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Os primeiros dias da Semana Santa Bizantina

21 de abr. de 2018
3 min de leitura

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Antigo e Novo Testamento descrevem a relação de Deus com seu povo e com cada batizado como uma relação esponsal; a vida das diversas igrejas cristãs continuou e desenvolveu esta dimensão esponsal na vida litúrgica, monástica e na eclesiologia, e especialmente nos três primeiros dias da Semana Santa na tradição bizantina, é destacada a figura de Cristo esposo e, portanto, as bodas de Deus com a Igreja, com a humanidade.

O ícone «do Esposo» representa a Cristo sofrente e é chamado também de « a máxima humilhação », fazendo referência implícita ao texto do capítulo segundo da carta aos Filipenses. Um dos tropários do ofício deste dia canta: « Eis que o Esposo vêm no meio da noite, ¡ feliz o servo que se encontra vigilante, indigno aquele servo que se encontra negligente! ¡Vela minha alma, não se deixe oprimir pelo sonho, para não ser entregue à morte e expulsão do Reino! Do contrário, vigiando, grita: Santo, Santo, Santo és tú, oh Deus; tem piedade de nós.

O texto litúrgico destaca três aspectos importantes. O primeiro é a espera do Esposo; a espera do velho Adão , expulso do Paraíso simbolicamente no inicio da Quaresma,que se faz agora mais presente com o uso da imagem evangélica da chegada e o encontro com o esposo, um Esposo cujo tálamo nupcial é sua Cruz. O segundo aspecto é a analogía entre o sonho e a morte. A chegada do Esposo para o cristão é o momento de sua passagem : O Esposo chegará numa hora que o servo não o conhece, e por isso, lhe pede vigilância. O terceiro aspecto é o das bodas divinas e da absoluta indignidade do homem, que pode entrar na câmara nupcial, o Reino, somente graças à luz que vem de Cristo por meio do batismo.

Unidos à dimensão esponsal de Cristo, encontramos alguns tropários sublinhando a pobreza e o aniquilamento de Cristo por meio da Encarnação: ” Vim para servir a Adão tornado pobre, de cuja forma voluntariamente me revesti, eu, o Criador, rico pela divindade. O primeiro entre vós que seja vosso servidor de todos, o que governa tal como o que é governado, e o eleito tal como o último. Eu, de fato, vim para servir a Adão feito pobre e dar minha vida em resgate de muitos.”

Com a parábola das dez virgens nas vésperas da terça- feira santa a liturgia bizantina exorta a espera e a custódia do azeite nas lâmpadas do próprio coração: «Mandemos Para longe de nós a indolência, e com as lâmpadas acendidas vamos com hinos ao encontro de Cristo, esposo imortal. Quantos haveis recebido de Deus o mesmo poder da graça, multiplicai- vos o talento com a ajuda de Cristo que vo- los deu, salmodiando : Bendizei obras do Senhor ao Senhor. Sonolento pela indolência da alma, oh Cristo esposo, não tenho a lâmpada acesa, a lâmpada das virtudes, e são [as virtudes?] semelhantes às virgens néscias, porque vão daqui para ali quando é tempo de obrar. Não me cerres, oh soberano, as entranhas de tua misericórdia, mas desperta-me, despojando-me deste sono tenebroso, e faz-me entrar em teu tálamo, juntamente com as virgens sensatas, onde ressoam árias de gente em festa.

Os três primeiros dias da Semana Santa se concluem com o canto de um tropário que, retomando o texto esponsal, lhe dá já uma clara dimensão também batismal unida com a Páscoa: «Vejo teu tálamo adornado, oh meu Salvador, e não tenho as vestes para entrar. ! Faz resplandecer as vestes da minha alma, oh tú que dás a luz, e salva- me!».

(Publicado por Manuel Nin em l’Osservatore Romano no dia 1 de abril de 2012); Tradução do Espanhol : David Nesta

 
 
 

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