, sob pena do Ocidente se fragmentar e falir.

  • O CESAROPAPISMO DOS IMPERADORES BIZANTINOS

    O CESAROPAPISMO DOS IMPERADORES BIZANTINOS LIÇÃO 2: OS TRÊS CAPÍTULOS O Imperador Justiniano ( 527-565) foi um homem de grande ideal, que tencionou dar ao Império um período de fausto como não o tivera até então. Era, ao mesmo tempo, prepotente, de modo que exerceu forte cesaropapismo. Compreende- se então que as controvérsias teológicas tenham merecido sua zelosa atenção. O Imperador, querendo conciliar os ânimos, só fez provocar maiores tumultos. O bispo Teodoro Asquida de Cesaréia, muito influente na corte, sugeriu ao Imperador que condenasse três nomes de autores antioquenos tidos como inspiradores do nestorianismo ; dizia que bastaria essa medida para obter a volta dos monofisitas à comunhão da Igreja Universal. Esses três nomes constituíram Três Capítulos , a saber : 1) Teodoro de Mopsuéstia( + 428), sua pessoa e seus escritos ; 2) os escritos de Teodoro de Ciro (+458) contra Cirilo e o Concílio de Éfeso; 3) a carta do bispo Ibas de Edessa(+435) ao bispo Mário de Ardashir em defesa de Teodoro de Mopsuéstia e contra os anátematismo de Cirilo. O Imperador acolheu a proposta e publicou um édito que anatematizava os Três Capítulos em 543. Este decreto dividiu os ânimos , pois não se viam claramente os erros pretensamente cometidos pelos três autores. Justiniano, porém, obrigou o Patriarca Menas e os bispos orientais a assinar o anátema. Os ocidentais deviam seguir- lhes o exemplo, tendo o Papa Virgílio à frente. Este relutou ; por isto o Imperador mandou buscá- lo de Roma para Constantinopla. Um ano após sua chegada , Virgílio em 548 escreveu o Iudicatum , em que condenava os Três Capítulos, ressalvando, porém, a autoridade do Concílio de Calcedônia. O gesto do papa causou indignação entre os ocidentais, principalmente no Norte da Africa, pois era uma estrondosa vitória do cesaropapismo. Em consequência, o Papa e o Imperador em 550 decidiram convocar um Concílio Ecumênico para resolver o caso, entrementes nenhuma inovação seria praticada. Todavia em julho julho de 551 Justiniano repetiu o anátema sobre os Três Capítulos — o que provocou ruptura com o Papa Virgílio, que teve de procurar asilo em igrejas de Constantinopla e Calcedônia. A respeito do Concílio , o Papa e o Imperador já não concordavam entre si. Por isto Justiniano convocou o Concílio por sua exclusiva iniciativa. Reunido sob a presidência de Eutiquio , novo Patriarca de Bizâncio, renovou a condenação dos Três Capítulos ( maio e junho de 553). Virgílio então em 13/05/553, no decurso do próprio concilio , publicou o Constitutum, que se opunha à condenação dos Três Capítulos. Justiniano não aceitou a nova posição do Papa e mandou cancelar o nome de Virgilio nas orações da Liturgia. Finalmente, sob o peso das pressões e da doença, o Papa em dezembro de 553 retirou o seu Constitutum e aderiu às decisões do Concílio de Constantinopla de 553. Num segundo Constitutum de 23/02/554, expôs as razões da sua atitude. Em conseqüência, o Imperador permitiu-lhe voltar para Roma; todavia morreu em viagem (555). Era vítima da sua inconstância de seu caráter. Os papas que lhe sucederam, a começar por Pelágio | ( 556-561), reconheceram o concílio de 553 como ecumênico; é o Constantinopla || . As dioceses do Ocidente aos poucos também o foram reconhecendo, embora tivessem consciência de que significava uma humilhação para o Papado. Notemos que as hesitações do Papa Virgílio não versavam sobre assuntos de fé propriamente dita, mas sobre a oportunidade ou não de se condenarem três nomes de escritores antigos. — O episódio também é interessante por evidenciar quanto era prestigiada a Sé Romana; o Imperador quis absolutamente ganhar o consenso do Papa Virgílio; por isto mandou buscá- lo em Roma e pressionou- o repetidamente para que subscrevesse ao decreto imperial, como se este precisasse da assinatura do papa para ser válido. Fonte: Escola Mater Ecclesiae.Curso de História da Igreja por Dom Estêvão Bettencourt O.S.B #Patrística #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja

  • VIGÉSIMA SÉTIMA HOMILIA DE SÃO JOÃO CRISÓSTOMO SOBRE A 2CARTA AOS CORÍNTIOS

    VIGÉSIMA SÉTIMA HOMILIA DE SÃO JOÃO CRISÓSTOMO SOBRE A 2CARTA AOS CORÍNTIOS 11. Procedi como insensato! Vós me constrangestes a isto. A vós é que tocava recomendar-me. Terminado o discurso sobre o louvor de si próprio, o Apóstolo não se detém, mas novamente se escusa, e pede desculpas, dizendo que agiu induzido pela necessidade, não por vontade própria. Todavia, apesar de obrigado, denomina-se insensato. Ora, quando elaborava o discurso, dizia: “Suportai-me como insensato” e: “como insensato”; agora, omite a partícula: “como” e simplesmente denomina-se insensato. Após proferir o que queria, destaca livre e audaciosamente este vício, instruindo a todos que, exceto por extrema necessidade, não se elogiem, visto que Paulo, apesar de o fazer por necessidade, denomina-se insensato. Em seguida, passa a atribuir a causa aos discípulos e não aos falsos apóstolos: “Vós me constrangestes”. Se eles se jactassem sem vos defraudar, nem levar à perdição, não teria me rebaixado a tais palavras; uma vez, contudo, que prejudicam a toda a Igreja, fui obrigado, visando ao bem, a incidir no vício da insipiência. E não disse: Receei que se obtivessem a primazia entre vós, implantassem seus dogmas; ele o fez mais acima, nesses termos: “Receio, porém, que, como a serpente seduziu Eva por sua astúcia, vossos pensamentos se corrompam”; agora, contudo, não age de forma idêntica, mas com maior autoridade e poder, de sorte que, em vista dos antecedentes, tivesse a faculdade de falar mais livremente: “A vós é que tocava recomendar-me”. Depois, apresenta a causa. E mais uma vez não menciona apenas as revelações e milagres, mas também as provações. Pois em nada fui inferior a esses eminentes apóstolos, Vê como fala com maior liberdade e autoridade. Antes dizia: “Julgo não ser inferior”. Aqui, porém, pronunciando de modo absoluto, conforme disse, depois de apresentar as provas, fala livremente, mas nem assim se aparta de seus hábitos modestos. Por conseguinte, como se tivesse dito algo de grandioso e excedido os limites da dignidade por se ter agregado ao número dos apóstolos, de novo suaviza o discurso: se bem que eu nada seja. 12. Os sinais que distinguem o apóstolo realizaram-se entre vós. Diz ele: Não consideres se sou insignificante e de pequeno valor; mas se não recebes o que se deve esperar de um apóstolo. Nem disse: Insignificante, mas o que era bem menos: “Nada”. Que importa seres grande, se a ninguém és útil? Nada vale ser médico perito, se não cura doente algum. Não ponderes, portanto, que nada sou, mas consideres que a fim de prestar benefícios adequados nada me faltou, mas ofereci minha experiência de apóstolo. Não importava, portanto, recomendar-me. Certamente não o dizia porque precisasse de recomendação. Como precisaria, se menosprezava até o céu por amor a Cristo? Mas desejava a salvação deles. Em seguida, para que não dissessem: O que nos importa seres em nada inferior aos mais ilustres apóstolos? Por isso acrescentou: Os sinais que distinguem o apóstolo realizaram-se entre vós: paciência a toda prova, sinais milagrosos, prodígios e atos portentosos. Ah! Em poucas palavras atravessou um oceano, uma quantidade de boas obras! E vê o que coloca em primeiro lugar: a paciência. É sinal característico do apóstolo: Suportar tudo com fortaleza. Incluiu-o brevemente nesta palavrinha; ao contrário, os milagres, que não praticava por próprio poder, enumerou de modo extenso. Pondera quantos cárceres, quantas chagas, quantos perigos, quantas insídias, quantas nevadas de provações implicitamente assinala, quantas guerras intestinas, quantas exteriores, quantas dores, quantos ataques classifica sob um vocábulo único: paciência. Entre os milagres apontou quantos mortos ressuscitados, quantos cegos curados, quantos leprosos purificados, quantos demônios expulsos. Ao ouvi-lo, aprendamos que, se determinada necessidade surgir, obrigando-nos a narrar nossas boas obras, brevemente as enunciemos, conforme Paulo fez. Logo, a fim de que ninguém replique: Embora sejas grande e operaste muitas obras, entretanto não tantas nem tão grandes como os apóstolos nas demais Igrejas; por isso acrescentou: Que tivestes a menos do que as outras Igrejas Não recebestes graça menor que as demais. Ora, retrucará talvez alguém, por que, abandonando a discussão com os falsos apóstolos, volta-se para os apóstolos? Quer principalmente animá-los, e mostrar não só que é mais importante do que os falsos apóstolos, mas que nem mesmo aos grandes é inferior. Por isso, na verdade, ao dissertar sobre eles, diz: “Muito mais eu”. Ao se comparar com os apóstolos, contentou-se com dizer que de forma alguma é inferior a eles, e até trabalhou mais. Ora, assim também indica que os injuraria se, apesar de ser igual, se colocasse abaixo de tais apóstolos. senão o fato de que não vos fui pesado? Novamente admoesta com grande vigor. E o que se segue ainda é mais áspero: Perdoai-me esta injustiça! E todavia esta aspereza contém palavras de benevolência e louvor relativamente aos coríntios. Consideravam injusto que o Apóstolo não se deixasse convencer de receber algo da parte deles, nem depositava neles tanta confiança a ponto de aceitar a subsistência. Se por isso, diz ele, me acusais. Não disse: Vós me acusais, e sim com grande suavidade: Perdoai-me. E nota sua prudência! Uma vez que assiduamente os envergonhava a respeito deste assunto, assiduamente o mitiga. Mais acima dissera: “Pela verdade de Cristo que está em mim, declaro que este título de glória não me será arrebatado”. Ainda profere: “Por que não vos amo? Deus o sabe! A fim de tirar todo pretexto àqueles que procuram algum para se gloriar dos mesmos títulos que nós!” (2Cor 11,10-12). E na primeira carta: “Qual é então o meu salário? É que, pregando o evangelho, eu o prego gratuitamente” (1Cor 9,18). E aqui novamente: “Perdoai-me essa injustiça!” Sempre toma a precaução de não pôr em evidência que é por causa da fraqueza deles que nada aceita. Por isso aqui se expressa: Se o considerais uma culpa, peço perdão. Assim se exprimira para simultaneamente feri-los e curá-los. E não me digas: Se desejas ferir, porque empregas desculpas? Se curas, por que feres? É próprio de um espírito prudente cortar e fazer um curativo no lugar ferido. Depois, conforme dizia anteriormente, para não parecer que sempre insistia no fato de ter recebido de outros, elimina esta suspeita como na primeira carta, ao dizer: “Nem escrevo estas coisas no intuito de reclamá-las em meu favor. Antes morrer que… Não! Ninguém me arrebatará esse título de glória!” (1Cor 9,15). Aqui, na verdade, ele o faz com mais suavidade e brandura. De que modo? 14. Eis que estou pronto a ir ter convosco pela terceira vez, e não vos serei pesado; pois não procuro os vossos bens, mas a vós mesmos. Não são os filhos que devem acumular bens para os pais, mas os pais para os filhos. O sentido é o seguinte: Não é porque nada recebo que não vou vos ver; fui uma segunda vez, e estou pronto a ir visitar-vos pela terceira, sem vos ser pesado. E a causa é grave. Com efeito, não disse: Porque sois avaros, porque estais ofendidos, porque sois fracos. Mas, qual é? “Pois não procuro os vossos bens, mas a vós mesmos”. Peço algo de maior, as almas em vez de riquezas, a salvação em vez de ouro. Em seguida, porque era duvidoso se ele ainda estava aborrecido, explica também o motivo. Uma vez que era provável que dissessem: Acaso não nos é lícito possuir o que é nosso? com muita suavidade acrescenta uma defesa nos seguintes termos: “Não são os filhos que devem acumular bens para os pais, mas os pais para os filhos”. Coloca pais e filhos em vez de mestres e discípulos, e demonstra que ele cumpre determinado ofício, apesar de ser facultativo. Pois Cristo não o ordenou, mas, poupando-os, emprega estas palavras e acrescenta algo. Não disse apenas: Não são os filhos que devem acumular bens para os pais, mas ainda que é dever dos pais acumular para os filhos. Por conseguinte, sendo preciso dar… 15. Quanto a mim, de bom grado despenderei, e me despenderei todo inteiro, em favor de vossas almas. De fato, a lei natural ordena que os pais acumulem bens para os filhos; eu, porém, não contente com isto, me despenderei por vós. E é incrível que não somente não receba, mas ainda por cima despende; e não simplesmente, mas com grande magnanimidade e tira do que lhe falta. A locução: “Me despenderei todo inteiro” o sugere. Pois, mesmo que seja preciso dar da própria carne, não recusarei em prol de vossa salvação. E prossegue, unindo ao amor uma acusação: Será que, dedicando-vos mais amor, serei, por isto, menos amado? Faço-o por aqueles que amo, apesar de ser menos amado. Considera os graus da questão. Devia receber e não recebia: primeira bela ação. Oprimido pela penúria: segunda. E anunciava-lhes a palavra: terceira. Além disso despende: quarta. Não só despende, mas com largueza: quinta. Não apenas dinheiro, mas a si próprio: sexta. E em favor daqueles que não o amavam muito: sétima. Finalmente por aqueles que amava mais intensamente: oitava. Imitemo-lo. É grande pecado (invejar e) não amar; é maior não retribuir. De fato, quem só retribui o amor não é melhor do que os publicanos e aquele que nem isto faz é pior que as próprias feras. O que dizes? Não retribuis a quem te ama? Por que vives? Para que serves? Com que finalidade? Política ou particular? Não, absolutamente. Nada mais inútil do que o homem que não sabe amar. Aceitaram esta lei muitas vezes os ladrões, os assassinos, os ladrões, e os que comeram sal em comum, transformaram-se, mudaram de costumes devido à participação da mesa em comum; tu, contudo, tens em comum com o próximo não só o sal, mas as palavras e as obras, entradas e saídas e não o amas? Mas, os amantes torpes gastam tudo com meretrizes; tu, contudo, cujo amor é honesto, de tal forma és frio, fraco e covarde que não podes amar mesmo sem dispêndio? Mas quem é tão miserável, de costumes tão selvagens que tenha aversão e ódio a quem o ama? Fazes bem em não crer em tal absurdo; e se eu demonstrar que há muitos desta espécie, seria tolerável tal vergonha? Pois, se falas mal de quem te ama, ou não o defendes diante de um detrator, e o invejas na prosperidade, que amor é este? Não é suficiente comprovação de amizade estar isento de inveja, não odiar a quem ama, não combatê-lo, mas é preciso protegê-lo e promovê-lo. O que há de mais miserável do que fazer e falar o possível para rebaixar o próximo? Ontem, no passado eras amigo, participavas do diálogo e da mesa; logo, porém, que prospera um membro de teu corpo, rejeitas a falsa amizade e te revestes de inimizade, ou antes, de furor. De fato, é evidente furor afligir-se diante da prosperidade do próximo; é furor de cães raivosos. À semelhança deles, estes também, no auge da inveja, saltam em cima. É melhor ter lombrigas enroladas nas vísceras do que sentir a inveja a rastejar interiormente. De fato, muitas vezes é possível expelir a lombriga por meio de medicamentos e aquietá-la com alimentos; a inveja, contudo, não se revolve nas vísceras, mas penetra no íntimo da alma e é vício que dificilmente se extirpa. A lombriga dentro do corpo humano não o toca, se lhe for fornecido alimento; ao invés, a inveja, mesmo se lhe forem postas inúmeras mesas, corrói a alma, mordendo de todos os lados, despedaçando, arrastando; não é possível achar alívio que lhe diminua o furor, exceto um, a saber, sobrevir uma tribulação ao homem feliz. Deste modo a doença decresce, ou antes, nem assim. Até mesmo que ao primeiro atinja alguma aflição, o invejoso, diante da alegria e felicidade de um outro, sente as mesmas dores; em toda parte traumas, em toda parte feridas. E não é possível aos que vivem na terra não encontrar homens felizes. Tão grande é a intensidade da moléstia que mesmo se o invejoso ficar trancado dentro de casa, invejará os antigos já falecidos. Ora, são duros estes padecimentos para os que vivem entre os homens, mas não são graves; quanto aos que se libertaram dos tumultos contrair esta doença, é o que há de mais doloroso. Preferia passar estes fatos em silêncio. Seria vantajoso nada dizer se o silêncio apartasse esta vergonha. Se me calar, porém, os acontecimentos haverão de clamar mais alto do que minha língua; portanto, minhas palavras não vos causarão dano por revelação dos vícios, e talvez conseguirão produzir fruto e proveito. Esta doença atinge também a Igreja, e tudo revoluciona, rompendo a unidade do corpo; e nós nos combatemos mutuamente, com a arma da inveja. Por isso existe enorme depravação. Pois há grande progresso à medida que todos edificam e os discípulos se mantêm eretos; se todos buscamos destruir, qual será o fim? O que fazes, ó homem? Julgas ser útil derrocar os bens do próximo; mas antes de destruí-lo, abates o que é teu. Não entre os que plantam, os agricultores, como todos concorrem para um único fim? Um cava, outro planta, outro cobre as raízes, outro rega o que foi plantado, outro cerca com sebe e muro, outro afasta os animais; todos visam a idêntica meta: conservar incólume a planta. Em nosso caso, porém, tal não acontece; eu planto, e outro abala e sacode. Deixe ao menos que ela se consolide para adquirir maior vigor antes do golpe hostil. Não arruínas minha obra, e sim aniquilas a tua. Eu plantei, tu devias regar. Se a sacodes, arrancas inteiramente a raiz, nem terás o que irrigar. Acaso vês ser elogiado aquele que planta? Não temas! Nem eu sou alguma coisa, nem tu: “Aquele que planta, nada é; aquele que rega, nada é” (1Cor 3,7); é inteiramente obra de Deus. Lutas e guerreias contra ele quando arrancas o que foi plantado. Por conseguinte, enfim devemos nos arrepender e estar vigilantes. Não tanto receio a guerra externa quanto a luta intestina. De fato, a raiz, firmada na terra, nada sofre da parte dos ventos; ao invés, se um verme a corrói internamente, abala-se, e cai sem que ninguém lhe faça mal. Até quando a raiz da Igreja será corroída por vermes? Tais vermes nascem também da terra, ou antes, não da terra, mas do esterco, porque saem da podridão; e nem se abstêm dos abomináveis curativos das mulheres. Enfim, mostremo-nos homens fortes; tornemo-nos pugilistas da sabedoria, extirpemos o acúmulo de males. Com efeito, vejo agora a multidão da Igreja, qual um corpo exânime, prostrado no chão. E num cadáver recente, veem-se olhos, mãos, pés, pescoço e cabeça, mas nenhum membro exerce sua função; igualmente em nosso caso todos os presentes têm fé, contudo, não atuante, porque extinguimos o fervor, e fizemos do corpo de Cristo um cadáver. Se é horripilante de se dizer, muito mais horrível, na verdade, é vê-lo realmente. De fato, temos o nome de irmãos, mas na realidade somos inimigos; e todos nos denominamos membros, e à guisa de feras, dissentimos entre nós. Não proferi essas coisas no intuito de ridicularizar o que é nosso, mas para vos incutir pudor e vos converterdes. Determinada pessoa foi a uma casa e foi recebida com honras. Devias dar graças a Deus, porque um membro teu é respeitado e Deus é glorificado; tu fazes o oposto. Tu o deprecias junto daquele que o honrou; desta forma simultaneamente suplantas os dois e te marcas com uma nota ignominiosa. Qual o motivo, ó miserável e infeliz, de te entristeceres, ao ouvires um irmão ser louvado por homens ou mulheres? Acresce os elogios e igualmente obterás louvores. Se diminuíres os louvores, primeiro terás falado mal de ti mesmo, adquirindo má fama e além disso elevando-o ainda mais. Ao ouvires elogiar o próximo, procura participar do que se diz, se não pela vida e virtude, ao menos por te alegrares com as virtudes alheias. Alguém o louvou? Admira também tu; assim ele te elogiará como a um homem honesto e benigno. Não temas que, pela proclamação das virtudes alheias, as tuas fiquem diminuídas; isto só acontece nas delações. O gênero humano por natureza ama as disputas. Ao verificar que falas mal, aumenta os louvores para desta forma te excitar e serem repreensíveis os acusadores diante de si mesmos e condenados pelos demais. Vês quanta torpeza causamos? De que modo perdemos e dispersamos o rebanho? Enfim tornemo-nos membros, enfim um só corpo. E quando a alguém se conferem louvores, rejeite-os e transfira os elogios para o irmão; quem, porém, escuta louvores a um outro, congratule-se com ele. Unidos deste modo entre nós, conciliaremos a propiciação de nossa Cabeça; do contrário, se entre nós estivermos divididos, apartaremos o auxílio de Deus; por esta privação, o corpo contrai imenso mal porque tem a união estreita que vem de cima. Abracemos, portanto, o amor e a concórdia, expelindo qualquer ciúme e inveja, e desprezando a opinião do povo, a fim de não nos advirem estes males. Deste modo conseguiremos os bens presentes e futuros. Possamos obtê-los pela graça e amor aos homens de nosso Senhor Jesus Cristo, ao qual com o Pai, na unidade do Espírito Santo, glória, império, honra, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém. #France #Patrística #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja

  • O OUTONO DA IDADE MÉDIA NA MÚSICA: OCKEGHEM E OBRECHT – Otto Maria Carpeaux

    Retábulo de Gante, de Jan van Eyck OCKEGHEM. O mestre de todos os “flamengos” posteriores foi Johannes Ockeghem (1430–1495), maestro da capela da catedral de Antuérpia e, depois, na corte do rei da França. Parece ter sido um grande professor; depois da sua morte, todos os músicos em posições de responsabilidade, na Bélgica, França e Itália, dedicaram elegias à sua memória; famosa é a Déploration d’Ockeguem, de Josquin Des Prés. Elogiaram-lhe, sobretudo a Missa cuiusvis toni, que pode ser transposta para todas as tonalidades, e o motete Deo gratias, para nada menos que 36 vozes. Foi um mestre de artifícios eruditos, de irregularidades inesperadas, de soluções novas. Sua música nos impressiona como sendo ainda mais arcaica que a dos Dunstable e Dufay, dir-se-ia mais gótica; afinal, foi ele que regia o coro naquele milagre de arquitetura gótica que é a Saint-Chapel e em Paris. OBRECHT. Chegamos a sentir mais vivamente com a arte de Jakob Obrecht (c. 1430–1505), regente de coro na catedral de Utrecht e, depois, na corte do duque Ercole d’Este, em Ferrara. Sua missa Fortuna desperata é obra que realmente lembra os Van Eyck; à arquitetura em torno do altar corresponderia seu gigantesco motete Salve cruz, arbor vitae, uma catedral sonora em gótico flamboyant. Mas não convém exagerar. Toda essa música dos Dufay, Ockeghem, Obrecht só tem interesse histórico. Não poderá se revivificada. (Em: Otto Maria Carpeaux, Uma nova história da musica).

  • O TAPETINHO VERMELHO (História Popular)

    Uma pobre mulher morava em uma humilde casa com sua neta, que estava muito doente. Como não tinha dinheiro para levá-la a um médico e, vendo que, apesar de seus muitos cuidados, a pobre menina piorava a cada dia, com muita dor no coração, resolveu deixá-la sozinha e ir a pé até a cidade mais próxima, em busca de ajuda. No único hospital público da região, foi-lhe dito que os médicos não poderiam se deslocar até sua casa; ela teria que trazer a menina para ser examinada. Desesperada, por saber que sua neta não conseguiria sequer levantar-se da cama, ao passar em frente a uma igreja resolveu entrar. Algumas senhoras estavam ajoelhadas fazendo suas orações. Ela também se ajoelhou. Ouviu as orações daquelas mulheres e quando teve oportunidade, também levantou sua voz e disse: “Olá, Deus, sou eu, a Maria. Olha, a minha neta está muito doente. Eu gostaria que o Senhor fosse lá curá-la. Por favor. Anote aí, Deus, o endereço.” As demais senhoras estranharam o jeito daquela oração, mas continuaram ouvindo. “É muito fácil, é só o Senhor seguir o caminho das pedras e, quando passar o rio com a ponte, o Senhor entra na segunda estradinha de barro. Passa a vendinha. A minha casa é o último barraquinho daquela ruazinha.” As senhoras que tudo acompanhavam esforçavam-se para não rir. Ela continuou: “Olha Deus, a porta tá trancada, mas a chave fica embaixo do tapetinho vermelho na entrada. Por favor, Senhor, cure a minha netinha. Obrigado.” E quando todas achavam que já tinha acabado, ela complementou: “Ah! Senhor, por favor, não se esqueça de colocar a chave de novo embaixo do tapetinho vermelho, senão eu não consigo entrar em casa. Muito obrigado, obrigado mesmo.” Depois que a Dona Maria foi embora, as demais senhoras soltaram o riso e ficaram comentando como é triste descobrir que as pessoas não sabem nem orar. Mas, Dona Maria, ao chegar em casa não pode se conter de tanta alegria, ao ver a menina sentada no chão, brincando com suas bonecas. “Menina, você já está de pé?!” E a menina, olhando carinhosamente para a avó, disse: “Um médico esteve aqui, vovó. Deu-me um beijo na testa e disse que eu ia ficar boa. E eu fiquei boa. Ele era tão bonito, vó! Sua roupa era tão branquinha que parecia até que brilhava. Ah! ele mandou lhe dizer que foi fácil achar a nossa casa e que ele ia deixar a chave debaixo do tapetinho vermelho, do jeitinho que você pediu.” “Deus não quer palavras bonitas, Ele quer palavras sinceras.” “Vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais.” (Mateus 6,8). #Igreja

  • IMPRIMIREI A MINHA LEI EM SEU ÍNTIMO (São Leão Magno, papa)

    Nosso Senhor Jesus Cristo, caríssimos, ia pregando o Evangelho do reino, curando as enfermidades por toda a Galiléia, e a fama de seus prodígios se espalhava pela Síria inteira. Grandes multidões, vindas da Judéia, afluíam ao médico celeste. Lenta é para a ignorância humana a fé em crer no que não vê e esperar o que não conhece. Foram precisos, a fim de firmar na doutrina divina, os benefícios corporais e o estímulo dos milagres patentes. Pela experiência de seu tão benigno poder não duvidariam que sua doutrina traz a salvação. Para passar das curas exteriores aos remédios interiores e depois da cura dos corpos à saúde das almas, o Senhor separou-se das turbas que o cercavam, subiu à solidão do monte vizinho. Chamou os apóstolos para formá-los com mais elevadas instruções do alto da cátedra mística. Pelo próprio lugar e qualidade do ato, significava ser o mesmo que se dignara outrora falar com Moisés. Lá na mais apavorante justiça, aqui com a mais divina clemência. “Eis que vêm dias, diz o Senhor, e firmarei com a casa de Israel e a casa de Judá um pacto novo. Depois daqueles dias, palavras do Senhor, porei minhas leis no seu íntimo e as escreverei em seus corações” (cf. Jeremias 31,31.33; cf. Hebreus 8,8). Aquele, pois, que falara a Moisés, falou aos apóstolos. E nos corações dos discípulos, a mão veloz do Verbo escrevia os decretos da nova Aliança. Sem nenhuma escuridão de nuvens envolventes, sem sons terríveis e relâmpagos. Sem estar o povo afastado do monte pelo terror, mas na límpida tranquilidade de uma conversa com os circunstantes atentos, a fim de remover a aspereza da lei pela brandura da graça e tirar o medo de escravo pelo espírito de adoção. Qual seja a doutrina de Cristo, suas santas sentenças o demonstram. Elas dão a conhecer os degraus da jubilosa ascensão àqueles que desejam chegar à eterna beatitude. “Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5,3). Seria talvez ambíguo a que pobres se referia a Verdade, se dissesse: Bem-aventurados os pobres, sem acrescentar nada sobre a espécie de pobres, parecendo bastar a simples indigência, que tantos padecem por pesada e dura necessidade, para possuir o reino dos céus. Dizendo porém: “Bem-aventurados os pobres em espírito”, mostra que o reino dos céus será dado àqueles que mais se recomendam pela humildade dos corações do que pela falta de riquezas. (Início do Sermão sobre as Bem-aventuranças, de São Leão Magno, papa Sermo 95,1-2: PL 54,461-462 – Séc. V). #Cristologia #Igreja #Santos

  • BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO (São Leão Magno, papa)

    Não há dúvida de que os pobres alcançam mais facilmente que os ricos o bem da humildade; estes, nas riquezas, a conhecida altivez. Contudo em muitos ricos encontra-se a disposição de empregar sua abundância não para se inchar de soberba, mas para realizar obras de benignidade; e assim eles têm por máximo lucro tudo quanto gastam em aliviar a miséria do trabalho dos outros. A todo gênero e classe de pessoas é dado ter parte nesta virtude, porque podem ser iguais na intenção e desiguais no lucro; e não importa quanto sejam diferentes nos bens terrenos, se são idênticos nos bens espirituais. Feliz então a pobreza que não se prende ao amor das coisas transitórias, nem deseja o crescimento das riquezas do mundo, mas anseia por enriquecer-se com os tesouros celestes. Exemplo de fidalga pobreza foi-nos dado primeiro, depois do Senhor, pelos apóstolos que, abandonando igualmente todas as posses à voz do Mestre celeste, se transformaram, por célebre conversão, “de pescadores de peixes em pescadores de homens” (cf. Mateus 4,19). Eles tornaram a muitos outros semelhantes a si, à imitação de sua fé, quando nos filhos da Igreja primitiva “era um só o coração de todos e uma só a alma dos que criam” (cf. Atos 4,32). Desapegados de todas as coisas e de suas posses, pela pobreza sagrada enriqueciam-se com os tesouros eternos. Segundo a pregação apostólica, alegravam-se por nada ter do mundo e tudo possuir com Cristo. O santo apóstolo Pedro, subindo ao templo, respondeu ao entrevado que lhe pedia esmola: “Prata e ouro não possuo; mas o que tenho te dou: Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda” (Atos 3,6). Que de mais sublime do que esta humildade? E mais rico do que esta pobreza? Não tem os auxílios do dinheiro, mas tem os dons do Espírito. Saíra ele paralítico do seio de sua mãe; com a palavra Pedro o curou. Quem não deu a efígie de César na moeda, reformou no homem a imagem de Cristo. Com este rico tesouro não foi socorrido só aquele que recuperou o andar, mas ainda as cinco mil pessoas que naquele momento creram na exortação do Apóstolo por causa do milagre da cura (cf. At 4,4). E o pobre que não tinha para dar a um mendigo, distribuiu com tanta largueza a graça divina! Da mesma forma como estabeleceu a um só homem em seus pés, assim curou a tantos milhares de fiéis em seus corações e tornou saltitantes em Cristo aqueles que encontrara entrevados. (Do Sermão sobre as Bem-aventuranças, de São Leão Magno, papa – Sermo 95,2-3: PL 54,462 – Séc. V) #Cristologia #Igreja

  • O QUE ANTIGO PASSOU, EIS QUE TUDO SE FEZ NOVO (Santo André de Creta, bispo)

    “O fim da lei é Cristo” (Romanos 10,4), que ao mesmo tempo separa da lei e eleva para o ESPÍRITO. Nele está a consumação, pois o próprio legislador – tendo cumprido e terminado tudo – transfere a letra para o ESPÍRITO. Assim tudo recapitula em si mesmo, vivendo a graça depois da lei. A lei, porém, submetida; a graça, harmoniosamente adaptada e unida. Não misturadas e confundidas as características de uma com as da outra, mas mudado de modo divino o que era pesado, servil e escravo, em leve e liberto, para que não mais estejamos “reduzidos à servidão dos elementos do mundo” (Gálatas 4,3), como diz o Apóstolo, nem sujeitos ao jugo da escravidão da letra da lei. É este o resumo dos benefícios de Cristo para nós; é esta a manifestação do mistério; é o aniquilamento da natureza; é Deus e homem; é a deificação do homem assumido. Todavia era absolutamente necessário ao esplendor e à evidência da vinda de Deus aos homens uma introdução jubilosa, antecipando para nós o grande dom da salvação. Este é o sentido da solenidade de hoje que tem início na natividade da Mãe de Deus, cuja conclusão perfeita é a predestinada união do Verbo com a carne. Agora a Virgem nasce, é alimentada com leite, plasmada e preparada como mãe para o Deus e rei de todos os séculos. Neste momento, foi-nos dado duplo proveito: um, a elevação à verdade; outro, a rejeição da servidão e da vida sob a letra da lei. De que modo, com que fim? Pelo desaparecimento da sombra com a chegada da luz; em lugar da letra, a graça que dá a liberdade. Nossa solenidade está na fronteira entre a letra e a graça, unindo a realidade que chega aos símbolos que a figuravam, substituindo o antigo pelo novo. Portanto cante e exulte toda a criação e contribua com algo digno para a alegria deste dia. É um só o júbilo dos céus e da terra; juntos festejem tudo quanto está unido no mundo e acima do mundo. Pois hoje se construiu o templo criado do Criador de tudo, e pela criatura, de forma nova e bela, preparou-se nova morada para o seu Autor. (Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo – Oratio 1: PG 97,806-810 – Séc. VIII). #Cristologia #Igreja #mariologia

  • O CONTEXTO PRIMÁRIO DE MATEUS 18,20

    “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” (Mateus 18,20). O verso não diz que qualquer encontro de dois ou três pessoas representa a Igreja na sua catolicidade. O versículo também não proclama que dois ou três pessoas têm a autoridade de proclamar ou definir uma doutrina nova para o seguimento da Igreja. O autor sagrado não quer ensinar que dois ou três pessoas têm o poder de mudar um ensino oficial da Igreja, nascido pelo testemunho da Tradição Apostólica, das Escrituras e do Magistério. O versículo está inserido no contexto da disciplina ou correção fraterna no seio do Corpo/Organismo de Cristo Jesus. Ou seja, na Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade: “Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano. Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu.” (Mateus, 18,15-18). Segundo a Bíblia de Jerusalém, “A expressão “CONTRA TI”, acrescentada por muitos documentos, provavelmente deve ser rejeitada. Aqui se trata de uma falta grave pública, não necessariamente cometida contra aquele que procura corrigi-la. O caso do verso 21 é diferente.” Assim, em alguns escritos encontramos a referida expressão. Em outros não. “Dizei-o à Igreja”: “A “ekklesía”, isto é, a assembleia dos irmãos”; dos membros do Corpo de Cristo; das pedras vivas do Edifício visível e espiritual de Jesus. “Trata-o como o gentio ou o publicano”: “pessoas “impuras”, com as quais os judeus piedosos não podiam ter relações (cf. Mateus 5,46+ e 9,10+). Ver a excomunhão de 1 Coríntios 5,11+.” O pecador deveria ser excluído da comunidade pelo menos por algum tempo. A misericórdia deve ser exercida em caso de arrependimento (cf. 1 Coríntios 5,1-5; 2 Coríntios 2,5-11). “Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu”: “Extensão aos ministros da Igreja (aos quais desde o princípio todo este discurso se dirige) de um dos poderes conferidos a Pedro” em comunhão com Cristo, bem como aos demais apóstolos em comunhão com Pedro. (Figura do matrimônio, onde o marido é a cabeça da mulher e Cristo é o cabeça da Igreja (cf. Efésios 5, 22-24). O esposo é o cabeça da mulher porque vislumbra-se que o cabeça do marido é Cristo Jesus. Há entre Jesus e sua Igreja uma união esponsal eterna. A Cefas se une outros discípulos/apóstolos (cf. Mateus 16,19) em substituição às antigas autoridades dos judeus (cf. Deuteronômio 17,8-12), àqueles que se sentavam na Cadeira de Moisés (cf. Mateus 23,2-3). Ligar e desligar; proibir e permitir; atar e desatar ou soltar; perdoar e reter pecados (cf. Mateus 16,18; João 20,23). Portanto, Mateus 18,20 está inserido no ensino de Jesus Cristo que dá as diretrizes de como os discípulos devem lidar, conduzir e resolver as disputas, divergências e faltas, as graves inclusive, no seio do Povo de Deus. Trata-se dos julgamentos legais. A autoridade exercida pelas lideranças da Igreja (os verdadeiros escolhidos e comissionados por Deus) deriva da própria autoridade de Jesus Cristo recebida do Pai: “Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.” (Lucas 10,16). Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.” (Mateus 28,18-20). “DOIS OU TRÊS” traduzem as testemunhas da falta em análise, conforme exigido pela própria Lei de Moisés, pois era o necessário para estabelecer um fato numa corte entre os judeus: “Uma só testemunha não é suficiente para condenar uma pessoa de algum crime ou delito. Qualquer acusação necessita ser confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas idôneas.” (Deuteronômio 19,15). Duas ou três pessoas, mais o próprio Jesus de Nazaré, também pode significar a menor célula da Igreja. É necessário pelo menos duas pessoas em Cristo para formar uma comunidade local… Ninguém é igreja sozinho. Somos membros de um Corpo, o Corpo de Cristo. Lembrando-se, porém, que o texto não fala de oração, mas de julgamento, de uma análise de uma falta. A expressão “DOIS OU TRÊS” é encontrada em Mateus 18,16: “Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas.” bem como em Mateus 18,19-20: “Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus. 20.Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” Contudo o assunto continua sendo aquele iniciado em Mateus 18,15: “Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão.” Ou seja, como o Evangelho deve ser bem vivido no interior de uma comunidade cristã. Assim, se dois de vós (lideranças estabelecidas em Jesus Cristo) estiverem de acordo sobre a falta pública, a decisão será originada no Pai celeste. A decisão contará com presença espiritual de Jesus (cf. Mateus 18,18-20). Sim, é verdade que onde dois ou três estiverem reunidos em oração na autoridade, no caráter de Cristo, o próprio Jesus se faz presente. Isto é uma pequena comunidade/igreja da Igreja. Tal assertiva é uma interpretação secundária do texto, não a mensagem central da perícope. Destarte, Mateus 18,20 não embasa a pretensão dos atuais “desigrejados” nem tampouco o ensino de que qualquer grupo pode fundar uma nova igreja desligada da Igreja. No verso em comento, reafirmo, Jesus fala de autoridade, fala daqueles que tem o dom/poder recebido de Deus de governar/julgar uma comunidade cristã (cf. Mateus 18,15-17). Os verdadeiros comissionados do Eterno tem o discernimento divino e a autoridade para tomar decisões onde os mandamentos de Jesus foram desrespeitados. Que fique bem claro: o contexto primário de Mateus 18,20 é como resolver um ato de indisciplina no seio do Igreja: “Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja.” (Mateus 18,16-17). Quando a falta é levada para as autoridades da Igreja, elas seguem um caminho (um rito), tomam uma decisão não pela “carne e sangue” (luzes da razão humana), mas por iluminação divina, já que a autoridade de Deus e a sabedoria do Espírito Santo está por trás da decisão ou sentença proferida pelos homens de Javé. #Cristologia #Igreja

  • A SABEDORIA CRISTÃ (São Leão Magno, papa)

    Em seguida diz o Senhor: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados” (Mateus 5,6). Esta fome nada tem de corpóreo. Esta sede não busca nada de terreno. Mas deseja ser saciada com a justiça e, introduzida no segredo mais oculto, anseia por ser repleta do próprio Senhor. Feliz espírito, faminto do pão da justiça e que arde por tal bebida. Na verdade não teria disso nenhuma cobiça, se não lhe houvesse provado a doçura. Ouvindo o espírito profético que lhe diz: “Provai e vede como é suave o Senhor” (Salmos, 33,9), tomou uma porção da altíssima doçura e inflamou-se pelo amor das castíssimas delícias. Abandonando todo o criado, acendeu-se-lhe o desejo de comer e beber a justiça e experimentou a verdade do primeiro mandamento: “Amarás o Senhor Deus de todo o teu coração, com toda a tua mente, com todas as tuas forças” (Deuteronômio 6,5; cf. Mateus 22,37). Porque não são coisas diferentes amar a Deus e amar a justiça. Por fim, como o interesse pelo próximo se une ao amor de Deus, também aqui o desejo da justiça é acompanhado pela virtude da misericórdia, e se diz: “Bem-aventurados os misericordiosos porque deles terá Deus misericórdia” (Mateus 5,7). Reconhece, ó cristão, a dignidade de tua sabedoria e entende de que modo engenhoso foste chamado ao prêmio. A misericórdia te quer misericordioso, a justiça, justo, para que em sua criatura transpareça o Criador e no espelho do coração do homem refulja a imagem de Deus expressa pelas linhas da imitação. Firme é a fé dos que assim agem, teus desejos te acompanham e daquilo que amas gozarás sem fim. Já que pela esmola tudo se faz puro para ti, chegas à bem-aventurança que é prometida como consequência. Diz o Senhor: “Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus” (Mateus 5,8). Imensa felicidade, caríssimos, para quem se prepara tão grande prêmio. Que é, então, ter o coração puro? Entregar-se às virtudes acima descritas. Que inteligência poderá conceber e que língua proclamar quão grande seja a felicidade de ver a Deus? E, no entanto, isto acontecerá quando a natureza humana for transformada, de sorte que “não mais em espelho ou enigma, mas face a face” (1 Coríntios 13,12), verá aquela Divindade que homem algum pôde ver tal qual é. E obterá “o que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem subiu ao coração do homem” (1 Coríntios 2,9), pelo gáudio indizível da eterna contemplação. (Do Sermão sobre as Bem-aventuranças, de São Leão Magno, papa – Sermo 95,6-8: PL 54,464-465 – Séc. V). #Cristologia #Igreja #Santos

  • CRISTO JESUS É A NOSSA PAZ! (cf. Efésios 2,14 – São Leão Magno, papa)

    Com razão a bem-aventurança de ver a Deus é prometida aos corações puros. Pois os olhos imundos não podem ver o esplendor da verdadeira luz; será alegria das almas límpidas aquilo mesmo que será castigo dos corações impuros. Para longe então a fuligem das vaidades terenas. Limpemos de toda iniquidade suja os olhos interiores, e o olhar sereno se sacie de tão maravilhosa visão de Deus. Merecer tal coisa, penso eu, é o fito do que se segue: “Bem-aventurados os pacíficos porque serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5,9). Esta bem-aventurança, caríssimos, não consiste em um acordo qualquer nem em qualquer concórdia. É aquela de que fala o Apóstolo: “Tende paz com Deus” (Romanos 5,1) e o profeta: “Grande paz para os que amam tua lei e para eles não há tropeço” (Salmos, 118,165). Mesmo os mais estreitos laços de amizade e uma igualdade sem falha dos espíritos não podem, na verdade, reivindicar para si esta paz, se não concordarem com a vontade de Deus. Estão fora da dignidade desta paz a semelhança na cobiça dos maus, as alianças pecaminosas, os pactos para o vício. O amor do mundo não combina com o amor de Deus, nem passa para a sociedade dos filhos de Deus quem não se separa da vida carnal. Quem sempre com Deus tem em mente “guardar com solicitude a unidade do espírito no vínculo da paz” (Efésios 4,3), jamais discorda da lei eterna, repetindo a oração da fé: “Seja feita a tua vontade assim na terra como no céu” (Mateus 6,10). São estes os pacíficos, estes os unânimes no bem, santamente concordes, que receberão o nome eterno de “filhos de Deus, co-herdeiros de Cristo” (cf. Romanos 8,17). Porque o amor de Deus e o do próximo lhes obterão não mais sentir adversidades, não mais temer escândalo algum. Mas terminado o combate de todas as tentações, repousarão na tranquila paz de Deus, por nosso Senhor que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém. (Do Sermão sobre as Bem-aventuranças, de São Leão Magno, papa – Sermo 95,8-9: PL 54,465-466 – Séc. V) #Cristologia #Igreja #Santos

  • ESTAREI NO MEU POSTO DE SENTINELA PARA OUVIR O QUE ME DIZ O SENHOR (São Bernardo, abade)

    Lemos no Evangelho que, quando o Senhor em sua pregação convidava os discípulos a participarem do mistério de comer o seu corpo também os exortava a comungar de sua paixão, alguns disseram: É dura esta palavra; e já não mais ficaram com ele. Interrogados os discípulos se também eles queriam ir-se embora, responderam: “Senhor, a quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna” (João 6,68). Digo-vos, irmãos, que até hoje para alguns é evidente serem as palavras faladas por Jesus espírito e vida e por isso seguem-no. Para outros parecem duras e vão em busca de outra miserável consolação. A Sabedoria as repete bem alto nas praças, na larga e espaçosa estrada que leva à morte, para chamar a si os que caminham por ela. Até mesmo Quarenta anos estive próximo desta geração e disse: “Sempre se extraviam pelo coração” (Salmos, 94,10). Encontras também em outro salmo: “Uma vez falou Deus” (cf. Salmos, 61,12). Sim, uma vez, porque sempre. É um só e não alterado, mas contínuo e perpétuo seu falar. Convida os pecadores a novamente entrarem em si, censura pelo erro do coração para que aí habite ele e aí fale, realizando aquilo que ensinou pelo profeta ao dizer: “Falai ao coração de Jerusalém” (Isaías 40,2). Bem vedes, irmãos, como é proveitosa a exortação do Profeta a não endurecermos o coração, se ouvirmos hoje sua voz. Quase as mesmas palavras podeis ler no Evangelho e no Profeta. Ali diz o Senhor: “Minhas ovelhas ouvem minha voz (João 10,27). E o santo Davi no salmo: “Seu povo (do Senhor, sem dúvida) e ovelhas de suas pastagens, hoje se ouvirdes sua voz, não endureçais os vossos corações” (Salmos, 94,7-8). Escuta, por fim, o profeta Habacuc, como não disfarça a censura do Senhor, mas se entrega a contínua e solícita reflexão sobre ela: “Estarei de atalaia, fincarei pé no meu reduto para ver o que me dirá e o que responderei a quem me repreende” (Habacuc 2,1). Também nós, irmãos, suplico, estejamos de atalaia porque o tempo é de luta. Entremos em nossos corações, onde Cristo habita, comportando-nos com justiça e prudência, de tal forma, porém, que não ponhamos em nós mesmos a confiança nem nos apoiemos em tão frágil proteção. (Dos Sermões de São Bernardo, abade – Sermo 5 de diversis, 1-4: Opera Omnia, Edit. Cisterc. 6,1 [1970]98-103 – Séc. XI). #Cristologia #Igreja

  • QUE EU CHEGUE A TI, SENHOR – Santo Tomás de Aquino

    Que eu chegue a Ti, Senhor, por um caminho seguro e reto; Caminho que não se desvie nem na prosperidade nem na adversidade, De tal forma que eu te dê graças nas horas prósperas e nas adversas, Conserve a paciência, não me deixando exaltar pelas primeiras nem abater pelas outras. Que nada me alegre ou entristeça, Excepto o que me conduza a Ti ou que de Ti me separe. Que eu não deseje agradar nem receie desagradar senão a Ti. Tudo o que passa torne-se desprezível a meus olhos por tua causa, Senhor, E tudo o que Te diz respeito me seja caro, Mas Tu, meu Deus, mais do que o resto. Qualquer alegria sem Ti me seja fastidiosa, E nada eu deseje fora de Ti. Qualquer trabalho, Senhor, feito por Ti me seja agradável E insuportável aquele de que estiveres ausente. Concede-me a graça de erguer continuamente o coração a Ti E que, quando eu caia, me arrependa. Torna-me, Senhor meu Deus, Obediente, pobre e casto; Paciente, sem reclamação; Humilde, sem fingimento; Alegre, sem dissipação; Triste, sem abatimento; Reservado, sem rigidez; Ativo, sem leviandade; Animado pelo temor, sem desânimo; Sincero, sem duplicidade; Fazendo o bem sem presunção; Corrigindo o próximo sem altivez; Edificando-o com palavras e exemplos, sem falsidade. Dá-me, Senhor Deus, um coração vigilante, Que nenhum pensamento curioso arraste para longe de Ti; Um coração nobre que nenhuma afeição indigna debilite; Um coração reto que nenhuma intenção equívoca desvie; Um coração firme, que nenhuma adversidade abale; Um coração livre, que nenhuma paixão subjugue. Concede-me, Senhor meu Deus, uma inteligência que Te conheça, Uma vontade que Te busque, Uma sabedoria que Te encontre, Uma vida que te agrade, Uma perseverança que Te espere com confiança E uma confiança que Te possua, enfim. Amém.

  • A IGREJA E OS CONDENADOS – Carlos de Laet

    Às dificuldades do julgamento e da condenação de um herético, de um excomungado ou de um infiel acrescentam-se as formidáveis sombras das suas disposições no momento tremendo da morte. O destino de cada homem só é determinado no seu último instante, e só Deus o conhece. — Está condenado Lutero? — perguntou alguém a S. Francisco de Sales; e o virtuoso bispo de Genebra respondeu que o não sabia. Deus, que à sua Igreja, pelo órgão do Sumo Pontífice, atribuiu o direito de proferir infalíveis sentenças sobre a canonização dos Santos, não lhe concedeu a permissão de pronunciar-se no tocante à condenação dos que mal viveram. O padre Gratry, na sua Filosofia do Credo, refere a este respeito um fato característico. Certo réu de morte sobe ao cadafalso entre exortações de piedoso confessor, mas obstinado lhe resiste aos conselhos e às súplicas. O condenado repele o santo homem e redobra de blasfêmias. — Cristãos — exclama então o padre —, vinde ver como acaba um réprobo! Quarenta anos depois, trata-se de canonizar o sacerdote; heróicas eram as suas virtudes, e incontestáveis alguns milagres que operara: mas a essas provas opõem-se as imprudentes palavras que ele tinha proferido sobre o patíbulo do impenitente, e tanto bastou para que a canonização se não efetuasse. A Igreja, severa neste ponto, como em todos os que entendem com matéria dogmática, recusou o culto de dulia ao servidor de Deus, porque indiscreto se antecipara nos mistérios da Suprema Misericórdia. (Em: Carlos de Laet, Indiferentismo religioso. Conferência feita em 24 de Outubro de 1901 no Círculo Católico da Mocidade, Rio de Janeiro).

  • OS FILHOS BEM AMADOS DE DEUS – 23º Domingo do Tempo Comum

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Cristãos que não convertem ninguém”, clicar AQUI. O Evangelho deste domingo narra uma prática comum dos primeiros cristãos, que, por acreditarem no poder salvífico de Jesus Cristo, apresentavam-lhe toda sorte de doentes, do corpo e da alma, para que Ele os curasse. Para os cristãos de hoje, porém, essa já não é uma atitude tão óbvia. Nesta homilia, Padre Paulo Ricardo mostra como o indiferentismo religioso está ameaçando a Igreja e indica os remédios para o surgimento de uma evangelização verdadeiramente nova. PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Is 35, 4-7a) Deus vem para nos salvar Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar”. Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos, assim como brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo. A terra árida se transformará em lago, e a região sedenta, em fontes d’água. SALMO 145 Os filhos bem amados de Deus (Antífona): Bendize, ó minha alma, ao Senhor. Bendirei ao Senhor toda a vida! — O Senhor é fiel para sempre,/ faz justiça aos que são oprimidos;/ ele dá alimento aos famintos,/ é o Senhor quem liberta os cativos. — O Senhor abre os olhos aos cegos,/ o Senhor faz erguer-se o caído;/ o Senhor ama aquele que é justo./ É o Senhor quem protege o estrangeiro. — Ele ampara a viúva e o órfão,/ mas confunde os caminhos dos maus./ O Senhor reinará para sempre!/ Ó Sião, o teu Deus reinará/ para sempre e por todos os séculos! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (São Tiago 2, 1-5) Como não se amariam os filhos bem amados de Deus? Meus irmãos: a fé que tendes em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado não deve admitir acepção de pessoas. Pois bem, imaginai que na vossa reunião entra uma pessoa com anel de ouro no dedo e bem vestida, e também um pobre, com sua roupa surrada, e vós dedicais atenção ao que está bem vestido, dizendo-lhe: “Vem sentar-te aqui, à vontade”, enquanto dizeis ao pobre: “Fica aí, de pé”, ou então: “Senta-te aqui no chão, aos meus pés”, não fizestes, então, discriminação entre vós? E não vos tornastes juízes com critérios injustos? Meus queridos irmãos, escutai: não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam? EVANGELHO (São Marcos 7, 31-37) Amar o próximo é apresentá-lo a Jesus Naquele tempo, Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”. ELE FEZ BEM TODAS AS COISAS (Comentário de Scott Hahn) Apenas São Marcos relata o episódio de que o Evangelho nos fala neste domingo. Nas palavras das pessoas está a chave principal: “Ele tem feito bem todas as coisas”. O texto grego, usado pelo evangelista, ecoa a história da criação, que diz: (v. Gn 1, 31) “Deus viu que tudo o que tinha feito era muito bom”. Deliberadamente, São Marcos evoca a promessa do profeta Isaías que ouvimos na primeira leitura de hoje: que Deus fará os surdos ouvirem e falarem os mudos. Descreve, inclusive, a pessoa que é curada por Cristo, usando uma palavra grega (mogigalion, “impedimento da fala”), que só é encontrada em outro lugar da Bíblia: na tradução grega da passagem de Isaías que lemos neste domingo, onde o profeta afirma que “a língua dos mudos gritará de alegria”. A multidão percebe que Jesus está fazendo o que o profeta previu. Mas São Marcos nos convida a ver algo muito maior, que poderia ser expresso com as palavras da primeira leitura: “É vosso Deus que vem”. É notório quão pessoal e descritivo é o drama deste Evangelho. Ele nos pede para fixar nossa atenção em certa mão, alguns dedos, uma língua, a saliva. São Marcos nos ensina que, em Jesus, Deus realmente se tornou carne. Ele fez novas todas as coisas; fez uma nova criação (v. Ap 21, 1-5). Como Isaías prometeu, Ele fez as águas vivas do batismo correrem pelo deserto do mundo. Ele libertou os cativos dos próprios pecados, como cantamos no salmo de hoje. Veio para que os ricos e os pobres possam sentar-se juntos no banquete eucarístico, conforme o que Sao Tiago nos conta em sua epístola. Ele fez por cada um de nós o que tinha feito pelo surdo-mudo: abriu nossos ouvidos à Palavra de Deus e soltou nossas línguas para que possamos cantar seus louvores. Portanto, novamente na Eucaristia, vamos dar graças ao nosso glorioso Senhor Jesus Cristo. Digamos com Isaías que aqui está o nosso Deus, que vem para nos salvar. Que sejamos ricos em fé, para que herdemos o reino prometido aos que O amam. https://stpaulcenter.com/todo-lo-ha-hecho-bien-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-23o-domingo-de-tiempo-ordinario/ https://stpaulcenter.com/all-things-well-scott-hahn-reflects-on-the-twenty-third-sunday-in-ordinary-time/

  • The Church’s Position on Annulment and Divorce

    In view of the fact that the Catholic Church proclaims the indissolubility of the marriage bond ,how explain the re-marriage of Catholics while both parties to a former union are living? In all such cases the Church does not sever the marriage bond, but proclaims that a bond never really exist. The marriage bond is a serious and sacred tie. To be valid it must conform to the requirements of nature and law. whenever the Church examines into a marriage, it is not with a view to dissolving it, but only of learning whether or not its bond was valid A contract must be entered into freely. If force or fear be employed in a civil contract, it is null. Under intimidation a person may do almost anything. The Church decrees that both parties to the marriage contract must be free. If it can be established that the marriage was forced by violence or unlawful threats, it is no marriage. When the Roman rota declared that the Marlborough Vanderbilt marriage was null and void because of coercion, unusual interest and considerable misunderstanding was created. Annulment is not divorce. Divorce is the dissolution of the marriage bond. Annulment is the declaration that no such bond existed. The Catholic Church in the case of a consummated Christian marriage, has never granted a divorce with the right to remarry. It has declared many annulments of marriages. Every time a civil court sets aside a contract by declaring it null and void, it pronounces an annulment. The civil court does not break a contract by annulling it but simply affirms that the agreement in question was no contract at all. Marriage is a contract. Christ elevated the christian marriage contract to the dignity of a sacrament but it remains essentially a contract. By the marriage ceremony the contracting parties mutually dispose of what is of most consequence to each, namely their own persons. The very nature of a contract requires that what one disposes of must be one’s own, and that one must be free to dispose of it or to retain it. A lack of free consent would invalidate a marriage even if the Catholic Church never existed. Natural justice and natural law demand that a person be free in executing a contract. In any civilized country, if a person were coerced into signing a civil contract, as Consuelo Vanderbilt was coerced in her marriage contract,the courts would nullify it. It may seem to some people that to annual marriage because of the absence of free consent is to open the door to laxity. But it must be remembered that the existence of coercion must be proved beyond a shadow of doubt. The testimony of the coerced party must be established by unquestionable corroboration. Annulment,far from letting down the bars of Christian marriage, makes stronger than ever the barrier to divorce. The Church which has annulled the marriage bond of Marlborough’s invalid marriage suffered the loss of England to the Faith rather than break the bond of the valid marriage of her king, Henry VIII. (Martin Scott S. J.; Marriage Problems)

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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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