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- UMA DISPUTA ENTRE OS DISCÍPULOS – QUEM É O MAIOR (Lucas 22, 24-27)?! O TESTEMUNHO DO LAVA-PÉS
“Surgiu também entre eles uma discussão: qual deles seria o maior. E Jesus disse-lhes: Os reis dos pagãos dominam como senhores, e os que exercem sobre eles autoridade chamam-se benfeitores. Que não seja assim entre vós; mas o que entre vós é o maior, torne-se como o último; e o que governa seja como o servo. Pois qual é o maior: o que está sentado à mesa ou o que serve? Não é aquele que está sentado à mesa? Todavia, eu estou no meio de vós, como aquele que serve.” (Lucas 22, 24-27). O PENSAMENTO DOS DISCÍPULOS: JESUS IRÁ RESTAURAR, POLITICAMENTE, O REINO DE DEUS IMEDIATAMENTE! O Reino de Jesus não está enraizado nas estruturas injustas deste mundo, contudo o Reino está presente de maneira visível na história, no meio de nós, em Jesus, por intermédio da Igreja: o Corpo/Organismo único de Cristo. Lucas é o único que coloca a discussão no âmbito do CENÁCULO e isso deve justificar o episódio do lava-pés. Eis a indagação dos discípulos: quando da manifestação do Reino de Cristo, quem teria direito ao melhor lugar ou posto?! Na realidade de hoje, os discípulos tentavam descobrir de que maneira Jesus estabeleceria seus ministros, qual deles seria o braço direito e o braço esquerdo do Mestre de Nazaré. Jesus vai buscar um exemplo na realidade de seu tempo para ensinar e catequizar seus discípulos: “Os reis das nações” = governantes dos povos não judeus (o mundo gentílico). Tais governantes se fazem de BENFEITORES apenas para serem louvados pelo povo (culto à personalidade), não por uma atitude de compaixão, de serviço ou de amor ao próximo, notadamente quando o maior desce, vai ao encontro do menor para servi-lo. Desta forma, Jesus deixa claro que o Reino de Deus não age entre nós como funciona os reinos deste mundo. BENFEITOR (“EUERGETÉS”) – título assumido por certos governantes na antiguidade a exemplo de Ptolomeu III no Egito. Os benfeitores procuram louvores de seus súditos, não descem de seus postos/tronos para servir os mais necessitados da sociedade que governam. No contexto do ensino de Cristo, O MAIOR É O SERVIDOR DE TODOS – É O MENOR! Os grandes no contexto do Reino de Deus são “poderosos” quando são servos dos irmãos. A “ambição” cristã não deve estar alicerçada nas metas e métodos estabelecidos pelo sistema de morte reinante neste mundo. O cristão não deve recusar um posto humilde sob nenhum pretexto. O cristão deve seguir o exemplo do Filho de Deus: “Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.” (Filipenses 2,3-8). Nos tempos bíblicos, os mais velhos eram considerados os maiores, os mais novos os menores. O MAIOR DEVE SER O MENOR – O QUE DIRIGE IGUAL AO QUE SERVE. JESUS É O SENHOR, contudo foi visto entre os homens como O SERVO DE TODOS. SERVIR (“DIAKONÕN”) = atividade do garçom que serve a todos. O texto bíblico não está afirmando que se deve começar numa escala menor para galgar posições elevadas ou ministérios dentro da Igreja. Cada um deve se orientar pelo mover do Espírito Santo, pelos dons e ministérios distribuídos pelo “outro Paráclito”. Jesus ensina que todo ministério – do mais simples ao mais complexo – dever estar A SERVIÇO DO PRÓXIMO E DO EVANGELHO! A grandeza do servo é exercer seu ministério com humildade e zelo. Em relação aos apóstolos, a recompensa virá em forma de “DOZE TRONOS”, a partir dos quais irão julgar, reinar, zelar pelas tribos de Israel, cuidar da Igreja do Deus vivo da qual todos nós, em Cristo Jesus, somos membros ou pedras vivas. Quem é perseverante no sofrimento, na tribulação, no serviço mais simples será grande no Reino de Deus. Ambições não devem motivar os seguidores de Jesus, mas o serviço a Deus e ao próximo. O Senhorio de Jesus não se confunde com o senhorio dos governantes deste mundo. Não se trata de não ter governo, mas de como exercer este governo. A tarefa do maior no Reino de Deus é sempre servir (Atos 5,6.10). Jesus não está dizendo que no seu reino todos os cargos e ministérios serão iguais. Longe disso! A Escritura demonstra que Jesus reconhece e aceita uma ARISTOCRACIA dentro do grupo dos Apóstolos. A ARISTOCRACIA PELO SERVIR NA HUMILDADE! Jesus pede humildade e dá o exemplo: o Rei do Universo se esvazia de seu ambiente de glória, de seu posto celeste para servir: “e o Verbo se fez carne e habitou entre nós…” (João 1,14). Esvaziar não é deixar de ser Deus nem significa dizer que Jesus perdeu seus atributos divinos. Esvaziar significa descer do seu posto, colocar de lado sua majestade e glória para ir ao encontro do menor, do irmão necessitado para servi-lo. É exercitar a compaixão. Jesus não deixou de ser Deus sequer por um segundo quando se encarnou! O Imutável não pode se tornar mutável. Jesus era detentor de sua natureza divina mesmo quando vivia na terra, em seu estado de humilhação. Jesus nunca deixou de ser uma Pessoa Divina. O que Jesus fez foi não se apegar à sua condição divina – de FILHO DE DEUS – para fugir de sua missão de servo. Nesse sentido, Jesus nos ensina a humildade. Paulo nos aponta para o exemplo de Cristo Jesus: o maior deve ir ao encontro do menor e até considerá-los superiores a nós mesmos. Reflitamos mais uma vez nas palavras do Apóstolo dos gentios: “Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros.” (Filipenses 2,3-4). JESUS É O SERVO DE JAVÉ – Escolha de amor pessoal e obediente do Filho de Deus. O servo difere do escravo – a vontade do escravo não é levada em consideração: do servo sim! Em relação a Maria, a Escritura também testemunha: ELA É A SERVA DE JAVÉ (cf. Lucas 1,38). Maria sai de sua comodidade para ir ao encontro de Isabel para ajudá-la (cf. Lucas 1,39-45). A decisão de Maria é respeitada por Deus – Ela é disponível ao chamado e ao serviço por escolha própria! Jesus dirá: “No meio de vós eu sou como quem serve”. A exaltação de Jesus era também a exaltação de seus discípulos. A glorificação é para os perseverantes (Mateus 19,28; I Coríntios 6,2; Apocalipse 21,12-14). Jesus define seus sofrimentos como “minhas tentações”. Nos tempos antigos, viver muito com saúde e ser rico materialmente era ser cuidado com carinho por Deus. O pobre e miserável era o amaldiçoado. Assim pensavam, por exemplo, os saduceus. YHWH escolhendo MARIA rompe com este pensamento: MARIA é descendente de Davi, mas é pobre, não tem bens nem posição social. Deus a salva desta sua condições humilde e a enaltece chamando-a de “SEMPRE CHEIA DE GRAÇA”, de “A MÃE DO MEU SENHOR”, de “A MAIS BENDITA DAS MULHERES!” Jesus vai denunciar que a pobreza é uma consequência do pecado! Jesus vai dizer que DEUS É PAI-NOSSO para nos ensinar que somos irmãos, membros de Cristo e membros uns dos outros. Portanto, é pelo serviço a DEUS e ao PRÓXIMO que alguém se torna cristão, discípulo de Jesus, grande no REINO DOS CÉUS! Que o MAIOR seja o SERVO de TODOS! Desçamos, pois, do nosso posto, da nossa posição para servir, para ir ao encontro do irmão, pois o próximo é também templo vivo da Trindade Santíssima. “Mas entre vós não será assim. E quem quiser fazer-se grande entre vós será vosso servidor, e quem quiser ser o primeiro dentre vós será o vosso empregado, a exemplo do Filho do Homem que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate pela multidão dos homens.” (Mateus 20,26-28). #Cristologia #Igreja
- PAI-NOSSO, VENHA A NÓS O VOSSO REINO, SEJA FEITA A VOSSA VONTADE (São Cipriano, bispo e mártir)
A oração continua. Venha a nós o vosso reino. Pedimos que o reino de Deus se torne presente a nós, da mesma forma que solicitamos seja em nós santificado o seu nome. Porque, quando é que Deus não reina? Ou quando para ele começou o reino que sempre existiu e nunca deixará de ser? Pedimos a vinda de nosso reino, prometido por Deus e adquirido pelo sangue e paixão de Cristo, a fim de que nós que fomos, outrora, escravos do mundo, reinemos depois, conforme ele nos anunciou, pelo Cristo glorioso, ao dizer: Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos está preparado desde a origem do mundo. Pode-se igualmente, irmãos diletíssimos, entender que o próprio Cristo é o reino de Deus, cuja vinda pedimos todos os dias. Estamos ansiosos por ver esta vinda o mais depressa possível. Sendo ele a ressurreição, pois nele ressurgimos, assim também se pode pensar que ele é o reino de Deus, pois nele reinaremos. Pedimos, é claro, o reino de Deus, o reino celeste, já que há um reino terrestre. Mas quem já renunciou ao mundo está acima desse reino terrestre e de suas honrarias. Acrescentamos ainda: Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. Não para que Deus faça o que quer, mas para que possamos fazer o que Deus quer. Pois quem impedirá a Deus de fazer tudo quanto quiser? Mas porque o diabo se opõe a que nossa vontade e ações em tudo obedeçam a Deus, oramos e pedimos que se faça em nós a vontade de Deus. Que se faça em nós é obra da vontade de Deus, isto é, resultado de seu auxílio e proteção, porque ninguém é forte por suas próprias forças. Com efeito, é a indulgência e a misericórdia de Deus que o protegem. Finalmente, manifestando a fraqueza de homem, diz o Senhor: Pai, se possível, afaste-se de mim este cálice e, dando aos discípulos o exemplo de renunciar à própria vontade e de aceitar a de Deus, acrescentou: Contudo não o que eu quero, mas o que tu queres. A vida humilde, a fidelidade inabalável, a modéstia nas palavras, a justiça nas ações, a misericórdia nas obras, a disciplina nos costumes; o não fazer injúrias; o tolerar as recebidas; o manter a paz com os irmãos; o amar a Deus de todo o coração; o amá-lo por ser Pai; o temê-lo por ser Deus; o nada absolutamente antepor a Cristo, pois também ele não antepôs coisa alguma a nós; o aderir inseparavelmente à sua caridade; o estar ao pé de sua cruz com coragem e confiança, quando se tratar de luta por seu nome e sua honra, o mostrar firmeza ao confessá-lo por palavras, e, no interrogatório, o manter a confiança naquele por quem combatemos, e, na morte, o conservar a paciência que nos coroará, tudo isto é querer ser co-herdeiro de Cristo, é cumprir o preceito de Deus, é realizar a vontade do Pai. (Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir – Nn.13-15: CSEL 3,275-278 – Séc. III). #Igreja #Patrística
- O QUE É ‘MULTI’? O QUE É ‘CULTURA’? – Anthony Esolen
Podemos começar com a palavra multicultural. A Igreja tem sido assim — multicultural — desde o seu início. Lemos nos Atos dos Apóstolos que os seguidores de Jesus que vinham da diáspora — os judeus helênicos, que falavam grego — nem sempre eram benvindos por aqueles que viviam na Palestina (e que, presumivelmente, falavam aramaico). Esse conflito tinha de ser resolvido, mas adquiriu um aspecto muito mais dramático quando São Paulo foi a Jerusalém advogar, não pelos judeus helênicos, mas pelos gentios gregos; gregos que tinham aderido a Jesus, mas não eram judeus e, portanto, não seguiam as prescrições civis e litúrgicas da lei mosaica. A longa história da atividade missionária da Igreja tem seguido a liderança de São Paulo, que sabia que um homem sem Cristo está perdido; mas que era, também, muito cuidadoso em não transformar a fé num conjunto de hábitos culturais. Alguma revelação de Deus, ainda que insuficiente para a salvação, é concedida para todos os povos; por isso, Paulo podia ser um grego entre os gregos, como Matteo Ricci pôde se tornar um mandarim para pregar aos mandarins na China. Não estou dizendo, aqui, que todos deveriam ser multiculturais. A principal exigência cultural de Deus aos hebreus, no Velho Testamento, era que eles não deviam ser como seus vizinhos. Não deviam atirar seus filhos ao fogo de Moloch. Não deviam frequentar as tendas de Asherah e participar de prostituição ritualística com mulheres e rapazes. Não deviam chorar na morte anual de Tamuz, deus da fertilidade. Os judeus deviam ser judeus, e não pagãos que cantassem salmos só de vez em quando. A Festa das Luzes, Hanukkah, celebrava a purificação e re-dedicação do Templo, contra os gregos dominadores que colocaram uma estátua de Zeus — abominação da desolação — no Santo dos Santos; e contra os judeus oportunistas que tinham arranjado uma forma de se dar bem com aqueles cosmopolitas sofisticados. Judas Macabeu estava bem dentro de uma longa tradição de profetas inflexíveis. Ele e Ezequiel teriam se compreendido muito bem. Somente por ser leal para com o Senhor é que o povo judeu — o povo eleito — poderia desempenhar seu papel de portador da palavra de Deus às nações. Individualmente, é possível a uma pessoa ser multicultural, embora não seja fácil; e é menos comum, hoje em dia, do que foi na Idade Média, quando um jovem chamado Tomás, cuja língua natal era o italiano de Nápoles, podia viajar para Colônia e ter lições em latim com seu mestre Alberto; e, depois, ir a Paris para ensinar numa cidade em que as pessoas só falavam francês, entre estudantes e professores que vinham de toda a Europa, com a fé cristã já incorporada a cada específica cultura local, de Trondheim a Messina. Se você quer ser multicultural, você terá de se sentir totalmente em casa em mais de uma cultura, e isto normalmente implica que seja, pelo menos, fluente em mais de uma língua. Além disso, você será possuidor de pelo menos dois grandes tesouros de histórias e canções imemoriais. Cantará, por exemplo, canções sobre o norte-americano Davy Crockett e o venezuelano Simon Bolivar; poderá incluir, entre seus amigos, os amantes perseguidos do romance de Alessandro Manzoni e os cavaleiros da Távola Redonda dos romances medievais franceses; poderá ouvir Bach e as melodias pentatônicas tradicionais dos chineses. Não são coisas em que você mergulha os pés de leve, como um turista banhando-se no Mediterrâneo. Essas coisas alheias teriam de se transformar em suas próprias coisas. Quando você coloca isso nesses termos, verá que de nem um estudante entre cem, talvez nem mesmo um entre mil, pode dizer-se que possua algumas das riquezas de mais de uma cultura. E isso não por falhas pessoais, mas porque a cultura, em si mesma, aquilo que nós supomos possa ser dito a respeito dela, está desaparecendo da face da terra, sendo substituída por algo novo na história da humanidade: aquilo que Gabriel Marcel chamou de “sociedade de massa”, uma sociedade manufaturada por uma educação de massa, inflamada por políticos de massa, e distraída até a morte por entretenimentos de massa. Assim, o típico estudante americano chega à universidade e nem sequer reconhece o nome Alfred Tennyson (como isso é possível?); e o típico estudante hispano-americano, que chega na universidade, não reconhece o nome de Tennyson, nem tampouco o de Lope de Veja. Você não pode ser multicultural quando não pertence totalmente a uma certa cultura. Nessa situação, quando os bárbaros de Wall Street, Hollywood, Washington e Bruxelas disparam sem parar o seu aríete contra os portões de cada reduto remanescente da cultura local e nacional, o que faz a academia? Ela, a academia, faz o que tem feito desde que me entendo por gente, durante toda a minha vida: rende-se. As pessoas que realmente não se interessam por Chretien de Troyes, também não se interessarão por Lady Murosaki. As pessoas que não se escandalizam quando um falante com educação universitária em inglês nada sabe sobre Milton — pois os próprios professores nada sabem sobre Milton — não se escandalizarão quando um falante com educação universitária em francês nada souber a respeito de Racine. A única instituição remanescente que ainda poderia dar conta da beleza e da generosidade da cultura é a Igreja; nela, as culturas do mundo ainda têm uma boa chance. Isto pode ajudar a compreender porque a academia é tão hostil com a Igreja: “profissionais” não gostam de ser vencidos por “amadores”. (Publicado em The Catholic Thing no dia 16 de março de 2017) https://www.thecatholicthing.org/2017/03/16/what-multi-what-culture%e2%80%a8%e2%80%a8/
- Papa São Julio I (337-352)
O sucessor imediato do Papa Silvestre, Arco, governou a Igreja Romana por apenas um período muito curto – de 18 de janeiro a 7 de outubro de 336 – e após sua morte a cátedra papal permaneceu vaga por quatro meses. O que ocasionou essa vacância comparativamente longa é desconhecido. Em 6 de fevereiro de 337, Júlio, filho de Rustico e natural de Roma, foi eleito papa. Seu pontificado é celebrado principalmente por sua intervenção judiciosa e firme nas controvérsias arianas, sobre as quais temos abundantes fontes de informação. Após a morte de Constantino, o Grande (22 de maio de 337), seu filho Constantino II, governador da Gália, permitiu que o exilado Atanásio voltasse para sua Sé de Alexandria. Os arianos no Egito, entretanto, estabeleceram um bispo rival na pessoa de Pistus, e enviaram uma embaixada a Júlio pedindo-lhe que admitisse Pistus em comunhão com Roma, e entregando ao papa as decisões do Concílio de Tiro (335) para provar que Atanásio tinha sido validamente deposto. Do seu lado, Atanásio enviou igualmente enviados a Roma para entregar a Júlio uma carta sinodal dos bispos egípcios, contendo uma justificação completa do seu patriarca. Na chegada dos enviados atanasianos em Roma, Macário, o chefe dos representantes arianos, deixou a cidade; os dois enviados arianos restantes, com os deputados atanasianos, foram convocados pelo papa Júlio. Os enviados arianos agora imploravam ao papa que montasse um grande sínodo diante do qual ambas as partes deveriam apresentar sua demanda por decisão. Júlio convocou o sínodo em Roma, tendo enviado dois emissários para levar uma carta de convite aos bispos orientais. Sob a liderança de Eusébio, que havia ascendido de Nicomédia para a Sé de Constantinopla, os bispos arianos haviam realizado um concílio em Antioquia e eleito Jorge da Capadócia, bispo de Alexandria, no lugar de Pistus. Jorge foi introduzido à força em sua sé, e Atanásio, sendo novamente exilado, fez seu caminho para Roma. Muitos outros bispos orientais removidos pelo partido ariano, entre eles Marcelo de Ancira, também vieram a Roma. Em uma carta redigida em termos arrogantes, porém, os bispos arianos do partido de Eusébio recusaram-se a comparecer ao sínodo convocado por Júlio. O sínodo foi realizado no outono de 340 ou 341, sob a presidência do papa, na igreja titular do presbítero Vito. Após um exame detalhado dos documentos, Atanásio e Marcelo de Ancira, que tinham feito uma profissão de fé satisfatória, foram exonerados e restabelecidos em seus direitos episcopais. O papa Júlio comunicou essa decisão em uma carta muito notável e capaz aos bispos do partido Eusebiano. Nesta carta, ele justifica seus procedimentos no caso, defende em detalhes sua ação em restabelecer Atanásio, e adverte fortemente sobre a não-aparição dos bispos orientais no concílio, a convocação de que eles mesmos tinham sugerido. Mesmo que Atanásio e seus companheiros fossem de alguma forma culpados, a carta corre, a Igreja de Alexandria deveria primeiro ter escrito ao papa. “Você pode ser ignorante”, escreve o papa, “que este é o costume, que deve se escrever a nós em primeiro lugar, de modo que a partir daqui o que é justo possa ser definido” (Julii ep. Ad Antiochenos, c. Xxii). Após sua vitória sobre seu irmão Constantino II, o imperador Constante se torna governante da maior parte do Império. Ele era inteiramente ortodoxo em seus pontos de vista e, a pedido do papa e de outros bispos ocidentais, intercedeu com seu irmão Constâncio, imperador do Oriente, em favor dos bispos que tinham sido depostos e perseguidos pelo partido ariano. Ambos os governantes concordaram que deveria ser convocado um concílio ecumênico dos bispos ocidentais e orientais em Sardica, a principal cidade da Província de Dacia Mediterranea (a moderna Sofia). Aconteceu no outono de 342 ou 343, Júlio enviando como seus representantes os sacerdotes Arquídamo, Filoxeno e o diácono Leão. Embora os bispos orientais do partido ariano não se juntassem ao Concílio, mas mantiveram sua assembléia separada e depois partiram, o sínodo cumpriu sua tarefa. Através dos importantes cânones iii, iv e vi (vii no texto latino) deste concílio, o procedimento contra os bispos acusados foi mais exatamente regulado, e a forma da intervenção papal na condenação dos bispos foi definitivamente estabelecida. No final de suas transações, o sínodo comunicou suas decisões ao papa em uma carta obediente. Não obstante a reafirmação de sua inocência pelo Sínodo de Sardica, Santo Atanásio não foi restaurado em sua sé pelo imperador Constâncio até depois da morte de Jorge, o bispo rival de Alexandria, em 346. O papa Júlio aproveitou a ocasião para escrever uma carta, que ainda existe, aos sacerdotes, diáconos e fiéis de Alexandria, para parabenizá-los pelo retorno de seu grande pastor. Os dois bispos Ursácio de Singiduno e Valente de Múrsia, que, por conta de seu arianismo, tinham sido deposto pelo Concílio de Sardica, fizeram agora uma retratação formal de seu erro a Júlio, que, depois de convocá-los a uma audiência, recebeu uma confissão de fé assinada, restituiu a eles suas sedes episcopais. Com relação à vida interior da Igreja Romana durante o pontificado de Júlio, não temos informações exatas; todos concordam, no entanto, que houve um rápido aumento no número de fiéis em Roma, onde Júlio teve duas novas basílicas erguidas: a igreja titular de Júlio (agora S. Maria em Trastevere) e a Basílica Julia (hoje a Igreja dos Doze Apóstolos). Além disso, construiu três igrejas sobre cemitérios fora dos muros de Roma: uma na estrada para o Porto, uma segunda na Via Aurélia e uma terceira na Via Flaminia, no túmulo do mártir São Valentim. As ruínas do último mencionado foram descobertas. A veneração dos fiéis pelos túmulos dos mártires continuou a se espalhar rapidamente. Sob o pontificado de Júlio, se não antes, catálogos de dias de festas de santos entraram em uso – o calendário de festas romano de Filoclo data do ano 336. Através de Santo Atanásio, que permaneceu em Roma vários anos depois de 339, a vida monástica egípcia tornou-se conhecida na capital, e o exemplo dos eremitas dos desertos egípcios encontrou muitos imitadores na Igreja Romana. Júlio morreu em 12 de abril de 352 e foi sepultado nas catacumbas de Calepódio na Via Aureliana e, logo após sua morte, foi honrado como santo. Seu corpo foi posteriormente transportado para S. Maria em Trastevere, a igreja que ele havia construído. Sua festa é celebrada em 12 de abril. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/08561a.htm
- PAI-NOSSO, SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME (São Cipriano, bispo e mártir)
Quanta indulgência do Senhor, quanta consideração por nós e quanta riqueza de bondade em querer que realizássemos nossa oração, na presença de Deus, chamando-o de Pai, e que, da mesma forma que Cristo é Filho de Deus, também nós recebamos o nome de filhos de Deus. Nenhum de nós ousaria chamá-lo Pai na oração, se ele próprio não nos permitisse orar assim. Irmãos diletíssimos, cumpre-nos ter sempre em mente e saber que, quando damos a Deus o nome de Pai, temos de agir como filhos: como a nossa alegria está em Deus Pai, também ele encontre sua alegria em nós. Vivamos quais templos de Deus, para que se veja que em nós habita o Senhor. Não seja a nossa ação indigna do Espírito, pois se já começamos a ser espirituais e celestes, pensemos e façamos somente coisas celestes e espirituais, conforme disse o próprio Senhor Deus: Àqueles que me glorificam, eu os glorificarei e àqueles que me desprezam, os desprezarei. Também o santo Apóstolo escreveu em uma epístola: Não vos possuís, pois fostes comprados por alto preço. Glorificai e levai a Deus em vosso corpo. Em seguida dizemos: Santificado seja o vosso nome, não que desejemos ser Deus santificado por nossas orações, mas que peçamos ao Senhor seja seu nome santificado em nós. Aliás, por quem seria Deus santificado, ele que santifica? Mas já que disse: Sede santos porque eu sou santo, pedimos e rogamos que nós, santificados pelo batismo perseveremos no que começamos a ser. Cada dia pedimos o mesmo. A santificação cotidiana é necessária para nós pois, cada dia, falhamos e temos de purificar nossos delitos por assídua santificação. O Apóstolo descreve qual seja a santificação que, pela condescendência de Deus, nos é dada: Nem fornicadores nem idólatras, adúlteros, nem efeminados, sodomitas, nem ladrões nem fraudulentos, nem ébrios, maldizentes, nem usurpadores alcançarão o reino de Deus. Na verdade fostes tudo isto, mas fostes lavados, fostes justificados, santificados, em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus. Diz-nos santificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus. Oramos para que esta santificação permaneça em nós. Se o Senhor e nosso juiz advertiu aquele que curara e vivificara de não mais pecar, para que não lhe adviesse coisa pior, fazemos este pedido por contínuas orações, suplicamos dia e noite a fim de que, por sua proteção, nos seja guardada a santificação vivificante que procede da graça de Deus. (Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir – Nn. 11-12: CSEL 3,274-275 – Séc. III). #Igreja #Patrística
- IMAGEM E ÍDOLO A DIFERENÇA
IMAGEM E ÍDOLO A DIFERENÇA Deus proibiu a fabricação de imagens? Eu quero fazer um desafio, se alguém me provar que algum milagre de qualquer Santo da igreja foi em nome do próprio santo, eu não sou mais católico. Pois sei que eles viviam e realizavam milagres em nome de Jesus. Uma dos grandes problemas de alguns do protestantismo é atacar a Igreja Católica na questão da interpretação de ídolos e imagens. Em qualquer conversa com protestantes a respeito de religião, seja qual assunto for, ele sempre tende que pender para as imagens da Igreja Católica. Quando isso acontece os protestantes sempre aparecem com a famosa passagem da suposta proibição de imagens do livro de Êxodo, ela é: “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.” (Ex 20, 4) Bem, essa parece ser uma proibição absoluta tanto da fabricação quanto da adoração de imagens. Qualquer um que ler a primeira vista vai tirar esta conclusão. Porém a bíblia não deve ser interpretada em versículos isolados nem em traduções tendenciosas, nem tudo que parece ser, é realmente. Se virarmos algumas páginas depois de Êxodo 20, em Êxodo 25, veremos Deus ordenando Moisés fabricar imagens: “Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório.” (Ex 25,18) Deus está se contradizendo? Em um lugar ele proibiu a fabricação de imagens e 5 capítulos após, ele mesmo manda fazer imagens? Pode Deus se contradizer? Claro que não! Deus nunca proibiu a fabricação de imagens, o que Ele proibiu foi a fabricação de ídolos. Uma análise bem feita do texto e uma verificação do texto original provarão isso. Se olhar os versículos que antecedem e sucedem a passagem veremos que: “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta..” (Êxodo 20, 3-5) Pelo próprio contexto vemos que a passagem não se refere a “imagens” e sim a “deuses”, ou seja era a proibição das imagens desses deuses. Acontece que o povo judeu estava saindo Egito e embebido da idolatria pagã egípcia. Os deuses egípcios eram todos representados em imagens e pinturas, daí vem a proibição para que os judeus não mais fizessem as representações destes deuses. Analisando o texto no hebraico encontraremos a palavra “פֶסֶל֙ ” (fessel ou pecel), essa palavra não significa “imagens de escultura” e sim “ídolos”. A Exaustiva concordância Strong (dicionário das linguas bíblicas, e protestante) traduz essa palavra como: 06459 pecel procedente de 6458; DITAT – 1788a; n. m. 1) ídolo, imagem Como vemos a palavra não diz respeito a qualquer imagem, e sim a ídolos esculpidos, ou seja imagens de ídolos. De fato pode ser traduzida como imagem, mas não diz respeito a qualquer imagem e sim especificamente ídolos esculpidos. Dessa forma vemos que a passagem é uma clara referência aos deuses do Egito, como constataremos a baixo: “Não farás para ti ídolos ou coisas alguma que tenha a forma de algo que se encontre no alto do céu…”. (êxodo 20, 4) O que estava no céu, eram os deuses dos ares do Egito: RÁ (ou Rê), o criador dos deuses e da ordem divina egípcia. Foi retratado pela arte egípcia sob muitas formas e denominações e era também representado por um falcão, por um homem com cabeça de falcão ou ainda, mais raramente, por um homem. Quando representado por uma cabeça de falcão estabelecia-se uma identidade com Hórus, outro deus solar adorado em várias partes do país desde tempos remotos. Í BIS, uma ave pernalta de bico longo e recurvado. Existe uma espécie negra e outra de plumagem castanha com reflexos dourados, mas era o íbis branco, ou íbis sagrado,que era considerado pelos egípcios como encarnação do deus Thoth. Um homem com cabeça de íbis, era outra das representações daquele deus. HÓRUS, filho de Isis e Osíris. Ele é representado como um homem com cabeça de falcão ou como um falcão, sempre usando as duas coroas do Alto e Baixo Egito. Na qualidade de deus do céu, Hórus é o falcão cujos olhos são o sol e a lua. TOTH, era o deus-escriba e o deus letrado por excelência. Representado como um íbis ou um homem com cabeça de íbis, ou ainda um babuíno. “…embaixo na terra…”. (Êxodo 20, 4) O que estava na terra eram os deuses e animais terrestres do Egito: ANÚBIS, filho de Seth e Néftis, é o mestre dos cemitérios e o patrono dos embalsamares. É na realidade o primeiro entre eles, a quem se deve o protótipo das múmias, a de Osíris. Todo egípcio esperava beneficiar-se em sua morte do mesmo tratamento e do mesmo renascimento desta primeira múmia. Anúbis também introduz os mortos no além e protege seus túmulos com a forma de um cão, vigilante. ÁPIS, o boi sagrado que os antigos egípcios consideravam como a expressão mais completa da divindade sob a forma animal e que encarnava, ao mesmo tempo, os deuses Osíris e Ptah. O culto do boi Ápis, em Mênfis, existia desde a I dinastia pelo menos. Também em Heliópolis e Hermópolis este animal era venerado desde tempos remotos. Essa antiga divindade agrária, simbolizava a força vital da natureza e sua força geradora. KHEPRA, (escaravelho, em egípcio) ou um homem com um escaravelho no lugar da cabeça também representavam o deus-Sol. Nesse caso o besouro simbolizava o deus Khepra e sua função era nada menos que a de mover o Sol, como movia a bolazinha de excremento que empurrava pelos caminhos. Associados à idéia mitológica de ressurreição, os escaravelhos eram motivo freqüente das peças de ourivesaria encontradas nos túmulos egípcios. BABUINO ou cinocéfalo é um grande macaco africano, cuja cabeça oferece alguma semelhança com os cães. No antigo Egito este animal estava associado ao deus Thoth, considerado o deus da escrita, do cálculo e das atividades intelectuais. Era o deus local em Hermópolis, principal cidade do Médio Egito. Deuses particularmente numerosos parecem ter se fundido no deus Thoth: deuses-serpentes, deuses-rãs, um deus-íbis, um deus-lua e este deus-macaco. APÓFIS, a serpente que habitava o além-túmulo, representava as tempestades e as trevas. As serpentes estavam entre os adversários mais perigosos e o demônio líder de todos eles era Apófis a grande serpente. BASTET, uma gata ou uma mulher com cabeça de gata simbolizava a deusa Bastet e representava os poderes benéficos do Sol. Seu centro de culto era Bubástis, cujo nome em egípcio ( Per Bast ) significa a casa de Bastet. Em seu templo naquela cidade a deusa-gata era adorada desde o Antigo Império e suas efígies eram bastante numerosas, existindo, hoje, muitos exemplares delas pelo mundo. GEB, o deus da Terra é irmão e marido de Nut. É o suporte físico do mundo material, sempre deitado sob a curva do corpo de Nut. Ele é o responsável pela fertilidade e pelo sucesso nas colheitas. Ele estimula o mundo material dos indivíduos e lhes assegura enterro no solo após a morte. Geb umedece o corpo humano na terra e o sela para a eternidade. Nas pinturas é sempre representado com um ganso sobre a cabeça. “…ou nas águas debaixo da terra.”. (Êxodo 20, 4) Por fim o que estava nas águas eram justamente os deuses animais que ficavam nas águas e que eram adorados no Egito: SEBEK, um crocodilo ou um homem com cabeça de crocodilo representavam essa divindade aliada do implacável deus Seth. O deus-crocodilo, era venerado em cidades que dependiam da água, como Crocodilópolis. TUÉRIS, (Taueret ) era a deusa-hipopótamo que protegia as mulheres grávidas e os nascimentos. Ela assegurava fertilidade e partos sem perigo. Adorada em Tebas, é representada em inúmeras estátuas e estatuetas sob os traços de um hipopótamo fêmea erguido, com patas de leão, de mamas pendentes e costas terminadas por uma espécie de cauda de crocodilo. Será que é mera coincidência, Deus ter proibído as “imagens” justamente quando os judeus saíram do Egito? E por que esta proibição se assemelha tanto aos deuses do Egito? É apenas uma coincidência? Para que não haja mesmo qualquer dúvida ou questionamento de que Deus se referia aos falsos deuses do Egito, ao pedir que o povo não praticasse idolatria, nem fizesse “imagens”, leremos agora um trecho do livro de Josué, que foi quem substitui Moises: “Agora, pois, temei o Senhor e o servi-o com inteligência e fidelidade. Afastai os deuses aos quais vossos pais serviram do outro lado do rio e no Egito, e servi ao Senhor”. (Josué 24, 14). E para termos ainda mais certeza de que Deus falava claramente dos falsos deuses do Egito, leiamos o que fala também, Ezequiel 8, 8-10: “Filho do homem, disse-me ele, fura a muralha, quando a furei, divisei uma porta. Aproxima-te, diz ele, e contempla as horríveis abominações a que se entregam aqui. Fui até ali para olhar: enxerguei aí toda espécie de imagens de répteis e animais imundos e, pinturas em volta da parede, todos os ídolos da casa de Israel”. O que podemos perceber com essa passagem bíblica? Obviamente que os sacerdotes estavam adorando os falsos deuses em forma de répteis e animais, que Deus havia proibido que fossem adorados. O próprio Josué que condenou as imagens dos ídolos, se prostrou diante das imagens da Arca da Aliança e isso não foi caracterizado como idolatria: “Josué rasgou suas vestes e prostrou-se com a face por terra até a tarde diante da arca do Senhor, tanto ele como os anciãos de Israel, e cobriram de pó as suas cabeças” (Josué 7, 6) Deus nunca iria se contradizer, proibindo e ao mesmo tempo mandando que se fabricassem imagens e permitindo de seus servos se prostrassem diante delas, como podemos ver em diversos versículos. A serpente de Bronze: “E disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente ardente e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo mordido que olhar para ela. E Moisés fez uma serpente de metal e pô-la sobre uma haste; e era que, mordendo alguma serpente a alguém, olhava para a serpente de metal e ficava vivo.” (Nm 21,8-9) A própria serpente de bronze foi uma prefiguração de Cristo e ele próprio confirma isto, ou seja a crucificação de Cristo foi representada com uma imagem de cobra: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem,” (João 3, 17) Estaria Moisés cometendo idolatria? O templo de Salomão: “E no oráculo fez dois querubins de madeira de oliveira, cada um da altura de dez côvados.” (I Reis 6, 23) “E revestiu de ouro os querubins. E todas as paredes da casa, em redor, lavrou de esculturas e entalhes de querubins, e de palmas, e de flores abertas, por dentro e por fora.” (I Reis, 6, 28-29) “E sobre as cintas que estavam entre as molduras havia leões, bois, e querubins, e sobre as molduras uma base por cima; e debaixo dos leões e dos bois junturas de obra estendida.” (I Reis 7, 29). “Para o interior do Santo dos Santos, mandou esculpir dois querubins e os revestiu de ouro.” (II Crônicas 3,10) Era neste mesmo templo que os apóstolos e Jesus iam para orar: “Jesus passeava no templo, no pórtico de Salomão.” (João 10,23) “Enquanto isso, realizavam-se entre o povo pelas mãos dos apóstolos muitos milagres e prodígios. Reuniam-se eles todos unânimes no pórtico de Salomão.”(Atos 5, 12) Estariam Jesus e os apóstolos sendo idólatras ao frequentar um templo repletos de imagens de escultura? Fica provado, portanto, que Deus nunca proibiu a fabricação de imagens e sim de ídolos para a adoração, colocando-os no lugar do próprio Deus. Desmascaramos assim mais uma falsa interpretação protestante. O senhor profetizou através do profeta Zacarias que os ídolos seriam esquecidos, vejamos. Zc 13,2: E acontecerá, naquele dia – oráculo de YHWH dos exércitos -, que eu exterminarei da terra os nomes dos ídolos: eles não serão lembrados. > zc 12,1, 8. Vemos os santos discípulos e mártires na igreja primitiva. a. Também até mesmo um dos maiores historiadores protestantes sobre a Igreja Primitiva reconhece isto, e diz que: “Um fenômeno de grande significação no período patrístico foi o surgimento e gradual desenvolvimento da veneração aos santos, mais particularmente à bem-aventurada virgem Maria. INTERCESSÃO DOS SANTOS NA IGREJA PRIMITIVA Como as seguintes passagens mostram, a Igreja primitiva não só claramente reconhecia o ensino bíblico que aqueles que estão no céu podem interceder por nós, mas também aplicavam esse ensinamento em sua própria vida de oração diária. SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA “Meu espírito se sacrifica por vós, não somente agora, mas também quando eu chegar a Deus”. (Aos Tralianos, n. 13,3) [Nascimento 35 em Antioquia Morte Entre 98 e 107 em Roma Veneração por Igreja Católica Igreja Ortodoxa Igreja Ortodoxa Oriental Comunhão Anglicana Igreja Luterana Principal templo Relíquias estão na Basílica de São Clemente, em Roma] O PASTOR DE HERMAS O pastor de Hermas é uma obra apocalíptica da primeira metade do século II depois de Cristo. Nesta obra temos a seguinte citação: “ Eu lhe pedi insistentemente que me explicasse o sentido simbólico do campo, do senhor, da vinha, do escravo que estaqueara a vinha, do filho e dos amigos conselheiros, pois compreendera que tudo isso era uma parábola. Ele me respondeu: “És muito ousado em tuas perguntas! De modo algum deves perguntar, pois, se alguma coisa se deve explicar a ti, será explicada.” Eu lhe disse: “Senhor, tudo o que me mostrares sem explicar, será inútil que eu veja, pois não compreenderei o que significa. Da mesma forma, se me contas parábolas sem explicá-las, terei ouvido em vão alguma coisa de ti.” De novo, ele me respondeu, dizendo: “Todo servo de Deus que tem o Senhor em seu coração, pode lhe pedir a compreensão e obtê-la. Ele poderá, então, explicar qualquer parábola e, graças ao Senhor, tudo o que for dito em parábolas será compreensível para ele. Os indolentes e preguiçosos para a oração, porém, vacilam em pedir ao Senhor. O Senhor é misericordioso e atende todos os que lhe pedem sem hesitação. Tu, porém, que foste fortificado pelo anjo glorioso e dele recebeste essa oração, e não és preguiçoso, por que não pedes a compreensão? Tu a receberás.” Eu repliquei: “Senhor, tendo a ti comigo, tenho necessidade de te pedir e perguntar. Com efeito, tu me mostras tudo e falas comigo. Se eu visse ou ouvisse essas coisas sem ti, pediria ao Senhor que as explicasse a mim”.” (Hermas Livro III, 57 [8]) [o lugar e data desta obra residem na linguagem e na teologia da obra. As referências a Clemente de Roma sugerem uma data entre 88 e 97 d.C. para pelo menos a localização temporal das primeiras duas visões. Uma vez que Paulo enviou saudações para um Hermas, um cristão de Roma (em Romanos 16:14)] CLEMENTE DE ALEXANDRIA “Deste modo está ele [o verdadeiro cristão] sempre puro para oração. Ele também reza na sociedade dos anjos, como sendo já da classe dos anjos, e ele nunca está fora da sagrada proteção deles; e pensou que rezava sozinho, [mas] ele tem o coro dos santos permanecendo com ele [em oração]” (Miscellanies 7, 12). [Nascimento ca. 150 em Atenas?, na Grécia Morte c. 215-217 em Palestina? Veneração por Igreja Católica Igreja Ortodoxa Oriental Comunhão Anglicana] ORÍGENES Ilustre teólogo e escritor eclesiástico. Nascido em Alexandria por volta do ano 231, foi reconhecido como o maior mestre da doutrina cristã em sua época, exercendo uma extraordinária influência como intérprete da Bíblia. “Agora, súplicas, ações de graças e apelos podem ser oferecidas para as pessoas sem impropriedade. Dois deles, ou seja implorando e dando graças, pode ser oferecido não só para os santos, mas para pessoas sozinhas, em geral, ao passo que súplica deve ser oferecida aos santos somente, deve haver encontrado um Paulo ou um Pedro, que podem beneficiar-nos e fazer-nos dignos para atingir autoridade para o perdão dos pecados.” (Sobre a Oração, 14,6) “O Sumo Sacerdote (Cristo) não é o único a se unir aos orantes, mas também os anjos[…] como também as almas dos santos que já dormem.” (Oração 11) [Nome em grego Ὠριγένης Nascimento 185 ou 184 Alexandria ,Egito Morte 254 Cesaréia Marítima, Israel ou Tiro , Líbano Nacionalidade Antiga Roma] CIPRIANO DE CARTAGO “Lembremo-nos uns aos outros em concórdia e unanimidade. Que em ambos os lados [da morte] sempre oremos uns pelos outros. Vamos aliviar o fardo e as aflições por amor recíproco, que se um de nós, com a rapidez da condescendência divina, for primeiro, o nosso amor possa continuar na presença do Senhor, e as nossas orações por nossos irmãos e irmãs não cessam com a presença da misericórdia do Pai.” (Carta 56 [60], 5). [Nascimento século III em Norte da África Morte 14 de setembro de 258 em Cartago, África (província romana) Veneração por Igreja Católica, Igreja Ortodoxa Oriental, Comunhão Anglicana, Igreja Luterana] METÓDIO “Salve a ti para sempre, Virgem Mãe de Deus, nossa alegria incessante, pois a ti Eu volto novamente. Tu és o início de nossa festa; Tu és o seu meio e fim, a pérola de grande valor, que pertence ao reino; a gordura de cada vítima, o altar vivo do Pão da Vida. Salve, a ti, tesouro do amor de Deus. Salve, a ti, fonte de amor do Filho para o homem […] você brilhava, doce outorgante Mãe , com a luz do sol, você brilhou com os fogos insuportáveis da mais fervorosa caridade, trazendo no final, aquele que foi concebido de você […] para manifestar o mistério escondido e indizível, o Filho do Pai invisível, o Príncipe da Paz, que de uma forma maravilhosa mostrou-se como menos do que toda pequenez.”(Oração sobre Simeão e Ana 14). “Por isso, oramos a ti, o mais excelente entre as mulheres, que se gloria na confiança dos suas honras maternais, que tu incessantemente nos mantem na lembrança. Ó Santa Mãe de Deus, lembre-se de nós, eu digo, que faça a nossa gloria em você, e que em agosto, hinos celebraremos a memória, que sempre vai viver, e nunca desaparecer” (ibid.). “E você também, ó honrado e venerável Simeão, ancestral de nossa santa religião e professor da ressurreição dos fiéis, seja o nosso patrono e defensor com o Deus Salvador, a quem você foi considerado digno de receber em seus braços. Nós, juntos com você, cantamos nossos louvores a Cristo, que tem o poder de vida e morte, dizendo: ‘Você é a luz verdadeira, proveniente da luz verdadeira, o verdadeiro Deus, gerado do verdadeiro Deus.’” (ibid. ). [Metódio (825-885 EC) nasceram numa família nobre em Tessalônica, Grécia.] CIRÍLO DE JERUSALÉM “Então, [durante a oração eucarística] nos lembramos também daqueles que adormeceram antes de nós: primeiro os patriarcas, profetas, apóstolos e mártires, para que Deus, por meio de suas orações e súplicas, se digne a receber às nossas”. (Leituras Catequéticas 23, 9) [Cirilo de Jerusalém foi o bispo da Igreja de Jerusalém, em sucessão ao bispo Máximo III, entre 350 e 386, com várias interrupções por conta da controvérsia ariana. Ele é veneradocomo santo pela Igreja Católica, Igreja Ortodoxa e pela Comunhão Anglicana. Em 1883, Cirilo foi declarado Doutor da Igrejapelo papa Leão XIII.] EFRAIM O SÍRIO “Você mártires vitoriosos que sofreram tormentos de bom grado por amor de Deus e Salvador, vocês que tem coragem de falar para o próprio Senhor, vocês santos, intercedam por nós, que somos homens tímidos e pecadores, cheios de preguiça, que a graça de Cristo possa vir sobre nós, e ilumine os corações de todos nós para que possamos amá-lo.” (Comentário sobre Marcos). “Lembre-se de mim, herdeiros de Deus, irmãos de Cristo, supliquem ao Salvador fervorosamente por mim, para que eu possa ser libertado por meio de Cristo daquele que luta contra mim no dia a dia”. (O Medo no Fim da Vida). [Efrém da Síria ou Efrém, o Sírio (em siríaco: ܐܦܪܝܡ ܣܘܪܝܝܐ; transl.: Mor/Mar Afrêm Sûryāyâ; em grego: Ἐφραίμ ὁ Σῦρος; transl.: Ephraem Syrus; c. 306 — 9 de junho de 373) foi um prolífico compositor de hinos e teólogo do século IV, venerado por cristãosdo mundo inteiro, especialmente pela Igreja Ortodoxa Síria, como um santo. Nascido em Nísibis, foi discípulo de Tiago de Nísibis na famosa escola da cidade.] GREGÓRIO DE NAZIANZO Orando a são Cipriano ele diz: “Que você olhe para baixo de cima propíciamente sobre nós, e oriente a nossa palavra e da vida, e pastoreou este rebanho sagrado… alegrar a Santíssima Trindade, diante da qual tu estas”. (Orações 17 [24]). Sobre seu próprio pai ele diz: “Sim, eu estou bem certo de que a intercessão é de mais valia agora do que era a sua instrução em dias anteriores, já que ele está mais perto de Deus, agora que ele se recuperou de seus grilhões do corpo, e libertou sua mente do barro que obscurecia, e tem conversa limpa com a limpeza da mente nobre e pura…” (Orações, 18, 4). [Nascimento 329 em Arianzo, Capadócia Morte 25 de janeiro de 389 (60 anos)[1] em Arianzo, Capadócia Veneração por Igreja Católica Igreja Ortodoxa Igrejas ortodoxas orientais Principal templo Catedral de São Jorge (sede do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla)] GREGÓRIO DE NISSA “[Efraim], você que estão de pé no altar divino… apoia-nos a todos em lembrança, peticionando por nós a remissão dos pecados, e a frutificação de um reino eterno”. (Sermão Sobre Efraim, o sírio). [Nascimento 335 em Cesareia, Capadócia Morte após 394 em Níssa, Capadócia Veneração por Comunhão Anglicana Igreja Ortodoxa Oriental Igreja Luterana Igreja Ortodoxa Igreja Católica] JOÃO CRISÓSTOMO Doutor da Igreja, nascido em Antioquia, em 347 d.C, morreu em Commana em Pontus em 14 de Setembro de 407. É considerado o mais proeminente Doutor da Igreja Grega e tido como o maior pregador que já subiu em um púlpito cristão. “Aquele que usa o roxo […] está pedindo aos santos para serem seus patronos com Deus, e aquele que usa um diadema implora ao fabricante de tendas [Paulo] e o pescador [Pedro] como patronos, mesmo ainda estejam mortos”. (Homilias sobre II Coríntios, 26). [Nascimento 347 em Antioquia, Síria (província romana) Morte 14 de setembro de 407 em Comana Pôntica, Ponto (província romana) Veneração por Igreja Católica Comunhão Anglicana Igreja Luterana Igreja Ortodoxa] AMBRÓSIO DE MILÃO “Que Pedro, que chorou tão eficazmente por si mesmo, chore por nós e trazer para nós o semblante benigno de Cristo”. (O trabalho dos Seis Dias 5:25:90 [AD 393]). SÃO JERÔNIMO “Você diz em seu livro que enquanto vivemos, somos capazes de orar uns pelos outros, mas depois, quando morremos, a oração de nenhuma pessoa para outra pode ser ouvida […] Se os Apóstolos e mártires, enquanto estava em sua carne mortal, e ainda necessitados de cuidar de si, ainda podia orar pelos outros, muito mais agora que já receberam a coroa de suas vitórias e triunfos. Moisés, um só homem, alcançou de Deus o perdão para 600 mil homens armados; e Estevão, para seus perseguidores. Serão menos poderosos agora que reinam com Cristo? São Paulo diz que com suas orações salvaram a vida de 276 homens, que seguiam com ele no navio [naufrágio na ilha de Malta]. E depois de sua morte, cessará sua boca e não pronunciará uma só palavra em favor daqueles que no mundo, por seu intermédio, creram no Evangelho?” (Contra Vigilâncio 6) [Nascimento 340 em Augusta dos Tréveros, Gália Bélgica Morte 4 de abril de 397 (57 anos) em Mediolano, Itália Anonária Veneração por Igreja Católica Igreja Anglicana Igreja Ortodoxa Igrejas ortodoxas orientais Igreja Luterana Igreja Presbiteriana] SANTO AGOSTINHO Bispo de Hipona e doutor da Igreja, é reconhecido como um dos quatro doutores mais distintos da Igreja latina. Nasceu em 354 e chegou a ser bispo de Hipona durante 34 anos. Combateu duramente todas as heresias de sua época e morreu no ano 430. “Um povo cristão celebra unidos em solenidade religiosa o memorial dos mártires, tanto para encorajar e ser imitado quanto para que possamos participar de seus méritos e serem auxiliados pelas suas orações. Mas é tal que os nossos altares estão definidos para qualquer dos mártires – mas apenas em sua memória -, mas ao próprio Deus, o Deus dos mártires.” (Agostinho, Contra Fausto o maniqueísta). “Quando o bispo Projectus estava trazendo as relíquias do glorioso mártir Estevão às águas do Tibilis, uma grande multidão de pessoas veio para encontrá-lo no santuário. Há uma mulher cega suplicou que ela fosse levada ao bispo que estava carregando as relíquias. Ele deu a ela as flores que ele estava carregando. Ela levou, aplicou-as a seus olhos, e imediatamente viu.” (Cidade de Deus, Livro XXII). “Há uma disciplina eclesiástica, como a conhecem fiel, quando os nomes dos mártires são lidos em voz alta em que lugar no altar de Deus, onde a oração não é oferecida eles. Oração, no entanto, é oferecida para os mortos que são lembrados . Pois é errado rezar por um mártir, cujas orações devem ser nos encomendadas.” (Sermões 159, 1). “Na mesa do Senhor nós não comemoramos os mártires da mesma forma que fazemos outros que descansam em paz, a fim de orar por eles, pelo contrário que eles possam orar por nós para que possamos seguir os seus passos.” (Homilias sobre João 84 [AD 416]). “Nem são as almas dos mortos piedosos separadas da Igreja, que até mesmo agora é o reino de Cristo. Caso contrário, não haveria memória deles no altar de Deus na comunhão do Corpo de Cristo.” (A Cidade de Deus 20, 09, 02) [Nascimento 13 de novembro de 354 em Tagaste, Numídia (moderna Souk Ahras, Argélia) Morte 28 de agosto de 430 (75 anos) em Hipona, Numídia (moderna Annaba, Argélia) Veneração por Toda Cristandade] LEÃO MAGNO “No momento da nossa própria chegada à cidade antiga, estávamos envolvidos em prestar a nossa devoção ao Santíssimo Apóstolo Pedro, no próprio altar do mártir, o Reverendíssimo Bispo Leão, esperando algum tempo após o serviço proferiu lamentos sobre a fé católica para nós, e tendo a testemunhar o chefe do próprio apóstolos da mesma forma” (Leão Magno – Carta 56) “Na quarta-feira e sexta-feira próxima, portanto, vamos jejuar, e no sábado vigiar com o beatíssimo apóstolo Pedro, por cujas orações nós podemos em todas as coisas obter a proteção divina por Cristo, nosso Senhor. Amen.” (Leão Magno – Carta 17) [45° Papa da Igreja de Roma Diocese Diocese de Roma Eleição 29 de setembro de 440 Fim do pontificado 10 de novembro de 461 (21 anos) Predecessor Sisto III Sucessor Hilário] CONCLUSÃO Estas evidências mostram que a Igreja sempre teve a consciência plena de que os santos que partiram desta terra e estão no céu podem interceder por aqueles que estão aqui na terra, e os que estão na terra podem implorar por sua intercessão. Surpreendentemente tanto os padres do oriente como do ocidente interpretam as palavras de Cristo tal como nós católicos fazemos quase vinte séculos depois. É evidente, portanto, que a Igreja atual somente faz eco ao Igreja de outrora já ensinava e até mesmo combatia os hereges dos primeiros séculos, como no caso de Jerônimo contra Vigilâncio #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Bíblia #Igreja
- MORAL PROBLEMS IN FASHION DESIGN
BELOVED sons and daughters, promoters and associates of the ‘Latin Union of High Fashion, We heartily extend to you Our paternal welcome. You have seen fit to come here to give Us testimony of your filial devotion and, at the same time, to seek heaven’s favor on your Union. >From its very inception you placed it under the auspices of Him Whose glory must be the end of every human activity, even of those that are apparently profane, according to the precept of the Apostle of the Gentiles: ‘Whether you eat or drink, or do anything else, do all for the glory of God (1 Cor. 10, 31). A delicate and complex problem You propose to examine from the Christian point of view and with Christian intent a problem which is as delicate as it is complex. Its moral aspects cannot be ignored. It is a constant object of attention and anxiety for those whose task it is, by reason of their duties in the family, in society, and in the Church, to preserve souls from the snares of corruption and to protect the whole community from moral decadence: the problem of fashions, especially women’s fashions. It is right and proper that your generous intentions should receive Our gratitude and that of the Church, and that your Union, born of and inspired by a sound religious and civic sense, should receive Our fervent wishes for the achievement, through the enlightened self-discipline of fashion designers, of the twofold aim expressed in your statutes: to improve the moral condition of this important sector of public life, and to help raise fashions to the level of an instrument and expression of well-intentioned civility. Since We wish to encourage such a praiseworthy enterprise, We have willingly consented to your request that We set out Our thoughts to you, particularly on the proper formulation of the problem and, most important of all, its moral aspects. We shall also make some practical suggestions which may guarantee to the Union a well-accepted authority in this highly controversial field. I GENERAL ASPECTS OF FASHIONS Following that counsel of ancient wisdom which finds in the purposes of things both the ultimate criterion for every theoretical evaluation and the certainty of moral principles, it will be useful to recall those aims which man has always established for himself where his clothing is concerned. Three reasons for clothing : Without doubt he obeys the familiar requirements of hygiene, decency, and adornment. These are three necessities so deeply rooted in nature that they cannot be disregarded or contradicted without provoking hostility and prejudice. They are as necessary today as they were yesterday; they are found among almost every people; they can be seen at every stage of the wide scale in which the natural necessity of clothing is historically and ethnologically manifested. It is important to note the strict and close interdependence that binds these three necessities, despite the fact that they derive from three different sources. The first is derived from man’s physical nature; the second from his spiritual nature; the third from his psychological and artistic nature. . . . hygiene The hygienic requirements of clothing concern mostly the climate, its variations, and other external factors, as [1] Reported in Osservatore Romano, November 9, 1957. Italian text. Translation based in part on one released by N.C.W.C. News Service. possible causes of discomfort or illness. It follows from the above-mentioned interdependence that hygienic reasons’or, rather, pretexts-cannot serve to justify a deplorable license, especially in public, aside from exceptional cases of proven necessity. But even in these cases, every well-bred soul would be unable to avoid the distress of an involuntary feeling of confusion, outwardly expressed by natural blushing. In the same way, a manner of dressing which is harmful to health -and there are no few examples of this in the history of style-cannot be considered legitimate on the pretext of beauty. On the other hand, the common rules of decency must give way to the needs of a medical cure which, although it may seem to violate them, actually respects them when all due moral precautions are employed. . . . decency Equally obvious, as the origin and purpose of clothing, is the natural requirement of decency, understood either in the wider sense, which includes proper consideration for the sensitivity of others to objects that are unsightly, or, above all, as a defense of moral honesty and a shield against disordered sensuality. The strange opinion which attributes the sense of modesty to one type of education or another, and even considers modesty a conceptual deformation of innocent reality, a false product of civilization, a stimulus to dishonesty, and source of hypocrisy, is not supported by any valid reason. On the contrary, it finds explicit condemnation in the resulting repugnance with which they are viewed who dare to adopt this point of view as a way of life. Thus the soundness of common sense, manifest in universal usage, is confirmed. Natural decency in its strictly moral sense, whatever its origin may be, is founded on the innate and more or less conscious tendency of every person to defend his personal physical good from the indiscriminate desires of others so that he may reserve it, with prudent choice of circumstances, to those wise purposes of the Creator which He Himself has placed under the protective cover of chastity and modesty. This second virtue, modesty -the very word ‘modesty comes from modus, a measure or limit-probably better expresses the function of governing and dominating the passions, especially sensual passions. It is the natural bulwark of chastity. It is its effective rampart, because it moderates acts closely connected with the very object of chastity. Modesty makes man hear its warning, like a forward sentinel, from the moment he acquires the use of reason, even before he learns the full meaning and purpose of chastity. It accompanies him throughout his entire life and demands that certain acts, which are good in themselves because they are divinely established, should be protected by a discreet veil of shadow and the reserve of silence, in order to confer on them the respect owed the dignity of their great purpose. It is therefore just that modesty, as the depository of such precious possessions, should claim for itself an authority prevailing over every other tendency and every caprice, and should preside over the determination of fashions in clothing. . . . and adornment And here we arrive at the third purpose of clothing, from which fashions draw their origin more directly, and which responds to the innate need, more greatly felt by woman, to enhance the beauty and dignity of the person with the same means that are suitable to satisfy the other two purposes. In order to avoid restricting the scope of this third requirement to mere physical beauty, and, even more, to avoid associating fashion with lust for seduction as its first and only reason, the term adornment is preferable to beautification. T his penchant for the adornment of one’s own person clearly derives from nature, and is therefore legitimate. Over and above the function of clothing which hides physical imperfections, youth asks for clothing which has an attractiveness and splendor that sing the happy themes of the spring of life, and which facilitates, in harmony with the rules of modesty, the psychological prerequisites necessary for the formation of new families. At the same time, those of mature age seek to obtain from appropriate clothing an aura of dignity, seriousness, and serene happiness. In those cases in which the aim is to enhance the moral beauty of the person the style of the clothes will be such as almost to eclipse physical beauty in the austere shadow of concealment, to distract the attention of the senses, and concentrate reflection on the spirit. The language of clothing Considered under this wider aspect, clothing has its own multiform and efficacious language. At times it is a spontaneous and faithful interpretation of sentiments and habits; at other times it is conventional, affected, and therefore hardly sincere. Clothing expresses joy and sorrow, authority and power, pride and simplicity, wealth and poverty, the sacred and the profane. The specific form of this expression depends on the traditions and the culture of a particular people; it changes all the more slowly as the institutions, characters, and sentiments that the styles interpret are the more stable. The nature of ‘fashion Fashion-an ancient art of uncertain origins, which is made complex by the psychological and social factors it involves-applies itself expressly to the enhancement of physical beauty. At present, fashion has achieved an indisputable importance in public life, whether as an aesthetic expression of customs, or as an interpretation of public demand and a focal point of substantial economic interests. A profound observation of the phenomena of fashions will reveal that they are not only extravagant in their form, but are also the meeting point of such different psychological and moral factors as taste for beauty, thirst for novelty, affirmation of the personality, intolerance of monotony, no less than luxury, ambition and vanity. Fashion is actually elegance, conditioned, however, by constant change in such a way that its own instability confers a distinctive mark upon it. The reason for the constant change of fashions, which has now become seasonal- changes which are slower in basic lines, but extremely rapid in secondary variations-seems to be a desire to surpass the past. It is facilitated by the frantic character of the present era, which has a tremendous capacity for burning up in a short time all that is meant to satisfy the fantasy and the senses. It is understandable that new generations intent upon their own future -a different and better dream than that of their fathers-should feel the need to detach themselves from those forms, not only of clothing but also of objects and ornaments, which most obviously recall a way of life that they wish to surpass. But the extreme instability of presentday styles is determined above all by the will of its artificers and guides, who have at their disposal such means, unknown in the past, as an enormous and varied textile production, the inventive fertility of fashion designers, and easy means of ‘launching fashions in the press, movies, television, exhibits, and fashion shows. The rapidity of change is further stimulated by a kind of silent competition, not really new, between the ‘elite who wish to assert their own personality with original forms of clothing, and the public who immediately convert them to their own use with more or less good imitations. Nor can one overlook another subtle and decadent reason, namely, the effort of those ‘stylists who play on the factor of seduction in order to insure the success of their ‘creations, being well aware of the effect that constantly repeated surprise and novelty create. The economics of fashion It is another characteristic of today’s fashions that, although they remain principally an aesthetic fact, they have also become an economic element of great proportions. The few established fashion-shops which once dictated undisputed rules of elegance from this or that metropolis to the world of European culture have now been replaced by a number of financially powerful organizations which, while they supply the demand for clothing, also form popular tastes and constantly work to promote increasing demands for their own market. The reasons for this transformation are to be found, first of all, in the socalled ‘democratization of fashion through which an increasing number of individuals fall under the spell of elegance and, secondly, in technical progress which makes it possible to turn out mass-produced styles that would otherwise be expensive but have now become easy to acquire on the socalled ‘ready-made market. Thus was the world of fashion born, a world which includes artists and craftsmen, manufacturers and merchants, publishers and critics, as well as an entire class of humble workers who draw their income from fashions. The fashion-designer Although the economic factor is the driving force of this activity, its soul is always the ‘stylist, the person who, through a clever choice of materials, colors, cut, line, and accessory ornaments, gives life to a new and expressive style that pleases the public. It is needless to list the difficulties of this art, the fruit of genius and skill and, even more, of a sensitivity to the taste of the moment. A style destined for certain success acquires the importance of an invention. It is surrounded by secrecy while waiting to be ‘launched. Once on the market, it brings in high prices, while the information media give it wide publicity almost as though it were an event of national importance. The influence of fashion-designers is so strong that the textile industry lets its production be guided by them, both in quantity and in quality. Their social influence is equally great in interpreting public customs, for if fashions have been the external expression of the usages of people in the past, today they have become ever more so-from the time when this phenomenon, fashions, began to be the result of reflection and study. ‘High fashion But the formation of the tastes and preferences of the people and the guidance of society toward serious or decadent habits does not depend on the fashion designers alone. It depends also on the whole organized complexus of the fashion industry, especially upon production houses and critics in that more refined sector which finds its clients in the upper social classes and takes the name of ‘high fashion, as if to designate the source of the currents that people will later follow almost blindly, under what appears to be some magic compulsion. Now, since so many important values are involved in and sometimes endangered by styles, as We have rapidly outlined, it seems providential that persons should enter upon the scene who have received a technical and Christian preparation and want to help free styles from those tendencies that are not commendable. These are persons who see in styles the art of knowing how to dress, whose aim is certainly, though only partially, to enhance the beauty of the body, but with such moderation that the body, the masterpiece of divine creation, will not be obscured but, on the contrary, in the words of the Prince of the Apostles,will be exalted ‘in the imperishableness of a quiet and gentle spirit, which is of great price in the sight of God (I Peter 3, 4). II THE MORAL PROBLEM OF FASHION AND ITS SOLUTIONS The problem of fashion consists in the harmonious reconciliation of a person’s exterior ornamentation with the interior of a ‘quiet and modest spirit. However, some people ask themselves if there really is a moral problem in such an exterior, contingent, and relative fact as fashion. And, granted that there is, they ask in what terms this problem is to be set forth and according to what principles it must be solved. This is not the place to protest at length against the insistent attempts of many contemporaries to separate the exterior activities of man from the moral realm as if the two belonged to different universes, as if man himself were not the subject and the object of the moral realm and, therefore, responsible before the Sovereign Regulator of all things. It is quite true that styles, like art, science, politics, and other so-called profane activities, follow their own rules to attain the immediate ends for which they are intended. However, their subject is invariably man who cannot prescind from directing these activities to his ultimate and supreme end. There exists, then, the moral problem of styles, not only insofar as they concern a generically human activity, but more specifically insofar as this activity is carried out in a field common to, or at least very close to evident moral values. The problem is especially great insofar as the aims of styles-aims that are good in themselves-are likely to be twisted by the wicked tendencies of a human nature which is fallen through original sin, and thus fashions can be changed into occasions of sin and scandal. Ecclesiastical severity This inclination of a corrupt nature to abuse fashions has frequently led ecclesiastical tradition to treat fashions with suspicion and severe judgment, as expressed with intense firmness by notable sacred speakers and by zealous missionaries, even to the point of ‘burning vain objects which, according to the usages and austerity of those times, was esteemed as effective eloquence by the people. From these manifestations of severity, which basically showed the maternal concern of the Church for the welfare of souls and the moral values of civilization, one cannot argue, however, that Christianity exacts almost a renunciation of respect and care for the physical person and its external decorum. Whoever would draw this conclusion would be forgetting what the Apostle of the Gentiles wrote: ‘In like manner I wish women to be decently dressed, adorning themselves with modesty and dignity (I Tim., 2, 9). The Church’s positive attitude The Church, on the contrary, does not censure or condemn styles when they are meant for the proper decorum and ornamentation of the body, but she never fails to warn the faithful against being easily led astray by them. This positive attitude of the Church derives from reasons far higher than the mere aesthetic or hedonistic considerations which have been assumed by a renewed paganism. The Church knows and teaches that the human body, which is God’s masterpiece in the visible world, and which has been placed at the service of the soul, was elevated by the Divine Redeemer to the rank of a temple and an instrument of the Holy Spirit, and as such must be respected. The body’s beauty must therefore not be exalted as an end in itself, much less in such guise as will defile the dignity it has been endowed with. Moral evaluation of attire Speaking in concrete terms, it cannot be denied that along with seemly styles there are also immodest fashions that create confusion in well-ordered minds and can even be an incentive to evil. It is always difficult to indicate with universal norms the border-line between seemliness and shamelessness because the moral evaluation of attire depends on many factors. However, the so-called relativity of fashions with respect to times, places, persons, and education is not a valid reason to renounce a priori a moral judgment on this or that fashion which, for the time being, violates the limits of normal decency. The sense of decency, almost without being consulted on the matter, gives immediate warning as to where immodesty and seduction, idolatry of matter and luxury, or only frivolity, are concealed. And if the artificers of shameless fashions are skilled in the trafficking of perversion, mixing it into an ensemble of aesthetic elements that are good in themselves, human sensuality is unfortunately even more skillful in discovering it and is ready to fall under its spell. Here as elsewhere, greater sensitivity to this warning against the snares of evil, far from being grounds for criticizing those who possess it, as though it were a sign of interior depravity, is actually a mark of an upright soul and of watchfulness over the passions. Yet, no matter how broad and changeable the relative morals of styles may be, there is always an absolute norm to be kept after having heard the admonition of conscience warning against approaching danger: style must never be a proximate occasion of sin. The element of intent Among the objective elements that concur to make an immodest style there is, first and foremost, the evil intention of its makers. Where these seek to create unchaste ideas and sensations through their fashions, there is present a technique of disguised malice. They know, among other things, that boldness in such matters cannot be pushed beyond certain limits, but they also know that the desired effect is close to these limits, and that a clever combination of serious and artistic elements with others that are less worthy is highly suited to capturing the fancy and the senses. For they realize that a fashion thus devised will be acceptable to a client who seeks such an effect, but will not compromise, at least in their opinion, the good name of upright clients. Every restoration of decency to style must, therefore, begin with the intention of those who design and those who wear. In both there must be an awakening of the conscience as to their responsibility for the tragic consequences that could result from clothing which is overly bold, especially if it is worn in public. Immodesty More basically, the immorality of some styles depends in great part on excesses either of immodesty or luxury. An excess of immodesty in fashion involves, in practice, the cut of the garment. The garment must not be evaluated according to the estimation of a decadent or already corrupt society, but according to the aspirations of a society which prizes the dignity and seriousness of its public attire. It is often said almost with passive resignation that fashions reflect the customs of a people. But it would be more exact and much more useful to say that they express the decision and moral direction that a nation intends to take: either to be shipwrecked in licentiousness or maintain itself at the level to which it has been raised by religion and civilization. Luxury No less unfortunate, although in a different area, are excesses of style when it is assigned the task of satisfying a thirst for luxury. The small merit which luxury has as a source of labor is almost always nullified by the grave disorders that derive from it in public and private life. Prescinding from the dissipation of wealth which excessive luxury demands of its worshippers, who will more often than not end by being devoured by it, it always insults the integrity of those who live by their own toil, and it displays a cynicism toward poverty, either by flaunting too easy gains or by breeding suspicion about the way of life of those who surround themselves with it. Where moral consciousness does not succeed in moderating the use of riches, even if they are honestly acquired, either frightful barriers will be raised between classes, or the entire society will be set adrift, exhausted by the race toward a utopia of material happiness. In indicating the harm that a lack of restraint in styles can do to individuals and society, We do not intend to suggest that the expansive force or the creative genius of fashion designers should be repressed, nor that fashion should be reduced to unchanging forms, to monotony or to dismal severity. On the contrary, We mean to indicate the right road that styles should follow, so that they may achieve their end as faithful interpreters of civilized and Christian traditions. Three basic principles: . . . To do this a few principles may be set down as a basis for solving the moral problem of styles; from them more concrete norms may be easily drawn. . . . the influence of styles The first is not to minimize the importance of style’s influence for good or for evil. The language of clothing, as We have already said, is the more effective when it is more ordinary and is understood by everyone. It might be said that society speaks through the clothing it wears. Through its clothing it reveals its secret aspirations and uses it, at least in part, to build or destroy its future. But the Christian, whether he be creator or client, should be careful not to underestimate the dangers and spiritual ruin spread by immodest fashions, especially those worn in public, because of that continuity that must exist between what one preaches and what one practices, even in the sense of externals. He will remember the high purity which the Redeemer demands of His disciples even in glances and thoughts. And he will remember the severity which God shows to those who give scandal. We might call to mind on this subject the strong words of the prophet Isaias, in which was foretold the infamy that was to befall the holy city of Sion because of the immodesty of its daughters (cf. Isaias 3, 16-21). And one could recall those other words with which the greatest of all Italian poets expressed in vehement terms his feeling of indignation for the immodesty creeping into his city (cf. Dante, Purgatorio, 23, 94-108). . . . control The second principle is that style should be directed and controlled instead of being abandoned to caprice and reduced to abject service. This applies to the makers of style-designers and critics; conscience demands that they not submit blindly to the depraved, taste which is manifested by society, or rather by a part of it, and not always that part most discerning in wisdom. But it also applies to individuals, whose dignity demands of them that they should liberate themselves with free and enlightened conscience from the imposition of pre-determined tastes, especially tastes debatable on moral grounds. To direct styles also means to react firmly against currents that are contrary to the best traditions. Control over fashions does not contradict but, on the contrary, confirms the saying that ‘fashions are not born outside of and against society, provided that one ascribes to society, as one should, consciousness and autonomy in directing itself. . . . and moderation The third principle, even more concrete, is the respect of ‘measure or rather of moderation in the entire field of styles. Just as excess is the principal cause of their defects, so moderation will preserve their value. Moderation, above all, must provide a pattern by which to regulate, at all costs, greed for luxury, ambition, and capriciousness. Stylists, and especially designers, must let themselves be guided by moderation in designing the cut or line of a garment and in the selection of its ornaments, convinced that sobriety is the finest quality of art. Far from wanting a return to outdated forms -though these often reappear as fashion novelties-but rather to confirm the perennial value of sobriety, We should like to invite today’s artists to dwell for a moment on certain feminine figures in the masterpieces of classical art which have undisputed esthetical value. Here the clothing, marked by Christian decency, is the worthy ornament of the person with whose beauty it blends as in a single triumph of admirable dignity. III SPECIFIC SUGGESTIONS TO PROMOTERS ANDASSOCIATIONS OF THE ‘UNION And now some specific suggestions for you, beloved sons and daughters, promoters and associates of the ‘Latin Union of High Fashions. It seems to Us that the word ‘Latin itself, with which you have wished to designate your association, callicates not only a geographical region, but above all the ideal aim of your activity. In fact this term ‘Latin, which is so rich in deep significance, seems to express, among other things, a lively sensibility and respect for the values of civilization. It seems to express at the same time a sense of moderation, of balance and concreteness, qualities that are all necessary to the components of your Union. It has given Us pleasure to see that these characteristics have inspired the purpose of your statutes, which you courteously submitted to Us. We notice that these statutes derive from a complete view of the complex problem of fashions, but especially from your firmpersuasion of fashion’s moral responsibility. Your program is, therefore, as wide as the problem itself, since it includes all the determining sectors of fashions: the feminine group directly, with the intention of guiding it in the formation of its tastes and the choice of clothing; the houses which are ‘creators of fashions; and the textile industry: that by mutual agreement all might adapt their efforts to the healthy principles of the Union. And since your Union is composed of organizations that are not mere spectators but participators-We might say actors in the theater of fashions-its program also deals with the economic aspect of fashions, rendered more difficult now by forthcoming changes in production and by the unification of the European markets. The formation of taste One of the indispensable conditions for achieving the aims of your Union lies in the formation of sound taste in the public. This is indeed a difficult task, opposed at times by premeditated design, and it requires of you much intelligence, great tact, and patience. In spite of everything, face it with a fearless spirit. You are certain of finding strong allies, first of all, among the excellent Christian families which are still to be found in great numbers in your own native land. It is clear that your action in this direction must be aimed mainly at winning over to your cause those who control public opinion through the press and other information media. People wish to be guided in style more than in any other activity. Not that they lack a critical sense in matters of aesthetics or of propriety, but, at times too docile and at other times too lazy to make use of this faculty, they accept the first thing that is offered to them and only later become aware of how mediocre or unbecoming certain fashions are. It is necessary therefore that your action should be timely. Among those, furthermore, who at the present time are guiding with great effectiveness the tastes of the public, celebrities, especially in the world of the theater and films, occupy a pre-eminent position. In the same measure that their responsibility is grave, so will your action be fruitful wherever you can succeed in bringing over at least a few of these to the good cause. Aesthetic and moral problems A distinguishing mark of your Union seems to lie in the careful study of the aesthetic and moral problems of fashions, conducted in periodic meetings, such as the present congress, that have an ever more international character, persuaded as you are that the fashions of the future will have a unified character in the individual continents. Employ yourselves, therefore, to bring into these congresses the Christian contribution of your intelligence and skill, with such persuasive wisdom that no one will be able to suspect you of prejudice in your own personal interest or of the weakness of compromise. The sound consistency of your principles will be put to the test by the so-called modern spirit, which cannot bear hindrance. And it will be tried by the same indifference of many toward the moral consideration of styles. The most insidious of sophisms are usually repeated to justify immodesty and seem to be the same everywhere. One of these resurrects the ancient saying ab assuetis non fit passio (‘The passions are not aroused by things we are accustomed to) in order to brand as old-fashioned the rebellion of honest people against fashions which are too bold. Must it perhaps be shown how out of place the ancient saying is in such questions? When We spoke of the absolute limits to be defended in the relativism of style, We mentioned the unfounded character of another fallacious opinion according to which modesty is no longer appropriate in the contemporary era which has now become free of all useless and ruinous scruples. It can certainly be conceded that there are different degrees of public morality according to the times, the nature, and the conditions of the civilization of individual peoples. But this does not invalidate the obligation to strive for the ideal of perfection and is not a sufficient reason to renounce the high degree of morality that has been achieved, and which manifests itself precisely in the great sensitivity with which consciences regard evil and its snares. A mortal combat May your Union, therefore, pledge itself to this fight, which aims at insuring an ever higher degree of morality, worthy of its Christian traditions, in the public customs of your nation. It is not by chance that your work, which strives to introduce moral styles, is called a ‘battle. Every other enterprise which tries to return to the spirit its domination over matter, meets with battle in the same way. Considering each battle in particular, one can see that they are individual and significant episodes in the bitter and eternal struggle that everyone who is called to the freedom of the Spirit of God must endure in this life. The Apostle of the Gentiles described with inspired accuracy the front lines and opposing forces of this combat: ‘For the flesh lusts against the spirit, and the spirit against the flesh; for these are opposed to each other, so that you do not what you would (Gal. 5, 17). Listing the works of the flesh in a sad inventory of the bequest of original sin, he included among them impurity, to which he opposed modesty as a fruit of the Holy Spirit. Busy yourselves generously and with confidence, without ever allowing yourselves to be ensnared by that timidity which made the numerically small but heroic armies of the great Judas Machabeus say: ‘How shall we, being few, be able to fight against so great a multitude? (I Mac. 3, 17). May the same answer given by the great champion of God and of the fatherland encourage you: ‘For the success of war is not in the multitude of the army, but strength cometh from heaven (Ibid., 19). With this heavenly assurance in mind We take leave of you, beloved sons and daughters. And We raise Our supplications to the Omnipotent that He might deign to bestow His assistance upon your Union, and His graces upon each one of you, your families, and, in particular upon the humble working men and women of fashions. As a token of these favors which We wish you, We heartily impart to you Our paternal Apostolic Blessing. This address was delivered to an international congress of the Latin Union for High Fashion, an organization recently established in Rome to develop European fashions for a common world-market. This is the lengthiest discussion any Pope has given to the moral problems raised by dress and fashions. ‘Fashions It is often said almost with passive resignation that fashions reflect the customs of a people. But it would be more exact and much more useful to say that they express the decision and moral direction that a nation intends to take: either to be shipwrecked in licentiousness or maintain itself at the level to which it has been raised by religion and civilization.’Pius XII ********
- A Objeção ”Os católicos são divididos também”
Quando os protestantes se tornam católicos, uma razão que eles costumam dar é a perspectiva de alcançar a unidade. Eles reconhecem que tanto a fragmentação perpétua entre as denominações protestantes não pode ser o cumprimento da oração de Cristo em João 17 que seus seguidores sejam um, e que essa fragmentação é perpetuamente insolúvel por meio de sola scriptura e a suposição de que as Escrituras são suficientes para estabelecer ou preservar Cristãos na unidade pela qual Cristo orou. No Magistério da Igreja Católica, eles vêem um modo divinamente estabelecido de preservar a unidade doutrinária e visível através do papel do sucessor episcopal de São Pedro em Roma. A objeção No entanto, há uma objeção aparentemente poderosa a esse argumento, uma objeção levantada freqüentemente em resposta à perspectiva de encontrar na Igreja Católica a unidade pela qual Cristo orou em São João 17. A objeção é a seguinte afirmação: Católicos são divididos também não menos do que os protestantes. De acordo com essa objeção, quando um protestante se torna católico ele não entra em uma unidade maior, porque ele está meramente passando de uma denominação protestante relativamente unificada entre muitas outras denominações protestantes, para a instituição estruturalmente unificada da Igreja Católica composta de membros que, parece, discordar sobre quase tudo. Também não há falta de católicos de alto perfil cujas declarações e posições públicas ilustram o ponto da objeção. Poderíamos pensar na atual Secretária de Saúde e Serviços Humanos Kathleen Sebelius, uma católica que apóia publicamente tanto a legalização do aborto quanto o controverso mandato do HHS exigindo escolas católicas, hospitais e instituições de caridade a fornecer aos seus empregados cobertura para métodos contraceptivos, abortivos e esterilizações. Ou podemos apontar para o recente desacordo entre a Santa Sé e a Conferência de Liderança das Religiosas. Ou poderíamos apontar para a oposição do teólogo de Notre Dame Richard McBrien à prática católica de adoração eucarística, ou o grupo Call To Action em Minnesota apoiando o reconhecimento legal do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Há católicos sinceros na mídia expressando apoio e oposição à legalização do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, aborto voluntário, eutanásia, pena de morte, tortura de suspeitos de terrorismo, ordenação de mulheres, uso de drones como arma militar e muitas outras questões. 2 A situação não se limita aos católicos de alto perfil. A maioria de nós tem encontrado católicos que se consideram bons católicos, mas são rápidos em listar os assuntos sobre os quais discordam do papa; o uso de contraceptivos é tipicamente o primeiro nesta lista. Além disso, é do conhecimento comum que os católicos nos Estados Unidos não caem clara ou predominantemente em nenhum dos principais partidos políticos. Em vista de todo esse desacordo entre os católicos, a objeção dos “Católicos também são divididos” pode parecer bastante precisa e convincente, e assim minar a noção de que a Igreja Católica possui mais unidade do que qualquer denominação Protestante em particular, e muito menos possui exclusivamente a unidade sobrenatural que é a primeira das quatro marcas da Igreja recitadas no Credo Niceno. Para explicar por que a objeção está errada, devemos primeiro considerar a natureza da unidade da Igreja. A natureza da unidade da Igreja Católica A unidade da Igreja Católica é constituída por três laços, cada um deles derivado da própria unidade de Cristo em três papéis redentores. No Antigo Testamento, os papéis de profeta, sacerdote e rei eram ocupados por diferentes grupos de pessoas. Os profetas eram distintos dos sacerdotes levíticos, e estes, por sua vez, eram distintos dos reis de Israel, tipicamente ungidos a esse papel pelos profetas. Esses três papéis, no entanto, todos se reuniram e foram cumpridos no Cristo encarnado. Ele é o profeta, o sacerdote e o rei do povo da Nova Aliança. Ele é o Profeta porque Ele traz a plenitude da revelação divina, como a eterna e exaustiva Palavra de Deus Pai. Ele é o Sacerdote porque Ele oferece de uma vez por todas ao Pai o único sacrifício perfeito (isto é, a si mesmo) que pode tirar os nossos pecados e redimir o homem da morte e do inferno. Ele é o Rei porque toda autoridade no céu e na terra foi dada a Ele, e Ele é o Filho de Davi e herdeiro eterno do trono de Davi.O Reino de Cristo, que é a Igreja, portanto, possui cada um desses três laços de unidade.4 Por causa da unidade de Cristo em Seu papel como Profeta, Sua Igreja acredita e ensina uma fé em todos os lugares e tempos. Por causa da unidade de Cristo em Seu papel como Sacerdote, Sua Igreja compartilha todos os mesmos sacramentos em todos os lugares e épocas, oferecendo na Eucaristia através dos sacerdotes da Nova Aliança que estão na Pessoa de Cristo, o mesmo Sacrifício do próprio Cristo. E por causa da unidade de Cristo em seu papel como Rei, Sua Igreja possui em todos os lugares e tempos uma unidade de governo através da unidade uhierárquica dos bispos em comunhão com o Vigário de Cristo, o sucessor episcopal de São Pedro, a quem Cristo como Rei confiou as chaves do Reino.5 Esses três laços de unidade também são referidos como unidade de doutrina, de culto e de autoridade. Através destes três laços sobrenaturais de unidade, a unidade do Espírito Santo e da caridade reina na Igreja de Cristo. Quando não mantemos um ou mais desses três laços, não compartilhamos a plena comunhão de Cristo e Sua Igreja.6 Abordando a questão da unidade como uma marca da Igreja, o artigo da Enciclopédia Católica sobre este assunto afirma o seguinte: “A concepção católica da marca da unidade, que deve caracterizar a única Igreja fundada por Cristo, é muito mais exigente. Não somente a Igreja verdadeira deve ser unida por uma união interna e espiritual, mas esta união também deve ser externa e visível, consistindo e crescendo a partir de uma unidade de fé, adoração e governo. Por isso, a Igreja que tem Cristo como seu fundador não deve ser caracterizada por nenhuma união espiritual meramente acidental ou interna, mas, além disso, deve unir seus membros em unidade de doutrina, expressa por profissão pública externa; na unidade de culto, manifestada principalmente na recepção dos mesmos sacramentos; e na unidade de governo, pela qual todos os seus membros estão sujeitos e obedecem à mesma autoridade, que foi instituída pelo próprio Cristo.” A unidade da Igreja não é uma mera unidade acidental no sentido de que as pessoas que por acaso concordam em relação a alguma interpretação particular das Escrituras se reúnem para formar alguma federação ou organização denominacional. Tal unidade não teria sido estabelecida pelo Cristo encarnado, mas por meros homens. Nem a unidade da Igreja é apenas uma unidade invisível ou espiritual.8 Como o Papa Leão XIII escreveu em 1896 em sua encíclica Satis Cognitum (Sobre a Unidade da Igreja): “Jesus Cristo, de fato, não instituiu uma Igreja para abraçar várias comunidades similares na natureza, mas em si mesmas distintas, e carentes daqueles laços que tornam a Igreja única e indivisível depois daquela maneira em que professamos no símbolo de nossa fé : “Eu acredito em uma igreja.” 9 E em 1943, Pio XII escreveu da mesma forma: “Por isso, eles erram em uma questão de verdade divina, aqueles que imaginam a Igreja ser invisível, intangível, algo meramente“pneumatológico” como dizem, pelo qual muitas comunidades cristãs, apesar de diferirem uma da outra em sua profissão de fé, estão unidas por uma ligação invisível.” Portanto, a unidade que é a primeira das quatro marcas da Igreja é constituída pela profissão da única fé recebida de Cristo, compartilhando os mesmos sacramentos instituídos por Cristo e gozando de um governo hierárquico estabelecido por Cristo. Como, então, esses três laços de união são compatíveis com o tipo de divergências entre os católicos descritos no início deste artigo? Resposta à objeção Para responder à objeção, devemos primeiro distinguir entre dois tipos diferentes de divergências entre os católicos, porque a resposta à objeção difere para cada tipo: Desacordos de fé: Desacordo com o que foi divinamente revelado nas Escrituras ou na Tradição, que a Igreja, seja por juízo solene ou pelo Magistério ordinário e universal estabeleceu ser acreditado como divinamente revelado, ou (b) o que foi definitivamente proposto pelo Magistério sobre a fé e a moral, ou (c) o autêntico ensinamento do Magistério não por um ato definitivo, mas requerendo submissão religiosa da vontade e do intelecto; Desacordos não de fé: Discordância quanto a (d) questões teológicas abertas que ainda não foram determinadas definitivamente pelo Magistério da Igreja e não sob qualquer um dos três graus de concordância descritos acima, ou (e) a respeito de julgamentos prudenciais relativos a implementação ou aplicação de verdades teológicas ou morais, ou em assuntos não diretamente teológicos ou morais.12 Quando estamos falando de “desacordos não de fé”, a resposta católica à “Católicos também são divididos” é que desacordos deste tipo são totalmente compatíveis com a preservação de todos os três laços de unidade, incluindo o vínculo da fé, porque desacordos relativos a tais assuntos não implicam desacordos de fé ou diminuem nossa unidade na fé única da Igreja. Se nos lembrarmos do antigo princípio “na unidade essencial, na liberdade não essencial, e em todas as coisas da caridade”, os desacordos não da fé são assuntos sobre os quais temos liberdade. Por exemplo, durante séculos, os dominicanos e os jesuítas mantiveram crenças diferentes sobre a doutrina da predestinação.13 Sobre essa questão, o Magistério considerou o assunto, declarou certas posições incompatíveis com a fé, mas deixou em aberto uma série de posições teológicas. Isso não quer dizer que a questão entre as posições atualmente abertas não seja definitivamente resolvida pelo Magistério da Igreja no futuro. Mas, por ora, as posições jesuíta e dominicana sobre essa questão estão dentro dos limites da única fé da Igreja. Unidade de fé não significa que não possa haver diversidade de opiniões sobre assuntos que o Magistério, sob a direção do Espírito Santo, permitiu que permanecessem questões abertas14. Quando estamos falando de “divergências de fé”, no entanto, a resposta católica aos “católicos são divididos também” é bastante diferente. Nestes casos, o Magistério da Igreja ensinou algo como divinamente revelado ou definitivamente proposto pela Igreja ou simplesmente para ser aderido à submissão religiosa da vontade e do intelecto. Nesses três casos, os desacordos podem ser de dois tipos: (1) discordância quanto à compreensão ou interpretação adequada do ensinamento magisterial ou (2) desacordo com o ensinamento magisterial.15 O último tipo de discordância é geralmente chamado de dissensão. Quanto aos primeiros, os partidos católicos discordantes afirmam a autoridade do Magistério, mas ainda não concordam quanto ao que ensina. A discordância honesta em relação à compreensão ou interpretação correta do magistério precisa ser apenas uma condição temporária, devido ao potencial de esclarecimento magisterial, se a consulta ao ordinário local não resolver o desacordo16. Se um católico entendeu mal o ensino magisterial acidentalmente ou dissuadiu propositalmente do magistério, em qualquer dos casos, na medida em que negou ou rejeitou um ensinamento do Magistério, nesse sentido separou-se (de forma não intencional ou intencional) daquela fé da Igreja.17 Quando isso acontece, a única fé da Igreja e o vínculo de unidade desfrutado pelos fiéis através de sua profissão daquela única fé não é de modo algum diminuído, assim como a santidade da Igreja não é diminuída pelos pecados de seus membros.18 Quando um católico se afasta do ensinamento magisterial, em vez de diminuir a unidade da Igreja ou dividir a fé única da Igreja, o católico se separa desse grau de participação da unidade da fé da Igreja. Desta forma, ele perde a participação na unidade da Igreja; a Igreja não perde a unidade. Se ele retornar à fé da Igreja, seja através de uma catequese mais profunda ou por meio do arrependimento, ele será restaurado à participação na única fé que não foi diminuída por sua partida dela.19 É por isso que a unidade da fé católica não consiste no nível de concordância doutrinal entre todos aqueles que se dizem católicos. O vínculo da fé como um dos três vínculos que constituem a unidade visível que é a primeira marca da Igreja especificada no Credo é o vínculo da unidade manifestado visivelmente em todos os católicos que professam a única fé ensinada pelo Magistério. A fim de tratar os católicos dissidentes como evidência contra a fé unificada da Igreja, deve-se assumir que as crenças dos dissidentes pertencem à fé da Igreja. O fato de reconhecê-los como dissidentes mostra que já sabemos que eles estão em desacordo com o ensinamento da Igreja. Os dissidentes, apesar de si mesmos, por sua própria dissensão, atestam a unidade da fé da Igreja. Somente onde não poderia haver discordância, não haveria unidade de fé. Quando aplicamos isso aos exemplos de desacordo mencionados no início deste artigo, descobrimos que cada uma dessas divergências se enquadra no que categorizei como “desacordos de fé” ou “desacordos não de fé”. Desentendimentos entre católicos concernentes, por exemplo, juízos prudenciais a respeito da aplicação correta na política pública de princípios católicos vinculantes podem ser totalmente compatíveis com o acordo simultâneo entre as partes em desacordo sobre questões de fé e, portanto, a preservação simultânea da unidade do vínculo de fé. E o mesmo acontece com divergências entre católicos sobre questões teológicas abertas sobre as quais o Magistério não ofereceu ensino autorizado. Em tais casos, é possível estar errado, mesmo tolamente ou culposamente errado, enquanto mantém a unidade do vínculo da fé. No entanto, quando os católicos discordam do ensinamento do Magistério, seja sobre doutrinas teológicas como transubstanciação ou ordenação de mulheres, ou sobre questões morais como contracepção, aborto ou o caráter heterossexual essencial do casamento, eles se separam da unidade da fé da Igreja. . Embora eles não prejudiquem ou diminuam a unidade da Igreja ou o vínculo de unidade na profissão de uma só fé pelos fiéis católicos, os católicos dissidentes dão escândalo por sua dissensão, obscurecendo ao mundo a unidade que deve ser um testemunho da unidade do Pai e do Filho, e de Cristo ter sido enviado do Pai.20 Quando um protestante aponta para os dissidentes como evidência da desunião da Igreja Católica, ele está, em essência, apontando para os protestantes. E assim como a existência de protestantes não é evidência de que a Igreja Católica não desfrute dos três laços de unidade, a existência de dissidentes da fé católica não é evidência de que a Igreja Católica não desfrute dos três laços de unidade. Em suma, os dois tipos de desacordo deixam intacta tanto a unidade da fé católica quanto a unidade da Igreja Católica. Onde então a objeção dos “Católicos são divididos também” está errada? A objeção equivocadamente supõe que a unidade da Igreja Católica é o grau de concordância sobre questões de fé entre todos os que se chamam católicos ou recebem a Eucaristia, em vez de reconhecer que a unidade da fé católica é determinada pela unidade da doutrina ensinada pelo magistério. Deste modo, a objeção implicitamente pressupõe que não há diferença na autoridade docente entre os leigos e o Magistério. Ela trata a unidade católica através do modo e paradigma protestante de julgar a unidade e, assim, pressupõe a falsidade da fé católica. O erro subjacente à objeção é compreensível por dois motivos. Os primeiros protestantes afirmavam que as duas marcas da Igreja eram a pregação correta das Escrituras e a correta administração dos sacramentos. Disciplina no sentido de justamente excluir aqueles que não estavam preparados para receber os sacramentos foi algumas vezes listada por esses protestantes como uma terceira marca, mas mesmo aqueles que não a trataram como uma terceira marca a subsumiram sob a correta administração dos sacramentos. Por isso, do ponto de vista protestante, presume-se que os católicos autorizados a receber a Eucaristia na Igreja Católica estejam em plena comunhão com a Igreja Católica. Assim, quando se conhece dissidentes católicos autorizados a receber a Eucaristia na Igreja Católica, qualquer posição dissidente que afirmem, mesmo que logicamente incompatível com o ensinamento do Magistério, parece, portanto, aos protestantes que levantam essa objeção como aceitável dentro da Igreja Católica, dirigir a objeção “Católicos são divididos também”. Mas, por razões explicadas acima, quando um bispo, seja por razões pastorais justificadas, desconhecidas para nós ou mesmo por covardia, escolhe não excomungar um católico que dissuada publicamente do ensino católico, a unidade da fé católica permanece, no entanto, intacta. O discordante separa-se da fé única da Igreja por sua dissensão, e o fato de receber a Eucaristia não torna sua dissidência parte do ensinamento magisterial ou parte da única fé da Igreja. Uma segunda razão pela qual é compreensível que os protestantes levantem essa objeção é que, uma vez que não há magistério protestante para fornecer um corpo de doutrina autoritativo e singular pelo qual os protestantes pudessem desfrutar de um vínculo de unidade na fé, dentro do Protestantismo, a única maneira de determinar a unidade de fé é examinar a gama de crenças mantidas pelos protestantes e determinar o que é comum em comum. Acordo relativo à fé ocorre dentro de uma denominação protestante formada por pessoas reunidas, compartilhando a mesma interpretação da Escritura, posteriormente acompanhada por pessoas que compartilham essa interpretação e abandonadas por aqueles que vêm para realizar uma interpretação diferente. Mas enquanto a Igreja Católica ensina que ela é a Igreja que Cristo fundou, quase nenhuma denominação protestante afirma ser a mesma Igreja que Cristo fundou. Cada um delas tipicamente se vê como um ramo dentro da “Igreja Católica”. 21 Nem dentro do Protestantismo pode haver qualquer delineação autoritativa ou definitiva do que pertence aos essenciais e do que não pertence aos essenciais.22 A determinação de uma pessoa sobre o que pertence o essencial e o que não é, é autoritária sobre todos os outros protestantes. Sem um magistério, o que pertence ao essencial e o que não é, portanto, é, em última análise, uma questão de julgamento privado para cada protestante. Por essa razão, as alegações de que os protestantes “concordadam sobre o essencial” são afirmações de que os protestantes concordam sobre o que o próprio demandante determinou ser o essencial, com base em sua própria interpretação das Escrituras. Deste modo, a negação protestante da autoridade magisterial mina até mesmo a autoridade de credos e confissões.23 Por essas razões, portanto, a unidade da fé dentro do protestantismo só pode ser determinada pelo grau de acordo doutrinário entre os protestantes em todas as denominações protestantes. E é por isso que a objeção dos “Católicos são divididos também” surge de um modo protestante de conceber a unidade da fé na Igreja Católica. Uma possível resposta protestante Um protestante poderia responder à minha resposta à objeção dos “católicos são divididos também”, alegando que os protestantes têm tanta unidade de fé quanto os católicos, porque enquanto a unidade católica da fé deriva do corpo único de doutrina ensinado pelo Magistério, a unidade protestante da fé deriva do corpo único de doutrina ensinado pela Bíblia. O protestante poderia afirmar que, da mesma forma que os católicos que discordam ou não compreendem o Magistério se separam da unidade da fé católica, os protestantes que discordam ou entendem mal a Bíblia se separam da unidade da fé protestante, mesmo quando permanecem membros visíveis de uma comunidade eclesial protestante. Em outras palavras, como um católico pode apontar para o Catecismo da Igreja Católica para mostrar a fé única da Igreja, o protestante poderia simplesmente apontar para a Bíblia como a fonte e evidência da unidade da doutrina protestante. Deste modo, o interlocutor protestante poderia tentar reivindicar a paridade entre a unidade da fé católica e a unidade da fé protestante. Há vários problemas com essa resposta. Primeiro, desconsidera a diferença relevante entre pessoas e textos, como já expliquei em outro lugar.24 Por causa dessa diferença, a unidade de fé possuída pela Igreja Católica é uma unidade real mantida no presente por um Magistério vivo, enquanto a unidade da fé referida por esta resposta protestante é apenas uma unidade potencial, porque a Escritura deve ser interpretada, e dentro do Protestantismo não há magistério vivo para resolver a multiplicidade de divergências interpretativas. A unidade da Escritura como não interpretada não constitui uma unidade do depósito apostólico interpretado. O primeiro é uma unidade potencial que poderia, na verdade, levar a muitas crenças contrárias, e de fato o fez. No caso católico, em contraste, a unidade da fé está localizada na interpretação através do órgão autoritativo de interpretação, não apenas no texto da Escritura. Por essa razão, a unidade da fé no nível da interpretação não é compatível com muitas fés contrárias, e, portanto, não é comparável com a unidade potencial da fé contida na Escritura somente como não interpretada. Em segundo lugar, esta resposta protestante não é apoiada pela história da Igreja primitiva, como que a Igreja primitiva acreditasse que Cristo estabeleceu a Sua Igreja para ser perpetuamente preservada em unidade visível por meio do livro da Bíblia Protestante sem qualquer órgão magisterial para estabelecer definitivamente disputas doutrinais ou interpretativas, ao contrário do que vemos nos primeiros quatro séculos da história da Igreja e dos primeiros concílios ecumênicos. Terceiro, a observação empírica testemunha claramente a diferença entre a unidade de fé possuída por aqueles católicos que se submetem inteiramente ao ensino do Magistério vivo, e uma alegada unidade de fé possuída por todos aqueles protestantes que de boa fé procuram submeter-se à Escritura à parte a orientação do Magistério. Os protestantes não podem apontar para nenhuma comunidade protestante em particular como a Igreja que Cristo fundou e que preserva fielmente o depósito apostólico. Protestantes individuais podem fazer tal identificação apenas determinando qual comunidade eclesial existente mais se aproxima de sua própria interpretação do significado da Escritura. O protestantismo tampouco é capaz de fornecer uma lista definitiva ou exaustiva dos fundamentos da fé, ou uma base de princípios pela qual todas as pessoas de boa vontade possam distinguir, em cada caso, entre o que é essencial e o que não é. O católico não tem um problema correspondente precisamente porque a identidade da Igreja Católica é definida por meio da comunhão com o próprio Magistério, pelo qual o conteúdo da fé única é determinado autoritariamente e definitivamente.25 Quarto, esta resposta protestante não é apoiada pela história do protestantismo. O estudioso protestante Anthony Lane escreve que para os reformadores A Escritura era “sui ipsius interpres” e o princípio simples de interpretar passagens individuais pelo todo levaria à unanimidade na compreensão. Isso chegou perto de criar novamente a igreja infalível … Foi essa crença na clareza da Escritura que tornou as primeiras disputas entre os protestantes tão ferozes. Essa teoria parecia plausível, enquanto a maioria dos protestantes defendia a ortodoxia luterana ou calvinista, mas o século XVII viu o início da erosão desses monopólios. Mas mesmo em 1530, Casper Schwenckfeld pôde notar cinicamente que “os papistas condenam os luteranos; os luteranos condenam os zwinglianos; os zwinglianos amaldiçoam os anabatistas e os anabatistas condenam todos os outros. ”No final do século XVII, muitos outros viram que não era possível, com base apenas na Escritura, construir uma ortodoxia detalhada que ordenasse assentimento geral. Se a tese da clareza protestante fosse verdadeira, então nos últimos quinhentos anos não deveríamos esperar ver uma explosão de fragmentação em várias seitas protestantes, mas uma união em um corpo de todas as pessoas que de boa fé tentam discernir o significado das Escrituras. . Deste modo, a história da fragmentação protestante nos últimos quinhentos anos é incompatível com a verdade da tese protestante da clareza.27 A multiplicação das seitas aos milhares, enquanto cada um de boa fé tenta interpretar a Bíblia corretamente, ou falsifica a tese dos protestantes, ou revela que a tese da clareza não tem um discernimento discernível sobre a realidade, porque se de fato ela fosse falsa, não haveria diferença discernível do que há atualmente no grau de fragmentação entre aqueles que presumem sua verdade. Por essa razão, a posição protestante não tem resposta adequada à seguinte pergunta: se as Escrituras não eram, de fato, suficientemente claras para a unidade que Cristo pretendia que Sua Igreja tivesse entre Sua Ascensão e Sua Parusia, e toda a fragmentação dos cristãos era de fato evidência de que as Escrituras não são suficientemente claras para a unidade que Cristo pretendia que Seus seguidores tivessem nesta era atual, como saberíamos? Tratar a tese da clareza protestante como não comprovada pelos últimos quinhentos anos de fragmentação protestante trata a tese como compatível com a vinda à existência de um milhão de seitas cristãs adicionais, cada uma baseando-se nas Escrituras e cada uma mantendo uma posição teológica incompatível com todas as outras e permanecendo divididas e em desacordo com as outras não apenas por quinhentos anos, mas um adicional de quinhentos anos, até dez mil anos a mais. Em suma, permite a formação, multiplicação e interminável perpetuação de qualquer número de seitas cristãs, cada uma baseando-se nas Escrituras, e cada uma chegando a interpretações incompatíveis com todas as outras. O católico, no entanto, nem sequer se depara com uma questão comparável, porque a própria idéia de milhares de seitas católicas dividindo-se umas das outras e discordando das outras sobre o que o Magistério ensina, cada uma de boa fé tentando se submeter ao Papa Bento XVI, é inimaginável. Novamente, isso se deve à diferença ontológica entre pessoas e textos, explicada no link fornecido na nota de rodapé # 16. O pluralismo interpretativo perpétuo e generalizado e a fragmentação visível nos últimos quinhentos anos entre aqueles que procuram ser guiados pela Escritura à parte de uma autoridade interpretativa divinamente estabelecida indicam que a Escritura não foi planejada para funcionar desta maneira como o meio pelo qual a oração de Cristo João 17 para a unidade visível de todos os Seus seguidores devesse ser preservada. Conclusão A unidade sobrenatural com a qual Cristo dotou Sua Igreja é o objetivo do amor, e dessa forma essa unidade sobrenatural está no coração do evangelho de Cristo. É por isso que a unidade é a primeira marca da “Igreja una, santa, católica e apostólica” fundada por Cristo. Como o mundo saberá que somos Seus discípulos pelo nosso amor, então esse amor será evidente através da nossa união. Essa unidade, portanto, sempre atrairá os homens para si como parte das boas novas do evangelho. Quando isso acontece, significa a presença do evangelho de Cristo. A objeção dos “Católicos são divididos também” procura minar esta razão para se tornar católico afirmando que a unidade católica não é maior do que a condição dividida evidente dentro do protestantismo. Aqui eu mostrei tanto que os desacordos entre os católicos se enquadram em duas categorias gerais, e como nenhuma das categorias de desacordo diminui a unidade essencial da Igreja ou a unidade de fé que é um dos três laços da unidade da Igreja. Eu também forneci algumas razões mostrando porque o Protestantismo não tem e não pode fornecer uma resposta paralela estabelecendo uma paridade de unidade de fé com base apenas nas Escrituras. A unidade visível que o mundo tem para ver nos que seguem a Cristo só pode ser obtida através da comunhão com a autoridade magisterial que Cristo autorizou e estabeleceu em Sua Igreja para a preservação dessa unidade até que Ele retorne. Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que hão-de crer em mim por meio da sua palavra; para que sejam todos um, como tu, Pai, o és em mim, e eu em ti, para que também eles sejam um em nós (pela união do amor e da fé), a fim de que o mundo creia que tu me enviaste. Eu dei-lhes a glória que tu me deste, para que sejam um, como também nós somos um. Eu (estou) neles, e tu (estás) em mim, para que sejam consumados na unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste, e que os amaste, como amaste também a mim (São João XVII, 20-23) 1-Veja, por exemplo, o artigo de Scott McKnight “De Wheaton a Roma: Por que os evangélicos se tornam católicos romanos”, discutido aqui. [↩] 2-Veja, por exemplo, este artigo., esse artigo. [↩]. 3-Mt. 28:18 Ps. 89: 4, 29; 132: 11; Dan 7: 13-14. [↩] 4-Cf. CCC 567 e815. [↩] 5-São Mateus 16:19 Veja também Satis Cognitum, 11, e “A cátedra de Pedro.” [↩] 6-Veja Catecismo da Igreja Católica, paras. 813 – 816. [↩] 7-Entrada na Enciclopédia Católica “Unidade (como marca da Igreja).” [↩] 8-Veja “Christ Founded a Visible Church.” [↩ 9-Satis Cognitum, 4. [↩] 10-Mystici Corporis Christi, 14. [↩] 11-Estes três vêm dos últimos três parágrafos da Profissão de Fé. Veja também o comentário doutrinário do CDF sobre os últimos três parágrafos da Profissão de Fé, assim como o Ad Tuendam Fidem, todos incluídos no mesmo link. Veja também os Canons 750-752 no Código de Direito Canônico. Os diferentes graus de certeza que pedem diferentes graus de assentimento não devem ser confundidos com a “hierarquia das verdades”, como explicado por Douglas Bushman em ““Understanding the Hierarchy of Truths.”. [↩] 12-O bispo Paprocki, de Springfield, Illinois, esclarece a distinção entre princípios vinculativos e julgamentos prudenciais em sua homília October 7, 2012 Red Mass Homily. [↩] 13-Ver, por exemplo, Taylor Marshall, Contos de Canterbury, “A Doutrina Tomista da Predestinação Calvinista?”, disponível here. [↩] 14-Podemos ver esse mesmo princípio de unidade-diversidade nos muitos ritos litúrgicos diferentes, nos quais os mesmos sete sacramentos são celebrados. [↩] 15-A culpabilidade pela discordância ou mal-entendido do magistério é uma questão separada da questão “Os católicos são divididos também?”, E eu não a abordo neste ensaio. [↩] 16-Veja III. Persons and Textsna minha resposta a Michael Horton. [↩] 17-Deixando de lado a questão da culpabilidade, a gravidade objetiva do desvio de um católico da fé católica depende tanto da importância relativa do ensino rejeitado na “hierarquia das verdades” e dos três graus de assentimento, quanto da proporção da fé católica. rejeitada. [↩] 18-Veja“The Holiness of the Church.” [↩] 19-Vale também ressaltar aqui que a participação na unidade do vínculo de fé não significa que cada pessoa que professa verdadeiramente a totalidade da fé católica esteja em estado de graça. A heresia formal não é o único pecado grave e, portanto, é possível manter a fé católica enquanto comete um pecado mortal (por exemplo, adultério) ou permanecer em um estado de arrependimento depois de ter cometido um pecado mortal. A perda da graça santificante e ágape através do cometimento do pecado mortal não implica uma perda de fé propriamente, apenas a fé viva, através da perda do ágape que faz a fé estar viva. Veja a seção intitulada “Membros da Igreja Militante” na relevant section do Catecismo do Concílio de Trento. [↩] 20-São João 17: 21,23. [↩] 21-Veja“Branches or Schisms?” 22-Veja “Bad Arguments Against the Magisterium: Part IIIA.” [↩] 23-Veja “IV.C. The Delusion of Derivative Authority” em“ Solo Scriptura, Sola 24-Scriptura e a Questão da Autoridade Interpretativa ”. [↩] 25-Veja III. Persons and Texts. [↩ 26-Veja “Tu Quoque.” [↩] 27-A.N.S. Lane, “Escritura, Tradição e Igreja: Uma Pesquisa Histórica”, Vox Evangelica, Volume IX – 1975, pp. 44, 45. [↩] 28-Veja The Bible Made Impossible, de Christian Smith (Brazos Press, 2012). [↩] Tradução:http://www.calledtocommunion.com/2012/11/the-catholics-are-divided-too-objection/
- O ÚNICO MEDIADOR DE SALVAÇÃO É JESUS CRISTO
I TIMÓTEO 2.5-6: “Pois há um só Deus e também um só MEDIADOR entre Deus e os homens: UM HOMEM: CRISTO JESUS, que Se entregou para RESGATAR a todos. Este é o testemunho que foi prestado nos tempos estabelecidos…” (cf. Gálatas 4,4). UM HOMEM JESUS CRISTO = O ÚNICO MEDIADOR DE REDENÇÃO! Vejamos o que realmente proclama o apóstolo Paulo: Por sua Encarnação – assumindo a natureza humana – no seio de Maria virgem, A PESSOA DO VERBO DIVINO (JESUS) se torna O MEDIADOR ÚNICO de REDENÇÃO da humanidade. Desta forma, no sentido primário, somente JESUS é nosso MEDIADOR. E JESUS se faz nosso MEDIADOR ÚNICO DE REDENÇÃO assumindo a natureza humana herdada de Maria: “…acerca de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, descendente de Davi quanto à carne” (Romanos 1,3). JESUS é, portanto, descendente de DAVI por parte de JOSÉ (descendência legal) e por parte de MARIA (descendência biológica). Biologicamente, JESUS CRISTO se liga a ABRAÃO e a DAVI por MARIA, de quem ele recebe a natureza humana. Nós – pecadores – tínhamos um débito infinito com DEUS e somente alguém que tivesse méritos infinitos poderia pagar essa dívida… Este alguém é JESUS CRISTO… CRISTO JESUS é DEUS e HOMEM ao mesmo tempo em sua única PESSOA: A PESSOA DO FILHO DE DEUS – VERBO ETERNO: 2.ª PESSOA DA SANTÍSSIMA TRINDADE. Sendo DEUS, JESUS tinha mérito infinito. Sendo HOMEM, JESUS assumiu as nossas culpas, pagando-as na Cruz do Calvário. Ou seja, era necessário que O FILHO DE DEUS assumisse a natureza humana para pagar a dívida infinita do homem para com DEUS. Reafirmando, pois, é por meio de MARIA VIRGEM (Isaías 7,14; Mateus 1,23) que O MEDIADOR JESUS entra na história dos homens: “E o VERBO se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1,14). MARIA é pois “medianeira” desta graça de méritos infinitos: A ENCARNAÇÃO DO VERBO. Não há dúvida alguma: é por intermédio de MARIA que JESUS CRISTO se fez HOMEM e se tornou O NOSSO ÚNICO MEDIADOR DE REDENÇÃO. UM SÓ MEDIADOR – “UM” = na sua individualidade (2.ª PESSOA DA SANTÍSSIMA TRINDADE – O VERBO ETERNO QUE SE ASSUME A NATUREZA HUMANA). MEDIADOR – grego “MESISTES” (“mesithV”) – um elo para refazer/reconciliar a amizade entre Deus e a humanidade perdida pelo pecado (cf. Gálatas 3,20). IMPORTANTE: para São Paulo a MEDIAÇÃO de CRISTO só é possível pela ENCARNAÇÃO DO VERBO (por sua natureza humana herdada de Maria). Assim, pelo contexto, São Paulo está nitidamente defendendo que MARIA é verdadeira MÃE DA PESSOA DE JESUS CRISTO, presente no tempo, na história! JESUS CRISTO é Verdadeiro DEUS e Verdadeiro HOMEM. “Mas quando veio A PLENITUDE DOS TEMPOS, DEUS ENVIOU SEU FILHO, QUE NASCEU DE UMA MULHER e nasceu submetido a uma lei, A FIM DE REMIR OS QUE ESTAVAM SOB A LEI, PARA QUE RECEBÊSSEMOS A SUA ADOÇÃO.” Perceberam que a nossa REDENÇÃO e ADOÇÃO como FILHOS e FILHAS de DEUS só se faz possível pela ENCARNAÇÃO DA PESSOA DO VERBO (JESUS CRISTO) NO SEIO DE MARIA VIRGEM? Na História da Salvação, Maria é porta a Jesus e porta para Jesus. #Cristologia #Igreja
- RESSURREIÇÃO
É madrugada, há um silêncio no ar por um instante, o soluço parou a tristeza dormiu e o pranto cessou! Na barra do novo dia brilha sorridente o sol da alegria. O ventre da terra contraiu-se a natureza gemeu em santo parto reuniram-se todos os átomos da força energética da vida… O Pai é o parteiro presente anjos e mulheres o auxiliam os guardas, homens armados cochilam frágeis e inofensivos. Poderosos: sacerdotes, Herodes, Pilatos… Com o remorso do crime no estômago, sofrem pesadelos. O túmulo rompeu-se e a pedra rolou! Eis que de pé, vitorioso renasce Jesus! Do infinito parto da Natureza e do Céu ressurge livre, vencedor o Filho Amado. Ontem matado e enterrado. Termina, enfim, a teimosia cansativa entre o homem e seu criador alguns lençóis, placentas inúteis, restos da morte que agoniza faixas manchadas do pecado vencido. Voam pelo ar, no chão em festa, feito jardim por onde passeia sorridente o Jardineiro imortal. Tudo é surpresa e espanto tudo é certeza e encanto. Os convidados e seguidores cantam alvíssaras Maria, a mulher símbolo suspira aliviada e segura uma lágrima feliz terá corrido rápida fazendo ponto final, no seu papel genial por ela somos benditos também, quem não diria Amém? Enquanto os filhos da morte envergonhados, insistem em combater de boca em boca, de casa em casa, de nação em nação corre veloz a notícia feliz: “Jesus ressuscitou!!!” Quem crê, saia depressa, correndo atrás de Madalena, de Pedro, de João… A vitória será sempre da VIDA! E cada esforço, cada luta, cada gota de sangue derramado pela Justiça não terá sido em vão… A última palavra será: RESSURREIÇÃO! (Zé Vicente) #Igreja
- “ERRAIS, NÃO COMPREENDENDO AS ESCRITURAS NEM O PODER DE DEUS” (Marcos 12,24)
“Jesus respondeu-lhes: ERRAIS, NÃO COMPREENDENDO AS ESCRITURAS NEM O PODER DE DEUS” (Marcos 12,24). Analisando o verso à luz de seu contexto: O versículo está inserido na tentativa dos saduceus em desacreditar A RESSURREIÇÃO DOS CORPOS, bem como a existência de qualquer tipo de vida no além-túmulo; Jesus defende a doutrina da ressurreição dos corpos, sem, contudo, defender que os casamentos realizados na realidade do debaixo do sol continuariam na vida depois da morte; Jesus vai demolir o uso da Escritura – uso de um texto isolado, por parte dos saduceus, indagando os representantes do grupo: “Não estais errados, desconhecendo tanto AS ESCRITURAS como O PODER DE DEUS?” (Marcos 12,24). A resposta é positiva, os saduceus desconhecem tanto as Escrituras como também o grandioso poder de JAVÉ. – Em Marcos 12,24, Jesus vai caracterizar o erro catastrófico dos sectários saduceus. Qual foi este erro no patamar escriturístico?! Exatamente o de aplicar Deuteronômio 25,5-6 (Lei do levirato) para definir ou estabelecer uma realidade na vida no pós-morte. Quer dizer, usaram um texto para negar outros do Antigo Testamento que defendiam claramente a ressurreição dos corpos. E os saduceus faziam isso, sobretudo, negando o poder de Deus: JAVÉ pode perfeitamente providenciar a ressurreição sem a necessidade de continuidade do instituto do matrimônio. JAVÉ tem o poder de ressuscitar os corpos sem que a continuidade do casamento seja necessário. Por isso, YESHUA derruba a falsa e hipotética argumentação dos saduceus de que o matrimônio teria continuidade no além-túmulo. JESUS vai defender a ressurreição dos mortos a partir de um texto do Pentateuco – o episódio da Sarça Ardente – Êxodo 3, pois, para os saduceus somente a Torá era inspirada: aquele que argumenta com base na Escritura (Deuteronômio 25,5-6) deve conhecer as Sagradas Letras como um todo orgânico, inclusive o Pentateuco. Não se deve pegar um texto de maneira equivocada ou isolada. Agindo assim os saduceus estavam trabalhando em grande erro. Implicitamente, a ressurreição dos corpos poderia ser encontrada em passagens como o Salmo 16,9-11 (vide Atos 2,27-31); Daniel 12,2; Jó 14,14; 19,25-27; Salmo 17,15; 73,23-26; Isaías 26,19; Ezequiel 37,1-14; Oseias 6,2; 13,14 (vide 1 Coríntios 15,55). O Salmo 73,23-26 proclama que a felicidade do justo é eterna e contínua: a vida de um homem de fé estará sempre nas mãos de JAVÉ que o permanece abençoando mesmo depois da morte física. YHWH não é Deus de mortos [seres inexistentes], porém de vivos – almas viventes (cf. Marcos 12,27). JAVÉ disse: “Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó” (Êxodo 3,6). Tais palavras só tem sentido porque os três patriarcas citados estão bem vivos após a morte física, pois YHWH não é Deus de mortos. E estando vivos, os três patriarcas aguardam a recompensa para os corpos mortais. Para Jesus os justos/santos – tanto debaixo como na realidade do acima do sol, vivem para Deus – Eles VIVEM e por isso participarão da ressurreição de entre os mortos. “VIVEM” = presente do indicativo. YHWH se revela como “O DEUS DE ABRÃO…”, ou seja, como o Deus único, eterno e imutável, cuja bênçãos continuam na vida do crente mesmo depois que este deixa a vida física (Salmo 16,10-11; 17,5; 73,23-26). Na concepção bíblica o corpo humano não é apenas uma prisão, um tronco que aprisiona a alma. Jesus veio para resgatar o pessoa humana completa: corpo e alma. A pessoa humana entregue a Deus é um Templo do Espírito de Javé (1 Coríntios 6,13-20). YHWH ama a pessoa humana por completo e assim a enriquece tanto com bênçãos espirituais como materiais (Deuteronômio 28,1-14; Neemias 9,21-25; Salmo 104,15-15; 107; 136). Em Marcos 12,26-27 a palavra DEUS ocorre três vezes de forma separada e em ligação com cada um dos três mencionados patriarcas: ABRAÃO, ISAAC e JACÓ, o que caracteriza e enfatiza o relacionamento individual, particular de Javé com cada um dos três justos. “ELES VIVEM!” YHWH não deixará os corpos dos justos entregues à Morte. Jesus proclama para os saduceus que manipular as Escrituras em proveito próprio é viver como se estivessem “enganando a si mesmos”. O comportamento dos saduceus era um contínuo afastar dos Escritos Sagrados, mesmo se os textos estivessem na ponta da língua e sendo objetos de profundos e diários estudos. Os saduceus usaram a Escritura para causar uma briga/discussão teológica com Jesus. Os saduceus ridicularizavam os fariseus por acreditarem na ressurreição. Pensavam que a vida dos ressurretos presumiria o retorno da vida conjugal como uma extensão da vida do debaixo do sol. A lógica dos saduceus simplesmente propõe a poliandria. Os saduceus pensaram que Jesus estava fechado num beco sem saída. Contudo, a resposta de Jesus desmorona as pretensões deles, pois estavam simplesmente a manipular as Escrituras: poderiam até praticar o estudo profundo dos textos, todavia a compreensão era zero. O ERRAR na Bíblia vai além de uma simples falha desculpável de assimilação: é um desvio de fé, uma negação da VERDADE. NEGAÇÃO DA VERDADE = NEGAÇÃO DO PRÓPRIO CRISTO! Saduceus e fariseus da época de Jesus viviam alardeando porções e mais porções das Escrituras, mas o compreender das Sagradas Letras estavam bem distantes. Eles erram não conhecendo AS ESCRITURAS e O PODER DE DEUS. Assim tem sido até hoje entre os sectários. É DEUS MESMO QUEM DESATA PARA NÓS AS SUAS PALAVRAS PROFÉTICAS. A ressurreição acima de tudo é um milagre a ser providenciado pelo Poder de Deus! Porque os patriarcas continuam bem vivos após a morte física, eles ressuscitarão, participarão da RESSURREIÇÃO DENTRE OS MORTOS. #Bíblia #Igreja
- SALMODIAREI COM O ESPÍRITO, SALMODIAREI COM A MENTE (Santo Ambrósio, bispo)
O que há de mais agradável que um salmo? Davi já bem dizia: Louvai ao Senhor, porque é bom o salmo; a nosso Deus, alegre e belo louvor. E é verdade! O salmo é a bênção para o povo, a glória de Deus, o louvor da multidão, o aplauso de todos, a palavra do universo, a voz da Igreja, a canora confissão da fé, a devoção cheia de valor, a alegria da liberdade, o clamor do regozijo, a exultação da alegria. O salmo abranda a ira, desfaz a preocupação, consola na tristeza. Ele é a proteção noturna, o diurno ensinamento, um escudo no temor, uma festa na santidade, a imagem da tranquilidade, o penhor de paz e de concórdia, fazendo, à semelhança da cítara, um só cântico de muitas e diferentes vozes. Na aurora do dia, ressoa o salmo. Repercute o salmo ao cair da noite. Rivalizam no salmo a doutrina e a graça: ao mesmo tempo canta-se para deleite e aprende-se para instrução. O que é que não te ocorre ao ler os salmos? Neles leio: Cântico para o amado e logo me inflamo de desejo da sagrada caridade. Neles encontro a graça das revelações, os testemunhos da ressurreição, os dons da promessa. Por eles aprendo a evitar o pecado, desaprendo de envergonhar-me da penitência pelas minhas faltas. O que é o salmo senão o instrumento das virtudes com que o venerável Profeta, tangendo-o com a palheta do Espírito Santo, faz ressoar pelo mundo a doçura da música celeste? Ao mesmo tempo em que ele, coordenando por meio de liras e cordas, isto é, das coisas mortas, a distinção dos diversos sons, dirigia o cântico do divino louvor para as realidades supremas. Ensinava com isso, em primeiro lugar, que devíamos morrer ao pecado e, em seguida, discernir em nossa vida mortal as várias obras de virtude pelas quais nossa gratidão se eleva até Deus. Davi ensinou que devemos cantar no íntimo de nós mesmos, salmodiar no íntimo, como Paulo cantava, pois dizia: Orarei com o espírito, orarei com a mente; salmodiarei com o espírito, salmodiarei com a mente. Ensinou também que devíamos ordenar nossa vida e seus atos para a visão das realidades superiores, a fim de que o gosto pela doçura não excite os instintos do corpo, com os quais não se redime nossa alma, ao contrário se torna pesada. E, no entanto, o santo Profeta lembra-se de salmodiar para a redenção de sua alma, quando diz: Salmodiarei a ti, ó Deus, na cítara, Santo de Israel; ao cantar a ti jubilarão meus lábios e minha alma que remiste. (Dos Comentários sobre os Salmos, de Santo Ambrósio, bispo – Ps.1,9-12: CSEL 64,7.9-10 – Séc. IV). #Igreja #Patrística
- JESUS ESTÁ NO MEIO DE NÓS! (Santo Agostinho)
Nossa vida desceu para esta terra e levou embora a morte, matou a morte com a abundância da vida: e Ele reclamou chamando-nos para voltar para Ele, para aquele local secreto do qual Ele viera direto para nós – primeiro no útero da Virgem, no qual a humanidade uniu-se a Ele, nossa carne mortal, nem sempre destinada a ser mortal. Ele não tardou, mas apressou-se, chamando-nos por sua morte e sua vida, por sua vinda e sua ascensão, para voltarmos a Ele. E Ele retirou-se de nossa visão para que pudéssemos voltar ao nosso próprio coração e encontrá-lo. Como Ele se afastou, ainda está próximo. Ele não está conosco e nunca nos deixou. (Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja). #Igreja #SantoAgostinho
- NOSSA ORAÇÃO É PÚBLICA E UNIVERSAL (São Cipriano, bispo e mártir)
Antes do mais, o Doutor da paz e Mestre da unidade não quis que cada um orasse sozinho e em particular, como rezando para si só. De fato, não dizemos: Meu Pai que estais no céus; nem: Meu pão dai-me hoje. Do mesmo modo não se pede só para si o perdão da dívida de cada um ou que não caia em tentação e seja livre do mal, rogando cada um para si. Nossa oração é pública e universal e quando oramos não o fazemos para um só, mas para o povo todo, já que todo o povo forma uma só coisa. O Deus da paz e Mestre da concórdia, que ensinou a unidade, quis que assim orássemos, um por todos, como ele em si mesmo carregou a todos. Os três jovens, lançados na fornalha ardente, observaram esta lei da oração, harmoniosos na prece e concordes pela união dos espíritos. A firmeza da Sagrada Escritura o declara e, narrando de que maneira eles oravam, apresenta-os como exemplo a ser imitado em nossas preces, a fim de nos tornarmos semelhantes a eles. Então, diz ela, os três jovens, como por uma só boca, cantavam um hino e bendiziam a Deus. Falavam como se tivessem uma só boca e Cristo ainda não lhes havia ensinado a orar. Por isto a palavra foi favorável e eficaz para os orantes. De fato, a oração pacífica, simples e espiritual, mereceu a graça do Senhor. Do mesmo modo vemos orar os apóstolos e os discípulos, depois da ascensão do Senhor. Eram perseverantes, todos unânimes na oração com as mulheres e Maria, a mãe de Jesus, e seus irmãos. Perseveravam unânimes na oração, manifestando tanto pela persistência como pela concórdia de sua oração, que Deus que os faz habitar unânimes na casa, só admite na eterna e divina casa aqueles cuja oração é unânime. De alcance prodigioso, irmãos diletíssimos, são os mistérios da oração dominical! Mistérios numerosos, profundos, enfeixados em poucas palavras, porém, ricas em força espiritual, encerrando tudo o que nos importa alcançar! Rezai assim, diz ele: Pai nosso, que estais nos céus. O homem novo, renascido e, por graça, restituído a seu Deus, diz, em primeiro lugar, Pai!, porque já começou a ser filho. Veio ao que era seu e os seus não o receberam. A todos aqueles que o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, aqueles que creem em seu nome. Quem, portanto, crê em seu nome e se fez filho de Deus, deve começar por aqui, isto é, por dar graças e por confessar-se filho de Deus ao declarar ser Deus o seu Pai nos céus. (Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir – Nn. 8-9: CSEL 3,271-272 – Séc. III). #Igreja #Patrística
- BROTE A ORAÇÃO DO CORAÇÃO HUMILDE (São Cipriano, bispo e mártir)
Haja ordem na palavra e na súplica dos que oram, tranquilos e respeitosos. Pensemos estar na presença de Deus. Sejam agradáveis aos olhos divinos a posição do corpo e a moderação da voz. Porque se é próprio do irreverente soltar a voz em altos brados, convém ao respeitoso orar com modéstia. Por fim, ensinando-nos, ordenou o Senhor orarmos em segredo, em lugares apartados e escondidos, até nos quartos, no que auxilia a fé por sabermos estar Deus presente em toda a parte, ouvir e ver a todos e na plenitude de sua majestade penetrar até no mais oculto. Assim está escrito: Eu sou Deus próximo e não Deus longínquo. Se se esconder o homem em antros, acaso não o verei eu? Não encho o céu e a terra? E de novo: Em todo lugar os olhos de Deus vêem os bons e os maus. Quando nos reunimos com os irmãos e celebramos como sacerdote de Deus o sacrifício divino, temos de estar atentos à reverência e à disciplina devidas. Não devemos espalhar a esmo nossas preces com palavras desordenadas, nem lançar a Deus com tumultuoso palavrório os pedidos, que deveriam ser apresentados com submissão, porque Deus não escuta as palavras e sim o coração. Com efeito, não se faz lembrado por clamores Aquele que vê os pensamentos, como o Senhor mesmo provou ao dizer: Que estais pensando de mal em vossos corações? E em outro lugar: E saibam todas as Igrejas que eu sou quem perscruta os rins e o coração. Ana, no Primeiro Livro dos Reis, como figura da Igreja, tem esta atitude, ela que suplicava a Deus não aos gritos, mas silenciosa e modesta, no mais secreto do coração. Falava por prece oculta e fé manifesta, falava não com a voz mas com o coração, pois sabia ser assim ouvida pelo Senhor. Obteve plenamente o que pediu porque o suplicou com fé. A Escritura divina declara: Falava em seu coração, seus lábios moviam-se, mas não se ouvia som algum e o Senhor a atendeu. Lemos também nos salmos: Rezai em vossos corações e compungi-vos em vossos aposentos. Através de Jeremias ainda o mesmo Espírito Santo inspira e ensina: No coração deves ser adorado, Senhor. O orante, irmãos caríssimos, não ignora por certo como o publicano orou no templo, com o fariseu. Não com olhos orgulhosos levantados para o céu nem de mãos erguidas com jactância, mas batendo no peito, confessando os pecados ocultos em seu íntimo, implorava o auxílio da misericórdia divina. Por que o fariseu se comprazia em si mesmo, mais mereceu ser santificado aquele que rogava sem firmar a esperança da salvação na presunção de sua inocência, já que ninguém é inocente; rezava, porém, reconhecendo seus pecados; e atendeu ao orante aquele que perdoa aos humildes. (Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir – Nn.4-6: CSEL 3,268-270 – Séc.III). #Cristologia #Igreja #Patrística
- AS DUAS NATUREZAS DE CRISTO A DEFESA NO CONCÍLIO DE ÉFESO CONTRA A HERESIA NESTORIANA
AS DUAS NATUREZAS DE CRISTO A DEFESA NO CONCÍLIO DE ÉFESO CONTRA A HERESIA NESTORIANA Vamos entender o desenvolvimento e o crescimento de Jesus o homem, o significado que tem para humanidade através de cada ação, cada manifestação do homem Jesus, é uma mensagem para todos nós, a humildade o sofrimento, a dor, a morte. A despeito de formulações como a asserção de que os cristãos, por intermédio da união com senhor encarnado, foram feitos para ser como ele e, assim, deificados, a aspiração pela transformação da natureza humana passiva e finita em natureza eterna, impassível e divina ( Leão Magno Sermões 50. 6-7) era Estranha ao pensamento, se não sempre à linguagem, da teoria que estivemos escrevendo por sua vez sua prontidão em falar das provações e tentações de Jesus —- Mateus 4.1— 11 foi a lição do evangelho para o primeiro domingo da Quaresma (Leão Magno sermões 39.3) — Não Devem ser entendidas como se as lutas morais e o crescimento do Senhor poderiam ter resultado em qualquer coisa, exceto é uma conclusão decidida de antemão; pois Cristo se permitiu ser tentado, não por causa dele mesmo, mas para que pudesse apoiar os homens em suas tentações não só com seu auxílio, mas também com seu exemplo. Nem a profundidade metafísica de uma alternativa nem a sinceridade moral de outra foram decisivas para essa teologia, embora de muitas maneiras ela tivesse uma orientação mais moral que metafísica. Mas na dinâmica da situação polêmica foi essa cristologia da prê-existência, da kenosis e da exaltação que forneceu o vocabulário para uma solução que foi quase automaticamente declarada Ortodoxa, embora fosse quase imediatamente reconhecida como inadequada. O encontro entre a teologia da união hipostática e a teologia da libertação do Logos no íntimo do ser aconteceu na arena do Concílio de Éfeso, em 431. O Concílio de Éfeso, em vez de criar uma nova fórmula do dogmática em resposta ao conflito entre os sistemas cristológicas, reafirmou a autoridade da confissão do Concílio de nicéia (Concílio De Éfeso 431 ata 43) —- como uma fórmula cristológica, não como uma fórmula trinitária. Isso não era simplesmente arcaísmo ou evasão (embora nenhum desses fatores estivesse totalmente ausente), como uma fórmula cristológica, mas o reconhecimento de que o credo niceno respondeu à questão fundamental em jogo entre as teologias as alternativas da Encarnação. Pois não escolheu nem seus atributos nem suas obras com base na distinção entre as duas naturezas, mas simplesmente declarou que a fé “no único senhor Jesus Cristo” e, depois, foi adiante para determinar que o único senhor era tanto homoousios com o pai quanto “sofreu” na crucificação. Não fica claro se a fórmula nicena, dirigida para a questão da relação entre o Divino em Cristo é o Divino no pai, foi elaborada com intenção de ser uma declaração da relação entre o Divino em cristo e o humano em Cristo, mas o Concílio de Éfeso declarou “que não é permitido que ninguém apresente, nem escreva nem com ponha um credo diferente, salvo o que foi atribuído ao Santos pais que estavam reunidos com Espírito Santo em nicéia (Concílio De Éfeso 431). Talvez Pareça que a expressão “credo diferente” se refere ao conteúdo, e não a forma, embora esse Cânon, às vezes, tenha sido entendido com o sentido de que era ilegítimo compor quaisquer credos adicionais ou adicionar algo ao Credo de niceia. No entanto, a reafirmação do credo niceno em Éfeso foi arranjada para constituir uma vindicação da teologia de Cirilo da união hipostática e uma condenação da teologia de nestório da Habitação do Logos no íntimo do ser. Depois de ler o credo niceno, a segunda e mais importante carta de Cirilo contra Nestório foi lida para os pais que, um após o outro, afirmaram que a carta de Cirilo era “ortodoxa e sem falha” ( concílio de Éfeso 431, epístola de Celestino 5) e concordava com a fé dos 318 pais de nicéia, quando, por sua vez, a resposta de Nestório a essa carta foi lida, foi decidido que esta divergia do credo e, por isso, tinha de ser condenada como “totalmente estranha à Fé Apostólica e evangélica, flagelada com muitas blasfémias estranhas”( epístola de Celestino 5; atos). Os pais, em intenção se não em todos os detalhes, juntaram-se à posição de que “o Logos de Deus pai e estava unida carne de forma hipostática [Kath’ hypostasin], e com sua própria carne Ele é o único Cristo, o mesmo único Deus e homem simultaneamente” (Cirilo epístolas para nestório 3.12.2). Era errado atribuir algumas das declarações de Cristo sobre si mesmo ou as declarações dos Santos a respeito dele a uma ou outra hipóstase, em vez ao único Cristo (Concílio de Éfeso, Cirilo de Alexandria epístolas para Nestório 3.12.4). Foi o Logos mesmo que “sofreu na carne e foi crucificado na carne experimentou a morte na carne”; na verdade, “ele, como Deus, é tanto a vida quanto o doador de vida (Cirilo epístolas para Nestório 3.12.12) e, todavia, esse mesmo Cristo, por intermédio da Ressurreição, tinha se tornado “o primogênito dos Mortos”. O concílio aprovou a segunda carta de Cirilo, com sua fórmula de União hipostática, “mas, com certeza, não deveríamos procurar uma definição filosófica nessa expressão que pretendia meramente expressar a realidade da União em Cristo em contraposição a uma interpretação puramente moral e acidental que o sínodo tinha presumido ser o ensinamento do outro lado” (Grillmeier 1965 página 416 -17) a legislação do Conselho de Éfeso, em um ponto, estabeleceu a precisão na terminologia: o sínodo reunido na grande igreja dupla de Santa Maria, em Éfeso ( concílio de Éfeso, Epístola de Celestino 4), proclamou Maria Theotokos ( Concílio de Éfeso, Cirilo de Alexandria Epístolas para Nestorio 2.7). #Patrística #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #ConcíliodeCalcedônia #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Cristologia #Igreja
- A ÁRVORE DA JUSTIÇA – 11º Domingo do Tempo Comum
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “A conversão de São Francisco de Assis”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Ezequiel 17, 22-24) A árvore frondosa da Justiça Assim diz o Senhor Deus: “Eu mesmo tirarei um galho da copa do cedro, do mais alto de seus ramos arrancarei um broto e o plantarei sobre um monte alto e elevado. Vou plantá-lo sobre o alto monte de Israel. Ele produzirá folhagem, dará frutos e se tornará um cedro majestoso. Debaixo dele pousarão todos os pássaros, à sombra de sua ramagem as aves farão ninhos. E todas as árvores do campo saberão que eu sou o Senhor, que abaixo a árvore alta e elevo a árvore baixa; faço secar a árvore verde e brotar a árvore seca. Eu, o Senhor, digo e faço”. SALMO 91 O justo crescerá como a palmeira (Antífona): Como é bom agradecermos ao Senhor! Como é bom agradecermos ao Senhor e cantar salmos de louvor ao Deus Altíssimo! Anunciar pela manhã vossa bondade, e o vosso amor fiel, a noite inteira. O justo crescerá como a palmeira, florirá igual ao cedro que há no Líbano; na casa do Senhor estão plantados, nos átrios de meu Deus florescerão. Mesmo no tempo da velhice darão frutos, cheios de seiva e de folhas verdejantes; e dirão: “É justo mesmo o Senhor Deus: meu Rochedo, não existe nele o mal!” SEGUNDA LEITURA DA MISSA (2Coríntios 5, 6-10) Os justos “florescem” pela fé Irmãos: Estamos sempre cheios de confiança e bem lembrados de que, enquanto moramos no corpo, somos peregrinos longe do Senhor; pois caminhamos na fé e não na visão clara. Mas estamos cheios de confiança e preferimos deixar a moradia do nosso corpo, para ir morar junto do Senhor. Por isso, também nos empenhamos em ser agradáveis a ele, quer estejamos no corpo, quer já tenhamos deixado essa morada. Aliás, todos nós temos de comparecer às claras perante o tribunal de Cristo, para cada um receber a devida recompensa – prêmio ou castigo – do que tiver feito ao longo de sua vida corporal. EVANGELHO (São Marcos 4, 26-34) A árvore frondosa da Igreja Naquele tempo, Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”. E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”. Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo. A ÁRVORE DA JUSTIÇA (Comentário de Scott Hahn) Na mensagem enigmática do profeta Ezequiel, séculos antes da vinda do Senhor, Deus deu ao seu povo uma razão para manter a esperança. Ezequiel tem uma visão do dia em que o Senhor Deus plantou uma árvore na montanha de Israel, uma árvore que produzirá folhagem e dará frutos. Quem poderia prever que essa árvore seria a Cruz do Calvário, e que o fruto seria a salvação? Ezequiel vê antecipadamente a salvação chegando a “todos os pássaros” — não apenas ao povo de Israel, mas também os gentios, que “levantarão voo” através de sua nova vida em Cristo. Deus na verdade “elevará a árvore humilde”, como prometeu solenemente. Esta salvação supera os maiores anseios da humanidade. De maneira que expressamos nosso agradecimento no Salmo: “Como é bom agradecermos ao Senhor!” É realmente bom render-Lhe graças com louvor. O salmista fala dos justos da terra, mas se dirige a Deus como fonte e medida de toda justiça e retidão. Como Ezequiel, propõe a imagem da árvore frondosa para descrever a vida do justo. A imagem, novamente, sugere que a Cruz é a medida de toda justiça. A cruz é um sinal de contradição para aqueles que preferem “florescer” de acordo com o mundo. Como São Paulo enfatiza aos coríntios, precisamos de confiança. A fé nos fortalece e é posta à prova pelas nossas obras. Lembra-nos que seremos julgados pela maneira como nossa fé se manifesta nas obras: “Para cada um receber a devida recompensa – prêmio ou castigo – do que tiver feito ao longo de sua vida corporal”. O próprio Deus nos dará o que é necessário para realizar as obras que Ele quer que façamos, desde que correspondamos à Sua graça. Nos oráculos proféticos, Ele espalha a semente que brota para se tornar a árvore da mostarda, em cuja sombra os pássaros do céu podem se abrigar, assim como Ezequiel a descreve. Jesus transmite essa doutrina aos seus discípulos de uma forma compressível para eles, juntamente com sua explicação. Nos sacramentos, oferece todavia ainda mais: a graça da fé e a confiança de que necessitamos para viver no mundo como filhos de Deus. https://stpaulcenter.com/el-arbol-de-justicia-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-11o-domingo-de-tiempo-ordinario/ https://stpaulcenter.com/tree-of-righteousness-scott-hahn-reflects-on-the-eleventh-sunday-in-ordinary-time/
- Amakusa Shirō, herói dos cristãos perseguidos no Japão
Um dos jesuítas mais intrépidos na evangelizaçãodo Oriente foi sem dúvida São Francisco Xavier, padroeiro das Missões e conhecido por seu heroísmo apostólico em toda a Igreja universal. No entanto o santo navarro profetizou sobre um jovem japonês Amakusa Shirō,desconhecido para a maioria do grande público, que foi um grande herói da fé e cuja façanha merece ser contada pelo que representou em seu momento para o catolicismo no país nipônico. O heroísmo do garoto contra o tirânico Shogun se chegou a comparar com o de Santa Joana D’arc, Tendo lutado até o final em defesa da fé e liderando a resistência católica dando por ela sua vida. Amakusa Shirō filho do partidário Clan Konishi, nasceu em Kami-Amakusa, cidade situada em Kumamoto, Japão, no ano de 1621 e morreu em 1638 com tão somente 17 anos. Também conhecido como Masuda Shirō Tokisada, foi o líder dos católicos que levaram a cabo a rebelião de Shimabara, a ameaça mais importante sobre o shogunato Tokugawa durante mais de 200 anos. Amakusa Shirō liderou a defesa do castelo de Hara. Os historiadores costumam dividir a história do catolicismo no Japão em 3 períodos : o que chamam de o século Cristão (1549-1640), a Igreja das Catacumbas (1640-1886) e o catolicismo atual, (desde então até agora). A evangelização do Japão está muito ligada a um santo espanhol, o jesuíta São Francisco Xavier que com outros 2 companheiros espanhóis Cosme de Torres e Juan Férnandez e alguns padres portugueses, chegaram a Kagoshima no sul do Japão em 15 de agosto (dia da Assunção) de 1549. O Japão vivia então o que em sua história se conhece como “ A Guerra entre os Estados”, um período entre 1467 e 1590 aproximadamente em que os distintos senhores da guerra como os chamados “samurais” ou “damyos” lutavam pelo poder. O Japão era então uma espécie de “Sacro Império” em versão asiática. Ou seja, sua unidade era apenas teórica. Estava fracionado em torno a estados que lutavam entre si com um imperador somente simbólico. Só a partir de 1590 se considera que o Japão passa a estar basicamente unificado. Em finais de 1637, uma rebelião de inequívoco espírito cristão liderada pela figura heróica de Amakusa Shirō, lutará contra o império tirânico e pagão empreendido por Toyotomi Hideyoshi e consolidado pelos dirigentes do shogunato Tokugawa, que governará o País do Sol Nascente até 1868. Voltando aos jesuítas, estes levaram a cabo uma intensa evangelização no Japão e com apoio de alguns príncipes locais conseguiram ir creando uma pequena comunidade católica. São Francisco Xavier profetizaria sobre a futura presença de Amakusa Shirō… O santo navarro realizou um grande trabalho evangelizador no Japão e abandona o país em 1552. Muitos dos convertidos eram “samurais” e membros da pequena nobreza. Até então a evangelização ali a haviam financiado os reinos de Portugal e Espanha. A partir de 1580 um pequeno grupo de jesuítas italianos assume o comando evangelizador e o Padre Alessandro Valignano funda um seminário em Arima. Os jesuítas farão esforços para aprender o japonês e adotar os costumes locais. Como dissemos: São Francisco Xavier havia profetizado sobre o advento de um herói cristão no Japão: “Quando se houverem passado cinco anos, florescerão as árvores secas, flutuarão no céu do poente nuvens de sangue e aparecerá um menino investido de poder divino que trará consigo o renascer da Cristandade japonesa”. Antes que se cumprisse a profecia, em 1582 quatro jovens sacerdotes japoneses são recebidos em Roma pelo Papa Gregório XIII e viajam posteriormente para Espanha, onde são recebidos por Felipe II. Nesta época a comunidade cristã cresce consideravelmente e se estima que em finais do século XVI havia 300.000 cristãos no Japão. Precisamente por causa deles os imperadores japoneses, ou melhor dito , shoguns, ou primeiros-ministros que governavam em seu nome desencadeiam as primeiras perseguições. Em 1637 chega o momento épico dos cristãos no Japão, foi o que se conhece como “Rebelião de Shimawara” onde aparece já a liderança de nosso personagem Amakusa Shiro. A morte violenta da filha de um camponês que não havia pagado ao governo o que devia, fez com que se levantassem em armas os camponeses. A rebelião de indubitável espírito cristão foi ganhando adeptos. As crônicas da época contam como os sublevados luziam orgulhosos os estandartes com lemas cristãos e marianos e como começavam cada jornada pondo-se mas mãos de Deus. O herói e comandante da sublevação foi o adolescente Amakusa Shirō de só 17 anos que demostrou ser um grande Guerreiro. Com uma grande fé em Deus se sentiu chamado a defender os cristãos perseguidos na região e em sua curta idade encabeçou uma revolta dirigindo 30.000 homens que se opunham ao regime despótico e anticristão. Este grupo de entusiastas crentes atacou com valor os castelos dos clãs Teresawa e Hondo e o próprio castelo do shogum local Matsukura mas não puderam conquistá-los, pois apesar de seu arrojo e o ânimo do jovem Shirō enfrentavam um exército muito mais poderoso. Um fator importante foi que os cristãos pediram ajuda aos espanhóis das Filipinas, que também se achavam ameaçados pela poderosa esquadra holandesa e, por desgraça, os espanhóis não puderam prestar ajuda aos cristãos japoneses. Naquela época a Espanha e a protestante Holanda eram 2 poderosos impérios que lutavam a morte tanto na Europa como em todo o mundo. Os cristãos empreenderam a batida sobre uma poderosa fortaleza, o Castelo Hara. O assédio foi absolutamente épico. Os homens de Amakusa Shirō resistiram heróicamente durante meses causando grandes baixas ao exército do Shogum cujo exército era enorme (mais de 125.000 soldados trazidos de todo o Japão) Em 3 de fevereiro de 1638 um pequeno grupo de cristãos matou 2000 inimigos. Finalmente em abril, os cristãos saíram da fortaleza e tentaram um assalto desesperado contra seus inimigos, mas foram derrotados por causa de sua grande inferioridade numérica. Em meados de abril terminou a batalha, rendendo-se os últimos cristãos, que haviam lutado até o fim. De fato morreram quase todos os cristãos naquela batalha. Foi especialmente lamentável que na derrota final cristã tivesse especial importância a participação de um navio de guerra holandês que bombardeou, intensamente o castelo cristão. Amakusa Shiro, após sua captura acabaria sendo decapitado. Sua cabeça foi posta como troféu em uma lança e exposta publicamente em Nagasaki, como advertência perante possíveis sublevações. Sua figura é muito conhecida no Japão, ainda que com freqüência manipulada. Têm numerosas estátuas onde lhe representam com um pássaro na mão, símbolo da liberdade. Atualmente sua figura é um ícone dos filmes e animes japoneses. (Ao menos 5 animes nos últimos anos). Mas com freqüência aparece representando não como um herói senão a um anti herói ou vilão, inclusive a um personagem malvado ou até mesmo um demônio, prova da sectária manipulação da figura do herói e o ódio ao catolicismo. O cristianismo, como antes dissemos sofreu uma total perseguição no Japão que durou até 1885 em que se estabeleceu a liberdade de cultos no país. De fato em 1918 o político católico Hara Takashi foi designado primeiro- ministro. Em nossos dias outro político católico Taro Aso foi nomeado primeiro- ministro em 2008. Hoje se considera que há 500.000 japoneses católicos. Para recapitular vamos recordar as principais perseguições contra os cristãos no Japão. Entre 1587 e 1617 se estima que quase 6000 cristãos japoneses foram assassinados , crucificados, traspassados ou decapitados. Destaca São Pablo Miki martirizado em 1597 que declarou antes de morrer.” Sou japonês e irmão jesuíta. Não cometi nenhum crime. Morro feliz pela causa de Jesus Cristo. Para mim é uma grande bênção. O único modo de salvação é através do caminho cristão”. O mais triste foi que a perseguição aos católicos foi encorajada por algumas potências européias como a Inglaterra , que temiam que o Japão se convertesse em um império católico no Oriente, aliado da Espanha de Felipe II. Em 1619 e 1622 voltaram a acontecer milhares de assassinatos de cristãos, muitos deles queimados vivos entre eles numerosas mulheres e crianças. Em 1614, o governador espanhol das Filipinas, Andrés Pérez Dasmariñas oferece ao príncipe cristão Takayama Ukon ajuda militar para destituir ao imperador mas Ukon se negou. Em 1622 aconteceu o que se conhece como o Grande Martírio de Nagasaki, cidade que sempre será considerada como a capital cristã do Japão. Foi casualidade que sob o presidente Truman, maçom de alto grau, fosse arrasada Nagasaki por uma bomba atômica? É interessante que, semelhante ao que ocorreria entre os povos indígenas da América, a devoção mariana foi muito importante para a conversão dos indígenas ao cristianismo pois esses sentiam uma especial atração pela figura da Virgem. Mais tarde, a partir de 1640 se desatará de novo uma perseguição total aos cristãos do Japão que durará mais de 2 séculos e surgirá o fenômeno dos “kakure”, cristãos que ao ficar sem sacerdotes se ocultam em ilhas remotas e progressivamente vão adotando uma versão sincrética do cristianismo e xintoísmo. Nela consideraram que a Tenchi Maruya ou Virgem Maria foi uma virgem da ilha de Luzón que ao não querer aceder às pretensões do rei da ilha, que a cortejava, subiu aos céus e ali Deus lhe pediu que voltasse à Terra para dar à luz a um menino na cidade de “Berén”. Se considera que havia uns 30.000 kakure mas em 1865, os missionários lhes suplicaram para que voltassem à ortodoxia católica, coisa que só a metade fizeram. _____ Autor: Javier Navascués Fonte:https://infovaticana.com/2018/05/19/amakusa-shiro-heroe-los-cristianos-perseguidos-japon/ Tradução: David & Marina Nesta.
- O MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE
O MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE O auge do desenvolvimento doutrinal da Igreja Primitiva foi o Dogma da Trindade. a igreja, nesse Dogma, vindicou o monoteísmo que tinha estado em debate em seu conflito com o Judaísmo e lidou com o conceito de Logos, sobre o qual tinha disputado com o paganismo. O elo entre a criação e redenção defendida pela igreja contra Marcião e outros gnósticos, recebeu condição de Credo na confissão referente a relação do Pai com o filho; e a doutrina do Espírito Santo, cuja imprecisão foi acentuada pelo conflito com o montanismo, foi incorporada nessa confissão. A doutrina, criada, ensinada e confessada pela igreja católica nos séculos II e III também levou à Trindade, pois o cristianismo, nesse Dogma, traçou a linha que a separava do sobrenaturalismo pagão e reafirma seu caráter como religião da salvação. No entanto, essa declaração sobre a relação dogma niceno da Trindade nos séculos precedentes deu a impressão superficial de um abrandamento maior que os fatos justificavam, pois a fórmulação e a reformulação do dogma foram trazidos à tona pelo debate doutrinal mais rigoroso que qualquer outro já vivenciado pela igreja. A questão central nesse debate é firmado de forma concisa como se segue: “É o divino que aparece na terra e reúne o homem com Deus idêntico ao Divino Supremo e o que governa o céu e a terra, ou é um semideus”? (Harnack [1905], P.192). A carreira de Atanásio foi dominada pela história da controvérsia. E se tornou Bispo de Alexandria e campeão da ortodoxia em 328, três anos depois do Concílio de niceia, e morreu em 373, oito Anos Antes do Concílio de Constantinopla. contudo, em vez de falarmos da conversa de uma forma rigidamente cronológica, vamos nos concentrar as questões doutrinárias, nas posições conflitantes e nas declarações de Credo. Essa concentração também possibilita qualquer referência, exceto as mais Breves, a fatores não teológicos do debate, muitos dos quais pareciam vez após outra preparados para determinar seu resultado e só para ser revogados por outras forças similares a si mesmo. A doutrina com frequência parecia ser a vítima ou o produto da política da igreja e dos conflitos de personalidade quando nos Voltamos para o estudo do desenvolvimento da doutrina da trindade em seus próprios termos Não ligamos esses fatores a uma posição de insignificância, mas só os delegamos A Outra área de pesquisa histórica. COMO A SANTÍSSIMA TRINDADE HABITA EM NOS Deus, ensina Santo Tomás de Aquino, está naturalmente nas criaturas de três maneiras diferentes: por potência, neste sentido que as criaturas estão sujeitas ao seu império; por presença, portanto, vê tudo, até os mais secretos pensamentos da nossa alma, ” todas as coisas estão desnudas e Patentes aos seus olhos”; por Essência, porquanto, opera em toda a parte, e em toda parte é a plenitude do ser e a causa primeira de tudo quanto há de real nas criaturas, comunicando-lhes sem cessar não somente o movimento e a vida, senão também o mesmo que ser: “é nele que temos a vida, o movimento e ser atos 17:28”. Mas a sua presença em nós pela graça eu dei uma ordem muito superior e mais íntima. não é somente a presença do Criador e do conservador que sustenta os seres que criou; é a presença da Santíssima e Adorabilíssima Trindade que a fé nos revela: o pai vem a nós e em nós continua a Gerar o seu verbo; com ele recebemos o filho, perfeitamente igual ao pai, imagem sua viva e substancial, que não cessa de amar infinitamente a seu pai como é dele amado; deste amor recíproco procede o Espírito Santo, pessoa igual ao pai e ao filho, laço muito eles ambos, e contudo distinto de um e de outro. que de maravilhas se não renovam uma alma em estado de graça! O que caracteriza esta presença é que Deus não somente está em nós, senão que se nos dá, para dele podermos gozar, conforme a linguagem dos nossos livros Santos, podemos dizer que, pela graça, Deus se nos dá, como pai, como amigo, como colaborador, como santificador, e que assim é verdadeiramente o próprio princípio da nossa vida interior, sua causa eficiente e exemplar. Na ordem da natureza, Deus está em nós como criador e soberano Senhor, e nós não somos senão seus servos, propriedade é coisa sua. Mas na ordem da Graça, dá-se-nos Ele como, nosso pai, e nós somos seus filhos adotivos privilégio maravilhoso que é a base da nossa vida Sobrenatural. É o que repetem constantemente São Paulo e São João “não recebemos um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos Aba Pai o espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito que somos filhos de Deus” (Romanos 8 15 16) Deus adota-nos, conseguintemente, por seus filhos, e de um modo muito mais perfeito que os homens o fazem pela adoção legal. Estes podem Sem dúvida, transmitir muito bem a filhos adotivos o nome e os bens mas não é sangue e a vida.”A adoção legal, diz com razão O Cardeal mercier, é uma ficção. O filho adotado é considerado pelos pais adotivos como se fosse seu filho e recebe dele na herança à qual houvera tido direito o fruto da sua união; a sociedade reconhece esta ficção e sanciona os seus efeitos; contudo o objeto da ficção não se transforme em realidade… A graça da adoção Divina não é uma ficção… é uma realidade. Deus outorga àqueles que têm fé no seu verbo a filiação Divina, diz São João: “a todos aqueles que o receberam aos que crêem no seu nome deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (João 1. 12). esta a filiação não é nominal é efetiva: “para que sejamos chamados filhos, e nós o somos” (São João 3, 1) entramos em posse da natureza divina: “participante da natureza Divina” (2Pedro 1,4.) COMO A SANTÍSSIMA TRINDADE HABITA EM NÓS É certo que esta vida divina, não é em nós mais que uma participação, “consortes”, uma semelhança, uma assimilação de faz de nós, não deuses, mas seres deiformes. mas nem por isso é menos verdade que é, não uma ficção, se não a realidade, uma vida nova, Não igual, senão semelhante à de Deus, e que segundo o testemunho dos nossos livros Santos, supõe uma nova geração ou regeneração: “Quem não renascer da água e do espírito santo, não poderá entrar no reino de Deus” (Jo 3,5), “mediante o batismo da regeneração e renovação, pelo espírito santo”(Tt. 3,5), “regenerou-nos em nova esperança” (1Pd 1,3), ” por sua vontade é que nos gerou pela palavra da verdade”(Tg1,18). Todas estas expressões mostram que a nossa adoção não é puramente nominal, senão verdadeira e real, se bem que é muito distinta da filiação do verbo encarnado. É por isso que de pleno Direito somos constituídos Herdeiros do Reino Celeste co-herdeiros daquele que é nosso irmão mais velho: “herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo, para que ele seja o primogênito de uma multidão de irmãos”(Tem. 8, 17-20). Não é para repetirmos as palavras tão enternecedoras de São João: “vistes que caridade a do pai, para que sejamos chamados filhos de Deus – e nós o somos”(1Jo2,1). Deus terá, Pois, para conosco a dedicação, a ternura de um pai. ele mesmo se compara à mãe que jamais pode esquecer o seu filhinho: “pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto das suas entranhas? E mesmo que ela esquecesse, eu não te esqueceria nunca” (Is49,15). Sem dúvida, Ele mostrou de sobra, pois que, para salvar os seus filhos perdidos, não hesitou em dar e sacrificar o seu filho unigênito: “tanto amou Deus o mundo, que deu seu filho unigênito, para que todos os que crerem nele não pereçam, mas tenham vida eterna”(Jo 3,16). É neste mesmo amor que o leva a dar-se todo, desde agora e de modo habitual, a seus filhos adotivos, habitando em seus corações: ” se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu pai o amará, e nós víremos a ele e nele faremos nossa morada (Jo 14, 23). Há, pois, em nós como pai que ama ao extremo os seus filhos e dedicadíssimo. #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #SantíssimaTrindade #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Cristologia
- Galileo and the False Accusations Against the Catholic Church.
The Catholic Church being divine in its institution is also human in its instrumentality, therefore one would not expect its members to be perfect. As Ernest Hull S.J. puts it, “The Church is the school of the imperfect.” If all men were perfect, there would be no need instituting a church. If there exist cases where the ever Church passed judgement in error, the case of Galileo is definitely NOT one of them. Sadly the Church is falsely accused, not just by Protestants but also by some “Catholics” who tend to deny the dogma of Papal Infallibility. The impostor John Paul II falsely called “saint” didn’t seem to help matters in 1992. The Body of Christ – the Church – has endured a litany of accusations regarding this issue, hence this article refutes the following errors: 1.) Galileo was persecuted by the Church for teaching Heresy, 2.) Considering the Galileo case, the Pope can never be infallible, 3.) The Galileo case was that of “Science vs Theology.” PERSECUTION OF GALILEO The Church never persecuted Galileo as a heretic, on the contrary, he was admired and praised by the church men especially Pope Urban VIII. Responding to this false claim, the Pope said to Cardinal Zollern (in 1624): “the Church had not condemned, nor was it to be condemned as heretical; but only as rash.” The Jesuit Father, Ernest Hull cites an incident: “A Dominican friar had been on the point of converting certain German nobles to the Church; but when they heard of the prohibition of the Copernician theory, they were entirely repelled. On learning this, Pope Urban VIII replied: “It was never our intention, and if it had depended on us, that decree would not have been passed.” (Galileo and His Condemnation.) It must be understood that this case was not that of “Science vs Theology” but that of “Science vs Science” or rather “Scientists vs Scientists.” Galileo’s opponents were eminent scientists who either stuck with Aristotle’s theories and disliked Galileo’s person; or scientists who although animated with the modern spirit, regarded the theory as fiction. Galileo suffered at the hands of the first group – adherents of Aristotelian theory. At the early stage of his career, he was boycotted by fellow-professors and was subjected to many petty annoyances. At that time, it was Galileo’s Empirical Observation vs Aristotle’s Theories. Things got worse when Universities refused to engage his services, and when they eventually did, he was paid – as a salary – an office boy’s wage. The tide turned when he obtained a much better position in a University in Padua, and when the Church recognized his talents – the “eccentric” man became a celebrity. This development only served to increase the fury of his adversaries and as long as it was Aristotle vs Empirical Observation, Galileo’s adversaries found themselves worsted in an argument by appeal to facts. THE CONTENTION The contention began when he wrote his theory of sunspots which embraced the theory of Nicolas Copernicus that is the revolution of the earth round the sun – the heliocentric or Sun-Centered system. This work by Galileo was warmly received by the Church for it attracted praises and admiration by Cardinal Maffeo Barberino( afterwards Pope Urban VIII) together with other churchmen in Rome. The real trouble arose when the Dowager Duchess of Tuscany, in a conversation with a disciple of Galileo, Fr. Castelli, raised the objection that the double motion of the earth seemed contrary to the scripture. When informed, Galileo wrote a letter to Fr. Castelli maintaining the view expressed by Leo XIII, that “the scripture, not having for its object to teach science, makes use of such expressions as would be intelligible to the vulgar without regard to the structure of the heavens.” Quite a good answer, but no matter how reasonable the answer appears to be, his adversaries cared not for they have found a new weapon – Theology. PAPAL INFALLIBILITY The doctrine of Papal Infallibility states that, by the virtue of Christ’s promise to Peter, the Pope cannot err in matters of faith and morals, when acting as a supreme teacher and shepherd of all Christians. The doctrine never stated that the Pope can never go wrong personally or in other matters apart from faith and morals. There is a difference between infallibility and impeccability. Galileo’s case has nothing to do with infallibility, because the dogma states “the Pope cannot err in matters of faith and morals” – NOT Science. The Cardinals of the Holy Congregation did not pass judgement as scientists, they acted as shepherds safeguarding the faith of Catholics; for “the salvation of souls is the supreme law of the Church.”( Can. 1752 ) Therefore their decision was revocable. WHY THE CHURCH INTERFERED. As previously stated, Galileo’s adversary resorted to Theology. The war began in December 1614, when Fr. Caccini, of the Dominican convent of San Marco, openly asserted that Galileo’s doctrine of the earth’s motion round the sun was irreconciliable with the Catholic Faith since it contradicted the scripture. He therefore denounced the teaching of Galileo as heretical and Copernicus wrong. Shortly after this, A Jesuit Father preaching at the Duomo took up Galileo’s cause against the Dominican, stating that Galileo was right. The following year, Fr. Larini, a Dominican drafted to the Holy Office of the Inquisition ( on 5th Feb. 1615), a denunciation of Galileists in general. In the same year, Fr. Paolo Foscarini, a Carmelite, wrote in support of Copernicus. There was confusion to say the least for both parties where mainly Catholics. The alarmist cry about the faith and the scripture had to be met and this was done by the censure of certain other books containing the theory and also the ordering of Galileo to abandon his views – which he acquiesced. The action taken by the Church was quite logical especially when we consider that these were just theories and not proven facts. Astronomical Science was in so crude a state and had made little advancement at that time. The reason for the prohibition and condemnation can also be found in the decree of the Holy Congregation signed and sealed by the Most Eminent and Reverend Lord Cardinal of St. Cecilia, Bishop of Albano, 5th March 1616: “Therefore, in order that this opinion may not insinuate itself any further prejudice of Catholic Truth, the Holy Congregation has decreed that the said Nicolas Copernicus, De Revolutionibus Orbis … be suspended until corrected.” OTHER SCIENTISTS As earlier stated, Galileo was also opposed by other broadminded eminent scientists like Scheiner, one of the discoverers of the spots on the sun; Clavius, surnamed Euclid of his age; the Astronomer Magini, and even the English Philosopher Francis Bacon, who was lauded at a later period as Father of modern science. Bacon regarded the Copernican system as a “mathematical fiction, useful in calculating and predicting.”(Descrip. Glob. Int.c. 6) If science itself, at that time rejected the new system as not having produced its credentials, do you expect the Cardinals of the Holy Office to approve and be in advance of the Science of the day? Our Lady, Seat Of Wisdom – Pray for Us.
- A IGREJA CATÓLICA E O CÂNON BÍBLICO, PROTESTANTES E SUAS BÍBLIAS MULTILADAS (OS CONCÍLIOS QUE DECID
A IGREJA CATÓLICA E O CÂNON BÍBLICO, PROTESTANTES E SUAS BÍBLIAS MULTILADAS (OS CONCÍLIOS QUE DECIDIRAM O CÂNON BÍBLICO) É bem comum vermos os círculos Protestantes acusarem o Concílio de Trento (ou qualquer outro Concílio) de acrescentar livros ao cânon, gostaria de ver primeiro responderem a esta pergunta: como sabemos que existem apenas 39 livros no Antigo Testamento e 27 livros no Novo Testamento? Não há um só versículo na Bíblia inteira que dê esta orientação, seja uma tradução católica, ortodoxa-oriental, ortodoxa-etíope, protestante, que aponte quais livros pertencem à Bíblia. Esse é um sério problema para os protestantes e das pessoas que afirmam que é “apenas a Bíblia” que declaram que a sua Bíblia é a única e maior autoridade para eles, de maneira sobrenatural o número de livros da sua Bíblia depende da declaração de fé das suas [respectivas] igrejas, ou de suas pressuposições, ou dos seus concílios eclesiásticos, ou – talvez – “porque o meu pastor me disse isso”. Resumindo: eles dependem de uma autoridade extrabíblica para determinar quais livros pertencem à Bíblia; em outras palavras da tradição, e mais uma vez de forma sobrenatural os Protestantes transformam a Bíblia, com esses livros predeterminados, em sua única e maior autoridade. Mas devemos lembrar que isso deveria implicar que Protestantes afirmam que a bíblia é exclusiva de autoria do espírito santo, o que toda a Igreja Católica concorda, mas o espírito santo usou os santos homens para dizer quais livros eram os corretos, a contradição Protestante e que eles afirmam que não temos autoridade extrabíblica para determinar quais livros pertencem à Bíblia! É um argumento que dá voltas e para no mesmo lugar, um argumento em círculo, autocontraditório! Podemos verificar que os textos lidos nas missas na Igreja Primitiva eram vários,Seguem-se as leituras, em número variável, a fim de familiarizar os cristãos com as tradições e os dogmas. Subindo a um lugar elevado, a um púlpito, que São Cipriano comparará à Tribuna onde os magistrados Romanos administravam a justiça, um leitor faz ouvir diversos textos ordenados segundo os significados da festa que se celebra. Lê páginas do Antigo Testamento, da Lei e dos Profetas; trechos das cartas que os grandes chefes da cristandade tinha escrito no decurso do seu apostolado ou que um ou outro ainda escrevia: epístolas de São Paulo, de São João, e São Pedro, de Santo Inácio e de São Clemente; ou ainda passagens dos Atos dos Apóstolos. As narrativas referentes aos Mártires, tal como chegaram até nós e que são tão comoventes, são também lidas desta maneira, Temos de pensar o que os fiéis imaginavam ao escutarem o relato tão dramático na sua simplicidade, dos sofrimentos que os seus irmãos acabavam de suportar e aos quais sabiam que podiam estar destinados alguns dos que se encontrava entre eles! Entre as leituras, recitavam-se ou cantavam-se salmos, e de todas as bocas saiam um grito de esperança e de fé, o velho grito de Israel: aleluia! De todas as leituras, a última, a essencial, é a do Evangelho, a palavra de Deus. Não é confiada a um simples leitor, mas aos diáconos, e a passagem é escolhida pelo próprio Bispo; mais tarde, há de fixar-se esta ou aquela para determinados dias. “O senhor esteja convosco!” de pé, os fiéis escutam, numa espécie de posição de sentido que já os crentes do templo observavam em Jerusalém. Concluída a leitura do Evangelho, o Bispo comenta-o pessoalmente ou faz comentar por um pregador de sua escolha. É homilia, de que se encontrarão muitos espécimes nos padres da igreja, e que é a origem do nosso sermão (Daniel Rops, Igreja dos apóstolos e dos mártires). O INÍCIO DA DEFINIÇÃO DO NOVO TESTAMENTO Podemos afirmar que um herege chamado Marcião foi responsável pela preocupação da igreja em formar um cânon cristão, pra variar, esse herege criou e reduziu um novo testamento, segundo o que ele acreditava ser válido. A história do desenvolvimento da doutrina leva em conta as edições textuais de marcião só por elas incorporavam os temas teológicos da separação que ele fazia da lei e do evangelho. O cânon de Marcião estava de alguma maneira na escritura, ela foi a primeira escritura distintivamente cristã e, portanto Marcião é fundamentalmente responsável pela ideia do novo testamento. Ele parece ter estabelecido sua dupla escritura do senhor(o evangelho de Lucas ) e o do apóstolo (as dez epístolas autênticas se Paulo. Havia uma tendência cada vez maior de citar escritos apostólicos como autoritativos, e ali parece ter sido o começo das coletâneas desses escritos (2pe. 3,16). Mas independentemente de algumas dessas tendências, a percepção de Marcião da antítese entre o antigo testamento e o evangelho puro e sua acusação de apostasia de todos os apóstolos, menos Paulo. A busca de um cânon cristão foi uma resposta da igreja ao cânon de Marcião, onde se começou a coletar as cartas e todos os escritos dos apóstolos para começarem a definir o que era o novo testamento. O herege Marcião não fundou uma escola, mas uma igreja. Durante a segunda metade do século II, a igreja Marcionita era uma rival do Cristianismo católico digna de atenção, pelo menos em determinadas áreas. Justino, escrevendo durante a vida de Marcião, admitiu que havia muitas pessoas em cada nação foram persuadidas por sua heresia (Justino 1Apol.. 26.5). O CÂNON VICENTINO Vicente Lerinense, Commonitorium(434) (Ed. Moxon, Cambridge patristic texts) II.(1) Eis que dediquei, constantemente, meus maiores desvelos e minhas diligências a investigar, entre o maior número possível de homens eminentes em saber é santidade, a maneira de achar uma norma de princípios fixos e, se possível, gerais e orientadores , para discernir a verdadeira fé católica das degradantes corruptelas da heresia. A resposta invariável que recebi resume-se no seguinte: querendo eu ou querendo alguém descobrir as fraudes dos hereges, evitar as armadilhas e permanecer robusto e firme na fé sadia, devemos com a ajuda do SENHOR, fortificar nossa fé de duas maneiras: primeiramente, confiando na autoridade da lei divina e, em segundo lugar, perseverando na tradição da igreja católica. (2) Aqui, talvez alguém perguntará: estando o cânon das escrituras completo e suficiente em si, que necessidade ainda temos de lhe juntar a interpretação da igreja? A resposta é essa: Sendo profundas as escrituras, não lhes dão a mesma interpretação todos os homens. As proposições dum mesmo escritor são comentadas diversamente por homens diversos, a tal ponto que parece ser possível delas serem extraídas tantas opiniões quantos forem os homens. Novaciano¹ comenta dessa maneira, Sabélio daquela, Donato de outra, e de outra Ário, Eumônio e Macedônio; Fotino, Apolinário e Prisciliano explicam de um jeito diferente de, Joviano, Pelágio e Celestio e recentemente Nestório com um modo diferente de todos os citados. Sendo pois, tão intricado e multiforme o erro, temos grande necessidade de estabelecer uma regra de interpretação da igreja católica. (3) Ora, na própria igreja Católica toma-se o máximo cuidado por conversar AQUILO QUE FOI TIDO E CRIDO, EM TODO LUGAR, EM TODO TEMPO E POR TODO FIEL. É genuíno e propriamente “católico”, como declara o sentido do termo, aquilo que compreende tudo universalmente [isto é, ecumenicidade], antiguidade e concordância. Universalidade, reconhecendo que a única fé verdadeira é aquela que toda igreja professa em todo o mundo. Antiguidade, não nos apartando das interpretações manifestamente aceitas por nossos antepassados. Concordância, dando crédito fiel, inclusive em se tratando da antiguidade, às definições e opiniões de todos ou de quase todos os bispos e doutores. O próprio Lutero disse: “foi um efeito do poder de Deus que o papado preservou, em primeiro lugar, o santo batismo; em segundo, o texto dos Santos Evangelhos, que era costume ler no púlpito na língua vernácula de cada nação… . Muitos católicos e protestantes não percebem o quanto devem a Igreja católica por terem a Bíblia como nós a temos hoje. Por exemplo, antes que Lutero fizesse sua tradução em alemão, em setembro de 1522, já havia 17 traduções alemãs já impressas (todas anteriores a 1518), 12 delas em alemão. 38-61 d.C. – REDAÇÃO DO PRIMEIRO EVANGELHO: S. Mateus, um dos Doze Apóstolos de Cristo, bispo católico e mártir da fé, escreve o primeiro evangelho da vida de Cristo em hebraico. Este evangelho seria seguido por três outros evangelhos escritos em grego. Estes foram: o evangelho de São Marcos (64 d.C.), o evangelho de São Lucas (63 ou 64 d.C.) e o evangelho de São João (97 d.C.). 52 d.C. – REDAÇÃO DA PRIMEIRA EPÍSTOLA: São Paulo, Apóstolo de Cristo, bispo católico e mártir da fé, escreve a primeira epístola a uma parte da Igreja. Esta é conhecida hoje como “Primeira Epístola aos Thessalonicenses”. Este escrito seria seguido de 21 outras epístolas apostólicas, escritas por vários autores católicos, sendo a última escrita pelo Apóstolo São João, em 69 d.C. 64 d.C. – REDAÇÃO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS: São Lucas, discípulo de São Paulo, bispo da Igreja católica e mártir da fé, escreve os “Atos dos Apóstolos”, uma história da Igreja Católica, cobrindo os eventos da Páscoa [do Senhor] até a morte de São Paulo. Os Atos e o Evangelho segundo São Lucas, tornaram este o autor da maior parte do Novo Testamento, ou seja, de 28%. 98-99 d.C. – REDAÇÃO DO ÚLTIMO LIVRO APOSTÓLICO DIVINAMENTE INSPIRADO: São João, apóstolo de Cristo e bispo da Igreja católica, escreve o último livro apostólico divinamente inspirado; este é conhecido hoje como “Apocalipse” 153-170 d.C. – A PRIMEIRA HARMONIA DOS EVANGELHOS: A mais antiga tentativa de fazer uma harmonia foi realizada por Taciano (falecido em 172) e seu título, “Diatessaron”, dá abundante evidência da primitiva aceitação na Igreja católica dos nossos quatro Evangelhos canônicos. A próxima “Harmonia” foi feita por Amônio de Alexandria, professor de Orígenes; surgida em 220 d.C., encontra-se hoje perdida. SÉCULOS II-III d.C. – A PRIMEIRA ESCOLA BÍBLICA: Os antigos católicos iniciaram uma escola em Alexandria para a aprendizagem dos Evangelhos e de outros escritos católicos antigos. 250 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA EM IDIOMAS PARALELOS: O católico Orígenes cria a edição da Hexapla do Antigo Testamento, que continha o texto hebraico em paralelo com [cinco] versões gregas. 250 d.C. – A PRIMEIRA BIBLIOTECA CATÓLICA: O católico Orígenes cria uma bem equipada biblioteca em Cesaréia, com a finalidade de estudar os Evangelhos e outros escritos católicos antigos. 250-300 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA NA FORMA DE LIVRO: Os judeus usavam o rolo de papiro; os primitivos católicos foram os primeiros a usar a forma de livro (=códice) para as Escrituras. SÉCULO IV d.C. – O PRIMEIRO USO DA PALAVRA “BÍBLIA”: Provém da palavra grega “biblos”, que significa “o lado interno do papiro”, “papel-cana” de onde eram feitos os primeiros papéis no Egito. A forma latina “Biblia”, escrita com inicial maiúscula, veio a significar “O Livro dos Livros”, “O Livro” por excelência. As Santas Escrituras foram chamadas de Bíblia pela primeira vez por São João Crisóstomo, arcebispo católico de Constantinopla, no séc. IV. SÉCULO IV d.C. – AS MAIS ANTIGAS BÍBLIAS AINDA EXISTENTES: As quatro mais antigas Bíblias hoje existentes, que contêm o Antigo e a maioria (não todos) dos livros do Novo Testamento, chamam-se “Códice Vaticanus” (325-350 d.C.), “Códice Sinaiticus” (340-350 d.C.), “Códice Ephraemi” (345 d.C.) e “Códice Alexandrinus” (450 d.C.); foram copiados à mão por monges católicos. 367 d.C. – O PRIMEIRO USO DO PALAVRA “CÂNON”: Santo Atanásio, bispo católico de Alexandria, é o primeiro a aplicar o termo “cânon” para o conteúdo da Bíblia, introduzindo o verbo “canonizar” que significa “dar sanção oficial a um documento escrito”. 367 d.C. – O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO: A 39ª carta festal de Santo Atanásio, bispo católico de Alexandria, enviada para as igrejas sob sua jurisdição em 367, encerrou toda incerteza acerca dos limites do cânon do Novo Testamento. Preservada em uma coleção de mensagens, lista como canônicos os 27 livros do NT, embora os organize em uma ordem diferente. Na ordem atual, esses livros são: os 4 Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas, João); Atos dos Apóstolos; Romanos, 1Coríntios, 2Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1Tessalonicenses, 2Tessalonicenses, 1Timóteo, 2Timóteo, Tito, Filemon, Hebreus; Tiago, 1Pedro, 2Pedro, 1João, 2João, 3João, Judas; e Apocalipse. 388 d.C. – O PRIMEIRO GLOSSÁRIO DE NOMES DA BÍBLIA: São Jerônimo compilou o “Livro de Nomes Hebreus”, ou “Glossário de Nomes Formais do Antigo Testamento”. Esse livro foi, sem dúvida, de muita utilidade na época em que as pessoas quase não conheciam o hebraico, embora o arranjo seja estranho, com um glossário separado para cada livro da Bíblia. 388 d.C. – O LIVRO DOS NOMES DE LUGARES HEBREUS: São Jerônimo compilou o “Livro dos Nomes de Lugares Hebreus”, que foi feito primeiro por Eusébio e com adições de Jerônimo. Os nomes sob cada letra são colocados em grupos separados na ordem dos livros das Escrituras nos quais eles aparecem; por exemplo, na letra “A” temos os nomes de Gênesis, depois Êxodo, e assim por diante. Mas não há lugar para fantasia e o testemunho de homens que viveram na Palestina nos séc. IV e V ainda são de grande valor ao estudante da topografia sagrada. Quando os lugares estão fora do conhecimento do escritor, ele emprega especulação, como quando o autor nos fala que a Arca [de Noé] pode ser encontrada nas proximidades do Ararat. 390 d.C. – A PRIMEIRA COMPILAÇÃO COMPLETA DO ANTIGO E DO NOVO TESTAMENTO: No Concílio de Hipona, a Igreja Católica reuniu os vários livros que reivindicavam para si o título de Escrituras, revisou cada um e decidiu quais eram inspirados ou não. A Igreja Católica reuniu todos os livros e epístolas inspirados em um volume chamado A Versão de Septuaginta do Velho Testamento (que foi traduzida por setenta estudiosos em Alexandria, Egito por volta de 227 a.C. e foi a versão que Cristo e os apóstolos usaram); é a mesma Bíblia que temos hoje. A Igreja católica deu-nos então, a Bíblia. 400 d.C. – A MAIOR PARTE DAS ESCRITURAS SAGRADAS TRADUZIDAS: Nas línguas siríaca, copta, etíope, georgiana(8). Na região do Reno e Danúbio (Império Romano) UMA versão gótica foi traduzida pelo bispo gótico Ulfilas (318-388), o qual, depois de inventar um alfabeto, produziu uma versão das Escrituras da Septuaginta do Antigo Testamento e do grego. 406 d.C. – A TRADUÇÃO ARMÊNIA: Em 406 o alfabeto armênio foi inventado por Mesrob, que 5 anos depois completou uma tradução do Antigo e do Novo Testamento da versão siríaca em armênio. 405 d.C. – A PRIMEIRA TRADUÇÃO DA BÍBLIA COMPLETA NA LINGUAGEM COMUM: A Vulgata latina, “de latin editio vulgata”, “versão comum”, a Bíblia ainda usada pela Igreja católica romana, foi traduzida por São Jerônimo (a quem os tradutores da versão do Rei Tiago (King James Version), de 1611, em seu prefácio chamam de “o pai mais instruído, e o melhor lingüista da sua época ou de qualquer época anterior a ele”). Em 382, o papa Dâmaso pediu a Jerônimo, o maior estudioso bíblico da sua época, que produzisse uma versão latina aceitável da Bíblia, a partir das várias traduções que eram então usadas. Sua tradução latina revisada dos Evangelhos apareceu em 383. Chegou a usar a versão da Septuaginta grega do Antigo Testamento e produziu uma nova tradução latina, completada em 405.(3) É como tradutor das Escrituras que Jerônimo é mais conhecido. Sua Vulgata foi feita no momento certo e pelo homem certo. O latim ainda estava vivo, apesar do Império Romano estar desaparecendo. E Jerônimo era mestre em latim.(17) 450-550 d.C. – O BEZAE CANTABRIGIENSIS (TAMBÉM CHAMADO “CÓDICE BEZAE”): Este é o manuscrito bilíngue mais antigo hoje existente, com o grego na página esquerda e o latim à direita. O Bezae Cantabrigiensis era um texto ocidental copiado por volta dos anos 450-550; preservou a maior parte dos quatro Evangelhos e partes dos Atos. SÉCULO VII d.C. – A PRIMEIRA TRADUÇÃO DA BÍBLIA PARA O FRANCÊS: As versões francesas dos Salmos e do Apocalipse, e uma do Livro de Reis com métrica, apareceu já no sétimo século.(9) Em 1223 uma tradução completa foi feita sob o rei católico Luiz, o Piedoso. Isto foi 320 anos antes da primeira versão francesa protestante.(7) Até o século XIV, foram produzidas muitas histórias da Bíblia. SÉCULO VII d.C. – A PRIMEIRA VERSÃO ALEMÃ: A história da pesquisa bíblica mostra que as numerosas versões parciais em vernáculo na Alemanha aparecem logo nos séculos VII e VIII. Também há abundância dessas versões nos séculos XIII e XIV, e ainda uma Bíblia completa no século XV, antes da invenção da imprensa. SÉCULO VIII d.C. – A PRIMEIRA TRADUÇÃO DA BÍBLIA EM INGLÊS: Feira por Adelmo, bispo de Sherborn, e Beda. Uma tradução do século IX da Bíblia para o inglês (no dialeto anglo-saxão) foi feita por Alfred. Uma tradução do séc. X para inglês foi feita por Aelfric.(7) Foi feita uma tradução em 1361 da maior parte das Escrituras no dialeto inglês (anglo-normando). (3) Isto foi vinte anos antes da tradução de Wycliffe, em 1381. SÉCULOS VIII-IX d.C. – O USO DA FORMA DE ESCRITA CHAMADA “MINÚSCULA”: O bloqueio do comércio oriental de papiro forçou o mercado ocidental a usar o pergaminho; o fator econômico passou a pesar. Então, para caber mais letras em uma página, o copista passou a de usar letras menores e mais apertadas. Alguns, para preservar as suas formas, colocavam algumas acima e outras abaixo da linha. O resultado foi uma forma de escrita chamada “Minúscula” – letras pequenas – com iniciais maiúsculas para dar ênfase. Este sistem ainda é usado hoje. Antes usava-se a “Uncial” ou “Maiúscula”, que consistia de letras grandes, conforme o uso de gregos, romanos e judeus. SÉCULO IX d.C. – A PRIMEIRA TRADUÇÃO ESLAVA DA BÍBLIA: Os santos católicos Cirilo e Metódio pregaram o Evangelho para os eslavos na segunda metade do século IX e São Cirilo, tendo criado um alfabeto, fez para eles uma versão do Antigo Eclesiástico eslavo ou búlgaro, uma tradução da Bíblia do grego. No fim do século X, esta versão entrou na Rússia e depois do século XII sofreu muitas mudanças linguísticas e textuais. Uma Bíblia eslava completa foi feita a partir de um códice antigo no tempo de Wladimir (falecido em 1008) e publicada em ostrogodo em 1581. 1170 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA INGLESA EM PARALELo: O “Psalterium Triplex” de Eadwine, contém a versão latina acompanhada por textos anglo-normandos e anglo-saxões; tornou-se a base das versões anglo-normandas. SÉCULO XII d.C. – A PRIMEIRA DIVISÃO EM CAPÍTULOS: Foi o arcebispo católico britânico de Canterbury, Santo Estêvão Langton (falecido em 1228), o primeiro a dividir as Escrituras em capítulos: são 1.163 capítulos no Antigo Testamento e 260 no Novo. SÉCULO XIII d.C. – A PRIMEIRA TRADUÇÃO DA BÍBLIA EM ESPANHOL: Realizada sob o rei Alfonso V da Espanha.(7) 1230 d.C. – A PRIMEIRA CONCORDÂNCIA BÍBLICA: Uma concordância bíblica da Vulgata latina foi compilada pelo frade dominicano Hugo de São Cher. 1300 d.C. – A PRIMEIRA TRADUÇÃO DA BÍBLIA EM NORUEGUÊS: A mais antiga e célebre é a tradução do Gênesis-Reis chamada Stjórn (“Direção”; i.é., de Deus), em norueguês arcaico, em 1300. As versões suecas do Pentateuco e dos Atos são do século XIV; há também um manuscrito de Josué-Juízes, feito por Nicholaus Ragnvaldi de Vadstena por volta de 1500. A versão dinamarquesa mais antiga do Genêsis-Reis deriva de 1470. 1454 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA IMPRESSA: Um católico chamado Guttenberg causou grande alvoroço quando, no outono deste ano, exibiu uma amostra [da Bíblia impressa] na Feira do Comércio de Frankfurt. Guttenberg rapidamente vendeu todas as 180 cópias da Bíblia segundo a Vulgata latina antes mesmo de terminar a impressão. 1466 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA IMPRESSA EM ALEMÃO: Realizada 58 anos antes de Lutero fazer sua Bíblia alemã em 1524.(8) Nestes 58 anos, os católicos imprimiram 30 diferentes edições alemãs da Bíblia. 1470 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA IMPRESSA EM ESCANDINAVO: No século XIV, foram feitas versões das Epístolas e dos Evangelhos para uso popular na Dinamarca. Grandes partes da Bíblia, se não uma versão inteira, foi publicada em 1470. 1471 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA ITALIANA: Muitos anos antes de Lutero fazer sua Bíblia (começou em 1522), os católicos já tinham produzido 20 diferentes edições italianas da Bíblia. 1475 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA IMPRESSA EM HOLANDÊS: A primeira Bíblia em holandês foi impressa por católicos na Holanda, em Delft, em 1475. Algumas foram impressas por Jacob van Leisveldt, na Antuérpia. 1478 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA IMPRESSA EM ESPANHOL: Muitos anos antes de Lutero fazer sua Bíblia (começou em 1522) os católicos já tinham feito 2 diferentes edições espanholas da Bíblia. 1466 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA IMPRESSA EM FRANCÊS:(8) Muitos anos antes de Lutero fazer sua Bíblia (começou em 1522) os católicos já tinham feito 26 diferentes edições francesas da Bíblia. 1516 d.C. – A PRIMEIRA IMPRESSÃO DO NOVO TESTAMENTO GREGO: Um católico chamado Erasmo fez a primeira impressão do seu NT grego.(8) Muitos anos antes de Lutero fazer sua Bíblia (começou em 1522) os católicos já tinham feito 22 diferentes edições gregas da Bíblia. 1534 d.C. – O PRIMEIRO USO DE ITÁLICO PARA INDICAR PALAVRAS QUE NÃO ESTAVAM NO ORIGINAL: Um católico chamado Münster foi o primeiro a usar caracteres itálicos para indicar palavras que não apareciam nos textos originais em grego e hebraico, na sua versão da Vulgata latina. 1548 d.C. – AS PRIMEIRAS VERSÕES CHINESAS: Entre as traduções mais antigas uma versão é a de São Mateus, feita por Anger, um católico japonês (Goa, 1548). O jesuíta Padre de Mailla escreveu uma explicação dos Evangelhos para domingos e festas em 1740. 1551 d.C. – A PRIMEIRA DIVISÃO DE VERSÍCULOS: A primeira divisão da Bíblia em versículos foi vista pela primeira vez em uma edição do Novo Testamento grego publicada em Paris pelo católico Robert Stephens. 1555 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA COMPLETA IMPRESSA COM CAPÍTULOS E VERSÍCULOS: A primeira divisão da Bíblia em capítulos e versículos foi vista pela primeira vez em uma edição da Vulgata publicada em Paris pelo católico Robert Stephens. 1561 d.C. – A PRIMEIRA BÍBLIA COMPLETA EM POLONÊS: Foi impressa em Cracóvia em 1561, 1574 e 1577. Jacob Wujek, S.J., fez uma nova tradução da Vulgata (Cracóvia, 1593) admirada por Clemente VIII e que foi muitas vezes reimpressa. 1579 d.C. – A PRIMEIRA VERSÃO MEXICANA: A primeira Bíblia conhecida no México foi uma versão dos Evangelhos e Epístolas, de 1579, feita por Dídaco de Santa Maria, O.P.; e o Livro dos Provérbios, feito por Louis Rodríguez, O.S.F. Uma versão do Novo Testamento foi feita em 1829, mas só o Evangelho de São Lucas foi impresso. 1836 d.C. – A PRIMEIRA TRADUÇÃO DA BÍBLIA PARA O JAPONÊS: Uma versão do evangelho de São João e dos Atos foi editada em Katakana (empregando tipos quadrados), em Cingapura (1836); foi feita por Charles Gutzlaff. Mais algumas informações sobre as traduções bíblicas ao longo da história, informações que acabam com à acusação de que a Igreja proibiu a leitura da Bíblia e de que só com Lutero houve traduções bíblicas: Concílio de tours ano -813- cânon 17. Quem cada um se empenhe por traduzir claramente para a língua romana rústica ou Germânica, para que todos possam mais facilmente compreender o que é dito. BÍBLIA de wulfila – século IV – língua alemã. Evangelho de são beda – século VII – língua inglesa. Evangelhos de Lindisfarne – século VII. Bíblia de aldhelmo – ano 700 – língua inglesa. Bíblia de Carlos Magno – ano 800 – língua alemã. Bíblia de são Cirilo e Metódio – ano 863 – língua eslava. Bíblia do abade aelfrico – século X – língua inglesa. Bíblia moçárabe de Toledo – século X – língua árabe. Evangelhos Wessex – ano 990 – dialeto saxão. Bíblia Alfonsina – século XIII – língua castelhana. Bíblia de montjuich – século XIII – língua catalã. Bíblia de D. Dinis – século XIII – língua portuguesa. Bíblia de Alcobaça – século XIII – língua portuguesa. Bíblia de Jean de bon – século XIII – língua francesa. Bíblia da rainha Sofia – século XIII – língua polaca. Bíblia historiale – 1297 – língua francesa. Bíblia de dom João I século XIV – língua portuguesa. Existem mais 14 traduções no vernáculo, isso acaba com a mentira que só com a reforma protestante fizeram bíblias no vernáculo. O CONCÍLIO DE JÂMNIA E OS PROTESTANTES (Encyclopedia of Religion, Vol. 2, página 174). “Em qualquer caso, os cristãos não têm nenhuma razão para aceitar o cânon judaico declarado após à ascensão do nosso Senhor ” (Errata do king James 1965) “Esse conselho (IE Jâmnia 90A.D.) não só declarou os livros Deutero Canônicos como fabricação cristã, mas foi tão longe como para requeridos todos os judeus para amaldiçoar o Nome de Jesus do conselho Nazerith. Por falta de autoridade não poderia trazer fim a questão dos livros DeuteroCanônicos. Até hoje os judeus etíopes ainda seguem o original da Canon da Septuaginta. é o Conselho do Canon de Jâmnia que os protestantes aceitam e usam para a sua Bíblia. ” protestantes Aceitam um cânon judaico ? só faltam assumir que negam a Cristo, ja que foram os cristão que mantiveram os 7 livros (deutero canonical = recolocados (Errata do king James 1965 ) “o conselho não tinha autoridade real (mesmo entre os judeus) para determinar a Canocidade da escritura. Considerando este conselho aconteceu 60 anos após Cristo morreu, não há razão para os cristãos a aceitar o seu veredicto. ” (Enciclopédia Judaica, vol. 6, p. 1146)” Não há nenhuma evidência de que os rabinos no Conselho de Jâmnia ( 90A.D.), tinha a autoridade legítima para determinar escritura para a religião judaica ” (Enciclopédia da religião, Vol. 2, página 173)” a autoridade do Conselho (Jâmnia 90A.D.) foi rejeitado pelos primeiros cristãos e os judeus da Etiópia e Alexandria. ” (Dicionário Enciclopédico da p.1324 Bíblia 1963)” o conselho de Jâmnia (90 dC) foi feito rabinos acima (ou professores) sem autoridade religiosa para aceitar ou rejeitar escritura. ” E tem muito mais, que os protestantes não sabem a respeito dos livros restirados injustamente pelos judeus ! Para um livro fazer parte do Cânon Cristão, existem alguns critérios, que são: – Apostolicidade (proximidade temporal / histórica com os apóstolos) – Leitura Litúrgica Pública (Quais livros eram lidos nas comunidades) – Leitura Litúrgica Pública Universal (Comparação das cartas lidas nas comunidades) – Regula Fidei ou Ortodoxia (o que a patrística falava em relação a esses livros). CONCÍLIOS ANTERIORES A TRENTO Sabemos que os protestantes tem uma sobrevida através de acusações à Igreja Católica, acusações de ter adicionado livros ao cânon bíblico no Concílio de Trento em 1547, (os 7 livros deuterocanônicos: Tobias, Judite, I e II Macabeus, Baruc, Eclesiástico e Sabedoria), e que eles, assim como Lutero, conservam os 66 livros que antes eram tidos com inspirados. Na verdade a Igreja primitiva usava abertamente e doutrináriamente os livros da Septuaginta e o concílio de Trento não adicionou nada, apenas confirmou a fé secular da Igreja, vamos verificar mais adiante que os protestantes não sabem que Lutero não tinha nem mesmo os mesmos livros que eles tem como inspirados. Tenho certeza que muitos Protestantes não sabem disto, por este motivo será mostrado que na realidade quem modificou a Bíblia foi Lutero e não o concílio de Trento. DOIS CONCÍLIOS ANTERIORES A TRENTO Para confirmar que o concílio de Trento não adicionou nada a Bíblia, serão vistos agora 2 concílios anteriores a ele, um 1100 antes e o outro 100 anos antes, para provar qual o cânon bíblico sempre aceito pela Igreja. CONCÍLIO CARTAGO IV (ANO 419 D.C) “Cânone 24 (Grego XXVII) Nada seja lido na igreja ao exceto as escrituras canônicas. Item,que, exceto as Escrituras Canônicas nada seja lido na igreja sob o nome debEscritura divina. Mas as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, filho de Nun, Os Juízes, Rute, Os Reis quatro livros, As Crônicas 2 livros, Jó, o Saltério, os cinco livros de Salomão[1], os doze livros dos Profetas, Isaías, Jeremias[2], Ezequiel, Daniel,Tobias, Judite, Ester, Esdras dois livros, Macabeus dois livros. O Novo Testamento Os Evangelhos quatro Livros, os Atos dos Apóstolos um livro, As quatorze epístolas de Paulo ,As epístolas de Pedro,o Apóstolo, duas; As Epístolas de João, o Apóstolo, três; A Epístola de Tiago, o Apóstolo, uma; A Epístola de Judas, o Apóstolo, uma; A Revelação de João, um livro.” (CATARGO, 419) E também a mesma lista de 73 livros de Trento é repetida no Concílio de Florença, 100 anos antes: CONCÍLIO DE FLORENÇA (ANO 1442 D.C) No concílio de Florença, concílio que tentou unir novamente os 5 patriarcados,e estavam presentes católicos e ortodoxos foi decretado: “Decretum pro laçobitis (ex Bulla « Cantate Domino», 4 Fev. 1441) O Sacrossanto concílio professa que um e o mesmo Deus é o autor do Antigo e Novo Testamento, isto é, da Lei, dos profetas e do Evangelho, pois os Santos de ambos os Testamentos falaram sob a inspiração do mesmo Espírito Santo. Este Concílio Aceita e venera os Seus livros que vêm indicados pelos títulos seguintes: O Pentateuco de Moisés, isto é, Genesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio; Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reis, 2 dos Paralipômenos, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, Jó, o Saltério de Davi, as Parábolas (Provérbios), Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico, Isaías, Jeremias,Baruc, Ezequiel, Daniel, os Doze Profetas menores (isto é, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias) e dois livros dos Macabeus. Quatro Evangelhos, Mateus, Marcos, Lucas e João; quatorze epístolas de Paulo, uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Gálatas, uma aos Efésios, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, duas a Timóteo, uma a Tito, uma a Filemon, uma aos Hebreus; duas epístolas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas, os Atos dos Apóstolos e o Apocalipse de João”. (SAINT LIBERÈ, 2008) HISTORIADORES PROTESTANTES CONFIRMAM O CÂNON CATÓLICO DESDE ANTES DE TRENTO Philip Schaff “O concílio de Hipona em 393, e o terceiro (de acordo com outro acerto de contas o sexto),concílio de Cartago, em 397, sob a influência de Agostinho, que participou de ambos, fixou o cânone católico das Escrituras Sagradas, incluindo os apócrifos do Antigo Testamento […]. O cânon do Novo Testamento é o mesmo que o nosso. Esta decisão da igreja de além mar no entanto, foi sujeita a ratificação, e recebeu a concordância da Sé Romana quando Inocêncio I e Gelásio I (414 d.C) repetiram o mesmo índice de livros bíblicos. Este cânone permaneceu intacto até o século XVI, e foi aprovada pelo concílio de Trento na sua quarta sessão.” (SCHAFF, Philip, História da Igreja Cristã, vol. III, Cap. 9) J.N.D Kelly “Pela grande maioria, porém, os escritos deuterocanônicos atingiram o grau de inspirados com o máximo de senso. Agostinho, por exemplo, cuja influência no ocidente foi decisiva, não fazia distinção entre eles e o resto do Antigo Testamento… a mesma atitude com ao apócrifos foi demonstrada nos Sínodos de Hipona e Cartago em 393 e 397, respectivamente, e também na famosa carta do papa Inocêncio I ao bispo de Toulouse Exuperius, em 405” (Doutrina Cristã Antiga, 55-56). Outra fonte protestante que refuta os próprios acusadores protestantes, é o Dicionário Oxford da Igreja Cristã que refere-se ao sínodo anterior a Hipona e Catargo, o de Roma no ano 382: “Um concílio, provavelmente, realizado em Roma em 382 sob S. Dâmaso deu uma lista completa dos livros canônicos tanto do Antigo Testamento quanto do Novo Testamento(também conhecido como o “Decreto Gelasiano” porque foi reproduzido por Gelásio em 495), que é idêntico a lista dada em Trento.” (2 ª ed, editado por FL Cross & Livingstone EA, Oxford University Press, 1983, p.232) O CONCÍLIO DE TRENTO E O CÂNON BÍBLICO A finalidade do concílio era reafirmar a fé católica por causa da negação dos Protestantes e instaurar uma renovação profunda na Igreja. Na quarta sessão foram aprovados dois textos doutrinários sobre as fontes de revelação, um e outro de máxima importância, principalmente o referente à tradição, porque Lutero, por motivos pessoais, negava a tradição como norma de fé. Estava convencido de ter descoberto em Romanos 3, 28, que fala da justificação somente pela fé, a resposta à angústia por sua própria salvação; mas como a interpretação que dava era contrária à tradição da Igreja Católica, viu-se obrigado a acrescentar o princípio só pela fé [sola fides] e o princípio só pela escritura [sola scriptura]. Contra a tese Luterana, o concílio define que a tradição é o veículo de transmissão da revelação, pelo menos da tradição explicativa, mas não pretende entrar na questão de saber se na tradição há ou não verdades reveladas não contidas diretamente na escritura, tratando-se esse de um problema interno da Igreja. Quanto à canocidade dos livros sagrados, a questão ficara totalmente resolvida no concílio de Florença, mas voltou-se ao assunto porque havia humanistas que faziam reservas sobre alguns escritos do novo testamento, entre eles, Erasmo atribuía a Epístola aos hebreus ao Papa Clemente de Roma e duvidava da autenticidade do apocalipse, achava que o final de Marcos fosse um acréscimo. Haviam dúvidas quanto aos versículos de Marcos 16.9-20 pertencerem mesmo ao evangelho segundo Marcos! Pois, em alguns antigos e importantes manuscritos gregos do evangelho de Marcos, esses 12 versículos estão ausentes, que a segunda é terceira Epístola de João não fossem do Apóstolo; que o autor da segunda Epístola de Pedro não fosse o mesmo da primeira. O Cardeal Caietanus era de opinião de que só os escritos protocanonicos constituíam a fonte de fé, enquanto os deuterocanônicos eram livros de edificação; além disso, via uma interpolação no final de Marcos e no episódio da mulher adúltera (João 8, 3-11), é negava a canocidade da epístola aos hebreus. Lutero excluía os deuterocanônicos, Tiago, Judas e o apocalipse. Em apoio à inclusão dos 12 livros deuterocanônicos no cânone, o Concílio de Trento, apontou para os dois conselhos regionais, que se reuniram sob a liderança de Agostinho de Hipona (393 AD) e Cartago (397 e 419 dC). Os bispos de Trento afirmaram que estes concílios formalmente definido o cânon com a inclusão desses livros. AS BÍBLIAS NAS IGREJAS APOSTÓLICAS DO ORIENTE E ÁFRICA Agora vamos finalizar tento como referência as outras igrejas de origem Apostólica, Primeiro vamos falar das igrejas siríacas, podemos notar que eles tinham um cânon bíblico reduzido, eu disse tinham, uma referência histórica Para podermos entender o contexto histórico, São João Crisóstomo teve toda a sua formação nas Escrituras na Síria. Provavelmente por esta razão, não nos deixou comentário sobre as Epístolas Católicas, mas só sobre as Epístolas de Paulo. O que para mim é lamentável, porque a famigerada “disputa” entre Paulo e Tiago, teria sido esclarecida cabalmente pelo Santo. Não quero dizer que São João Crisóstomo rejeitasse como não-inspirados os demais livros (não há qualquer prova neste sentido), mas não os comentou. Também não há qualquer documento que indique se São João Crisóstomo leu, ou ouviu falar dos demais livros do Cânone “Bizantino” – há apenas silêncio. Quanto à Peshita, sem Apocalipse e Epístolas Católicas, o Patriarcado Ortodoxo de Antioquia adotou o Cânon usado por todos os Ortodoxos, que inclui 1 e 2 Pedro, Tiago, João 1, 2 e 3, Judas e Apocalipse. Nota: atualmente todas as Igrejas na Síria (monofisita e nestoriana incluídas) omitem o Apocalipse ou as Epístolas Católicas. Essas igrejas que usavam uma cânon bíblico reduzido, hoje usam os deuterocanónicos também. A Sabedoria de Sirach [Eclesiástico] é usada até mesmo – na liturgia dos mortos” O uso litúrgico dum determinado livro é em geral prova duma recepção antiga no Canon. Iate é um sinal de que o livro era aceito desde tempos antigos (pelo menos, desde a elaboração daquela Liturgia ou Rito), e não se pode dizer que se trata apenas de edições modernas da Bíblia que receberam influências exteriores. E há o dito: “Lex orandi, lex credendi” a igreja ortodoxa tem 78 livros no total, a Igreja da Etiópia usa 91 livros, podemos ver que não existe nenhuma Igreja Católica Apostólica com um cânon bíblico reduzido, os únicos certos são os Protestantes que vieram 1500 depois dos apóstolos, isso é irônico, mas a vaidade não deixa ver que estão errados. Conclusão: Como podemos ver, o cânon bíblico não foi algo dado por Deus diretamente, como algo inerrante em todos os aspectos. O Cânon Bíblico foi se estabelecendo com o tempo através da Tradição e do Magistério da Santa Igreja. Apesar de existirem registros de divergências pessoais entre os Santos Padres acerca do Cânon Bíblico, o mesmo não aconteceu entre as Igrejas, conforme vemos nos cânons de Cartago, Hipona, Roma, Laodicéia, Trullos e etc. Essas informações são para ajudar os Católicos e principalmente os protestantes que acreditam que a bíblia caiu do céu com capa de couro zíper e traduzida, é incoerente afirmar que a igreja primitiva, os pais da igreja, se submeteu aos livros bíblicos como autoridade final, crendo na escritura como infalível e, portanto, incapaz de qualquer erro, sendo que a igreja não tinha um cânon fechado. A utilização das Escrituras pelos pais da igreja não eram para afirmar a inerrância das escrituras, mas para confirmar a Doutrina dos Apóstolos. Podemos afirmar com certeza que a Bíblia é inerrante quanto à sua mensagem, quanto à confirmação da verdade. Por isso a Sola Escriptura é uma inovação desconhecida pela Igreja em seus dois mil anos, é falo da Igreja latina (Roma) e de todas as igrejas orientais com sucessão dos apóstolos, por que é um perigo? pois ela tenta justificar a autoridade suprema das escrituras sem se respaldar à origem dela, que é a Doutrina dos Apóstolos. “A Bíblia Sagrada dá testemunho da tradição apostólica. O primeiro texto de teologia bíblica que temos relato na história é de Irineu de Lyon (130-202 d.C.), e seu livro não se chamava tratado de teologia Bíblica, mas “Demonstração da pregação apostólica”. Os livros que temos na Bíblia Sagrada são compostos da maneira que conhecemos hoje porque confirmam a mensagem pregada pelos apóstolos, as testemunhas de Jesus Cristo” Bibliografia: Daniel Rops, igreja dos apóstolos e dos mártires; H. Bettenson, documentos da igreja cristã; Justo Colantes, A fé católica documentos do magistério da Igreja; Jaroslav pelikan, tradição cristã. Contei com uma ajuda do Bispo ortodoxo Damasceno de Coimbra, Portugal. #Patrística #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Cristologia #Igreja
- Jesus como Deus no Segundo Século
SINOPSE Vários cultos afirmam que o Concílio de Nicéia (325 dC) inaugurou a crença na divindade de Cristo. O Código Da Vinci, um trabalho fictício da lista de “Best Sellers” do New York Times, recentemente popularizou essa visão. O Novo Testamento, no entanto, usa explicitamente o termo grego theos (“Deus”) em referência a Jesus Cristo. Além disso, houve uma aplicação consistente de theos a Jesus Cristo ao longo do segundo século. Autores como Inácio, Justino, Mártir, Melitão, Atenágoras e Irineu, todos falavam de Cristo como “Deus”. Eles estavam igualmente convencidos de um indispensável monoteísmo herdado do judaísmo e da divindade de Jesus Cristo, o Senhor ressurreto. Embora esses escritores do segundo século não tenham esclarecido a pessoa e a natureza de Cristo tão precisamente quanto os teólogos posteriores, suas obras demonstram que o Concílio de Nicéia não originou a doutrina de Sua divindade. A igreja primitiva testemunhou desenvolvimentos na terminologia e nuances explicativas a respeito dessa doutrina, mas uma continuidade definida de teologia e adoração relacionada a ela fluiu ao longo dos primeiros quatro séculos também. Muitos leitores inadvertidamente aceitaram os dados de fundo encontrados no bestseller fictício O Código Da Vinci como verdade histórica. Na metade do romance, um dos personagens, Sir Leigh Teabing, ex-historiador britânico real, discute o Concílio de Nicéia do século IV. Ele explica: “Até aquele momento na história, Jesus era visto por Seus seguidores como um profeta mortal … um homem grande e poderoso, mas um homem, no entanto. Um mortal ”. Teabing continua:“ O estabelecimento de Jesus como ‘o Filho de Deus’ foi oficialmente proposto e votado pelo Concílio de Nicéia … Porque Constantino atualizou o status de Jesus quase quatro séculos após a morte de Jesus, milhares de documentos já existiam narrando sua vida como um homem mortal ”1 (ênfase no original). Certos cultos também afirmam que a divindade de Jesus Cristo foi “criada” pelo Concílio de Nicéia em 325 dC Por exemplo, a Irmandade da Restauração (Igreja de Deus) publica um tratado intitulado “Quem é Jesus? Os credos nos dizem a verdade sobre Ele? ”Este trabalho afirma que a crença na divindade de Jesus Cristo não é encontrada nas Escrituras, mas foi instituída apenas pelo Concílio de Nicéia no século IV,“ bem depois dos tempos apostólicos do Novo Testamento. O Caminho Internacional alega que os conceitos pagãos entraram no Cristianismo no Concílio de Nicéia e “se Jesus é Deus … nós ainda não fomos redimidos”. 3 Um panfleto Cristadelfiano intitulado “Jesus: Deus Filho ou Filho de Deus” faz um caso semelhante. Apesar de tais alegações, vários textos do Novo Testamento usam o termo grego theos (“Deus”) para se referir a Jesus Cristo. Murray J.Harris escreveu uma importante introdução a esse tópico, intitulada Jesus as God: The New Testament Use of Theos in Reference to Jesus. Ele lista os usos mais prováveis de theos em referência a Jesus como João 1: 1,18; 20: 28; Romanos 9: 5; Tito 2: 13; Hebreus 1: 8; e 2Pedro1: 1.5 Esta aplicação explícita de theos a Jesus Cristo pode ser traçada desde o período do Novo Testamento até o segundo século sem interrupção. Inácio, Justino Mártir, Melitão e Atenágoras frequentemente usavam o termo “theos” a Jesus, como fez o primeiro teólogo bíblico, Irineu de Lyon. Inácio de Antioquia Inácio escreveu sete epístolas, ou “cartas”, em seu caminho para o martírio em Roma (provavelmente entre 110 e 117 dC). Ao longo de suas epístolas, Inácio repetidamente condenou os docetistas, 6 que negaram a realidade da carne humana de Jesus. Inácio também enfatizou a verdadeira divindade do Filho, no entanto, e referiu-se a Jesus Cristo como theos cerca de uma dúzia de vezes. Sua epístola aos Efésios contém o maior número de tais referências. Por exemplo, ele lembra à igreja de Éfeso que seus sofrimentos vieram apenas pela “vontade do Pai e de Jesus Cristo, nosso Deus”. 8 No capítulo 7, Inácio afirma claramente que “Jesus Cristo, nosso Senhor” é “Deus em carne e osso”. ”(Efésios 7,2). Inácio mais tarde refere-se a “nosso Senhor e Deus, Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo”, acrescentando: “Tudo o que fazemos, então, seja feito como se Ele estivesse habitando dentro de nós, sendo como se fossem seus templos” e ele dentro de nós como seu Deus ”(Efésios 15.3). Inácio refere-se à divindade de Jesus em relação à encarnação em duas outras passagens: “Pois o nosso Deus, Jesus, o Cristo, estava de acordo com a designação de Deus, concebido no ventre por Maria, da semente de Davi, mas pelo Espírito Santo”(Efésios 18.2) e“ O próprio Deus se manifestou em forma humana para a renovação da vida eterna ”(Efésios 19.3). Inácio também dirigiu uma epístola à igreja romana, chamando-os de “amados e iluminados pela vontade dAquele que quer todas as coisas que estão de acordo com o amor de Jesus Cristo, nosso Deus.” Inácio deseja aos romanos uma “abundância de felicidade, em Jesus Cristo, nosso Deus. ”9 Ele transmite a eles seu desejo de imitar o“ sofrimento do meu Deus ”e afirma:“ nosso Deus, Jesus Cristo, agora que Ele está com o Pai, é ainda mais revelado (em glória ) ”(Romanos 3,3; 6,3). Inácio diz à igreja de Esmirna: “Eu glorifico a Deus, sim, até Jesus Cristo, que te deu tal sabedoria” e se refere a “Cristo nosso Deus” (Smirnnianos 1.1; 10.1) .10 Ele exorta os Tralianos, “Continuem na união íntima com Jesus Cristo, nosso Deus ”(Trallians7). Inácio também se refere a Policarpo: “Eu oro por sua felicidade para sempre em nosso Deus, Jesus Cristo” (Polycarp8). JUSTINO MÁRTIR Justino Mártir descreve explicitamente o Filho como theos em sua Primeira Apologia e em seu Diálogo com Trifon, um judeu (AD 150 e início dos anos 160). Em Diálogo, Justino designa Jesus Cristo como “Senhor e Deus” (129). O Filho “como Deus” é “forte e deve ser adorado” e “merece ser adorado como Deus e como Cristo” .11 Diálogo 71 afirma: “Este mesmo homem que foi crucificado está provado ter sido exposto expressamente como Deus e homem. ”Cristo deve ser reconhecido“ como Deus saindo do alto, e o homem vivendo entre os homens ”(64). Mais tarde, Justino diz a Trífon: “Se você tivesse entendido o que foi escrito pelos profetas, você não teria negado que Ele era Deus, Filho do único Deus ingênito e indízivel” (126). Jesus Cristo é “Senhor e Deus Filho de Deus”, já que a “palavra profética” o chama de “Deus” (128; 60). Trífon prontamente reconhece a aplicação inconfundível de Justino de theos a Cristo (48; 64; 87; 128). Justino identifica o Filho com o “Anjo do Senhor”, que apareceu a Abraão em Gênesis 18, e ele especificamente observa que este anjo é chamado de “Deus” no texto bíblico (Diálogo 56; 58; 126). De acordo com Justino, foi também o Logos (“Palavra”) que falou com Moisés na sarça ardente como o “Anjo do Senhor”, dizendo: “Eu sou o que sou, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, o Deus de Jacó e o Deus de seus pais ”(1 Apologia59; 63; 75). Este relato bíblico serve como um lembrete de que “o Pai do universo tem um Filho; que também, sendo a primeira Palavra de Deus, é mesmo Deus ”(1 Apologia63). Diálogo 61 declara que “Deus gerou antes de todas as criaturas um Princípio, um certo poder racional de Si mesmo”, que é chamado de várias maneiras: “a Glória do Senhor”, “Filho”, “Sabedoria”, “Anjo”, “Deus”, “ Senhor “,” Capitão “e” Logos “. 12 Justino usa repetidamente o termo grego Logos (“Palavra”) do Filho, de modo que sua cristologia foi rotulada de “Cristologia do Logos”. 13 Qualquer tentativa de sistematizar a Cristologia do Logos de Justino é uma tarefa difícil (e frustrante); 14 no entanto, uma vertente do pronunciado subordinacionismo15 parece atravessar sua cristologia. Um texto “subordinacionista”, no qual Justino explicitamente se refere ao Filho como “Deus”, é encontrado no Diálogo 55–56: O Logos é “outro Deus e Senhor sujeito ao Criador de todas as coisas” … “acima de quem não há outro Deus. Diálogo 60 similarmente usa theos para o Logos e em marcante contraste com o “Pai de todas as coisas” a quem o Logos serve (cf.61; 127). Justino afirma que o Logos é o “primeiro poder depois de Deus” (1Apologia32), “numericamente distinto” (Diálogo56; 62; 128; 129) e sendo adorado “em segundo lugar” (1Apologia13). A Segunda Apologia relata: ”Depois de Deus, adoramos e amamos a Palavra que é do Deus ingênito e inefável, visto que também Ele se fez homem por nós mesmos” (13.4). De acordo com o historiador JND Kelly, a “Palavra” de Justino permaneceu imanente em Deus até ser emitida (“gerada”) antes da criação, ou na mente eterna de Deus até que fosse proferida.16 Diálogo 125 afirma que Cristo “ainda assim é Deus, já que ele é o primeiro gerado de todas as criaturas. ”17 O Logos então se posiciona como o intermediário entre Deus (do qual o Logos preexistente surgiu) e o reino material (que o Logos criou) .18 Justino compartilhou o pressuposto filosófico comumente contemporâneo que “Deus é tão totalmente transcendente à realidade criada que ele precisa de um intermediário, a sua Palavra, para agir por ele e mediar entre si e a criação”. 19 Toda autocomunicação divina e auto-revelação, portanto, vem através do Logos ministrador. . Justino estava empenhado em manter a eterna unidade da Divindade, a designação adequada do divino Filho como “Deus” e uma nítida distinção entre o Filho e “Deus”, “o Pai e Senhor inefável de todos” (Diálogo 126-28). .20 As tendências filosóficas de Justino levaram-no a explicações que diferiam das formulações mais precisas das gerações posteriores21. MELITÃO DE SARDES Um dos primeiros sermões que temos disponíveis fora do Novo Testamento é Sobre a Páscoa de Melitão de Sardes, que floresceu por volta do ano 170. Melitão proclama que Jesus Cristo é “por natureza (Gk. Phusis) Deus e o homem … Este é Jesus Cristo a quem pertence a glória para todo o sempre. Amém ”(Sobre a Páscoa 8–10) .22 E novamente,“ o Deus Todo-Poderoso fez Sua morada por meio de Cristo Jesus ”(Sobre a Páscoa 45). Algumas afirmações em Sobre a Páscoa 4 e 7 usam theos ao Filho, mas poderiam ser interpretadas de maneira Adocionista 23: Cristo foi morto como um cordeiro “mas ressuscitado como Deus”; “Pois, na verdade, a lei se tornou Verbo… e o Deus homem.” Além disso, Sobre a Páscoa de 8–9, Melitão diz de Cristo: “Ele ressuscitou dos mortos como Deus, sendo por natureza Deus e o Homem… .na medida que Ele gera, pai; na medida em que ele é gerado, filho; na medida em que ele é enterrado, o homem; na medida em que Ele é ressuscitado, Deus ”. Em outros lugares, no entanto, Melitão deixa claro que a divindade do Filho não começou apenas na ressurreição:“ Aquele que atou o universo foi atado a uma árvore; o Soberano foi insultado; o Deus foi assassinado ”(Sobre a Páscoa 96) .24 O uso de Melitão do termo “Pai” para Cristo (Sobre a Páscoa 18) levanta outra questão. Campbell Bonner caracterizou a teologia de Melitão como um modalismo ingênuo, 25 uma vez que “Cristo é equiparado a Deus sem considerações sérias das implicações”. 26 Melitão, entretanto, claramente diferencia o Pai do Filho às vezes. Por exemplo, o Filho por meio do qual o Pai criou o cosmos agora está à direita do Pai (Sobre a Páscoa 104–5). Os fragmentos existentes de outros sermões, provavelmente de Melitão, também rotulam o Filho como theos.27 Um escritor posterior poderia perguntar: “Pois quem não conhece os livros de Irineu e Melitão e os demais, que proclamam Cristo como Deus e homem?” (Frag .8a). Em resumo, Melitão tem um “monoteísmo cristocêntrico”, como também é visto em todas as suas doxologias, que são todas dirigidas a Cristo, e nunca ao Pai (Sobre a Páscoa 10,45,65,105; frag.15; new frag.2.23) 28 ATENÁGORAS A Petição em Favor dos Cristãos de Atenágoras (c. AD 178) é um exemplo do Filho sendo chamado de theos dentro do contexto de um Trinitarianismo emergente no segundo século, embora o trabalho nunca use o termo Trindade.29 De acordo com Atenágoras, os cristãos “falam de Deus o Pai, e de Deus Filho e do Espírito Santo ”e“ declaram tanto o seu poder em união como a sua distinção em ordem ”(Petição 10). Os cristãos também sabem “o que é a unidade do Filho com o Pai, qual é a comunhão do Pai com o Filho, o que é o Espírito, qual é a unidade destes três: o Espírito, o Filho, o Pai e a sua distinção na unidade ”(Petição 2). Os cristãos reconhecem “um só Deus, incriado, eterno, invisível, impassível, incompreensível, ilimitado, que é entendido apenas pela compreensão e pela razão … o Filho estando no Pai e o Pai no Filho, na unidade e poder do Espírito” (Petição 10). Como Justino, Atenágoras enfatiza que o universo foi criado pelo Logos (que é o “primogênito” do Pai) que saiu de Deus. Esse Logos, ou “razão”, estava eternamente no Pai, visto que Deus é racional pela natureza eterna (Petição 10) .30 Na Petição 6, Atenágoras enfatiza repetidamente a unicidade da Divindade, mas também descreve os papéis distintos do Logos e o Espírito. Atenágoras tenta encontrar um paralelo nos filósofos estóicos que “multiplicam a Deidade em nome, mas na realidade consideram Deus como um” (6.4). Atenágoras conclui: “Dizemos que existe Deus e o Filho, sua Palavra e o Espírito Santo, unidos em poder, mas distintos em hierarquia como o Pai, o Filho e o Espírito, visto que o Filho é mente, razão (Verbo) e sabedoria do Pai e o Espírito uma efluência como a luz do fogo ”(Petição 24) .31 Winslow comenta:“ Aqui, vemos intimações do pensamento trinitário, mas ainda conceitualmente incoerentes ”. 32 IRINEU O segundo século fechou com Irineu, o primeiro importante teólogo bíblico. Não surpreendentemente, Irineu também usou o termo theos ao Filho.33 Em Contra as Heresias 4.6.7, ele proclama que Cristo “recebeu o testemunho de tudo o que Ele era muito homem, e que Ele era o próprio Deus.” Irineu exorta seus leitores a reconhecer tanto A “divindade” de Cristo e Sua “natureza humana”, para que eles possam derrubar “todas as noções de hereges que foram inventadas depois” (5.14.4). O nome de Jesus, Emmanuel (que significa “Deus conosco”) significa “Sua essência, que Ele é Deus”, já que a descrição de Emanuel é “apropriada a Deus” (3.16.2; 3.21.4). Irineu interpreta os títulos “Deus sobre todos, abençoado para sempre” (Rom.9: 5), “Deus Poderoso” (Isaías 9: 6), e “Deus” (Hab.3: 3) como referências a Jesus Cristo ( 3.16.3; 3.19.2; 3.20.4). Cristo é legitimamente chamado de Deus, Senhor, Rei eterno e Palavra encarnada nas Escrituras, revelando que Ele não é um mero homem (uma vez que nenhum outro descendente de Adão é chamado Deus ou denominado Senhor) (3.19.2). Irineu enfatiza que Jesus Cristo deve ter sido totalmente Deus para realizar eficazmente sua obra salvífica. O próprio Senhor tornou-se homem, para salvar os humanos (3.20.4). Deus veio na carne para que as pessoas pudessem conhecê-lo e ter comunhão com Ele (4.20.4-5). “Deus, então, foi feito homem, e o próprio Senhor nos salvou, dando-nos o sinal da Virgem” (3.21.1). “A menos que tenha sido Deus quem deu a salvação gratuitamente, nunca poderíamos tê-la em segurança […] Era responsabilidade do Mediador entre Deus e os homens, por Sua relação com ambos, trazer amizade e concórdia, e apresentar o homem para Deus, enquanto Ele revelou Deus ao homem … Deus recapitulou em Si mesmo a antiga forma de homem, a fim de matar o pecado, privar a morte de seu poder e vivificar o homem ”(3.18.7). Irineu se pergunta sobre os ebionitas, 34 “como eles podem ser salvos, a menos que tenha sido Deus quem efetuou sua salvação sobre a terra?” (4.33.4). Em sua Demonstração da Pregação Apostólica, Irineu explica: “Portanto, o Pai é o Senhor, e o Filho é o Senhor, e o Pai é Deus e o Filho é Deus; porque quem nasceu de Deus é Deus. E assim Deus é mostrado como sendo um de acordo com a essência de Seu ser no poder; mas, ao mesmo tempo, como administrador da economia da nossa redenção, Ele é Pai e Filho: visto que o Pai de todos é invisível e inacessível às criaturas, é através do Filho que aqueles que se aproximam de Deus devem ter acesso ao Pai ”(47) .35 Este texto usa fraseologia importante no desenvolvimento do Trinitarianismo:“ um de acordo com a essência de Seu ser e poder. ”A passagem, no entanto, também coloca a discussão dentro do contexto do interesse característico de Irineu na economia do plano redentor de Deus e o papel do Filho na revelação e salvação. De fato, o Pai, o Filho e o Espírito estão especialmente unidos na obra da salvação: “O Espírito operando verdadeiramente, e o Filho ministrando, enquanto o Pai estava aprovando, e a salvação do homem sendo realizada” (Contra as Heresias 4.20.6). “Portanto, em todas as coisas e por todas as coisas há um só Deus, o Pai e uma só palavra, e um só Filho e um só Espírito, e uma só salvação para todos os que nele crêem” (4.6.7). Os crentes “ascendem pelo Espírito ao Filho e pelo Filho ao Pai” (5.36.2). O Espírito prepara os indivíduos, o Filho os conduz e o Pai concede a vida eterna (4.20.5). OUTROS ESCRITOS DO SÉCULO SEGUNDO Uma variedade de outros escritores do segundo século também atestam a etiqueta “Deus” sendo aplicada a Jesus Cristo. A correspondência de Plínio com o imperador Trajano (c. 112 dC) relaciona como cristãos locais reunidos antes do amanhecer para cantar “um hino a Cristo, como a um deus” (Carta 10.96) .36 Tendo em perspectiva Pagã de Plínio, a passagem fornece segunda evidência de que os cristãos no início do segundo século estavam adorando a Cristo como uma figura divina em sua hinologia.37 Em alguns dos manuscritos existentes, aos Filipenses de Policarpo12.2 (c. 115 dC) referem-se a “nosso Senhor e Deus Jesus Cristo”. A versão Síriaca da Apologia de Aristides (c. AD 125) afirma: “Os cristãos, então, traçam o início de sua religião a partir de Jesus, o Messias; e ele é nomeado o Filho do Deus Altíssimo. E é dito que Deus desceu do céu e de uma virgem hebréia assumiu e se vestiu de carne ”(Apologia 2). Aos Gregos de Tacian21 afirma que os cristãos “anunciam que Deus nasceu na forma de um homem.” A Epístola a Diogneto 7 ecoa, “Como um rei envia seu filho, que também é um rei, de modo que Deus o enviou (Jesus Cristo) . Ele O enviou como Deus. ”O assim chamado II Clemente, que alguns rotularam como“ o mais antigo sermão cristão completo que sobreviveu ”, 38 exorta:“ Irmãos, é apropriado que pensem em Jesus Cristo como de Deus – como o Juiz dos vivos e dos mortos … pois se pensarmos pouco Dele, também devemos esperar obter pouco (Dele) ”(2 Clement1). O material cristão nos Oráculos Sibilinos, livro 6, proclama: “Ó abençoada árvore, na qual Deus foi enforcado!” 39 Tradução: http://www.equip.org/article/jesus-as-god-in-the-second-century/
- Casa de São Pedro em Cafarnaum e arqueologia recente
[parte de um capítulo no meu livro, Passos que Ecoam para Sempre: Minha Peregrinação na Terra Santa] Continua a ser um fato indiscutível da história, que os católicos, desde a sua primeira existência na era apostólica, comemoraram locais importantes e sagrados na história bíblica e católica: muitas vezes construindo igrejas ou, pelo menos, santuários de algum tipo onde eles aconteceram. Sabemos que isso é verdade, entre muitas outras razões, porque os católicos são freqüentemente criticados pela suposta “idolatria” que (dizem-nos) ocorrer em tais lugares: seja um local sagrado ou as relíquias de um santo. Assim, a arqueologia (conhecendo-a bem) muitas vezes começa com a premissa de que os primeiros cristãos se lembravam de onde aconteciam importantes eventos relacionados com a sua religião. Isso talvez fosse mais notável no caso da Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, como vimos em outro capítulo. Arqueólogos e historiadores concordam em grande parte que abrange as localizações prováveis da crucificação de Jesus e seu túmulo. A autenticidade desta mais sagrada das igrejas cristãs é aceita porque as primeiras igrejas construídas no local foram baseadas na memória coletiva da tradição local dos cristãos. Essas coisas não acontecem apenas por acaso ou por um bom “palpite”. Elas são baseadas em memórias e tradições legítimas transmitidas. Muitas analogias com a vida cotidiana facilitam esse ponto importante. Por exemplo, uma família pode reverenciar uma casa ou alguma propriedade onde seus ancestrais tenham vivido por centenas de anos. Eles geralmente não se esquecem onde era, a menos que passem muitas centenas de anos. Os americanos sabem exatamente onde George Washington nasceu, ou onde Benjamin Franklin trabalhou como aprendiz em uma loja de impressão na Filadélfia (eu estive lá). Essas duas coisas são pelo menos de 280 anos atrás. Sabemos onde a nação americana começou: Jamestown, Virgínia em 1607 (eu também já estive lá). Isso é há mais de 400 anos, mas não foi esquecido de forma alguma. Por que seria? É claro que lugares muito significativos geralmente serão lembrados e documentados. Não é difícil lembrar de detalhes por muitas gerações. Isso se aplica aos cristãos e sua própria história, assim como a qualquer outra pessoa. Uma pessoa, afinal, pode viver por um período que engloba partes de três gerações. Minha mãe de 89 anos consegue se lembrar de coisas do final da década de 1920, que agora são mais de 85 anos atrás, ou mais de duas gerações bíblicas. Em outros casos, também deve ser notado, algumas coisas parecem estar perdidas para a história, como argumentei em outras partes deste livro, os casos com a localização do batismo de Jesus e da Via Dolorosa. No entanto, as exceções não refutam a regra (o último era uma tradição tardia, e, portanto, havia mais especulação em jogo). Porque algumas coisas foram esquecidas ou perdidas nas névoas da história não significa que todas as coisas são. No caso do que muitos acreditam ser a casa de São Pedro em Cafarnaum, às margens do mar da Galileia, o argumento é muito direto: uma antiga igreja foi construída sobre o que antes era uma casa. A explicação mais simples é que a casa deve ter tido um grande significado na história cristã. A casa de São Pedro se encaixa nessa conta, e é a explicação mais razoável (embora permaneça incapaz de ser provada – como quase todas as coisas em arqueologia – além de qualquer dúvida). Reconhecer isso nem requer uma crença católica pessoal. É apenas história, e como as coisas foram feitas pelos cristãos, e até mesmo um arqueólogo secular não tem dificuldade em aceitar. O site do Bible History Daily, da Sociedade de Arqueologia Bíblica, fornece uma visão geral básica das evidências envolvidas aqui, em seu artigo (3-29-11), “The House of Peter: The Home of Jesus in Capernaum?”: Foi aqui durante a infância do cristianismo primitivo que ele começou seu ministério na sinagoga da cidade (Marcos 1:21), recrutou seus primeiros discípulos (Marcos 1: 16-20) e tornou-se renomado por seu poder de curar doentes e enfermos (Marcos 1:21). Marcos 3: 1–5). . . . Onde ficava a casa de Pedro, que a Bíblia sugere que era o lar de Jesus em Cafarnaum (Mateus 8: 14–16)? Escavadores italianos que trabalham em Cafarnaum podem ter descoberto os restos da humilde casa de Pedro que Jesus chamou de lar enquanto estava em Cafarnaum. . . . Enterrados sob os restos de uma igreja martyrium ocatagonal bizantina, os escavadores encontraram as ruínas de uma habitação bastante mundana do primeiro século aC. Martyria octogonais foram construídos para comemorar um local importante, como a casa original de Pedro que uma vez esteve aqui. O santuário interno do edifício octogonal foi construído diretamente acima dos restos da própria sala da casa do século I que havia formado o saguão central da igreja anterior. . . . Se não fosse por sua associação com Jesus e Pedro, por que mais uma casa do século I em Cafarnaum se tornaria um ponto focal de veneração e identidade cristãs nos séculos vindouros? W. von Menden começou a escavação dos restos da igreja octogonal de 1906 a 1915. O franciscano Gaudenzio Orfali continuou este trabalho de 1921 a 1925. Os padres franciscanos Virgilio Corbo e Stanislao Loffreda escavaram novamente a área de 1968 a 1985. Esta é a casa onde Jesus curou a sogra de Pedro (Mc 1: 29-34), curou o paralítico trazido de cima para baixo (Mc 2: 1-4), assim como muitos outros perto da porta (Mc 1: 33), e pregou para as multidões (Mt 12: 46-50). Tem imenso significado na história cristã. Na sinagoga próxima, Ele ensinou muitas vezes, incluindo seu magnífico discurso eucarístico registrado em João 6 (ver Jo 6:59). Atestado histórico de uma igreja sendo construída sobre a casa de Pedro também existe. A freira espanhola Egeria escreveu cerca de 381 a 395: E em Cafarnaum, mais ainda, a casa do príncipe dos apóstolos [Pedro] foi transformada em igreja, com suas paredes originais ainda de pé. Aqui o Senhor curou o paralítico. Há também a sinagoga onde o Senhor curou o homem possuído por demônios. . . Um peregrino anônimo, escrevendo por volta de 560-570, observou a basílica bizantina: “E assim chegamos a Cafarnaum, à casa de São Pedro, que é agora uma basílica”. Raymond E. Marley, escrevendo no Jerusalem Christian Review em 1998 1, observou: Uma área aberta entre a rua e a porta, que leva ao pátio, torna o prédio único, entre outros, encontrados nas proximidades. Essa área aberta teria permitido espaço para um grande número de pessoas “se reunirem à porta” da casa de Pedro para ouvir a pregação de Jesus. (Marcos 1:33; 2: 1-3) . . . No interior do edifício, foram descobertas numerosas moedas, cerâmica e lamparinas que datam do primeiro século, juntamente com artefatos que incluíam vários anzóis. Arqueólogos também desenterraram evidências de memoriais construídos por gerações cristãs posteriores ao redor da casa de Pedro. “Os cristãos que viveram em Cafarnaum durante o segundo, terceiro e quarto séculos altamente veneraram este local e mostraram grande cuidado em não destruir a casa, mas em adicionar estruturas adicionais a ela”, disse o estudioso italiano Virgilio Corbo, que escavou no local. . Jesus considerou Cafarnaum como a Sua morada (Mt 9: 1; Mc 2: 1; 3:19; 10:10) e provavelmente viveu na casa de São Pedro. Ele realizou muitos milagres na cidade (Mt 4: 18-22; Mc 1:34), e lá Ele escolheu seus primeiros quatro discípulos (Pedro, André, Tiago e João); mais tarde também alistando o cobrador de impostos Mateus (Mt 9: 9; Mc 2:14; Lc 5:27). Este também é o lugar onde Ele curou o servo do centurião (Lc 7: 1-10). Sua mãe Maria visitou (Mc 3:31). Ele explicou Suas parábolas com mais profundidade aos discípulos na casa de Pedro (Mc 7:17). Aqui Ele abraçou a criancinha e ensinou sobre humildade e servidão (Mc 9: 33-37). James H. Charlesworth, professor de Língua e Literatura do Novo Testamento no Seminário Teológico de Princeton, escrevendo no livro que editou, Jesus and Archaeology 2, concluiu sobre este assunto: A evidência arqueológica é quase sempre muito debatida. O que, então, é claro? A “igreja da casa” em Cafarnaum que é celebrada como a casa de Pedro pode muito bem ser a casa em que Jesus ensinou. Certamente não é uma “sinagoga”, mas parece ser a casa de Pedro. Assim, eu concordo plenamente com J. Murphy-O’Connor, que está extraordinariamente bem informado dos dados relacionados a Jesus e à arqueologia e astutamente crítico; observe o seu julgamento: “A suposição mais razoável é aquela atestada pelos peregrinos bizantinos, a saber, que era a casa de Pedro na qual Jesus pode ter se alojado (Mt 5:20). Certamente nada nas escavações contradiz esta identificação. 3 John J. Rousseau reitera meu ponto original acima: Os povos antigos tendiam a construir novos santuários sobre os preexistentes, mesmo que fossem dedicados a um deus diferente. Neste caso, a igreja octogonal bizantina foi construída exatamente sobre a antiga sala grande. 4 E mais especificamente, na mesma página: Artefatos descobertos lá (moedas e lâmpadas de Herodes, anzóis) mostram que a casa foi ocupada já no primeiro século a.C.E. e que as pessoas envolvidas na pesca viviam dentro ou ao redor da casa. . . . As conclusões das escavações são amplamente aceitas hoje. Notas de Rodapé 1 “Is It the Home of Peter?: Miraculous Discoveries in the ‘City of Miracles’,” Vol. 9, Internet edition, Issue 1. 2 Grand Rapids, Michigan: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 2006, p. 50. 3 The Holy Land, 4th ed. (Oxford and New York: Oxford University Press, 1998), p. 220. 4 Jesus and His World: An Archaeological and Cultural Dictionary (Minneapolis: Augsburg Fortress Press, 1995); co-authored with Rami Arav, p. 40 (“Capernaum”). * * * * * Tradução: http://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2015/10/archaeology-st-peters-house-in-capernaum.html
- MARYAM – MIRIAM – MARIA: A AMADA DE JAVÉ (Santo Antônio de Pádua)
O Senhor criou o paraíso terrestre e colocou nele o homem, para que o cultivasse e o guardasse. Infelizmente Adão o cultivou mal e guardou mal. Foi então necessário que Deus plantasse outro paraíso, muitíssimo mais belo: Nossa Senhora. Neste segundo paraíso foi colocado o novo Adão, Jesus, que realizou maravilhas e o guardou, mantendo-o imaculado. Como és bela na alma e resplandecente no corpo, ó minha Mãe, nas delícias eternas! Aqui neste mundo, a Santíssima Virgem foi bem pobre e desconhecida; Mas no céu ela é gloriosa e bela, a rainha dos anjos. Que ela sempre te encante e entusiasme! Que sempre te sintas arrebatado pelo seu amor! Desse modo, abismado em contemplá-la, só poderás desprezar os prazeres enganadores deste mundo e calcar aos pés a concupiscência da carne. (Santo Antônio de Pádua – Fonte: Veritatis Splendor). #Igreja #Maria
- A TOMADA DE JERICÓ – FIGURA DO MUNDO (Orígenes, presbítero)
Jericó, sitiada, tem de ser tomada. Como será vencida Jericó? Não se desembainha a espada contra ela, não se arremete o aríete, nem se vibram as lanças. Somente se tocam as trombetas sacerdotais, e os muros de Jericó desabam. Com freqüência vemos nas Escrituras o nome de Jericó empregado como figura do mundo. No Evangelho, quando se narra que o homem desceu de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos ladrões, sem qualquer dúvida, refere-se àquele Adão que do paraíso foi lançado ao exílio do mundo. Também os cegos em Jericó, aos quais Jesus restituiu a vista, eram figura daqueles que neste mundo são vítimas da cegueira da ignorância e para os quais veio o Filho de Deus. Portanto, esta Jericó, este mundo, irá cair. Pois a consumação dos tempos já foi bem anunciada pelos Santos Livros. Como se dará sua consumação? Por que meios? Ao som das trombetas, lê-se. De que trombetas? Paulo esclarece. Escuta-o: Soará a trombeta e os mortos em Cristo ressurgirão incorruptos e o Senhor mesmo, ao sinal dado, à voz do arcanjo e da trombeta de Deus, descerá do céu. Então Jesus, nosso Senhor, vencerá com trombetas Jericó e jogá-la-á por terra, de tal forma que só se salve a meretriz e sua casa. Virá, diz ele, nosso Senhor Jesus, e virá ao som das trombetas. Salvará aquela única que recebeu seus exploradores, que, tendo acolhido na fé e na obediência seus apóstolos, os colocou nos aposentos de cima. Unirá, então, esta meretriz à casa de Israel. Contudo não repitamos nem lhe lembremos a antiga culpa. Outrora meretriz, agora, porém, é virgem casta e foi unida a um só varão casto, o Cristo. Ouve o que o Apóstolo diz dela: Decidiu isso: a um só varão, Cristo, apresentar-vos como virgem casta. Pertencia também a ela aquele que dizia: Fomos também nós outrora insensatos, incrédulos, inconstantes, escravos de múltiplos desejos e volúpias. Queres ainda mais acuradamente saber como a meretriz já não o é mais? Escuta Paulo de novo: Assim também éreis vós, mas fostes lavados, fostes santificados no nome de nosso Senhor, Jesus Cristo, e no Espírito de nosso Deus. Para poder escapar e não perecer com Jericó, ela recebeu dos exploradores eficacíssimo sinal de salvação, uma fita escarlate. Na verdade, pelo sangue de Cristo, esta Igreja toda inteira se salvará, no mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor, a quem a glória e o império pelos séculos dos séculos. Amém. (Das Homilias sobre o Livro de Josué, de Orígenes, presbítero – Hom. 6,4: PG 12,855-856 – Séc. III). #Igreja
- Quem matou Antoine Lavoisier: ”pai” da química?
Por que é que sempre ouvimos, ad nauseum, sobre Galileu e como ele foi perseguido pela Igreja Católica por dizer que a Terra girava em torno do sol? Bem, há duas razões: faz um exemplo excelente, porque foi um grande erro científico, para um tribunal da Igreja defender o geocentrismo, e porque é uma base para o anticatolicismo e contra-catolicismo, e até mesmo um anti-cristianismo mais amplo (e às vezes anti-teísmo e anti-religião, ponto). Quando nós, católicos, cometemos erros, eles nunca são esquecidos, e ordenhados (em forma distorcida, meio cozida) por tudo o que valem, por literalmente centenas de anos. Ateus, agnósticos, secularistas e muitos dos que estão na esquerda política (que tendem a substituir o cristianismo pelo cientificismo, por sua nova “religião” e visão de mundo) amam totalmente a história de Galileu. É uma propaganda maravilhosa para eles há quase 500 anos; isto é, em sua apresentação modificada, revisionista, unilateral, projetada para fazer a Igreja Católica parecer tão ruim quanto possível, a fim de fomentar o mito de que ela é de algum modo “anti-ciência”. É algo análogo. à maneira como Martinho Lutero é usado por muitos protestantes (especialmente os anticatólicos), na tentativa de fazer a Igreja Católica parecer tão irracional, impropriamente dogmática e (supostamente) “anti-bíblica” quanto possível. A fantasia de pensar que o catolicismo e o cristianismo são “anti-ciência” é uma das mais ultrajantes e ridículas no cânone das polêmicas ateias / agnósticas. Não é apenas falso; é tão falso para os fatos da história quanto qualquer coisa pode ser imaginável. Para demonstrar isso, escrevi um estudo massivo de oito partes, documentando a esmagadora influência cristã na história da ciência. Eu tenho tratado o tópico de Galileu em particular, muitas vezes, argumentando que a história completa é muito mais interessante e complexa do que o mito comum sobre o caso todo (a verdade é invariavelmente mais estranha que a ficção). Agora, com esse pano de fundo em mente, considere outro caso de um cientista muito renomado, habilidoso e importante sendo “perseguido” e tratado de forma equivocada. Para dar uma base biográfica, Antoine Lavoisier (1743-1794) é considerado o “pai da química moderna”. Ele declarou a primeira versão da lei de conservação de massa, ajudou a construir o sistema métrico, escreveu a primeira extensa lista de elementos e ajudou a reformar a nomenclatura química. Ele descobriu que, embora a matéria possa mudar sua forma ou formato, sua massa permanece sempre a mesma. Ele determinou que os componentes da água eram oxigênio e hidrogênio, e que o ar era uma mistura de gases, principalmente nitrogênio e oxigênio. Seu Traité Élémentaire de Chimie (Tratado Elementar de Química, 1789) é considerado o primeiro livro de química moderna. Este texto esclareceu o conceito de um elemento como uma substância que não podia ser decomposta por nenhum método conhecido de análise química e apresentava uma teoria da formação de compostos químicos a partir de elementos. Lavoisier introduziu a possibilidade de alotrópia em elementos químicos quando descobriu que o diamante é uma forma cristalina de carbono. [fonte: biografia de Wikipedia] Infelizmente, Lavoisier morreu prematuramente aos 50 anos. Você sabe como ele morreu (eu acabei de aprender isso ontem à noite)? Ele foi decapitado por uma guilhotina: morto pelas pessoas na França que se orgulhavam (e são amplamente conhecidas, por alguma razão bizarra, até hoje), como proponentes da razão “iluminada”: libertados (como se viam) dos grilhões de séculos de escravidão intelectual da ”idade das trevas” cristã e dogmatismo insensato (como o estereótipo vai). Estas eram supostamente as pessoas “inteligentes”; o povo “libertado e livre”; os “liberais” com todas as idéias nobres. Você sabe: “liberdade, igualdade e fraternidade” e tudo isso. Até mesmo Thomas Jefferson os admirava – mas finalmente teve que admitir que seu amigo John Adams tinha a visão superior (oposta) da Revolução Francesa. Eu acho extremamente interessante, eu mesmo, que raramente ouvimos falar disso. A maioria das pessoas, suspeito, é como eu. Eu tinha pelo menos ouvido falar do nome do homem, e sabia que ele tinha um lugar significativo na história dos pioneiros científicos e grandes mentes, mas eu não sabia que ele morreu dessa maneira. E isso ocorre porque os poderes constituídos: os secularistas e radicais de extrema-esquerda que administram grandes porções de nosso sistema educacional, e os que dominam a academia e nossas faculdades, têm interesse em minimizar e obscurecer fatos inconvenientes como esses. Seu objetivo é colocar a religião contra a ciência, então Galileu se encaixa bem com isso. Eles não estão tão interessados em deixar claro que Lavoisier, o pai da química, foi assassinado por um bando de revolucionários franceses “iluminados”: com a intenção de derrubar a tradição e especialmente a Igreja, e substituir o cristianismo pela “deusa da razão. ”Isso não se encaixa no plano! Então, poucos sabem disso. Mas com certeza já ouvimos falar de Galileu, não temos ?! É suposto ser sempre “Cristianismo contra a ciência” e nunca “secularismo radical e ateísmo contra a ciência”. Isso não vai acontecer. Não se encaixa na mitologia e na construção de lendas predominantes. A Igreja contra Galileu, o grande cientista católico, é o grande exemplo e trombeta dos telhados. Mas os ateus revolucionários franceses contra Lavoisier, o grande cientista católico, são um pedacinho da história que é ignorado, suprimido e silenciado. É um caso absolutamente clássico de parcialidade histórica e acadêmica cínica e deliberada. Somos ensinados o que os nossos senhores seculares querem que nos ensinem. Coisas que vão contra a sua agenda (“religião vs. ciência” sendo muito alta na lista) ficam de lado. O que sabemos sobre o que aconteceu com Lavoisier? Qual é a sua história (que merece ser contada e aprendida)? Primeiro de tudo, ele morreu católico. Grimaux, o primeiro biógrafo a ter acesso a seus documentos pessoais, escreveu: Criado em uma família piedosa que deu muitos padres à Igreja, ele manteve suas crenças. Para Edward King, um escritor inglês que lhe enviara um trabalho controverso, ele escreveu: “Você fez uma coisa nobre ao defender a revelação e a autenticidade da Sagrada Escritura, e é notável que você esteja usando para a defesa exatamente o mesmo. armas que foram usadas para o ataque. ”[Enciclopédia Católica:“ Antoine-Laurent Lavoisier ”] Lucien Scheler e W. A. Smeaton escreveram um artigo intitulado “Um relato da reconciliação de Lavoisier com a Igreja pouco antes de sua morte”, publicado em Annals of Science, volume 14, número 2, junho de 1958, pp. 148-153. Ele recebeu a Sagrada Comunhão [fonte]. Como ele foi tratado em seu julgamento? Qual foi a base de sua “culpa”? Galileu passou seus últimos anos sob uma “prisão domiciliar” muito amena em ambientes confortáveis, incluindo palácios, e não foi proibido de realizar seus experimentos científicos. Lavoisier não foi tão gentilmente tratado: No início de sua carreira, ele sentiu a necessidade de aumentar seus recursos para atender às necessidades causadas por seus experimentos científicos. Com isto em vista, ele se tornou um deputado fermier-général, pelo qual sua renda foi muito aumentada. Mas unir-se a essa associação de cobradores de impostos protegidos pelo Estado só preparou o caminho para muitos anos de ataque amargo e uma parcela do ódio público vinculado ao seu privilégio. Ele chefiava muitas comissões públicas que exigiam investigações científicas, ele pretendia levar a França a tal estado de expansão agrícola e industrial que o camponês e o trabalhador teriam emprego lucrativo e o pequeno proprietário da terra um alívio dos impostos onerosos até então propositadamente aumentados para fazer subvenções aos favoritos corruptos do Tribunal. Tendo incorrido no ódio de Marat, ele se encontrou, junto com seus colegas fermiers-général, ficando cada vez mais impopular durante os terríveis dias da Revolução. Finalmente, em 1794, ele foi preso com outros vinte e sete. Um julgamento farsa seguiu-se rapidamente, no qual ele foi acusado de “incivismo” em que ele tinha danificado a saúde pública, adicionando água ao tabaco. Ele e seus companheiros, entre eles Jacques Alexis Paulze, seu sogro, foram condenados à morte. [Enciclopédia Católica: “Antoine-Laurent Lavoisier”] Jean-Paul Marat, que se fez inimigo de Lavoisier: uma das três principais figuras da Revolução Francesa (juntamente com Georges Danton e Maximilien Robespierre), era um cientista falido, e suas motivações eram claramente ciúmes e um orgulho ferido, alimentado pela paranóia. E então ele escreveu: Essa perseguição começou no momento em que a Academia percebeu que minhas descobertas sobre a natureza da luz perturbavam seu próprio trabalho. . . . Desde os d’Alamberts, os Condorcets, os Moniers, Monges, Lavoisiers e todos os outros charlatães daquele corpo científico queriam conquistar o centro das atenções. . . não é difícil entender por que eles desacreditaram minhas descobertas em toda a Europa, transformaram toda a sociedade instruída contra mim e todas aprenderam publicações fechadas para mim. (citado por Joe Jackson, Um Mundo em Chamas: Um Herege, um Aristocrata e a Corrida para Descobrir Oxigênio [Penguin, 2007], p. 268) Para muito mais sobre Marat e suas charadas e travessuras, ver Jackson, ibid., Pp. 267 e segs. (acessível no Google Reader). Mas Marat já estava morto quando Lavoisier foi executado: tendo sido esfaqueado até a morte em sua banheira por Charlotte Corday: uma mulher de uma facção rival. Ele acabou como Jim Morrison (em uma banheira em Paris): exceto que seu coração cedeu devido a uma faca, ao invés de drogas e álcool. O próprio Marat não era, no entanto, um ateu. Ele era, segundo o biógrafo Ernest Belefort Bay, um defensor do “deísmo rousseaunita” e do “vago deísmo” (Jean-Paul Marat – O Amigo do Povo [Vogt Press, 2008], pp. 84-85). Na verdade ele perseguiu ateus: Enquanto o ateu apenas raciocinar, deixe-o viver em paz; mas quando, em vez de manter-se na atitude cética, ele declama, quando dogmatiza, quando procura obter prosélitos, tornando-se daquele momento sectário, faz um uso perigoso de sua liberdade e deve perdê-la. Deixe-o então ficar calado por um tempo limitado em uma prisão humana. (Bay, ibid., P. 85) Como de costume, um a quem os ateus reivindicam como um dos seus próprios não era (como Hume, Einstein e muitos outros), na verdade um ateu. Qual é a novidade? O revisionismo histórico é abundante. Mas Marat recebeu um tratamento real quando morreu: Jacques-Louis David assumiu a tarefa de imortalizar Marat na pintura A morte de Marat. . . Seu coração foi embalsamado separadamente e colocado em uma urna em um altar erguido em sua memória. . . Em 19 de novembro, a cidade portuária de Le Havre-de-Grâce mudou seu nome para Le Havre-de-Marat e Le Havre-Marat. Quando os jacobinos iniciaram sua campanha de descristianização para estabelecer o Culto da Razão de Hébert e Chaumette e o Culto ao Ser Supremo de Robespierre, Marat foi transformado em quase-santo, e seu busto substituiu com frequência crucifixos nas antigas igrejas de Paris. [Wikipedia, “Jean-Paul Marat”] Joe Jackson descreveu o testemunho de Lavoisier da histeria patética e veneração de herói no funeral de Marat: Lavoisier . . deve ter suspirado de alívio, pensando que seu inimigo não poderia persegui-lo por mais tempo. Mas então, como membro da Guarda Nacional, ele foi obrigado a ficar atento durante o funeral de Marat. . . o pintor David, o organizador da cerimônia, vestiu Marat com uma toga e o coroou de louros. Seu corpo descansava em um sofá elevado, puxado por doze homens; moças rodeavam o sofá, todas vestidas de branco e carregando varinhas e ramos de cipreste. A dor pelo “mártir Marat” foi tão violenta quanto as zombarias de sua assassina. “Oh coração de Jesus!” As pessoas soluçaram ao longo do caminho, algumas caindo de joelhos. “Oh sagrado coração de Marat!” (Jackson, ibid., P. 287) Lavoisier foi um dos estimados 16-17.000 pessoas (Jackson, p. 288) que foram guilhotinados no reino ”iluminado” do terror, de outubro de 1793 a julho de 1794. Aqui temos uma inquisição ateia / deísta / secularista / anti-católica. Todos nós sabemos o quão incrivelmente tolerantes os revolucionários franceses foram (assim como a extrema esquerda é obviamente hoje!). Eles abrigavam um amor especial e terno pela Igreja Católica: Outro levante anti-clerical foi possível pela instauração do Calendário Revolucionário em 24 de outubro. O movimento ateu de Hébert e Chaumette iniciou uma campanha religiosa para descristianizar a sociedade. O programa de descristianização travado contra o catolicismo e, eventualmente, contra todas as formas de cristianismo, incluiu a deportação ou execução do clero; o fechamento de igrejas; o surgimento de cultos e a instituição de uma religião cívica; a destruição em larga escala de monumentos religiosos; a proibição do culto público e privado e da educação religiosa; a abjuração forçada dos sacerdotes de seus votos e casamentos forçados do clero; a palavra “santo” sendo removida dos nomes das ruas; e a guerra na Vendéia. A promulgação de uma lei em 21 de outubro de 1793 fez com que todos os suspeitos de sacerdócio e todas as pessoas que os abrigavam fossem mortas à vista. O clímax foi alcançado com a celebração da deusa “Razão” na Catedral de Notre Dame em 10 de novembro. Como a dissensão era agora considerada contrarrevolucionária, os enrustés extremistas como Hébert e indulgentes moderados de Montagnard como Danton foram guilhotinados na primavera de 1794. No dia 7 de junho, Robespierre, que favorecia o deísmo sobre o ateísmo de Hébert e anteriormente condenara o Culto da Razão, defendia um nova religião do estado e recomendou que a Convenção reconhecesse a existência de Deus. No dia seguinte, a adoração do Ser Supremo deísta foi inaugurada como um aspecto oficial da Revolução. Em comparação com os festivais um pouco populares de Hébert, essa nova religião austera da Virtude foi recebida com sinais de hostilidade pelo público parisiense. (Wikipedia, “Reinado do Terror”) Esta foi a loucura que Lavoisier (um verdadeiro homem da razão) encontrou-se tragicamente preso. Estima-se que cerca de 70-72% das vítimas eram da classe trabalhadora camponesa, enquanto 8% eram nobres, 6% clero, e 14% da burguesia (que irônico, hein?). Não pode haver revolução anti-católica sem extrema hipocrisia envolvida (a chamada “reforma” do açougueiro Henrique VIII na Inglaterra é o precedente mais óbvio). Aqui está como o grande homem da ciência foi tratado pelos “iluminados”: Um dos vinte e oito coletores de impostos franceses e uma figura poderosa no profundamente impopular Ferme Générale, Lavoisier foi considerado um traidor durante o Reino do Terror pelos revolucionários franceses em 1794. Lavoisier também interveio em nome de vários cientistas nascidos no exterior, incluindo matemático Joseph Louis Lagrange, concedendo-lhes a exceção a um mandato que despoja todos os estrangeiros das posses e da liberdade. . . . Um apelo para poupar sua vida para que ele pudesse continuar suas experiências foi interrompido pelo juiz. . . A importância de Lavoisier para a ciência foi expressa por Lagrange, que lamentou a decapitação, dizendo: “Cela leur a pris seulement un moment pour lui couper la tête, mais la France pourrait ne pas en produire un autre pareille en un siècle.” apenas um instante para cortar a cabeça, mas a França pode não produzir outra cabeça em um século ”. Um ano e meio após sua morte [em 8 de maio de 1794], Lavoisier foi exonerado pelo governo francês. Quando seus pertences privados foram entregues a sua viúva, uma breve nota foi incluída, dizendo: “À viúva de Lavoisier, que foi falsamente condenado”. (Wikipedia, “Antoine Lavoisier”) O juiz foi Jean-Baptiste Coffinhal, que conheceu sua morte da mesma forma apenas três meses depois (em 6 de agosto de 1794). Este parece ter sido o fim de muitos desses fanáticos, incluindo Robespierre (28 de julho de 1794) e Danton (5 de abril de 1794). Aquele que vive pela espada morrerá pela espada (alguém disse). Lavoisier recusou o veneno na prisão, dizendo: Não atribuo mais valor à vida do que você; e por que buscar a morte antes de seu tempo? Não será vergonha para nós. Nossos verdadeiros juízes não são nem o tribunal que nos condenará nem a população que nos insultará. Nós somos atingidos pela praga que está devastando a França. ”[Fonte] O biógrafo Arthur Donovan observou: Dois séculos de investigação adicional ainda não revelaram qualquer evidência de que Lavoisier fosse culpado de má conduta no cumprimento de suas muitas obrigações públicas. (Antoine Lavoisier: Science, Administration e Revolution [Cambridge Univ. Press, 1996], p. 296) Philippe-Frédéric de Dietrich, colega químico, metalúrgico e membro associado da Academia de Ciências, também foi morto no Terror, em 19 de novembro de 1793. O famoso filósofo e matemático francês Nicolas de Condorcet morreu em uma prisão “iluminista” sob misteriosas circunstâncias, em 28 de março de 1794. Jean Baptiste Gaspard Bochart de Saron, um astrônomo e matemático, foi vítima do terror em 20 de abril de 1794. Guillaume-Chrétien de Lamoignon de Malesherbes, um botânico e estadista, encontrou seu fim da maneira usual, em 23 de abril de 1794. Félix Vicq d’Azyr, um médico e anatomista francês, criador da anatomia comparada e descobridor da teoria da homologia na biologia, morreu em 20 de junho de 1794. Sua morte pode ter alguma relação com o Terror também. 1793-1794 foi um verdadeiro período de bandeira para a ciência e a aprendizagem francesas. Tradução: http://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2015/10/who-killed-lavoisier-father-of-chemistry.html
- BASE BÍBLICA PARA O CULTO AOS SANTOS
As bases bíblicas do culto aos Santos estão desde o Antigo Testamento. Até o século II a.C. os judeus acreditavam na existência do Hades ou Sheol e no adormecimento da consciência dos defuntos num lugar subterrâneo, incapazes de serem punidos ou contemplados. Mas a partir do século II a.C. esta concepção foi abandonada pelo povo de Israel, passando a crer que a consciência dos irmãos falecidos continuava lúcida e que eles vivem como membros do seu povo, e solidários com os fiéis peregrinos na terra, e intercedendo por eles. Muitos não católicos usam passagens do Antigo testamento para afirmar que os mortos não podem orar por nós: “Os mortos não louvam ao Senhor, nem os que descem a sepultura” – Salmos 115, 17. “Porque não pode louvar-te a sepultura, nem a morte glorificar-te; nem esperarão em tua verdade os que descem à cova” – Isaías 38, 18. Esquecem que a própria teologia bíblica é um processo evolucional, e que o Novo Testamento, com Cristo, rompe o que era velho, o Antigo testamento. Cristo aperfeiçoou os ensinamentos do Antigo Testamento, e abriu para nós o reino dos céus, o Paraíso (Lc 23, 43). A noção de morte no Antigo Testamento é outra que a proposta pelos cristãos. Apesar disso, há alguns trechos que assinalam a noção de vida consciente após a morte e de intercessão deles: “E o Senhor disse-me: ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, a minha alma não se inclinaria para este povo; tira-os da minha face e retirem-se” (Jer 15, 1 ss). “Dá de boa vontade a todos os vivos, e não recuses este benefício a um morto” (Eclo 7,37) Mas as almas dos justos estão na mão de Deus, e nenhum tormento os tocará. (Sabedoria 3,1) Em II Mac 15,12-15 lemos: “Parecia-lhe (a Judas Macabeu) que Onias, sumo sacerdote (já falecido!) … orava de mãos estendidas por todo o povo judaico… Onias apontando para ele, disse: “Este é amigo de seus irmãos e do povo de Israel; é Jeremias (falecido!), profeta de Deus, que ora muito pelo povo e por toda a cidade santa”. “Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis porque ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas” (II Mac 12, 43-46) A evolução no conceito da vida após à morte é percebida claramente no texto de Macabeus (II Mac 15, 7-17). Vemos nele que Jeremias, o profeta falecido no século VI a.C., aparece a judas Macabeu no século II a.C., juntamente com o Sumo Sacerdote Onias (também já falecido), como “o amigo de seus irmãos, aquele que muito ora pelo povo, pela cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus”. Diz a “Bíblia de Jerusalém” em nota de rodapé a 2Mc 15, 14: “Esse papel conferido a Jeremias e a Onias é a primeira atestação da crença numa oração dos justos falecidos em favor dos vivos”. O problema é que os protestantes não têm esse livro em suas bíblias, pois consideraram que eles não pertenciam à Bíblia judaica primitiva. O Antigo Testamento foi adotado, pela Igreja Católica, a partir de uma tradução para o grego de escrituras hebraicas antigas chamada de Septuaginta. Entre os judeus, a Septuaginta era tida como uma tradução não muito segura. O cânon judeu estabelecido pelo Concílio de Jamnia (século I d.C e início do II d.C.) não correspondia aos livros da Septuaginta, que tinha livros a mais, entre eles os 2 livros dos Macabeus. Os papas Dâmaso I e Inocêncio I determinaram que esses livros extras seriam definitivamente associados ao Antigo Testamento no século V. Mas é importante notar que profecias como a de Malaquias (Malaquias 4:5-6), com a qual termina o Antigo Testamento cristão, por exemplo, não constituem o Antigo testamento hebraico, que terminaria em 2 Crônicas 36, 23. Os manuscritos mais antigos do Novo Testamento que chegaram até nós foram o Códice Sinaítico e o Códice Vaticano, que datam dos séculos IV e V d.C. Apesar de os protestantes terem livros faltando em suas Bíblias, por isso um dos motivos de eles não acreditarem na intercessão dos santos, o Novo Testamento deixa claro que a intercessão dos santos é possível e que eles participam mesmo depois de mortos da história da Igreja. Na epístola aos Hebreus, o autor recorda os justos do Antigo Testamento, e mostra a sua solidariedade com os ainda vivos na terra. Ele imagina esses justos colocados num estádio como que a torcer pelos irmãos ainda existentes neste mundo; constituem uma densa nuvem de torcedores interessados. São testemunhas que nos acompanham nesta luta de hoje: “Portanto também nós, com tal nuvem de testemunhas ao nosso redor, rejeitando todo fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança para o certame que nos é proposto” (Hb 12,1). Os mortos não estão dormindo. Os protestantes em sua maioria ensinam que os mortos estão “dormindo” e que somente na volta de Jesus haverá a ressurreição de todos; portanto, para eles, não há ninguém no Céu ainda, mesmo que seja apenas com a alma, como ensina a Igreja Católica. Ora, desde os primórdios da Igreja ela acredita na imortalidade da alma, e que cada pessoa é julgada por Deus, imediatamente após a morte (Hb 9,27), recebendo já o seu destino eterno. E isto é muito claro nas Sagradas Escrituras. A Carta aos Hebreus diz claramente, “como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo”. (Hb 9,27) Em Mateus 10,28 Jesus diz: “não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma (‘psyché”); temei, antes, aquele que pode fazer perecer na geena o corpo e a alma”. A palavra grega “psychè” significa alma; então, o texto afirma a sobrevivência da alma após a destruição do corpo da pessoa. Em Lucas 16,19-51, na parábola do rico e do pobre Lázaro, Jesus apresenta a sobrevivência consciente tanto dos justos como dos injustos. O rico após a morte vai para um lugar de tormento; e o pobre para um lugar de gozo. Isto enquanto a vida continua na terra, quer dizer, antes da volta de Jesus. O rico tinha cinco irmãos que poderiam também se perder também; e mostra que os defuntos sobrevivem após a morte e recebem já o prêmio ou o castigo. Não se pode dizer que está parábola é apenas mera ornamentação; ao contrário, traz um ensinamento religioso e doutrinário fundamental. A ressurreição da carne no último dia, na consumação da história com a volta de Jesus, dará algo mais à felicidade dos justos cujas almas já estão no gozo da presença de Deus. Essas almas se unirão a seus corpos ressuscitados e viverão na plenitude de suas pessoas. A ressurreição da carne completará a ordem e a harmonia que a alma santa já desfruta após a morte. Vemos em Ap 6, 9-11 que as almas dos justos martirizados aspiram, na presença de Deus, à plena restauração da ordem e da justiça violadas pelo pecado; e assim, esperam algo que ainda não aconteceu, e que vai acontecer só na Parusia. Embora elas já estejam revestidas de vestes brancas, que é símbolo da vitória final e da bem-aventurança, continuam a acompanhar a nossa história, aguardando com expectativa o julgamento do Senhor (Apo 6,11). “Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra? Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos.” (Ap 6,9-11) A morte para os cristãos é o encontro com Cristo, como nos diz São Paulo (II Cor 5,1). Os mortos são seres conscientes para os cristãos (I Pe 3, 18-19; 4, 6) Com a morte somos julgados imediatamente (Hb 9,27) (RM 14,10) (II Cor 5, 10) e vamos para o céu ou para o inferno (Lc 23,42), (Mt 25,34), (Mt 25,41). Os que ainda não estão totalmente puros (Sl 14; Hb 12, 22-23; Mt 5,8) para entrarem no céu, e ainda devem expiar algum pecado (I Cor 3, 10-15), (pois cada pecado tem sua consequência e Deus perdoa nosso pecado, mas devemos pagar de alguma forma pelo erro que cometemos), ficam em Purificação, o Purgatório (Mt 12, 32), (I Cor 3, 10-15), (II Mac 12, 43-46), (I Cor 15,29). Assim, no cristianismo, a morte é uma passagem para o céu e todos os que estão no céu podem orar pelos que estão na terra, já que “Na ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu.” (Mt 22,30). Apesar de ainda estarem esperando a ressurreição, os homens e mulheres justos, já estão na presença de Deus (Apoc 7,13-15), esperando pelo desfecho final da história humana (Apoc 6,9-11), assim, sendo como os anjos, intercedem por nós continuamente (Apoc 8,3-4), (Mt 18,10). Fonte: santossanctorum.blogspot.com.br Paulo Lelis
- Batismo infantil no cristianismo – Uma prática Bíblica?
Figura pintada na parede de uma Igreja primitiva (início do século II):Batismo infantil A circuncisão judaica era uma sombra do batismo cristão, o apóstolo São Paulo nos diz que a Lei era uma “apenas uma sombra dos bens futuros” (Hb 1,10 – sei que há controvérsias acerca da autoria da epístola aos Hebreus, mas ficarei com a interpretação mais aceita de que foi São Paulo o seu autor). Em Colossenses 2,11-12 ele faz o paralelo direto entre a circuncisão judaica e o batismo cristão. Enquanto que a circuncisão marcava para o judeu a entrada na aliança mosaica, no “povo eleito de Deus”, para o cristão o batismo marca a entrada da pessoa na comunidade, na Igreja do Senhor Jesus Cristo. A analogia é tão clara que ele (São Paulo) chama o batismo de “circuncisão de Cristo”. Sendo a circuncisão judaica um paralelo do batismo cristão, surge a pergunta inevitável: os judeus circuncidavam seus filhos em qual fase da vida ? Na vida infantil, e para ser mais preciso, no oitavo dia de vida (ver em Gn 17,11). Se a circuncisão marcava a entrada do judeu no chamado “povo eleito de Deus”, na Antiga Aliança, e que ela é, na interpretação canônica de São Paulo uma sombra do batismo cristão, que marca a entrada da pessoa na Igreja e na aliança do Novo Pacto, e que tal procedimento era feito na infância, qual a razão de rejeitar a ideia de que o batismo pode – e deve – ser ministrado igualmente nas crianças recém-nascidas? O que é o Batismo ? O batismo é para a Igreja um sacramento, um mandamento expresso de Jesus Cristo para aqueles que desejam entrar na vida cristã e na própria vida eterna. “…em verdade te digo: quem não nascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus” (João 3,5). “Ide pois, e ensinai a todas as nações: batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28,19). “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Marcos 16,16). Todas essas palavras são atribuídas ao próprio Jesus Cristo. Sendo assim, o batismo não é uma brincadeira. Também não é algo “opcional”, algo que o cristão pode considerar fazer ou não. É uma ordenança, que deve ser cumprida. Afinal, a Igreja, desde os tempos primeiros do cristianismo entendeu a relevância da admoestação de Jesus e reconheceu o batismo como sacramento, o ritual de entrada na comunidade cristã. Vemos claramente que Jesus Cristo deu a este sacramento o efeito de produzir um “Renascimento”, uma “Regeneração Espiritual” (João 3,5 e Tito 3,5-7), que tem o condão de perdoar até mesmo o pecado original e outros, se houverem, comunicando à alma a graça divina e santificante (Efésios 5,26-27). Que o pecado original é trazido no homem desde o nascimento há pouca margem para dúvida. A epístola de São Paulo aos Romanos no capítulo 5, nos versículos 12-14 e 19 mostra os efeitos do pecado original no homem. E São Pedro destaca em Atos 22,16 acerca da possibilidade de lavá-los no batismo: “E agora, porque te demoras? Levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o nome dele.” O sacramento do batismo aparece na Sagrada Escritura como tendo este poder – dado por Cristo, é claro – de lavar os pecados daquele que é batizado. Lembremos também a ocasião em que São Pedro anunciou enfaticamente: “Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados.” (At 2,38-39). Alguém ainda pode duvidar que o sacramento do batismo lava o cristão do pecado original ? E o ladrão da cruz, precisou de batismo para se salvar ? Muitos gostam de destacar as exceções como se estas devessem ser consideradas como regras. É evidente que o ladrão da cruz não foi batizado, e mesmo assim Jesus garantiu a ele que naquele dia ainda estaria com ele “…no paraíso” (Lc 23,43). Temos de considerar dois fatores nesta passagem: primeiro, Cristo nem sequer havia morrido naquele momento. A Antiga Aliança ainda estava em pleno vigor. A Nova Aliança só começou a vigorar e ter pleno efeito após a ressurreição do Senhor. E você lembra o que marcava a entrada de alguém na velha aliança ? Sim, a circuncisão. Mas, devemos considerar também que quem estava na cruz próximo ao “bom ladrão” era ninguém mais, ninguém menos que o próprio Deus encarnado. Ele não somente tinha o poder como a capacidade de salvar a quem ele bem entendesse. A regra que deve ser considerada pelo cristão está bem expressa na Sagrada Escritura: o batismo é condição básica para alguém ser considerado cristão. E as crianças que morrem sem batismo, estão perdidas ? Creio que esta pergunta fica bem respondida com o texto dos evangelhos, que diz em suma “Deixai as crianças virem a mim, e não as impeçais, porque o Reino dos céus pertence a tais como estes.” (Mateus 19,14, Marcos 10,14, Mateus. 18,2-5 e Lucas 18,16) As crianças são seres que ainda não foram contaminadas, do todo, pela maldade. Elas têm, é claro, o pecado original, se não tiverem sido lavadas dessa sujeira no sacramento do batismo. Contudo, Deus, em sua infinita misericórdia, saberá tratar com esses seres inocentes que morrerem sem cumprir o seu mandamento, porém, sem carregarem a culpa por isso. Como poderíamos imputar culpa a uma criança que depende muitas vezes de seus pais para tudo ? Mas aqui façamos um paralelo. Na Antiga Aliança, deixar de circuncidar o filho homem no oitavo dia era algo impensável para os judeus. Deixar de fazê-lo significaria uma desobediência grave ao preceito da Lei por parte dos pais. Por mais irônico que possa parecer, o próprio Moisés quase foi morto pelo Senhor enquanto estava reticente em circuncidar seu filho (por favor, leia Êxodo 4,24). Dai vemos a gravidade em deixar de cumprir um mandamento expresso do Senhor. Se o batismo infantil era o padrão, por que Jesus se batizou somente depois de adulto ? Antes de considerarmos essa questão, devemos lembrar que Jesus Cristo viveu e cumpriu integralmente a Velha Aliança, para então inaugurar a Nova. O sacramento do Batismo não era a regra quando do nascimento do Salvador. Na verdade, ele só faz parte do ministério de Jesus quando o mesmo se iniciou, quando ele tinha 30 anos, através das mãos de João Batista, aquele que veio para “preparar o caminho do Senhor”. Sendo assim, como Jesus poderia ser batizado se ainda seu ministério e a Nova Aliança sequer havia iniciado? Os ritos da lei mosaica só deixariam de valer após a ressurreição de Cristo (cf. Mt 26:61). Mas, nunca é demais recordar que Jesus foi apresentado no templo quando criança, pois este preceito da lei mosaica ainda estava em plena validade, enquanto que o batismo ainda não. Veja que os ritos de iniciação da religião judaica nunca excluíram as crianças: tanto a circuncisão, para os filhos varões, quanto a consagração no templo eram feitos quando a criança era recém-nascida. Por qual razão o batismo, o ritual de iniciação cristã por excelência, deve deixar de fora aqueles a quem Jesus tanto frisou para deixar virem a ele? A Bíblia mostra o batismo de famílias inteiras, não há nenhuma razão para acreditarmos que as crianças eram excluídas. Aliás, as palavras usadas na Sagrada Escritura as inclui quase de forma explícita “Deixai as crianças virem a mim, e não as impeçais, porque o Reino dos céus pertence a tais como estes.” (Mt 19,14; Mc 10,14; Mt. 18,2-5 e Lc 18,16). Quando São Pedro diz em Atos 2:38-39, que a promessa do batismo é “para você e seus filhos, e aqueles muito longe.” A palavra grega empregada para denotar “filhos” é teknon. Esta é a mesma palavra usada em Atos 21,21 para descrever crianças de oito dias de idade (a mesma idade da circuncisão judaica). Sendo assim, São Pedro afirma que o batismo é tanto para crianças quanto para adultos. Além disso, em Atos 16,15, lemos que Lídia e “sua casa ou lar” foram batizados. A palavra para ”casa ou lar” aqui é éoikos, e sua definição incluía lactentes e crianças. “Naquela hora da noite, o carcereiro levou-os consigo para lavar as feridas causadas pelos açoites. A seguir, foi batizado com todos os seus. (At 16,33)” “Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no Senhor com toda a sua família; e muitos coríntios, que escutavam Paulo, acreditavam e recebiam o batismo. (At 18:8)” “Ah! Sim. Batizei também a família de Estéfanas. Além deles, não me lembro de ter batizado nenhum outro de vocês” (1 Cor 1,16). Devemos lembrar que na cultura judaica as famílias eram, via de regra, grandes. E certamente incluía crianças de todas as idades, inclusive recém-nascidos. O batismo de famílias inteiras só reforça a tese de que as crianças que faziam parte delas estavam inclusas no arranjo cristão. É importante salientar que se a prática do batismo infantil fosse ilícita, como alguns querem dar a entender, era de se esperar que a Sagrada Escritura a proibisse explicitamente, principalmente para conter os judeus da aplicação de Batismo para seus filhos, como faziam com a circuncisão. Mas o silêncio encontrado no Novo Testamento e nos escritos dos Patriarcas é retumbante, um silêncio que é muito profundo e ao mesmo tempo significativo. O testemunho dos primeiros cristãos e dos pais da Igreja O cristianismo existe há mais de dois mil anos. E o mais impressionante é que a história de nossa religião é ricamente documentada. É uma pena que para muitos cristãos, a Igreja parece ter congelado no tempo após São João ter escrito o último ponto do apocalipse. Nada mais longe da verdade. Os apóstolos deixaram sucessores em cada Igreja que fundaram pessoalmente. Homens que aprenderam deles as tradições cristãs e os instruíram a conservá-las (1 Tm 6,20). Muitos deixaram escritos que foram preservados e que estão à nossa disposição ainda hoje, mostrando um retrato inconfundível de como era a fé dos primeiros cristãos. Acerca do batismo, não são poucos os testemunhos escritos e até achados arqueológicos acerca da prática de incluir as crianças recém-nascidas neste sacramento. Vejamos alguns exemplos patentes. Irineu, que viveu entre os anos 130-200 d.C, escreve acerca do batismo cristão: “Pois Ele [Jesus] veio para salvar a todos através de Si mesmo – tudo, eu digo, que através Dele nasceram de novo a Deus – bebes e crianças, e meninos, e jovens e velhos” (Contra heresias, 2, 22, 4). Clemente de Alexandria, que viveu entre 155-225 d.C escreveu que o batismo se destina: “a crianças pequenas” (O pedagogo 3,11, 195 d.C) Hipólito, que viveu entre 169-235 d.C, recomenda: “Sejam batizadas, primeiramente as crianças” (Tradição Apostólica – 215 d.C) Orígenes, que viveu entre 185-255 d.C escreve: “A Igreja recebeu dos Apóstolos a Tradição de dar batismo também aos recém-nascidos” (Ad Rom. 5, 9) Cipriano, bispo de Cartago, na África, que viveu no segundo século da era cristã, escreveu: “A graça do batismo não deve ser apartada de ninguém e especialmente das crianças. Pois os Apóstolos, a quem foram confiados os segredos dos mistérios divinos, sabiam que há em todos, as manchas do pecado original, que devem ser lavados através da água e do Espírito”. (Comentários Sobre Romanos 5,9) Santo Agostinho, respeitado tanto por católicos quanto por protestantes, também dá um testemunho fundamental acerca da questão. “Este [o batismo infantil], a Igreja sempre teve, sempre manteve, o que ela recebeu da fé dos nossos antepassados; isso, ela guarda perseverantemente até o fim” (Sermão. 11, De Verbo Apost) “Quem é tão impiedoso ao desejar excluir as crianças do reino dos céus proibindo-as de ser batizadas e nascidas de novo em Cristo?” (Sobre o pecado original 2, 20) Além desses exemplos temos vários outros de concílios regionais e ecumênicos, mas as referências aqui alistadas já são suficientes para mostrar o ponto que a Igreja primitiva foi praticamente unânime no tocante à licitude da prática do batismo infantil. Achados arqueológicos reforçam o batismo infantil Em Maio de 2005 tivemos uma grande descoberta no campo da arqueologia. Foi encontrada em Jerusalém o que se acredita ser a mais antiga Igreja cristã já vista. Nas escavações feitas para a ampliação de um presídio no vale do Megido tivemos a grata surpresa. Transcrevo abaixo um trecho de um artigo da internet: “Durante os primeiros trabalhos para a construção de mais um setor da cadeia foi achado junto do local um mikveh, ou seja uma pia batismal” (fonte:https://www.cafetorah.com/achados-arqueologicos-impression…/ ). Quero chamar a sua atenção para um detalhe: a mikveh, ou pia batismal. Além disso, as catacumbas de Roma, onde eram realizadas as primeiras missas, quando a Igreja sofria forte perseguição do Império Romano, temos uma singela pintura na parede. A pintura de uma criança sendo batizada, por aspersão, por um adulto. Concluindo, como Jesus mesmo disse, é necessário ao cristão “nascer da água e do espírito” (Jo 3,5). Na Igreja Católica, o nascimento na água é representado pelo batismo, geralmente feito nas crianças, para retirar a mancha do pecado original. Porém, existe um segundo sacramento, ministrado somente após a idade da razão – ou seja, após os 15 anos e por opção pessoal do candidato – chamado de Crisma. Este sacramento consiste na confirmação do Batismo pelo Espírito Santo, na qual o fiel crismando é enviado ao mundo para testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo em atos e palavras. Vemos assim que a objeção apresentada para invalidar o batismo católico por retirar da pessoa a possibilidade de escolha de seu caminho espiritual não tem nenhuma base sólida. Pedro Lima Neto, ex-protestante converso ao catolicismo, http://pedrofln.blogspot.com.br/…/batismo-infantil-no-crist…
- Questão de Galileu: Os mitos e os fatos
A IGREJA O incidente de Galileu prova que a Igreja Católica não é infalível Mostra também que o catolicismo se opõe à ciência devido ao seu dogmatismo aristotélico Resposta inicial As proclamações errôneas da Igreja sobre o Galileo, erroneamente mal interpretadas, não destroem a doutrina da infalibilidade, uma vez que os fatos são devidamente examinados. Resposta extensa A censura do astrônomo Galileu (1564-1642) em 1616 e 1633 pode ser o mais notório e famoso erro católico de todos os tempos, e o conto favorito (repleto de mitos) daqueles que acreditam que religião e ciência são inexoravelmente opostos. O dogma católico nunca consagrara o geocentrismo, e Galileu (um católico fiel) havia sido apoiado por muitos clérigos notáveis, incluindo três papas. De fato, seu biógrafo Giorgio de Santillana declarou que “é sabido há muito tempo que grande parte dos intelectuais da igreja estava do lado de Galileu, enquanto a mais clara oposição a ele vinha de idéias seculares” The Crime of Galileo, University of Chicago Press, 1955, xii-xiii). Mas o cientista (embora basicamente correto) era excessivamente confiante e bastante obstinado em proclamar sua teoria científica como verdade absoluta, e essa era uma grande preocupação. Assim, São Roberto Belarmino, que esteve diretamente envolvido na controvérsia, deixou claro que o heliocentrismo não foi irreversivelmente condenado, e também que uma teoria ainda não comprovada não era um fato inatacável. Belarmino realmente teve a compreensão superior da natureza de uma hipótese científica. Galileu era cientificamente falível também. Ele sustentava que todo o universo girava em torno do sol em órbitas circulares (não elípticas) e que as marés eram causadas pela rotação da Terra. O verdadeiro heliocentrismo não foi conclusivamente provado até cerca de 200 anos depois. O papa João Paulo II pediu desculpas pelo erro dos filhos da Igreja, mas o Santo Ofício o fez em 1825, e as obras escritas de Galileu foram permitidas em 1741. Muito mais embaraçoso e numeroso fiasco “Bíblia vs. Ciência” no mundo protestante não são tão conhecidos. Martinho Lutero chamou Copérnico de “astrólogo iniciante” em 1539, apelando para Josué 10:13 como prova de que o sol se move. Seu sucessor, Filipe Melanchthon, achava que Copérnico exibia uma falta de “honestidade e decência”, embora fosse um ávido entusiasta da astrologia. João Calvino “provou” o geocentrismo do Salmo 93: 1, e sustentou que a crença em uma terra em rotação “perverteria a ordem da natureza”. François Turretin, John Owen e muitos puritanos seguiram o exemplo. Os filósofos católicos, por outro lado, como Nicolau Oresme (c. 1325-1382) e Nicolau de Cusa (1401-1464) já há muito haviam proposto uma terra em movimento, e a esfericidade da Terra fora ensinada ainda mais cedo por Santo Alberto Magno, São Tomás de Aquino e Dante. A Universidade Protestante de Tübingen condenou o heliocentrismo do grande astrônomo luterano Johann Kepler (1571-1630), não muito antes do incidente de Galileu. Leibniz, o filósofo luterano (1646-1716) atacou a teoria da gravitação de Newton. Objeção Mas Galileu também não foi preso e torturado pela Inquisição, a fim de levá-lo a se retratar de sua teoria? Resposta à objeção Em 1633, Galileu foi “encarcerado” no palácio de Niccolini, o embaixador no Vaticano da Toscana, que admirava Galileu, passou cinco meses com o arcebispo Piccolomini em Siena e depois viveu em ambientes confortáveis com amigos para o resto de sua vida (tecnicamente sob “prisão domiciliar”). Nenhuma evidência existe para provar que ele foi realmente submetido a tortura ou deliberadamente cegado (ele perdeu a visão em 1637). A Enciclopédia Católica ”Foi um homem da igreja, Nicolau Copérnico, que primeiro desenvolveu a primeira avançada e controversa teoria de que o sol, e não a terra, é o centro do nosso sistema, ao redor do qual nosso planeta gira, girando em seu próprio eixo. Sua grande obra, De Revolutionibus orblure coelestium, foi publicada sob a sincera solicitação de dois renomados clérigos, o cardeal Schomberg e Tiedemann Giese, bispo de Chełmno. Foi dedicada com permissão ao papa Paulo III para, como Copérnico explicou, poder ser protegido dos ataques que certamente encontraria por parte dos “matemáticos” (isto é, filósofos). . . Nem Paulo III, nem nenhum dos nove papas que o seguiram, nem as Congregações Romanas, levantaram qualquer alarme. . . Pode-se dizer que tanto Paulo V como Urbano VIII se comprometeram com a doutrina do geocentrismo de modo a impô-la à Igreja como um artigo de fé, e assim ensinar como papa o que agora é reconhecido como falso? Que ambos os pontífices eram convencidos anti-copernicanos não pode ser postos em dúvida, nem que eles acreditavam que o sistema copernicano não fosse bíblico e desejavam sua supressão. A questão é, no entanto, se qualquer um deles condenou a doutrina ex cathedra. Isso, é claro, eles nunca fizeram. Quanto ao decreto de 1616, vimos que foi emitido pela Congregação do Index, que não pode levantar nenhuma dificuldade em relação à infalibilidade, sendo este tribunal absolutamente incompetente para fazer um decreto dogmático. Nem é o caso alterado pelo fato de que o papa aprovou a decisão da Congregação de forma comum, isto é, na medida necessária para o propósito pretendido, a saber, proibir a circulação de escritos julgados prejudiciais. . . . Quanto ao segundo julgamento, em 1633, tratava-se não tanto da doutrina como da pessoa de Galileu, e de sua manifesta quebra de contrato em não se abster da propaganda ativa das doutrinas copernicanas. A sentença, por sua vez, passou a implicar claramente uma condenação do copernicanismo, mas não fez nenhum decreto formal sobre o assunto e não recebeu a assinatura do papa.” (Vol. VI, 1909, “Galileo Galilei”, John Gerard) Tradução: http://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2015/10/galileo-the-myths-and-the-facts.html
- A VERDADE IMUTÁVEL DA SALVAÇÃO Parte II (A encarnação do logos de Deus)
A VERDADE IMUTÁVEL DA SALVAÇÃO Parte II (A encarnação do logos de Deus) A união com Deus e sua preliminar, a purificação, portanto, estavam intimamente ligadas ao conhecimento. Máximo, comentando sobre uma passagem Gregório de Nazianzo, afirmou que era fundamental uma “mistagogia por intermédio do conhecimento” para Purificação da mente por meio do Espírito Santo, embora esse dom só tivesse garantido aos que já tinham o dom da santidade (Máximo o livro das ambiguidades 19). A fé tinha de ser definida como “a fundação sustentando as obras de Piedade, que dão garantia de Deus é e de que as coisas divinas são reais” (Máximo epístolas 2). Como tal, era a base tanto da Esperança quanto do amor, nenhum deles poderia ser firme sem ela. O reino de Deus, que afetou a união com o senhor, era a “Fé em Ação” (máximo questões para Talássio sobre as escrituras 33). Essa fé era bem específica em seu conteúdo e objeto. Era a fé da igreja […] por meio da qual somos guiados à herança do bem”( Máximo questões para Talássio sobre as escrituras). A fé estava ligada aos dogmas ortodoxos da Igreja, o que tornou possível tanta a esperança quanto o amor. Sem fé era impossível obter a salvação. Os cristãos foram ensinados que a disciplina para obtenção da vida eterna não era nada menos que essa fé (Máximo epístolas 12); a crença Ortodoxa era necessária para salvação. E também a advertência do apóstolo Paulo contra “aqueles que causam divisões e colocam obstáculos ao ensino que vocês têm recebido” (Romanos 16. 17) foi tomada com um ataque “àqueles que não aceita os dogmas religiosos salvíficos da igreja” Maximo Epístolas 12). Esses dogmas religiosos e salvíficos da igreja eram a verdade divinamente revelada e, como tal, eram imutáveis. Quando um teólogo, por exemplo, veio a definir “a condição Suprema da oração” Máximo quatrocentos capítulos sobre a caridade 2.61)), a decisão foi introduzida com a fórmula: “Eles dizem”, porque os manuais de oração e práticas ascética, como outro compêndio da doutrina da igreja, não reivindicavam de maneira alguma ser originais. De acordo com Teodoro de Estudida, o Legado mais rico que alguém pode deixar para a posteridade era a fé Ortodoxa da igreja junto com a regra monástica (Teodoro estudita orações 11.7.43). Esse mesmo teólogo, citando Máximo, identificou como “o Dogma da Verdade” falado pelos pais do cristianismo da antiguidade; seus oponentes concordaram com ele quanto o princípio formal, discordando só quanto ao conteúdo material dessa tradição (Teodoro Estudita refutações anti-heréticas aos iconoclastas). Todos nos dois lados de cada uma das controvérsias com as quais estaremos lidando aceitavam o princípio de uma verdade imutável. os monotelitas e os diotelitas, os iconoclastas e os iconodulitas, gregos e latinos – todos reivindicavam Esse princípio e insistem que detém essa verdade imutável. “a palavra de verdade” é tal”, qualquer um deles pode dizer, “que é uniforme e inabalável por sua própria natureza e não pode ser sujeito a diferença de pontos de vistas ou de mudanças temporais. Ela é sempre a mesma, ensinando e defendendo a mesma coisa, porque ela transcende todas as adições ou subtrações”. Em contrapartida, era característico da falsidade ser dividida e muitas partes e muitas teorias, mudando repentinamente de uma coisa para outra. Em um momento ela sustentava isso, no seguinte, ensinava exatamente o oposto; e nunca permanecia firme no mesmo lugar, pois está sujeita a mudanças e exigências da Mutação (Teodoro estudita refutações anti-heréticas aos iconoclastas).por isso, quando um Concílio ecumênico, sob a liderança do Espírito Santo,promulgou uma doutrina, Esta ficou conhecida com a “antiga e originalmente tradição autoritativa da igreja […] e em nenhum sentido uma inovação” nicéforo Apologia menor para as imagens santas 5). Subjacente a essa definição da Verdade divina como imutável estavam a definição de Divino mesmo como imutável e absoluto. Porque Deus transcendia a mudança, a verdade sobre ele também teve de fazer isso. É característico da natureza de Deus ser impassível e indestrutível (Máximo comentário sobre as epístolas de Dionisio o areopagita 9.1). Deus conforme Hebreus 13. 8 também Deixa claro, “é tanto antigo quanto novo” (Máximo comentário sobre os nomes divinos de Dionísio o Areopagita 10.2). Era impossível atribuir alguma mudança de Deus ou atribuir algum movimento da mente ou da vontade a ele (Máximo Questões para Talássio sobre as escrituras 60). Quando Os relatos bíblicos, sobretudo os do Antigo Testamento, atribuem “arrependimento” a Deus, isso não deve ser entendido no sentido literal como algum tipo de antropopatismo, mas, de acordo com o caráter da linguagem bíblica, como uma acomodação às maneiras humanas de falar (Máximo questões e dúvidas 32). A escritura fala de uma maneira que não é literalmente exata a fim de capacitar seus leitores a aprender o que transcende a exatidão literal (Máximo comentário sobre a hierarquia celestial de Dionísio o Areopagita 2.2). Assim, só Deus é imutável por sua própria natureza; contudo, outros podem receber o dom de ser “firmes” como algum tipo de hábito (Máximo comentário sobre a hierarquia celestial de Dionísio o Areopagita 7.2). Deus é por natureza “bom é impossível” e “ama todas as suas criaturas da mesma maneira” (Máximo quatrocentos capítulos sobre Caridade 1. 25). Parte do processo de salvação como deificação é assimilação gradual da mente de Deus pela mente do homem. Por meio da Graça da oração a mente se junta a Deus e aprende a se associar só a Deus, tornando-se ainda vez mais semelhante a Ele e afastando-se cada vez mais do domínio desta vida mortal (Máximo o livro ascético 24). O julgamento de Deus não prossegue “de acordo com o tempo e o corpo” e, assim, a alma que transcende o tempo e o corpo, é assimilada a essa qualidade Divina (Máximo questões e dúvidas 60). O uso do mesmo vocabulário em especial do termo-chave “imutável”, tanto para a natureza de Deus quanto para o caráter distintivo da verdade sobre Deus, parece indicar uma conexão entre os dois. O contraste entre a verdade ortodoxo sobre Deus e suas distorções hereges tinha de ser encontrada especificamente nesse caráter distintivo. Pois uma marca dos hereges era que eles apresentavam a “Inovação” daqueles que estão tornando o evangelho inútil (Máximo Epístolas 13). O herege podia ser postulado de “descobridor desses novos dogmas” (Nicéforo refutações anti-heréticas 1.23 ). O movimento Montanista dos séculos II e III. Que já foram estudados em um texto anterior, identifique como “montanistas”, com a sua ligação de uma nova profecia foi rejeitado como um produto não espírito santo de Deus, mas do espírito maligno e demoníaco (Máximo o livro das ambiguidades 68). A teoria de Orígenes da pré-existência da alma e também as teorias da pré-existência do corpo negavam a “maneira real” da antiga tradição patrística, que ensinava que a alma e o corpo vieram a existir simultaneamente (Máximo o livro das ambiguidades 42). Em contrapartida a essa tradição, que era modesta em suas reivindicações de conhecer a respeito de Deus, hereges Como Eunômio, tinham presumido “conhecer a Deus também tão bem quanto ele mesmo se conhecesse” (Máximo o livro das ambiguidade 18), o que era loucura e blasfêmia. “Inovação” e “blasfêmia” eram quase sinônimos, pois, ambos eram opostos à verdade Divina, como mostrou a heresia Ariana (Máximo o livro das ambiguidades 24). Essa hostilidade em relação à inovação teológica surgiu com pelo menos igual vigor na defesa de posições que no fim vieram a ser reconhecidas como hereges. Assim, uma posição cristológica contra o que Máximo escreveu seria fundamentada na pressuposição de que “toda a fórmula e termo que não é encontrado nos pais é uma inovação” e aqueles que ensinavam como Máximo o fazia estavam inventando sua própria doutrina em Oposição à fórmula dos Pais (Teodoro, diácono de Constantinopla. questões para Máximo 2). Outro de seus oponentes insistia que seria suficiente se ater a linguagem dos primeiros Concílios e não dizer nada mais do que eles disseram, embora tivessem surgido novas questões (Pirro de Constantinoplair apologia a discussão com Pirro). Todos concordavam que a heresia era simplesmente “uma nova fé”, uma fé que ensinava “um Deus estranho” (Nicéforo refutações anti-heréticas 1.20); portanto, ela tinha de ser rejeitada. Ela contradizia não só a verdade antiga e tradicional, mas também suas próprias declarações (Nicéforo refutações anti-heréticas 1.43). Portanto, a verdade imutável da salvação não estava sujeita a negociação. Quando alguém pedia perdão com base em sua ignorância da doutrina Ortodoxa, era essencial distinguir entre o perdão estendido à pessoa por suas faltas (o que era exigido pelo evangelho) e o perdão estendido a falsos dogmas (o que era proibido pelo mesmo evangelho) Máximo discussão com Pirro). A controvérsia doutrinal não era uma diferença em relação ao vocabulário, mas quanto ao próprio conteúdo da fé cristã; isso não podia ser descartado como logomaquia ( Máximo opúsculos 16). Às vezes sugeriam que os dois lados de controvérsia sobre as vontades de Cristo não diferiam de modo algum excesso em meras fórmulas (Pirro de Constantinopla, Máximo discussão com Pirro), mas essa sugestão foi repudiada como uma traição a verdadeira fé. Para os que eram fiéis, não podia haver distinção na tradição entre as coisas que eram essenciais e as que eram secundárias; entre o que tinha de ser mais respeitado e o que tinha de ser menos respeitado; pois a doutrina tinha vindo dos pais e tinha de ser respeitada(Nicéforo refutações anti-heréticas 3.34). Essa era a fé antiga e imutável da igreja. Os que aceitavam eram “os que comiam na pura e divina pastagem da doutrina da igreja”( Máximo Epístolas 12). A igreja era “pura e incorrupta, Imaculada e não adulterada”( Máximo questões para Talássio 12) e, em sua mensagem, não havia nada estranho ou confuso. A verdade do Evangelho estava presente na igreja como estivera o início, era agora, e sempre seria, mundial e sem fim. #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Cristologia #Igreja
- A PALAVRA É VIVA QUANDO SÃO AS OBRAS QUE FALAM (Santo Antônio de Pádua, presbítero)
Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando os outros as veem em nós mesmos. A palavra é viva quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas. Diz São Gregório: “Há uma lei para o pregador: que faça o que prega”. Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras. Os apóstolos, entretanto, falavam conforme o Espírito Santo os inspirava (cf. At 2,4). Feliz de quem fala conforme o Espírito Santo lhe inspira e não conforme suas ideias! Pois há alguns que falam movidos pelo próprio espírito e, usando as palavras dos outros, apresentam-nas como suas, atribuindo-as a si mesmos. Destes e de outros semelhantes, diz o Senhor por meio do profeta Jeremias: Terão de se haver comigo os profetas que roubam um do outro as minhas palavras. Terão de se haver comigo os profetas, diz o Senhor, que usam suas línguas para proferir oráculos. Eis que terão de haver-se comigo os profetas que profetizam sonhos mentirosos, diz o Senhor, que os contam, e seduzem o meu povo com suas mentiras e seus enganos. Mas eu não os enviei, não lhes dei ordens, e não são de nenhuma utilidade para este povo – oráculo do Senhor (Jr 23,30-32). Falemos, portanto, conforme a linguagem que o Espírito Santo nos conceder; e peçamos-lhe humilde e devotamente que derrame sobre nós a sua graça, a fim de podermos celebrar o dia de Pentecostes com a perfeição dos cinco sentidos e na observância do decálogo. Que sejamos repletos de um profundo espírito de contrição e nos inflamemos com essas línguas de fogo que são os louvores divinos. Desse modo, ardentes e iluminados pelos esplendores da santidade, mereceremos ver o Deus Uno e Trino. (Dos Sermões de Santo Antônio de Pádua, presbítero – I.226 – Séc.XII). #Igreja
- Quais são as marcas da Igreja Verdadeira?
No fim de semana passado, um calvinista explicou-me que ela deixou os metodistas depois de concluir que eles não eram uma igreja, uma vez que eles não pregavam a pura palavra de Deus. Para os ouvidos católicos, esse tipo de afirmação pode soar muito estranha, então eu queria explicar o que os calvinistas querem dizer com isso e por que está errado. I. O que significa No século XVI, os reformadores enfrentaram um problema sério. Eles acreditavam, como João Calvino escreveu no Livro IV, Capítulo I das Institutas da Religião Cristã, que “além da pureza da Igreja não se pode esperar perdão de pecados, nem salvação,” já que Calvino e outros estavam se separando da Igreja visível, essa doutrina representava um sério obstáculo. Afinal, eles pareciam estar se condenando com suas próprias palavras. Então, o que eles fizeram foi redefinir o que significa “Igreja”. O exemplo mais claro disso é da Confissão Belga Calvinista Holandesa (1567): A verdadeira igreja pode ser reconhecida se tiver as seguintes marcas: A igreja se envolve na pura pregação do evangelho; faz uso da administração pura dos sacramentos como Cristo os instituiu; pratica a disciplina da igreja para corrigir falhas. Em resumo, ela se governa de acordo com a pura Palavra de Deus, rejeitando todas as coisas contrárias a ela e mantendo Jesus Cristo como a única Cabeça. Por estas marcas pode-se ter a certeza de reconhecer a verdadeira igreja – e ninguém deve ser separado dela. Portanto, é somente a verdadeira Igreja se a pregação do Evangelho e a administração dos sacramentos são puras, e a disciplina da igreja é usada para corrigir as falhas. Calvino acreditava apenas em duas marcas da Igreja: “a pregação da palavra e a observância dos sacramentos”. Ele argumentou que perder essas duas marcas “destruiria a distinção verdadeira e genuína da Igreja”: Não há nada em que Satanás tenha mais intenção do que destruir e apagar um ou ambos – de uma só vez apagar e abolir essas marcas, e assim destruir a distinção verdadeira e genuína da Igreja; em outro, para trazê-los ao desprezo, e assim nos apressarmos a uma revolta aberta da Igreja. Por seus ardis foi devido que por várias eras a pregação pura da palavra desapareceu, e agora, com o mesmo objetivo desonesto, ele trabalha para derrubar o ministério, que, no entanto, Cristo ordenou em sua Igreja, que se fosse removido todo o edifício deve cair. Assim, ele argumentou, o catolicismo não era a verdadeira Igreja, porque os sacramentos e a pregação estavam todos errados. Na Confissão de Fé francesa de 1559 (PDF), ele colocou assim: Condenamos, portanto, as assembléias papais, à medida que a pura Palavra de Deus é banida delas, seus sacramentos são corrompidos, falsificados ou destruídos, e todas as superstições e idolatrias estão nelas. Assim, o cisma da Igreja visível não era apenas permissível, mas necessário, uma vez que a Igreja tinha (de acordo com Calvino) deixado de fazer parte da verdadeira Igreja. II. Por que está errado Os católicos concordarão prontamente que a boa pregação, a administração adequada dos sacramentos e a disciplina na Igreja são partes importantes da vida da Igreja. Uma igreja que falha em fazer essas coisas falha com o rebanho de maneiras importantes. Mas aqui está a advertência importante: uma igreja que falha dessa maneira não deixa de fazer parte da Igreja. Podemos ver isso claramente das Escrituras. Em Apocalipse 2-3, Jesus envia uma mensagem através de São João para as sete igrejas da Ásia Menor (veja Apocalipse. 1: 17-20). Em Apocalipse 2: 12-17, ouvimos esta mensagem à Igreja em Pérgamo: ”E ao anjo da Igreja de Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes: Sei onde habitas, (é um lugar) onde Satanás tem o trono; e que conservas (apesar disso) o meu nome, e não negaste a minha fé, mesmo naqueles dias em que Antipas, minha fiel testemunha, foi martirizado entre vós, onde Satanás habita Mas tenho contra ti alguma coisa, porque tens aí sequazes da doutrina de Balaão, o qual ensinava Balac a pôr tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem e fornicassem; assim tens tu também sequazes da doutrina dos Nicolaítas. Faze igualmente penitência; de contrário, virei a ti brevemente, e pelejarei contra eles com a espada da minha boca.” Em outras palavras, a Igreja em Pérgamo (1) não conseguiu impor a disciplina na Igreja (como fez a Igreja em Tiatira – veja Apocalipse 2:20), e (2) aparentemente permitiu ensinamentos hereges (Nicolaítas). Ou seja, não cumpriu dois dos padrões que a confissão belga afirma serem marcas básicas da Igreja. E ainda assim Jesus ainda chama isto de igreja. Ele até mesmo diz que, apesar desses problemas, a igreja local (como um todo) permaneceu “fiel ao Meu Nome”. (Ap 2:13). Então, claramente, enquanto a incapacidade de aplicar a disciplina da Igreja, e garantir que a heresia não é pregada são tarefas importantes da Igreja (Jesus está repreendendo-os por esses fracassos, afinal de contas), eles não tornam a Igreja não a Igreja. E se isso for verdade no nível local, certamente é verdade no global. III As verdadeiras marcas da igreja e por que elas importam A Igreja Presbiteriana Ortodoxa (Calvinista) reconhece que: Desde o quarto século, os cristãos, incluindo os reformadores, usaram o Credo Niceno como uma confissão de fé. Os adoradores confessam que acreditam em uma igreja santa católica e apostólica. No entanto, uma vez que muitas seitas reivindicam o nome de “igreja”, os reformadores perguntaram o que as marcas escrituristicamente definidas distinguem as igrejas verdadeiras e falsas? Como podemos identificar onde a verdadeira igreja de Deus está presente? Os reformadores são claros: onde a palavra de Deus é verdadeiramente pregada e ensinada, os sacramentos corretamente administrados e a disciplina na igreja exercida fielmente, ali a verdadeira igreja santa e apostólica está presente. Há três pontos importantes a serem feitos aqui. 1-Existem marcas distintivas que a verdadeira Igreja deve manter, estabelecidas pelo Credo Niceno. O Credo, no coração do cristianismo ortodoxo, proclama a crença em “Uma Igreja Santa, Católica e Apostólica”. Essas são as Quatro Marcas da Igreja, e os Padres apontam para elas constantemente. A verdadeira igreja é uma instituição única, é santa, é católica e tem sucessão apostólica. Historicamente, não há nenhuma questão real de que os Padres Nicéia estavam se referindo à Igreja visível, a própria Igreja que Calvino e os outros reformadores romperam e negaram. 2-Os reformadores são a fonte dessas novas “Marcas”: pregação sólida, administração adequada dos sacramentos e disciplina da Igreja exercida fielmente. E os calvinistas estão divididos sobre o que são essas novas Marcas e quantas são. A Confissão Belga e a Igreja Ortodoxa Presbiteriana listam esses três, enquanto o próprio Calvino listou apenas duas (excluindo a disciplina da Igreja). Alguns Evangélicos Reformados agora afirmam que existem nove marcas (nenhum dos quais são os quatro identificados pelo Credo de Nicéia). No entanto, já vimos nas Escrituras que a Igreja continua sendo a Igreja, mesmo quando ela não consegue cumprir uma dessas duas (ou três, ou nove) categorias. 3-As novas “Marcas” são divisivas e inúteis: O COP observa que “muitas seitas reivindicam o nome de“ igreja ”, mas como uma desculpa para usar as novas“ Marcas ”. Mas essas seitas não podem reivindicar com credibilidade Sucessão Apostólica ou Catolicidade ou Unidade. Mas toda seita pode (e faz) reivindicar pregação adequada, sacramentos e disciplina na Igreja. Achamos que os presbiterianos têm muito poucos sacramentos. Eles acham que temos muitos. Portanto, as novas “Marcas” não fornecem nenhuma base séria para distinguir entre a Igreja e os cismáticos ou hereges. Ela rapidamente se transforma em “eles discordam de mim, então eles não são realmente a Igreja”. De fato, as novas “Marcas” foram feitas precisamente para esse fim. Calvino e os reformadores queriam se afastar da Igreja visível, e criando padrões elevados (incluindo vagos e impossíveis de provar ou refutar os critérios), eles foram capazes de justificá-la. Vamos usar o divórcio como um paralelo. Não há dúvida de que Deus odeia o divórcio (Malaquias 2:16) e o proíbe totalmente (Marcos 10: 9; Lucas 16:18). Mas se você realmente quisesse se divorciar de seu marido, tudo o que você teria que fazer é criar uma nova lista de verificação, alegando que um verdadeiro marido dá a vida por sua esposa (Efésios 5:25). Então, a menos que seu marido tenha arriscado o martírio por você, ele não é realmente seu marido, então você está livre para ir embora. Você vê o erro aí? Um marido deve fazer x, y e z. Mas isso não significa que ele deixa de ser seu marido se ele não o fizer, ou que você deve se divorciar dele se ele não o fizer. Existe uma coisa como um marido ruim. Ao adicionar mais e mais coisas à lista do que é preciso para ser um verdadeiro marido, você pode parecer piedoso, mas na verdade só está adicionando mais e mais desculpas para o divórcio. Da mesma forma, a Igreja tem alguns ministros ruins. Há maus homilias, há momentos em que a heresia surgiu, e a Igreja tem demorado a reprimir. E há momentos em que há mesmo Sacramentos inválidos: um padre herético que se recusa a usar a fórmula trinitária, ou muda as palavras da consagração. Mas essas pessoas são, com falta de excomunhão, ainda parte da Igreja. Judas era um mau apóstolo. Mas ele ainda era um apóstolo, de acordo com as Escrituras (Atos 1:20; Mateus 10: 1-4). E, é claro, mesmo as igrejas reformadas sofrem de más homilias, ministros frouxos e coisas do gênero. Por exemplo, o Dr. R. Albert Mohler, Jr., presidente do Seminário Teológico Batista do Sul, queixou-se de que a disciplina da Igreja é “a marca ausente”, na medida em que é tão raramente exercida no mundo moderno. Em outras palavras, mesmo a maioria das igrejas reformadas não cumprem a definição reformada de Igreja. Portanto, essa definição vaga e elevada destrói a Igreja, em vez de construí-la ou localizá-la. IV. Conclusão Espero que este esboço básico estabeleça algumas coisas. 1-A Igreja, desde o início, acreditou que há quatro marcas essenciais pelas quais podemos conhecer a verdadeira Igreja: una, santa, católica e apostólica. 2-A Igreja Católica possui todos os quatro, no sentido entendido pelos Padres Concíliares. As igrejas protestantes não, já que os reformadores deliberadamente quebraram a unicidade da Igreja e acabaram com a sucessão apostólica. 3-Para justificar esses cismas, os reformadores inventaram novos critérios que a Igreja deve manter, mas contradizem uns aos outros e aos Padres da Igreja ao fazê-lo. 4-Esses novos padrões são contrários à Bíblia, são subjetivos e ajudaram a destruir a unicidade que o Credo Niceno exige, e que Cristo exige (João 17: 20-23). Então, se você procura encontrar a plenitude da Igreja estabelecida por Cristo, procure Aquela que possa afirmar com credibilidade ser a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. Tradução: http://shamelesspopery.com/what-are-the-marks-of-the-true-church/
- Por que os Protestantes rejeitam a noção de ”Igreja Verdadeira”?
Recentemente, dois protestantes (originalmente em minha página no Facebook) condenaram vigorosamente e vociferamente essa doutrina (ou, mais especificamente, objetaram a qualquer cristão dizer que sua própria igreja era a única Igreja verdadeira: como se isso fosse fundamentalmente diferente do que católicos e ortodoxos acreditam sobre eclesiologia). Para ser justo, isso não é fanatismo ou puro anticatolicismo (pelo menos não necessariamente). Eu afirmaria que ela flui logicamente dos primeiros princípios protestantes. Eles estão simplesmente seguindo de forma consistente e sincera o seu próprio sistema, o que não permite que essa crença seja incluída, ponto final. Eu explicarei como e porque eu penso que é. Tudo aconteceu historicamente através da rebelião de Lutero. Uma vez que ele estava determinado a discordar de muitos (não todos) ensinamentos católicos (eu documentei pelo menos 50 deles: tudo parte de seu sistema de crenças antes de ser excomungado), ele não teve escolha senão adotar arbitrariamente a sola Scriptura, já que por definição, a Igreja e os concílios (uma forma de tradição) não podiam errar nas doutrinas cristãs básicas. Portanto, ele teve que rejeitar a autoridade infalível da Igreja Católica; caso contrário, ele não teria nenhum caso para a sua chamada “Reforma” da referida Igreja, construída sobre uma regra de fé imensamente diferente. Anteriormente, a regra de fé no cristianismo tinha sido o “banquinho de três pernas”: Bíblia-Tradição-Igreja. Chegou à cabeça em 1519 na disputa de Leipzig entre Lutero e Johann Eck. Eu escrevi sobre isso (especificamente em relação à infalibilidade papal). O biógrafo protestante de Lutero, Roland Bainton, descreveu a cena climática do debate: “Deixe-me falar alemão”, exigiu Lutero. “Estou sendo mal entendido pelo povo. Eu afirmo que um concílio às vezes errou e às vezes possa errar. Nem tem o concílio a autoridade para estabelecer novos artigos de fé. Um concílio não pode estabelecer o direito divino daquilo que, por natureza, não é direito divino. Concílios se contradizem, pois o recente Concílio de Latrão reverteu a alegação dos concílios de Constança e Basiléia de que um concílio está acima de um papa. Um simples leigo armado com as Escrituras deve ser acreditado acima de um papa ou de um concílio sem ele. Quanto ao decreto do papa sobre as indulgências, digo que nem a Igreja nem o papa podem estabelecer artigos de fé. Estes devem vir da Escritura. Por causa das Escrituras, devemos rejeitar o papa e os concílios ”. “Mas isso”, disse Eck, “é o vírus da Boêmia, de atribuir mais peso à própria interpretação das Escrituras do que à dos papas e concílios, dos doutores e as universidades. Quando o irmão Lutero diz que este é o verdadeiro significado do texto, o papa e os concílios dizem: “Não, o irmão não entendeu corretamente”. Então eu levarei o concílio e deixarei ir o irmão. Caso contrário, todas as heresias serão renovadas. Todos apelaram para a Escritura e acreditaram que sua interpretação estava correta, e afirmaram que os papas e os concílios estavam errados, como Lutero agora faz. É rançoso dizer que aqueles reunidos em um concílio, sendo homens, são capazes de errar. É horrível, que o Reverendo Padre contra o santo Concílio de Constança e o consenso de todos os cristãos não tenha medo de chamar certos artigos de Huss e Wyclif mais cristãos e evangélicos. Eu lhe digo, Reverendo Padre, se você rejeitar o Concílio de Constança, se você disser que um concílio, legitimamente chamado, erra e errou, seja então para mim como um gentio e um publicano. ”(Here I Stand, New York: Mentor, 1950, 90)” Foi a mentalidade contra católica (algumas coisas nunca mudam) que obrigou Lutero a discordar da regra de fé recebida. Por lógica e / ou necessidade prática, para avançar sua agenda e encurralado neste debate, ele teve que rejeitar a infalibilidade eclesial. Uma vez que foi expulso da eclesiologia, então o padrão ou a posição de recuo era sola Sciptura: uma coisa que não é ensinada na Bíblia em nenhum lugar, nem por qualquer padre importante da Igreja. O banquinho de três pernas, por outro lado, está em toda parte da Escritura. Por exemplo: 1. Nas prerrogativas de Pedro: o líder dos apóstolos, comissionado por Jesus para dirigir a Igreja. 2. Na sucessão apostólica (particularmente, a eleição de Matias para suceder Judas). 3. No governo episcopal (bispos e hierarquia). 4. Em frequentes e solenes condenações bíblicas de denominações e seitas e asserções de uma Igreja, uma fé, uma verdade, etc. 5. No Concílio de Jerusalém, que emitiu um decreto vinculativo, guiado pelo Espírito Santo, que Paulo então proclamou para observância (Atos 16: 4) em toda a Ásia Menor e em outros lugares. 6. Nas implicações de 1 Timóteo 3:15 (a Igreja como o pilar e fundamento da verdade). 7. Em como a Bíblia descreve a natureza da Igreja. 8. Nas opiniões expressas de Jesus sobre a tradição; por exemplo, sobre a cátedra de Moisés. 9. Na adoção bíblica da tradição apostólica positiva. 10. O “problema” da determinação do cânon bíblico: para o qual os protestantes não têm solução coerente. Tudo isso (e sua base fortemente bíblica e patrística) deve ser rejeitado (ou minimizado ou ignorado, conforme o caso) pelo protestante, a fim de adotar o slop autodestrutivo, implacavelmente incoerente da Sola Scriptura, que nunca é ensinado na Bíblia (como demonstrei, em um livro que o critica e um segundo critica os dois principais defensores históricos da doutrina). Uma vez que a sola Scriptura esteja firmemente no lugar, qualquer noção final ou autorizada de uma Igreja institucional visível, reforçada pela sucessão apostólica, cujos ensinamentos sejam autoritários e obrigatórios, tem que desaparecer. E vemos isso em um documento como a Confissão de Westminster: ”I. A Igreja católica ou universal, que é invisível, consiste no número inteiro dos eleitos, que foram, são ou serão reunidos em um, sob Cristo, a Cabeça do mesmo; e é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que preenche tudo em todos. II. A Igreja visível, que é também católica ou universal sob o Evangelho (não confinada a uma nação, como antes sob a lei), consiste em todos aqueles em todo o mundo que professam a verdadeira religião; e de seus filhos: e é o reino do Senhor Jesus Cristo, a casa e família de Deus, da qual não há possibilidade comum de salvação. . . . V. As igrejas mais puras debaixo do céu estão sujeitas a mistura e erro; e alguns degeneraram tanto, a ponto de não se tornarem Igrejas de Cristo, mas sim sinagogas de Satanás. No entanto, sempre haverá uma Igreja na terra para adorar a Deus de acordo com Sua vontade.” (Capítulo XXV: Da Igreja) Assim, vemos que os protestantes hoje seguem consistentemente essas tradições antibíblicas e arbitrárias dos homens. Eles são perfeitamente sinceros e bem intencionados. O problema não está no caráter ou em algum suposto defeito moral grave. Pelo contrário, é na adoção de premissas falsas, e falta de compreensão de como elas começaram, e quão hostis elas foram para toda a história cristã anterior e para a Bíblia. É por isso que os protestantes, não raramente, dizem que é “condescendente” ou não-ecumênico (a maioria das vezes “intolerante”!). Para qualquer um acreditar em uma Igreja verdadeira. É porque as restrições de categorias arbitrárias que eles aceitaram não permitem essas categorias e essa opinião. De fato, os católicos estão (como nós o vemos) simplesmente seguindo o ensino bíblico, apostólico e patrístico de maneira consistente, ao passo que é nossa opinião considerada que a visão protestante neste sentido é contrária à Bíblia, aos apóstolos, aos padres, e é logicamente auto-destrutiva. Eles estão fazendo seus pontos de amor e preocupação para os católicos adotarem a “verdade” (ou seja, seus princípios). Nosso motivo é precisamente o mesmo. Se alguém acredita em uma Igreja verdadeira identificável e demonstrável, é seu dever proclamar isso com os outros, para que eles possam compartilhar a plenitude, a alegria e o contentamento de tal visão (ou seja, para que possam participar de tal Igreja e participar dos seus benefícios únicos). A mensagem e o mensageiro são muitas vezes desprezados por isso. É uma crença muito fora de moda: especialmente nestes tempos loucos onde há verdades cada vez menos absolutas em que se acredita, o tempo todo. * Mas se até o próprio evangelho foi amplamente rejeitado; se Jesus, Paulo e os primeiros cristãos fossem odiados, rejeitados e martirizados, deveríamos esperar que nossa mensagem católica fosse odiada, deturpada e rejeitada também. Isto não é, contudo, motivo para não proclamá-la. Nós (especialmente apologistas / evangelistas como eu) faremos isso e deixaremos que os insultos gratuitos voem, se necessário. Eu não julguei o caráter de ninguém; muito pelo contrário. Eu apenas afirmei que o Protestantismo contém algumas falsidades sérias, e eu apoio minhas alegações com uma argumentação massiva a todo momento (em meus mais de 2000 artigos e 48 livros de apologética). Tradução: http://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2017/05/protestants-utterly-reject-notion-one-true-church.html
- O livro que fez o seu mundo, como a Bíblia criou a alma do mundo ocidental – Vishal Mangalwadi
Resenha – O livro que fez o seu mundo, como a Bíblia criou a alma do mundo ocidental – Vishal Mangalwadi Nascido e criado na Índia, o filósofo e erudito indiano Vishal Mangalwadi nos oferece nesse livro uma abordagem muito interessante do impacto da Bíblia em toda a cultura ocidental através da história. Mas diferente de outros autores que abordaram também essa questão, como Christopher Dawson, Thomas Woods ou Rodney Stark, Vishal o faz do “lado de fora”. Sendo nascido e criado em um país oriental, tomado por influências hindus, budistas e islâmicas, Vishal consegue fornecer um comparativo interessante do seu ponto de vista oriental sobre o impacto da Bíblia no mundo, e especialmente na sua cultura. Seu livro conta a impressionante história da influência da Bíblia na formação do pensamento de indivíduos que mudaram o curso da história, na formação das sociedades e seus aspectos culturais e na visão de mundo que engloba toda uma sociedade. E exatamente essa visão de mundo moldada pelos princípios bíblicos que foi fundamental para a construção do mundo ocidental. As informações apresentadas no livro são fruto de uma pesquisa histórica bastante abrangente. O autor nos leva a diversos períodos na história mostrando como a visão bíblica moldou as visões, por exemplo, o nascimento da ciência e da universidade, foi fruto incansãvel da igreja ocidental pela busca da verdade. Os hospitais e centros de caridade, surgiram do desejo de amar o próximo como a si mesmo, apelo que nunca foi encontrado em sua própria cultura, como nos explica o autor. A tecnologia, a literatura, as artes, arquitetura, até mesmo a lingagem sofreram uma pesada influência do cristianismo. Com certeza absoluta é possível afirmar, sem o impacto do critianismo na sociedade, o mundo seria completamente diferente. A forma que a Bíblia moldou ideais como liberdade, dignidade humana, respeito e compaixão foram essenciais para a nossa sociedade. Ao contrário dos ataque infantis dos críticos, a Bíblia moldou o mundo e deu alma a uma civilização. Para quem gosta de analisar as influências culturais e sociais do cristianismo no mundo, esse é um excelente livro. Para comprar o livro: https://amzn.to/2y97Od6
- Infalibilidade Concíliar/ Concílio de Constança e execução de John Huss
Dave, o registro dos concílios do Antigo Testamento não são animadores, então eu honestamente tenho dificuldade em conselhos infalíveis. Eu não estou contando o que aconteceu em Masfa (Juízes 21). Toda a nação estava reunida quando eles fizeram algumas decisões terríveis e votos, e para todos eu sei que os falastrões derrubaram seus líderes (mas, a liderança entre os juízes não era conhecida por sua competência). Mas e os anciãos que se aconselharam e exigiram de Samuel que lhes desse um rei (1 Samuel 8: 4-8)? Ou o concílio que proibiu Jeremias do templo (Jeremias 36: 5)? Ou o Sinédrio, quando condenaram Jesus por blasfêmia e o entregaram a Pilatos? Eu nunca mencionei os concílios do Antigo Testamento nesta obra. Por que você menciona isso? Não é um argumento que fiz aqui. Eu tenho um artigo sobre analogias para indefectibilidade no Antigo Testamento, no entanto. Simples, Dave. Se os concílios do AT estavam propensos a esse erro colossal, não é presunçoso dizer que os concílios da igreja estão isentos dos mesmos? Você não acha que é um pouco diferente na nova aliança, depois da morte de Jesus na cruz por nós, com a habitação do Espírito Santo? Eles pensaram assim no concílio de Jerusalém, uma vez que fizeram referência ao Espírito Santo, o Paráclito orientando-os (“pareceu bom para o Espírito Santo e para nós”: Atos 16:28, RSV). Jesus disse: João 16:13 Quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade; porque ele não falará por sua própria autoridade, mas o que ele ouve ele falará, e ele te declarará as coisas que estão para vir. Os protestantes têm muito menos fé que os católicos. Achamos que Deus é grande o suficiente para guiar e proteger a Sua Igreja (e os concílios da referida Igreja) do erro: assim como indivíduos que procuram segui-Lo. Por que Deus faria o contrário? Por que Ele quereria que centenas de milhões fossem deixados sozinhos? Eu tenho muita fé para acreditar que o Concílio de Constança estava errado em revogar sua promessa de salvo-conduto para John Huss. Quanto ao salvo-conduto do imperador, devemos distinguir. . . entre a prisão de Huss em Constança e sua execução. O primeiro ato sempre foi considerado na Boêmia uma violação do salvo-conduto e uma violação da fé por parte do imperador; por outro lado, eles sabiam bem, e também Huss, que o salvo-conduto era apenas uma garantia contra a violência ilegal e não podia protegê-lo da sentença de seus juízes legítimos. (Enciclopédia Católica, “Concílio de Constança”) Salvo-conduto não significava que ninguém poderia ser julgado ou executado por heresia. Em qualquer caso, seja certo ou errado (não sou fã de todas as execuções por heresia), isso não tem nada a ver com decisões doutrinárias de um concílio, tornadas obrigatórias para toda a Igreja. O concílio nem sequer concedeu o salvo-conduto. E não estava ligado a isso, no caso de alguém ser herege. Você mesmo notou que o Sínodo de Dordrecht, sustentado pelos calvinistas para condenar os arminianos, nem sempre foi uma tarefa perfeitamente santa. O rei Davi assassinou um homem, para que ele pudesse cometer adultério com a esposa. Mas isso não impediu que Deus fizesse uma aliança eterna com ele. A questão do pecado e a questão da inspiração (escritores da Bíblia) e infalibilidade (papas e concílios) são separadas. Como um bom polemista protestante, você imediatamente muda a discussão de grandes questões (se o Espírito Santo guia os cristãos à verdade: individual e coletivamente) para as particulares (se a execução de Huss prova que os concílios não podem ser infalíveis). Este é sempre o jogo: nunca discuta as questões importantes e cruciais da premissa e fundamentos para as visões. Lide com as questões pressuposicionais maiores primeiro. . . Mas Huss não será suficiente para derrubar a eclesiologia católica, como mostrado. Eu estava totalmente confiante que você iria desculpar o Concílio. Eu não desculpei a morte de Huss; Simplesmente argumentei que isso não tinha relação com a infalibilidade dos concílios. O Salvo-Conduto é distinto disso. Todos os cristãos naqueles dias acreditavam na execução de hereges. Lutero e Calvino mataram muitos anabatistas. Eu não gosto mais desse passado do que você, mas tem que ser discutido de forma justa e inteligente, não como meros pontos de discussão. Mas continue prosseguindo com Non Sequiturs, se é isso que você tem. Você não está se dirigindo diretamente ao assunto, que é mostrado muito claramente no apelo do Concílio de Jerusalém ao Espírito Santo: demonstrando que os apóstolos e os anciãos se sentiam sob a proteção e orientação especial de Deus. Estou interessado em discussões biblicamente fundamentadas sobre o que é verdadeiro e falso na doutrina cristã. Bertrand L. Conway, em sua obra The Question Box (New York: Paulist Press, 1929 revised edition, 436-437), fornece uma resposta católica a esta falsa acusação contra o Concílio de Constança: ”O Concílio de Constança nunca concedeu um salvo-conduto a Huss. . . O Concílio estabelece o ensino ordinário da lei canônica, que o salvo-conduto de um príncipe em nada impedia a autoridade eclesiástica de examinar e julgar um herege. Huss deixou Praga, como ele admite em três cartas, sem qualquer salvo-conduto por escrito. O imperador, Sigismundo, no entanto, concedeu-lhe uma escolta de nobres da Boêmia para garantir sua segurança em seu caminho para o Concílio. . . Ninguém na época acreditava que o salvo-conduto que o Imperador dava a Huss o direito de retornar a Praga, se ele fosse condenado pelo Concílio. Há muitas cartas do imperador, do rei de Aragão, dos nobres da Boêmia e até mesmo do próprio Huss, provando que o salvo-conduto protegia o portador de toda violência ilegal em sua jornada, mas que não o libertava das consequências da justiça. É verdade que em duas cartas Huss afirma que o imperador prometeu verbalmente “mandá-lo de volta sã e salvo para a Boêmia”. Mas Huss está mentindo ou confundiu o significado das palavras do imperador. “Tal promessa”, como diz Palacky, “não estaria apenas além dos direitos e competência do imperador, mas também além de seu poder”. . . O Concílio de Jerusalém dá APENAS a alegação de que eles tomaram a decisão certa naquele tempo. Você lê no texto presumindo toda a infalibilidade futura – a forma como alguns assumiram que São João Apóstolo não morreria: João 21: 21-23 (ESV) “Quando Pedro o viu, ele disse a Jesus:“ Por isso Pedro, vendo-o, disse a Jesus: Senhor, e deste que será? Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que êu venha, que tens tu com isso? Tu segue-me. Correu logo esta voz entre os irmãos que aquele discípulo não morrería. E não lhe disse Jesus: Não morre, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que tens tu com isso?” Além disso, estes dificilmente são “non sequiturs”. Sua posição de infalibilidade no concílio cai como um castelo de cartas em UM erro do concílio. O imperador ficou zangado quando Huss foi preso apesar do salvo-conduto. O imperador ficou zangado quando Huss foi preso apesar do salvo-conduto. Se ele achava que era um pacto cuja a aspiração era escorregadia é um outro assunto. Falando em Huss, procurei a lista de heresias alegadas pelas quais Constança o condenou. Você as tem? É isso que recebemos nas Escrituras em relação ao governo eclesiástico: protótipos. Obviamente, não havia tempo suficiente nos 40-50 anos da redação do Novo Testamento, para obter exemplos de muitos outros concílios (até mesmo mais um). Mas nós temos um, e o que ele nos mostra é um modelo que é muito parecido com o que os católicos acreditam sobre os concílios ecumênicos, e muito diferente do dogma protestante de que os concílios não são incondicionalmente vinculantes (Atos 16: 4). Não há saída para isso para os protestantes, e assim recebemos a resposta bastante pobre que você nos dá: “O Concílio de Jerusalém dá APENAS a alegação de que eles tomaram a decisão certa ESSE TEMPO.” Mas é claro que você não segue seus próprios receios quanto ao número de exemplos nas Escrituras, quando se trata de sua própria eclesiologia. Vocês acham que você vêem o governo presbiteriano no Novo Testamento (mas é tão superficial que os cristãos acreditam em muitas formas diferentes de governo da Igreja) e assim você segue isso para os tempos “futuros”. É somente quando você vê modelos católicos nas Escrituras que você desce para esta fuga de “é só uma vez!” Permanece o fato de que Paulo proclamou o ensinamento do concílios em todo lugar como obrigatório (ou seja, autoridade universal, hierárquica e abrangente). Isso não é eclesiologia protestante: de nenhuma maneira, formato, matéria ou forma. Ela diz que nenhum conselho é infalível; só a Escritura é. De fato, o Concílio de Jerusalém foi tão infalível que virtualmente todos os cristãos seguiram sua decisão desde então: nós não exigimos a circuncisão (nós temos o batismo) e nós não seguimos as leis da dieta judaica. Isso tudo aconteceu através desse concílio (assim como o cânon das Escrituras veio também através de concílios católicos, e vocês também não têm uma resposta convincente para esse enigma). Eu não vou continuar seguindo o rastro de coelho de falar sobre Huss; desculpa. Lidei com ele o suficiente para mostrar que ele não representa nenhuma refutação à visão católica de concílios vinculantes. Com o precedente de três (pelo menos) concílios MUITO FURADOS no Antigo Testamento, fico maravilhado com sua posição, dado que não há nenhuma declaração explícita de que um concílios dominado pelos Apóstolos iria estabelecer um precedente inteiramente novo para o futuro. Quanto à lei dietética, perdi a conta do número de vezes que levei as pessoas para Atos 10 para dar expressa justificação para dizer que se tratava já de uma nova realidade na época – ANTES do Concílio de Jerusalém. E Paulo martelou os gálatas sobre a matéria da circuncisão em detalhes entorpecentes. Então você tem muita redundância doutrinária no NT, sem pular para seus dogmas extra-bíblicos sobre concílios subseqüentes. Eu vejo, então você está contente em ir com Pedro o primeiro papa (um homem) a ter uma visão sobre a limpeza de todos os alimentos, como a base da nova norma para dieta. Isso se encaixa bem com a eclesiologia católica. E então o concílio confirmou a mesma coisa, via homens santos consultando junto com a ajuda do Espírito Santo. Nenhuma contradição aí. A contradição está em você atropelar o concílio, mas exaltar o papa Pedro como sua única autoridade sobre o assunto. Somos “ambos / e”; vocês são constantemente “se / ou”. Mas se já tivesse sido conhecido e observado por todos (não era, porque o livro de Atos em sua totalidade ainda não era conhecido), então por que o texto diz que Paulo e Silas “lhes entregaram para observância as decisões que tinham sido alcançadas pelos apóstolos e anciãos que estavam em Jerusalém ”(Atos 16: 4)? Um tanto humoristicamente (no contexto de nosso debate), o versículo anterior (Atos 16: 3) nos informa sobre como Paulo teve Timóteo circuncidado. Mais uma vez, você quer ir com o Antigo Testamento e modelos judaicos em relação aos concílios, ao invés do Novo Testamento / nova aliança / apóstolos e concílios conduzidos pelo Espírito Santo no Novo Testamento, como se não houvesse diferença entre as alianças (como eu já falei : recebendo apenas balbúrdios de volta de você). Você faz isso para os concílios, assim como prefere o cânon bíblico judaico (por sua autoridade) * após a morte de “Jesus” ao cânon cristão, que incluía a Septuaginta e, portanto, também os Deuterocanônicos. É como se a habitação e direção do Espírito Santo fosse um assunto indiferente para você. Você diz que os concílios são extra-bíblicos, enquanto você mantém o governo presbiteriano, desprovido de hierarquia, bispos, e sucessão apostólica e o papado, que é extraordinariamente antibíblico (não apenas extra-bíblico, que pode estar em harmonia com as Escrituras). Quanto à sua observação de que o Concílio de Jerusalém foi dominado pelos apóstolos, isso é apenas parcialmente verdadeiro. O texto consistentemente dizia que as autoridades e tomadores de decisões eram “apóstolos e anciãos”. Os presbíteros parecem ter a mesma autoridade prática que os apóstolos, o que estabelece o precedente futuro, para depois que os apóstolos morressem e não existissem mais. Eu escrevi um artigo inteiro sobre esse motivo no concílio de Jerusalém. Então eu explorei mais, no que o concílio sugeriu sobre futuros pronunciamentos. Além disso, Judas (apóstolo) é substituído por Matias (Atos 1: 20-26), e a palavra bispado aparece na KJV, porque episkopos está no grego (At 1:20: “Pois está escrito no livro de Salmos, Fique desolada a sua habitação, e não haja quem nela habite; e tome o seu bispado outra vez ”. Esta é uma base bíblica para a visão histórica (por quinze séculos) da sucessão apostólica: os bispos substituíram os apóstolos no governo da Igreja. Assim, pode haver concílios conduzidos por bispos, assim como o concílio de Jerusalém foi conduzido conjuntamente por anciãos ou bispos (os ofícios ainda eram fluidos naquele tempo, porque era cedo no desenvolvimento da doutrina, assim como a Trindade e as Duas Naturezas de Cristo e pecado original e muitas outras doutrinas foram). Bom ponto, as decisões do Concílio foram “extra-bíblicas” porque os Atos 10 ainda não haviam sido escritos. Mas se formos honestos, o Concílio em Atos 15 realmente não acrescentou nada de novo, porque Pedro já havia batizado a casa de Cornélio sem tê-los circuncidados, e quebrou a lei kosher com a força de sua visão que lhe disse: Não chames impuro ao que Deus purificou.. ”(Atos 10:15). Pedro também silenciou sua oposição ao retornar a Jerusalém (11: 1-3, 17-18). O que estava realmente em jogo aqui é as palavras de Pedro “Quem era eu para resistir a Deus” – não porque ele estava em um Concílio infalível, mas por causa da revelação divina – sua visão de animais impuros e vendo por si mesmo os gentios incircuncisos recebendo o Espírito Santo. Note que Pedro tinha testemunhas, 6 ao todo, a quem ele havia trazido de Jope para Cesaréia a Jerusalém (Atos 10:23, 11:12), porque Deus estava inovando. Uma precaução muito sábia! De fato, Pedro teve que lembrar o Concílio daquele incidente quando batizou os gentios (Atos 15: 7-9). Então o “dogma obrigatório”, se você quiser, já era obrigatório. Toda a razão para o Concílio, como eles diziam em sua carta, era aliviar o desconforto dos gentios por causa do que alguns dos habitantes de Jerusalém disseram sem sua autoridade: Atos 15: 23-24 (ESV) “presbíteros irmãos, aos irmãos convertidos dos Gentios, que estão em Antioquia, e na Síria, e na Cilícia, saúde. Tendo nós sabido que alguns, indo do meio de nós, sem nenhuma ordem da nossa parte, vos perturbaram com discursos que agitaram as vossas almas, Finalmente, o próprio Tiago, cujo discurso decidiu o Concílio e cujas estipulações sugeridas estavam no conteúdo da carta, advertiu na “epístola de palha” de Lutero: “Todos cometemos muitos erros” (Tiago 3: 2). Se um pecador, mesmo um escritor das Escrituras, está propenso a cometer muitos erros, eu ficaria muito hesitante em atribuir a infalibilidade aos concílios em toda a história da igreja. Você pode ter a palavra final Tradução: http://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2017/05/conciliar-infallibility-council-constance-john-huss-execution.html
- A VERDADE IMUTÁVEL DA SALVAÇÃO Parte I
A VERDADE IMUTÁVEL DA SALVAÇÃO Parte I “A principal ideia de Máximo, como de todos da teologia oriental, era a ideia de deificação (Epifanovi [1915 página 125]). Essa ideia, com todas suas ideias teológicas, viera a ele da antiguidade Cristã e foram formuladas pelos pais gregos. A salvação definida como deificação era o tema da fé cristã e da mensagem bíblica. O objetivo do Pai Nosso era apontar para o mistério da deificação (Máximo breve exposição sobre o pai nosso). O batismo “era em nome do doador da vida e da Trindade deificada” Máximo o livro ascético 2). Quando os convidados de um casamento em Caná de Galileia, conforme descrito no Evangelho de João ,disseram que o anfitrião tinha “guardado o melhor vinho Até agora” (João2.10), ele se referiam à palavra de Deus, salva para ser apresentada por último, por meio do qual os homens eram feitos divinos (Máximo questões para Talássio sobre a escritura 40). Quando nas pistolas do mesmo João, “o teólogo” (Máximo questões para Talássio sobre as escrituras 9), é dito que “ainda não se manifestou o que havemos de ser” (1João 3.2), essa foi uma referência à “futura de deificação daqueles que agora foram feitos filhos de Deus” (Máximo questões para Talássio 9). Quando o apóstolo Paulo fala das riquezas (Efésios 1.18) dos Santos, isso também significa santificação (Máximo questões para Talássio sobre as escrituras 22). Mas há duas passagens principais da Bíblia em que se apresenta a definição da salvação como deificação: a declaração em Salmos: “eu disse: vocês são deuses” (Salmos 82. 6 João; 10.34), citada no novo testamento; e a promessa do novo testamento de que os cristãos “se tornam participantes da natureza Divina” (2Pedro 1.4). A primeira declaração significado que os homens justos e os anjos se tornariam divinos; e a segunda, que “ser unido com Cristo” era o meio para deificação (Máximo comentário de sobre os nomes divinos de Dionísio o Areopagita 8.3; Máximo Comentário sobre a hierarquia celestial de Dionísio, o areopagita ) Pois a similaridade com Cristo (Máximo Comentário sobre as hierarquias eclesiásticas de Dionísio o areopagita 3.13) era a força divinizadora, tornando os homens divinos (máximo comentário sobre a hierarquia celestial de Dionísio o areopagita 7.2). O paganismo grego já sabia que o indivíduo devia ascender da vida Ativa para a vida contemplativa, mas o cristianismo grego descobriu que havia um terceiro passo além desses dois quando o indivíduo era dotado efeito divino (máximo o livro das ambiguidades 20). A partir dos escritos de Dionísio, o Areopagita, os devotos da contemplação tinham aprendido que Deus não só estava acima de todas as realidades existentes, mas também acima da essência em si; e, por isso, eles chegaram ao verdadeiro sentido da deificação (Máximo comentário sobre as epístolas de Dionísio o areopagita 2). #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Cristologia #Igreja
- A CARNE DE JESUS CRISTO NÃO SERVE PARA NADA?
A CARNE DE JESUS CRISTO NÃO SERVE PARA NADA? “João 6:63 É o Espírito quem dá vida; a carne em nada se aproveita; as palavras que Eu vos tenho dito são Espírito e são vida”. A versão do conceito de divinização desenvolvido por Cirilo de Alexandria dá ênfase especial a salvação e a transformação da Carne por intermédio da Encarnação do logos imutável e impassível. Cirilo, ao definir o propósito da Encarnação, “declarou que o “unigênito se tornou um homem perfeito a fim de libertar nosso corpo terreno da corrupção externa” e que Cristo, ao fazer isso, tinha atingido a alma do homem com a estabilidade e a imutabilidade de sua própria natureza”, tornando-a participante de sua divindade impassível (Cirilo sobre a encarnação do unigênito). Cirilo, usando fórmulas idênticas em outras passagens, acrescentou que o unigênito tinha libertado o corpo terreno da corrupção ao tornar sua própria alma mais poderosa que o pecado e capacitando a alma humana com sua própria “estabilidade e imutabilidade como a lã é impregnada pela tintura (Cirilo para Teodósio 20). Se tinha de haver uma congruência entre a doutrina soteriológica e a cristológica, a relação entre o Divino e o Humano na pessoa de Cristo tinha de ser adequada para efetuar isso por meio de uma transformação na própria natureza do homem. E mais, a natureza do homem tinha de ser transformada e salva. Uma teoria da relação entre o Divino e o humano em Cristo que protegeu a impossibilidade de Deus ao atribuir sofrimento e morte só ao homem que o Logos tinha assumido reduziu a doutrina da salvação. Pois se isso fosse verdade, então como se pode dizer que ele se tornou Salvador do cosmo, e não antes [apenas] do homem, como um Peregrino ou viajante por intermédio de quem também somos salvos? (Cirilo que Cristo é um). Mas, uma vez que era para ele ser aquele por intermédio de quem o mundo foi salvo, a conexão entre o homem Jesus e o Logos (por meio de quem o mundo foi criado) tinha de ser mais íntima do que permitia a doutrina da Assunção de um homem pelo Logos. Pois se de acordo com Hebreus 2.14,15, o salvador tinha de “destruir aquele que tinha o poder da morte, ou seja, o demônio”, tinha de ser “o criador do universo, o logos de Deus rico em misericórdia” que se esvaziou e nasceu de uma mulher (Cirilo sobre a encarnação do unigênito). Não uma mera Associação, nada menos íntimo que união entre o Logos-criador e aquele que nasceu e foi crucificado seria suficiente para libertar aqueles que tinham sido entregues para a escravidão de uma vida inteira por meio de seu medo da morte. Se a salvação tinha de ser um dom de impassibilidade e imortalidade, o salvador tinha de ser ele mesmo o Logos, não só um homem assumido pelo Logos. Era possível interpretar cada um desses temas de uma maneira bem diferente e, portanto, de extrair outra cristologia deles. Teodoro, a despeito da questão retórica que acaba de ser citada de um texto de Cirilo, ensinou que Cristo tinha salva o mundo e não apenas o homem —- mas que ele salvou o mundo ao salvar o homem. O universo foi composto de seres invisíveis e Racionais, como os anjos e das coisas materiais e visíveis, composto dos quatro elementos: Terra, ar, água e fogo. O homem foi relacionado ao invisível por intermédio de sua alma, ao visível por meio do seu corpo (Teodoro de Mopsuéstia exposição de Efésios 1.10). ele era a única ligação entre as várias ordens do universo criado, e seu pecado é morte por em risco a unidade deste universo. Cristo é o salvador do mundo todo no sentido de que a salvação do homem, o microcosmos, também efetua a salvação do macro-cosmo. “Portanto, a conexão entre todas as coisas também é estabelecida com base em nossa renovação. O primeiro fruto disso é ele que é Cristo segundo a carne, em quem é realizada uma muito boa e, por assim dizer, concisa nova criação de todas as coisas”. Assim, conclui-se que “o acordo, harmonia e a conexão de todas as coisas existentes serão salvas para a incorruptibilidade (Teodoro exposição de Colossenses 16). A graça da adoção Divina não é uma ficção… é uma realidade. Deus outorga àqueles que tem fé no seu verbo a filiação Divina, diz São João: “a todos aqueles que o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo.1,12). Esta filiação não é nominal, é efetiva: “para que sejamos chamados filhos, e nós o somos” (jo 3,1). Entramos em posse da natureza Divina: participantes da natureza Divina 2Pd 1,4). É certo que esta vida Divina, não é em nós mais que uma participação, “consorte”, uma semelhança, uma assimilação que faz de nós, não deuses, mas seres deiformes. Mas nem por isso é menos verdade que é, não uma ficção, se não uma realidade, uma vida nova, não igual, senão semelhante à de Deus, e que, segundo o testemunho dos nossos livros santos, supõe uma nova geração ou regeneração: quem não renascer da água e do espírito santo, não poderá entrar no reino de deus” (Jo 3,5).” Mediante o batismo da Regeneração e renovação pelo Espírito Santo (Tt 3,5). “Regenerou-nos em nova esperança”(1Pd 1,3). “Por sua vontade é que nos gerou pela palavra da verdade” (TG 1,18). #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Cristologia #Igreja
- MEU AMOR ESTÁ CRUCIFICADO – SOU DO SENHOR JESUS CRISTO (Santo Inácio de Antioquia, bispo e már
Nem as delícias do mundo nem os reinos terrestres me interessam. Mais vale para mim morrer em Cristo Jesus do que imperar até os confins da terra. Procuro aquele que morreu por nós: quero aquele que por nós ressuscitou. Meu nascimento está iminente. Perdoai-me, irmãos! Não me impeçais de viver, não desejeis que eu morra, pois desejo ser de Deus. Não me entregueis ao mundo nem me fascineis com o que é material. Deixai-me contemplar a luz pura, onde, lá chegando, serei homem. Concedei-me ser imitador da paixão de meu Deus. Se alguém o possui no coração, entenderá o que quero e terá compaixão de mim, sabendo que ânsia me atormenta. O príncipe deste mundo deseja arrebatar-me e corromper meu amor para com Deus. Nenhum de vós, aí presentes, o ajude. Ponde-vos antes de meu lado, ou melhor, do lado de Deus. Com efeito, não podeis pronunciar o nome de Jesus Cristo, enquanto cobiçais o mundo. Não more em vós a inveja. Mesmo que eu em pessoa vos rogasse algo diferente, não me escuteis. Crede antes no que vos escrevo. Vivo, vos escrevo, desejando morrer. Meu amor está crucificado. Não há em mim fogo que busque alimentar-se da matéria, apenas uma água viva e murmurante dentro de mim, dizendo-me em segredo: “Vem para o Pai!” Não sinto prazer com o alimento corruptível nem com as volúpias deste mundo. Quero o pão de Deus, a carne de Jesus Cristo, que nasceu da linhagem de Davi. E quero a bebida, o seu sangue, que é a caridade incorruptível. Não quero mais viver como os homens. Isto acontecerá se vós quiserdes. Querei-o, rogo-vos, para que sejais vós também queridos. Com poucas palavras dirijo-me a vós. Acreditai-me: Jesus Cristo vos manifestará que digo a verdade, ele que é a boca verdadeira pela qual o Pai verdadeiramente falou. Pedi vós por mim, para que o consiga. Não por motivos carnais, mas segundo a vontade de Deus foi que vos escrevi. Se for martirizado, vós me quisestes bem. Se for rejeitado, vós me odiastes. Lembrai-vos em vossas orações da Igreja da Síria, que tem Deus em meu lugar. Em lugar do bispo, Jesus Cristo e a vossa caridade a governarão. Envergonho-me de ser contado entre seus membros, pois não sou digno disto, já que sou o último deles e como que um aborto. Na verdade, alcançarei a misericórdia de ser alguém se possuir a Deus. Saúdam-vos o meu espírito e a caridade das Igrejas que me recebem em nome de Jesus Cristo e não como um passante qualquer. De fato, as Igrejas, que não se acham no caminho por onde vou passando, antecipam-se a meu encontro em cada cidade. (Da Carta aos Romanos, de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir – 6,1-9,3: Funk 1,219-223 – Séc.I). “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”. (Mateus 5,16). #Igreja
- PRÁTICA DA ORAÇÃO MENTAL – Padre Manuel Bernardes
1. A oração mental é uma árvore plantada pela mão de Deus no paraíso da Igreja para sustento da vida espiritual; sua raiz é aquela grande excelência de ser um colóquio da alma com o mesmo Deus, e daqui procedem seus copiosíssimos e dulcíssimos frutos. 2. Quem obra depois que ora não segue tanto os impulsos da natureza como os ditames da razão e luz de graça, e o concerto de suas ações e honesto fim que com elas pretende, lança de si certo resplendor que bem se deixa conhecer de fora. 3. A oração é como âmbar, que um só grãozinho deixa fragrância no recipiente por pouco tempo que nele estivesse. Mas, o não aproveitar-se tanto quanto pudéramos, nasce primeiramente de que não acompanhamos a oração com mortificação; e porque o monte de mirra, em que se figura a mortificação, é mais dificultoso de subir do que o outeiro do incenso, em que se figura a oração, não nos determinamos, como a alma santa, a subir um e outro: Vadam ad montem myrrhae et collem thuris (“…irei ao monte da mirra, e à colina do incenso”, Cântico dos cânticos, 4, 6). Outros não fazem senão começar e largar, tecer e destecer. Muitos contentam-se com apanhar flores, que são os atos de ternura sensível, e não tratam dos frutos, que é lidar sempre consigo sobre a vitória de suas paixões e reforma de seus defeitos. E outros não resistem às distrações e vagueações do pensamento, e, claro está, que a oração quanto tem de distraída tanto não tem de oração. 4. Duas coisas fazem bom ou mau qualquer desejo: uma é a coisa desejada, se é boa, ou má, ou absoluta, ou determinadamente nestas ou naquelas circunstâncias. Outra é o fim ou intento da vontade em desejar a tal coisa. 5. A boa oração não está em correr muita terra, senão em cavar para o fundo; não está em salpicar muitas considerações, passando por elas levemente, senão em assentar bem um desengano e confirmar a vontade com repetidos propósitos, porque mais segura um prego com muitas marteladas do que muitos com poucas. 6. Deus não só é reto, senão também suave: Dulcis et rectus Dominus; reto para provar a alma com tribulações, e suave para a consolar com suas visitas. Parece que com uma mão fere e com outra sara: Percutiam et ego sanabo. E que se na esquerda tem espinhos, na direita tem consolações. 7. Quem se fia de si, bem se pode fiar do demônio; e se do demônio ninguém pode fiar-se, muito menos se pode fiar de si. 8. Ó como são vis e desprezíveis todas as coisas terrenas quando ponho os olhos nas celestiais! Bem considerado o mundo, sua grandeza é pequenez; sua abundância, pobreza; sua ciência ignorância; suas alegrias, tristezas; sua luz, trevas; sua felicidade, miséria; aqui a honra é um pouco de fumo, a fazenda é um pouco de terra e a vida é servir à corrupção. Passa o mundo como figura e todas as coisas que nele há por momento se mudam. Vaidade de vaidades e tudo vaidade; só o amor de Deus permanece e o prêmio que no Céu nos está preparado. Adeus, mundo; nada teu me enche os olhos; todo és uma mentira armada de infinitas mentiras. Quem bebe do teu cálice dourado, no fim lhe amargam as fezes; quem se coroa de tuas flores, por baixo o lastimam os espinhos. Basta já de enganar-me contigo; não queremos mais paz, nem de ti espero coisa que me satisfaça. Acima, coração; lá no Céu tens os bens verdadeiros para que foste criado. A Terra não é senão lugar de trabalhos, de mudanças, de enfermidades, de mentiras, de desgraças, ignorância, malícia e pecado, e tudo vem a parar na morte e em um incêndio universal, em que se há de abrasar o mundo. Só quem o não conhece o estima. 9. Que sou eu a respeito da redondeza da Terra? Não aparece o meu ser. Que é a Terra comparada com o Firmamento? Um pontosinho. Que é o Firmamento comparado com o Empíreo? Outro ponto. Que é o Empíreo comparado com a imensidade divina? É como se não fôra. Logo, que serei eu na presença de Deus e que vulto terá o meu ser diante da sua grandeza infinita? Sou nada e, se pudesse ser, menos que nada. Como se atreve o nada o presumir de si diante do Infinito Ser? 10. Ó quão grande é este Senhor em tudo? Se premia, dá-se a si mesmo; se castiga, dá um Inferno para sempre; se ama, oferece seu peito a uma lança e dá a beber seu Sangue e a comer seu Corpo. Toda a vida de um homem, que é seu inimigo, lhe está esperando que se converta e por um Pesa-me se esquece de todas as suas injúrias. Abriu a mão e semeou o Céu de estrelas; acenou ao mar e retirou-se, encolhendo as suas ondas; soprou na face do homem e ficou à sua imagem. Com uma palavra sua, foi universo o que era nada e o poder todo do universo não pôde fazer uma só aresta; com o madeiro de uma Cruz escalou o Inferno, matou a morte e resgatou o gênero humano. 11. Ó como é certo que as vitórias de Cristo são a confiança dos pecadores! Venceu Cristo o mundo, venceu o Inferno, venceu a morte, venceu o pecado, e não poderá vencer-te a ti e fazer que venças tudo? 12. Deus é imenso; mete a Deus em teu coração e terás um coração imenso. 13. Caíste outra vez em tuas misérias antigas? Mais antigas são em Deus as suas misericórdias; e para vires a cair nas suas misericórdias, permitiu Deus que caísses nas tuas misérias. 14. Que coisa são orações jaculatórias, com que se acompanha a presença de Deus, e como se exercitam? Pelo exemplo da seta se entenderá melhor. Porque a seta é arma de longe, ligeira, pequena e penetrante, e que se atira com força, e quem peleja com setas não usa de uma só, senão de muitas, que para isso tem guardadas na aljava. Assim, estas orações devem ser breves, frequentes e fervorosas e sobem ao Céu com força a ferir o coração de Deus. 15. Oração (como todos sabem) é subida do espírito a Deus para tratar com ele amigável e familiarmente. Se é subida, requer que o espírito não esteja pegado a coisas da Terra, que puxam por ele para baixo; se é trato com Deus, requer que se retire uma pessoa (quanto seu estado lho permitir) do trato com as criaturas; e se é comunicação amigável com o mesmo Deus, requer que a alma o não ofenda com pecados. Da pouca diligência, que ordinariamente pomos em tirar estes impedimentos, se verá clara a razão porque não aproveitamos neste santo exercício, ainda depois de frequentado por muitos anos. Padre Manuel Bernardes nasceu em Lisboa, em 20 de agosto de 1644, e morreu em 17 de agosto de 1710. Pertenceu à Congregação do Oratório de São Filipe Nery. Homem de vasta cultura e grande piedade, é tido como um dos maiores escritores da língua portuguesa. Sua obra mais famosa é a Nova Floresta (em cinco volumes), clássico da literatura portuguesa. Escreveu também Pão Partido em Pequeninos (1694), Luz e Calor (1696), Exercícios Espirituais (1707), Sermões e Práticas (2 Volumes, 1711), Os Últimos Fins do Homem (1726), Estímulo Prático para bem seguir o bem e fugir o mal (1730), e Armas da Castidade (1737).
- Martírio dos 350 monges de São Maron
Martírio dos 350 monges de São Maron Depois que São Maron morreu, muitos foram inspirados por seus ensinamentos e seu estilo de vida ascético. No quinto século, um mosteiro foi construído perto de onde ele viveu conhecido como Bet Maroun. O mosteiro tornou-se muito significativo na região. Também no quinto século, surgiu um debate sobre a natureza de Jesus. O debate centrou-se em saber se Jesus era divino, humano ou ambos e exatamente o que isso significava. Alguns, como os nestorianos, argumentaram que Jesus era separadamente divino e humano e que as duas naturezas eram independentes. Outros, como os jacobitas, ensinaram que Jesus era apenas divino e sua divindade absorvia sua natureza humana.Em 451, O Concílio de Calcedônia tratou o debate de uma vez por todas, declarando que Cristo era divino e humano, mas uma pessoa.Os maronitas sustentaram a proclamação do Concílio de Calcedônia. Os monges de São Maron lideraram o caminho pregando a verdadeira doutrina e se opondo à heresia. Aprendemos sobre o martírio dos 350 monges em uma carta dos monges ao papa Hormisdas no ano de 517. Eles descreveram o sofrimento e os ataques que estavam sofrendo, particularmente dos patriarcas de Antioquia Severo e Pedro que se opuseram aos ensinamentos do Concílio de Calcedônia. . Eles descreveram que foram ridicularizados por seu apoio ao Concílio e estavam sofrendo de aflições. O descrito como o imperador Anastácio mandou um exército que marchou através do distrito de Apamea fechando mosteiros e expulsando os monges. Alguns monges foram espancados e outros foram jogados na prisão. Enquanto se dirigiam a São Simão Estilita, os maronitas foram emboscados e 350 monges foram mortos, embora alguns deles tivessem se refugiado no altar. O mosteiro foi queimado. A carta foi assinada por Alexandre, sacerdote e arquimandrita e mais de 200 outras assinaturas seguidas, de outros arquimandritas, sacerdotes e diáconos.Oramos que, como os 350 mártires, possamos sempre ser obedientes aos ensinamentos da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.Que suas orações estejam sempre conosco. Amém #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja
- NÃO QUERO AGRADAR AOS HOMENS, MAS A DEUS (Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir)
De Inácio, dito Teóforo, à Igreja que alcançou a misericórdia, na magnificência do Pai Altíssimo e de Jesus Cristo, seu Filho único; à dileta Igreja, iluminada pela vontade daquele que tudo quer, segundo a caridade de Jesus Cristo, nosso Deus; à Igreja que preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna de receber felicitações, digna de louvor, digna de ver cumpridos seus votos; à Igreja que preside à universal assembleia da caridade, possuidora da lei de Cristo, assinalada com o nome do Pai. A ela saúdo em nome de Jesus Cristo, Filho do Pai. A todos os que, de corpo e alma, estão unidos pelos preceitos dele, inexaurivelmente repletos pela graça de Deus e limpos de todo matiz estranho, desejo abundante e incontaminada salvação em Jesus Cristo, nosso Deus. Em minhas preces junto do Senhor, pedia a graça de contemplar vossos rostos dignos de Deus. Agora, acorrentado em Cristo Jesus continuarei pedindo a mesma graça, e espero ir saudar-vos e, se for a vontade de Deus, fazer-me digno de chegar ao fim. Já é, aliás, princípio estabelecido: se conseguir a graça, receberei, seguramente, o meu quinhão. Tenho medo de que vossa caridade me venha a prejudicá-lo. Para vós é fácil fazer o que quereis; para mim é difícil alcançar a Deus, se me não poupardes. Não quero que agradeis aos homens, mas a Deus, como já o fazeis. Quanto a mim, jamais encontrarei outro tempo mais oportuno de entrar de posse de Deus; quanto a vós, seria o silêncio vossa ação mais meritória. Porque se calardes meu nome, tornar-me-ei palavra de Deus. Se, ao contrário, amardes minha vida carnal, de novo serei apenas som. Não me concedais mais do que ser imolado a Deus, enquanto o altar está preparado. Então, em coro na caridade, cantareis ao Pai em Cristo Jesus, ao Deus que se dignou encontrar o bispo da Síria, chamando-o do nascente ao poente. É bom passar do mundo para Deus, para nele nascer. (Início da Carta aos Romanos, de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir – Inscriptio,1,1-2,2: Funk 1,213-215 – Séc. I). #históriadaigrejaprimitiva #Igreja
- VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO (São Cromácio, bispo)
Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa (Mt 5,14-15). O Senhor chamou seus discípulos de sal da terra, porque eles deviam dar um novo sabor, por meio da sabedoria celeste, aos corações dos homens que o demônio tornara insensatos. E também os chamou de luz do mundo porque, iluminados por ele, verdadeira e eterna luz, tornaram-se também eles luz que brilha nas trevas. O Senhor é o sol da justiça; é, por conseguinte, com toda razão que chama seus discípulos luz do mundo; pois é por meio deles que irradia sobre o mundo inteiro a luz do seu próprio conhecimento. Com efeito, eles afugentaram dos corações dos homens as trevas do erro, manifestando a luz da verdade. Iluminados por eles, também nós passamos das trevas para a luz, como afirma o Apóstolo: Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz (Ef 5,8). E noutra passagem: Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas (1Ts 5,5). Com razão diz também São João numa epístola sua: Deus é luz (1Jo 1,5); e quem permanece em Deus está na luz, da mesma forma como ele próprio está na luz. Portanto, uma vez que temos a felicidade de estar libertos das trevas do erro, devemos caminhar sempre na luz, como filhos da luz. A esse propósito, diz ainda o Apóstolo: Vós brilhais como astros no universo. Conservai com firmeza a palavra da vida (Fl 1,15-16). Se não procedemos assim, ocultaremos e obscureceremos com o véu da nossa infidelidade, para prejuízo tanto nosso como dos outros, uma luz tão útil e necessária. Eis o motivo por que incorreu em merecido castigo aquele servo que, recebendo o talento para dar juros no céu, preferiu escondê-lo a depositá-lo no banco. Assim, aquela lâmpada resplandecente, que foi acesa para nossa salvação, deve sempre brilhar em nós. Pois temos a lâmpada dos mandamentos de Deus e da graça espiritual a que se refere Davi: Vosso mandamento é uma luz para os meus passos, é uma lâmpada em meu caminho (cf. Sl 118,105). E Salomão também diz acerca dela: O preceito da lei é uma lâmpada (cf. Pr 6,23). Por isso, não devemos ocultar esta lâmpada da lei e da fé, mas colocá-la sempre no candelabro da Igreja para a salvação de todos. Então gozaremos da luz da própria verdade e serão iluminados todos os que creem. (Dos Tratados sobre o Evangelho de São Mateus, de São Cromácio, bispo – Tract. 5,1.3-4: CCL 9,405-407 – Séc. IV). #Cristologia #Igreja
- Permanency of Marriage – Rev. Martin Scott S. J.
Next in importance to the union of one man with one woman in marriage is the permanency of the union. The nature of marriage is such that temporary union is incompatible with its purpose. We must consider marriage as an institution affecting not this or that individual, but the human race. Also we must keep in mind that there is no law nor institution among mankind that does not cause some individuals pain, loss or hardship of one kind or another. If we abolish a law because of its occasional hardships or abuses, we should have to abolish every law and every institution in the world. Taxes, speed laws, health laws, etc., at times cause great inconvenience and even hardship on individuals, but the welfare of the public at large demands nevertheless that these laws be carried into effect. So with marriage, the good of mankind requires that in spite of incidental hardship the bond be permanent. By nature man is drawn to associate sexually with woman. Nature’s purpose in this union is the perpetuation of the human race. The natural and ordinary result of marriage is offspring. In exceptional cases children may not be the outcome of sex relationship, but they are the normal and ordinary consequence. Children have the natural right to the care, protection and love of father and mother. Unless marriage be permanent children are deprived of this natural right. If death remove either parent that is the affair of Providence. The Creator has the right to rule the world as He sees fit, and the wisdom to dispose of His creatures for their ultimate welfare. God is the Author of Nature, man is His subject and bound by nature’s laws. Hence for man to deprive his children of what nature entitles them to, is the violation of nature’s ordinance. A child by the devotion and sacrifice of either father or mother alone, may be reared satisfactorily, but it is ordinarily exceptional, and always there is left a rancor in the heart of the child who is deprived of either father or mother otherwise than by the hand of death. Besides the children, the mother must be considered. A mother is not ordinarily independent and free to live her own life. Motherhood has made her responsible for those to whom she has given birth. By marriage she gave her maidenhood to her husband. That can never be restored to her. In giving that she gave what is most precious to woman. In return the man engaged to be her support and protector. Motherhood and wifehood demand permanence of the marriage bond. Civil law recognizes this indirectly, since it obliges man to supply by alimony what is renounced by divorce when for just cause the courts grant the woman a decree of separation. No man, regarding marriage disinterestedly , would consider it otherwise than permanent. No normal man contracts marriage except with the intention of forming a lasting union. No man living but feels in his heart that the nature of marriage demands permanency. The status of wife, mother and children cry out for the lasting union of the bond of matrimony. (For more posts on Catholic Womanhood, kindly visit https://catholicwomansite.wordpress.com)
- A Tradição Apostólica e Patrística sobre o rebatismo dos hereges
No século III, uma disputa estourou entre o papa Santo Estevão de Roma (245-257) e outras igrejas sobre a questão da validade batismal. Os oponentes de Santo Estevão sustentavam que o batismo administrado no santo nome da Trindade não era válido se fosse realizado fora dos limites visíveis da autêntica comunhão episcopal, deixando os convertidos de seitas heréticas que batizavam em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo com a necessidade de ser rebatizados (ou batizado pela primeira vez, como eles viam). O Papa, no entanto, disse que a eficácia de transmitir um verdadeiro batismo não foi prejudicada por ser administrada fora desses limites, desde que o nome trinitário fosse invocado de maneira apropriada. Consequentemente, aqueles que se convertem à verdadeira Igreja a partir dessas seitas heréticas ou cismáticas não devem ser batizados “de novo”, mas apenas ter as mãos colocadas sobre eles para a recepção do Espírito Santo em penitência, que é apenas providencial através dos Bispos na autêntica comunhão. Infelizmente, nós só temos dois fragmentos (255 AD) do Papa Santo Estevão escrevendo sobre este assunto. Uma é uma carta escrita a São Cipriano e outra aos Bispos da Ásia Menor, ambos os quais ameaçam excomungar aqueles que re-batizam os convertidos de heresia. O primeiro fragmento é encontrado a título de ser incluído e referenciado em uma carta de Cipriano a um certo Pompeu, bispo de Sabrat ( (Letter 74, Cyprianic Epistolary), e o segundo fragmento está incluído na carta do São Firmiliano de Cesaréia em Capadócia para Cornélio (Letter 75, ibid). Eu darei o inglês destes dois fragmentos que vêm da edição de CW. Hartel’s edition of Cypria, CSEL, Vol. 3, part 2, Vienna (1869), mas por outro lado o latim pode ser acessado através de Patrologia Latina 1128-29 e 1169-70, respectivamente. Santo Estevão escreve, via São Cipriano: “Se, portanto, alguém vier a você de qualquer heresia, que nada seja renovado, exceto o que foi transmitido (nihil innovetur nisi quod traditum est), ou seja, que a mão seja imposta a ele em penitência, pois os próprios hereges muito apropriadamente, não batizam aqueles que vêm uns para os outros, mas simplesmente os admitem à comunhão ” e “Mas o nome de Cristo”, diz Estêvão, “realiza muito em direção à fé e santificação do Batismo, de modo que quem foi batizado em qualquer lugar no nome de Cristo, recebe imediatamente a graça de Cristo”. Em contradição com isto, São Cipriano deixou claro enquanto presidia em presença do 7º Concílio de Cartago: “A carta que foi escrita ao nosso colega Jubaianus expressa bastante a minha opinião de que, de acordo com o testemunho evangélico e apostólico, os hereges, que são chamados de anticristos e adversários de Cristo, quando chegam à Igreja, devem ser batizados com um batismo da Igreja, para que amigos possam ser feitos de adversários e cristãos de anticristos. ”(7º Concílio de Cartago) O próprio São Firmiliano acrescentou algumas críticas severas a Santo Estêvão quando escreveu em sua carta a São Cipriano: “Visto que Estevão e aqueles que concordam com ele sustentam que a remissão dos pecados e o segundo nascimento podem ocorrer no batismo dado pelos hereges, mesmo quando eles admitem que o Espírito Santo não está presente entre os hereges, que entendam que não pode haver nascimento espiritual sem o Espírito … Mas qual é o erro dele, e quão grande é a cegueira dele, que diz que a remissão de pecados pode ser dada na sinagoga dos hereges … Nesse aspecto eu estou justamente indignado sobre esta estupidez tão aberta e evidente de Estevão: que, embora ele se glorifique tanto no lugar de seu bispado e alegue que ele detém a sucessão de Pedro, sobre quem foram lançados os fundamentos da Igreja, ele deve introduzir muitas outras pedras e estabelecer o novo edifício de numerosas Igrejas, já que ele defende com sua autoridade que o Batismo é encontrado nelas ”(Ep. 74, Cyprianic Epistolary).. Agora, São Firmiliano aqui faz parecer que Santo Estevão entendeu o batismo de hereges como efetivamente comunicando a remissão de pecados e o segundo nascimento. No entanto, nós não temos evidências de seus próprios escritos sobre isso, a não ser quando os hereges retornam, eles não são recebidos como limpos, mas recebem a imposição de mãos para penitência. Poder-se-ia poder falar dessa “imposição” como o primeiro lugar em que o Espírito é recebido, como o cânon 8 do Concílio de Arles faz (ver mais a seguir). Isso indicaria que ou Santo Estevão não achava que a validade herética do batismo permitia a recepção da graça salvadora, ou que, uma vez recebido, era retirada, ou talvez algo para esse efeito. De qualquer forma, até agora as coisas não parecem boas para este papa se o lermos através de São Cipriano e seu correspondente na Capadócia. Além de “Bem, ele é o papa”, há mais alguma coisa que possamos observar? Vamos ver o que mais sabemos a partir do momento. Sabemos que o bispo contemporâneo da Igreja de Alexandria, o papa São Dionísio (248-264), acreditava ao lado do papa de Roma que o batismo não deveria ser repetido da maneira explicada (o costume antigo se refere ao ocupante episcopal desta Sé como Papa, como o Papa Tawadros II hoje). Graças a uma edição de um antigo códice uncial que contém uma antiga “refutação” do famoso Tomo do Papa São Leão pelo herético Patriarca Monofisista Timóteo de Alexandria, e que foi preservada na biblioteca de Valarshapat na Armênia Russa em uma tradução do grego, Recentemente, descobrimos alguns escritos do Papa São Dionísio, que revelam mais informações sobre essa controvérsia batismal. Este códice contém citações epistólicas dos ex-patriarcas de Alexandria (ou seja, Dionísio), e chegamos a posse de alguns que foram endereçados a Roma. O que nos interessa aqui é aquele que foi recebido pelo sucessor do Papa Santo Estevão, o Papa Sisto II (257-258). O English Historical Review nos dá uma tradução literal de um fragmento. Se lê: “Desde que você tenha escrito assim, estabelecendo a legislação piedosa, que continuamente lemos e temos agora em memória – a saber, que é suficiente apenas colocar as mãos sobre aqueles que devem ter feito profissão no batismo, seja em fingimento ou em verdade, do Deus Todo Poderoso e de Cristo e do Espírito Santo; mas aqueles sobre os quais não foi invocado o nome do Pai ou do Filho ou do Espírito Santo, estes devemos batizar, mas não o rebatismo. Este é o ensinamento e tradição seguras e inamovível, iniciados por nosso Senhor depois de sua ressurreição dos mortos, quando deu aos seus apóstolos a ordem: “ide vós, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Este então foi preservado e cumprido por seus sucessores, os abençoados apóstolos e por todos os bispos anteriores a nós mesmos que morreram na santa igreja e compartilharam sua vida; e durou até nós, porque é mais firme que o mundo inteiro. Pois, ele disse, o céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão. ”(Volume XXV, 1910, p. 112) O historiador da Igreja primitiva Eusébio, bispo de Cesaréia (314-340), narra algumas cartas do Papa São Dionísio que foram dirigidas ao Papa Santo Estevão sobre a questão do Batismo antes da tradução acima. Palavras de Eusébio: “A este último escreveu Dionísio a primeira de suas cartas sobre o batismo. Nesta ocasião estava sendo agitada importante questão: Devia-se purificar pelo batismo os que se convertiam de qualquer heresia? Vigorava o costume, efetivamente antigo, de usar apenas para tais casos uma oração acompanhada de imposição das mãos.Cipriano, primeiro bispo a emitir a opinião da necessidade do batismo para os convertidos Entre os bispos deste tempo, Cipriano, pastor da comunidade de Cartago, mais que todos julgava não ser lícito acolher senão aqueles que previamente fossem purificados de seus erros pelo batismo. Mas Estêvão, pensando que não se devia introduzir inovações fora da tradição em vigor desde os primórdios, ficou intensamente irritado contra ele.. ”(Ecclesiastical History, Book 7, Ch. 2). Ele também atesta a epístola enviada ao Papa Sisto (traduzido acima): “Tendo Estêvão exercido o ministério durante dois anos, sucedeu-lhe Sisto. Dionísio, ao escrever-lhe segunda carta sobre o batismo, expõe o parecer e a sentença de Estêvão e também dos demais bispos. … ”(ibid Ch. 4, # 4) Isto prova que este antigo Bispo-Historiador considerou que a visão de São Cipriano e São Firmilano era uma “inovação” que foi “contrária” ao “costume antigo” e “tradição que tinha sido mantida desde o princípio”, como o próprio Estevão havia originalmente testificado. Então aqui mesmo em meados do século 3, 100 anos antes de São Aurélio Agostinho Hipponensis ter nascido, nós não só temos os hierarcas de Roma e Alexandria ensinando que o batismo é válido em seitas heréticas sob a condição apropriada, mas transmitindo que isso foi a tradição antiga e apostólica até os seus tempos. O mais próximo deste período é um documento intitulado “O Tratado sobre o Rebatismo”, datado de 250-257, que traz a questão no começo e depois responde sucintamente: “Eu observo que foi perguntado entre os irmãos que caminho deveria ser especialmente adotado em relação às pessoas daqueles que, embora batizados em heresia, ainda foram batizados em nome de nosso Senhor Jesus Cristo e, posteriormente, se afastaram de sua heresia, e fugindo como suplicantes à Igreja de Deus, devem arrepender-se de todo o coração, e só agora, percebendo a condenação do seu erro, implorar da Igreja a ajuda da salvação. A questão é se, de acordo com a tradição religiosa e eclesiástica mais antiga, seria suficiente, depois daquele batismo que eles receberam fora da Igreja, mas ainda em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor, que somente mãos fossem colocadas sobre eles pelo bispo para sua recepção do Espírito Santo, e essa imposição de mãos lhes proporcionaria o selo de fé renovado e aperfeiçoado; ou se, de fato, uma repetição do batismo fosse necessária para eles, como se eles não pudessem receber nada se não tivessem obtido o batismo novamente, como se nunca tivessem sido batizados em nome de Jesus Cristo … E ele em quem, quando ele deveria ser batizado, a invocação deveria ser feita em nome de Jesus, embora ele pudesse obter o batismo sob algum erro, ainda assim não seria impedido de conhecer a verdade em algum momento ou outro, e corrigir seu erro, e chegar à Igreja e ao bispo, e sinceramente confessando nosso Jesus diante dos homens; de modo que, então, quando as mãos fossem colocadas sobre ele pelo bispo, ele também poderia receber o Espírito Santo, e ele não perderia aquela invocação anterior do nome de Jesus. ”(On Rebaptism) Recebemos outra fonte inicial sobre esta questão do Batismo herético do Concílio de Arles, que foi realizado em 314 DC. Este Concílio foi convocado pelo próprio imperador São Constantino, principalmente devido à persistência dos cismáticos donatistas na África, que lhe haviam apelado da decisão do Concílio de Roma, realizada no ano anterior. Este foi um grande concílio, e foi considerado ecumênico para a região ocidental. Em uma carta ao Bispo de Siracusa, São Constantino descreveu o plano deste Concílio como segue: “Por isso, ordenamos que muitos Bispos de vários e inúmeros lugares se reunissem na cidade de Arles até o dia primeiro de agosto” (Eusebius, Church History, 10.5). Muito provavelmente um exagero, Santo Agostinho se refere a ele como “um Concílio Plenário” (Contra Donatists, Book Ch. 9). Seu presidente era Marino, bispo de Arles, e o papa Silvestre, que acabara de suceder a Milciades, enviando legados para representar a Sé Apostólica. Os cânones deste Concílio foram enviados a Roma para revisão e execução ecumênica. O cânon que nos interessa aqui é o oitavo, que diz o seguinte: “Quanto aos africanos, porque seguem sua própria lei peculiar e rebatizam: Está determinado que, se alguém vier à Igreja por heresia, peça-lhe seu Credo; e se eles virem que ele foi batizado no Pai e no Filho e no Espírito Santo, somente a mão será imposta sobre ele, para que ele possa receber o Espírito Santo. Mas se, ao ser interrogado, ele não responder com essa Trindade, ele será batizado ”. A carta que este Concílio acabou escrevendo ao Papa é muito interessante, e há algumas coisas em seu conteúdo que merecem ser mencionadas. Escreve: “… Fomos levados para a cidade de Arles, pelo desejo do mais piedoso imperador, e saudamos com a devida reverência, o mais glorioso papa. Aqui temos sofrido por homens problemáticos, perigosos para a nossa lei e tradição – homens de mente indisciplinada, a quem tanto a autoridade de nosso Deus, que está conosco, como nossa tradição e a regra da verdade rejeitam, porque não têm razão em seus argumentos, nem qualquer moderação em sua acusação …. Portanto, pelo julgamento de Deus e da Igreja Mãe, que conhece e aprova, eles foram condenados ou rejeitados. Seria, muito querido, que você pensasse bem em estar presente neste grande espetáculo! Acreditamos seguramente que, nesse caso, uma sentença mais severa teria sido aprovada contra eles; e nossa assembléia teria se alegrado com uma alegria maior, se você tivesse julgado junto conosco; mas desde que você não era capaz de sair daquela região onde os apóstolos diariamente se sentam, e seu sangue sem cessar testemunha a glória de Deus … Nós também concordamos primeiro em escrever para você que detêm as dioceses maiores que por você especialmente eles deveriam ser trazidos ao conhecimento de todos ”(Concílio de Arles ao Papa Silvestre, CSEL 26, 206). Então, o que temos aqui é um Concílio bastante grande, realizado no início do século IV, que rege a mesma decisão do Papa Santo Estêvão no século anterior, e que essa decisão deve ser passada para “todos” através do papa. Se este “todos” é para as “dioceses” ocidentais ou mais não se sabe, mas poderia ser perguntado por que um Concílio convocado pelo Imperador teria um significado puramente regional. Não tenho conhecimento de nenhuma evidência de que as igrejas orientais tenham recebido este Concílio, mas, então, não recebemos muitas evidências de que chegou a Roma ou foi recebida por Roma além da intenção do Concílio como atestada. Mesmo assim, esta evidência de um cânon conciliar proibindo o rebatismo é pertinente ao artigo. Avançando, nos Cânones do grande Concílio de Nicéia I (325), temos uma indicação de que repetir o Batismo para herege convertidos não era a norma presumida, como São Cipriano estava inflexível. Um cânon observado é o seguinte: “Com relação aos Paulinianistas que fugiram para a Igreja Católica, foi decretado que eles devem ser rebatizados” (cn. 19). Agora, por que precisaria ser decretado que os Paulianistas deveriam ser rebatizados? Parece supérfluo ordenar o rebatismo de uma certa classe de convertidos se o instinto fosse sempre batizar novos conversos vindos de seitas heréticas ou cismáticas. Há ainda mais razões para acreditar que os Paulianistas eram um grupo que particularmente exigiu este decreto sobre serem batizados novamente, uma vez que registramos uma instrução do Papa Santo Inocêncio I no início do século 5, onde ele escreve a um certo Rufo e outros Bispos da Macedônia: “De fato, do cânon de Nicéia, os Paulianistas que chegam à Igreja devem ser batizados, mas não os Novacianistas … A razão clara declara o que é distinto nas duas heresias; pois os Paulianistas nunca batizaram em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e os Novacianistas batizaram nesses mesmos nomes grandiosos e veneráveis; nem entre os Novacianistas alguma questão foi levantada sobre a unidade do poder divino que pertence ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo ”(Patrologia 20, 532). Eu sei que o papa Santo Inocêncio está falando um pouco depois do tempo que estávamos examinando antes, mas esta epístola a Rufos (e Bispos associados da Macedônia) nos revela como o 19° cânon de Nicéia foi lido, pelo menos pelo Papa dentro de apenas 80-90 anos após a convocação do Concílio. E o que observamos? Observamos que Santo Inocêncio reconhece que, para alguns hereges, convertertidos à verdadeira Igreja, como os Novacianistas, que são especificamente instruídos no Cânon 5 para serem recebidos sem rebatismo (os Cathari, καθαροί, literalmente “puros”, não eram senão os Novacianistas, cf. the 7th Canon of Constantinople 381 & The Christian Councils: From the Close of the Council of Nicaea, Hefele, pg. 410), eles não devem ser rebatizados à luz de sua invocação da Trindade no sacramento batismal. . Além disso, outros, como os paulianistas, são especificamente instruídos a serem rebatizados, à luz de uma compreensão defeituosa de Deus e da incapacidade de invocar o nome trinitário. Assim, mesmo em Roma, a questão não era uma recepção universal de convertidos heréticos através da simples imposição de mãos, mas era condicionada pela invocação da Trindade, pelo menos. Em todo caso, isto é uma evidência bastante impressionante de que o Concílio de Nicéia não aceitou a perspectiva eclesiológica de São Cipriano que proibiu a noção de qualquer Batismo válido fora da Igreja verdadeira. Isto é confirmado pelo estudo de um erudito ortodoxo oriental, o Arcebispo Peter L’Huillier: “Precisamente, o Concílio de Nicéia não insistiu no rebatismo dos novacianistas, pois sua doutrina sobre a Santíssima Trindade estava basicamente de acordo com o ensino católico. Assim, o padre niceno implicitamente rejeita a posição de Cipriano na eclesiologia ”(Ecclesiology in the Canons of the First Nicene Council in St. Vladimir’s Theological Quarterly, Vol. 27, n. 2 [1983]) Outro especialista ortodoxo oriental em direito canônico, pe. John Erickson, diz o seguinte: “Mas e de Cipriano? A resposta padrão em Bizâncio iria relegar ele e sua posição para a lata de lixo da história. São Basílio já considerava a prática batismal de Cipriano como obsoleta. Ele observa (cânon 1) que Cipriano e Firmiliano haviam rejeitado o batismo de Novacianista, que de acordo com seu próprio sistema de classificação seria aceito. ”(The Challenge of Our Past, Pg. 120). Professor associado de Liturgia na Universidade de Notre Dame, Dr. Maxwell E. Johnson, resume da seguinte forma: “Embora a história mostre que foi a visão de Estêvão e da Igreja de Roma que triunfou nessa controvérsia, o problema permaneceu sem solução nos tempos de vida tanto de Cipriano quanto de Estevão (+257), ambos sofrendo o martírio durante a perseguição Valeriana. Além disso, como veremos, a antiga tradição norte-africana de exigir o re-batismo de hereges e cismáticos retornará com uma vingança no século IV e além do que é chamado de “Controvérsia Donatista” durante o episcopado de Agostinho de Hipona. (The Rites of Christian Initiation: Their Evolution and Interpretation, Pg. 71) Seguindo o Concílio de Nicéia, temos evidências de decretos editais enviados às províncias do Ocidente pelo Papa São Libério (352-366), onde era estritamente proibido rebatizar. O relato disso vem de uma epístola do Papa São Sirício (384) aos Bispos de Tarragona. Ele escreveu: “O relatório, meu irmão, que você enviou ao nosso antecessor, Dâmaso de memória sagrada, encontrou-me já instalado em seu assento … Ao ler cuidadosamente na assembléia dos irmãos, descobrimos tantos pontos nele que mereciam repreensão e correção como esperávamos encontrar dignos de louvor … Pois em vista de nosso ofício, não temos o direito de dissimular e nem de guardar silêncio, pois é nosso dever mais do que qualquer um ser zeloso pela fé cristã. Nós carregamos o fardo de todos os que estão sobrecarregados; ou melhor, antes, o abençoado Apóstolo Pedro os traz em nós e nos protege e cuida de nós, seus herdeiros, como confiamos, em todos os cuidados de seu ministério. Agora, na primeira página de sua carta, portanto, você indicou que multidões que foram batizadas pelos ímpios arianos estavam se apressando para a fé católica, e que alguns de nossos irmãos desejavam batizar essas mesmas pessoas novamente. Isso não é permitido, já que tanto o apóstolo proíbe quanto os cânones se opõem a fazê-lo; e após o Concílio de Rimini ser anulado, os decretos gerais enviados para as províncias pelo meu antecessor da venerável memória, Libério o proibiram. Unimos essas pessoas, e os novacianos e outros hereges, à assembléia dos católicos, assim como foi constituída no sínodo, unicamente através da invocação do Espírito sétuplo pela imposição da mão do bispo. De fato, todo o Oriente e o Ocidente preservam essa prática, e também é inapropriado daqui em diante desviar-se desse caminho, se você não deseja ser separado de nossa companhia por sentença sinodal … Agora deixe que os seus sacerdotes observarem a regra aqui dada a menos que eles desejem ser arrancados da rocha sólida e apostólica sobre a qual Cristo construiu a Igreja universal … que eles entendam que são deposto pela autoridade da Sé Apostólica … Nós conseguimos, eu penso, meu irmão mais querido, termos eliminado todas as questões que estavam contidas em sua carta de investigação e, creio eu, retornamos respostas adequadas para cada um dos casos que você relatou por nosso filho, o padre Basiano, à Igreja Romana como a cabeça de seu corpo. ”(PL 13.1132 ) Existem algumas coisas que vale a pena notar aqui. Primeiro, Roma ainda manteve a tradição testemunhada por Santo Estêvão no pontificado de São Libério. Em segundo lugar, esta investigação escrita a Roma pelos Bispos de Tarragona (Espanha) foi originalmente dirigida ao predecessor de Sirício, o Papa São Dâmaso. Isso é importante, pois sabemos que, sob S. Dâmaso, São Jerônimo serviu como secretário de correspondências, respondendo a perguntas feitas ao papa a partir de “concílios do Oriente e do Ocidente” (nº 123, Cartas de São Jerônimo). Isso significa que o sucessor de São Dâmaso, Sirício estaria familiarizado com as visões do Oriente e do Ocidente, ou seja, a Igreja universal. Terceiro, por causa disso, quando Sirício diz que tanto o Oriente quanto o Ocidente sustentam a tradição romana como decretada pelo Papa São Libério, é mais do que provável, com base na correspondência real que o Papa conhecia. E quarto, a questão era grave: o papa ameaçou com excomunhão pela força total do poder papal. Em seguida, temos evidências do 7º Cânon do Concílio de Constantinopla (381). Uma parte é a seguinte: “Aqueles que, de heresia, recorrem à ortodoxia e à porção daqueles que estão sendo salvos, recebemos de acordo com o seguinte método e costume: arianos e macedônios, e sabatianos e novacianos, que se chamam Cathari ou Aristori, e Quarto-Decimanos ou Tetraditas, e Apolinarianos, recebemos, ao darem uma renúncia escrita [de seus erros] e anatematizarem toda heresia que não esteja de acordo com a Santa, Católica e Apostólica Igreja de Deus. Então, eles são primeiramente selados ou ungidos com o óleo sagrado na testa, olhos, narinas, boca e ouvidos; e quando os selamos, dizemos: O Selo do dom do Espírito Santo … ” Nós lemos aqui que há uma abundância de grupos heréticos e cismáticos cujos convertidos à Igreja verdadeira não são especificamente rebatizados, mas sim, após a renúncia aberta de seus erros anteriores, recebem o sacramento da Crisma. Curiosamente, há grupos cujas crenças sobre o Pai e o Filho são explicitamente heréticas (cf. arianos), mas cuja administração do batismo não vicia a validade do Batismo. Novamente, o princípio de São Cipriano é implicitamente rejeitado, no mínimo. Um determinado padre da Igreja, um contemporâneo próximo que morreu pouco antes da convocação do Concílio acima, São Basílio, o Grande (329-379), fala da variação da prática, mas faz uma distinção sistemática entre o que fazer com as pessoas que entram a verdadeira Igreja de qualquer heresia versus cisma. Ele escreve: “Por isso, pareceu bom às autoridades antigas rejeitar o batismo dos hereges por completo, mas admitir o dos cismáticos, com base em que eles ainda pertenciam à Igreja” (Carta 188). Embora ele aqui reconheça a ortodoxia dos padres de Nicéia nesta questão do batismo, contra São Cipriano, ele então na mesma carta descobre que este último tinha boas razões para crer como ele, já que “quem tinha apostatado da Igreja não tinha mais sobre eles a graça do Espírito Santo, pois deixaram de ser comunicada quando a continuidade foi quebrada. ”Mas então, a última parte da citação acima faz com que alguém fique intrigado, já que diz que os cismáticos ainda pertencem à Igreja, que é tudo menos o que São Cipriano manteve. Curiosamente, São Basílio comenta sobre o Papa São Dionísio de Alexandria e sua aceitação do Batismo de Montanistas, mas conclui: “Estou surpreso como isso pode ter escapado de Dionísio, conhecido como estava com os cânones”. Eu não sei muito mais do que comentar sobre São Basílio além do que estou curioso para saber o que ele teria pensado do cânon de Constantinopla 381, onde o batismo de arianos, macedônios e até mesmo apolinaristas (ou seja, hereges claros) foi aceito. . Talvez ele sentisse que sua teologia ainda era do tipo que viciava completamente o ato batismal. Há muito para especular, mas não há espaço suficiente para fazer isso. Em seguida, há o Concílio Oriental de Laodicéia (realizado em algum lugar entre meados e final do século IV), cujo oitavo cânon diz o seguinte: “Pessoas convertidas de heresias, isto é, dos Novacianos e Quartodecimanos, sejam elas catecúmenos ou comungadores entre eles, não serão recebidas até que tenham anatematizado todas as heresias, e particularmente aquelas em que foram detidos; e depois aqueles que entre eles foram chamados comungantes, tendo aprendido completamente os símbolos da fé, e tendo sido ungidos com o santo crisma, comungaram assim nos santos Mistérios. O primeiro erudito bíblico, São Jerônimo, narra a disputa africana sobre o batismo com o papa Santo Estêvão nestas palavras: “Cipriano de abençoada memória tentou evitar cisternas quebradas e não beber de águas estranhas; e, portanto, rejeitando o batismo herético, convocou seu sínodo africano em oposição a Estêvão, que foi o vigésimo segundo sucessor de Pedro na sé de Roma. Eles se encontraram para discutir esse assunto; mas a tentativa falhou. Por fim, aqueles mesmos bispos que, juntamente com ele, determinaram que os hereges deveriam ser batizados, voltaram ao antigo costume e publicaram um novo decreto ”(Dialogue with the Luciferians, para. 23) Outra testemunha significativa é São Vicente de Lerins (445), cujo Commonitorium nos relata o debate africano entre Santo Estevão e São Cipriano, além de apoiar a ação do Papa de excomungar aquelas igrejas que se desviaram da tradição. Ele escreveu: “Era uma vez, então, Agripino, bispo de Cartago, de venerável memória, sustentava a doutrina – e ele foi o primeiro que a sustentava – que o Batismo deveria ser repetido, contrariamente ao cânon divino, contrário ao governo da igreja universal, ao contrário dos costumes e instituições dos nossos antepassados. Essa inovação atraiu tal quantidade de maldade, que não só deu um exemplo de sacrilégio aos hereges de todos os tipos, como também se mostrou uma ocasião de erro para certos católicos. Quando então todos os homens protestaram contra a novidade, e o sacerdócio em todos os lugares, cada um como seu zelo incitou-o, opôs-se, Papa Estêvão de abençoada memória, Prelado da Sé Apostólica, em conjunção mesmo com seus colegas mas ainda ele mesmo o principal, resistiu pensando bem, não duvido que, como ele excedeu todos os outros na autoridade de seu lugar, ele também deveria na devoção de sua fé. Em suma, em uma epístola enviada na época para a África, ele estabeleceu essa regra: que não haja inovação – nada além do que foi transmitido. Pois bem que o homem santo e prudente sabia que a verdadeira piedade não admite outra regra senão que todas as coisas que foram fielmente recebidas de nossos pais devem ser fielmente confiadas a nossos filhos; e que é nosso dever não levar a religião para onde queremos, mas sim seguir a religião para onde ela nos conduz; e que é parte da modéstia e da gravidade cristãs não entregar nossas próprias crenças ou observâncias àqueles que vêm depois de nós, mas preservar e guardar o que recebemos daqueles que vieram antes de nós. Qual foi então a questão de todo o assunto? O que é o habitual e costumeiro? A antiguidade foi mantida, a novidade foi rejeitada. ”(Commonitorium, cap. 6) Isso vem do próprio Santo que cunhou o dito tripartite da antiguidade, universalidade e consentimento como os critérios da Tradição Apostólica. Por fim, concluo com o testemunho do Papa São Leão Magno, que é o herói da ortodoxia cristológica no século V. Em uma carta de resposta a um Neo, bispo de Ravena, São Leão escreve a seguinte instrução: “Sabemos, de fato, que uma ofensa imperdoável está cometida, sempre que, de acordo com as instituições dos hereges que os santos Padres condenaram, qualquer um é forçado duas vezes a entrar na pia batismal, que é apenas uma vez disponível para aqueles que renasceram, em oposição aos ensinamentos do Apóstolo, que nos fala de uma divindade na Trindade, uma confissão na fé, um sacramento no batismo. Mas nisto nada semelhante é para ser apreendido, desde que o que não é conhecido como sendo feito, não pode vir sob a acusação de repetição …. Mas se for estabelecido que um homem foi batizado por hereges, nele o mistério da regeneração não deve, de modo algum, ser repetido, mas apenas aquela conferida antes, para que ele possa obter o poder do Espírito Santo pela imposição das mãos do Bispo. Esta decisão, querido irmão, queremos levadar ao conhecimento de todos vocês em geral, até o fim que a misericórdia de Deus não possa ser recusada àqueles que desejam ser salvos através da timidez indevida ”. (Carta 166) Outra carta a Rustico, bispo da Gallia Narbonense, responde a uma série de perguntas enviadas ao Papa. A 18ª pergunta e resposta é a seguinte: “Com relação àqueles que vieram da África ou da Mauritânia e não sabem em que seita foram batizados, o que deve ser feito no caso deles? Resposta. Estas pessoas não duvidam do seu batismo, mas professam ignorância quanto à fé daqueles que as batizaram e, portanto, uma vez que receberam a forma de batismo de uma maneira ou de outra, não devem ser batizadas, mas devem ser unidas os católicos pela imposição das mãos, depois da invocação do poder do Espírito Santo, que eles não podiam receber dos hereges ”(Carta 177). O leitor notará que nenhuma citação de Santo Agostinho foi feita nesta pesquisa de evidências. Isso foi feito com o propósito de demonstrar que sua posição sobre o batismo de hereges se estende muito antes de ele nascer, mesmo para o que era considerado “antigo” para o papa Santo Estêvão em meados do século III. Os argumentos de Santo Agostinho em defesa da validade do Batismo fora dos limites eclesiais foram mostrados principalmente em seu livro “Contra os donatistas”, como o Dr. Maxwell E. Johnson descreveu acima. Isso é crucial, pois, como testemunha o Dr. Johnson, a situação de Santo Agostinho contra os donatistas foi em resposta ao ressurgimento de uma prática já condenada pelos Padres da Igreja antes do tempo de Santo Agostinho. Portanto, temos muito boas razões para acreditar que essa foi a tradição apostólica, como testificou a maioria do testemunho patrístico. Voltando ao assunto no século III, parece que o Santo Papa Estêvão estava certo, afinal de contas. Tradução: https://erickybarra.wordpress.com/2018/06/08/the-apostolic-and-patristic-tradition-on-baptism-by-heretics/
- São Luís Maria Grignion de Montfort
De temperamento ardente, apaixonado pelo absoluto, Luis Maria Grignion de Montfort foi logo cativado pela pessoa de Jesus Cristo, enviado de Deus ao mundo. Ao mesmo tempo, ficou apaixonado por seu desígnio de salvação para com os homens, porque considerou esta sabedoria do amor revelado em Jesus Cristo como a mais sublime sabedoria da vida sobre a terra. Ordenado sacerdote e convertido em missionário, o que conta para ele é Jesus Cristo! Jesus Cristo e sua obra de salvação, a única que dá sentido à aventura humana na terra desde o primeiro ao último dia da história. Conseqüentemente, a única preocupação de sua alma apostólica será despertar nos fieis o cuidado primordial de deixar-se amar e salvar pelo único Salvador dado ao mundo. Esta inabalável convicção de fé, de agora em diante, está no centro de todos seus pensamentos, na fonte de todas as suas atividades e intentos apostólicos (cf CT 22). O tema de seu primeiro livro O Amor da Sabedoria eterna, sustenta e anima todos os seus outros escritos, entre os quais o mais conhecido é o Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. Por exemplo, escreve: “Conhecer Jesus Cristo, a Sabedoria Encarnada, é conhecer o suficiente. Conhecer tudo e não conhecê-Lo é nada conhecer” (ASE 11). Ou ainda: “Jesus Cristo, nosso Salvador, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, deve ser o fim último de todas as nossas devoções… Jesus Cristo é o alfa e o omega, o princípio e o fim de todas as coisas. Nós não trabalhamos – como diz o Apóstolo – senão para tornar cada homem perfeito em Jesus Cristo. Porque só nele habita toda a plenitude da divindade, e todas as outras plenitudes de graça, virtude e perfeição” (TVD 61). Para o missionário Montfort, toda a vida deve ter basear-se em Jesus Cristo e, da mesma forma, conduzir-nos a Jesus Cristo. As diferentes atividades não são mais que meios para conhecê-Lo, seguí-Lo e unir-se a Ele, começando pelo primeiro e principal meio de união: o sacramento do batismo. O batismo é o germe e fundamento de uma vida nova, a vida da graça divina recebida de Jesus Cristo, a qual pede que cresça segundo as exigências e o ritmo do duplo mandamento evangélico do amor, conforme os compromissos assumidos antes de receber o sacramento (as promessas). Na Igreja o sacramento do batismo sempre foi considerado como o sacramento fundamental de toda a vida cristã e, por conseguinte, como o fundamento e a fonte de todas as espiritualidades da Igreja. A este respeito, o ensinamento de nosso missionário sobre o batismo não representa nada de original. Segundo a teologia tradicional, recorda o duplo efeito do sacramento: purificação da mancha original e participação da graça da vida divina, que está em Jesus Cristo (cf CT 109). No entanto, devemos notar a força com a qual Luís Maria destaca a mudança radical de comportamento, a que somos chamados pela nova vida em Jesus Cristo e a nova dependência dela: “Antes do batismo éramos do demônio como os seus escravos. Ao receber este sacramento tornamo-nos verdadeiros escravos de Jesus Cristo. Doravante já não devemos viver, trabalhar e morrer senão para este Homem-Deus, glorificando-o em nosso corpo e fazendo-o reinar em nossa alma. Somos, pois, sua conquista, seu povo de aquisição e sua herança… Jesus Cristo é o único princípio e deve ser o fim último de todas as nossas boas obras… devemos servir não somente como servos assalariados, mas como escravos de amor” (TVD 68). Servir a Jesus Cristo como escravos de amor, quer dizer, servi-lo com uma obediência amorosa e total ao seu duplo mandamento de amor, como nos foi pedido e como nos comprometemos no batismo. Se o santo missionário Montfort deu tal importância ao sacramento do batismo em sua pregação e em seus escritos foi, com certeza em razão da grandeza e santidade do sacramento e da nova vida que ele inaugura; igualmente, para recordar e destacar a importância das promessas, que foram feitas ao Cristo Salvador e a necessidade imperiosa de ser fiel a estas promessas deixando-se amar, salvar e santificar por Ele, quer dizer, para chegar a santidade pela perfeição do amor, o que constitui a vocação de todos os batizados (cf SM 3). Atuando assim, Montfort é verdadeiramente um missionário apostólico e se revela como um testemunho da Tradição viva da Igreja, mais precisamente como um testemunho ardente e empreendedor de uma forte corrente desta Tradição: corrente pastoral, que chama a renovar regularmente a vida cristã revitalizando-a na fonte de onde brotou: o batismo. Ele próprio se alegra em justificar sua prática pelo ensinamento dos Concílios e dos Padres da Igreja. Muito além da experiência que já havia feito com seus adeptos durante sua juventude, Luís Maria se vê confrontado, intensamente, desde as suas primeiras missões com o problema da infidelidade de um grande número de cristãos em relação às exigências de uma autêntica vida cristã. Ele destaca esta dolorosa constatação e referindo-se a Santo Tomás, a Santo Agostinho e aos canonistas de seu tempo, que insistem unanimemente na importância dos compromissos do batismo como “o voto maior e indispensável”, se interroga: “No entanto, quem é que guarda este grande voto? Quem cumpre fielmente as promessas do santo Batismo? Não é verdade que quase todos os cristãos quebram a fidelidade prometida a Jesus Cristo no seu Batismo? Donde provirá este desregramento universal, senão do esquecimento em que se vive das promessas e compromissos do Batismo, e do fato de que quase ninguém ratifica por si mesmo o contrato de aliança que fez com Deus, pela pessoa de seus padrinhos?” (TVD 127). Na verdade, o problema colocado ao missionário Montfort… e a Igreja de seu tempo, já era o dos séculos precedentes: a grande causa das desordens nas quais viviam muitos cristãos era: “o esquecimento e a ignorância dos que viviam os compromissos do santo batismo”. Alguém somente se apega ao que conhece bem e aprecia: é a lei da psicologia humana. Era um problema que, os Padres já em seu tempo, procuravam resolver mediante uma catequese sólida sobre a excelência do batismo, como iniciação de uma vida nova em Jesus Cristo, portanto, recorriam a novos comportamentos. A catequese (de adultos) insistia no caráter de pacto, de contrato de aliança com Deus, que comportava a renúncia a Satanás e a adesão a Jesus Cristo. Esta se prolongava depois do batismo tendo em vista o aprofundamento da fé e, segundo as regiões, por diversas práticas que buscavam reavivar, nos espíritos e nos corações, a lembrança da importância e do caráter sagrado dos compromissos do batismo. Entre estas práticas, pelo menos desde o século III, estava o aniversário solene do dia do batismo, juntamente com a renovação das promessas. Basta evocar aqui os nomes e a catequese de São Gregório Nacianceno, São Basílio, São Cirilo de Jerusalém, Santo Ambrosio, Santo Agostinho, São León o Grande… Mais tarde, sendo introduzido o batismo de crianças, o ensinamento sobre a excelência e os compromissos do sacramento conhecerá uma certa decadência, onde um grande número de fiéis ignorou e esqueceu a dignidade batismal, tendo como conseqüência à desordem na conduta. No início da Idade Média o Concílio de Sens – vinculado à tradição patrística de restaurar os costumes – convocado em 829 para solucionar as desordens dos cristãos (a qual Montfort faz referência na TVD 127), recomenda aos pastores instruir o povo sobre a grandeza do batismo e conduzir os fiéis a renovar as promessas. A devoção batismal voltará a ser de uso corrente durante vários séculos: os cristãos têm consciência de sua pertença a Cristo, de onde nasce um sentimento de ruptura com o mundo pagão ou muçulmano. Porém a crise do Renascimento transformará esta mentalidade pela infiltração de uma certa sabedoria, demasiada humana e, inclusive mundana. A reação é sentida a partir do Concílio de Trento (1545-1563), no qual se apóia nosso missionário: “O Catecismo do Concílio de Trento, fiel intérprete das intenções deste santo Concílio, exorta os párocos a fazer o mesmo (que o Concílio de Sens). Levem os seus fiéis a recordar e crer que estão ligados e consagrados a Nosso Senhor Jesus Cristo, como escravos ao seu Redentor e Senhor” (TVD 129). Uma das maiores características da Reforma católica introduzida pelo Concílio de Trento é o lugar central dado ao batismo na pastoral, a insistência em recordar sua importância fundamental e as exigências para a vida cristã. Com o desejo de renovar o espírito cristão devia remontar às origens, descobrir a Tradição e recordar a excelência e a importância primordial do batismo (o que era igualmente um dos pontos de apoio de Lutero). São Carlos Borromeo, arcebispo de Milão (+1584), foi sem dúvida alguma, um dos mais zelosos que coloca em prática as diretrizes conciliares. Retoma a prática do aniversário batismal e introduz uma prática um pouco esquecida na época: a renovação das promessas ou votos do batismo. A forte influência de são Carlos, contribuiu certamente com a revalorização do batismo na França, pois encontrou ali as diretrizes de numerosos bispos, como também iniciativas apostólicas que iam no mesmo sentido, por exemplo, nas Congregações marianas dos Jesuítas. Traça-se rapidamente todo um movimento, entre os pastores e entre os pregadores, para promover a devoção ao batismo e fazer renovar os compromissos para garantir a fidelidade cristã. É necessário recordar aqui o papel importante levado a cabo pelas missões paroquiais, na prática da renovação pastoral em fidelidade ao Concílio de Trento e as diretrizes episcopais. Este era um tempo forte de ensinamento global e intensivo que se dava a uma comunidade durante várias semanas (de três a cinco) pelos pregadores itinerantes. Esta forma de instrução era praticada desde muitos decênios, pelos membros das grandes ordens religiosas (Jesuítas, Dominicanos, Capuchinhos, Beneditinos…) e também pelos grandes reformadores da Escola Francesa de espiritualidade e os membros de seus institutos (Lazaristas, Oratorianos, Sulpicianos, Eudistas) e igualmente pelas equipes de sacerdotes diocesanos. As missões contribuíram poderosamente para a renovação do povo cristão. Adotando as idéias e objetivos da Reforma católica, integraram progressivamente os programas e exercício público da renovação das promessas batismais, e que parece ter se transformado em uma prática regular desde a metade do século XVII. É o caso, por exemplo, ainda que com modalidades diferentes, de missionários de renome da época como Julián Maunoir, João Eudes, Dom Leuduger aos quais o Padre de Montfort se associará por algum tempo. Nascido no coração da Reforma católica (1673), o jovem Luis Maria trabalhará na linha deste objetivo apostólico, digno continuador de uma geração de missionários e de reformadores, mas com seu carisma pessoal e seu estilo próprio. Como veremos, logo se revelará, como um poderoso renovador espiritual de projetos apostólicos generosos e de iniciativas audazes, mas sempre com fidelidade a Tradição viva da qual encontra a ideia-força, que é preciso recordar e valorizar entre os cristãos de seu tempo: a exigência da fidelidade aos compromissos batismais para salvar-se e, portanto, a importância de renová-los, sobretudo pela forma de consagração a Jesus Cristo pelas mãos de Maria (o que em sintonia com a sua época, Montfort chama de “devoção ao batismo”). Além disso, Montfort nega querer propor novidades: “Não se pode objetar que esta devoção é nova ou indiferente. Não é nova, pois os concílios, os Padres e vários outros autores antigos e modernos, falam desta devoção a Nossa Senhora ou renovação dos votos Batismo como de uma coisa praticada antigamente, e que aconselham a todos os cristãos. Não é indiferente ou sem importância, porque a principal fonte de todos as desordens e logo, da condenação dos cristãos, vem do esquecimento e do abandono desta prática” (TVD 131). Pe. Gaffney, S.M.M. #ConsagraçãoàNossaSenhora #TotalConsagração #TotusTuus #VerdadeiraDevoção
- São Luís Maria Grignion de Montfort
De temperamento ardente, apaixonado pelo absoluto, Luis Maria Grignion de Montfort foi logo cativado pela pessoa de Jesus Cristo, enviado de Deus ao mundo. Ao mesmo tempo, ficou apaixonado por seu desígnio de salvação para com os homens, porque considerou esta sabedoria do amor revelado em Jesus Cristo como a mais sublime sabedoria da vida sobre a terra. Ordenado sacerdote e convertido em missionário, o que conta para ele é Jesus Cristo! Jesus Cristo e sua obra de salvação, a única que dá sentido à aventura humana na terra desde o primeiro ao último dia da história. Conseqüentemente, a única preocupação de sua alma apostólica será despertar nos fieis o cuidado primordial de deixar-se amar e salvar pelo único Salvador dado ao mundo. Esta inabalável convicção de fé, de agora em diante, está no centro de todos seus pensamentos, na fonte de todas as suas atividades e intentos apostólicos (cf CT 22). O tema de seu primeiro livro O Amor da Sabedoria eterna, sustenta e anima todos os seus outros escritos, entre os quais o mais conhecido é o Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. Por exemplo, escreve: “Conhecer Jesus Cristo, a Sabedoria Encarnada, é conhecer o suficiente. Conhecer tudo e não conhecê-Lo é nada conhecer” (ASE 11). Ou ainda: “Jesus Cristo, nosso Salvador, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, deve ser o fim último de todas as nossas devoções… Jesus Cristo é o alfa e o omega, o princípio e o fim de todas as coisas. Nós não trabalhamos – como diz o Apóstolo – senão para tornar cada homem perfeito em Jesus Cristo. Porque só nele habita toda a plenitude da divindade, e todas as outras plenitudes de graça, virtude e perfeição” (TVD 61). Para o missionário Montfort, toda a vida deve ter basear-se em Jesus Cristo e, da mesma forma, conduzir-nos a Jesus Cristo. As diferentes atividades não são mais que meios para conhecê-Lo, seguí-Lo e unir-se a Ele, começando pelo primeiro e principal meio de união: o sacramento do batismo. O batismo é o germe e fundamento de uma vida nova, a vida da graça divina recebida de Jesus Cristo, a qual pede que cresça segundo as exigências e o ritmo do duplo mandamento evangélico do amor, conforme os compromissos assumidos antes de receber o sacramento (as promessas). Na Igreja o sacramento do batismo sempre foi considerado como o sacramento fundamental de toda a vida cristã e, por conseguinte, como o fundamento e a fonte de todas as espiritualidades da Igreja. A este respeito, o ensinamento de nosso missionário sobre o batismo não representa nada de original. Segundo a teologia tradicional, recorda o duplo efeito do sacramento: purificação da mancha original e participação da graça da vida divina, que está em Jesus Cristo (cf CT 109). No entanto, devemos notar a força com a qual Luís Maria destaca a mudança radical de comportamento, a que somos chamados pela nova vida em Jesus Cristo e a nova dependência dela: “Antes do batismo éramos do demônio como os seus escravos. Ao receber este sacramento tornamo-nos verdadeiros escravos de Jesus Cristo. Doravante já não devemos viver, trabalhar e morrer senão para este Homem-Deus, glorificando-o em nosso corpo e fazendo-o reinar em nossa alma. Somos, pois, sua conquista, seu povo de aquisição e sua herança… Jesus Cristo é o único princípio e deve ser o fim último de todas as nossas boas obras… devemos servir não somente como servos assalariados, mas como escravos de amor” (TVD 68). Servir a Jesus Cristo como escravos de amor, quer dizer, servi-lo com uma obediência amorosa e total ao seu duplo mandamento de amor, como nos foi pedido e como nos comprometemos no batismo. Se o santo missionário Montfort deu tal importância ao sacramento do batismo em sua pregação e em seus escritos foi, com certeza em razão da grandeza e santidade do sacramento e da nova vida que ele inaugura; igualmente, para recordar e destacar a importância das promessas, que foram feitas ao Cristo Salvador e a necessidade imperiosa de ser fiel a estas promessas deixando-se amar, salvar e santificar por Ele, quer dizer, para chegar a santidade pela perfeição do amor, o que constitui a vocação de todos os batizados (cf SM 3). Atuando assim, Montfort é verdadeiramente um missionário apostólico e se revela como um testemunho da Tradição viva da Igreja, mais precisamente como um testemunho ardente e empreendedor de uma forte corrente desta Tradição: corrente pastoral, que chama a renovar regularmente a vida cristã revitalizando-a na fonte de onde brotou: o batismo. Ele próprio se alegra em justificar sua prática pelo ensinamento dos Concílios e dos Padres da Igreja. Muito além da experiência que já havia feito com seus adeptos durante sua juventude, Luís Maria se vê confrontado, intensamente, desde as suas primeiras missões com o problema da infidelidade de um grande número de cristãos em relação às exigências de uma autêntica vida cristã. Ele destaca esta dolorosa constatação e referindo-se a Santo Tomás, a Santo Agostinho e aos canonistas de seu tempo, que insistem unanimemente na importância dos compromissos do batismo como “o voto maior e indispensável”, se interroga: “No entanto, quem é que guarda este grande voto? Quem cumpre fielmente as promessas do santo Batismo? Não é verdade que quase todos os cristãos quebram a fidelidade prometida a Jesus Cristo no seu Batismo? Donde provirá este desregramento universal, senão do esquecimento em que se vive das promessas e compromissos do Batismo, e do fato de que quase ninguém ratifica por si mesmo o contrato de aliança que fez com Deus, pela pessoa de seus padrinhos?” (TVD 127). Na verdade, o problema colocado ao missionário Montfort… e a Igreja de seu tempo, já era o dos séculos precedentes: a grande causa das desordens nas quais viviam muitos cristãos era: “o esquecimento e a ignorância dos que viviam os compromissos do santo batismo”. Alguém somente se apega ao que conhece bem e aprecia: é a lei da psicologia humana. Era um problema que, os Padres já em seu tempo, procuravam resolver mediante uma catequese sólida sobre a excelência do batismo, como iniciação de uma vida nova em Jesus Cristo, portanto, recorriam a novos comportamentos. A catequese (de adultos) insistia no caráter de pacto, de contrato de aliança com Deus, que comportava a renúncia a Satanás e a adesão a Jesus Cristo. Esta se prolongava depois do batismo tendo em vista o aprofundamento da fé e, segundo as regiões, por diversas práticas que buscavam reavivar, nos espíritos e nos corações, a lembrança da importância e do caráter sagrado dos compromissos do batismo. Entre estas práticas, pelo menos desde o século III, estava o aniversário solene do dia do batismo, juntamente com a renovação das promessas. Basta evocar aqui os nomes e a catequese de São Gregório Nacianceno, São Basílio, São Cirilo de Jerusalém, Santo Ambrosio, Santo Agostinho, São León o Grande… Mais tarde, sendo introduzido o batismo de crianças, o ensinamento sobre a excelência e os compromissos do sacramento conhecerá uma certa decadência, onde um grande número de fiéis ignorou e esqueceu a dignidade batismal, tendo como conseqüência à desordem na conduta. No início da Idade Média o Concílio de Sens – vinculado à tradição patrística de restaurar os costumes – convocado em 829 para solucionar as desordens dos cristãos (a qual Montfort faz referência na TVD 127), recomenda aos pastores instruir o povo sobre a grandeza do batismo e conduzir os fiéis a renovar as promessas. A devoção batismal voltará a ser de uso corrente durante vários séculos: os cristãos têm consciência de sua pertença a Cristo, de onde nasce um sentimento de ruptura com o mundo pagão ou muçulmano. Porém a crise do Renascimento transformará esta mentalidade pela infiltração de uma certa sabedoria, demasiada humana e, inclusive mundana. A reação é sentida a partir do Concílio de Trento (1545-1563), no qual se apóia nosso missionário: “O Catecismo do Concílio de Trento, fiel intérprete das intenções deste santo Concílio, exorta os párocos a fazer o mesmo (que o Concílio de Sens). Levem os seus fiéis a recordar e crer que estão ligados e consagrados a Nosso Senhor Jesus Cristo, como escravos ao seu Redentor e Senhor” (TVD 129). Uma das maiores características da Reforma católica introduzida pelo Concílio de Trento é o lugar central dado ao batismo na pastoral, a insistência em recordar sua importância fundamental e as exigências para a vida cristã. Com o desejo de renovar o espírito cristão devia remontar às origens, descobrir a Tradição e recordar a excelência e a importância primordial do batismo (o que era igualmente um dos pontos de apoio de Lutero). São Carlos Borromeo, arcebispo de Milão (+1584), foi sem dúvida alguma, um dos mais zelosos que coloca em prática as diretrizes conciliares. Retoma a prática do aniversário batismal e introduz uma prática um pouco esquecida na época: a renovação das promessas ou votos do batismo. A forte influência de são Carlos, contribuiu certamente com a revalorização do batismo na França, pois encontrou ali as diretrizes de numerosos bispos, como também iniciativas apostólicas que iam no mesmo sentido, por exemplo, nas Congregações marianas dos Jesuítas. Traça-se rapidamente todo um movimento, entre os pastores e entre os pregadores, para promover a devoção ao batismo e fazer renovar os compromissos para garantir a fidelidade cristã. É necessário recordar aqui o papel importante levado a cabo pelas missões paroquiais, na prática da renovação pastoral em fidelidade ao Concílio de Trento e as diretrizes episcopais. Este era um tempo forte de ensinamento global e intensivo que se dava a uma comunidade durante várias semanas (de três a cinco) pelos pregadores itinerantes. Esta forma de instrução era praticada desde muitos decênios, pelos membros das grandes ordens religiosas (Jesuítas, Dominicanos, Capuchinhos, Beneditinos…) e também pelos grandes reformadores da Escola Francesa de espiritualidade e os membros de seus institutos (Lazaristas, Oratorianos, Sulpicianos, Eudistas) e igualmente pelas equipes de sacerdotes diocesanos. As missões contribuíram poderosamente para a renovação do povo cristão. Adotando as idéias e objetivos da Reforma católica, integraram progressivamente os programas e exercício público da renovação das promessas batismais, e que parece ter se transformado em uma prática regular desde a metade do século XVII. É o caso, por exemplo, ainda que com modalidades diferentes, de missionários de renome da época como Julián Maunoir, João Eudes, Dom Leuduger aos quais o Padre de Montfort se associará por algum tempo. Nascido no coração da Reforma católica (1673), o jovem Luis Maria trabalhará na linha deste objetivo apostólico, digno continuador de uma geração de missionários e de reformadores, mas com seu carisma pessoal e seu estilo próprio. Como veremos, logo se revelará, como um poderoso renovador espiritual de projetos apostólicos generosos e de iniciativas audazes, mas sempre com fidelidade a Tradição viva da qual encontra a ideia-força, que é preciso recordar e valorizar entre os cristãos de seu tempo: a exigência da fidelidade aos compromissos batismais para salvar-se e, portanto, a importância de renová-los, sobretudo pela forma de consagração a Jesus Cristo pelas mãos de Maria (o que em sintonia com a sua época, Montfort chama de “devoção ao batismo”). Além disso, Montfort nega querer propor novidades: “Não se pode objetar que esta devoção é nova ou indiferente. Não é nova, pois os concílios, os Padres e vários outros autores antigos e modernos, falam desta devoção a Nossa Senhora ou renovação dos votos Batismo como de uma coisa praticada antigamente, e que aconselham a todos os cristãos. Não é indiferente ou sem importância, porque a principal fonte de todos as desordens e logo, da condenação dos cristãos, vem do esquecimento e do abandono desta prática” (TVD 131). Pe. Gaffney, S.M.M. #ConsagraçãoàNossaSenhora #TotalConsagração #TotusTuus #VerdadeiraDevoção
- OS CRISTÃOS NO IMPÉRIO ROMANO
OS CRISTÃOS NO IMPÉRIO ROMANO Além da infraestrutura Romana, também e principalmente a Judaica foi útil aos missionários cristãos da Igreja Primitiva: as comunidades das sinagogas da diáspora. Nas cidades do Império romano elas eram admitidas como collegia licita e gozavam de privilégios que, além do direito de reunião e da observância do descanso no sábado, principalmente se referiam à isenção de praticar cultos pagãos, principalmente o culto imperial. Uma vez que nos antigos sistemas de dominação a lealdade ao dominador de turno ou comunidade dominante era demonstrada pela participação no culto apoiado pelo Estado, as comunidades judaicas conseguiram realizar um verdadeiro portento: elas estavam isentas da comunhão de culto — sendo os judeus mesmo reconhecidos como cidadãos leais. Dentro das cidades gregas eles viviam como os outros, claramente identificáveis por sua abstinência de cultos pagãos, por um lado, é, por outro, por suas prescrições rituais (circuncisão, regras alimentares), pelas quais elas se distanciavam socialmente: Esse status foi o resultado da experiência secular (desde o exílio da Babilônia; (Jeremias 29,7) e de teimosa tática de negociação com os sucessivos dominadores. Os judeus regulamentavam sua relação com o ambiente e com a potência estatal dominadora de turno com base legal: por sua parte expressavam a lealdade, mediante oração pelos dominadores segundo o slogam: não sacrificar ao Imperador, mas por ele; conferir FILON, Legatio ad Gaium 357) —, podendo assim contar com sua simpatia e sua benevolência. * Este Claro programa foi Riscado pelos missionários cristãos primitivos que renunciaram a circuncisão como porta e fronteira do judaísmo e, em parte (como Paulo), até mesmo pretendiam suprimir as visíveis mesas separadas por regras alimentares. Uma vez que com essa iniciativa se havia lesado sensivelmente o construto legal público que garantia aos judeus uma cultura própria e distinta no interior do império romano, sem que precisassem abdicar de seu monoteísmo, as comunidades judaicas se manifestaram com veemência contra esses desconstrutores presentes em suas próprias fileiras. As desordens de que se fala em Fontes romanas e neotestamentárias devem refletir exatamente esse conflito. O freio de emergência, que as comunidades judaicas acionaram para sua própria proteção, consistia em dar uma base legal também a relação com esses novos grupos, o que significava distanciar-se oficialmente deles, o que provavelmente ocorreu pela primeira vez em Antioquia. Graças ao Egito contra os judeus do Imperador Cláudio (49 D.C) temos conhecimento de conflitos semelhantes em Roma, e a polêmica de Paulo em 1 Tessalonicenses 2, 14-16 contra os judeus deve ter relação com uma reação local em tessalônica as medidas tomadas em Roma. A primeira impressão que magistrados tinham de grupos cristãos deve ter sido a de “provocadores de desordens” — uma perigosa classificação para a lógica romana, cuja meta mais alta era paz e Ordem no império. Essa classificação era perfeitamente adequada ao ídolo dos cristãos: como crucificado, Jesus estava estigmatizado como agitador. As medidas tomadas confundiram o fato de os cristãos o venerarem como “Cristo” com o nome de escravo “Cresto”, denominando o grupo simplesmente de “crestianos”, ou seja, bando de escravos (conferir, Suetônio, Vitae V 25,4). Não causa espanto que na perseguição de Nero (64 D. C) não tenha sido difícil atribuir-lhes a responsabilidade pelo incêndio de Roma (conferir, Tácito, Ann XV 44, 2-5). Nos seus primeiros tempos, Como já vimos, o império ignora os cristãos; Juliano o apóstata, observará o fato com precisão. A vida, a doutrina e o drama de Jesus passaram completamente despercebidas aos contemporâneos. A pregação Apostólica não devia suscitar mais interesse em Roma do que suscitaria hoje na Europa ocidental a obscura propaganda de uns agitadores religiosos indígenas em Madagascar ou no Ceilão. Será preciso esperar pelo ano 102 para que um texto oficial — a carta de Plínio o jovem, a Trajano — fale dos cristãos, e peruano 116 parque tacito ao escrever os seus Anais, lhes consagre alguns parágrafos. Assim, os cristãos acabaram entre dois fogos. Sem a proteção legal das Comunidades judaicas, seu distanciamento do culto estatal transformou-se em provocação que lhes acarretava perigo de vida. O teste sacrificar o diante de uma imagem do Imperador, estabelecido por Trajano diante de uma consulta de seu secretário de estado Plínio (Plínio X 96 s.), Correspondia a lógica Romana, transformando o nome cristão — em sentido de lealdade recusada — em delito capital (crimen maiestatis). O fato de Só poucos Mártires neotestamentários serem nominalmente conhecidos (Apocalipse 2,13) deve estar relacionada com a determinação de Trajano de que somente se investigasse acusações pessoais contra cristãos, e não as acusações anônimas — com a Clara intenção de evitar uma execução em massa. Não muito diversa é a situação na terra de Israel, na região de domínio Judaico, mas pelos romanos. Também lá a aristocracia Judaica havia construído um considerável status Vivendi — com a ambição de aumentar ainda mais a autonomia. Os responsáveis judeus estavam sob permanente pressão de, por um lado, agir em colaboração com os romanos e, por outro lado, Como provar sua fidelidade à nacionalidade judaica. Os dois Mártires de Jerusalém, o Tiago filho de Zebedeu (43 D.C) e o Tiago irmão do Senhor (62 D.C) podem ter sido vítimas dessa situação de risco. Por causa de sua relação de confiança com o imperador Cláudio e por sua alegada intervenção para a elevação deste último ao posto de Imperador, Agripa I conseguiu tornar-se rei de todo Israel (41 a 44 D.C), como havia sido seu avô, Herodes Magno. Com a execução do filho de Zebedeu, ele, por um lado, agiu contra um grupo que, com sua esperança escatológica da aparição de Deus no templo estava atravancando sua tática de política real. Por outro lado, pela prática de do reconquistado Ius Gladio (direito de execução por espada) ele podia mobilizar o orgulho Nacional judaico (atos 12,1 – 5) — relacionando-o com sua própria pessoa. A execução do irmão do Senhor coloca-se no contexto da modificada situação política, pouco antes da guerra judaica (66-70D.C): no país organizavam-se grupos de resistência contra a dominação Romana, que havia voltado a se fazer sentir mediante um procurador. Agora era o sumo sacerdote judeu Ananus que, por um lado, não pretendia colocar em risco o status quo, Mas por outro lado estava pressionado a se legitimar diante daqueles que tinham por objetivo libertar o país dos Romanos, ele aproveitou um vácuo no poder romano, enganou a justiça capital Romana, ativando a pena nacional judaica, o apedrejamento, fazendo parecer um homem que estava em contato com grupos que na diáspora minavam a identidade Judaica mediante a missão livre da circuncisão. Os dois pilares básicos do cristianismo, a mensagem escatológica de Jesus Cristo, que, com a visão do senhorio de Deus, é especialmente crítica em relação aos sistemas de dominação, e a investida do Círculo de Estevão, abandonando a circuncisão como marca de identidade judaica, colocaram os grupos cristãos em dificuldades tanto em relação ao judaísmo como em relação ao estado romano. Estava no ar a questão acerca do lugar próprio dos grupos cristãos, ou seja, a questão de sua identidade específica. Não causa espanto que internamente tenha havido luta pela Rota ao tomar. Entre as três direções que já haviam se tornando visíveis no incidente de Antioquia, venceu por fim a de São Paulo. A posição contrária, que insistia em mesas separadas e, com isso, em delimitações tipicamente judaicas também para os seguidores de Jesus, provocou tumulto nas comunidades Paulinas, mas não conseguiu, a longo prazo, afirma-se diante da corrente dominante do judaísmo. A posição intermediária, que de Jerusalém, foi tentada pelo decreto dos Apóstolos, só teve sucesso passageiro. Com a destruição de Jerusalém em 70 D.C. perdeu-se o centro geográfico e simbólico dessa posição e a ideia de Israel renovado, com a comunidade cristã como guarda avançada em Sião, perdeu sua Carga Explosiva. A obra de Lucas em dois volumes, em cuja área (provavelmente a província da Ásia) estavam em vigor as cláusulas de Tiago, Por isso mesmo desloca o verdadeiro templo para o céu (Atos 7, 44 – 55). As comunidades da área de influência de Mateus viu na destruição de Jerusalém um juízo sobre o povo que Jesus havia condenado (Mateus 22,7; 27,25). Nesse sentido, teria sido possível um novo início, mas só se procurou conquistar o povo simples, não as elites das sinagogas. Afirmou-se a variante de São Paulo. Desvinculada do judaísmo, ela teve que encontrar modus vivendi Com o estado romano. Em romanos 13,1 – 7 encontram-se os primeiros vestígios disso. As epístolas pastorais levam essa linha adiante (Tito 3,1), apresentando as comunidades cristãs como casas honestas, na qual evidentemente também se reza pelos que dominam 1Timóteo 2,2, adaptando-se, com a exclusão da mulher da vida pública da Comunidade, à corrente dominante conservadora da Concepção Romana de sociedade. Naturalmente também houve críticas veemente e em parte até subversiva a aproximação com o Estado Romano. O momento de crítica à dominação dá o Tom ao evangelho de Marcos. Aos Evangelhos do início de reinado dos flávios (69 D.C : conferir Josefo, Belkin Judaica. IV 618- 656) é contraposto o começo do Evangelho de Jesus Cristo Marcos 1,1 Jesus anuncia o início do senhorio de Deus Marcos 1,14 e deixa sua manifestação aparecer em suas obras de poder. A carreira para baixo de Jesus é estilizada como caminho de contraste à Ascensão dos Flávios. No seguimento de Jesus surge uma solidária anti sociedades em estruturas patriarcais de dominação Marcos 3,1 31-35; 10, 42-45. Em Lucas, ao contrário, a crítica resulta sublime: desmascara narrativamente o “salvador” Augusto, ao ressaltar tão somente sua política de impostos entre suas supostas inigualáveis obras em benefício da população Lucas 2, 1-14. Por outro lado, Lucas já esboço a visão de um tratamento justo para os cristãos Por parte dos tribunais romanos Atos 18, 12-17. Mais incisiva de todas e certamente a crítica presente no Apocalipse. O aparelho estatal romano — certamente após experiências traumáticas sofridas já na Palestina pelos portadores da tradição — é comparado a um animal sem coração e imprevisível que, no fim das contas, é comandado por Satanás Apocalipse 13. Quem se deixa envolver por ele, que seja apenas pela participação (mesmo distanciada) no culto Imperial, corre o risco de por ele ser esmagado. É por causa dessas pessoas que o Apocalipse recorre a imagens tão drásticas. Trata-se do inimigo interno, de todos os que praticam o assim chamado “culto imperial leve”: os que participam das refeições das associações e das procissões das cidades para demonstrar sua lealdade o Imperador e ao Estado e, mediante essas relações, tirar proveito social e econômico, sem, Por sua parte, entrar em conflito com a fé no Deus único. Já nas comunidades Paulinas CD expressão a esse argumento de base para essa atitude: se os Ídolos são nada, é possível participar de seus cultos sem renegar a fé no Deus único 1Corinthians 8, 1- 4. Nesse caso, certamente é muito cedo para se falar de Gnose. Mas em sua estrutura a questão já está ser esboçando: descrição política se alcança transformando a própria fé, em vista de seus pressupostos transcendentes, numa espécie de metareligião, enquanto a religião não tem mais laços de pertença a grupos externos, mas é entendida como caminho privado de salvação. O esquema de pensamentos aparece com mais clareza no círculo da comunidade de São João e das epístolas pastorais. Num caso, trata-se da rejeição da cristologia docetista 1joão 4, 2; 2 João 7, no outro da responsabilidade pela bondade da criação 1 Timóteo 4, 1-4; Se Jesus for estilizado como salvador Celeste que possui um corpo tão só aparente, cujo dublê é crucificado, estará criado o paradigma para elevar-se a si próprio acima daqueles que, em testemunho de sua fé, assumem o martírio. Se o mundo e a criação forem vistos apenas como um acidente e a verdade realmente almejável por vista no retorno ao Reino de Luz, perdeu seu sentido determinadas questões como, por exemplo, a participação em festividades de culto Pagão. Na história do cristianismo primitivo até cerca de 150 D.C. já se esboçam as linhas que se comprovaram como indicadores de caminhão e foram documentadas no Cânon. Em quantos grupos cristãos desenvolviam diferenciadas práticas de distanciamento ou acomodação em relação ao Judaísmo e ao império romano, estabelecia uma clara linha divisão diante da Tentação de gnóstica. Tudo podia encontrar seu lugar no Cânon, só não o desprezo pela criação, nem o questionamento da plano humanidade de Jesus até a sua morte. Não se aceitou a atitude de privatização religiosa, nem o retorno a uma religião racional, que abdica do confronto com outras linhas e da ligação com determinados grupos sociais e respectivas responsabilidades. Embora em relação ao judaísmo CTN eliminando as marcas de identidade estruturais, circuncisão e regras alimentares, em seu lugar se tenha estabelecido um rito próprio, bem mais discreto e sociável, o batismo, permaneceu como base da comunidade a posição fundamental do judaísmo: a visão do histórico-teológica, ou seja, de que o Deus único não só criou o mundo em estado bom, mas demonstra e continuaram a manifestar sua ação na história e nas estruturas do mundo material. Enquanto Paulo via suas comunidades etno-cristãs como Ramos bravios enxertados na Nobre videira que é Israel e tinha lutado teologicamente pela salvação de Israel (Romanos 9 – 11), duas gerações mais tarde Israel foi teologicamente deserdado (epístola de Barnabé), sendo a identidade Cristã definida a partir da destituição do judaísmo (Marcião). Mais uma vez foi o cânon bipartido que esclareceu a questão: a herança veterotestamentária permaneceu como base do cristianismo ortodoxo. Em relação ao império romano, as posições demonstraram ser irreconciliáveis (monoteísmo, Isto é, abstenção de culto Pagão), mas estruturalmente os cristãos estavam dispostos adaptar-se para conseguir reconhecimento. As epístolas pastorais já haviam remodelado adequadamente a casa da Comunidade cristão; apesar da rejeição e da discriminação por parte do mundo Pagão, 1 Pedro recomenda a submissão irrestrita ao Imperador e ao governador da cidade. Os cristãos — embora vivam como estrangeiros neste mundo — devem, em razão de sua prática de fé, dar provas de ser os melhores romanos, atraindo com isso para se a simpatia (2,11-17). Apesar desses esforços, continuou a persistir a insegurança legal fundamental das Comunidades cristãs. Somente sobre Constantino Magno a questão foi esclarecida (313 D.C.). Diferentemente das comunidades judaicas da diáspora, que se valiam do reconhecimento legal por parte do Estado Romano para, por meio do culto do Deus único e da prática de uma cultura própria, se isoolar da sociedade romana, os grupos cristãos, mediante o reconhecimento de sua religião, deixar um ser integrar nas estruturas imperiais: o Deus dos cristãos tornou-se o Deus do império, de início até mesmo ao lado de deuses pagãos imperiais, mas que aos poucos foram sendo deixados de lado, e acabaram sucumbindo a mensagem do evangelho, os chefes de suas comunidades tornaram-se funcionários do Estado. Somente no Cânon os escritos de resistência — Apocalipse Marcos, Lucas — continuaram a ser um aguilhão na carne. #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja
- A IGREJA: FAMÍLIA UNIVERSAL DE JESUS – 10º Domingo do Tempo Comum
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “A doutrina de Cristo sobre o demônio”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Gênesis 3, 9-15) A descendência da Mulher e a luta contra o pecado Depois que o homem comeu da fruta da árvore, o Senhor Deus chamou Adão, dizendo: “Onde estás?” E ele respondeu: “Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo, porque estava nu; e me escondi”. Disse-lhe o Senhor Deus: “E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?” Adão disse: “A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi”. Disse o Senhor Deus à mulher: “Por que fizeste isso?” E a mulher respondeu: “A serpente enganou-me e eu comi”. Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias da tua vida! Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. SALMO 32 A misericórdia prometida desde o princípio (Antífona): No Senhor toda graça e redenção! Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, escutai a minha voz! Vossos ouvidos estejam bem atentos ao clamor da minha prece! Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir? Mas em vós se encontra o perdão, eu vos temo e em vós espero. No Senhor ponho a minha esperança, espero em sua palavra. A minh’alma espera no Senhor mais que o vigia pela aurora. Espere Israel pelo Senhor, mais que o vigia pela aurora! Pois no Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção. Ele vem libertar a Israel de toda a sua culpa. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (2Coríntios 4, 13-18-5,1) O homem interior e as coisas invisíveis Irmãos: Sustentados pelo mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: “Eu creio e, por isso, falei”, nós também cremos e, por isso, falamos, certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado, juntamente convosco. E tudo isso é por causa de vós, para que a abundância da graça em um número maior de pessoas faça crescer a ação de graças para a glória de Deus. Por isso, não desanimemos. Mesmo se o nosso homem exterior se vai arruinando, o nosso homem interior, pelo contrário, vai-se renovando, dia a dia. Com efeito, o volume insignificante de uma tribulação momentânea acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável. E isso acontece, porque voltamos os nossos olhares para as coisas invisíveis e não para as coisas visíveis. Pois o que é visível é passageiro, mas o que é invisível é eterno. De fato, sabemos que, se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá uma outra moradia no céu que não é obra de mãos humanas, mas que é eterna. EVANGELHO (São Marcos 3, 20-35) A Igreja é a família de Jesus Naquele tempo, Jesus voltou para casa com os seus discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer. Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si. Os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Belzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se. Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa. Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno”. Jesus falou isso, porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau”. Nisso chegaram sua mãe e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”. Ele respondeu: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. JESUS, O PROMETIDO (Comentário de Scott Hahn) No evangelho de hoje vemos Jesus curando e expulsando demônios na Galiléia. Junto com a multidão que o seguia, e se acercava dele a ponto de nem Lhe deixar tempo para comer, também o acompanhavam pessoas que não compreendiam o que ele estava fazendo. Seus próprios amigos achavam que Ele tinha perdido o juízo, necessitando de descansar por um tempo. Mas os escribas que vinham de Jerusalém não estavam apenas humanamente equivocados: eles o acusavam de estar possuído pelo príncipe dos demônios. Mas a realidade é bem o contrário. Jesus está se revelando a Si mesmo como o prometido da primeira leitura: Ele é a semente da mulher que veio para esmagar a cabeça da serpente demoníaca. Na parábola do homem forte, que está no Evangelho de hoje, Jesus revela que ele veio não apenas para derrotar o demônio, mas também para libertar os que eram seus prisioneiros . É assim que São Beda o explica: “O Senhor também amarrou o homem forte, ou seja, o demônio; limitou o seu poder de seduzir os escolhidos, limitou a sua ação no mundo (que é a sua casa). Deus arruinou a casa do demônio e os seus bens, isto é, os homens, porque os arrebatou das ciladas do demônio, unindo-os à Sua Igreja”. Os escribas blasfemam ao atribuir aos demônios esta obra do Espírito Santo. Jesus, então, declara algo que nos assusta, ao dizer: “Aquele que blasfemar contra o Espírito Santo jamais terá perdão”. Isso não significa que a misericórdia de Deus tenha limites (Catecismo da Igreja Católica, 1864). O que Ele queria dizer era que o único pecado que não é perdoado é o de rejeitar a misericórdia que o Espírito Santo nos oferece. Em vez disto, devemos imitar aqueles que se sentavam aos pés de Jesus. Pois foi Ele mesmo quem garantiu: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. https://stpaulcenter.com/the-promised-one-scott-hahn-reflects-on-the-tenth-sunday-in-ordinary-time/
- JESUS CRISTO: O CAMINHO PARA CHEGAR À VERDADEIRA VIDA (Santo Tomás de Aquino, presbítero)
O caminho é o próprio Cristo, conforme ele próprio disse: Eu sou o caminho. E com muita razão, pois temos por ele acesso junto ao Pai. Porque, porém, este caminho não está distante do seu termo, mas unido a ele, Cristo acrescenta: Verdade e vida; de sorte que é ao mesmo tempo o caminho e o termo. É o caminho, segundo a humanidade; é o termo, segundo a divindade. Assim, como homem, diz: Eu sou o caminho; e, como Deus, acrescenta: A verdade e a vida. Por estas duas realidades indica bem o término deste caminho. O término deste caminho é a meta do desejo dos homens e o homem deseja principalmente duas coisas: primeiro, o conhecimento da verdade, o que lhe é próprio; segundo, a permanência no ser, o que é comum a todos os seres. Cristo é o caminho que leva ao conhecimento da verdade, porque é ele mesmo a Verdade: Conduze-me, Senhor, à tua verdade e entrarei em teu caminho. Cristo é também o caminho que faz chegar à vida; é ele próprio a vida: Fizeste-me conhecer os caminhos da vida. Por este motivo designou o término do caminho como verdade e vida: ambas se referem a Cristo. Em primeiro lugar, porque ele é a vida: Nele era a vida; em seguida, porque ele é a verdade: Era a luz dos homens. Ora, a luz é a verdade. Se, portanto, indagas por onde passar, acolhe a Cristo, o próprio caminho: É este o caminho, caminhai por ele. E Agostinho disse: Caminha pelo homem e chegarás a Deus. É melhor claudicar no caminho do que caminhar com desembaraço fora dele. Pois quem manqueja no caminho, conquanto demore, chegará ao termo. Quem, ao contrário, vai por fora do caminho, embora correndo, se afasta, cada vez mais, do termo. Se agora perguntas para onde ir, adere a Cristo, que é a verdade, meta de nossa caminhada: Minha boca meditará tua verdade. Se buscas permanecer, adere a Cristo, a própria vida: Quem me encontra, encontra a vida e haurirá a salvação vinda do Senhor. Adere, por conseguinte, a Cristo, se queres ter segurança; não te desviarás, porque ele é o caminho. Os que a ele aderem, não andam fora, mas no caminho reto. Também não podem enganar-se, pois, com efeito, é ele a verdade e ensina toda a verdade, conforme suas mesmas palavras: Para isto nasci e vim aqui, para dar testemunho à verdade. E ainda, nada te perturbará, porque ele mesmo é a vida e o que dá a vida: Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância. (Do Comentário sobre João, de Santo Tomás de Aquino, presbítero – Cap. 14, lect. 2 – Séc.XIII). #Cristologia #Igreja #SantoTomásdeAquino
- ESPÍRITO SANTO (Irmã Teresa Benedita da Cruz)
Quem és tu, luz que me enches e que iluminas as trevas do meu coração? Tu me guias como a mão de uma mãe, e se tu me largas, não poderei mais dar um só passo. Tu és o espaço que envolve meu ser e o abriga em seu seio. Abandonado por Ti ele desapareceria nos abismos do nada, de onde Tu o tiraste para levá-lo ao ser. Tu, mais próximo de mim do que eu de mim mesmo e mais íntimo que o âmago de minha alma, e, entretanto, inatingível e inefável, fazendo brilhar todos os nomes: Espírito Santo – Amor eterno… És Tu o canto do amor e do santo respeito que ressoa eternamente em redor do trono de Deus, que nele une o canto puro de todos os seres. A harmonia que une os membros à cabeça é nela que cada um descobre com êxtase o sentido íntimo do seu ser e cheio de alegria derrama-se nas tuas ondas, Espírito Santo – Eterna alegria… (Irmã Teresa Benedita da Cruz – Edith Stein). #Igreja

















































