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  • O Ícone da Santíssima Trindade, de Andrej Rublev

    Uma das doutrinas que mais influíram na iconografia bizantina foi a doutrina da Santíssima Trindade e a da humanidade e divindade de Cristo. Sem dúvida alguma, ambas são as revelações mais importantes dos mistérios da fé. Deus é amor, amor infinito das três Hispóstasis unidas em perfeita Caridade. A redenção consiste em que Deus por sua encarnação abraça a humanidade do homem e, com ela, toda a criação , comunicando- nos em Cristo seu amor por meio do Espírito Santo. Assim mostra Muito belamente o ícone da Trindade, adotado na Igreja Ortodoxa desde o Sínodo dos cem capítulos de 1551. Esta imagen de Andrej Rublev será o modelo dos pintores russos. O ícone se baseia na passagem bíblica dos três varões ( Anjos) que se apresentaram a Abraão no carvalho de Mambré (Gn 18), para anunciar a Abraão e a Sara que seriam pais de um menino. A conquista de Rublev foi isolar esta passagem colocando as três figuras sem representar Abraão e Sara e passá- lo a um formato quadrado, já que com anterioridade não se havia representado nada mais que em píxides e encolpios (peitorais). Isso se nota na estrutura circular dos três personagens da composição, na qual se pode inscrever em um círculo perfeito e um triângulo equilátero dentro do círculo. Pelos gestos dos rostos e dos movimentos das cabeças podemos localizar quais são cada uma das Pessoas divinas e a relação que guardam entre si. São muitos, inclusive os mesmos ortodoxos, que interpretam ao personagem do centro como Deus Pai, como é o caso de Evdokimov, que foi um dos escritos mais influentes do ocidente cristão no momento de interpretação deste ícone. No entanto, não é assim, já que se nos fixarmos um pouco nos daremos conta que a Pessoa divina do centro é Cristo. Este icone passou à história como o da Trindade, mas na realidade a inscrição do título nos diz outra coisa. Quando Andrej Rublev o nomeia põe na inscrição : Cristo Salvador. Não o chama ícone da Santíssima Trindade. Ainda assim são muitos os que escolhem considerar a figura do centro como Deus Pai. Em nosso parecer a figura do centro designa a Pessoa de Cristo em companhia de dois anjos que representam as qualidades de Deus Pai (ao qual ninguém jamais viu) e Espírito Santo. A nosso favor podemos observar a figura do centro vestida de vermelho e manto azul , e com um galão dourado em seu lado direito. O Pai nunca iria vestido com estas cores. Na tradição são as cores que fazem alusão direta à dupla natureza de Cristo: o Vermelho é a divindade e o manto é a humanidade. Por sua encarnação, Cristo, Pessoa eterna no seio do Pai , se faz homem, portanto sua Pessoa divina tem duas naturezas: uma divina e outra humana. O galão dourado faz alusão a seu sacerdócio, que é o Messias esperado, o Ungido pelo Espírito Santo. Se pesquisarmos um pouco a história de nosso autor, descobrimos seu mestre Teófanes , o Grego, que elaborou uma trindade anterior à do mestre Rublev na igreja da Transfiguração de Novgorov. Nesta, o anjo do centro se destaca sobre os demais e é ele que leva uma cruz no nimbo e inclusive o nomina sacra do Nome de Cristo. Se a Pessoa do centro da cena representa Cristo há que tentar saber quem são os outros dois. Rublev o representou por meio da inclinação das cabeças. O anjo à esquerda, à direita de Cristo veste- se completamente de dourado, cor do Dom do Espírito Santo, que é vivificante e é Aquilatador de todo o creado. Os outros dois olham para ele. Há outros que dizem que esta é a figura de Deus Pai. Mas é improvável que Rublev não se tivesse dado conta de um detalhe: Cristo está sentado à direita do Pai e é algo que não lhe escaparia a ninguém. Nós interpretaremos o ícone da seguinte maneira. Deus Pai é a Pessoa da nossa direita, Deus Filho é o do centro e Deus Espírito Santo é o da nossa esquerda. Nós perceberemos que, dessa forma, o ícone está nos dizendo mais do que nós pesamos. Em primeiro lugar, relacionar a cada uma das Pessoas com o que há na parte superior do ícone. Acima de Deus Pai encontramos a montanha, lugar privilegiado para suas manifestações no Antigo Testamento; lugar da Aliança do Sinai. Acima de Cristo encontramos o carvalho de Mambré, que por sua vez é a árvore da ciência do bem e do mal, da qual comeram Adão e Eva; pecado que nosso Senhor Jesus vem a redimir. Também e a árvore da Cruz, onde será cravado o Redentor. Acima do Espírito Santo está um edifício, que é a Casa onde Deus fez sua Nova Aliança, é a Igreja, construída neste tempo pelo Espírito Santo, por meio dos sacramentos. A isto é o que se dedicam as Três Pessoas: abençoar uma taça, onde você pode ver o vinho e um cordeiro. Deus Pai e Deus Filho olham para o Espírito Santo durante a bênção, já que a obra da Trindade se reflete em sua Igreja , que se edifica com a Eucaristia. No entanto, pode ser estranho que Deus Filho não olhe para o Pai , olhe para o Espírito. No entanto, o Espírito Santo olha somente para o Pai, porque procede dele e é enviado por meio do Filho. A origem da segunda Pessoa e da terceira Pessoa é o Pai. Do mesmo modo que este ícone representa a Trindade representa também a imagem da Igreja que a manifesta aos homens. Surpreende nos cânones dos ícones que não se deixe de representar ao Espírito Santo em forma de pomba, como no Ocidente. No Oriente somente se representa como pomba no ícone do Batismo do Senhor no Jordão, porque é a imagem do Espírito que pairava sobre as águas do Gêneses e sinal da reconciliação do Dilúvio. Com efeito, o Espírito não é uma Pomba, ja que em outra ocasião se apresenta em forma de chamas de fogo, como vimos na semana anterior com o ícone de Pentecostes. Muitas vezes no Ocidente se representa o Espírito Santo como uma Pomba, sem aludir ao Batismo do Jordão. Em alguma ocasião isso serviu para atacar Ocidente de modalista. No entanto , encontramos uma obra incrível no Ocidente. Na Cartuxa de Miraflores, em Burgos, um extraordinário retábulo de Gil de Siloé, apresenta a Trindade como três Pessoas humanas. O do centro é Cristo crucificado, sustentado por Deus Pai e um jovem Espírito Santo. Por isso, não se pode acusar a doutrina da Trindade das imagens sagradas do Ocidente com um modalismo, já que encontramos imagens surpreendentes da Trindade muito próximas do oriente cristão . O ícone de Rublev mostra também que a redenção é integração da criação , principalmente da humanidade, no Amor do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Isso vimos mediante a relação da Trindade com a Eucaristia. A mesa ao redor da qual estão sentados tem forma de altar, inclusive com um lugar reservado para as relíquias. O cálice mencionado antes é um diskos eucarístico com a cabeça do Cordeiro. A experiência da Trindade no Oriente é experimentada por três caminhos: um o do ícone que hoje se nos apresenta; dois, por meio da oração; e, três, por meio do culto divino. De modo que a melhor teologia da Trindade é expressada nos textos do culto divino e nos gestos da liturgia, que reproduz esse mesmo ícone. «Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal, tem misericórdia de nós. « Santíssima Trindade, apieda -te de nós; purifica- nos, oh Senhor, de nossos pecados; perdoa -nos, oh Soberano, nossas transgressões; visita-nos e cura nossas debilidades, oh Santo, por amor de teu nome». Autor: Daniel Rodríguez Diego. Tradução: David Nesta

  • Os padres da igreja rejeitaram a interpretação tradicional de Mt 16, 18 ?

    ——————- Em um hangout digno de pena, o Everaldo Santana defendeu a tese furada de que a maioria dos pais da Igreja REJEITARAM a interpretação tradicional de Mt 16,18, acerca da pedra. Fala, sem conhecer Catolicismo, de “consenso unânime” dos Pais, quando deveria precisar o conceito e dizer: “consenso MORALMENTE unânime”. Porquanto há diferença entre uma coisa e outra. E é esse o sujeito que acha que é páreo pra mim… Não é de hoje que o protestantismo, retalhando os Pais, busca embasamento para essa ficção. E Everaldo embarca na mentira, escorado em Launoy, citado assim pelo Fabiano Dias, há algum tempo: —– O escritor CATÓLICO Launoy, depois de prolongados estudos, chegou a elaborar a seguinte estatística: dos antigos Padres e escritores eclesiásticos, 17 consideraram Pedro como a rocha; 44 consideram a confissão de Pedro como a rocha; 16 consideram Cristo como a rocha; enquanto 8 opinam que a igreja foi construída sobre todos os apóstolos” —– Parece que esse herege do Everaldo não sabe que, como lembra John Broadus, consagrado comentarista protestante (batista),as “conclusões” de Launoy e de Kenrich (que não sei como não foram referidos pelo Everaldo): —– “…merecem pouca confiança” (Comentário do Evangelho de Mateus, Casa Publicadoora Batista, p.87) —– Sim! Essa “estatística” ridícula é mentirosa! Não merece credibilidade. Porque os Pais NUNCA negaram o sentido óbvio do texto de Mateus. Acontece que os Pais, algumas vezes, ACOMODARAM O TEXTO, SEM PORÉM NEGAREM À PASSAGEM O SENTIDO ÓBVIO QUE ELA POSSUI, que é o literal. Até um racionalista do estofo de Alfred Loisy o admitiu (destaques meus): —- “Em verdade, não é necessário provar que as palavras de Jesus se dirigem a Simão, filho de Jonas, que deve ser e foi a pedra fundamental da Igreja; que elas não se referem exclusivamente à fé de Pedro ou dos que poderão ter a mesma fé que ele; menos ainda pode aqui “pedra” designar o próprio Cristo. SEMELHANTES INTERPRETAÇÕES PODERÃO TER SIDO PROPOSTAS PELOS ANTIGOS COMENTADORES EM VISTA DAS APLICAÇÕES MORAIS, E RELEVADAS PELA EXEGESE PROTESTANTE COM INTERESSE POLÊMICO. MAS SE AS QUISERMOS TRANSFORMAR EM SENTIDO HISTÓRICO DO EVANGELHO NÃO PASSAM DE DISTINÇÕES NULAS QUE FAZEM VIOLÊNCIA AO TEXTO” ( Les Evangiles Synoptiques’, Tomo II, pp. 7-8.) —– Um dos melhores exemplos disso é S. João Crisóstomo: —– “Jesus não disse que edificou a sua Igreja sobre Pedro, porque ele não edificou a sua Igreja sobre um homem, mas, sobre a fé. Que significa, então, ‘sobre esta pedra’ ? Significa: sobre a confissão contida em suas palavras…Sobre esta pedra, isto é, sobre a fé contida em sua confissão” (Hom. 54,2). —– É de textos assim que os protestantes se servem, querendo jogar os Pais contra a Igreja, fazendo-os negar o Primado de Pedro, que eles nunca negaram. Descontextualizando os Pais, os protestantes bradam uma vitória impossível por vias legítimas. Assim, para a tristeza dos protestantes, S. João Crisóstomo NÃO REJEITOU A EXEGESE LITERAL, que ele afirma claramente em outros lugares, como neste, que deixo em bom latim (destaques meus): —– “Petrus itaque chori illius coryphaeus, apostolorum omnium, caput illius familiae, orbis totius praefectus, FUNDAMENTUM ECLESIAE” (Hom. in illud: “hoc scitote”, n. 4) —– Agora traduza, Everaldo, você que é um primor de purista… Aí está! Para S. João Crisóstomo, Pedro é o “fundamento da Igreja” (“fundamentum eclesiae”). De onde será que S.João Crisóstomo foi tirar essa ideia, hein, Everaldo ? Mas,e o outro texto do grande Bocade Ouro? Não nega ele a exegese clássica? Não! Não nega. O que Crisóstomo quer sublinhar, naquela passagem, é que o Senhor fundou sua Igreja não sobre Pedro como simples homem, como pessoa particular, mas sobre Pedro CONFESSOR DA FÉ e, como tal, fundamento da Igreja que sobre a fé repousa. O sentido literal, na passagem, está suposto. Em S. João Crisóstomo e também nos demais Pais que, como ele, referem alguma vez a “confissão de Pedro” como sendo o objeto da sentença de Cristo. Está suposto, digo, porque eles, em outros momentos, interpretam literalmente, asseverando que Pedro é a pedra. Fica, pois, clara a significação dos comentários patrísticos que ressaltam a “confissão de Pedro” como sendo a pedra. Sobre isso Maldonado, grande comentarista, é bem claro ( destaques meus): —– “Diante disto, está claro que os Padres que disserram que “super hanc petram” devesse ser interpretado como “sobre esta fé”, ENTENDIAM ESTA INTERPRETAÇÃO DIFERENTE DOS HEREGES. Portanto, a interpretação mais correta parece-me ser a que diríamos que a Igreja seria construída sobre a fé e sobre a confissão de Pedro, isto é, sobre Pedro em razão de sua fé e confissão, como todos os outros autores interpretaram….CERTAMENTE ESTÁ EVIDENTE, A PARTIR DAS PALAVRAS DESTES AUTORES [Os Padres da Igreja] QUE ELES NÃO DESEJAVAM NEGAR, COMO OS HEREGES QUEREM, QUE PEDRO FOSSE A FUNDAÇÃO DA IGREJA” (Em ‘A verdade sobre o Papado’, Rafael Merry del Val, Editora Loreto, p. 41). —– Esse sentido acomodatício, que se percebe nos antigos, ATÉ O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA o ressalta: —– “Movidos pela graça do Espírito Santo e atraídos pelo Pai, cremos e confessamos acerca de Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Foi sobre a rocha desta fé, confessada por São Pedro, que Cristo construiu sua Igreja” (§ 424). —– Será que o Everaldo Santana vai alegar agora que a própria Igreja Católica interpreta o texto de acordo com os protestantes e nega que a exegese do texto conduz à conclusão de que a pedra é Pedro ? Antes que ele invente de adiantar essa tolice, de novo o Catecismo: —– “Somente a Simão, a quem deu o nome de Pedro, o Senhor constituiu como a pedra da sua Igreja. Entregou-lhe as suas chaves, instituiu-o pastor de todo o rebanho” (nº 881). —– Assim, fica bem claro que os Pais da Igreja jamais recusaram a interpretação tradicional do texto. Adianto que os Pais que, porventura, Everaldo venha a aduzir, aceitam igualmente a exegese literal, e que facilmente demonstrarei isso, em momento oportuno. Não faço agora porque desejo que esse tolo venha responder, PONTO POR PONTO,o que acabo de expor. PONTO POR PONTO! Para ele passar vergonha. Com bastante gente assistindo. Agora, Everaldo, quero isso EM POST! Em simples comentário, não espere resposta minha… ———– Por Maria, Fábio Morais.

  • História da Igreja, Celibato Eclesiástico. (Parte II)

    Sobre a questão da continência do clero é conveniente escutar primeiro a Santo Ambrósio. Na sua sede em Milão, na qualidade de “Consularis Aemiliae et Liguriae”, Ambrósio, eleito bispo, se tornou rapidamente um dos mais importantes homens da Igreja do Ocidente. No que diz respeito ao nosso assunto, esse Pastor, especialmente sensível às obrigações jurídicas, devido a sua anterior atividade civil, tinha idéias muito claras. Ensina que os ministros do altar que estavam casados antes de sua Ordenação, não deveriam continuar usando do matrimônio depois da Ordenação – ainda que essa obrigação não tivesse sido sempre observada do modo devido, nas regiões mais remotas. Confrontado com a permissão vetero-testamentária, deve-se ver um novo mandato do Novo Testamento, pois os sacerdotes deste, estão obrigados a uma oração e a um ministério santo constante e contínuo. São Jerônimo, que conhecia bem por experiência própria tanto a tradição do Ocidente como a do Oriente, disse na sua refutação do ano 393 a Joviniano, sem insinuar nenhuma distinção entre Ocidente e Oriente, que o Apóstolo Paulo, na famosa passagem de sua carta a Tito, ensinou que um candidato casado à Ordem sagrada deveria ter casado uma só vez, deveria ter educado bem aos filhos que tivesse, mas não podia procriar outros filhos. Devia, portanto, dedicar-se à oração e ao serviço divino e não só por um tempo limitado, como no Antigo Testamento, como conseqüência, “si semper orandum et ergo semper et semper carendum matrimonio”. Em sua dissertação “Adversus Vigilantium” do ano 406, São Jerônimo repetia o dever dos ministros do altar de ser sempre continentes. E neste sentido afirma que esta é a prática da Igreja do Oriente, do Egito e da Sé Apostólica, onde só se aceita clérigos celibatários e continentes, ou, se são casados, que tenham renunciado previamente à vida matrimonial. Já no seu “Apologeticum ad Pammachium” tinha dito que também os Apóstolos eram “vel virgines vel post nuptias continentes”; y que “presbiteri, episcopi, diaconi aut virgines eiguntur aut vidui aut certe post sacerdotium in aeternum pudici”. Santo Agostinho, bispo de Hipona desde o ano 395/96, conhecia bem a obrigação geral do clero maior à continência, ele que havia participado no Concílio de Cartago onde tal obrigação tinha sido repetidamente afirmada, apontando sua origem nos mesmos Apóstolos e numa constante tradição do passado. Não se conhece nenhuma dissidência sua em tais ocasiões. Em sua dissertação “De coniugiis adulterinis” também afirma que homens casados que, de repente e por isso mesmo quase contra sua vontade, fossem chamados a fazer parte do clero maior e ordenados, estariam obrigados à continência, tornando-se, assim, um exemplo para aqueles leigos que, por viver longe de suas mulheres, são vulneráveis especialmente ao adultério. O quarto grande Padre da Igreja Ocidental, Gregório Magno, já foi exposto como testemunha da continência dos ministros sagrados ao examinar os Romanos Pontífices. Da prática disciplinar ocidental considerada até o momento, concluímos que: a continência própria dos três últimos graus do ministério clerical se manifesta na Igreja como uma obrigação que se remonta aos começos da Igreja, e que foi transmitida como um patrimônio da tradição oral. Após a era de perseguição e, especialmente, as como conseqüência das conversões cada vez mais numerosas, que exigiu também numerosas ordenações, houve amplas transgressões dessa obrigação, contra ao quais os Concílios e a solicitude dos Romanos Pontífices procederam cada vez com maior insistência por meio de leis e disposições escritas. Nessas aparecem também as conseqüências de tais transgressões que consistiam na suspensão ou expulsão do sagrado ministério. Tudo isso nunca é apresentado como uma inovação, mas é sempre posto em referência com a origem da Igreja. Estamos autorizados, portanto, conforme as regras de um correto método jurídico-histórico, a considerar dita práxis como uma verdadeira obrigação vinculante transmitida por tradição oral antes de ter sido fixado por leis escritas. Por CARD. Alfons M. Stickler Fonte http://www.presbiteros.org.br/celibato-eclesiastico-historia-e-fundamentos-teologicos-2/

  • História da Igreja, Celibato eclesiástico. (parte I)

    Desses primeiros e importantes textos legais se devem deduzir que muitos dos clérigos maiores da Igreja espanhola de então, talvez inclusive a maior parte, eram viri probati, quer dizer, homens casados antes de serem ordenados como diáconos, sacerdotes ou bispos. Todos, entretanto, estavam obrigados depois de ter recebido a Sagrada Ordenação a renunciar completamente do uso do matrimonio, quer dizer, à observância de uma perfeita continência. No estudo das atas não é possível ver no cânon 33 (junto com o cânon 27) uma lei nova. Manifesta-se claramente, ao contrário, como uma reação contra a inobservância, muito estendida, de uma >OBRIGAÇÃO TRADICIONAL E BEM CONHECIDA< acrescenta, nesse momento, uma sanção: ou se aceita o cumprimento da obrigação ASSUMIDA, ou se renuncia ao estado clerical. A introdução de uma novidade nesse terreno, com retroatividade geral das sanções frente a direitos adquiridos desde a Ordenação, teria causado num mundo como aquele, tão imbuído do respeito ao legal, uma verdadeira tempestade de protestos ante a evidente violação de um direito. Isto já o havia percebido Pio XI quando, na sua Encíclica sobre o sacerdócio, afirmou que essa lei escrita supunha uma PRÁXIS PRECEDENTE. Na mesma época observemos uma declaração, formulada no segundo Concílio Africano do ano 390 e repetida nos posteriores: “que a castidade dos sacerdotes e levitas deve ser protegida”, o texto afirma: “O bispo Epigônio disse: de acordo com aquilo que o anterior Concílio afirmou sobre a continência e sobre a castidade, os três graus que estão ligados pela Ordenação a uma determinada obrigação de castidade, ou seja, bispos, sacerdotes e diáconos – devem ser instruídos de uma forma mais completa sobre o seu cumprimento. O bispo Genetlio continuou: como já mencionado, convém que os sagrados bispos, os sacerdotes de Deus e os levitas, ou seja, aqueles que servem nos divinos sacramentos, sejam continentes por completo, para que possam obter sem dificuldades o que pedem ao Senhor; para que também protejamos o que os APÓSTOLOS ENSINARAM E QUE É CONSERVADO DESDE ANTIGAMENTE”. “A isso os bispos responderam unanimemente: estamos todos de acordo que bispos, sacerdotes e diáconos, guardiães da castidade, se abstenham também de suas esposas, a fim de que em tudo e por parte de todos os que sirvam ao altar seja conservada a castidade”. Dessa declaração dos Concílios de Cartago resulta que também na Igreja Africana uma grande parte, talvez a maioria do clero maior, estava casada antes da ordenação, e que depois dela, todos deviam viver em continência. Aqui esta obrigação é atribuída explicitamente ao sacramento da Ordem recebida e ao serviço do altar. Também é posta em relação explícita com um ensinamento dos Apóstolos e com uma observância praticada em todo o tempo passado (antiquitas), e se conclui com o assentimento unânime de todo o episcopado africano. O testemunho da Igreja de Roma Os primeiros testemunhos explícitos a respeito provêm de dois Papas: Sirício e Inocêncio I. Ao predecessor do primeiro, o Papa Dâmaso, tinha sido apresentado pelo bispo Himério de Tarragona algumas questões às quais só o seu sucessor, ou seja, Sirício, tinha dado uma resposta. Quando perguntado sobre a obrigação dos clérigos maiores à continência, o Papa respondeu na carta Directa, em 385, dizendo que os sacerdotes e diáconos que, depois da Ordenação, geram filhos, atuam contrariamente a uma lei irrenunciável, que obriga aos clérigos maiores desde o início da Igreja. A apelação ao fato de que no Antigo Testamento, os sacerdotes e levitas podiam usar do matrimônio, fora do tempo do seu serviço no Templo, foi refutada pelo Novo Testamento, no qual os clérigos maiores devem prestar culto sagrado todos os dias; por isso a partir do dia da sua ordenação, deve viver continuamente a continência. Uma segunda carta do mesmo Papa, referindo-se à mesma questão e que já a mencionamos, é a enviada aos bispos africanos em 386, que relatou as deliberações de um Sínodo Romano. Essa carta é especialmente ilustrativa sobre o tema do celibato. O Papa assinalou, acima de tudo, que os pontos tratados no Sínodo não se referem a novas obrigações, mas sim a pontos de fé e de disciplina, que, por causa da preguiça e da inércia de alguns, têm sido negligenciados. Devem, portanto, ser revitalizados, pois, segundo as palavras da Sagrada Escritura, “Sê forte e observa as nossas tradições que recebestes, quer oralmente, quer por escrito” (2 Tes 2, 15), trata-se de disposições dos Padres Apostólicos. O Sínodo Romano é, portanto, consciente de que as tradições recebidas apenas oralmente são vinculativas. E aludindo ao juízo divino, observa que todos os bispos católicos devem observar nove disposições que são enumeradas. A nove delas é exposta com detalhes: “os sacerdotes e levitas não devem ter relações sexuais com suas esposas, porque devem estar ocupados diariamente com o seu ministério sacerdotal”. São Paulo escreveu aos Coríntios que eles deviam se abster das relações sexuais para se dedicar à oração. Se aos leigos a continência é imposta, a fim de serem ouvidos na sua oração, com muito maior razão deve estar disposto em todo momento o sacerdote para oferecer, com castidade verdadeira, o Sacrifício e para administrar o Batismo. Depois de outras considerações ascéticas,[…] O seguinte Romano Pontífice que se ocupou amplamente da continência do clero é Inocêncio I (401 a 417). […]das questões propostas dá a seguinte resposta: “Em primeiro lugar, no que diz respeito aos bispos, sacerdotes e diáconos, que devem participar nos sacrifícios divinos, por cujas mãos se comunicam a graça do batismo e se oferecem o Corpo de Cristo, decidiu-se que estão obrigados, não só por nós, mas pela Divina Escritura, à castidade (ao qual também os Padres ordenaram que observassem a continência corporal)”. Leão Magno, em 456, escreveu ao bispo Rústico de Narbona: “A lei da continência é a mesma para os ministros do altar (diáconos), para os sacerdotes e bispos. Quando eram ainda leigos e leitores podiam se casar e gerar filhos. Mas, ao serem elevados aos graus anteriormente citados, começou a não ser lícito para eles o que antes o era. De fato, para que o matrimônio carnal chegue a ser um matrimônio espiritual, não é necessário que as esposas sejam afastadas, mas sim que se considerem como se não as tivessem, deste modo se salva o amor conjugal e, ao mesmo tempo, cessa o uso do matrimônio”. Por CARD. Alfons M. Stickler. (Continua…) Fonte: http://www.presbiteros.org.br/celibato-eclesiastico-historia-e-fundamentos-teologicos-2/

  • FOI S.PAULO BISPO DE ROMA ?

    Essa questão levanta-se, sobretudo, a partir de um passo de S. Irineu: —- “Os bem-aventurados apóstolos que fundaram e edificaram a igreja [de Roma] transmitiram o governo episcopal a Lino’, o Lino que Paulo lembra na carta a Timóteo… Lino teve como sucessor Anacleto. Depois dele, em terceiro lugar, depois dos apóstolos, coube o episcopado a Clemente, que vira os próprios apóstolos e estivera em relação com eles, que ainda guardava viva em seus ouvidos a pregação deles e diante dos olhos a tradição.” (adversus haer. , Livro III, 3,3) —- Ora, dizem os inimigos da Igreja ,sobretudo os hereges protestantes que se julgam “apologistas”: Se Pedro e Paulo são ditos igualmente fundadores da Igreja romana, se ambos transmitiram o governo episcopal a Lino, se Clemente foi o terceiro bispo a parir “dos [plural] apóstolos”, logo…os dois apóstolos foram bispos de Roma! Tal a objeção que, não poucas vezes, tenho ouvido. O primarismo do óbice é manifesto! Em primeiro lugar, é preciso compreender o que significava, no cristianismo primitivo, “fundar” uma igreja. Não significava, necessária e simplesmente levar o Evangelho a determinado lugar e reunir ali um grupo (grande ou pequeno) de pessoas em torno da doutrina de Cristo. Não! Quem “FUNDAVA” as igrejas no período neotestamentário, eram SEMPRE os APÓSTOLOS, avalizando (talvez, às vezes, por meio de delagados) com sua AUTORIDADE e muitas vezes também COM A PRÓPRIA PRESENÇA PESSOAL, as comunidades nascentes a eles relacionadas, mesmo que, CRONOLOGICAMENTE, fossem essas iniciadas por outros em sua realidade histórica. Quanto à cidade de Roma, é certo que Pedro LEVOU PESSOALMENTE PARA LÁ O EVANGELHO E ESTABELECEU ELE MESMO A COMUNIDADE. Estritamente falando, o fundador e primeiro bispo de Roma, FOI PEDRO e não Paulo. Mas, se é assim – perguntarão os hereges – o que significam as palavras de S. Irineu? Significam que, TENDO COLABORADO DE MANEIRA PESSOAL E DECISIVA para a expansão e êxito da comunidade romana, Paulo é, juntamente com Pedro (que para lá levou o Evangelho) considerado também o seu fundador. Fundador NÃO NO MESMO SENTIDO QUE PEDRO, pois NUNCA, PAI DA IGREJA ALGUM afirmou que S. Paulo exerceu um episcopado efetivo na Igreja romana, por ter sido o pioneiro na pregação do Evangelho lá. Isso SÓ É DITO DE PEDRO! S. Paulo foi, por assim dizer, um fundador em sentido moral e um bispo em sentido honorífico. NESSE SENTIDO, nada obsta à primazia petrina que Paulo, juntamente com ele (Pedro) seja chamado “fundador” da Igreja Roma e até, se quiserem, considerado “bispo” de Roma, “transmitindo”, juntamente com Pedro, a Lino o Episcopado. Mas, do ponto de vista estrito de um episcopado formal, Lino sucedeu A PEDRO SOMENTE e não a Pedro e Paulo conjuntamente, como está claríssimo em Eusébio (versais minhas): ———- “…quanto a Lino…DEPOIS DE PEDRO foi o primeiro a obter ali [em Roma] o episcopado” (Hist. Ecles. Livro III, 4,8) ———- Depois de…PEDRO! Não depois de Pedro e Paulo! Paulo foi um grande missionário e fundador de igrejas, mas não me consta que, como, por exemplo, Tiago e Pedro, tenha exercido um episcopado específico em alguma sede. Não obstante, chamá-lo de “bispo”, dadas certas circunstâncias, não constitui erro, mas é forma compreensível de tratamento dentro do contexto geral em que progredia a pregação apostólica. —- Por Maria, Fábio Morais.

  • A UNIÃO NATURAL DOS FIÉIS EM DEUS PELA ENCARNAÇÃO DO VERBO E PELO SACRAMENTO DA EUCARISTIA (Santo Hi

    Proclamamos como uma verdade que a Palavra se fez carne (Jo 1,14) e que na ceia do Senhor nós recebemos esta mesma Palavra que se fez carne. Então, como se pode negar que permaneça naturalmente em nós aquele que, ao nascer como homem, não só assumiu a natureza da nossa carne como inseparável de si, mas também uniu sua natureza humana à natureza divina no sacramento em que nos dá a comunhão do seu corpo? Deste modo todos somos um só, porque o Pai está em Cristo e Cristo está em nós. Portanto, ele está em nós pela sua carne e nós estamos nele; e através dele, o que nós somos está em Deus. Em que medida estamos nele pelo sacramento da comunhão com sua carne e com seu sangue, o próprio Cristo o afirma quando diz: Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis, pois eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós (Jo 14,19.20). Se com estas palavras o Senhor pretendia apenas significar uma unidade de vontade, por que então estabeleceu uma certa gradação e ordem na realização de tal unidade? Assim procedeu para acreditarmos que ele está no Pai pela natureza divina, e que nós estamos nele pelo seu nascimento corporal; além disso, ele também está em nós pelo mistério dos sacramentos. Ensina-nos desta forma a perfeita unidade estabelecida por meio do único Mediador. Nós estamos unidos a Cristo, que é inseparável do Pai, e Cristo, sendo inseparável do Pai, permanece unido a nós. Deste modo, temos acesso à unidade com o Pai. Porque se Cristo está por natureza no Pai, por ter sido gerado por ele, e se nós por natureza estamos em Cristo, então de certa maneira, também nós estamos por natureza no Pai através de Cristo. Até que ponto esta unidade é natural em nós, o mesmo Senhor o declara: Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim e eu nele (Jo 6,56). Realmente, ninguém poderá estar em Cristo, se Cristo não estiver nele; isto é, Cristo somente assume em si a carne daquele que recebe a sua. O Senhor já havia ensinado antes o mistério desta perfeita unidade, dizendo: Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me come viverá por causa de mim (Jo 6,57). Vive, portanto, pelo Pai; e do mesmo modo que vive pelo Pai, também nós vivemos pela sua carne. Toda a comparação deve ser adaptada à inteligência de tal modo que o exemplo proposto nos ajude a compreender o mistério de que tratamos. Esta é, portanto, a causa da nossa vida: Cristo, pela sua carne, habita em nós, seres carnais, para que nós vivamos por ele como ele vive pelo Pai. (Do Tratado sobre a Trindade, de Santo Hilário, bispo – Lib. 8,13-16: PL 10,246-249 – Séc. IV). #Cristologia #Igreja

  • A predestinação e os Concílios

    UM POUCO DE HISTÓRIA Entre os conflitos e heresias que Santo Agostinho teve que combater estava o pelagianismo, que não só negou a doutrina do pecado original, mas a necessidade da graça para a salvação. Na batalha campal que o santo se envolvia com os pelagianos, se encontra a dificuldade para equilibrar a relação entre a graça e o livre-arbítrio, e em algumas de suas obras, a doutrina da predestinação parece introduzir o conceito de dupla predestinação: Onde Deus salva pela graça aos eleitos, e deixa o resto em seu pecado. Por exemplo na obra Da predestinação dos santos escreve: “Todas as veredas do Senhor são graça e fidelidade (Sl 24,10). Pois são impenetráveis seus caminhos (Rm 11,33). Por conseguinte, são impenetráveis a misericórdia pela qual liberta gratuitamente e a verdade pela qual julga com justiça.”(Santo Agostinho – Da Predestinação dos Santos VI, 11) Santo Agostinho é acusado pelos pelagianos negar o livre arbítrio, o que Agostinho defende repetidamente. Em sua resposta a Juliano escreve: “Afirmas que em outro de meus livros eu disse: ‘Nega-se o livre-arbítrio se se defende a graça e nega-se a graça se se defende o livre-arbítrio’. Pura calúnia! Eu não disse isso. O que eu disse foi que essa questão apresenta enormes dificuldades que poderia parecer que se nega uma quando se admite a outra. E como minhas palavras são poucas, irei repeti-las para que meus leitores vejam como distorces os meus escritos e com que má-fé abusas da ignorância dos retardados e privados de inteligência, para fazer-lhes crer que me respondeste porque não sabes calar-te. Eu disse no final do primeiro livro, dedicado ao virtuoso Piniano, cujo título é ‘De gratia contra Pelagium’: ‘Nesta questão que trata do livre-arbítrio, parece se negar a graça de Deus; e quando se defende a graça de Deus, parece se destruir o livre-arbítrio’. Porém, tu, homem honesto, verás que suprimes as palavras que eu disse e colocas outras de tua invenção. Disse sim que esta questão era difícil de se resolver, não que era impossível. E muito menos afirmei, como falsamente me acusas, que ‘se se defende a graça, nega-se o livre-arbítrio; se se defende o livre-arbítrio, nega-se a graça de Deus’. Citai minhas palavras textuais e evaporam-se as tuas calúnias.”(Resposta a Juliano 4,47). Também se defende quando lhe acusam de chamar de pelagiano todos que reconhecem o livre-arbítrio: “Não é certo, como dizes, ‘que chamamos pelagianos ou celestianos a todo aquele que reconhece no homem o livre-arbítrio e afirma que Deus é o Criador das crianças’, mas que damos este nome aos que não atribuem à liberdade, à qual fomos chamados, a graça divina; e aos que recusam reconhecer Cristo como Salvador das crianças; aos que não admitem nos justos a necessidade de dirigir a Deus petição alguma da oração do Senhor. A estes sim, os chamamos de pelagianos e celestianos, porque participam de seus erros criminosos”. (Resposta a Juliano 3,2). Assim, ele rejeita a ideia da não necessidade da graça. É a graça para Agostinho, que lhe dá o poder de livre vontade para fazer a vontade de Deus. “Dizes que ‘louvo a continência dos tempos cristãos não para suscitar nos homens o amor à virgindade, mas para condenar o matrimônio instituído por Deus’. Mas para que ninguém acredite, te atormenta a suspeita de uma má interpretação dos meus sentimentos – me dizes – como querendo aprovar: ‘Se com sinceridade exortas aos homens à virgindade, deves confessar que a virtude da castidade pode ser observada por aqueles que quiserem, de sorte que qualquer um pode ser santo em corpo e espírito’. Respondo que admito isso, mas não no teu sentido. Tu atribuis este poder apenas às forças do livre-arbítrio; eu o atribuo à vontade auxiliada pela graça de Deus. No entanto, pergunto: sobre o quê exerce o espírito seu poder para não pecar senão sobre um mal que, se vence, nos faz cair em pecado? E para não ter que dizer, com os maniqueus, que este mal provém de uma natureza má, estranha a nós e com a qual se mistura, resta-nos confessar que existe em nossa natureza uma ferida que é necessário curar e cuja mancha nos torna culpáveis se não for lavada pelo sacramento da regeneração (=batismo).”(Resposta a Juliano 5,65). PRONUNCIA-SE O MAGISTÉRIO Apesar disso, os textos obscuros de Santo Agostinho mais tarde deram origem a um pensamento exagerado sobre ele. Um deles era um sacerdote chamado Lúcido, que teve de ser corrigido pelo Concílio de Arles em 475 d.C. Se conserva o memorial de sua sujeição:“Da graça e a PredestinaçãoSua correção é salvação pública e seu julgamento remédio. Daí, também, eu tenho que, pelo santo remédio, retratar-me dos erros do passado acusando-os, e por saudável confissão purificar-me. Portanto, de acordo com os recentes decretos do venerável concílio, condeno juntamente com vós aquela sentença que disse que não se deve juntar a graça divina com a obra da obediência humana; que diz que após a queda do primeiro homem, foi completamente extinto o arbítrio da vontade; que diz que Cristo Senhor e Salvador não morreu para a salvação de todos; que diz que a presciência de Deus violentamente empurra o homem para a morte, ou que pela vontade de Deus perecem os que perecem; Que diz que depois de legitimamente recebido o batismo, morre em Adão qualquer um que peca; que diz que alguns estão destinados a morrer e outros predestinados a vida; que diz que ninguém desde Adão até Cristo, dentre os gentios são salvos com vista da vinda de Cristo pela graça de Deus, isto é, pela lei da natureza, e que perderam o livre-arbítrio no primeiro pai; que diz que os patriarcas e profetas e grandes santos, viviam no paraíso, mesmo antes do momento do resgate. Tudo isso condeno como mau e cheio de sacrilégio. De tal modo, no entanto, afirmo que à graça de Deus sempre é adicionado à graça do esforço e empenho do homem e proclamo que a liberdade da vontade humana não é extinta,mas atenuada e enfraquecida, que está em perigo aquele que está na graça, e aquele que está no pecado pode se salvar.Também confesso queCristo, nosso Deus e Salvador, no que diz respeito as riquezas da sua bondade, ofereceu por todos o preço de sua morte e não quer que ninguém pereça, Ele que é o Salvador de todos, especialmente dos fiéis, rico para com todos os que o invocam [Rom. 10, 12]… Agora, no entanto, pela autoridade dos testemunhos sagrados que copiosamente estão nas divinas Escrituras, pela doutrina dos antigos, como demonstrado pela razão, de boa vontade confesso que Cristo também veio pelos homens perdidos e que contra a sua vontade foram perdidos. Não é lícito, com efeito, limitar as riquezas da sua grande bondade e os benefícios divinos para somente aqueles que aparentemente foram salvos. Porque sedissermos que Cristo só trouxe remédios para aqueles que foram redimidos, parecerá que absolvemos os não redimidos, os que negam vão ser condenados por desacato a redenção. Afirmo também que foram salvos, segundo a razão e a ordem dos séculos, alguns pela lei da graça, outros pela lei de Moisés, outros pela lei da natureza, que Deus escreveu nos corações de todos em espera do advento de Cristo; No entanto, desde o início do mundo, eles não estavam livres do pecado original, senão pela intercessão do sagrado sangue. Eu também professo que o eterno fogo do inferno e as chamas estão preparadas para pecados capitais, porque segue corretamente o juízo divino para a culpa humana persistente; e sentencio aqueles que não acreditam nessas coisas de todo coração. Ore por mim, senhores santos e padres apostólicos.Lúcido, presbítero, assinei de próprio punho esta minha carta, e o que nela é afirmado, afirmo, e o que é condenado, condeno.” (Concílio de Arles, 475 d.C. Do memorial da sujeição de Lúcido, presbítero.Retirado do Enchiridion Symbolorum) Aqui foram estabelecidos então quatro pontos básicos da reta doutrina da predestinação: 1 – O livre arbítrio colabora com graça, mas o livre arbítrio, sem graça nada pode. 2 – Cristo morreu por todos os homens e não para um grupo seleto. 3 – O Livre-arbítrio é enfraquecido, mas não extinto. 4 – Os que são condenados não são condenados por vontade de Deus. Mais tarde, no II Concílio de Orange contra os Semipelagianos é reafirmada a correta doutrina da predestinação. “Acreditamos também segundo a fé católica, depois de receber a graça por meio do batismo, todos os batizados podem e devem, com a ajuda e cooperação de Cristo desde que fielmente eles queiram trabalhar, cumprir o que pertence a saúde da alma.No entanto, sobre alguns serem predestinados pelo poder divino para o mal, não só não cremos, como também se houve qualquer um que se atreva a crer em tamanho erro, com toda detestação pronunciamos o anátema contra ele.Também professamos e cremos saudavelmente em toda a boa obra, e então nós não começarmos, mas somos ajudados pela misericórdia de Deus, mas que Ele nos inspira primeiro – sem mérito algum precedente de nossa parte – a fé e ao amor a Ele, para que fielmente busquemos o sacramento do batismo, e para que após o batismo, com a sua ajuda, possamos realizar o que lhe agrada. Assim, a de se crer com todas as provas que esta maravilhosa fé do ladrão que o Senhor chamou a pátria do paraíso [Lucas. 23, 43], do centurião Cornélio, que foi enviado um anjo [lei. 10, 3] e de Zaqueu, que mereceu acolher o próprio Senhor [Lc. 19, 6], não vêm da natureza, mas era um dom de liberalidade divina”. (II Concilio De Orange, 529 Confirmado por Bonifacio II (contra los semipelagianos)) Papa Adriano I volta a corrigir os erros em uma carta aos bispos da Espanha: “Sobre o que alguns deles dizem que a predestinação para a vida ou a morte está no poder de Deus e não a nossa, eles retrucam: ‘Por que se esforçar para viver, se ele tudo está no poder de Deus?’; e o outro, por sua vez: ‘Por que orar a Deus para não sermos vencido pela tentação, se isso está em nosso poder, pela liberdade do arbítrio?’. Porque na realidade, não são capazes de dar ou receber, nenhuma razão, ignorando o julgamento de Fulgencio abençoado… [contra certo Pelagiano]:‘Então, Deus preparou as obras de misericórdia e justiça na eternidade de sua incomutabilidade […] preparou, pois os méritos para os homens que haviam de ser justificados; também preparou prêmios para a glorificação dos mesmos; mas não preparou os ímpios para más vontades ou más ações, para eles, preparou justos e eternos tormentos. Esta é a predestinação eterna das futuras obras de Deus e como sabemos que fomos sempre incutidos pela doutrina apostólica, tão confiantemente a pregamos…” (Da Cartauniversalis Institutio, aos bispos da Espanha – 785 Retirado do Enchiridion Symbolorum) Posteriormente o concilio de Quierzy novamente teve que se pronunciar contra os predestinacionistas (O que pregavam a dupla predestinação de céu e inferno) “Da redenção de da graçaCap. 1 Deus onipotente criou o homem perfeito, sem pecado, com livre arbítrio e colocou no paraíso, e queria permanecer na santidade da justiça. O homem, fazendo mau uso do seu livre arbítrio, pecou e caiu, e tornou-se “massa de destruição” de toda a humanidade. Mas Deus, bom e justo, elegeu segundo sua presciência, da mesma massa de perdição, os que por sua graça predestinou à vida [Rom. 8, 29 ss; Ef. 1, 11] e predestinou para a vida eterna; outros, no entanto, que, por juízo de justiça deixou na massa da perdição, ele sabia pela sua presciência que tinham perecido, mas não os predestinou a perecer; mas, por ser justo, lhes predestinou um castigo eterno. E assim dizemos que existe apenas uma predestinação de Deus, que pertence ao dom da graça ou a retribuição da justiça.Cap. 2 A Liberdade do arbítrio, perdemos no primeiro homem, e recuperamos por Cristo, nosso Senhor, e nós temos o livre arbítrio para o bem, prevenido e ajudado pela graça; e nós temos o livre arbítrio para o mal, abandonando a graça. Mastemos o livre arbítrio, porque foi lançado pela graça, e pela graça foi curado da corrupção.Cap. 3 Deus Todo-Poderoso quer que todos os homens, sem exceção sejam salvos [1 Tm. 2, 4], embora nem todos sejam salvos. Agora, alguns são salvos, com o dom Dele que salvar; mas se alguns se perdem, é merecimento próprio.Cap. 4 Como não há, houve ou haverá homem algum cuja natureza não foi assumida por ele; assim não há, houve ou haverá ninguém por quem não tenha padecido Jesus Cristo, nosso Senhor, embora nem todos sejam resgatados pelo mistério da sua paixão. No entanto, se nem todos são resgatados pelo mistério de sua paixão, não olha para a extensão e prolixidade de preço, mas para a parte dos infiéis que não creem que fé que atua pelo amor [Gal. 5, 6]; porque beber da bebida da saúde humana, que é composta de nossa fraqueza e da virtude divina, tem certamente em si mesma, virtude para aproveitar a todos, mas se não se beber, não cura.”(Concílio de Quiersy 853 (Contra Gottschalk e predestinacionistas) Retirado do Enchiridion Symbolorum) Os cânones dois e três do IV concílio de Valence em 855 d.C, se mantêm na mesma linha: “Canôn 2 Fielmente mantemos que ‘Deus sabe de antemão e eternamente soube tanto os bens que os bons fariam como os males que os maus cometeriam’ porque temos a palavra da Escritura que diz: Deus eterno, que és conhecedor do oculto e sabe de tudo antes que aconteça [Dan. 13, 42]; e nos agrada manter que ‘sabia absolutamente de antemão que os bons seriam bons por sua graça e que pela mesma graça receberiam as recompensas eternas;e previu que os maus seriam maus por suas próprias maldades e teria que condená-los ao castigo eterno por sua justiça’, como de acordo com o salmista: Porque de Deus é o poder e do Senhor a misericórdia para dar a cada um segundo as suas obras [Ps. 61 12 s] e como a doutrina do Apóstolo ensina: a vida eterna aos que, com perseverança da boa obra, procuram a glória, a honra e a imortalidade; ira e indignação aos que são, no entanto, de espírito de discórdia e não aceitam a verdade, mas acreditam na iniqüidade; tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal [Rom. 2, 7 ss]. E, no mesmo sentido em outro lugar: No apocalipse fala-se de nosso Senhor Jesus tanto no céu com seus anjos de seu poder, quanto no fogo da chama que tomará a vingança contra os que não conhecem a Deus nem obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, que sofrerão a punição eterna para a sua ruína[…] quando ele vier para ser glorificado nos seus santos e mostrar-se admirável em todos os que crêem [2 Tessalonicenses. 1, 7 ss].Também não é para ser acreditado que a presciência de Deus impõe algum mau em absoluto e que não se poderia fazer otura coisa, mas que o homem faz por sua própria vontade o que Deus, que sabe de tudo antes que aconteça, previu pela majestade onipotente e imutável. ‘E não acho que alguém é condenado por juizo prévio, mas por mérito de sua própria iniqüidade’, ‘nem que os mesmos maus foram perdidos porque não poderiam ser bons, mas porque não queriam ser bons e por sua culpa permaneceu na massa de condenação do pecado original, ou mesmo pelo pecado atual.’.Cânon 3. E também sobre a predestinação de Deus satrifeito e fielmente coloca, de acordo com a autoridade apostólica que diz: ‘Ou não tem o oleiro poder sobre o barro para fazer da mesma massa um vaso de uso nobre e outro de uso vulgar?’ [Rom. 9, 21], a passagem a qual logo acrescenta: ‘em ter Deus, para mostrar a sua ira e manifestar o seu poder, suportado com muita paciência os objetos de ira preparados para a perdição, mostrando as riquezas da sua glória para com os objetos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória?’ [Rom. 9, 22 s]: Corajosamente, confessamos a predestinação dos eleitos para a vida, e predestinação dos ímpios para a morte; no entanto, na escolha daqueles que se salvarão, a misericórdia de Deus precede o grande mérito; na condenação, no entanto, dos que perecerão, o mau mérito precede o justo juízo de Deus. ‘Mas pela predestinação, Deus vestabeleceu o que Ele mesmo faria ou misericórdia gratuita ou julgamento justo’, diz a Escritura: Aquele que fez o que tinha que fazer [Is. 45, 11; LXX]; nos maus, no entanto, de antemão conheceu sua malícia, porque deles é, mas não predestinou, porque não vem de Deus. A pena que ao mal mérito, como Deus que tudo prevê, esse que sabia e predestinado, porque justo é aquele no qual, como diz Santo Agostinho, fixa está a sentença sobre todas as coisas, por sua presciência. Aqui cabe certamente o que disse o sábio: ‘As varas estão preparadas para os malfeitores e os golpes para o dorso dos insensatos.’ [Prov. 19, 29]. Sobre esta imobilidade da presciência da predestinação de Deus, pela qual no futuro, n’Ele já é um fato também se entende bem o que se diz em Eclesiastes: ‘Reconheci que tudo o que Deus fez subsistirá sempre, sem que se possa ajuntar nada, nem nada suprimir. Deus procede desta maneira para ser temido.’[Eclesiastes. 3, 14]. Mas que alguns são predestinados para o mal pelo poder divino, isto é, como se eles não pudessem ser outra coisa, não só não acreditamos, mas se há alguns que acreditam em tamanho mal contra eles, como o Sínodo de Orange, dizemos anátema com toda a repulsa.”. Apesar disso, o cânon 4 deste concílio se opôs ao Canône 3 do concílio de Quiersy: “Igualmente sobre a redenção através do sangue de Cristo, em razão do erro excessivo que tem surgido sobre este assunto, a tal ponto que alguns, como seus escritos indicam, definem que foi derramado por aqueles ímpios que desde o início do mundo até a paixão do Senhor, morreram em sua maldade e foram punidos com a condenação eterna.” (Cânon 4 – IV Concílio de Valence) Mas vê esta expiação limitada do ponto de vista da presciência divina. Ou seja, Deus sabe desde a eternidade o que acontecerá. Assim, apesar do conflito entre estes dois concílios locais, a Igreja manteve-se estável a sua posição a favor da vontade salvífica universal de Deus, que deseja que todos os homens sejam salvos e que quem é condenado é por sua própria vontade e não por Deus. Deus prevê sua condenação, não a impõe, e, portanto, a predestinação deve ser entendida a partir da perspectiva de que “Deus tem isto para ele, mas Deus não quer isto”. A PREDESTINAÇÃO NA “REFORMA” PROTESTANTE Mais tarde, William de Ockham entendeu que a obra de Deus era inescrutável a tal ponto que pode condenar o bom e salvar o perverso, pensamento que teve bastante vigor dentro da “reforma”. Muito possivelmente, o seu pensamento influenciou os reformadores protestantes (especialmente Calvino e Zwinglio), a ponto que as heresias sobre a doutrina da predestinação não só foram ressuscitadas, mas amplificadas. O concilio de Trento se pronunciou contra estas doutrinas: “Cap. 12 – Presunção temerária de ser predestinado805. Ninguém, enquanto peregrina por esta vida mortal, deve querer penetrar tanto no mistério oculta da predestinação divina, que possa afirmar com segurança ser ele, sem dúvida alguma, do número de predestinados [cân. 15], como se o justo não pudesse mais pecar [cân. 23] ou, que se tiver pecado, poderá com certeza prometer-se a si mesmo uma nova conversão. Pois, sem uma revelação toda especial de Deus, não se pode saber quais os que Deus escolheu para si [cân. 16].” (Concílio de Trento Decreto Sobre a Justificação) Foi só mais tarde que dentro das fileiras protestantes um teólogo chamado Jacó Armínio pregava que o livre-arbítrio humano pode existir sem limitar o poder de Deus ou contradizer a Bíblia, opondo-se as doutrinas calvinistas que enfatizavam a predestinação. Arminio, que estudou em Genebra com o teólogo evangélico francês Teodoro Beza, retornou à sua Holanda natal e foi professor de Teologia (1603-1609) na Universidade de Leiden. Afirmava que a predestinação era bíblica e verdadeira, ou seja, Deus tinha a intenção de algumas pessoas para o céu e outras para o inferno, como indicado pela referência a Jesus “ovelhas e bodes”. Mas é focado mais no amor de Deus, do que em seu poder no momento da escolha, o processo pelo qual Deus escolheu os que são destinados para o paraíso. Depois da morte de Armínio, um grupo de ministros que simpatizavam com suas opiniões desenvolveram uma teologia sistemática e racional com base em seus ensinamentos. Em sua declaração publicada em 1610, arminianos afirmam que a escolha foi condicionada pela fé, que a graça pode ser rejeitada, que a obra de Cristo foi feita para todas as pessoas, e era possível que os crentes pudessem cair da graça. Em uma reunião em Dort ou Dordrecht (1618 -1619), os calvinistas prevaleceram sobre o grupo de arminianos e condenaram aqueles que não concordavam com sua teoria. Eles declararam que a obra de Cristo foi destinada apenas àqueles que foram escolhidos para a salvação, que as pessoas criam não poderiam perder a graça, e que a escolha de Deus não estava dependente de qualquer condição. Os evangélicos armínianos foram então totalmente proibidos na Holanda pelo resto de protestantes calvinistas até 1630, e, desde então, sem reservas, até 1795, no entanto, a tradição arminiana permaneceu na Holanda até o final do século XX. O teólogo britânico John Wesley estudou e confirmou o trabalho de Arminio em seu movimento metodista no século XVIII, na Inglaterra. Para as pessoas, o Arminianismo se resume na idéia de que não há predestinação e que as pessoas são livres para seguir ou rejeitar o evangelho. Atualmente dentro do protestantismo existem diferentes nuances entre essas posições conflitantes, mas, em essência seguem amargas como no tempo de “reforma”, mas o Calvinismo tem perdido gradualmente a força que já teve dentro do protestantismo. PARA CITAR ARRAIZ, José Miguel. A predestinação e os Concílios. Disponível em: <http://apologistascatolicos.com.br/index.php/patristica/estudos-patristicos/729-a-predestinacao-e-os-concilios> Desde: 03/10/2014 Tradutor: Rafael Rodrigues. https://disqus.com/embed/comments/?base=default&f=apologistascatlicos&t_i=com_content%3Aarticle%3A729&t_u=http%3A%2F%2Fwww.apologistascatolicos.com.br%2Findex.php%2Fpatristica%2Festudos-patristicos%2F729-a-predestinacao-e-os-concilios&t_d=A%20predestina%C3%A7%C3%A3o%20e%20os%20Conc%C3%ADlios%20-%20Apologistas%20Cat%C3%B3licos&t_t=A%20predestina%C3%A7%C3%A3o%20e%20os%20Conc%C3%ADlios%20-%20Apologistas%20Cat%C3%B3licos&s_o=default&l=pt_BR#version=3a153681e8d91dee2860bdf5f56e28f6

  • SÊ TU SACRIFÍCIO E SACERDOTE DE DEUS (São Pedro Crisólogo, bispo)

    Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos (Romanos 12,1). Paulo exorta, ou melhor, é Deus que por intermédio de Paulo nos exorta, pois deseja ser mais amado que temido. Deus exorta-nos, porque quer ser mais Pai do que Senhor. Deus exorta-nos, pela sua misericórdia, para não ter de nos castigar com o seu rigor. Ouve como o Senhor exorta: Vede, vede em mim o vosso corpo, os vossos membros, o vosso coração, os vossos ossos, o vosso sangue. E se temeis o que é de Deus, por que não amais o que também é vosso? Se fugis do Senhor, por que não recorreis ao Pai? Talvez vos perturbe a enormidade de meus sofrimentos causados por vós. Não tenhais medo. Esta cruz não me feriu a mim, mas feriu a morte. Estes cravos não me provocam dor, mas cravam mais profundamente em mim o amor por vós. Estas chagas não me fazem soltar gemidos, mas vos introduzem ainda mais intimamente em meu coração. O meu corpo, ao ser estirado na cruz, não aumenta o meu sofrimento, mas dilata os espaços do coração para vos acolher. Meu sangue não é uma perda para mim, mas é o preço do vosso resgate. Vinde, pois, convertei-vos e pelo menos assim experimentareis a bondade do Pai, que paga os males com o bem, as injúrias com amor, tão grandes chagas com tamanha caridade. Ouçamos, porém, a insistência do Apóstolo: Eu vos exorto a vos oferecerdes em sacrifício vivo (Romanos 12,1). Pedindo deste modo, o Apóstolo ergueu todos os seres humanos à dignidade sacerdotal: a vos oferecerdes em sacrifício vivo. Ó inaudito mistério do sacerdócio cristão, em que o ser humano é para si mesmo vítima e sacerdote! O ser humano não precisa ir buscar fora de si a vítima que deve oferecer a Deus; traz consigo e em si o que irá sacrificar a Deus. Permanecem intactos tanto a vítima como o sacerdote; a vítima é imolada mas continua viva, e o sacerdote que oferece o sacrifício não pode matar a vítima. Admirável sacrifício em que o corpo é oferecido sem imolação e o sangue sem derramamento! Pela misericórdia de Deus eu vos exorto a vos oferecerdes em sacrifício vivo. Irmãos, este sacrifício é imagem do sacrifício de Cristo que, para dar a vida ao mundo, imolou o seu corpo, permanecendo vivo; na verdade, ele fez de seu corpo um sacrifício vivo, porque tendo morrido, continua vivo. Num sacrifício como este, a morte teve a sua parte, mas a vítima permanece; a vítima vive,enquanto a morte é castigada. Por isso, os mártires nascem com a morte, no fim da vida é que começam a vivê-la; coma sua imolação revivem e brilham agora nos céus os que na terra eram tidos como mortos. Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo. É o que também cantava o Profeta: Tu não quiseste nem vítima nem oferenda, mas formaste-me um corpo (cf. Salmos,l 39,7; Hebreus 10,5). Ó homem, sê tu sacrifício e sacerdote de Deus; não percas aquilo que te foi dado pelo poder do Senhor. Reveste-te com a túnica da santidade, cinge-te com o cíngulo da castidade; seja Cristo o véu de proteção da tua cabeça; que a cruz permaneça em tua fronte como defesa. Grava em teu peito o sinal da divina ciência; eleva continuamente a tua oração como perfume de incenso; empunha a espada do Espírito; faze de teu coração um altar. E assim, com toda confiança, oferece teu corpo como vítima a Deus. Deus não quer a morte, mas a fé; ele não tem sede do teu sangue, mas do teu sacrifício; não se aplaca com a morte violenta, mas com a vontade generosa. (Dos Sermões de São Pedro Crisólogo, bispo – Sermo 108: PL 52,499-500 – Séc.V). #Igreja

  • SAI DELA POVO MEU

    SAI DELA POVO MEU Muitos protestantes referem -se a esta passagem do Apocalipse: sai dela meu povo, em que se refere à Igreja católica!!! vamos analisar: Deus diz MEU POVO… É um versículo muito importante é Apocalipse 18: 4 Apocalipse 18, 4 Então ouvi outra voz do céu dizer: Saia dela, meu povo, para não participares de seus pecados e receber uma parte de suas pragas … Deus disse: Afasta-se dela, meu povo. O termo MEU POVO é uma referência a pessoas que estavam numa aliança com Deus. Ezequiel 37, 26-27 Eu farei uma aliança de paz com eles, e haverá uma aliança eterna com eles, e os abençoarei e os multiplicarei, e estabelecerei meu santuário no meio deles para sempre.A Minha morada o lugar estará com eles, e eu serei seu Deus, e eles serão o meu povo….. A questão importante aqui é, onde foram muitos do seu povo de Deus quando João escreveu este livro? Eles ainda estavam na Aliança antiga, na antiga Jerusalém e Deus queria que eles deixassem isso e entrassem na Nova Aliança. O bem torna-se o inimigo do melhor, se isso faz com que se rejeite o melhor. Hebreus 13,12-14 Portanto, Jesus também sofreu fora do portão, para consagrar o povo pelo seu próprio sangue. suportando o opróbrio que ele aborreceu. Porque aqui não temos cidade duradoura, Mas buscamos o que está por vir…. CONCLUÍNDO: um número significativo de judeus em Jerusalém converteram-se ao cristianismo. No entanto, quando milhares de judeus foram abatidos em Jerusalém em 70 dC, nenhum dos cristãos que ali estavam foram mortos. Eles haviam escapado deixando Jerusalém antes que os romanos viessem…..SAI DELA MEU POVO, isto é de Jerusalém…. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja

  • A CNBB arregou! Chega de desconversa

    A resposta dos bispos da CNBB às denúncias foi vergonhosa e merece um comentário sério. Neste vídeo há mais denúncias, Lei Seca, Marina Silva e, cráro, muitu forró pro cêis! ***CURTA, COMENTE E INSCREVA-SE NO CANAL*** SÉRIE COMPLETA PT NA IGREJA: 1. PT e a Igreja, a “nova” estratégia da esquerda: https://youtu.be/5-hnf-Z9vD8 2. Mais evidência e análise do PT na Igreja: https://youtu.be/qndau1if6CY 3. Dossiê Frei Betto: https://youtu.be/J5afKQlhI2Y 4. Fui injusto quanto ao PT na Igreja: https://youtu.be/4xlAcVQfEvQ 5. O que deveria ser a Campanha da Fraternidade 2018: https://youtu.be/k2_Jc-BOrg0 6. CNBB no banco dos réus: https://youtu.be/fsPy6erjHE8 7. Não desanimem! O bom combate está apenas começando: https://youtu.be/6CfoDJ8dSlY 8. Bispos, MST e dinheiro do PT: https://youtu.be/6y0Id_SHJLI 9. Considerações sobre as notas relacionadas à CNBB: https://youtu.be/pezZ0WkxZIw 10. Quem é o homem mais poderoso na CNBB: https://youtu.be/1kDRQic-Xps 11. Bispo preso, bispo petista, maçonaria e campanha do Lula: https://youtu.be/UFOgbm4ITC4 12.Excomunhão e resposta ao padre Joãozinho, scj: https://youtu.be/5Tebmlp7jC0 13. Prisão de Lula, reunião CNBB e militância: https://youtu.be/AJVdVelTOpI 14. Pérolas da CNBB: https://youtu.be/DxqukzQSR1o __________________________________________________ APOIA-SE: https://apoia.se/bernardokuster Facebook: https://www.facebook.com/bernardopkuster Twitter: @bernardopkuster Instagram: bernardo_kuster #arregou #chega #desconversa

  • E O VERBO SE FEZ CARNE!

    Jesus foi tão humano, mas tão humano, como só Deus pode ser humano! (Papa Leão Magno) #Igreja

  • Reencarnar para “progredir”?

    A lei do progresso, assim como os reencarnacionistas a entendem, é universal, uma força viva da natureza, e não pode ser frustrada. O homem pode, talvez, fazer-lhe oposição por algum tempo, pode estacioná-la temporariamente: mais dia, menos dia, porém, ele terá que continuar em sua marcha à perfeição final. Todos, absolutamente todos, chegarão a ela: não existe, nem mesmo é possível coexistir com a lei do progresso, um estado definitivo de condenação sem fim e sem esperança de conseguir esta meta. É por isso que todos os reencarnacionistas, com uma unanimidade rara, rejeitam decididamente a tradicional doutrina cristã sobre o inferno. É a razão por que Allan Kardec, num texto expressivo que já vimos, declara que: O dogma da eternidade absoluta das penas é incompatível com o progresso das almas, ao qual opõe uma barreira insuperável. Esses dois princípios (a eternidade do inferno e o constante progresso das almas) destroem-se, e a condição indeclinável de existência de um é o aniquilamento do outro. [1] O dilema proposto é claro e incisivo: ou admitimos a lei do progresso (e, portanto, a reencarnação), ou admitimos o dogma da eternidade do inferno (e, portanto, rejeitamos a palingenesia); os dois não podem coexistir: quem afirma a eternidade das penas negará a reencarnação, será contra a palingenesia. Assim sendo, querendo saber se Cristo era ou não reencarnacionista, podemos, agora, formular nossa pergunta da seguinte maneira: qual destes dois princípios (eternidade das penas ou progresso irreprimível e universal das almas) foi ensinado por Cristo? E a resposta absolutamente certa e indiscutível é: Cristo, de fato, ensinou a eternidade das penas do inferno. Logo, concluíra o próprio Allan Kardec, se quiser ser conseqüente, a mensagem de Jesus é incompatível com a filosofia da reencarnação. Seria realmente prolixo citar aqui todos os textos dos quatro evangelhos que os evangelistas colocam na boca do Divino Mestre e que nos falam da possibilidade de uma condenação “eterna” (cf. Mt 5, 29; 8, 12; 13,50; 22, 13; 25, 30.41; Mc 3, 29; Lc 16, 19-31). Ressalto apenas que Cristo, de fato, não podia usar de palavras mais evidentes e incisivas para nos ensinar a existência e a eternidade do inferno. Pois, em quase cada sermão que fazia, Jesus apontava para os tremendos castigos depois da morte. Basta lembrar que, no juízo final, a sentença definitiva do Divino Juiz sobre os maus será: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo e para seus anjos” (Mt 25, 46); e Jesus acrescenta que “estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna”. Neste texto, Jesus estabelece um perfeito paralelo entre a sorte dos justos (que é de “vida eterna”) e a dos maus (que é de “castigo eterno”): uma e outra são simplesmente “eternas”. Se, pois, a vida “eterna” dos justos é sem fim, sem fim será também o castigo “eterno”. Pois a mesma palavra, na mesma proposição e em igual contexto, deve ser tomada no mesmo sentido. A eternidade no sentido de “duração sem fim” é afirmada também por Jesus em Mt 18, 8-9, comparado com o texto paralelo de Mc 9, 42-47: o “eterno” de Mt 18, 8 é descrito em Mc 9, 43.48 como “fogo que não se apaga”. Já João Batista havia falado de um “fogo que não se apaga” (cf. Mt 3, 12; Lc 3, 17). Particularmente pertinente é o que nos relata Lc 13, 23-28: alguém lhe perguntou: “Senhor, é pequeno o número dos que se salvam?” Jesus respondeu: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não o conseguirão. Uma vez que o dono da casa houver se levantado e tiver fechado a porta e vós, de fora, começardes a bater à porta, dizendo: “Senhor, abre-nos”, ele vos responderá: “Não sei de onde sois”. Então começareis a dizer: “Nós comíamos e bebíamos em tua presença, e tu ensinaste em nossas praças”. Ele, porém, vos responderá: “Não sei de onde sois; afastai-vos de mim, vós todos, que sois malfeitores!” Lá haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacó e todos os profetas no Reino de Deus, e vós, porém, lançados fora. Não adianta negar tão claros ensinamentos divinos. Contra aqueles que negam a reencarnação, Allan Kardec teceu, do seu ponto de vista, uma mui judiciosa ponderação: “Como quer que opinemos acerca da reencarnação, quer a aceitemos, quer não, isso não constituirá motivo para que deixemos de sofrê-la, desde que ela exista, malgrado todas as crenças em contrário”, pois, considera ele no mesmo contexto: “Deus não nos pede permissão, nem consulta os nossos gostos para regular o universo” [2]. É isso mesmo. Parafraseando, diremos: como quer que se opine acerca do inferno, quer o aceitemos, quer não, isso não constituirá motivo para não sermos condenados a ele, desde que ele exista, malgrado todas as vontades humanas em contrário, pois Deus sabe o que faz e não consulta nosso parecer. As admoestações divinas estão aí, nos evangelhos. Deus, evidentemente, quer a salvação de todos. A todos dá as graças necessárias e a ninguém nega os auxílios suficientes. É certo que só vai para o inferno quem voluntária, consciente e gravemente ofende a Deus e neste estado morre impenitente. Mas estes irão mesmo. Não adiantará choramingar. Deus lhes dirá, como lemos no sagrado livro dos Provérbios 1, 24 e seguintes: Mas, visto que eu vos chamei, e vós não quisestes ouvir-me; visto que estendi a mão, e não houve quem olhasse para mim; visto que desprezastes todos os meus conselhos, e não fizestes caso das minhas repreensões, também eu me rirei da vossa ruína, e zombarei de vós, quando vos suceder o que temíeis. Quando vos assaltar a calamidade repentina e colher a morte como um temporal; quando vier sobre vós a tribulação e a angústia, então me invocarão e eu não os ouvirei; levantar-se-ão de madrugada, e não me encontrarão; porque eles aborreceram as minhas instruções, e não abraçaram o temor do Senhor, nem se submeteram ao meu conselho e desprezaram todas as minhas repreensões. Comerão, pois, os frutos de seu mau proceder e fartar-se-ão dos seus conselhos. Não há dúvida, existem aspectos bem difíceis de entender na doutrina de Cristo sobre a tremenda possibilidade de sermos condenados para sempre à exclusão da visão beatífica (inferno significa em primeiro lugar “exclusão do céu”; as penas são secundárias). Mas quem compreende a vocação natural e sobrenatural de todos os homens; quem conhece a necessidade, o valor e o risco da liberdade; quem procurou penetrar na natureza do pecado grave, consciente e deliberadamente perpetrado; quem se deu conta da necessidade de um limite do tempo de prova; este verificará facilmente que o aspecto mais difícil ou misterioso não é propriamente a existência do inferno, nem sua eternidade, mas o triste fato de existirem seres racionais que, não obstante, abusam da sua liberdade para enfrentar a eventualidade do inferno. O verdadeiro problema, a dificuldade principal, está na existência da culpa grave consciente e livremente cometida por uma criatura de Deus! Como e por que permite Deus que sua criatura racional, o homem, “única criatura na terra que Deus quis por si mesma” [3], possa, desgraçadamente, decidir-se para a culpa grave? Eis aí a verdadeira raiz do “mistério do inferno”. E exatamente este problema existe também para os reencarnacionistas. Pois ninguém pode racionalmente contestar a realidade do pecado grave e livremente cometido pelo homem, e, por conseguinte, existe para todos o indicado e difícil problema. Também para os reencarnacionistas nem tudo é claro. O próprio Allan Kardec indaga dos “espíritos superiores”: “Por que há Deus permitido que os espíritos possam tomar o caminho do mal?” E a resposta do “além” se resolve, afinal, também, num apelo ao mistério. Eis a resposta que Kardec garante ter recebido: “Como ousais pedir a Deus contas de seus atos? Supondes poder penetrar-lhe os desígnios?” [4]. Em outra oportunidade Kardec diz ter recebido esta resposta: “Há muitas coisas que não compreendeis, porque tendes limitada a inteligência. Isso, porém, não é razão para que as repilais” [5]. Também lhe dizem que “Deus pode revelar o que à ciência não é dado aprender” [6] e falam do “orgulho dos homens, que julgam saber tudo e não admitem haja coisa alguma que lhes esteja acima do entendimento” [7]. Muito iludidos estão os que pensam que o cristianismo é a religião da comodidade e do puro sentimentalismo. Disse Cristo: Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, senão a espada. Vim para fazer separação entre filho e pai, entre filha e mãe, entre nora e sogra […]. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim. Quem não tomar a sua cruz e me seguir não é digno de mim. Quem procurar possuir a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por minha causa, possuí-la-á (Mt 10, 34-39). Allan Kardec ilude-se conscientemente a si mesmo e a todos os seus sequazes, quando escreve que Cristo “se limitou a falar vagamente da vida bem-aventurada, dos castigos reservados aos culpados, sem referir-se jamais nos ensinos a castigos e suplícios corporais” [8]. Iludem-se também nossos espíritas, quando anunciam triunfalmente que “o espiritismo forneceu a chave que permite ler o Evangelho sem calafrios e provou que Deus é, em verdade, justo e bom”. Iludem-se ainda tremendamente, quando não apenas sustentam que a Bíblia não se refere ao sofrimento eterno do condenado, mas ainda blasfemam da seguinte maneira: Se conseguissem convencer-nos de que é isso o que a Bíblia afirma, nós a renegaríamos como falsa; e se nos provassem que ela é autêntica (isto é, que ela vem de Deus), nós renegaríamos o próprio Deus, porque não podemos adorar uma entidade cujos sentimentos de amor, justiça e misericórdia sejam inferiores aos nossos. E se há um Deus capaz de condenar uma de suas criaturas a sofrer eternos horrores por uma falta momentânea, cometida contra quem for, então esse Deus está muito abaixo das solas dos nossos sapatos. Nós nos julgaremos, por isso, muito superiores a um tal Deus!… [9]. Referências Allan Kardec, O céu e o inferno (trad. de Manuel Justiniano Quintão), 61.ª ed., Brasília: FEB, 2013, p. 73. Allan Kardec, O livro dos espíritos, p. II, c. 5, n. 222. FEB, p. 187-193. Concílio Vaticano II, Constituição Pastoral Gaudium et Spes (7 de dezembro de 1965), n. 24. Allan Kardec, O livro dos espíritos, p. II, c. 1, n. 123. FEB, p. 131. Ibid., n. 83. Ibid., n. 20. Ibid., n. 147. Allan Kardec, O céu e o inferno (trad. de Manuel Justiniano Quintão), 61.ª ed., Brasília: FEB, 2013, p. 40. Carlos Imbassahy, À margem do espiritismo, p. 162. Texto retirado do site: PadrePauloRicardo.org

  • O ESPÍRITO SANTO VIVIFICA (São Basílio, bispo)

    O Senhor que nos concede a vida, estabeleceu conosco a aliança do batismo, como símbolo da morte e da vida. A água é imagem da morte e o Espírito nos dá o penhor da vida. Assim, torna-se evidente o que antes perguntávamos: por que a água está unida ao Espírito? É dupla, com efeito, a finalidade do batismo: destruir o corpo do pecado para que nunca mais produza frutos de morte, e vivificá-lo pelo Espírito, para que dê frutos de santidade. A água é a imagem da morte porque recebe o corpo como num sepulcro; e o Espírito, por sua vez, comunica a força vivificante que renova nossas almas, libertando-as da morte do pecado e restituindo-lhes a vida. Nisto consiste o novo nascimento da água e do Espírito: na água realiza-se a nossa morte, enquanto o Espírito nos traz a vida. O grande mistério do batismo realiza-se em três imersões e três invocações, para que não somente fique bem expressa a imagem da morte, mas também a alma dos batizados seja iluminada pelo dom da ciência divina. Por isso, se a água tem o dom da graça, não é por sua própria natureza mas pela presença do Espírito. O batismo, de fato, não é uma purificação da imundície corporal, mas o compromisso de uma consciência pura perante Deus. Eis por que o Senhor, a fim de nos preparar para a vida que brota da ressurreição, propõe-nos todo o programa de uma vida evangélica, prescrevendo que não nos entreguemos à cólera, sejamos pacientes nas contrariedades e livres da aflição dos prazeres e do amor ao dinheiro. Isto nos manda o Senhor, para nos induzir a praticar, desde agora, aquelas virtudes que na vida futura se possuem como condição natural da nova existência. O Espírito Santo restitui o paraíso, concede-nos entrar no reino dos céus e voltar à adoção de filhos. Dá-nos a confiança de chamar a Deus nosso Pai, de participar da graça de Cristo, de sermos chamados filhos da luz, de tomar parte na glória eterna, numa palavra, de receber a plenitude de todas as bênçãos tanto na vida presente quanto na futura. Dá-nos ainda contemplar, como num espelho, a graça daqueles bens que nos foram prometidos e que pela fé esperamos usufruir como se já estivessem presentes. Ora, se é assim o penhor, qual não será a plena realidade? E, se tão grandes são as primícias, como não será a consumação de tudo? (Do Livro Sobre o Espírito Santo, de São Basílio, bispo – Cap 15,35-36: PG 32,130-131 – Séc.IV). #Igreja

  • True Manliness by Rev. F. X. Lasance

    Manliness implies self-control, conscientiousness, moral courage, fearless discharge of duty in the face of obloquy and prejudice, firm determination to do what is right because it is right and pleasing to God, without regard to human respect, expediency or popularity, a steadfast adherence to one’s religious principles and convictions – in a word, an upright Christian character. “Do ye manfully, and let your heart be strengthened – all ye that hope in the Lord”(Ps. xxx; 25). “He that feareth man shall fall quickly, he that trusteth in the Lord, shall be set on high”(Prov. xxix; 25). Vacillation of mind, feebleness of will, unsteadiness of purpose, want of courage, energy, and perseverance – these militate against success in the battle of life, and impede a man’s purpose in the way of virtue and perfection. A firm will underlies every good character, and the lack of it must be attributed much unhappiness and misery in the world. Strength of character includes both firmness of will and the power of self-restraint. A man, for instance, who yields to anger, and whose bursts of fury make his subjects tremble, may appear to be strong, as he ruthlessly bears all before him, but he is really weak – pitiably weak. He has not conquered himself; he is mastered by his passions. He lacks self-control, and therefore he is not strong. That man is great, that man is strong, who subdues his feelings, suppresses his evil inclinations, and bridles his passions. “The patient man is better than the valiant; and he that ruleth his spirit than he that taketh cities.” (Prov. xvi;32) “He is most powerful who has himself in his power.” – SENECA “He who reigns within himself and rules passions, desires and fears, is more than a king.” – Milton

  • Devotion to Angels and Overcoming the Sins of Lust.

    God has willed that man cannot acquire virtue without a struggle and in our time, no thanks to the media, Sex-Education in schools, etc the struggle against lust is not only common but very difficult. As St Thomas rightly points out; “…the avoidance of lust demands much labour, for it is based on something within us. It is as hard as trying to capture an enemy within ones household.”  It should be noted that some souls deprived of the guardianship of angels, and often prone to demonic attacks (especially through witchcraft) are poor creatures who always state of mortal sin practice impurities with too lustful a zest.  The devotion to the angels especially our guardian angels is often neglected in this fearsome battle against the flesh. A lot has been written about overcoming lust, it will suffice to a few examples of how a good Angel sometimes blesses just and holy men, especially in the matter of the genital instincts. An extraordinary ability which should increase our devotion to the angels especially when tempted in common vices such as lust. The following was the experience of the Abbot S. Serenus, as it is told by Cassian in his Collations of the Fathers, in the first conference of the Abbot Serenus. This man, he says, laboured to achieve an inward chastity of heart and soul, by prayers both by night and day, by fasting and by vigils, till he at last perceived that, by Divine grace, he had extinguished all the surgings of carnal concupiscence. Finally, stirred by an even greater zeal for chastity, he used all the above holy practices to pray the Almighty and All-Good God to grant him that, by God’s gift, the chastity which he felt in his heart should be visibly conferred upon his body. Then an Angel of the Lord came to him in a vision in the night, and seemed to open his belly and take from his entrails a burning tumour of flesh, and then to replace all his intestines as they had been; and said: “Lo! the provocation of your flesh is cut out, and know that this day you have obtained perpetual purity of your body, according to the prayer which you prayed, so that you will never again be pricked with that natural desire which is aroused even in babes and sucklings.” Similarly S. Gregory, in the first book of his Dialogues, tells of the Blessed Abbot Equitius. This man, he says, was in his youth greatly troubled by the provocation of the flesh; but the very distress of his temptation made him all the more zealous in his application to prayer. And when he continuously prayed Almighty God for a remedy against this affliction, an Angel appeared to him one night and seemed to make him an eunuch, and it seemed to him in his vision that all feeling was taken away from his genital organs; and from that time he was such a stranger to temptation as if he had no sex in his body. Behold what benefit there was in that purification; for he was so filled with virtue that, with the help of Almighty God, just as he was before pre-eminent among, so he afterwards became pre-eminent over women. Again, in the Lives of the Fathers collected by that very holy man S. Heraclides, in the book which he calls Paradise, he tells of a certain holy Father, a monk named Helias. This man was moved by pity to collect thirty women in a monastery, and began to rule over them. But after two years, when he was thirty years old, he fled from the temptation of the flesh into a hermitage, and fasting there for two days, prayed to God, saying: “O Lord God, either slay me, or deliver me from this temptation.” And in the evening a dream came to him, and he saw three Angels approach him; and they asked him why he had fled from that monastery of virgins. But when he did not dare to a answer, for shame, the Angels said: If you are set free from temptation, will you return to your cure of those women? And he answered that he would willingly. They then extracted an oath to that effect from him, and made him a eunuch. For one seemed to hold his hands, another his feet, and the third to cut out his testicles with a knife; though this was not really so, but only seemed to be. And when they asked if he felt himself remedied, he answered that he was entirely delivered. So, on the fifth day, he returned to the sorrowing women, and ruled over them for the forty years that he continued to live, and never again felt a spark of that first temptation. No less a benefit do we read to have been conferred upon the Blessed Thomas, a Doctor of our Order, whom his brothers imprisoned for entering that Order; and, wishing to tempt him, they sent in to him a seductive and sumptuously adorned harlot. But when the Doctor had looked at her, he ran to the material fire, and snatching up a lighted torch, drove the engine of the fire of lust out of his person; and, prostrating himself in a prayer for the gift of chastity, went to sleep. Two Angels then appeared to him, saying: Behold, at the bidding of God we gird you with a girdle of chastity, which cannot be loosed by any other such temptation; neither can it be acquired by the merits of human virtue, but is given as a gift by God alone. And he felt himself girded, and was aware of the touch of the girdle, and cried out and awoke. And thereafter he felt himself endowed with so great a gift of chastity, that from that time he abhorred all the delights of the flesh, so that he could not even speak to a woman except under compulsion, but was strong in his perfect chastity. Kyrie Eleison https://christusvincitsite.wordpress.com

  • Path to Self-Control – No excuses!

    Speech, Movement and Imagination We must control our tongue because it easily runs away with us, and says things that ought not to be said ; and when once started it is very difficult to check. ” Fire and sword are slow engines of destruction in comparison with the babbler.”— Steele. We must control our movements because the body has a way of beginning to act as soon as it feels desire or passion; and if not controlled it will carry us into doing what is wrong. Imagination is like the eye of the mind, which pictures things just as if they were seen. Why must we control the imagination? We must control our imagination because the imagination can excite desires and passions even more strongly than the senses do. It is often more difficult than to control the senses. Therefore we should be careful not to look at things which excite passion ; because if we do they are sure to come up afterwards in the imagination, and tempt us to sin. If a man finds his passions strong and difficult to resist, does this excuse his sin? The strength of his passion may explain why he fell into sin ; but it does not excuse his sin, because he still has the power to resist. Is a man excused more easily because he has got into a bad habit? The bad habit may explain why he falls so easily ; but it does not excuse the sin, because he still has the power to resist. Is difficulty no excuse for doing evil? Difficulty is no excuse, it only carries with it the duty of resisting more strongly. Should we be easy in making excuses for sin by saying that we could not help it? No. If we excuse ourselves in this way we shall soon begin to believe it, and to look lightly upon sin, and fall into it more easily each time, and end in becoming altogether wicked. ( Ernest Hull S. J., Man’s Great Concern) https://Sanusmente.wordpress.com

  • Guerra cultural

    “Paz, paz”, dizem, quando não há paz alguma. Jeremias 8:11 Talvez muitas pessoas talvez ainda não tenham percebido, mas não vivemos períodos de paz. Isso é bem óbvio se lermos os jornais, mas não é disso que estou falando. Vivemos uma guerra, não com tiros e bombas, mas uma guerra que tem se infiltrado sorrateiramente no âmago da sociedade e causado estragos enormes. A guerra não é nas trincheiras, é cultural. Ideólogos ligados a um passado marxista influenciaram uma geração no século passado e suas ideias foram impregnando na sociedade, principalmente nas universidades, berço dos intelectuais, jornalistas, juízes…Não demorou muito para que esse engodo que vem destruindo a universidade alcançasse as igrejas. Ideologias completamente anti-cristãs, com ensinamentos em total oposição aos evangelhos e a moral cristã, foram lentamente se infiltrando nas igrejas com uma retórica bem articulada e mansa e, assim como toda a heresia, foram conquistando gradualmente seu espaço. Quando se deram conta, grupos que defendiam o aborto já estavam se manifestando dentro das igrejas, líderes religiosos estavam usando o local que antes era de adoração como palanque político, ao invés de pregação sobre Jesus, a luta de classes é ensinada, o divórcio, a libertação sexual…A igreja de Deus virou militância partidária revolucionária. A visão teológica cristocêntrica foi substituída pela militância ideológica. O erro antes condenado, hoje passou a ser tolerado. Os ensinos de Cristo antes obedecidos, são relativizados e adaptados aos “novos tempos”. A igreja de Cristo vem sendo vilipendiada todos os dias, mas ainda insistem em dizer que está tudo bem. Não há paz alguma e nem nunca haverá enquanto o erro estiver sendo aceito. Sei que muitas igrejas católicas e protestantes têm lutado contra os enganos da teologia da libertação, da missão integral e tantos outros erros que vem se introduzindo nesses lugares. Os cristãos precisam se unir, pois um exército divido é mais facilmente conquistado. Já passou da hora da igreja se levantar e se posionar firmemente contra esses erros. Nessa vida ha poucas coisas pelas quais eu considero que valha a pena lutar, mas a Verdade de Cristo é uma delas. “Os que não querem ser vencidos pela verdade, serão vencidos pelo erro.” St Agostinho de Hipona [ O CAMINHO ]

  • A IGREJA E A CIÊNCIA O heliocêntrismo (O PROBLEMA COM COPÉRNICO E GALILEU)

    A IGREJA E A CIÊNCIA O heliocentrismo (O PROBLEMA COM COPÉRNICO E GALILEU) Vamos começar a saga “desmentindo as mentiras Protestantes”, lembrando que a obra de Copérnico fora até dedicada ao Sumo Pontífice (Papa Paulo III). A razão dessa tolerância por parte da Igreja é que ambos se limitaram a tratar da questão sob o exclusivo ponto de vista científico, sem que introduzissem aí considerações acerca das Sagradas Escrituras. Vamos recorrer a alguns escritores bastante conhecidos, e que não são Católicos, parece que não ser católico é uma condição especial para os escritores sobre a história, isso na ótica Protestante. Vamos lá, Terá sido apenas coincidência que a ciência moderna desenvolvesse em um ambiente em ampla medida católico, ou houve alguma coisa no próprio catolicismo que possibilitou o seu progresso? O simples fato de levantarmos está questão já significa transgredir as fronteiras da opinião em voga. No entanto, são cada vez em maior número os estudiosos que a levantam, e as suas respostas podem surpreender-nos. Não é um assunto secundário. Na mentalidade popular, a alegada hostilidade de Igreja Católica para com a ciência talvez continua o seu principal ponto fraco. O caso Galileu, na versão deturpada com a qual a maior parte das pessoas está familiarizada, é largamente responsável pela crença tão difundida de que a Igreja obstruiu o avanço da pesquisa científica. Porém, ainda que esse caso tenha sido bem menos ruim do que as pessoas pensam, o cardeal John Henry Newman, famoso converso do americanismo do século XIX, achou revelador que seja esse praticamente o único exemplo que sempre acode à mente das pessoas quando se pensa na relação entre a Igreja e a ciência, sobre o caso Galileu, vamos fazer um texto só abordando esse evento. Os historiadores afirmaram, durante várias gerações, que quando Copérnico propôs o modelo heliocêntrico do sistema solar no séc. XVI, marcou o início de uma revolução científica. Mas a verdade é que foi uma evolução, e não uma revolução. Copérnico apenas deu o passo lógico na cosmologia da época, e o desenvolvimento da ciência renascentista foi a culminação de um processo gradual nos séculos anteriores. Para descrever a evolução rumo ao sistema solar heliocêntrico, é melhor começarmos com os gregos. Os gregos acreditavam que os vácuos eram impossíveis e que o espaço estava cheio de matéria transparente. Portanto, os astros celestes tinham de superar a fricção provocada pela matéria transparente para continuarem a se mover, o que requeria uma aplicação de força continua. Alguns gregos resolveram o problema ao conceber os astros celestes como deuses a percorrer destinos. Outros sugeriram a existência de seres sobrenaturais que empurravam cada esfera. A necessidade de ter alguém pra empurrar os astros terminou com Jean Burridan(1300-58, reitor da universidade de Paris, antecipou a primeira lei do movimento, de Newton. Burridan disse que o espaço é um vácuo, e que a certa altura Deus pôs os astros celestes em movimento; esse movimento não decresceu nem se corrompeu depois porque os astros celestes não desejam outros movimentos. Também não existe resistência para corromper ou reprimir esse ímpeto. Burridan também sugeriu o próximo passo lógico que levaria ao movimento de Copérnico: afirmou que a terra gira sobre seu próprio eixo, mas foi outro reitor da universidade de Paris, Nicolau d’oresme (1325-82), o mais brilhante de todos os cientistas escolásticos, a formular a teoria. O trabalho de d’oresme é matemático, e levantou a possibilidade de todos os subsequente trabalhos de mecânica e astronomia. Depois foi a vez do bispo Nicolau de Cusa ,(1401-64 postular que esteja um homem sobre a terra, ou sobre o sol, ou sobre outra estrela qualquer, parecerá que sempre a sua posição é o centro imóvel, e que todas as outras coisas estão em movimento. Segue-se que as pessoas deviam desconfiar da percepção de que a terra seja privilégio imóvel; talvez não o seja .a partir daqui, é fácil propor que a terra gire ao redor do sol. Copérnico conhecia as teorias da baixa idade média. Não foi uma figura religiosa isolada, trabalhando sozinho numa parte remota da Polônia, como é tantas vezes retratado, mas um dos homens mais bem instruídos da sua geração, educado nas universidades de Cracóvia, Bolonha, Pádua e Ferrara. Houve tanto progresso na chamada”Idade das trevas”, que no século XIII, a Europa já estava a frente da Europa e da Grécia, e do resto do mundo. Por que? principalmente porque o cristianismo sempre ensinou que o progresso é natural e que surgirão sempre novas invenções. Bibliografia: Thomas Woods, Rodney Stark #IdadeMédia #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #Históriadaidademédia #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja

  • A CRUZ DE CRISTO JESUS, SALVAÇÃO PARA O GÊNERO HUMANO (Santo Efrém, diácono).

    Nosso Senhor foi calcado pela morte mas, por sua vez, esmagou-a como quem soca com os pés o pó da estrada. Sujeitou-se à morte e aceitou-a voluntariamente, para destruir aquela morte que não queria morrer. Nosso Senhor saiu para o Calvário carregando a cruz, para satisfazer as exigências da morte; mas, ao soltar um brado do alto da cruz, fez sair os mortos dos sepulcros, vencendo a oposição da morte. A morte o matou no corpo que assumira; mas ele, com as mesmas armas, saiu vitorioso da morte. A divindade ocultou-se sob a humanidade e assim aproximou-se da morte, que matou, mas também foi morta. A morte matou a vida natural e, por sua vez, foi morta pela vida sobrenatural. A morte não poderia devorá-lo se ele não tivesse um corpo nem o inferno tragá-lo se não tivesse carne. Foi por isso que desceu ao seio de uma Virgem para tomar um corpo que o conduzisse à mansão dos mortos. Com o corpo que assumira, lá entrou para destruir suas riquezas e arruinar seus tesouros. A morte foi ao encontro de Eva, a mãe de todos os viventes. Ela é como uma vinha cuja cerca foi aberta pela morte, por meio das próprias mãos de Eva, para que pudesse provar de seus frutos. Então Eva, mãe de todos os viventes, tornou-se fonte da morte para todos os viventes. Floresceu, porém, Maria, a nova videira, em lugar de Eva, a antiga videira; nela habitou Cristo, a nova vida, a fim de que, ao aproximar-se a morte com sua habitual segurança para alimentar a fome devoradora, encontrasse ali escondida, no seu fruto mortal, a Vida destruidora da morte. Quando, pois, a morte engoliu sem temor o fruto mortal, ele libertou a vida e com ela, multidões. O admirável filho do carpinteiro, que levou sua cruz até os abismos da morte que tudo devoravam, também levou o gênero humano para a morada da vida. E uma vez que o gênero humano, por causa de uma árvore, tinha se precipitado no reino das sombras, sobre outra árvore passou para o reino da vida. Na mesma árvore em que fora enxertado um fruto amargo, foi enxertado depois um fruto doce, para que reconheçamos o Senhor a quem criatura alguma pode resistir. Glória a vós, que lançastes a cruz como uma ponte sobre a morte, para que através dela as almas possam passar da região da morte para a vida! Glória a vós, que assumistes um corpo de homem mortal, para transformá-lo em fonte de vida para todos os mortais! Vós viveis para sempre! Aqueles que vos mataram, trataram vossa vida como os agricultores: enterraram-na como o grão de trigo; mas ela ressuscitou e, junto com ela, fez ressurgir uma multidão de seres humanos. Vinde, ofereçamos o grande e universal sacrifício do nosso amor. Entoemos com grande alegria cânticos e orações àquele que se ofereceu a Deus no sacrifício da cruz, para nos enriquecer por meio dela com a abundância de seus dons. (Dos Sermões de Santo Efrém, diácono – Sermo de Domino nostro, 3-4.9: Opera edit. Lamy, 1,152-158.166-168 – Séc. IV). #Cristologia #Igreja

  • CRISTO JESUS ENTREGOU SEU CORPO PARA A VIDA DE TODOS (São Cirilo de Alexandria, bispo)

    Eu morro por todos, diz o Senhor, a fim de que por mim todos tenham vida. Eu moro para resgatar todos pela minha carne! A morte morrerá em minha morte e, juntamente comigo, a natureza humana que caíra, ressuscitará. Para tanto tornei-me semelhante a vós, um homem autêntico da descendência de Abraão, a fim de ser semelhante a meus irmãos. São Paulo compreendeu isto perfeitamente, ao dizer: Visto que os filhos têm em comum a carne e o sangue, também Jesus participou da mesma condição, para assim destruir, com a sua morte, aquele que tinha o poder da morte, isto é, o demônio (Hb 2,14). Ora, aquele que tinha o poder da morte, e por conseguinte, a própria morte, não poderia ser destruído de nenhuma outra maneira, se Cristo não tivesse se oferecido em sacrifício por nós. Um só foi imolado pela redenção de todos, porque a morte dominava sobre todos. Por isso diz-se nos salmos que Cristo se ofereceu a Deus Pai como sacrifício imaculado: Sacrifício e oblação não quisestes, mas formastes-me um corpo; não pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados. E então eu vos disse: “Eis que venho” (Sl 39,7-9). O Senhor foi crucificado por todos e por causa de todos a fim de que, tendo um morrido por todos, vivamos todos nele. Não seria possível que a vida permanecesse sujeita à morte ou sucumbisse à corrupção natural. Sabemos pelas próprias palavras de Cristo que ele ofereceu sua carne pela vida do mundo: Eu me consagro por eles (Jo 17,19). Com isso ele quer dizer que se consagra e se oferece como sacrifício puro de suave perfume. Com efeito, tudo o que era oferecido sobre o altar, era santificado ou chamado santo, conforme a Lei. Cristo, portanto, entregou seu corpo em sacrifício pela vida de todos e assim a vida nos foi dada de novo por meio dele. Como isso se realizou, procurarei dizer na medida do possível. Depois que o Verbo de Deus, que tudo vivifica, assumiu a carne, restituiu à carne o seu próprio bem, isto é, a vida. Estabeleceu com ela uma comunhão inefável, e tornou-a fonte de vida, como ele mesmo o é por natureza. Por conseguinte, o corpo de Cristo dá a vida a todos os que dele participam; repele a morte dos que a ele estão sujeitos e os libertará da corrupção, porque possui em si mesmo a força que a elimina plenamente. (Do Comentário sobre o Evangelho de São João, de São Cirilo de Alexandria, bispo – Lib. 4,2: PG 73,563-566 – Séc.V). #Cristologia #Igreja

  • DOIS OU TRÊS REUNIDOS EM NOME DE CRISTO JESUS (São Cipriano de Cartago)

    “POIS ONDE SE REUNIREM DOIS OU TRÊS EM MEU NOME, ALI EU ESTOU NO MEIO DELES” (Mateus 18,20) – COMENTÁRIO: “Alguns se enganam a si mesmos com uma presunçosa interpretação das palavras do Senhor, que disse: “Onde quer que se encontrem dois ou três reunidos em meu nome, eu mesmo estou com eles” (Mt 18,20). São falsificadores do Evangelho e intérpretes mentirosos. Apegam-se ao que é dito depois, esquecendo o que foi dito antes, lembram-se de uma parte da frase e, astutamente, deixam do lado a outra. Assim como eles se separaram da Igreja, do mesmo modo truncam o sentido de uma única sentença. De fato, o que queria dizer nosso Senhor? Para inculcar aos seus discípulos a união e a paz, diz ele: “Eu vos afirmo que, se dois de vós concordarem na terra em pedir qualquer coisa, ela lhes será outorgada por meu Pai que está nos céus” (Mt 18,19). E continua: “Onde quer que se encontrem dois ou três reunidos em meu nome, eu mesmo estou com eles”, mostrando que o que mais vale na oração não é o número dos que oram, mas a sua união de espírito. “Se dois de vós concordarem na terra”, diz ele. Antes exige a união, põe na frente a paz: o seu primeiro e mais firme preceito é que entre nós haja acordo. E como poderá estar de acordo com alguém aquele que está em desacordo com o corpo da Igreja e a totalidade dos irmãos? Como poderão estar reunidos dois ou três em nome de Cristo, se é patente que estão separados de Cristo e do seu Evangelho? De fato não somos nós que nos apartamos deles, mas eles de nós. E quando, em seguida, formando entre si vários grupos, deram origem a heresias e cismas, abandonaram a Cabeça e a fonte da verdade. O Senhor quer falar da sua Igreja e dirige aquelas palavras àqueles que estão na Igreja, dizendo que, se dois ou três deles estiverem concordes, como ele ensinou e mandou, e se reunirem em um só espírito para rezar, embora sejam só dois ou três, impetrarão da majestade de Deus o que pedem. “Onde quer que se encontrem reunidos em meu nome dois ou três, eu mesmo estou com eles”, quer dizer com os simples, com os pacíficos, com os que temem a Deus e observam os seus preceitos. Com esses, ainda que não fossem mais do que dois ou três, prometeu que estaria, assim como esteve com os três jovens na fornalha ardente, e, porque permaneciam simples com Deus e unidos entre si, até no meio das chamas, os animou com uma brisa de orvalho (Dan 3,50). Do mesmo modo esteve presente aos dois Apóstolos encerrados na cadeia, porque eram simples e unânimes. Ele mesmo abriu as portas do cárcere e os conduziu de novo à praça para que pregassem à multidão a palavra que tão fielmente anunciavam. Por conseguinte, quando o Senhor coloca entre os seus preceitos estas palavras: “Onde quer que se encontrem dois ou três reunidos em meu nome, eu mesmo estou com eles”, não quer separar os homens da Igreja, pois ele mesmo instituiu e formou a Igreja, mas ao contrário, repreendendo os pérfidos pela discórdia e encarecendo, com a sua própria voz, a paz aos fiéis, quer mostrar que ele está mais com dois ou três que oram unânimes, do que com muitos que oram na dissidência, e que obtém mais a prece concorde de poucos que a oração sediciosa de muitos.” (São Cipriano de Cartago). #Igreja

  • YHWH – YAHWEH (JAVÉ) – TETRAGRAMA SAGRADO – CONSIDERAÇÕES

    “Em Gênesis 2,4 “aparece pela primeira vez o sacrossanto Nome de JAVÉ (YHWH), cujo sentido na tradição bíblica é “AQUELE-QUE-É”. A tradução errada “Jehovah” (Jeová ou Geová) só subsiste nos meios de baixa cultura ou em nomes próprios da velha geração . Hoje o Tetragrama Sagrado, que se pronuncia em hebreu YAHWEH, está devidamente implantado na língua portuguesa em sua forma correta que é JAVÉ. Também todas as outras línguas modernas abandonaram a errada leitura “jehovah” deixando-a unicamente para a seita que se autodenomina com o uso desse barbarismo.” “O nome de JAVÉ é uma forma do verbo SER, e significa “AQUELE-QUE-É”, em todos os sentidos: historicamente, Aquele que está presente a seu povo, mas também o SER TRANSCENDENTE do qual dependem todos os outros seres. A Bíblia inteira vai aprofundando cada vez mais essa admirável designação de Deus até as fórmulas trinitárias do Apocalipse: “ELE ERA, ELE É, ELE VEM” referindo-se à transcendência e à vinda de Deus em seu Filho Jesus (Apocalipse 1,4.8).” Êxodo 3,15: “EU SOU AQUELE QUE SEREI” – “A pergunta do versículo 13, o versículo 15 responde dando o nome pedido [por Moisés]: YHWH (pronunciado IAHVÉ ou IAHÔ) é o meu nome para sempre. Conforme a tradição “eloísta” (Êxodo 3,9-15) e a tradição “sacerdotal” (Êxodo 6,2-3), este nome só foi revelado no tempo d Moisés, ao passo que, segundo a tradição “javista”, era conhecido e invocado desde os primórdios da humanidade (Gênesis 4,26).” (Bíblia Mensagem de Deus) “O verso 14 surge como uma explicação doutrinal do nome que Israel dá a Deus. O nome de YHWH tem provavelmente uma origem pré-israelita; mas, seja como for, este texto fundamental que, jogando com uma etimologia plausível (cf. Êxodo 2,10), ligar este nome a uma forma antiga do verbo SER, SER ATUANTE: “HAWAH”. Outros textos (Êxodo 33,19; 34,6-7) esforçaram-se ainda por explicitar a riqueza contia no nome de YHWH. Mas a frase enigmática: “EU SOU (ou SEREI) AQUELE QUE SOU (ou SEREI)” não desvela facilmente o sentido. Podemos compreender: “EU SOU QUEM SOU”, isto é, não quero ou não posso dizer quem eu sou (cf. Gênesis 32,30; Juízes 13,18, onde o anjo do Senhor [Javé] se recusou a dizer o nome). Como o contexto mostra que enfim Moisés fica realmente à par de um nome que pode servir de sinal, o verso 14 significa, segundo esta interpretação, que mesmo o nome de YHWH revelado no verso 15 não poderia exprimir totalmente o mistério de Deus. Deus não pode ser encerrado em palavras. Podemos também compreender: “EU SOU AQUELE QUE É”, em oposição aos deuses que não existem (Isaías 43,10) ou que não são nada (Isaías 41,24). A tradução grega (Septuaginta) deu este sentido. Podemos, enfim, levar em conta todos esses significados, observando que o contexto fala do Deus que está presente com Moisés para ajudá-lo na obra da salvação (Êxodo 3,12; 4,12.15) e que a forma verbal empregada tem, no hebraico, valor tanto de futuro como de presente. Neste caso, a frase “EU SOU QUEM SEREI (ou ESTAREI)” quer afirmar : “EU ESTOU AÍ CONVOSCO, NA MANEIRA QUE VEREIS”. Pela história da salvação dos homens é que Deus manifestará pouco a pouco que Ele é. Outros textos exprimiam o mesmo pensamento: Oseias 1,9 (por causa dos pecados do povo, Deus disse: “EU NÃO EXISTO PARA VÓS”). Isaías 52,6 (conhecer o nome de Deus é conhecer que Ele é aquele que diz: “EIS-ME AQUI!”). Do mesmo modo, a fórmula de Apocalipse 1,4.8: “ELE É, ELE ERA e ELE VEM”, é um desenvolvimento do “EU SOU” de Êxodo 3,14. Notemos, enfim, que Rashi, exegeta judeu da Idade Média, comentava assim: “EU SEREI COM ELES NESTA AFLIÇÃO O QUE SEREI COM ELES QUANDO ESTIVEREM SUBJUGADOS A OUTROS REINOS.” Por volta do século IV a.C. surgiu o costume de não se pronunciar mais o nome de YHWH, de modo que para nós é difícil saber com que vogais era pronunciado. Em seu lugar, dizia-se “ADONAY” (O SENHOR), o que levou a versão grega a utilizar “KYRIOS” (O SENHOR), termo retomado pelo Novo Testamento (cf. Atos 2,36; Filipenses 2,11). As formas abreviadas “YAH”, “YAHU”, já bem antigas, são utilizadas no grito de louvor “HALLU-YAH” (LOUVAI A JAVÉ – O SENHOR) e na formação de muitos nomes próprios: “ELIYÁHU” ( = Elias: “meu Deus é Javé – o Senhor); “YEHOSHUA” ( = Josué, Jesus, “Javé (o Senhor) salva”). Uma tradição judaica viu nesta denominação: “DEUS DE ABRAÃO, DEUS DE ISAAC, DEUS DE JACÓ” [Êxodo 3,15], o nome revelado para sempre, reservando para Êxodo 6,3 a valorização do nome de YHWH (cf. Mateus 22,31-32). “É ESTE O MEU MEMORIAL”, conforme Oseias 12,6 . O nome é qualificado de memorial porque permite aos homens lembrar-se de quem é Deus, e faz Deus se lembrar dos homens que o invocam com este nome.” (Bíblia TEB). “A Tradição javista faz o culto de IAHWEH remontar às origens da humanidade (Gêneses 4,26) e utiliza este nome divino em toda a história patriarcal. Segundo a tradição eloísta, à qual este texto [Êxodo 3,13-15] pertence, o nome de IAHWEH, como o nome do Deus dos Pais, foi revelado só a Moisés. A tradição sacerdotal (Êxodo 6,2-3) concorda com ela, especificando apenas que o nome de Deus dos Pais era EL SHADDAI (cf. Gênesis 17,1+). Esta narrativa, um dos pontos altos do Antigo Testamento, propõe dois problemas: o primeiro, filológico, diz respeito à etimologia do nome “IAHWEH”; o segundo, exegético e teológico, ao sentido geral da narrativa e ao alcance da revelação que transmite. 1.º) Procurou-se explicar o nome IAHWEH por meio de outras línguas que não fosse o hebraico, ou então , por meio de várias raízes hebraicas. É preciso, provavelmente, ver aí o verbo “SER” numa forma arcaica. Alguns reconhecem aqui uma forma causativa deste verbo: “ELE FAZ SER”, “ELE TRAZ Á EXISTÊNCIA”. Muito mais, provavelmente, trata-se da forma verbal simples, e o termo siginifica: “ELE É”. 2.º) Quanto à interpretação, o termo é explicado no versículo 14, que é antigo acréscimo da mesma tradição. Discute-se sobre o significado desta explicação: ‘EHYED ‘ASHER ‘EHYED. Deus, falando de si mesmo, só pode empregar a primeira pessoa: “EU SOU”. O hebraico pode-se traduzir literalmente: “EU SOU AQUELE QUE SOU”; e segundo as regras da sintaxe hebraica, isso corresponde a “EU SOU AQUELE QUE É”, “EU SOU O EXISTENTE”, foi assim que compreenderam os tradutores da Setenta: “EGO EIMI HO ÔN”. Deus é o único verdadeiramente existente. Isto significa que Ele é transcendente e permanece um mistério para o homem. E também, que ele age na história. do seu povo e na história humana, a qual ele dirige para um fim. Esta passagem contem em potência os desenvolvimentos que a sequência da Revelação lhe dará (cf. Apocalipse 1,8: “ELE ERA, ELE É E ELE VEM, O SENHOR DE TUDO”).” (Bíblia de Jerusalém). #Igreja

  • CRISTO JESUS, O BOM PASTOR (São Gregório Magno, papa)

    Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, isto é, eu as amo, e minhas ovelhas me conhecem (Jo 10,14). É como se quisesse dizer francamente: elas correspondem ao amor daquele que as ama. Quem não ama a verdade, é porque ainda não conhece perfeitamente. Depois de terdes ouvido, irmãos caríssimos, qual é o perigo que corremos, considerai também, por estas palavras do Senhor, o perigo que vós também correis. Vede se sois suas ovelhas, vede se o conheceis, vede se conheceis a luz da verdade. Se o conheceis, quero dizer, não só pela fé, mas também pelo amor, se o conheceis não só pelo que credes, mas também pelas obras. O mesmo evangelista João, de quem são estas palavras, afirma ainda: Quem diz: “Eu conheço Deus”, mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso (1Jo 2,4). Por isso, nesta passagem do evangelho, o Senhor acrescenta imediatamente: Assim como o Pai me conhece, eu também conheço o Pai e dou minha vida por minhas ovelhas (Jo 10,15). Como se dissesse explicitamente: a prova de que eu conheço o Pai e sou por ele conhecido, é que dou minha vida por minhas ovelhas; por outras palavras, este amor que me leva a morrer por minhas ovelhas, mostra o quanto eu amo o Pai. Continuando a falar de suas ovelhas, diz ainda: Minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna (Jo 10,27-28). É a respeito delas que fala um pouco acima: Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem (Jo 10,9). Entrará, efetivamente, abrindo-se à fé; sairá passando da fé à visão e à contemplação, e encontrará pastagem no banquete eterno. Suas ovelhas encontram pastagem, pois todo aquele que o segue na simplicidade de coração é nutrido por pastagens sempre verdes. Quais são afinal as pastagens dessas ovelhas, senão as profundas alegrias de um paraíso sempre verdejante? Sim, o alimento dos eleitos é o rosto de Deus, sempre presente. Ao contemplá-lo sem cessar, a alma sacia-se eternamente com o alimento da vida. Procuremos, portanto, irmãos caríssimos, alcançar essas pastagens, onde nos alegraremos na companhia dos cidadãos do céu. Que a própria alegria dos bem-aventurados nos estimule. Corações ao alto, meus irmãos! Que a nossa fé se afervore nas verdades em que acreditamos; inflame-se o nosso desejo pelas coisas do céu. Amar assim já é pôr-se a caminho. Nenhuma contrariedade nos afaste da alegria desta solenidade interior. Se alguém, com efeito, pretende chegar a um determinado lugar, não há obstáculo algum no caminho que o faça desistir de chegar aonde deseja. Nenhuma prosperidade sedutora nos iluda. Insensato seria o viajante que, contemplando a beleza da paisagem, se esquece de continuar sua viagem até o fim. (Das Homilias sobre os Evangelhos, de São Gregório Magno, papa – Hom. 14,3-6: PL 76,1129-1130 – Séc. VI). #Cristologia #Igreja

  • A DEFESA DO NASCITURO É QUESTÃO RELIGIOSA APENAS?

    A Dra. Cláudia Löw, jurista de Porto Alegre, escreveu o seguinte artigo, em que mostra ser o combate ao aborto uma questão de direito natural, não necessariamente ligada à Religião. “O Editorial da Folha de São Paulo do dia 31 de julho próximo passado abordou questão que não é nova, mas que vem ensejando acirrados debates nos diversos setores da sociedade. Mais precisamente, tratou da elaboração, por uma comissão tripartite, de um anteprojeto de lei que visa a ampliar o rol de excludentes de criminalidade já existentes no Código Penal Brasileiro acerca do aborto. Em outras palavras, objetiva descriminalizar o aborto realizado até a 12a semana de gestação e ainda aumentar o prazo para a interrupção da gravidez nos dois casos permitidos por lei (estupro e risco de vida para a gestante). Tal intento encontra, porém, óbices de ordem constitucional e legal, como se verá a seguir: O Código Penal Brasileiro não faz distinção entre o óvulo fecundado, o embrião ou o feto: interrompida a gravidez antes do termo normal, há o crime de aborto. Também o novo Código Civil, em seu art. 2°, estabelece que a personalidade civil da pessoa começa com o nascimento com vida, mas a lei põe à salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. É claro que o feto não tem os mesmos direitos do já nascido. O menor também não os tem, com relação ao maior de idade; mas daí a negar-lhe o direito à vida é outra questão. No plano Constitucional, o art. 5o, “caput” garante a inviolabilidade do direito à vida, que é o mais fundamental de todos por ser a conditio sine qua non para o exercício dos demais direitos. No dizer de José Afonso da Silva, “é a fonte primária de todos os outros direitos” (in Curso de Direito Constitucional Positivo, Ed. Malheiros, 19a ed.). Para a Constituição Federal Brasileira, o conceito de dignidade humana vai além da idéia de integridade física, psíquica e moral do ser humano; ela é considerada como “fundamento da República”. Ainda, o Brasil é signatário da Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), de 22 de novembro de 1969, o qual assegura, em seu art. 4o, o direito à vida desde o momento da concepção. Como é de ver, o nascituro, que já possui capacidade jurídica, é também revestido da dignidade humana, com a proteção do sistema jurídico constitucional e legal que lhe assegura os mesmos direitos fundamentais da mãe. Dentro de uma linguagem jurídica se pode dizer que a concepção é o suporte fático para o fato jurídico que se seguirá, qual seja a aquisição da personalidade jurídica através do nascimento com vida. Nelson Hungria escreve: “Na época atual generalizou-se, entre os povos civilizados, a incriminação do aborto provocado, seja qual for a fase de gestação, não tendo passado de efêmera e deplorável experiência, em alguns países, da legislação permissiva de tal prática” (comentários ao Código Penal, ed. Forense, 2a ed. vol V, pág. 262). A defesa do nascituro não é uma questão religiosa, mas sim de direitos humanos. A afirmação de que a vida começa na concepção não é dogma religioso, é algo que a esmagadora maioria dos manuais de embriologia e genética dão como questão indiscutível. Citado pelo Ministro Néri da Silveira, no Parecer lançado na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n° 54, proposta perante o Supremo Tribunal Federal, Diego León Rábago, In “La Bioética para el Derecho”, explica demonstrar a genética suficientemente que, desde o momento em que surge à vida o zigoto, já há um ser humano, iniciando-se o processo contínuo do desenvolvimento, convertendo-se o zigoto em preembrião, em embrião, em feto, em criança, em jovem, em adulto e em velho, existindo uma identidade absoluta entre todas as etapas, pois trata-se do mesmo ser que passa por diversos estágios do desenvolvimento. Também Keith L. Moorre, define o zigoto como a célula resultante da fecundação de um óvulo pelo espermatozóide e acrescenta que um zigoto é “o começo de um novo ser humano”. Ainda, a geneticista Eliane S. Azevedo, in “A bioética no século XX” refere que existe identidade genética absoluta em todas as células somáticas do organismo humano e entre estas e a célula somática inicial, o zigoto. Acrescenta que, não obstante a grande freqüência de multiplicação celular experimentada por nosso organismo desde o estágio unicelular pós-fertilização até a morte por extrema idade, o DNA de todas as células permanece o mesmo. Conclui-se, portanto, que a vida é algo dinâmico que se transforma incessantemente sem, contudo, perder sua identidade. Em 1940, quando editado o Código Penal Brasileiro, não havia o conhecimento de embriologia que existe hoje. Por isso, para acompanhar o progresso, os casos de legalização do aborto deveriam ser restringidos, e não ampliados. Existem os que sustentam que somente passaria a existir vida no ventre materno no momento em que o cérebro do feto começasse a emitir ondas cerebrais; esta linha de argumentação parte do pressuposto de que a vida termina quando se encerra a atividade elétrica cerebral. Tal raciocínio não se sustenta, pois o embrião possui capacidade e auto-suficiência para fazer iniciar, em dado momento, a atividade cerebral, o que é impossível em um organismo sem vida, posto que não pode tornar a viver por suas próprias forças. Vale ressaltar que a Moral, ao contrário do que muitos pensam, não foi inventada pelo cristianismo. Existe uma percepção comum sobre os princípios fundamentais, que coincide mesmo nas culturas mais distantes… é uma idéia quase instintiva do que é o bem para o ser humano. Assim, há que se ter cautela antes de se falar, como no Editorial em questão, em “defasadas disposições do Código Penal”, pois o que varia com o tempo são o contexto onde se aplicam os princípios e a sensibilidade coletiva frente a alguns valores, os quais nunca desaparecem de todo. Hoje, por exemplo, já não se considera como um delito a sedução, mas a pedofilia continua sendo um crime; os tempos mudaram, mas o princípio é o mesmo: aproveitar-se da inocência do mais fraco. Outra questão importante a ser considerada é o fato de que a maioria das mulheres aborta porque estão sendo forçadas a isso pelos homens. Legalizar o aborto é legitimar uma das piores formas de opressão da mulher. Não é por acaso que as primeiras feministas eram contra o aborto! Ainda, está comprovado que o aborto provocado, mesmo feito em clínicas especializadas, faz crescer a taxa de infertilidade e outras complicações na mulher, como por exemplo, a “síndrome pós-aborto” que onera o sistema de saúde com a necessidade de tratamentos psicológicos. Por oportuno, finalizo citando trecho do mencionado Parecer, cujo tema versa sobre aborto de anencefálico, onde o Ministro Néri da Silveira, ao concluir, refere, com singular propriedade, o seguinte:”… Revestida a gestante do valor constitucional que se confere à maternidade, cumpre vê-la mais respeitada e admirada por seus concidadãos, porque soube amar até o fim e é somente pelo amor que se constrói e o ser humano pode realizar sua perfeição e felicidade, e nunca pelos simples sentimentos de prazer, bem-estar, comodismo ou indiferença à vida dos outros, a começar pela dos mais próximos a nós, que são os filhos. A maternidade, como valor também protegido constitucionalmente, enobrece a gestante; não a priva da liberdade, nem da invocada “autonomia da vontade”, ambas exercitáveis sempre com respeito ao direito e dignidade dos demais, como é próprio da ordem democrática e do regime das liberdades”.

  • O BOM PASTOR É O CORDEIRO IMOLADO – 4º Domingo da Páscoa

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “O bom pastor é o cordeiro imolado”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Atos dos Apóstolos 4,8-12) Só seremos salvos pelo cordeiro que sacrificamos Naqueles dias Pedro, cheio do Espírito Santo, disse: ‘Chefes do povo e anciãos: hoje estamos sendo interrogados por termos feito o bem a um enfermo e pelo modo como foi curado. Ficai, pois, sabendo todos vós e todo o povo de Israel: é pelo nome de Jesus Cristo, de Nazaré, — aquele que vós crucificastes e que Deus ressuscitou dos mortos — que este homem está curado, diante de vós. Jesus é a pedra, que vós, os construtores, desprezastes, e que se tornou a pedra angular. Em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos’. SALMO 117 O cordeiro imolado tornou-se o bom pastor (Antífona): A pedra que os pedreiros rejeitaram, tornou-se agora a pedra angular. Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! Eterna é a sua misericórdia! É melhor buscar refúgio no Senhor, do que pôr no ser humano a esperança; é melhor buscar refúgio no Senhor, do que contar com os poderosos deste mundo! Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes e vos tornastes para mim o Salvador! A pedra que os pedreiros rejeitaram, tornou-se agora a pedra angular. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: que maravilhas ele fez a nossos olhos! Bendito seja, em nome do Senhor, aquele que em seus átrios vai entrando! Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço! Vós sois meu Deus, eu vos exalto com louvores! Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! Eterna é a sua misericórdia! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1João 3, 1-2) O bom pastor é o que conduz as ovelhas ao Céu Caríssimos: vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. EVANGELHO (São João 10,11-18) O pastor que deu a vida pelas ovelhas Naquele tempo, disse Jesus: Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. O mercenário, que não é pastor e não é dono das ovelhas, vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge, e o lobo as ataca e dispersa. Pois ele é apenas um mercenário e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: também a elas devo conduzir; escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. É por isso que o Pai me ama, porque dou a minha vida, para depois recebê-la novamente. Ninguém tira a minha vida, eu a dou por mim mesmo; tenho poder de entregá-la e tenho poder de recebê-la novamente; esta é a ordem que recebi do meu Pai’. A VOZ DO PASTOR (Comentário de Scott Hahn) No Evangelho de hoje, Jesus diz que Ele é o Bom Pastor que os profetas haviam prometido a Israel. Ele é o Pastor-Príncipe, o Novo Davi, que liberta as pessoas da escravidão do pecado e as reúne num só rebanho, a Igreja, através de uma nova aliança feita com o seu Sangue (v. Ez 34,10-13, 23-31). Seu rebanho inclui outras ovelhas, diz Ele; não somente os filhos dispersos de Israel (v. Is 56, 8; Jo 11,52). Ele confiou à sua Igreja a missão de pastorear todos os povos, conduzindo-os ao Pai. A primeira leitura de hoje nos permite ver o início daquela missão no testemunho de Pedro, que o Senhor escolheu como pastor de sua Igreja (v. Jo 21,15-17). São Pedro explica aos líderes de Israel que a sua rejeição do Cristo, bem como a morte de cruz que lhe deram, foi profetizada no salmo que cantamos hoje. Recorda-lhes que “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular” (Mc 12,10-13), referindo-se ao fundamento do novo templo espiritual que é a Igreja (v. 1 Ped 2, 4-7.). Através do ministério da Igreja, o Pastor continua falando (v. Lc 10,16), perdoando os pecados (v. Jo 20,23), fazendo-se presente por seu Corpo e seu Sangue, para que todos possam conhecê-Lo na fração do pão (v. Lc 24,35). Esta missão continuará, até que toda a humanidade se reúna num só rebanho, sob os cuidados de um único pastor. Ao dar a Sua vida, para logo recuperá-la (v. Jo 10.17), Jesus nos permitiu conhecer a Deus como Ele O conhecia, como filhos e filhas de um Pai amoroso. Ele chama seus filhos como outrora chamou Israel para tirá-lo do Egito (“Do Egito chamei o meu filho”, Oséias 11,1) e com ele fazer sua aliança (Ex 4, 22-23; Ap 21,7). Escutemos, hoje, a sua voz que nos fala através da Sagrada Escritura, e façamos votos de sermos seguidores mais fiéis. E vamos Lhe render ações de graças pelas bênçãos que, do seu altar, Ele nos concede. https://stpaulcenter.com/la-voz-del-pastor-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-4o-domingo-de-pascua/ https://stpaulcenter.com/the-shepherds-voice-scott-hahn-reflects-on-the-fourth-sunday-of-easter/

  • A Celebração Eucarística no Rito Caldeu

    A JMJ’ 11 me ofereceu a oportunidade de participar na Celebração da Eucaristia em Rito Caldeu e posso dizer que foi uma vivência única. O povo de Puente del Arzobispo (Toledo) acolheu a esses peregrinos, a maioria são filhos de Caldeus que agora vivem na diáspora dada a perseguição que sofrem; também havia alguns que vinham do Iraque e, como já sabem , hoje em dia, estão estendidos pelos 5 continentes. Eu gostaria de falar do Sacramento da Eucaristia no Rito Caldeu mas antes teria que destacar que esta Tradição tem 9 Sacramentos, e não 7, como a nossa : Imposição das mãos, Consagração do Altar, Batismo, Eucaristia, Consagração Monástica, Funerais , Matrimônio, Penitência e Unção dos Enfermos. “Raze” (Mistérios) é o termo com o qual se designa a Eucaristia e faz referência aos Mistérios do Corpo e Sangue de Cristo que os fiéis recebem para sua santificação. Vejamos de forma esquemática a Celebração Eucarística: I. LITURGIA DOS MISTÉRIOS NO BEMA (Lit. Catecúmenos) 1.- Início, “Marmitha” (salmos 14, 150 e 116 cantados alternativamente), Antífonas, Hino “Lakhu Mara” (A ti, Senhor de todas as coisas, nosso louvor, a ti, Jesus Cristo, nossa prece, porque tu ressuscitas nossos corpos e salvas nossas almas ) , Triságio (Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal, tende piedade de nós ) e Oração do Triságio (Oh, Deus santo, glorioso, forte e imortal, que habitas no santo, onde descansa tua vontade, te suplicamos que nos escutes, oh Senhor, e tenhas compaixão e misericórdia de nós, como acostumas fazê- lo sempre, oh Senhor do mundo, Pai , Filho e Espírito pela eternidade. Amém ). 2.- Leituras: 2 do AT (Lei e Profetas), Apóstolo e o Evangelho. 3. “Karuzutha”(Litania), despedida dos catecúmenos (Oh Senhor, Deus forte, te pedimos que aperfeiçoe em nós tua graça e derrames por nossa mediação teus dons. Que tua piedade e tua misericórdia outorgue a teu povo o perdão dos pecados, e a todas as ovelhas do rebanho, que Tu elegeu, a remissão de suas culpas, por tua graça e tua misericórdia, oh Senhor do mundo, Pai , Filho e Espírito Santo na eternidade) , preparação das oferendas sobre o altar. II. LITURGIA DOS MISTÉRIOS NO SANTUÁRIO (Lit. Fiéis) 1.- Credo e “Karuzutha”. 2.- Quddasva (Anáfora; literalmente Santificação): 2a. Rito da Paz, Karuzutha, Prefácio(o reza profundamente inclinado) e Santo. 2b. Oração e Palavras da Instituição (Depois da consagração adora o Corpo do Senhor e diz : Como se nos disse , estamos unidos teus humildes, débeis e míseros servos; porque Tu nos deu uma grande graça ao encher aos homens de tua vida divina e ao tirar nossa debilidade. Tu has expiado nossos pecados e nos levantou outra vez da morte; Tu has perdoado nossas culpas, das quais nos justificou; Tu iluminou nossa ciência e desterrou a nosso inimigo, divino Senhor. Assim o outorgou a victória a nossas debilidades pela preponderante misericórdia de tua graça). 2c. Oração e Epiclesis (Põe as mãos, uma sobre a outra, sobre as oferendas). 3.- Rito da Assinalação (sphragís) e Fração do Pão 3a. “Karuzutha” e Pai Nosso. 3b. Profissão de fé. 3c. Comunhão e Ação de graças. Enquanto à Anáfora teria que dizer algo sobre a Anáfora de “Addai e Mari” (da qual temos anunciando em nosso Blog que haverá um Congresso en Roma em Outubro); esta Anáfora é usada pelos Ortodoxos e Caldeus, que tem mais outras duas, e também é a única que usam os de Rito Malabar. É uma Anáfora cujo original está em siríaco e que expõe um sério problema: não contém as palavras do Relato da Instituição; intentando dar solução a este problema em alguns Missais Caldeus ficaram no meio da Oração post Sanctus, no Missal Siro Oriental Ortodoxo ao final desta oração e no Malabar fora da Anáfora, justo antes da Fração. “Malca”: Fermento Santo. O Malca é uma tradição que somente tem os Siro-Orientais Ortodoxos e é o fermento com o qual se elabora o pão para a celebração eucarística. No Altar sempre há um cálice pequeno que contém farinha, sal e água e no qual se deposita um fragmento do pão consagrado na celebração, que servirá para a confecção do pão da seguinte Eucaristia. Esta Tradição se remonta até a última Ceia em que Jesus deu a São João Evangelista um pedaço de pão , que por sua vez o misturou com a água que caiu do corpo de Jesus em seu Batismo e com o sangue e água que brotaram do lado de Cristo, e este foi repartido a todos os Apóstolos. Atualmente, o Malca é consagrado na quinta-feira santa e os pedaços de pão velho são jogados em um poço que chega até as bases da igreja. Finalizo o Post com algumas das coisas mais curiosas da Celebração: – Enquanto aos Ornamentos: o Sacerdote usa capa em lugar da casula; e os Subdiáconos levam a estola ao redor do pescoço e cai para frente e para trás na altura do ombro esquerdo. – O Sacerdote realiza mais de 30 atos de humildade e contrição ante a imponente majestade de Deus; na Anáfora, por exemplo, se inclina perante o altar e coloca as mãos sobre ele com as palmas para cima; e após a epiclesis, que tem lugar depois da Anáfora, se inclina para beijar o altar e as mãos se cruzam sobre seu peito. – Há ao redor de 18 genuflexões. – Outros gestos: são numerosíssimas as vezes que se beija o altar (em uma ocasião beija o centro do altar e cada um de seus ângulos) se faz o sinal da cruz, seja sobre o povo, as oferendas ou sobre o altar – O Leitor recebe a bênção do Sacerdote antes de ler. – No Evangelho um Subdiácono incensa perante o que proclama o Evangelho; e o Sacerdote abençoa ao povo com o Evangeliário antes e despois da proclamação deste. – As oferendas, uma vez colocadas no altar, se cobrem com um véu . – “Sepultura do Senhor “: o Sacerdote dobra o véu ao redor dos vasos sagrados desde a Anáfora ate a elevação do cálice. – Gesto da Paz: o Sacerdote põe entre suas mãos as mãos do mais próximo dele , e este por sua vez ao seguinte e assim passa o gesto a todo o povo; de maneira que a paz do Senhor passa diretamente do Celebrante a todos os presentes. – Na Consagração toma a patena com o pão, eleva os olhos ao céu e traça a bênção sobre ele e finaliza fazendo uma inclinação profunda; -Como em muitas liturgias orientais e na liturgia Hispano-Moçárabe, usa as palavras Sancta Sanctis e as diz de frente para as pessoas com as mãos estendidas e inclinando a cabeça. – No Agnus Dei coloca a Hóstia sobre o cálice, se retira para o lado, e com sua mão direita no peito em sinal de contrição, assim o mostra ao povo – Na Fração parte a Hóstia em duas partes e uma metade a introduz dentro do cálice e, a seguir, faz o sinal da cruz sobre os cibórios que contém o Corpo de Cristo para a comunhão dos fiéis. _______ Bibliografía: – Dalmais, Irenne-Henri. Las Liturgias Orientales. DDB, Bilbao 1991. – Liesel, Nicolás. Las Liturgias de la Iglesia Oriental. Espasa-Calpe, Madrid 1959. – Nin, Manuel. Las Liturgias Orientales. CPL, Barcelona 2008. Tradução: David Nesta

  • Os primeiros dias da Semana Santa Bizantina

    Antigo e Novo Testamento descrevem a relação de Deus com seu povo e com cada batizado como uma relação esponsal; a vida das diversas igrejas cristãs continuou e desenvolveu esta dimensão esponsal na vida litúrgica, monástica e na eclesiologia, e especialmente nos três primeiros dias da Semana Santa na tradição bizantina, é destacada a figura de Cristo esposo e, portanto, as bodas de Deus com a Igreja, com a humanidade. O ícone «do Esposo» representa a Cristo sofrente e é chamado também de « a máxima humilhação », fazendo referência implícita ao texto do capítulo segundo da carta aos Filipenses. Um dos tropários do ofício deste dia canta: « Eis que o Esposo vêm no meio da noite, ¡ feliz o servo que se encontra vigilante, indigno aquele servo que se encontra negligente! ¡Vela minha alma, não se deixe oprimir pelo sonho, para não ser entregue à morte e expulsão do Reino! Do contrário, vigiando, grita: Santo, Santo, Santo és tú, oh Deus; tem piedade de nós. O texto litúrgico destaca três aspectos importantes. O primeiro é a espera do Esposo; a espera do velho Adão , expulso do Paraíso simbolicamente no inicio da Quaresma,que se faz agora mais presente com o uso da imagem evangélica da chegada e o encontro com o esposo, um Esposo cujo tálamo nupcial é sua Cruz. O segundo aspecto é a analogía entre o sonho e a morte. A chegada do Esposo para o cristão é o momento de sua passagem : O Esposo chegará numa hora que o servo não o conhece, e por isso, lhe pede vigilância. O terceiro aspecto é o das bodas divinas e da absoluta indignidade do homem, que pode entrar na câmara nupcial, o Reino, somente graças à luz que vem de Cristo por meio do batismo. Unidos à dimensão esponsal de Cristo, encontramos alguns tropários sublinhando a pobreza e o aniquilamento de Cristo por meio da Encarnação: ” Vim para servir a Adão tornado pobre, de cuja forma voluntariamente me revesti, eu, o Criador, rico pela divindade. O primeiro entre vós que seja vosso servidor de todos, o que governa tal como o que é governado, e o eleito tal como o último. Eu, de fato, vim para servir a Adão feito pobre e dar minha vida em resgate de muitos.” Com a parábola das dez virgens nas vésperas da terça- feira santa a liturgia bizantina exorta a espera e a custódia do azeite nas lâmpadas do próprio coração: «Mandemos Para longe de nós a indolência, e com as lâmpadas acendidas vamos com hinos ao encontro de Cristo, esposo imortal. Quantos haveis recebido de Deus o mesmo poder da graça, multiplicai- vos o talento com a ajuda de Cristo que vo- los deu, salmodiando : Bendizei obras do Senhor ao Senhor. Sonolento pela indolência da alma, oh Cristo esposo, não tenho a lâmpada acesa, a lâmpada das virtudes, e são [as virtudes?] semelhantes às virgens néscias, porque vão daqui para ali quando é tempo de obrar. Não me cerres, oh soberano, as entranhas de tua misericórdia, mas desperta-me, despojando-me deste sono tenebroso, e faz-me entrar em teu tálamo, juntamente com as virgens sensatas, onde ressoam árias de gente em festa. Os três primeiros dias da Semana Santa se concluem com o canto de um tropário que, retomando o texto esponsal, lhe dá já uma clara dimensão também batismal unida com a Páscoa: «Vejo teu tálamo adornado, oh meu Salvador, e não tenho as vestes para entrar. ! Faz resplandecer as vestes da minha alma, oh tú que dás a luz, e salva- me!». (Publicado por Manuel Nin em l’Osservatore Romano no dia 1 de abril de 2012); Tradução do Espanhol : David Nesta

  • O Molinismo jesuíta e moderno: suas grandezas e misérias, e um conselho

    ”Acabo de encerrar o livro do notório Frei Domingo Basso O.P., que trata meticulosamente da controvérsia “De Auxiliis” entre outros assuntos, e antes desta obra, não deixei de esmiuçar também o “Traité du libre arbitre” do caríssimo Bossuet, tão elogiado pelos neotomistas do século XX (principalmente por Hugon e Garrigou Lagrange). E assim, após ter lido e conhecido bem ambos os lados desta polêmica, que como bem se sabe, fervilhou novamente no século passado, principalmente entre os dominicos franceses (que objetavam na revista “Revue Thomiste”) e os jesuítas espanhóis (que redarguiam na “Ciencia y fe”); penso que estou razoavelmente apto a fornecer alguns pareceres sobre esta questão. Contudo, não exporei aqui as razões de ser pelas quais penso que os tomistas estão corretos no que diz respeito as suas posições clássicas defendidas proficientemente contra os molinistas, a saber: dos decretos predeterminantes e da premoção física (præmotio physica), mas sim os motivos que me levaram a concluir que o molinismo jesuíta (como o do Cardeal Billot ou do Pe. Hellín) é muitíssimo superior ao dos seus “defensores” modernos (Craig, Plantinga e cia). Pois muito bem, antes de tudo cabe-nos dizer que os jesuítas desenvolveram edifícios intelectuais extraordinários para sustentar a doutrina clássica da Companhia: meios para conciliá-la com a doutrina do ato e da potência de Aristóteles e Santo Tomás, meios para conciliá-la com a omnicausalidade de Deus no que cerne à produção do ser ou entidade dos efeitos das causas secundárias; meios para demonstrar como a ciência média aliada ao concurso simultâneo indiferente jamais impõe potência passiva em Deus (como tanto objetaram os alguns adversários). E frente a todas estas edificações do pensamento humano, tão seriamente construídas à vista da filosofia perene, vê-se atualmente por parte de muitos defensores do molinismo moderno, o simples esquecimento, o desdém de filósofos e teólogos que muitas vezes pensam como quem acabara de inventar a pólvora, mas que sequer distinguem no concursus simultâneo a ação proposta (oblatum) e conferida (collatum) de Deus; distinção tão cara ao jesuítas, sem a qual não se resguarda e tão pouco se compatibiliza a realização de duas operações concomitantes parciais no mesmo termo (cuja direção é determinada somente pela criatura no concurso, como insistia Molina). Além disto, os jesuítas buscaram ainda nesta distinção a solução para se preservar a omnicausalidade divina sem subtrair a auto-determinação da vontade ao “ad unum”, visto que, para estes rigorosos filósofos o concurso proposto não causa, nem adiciona nada na vontade criada, deixando-a completamente indiferente, estimando que ela coopere para a produção deste ou daquele ato, desta ou daquela determinação livre, para que assim Deus ministre o concurso conferido, que, por conseguinte, se traduzirá na atuação por onde Ele (Deus) causará a entidade da volição livre da criatura: produzindo o “ser”’ de sua determinação. Que extraordinária solução! Tão extraordinária que levará os jesuítas subsequentes, como Pe. Joseph Mendive (do século XIX), bem como os ilustres José F. Sagüés, Pe. Hellín, P. Miguel Nicolau, P. Joaquín Salaverri, entre tantos outros membros da Companhia (do século XX) que compuseram não menos que gigantesca “Suma de Teologia e Filosofia Escolástica”, a tomarem como superadas as exigências do axioma aristotélico-tomista “quidquid movetur ab alio movetur”, que até então eram encaradas como objeções insuperáveis para a doutrina molinista. E foram superadas, pois, como argumentavam os jesuítas, somente com concurso geral e indiferente já se excita a auto-determinação das causas próximas para a operação, do mesmo modo que se garante o estatuto incomunicável de Deus como causa universal do “esse” criado, tal como é exigido pela Teologia Natural de Santo Tomás. Pobres modernistas! Que mal sabem que, com efeito, é absolutamente impossível que as criaturas sejam a causa do ser, ou do “actus essendi” (ato de ser), sendo no máximo, como bem sabiam os escolásticos, a causa do “fieri” e não do “esse” do efeito; do contrário seriam deuses, pois tamanho feito exige uma eficiência infinita que só a Deus pertence. E se mal conseguem perceber esta simples asseveração, como poderiam distinguir no concurso o oblatus do collatus? Talvez por não conseguirem que estas noções essenciais encontram-se totalmente subtraídas de suas obras, que em comparação a dos jesuítas só poderiam se denominar “molinista” por analogia. Ademais, estes “defensores” tão pouco conseguiram vislumbrar soluções como a do Doutor Exímio, que foi seguida a risca por teólogos como Pe. Faustcher, que com relação à potência ativa, e mais especificamente o estado de potencialidade do “actus virtualis”, rejeitava completamente a necessidade da “motio ab alio” para o trânsito da potência ao ato: rejeição esta que por sua vez encontrou dificuldades entre os próprios jesuítas, mas que de certa forma, se aceita, também supriria as exigências do axioma aristotélico-tomista antes citado. Quem sabe a estes senhores cabe apenas a defesa de teses que saltariam os olhos de qualquer membro da Companhia de Jesus, ou de qualquer defensor da boa filosofia, seja escotista, suarezista ou tomista: filósofos como William L. Craig , que defendem a temporalidade, bem como a não simplicidade simpliciter de Deus, que termina por inseri-lo no mesmo ciclo de defectibilidades das criaturas, jamais podem ser colocados na mesma estatura de jesuítas como São Belarmino (que defendia a curiosa concepção da premoção indiferente), Francisco Suarez, Cardeal Billot, Ruiz de Montoya, e tantos outros que modo algum argumentariam como fazem estes modernos (como Craig e Alvin Plantinga) que Deus não é simples, ou que Deus é mesclado com potência. De todo modo a pergunta que permanece é: se eles soubessem que tais elucubrações remontam a filósofos muitíssimo anteriores como Rabbi Moisés Maimônides, e que não há nenhuma novidade no que falam, senão que apenas um falso verniz que já fora refutado há séculos, será que permaneceriam firmes na defesa de tamanhas absurdidades? Independente das respostas cabe-nos finalizar dizendo o seguinte conselho a quem se interessar pelo estudo da cativante doutrina molinista: se queres conhecê-la bem, e em toda sua robustez , não ide aos defensores modernos, mas ide sim aos jesuítas” Retirado de: http://www.contraosintelectuais.com/2018/02/o-molinismo-jesuita-e-moderno-suas.html?m=1

  • A mentira da Igreja «celta» independente: Os historiadores a desmentem

    Neo-pagãos celtóides, anglicanos, presbiterianos e antipapistas em geral tentam ignorar a romanidade do primeiro cristianismo nas Ilhas Britânicas Em uma sociedade que busca espiritualidade sem religião, “o celta” se apresenta como muito sugestivo: a música tradicional da Irlanda e Gales, as ruínas dos monastérios de Iona ou Lindisfarne e as histórias de grandes santos como Patrício, Columba ou Brandão despertam anseios de beleza e transcendência em todo o mundo anglo falante (de Inglaterra à Austrália ou EEUU). Também na Espanha e Bretanha, muitos buscam uma espiritualidade alternativa que enlace com o passado, que possa reclamar o selo de ser “ancestral”: eleitores do BNG, nacionalistas ou regionalistas de todo tipo ou simplesmente pessoas românticas ou amantes da beleza do antigo miram ao “passado” celta para se construir uma identidade. Só encontram um problema: São Patrício, São Brandão, São Columba, Iona, Lindisfarne, Irlanda, Beda , o Venerável e tudo o que resta do passado celta é católico, apostólico e romano. Romano demais, de fato, para o gosto de muitos anglicanos, protestantes britânicos em geral e presbiterianos escoceses da Igreja Nacional, chamada The Kirche. A tese de muitos nestas igrejas é a seguinte: se pode ser católico, no sentido de ser “apostólico” e seguir ” a fé recebida dos apóstolos” sem ser romano, e a “prova do algodão” está na independência com respeito ao Papa de Roma. Esses grupos gostariam que os antigos cristãos das Ilhas Britânicas fossem independentes do magistério e da autoridade do Papa de Roma, com seus próprios ensinos e liturgias, de forma que a Reforma protestante do século XVI, com Henrique VIII e seus sucessores, se visse legitimado contra as ” intromissões ” de Roma. Os neo-pagãos e “newageiros” em geral aproveitam o conceito de um “cristianismo celta independente de Roma” para esvaziá -lo da doutrina e preenchê- lo com qualquer coisa, afirmando que os primeiros “cristãos celtas” criam em panteísmo, reencarnação, politeísmo ou, no mínimo, ecologismo. Em qualquer caso, nada de Papa de Roma, nada de catolicismo, autoridade, estrutura nem universalidade da Igreja Católica. Mas tanto os protestantes como os neopagãos se vêem desautorizados quando começam a estudar história por dois fatos muito concretos: 1) o cristianismo nas Ilhas Britânicas nasceu de Roma, sempre reconheceu a autoridade papal e nunca foi declarado por Roma em cisma ou rebeldia; 2) a doutrina dos monastérios celtas irlandeses (que não estavam só na Irlanda, já que se estenderam até a França) era completamente católica, como se evidencia em algo tão importante como sua crença na Presença Real de Cristo na Eucaristia. Os primeiros cristãos britânicos, em clara união com Roma Há muitas legendas, formosas e piedosas, sobre como o cristianismo chegou às Ilhas Britânicas, mas desde o ponto de vista sociológico parece claro que chegou, como a tantos outros lugares, através das legiões (com todos seus corpos auxiliares que viajavam com elas) e dos mercadores mediterrâneos que buscavam oportunidades na Bretanha. Recém descriminalizado o cristianismo, quando em Arles (França) celebra um primeiro concílio contra a heresia donatista em 314 d.C., aparecem três bispos chegados da Bretanha, em plena comunhão com Roma e suas conclusões. Os bispos nesse concílio escrevem ao Papa Silvestre dizendo que os celebraram “como se vós mesmo estivesseis presente” e lhe pedindo “segundo o costume” enviar cartas à todas as igrejas explicando-lhes as conclusões. Portanto, era evidente já então a autoridade do Papa “para dar uma opinião decisiva em temas disputados de doutrina e disciplina”, como admite o historiador anglicano T. Jailand em seu livro “The Church and the Papacy”. Houve representantes britânicos também nos concílios de Sárdica (343) e Rímini (359). Em finais do século IV, os bispos ingleses pediram a Victricius, bispo de Rouen (na França, embora talvez ele fosse inglês) que resolvesse uma disputa entre eles. Que Victricius era devoto do Papa sabemos porque em 404 pede ao Pontífice Inocêncio I que julgue certo assunto mediante “a regra e autoridade da Igreja Romana”, afirma textualmente. Por volta do ano 422, as heresias pelagianas, recém condenadas em Roma, começam a estender-se nas Ilhas Britânicas. “É característico que os bretões pedissem ao Papa que lhes ajudassem contra essa invasão”, escrevem os historiadores Collingwood e Myres em seu livro “Roman Britain and the English Settlements”. O papa Celestino I enviou à Bretanha seu representante, São Germano, bispo de Auxerre, no ano 429, que foi convidado de novo no ano 446, acompanhado de Severo, para combater o pelagianismo. É preciso dizer que Germano foi professor em Auxerre de dois santos que teriam grande influência: São Illtud, no País de Gales, e o mesmíssimo São Patrício, de origem inglesa e evangelizador da Irlanda, ainda que Paladio tenha chegado à Ilha Verde antes, sendo consagrado por Celestino I em 431 como primeiro bispo da Irlanda. No Livro de Armagh, escrito na Irlanda no ano 807, ao narrar as façanhas de São Patrício de 350 anos antes, fica claro que o Apóstolo da Irlanda, em casos de polêmica, pedia a seus sacerdotes recorrer ” à Sé Apostólica”, isto é , a Roma. No que se refere a São Niniano, primeiro evangelizador dos pictos na Escócia (princípios do século V), até os historiadores protestantes admitem que mesmo sendo de origem britânica, teria se formado em Roma ( assim W. D. Maxwell, em “A History of Worship in the Church of Scotland”). Por último, na época do Papa São Leão Magno (um papado longo, do ano 440 ao 461), Roma enviou uma ordem às Ilhas Britânicas sobre as datas de celebração da Páscoa, ordem que foi acatada… e mantida até que chegou uma nova ordem 150 anos depois . Cento e cinqüenta anos isolados do Ocidente… Mas unidos ao Papa Nesta época, por volta do ano 450 dC., o Império se afundou, Bretanha ficou sem legiões e ondas de anglos, jutos e saxões invadiram as ilhas, exterminando o cristianismo de Inglaterra, com a excepção de zonas mais agrestes do norte ou de Gales, onde se concentraram ondas de britânicos -romanos cristãos fugindo dos bárbaros. Cortaram- se as comunicações com Roma e com Europa. A excepção foi a Irlanda, onde o cristianismo se estendeu com rapidez e durante o século VI exportou missionários a Escócia, ao norte da Inglaterra e até a França. Quão “católico-romanos” eram os cristãos “celtas” de Gales, de Strathclyde e do norte da Inglaterra? Provavelmente igual de católico-romanos que seus vizinhos irlandeses, que liderados por São Columba pregavam na França que o Papa era “pastor dos pastores” e “cabeça das igrejas da Europa” ( lemos em “Cristianity in Celtic Lands”, por L. Gougaud) e chamavam claramente “cismáticos” a grupos franceses desobedientes ao Papa. É verdade que os monges irlandeses tinham algumas peculiaridades menores: sua tonsura era distinta, também sua data de celebrar a Páscoa e alguns detalhes na cerimônia do batismo. Mas eram aspectos locais pequenos, lógicos em uma Igreja isolada e tão longe. Assim, os cristãos das Ilhas Britânicas, “nunca deixaram de ser católicos em doutrina nem no reconhecimento a supremacia espiritual dos sucessores de São Pedro” (afirma S. J. Crawford em “Anglo-Saxon influence on Western Christendom”). Um reencontro com dificuldades étnicas No ano 597, o Papa Gregório Magno envia o monge Agostinho (Santo Agostinho de Canterbury) com 40 companheiros a evangelizar os “ingleses”, isto é , aos reinos pagãos de anglos e saxões na Bretanha, de origens germânicas. O Papa dá instruções a Agostinho de que colabore com os bispos locais, que são de etnia celta e uma cultura de origem britânica -romana. Assim que chegou, Agostinho tem um êxito surpreendente ao batizar Aethelbert, rei de Kent e milhares de seus súditos. Logo se dirige aos bispos de etnia celta (que seguem celebrando a missa em latim, obviamente) e lhes pede colaboração. Explica Beda , O Venerável em sua “História Eclesiástica”, acabada no ano 731, que os bispos bretões, da etnia oprimida durante 150 anos pelos agora novos conversos, consideraram que Agostinho era orgulhoso e altivo. Talvez também o considerassem colaboracionista com o inimigo Saxão. E se negaram a colaborar com ele e com os novos cristãos anglo- saxões, a etnia de seus inimigos. Agostinho -diz- Beda- lhes pediu para mudar a data da Páscoa e detalhes do batismo, mas eles se negaram e mantiveram as peculiaridades da época de Leão, O Grande. Não é um capítulo bonito na historia da Igreja, mas não foi um cisma: nem os celtas se declararam independentes nem Roma lhes condenou como cismáticos nem inventaram sua própria doutrina ou liturgia. Mas a medida que se retomavam os laços com o Ocidente e Roma insistia, as igrejas celtas foram cedendo pelo bem da unidade a que pertenciam. O processo durou um século. No sínodo de Whitby (ano 663), S. Wilfrid convence os celtas da Nortúmbria, na fronteira com Escócia (diz Beda que Wilfrid recordou as promessas de Cristo a São Pedro, e que ainda que os monges de Lindisfarne não cedessem e preferissem emigrar, seus vizinhos se convenceram). Dentro de pouco tempo lhes seguiram os de Iona e Irlanda. Depois, os de Strathclyde. Em seguida, Aldhelm, bispo de Sherborne, absolutamente anglo-saxão, insistiu aos cristãos celta bretões de Cornwall que “é vão que presumam de catolicismo os que rechaçam a doutrina e comando de São Pedro”, o que acabou convencendo à maioria de cornualleses. Os mais teimosos foram os galeses, que não cederam até o ano 768 com o bispo Elfodd. Foi um processo complicado pelo fator étnico, as guerras e a falta de comunicações, mas os celtas admitiam sempre a unidade sob Pedro, e essa unidade foi a que prevaleceu . A doutrina celta da Eucaristia era doutrina católica Quando no século XVI os protestantes (anglicanos, presbiterianos e logo puritanos) negaram a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia e disseram reclamar a “pureza” dos antigos cristãos, lhes teria sido muito bom encontrar algum antigo livro litúrgico celta onde a Missa se apresentasse como um mero símbolo de comunhão. Mas esses livros nunca existiram porque os celtas nunca acreditaram nas doutrinas que os protestantes do século XVI professavam. As invasões saxãs destruíram toda a primeira cristandade inglesa , sem deixar textos. Mas se temos bastantes dados de seus vizinhos, da liturgia na Escócia, Irlanda e Nortúmbria, e neles é evidente que os celtas tinham a mesma visão da Eucaristia que os católicos hispano-romanos ou os visigodos ou os francos ou os italianos: os elementos consagrados são o “Corpus Christi”, celebrar a Eucaristia se chama ” Fazer o Corpo de Cristo” [Corpus Christi conficere], a missa se chama “o sacrifício”, o sacerdote “consagra a santa oblação”, o pão e o vinho são transformados em sua substância para que o sacrifício seja verdadeiro, não só simbólico. Por isso, até J. A. Duke, um autor que defendia a “independência” da Igreja celta de Roma, em seu livro “The Columban Church” admite que as liturgias eucarísticas celtas “dão evidência abundante da crença no caráter sacrificial do rito, e da crença de que após a consagração o pão se converte no Corpo de Cristo”. Era tanto o desejo dos protestantes do século XVI de buscar algum “cristão celta não – romano”, que algum entusiasta protestante galês inventou uma falsa carta de um tal “Dinoot, abade de Bangor-is-Coed” a Agostinho de Canterbury dizendo que o bispo de Roma falsamente diz ser “padre dos padres” e que não merece nenhuma reverência especial. Se trata de uma falsificação admitida por todo o mundo e nunca se encontrou nenhum indício de desafio nas Igrejas celtas à autoridade do Papa nem de ruptura com a doutrina romana. Por isso, inclusive J. C. McNaught, um ministro presbiteriano da Igreja Nacional Escocesa que durante muito tempo creu numa “Igreja celta” antiga, independente de Roma, teve que mudar de opinião ao revisar a evidência (em seu livro “The Celtic Churches and the See of Peter”): “Como resultado de nossa investigação temos que concluir que a antiga Igreja celta, longe de ser independente de Roma no sentido de rechaçar a supremacia papal, era simplesmente uma parte da Igreja Católica e com a Igreja inteira reconhecia ao Papa como sua cabeça visível”. Ou dito de outra forma: quem se sinta inspirado por São Patrício, São Columba ou São Brandão, Santo Niniano ou Santa Bridget, Illtud ou os cristãos anteriores à invasão anglo-saxã, pode unir -se a eles na familia da qual formavam parte e que mantêm sua herança e memória: a Igreja Católica.

  • OS ÍDOLOS SENDO DERRUBADOS PELA SANTA IGREJA CATÓLICA:

    OS ÍDOLOS SENDO DERRUBADOS PELA SANTA IGREJA CATÓLICA: O escritor Henry Van Dyke o descreveu assim, em 1897, em seu livro The First Christmas Tree, (A primeira árvore de natal): “Que pessoa tão boa! Que boa pessoa! Era branco e magro, mas reto como uma lança e forte como um cajado de carvalho. Seu rosto ainda era jovem; sua pele suave estava bronzeada pelo sol e pelo o vento. Seus olhos cinzas, limpos e amáveis, brilhavam como o fogo quando falava das suas aventuras e das más ações dos falsos sacerdotes aos quais enfrentou”. Aproximadamente no ano 723, Bonifácio viajou com um pequeno grupo de pessoas na região da Baixa Saxônia. Ele conhecia uma comunidade de pagãos perto de Geismar que, no meio do inverno, realizavam um sacrifício humano (onde a vítima normalmente era uma criança) a Thor, o deus do trovão, na base de um carvalho o qual consideravam sagrado e que era conhecido como “O Carvalho do Trovão”. Bonifácio, acatando o conselho de um irmão bispo, quis destruir o Carvalho do Trovão não somente a fim de salvar a vítima, mas também para mostrar àqueles pagãos que ele não seria derrubado por um raio lançado por Thor. O Santo e seus companheiros chegaram à aldeia na véspera de Natal, bem a tempo para interromper o sacrifício. Com seu báculo de bispo na mão, Bonifácio se aproximou dos pagãos que estavam reunidos na base do Carvalho do Trovão e lhes disse: “Aqui está o Carvalho do Trovão e aqui a cruz de Cristo que romperá o martelo do Thor, o deus falso”. O verdugo levantou um martelo para matar o pequeno menino que tinha sido entregue para o sacrifício. Mas, o Bispo estendeu seu báculo para impedir o golpe e milagrosamente quebrou o grande martelo de pedra e salvou a vida deste menino. Logo, dizem que Bonifácio disse ao povo: “Escutai filhos do bosque! O sangue não fluirá esta noite, a não ser que piedade se derrame do peito de uma mãe. Porque esta é a noite em que nasceu Cristo, o Filho do Altíssimo, o Salvador da humanidade. Ele é mais justo que Baldur, maior que Odim, o Sábio, mais gentil do que Freya, o Bom. Desde sua vinda, o sacrifício terminou. A escuridão, Thor, a quem chamaram em vão, é a morte. No profundo das sombras de Niffelheim ele se perdeu para sempre. Desta forma, a partir de agora vocês começarão a viver. Esta árvore sangrenta nunca mais escurecerá sua terra. Em nome de Deus, vou destruí-la”. Então, Bonifácio pegou um machado que estava perto dele e, segundo a tradição, quando o brandiu poderosamente ao carvalho, uma grande rajada de vento atingiu o bosque e derrubou a árvore, inclusive as suas raízes. A árvore caiu no chão, quebrou-se em quatro pedaços. Depois deste acontecimento, o Santo construiu uma capela com a madeira do carvalho, mas esta história foi muito além das destruições da poderosa árvore. O “Apóstolo da Alemanha” continuou pregando ao povo alemão que estava assombrado e não podia acreditar que o assassino do Carvalho de Thor não tivesse sido ferido por seu deus. Bonifácio olhou mais à frente onde jazia o carvalho e assinalou um pequeno abeto e disse: “Esta pequena árvore, este pequeno filho do bosque, será sua árvore santa esta noite. Esta é a madeira da paz…É o sinal de uma vida sem fim, porque suas folhas são sempre verdes. Olhem como as pontas estão dirigidas para o céu. Terá que chamá-lo a árvore do Menino Jesus; reúnam-se em torno dela, não no bosque selvagem, mas em seus lares; ali haverá refúgio e não haverá ações sangrentas, mas presentes amorosos e gestos de bondade”. Desta forma, os alemães começaram uma nova tradição nessa noite, a qual foi estendida até os nossos dias. Ao trazer um abeto a seus lares, decorando-o com velas e ornamentos e ao celebrar o nascimento do Salvador, o Apóstolo da Alemanha e seu rebanho nos mostraram o que hoje conhecemos como a árvore de Natal. (Figura, árvore de Thor derrubada por São Bonifácio #Igreja

  • Papa São Caio (283-96)

    Embora ele tenha sido descrito pelo o LP como dálmata na origem, um parente do Imperador Diocleciano (284-305), estas particularidades são suspeitas; elas derivam do documento do 6° século. Paixão de Santa Susana, cuja o tio ele deveria ser e com quem ele se tornou ligado através do fato de que o culto dela foi localizado no titulus, ou *igreja-título, de Caio em Roma. Ele também figura na Paixão de São Sebastião, que representa ele como incentivando o soldado santo e seus companheiros para enfrentar seus martírios iminentes. Outros relatos do LP sobre ele também ser julgados como anacrônicos, especialmente sua afirmação de que ele se refugiou nas catacumbas durante Perseguição de Diocleciano e (em sua segunda edição) morreu um mártir. Enquanto as datas dele podem ser determinadas com um grau razoável de precisão, nada se sabe sobre ele ou sua actividades; tudo o que é claro é que seu reinado caiu em um período de paz e consolidação para a igreja romana. O calendário romano de  354 não o incluiu em sua lista de mártires Ele foi enterrado no cemitério de Calisto em um setor separado da antiga cripta papal, que provavelmente estava cheia; fragmentos do seu epitáfio, em letras gregas comsua inicial distintamente dada como uma gama, foram encontrado lá no século XIX. Festa: 22 de abril J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. p. 24

  • Papa Santo Eutiquiano (275-83)

    Festa: 7 de dezembro J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes.pp. 23-24

  • Papa São Félix I (269-74)

    Festa: 30 de maio. J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. p. 23

  • Papa São Dionísio (260-8)

    Por causa da gravidade da perseguição de Valeriano (253-60), que implicava a execução sumária do clero, a igreja romana não elegeu um sucessor para Sisto II até notícias da morte do imperador em cativeiro chegarem a Roma; por quase dois anos a igreja foi governada pela presbíteros sozinhos, todos os sete diáconos tendo perecido com Sisto. O homem eventualmente eleito, Dionísio, provavelmente descendente de gregos, tinha sido um dos principais presbíteros de Sisto II, correspondendo com Dionísio, bispo de Alexandria, sobre a contenciosa questão do * rebatismo dos hereges, em que o bispo estava tentando mediar entre Roma e as igrejas do norte da África e Asia menor. Ele tinha originalmente compartilhado o postura rígida de Estevão I, que havia rompido a comunhão com igrejas que insistiam em rebatizar os hereges e cismáticos, mas parece ter suavizado sua atitude pelo tempo de Sisto II; o bispo em qualquer grau considerou-o como “erudito e notável”. Uma vez papa ele mesmo, ele recebeu um mais uma carta do Bispo Dionísio sobre o mesmo assunto, e em pouco tempo tornou-se envolvido em outra correspondência com ele, desta vez sobre as relações do Pai e filho na divindade. Alguns Cristãos em Alexandria haviam denunciado seu bispo ao papa, acusando-o de separar o Filho do Pai, mesmo falando dele como uma criatura, e recusando a  descrevê-lo como um em essência com o Pai. Dionísio de Roma imediatamenteconvocou um sínodo que condenou as expressões queixadas, e  enviou à comunidade alexandrina uma exposição impressionante da teologia romana da Trindade, e com muito tato escreveu em particular para seu irmão bispo pedindo uma explicação de sua posição. O alexandrino respondeu com umapologia fundamentada que, insistindo na distinção das pessoas divinas, deixou claro que ele não era triteísta; e isso parece ter resolvido o assunto. Dionísio se esforçou não menos ativamente em assuntos práticos. Na sua eleição ele se encontrou, primeiro, com a desordem da igreja romana causada pela perseguição de Valeriano, e depois pelos problemas criados pelo imperador Galiano (260-8) que reverteu as políticas do pai e restaurou a propriedade confiscada da igreja e cemitérios. Dionísio parece ter levado, ou pelo menos inaugurado, um reorganização completa da igreja, um vislumbre disso pode ser obtido a partir do relato do LP que ele alocou as paróquias e os cemitérios aos vários padres, e delimitou novas unidades episcopais em sua área metropolitana. Além disso, ele vigorosamente manteve a tradição de longa data da igreja romana de ajudar cristãos angustiados onde quer que estivessem; mais de um século depois, Basílio, o Grande (d. 379) foi recordar com admiração a sua generosidade no envio de cartas de encorajamento para a igreja aflita na Capadócia (Turquia central), bem como fundos para resgatar cristãos em cativeiro. A última menção dele está no cabeçalho da carta do sínodo de Antioquia, que depôs Paulo de Samosata pelas suas inclinações * adocionistas, dirigidas a ele e Maximo, o novo bispo de Antioquia, anunciando sua decisão em 268/9. Se ele recebeu não está claro, pois ele estava morto no final de 268. Um dos papas mais importantes do terceiro século, ele não foi um mártir, como afirmado pelo LP, pois * O calendário romano de 354 colocou-o na sua lista de enterros episcopais, não em mártires. Ele foi enterrado na cripta papal no cemitério de Calisto. Festa: 26 de dezembro J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. pp. 22-23

  • Papa São Sisto II (257-8)

    De origem grega, como e afirma o LP e seu nome (mais corretamente Xystus) torna provável, ele foi eleito no momento em que o Imperador Valeriano (253-60), abandonando sua anterior atitude tolerante, começou a perseguir Cristãos, ordenando-lhes que participassem das cerimônias religiosas do estado e proibindo eles de se reunírem nos cemitérios. Por um tempo ele foi capaz de escapar da vigilância policial e dedicar-se a reparar a ruptura que Estevão I havia criado entre Roma e as igrejas do norte da África e Ásia Menor por causa de sua recusa em ceder à prática de * rebatizar os hereges e cismáticos que desejavam se reconciliar com a Igreja. Ele confirmou com firmeza como Estevão a visão romana que o batismo corretamente administrado por hereges era válido, mas parece ter restaurado relações amistosas com Cipriano, bispo de Cartago, com quem Estevão havia entrado em choque e com as igrejas asiáticas. Como ele fez isso permanece incerto, mas ele provavelmente recuou da postura de confronto de Estevão e aceitou tranquilamente a coexistência de práticas divergentes. Ao adotar esta política ele devia muito ao conselho dado a ele, e seus presbíteros Dionísio e Filemon, por Dionísio, bispo de Alexandria, que tinha tentou em vão tentado induzir Estevão a ser menos intransigente, e que agora continuava a escrever como um mediador, estabelecendo (embora opondo-se ao rebatismo) considerações que poderiam razoavelmente avançar em sua defesa. Sisto devia ainda mais no entanto, ao seu próprio temperamento irênico, pois ele era (como observou o biógrafo de Cipriano) ‘um sacerdote bom e amante da paz ‘. Alguns estudiosos erroneamente começaram a atribuir a Sisto um pequeno tratado atacando o Antipapa Novaciano; enquanto no final do 4° século, ele também foi creditado por Rufino, erroneamente também, pela a autoria da edificante coleção de ética e aforismos religiosos conhecidos como As Sentenças de Sextus. Sua suposta conexão com este último fez o LP descrevê-lo como tendo anteriormente sido um filósofo. Na verdade, a sua unica produção sobrevivente é um fragmento minúsculo, em uma tradução armênia, de uma carta a Dionísio de Alexandria defendendo a validade do batismo herético se administrado em nome da Trindade. Seu breve reinado foi encerrado abruptamente pela publicação do segundo Édito de Valeriano, mais drástico, que ordena a execução sumária de Bispos, sacerdotes e diáconos cristãos, bem como sanções draconianas em para leigos cristãos. Em 6 de agosto de 258, as autoridades surpreenderam-no na liturgia divina, sentado em sua cadeira episcopal dirigindo-se à congregação, no cemitério de Praetextatus, um sepultamento privado em que ele e seu rebanho provavelmente esperavam escapar da detecção, pois ele não era vigiado pela polícia. Ali ele foi decapitado e com ele quatro de seus diáconos que estavam presentes. Dois dos três diáconos restantes foram executados no mesmo dia, enquanto o sétimo, Laurêncio,sofreu quatro dias depois. O corpo de Sisto era mais tarde transferido para a cripta papal, no cemitério de Calisto e os quatro diáconos que compartilharam seu martírio foram enterrados por perto. A cadeira manchada de sangue que ele estava sentado foi colocada atrás do altar na capela. Um século mais tarde Dâmaso I compôs um epitáfio em ponderosos hexâmetros descrevendo o drama de sua execução, e isso foi colocado sobre o seu túmulo. Sisto II tornou-se um dos mais venerados mártires da igreja, e seu nome foi incluído no cânon da missa. Festa: 7 de agosto J.N.D Kelly , The Oxford Dictionary of Popes

  • Papa Santo Estevão I (254-7)

    Um romano de nascimento, da gens Julia, ele sucedeu Lucio I depois de uma vacância de alguns sessenta dias. Um papa de alguma importância no desenvolvimento da Santa Sé, ele é principalmente conhecido por certos confrontos que ele teve com Cipriano, o influente bispo de Cartago. O primeiro surgiu da deposição de dois Bispos espanhóis que tinham apostatado sob perseguição. Um deles foi para Roma e persuadiu Estevão a reabilitar ele e seu colega. As igrejas espanholas então apelaram para Cipriano, e ele, tendo convocado um concílio de bispos norte-africanos, publicou uma carta sinódica confirmando a deposição; o concílio desculpou Estevão dizendo que ele tinha sido enganado sobre os fatos. O segundo por causa do Bispo Marciano de Arles, que adotou as visões rigoristas do antipapa Novaciano e estava recusando até a reconciliação do leito de morte para os cristãos que haviam caído em perseguição. Os bispos locais escreveram para Estêvão instando-o a depor Marciano, mas ele não tomou nenhuma ação. Eles viraram-se, portanto, para Cipriano, que assumiu o caso e exortou o papa a excomungar Marciano, arranjar um novo bispo para substituí-lo, e informar ao episcopado africano o seu nome para que eles pudessem saber com quem eles estavam em comunhão. O terceiro confronto foi mais importante teologicamente, sendo sobre a questão se o batismo administrado por hereges era válido. Cipriano, com as igrejas da África do norte (exceto por alguns céticos), Síria e Ásia Menor em geral, estavam certos que não: o batismo só poderia ser concedido dentro do igreja e hereges em busca de reconciliação portanto, precisariam de batismo católico, ou seja, precisavam serem rebatizados. Estevão, representando a tradição de Roma, Alexandria, e Palestina, estava inflexível sobre o batismo herético ser válido: para ser reconciliados, hereges e cismáticos precisam, não serem batizados novamente (o que ele considerava ilegítimo), mas apenas receberem absolvição pela imposição das mãos. A questão estava em franca polêmica naqueles tempos no norte da África, e Cipriano realizou dois sínodos em 255 e 256, que reafirmaram sua posição. Enquanto isso Estevão, determinado a impor a visão romana em todos os lugares, escreveu às igrejas da Ásia Menor, declarando que ele não podia mais manter comunhão com eles desde que eles rebatizaram hereges; e quando Cipriano procurou informá-lo das decisões de seus sínodos, ele se recusou a receber seus enviados ou até mesmo oferecê-los hospitalidade. Rebatismo, ele argumentou, era um inovação que violava a tradição, e não podia ser aceita. Uma ruptura aberta entre Roma e grandes seções da cristandade agora ameaçadas; não é surpreendente que o bispo Dionísio de Alexandria, enquanto compartilhava sua visão da impropriedade do rebatismo, sentiu-se obrigado a escrever para Estevão implorando-lhe para adotar uma linha mais pacífica.A situação poderia ter ficado desesperadora se Estevão não tives se morrido em 2 de agosto de 257 e Cipriano, como mártir, um ano mais tarde. Esses incidentes lançam luz sobre o crescente reconhecimento, na metade do 3° século sobre a posição preeminente de Roma, como um tribunal de recurso em qualquer lugar desde a Gália e Espanha, e como a Sé que as outras Sés julgam necessária estar em comunhão. Estevão surge como um prelado imperioso e intransigente, plenamente consciente de sua prerrogativa especial; seus bispos rivais não hesitam em colocar a culpa por dividir a igreja nele. É interessante que ele foi acusado de ‘glóriar sua posição como bispo e de reivindicar a sua sé como tendo a sucessão de Pedro, em quem as fundações da igreja foram colocadas ‘. Ele foi de fato o ‘primeiro papa, até onde se sabe, a encontrar um base formal para o primado romano no encargo do Senhor ao Apóstolo Pedro, citado em Mat 16: 18. A Lenda posterior refletida no LP o tratou como um mártir, mas o calendário romano de 354 o nomeia apenas na sua lista de bispos falecidos (não em mártires). Ele foi enterrado na cripta papal no cemitério de Calisto na Via Ápia. Festa: 2 de Agosto J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. pp. 20-21

  • Papa São Lúcio I (253-4)

    Festa: 4 de março J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. pp. 19-20

  • SURSUM CORDA: DEZ SUGESTÕES PARA REVITALIZAR A IMAGINAÇÃO LITERÁRIA – James Conley (Parte V)

    Josef Pieper foi um filósofo católico alemão, professor de sociologia e antropologia na Universidade de Munster. Estudou Santo Tomás, Platão e Aristóteles. Pieper possuía o dom único da clareza: refletiu sobre virtude e vício, pecado e redenção, beleza e cultura, em livros que podem ser facilmente compreendidos e facilmente apreciados. O livro Ócio, o fundamento da cultura foi escrito em 1952. Mostra muito bem que o ócio — a capacidade de perceber, contemplar e celebrar o mundo que nos foi dado — é um dom de Deus. Ser totalmente humano é aceitar o dom divino do ócio, cultivando a serenidade, a alegria e a paz. O ócio, afirma Pieper, não é ausência de trabalho — uma ociosidade… Ao contrário, refere-se ao cultivo da bondade na alma: tem a ver, por isso, com literatura, música, celebração e assombro. Em 1958, escrevia Mortimer Adler: “O ócio consiste em atividades que não se reduzem são a brinquedo ou jogo, mas são antes expressões da virtude moral e intelectual — coisas que um homem bom deve fazer, pois são intrinsicamente boas para si e o seu grupo social, tornando-o melhor enquanto homem e favorecendo a civilização em que vive. Pieper crê que o ócio é a base pela qual podemos crescer em sabedoria — e, por extensão, a base pela qual podemos formar uma família e uma cultura verdadeiramente cristãs. O estudo da grande literatura é uma forma de ócio. Hoje, em nosso tempo livre, costumamos desligar com frequência as nossas mentes, nossos corações, nossa imaginação. Ao contrário, o verdadeiro ócio é a utilização de mentes e corações para criar uma relação mais profunda com Cristo e sua Igreja. Penso sempre em meu pai, trabalhando todo dia para manter a casa, mas, ainda assim, conseguindo arranjar tempo suficiente para escrever um pequeno livro sobre a história da nossa família. Não escreveu o livro por dinheiro ou fama (só foi lido por nossa família). Ele o fez, penso eu, para aproveitar o seu tempo de ócio, através de uma discreta ocupação intelectual que, além de lhe trazer muito gosto e alegria, conquistou-lhe o apreço da família. Foi, no fim das contas, um trabalho que o ajudou a enxergar melhor a realidade. O livro de Pieper pode ser compreendido como uma espécie de chave — um amplo esboço de modos pelos quais a imaginação literária pode formar e renovar a cultura cristã. Se queremos transformar a cultura, devemos começar cultivando nossas mentes para Cristo. O ócio, um verdadeiro ócio, é a ação de colocar nossas mentes, corpos e corações a serviço de Deus. Josef Piepper compreendeu-o muito bem; e é assim que também devemos fazer. (James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015) https://www.ncregister.com/images/documents/Literature_Section_053115.pdf

  • Qual a importância da apologética?

    A apologética sempre foi importante em todos os tempos, e hoje também, especialmente pelo surgimento de inúmeras seitas e religiões que arrastam muitas pessoas… Apologética é uma palavra que vem do grego, significa “defesa verbal”; é a defesa teológica de uma certa religião, no sentido de demonstrar a verdade da própria doutrina, defendendo-a de teses contrárias. Normalmente quando se fala de apologética, trata-se da defesa fundamentada da religião cristã. Ela está para a Teologia como a Filosofia está para as Ciências Humanas. Procura mostrar que a fé católica pode ser aceita e vivida pelos argumentos da razão. Esta parte da apologética recebeu o nome de escolástica e foi muito desenvolvida na Idade Média alta. A apologética desenvolveu-se, sobretudo no Cristianismo. Ela faz uso dos conceitos teológicos, usando também os conhecimentos das línguas antigas, da moral, da história, e também das descobertas da arqueologia, paleontologia e das ciências modernas. A apologética cristã não é um conjunto de regras fixas e impessoais, mas a explanação das verdades da fé, reveladas por Deus sob a direção do Espírito Santo. Podemos dizer que São Paulo foi um dos primeiros apologetas da Igreja ao defender o cristianismo; inicialmente diante dos judeus que o perseguiam em suas viagens apostólica pela região da Turquia de hoje. Mas também São Paulo foi um grande defensor da fé cristã junto aos pagãos, não judeus, nessas mesmas viagens, especialmente em Atenas e Corinto na Grécia, na Macedônia e em Roma. A teologia católica é baseada fundamentalmente nos quatro Evangelhos e nas 13 Cartas de São Paulo, além das outras Cartas do Novo Testamento, usando também o Antigo Testamento. Diante das perseguições dos imperadores romanos, durante 250 anos, desde Nero (ano 64), até Diocleciano (306), os primeiros papas da Igreja e os primeiros escritores cristãos, escreviam livros em defesa da fé católica. Eram as “apologéticas” que os mártires como Santo Inácio de Antioquia (†107), São Justino (†156), São Policarpo de Esmirna (†155), Santo Irineu de Lião (†200), além de outros como Aristides de Atenas (†130), Tertuliano (†220), escreviam para os imperadores romanos. Eusébio de Cesareia (†340), Santo Atanásio (†373), Santo Hilário de Poitiers (†367), São Basílio Magno (†369) e muitos outros Padres da Igreja, da era chamada Patrística, defenderam a fé cristã. Nos séculos seguintes foram grande apologetas os doutores: Santo Agostino (†430), São Jerônimo (†420), São João Crisóstomo (†407), São João Cassiano (†407), São Leão Magno (†460), São Pedro Crisólogo (†450) e outros. Os Padres da Igreja, os gigantes da fé católica, que defenderam a Igreja contra as inúmeras heresias dos primeiro séculos, desenvolveram profundamente a apologética na defesa sistematizada da fé cristã, sua origem, credibilidade, autenticidade e superioridade em relação às demais religiões e cosmovisões. Na Patrística, chamam-se apologetas alguns Padres da Igreja que, sobretudo nos séculos II-V se dedicaram a escrever apologias ao Cristianismo, usando inclusive a filosofia grega de Platão, Aristóteles e outros filósofos gregos, que se mostraram compatíveis com a revelação cristã. Enfrentavam com coragem e lucidez os filósofos romanos e gregos, pagãos, como o romano Celso, que criticava severamente o Cristianismo. O apologeta cristão defende também a moral de Cristo, e argumenta que, sem valores absolutos, não há razão para lutar por melhorias na sociedade, ou para condenar os atos de barbaridade. Mas somente a lei de Deus é perene e não pode ser mudada ao saber das épocas, das ideologias e dos interesses das pessoas. E essa constância mostra a sua divindade. Somente Aquele que é perfeito pode nos dar uma lei perfeita. Sem dúvida foi pelo trabalho incansável e corajoso desses apologetas, que o império romano se tornou cristão a partir do ano 385 com o imperador Teodósio, o Grande. Algumas imperatrizes gostavam de ouvir esses grandes apologetas. Santa Helena, mãe do imperador Constantino, se tornou cristã, e seu filho também em 313, proibindo a partir dai a perseguição aos cristãos. O cristianismo entrou nos palácios dos imperadores por meio desses apologetas. O objetivo dos escritos aos imperadores romanos, era de convencê-los do direito de existência legal dos cristãos dentro do Império Romano, o que era proibido. Os textos apologéticos desses grandes Padres da Igreja foram a base para o entendimento dos dogmas teológicos e dos conceitos fundamentais usados em teologia. Dessas apologias surgiu, por exemplo, o Credo Niceno-constantinopolitano, fruto dos Concílios universais de Nicéia (325) e de Constantinopla I (381), que confirmaram a divindade de Cristo e do Espírito Santo, tendo em vista as heresias de Ário e de Nestório. E muitas heresias foram debeladas nos Concílios universais de Constantinopla, Calcedônia, Éfeso, etc. Esses Padres mostravam, usando a filosofia, que o cristianismo é a religião mais coerente com o raciocínio correto. Analisa e explica a existência de Deus, o sentido da vida, a origem do universo, das coisas e da vida humana, o sentido do sofrimento, a dignidade de pessoa, inclusive do escravo e da criança não nascida, mostrando que a doutrina bíblica é um sistema coerente. Mostra que tudo o que começa a existir deve ter uma causa. O Universo começou a existir. Logo, o Universo tem uma causa e um Criador. Em todas as épocas podemos dizer que a Igreja teve grandes apologetas, porque sempre surgiram heresias e religiões combatendo a fé católica. Então, vamos encontrar na idade média os grandes defensores da fé católica, os grandes doutores da Igreja, como São Tomás de Aquino, Santo Anselmo, São Bernardo, São Domingos de Gusmão, Santo Alberto Magno, São Boaventura, etc. No inicio da Idade Moderna (século 15), vamos encontrar os grande doutores da Igreja, defensores da fé católica contra os erros da Reforma protestante e outros erros: São Francisco de Sales, São Carlos Borromeu, São Pedro Canísio, Santa Teresa de Ávila, São João da Cruz, São João de Ávila, etc. A apologética sempre foi importante em todos os tempos, e hoje também, especialmente pelo surgimento de inúmeras seitas e religiões que arrastam muitas pessoas que não chegam a pedir as “credenciais” dos seus fundadores e das suas doutrinas. A maioria delas conquistam seus adeptos por métodos sentimentalistas e assistências, sem fundamentação teológica convincente. Não é objetivo e nem método da apologética atacar as outras religiões não católica, e nem mesmo discriminar as pessoas em crenças diversas, mas apenas apresentar os fortes argumentos da Revelação divina e da razão, em defesa da fé católica. Trata-se de convencer pela argumentação e não pela imposição de uma fé. Prof. Felipe Aquino Fonte: Cléofas

  • Papa São Cornélio (251-53)

    O clero deliberadamente adiou a eleição um sucessor de Fabiano por causa da violência da perseguição do imperador Décio (249-51) e o fato de que vários dos seus, incluindo o sacerdote Moisés, o homem mais provável a ser escolhido, estavam na prisão. Durante quatorze meses eles governaram o igreja colegialmente, com o padre Novaciano atuando como seu porta-voz. Quando a perseguição afrouxou na primavera de 251, a eleição tornou-se praticável. Moisés tendo morrido, a escolha da grande maioria caiu, não em Novaciano (que estava esperando) mas em Cornélio, um romano, possivelmente da gens patrícia Cornelia, a quem pertencia Cipriano, o bispo contemporâneo de Cartago, descrito como um padre sem ambição que tinha servido em todos os graus mais baixos do ministério. Sua eleição foi ao mesmo tempo fortemente contestada por Novaciano, que, frustrado em suas esperanças, se consagrou bispo rival e, com um pequeno grupo de apoiantes, se transpôs ao cisma. O choque entre os dois homens foram aguçados por, na verdade, poderem ter suas raízes, nas suas atitudes divergentes com a questão do que deveria ser feito com o grande número de cristãos que tinha caído na perseguição, mas agora desejavam retomar a comunhão. Cornélio favoreceu a sua readmissão depois de adequada penitência, Novaciano sua exclusão completa; é provável que o papa tenha vencido a eleição por seu apoio conhecida com uma política mais realista e compassiva. A posição de Cornélio era, portanto, dificultada por algum às vezes. Novaciano estava trabalhando energicamente e habilmente para obter seu próprio título como bispo reconhecido pelos líderes dos centro cristãos, enquanto em Roma um grupo rigorista do clero e leigos se recusaram a aceitar o supereniente (como eles o julgaram) Cornélio. Cornélio acabou conseguindo superar esses obstáculos, especialmente quando Cipriano de Cartago e Dionísio de Alexandria saíram ao seu lado. É significativo no entanto, que Cipriano, ao entrave de Cornélio, sentiu-se obrigado a fazer perguntas antes de chegar a sua decisão. Cornélio foi muito ajudado por Cipriano a conquistar a oposição rigorista em Roma, que incluía alguns confessores africanos, e ele teve total apoio de Cipriano quando ele finalmente excomungou Novaciano e seus aderentes. Isso ele fez no outono de 251 em um sínodo em Roma, assistido por sessenta bispos bem como outros do clero, que também afirmou o política, em consonância com as decisões do norte da África, da readmissão dos apóstatas depois de uma apropriada penitência. É irônico que, depois de reclamar da hesitação de Cipriano em reconhecer sua eleição, Cornélio deveria, no verão de 252, ter dado uma audiência aos enviados de um bispo da oposição, Fortunato, a quem Cipriano estava ocupado em Cartago. Embora Cornélio tivesse repelido eles, Cipriano estava compreensivelmente irritado enviou ao papa uma severa repreensão. Cornélio é conhecido por ter escrito uma série de cartas, principalmente fazendo a sua posição sobre o cisma clara para outras igrejas; duas destas dirigidas a Cipriano, sobrevivem as nos. 49 e 50 na correspondência Cipriânica. Também em Eusébio (C. 260 – C. 340) há partes preservadas de uma carta que ele enviou para Fábio, o bispo rigorista de Antioquia, pedindo a ele para suspender o apoio a Novaciano e aceitar o fato de que o consenso das igrejas favoreceram uma política moderada para o lapso. Esta carta pinta um retrato pouco atraente, mesmo difamatório de Novacio que faz de Cornélio ter pouca credibilidade, mas também fornece estatísticas detalhadas, de grande valor histórico, do clero de diferentes graus que serviam a igreja romana naquele tempo. Quando o imperador Galo (251-3) reiniciou a perseguição em junho de 252, Cornélio foi preso e banido para Centumcellae (Civitavecchia, agora o porto de Roma), onde ele recebeu uma carta de felicitações calorosas de Cipriano; ele morreu lá no mês de junho seguinte. O documento do quarto século. O Catálogo Liberiano relata que ele ‘morreu gloriosamente ‘, mas ele não foi considerado como um mártir no sentido estrito e não foi listado como tal no 4° século. Depositio martyrum. Seu suposto julgamento diante do Imperador Décio, recontado pelo LP, é emprestado de um apócrifo da paixão do 5° século e não tem base histórica. Seu corpo foi posteriormente levado de volta para Roma e enterrado na cripta de Lucina no cemitério de Calisto; a inscrição em seu túmulo foi o primeiro epitáfio papal a estar em Latim. Festa (com São Cipriano): 16 de setembro J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. pp. 17-18

  • Papa São Fabiano (236-50)

    Fabiano foi um notável papa de quem contemporâneos como Cipriano de Cartago falaram com profundo respeito. A história relacionada por Eusébio (c. 260-C.340) – que, quando o clero estava considerando um sucessor para Antero, uma pomba pousou na cabeça de Fabiano, designando um homem que não estava nos pensamentos de ninguém como a escolha do Espírito Santo- lenda que é, reflete a generalizada convicção de que ele era um líder dado por Deus para a Igreja. Com seu advento ênfase aprimorada começou a ser colocada na alto posição dos bispos de Roma, os dias de sua eleição sendo formalmente anotados e listas de nomes que dão datas precisas preparadas. Suas atividades foram levadas a um fim abrupto com o surto da perseguição desencadeada pelo imperador Décio no começo de 250; ele foi preso e foi um dos primeiros a morrer, provavelmente  na prisão como resultado de um tratamento brutal, em 20 Janeiro desse ano. Ele foi enterrado na cripta papal no cemitério de Calisto; o sepulcro tendo seu nome, título e a palavra ”mártir” abreviada em letras gregas foi descoberto em 1854. Seus restos foram mais tarde removido para S. Sebastiano, onde um sarcófago inscrito com o seu nome era identificado em 1915. Festa (com São Sebastião): 20 de janeiro J,N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. pp. 16-17

  • Papa Santo Antero (235-6)

    Festa: 3 de janeiro J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. p. 16

  • Papa São Ponciano (230-35)

    Festa: antigamente 19 de novembro; agora com Hipólito 13 Agosto J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. p. 16

  • Papa Santo Urbano I (222-30)

    Festa: 25 de maio. J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. p. 15

  • Papa São Calisto (217-22)

    O reinado de Calisto foi marcado por brigas com o agressivo antipapa, que acusou ele de * modalismo e de frouxidão na disciplina, mas quem ele parece nunca ter formalmente censurado. A primeira acusação pode ser dispensada, porque ele excomungou Sabélio, o líder intelectual do modalismo, que sustentou que Pai, Filho e Santo Espírito não representam distinções reais na divindade, mas os modos sucessivos de sua auto-revelação. Isso não satisfez Hipólito, que zombou que ele só tinha passado a sentença com medo dele e que ainda era um modalista. Na verdade, Calisto estava tentando direcionar um curso intermediário entre o modalismo, que ele rejeitou, e o ensino de Hipólito que a Palavra é uma hipóstase distinta ou pessoa, que ele via como diteista. Hipólito também reclamou que Calisto permitiu que um bispo culpado de ofensas graves permanecer no cargo, estava preparado para ordenar homens que tinham sido casados duas ou mesmo três vezes, recusou-se a condenar o clero que casavam, reconheceu uniões (condenadas pelo Direito romano) entre mulheres de classe alta e homens de status inferior e readmitiu à igreja conversos de seitas heréticas ou cismáticas sem penitência preliminar. A implicação disso não é, como tem às vezes foi entendido, que Calisto era um inovador ousado na prática penitencial; ele não era o “supremo pontífice” que publicou um ‘decreto peremptório’ sobre a penitência ridicularizado por Tertuliano (d. f.225). Em vez disso, em contraste com rigoristas antiquados como Hipólito, ele ensinou a cada vez mais aceita visão que a igreja era (como a parábola do joio no meio do trigo sugeriu)lar de pecadores e santos, e deve, portanto, ofere cer a reconciliação a Cristãos que haviam caído em pecado depois batismo. Embora seu nome apareça em um calendário de mártires do 4° século, é improvável, em vista da a ausência de perseguição no reinado de Alexandre Severo (222-35), que Calisto foi um mártir no sentido estrito. Uma Paixão lendária alegando descrever o seu fim sugere que ele morreu uma morte violenta, possivelmente em um motim popular. Ele foi enterrado em Trastevere na Via Aurélia, não no cemitério nomeado graças a ele onde outros papas do 3°século foram enterrados; e isso concorda com a história na paixão que sua morte teve lugar em Trastevere. Sua tumba real foi descoberta em 1960 no cemitério de Calepodius na Via Aurélia; a cripta é decorada com afrescos posteriores representando o seu alegado martírio. Festa: 14 de outubro J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. pp. 13-14

  • O vazio humano

    O vazio humano Nunca na história do mundo o homem teve um acesso tão fácil ao entretenimento, ao sexo, e a todo tipo de prazer mundano. Mas nunca na história do mundo o homem foi tão infeliz, depressivo, carente e perdido. É preciso dizer que a sociedade moderna está doente? Será preciso dizer que todas essas ideologias que prometeram libertar o homem de Deus e fazer da Terra o próprio paraíso fracassaram grandemente? É preciso dizer que caminhamos a passos largos para nossa própria destruição? O afastamento de Deus é um afastamento de si mesmo. Quando o sentido da existência do homem são os prazeres terrenos, ele vive apenas picos de felicidade, como um viciado em drogas. Na ausência de Deus, ele diviniza aquilo pelo qual vive, seja o sexo, seja um parceiro(a), seja o trabalho. Na tentativa frustada de preencher o vazio existencial deixado por Deus, ele se contenta com as migalhas que caem da mesa do mundo material. O homem anseia pelo absoluto, pelo transcendente, pelo divino. Ele quer encontrar a felicidade plena, o amor absoluto, não as efemeridades terrenas, mas aquilo que é eterno e imutável. Ele tem sede, mas tem se contentado com as gotas de satisfação momentânea que a vida traz. Não há fórmula mais segura de descontentamento que tentar satisfazer nossos anseios pelo oceano do Amor infinito, com as xícaras das satisfações finitas. Nade de material, físico ou carnal poderá jamais satisfazer completamente o homem e lhe proporcionar a felicidade plena. Toda ansiedade e desilusão seguem por ignorar que não fomos feitos para esse mundo, que somos como um pêndulo oscilando entre o tempo e a eternidade. Estamos no mundo, mas não pertencemos a ele. Aqui não é nosso lugar. Anseamos por voltar para casa, para o lugar de onde verdadeiramente pertencemos. Choramos de saudades, como um peregrino em terra estrangeira, que vagando entristecido por ter perdido o caminho de casa, se desespera por não saber voltar. Nós somos os peregrinos, perdidos, carentes e tristes…Mas querem nos convencer que não temos mais casa, que tudo que temos é isso, um mundo caído, cheio de miséria e mal. Não me surpreende que estejamos adoecendo espiritualmente a cada dia, em um mundo onde afirmam que nem mesmo a verdade existe. O homem moderno está perdido e acaba sendo uma vítima fácil de seus próprios vícios. No seu vazio, qualquer migalha de prazer passageiro é aceitável. Sem Deus, o homem continuará rumo a sua própria destruição, vivendo apenas picos de uma suposta felicidade terrena, sendo escravo das suas próprias paixões e desejos, vítima de seu afastamento da eternidade. Somente algo eterno, imutável e absoluto pode redimir o que é finito, fraco e terreno. Deus é o combustível correto pelo qual a alma humana funciona perfeitamente. Ao longo da vida tentamos usar vários outros, mas nenhum deles funciona adequadamente. Jesus já trazia um conselho há 2000 anos atrás sobre isso. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma.” Mateus 11:28 Ramon Serrano CURTA O Caminho

  • SURSUM CORDA: DEZ SUGESTÕES PARA REVITALIZAR A IMAGINAÇÃO LITERÁRIA – James Conley (Parte IV)

    Nascer de novo pelo assombro (cont.) Enfim, essa lista não foi projetada para ser uma lista dos “10 mais”. Nem estou seguro de que isto possa ser possível (tive de deixar de fora livros mais queridos dos que os que incluí). Ao contrário, escolhi algumas obras específicas para essa lista, que possam servir como pontos de partida, lugares a partir dos quais se comece a exploração dos clássicos da literatura Ocidental. Num certo sentido, estão nelas representados vários gêneros, todos procedentes da vasta história da cultura ocidental. Se você já leu algum dos livros dessa lista, peço que você considere a possibilidade de lê-lo de novo. S. Lewis escreveu, certa feita: “A marca registrada de uma pessoa iletrada é considerar o ‘já lido’ como um argumento decisivo contra a releitura de uma obra.  Os que leem grandes livros lerão a mesma obra 10, 20 ou 30 vezes no curso de sua vida.” Peço também, com insistência , que você possa ler esses livros, e muitos outros, com suas famílias, em suas paróquias e em suas comunidades. Que possam surgir clubes católicos de leitura e círculos literários, compostos  pelos nossos católicos do dia a dia, que possam ler e refletir sobre belas histórias e ideias importantes. A leitura, no mundo moderno, é um empreendimento solitário. Mas, na maior parte da história, os livros foram lidos em voz alta, e as narrativas eram ouvidas ao pé da lareira, na mesa de jantar ou durante caminhadas. As ideias germinam melhor quando são compartilhadas; costumam ter mais importância quando as compartilham a comunidade. A linguagem desses livros pode parecer esquisita e soar estranha à época moderna. Mas, por favor, não desanima. Persevera! Você pode não compreender tudo o que lê; pode ser tentado a abandonar esse livro e ir atrás de algum outro. No entanto, seguir em frente com a boa literatura tem suas recompensas. Quanto mais frequentemente enfrentamos obras desafiadoras, mais forte se torna a nossa inteligência e a nossa imaginação — cada vez mais claramente se desvenda a beleza dos personagens, das histórias e da abundante providência divina. Minha esperança, com esse ensaio, é estimular a imaginação, abrir a consciência e encorajar vocês — cada um de vocês —, a “nascer de novo pelo assombro”; maravilharem-se, em seus corações e em sua imaginação, na glória do Senhor. (James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015) https://www.ncregister.com/images/documents/Literature_Section_053115.pdf

  • Papa São Zeferino (198-217)

    Festa: 26 de Agosto J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. pp. 13-14

  • Papa São Vitor I (189-98)

    Festa: 28 de Julho J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. p. 12

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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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