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O OUTONO DA IDADE MÉDIA NA MÚSICA: OCKEGHEM E OBRECHT – Otto Maria Carpeaux

11 de set. de 2018
1 min de leitura

Retábulo de Gante, de Jan van Eyck


OCKEGHEM. O mestre de todos os “flamengos” posteriores foi Johannes Ockeghem (1430–1495), maestro da capela da catedral de Antuérpia e, depois, na corte do rei da França. Parece ter sido um grande professor; depois da sua morte, todos os músicos em posições de responsabilidade, na Bélgica, França e Itália, dedicaram elegias à sua memória; famosa é a Déploration d’Ockeguem, de Josquin Des Prés. Elogiaram-lhe, sobretudo a Missa cuiusvis toni, que pode ser transposta para todas as tonalidades, e o motete Deo gratias, para nada menos que 36 vozes. Foi um mestre de artifícios eruditos, de irregularidades inesperadas, de soluções novas. Sua música nos impressiona como sendo ainda mais arcaica que a dos Dunstable e Dufay, dir-se-ia mais gótica; afinal, foi ele que regia o coro naquele milagre de arquitetura gótica que é a Saint-Chapel e em Paris.

OBRECHT. Chegamos a sentir mais vivamente com a arte de Jakob Obrecht (c. 1430–1505), regente de coro na catedral de Utrecht e, depois, na corte do duque Ercole d’Este, em Ferrara. Sua missa Fortuna desperata é obra que realmente lembra os Van Eyck; à arquitetura em torno do altar corresponderia seu gigantesco motete Salve cruz, arbor vitae, uma catedral sonora em gótico flamboyant. Mas não convém exagerar. Toda essa música dos Dufay, Ockeghem, Obrecht só tem interesse histórico. Não poderá se revivificada.

(Em: Otto Maria Carpeaux, Uma nova história da musica).





 
 
 

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