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  • ASCENSÃO DO SENHOR – 7º Domingo da Páscoa

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Uma nova forma de presença”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Atos dos Apóstolos 1,1-11) Sereis batizados com o Espírito Santo No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo, até ao dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções pelo Espírito Santo, aos apóstolos que tinha escolhido. Foi a eles que Jesus se mostrou vivo, depois da sua paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias, apareceu-lhes falando do Reino de Deus. Durante uma refeição, deu-lhes esta ordem: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar: ’João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias’”. Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: “Senhor, é agora que vais restaurar o Reino em Israel?” Jesus respondeu: “Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com a sua própria autoridade. Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, e até os confins da terra”. Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo. Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram então dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”. SALMO 46 Ele é quem governa as nações (Antífona): Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta. Povos todos do universo, batei palmas, gritai a Deus aclamações de alegria! Porque sublime é o Senhor, o Deus Altíssimo, o soberano que domina toda a terra. Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta. Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa, salmodiai ao som da harpa ao nosso Rei! Porque Deus é o grande Rei de toda a terra, ao som da harpa acompanhai os seus louvores! Deus reina sobre todas as nações, está sentado no seu trono glorioso. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Efésios 1,17-23) Que Ele abra o nosso coração à Sua luz Irmãos: O Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente. Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa nomear, não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal. EVANGELHO (São Marcos 16,15-20) Anunciai o Evangelho a toda criatura Naquele tempo, Jesus se manifestou aos onze discípulos, e disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados”. Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus. Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio dos sinais que a acompanhavam. AS BOAS NOTÍCIAS (Comentário de Scott Hahn) Na primeira leitura de hoje, São Lucas dá a surpreendente notícia de que ainda há mais a ser contado sobre Jesus. A história não terminou com a tumba vazia ou com as aparições de Jesus aos Apóstolos durante quarenta dias. A obra salvadora de Jesus deverá ter uma consumação litúrgica: Ele é o grande sumo sacerdote, e ainda tem que subir para a Jerusalém celestial, para lá celebrar a festa no verdadeiro Santo dos Santos. A verdade desta festa resplandece na Carta aos Hebreus, quando lemos sobre o grande sumo sacerdote que sobe aos céus, e o sacrifício do intercessor sem pecado em nosso favor (v. Hebreus 4, 14-15). De fato, sua intercessão fará o Espírito Santo descer como fogo sobre a Igreja. Lucas expõe essa promessa na primeira leitura da festa da Ascensão: “… sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias.” (Atos 1, 5). A Ascensão é a festa preliminar que direciona a atenção da Igreja para Pentecostes. Nesse dia, a salvação será completa; pois a salvação não é simplesmente expiação pelos pecados: é algo ainda maior. A expiação é, em si, uma pré-condição necessária para a nossa adoção como filhos de Deus. Para viver essa vida divina, devemos receber o Espírito Santo. Para receber o Espírito Santo, devemos ser purificados pelo batismo. O Salmo responsorial apresenta a ascensão em termos familiares ao culto do Templo de Jerusalém, nos dias do Rei Salomão: “Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta.” (Salmo 47). O rei-sacerdote ocupa o seu lugar à frente do povo, governando as nações, estabelecendo a paz. A epístola tem um aspecto caracteristicamente pascal. Na Igreja primitiva, como hoje, a Páscoa era o tempo normal para o batismo de adultos convertidos. O sacramento era freqüentemente chamado de “iluminação” ou “esclarecimento” (v., por exemplo, Hebreus 10,32) devido à luz que acompanhava a graça salvadora de Deus. São Paulo, em sua carta aos Efésios, fala em termos de uma glória que leva a glórias ainda maiores, como a Ascensão leva a Pentecostes: “Que Ele abra o vosso coração à Sua luz”, São Paulo escreve, revelando como compreende a divinização do crentes Sua “esperança” é “sua herança entre os santos”, os santos que foram adotados pela família de Deus e agora governam com ele à direita do Pai. Esta é a “boa notícia” que os apóstolos são chamados a espalhar — para o mundo inteiro, para todas as nações, começando por Jerusalém. São as boas notícias que hoje devemos divulgar. https://stpaulcenter.com/the-good-news-scott-hahn-reflects-on-the-ascension-of-the-lord-2/

  • SURSUM CORDA: DEZ SUGESTÕES PARA REVITALIZAR A IMAGINAÇÃO LITERÁRIA – James Conley (Parte X)

    As peças de Shakespeare William Shakespeare foi um poeta e dramaturgo de língua inglesa, cujo gênio criou personagens e histórias que refletem o que há de melhor e pior em nossas vidas. Em contato com os seu personagens — Shylock, Hamlet, Lear, Henry, Macbeth, Puck, Ophelia, Falstaff, Rosencratz and Guildenstern —, percebemos o quanto eles podem parecer com as pessoas que conhecemos ao longo da vida. Muitos leitores travaram duras batalhas com os textos de Shakespeare, enquanto cursavam o ginásio e a faculdade. Suas peças, porém, parecem ter mais sentido cada vez que são relidas ou bem encenadas. O escritor católico e locutor Benjamin Wiker disse, acertadamente, que “cada frase de Shakespeare é plena de sentido e transbordante, com suas camadas de significado integradas à obra maior.” Para compreender o sentido mais profundo de cada peça, é preciso lê-la e relê-la. E quem o lê pela primeira vez, logo se deixará prender pelo conhecimento do ser humano que possui o dramaturgo: as tentações, desejos e escolhas reais dos personagens, com todas as suas consequências. Há uma considerável evidência sugerindo que Shakespeare tenha sido católico. Se for verdade, isso fornece uma lente nova através da qual compreender o sentido de sua obra. Para o crítico literário católico Joseph Pearce, Shakespeare é “um moralista cristão tradicional, cujas obras representam uma sublime resposta aos erros modernos e pós-modernos de nossa época.” Contudo, mesmo sem essa lente católica, os princípios da virtude cristã logo se evidenciam no conjunto de sua obra. Para começar a ler Shakespeare, recomendaria cinco de suas peças mais importantes. Rei Lear conta a história de um pai problemático, abandonado por suas filhas, mas finalmente redimido pelo sofrimento e pelo amor. Hamlet é a história de um jovem príncipe, obcecado pelo assassinato de seu pai e encaminhando-se, inexoravelmente, para um trágico desfecho de vingança. Macbeth é a história de um casal, com marido e mulher consumidos e destruídos pela busca do poder. Henrique V conta a complicada história da Batalha de Azincourt, mostrando a glória e a tragédia da guerra. O mercador de Veneza é uma fascinante história de amizade, misericórdia e heroísmo, com alguns dos mais vívidos personagens de Shakespeare. Ler Shakespeare, especialmente as peças acima indicadas, pode ser uma experiência comovedora. Outras peças, como Noite de Reis ou Sonho de uma noite de verão, são maravilhosamente poéticas e extremamente engraçadas. Outras mais, como Medida sob medida, representam bem o gênero teatral da “moralidade”. Shakespeare é particularmente adequado para leitura em voz alta. Alguns amigos, com poucas horas livres, poderiam ler em conjunto, em voz alta, algumas dessas peças, experimentando a grandeza dramática de uma obra shakespeariana. “Shakespeare não é grande por haver se desinteressado de certas coisas simples, como a fé religiosa ou a lei moral”, afirmou Anthony Esolen, ”mas por conseguir tornar atraente a beleza dessas coisas.” O mundo é belo e irresistível. Shakespeare nos ajuda a ver e compreender a sua beleza. (James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015) https://www.ncregister.com/images/documents/Literature_Section_053115.pdf

  • MAÇONARIA, LIBERDADE, FRATERNIDADE E IGUALDADE, PARA OS CRISTÃOS A MORTE.

    MAÇONARIA , LIBERDADE, FRATERNIDADE E IGUALDADE, PARA OS CRISTÃOS A MORTE. Parte I Vamos falar da maçonaria, começando com o syllabus de Pio IX que termina com esta proposição condenável e condenada: ‘O pontífice Romano pode e deve se reconciliar e transigir com Progresso, o liberalismo e a civilização moderna”. A última proposição do Decreto que se chamou o syllabus de Pio X, proposição Igualmente condenável e condenada está Concebida assim: “O catolicismo de hoje não pode harmonizar-se com a verdadeira ciência, a menos que se transforme num cristianismo sem dogmas, isto é, num protestantismo Largo e liberal”. Diante dessas duas proposições demos que é necessário que a igreja se reconcilia com a civilização moderna e a base proposta para essa reconciliação É não a aceitação dos dados da verdadeira ciência que a igreja jamais repudiou que ela sempre favoreceu cujos Progressos ela sempre aplaudiu e para o qual contribui mais do que qualquer outra instituição mas o abandono da Verdade Revelada abandono que transformariam o catolicismo no protestantismo Largo e liberal no qual todos os homens pudessem se reencontrar quaisquer que fossem suas ideias a respeito de Deus de suas revelações e de seus mandamentos dizem os modernistas que é apenas através desse liberalismo que a igreja pode ver novos dias se abrir em diante dela obter a honra de entrar nas vias da civilização moderna e marchar junto com o progresso. Onde está o problema na ciência moderna? A sociedade ocidental no pós iluminismo produziu uma forma específica de explicar o mundo, chamada de ciência, ou seja, uma forma racional, objetiva, sistemática, metódica e refutável de formulação das leis que regem os fenômenos. Na sociedade ocidental, a ciência é a principal forma de construção da realidade, considerada por muitos críticos como um novo mito por pretender ser a única promotora e critério de verdade. A sociologia é uma ciência nova, criada no século XIX, criada na França por Auguste Comte (1798-1857). As transformações políticas, econômicas, culturais e sociais ocorridas à partir do século XV, e que foram diretamente influenciadas pela renascença, foi a grande contribuição para a criação desta ciência e levar o homem ao antropocentrismo. Renascimento O Renascimento é o momento classificado por muitos estudiosos como a ruptura entre o mundo medieval e o mundo moderno urbano, burguês e comercial. De acordo com Costa (2005), existiam diversas visões do Renascimento. Dentre elas, destaco três: Existem pensadores que vêem de forma positiva, em que as mudanças trouxeram um desenvolvimento do comércio, navegação e dos contatos com outros povos, crescimento urbano, é uma nova nuance na produção artística. Outros históriadores vêem essa época como momento de turbulência social e política (que foi provocada por grupos que se interessavam em se opor à Igreja e levar ao caos social, veremos mais adiante). Segundo Costa havia um clima de fim de mundo nas obras artísticas da época, como na Divina comédia de Dante Alighieri e no juízo final de Michelangelo. O fato é que, a partir de então, o homem ocidental passa a ter uma nova postura em relação a natureza e ao conhecimento. Reforma Protestante O fim do teocentrismo e das explicações religiosas sobre os fatos possibilitou que aparecessem questões mais imediatistas e materiais, cujo Foco principal era o homem. Ao abandonar as explicações Sobrenaturais os indivíduos passaram a utilizar a indagação racional e o método científico através da observação e experimentação. Foi no século XVI que ocorreu o movimento da reforma protestante. De acordo com Quintaneiro (2002), ao contestar a autoridade da Igreja como instância última na interpretação dos textos sagrados e na absolvição dos pecados, a Reforma colocou sobre o fiel essa responsabilidade e, instituindo o livre exame, fez da consciência individual o principal nexo com a divindade. Para esse autor: O espírito secular impregnou distintas esferas da atividade humana. Generalizou-se aos a convicção de que o destino dos homens também depende de suas ações. Críticas à educação tradicional nas universidades católicas levaram à substituição do estudo da teologia pelo da matemática e da química (2002,p.13) Vemos que a honestidade intelectual dos fatos históricos não é o forte dos revolucionários, sejam eles de qualquer linha. As universidades católicas sempre desenvolveram um estudo sobre a matemática, astronomia e outras matérias importantes, lembrando que Mendel um monge Católico é conhecido como o Pai da genética. Racionalismo No século XVII, surge o Racionalismo e fortalece a ideia de que o homem produz a história e não a Divina providência. Essa concepção fundamentava a ideia de que a sociedade podia ser compreendida porque, ao contrário da natureza, ela é obra dos próprios indivíduos. O pensamento filosófico desse século contribuiu para a popularização do pensamento científico. Segundo Francis Bacon, a Teologia perdeu o posto de norteadora do pensamento. A autoridade, que exatamente constituía um dos alicerces da teologia, deveria, em sua opinião, ceder lugar a uma dúvida metódica, a fim de possibilitar um conhecimento objetivo da realidade. Os pensadores desse período defenderam, assim, o emprego sistemático da razão e do livre exame da realidade. É em meio a esse cenário de efervescência intelectual, política e social que observamos dois eventos históricos importantes, que também ficaram conhecidos como Revoluções Burguesas. São eles: Revolução francesa e Revolução industrial. Podemos observar que foram eventos com uma sincronização que, não podemos acreditar que o acaso que criou tais eventos, a não ser que você queira chamar Satã de o acaso. A partir desta pequena apresentação vou mostrar os diversos eventos que e conjurações que foram feitas contra à Igreja. Vou mostrar o grande esforço que está instituição demoníaca tem feito para destruir a civilização cristã, Quais as diferenças que existem entre a civilização antiga e uma civilização nova? Antes da era digital moderna uma civilização diversa daquela que o mundo de nossos dias usufrui, ou pelo menos persegue? Sim, existiu, e existe em toda Europa uma civilização chamada civilização cristã, não apenas na Europa, mas nas Américas, na África, na Ásia e na Oceânia. Que motivo faz com que essas duas civilizações se diferenciem? Elas se diferenciam pela concepção que tem do fim último do homem, e dos efeitos diversos e mesmo opostos que uma e outra concepção produzem tanto na ordem social como na ordem privada. “O objetivo último do homem é ser feliz”, diz Bossuet. Este objetivo não lhe é exclusivo: é o fim para o qual tendem todas as inteligências, sem exceção. O grande orador não falha em reconhecer isso: “As naturezas inteligentes não tem vontade desejo senão para sua felicidade”. E acrescenta: “nada de mais razoável, porque o que há de melhor do que desejar o bem, Isto é, a felicidade?” Assim, encontramos no coração do homem um impulso Invencível, que o impele a procurar a felicidade. Mesmo se quisesse, não poderia se desfazer dele. É o fundo de todos os seus pensamentos, o grande móvel de todas as suas ações; e mesmo quando ele atira à morte, é porque está persuadido de que encontrará no nada uma sorte preferível àquela na qual ele se vê. O homem pode-se enganar, e de fato se engana muito frequentemente Na Busca da Felicidade, na escolha da via que o deve levar a ela. Colocar a felicidade onde ela está é a fonte de todo o bem, diz ainda Bossuet; e a fonte de todo mal consiste em colocá-la onde não é preciso. Isto é tão verdadeiro para a sociedade como para o indivíduo. O impulso em direção à felicidade vem do Criador, e Deus neele acrescenta sua Luz para Iluminar o caminho, diretamente por sua graça, e indiretamente pelos ensinamentos de sua Igreja. Mas pertence ao homem, indivíduo ou sociedade, pertence ao livre arbítrio dirigir-se, ir buscar sua felicidade ali onde lhe agrada colocá-la, no que é realmente bom, e, acima de toda a bondade, no bem absoluto, Deus; ou naquilo que tem apenas as aparências do bem, ou que não é senão um bem relativo. Desde a criação do gênero humano o homem se desviou do bom caminho. Ao invés de crer na palavra de Deus e de obedecer à sua determinação, Adão de ouvido a voz encantadora que lhe dizia para colocar seu fim nele mesmo, na satisfação de sua sensualidade, nas ambições de seu orgulho. “Sereis como Deus”; “o fruto da árvore era bom de comer, Belo de ver, e de um aspecto que excitava o desejo”. Tendo assim se desviado desde o primeiro passo, Adão arrastou sua descendência na direção que ele acabava de tomar. Nessa direção ela caminhou, nessa direção ela avançou, nessa direção era submergiu durante longos séculos. A história aí está para contar os males que ela encontrou nesse longo extravio. Deus teve piedade dela. No seu conselho de infinita Misericórdia e de Infinita sabedoria, Ele resolveu recolocar o homem no caminho da felicidade. E a fim de tornar sua intervenção mais eficaz, Ele quis que uma pessoa Divina viesse sobre a terra mostrar o caminho Por sua palavra, tocar os homens por seu exemplo. O verbo de Deus se encarnou e passou trinta e três anos entre nós, para tirar-nos da via da perdição e para abrir-nos a estrada de uma felicidade não enganosa. Continua #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #maçonaria #humanismo #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Revoluçãofrancesa #Igreja

  • DEI-LHES A GLÓRIA QUE TU ME DESTE (São Gregório de Nissa, bispo)

    Se o amor expulsa completamente o temor, de tal modo que o temor se transforma em amor, então compreenderemos que a salvação nos é obtida pela unidade. Pois a salvação consiste em estarmos todos unidos, na íntima adesão ao único e sumo bem, pela perfeição que está representada naquela pomba de que nos fala o Cântico dos Cânticos. É o que parece depreender-se das seguintes palavras: Uma só é a minha pomba, uma só é a minha perfeita; é a única filha de sua mãe, a predileta daquela que lhe deu à luz (Ct 6,9). No evangelho, a palavra do Senhor no-lo diz ainda mais claramente. Jesus abençoa seus discípulos, dá-lhes todo o poder e concede-lhes os seus bens. Nestes bens incluem-se também as santas expressões que dirige ao Pai. Mas entre todas as palavras que ele diz e as graças que concede, há uma que é a mais importante e como que a fonte e a síntese de tudo o mais. É aquela em que adverte os seus para nunca mais se separarem por divergência alguma no discernimento das atitudes a tomar; mas, pelo contrário, sejam um só coração e uma só alma, procurando acima de tudo a união com aquele único e sumo bem. Deste modo, unidos no Espírito Santo pelo vínculo da paz, como diz o Apóstolo, serão todos um só corpo e um só espírito, animado pela mesma esperança a que foram chamados. Entretanto, será melhor referir textualmente as divinas palavras do evangelho: Que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, e para que eles estejam em nós (Jo 17,21). O vínculo desta unidade é a glória. Nenhuma pessoa sensata poderá negar que este nome “glória” é atribuído ao Espírito Santo, se recordar as palavras do Senhor: Eu dei-lhe a glória que tu me deste (Jo 17,22). Foi esta glória que o Senhor deu aos discípulos quando lhes disse: Recebei o Espírito Santo (Jo 20,22). Ele sempre possuiu esta glória, antes mesmo que o mundo existisse; mas recebeu-a também ao assumir a natureza humana. E uma vez que a natureza humana de Cristo foi glorificada pelo Espírito Santo, a glória do Espírito foi comunicada a todos os que participam dessa natureza, a começar pelos apóstolos. Por esta razão diz: Eu dei-lhes a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que assim eles cheguem à unidade perfeita (Jo 17,22-23). Por isso, todo aquele que vai crescendo desde a infância até alcançar o estado de homem perfeito, chega àquela maturidade espiritual que somente a inteligência, iluminada pela fé, pode compreender. Então será capaz de receber a glória do Espírito Santo, através de uma vida pura, livre de toda mancha. Esta é aquela pomba perfeita a que se refere o esposo quando afirma: Uma só e a minha pomba, uma só é a minha perfeita. (Das Homilias sobre o Cântico dos Cânticos, de São Gregório de Nissa, bispo – Hom. 15: PG 44,1115-1118 – Séc.IV).

  • AS DUAS VIDAS – APÓSTOLOS PEDRO E JOÃO (Santo Agostinho, bispo)

    A Igreja conhece duas vidas, que lhe foram anunciadas por Deus; uma é vivida na fé; a outra, na visão. Uma, no tempo da caminhada; outra, na mansão eterna. Uma, no trabalho; outra, no descanso. Uma no exílio; outra, na pátria. Uma, no esforço da atividade; outra, no prêmio da contem­plação. A primeira é representada pelo apóstolo Pedro; a segun­da, pelo apóstolo João. A primeira desenvolve-se completa­mente sobre a terra até que o mundo acabe, e então encon­trará o fim; a outra prolonga-se para além do fim dos tempos, e nunca acabará no mundo que há de vir. Por isso foi dito a Pedro: Segue-me (Jo 21,19); mas a João diz-se: Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, o que te importa isso? Tu, segue-me! (Jo 21,22). “Segue-me tu, imitando minha paciência em suportar os males temporais. E ele permaneça até que eu venha, para conceder os bens eternos”. Ou ainda mais claramente: “Siga-me a atividade que, a exemplo de minha paixão, já terminou. Mas a contemplação, que apenas começou, per­maneça assim até que eu venha para levá-la à perfeição”. Portanto, quem segue a Cristo, acompanha-o na santa plenitude da paciência, até à morte. Permanece até a vinda de Cristo, para lhe manifestar a plenitude da ciência. Agora suportam-se os males deste mundo, na terra dos mortais. Depois, contemplaremos os bens do Senhor, na terra dos vivos. As palavras de Cristo: Quero que ele permaneça até que eu venha, não devem ser interpretadas como se quisesse dizer: “permanece até o fim” ou “fica assim para sempre”, mas “permanece na esperança”; pois o que João representa não atinge agora a sua plenitude, mas apenas quando Cristo vier. Pelo contrário, o que Pedro representa, a quem o Senhor disse: Segue-me, deve cumprir-se agora, para podermos alcançar o que esperamos. Contudo, ninguém ouse separar estes dois insignes apóstolos. Ambos se encontravam na situação representada por Pedro e ambos haviam de se encontrar na situação representada por João. No plano do símbolo, Pedro seguiu e João ficava; mas no plano da fé, ambos suportavam os males da vida presente, ambos esperavam os bens da felici­dade futura. O que sucedeu com eles, sucede com toda a santa Igreja, esposa de Cristo: também ela lutará no meio das tentações do mundo para alcançar a felicidade futura. Pedro e João representavam as duas vidas, cada um simbolizando uma delas; mas ambos viveram esta vida temporal, animados pela fé, e agora já se alegram eternamente na outra vida, pela contemplação. Pedro, o primeiro apóstolo, recebeu as chaves do reino dos céus, com o poder de ligar e desligar os pecados, para que fosse timoneiro de todos os santos, unidos inseparavelmente ao corpo de Cristo, em meio às tempestades desta vida. E João, o evangelista, reclinou a cabeça sobre o peito de Cristo, para exemplo dos mesmos santos, a fim de lhes indicar o porto seguro daquela vida divinamente tranquila e feliz. Todavia, não é somente Pedro, mas a Igreja universal, que liga e desliga os pecados. E não é só João que bebe da fonte do coração do Senhor, para ensinar com sua pregação que, no princípio, a Palavra era Deus junto de Deus, e outros ensinamentos profundos a respeito da divindade de Cristo, da Trindade e da Unidade de Deus. No reino dos céus, estas verdades serão por nós contempladas face a face, mas na terra nos limitamos a vê-las como num espelho e obscuramente, até que o Senhor venha. Não foi só ele que descobriu estes tesouros do coração de Cristo, mas a todos foi aberta pelo mesmo Senhor a fonte do evangelho, a fim de que por toda a face da terra todos bebessem dele, cada um segundo sua capacidade. (Dos Tratados sobre o Evangelho de João, de Santo Agostinho, bispo – Tract. 124, 5.7: CCL 36, 685-687 – Séc. V). #Igreja #SantoAgostinho

  • A ASCENSÃO DO SENHOR AUMENTA A NOSSA FÉ (São Leão Magno, papa)

    Assim como na solenidade pascal a ressurreição do Senhor foi para nós motivo de grande júbilo, agora também a sua ascensão aos céus nos enche de imensa alegria. Pois recordamos e celebramos aquele dia em que a humildade da nossa natureza foi exaltada, em Cristo, acima de toda a milícia celeste, sobre todas as hierarquias dos anjos, para além da sublimidade de todas as potestades, e associada ao trono de Deus Pai. Toda a vida cristã se funda e se eleva sobre uma série admirável de ações divinas, pelas quais a graça de Deus nos manifesta sabiamente todos os seus prodígios. De tal modo isto acontece que, embora se trate de mistérios que escapam à capacidade humana de compreensão e que inspiram um profundo temor reverencial, nem assim vacile a fé, esmoreça a esperança ou esfrie a caridade. Nisto consiste, efetivamente, o vigor das grandes almas e a luz dos corações fiéis: crer, sem hesitação, naquilo que não se vê com os olhos do corpo, e fixar o desejo onde a vista não pode chegar. Como poderia nascer esta piedade, ou como poderíamos ser justificados pela fé, se a nossa salvação consistisse apenas naquilo que nos é dado ver? Na verdade, tudo o que na vida de nosso Redentor era visível passou para os ritos sacramentais; e para que a nossa fé fosse mais firme e autêntica, à visão sucedeu a doutrina, em cuja autoridade se devem apoiar os corações dos que creem, iluminados pela luz celeste. Esta fé, aumentada com a ascensão do Senhor e fortalecida com o dom do Espírito Santo, nem os grilhões nem os cárceres nem os exílios nem a fome nem o fogo nem as dilacerações das feras nem os tormentos inventados pela crueldade dos perseguidores jamais puderam atemorizá-la. Em defesa desta fé, através de todo o mundo, homens e mulheres, meninos de tenra idade e moças na flor da juventude combateram até ao derramamento do sangue. Esta fé expulsou os demônios, afastou as doenças, ressuscitou os mortos. Os santos apóstolos, apesar dos milagres contemplados e dos ensinamentos recebidos, ainda se atemorizavam perante as atrocidades da paixão do Senhor e hesitavam ante a notícia de sua ressurreição. Porém, com a ascensão do Senhor progrediram tanto que tudo quanto antes era motivo de temor, se converteu em motivo de alegria. Toda a contemplação do seu espírito se concentrava na divindade daquele que estava sentado à direita do Pai; agora, sem a presença visível do seu corpo, podiam compreender claramente, com os olhos do espírito, que aquele que ao descer à terra não tinha deixado o Pai, também não abandonou os discípulos ao subir para o céu. A partir de então, caríssimos filhos, o Filho do homem deu-se a conhecer de modo mais sagrado e profundo como Filho de Deus. Ao ser acolhido na glória da majestade do Pai começou, de um modo novo e inefável, a estar mais presente no meio de nós pela divindade quando sua humanidade visível se ocultou de nós. Por conseguinte, a nossa fé começou a adquirir um maior e progressivo conhecimento da igualdade do Filho com o Pai, e a não mais necessitar da presença palpável da substância corpórea de Cristo, pela qual ele é inferior ao Pai. Pois, subsistindo a natureza do corpo glorificado, a fé dos que creem é atraída para lá, onde o Filho Unigênito, igual ao Pai, poderá ser tocado não mais pela mão carnal, mas pela contemplação do espírito. (Dos Sermões de São Leão Magno, papa – Sermo 2 de Ascensione, 1-4: PL 54, 397-399 – Séc.V). #Cristologia #Igreja

  • Santo Atanásio sobre a grandeza da Virgem Maria

    “Ó Nobre Virgem, verdadeiramente você é maior que qualquer outra grandeza. Pois quem é igual a ti em grandeza, ó morada de Deus Verbo ? A quem entre todas as criaturas eu  devo comparar você, ó virgem? Você é maior que todos eles. Ó Arca da Nova Aliança, vestida de pureza em vez de ouro! Você é a Arca em que se encontra o vaso de ouro que contém o verdadeiro maná, isto é, a carne em que reside a divindade. Devo compará-la à terra fértil e seus frutos? Você os supera, pois está escrito: “A terra é meu escabelo” (Is 66: 1). Mas você carrega dentro de você os pés, a cabeça e todo o corpo do Deus perfeito. Se digo que o céu é exaltado, ainda assim não é igual a você, pois está escrito: “O céu é o meu trono” (Is 66), enquanto você é o lugar de repouso de Deus. Se eu digo que os anjos e arcanjos são grandes – mas você é maior do que todos eles, pois os anjos e arcanjos servem com tremor Aquele que mora em seu ventre, e eles não ousam falar em sua presença, enquanto você fala com ele livremente . Se dissermos que os querubins são grandes, você é maior do que eles, pois os querubins carregam o trono de Deus, enquanto vocês segura a Deus em suas mãos. Se dissermos que os serafins são grandes, você é maior do que todos eles, pois os serafins cobrem seus rostos com suas asas, incapazes de contemplar a glória perfeita, enquanto você não apenas contempla seu rosto, mas o acaricia e oferece seus seios para sua boca sagrada … Quanto a Eva, ela é a mãe dos mortos, “pois assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados”. Eva tirou frutas da árvore e fez o marido dela comer junto com ela. E então eles comeram daquela árvore que Deus lhes havia dito: “No dia em que dela comeres, morrerás” (Gn 2:17). Eva tirou frutos disto, e desse alguns, deu alguns para o marido dela que ele podesse comer com ela. Ele comeu e morreu. Em ti, em vez disso, ó sábia Virgem, habita o Filho de Deus: Ele, aquele que é, que é a Arvore da Vida. Verdadeiramente ele nos deu seu corpo e nós o comemos. É assim que a vida chegou a todos e todos ganharam vida pela misericórdia de Deus, seu amado Filho. É por isso que o seu espírito é cheio de alegria em Deus, seu Salvador ” (Santo Atanásio de Alexandria- Homilia do Papiro de Turim, ed. T. Lefort, em Le Museon 71 (1958): 216-17) Tradução: https://erickybarra.wordpress.com/2018/03/06/st-athanasius-on-the-divinity-of-the-virgin-mary/

  • SURSUM CORDA: DEZ SUGESTÕES PARA REVITALIZAR A IMAGINAÇÃO LITERÁRIA – James Conley (Parte IX)

    Lutar contra moinhos de vento Juntos, Dante Alighieri, Geoffrey Chaucer e Miguel de Cervantes são provavelmente os maiores patriarcas da literatura moderna. Suas obras abrangem 300 anos, do início do século XIV ao início do século XVII. Representam uma ponte entre a poesia épica das culturas antigas e os modernos romances do mundo contemporâneo. Cada uma delas ajudou a consolidar o uso da palavra escrita nas respectivas línguas vernáculas. E juntas representam um inacreditável uso da narrativa ficcional para contar histórias de almas peregrinas, viajando, com suas falhas, fraquezas, ilusões e pecados, em direção à Jesus Cristo. A Divina Comedia, de Dante, os Contos de Canterbury, de Chaucer, e o Dom Quixote de La Mancha, de Cervantes, não são sempre fáceis de ler, mas valem a pena. A Divina comédia é o relato de um peregrino que viaja através dos reinos da morte: do inferno, do purgatório e em direção à glória do paraíso. Os Contos de Canterbury contêm dezenas de histórias, contadas por um grupo de peregrinos que viajam, juntos, a um santuário. Já Dom Quixote é uma história igualmente trágica e gloriosa. É a história de um homem que começa, com grande zelo, a realizar atos heroicos, mas que perde o sentido da realidade ao seu redor. Por exemplo, combate com moinhos de vento julgando serem gigantes saqueadores, sem jamais perceber a deplorável futilidade de seus empreendimentos. Mas Dom Quixote, à sua maneira, é um peregrino. Ele anda à procura de algo santo e grandioso. Como todos nós, suas percepções atrapalham os próprios esforços, apesar da pureza de suas intenções. Mas podemos aprender com Dom Quixote o valor da tenacidade e da fortaleza, perseguindo os mais nobres ideais, mesmo quando poderíamos ser vistos como desastrosos ou dignos de piedade. Na obra de Chaucer, estamos expostos à realidade do ser humano —expostos às suas derrotas e às suas glórias, às suas desolações e às suas esperanças. Pela obra de Dante, somos conduzidos à glória de Deus — e à gravidade da danação e da redenção. Dante, Chaucer  e Cervantes me influenciaram profundamente. Juntos, em algum sentido, pavimentaram o caminho para o mundo moderno. Noutro sentido, eles são o antídoto ao mundo moderno — lembrando-nos de como o mundo é bom, se visto pelos olhos da fé, olhos erguidos em direção à Providência e firmemente enraizados na esperança. (James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015) https://www.ncregister.com/images/documents/Literature_Section_053115.pdf

  • BENDITO SEJA O DEUS TRINO, SANTO (Frei José Augusto Mourão)

    Deus dá a luz e a força do Céu. O Sol alumia a terra e o mar. Cristo anunciou o dia sem fim que vem a caminho do coração. Deus dá o Sol e a força das mãos para caminhar na sabedoria. Seus olhos são vigias fiéis e os seus ouvidos escutas fiéis. Deus faz a giz o caminho a andar seu anjo me dá por guia e bordão. O meu abrigo, o meu protector, Deus seja meu pão na vida e na morte. Raia a manhã, louvado o Senhor o Rei que alimenta a esperança e o perdão. Bendito seja o Deus Trino, Santo, pela vida que dá a todo o ser vivo. (Frei José Augusto Mourão)

  • CHAGAS DE MEU SENHOR, REDENÇÃO MINHA (Frei Agostinho da Cruz)

    Divinas mãos, e pés, peito rasgado, Chagas em brandas carnes empremidas, Meu Deus, que por salvar almas perdidas, Por elas quereis ser crucificado: Outra fé, outro amor, outro cuidado, Outras dores às vossas são devidas, Outros corações limpos, outras vidas, Outro querer no vosso transformado: Em vós se encerrou toda a piedade, Ficou no mundo só toda a crueza; Por isso cada um deu do que tinha: Claros sinais de amor, ah saudade! Minha consolação, minha firmeza, Chagas de meu Senhor, redenção minha. (Frei Agostinho da Cruz)

  • OS DIAS ENTRE A RESSURREIÇÃO E A ASCENSÃO DO SENHOR (São Leão Magno, papa)

    Caríssimos filhos, os dias entre a ressurreição e a ascensão do Senhor não foram passados na ociosidade. Pelo contrário, neles se confirmaram grandes sacramentos, grandes mistérios foram neles revelados. No decurso destes dias foi afastado o medo da morte cruel e proclamada a imortalidade não apenas da alma mas também do corpo. Nestes dias, mediante o sopro do Senhor, todos os apóstolos receberam o Espírito Santo; nestes dias foi confiado ao apóstolo Pedro, mais que a todos os outros, o cuidado do rebanho do Senhor, depois de ter recebido as chaves do reino. Durante esses dias, o Senhor juntou-se, como um terceiro companheiro, a dois discípulos em viagem, e para dissipar as sombras de nossas dúvidas repreendeu a lentidão de espírito desses homens cheios de medo e pavor. Seus corações, por ele iluminados, receberam a chama da fé; e à medida que o Senhor ia lhes explicando as Escrituras, foram se convertendo de indecisos que eram em ardorosos. E mais: ao partir o pão, quando estavam sentados com ele à mesa, abriram-se-lhes os olhos. Abriram-se os olhos dos dois discípulos, como os dos nossos primeiros pais. Mas quão mais felizes foram os olhos dos dois discípulos ante a glorificação da própria natureza, manifestada em Cristo, do que os olhos de nossos primeiros pais ante a vergonha da própria prevaricação! Durante todo esse tempo, caríssimos filhos, passado entre a ressurreição e a ascensão do Senhor, a providência de Deus esforçou-se por ensinar e insinuar não apenas aos olhos mas também aos corações dos seus que a ressurreição do Senhor Jesus Cristo era tão real como o seu nascimento, paixão e morte. Os santos apóstolos e todos os discípulos ficaram muito perturbados com a tragédia da cruz e hesitavam em acreditar na ressurreição. De tal modo eles foram fortalecidos pela evidência da verdade que, quando o Senhor subiu aos céus, não experimentaram tristeza alguma, mas, pelo contrário, encheram-se de grande alegria. Na verdade, era grande e indizível o motivo de sua alegria: diante daquela santa multidão, contemplavam a natureza humana que subia a uma dignidade superior à de todas as criaturas celestes, ultrapassando até mesmo as hierarquias dos anjos e a altura sublime dos arcanjos. Deste modo, foi recebida junto do eterno Pai, que a associou ao trono de sua glória, depois de tê-la unido na pessoa do Filho à sua própria natureza divina. (Dos Sermões de São Leão Magno, papa – Sermo 1 de Ascensione, 2-4: PL 54,395-396 – Séc. V). #Cristologia #Igreja

  • Razões do sucesso da devoção à Santíssima Virgem

    As maravilhas da devoção a Maria não podem ser explicitadas inteiramente por nenhuma análise. Nenhuma descrição, nenhum raciocínio pode dar dela uma ideia adequada… Razões e analogias ajudam a compreender Um jovem teólogo – M. Neubert – analisa as razões, ou melhor, as analogias de ordem natural que nos ajudam a compreender o sucesso ou a eficácia da devoção a Santíssima Virgem. Pois a devoção à Nossa Senhora leva todos a bom êxito. Constitui um axioma católico que Ela é para todo mundo um meio seguro de santificação. A razão fundamental disso, a única razão evidente, é sem dúvida a vontade de Deus. Tendo Deus querido dar-nos Jesus Cristo por meio da Virgem Santíssima – diz Bossuet – esta ordem não muda mais, e os dons de Deus são irrevogáveis (cf. Rm 11, 29). Sempre será verdade que, havendo recebido através dEla o princípio universal da graça, recebamos também por seu intermédio as diversas aplicações desse dom em todos os variados estados dos quais se compõe a vida cristã. Mas, a par desta explicação teológica, sobrenatural, que examina as coisas do ponto de vista divino, nada impede que se procure uma explicação psicológica para confirmá-la. Harmonia entre a devoção a Nossa Senhora e o progresso da alma Quais são, em nossa natureza, as harmonias entre a devoção à Santíssima Virgem e o progresso de nossa alma? Um primeiro fator de progresso humano é o esforço pessoal: o difícil é induzir e sustentar o esforço da vontade. Nossa vontade é movida pelas ideias, mas por ideias vigorosas que são ao mesmo tempo conhecimento, sentimento e desejo. Ora, dessas ideias robustas, a mais forte é aquela que se volta para uma pessoa amada. Quem ama voa, corre, alegra-se e está disposto a tudo. Ora, ter devoção a Maria é amá-La, e amar Maria é fazer o que Ela deseja e evitar o que Lhe desagrada. Para quantas almas, por exemplo, o pensamento posto em Maria constituiu a força pela qual triunfaram das tentações – de longe as mais violentas e frequentes – contra a mais delicada das virtudes! Encontramos uma confirmação disso numa experiência de ordem humana. Um menino solicitado durante muito tempo pelas sugestões e argumentos pérfidos de um companheiro perverso, acaba duvidando de seu dever e vai deixar-se arrastar pelo mal. Mas seus olhos cruzam-se com os de sua mãe: nesse mudo entreolhar, ele sente a gravidade da ação que ia cometer e obtém a coragem de fazer qualquer sacrifício para não entristecê- la. Da mesma maneira, quantas almas assaltadas durante longo tempo e estando a ponto de ceder, ao pensar em sua Mãe celeste, tão afetuosa e amada, tão pura e desejosa de vê-las também puras, sentiram a tentação desaparecer e uma força nova as armar contra o mal! Esse gênero de vitórias costuma permanecer sepultado no segredo das consciências, mas como elas são frequentes! Forte contra as tentações, o pensamento posto em Maria é igualmente eficaz para nos impelir na via do sacrifício. Não há santo cuja vida não ofereça a esse respeito exemplos eloquentes. O esforço nos é solicitado por Deus, mas não basta. Ele não passa de uma condição posta por Deus para recebermos a graça, a qual, entretanto, nos vem unicamente dEle. Não devemos contar com nossos próprios esforços, se quisermos que eles sejam coroados de êxito, mas sim com Deus. Portanto, desconfiança de nós mesmos, ou humildade, e confiança em Deus. Ora, a devoção à Santíssima Virgem favorece de modo admirável esses dois sentimentos em nós. Primeiramente, ela alimenta nossa humildade. Pode-se, sem dúvida, ser humilde na presença de Deus sem invocar Maria; seria o caso, por exemplo, de um protestante de boa fé para o qual invocar Maria é ofender a Deus. Entretanto, também é certo que recorrer à intercessão de Maria para ir a Deus, ir a Deus por meio de Maria, é reconhecer que não somos dignos de ir a Ele por nós mesmos; é reconhecer nossa miséria, nossa indignidade diante dEle; é fazer, mesmo sem se preocupar com isso, um ato de humildade.Eis o motivo pelo qual São Luís Maria Grignion de Montfort insiste tanto nas relações entre a devoção a Maria e a prática da humildade. Ademais, alimenta nossa confiança em Deus. Cremos na misericórdia divina, mas com uma fé frequentemente teórica que, na prática, é exposta a graves deficiências. Ora, nesses momentos escuros pensar em Nossa Senhora constitui para nós um facho de luz que nos dá confiança. Não por julgarmos que a Santíssima Virgem tenha um coração mais misericordioso que o do próprio Deus, mas sim por ser Ela como um argumento vivo que nos toca mais de perto e nos ajuda a melhor apalpar a misericórdia divina. Assim como ver Madalena aos pés de Jesus nos faz compreender a bondade do Salvador mais do que o faria uma idéia abstrata de sua divina perfeição, do mesmo modo a contemplação de Maria nos faz entender e sentir, melhor do que todos os raciocínios, a misericórdia dAquele que nos deu uma tal Advogada e uma tal Mãe. Sem devoção a Nossa Senhora, a religião fica tingida de racionalismo Estas duas disposições – humildade e confiança – constituem o próprio fundo do sentimento religioso. E é por esta razão que toda alma religiosa compreende a devoção à Santíssima Virgem. Uma alma que cessa de compreendê- la deixa de ser religiosa ou está prestes a fabricar para si uma religião mais ou menos tingida de racionalismo, tal como certos estoicos batizados que formaram sua espiritualidade mais nos livros de moral dos estudos universitários do que nos autores ascéticos. Para essas almas, o Cristo é mais um modelo que posa diante delas, do que um amigo que vive nelas e as faz viver.Dia virá em que, após inúteis esforços, elas reconhecerão por fim sua radical fraqueza e se lançarão humildemente nos braços de Deus. Nesse dia, elas começarão também a se voltar para a Santíssima Virgem. Eis a razão pela qual tantas pessoas aos poucos deixaram de ter uma religião e se contentam com uma simples filosofia: elas eliminaram a devoção à Santíssima Virgem para irem mais diretamente – conforme pensavam – a Jesus Cristo. Ora, perdendo de vista a Santíssima Virgem, eles rapidamente perderam também a Jesus Cristo. Diz o Cardeal Newman, em sua magnífica “Carta a Pusey” sobre o culto a Nossa Senhora: “A Maria é confiada a guarda da Encarnação. Assim, se olharmos para a Europa, verificaremos que as nações e os países que perderam a fé na divindade de Cristo são precisamente aqueles que abandonaram a devoção à sua Mãe, e que, por outro lado, os que mais se distinguiram no seu culto guardaram a ortodoxia…”. Traçando o mapa da devoção a Maria, teríamos traçado o próprio mapa da expansão e da conservação da fé cristã, e isto não apenas no século XIX nem a partir da Reforma, mas ao longo de toda a História da Igreja, como concluirá o próprio Neubert em sua tese, no que toca aos primeiros séculos cristãos, onde “em suma, toda a história das origens da mariologia se apresenta como a história da defesa e da dilatação da cristologia. A Mãe era a garantia do Filho, e a glória do filho começava a jorrar sobre a Mãe”. As grandezas de Maria só podem ser entendidas com relação à Encarnação O Evangelho é a vida de família com Deus. Ele será chamado Emanuel: Deus conosco, Deus nosso Pai, Jesus nosso Irmão Primogênito, vindo a nós para nos encontrar e nos reconduzir ao Pai. Mas nunca compreenderemos melhor quanto Deus é nosso Pai, senão pensando na doce Mãe que Ele nos deu. E jamais compreenderemos Jesus como nosso Irmão Primogênito, a não ser contemplando- O junto de Maria, nossa Mãe comum. E assim como não devemos isolar Jesus de Maria, não devemos isolar Maria de Jesus. Maria nos ajuda a compreender Jesus. Não é possível meditar os privilégios de Maria sem melhor entender seu Filho, de quem e por causa de quem Ela os recebeu. Mas, reciprocamente, só em Jesus podemos entender Maria: Jesus é toda a razão de ser de Maria, e esta não seria o que Ela é senão em vista da Encarnação e da Redenção. Exaltar as grandezas de Maria sem mostrar suas relações com a Encarnação é fazê-lo pela metade e dar a forte impressão de gente extraviada. Eis o motivo pelo qual certos livros, certas tiradas sobre a Santíssima Virgem deixam às vezes uma impressão de vazio, de insipidez ou de hipérbole. Jamais correremos o risco de parecer hiperbólicos, ao falar de Maria, se tivermos o cuidado de apresentá-La com seu Divino Filho. Mas querer admirar Maria fazendo abstração de Jesus é coisa tão absurda quanto extasiar-se com os esplendores da aurora num dia em que o sol esteja encoberto por nuvens cinzentas. Se quiséssemos passar em revista as virtudes cristãs e toda a diversidade de nossos estados de alma e as fases de nossa vida interior, poderíamos multiplicar indefinidamente os pormenores desses aspectos psicológicos da devoção à Santíssima Virgem. Resolvendo uma aparente objeção Uma objeção, entretanto, se põe: não nos arriscaremos, assim, a tirar desta devoção seu caráter divino e dar razão aos protestantes, os quais pretendem que ela seja, não um dom do alto, mas um produto desta terra? Ocorre exatamente o contrário, responde M. Neubert. Uma tal adaptação da devoção a Maria a todas as nossas aspirações religiosas é antes uma prova de sua origem divina: toda devoção é feita para o homem, e quanto mais uma devoção responde às necessidades do homem, mais ela tem chance de ser querida por Deus. Aliás, esta objeção só pode afetar aqueles cuja devoção a Maria sempre foi superficial. Os que verdadeiramente vivem desta devoção percebem que não se pode, por uma simples análise psicológica, dar uma explicação completa de seus maravilhosos efeitos, da mesma forma como não é possível, pelas leis da luz e das cores, explicar o imponderável inefavelmente belo e celeste que se vislumbra nos olhos de uma criança, da mesma maneira como não se consegue, por meio da anatomia e da fisiologia, explicar o amor de uma mãe pelo seu filho. Algumas vezes, no momento de pôr-se o sol, o céu se cobre de nuvens leves, quase transparentes, e margeadas por uma tonalidade rósea, como nunca se vê no restante do dia. Depois, subitamente, essas nuvens se entreabrem e o olhar mergulha maravilhado num mar brilhante feito de ouro derretido, de um inigualável esplendor. Essa face voltada para o sol é que explica a beleza da face inferior. O mesmo se passa com os fenômenos religiosos. O psicólogo só pode descrever o que ele percebe na face inferior, a face humana; entretanto, há uma outra face, a face voltada para o Sol divino, e só esta pode explicar a beleza da face inferior. As maravilhas da devoção a Maria não podem ser explicitadas inteiramente por nenhuma análise. Nenhuma descrição, nenhum raciocínio pode dar dela uma ideia adequada… (Tradução, com adaptações, de L´Ami du Clergé, 1911, pp. 682- 684 – in “Revista Arautos do Evangelho”, n. 89, p. 34 à 36) Fonte: http://www.gaudiumpress.org/content/94399-Razoes-do-sucesso-da-devocao-a-Santissima-Virgem.

  • CÁTAROS E O HOMOSEXUALISMO

    CÁTAROS E O HOMOSEXUALISMO Um Aviso, esse, e futuros textos são registros do Inquisidor Jacques Fournier (3 volumes), todas as notas entre parenteses são do registro, (por exemplo: I, 41; II, 52 etc.) Texto latino editado por Jean Duvernoy. Estes registros mostram o perigo e o caos social que uma heresia pode causar, em alguns momentos podemos identificar algumas situações que não nos parecem estranhas nos dias atuais, vemos a cultura do aborto, desprezo pela vida, a prática do homossexualismo, incesto, entre outras situações que estamos observando a cada dia o seu renascimento. Onde vais? — perguntou-me guillaume. — vou à igreja. ,— Ah, bem! Retorquiu Guillaume. — que excelente “eclesiástica” me saíste! Mais valia que rezasse a Deus na tua casa do que ir à igreja rezar-lhe. Respondi-lhe que a igreja era um lugar mais conveniente para rezar a Deus do que a minha casa. Então, ele murmurou-me simplesmente: — Não és da fé. Assim, para Guilherme Buscailh, simpatizante fervoroso das ideias cátaras (não quis ele um dia que a sua cunhada, então lactante, fizesse a greve do seio, a fim de deixar morrer de fome um bebê herético!) (I,499), a fé albigense é algo que se vive e se pratica em casa, por oposição ao Dogma católico, que prefere o Santuário Paroquial. Esta ideia, de resto, é geral: quando a Heresia se instala numa casa,declara um camponês a Jacques Fournier, é como a lepra; encrusta-se lá durante quatro gerações ou para sempre (II,110).Aude Fauré, de Merviel, neurótica, perde a fé na Eucaristia; confessa suas dúvidas à sua vizinha e parente, Emengarde Garaudy. Esta, horrorizada, previne a incrédula dama das consequências nefastas que tal ceticismo pode ter para casa que ela habita e para Aldeia onde reside: traidora, diz a Garaudy a Aude, está aldeia e este ostal (casa) foram sempre puro de todo o mal e de toda a heresia. Veja lá se não nos traz o mal de outros lados nem faz com que a nossa aldeia seja amaldiçoada (II,87). Na opinião de Garaudy, as vias da heresia são, portanto, perfeitamente Claras: basta o erro de uma única casa para que toda a aldeia se perca. Inversamente, a violência inquisitorial é considerada acima de tudo, pelas suas vítimas como uma agressão contra a domus herética e só depois como um ataque à liberdade ou à Vida deste ou daquele indivíduo: esses dois traidores trouxeram a desgraça à nossa casa e ao meu irmão pároco, declara Bernard Clerque, invocando a Detenção do reitor de Montaillou, denunciado por dois Espiões (II,281). DA EMOTIVIDADE AO AMOR Entre os cátaros do celibato e as relações passageiros, caracterizam as pessoas mais humildes, que ocassionalmente têm uma amiga, por vezes com fama de mulher de muitos amores, nas pastagens e nos Burgos. A vida dos casais, é totalmente deteriorada pela delinquência sexual, revela-se normalmente complexa; oferece, com era de esperar, todas as variedades de casamento e de comcubinato: uniões conjugais com ou sem amor. É somente ao nível da cidade que os rapazes de boas famílias vindo dos campos para estudarem nas escolas, correm o risco de se ligarem, fora das domus, a algumas redes de homossexualidade que podem funcionar nesta época. Essas redes são mais urbanas do que rurais e mais entre os padres cátaros do que sobre os laicos. Sobre este ponto preciso, relativo à homossexualidade não aldeã, registro de Jacques Fournier alarga-se, mais uma vez, à biografia psicológica. Vai além de uma simples e seca nota, levando a um verdadeiro estudo de personalidade. Permite, neste caso, a elaboração de um processo homossexual. Nesta conjuntura especial, vamos sair da referência das aldeias, os campos só podem ser compreendidos em relação à cidade que os domina; o amor em Montaillou só se pode descrever se comparamos com amor em Pamiers, cujas variedades são muito mais diversas. Face à muito relativa inocência campestre, Pamiers é já a cidade, a grande babilônia, é Sodoma ou mesmo gomorra. O HOMOSSEXUAL Arnaud de Verniolles, originário de Pamiers, subdiacono e ex- franciscano, foi iniciado na homofilia na infância por um camarada mais velho, condiscípulo e futuro padre(II,39, III,49). Eu tinha então 10 a 12 anos. Há mais ou menos vinte anos. O meu pai tinha-me mandado aprender a gramática para a casa do mestre pons de massabuco, mestre de escola, e que se tornou dominicano. Eu estava na mesma quarto com esse mestre Pons e com seus alunos, Pierre de Isle (de Montaigu), Bernard Baleada (de Pamiers) e Arnaud Auriol, o filho do cavaleiro Pierre Auriol. Esse Arnaud era de La Bastide-de-sérou; já fazia a barba e agora é padre. Havia também o meu irmão Bernard de Verniolles e outros alunos cujos nomes esqueci. No quarto comum, do mestre e dos alunos, durante umas seis semanas deitei na mesma cama com Arnaud Auriol… Na quarta ou quinta noite que passamos juntos, pensando Arnaud que eu estava dormindo, começou a abraçar-me, e a meter-se entre as minhas coxas… e a mover-se como que eu fosse uma mulher. E assim continuou a pecar todas as noites. Eu não passava de uma criança, isso desagradava-me. Mas, cheio de vergonha, não houve regular a ninguém esse pecado…. Em seguida a escola do mestre Pons muda. Arnaud de Verniolles tem, assim, outros companheiros de cama, entre os quais o seu professor. Este documento, com a preocupação da poupança, dorme com dois de seus alunos. Mas ninguém ousa voltar a atentar contra virtude do jovem Verniolles. O mal, porém, está feito. Na promicuidade das dormidas, o aluno de Pamiers desperta uma tendência latente. Vítima de um ato de sedução infantil, está votado a tornar-se homossexual. Em Toulouse, cidade grande, onde Arnaud de Verniolles prossegue, durante algum tempo, os seus estudos, essa orientação torna-se definitiva. E isso no segmento de incidentes fortuitos que o nosso estudante é, provavelmente, levado a aumentar e que interpreta de maneira abusiva: na época em que queimavam os leprosos, conta Arnaud, eu habitava em toulouse; um dia <> É, após a perpetração deste pecado, a minha cara começou a inchar. Acreditei, então aterrorizado que tinha ficado leproso; jurei que, de futuro, que jamais me deitaria com uma mulher; para ser fiel a este juramento, pus-me a abusar dos rapazes. Após estes dois traumas, Arnaud afasta-se das mulheres. Pederasta ativo, mas não ainda notório, tem vários êxitos masculinos. Seduz adolescentes ou rapazes de 16 a 18 anos: por exemplo (III,49) Guillaume Rosa, filho de Pierre Ros de Ribouse ( atual Aude) é Guillaume Bernard de Gauldiès (atual Ariège). Estes alunos mais ou menos ingênuos são possuídos pelo antigo aluno, que outrora tinha sido seduzido na escola: reprodução cultural. Guillaume Ros e Guillaume Bernard são originários do campo mas residem na cidade. De tempos a tempos, Arnaud atira uma das suas conquistas pura e simplesmente para cima de um monte de estrume. Outras vezes, faz uma corte mais cerimoniosa: leva sua jovem presa para uma pequena cabana no meio das vinhas. Lá tem e dá prazer, arrancando à sua vítima uma adesão mais ou menos entusiasta: Arnaud ameaçou-me com uma faca, torceu-me o braço, arrastou-me apesar dos meus coices, mandou-me para o chão, apertou-me contra ele ia espalhando o seu sêmen entre as minhas pernas, conta Guillaume Rosa (III, 19). Mas Arnaud de Verniolles recusa admitir que uma tal cena de violência tenha ocorrido entre ele e o rapaz: consentimos os dois, diz, a propósito deste episódio ((III,43). Naturalmente, Arnaud esmera-se em executar o ato de sodomia em diversas posições: como com uma mulher ou por detrás, etc. (III, 31). Por vezes, numa pequena casa do campo que abriga os amantes, estes põem-se em túnica, lutam e dançam antes de praticar o ato de sodomia ou despem-se inteiramente (III, 40,41,42,44). Depois do amor e dos beijos, Arnaud e o amigo momentâneo juram sobre os quatro evangelhos, sobre um calendário (III,40) ou sobre a bíblia do refeitório de um mosteiro, jamais revelar a alguém o que se passou entre eles. O estudante oferece as suas conquistas, não sem reticências, pequenas dádivas, tal como uma faca,etc. Todas essas atividades preechem os lazeres do nosso homem, sobretudo por ocasião dos dias feriados, é durante a festa que ele faz a festa. São acompanhadas, no que diz respeito aos adolescentes que a isso se dedicam, e entre os monges e frades mendicantes que formam o meio social de Arnaud, de fortes tendências masturbatorias (III,43). A acreditar nele, Arnaud de Verniolles não tem uma ideia bem nítida de caráter criminoso de que se reveste a sodomia na ótica da Igreja de Roma. Eu disse a Guillaume Ros e com muito boa fé, declara ele, que seu pecado da sodomia e os da fornicação ou da masturbação deliberada, eram em gravidade, mais ou menos a mesma coisa. que achava mesmo na simplicidade do meu coração que a sodomia e a simples fornicação eram pecados mortais, é verdade, mas muito menos graves que a defloração das virgens, o adultério ou o incesto (III, 42, 49). Dito isto, Arnaud tem uma dúvida; tem uma espécie de retorno à cultura religiosa, dogmática e disciplinar. sabia, acrescenta ele, que o pecado da sodomia só pode ser absorvido pelo bispo ou porum procurador do bispo (III, 43). Continua #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #Históriadaidademédia #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #HistóriadasHeresias #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja #HistóriadaInquisição

  • CARTA AOS ARTISTAS – Papa João Paulo II

    A todos aqueles que apaixonadamente procuram novas « epifanias » da beleza para oferecê-las ao mundo como criação artística. “Deus, vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa” (Gn 1,31). O artista, imagem de Deus Criador Ninguém melhor do que vós, artistas, construtores geniais de beleza, pode intuir algo daquele pathos com que Deus, na aurora da criação, contemplou a obra das suas mãos. Infinitas vezes se espelhou um relance daquele sentimento no olhar com que vós — como, aliás, os artistas de todos os tempos —, maravilhados com o arcano poder dos sons e das palavras, das cores e das formas, vos pusestes a admirar a obra nascida do vosso génio artístico, quase sentindo o eco daquele mistério da criação a que Deus, único criador de todas as coisas, de algum modo vos quis associar. Pareceu-me, por isso, que não havia palavras mais apropriadas do que as do livro do Génesis para começar esta minha Carta para vós, a quem me sinto ligado por experiências dos meus tempos passados e que marcaram indelevelmente a minha vida. Ao escrever-vos, desejo dar continuidade àquele fecundo diálogo da Igreja com os artistas que, em dois mil anos de história, nunca se interrompeu e se prevê ainda rico de futuro no limiar do terceiro milénio. Na realidade, não se trata de um diálogo ditado apenas por circunstâncias históricas ou motivos utilitários, mas radicado na própria essência tanto da experiência religiosa como da criação artística. A página inicial da Bíblia apresenta-nos Deus quase como o modelo exemplar de toda a pessoa que produz uma obra: no artífice, reflecte-se a sua imagem de Criador. Esta relação é claramente evidenciada na língua polaca, com a semelhança lexical das palavras stwórca (criador) e twórca (artífice). Qual é a diferença entre « criador » e « artífice »? Quem cria dá o próprio ser, tira algo do nada — ex nihilo sui et subiecti, como se costuma dizer em latim — e isto, em sentido estrito, é um modo de proceder exclusivo do Omnipotente. O artífice, ao contrário, utiliza algo já existente, a que dá forma e significado. Este modo de agir é peculiar do homem enquanto imagem de Deus. Com efeito, depois de ter afirmado que Deus criou o homem e a mulher « à sua imagem » (cf. Gn 1,27), a Bíblia acrescenta que Ele confiou-lhes a tarefa de dominarem a terra (cf. Gn 1,28). Foi no último dia da criação (cf. Gn 1,28-31). Nos dias anteriores, como que marcando o ritmo da evolução cósmica, Javé tinha criado o universo. No final, criou o homem, o fruto mais nobre do seu projecto, a quem submeteu o mundo visível como um campo imenso onde exprimir a sua capacidade inventiva. Por conseguinte, Deus chamou o homem à existência, dando-lhe a tarefa de ser artífice. Na « criação artística », mais do que em qualquer outra actividade, o homem revela-se como « imagem de Deus », e realiza aquela tarefa, em primeiro lugar plasmando a « matéria » estupenda da sua humanidade e depois exercendo um domínio criativo sobre o universo que o circunda. Com amorosa condescendência, o Artista divino transmite uma centelha da sua sabedoria transcendente ao artista humano, chamando-o a partilhar do seu poder criador. Obviamente é uma participação, que deixa intacta a infinita distância entre o Criador e a criatura, como sublinhava o Cardeal Nicolau Cusano: « A arte criativa, que a alma tem a sorte de albergar, não se identifica com aquela arte por essência que é própria de Deus, mas constitui apenas comunicação e participação dela ».[1] Por isso, quanto mais consciente está o artista do « dom » que possui, tanto mais se sente impelido a olhar para si mesmo e para a criação inteira com olhos capazes de contemplar e agradecer, elevando a Deus o seu hino de louvor. Só assim é que ele pode compreender-se profundamente a si mesmo e à sua vocação e missão. A vocação especial do artista Nem todos são chamados a ser artistas, no sentido específico do termo. Mas, segundo a expressão do Génesis, todo o homem recebeu a tarefa de ser artífice da própria vida: de certa forma, deve fazer dela uma obra de arte, uma obra-prima. É importante notar a distinção entre estas duas vertentes da actividade humana, mas também a sua conexão. A distinção é evidente. De facto, uma coisa é a predisposição pela qual o ser humano é autor dos próprios actos e responsável do seu valor moral, e outra a predisposição pela qual é artista, isto é, sabe agir segundo as exigências da arte, respeitando fielmente as suas regras específicas.[2] Assim, o artista é capaz de produzir objectos, mas isso de per si ainda não indica nada sobre as suas disposições morais. Neste caso, não se trata de plasmar-se a si mesmo, de formar a própria personalidade, mas apenas de fazer frutificar capacidades operativas, dando forma estética às ideias concebidas pela mente. Mas, se a distinção é fundamental, importante é igualmente a conexão entre as duas predisposições: a moral e a artística. Ambas se condicionam de forma recíproca e profunda. De facto, o artista, quando modela uma obra, exprime-se de tal modo a si mesmo que o resultado constitui um reflexo singular do próprio ser, daquilo que ele é e de como o é. Isto aparece confirmado inúmeras vezes na história da humanidade. De facto, quando o artista plasma uma obra-prima, não dá vida apenas à sua obra, mas, por meio dela, de certo modo manifesta também a própria personalidade. Na arte, encontra uma dimensão nova e um canal estupendo de expressão para o seu crescimento espiritual. Através das obras realizadas, o artista fala e comunica com os outros. Por isso, a História da Arte não é apenas uma história de obras, mas também de homens. As obras de arte falam dos seus autores, dão a conhecer o seu íntimo e revelam o contributo original que eles oferecem à história da cultura. A vocação artística ao serviço da beleza Um conhecido poeta polaco, Cyprian Norwid, escreveu: « A beleza é para dar entusiasmo ao trabalho, o trabalho para ressurgir ».[3] O tema da beleza é qualificante, ao falar de arte. Esse tema apareceu já, quando sublinhei o olhar de complacência que Deus lançou sobre a criação. Ao pôr em relevo que tudo o que tinha criado era bom, Deus viu também que era belo.[4] A confrontação entre o bom e o belo gera sugestivas reflexões. Em certo sentido, a beleza é a expressão visível do bem, do mesmo modo que o bem é a condição metafísica da beleza. Justamente o entenderam os Gregos, quando, fundindo os dois conceitos, cunharam uma palavra que abraça a ambos: « kalokagathía », ou seja, « beleza-bondade ». A este respeito, escreve Platão: « A força do Bem refugiou-se na natureza do Belo ».[5] Vivendo e agindo é que o homem estabelece a sua relação com o ser, a verdade e o bem. O artista vive numa relação peculiar com a beleza. Pode-se dizer, com profunda verdade, que a beleza é a vocação a que o Criador o chamou com o dom do « talento artístico ». E também este é, certamente, um talento que, na linha da parábola evangélica dos talentos (cf. Mt 25,14-30), se deve pôr a render. Tocamos aqui um ponto essencial. Quem tiver notado em si mesmo esta espécie de centelha divina que é a vocação artística — de poeta, escritor, pintor, escultor, arquitecto, músico, actor… —, adverte ao mesmo tempo a obrigação de não desperdiçar este talento, mas de o desenvolver para colocá-lo ao serviço do próximo e de toda a humanidade. O artista e o bem comum De facto, a sociedade tem necessidade de artistas, da mesma forma que precisa de cientistas, técnicos, trabalhadores, especialistas, testemunhas da fé, professores, pais e mães, que garantam o crescimento da pessoa e o progresso da comunidade, através daquela forma sublime de arte que é a « arte de educar ». No vasto panorama cultural de cada nação, os artistas têm o seu lugar específico. Precisamente enquanto obedecem ao seu génio artístico na realização de obras verdadeiramente válidas e belas, não só enriquecem o património cultural da nação e da humanidade inteira, mas prestam também um serviço social qualificado ao bem comum. A vocação diferente de cada artista, ao mesmo tempo que determina o âmbito do seu serviço, indica também as tarefas que deve assumir, o trabalho duro a que tem de sujeitar-se, a responsabilidade que deve enfrentar. Um artista, consciente de tudo isto, sabe também que deve actuar sem deixar-se dominar pela busca duma glória efémera ou pela ânsia de uma popularidade fácil, e menos ainda pelo cálculo do possível ganho pessoal. Há, portanto, uma ética ou melhor uma « espiritualidade » do serviço artístico, que a seu modo contribui para a vida e o renascimento do povo. A isto mesmo parece querer aludir Cyprian Norwid, quando afirma: « A beleza é para dar entusiasmo ao trabalho, o trabalho para ressurgir ». A arte face ao mistério do Verbo encarnado A Lei do Antigo Testamento contém uma proibição explícita de representar Deus invisível e inexprimível através duma « estátua esculpida ou fundida » (Dt27,15), porque Ele transcende qualquer representação material: « Eu sou Aquele que sou » (Ex3,14). No mistério da Encarnação, porém, o Filho de Deus tornou-Se visível em carne e osso: « Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher » (Gl 4,4). Deus fez-Se homem em Jesus Cristo, que Se tornou assim « o centro de referência para se poder compreender o enigma da existência humana, do mundo criado, e mesmo de Deus ».[6] Esta manifestação fundamental do « Deus-Mistério » apresenta-se como estímulo e desafio para os cristãos, inclusive no plano da criação artística. E gerou-se um florescimento de beleza, cuja linfa proveio precisamente daqui, do mistério da Encarnação. De facto, quando Se fez homem, o Filho de Deus introduziu na história da humanidade toda a riqueza evangélica da verdade e do bem e, através dela, pôs a descoberto também uma nova dimensão da beleza: a mensagem evangélica está completamente cheia dela. A Sagrada Escritura tornou-se, assim, uma espécie de « dicionário imenso » (P. Claudel) e de « atlas iconográfico » (M. Chagall), onde foram beber a cultura e a arte cristã. O próprio Antigo Testamento, interpretado à luz do Novo, revelou mananciais inexauríveis de inspiração. Desde as narrações da criação, do pecado, do dilúvio, do ciclo dos Patriarcas, dos acontecimentos do êxodo, passando por tantos outros episódios e personagens da História da Salvação, o texto bíblico atiçou a imaginação de pintores, poetas, músicos, autores de teatro e de cinema. Uma figura como a de Job, só para dar um exemplo, com a problemática pungente e sempre actual da dor, continua a suscitar conjuntamente interesse filosófico, literário e artístico. E que dizer então do Novo Testamento? Desde o Nascimento ao Gólgota, da Transfiguração à Ressurreição, dos milagres aos ensinamentos de Cristo, até chegar aos acontecimentos narrados nos Actos dos Apóstolos ou previstos no Apocalipse em chave escatológica, inúmeras vezes a palavra bíblica se fez imagem, música, poesia, evocando com a linguagem da arte o mistério do « Verbo feito carne ». Tudo isto constitui, na história da cultura, um amplo capítulo de fé e de beleza. Dele tiraram proveito sobretudo os crentes para a sua experiência de oração e de vida. Para muitos deles, em tempos de escassa alfabetização, as expressões figurativas da Bíblia constituíram mesmo um meio concreto de catequização.[7] Mas para todos, crentes ou não, as realizações artísticas inspiradas na Sagrada Escritura permanecem um reflexo do mistério insondável que abraça e habita o mundo. Entre Evangelho e arte, uma aliança profunda Com efeito, toda a intuição artística autêntica ultrapassa o que os sentidos captam e, penetrando na realidade, esforça-se por interpretar o seu mistério escondido. Ela brota das profundidades da alma humana, lá onde a aspiração de dar um sentido à própria vida se une com a percepção fugaz da beleza e da unidade misteriosa das coisas. Uma experiência partilhada por todos os artistas é a da distância incolmável que existe entre a obra das suas mãos, mesmo quando bem sucedida, e a perfeição fulgurante da beleza vislumbrada no ardor do momento criativo: tudo o que conseguem exprimir naquilo que pintam, modelam, criam, não passa de um pálido reflexo daquele esplendor que brilhou por instantes diante dos olhos do seu espírito. O crente não se maravilha disto: sabe que se debruçou por um instante sobre aquele abismo de luz que tem a sua fonte originária em Deus. Há porventura motivo para admiração, se o espírito fica de tal modo inebriado que não sabe exprimir-se senão por balbuciações? Ninguém mais do que o verdadeiro artista está pronto a reconhecer a sua limitação e fazer suas as palavras do apóstolo Paulo, segundo o qual Deus « não habita em santuários construídos pela mão do homem », pelo que « não devemos pensar que a Divindade seja semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e engenho do homem » (Act 17,24.29). Se já a realidade íntima das coisas se situa « para além » das capacidades de compreensão humana, quanto mais Deus nas profundezas do seu mistério insondável! Já de natureza diversa é o conhecimento de fé: este supõe um encontro pessoal com Deus em Jesus Cristo. Mas também este conhecimento pode tirar proveito da intuição artística. Modelo eloquente duma contemplação estética que se sublima na fé são, por exemplo, as obras do Beato Fra Angélico. A este respeito, é igualmente significativa a lauda extasiada, que S. Francisco de Assis repete duas vezes na chartula, redigida depois de ter recebido os estigmas de Cristo no monte Alverne: « Vós sois beleza… Vós sois beleza! ».[8] S. Boaventura comenta: « Contemplava nas coisas belas o Belíssimo e, seguindo o rasto impresso nas criaturas, buscava por todo o lado o Dilecto ».[9] Uma perspectiva semelhante aparece na espiritualidade oriental, quando Cristo é designado como « o Belíssimo de maior beleza que todos os mortais ».[10] Assim comenta Macário, o Grande, a beleza transfigurante e libertadora que irradia do Ressuscitado: « A alma que foi plenamente iluminada pela beleza inexprimível da glória luminosa do rosto de Cristo, fica cheia do Espírito Santo (…) é toda olhos, toda luz, toda rosto ».[11] Toda a forma autêntica de arte é, a seu modo, um caminho de acesso à realidade mais profunda do homem e do mundo. E, como tal, constitui um meio muito válido de aproximação ao horizonte da fé, onde a existência humana encontra a sua plena interpretação. Por isso é que a plenitude evangélica da verdade não podia deixar de suscitar, logo desde os primórdios, o interesse dos artistas, sensíveis por natureza a todas as manifestações da beleza íntima da realidade. Os primórdios A arte, que o cristianismo encontrou nos seus inícios, era o fruto maduro do mundo clássico, exprimia os seus cânones estéticos e, ao mesmo tempo, veiculava os seus valores. A fé impunha aos cristãos, tanto no campo da vida e do pensamento como no da arte, um discernimento que não permitia a aceitação automática deste património. Assim, a arte de inspiração cristã começou em surdina, ditada pela necessidade que os crentes tinham de elaborar sinais para exprimirem, com base na Escritura, os mistérios da fé e simultaneamente de arranjar um « código simbólico » para se reconhecerem e identificarem especialmente nos tempos difíceis das perseguições. Quem não recorda certos símbolos que foram os primeiros vestígios duma arte pictórica e plástica? O peixe, os pães, o pastor… Evocavam o mistério, tornando-se quase insensivelmente esboços de uma arte nova. Quando, pelo édito de Constantino, foi concedido aos cristãos exprimirem-se com plena liberdade, a arte tornou-se um canal privilegiado de manifestação da fé. Por todo o lado, começaram a despontar majestosas basílicas, nas quais os cânones arquitectónicos do antigo paganismo eram assumidos sim, mas reajustados às exigências do novo culto. Como não recordar pelo menos a antiga Basílica de S. Pedro e a de S. João de Latrão, construídas pelo imperador Constantino? Ou, no âmbito dos esplendores da arte bizantina, a Haghia Sophía de Constantinopla querida por Justiniano? Enquanto a arquitectura desenhava o espaço sagrado, a necessidade de contemplar o mistério e de o propor de modo imediato aos simples levou progressivamente às primeiras expressões da arte pictórica e escultural. Ao mesmo tempo surgiam os primeiros esboços de uma arte da palavra e do som; e se Agostinho incluía também, entre as temáticas da sua produção, um De musica, Hilário, Ambrósio, Prudêncio, Efrém da Síria, Gregório de Nazianzo, Paulino de Nola, para citar apenas alguns nomes, faziam-se promotores de poesia cristã, que atinge frequentemente um alto valor não só teológico mas também literário. A sua produção poética valorizava formas herdadas dos clássicos, mas bebia na linfa pura do Evangelho, como justamente sentenciava o Santo poeta de Nola: « A nossa única arte é a fé, e Cristo é o nosso canto ».[12] Algum tempo mais tarde, Gregório Magno, com a compilação do Antiphonarium, punha as premissas para o desenvolvimento orgânico daquela música sacra tão original, que ficou conhecida pelo nome dele. Com as suas inspiradas modulações, o Canto Gregoriano tornar-se-á, com o passar dos séculos, a expressão melódica típica da fé da Igreja durante a celebração litúrgica dos Mistérios Sagrados. Assim, o « belo » conjugava-se com o « verdadeiro », para que, também através dos caminhos da arte, os ânimos fossem arrebatados do sensível ao eterno. Não faltaram momentos difíceis neste caminho. A propósito precisamente do tema da representação do mistério cristão, a antiguidade conheceu uma áspera controvérsia, que passou à história com o nome de « luta iconoclasta ». As imagens sagradas, já então difusas na devoção do povo de Deus, foram objecto de violenta contestação. O Concílio celebrado em Niceia no ano 787, que estabeleceu a legitimidade das imagens e do seu culto, foi um acontecimento histórico não só para a fé mas também para a própria cultura. O argumento decisivo a que recorreram os Bispos para debelar a controvérsia, foi o mistério da Encarnação: se o Filho de Deus entrou no mundo das realidades visíveis, lançando, pela sua humanidade, uma ponte entre o visível e o invisível, é possível pensar que analogamente uma representação do mistério pode ser usada, pela dinâmica própria do sinal, como evocação sensível do mistério. O ícone não é venerado por si mesmo, mas reenvia ao sujeito que representa.[13] A Idade Média Os séculos seguintes foram testemunhas dum grande desenvolvimento da arte cristã. No Oriente, continuou a florescer a arte dos ícones, vinculada a significativos cânones teológicos e estéticos e apoiada na convicção de que, em determinado sentido, o ícone é um sacramento: com efeito, de modo análogo ao que sucede nos sacramentos, ele torna presente o mistério da Encarnação nalgum dos seus aspectos. Por isso mesmo, a beleza dum ícone pode ser apreciada sobretudo no interior de um templo, com os candelabros que ardem e suscitam na penumbra infinitos reflexos de luz. A este respeito, escreve Pavel Florenskij: « Bárbaro, pesado, fútil à luz clara do dia, o ouro reanima-se com a luz trémula dum candelabro ou duma vela, que o faz cintilar aqui e ali com miríades de fulgores, fazendo pressentir outras luzes não terrestres que enchem o espaço celeste ».[14] No Ocidente, são muito variadas as perspectivas e os pontos donde partem os artistas, dependendo também das convicções fundamentais presentes no ambiente cultural do respectivo tempo. O património artístico, que se foi acumulando ao longo dos séculos, conta um florescimento vastíssimo de obras sacras de alta inspiração, que deixam cheio de admiração mesmo o observador do nosso tempo. Em primeiro plano, situam-se as grandes construções do culto, onde a funcionalidade sempre se une ao génio artístico, e este último se deixa inspirar pelo sentido do belo e pela intuição do mistério. Nascem daí estilos bem conhecidos na História da Arte. A força e a simplicidade do românico, expressa nas catedrais ou nas abadias, vai-se desenvolvendo gradualmente nas ogivas e esplendores do gótico. Dentro destas formas, não existe só o génio dum artista, mas a alma dum povo. Nos jogos de luzes e sombras, nas formas ora maciças ora ogivadas, intervêm certamente considerações de técnica estrutural, mas também tensões próprias da experiência de Deus, mistério « tremendo » e « fascinante ». Como sintetizar em poucos traços, nas diversas expressões da arte, a força criativa dos longos séculos da Idade Média cristã? Uma cultura inteira, embora com as limitações humanas sempre presentes, impregnara-se de Evangelho, e onde o pensamento teológico realizava a Summa de S. Tomás, a arte das igrejas submetia a matéria à adoração do mistério, ao mesmo tempo que um poeta admirável como Dante Alighieri podia compor « o poema sagrado, para o qual concorreram céu e terra »,[15] como ele próprio classifica a Divina Comédia. Humanismo e Renascimento A feliz estação cultural, em que tem origem o florescimento artístico extraordinário do Humanismo e do Renascimento, apresenta também reflexos significativos do modo como os artistas desse período concebiam o tema religioso. Naturalmente as inspirações são tão variadas como os seus estilos, ou pelo menos como os mais importantes deles. Mas, não é minha intenção lembrar coisas que vós, artistas, bem conheceis. Dado que vos escrevo deste Palácio Apostólico, escrínio de obras-primas talvez único no mundo, quero antes fazer-me voz dos maiores artistas que por aqui disseminaram as riquezas do seu génio, permeado frequentemente de grande profundidade espiritual. Daqui fala Miguel Ângelo, que na Capela Sistina de algum modo compendiou, desde a Criação ao Juízo Universal, o drama e o mistério do mundo, retratando Deus Pai, Cristo Juiz, o homem no seu fatigante caminho desde as origens até ao fim da História. Daqui fala o génio delicado e profundo de Rafael, apontando, na variedade das suas pinturas e de modo especial na « Disputa » da Sala da Assinatura, o mistério da revelação de Deus Trinitário, que na Eucaristia Se faz companheiro do homem, e projecta luz sobre as questões e os anelos da inteligência humana. Daqui, da majestosa Basílica dedicada ao Príncipe dos Apóstolos, da colunata que sai dela como dois braços abertos para acolher a humanidade, falam ainda Bramante, Bernini, Borromini, Maderno, para citar apenas os maiores, oferecendo plasticamente o sentido do mistério que faz da Igreja uma comunidade universal, hospitaleira, mãe e companheira de viagem para todo o homem à procura de Deus. A arte sacra encontrou, neste conjunto extraordinário, uma força expressiva excepcional, atingindo níveis de imorredoiro valor quer estético quer religioso. O que vai caracterizando cada vez mais tal arte, sob o impulso do Humanismo e do Renascimento e das sucessivas tendências da cultura e da ciência, é um crescente interesse pelo homem, pelo mundo, pela realidade histórica. Esta atenção, por si mesma, não é de modo algum um perigo para a fé cristã, centrada sobre o mistério da Encarnação e, portanto, sobre a valorização do homem por parte de Deus. Precisamente os maiores artistas acima mencionados no-lo demonstram. Bastaria pensar no modo como Miguel Ângelo exprime, nas suas pinturas e esculturas, a beleza do corpo humano.[16] Aliás, mesmo no novo clima dos últimos séculos quando parte da sociedade parece indiferente à fé, a arte religiosa não cessou de avançar. A constatação torna-se ainda mais palpável, se da vertente das artes figurativas se passa a considerar o grande desenvolvimento que, neste mesmo período de tempo, teve a música sacra, composta para as necessidades litúrgicas, ou apenas relacionada com temas religiosos. Sem contar tantos artistas que a ela se dedicaram amplamente (como não lembrar Pero Luís de Palestrina, Orlando de Lasso, Tomás Luís de Victoria?), é sabido que muitos dos grandes compositores — de Händel a Bach, de Mozart a Schubert, de Beethoven a Berlioz, de Listz a Verdi — nos ofereceram obras de altíssima inspiração também neste campo. A caminho dum renovado diálogo Verdade é que, na Idade Moderna, ao lado deste humanismo cristão que continuou a produzir significativas expressões de cultura e de arte, foi-se progressivamente afirmando também uma forma de humanismo caracterizada pela ausência de Deus, senão mesmo pela oposição a Ele. Este clima levou por vezes a uma certa separação entre o mundo da arte e o da fé, pelo menos no sentido de menor interesse de muitos artistas pelos temas religiosos. Mas, vós sabeis que a Igreja continuou a nutrir grande apreço pelo valor da arte enquanto tal. De facto esta, mesmo fora das suas expressões mais tipicamente religiosas, mantém uma afinidade íntima com o mundo da fé, de modo que, até mesmo nas condições de maior separação entre a cultura e a Igreja, é precisamente a arte que continua a constituir uma espécie de ponte que leva à experiência religiosa. Enquanto busca do belo, fruto duma imaginação que voa mais acima do dia-a-dia, a arte é, por sua natureza, uma espécie de apelo ao Mistério. Mesmo quando perscruta as profundezas mais obscuras da alma ou os aspectos mais desconcertantes do mal, o artista torna-se de qualquer modo voz da esperança universal de redenção. Compreende-se, assim, porque a Igreja está especialmente interessada no diálogo com a arte e quer que se realize na nossa época uma nova aliança com os artistas, como o dizia o meu venerando predecessor Paulo VI no seu discurso veemente aos artistas, durante um encontro especial na Capela Sistina a 7 de Maio de 1964.[17] A Igreja espera dessa colaboração uma renovada « epifania » de beleza para o nosso tempo e respostas adequadas às exigências próprias da comunidade cristã. No espírito do Concílio Vaticano II O Concílio Vaticano II lançou as bases para uma renovada relação entre a Igreja e a cultura, com reflexos imediatos no mundo da arte. Tal relação é proposta na base da amizade, da abertura e do diálogo. Na Constituição pastoral Gaudium et spes, os Padres Conciliares sublinharam a « grande importância » da literatura e das artes na vida do homem: « Elas procuram dar expressão à natureza do homem, aos seus problemas e à experiência das suas tentativas para conhecer-se e aperfeiçoar-se a si mesmo e ao mundo; e tentam identificar a sua situação na história e no universo, dar a conhecer as suas misérias e alegrias, necessidades e energias, e desvendar um futuro melhor ».[18] Baseados nisto, os Padres, no final do Concílio, dirigiram aos artistas uma saudação e um apelo, nestes termos: «O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no desespero. A beleza, como a verdade, é a que traz alegria ao coração dos homens, é este fruto precioso que resiste ao passar do tempo, que une as gerações e as faz comungar na admiração».[19] Neste mesmo espírito de profunda estima pela beleza, a Constituição sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium lembrou a histórica amizade da Igreja pela arte e, falando mais especificamente da arte sacra, « vértice » da arte religiosa, não hesitou em considerar como « nobre ministério » a actividade dos artistas, quando as suas obras são capazes de reflectir de algum modo a beleza infinita de Deus e orientar para Ele a mente dos homens.[20] Também através do seu contributo, « o conhecimento de Deus é mais perfeitamente manifestado e a pregação evangélica torna-se mais compreensível ao espírito dos homens ».[21] À luz disto, não surpreende a afirmação do Padre Marie-Dominique Chenu, segundo o qual o historiador da Teologia deixaria a sua obra incompleta, se não dedicasse a devida atenção às realizações artísticas, quer literárias quer plásticas, que a seu modo constituem « não só ilustrações estéticas, mas verdadeiros “lugares” teológicos ».[22] A Igreja precisa da arte Para transmitir a mensagem que Cristo lhe confiou, a Igreja tem necessidade da arte. De facto, deve tornar perceptível e até o mais fascinante possível o mundo do espírito, do invisível, de Deus. Por isso, tem de transpor para fórmulas significativas aquilo que, em si mesmo, é inefável. Ora, a arte possui uma capacidade muito própria de captar os diversos aspectos da mensagem, traduzindo-os em cores, formas, sons que estimulam a intuição de quem os vê e ouve. E isto, sem privar a própria mensagem do seu valor transcendente e do seu halo de mistério. A Igreja precisa particularmente de quem saiba realizar tudo isto no plano literário e figurativo, trabalhando com as infinitas possibilidades das imagens e suas valências simbólicas. O próprio Cristo utilizou amplamente as imagens na sua pregação, em plena coerência, aliás, com a opção que, pela Encarnação, fizera d’Ele mesmo o ícone do Deus invisível. A Igreja tem igualmente necessidade dos músicos. Quantas composições sacras foram elaboradas, ao longo dos séculos, por pessoas profundamente imbuídas pelo sentido do mistério! Crentes sem número alimentaram a sua fé com as melodias nascidas do coração de outros crentes, que se tornaram parte da Liturgia ou pelo menos uma ajuda muito válida para a sua decorosa realização. No cântico, a fé é sentida como uma exuberância de alegria, de amor, de segura esperança da intervenção salvífica de Deus. A Igreja precisa de arquitectos, porque tem necessidade de espaços onde congregar o povo cristão e celebrar os mistérios da salvação. Depois das terríveis destruições da última guerra mundial e com o crescimento das cidades, uma nova geração de arquitectos se amalgamou com as exigências do culto cristão, confirmando a capacidade de inspiração que possui o tema religioso relativamente também aos critérios arquitectónicos do nosso tempo. De facto, não raro se construíram templos, que são simultaneamente lugares de oração e autênticas obras de arte. A arte precisa da Igreja? Portanto, a Igreja tem necessidade da arte. Pode-se dizer também que a arte precisa da Igreja? A pergunta pode parecer provocatória. Mas, se for compreendida no seu recto sentido, obedece a uma motivação legítima e profunda. Na realidade, o artista vive sempre à procura do sentido mais íntimo das coisas; toda a sua preocupação é conseguir exprimir o mundo do inefável. Como não ver então a grande fonte de inspiração que pode ser, para ele, esta espécie de pátria da alma que é a religião? Não é porventura no âmbito religioso que se colocam as questões pessoais mais importantes e se procuram as respostas existenciais definitivas? De facto, o tema religioso é dos mais tratados pelos artistas de cada época. A Igreja tem feito sempre apelo às suas capacidades criativas, para interpretar a mensagem evangélica e a sua aplicação à vida concreta da comunidade cristã. Esta colaboração tem sido fonte de mútuo enriquecimento espiritual. Em última instância, dela tirou vantagem a compreensão do homem, da sua imagem autêntica, da sua verdade. Sobressaiu também o laço peculiar que existe entre a arte e a revelação cristã. Isto não quer dizer que o génio humano não tenha encontrado estímulos também noutros contextos religiosos; basta recordar a arte antiga, sobretudo grega e romana, e a arte ainda florescente das vetustas civilizações do Oriente. A verdade é que o cristianismo, em virtude do dogma central da encarnação do Verbo de Deus, oferece ao artista um horizonte particularmente rico de motivos de inspiração. Que grande empobrecimento seria para a arte o abandono desse manancial inexaurível que é o Evangelho! Apelo aos artistas Com esta Carta dirijo-me a vós, artistas do mundo inteiro, para vos confirmar a minha estima e contribuir para o restabelecimento duma cooperação mais profícua entre a arte e a Igreja. Convido-vos a descobrir a profundeza da dimensão espiritual e religiosa que sempre caracterizou a arte nas suas formas expressivas mais nobres. Nesta perspectiva, faço-vos um apelo a vós, artistas da palavra escrita e oral, do teatro e da música, das artes plásticas e das mais modernas tecnologias de comunicação. Este apelo dirijo-o de modo especial a vós, artistas cristãos: a cada um queria recordar que a aliança que sempre vigorou entre Evangelho e arte, independentemente das exigências funcionais, implica o convite a penetrar, pela intuição criativa, no mistério de Deus encarnado e contemporaneamente no mistério do homem. Cada ser humano é, de certo modo, um desconhecido para si mesmo. Jesus Cristo não Se limita a manifestar Deus, mas « revela o homem a si mesmo ».[23] Em Cristo, Deus reconciliou consigo o mundo. Todos os crentes são chamados a dar testemunho disto; mas compete a vós, homens e mulheres que dedicastes a vossa vida à arte, afirmar com a riqueza da vossa genialidade que, em Cristo, o mundo está redimido: está redimido o homem, está redimido o corpo humano, está redimida a criação inteira, da qual S. Paulo escreveu que « aguarda ansiosa a revelação dos filhos de Deus » (Rm 8,19). Aguarda a revelação dos filhos de Deus, também através da arte e na arte. Esta é a vossa tarefa. Em contacto com as obras de arte, a humanidade de todos os tempos — também a de hoje — espera ser iluminada acerca do próprio caminho e destino. Espírito Criador e inspiração artística Na Igreja, ressoa muitas vezes esta invocação ao Espírito Santo: Veni, Creator Spiritus…, « Vinde, Espírito Criador, as nossas mentes visitai, enchei da vossa graça os corações que criastes ».[24] Ao Espírito Santo, « o Sopro » (ruah), acena já o livro do Génesis: « A terra era informe e vazia. As trevas cobriam o abismo, e o Espírito de Deus movia-Se sobre a superfície das águas » (1,2). Existe grande afinidade lexical entre « sopro — expiração » e « inspiração ». O Espírito é o misterioso artista do universo. Na perspectiva do terceiro milénio, faço votos de que todos os artistas possam receber em abundância o dom daquelas inspirações criativas donde tem início toda a autêntica obra de arte. Queridos artistas, como bem sabeis, são muitos os estímulos, interiores e exteriores, que podem inspirar o vosso talento. Toda a autêntica inspiração, porém, encerra em si qualquer frémito daquele « sopro » com que o Espírito Criador permeava, já desde o início, a obra da criação. Presidindo às misteriosas leis que governam o universo, o sopro divino do Espírito Criador vem ao encontro do génio do homem e estimula a sua capacidade criativa. Abençoa-o com uma espécie de iluminação interior, que junta a indicação do bem à do belo, e acorda nele as energias da mente e do coração, tornando-o apto para conceber a ideia e dar-lhe forma na obra de arte. Fala-se então justamente, embora de forma analógica, de « momentos de graça », porque o ser humano tem a possibilidade de fazer uma certa experiência do Absoluto que o transcende. A « Beleza » que salva Já no limiar do terceiro milénio, desejo a todos vós, artistas caríssimos, que sejais abençoados, com particular intensidade, por essas inspirações criativas. A beleza, que transmitireis às gerações futuras, seja tal que avive nelas o assombro. Diante da sacralidade da vida e do ser humano, diante das maravilhas do universo, o assombro é a única atitude condigna. De tal assombro poderá brotar aquele entusiasmo de que fala Norwid na poesia, a que me referi ao início. Os homens de hoje e de amanhã têm necessidade deste entusiasmo, para enfrentar e vencer os desafios cruciais que se prefiguram no horizonte. Com tal entusiasmo, a humanidade poderá, depois de cada extravio, levantar-se de novo e retomar o seu caminho. Precisamente neste sentido foi dito, com profunda intuição, que « a beleza salvará o mundo ».[25] A beleza é chave do mistério e apelo ao transcendente. É convite a saborear a vida e a sonhar o futuro. Por isso, a beleza das coisas criadas não pode saciar, e suscita aquela arcana saudade de Deus que um enamorado do belo, como S. Agostinho, soube interpretar com expressões incomparáveis: « Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! ».[26] Que as vossas múltiplas sendas, artistas do mundo, possam conduzir todas àquele Oceano infinito de beleza, onde o assombro se converte em admiração, inebriamento, alegria inexprimível. Sirva-vos de guia e inspiração o mistério de Cristo ressuscitado, em cuja contemplação se alegra a Igreja nestes dias. Acompanhe-vos a Virgem Santa, a « toda bela », cuja efígie inumeráveis artistas delinearam e o grande Dante contempla nos esplendores do Paraíso como « beleza, que alegria era dos olhos de todos os outros santos ».[27] « Eleva-se do caos o mundo do espírito »! A partir destas palavras, que Adam Mickiewicz escrevera numa hora de grande aflição para a pátria polaca,[28] formulo um voto para vós: que a vossa arte contribua para a consolidação duma beleza autêntica que, como revérbero do Espírito de Deus, transfigure a matéria, abrindo os ânimos ao sentido do eterno! Com os meus votos mais cordiais! Vaticano, 4 de Abril de 1999, Solenidade da Páscoa da Ressurreição. JOÃO PAULO PP. II Referências bibliográficas [1] Dialogus de ludo globi, liv. II: Philosophisch-Theologische Schriften, III (Viena 1967), p. 332. [2] As virtudes morais, particularmente a prudência, dão ao sujeito a possibilidade de agir de harmonia com o critério do bem e do mal moral: segundo recta ratio agibilium (o justo critério dos comportamentos). A arte, diversamente, é definida pela filosofia comorecta ratio factibilium (o justo critério das realizações). [3] Promethidion, Bogumil, vv. 185-186: Pisma wybrane, II (Varsóvia 1968), p. 216. [4] A versão grega dos Setenta exprime claramente este aspecto, ao traduzir o termo hebraico t(o-)b (bom) por kalón (belo). [5] Filebo, 65 A. [6] João Paulo II, Carta enc. Fides et ratio (14 de Setembro de 1998), 80: AAS 91 (1999), 67. [7] Este princípio pedagógico foi enunciado pela pena autorizada de S. Gregório Magno, numa carta, do ano 599, escrita ao Bispo Sereno de Marselha: « A pintura é usada nas igrejas, para que as pessoas analfabetas possam ler, pelo menos nas paredes, aquilo que não são capazes de ler nos livros » (Epistulæ, IX, 209: CCL 140A, 1714). [8] Lodi di Dio Altissimo, vv. 7 e 10: Fonti francescane, n. 261 (Pádua 1982), p. 177. [9] Legenda maior, IX, 1: Fonti francescane, n. 1162 (Pádua 1982), p. 911. [10] Enkomia na celebração do Orthrós do Grande Sábado Santo. [11] Homilia I, 2: PG 34, 451. [12] « At nobis ars una fides et musica Christus » (Carmen 20, 31: CCL 203, 144). [13] Cf. João Paulo II, Carta ap. Duodecimum sæculum (4 de Dezembro de 1987), 8-9: AAS 80 (1988), 247-249. [14] A perspectiva invertida e outros escritos (Roma 1984), p. 63. [15] Paradiso XXV, 1-2. [16] Cf. João Paulo II, Homilia da Missa celebrada na conclusão dos restauros dos frescos de Miguel Ângelo na Capela Sistina (8 de Abril de 1994): L’Osservatore Romano (ed. port. de 16 de Abril de 1994), p. 7. [17] Cf. AAS 56 (1964), 438-444. [18] N. 62. [19] Mensagem do Concílio aos artistas (8 de Dezembro de 1965): AAS 58 (1966), 13. [20] Cf. n. 122. [21] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 62. [22] A teologia no século XII (Milão 1992), p. 9. [23] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 22. [24] Hino de Vésperas, na Solenidade de Pentecostes. [25] F. Dostoevskij, O Idiota, parte III, cap. V (Milão 1998), p. 645. [26] « Sero te amavi! Pulchritudo tam antiqua e tam nova, sero te amavi! » (Confessiones 10, 27: CCL 27, 251). [27] Paradiso XXXI, 134-135. [28] Ode à juventude, v. 69: Wybór poezji, I (Wroclaw 1986), p. 63. © Copyright 1999 – Libreria Editrice Vaticana

  • O ESPÍRITO SANTO NOS RENOVA PELO BATISMO (Dídimo de Alexandria)

    O Espírito Santo, que é Deus juntamente com o Pai e o Filho, nos renova pelo batismo; e do nosso estado de imperfeição, reintegra-nos na beleza primitiva. Torna-nos de tal forma repletos de sua graça, que não podemos admitir em nós qualquer coisa que não deva ser desejada. Além disso, liberta-nos do pecado e da morte. E de terrenos que somos, quer dizer, feitos do pó da terra, nos faz espirituais, participantes da glória divina, filhos e herdeiros de Deus Pai. Faz-nos ainda conformes à imagem do Filho, seus co-herdeiros e irmãos, destinados a ser um dia glorificados e a reinar com ele. Em vez da terra, dá-nos de novo o céu, abre-nos generosamente as portas do paraíso, honra-nos mais do que os próprios anjos. E com as águas divinas do batismo, apaga as imensas e inextinguíveis chamas do inferno. Os homens são concebidos duas vezes: uma corporalmente, a outra, pelo divino Espírito. Acerca de um e de outro nascimento, escreveram muito bem os autores sagrados. Citarei o nome e a doutrina de cada um. João diz: A todos que o receberam, deu-lhes a capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo (Jo 1,12-13). Todos os que acreditaram em Cristo, afirma ele, receberam a capacidade de se tornarem filhos de Deus, quer dizer, do Espírito Santo, e participantes da natureza divina. E para ficar bem claro que o Deus que gera é o Espírito Santo, acrescenta estas palavras de Cristo: Em verdade, em verdade, te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus (Jo 3,5). A fonte batismal dá à luz de maneira visível nosso corpo visível, pelo ministério dos sacerdotes; mas o Espírito de Deus, invisível a todas as inteligências, é que batiza e regenera simultaneamente o corpo e a alma, pelo ministério dos anjos. João Batista, historicamente e de acordo com esta expressão: da água e do Espírito, diz a respeito de Cristo: Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo (Mt 3,11; Lc 3,16). Como um vaso de barro, o homem precisa primeiro ser purificado pela água; em seguida, fortalecido e aperfeiçoado pelo fogo espiritual (Deus, com efeito, é um fogo devorador). Precisamos, portanto, do Espírito Santo para nossa perfeição e renovação. Pois o fogo espiritual sabe também regar, e a água batismal é também capaz de queimar como o fogo. (Do Tratado sobre a Trindade, de Dídimo de Alexandria – Liv. 2,12: PG 39,667-674 – Séc.IV). #Igreja

  • DEUS, POR CRISTO JESUS, NOS RECONCILIOU CONSIGO E NOS CONFIOU O MINISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO (São Cir

    Os que possuem o penhor do Espírito e vivem na esperança da ressurreição, como se já possuíssem aquilo que esperam, podem dizer que desde agora não reconhecem a ninguém segundo a carne; pois somos todos espirituais e isentos da corrupção da carne. Com efeito, desde que brilhou para nós a Luz do Unigênito de Deus, fomos transformados no próprio Verbo que dá vida a todas as coisas. E assim como nos sentíamos acorrentados pelos laços da morte, quando reinava o pecado, agora ficamos livres da corrupção, ao chegar a justiça de Cristo. Por conseguinte, doravante ninguém vive mais sob o domínio da carne, isto é, sujeito à fraqueza carnal. A ela com certeza, entre outras coisas, deve ser atribuída a corrupção. Neste sentido afirma o apóstolo Paulo: Se uma vez conhecemos Cristo segundo a carne,agora já não o conhecemos assim (2Cor 5,16). Como se quisesse dizer: O Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14), sujeitando-se à morte segundo a carne, para a salvação de todos. Foi deste modo que o conhecemos; todavia, desde este momento, já não é mais assim que o reconhecemos. É verdade que ele conserva a sua carne, pois ressuscitou ao terceiro dia, e vive no céu, à direita do Pai; mas a sua existência é superior à vida da carne. Tendo morrido uma vez, Cristo não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele. Pois aquele que morreu, morreu para o pecado uma vez por todas; mas aquele que vive, é para Deus que vive (Rm 6,9-10). Então, se ele se apresentou diante de nós como modelo de vida, é absolutamente necessário que também nós, seguindo seus passos, façamos parte daqueles que não vivem mais na carne mas acima da carne. É o que diz o grande Paulo, com toda razão: Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo (2Cor 5,17). Fomos justificados pela fé em Cristo e terminou o domínio da maldade. Uma vez que ele ressuscitou por nossa causa, calcando aos pés o poder da morte, nós conhecemos aquele que por sua própria natureza é o verdadeiro Deus. É a ele que prestamos culto em espírito e verdade, por intermédio de seu Filho que distribui sobre o mundo as bênçãos divinas do Pai. Por esse motivo, São Paulo diz com muita sabedoria: Tudo vem de Deus que, por Cristo, nos reconciliou consigo (2Cor 5,18). Realmente, o mistério da encarnação e a renovação a que ela deu origem não se realizaram sem a vontade do Pai. É por Cristo que temos acesso ao Pai, como ele próprio afirma: ninguém pode ir ao Pai senão por ele. Portanto, tudo vem de Deus que, por Cristo, nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação. (Dos Comentários sobre a Segunda Carta aos Coríntios, de São Cirilo de Alexandria, bispo – Cap. 5,5-6,2: PG 74,942-943 – Séc. V) – (Imagem: Internet). #Igreja

  • PERMANECER NO AMOR QUE NOS GEROU – 6º Domingo da Páscoa

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Permanecei no meu amor”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Atos dos Apóstolos At 10, 25-26.34-35.44-48) O amor de Deus não faz distinção entre as pessoas Quando Pedro estava para entrar em casa, Cornélio saiu-lhe ao encontro, caiu a seus pés e se prostrou. Mas Pedro levantou-o, dizendo: “Levanta-te. Eu também sou apenas um homem”. Então, Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença”. Pedro estava ainda falando, quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a palavra. Os fiéis de origem judaica, que tinham vindo com Pedro, ficaram admirados de que o dom do Espírito Santo fosse derramado também sobre os pagãos. Pois eles os ouviam falar e louvar a grandeza de Deus em línguas estranhas. Então Pedro falou: “Podemos, por acaso, negar a água do batismo a estas pessoas que receberam, como nós, o Espírito Santo?” E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Eles pediram, então, que Pedro ficasse alguns dias com eles. SALMO 21 Todas as nações são convidadas a amar (Antífona): O Senhor fez conhecer a salvação e revelou sua justiça às nações. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória. O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel. Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1João 4,7-10) Foi Deus quem nos amou primeiro Caríssimos: Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. Quem não ama, não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor. Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados. EVANGELHO (São João 15,9-17) Permanece no Amor quem guarda os mandamentos Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros”. GERADOS PELO AMOR (Comentário de Scott Hahn) Deus é amor. E revelou seu amor enviando seu único Filho como vítima da expiação pelos nossos pecados (v. 1Jo 4,10). Nestas palavras da epístola de hoje, podemos ouvir o eco da narrativa de Abraão oferecendo seu filho Isaac, na aurora da história da salvação. Abraão obedeceu ao mandamento de Deus; e por não ter recusado a Ele o seu único filho, Deus prometeu-lhe que, por sua descendência (que são os filhos de Israel), seriam abençoadas todas as nações da terra (v. Gn 22,16-18). Vemos cumprida essa promessa na primeira leitura deste domingo. Deus derrama seu Espírito sobre os gentios, os não-israelitas, enquanto ouvem a pregação de São Pedro. Eles recebem o Espírito como o receberam os judeus reunidos em Jerusalém no dia de Pentecostes; e eles falam em línguas glorificando a Deus (v. At 2, 5-11) Em seu amor sempre presente, Deus revela que a salvação que ele nos dá inclui a casa de Israel e todas as nações. Não é pela circuncisão, nem por levar nas veias o sangue de Abraão, que os povos se tornam herdeiros da promessa feita a ele por Deus, mas pela fé na Palavra de Cristo, selada com o Batismo. (v. Ga 3, 7-9; Ef 2,12) Esta é a maravilha operada por Deus que cantamos no salmo responsorial. É a obra da Igreja, o bom fruto para o qual Jesus escolheu e destinou seus apóstolos, segundo o Evangelho deste domingo. Como São Pedro levantou Cornélio na leitura de hoje, a Igreja nos convida a elevar nossos olhos a Cristo, o único em cujo nome podemos encontrar a salvação. (v. At  4,12) Na Igreja, cada um de nós foi gerado pelo amor de Deus. No entanto, as leituras deste domingo nos lembram que esse dom divino traz consigo um mandamento e um dever. Nós temos que amar uns aos outros como Ele nos amou. Temos que dar nossas vidas aos outros, para que eles também se tornem amigos de Cristo e, através Dele, encontrem uma nova vida. paulcenter.com/engendrados-por-amor-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-6o-domingo-de-pascua/ https://stpaulcenter.com/begotten-by-love-scott-hahn-reflects-on-the-sixth-sunday-of-easter/

  • O INQUISIDOR QUE SE TORNOU PAPA (Números e procedimentos da Inquisição medieval)

    O INQUISIDOR QUE SE TORNOU PAPA (Números e procedimentos da Inquisição medieval) Para qualquer estudo histórico deve ou deveria começar por uma crítica das Fontes. Justamente para ter um estudo honesto e livre de críticas de é um estudo tendencioso. Primeiro, são indispensáveis algumas palavras para apresentar as fontes (que no caso é o autor, Jacks Fournier), sobre os números e as atitudes dos inquisidores. O nosso autor cujas Fontes estamos utilizando, que é Jacques fournier o autor…. Ou pelo menos, o personagem responsável pelas nossas Fontes documentais. Fournier nasceu, ao que tudo indica, durante a década de 1280, sem que se conheça a data precisa, em Saverdum, no norte do condado de Foix (Ariége atual). Era filho de camponês, de padeiro ou de moleiro!? as profissões deste Gênero que os seus biógrafos atribuírão a seu pai talvez não sejam mais do que o fruto de uma imaginação sugestionada pelo apelido Fournier. Uma certeza contudo, o nosso homem não é filho de príncipe, é de origem bastante humilde. a ponto de, tendo-se tornado Papa, mas consciente da mediocridade de sua linhagem, se recusa, a dar a sobrinha em casamento a um brilhante aristocrata que queria para esposa: esta sela, dirá ele em occitânico familiar, não é digna de tal cavalo. A família tem, no entanto, mesmo antes de Jacques Fournier, alguns Episódios marcantes de ascensão social: um dos tios, Arnaud Novel, é Abade do mosteiro cisterciense de Fontfroide. Encorajado por este modelo, o jovem Fournier torna-se também monge cisterciense. Durante algum tempo sobe até ao norte, encontramo-lo como estudante, depois Doutor, da Universidade de Paris. 1311 sucede ao seu parente: é escolhido para abate de frontfroid, em 1317 já conhecido pela sua erudição e todo seu rigor, e nomeado Bispo de Pamiers; distingue-se, nesta nova função, pelas suas investidas inquisitoriais contra os heréticos e outros espíritos divergentes. Na sua cidade episcopal, mantém relações cordiais com os Agentes do Conde Foix e do Rei da França (é, até esta altura da sua vida, pró-francês dentre os os Occítânicos). Em 1326, o Papa João XXII envia-lhe felicitações pelo êxito dos seus esforços na caça aos herdeiros, na região de Pamiers, acompanhadas por uma série de indulgências. Mas outros destinos esperavam o nosso futuro Papa. Em 1326, é nomeado Bispo de mirepoix, a leste de Pamiers. um biógrafo poderá perguntar-se se não estaremos perante um caso de desfavor. Jacques Fournier tornou-se, de fato, mal visto na sua diocese anterior, por causa das suas investidas contra todos os gêneros de suspeitos. Mas mirepoix possui número de paróquias maior do que Pamiers: mais do que um desfavor, trata-se, o que parece, de uma promoção relativamente brilhante. É seguida de algumas outras: em 1327, Jacques Fournier torna-se cardeal. Em 1334, eleito papa de avignon, sobre o nome de Bento XII. Elegeram um burro, teria ele dito com a sua modéstia habitual, aos grandes eleitores. No entanto, este homem Modesto, sob a tiara, mostra rapidamente as suas capacidades, que não são poucas. Reage contra o nepotismo. Monge ascético, tenta moralizar as abadias. Intelectual desajeitado e Rude, consegue pouco em política estrangeira. Mas no campo do dogma, sente-se à vontade. Retoma as questões teológicas do seu antecessor João XXII, relativas à visão beatífica após a morte. quanto à virgem, mostra-se hostil a teoria naquela época que hoje é o dogma da Imaculada Conceição de Maria. As suas variadas intervenções em matéria de Dogma coroam uma longa carreira intelectual: ao longo da existência, polemizou fortemente e não sem conformismo, contra os mais diversos pensadores, desde que lhe parecesse que se afastavam da ortodoxia Romana. Contra Joaquim de Fiore, contra Maître Eckart, contra Occam… Construtor, Jacques Fournier inaugura na capital do Condado Venaissin a construção do Palácio dos Papas; para a execução dos afrescos, convida o pintor Simone Martini. Mas vamos agora falar de tempos mais antigos. Na vida do Futuro Bento XII, é o período de Pamiers que no momento interessa. Mas precisamente, é atividade de Jacques fournier como líder Diocesano de um formidável tribunal da Inquisição. A própria existência desse tribunal, em 1318 e 1326, não é de modo algum um fato Evidente. É verdade que o Condado de foix, em cuja parte Meridional se Desenrola a ação deste período da história, tinha sido, durante mais de cem anos, “a terra prometida do erro”. Os heréticos Cátaros/albigenses fervilhavam por lá desde o século XIII. A inquisição já aí tinha feito sua ação, por volta de 1240 -1250, após a queda de Montségur, último bastião dos cátaros (1244), os inquisidores tinham-se de novo na região de foix por volta de 1265 e, depois, em 1272 – 1273. Na planície de Pamiers, a repressão tinha então enquadrinhado todos os Recantos, verificado todas as crenças e punido todas as defecções. Mais tarde, a heresia persiste em alguns pontos específicos: em 1295, o Papa Bonifácio VIII cria a diocese de Pamiers, que inclui o alto e o baixo Condado de foix (sul e Norte); esta criação administrativa Visa possibilitar um controle mais cómodo do desvio. Após uma relativa Calma (que Durava há um quarto de século), manifestavam-se duas novas ofensivas inquisitoriais em 1298-1301 e 1308-1309. Em 1308, geoffroy d’ Ablis, inquisidor de carcassonne, põe em estado de Detenção, na aldeia de Montaillou, toda a população, à exceção das crianças. Estas investidas anti-heréticas são da responsabilidade do tribunal dominicano de carcassonne, que não pertence à nova Diocese de Pamiers nem ao tradicional Condado de foix. Os bispos de Pamiers, por seu lado, apesar da missão que lhes é, em princípio, atribuída, persistem durante Largo tempo em manter-se sossegados; não dizem uma palavra contra a heresia das suas ovelhas: o prelado Pelforte de Rabastens (1312-1317) está muito ocupado em questionar com seus Cônegos; não tem tempo de velar pela ortodoxia de pensamento na sua diocese. Com Jacques Fournier, seu sucessor a partir de 1317, as coisas vão mudar. O novo Bispo tira partido de uma decisão do Concílio de Viena (1312). Esta estipula que doravante no tribunal da Inquisição, os poderes do disco local se unam, tendo em vista uma proveitosa colaboração, aos do responsável dominicano, que até então era o único a ocupar-se da atividade repressiva. Em 1318, Jacques Fournier pode, pois, constituir o seu próprio ofício da Inquisição: dirigir em Estreita Associação com Frei Gaillard de pomiès, designado por Jean de Beaune, responsável pela inquisição de Carcassonne. Tanto pomiès como Beaune são dominicanos. O novo tribunal de para Pamiers mostra-se muito ativo durante toda a vigência do Poder local de seu fundador. Quando, em 1326, Jacques Fournier foi nomeado para Sede Episcopal de Mirepoix, o Ofício de Pamiers desaparecer a logo. Mas, em virtude da máxima nada de zelo implicitamente preconizada pelos preguiçosos continuadores do nosso Bispo, a instituição repressiva perderá o fôlego no plano local. Doravante, ela deixará em comodidade As populações do Condado Foix. É só durante o psicopata de Fournier que o tribunal produz, para nós, as documentações mais palpáveis. Em que condições e sob que direção se processam essas meticulosas atuações? À cabeça do ofício está, evidentemente o próprio Jacques Fournier, inacessível quer às súplicas quer às gratificações. Hábil em fazer aparecer a verdade. Em fazer sair os Cordeiros, como dizem os seus réus. Capaz de distinguir em alguns minutos um herege de um católico correto. E obtém êxito, Graças essencialmente a habilidade tenaz que emprega nos seus interrogatórios; só muito raramente recorre as torturas. Assiste em pessoa a todas — ou quase todas — as sessões do seu tribunal. Quer fazer tudo Ou, pelo menos, ser ele o próprio a dirigir tudo. Recusa delegar as responsabilidades aos seus subordinados, nos seus escrivães ou nos seus notários, como o fazem, variadíssimas vezes, os outros inquisidores, demasiado negligente. Todo o registro da Inquisição de Pamiers levará, a marca ou a chancela da sua intervenção permanente. Daí entre outras razões, a extraordinária qualidade da documentação. Ao seu lado Frei Gaillard de pomiès, O.P., desempenha o papel de assistente, de Vigário ou de lugar-Tenente. É relegado para segundo plano, devido à proeminência local e à forte personalidade do bispo da região. Alguns inquisidores de alta categoria exteriores a diocese, como Bernard Gui, Jean de Beaune e o Normando Gean Duprat, vêm igualmente Honrar com a sua presença, uma vez por outra, as sessões mais pesadas do ofício de Pamiers. Encontra-se também, entre os assessores, com função hora decorativa hora ativa, todo um sortido local e regional: Cônegos, monges de todas as regras e hábitos, juízes e juristas radicados na sede da diocese. A nível inferior, encarregado de tarefas de redação (mas nunca das de decisão), agita-se o esquadrão dos notários e dos escrivães: cerca de uma quinzena de indivíduos. À sua cabeça, destaca-se o tabelião-cura Guillaume Barthe; e depois Jean Strabaud, e o senhor bataille de la pene; e vários escribas do Condado de foix Finalmente, no Escalão mais baixo, está o pessoal menor ajuramentado. Compreende entre servidores, mensageiros, carcereiros, acompanhados das suas esposas que desempenham o papel de carcereiras. As estatísticas relativas às atividades dos Ofício foram compilados e depois publicadas em 1910, numa obra de J. M. Vidal. Eis alguns elementos que nos elucidam sobre as condições em que foi elaborado o nosso processo. O tribunal inquisitorial de Pamiers trabalhou durante 370 dias, de 1318 a 1325. Estes 370 dias dão lugar a 573 interrogatórios. Estes desdobram-se em 418 comparências de acusados e 160 de testemunhas. Estas centenas de sessões referem-se ao todo a 98 causas ou processos. O recorde de trabalho registrou-se em 1320 (106 dias); comparando, verifica-se que houve 93 dias de trabalho em 1321, 55 e 1323, 43 em 13027, 42 e 1323, 42 e 124, 22 e 1325. Na maior parte do tempo teve a sua sede Pamiers; por vezes numa ou noutra localidade do Condado de Foix, de acordo com as deslocações do Bispo. Os 98 processos puseram em causa 114 pessoas, em cujo número predominam em maioria os heréticos, de tendência Cátara/ albigense. Entre estas 114 pessoas, 94 compareceram efetivamente. No conjunto do grupo contam-se alguns nobres, alguns sacerdotes, alguns notários e sobretudo, uma massa esmagadora de pessoas humildes, camponeses artífices, pequenos Comerciantes. Dentre os 114 indivíduos notificados contam-se 48 mulheres. A grande maioria homens ou mulheres, é originária da região alta de Foix, ou Sabarthès, trabalhada pela propaganda dos irmãos Authié (que foram missionários cátaros e cidadãos da pequena cidade de Ax- les- Thermes). Esta maioria de Sabarthès compõe-se de 92 pessoas, homens e mulheres. Entre elas a aldeia de Montaillou em Sabarthès fornece por si só 75 acusados. Delega, Além disso, algumas testemunhas a teia do tribunal! Acresce que três erguidos provém da Aldeia de prades, limítrofe da anterior. No total 28 pessoas, cada uma das quais forneceu um testemunho substancial e por vezes muito pormenorizado, são oriundas da minúscula região de aillon (Prades mais montaillou). O processo canônico contra este ou aquele arquido, de Montaillou ou de outro lugar é, em geral, provocado por uma ou várias denúncias. Estas são seguidas de uma intimação judicial Para comparecer ao tribunal de Pamiers, intimação que é comunicado o suspeito (no seu domicílio ou na homilia), pelo pároco do lugar de residência. No caso de o indivíduo assim convocado não se dirigir voluntariamente a Pamiers, o bailiio (oficial do Conde ou do Senhor) serve de braço secular. Persuade o arquido; escolta-o, se necessário, até à sede na diocese. A comparência diante do tribunal do bispo começa por um juramento, que o acusado faz sobre o livro dos Evangelhos. Prossegue sobre a forma de um interrogatório. Jacques fournier faz sucessivas perguntas e manda precisar este Ou aquele ponto ou pormenor. O acusado responde e fala de improviso. Um depoimento pode com facilidade ocupar 10 a 20 grandes folhas do nosso registro, ou mesmo mais. A questão segue os seus trâmites sem que o estado de prisão seja necessariamente duradouro para o acusado. Este pode ser encarcerado, entre os interrogatórios, numa das prisões episcopais de Pamiers. Mas pode também gozar, durante o mesmo intervalo de tempo de período mais ou menos longos de liberdade provisória, durante os quais é apenas obrigado a residir dentro dos limites da sua própria da sua Paróquia ou da sua diocese. Em caso contrário, os meios de pressão mais variados vêm, eventualmente, agravar a Detenção preventiva, quando ela existe: visam levar o acusado a confessar. Tais meios não se manifestam pela tortura mas sim pela excomunhão do acusado, pelo seu encarceramento em regime rigoroso ou muito rigoroso (cela estreita, grilhões nos pés, alimentação a pão escuro e água). Num único caso, que se refere ao processo falso que os agentes franceses o obrigarão a instaurar aos leprosos, Jacques Fournier mandará torturar as suas vítimas a fim de obter delas confissões delirante, absurdas: envenenamento das fontes com pó de sapo, etc. Em todos os outros casos que forneceram as substâncias para este texto o Bispo limita-se a procurar detectar o desvio real (e que, muitas vezes se revela o íntimo do nosso ponto de vista). As Confissões são apoiadas, suportadas, pelas descrições que os arguidos fazem sobre o seu modo de viver cotidiano e substancial. Corroboram-se mutuamente; quando se contradizem, Jacques Fournier esforçasse por reduzir tais diferenças; pede precisões aos diversos acusados. O que anima o nosso prelado é o ideal de uma procura da Verdade dos fatos. Trata-se de detectar os comportamentos faltosos; trata-se seguidamente, de salvar as almas. Para atingir estes objetivos diversos, o Bispo mostra-se meticuloso como um escolástico; não hesita em levar por diante intermináveis discussões. Gasta 15 dias do seu precioso tempo a Convencer O Judeu Baruch, apresentado em juízo perante o seu tribunal, do Mistério da Santíssima Trindade; 8 dias para lhe fazer admitir a dupla natureza de Cristo; quanto à vinda do Messias, requer 3 semanas de comentários, administrados a Baruch, que não precisava de tanto. No final dos processos são infligidas aos Réus diversas penas (prisão mais ou menos rigorosa, uso de Cruzes amarelas, peregrinações, confiscação dos bens). Apenas cinco acabam a sua vida na fogueira: entre eles 4 valdenses de Pamiers e o relapso albigense guillaume fort, de Montaillou. Os processos de interrogatórios de Jacques fournier assim realizados foram transcritos em vários volumes. Destes, dois estão atualmente perdidos; um deles continham as sentenças finais; por sorte conhecemos graças a compilação de Limborch. Subsiste, em contrapartida, um volumoso registro in-fólio, em pergaminho. Este documento, quando da sua confecção original, passou por três estágios, primeiro no próprio momento do interrogatório e do depoimento, um escrivão redigia à pressa o protocolo ou rascunho. Este escrivão era nem mais nem menos do quê guillaume Barthe, notário Episcopal, ocasionalmente substituído no caso de se encontrar ausente, por um dos seus colegas, guillaume Barthe, também se encarregavam em seguida de redigir, a partir daquelas notas rapidamente tomadas, num registro em papel, era apresentada ao acusado que podia modificar certos termos. Finalmente, vários escribas que copiavam com calma em pergaminho os textos assim minutados. O volume que se possuímos só foi inteiramente redigido, a limpo, após a nomeação de Jacques Fournier para Sede Episcopal de mirepoix em 1326, o que mostra até que ponto o prelado tinha a preocupação de conservar este testemunho sobre o seu trabalho de inquisição em Pamiers. Este registro acompanhou depois Jacques Fournier que se tornou Bento XII, até a sua residência em Avignon. Daí passou para a biblioteca vaticana, onde ainda permanece entre os manuscritos latinos com o número 4030. Desde há um século, vários eruditos ou historiadores tomaram conhecimento do grande documento de Pamiers. Entre eles, figuram o alemão Dollinger, que se tornou célebre pelos seus conflitos com o papado romano e pelos seus estudos sobre a heresia medieval, e também vários eruditos franceses, muitas vezes de origem Meridional; Charles molinier, Monsenhor Douais, J. M. Vidal, desde o início do século XX….; e muitos outros, em seguida. Os trabalhos mais eruditos é mais extenso sobre o manuscritos vêm de J. M. Vidal. A publicação integral do registro deve ser a Jean Duvernay (1965). Não deixa de ter os seus defeitos, vigorosamente denunciados pelo padre Dondaine, mas tem no entanto o imenso mérito de existir, não dispensando em todo o caso o recurso ao original. Bibliografia: Emanuel Le Roy Ladurie, Montaillou Cátaros e Católicos numa aldeia Occítâna- 1294-1324 #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #HistóriadaInquisição

  • O ALELUIA PASCAL (Santo Agostinho, bispo)

    Toda a nossa vida presente deve transcorrer no louvor de Deus, porque louvar a Deus será também a alegria eterna de nossa vida futura. Ora, ninguém pode tornar-se apto para a vida futura se, desde já, não se prepara para ela. Agora louvamos a Deus, mas também rogamos a Deus. Nosso louvor está cheio de alegrias, e nossa oração, de gemidos. Foi-nos prometido algo que ainda não possuímos; porém, por ser feliz quem o prometeu, alegramo-nos na esperança; mas, como ainda não estamos na posse da promessa, gememos de ansiedade. É bom perseverarmos no desejo, até que a promessa se realize; então acabará o gemido e permanecerá somente o louvor. Assim podemos considerar duas fases da nossa existência: a primeira, que acontece agora em meio às tentações e dificuldades da vida presente; e a segunda, que virá depois na segurança e alegria eterna. Por isso, foram instituídas para nós duas celebrações: a do tempo antes da Páscoa e a do tempo depois da Páscoa. O tempo antes da Páscoa representa as tribulações que passamos nesta vida. O que celebramos agora, depois da Páscoa, significa a felicidade que alcançamos na vida futura. Portanto, antes da Páscoa celebramos o que estamos vivendo; depois da Páscoa celebramos e significamos o que ainda não possuímos. Eis porque passamos o primeiro tempo em jejuns e orações; no segundo, porém, que estamos celebrando, deixando os jejuns, nos dedicamos ao louvor de Deus. É este o significado do Aleluia que cantamos. Em Cristo, nossa cabeça, ambos os tempos foram figurados e manifestados. A paixão do Senhor mostra-nos as dificuldades da vida presente, em que é preciso trabalhar, sofrer e por fim morrer. A ressurreição e glorificação do Senhor nos revelam a vida que um dia nos será dada. Agora, pois, irmãos, vos exortamos a louvar a Deus. É isto o que todos nós exprimimos mutuamente quando cantamos: Aleluia. Louvai o Senhor, dizemos nós uns aos outros. E assim todos põem em prática aquilo que se exortam mutuamente. Mas louvai-o com todas as vossas forças, isto é, louvai a Deus não só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações. Na verdade, louvamos a Deus agora que nos encontramos reunidos na igreja. Mas logo ao voltarmos para casa, parece que deixamos de louvar a Deus. Não deixes de viver santamente e louvarás sempre a Deus. Deixas de louvá-lo quando te afastas da justiça e do que lhe agrada. Mas, se nunca te desviares do bom caminho, ainda que tua língua se cale, tua vida clamará; e o ouvido de Deus estará perto do teu coração. Porque assim como nossos ouvidos escutam nossas palavras, assim os ouvidos de Deus escutam nossos pensamentos. (Dos Comentários sobre os salmos, de Santo Agostinho, bispo – Ps 148,1-2:CCL 40,2165-2166 – Séc.V). #Igreja #SantoAgostinho

  • Salmo 87, a Bíblia de Gideão e o Brasil

    Os acontecimentos políticos, jurídicos e sociais deste nosso Brasil, nos últimos dias, afetam profundamente a alma e o ânimo dos brasileiros de bem que anseiam por dias melhores. A esperança que eternamente nutrimos, às vezes é duramente atingida e beiramos o precipício da desesperança, do desânimo. Como acontece muitas vezes, em situações difíceis o cristão procura consolo e iluminação na Bíblia que ajuda o espírito daqueles que têm fé em Cristo e na vida eterna. Hoje, por acaso, navegando pelos mares insondáveis e profundos da internet, encontrei o depoimento emocionante da conversão de um ateu militante ao catolicismo. Revelava que depois de anos de procura intensa por um sentido de vida encontrava-se totalmente descrente de qualquer perspectiva de futuro porque, seriamente doente, perdeu tudo e todos ao seu redor. Isolado em leito de hospital, com dores incapacitantes, por pura falta de opção, ele tomou  o único livro que ali existia: uma Bíblia de Gideon. Como que por imposição do destino o livro abriu no Salmo 87. Leu várias vezes o texto e sua alma, milagrosamente, se encheu de alegria porque alí estava descrito o seu sofrimento, a sua vida desde a juventude; percebeu por inspiração do Espírito Santo  que aquela história do Velho Testamento apontava claramente para o Cristo, levava ao Cristo da sua infância, àquele Cristo que foi morto na cruz e em quem muitas vezes ele nada via. Agora ele via claramente, aquele Salmo lido alí no leito de dor do hospital descrevia-o e o transportava para o Cristo crucificado, para a dor e o desespero da morte, mas não só; para além da morte e da dor, para a ressurreição, para a misericórida infinita que redimia a todos e abria as portas da vida eterna. Converteu-se no mesmo instante porque encontrou Cristo em sí mesmo. Em breve, recuperou-se física e espiritualmente e se transformou em evangelizador. Pela dor foi despertado e pela fé encontrou Deus. Eu, como brasileiro preocupado e como católico praticante, lendo o Salmo 87 da história de conversão, encontrei o Brasil: jogado no poço da dor, no abismo da corrupção, no afastamento de Deus pelo culto de ideologias espúrias, no culto idólatra de deuses inexistentes, na degradação moral, no movimento suicída de destruição da família. Também lembrei-me de Gideão, aquele juíz  guiado por Deus que com apenas 300 soldados expulsou mais de 30 mil inimigos do reino de Israel. A história da conversão do ateu, o Salmo 87 e a história de Gideão me fizeram ver com mais clareza o momento difícil que atravessamos enquanto país e, mais, me mostrou que há salvação, que há esperança e ela está em Deus. Oremos por todos nós, por nosso país, para que possamos, como povo, encontrar a luz e vencer os males que nos afligem, mesmo estando neste profundo abismo da atual vida nacional. Salmos, 87 1. Cântico. Salmo dos filhos de Coré. Ao mestre de canto. Em melodia triste. Poema de Hemã, ezraíta. 2. Senhor, meu Deus, de dia clamo a vós, e de noite vos dirijo o meu lamento. 3. Chegue até vós a minha prece, inclinai vossos ouvidos à minha súplica. 4. Minha alma está saturada de males, e próxima da região dos mortos a minha vida. 5. Já sou contado entre os que descem à tumba, tal qual um homem inválido e sem forças. 6. Meu leito se encontra entre os cadáveres, como o dos mortos que jazem no sepulcro, dos quais vós já não vos lembrais, e não vos causam mais cuidados. 7. Vós me lançastes em profunda fossa, nas trevas de um abismo. 8. Sobre mim pesa a vossa indignação, vós me oprimis com o peso das vossas ondas. 9. Afastastes de mim os meus amigos, objeto de horror me tornastes para eles; estou aprisionado sem poder sair, 10. meus olhos se consomem de aflição. Todos os dias eu clamo para vós, Senhor; estendo para vós as minhas mãos. 11. Será que fareis milagres pelos mortos? Ressurgirão eles para vos louvar? 12. Acaso vossa bondade é exaltada no sepulcro, ou vossa fidelidade na região dos mortos? 13. Serão nas trevas manifestadas as vossas maravilhas, e vossa bondade na terra do esquecimento? 14. Eu, porém, Senhor, vos rogo, desde a aurora a vós se eleva a minha prece. 15. Por que, Senhor, repelis a minha alma? Por que me ocultais a vossa face? 16. Sou miserável e desde jovem agonizo, o peso de vossos castigos me abateu. 17. Sobre mim tombaram vossas iras, vossos temores me aniquilaram. 18. Circundam-me como vagas que se renovam sempre, e todas, juntas, me assaltam. 19. Afastastes de mim amigo e companheiro; só as trevas me fazem companhia…

  • SURSUM CORDA: DEZ SUGESTÕES PARA REVITALIZAR A IMAGINAÇÃO LITERÁRIA – James Conley (Parte VIII)

    Confissões de Santo Agostinho “Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova. Tarde Te amei! Eis que estavas dentro e eu fora! Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Estavas comigo e não eu Contigo. Tu me chamaste, clamaste por mim e Teu grito rompeu a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste sobre mim e afugentaste a minha cegueira. Exalaste Teu Perfume e respirei. Agora suspiro por Ti, anseio por Ti! Provei-Te, e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me, e agora ardo por Tua Paz.” As Confissões, de Santo Agostinho, são uma obra de beleza e de gênio ao mesmo tempo. É a autobiografia espiritual de Agostinho de Hipona, cristão convertido do quarto e quinto século, que também foi teólogo e bispo. As Confissões são realmente uma história de amor — história de uma alma criada por Deus, amada por Deus e transformada por Deus. É, também, um relato sobre a realidade do pecado (uma vida de pecado altera nossas percepções e esperanças, arrastando-nos para longe da felicidade para a qual Deus nos chamou). Antes de tudo, as Confissões de Santo Agostinho são um testemunho da íntima amizade que Deus deseja ter com cada um de nós, e da intensidade com que Ele nos acompanha em seu amor e amizade. Há um estudioso especial de Santo Agostinho, cuja obra também é digna de atenção: Boécio. Foi um senador romano do sexto século depois de Cristo, que leu Santo Agostinho com muita atenção, assim como estudou Platão e Aristóteles. Escreveu excelentes obras de filosofia e teologia, como também sobre música, astronomia, geometria e aritmética. Em 523, Boécio foi indevidamente acusado de traição, encarcerado e, por fim, executado. Na prisão, escreveu a sua obra mais famosa, A consolação da filosofia – uma pequena série de reflexões sobre justiça, felicidade e bondade. Papa Bento XVI disse que, n’A consolação da filosofia, Boécio “ensina-nos a evitar o fatalismo, que extingue toda esperança. Ensina-nos que não é o acaso que governa o mundo, mas a Providência, e a Providência tem um rosto. É possível falar com a Providência, pois a Providência é Deus.” A bondade da Providência Divina é a grande lição das Confissões de Santo Agostinho, verdade que Boécio assimilou na prisão. Também nós, ao ler essa obra de Santo Agostinho, podemos aprender a reconhecer o rosto bondoso da Providência Divina. (James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015) https://www.ncregister.com/images/documents/Literature_Section_053115.pdf

  • O PRIMOGÊNITO DE MUITOS IRMÃOS (Bem-aventurado Isaac, abade do Mosteiro de Stella)

    Como a cabeça e o corpo formam um só homem, assim o Filho da Virgem e seus membros escolhidos formam um só homem e um só Filho do homem. Cristo completo e total, como diz a Escritura, é cabeça e corpo. Com efeito, todos os membros juntos constituem um só corpo que, unido à sua cabeça, forma um só Filho do homem. Este, pela sua união com o Filho de Deus, forma um só Filho de Deus, o qual, pela sua união com Deus, forma um só Deus. Consequentemente, todo o corpo com a cabeça é Filho do homem, é Filho de Deus, é Deus. Por isso se diz no Evangelho: Quero, Pai, que assim como eu e tu somos um, também eles sejam um em nós (cf. Jo 17,21). Vemos que, segundo esse famoso texto da Escritura, não existe o corpo sem a cabeça nem a cabeça sem o corpo; nem Cristo total, cabeça e corpo, sem Deus. Tudo isto, portanto, pela sua união com Deus é um só Deus. O Filho de Deus, porém, está unido com Deus por natureza. O Filho do homem está unido como Filho de Deus numa só pessoa; por sua vez, os membros do seu corpo estão unidos com ele sacramentalmente. Por conseguinte, os membros fiéis e espirituais de Cristo, podem afirmar de si, com toda verdade, aquilo que ele é, até mesmo Filho de Deus e Deus. Mas o que ele é por natureza, os membros são por participação. O que ele é em plenitude, os membros são parcialmente. O que o Filho de Deus é por geração, os membros são por adoção, como está escrito: Recebestes um espírito de filhos adotivos, no qual todos clamamos: Abá – ó Pai! (Rm 8,15). Este Espírito deu-lhes a capacidade de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,12), para que o primogênito de muitos irmãos pudesse ensiná-los a dizer: Pai nosso que estais nos céus (Mt 6,9). E noutro lugar: Subo para junto do meu Pai e vosso Pai (Jo 20,17). Pelo Espírito Santo, o Filho do homem nasceu da Virgem Maria como nossa cabeça; pelo mesmo Espírito, nós também renascemos na fonte batismal como filhos de Deus e membros do corpo de Cristo. E assim como ele nasceu livre de todo pecado, também nós renascemos pela remissão de nossos pecados. Assim como na cruz ele tomou sobre seu corpo de carne os pecados de todo o corpo, do mesmo modo, pela graça da regeneração, concedeu ao seu corpo espiritual que não lhe fosse atribuído nenhum pecado, como está escrito: Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de pecado (Sl 31,2). Este homem feliz é, sem a menor dúvida, Cristo: enquanto cabeça do Cristo místico é Deus e perdoa os pecados; enquanto cabeça do corpo, é o Filho do homem, nada tendo que se lhe deva perdoar; e enquanto o corpo da cabeça é formado por muitos, nada se lhe atribui. Ele é justo em si mesmo e justifica-se a si mesmo. Ele próprio é Redentor e redimido. Tomou sobre seu corpo, na cruz, os pecados daquele corpo que ele purifica por meio da água do batismo, e continua salvando pela cruz e pela água. Ele é o Cordeiro de Deus que tira, que carrega o pecado do mundo (Jo 1,29). Ele é ao mesmo tempo sacerdote e vítima do sacrifício. Ele é Deus que, oferecendo-se a si mesmo, por si reconciliou-se consigo mesmo, com o Pai e com o Espírito Santo. Dos Sermões do Bem-aventurado Isaac, abade do Mosteiro de Stella – Sermo 42: PL 194,1831-1832 – Séc. XII). #Igreja

  • A Bíblia é confiável? Estudo completo.

    Porque podemos confiar no relato bíblico? Será que a Bíblia foi adulterada para enganar as pessoas? Seriam os relatos bíblicos fruto de um mito? Será demonstrado através de argumentos baseados em evidências históricas, arqueologia e estudos comparativos com outros documentos históricos, como a Bíblia, principalmente o Novo Testamento, é muito superior a qualquer outro documento antigo em matéria de confiabilidade histórica. Estamos provando aqui não a inspiração, mas a credibilidade histórica das Escrituras. Deve-se testar a credibilidade histórica das Escrituras pelos mesmos critérios usados para testar todos os documentos históricos. Então se prepara, o estudo é longo, mas muito enriquecedor. Mas antes de analisarmos a Bíblia, o que é a Bíblia? A Bíblia não pode ser considerada exatamente um livro e sim uma coleção deles reunidos ao longo de aproximadamente 1500 anos com cerca de 40 autores humanos diferentes. Os autores foram reis, pescadores, sacerdotes, oficiais do governo, fazendeiros, pastores e médicos. Escrita em três idiomas e em três continentes diferentes. Ela foi escrita no deserto, em tempos de exílio, em tempos de guerra, na prisão, durante viagens, em tempos de paz, sob forte perseguição e até numa ilha prisional grega. De toda essa diversidade surge uma unidade incrível, com temas em comum por todo o seu percurso. E uma única verdade que vai se revelando, redenção do homem por parte de Deus. A Bíblia pode confundir um leitor inexperiente ao não entender que, em geral, ela não obedece a uma ordem cronológica. O Antigo Testamento foi agrupado de acordo com os seguintes tópicos: 1) Torá, 2) os outros livros históricos, 3) literatura e 4) Profecias, e distribuída em subgrupos em ordem cronológica dentro destas categorias, e segundo a ordem da canonização feita pelos judeus. O Novo Testamento começa com os três Evangelhos sinóticos (similares), seguidos pelo livro de João. Em seguida, vem o livro histórico dos Atos dos apóstolos, que se acredita ser uma continuação do livro de Lucas. As cartas de Paulo vêm em seguida no Novo Testamento, e depois as cartas dos outros apóstolos. E o Novo Testamento termina com o livro do Apocalipse.[1] A Vulgata (versão da Bíblia em latim) foi o primeiro livro a ser impresso. Além disso, a Bíblia é o livro mais impresso até os dias de hoje e com maior circulação do mundo.[2] A visão que a Bíblia apresenta de Deus, do universo e da humanidade estava presente em todas as principais línguas ocidentais e, portanto, no processo intelectual do homem ocidental (…). Desde a invenção da imprensa, a Bíblia se tornou mais que a tradução de um livro antigo de literatura oriental. Ela não se parece com um livro estrangeiro, e tem sido a fonte mais confiável, disponível e familiar e árbitro dos ideais intelectuais, morais e espirituais do ocidente.”[3] Apesar de no início ter sido escrita em material perecível, tendo que ser copiada e recopiada durante centenas de anos, antes da invenção da imprensa, não prejudicou seu estilo, exatidão ou existência. Comparada com outros escritos antigos, a Bíblia possui mais provas em termos de manuscritos do que, juntos, possuem os dez textos de literatura clássica com maior número de manuscritos. O filósofo indiano Vishal Mangalwadi, após um extenso estudo demonstra a grande influência das Escrituras Sagradas em praticamente cada faceta da civilização ocidental. Da política à ciência, à academia e à tecnologia, das artes à música, a Bíblia tornou-se a chave que abriu a mente do Ocidente. A influência dos ensinamentos bíblicos e a pessoa de Jesus construíram as bases da civilização ocidental. [4] Analisaremos essas contribuições do cristianismo para o mundo com mais detalhes em outras oportunidades. Após essa breve introdução sobre a Bíblia, vamos analisar os fatos. Como podemos afirmar que um documento histórico é confiável? Ninguém duvida da existência de Alexandre, O grande e suas conquistas, ou o grande imperador romano Júlio César . Vários eventos na história são amplamente aceitos sem muitos questionamentos, mas quando se trata de Bíblia, sempre existe um ceticismo exagerado, o padrão se eleva, e nenhuma evidência em favor dela parece ser boa o suficiente. Para avaliar a confiabilidade  histórica de um documento, geralmente se utilizam os seguintes métodos: – Teste bibliográfico – Teste das evidências internas – Teste das evidências externas – A arqueologia Por se tratar de eventos antigos, quanto mais próximos pudermos chegar ao fato histórico que estamos analisando melhor. E quanto mais evidências internas e externas que corroborem as informações, mais confiável o documento é. Vamos aos fatos! Começando pelo teste bibliográfico. O teste bibliográfico é um exame da transmissão textual pela qual os documentos chegam até nós. Em outras palavras, uma vez que não dispomos dos documentos originais, qual a credibilidade das cópias que temos em relação ao número de manuscritos e ao intervalo de tempo transcorrido entre o original e a cópia existente? Avaliar a qualidade das cópias torna-se um aspecto fundamental para se verificar a qualidade do documento, e quanto mais cópias disponíveis para estudo melhor, pois comparando as cópias entre si ao longo da histórica, pode-se facilmente detectar os erros e possíveis alterações. E quanto menor o intervalo entre elas significa menos tempos para que adulterações dos textos surjam, e quando mais próximos do evento histórico as cópias são, melhor. Atualmente sabe-se da existência de mais de 5.300 manuscritos gregos do Novo Testamento. Acrescente-se a esse número mais de 10.000 manuscritos da Vulgata Latina e, pelo menos, 9.300 de outras antigas versões, e teremos hoje mais de 24.000 cópias de porções do Novo Testamento. Nenhum outro documento da história antiga chega perto desses números e dessa confirmação. Em comparação, a Ilíada de Homero vem em segundo lugar, com apenas 643 manuscritos que sobreviveram até hoje. O primeiro texto completo e preservado de Homero data do século treze.[5] Nenhum outro documento da antiguidade tem um intervalo tão pequeno entre as cópias e os originais. Por exemplo, embora as Gathas, livros sagrados da religião persa de Zoroastro, que datam de 1000 a.C, sejam consideradas autênticas, a maior parte das escrituras do zoroastrismo só foram postas por escrito no século III d.C. A biografia pársi mais popular de Zoroastro foi escrita em 1278 d.C. Os escritos de Buda, que viveu no século VI a.C, só foram registrados depois da era cristã. A primeira biografia de Buda foi escrita no século I d.C. Embora as palavras de Maomé (570-632) estejam registradas no Alcorão, sua biografia só foi escrita em 767 d..C, mais de um século depois de sua morte. Portanto, o caso do Novo Testamento não tem paralelo. [6] O mais antigo dos manuscritos do Novo Testamento é uma tira de papiro designada (p52) que contém partes do evangelho de João e data da primeira terça parte do século II d.C., menos de quarenta anos depois que o Evangelho de João foi escrito nos anos 90. Mais de trinta papiros datam do período entre o fim do século II até o início do século III. Alguns destes papiros contêm grandes trechos de livros inteiros do Novo Testamento. Um deles abrange grande parte dos Evangelhos e do livro de Atos (p4S); outro, grande parte das epístolas de Paulo (p46). Quatro Novos Testamentos muito confiáveis e quase completos datam do século IV.[7] E estudos recentes demonstram uma descoberta fascinante, o Dr. Gary Habermas, afirmou que o um recente manuscrito encontrado no Egito, que continha parte do evangelho de Marcos foi analisado por um especialista em paleologia (especialista em antiguidades) que datou o fragmento como tendo sido escrito entre 80-110 DC.  Se a data se mantiver, demonstraria que o Evangelho de Marcos circulou no século I, encurtando o tempo entre a morte de Jesus e a evidência escrita. Em suma, seria uma evidência histórica fornecendo testemunhas oculares antigas sobre a vida, a morte e a ressurreição de Jesus. Para visualizar melhor a questão de quantidade de cópias, intervalos entre elas, veja o quadro comparativo. Se os céticos aplicassem à Bíblia os mesmos padrões que os historiadores e estudiosos de textos aplicam à literatura secular da antiguidade, os registros bíblicos seriam aceitos como os mais dignos de confiança e de credibilidade entre todos os documentos antigos. Mas como foi bem observado por Richard Purtill, em seu livro Thinking About Religion [Pensando em religião]: “Às vezes se afirma que os historiadores simplesmente encaram a história do Antigo e do Novo Testamento como não confiáveis, com base em algum argumento histórico independente. Mas […] muitos eventos considerados verídicos do ponto de vista histórico estão bem mais longe da evidência documental do que muitos eventos bíblicos, e os documentos nos quais os historiadores se apoiam para a maioria da história secular foram escritos muito tempo depois da ocorrência do evento do que inúmeros relatos de eventos bíblicos. Além disso, temos bem mais cópias de narrativas bíblicas do que de histórias seculares, e as cópias existentes são mais antigas do que aquelas sobre as quais se baseia a nossa evidência da história secular. Então, por que os modernistas duvidam dos relatos bíblicos? Se as narrativas bíblicas não contivessem relatos de eventos miraculosos ou não fizessem referência a Deus, aos anjos e assim por diante, a história bíblica provavelmente seria encarada como muito mais verídica do que a maioria da história da Grécia clássica ou de Roma.”[8] O teólogo John Warwick Montgomery afirma que “ter uma atitude cética quanto ao texto disponível dos livros do Novo Testamento é permitir que toda a antiguidade clássica se torne desconhecida, pois nenhum documento da história antiga é tão bem confirmado bibliograficamente como o Novo Testamento.” [9] O eminente estudioso e uma das maiores autoridades acadêmicas em Novo testamento F. F. Bruce declara: “No mundo não há qualquer corpo de literatura antiga que, à semelhança do Novo Testamento, desfrute uma tão grande riqueza de confirmação textual”.[10] Mostramos como é importante no processo de determinação da confiabilidade histórica, a quantidade de cópias, o intervalo entre o original e as cópias e a proximidade entre as cópias e o evento que elas narram. E em todos os quesitos o Novo Testamento é incrivelmente superior. Vamos avaliar ainda outra questão importante, as chamadas variantes textuais dessas cópias. Mas o que são variantes textuais? É qualquer variação nas palavras dentro dos manuscritos, podendo ser na ordem, omissão de palavras, adição e até mesmo erros ortográficos. Mesmo o menor erro, por mais irrelevante que seja, conta como uma variante. Os estudiosos afirmam que no Novo Testamento em grego, existem por volta de 200.000 variantes textuais. Parece muito, mas não se trata de quantidade, mas sim da qualidade delas. Se um manuscrito contém um erro, e suas cópias preservarem esse erro, todas às vezes ele será contabilizado. A razão por haver tantas variantes textuais, se dá pelo fato de existirem milhares de manuscritos disponíveis para estudo, o que é excelente. Quanto maior o número de manuscritos, maior o número de variantes textuais, consequentemente, maior a probabilidade de se chegar aos fatos originais. A quantidade de manuscritos é de suma importância para atribuir confiabilidade histórica a um texto, como já pudemos demonstrar. Então, ao contrário das críticas de alguns céticos, o número de variantes textuais por si só não indica corrupção de um texto. Mas quais são os tipos de variantes textuais que temos no Novo testamento? Após estudo criterioso, os especialistas chegaram a seguinte conclusão: 99% delas são irrelevantes para a compreensão do texto. São erros ortográficos irrelevantes, diferenças de estilo de escrita ou uso de sinônimos. Por exemplo, é está escrito: João, Pedro e Tiago foram à casa de Maria.  E foram à casa de Maria, João, Pedro e Tiago. Essa diferença já é contada como variante textual, apesar o significado da frase ser o mesmo. Somente menos de 1% do total de variantes são significativas ou afetam o significado da palavra no texto. Mas em nenhuma delas, nenhuma doutrina cristã está envolvida. Nenhum ponto da fé cristã é afetado por essas variantes. Utilizar o número de variantes textuais contra a confiabilidade dos textos é um grande erro que não resiste à investigação e ao estudo criterioso dos fatos.[11] Sir Frederic Kenyon (grande autoridade no campo da crítica textual do Novo Testamento) declara enfaticamente que as variações textuais não representam ameaça à doutrina: “Finalmente, deve-se enfatizar uma palavra de advertência já pronunciada anteriormente. Nenhuma doutrina fundamental da fé cristã depende de algum texto controvertido…” “Nunca é demais lembrar que, em sua maior parte, o texto da Bíblia é fidedigno, especialmente no caso do Novo Testamento. O número de manuscritos do Novo Testamento, de antigas traduções do Novo Testamento e de citações pelos mais antigos escritores da Igreja, é tão grande que é praticamente certo que o texto autêntico de cada passagem duvidosa encontra-se preservado em uma ou outra dessas antigas autoridades. De nenhum outro livro antigo em todo o mundo se pode dizer o mesmo. “ “Os estudiosos se dão por satisfeitos por possuírem substancialmente o texto autêntico dos principais escritores gregos e romanos, cujas obras chegam até nós, de Sófocles, Tucídedes, Cícero, Virgílio; no entanto, nosso conhecimento das obras desses escritores depende de um pequeno punhado de manuscritos, enquanto que os manuscritos do Novo Testamento se contam às centenas e até aos milhares.”[12] Creio que, racionalmente e a partir do ponto de vista das evidências literárias, é possível chegar-se à conclusão de que a credibilidade do Novo Testamento é bem maior do que a de qualquer outro documento da antiguidade. O Antigo Testamento não dispõe de uma vastidão de manuscritos como o Novo, mas foram muito bem preservados, se comparados com outros documentos antigos. Com a recente descoberta dos Rolos do Mar Morto em 1947, vários manuscritos do Antigo Testamento foram encontrados, aos quais os estudiosos atribuem datas anteriores à época de Cristo. Antes das descobertas do Mar Morto, o mais completo e antigo manuscrito hebraico do Antigo Testamento datava de 900 d.C – intervalo de mais de 1.300 anos do original. Para avaliarmos a qualidade do texto do Antigo Testamento devemos avaliar os seus copistas. O principal deles eram os talmudistas, que eram extremamente rigorosos no processo de cópia de um texto sagrado. Os talmudistas tinham tanta certeza de que, ao terminarem de transcrever um manuscrito, eles teriam uma cópia exata, que atribuíam à nova cópia uma autoridade igual à do original. A idade de uma cópia talmudista não era uma vantagem para ela – ao contrário, poderia se tornar ilegível em alguns pontos com o tempo, e era então considerada imprópria, e guardada em um armário, existente em cada sinagoga, chamado Gheniza. Quando a Gheniza se enchia, as cópias defeituosas eram queimadas. Isso explica a ausência de volumes de cópias do Antigo Testamento. Um manuscrito talmudista mais antigo do livro de Isaías era de 980 DC. Quando esse foi comparado com os manuscritos do Mar Morto (quase 1000 anos entre as cópias) verificou-se 95% de exatidão absoluta, e os outros 5% eram pequenos erros de ortografia. Nesses 1000 anos a mensagem não havia se corrompido! Isso mostra que a cópia de textos sagrados era uma prática onde eles empenhavam o máximo de esforço para manter os elevados padrões entre as cópias. Além disso, a arqueologia tem demonstrado que a cultura, os eventos narrados, as pessoas, os lugares descritos no Antigo Testamento são relatos confiáveis. Nomes até pouco tempo atrás conhecidos apenas no texto bíblico, encontraram respaldo na arqueologia, como Sargão, Jeú, Davi, Uzias, Acabe,Senaqueribe, Ezequias, Xerxes, Ciro, Manaém, Balaão e tantos outros. Também já foram descobertos povos bíblicos como os heteus ou horeus, assim como diversos lugares. O teste das evidências internas As evidências internas nos fornecem muitas evidências em favor da confiabilidade do relato bíblico. Esse critério também averígua se há fraudes, erros ou mentiras deliberadas por parte dos escritores em relação a fatos conhecidos. Notar que dificuldades e problemas não solucionados não significam necessariamente erros. Um erro é uma discrepância que se verifica sem sombra de dúvidas. Um fator muito importante são os testemunhos oculares. Em qualquer investigação criminal, o testemunho ocular do crime é determinante para investigação do fato. E na nossa investigação não é diferente. Qualquer evento histórico com testemunhas oculares se torna muito mais historicamente confiável, pois geram relatos independentes que podem ser confrontados. Os escritores do Novo Testamento escreveram como testemunhas oculares ou a partir de informações de primeira mão: Lucas 1:1-3 – “Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares, e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem.” 2 Pedro 1:16 — “Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade.” 1 João 1:3 — “… o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós igualmente mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.” Atos 2:22 – “Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós, com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis….” João 19:35 – “Aquele que isto viu, testificou, sendo verdadeiro o seu testemunho; e ele sabe que diz a verdade, para que também vós creiais.” Lucas 3:1 — “No décimo-quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Ituréia e Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene… F . F. Bruce, professor e uma das maiores autoridades em exegese Bíblica, diz o seguinte a respeito do valor das fontes primárias dos registros do Novo Testamento: “Os primeiros pregadores do evangelho reconheciam o valor do testemunho de primeira mão, e repetida» vezes fizeram uso dele. ‘Somos testemunhas destas coisas’ era a afirmação constante e confiante que faziam. E, ao contrário do que parecem pensar alguns escritores, não teria sido absolutamente fácil inventar palavras e obras de Jesus naqueles primeiros dias, quando tantos discípulos estavam por ali espalhados, os quais poderiam lembrar-se do que tinha e do que não tinha acontecido.” “E os primeiros pregadores tiveram que levar em conta não apenas as testemunhas oculares simpáticas ao cristianismo; havia outros bem menos dispostos que também eram conhecedores dos principais fatos sobre o ministério e a morte de Jesus. Os discípulos não podiam se dar ao luxo de correr o risco de apresentar fatos inexatos (para não mencionar uma manipulação internacional dos fatos), os quais seriam imediatamente denunciados por aqueles que teriam imenso prazer em fazê-lo. Pelo contrário, um dos pontos fortes da pregação apostólica original é o apelo confiante ao conhecimento dos ouvintes; eles não apenas diziam ‘somos testemunhas destas coisas’, mas também ‘como vós mesmos sabeis’ (Atos 2:22).[13] Dos 12 apóstolos, excetuando-se Judas, 10 foram assassinados por causa da mensagem que pregavam, e 1 (João) foi barbaramente torturado e preso por ela. É plausível crer que 11 pessoas estivessem dispostas a sacrificar suas próprias vidas para sustentar uma mentira inventada por eles mesmos? Além do testemunho ocular, Colin Hemer, um estudioso clássico que se dedicou aos estudos do Novo Testamento, em sua obra The Book of Acts in the Setting of Hellenistic History [O livro de Atos no contexto da história helenística], ele analisa todo o livro de Atos com um pente fino, extraindo dele uma enorme riqueza de detalhes históricos que vão desde coisas que teriam sido senso comum até detalhes que somente uma pessoa local teria sabido. Com esmerado detalhamento, Hemer identifica 84 fatos nos últimos 16 capítulos de Atos que foram confirmados por pesquisas históricas e arqueológicas. Repetidamente a precisão de Lucas fica demonstrada: das navegações da esquadra alexandrina ao território costeiro das ilhas mediterrâneas e aos títulos peculiares de oficiais locais, Lucas é sempre preciso.[14] Não por coincidência, Sir William Ramsey, um arqueólogo mundialmente renomado e uma das maiores autoridades em arqueologia bíblica afirma: “Lucas é um historiador de primeira classe […] Esse autor deveria ser colocado entre os maiores historiadores”.[15] Outra evidência é o chamado suporte não-intencional das testemunhas, que são relatos independentes que constam no Novo Testamento que se completam não-intencionalmente. Por exemplo, em  Mateus 8:16 temos a seguinte passagem: “E, chegada a noite, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele com a sua palavra expulsou deles os espíritos, e curou todos os que estavam enfermos;” Surge a pergunta, porque espera até a noite para trazer os que precisavam de cura? A resposta se encontra em Marcos 1:21; Lucas 4:31. “Porque era sábado.” Em Mateus 26:67-68, vemos os judeus batendo em Jesus no julgamento e dizendo: “Se és o Cristo, Profetiza quem te bateu” . Isso pode parecer estranho, visto que Jesus estava em pé na frente deles e facilmente poderia dizer quem foi. Mas em Lucas 22:63-65, vemos que Jesus estava vendado quando foi levado para lá. E dentre diversos outros casos. Esse tipo de harmonização é comum em depoimentos de testemunhas oculares diferentes, cada uma conta sua visão sobre o mesmo fato, mas dá mais importância para detalhe A ou B. Isso atesta e da confiabilidade ao testemunho, tornando-o mais verídico, como peças de um quebra-cabeça, que quando se juntam formam a história toda. É exatamente o mesmo critério que um detetive esperaria encontrar em um grupo de testemunhas oculares de um crime. Pois se contassem exatamente do mesmo jeito, ficaria claro que teriam combinado entre si, e se os relatos fossem discrepantes demais, estariam mentindo. Como afirma Simon Greenleaf, da Faculdade de Direito de Harvard: ” Existe um volume significativo de discrepância, o que aponta para o fato de os autores não poderem ter estabelecido nenhum tipo de acordo entre si; por outro lado, há também uma harmonia de tal magnitude que demonstra sua condição de narradores independentes de uma transação de grande importância.”[16] Os autores do Novo Testamento também incluíram detalhes embaraçosos sobre si mesmos. A tendência da maioria dos autores nesse tipo de narrativa histórica é deixar de fora qualquer coisa que prejudique a sua aparência e manche a sua moral. É o chamado “critério do embaraço”. Agora pense: Se você e seus amigos estivessem forjando uma história e que vocês quisessem que ela fosse aceita e vista como verdadeira por todos, vocês se mostrariam como covardes, tolos e apáticos, pessoas que foram advertidas e que duvidaram? É claro que não. Mas é exatamente isso que encontramos no Novo Testamento. Se você fosse o autor do Novo Testamento, escreveria que um dos seus principais líderes foi chamado de “Satanás” por Jesus, o negou três vezes, escondeu-se durante a crucifixão e, mais tarde, foi repreendido numa questão teológica? Muito improvável! O que você acha que os autores do Novo Testamento teriam feito se estivessem inventando uma história? Teriam deixado de lado a sua inaptidão, sua covardia, a repreensão que receberam, as negações e seus problemas teológicos, mostrando-se como cristãos ousados que se colocaram a favor de Jesus diante de tudo e que, de maneira confiante, marcharam até a tumba na manhã de domingo, bem diante dos guardas romanos, para encontrarem o Jesus ressurreto que os esperava para salvá-los por sua grande fé! Os homens que escreveram o Novo Testamento também diriam que eles é que contaram às mulheres sobre o Jesus ressurreto, e não ao contrário, e que eram elas as únicas que estavam escondendo-se por medo dos judeus. E, naturalmente, se a história fosse uma invenção, nenhum discípulo, em momento algum, teria sido retratado como alguém que duvida (especialmente depois de Jesus ter ressuscitado). Mas Tomé duvidou até o último momento. E não apenas detalhes embaraçosos sobre si, mas também sobre Jesus constam por todo o Novo Testamento. Jesus foi considerado “fora de Si” por sua família, foi visto como enganador e herético; foi abandonado por seus seguidores e quase apedrejado em algumas ocasiões, foi chamado de “beberrão” e de “endemoninhado”, além de “louco”. Finalmente, foi crucificado como malfeitor junto com dois bandidos. Se os autores do Novo Testamento queriam mostrar a todos que Jesus era Deus, o rei de Israel, o Messias ungido, então por que não eliminaram dizeres e situações complicados que parecem argumentar contra isso? Mas mesmo após essa avalanche de evidencias o crítico ainda pode argumentar: “ Mas existem contradições nos relatos, no evangelho de Mateus diz que tinha um anjo no túmulo após a ressurreição, e no de João diz que que eram dois.” Os críticos são rápidos em citar os relatos aparentemente contraditórios dos evangelhos como evidência de que não são dignos de confiança em informação precisa. Detalhes divergentes, na verdade, fortalecem a questão de que esses são relatos feitos por testemunhas oculares. Como? Primeiro, é preciso destacar que o relato dos anjos não é contraditório. Mateus não diz que havia apenas um anjo na sepultura. Os críticos precisam acrescentar uma palavra ao relato de Mateus para torná-lo contraditório ao de João. Mas por que Mateus mencionou apenas um anjo, se realmente havia dois ali? Pela mesma razão que dois repórteres de diferentes jornais cobrindo um mesmo fato optam por incluir detalhes diferentes em suas histórias. Duas testemunhas oculares independentes raramente veem todos os mesmos detalhes e descrevem um fato exatamente com as mesmas palavras. Elas vão registrar o mesmo fato principal (Jesus ressuscitou dos mortos), mas podem diferir nos detalhes (quantos anjos havia no túmulo). Não há na Bíblia nenhum relato que em sua aparente contradição não foi explicado e respondido a exaustão nesses 2000 anos. Há séculos tentam fazer isso, mas sem sucesso. À luz dos diversos detalhes divergentes do NT, está claro que os autores não se reuniram para harmonizar seus testemunhos. Isso significa que certamente não estavam tentando fazer uma mentira passar por verdade. Se estavam inventando a história do Novo Testamento, teriam se reunido para certificar-se de que eram coerentes em todos os detalhes. Simon Greenleaf, professor de Direito da Universidade de Harvard creditou sua conversão ao cristianismo ao seu cuidadoso exame das testemunhas oculares dos evangelhos. Se alguém conhecia as características do depoimento genuíno de testemunhas oculares, essa pessoa era Greenleaf. Ele concluiu que os quatro evangelhos “seriam aceitos como provas em qualquer tribunal de justiça, sem a menor hesitação”.[17] Teste das evidências externas Esse teste se propõe a averiguar se existem fontes externas aos documentos bíblicos que confirmam sua exatidão. Em outras palavras, que outras fontes existem, além da literatura que está sendo examinada, que confirmam sua exatidão, credibilidade e autenticidade? Eusébio de Cesareia, que pode ser considerado o pai da história da Igreja, em sua obra História Eclesiástica, escrita por volta de 325 d.C, preserva os escritos de Papias, bispo de Hierápolis (130 A.D.), os quais Papias recebeu do Ancião (apóstolo João): “O Ancião também costumava dizer o seguinte: ‘Marcos, tendo sido o intérprete de Pedro, escreveu fielmente tudo o que ele (Pedro) mencionava, fossem palavras ou obras de Cristo; todavia, não o fez em ordem cronológica. Pois não esteve ouvindo pessoalmente o Senhor nem o esteve acompanhando; mas mais tarde, conforme eu já disse, ele acompanhou Pedro, o qual adaptou os seus ensinos conforme as necessidades, não como se estivesse elaborando uma compilação das palavras do Senhor. Dessa forma, então, Marcos não cometeu qualquer erro, tendo assim escrito algumas coisas à medida que ele (Pedro) as mencionava; pois ele prestava toda atenção a isso, a fim de não omitir qualquer coisa que ouvisse, nem incluir qualquer afirmação falsa no que registrava.'”[18] Irineu, bispo de Lion (180 d.C.), foi aluno de Policarpo, bispo de Esmirna, o qual foi martirizado em 156 d.C., tendo sido cristão por 86 anos e discípulo do apóstolo João. Irineu escreveu: “Tão firme é a base sobre a qual esses Evangelhos repousam que os próprios hereges dão testemunho a favor desses livros, e, tomando-os por base, cada um deles se esforça por estabelecer sua própria doutrina particular” [19] Irineu, na mesma obra,  já desde aquela época refutava a ideia de “outros evangelhos perdidos”, afirmando como conhecemos hoje que existem somente 4 evangelhos aceitos. “Pois assim como existem os quatro cantos do mundo onde vivemos, e quatro ventos universais, e assim como a Igreja se encontra dispersa por toda a terra, e o evangelho é a coluna e o alicerce da Igreja e o sopro de vida, de igual maneira é natural que o evangelho tenha quatro colunas […] [Deus] deu-nos o evangelho em forma quádrupla, forma que se mantém coesa por meio de um só Espírito.” Clemente de Roma, em aproximadamente 95 d.C, escreve um carta a igreja em Corinto para apaziguar constantes controvérsias. Quem está familiarizado com as epístolas de Paulo ao Coríntios, sabe que a igreja daquele local sempre foi considerada “problemática”. Há hipóteses de que esse mesmo Clemente seja o citado na epístola aos Filipenses 4:3. Nessa carta, Clemente faz muitas referências a várias passagens bíblicas tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, confirmando os recentes ensinamentos de Jesus. Inácio (70-110 A.D.) foi bispo de Antioquia, tendo sido martirizado por causa de sua fé em Cristo. Conheceu todos os apóstolos e foi discípulo de Policarpo, que foi discípulo direto do apóstolo João. Inácio, quando a caminho do martírio, escreveu sete cartas às igrejas da sua região, nessas cartas ele faz inúmeras citações de vários livros do Novo Testamento. Policarpo (70-156 A.D.), martirizado aos 86 anos de idade, foi bispo de Esmirna e discípulo do apóstolo João, também fez inúmeras citações bíblicas em seus escritos. Existem diversos autores do período conhecido como Patrística que também citaram o Novo Testamento, dentre eles se encontram-se a epístola de Barnabé (cerca de 70 d.C), O Pastor, de Hermas (cerca de 95 d.C.), Diatasserão, de Taciano (cerca de 170 d.C.), Clemente de Alexandria (150-212 d.C), Tertuliano (160-220 A.D.) que foi presbítero da igreja em Cartago, tendo citado mais de 7.000 vezes o Novo Testamento, das quais 3.800 são citações dos Evangelhos. Hipólito (170-235 d.C.) que fez mais de 1.300 referências ao Novo Testamento. Justino Mártir (133 d.C.) que combateu o herege Marcião citando o Novo Testamento. Orígenes (185 – 254 dC.), que foi um grande escritor e teólogo, fez uma compilação a partir de mais de 6.000 obras. Ele apresenta mais de 18.000 citações do Novo Testamento. A todos esses ainda se podem acrescentar os nomes de Agostinho de Hipona, Amábio, Latâncio, Crisóstomo, Jerônimo, Gaio Romano, Atanásio, Ambrósio de Milão, Cirilo de Alexandria, Efraim o Sírio, Hilário de Poitiers, Gregório de Nissa, e etc. Some-se a isso um documento conhecido como Didaquê, escrito entre os anos 60 – 70 d.C, na região da Síria ou Egito, ele demonstra que vários ensinos cristãos pautados no Novo Testamento, já eram praticados pelas comunidades cristãs desde o primeiro século. Demonstrando assim, que poucos anos após a morte de Jesus, os ensinos contidos nos evangelhos e das cartas de Paulo já circulavam pelas comunidades, instruindo os primeiros cristãos nas práticas corretas concernentes ao que foi ensinado por Jesus. Nos escritos do Didaquê são reforçados o batismo no nome do Pai, Filho e Espírito Santo, a volta de Jesus, sua divindade, a oração do Pai Nosso, a eucaristia e algumas outras instruções morais sobre a ética cristã. Para exemplificar as citações do período Patrístico, observe o quadro a seguir. O estudioso J.Harold Greenlee diz que as citações da Escritura nas obras dos primeiros escritores cristãos  “são em número tão grande que é virtualmente possível reconstituir o Novo Testamento a partir dessas citações, sem fazer uso dos manuscritos do Novo Testamento”. [20] Sobre esse mesmo assunto, o eminente estudioso Bruce Metzger afirma:  “De fato, essas citações são tão vastas que, se todas as demais fontes de conhecimento sobre o texto do Novo Testamento fossem destruídas, sozinhas essas citações seriam suficientes para a reconstituição de praticamente todo o Novo Testamento”. [21] E porque tudo isso é importante? As evidências demonstram de modo categórico que as informações contidas no Novo Testamento foram preservadas do mesmo jeito por séculos e séculos, pois foram sendo citadas, copiadas e espalhadas por todo o mundo. Caso a Igreja tivesse adulterado a Bíblia como dizem, ele teria que modificar centenas de milhares dessas citações também. Como praticamente todo o Novo Testamento é citado pelos pais da igreja ainda nos primeiro séculos da história cristã, através de livros e cartas, tudo isso antes do Concílio de Nicéia (325 d.C), também acaba derrubando a falácia de que a bíblia foi criada nessa época, ou que a divindade de Jesus foi inventada bem posteriormente. Nenhuma obra literária da antiguidade chega perto dos números históricos do Novo Testamento, uma análise criteriosa das evidências aponta com precisão a confiabilidade do texto bíblico. A arqueologia Para corroborar tudo que falamos até aqui, iremos agora analisar o que a arqueologia diz sobre o relato bíblico. A arqueologia é um ramo da ciência que procura recuperar o ambiente histórico e a cultura dos povos antigos, através de escavações e do estudo de documentos por eles deixados. Essa ciência tem ajudado na identificação dos lugares e no estabelecimento de datas, identificando a existência de personagens históricos que antes só se conhecia através da Bíblia, tem contribuído para o melhor conhecimento de antigos costumes e idiomas, aspectos culturais e sociais de povos antigos, e tem trazido luz sobre o significado de numerosas palavras bíblicas, aumentado nosso entendimento sobre certos pontos doutrinários do Novo Testamento, e silenciado progressivamente certos críticos que sempre colocaram em dúvida a credibilidade dos relatos bíblicos. Começamos citando uma das maiores autoridades em arqueologia bíblica, o renomado arqueólogo judeu Nelson Glueck: “Pode-se afirmar categoricamente que até hoje nenhuma descoberta arqueológica contradisse qualquer informação dada pela Bíblia”. E prossegue comentando a “incrível fidelidade da memória histórica da Bíblia, especialmente quando corroborada pelas descobertas arqueológicas”. [22] William F. Albright, também conhecido por sua grande reputação como um dos grandes arqueólogos, afirma: “Não pode haver dúvida alguma de que a arqueologia tem confirmado a historicidade substancial da tradição do Antigo Testamento”. [23] Albright ainda acrescenta: “Progressivamente o exagerado ceticismo para com a Bíblia foi sendo desacreditado, por parte de importantes sistemas históricos, sendo que alguns aspectos de tais sistemas ainda se manifestam periodicamente. Uma descoberta após a outra tem confirmado a exatidão de incontáveis detalhes e tem feito com que a Bíblia receba um reconhecimento cada vez maior como fonte histórica”. [24] Millar Burrows, da Universidade de Yale, comenta: “Em muitos casos a arqueologia tem refutado as opiniões de críticos modernos. Ela tem demonstrado em vários casos que essas opiniões repousam sobre pressuposições falsas e esquemas irreais e artificiais.[25] F.F Bruce acrescenta que, “em sua maior parte, o serviço que a arqueologia tem prestado ao estudo do Novo Testamento é completar as lacunas no conhecimento do contexto histórico, social e cultural, com o que poderemos ler o Novo Testamento com uma compreensão e uma apreciação maiores. Esse contexto é um contexto do primeiro século. A narrativa do Novo Testamento simplesmente não se encaixa num contexto do segundo século”. [26] O famoso arqueólogo e teólogo Merrill Unger faz um resumo: “A arqueologia do Antigo Testamento tem redescoberto nações inteiras, tem ressurgido povos importantes e, de um modo bem surpreendente, tem preenchido vazios históricos, aumentando imensuravelmente o conhecimento do contexto histórico, social e cultural da Bíblia”. [27] Vamos analisar algumas descobertas da arqueologia que confirmam a confiabilidade da Bíblia sob diversos aspectos. Mostrando que não faltam evidências em favor da Bíblia. Antigo Testamento Foi divulgado em 2017 pela Biblical Archaeology Society, um artigo do professor Lawrence Mykytiuk, onde são atestados pelo menos 53 personagens bíblicos do Antigo Testamento que foram confirmados por descobertas arqueológicas.[28] Dentre eles vários antigos reis de Israel como Davi, Uzias e Ezequias, os sumos sacerdotes Azarias e Hilquias, dentre faraós egípcios, reis persas, assírios e babilônicos. Mykytiuk escreve que essas figuras “mencionadas na Bíblia foram identificadas no registro arqueológico. Seus nomes aparecem em inscrições escritas durante o período descrito pela Bíblia e na maioria dos casos durante ou muito perto da vida da pessoa identificada ”. As descobertas foram datadas e confirmaram a época em que os fatos bíblicos foram narrados. No estudo são mencionados todos os achados e suas referências bíblicas. Os tabletes de Ebla Um achado arqueológico interessante que diz respeito à crítica bíblica são os tabletes de Ebla, recentemente descobertos. A descoberta foi feita no norte da Síria por dois professores da Universidade de Roma, os doutores Paolo Matthiae, arqueólogo, e Giovanni Petinato, especialista em epigrafia. Desde 1974, têm sido escavados e encontrados 17.000 tabletes do período do reino de Ebla. Levará algum tempo até que se faça uma pesquisa significativa para estabelecer a relação entre Ebla e o mundo bíblico. No entanto, algumas contribuições valiosas já foram feitas à crítica bíblica. Um exemplo adicional da contribuição da descoberta de Ebla diz respeito a Gênesis 14, texto que durante anos tem sido considerado pouco confiável do ponto-de-vista histórico. A vitória de Abraão sobre Quedor-laomer e os reis mesopotâmicos tem sido descrita como fictícia e as cinco cidades da planície (Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Zoar) como lendárias. No entanto, os arquivos de Ebla se referem a todas as cinco cidades da planície, e um tablete relaciona as cidades numa sequência idêntica a de Gênesis 14. O ambiente descrito nos tabletes reflete a cultura do período patriarcal e descreve que, antes da catástrofe registrada em Gênesis 14, a área era uma região florescente, que experimentava prosperidade e progresso, o que também está registrado em Gênesis. As tábuas de Ebla também confirmaram o culto aos deuses pagãos, como Baal, Dagom e Asera, que antes  só eram conhecidos pela narrativa da Bíblia. Os Amuletos de Ketef Hinnom Ketef Hinnom é composto por uma série de câmaras funerárias, localizadas a sudoeste da Cidade velha de Jerusalém, na estrada para Belém. Em 1979, os arqueólogos fizeram uma descoberta importante: duas placas de prata enroladas com textos escritos em hebraico antigo. Acredita-se que esses itens tenham sido usados como amuletos e tenham sido datados do século VII a.C, sendo considerados uns dos textos bíblicos mais antigos. Em um dos amuletos havia o tetragrama (YHVH), o nome sagrado de Deus na Bíblia Hebraica. E também a benção sacerdotal contida na Bíblia em Números 6: ” O Senhor te abençoe e te guarde; O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.” Essa descoberta é importante para colocar fim a algumas acusações de que o Antigo Testamento foi escrito posteriormente, é uma prova concreta de referência a um texto bíblico extremamente antigo. O obelisco negro de Salmanaser III É um artefato que o arqueólogo Henry Layard encontrou na antiga cidade de Nínive, o assim chamado um dos mais antigos artefatos arqueológicos a se referir a um personagem bíblico: o rei hebreu Jeú (2Reis 9 e 10). Data de 841 a.C. e se encontra atualmente no Museu Britânico de Londres. Este artefato mostra um desenho do rei Jeú prostrado diante de Salmaneser III, oferecendo tributo, sendo um relato condizente com as passagens bíblicas de 2 Reis 10. Os textos de Balaão Fragmentos de escrita aramaica foram encontrados em Tell Deir Allá (provavelmente a cidade bíblica de Sucote). Juntos eles trazem um episódio na vida de “Balaão filho de Beor” – provavelmente o mesmo Balaão que a Bíblia narra em Números 22.  Os textos ainda descreviam uma de suas visões, indicando que os cananitas mantiveram lembrança desse profeta. Selo do profeta Isaías De acordo com a arqueóloga da Universidade Hebraica Dra. Eilat Mazar, sua equipe descobriu a minúscula bula, ou impressão de selo, no Ophel, localizado no sopé da encosta sul do Monte do Templo.  Na pequena peça, com menos de um centímetro, a observa-se a figura do que parece ser um cordeiro e a frase “motivo de bênção e proteção encontrado em Judá, particularmente em Jerusalém”. Contudo, por estar quebrada, precisa ser melhor estudada antes de um “veredito” final. A esperança é encontrarem o pedaço restante ou outra igual. Na sua porção legível, há uma inscrição com as letras hebraicas usadas no período do Primeiro Templo, que parecem soletrar l’Yesha’yah [Pertence a Isaias]. Na linha abaixo, há a palavra parcial nvy, que significaria “profeta”. Como a bula está ligeiramente danificada no final da palavra nvy, não se sabe com certeza se originalmente terminava com a letra hebraica aleph, escrevendo a palavra hebraica para ‘profeta’ e não restaria dúvida que aquele era o selo usado como a assinatura do profeta Isaías”, esclarece Mazar.[29] Estela de Merneptah Coluna comemorativa, datada de cerca de 1207 a.C., que descreve as conquistas militares do faraó Merneptah. Israel é mencionado como um dos inimigos do Egito no período bíblico dos juízes, provando que Israel já existia como nação neste tempo, o que até então era negado pela maioria dos estudiosos. É a menção mais antiga do nome “Israel” fora da Bíblia. Os Hititas Os hititas representaram um papel proeminente na história do Antigo Testamento. Eles interagiram com personagens bíblicos desde Abraão até Salomão. São mencionados em Gênesis 15:20 como um povo que habitava a terra de Canaã. 1 Reis 10:29 registra que eles compravam carruagens e cavalos do rei Salomão. Os hititas foram uma força considerável no Oriente Médio desde 1750 a.C. até 1200 a.C. Até o fim do século 19, nada se sabia a respeito dos hititas fora da Bíblia, e muitos críticos alegavam que eles eram uma invenção dos autores bíblicos. Em 1876 uma descoberta dramática mudou esta percepção. Um estudioso britânico chamado A. H. Sayce encontrou inscrições gravadas em rochas na Turquia. Ele suspeitou que pudessem ser evidência da nação hitita. Dez anos depois, mais tábuas de argila foram encontradas na Turquia, em um lugar chamado Boghaz-koy. O especialista alemão em escrita cuneiforme, Hugo Winckler, investigou as tábuas e começou a sua própria expedição no sítio em 1906. As escavações de Winckler revelaram cinco templos, uma cidadela fortificada e diversas esculturas maciças. Em uma despensa, ele encontrou mais de dez mil tábuas de pedra. Um dos documentos provou ser um registro de um acordo entre Ramessés II e o rei hitita. Outras tábuas mostravam que Boghaz-koy era a capital do reino hitita. Seu nome original era Hattusha e a cidade abrangia uma área de 300 acres. A nação hitita havia sido descoberta! O Império Hitita fazia tratados com civilizações que conquistava. Duas dúzias desses tratados já foram traduzidos e fornecem um melhor entendimento dos tratados do Antigo Testamento. A descoberta do Império Hitita em Boghaz-koy tem melhorado significativamente o nosso entendimento acerca do período patriarcal. Dr. Fred Wright resume a importância deste achado com respeito à historicidade bíblica: “ Ora, a imagem bíblica acerca deste povo se encaixa perfeitamente com o que sabemos a respeito da nação hitita a partir dos monumentos. Como um império, eles nunca conquistaram a terra de Canaã propriamente, embora as tribos hititas locais se estabelecessem ali uma data antiga. Nada do que foi descoberto pelos escavadores em qualquer aspecto tem desacreditado o relato bíblico. A exatidão da Escritura uma vez mais tem sido comprovada pelo arqueólogo.” [30] Sodoma e Gomorra A história de Sodoma e Gomorra tem sido considerada uma lenda. Os críticos assumem que ela foi criada para comunicar princípios morais. Contudo, por toda a Bíblia esta história é tratada como um evento histórico. Os profetas do Antigo Testamento se referem à destruição de Sodoma em diversas ocasiões (Dt 29:23; Is 13:19; Jr 49:18), e essas cidades representam um papel fundamental nos ensinos de Jesus e dos Apóstolos (Mt 10:15; 2 Pe 2:6 e Judas 7). O que a arqueologia tem descoberto para estabelecer a existência dessas cidades? Os arqueólogos têm pesquisado a região do Mar Morto durante muitos anos em busca de Sodoma e Gomorra. Gênesis 14:3 dá a sua localização como sendo no Vale de Sidim, conhecido como Mar Salgado, outro nome para o Mar Morto. Em 1924, o famoso arqueólogo Dr. William Albright escavou este sítio, procurando Sodoma e Gomorra. Ele descobriu que se tratava de uma cidade fortemente guarnecida. Embora relacionasse esta cidade com a das “Cidades das Planícies” bíblicas, ele não pode encontrar evidências conclusivas para justificar esta suposição. Mais escavações foram feitas em 1965, 1967 e 1973. Os arqueólogos descobriram uma muralha de 23 polegadas de espessura em torno da cidade, juntamente com inúmeras casas e um grande templo. Do lado de fora da cidade havia imensos sítios tumulares onde milhares de esqueletos foram desenterrados. Isto revelou que a cidade era bem populosa durante o começo da Era do Bronze, em torno do tempo em que Abraão teria vivido. Mais intrigante era a evidência de que um imenso incêndio havia destruído a cidade. Esta jazia soterrada sob uma camada de cinzas com vários pés de espessura. Um cemitério de um quilômetro do lado de fora da cidade continha restos carbonizados de telhas, pilares e tijolos avermelhados pelo fogo. Dr. Bryant Wood, ao descrever esses cemitérios, disse que um fogo começou nos telhados dessas construções. Eventualmente, o teto em chamas desmoronou para o interior e espalhou-se pela construção. Este era o caso em todas as casas que eles escavaram. Uma destruição pelo fogo tão imensa se igualaria ao relato bíblico de que a cidade fora destruída por fogo que choveu desde o céu. Wood declara: “A evidência sugeriria que este sítio de Bab edh-Drha é a cidade bíblica de Sodoma”. Cinco cidades da planície são mencionadas em Gênesis 14: Sodoma, Gomorra, Admá, Zoar e Zeboim. Vestígios destas outras quatro cidades também são encontrados junto ao Mar Morto. Seguindo um caminho em direção ao sul desde Bab edh-Drha, há uma cidade chamada Numeria. Continuando para o sul, está a cidade chamada es-Safi. Mais para o sul estão as antigas cidades de Feifa e Khanazir. Estudos nestas cidades revelaram que elas haviam sido abandonadas ao mesmo tempo, por volta de 2450-2350 a.C. Muitos arqueólogos acreditam que, se Bab edh-Drha é Sodoma, Numeria é Gomorra, e es-Safi é Zoar. O que fascinou os arqueólogos é que estas cidades estavam cobertas pela mesma cinza que Bab edh-Drha. Numeria, que se acredita ser Gomorra, tinha sete pés de cinza em alguns lugares. Em cada uma das cidades destruídas, depósitos de cinza transformaram o solo em um carvão vegetal esponjoso, tornando impossível a reconstrução. De acordo com a Bíblia, quatro das cinco cidades foram destruídas, permitindo que Ló fugisse para Zoar. Zoar não foi destruída pelo fogo, mas foi abandonada durante este período. [31] Os Tabletes de Nuzi Gênesis 16 nos diz que a esposa de Abraão, Sarai, não podia ter filhos. Ela concordou que Abraão poderia ter uma segunda esposa para gerar um filho: sua serva egípcia chamada Hagar. Esta prática é atestada em muitos textos encontrados por arqueólogos. Os textos de Alalakh  e até mesmo o Código de Hamurabi concordam que a aquisição de um filho dessa maneira era um costume aceito. Os tabletes de Nuzi são um grupo de textos particularmente relevantes para este episódio. Datadas da segunda metade do século XV a.C, foram recuperadas de um antigo sítio hurúrico no atual Iraque. Esses textos mencionam que uma esposa estéril poderia fornecer uma escrava ao marido para gerar um filho. [32] Fato que corrobora perfeitamente com a narrativa bíblica. O Papiro de Ipuwer O Papiro Ipuwer é um antigo papiro Egípcio. É atualmente mantido na Rijksmuseum van Oudheden de Leyden, na Holanda. O manuscrito data de aproximadamente 1300 a.C como provável uma transcrição de um texto anterior do século XIX e XVII a.C. Este descreve motins violentos no Egito, fome, seca, fuga de escravos com as riquezas dos egípcios e morte ao longo da sua terra. Pela descrição, narra do ponto de vista egípcio de quem foi testemunha das pragas como as do Êxodo. Existem muitas descobertas arqueológicas que ainda poderiam ser citadas que corroboram a existências de vários aspectos culturais, cidades, personagens, tradições e etc. Mas já podemos ter uma boa noção que o Antigo Testamento é uma narrativa histórica que se sustenta sobre uma grande camada de evidências em seu favor. A arqueologia é uma grande aliada ao relato bíblico, por séculos a Bíblia sempre foi posta a prova e desacreditada, mas sempre que uma nova descoberta surgia, ela dava provas que sempre esteve falando a verdade e que não há motivos para essa ceticismo exagerado. O Novo Testamento É inquestionável a credibilidade de Lucas como historiador. Quem está familiarizado com o evangelho de Lucas e o livro dos Atos dos Apóstolos, ambos escritos por ele, percebe que a narrativa envolve vários lugares, viagens, detalhes culturais e até mesmo conhecimento marítimo. Merril Unger nos informa que a arqueologia tem confirmado os relatos dos Evangelhos, especialmente a narrativa de Lucas. Nas palavras de Unger, “Hoje é geralmente aceito nos círculos eruditos que Atos dos Apóstolos é uma obra de Lucas, que pertence ao primeiro século e que exigiu a dedicação de um historiador cuidadoso, o qual foi substancialmente fiel no uso de suas fontes”. [33] Sir William Ramsey é considerado um dos maiores arqueólogos que já existiu. Foi instruído de acordo com os princípios da escola histórica alemã (extremamente crítica) de meados do século dezenove. Em consequência dessa formação, ele cria que o Livro de Atos fora composto em meados do século segundo depois de Cristo. Cria nisso com grande convicção. Numa pesquisa para fazer um estudo topográfico da Ásia Menor teve que considerar os escritos de Lucas. Como consequência, devido às provas surpreendentes que sua pesquisa revelou, viu-se forçado à alteração radical de suas convicções. Sobre isso ele comentou: “Posso afirmar com absoluta certeza que comecei esta investigação sem uma ideia preconcebida em favor da conclusão que procurarei demonstrar ao leitor. Na ocasião não era meu propósito estudar o assunto minuciosamente; mas mais recentemente eu me vi em contato com o Livro de Atos, tendo-o como uma autoridade sobre a Ásia Menor em questões de topografia, e de usos e costumes da antiguidade. Para mim foi ficando cada vez mais claro que, em inúmeros detalhes, a narrativa revelava ser maravilhosamente verdadeira. Aliás, principiando com uma ideia fixa de que a obra era essencialmente uma composição do segundo século e jamais aceitando que seus dados refletissem as condições do primeiro século, pouco a pouco vim a descobrir nesse livro um útil aliado na investigação de alguns pontos obscuros e difíceis”.[34] Ramsey ainda acrescenta: “O relato de Lucas, em termos de fidedignidade, não tem rival”.[35] Em certa época cria-se que Lucas havia errado completamente nos acontecimentos que ele apresentou como ocorridos à mesma época do nascimento de Jesus (Lucas 2:1-3). Os críticos afirmavam que não houve censo algum, que Quirino não era governador da Síria àquela época e que ninguém teve que voltar à terra natal de sua família para se recensear. Primeiro, as descobertas arqueológicas revelaram que os romanos regularmente promoviam cadastramento de contribuintes de impostos e também realizavam censos a cada 14 anos. Na verdade essa prática começou sob o reinado de Augusto e ocorreu pela primeira vez em 23-22 a.C. e/ou em 9-8 a.C. Esta última data é provavelmente aquela a que Lucas se refere. Segundo, temos indícios de que Quirino foi governador da Síria por volta de 7 a.C. Esta pressuposição baseia-se numa inscrição encontrada em Antioquia, que identifica Quirino com esse posto. Em consequência desse achado, atualmente se supõe que ele foi governador duas vezes — a primeira vez em 7 a.C. e a outra em 6 A.D. (a data atribuída por Josefo).[36] Inicialmente os arqueólogos acreditavam que Lucas estava errado ao afirmar que Listra e Derbe ficavam na Licaônia, enquanto Icônio não ficava. (Atos 14:6). Baseavam sua crença em escritos de romanos, tais como os de Cícero, que indicavam que Icônio ficava também na Licaônia. Por isso, os arqueólogos diziam que o Livro de Atos não era confiável. Em 1910, contudo, Sir William Ramsey encontrou um monumento que mostrava que Icônio era uma cidade da Frígia. Descobertas posteriores confirmaram essa informação.[37] Entre outras referências históricas feitas por Lucas, encontra-se a menção a Lisânias, tetrarca de Abilene (Lucas 3:1), menção que é identificada com o início do ministério de João Batista, em 27 d.C. O único Lisânias conhecido dos historiadores da antiguidade era um que foi morto em 36 a.C. Contudo, uma inscrição encontrada perto de Damasco registra um “liberto de Lisânias, o Tetrarca”, a qual é datada do período entre 14 e 29 d.C.[38] Lucas escreve sobre o tumulto em Éfeso e descreve a realização de uma assembleia (ecclesia) civil num teatro (Atos 19:23). Os fatos são que a assembleia realmente se reunia naquele local, conforme se vê numa inscrição sobre estátuas de prata de Artemis (Diana), as quais deviam ser colocadas no “teatro durante uma reunião formal da Ecclesia”. Feitas as escavações, comprovou-se que o teatro tinha espaço para comportar 25.000 pessoas. Lucas também relata um tumulto ocorrido em Jerusalém pelo fato de Paulo levar um gentio ao templo (Atos 21:28). Encontraram-se inscrições em latim e em grego com os seguintes dizeres: “Nenhum estrangeiro tem permissão para atravessar o muro que cerca o templo e a área adjacente. Quem quer que for surpreendido nessa falta será pessoalmente responsável pela morte que lhe advirá”. Mais uma vez comprovou-se que Lucas estava certo. [39] Muitos estudiosos haviam criticado a escolha que Lucas fez da palavra ‘procônsul’ como título para Gálio (Atos 18:12), mas mais uma vez ele estava correto, como comprova a inscrição de Delfos, que num trecho diz: “Lúcio Júnio Gálio, meu amigo e procônsul da Acaia…”. Junius Gálio, foi procônsul da Acaia no ano de 52 d.C, sua historicidade é confirmada pela arqueologia e pelas cartas trocadas com seu irmão, o grande filósofo romano Sêneca. Em uma tese na Universidade de Paris, de 1905, Emile Bourget publicou quatro fragmentos de uma inscrição de Delfos. A inscrição menciona claramente Gálio como procônsul (anthupatos) da Acaia e a 26º aclamação do César.  Isso levanta a interessante possibilidade de datar o evento que Atos descreve. A 26ª aclamação do Cesar deveria ter ocorrido no primeiro semestre do ano 52.  O procônsul normalmente servia apenas um ano e iniciava-se seu mandato na primavera. Portanto, esse fato coloca Atos 18 como uma fonte histórica sólida no ano de 52. [40] Lucas trata Públio, o principal líder em Malta, pelo título de “homem principal da ilha” (Atos 28:7). Através de escavações descobriram-se inscrições que lhe conferem o título de “homem principal“.[41] Uma vez que a palavra ‘politarxes‘ não é encontrada na literatura clássica, mais uma vez pressupôs-se que Lucas estivesse errado. No entanto, foram encontradas cerca de dezenove inscrições que empregam o título. Curiosamente, cinco dessas inscrições referem-se às autoridades de Tessalônica.[42] Não é de admirar que E. M. Blaiklock, professor de Literatura Clássica na Universidade de Auckland, chegue à conclusão de que “Lucas é um historiador da mais alta capacidade, com todo o direito de ser colocado entre os grandes escritores gregos”.[43] Vimos que Lucas era um historiador fantástico. Nos seus escritos são mencionados dezenas de figuras políticas, que foram sendo confirmadas por dezenas de descobertas arqueológicas e referências históricas extra bíblicas. Erasto, administrador de Corinto. Erasto é mencionado em três ocasiões, na Bíblia, Atos 16.21,Timóteo 4.20 e Romanos 16:23. Na passagem em Romanos, é relatado “Erasto, procurador da cidade”. Paulo estava na cidade de Corinto quando escreveu a cartas aos Romanos. Em 1929, entre as ruínas escavadas da Corinto antiga foi descoberta uma inscrição em um bloco de mármore usado para calçamento de uma praça, contendo uma inscrição em latim que declara ser ele [Erasto] o encarregado de obra pública. Está escrito “ERASTVS. PRO. AED. SP STRAVIT”, uma abreviatura de “Erasto PRO AEDILITATE SUA pecunia STRAVIT”. Traduzido: “Erasto, comissário de obras públicas, custeou as despesas dessa pavimentação”. Erasto teria doado fundos para projetos como a construção de prédios e ruas públicas. O termo grego usado por Paulo para administrador (oikonomos),é o termo apropriado para descrever o “aedile”, ou magistrado supervisor de obras públicas, fato feito corretamente por Paulo.[44] Também se encontrou em Corinto um fragmento de inscrição que, acredita-se, continha na íntegra as palavras “Sinagoga dos Hebreus”. Pode-se imaginar que essa inscrição ficasse sobre a porta da sinagoga em que Paulo debateu sobre o evangelho (Atos 18:4-7). Uma outra inscrição de Corinto menciona o “mercado de carne” da cidade, ao qual Paulo se refere em 1 Coríntios 10:25. Assim, graças às inúmeras descobertas arqueológicas, a maioria das antigas cidades mencionadas no livro de Atos tem sido identificada. Como resultado dessas descobertas, hoje é possível identificar com precisão o trajeto percorrido por Paulo em suas viagens. [45] O poço de Betesda Outro local sem qualquer registro a não ser no Novo Testamento, pode agora ser localizado com uma boa dose de certeza, na zona nordeste da cidade velha. Em João 5: 1-15 descreve uma piscina em Jerusalém, perto do Portão das Ovelhas,  chamada Betesda, cercada por cinco colunatas cobertas. Até o século 19, não havia evidência fora do evangelho de João para a sua existência e a descrição incomum de João fez com que os estudiosos da Bíblia duvidassem da confiabilidade do relato, mas a piscina foi devidamente descoberta na década de 1930 – com quatro colunatas em torno de suas bordas e uma em seu meio. Ian Wilson relata:“ Escavações exaustivas feitas pelo arqueólogo israelense Professor Joachim Jeremias trouxeram à luz precisamente tal edifício, incluindo ainda duas enormes cisternas fundas, nos arredores da Igreja de Santa Ana.” [46] O túmulo do apóstolo Filipe Em um comunicado de imprensa a Sociedade Bíblica Arqueológica no dia 29 de julho de 2011 anunciou que: “Durante a escavação de uma igreja da era bizantina na antiga cidade grega de Hierápolis (no sudoeste moderno da Turquia), o Professor Francesco D’Andria e sua equipe arqueológica descobriram a tumba de São Filipe, um dos doze apóstolos.” [47] João Batista, profeta Citado pelo Novo Testamento como o profeta que anunciaria de vinda de Jesus, João Batista também é citado pelo historiador judeu do primeiro século Flávio Josefo como sendo homem justo, e que batizava além do Jordão e que foi morto a mando de Herodes, exatamente como a Bíblia o descreve.[48] Em 2010, o arqueólogo Kazimir Popkonstantinov, em entrevista a CNN, afirmou tem encontrado o ossuário de João Batista, com inscrições em grego antigo que mencionavam seu nome.[49] Segundo Dr Georges Kazan [do Instituto de Arqueologia de Oxford], essas relíquias foram preservadas por monges do século IV e levadas a Constantinopla. Dr Lachezar Savov, utilizando de scaners modernos, estudou o ossuário e afirma que os ossos pertenciam a um homem entre 30-40 anos e com práticas alimentares vegetarianas. Acadêmicos concordam que as evidências acumulativas mostram que o ossuário é de grande probabilidade de pertencer a João Batista. Alexandre de Cirene Quando Jesus estava no caminho para ser crucificado, os soldados romanos forçaram um homem chamado Simão de Cirene a carregar sua cruz (Mateus 27:32; Lucas 23:26). Simão teve filhos chamados Alexandre e Rufo (Marcos 15:21; Romanos 16:13). Em 1941, arqueóloga israelense Eleazar Sukenik, descobriu um túmulo a oeste de Jerusalém, com cerâmicas do século I, contendo vários nomes. Alguns nomes eram particularmente comuns em Cirenaica. As inscrições em um desses ossuários dizem: “Alexandre (filho de) Simão”. Na tampa do ossuário, há uma inscrição com o nome Alexandre em grego e, em seguida, o QRNYT em hebraico. O significado disso não está claro, mas uma possibilidade é que a pessoa que fez a inscrição tenha escrito QRNYH – o hebraico para “Cyrenian”. Tom Powers comenta: “Quando consideramos quão incomum o nome Alexander era, e note que a inscrição do ossuário o relaciona na mesma relação com Simão do Novo Testamento, e lembra que a caverna funerária contém os restos mortais de pessoas de Cirenaica, a chance de Simão a que o ossuário se refere ser ao Simão de Cirene mencionado nos Evangelhos parece altamente provável.”[50] A família Barsabás José, chamado Barsabás, era um dos seguidores de Jesus, ele disputou com Matias a vaga deixada por Judas Iscariotes para fazer parte do círculo dos doze apóstolos, mas Matias acabou sendo escolhido. Também há referência a Judas Barsabás em Atos 15:22, um outro membro da família. Achados arqueológicos modernos feitos por peritos israelenses em 2010 encontraram no Vale de Kidron, ossuários do século I com inscrições contendo nomes dos familiares e com símbolos de cruz. Professor Mazar diz: ” Essas descobertas são fascinantes, há evidências que o túmulo foi hermeticamente fechado menos de uma década após a crucificação de Jesus, quando o Novo Testamento ainda nem tinha sido escrito, provando que a Bíblia é muito consistente com as evidências arqueológicas.” [51] Alexamenos graffiti É um desenho satírico ao cristianismo primitivo, encontrado próximo ao Circus Maximus em Roma, datado aproximadamente do ano 200 d.C. O desenho exibe Alexamenos, um romano, provavelmente um soldado, adorando a um homem crucificado com cabeça de um animal como a um Deus. No grafite está escrito: “ALE XAMENOS SEBETE THEON”, que significa, “Alexamenos adora o seu Deus”.[52] Segundo historiadores, a cabeça do animal provém das críticas dos romanos aos judeus, e como o cristianismo primitivo era visto como ramo do judaísmo, daí a associação. O grafite, apesar de blasfemo, é uma das mais antigas alusões visuais de Jesus crucificado. Mostrando a incapacidade dos romanos de entender a adoração a um homem considerado Deus que tinha sido morto de tal forma. Esse grafite é interessante pois reforça algumas coisas, Jesus foi crucificado, era adorado como Deus e já havia forte presença cristã em Roma desde muito cedo. Igreja Cristã em Megido, c. 220 d.C. John Dickson relata que “Megido é o sítio do primeiro prédio de igreja já encontrado. Essa cidade comercial estratégica contém os restos de uma sala de orações Cristã datada do terceiro século. Ela contém três inscrições em mosaicos que apontam para seu uso Cristão.” Uma inscrição Grega, que se refere à mesa no centro da sala, que provavelmente era usada para a comunhão, afirma “Akeptous, que ama a Deus, ofereceu a mesa ao Deus Jesus Cristo”. O peixe que adorna o centro de um de quatro mosaicos na sala é um símbolo Cristão – a palavra ichthys (peixe em Grego): “é um anagrama das palavras Iesous Christos Theou Yios Soter: Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”. [53] Perceba que a casa já era usada como ‘domus ecclesiae’, casas que os arqueólogos acreditam ter áreas dedicadas à oração e a reunião. O mais interessante é a dedicatória contida na mesa, “ao Deus Jesus Cristo”, mostrando que a crença na divindade de Jesus é historicamente comprovada como sendo extremamente antiga e sendo atestada por fontes extra-bíblicas. Graças a arqueologia já foram identificados vários personagens do Novo Testamento, desde os famosos imperadores romanos como Otávio Augusto, Tibério, Cláudio e Nero, passando por vários membros da família do rei Herodes, como sua mulher e seus filhos, por governadores de províncias como Pôncio Pilatos e Festus, até figuras políticas independentes, como Aretas e Judas Galileu. [54] Vemos então que a arqueologia cada vez mais comprova a autenticidade do relato, mostrando que as histórias narradas são um fato histórico, e não há o menor sentido nessa crítica cética exagerada. Conclusão Creio que as evidências levantadas até aqui são mais do que suficientes para respondermos a questão levantada no início do capítulo,A Bíblia é confiável? Comparado com qualquer documento histórico da antiguidade, o Novo Testamento apresenta as melhores evidências. Maior quantidade e qualidade de cópias, as cópias mais antigas, relatos de testemunhas oculares e menor intervalo entre o evento original e as primeiras cópias. As evidências internas e externas também fornecem uma grande amostra da confiabilidade do relato bíblico. Pois nos coloca numa posição privilegiada de análise, onde podemos comparar dados de épocas diferentes sobre o mesmo assunto, ver como a mesma história permanece fiel com o passar do tempo ao seu propósito original  e como inclusive pessoa inimigas da fé cristã, acabaram corroborando com críticas a veracidade do testemunho narrado. Além dos inúmeros relatos independentes, inclusive de fontes não-cristãs, que acabam por trazer mais confirmação ao texto. E a arqueologia, que nos abastece com uma enormidade de evidências empíricas que comprovam dezenas de personagens citados nos textos bíblicos, locais, aspectos culturais e tradições. Se alguém rejeitar a Bíblia alegando não poder confiar nela, terá então que rejeitar quase toda a literatura da antiguidade. Pois nenhum outro livro religioso ou secular da antiguidade possui essa quantidade de evidências em seu favor. A exagerada crítica e rejeição da Bíblia não possui fundamento sério, é baseado em puras pressuposições, falácias e distorções. O principal argumento usado é que a Bíblia contém milagres, mas se como demonstramos no capítulo 1, se Deus existir, os milagres são plenamente possíveis. O crítico precisa apresentar melhores evidências para rejeitar a Bíblia do que simplesmente um argumento baseado numa opinião pessoal que de milagres não podem ocorrer. Esse é parte de uma série de estudos que estou fazendo. Acompanhe a página O Caminho para ficar por dentro das novidades. Compartilhe com os amigos! Ramon Serrano Referências: [1] Ralfh O. Muncaster – Examine as Evidências p. 143 [2] Stanley Lawrence, ed. Cambridge History of the Bible [3] Grady Davis, History of the world. [4] Vishal Mangalwadi , O livro que fez o seu mundo. [5] Josh McDowell, Evidência que Exige um Veredito. p.44 [6] Edwin Yamauchi, citado por Lee Strobel, Em defesa de Cristo p.49. [7] Craig Blomberg, Questões cruciais do Novo Testamento. p. 16 [8] Richard Purttill, Thinking about religion. [9] John W. Montgomery, History and Christianity. [10] F.F Bruce, The Books and the Parchments . [11] Extraído e adaptado da palestra do Dr Daniel B. Wallace, New Testment Reliability. [12] Frederic G.Kenyon, Our Bible and the Ancient Manuscripts. [13] F.F Bruce, Merece Confiança o Novo Testamento? [14] Willian L. Craig Em Guarda p.215 [15] William M. Ramsay, The Bearing of Recent Discovery on the Trustworthiness of  the New Testament. [16] Simon Greenleaf, The testimony of the evangelists p. 8. [17] Simon Greenleaf, The testimony of the evangelists p.10 [18] Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica p.74 [19] Irineu de Lyon, Contra as Heresias. [20] J. Harold Greenlee, Introduction to New Testament Textual. [21] Bruce Metzger, The Text of the New Testament. [22] Nelson Glueck. Rivers in the Desert; History of Negev. P.31 [23] ALBRIGHT, William F. Archaeology and the Religions of Israel.p.176 [24] ALBRIGHT, William F. The Archaeology of Palestine. p.127 [25] BURROWS, Millar. What Mean These Stones? p. 291 [26] BRUCE, F. F. “Archaeological Confirmation of the New Testament” p.331 [27] UNGER, Merrill F. 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Archaeological Confirmation of the New Testament p.321 [39] Ibidem p.326 [40] C.R Heines – Heathen contact with christianity its first century and half [41] Ibidem p. 325 [42] Ibidem p.326 [43] ALAIKLOCK, Edward Musgrave. The A ets of the Apostles p.98 [44] John McRay, ‘Archaeological Evidence for the New Testament’ in John Ashton & Michael Westacott. [45] COLLIER, Donald. “New Radiocarbon Method for Dating the Past p.95 [46] Ian Wilson, The Bible is History p. 170 [47] Francesco D’Andria, “Conversion, Crucifixion and Celebration,” Biblical Archaeology Review, July/August 2011. [48] Flávio Josefo, Antiguidades judaicas 7.p.489. [49] Kazimir Popkonstantinov quoted by Simon Hooper, ‘Are these the bones of John the Baptist?’ [50] Tom Powers, in the July / August 2003 issue of Biblical Archaeology Review [51] Jerusalem Christian Review (December 2000 online edition) [52] Alan Millard, ‘The First Christians – Archaeologically Invisible?’, Faith & Thought, October 2008, No.45, p.9. [53] John Dickson & Greg Clarke, Life of Jesus Guidebook p.120. [54] biblicalarchaeology.org/daily/people-cultures-in-the-bible/people-in-the-bible/new-testament-political-figures-the-evidence/

  • A TORTURA NA INQUISIÇÃO FOI UMA ATROCIDADE EM COMPARAÇÃO AOS SÉCULOS XX E XXI?

    A TORTURA NA INQUISIÇÃO FOI UMA ATROCIDADE EM COMPARAÇÃO AOS SÉCULOS XX E XXI? Vamos estudar uma questão que tem sido falado com muita incoerência, seriam elas, as torturas praticadas na Inquisição, vou fazer uma comparação com o que aconteceu no século XX e XXI, é veremos se o que ocorreu na Inquisição foi realmente a maior atrocidade que já ocorreu na humanidade, este é o primeiro, os seguintes serão divididos em século XX e XXI. Vamos ver os resultados das últimas pesquisas realizadas do Simpósio Internacional sobre a Inquisição: das atas analisadas por mais de meia dúzia de historiadores das mais diversas Vertentes, concluiu-se que apenas 0,7% dos processados foi submetido à tortura. Documentário da BBC: os especialistas desta pesquisa concluem que “eram muito raras as vezes em que se submete um réu à tortura”. Stephen Haliczer: este professor americano, investigando minuciosamente os arquivos existentes, descobre que de 7 mil casos apenas se aplicou a tortura a acerca de 2% do total de processados.(Stephen Haliczer, A Inquisição, jornal Ele país [Espanha], Madrid, 3 de novembro de 1998). Bartolomé Bennassar: este conhecido hispanista, pouco simpático a Inquisição, calcula a tortura entre 7 e 11% (L’Inquisition espagnole, XV-XIX siècle, Paris, 1979). Vittorio Mesori: jornalista italiano converso proveniente do ateísmo militante autor de vários de euros afirma que france permitindo a tortura muito raramente. As condenações à morte e as torturas foram a exceção: as imagens que todos temos dos tormentos e vimos nos livros da escola foram impressos em amsterdã e Londres, alentadas pela propaganda protestante no contexto da luta contra a espanha pela hegemonia no atlântico ( Vittorio Mesori, ” Às voltas com a Inquisição”, Jornal Lá Razón, Madrid, 9 de junho de 2005). Maria Jacinta: calcula em cerca de 10% os casos que investigou. ( “A tortura -continua a jornalista venezuelana Maria Jacinta – não foi tão frequente como se se acreditou, pois as atas apontam que a inquisição torturou 10 % dos casos. Menciona-se que morriam mais suspeito de bruxaria nos países protestantes nas mãos dos tribunais civis do que em países católicos nas mãos da Inquisição. Esta queimou por suposta bruxaria 59 mulheres na espanha, 36 na itália e 4 em portugal, ao passo que na Europa os tribunais civis julgaram pelo mesmo delito cerca de 100 mulheres. Destas, 50 mil foram condenadas, 25 mil apenas na alemanha, a pira purificadora, durante o século XVI, pelos protestantes seguidores de martinho lutero. Henry Kamen: assim como havia apontado charles Lea no princípio do século passado, assinala que até 1530 – época mais ativa e rigorosa do tribunal – a Inquisição espanhola enpregou a tortura em cerca de 2 ou 3% dos casos. Jean dumont: calcula a aplicação de tortura, conforme a documentação dos tribunais de Valência e Toledo, em não mais do que 1 ou 2% dos casos. Alfonso Juncos: em seu reconhecido ensaio “Inquisição sobre a Inquisição”, conclui o seguinte: “ao lado das crueldades pavorosas cometidas em outros tribunais – queimar as extremidades, arrancar as unhas, prensar os pés, derramar chumbo derretido na boca, olhos ou orelhas -, frente aos horrores que na inglaterra protestante do século XVI eram realizadas por henrique VIII ou elizabeth I, o tormento habitual no santo ofício assume uma enorme suavidade relativa. Todos os historiadores sérios calculam em uma média de 2 a 3 % a quantidade de processados submetidos a tortura. É impossível mencionar a todos, mas bastam os nomes de Menéndez y pelayo, Tuberville, Fidel Fita, Pinta Llorente, Dedieu, Juan Antônio Escudeiro, Tomás y Valiente, Scandal Bonet e Perez Villanueva. (Estes dados voltam a dirigir-nos para o número real de executados: 1. Thomas Walsh: em todo o reinado de Isabel na Espanha foram queimados aproximadamente 2.000 pessoas [contando todo tipo de herege],e mil e quinhentos foram reconciliados. Na Andaluzia, entre 1481 e 1488, foram queimados 700, incluindo 3 Sacerdotes 4 frades, etc.; 2. Beatriz Camella, autora do livro A Inquisição espanhola [Rialp, 1988; 3° edição em novembro de 1999], livro crítico que não pôde ser chamado de apologia: “embora parciais, são mais próximos à realidade os estudos dos professores Henningsen e Contreras sobre 50.000 causas abertas entre 1540 e 1700; concluem que foram queimadas 1.346 pessoas, 1,9% do julgados. É possível, embora a cifra não seja definitiva, que os executados ao longo da história do tribunal tenham sido cerca de 5.000”; 3. Ana Maria Splendiani e outros: “O Tribunal da Inquisição de cartagena das índias, em seus 200 anos de atividade, condenou seis pessoas à fogueira em toda a sua existência, segundo mostram as atas de todos os seus processos, acrescentando que inclusive a suprema modificada muitas das sentenças e decisões que chegavam à Espanha, mandando levantar desterros, reduzir anos de condenação às galés ou à prisão, e ordenando a devolução de multas; De la pinta Llorente: “aquele que antepõe a todas as coisas a honra e a glória de Deus e a vigência de uma ordem moral -coisas fundamentais para todo homem e para todo país – há de admitir e reconhecer as exelências de uma instituição nacional e castiça, justa e honrada, apesar de todas as colúnias os inimigos da espanha” (em torno a lá inquisicion aragonesa, pg. 110); 5. J. H. Elliot “nem a posição social nem a alta dignidade pública podiam salvar das garras da inquisição os judeus conversos suspeitos. Embora a possibilidade de serem torturados e executados era real, a cifra de acusados condenados à morte compreendia uma pequena minoria (L. W. Callahan, religião é igreja no mundo hispânico, edições crítica, 1991); 6. Benjamin D. Wilker: este professor e teólogo americano, que selecionou, entre outros lugares, na Marquette University, St. Mary’s univerty e Thomas Aquinas college, afirma que não houve mais do que 3 mil a 5 mil executados pela inquisição em toda a sua história. AS TORTURAS NO SÉCULO XX COMPARADAS À INQUISIÇÃO Este é o segundo texto em que falo sobre tortura, estes textos estão sendo feitos para desmistificar as aulas que temos nas faculdades e nas escolas, e que muitos protestantes nos acusam de termos feito uma atrocidade para a humanidade. Veremos que a atrocidade foi realizada no século 20 e nos dias atuais, não sejamos hipócritas em nos achar melhores que as pessoas que viveram à 500 ou 700 anos atrás, vamos analisar os fatos de acordo com o contexto histórico da época, hoje vivemos num mundo com muita informação disponível, uma grande quantidade de organizações envolvidas na defesa dos direitos humanos, é estamos muito bem esclarecidos das sequelas que uma tortura pode causar, e de ser desnecessária usá-las nos dias atuais, temos outros meios para punir aqueles que fazem mal à sociedade, temos o genocídio dos armênios, que pouco é falado, temos o genocídio nazista em que morreram milhões de pessoas, não apenas judeus, mas católicos e entre outros, temos o holodomor na Ucrânia que não vemos nenhum Professor falar desse momento horrível da história recente, mas sempre falam da Inquisição, então vamos ao texto. Proclamava Victor Hugo, por volta de 1874, que a tortura havia deixado de existir. Lamentavelmente a opinião do famoso poeta estava distante da realidade. Não se havia deixado de empregar a tortura, mas justamente naqueles anos estava adquirindo gradualmente um outro impulso com muito mais vigor cujo primeiro impulso surgiram com as chekas comunistas. Sem pretender traçar uma história da TORTURA, é necessário mencionar, ao menos, algumas generalidades, especialmente no que diz respeito aos séculos XX e XXI, onde a teoria, na maioria das vezes, contradisse a prática. Para tratar de um assunto tão polêmico, a melhor maneira é de recorrer a verdadeiros cientistas de renome Mundial neste Campo. São alguns deles: Alec Mellor, Piero Fiorelli, Franz Bocle, Jacques Pohier, e o nosso contemporâneo Edward Peters, o qual em seu completíssimo trabalho “A tortura” repassa, entre comentários próprios, a estes e outros autores, mencionando as diferentes declarações, pactos, tratados e informes referentes à tortura no século XX. Quanto a seu surgimento no século XX, sugeria Alec Mellor três causas fundamentais: “o crescimento de estados totalitários que culminaram na URSS, a importância do acúmulo de informações e métodos especiais de interrogatório como resultado de métodos bélicos modernos e, por último, a influência do “asianismo”. A respeito da situação na URSS, cita a declaração do primeiro diretor das Chekas, Feliks Edmundovich Dzerhinsky: “não temos nada em comum com o tribunal militar revolucionário (…). Trabalhamos para o terror organizado -devemos declará-lo francamente -, pois o terror é abssolutamente indispensável nas atuais condições evolucionárias. Algumas das torturas inventadas por eles, e frequentemente empregadas, segundo comenta Peters, eram: “escalpelar e esfolar as mãos; algumas das vítimas da Cheka de Veronezh eram colocadas nuas em um barril cheio de pregos, o qual era rolado; outros eram marcados na Fronte com uma estrela de 5 pontas feita a ferro e Brasa, enquanto os membros do clero eram ‘Coroados’ com arame farpado”. O testemunho do escritor Russo (antiestalinista) Alexander solzhenitsyn, preso e torturado selvagemente durante anos nos gulags (campos de concentração comunistas), é particularmente significativo. Em seu célebre “arquipélago gulag”, Conta outra das infernais práticas do regime. Assinala, por exemplo, que a forma habitual de tortura para a cumuladores de ouro na década de 1920 era a ingestão forçada de arenque salgado. Outra tortura frequente consistia em colocar um cilindro com a extremidade aberta contra o peito de um prisioneiro, com um rato na outra extremidade, que era fechada com uma tela metálica. Quando o tubo é aquecido, o rato em seu desespero para escapar, abria caminho mordendo a carne do prisioneiro. É de notar-se que esta prática será admitida algum tempo depois pelas próprias oficinas particulares e publicações da Cheka. A Cheka da cidade de kharkov, conta Mellor, havia instalado a câmara de torturas uma velha cozinha: “descobriram-se numerosos instrumentos e, nos arredores, até 107 cadáveres, alguns em tal estado que nem os médicos legistas puderam reconstituir exatamente os complicados processos empregados na tortura daqueles pobres coitados”. Eram tão terríveis os procedimentos soviéticos, especialmente os stalinistas, que muitos acusados optavam antes pelo suicídio do que a responder certos “interrogatórios”. Assim, conta o mesmo historiador, houve quem se suicidou enfiando a cabeça é uma estufa acesa. Durante todo o regime comunista (mais de 70 anos), as torturas fármacológicas e psicológicas foram habituais. Não se pense que isto aconteceu apenas nas regiões comunistas de obediência Russa. O comunismo cubano será tão sanguinário quanto o stalinismo. “O açougueiro”, por exemplo, era uma das denominações com que seus companheiros se referiam ao assassino Che Guevara. Estes abusos foram relatados com detalhes precisos por vários exilados e prisioneiros políticos da Ilha de Cuba. O poeta cubano Armando valladares, preso por mais de 22 anos, resume o funcionamento do “Centro de exterminação e experimentação biológica” da prisão de Puerto boniato, a mais desumana das prisões de Cuba, assim como a violência sofrida por vários meninos, especialmente um de 12 anos que se encontrava preso em uma cela próxima à sua. Um caso de grande repercussão, familiar aos argentinos, embora deliberadamente silenciado como tantos outros, foi o da selvagem tortura física e psicológica infligida pelo (movimento terrorista marxista) ao major Julío argentino Del Valle larrabure, durante o ano que durou seu desumano cativeiro, sem interrupção, durante o governo constitucional de Isabel Perón. Sua cela contava com 1 metro e meio de comprimento e de largura. Apesar de sua grave asma, conseguiu resistir cristãmente, com a força dos Mártires católicos, até que finalmente foi executado. Certamente, os comunistas não foram os únicos a praticarem a tortura. Nações como França, Inglaterra e estados unidos, que se cabam de uma tradição abolicionista, recorrerão a ela de forma sistemática. A primeira, a França especialmente na Argélia, embora também se detecten numerosas torturas a nativos no começo do século no Congo,sem esquecermos os excessos criminosos de sua polícia, especialmente os realizados pela célebre D. S. T. A segunda, a Inglaterra, em quase todas as suas colônias. Na áfrica do sul a morte dos prisioneiros nativos por tortura era frequente, pela forma selvagem como era aplicada. O “caso Bulfontein” é uma demonstração clara disto. São conhecidos por todos, pois estão devidamente documentados, a infinidade de casos de tortura controle irlandeses que manifetavam sua recusa à ocupação britânica naquele país, particularmente pelas mãos do M15/16 (serviço de inteligência britânico). Não se deve esquecer aquelas aplicadas nos séculos XIX na índia, sob sua administração, quando a polícia colonial torturava até a morte tanto nativos como prisioneiros. Disto se daria conta no relatório dos comissionados para a investigação de casos presumido de tortura na presidência de Madras. Quanto aos EUA, o relatório Wickesham (report of the national commission on law observance and enforcamento) descreve com enormes e espantosos detalhes o caráter coecirtivo das práticas policiais. O mesmo foi observado em outras épocas por historiadores como o protestante hoffmann Nickerson, que recorda os frequentes fichamentos de negros, o católico Thomas Walsh e todos os estudiosos da história da tortura. Deve-se notar que o caso da frança argélia será investigado graças às denúncias de diversos Sacerdotes católicos. No caso da Inglaterra anglicana e dos EUA predominantemente protestantes, não se registra nenhuma denúncia ou tentativa séria de investigar os fatos por parte das autoridades religiosas ou civis. A verdade é que se poderia mencionar centena de outros casos que envolvem praticamente todas as nações mais poderosas mundo, mas para não ficar um texto muito grande vamos apenas falar dos que já foi citado. O mais grave do caso é que existem, ao mesmo tempo, dezenas de diferentes tratados internacionais que estes mesmos estados subscrevem, e que proíbem terminantemente a tortura. Por exemplo em 1958, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que havia sido ampliada no artigo 55 da carta, dando origem a mais 30 artigos. Mandava o quinto: “Ninguém deve ser submetida à tortura ou a tratamentos ou castigos cruéis e desumanos ou degradantes”. Em 1975, a Assembléia Geral das Nações Unidas adotou a resolução 3.452 (xxx), da qual um dos anexos compreendia doze artigos referentes à tortura, condenando-a terminantemente. No artigo 2, por exemplo, negava aos estados o direito de alegar, como se costumava fazer, circunstâncias excepcionais, usando a guerra como justificativa da tortura. Em 1966, a Assembléia Geral das Nações Unidas havia adotado com ratificação a resolução 2.200 A (XXI), o pacto internacional sobre direitos civis e políticos, que entraria em vigor em 1976. Em 1975, 35 nações assinaram o acordo diplomático conhecido como Ata final da conferência sobre segurança e cooperação na europa (acordo de Helsingue). Em resumo todas dizem e convergem para o mesmo: “Que ninguém deve ser submetido à tortura”. Porém, como podemos ver, conforme as declarações dos organismos internacionais não são mais do que, no melhor dos casos, uma intenção benigna. É claro que em momento algum tiveram um poder real, ao menos sobre as nações hegemônicas, assim como não o têm hoje. Métodos de tortura no final do século XX (Relatório da Anistia Internacional, ART e RCT) Não vou enumerar todos os tipos de torturas existentes com seus detalhes, mas apenas algumas, e em cada tópico do tipo de tortura infligida as pessoas, a seguir vou mostrar um fragmento da pesquisa elaborada por estas reconhecidas organizações de Direitos Humanos. Este relatório divide a tortura em três categorias distintas: a somática, a psicológica e a farmacológica. Estas torturas vêm sido aplicadas ininterruptamente até hoje, e parece que de forma sistemática, por Nações Como Israel, EUA e Grã-Bretanha. TORTURA SOMÁTICA Golpes: socos, pontapés, golpes com porretes, com coronha de fuzil, saltos sobre o estômago. Telefone: o torturador golpeia com a palma da mão o ouvido da vítima, imitando um receptor telefônico, o que provoca a ruptura da membrana do tímpano, o telefone também pode consistir em golpes contra um capacete colocado na vítima. Eletricidade: colocar eletrodos pontiagudos, espeto de gado, redes metálicas, camas de metal, e que são amarradas as vítimas, “a cadeira do dragão” (no Brasil), uma cadeira elétrica. Suspensão no ar: “o pau de arara” como é conhecido no Brasil, onde a vítima é pendurada com os joelhos dobrados sobre uma vara metálica e presa rigidamente pelos pulsos. TORTURA PSICOLÓGICA Presenciar as sessões de tortura de outros: parentes, filhos. Privação de sono, exposição contínua à luz, confinamento Solitário, privação total de estímulos sensoriais, permanecer incomunicável (ser mantido sem nenhuma comunicação humana). TORTURA FARMACOLÓGICA Aplicação forçada de drogas psicotrópicas. aplicação forçada de estimulantes nervosos (histaminas, amicacina, trifluorperazina). Injeção de matéria fecal. Ingestão forçada de enxofre ou veneno (tálio). SEQUELAS Não é necessário dizer que a tortura somática tem sequelas psicólogicas, assim como por sua vez, as torturas psicológicas e farmacológicas tem sequelas físicas. Todos esses transtornos são causados pelas essas por essas estruturas são conhecidos e todos os governos e da sociedade médica e de muitos organismos internacionais mas mesmo assim são praticados compare tudo isso que você acabou de ler com interrogatório feito na idade média na época da Inquisição julgue você o que seria pior o que é pior o que é digno realmente de um julgamento ser chamado de uma atrocidade da humanidade. A tortura no século XXI As provas recentes mais confiáveis indicam que se utiliza a tortura, oficialmente ou não, em um entre Cada três países. – Edward Peters Ao acusar a inquisição de crueldade física nos interrogatórios e execuções, o mundo moderno não entra em jogo com as mãos completamente limpas -Hoffman Nickerson […] Violações que, segundo se documentou, continuam sendo praticadas nos segredos de câmaras de interrogatório, onde se tortura e se obtém confissões. -Nauhcatzin Tonatiuh Bravo Aguilar No que se refere aos nossos dias há muito tempo já deixou de ser um segredo conhecido por todos o uso sistemático da Tortura aplicado a prisioneiros de suspeitos estando entre os casos mais notórios as forças de segurança do ex é a grã-bretanha e Israel estudos e relatórios e Silas publicadas pela anistia internacional e outras importantes organizações apontaram observando principalmente três coisas. A primeira que a tortura na atualidade não se limita ao método de prova mais ao castigo infligido repetidas vezes sobre uma mesma pessoa durante e depois do interrogatório. A segunda que as torturas modernas geralmente empregadas são de uma intensidade E selvageria nunca antes Vista na história o sadismo na tortura é sem dúvida uma característica própria e distintiva destes tempos. A terceira e última e a mais importante segundo cifras do relatório de 2009 da Anistia Internacional aponta que em que Pese a proibição Universal da Tortura assinado oficialmente pelo G20 79% das torturas registradas provém das Nações integrantes do próprio G20 o relatório observa finalmente hoje a gente reclama para ci a liderança Mundial porém o compromisso de seus membros com os direitos humanos está longe de ser claro e demonstra que não investem o suficiente em direitos humanos por exemplo Anistia internacional documentou em 2008 casos de tortura e outros maus-tratos em 14 países membros do G20. Foi tão grande a difusão destes tipos de crimes contra a humanidade em guerra e fora dela que o presidente 2 é o Barack Obama foi obrigado a reconhecer a existência de tutu de torturadores em suas forças de segurança assim um comunicado recolhido pelas agências de Notícias afp asa eap publicado pelo Jornal Clarim em 22 de janeiro de 2009 cita textualmente o mandatário o método de interrogatório da asfixia simulada será proibido da mesma forma não haverá mais prisões secretas O que é particularmente interessante nessas palavras é a ratificação sem meias palavras sobre a vigência da Tortura sem entretanto especificar quando é que deixaram de usar. O que é mais revoltante não é o elevado número de torturas ao redor do mundo mas a qualidade destas em 2009 os principais Diários dos Estados Unidos e no mundo publicaram além de uma série de documentos e testemunhos de vítimas destes processos uma dezena de fotografias de soldados judeus e norte-americanos infringindo sorridentemente torturas inimagináveis eram principalmente os integrantes do King Bed (agência de segurança de Israel é uma das três principais organizações da comunidade de inteligência Israelense), um corpo de especialistas em tortura e israelenses. Entre as mais horripilantes encontramos violações de homens e mulheres agência de Notícias Acre divulgou a seguinte informação depois repetida por outros meios Nova York 28 de janeiro entre as técnicas Americanas aplicadas a detentos em Guantánamo esteja de interrogatório mulheres tocando sexualmente homens muçulmanos e sujando com tinta vermelha para fingir que era sangue menstrual E com isso violar princípios básicos de sua fé. Também há relatos de ser usada artefatos para introdução nos órgãos genitais tanto de homens contos de mulheres agulhas e prisioneiros obrigado comer excremento etc. A este respeito próprio jornal argentino clarín na quinta-feira 28 de Maio de 2009 recolher de outros meios de comunicação as fotografias de abusos a prisioneiros detidos pelo exército americano no Iraque continua gerando polêmica em abril o presidente dos EUA Barack Obama havia informado que tornaria públicas e as imagens que registram algumas das tantas torturas denunciadas no contexto das chamadas luta antiterrorista repentinamente ou mudou de ideia e decidiu cancelar essa publicação prometido argumentando que isso põe em Perigo a segurança das tropas não entrar uma nova denúncia que abriu as incógnitas segundo afirmou o general da Marinha Americana Antonio da Lua ao jornal britânico Daily telegraph muitas dessas fotografias inclui violações e agressões sexuais aos prisioneiros mostram torturas abusos e violações toda espécie de Atos indecentes e o Renan declarou tá Google quem mais completou sua investigação pelas torturas na prisão de Abu Ghraib no Iraque. Sobre as fotografias publicadas representam o ex Almirante americano aposentado em 2007 a meta descrição dessas fotos é suficiente horrível podem acreditar algumas das imagens mostrariam Gucci sexuais perpetradas em prisioneiros com objetos com bastões arames e lâmpadas fluorescentes ao menos uma fotografia mostrei um soldado americano e orientando uma prisioneira encontro em outra ocorre o mesmo com um Detento do sexto sexo masculino apenas no período correspondente a 2001 e 2005 existem até o momento mais de 400 kg registrados sobre abusos sexuais cometidos em Abu Ghraib e outras expressões. SÉCULO XVI versus SÉCULO XXI Vejamos a esse respeito com o seguinte quadro comparativo elaborado com base na documentação assistente. Conclusão Diante das evidências irrefutáveis e de domínio público é forçoso, lícito, lógico e necessário perguntar: que idoneidade moral tem o século XXI — ou mesmo o século XX — para acusar descaradamente um tribunal do século XV? Não é necessária certa idoneidade moral para julgar tão levianamente o passado? Não é preciso contextualizar a discussão ao perigo investigado? Sem querer usar da retórica, para desculpar os abusos ou práticas anteriores a estes séculos, pois os abusos sempre serão abusos em todas as épocas, sejam quem forem que os cometam, mas também é verdade que não se pode condenar leis atuais — que só raramente parecem ter sido cumpridas — práticas que naqueles tempos eram perfeitamente legais e legítimas, aceitas tidas como coisa comum e necessária por todos. Inclusive toda população, e esta mesma população cobrava uma posição mais enérgica da Santa Inquisição em relação às Heresias, não é legítimo colocar um estigma sobre o tribunal da inquisição por esta prática, pelo mesmo critério deve-se condenar o legado dos gregos e romanos, pois eles mais do que ninguém elogiaram o método. Assim, afirma o historiador especialista em tortura Edward Peters: “Buscaríamos inutilmente entre os autores gregos e romanos uma condenação da tortura como algo desumano e cruel”. Já dissemos que este método foi empregado por distintas religiões e nações ao longo da história. Apesar da impossibilidade de poder culpar o Tribunal da Inquisição com base no emprego da tortura no século XV é, entretanto, possivel medir seu grau de “humanidade” ou “crueldade”, e até mesmo fazer uma comparação com nações, homens e instituições atuais. Que parâmetros usar? As cifras documentadas que indiquem a frequência e a intensidade de seu uso, assim como a quantidade e qualidade de abusos registrados, seria um bom começo. E neste assunto, com estes parâmetros — mesmo que a alguns não lhes agrade — não há remédio senão reconhecer que a inquisição se erige, indiscutivelmente, como o tribunal que a empregou de forma mais benigna e excepcional, muito melhor que os principais estados democráticos atuais. Em 1945, Piero Fiorelli, o maior históriador sobre a torcer, sem imaginar, certamente, a vigência que suas palavras teriam ao longo do tempo, intitulava o último capítulo de sua monumental obra deste modo: “sem fim?” Bibliografia: Agostino Barromeu, L’Inquisizione. A Inquisição, Cristian Iturrale. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja #HistóriadaInquisição

  • A PREGAÇÃO APOSTÓLICA (Tertuliano, presbítero)

    Cristo Jesus, nosso Senhor, durante a sua vida terrena, ensinou quem era ele, quem tinha sido desde sempre, qual era a vontade do Pai que vinha cumprir e qual devia ser o comportamento do homem. Ensinava estas coisas ora em público, diante de todo o povo, ora em particular, aos seus discípulos. Dentre estes escolheu doze para estarem a seu lado, e que destinou para serem os principais mestres das nações. Quando, depois da sua ressurreição, estava prestes a voltar para o Pai, ordenou aos onze – pois um deles se havia perdido – que fossem ensinar a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Imediatamente os apóstolos (palavra que significa “enviados”) chamaram por sorteio a Matias como duodécimo para ocupar o lugar de Judas, segundo a profecia contida num salmo de Davi. Depois de receberem a força do Espírito Santo com o dom de falar e de realizar milagres, começaram a dar testemunho da fé em Jesus Cristo na Judéia, onde fundaram Igrejas; partiram em seguida por todo o mundo, proclamando a mesma doutrina e a mesma fé entre os povos. Em cada cidade por onde passaram fundaram Igrejas, nas quais outras Igrejas que se fundaram e continuam a ser fundadas foram buscar mudas de fé e sementes de doutrina. Por esta razão, são também consideradas apostólicas, porque descendem das Igrejas dos apóstolos. Toda família deve ser necessariamente considerada segundo sua origem. Por isso, apesar de serem tão numerosas e tão importantes, estas Igrejas não formam senão uma só Igreja: a primeira, que foi fundada pelos apóstolos e que é origem de todas as outras. Assim, todas elas são primeiras e apostólicas, porque todas formam uma só. A comunhão na paz, a mesma linguagem da fraternidade e os laços de hospitalidade manifestam a sua unidade. Estes direitos só têm uma razão de ser: a unidade da mesma tradição sacramental. Se quisermos saber o conteúdo da pregação dos apóstolos, e, portanto, aquilo que Jesus Cristo lhes revelou, é preciso recorrer a estas mesmas Igrejas fundadas pelos próprios apóstolos e às quais pregaram quer de viva voz, quer por seus escritos. O Senhor realmente havia dito em certa ocasião: Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora; e acrescentou: quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade (Jo 16,12-13). Com estas palavras revelou aos apóstolos que nada ficaria ignorado, porque prometeu-lhes o Espírito da Verdade que os levaria ao conhecimento da plena verdade. E, sem dúvida alguma, esta promessa foi cumprida, como provam os Atos dos Apóstolos ao narrarem a descida do Espírito Santo. (Do Tratado sobre a prescrição dos hereges, de Tertuliano, presbítero – Cap. 20,1-9;21,3;22,8-10: CCL 1,201-204 – Séc. III). #Igreja

  • COMO FICAR CHEIO DO ESPÍRITO SANTO (HISTÓRIA DA VIDA)

    – Sr. Padre, a Bíblia diz que devemos ser sempre cheios do Espírito Santo, mas nós estamos com uma dúvida: “Como é que uma pessoa se pode encher do Espírito Santo? Como se faz isso?” O padre, então sorriu para aqueles jovens e disse: – Façamos o seguinte: vamos até à dispensa da igreja para apanhar um coador. Depois, vocês irão até o rio e encham esse coador com água. Quando conseguirem, terão a resposta. Duvidosos, questionaram o padre: – Coador? Rio? O que quer dizer com isso? Está a brincar? Os jovens continuaram incrédulos, mas foram até o rio que ficava próximo da igreja. Lá, eles tentaram diversas vezes, mas não conseguiram pensar em nenhuma maneira de encher o coador de água. Então, disseram: – Não conseguimos! Vamos embora, senão passamos a tarde inteira aqui, a tentar encher o coador. Um dos adolescentes, porém, discordou e decidiu insistir: – O desafio está feito e eu não quero voltar para a igreja sem uma resposta. Quero saber como as pessoas podem ficar cheias do Espírito Santo! Então, ele ficou a pensar numa estratégia para conseguir encher aquele coador com água. Horas mais tarde, o padre foi até a margem do rio e encontrou o jovem. Ele mergulhava o coador e levantava, várias e várias vezes. Ao ver o padre, o adolescente falou com o semblante muito triste: – Sr. padre… Quando eu coloco o coador na água, ele até fica cheio, mas quando eu tiro, esvazia. É impossível mantê-lo cheio, não dá! Com o mesmo sorriso de horas atrás, o padre disse àquele rapaz: – Pronto, encontras-te a resposta! Só conseguirás manter o coador cheio quando permaneceres com ele mergulhado na água. Já impaciente, o jovem replicou: – Mas o que isso tem a ver com ser cheio do Espírito Santo? O padre respondeu: – Nós somos o coador e a água do rio é o Espírito Santo. Só conseguirá ser cheio aquele que permanecer mergulhado Nele! Servir ao próximo em todas as circunstâncias, imitando o exemplo Dele! (Ordinariato Castrense). #Igreja

  • MARANATHA, VEM, SENHOR JESUS!

    Não nos deixamos abater. Pelo contrário, embora em nós o homem exterior vá caminhando para a sua ruína, o homem interior se renova dia-a-dia. Pois nossas tribulações momentâneas são leves em relação ao peso eterno de glória que elas nos preparam até o excesso. Não olhamos para as coisas que se vêem, mas para as que não se vêem, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno (2 Coríntios 4,16-18). – Aliás, a última palavra de toda a mensagem bíblica é Maranatha, Vem, Senhor Jesus! (Apocalipse 22,20). (Padre Estêvão Bettencourt, OSB).

  • OS CRISTÃOS NO MUNDO (Da Carta a Diogneto)

    Os cristãos não se diferenciam dos outros homens nem pela pátria nem pela língua nem por um gênero de vida especial. De fato, não moram em cidades próprias, nem usam linguagem peculiar, e a sua vida nada tem de extraordinário. A sua doutrina não procede da imaginação fantasista de espíritos exaltados, nem se apoia em qualquer teoria simplesmente humana, como tantas outras. Moram em cidades gregas ou bárbaras, conforme as circunstâncias de cada um; seguem os costumes da terra, quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer em outros usos; mas o seu modo de viver é admirável e passa aos olhos de todos por um prodígio. Habitam em suas pátrias, mas como de passagem; têm tudo em comum como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria. Todo país estrangeiro é sua pátria e toda pátria é para eles terra estrangeira. Casam-se como toda gente e criam seus filhos, mas não rejeitam os recém-nascidos. Têm em comum a mesa, não o leito. São de carne, porém, não vivem segundo a carne. Moram na terra, mas sua cidade é no céu. Obedecem às leis estabelecidas, mas com seu gênero de vida superam as leis. Amam a todos e por todos são perseguidos. Condenam-nos sem os conhecerem; entregues à morte, dão a vida. São pobres, mas enriquecem a muitos; tudo lhes falta e vivem na abundância. São desprezados, mas no meio dos opróbrios enchem-se de glória; são caluniados, mas transparece o testemunho de sua justiça. Amaldiçoam-nos e eles abençoam. Sofrem afrontas e pagam com honras. Praticam o bem e são castigados como malfeitores; ao serem punidos, alegram-se como se lhes dessem a vida. Os judeus fazem-lhes guerra como a estrangeiros e os pagãos os perseguem; mas nenhum daqueles que os odeiam sabe dizer a causa do seu ódio. Numa palavra: os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo. A alma está em todos os membros do corpo; e os cristãos em todas as cidades do mundo. A alma habita no corpo, mas não provém do corpo; os cristãos estão no mundo, mas não são do mundo. A alma invisível é guardada num corpo visível; todos veem os cristãos, pois habitam no mundo, contudo, sua piedade é invisível. A carne, sem ser provocada, odeia e combate a alma, só porque lhe impede o gozo dos prazeres; o mundo, sem ter razão para isso, odeia os cristãos precisamente porque se opõem a seus prazeres. A alma ama o corpo e seus membros, mas o corpo odeia a alma; também os cristãos amam os que os odeiam. Na verdade, a alma está encerrada no corpo, mas é ela que contém o corpo; os cristãos encontram-se detidos no mundo como numa prisão, mas são eles que abraçam o mundo. A alma imortal habita numa tenda mortal; os cristãos vivem como peregrinos em moradas corruptíveis, esperando a incorruptibilidade dos céus. A alma aperfeiçoa-se com a mortificação na comida e na bebida; os cristãos, constantemente mortificados, veem seu número crescer dia a dia. Deus os colocou em posição tão elevada que lhes é impossível desertar. (Da Carta a Diogneto – N. 5-6: Funk 1,317-321 – Séc.II). #Igreja

  • JESUS, MINHA ÂNCORA SEGURA

    Jesus, que o Vosso Coração seja O farol luminoso da nossa fé, A âncora segura da nossa esperança, O símbolo da nossa bandeira, O escudo impenetrável  da nossa fraqueza, A bela aurora de uma paz imperturbável, O laço apertado de uma santa concórdia, A nuvem que fecunda o nosso campo, O sol que ilumina o nosso horizonte, A veia riquíssima de prosperidade e de abundância de que precisamos. Que todos, ao contemplar a verdadeira alegria e a felicidade do nosso coração, se refugiem por sua vez no Vosso Coração que ama E usufruam da paz que essa fonte pura e símbolo perfeito de amor e de caridade oferece ao mundo. (São João Paulo II)

  • VOSSA GRAÇA, LUMINOSO SOL

    Amoroso olhar, Ósculo primeiro… Suave, intenso Fogo que consome. Sede cristalina, gostosa fome… Amor… que não pode ser passageiro. Celeste, Incansável Jardineiro. Estrela Matutina que não dorme. Luz Refulgente, saborosa fome… Amor… Eterno e Fiel Companheiro. Viver, não pode, este girassol, sem Vosso Amor, Esperançoso Amante, sem Vossa Graça, Luminoso Sol. Viver, não pode, Refrescante Fonte, sem Vossa Água Viva, o girassol, sem Vosso Olhar, Toque e Beijo abrasante. (Padre Marcelino José Moreno Caldeira)

  • SANTÍSSIMA TRINDADE, MINHA LUZ

    Recolher-me-ei todo em Deus. Já não rocem em mim as línguas humanas mais que sopros de vento. Estou cansado das vozes de quem me repreende ou de quem, mais que o devido, me exalta. Busco a solidão, um lugar inacessível ao mal, onde, com mente indivisa, procurar o meu Deus e suavizar minha velhice com a doce esperança do Céu. O que deixarei à Igreja? Deixarei as minhas lágrimas! Volto os pensamentos à morada que não conhece ocaso, à minha querida Trindade, única luz, da qual tão só a sombra escura já me enternece. (São Gregório Nazianzeno)

  • TRINDADE SANTÍSSIMA, MEU TUDO

    Na Sua Cruz, as nossas cruzes… Na Sua Dor, as nossas dores… No Seu grito: “Meu Deus, Meu Deus, porquê me abandonaste?”, os nossos abandonos… Na Sua morte, a nossa morte para o pecado… Na Sua Ressurreição, a nossa vida, Vida Nova em abundância. Ó meus Três, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidade em que me perco, eu me entrego a Vós como uma presa. Sepultai-Vos em mim para que eu me sepulte em Vós, enquanto espero ir con­templar, na Vossa luz, o abismo das Vossas gran­dezas. (Beata Isabel da Santíssima Trindade ocd)

  • SURSUM CORDA: DEZ SUGESTÕES PARA REVITALIZAR A IMAGINAÇÃO LITERÁRIA – James Conley (Parte VII)

    Os Diálogos de Platão Não posso sugerir uma favorita minha, entre as obras de Platão, nem dizer qual é a mais importante. A sua filosofia vai se desdobrando no drama do diálogo socrático: Platão constrói e relembra conversas entre seu mestre Sócrates e seus colegas de estudo. Seus Diálogos inauguram as grandes questões da filosofia: o que é o conhecimento? O que é a sabedoria? O que é a bondade?  O que é a verdade? Quem, o que e onde estou? Entre os mais importantes e mais tocantes diálogos de Platão estão Apologia, defesa da vida contemplativa e a procura da verdade; Eutífron, investigação sobre o sentido da piedade e da devoção religiosa; Fédon, reflexão sobre a alma e narração da morte de Sócrates; e Críton, no qual o filósofo trata da justiça e da injustiça, e a solução adequada ao problema da injustiça no mundo. Górgias é um diálogo particularmente valioso para os dias de hoje, pois fornece intuições para o relacionamento entre políticos, justiça e lei natural; Platão insiste que a ética política deve sempre estar enraizada na verdade objetiva. República, entre as melhores obras de Platão, é um trabalho muito longo, na qual Sócrates explora a natureza da justiça, o Estado e a alma. Platão não foi cristão. De fato, escreveu 350 anos antes do nascimento de Jesus Cristo. Mas suas ideias — sobre o ser, a justiça e a virtude — tem alguma semelhança com a visão de mundo cristã, e influenciou muitos dos mais importantes pensadores cristãos, entre os quais Santo Agostinho, São Tomás de Aquino e o papa Bento XVI. Platão não é sempre fácil de compreender, mas ler seus diálogos e refletir sobre eles é um estímulo para examinar as questões mais importantes da vida. “Um homem, que queira ser bom nas coisas que faz”, escreve Platão, “não deveria levar em consideração os riscos de viver ou morrer, mas somente cuidar se, ao fazer algo, faz coisas justas ou injustas; se age como um homem bom ou mau.” Se desejamos nos tornar bons homens e boas mulheres, os diálogos de Platão tem muito a nos ensinar. (James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015) https://www.ncregister.com/images/documents/Literature_Section_053115.pdf

  • EU SOU A VIDEIRA, VÓS OS RAMOS (São Cirilo de Alexandria, bispo)

    Querendo mostrar a necessidade de estarmos unidos a ele pelo amor, e a grande vantagem que nos vem desta união, o Senhor afirma que é a videira. Os ramos são os que, já se tornaram participantes da sua natureza pela comunicação do Espírito Santo. De fato, é o Espírito de Cristo que nos une a ele. A adesão a esta videira nasce da boa vontade; a união da videira conosco procede do seu afeto e natureza. Foi, de fato, pela boa vontade que nos aproximamos de Cristo, mediante a fé; mas participamos da sua natureza por termos recebido dele a dignidade da adoção filial. Pois, segundo São Paulo, quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito (1Cor 6,17). Do mesmo modo, o autor sagrado, noutro lugar da Escritura, dá ao Senhor o nome de alicerce e fundamento. Sobre ele somos edificados como pedras vivas e espirituais, para nos tornarmos, pelo Espírito Santo, habitação de Deus e formarmos um sacerdócio santo. Entretanto, isto só será possível se Cristo for nosso fundamento. A mesma coisa vem expressa na analogia da videira: Cristo afirma ser ele próprio a videira e, por assim dizer, a mãe e a educadora dos ramos que dela brotam. Nele e por ele fomos regenerados no Espírito Santo, para produzirmos frutos de vida, não da vida antiga e envelhecida, mas daquela vida nova que procede do amor para com ele. Esta vida nova, porém, só poderemos conservá-la se nos mantivermos perfeitamente inseridos em Cristo, se aderirmos fielmente aos santos mandamentos que nos foram dados, se guardarmos com solicitude este título de nobreza adquirida e se não permitirmos que se entristeça o Espírito que habita em nós, quer dizer, Deus que por ele mora em nós. O evangelista João nos ensina sabiamente de que modo estamos em Cristo e ele em nós, quando diz: A prova de que permanecemos com ele, e ele conosco, é que ele nos deu o seu Espírito(1Jo 4,13). Assim como a raiz faz chegar aos ramos a sua seiva natural, também o Unigênito de Deus concede aos homens, sobretudo aos que lhe estão unidos pela fé, o seu Espírito. Ele os conduz à santidade perfeita, comunica-lhes a afinidade e parentesco com sua natureza e a do Pai, alimenta-os na piedade e dá-lhes a sabedoria de toda virtude e bondade. (Do Comentário sobre o Evangelho de São João, de São Cirilo de Alexandria, bispo – Lib. 10,2: PG 74,331-334 – Séc.V). #Cristologia #Igreja

  • O PRIMEIRO MILAGRE DE JESUS CRISTO

    Foi quando ela [Maria] estava grávida, E levava no ventre o Rei da misericórdia, E ela manifestou o desejo pelas frutas Que cresciam em uma suave colina. Então disse Maria a José, Com voz baixa e suave: “Dá-me as frutas, José, Para que eu possa saciar meu desejo.” E José disse a Maria, Com grande aflição em seu peito: “Eu te darei as frutas, Maria, Mas quem é o pai do filho que carregas?” Foi então que o Bebê falou, De dentro do ventre dela: “Curvem-se todos os lindos galhos, Para que minha mãe sacie seu desejo.” E desde o galho mais alto Até o galho mais baixo, Todos se curvaram até os joelhos dela, E Maria comeu seus frutos Em sua amada terra da promissão. Então José disse a Maria, Cheio de profunda contrição: “Tu O levas no ventre, O Rei da glória e da misericórdia. Bendita sejas tu, Maria, Entre as mulheres de todas as nações. Bendita sejas tu, Maria, Entre as mulheres de todas as nações”. (The First Miracle Of Christ – O Primeiro Milagre de Cristo)

  • Annoying Excuses of Scandal – Mongers!

    I remember once seeing an amusing cartoon. It was called “A delightful bit of news,” and represented five or six feminine heads, all looking one way, and all with their mouths open. The first head was small, and the mouth proportioned to the rest of the features; the next was rather larger, with a much wider mouth; the third was larger still, and so on. This picture portrayed in a capital way what often happens, especially in small towns or villages, when some trifling incident in passing from mouth to mouth is magnified by the gossips and tattlers till it attains the proportions of quite an important event; and thus, to quite a homely proverb, a mountain is made out of a molehill. How greatly a man may be wronged, what incalculable injury may be done him, if some trifling fault he has committed is magnified by the tongue of scandalmongers, and spread abroad by evil speakers who wish him ill. And yet these people will not, for the most part allow that they are much to blame. They say with the pharisee in the Temple: “O God, I give thee thanks that I am not as the rest of men, like this or that person.” They allege all kinds of excuses for their conduct; and it may be well to hear what some of these excuses are. Some persons say: “We had not the least intention of injuring our neighbour’s reputation by what we said.” But what good does that do him? It injures him all the same; it is detrimental to his good name. Others seek to excuse themselves by asserting that they were not the first to discover these failings, but mentioned them only because they heard them from others. But do such persons not know what the Holy Ghost says in the scriptures: “Hast thou heard a word against thy neighbour? Let it die within thee.” And yet they imagine there is no great harm in repeating the evil they heard about anyone to those who up to this time were ignorant of it! Another will say: “These faults of my neighbour are no secret, for the person to whom I refer is notorious for his vices, and has a very bad reputation.” But even if the faults which are talked about are widely known, what is the use repeating them? And if any one is fortunate enough to be in bad repute, and has already lost his character, why take pleasure in talking about it? Those who act thus remind one of barbarians, who, not content with killing their victim, take a diabolical delight in stabbing and mutilating his lifeless body. ( Fr. F. X. Lasance, “There Is No Great Harm In It”, Catholic Girls Guide)

  • Os santos irlandeses praticaram abortos ? Não acredite, estudiosos dizem

    História defeituosa, má análise moral e conselhos de voto duvidosos estão por trás de alegações de que vários santos irlandeses estimados estavam envolvidos em abortos, alertam os críticos de um referendo chave no dia 25 de maio que poderia revogar as proteções constitucionais da Irlanda para os não-nascidos. “Não se pode mais derivar a aceitabilidade do aborto dessas histórias do mesmo modo que não se pode justificar a prática da vingança violenta daqueles contos populares que contam retribuição sobrenatural contra aqueles que tiveram a infelicidade de atravessar um santo”, disse o padre Bernard Healy, CC, um padre da paróquia de St. John em Tralee, condado Kerry. “O que as pessoas contemporâneas pensam sobre o aborto não pode se basear em contos populares medievais”, disse o padre. “O ultrassom, a ciência do DNA e nossa compreensão da embriologia nos permitem entender o feto como vivo e compartilhando nossa humanidade comum. É com base na humanidade que o feto tem direito a nossa proteção ”. Suas palavras vieram em uma carta publicada no Irish Times em 21 de abril em resposta a um ensaio da professora de religião Maeve Callan. Callan, professora do Simpson College em Iowa, afirmou que biografias de vários santos católicos como a do século VI St. Brigida de Kildare “reverentemente registram abortos entre seus milagres”. Seu ensaio de opinião do Irish Times, publicado em 19 de abril, dizia que o aborto era “ uma ofensa relativamente menor ”sob os padrões penitenciais do catolicismo medieval. Callan sustentou que as histórias de St. Brigida, St. Ciarán de Saighir, St. Cainnech de Aghaboe St. Áed mac Bricc mostram a realização de abortos em mulheres que eram freiras secretamente grávidas ou mulheres raptadas, incluindo freiras, que haviam sido estupradas. As histórias falam sobre o bebê no útero desaparecendo ou o esvaziamento do útero. “Os destinatários dos milagres de Áed mac Bricc e Brigida nem sequer falam antes que os santos purguem seus úteros. A devota de Brigida, no entanto, depois “deu graças a Deus” – a única dessas mulheres cuja resposta é registrada nos textos “, escreveu Callan. Mas esses relatos precisam ser contextualizados, de acordo com Thomas Charles-Edwards, professor emérito da Universidade de Oxford, que ocupou a Cátedra Jesus de ensino celta. “Nestes exemplos, a intervenção do santo é dirigida para restaurar a honra da mulher em questão; isso não implica que o hagiógrafo achava que o aborto não era um grande pecado ”, disse Charles-Edwards à CNA. “A atitude por trás das histórias é melhor explicada por Finnian”, disse ele, citando um dos fundadores do monasticismo irlandês. Finnian havia escrito sobre uma mulher grávida nessas histórias que “sua coroa poderia ser restaurada e ela poderia vestir uma túnica branca e ser pronunciada como virgem”. “É preciso fazer uma distinção entre os eventos miraculosos e a vida cotidiana”, continuou Charles-Edwards. “A evidência da vida dos santos refere-se a milagres conforme concebidos por hagiógrafos posteriores. Geralmente é uma evidência ruim para o que eles realmente fizeram, melhor evidência para o que escritores posteriores poderiam imaginar acontecendo. ” As alegações de Callan também atraíram críticas do Dr. Paul Byrne, um estudioso independente baseado em Dublin, que lecionou sobre o início da história da Irlanda na University College Dublin. “Não há provas credíveis de que os santos irlandeses tenham participado de qualquer forma de aborto”, disse Byrne em comentários enviados à CNA. Byrne disse que muitas histórias hagiográficas sobre santos, também conhecidos como “vidas”, incluem “folclore, lenda e anedota política, que foi demonstradamente compilada muito depois (geralmente alguns séculos depois) que o santo em questão havia vivido”. “E os textos das vidas dos santos irlandeses não eram estáticos: pode-se mostrar que algumas vidas foram atualizadas nos séculos subsequentes para refletir os desenvolvimentos contemporâneos”, disse ele. Por exemplo, às vezes os antepassados de posteriores dinastias irlandesas são escritos em tais histórias Byrne considerou os relatos sobre santos citados na obra de Callan O alegado relato de St. Brigida data do século VII. St Aid mac Bricc morreu em 589, mas sua vida citada por Callan foi escrita até o século XII. E St Ciarán de Saighir do século VI é retratado em uma vida escrita não antes do século XIII. St. Cainnech de Aghaboe morreu em 600, mas partes de sua vida citadas por Callan datam do final do século VIII e outros elementos podem ser datados de muito mais tarde. A vida de St. Columba, escrita pelo abade e hagiografista Adamnan por volta do ano 700, é um trabalho de “muito maior calibre” que deixa claro seu esforço para registrar material autêntico e sugere que as histórias de outros santos da época não são tão confiáveis , ele disse. Outros defensores do aborto tentaram reivindicar St. Brigida e outros para sua causa. O grupo Campanha dos Direitos do Aborto na Irlanda promoveu o trabalho da Dra. Gillian Kenny, pesquisadora do Centro para Estudos de Gênero e Mulheres no Trinity College Dublin. Kenny faz afirmações semelhantes às de Callan. O grupo de direitos pró-aborto descreveu St. Brigida como “uma das primeiras aborcionistas da Irlanda” em seu material defendendo a revogação da Oitava Emenda da Constituição da República da Irlanda, que protege o direito igual à vida da mãe e do feto. O esforço de revogação legalizaria o aborto em até 12 semanas de gravidez. Tem o apoio dos principais partidos políticos da república e conta com o apoio de financiadores internacionais, como o Open Society Foundations, do financista George Soros. O ensaio de Callan reconheceu que os primeiros cânones e instruções penitenciais “incluem o aborto entre os muitos pecados a serem arrependidos”. No entanto, ela argumentou, “comparativamente falando, é um menor.” Alguns pentienciais variaram com base no estágio da gravidez. No antigo penitencial irlândes, um aborto do primeiro trimestre requer três anos e meio de penitência, um aborto de segundo trimestre merece sete anos de penitência, enquanto um aborto de terceiro trimestre merece 14 anos. Nos cânones irlandeses, de acordo com Callan, “a penitência de uma mulher que fez um aborto equivale a um quarto ou a metade do tempo da penitência de um homem que cometeu fornicação”. Callan afirmou que o apoio ao aborto “legal e seguro” pode refletir melhor uma atitude “medieval” do que a oposição ao aborto. O padre Healy, no entanto, disse que a referência aos penitenciais eram uma evidência contra sua afirmação: “Eles testemunham a constante e consistente repugnância do aborto na tradição católica. A gravidade com a qual foi tratada realmente variou de acordo com as circunstâncias e com a compreensão científica da época ”, disse ele. Charles-Edwards, por sua vez, concordou que as leis penitenciais e o direito secular contemporâneos na Irlanda fornecem “evidências muito melhores sobre os valores sociais atuais”. “Em ambos o aborto foi condenado”, disse ele. Tradução: https://www.catholicnewsagency.com/news/did-irish-saints-perform-abortions-dont-believe-it-scholars-say-90651

  • O PRIMOGÊNITO DA NOVA CRIAÇÃO (São Gregório de Nissa, bispo)

    Começou o reino da vida e foi dissolvido o império da morte. Apareceu um novo nascimento, uma vida nova, um novo modo de viver; a nossa própria natureza foi transformada. Que novo nascimento é este? É o daqueles que não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo (Jo 1,13). Tu perguntas: como isto pode acontecer? Escuta-me, vou te explicar em poucas palavras. Este novo ser é concebido pela fé; é dado à luz pela regeneração do batismo; tem por mãe a Igreja que o amamenta com sua doutrina e tradições. Seu alimento é o pão celeste; sua idade adulta é a santidade; seu matrimônio é a familiaridade com a sabedoria; seus filhos são a esperança; sua casa é o reino; sua herança e riqueza são as delícias do paraíso; seu fim não é a morte, mas aquela vida feliz e eterna que está preparada para os que dela são dignos. Este é o dia que o Senhor fez para nós (Sl 117,24), dia muito diferente daqueles que foram estabelecidos desde o início da criação do mundo e que são medidos pelo decurso do tempo. Este dia é o início de uma nova criação. Nele Deus faz um novo céu e uma nova terra, como diz o Profeta. Que céu é este? Seu firmamento é a fé em Cristo. E que terra é esta? O coração bom, de que fala o Senhor, é a terra que absorve a água das chuvas e produz frutos em abundância. O sol desta nova criação é uma vida pura; as estrelas são as virtudes; a atmosfera é um comportamento digno; o mar é a profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência (Rm 11,33). As ervas e as sementes são a boa doutrina e a Escritura divina, onde o rebanho, isto é, o povo de Deus, encontra sua pastagem e alimento; as árvores frutíferas são a prática dos mandamentos. Neste dia, o verdadeiro homem é criado à imagem e semelhança de Deus. Não é, porventura, um novo mundo que começa para ti neste dia que o Senhor fez? Não diz o Profeta que esse dia e essa noite não têm igual entre os outros dias e noites? Mas ainda não explicamos o dom mais precioso que recebemos neste dia de graça. Ele destruiu as dores da morte e deu à luz o primogênito dentre os mortos. Subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus (Jo 20,17), diz o Senhor Jesus. Que notícia boa e maravilhosa! O Filho Unigênito de Deus, que por nós se fez homem, a fim de nos tornar seus irmãos, apresenta-se como homem diante de seu verdadeiro Pai, para levar consigo todos os novos membros da sua família. (Dos Sermões de São Gregório de Nissa, bispo – Oratio 1 in Christi resurrectionem: PG 46, 603-606.626-627 – Séc.IV). #Cristologia #Igreja

  • A Lenda Negra : O Tribunal do Sangue, a Inquisição, os clichês sobre a Espanha

    A Lenda Negra : O Tribunal do Sangue, a Inquisição, os clichês sobre a Espanha Nos Países Baixos a luta pela independência da Espanha gerou contínuos enfrentamentos e conflitos, que chegaram a seu ponto culminante com a política do duque de Alba (1567-1571) e o saque de Amberes de 1576. A atuação do duque foi qualificada de cruel e sangrenta, especialmente pelos chamados Tribunais de Sangue, embora pareça certo, é evidente que havia um claro interesse em desprestigiar ao invasor espanhol mediante uma longa e variada enumeração de horrores. Se difundiam multidões de feitos horripilantes, como o do homem que foi enforcado por ocultar a seu próprio filho ou a decapitação de uma viúva que alojou uma noite em sua casa um pregador protestante. (Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel (Piedrahita, 29 de outubro de 1507 – Lisboa, 11 de dezembro de 1582), chamado O Grande Duque de Alba. Em 1566 houve revoltas e desordens nos Países Baixos causadas pelos calvinistas. Para repeli- las enviou Felipe II o duque de Alba ao comando de um poderoso exército que chegou a Bruxelas em 22 de agosto de 1567. Poucos dias depois, em 5 de setembro, estabelecia o «Tribunal dos Tumultos» (popularmente conhecido como «Tribunal do sangue») para julgar os responsáveis dos distúrbios do ano anterior. O Tribunal atuou com extraordinário rigor e foram muitos os executados. Suas atuações acrescentaram o ódio para com os espanhóis) Esta visão foi apoiada intensamente pela Inglaterra; a própria rainha Isabel escreveu em 1585 uma Declaração das causas que movem a rainha a dar ajuda à defesa do povo afligido e oprimido nos Países Baixos. Pensamos que na Inglaterra havia partidários de João Calvino que desejavam fazer ouvir suas vozes e que estavam, portanto, próximos aos calvinistas flamengos; foram eles quem escreveram a historia da rebelião dos Países Baixos. Além disso, na Inglaterra só chegavam as obras traduzidas de autores franceses e flamengos, de maneira que somente se conheceu uma versão dos acontecimentos. Poderíamos citar muitos autores, mas o relato mais detalhado, possivelmente, foi escrito por George Gascoigne que se dedicou a escrever minuciosamente as violações, saques, incestos, sacrilégios e todo tipo de desmandos; foi tal a acolhida popular, que sua obra se converteu em peça de teatro. Francis Bacon, a primeira grande figura da filosofia moderna na Inglaterra, escreveu “Considerações políticas para empreender a guerra contra a Espanha” (1624), obra onde arremete contra o Império espanhol: “ Crês que é pouca coisa que a Coroa da Espanha tenha estendido seus limites nos últimos sessenta anos muito mais que os otomanos os seus? Não digo por alianças ou por uniões, senão pelas armas, por ocupações e por invasões. Granada, Nápoles, Milão Portugal, as Índias orientais e ocidentais (…) Assim que o espanhol pôs o pé em algum lugar, não sai dele nunca ou muito raramente”. Na Itália as opiniões negativas sobre a Espanha se vão centrar mais que na política de Felipe II na valorização da cultura espanhola, criticando o desprezo do latim nas universidades espanholas e o isolamento cultural de nosso país do qual era responsável Felipe II com sua famosa medida de 1559: “…que daqui em diante nenhum dos nossos súditos e naturais não possam ir nem sair desses reinos para estudar, nem ensinar, nem aprender nem a estar nem a receber em universidades, estúdios nem colégios, fora desses reinos, e nos que até agora e ao presente estiverem e residirem em tais universidades, estúdios e colégios, saiam e não estejam mais neles dentro de quatro meses…” A Inquisição : A Inquisição é o segundo aspecto em torno ao qual se desenvolve a lenda negra. Foi um tema constante nos intelectuais de todas as nacionalidades, que catalogaram ao Santo Ofício de câmara de tormentos que levava a cabo as mais horrendas torturas. (A Inquisição moderna foi criada pelos Reis Católicos através de uma bula de Sixto IV, em 1478. Mas muito antes funcionaram diversas Inquisições em países como França ou Alemanha. Esta Inquisição medieval perseguiu os albigenses na França e hereges como Jan Huss, cuja figura foi um dos antecedentes de Lutero) Efectivamente, todas as obras desta época intentan descrever os sangrentos procedimentos inquisitoriais, alimentando a morbidez popular. Muitos escritores trataram este tema. Acudamos, novamente, à obra de Foxe: “…acrescentam- se aos padecimentos e horrores da prisão, as injúrias, ameaças, açoites e castigos, grilhões e torturas que suportam ali. Às vezes também os tiram e mostram no exterior às pessoas , como símbolo de censura e infâmia. E assim ficam detidos, alguns durante muitos anos e vão sendo assassinados por longos tormentos…”. Os clichês sobre a Espanha : Entramos agora em um terreno que ainda perdura hoje em dia em nossas consciências: o emprego dos clichês. Com efeito , existe uma clara tendência a catalogar os indivíduos de uma nacionalidade sem que exista a menor prova objetiva para isso. No entanto, os clichês chegaram a converter-se em um rótulo da qual se resulta difícil escapar. Nos ocuparemos agora da utilização desses clichês, frequentemente empregados para fomentar as rivalidades nacionais em nosso próprio país, por mais absurdo que isso resulte. Como assinala Carol Baroja: “os clichês seduziram a povos e indivíduos (…) mas não cabe dúvida de que em certos momentos supõem um dos maiores perigos para viver em harmonia”. Neste sentido, a visão negativa da Espanha se baseia na crítica dos aspectos temperamentais ou caracteriológicos. Esta imagem a impuseram, sobretudo, os viajantes que direta ou indiretamente conheceram nosso país. A maioria foram implacáveis com suas críticas e, especialmente, os franceses, que puseram todo seu empenho em ressaltar a preguiça, a ignorância, a vaidade, a inveja ou a violência dos espanhóis. Bertaut escreve: “São os menos previdentes do mundo e, como a maior parte, apenas se sabem o que passou entre eles, porque não lêem quase nada, tão pouco se preocupam do porvir e não vivem senão o dia Mme. d’Aulnoy sublinha que: “não abandonam suas espadas nem para se confessar nem para comungar. Dizem que a levam para defender a religião e pela manhã antes de colocá- la a beijam e fazem o sinal da cruz com ela… São orgulhosos e presunçosos, coléricos, vingativos, seu maior defeito em minha opinião é a paixão de vingar-se e os meios que nisso empregam Por sua parte, Maurice Joly faz inclusive uma crítica biológico-racista: “A grande rispidez dos espanhóis, temperada em nós por um humor moderado, e a dureza do cérebro que os faz depreciar o ar livre e os chapéus, lhes traz tantas incomodidades como a visão má (…) Para ser surdos, creio que também estão muito submetidos, procurando em quantidade os que usam trombetas ou zarabatanas de prata ou marfim (…) Possuem também a maior parte dos dentes cariados, e por consequência o hálito fétido (…) são também débeis e indigestos, nos que a carne se apodrece mais do que se digere (ou é digerida), o que se conhece é que, não obstante, o grande emprego atual da pimenta, não deixa de arrotar e soltar suas exalações, o que não procede senão de falta do bom calor, como a madeira no fogo não despede fumaça senão por falta de chama.” Fontes : García Cárcel, Ricardo; Mateo Bretos, Lourdes (1990). “La leyenda negra”. Madrid: Altamira. Alvar, Alfredo (1997). “La leyenda negra”. Madrid: Akal. Molina Martínez, Miguel (1991). “La leyenda negra”. Madrid: Nerea. Pérez, Joseph (2009). “La leyenda negra”. Tradução : David Nesta Retirado do site: http://espanaeterna.blogspot.com.br/2011/05/la-leyenda-negra-el-tribunal-de-la.html?m=1 #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja

  • DEUS É A BELEZA IMUTÁVEL (Santo Agostinho)

    Interroga a beleza da terra, Interroga a beleza do mar, Interroga a beleza do ar difundida e diluída. Interroga a beleza do céu, Interroga a ordem das estrelas, Interroga o sol, que com o seu esplendor ilumina o dia; Interroga a lua, que com o seu clarão modera as trevas da noite. Interroga os animais que se movem na água, que caminham na terra, que voam pelos ares: almas que se escondem, corpos que se mostram; visível que se faz guiar, invisível que guia. Interroga-os! Todos te responderão: Olha-nos, somos belos! A sua beleza fá-los conhecer. Quem foi que criou esta beleza mutável, a não ser a Beleza Imutável? (Santo Agostinho – Doutor da Igreja)

  • A BÍBLIA: SUAS ORIGENS

    A BÍBLIA: SUAS ORIGENS Autor: Jaime Velazquez Fonte: http://www.voxveritas.com.mx Tradução: Carlos Martins Nabeto Há atualmente milhares e milhares de grupos autodenominados “cristãos” que seguem e professam o dogma luterano da “Sola Scriptura”. A heresia da Sola Scriptura afirma, em suma, que a Bíblia é a única regra de fé, isto é, que Revelação Divina é apenas o que se encontra escrito na Bíblia. Esta heresia despreza toda a Tradição da Igreja que vem sendo comunicada de modo eclesial ao longo de 2000 anos. No século XVI, um frei católico agostiniano chamado Martinho Lutero declarou esta heresia (e muitas outras) iniciando então um movimento que posteriormente seria conhecido como “Reforma Protestante” (eu preferiria chamá-lo “deforma protestonta”). Diante dessa situação, a Igreja convocou um Concílio [em Trento] em que foi refutada e condenada grande quantidade de heresias surgidas a partir deste movimento. Foi durante a Sessão IV do Concílio de Trento, celebrada em 8 de abril de 1546, que a Igreja declarou como dogma de fé a lista dos Livros Sagrados que compõem a Sagrada Escritura. Na referida Sessão, também foi declarado que a Sagrada Tradição e as Sagradas Escrituras são as duas fontes da Revelação. No entanto, a lista dos Livros que compõem a Sagrada Escritura não foi determinada por este Concílio, mas centenas de anos antes. A Igreja não teve, até então, a necessidade de declarar de forma dogmática o referido cânon pois durante dezesseis séculos não se tinha colocado em dúvida tal coisa, salvo raras exceções. Com o passar dos anos e principalmente em consequência do imensurável surgimento de milhares e milhares de seitas, agravado ainda por uma ignorância histórica cada vez maior, parece que hoje ninguém mais recorda da origem desse livro chamado “Bíblia”. Não faltará também algum desavisado acreditando que a Bíblia caiu do céu pronta, encadernada e com os versículos numerados e ordenados. Creiam: existem pessoas assim. Contudo, não pretendo falar aqui da ignorância alheia (basta e sobra a minha própria ignorância), mas da origem da Bíblia e como esta chega às nossas mãos hoje. Para começar, devo estabelecer uma premissa básica: se a Bíblia é Palavra de Deus e a Bíblia teve seu cânon e composição determinados por uma Igreja, então esta Igreja deve ser aquela que recebeu o Espírito Santo por um sopro de Nosso Senhor Jesus Cristo, conforme o relato de João 20,23. Então somente me resta ir aos livros de História e procurar qual Igreja afirmou que deveria haver uma coisa chamada “Bíblia”, porque eu não sei se vocês sabem ou não, mas em nenhum lugar da Bíblia se afirma que devemos possuir uma Bíblia composta por um Antigo Testamento e um Novo Testamento. Com efeito, alguém tomou essa decisão e não apenas isso, também afirmou quais livros a compunham. Isto soa lógico ou não? Pois bem: iniciemos o nosso percurso histórico: O Antigo Testamento foi escrito durante um período de 1000 a 1200 anos antes de Cristo, ou seja, não foi escrito de uma só vez, mas foi escrito ao longo de 1000 anos aproximadamente. Não entrarei em detalhes. Portanto, quando Nosso Senhor Jesus Cristo nasceu, já existia o Antigo Testamento. Após a morte e ressurreição de Jesus Cristo, a Igreja nascente começou a escrever alguns documentos, principalmente cartas dirigidas a diferentes comunidade e, além disso, alguns Evangelhos. Aceita-se, de maneira geral, que todos estes documentos foram escritos durante o século I, seja por alguns Apóstolos, seja por alguns discípulos dos Apóstolos. Até aqui, tudo bem. Porém, a partir da segunda metade do século II, muitos outros documentos começaram a circular nas comunidades cristãs e eram lidos e considerados verdadeiros. No século III, a confusão atingiu níveis insustentáveis, pois havia uma grande quantidade de escritos e evangelhos considerados verdadeiros pelas comunidades, o que gerava discussões e divisões. Alguns Padres da Igreja propuseram cânons ou listas de livros inspirados, rejeitando todo o resto. Foi então necessário convocar Concílios e Sínodos em diferentes regiões da Cristandade, para estabelecer de maneira definitiva a coleção dos Livros considerados inspirados e que continham a Palavra de Deus escrita. Adivinhem qual Igreja realizou tal empreendimento? Sim, a Igreja Católica! Não foram os pentecostais, nem os presbiterianos, nem os luteranos, nem os anglicanos, nem os batistas, nem os puritanos, nem o Exército da Salvação, nem os mórmons, nem os Testemunhas de Jeová; muito menos a Luz do Mundo ou a Igreja Universal do Reino de Deus. Foi a Igreja Católica, que então era governada pelo Papa de nº 37, São Dâmaso I. O estabelecimento do cânon foi obra de quatro Concílios ou Sínodos diferentes: – O Concílio de Roma, no ano 382; – O 3º Concílio de Hipona, no ano 393; – O 3º Concílio de Cartago, no ano 397; e – O 4º Concílio de Cartago, no ano 419. Com efeito, seguindo a premissa levantada no início do artigo, poderia por acaso uma falsa igreja determinar o cânon bíblico? Não! A resposta é um não absoluto! Apenas a verdadeira Igreja assistida pelo Espírito Santo seria capaz de perdurar dois mil anos e ainda fixar um cânon bíblico e estabelecer em si mesma aquilo que conhecemos como “Bíblia”. Isto é importante ressaltar: Nosso Senhor Jesus Cristo jamais mandou os Apóstolos escreverem uma Bíblia, nem nunca lhes disse o que deveriam escrever nela. A existência de uma Bíblia é obra direta da Igreja, é um documento eclesiástico que tem Deus Espírito Santo por Autor e que ficou sob os cuidados da referida Igreja. Citando meu amigo Salvador Melara, “todo aquele que aceita a Bíblia e rejeita a Igreja Católica é como aquela pessoa que gosta de leite mas despreza a vaca”. É graças à Igreja que você e eu temos hoje em nossas mãos uma Bíblia. Agradeça por isso! Desta forma, a partir do século IV passamos a ter uma coisa chamada “Bíblia”; para sermos mais exatos, a Bíblia oficial, determinada no século IV, é a versão chamada “Vulgata”, pois foi escrita e traduzida para o latim popular da época, de modo que todos soubessem e pudessem ler. Recordemos que no século IV o latim era a língua oficial do Império Romano, que abraçava grande parte do mundo conhecido e onde as comunidades cristãs se estabeleceram principalmente. Assim, o latim não foi usado para manter a Bíblia oculta às pessoas, muito pelo contrário: foi [traduzida] para o latim popular para que qualquer um pudesse entendê-la. Então eu me pergunto: por que hoje as milhares e milhares de seitas usam um livro católico e rejeitam a autoridade da Igreja Católica que lhes deu este Livro? Soa ilógico porque assim o é. Como já disse Santo Agostinho em finais do século IV, não é possível rejeitar a autoridade da Igreja Católica e, ao mesmo tempo, citar as Escrituras[*]. Isto é uma contradição. Se alguma seita aceita a Bíblia como Palavra de Deus (o que é verdade) e rejeita a autoridade da Igreja Católica, cai em grave contradição, pois deveria então rejeitar a própria Bíblia já que esta nasce da autoridade da Igreja Católica. Lógica simples! Assim, eu convido a todos a analisar a origem da Bíblia e como esta se originou no seio da Igreja. Recordemos que Nosso Senhor Jesus Cristo fundou uma Igreja para proclamar a sua Palavra e que devemos humilde submissão a esta Igreja em matérias de fé e moral. Diante destas evidências, a Sola Scriptura carece não apenas de um fundamento racional, como também carece de um fundamento bíblico. A Bíblia não justifica a si mesma, mas encontra o seu fundamento na autoridade da Igreja que a proclama e estabelece. Sem a Igreja, não há Bíblia! Dessa forma, ainda que inconscientemente, todos os pastores de seitas que “enchem a boca” com a Bíblia validam a autoridade da Igreja Católica que lhes deu este Livro e os fizeram crer que é Palavra de Deus. —– NOTA [*] Contra a Epístola de Manes denominada “A Fundação” 4,5-6. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja

  • Os 40 Mártires de Sebastia

    O relato mais antigo dos 40 mártires de Sebasia é encontrado em um sermão de São Basílio de Cesaréia (370-379). Eles eram 40 soldados romanos em 320 dC que se recusaram a renunciar a Cristo. Eles foram despidos e amarrados a um lago congelado perto de Sebastia (atual Sivas na Turquia). Eles foram instruídos que, se renunciassem a Cristo, seriam libertados e levados para um banho quente nas proximidades, a fim de se recuperar. Considere por um momento, a sensação de sua pele e corpo sendo trespassados pela picada de gelo. Tudo o que você precisa dizer é “eu rejeito e renuncio a Jesus Cristo”, e você estaria sentado em uma banheira quente. Os 40 soldados perseveraram até que um homem cedeu. Ele renunciou a Cristo e foi levado para os banhos quentes para se aquecer, deixando 39 soldados no gelo. No entanto, um dos guardas que vigiavam os 39 foi autorizado a ver a glória sobrenatural repousando sobre esses 39 confessores de Cristo. Desejando receber essa mesma glória, ele se despiu e se juntou a eles no gelo, restaurando assim o número para 40. O ícone tradicional dos Quarenta Mártires de Sebastia sempre mostra o apóstata fugindo para balneário quente, enquanto outro homem tira suas roupas para se juntar ao 39. Veja a imagem do ícone abaixo: De manhã, os corpos rígidos (alguns ainda vivos) foram lançados em chamas e seus corpos queimados. Os fiéis reuniram suas cinzas como relíquias. Os 40 mártires de Sebastia eram populares no Oriente e simbolizavam para os monásticos o forte vínculo dos irmãos em co-sofrimento por Cristo Traduzido de:http://taylormarshall.com/2017/03/martyred-freezing-death-40-martyrs-sebaste.html

  • SEM MIM NADA PODEIS FAZER – 5º Domingo da Páscoa

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Sem mim nada podeis fazer”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Atos dos Apóstolos 9, 26-31) Quando São Paulo se uniu à Videira Naqueles dias, Saulo chegou a Jerusalém e procurava juntar-se aos discípulos. Mas todos tinham medo dele, pois não acreditavam que ele fosse discípulo. Então Barnabé tomou Saulo consigo, levou-o aos apóstolos e contou-lhes como Saulo tinha visto o Senhor no caminho, como o Senhor lhe havia falado e como Saulo havia pregado, em nome de Jesus, publicamente, na cidade de Damasco. Daí em diante, Saulo permaneceu com eles em Jerusalém e pregava com firmeza em nome do Senhor. Falava também e discutia com os judeus de língua grega, mas eles procuravam matá-lo. Quando ficaram sabendo disso, os irmãos levaram Saulo para Cesaréia, e daí o mandaram para Tarso. A Igreja, porém, vivia em paz em toda a Judeia, Galileia e Samaria. Ela consolidava-se e progredia no temor do Senhor e crescia em número com a ajuda do Espírito Santo. SALMO 21 Todos os povos são chamados à Videira (Antífona): Senhor, sois meu louvor em meio à grande assembleia! Sois meu louvor em meio à grande assembleia; cumpro meus votos ante aqueles que vos temem! Vossos pobres vão comer e saciar-se, e os que procuram o Senhor o louvarão: “Seus corações tenham a vida para sempre!” Lembrem-se disso os confins de toda a terra, para que voltem ao Senhor e se convertam, e se prostrem, adorando, diante dele todos os povos e as famílias das nações. Somente a ele adorarão os poderosos, e os que voltam para o pó o louvarão. Para ele há de viver a minha alma, toda a minha descendência há de servi-lo; às futuras gerações anunciará o poder e a justiça do Senhor; ao povo novo, que há de vir, ela dirá: “Eis a obra que o Senhor realizou!” SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1João  3,18-24) Enraizados na Videira pelos mandamentos Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade! Aí está o critério para saber que somos da verdade e para sossegar diante dele o nosso coração, pois, se o nosso coração nos acusa, Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas. Caríssimos, se o nosso coração não nos acusa, temos confiança diante de Deus. E qualquer coisa que pedimos recebemos dele, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é do seu agrado. Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu. Quem guarda os seus mandamentos permanece com Deus e Deus permanece com ele. Que ele permanece conosco, sabemo-lo pelo Espírito que ele nos deu. EVANGELHO (São João 15, 1-8) Jesus é a Videira: sem Ele nada podemos fazer Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos. UNIDOS À VIDEIRA (Comentário de Scott Hahn) No evangelho de hoje, Jesus nos revela que ele é a videira verdadeira, a fonte da vida e da sabedoria divinas para as nações, para que Nele se cumpra o que Deus ddesejava para Israel (Eclesiástico 24, 17-24). No batismo, cada um de nós foi unido a Ele pelo Espírito Santo. Como o ramo de uma árvore se desenvolve unida ao tronco, é Dele que nossas almas recebem vida, nutridas pela sua Palavra e a Eucaristia. São Paulo, na primeira leitura de hoje, quer unir-se à Igreja, expressão visível da videira verdadeira, que é Cristo. Mas ele encontra resistência e desconfiança da parte da comunidade cristã, já que anteriormente ele liderado seus perseguidores. No entanto, logo depois ele foi conhecido por seus frutos (v. Mt 7,16-20) e pelo poderoso testemunho da obra que o Senhor realizou através dele. Também nós, como seus discípulos, somos chamados a produzir bons frutos para que possamos glorificar a Deus com nossas vidas. No entanto, Jesus nos adverte que, se queremos dar frutos, devemos esperar pelas podas de Deus, como o jardineiro faz com as árvores e arbustos, para que cresçam mais e produzam mais frutos. Ele nos ensina, hoje, como ver os nossos sofrimentos e as nossas provações: com os olhos da fé. Portanto, precisamos ver nossas lutas como a poda que nos faz crescer em santidade e gerar frutos de justiça (v. Hb 12, 4-11). Nós devemos permanecer sempre enraizados Nele, como diz a epístola de hoje. Permaneceremos Nele, se obedecermos ao seu mandamento de amor; se meditarmos as suas palavras, deixando-as habitar em nós com toda a sua riqueza (v. Cl 3,16); se procurarmos fazer sempre o que é agradável ao Senhor. Para isso, devemos ser humildes, lembrando que, se estamos separados Dele, nada podemos fazer (cf. Jo 15,5). Como nos diz o salmo deste domingo, devemos cumprir nossas promessas, voltando-nos para o Senhor em adoração e proclamando seus louvores, até que todas as famílias da terra conheçam a sua justiça. https://stpaulcenter.com/unidos-a-la-vid-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-5o-domingo-de-pascua/ https://stpaulcenter.com/on-the-vine-scott-hahn-reflects-on-the-fifth-sunday-of-easter/

  • CRISTO É O DIA – DIA DA NOSSA GRANDE ALEGRIA (São Máximo de Turim, bispo)

    A ressurreição de Cristo abre a mansão dos mortos, os neófitos da Igreja renovam a terra e o Espírito Santo abre as portas do céu. A mansão dos mortos aberta devolve seus habitantes, a terra renovada germina os ressuscitados, o céu reaberto recebe os que para ele sobem. O ladrão sobe ao paraíso, os corpos dos santos entram na cidade santa, os mortos retornam à região dos vivos. E de certo modo, pela ressurreição de Cristo, todos os elementos são elevados a uma dignidade mais alta. A habitação dos mortos restitui ao paraíso os que nela estavam detidos, a terra envia ao céu os que foram nela sepultados, o céu apresenta ao Senhor os que recebe em suas moradas. E por um único e mesmo ato, a paixão do Salvador retira o ser humano das profundezas, eleva-o da terra e o coloca no alto dos céus. A ressurreição de Cristo é vida para os mortos, perdão para os pecadores, glória para os santos. Por isso, o santo profeta convida todas as criaturas para a festa da ressurreição de Cristo, exultando e se alegrando neste dia que o Senhor fez. A luz de Cristo é um dia sem noite, um dia sem fim. O Apóstolo nos ensina que este dia é o próprio Cristo, quando afirma: A noite já vai adiantada, o dia vem chegando (Rm 13,12). Ele diz que a noite já vai adiantada e não que ela ainda virá, a fim de compreendermos que a chegada da luz de Cristo afasta as trevas do demônio e dissipa a escuridão do pecado; com seu esplendor eterno ela vence as sombras tenebrosas do passado e impede toda a infiltração dos estímulos pecaminosos. Este dia é o próprio Cristo. Sobre ele, o Pai, que é o dia sem princípio, faz resplandecer o sol da sua divindade. Ele mesmo é o dia que assim fala pela boca de Salomão: Fiz brilhar no céu uma luz que não se apaga (Eclo 24,6 Vulg.). Assim como a noite não pode absolutamente suceder ao dia celeste, também as trevas dos pecados não podem suceder à justiça de Cristo. O dia celeste brilha eternamente, e nenhuma obscuridade pode ofuscar o fulgor da sua luz. Do mesmo modo, a luz de Cristo resplandece e irradia a sua claridade, e sombra alguma de pecado poderá ofuscá-la, como diz o evangelista João: E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la (Jo 1,5). Portanto, irmãos, todos nós devemos alegrar-nos neste santo dia. Ninguém se exclua desta alegria universal, apesar da consciência de seus pecados; ninguém se afaste das orações comuns, embora sinta o peso de suas culpas. Por mais pecador que seja, ninguém deve neste dia desesperar do perdão. Temos a nosso favor um valioso testemunho: se o ladrão arrependido alcançou o paraíso, por que não alcançaria o cristão a graça de ser perdoado? (Dos Sermões de São Máximo de Turim, bispo – Sermo 53,1-2.4: CCL 23,214-216 – Séc.V). #Cristologia #Igreja

  • O PÃO NOVO E ESPIRITUAL – ASCENSÃO DO SENHOR (Santo Efrém da Síria)

    Neste dia o Pão novo e espiritual subiu aos céus. Os mistérios foram revelados em Teu corpo, que se elevou como uma oferenda. Bendito seja, Senhor, teu Pão! O Cordeiro nos veio da casa de Davi, o Sacerdote, da raça de Abraão; por nós tornou-se o Cordeiro de Deus, e por nós, o Sacerdote novo! Seu Corpo é a vítima, Seu Sangue nossa bebida. Bendito seja o Novo Sacrifício! Do céu desceu como a Luz, de Maria nasceu como um Gérmen divino, da Cruz caiu como um fruto, ao céu subiu como as primícias. Bendita seja Tua vontade! Tu és a oblação do céu e da terra. Ao mesmo tempo imolado e adorado. Vieste para ser vítima subiste como oferenda única; subiste, Senhor, levando Teu sacrifício. (Santo Efrém da Síria ou Efrém, o Sírio – Século IV) #Cristologia #Igreja

  • A SEMPRE VIRGEM

    A SEMPRE VIRGEM Autor: Joel Adán Domínguez Fonte: http://www.voxveritas.com.mx Tradução: Carlos Martins Nabeto Os irmãos separados têm em Maria uma das principais armas para atacar o católico ignorante, pois em um minuto, se não estiver preparado, poderá ficar sem saber o que responder àquilo que eles aprendem memorizar e que, certamente, você já ouviu: “Veja: aquela a quem vocês chamam ‘virgem’ não foi sempre virgem, porque teve relações sexuais com José! Mateus 1,25: ‘E não a conheceu até que desse à luz o seu filho primogênito’. E mais: como a Bíblia chama Jesus de ‘primogênito’, ele teve mais irmãos, filhos de Maria! Mateus 13,55: ‘Sua mãe não se chama Maria? E seus irmãos, Tiago, José, Judas e Simão?’; Marcos 3,31: ‘Chegaram sua mãe e seus irmãos; e, ficando do lado de fora, mandaram chamá-Lo'”. Um católico sem preparação bíblica não sabe como responder estes argumentos dos irmãos separados. Na verdade, a Bíblia nunca fala dos “filhos de Maria”, mas dos “irmãos do Senhor” (cf. 1Coríntios 9,5; Gálatas 1,19; 2,9). Isto porque o povo judeu, às pessoas muito próximas da família como primos e amigos, chama-os também de “irmãos”, independentemente de serem ou não filhos da mesma mãe. A palavra “irmão” tem um sentido bem amplo. Por exemplo, Jesus chama os Doze Apóstolos de “irmãos” e diz que Pedro deve confirmar os Apóstolos na fé; mas estes não eram irmãos de Pedro, exceto André (cf. Mateus 10,2): – João 20,17-18: “Disse-lhe Jesus: ‘Não me toques, pois ainda não subi ao Pai. Porém, vai até meus irmãos e diz a eles: ‘Subo para meu Pai’ (…) Maria Madalena foi e disse aos discípulos”; – Lucas 22,32: “E quando te converteres, confirma os teus irmãos (os Doze Apóstolos)”. Paulo chama Tito de “irmão”, mas Tito não era filho da mãe de Paulo (cf. 2Coríntios 2,13), mas irmão na fé, tal como você, amigo leitor, e eu somos irmãos na fé e não somos filhos de uma mesma mãe. No Antigo Testamento, inclusive, tio e sobrinho se tratavam como irmãos: – Gênesis 12,5: “Abrão tomou Sara, sua mulher, e Lot, seu sobrinho”; – Gênesis 13,8: “Então Abrão disse a Lot: ‘Não haja disputas entre tu e eu, nem entre os teus pastores e os meus, pois somos irmãos”. Vejamos ainda estes exemplos em que pessoas se chamam de irmãos sem serem filhos da mesma mãe: – Levítico 10,1-6: “…tirar nossos irmãos do santuário…” – Nadab e Abihú são filhos de Aarão; seriam irmãos de Moisés?; – Atos 9,30: “…os irmãos, ao saberem disso, o levaram para Cesareia…” – Os Apóstolos; seriam irmãos de Paulo? Estes irmãos de Jesus que encontramos nos Evangelhos (Mateus 13,55: “Sua mãe não se chama Maria? E seus irmãos [não se chamam] Tiago, José, Judas e Simão?”) não são filhos de Maria. A própria Bíblia esclarece que eram primos de Jesus, filhos de outras mulheres: Tiago e José filhos da outra Maria, prima da Virgem: – Marcos 15,40: “Ali estavam: Maria Madalena; Maria, a mãe de Tiago Menor e de José”. Também é de se observar que os protestantes desconhecem a tradição judaica de que os pais nunca dão o mesmo nome próprio aos filhos. Por isso, o José mencionado como irmão de Jesus não pode ser filho de Maria, visto que sendo José seu esposo não teria colocado o mesmo nome de José ao seu filho. Judas era apóstolo de Jesus Cristo (cf. Lucas 6,16; Marcos 3,8), primo do mesmo. E Judas, em sua epístola, diz que possui um irmão chamado Tiago; e não diz que Jesus é seu irmão, mas afirma que ele é servo de Jesus Cristo: – Judas 1,1: “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago [não o Tiago Menor], aos que foram chamados por Deus…”. E, finalmente, o “irmão Simão” era o próprio Simão Cananeu (cf. Marcos 3,18; Mateus 10,4), visto que Maria não teve outros filhos, nem nunca viveu em Caná. Possivelmente, este Simão era filho de Cléofas, parente que convidou Maria para um casamento em Caná da Galileia (cf. João 2,1). Foi aqui, podemos quase afirmar, que algum familiar cananeu se uniu [a Jesus] como discípulo, já que os únicos discípulos que Ele tinha neste momento eram Pedro, André, Felipe e Natanael (Bartolomeu), cf. João 1,39-48. Ainda que a Bíblia não mencione quais parentes convidaram Maria e Jesus para o casamento em Caná, onde você imagina que Jesus recebeu um discípulo cananeu? Note que antes do casamento de Caná, Jesus e Maria aparecem sozinhos (cf. João 2,1), mas após o casamento, sai com seus discípulos e, como numa mágica, surgem “alguns irmãos” (cf. João 2,11-12) e, entre estes, o mais provável é que esteja também o seu primo Simão de Caná. Pois bem: algum irmão separado poderia dizer: “Mas esses irmãos – Judas, Simão, José e Tiago – não são necessariamente nomeados como irmãos de Jesus; mas então, quem são aqueles filhos de outras mulheres? As Escrituras não mencionam o parentesco de alguém por acaso. Quem seriam ou o que diz a Bíblia sobre outras pessoas chamadas Simão, José, Judas e Tiago?” A palavra “irmão” segundo a língua aramaica (“adelpho” [em grego]) era muito empregada sem dar importância de ser ou não filho da mesma mãe, pois era mais fácil usar a palavra irmão para se referir a primos, parentes e amigos (assim também para irmãos de carne) do que especificar o grau de parentesco. Na Bíblia, pouquíssimas vezes se aponta o parentesco e só quando precisa mencionar; por exemplo: – Quando Jesus diz: “Não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos” (João 15,13), isto para especificar que os Apóstolos eram seus amigos e não irmãos de carne, visto que é mais fácil dar a vida por algum irmão de sangue do que por um amigo; – Indica-se também a palavra “prima” ou “parente”, quando Maria foi visitar Isabel (cf. Lucas 1,36), que ia dar à luz a João Batista, que seria portanto primo de Jesus. A Bíblia não o aponta como “irmão do Senhor” visto que não esteve ligado a Jesus, mas permaneceu separado; é por isso que certa vez João aponta Jesus para seus próprios discípulos (cf. Lucas 7,20-22). – Atos 1,14-15 diz ainda que “todos perseveravam na oração com um mesmo espírito, na companhia de algumas mulheres, de Maria, Mãe de Jesus, e de seus irmãos. Certo dia, Pedro se levantou diante dos irmãos, eis que o número de congregados era de 120…” Se Maria tivesse tido outros filhos além de Jesus, este, antes de morrer, não teria motivo nenhum para deixá-la sob os cuidados de João, visto que se houvesse outros filhos verdadeiros de Maria, isto seria uma grande ofensa da parte de Jesus – e sabemos que Jesus jamais pecou em qualquer momento da sua vida (cf. Hebreus 4,15). Isto porque, quando o filho mais velho morria, aquele que vinha logo depois, segundo a ordem de idade, teria o encargo de cuidar da mãe e de ser o homem da casa, caso o pai já tivesse falecido (e sabemos que José, o pai adotivo de Jesus, já era falecido nesse tempo): – João 19,26-27: “E Jesus, vendo sua mãe junto do discípulo que amava, disse à sua mãe: ‘Mulher: eis aí o teu filho’. A seguir, disse ao discípulo: ‘Filho, eis aí a tua mãe’. E a partir daquele momento, o discípulo a recebeu em sua casa”. Um dos argumentos dos irmãos separados para este texto é que os “irmãos do Senhor” eram incrédulos (cf. João 7,3-5; Marcos 3,20-21) e, por isso, João ficou com Maria. Mais isto ignora o fato de que Jesus iria ressuscitar, não partiria definitivamente deste mundo logo após morrer na cruz. Portanto, seus “irmãos” ao saberem que Jesus morreu e logo depois ressuscitou, já teriam se tornado crentes. Então, por que deixar Maria ao encargo de João se eram apenas três dias de ausência e obscuridão para os “seus irmãos”? Ademais, que espécie de irmãos são esses que não se encontram na hora da crucificação do seu irmão, acompanhando sua mãe? Resta aqui por demais explícito que estes “irmãos do Senhor” são os próprios discípulos de Jesus – os primos Tiago, Judas e Simão Cananeu – que se ocultaram por medo, no momento da prisão [de Cristo]; é por isso que não estavam ao pé da cruz com Maria (v. João 19,25). E o “irmão José” não era Apóstolo, mas irmão de Tiago Menor. Possivelmente José era menor de idade e, por isso, vem mencionado após Tiago Menor (cf. Marcos 15,40). Também é impossível que estes “irmãos incrédulos” sejam filhos de Maria porque, sendo Jesus o mais velho e já sendo falecido o seu pai José, era impossível que um irmão menor oferecesse conselho e, muito menos, que repreendesse um primogênito consagrado segundo a Lei de Moisés (cf. Lucas 2,23), já que na ausência do pai o senhor da casa tinha que ser o primogênito, especialmente quando não era casado, como no caso de Jesus. Esta tradição continua sendo observada pelas famílias judias até o dia de hoje: nenhum menor tem o direito de repreender ou aconselhar nas decisões do irmão mais velho. Por isso, com muito certeza, estes eram amigos ou primos de Jesus. Outra coisa que se deve notar é que na peregrinação de seus pais a Jerusalém, quando Jesus tinha 12 anos de idade, não vemos nenhum irmão (cf. Lucas 2,41-49). Observe que a Virgem exclama: “Olha que teu pai e eu estávamos angustiados, procurando-te”, não diz: “Olha que teu pai, eu e teus irmãos estávamos angustiados, procurando-te” (versículo 48). Daí podemos afirmar que, após 12 anos de casados, Maria e José não tinham outro filho além de Jesus. Então isto significa que se Maria tivesse tido relações sexuais com José após o nascimento de Jesus (cf. Mateus 1,25), sem dúvida teriam tido pelo menos mais um filho, já que nessa época não havia métodos de planejamento familiar. Poderíamos afirmar que depois de 12 anos casada com José, se tivessem tido relações sexuais, nunca pensaram em ter outro filho? É certo que não tiveram relações [e não tiveram outros filhos], pois Maria estava na idade em que as mulheres estão mais férteis. E a expressão “até que” de Mateus 1,25 não quer dizer que “depois sim”, como podemos ver neste exemplo: Jesus prometeu estar com a Igreja “até o fim dos tempos” (cf. Mateus 28,20); será que após o fim dos tempos Ele já não estará conosco, nós que somos sua Igreja? Há também o exemplo da filha de Saul, que não teve mais filhos “até o dia da sua morte” (cf. 2Samuel 6,23); será que depois de morta, teve outros filhos? Na verdade, o que o Evangelista quer nos dizer é que sem que José a tivesse recebido em casa, isto é, tomado por esposa, Maria concebeu Jesus (cf. Mateus 1,20), uma vez que Maria era apenas prometida (cf. Mateus 1,18) e não constituíam família, a não ser depois do nascimento de Jesus. Então, quando a Bíblia fala de irmãos de Jesus, se fossem filhos de Maria, teria que deixar muito claro a idade que tinham. Quando Jesus iniciou seu ministério, tinha 30 anos (cf. Lucas 3,23). Então, o mais velho entre os irmãos deveria ter, no mínimo, 18 anos, pois, como vimos, quando Jesus tinha 12 anos, era filho único. Pois bem: sabemos que José, seu pai, morreu em algum momento da vida oculta de Jesus, pois nas bodas de Caná não o encontramos mais; logo, seria praticamente impossível que depois de 12 anos sem conceber, Maria tivesse tido tantos filhos e filhas durante um período aproximado de 9 anos, já que se contarmos todos os irmãos de Jesus, seriam pelo menos seis, eis que mencionam-se José, Simão, Tiago, Judas e as irmãs (no plural) do Senhor, sendo estas também conhecidas nas sinagogas (cf. Mateus 13,53-57); porém, considerando a idade que o irmão mais próximo de Jesus deveria ter, seria praticamente impossível uma jovem judia ingressar nas sinagogas com essa idade, muito menos para mais de uma irmã, especialmente em razão dos fariseus zelosos, eis que estes mesmos dizem: “Suas irmãs não estão entre nós?”; isso nos faz pensar que suas irmãs eram já mulheres adultas, não menores de 18 anos, senão estariam indo contra a tradição judaica: as meninas, sendo mulheres judias, estavam subordinadas à família até a adolescência (15 anos), quando adquiriam liberdade para casar, porém não podiam frequentar a sinagoga até essa idade; enquanto fossem meninas, não podiam sequer ter amizade com menino nenhum. Por isso, é impossível que fossem filhas de Maria. E quanto aos irmãos que repreenderam Jesus (cf. João 7,3-5; Marcos 3,20-21), se eram adolescentes menores de 18 anos, como poderiam estes adolescentes judeus repreenderem um irmão de 33 anos? Logo, não eram [também] filhos de Maria! Muito bem: podemos agora examinar a palavra “primogênito”, já que os irmãos separados alegam que esta palavra significa “o primeiro entre os demais filhos de uma mulher”. Entre o povo de Israel, o primogênito era o filho de sexo masculino que abria o ventre da mãe, nada importando que depois dele viessem ou não outros filhos. O primogênito, ainda que fosse filho único, era chamado também como “primogênito” ou “unigênito”, pois era o filho consagrado da família segundo a Lei de Moisés. Ainda que nascesse primeiro uma menina, de forma nenhuma era ela chamada “primogênita”, visto que “primogênito” é, em si, um título de consagração, que somente os meninos nascidos em primeiro lugar podiam ter, nada importando que depois nascessem ou não outros filhos, ou que nascesse primeiro uma menina: – Lucas 2,22-23: “Todo primogênito de sexo masculino será consagrado ao Senhor”; v.tb. Êxodo 13,1-2. Vemos isto mais claro no fato de Jesus Cristo ser o Filho Único de Deus e também ser chamado “primogênito de Deus” (Hebreus 1,6). Será que Deus gerou outros filhos além de Jesus? – Hebreus 1,5-6: “Tu és meu Filho; eu hoje te gerei (…) E novamente, ao inserir o primogênito no mundo…”; – Colossenses 1,15: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, porque nele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis; tronos, principados e potestades”. É por isso que a palavra “primogênito” era empregada para nomear o primeiro filho, nada importando que nascessem outros depois. Outro argumento dos irmãos separados é que muitos Salmos falam de Jesus Cristo. Disto, não temos dúvidas: há muitos Salmos messiânicos, porém nem todos o são. Os irmãos apontam o Salmo 69 a Jesus, para dizer que Maria teve outros filhos. O referido Salmo diz em certo trecho: – Salmo 69,8: “Sou um estranho para meus irmãos; um desconhecido para os filhos da minha mãe”. Isto concordaria com os irmãos apontados em João 7,5, porém é impossível que se trate de um Salmo messiânico, visto que Jesus nunca foi tocado pelo pecado, nem ofendeu a Deus (cf. 1Pedro 2,22). Ora, este Salmo de Davi diz também: – Salmo 69,5: “Ó Deus: tu conheces minha torpeza; minhas ofensas não te são ocultas”. Portanto, não é possível aplicá-lo a Jesus. Quem quer que indique este Salmo como prova dos irmãos de Jesus, para afirmar que Maria teve outros filhos, estará cometendo um grave erro contra o Messias, tornando-o pecador. A vinda do Messias para o povo judeu é ainda iminente. Nestes tempos, como nos antigos, ainda aguardam o sinal do profeta Isaías (cf. Isaías 7,14) sobre a Virgem-Mãe. O povo judeu fala de uma jovem, uma mulher pura e perfeita tanto quanto possível, que dará à luz um só filho, o qual será o Messias. Nestes tempos, como naqueles, o sinal do Messias é que uma jovem dará à luz sem ser tocada por homem. Assim, se os judeus [daquele tempo] tivessem conhecido verdadeiros filhos de Maria, não creriam desde logo que Jesus era o Messias aguardado. Logo de cara não creriam nele, por verem sua mãe com muitos filhos. Cairiam na gargalhada… A descendência do rei Davi deveria terminar com a vinda do Messias, pois seria este o Rei definitivo, sendo descendente do próprio Davi. Vemos em Mateus 1,1-17 a menção do número total de gerações, de modo que a partir daí não haveria mais gerações davídicas, uma vez que o trono seria eternamente ocupado (cf. Isaías 9,6; 2Samuel 7,16; Lucas 1,32-33). Jesus tinha que ser o último descendente de Davi, para libertar o seu povo. Você consegue enxergar outros descendentes do rei Davi nascidos de José e Maria? A linha dos primogênitos tinha que terminar com o Messias. Se Jesus tivesse outros irmãos, seriam inúteis, antibíblicos e antimessiânicos, já que tendo morrido Jesus, o herdeiro do Reino deveria ser um filho ou um irmão deste; e assim, o Messias esperado não seria Jesus de Nazaré, mas aquele que o seguiu. Você consegue perceber o problema religioso que surge quando alguém afirma que a Virgem teve outros filhos? #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #Maria #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja

  • Severo de Antioquia (459-538)- Alta Mariologia primitiva

    Severo, nascido em Sozópolis, estudou a fé cristã em Alexandria, no Egito, e foi, portanto, exposto a uma variedade de fontes em um centro cultural tão grande. Ele também era monge e fundador de um mosteiro perto de Gaza, na Palestina. Em 512, ele foi consagrado Patriarca de Antioquia. Nesta primeira citação, vemos a proximidade que Severo coloca o Senhor Cristo em relação à Virgem como Mãe de Deus: “Quando um homem olha para você, ó mãe de Deus e Virgem, e para o mistério divino que surgiu em você por um milagre, ele se fecha em silêncio por causa da indescritibilidade disso, e, maravilhado, é movido a oferecer louvores por causa da grandeza daquele que nos amou de maneira tão grande ”(Ottoeco, Hymn 120; PO 6, 159-60) Aqui, a Virgem Maria é comparada com a Sarça Ardente, onde Deus a encheu de fogo, só que desta vez a Mãe de Deus, em virtude de dar a natureza humana ao segundo membro da Santíssima Trindade, é a portadora de Deus. A linguagem aqui certamente ilustrará algo profundamente distinto do pensamento patrístico mariano. “Quando eu viro meu olhar para a Virgem Mãe de Deus e tento esboçar um simples pensamento sobre ela, eu imediatamente pareço ouvir uma voz vindo de Deus e gritando alto em meus ouvidos, ‘Não se aproxime. Tire as sandálias dos seus pés, pois o lugar onde você está é terra santa ”. Em verdade, devemos libertar nossas mentes de toda imaginação mortal e carnal, como se removessemos as sandálias dos nossos pés, quando nossas mentes tentam elevar-se à contemplação das coisas divinas. Mas que tipo de coisa podemos contemplar que é mais elevada ou maior que a Mãe de Deus? Aproximar-se dela é como aproximar-se do solo santo e alcançar o céu ”(Homilia 67; PO 8, 349-50). Meditação e contemplação da Virgem nos leva a viver nossas vidas em santidade. “Ela é o fermento da nossa nova criação, a raiz da verdadeira videira cujos ramos nos tornamos, em virtude da germinação própria do batismo. Ela é o ponto de chegada da reconciliação de Deus com os homens, ocasião em que os anjos cantaram: ‘Glória a Deus no Altíssimo céu; paz na terra e boa vontade para com os homens. Por esta razão, a lembrança da Virgem desperta nossas almas, fazendo-as considerar como, por sua intervenção, fossemos chamados de uma inimizade irreconciliável, de uma situação de guerra, por assim dizer, a uma paz tão grande, a divina familiaridade, a uma associação maravilhosa ”(Homilia 67; PO 8, 364-65) Orar à Virgem para pedir intercessão também está lá. “Imploramos a ela que foi a que deu nascimento a Deus e oramos a ela para interceder por nós, aquela que é honrada por todos os santos” (Ottoeco, Hino 118; PO 6, 157) “Mais do que os outros santos, ela é capaz de viver orações por nós e nos a gloriamos por tê-la obtido como ornamento de nossa raça” (Homilia 14, 18; PO 38, 413). “Ela é honrada por todos os santos: pelos Patriarcas, porque foi Ela quem recebeu a bênção gloriosa que eles prometeram; pelos Profetas, que de antemão o haviam predito muitas vezes de diversas maneiras; pelos apóstolos, que o pregaram; pelos Mártires, que encontraram nele um professor em meio às suas lutas, o apresentador de suas coroas e a razão de seus sofrimentos. Nós também o louvamos; ele, para o bem da salvação e vida de nossa raça, fez e completou tudo em sabedoria ”(Ottoeco, Hino 118; PO 6, 157-58) Por fim, considerando sua singular e santidade sem pecado como membro da raça humana caída, Severo escreve: “Ela formou parte da raça humana e tinha a mesma essência que nós, embora fosse pura de toda a mácula e imaculada” (St. Severus, Hom., Cathedralis, 67, PO, 8, 350). Todas as traduções para o português tiradas de ”Mary and the Fathers of The Church” do Dr. Luigi Gamebero. Traduzido de: https://erickybarra.wordpress.com/2018/03/16/severus-of-antioch-459-538-early-high-mariology/

  • SURSUM CORDA: DEZ SUGESTÕES PARA REVITALIZAR A IMAGINAÇÃO LITERÁRIA – James Conley (Parte VI)

    A Odisseia de Homero Ulisses foi um peregrino, um marido, um pai, um soldado e um homem que voltava para casa. O antigo poema épico de Homero, proveniente do mundo grego e composto quase três mil anos atrás, é a história de um homem que esteve preso, batalhou contra deuses e homens, foi tentado, naufragou e quase morreu afogado. É a história de um homem que nunca perdia de vista a sua volta para casa. Ulisses é orgulhoso, vingativo e astucioso. Não é um homem perfeito. Peca, e o faz com impressionante tranquilidade. Mas, apesar de sua má conduta, segue em frente, voltando para a sua mulher, sua família e sua casa. A história tem muitas aventuras e riscos. As batalhas são vívidas. As viagens são penosas. As tentações são verdadeiras. É uma história instrutiva. Quase três mil anos atrás, Homero já identifica os perigos que nossa moderna cultura iria enfrentar: apatia, escapismo, luxúria, vaidade e ira.  Mas a história de Ulisses é a história de um homem que supera as tentações e, com fortaleza, alcança o seu destino. A Odisseia pode nos remeter à vida cristã, aos árduos desafios de nossa vida cotidiana. Sua leitura pode ser, também, uma lembrança das coisas mais importantes do mundo, as “primeiras coisas”, em torno das quais devemos organizar nossas vidas: o trabalho, a família, a casa. A Odisseia é parceira da Ilíada, poema épico que retrata as poucas semanas da guerra de Tróia. A Iliada é a história da “ira” de seu herói, Aquiles, e de seu feudo, experimentada inicialmente pelo rei-guerreiro Agamenon. É uma história de orgulho, honra, lealdade e destino. A Eneida de Virgílio, de tão bela poesia, relata as consequências do saqueio de Tróia e a fundação de Roma por Enéias. Esse poema épico, que faz a ponte entre o mundo grego e o mundo latino, aproveita muitos personagens e retoma muitos dos temas das obras de Homero. São obras que influenciaram São Paulo, Santo Agostinho e Santo Tomas de Aquino, e, através deles, chegaram até nós. Juntos, Odisseia, Ilíada e Eneida formam a base de quase toda a literatura ocidental e de muito da imaginação do Ocidente. (James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015) https://www.ncregister.com/images/documents/Literature_Section_053115.pdf

  • Reencarnacionismo e Cristianismo

    ALBERTO (São Paulo): «Como se diz, os primeiros cristãos professavam a teoria da reencarnação. Foi somente em 533, num sínodo de Constantinopla, que a Igreja imprudentemente a condenou, introduzindo a idéia do inferno. Que houve propriamente nesse concílio de Constantinopla?» Em resposta, analisaremos primeiramente a doutrina das antigas fontes do Cristianismo no tocante à reencarnação; a seguir, deter-nos-emos sobre o citado sínodo de Constantinopla. Antigos documentos cristãos e reencarnação 1.1 Sagrada Escritura. Nem o Velho nem o Novo Testamento dão testemunho que de algum modo insinue a doutrina da reencarnação. Ao contrário, a Escritura professa categòricamente uma só existência do homem sobre a terra, após a qual cada um é definitivamente julgado : «Foi estabelecido, para os homens, morrer uma só vez; depois do que, há o julgamento» (Hebr 9,27). Ao bom ladrão arrependido dizia Jesus: «Hoje mesmo estarás comigo no paraíso» (Lc 23,43). Os principais textos bíblicos concernentes a este assunto (Mt 11,14; 17,12; Jo 1,21; 3,3; 9,1-3) já foram considerados em «P.R.» 3/1957, qu. 8. Dispensamo-nos, pois, de os analisar novamente aqui, e passamos ao testemunho dos antigos escritores cristãos. 1.2 Os Padres da Igreja. Os adeptos da reencarnação não raro proferem afirmações como a seguinte : «A Igreja primitiva não repele absolutamente o ensino reencarnacionista. Os primeiros padres e, entre eles, S. Clemente de Alexandria, S. Jerônimo e Rufino, afirmam que ele era ensinado como verdade tradicional a um certo número de iniciados» (Campos-Vergal, Reencarnação ou Pluralidade das Existências. S. Paulo 1936, 41). Contudo os autores desta e de semelhantes proposições não tratam de as comprovar citando os textos sobre os quais se apoiam; é o que tira a autoridade a tais assertivas. Quem, ao contrário, investiga diretamente as obras dos antigos escritores da Igreja, chega a conclusão bem diferente da do trecho acima transcrito. Percorramos, portanto, os escritos dos principais Padres citados pelos reencarnacionistas modernos. Ireneu (+202) rejeitava explicitamente a tese da reencarnação, lembrando que em nossa memória não nos fica vestígio algum de existências anteriores; de outro lado, advertia, a fé cristã ensina a ressurreição da carne, a qual é incompatível com a reencarnação das almas em novos corpos (cf. Adv. haer. H 33). Tertuliano (+220), usando do seu estilo mordaz, opunha-se ao reencarnacionismo em famosa passagem («De anima» 28-35), que assim se pode resumir: Pitágoras, que afirma lembrar-se das suas anteriores existências, é vergonhosamente mentiroso: asseverava, por exemplo, ter tomado parte na guerra de Tróia; como explicar então que, depois, se tenha mostrado tão pouco valente? Pois, fugindo da guerra, não veio ele à Itália? E, se em vida anterior foi, segundo afirmava, o pescador Pirro, como se lhe justificará a aversão pelo peixe? (Sabe-se que Pitágoras nunca comia peixe). E Empédocles? Não pretendeu ser peixe numa existência anterior? Deve ser por isso que se atirou na cratera de um vulcão: com certeza quis ser frito. É tão absurda a migração das almas para corpos de animais que nem os próprios hereges ousaram defendê-la. — Tertuliano afirmava outrossim que a reencarnação contraria a noção de justiça de Deus, a qual exige que a punição afete o próprio corpo que cometeu o pecado, e não algum outro. Clemente de Alexandria (+215) tinha a doutrina da reencarnação na conta de arbitrária, pois nem as reminiscências no-la atestam nem a fé cristã. «Se tivéssemos existido antes de vir a este mundo, deveríamos agora saber onde estávamos, assim como o modo e o motivo pelos quais viemos a este mundo» (Eclogae XVII). Clemente notava que nunca a Igreja professara tal doutrina, a qual só fôra sustentada por conventículos de hereges ditos «gnósticos» (Basilidianos e Marcionitas). São Gregório de Nissa (+394) é explicitamente citado pelos reencarnacionistas como adepto de sua doutrina. Quem, porém, examina os escritos deste autor, verifica que Gregório considera a reencarnação como fábula injuriosa à dignidade humana, pois não hesita em atribuir ao homem, ao animal irracional (ave, peixe, rã…) e à planta o mesmo principio vital (cf. «De hominis opificio» 28). Se, não obstante, os reencarnacionistas modernos apelam para a autoridade de S. Gregório de Nissa, isto se deve ao fato de que em alguns pontos foi discípulo de Orígenes (do qual falaremos no § 2 desta resposta). São Jerônimo (+421) é por vezes nominalmente citado em favor da reencarnação. Contudo seria difícil ou impossível justificar essa «procura de patrocínio» em S. Jerônimo, pois o S. Doutor se pronunciou diretamente contrário à teoria, e isto… precisamente ao comentar o texto (muito caro aos reencarnacionistas) de Mt 11, 14, em que São João Batista é designado como Elias: «João é chamado Elias, observa S. Jerônimo, não segundo a mentalidade de tolos filósofos e de alguns hereges, que introduzem a doutrina da metempsicose, mas pelo fato de ter ele vindo cheio da força e do zelo de Elias, como atesta outra passagem do Evangelho» (cf. Lc 1,17). Sto. Agostinho (+430) é tido por Allan Kardec como um dos maiores divulgadores do espiritismo, pois, conforme o Codificador, terá sido adepto da reencarnação. Na verdade, Sto. Agostinho, no livro X c. 30 «De civitate Dei», mostra conhecer as doutrinas reencarnacionistas de Platão, Plotino e Porfírio, que ele assim comenta: «Se julgamos ser indigno corrigir o pensamento de Platão, por que então Porfírio modificou a sua doutrina em mais de um ponto, e em pontos que não são de pequenas consequências? É certíssimo que Platão ensinou que as almas dos homens retornam até mesmo para animar corpos de animais. Esta opinião foi também adotada por Plotino, mestre de Porfirio. Mas não lhe agradou, e com muita razão. É verdade que Porfírio admitiu que as almas entram em sempre novos corpos: ele, de um lado, sentia vergonha em admitir que sua mãe pudesse algum dia carregar às costas o filho, se lhe acontecesse reencarnar-se no corpo de uma mula; mas, de outro lado, não tinha vergonha em acreditar que a mãe pudesse transformar-se numa jovem e desposar o seu próprio filho! Oh, quanto mais nobre é a fé que os santos e verazes anjos ensinaram, fé que os Profetas dirigidos pelo Espírito de Deus anunciaram,… fé que os Apóstolos apregoaram por todo o orbe! Quanto mais nobre é crer que as almas voltam uma só vez aos seus próprios corpos (no momento da ressurreição final) do que admitir que elas tomem tantas vezes sempre novos corpos!» (De civitate Dei X 30). Considerações análogas se poderiam multiplicar caso se quisesse continuar a percorrer a antiga literatura cristã. Isto escaparia, porém, ao intento do presente artigo. Os dizeres de Sto. Agostinho, fazendo eco à sentença de escritores mais antigos, principalmente dos mais evocados pelos reencarnacionistas, já bastam para mostrar que vão seria procurar nos Padres da Igreja tutela e autoridade para a doutrina da reencarnação. Quem, com sinceridade, observa a documentação patrística, é levado a concluir que na realidade a Igreja antiga, longe de ensinar a reencarnação, se lhe opôs abertamente. Eis, porém, que a história registra o caso de Orígenes, do Origenismo e do Concílio de Constantinopla (543), caso assaz controvertido, ao qual devemos agora voltar a nossa atenção. 2 Orígenes, Origenismo e Constantinopla É o nome de Orígenes que por excelência dá ocasião a que alguns escritores modernos asseverem, terem os antigos cristãos admitido a doutrina da reencarnação, prosseguindo destarte uma tradição pré-cristã. Será preciso, portanto, considerar antes do mais 2.1. Quem era Orígenes? Orígenes (185-254) foi mestre de famosa Escola Catequética ou Teológica de Alexandria (Egito) numa época em que os autores cristãos começavam a confrontar a revelação do Evangelho com as teses da sabedoria humana anterior a Cristo. As fórmulas oficiais de fé da Igreja eram então muito concisas; a teologia (ou seja, a penetração lógica e sistemática das proposições reveladas) ainda estava em seus primórdios; em consequência, ficava margem assaz ampla para que o estudioso arquitetasse teorias e propusesse sentenças destinadas a elucidar, na medida do possível, os artigos da fé. Orígenes entregou-se a tal tarefa, servindo-se da filosofia de seu tempo e, em particular, da filosofia platônica. Ao realizar isso, o mestre fazia questão de distinguir explicitamente entre proposições dogmáticas, pertencentes ao patrimônio da fé e da Igreja, e proposições hipotéticas, que ele formulava em seu nome pessoal, à guisa de sugestões, para penetrar o sentido das verdades dogmáticas; além disto, professava submissão ao magistério da Igreja caso esta rejeitasse alguma das teses de Orígenes. Ora, entre as suas proposições pessoais, Orígenes formulou algumas que de fato vieram a ser repudiadas pelo magistério eclesiástico. Assim, inspirando-se no platonismo, derivava a palavra grega «psyché» (alma) de «psychos» (frio), e admitia que as almas humanas, unidas à matéria tais como elas atualmente se acham, são o produto de um resfriamento do fervor de espíritos que Deus criou todos iguais e destinados a viver fora do corpo; a encarnação das almas, portanto, e a criação do mundo material dever-se-iam a um abuso da liberdade ou a um pecado dos espíritos primitivos, que Deus terá punido ligando tais espíritos à matéria. Banidos do céu e encarcerados no corpo, estes sofrem aqui a justa sanção e se vão purificando a fim de voltar a Deus; após a vida presente, alguns ainda precisarão de ser purificados pelo fogo em sua existência póstuma, mas na etapa final da história todos serão salvos e recuperarão o seu lugar junto a Deus; o mundo visível terá então preenchido o seu papel e será aniquilado. Note-se bem: o alexandrino propunha tais idéias como hipóteses, e hipóteses sobre as quais a Igreja não se tinha pronunciado (justamente porque pronunciamentos sobre tais assuntos ainda não haviam sido necessários); não havia, pois, da parte de Orígenes a intenção de se afastar do ensinamento comum da Igreja a fim de constituir uma escola teológica própria ou uma heresia («heresia» implica em obstinação consciente contra o magistério da Igreja). 2.2. A desgraça de Orígenes, porém, foi ter tido muitos discípulos e admiradores… Estes atribuíram valor dogmático às proposições do mestre, mesmo depois que o magistério da Igreja as declarou contrárias aos ensinamentos da fé. É preciso observar outrossim o seguinte: o mestre alexandrino admitiu como possível a preexistência das almas humanas. Ora, esta não implica necessariamente em reencarnação; significa apenas que, antes de se unir ao corpo, a alma humana viveu algum tempo fora da matéria; encarnou-se depois…; daí não se segue que se deva encarnar mais de uma vez (o que seria a reencarnação propriamente dita). Aliás, Orígenes se pronunciou diretamente contrário à doutrina da reencarnação… Com efeito; em certa passagem de suas obras, considera a teoria do gnóstico Basilides, o qual queria basear a reencarnação nas palavras de S. Paulo: «Vivi outrora sem lei…» (Rom 7,9). Observa então Orígenes: Basilides não percebeu que a palavra «outrora» não se refere a uma vida anterior de S. Paulo, mas apenas a um período anterior da existência terrestre que o Apóstolo estava vivendo; assim, concluía o alexandrino, «Basilides rebaixou a doutrina do Apóstolo ao plano das fábulas ineptas e ímpias» (cf. In Rom VII). Contudo os discípulos de Orígenes professaram como verdade de fé não somente a preexistência das almas (delicadamente insinuada por Orígenes), mas também a reencarnação (que o alexandrino não chegou de modo nenhum a propor, nem como hipótese). Os principais defensores destas idéias, os chamados «origenistas», foram monges que viveram no Egito, na Palestina e na Síria nos séc. IV/VI. Esses monges, como se compreende, levando vida muito retirada, entregue ao trabalho manual e à oração, eram pouco versados no estudo e na teologia; admiravam Orígenes principalmente por causa dos seus escritos de ascética e mística, disciplinas em que o alexandrino mostrou realmente ter autoridade); não tendo, porém, cabedal para distinguir entre proposições categóricas e meras hipóteses do mestre, os origenistas professavam cegamente como dogma tudo que liam nos escritos de Orígenes; pode-se mesmo dizer que eram tanto mais fanáticos e buliçosos quanto mais simples e ignorantes. A tese da reencarnação, desde que começou a ser sustentada pelos origenistas, encontrou decididos oponentes entre os escritores cristãos mesmos, que a tinham como contrária à fé. Um dos testemunhos mais claros é o de Enéias de Gaza (+518), autor do «Diálogo sobre a Imortalidade da alma e a ressurreição», em que se lê o seguinte raciocínio: «Quando castigo meu filho ou meu servo, antes de lhe infligir a punição, repito-lhe várias vezes o motivo pelo qual o castigo, e recomendo-lhe que não o esqueça para que não recaia na mesma falta. Sendo assim, Deus, que estipula… os supremos castigos, não haveria de esclarecer os culpados a respeito do motivo pelo qual Ele os castiga? Haveria de lhes subtrair a recordação de suas faltas, dando-lhes ao mesmo tempo a experimentar muito vivamente as suas penas? Para que serviria o castigo se não fosse acompanhado da recordação da culpa? Só contribuiria para irritar o réu e levá-lo à demência. Uma tal vitima não teria o direito de acusar o seu juiz por ser punida sem ter consciência de haver cometido alguma falta?» (ed. Migne gr. t. LXXXV 871). Sem nos demorar sobre este e outros testemunhos anti-reencarnacionistas do séc. V, passamos imediatamente à fase culminante da luta origenista. Na realidade, a corrente dos origenistas ou o origenismo na primeira metade do séc. VI provocou famosa celeuma teológica. Como se terá desenrolado? 2.3. No inicio do séc. VI estava o origenismo muito em voga nos mosteiros da Palestina, tendo como principal centro de propagação o cenóbio dito da «Nova Laura», ao sul de Belém: aí gozavam de apreço as doutrinas referentes à preexistência das almas, à reencarnação e à restauração de todas as criaturas na ordem inicial ou na bem-aventurança celeste. Em 531, o abade São Sabas, que, com seus 92 anos de idade, se opunha enèrgicamente ao origenismo, foi a Constantinopla pedir a proteção do Imperador para a Palestina devastada pelos samaritanos, assim como a expulsão dos monges origenistas. Contudo alguns dos monges que o acompanhavam, sustentaram em Constantinopla opiniões origenistas; regressou à Palestina, para ai morrer aos 5 de dezembro de 532. Após a morte de S. Sabas, a propaganda origenista recrudesceu, invadindo até mesmo o mosteiro do falecido abade (o cenóbio da «Grande Laura»); em consequência, o novo abade, Gelásio, expulsou do mosteiro quarenta monges. Estes, unidos aos da Nova Laura, não hesitaram em tentar tomar de assalto a Grande Laura. Por essa época, os origenistas (pelo fato de combater uma famosa heresia cristológica dita «monofisitismo») gozavam de prestigio mesmo em Constantinopla, tendo sido dois dentre eles nomeados bispos: Teodoro Askidas, para a sede de Cesaréia na Capadócia; e Domiciano, para a de Ancira. Com o passar do tempo, a controvérsia entre os monges da Palestina se tornava cada vez mais acesa, exigindo em breve a intervenção de instância superior. Foi o que se deu em 539 : num sínodo reunido em Gaza, o origenismo foi denunciado ao legado papal Pelágio. Este voltou a Constantinopla na companhia de monges de Jerusalém encarregados pelo Patriarca desta cidade de pedir ao Imperador o seu pronunciamento contra o origenismo. A petição foi de fato transmitida, logrando o almejado êxito: Justiniano, Imperador, comprazia-se em disputas teológicas; de bom grado, portanto, escreveu um tratado contra Orígenes, de tom extremamente violento, equiparando as sentenças do alexandrino aos erros dos pagãos, maniqueus e arianos; concluía com uma série de dez anátemas contra Orígenes, dos quais especial atenção merecem os seguintes : «1. Se alguém disser ou julgar que as almas humanas existiam anteriormente, como espíritos ou poderes sagrados, os quais, desviando-se da visão de Deus, se deixaram arrastar ao mal e por este motivo perderam o amor a Deus, foram chamados almas e relegados para dentro de um corpo à guisa de punição, seja anátema. Se alguém disser ou julgar que, por ocasião da ressurreição, os corpos humanos ressuscitarão em forma de esfera, sem semelhança com o corpo que atualmente temos, seja anátema. Se alguém disser ou julgar que a pena dos demônios ou dos ímpios não será eterna, mas terá fim. e que se dará uma restauração («apokatástasis», reabilitação) dos demônios, seja anátema.» Os outros anátemas interessam menos, pois se referem a erros cristológicos. Justiniano em 543 enviou o seu tratado com os anátemas ao Patriarca Menas de Constantinopla, a fim de que este também condenasse Orígenes e obtivesse dos bispos vizinhos e dos abades de mosteiros próximos igual pronunciamento. Assim intimado, Menas reuniu logo o chamado «sínodo permanente» (conselho episcopal) de Constantinopla, o qual, por sua vez, redigiu e promulgou quinze anátemas contra Orígenes, dos quais os quatro primeiros nos interessam de perto: «1. Se alguém crer na fabulosa preexistência das almas e na repudiável reabilitação das mesmas (que é geralmente associada àquela), seja anátema. Se alguém disser que os espíritos racionais foram todos criados independentemente da matéria e alheios ao corpo, e que vários deles rejeitaram a visão de Deus, entregando-se a atos ilícitos, cada qual seguindo suas más inclinações, de modo que foram unidos a corpos, uns mais, outros menos perfeitos, seja anátema. Se alguém disser que o sol, a lua e as estrelas pertencem ao conjunto dos seres racionais e que se tornaram o que eles hoje são por se terem voltado para o mal, seja anátema. Se alguém disser que os seres racionais nos quais o amor a Deus se arrefeceu, se ocultaram dentro de corpos grosseiros como são os nossos, e foram em consequência chamados homens, ao passo que aqueles que atingiram o último grau do mal tiveram como partilha corpos frios o tenebrosos, tornando-se o que chamamos demônios o espíritos maus, seja anátema». O papa Vigílio e os demais Patriarcas deram a sua aprovação a esses anátemas. Como se vê, tal condenação foi promulgada por um sínodo local de Constantinopla reunido cm 543. e não, como se costuma dizer, pelo II concilio ecumênico de Constantinopla, o qual só se realizou em 553. Neste concilio ecumênico, a questão da preexistência e da sorte póstuma das almas humanas não voltou à baila; verdade é que Orígenes ai foi condenado juntamente com alguns hereges por causa de erros cristológicos (cf. anátema XI proferido pelo mencionado concilio ecumênico). Os historiadores recentes rejeitam a opinião de autores mais antigos segundo os quais o II concilio ecumênico de Constantinopla se teria ocupado com a doutrina origenística concernente à preexistência das almas. Em todo e qualquer caso, não houve condenação de Orígenes em 533, como afirmam certos escritores reencarnacionistas modernos, os quais por sua pouca meticulosidade se mostram destituídos de autoridade para tratar do assunto. 2.4. Na verdade, a doutrina da reencarnação deve ser tida como positivamente condenada pela Igreja não sòmente na base dos testemunhos dos Padres anteriormente citados neste artigo (os quais representam o magistério ordinário da Igreja), mas principalmente por efeito das declarações explicitas do II concilio ecumênico de Lião (1274): «As almas… são imediatamente recebidas no céu», e do concilio ecumênico de Florença (1439) : «As almas… passam imediatamente para o inferno a fim de aí receber a punição» (Denzinger, Enchiridion 464. 693). Quanto à doutrina do inferno, ela está contida na Sagrada Escritura e sempre foi professada pelos crislfios; cf. «P. R.» 3/1957, qu. 5. Errôneo, portanto, seria dizer que ela se deve a algum concilio do séc. VI. 2.5. Em conclusão, observamos o seguinte: a) a doutrina da reencarnação nunca foi comum, nem é primitiva, na Igreja Católica (atestam-no os depoimentos dos antigos escritores cristãos aqui citados); b) após Orígenes (séc. III), ela foi professada por grupos particulares de monges orientais, pouco versados em Teologia, os quais se prevaleciam de afirmações daquele mestre alexandrino, exagerando-as (daí a designação de «origenistas»); c) mesmo dentro da corrente origenista, a teoria da reencarnação nao teve a voga que tiveram, por exemplo, as tesos da preexistência das almas e da restauração de todas as criaturas na bem-aventurança inicial; d) por isto as condenações proferidas por bispos e sínodos no séc. VI sobre o origenismo versaram explicitamente sobre as doutrinas da preexistência e da restauração das almas (o que naturalmente implica na condenação da própria tese da reencarnação, na medida em que esta tese depende daquelas doutrinas e era professada pelos origenistas) ; e) a doutrina da reencarnação foi rejeitada não sòmente pelo magistério ordinário da Igreja desde os tempos patrísticos, mas também pelo magistério extraordinário nos concílios ecumênicos de Lião II (1274) e de Florença (1439). Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

  • “Vi Satanás cair do céu como um raio”

    “Vi Satanás cair do céu como um raio” Como atesta o evangelista Lucas, no momento em que os discípulos se reencontraram com o Mestre, cheios de glória pelos frutos colhidos em suas primeiras missões, Jesus lhes disse algo que nos faz pensar: “Vi Satanás cair do céu como um raio” (Lc 10, 18). Com estas palavras, o Senhor afirma que o anúncio do Reino de Deus é sempre uma vitória sobre o diabo, mas, ao mesmo tempo, revela também que a edificação do Reino está continuamente exposta às insídias do espírito do mal. São João Paulo II. Interessar-se por isso, como pretendemos fazer com a catequese de hoje, significa preparar-se para o estado de luta que é próprio da vida da Igreja neste tempo final da história da salvação, como diz o livro do Apocalipse (cf. Ap 12, 7). Por outro lado, isso permite esclarecer a reta fé da Igreja contra aqueles que a deturpam, exagerando a importância do diabo, ou os que negam ou minimizam o poder do maligno. As catequeses precedentes a respeito dos anjos nos prepararam para compreender a verdade, revelada na Sagrada Escritura e transmitida pela Tradição da Igreja, sobre Satanás, quer dizer, sobre o anjo caído, o espírito maligno, também chamado diabo ou demônio. Essa “queda”, que apresenta o caráter de um rechaço a Deus, com o consequente estado de “condenação”, consiste na livre escolha feita por aqueles espíritos criados que rejeitaram a Deus e o seu Rei de maneira radical e irrevogável, usurpando os seus direitos soberanos e procurando subverter a economia da salvação e a ordem mesma da criação. Um reflexo dessa atitude encontra-se nas palavras do tentador aos nossos primeiros pais: “Sereis como Deus” ou “como deuses” (cf. Gn 3, 5). Assim, o espírito maligno tenta inocular no homem a atitude de rivalidade, daquela insubordinação e oposição a Deus que se tornaram como que a motivação de toda a sua existência. No Antigo Testamento, a narração da queda do homem, presente no livro do Gênese, contém uma referência à atitude de antagonismo que Satanás quer comunicar ao homem, a fim de o induzir à transgressão (cf. Gn3, 5). Também no livro de Jó (cf. Jó 1, 11; 2, 5.7) vemos que Satanás tenta estimular a rebelião do homem que sofre. No livro da Sabedoria (cf. Sb 2, 24), Satanás é apresentado como autor da morte, que entra na história do homem juntamente com o pecado. A Igreja, no IV Concílio de Latrão (1215), ensina que o diabo (ou Satanás) e os outros demônios “foram criados bons por Deus, mas se tornaram maus por sua própria vontade”. Com efeito, lemos na Epístola de S. Judas: “Os anjos que não tinham guardado a dignidade de sua classe, mas abandonado os seus tronos, Ele os guardou com laços eternos nas trevas para o julgamento do Grande Dia” (Jd 6). Assim também, na segunda Epístola de S. Pedro, fala-se de “anjos que pecaram” e que Deus não perdoou, mas “precipitou nos abismos tenebrosos do inferno onde os reserva para o julgamento” (2Pe 2, 4). “Queda dos Anjos Rebeldes”, de Frans Floris. É claro que, se Deus “não perdoa” o pecado dos anjos, é porque eles persistem no pecado, já que estão eternamente “nos laços” dessa oposição que escolheram no princípio, ao rejeitarem a Deus, contra a verdade do Bem supremo e último que é Deus mesmo. Nesse sentido, escreve S. João que “o demônio peca desde o princípio” (1Jo 3, 8). E “era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele” (Jo 8, 44). Estes textos nos ajudam a entender a natureza e a dimensão do pecado de Satanás, que consiste no rechaço à verdade sobre Deus, conhecido à luz da inteligência e da Revelação como Bem infinito, Amor e Santidade subsistente. Esse pecado foi tão maior quanto maior era a capacidade de conhecimento da inteligência angélica, quanto maior era a sua liberdade e proximidade de Deus. Rejeitando a verdade conhecida sobre Deus com um ato livre da própria vontade, Satanás converte-se em “mentiroso cósmico” e “pai da mentira” (Jo 8, 44). Por isso, ele vive na radical e irreversível negação de Deus e, em particular, dos homens, na sua trágica “mentira sobre o Bem”, que é Deus. No livro do Gênese encontramos uma descrição precisa desta mentira e falsificação da verdade sobre Deus, que Satanás, sob a forma de uma serpente, busca transmitir aos primeiros representantes do gênero humano: Deus seria alguém apegado a suas prerrogativas e que, por isso, imporia ao homem uma série de limitações(cf. Gn 3, 5). Satanás incita o homem a sacudir a imposição desse jugo fazendo-se “igual a Deus”. Nessa condição de mentira existencial, Satanás converte-se, segundo S. João, também em homicida, quer dizer, em destruidor da vida sobrenatural que Deus tinha dado a ele e às criaturas feitas “à imagem de Deus”: os outros espíritos puros e os homens. Satanás quer destruir a vida que é conforme a verdade, a vida na plenitude do bem, a vida sobrenatural da graça e do amor. O autor do livro da Sabedoria escreve: “É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão” (Sb 2, 24). No Evangelho, Jesus Cristo adverte: “Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena” (Mt 10, 28). Como efeito do pecado de nossos primeiros pais, este anjo caído conquistou, em certa medida, o domínio sobre o homem. Essa é a doutrina constantemente confessada e anunciada pela Igreja e confirmada pelo Concílio de Trento no tratado sobre o pecado original (cf. DS 1511). Tal doutrina encontra dramática expressão na liturgia do Batismo, quando se pede ao catecúmeno que renuncie ao demônio e às suas seduções. Acerca desse influxo sobre o homem e suas disposições de espírito (e de corpo) encontramos várias indicações na Sagrada Escritura, na qual Satanás é chamado “o príncipe deste mundo” (cf. Jo 12, 31; 14, 30; 16, 11) e inclusive “o deus deste século” (cf. 2Cor 4, 4). Encontramos muitos outros nomes que descrevem suas nefastas relações com o homem: “Belzebu” ou “Belial”, “espírito imundo”, “tentador”, “maligno” e, finalmente, “anticristo” (cf. 1Jo4, 3). Ele é comprado a um “leão” (cf. 1Pe 5, 8), a um “dragão” (no Apocalipse) e a uma serpente (cf. Gn 3). Com muita frequência se utilizou, para referir-se a ele, o nome “diabo”, do grego “diaballein” (donde “diabolos”), o qual significa causar destruição, dividir, caluniar, enganar. E, para falar a verdade, todas essas coisas se devem, desde o princípio, à obra do espírito maligno, representado na Sagrada Escritura como umapessoa, embora se afirme que ele não está sozinho: “Somos muitos”, gritavam os diabos a Jesus na região dos gerasenos (cf. Mc 5, 9); “o diabo e os seus anjos”, diz Jesus na descrição do juízo futuro (cf. Mt 25, 41). De acordo com a Sagrada Escritura, e especialmente com o Novo Testamento, o domínio e o influxo de Satanás e dos outros espíritos malignos estende-se ao mundo inteiro. Pensemos na parábola de Cristo sobre o campo (que é o mundo), sobre a semente boa e a semente má que o diabo semeia no meio do trigo, a fim de arrancar dos corações o bem que neles fora “semeado” (cf. Mt 13, 38-39). Pensemos nas numerosas exortações à vigilância (cf. Mt 26, 41; 1Pe 5, 8), à oração e ao jejum (cf. Mt 17, 21). Pensemos nesta forte afirmação do Senhor: “Esta espécie de demônios não se pode expulsar senão pela oração” (Mc 9, 29). A ação de Satanás consiste sobretudo em tentar os homens a fazer o mal, influindo sobre a sua imaginação e sobre as faculdades superiores, a fim de os poder dirigir em direção contrária à Lei de Deus. Satanás põe à prova até mesmo Jesus (cf. Lc 4, 3-13), numa tentativa extrema de frustrar as exigências da economia da salvação tal como Deus as tinha predestinado. Não se exclui a possibilidade de que, em certos casos, o espírito maligno chegue inclusive a exercer sua influência não apenas sobre as coisas materiais, mas também sobre o corpo do homem, quando se trata das chamadas “possessões diabólicas” (cf. Mc 5, 2-9). Nem sempre é fácil discernir o que é preternatural nestes casos, nem a Igreja aprova ou apóia facilmente a tendência a atribuir muitos acontecimentos à intervenção direta do demônio. Mas, em princípio, não se pode negar que, em seu afã de prejudicar e conduzir-nos ao mal, Satanás pode recorrer a esta manifestação extrema de sua superioridade. Devemos acrescentar, por fim, que as impressionantes palavras do Apóstolo João: “O mundo todo jaz sob o Maligno” (1Jo 5, 19), aludem também à presença de Satanás na história da humanidade, uma presença que se torna mais forte à medida que o homem e a sociedade se afastam de Deus. A influência do espírito maligno pode “ocultar-se” de forma mais profunda e eficaz: passar despercebido corresponde aos seus “interesses”. A habilidade de Satanás no mundo consiste em induzir os homens a negar a sua existência em nome do racionalismo e de qualquer outro sistema de pensamento que busque todos os pretextos para não ter de admitir a ação do diabo. Isso, porém, não significa a anulação do livre arbítrio e da responsabilidade humana, e muito menos o fracasso da ação salvífica de Cristo. Trata-se, antes, de um conflito entre as forças obscuras do mal e as da Redenção. São eloquentes, a este propósito, as palavras que Jesus dirigiu a Pedro no início da Paixão: “Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (Lc 22, 31). Compreendemos assim por que Jesus, na oração que nos ensinou — o Pai-Nosso, que é a oração do Reino de Deus — conclui de um modo quase abrupto, diferentemente de tantas outras orações do seu tempo, recordando-nos que estamos expostos às insídias do Mal, do Maligno. O cristão, dirigindo-se ao Pai com o Espírito de Jesus e invocando o seu Reino, clama com a força da fé: “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mau, do Maligno”. Fazei, ó Senhor, que não cedamos à infidelidade a que nos seduz aquele que foi infiel desde o início. . Retirado do site oficial Padre Paulo Ricardo Papa São João Paulo II, Audiência Geral, 13 de agosto de 1986. Texto traduzido do espanhol por nossa equipe e levemente adaptado para esta publicação. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja #demonologia

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