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- CNBB NO BANCO DOS RÉUS: grana, poder e heresia
É ano dos leigos, mas também de eleições presidenciais! Chegou a hora de conhecer a fundo as ligações político-financeiras e as contradições doutrinárias da cúpula da CNBB. Finalmente a máscara caiu! (CORREÇÃO: o Domingo de Ramos é uma semana ANTES, portanto, dia 25 de março.) Nunciatura Apostólica no Brasil – Dom Giovanni D’Aniello Tel: (61) 3223-0794 ou (61) 3223-0916 E-mail: nunapost@solar.com.br #Banco #grana #heresia #poder
- CAPÍTULO II ERROS DOS MINISTROS [PROTESTANTES] ACERCA DA NATUREZA DA IGREJA Artigo 1º – A Igreja c
Pelo contrário, senhores, a Igreja que contradisse e se opôs aos vossos primeiros ministros e que continua se opondo aos de hoje, encontra-se tão bem caracterizada por todos os lados, que ninguém, por cego que possa ser, pode pretender se eximir por causa da ignorância, do dever que todos os bons cristãos têm de seguí-la, nem de crer que é a verdadeira, única, inseparável e mui querida Esposa do Rei celeste, o que torna vossa separação muito mais injustificável, pois deixar a Igreja e contradizer os seus decretos é converter-se sempre em ‘ethnico’ e ‘publicano’ (cf. Mateus 18,17), mesmo se fosse pelo persuasão de um anjo ou serafim (cf. Gálatas 1,8); porém, ceder à persuasão de homens claramente pecadores, como os demais, sem autoridade, sem licença, sem quaisquer das qualidades exigidas para os pregadores e profetas, fora do simples conhecimento de certas ciências, e romper todos os vínculos e a mais religiosa obrigação de obediência que existe no mundo, que é a que se deve à Igreja como Esposa de Nosso Senhor, é uma falta que não pode ser reparada senão por um grande arrependimento e penitência, aos quais vos convido da parte do Deus vivo. Os adversários, que percebem que nesta prova sua doutrina deve ser reconhecida como lei sem valor, tentam desviar a nossa atenção da prova invencível dos sinais da verdadeira Igreja e pretendem, portanto, manter que a Igreja é invisível e, por consequência, incogniscível. Creio que isto é o cúmulo do absurdo, e que ao lado disso se situam imediatamente o delírio e a raiva. Por dois caminhos diferentes carregam sua opinião da pretensa invisibilidade da Igreja, pois alguns dizem que é invisível porque é composta apenas por pessoas eleitas e predestinadas, enquanto que outros atribuem esta invisibilidade à escassez e dissipação dos crentes e fiéis. Para os primeiros,a Igreja é, em todos os tempos, invisível; e os segundos dizem que esta invisibilidade durou cerca de mil anos, mais ou menos, isto é, desde São Gregório até Lutero, ou seja, durante o tempo em que o Pontificado era pacífico no Cristianismo; pois eles dizem que durante esse tempo existiram muitos cristãos verdadeiros em segredo, que não descobriram suas intenções e se contentaram em servir assim a Deus encobertamente. Esta teologia é tão imaginária e nociva que os outros preferiram dizer que durante esses mil anos a Igreja não foi visível nem invisível, mas que foi abolida e afogada pela impiedade e idolatria. Permiti-me – eu vos peço – que eu diga livremente a verdade: todos esses discursos se ressentem do excesso de delírio; são sonhos que se têm em estado de vigília e não valem mais do que aquele que teve Nabucodonosor dormindo; são também totalmente contraditórios, se formos crer na interpretação de Daniel, pois Nabucodonosor viu “uma pedra talhada de um monte, sem obra de mãos [humanas], que veio rolando e derrubou a grande estátua e cresceu de tal forma que, convertida em montanha, preencheu toda a terra” (Daniel 2,34-35). E Daniel o interpretou no sentido do Reino de Nosso Senhor, que permanecerá eternamente (cf. Daniel 2,44). Se é como uma montanha e tão grande que preenche a terra, como poderia ser invisível ou secreta? E se dura eternamente, como poderia deixar de existir por mil anos? E não cabe dúvida de que esta passagem trata do Reino da Igreja militante, pois, em primeiro lugar, o da triunfante preencherá o céu e não apenas a terra; e não remontará ao tempo dos outros Reinos, segundo a interpretação de Daniel, a não ser após a consumação dos século. Ademais, o fato [dessa pedra] ser talhada da montanha, sem obra de mãos [humanas] pertente à geração temporal de Nosso Senhor, segundo o qual foi concebido no ventre da Virgem e gerado de sua própria substância, sem obra humana, apenas pela bênção do Espírito Santo. Assim, ou Daniel profetizou mal ou erram os adversários da Igreja Católica quando dizem que a Igreja é invisível ou encontra-se oculta e abolida. Tende paciênciua, em nome de Deus, e já iremos colocar ordem e, brevemente, demonstrar a vaidade dessas opiniões. Contudo, antes disso, é necessário dizer o que é a Igreja. ‘Igreja’ vem da palavra grega que quer dizer ‘chamar’; portanto, significa uma Assembleia ou Companhia de pessoas chamadas: ‘Sinagoga’ quer dizer, apropriadamente, ‘rebanho’. A Assembleia dos judeus foi chamada ‘Sinagoga’; a dos cristãos chama-se ‘Igreja’. Daí que os judeus estiveram como um rebanho no redil, unido e misturado pelo terror, enquanto que os cristãos são reunidos pela Palavra de Deus e são chamados juntos na união da caridade pela pregação dos Apóstolos e seus sucessores; acerca disso, diz Santo Agostinho: “A Igreja tem seu nome da convocação; a Sinagoga, do rebanho. Isto porque o ser convocado pertence mais aos homens e o ser amontoado pertence mais ao rebanho” (In Inchoata Expos. Ep. ad Rom. et in Psalm 81,1). Com justo título ‘Igreja’ ou ‘convocação’ foi chamado o povo cristão, porque o primeiro benefício que Deus fez ao homem, para colocá-lo na graça, foi chamar-lhe à Igreja, que é o primeiro efeito de sua predestinação: “Aqueles a quem predestinou, chamando-os”, dizia São Paulo aos Romanos (8,30); e aos Colossenses (3,15): “E a paz de Cristo bate em vossos corações, na qual fostes chamados a um corpo”. Ser “chamados a um corpo” é ser “chamados à Igreja” e, nestas analogias que Nosso Senhor propõe em São Mateus (20,1.16; 22,2.4), da vinha e do banquete com a Igreja, aos operário da vinha e aos convidados para as bodas, dá-se o nome de ‘chamados’ ou ‘convocados’. Diz: “Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos). Os atenienses chamavam ‘igreja’ à convocação dos cidadãos; à convocação dos estrangeiros, davam outro nome; disto se segue que a palavra ‘Igreja’ convém propriamente aos cristãos que “já não são penetras e passageiros, mas concidadãos dos Santos e servidores de Deus” (Efésios 11,19). Daí provém a palavra ‘Igreja’ e eis aí também a sua definição. A Igreja é uma Santa (cf. Efésios 5,27) universidade ou companhia geral de homens unidos (cf. Tobias 11,52; Ad Eph. 4,4 (Cyp). Deimitute Ecclesiae) e recolhidos na profissão de uma mesma fé cristã, na participação dos mesmos pensamentos e benefícios (cf. 1Coríntios 10,16; Hebreus 7,11), e na obediência (cf. Tobias 10,16; 21,17) de um mesmo vigário e tenente-geral na terra de Nosso Senhor Jesus Cristo, e sucessor de São Pedro, sob o cargo dos legítimos Bispos (cf. Efésios 4,11-12). Como disse, antes de mais nada, era uma Santa Assembleia ou Companhia, daí sua santidade interior…* Quero falar da Igreja militante, da qual a Escritura nos deixou testemunhos, diferente da que propõem os homens. Pois bem: em toda Escritura não se encontrará jamais que a Igreja tenha sido tomada por assembleia invisível. Eis aqui as nossas razões, expostas de maneira simples: 1ª) Nosso Senhor e Mestre nos remte à Igreja em nossas dificuldades e divisões (cf. Mateus 18,16-17). São Paulo ensinou Timóteo como é necessário dialogar nesta (cf. 1Timóteo 3,15); mandou chamar os anciãos da Igreja de Mileto (cf. Atos 20,17) e os fez saber que eram constituídos pelo Espírito Santo para reger a Igreja (cf. Atos 20,28); foi enviado pela Igreja com São Barnabé e recebido pela Igreja (cf. Atos 20,3-4.22); confirmou as igrejas (cf. Atos 20,41), constituiu sacerdotes para as igrejas e congregou a Igreja (cf. Atos 14,22.26); saudou a Igreja da Cesareia (cf. Atos 18,22) e [chegou a] perseguir a Igreja (cf. Gálatas 1,13). Como seria possível entender tudo isso se a Igreja fossa invisível? Onde a procuraria para reclamar perante ela, para dialogar nela ou para regê-la? Quando ela enviava São Paulo ou o recebia; quando ele a confirmava, a provia de sacerdotes, a saudava ou perseguia, era figurativamente ou apenas por fé e em espírito? Creio que ninguém deixe de ver nitidamente que todos esses efeitos são visíveis e perceptíves de uma e de outra parte. E quando escrevia [para a Igreja](cf.Gálatas 1,2; 2Coríntios 1,1-2), dirigia-se por acaso para qualquer fantasia invisível? 2ª) O que dirão aos Profetas, que representam a nós não apenas como Igreja visível mas também clara, ilustre, manifesta e magnífica? Eles a pintam como “uma rainha adornada de vestes de ouro em camadas, com uma bela variedade de riquezas (cf. Salmo 44,10.14), como uma montanha (cf. Isaías 1,2; Miqueias 4,1-2), como um sol, como uma lua cheia, como o arco-íris, testemunha fiel e certa do favor de Deus para com os homens, que são todos da posterioridade de Noé, como diz o Salmo em nossa versão [latina]: “Et thronus eius sicut sol in conspectu meo, et sicut luna perfecta in aeternum, et testis in coelo fidelis” (Salmo 88,37; v.tb. Cântico 6,9; Gênesis 9,13). 3ª) A Escritura atesta em todas as suas passagens que a Igreja pode ser vista e conhecida. Mais ainda: que é cogniscível. Salomão, nos Cãnticos (6,8), falando da Igreja, não diz: “As filhas a viram e pregaram-na por bem-aventurada”? E depois, inserindo suas filhas nela, não as faz dizer: “Quem é esta que vem e se produz como a aurora da manha, bela como a lua, eleita como o sol, terrível como um esquadrão de soldados bem ordenado” (Cântico 6,9)? Tudo isso não é declará-la visível? E quando é chamada assim: “Volta, volta, Sulamina; volta, volta, para que te vejam”, e ela responde: “O que é que vês nesta Sulamina, senão as tropas dos exércitos?” (Cântico 7,1); isto também não é declará-la visível? Quem quer que considere estes admiráveis Cânticos e representações pastoris dos amores do Esposo celeste com a Igreja, verá que esta é sempre visível e relevante. Isaías (35,8) fala assim acerca dela: “Em vós há um caminho reto e aqueles que por ele andem não se extraviarão”; não será, portanto, necessário que a Igreja seja patente e fácil de conhecer, visto que as pessoas mais simples sabem chegar até ela sem se enganar? 4ª) Os pastores e doutores da Igreja são visíveis; logo, a Igreja é visível. Dizei-me agora, eu vos rogo: sendo os pastores da Igreja uma parte da Igreja, não será necessário que os pastores e as ovelhas se reconheçam entre si? E não será preciso, ademais, que as ovelhas escutem a voz do pastor e o sigam (cf. João 10,4)? E, assim mesmo, não será necessário para o bom pastor buscar a ovelha extraviada, conhecer a sua marca e o seu redil? Seria, com efeito, uma espécie particular de pastores aquela que não soubesse reconhecer, nem enxergar o seu rebanho. Não sei se é necessário eu provar que os pastores são visíveis, pois vemos negar tantas coisas igualmente claras! São Pedro era pastor – assim eu creio – pois Nosso Senhor lhe disse: “Apascenta as minhas ovelhas” (João 21,17). Os Apóstolos também o eram, e eram vistos (cf. Mateus 1,16). Acredito que a aqueles a quem São Paulo disse: “Tende cuidado de vós e de todo o rebanho, do qual o Espírito Santo vos constitui para reger a Igreja de Deus” (Atos 20,28), foram vistos e quando, como bons filhos, se lançaram ao colo desse bom pai, beijando e banhando seu rosto com suas lágrimas (cf. Atos 20,37), creio que ele (=São Paulo) os tocou, sentiu e enxergou; e o que mais me faz crer assim é que eles lamentaram muito sua partida, porque havia dito para eles que não mais veriam a sua face (cf. Atos 20,38). Portanto, eles viram São Paulo e São Paulo viu todos eles. E mais: Zwínglio, Ecolompádio, Lutero, Calvino, Beza, Múscule são visíveis e, quanto aos últimos, ainda há muitos que os viram e são chamados “pastores” por seus sectários. Se é possível ver os pastores, consequentemente se dá o mesmo com as ovelhas. 5ª) É próprio da Igreja ter a seu cargo a verdadeira pregação da Palavra de Deus e a verdadeira administração dos Sacramentos. Tudo isto não é visível? Então como poderiámos querer que o sujeito fosse invisível? 6ª) Não sabemos que os Doze Patriarcas, filhos do bom Jacó, foram a fonte viva da Igreja de Israel e que quando seu pai os reuniu para abençoá-los (cf. Gênesis 49,1-2), viu todos eles e também eles viram uns aos outros? Mas por que me entretenho em citar estes exemplos? Porque toda a História Sagrada testemunha que a antiga Sinagoga foi visível. Então por que a Igreja Católica não deveria sê-lo? 7ª) Assim como os Patriarcas, pais da Sinagoga e de quem Nosso Senhor nasceu segundo a carne (cf. Romanos 9,5), fizeram a Igreja judaica visível, também os Apóstolos, com seus discípulos, filhos da Sinagoga segundo a carne e [filhos] de Nosso Senhor segundo o Espírito, deram origem visível à Igreja Católica, segundo o Salmista: “Por teus pais te nasceram filhos; tu os constituirás príncipes sobre toda a terra” (Salmo 44,17). Diz Arnóbio: “Por Doze Patriarcas te nasceram Doze Apóstolos” (Comment. Super Psalm., in Psalm. 85). Reunidos em Jerusalém com o reduzido séquito de seus discípulos e com a gloriosíssima Mãe do Salvador, estes Apóstolos fizeram a verdadeira Igreja. E como? Sem dúvida nenhuma, visível; mas visível de tal modo que o Espírito Santo veio regar visivelmente aquelas santas plantas e rebentos do Cristianismo (cf. Atos 2,8). 8ª) Como os judeus se alistavam no povo de Deus? Pela circuncisão, sinal visível; e nós: pelo batismo, sinal visível. Por quem os antigos foram governados? Pelos sacerdotes aarônicos, pessoas visíveis; e nós: pelos Bispos, pessoas visíveis. Quem pregou aos antigos? Os profetas e doutores, visivelmente; para nós, nossos pastores e pregadores, também visivelmente. Qual comida religiosa e sagrada tinham os antigos? O cordeiro pascal e o maná, tudo isso visível; e nós, o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, sinal visível ainda que de coisa invisível. Por quem a Sinagoga foi perseguida? Pelos egípcios, babilônios, madianitas, filisteus, todos estes povos visíveis; e a Igreja, pelos pagãos, turcos, mouros, sarracenos, hereges, todos também visíveis. Ó Deus de bondade: ainda questionaremos se a Igreja é visível? Contudo, o que é a Igreja? Uma assembleia de homens de carne e osso. E diremos, todavia, que nada mais é que um espírito ou fantasma, que parece visível mas não o é senão por ilusão? Não, não! O que, portanto, isto vos perturba e de onde procedem esses pensamentos? Olhai para as vossas mãos, olhai para os vossos ministros, oficiais e governadores; vede seus pés, olhai vossos pregadores percorrendo do leste ao oeste, do sul ao norte: todos são de carne e osso. Tocai e vinde como filhos humildes atirar-vos ao colo desta doce mãe. Vede, considerai bem a ela, pois todo o seu corpo é belo; e vereis que é visível, pois uma coisa espiritual é invisível, não tem carne nem ossos, como enxergas que ela tem (cf. Lucas 24,38-39). Eis aqui as nossas razões, que são boas e à toda prova. Porém, vossos ministros opõem algumas objeções que retiram, segundo lhes parece, da Escritura, muito fáceis de se rebater, desde que se considere o seguinte: Primeiramente, Nosso Senhor tinha em sua humanidade duas partes: o corpo e a alma; do mesmo modo a Igreja, sua Esposa, tem duas partes: uma interior, invisível, que é como a sua alma – a fé, a esperança, a caridade, a graça – e outra exterior, visível como o corpo – a confissão da fé, os louvores e cânticos, a pregação, os Sacramentos, o Sacrifício. Com efeito, tudo o que se faz na Igreja tem seu exterior e interior: a oração interior e exterior (cf. Icoríntios 14,15); a fé que preenche o coração de segurança e a boca de confissão (cf. Romanos 10,9); a pregação que se faz exteriormente para os homens, mas que requer para isso a luz secreta do Pai celeste, pois é necessário sempre ouvi-la e aprender Dele antes de vir até o seu Filho (cf. João 6,44-45); e, quanto aos sacramentos, o sinal neles é exterior, porém a graça é interior. Quem não sabe disso? Eis aí, portanto, o interior e o exterior da Igreja. A maior beleza encontra-se dentro; o que se enxerga não é tão excelente, como dizia o Esposo do Cântico dos Cânticos (4,1): “Teus olhos são olhos de pomba sem o que se encontrar oculto em seu interior; o mel e o leite encontram-se sob a tua língua”, isto é, em teu coração: esse é o interior (cf. Cântico 4,11); “e o odor dos teus vestidos, como o odor do incenso”: eis o serviço exterior. E diz o Salmista: “Toda a glória desta filha real está por dentro…” (Salmo 44,14), isto é, no interior; “…revestida por diversas espécies de franjas de ouro” (Salmo 44,15): eis o exterior. Em segundo lugar, devemos considerar que tanto o interior quanto o exterior da Igreja, podem ser chamados de ‘espiritual’, mas de maneira distinta, pos o interior é puramente espiritual, por sua própria natureza; o exterior, por sua própria natureza é corporal, mas como tende e olha para o interior espiritual, é também chamado ‘espiritual’, como o faz São Paulo (Gálatas 6,1) acerca dos homens que tinham o corpo sujeito ao espírito, ainda que fossem corporais; e porque mesmo quando uma pessoa seja particular por sua natureza, se ela se dedica aos cargos públicos – como, por exemplo, os juízes – é também chamada ‘pública’. Agora, se é dito que a Lei Evangélica foi gravada nos corações, interiormente, e não sobre as tábuas de pedra, exteriormente, como diz Jeremias (31,83), deve-se reponder que no interior da Igreja e em seu coração encontra-se todo o principal da sua glória; que não deixa de resplandecer até mesmo no exterior, que a faz ser vista e reconhecida. Com efeito, quando se diz no Evangelho que “ chegarará a hora em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade” (João 4,23), se nos está ensinando que o interior é o principal e que o exterior é vão se não tender e não for para o interior, para aqui se espiritualizar. Do mesmo modo, quando São Pedro chama a Igreja de ‘casa espiritual’ (1Pedro 2,5) é porque tudo o que parte da Igreja tende à vida espiritual; porque a sua maior glória é interior, ou melhor, porque não é uma casa feita de cal e areia, mas uma casa mística de pedras vivas para a qual a caridade serve de fundamento. A Santa Palavra diz que “o Reino de Deus não vem com observação” (Lucas 17,20): o Reino de Deus é a Igreja, logo a Igreja é invisível. Resposta: o Reino de Deus, nesta passagem, é Nosso Senhor com a sua graça, ou, se preferirdes, a companhia de Nosso Senhor enquanto esteve no mundo, do que se segue: “pois eis aqui o Reino de Deus que está entre vós” (Lucas 17,21); e este Reino não compareceu aqui com o aparato e o fausto de uma magnificência mundana, como acreditavam os judeus, pois, como foi dito, a joia mais bela desta filha de reis encontra-se dentro, oculta, e não pode ser vista. E quanto ao que São Paulo disse aos Hebreus (12,18.22), “nós não viemos a uma montanha apalpável, como a do Sinai, mas a uma Jerusalém celeste”, não tem o objetivo de tornar invisível a Igreja, pois São Paulo ensina nesta passagem que a Igreja é mais magnífica e mais rica que a Sinagoga, não sendo uma montanha natural como a do Sinai, mas mística; disto não se segue qualquer invisibilidade. Ademais, pode-se dizer, com razão, que ele fala na verdade da Jerusalém celeste, isto é, da Igreja triunfante, pois ele acrescenta a “multidão dos anjos”, como se quisesse dizer que, na Lei antiga, Deus foi visto, na montanha, de um modo aterrador e que, na Nova, nos conduz para vê-Lo em sua glória no mais alto dos céus. Por fim, eis aqui o argumento que cada um diz, gritanto, ser o mais forte: creio na Santa Igreja Católica; se eu creio nela, eu não a vejo; logo, a Igreja é invisível. Há alguma coisa no mundo algo mais frágil do que esse fantasma da razão? Os Apóstolos não creram que Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou e, no entanto, o viram? Ele mesmo disse a São Tomé: “Creste porque me viste” (João 20,29); e para convertê-lo em crente, disse-lhe: “Olha minhas mãos e coloca tua mão no meu lado, e já não sejas incrédulo, mas fiel” (João 20,27). Vede, pois, como a visão não impede a fé, mas a produz; pois São Tomé viu uma coisa e acreditou em outra: viu o corpo e acreditou no espírito e na divindade, pois a vista não o ensinou a dizer “Meu Senhor e meu Deus” (João 20,28), mas a fé. Assim, crê-se no Batismo para a remissão dos pecados: vê-se o Batismo, mas não a remissão dos pecados. Vê-se a Igreja, mas não a sua santidade interior. Vê-se seus “olhos de pomba”, mas não se crê no “que está oculto dentro deles” (Cântico 4,1). Vê-se sua “túnica ricamente ornada com uma beja variedade de franjas de ouro” (Salmo 44,14-15), mas o mais claro resplendor de sua glória encontra-se dentro e nisto cremos. Há, nesta Esposa real (=a Igreja), [recursos para] recriar o olho interior e o exterior, a fé e os sentidos; e tudo isso é assim para a maior glória do seu Esposo (=Jesus Cristo). #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #humanismo #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #SãoFranciscodeSales #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja
- LIVRES DA MORTE – 2º Domingo da Quaresma
PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Gênesis 22,1-2.9a.10-13.15-18) A obediência até a morte Naqueles dias, Deus pôs Abraão à prova. Chamando-o, disse: “Abraão!” E ele respondeu: “Aqui estou”. E Deus disse: “Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirige-te à terra de Moriá e oferece-o aí em holocausto sobre um monte que eu te indicar”. Chegados ao lugar indicado por Deus, Abraão ergueu um altar, colocou a lenha em cima, amarrou o filho e o pôs sobre a lenha, em cima do altar. Depois, estendeu a mão, empunhando a faca para sacrificar o filho. E eis que o anjo do Senhor gritou do céu, dizendo: “Abraão! Abraão!” Ele respondeu: “Aqui estou!” E o anjo lhe disse: “Não estendas a mão contra teu filho e não lhe faças nenhum mal! Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu filho único”. Abraão, erguendo os olhos, viu um carneiro preso num espinheiro pelos chifres; foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto no lugar do seu filho. O anjo do Senhor chamou Abraão, pela segunda vez, do céu, e lhe disse: “Juro por mim mesmo — oráculo do Senhor —, uma vez que agiste deste modo e não me recusaste teu filho único, eu te abençoarei e tornarei tão numerosa tua descendência como as estrelas do céu e como as areias da praia do mar. Teus descendentes conquistarão as cidades dos inimigos. Por tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra, porque me obedeceste”. SALMO 115 Crer mesmo nas provações (Antífona): Andarei na presença de Deus, junto a ele na terra dos vivos. Guardei a minha fé, mesmo dizendo: “É demais o sofrimento em minha vida!” É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos. Eis que sou o vosso servo, ó Senhor, vosso servo que nasceu de vossa serva; mas me quebrastes os grilhões da escravidão! Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor. Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido; nos átrios da casa do Senhor, em teu meio, ó cidade de Sião! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Romanos 8,31b-34) Jesus, obediente até a morte Irmãos: Se Deus é por nós, quem será contra nós? Deus, que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos daria tudo junto com ele? Quem acusará os escolhidos de Deus? Deus, que os declara justos? Quem condenará? Jesus Cristo, que morreu, mais ainda, que ressuscitou, e está à direita de Deus, intercedendo por nós? EVANGELHO (São Marcos 9,2-10) Jesus transfigurado antes da morte Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e os levou sozinhos a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar. Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus. Entã o Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo. Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles. Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. Eles observaram essa ordem, mas comentavam entre si o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”. LIVRES DA MORTE (Comentário de Scott Hahn) O tempo da Quaresma continua com outra narrativa sobre provação. No domingo passado, lemos as tentações de Jesus no deserto. A primeira leitura deste domingo fala sobre a provação de Abraão. A Igreja sempre viu nessa história um sinal do amor de Deus, que “entregou o seu único Filho” (Jo 3,16). Na epístola, São Paulo lembra que Deus, como Abraão (Gn 22,16) “não poupou seu próprio Filho, mas que por todos nós o entregou ” (Rm 8, 32). O evangelho retoma essa figura. Jesus é chamado de “o Filho Amado” de Deus, assim como Isaac é descrito como o amado filho único de Abraão (v. Gn 22, 2) Essas leituras nos são oferecidas na Quaresma para nos revelar a identidade de Cristo e nos fortalecer diante de nossas tribulações. Jesus é mostrado como o verdadeiro filho, a quem Abraão se alegrou em contemplar (v. Mt 1,1; Jo 8, 56). Em sua transfiguração, Jesus revela ser “o profeta como Moisés” prometido por Deus — suscitado do meio do Povo de Deus —, que fala com a autoridade do próprio Senhor (v. Dt 18,15.19). Como Moisés, Jesus também subiu a montanha com três amigos, cujos nomes encontramos no texto, e que viram a glória de Deus em uma nuvem (v. Ex 24,1.9.15). Jesus é Aquele que foi profetizado, Aquele que viria após o retorno de Elias (v. Eclo 48, 9-10; Ml 3,1, 23-24). Além disso, como Ele mesmo revela aos seus apóstolos, Jesus é o Filho do Homem enviado para sofrer e morrer pelos nossos pecados (v. Is 53,3). Como cantamos no salmo deste domingo, Jesus acreditou mesmo no momento de sua aflição e Deus o libertou dos laços da morte (v. Salmos 116, 3). Sua ressurreição deve nos dar a coragem de enfrentar nossas provações e oferecer-nos totalmente ao Pai, como Ele fez, e como o fizeram Abraão e Isaac. Libertados da morte por Sua morte, vamos a essa Missa para oferecer um sacrifício de ação de graças e renovar nossas promessas como Seus servos fiéis. https://stpaulcenter.com/bonds-loosed-scott-hahn-reflects-on-the-second-sunday-of-lent/ https://stpaulcenter.com/libres-de-ataduras-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-2o-domingo-de-cuaresma/
- DOUTRINA CATÓLICA X DOUTRINA DA CNBB – PORTE DE ARMAS
Quando é que o povo católico vai compreender que o ensinamento da CNBB sobre porte de arma não corresponde a doutrina católica? A CNBB (PT) diz: “Temos que apoiar o desarmamento da população, pois armas geram violência… Não podemos apoiar candidatos (Bolsonaro) que são a favor do porte de arma…” O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA (2265) ensina: “A legítima defesa pode ser não somente um direito, mas até um grave dever para aquele que é responsável pela vida de outrem. Defender o bem comum implica colocar o agressor injusto na impossibilidade de fazer mal. É por esta razão que os detentores legítimos da autoridade têm o direito de recorrer mesmo às armas para repelir os agressores da comunidade civil confiada à sua responsabilidade.” Os católicos irão seguir a quem: a CNBB ou a IGREJA CATÓLICA? Equipe Templário de Maria Leia também:CNBB: CADA VEZ MAIS PERTO DO PT…CADA VEZ MAIS LONGE DO POVO DE DEUS #CNBB
- DOUTRINA CATÓLICA X DOUTRINA DA CNBB – PORTE DE ARMAS
Quando é que o povo católico vai compreender que o ensinamento da CNBB sobre porte de arma não corresponde a doutrina católica? A CNBB (PT) diz: “Temos que apoiar o desarmamento da população, pois armas geram violência… Não podemos apoiar candidatos (Bolsonaro) que são a favor do porte de arma…” O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA (2265) ensina: “A legítima defesa pode ser não somente um direito, mas até um grave dever para aquele que é responsável pela vida de outrem. Defender o bem comum implica colocar o agressor injusto na impossibilidade de fazer mal. É por esta razão que os detentores legítimos da autoridade têm o direito de recorrer mesmo às armas para repelir os agressores da comunidade civil confiada à sua responsabilidade.” Os católicos irão seguir a quem: a CNBB ou a IGREJA CATÓLICA? Equipe Templário de Maria Leia também:CNBB: CADA VEZ MAIS PERTO DO PT…CADA VEZ MAIS LONGE DO POVO DE DEUS #CNBB
- EMBLEMA DO CAVALEIRO KADOSH
Esta figura diz: “morte à nobreza, aos Reis e ao Papa.” Dom Vital denunciou os planos deles: “estrangularemos o último monarca católico com as tripas do último sacerdote”. Ódio àTiara,ou Trirregno,na sua máxima expressão neste emblema do Cavaleiro Kadosk do 30 grau da Maçonaria de Rito Escocês Antigo e Aceite. As três caveiras representam a morte da Nobreza (representada pelos louros na fronte), dos Reis (representada pela caveira coroada) e do Papa (representada pela caveira envergando a Trirregnum). A faixa preta representa a igualdade de todos os homens na morte, desde os cavalheiros até os homens comuns. A Águia Bicéfala bem poderia representar o Império Romano do Oriente. No entanto, percebe-se que ela também é bicolor. Ela representa a própria Roma, no seu aspecto negativo, de prostituta. Roma é a sede da Igreja de Deus E a sede do Anticristo, conforme nos revela Nossa Senhora. A águia também enverga uma coroa, demonstrando a sua soberania sobre si e os seus subditos, e carrega uma espada, que significa que irá julgar a todos os seus integrantes, condenando-os. A estrela de sete pontas no meio da imagem, bem como as sete pontas de arma ao redor do cavaleiro, representam o espírito do desperto, enquanto que os sete fantasmas ao redor da caveira representam o espírito do adormecido, representando que há maçons de grau 30 despertos E adormecidos e, ainda, que é com a morte que começa o despertar. Finalmente, a cruz representa a divindade de Cristo, negada pelo número “30”, que representam os trinta anos em que Jesus viveu como um homem na Galiléia, “coincidentemente” o número do grau referido. Por fim, há o punhal por detrás do mantel, que eu não revelo o significado. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #maçonaria #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Gnosticismo #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte
- O Assassinato de Deus (1). The Murder of God (1)
Version in English at the bottom Dizem que um dia, Napoleão Bonaparte, o todo poderoso imperador francês, perguntou a Laplace, o todo influente astrônomo e matemático: – Qual o lugar de Deus no seu universo? Laplace, do alto da sua arrogância, teria respondido: – O meu universo não precisa da hipótese de Deus! Na esteira de Laplace, o demônio recrutou outros “matadores de Deus”: Kant, Feuerbach, Marx, Nietzche, Darwin, Freud e, mais recentemente, Dawkins e outros que fazem grande sucessso propagando que Deus não existe e a religião é apenas uma ilusão. Uma análise crítica do trabalho destes “cientistas” e “filósofos” no entanto, revela pontos interessantes. Primeiro, todos eles substituiram Deus em seus sistemas ou esquemas mentais por outros princípios: uns pela matéria (somente a matéria existe!), outros pela mente humana (eu crio o mundo com o meu intelecto) e outros ainda pelo princípio de que nada existe e somos apenas uma ilusão. Marx, por exemplo, construiu a hipótese do “materialismo dialético“: a matéria é o substrato único do universo e sua “evolução dialética” é responsável pelo aparecimento da vida e da razão humana. O homem não tem alma, apenas um conjunto de neurônios que produzem uma consciência. A esta tese aderiram inúmeras outras correntes do pensamento, originando o “materialismo científico“, o “racionalismo“, o “materialismo histórico“, o “fisicalismo“, o “movimento ambientalista“, a “ideologia de gênero“, a noção do “politicamente correto” e outras, todas baseadas no princípio último de que Deus não existe, somente existe a “matéria” e tudo decorre dela. Invariavelmente estas ideologias modernas derivam do marxismo. Em termos lógicos simplificados significa dizer que da matéria inanimada, da sua simplicidade – uma rocha, por exemplo – surgiu toda a complexidade do mundo: a vida, a razão humana, a beleza que encontramos no mundo, a solidariedade, o amor, a fé, tudo o que conhecemos e vamos conhecer. O mundo é matéria em fluxo, como propunha Heráclito; não existe um Ser superior que sustenta o universo. Neste universo sem Deus, o homem é a medida de todas as coisas, como dizia Protágoras. Deus está morto (Nietzche); Deus é alienação do homem (Marx); Deus não é mais do que uma ilusão (Fuerbach e Dawkins). Um “mundo sem Deus” é a religião moderna, puro paganismo. Se Deus não existe, tudo é permitido. Não existe ética e moral natural, tudo é criado pelo homem e varia de acordo com as suas necessidades. A justiça é apenas um acordo de vontade dos poderosos, não existem valores absolutos. Estes são os principios que regem o mundo moderno, ou pós-moderno em que vivemos. A “religião moderna” que a cada dia ganha mais afiliados. Religião ensinada diariamente em nossas escolas e universidades, divulgadas com alarde pelos meios de comunicação de massa através de “novelas” progressistas e programas “modernos” com seres humanos enjaulados e observados em rede nacional. Essa é a religião “moderna”que mata Deus diariamente ante os olhos perplexos de muitos que permanecem estarrecidos e sem ação. Fica a grande pergunta: Como os cristãos e principalmente os católicos devem lidar com assassinato diário de Deus? (assunto para outro post) The Murder of God It is said that one day, Napoléon Bonaparte, the powerful French imperator asked to Laplace, the influent astronomer and mathematician. – What is the place of God in your universe? Laplace, from the heights of his arrogance, answered: – In my universe, there is no place for the hypothesis of God, I had no need of this. True or not, this anecdote described very well what has followed: the demon has recruited others “God Killers”: Kant, Feuerbach, Marx, Nietzsche, Darwin, Freud, and recently Richard Dawkins and Daniel Dennett, who are media stars disseminating the propaganda that God does not exist, and that religion is only an illusion. Looking critically to the published work of these “scientists” and “philosophers” however, reveals many interesting and contradictory issues. First, all of them have only substituted God in their systems or mental frameworks for other principles: ones have substituted God for the raw matter (only matter exists), others for the human mind (the world is in my mind), and other ones by a nihilist principle (nothing really exists, we are only illusions). Marx, for example, have created the hypothesis of “dialectical materialism” which postulates that matter is the very substrate of the entire universe, and its “dialectical evolution” is the only responsible for the appearance of live and human reason in earth. The human being has not a soul, he only has a neuron network in his brain that is the producer of the conscience. The materialist theses have developed other systems of though like the “scientific materialism”, “rationalism”, “historical materialism”, “physicalism”, “environmental movement”, “gender ideology” and “political correctness” movements. All of this philosophical or ideological systems are based on the principle that “God does not Exist”, the matter only exists; these systems of though and political movements are all derived from the initial thesis of Marx. In logical and simple terms the materialism implies that the inanimate matter – a rock for example – is the cause and reason for all the complexity we find in the world: life, human reason, the beauty, the solidarity, the love, the faith, everything material and immaterial that exists in the universe, known and unknown. The universe is matter in flux, as was proposed by Heraclitus; there is not a Supreme Being that supports the universe, only matter. In this material universe without God, the human being is the measure of all things as said by Protagoras. God is dead (Nietzsche), God is the alienation of man (Marx), God is no more than a delusion (Dawkins). The “world without God” is the modern new religion, pure paganism. If God does not exist, everything is allowed. There is no ethics, no natural moral, everything is made by men, and varies according their necessities. The justice is only the arrangements of the desires of the powerful, there is no absolute values. That rotten principles governs the modern and post-modern world where we live. These “modern religion” which every day growth strong and are taught in our schools and universities, and was spread with vigour by the mass media through movies, sitcoms and modern TV programs where human beings were jailed in comfortable houses only to be observed with morbid curiosity 24 h a day. That is the “modern religion”, the modern atheism that kills God every day in front of the perplexed eyes of many that remains astonished and paralyzed. At the end remains the big and disturbing question: How Christians and mainly, how we Catholics should deal with this everyday murder of God? (That is an issue for a future post)
- Cardeal Sarah diz que a comunhão na mão é um ataque de Satanás à Eucaristia
No prefácio parade um novo livro sobre o assunto o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, escreve: “O mais insidioso ataque diabólico consiste em tentar extinguir a fé na Eucaristia, semeando erros e encorajando um modo inapropriado de recebê-la. A guerra entre São Miguel e os seus anjos, de um lado, e Lúcifer, de outro, continua nos corações dos fiéis.” O novo livro, escrito por Pe. Federico Bortoli, foi lançado em italiano com o título: “A distribuição da Comunhão na mão: considerações históricas, jurídicas e pastorais” (La distribuzione della comunione sulla mano. Profili storici, giuridici e pastorali). Recordando o centenário das aparições de Fátima, Sarah escreve que o Anjo da Paz, que apareceu aos três pastorinhos antes da visita da bem-aventurada Virgem Maria, “mostra-nos como devemos receber o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo”. Sua Eminência descreve, então, os ultrajes com que Jesus é ofendido hoje na Santa Eucaristia, incluindo “a chamada ‘intercomunhão’”(prática de cristãos de diferentes confissões participarem da mesma mesa eucarística). A Providência, que dispõe sábia e suavemente de todas as coisas, oferece-nos a leitura do livro ‘A distribuição da Comunhão na mão’, de Federico Bortoli, justamente depois de havermos celebrado o centenário das aparições de Fátima. Antes da aparição da Virgem Maria, na Primavera de 1916, o Anjo da Paz apareceu a Lúcia, Jacinta e Francisco, e disse-lhes: “Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.” […] Na Primavera de 1916, na terceira aparição do Anjo, as crianças notaram que o Anjo, que era sempre o mesmo, segurava na sua mão esquerda um cálice acima do qual se estendia uma Hóstia. […] Ele deu a Hóstia consagrada a Lúcia e o Sangue do cálice a Jacinta e Francisco, que permaneceram de joelhos, enquanto lhes dizia: “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.” O Anjo prostrou-se novamente por terra, repetindo com Lúcia, Jacinta e Francisco por três vezes a mesma oração. O Anjo da Paz mostra-nos como devemos receber o Corpo e Sangue de Jesus Cristo. A oração de reparação ditada pelo Anjo, infelizmente, é tida como obsoleta. Mas quais são os ultrajes que Jesus recebe na Hóstia consagrada, e dos quais precisamos fazer reparação? Em primeiro lugar, existem os ultrajes contra o próprio Sacramento: as horríveis profanações, das quais alguns convertidos do satanismo já deram testemunho e ofereceram descrições repugnantes; são ultrajes ainda as Comunhões sacrílegas, quando não se recebe a Eucaristia em estado de graça, ou quando não se professa a fé católica (refiro-me a certas formas da chamada “intercomunhão”). Em segundo lugar, constitui um ultraje a Nosso Senhor tudo o que pode impedir o fruto do Sacramento, especialmente os erros semeados nas mentes dos fiéis a fim de que eles não mais acreditem na Eucaristia. As terríveis profanações que acontecem nas chamadas “missas negras” não atingem directamente Aquele que é ultrajado na Hóstia, encerrando-se tão somente nos acidentes do pão e do vinho. É claro que Jesus sofre pelas almas dos profanadores, almas pelas quais Ele derramou o Sangue que elas tão cruel e miseravelmente desprezam. Mas Jesus sofre ainda mais quando o dom extraordinário da Sua presença divino-humana na Eucaristia não pode levar o seu potencial efeito às almas dos fiéis. E aí nós entendemos que o mais insidioso ataque diabólico consiste em tentar extinguir a fé na Eucaristia, ao semear erros e encorajando um modo inapropriado de recebê-la. A guerra entre São Miguel e os seus anjos, de um lado, e Lúcifer, de outro, continua nos corações dos fiéis: o alvo de Satanás é o sacrifício da Missa e a Presença Real de Jesus na Hóstia consagrada. Essa tentativa de rapina segue, por sua vez, dois caminhos: o primeiro é a redução do conceito de “presença real”. Muitos teólogos não cessam de ridicularizar ou de desprezar — não obstante as contínuas advertências do Magistério — o termo “transubstanciação”. […] Vejamos agora como a fé na Presença Real pode influenciar o modo de receber a Comunhão, e vice-versa. Receber a Comunhão na mão comporta sem dúvida uma grande dispersão de fragmentos. Ao contrário, a atenção às mais pequeninas partículas, o cuidado na purificação dos vasos sagrados, o não tocar a Hóstia com as mãos sujas de suor, tornam-se profissões de fé na presença real de Jesus, ainda que seja nas menores partes das espécies consagradas. Se Jesus é a substância do Pão Eucarístico, e se as dimensões dos fragmentos são acidentes apenas do pão, pouco importa que o pedaço da Hóstia seja grande ou pequeno! A substância é a mesma! É Ele! Ao contrário, a desatenção aos fragmentos faz perder de vista o dogma: pouco a pouco poderia começar a prevalecer o pensamento: “Se até o pároco não dá atenção aos fragmentos, se administra a Comunhão de um modo que os fragmentos se podem dispersar, então quer dizer que Jesus não está presente neles, ou está ‘até um certo ponto’.” O segundo caminho em que acontece o ataque contra a Eucaristia é a tentativa de retirar, dos corações dos fiéis, o sentido do sagrado. […] Enquanto o termo “transubstanciação” nos indica a realidade da presença, o sentido do sagrado permite-nos entrever a absoluta peculiaridade e santidade do Sacramento. Que desgraça seria perder o sentido do sagrado precisamente naquilo que é mais sagrado! E como é possível? Recebendo o alimento especial do mesmo modo como se recebe um alimento ordinário. […] A liturgia é feita de muitos pequenos ritos e gestos — cada um dos quais é capaz de exprimir essas atitudes carregadas de amor, de respeito filial e de adoração a Deus. Justamente por isso é oportuno promover a beleza, a conveniência e o valor pastoral desta prática que se desenvolveu ao longo da vida e da tradição da Igreja, a saber, receber a Sagrada Comunhão na boca e de joelhos. A grandeza e a nobreza do homem, assim como a mais alta expressão do seu amor para com o Criador, consiste em colocar-se de joelhos diante de Deus. O próprio Jesus rezava de joelhos na presença do Pai. […] Nesse sentido, gostaria de propor o exemplo de dois grandes santos dos nossos tempos: São João Paulo II e Santa Teresa de Calcutá. Toda a vida de Karol Wojtyla esteve marcada por um profundo respeito à Santa Eucaristia. […] Malgrado estivesse extenuado e sem forças […], estava sempre disposto a ajoelhar-se diante do Santíssimo. Ele era incapaz de ajoelhar-se e levantar-se sozinho. Precisava que outros lhe dobrassem os joelhos e depois o levantassem. Até os seus últimos dias, ele quis dar-nos um grande testemunho de reverência ao Santíssimo Sacramento. Por que somos assim tão orgulhosos e insensíveis aos sinais que o próprio Deus oferece para o nosso crescimento espiritual e para o nosso relacionamento íntimo com Ele? Por que não nos ajoelhamos para receber a Sagrada Comunhão, a exemplo dos santos? É assim tão humilhante prostrar-se e estar de joelhos diante de Nosso Senhor Jesus Cristo — Ele, que, “sendo de condição divina, […] humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2, 6–8)? Santa Madre Teresa de Calcutá, uma religiosa excepcional a que ninguém ousaria chamar de tradicionalista, fundamentalista ou extremista, e cuja fé, santidade e dom total de si a Deus e aos pobres são conhecidos de todos, possuía um respeito e um culto absoluto ao Corpo divino de Jesus Cristo. Certamente, ela tocava quotidianamente a “carne” de Cristo nos corpos deteriorados e sofridos dos mais pobres dos pobres. No entanto, cheia de estupor e respeitosa veneração, Madre Teresa abstinha-se de tocar o Corpo transubstanciado do Cristo; ao invés disso, ela adorava-O e contemplava silenciosamente, permanecia durante longos períodos de joelhos e prostrada diante de Jesus Eucaristia. Além disso, ela recebia a Sagrada Comunhão directamente na boca, como uma pequena criança que se deixava humildemente nutrir pelo seu Deus. A santa entristecia-se e lamentava sempre que via os cristãos receberem a Sagrada Comunhão nas próprias mãos. Ela afirmou inclusive que, segundo o que era do seu conhecimento, todas as suas irmãs recebiam a Comunhão apenas na boca. Não é esta a exortação que Deus mesmo faz a nós: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fez sair do Egipto; abre a boca e eu te sacio” (Sl 81, 11)? Por que nos obstinamos em comungar de pé e na mão? Por quê essa atitude de falta de submissão aos sinais de Deus? Que nenhum sacerdote ouse impor a própria autoridade sobre essa questão recusando ou maltratando aqueles que desejam receber a Comunhão de joelhos e na boca: venhamos como as crianças e recebamos humildemente, de joelhos e na boca, o Corpo de Cristo. Os santos dão-nos o exemplo. São eles o modelo a imitar que Deus nos oferece! Mas como pode ter-se tornado tão comum a prática de receber a Eucaristia sobre a mão? A resposta nos é dada pelo Padre Bortoli, e confirmada por uma documentação até o momento inédita, e extraordinária por sua qualidade e dimensão. Tratou-se de um processo nem um pouco límpido, uma transição do que era concedido pela instrução Memoriale Domini ao modo que se difundiu hoje. […] Infelizmente, assim como aconteceu à língua latina e à reforma litúrgica, que deveria ter sido homogénea com os ritos precedentes, uma concessão particular tornou-se uma chave para forçar e esvaziar o cofre dos tesouros litúrgicos da Igreja. O Senhor conduz o justo por “caminhos rectos” (Sb 10, 10), não por subterfúgios; assim, além das motivações teológicas demonstradas acima, até o modo como se difundiu a prática da Comunhão na mão parece ter-se imposto não segundo os caminhos de Deus. Possa este livro encorajar aqueles sacerdotes e aqueles fiéis que, movidos também pelo exemplo do Papa Bento XVI — que nos últimos anos do seu Pontificado quis distribuir a Eucaristia na boca e de joelhos — , desejam administrar ou receber a Eucaristia deste modo, muito mais apropriado ao próprio Sacramento. A minha esperança é de que haja uma redescoberta e uma promoção da beleza e do valor pastoral dessa forma de comungar. Segundo o meu juízo e opinião, essa é uma questão importante sobre a qual a Igreja de hoje deve reflectir. Trata-se de um acto de adoração e de amor que todos nós podemos oferecer a Jesus Cristo. Muito me agrada ver tantos jovens que escolhem receber Nosso Senhor com essa reverência, de joelhos e na boca. Possa o trabalho do Pe. Bortoli favorecer um repensar geral sobre o modo de distribuir a Sagrada Comunhão. Tendo acabado de celebrar, como disse no início deste prefácio, o centenário de Fátima, encoraje-nos a firme esperança no triunfo do Imaculado Coração de Maria: no fim, também a verdade sobre a liturgia triunfará. Texto: Life Site News Tradução adaptada da tradução de João Pedro de Oliveira (in Medium) #sarah #comunh #Satanás #ataque #Eucaristia #Cardeal
- A INQUISIÇÃO E A BRUXARIA
•Este constitui, indubitavelmente, outro dos pesados e mais infundados mitos lançados sobre as costas da Inquisição espanhola. Assim o reconhecia o historiador John Tedeschi – na introdução às atas do simpósio interdisciplinar da Inquisição medieval e moderna, celebrado em Copenhagen em 1978 – ao afirmar: “A magnitude de nossa ignorância é de tirar o fôlego. Encontramo-nos na escuridão quanto a questões vitais como as que concernem à natureza da continuidade de formas medievais e modernas da Inquisição em suas modalidades na península ibérica e italianas. A partir daí, e continuando pesquisas anteriores, eruditos como o dinamarquês Henningsen, o recém – citado Tedeschi, William Monter e o espanhol Jaime conteras, Elaborariam os estudos científicos mais profundos que até hoje se conhecem acerca da bruxaria na idade média e moderna, e que demonstre de montão completamente esta lenda Negra. • A verdade é que – como tiveram de reconhecer inclusive seus inimigos, posteriormente – ninguém na história da humanidade foi tão benigno com os acusados de bruxaria como a inquisição espanhola, que os tomava por simples embusteiros ou loucos. Compartilham desta opinião Caro Baroja, e o próprio Cecil Roth: “o espanhol não tinha necessidade de buscar nas atividades absurdas de uma quadrilha de estelionatários ignorantes um objetivo para as suas suspeitas reprimidas e uma desculpa para desgraças públicas e privadas; havia um grupo completo da população que fazia as vezes de bicho papão, e cuja as tribulações representaram a salvação das bruxas. Outro inimigo da Inquisição, Gerard Dufour, reconhece: “não se deve ter medo algum de dizer que, em comparação com a crueldade estúpida de que deu mostra nesse terreno toda Europa (leia-se protestante) A inquisição espanhola manifestou uma sensata prudência. Os protestantes, ao contrário dos católicos, convertiam toda a ficção e fantasia e realidade. Fantasia que se castigava sistematicamente com a pena da fogueira. Somente na Alemanha seriam queimadas vivas 100 mil pessoas acusadas de bruxaria, e na Inglaterra outras 30 mil, fato reconhecido e documentado por historiadores da mesma confissão. Charles Lea, protestante, é da opinião de que o tratamento dado pela inquisição espanhola à bruxaria foi mais do que razoável, ao contrário dos reformadores, aos quais atribui 150 mil vítimas fatais. Afirma o mesmo historiador que o senso comum com que a inquisição atuou nesta matéria “salvou a Espanha da destruição que a loucura contra as bruxas produziu No resto da Europa”( Charles Lea, História da Inquisição espanhola). São eles mesmos quem o dizem. A opinião dos Protestantes sobre esta matéria pode ser resumida nas declarações do inglês Sir William Blackstone: “negar a possibilidade, ou melhor, a existência da bruxaria e feitiçaria, é pura e simplesmente contradizer a palavra revelada por Deus”( Carlos pareyra, Breve História da América, citado em Tomás Barutta, citado também os historiadores Tuberville e Bernardino Llorca). Com esta interpretação particular das escrituras (comum entre os reformadores), justificaram sua singular Caça às Bruxas, cometendo um verdadeiro holocausto. A isto Acrescenta Tuberville: “Enquanto a inquisição espanhola era, no geral, singular razoável no tratamento dado à bruxaria, considerando as coisas dos Sabatt(nome dado às cerimônias de bruxaria) como um engano, os protestantes escoceses torturaram brutalmente milhares de desgraçadas mulheres acusadas de bruxaria (Pietro Gutierrez, Historiador não simpático à Inquisição, reconhece que ela contribuiu para que não ocorressem na Espanha perseguições com a mesma intensidade e violência daquelas que no mesmo período se organizavam no resto da Europa ocidental). Outro respeitado Historiador diz: Enquanto alguns sacerdotes católicos, especialmente frei Spee, pronunciavam-se com energia e bons resultados contra o que havia de absurdo e Bárbaro nos processos de bruxaria, Benito Carpezob,de leipzig (1666), a quem chamavam O legislador da saxônia, e cujas opiniões eram de grande peso em matérias de direito canônico ou criminal, defendia que era necessário castigar com penas severas não só a feitiçaria, mas também os que que negassem a possibilidade dos pactos didiabólico. Em um caso famoso, Por Exemplo foi o da sanguinária Perseguição dos Protestantes as bruxas de Salém na América do Norte. Também os judeus perseguiam estes bruxos, fato pouco mencionado. Entre os requisitos exigidos para ocupar a magistratura, maimônides exigia que os juízes tivessem conhecimentos de medicina, astrologia, aritmética e astronomia, para saber como julgar “as práticas dos Feiticeiros e Magos, assim como as absurdas superstições da idolatria de assuntos similares. • “Eram tempos de superstição – observa Henningsen. A força que impulsionou o fenômeno foi uma epidemia onírica. Um grande número de pessoas, sobretudo crianças, começaram a sonhar que eram transportadas a rituais durante a noite enquanto Dormiam em suas camas. Este surto do que os psicólogos chamariam de sonhos estereotipados foi estendendo-se de Aldeia em Aldeia; noite após noite, numerosas pessoas, afetadas pela onda onírica, sonhavam que eram transportadas a rituais. Assim que os adultos e crianças enfeitiçadas começavam a contar publicamente suas experiências noturnas, pôs-se em marcha a ronda do Pânico. • A inquisição espanhola solucionou o problema facilmente, graças às lúcidas observações do inquisidor Alonso de Salazar: “não havia bruxas nem enfeitiçadas no lugar até que se começou a tratar e falar deles”. Foi assim que em 1612 percebeu que o melhor remédio contra a expansão da bruxaria era o silêncio Absoluto. E o tempo lhe deu razão, já que em pouco mais de um ano desapareceram por completo Os focos de bruxaria,e isto sem queimar a um um único “bruxo”. Além disso, o Santo Ofício, sempre Prudente, havia comprovado mediante a as sagazes observações de teólogos respeitadíssimos como Alfonso de Castro especialmente por seu (adversus haereses de 1541) que os focos ocorriam nas regiões onde havia menor instrução. A esta ignorância por parte do Povo pode-se atribuir em grande medida sua magnânima tolerância, por entender que havia falta de intenção, assim os ficaram os inquisidores de Galícia em 1585: A razão porque se usa pouco Rigor com os fornicadores é que entendemos por experiência e estamos persuadidos de que a maioria do que aprendemos dentre os naturais destes reinos onde há muita falta de doutrina, especialmente entre os lavradores e rústicos, falam bobagens sem saberem o que dizem, por ignorância e não com ânimo de dizer heresias. Seque no próximo texto os processos de bruxaria #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja #HistóriadaInquisição
- CAPÍTULO II ERROS DOS MINISTROS [PROTESTANTES] ACERCA DA NATUREZA DA IGREJA Artigo 1º – A Igreja c
Tradução: Luis Carlos Nabeto Pelo contrário, senhores, a Igreja que contradisse e se opôs aos vossos primeiros ministros e que continua se opondo aos de hoje, encontra-se tão bem caracterizada por todos os lados, que ninguém, por cego que possa ser, pode pretender se eximir por causa da ignorância, do dever que todos os bons cristãos têm de seguí-la, nem de crer que é a verdadeira, única, inseparável e mui querida Esposa do Rei celeste, o que torna vossa separação muito mais injustificável, pois deixar a Igreja e contradizer os seus decretos é converter-se sempre em ‘ethnico’ e ‘publicano’ (cf. Mateus 18,17), mesmo se fosse pelo persuasão de um anjo ou serafim (cf. Gálatas 1,8); porém, ceder à persuasão de homens claramente pecadores, como os demais, sem autoridade, sem licença, sem quaisquer das qualidades exigidas para os pregadores e profetas, fora do simples conhecimento de certas ciências, e romper todos os vínculos e a mais religiosa obrigação de obediência que existe no mundo, que é a que se deve à Igreja como Esposa de Nosso Senhor, é uma falta que não pode ser reparada senão por um grande arrependimento e penitência, aos quais vos convido da parte do Deus vivo. Os adversários, que percebem que nesta prova sua doutrina deve ser reconhecida como lei sem valor, tentam desviar a nossa atenção da prova invencível dos sinais da verdadeira Igreja e pretendem, portanto, manter que a Igreja é invisível e, por consequência, incogniscível. Creio que isto é o cúmulo do absurdo, e que ao lado disso se situam imediatamente o delírio e a raiva. Por dois caminhos diferentes carregam sua opinião da pretensa invisibilidade da Igreja, pois alguns dizem que é invisível porque é composta apenas por pessoas eleitas e predestinadas, enquanto que outros atribuem esta invisibilidade à escassez e dissipação dos crentes e fiéis. Para os primeiros,a Igreja é, em todos os tempos, invisível; e os segundos dizem que esta invisibilidade durou cerca de mil anos, mais ou menos, isto é, desde São Gregório até Lutero, ou seja, durante o tempo em que o Pontificado era pacífico no Cristianismo; pois eles dizem que durante esse tempo existiram muitos cristãos verdadeiros em segredo, que não descobriram suas intenções e se contentaram em servir assim a Deus encobertamente. Esta teologia é tão imaginária e nociva que os outros preferiram dizer que durante esses mil anos a Igreja não foi visível nem invisível, mas que foi abolida e afogada pela impiedade e idolatria. Permiti-me – eu vos peço – que eu diga livremente a verdade: todos esses discursos se ressentem do excesso de delírio; são sonhos que se têm em estado de vigília e não valem mais do que aquele que teve Nabucodonosor dormindo; são também totalmente contraditórios, se formos crer na interpretação de Daniel, pois Nabucodonosor viu “uma pedra talhada de um monte, sem obra de mãos [humanas], que veio rolando e derrubou a grande estátua e cresceu de tal forma que, convertida em montanha, preencheu toda a terra” (Daniel 2,34-35). E Daniel o interpretou no sentido do Reino de Nosso Senhor, que permanecerá eternamente (cf. Daniel 2,44). Se é como uma montanha e tão grande que preenche a terra, como poderia ser invisível ou secreta? E se dura eternamente, como poderia deixar de existir por mil anos? E não cabe dúvida de que esta passagem trata do Reino da Igreja militante, pois, em primeiro lugar, o da triunfante preencherá o céu e não apenas a terra; e não remontará ao tempo dos outros Reinos, segundo a interpretação de Daniel, a não ser após a consumação dos século. Ademais, o fato [dessa pedra] ser talhada da montanha, sem obra de mãos [humanas] pertente à geração temporal de Nosso Senhor, segundo o qual foi concebido no ventre da Virgem e gerado de sua própria substância, sem obra humana, apenas pela bênção do Espírito Santo. Assim, ou Daniel profetizou mal ou erram os adversários da Igreja Católica quando dizem que a Igreja é invisível ou encontra-se oculta e abolida. Tende paciênciua, em nome de Deus, e já iremos colocar ordem e, brevemente, demonstrar a vaidade dessas opiniões. Contudo, antes disso, é necessário dizer o que é a Igreja. ‘Igreja’ vem da palavra grega que quer dizer ‘chamar’; portanto, significa uma Assembleia ou Companhia de pessoas chamadas: ‘Sinagoga’ quer dizer, apropriadamente, ‘rebanho’. A Assembleia dos judeus foi chamada ‘Sinagoga’; a dos cristãos chama-se ‘Igreja’. Daí que os judeus estiveram como um rebanho no redil, unido e misturado pelo terror, enquanto que os cristãos são reunidos pela Palavra de Deus e são chamados juntos na união da caridade pela pregação dos Apóstolos e seus sucessores; acerca disso, diz Santo Agostinho: “A Igreja tem seu nome da convocação; a Sinagoga, do rebanho. Isto porque o ser convocado pertence mais aos homens e o ser amontoado pertence mais ao rebanho” (In Inchoata Expos. Ep. ad Rom. et in Psalm 81,1). Com justo título ‘Igreja’ ou ‘convocação’ foi chamado o povo cristão, porque o primeiro benefício que Deus fez ao homem, para colocá-lo na graça, foi chamar-lhe à Igreja, que é o primeiro efeito de sua predestinação: “Aqueles a quem predestinou, chamando-os”, dizia São Paulo aos Romanos (8,30); e aos Colossenses (3,15): “E a paz de Cristo bate em vossos corações, na qual fostes chamados a um corpo”. Ser “chamados a um corpo” é ser “chamados à Igreja” e, nestas analogias que Nosso Senhor propõe em São Mateus (20,1.16; 22,2.4), da vinha e do banquete com a Igreja, aos operário da vinha e aos convidados para as bodas, dá-se o nome de ‘chamados’ ou ‘convocados’. Diz: “Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos). Os atenienses chamavam ‘igreja’ à convocação dos cidadãos; à convocação dos estrangeiros, davam outro nome; disto se segue que a palavra ‘Igreja’ convém propriamente aos cristãos que “já não são penetras e passageiros, mas concidadãos dos Santos e servidores de Deus” (Efésios 11,19). Daí provém a palavra ‘Igreja’ e eis aí também a sua definição. A Igreja é uma Santa (cf. Efésios 5,27) universidade ou companhia geral de homens unidos (cf. Tobias 11,52; Ad Eph. 4,4 (Cyp). Deimitute Ecclesiae) e recolhidos na profissão de uma mesma fé cristã, na participação dos mesmos pensamentos e benefícios (cf. 1Coríntios 10,16; Hebreus 7,11), e na obediência (cf. Tobias 10,16; 21,17) de um mesmo vigário e tenente-geral na terra de Nosso Senhor Jesus Cristo, e sucessor de São Pedro, sob o cargo dos legítimos Bispos (cf. Efésios 4,11-12). Como disse, antes de mais nada, era uma Santa Assembleia ou Companhia, daí sua santidade interior…* Quero falar da Igreja militante, da qual a Escritura nos deixou testemunhos, diferente da que propõem os homens. Pois bem: em toda Escritura não se encontrará jamais que a Igreja tenha sido tomada por assembleia invisível. Eis aqui as nossas razões, expostas de maneira simples: 1ª) Nosso Senhor e Mestre nos remte à Igreja em nossas dificuldades e divisões (cf. Mateus 18,16-17). São Paulo ensinou Timóteo como é necessário dialogar nesta (cf. 1Timóteo 3,15); mandou chamar os anciãos da Igreja de Mileto (cf. Atos 20,17) e os fez saber que eram constituídos pelo Espírito Santo para reger a Igreja (cf. Atos 20,28); foi enviado pela Igreja com São Barnabé e recebido pela Igreja (cf. Atos 20,3-4.22); confirmou as igrejas (cf. Atos 20,41), constituiu sacerdotes para as igrejas e congregou a Igreja (cf. Atos 14,22.26); saudou a Igreja da Cesareia (cf. Atos 18,22) e [chegou a] perseguir a Igreja (cf. Gálatas 1,13). Como seria possível entender tudo isso se a Igreja fossa invisível? Onde a procuraria para reclamar perante ela, para dialogar nela ou para regê-la? Quando ela enviava São Paulo ou o recebia; quando ele a confirmava, a provia de sacerdotes, a saudava ou perseguia, era figurativamente ou apenas por fé e em espírito? Creio que ninguém deixe de ver nitidamente que todos esses efeitos são visíveis e perceptíves de uma e de outra parte. E quando escrevia [para a Igreja](cf.Gálatas 1,2; 2Coríntios 1,1-2), dirigia-se por acaso para qualquer fantasia invisível? 2ª) O que dirão aos Profetas, que representam a nós não apenas como Igreja visível mas também clara, ilustre, manifesta e magnífica? Eles a pintam como “uma rainha adornada de vestes de ouro em camadas, com uma bela variedade de riquezas (cf. Salmo 44,10.14), como uma montanha (cf. Isaías 1,2; Miqueias 4,1-2), como um sol, como uma lua cheia, como o arco-íris, testemunha fiel e certa do favor de Deus para com os homens, que são todos da posterioridade de Noé, como diz o Salmo em nossa versão [latina]: “Et thronus eius sicut sol in conspectu meo, et sicut luna perfecta in aeternum, et testis in coelo fidelis” (Salmo 88,37; v.tb. Cântico 6,9; Gênesis 9,13). 3ª) A Escritura atesta em todas as suas passagens que a Igreja pode ser vista e conhecida. Mais ainda: que é cogniscível. Salomão, nos Cãnticos (6,8), falando da Igreja, não diz: “As filhas a viram e pregaram-na por bem-aventurada”? E depois, inserindo suas filhas nela, não as faz dizer: “Quem é esta que vem e se produz como a aurora da manha, bela como a lua, eleita como o sol, terrível como um esquadrão de soldados bem ordenado” (Cântico 6,9)? Tudo isso não é declará-la visível? E quando é chamada assim: “Volta, volta, Sulamina; volta, volta, para que te vejam”, e ela responde: “O que é que vês nesta Sulamina, senão as tropas dos exércitos?” (Cântico 7,1); isto também não é declará-la visível? Quem quer que considere estes admiráveis Cânticos e representações pastoris dos amores do Esposo celeste com a Igreja, verá que esta é sempre visível e relevante. Isaías (35,8) fala assim acerca dela: “Em vós há um caminho reto e aqueles que por ele andem não se extraviarão”; não será, portanto, necessário que a Igreja seja patente e fácil de conhecer, visto que as pessoas mais simples sabem chegar até ela sem se enganar? 4ª) Os pastores e doutores da Igreja são visíveis; logo, a Igreja é visível. Dizei-me agora, eu vos rogo: sendo os pastores da Igreja uma parte da Igreja, não será necessário que os pastores e as ovelhas se reconheçam entre si? E não será preciso, ademais, que as ovelhas escutem a voz do pastor e o sigam (cf. João 10,4)? E, assim mesmo, não será necessário para o bom pastor buscar a ovelha extraviada, conhecer a sua marca e o seu redil? Seria, com efeito, uma espécie particular de pastores aquela que não soubesse reconhecer, nem enxergar o seu rebanho. Não sei se é necessário eu provar que os pastores são visíveis, pois vemos negar tantas coisas igualmente claras! São Pedro era pastor – assim eu creio – pois Nosso Senhor lhe disse: “Apascenta as minhas ovelhas” (João 21,17). Os Apóstolos também o eram, e eram vistos (cf. Mateus 1,16). Acredito que a aqueles a quem São Paulo disse: “Tende cuidado de vós e de todo o rebanho, do qual o Espírito Santo vos constitui para reger a Igreja de Deus” (Atos 20,28), foram vistos e quando, como bons filhos, se lançaram ao colo desse bom pai, beijando e banhando seu rosto com suas lágrimas (cf. Atos 20,37), creio que ele (=São Paulo) os tocou, sentiu e enxergou; e o que mais me faz crer assim é que eles lamentaram muito sua partida, porque havia dito para eles que não mais veriam a sua face (cf. Atos 20,38). Portanto, eles viram São Paulo e São Paulo viu todos eles. E mais: Zwínglio, Ecolompádio, Lutero, Calvino, Beza, Múscule são visíveis e, quanto aos últimos, ainda há muitos que os viram e são chamados “pastores” por seus sectários. Se é possível ver os pastores, consequentemente se dá o mesmo com as ovelhas. 5ª) É próprio da Igreja ter a seu cargo a verdadeira pregação da Palavra de Deus e a verdadeira administração dos Sacramentos. Tudo isto não é visível? Então como poderiámos querer que o sujeito fosse invisível? 6ª) Não sabemos que os Doze Patriarcas, filhos do bom Jacó, foram a fonte viva da Igreja de Israel e que quando seu pai os reuniu para abençoá-los (cf. Gênesis 49,1-2), viu todos eles e também eles viram uns aos outros? Mas por que me entretenho em citar estes exemplos? Porque toda a História Sagrada testemunha que a antiga Sinagoga foi visível. Então por que a Igreja Católica não deveria sê-lo? 7ª) Assim como os Patriarcas, pais da Sinagoga e de quem Nosso Senhor nasceu segundo a carne (cf. Romanos 9,5), fizeram a Igreja judaica visível, também os Apóstolos, com seus discípulos, filhos da Sinagoga segundo a carne e [filhos] de Nosso Senhor segundo o Espírito, deram origem visível à Igreja Católica, segundo o Salmista: “Por teus pais te nasceram filhos; tu os constituirás príncipes sobre toda a terra” (Salmo 44,17). Diz Arnóbio: “Por Doze Patriarcas te nasceram Doze Apóstolos” (Comment. Super Psalm., in Psalm. 85). Reunidos em Jerusalém com o reduzido séquito de seus discípulos e com a gloriosíssima Mãe do Salvador, estes Apóstolos fizeram a verdadeira Igreja. E como? Sem dúvida nenhuma, visível; mas visível de tal modo que o Espírito Santo veio regar visivelmente aquelas santas plantas e rebentos do Cristianismo (cf. Atos 2,8). 8ª) Como os judeus se alistavam no povo de Deus? Pela circuncisão, sinal visível; e nós: pelo batismo, sinal visível. Por quem os antigos foram governados? Pelos sacerdotes aarônicos, pessoas visíveis; e nós: pelos Bispos, pessoas visíveis. Quem pregou aos antigos? Os profetas e doutores, visivelmente; para nós, nossos pastores e pregadores, também visivelmente. Qual comida religiosa e sagrada tinham os antigos? O cordeiro pascal e o maná, tudo isso visível; e nós, o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, sinal visível ainda que de coisa invisível. Por quem a Sinagoga foi perseguida? Pelos egípcios, babilônios, madianitas, filisteus, todos estes povos visíveis; e a Igreja, pelos pagãos, turcos, mouros, sarracenos, hereges, todos também visíveis. Ó Deus de bondade: ainda questionaremos se a Igreja é visível? Contudo, o que é a Igreja? Uma assembleia de homens de carne e osso. E diremos, todavia, que nada mais é que um espírito ou fantasma, que parece visível mas não o é senão por ilusão? Não, não! O que, portanto, isto vos perturba e de onde procedem esses pensamentos? Olhai para as vossas mãos, olhai para os vossos ministros, oficiais e governadores; vede seus pés, olhai vossos pregadores percorrendo do leste ao oeste, do sul ao norte: todos são de carne e osso. Tocai e vinde como filhos humildes atirar-vos ao colo desta doce mãe. Vede, considerai bem a ela, pois todo o seu corpo é belo; e vereis que é visível, pois uma coisa espiritual é invisível, não tem carne nem ossos, como enxergas que ela tem (cf. Lucas 24,38-39). Eis aqui as nossas razões, que são boas e à toda prova. Porém, vossos ministros opõem algumas objeções que retiram, segundo lhes parece, da Escritura, muito fáceis de se rebater, desde que se considere o seguinte: Primeiramente, Nosso Senhor tinha em sua humanidade duas partes: o corpo e a alma; do mesmo modo a Igreja, sua Esposa, tem duas partes: uma interior, invisível, que é como a sua alma – a fé, a esperança, a caridade, a graça – e outra exterior, visível como o corpo – a confissão da fé, os louvores e cânticos, a pregação, os Sacramentos, o Sacrifício. Com efeito, tudo o que se faz na Igreja tem seu exterior e interior: a oração interior e exterior (cf. Icoríntios 14,15); a fé que preenche o coração de segurança e a boca de confissão (cf. Romanos 10,9); a pregação que se faz exteriormente para os homens, mas que requer para isso a luz secreta do Pai celeste, pois é necessário sempre ouvi-la e aprender Dele antes de vir até o seu Filho (cf. João 6,44-45); e, quanto aos sacramentos, o sinal neles é exterior, porém a graça é interior. Quem não sabe disso? Eis aí, portanto, o interior e o exterior da Igreja. A maior beleza encontra-se dentro; o que se enxerga não é tão excelente, como dizia o Esposo do Cântico dos Cânticos (4,1): “Teus olhos são olhos de pomba sem o que se encontrar oculto em seu interior; o mel e o leite encontram-se sob a tua língua”, isto é, em teu coração: esse é o interior (cf. Cântico 4,11); “e o odor dos teus vestidos, como o odor do incenso”: eis o serviço exterior. E diz o Salmista: “Toda a glória desta filha real está por dentro…” (Salmo 44,14), isto é, no interior; “…revestida por diversas espécies de franjas de ouro” (Salmo 44,15): eis o exterior. Em segundo lugar, devemos considerar que tanto o interior quanto o exterior da Igreja, podem ser chamados de ‘espiritual’, mas de maneira distinta, pos o interior é puramente espiritual, por sua própria natureza; o exterior, por sua própria natureza é corporal, mas como tende e olha para o interior espiritual, é também chamado ‘espiritual’, como o faz São Paulo (Gálatas 6,1) acerca dos homens que tinham o corpo sujeito ao espírito, ainda que fossem corporais; e porque mesmo quando uma pessoa seja particular por sua natureza, se ela se dedica aos cargos públicos – como, por exemplo, os juízes – é também chamada ‘pública’. Agora, se é dito que a Lei Evangélica foi gravada nos corações, interiormente, e não sobre as tábuas de pedra, exteriormente, como diz Jeremias (31,83), deve-se reponder que no interior da Igreja e em seu coração encontra-se todo o principal da sua glória; que não deixa de resplandecer até mesmo no exterior, que a faz ser vista e reconhecida. Com efeito, quando se diz no Evangelho que “ chegarará a hora em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade” (João 4,23), se nos está ensinando que o interior é o principal e que o exterior é vão se não tender e não for para o interior, para aqui se espiritualizar. Do mesmo modo, quando São Pedro chama a Igreja de ‘casa espiritual’ (1Pedro 2,5) é porque tudo o que parte da Igreja tende à vida espiritual; porque a sua maior glória é interior, ou melhor, porque não é uma casa feita de cal e areia, mas uma casa mística de pedras vivas para a qual a caridade serve de fundamento. A Santa Palavra diz que “o Reino de Deus não vem com observação” (Lucas 17,20): o Reino de Deus é a Igreja, logo a Igreja é invisível. Resposta: o Reino de Deus, nesta passagem, é Nosso Senhor com a sua graça, ou, se preferirdes, a companhia de Nosso Senhor enquanto esteve no mundo, do que se segue: “pois eis aqui o Reino de Deus que está entre vós” (Lucas 17,21); e este Reino não compareceu aqui com o aparato e o fausto de uma magnificência mundana, como acreditavam os judeus, pois, como foi dito, a joia mais bela desta filha de reis encontra-se dentro, oculta, e não pode ser vista. E quanto ao que São Paulo disse aos Hebreus (12,18.22), “nós não viemos a uma montanha apalpável, como a do Sinai, mas a uma Jerusalém celeste”, não tem o objetivo de tornar invisível a Igreja, pois São Paulo ensina nesta passagem que a Igreja é mais magnífica e mais rica que a Sinagoga, não sendo uma montanha natural como a do Sinai, mas mística; disto não se segue qualquer invisibilidade. Ademais, pode-se dizer, com razão, que ele fala na verdade da Jerusalém celeste, isto é, da Igreja triunfante, pois ele acrescenta a “multidão dos anjos”, como se quisesse dizer que, na Lei antiga, Deus foi visto, na montanha, de um modo aterrador e que, na Nova, nos conduz para vê-Lo em sua glória no mais alto dos céus. Por fim, eis aqui o argumento que cada um diz, gritanto, ser o mais forte: creio na Santa Igreja Católica; se eu creio nela, eu não a vejo; logo, a Igreja é invisível. Há alguma coisa no mundo algo mais frágil do que esse fantasma da razão? Os Apóstolos não creram que Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou e, no entanto, o viram? Ele mesmo disse a São Tomé: “Creste porque me viste” (João 20,29); e para convertê-lo em crente, disse-lhe: “Olha minhas mãos e coloca tua mão no meu lado, e já não sejas incrédulo, mas fiel” (João 20,27). Vede, pois, como a visão não impede a fé, mas a produz; pois São Tomé viu uma coisa e acreditou em outra: viu o corpo e acreditou no espírito e na divindade, pois a vista não o ensinou a dizer “Meu Senhor e meu Deus” (João 20,28), mas a fé. Assim, crê-se no Batismo para a remissão dos pecados: vê-se o Batismo, mas não a remissão dos pecados. Vê-se a Igreja, mas não a sua santidade interior. Vê-se seus “olhos de pomba”, mas não se crê no “que está oculto dentro deles” (Cântico 4,1). Vê-se sua “túnica ricamente ornada com uma beja variedade de franjas de ouro” (Salmo 44,14-15), mas o mais claro resplendor de sua glória encontra-se dentro e nisto cremos. Há, nesta Esposa real (=a Igreja), [recursos para] recriar o olho interior e o exterior, a fé e os sentidos; e tudo isso é assim para a maior glória do seu Esposo (=Jesus Cristo). #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #SãoFranciscodeSales #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja
- Quando a Igreja Católica condenou a adoração a Virgem Maria (coliridianos)
A Igreja sempre teve clara a ideia de que o único digno de ser adorado é Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Ninguém mais pode ser adorado, nem sequer a bem-aventurada Mãe de Deus… Ninguém! Então, na história da Igreja se conhece um grupo de “cristãos” que caíram no erro de adorar a Virgem Maria. Esta é a história da sua heresia e de como foram condenados pela Igreja. As heresias são tão antigas como a própria história do Cristianismo. Por isso, a Igreja tem que atuar diligentemente para denunciá-las e para que o povo de Deus não seja confundido. No séc. IV apareceu um grupo de autodenominados “cristãos”, conhecidos como Coliridianos, os quais se reuniam num culto de adoração à Virgem Maria. Este estranho culto consistia em oferecer bolos e pastéis à Virgem, como sinal de adoração. Na realidade, eles não eram cristãos, eram uma seita gnóstica integrada majoritariamente por mulheres que tomaram a figura de Maria, mesclando-a com deuses pagãos para confundir os verdadeiros cristãos. Quando Santo Epifânio, bispo de Salamina, soube desta heresia, não tardou em denunciá-la e condená-la em nome de toda a Igreja Católica. Tal condenação pode ler-se, em sua célebre “Paranión”, em que também denuncia outras heresias da época. “É ridícula e, na opinião dos sábios, totalmente absurda”, assim Santo Epifanio descrevia a heresia coliridiana, “pois aqueles que, com uma atitude insolente, são suspeitos de fazer estas coisas, prejudicando a mente das pessoas (…) pessoas que se inclinam nesta direção são culpadas de terem feito pior dano”. Também, Santo Epifânio esclareceu a diferença entre o verdadeiro culto a Deus e a verdadeira devoção à Virgem Maria: “Seja Maria honrada. Sejam Pai, Filho e Espírito Santo adorados, mas ninguém adore à Maria”. Este mesmo ensinamento é o que atualmente vemos no Catecismo da Igreja Católica: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc , 48): “A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseco ao culto cristão” (MC 56) A Santíssima Virgem “é honrada com razão pela Igreja com um culto especial. E, em afeto, desde os tempos mais antigos, se venera a Virgem Maria com o título de Mãe de Deus”, sob cuja proteção, se achegam os fiéis suplicantes em todos os seus pedidos e necessidades… Este culto (…) também é todo singular, é essencialmente diferente do culto de adoração a Deus, ao Verbo Encarnado, ao Pai e ao Espírito santo, mas o favorece poderosamente”. (LG); encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus (cf. SC 103) e na oração mariana, como o Santo Rosário, “síntese de todo evangelho” (Catecismo da Igreja Católica 971). #mariologia #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #HistóriadasHeresias #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja
- Santo Inácio de Antioquia e suas cartas
Inácio de Antioquia Bispo da cidade de Antioquia, Inácio foi condenado, no reinado de Trajano, a ser dilacerado pelas feras. Em seu trajeto para o martírio, da Síria até Roma, escreveu sete cartas, para as igrejas de Éfeso, Magnésia, Trales, Roma, Filadélfia, Esmirna, e para seu irmão no episcopado, Policarpo. Para Inácio, a eucaristia é “a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, que sofreu por nossos pecados e que, na sua bondade, o Pai ressuscitou”. Ensina que para a unidade da Igreja é fundamental a comunhão com a hierarquia: bispos, presbíteros e diáconos. Santo Inácio utiliza, pela primeira vez, o termo “Igreja católica” para designar a verdadeira Igreja de Jesus Cristo. “Onde aparece o bispo, aí esteja a multidão, do mesmo modo que onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja católica”. Distingue a comunidade de Roma dentre todas as demais. É ela a igreja que “preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna de ser chamada feliz, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza, que preside ao amor, que porta a lei de Cristo, que porta o nome do Pai…” Lá os apóstolos Pedro e Paulo selaram seu testemunho. Em Roma se encontra o autêntico magistério da fé. Seu martírio ocorreu por volta do ano 110. Epístola aos Efésios Inácio, Bispo de Antioquia (35-110 d.C) PARTE I – SAUDAÇÃO INICIAL Inácio, também chamado Teóforo, àquela que é bendita em grandeza na plenitude de Deus Pai, predestinada antes dos séculos a existir em todo o tempo, unida para uma glória imperecível e imutável, e eleita na Paixão verdadeira, pela vontade do Pai e de Jesus Cristo nosso Deus à Igreja digna de bem-aventurança, que vive em Éfeso da Ásia, todos os bens em Jesus Cristo e os cumprimentos numa alegria impoluta. PARTE II – AMOR AOS EFÉSIOS 1. Tomei conhecimento em Deus de vosso nome tão apreciado, que granjeastes por uma apresentação correta, baseada na fé e caridade em Jesus Cristo nosso Salvador. Sendo imitadores de Deus reanimados no sangue de Deus, levastes a termo a obra que vos é congênita. Assim ouvindo que eu vinha da Síria, preso pelo Nome e pela esperança que nos são comuns, confiando chegar até Roma para combater as feras, graças à vossa oração, a fim de ter a felicidade de tornar-me discípulo, vós vos apressastes em ver-me. Recebi, pois, toda a vossa grande comunidade em nome de Deus na pessoa de Onésimo, dotado de indizível caridade e vosso bispo segundo a carne. Peço-vos que o ameis em Jesus Cristo e que a Ele todos vos assemelheis. Bendito Aquele que vos fez a graça, já que vos mostrastes dignos de possuirdes tal bispo. 2. Quanto a Burrus, meu companheiro de serviço e vosso diácono bendito em todas as coisas segundo o coração de Deus, pediria que continue a meu lado para honra vossa e de vosso bispo. Mas também Crocos, digno de Deus e de vós, a quem acolhi como prova de vosso amor, confortou-me ele de toda a sorte, como também o Pai de Jesus Cristo lhe há de dar conforto junto com Onésimo, Burrus, Euplos e Fronton, pois em suas pessoas vi a todos vós na caridade. Gostaria de merecer a graça de alegrar-me convosco em tudo. Bem, por isso é que convém glorificar de toda sorte a Jesus Cristo que vos tem glorificado para que, reunidos em uma só submissão, sujeitos ao bispo e ao presbitério, vos santifiqueis em todas as coisas. PARTE III – EXORTAÇÃO À UNIDADE 3. Não vos dou ordens como se fora alguém. Mesmo que carregue os grilhões pelo Nome, ainda não cheguei à perfeição em Jesus Cristo. Pois agora é que começo a instruir-me e vos falo como a meus condiscípulos. Eu de fato deveria ser ungido por vós com fé, exortações, paciência, grandeza d’alma. Mas, desde que a caridade não me permite calar-me sobre vós, tomei a dianteira de exortar-vos a correr de acordo com o pensamento de Deus. Pois Jesus Cristo, nossa vida inseparável, é o pensamento do Pai, como por sua vez os bispos, estabelecidos até os confins da terra, estão no pensamento de Jesus Cristo. 4. Segue daí, que vos convém avançar junto, de acordo com o pensamento do bispo, como aliás fazeis. Pois vosso presbitério digno de tão boa reputação, digno que é de Deus, sintoniza com o bispo como cordas com a cítara. Por isso, no acorde de vossos sentimentos e em vossa caridade harmoniosa, Jesus Cristo é que é cantado. Mas também, um por um, chegais a formar um coro, para cantardes juntos em harmonia; acertando o tom de Deus na unidade, cantais em uníssono por Jesus ao Pai, a fim de que vos escute e reconheça pelas vossas boas obras, que sois membros de seu Filho. Vale assim a pena viver em unidade intangível, para que a toda hora também participeis de Deus. 5. Pois, se em tão curto lapso de tempo tive tal intimidade com vosso bispo, não em sentido humano mas espiritual, quanto mais devo felicitar-vos por estardes tão profundamente ligados a ele como a Igreja a Jesus Cristo e como Jesus Cristo ao Pai, para que todas as coisas estejam em sintonia na unidade. Não se iluda ninguém. Se não se encontrar no interior do recinto do altar, ver-se-á privado do pão de Deus. Vede, se a oração de um e dois possui tal força, quanto mais então a do bispo e de toda a Igreja! Aquele que não vem à reunião comum já se revela como orgulhoso e se julgou a si próprio, pois está escrito: «Deus se opõe aos orgulhosos». Por conseguinte, cuidemo-nos de não nos opormos ao bispo, para estarmos submissos a Deus. 6. E quanto mais alguém percebe que o bispo se cala, mais o respeite. Pois aquele a quem o dono da casa delega para a administração e preciso que o recebamos como receberíamos ao que o enviou. Torna-se pois evidente que se deve olhar para o bispo, como para o próprio Senhor. De fato, porém, o mesmo Onésimo exalta vossa boa disciplina em Deus, dizendo que viveis todos conforme a verdade e que entre vós não há heresia que chegue a tomar pé. Antes pelo contrário, a ninguém mais prestais ouvido, a não ser a Jesus Cristo, que fala na verdade. PARTE IV – FUGIR DA HERESIA 7. Há os que costumam, por um ardil pernicioso, servir-se por toda parte do Nome, mas praticam coisas indignas de Deus. A estes evitareis como a animais selvagens. São realmente cães raivosos, que mordem traiçoeiramente. É preciso precaver-vos de suas mordeduras, difíceis de curar. Um é o médico, em carne e espírito, gerado e não gerado, aparecendo na carne como Deus, na morte vida verdadeira, tanto de Maria como de Deus, primeiro capaz de sofrer, depois impassível, Jesus Cristo Senhor Nosso. 8. Que ninguém vos iluda pois. Nem vos deixeis aliás iludir, sendo todo inteiros de Deus. Pois, se nenhuma intriga se armou entre vós, que vos possa atormentar, é sinal de que viveis segundo Deus. Sou vossa vítima e me ofereço em sacrifício por vossa Igreja, efésios, que será celebrada pelos séculos. Os carnais não podem praticar obras espirituais, nem os espirituais obras carnais, como nem a fé pratica as obras da infidelidade nem a infidelidade as da fé. Mas também aquilo que praticais, segundo a carne, é espiritual, pois fazeis tudo em Jesus Cristo. 9. Soube de pessoas que por lá passaram, fazendo-se portadoras de más doutrinas: não lhes permitistes espalhá-las entre vós, tapando os ouvidos para não acolher as sementes por eles espalhadas, sabendo que sois pedras do templo do Pai, preparadas para a construção de Deus Pai, alçadas para as alturas pela alavanca de Jesus Cristo, alavanca que é a Cruz, servindo-vos do Espírito Santo como de um cabo. Vossa fé por um lado é o guia, enquanto a caridade se transforma em caminho que leva para cima, até Deus. Sois assim todos companheiros de viagem, portadores de Deus, portadores de um templo, portadores de Cristo, portadores do que é santo, adornados em todos os sentidos com os preceitos de Jesus Cristo. Alegro-me por isso convosco, porque tive a honra de falar-vos através dessa carta e de vos felicitar, porque, segundo a nova vida, nada amais senão somente a Deus. PARTE V – DAR EXEMPLO DE VIRTUDES 10. Mas também pelos demais homens rezai sem cessar. Pois neles existe esperança de conversão, de chegarem a Deus. Permiti-lhes que se instruam junto a vós por vossas obras. Diante de suas explosões de cólera, vós sereis mansos; diante de sua presunção, sereis humildes; diante de suas blasfêmias, oferecereis orações, diante dos erros deles, manter-vos-eis firmes na fé, diante de sua selvageria, sereis pacíficos, sem procurar imitá-los. Que nos encontrem como irmãos pela bondade. Esforcemo-nos por sermos imitadores do Senhor quem mais do que Ele foi injustiçado? quem mais despojado? quem mais desprestigiado? Assim não seja encontrada entre vós planta alguma do diabo, mas que em toda pureza e temperança, permaneçais em Jesus Cristo, corporal e espiritualmente. PARTE VI – PROCURAR CRISTO, FONTE DE VIDA E UNIDADE 11. Chegamos aos últimos tempos: resta envergonharmo-nos, temermos a longanimidade de Deus, para que ela não se transforme para nós em condenação. Ou temeremos a ira vindoura, ou amaremos a graça presente. Uma das duas. Só o fato de nos encontrarmos em Cristo Jesus nos garantirá entrada para a vida verdadeira. Fora dele, nada tenha valor para vós. É n’Ele que carrego os grilhões, estas pérolas espirituais. Com elas gostaria de ressuscitar, graças à vossa oração, na qual espero ter sempre parte para compartilhar também a herança dos cristãos de Éfeso, que também sempre estiveram unidos aos Apóstolos na força de Jesus Cristo. 12. Sei quem sou e a quem escrevo. Eu, um condenado; vós, os que alcançastes misericórdia. Eu, em perigo; vós, seguros. Vós sois o lugar de trânsito dos que são assumidos para Deus, iniciados nos mistérios com Paulo, o santificado, que recebeu testemunho, e mereceu chamar-se bem-aventurado, em cujas pegadas gostaria de encontrar-me na hora de estar com Deus, ele que em todas as cartas de vós se lembra em Cristo Jesus. 13. Cuidai, pois, de reunir-vos com mais freqüência, para dar a Deus ação de graças e louvor. Pois, quando vos reunis com freqüência, abatem-se as forças de Satanás e desfaz-se o malefício, pela vossa união na fé. Nada melhor que a paz, que aniquila toda guerra de poderes celestes ou terrestres. PARTE VII – FÉ E CARIDADE: CRITÉRIO DO VERDADEIRO DISCÍPULO 14. Nada disso constitui novidade, se mantiverdes de modo perfeito em Jesus Cristo a fé e a caridade, que são o começo da vida e seu fim. Pois o começo é a fé e o fim a caridade. Ambas reunidas são Deus, enquanto que tudo o mais é conseqüência para a perfeição humana. Ninguém peca enquanto professa a fé, ninguém odeia enquanto possui a caridade. Conhece-se a árvore pelos seus frutos, assim os que professam ser de Cristo serão reconhecidos pelas obras. Pois nesta hora não é de profissão de fé que se trata, mas de nos mantermos na prática da fé até ao fim. PARTE VIII – NÃO SE DEIXAR SEDUZIR PELA HERESIA 15. É melhor calar-se e ser do que falar e não ser. É maravilhoso ensinar, quando se faz o que se diz. Assim, um é o Mestre «que falou e tudo foi feito», também aquilo que realizou em silêncio é digno do Pai. Quem de fato possui a Palavra de Jesus pode até ouvir-lhe o silêncio; para ser perfeito, para agir pelo que fala e ser reconhecido pelo que cala. Nada escapa ao Senhor; antes, o ue é s Epístola aos Tralianos Inácio, Bispo de Antioquia (35-110 d.C) Tradução: Toni Lopes INTRODRUÇÃO Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja santa de Trales na Ásia, Igreja amada por Deus, Pai de Jesus Cristo, eleita e digna de Deus, que possui a paz na carne e no espírito pela Paixão de Jesus Cristo, nossa esperança na ressurreição que nos conduzirá a ele. Saúdo-a em toda a plenitude, à maneira dos Apóstolos e lhe transmito os votos da maior felicidade. CAPÍTULO I Convenci-me de vossos sentimentos puros e intocáveis na paciência; vós os tendes não apenas para uso mas por natureza, como me esclareceu Políbio, vosso bispo, que compareceu por vontade de Deus e Jesus Cristo, em Esmirna, para regozijar-se desta forma comigo prisioneiro em Jesus Cristo. Nele, pude assim contempla toda a vossa comunidade. Tendo pois experimentado através dele vossa benevolência segundo Deus, eu O glorifiquei, sabendo-vos imitadores d’Ele. CAPÍTULO II Na hora em que vos submeteis ao bispo como a Jesus Cristo, me dais a impressão de não viverdes segundo os homens, mas segundo Jesus Cristo, que morreu por nós para fugirdes à morte pela confiança na morte d’Ele. É mesmo necessário, como alias e de vosso feitio, nada empreender sem o bispo, mas submeter-vos também ao presbitério como a apóstolos de Jesus Cristo nossa Esperança, no qual nos encontraremos se assim nos portarmos. Faz-se igualmente mister que os que são diáconos dos mistérios de Jesus Cristo agradem a todos em tudo. Pois não é de comidas e bebi das que são diáconos, mas são servos da Igreja de Deus. Terão que precaver-se pois contra as acusações, como contra o fogo. CAPÍTULO III Da mesma forma deverão todos respeitar os diáconos como a Jesus Cristo, como também ao bispo que é a imagem do Pai, aos presbíteros, porém como ao se nado de Deus e ao colégio dos apóstolos. Sem eles, já não se pode falar de Igreja. Estou convencido que em relação a eles assim procedeis, pois recebi e guardo comigo a prova de vossa caridade na pessoa de vosso bispo: sua mesma presença se constitui num grande ensinamento, sua mansidão é um poder. Suponho que os próprios ateus o respeitem. Por amor vos poupo, embora pudesse escrever com mais veemência sobre o assunto. Não me atrevi a dar-vos ordens, como se fosse Apóstolo, pois me encontro na condição de condenado. CAPÍTULO IV Chego a pensar muita coisa em Deus, mas me contenho, para não me perder na vanglória. É exata mente nesta hora que mais devo cuidar-me, não dando atenção aos que me exaltam, pois enquanto falam estão a flagelar-me. Amo, é certo, o sofrimento, mas não sei se sou digno dele. Minha impaciência não transparece aos olhos da multidão, a mim é que me tortura tanto mais. Necessito assim de mansidão, na qual se aniquila o príncipe deste mundo. CAPÍTULO V Não saberia eu descrever-vos as coisas do céu? Receio, porém, fazer-vos mal, já que sois ainda crianças. Perdoai-me, se não o faço; não sendo capazes de assimilar, poderíeis sufocar-vos. Pois também eu, embora prisioneiro e capaz de conhecer coisas celestes, mesmo as hierarquias dos anjos e os exércitos dos principados, coisas visíveis e invisíveis, nem por isso ainda sou discípulo. Muito nos falta, para que Deus não nos chegue a faltar. CAPÍTULO VI Exorto-vos, pois – não eu, mas o amor de Jesus Cristo: Servi-vos tão somente de alimento cristão, abstende-vos de planta estranha, isto é, de heresia. Misturam Jesus Cristo a si próprios, fazendo passar-se por dignos de fé, como quem mistura droga mortífera juntamente com vinho e mel, bebida que o ignorante toma com gosto, mas gosto mau, pois é para a morte. CAPÍTULO VII Cuidai-vos, pois, de tais pessoas. Fá-lo-eis, se não vos orgulhardes e não vos separardes de Jesus Cris to Deus, nem do bispo nem das prescrições dos Após tolos. Quem se encontra no interior do santuário é puro; quem se encontra fora do santuário não é puro, isto é, quem pratica alguma coisa sem o bispo, o presbitério e o diácono, este não é puro em sua consciência. CAPÍTULO VIII Não que tivesse conhecimento de algo assim entre vós; tento sim prevenir-vos como a pessoas queridas, prevendo as ciladas do diabo. Adotai, pois a mansidão e renovai-vos na fé, que é a carne do Senhor, e na caridade, que é o sangue de Jesus Cristo. Ninguém dentre vós tenha algo contra o vizinho. Não deis pretextos aos gentios, para que a comunidade de Deus não seja injuriada por causa de uns poucos insensatos. Pois ai daquele por cuja leviandade meu nome for por alguns blasfemado. CAPÍTULO IX Mantende-vos surdos na hora em que alguém vos falar de outra coisa que de Jesus, da descendência de Davi filho de Maria, o qual nasceu de fato, comeu e bebeu, foi de fato perseguido sob Pôncio Pilatos, de fato foi crucificado e morreu à vista dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra. O qual de fato também ressurgiu dos mortos, ressuscitando-O o próprio Pai. É o mesmo Pai d’Ele que, à Sua semelhança, ressuscitará em Cristo Jesus aos que cremos n’Ele; fora d’ele, não temos vida verdadeira. CAPÍTULO X Se porém, como afirmam alguns que são ateus, isto é, sem fé, Ele só tivesse sofrido aparentemente – eles é que só existem aparentemente – eu por que estou preso, por que peço para combater com as feras? Morro pois em vão. Estaria então a mentir contra o Senhor. CAPÍTULO XI Fugi pois destas plantas parasitas, que produzem fruto mortífero. Se alguém provar delas morre na hora. Não são pois eles plantação do Pai. Se o fossem, apareceriam como rebentos da cruz, e seu fruto se ria imperecível. Pela Cruz, Ele vos conclama em sua Paixão como Seus membros. Não pode uma cabeça nascer sem membros, uma vez que Deus nos promete a unidade que é Ele próprio. CAPÍTULO XII Saúdo-vos de Esmirna, em companhia das Igrejas de Deus que estão comigo, elas que em todo sentido me confortaram na carne e no espírito. Meus grilhões, que carrego por amor de Jesus Cristo com o pedido de que encontre a Deus, vos conclamam: perseverai em vossa concórdia e na oração comum! Convém que cada um de vós, e de modo particular os presbíteros, confortem o bispo para a honra do Pai, de Jesus Cristo e dos Apóstolos. Desejo que me escuteis com amor, para que com minha carta não me transforme em testemunho contra vós. Rezai também por mim, que preciso de vossa caridade junto à misericórdia de Deus, para tornar-me digno da herança que me toca alcançar, para não ser encontrado indigno de recebê-la. CAPÍTULO XIII Saúda-vos a caridade dos esmirnenses e efésios. Lembrai-vos em vossas orações da Igreja na Síria: não mereço trazer-lhe o nome, pois sou o último dentre eles. Passar bem em Jesus Cristo, sujeitando-vos ao bispo como ao mandamento do Senhor, e também ao presbitério. Amai-vos mutuamente, um por um, em coração indiviso. Meu espírito por vós se empenha, não apenas agora, também quando com Deus me encontrar. Ainda estou em perigo, mas o Pai é fiel para cumprir em Jesus Cristo o meu e o vosso pedido. Oxalá vos encontreis irrepreensíveis n’Ele.egredo para nós está perto d’Ele. Façamos pois tudo como se Ele em nós morasse, para sermos seus templos e Ele nosso Deus em nós. E é essa a realidade; e ela se manifestará aos nossos olhos, se o amarmos devidamente. 16. Não vos iludais, meus irmãos, os corruptores da família não herdarão o Reino de Deus. Pois, se pereceram os que praticavam tais coisas segundo a carne, quanto mais os que perverterem a fé em Deus, ensinando doutrina má, fé pela qual Jesus Cristo foi crucificado? Um tal, tornando-se impuro, marchará para o fogo inextinguível, como também marchará aquele que o escuta. 17. Por isso, recebeu o Senhor unção sobre a cabeça para exalar em favor da Igreja o perfume da incorrupção. Não vos deixeis ungir pelo mau odor da doutrina do príncipe deste mundo, de forma que vos leve cativos para longe da vida que vos espera. Por que não nos tornamos prudentes, aceitando o conhecimento de Deus, isto é, Jesus Cristo? Por que morrermos tolamente, desconhecendo o dom que o Senhor nos enviou de verdade? PARTE IX – O HOMEM NOVO 18. Meu espírito é vítima destinada à Cruz, e esta é escândalo para os incrédulos; para nós, porém, salvação e vida eterna. Onde se encontra o sábio? Onde o pesquisador? Onde a fama dos assim chamados intelectuais? Pois nosso Deus, Jesus Cristo, tomou carne no seio de Maria segundo o plano de Deus, sendo de um lado descendente de Davi, provindo por outro do Espírito Santo. Nasceu, foi batizado, para purificar a água pela sua Paixão. 19. Permaneceu oculta ao príncipe deste mundo a virgindade de Maria e seu parto, como igualmente a morte do Senhor: três mistérios de grande alcance que se processaram no silêncio de Deus. Como então foram eles manifestados aos séculos? Um astro brilhou no céu, mais que todos os astros, sua luz era inenarrável e sua novidade suscitou estranheza; todas as demais estrelas por sua vez junto com o sol e a lua formaram coro em torno do astro, ele, no entanto, projetava mais luz que todos os demais; produziu-se confusão: donde viria a novidade, tão diversa deles próprios? A conseqüência disso foi que toda a magia se desfez e que desapareceu toda cadeia de maldade; a ignorância se dissipou, o antigo reinado se destruiu, quando Deus apareceu em forma humana, para a novidade da vida eterna; começou a realizar-se o que fora decidido junto a Deus. Desde então tudo se movimentou a um tempo, porque se preparava a destruição da morte. 20. Se Jesus Cristo, pela vossa oração, me tornar digno e se for de Sua vontade, num segundo escrito que desejo compor para vós, hei de esclarecer o que iniciei, a saber, o plano da salvação, em relação ao homem novo, Jesus Cristo, na fé para Ele e no amor para com Ele, em Sua Paixão e Ressurreição. Sobretudo se o Senhor me revelar, que todos, em particular e em comum, na graça que procede do Nome, vos reunis na mesma fé e em Jesus Cristo, que descende segundo a carne de Davi, filho do homem e filho de Deus, para obedecermos ao bispo e ao presbitério numa concórdia indivisível, partindo um mesmo pão, que é o remédio da imortalidade, antídoto contra a morte, mas vida em Jesus Cristo para sempre. PARTE X – DESPEDIDA E RECOMENDAÇÕES 21. Sou preço de resgate para vós e para os que enviastes para honra de Deus a Esmirna, donde também vos escrevo, em sinal de gratidão ao Senhor e como prova de amor a Policarpo como a vós. Lembrai-vos de mim, como também Jesus Cristo se lembra de vós. Rezai pela Igreja da Síria, donde sou levado preso para Roma. Sendo o último dos fiéis de lá fui julgado digno de servir à honra de Deus. Saudações em Deus Pai e em Jesus Cristo, nossa esperança comum. Fonte: Patrística – Livro Padres Apostólicos, Ed. Paulus Epístola aos Magnésios Inácio, Bispo de Antioquia (35-110 d.C) INTRODUÇÃO Inácio, também chamado Teóforo, à [Igreja] abençoada na graça de Deus Pai, em Jesus Cristo nosso Salvador, com quem eu saúdo a Igreja que está na Magnésia, próxima ao [rio] Meandro, e desejo a ela grande alegria em Deus Pai e em Jesus Cristo. CAPÍTULO I Tendo sido informado sobre o vosso amor devoto e perfeito, alegrei-me profundamente e resolvi comunicar-me convosco na fé em Jesus Cristo. Para aquele que pensa ser digno de portar o mais honrável de todos os nomes, nestas cadeias que ora carrego, louvo as igrejas, nas quais oro pela união entre o corpo e o espírito de Jesus Cristo, fonte constante da nossa vida, da fé e do amor, e para as quais nada pode ser especialmente preferível a Jesus e ao Pai; certamente encontraremos a Deus se resistirmos a todos os assaltos do príncipe deste mundo. CAPÍTULO II Portanto, já que tive a honra de vos ver na pessoa de Damas, vosso ilustre bispo, e de vossos ilustres presbíteros, Basso e Apolônio, bem como do diácono Zótio, meu companheiro de serviço, cuja amizade espero sempre possuir – já que ele é submisso ao bispo como à graça de Deus e ao presbitério como à lei de Jesus Cristo – [passo agora a vos escrever]: CAPÍTULO III Não deveis tratar vosso bispo com tanta familiaridade em razão de sua juventude, mas deveis tratá-lo com toda a reverência, respeitando ao poder de Deus Pai, assim como fazem os santos presbíteros – como fiquei sabendo – que não o julgaram imprudentemente, a partir de sua aparência jovem claramente manifesta, mas, sendo prudentes em Deus, submeteram-se a ele, ou melhor, não a ele, mas ao Pai de Jesus Cristo, que é o Bispo de todos nós. Assim, é adequado a vós, sem qualquer hipocrisia, obedecerdes [ao vosso bispo], em honra dAquele que nos amou tanto, já que [pela falsa conduta] não se tenta enganar ao bispo visível, mas Àquele que é invisível. E, com tal conduta, não se faz referência ao homem, mas a Deus, que conhece todos os segredos. CAPÍTULO IV É adequado, então, não apenas ser chamados “cristãos”, mas sê-lo também de verdade: como alguém reconhece outro com o título de bispo e depois faz todas as coisas sem ele? Tais pessoas parecem-me desprovidas de boa consciência, visto que se reúnem em desconformidade com o mandamento. CAPÍTULO V Visto, então, que todas as coisas têm um fim, estas duas coistas são simultaneamente à nossa frente: a morte e a vida; todos encontrarão seu próprio lugar. É como se fossem dois tipos de moedas: a de Deus e a do mundo, cada qual com suas próprias características estampadas nelas. O descrente é deste mundo, mas o crente tem, no amor, a característica de Deus Pai, por Jesus Cristo; se não estivermos prontos para morrer em Sua Paixão, Sua vida não estará em nós. CAPÍTULO VI Nas pessoas acima mencionadas, pude observar, na fé e no amor, toda a vossa comunidade; assim, exorto-vos a estudarem todas as coisas com divina harmonia, tendo vosso bispo presidindo no lugar de Deus e vossos presbíteros no lugar da assembléia dos apóstolos, junto com seus diáconos – que são muito queridos para mim – aos quais foi confiado o serviço de Jesus Cristo, que estava com o Pai antes do início dos tempos e que por fim se manifestou. Fazei tudo, então, imitando a mesma conduta divina, mantendo o respeito uns pelos outros, não olhando para o seu próximo segundo a carne, mas amando-o continuamente em Jesus Cristo. Que nada exista entre vós causando divisão, mas sejais unidos ao vosso bispo e àqueles que vos presidem, como um sinal evidente da vossa imortalidade. CAPÍTULO VII Assim como o Senhor nada fez sem o Pai, ainda que estivesse unido a Ele, nem por si mesmo e nem pelos apóstolos, também vós não deveis fazer nada sem o bispo e os presbíteros. Nem deveis tentar fazer com que algo pareça razoável e justo para vós mesmos; mas, reunindo-vos num mesmo lugar, orai uma única prece, fazei uma única súplica, tenham uma única mente e esperança, no amor e na alegria imaculada. Há um só Jesus Cristo e nada é melhor que Ele. Então, correi todos juntos ao único templo de Deus, ao único altar, ao único Jesus Cristo, que procede do único Pai, está com Ele e a Ele retornou. CAPÍTULO VIII Não sejais enganados por doutrinas estranhas, nem por velhas fábulas, as quais são inúteis, pois se ainda vivemos segundo a Lei dos judeus, devemos reconhecer que não recebemos a graça. 2Ora, os diviníssimos profetas viveram segundo Cristo Jesus e, por isso, acabaram sendo perseguidos, pois eram inspirados por Sua graça a convencerem plenamente os descrentes de que existe apenas um Deus, que Se manifestou por Jesus Cristo, Seu Filho, o qual é o Seu Verbo eterno – não procedendo do silêncio – e que em todas as coisas agradou Aquele que O enviou. CAPÍTULO IX Se, então, aqueles que eram educados na antiga ordem das coisas se apossaram da nova esperança, não mais observando o sábado, mas observando o Dia do Senhor, no qual também a nossa vida foi libertada por Ele e por Sua morte – alguns negam que por tal mistério obtemos a fé e nele perseveramos para que ser contados como discípulos de Jesus Cristo, nosso único Mestre – 2como seremos capazes de viver longe Dele, cujos discípulos e os próprios profetas esperaram no Espírito para que Ele fosse o Instrutor deles? Era Ele que certamente esperavam, pois vindo, os libertou da morte. CAPÍTULO X Assim, não sejamos insensíveis à Sua bondade. Se Ele nos recompensasse conforme as nossas obras, certamente deixaríamos de existir. Porém, por termos tornado Seus discípulos, devemos aprender a viver de acordo com os princípios do Cristianismo. Quem é chamado por outro nome além deste não é de Deus. Abandonando, contudo, o mal, o passado, as más influências, estais vós sendo chamados a mudar de comportamento, o qual é de Jesus Cristo. Sede temperados Nele, para que ninguém entre vós seja corrompido, já que por vosso sabor próprio seríeis condenados. É absurdo professar Cristo Jesus e judaizar. O Cristianismo não precisa abraçar o Judaísmo, mas o Judaísmo deve abraçar o Cristianismo, para que toda língua possa professar a companhia de Deus. CAPÍTULO XI Amados: estas coisas [que vos escrevo] – não que eu saiba algo sobre o vosso comportamento, mas por ser inferior a vós – tem por objetivo previni-los para que não sejais fisgados pelos anzóis da vã doutrina, mas para que possais conquistar a segurança plena a respeito do nascimento, paixão e ressurreição que ocorreram na época do governo de Pôncio Pilatos, sendo verdadeiro e certo que tais eventos foram efetuados por Jesus Cristo, nossa esperança, de quem jamais possais ser afastados. CAPÍTULO XII Que eu possa alegrar-me convosco em todas as coisas, se o merecer! Mesmo acorrentado, não sou digno de ser comparado a qualquer de vós que estais em liberdade. Sei que vós não estais inchados de orgulho. já que possuis Jesus Cristo em vós mesmos. E tudo o mais que louvo em vós, sei que guardais com modéstia de espírito; como está escrito: “O homem justo é seu próprio acusador”. CAPÍTULO XIII Portanto, estudai para manter-vos na doutrina do Senhor e dos apóstolos, para que todas as coisas que fizerdes possam prosperar tanto na carne quanto no espírito, na fé e no amor, no Filho e no Pai e no Espírito, no princípio e no fim; unidos com o vosso admirável bispo, com toda a preciosa coroa espiritual do vosso presbitério e com os diáconos que estão em conformidade com Deus. Sejais submissos ao bispo e uns aos outros, como Jesus Cristo é com o Pai, segundo a carne, e os apóstolos com Cristo, o Pai e o Espírito. Que haja assim uma união entre a carne e o espírito. CAPÍTULO XIV Sei que estais repletos de Deus e, por isso, exortei-vos brevemente. Lembrai-vos de mim em vossas orações, para que eu possa alcançar a Deus. E [lembrai-vos também] da Igreja que está na Síria, já que não sou digno de portá-la em meu nome. Necessito da vossa oração unida em Deus e do vosso amor, para que a Igreja da Síria seja considerada digna de ser refrescada pela vossa Igreja. CAPÍTULO XV Os efésios que habitam em Esmirna – de onde eu vos escrevo – estão aqui para a glória de Deus, como vós também fizestes; eles me reconfortam e vos saúdam juntamente com Policarpo, bispo dos esmirniotas. As demais igrejas, em honra de Jesus Cristo, também vos saúdam. Ficai bem na harmonia de Deus, vós que obtivestes o Espírito inseparável que é Jesus Cristo. Epístola aos Romanos Inácio, Bispo de Antioquia (35-110 d.C) PARTE I – SAUDAÇÃO INICIAL Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja que recebeu misericórdia pela grandeza do Pai altíssimo e de Jesus Cristo Seu Filho único, Igreja amada e iluminada pela vontade d’Aquele que escolheu todos os seres, isto é, segundo a fé e a caridade de Jesus Cristo nosso Deus, ela que também preside na região da terra dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna de ser chamada bem-aventurada, digna de louvor, digna de êxito, digna de pureza, e que preside à caridade na observância da lei de Cristo e que leva o nome do Pai. Saúdo-a também em nome de Jesus Cristo, filho do Pai. Aos que aderem a todos os seus mandamentos segundo a carne e o espírito, inabalavelmente cumulados e confirmados pela graça de Deus, purificados de todo colorido estranho, desejo todo o bem e irrepreensível alegria em Cristo Jesus nosso Deus. PARTE II – VER A COMUNIDADE E IR A DEUS 1Pela oração, me foi concedida por Deus a graça de um dia contemplar vossos rostos dignos de Deus. Com insistência havia implorado tal favor. Preso em Cristo Jesus, espero abraçar-vos, se for da vontade d’Ele, que eu mereça chegar ao termo. Deu certo o começo. Oxalá consiga a graça de receber sem impedimento minha herança. É que temo não venha prejudicar-me vossa caridade. Pois a vós é fácil realizar o que pretendeis, enquanto é difícil para mim encontrar-me com Deus, caso vós não me poupeis. PARTE III – NÃO IMPEDIR O MARTÍRIO 2Não quero que procureis agradar a homens, mas que agradeis a Deus, como de fato agradais. Nem eu terei jamais igual oportunidade de chegar a Deus, nem vós, caso calardes, jamais haveis de ligar vosso nome a obra melhor. Pois, se calardes a meu respeito, serei palavra de Deus; se porém amardes minha carne, não passarei de novo a ser senão uma voz. Não queirais favorecer-me, senão deixando imolar-me a Deus, enquanto há um altar preparado, para formardes pelo amor um coro em homenagem a Deus e cantardes ao Pai em Jesus Cristo, por que Deus se dignou conceder de o bispo da Síria encontrar-se no Ocidente vindo do Oriente. É maravilhoso o ocaso: vir do ocaso do mundo em direção a Deus, para levantar-me junto a Ele. PARTE IV – SER CRISTÃO DE FATO 3Jamais tivestes inveja de alguém, instruístes sim a outrem. É meu desejo que guardem sua força as lições que inculcais a vossos discípulos. Pedi em meu favor unicamente a força exterior e interior, a fim de não apenas falar, mas também querer, de não apenas dizer-me cristão, mas de me manifestar como tal. Pois, se me manifestar como tal também posso chamar-me assim e ser fiel, na hora em que já não for visível para o mundo. Nenhuma ostentação é boa, pois o nosso Deus, Jesus Cristo, aparece mais desde que está oculto no Pai. O cristianismo não é o resultado de persuasão, mas grandeza, justamente quando odiado pelo mundo. PARTE V – “SOU TRIGO DE DEUS” 4Escrevo a todas as Igrejas e insisto junto a todas que morro de boa vontade por Deus, se vós não mo impedirdes. Suplico-vos, não vos transformeis em benevolência inoportuna para mim. Deixai-me ser comida para as feras, pelas quais me é possível encontrar Deus. Sou trigo de Deus e sou moído pelos dentes das feras, para encontrar-me como pão puro de Cristo. Acariciai antes as feras, para que se tornem meu túmulo e não deixem sobrar nada de meu corpo, para que na minha morte não me torne peso para ninguém. Então de fato serei discípulo de Jesus Cristo, quando o mundo nem mais vir meu corpo. Implorai a Cristo em meu favor, para que por estes instrumentos me faça vítima de Deus. Não é como Pedro e Paulo, que vos ordeno. Eles eram apóstolos, eu um condenado; aqueles, livres, e eu até agora escravo. Mas, quando tiver padecido, tornar-me-ei alforriado de Jesus Cristo, e ressuscitarei n’Ele, livre. E agora, preso, aprendo a nada desejar. 5Desde a Síria, venho combatendo com feras até Roma, por terra e por mar, de noite e de dia, preso a dez leopardos, isto é, a um destacamento de soldados, que se tornam piores quando se lhes faz o bem. Por seus maus tratos, porém, estou sendo mais instruído, mas nem por isso estou justificado. Oxalá goze destas feras que me estão preparadas; rezo que se encontrem bem dispostas para mim: hei de instigá-las, para que me devorem depressa, e não aconteça o que aconteceu com outros que, amedrontadas, me não toquem. Se elas por sua vez não quiserem de boa vontade, eu as forçarei. Perdoai-me: sei o que me convém; começo agora a ser discípulo. Coisa alguma visível e invisível me impeça que encontre a Jesus Cristo. Fogo e cruz, manadas de feras, quebraduras de ossos, esquartejamentos, trituração do corpo todo, os piores flagelos do diabo venham sobre mim, contanto que encontre a Jesus Cristo. PARTE VI – IMITAR A PAIXÃO DE CRISTO 6De nada me valerão os confins do mundo nem os remos deste século. Maravilhoso é para mim morrer por Jesus Cristo, mais do que reinar até aos confins da terra. A Ele é que procuro, que morreu por nós; quero Aquele que ressuscitou por nossa causa. Aguarda-me o meu nascimento. Perdoai-me, irmãos: não queirais impedir-me de viver, não queirais que eu morra; ao que quer ser de Deus não o presenteeis ao mundo nem o seduzais com a matéria. Permiti que receba luz pura: quando lá chegar serei homem. Permiti que seja imitador do sofrimento de meu Deus. Se alguém o possui dentro de si, há de saber o que quero e se compadecerá de mim, porque conhece o que me impulsiona. 7O príncipe deste século quer arrebatar-me e perverter o pensamento voltado para Deus. Ninguém dos presentes queira auxiliá-lo. Passai antes para o meu lado, isto é, para o de Deus. Não tenhais a Jesus Cristo na boca, para irdes desejar o mundo. Não habite inveja em vosso meio. Nem que eu, em pessoa, vos implorasse, não deveríeis obedecer-me: obedecei antes ao que vos escrevo, pois eu o faço como alguém que vive e anela morrer. Meu amor está crucificado e não há em mim fogo para amar a matéria; pelo contrário, água viva murmurando dentro de mim, falando-me ao interior: Vamos ao Pai! Não me agradam comida passageira, nem prazeres desta vida. Quero pão de Deus que é carne de Jesus Cristo, da descendência de Davi, e como bebida quero o sangue d’Ele, que é Amor incorruptível. PARTE VII – O AMOR CRUCIFICADO 8Já não quero viver à maneira de homens. É o que no entanto acontecerá, caso me apoiardes. Apoiai, para também receberdes apoio. Eu vo-lo peço em poucas palavras: Crede-me, Jesus Cristo, por Sua vez, há de manifestar-vos que digo a verdade, pois é Ele a boca sem mentiras, pela qual o Pai falou a verdade. Rezai por mim, para que chegue até lá. Não vos escrevi segundo a carne, mas segundo o pensamento de Deus. Se sofrer, será por vossa benevolência; se for reprovado, será por causa do vosso ódio. PARTE VIII – DESPEDIDA E RECOMENDAÇÕES 9 Lembrai-vos em vossa oração da Igreja na Síria, a qual, em meu lugar, tem Deus como pastor. Só Jesus Cristo será seu bispo e a vossa caridade. Eu por minha parte me envergonho de ser chamado um deles; pois não o mereço em nada, sendo o último dentre eles e um abortivo. Mas, por misericórdia, sou alguém, se chego até Deus. Saúda-vos o meu espírito e a caridade das Igrejas que me receberam em nome de Jesus Cristo e não como simples transeunte. Até mesmo aquelas Igrejas que não se encontravam em meu roteiro, segundo a carne, vieram de todas as cidades ao meu encontro. 10 Escrevo estas coisas a vós de Esmirna, por obséquio dos efésios dignos de serem bem-aventurados. Entre muitos outros, encontra-se comigo também Crocos, nome que me é querido. Quanto aos que me precederam da Síria a Roma para a glória de Deus, espero que com eles tenhais travado conhecimento: comunicai-lhes também que estou perto. Todos eles são dignos de Deus e de vós; conviria que os confortásseis em tudo. Esta minha carta data do nono dia das calendas de setembro. Passar bem, até o fim, à espera de Jesus Cristo. Epístola aos Filadélfos Inácio, Bispo de Antioquia (35-110 d.C) SAUDAÇÃO Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo de Filadélfia da Ásia, que encontrou misericórdia e se fortaleceu na união que vem de Deus, cheia de imperturbável alegria na Paixão de Nosso Senhor e plenamente convencida da Ressurreição d’Ele, em toda misericórdia. Saúdo-a no sangue de Jesus Cristo, pois ela é minha perene e constante alegria, sobretudo se continuarem unidos ao Bispo, aos Presbíteros e Diáconos que estão com ele, instituídos segundo o plano de Jesus Cristo, que por Sua própria vontade os fortaleceu no Seu Espírito Santo. I. ELOGIO AO BISPO 1. Sei que não foi por si mesmo, nem por meios humanos, nem tampouco por ambição, mas na caridade de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo, que o Bispo obteve a incumbência de estar a serviço da comunidade. Admiro comovido sua bondade, que, calada, mais ressonância encontra que as invencionices dos faladores. Harmoniza-se ele com os mandamentos, como a cítara com as cordas. Bem por isso, minha alma lhe engrandece a mente voltada para Deus – pois é virtuosa e perfeita – seu caráter firme e manso, tão do agrado do Deus vivo. II. FUGIR DA HERESIA 2. Filhos que sois da luz da verdade, fugi da cisão das más doutrinas. Onde estiver o pastor, segui-o, quais ovelhas. Pois muitos lobos, aparentemente dignos de fé, apanham, através dos maus prazeres, os atletas de Deus. Se porém permanecerdes unidos, não acharão lugar entre vós. 3. Apartai-vos das ervas daninhas que Jesus Cristo não cultiva, por não serem plantação do Pai.Não que tenha encontrado em vosso meio discórdias, pelo contrário encontrei um povo purificado. Na verdade, o que são propriedade de Deus e de Jesus Cristo estão com o Bispo, e todos os que se converterem e voltarem à unidade da Igreja, pertencerão também a Deus, par terem uma vida segundo Jesus Cristo. Não vos deixeis iludir, meus irmãos. Se alguém seguir a um cismático, não herdará o reino de Deus; se alguém se guiar por doutrina alheia, não se conforma com a Paixão de Cristo. III. UNIDADE NA EUCARISTIA 4. Sede solícitos em tomar parte numa só Eucaristia, porquanto uma é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, um o cálice para a união com Seu sangue; um o altar, assim como também um é o Bispo, junto com seu presbitério e diáconos, aliás meus colegas de serviço. E isso, para fazerdes segundo Deus o que fizerdes. IV. FUGIR DO JUDAÍSMO 5. Meus irmãos, transbordo todo de amor para convosco e em meu júbilo procuro confortar-vos. Não eu, mas Jesus Cristo. Estando preso em Seu Nome, temo tanto mais achar-me ainda imperfeito. No entanto, vossa prece me aperfeiçoará para Deus, com o intuito de conseguir a herança na qual obtive misericórdia, buscando refúgio no Evangelho, como na carne de Jesus, e nos Apóstolos como no presbitério da Igreja. Amemos igualmente os Profetas, por terem também eles anunciado o Evangelho, terem esperado n’Ele e O terem aguardado. Foram salvos por Lhe terem dado fé, e, unidos a Jesus Cristo, se tornarem santos dignos do nosso amor e admiração, aprovados pelo testemunho de Jesus Cristo, sendo enumerados no Evangelho da comum esperança. 6. Se, no entanto, alguém vier com interpretações judaizantes, não lhe deis ouvido. É melhor ouvir doutrina cristã dos lábios de um homem circuncidado do que a judaica de um não-circuncidado. Se porém ambos não falarem de Jesus Cristo, tenha-os em conta de colunas sepulcrais e mesmo de sepulcros, sobre os quais estão escritos apenas nomes de homens. Fugi pois das artimanhas e tramóias do príncipe deste século, para que não venhais a esmorecer no amor, atribulados pela sagacidade dele. Todos vós, porém, uni-vos num só coração indiviso. Agradeço a Deus, porque gozo de consciência tranqüila a vosso respeito e porque não há motivo de ninguém gloriar-se, nem oculta nem publicamente, por lhe ter sido eu um peso em coisa pequena ou grande. Faço votos que todos a quem falei assimilem minhas palavras, não porém em testemunho contra si mesmos. V. INVESTIDAS CONTRA A UNIDADE 7. Alguns desejaram de fato enganar-me segundo a carne, mas o Espírito, que é de Deus, não se deixa enganar, pois Ele sabe donde vem e para onde vai e revela os segredos. Clamei, quando estive entre vós, e o disse alto e bom som, na voz de Deus: «Apegai-vos ao Bispo, ao Presbitério e aos Diáconos!» Alguns desconfiaram que eu assim falava, porque sabia da separação de diversos deles. No entanto, é-me testemunha Aquele, por quem estou preso, que por intermédio de homem carnal não vim a saber coisa alguma. O Espírito é que mo anunciou: Nada façais sem o Bispo! Guardai vosso corpo como templo de Deus! Amai a união! Fugi das discórdias! Tornai-vos imitadores de Jesus Cristo, como Ele o é do Pai! 8. Eu por minha parte cumpri o meu dever, agindo como homem destinado a unir. Deus não mora onde houver desunião e ira. A todos porém que se converterem perdoa o Senhor, se voltarem à unidade de Deus e ao senado do Bispo. Confio na graça de Jesus Cristo, pois Ele livrará de toda cadeia. Exorto-vos a nada praticar em espírito de dissenção, mas sim em conformidade com os ensinamentos de Cristo. É que ouvi alguns dizerem: «Se não o encontro nos documentos antigos, não dou fé ao Evangelho». Dizendo eu a eles «Está escrito», responderam-me: «É o que se deve provar! Para mim, documentos antigos são Jesus Cristo; para mim documentos invioláveis constituem a Sua Cruz, Sua Morte, Sua Ressurreição, como também a Fé que nos vem d’Ele! Nisso é que desejo, por vossa oração, ser justificado. VI. ORIGINALIDADE DO EVANGELHO 9. Embora fossem honrados também os sacerdotes, coisa melhor porém é o Sumo-sacerdote, responsável pelo santo dos santos, pois só a Ele foram confiados os mistérios de Deus. É Ele a porta para o Pai, pela qual entram Abraão, Isaac e Jacó, os Profetas, os Apóstolos e a Igreja. Tudo isso leva à unidade de Deus. O Evangelho contém porém algo de mais sublime, a saber, a vinda do Salvador e Senhor nosso Jesus Cristo, a Sua Paixão e Ressurreição. A respeito d’Ele vaticinaram os queridos Profetas. O Evangelho constitui mesmo a consumação da imortalidade. Tudo se reveste de grande importância, se confiardes no Amor. CONCLUSÃO E DESPEDIDA 10. Recebi notícia, que graças à oração e à participação íntima que cultivais em Jesus Cristo, a Igreja de Antioquia na Síria recobrou a paz. Convém portanto que vós, como Igreja de Deus, escolhais um diácono para presidir uma embaixada de Deus àquela cidade, e congratular-se com eles, por estarem unidos pelos mesmos vínculos, e glorificar o Nome. Felicito em Jesus Cristo aquele que for achado digno deste ministério; também vós tereis a vossa glória. Se o quiserdes, isso não vos será impossível para a glória de Deus, pois que também as Igrejas mais vizinhas mandaram ou Bispos, ou Presbíteros e Diáconos. 11. A respeito de Fílon, diácono da Cilícia, posso informar: é homem de prestígio, que ainda agora me serve no ministério da palavra de Deus, juntamente com Reos Agátopos, outro homem de consideração, que me acompanha desde a Síria, com desprezo da própria vida. Também eles dão testemunho de vós. Da mesma forma eu agradeço a Deus por vós, porque os recebestes, como o Senhor vos recebeu. Aqueles que lhes faltaram de respeito encontrem o perdão pela graça de Deus. Saúda-vos a caridade dos irmãos de Trôade, donde também vos escrevo por intermédio de Burrus que, a pedido dos efésios e esmirnenses, me acompanha, como penhor de honra. O Senhor Jesus Cristo honrá-los-á, pois, n’Ele esperam com corpo, alma, espírito, fé, amor e concórdia. Adeus em Jesus Cristo, esperança comum de nós todos. Epístola aos Esmirnenses Inácio, Bispo de Antioquia (35-110 d.C) INTRODUÇÃO Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja de Deus Pai e de Jesus Cristo amado, Igreja que encontrou misericórdia em todo dom da graça, repleta de fé e amor, sem que lhe falte dom algum, agradabilíssima a Deus e portadora de santidade, situada em Esmirna, na Ásia. Cordiais saudações em espírito irrepreensível e na palavra de Deus. CAPÍTULO I Glorifico a Jesus Cristo, Deus, que vos fez tão sábios. Cheguei a saber efetivamente que estais aparelhados com fé inabalável, como que pregados de corpo e alma na Cruz do Senhor Jesus Cristo, confirmados na caridade no Sangue de Cristo, cheios de fé em Nosso Senhor, que é de fato da linhagem de Davi, segundo a carne, Filho de Deus porém consoante a vontade e o poder de Deus, de fato nascido de uma Virgem e batizado por João, a fim de que se cumpra n’Ele toda a justiça. Sob Pôncio Pilatos, e o tetrarca Herodes foi também de fato pregado (na Cruz), em carne, por nossa causa – fruto pelo qual temos a vida, pela Sua Paixão bendita em Deus – a fim de que Ele por Sua ressurreição levantasse Seu sinal para os séculos em beneficio de Seus santos fiéis, tanto judeus, como gentios, no único corpo de Sua Igreja. CAPÍTULO II Tudo isso padeceu por nossa causa, para obtermos salvação. Padeceu de fato, como também de fato ressuscitou a Si próprio, não padecendo só aparentemente, como afirmam alguns infiéis. Eles é que só vivem aparentemente, e, conforme pensam, também lhes sucederá: não terão corpo e se assemelharão aos demônios. CAPÍTULO III Eu porém sei e dou fé que Ele, mesmo depois da ressurreição, permanece em Sua carne. Quando se apresentou também aos companheiros de Pedro, disse-lhes: Tocai em mim, apalpai-me e vede que não sou espírito sem corpo. De pronto n’Ele tocaram e creram, entrando em contato com Seu Corpo e com Seu espírito. Por isso, desprezaram também a morte e a ela se sobrepuseram. Após a ressurreição, comeu e bebeu com eles, como alguém que tem corpo, ainda que estivesse unido espiritualmente ao Pai. CAPÍTULO IV Encareço tais verdades junto a vós, caríssimos, embora saiba que também vós assim pensais. Quero prevenir-vos contra os animais ferozes em forma humana. Não só não deveis recebê-los, mas, quanto possível, não vos encontreis com eles. Só haveis de rezar por eles, para que, quem sabe, se convertam, coisa por certo difícil. Sobre eles, no entanto, tem poder Jesus Cristo, nossa verdadeira vida. Pois, se nosso Senhor só realizou as obras na aparência, então também eu estou preso só aparentemente. Por que então me entreguei a mim mesmo, à morte, ao fogo, à espada, às feras? Mas estar perto da espada é estar perto de Deus; encontrar-se em meio às feras é encontrar-se junto a Deus, unicamente, porém, quando em nome de Jesus Cristo. Para padecer junto com Ele, tudo suporto, confortado por Ele, que se tornou perfeito homem. CAPÍTULO V Alguns O negam, por ignorância, ou melhor, foram renegados por Ele, por serem antes advogados da morte do que da verdade. A estes não conseguiram converter as profecias, nem a lei de Moisés, nem mesmo até hoje o Evangelho e as torturas de cada um de nos. Pois sobre nós professam eles a mesma opinião. De que me vale um homem – ainda que me louve – se blasfema contra meu Senhor, não confessando que Ele assumiu carne? Quem não o professa negou-O por completo e carrega consigo seu cadáver. Os nomes deles, uma vez que são infiéis, não me pareceu necessário escrevê-los; preferiria até nem lembrar-me deles, enquanto se não converterem à Paixão, que é a nossa Ressurreição. CAPÍTULO VI Ninguém se iluda: mesmo os poderes celestes e a glória dos anjos, até os arcontes – visíveis e invisíveis hão de sentir o juízo, caso não crerem no sangue de Cristo. Compreenda-o quem for capaz de o compreender. Ninguém se ufane de sua posição, pois o essencial é a fé e o amor, e nada se lhes prefira. Considerai bem como se opõem ao pensamento de Deus os que se prendem a doutrinas heterodoxas a respeito da graça de Jesus Cristo, vinda a nós. Não lhes importa o dever de caridade, nem fazem caso da viúva e do órfão, nem do oprimido, nem do prisioneiro ou do liberto, nem do que padece fome ou sede. CAPÍTULO VII Abstêm-se eles da Eucaristia e da oração, porque não reconhecem que a Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que padeceu por nossos pecados e que o Pai, em Sua bondade, ressuscitou. Os que recusam o dom de Deus, morrem disputando. Ser-lhes-ia bem mais útil praticarem a caridade, para também ressuscitarem. Convém, pois, manter-se longe de tais pessoas, deixar de falar delas em particular e em público, e passar toda a atenção aos Profetas, especialmente ao Evangelho, pelo qual se nos patenteou a Paixão e se consumou a Ressurreição. Fugi das dissensões, fonte de misérias. CAPÍTULO VIII Sigam todos ao bispo, como Jesus Cristo ao Pai; sigam ao presbitério como aos apóstolos. Acatem os diáconos, como à lei de Deus. Ninguém faça sem o bispo coisa alguma que diga respeito à Igreja. Por legítima seja tida tão-somente a Eucaristia, feita sob a presidência do bispo ou por delegado seu. Onde quer que se apresente o bispo, ali também esteja a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus também nos assegura a presença da Igreja Católica. Sem o bispo, não é permitido nem batizar nem celebrar o ágape. Tudo, porém, o que ele aprovar será também agradável a Deus, para que tudo quanto se fizer seja seguro e legítimo. CAPÍTULO IX No mais, é razoável voltarmos ao bom-senso, e convertermo-nos a Deus, enquanto ainda for tempo. Bom é tomarmos conhecimento de Deus e do bispo. Quem honra o bispo será também honrado por Deus; quem faz algo às ocultas do bispo presta culto ao diabo. Que tudo redunde em graça a vosso favor, pois bem o mereceis. Vós me confortastes de toda maneira e Jesus Cristo a vós. As provas de carinho me seguiram, presente estivesse eu ou ausente. Que Deus seja a paga, por cujo amor tudo suportais, pelo que também haveis de chegar a possuí-lo. CAPÍTULO X Fizestes bem em receber, como diáconos de Cristo-Deus, a Fílon e Reos Agátopos – que pela causa de Deus me seguiram. Agradecem eles ao Senhor por vós, porque os confortastes de toda a sorte. Nada disso se perderá para vós. Dou-vos como preço de resgate meu espírito e minhas algemas que vós não desprezastes e de que também não vos envergonhastes. Jesus Cristo também de vós não se envergonhará, Ele que é a fé perfeita. CAPÍTULO XI Vossa oração aproveitou à Igreja de Antioquia na Síria, de onde vim preso com grilhões, tão do agrado de Deus, e donde a todos saúdo, embora não seja digno de ser de lá, eu, o menor dentre eles. Mas, pela vontade de Deus, fui tido por digno, não pelo julgamento de minha consciência, mas sim pela graça de Deus. Desejo que ela me seja concedida em sua perfeição, a fim de que eu, por meio de vossa oração, encontre a Deus. No entanto, para que vossa obra seja perfeita, tanto na terra como no céu, cumpre que a Vossa Igreja, para honra de Deus, escolha um seu legado que vá até a Síria, para se congratular com eles, porque gozam novamente de paz, readquiriram sua grandeza e lhes foi restaurado o corpo. É a meu ver de fato obra digna enviardes um legado de vosso meio, com uma carta, a fim de celebrar com eles a paz que lhes foi concedida, consoante a vontade de Deus, pois já chegaram ao porto, graças à vossa oração. Sendo perfeitos, pensai também no que é perfeito, pois se tencionais agir bem, Deus está igualmente disposto a vo-lo conceder. CAPÍTULO XII Saúda-vos a caridade dos irmãos de Trôade, donde vos escrevo por intermédio de Burrus, a quem enviastes juntamente com os efésios, vossos irmãos, para me fazer companhia. Animou-me em todo sentido. Todos deveriam imitá-lo como exemplo no serviço de Deus. A graça o recompensará em todo sentido. Saudações ao bispo, digno de Deus, a vosso presbitério tão agradável a Deus, aos diáconos, meus companheiros de serviço a cada um em particular e a todos em geral, em nome de Jesus Cristo, na Sua carne e no Seu sangue, na Paixão e na Ressurreição, em corpo e alma, na unidade de Deus e na vossa. Para vós a graça, a misericórdia, a paz, e a paciência para todo sempre. CAPÍTULO XIII Saudações às famílias de meus irmãos, com suas esposas e filhos e com as virgens, chamadas viúvas. Passar bem na força do Pai. Saudações da parte de Fílon que está comigo. Meus cumprimentos à família de Tavia, a quem desejo se robusteça na fé e na caridade, tanto corporal como espiritual. Saudações a Alceu, nome tão querido, a Dafnos o incomparável e a Eutecno. Enfim, a todos nominalmente. Passar bem na graça de Deus. Epístola a Policarpo de Esmirna Inácio, Bispo de Antioquia (35-110 d.C) INTRODUÇÃO Inácio, também chamado Teóforo, a Policarpo, bispo da Igreja dos esmirnenses, ou antes àquele que tem a Deus-Pai e ao Senhor Jesus Cristo como o bispo os melhores votos de felicidades. CAPÍTULO I Dando acolhida a teus sentimentos em Deus, me rejubilo exaltado, porque eles estão fundados numa rocha inabalável e porque eu fui julgado digno de contemplar teu rosto puro, gozo este que gostaria de perpetuar em Deus. Pela graça de que estás revestido, eu te exorto’ a acelerar ainda teu passo e a exortar também os outros para que se salvem. Justifica tua posição, empenhando-te todo, física e espiritualmente. Cuida da unidade; nada melhor do que ela. Promove a todos como o Senhor te promove; suporta a todos com amor, como aliás o fazes. Dispõe-te para orações ininterruptas; pede ainda maior inteligência do que já tens; sê vigilante, dono de um espírito sempre alertado. Fala a cada qual no estilo de Deus. Vai levando as enfermidades de todos como atleta consumado. Quanto maior o labor, maior o lucro. CAPÍTULO II Se te agradares dos bons discípulos não terás méritos submete antes com doçura os contaminados. Nem toda ferida se cura com o mesmo emplastro. Crises violentas acalmam-se com compressas úmidas. Faze-te prudente como serpente em todos os assuntos, sempre simples como a pomba. Por isso é que és carnal e espiritual para atraíres a teu rosto o que te aparece ante os olhos. As coisas invisíveis pede que te sejam reveladas, para que não te chegue a faltar nada e tenhas toda graça em abundância. O tempo atual exige tua presença, para chegares até Deus, assim como os pilotos anelam pelos ventos e os açoitados da tempestade pelo porto. Sê sóbrio como atleta de Deus. O premio é a incorruptibilidade e a vida eterna, do que aliás já te convenceste. Em todos os sentidos, somos teu resgate eu e minhas cadeias que te são caras. CAPÍTULO III Aqueles que parecem dignos de fé e no entanto ensinam o erro não te abalem. Mantém-te firme como bigorna sob os golpes. É próprio de um grande atleta receber pancadas e vencer. Não tenhas nenhuma dúvida, temos que suportar tudo pela causa de Deus, para que também Ele nos suporte. Torna-te ainda mais zeloso do que és; aprende a conhecer os tempos. Aguarda o que está acima do oportunismo, o atemporal, o invisível que por nossa causa se fez visível, o impalpável, o impassível que por nós se fez passível, o que de todos os modos por nós sofreu!. CAPÍTULO IV Viúvas não fiquem desatendidas; depois do Senhor, providencia tu por elas. Nada se faça sem o teu consentimento; nada faças tu sem Deus; o que aliás não fazes. Sê firme. As reuniões sejam freqüentes; procura a todos, um por um. Não trates com sobranceria a escravos e escravas; também eles não se encham de orgulho, mas sirvam com mais dedicação para a glória de Deus, a fim de alcançarem da parte de Deus uma liberdade melhor. Que não se inflamem sabendo que poderiam libertar-se à custa da comunidade, a fim de não acabarem por escravizar-se à cobiça. CAPÍTULO V Foge às más artes, prega antes contra elas. Fala às minhas irmãs, que amem o Senhor e se contentem com os maridos na carne e no espírito. Da mesma forma, recomenda aos meus irmãos em nome de Jesus Cristo que amem suas esposas como o Senhor ama a Igreja. Se alguém é capaz de perseverar na castidade em honra da carne do Senhor, persevere sem orgulho. Caso se orgulhar, está perdido; se ainda for tido como mais do que o Bispo, está corrompido. Convém aos homens e às senhoras que casam contraírem a união como consentimento do bispo, a fim de que o casamento se realize segundo o Senhor e não conforme a paixão. Tudo se faça para honra de Deus. CAPÍTULO VI Atendei ao bispo para que Deus vos atenda. Ofereço-me como resgate daqueles que se sujeitam ao bispo, aos presbíteros e diáconos. Com eles me seja concedido ter parte em Deus. Labutai uns ao lado dos outros, lutai juntos, correi, sofrei, dormi, acordai unidos, como administradores de Deus, como Seus assessores e servos. Procurai agradar Aquele sob cujo estandarte combateis, de quem igualmente recebeis o soldo. Que não se encontre desertor entre vós. Vosso batismo há de permanecer como escudo, a fé como capacete, o amor como lança, a paciência como armadura. Vossos fundos de reserva são vossas obras, para receberdes um dia os vencimentos devidos. Sede pois magnânimos uns com os outros na doçura, como Deus o é convosco. Oxalá possa alegrar-me convosco sempre. CAPÍTULO VII Uma vez que a Igreja em Antioquia da Síria goza de paz, como me foi participado, graças a vossas orações, também eu me encorajei mais, pela confiança em Deus; contanto que me encontre com Ele pelo sofrimento e assim no dia da ressurreição possa ser contado como vosso discípulo. Convém, ó Policarpo feliz em Deus, convocar uma reunião agradável a Deus e escolher alguém, tido como especialmente querido e incansável, para poder chamar-se estafeta de Deus; encarregar pois a um tal de viajar para a Síria e aí celebrar vossa caridade infatigável para a glória de Deus. Um cristão não tem poder sobre si mesmo, mas está à disposição de Deus. Esta obra é de Deus e vossa, caso a leveis ao fim. Confio na graça, que estejais prontos para uma obra boa que convém a Deus. Conhecendo vosso zelo pela verdade, acabei por exortar-vos com essas poucas linhas. CAPÍTULO VIII Uma vez que não pude escrever a todas as Igrejas, por ter que partir apressadamente de Trôade para Nápoles, como manda a vontade de Deus, escreverás às Igrejas mais do Oriente, pois que possuis o espírito de Deus, a fim de que elas também façam o mesmo: umas – as que podem – enviando mensageiros, as outras por sua vez cartas através de enviados teus. Assim sereis enaltecidos por uma obra imperecível, como bem o mereces. Saudações a todos nominalmente, também à viúva de Epitropos com toda a família e filhos. Saudações a Átalo meu amigo; saudações àquele que for julgado digno de viajar à Síria. A graça há de estar sempre com ele e com Policarpo que o envia. Faço votos que passeis bem para sempre em nosso Deus Jesus Cristo, no qual haveis de permanecer na união com Deus e o bispo. Saudações a Alceu, que me é tão caro. Passar bem no Senhor. Martírio de Inácio de Antioquia Autor: Anônimo (Séc. I) CAPÍTULO I – DESEJO DE INÁCIO PELO MARTÍRIO Quando Trajano, há não muito tempo, subiu ao trono Romano, Inácio, o discípulo de João o apóstolo, um homem em todos os aspectos com um caráter apostólico, governou a Igreja de Antioquia com grande zelo. Tendo, com dificuldade, escapado das tempestades de inúmeras perseguições sob Domiciano, na medida em que, como grande piloto, pela guia da Oração e do Jejum, pela retidão dos seus ensinos e pelo seu [constante] trabalho espiritual, resistiu à enxurrada que rolou contra ele, temendo [apenas] não perder nenhum daqueles que eram fracos de coragem, mas também inaptos para sofrer por suas simplicidades. Portanto ele se alegrou diante do tranqüilo estado da Igreja, quando a perseguição cessou, por um curto período de tempo, mas se entristeceu consigo mesmo, pois não havia ainda conseguido chegar dar um verdadeiro testemunho de amor a Cristo, nem chegado ao perfeito posto de um discípulo. Então ele pensava consigo mesmo, que a profissão de fé que é feita pelo martírio, faria com que ele tivesse ainda mais intimidade com o Senhor. Portanto, continuando uns poucos longos anos com a Igreja, como uma lâmpada divina, iluminou o entendimento de cada um pela exposição das [Sagradas] Escrituras, então ele [por fim] alcançou o objeto de seu desejo. CAPÍTULO II – INÁCIO É CONDENADO POR TRAJANO Então, Trajano, no nono ano de seu reinado, sendo exaltado [com orgulho], depois da vitória sobre os Citas, Dácios e muitas outras nações. Pensando no corpo religioso dos cristãos, estava ainda querendo completar a subjugação de todas as coisas a ele mesmo, e [Então] ameaçava-os com a perseguição a menos que eles concordassem em adorar os demônios, como fizeram todas as outras nações, assim obrigando a todos os que tinham religião fazerem sacrifícios aos demônios ou então morrer. Portanto o Nobre Soldado de Cristo, [Inácio], temendo pela Igreja de Antioquia, foi, de acordo com o seu próprio desejo trazido para diante de Trajano, que naquele tempo estava em Antioquia, mas estava com pressa, para ir contra a Armênia e os partos. E quando Inácio foi colocado diante do imperador Trajano [este príncipe] disse lhe: “Quem é você, perverso vilão, que pões-se a transgredir nossos comandos, e persuadir aos outros a fazerem o mesmo, fazendo com que eles miseravelmente pereçam?” Inácio respondeu: “Ninguém deve chamar Teóforo de maligno, porque todos os espíritos malignos se afastaram dos servos de Deus. Mas se, porque eu sou um inimigo desses [espíritos], você me chama de maligno, em relação a eles, eu concordo com você, pois na medida em que eu tenho Cristo, o Rei do céu [dentro de mim], eu destruo todas as armas destes [espíritos malignos].” Trajano perguntou: “e quem é Teóforo?” Inácio replicou:“Ele é aquele que tem Cristo dentro de seu coração.” Trajano disse: “Nós, então, não parecemos-lhe que temos os deuses em nossas mentes, cuja assistência desfrutamos na luta contra os nossos inimigos?” Inácio respondeu: “Você está errado quando chama os demônios das nações de deuses. Pois há um só Deus, que fez o céu, a terra e o mar, e tudo o que neles há; e um Jesus Cristo, O Filho Unigênito de Deus, cujo o reino eu ei de desfrutar.” Trajano disse: “você está falando daquele que foi crucificado sob Pôncio Pilatos?” Inácio replicou: “Sim eu falo dele, aquele que crucificou meu pecado, com ele que foi o inventor disto, e quem condenou [e precipitou] todo o engano e malicia do diabo debaixo dos pés de quem o carrega em seu coração. Verdadeiramente então; por isso está escrito “Habitarei no meio deles e com eles caminharei.” 2 Coríntios 6, 16.” Então Trajano pronunciou a seguinte sentença: “Nós ordenamos que Inácio, que afirma que carrega dentro de si, aquele que foi crucificado, seja compelido pelos soldados e levado para a grande [cidade] Roma. Para lá ser devorado pelas bestas, para o divertimento das pessoas.” Quando o Santo Mártir ouviu esta sentença, ele chorou de alegria e agradeceu: “O Senhor, eis que tu me concedes a honra de te mostrar o meu perfeito amor, e ter me feito ser preso com correntes de ferro como Teu Apostolo Paulo.” Tendo dito assim, Ele então, com prazer, apertou as correntes sobre ele; e quando fez a primeira oração pela igreja, e a levou ao senhor com lágrimas, ele foi levado as pressas pela crueldade dos soldados, como um carneiro diferenciado, o líder de um Bom rebanho, e foi levado para Roma, para lá servir de alimento para as bestas sanguinárias. CAPÍTULO III – INÁCIO NAVEGA PARA ESMIRNA Portanto, com entusiasmo e alegria, pelo de seu desejo de sofrer, ele desceu de Antioquia a Selêucida, de onde ele partiu. E depois de grande sofrimento, veio a Esmirna, onde desembarcou com grande alegria, e apressou-se para ver o santo Policarpo, seu [ex-] condiscípulo, e [agora] bispo de Esmirna. Ambos tinham, em tempos antigos, sido discípulos de São João Apóstolo. Sendo então trazido até ele, e tendo comunicado a respeito de alguns dons espirituais, e gloriando-se de suas amarras, ele suplicou a Policarpo para ajudar-lo na realização de seu desejo; fervorosamente de fato pedindo isto a toda a Igreja (para as cidades e igrejas da Ásia que tinha recebido o Santo Homem através de seus bispos e presbíteros e diáconos, todos se apressando para encontrá-lo, para que de alguma forma pudessem receber dele algum dom espiritual), mas acima de tudo, o santo Policarpo, que, por meio das feras, ele logo desapareceria deste mundo, para se manifestar diante da face de Cristo. CAPÍTULO IV – INÁCIO ESCREVE AS IGREJAS E estas coisas ele assim falou e assim testemunhou, mostrando o seu amor para com Cristo, perseverando como quem estava prestes a garantir o céu, através de sua boa profissão de fé, e pela seriedade daqueles que juntaram suas orações as dele em consideração a sua luta próxima luta; E para dar a recompensa as igrejas, que vieram encontrá-lo através de seus governantes, enviou-lhes cartas de agradecimento, eles que caíram na graça espiritual, juntamente com oração e exortação. Então, vendo todos os homens consternados por ele, e temendo que o amor dos seus irmãos pudesse impedir o seu zelo para com o Senhor, enquanto a reta porta do martírio era aberta, ele escreveu a Igreja dos Romanos a epistola que aqui está anexada. CAPÍTULO V – INÁCIO É TRADUZIDO PARA ROMA Tendo, portanto, por meio desta epistola, informado, o seu desejo, àqueles irmãos que estavam em Roma, que não queriam o seu martírio; e partindo de Esmirna (para Cristóforos foi pressionado pelos soldados a se apressar para o espetáculo público na poderosa [cidade] Roma, que, sendo dados paras as bestas vorazes na vista do povo romano, ele pudesse alcançar a coroa pela qual ele se esforçou) desembarcou próximo a Trôade. Então, indo daquele lugar para Neápolis, ele foi [a pé] por Felipo através da Macedônia, e na região de Épiro, que é próximo a Epidamno; encontrou um navio em um dos portos, então navegou pelo mar Adriático, e adentrando nele em Tirreno, ele passou por várias ilhas e cidades, até que Putéoli veio à vista, ele estava ansioso para desembarcar ali, tendo o desejo de trilhar os mesmos passos do apóstolo Paulo (Atos 28:13-14). Mas um vento violento começou e não lhe permitiu fazê-lo, o navio foi conduzido rapidamente a diante, então, ele simplesmente expressou sua alegria para com o amor dos irmãos daquele lugar, e continuaram a navegar. Continuando a desfrutar de bons ventos, nós ficávamos perturbados de dia e de noite, tristes [como fizemos] pela partida próxima de nós deste homem justo. Mas para ele acontecia exatamente como ele desejava, já que ele estava com pressa, para o mais breve possível deixar este mundo, para que pudesse alcançar o Senhor a quem ele amava. Navegando então para o porto romano, os esportes ímpios estavam prestes a acabarem, os soldados começaram a se incomodar com a nossa lentidão, mas o bispo alegremente cedeu à urgência. CAPÍTULO VI – INÁCIO É DEVORADO PELAS BESTAS EM ROMA Eles nos levaram, portanto, do lugar chamado, Portus; (a fama de tudo relacionado ao Santo Mártir já tinha sido espalha por todo o lugar) Nós encontramos os Irmãos cheios de pavor e alegria; regozijando na verdade por que eles iriam encontrar Teóforo, mas com medo por que um homem tão eminente estava sendo levado à morte. Agora ele ordenou alguns a ficarem em silencio que, em seu fervoroso zelo, estavam dizendo que iriam acalmar as pessoas, para que eles não exigissem a destruição deste homem Justo. Ele estando imediatamente ciente disto através Espírito, e tendo saudado todos eles, implorou a todos a mostrarem todo o seu afeto para com ele, e tendo se alongado [até esta hora], mas do que em sua epistola, tendo convencido eles, para não impedi-lo de chegar ao Senhor, ele então, depois, com todos ajoelhados ao seu lado suplicou ao Filho de Deus em favor das Igrejas, para que um fim fosse dado a perseguição, e que o amor mutuo pudesse continuar entre os irmãos, foi então levado com toda a pressa para o anfiteatro. Então, Jogado lá, de acordo com o decreto de Cesar promulgado há algum tempo, o espetáculo publico estava preste a acabar (pois era um dia solene, como eles consideravam, sendo que é chamado de Décimo Terceiro dia na língua dos Romanos, no qual o povo estava acostumado a se agrupar numa imensa multidão.), ele então assim foi levado para as bestas ao lado do templo, para que por meio deles o desejo do Santo mártir Inácio pudesse sem realizado plenamente, de acordo com o que está escrito: O desejo do justo é aceitável (cf. Provérbios 10, 24) [a Deus], para que ele não pudesse ser um problema para nenhum dos seus irmãos no que diz respeito a juntarem seus restos mortais, assim como ele tinha expressado em sua epistola um desejo de antemão para que seu fim pudesse ser completo. Então somente as partes mais duras dos seus Santos restos mortais foram deixadas, em seguida transladados para Antioquia e envoltas em linho, como um inestimável tesouro deixado para a Santa Igreja pela graça que estava no Mártir. CAPÍTULO VII – INÁCIO APARECE EM UMA VISÃO APÓS A MORTE Agora estas coisas aconteceram no décimo terceiro dia antes das calendas de Janeiro, que é em 20 de Dezembro, Quando Sura e Sinésio eram cônsules dos romanos pela segunda vez. Tendo, nós mesmos, sido testemunhas oculares destes acontecimentos, e tendo passado a noite toda em lágrimas dentro de casa, suplicando ao Senhor de joelhos e com muita oração para que Ele desse nos, homens fracos, plena garantia a respeito das coisas que haviam se sucedido. Aconteceu que quando estávamos cochilando, alguns de nós viram o abençoado Inácio de repente de pé em nossa frente e nos abraçando, enquanto outros o viram novamente orando por nós, e outros ainda viram-no todo suado, como quem acabou de chegar de um trabalho pesado, e esperando o Senhor. Quando, portanto, Nós tendo, com grande alegria, testemunhado estas coisas, e comparado nossas diversas visões juntos, cantamos louvores ao Senhor, o doador de todas as boas coisas, e expressamos nosso sentimento de Alegria para com o Santo [Mártir]; e agora tendo feito conhecido a vocês, o dia e a hora deste martírio, nós poderemos ter comunhão com o campeão e nobre Mártir de Cristo, o qual pisou a cabeça de Satanás, e aperfeiçoou a jornada que, por amor a Cristo, ele desejou, em Cristo nosso Senhor; pelo qual e com o qual, seja a glória e poder para o Pai com o Santo Espírito, Para Sempre! Amem. Fonte:m.franciscocatolico.com.br
- A educação medieval segundo o Diário de um estudante, escrito por Walafried Strabo (806-849)
A primeiro questionamento necessário é saber o que representava a educação em um mosteiro para um cidadão comum na idade média. Cesário de Arles (c. 470-542), nascido em Chalon-sur-Saône, filho de burgúndios pobres, ao recordar da educação que recebeu na infância diz: “Essa ilha santa acolheu minha pequenez nos braços de seu afeto. Como uma mãe ilustre e sem igual e como uma ama-de-leite que dispensa a todos os bens, ela se esforçou para me educar e me alimentar.” Essa obra é analisada no artigo Valorización y educación del Niño en la Edad Media, op. cit., p.22. Pode-se perceber que o mosteiro é considerado por Cesário como uma mãe que se esforçou para educa-lo e alimenta-lo. O carinho e a felicidade que são apresentados por estas palavras não é de nos surpreender visto que na Idade Média, a Educação era vista como um instrumento para se alcançar a Sabedoria, que consequentemente, levaria o homem à Felicidade, um bem desejado por si mesmo e mais perfeito que todos os outros bens (al-Farabi, 2002: 43-44). Tal sabedoria ao contrário do que é alegado estende-se a um vasto campo de conhecimento, evitando limitar-se apenas ao conhecimento religioso, afinal dentro dos mosteiros os estudantes eram orientados a considerar importante todo o conhecimento científico¹. A base do currículo educacional medieval foi dada pela obra O casamento da Filologia e Mercúrio, do cartaginês Marciano Capela, escrita por volta de 410-427. Nela, o autor, influenciado pela enciclopédia de Varrão (Sobre as Nove Disciplinas), tratou das Sete Artes Liberais, damas de honra daquele casamento: 1) Gramática, 2) Retórica, 3) Dialética, 4) Aritmética, 5) Geometria, 6) Astronomia e 7) Harmonia. Marciano Capela deixou de lado a Medicina e a Arquitetura, por tratarem de coisas terrestres que “…não têm nada em comum com o céu.” (Citado em Nunes, 1979: 75). Então, fica claro e evidente que na idade média não se aprendia nos mosteiros apenas a repetir orações, rezar salmos e ler a bíblia, embora todas essas atividades fossem fundamentais para a vida dos homens desse período. Gostaria de analisar neste momento a obra Diário de um estudante de Walafried Strabo que é o objeto deste trabalho. É necessário se ater ao que está escrito e perceber cada palavra respeitando seus significados afim de entender o que de fato o autor quer nos transmitir sobre a sua vida estudantil, suas expectativas, desafios e conquistas: “Eu era totalmente ignorante e fiquei muito maravilhado quando vi os grandes edifícios do convento (…) fiquei muito contente pelo grande número de companheiros de vida e de jogo, que me acolheram amigavelmente. Depois de alguns dias, senti-me mais à vontade (…) quando o escolástico Grimaldo me confiou a um mestre, com o qual devia aprender a ler. Eu não estava sozinho com ele, mas havia muitos outros meninos da minha idade, de origem ilustre ou modesta, que, porém, estavam mais adiantados que eu. A bondosa ajuda do mestre e o orgulho, juntos, levaram-me a enfrentar com zelo as minhas tarefas, tanto que após algumas semanas conseguia ler bastante corretamente(…) Depois recebi um livrinho em alemão, que me custou muito sacrifício para ler mas, em troca, deu-me uma grande alegria…” Os grifos são meus, tenho a intenção de deixar em evidencia alguns trechos que chamam a atenção e por si respondem a algumas questões que insistentemente são apresentadas. Strabo reconhece que ao chegar ao mosteiro era completamente ignorante e ficou admirado com toda a estrutura que havia encontrado, foi bem recebido por um grande número de companheiros. Importante é a afirmação de que ele não estava sozinho, que havia muitos outros estudantes da mesma idade que ele, alguns de origem nobre e outros de procedência humilde. Por isso a afirmação de que a entrada no mosteiro era para poucos e principalmente apenas para os nobres deve ser colocada em dúvida diante deste relato. Aquilo que o jovem Strabo conquistou – aprender a ler – é uma realidade possível de se alcançar por “muitos” e sobretudo, pelos mais pobres dessa sociedade, segundo o autor, a admissão nesse ambiente pedagógico era amplo e sem descriminação de condição social. Outro dado que é possível notar é a eficácia deste sistema que fez com que o menino aprendesse a ler em um curto espaço de tempo. Logo, o latim que é tão impossível e difícil de aprender como dizem alguns, se tornou muito fácil para o menino, ou seja, deve-se assumir uma entre estas duas coisas: ou o modelo pedagógico dos mosteiros era muito eficiente, ou o latim não é um bicho de sete cabeças e os que afirmam isso no fundo só querem colocar obstáculos afim de conseguir dizer que os homens na idade média eram verdadeiramente ignorantes e não conseguiam ler devido à dificuldade do idioma. Seja qual for a alternativa escolhida outra questão que devemos observar é que não se ensinava apenas latim dentro de um mosteiro, e fica demonstrado que embora o aprendizado do idioma latino possa ter sido verificado, havia também o incentivo à leitura do alemão e, podemos considerar que provavelmente também, de outros idiomas. Deste modo, é possível verificar que as pessoas não deixaram de aprender a ler por seus livros serem em latim ou somente em latim. Conforme relata em seu diário o estudante Strabo, o aprendizado e o acesso à leitura era possível e motivo de grande alegria. Fontes Primárias AL-FARABI. El camino de la felicidad (trad., introd. y notas de Rafael Ramón Guerrero). Madrid: Editorial Trotta, 2002. Bibliografia 1.COSTA, Ricardo da. “A Educação Infantil na Idade Média”. In: LAUAND, Luiz Jean (coord.). VIDETUR 17. Porto: Universidade do Porto / USP, 2002, p. 13-20. DE CASSAGNE, Irene (PUC – Buenos Aires – Argentina). Valorización y educación del Niño en la Edad Media, p. 20 (artigo consultado no site http://www.uca.edu.ar) MANACORDA, Mario Alighiero. História da Educação – da Antigüidade aos nossos dias, op. cit., p. 135. NUNES, Rui Afonso da Costa. História da Educação na Idade Média, op. cit., p. 157-159 (SÖHNGEN, C. J. De medii aevi puerorum institutione in occidente. Diss. Amsterdam 1900). mar 2, 2017Robson Oliveira Fonte: humanitatis.net
- A Virgem Maria à Luz dos Escritos Patrísticos nos primeiros séculos
Através dos primeiros escritos históricos – os quais são chamados Patrísticos -, percebemos como os cristãos foram compreendendo e aprofundando os numerosos títulos encontrados no Evangelho: – “Cheia de Graça” (Lucam I,28) – “Serva do Senhor” (Lucam I,38) – “Mãe do meu Senhor” (Lucam I,43) – “Bem-aventurada me chamarão todas as gerações” (Lucam I,48) Maria à Luz dos Escritos Patrísticos! 1. Santo Inácio de Antioquia – ano 107 “Nosso Deus, Jesus Cristo, tomou carne no seio de Maria segundo o plano de Deus… Permaneceu oculta ao príncipe deste mundo (Ioannem XII,31. XIV,30) a virgindade de Maria e seu parto, como igualmente a morte do Senhor: três mistérios de grande alcance, que se processaram no silêncio de Deus” (Inácio aos Efésios 18 e 19). “… de Jesus, da descendência de Davi, Filho de Maria, o qual nasceu de fato, comeu e bebeu” (Inácio aos Tralianos 9). 2. São Justino Mártir – ano 155 “Fez-se homem, por meio da Virgem, a fim de que o caminho que deu origem à desobediência instigada pela serpente, fosse também o caminho que destruiu a desobediência. Eva era virgem e incorrupta, concebendo a palavra da serpente, gerou a desobediência e a morte. A Virgem Maria, porém, concebeu fé e alegria, quando o anjo Gabriel lhe anunciou a Boa-Nova de que o Espírito do Senhor viria sobre ela, a Força do Altíssimo a cobriria com sua sombra, de modo que o Santo que dela nasceria, seria o Filho de Deus. Então respondeu ela: ‘Faça-se em mim, segundo a tua palavra’. Da Virgem, portanto, nasceu Jesus, de quem falam as Escrituras… Aquele por quem Deus destrói a serpente” (Diálogo com Trifão 100,4-5). 3. O Protoevangelho de Tiago – ano 170 É um texto apócrifo, redigido em grego. A antiguidade do texto lhe confere autoridade, embora esteja redigido de maneira fantasiosa, como acontece em toda literatura apócrifa. Por apócrifos, a Igreja Católica sempre considerou os escritos que foram considerados como fantasiosos pelos primeiros cristãos e não aceitos como inspirados, pelos Concílios Ecumênicos dos primeiros séculos. Mas apesar deste escrito ser considerado apócrifo, a Igreja acolheu duas referências: – Os nomes dos pais de Maria, Ana e Joaquim, celebrados aos 26 de julho na Liturgia; – A Apresentação de Maria no Templo (conforme o costume judeu de educar as meninas no Templo), festejada a 21 de novembro. 4. Santo Irineu – ano 185 “Da mesma forma que aquela (Eva) foi seduzida por desobedecer a Deus, esta (Maria) foi persuadida a obedecer a Deus por ser ela, a Virgem Maria, a advogada de Eva. Assim o gênero humano, submetido à morte por uma Virgem, tornando-se contra-balançada a desobediência de uma virgem pela obediência de outra” (Contra as Heresias liv. 5, cap. 19) “Por conseguinte,… encontra-se Maria, Virgem obediente… Eva, ainda virgem, fez-se desobediente e tornou-se para si e para todo o gênero causa de morte. Maria, Virgem obediente, tornou-se para si e para todo o gênero humano causa de Salvação… A partir de Maria até Eva, retoma-se o mesmo círculo (= a recirculação). Não existe outro modo de desatar o nó a não ser fazendo com que os fios da corda onde se deu o nó, percorram o sentido contrário… Eis porque Lucas inicia a genealogia de Jesus começando pelo Senhor e indo até Adão (Lucam III,23-38), evidenciando que o verdadeiro movimento da geração não procede dos antepassados até Cristo, mas vai de Cristo a eles segundo… o Evangelho da vida. Assim é que a desobediência de Eva foi resgatada pela obediência de Maria; com efeito, o nó que a virgem Eva atou com a incredulidade, Maria o desatou com a Fé” (Contra as Heresias 3,22). 5. Tertuliano – ano 205 É um dos primeiros escritores de língua latina. Ele, várias vezes, afirma a concepção virginal de Cristo no seio de Maria: “A norma de Fé é absolutamente uma só, imutável, irreformável: Crer em um só Deus Todo-Poderoso, Criador do mundo, e em Jesus Cristo, Seu Filho nascido da Virgem Maria” (Do Véu das Virgens, 1). “Antes de tudo, será preciso apontar o motivo pelo qual o Filho de Deus devia nascer de uma virgem: devia nascer de um modo novo, o iniciador de um novo nascimento, acerca do qual o Senhor havia dado um sinal anunciado de antemão por Isaías. Qual é este sinal? A virgem conceberá e dará à luz um filho (Isaiae VII,14). Concebeu, pois, a Virgem e deu à luz ao Emanuel, que significa Deus-conosco” (Da Carne de Cristo 17,2). 6. Santo Efrém “o Sírio” – ano 360-370 Em honra de Maria compôs muitos e muitos versos até hoje conservados, ele que é a voz mais representativa e autorizada da Igreja siríaca antiga. Suas expressõesm são magníficas a respeito de Nossa Senhora. Poeta de grande inspiração, tem um profundo amor por Maria. “O anjo Gabriel foi enviado a Maria para preparar uma morada para seu Senhor. Nela a raça dos homens vis e insignificantes se uniu com a raça divina que está acima de todas as paixões… Pela prole de Maria tem sido abençoada aquela mãe que foi amaldiçoada em seus filhos (Genesis III,16), trazendo bênçãos, as mais profundas, a esta mulher, cuja prole destruiu a morte e a Satanás. E no seio de Maria se fez criança, Aquele que é igual a Seu Pai desde a eternidade; comunicou-nos Sua grandeza e assumiu nossa pequenez: conosco se fez mortal e nos infundiu Sua Vida a fim de livrar-nos da morte… Maria é o jardim ao qual desceu, do Pai, a chuva de bênção. Esta aspersão chegou até o rosto de Adão: assim Este recobrou a vida e se levantou do sepulcro, já que por seus inimigos tinha sido sepultado no Sheol” (Carmina Soguita, 1) 7. Santo Atanásio – ano 360-370 Acompanhou o Concílio de Nicéia (325) e foi um dos que defendeu o dogma de Theotokos, onde Maria não é apenas a Mãe de Jesus, mas é também considerada a Mãe de Deus. A maternidade divina e virginal de Maria é inteiramente real, e não aparente, pois o Cristo assumiu dela a verdadeira natureza humana. Além disso, considera a virgindade de Maria como sendo perpétua. Eis algumas de suas afirmações: “Se Ele houvesse querido somente ser aparente, teria podido assumir um corpo mais excelente, mas, em realidade tomou um Corpo como o nosso, mesmo que de uma maneira não usual e corrente, pois o Seu Corpo é um Corpo puro e não fruto de uma união marital. Ele assumiu (nossa humanidade) de uma Virgem inviolada, pura e que não conheceu varão. Com efeito, sendo Ele poderoso e criador de todas as coisas, edificou para Si, na Virgem, um templo, ou seja, Seu próprio Corpo” (Discurso sobre a Encarnação do Verbo) “Como o Corpo do Senhor foi colocado a sós no sepulcro, para que pudesse demonstrar Sua Ressurreição, talvez, foi por um motivo semelhante que Seu Corpo proveio de Maria, como Filho único, para que crêssemos em Sua origem divina” (Tratado da Virgindade, 2) 8. São Gregório de Nissa – ano 379-380 Foi São Gregório que nos deixou historicamente documentada a primeira aparição da Virgem Maria. Ele o fez ao escrever a vida de São Gregório Taumaturgo. Ele narra que numa noite o Santo estava meditando acerca de algumas questões difíceis relativas à Fé e que não podia conciliar o sono. Apareceu-lhe então um personagem ancião e de aspecto venerável, revestido com roupas próprias de uma sagrada dignidade, como lemos: “Então o outro estendeu a mão adiante como para mostrar algo que de improviso havia aparecido. Gregório voltou a vista na direção indicada, viu uma figura, que era uma mulher muito mais linda que qualquer pessoa humana. Novamente perturbado desviou o olhar e se sentiu cheio de perplexidade; não sabia o que pensar acerca daquela visão em que não conseguia olhar. O mais extraordinário era que, apesar de ser noite escura, brilhava diante dele uma luz ao lado da figura aparecida, como se tivesse sido acendida uma luz muito brilhante… Diz-se que Gregório escutou a mulher que enxortava ao evangelista João para explicar ao jovem (Gregório) o mistério da verdadeira Fé. São João, por sua parte, se declarou totalmente disposto a obedecer a Mãe do Senhor e disse o que desejava de todo o coração.” (Vida de São Gregório Taumaturgo, p. 46, 912). Agora examinemos a Tradição, desde os primeiros séculos: São Tiago Menor, o qual realizou o esquema da liturgia, prescreve a seguinte leitura, após ler uns passos do antigo e do novo testamento, e de umas orações: “Fazemos memória de nossa Santíssima, Imaculada, e gloriosíssima Senhora Maria, Mãe de Deus e sempre Virgem”. O Santo Apóstolo não se limita a isso, mas torna a sua fé mais expressiva ainda. Após a consagração e umas preces, ele faz dizer ao Celebrante: “Prestemos homenagem, principalmente, a Nossa Senhora, a Santíssima, Imaculada, abençoada acima de todas as criaturas, a gloriosíssima Mãe de Deus, sempre Virgem Maria. E os cantores respondem: É verdadeiramente digno que nós vos proclamemos bem-aventurada e em toda linha irrepreensível, Mãe de Nosso Deus, mais digna que os querubins, mais digna de glória que os serafins; a vós que destes à luz o Verbo divino, sem perder a vossa integridade perfeita, nós glorificamos como Mãe de Deus” (S. jacob in Liturgia sua). O evangelista São Marcos, na Liturgia que deixou às igrejas do Egito, serve-se de expressões semelhantes: “Lembremo-nos, sobretudo, da Santíssima, intemerata e bendita Senhora Nossa, a Mãe de Deus e sempre Virgem Maria”. Na Liturgia dos etíopes, de autor desconhecido, mas cuja composição data do primeiro século, encontramos diversas menções explícitas da Imaculada Conceição. Umas das suas orações começa nestes termos: Alegrai-vos, Rainha, verdadeiramente Imaculada, alegrai-vos, glória de nossos pais. Mais adiante, é pela intercessão da Imaculada Virgem Maria que o Sacerdote invoca a Deus em favor dos fiéis: “Pelas preces e a intercessão que faz em nosso favor Nossa Senhora, a Santa e Imaculada Virgem Maria.”. Terminamos o primeiro século com as palavras de Santo André, apóstolo, expondo a doutrina cristã ao procônsul Egeu, passagem que figura nas atas do martírio do mesmo santo, e data do primeiro século: “Tendo sido o primeiro homem formado de uma terra imaculada, era necessário que o homem perfeito nascesse de uma Virgem igualmente imaculada, para que o Filho de Deus, que antes formara o homem, reparasse a vida eterna que os homens tinham perdido” (Cartas dos Padres de Acaia). A doutrina da Imaculada Conceição era, pois, conhecida no primeiro século e por todos admitida. A esse respeito, nenhuma contradição se levantou na primitiva Igreja. No século segundo, os escritos dos Santos Padres falam da Imaculada Conceição como um fato indiscutível. Entre os escritores e oradores deste século, contamos: São Jusitino, apologista e mártir; Tertuliano e Santo Irineu. No terceiro século, existem também textos claros em defesa da Imaculada Conceição. mas em menor quantidade. Terminemos estas citações, que podiamos prolongar por páginas afora, pela citação do argumento com que São Cirilo refutou Nestório: “Maria Santíssima, diz o grande polemista, é Mãe de Cristo e Mãe de Deus. A carne de Cristo não foi primeiro concebida, depois animada, e enfim assumida pelo Verbo; mas no mesmo momento foi concebida e unida à alma do Verbo. Não houve, pois, intervalo de tempo entre o instante da Conceição da carne, que permitiria chamar Maria “Mãe de um homem”, e a vinda da majestade divina. No mesmo instante a carne de Cristo foi concebida e unida à alma e ao Verbo”. Vê-se, através destas citações, que nenhuma dúvida, nenhuma hesitação existe sobre este ponto no espírito dos Santos Padres. É uma verdade evangélica, tradicional, universal, que todos aceitam e professam. Santo Hipólito, bispo de Porto e mártir, escreveu em 220: “O Cristo foi concebido e tomou o seu crescimento de Maria, a Mãe de Deus toda pura”. Mais além ele diz: “Como o Salvador do mundo tinha decretado salvar o gênero humano, nasceu da Imaculada Virgem Maria”. Orígenes, que viveu em 226 e pareceu resumir a doutrina e as tradições de sua época, escreveu: “Maria, a Virgem-Mãe do Filho único de Deus, é proclamada a digna Mãe deste digno Filho, a Mãe Imaculada do Santo e Imaculado, sendo ela única, como único é o seu próprio Filho.” Em um dos seus sermões sobre S. José, Origenes faz o mensageiro celeste dizer ao santo: “Este menino não precisa de Pai na terra, porque tem um pai incorruptível no céu; não precisa de Mãe no Céu, porque tem uma Mãe Imaculada e casta na terra, a Virgem Bem-aventurada, Maria”. No século quarto, aparecem inúmeros escritos sobre a Imaculada Conceição, cada vez mais explícitos e em maior número. Temos diante de nós as figuras incomparáveis de Santo Atanásio, de Santo Efrem, de S. Basílio Magno, de Santo Epifânio, e muitos outros, que constituem a plêiade gloriosa dos grandes Apóstolos do culto da Virgem Santíssima e, de modo particular, de sua Imaculada Conceição. Nossa Senhora, a Mãe de Deus Tal é a doutrina claramente expressa no Evangelho, e sempre seguida na Igreja Católica. Os Santos Padres, desde os tempos Apostólicos até hoje, foram sempre unânimes a respeito desta questão; seria uma página sublime se pudéssemos reproduzir as numerosas sentenças que eles nos legaram. Citemos pelo menos uns textos dos principais Apóstolos, tirados de suas “liturgias” e transmitidas por escritores dos primeiros séculos. Santo André diz: “Maria é Mãe de Deus, resplandecente de tanta pureza, e radiante de tanta beleza, que, abaixo de Deus, é impossível imaginar maior, na terra ou no céu.” (Santo Andreas Apost. in transitu B. V., apud Amad.). São João diz: “Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, pois concebeu e gerou um verdadeiro Deus, deu à luz, não um simples homem como as outras mães, mas Deus unido à carne humana.” (S. João Apost. Ibid). S. Tiago: “Maria é a Santíssima, a Imaculada, a gloriosíssima Mãe de Deus” (S. Jac. in Liturgia). S. Dionísio Areopagita: “Maria é feita Mãe de Deus, para a salvação dos infelizes.” (S. Dion. in revel. S. Brigit.) Orígenes (Sec. II) escreve: “Maria é Mãe de Deus, unigênito do Rei e criador de tudo o que existe” (Orig. Hom. I, in divers.) Santo Atanásio diz: “Maria é Mãe de Deus, completamente intacta e impoluta.” (Sto. Ath. Or. in pur. B.V.). Santo Efrém: “Maria é Mãe de Deus sem culpa” (S. Ephre. in Thren. B.V.). São Jerônimo: “Maria é verdadeiramente Mãe de Deus”. (S. Jerôn. in Serm. Ass. B. V.). Santo Agostinho: “Maria é Mãe de Deus, feita pela mão de Deus”. (S. Agost. in orat. ad heres.). E assim por diante. Todos os Santos Padres rivalizaram em amor e veneração, proclamando Maria: Santa e Imaculada Mãe de Deus. Em 1917 a Biblioteca John Ryland, de Manchester (Inglaterra) adquiriu no Egito um pequeno fragmento de papiro de 18 x 9,4 cm (Ryl. III,470), cujo conteúdo foi identificado em 1939; é o texto de uma oração dirigida a Maria Santíssima invocada como Theotókos (= Mãe de Deus) no séc. III. Quando em 431 (séc. V) o Concílio de Éfeso proclamou Maria Theotókos, fez eco a uma tradição cujo primeiro termo conhecido remonta a Orígenes (243 dC). Sob a tua misericórdia nos refugiamos, Mãe de Deus! Não deixes de considerar as nossas súplicas em nossas dificuldades. Mas livra-nos do perigo, única casta e bendita! Fonte: Referências: para citações: Conferências Apologéticas (Tomo XI: Objeciones contemporaneas contra la Iglesia II) & http://www.tradicaoemfococomroma.com
- Sucessão Apostólica – a lista de todos os Papas
EIS AQUI aqui uma das grandes riquezas da Santa Igreja Católica: seus dois milênios de história e parte de sua riquíssima Tradição estão representados na lista de todos os Sumo Pontífices: todos os Papas que governaram a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, desde Pedro até hoje. Existem vários documentos que relatam a sequência dos Papas, cujo início consta na Bíblia Sagrada manuscritos antigos, livros, enciclopédias; há um farto acervo de documentos históricos que comprovam a Sucessão Apostólica; desses, podemos destacar a obra Adversus Haereses (‘Contra as heresias’) de Santo Irineu de Lião, escrita por volta de 180 dC. Este escrito dá um testemunho da lista dos Papas, desde o primeiro Bispo de Roma, S. Pedro, até o Bispo contemporâneo da época da obra de Santo Irineu, Santo Eleutério, que foi o 12º sucessor do Bispo de Roma. A obra Liber Pontificalis (‘Livro Pontifício’), escrita no século VI, apresenta a lista desde S. Pedro até Félix II (526–530). Também os testemunhos patrísticos (primeiros padres da Igreja) confirmam a sucessão apostólica. Todos estes documentos são reconhecidos pela historiografia oficial, e mesmo a Enciclopédia Barsa, no volume 12, página 43, publicou a lista com todos os Papas, desde S. Pedro até S. João Paulo II. Para aqueles que possam ter dúvidas, é grande o volume dos registros históricos que comprovam que a Igreja de Jesus Cristo continuou nomeando os continuadores de Pedro e dos Apóstolos, como está descrito em detalhes no Didaquê, primeiríssimo manual dos Apóstolos, escrito antes de alguns livros dos livros no Novo Testamento, inclusive o Evangelho Segundo S. João. E como pessoas de fé, é claro que não podemos nos esquecer que no Evangelho segundo S. Mateus (28,19-20) Jesus Cristo garante aos Apóstolos: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”. O mundo, é óbvio, não acabou com a morte de Pedro e os Apóstolos; mas a Igreja precisaria continuar, como o Senhor profetizou, – e Ele com ela, até o fim do mundo. – Por isso tornou-se necessária a ordenação dos sucessores, novas pessoas para dar continuidade à grandiosa missão recebida pela Igreja. Pedro, líder das primeiras comunidades, precisava de um sucessor. E assim foi feito ao longo dos vinte séculos de cristianismo, com o Papa sempre como figura central da Igreja que segue o Caminho, Nosso Senhor Jesus Cristo. A pesquisa dos escritos dos sacerdotes dos primeiros séculos da era cristã, como os de Inácio de Antioquia, Irineu de Lyon, Justino, Clemente de Roma, Agostinho e inúmeros outros, demonstra que a Igreja fundada por Cristo, da forma como narrada nos Evangelhos, já era uma instituição, que precisou ser organizada e hierarquizada desde o princípio. A Igreja pode ser definida, corretamente, de diversas maneiras, mas ela também é uma instituição, a partir de um conjunto de pessoas com um fim comum: este fim é levar a Mensagem e a Salvação do Senhor à humanidade. Religião é o conjunto organizado de princípios, ideias e orientações que corresponde à doutrina da Igreja. Assim, o catolicismo (isto é, o cristianismo universal) é constituído de uma doutrina (a Religião) pregada por uma Igreja, que vem sendo perpetuada na Terra, conforme a profecia do Cristo, desde os tempos de Pedro: “Os portais do Inferno não prevalecerão contra ela (…) e eis que estou convosco até o fim do mundo” ((Mt 16, 18; 28,19-20). E aqui na Terra, o comandante deste Corpo, cuja Cabeça é o próprio Deus Filho, é o Papa, assumindo a missão que lhe foi confiada diretamente pelo Senhor: “Bem aventurado és tu, Simão filho de Jonas, (…) pois de agora em diante és a Pedra sobre a qual edifico a minha Igreja. (…) O que ligares na Terra será ligado no Céu, e o que desligares na Terra será desligado no Céu” (Mt 16, 18). Pedro não viveria eternamente neste mundo, e por isso mesmo precisou ser sucedido por outro Papa. Evidentemente, esses primeiros líderes do cristianismo não foram chamados ainda de “Papas”. A palavra papa, – que vem do grego pappas e significa algo como o “pai” espiritual de uma comunidade, – foi, durante vários séculos, usada para designar todos os Bispos do Ocidente: a partir de Gregório VII, no ano 1073, tornou-se de uso exclusivo para o Bispo de Roma, que sempre foi a autoridade máxima da Igreja Católica na Terra. Uma curiosidade: o Patriarca de Alexandria, autoridade da Igreja Ortodoxa Grega, também mantém o título de “Papa” até hoje. Assim como o costume de chamar de Papa ao Sumo Pontífice, o Bispo de Roma e legítimo sucessor de Pedro, esta se tornou uma tradição que permanece até os nossos dias. A lista de todos os Papas segue abaixo, em ordem cronológica. Nela não estão incluídos os chamados “anti-papas”, que foram clérigos eleitos ilegitimamente no decorrer da História: nesses casos houve usurpação do cargo pontifício. A lista está organizada em ordem decrescente, isto é, do último para o primeiro Papa: de Francisco até o Apóstolo Pedro. 2013 – … – Francisco (Jorge Mario Bergoglio) 2005 – 2013 – Bento XVI (Joseph Ratzinger) 1978 – 2005 – João Paulo II (Karol Woityla) 1978 – 1978 – João Paulo I (Albino Luciani) 1963 – 1978 – Paulo VI (Giovanni Battista Montini) 1958 – 1963 – João XXIII (Angelo Giuseppe Roncalli) 1939 – 1958 – Pio XII (Eugenio Pacelli) 1922 – 1939 – Pio XI (Achille Ratti) 1914 – 1922 – Bento XV (Giacomo Marchese della Chiesa) 1903 – 1914 – Pio X (Giuseppe Sarto) 1878 – 1903 – Leão XIII (Giocchino Vincenzo de Pecci) 1846 – 1878 – Pio IX (Giovanni Conte Mastai-Ferretti) 1831 – 1846 – Gregório XVI (Bartolomeo Cappellari) 1829 – 1830 – Pio VIII (Francesco Saverio Castiglioni) 1823 – 1829 – Leão XII (Annibale della Genga) 1800 -1823 – Pio VII (Luigi Barnaba Chiaramonti) 1775 – 1799 – Pio VI (Giovanni Angelo Conte Braschi) 1769 – 1774 – Clemente XIV (Lorenzo Ganganelli) 1758 – 1769 – Clemente XIII (Carlo Rezzonico) 1740 – 1758 – Bento XIV (Prospero Lambertini) 1730 – 1740 – Clemente XII (Lorenzo Corsini) 1724 – 1730 – Bento XIII (Pietro Francesco Orsini) 1721 – 1724 – Inocêncio XIII (Michelangelo Conti) 1700 – 1721 – Clemente XI (Giovanni Francesco Albani) 1691 – 1700 – Inocêncio XII (Antonio Pignatelli) 1689 – 1691 – Alexandre VIII (Pietro Ottoboni) 1676 – 1689 – Inocêncio XI (Benedetto Odescalchi) 1670 – 1676 – Clemente X (Emilio Altieri) 1667 – 1669 – Clemente IX (Giulio Rospigliosi) 1655 – 1667 – Alexandre VII (Fabio Chigi) 1644 – 1655 – Inocêncio X (Giambattista Pamphili) 1623 – 1644 – Urbano VIII (Maffeo Barberini) 1621 – 1623 – Gregório XV (Alessandro Ludovisi) 1605 – 1621 – Paulo V (Camillo Borghesi) 1605 – Leão XI (Alessandro Ottaviano de Medici) 1592 – 1605 – Clemente VIII (Ippolito Aldobrandini) 1591 – Inocêncio IX (Giovanni Antonio Facchinetti) 1590 – 1591 – Gregório XIV (Niccolo Sfondrati) 1590 – Urbano VII (Giambattista Castagna) 1585 – 1590 – Sisto V (Felici Peretti) 1572 – 1585 – Gregório XIII (Ugo Boncompagni) 1566 – 1572 – Pio V (Michele Ghislieri) 1559 – 1565 – Pio IV (Giovanni Angelo de Medici) 1555 – 1559 – Paulo IV (Gianpetro Caraffa) 1555 – Marcelo II (Marcelo Cervini) 1550 – 1555 – Júlio III (Giovanni Maria del Monte) 1534 – 1549 – Paulo III (Alessandro Farnese) 1523 – 1534 – Clemente VII (Giulio de Medici) 1522 – 1523 – Adriano VI (Adriano de Utrecht) 1513 – 1521 – Leão X (Giovani de Medici) 1503 – 1513 – Júlio II (Giuliano della Rovere) 1503 – Pio III (Francesco Todeschini-Piccolomini) 1492 – 1503 – Alexandre VI (Rodrigo de Bórgia 1484 – 1492 – Inocêncio VIII (Giovanni Battista Cibo) 1471 – 1484 – Sisto IV (Francesco della Rovere) 1464 – 1471 – Paulo II (Pietro Barbo) 1458 – 1464 – Pio II (Enea Silvio de Piccolomini) 1455 – 1458 Calisto III (Alfonso de Bórgia) 1447 – 1455 Nicolau V (Tomaso Parentucelli) 1431 – 1447 Eugênio IV (Gabriel Condulmer) 1417 – 1431 Martinho V (Odo Colonna) 1406 – 1417 Gregório XII (Angelo Correr) 1404 – 1406 Inocêncio VII (Cosma de Migliorati) 1389 – 1404 Bonifácio IX (Pietro Tomacelli) 1378 – 1389 Urbano VI (Bartolomeo Prignano) 1370 – 1378 Gregório XI (Pedro Rogerii) 1362 – 1370 Urbano V (Guillaume de Grimoard) 1352 – 1362 – Inocêncio VI (Etienne Aubert) 1342 – 1352 – Clemente VI (Pierre Roger de Beaufort) 1334 – 1342 – Bento XII (Jacques Fournier) 1316 – 1334 – João XXII (Jacques Duèse) 1305 – 1314 – Clemente V (Bertrand de Got) 1303 – 1304 – Bento XI (Nicolau Boccasini) 1294 – 1303 – Bonifácio VIII (Bento Gaetani) 1294 – Celestino V (Pietro del Murrone) 1288 – 1292 – Nicolau IV (Girolamo Masei de Ascoli) 1285 – 1287 – Honório IV (Giacomo Savelli) 1281 – 1285 – Martinho IV (Simão de Brion) 1277 – 1280 – Nicolau III (Giovanni Gaetano Orsini) 1276 – 1277 – João XXI (Pedro Juliani) 1276 – Adriano V (Ottobono Fieschi) 1276 – Inocêncio V (Pedro de Tarantasia) 1271 – 1276 – Gregório X (Teobaldo Visconti) 1265 – 1268 – Clemente IV (Guido Fulcodi) 1261 – 1264 – Urbano IV (Jacques Pantaleon de Troyes) 1254 – 1261 – Alexandre IV (Reinaldo, conde de Segni) 1243 – 1254 – Inocêncio IV (Sinibaldo Fieschi) 1241 – Celestino IV (Gaufredo Castiglione) 1227 – 1241 – Gregório IX (Hugo, conde de Segni) 1216 – 1227 – Honório III (Censio Savelli) 1198 – 1216 – Inocêncio III (Lotário, conde de Segni) 1191 – 1198 – Celestino III (Jacinto Borboni-Orsini) 1187 – 1191 – Clemente III (Paulo Scolari) 1187 – Gregório VIII (Alberto de Morra) 1185 – 1187 – Urbano III (Humberto Crivelli) 1181 – 1185 – Lúcio III (Ubaldo Allucingoli) 1159 – 1180 – Alexandre III (Rolando Bandinelli de Siena) 1154 – 1159 – Adriano IV (Nicolau Breakspeare) 1153 – 1154 – Anastácio IV (Conrado, Bispo de Sabina) 1145 – 1153 – Eugênio III (Bernardo Paganelli de Montemagno) 1144 – 1145 – Lúcio II (Gherardo de Caccianemici) 1143 – 1144 – Celestino II (Guido di Castello) 1130 – 1143 – Inocêncio II (Gregorio de Papareschi) 1124 – 1130 – Honório II (Lamberto dei Fagnani) 1119 – 1124 – Calisto II (Guido de Borgonha, Arcebispo de Viena) 1118 – 1119 – Gelásio II (João de Gaeta) 1099 – 1118 – Pascoal II (Rainério, monge de Cluny) 1088 – 1099 – Urbano II (Odo, Cardeal-Bispo de Óstia) 1086 – 1087 – Vítor III (Desidério, abade de Monte Cassino) 1073 – 1085 – Gregório VII (Hildebrando, monge) 1061 – 1073 – Alexandre II (Anselmo de Baggio) 1059 – 1061 – Nicolau II (Geraldo de Borgonha, Bispo de Florença) 1057 – 1058 – Estevão X (Frederico, abade de Monte Cassino) 1054 – 1057 – Vitor II (Geraldo de Borgonha, Bispo de Florença) 1049 – 1054 – Leão IX (Bruno, conde de Egisheim-Dagsburg) 1048 – Dâmaso II (Poppo, conde de Brixen) 1047 – 1048 – (Teofilato de Túsculo) – 3º Pontificado 1046 – 1047 – Clemente II (Suidgero de Morsleben) 1045 – 1046 – Gregório VI (João Graciano Pierleone) 1045 – Bento IX (Teofilato de Túsculo) – 2º Pontificado 1045 – Silvestre III, romano 1033 – 1045 – Bento IX (Teofilato de Túsculo) – 1º Pontificado 1024 – 1032 – João XIX (conde de Túsculo) 1012 – 1024 – Bento VIII (conde de Túsculo) 1009 – 1012 – Sérgio IV (Pietro Buccaporci) 1003 – 1009 – João XVIII (João Fasano de Roma) 1003 – João XVII (Giovanni Sicco) 999 – 1003 – Silvestre II (Gerberto de Aurillac) 996 – 999 – Gregório V (Bruno de Carínthia) 985 – 996 – João XV 983 – 984 – João XIV (Pedro Canipanova) 974 – 983 – Bento VII 972 – 974 – Bento VI 965 – 972 – João XIII (João de Nardi) 964 – Bento V 963 – 965 – Leão VIII 955 – 964 – João XII 946 – 955 – Agapito II 942 – 946 – Marino II (ou Martinho III) 939 – 942 – Estevão IX 936 – 939 – Leão VII 931 – 935 – João XI 928 – 931 – Estevão VIII 928 – Leão VI 914 – 928 – João X (João de Tossignano, Arcebispo de Ravena) 913 – 914 – Lando 911 – 913 – Anastácio III 904 – 911 – Sérgio III 903 – Leão V 900 – 903 – Bento IV 898 – 900 – João IX 897 – Teodoro II 897 – Romano 896 – 897 – Estevão VII 896 – Bonifácio VI 891 – 896 – Formoso 885 – 891 – Estevão VI 884 – 885 – Adriano III 882 – 884 – Marino I (ou Martinho II) 872 – 882 – João VIII 867 – 872 – Adriano II 858 – 867 – Nicolau I 855 – 858 – Bento III 847 – 855 – Leão IV 844 – 847 – Sérgio II 827 – 844 – Gregório IV 827 – Valentim 824 – 827 – Eugênio II 817 – 824 – Pascoal I 816 – 817 – Estevão V 795 – 816 – Leão III 772 – 795 – Adriano I 768 – 772 – Estevão IV 757 – 767 – Paulo I 752 – 757 – Estevão III 752 – Estevão [II] (pontificado de apenas 4 dias) 741 – 752 – Zacarias 731 – 741 – Gregório III 715 – 731 – Gregório II 708 – 715 – Constantino 708 – Sisínio 705 – 707 – João VII 701 – 705 – João VI 687 – 701 – Sérgio I 686 – 687 – Cônon 685 – 686 – João V 683 – 685 – Bento II 682 – 683 – Leão II 678 – 681 – Agatão 676 – 678 – Dono 672 – 676 – Adeodato II (ou Deusdedite II) 657 – 672 – Vitaliano 654 – 657 – Eugênio I 649 – 655 – Martinho I 642 – 649 – Teodoro I 640 – 642 – João IV 638 – 640 – Severino 625 – 638 – Honório I 619 – 625 – Bonifácio V 615 – 618 – Adeodato I (ou Deusdedite I) 608 – 615 – Bonifácio IV 606 – 607 – Bonifácio III 604 – 606 – Sabiniano 590 – 604 – Gregório I Magno 579 – 590 – Pelágio II 575 – 579 – Bento I 561 – 574 – João III 556 – 561 – Pelágio I 537 – 555 – Vigílio 536 – 537 – Silvério 535 – 536 – Agapito I (ou Agapeto) 533 – 535 – João II 530 – 532 – Bonifácio II 526 – 530 – Félix III 523 – 526 – João I 514 – 523 – Hormisdas 498 – 514 – Símaco 496 – 498 – Anastácio II 492 – 496 – Gelásio I 483 – 492 – Félix II 468 – 483 – Simplício 461 – 468 – Hilário (ou Hilaro) 440 – 461 – Leão I Magno 432 – 440 – Sisto III 422 – 432 – Celestino I 418 – 422 – Bonifácio I 417 – 418 – Zózimo 40. 402 – 417 – Inocêncio I 39. 399 – 402 – Anastácio I 38. 384 – 399 – Sirício 37. 366 – 384 – Dâmaso I 36. 352 – 366 – Libério 35. 337 – 352 – Júlio I 34. 336 – Marcos 33. 314 – 335 – Silvestre I 32. 310 – 314 – Melcíades 31. 309 – 310 – Eusébio 30. 307 – 309 – Marcelo I 29. 296 – 304 – Marcelino 28. 282 – 296 – Caio 27. 274 – 282 – Eutiquiano 26. 268 – 274 – Félix I 25. 260 – 268 – Dionísio 24. 257 – 258 – Sisto II 23. 254 – 257 – Estevão I 22. 253 – 254 – Lúcio I 21. 251 – 253 – Cornélio 20. 236 – 250 – Fabiano 19. 235 – 236 – Antero 18. 230 – 235 – Ponciano 17. 222 – 230 – Urbano I 16. 217 – 222 – Calisto I 15. 199 – 217 – Zeferino 14. 189 – 199 – Vítor I 13. 174 – 189 – Eleutério 12. 166 – 174 – Sotero 11. 154 – 165 – Aniceto 10. 143 – 154 – Pio I 9. 138 – 142 – Higino 8. 125 – 138 – Telésforo 7. 116 – 125 – Sisto I 6. 107 – 116 – Alexandre I 5. 101 – 107 – Evaristo 4. 90 – 101 – Clemente I 3. 79 – 90 – Anacleto (ou Cleto) 2. 64 – 79 – Lino 1. 33-64 – Pedro Apóstolo Fonte: ofielcatolico ___________ Fontes e referência bibliográfica: • HACKMANN, Geraldo Luiz Borges. A Amada Igreja de Jesus Cristo – Manual de Eclesiologia como Comunhão Orgânica, Porto Alegre: PUC-RS, 2003. • BATTISTINI, Frei. A Igreja do Deus Vivo – Curso Bíblico Popular Sobre a Verdadeira Igreja. São Paulo: Vozes, 2010.
- A LITERATURA COMO FORMA DE RESISTÊNCIA – Daniel McInerny
As coisas parecem que vão muito mal, e é difícil ver como poderiam melhorar. Muitas são as causas do nosso mal-estar cultural: a deterioração da vida familiar; a redefinição da instituição do casamento; ameaças à liberdade religiosa. As escolas, em diferentes níveis de ensino, estão escolhendo a caverna em vez da luz. Estamos sofrendo na espinhosa cama das ideologias secularistas. Mas quantas pessoas descreveram nossa crise cultural como uma crise literária, uma crise da imaginação? Suspeito que não muitas. A própria ideia soa estéril, periférica, para não dizer livresca. Contudo, este é o apelo enfático do bispo James D. Conley, da Diocese de Lincoln, Nebraska. Uma recente palestra do Bispo Conley, “Ubi Amor, Ibi Oculus: O papel da beleza na Nova Evangelização”, e seu artigo “Sursum Corda: 10 Sugestões para revitalizar a imaginação literária”, oferecem um sábio e refrescante diagnóstico cultural, que merece a nossa atenção e nosso cuidado. O Bispo compreende que colocar o foco na literatura, no atual contexto, bateria de frente com as expectativas mais sensatas. Até admite ser questionado se isso não seria perda de tempo, e se não seria melhor empregar nossas energias em esforços políticos. Sem negar a importância dos políticos, o bispo retruca que uma boa política pública “nasce de boas cabeças e bons corações”, e é a literatura que, mais diretamente, chega à mente e ao coração. Um bom resultado na arena política, em outras palavras, dependeria em parte de sucesso na remodelação da personalidade pela experiência de leitura das obras literárias. O Bispo Conley reconhece, também, que toda crise cultural é, no fundo, uma crise espiritual, uma crise de santidade. Observou que “aqueles, entre nós, que desejam empreender uma renovação da cultura cristã, no mundo atual, devem começar de joelhos, rezando”. “No entanto nós, educados na grande tradição da mentalidade clássica, também devemos começar com livros nas mãos.” O que o Bispo Conley entende precisamente por literatura, e como, precisamente, a literatura trabalharia para formar corações e mentes, de acordo com a verdade? A julgar pela relação de obras que discute, o bispo compreende “literatura” de forma muito genérica, incluindo obras de filosofia e teologia. Mas seu interesse não se restringe a obras de argumentação abstrata, nem aos clássicos da espiritualidade. O foco central do Bispo Conley são as obras de imaginação, ou seja, ficção, drama e poesia narrativa. Entre os itens de uma lista com sugestões de leitura, incluiu a Odisseia, de Homero; as obras de Dante, Chaucer e Cervantes; as peças de Shakespeare; os romances de Charles Dickens; Os noivos de Alessandro Manzoni (um dos favoritos do atual Pontífice); e os produtos do Renascimento Literário Anglo-Católico, em particular as obras do Cardeal Newman, Chesterton, Belloc, Tolkien, Graham Greene e Evelyn Waugh. Como o encontro com semelhantes obras poderia nos formar? O que ocorre quando “vivemos” no mundo de uma grande obra de imaginação literária? Tudo começa com o fato de que nós, seres humanos, enquanto espíritos encarnados, nos comprometemos antes de tudo através dos sentidos. Fomos feitos para a verdade, para a compreensão mental da essência das coisas. Mas não conseguimos chegar à essência das coisas, incluindo a essência de Deus, exceto pela sondagem cuidadosa do mundo da matéria. Se você quer conhecer a essência do casamento, deve sair e olhar para os casamentos bem sucedidos. Se quer conhecer a essência de Deus, e não dispõe de experiências místicas, então deve sair e experimentar, com os cinco sentidos, o grandioso mundo que Ele criou. A imaginação é uma faculdade fascinante, que nos ajuda a construir uma ponte entre o mundo sensorial e o mundo conceitual. Uma grande obra literária é uma espécie de híbrido, que nos fornece todos os detalhes sensíveis que nossa natureza pode desejar para o conhecimento do mundo, ao lado das ideias e da essência das coisas, que nos ajudam a dar sentido ao mundo. Assim como o ser humano, uma grande obra literária é um espírito encarnado, uma expressão da verdade revestida de imagens, que reflete o nosso mundo concreto. Por isso é que a grande literatura, para os seres humanos, é um caminho bastante adequado à verdade, no mesmo nível da filosofia e da teologia. Estas últimas disciplinas, de certa forma, alçam-nos para longe de nossa existência aqui nesse mundo contingente e efêmero, enquanto a literatura nele nos imerge – embora não sem uma verdade orientadora que ilumine o nosso caminho. Temos a tendência de pensar a literatura como coisa superficial e secundária, exatamente porque esquecemos que ela fornece a verdade. Creio que estamos bem cientes disto — que ela fornece a verdade —, quando lemos um romance ou vamos ver uma peça ou um filme. Não vemos nenhum problema, quando falamos sobre um enredo ou um conjunto de personagens, em admitir se é “verdadeiro” ou não em relação à vida (e, portanto, “verossímil”). Quando, porém, estamos no meio de nossas batalhas culturais, muito frequentemente essa compreensão desaparece. Começamos a pensar, quando nos debruçamos sobre esse assunto de forma mais ampla, que a literatura e as outras artes não pegam pesado o suficiente. Que elas não argumentam. Que elas não persuadem. Que elas não convertem. Como, então, elas poderiam ser úteis? A verdade, porém, é que a literatura argumenta, persuade e converte. Como? Oferecendo-nos quadros do ser humano em ação, dos seres humanos à procura da felicidade para a qual foram criados. Em resumo, o modo pelo qual um autor trabalha essa procura imaginária da felicidade, acaba por produzir uma tese sobre o que deveria ser tal felicidade. E porque essa argumentação está revestida de imagens, nós, como espíritos encarnados, de algum modo nos deixamos atrair por ela ou a rejeitamos. Formação dos bons hábitos de gosto e rejeição — eis o que não seria uma má definição de educação, a educação do caráter (e que, segundo o Bispo Conley, também poderia ser a nossa, se nos apaixonamos pela boa literatura). Na época em que vivemos, isto significa que um clube de leitura pode ser uma instituição mais vital do que uma organização política. (05/06/ 2015) https://www.thecatholicthing.org/2015/06/05/literature-as-a-form-of-resistance/
- Os estigmas de Theresa Neumann – Alimentou-se durante 36 anos somente da Eucaristia.
A maioria dos católicos acreditam em que os “estigmas” seriam um sinal do que CRISTO sofreu durante a Paixão e o aparecimento das marcas, das feridas, na pessoa seria a reprodução desses estigmas, isto é, haveria uma configuração e “imitação de JESUS”, e isso ocorreria por intercessão da “Graça Divina”, da qual os que exibem estigmas sentem-se indignos… Fonte:ecclesiacatholica.wordpress
- Regnum Dei intra vos est – O Reino de Deus está dentro de vós
CHESTERTON DISSE, CERTA vez, que a dificuldade que ele tinha em explicar o porquê de ser católico residia no fato de que havia mais de 10 mil razões para tal explicação… Entre estas, cito a seguinte: “(…) a Igreja Católica é a única que (…) assume a grande tentativa de mudar o mundo desde dentro; usando a vontade e não as leis…”[1] Creio que esse grande autor, que possui o título de Defensor Fidei (Defensor da Fé), para afirmar isto, baseou-se especificamente na seguinte passagem do Evangelho: “Naquele tempo, os fariseus perguntaram a Jesus sobre o momento em que chegaria o Reino de Deus. Ele respondeu: ‘O Reino de Deus não vem ostensivamente. Nem se poderá dizer: Está aqui, ou: Está ali, pois o Reino de Deus está no meio de vós'”.” ² (Lc 17,20-21) A tradução do grego ἡ βασιλεία τοῦ θεοῦ ἐντὸς ὑμῶν ἐστιν para o português do Brasil desta passagem muitas vezes é equivocada. O uso correto não é exatamente: “está no meio de vós” como muitas vezes se usa, dando sentido de que o Reino de Deus está no meio de um coletivo. O mais correto é que o Reino de Deus está realmente dentro de nós, no interior de cada um! Isso significa que Cristo deve reinar em nosso interior, que Deus deve ser o Rei de nossa morada interior! Se isso acontecer, Cristo reinará no mundo, pois toda mudança exterior deve ser consequência de uma mudança interior e não o contrário. Essa admoestação dura é extremamente necessária, principalmente nos dias atuais onde vivemos em um mundo de aparências e superficialidade. Sim! Cada católico deve fazer com que Cristo reine em sua vida, em sua alma, em seu coração – metaforicamente falando – para que então o meio à sua volta seja santificado; em outras palavras, é necessário lutar por santidade para que o mundo seja mais católico, para que haja mais fraternidade e paz, pois, como ensina São Josemaria Escrivá: “Um segredo em voz alta: estas crises mundiais são crises de santos. Deus quer um punhado de homens ‘seus’ em cada atividade humana. Depois… ‘Pax Christi in regno Christi’ – a paz de Cristo no Reino de Cristo.” (Caminho, 301) Toda mudança deve partir do interior do homem que, se configurado à Deus, externará naturalmente o brilho e o “bom odor de Cristo”. Por isso as virtudes são tão importantes e deve ser um objetivo real de cada batizado alcançá-las, lutando até ao derramamento de sangue para vencer os vícios e a concupiscência da carne. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica: “A dignidade da pessoa humana radica na sua criação à imagem e semelhança de Deus (Artigo 1) e realiza-se na sua vocação à bem-aventurança divina (Artigo 2). Compete ao ser humano chegar livremente a esta realização (Artigo 3). Pelos seus atos deliberados (Artigo 4), a pessoa humana conforma-se, ou não, com o bem prometido por Deus e atestado pela consciência moral (Artigo 5). Os seres humanos edificam-se a si mesmos e crescem a partir do interior: fazem de toda a sua vida sensível e espiritual objecto do próprio crescimento (Artigo 6). Com a ajuda da graça, crescem na virtude (Artigo 7), evitam o pecado e, se o cometeram, entregam-se como o filho pródigo (1) à misericórdia do Pai dos Céus (Artigo 8). Atingem, assim, a perfeição da caridade. (CIC 1700) Quantas vezes agimos querendo que todos mudem (muitas vezes por razões até justas) porém, não mudamos a nós mesmos? Insistimos nos mesmos pecados que podem ser tidos como de “estimação”, não buscamos a mortificação mas exigimos isso de todas as outras pessoas? Não devemos abandonar a luta, não podemos desistir da santidade! Ser santo não é nunca ter pecado, é antes reconhecer-se necessitado da Graça de Deus, ser levantado por Ele (principalmente através do Sacramento da Confissão) e lutar para nunca mais cair. É uma caminhada de quedas e tropeços onde o ser humano nunca está sozinho, pois Deus está sempre com ele. A mudança interior e a aquisição de virtudes não acontecem da noite para o dia; são um processo onde a pessoa deve ser paciente consigo mesma e com os demais, e deve lutar para, através dos seus bons hábitos, criar bons costumes que sejam impulsos naturais para boas ações. Tudo isso por amor ao Cristo e sua Santa Igreja e não por motivos pessoais e egoístas, pois, infelizmente muitos desejam ser perfeitos não porque Deus nos quer assim, mas porque querem vangloriar-se de sua própria perfeição. Além do que foi dito acima, quero utilizar-me de mais uma passagem do Evangelho para que as coisas fiquem mais claras: “O Reino dos Céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo. ” (Mt 13, 44) Para possuir esse incomparável Tesouro, o homem sábio de imediato se prontifica a desfazer-se de tudo o mais que possui. O mesmo exemplo pode ser utilizado também para tudo o que foi apresentado até aqui, pois, como diz Santo Agostinho: “Tarde te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro, e eu fora. Eu estava, Senhor, longe de Ti, porque estive longe de mim. Eu te procurava nas formosuras que criastes, chora o bispo de Hipona, Tu porém nunca me deixastes; eu é que me esqueci de Ti e procurei-te onde não estavas.” [2] Que possamos vender tudo o que temos, abrir mão de tudo o que nos afasta de Deus para podermos enfim, pertencer ao Bom Pastor! Para alargar as fronteiras do Reino dos Céus na terra é necessário que primeiro essas fronteiras tenham sido alargadas dentro de mim, dentro de você, caro leitor. É necessário que cada um seja de Cristo para que o mundo seja de Cristo; é necessário que Jesus viva dentro de nós para dizermos com o Apóstolo: “Não sou eu que vivo, mas é o Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20)! ___ Ref.: 1. CHESTERTON, G. K. “Por que sou católico”. Grupo Chesterton Brasil, traduzido por Antonio Emilia Angueth de Araujo. – do site Chesterton Brasil 2. Confissões X, 27 Fonte:www.ofielcatolico.com.br Henrique Sebastião
- Apologética para Questões Difíceis da Vida – William Lane Craig
Apologética para Questões Difíceis da Vida – William Lane Craig Por que Deus não responde às minhas orações ? Se Deus é onipotente, por que o mal existe? Se Deus é tão amoroso, por que sofremos? Qual é o significado do sofrimento para o cristão? Como ele deve lidar com suas dúvidas? Todo aquele que busca compreender as razões de sua fé acaba se deparando com questões complicadas como o sofrimento, a dúvida, o fracasso e as orações não respondidas. Porém, a verdade é que nem sempre encontramos respostas honestas e inteligentes para essas questões. Pelo contrário, o que mais vemos por aí são respostas simplistas e triviais para questões que, por sua vez, merecem um estudo mais aprofundado e uma reflexão menos apressada. Em Apologética para questões difíceis da vida, W. L. Craig não oferece soluções simplistas e triviais. Pelo contrário, suas respostas de fato respondem às dúvidas levantadas! Aqueles que estiverem perdidos em um mar de dúvidas realmente encontrarão neste livro respostas sábias, ponderadas e, sobretudo, biblicamente respaldadas para questões que são de fato difíceis de responder. Contudo, não encontrarão apenas respostas para suas perguntas, mas também embasamentos teológicos e filosóficos para firmar sua fé sobre o único fundamento seguro que podemos ter na vida: Cristo. Vale também dizer que além de tratar das questões relacionadas à dúvida, às orações não respondidas, ao fracasso do cristão, ao sofrimento humano e ao problema do mal, W. L. Craig também encara de frente questões espinhosas que envolvem as polêmicas do aborto e da homossexualidade. Enfim, se você estava procurando um livro de apologética que apresentasse uma reflexão bíblica, profunda e honesta sobre questões difíceis da vida, ele já está em suas mãos! Nosso desejo é que este livro possa ajudá-lo em sua busca de compreender o plano divino. Afinal, é tarefa de todo cristão estar sempre preparado para responder a todo aquele que lhe pedir a razão da sua esperança (IPe 3.15).
- Angústia e Paz – Fulton Sheen
Angústia e Paz – Fulton Sheen “Se as almas não forem salvas, nada mais se salvará. Não poderá haver paz no mundo se não houver paz na alma.” Com essa frase, inicia-se um dos mais belos livros que li recentemente. Escrito em 1949, mas ainda extremamente atual, o autor oferece no livro um caminho ao homem para trazer a verdadeira paz à sua alma. Com um texto claro e exigente, ele nos auxilia a encontrar a faísca divina em meio ao lamaçal das preocupações modernas, para que deixemos de culpar o nosso subconsciente de todos os nossos males e sugere que se examinemos nossa consciência para que nos afastemos de tudo aquilo que não nos leve a Deus. Mostra como a ansiedade é fruto do problema de uma alma aprisionada em si mesma, que somos como um pêndulo, oscilando entre o tempo e a eternidade. Esse livro me fez lembrar o pensamento de S. Agostinho, Dostoiévski, C.S Lewis e tantos outros grandes pensadores, no qual afirmavam que a felicidade última da condição humana seria a união com Deus, e o ser humano seria incompleto enquanto não alcançasse sua finalidade. Poderíamos dizer que todas as mazelas do homem, como invejas, traições e opressão, viriam de uma vida afastada de Deus, já que sem estar em paz com Deus, o homem estaria em constante conflito consigo mesmo, e quem não tem paz consigo mesmo, nunca terá paz com o próximo. Procurando preencher os seus vazios, o homem se entrega a todo tipo de desejo e busca satisfazer sua busca por sentido com coisas materiais, mas nada finito pode preencher o “espaço” que só o Infinito pode ocupar, o que acaba gerando mais ansiedade e frustração. Parafraseando C.S Lewis, que diz que: ”Daí temos toda a história humana, buscando satisfazer os desejos da alma em qualquer coisa que não Deus, é como tentar fazer funcionar um motor sem o combustível correto.” Podemos concluir que a verdadeira felicidade está em Deus, e enquanto o homem não reconhecer esse fato, viverá frustrado, ansioso e cansado. O retrato da civilização pós-moderna secularizada é a prova de que o afastamento de Deus é um afastamento de si mesmo, pois os que andam perdidos e cegos jamais poderão enxergar a Luz divina. Esse é um livro maravilhoso, com um texto que rasga as máscaras dos falsos deuses, do orgulho e da miséria humana e mostra como a vida espiritual apoiada na autoridade divina é a maior forma de liberdade, na verdade, é a única forma de liberdade, pois tudo aquilo que não Deus acaba nos escravizando cedo ou tarde. [ O CAMINHO ]
- Arqueólogos encontram “selo” do profeta Isaías em Jerusalém
A mão do próprio profeta Isaías pode ter feito as inscrições num selo de argila – chamada de bula – datado do século 8 a.C. e descoberto agora em escavações perto do Monte do Templo de Jerusalém. De acordo com a arqueóloga da Universidade Hebraica Dra. Eilat Mazar, sua equipe descobriu a minúscula bula, ou impressão de selo, no Ophel, localizado no sopé da encosta sul do Monte do Templo. A descoberta foi publicada na quarta-feira em um artigo: “Esta é a assinatura do Profeta Isaias?” na nova edição de Revista de Arqueologia Bíblica. Na pequena peça, com menos de um centímetro, a observa-se a figura do que parece ser um cordeiro e a frase “motivo de bênção e proteção encontrado em Judá, particularmente em Jerusalém”. Contudo, por estar quebrada, precisa ser melhor estudada antes de um “veredito” final. A esperança é encontrarem o pedaço restante ou outra igual. Na sua porção legível, há uma inscrição com as letras hebraicas usadas no período do Primeiro Templo, que parecem soletrar l’Yesha’yah [Pertence a Isaias]. Na linha abaixo, há a palavra parcial nvy, que significaria “profeta”. “Como a bula está ligeiramente danificada no final da palavra nvy, não se sabe com certeza se originalmente terminava com a letra hebraica aleph, escrevendo a palavra hebraica para ‘profeta’ e não restaria dúvida que aquele era o selo usado como a assinatura do profeta Isaías”, esclarece Mazar. Bula de Isaías analisada por computador A professora diz que “Sem o aleph no final, a palavra nvy provavelmente é apenas um nome pessoal. Embora não apareça na Bíblia, já foi vista em selos e uma impressão uma alça de jarro”. “O nome Isaías, no entanto, é muito claro”, disse ela. Local escavado pertencia a palácio real O conhecido profeta bíblico Isaias viveu no final do século 8 e início do século 7 a.C. A bula que pode ter pertencido a ele foi encontrada perto de uma estrutura que começou a ser escavada em 1986-87 e hoje já se sabe que era uma “padaria real”. Ela estava a cerca de 10 metros de distância do local onde, em 2015, a equipe de Mazar descobriu a bula com a inscrição “do rei Ezequias de Judá”. O 12º governante do reino de Judá, Ezequias reinou entre 727 e 698 a.C., durante o período em que o reino do norte (Israel) caiu diante dos assírios. Cerca de 20 anos depois da derrota ao norte, Ezequias teve sucesso em impedir a investida assíria contra Jerusalém. “Caso seja comprovado que essa bula é realmente a do profeta Isaías, como acreditamos, não deveria ser surpresa que ela foi descoberta próxima a de uma que carrega o nome do rei Ezequias, dada a relação de proximidade do profeta Isaías e do rei Ezequias descrita no Bíblia “, avalia Mazar. Existem vários relatos no Antigo Testamento mostrando que o profeta era o conselheiro espiritual do rei. Ele consolou o governante, afirmando que os israelitas sobreviveriam ao cerco. No artigo científico assinada por Mazar lê-se: “Os nomes do rei Ezequias e do profeta Isaías são mencionados em conjunto 14 das 29 vezes que o nome de Isaías é lembrado (2 Reis 19-20, Isaías 37-39). Nenhuma outra figura estava mais próxima de Ezequias que Isaías “. O local onde as bulas foram encontradas fica no alto da ‘Cidade de Davi’, uma grande estrutura que pode ter sido o palácio do rei Davi. Ali foi descoberta uma impressão em argila com caracteres em hebraico do Primeiro Templo trazendo o nome de um alto oficial israelita que é mencionado no Livro de Jeremias [38:1]: “Jucal, filho de Selemias”. Anos depois, a poucos metros da bula de Jeucal, foi encontrada uma impressão em barro pertencente a um segundo oficial de alto escalão: “Gedalias, filho de Passur”, mencionado na mesma passagem. Isso mostra que o local inequivocamente tem ligação com a corte real daquele período histórico. Com informações de The Times of Israel e Biblical Archaeology Society Via: Gospel Prime
- O Filioque subordina o Espírito Santo à Criação? Resposta a Jay Dyer
Alguém que conheço trouxe o artigo de Jay Dyer “Filioquismo é o subordinacionismo ariano aplicado ao Espírito”, e sinto como se, uma vez que envolve diretamente a teologia católica das tríades, particularmente a doutrina Filioque, merece uma resposta digna. Jay Dyer tem sido um oponente aberto a apologética católica, e certamente mostra uma grande paixão nesta direção. Isto, é claro, não é novo. Tivemos debates religiosos que retornaram à vida de santos, mártires, Bispos, teólogos e muitos outros grandes e santos homens que foram preenchidos com o Espírito Santo. É uma coisa maravilhosa ver um engajamento sobre esse tema, e por isso estou grato pelo trabalho de Jay. Abaixo eu tento rever o argumento de Jay e depois mostrar como eu acho que isso é prejudicado pelos fatos. Quanto a um lado – Por prova patrística de que a doutrina Filioque foi reconhecida pelos santos venerados em calendários ortodoxos orientais contemporâneos, veja meu “Filioque nos santos ortodoxos orientais do Ocidente” (aqui, as seleções tratam especificamente das relações ad-intra , e não a posterior distinção de processão ad-extra) (1) Jay resumiu corretamente a posição defendida por Ario, que dizia que o Filho de Deus era um produto da vontade de Deus e, portanto, uma criatura. Se o Filho não é co-essencial com o Pai [Deus], por Ario, então o Filho sendo um efeito da vontade de Deus colocaria o Filho no exterior de Deus, e assim estamos falando de uma criatura-Filho. Por outro lado, se o Filho fosse co-essencial, como os antepassados de Nicéia defenderam, então o Filho deve compartilhar uma vontade única e natural com o Pai, caso em que ele nunca poderia ser externo ao Pai e, e de quebra, nunca poderia ser um efeito da vontade do Pai (uma vez que a vontade de Um é a vontade do Outro) e, portanto, nunca poderia ser uma criatura. (2) Jay também resumiu corretamente a posição de Santo Atanásio, a saber, que a geração do Filho é eterna e, portanto, não pode ser uma emanação da vontade de Deus, como é verdadeiramente a criação externa. Obrigado padres do Oriente. (3) Jay então conclui que, uma vez que a doutrina Filioque no catolicismo romano ensina que o Espírito procede da vontade do Pai e do Filho, que o mesmo argumento levado por Santo Atanásio contra Ario refuta o Filioque Católico. A lógica é que, uma vez que é um produto, emanação ou efeito da única vontade divina não seria essencial com a essência de Deus, o Espírito não deve ser co-essencial e, portanto, seria uma criatura-Espírito. Resposta No entanto, a inferência que é desenhada é inteiramente falsa porque existe uma desconexão entre ela e suas premissas. Resumidamente, suas premissas não correspondem ao que o ensino católico do Filioque ou Triadologia está dizendo, e assim a conclusão também não pode corresponder. Aqui está o porquê. A “vontade” ou “amor mútuo” do Pai e do Filho, que é a pessoa do Espírito Santo, é enfaticamente admitida pela teologia católica como sendo algo categoricamente diferente do “amor” e “vontade” que é comum à essência divina , e assim todas três divinas pessoas. Para Aquino, a essência de Deus é igual e a mesma entre as três Pessoas divinas e, portanto, a vontade essencial de Deus é comum a todos as três. No entanto, como nem Tomás de Aquino nem o Catolicismo concebem a espiração do Espírito Santo surgindo dessa vontade comum, o argumento de Jay não é válido. Pelo contrário, a “vontade” pela qual o Espírito surge é de acordo com um modo diferente de ser em Deus, isto é, o de “relações”. Eu expandiria sobre esse assunto, mas, devido à brevidade pretendida, eu apontarei aos leitores a um resumo útil publicado pela ICU (International Catholic University) sobre as relações divinas internas. A maioria dos leitores que estão pouco familiarizados com a teologia de Aquino, bem como a Triadologia básica da tradição latina, entendem que em Deus existe uma única e igual essência, no entanto, existem distinções reais em Deus de acordo com um modo diferente de ser, que são as relações Pai, Filho e Espírito Santo. Aquino resume como se segue: “Portanto, deve haver distinção real em Deus, e não, de fato, de acordo com o que é absoluto – a essência, em que existe suprema unidade e simplicidade -, mas segundo aquilo que é relativo”. Então, se por “vontade” os teólogos católicos dizem que o Espírito procede da vontade essencial de Deus (o que é igual à essência divina), o argumento de Jay poderia refutar com sucesso esses teólogos. No entanto, se por “vontade” for postulado um modo diferente de distinção do que a da essência de Deus, então não refuta. Por essa razão, e por essa razão apenas, podemos fechar completamente este argumento como procedendo de uma premissa falsa. Mas continuaremos. Certamente, quando falamos da analogia do intelecto e da vontade / amor (veja aqui e aqui para principiantes), nós fornecemos uma categoria diferente de concepção do que é da essência divina, e comum aos três. Por exemplo, quando descrevemos o Pai contemplando, compreendendo, intelectualizando e compreendendo a si mesmo e falando expressamente como “Palavra”, estamos falando do modo hipostático ou relacional de originação, não ao que é comum na essência divina. O Pai gera o Filho * por meio de * expressar essa auto-compreensão intelectual. Do mesmo modo, o Pai e o Filho, ambos impressos um pelo outro pelo vínculo do amor (analogicamente falando) que desenham a vontade em relação ao Outro (para o Amado), estamos falando de um modo hipostático do ser do Espírito, não a vontade / amor comum à essência divina. Devemos ter cuidado em tomar nota de que isso diz respeito à analogia dos modos hipostáticos / relacionais do ser, e não o que é igual ou colapsa na única e divina essência divina. Podemos também acrescentar alguma força extra a isso, apontando para o fato de que a geração intelectual do Filho do Pai não implica passividade no Filho. Agora, por que é isso? É porque essa geração intelectual é uma operação única que existe no modo de ser relacional intra-trinitário e não é o “intelecto” que é inerente à essência divina. Na dinâmica gerador-gerado, não são 2 operações que existem, mas 1 operação única vista a partir da distinção de paternidade e filiação. Assim, a operação gerador-gerado *Existe tanto no Pai e no Filho *, e não alguns no Pai e alguns no Filho. Do mesmo modo, a operação da processão ou “respiração” pela qual o Espírito Santo é originado não é uma operação que existe um pouco no Pai, então outra um tanto no Filho, e depois outra um tanto no Espírito. Em vez disso, é uma única operação de respiração nos três, onde as distinções só existem de acordo com o modo relacional (paternidade, filiação e espiração). Pe. Gilles Emery (O.P), Professor de Teologia Dogmática @ Univ de Friburgo, diz muito sucintamente quando escreve: “A profissão do Espírito Santo é a processão do Amor pessoal. Ao dizer isso, devemos ter cuidado para não confundir a pessoa do Espírito Santo com o ato essencial de amar que é comum às três Pessoas divinas. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são amor por essência, no mesmo grau em que são Deus. Santo Agostinho estava bem ciente disso. Por um lado, a “substância” de Deus é amor, e esta substância é uma e a mesma coisa no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Por outro lado, o “Espírito Santo é devidamente chamado de Caridade”. De outra forma, quando se designa o Espírito Santo como Caridade ou Amor em pessoa na Trindade, procura-se significar a “propriedade” do Espírito Santo sem confundi-la com o Amor que é um atributo comum às três Pessoas “(A Trindade , página 151) Bem colocado. É precisamente por Jay confundir a pessoa do Espírito Santo com o ato essencial de amar (ou seja, vontade) que é comum às três pessoas divinas que seu artigo afunda. Mas se a teologia católica não ensina que o Espírito de Deus se origina da vontade essencial de Deus (isto é, a vontade do Pai, do Filho e do Espírito que todos compartilham igualmente), então, o que é o negócio ao dizer que o Espírito procede analogamente de acordo com a faculdade espiritual de “vontade”? Em primeiro lugar, como os links que eu mostrei, essa explicação ou teologização das relações intra-trinitárias de acordo com o modo de intelecto e vontade são analogias pertencentes a isso, e não posições sobre a essência divina de Deus. Quando dizemos que o Filho de Deus é sabedoria gerada pelo Pai em sua Sabedoria, não estamos dizendo que o Filho é o produto de uma Sabedoria que é comum à essência divina. A palavra “Sabedoria” aqui seria usada como uma analogia da faculdade espiritual do intelecto num Ser Espiritual. Santo Agostinho desenhou isso diferenciando como os pais humanos geram filhos. Existe uma biologia física e processo reprodutivo. Não há corpo físico em Deus, nem processo reprodutivo dessa maneira. No entanto, é postulado um processo reprodutivo quando cantamos no Credo: “E em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho unigênito de Deus, gerado pelo Pai diante de todos os mundos, Luz da Luz, Deus de Deus, gerado , não feito, sendo de uma substância com o Pai “. Agostinho falou sobre esta operação de geração como uma intelectual, e não física, por razões óbvias. Além disso, a Escritura nos diz que o Filho é a Palavra de Deus, e assim a analogia é que, assim como as Palavras que procedem da boca são um produto da mente que se pensa expressamente, então o Filho de Deus está gerado de maneira análoga. Mas, se aceitássemos o argumento de Jay, essa analogia também implicaria que o Filho é uma criatura, pois, ao destruir o sentido da analogia e confundi-la com o intelecto da essência divina, estaria dizendo que o Filho é um produto de Deus a mais Santíssima Trindade! Da mesma forma, portanto, quando falamos da união de Pai e Filho, o que atrai um para o outro no “amor” paterno e filial é de acordo com o movimento da vontade, como uma analogia semelhante ao intelecto. Uma coisa separada da vontade essencial da Trindade. Agora, Jay parece já reconhecer a diferença entre o que na teologia católica pertence aos modos relação / hipostásticos de ser versus o essencial quando ele culpa a “deficiente analogia da psicologia e fisiologia humana” de Agostinho. No entanto, ele não vai mais longe em qualquer detalhe naquela negação, e depois procede a tentar combinar Ario subordinando o Filho com a aclamada Igreja Católica subordinando o Espírito. Por razões que eu dei, não acho que tenha alcançado seus objetivos. No entanto, com a condição de Jay em pensar que a teologia católica desenvolveu inteligentemente uma lógica artificial e inconsistente, de modo que (1) tenta colocar uma distinção real em Deus (por exemplo, Trindade), mas (2) não goza do direito de fazê-lo por causa da dita inconsistência, então teremos que estabelecer, pelo menos, que todo esse argumento da subordinação ariana contra o Filioque não é feito para se engajar no ensino manifesto do Filioque, mas sim o que Jay pensa que o ensino latino sobre o Filioque implica conceitualmente. Isso é diferente. O meu próximo post será sobre como a equação tomista de cada Pessoa divina com a essência divina não abroga qualquer distinção real em Deus e, assim, também mostrando a apropriada teologia do intelecto e da vontade (amor) no modo relacional do ser. Traduzido de: https://erickybarra.wordpress.com/2018/02/11/does-the-filioque-subordinate-the-holy-spirit-to-creation/
- CAMPANHA DA FRATERNIDADE OU CAMPANHA PARA O PT?
Todos os anos a Campanha da Fratenidade invade um dos tempos mais importantes para os católicos, a Quaresma. Este tempo que deveria ser de grandes graças e numerosos frutos de conversão para os fiéis, acaba se transformando em intermináveis debates políticos e sociais, roubando toda experiência litúrgica que a quaresma tem a oferecer. Instrumentalizada pela teologia da libertação, há muito tempo as Campanhas da Fraternidade vêm sendo utilizadas para difundir a agenda da esquerda, e o ápice desta instrumentalização aconteceu no ano de 2018, ano de eleições, algo verdadeiramente impressionante e escandaloso. A pretexto de combater a violência está se tentando enfiar goela abaixo dos católicos, em todo o país, uma Ideologia revolucionária sempre combatida pela Igreja. Quando se lê os documentos da Campanha da Fraternidade e sobretudo quando se escuta os formadores desdobrando o conteúdo dos mesmos, nos deparamos exatamente com mesma pregação dos partidos de esquerda como o PT, PSOL, PC do B, PDT e outros. Trata-se de um esforço para, por meio da Igreja, a esquerda revolucionária, retomar o poder e completar o processo de implantação do socialismo/marxista em nosso país tal como foi concebido pelo Foro de São Paulo fundado por Lula e Fidel Castro em 1990. Na realidade a Campanha da Fraternidade desse ano já é uma campanha política antecipada, tendo como cabos eleitorais da esquerda a CNBB e por conseguinte muitos bispos, padres e leigos católicos. A situação é muito mais grave do que se pode perceber em um primeiro momento. Basta listar as ideias que os documentos da Campanha e formadores estão defendendo para se começar a entender melhor o grau de instrumentalização a que a Igreja Católica foi submetida no Brasil para servir a causa revolucionária contribuindo assim para implantar o regime socialista/marxista no país. Eis algumas das ideias revolucionárias defendidas pelo PT, PSOL, PC do B e pela esquerda em geral que estão sendo impostas ao povo católico como se fosse doutrina da Igreja: 01- Combate a violência ao invés de combate a criminalidade, fazendo pensar que toda forma de violência é má, colocando no mesmo saco os bandidos, policiais, pais ou qualquer um que utilize de sua legítima autoridade para manter a ordem ou evitar e corrigir o mal; 02- Apresentação de criminosos como VÍTIMAS da violência da sociedade excludente e da economia de mercado; 03- Defesa de um política de DESENCARCERAMENTO, uma vez que prender não resolve o problema da violência; 04- Defesa de uma política de LIBERALIZAÇÃO DAS DROGAS para que o consumo e tráfico não sejam considerados crimes, e assim, as pessoas não sejam presas por esses motivos; 05- Lutar CONTRA a redução da MAIORIDADE PENAL, pois a prisão não seria algo bom para jovens de 16 e 17 anos que roubam, matam, estupram, sequestram ou traficam, uma vez que essas “pobres crianças” são vítimas de uma sociedade opressora; 06- Defender o ESTATUTO DO DESARMAMENTO e lutar CONTRA O PORTE LEGAL DE ARMAS, pois os cidadãos de bem NÃO podem fazer a legítima opção de possuir uma arma de fogo para defender a si e a sua família; 07- Considerar um ato de VIOLÊNCIA rejeitar a Ideologia de Gênero, as reinvindicações LGBT e a não aceitação da prática homossexual como algo bom e normal; 08- Inculcar a ideia de que o IMPEACHMENT foi um GOLPE e que acarretou “retrocesso nas políticas sociais”; 09- Deixar os pressupostos para COMBATER o “ESCOLA SEM PARTIDO”, considerando o mesmo como uma violência contra os alunos que precisam ser doutrinados para adquirir “consciência política”; 10- Mostrar que o CAPITALISMO, a ECONOMIA DE MERCADO e o sistema Neo Liberal, representados pela “DIREITA OPRESSORA”, geram injustiça, desigualdade social e VIOLÊNCIA; 11- Acentuar a LUTA DE CLASSES fazendo crer que existe um plano “da elite branca” que está perpetrando um GENOCÍDIO contra a JUVENTUDE NEGRA E POBRE; 12- Mostrar que a IGREJA CATÓLICA praticou e apoiou a violência quando evangelizou os índios levando-os mudar sua religião e cultura. Que Igreja tem uma dívida social com índios e negros e que por isso precisa apoiar toda essa agenda da esquerda revolucionária que visa fazer “JUSTIÇA SOCIAL.” Se alguém tiver a paciência necessária, poderá fazer uma coleta das falas dos piores quadros da esquerda brasileira, como Maria do Rosário (PT), Jean Willys (PSOL), Gleise Hoffmann (PT), Jandira Fegali (PC do B) e outros, e comparar com com a fala dos formadores da Campanha da Fraternidade de 2018 para assim constatar a incrível (mas não surpreendente) conhecidencia das ideias. Na verdade, se trata de uma ocupação de espaço nos termos de Antônio Granci e da instrumentalização da Igreja para o serviço da causa revolucionária, uma vez que muitos desses formadores enganjados na Igreja são militantes de partidos de esquerda, especialmente do PT. A brilhante reportagem do leigo católico Bernardo Kuster sobre o 14° Encontro das CEBs em Londrina PR (participado por mais de 60 bispos e centenas de sacerdotes e religiosas) jogou um pouco mais de luz sobre essa deplorável situação, mas a realidade é ainda pior. Que os bons bispos e sacerdotes, e especialmente os bons leigos se levantem contra essa infiltração comunista dentro da Igreja e não aceitem essa instrumentalização do povo de Deus para promover uma Ideologia anti cristã. Leia também: PT E CRISTIANISMO: CASAMENTO IMPOSSÍVEL Que estudem bem a doutrina católica para compreender que grande parte das ideias defendidas e propagadas pela CNBB, especialmente nas Campanhas da Fraternidade NÃO SÃO CATÓLICAS, mas sim erros ou ideologias condenadas e combatidas pela Igreja. Que Deus tenha misericórdia de seus povo e dê sabedoria e coragem aos que lutam para defender a verdadeira fé católica. Fonte: Equipe Templário de Maria #CampanhadaFraternidade #CNBB #Política
- CAMPANHA DA FRATERNIDADE OU CAMPANHA PARA O PT?
Todos os anos a Campanha da Fratenidade invade um dos tempos mais importantes para os católicos, a Quaresma. Este tempo que deveria ser de grandes graças e numerosos frutos de conversão para os fiéis, acaba se transformando em intermináveis debates políticos e sociais, roubando toda experiência litúrgica que a quaresma tem a oferecer. Instrumentalizada pela teologia da libertação, há muito tempo as Campanhas da Fraternidade vêm sendo utilizadas para difundir a agenda da esquerda, e o ápice desta instrumentalização aconteceu no ano de 2018, ano de eleições, algo verdadeiramente impressionante e escandaloso. A pretexto de combater a violência está se tentando enfiar goela abaixo dos católicos, em todo o país, uma Ideologia revolucionária sempre combatida pela Igreja. Quando se lê os documentos da Campanha da Fraternidade e sobretudo quando se escuta os formadores desdobrando o conteúdo dos mesmos, nos deparamos exatamente com mesma pregação dos partidos de esquerda como o PT, PSOL, PC do B, PDT e outros. Trata-se de um esforço para, por meio da Igreja, a esquerda revolucionária, retomar o poder e completar o processo de implantação do socialismo/marxista em nosso país tal como foi concebido pelo Foro de São Paulo fundado por Lula e Fidel Castro em 1990. Na realidade a Campanha da Fraternidade desse ano já é uma campanha política antecipada, tendo como cabos eleitorais da esquerda a CNBB e por conseguinte muitos bispos, padres e leigos católicos. A situação é muito mais grave do que se pode perceber em um primeiro momento. Basta listar as ideias que os documentos da Campanha e formadores estão defendendo para se começar a entender melhor o grau de instrumentalização a que a Igreja Católica foi submetida no Brasil para servir a causa revolucionária contribuindo assim para implantar o regime socialista/marxista no país. Eis algumas das ideias revolucionárias defendidas pelo PT, PSOL, PC do B e pela esquerda em geral que estão sendo impostas ao povo católico como se fosse doutrina da Igreja: 01- Combate a violência ao invés de combate a criminalidade, fazendo pensar que toda forma de violência é má, colocando no mesmo saco os bandidos, policiais, pais ou qualquer um que utilize de sua legítima autoridade para manter a ordem ou evitar e corrigir o mal; 02- Apresentação de criminosos como VÍTIMAS da violência da sociedade excludente e da economia de mercado; 03- Defesa de um política de DESENCARCERAMENTO, uma vez que prender não resolve o problema da violência; 04- Defesa de uma política de LIBERALIZAÇÃO DAS DROGAS para que o consumo e tráfico não sejam considerados crimes, e assim, as pessoas não sejam presas por esses motivos; 05- Lutar CONTRA a redução da MAIORIDADE PENAL, pois a prisão não seria algo bom para jovens de 16 e 17 anos que roubam, matam, estupram, sequestram ou traficam, uma vez que essas “pobres crianças” são vítimas de uma sociedade opressora; 06- Defender o ESTATUTO DO DESARMAMENTO e lutar CONTRA O PORTE LEGAL DE ARMAS, pois os cidadãos de bem NÃO podem fazer a legítima opção de possuir uma arma de fogo para defender a si e a sua família; 07- Considerar um ato de VIOLÊNCIA rejeitar a Ideologia de Gênero, as reinvindicações LGBT e a não aceitação da prática homossexual como algo bom e normal; 08- Inculcar a ideia de que o IMPEACHMENT foi um GOLPE e que acarretou “retrocesso nas políticas sociais”; 09- Deixar os pressupostos para COMBATER o “ESCOLA SEM PARTIDO”, considerando o mesmo como uma violência contra os alunos que precisam ser doutrinados para adquirir “consciência política”; 10- Mostrar que o CAPITALISMO, a ECONOMIA DE MERCADO e o sistema Neo Liberal, representados pela “DIREITA OPRESSORA”, geram injustiça, desigualdade social e VIOLÊNCIA; 11- Acentuar a LUTA DE CLASSES fazendo crer que existe um plano “da elite branca” que está perpetrando um GENOCÍDIO contra a JUVENTUDE NEGRA E POBRE; 12- Mostrar que a IGREJA CATÓLICA praticou e apoiou a violência quando evangelizou os índios levando-os mudar sua religião e cultura. Que Igreja tem uma dívida social com índios e negros e que por isso precisa apoiar toda essa agenda da esquerda revolucionária que visa fazer “JUSTIÇA SOCIAL.” Se alguém tiver a paciência necessária, poderá fazer uma coleta das falas dos piores quadros da esquerda brasileira, como Maria do Rosário (PT), Jean Willys (PSOL), Gleise Hoffmann (PT), Jandira Fegali (PC do B) e outros, e comparar com com a fala dos formadores da Campanha da Fraternidade de 2018 para assim constatar a incrível (mas não surpreendente) conhecidencia das ideias. Na verdade, se trata de uma ocupação de espaço nos termos de Antônio Granci e da instrumentalização da Igreja para o serviço da causa revolucionária, uma vez que muitos desses formadores enganjados na Igreja são militantes de partidos de esquerda, especialmente do PT. A brilhante reportagem do leigo católico Bernardo Kuster sobre o 14° Encontro das CEBs em Londrina PR (participado por mais de 60 bispos e centenas de sacerdotes e religiosas) jogou um pouco mais de luz sobre essa deplorável situação, mas a realidade é ainda pior. Que os bons bispos e sacerdotes, e especialmente os bons leigos se levantem contra essa infiltração comunista dentro da Igreja e não aceitem essa instrumentalização do povo de Deus para promover uma Ideologia anti cristã. Leia também: PT E CRISTIANISMO: CASAMENTO IMPOSSÍVEL Que estudem bem a doutrina católica para compreender que grande parte das ideias defendidas e propagadas pela CNBB, especialmente nas Campanhas da Fraternidade NÃO SÃO CATÓLICAS, mas sim erros ou ideologias condenadas e combatidas pela Igreja. Que Deus tenha misericórdia de seus povo e dê sabedoria e coragem aos que lutam para defender a verdadeira fé católica. Fonte: Equipe Templário de Maria #CampanhadaFraternidade #CNBB #Política
- Wikileaks: Papa Conservador foi forçado a renunciar pelo “Deep State”
George Soros, Barack Obama e Hillary Clinton orquestraram um golpe no Vaticano para derrubar o Papa Conservador Bento XVI em Fevereiro de 2013, de acordo com e-mails do Wikileaks. Papa Bento se tornou o primeiro papa a renunciar desde o Papa Gregório XII em 1415 e o primeiro a fazê-lo por iniciativa própria desde o Papa Celestino V em 1294. O grupo de líderes Católicos cita novas evidências descobertas em e-mails publicados pelo Wikileaks para “afirmar” que o Papa Conservador Bento não renunciou por iniciativa própria, mas foi removido do Vaticano por um golpe de estado que o grupo de pesquisadores está chamando de “Primavera Católica”. Soros, Obama e Clinton usaram a máquina diplomática Americana, força política e poder financeiro para coagir, corromper e chantagear uma “mudança de regime” na Igreja Católica Romana para substituir o Conservador Bento pelo atual Papa Francisco – que tornou-se desde então um inesperado porta-voz da esquerda internacional, chocando os Católicos ao redor do mundo. Agora, o grupo de líderes Católicos enviou uma carta para o Presidente Trump insistindo que ele inicie uma investigação oficial nas atividades de Soros, Obama e Clinton (e outros) que o grupo alega terem se envolvido em orquestrar a Primavera Católica que resultou no seu objetivo de “mudança de regime” no Vaticano. Os líderes Católicos citam 8 perguntas específicas que eles desejam obter respostas em relação aos eventos suspeitos que levaram à renúncia de Papa Bento, a primeira renúncia papal em 700 anos. “Especificamente, nós temos razões para acreditar que a ‘mudança de regime’ no Vaticano foi arquitetada pela administração Obama,” dizem os solicitantes, em sua carta de 20 de Janeiro para o Presidente Trump. “Surpreendemo-nos ao descobrir,” a carta destaca, “que, durante o terceiro ano do primeiro termo da administração Obama a sua antes oponente, Secretária de Estado Hillary Clinton, e outros oficiais do governo com quem ela se associou propuseram uma ‘revolução’ Católica na qual o fim do que restou da Igreja Católica na América chegaria.” A carta inclui links para documentos e notícias destacando as afirmações do grupo. Inicialmente a carta destaca os notórios e-mails de Soros-Clinton-Podesta divulgados no final do ano passado pela Wikileaks, onde Podesta e outros progressistas discutem uma mudança de regime para remover o que eles chamam de “ditadura da idade média” na Igreja Católica. Quanto aos e-mails de Podesta em questão, o New American informou em outubro passado: “Podesta, um antigo conselheiro/confidente de Clinton e ativista escolhido a dedo pelo financiador de esquerda George Soros, revelou em um e-mail de 2011 que ele e outros ativistas estavam trabalhando para efetuar uma revolução chamada “Primavera Católica” dentro da Igreja Católica, uma óbvia referência aos golpes de estado desastrosos da “Primavera Árabe”, organizados no mesmo ano pela equipe Obama-Clinton-Soros, que desestabilizou o Oriente Médio e trouxe regimes islâmicos radicais e grupos terroristas para o poder na região. O e-mail de Podesta é uma resposta a outro radical financiado por Soros – Sandy Newman, fundador do grupo progressista “Vozes Progressivas. Newman escreveu a Podesta buscando conselhos sobre a melhor maneira de “plantar as sementes da revolução” na Igreja Católica, que ele descreveu como uma “ditadura da Idade Média”. Em sua carta ao presidente Trump, o grupo de líderes Católicos escreve: “Aproximadamente um ano após esta discussão por e-mail, que nunca se pensou seria um dia publicada, achamos que o Papa Bento XVI abdicou em circunstâncias altamente incomuns e foi substituído por um Papa cuja missão aparente é fornecer um componente espiritual à agenda ideológica radical da esquerda internacional. O Pontificado do Papa Francisco, posteriormente, questionou sua própria legitimidade em inúmeras ocasiões”. “Continuamos intrigados com o comportamento desse Papa com bagagem ideológica, cuja missão parece ser avançar as agendas seculares da esquerda, em vez de orientar a Igreja Católica em Sua missão sagrada”, dizem eles, expressando os pensamentos de milhões de Católicos ao redor do mundo, chocados pela ideologia de esquerda do Papa Francisco. “Não é simplesmente o papel apropriado de um papa ser envolvido na política, a ponto de ser considerado o líder da esquerda internacional”. Eles continuam: “Com tudo isso em mente, e desejando o melhor para o nosso país e para os Católicos em todo o mundo, acreditamos que seja responsabilidade de Católicos leais e informados dos Estados Unidos solicitarem que você autorize uma investigação sobre as seguintes questões: – Para que fim a Agência Nacional de Segurança estava monitorando o conclave que elegeu o Papa Francisco? – Que outras operações secretas relacionadas com a renúncia do Papa Bento XVI ou com o conclave que elegeu o Papa Francisco foram realizadas por oficiais do governo dos EUA sobre? – Agentes do governo dos EUA entraram em contato com o “Cardeal Danneels Mafia”? – As transações monetárias internacionais com o Vaticano foram suspensas nos últimos dias antes da renúncia do Papa Bento XVI. Alguma agência governamental dos EUA esteve envolvida nisso? – Por que as transações monetárias internacionais foram retomadas em 12 de fevereiro de 2013, um dia depois de Bento XVI ter anunciado sua renúncia? Foi pura coincidência? – Quais ações, se houveram, foram realmente tomadas por John Podesta, Hillary Clinton e outros ligados ao governo Obama que participaram da discussão propondo o fomento de uma “Primavera Católica”? – Qual foi o propósito e a natureza do encontro secreto entre o vice-presidente Joseph Biden e o Papa Bento XVI no Vaticano em 3 de junho de 2011? – Quais os papéis desempenhados por George Soros e outros financiadores internacionais que podem estar atualmente residindo em território dos Estados Unidos?” A investigação que o grupo de líderes Católicos está solicitando ao presidente Trump deve ser de interesse para mais do que apenas Católicos. A capacidade de George Soros de cooptar figuras líderes políticos para auxiliar seus planos radicais em estados-nação é bem conhecida; mas a sua capacidade de forçar a “mudança de regime” na Igreja Católica, uma instituição que parecia ser impenetrável do exterior, levanta sérias questões sobre o seu potencial para o caos global. A investigação – e punição – deve começar imediatamente. Tradução livre de Eduardo Baldoino: para ver o artigo original aqui. #BarackObama #state #georgesoros #Conservador #HillaryClinton #renunciar #wikileaks
- FILIOQUE: Uma resposta as objeções dos Ortodoxos
“A controvérsia Filioque que nos separou por tantos séculos é mais do que um mero tecnicismo, mas não é insolúvel. Qualificando a posição firme tomada quando escrevi a Igreja Ortodoxa vinte anos atrás, agora acredito, depois de mais estudos, que o problema é mais na área da semântica do que em quaisquer diferenças doutrinárias básicas “. (Bispo Kallistos Ware, Diakonia, citado de Elias Zoghby uma voz do leste Bizantino, p.43) A citação acima (ênfase minha) do bispo e estudioso renomado da Ortodoxia Oriental, Kallistos Ware, ilustra como até uma mente oriental apimentada e acadêmica (como a do bom bispo) pode facilmente reagir exageradamente e caracterizar com zelo a doutrina de Filioque. Enquanto um ocidental pode ser tentado a atribuir isso a um preconceito cego por parte do Oriente, a realidade é que Oriente e Ocidente tão mal se comunicaram um com o outro sobre este problema ao longo dos séculos que é fácil entender por que um Oriental objetaria ao Filioque com tanta força como muitos fazem. Na verdade, o que está em jogo para os orientais (ou, de certa forma, parece-lhes) é a própria integridade de sua teologia nativa (apostólica), bem como a sua herança cultural bizantina (vou elaborar sobre o que quero dizer com isso abaixo). Filioque ameaça ambas as coisas; e essa ameaça (seja real ou percebida) é, e sempre foi, a força motriz por trás da oposição zelosa do Oriente à doutrina – isto é, à perspectiva tradicional e apostólica da Igreja ocidental, resultando (em grande parte) no Grande cisma. Para abordar de forma mais eficaz a controvérsia e responder às objeções orientais, faremos bem em primeiro analisar a forma como a controvérsia surgiu. “Filioque”, uma expressão latina que significa “e o Filho”, é, naturalmente, uma cláusula que foi adicionada pelo ocidente latino ao Credo Constantinopolitano, originalmente formulada em grego pelo Primeiro Concílio de Constantinopla no ano AD 381. Este Credo de 381, em relação ao Espírito Santo, originalmente se lê: “Cremos no Espírito Santo, o Senhor, o Doador da Vida, que procede do Pai. Com o Pai e o Filho, Ele é adorado e glorificado”. A Igreja Ocidental, primeiramente em A.D. 589 no concílio regional de Toledo, alterou esta declaração para incluir: “Cremos no Espírito Santo, o Senhor, o Doador da Vida, que procede do Pai e do Filho (ou seja, Filioque). Com o Pai e o Filho, Ele é adorado e glorificado”. Agora, embora tenha demororado algum tempo para que a Igreja Oriental tomasse conhecimento e se ofendesse com essa emenda ocidental, ela acabou se tornando uma séria discussão entre os homens de igreja orientais e ocidentais. E por uma boa razão. Pois, no texto grego original do Credo Constantinopolitano de 381, o termo “procede” (ekporeusis) tinha um significado específico e importante. Significava-se originar de uma única Fonte, Principal ou Causa (Aitia). E a única Fonte, Principal ou Causa do Espírito Santo é, naturalmente, o Pai, e o Pai sozinho. Como diz São Gregório de Nazianzeno .. “O Espírito é verdadeiramente o Espírito procedente (proion) do Pai, não pela filiação, pois não é por geração, mas por ekporeusis” (Discurso 39. 12). Na verdade, foi essa a própria teologia dos padres da Capadócia (isto é, Sts. Gregório Nazianzeno, Basilo Magno e Gregório de Nissa) que os bispos de Constantinopla I (381) pretendiam promover quando autorizaram o Credo a dizer “O Santo Espírito … Quem procede do Pai “. – uma referência à monarquia do pai como a única fonte, principal ou causa do espírito. E os bispos de Constantinopla fizeram isso para combater a heresia dos Arianos da Macedônia, que, na época, reivindicavam que o Espírito era apenas uma “criação” do Filho. “Não”, dizem os padres do Concílio, “o Espírito é Divino e tem Sua Fonte, como o Filho, com o Pai”. É do Pai que o Espírito procede. Então, para alguém que venha dessa herança oriental, para qualquer falante grego que saiba o que o termo “ekporeusis” implica (ou seja, processão de uma única fonte, principal ou causa), a adição da cláusula latina “Filioque” (“e o Filho”) desafia seriamente, se não destrói totalmente, o significado originalmente pretendido desta afirmação do Credo. E nós, católicos romanos, concordamos totalmente e admitimos isso. A introdução do Filioque é claramente uma desviada da intenção e design original da versão A.D. 381 do Credo Constantinopolitano. No entanto, não é um afastamento da ortodoxia apostólica. E aqui está o motivo: Em primeiro lugar, é preciso apreciar a autêntica história do Concílio AD 381 de Constantinopla, que não foi reconhecido no Ocidente (ou no Oriente) como ecumênico até o tempo do Concílio de Calcedônia em 451 DC. do despertar do Concílio de Nicéia (AD 325), o arianismo experimentou um ressurgimento dramático no Oriente, com impacto muito limitado no Ocidente. Nos anos 360, e especialmente com a eleição do Papa São Dâmaso I em A.D. 367, o Ocidente estava livre de qualquer influência ariana nativa. Não tanto no Oriente, no entanto, onde um grande número de bispos ainda eram arianos. A própria Constantinopla era uma Sé formalmente ariana, com arianismo oficialmente promovido pelo imperador oriental Valente. Mas quando Valente foi morto lutando contra os visigodos em 378 dC na batalha de Adrianopola, seu colega católico / ortodoxo ocidental, o imperador Graciano, nomeou o próprio general hispânico católico / ortodoxo geral Theodosius para se tornar o novo imperador oriental como Theodosius I. Depois de um ano pacificando os visigodos revoltosos, Theodosius (que era, não se esqueça, um ocidental) chamou um concílio para essencialmente livrar a capital imperial oriental do arianismo e restaurá-la com a comunhão com o resto da Igreja. Isto é para o que o Concílio de Constantinopla foi projetado para ser nominalmente, ser um concílio regional e oriental. E, embora tenha sido aprovado e ratificado pelo Papa Dâmaso em Roma (assim diz Photius em Mansi, III, 596 – pois tais concílios regionais sempre, por questão de costume, enviaram rescritos de seus decretos a Roma para ratificação), Roma não se vê como participante no Concílio; e Alexandria, a segunda Sé da Igreja, teve alguns sérios problemas com isso. Assim, o Credo proclamado em Constantinopla I em AD 381, que é marcadamente diferente do Credo proclamado em Nicéia em 325 AD (onde não se faz menção à processão do Espírito), não foi adotado (neste momento) por Roma ou a outros patriarcados como algo semelhante ao Credo “oficial” ou universal da Igreja – um Credo com autoridade ecumênica. Este é um ponto significativo, que abordarei mais adiante. Quando o Ocidente romano finalmente conseguiu implementar o Credo Constantinopolitano (em oposição ao Credo de Nicéia de 325) em suas Liturgias ocidentais, … o que, mais uma vez, não aconteceu até o tempo do Concílio de Calcedônia (c 451 ) … a tradução latina do Credo Constantinopolitano carregava uma diferença notável. O termo grego para “processão” (ekporeusis – “ek tou Patros ekporeuomenon”) foi traduzido para o latim como “procedit” (“ex Patre procedentum”) – um termo que, ao contrário do grego, não implica processão de uma única fonte, principal ou causa. E era natural que os latinos traduzissem a expressão grega dessa maneira. Pois, a declaração do Credo foi desenhada (pelos padres de Constantinopla I, e os Capadócios antes deles) de João 15, 26, que se lê: “… o Espírito da Verdade, que procede do Pai …” Em grego, está escrito: “… para tou Patros ekporeutai”. Mas, na Vulgata de São Jerônimo e em todas as traduções latinas anteriores do Evangelho de São João, isso sempre foi traduzido como “… qui a Patre procedent …” Assim, a implicação grega da palavra nunca foi parte da herança ou experiência latina, nem foi diretamente conhecida dos latinos desde o momento em que adotaram o Credo Constantinopolitano (c 451 A.D.) em. Assim, quando Toledo adicionou o Filioque ao Credo Constantinopolitano em 588 dC, os bispos ocidentais não tinham intenção de alterar o significado grego do Credo (isto é, o significado original, pretendido dos padres Constantinopolitanos) porque aquele significado original, pretendido não era diretamente conhecido por eles. Em vez disso, tudo o que o Ocidente jamais pretendia fazer era elaborar no que o que o termo latino “procedit” se referia, ou poderia se referir, em um entendimento ortodoxo ocidental. E dado que o “procedito” latino traz uma implicação diferente da “ekporeusis” grego, o que isso significa é que era possível (para o Ocidente) enfatizar uma verdade diferente e igualmente ortodoxa sobre a processão do Espírito Santo que o que os padres em Constantinopla originalmente pretendiam referir-se(mais sobre isso em um momento). Com isso dito, no entanto, deve-se notar que nem o concílio o de Toledo, nem qualquer decreto romano em favor de Toledo ou outras acomodações do Filioque, jamais negaram Constantinopla I ou o significado grego original do Credo. Pelo contrário, o próprio Toledo anatematizou qualquer um que negasse os ensinamentos de Constantinopla I (381) e os outros Concílios ecumênicos. E assim, segue-se que a Igreja ocidental (apesar de uma apreciação deficiente da expressão grega) nunca abandonou ou deu as costas ao significado original, pretendido, de “processão” como proclamado pelos padres em Constantinopla. Em vez disso, a Igreja ocidental ensina e sempre ensinou que o Pai e o Pai sozinho, é a Fonte, Principal e Causa (“Aiton”) do Espírito Santo – isto é, a proclamação formal de Constantinopla. Na verdade, até Santo Agostinho , que muitas vezes é transformado em um bode expiatório intelectual entre alguns ortodoxos orientais (seu argumento é que Filioque se baseia totalmente na teologia supostamente errônea de Agostinho) ensinou claramente que o Espírito Santo procede do Pai “principaliter” – isto é, ” como Princípio” (De Trinitate XV, 25, 47, PL 42, 1094-1095). Portanto, claramente não há contradição entre Agostinho e os Capadócios ou os Padres Constantinopolitanos sobre esta questão. Tanto o Oriente grego como o Ocidente Latino confessam, e sempre confessaram, que o Pai sozinho é a Causa (Principium) do Filho e do Espírito. Ergo, a Igreja Católica não nega o Credo Constantinopolitano como originalmente escrito. É por isso que nossas Igrejas Católicas Bizantinas rezam o Credo sem o Filioque e por que até nós, romanos, podemos recitar o Credo sem o Filioque quando participamos de Lituargias Ortodoxas Orientais ou Ortodoxas Bizantinas. É também por isso que rejeitamos a cláusula “… kai tou Uiou …” (“… e o Filho”) sendo adicionada à expressão Creedal “ek tou Patros ekporeuomenon” em grego, mesmo quando usada pelos católicos do Rito Latino nas comunidades de língua grega . Se a palavra grega “ekporeusis” ser usada ou pretendida, então é incorreta e herética dizer que o Espírito procede do Pai “e do Filho”. Nem o Oriente nem o Ocidente acreditam que o Espírito procede “do Pai e do Filho” como uma fonte comum ou principal (aitia). Em vez disso, essa Fonte e Principal (Aiton) é o Pai, e o Pai sozinho. Mas, se a Igreja ocidental concorda com o Oriente que o Espírito procede apenas do Pai, então, o que significa “Filioque” – que o Espírito prossegue “do Pai e do Filho”? Muito simples, e tendo em mente o isolamento do Ocidente da intenção original do idioma grego do Credo Constantinopolitano, o que o Ocidente quer expressar é uma verdade igualmente válida, mas distinta e paralela à intenção original do idioma grego. Pois, quando o Ocidente fala da “processão” do Espírito do Pai e do Filho, está se referindo a algo diferente de “processão” a partir de uma única fonte (aitia). Não é advogar duas fontes ou princípios para o Espírito, ou algum tipo de “dupla espiração”, como é comumente (erroneamente) assumido por muitos ortodoxos orientais. Em vez disso, está usando o termo “proceder” em um sentido diferente. E a melhor maneira de ilustrar os dois sentidos ou usos diferentes do termo “precessão” (grego versus latim) é a seguinte analogia: Se um pai e um filho humanos vão para o seu quintal para jogar um jogo de captura, é o pai que inicia o jogo da captura jogando a bola para o filho. Nesse sentido, pode-se dizer que o jogo da captura “procede” desse pai humano (uma “aiton”); e este é o sentido original do grego usado no credo Constantinopolitano ”Procede” (”ekporeusis”). No entanto, tomando esse mesmo cenário, também pode-se dizer com justiça que o jogo da captura “procede” do pai e do filho. E isso é porque o filho tem que estar lá para que o jogo da captura exista. Pois, a menos que o filho esteja lá, então o pai não teria ninguém para jogar a bola; e assim não haveria nenhum jogo de captura. E, nesse sentido (pode-se dizer um sentido “coletivo”) que o Ocidente usa o termo “procede” (“procedit”) no Filioque. Assim como reconhecendo a necessidade da presença do filho humano para que o jogo da captura exista, de nenhuma forma, desafia ou ameaça o papel do pai humano como fonte ou iniciador (aition) do jogo de captura, então o Filioque não nega o papel singular do Pai como a Causa (Aition) do Espírito; mas meramente reconhece a Presença necessária do Filho (isto é, participação) para a eterna processão do Espírito do Pai a Alguém mais, no caso, ao Filho eterno. O Pai e o Filho são assim identificados coletivamente como responsáveis pela processão do Espírito. Isso é tudo o que o Filioque foi destinado a abordar; e foi incluído no Credo pelos padres ocidentais em Toledo para contrariar as reivindicações dos arianos espanhóis (germânicos) do século 6. Esses arianos estavam, naturalmente, negando essa verdade essencial e ortodoxa – isto é, a participação eterna do Filho na processão do Espírito – uma questão que nunca foi desafiada ou abordada de forma abrangente na experiência bizantina, além do fato de que existe ao longo dos escritos dos padres orientais a profissão de que o Espírito procede do Pai “através [ou” por meio do “] filho”. – uma expressão equivalente ao Filioque. Agora, infelizmente, tornou-se um argumento muito popular (ainda que sem fundamento) entre os ortodoxos orientais modernos afirmar que os padres orientais, ao professar que o Espírito procede “através do Filho”, sempre se referem ao vazamento temporal do Espírito pelo Filho sobre a Igreja (por exemplo, João 20, 22), e não a eterna processão do Espírito dentro da natureza trinitária de Deus. Isto, é claro, não apenas seriamente (não, perigosamente) ameaça a própria essência do Evangelho cristão (isto é, Cristo nos adotando na mesma Filiação – e, portanto, o mesmo Espírito de Filiação [Romanos 8,15] – que Ele mesmo goza eternamente com o Pai), mas também não reconhece o testemunho completo dos padres orientais, que abordarei detalhadamente abaixo. A Autoridade Canônica do Filioque Antes de abordar a validade apostólica do Filioque como uma questão de teologia, faríamos bem em primeiro lugar explorar sua validade canônica e a história por trás da sua inclusão no Credo Ocidental. Pois, muitas vezes, os ortodoxos orientais afirmam que a inserção do Filioque pelo Ocidente no Credo viola o Canon VII do Concílio de Éfeso (A.D. 431), que lê … “O sagrado Concílio decreta que ninguém deve ser permitido oferecer um Credo de Fé diferente, ou, de qualquer forma, escrever ou compor outro, do que aquele definido pelos santos padres que se convocaram na cidade de Nicéia … Quanto aos que ousar compor um Credo ou Fé diferente, ou apresentar um, ou oferecer um para aqueles que desejam retornar ao reconhecimento da verdade, sejam eles gregos ou judeus, ou sejam membros de qualquer heresia, eles, se bispos ou clérigos, serão privados como bispos do seu episcopado e como clérigos do seu clericado, mas, se forem leigos, serão anatematizados “. Da mesma forma, neste mesmo Concílio, São Cirilo de Alexandria (como presidente do Concílio) declarou: “Proibimos qualquer mudança no Credo da Fé elaborado pelos santos padres nicenos. Não nos permitimos nem a ninguém mudar ou omitir uma palavra ou sílaba nesse Credo”. Agora, à primeira vista, e sem recurso ao contexto histórico, esses decretos do Concílio de Éfeso parecem bastante condenatórios para o Filioque. E, embora sejam facilmente abordados e esclarecidos à luz da história autêntica, eles chamam a atenção para uma diferença muito maior na forma como os católicos modernos e os ortodoxos orientais modernos vêem a Igreja e a autoridade da Igreja, e por que tem sido tão difícil para nós comunicarmos uns com os outros sobre este assunto específico. Mas, antes de aprofundar essa diferença maior (e muito mais substantiva), vamos explorar por que o cânon VII do Concílio de Éfeso claramente não é uma barreira para a inclusão do Filioque. Em primeiro lugar, observe como, nas citações do cânon VII de Éfeso e São Cirilo de Alexandria acima, a proibição não é contra a adição ao Credo de Constantinopla I (AD 381), mas sim adicionar ao Credo “definido pelos santos padres que se reuniram na cidade de Nicéia “(AD 325); e, como já observamos, o Credo de Nicéia não menciona a processão do Espírito, mas simplesmente se lê: “[Nós acreditamos] no Espírito Santo …” (seguido de um anátema direto contra o arianismo). Então, se alguém quiser ser técnico sobre isso (como alguns ortodoxos orientais que optam por usar o cânon VII de Éfeso para desafiar a legitimidade do Filioque), então é preciso concluir que o cânon VII de Éfeso torna ilegítimo o próprio Credo Constantinopolitano também “adicionado ao” Credo de Nicéia “. De fato, uma apreciação do contexto histórico do Concílio de Éfeso (A.D. 431), e especialmente o papel do patriarcado de Alexandria neste Concílio, é muito importante aqui. Como já mencionei acima, o Concílio Ecumênico anterior (ou o que viria a ser contado como o Concílio Ecumênico anterior), Constantinopla I (381), foi originalmente reconhecido como um mero concílio regional da Igreja Oriental. Não só o Ocidente não participou disso, mas Alexandria, a segunda Sé da Igreja e primata Oriental, foi seriamente alienada pelos procedimentos. Pois, o Canon III do Concílio de Constantinopla isolou Alexandria de sua posição tradicional como primata no Oriente (uma prerrogativa implicitamente garantida pelo cânon VI de Nicéia) e fez Constantinopla em si (um episcopado sem fundador apostólico) a segunda no ranking das Sés, depois de Roma Assim, o Concílio de Constantinopla I (381) – o mesmo Concílio que elaborou o Credo Constantinopolitano (com referência à processão do Espírito); e um concílio que ainda não era reconhecido como ecumênico, mas meramente regional – era um desafio direto à autoridade primordial de Alexandria no Oriente. E, como veremos em breve, isso influenciaria dramaticamente as ações de Alexandria no Concílio de Éfeso, cinquenta anos depois. Agora, de acordo com Fócio (Mansi, III, 596), Roma aparentemente aprovou e ratificou os decretos dogmáticos de Constantinopla I (como um mero concílio regional), Roma não aprovou o Canon III e sua tentativa de dar primazia a Constantinopla sobre Alexandria e Antioquia. Em vez disso, no mesmo ano, o Papa São Dâmaso emitiu o seguinte decreto, defendendo a integridade tradicional dos três patriarcados apostólicos: “Embora todas as igrejas católicas se espalhem por todo o mundo abrangendo como apenas uma Câmara nupcial de Cristo, no entanto, a santa igreja romana foi colocada na vanguarda, não pelas decisões dos concílios das igrejas, mas recebeu o primado pela voz evangélica de nosso Senhor e Salvador, que diz: “Você é Pedro … (Mateus 16: 18-19)”. Além disso, há também a companhia do navio da eleição, o mais abençoado apóstolo Paulo que, junto com Pedro na cidade de Roma no tempo de César Nero, igualmente consagraram a sagrada igreja romana acima mencionada a Cristo, o Senhor, e por sua própria presença e pelo seu venerável triunfo, colocaram-na na vanguarda sobre as outras cidades do mundo. A primeira Sé, portanto, é a de Pedro Apóstolo, a da igreja romana, que não tem mancha, nem nada parecido. A segunda Sé é a de Alexandria, consagrada em nome de Pedro pelo abençoado Marcos, seu discípulo e um evangelista, que foi enviado ao Egito pelo apóstolo Pedro, onde pregava a palavra da verdade e terminou no seu glorioso martírio. A terceira Sé é a de Antioquia, que pertencia ao mais abençoado Pedro, onde primeiro ele habitou antes de chegar a Roma, e onde o nome “cristãos” foi aplicado pela primeira vez, quanto a um novo povo. “(Decreto de Damasus # 3 , 382 dC) Isto foi escrito em defesa de Alexandria e como uma refutação direta do Canon III do Concílio de Constantinopla I, que, lembre-se, só foi visto como um concílio regional na época. E, sessenta e nove anos depois, o Papa São Leão Magno (Ep. Cvi em PL, LIV, 1003, 1005) repetiria esta condenação e declararia que o Canon III de Constantinopla nunca fui aceito por Roma e (como o Canon XXVIII de Calcedônia) foi uma violação da ordem Nicena (ie, Canon VI de Nicéia). De fato, este movimento do Concílio de Constantinopla I (de tornar a capital imperial a primata oriental em lugar de Alexandria) também inspiraria uma “disputa” amarga e contínua entre Alexandria e Constantinopla, na qual Alexandria tornou-se muito zelosa (na verdade, quase paranóica ) sobre a defesa de suas prerrogativas apostólicas, e, portanto, sua primazia no Oriente sobre Constantinopla. Esta agenda estava claramente em jogo quando, duas décadas depois o cânon III foi redigido, o Patriarca Teófilo de Alexandria, sucessor imediato do Patriarca São Timóteo de Alexandria (que assistiu a Constantinopla I), condenou São João Crisóstomo (então bispo de Constantinopla , AD 398-404) e despojou-o de sua Sé. Também estava claramente em jogo quando o sobrinho de Teófilo e sucessor imediato, São Cirilo de Alexandria, condenou o herege Nestorius (Bispo de Constantinopla de A.D. 428-431) e presidiu o Concílio Ecumênico de Éfeso contra ele. Mas, por que eu apontei tudo isso? Eu apontei porque isso nos dá o contexto histórico para o que foi dito e pretendido por este mesmo São Cirilo de Alexandria e pelo Cânon VII do Concílio de Éfeso em 431 DC. Pois, ao proclamar que ninguém pode acrescentar ao Credo “de Nicéia”, o Concílio Ecumênico de Éfeso (presidido por um Patriarca contemporâneo de Alexandria) não poderia estar se referindo ao Credo de Constantinopla I (381). Mais uma vez, considere a progressão histórica e, portanto, a perspectiva contemporânea de São Cirilo de Alexandria e os outros padres em Éfeso: A.D. 325 – O Concílio de Nicéia, um Concílio Ecumênico, que inclui tanto o Oriente e o Ocidente, elabora o original Credo de Nicéia (um Credo sem referência à processão do Espírito). A.D. 381 – O Concilio de Constantinopla I, um mero concílio regional do Oriente chamado a restaurar a ortodoxia de Nicéia no Império Oriental, modifica o Credo de Nicéia e acrescenta a seção sobre a processão do Espírito. Também desafia a autoridade de Alexandria – um movimento rejeitado por Alexandria e Roma. AD 431 – O Concílio de Éfeso, um Concílio Ecumênico, que inclui o Oriente e o Ocidente (e presidido pelo Patriarca de Alexandria atuando como vigário autorizado do Papa de Roma) emite seu decreto sobre não adicionar ao Credo “de Nicéia “. Dada esta progressão histórica, a intenção manifesta do cânon VII de Éfeso é óbvia. Pois, quando o Concílio de Éfeso fala do Credo “de Nicéia”, significa apenas isso – o Credo do Concílio Ecumênico de Nicéia em A.D. 325 } Pois, como mencionamos acima, este era o Credo ainda em uso em toda a Igreja ocidental na época – uma Igreja ocidental que havia participado em Nicéia, mas que não havia participado em Constantinopla I. Constantinopla, ainda era visto como um simples concílio regional do Oriente. E embora (por A.D. 431) seu Credo possa muito bem ter sido implementado em muitas das Sés orientais (mesmo Alexandria), no entanto não foi visto como um Credo com autoridade ecumênica. Em vez disso, no que diz respeito a São Cirilo e seus colegas no Concílio de Éfeso e seus pensamentos, o último Concílio a envolver toda a Igreja, e assim a exibir verdadeira autoridade ecumênica, foi o Concílio de Nicéia em 325. E, uma vez que se percebe que a Igreja Ocidental ainda não usava o Credo Constantinopolitano (um Credo elaborado [Aaté então] por um mero concílio regional), de repente torna-se dolorosamente óbvio que São Cirilo e os outros padres de Éfeso não poderiam ter o Ocidente (de fato, a Igreja universal ) responsável por aquilo que ainda não se aplicava a ele em um contexto ecumênico. Em vez disso, o Concílio Ecumênico de Éfeso só poderia responsabilizar a Igreja pelo que era manifestamente ecumênico na época; e, claro, isso era o Credo como originalmente foi escrito em Nicéia. Na verdade, foi o Credo Niceno de A.D. 325 (e não a versão Constantinopolita) que foi lido na sessão de abertura do Concílio de Éfeso (22 de junho de 431). Este era o Credo, que poderia ser recitado (no momento) tanto pelo Oriente quanto pelo Ocidente juntos – um Credo Ecumênico para um Concílio Ecumênico. Além disso, quando São Cirilo cita o Credo em sua Epístola XVII, excomungando Nestorius (PG LXXVI, 117), é a forma Nicena original do Credo que é apresentada, não a versão Constantinopolitana. São Cirilo escreve … “Nós acreditamos em um Deus, o Pai Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis … E no Espírito Santo: Mas aqueles que dizem: Houve um tempo em que Ele não era, e, antes que Ele fosse gerado, Ele não era, e que Ele foi feito daquilo que anteriormente não era, ou que Ele era de alguma outra substância ou essência, e que o Filho de Deus era capaz de mudança ou alteração, a Igreja Católica e Apostólica o anatematiza “. Então, em suma, se alguém deseja aplicar o cânon VII do Concílio de Éfeso para proibir a inclusão do Filioque, então também é necessário aplicá-lo (como exige o contexto histórico) ao próprio Credo Constantinopolitano – algo que, claro, não é algo que a Ortodoxia oriental (ou católica romana) deseja fazer. Agora, com tudo isso diante de nós, obviamente, segue que existem apenas duas maneiras possíveis de interpretar e obedecer ao cânon VII do Concílio de Éfeso. Qualquer um pode interpretá-lo em um sentido puramente anacrônico – o sentido em que muitos modernos ortodoxos orientais o interpretam, que, de forma irracional (e legalistamente), o aplicam ao período após o Concílio de Calcedônia (AD 451), quando o Credo Constantinopolitano foi finalmente abraçado pela Igreja universal em um contexto ecumênico. Ou, pode-se interpretar o Canon VII em um sentido orgânico – como uma referência à substância do Credo de Nicéia, o que significa que ninguém é permitido a apresentar um Credo que se opõe ou seja contrário ao Credo Niceno – isto é, a fé orgânica dos padres Nicenos. Isto, é claro, foi a interpretação apresentada pelo arcebispo de Rodes e adotada pelos outros padres no Concílio unificador de Ferrara-Florença (em 1439), incluindo o bizantino João Bessarion, mas não o inflexível Marcos de Éfeso, que simplesmente não poderia incorporá-lo em sua visão estreita e cismática. Na verdade, os padres de Ferrara-Florença nem sequer estavam em posição de apreciar a autêntica perspectiva do século 5 de São Cirilo e do Concíli que ele liderava. Se os romanos de Ferrara-Florença estivessem plenamente conscientes da distinção de AD 431 entre o que então era visto como o Credo Ecumênico de Nicéia (325) versus o meramente regional Credo de Constantinopla I (381), seu argumento contra Marcos de Éfeso teria sido muito mais poderoso. Claramente, São Cirilo de Alexandria só poderia ter tido um dos dois objetivos em mente quando declarou que ninguém poderia acrescentar ao Credo “de Nicéia”. Ou ele diretamente pretendia minar qualquer importância especial e canônica ao Credo Constantinopolitano – algo que reforçaria claramente sua defesa do primado de Alexandria, estabelecendo limites para a autoridade de Constantinopla. (Embora fosse um santo, Cirilo não estava acima dessas manobrações políticas). Ou ele simplesmente (inocentemente) pretendia se referir ao Credo de Nicaea em um sentido orgânico e substantivo – um senso que seria inclusivo ao Credo Constantinopolitano e de todos os outros credos em acordo essencial com Nicéia. Neste último, tanto a Ortodoxia Oriental moderna como o catolicismo moderno estão em comunhão com São Cirilo e os padres de Éfeso. Se o primeiro, o Concílio de Éfeso em 431 e o Concílio de Calcedônia em 451 (que adotou o Credo Constantinopolitano em um contexto ecumênico) não podem ser reconciliados, e um ou outro não deve ser contado como ecumênico e vinculativo. Assim, a única opção realista para um ortodoxo oriental ou um católico é interpretar o cânon VII de Éfeso em um sentido orgânico – um sentido que permite a adoção ecumênica do Credo Constantinopolitano de Calcedônia, mas que também permite a inclusão do Filioque como canônico lícita Adição Assim, o Canon VII do Concílio de Éfeso não pode ser usado para argumentar contra a inclusão do Filioque no Credo Ocidental. Um argumento muito mais forte para a posição ortodoxa oriental parece ser o Oitavo Concílio de Constantinopla (como eles contam – o Concílio de 879-80), que foi chamado a curar o cisma de Fócio e a manter a redação original do Credo, tanto para Bizâncio quanto para Roma, e também anatemanizou qualquer um que adapte o Credo Constantinopolitano de 381. Agora, em sua superfície, isso também pode parecer condenatório para com a posição católica romana. Mas, a menos que também interpretem isso em um sentido puramente orgânico, também é condenado pelo cânon VII de Éfeso, que proclama que ninguém pode acrescentar ao Credo “de Nicéia” – algo que o Credo Constantinopolitano obviamente faz. Além disso, mesmo depois de A.D. 880, Roma e Constantinopla continuaram a manter a comunhão com muitas igrejas ocidentais que professaram abertamente o Credo com o Filioque. Se o decreto de 880 representasse algo mais do que um “contrato social” entre Constantinopla e Roma (um acordo de que Roma manteria a fé expressa por Constantinopla, isto é, uma fé na monarquia do Pai como Fonte do Espírito), então Roma teria sido forçada a excomungar todo o Ocidente, e Bizâncio certamente teria pressionado essa excomunhão. Isso, obviamente, não aconteceu, no entanto. Neste ponto, também é útil perceber que a antiga Igreja, tanto antes como depois de A.D. 431 (e A.D. 880), sempre possuíu vários credos litúrgicos diferentes. O Credo de Nicéia era, naturalmente, uma versão expandida do Credo dos Apóstolos (ainda em uso hoje) e uma série de outros credos batismais regionais, como o usado (mesmo depois de Nicéia) por São Cirilo de Jerusalém. De fato, havia pelo menos quatro versões diferentes do credo Niceno antes do Concílio de Sardica em A.D. 341, e nesse concílio ainda havia outra versão apresentada e inserida nas Atas, embora não formalmente autorizada pelo concílio. E, mesmo após a adoção do Credo Constantinopolitano de Calcedônia, o Credo atanasiano (século V) foi amplamente utilizado na Gália e, eventualmente, se espalhou para o resto da Igreja. Foi até mesmo, por um tempo, abraçado pelos ortodoxos russos (menos o Filioque). Assim, olhando para a história autêntica, se é obrigado a admitir que nunca houve apenas um “Credo oficial” para a Igreja universal. No entanto, a popular insistência ortodoxa oriental em um suposto “credo oficial” ilustra a diferença substancial na forma como a comunhão ortodoxa oriental e a visão de comunhão católica romana vinculam a autoridade da Igreja. E uma apreciação desta diferença substancial é muito importante para a nossa discussão sobre o Filioque, uma vez que aborda uma grande parte da controvérsia, a força motriz por trás disso. Agora, não é nenhum segredo que o Oriente Bizantino muitas vezes criticou o Ocidente romano por ser muito “legalista” em sua abordagem para com a Fé. No entanto, quando se trata de autoridade vinculativa, é realmente o Oriente Bizantino que é muito mais legalista e divorciado da Tradição orgânica do poder dado por Cristo para a Igreja para “ligar e desligar” (Mt 16:19, 18:18). Nesse sentido, muitas vezes argumentei que o verdadeiro culpado por trás do nosso Cisma é que a Igreja Ortodoxa Oriental é, de forma fundamental, a “Igreja Imperial” criada por Constantino o Grande – o “culto do estado” e a “cola” política empregada para manter seu Império unido. Ao dizer isso, certamente não quero questionar, disputar ou minimizar a natureza apostólica da Ortodoxia Oriental. Pelo contrário, nós, católicos, acreditamos firmemente que a Igreja Ortodoxa Oriental é de natureza apostólica e que possui o verdadeiro sacerdócio e sacramentos verdadeiros. Mas, seja como for, esta Igreja Apostólica do Oriente Bizantino ainda se expressa de maneiras e de acordo com um modo de pensamento cultural, que é completamente “imperial” no antigo sentido bizantino de “Uma Igreja, um Império” … ou talvez, na sua manifestação moderna, “Uma Igreja, uma expressão cultural”. Por isso, o Oriente Bizantino é muito desconfortável com qualquer coisa que não se conforme prontamente ou perfeitamente a sua própria experiência histórica ou patrimônio cultural bizantino (isto é, “imperial”). E, nesse patrimônio cultural, está o Concílio Ecumênico – no essencial, um exercício patrocinado pelo Estado da lei imperial romana / bizantina – que, em última instância, determina o que é e o que não é doutrina oficial da Igreja. A Igreja Ocidental, por outro lado, nunca se associou fundamentalmente ao “culto estatal” imperial; e este foi o caso antes e depois da queda do Império Romano do Ocidente. Em vez disso, o Ocidente, junto com as comunidades monásticas do Oriente, mantiveram sempre uma visão da Igreja como aquela antiga sociedade subterrânea, distinta do mundo secular, que já foi perseguida por ela. Neste entendimento mais antigo, a autoridade de ensino da Igreja (que São Cipriano chamou de “Cátedra de Pedro”) foi realizada por todos os bispos católicos, cuja unidade e ortodoxia foram identificadas e mantidas, não pelo Império, mas pela sua comunhão com o sucessor pessoal de Pedro na igreja de Roma – uma igreja que São Cipriano chamou de “útero e raiz da Igreja Católica” e “a igreja principal na qual a unidade sacerdotal tem sua fonte” (Ep .l.). Por isso, o Ocidente sempre conseguiu distinguir entre a Igreja e uma determinada civilização em que a Igreja (ou uma área da Igreja) acidentalmente reside. Também foi sempre capaz de apreciar o fato de que os primeiros Concílios Ecumênicos não eram um fim em sí mesmo da própria autoridade da Igreja, mas eventos patrocinados pelo Estado ao serviço da Igreja e através dos quais a Igreja pôde expressar sua autoridade orgânica – uma autoridade que era bastante livre para expressar além de um Concílio Ecumênico, assim como era antes de Constantino legalizar o cristianismo. Não é assim no Oriente bizantino, no entanto, onde Igreja e Império (isto é, civilização secular) se encaixam perfeitamente e fundamentalmente juntos. Assim, quando a Igreja Ocidental abraçou o Filioque e, de fato, a introduziu em sua recitação nativa do Credo, o que estava fazendo – como os bizantinos viam – era estar se “rebelando” contra a unidade teocrática do Império Bizantino, na qual a Itália e certas outras partes do Ocidente, pelo menos, pertenciam nominalmente. Dado que Bizâncio era essencialmente um Estado-Igreja, o que isso significava era que seu “Credo oficial” (o Credo Constantinopolitano – como escrito) era a “constituição política” da Igreja-Estado – a constituição do “culto estatal do Império cristão” “; aquilo mantinha o Império unido. Mas, na década de 580 e, certamente, nos anos 1000, a Europa Ocidental já não era mais uma parte do Império Bizantino e não estava mais vinculada diretamente à sua cultura ou sujeita à sua agenda política / social. Em vez disso, Roma reconheceu que a Igreja não estava formalmente vinculada ou limitada por qualquer um, “Credo oficial”; e assim alterando o seu credo litúrgico para abordar verdadeiros desafios doutrinários dentro de sua própria experiência ocidental não foi um problema, mas uma defesa válida da ortodoxia cristã orgânica. Para os bizantinos, essa era (e ainda é) uma abordagem muito desconfortável, porque ela viola sua visão do mundo e da Igreja, onde não houve separação entre Igreja e estado (ou cristão secular – isto é, Bizantino -cultura). Assim, quando os seus semelhantes “Romanos” étnicos no Ocidente (que agora estavam sob o governo visigodo e franco) aprovaram uma versão alterada do Credo, parecia aos bizantinos como se seus irmãos ocidentais estivessem sendo “antipatrióticos” – isso é , “Não-Romanos” / “Não-Bizantinos”. … e assim “não-ortodoxos”. Este não era, evidentemente, o caso. Eles estavam sendo meramente sendo “católicos” – isto é, possuindo uma sensibilidade à verdade cristã, pois transcende os pontos de vista culturais ou nacionalistas (por exemplo, os limites da cultura e da experiência bizantina). Para os bizantinos, no entanto, Constantinopla I, tinha significado algo específico pelo uso da palavra “procede”. Agora, Roma mudou isso. Agora, Roma significava algo mais tudo junto. E, mesmo que essa “outra coisa” fosse doutrinamente válida e ortodoxa, não mudou o fato de que Roma tinha “fé quebrada” com sua herança bizantina. É assim que os ortodoxos orientais sempre viram. E, mesmo hoje, depois de que”três Romas caíram” e não existe mais uma cultura cristã secular (por Bizâncio), ainda há pouca ou nenhum espaço na imaginação ortodoxa oriental para uma expressão ortodoxa do cristianismo que é “não-bizantina” “- isto é, independente do seu patrimônio cultural bizantino. Por exemplo, o apologista ortodoxo oriental Cirilo Quattrone escreve o seguinte sobre a introdução do Filioque em Toledo: “… Eu desenvolvi um argumento contra a proposição latina que eu acredito ser bastante conclusiva. Se aceitamos, por razões de argumento, que esta distinção é válida [isto é, entre processão da essência divina e processão de acordo com a hipóstase], então, uma das maiores objeções ao Credo latino é que ele mudou o significado do Credo grego original. Em outras palavras, o Credo original, composto pelo Concílio Ecumênico, teve uma frase sobre a origem suprema do Espírito Santo. Os latinos decidiram, unilateralmente, raspar esse ensinamento do Credo e adicionar um ensinamento sobre uma processão conjunta. Não é bom dizer que nos referimos a origem final com referência ao Pai, porque, se você fizer isso, você quer dizer origem final com referência ao Filho, pois ambos são encaminhados para a mesma palavra … Mesmo que seja correto, a adição não é uma adição, mas uma subtração “. Bem, aqui, meu bom amigo, Cirilo, é claro, tem vários aspectos da realidade histórica. Em primeiro lugar, como mencionei acima, nós, católicos, não ”raspamos” o ensino original do Credo (seu significado original em grego). Em vez disso, como já discutimos, mantemos a doutrina de que o Pai é a única Causa (Aition / Principium) do Espírito. Como também mencionado, nem o concílio regional de Toledo, nem a própria Roma, já negaram ou rejeitaram o Credo Constantinopolitano como originalmente escrito; Toledo, de fato, anatematizou qualquer um que nega o Concílio de Constantinopla I; e Roma emitiu decretos semelhantes muitas vezes. Em segundo lugar, embora admitamos que o Ocidente mudou indiretamente o significado original desta parte do Credo, a inclusão de Filioque no Credo não é uma “subtração”, mas uma afirmação totalmente diferente da verdade. Como eu ilustrai acima, uma vez que o significado grego de “processão” nunca foi recebido conscientemente pelo Ocidente de língua latina, não apenas uma palavra, mas duas palavras diferentes (duas implicações diferentes) são assumidas; mas ambas as implicações são usadas para servir a Fé Apostólica e para expressar duas verdades diferentes (duas expressões igualmente válidas) sobre a processão do Espírito Santo. A razão pela qual os bizantinos acham isso desconfortável é porque eles assumem que uma unidade formal e cultural é necessária para o Oriente e o Ocidente para realmente compartilhar uma fé. Para a mente bizantina, Oriente e Ocidente estão professando duas coisas não relacionadas – duas “constituições” diferentes, por assim dizer. Mas, a Igreja do Deus vivo não está limitada por formas ou preocupações culturais, nem a ortodoxia é apenas uma questão de expressão externa, mas de verdade substantiva. Assim, é bem possível e válido para o Oriente e o Ocidente recitarem dois Credos formalmente diferentes … se esses Credos estiverem substancialmente de acordo e se eles refletem a mesma Fé Apostólica, o que eles fazem. Agora, em relação a esse ponto, Cirilo Quattrone continua … “Analogamente a esta situação é uma tentativa recente de alguns liberais gregos de alterar o Credo. Eles queriam mudar” … para nós homens e para a nossa salvação … “para” … para nós e para a nossa salvação … “Mesmo que as duas cláusulas tenham um significado equivalente (e eu diria que eles não tem), a alteração seria uma abominação. Largou uma palavra do credo original. Felizmente, a hierarquia esmagou essa blasfêmia rapidamente … Mas, a diferença entre essa instância e o filioque? os liberais tiraram uma palavra, que transmitia um certo significado, e afirmaram que não havia diferença entre os dois Credos … Vocês, latinos, não só, em essência, deixaram uma cláusula sobre a origem final do Espírito Santo, mas vocês ainda adicionaram uma nova cláusula sobre a origem mediante da mesma Pessoa Divina “. Bem, não basta dizer, certamente compartilho o desdém de Cirilo por liberais e sua promoção de “linguagem inclusiva” desnecessária. No entanto, eu pararia rapidamente en automaticamente caracterizar essas tentativas liberais equivocadas como “blasfêmia” ou “abominações”. Isto, penso eu, ilustra perfeitamente a rigidez cultural que prevalece entre muitos bem-intencionados ortodoxos orientais, que é a mesma mentalidade – a mentalidade xenófoba do antigo Bizâncio – que alimenta seu zelo contra Filioque. Mas, para resolver sua pergunta, a diferença entre o caso desses liberais e o Filioque é óbvia. Em primeiro lugar, os liberais procuram alterar o Credo por razões tolas e doutrinariamente erradas. O grego já usa a palavra “anthropos” (“homo” em latim), que não se refere apenas a seres humanos do sexo masculino, mas a toda a humanidade, masculino e feminino. Para simplesmente dizer “… para nós e para a nossa salvação …” tornaria o Credo sem sentido. Quem se entende por “nós”? Nós cristãos? Nós gentios? Nós, pessoas com olhos castanhos, em oposição a pessoas com olhos azuis? Nós anjos e homens juntos? Pois, o fato de o Credo dizer especificamente “para nós homens” é porque queria combater uma noção popular (promovida por Orígenes e outros) que Cristo morreu, não só para salvar os seres humanos de nossos pecados, mas também para salvar os anjos caídos! Assim, o Credo diz especificamente “nós homens” por esse motivo. Agora, Filioque não foi adicionado para apaziguar algum pedido não razoável, mas para contrariar a ameaça muito real da doutrina ariana que se manifestou na Espanha do século 6. Assim, foi incluído em resposta a um erro óbvio. Os arianos espanhóis alegaram que o Filho não podia ser Deus se o Espírito da Filiação (o Espírito Santo) existisse eternamente para além dele. Em resposta, os bispos de Toledo (com base no testemunho consistente dos padres latinos) proclamaram que o Filho é essencial para a processão do Espírito da Filiação – que a processão do Espírito faz parte da relação co-eterna do Pai e Filho. Pois, não se pode ser um Pai eterno, a não ser que alguém gere um Filho eterno; e não se pode ser um Espírito de Filiação eterno, a menos que exista um Filho eterno, que é eternamente gerado por um Pai eterno. Assim, ao contrário da mera agenda “política” dos liberais, o Filioque não era um exemplo de “linguagem inclusiva”, mas uma resposta substantiva e necessária a um verdadeiro erro doutrinário. Além disso, não afirmamos que não há diferença de significado entre a versão original do Credo Constantinopolitano e a versão que inclui o Filioque. Pelo contrário, reconhecemos que o Credo Romano e o Credo Bizantino se referem a duas coisas diferentes. Mas, também afirmamos que ambas estas coisas são verdadeiras e igualmente apostólicas. Eles são apenas expressões diferentes, criadas para atender duas experiências diferentes e duas necessidades diferentes. E, finalmente, o Filioque também é diferente do caso desses liberais na medida em que foi proclamado por bispos autoritários no concílio e, finalmente, declarado ortodoxo pelo Bispo de Roma. Assim, ao contrário de alguma fraca tentativa liberal de alterar o Credo, possui verdadeira autoridade magisterial. Mas, para abordar o coração do argumento de Cirilo Quattrone, o que é claro a partir de sua expressão acima é que ele (como a maioria dos ortodoxos orientais) vê o Filioque como uma espécie de “traição” do Credo – isto é, da “constituição oficial” da civilização a que ele se vê como pertencente. Para Cirilo, como a maioria dos ortodoxos orientais, a Igreja deve ser um todo formal, cultural, inspirado na “excelência” bizantina. Mas isso não é, e nunca foi, uma imagem verdadeira ou realista da Igreja. Pois, como meu próprio pai tardio costumava dizer: “A Igreja é como uma mulher bonita que ocasionalmente muda seu vestido – isto é, sua expressão cultural. E se essa bela mulher usa moda judaica, ou moda greco-romana, moda bizantina, moda medieval ou germânica, moda renascentista ou moda moderna, ela ainda é a mesma mulher bonita. Sua substância não muda. “Os ortodoxos orientais ainda não concordaram verdadeiramente com essa verdade. Em vez disso, eles vêem a “diferença ontológica” na mera mudança de um “vestido”. No entanto, no entendimento católico, a verdadeira autoridade eclesial não é prejudicada por expressões canónicas ou convenções históricas, mas reside em última instância com o Magistério Guiado pelo Espírito, que é o árbitro e intérprete divinamente designado da autêntica Tradição Apostólica em qualquer modo cultural que se manifeste. Isso, novamente, apresenta um desafio para os ortodoxos orientais; mas é, no entanto, parte de sua própria Tradição Sagrada – herança muito antiga, pré-imperial da Igreja Oriental. Pois os padres bizantinos testemunham claramente a crença de que o bispo de Roma (ou seja, o último sucessor de São Pedro) possuia autoridade sobre um Concílio Ecumênico (isto é, um ato político do “culto estatal” bizantino) e tem o direito magisterial de definir substancialmente a Fé além da expressão literal de um Concílio Ecumênico. Isso também revoga a impressão de que os papas medievais que ratificaram Filioque foram proibidos pelo Concílio Ecumênico de Éfeso. Pois esta era a compreensão da Igreja Oriental antes da época de Fócio argumentar contra tal pressuposto. Por exemplo, St. Maximo, o Confessor (c. A.D. 650) escreve … “Quanto mais no caso do clero e da igreja dos romanos, que desde os tempos antigos até agora preside todas as igrejas que estão sob o sol ?Tendo certamente recebido isso canonicamente, bem como dos concílios e dos apóstolos, a partir do Princepe dos últimos (Pedro e Paulo), e sendo numerados em sua companhia, ela não está sujeita a nenhuma escrita ou edição em documentos sinodais, por causa da eminência de seu Pontificado … mesmo que todas essas coisas sejam igualmente sujeito a ela (a igreja de Roma) de acordo com a lei sacerdotal. E, então, sem medo, mas com toda a santa confiança, esses ministros (os papas) são a rocha verdadeiramente firme e imutável, que é a mais grandiosa e igreja apostólica de Roma “. (Maximus, em J. B. Mansi, ed. Amplissima Collectio Conciliorum, vol. 10) Da mesma forma, St. Nicéforo, Patriarca de Constantinopla (758-828) diz … “Sem quem (os romanos que presidiram no sétimo Concílio), uma doutrina apresentada na Igreja não poderia, apesar de confirmada por decretos canônicos e pelo uso eclesiástico, obter aprovação total ou circulação. Pois são eles (os Papas de Roma) a quem lhes foi atribuido o domínio em coisas sagradas, e que receberam em suas mãos a dignidade de liderança entre os apóstolos “. (Nicephorus, Niceph. Cpl. Pro. S. Imag. C 25 [Mai N. Bibl. Pp. Ii. 30]). E, St. Teodoro, o Estudito de Constantinopla (759-826) diz, escrevendo para o Papa Leão III … Uma vez que, para o grande Pedro de Cristo, nosso Senhor deu o cargo de Pastor Principal depois de lhe confiar as Chaves do Reino dos Céus, para Pedro ou seu sucessor deve ser necessário que toda novidade na Igreja Católica seja encaminhada. “(Theodore, Bk. I. Ep. 23) … e …. “Deixe-o (o Patriarca Nicéforo de Constantinopla) reunir um sínodo com aqueles com quem ele está em desacordo, se é impossível que os representantes dos outros patriarcas estejam presentes, algo que certamente poderia acontecer se o Imperador desejasse o Patriarca ocidental (o Papa Romano) estar presente, a quem é dada autoridade sobre um sínodo ecumênico, mas que ele faça a paz e a união enviando suas cartas sinodais ao prelado da Primeira Sé “. (Theodore the Studite, Patr. Graec. 99, 1420) Além disso, durante o próprio tempo de Fócio, seu contemporâneo bizantino St. Metódio, o irmão de São Cirilo e Apóstolo dos eslavos (c. 865), atesta claramente a crença de que a autoridade de um Concílio Ecumênico depende da autoridade de Roma : “Por causa de sua primazia, o Pontífice de Roma não é obrigado a participar de um Concílio Ecumênico, mas, sem sua participação, manifestada enviando alguns subordinados, todo Concílio Ecumênico é não-existente, pois é ele quem preside o Conselho”. (Methodius, em N. Brianchaninov, The Russian Church (1931), 46; citado por Butler, Church and Infallibility, 210) (On This Rock (San Francisco: Ignatius, 1999), p. 177) E, claro, podemos multiplicar outros exemplos. Mas, de acordo com os ancestrais dos modernos ortodoxos orientais, a autoridade do Bispo de Roma é superior a um Concílio Ecumênico, uma vez só a autoridade petrina de Roma que pode ratificar um Concílio Ecumênico. Esse tem sido, naturalmente, o argumento constante apresentado pelos católicos romanos quando os ortodoxos orientais afirmam, por exemplo, que Filioque viola o cânon VII de Éfeso. No entanto, esse argumento romano só faz sentido razoável para um oriental, uma vez que suas noções irrealistas do que é um Concílio Ecumênico sejam expostas. Pois, quando dizemos que Roma ultrapassa um Concílio Ecumênico, não estamos dizendo que o Papa é um “Concílio de um só homem” ou que um Concílio Ecumênico, em que todos os bispos participam, é sem autoridade. Pelo contrário. O que queremos dizer é que a autoridade de ensino da “Cátedra de Pedro” (isto é, de todos os bispos em comunhão com o Bispo de Roma) pode expressar-se mesmo além da construção legalista de um Concílio Ecumênico; e que a Sé de Roma em si é capaz de se concentrar e expressar o verdadeiro consenso de todos os bispos ortodoxos; que é, é claro, o que Roma realmente faz quando ratifica um Concílio Ecumênico. Agora, isso, naturalmente, envolve muitos mistérios eclesiais, e uma discussão sobre a doutrina da infalibilidade papal que não é nosso foco aqui. O que deve ser admitido, no entanto, é que, de acordo com a antiga compreensão pré-imperial da autoridade da Igreja, o Papado Romano tinha todo o direito (mesmo, dever) de ratificar os decretos do Concílio de Toledo como são e ortodoxos; pois Toledo não decretou nada que fosse estranho à Fé Apostólica. Uma contradição ocidental? Como afirmado várias vezes acima, a Igreja Católica Romana não mantém uma “dupla processão” (“dupla espiração”) do Espírito Santo. Em vez disso, acreditamos firmemente e ensinamos que é o Pai, e o Pai sozinho, Quem é a Fonte, Principal e Causa (Aition / Principium) do Espírito Santo. Como também mencionei, tanto o Concílio de Toledo quanto os numerosos decretos papais confirmaram consistentemente os dogmas de Constantinopla I (381), e assim o Credo Constantinopolitano, como originalmente escrito. No entanto, muitos ortodoxos orientais argumentariam que o catolicismo moderno é culpado de revisionismo histórico e que contradizemos o que o Ocidente medieval originalmente pretendia expressar através da doutrina do Filioque. Por exemplo, o apologista ortodoxo oriental Cirilo Quattrone escreve (eu apresento suas críticas completas e bastante longas): “Parece-me que, embora os católicos hoje se afastem de uma teologia de uma dupla processão, não obstante seja uma dupla processão de uma pessoa, e relegando o envolvimento do Filho para um papel mediador, isso nem sempre foi o caso. Se eles não mantinham o ensinamento de que o Espírito Santo procedia do Pai e do Filho, porém, como de principais, por que eles não protestaram falando que São Fócio havia deturpado sua posição durante os concílios de Lyon e Florença? E quando São Marcos [de Ephesus … no Concílio de Ferrara-Florença], citou St. Dionísio, que escreveu: “Existe uma fonte da Divindade pré-essencial – Deus Pai”, por que eles não deram um apaixonado AMEN! De fato, nós lemos no The Lives of Pillars of Ortodox,: “João [do Montenegro] então considerou benéfico fazer uma declaração formal e disse:” A Igreja de Roma não admite dois princípios ou causas na Trindade, mas apenas uma causa e uma principal, anatematizando todos os que pensam em contrário. ” Isso, no entanto, era uma proclamação superficial, porque uma explicação completa do que ele realmente quis dizer foi evitada. João não havia desaprovado que o Filho era a causa do Espírito Santo. O que ele disse foi que, embora o Pai seja a causa original do Espírito, o Filho recebe o poder do Pai para produzir (ou avançar) projetar) o Espírito não de Si mesmo, mas do Pai. No entanto, as palavras de João teriam um enorme impacto. “Há exemplos mais explícitos do ensino de uma dupla processão. O 11º Conselho de Toledo em 675 afirma: “Cremos que o Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade, é Deus, e que Ele é um e igual com Deus Pai e Deus Filho, de uma substância, bem como de uma natureza. No entanto, ele não é gerado ou criado, mas Ele procede de ambos e é o Espírito de ambos. Cremos que o Espírito Santo não é nem não-gerado e nem gerado; senão, se dissermos não gerados, deveríamos estar afirmando dois Pais; e se dissermos gerado, devemos parecer pregar dois Filhos. Ele é chamado de Espírito, não apenas do Pai, nem apenas do Filho, mas igualmente do Pai e do Filho. Ele não passa do Pai para o Filho nem do Filho para santificar criaturas; mas Ele mostrou ter procedido de ambos, porque Ele é conhecido como o Amor da santidade de ambos. “Ele não passa do Pai para o Filho” é uma clara negação de sua contestação de que Roma nunca ensinou que a Filioque significava uma dupla processão. Toledo ensina que, de qualquer maneira, o Espírito Santo procede do Pai, ele também procede do Filho. [Do mesmo modo] o 4º Concílio de Latrão (1215) afirma: “O Pai não é de ninguém; O Filho é do Pai somente; e o Espírito Santo é tanto do Pai quanto do Filho igualmente. “Novamente, o advérbio” igualmente “indica que, de qualquer maneira, ele procede do Pai, da mesma maneira que ele procede do Filho. A processão dupla é até mesmo encontrada em documentos católicos modernos. O novo Catecismo oficial da Igreja Católica, pg. 246 [lê]: “O Concílio de Florença em 1438 explica: O Espírito Santo é eternamente do Pai e do Filho; Ele tem Sua natureza e subsistência ao mesmo tempo (simul) do Pai e do Filho. Ele procede eternamente dos dois como de um principal e por uma espiração … E, como o Pai, por meio da geração, deu ao Filho unigênito tudo o que pertence ao Pai, exceto ser o Pai, o Filho também tem eternamente do Pai, Aquele que Ele é eternamente gerado, que o Espírito Santo procede do Filho “. O próprio Santo Agostinho escreve:” Mas o Espírito não procede do Pai para o Filho e então procede do Filho para a nossa santificação, mas Ele procede de ambos ao mesmo tempo, embora o Pai tenha dado isto ao Filho, assim como o Espírito Santo procede de Si mesmo, assim Ele também procede do Filho. “(Sobre a Trindade, xv: 27). Parece-me que a Dupla processão é um aspecto muito proeminente dos ensinamentos de Roma sobre a suposta processão do Filho do Espírito Santo “. Agora, Cirilo Quattrone obviamente nos atingiu com muitas alegações aqui. A única infelicidade é que tudo são miscaracterizações (leia: interpretações erradas) das expressões ocidentais apresentadas. Pois, como é talvez natural para um bizantino, o Sr. Quattrone presume que todas as declarações doutrinais sobre a processão do Espírito devem ser enraizadas no significado originalmente pretendido da declaração do Credo (em grego) de Constantinopla I (381) – isto é, uma referência para a monarquia do Pai, e somente nesse contexto. No entanto, como já ilustramos várias vezes, o Ocidente (tendo em conta as diferenças semânticas entre grego e latim na sequência de Constantinopla I) nunca foi consciente diiso, ou dedicado exclusivamente a este contexto da monarquia do Pai. Em vez disso, o Ocidente era organicamente capaz de falar da processão do Espírito em um contexto totalmente diferente, mas igualmente válido, o contexto coletivo do Pai e do Filho. E eu já ilustrei a diferença entre esses dois contextos na minha analogia com o “jogo da captura” entre um pai humano e um filho humano e como (dependendo do contexto em que se deseja focar), o “jogo da captura” pode ser dito que procede do pai humano sozinho (porque ele inicia o jogo – como uma “aition”) ou o “jogo de captura” pode ser feito tanto do pai quanto do filho, uma vez que a participação de ambos é necessária para que o ‘jogo de captura’ exista – um contexto coletivo. E estes dois contextos / perspectivas diferentes não são contraditórios, mas são totalmente complementares. Ambos são igualmente válidos e verdadeiros. Mas, em todas as citações da Igreja ocidental citadas por Cirilo Quattrone acima, é o contexto coletivo que está sendo abordado, não o contexto monárquico (o Pai como a única Fonte do Espírito). Um bizantino precisa apreciar esse fato para interagir de forma justa e honesta com a Igreja ocidental na verdadeira caridade católica. Na verdade, se Cirilo Quattrone estiver correto e nós, católicos romanos, nos contradizemos tão obviamente (e em lugares tão abertos quanto o nosso Catecismo oficial!), É claro que é preciso concluir que todos os católicos bizantinos do mundo não falando dos tolerantes ortodoxos estudiosos como Kallistos Ware, são profundamente ingênuos e cegos. Claramente, isso não pode ser o caso. No entanto, para demonstrar a verdade da questão, abordemos as alegações do Sr. Quattrone, uma a uma. O Sr. Quattrone pergunta por que os padres do Concilio em Lyon II e Ferrara-Florença nunca acusaram Fócio de deturpar a visão ocidental. A resposta rápida e mais honesta a isto é que o Ocidente medieval não estava particularmente interessado em estabelecer uma síntese das teologias gregas e latinas, mas em provar que Fócio errou ao condenar o Filioque e que uma “processão coletiva” (a preocupação ocidental) é doutrinamente válida – isto é, para “fascina” ors bizantinos com o senso comum escolástico de Filioque e resolver o assunto dessa maneira. Tais foram as muitas oportunidades perdidas para que os gregos e os latinos se comunicassem efetivamente uns com os outros. De fato, as tentativas de “tradução” mais sutis e efetivas são tipicamente encontradas no lado bizantino pró-romano (por exemplo, St. Maximo, o Confessor, João Beccus, etc.), onde certos padres tentaram ilustrar como seus colegas gregos entenderam mal as expressões ocidentais . Essas tentativas são geralmente descartadas por anti-Filioquistas modernos, no entanto. O Sr. Quattrone pergunta por que os ocidentais de Ferrara-Florença não expressaram um “Amém!” para a promoção de Marcos da Eféso para a monarquia do Pai. Para isso, devo dar a mesma resposta. A monarquia do Pai na processão do Espírito não era um problema para os ocidentais, nem a Ocidente nunca o negou (como ilustrado pela defesa apaixonada mas imperfeita de João de Montenegro). O foco deles foi provar a validade de uma “processão coletiva” do Espírito (uma processão envolvendo Pai e Filho), porque é isso que os bizantinos negaram. Além disso, o autor de The Lives of the Pillars of Orthodoxy (citado pelo Sr. Quattrone acima) está simplesmente errado quando afirma que João de Montenegro (e, portanto, a Igreja Ocidental) viu o Filho como uma “causa” do Espírito no sentido de uma “aition”. Isto é especificamente o que João de Montenegro estava negando quando proclamou que Roma reconhece apenas uma Causa (Aition) do Espírito – a saber, o Pai. É somente quando alguém torce e deturpa a visão ocidental (forçando-a a um preconceito bizantino) que uma “contradição” é criada. A posição romana nunca mudou: o Pai é a única Causa (Aition / Principium) do Espírito; mas, com isso dado por certo, também pode-se falar válidamente sobre o Espírito procedendo de Pai e Filho em um sentido coletivo – isto é, com o Pai agindo como Causa (Aition / Principium) e o Filho atuando como eterno, essencial Participante na espiritualidade do Pai – o Espírito da Filiação, que, claro, exige a existência pessoal e participante do Filho. Neste ponto, pode ser muito útil para nós distinguir entre duas importantes palavras gregas. Acima, discutimos as diferenças semânticas entre o termo grego “ekporeusis” (ou seja, proceder de uma única Fonte, Principal ou Causa) e o termo latino inequivalente “procedit” – o termo que o Ocidente usou involuntariamente para traduzir a ”Ekporeusis” de Constantinopla I , e assim a raiz da confusão semântica. No entanto, há ainda outro termo grego para “proceder”, que é “proienai”, e este termo, é equivalente ao termo latino “procedit”, é usado com bastante frequência entre os padres orientais (especialmente Alexandrinos) parra se referir à processão do Espírito do Pai e do Filho. Pois, quando os padres gregos usam “proienai”, eles não estão se referindo à monarquia do Pai, mas ao mesmo, senso coletivo da processão do Espírito (envolvendo o Pai e o Filho) como expressa na tradição ocidental. Exploraremos esse aspecto da teologia dos padres orientais abaixo. Mas, por enquanto, vamos apenas nos concentrar na distinção e abordar o que é relatado no documento relativamente recente promovido pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, que é intitulado Filioque: A Clarification. Eu cito uma grande seção do documento abaixo porque aborda várias das citações do Sr. Quattrone. Se lê(enfâses minhas): “O fato de que na teologia latina e alexandrina o Espírito Santo procede (proeisi) do Pai e do Filho em sua comunhão consubstancial não significa que seja a essência Divina ou Substância que procede nele, mas que seja comunicada [Pessoalmente] do Pai e do Filho que o têm em comum [isto é, o relacionamento pessoal exclusivo]. Este ponto foi confessado como dogma em 1215 pelo quarto Concílio Latrão: ‘A substância não gera, não é gerada, não procede; Mas é o Pai que gera, o Filho que é gerado, o Espírito Santo que procede: de modo que há distinção em Pessoas e unidade na Natureza. Embora outro (alius) seja o Pai, outro o Filho, outro o Espírito Santo, eles não são outra realidade (aliud), mas o que o Pai é o Filho é e o Espírito Santo igualmente; então, de acordo com a fé ortodoxa e católica, acreditamos que são consubstanciais. Pois o Pai, gerando eternamente o Filho, lhe deu sua substância … É claro que, ao ser gerado, o Filho recebeu a substância do Pai sem que essa substância seja de modo algum diminuída, e assim o Pai e o Filho têm a mesma substância. Então, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que procede de ambos, são uma mesma realidade “(DS 804-805). “Em 1274, o segundo Concílio de Lyon confessou que” o Espírito Santo procede eternamente do Pai e do Filho, não de dois princípios, mas de um único Princípio (tamquam ex uno principio) “(DS 850). “À luz do Concílio de Latrão, que precedeu o segundo Concílio de Lyon, é claro que não é a essência divina que pode ser o” único princípio “para a processão do Espírito Santo. O Catecismo da Igreja Católica interpreta Esta fórmula no no.248 como se segue: “… a ordem eterna das Pessoas Divinas em sua comunhão consubstancial implica que o Pai, como o” princípio sem princípio “, é a primeira origem do Espírito, mas também que, como Pai do Filho único, Ele é, com o Filho, o único Princípio do qual o Espírito procede. “(Concílio de Lyons II, DS 850). Agora, note que, acima, o Sr. Quattrone apresenta parte do que o Catecismo da Igreja Católica tem a dizer sobre a processão do Espírito, mas não o seu ensino completo. Esta foi sem dúvida uma supervisão honesta da parte do Sr. Quattrone, mas ilustra o fracasso comum de muitos ortodoxos orientais de apreciarem a doutrina católica abrangente e sua inclinação para descartar a tradição romana sem analisar completamente o que realmente acreditamos. Este é um pecado comum contra a caridade, indigno de um ortodoxo oriental. Pois, o Catecismo da Igreja Católica continua explicando: “A tradição ocidental expressa primeiro a comunhão consubstancial entre Pai e Filho, dizendo que o Espírito procede do Pai e do Filho (Filioque) … Esta complementaridade é legítima, desde que não se torne rígida, não afeta a identidade de fé na realidade do mesmo mistério confessado “. (Catecismo da Igreja Católica no.248). Este é o contexto em que o Catecismo da Igreja Católica está falando (como citado acima por Cirilo Quattrone) quando afirma que o Espírito “tem Sua natureza e subsistência ao mesmo tempo (simul) do Pai e do Filho. Ele procede eternamente de ambos como de um principal quanto através de uma espiração “. Esse Principal do Espírito é o Pai, e o Pai sozinho. É apenas no sentido coletivo da comunhão pessoal, consubstancial entre Pai e Filho, que o Espírito procede de ambos. E, de fato, uma vez que se afasta de uma estreita perspectiva bizantina e percebe-se que a tradição romana expressa e abraça duas verdades distintas, mas igualmente válidas -, tanto o Pai como a única Causa (Aition / Principium) da processão do Espírito (“ekporeusis” “) e a comunhão consubstancial do Pai e do Filho resultando na processão do Espírito em um sentido coletivo (” proienai “), podemos ler subitamente as outras expressões ocidentais apresentadas por Cirilo Quattrone em sua verdadeira e pretendida luz. Pois, quando o 4º Concílio de Latrão declara que “… o Espírito Santo é tanto do Pai quanto do Filho igualmente.” Isso não significa, como o Sr. Quattrone assume, que “… o advérbio” igualmente “indica que, de qualquer maneira Ele procede do Pai, da mesma maneira que ele procede do Filho “. Em vez disso, apenas se refere ao sentido coletivo de processão de Pai e Filho (“proienai”) e não nega ou ameaça o Pai como a única causa da processão (“ekporeusis”). Do mesmo modo, o 11º Concílio de Toledo (que não se deve confundir com o 3º Concílio de Toledo, que primeiro proclamou Filioque), em nenhum sentido declara, como o Sr. Quattrone interpreta mal, que “… de qualquer maneira que o Espírito Santo proceda do Pai, Ele também procede do Filho “. Não é o que Toledo XI diz. Em vez disso, quando diz que o Espírito “é chamado de Espírito, não apenas do Pai, nem apenas do Filho, mas igualmente do Pai e do Filho”, isto é meramente uma referência à sua comunhão consubstancial pessoal – o contexto coletivo de processão. Da mesma forma, quando declara que o Espírito “não procede do Pai para o Filho nem do Filho para santificar criaturas, mas Ele demonstrou ter procedido de ambos igualmente, porque Ele é conhecido como o Amor da santidade de ambos” Isto não é uma negação do Pai como a única causa (Aition / Principium) do Espírito, mas uma negação da posição ariana de que o Filho é apenas um participante temporal na processão do Espírito – que o Filho apenas recebe o Espírito após a A processão (do Pai) ocorre, em oposição a esta ocorrendo no contexto de uma eterna comunhão entre Pai e Filho. É claro que é bastante perturbador (da perspectiva ocidental) que a teologia moderna ortodoxa oriental (ou seja, Fociana) venha muito perto de defender essa mesma visão ariana ao se recusar a incorporar a participação do Filho na processão eterna do Espírito de qualquer maneira. Vamos discutir isso mais adiante “Mas o Espírito não procede do Pai para o Filho e depois procede do Filho para a nossa santificação, mas Ele procede de ambos ao mesmo tempo, embora o Pai tenha dado isso ao Filho, assim como o Espírito Santo procede Ele mesmo, assim também procede do Filho. “(Sobre a Trindade, xv: 27). Agora, como com as outras citações acima, quando Agostinho diz que o Espírito “não procede do Pai para o Filho”, isto não é uma negação da monarquia do Pai ou Seu papel como a única Fonte ou Causa do Espírito (Aition / Principium ). Pois, como já apresentamos, Agostinho ensinou claramente que o Pai é o único “Principium” (palavra de Agostinho) do Espírito. De fato, nesta mesma seção de sua Sobre a Trindade, Agostinho claramente escreve (a ênfase minha) … “Pois o Pai sozinho não é de outro, e, portanto, Ele é chamado de não gerado, nem mesmo nas Escrituras, mas no uso de disputantes, que empregam a linguagem que podem em um assunto tão grande. E o Filho é gerado do Pai, e o Espírito Santo procede principalmente do Pai, o Pai dando a processão sem qualquer intervalo de tempo, mas em comum de ambos [Pai e Filho]. Mas Ele [o Espírito] seria chamado de Filho do Pai e do Filho, se – uma coisa abominável ao que parece soar – ambos o geraram. Portanto, o Espírito não é gerado de ambos, mas procede de ambos “. (Na Trindade, xv; 26) Aqui, Agostinho usa o “gerado” como sinônimo de “espirado” – uma referência à espiração do Espírito (do Pai). E isso é o que Agostinho diz antes da citação apresentada pelo Sr. Quattrone, estabelecendo assim o contexto do que Agostinho quer dizer quando diz que o Espírito procede tanto do Pai quanto do Filho “ao mesmo tempo”. A referência é a comunhão eterna e consubstancial entre Pai e Filho (o contexto de uma processão coletiva – “proienai”), não à processão do Pai sozinho (“ekporeusis”) como a Causa ou Fonte do Espírito. A declaração de Agostinho de que o Espírito “não procede do Pai para o Filho” não é claramente uma negação de “o Pai que dá a processão”, mas pretende contestar o erro ariano de que o Filho é meramente um destinatário temporal do Espírito – o mesmo erro que o 11º Concílio de Toledo condena acima. Pois, quando visto em contexto, o que Agostinho está se referindo é como o Espírito não procede do Pai e Filho, no sentido de que uma criança procede de um pai e uma mãe humanos. Sua frase completa se lê: “… o Espírito Santo não é dito ser gerado, mas sim proceder, pois, se Ele também fosse chamado de Filho, ele certamente seria chamado de Filho de ambos, o que é muito absurdo, já que ninguém é filho de dois , salvo de pai e mãe. Mas longe de nós conceber qualquer coisa como essa entre Deus, o Pai e Deus o Filho. Porque nem mesmo um filho de homens procede ao mesmo tempo do pai e da mãe, mas quando ele procede do pai para a mãe, ele não procede da mãe, e quando ele procede da mãe para esta luz presente, ele não procede do pai. Mas o Espírito Santo não procede do Pai no Filho, e do Filho procede para santificar a criatura, mas procede de uma vez de ambos, embora o Pai tenha dado isto ao Filho, para que Ele proceda, como Ele mesmo, assim também por Ele “. (Na Trindade, xv; 27) Isto é o que Agostinho está realmente se referindo, mas a citação completa não é apresentada pelo Sr. Quattrone. Ergo, Agostinho claramente não está em contradição com a Declaração do Credo de Constantinopla. Essa “contradição” só pode ser criada por tirar Agostinho fora do contexto pretendido. Observe também que a citação do Sr. Quattrone distorce um pouco a linha final. Pois, na realidade, Santo Agostinho nunca diz (como citado pelo Sr. Quattrone), “… embora o Pai tenha dado isso ao Filho, assim como o Espírito Santo procede de Si mesmo, assim Ele também procede do Filho”. … uma declaração que parece implicar que o Espírito Santo proceda de si mesmo (o Espírito Santo) e / ou que um processo igual de processão está sendo aplicado ao Pai e ao Filho. Pelo contrário, ele diz … “… embora o Pai tenha dado isso ao Filho, que Ele (O ESPÍRITO) deva proceder, como de Si mesmo (O PAI), assim também por Ele (FILHO)”. Mais uma vez, a referência é a comunhão consubstancial do Pai e do Filho e o contexto de uma processão coletiva (participativa), não apenas à processão monárquica do Pai. Agostinho não está dizendo que o Espírito procede do Filho da mesma maneira que Ele procede do Pai. Tal afirmação seria contrariar o que Agostinho diz antes disso, sobre o Pai sendo o único “Principium” (Origem / Causa) do Espírito e aquele que “dá” o Espírito ao Filho. Isso deve ser óbvio para quem lê Agostinho com honestidade e compreensão No entanto, apesar da verdadeira posição de Agostinho (tão óbvia para a maioria dos ocidentais), os ortodoxos orientais parecem consistentemente propensos a descaracterizar ele e a abordagem ocidental desse mistério. Por exemplo, o Metropolitano Ionannis Zizoulas de Pergamon escreve … “A expressão” principaliter “necessariamente impede que o Filho seja uma espécie de causa secundária no surgimento ontológico do Espírito. O Filioque parece sugerir duas fontes da existência pessoal do Espírito, uma das quais (o Pai) pode ser chamada a primeira e causa original (principaliter), enquanto o outro (o Filho) pode ser considerado como uma causa secundária (não principaliter), mas ainda é “causa”, embora não seja “principaliter”. As discussões tanto na época de St. Fócio como Em Lyon e Ferrara-Florença parecem ter prestado especial atenção a este ponto delicado. Não é acidental que os teólogos gregos, mesmo desde a época de Fócio, insistiram … o Pai é a única causa do Filho e do Espírito. A preocupação não parece estar totalmente coberta pela expressão agostiniana “principaliter”. O Segundo Concílio de Lyon não está claro sobre este assunto quando diz que o Pai como Pai de Seu Filho é “junto com Ele o único príncipio do qual o Espírito procede. “(Metropolita Ionannis Zizoulas de Pergamon criticando The Clarification, citado por Cirilo Quattrone). Como eu acho que é bastante óbvio, o Metropolitano Zizoulas é simplesmente a vítima de seu próprio ponto de vista nativo e bizantino, o que obriga toda a discussão da processão do Espírito no contexto da declaração de Constantinopla I sobre a monarquia do Pai como a única Causa (Aition ) do Espírito. Simplificando, a Igreja ocidental não vê o Filho como uma “causa” da processão do Espírito em tudo – não no sentido de ekporeusis. O Filho não é uma “causa secundária” (aition) do Espírito, contra o papel do Pai como causa primária (Aition). Não se trata de “o Filho sozinho” ou “o Filho além do Pai”. Pelo contrário, o que Filioque se refere é a realidade que o Filho participa eternamente com o Pai na processão do Espírito Santo – que o Pai e o Filho juntos representam uma processão do Espírito (proienai), num contexto totalmente complementar ao dogma de que o Espírito procede (ekporeusis) do Pai sozinho como Sua última Fonte ou Causa (Aition / Principium). O problema do Metropolita Zizoulas (e é um obstáculo para muitos ortodoxos orientais) é que ele só pode ver “e o Filho” (Filioque) como uma adição à afirmação Creedal da Igreja Bizantina e, portanto, pressupõe que o contexto deve ser uma das “causas” – o filho como uma causa “adicional” ou “secundária”. Mas como, como discutimos anteriormente, o Ocidente de língua latina nunca usou a declaração Credal de Constantinopla I para se referir especificamente ao Pai como Causa (por causa do significado implícito do “procedit” latino versus a “ekporeusis” grega) nunca teve esse foco em mente. O Ocidente certamente nunca negou que o Pai é a Fonte e a Causa do Espírito (como é claro nas afirmações de Santo Agostinho acima). Mas, isso simplesmente não era o foco ou preocupação do Ocidente, e não a maneira como implementou o Credo. Em vez disso, a preocupação do Ocidente foi sempre o contexto coletivo da processão do Espírito, que é, sim, uma abordagem diferente da tradição bizantina, mas também uma igualmente válida e ortodoxa. Como na minha analogia, o ‘jogo da captura’ procede do pai humano que o inicia, ou do pai humano e do filho humano, que participam conjuntamente dele? A resposta é que o “jogo de captura” procede de ambas as coisas, de forma complementar e ao mesmo tempo. A processão do Espírito não é diferente. Nossas diferentes abordagens são apenas isso – uma questão de contexto, perspectiva e ênfase. A única incerteza ou confusão está enraizada em uma falta de vontade de sair da sua preocupação nativa e ver o assunto do ponto de vista do outro – algo que a catolicidade e a caridade católica exigem. Mas, em relação a Agostinho especificamente, o Metropólita Zizous também escreve … “No período bizantino, o lado ortodoxo acusou os cristãos de língua latina, que apoiaram o Filioque, de introduzir dois deuses, precisamente porque acreditavam que o Filioque implicava duas causas – não apenas duas fontes ou princípios – na Santíssima Trindade. A tradição Patrística grega, pelo menos desde os padres da Capadócia, identificou o único Deus com a Pessoa do Pai, enquanto Santo Agostinho parece identificá-lo com a única substância divina “. (Ibid) Aqui, novamente, vemos como alguns estudiosos ortodoxos orientais são aparentemente incapazes de ver além de sua própria tradição cultural / teológica nativa. Pois, a “tradição patrística grega” não é a mesma coisa que a própria Fé Apostólica, nem a Fé Apostólica é limitada à tradição patrística grega, ou apenas definida por ela. Os ortodoxos orientais parecem tipicamente incapazes de distinguir entre essas duas coisas e, portanto, assumem (de forma muito irreal) que a teologia grega (especialmente a teologia antioquiana/ capadociana) representa o cristianismo ortodoxo antigo. Nesse caso, basicamente ignoram a tradição teológica latina igualmente válida e, portanto, contra a catolicidade da Igreja antiga. Vamos discutir esta lacuna em maior detalhe abaixo. Quanto à alegação bizantina de que Agostinho e o Ocidente nos apresentam “dois deuses”, já vimos acima que Agostinho não contradiz a tradição Capadociana em relação ao Pai sendo a única causa do Espírito. É verdade que Agostinho e o Ocidente tendem a se concentrar na Substância Divina em vez da Monarquia Pessoal do Pai. Mas, isso é simplesmente uma abordagem teológica diferente, igualmente válida. O único “dano” criado por essa abordagem teológica é que perturba a “elegante ordem” e a integridade cultural distinta da tradição teológica grega. Mas, como acabei de dizer, a tradição teológica grega não é a própria fé apostólica. Se alguém pode aceitar essa distinção, e assim abraçar a verdadeira catolicidade em relação às várias expressões culturais antigas totalmente válidas da única fé apostólica, então não há conflito entre as abordagens grega e latina. É somente quando o Oriente Bizantino exige que sua abordagem teológica nativa defina a Fé Apostólica (isto é, sua antiga mentalidade de “uma Igreja, um Império”) que os problemas são criados. Pois, a oposição bizantina ao Filioque, desde o seu início, e em sua própria essência, foi conduzida por uma espécie de “nacionalismo teológico”, com exclusão da autoridade primordial de Roma (que Constantinopla procurou usurpar) e a perfeitamente válida e Expressão tradicional ocidental da fé apostólica. de fato, o próprio metropólita Zizioulas admite que a alegação bizantina de “dois deuses” não era senão um fantasma. Pois, ele continua … “É claro que, como observa o documento do Vaticano, o Quarto Concílio de Latrão exclui qualquer interpretação que faria da substância divina a Fonte ou a Causa da geração do Filho ou a processão do Espírito. E, no entanto, a ideia Capadociana de” causa “parece estar quase ausente na tradição teológica latina “. Como continuamos apontando, esta última afirmação é simplesmente falsa. Em vez disso, o Pai como a “Causa” (Aition / Principium) do Filho e do Espírito é dado como certo na tradição latina. Pois, ao contrário dos Capadócios e dos padres de Constantinopla, a Igreja Ocidental nunca teve que defender a monarquia do Pai contra os macedônios, etc. Em vez disso, o desafio ariano à ortodoxia no Ocidente (por exemplo, Espanha) assumiu a forma de um ataque à Participação eterna do Filho na processão do Espírito; e isso tornou-se o foco ocidental, resultando no Filioque. Não é que ignoremos o papel do Pai como Causa (Aition / Principium) do Espírito. Em vez disso, nos concentramos em uma verdade igualmente ortodoxa e válida, que é distinta, mas complementar à preocupação da Capadociana. E Zizioulas continua … “… a noção de” causa “parece ser de especial importância no argumento patristico grego relativo ao Filioque. Se a teologia católica romana estiver pronta para admitir que o Filho não constitui de modo algum uma” causa “(Aition) na processão do Espírito, isso traria as duas tradições muito mais próximas umas das outras em relação ao Filioque “. (Ibid) Bem, como é claro a partir do próprio documento do Vaticano que o metrópolita Zizioulas está criticando, a Igreja Católica Romana declara que o Filho não é uma “causa” do Espírito no sentido de uma “aition” – o sentido em que a afirmação Credal de Constantinopla I refere-se à processão. O que não podemos fazer, no entanto, é negar que a participação eterna do Filho é intrínseca à processão do Espírito. Tal negação é a posição muito cismática, puramente Fociana, de que muitos ortodoxos orientais desejam forçar o Ocidente a abraçar – afirmando que ainda fazemos o Filho ser uma “causa” (aition) a menos que o abraçemos. Mas, como na minha analogia com o “jogo da captura”, dizendo que o filho humano é igualmente essencial (em um contexto coletivo e participativo) para o “jogo de captura” como o pai humano que sozinho inicia o jogo (como seu ” Aition “) não faz o filho humano um co-iniciador do jogo ou uma” causa “secundária do jogo no sentido de que o pai humano é seu iniciador e causa (aition). Esta é a distinção mais importante. Então, o que nós romanos exigimos (que é a demanda da caridade católica) é que os Bizantinos interpretam nossas expressões, não de acordo com suas próprias formas ou preconceitos nativos, mas de acordo com nossas formas, significados e intenções nativas, e apreciando a substância do que estamos realmente confessando. Enquanto os ortodoxos orientais se recusarem a fazer isso, eles continuarão a se esconder atrás dos fantasmas feitos por eles mesmos, xenófobos (leia-se: intolerantes) e assim abraçando uma desculpa inválida para manter o nosso cisma, trazendo o pecado e a vergonha a suas próprias cabeças. Os padres sabem melhor Uma grande pedra de tropeço em relação ao Filioque para muitos dos orientais hoje é que a teologia ortodoxa oriental moderna é dominada pelas visões do século 9 de Fócio de Constantinopla, que (em resposta direta à sua interpretação errada do que seus irmãos latinos contemporâneos quiseram dizer com “Filioque”) , desenvolveu um sistema de Pneumatologia (muito “antioqueno”) em que Filho e Espírito não têm conexão pessoal eterna (além de sua essência consubstancial). O apologista ortodoxo oriental Cirilo Quattrone reflete essa visão quando escreve (enfase dele) “… enquanto alguns eruditos” ortodoxos “jorraram com a idéia de admitir algum tipo de papel mediador para o Filho na processão do Espírito Santo, isto NÃO É O ENSINO DA IGREJA ORTODOXA ANTIGA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA GREGA. O Espírito Santo procede apenas do Pai. Creio que foi St. Irineu quem falou do Espírito Santo como o braço direito e esquerdo de Deus Pai. Embora a analogia não possa ser empurrada até muito longe, ilustra a falta de qualquer papel do Filho na processão pré-eterna do Espírito Santo “. …e também … “Nós consideramos que o Espírito procede apenas do Pai. Ao contrário da teologia romana, que ensina que a processão do Espírito seria impossível se o Filho não existisse, nós ensinamos que a processão do Espírito é somente do Pai. Mesmo que o Filho não existisse, humanamente falando, o Espírito Santo ainda existiria “. Como já abordei acima, esta posição é mais preocupante e problemática, uma vez que ameaça a própria identidade pessoal do Espírito Santo como “Espírito de Filiação” e, ao fazê-lo, distorce tanto a natureza revelada da Trindade e o próprio significado do Evangelho, pelo qual o Filho eterno, através do Espírito eterno de Filiação, nos adota à mesma Filiação que ele próprio desfruta eternamente com o Pai, tornando-nos “participantes da natureza divina” (2 Pedro 1: 4) – uma participação misteriosa na natureza trinitária de Deus. Vou abordar isso com maior detalhe abaixo. O que não pode ser negado, no entanto, é que a visão Fociana (mantida tão fortemente por muitos ortodoxos orientais) está muito em desacordo com o testemunho de outros padres orientais, sobretudo os alexandrinos. Por exemplo, São Cirilo de Alexandria claramente ensina (em vários lugares) que o Espírito procede do Pai “através do Filho”. Como o bispo e erudito ortodoxo moderno Photios de Iona explica: “São Cirilo ensinou que o Espírito procedia do Pai através do Filho. Em palavras que poderiam ser tiradas de Agostinho, Cirilo observa:” na medida em que o Filho é Deus e de Deus por natureza, já que Ele foi verdadeiramente gerado por Deus Pai , o Espírito é próprio, e Ele é ele e dele. “A tendência de Cirilo de as vezes confundir os termos” pessoa “e” natureza “é bem conhecida … É bastante significativo que Cirilo, produto da Teologia Alexandrina, influenciada pelo neoplatonismo, infelizmente é ambíguo na escolha das palavras … “(Dom Photios de Iona, também conhecido como Dr. Joseph P. Farrell, citado em correspondência de Cirilo Quattrone para Mark Bonocore). Deixando de lado a tentativa infeliz, embora de certa forma divertida, dos modernos ortodoxos orientais de marcar toda a teologia da Grega não-antioquiana (juntamente com a teologia latina) como de alguma forma “neoplatônica”, a realidade é que a conexão de São Cirilo entre o Filho e o Espírito é encontrada em todos Alexandrinos, Capadócios e, sim, até mesmo alguma teologia antioquiana. No entanto, muitos ortodoxos orientais modernos parecem não querer ver isso. A afirmação citada acima por São Cirilo não é de forma alguma isolada, acidental ou rara, mas ocorre muitas vezes em suas obras teológicas. Por exemplo, ele escreve para Nestorius, dizendo … “Pois, embora o Espírito seja a mesma essência, ainda assim pensamos Nele por Ele mesmo, como Ele é o Espírito e não o Filho, mas Ele não está desconectado com Ele [o Filho], pois Ele é chamado de Espírito da Verdade e Cristo é a Verdade, e Ele é enviado por Ele, assim como Ele é de Deus Pai. … Desde então, Ele é o Espírito do Poder e da Sabedoria do Pai, isto é, do Filho, Ele é, evidentemente, Sabedoria e Poder (Epist., Xvii, Ad Nestorium, De excommunicatione em PG, LXXVII, 117) Aqui, São Cirilo claramente nega a posição Fociana (ou seja, a visão popular ortodoxa oriental, defendida por Cirilo Quattrone acima) de que o Filho não possui conexão eterna e pessoal com o Espírito. Pois, depois de estabelecer que são da mesma essência ainda distintas em suas personalidades, São Cirilo, então, sustenta que existe uma conexão específica entre eles e que o Espírito é do Filho como Ele é do Pai. São Cirilo também diz … “Não devemos dizer que o único Senhor Jesus Cristo foi glorificado pelo Espírito, de modo a sugerir que, através do Espírito, ele usou um poder estrangeiro a Si mesmo, e do Espírito recebeu a habilidade de trabalhar contra os espíritos impuros e para fazer sinais divinos entre os homens, mas sim dizer que o Espírito, por meio de Quem Ele efetivamente trabalhou Seus sinais divinos, é dele próprio. [Os Doze Erros, Erro 9, 430 dC] Mais uma vez, São Cirilo de Alexandria reconhece claramente a possessão eterna e pessoal do Filho (isto é, participação) do Espírito. Cristo não trabalhou de algum vazamento pós-encarnação do Espírito, mas por um Espírito que era próprio de si mesmo (a pessoa do Filho) de toda a eternidade. E, talvez o mais impressionante de tudo, São Cirilo também escreve … “Assim como o Filho diz:” Tudo o que o Pai tem é meu “[João 16:15], assim achamos que através do Filho tudo também está no Espírito” (Cartas 3: 4: 33 [AD 433]) . O Filho não veio possuir o Espírito Santo no tempo, mas de toda a eternidade. Da mesma forma, e isso é importantíssimo, o Espírito possui tudo o que é do Pai através do Filho! Isso mostra claramente que São Cirilo reconheceu uma conexão eterna e pessoal entre o Filho e o Espírito, e posiciona firmemente a posição de São Cirilo contra a de Fócio, que afirma que a processão do Espírito do pai não tem nada a ver com a Pessoa do filho. Agora, como eu disse acima, essa visão de uma conexão eterna e pessoal entre o Filho e o Espírito não se limita apenas a São Cirilo. Pelo contrário, é claramente uma preocupação em toda a teologia grega alexandrina, vindo pelo desde Santo Atanásio e São Didimo, o cego. Por exemplo, St. Dídimo, o cego escreve … “Como entendemos as discussões … sobre as naturezas incorpóreas, assim também é agora reconhecido que o Espírito Santo recebe do Filho o que Ele é de Sua própria natureza … Assim também o Filho é ditoreceber do Pai as coisas pelas quais Ele subsiste. Pois o Filho não tem mais nada senão as coisas que lhe são dadas pelo Pai, nem o Espírito Santo outra substância do que aquela que lhe foi dada pelo Filho “(O Espírito Santo 37 [AD 380]). . A referência é principal da filiação . Em outras palavras, é do Pai “através do Filho” que o Espírito recebe eternamente Sua identidade pessoal. Por favor, note que São Didímo escreve isso contemporaneamente com a confissão de Constantinopla sobre o Espírito que vem do Pai. No entanto, nenhuma contradição foi percebida, porque não há contradição. Na verdade, Didímo estava conjecturando a partir de uma tradição Alexandrina honrada naquele tempo: Pois, o próprio Santo Atanásio testifica que …. “Na medida em que entendemos a relação especial do Filho com o Pai, também entendemos que o Espírito tem essa mesma relação com o Filho. E como o Filho diz:” tudo o que o Pai tem é meu (João 16:15) “Nós descobriremos todas essas coisas também no Espírito através do Filho. E assim como o Filho foi anunciado pelo Pai, que disse:” Este é o meu Filho amado, em quem me agrada (Mateus 3:17) ” assim também é o Espírito do Filho, pois, como diz o apóstolo: “Ele enviou o Espírito de Seu Filho em nossos corações, clamando:” Abba! Pai! ” (Gálatas 4: 6) “. (Atanasius, Letters to Serapion, III, 1, 33, PG 26, 625 B). Mais uma vez, é a relação eterna das pessoas a que se refere. Ou a Filiação de Cristo é eterna ou não é. Santo Atanásio promoveu claramente uma, Filiação eterna e, portanto, um eterno Espírito de filiação, que procede eternamente do Pai “através do Filho”. É precisamente por isso que os Alexandrinos (assim como os latinos – Santo Agostinho) citam constantemente a João 16 : 15 em relação à possessão do Espírito pelo Filho. O Filho não possui ou participa do Espírito da Filiação em um mero sentido temporal, mas de toda a eternidade; e o Espírito (como o Espírito da Filiação) recebe Sua identidade pessoal do Pai “através do Filho”. E, mesmo os Capadócios reconhecem essa realidade apostólica. Por exemplo, São Basílio o Grande escreve … “Através do Filho, Que é um, Ele (ou seja, o Espírito Santo) está unido ao Pai, que é um, e por si mesmo completa a Santíssima Trindade”. (O Espírito Santo 18:45 [A.D. 375]). O que não pode ser disputado aqui é que o Espírito, para Basilío, está unido ao Pai eternamente e Pessoalmente através do Filho. Existe uma conexão pessoal – uma eterna participação pessoal do Filho. Esta é a realidade que o Filioque aborda. . E St. Basílio esclarece isso ainda mais quando ele escreve … “… a bondade da natureza [divina], a santidade dessa natureza e a dignidade real alcançam o Pai através do unigênito [Filho] ao Espírito Santo. Desde que confessemos as Pessoas desta maneira, não há uma violação do santo dogma da monarquia “. (ibid., 18:47). E o mesmo se aplica ao Filioque (devidamente entendido). Mais uma vez, a referência é a relação eterna das Pessoas, com o Filho tendo uma conexão intrínseca e pessoal com o Espírito. Aqui, São Basílio reconhece a ortodoxia da posição contemporânea de Alexandria, embora essa não seja a principal preocupação dos Capadócios, que é, claro, a monarquia do Pai. Da mesma forma, St. Gregório Nazianzeno diz … “… o Espírito é um termo médio (meson) entre o não gerado e o gerado”. (Discurso 31, 8). Isso também aborda a mesma realidade apreciada pelos Alexandrinos e os Latinos, que vê o Espírito como uma eterna “Conexão” pessoal entre Pai e Filho – o Espírito da Filiação. Além disso, St. Gregório de Nissa escreve … “O Espírito Santo é dito ser do Pai e é [ainda] atestado que Ele é do Filho. São Paulo diz:” Quem não tem o Espírito de Cristo não pertence a Ele “(Romanos 8: 9) ). Assim, o Espírito que é de Deus (o Pai) é também o Espírito de Cristo. No entanto, o Filho que é de Deus (o Pai) não é dito ser do Espírito: a ordem consecutiva do relacionamento não pode ser revertida “. (Fragmento em Orationem Dominicam, citado por St João Damasceno, PG 46. 1109 aC). Mais uma vez, é a ordem eterna que está sendo descrita aqui, não apenas a transmissão temporal do Espírito. O Espírito Santo é o Espírito “do Filho” (o Espírito da Filiação) em uma capacidade eterna. A identidade pessoal do Espírito depende da Personalidade do Filho. E, St. Gregório de Nissa também escreve … “Enquanto confessamos a invariabilidade da natureza [divina], não negamos a distinção de Causa e de Causado, pela qual, sozinhos, percebemos que uma pessoa se distingue da outra, acreditando que é uma coisa ser a Causa e outra ser Da Causa; e naquilo que é Da Causa, nós reconhecemos outra distinção. É uma coisa ser diretamente da Primeira Causa (isto é, do Pai), e outra ser através Dele (isto é, o Filho) O que é diretamente do Primeiro, de modo que a distinção de ser unigênito permaneça indubitavelmente no Filho, nem se duvida que o Espírito seja do Pai, pois a posição intermediária do Filho é protetora de Sua distinção como uníco gerado, mas não exclui o Espírito de Sua relação natural com o Pai “. (Ep. Ad. Ablabius). Mais uma vez, é a relação eterna das pessoas a que se refere. Os Capadócios reconheceram claramente uma conexão eterna e pessoal entre Filho e Espírito, que deve ser entendida no sentido do Pai como a Causa do Espírito (Aition), com o Filho como Participante intrínseco e eterno na processão eterna – uma posição do meio (isto é, “através dele”) que não interfere no papel exclusivo do Pai como Causa (Aition). E a mesma teologia é encontrada em muitos outros padres pertencentes à esfera de influência antioquiana. Por exemplo, já em A.D. 265, e antes de qualquer possível mancha de “Neoplatonismo”, o St. Gregório Taumaturgo produziu o seguinte Credo: “Um Deus, o Pai da Palavra viva, da Sabedoria e do Poder subsistente, e da Imagem Eterna. Criador Perfeito do Perfeito, Pai do Filho Unigênito. Um Senhor, Único do Único, Deus de Deus, Imagem e semelhança da Divindade, Palavra eficiente, Sabedoria compreendendo a constituição do universo, e Poder que molda toda a criação. Filho do Pai genúino, invísivel do invísivel, e incorruptível do incorruptível, e imortal do imortal, e eterno do eterno. E um Espírito Santo, tendo substância de Deus, e Que é manifestado através do Filho; Imagem do Filho, Perfeito do Perfeito; Vida, a causa da vida; Fonte Sagrada; Santidade, o Distribuidor da Santificação; em quem se manifesta o Deus Pai, que é acima de tudo e em tudo, e Deus, o Filho, que é através de todos. Trindade perfeita, em glória e eternidade e soberania, nem dividida nem alienada. “(Confissão de fé) Em algumas fontes ortodoxas orientais, a cláusula “manifestada através do Filho” é geralmente seguida por “[para os homens, isto é]” – algo universalmente reconhecido pelos estudiosos como um embelezamento medieval e muito óbvio, destinado a reconciliar São Gregório com a visão Fociana. De fato, as cláusulas antes e depois, que falam do Espírito como tendo a substância de Deus e chamando o Espírito de a “Imagem do Filho” revelam a verdadeira intenção de São Gregório Taumaturgo. Sua referência é a ordem eterna. Da mesma forma, temos o testemunho de Santo Epifânio de Salamina, que escreve …. “Pois o próprio Unigênito chama ele [o Espírito]” o Espírito do Pai “, e diz Dele que” Ele procede do Pai “e” receberá de mim “, de modo que Ele seja considerado como não sendo estranho ao Pai, nem ao Filho, mas da mesma substância, da mesma Divindade: Ele é o Espírito Divino … de Deus, e Ele é Deus. Pois Ele é Espírito de Deus, Espírito do Pai e Espírito do Filho , não por algum tipo de síntese, como a alma e o corpo em nós, mas no meio do Pai e do Filho, do Pai e do Filho, um Terceiro pela denominação … O Pai sempre existiu e o Filho sempre existiu, e o Espírito respira do Pai e do Filho, e também o Filho não é criado, nem o Espírito é criado “. (Ankyrotos ou The Man Well Anchored, A.D. 374). Mais uma vez, uma conexão eterna pessoal entre o Filho e o Espírito é reconhecida. E São Epifânio também diz … “O Espírito está sempre com o Pai e o Filho … procedendo do Pai e recebendo do Filho, não estranho ao Pai e ao Filho, mas da mesma substância, da mesmo Divindade, do Pai e do Filho, Ele está com o Pai e o Filho, o Espírito Santo sempre subsistente, o Espírito Divino, o Espírito da glória, o Espírito de Cristo, o Espírito do Pai … Ele é o Terceiro em nomeação, igual em Divindade, não diferente em relação ao Pai e ao Filho, ligando o elo da Trindade, o Selo Ratificador do Credo. (Panarion) Esta é exatamente a mesma teologia encontrada nos Alexandrinos e Capadócios acima, na qual uma conexão eterna pessoal entre Filho e Espírito é reconhecida. Ele também escreve … “Ninguém conhece o Espírito, além do Pai, exceto o Filho, de Quem Ele procede (proienai) e de Quem Ele recebe”. (OP .. cit., Xi, em P.G., XLIII, 35): Além disso, no ano A.D. 410, isto é, após o Concílio de Constantinopla de 381 A.D., o Concílio de Seleucia (no patriarcado antioquiano) declarou sua fé em … “… O Santo Espírito vivificante, o Santo Paráclito vivo, que procede do Pai e do Filho”. (Lamy, “Concilium Seleucia”, Louvain, 1868). O termo grego usado era “proienai” (não “ekporeusis”). Foi, portanto, uma profissão ortodoxa e, possivelmente, uma tentativa intencional de validar a teologia alexandrina de Santo Atanásio, etc. Por favor, tenha em mente também que, no AD 410, este Concílio regional de Seleucia estava a par com a visão contemporânea de Constantinopla I, que também era visto como meramente um concílio regional, e ainda não contado como ecumênico. De fato, se os bispos de Seleucia em A.D. 410 interpretaram o Credo Constantinopolitano no sentido exclusivo e rígido em que a maioria dos modernos Orientais Ortodoxos o interpretavam, nunca teriam sido capazes de fazer a profissão citada acima. Uma mudança no entendimento oriental ocorreu claramente. E isso é auto-evidente da própria linguagem do Credo Constantinopolitano. Pois, em um só lugar, o Credo descreve a identidade pessoal do Espírito como “o Dador da Vida” (“O Dador da Vida”). Mas, em outro lugar, nos diz que é “através” do Filho que “todas as coisas foram criadas” – uma referência à identidade pessoal eterna do Filho como a Palavra. Pois, como João 1: 3-4 declara do Filho: “Tudo veio a ser através dele, e sem ele nada veio a ser. O que aconteceu através dele era vida …” Isso só revela a necessidade de uma conexão eterna pessoal entre Filho e Espírito. Pois, se o Espírito é o “Dador da Vida”, e se a vida vem “através” do Filho, então o Espírito não pode ser o “Dador da Vida” (Sua identidade pessoal) exceto através do Filho. Assim, a processão eterna do Espírito do Pai deve envolver intrinsecamente o Filho – o mesmo que a teologia Fociana nega. Movendo-se na história, mas antes da era Fociana, é claro que muitos bizantinos conseguiram apreciar a diferença entre o verdadeiro significado de Filioque (como os latinos o usavam) e os equívocos gregos populares sobre isso. Por exemplo, St. Maximo, o Confessor, claramente não viu nenhum problema com a teologia por trás do Filioque. No auge da controvérsia Monotelista, quando a curia romana emitiu sua profissão de fé na corte imperial de Constantinopla, empregando o termo grego “ekporeusis”, e então incluindo “e o Filho”, os bizantinos ficaram compreensivelmente escandalizados, já que a expressão Em grego obviamente (embora involuntariamente) implicava duas Causas para o Espírito. No entanto, St. Maximo veio em defesa de Roma, escrevendo … “Aqueles da Rainha das cidades (Constantinopla) atacaram a carta sinodal do presente Papa muito santo, não no caso de todos os capítulos que escreveu nele, mas apenas no caso de dois deles. Um relato da teologia [da Trindade] e, de acordo com ele, diz: “o Espírito Santo também tem seus ekporeusis do Filho”. O outro trata da encarnação divina. No que diz respeito à primeira questão, eles (os romanos) produziram a evidência unânime dos Povos latinos, e também de Cirilo de Alexandria … Com base nesses textos, eles mostraram que ele não fizeram do Filho a Causa do Espírito – eles sabem, de fato, que o Pai é a única Causa do Filho e do Espírito, aquele por geração e outro por processão – mas que eles manifestaram a processão por meio dele [ o Filho] e mostraram assim a unidade e a identidade da essência. Eles (os romanos) foram, portanto, acusados precisamente das coisas das quais seria errado acusá-los, enquanto os primeiros (os bizantinos) foram acusados dessas coisas de forma bastante correta (isto é, Monotelismo). De acordo com seu pedido, perguntei aos romanos para traduzirem o que é peculiar a eles (o “também do Filho”) de tal forma que quaisquer obscuridades que possam ter resultado disso sejam evitadas. Mas desde quando a prática de escrever e enviar (as letras sinodais) foi observada, eu me pergunto se eles podem concordar em fazer isso. É verdade, é claro, que eles não podem reproduzir sua idéia em um idioma e em palavras que são estranhas a eles como podem em sua língua materna, assim como nós também não podemos fazer. “(Epístola a Marinus, PG 91, 136 .) Aqui, em meados dos anos 600, St. Maximo já reconhece que o problema é semântico, enraizado em diferentes expressões e preocupações culturais. Se apenas Fócio e outros seguissem seu exemplo de caridade católica. E, mesmo em seus próprios escritos, São Maximos ecoará o Filioque – isto é, a substância do Filioque como é encontrada nos escritos de outros paidres orientais. Por exemplo, em suas Quaestiones et Dubia, Interr. XXXIV, São Maximos fala do Espírito que procedendo “através do Filho” e “por meio da Palavra”. (PG 90, 813B). Do mesmo modo, São João Damasceno, embora sempre cuidadoso em proteger o papel do Pai como única causa do Espírito, faz eco da teologia de São Cirilo de Alexandria e dos outros, dizendo que o Espírito procede do Pai “através do Filho”. Ele escreve … equívocos sobre isso. “Nem dizemos que o Espírito é do (” ek “) Filho, mas nós o chamamos de Espírito do (” de “) Filho”. (OF 188 / PG 141 B). No entanto, ele também diz … “Ele é o Espírito do Filho, não como sendo dele, mas como procedendo por Ele do Pai”. (OF 196 / PG 148 B). E também … “Ele é uma força santificadora que é subsistente, mas continua incessantemente do Pai e permanece no Filho”. (OF 201 / PG 151 c). E também … “E o Espírito Santo é o poder do Pai revelando os mistérios ocultos de Sua Divindade, procedendo do Pai através do Filho de uma maneira conhecida por Ele mesmo, mas diferente da geração” (ibid., 12). E, ecoando St. Gregório Nazianzeno acima … “[O Espírito Santo] é o mediador (meson) do Não gerado e o gerado e Ele se junta com o Pai através do Filho”. (OF 200 / PG 151 B) E também … “Eu digo que Deus é sempre Pai desde que Ele sempre tem Sua Palavra [o Filho] vindo de Si mesmo e, através da Sua Palavra, o Espírito que emana dele” (Diálogo Contra os Maniqueus 5 [A.D. 728]). Mais uma vez, vemos a eterna conexão pessoal entre Filho e Espírito – o mesmo negado na teologia Fociana. Na verdade, para São João Damasceno, o Espírito é mais tipicamente apresentado como a eterna “Respiração” que acompanha o eterno enunciado do Pai da Palavra eterna (o Filho). Nesse sentido, vemos novamente a conexão intrínseca, pessoal e o papel do Espírito como Espírito de Filiação – a Respiração eterna liberada (pelo Pai) porque Ele pronuncia a Palavra eterna e, assim, a participação necessária da Palavra (o Filho) na processão da Respiração (o Espírito). Pois, como Santo Tomás de Aquino mais tarde elaboraria as imagens de São João, a Causa da Palavra (o Filho) e a Respiração (o Espírito) é o Orador (o Pai). E dizer que a Palavra é essencial para a processão da Respiração, não faz da Palavra a Causa da Respiração, mas meramente recursos que a Respiração depende para o enunciado da Palavra que vem da Causa. Pois, ao gerar um Filho eterno, o Pai eterno espira um eterno Espírito de filiação. E, para citar um exemplo muito posterior, pós-cisma da profissão ortodoxa oriental, … Em 1285, o Concílio Oriental de Blaquerna apesar de rejeitar as formulações latinas do Concílio unificador de Lyon II (juntamente com a noção equivocada de que o Ocidente proclamou uma “dupla espiração”), também declarou sua fé em uma “manifestação eterna do Espírito através do Filho “. (Aristeides Papadakis, Crisis in Byzantium). Do mesmo modo, o abrangente trabalho ortodoxo oriental do século XIV, o Synodikon da Orthodoxia, que expõe e condena mais de sessenta anatemas que representam as decisões doutrinais dos concílios orientais, não há menção ao Filioque, nem mesmo à negação de Fócio de que o Espírito procede eternamente “através” do Filho. Então, em suma, é simplesmente falso (como o Sr. Quattrone afirma acima) que não há papel mediador do Filho na Pneumatologia Oriental ou que “Mesmo que o Filho não existisse, humanamente falando, o Espírito Santo ainda existiria. ” Esta não é a posição abrangente dos padres orientais, mas uma posição medieval posterior popularizada por certas facções na Igreja Bizantina em resposta direta aos equívocos contemporâneos sobre o termo latino “Filioque”. Mas, mesmo que fosse de outra forma – mesmo se nenhum padre oriental dissesse nada de apoio remoto à teologia por trás de Filioque – ainda haveria um enorme problema para os ortodoxos orientais modernos. Por quê? Porque, como os bispos gregos em Ferrara-Florença descobriram para sua consternação, quase todos os padres latinos que já viveram recordaraam o Filioque em termos ainda mais explícitos. Apenas para citar alguns exemplos disso (deixando de lado Santo Agostinho, cujo apoio de Filioque é incontestável), temos … Tertuliano: “Creio que o Espírito não procede de nenhuma forma além do Pai através do Filho”. (Contra Praxeas 4: 1 [A.D. 216]). St. Hilário de Poitiers: “Sobre o Espírito Santo … não é necessário falar daquilo que deve ser reconhecido, que é do Pai e do Filho, suas fontes” (A Trindade 2:29 [A.D. 357]) …. e … “No fato de que, antes dos tempos eternos, o seu [do Pai] Filho unigênito nasceu de você, quando acabamos com toda ambiguidade de palavras e dificuldade de entendimento, só resta isso: ele foi gerado. Também, mesmo que não tenha domínio em meu entendimento, mantenho-me firme na minha consciência do fato de que seu Espírito Santo é de você através dele “(ibid., 12:56). St. Ambrósio de Milão “Assim como o Pai é a fonte da vida, também há muitos que declararam que o Filho é designado como a fonte da vida. É dito, por exemplo, que com você, Deus Todo-Poderoso, Seu Filho é a fonte da vida, isto é, a fonte do Espírito Santo. Pois o Espírito é a vida, assim como o Senhor diz: “As palavras que eu vos falei são Espírito e vida”. [João 6:63] “(O Espírito Santo 1: 15: 152 [AD 381]). …e… “O Espírito Santo, quando Ele procede do Pai e do Filho, não se separa do Pai e não se separa do Filho” (ibid., 1: 2: 120). Por favor, note que a teologia de São Ambrósio foi muito “Capadociana”. O Quicumque Vult (um Antigo Credo, c. A.D. 380) “O Pai não é de ninguém, nem feito, nem criado, nem gerado. O Filho é do Pai sozinho, nem feito nem criado, mas gerado. O Espírito Santo é do Pai e do Filho, nem feito, nem criado, nem gerado, mas procedendo “. Papa São Damasco I “O Espírito Santo não é apenas do Pai, ou somente do Espírito do Filho, mas Ele é o Espírito do Pai e do Filho. Pois está escrito:” Em qualquer um que ama o mundo, o Espírito do Pai não está nele (1 João 2:15) “, e novamente está escrito:” Se alguém, no entanto, não tem o Espírito de Cristo, ele não é dele (Romanos 8: 9) “. Quando o Pai e o Filho são chamados desta maneira, o Espírito Santo é entendido, de quem o próprio Filho diz no Evangelho, que o Espírito Santo “procede do Pai (João 15:26)” e que “Ele receberá o que é meu e anunciará para você (João 16:14). “(Atas do Concílio de Roma, 382). Papa São Leão, o Grande “O Filho é o unigênito do Pai, e o Espírito Santo é o Espírito do Pai e do Filho, não como qualquer criatura, que também é do Pai e do Filho, mas como vivendo e tendo poder com ambos, e subsistindo eternamente daquilo que é o Pai e o Filho “. [Sermões 75: 3] O Credo Atanasiano “[N]ós veneraramos um Deus na Trindade e a Trindade na unicidade… O Pai não foi criado nem criado nem gerado por ninguém. O Filho é do Pai somente, não feito nem criado, mas gerado. O Espírito Santo é do Pai e do Filho, não feito nem criado nem gerado, mas procedendo “. (Credo atanasiano [A.D. 450]). St. Fulgêncio de Ruspe “Mantenha-se com firmeza e nunca duvide, pelo menos, de que o único Deus, o Filho, Quem é uma Pessoa da Trindade, é o Filho do único Deus Pai, mas o próprio Espírito Santo é uma Pessoa da Trindade, não é Espírito do Pai somente, mas do Pai e do Filho juntos “. (The Rule of Faith 53 [A.D. 524]). … e … “Mantenha-se com firmeza e nunca duvide, no mínimo, de que o mesmo Espírito Santo que é Espírito do Pai e do Filho, procede do Pai e do Filho”. (ibid., 54). E podemos, é claro, multiplicar vários outros exemplos, como o Papa São Gregório Magno, que, obviamente, aprovou os cânones de Toledo e manteve a comunhão com os bispos espanhóis e gauleses que professaram litúrgicamente o Filioque. Agora, acima, mencionei como Marcos de Éfeso e os outros gregos de Ferrara-Florença (1439) ficaram bastante surpresos e perturbados pelo testemunho consistente e esmagador dos padres ocidentais em relação ao Filioque. Sua resposta a isso foi muito interessante, e revela um lado menos do que louvável da “catolicidade” bizantina. Como Joseph Gill comenta em seu relato histórico muito equilibrado, o Concílio de Florença (ênfase minha): “As palavras dos padres e doutores ocidentais, que atribuem ao Filho a causa do Espírito, eu nunca reconheci (pois nunca foram traduzidas para a nossa língua nem aprovadas pelos Concílios Ecuménicos) nem as admito, presumindo que elas são corruptas e interpoladas … “(Confessio fidei de Mark, em Petit, Docs. P. 438 [300]). Observe como Marcos de Éfeso, apesar de exaustivas explicações em latim, ainda transforma o Filioque em uma doutrina que faz do filho uma “causa” do Espírito. O argumento de que a Igreja Ocidental intencionalmente distorceu, de fato forjou, todo o corpus latino da literatura patrística (ou seja, literalmente milhares de manuscritos antigos) é, obviamente, descaradamente ridículo. Mas, fiel à forma, o colega bizantino de Marcos, Basílio Bessarion, tomou uma visão mais racional, embora linguística. Ele, claro, faz a luz da reação dos seus colegas gregos: “Eles [os latinos] trouxeram passagens não só dos professores ocidentais, mas também de todo o Oriente … para o qual não tivemos nenhuma resposta a fazer, exceto que eles foram corrompidos pelos latinos. Eles trouxeram o nosso próprio Epifânio em muitos lugares declarando claramente que o Espírito é do Pai e do Filho: corruptos, dissemos que eram. Eles leram o texto mencionado anteriormente da obra de Basílio contra Eunomius: a nosso juízo foi interpolado. Eles aduziram as palavras dos santos do Ocidente: toda a nossa resposta foi “corrupção” e nada mais. Consideramos e nos consultamos por vários dias quanto a resposta que devemos fazer, mas não encontramos nenhuma outra defesa, que não fosse essa … Não tivemos livros que provariam que os textos latinos são corruptos, não há santos que falou de maneira diferente daqueles apresentados. Nós nos achamos privados de um juízo justo em todas as direções. Então mantivemos silêncio “(PG 161, 358CD). Tais são os limites que os “patriotas” vão defender, não história objetiva ou verdade apostólica, mas seu próprio modo de vida e expressão cultural. Refiro-me ao patrimônio cultural da civilização bizantina, que obviamente era mais importante para Marcos de Éfeso e para os outros cismáticos do que o testemunho verdadeiro e abrangente dos padres, sobretudo dos ocidentais. Na verdade, o que não pode ser negado, e certamente a maioria dos ortodoxos orientais modernos estão dispostos a admitir isso, é que a teologia por trás de Filioque é pelo menos natural e intrínseca à antiga herança da Igreja Ocidental – uma igreja com a qual seus antepassados orientais mantiveram a comunhão, Tanto antes quanto depois da crença ocidental tornar-se um ponto de disputa. No entanto, se Filioque é realmente uma heresia (como alguns ortodoxos orientais afirmariam ousadamente), não só os antigos cristãos orientais mativeram a comunhão com os hereges, mas isso significa que a própria promessa de Cristo sobre a Igreja (contra a qual “as portas do inferno não prevaleceriam “) é nula e sem efeito. Por que eu digo isso? Porque, dado que o Ocidente romano consistentemente manteve uma crença no Filioque e dado que (como os historiadores ortodoxos orientais admitem), houve numerosos períodos em que o Oriente inteiro caiu em heresia formal, com apenas o Ocidente romano (supostamente) agarrando a ortodoxia , então, conclui-se que toda a Igreja ficou aquém da fé apostólica nestes tempos; e assim a Igreja não pode ser (como 1 Tim 3:15 o chama) “o pilar e fundamento da Verdade”. Assim, durante o cisma ariano dos anos 340 e 360, o cisma acaciano dos anos 480 e início dos anos 500 e o cisma monotelista dos anos 650 e 680, a Filioquista Roma perdeu a mesma escuridão doutrinária que eclipsou a comunhão oriental contemporânea , deixando a Igreja universal sem conexão prometida ao Espírito Santo – nenhuma autoritativa “Rocha” da ortodoxia. Aqueles que pensam que Filioque é uma “heresia” fariam bem em reconsiderar sua posição devido a esse problema sozinho. O Filioque é uma expressão doutrinária válida, ou o próprio Cristo é um mentiroso e a Igreja não é guiada pelo Espírito e infalível, mas propensa ao erro universal. E, se for esse o caso, então toda a fé ortodoxa está ” Pra quem der mais “. Ainda outro grande problema para os anti-Filioquistas zelosos (e isso tornou-se óbvio no Concílio de Florença) é que eles estão discutindo do silêncio. Pois, enquanto os padres orientais constantemente defendem a monarquia de Deus Pai e falam do Espírito procedendo do Pai (uma verdade que o Ocidente nunca negou), não há um padre ortodoxo (oriental ou ocidental) que nega diretamente que o Filho participe dessa processão do Pai (ou seja, o verdadeiro significado de Filioque). Em vez disso, o melhor que os ortodoxos orientais podem fazer é citar uma passagem isolada de Teodoreto de Cirro (século XV), na qual ele desenha a mesma preocupação antioquiana que mais tarde produzirá Pneumatologia Fociana e diz … “O Espírito Santo não ganha sua existência do Filho ou através do Filho, mas por processão do Pai, dizemos que é do Filho, uma vez que é co-essencial (homoousios)” [PG 83; 1484C]. Escusado será dizer que esta afirmação de Teodoreto está fortemente em desacordo com os outros padres orientais citados acima, que reconhecem que o Espírito prossegue eternamente “através do Filho”. Também não é segredo que Teodoreto era um nestoriano, ou pelo menos possuía fortes tendências nestorianas. E isso, claro, deve ser suficiente para desqualificá-lo. No entanto, colocando Teodoreto de lado, os ortodoxos orientais não possuem testemunho patrístico para excluir totalmente o Filho da processão eterna do Espírito. Em vez disso, o que eles fazem (assim como muitos protestantes fazem com as Escrituras) é impor suas próprias presunções (medievais / Focianas) sobre o que os padres têm para dizer e descartar (de fato, ignorar ou racionalizar) qualquer coisa que interfira suas interpretações. Isso, claro, é muito triste e indigno de um cristão apostólico. Fócio e os problemas doutrinais criados por sua visão Ao rejeitar o Filioque, digo que os ortodoxos orientais são hereges? Não, não digo isso; pelo menos não tão longe quanto a heresia formal – isto é, a heresia como uma questão de profissão direta, em oposição à falta de professar ou apreciar a verdade essencial. Pois, oficialmente falando, a Igreja Ortodoxa Oriental meramente se aferra ao pronunciamento original e ortodoxo do Credo Constantinopolitano – o decreto de que o Pai sozinho é a Causa (Aition) do Espírito. No entanto, ao se concentrar nessa verdade e ignorar rigidamente a verdade adicional, muitos ortodoxos orientais chegam muito perto da heresia – isto é, o pecado de uma mentalidade cismática, que é o pecado de rejeitar a totalidade da Verdade, dividindo assim a unidade dos Igreja, que é “o pilar e fundamento da Verdade” (1 Tim 3:15). Como um sacerdote muito sábio disse uma vez: “Todas as heresias são, em certo sentido,” verdadeiras “. O problema é que eles enfatizam zelosamente uma verdade à custa de outras verdades”. Tal é o caso da popular rejeição ortodoxa oriental de Filioque – isto é, a sua falta de vontade de apreciar e aceitar a teologia ortodoxa que Filioque aborda, como testemunham os padres. Na verdade, ao implícitamente “dogmatizar” o theolegoumenon Fociano, no qual o Filho e o Espírito são apresentados como não tendo conexão eterna, pessoal, eles implicam fortemente que a Filiação eterna de Cristo é algo totalmente diferente da Divina Filiação em que os cristãos são adotados , através do Espírito Santo, no Batismo. E isso chega muito perto da visão ariana espanhola, se não é também a antiga heresia do Adocionismo! Porque Cristo era o único Filho de Deus antes do Seu Batismo e Sua unção no Espírito (Marcos 1: 10-11), e é a mesma, a Filiação eterna (pois não há outra) que Ele nos chama a participar, através da o Espírito, no batismo. Pois, como diz São Paulo, … “… você não recebeu um espírito de escravidão para voltar ao medo, mas você recebeu um Espírito de adoção, através do qual clamamos, ‘Abba’, ‘Pai!’ (Romanos 8) Este é o eterno grito do Filho eterno. E, St. Paulo continua … “O Espírito testifica com nossos espíritos que somos filhos de Deus e, se filhos, herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se apenas sofremos com ele, para que também possamos ser glorificados com Ele”. (Ibid) Agora, os ortodoxos orientais normalmente tentam evitar esse problema apelando para a teologia pós-fociana (século XIII) de Gregório Palamas, que distingue a “essência” (natureza) de Deus e suas “energias” (“ações, operações”) . Mas, mesmo o próprio Gregório, embora um Capadociano / Antioquiano extremo em sua visão teológica, reflete a tradição autêntica de Santo Agostinho ao reconhecer que o Espírito representa o eterno Amor Divino entre Pai e Filho. Ele escreve … “O Espírito da Palavra mais alta é como um Inefável Amor do Pai por esta Palavra inefavelmente gerada. Um Amor que esta mesma Palavra e amado Filho do Pai recebe (chretai) em relação ao Pai: mas na medida em que Ele (o Filho) tem o Espírito vindo com ele (sunproelton) do Pai e repousa conaturalmente nele “(Capita physica XXXVI, PG 150, 1144, D-1145 A). Esta não é exatamente a expressão de Agostinho (a saber, Filioque), mas chega extremamente próximo; e, mais ao ponto, aborda a mesma realidade. Para Gregório Palamas (ao contrário de Fócio), existe uma conexão eterna, pessoal entre o Filho e o Espírito, e essa conexão eterna e pessoal afeta a identidade pessoal do Espírito. No entanto, uma aplicação incorreta da autêntica visão Palamita – algo que caem muitos ortodoxos orientais que tipicamente se opõem ao Filioque – pode criar problemas enormes e, sem dúvida, heréticos. Na verdade, enquanto a teologia Palamita era uma resposta válida e adequada às afirmações brutais, pseudo-escolásticas (e mais impias) de Barlaão de Seminara (que afirmou que o homem só pode conhecer Deus intelectualmente), simplesmente não foi projetada para assumir as nuances da doutrina ocidental, viz. Filioque. Pois se, como afirmou Gregório, os seres humanos só podem conhecer Deus através das Suas “energias” e não a Sua “essência” (a essência Divina sendo conhecida apenas por Deus), segue-se assim que a nossa Aliança Batismal com Deus, através da qual recebemos o Espírito Santo, é meramente uma comunicação de “energia” e não essência. Por enquanto, tudo bem. Mas, se este for o caso, o mesmo deve ser verdade para a recepção do Espírito do Filho pelo Pai. Pois, de acordo com a suposição Fociana, o Espírito Santo apenas procede “através do Filho” em um sentido temporal (ou seja, Cristo derramando o Espírito sobre a Igreja) e não um sentido eterno. E, se for esse o caso, deve-se concluir que a concepção de Jesus no ventre da Abençoada Theotokos, e Seu Batismo no Jordão, e Sua ressurreição corporal – todos os quais foram trazidos através do Espírito Santo – foram meramente actos da “energia” de Deus, e não manifestações da eterna Filiação de Deus no contexto da essência divina, mas actos puramente temporais, “adotivos”, nos quais o Pai fez Cristo em Seu Filho de maneiras que são totalmente distintas e separadas da relação eterna entre o Pai e o Filho. Este deve ser o caso se a processão do Espírito “através do Filho” não é uma realidade eterna, mas apenas uma realidade temporal – isto é, se, como afirma Cirilo Quattrone, o Filho não tem papel na “pré-eterna” processão do Espírito Santo. O Ocidente, no entanto, não cria essa distinção artificial. Em vez disso, confessamos que o Filho era e é, sempre e eternamente, o Filho de Deus – sempre e eternamente o recipiente do Espírito da Filiação. Esta é claramente a posição dos padres orientais também. Por exemplo, São Cirilo de Alexandria escreve … “Nós, portanto, confessamos um Cristo e Senhor, não como adorando um homem com a Palavra (para que esta expressão” com a Palavra “não sugira à mente a idéia de divisão), mas adorando-o como um e o mesmo, na medida em que O corpo da Palavra, com o qual Ele se senta com o Pai, não está separado da Palavra mesma, não como se dois Filhos estivessem sentados com Ele, mas um, pela união com a carne. Se, no entanto, rejeitamos a união pessoal como impossível ou inconveniente, caímos no erro de falar de dois Filhos, pois será necessário distinguir e dizer que aquele que era propriamente homem foi honrado com a denominação de Filho, e aquele que é devidamente A Palavra de Deus tem, por natureza, o Nome e a realidade da Filiação. Não devemos, portanto, dividir o único Senhor Jesus Cristo em dois Filhos “. – A Epístola de Cirilo a Nestorius. (Labbe e Cossart, Concilia, Tom. III., Col. 315; Migne, Patr. Græc., Tom. LXXVII. [Cyril., Opera, Tom X.]; Epist. iv., col. 43.) Assim, quando Cristo foi concebido no tempo pelo Espírito Santo e quando foi ungido pelo Espírito Santo no Seu Batismo no Jordão, e quando Ele foi ressuscitado dentre os mortos pelo Espírito Santo para provar a Sua Divindade como o único Filho de Deus, Todas estas eram apenas manifestações da realidade eterna – da eterna filiação de Cristo. Não eram “filiações adicionais” conferidos a Ele como um homem, mas manifestações de Sua única Filiação, que é eterna e que é acompanhada por Sua eterna participação pessoal na processão do Espírito da Filiação: o Espírito Santo. E é esse mesmo Espírito de Filiação, que Cristo possui eternamente, o que nós cristãos recebemos no Batismo. A rejeição ortodoxa oriental do Filioque chama a toda essa questão, no entanto. O ” Cristo homem” possui uma Filiação com o Pai que é distinta e diferente da Filiação eterna do Filho? Ou o Evangelho cristão reconhece apenas uma, Filiação eterna de Cristo, assim como o Credo proclama: “Cremos em um único Senhor, Jesus Cristo, o único Filho de Deus, eternamente gerado pelo Pai …” Se reconhecemos apenas um Senhor, então reconhecemos apenas um Filho, que possui uma Filiação eterna. Esta é a única e única geração em que somos adotados, através do Espírito Santo (o Espírito da Filiação), em Cristo Jesus. E, se esta Filiação é de natureza eterna, não criada ou trazida no tempo (na concepção da Theotokos, ou no Jordão, ou na Ressurreição), então o Espírito que inspira o grito de “Abba!” – o Espírito da Filiação – é também eterno e tão eternamente ligado à Pessoa do Filho eterno, que deve participar dessa proceissão do Espírito de Filiação (do Pai) para ser um Filho eterno. Esta abordagem válida e autêntica nunca foi plenamente desenvolvida na escola de teologia antioquiana, que deu origem à Pneumatologia de Gregório Palamas e Fócio, e aos padres Capadócios antes deles. E é através desta deficiência essencialmente “antioquiana” que a heresia nestoriana também surgiu. Nós, obviamente, já apresentamos a citação de Teodoreto de Cirro acima, em que ele (muito antes de Fócio) nega qualquer ligação eterna, pessoal, entre o Filho e o Espírito. Dadas as tendências nestorianas, não é difícil ver o porquê. E os ortodoxos orientais modernos que negam qualquer conexão eterna, pessoal entre Filho e Espírito, chegam muito perto do próprio erro nestoriano. Eles fariam bem em levar isso em consideração. Quanto à própria teologia de Fócio, como mencionei acima, foi basicamente desenvolvida como uma reação brusca aos seus equívocos sobre o que a Igreja ocidental quis dizer com “Filioque”. Por essa razão (o projeto não fundamentado e reacionário), possui muitas deficiências.te “antioquiana” que a heresia nestoriana também surgiu. Nós, obviamente, já apresentamos a citação de Teodoreto de Cirro acima, em que ele (muito antes de Fócio) nega qualquer ligação eterna, pessoal, entre o Filho e o Espírito. Dadas as tendências nestorianas, não é difícil ver o porquê. E os ortodoxos orientais modernos que negam qualquer conexão eterna, pessoal entre Filho e Espírito, chegam muito perto do próprio erro nestoriano. Eles fariam bem em levar isso em consideração. Quanto à própria teologia de Fócio, como mencionei acima, foi basicamente desenvolvida como uma reação brusca aos seus equívocos sobre o que a Igreja ocidental quis dizer com “Filioque”. Por essa razão (o projeto não fundamentado e reacionário), possui muitas deficiências. Escritor ortodoxo oriental A.A. Slepukhof ilustra bem as pressuposições Focianas. Ele escreve: “… o Filioque mina a doutrina da Trindade confundindo a Natureza Divina com as Pessoas Divinas, confundindo os atributos naturais e pessoais. Ela viola as revelações que temos sobre a Trindade, conforme registrado nas Escrituras, sendo a Fonte do Espírito Santo um atributo pessoal (e não natural) do Pai (João 15:26). Com a pressa de salvaguardar a Deidade do Filho, o Concílio de Toledo não conseguiu abordar as consequências do Filioque no Espírito Santo. É o Santo Espírito Deus ? se Ele é, então Ele deve possuir a mesma Natureza Divina como o Pai e o Filho. Se dissermos que o Espírito Santo procede da Natureza do Pai e da Natureza do Filho, então não somos obrigados a dizer que o Espírito Santo procede da Natureza do Espírito Santo? Se é a natureza de Deus sendo a fonte do Espírito Santo, então o Espírito Santo também procede de Si? … Qualquer tentativa de resolver esses dilemas enquanto mantém o Filioque leva rapidamente três conclusões. Ou – (1) as distinções pessoais dentro da Trindade são apagadas, ou (2) distinções naturais são introduzidas onde não pode haver nenhuma, ou (3) o Espírito Santo é despojado de Sua Divina Personalidade. … Se dissermos que a Fonte do Espírito Santo é um atributo natural (e não pessoal) do Pai, a unidade absoluta da natureza de Deus é mantida, mas as distinções pessoais são perdidas. Os títulos descritivos, como ‘o Gerador do Filho’ ou ‘Fonte do Espírito’, não têm sentido como um meio de se referir ao Pai, já que o Filho agora é também uma “Fonte do Espírito” e o Espírito é um “Gerador do O Filho “… Isso resulta em Modalismo (isto é, Sabelianismo), a crença de que as Pessoas da Trindade são meramente formas diferentes em que Deus nos aparece em momentos diferentes. St. Fócio descreveu adequadamente isso como “Sabellianismo renascido, ou melhor, algum monstro semi-sabeliano” (A.A. Slepukhof em The Dawn, publicado pela OCA-South, 1996). Embora tenhamos abordado isso muitas vezes, deve-se repetir uma vez mais para ilustrar a natureza sem fundamento do argumento de Slepukhof (isto é, Fócio). Pois, como o Quarto Concílio de Latrão (1215) confessa claramente, … “A Substância (isto é, a Natureza Divina) não gera, não é gerada, não procede, mas é o Pai que gera, o Filho que é gerado, o Espírito Santo que procede”. A.A. Slepukhof, aparentemente, nunca leu isso – a autêntica confissão ocidental. Nem ele, aparentemente, leu o testemunho universal dos padres ocidentais (antes e depois de Toledo), que consistentemente mantêm que o Pai é a única fonte e a causa pessoal do Filho e do Espírito. Mas, Slepukhof está, naturalmente, apenas repetindo a própria interpretação insensata e errônea de Fócio do Filioque e o que realmente significa. Pois ele, afirmou que Filioque era um exemplo de sabelianismo “… ou melhor, um monstro semi-sabeliano” – uma presunção enraizada na incapacidade total de Fócio de olhar além das convenções da teologia grega (antioquiana) ou de apreciar o fato de que o mistério trinitário possa ser expresso de maneiras não limitadas à convenção de “Pessoa” versus “Natureza”. Santo Agostinho, por exemplo, descreve o Espírito como “o Amor” entre Pai e Filho. A posição Fociana contrapõe isso com a revelação bíblica de que a própria Trindade (isto é, a Natureza Divina) é o Amor (1 João 4: 8). Mas, tais expressões não são simples também ou – ou dinâmicas. Por exemplo, chamamos a Terceira Pessoa da Trindade “o Espírito”. Mas Deus, o Pai, também é chamado de “Espírito” por Cristo (João 4: 23-24). Do mesmo modo, o próprio Cristo, apesar da Segunda Pessoa da Trindade e claramente distinta da Terceira Pessoa da Trindade, seja chamado de “Espírito vivificante” (1 Coríntios 15:45). Isso entra em conflito com a descrição do Credo da Terceira Pessoa como “o Espírito Santo … o Dador da Vida”? Na verdade, Deus é “Espírito” como uma qualidade de Sua própria Natureza – a própria Trindade. Isso “confunde os atributos naturais e pessoais”, como o Slepukhof mantém? Será que ele cria um “monstro semi-sabeliano”, como o que o Fócio presumiu? Claro que não. Em vez disso, no Filioque, uma terceira possibilidade é apresentada em relação à processão do Espírito. Pois, como o Ocidente confessa, o Espírito não procede como uma ação da natureza consubstancial (Substância) ou como o ato de uma única Pessoa Divina divorciada de qualquer outra. Pelo contrário, ele procede do ato de uma Pessoa Divina (o Pai) com a participação pessoal de outra Pessoa Divina (o Filho). Se tal participação pessoal for impossível para o Pai e o Filho, uma vez que (para que alguém possa dizer) exclui a Pessoa do Espírito de Sua comunhão consubstancial, então também deve ser impossível para o Pai (como uma única pessoa dentro da Trindade consubstancial ) para agir em qualquer capacidade pessoal por conta própria, tornando-o incapaz de gerar o Filho (ou para espirar o Espírito). No entanto, nenhum ortodoxo oriental (ou católico) jamais manteria tal coisa. Na realidade, o Espírito não é excluído da comunhão consubstancial que representa a própria processão, uma vez que esta é uma realidade eterna e simultânea – isto é, o eterno engendramento do Filho do Pai é o mesmo arco que a Sua espiração do Espírito. O Orador (o Pai) que eternamente pronuncia a Palavra eterna (o Filho) simultaneamente liberta a respiração eterna (o Espírito) – uma respiração liberada por causa do enunciado da Palavra eterna e, portanto, com a participação intrínseca da Palavra eterna ( ou seja, “através do filho”). Assim, toda a natureza consubstancial de Deus está envolvida; mas a processão do Espírito é trazida (em um sentido coletivo) através da participação de duas Pessoas (o Pai e o Filho) dentro dessa natureza consubstancial. No entanto, o próprio Fócio simplesmente não conseguiu encaixar isso nas convenções estáticas de sua teologia nativa. Como o erudito católico Yves Congar explica (ênfase na minha) … “Fócio … acreditava que as Pessoas eram distinguidas por propriedades pessoais que não podiam ser comunicadas. Suas propriedades eram, na sua opinião, suficientes para caracterizá-las. O Pai era Anarchos, sem princípio nem começo. O Filho foi gerado e isso referia-se ao Pai como tal. O Espírito procede do Pai como Aitia, a causa e a única tanto do Espírito como do Filho. Fócio considerava a monarquia do Pai como o princípio do Espírito e do Monógeno Uno, e como princípio de sua consubstancialidade. Enquanto os Padres gregos viam esta monarquia como movendo-se dinamicamente em linha reta, do Pai através do Filho para Espírito, no entanto, Fócio adotou um esquema que consiste em dois ramos: Pai< Filho/Espírito na eterna vinda do Espírito ao ser consubstancial. Na sua opinião, havia apenas duas possibilidades – uma atividade comum às três Pessoas e que remonta a sua natureza, ou uma que é estritamente pessoal. Para admitir, como fizeram os latinos, que a processão do Espírito veio tanto do Pai como do Filho, como de um único princípio, foi retirar essa processão das hipóstases e atribuí-la à sua natureza comum. Nessas condições, seria errado dissociar o Espírito dessa natureza comum, porque ele também possui a mesma natureza que o Pai e o Filho – ele procederia de si mesmo, o que seria claramente absurdo. A construção latina é apenas sustentável se as Pessoas se distinguem por uma oposição em relacionamento, mas a espiração não permite tal oposição em relação entre o Pai e o Filho. Por isso, pode ser comum a eles. Não fazemos, por essa razão, uma injustiça à ordem hipostática e favorecemos a natureza divina, porque essa natureza é hipostática em sua existência e as hipóstases são constituídas por suas relações subsistentes – o Pai é Paternidade e o Filho é Filiação ou Geração. Além disso, na unidade do princípio da espiração ativa, o Pai é o primeiro princípio (Principaliter). É necessário admitir que isso não é suficientemente aparente – a palavra “processão” não é clara. O Pai e o Filho parecem estar no mesmo nível, enquanto eles não são de fato, já que “o Pai é maior do que eu”. O Pai é a origem absoluta e primordial. Não se pode negar que o ensino dos Padres e de João Damasceno foram estreitados e endurecidos na teologia de Fócio. Embora, como afirmou Sergey Bulgakov, “não há doutrina patrística unânime e homogênea da processão do Espírito Santo”, e há aberturas na direção de uma processão por Filium e até Filioque. Fócio consagrou a pneumatologia em uma forma de expressão que colocou fora da questão um acordo com o Ocidente ou mesmo com aqueles padres latinos que os cristãos ortodoxos aceitam como seus próprios. Como resultado disso, o confronto e a polêmica prevaleceram frequentemente sobre uma tentativa de chegar a acordo. Mas – como fico feliz em mostrar – a vitória do confronto não foi total, nem é definitiva. No entanto, devemos levar os argumentos de Fócio a sério – tanto mais porque a Igreja grega assumiu a sua teologia – sem perder de vista os Padres cujo trabalho o próprio Fócio tendeu a deixar de lado “(Congar, Eu acredito no Espírito Santo “, vol. 3, págs. 57-60). Penso que esta é a natureza da nossa controvérsia teológica em poucas palavras. E, o primeiro passo para resolver a controvérsia (presumindo que os ortodoxos orientais gostariam de resolver) é os ortodoxos orientais modernos admitirem que a visão de Fócio não é a palavra final, nem mesmo em relação à sua própria tradição autêntica Alguns pensamentos desafiadores Para encerrar, gostaria de colocar as seguintes questões para os nossos irmãos ortodoxos orientais a considerar: Dado que nós católicos romanos aceitamos e apoiamos plenamente o seu direito de expressar a fé apostólica de acordo com a sua própria tradição bizantina (ou seja, o significado originalmente pretendido do Credo Constantinopolitano); e dado que o que professamos em relação ao Filioque não está em desacordo com essa tradição bizantina (como evidenciado pelo testemunho dos padres gregos, e também dos pais latinos, que também representam sua maior herança católica e com quem seus antepassados compartilhavam comunhão plena), qual é o seu verdadeiro motivo para rejeitar Filioque como uma expressão doutrinária válida para a Igreja ocidental? Eu recomendo que você se pergunte a si mesmo – honestamente e com oração. Como o contexto histórico revela, não se pode citar com justiça o cânon VII de Éfeso para argumentar que Filioque é uma adição ilícita ao Credo da Igreja ocidental. Ergo, não existe uma proibição canônica contra Filioque. Como também vimos, Filioque não se refere ao que Fócio assumiu que se refere – isto é, uma processão da Natureza Divina, em oposição a uma processão do Pai (como única Causa), com a participação intrínseca do Filho ( Por exemplo, assim como uma respiração procede apenas do Orador, mas não sem a participação da Palavra do Orador. Como também vimos, há uma Tradição forte e consistente entre os padres (do Oriente e do Ocidente) em que o Filho possui uma conexão eterna e pessoal com o Espírito e participa da processão eterna do Pai (isto é, “através da Filho “) – a própria realidade a que” Filioque “se refere. Além disso, o fato de que os ortodoxos orientais mantiveram a plena comunhão com os católicos romanos muito depois que a doutrina Filioque se tornou um ponto de contenda teológica. Em todo esse tempo, não era uma questão divisória da Igreja. Então, por que e como ele realmente se tornou um? Bem, considere os seguintes fatos cronológicos: 1. É uma realidade histórica clara que a Igreja ocidental professou a teologia do Filioque desde os tempos mais antigos. Sendo assim, existem apenas duas possibilidades. Ou o Ocidente romano era herético muito antes do tempo de Constantino, ou Filioque é uma expressão válida e apostólica, em paralelo com a doutrina expressada por São Cirilo de Alexandria e outros padres orientais, no qual se diz que o Espírito procede do Pai “através de o filho.” 2.O primeiro conflito registrado entre romanos e bizantinos sobre a doutrina de Filioque ocorreu em cerca de A.D. 650 quando o Papa São Martinho emitiu um decreto contra o monotelismo na corte bizantina. Este decreto papal incluiu uma expressão de fé que transmite uma tradução grega de Filioque com poucas palavras, na qual o termo “ekporeusis” foi usado. Os bizantinos se opuseram corretamente a esta expressão grega, e São Maximo, o Confessor, intercedeu pelos romanos e explicou o que realmente significavam – isto é, o que a doutrina de Filioque realmente se referia. Isso evidentemente satisfez os bizantinos desta época, uma vez que nenhuma outra objeção foi expressada por eles, nem Filioque tornou-se um problema no Concílio de Constantinopla III (A.D. 680), que condenou o monotelismo e, até, postumanente anatematizou um Papa Romano! Bastante engraçado, no mesmo ano (680), um concílio de bispos ingleses em Hatfield, presidido pelo arcebispo St. Teodoro de Cantuária – um bizantino nomeado uma década antes pelo Papa São Vitaliano – declarou que o Espírito Santo “procede de uma maneira inefável do Pai e do Filho “. (Bede the Venerable, Hist. Eccl. Gent. Angl. 4.15 [17]). Se Filioque é um erro suficientemente grave para dividir as Igrejas hoje, por que foi tolerado (e às vezes mesmo professado) pelos bizantinos do século 7? 3.No século seguinte, a controvérsia Iconoclasta mais uma vez alienou Roma de Bizâncio. Mas, durante todo este tempo, nenhum bizantino (seja iconoclasta ou ortodoxa) expressou qualquer objeção contra as crenças Filioquistas de Roma. Na verdade, no momento do Concílio unificador de Nicéia II (D.D 787), o Patriarca Tarásio de Constantinopla foi registrado fazendo a seguinte profissão de fé aos romanos: 4. “Cremos no Espírito Santo, o Senhor e o Dador da Vida, procedendo do Pai através do Filho” (Nicéia II, Profissão de Fé, Mansi 13.760 [A.D. 787]). Isto foi claramente destinado a ser um “aperto de mãos” ecumênico para a profissão ocidental do Filioque. Assim, até agora, o tratamento da questão é bastante tolerante. 5.Mas, no século seguinte (início do século 800′ A.D,), o relacionamento mudou dramaticamente. A primeira negação direta do Oriente ao Filioque ocorreu na Palestina no Mosteiro de Mar Saba (A.D. 808), onde um padre grego se opôs amargamente à presença de Filioque em missais litúrgicos usados por monges francos. Ouvindo o escândalo criado, o recém-coroado imperador ocidental Carlomagno (a.k.a., o rei dos francos) pediu ao papa Leão III que alterasse formalmente o Credo – um pedido que ele recusou, para não alienar os bizantinos. No entanto, é a partir daí que Filioque começou a se tornar uma questão de contenda entre as igrejas oriental e ocidental. Por quê? Gostaria de apresentar-lhe fortemente que a razão não era realmente doutrinária, mas predominantemente de natureza política. Os romanos, que até esse tempo tinham sido pelo menos sujeitos nominais do Império Bizantino, criaram recentemente um novo Imperador ocidental para si mesmos – um imperador ocidental que, para os olhos bizantinos, não passava de um “bárbaro”. A nação franca tornou-se um serio rival político e cultural para a antiga ordem bizantina. E, na pessoa de seu Rei (ou seja, Imperador), eles oficialmente defenderam a doutrina do Filioque – uma doutrina que, afinal, era formalmente “alienante” da expressão bizantina da fé, e, portanto, algo que, possivelmente, “ameaçava” o modo de vida oriental – a fé da Igreja Oriental (“Santo Bizâncio”). 6 Foi em A.D. 867 que o Patriarca Fócio de Constantinopla tornou-se o primeiro bizantino com uma autoridade real para condenar formalmente Filioque como um “erro”. E embora ele provavelmente acreditava realisticamente que fosse, considere o contexto histórico que o levou a denunciar a doutrina ocidental. O Império Bizantino precisava desesperadamente exercer influência política sobre os búlgaros e os eslavos em suas fronteiras do norte – algo que normalmente tinha feito através da assimilação religiosa (isto é, fazendo com que os invasores em potencial fossem parte de seu “culto estatal” imperial). Mas, neste mesmo momento, os francos carolíngios tinham uma forte presença (tanto militar como religiosamente) nos Balcãs, e estavam tentando recrutar os nativos em sua esfera de influência. Assim, a condenação de Fócio ao Filioque não foi conduzida pela mera convicção religiosa, mas principalmente pelo conflito civil / eclesial já existente sobre os Balcãs, e serviu de forma de minar e desacreditar a religião romana dos rivais ocidentais de Bizâncio- para explorar uma diferença notável entre os dois Impérios concorrentes. Este é o verdadeiro começo da popular oposição ortodoxa oriental ao Filioque, e é preciso ser honesto sobre isso. Ou seja, é preciso admitir que um motivo interior estava envolvido – um motivo que era muito nacionalista. Pois, um forte preconceito contra Filioque seria consagrado com a promoção de Fócio como um santo campeão do estilo de vida bizantino. O fato de os argumentos teológicos de Fócio contra Filioque se basear em interpretações erradas e, possivelmente, até mesmo descaracterizações intencionais, não era importante. De qualquer forma, Fócio era um herói bizantino – uma personalidade que articulava clara e vigorosamente que havia realmente uma diferença entre “nós” e “eles”. O que infelizmente acpntece é que essa “diferença” era meramente superficial e cultural, e não uma diferença substancial na Fé Apostólica. 7.No entanto, mesmo depois que o pequeno cisma Fociano ter sido curado, com Roma concordando (por causa da paz) a manter o Credo como escrito em toda a Itália, a impressão de que Filioque era uma doutrina “estrangeira”, “bárbara” ainda prevaleceu entre os bizantinos. Mas, ao mesmo tempo, estes bizantinos continuaram a manter a comunhão com os “Francos” do Ocidente (isto é, os católicos que vivem na França, Alemanha, Espanha, Inglaterra e outros lugares onde Filioque foi recitado no Credo). Pois, apesar dos protestos de Fócio e do contínuo desagrado de seus discípulos teológicos, a doutrina ocidental ainda não era vista como um erro suficientemente grave para dividir as Igrejas 8. Gostaria de apontar que somente quando o legado papal Humberto formalmente excomungou o Patriarca Miguel Cerulário de Constantinopla (por outras ofensas legítimas) em 1054 que o Filioque realmente se tornou um problema divisor de igrejas. E porque? Porque os bizantinos achavam que era uma heresia? Na verdade não. Em vez disso, na bula excomungando Cerulario (que foi realmente escrita por Humberto após a morte do Papa Leão IX), a acusação que foi feita era que os bizantinos haviam “removido” invalidamente o Filioque do Credo. Agora, enquanto os estudiosos liberais e anti-católicos são rápidos em apontar como “ridículo” isso supostamente foi, a verdade é que não estamos totalmente seguros a que Humberto estava se referindo. Ele pode ter se referido à profissão de fé feita pelos bizantinos em Nicéia II em 787, quando “do Pai através do Filho”, pelo menos, foi concedida e reconhecida a doutrina de Filioque. No entanto, seja qual for a verdade, a partir deste momento, o Filioque tornou-se não apenas uma doutrina “alienígena” que deveria ser descartada, se possível, mas uma doutrina que (ou certamente parecia ser) forçava os bizantinos, e que tinha que ser resistida a todo o custo. E porque? Porque não era verdade? Não necessariamente. Sua validade ou invalidez realmente não importava. O que importava e o que era inquestionável era que a doutrina era “não-bizantina” – isto é, ameaçava a consistente, a integridade da cultura do antigo (e “santo”) Império dos romanos orientais – uma antiga integridade que era agora sob ataque de pretensiosos “bárbaros” do Ocidente. Eu sugeri respeitosamente, respeitosamente, que esta é a verdadeira causa motivadora por trás da rejeição zelosa ortodoxa do Filioque – uma reação quase “nacionalista” a algo que, pelo menos, é uma ameaça à antiga e venerável tradição bizantina . Tal foi o instinto motivador dos bispos orientais em Blaquerna, e de Marco de Éfeso e os outros bizantinos que rejeitaram a união de Ferrara-Florença. E é o instinto motivador que governa a Igreja Ortodoxa Oriental até o dia de hoje, o que teme que se “perca” (sua própria identidade), se for indulgente com quelque compromisso caridoso com o Ocidente. Todos os argumentos canónicos e teológicos contra Filioque meramente servem para racionalizar e tentar justificar o que é essencialmente uma “reação interior” cultural contra aquilo que é visto como estranho ao patrimônio bizantino. E, como a herança bizantina (ou seja, a herança civilizada e cristã do verdadeiro Império Romano) é presumida como uma e a mesma coisa que o cristianismo apostólico, qualquer coisa que seja estranha a ela “deve estar errada”. É minha fervorosa esperança que a nossa Os irmãos ortodoxos orientais virão a admitir que eles são propensos a tais pressupostos, e que, com oração e reflexão, pelo menos, vão reconsiderar, o que os leva a condenar o Filioque como algo errado. Se um ortodoxo oriental é capaz de, pelo menos, adivinhar suas noções preconcebidas e talvez admitir que a história e a teologia bizantinas não apresentam razões substantivas para rejeitar Filioque como uma doutrina válida (quando abordada do ponto de vista ocidental – a tradição em que era formulado), talvez então possamos colocar esta questão desnecessariamente divisiva atrás de nós e trabalhar para estabelecer a unidade que Cristo deseja entre os seus discípulos (João 17: 20-21). Se tal unidade pudesse existir entre os antigos padres do Oriente e os do Ocidente (que indiscutívelmente professaram o Filioque), por que não pode existir entre os seus filhos espirituais hoje? Os ortodoxos orientais precisam resolver este problema e explicá-lo. Traduzido de: http://www.catholic-legate.com/articles/filioque.html
- Resposta aos argumentos dos ministros [protestantes] segue a tradução do Artigo 4° de controvérsias
Não pude, todavia, encontrar em vossos ministros mais do que duas objeções a este discurso que acabo de fazer, uma delas retirada do exemplo de Nosso Senhor e dos Apóstolos, e a outra, do exemplo dos Profetas. Porém, quanto à primeira, dizei-me – eu vos peço: vos parece bem que se compare a vocação desse novos ministros com a de Nosso Senhor? Nosso Senhor não foi profetizado na qualidade de Messias? Seu tempo não foi determinado por Daniel (9,24.26)? Ele executou alguma ação que não tenha sido quase que particularmente consignada nos livros dos Profetas e figurada nos Patriarcas? Fez alguma mudança, do bom para o melhor, na Lei Mosaica, mas esta mudança não havia sido predita (cf. Ageu 2,10)? Por consequência, transformou o sacerdócio aarônico no de Melquisedec, este muito melhor que aquele, mas tudo isso não foi de acordo com os antigos testemunhos (cf. Hebreus 5,6)? Vossos ministros não foram profetizados na qualidade de pregadores da Palavra de Deus, nem do tempo de sua vinda, nem nenhuma de suas ações; promoveram eles um transtorno na Igreja muito maior e mais radical que aquele que Nosso Senhor fez na Sinagoga, já que suprimiram tudo, sem colocar em seu lugar algo mais que algumas sombras e, ainda assim, sem que possa apresentar nenhum testemunho que lhes autorizem a fazer isso. Pelo menos não deveriam se eximor de fazer milagres para justificarem tal mutação [na Igreja], por mais que querais eximí-los disso com textos citados da Escritura, uma vez que Nosso Senhor não se eximiu de fazê-los, como restou demonstrado mais acima (ver Capítulo 1, Artigo 3º), ainda que as alterações que fez tenham sua origem na mais pura fonte das Escrituras (cf. Lucas 1,70). Contudo, onde eles me apontarão que a Igreja alguma vez recebeu outra forma ou reforma além daquela feita por Nosso Senhor? E quanto aos Profetas, eu sinto a falta de ver que sobre eles não há poucos [protestantes] enganados. Primeiro, porque imagina-se que todas as vocações dos Profetas foram extraordinárias e imediatas, o que é falzo, pois houve colégios e congregações de Profetas reconhecidos e autorizados pela Sinagoga, como se pode ver em muitas passagens da Sagrada Escritura: havia em Ramata, em Betel, em Jericó – onde habitava Eliseu -, na montanha de Efraim, na Samaria. Eliseu mesmo foi ungido por Heli; a vocação de Samuel foi reconhecida e autorizada pelo sumo sacerdote e em Samuel “o Senhor voltou a aparecer em Silo”, como diz a Escritura (1Samuel 3,21), o que deu causa ao juderem terem Samuel por fundador das congregações proféticas (Geneb.Chron. 1,1,ano 3066). Alguns pensam que aqueles que profetizavam exerciam [também] o cargo da pregação; isto não é exato, como consta a respeito dos tenentes de Saul e do próprio Saul (1Samuel 29,20ss). Daí se deduz que a vocação dos Profetas não serve para os fins que [nos apontam] os hereges e cismáticos, porque: 1º) Ou a daqueles era ordinária – como mais acima demonstramos – ou, depois de tudo, aprovada pela Sinagoga, como facilmente se comprova pelo fato de terem sido ‘in continenti’ reconhecidos, e deles se fazer menção em todas as partes pelos judeus, chamando-os ‘homens de Deus’ (1Reis 17,18). Quem quer que leia com atenção a história desta antiga Sinagoga, verá que o ofício de Profeta era tão comum entre eles, assim como entre nós [é comum] o de pregador. Jamais nos será apresentado um Profeta que quisesse derrubar o poder ordinário; pelo contrário, todos o obedeciam e nada diziam que fosse contrário à doutrina daqueles que ocupavam a cátedra mosaica e aarônica. Ademais, muitos deles pertenceram à raça sacerdotal, como Jeremias, filho de Hilquias (cf. Jeremias 1,1) e Ezequiel, filho de Buzi (cf. Ezequiel 1,3). Todos eles sempre falaram com respeito dos Pontífices e de sua sucessão sacerdotal, ainda que às vezes repreendessem os seus vícios. Querendo Isaías escrever em um grande livro o que lhe foi mostrado, pediu a Urias, sacerdote, e a Zacarias, profeta, que lhe servissem de testemunhas (cf. Isaías 7,2), como se quisesse receber o testemunho de todos os sacerdotes e profetas. E por acaso Malaquias não testemunhou que “os lábios do sacerdote guardam a ciência e pedirão a Lei de sua boca, pois é o anjo do Senhor dos exércitos” (Malaquias 2,7)? Tudo isto demonstra que jamais os Profetas subtraíram os judeus da comunhão do ordinário. 2º) E quantos milagres os Profetas não fizeram para confirmar sua vocação? Eu jamais terminaria se pretendesse enumerá-los; basta fazer constar que sempre que fizeram algo que tivesse aspectos de extraordinário, foram imediatamente apoiados por algum milagre. Elias testemunha que, al levantar um altar no Carmelo, segundo a inspiração que recebeu do Espírito Santo, mostrou, por meio de um milagre, que o fazia em honra de Deus e da religião judaica (1Reis 18,32.35). 3º) E, por último, seria o cúmulo da vã presunção que os vossos ministros quisessem usurpar o poder dos Profetas! Eles que jamais tiveram de tais nem o dom nem a inspiração! Muito melhor poderíamos nós apresentar as inumeráveis profecias dos nossos (=católicos), como por exemplo: a do São Gregório Taumaturgo, acerca de São Basílio (I de Espiritu Santo, fol. 74); de Santo Antonio, testemunhado por Atanásio (In eius vita, fol. 86); do abade João, testemunhado por Santo Agostinho (De Civit. Dei, 5,26); de São Bento, São Bernardo, São Francisco e mil outros. Portanto, se se tratar da autoridade profética entre nós e vós, restará que reside em nós, da mesma forma que a ordinária e a extraordinária, porque acerca disso temos grande número de testemunhos; porém, não em vossos ministros, que jamais apresentaram dela nenhum só átomo de prova, exceto que queiram chamar de profecias à visão de Zwínglio, ao livro inscrito ‘Subsidium de Eucharistia’ e ao intitulado ‘Querela Lutheri’, ou à pregação que fez no ano 25 do presente século (Cocleu in actis Lut., Serm. De San. Elect.), quando predisse que dentro de dois anos não haveria nem Papa, nem Sacerdotes, nem Freis, nem campanários, nem Missa; mas nessa profecia não há como não enxergar uma só coisa: a falta da verdade, pois isso o predisse há cerca de 20 anos e todavia continua havendo Sacerdotes e campanários; e na cátedra de São Pedro encontra-se sentado um Papa legítimo. Vossos primeiros ministros, senhores, pertencem, portanto, ao número dos profetas a quem Deus proibia que se lhes ouvisse, conforme esta passagem de Jeremias: “Não queirais ouvir as palavras dos profetas que vos profetizam e vos enganam; eles falam a visão de seu coração e não da boca doSenhor. Eu não enviava esses profetas e eles percorriam; Eu não lhes falava e eles profetizavam” (Jeremias 23,16.21). “Ouvi o que os profetas disseram, profetizando em meu Nome a mentira e dizendo: eu sonhei, eu sonhei” (Jeremias 23,25). Não vos parece que assim são Lutero e Zwínglio, com suas profecias e visões? Ou Carlostadio, com a revelação que dizia (In lib. De abresu antichr.) ter tido para a sua “ceia”, que motivou Lutero a escrever seu livro “Contra coelestes prophetas”? Deles, pelo menos, podemos dizer que tinham a condição de não terem sido enviados; eles são os “que tomam sua línguas e dizem: o Senhor disse” (Jeremias 23,31), pois jamais souberam apresentar uma prova do cargo que usurpam, nem puderam mostrar qualquer vocação legítima. Como, pois, querem pregar? (ver Capítulo 1, Artigo 1º, acima). Ninguém pode se alistar no exército de nenhum capitão sem a autorização do príncipe; como, pois, estivestes tão prontos para vos comprometer sob a direção desses primeiros ministros [protestantes] sem a licença de vossos pastores ordinários; e, mais ainda, para sair do estado em que nascestes e fostes alimentados, que é a Igreja Católica? Eles são culpáveis de terem feito de sua própria autoridade esta leva e, vós, de ter-lhes seguido; logo, sois inexcusáveis. O bom menino Samuel, humilde, dócil e santo, tendo sido três vezes chamado por Deus, pensou sempre que foi Heli que o chamava e somente na quarta vez é que se dirigiu a Deus, dando-se por chamado (cf. 1Samuel 3,4-10). A vossos ministros, pelo contrário, lhes pareceu que Deus os chamou três vezes: primeira, pelo povo e pelos magistrados [civis]; segunda, por nossos Bispos; terceira, por voz extraordinária. Não, não! Agora, ensinados pela Igreja, devem reconhecer que a sua [vocação] é uma vocação humana e que as suas orelhas zuniam o seu velho Adão e [agora devem] se remeter àquele que, como Heli, preside hoje a Igreja (=o Papa). Eis aqui a primeira razão que torna vossos ministros – e a vós também, ainda que em grau diferente – inexcusáveis perante Deus e os homens, por terem abandonado a Igreja. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #humanismo #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #SãoFranciscodeSales #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja
- A CIRCUNCISÃO DO CORAÇÃO (Das Demonstrações de Afraates, bispo)
A lei e a aliança foram totalmente mudadas. Primeiramente Deus substituiu o pacto com Adão por outro que estabeleceu com Noé; e ainda estabeleceu outro com Abraão, substituindo-o depois por um novo, feito com Moisés. Como a aliança mosaica não era observada, ao chegar a plenitude dos tempos, Deus firmou uma aliança que não seria mais mudada. Com efeito, a Adão Deus ordenara não comer da árvore da vida, a Noé dera o arco-íris, a Abraão, já escolhido por causa da sua fé, deu mais tarde a circuncisão, como sinal característico de seus descendentes; a Moisés deu o cordeiro pascal para ser imolado como propiciação pelo povo. Todas essas alianças eram diferentes umas das outras. Mas a circuncisão que agrada ao autor de todas elas é aquela de que fala Jeremias: Circuncidai o vosso coração (Jr 4,4). Pois se o pacto estabelecido por Deus com Abraão foi firme, também este é firme e imutável e não seria possível estabelecer depois outra lei, seja por parte dos que estão fora da Lei ou dos que a ela estão submetidos. O Senhor deu a lei a Moisés, com todas as suas observâncias e preceitos; como não cumpriram, anulou a lei e seus preceitos e prometeu fazer uma nova aliança, que seria, como disse, diferente da primeira, embora fosse um só o doador de ambas. E é esta a aliança que prometeu dar: Todos se reconhecerão, do menor ao maior deles (Jr 31,34). Nessa aliança não há mais a circuncisão da carne como sinal de pertença a seu povo. Sabemos com certeza, caríssimos irmãos, que durante várias gerações Deus estabeleceu leis que estiveram em vigor enquanto foi de seu agrado, e que mais tarde caíram em desuso, como disse o Apóstolo: “No passado, o reino de Deus assumiu formas diversas, segundo os diversos tempos”. O nosso Deus é veraz e os seus preceitos são fidelíssimos. Por isso, cada uma das alianças foi em seu tempo firme e verdadeira. Agora, os circuncisos de coração têm a vida por meio da nova circuncisão que se realiza no verdadeiro Jordão, isto é, por meio do batismo para a remissão dos pecados. Josué, filho de Nun, com uma faca de pedra circuncidou o povo pela segunda vez, quando ele e seu povo atravessaram o rio Jordão. Jesus, nosso Salvador, circuncidou pela segunda vez, com a circuncisão do coração,os povos que nele creram purificados pelo batismo e circuncidados com a espada que é a palavra de Deus, mais cortante do que qualquer espada de dois gumes (Hb 4,12). Josué, filho de Nun, introduziu o povo na terra da promissão; Jesus, nosso Salvador, prometeu a terra da vida a todos que atravessassem o Jordão, cressem nele e fossem circuncidados no coração. Felizes, portanto, os que foram circuncidados em seu coração e renasceram das águas da segunda circuncisão! Estes receberão a herança prometida, juntamente com Abraão, guia fiel e pai de todos os povos, porque a sua fé lhe foi atribuída como justiça. (Das Demonstrações de Afraates, bispo – Dem. 11, De circumcisione, 11-12: PS 1,498-503 – Séc.I V). #Cristologia #Igreja
- A Doutrina Eucarística de Santo Agostinho
A DOUTRINA EUCARÍSTICA AGOSTINIANA CONCLUSÃO PARA CITAR
- QUEM NOS DEU A VIDA TAMBÉM NOS ENSINOU A ORAR (São Cipriano, bispo e mártir)
Os preceitos evangélicos, irmãos caríssimos, não são outra coisa que ensinamentos divinos, fundamentos para edificar a esperança, bases para consolidar a fé, alimento para revigorar o coração, guias para mostrar o caminho, garantias para obter a salvação. Enquanto instruem na terra os espíritos dóceis dos que creem, eles os conduzem para o Reino dos céus. Outrora quis Deus falar e fazer-nos ouvir de muitas maneiras pelos profetas, seus servos. Mas muito mais sublime é o que nos diz o Filho, a Palavra de Deus, que já estava presente nos profetas e agora dá testemunho pela sua própria voz. Ele não manda mais preparar o caminho para aquele que há de vir, mas vem, ele próprio, mostrar-nos e abrir-nos o caminho para que nós, outrora cegos e imprevidentes, errantes nas trevas da morte, iluminados agora pela luz da graça, sigamos o caminho da vida, sob a proteção e guia do Senhor. Entre as exortações salutares e os preceitos divinos com que orienta seu povo para a salvação, o Senhor ensinou o modo de orar e nos instruiu e aconselhou sobre o que havemos de pedir. Quem nos deu a vida, também nos ensinou a orar com a mesma bondade com que se dignou conceder-nos tantos outros benefícios, a fim de que, dirigindo-nos ao Pai com a súplica e oração que o Filho nos ensinou, sejamos mais facilmente ouvidos. Jesus havia predito que chegaria a hora em que os verdadeiros adoradores adorariam o Pai em espírito e em verdade. E cumpriu o que prometera. De fato, tendo nós recebido por sua graça santificadora o Espírito e a verdade, podemos adorar a Deus verdadeira e espiritualmente segundo os seus ensinamentos. Pode haver, com efeito, oração mais espiritual do que aquela que nos foi ensinada por Cristo, que também nos enviou o Espírito Santo? Pode haver prece mais verdadeira aos olhos do Pai do que aquela que saiu dos lábios do próprio Filho que é a Verdade? Assim, orar de maneira diferente da que o Senhor nos ensinou não é só ignorância, mas também culpa, pois ele mesmo disse: Anulais o mandamento de Deus a fim de guardar as vossas tradições (cf. Mc 7,9). Oremos, portanto, irmãos caríssimos, como Deus, nosso Mestre, nos ensinou. A oração agradável e querida por Deus é a que rezamos com as suas próprias palavras, fazendo subir aos seus ouvidos a oração de Cristo. Reconheça o Pai as palavras de seu Filho, quando oramos. Aquele que habita interiormente em nosso coração, esteja também em nossa voz; e já que o temos junto ao Pai como advogado por causa de nossos pecados, digamos as palavras deste nosso advogado quando, como pecadores, suplicarmos por nossas faltas. Se ele disse que tudo o que pedirmos ao Pai em seu nome nos será dado (cf. Jo 14,13), quanto mais eficaz não será a nossa súplica para obtermos o que pedimos em nome de Cristo, se pedirmos com sua própria oração! (Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir – Cap.1-3: CSEL 3,267-268 – Séc. III). #Cristologia #Igreja
- “MULHER, QUE TEM ISSO A VER COMIGO E CONTIGO?”
“JOÃO 2,4: Respondeu-lhe JESUS: “MULHER, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou”. O texto grego na sua literalidade, assim reza: “TI, EMOI, KAI SOI, GUNAIE”, cuja tradução ao pé da letra seria: “MULHER, O QUE A MIM E A TI?” = “O que é que trabalha e tece aqui entre mim e ti?” Trata-se de um semitismo, uma modo judaico de se expressar. Em latim: “Quid mihi et tib, mulier?” Em português coloquial seria: “O que isto tem a ver comigo e contigo, mulher?” E em espanhol aparece como “¿Qué tengo yo contigo, mujer?” Na Nova Vulgata a tradução para o português ficou: “Mulher, por que dizes isto a mim?”; Na Bíblia de Jerusalém está: “Que queres de mim, mulher?” Na Bíblia de Navarra, em português de Portugal consta: “Que me desejas, Senhora?”. Seja qual for a tradução, o contexto revelará uma só verdade: “Mulher, que tem isso a ver comigo e contigo?” Sentido: “Em si nós nada temos a ver com esta falta de vinho. Minha hora de fazer milagres ainda não chegou. Contudo, a teu pedido, antecipo essa hora” (Bíblia Ave-Maria). MULHER: “Não com desrespeito, mas respeitosamente, chamando-a com o usual “senhora”, por exemplo (Mt 15,28; Jo 4,21; 19,26; 20,15).” (Nota: Bíblia Dake). MARIA FALA: “Eles não tem mais vinho!” JESUS RESPONDE: “Senhora, compete a nós resolver este problema?!” As palavras finais de Maria dirigidas aos serventes dá o desfecho do diálogo: “Fazei o que eles vos disser” (João 2,5). #Cristologia #Igreja #mariologia
- HINO AO CRISTO SALVADOR
Freio de incautos potrinhos, asa de certeiro pássaro, firme leme dos navios, pastor de régios cordeiros! Reúne os teus filhinhos, pede à inocência deles hino e louvor sinceros; cantem seus lábios puros aquele que os conduz reinando sobre os santos. Verbo que vences tudo, Filho do Pai altíssimo, juiz que tudo sabes, és força dos que lutam e eterno regozijo dos séculos sem fim. Da raça dos mortais tu és o salvador, pastor e agricultor; freio seguro e leme, asa que leva aos céus a grei purificada. Tu és o pescador daqueles que escaparam ao pélago do mal: peixes que o pão da Vida atrai pela doçura longe da tempestade. Santíssimo pastor de espirituais cordeiros, conduze como um rei teus filhos inocentes: sobre os teus passos, Cristo, caminhem para o céu! Ó Verbo inesgotável, ó tempo-eternidade, ó luz que não se extingue, ó fonte de piedade! Tu constróis a virtude daqueles que, vivendo, a Deus, por serem santos, um hino vão erguendo. Ó Jesus Cristo, leite que nos desceu do céu pelos sagrados seios da esposa virginal, premida peles dons da eterna sapiência. E, quanto a nós, filhinhos, de lábios sem malícia, sempre a sugar o seio do Verbo maternal, possa nos saciar o espiritual orvalho! Com os mais singelos hinos, cantemos sem disfarce do Cristo a realeza: juntemos nossas vozes, pagando-lhe o tributo pelas lições de Vida. Do Filho onipotente formemos o cortejo: um coro de pacíficos. Hinos ao Deus da paz cantemos, povo sábio, em Cristo transformados. (Clemente de Alexandria, Tradução de D. Marcos Barbosa). #Cristologia #Igreja
- OS MASSACRES PROTESTANTES
OS MASSACRES PROTESTANTES Este trabalho historiografico tem por objetivo apresentar a verdadeira história sobre a Inquisição e o protestantismo, tem por objetivo também trazer a pesquisa de outros historiadores que na maioria não são católicos, espero que esse trabalho sirva de norte para protestantes honestos e pesquisadores em geral, a motivação para este trabalho se deu porque em muitas ocasiões vemos os protestantes acusarem a Igreja Católica de perseguição aos protestantes. Inicio com a denúncia de Charles Lea, um historiador protestante “Quem aplicava sistematicamente o castigo da fogueira aos hereges e (mesmo por delitos leves) eram os protestantes”, fato que vem sido reconhecido pela maior parte dos historiadores, mesmo os protestantes, Charles Lea denuncia “150 mil pessoas queimadas por delitos de bruxaria”. podemos verificar abaixo uma citação de Jaime Balmes, reconhecido filósofo e teólogo do século XIX. “ NADA PUDERAM CONTRA A TORRENTE DEVASTADORA NEM O CARÁTER VIOLENTO DE LUTERO NEM OS FURIOSOS ESFORÇOS COM QUE SE OPUNHA A TODOS AQUELES QUE ENSINAVAM DOUTRINAS DIFERENTES DAS SUAS: A UMAS IMPIEDADES SUCEDERAM-SE LOGO OUTRAS IMPIEDADES; A UMAS EXTRAVAGÂNCIAS, OUTRAS EXTRAVAGÂNCIAS; A UM FANATISMO, OUTRO FANATISMO; FICOU ASSIM A FALSA REFORMA FRACIONADA EM TANTAS SEITAS QUANTAS CABEÇAS HAVIA, CADA QUAL MAIS VIOLENTA, E QUE NA TRISTE FECUNDIDADE DE GERAR UM SISTEMA REUNIRAM UM CARÁTER RESOLUTO O BASTANTE PARA HASTEAR UMA BANDEIRA” JAIME BALMES • Foram já reconhecidos de forma absoluta – graças à documentação disponível – os atrozes e sistemáticos assassinatos cometidos por protestantes contra os dissidentes. O próprio Calvino levou a fogueira mais de 500 pessoas (incluindo Miguel Server, descobridor da circulação sanguínea).Em duas semanas, o Calvinismo na Holanda, vindo da Suiça, executou os padres e monges de mais de 400 conventose igrejas. Segundo Julian Juderias, na época que vai de Mary Tudor (conhecida como a sanguinária pelos anglicanos) ate james I, foram queimadas por bruxaria 17 mil pessoas na Escócia e 40 mil na Inglaterra. Já com James I, calculan-se 500 vitimas por ano. Algo parecido aconteceu na França, onde o parlamento de Toulouse queimou de uma vez 400 bruxas, e um juiz confessou ter queimado 800 bruxas, Em Flandres, as queimas e decapitações despovoaram comarcas inteiras, e o mesmo pode dizer-se dos demais países europeus. (a lenda negra, Julián Juderias pg. 395-397). Além dos chamados dissidentes, Por dissidentes entendia-se todo aquele que se desviasse “uma vírgula” das disposições do pastor reformista da vez. Assim Miguel servet será condenado à morte por contradizer a Calvino (processo e morte de Miguel Servet pela inquisição protestante em Menendez Pelayo livro 4, capítulo 6). Acrescentemos àqueles que vimos mencionando ao longo dos textos anteriores, algumas outras demonstrações desta realidade, encarnadas muito particularmente em Henrique VIII, Melâncton, John knox, Oliver crowell, Elizabeth da Inglaterra, Lutero, Calvino, Muntzer, Zwinglio, etc. • O anabatista Muntzer, em um sermão em 1524, advertiu os Príncipes alemães de que seu dever era “exterminar a todos os ateus, incrédulos, e que se negassem a empunhar a espada e a identificar-se como com o povo de Deus, a espada passaria deles para o povo” (Henry Kamen os caminhos da tolerância). Outro protestante, Althusius, que pregava uma particularísima concepção de tolerância, justifica as perseguições mais cruéis quando se tratasse de “epicuristas”, seitas heréticas, sedutores, profanadores do preceito dominical, bruxos, adivinhos, perjuros e idólatras”, chegando a confinar tanto judeus como católicos em guetos (na mesma alocução acrescenta: “o governante deve estabelecer e permitir somente uma religião em seus domínios, a verdadeira. Deverá expulsar a todos os ateus, ímpios e profanadores (Henry Kamen, os caminhos da tolerância). Em 1525, Lutero, junto a Felipe de Hesse, exterminará quase totalmente os camponeses de Frakenhausen, “com uma ferocidade que teve eco na história”, nas palavras de um conhecido Historiador protestante. Sobre isto diria Lutero pouco depois, de forma desavergonhada: “Para Deus é uma ninharia aniquilar um punhado de camponeses, quando ele mesmo inundou com um dilúvio o mundo inteiro e varreu Sodoma com fogo”. Mencionamos também o memorandum Assinado por Lutero e preparado por Melâncton, que recomendava a pena de morte aos anabatistas não apenas nos casos de rebelião, mas também nos de resistência pacífica aos deveres com o Estado. As teocracias de Calvino e zwinglio agiram com a mesma violência. Em Zurique, seguindo o modelo luterano, Este último havia proibido a missa católica em seus domínios, Obrigando todas as crianças a “rebatizar-se” na Nova Fé, sob pena de morte para os que voltassem à sua religião original. Assim foram afogadas nesta cidade centenas de pessoas. Esta teocracia controlava, ao mesmo tempo, a propriedade, a religião e a moral dos cidadãos. Assim o atesta Menno Simons: “Executaram a alguns enforcando-os, a outros torturaram com tirania sub-humana e depois estrangularam-nos com cordas. Outros foram assados e queimados vivos, outros foram mortos com espada e depois lançados aos animais. Outros foram atirados aos peixes (Bainton, the reformation citado em Elizabeth Feisrt, tolerância e intolerância em el protestantismo Centroeuropeu, Sebastian castellion frente a Lutero e Calvino, “E não houve nenhuma palavra de lamentação, Nem de Lutero nem de nenhum outro reformador diz Frederico Hisch). O crítico inglês Hallan (século XIX) chamará ao escocês John knox “o apóstolo da Morte”, observando que “as perseguições são o pecado mortal Original das igrejas reformadas”. Em um dos programas que os mestres calvinistas traçam contra os luteranos ao Eleitor Casimiro, dizem: • Oh, poderoso Casimiro, expulsa os servos de Lutero; Mata-os com a espada, a roda, a água, a forca e o fogo. • Locke, de quem se quis fazer um arquétipo da Paz e da paciência, em sua tão mencionada A Carta Sobre a tolerância (1689), impõe algumas convenientes exceções, ao dizer que as autoridades não podem tolerar aquelas opiniões prejudiciais à sociedade humana, ou contrárias às regras Morais necessárias para a Conservação da comunidade”. Este princípio – assinala com acerto Kamen – podia ser interpretado com tal amplitude que cobria praticamente todas as Seitas heterodoxa, e ia contra a postura defensora da tolerância do próprio Locke”. • (sobre os ateus, escreve Locke: não se pode tolerar aqueles que negam a existência de Deus. Henry Kamen, os caminhos da tolerância). • Segundo Juan Sanches Galera, só na Inglaterra, em apenas 35 anos, desde que Henrique VIII rebelou-se contra a autoridade pontifícia e obrigou seus súditos a converter-se ao protestantismo, calcula-se que foram assassinados cerca de 200.000 “hereges” católicos. O tristemente célebre Cromwell reduziria a população irlandesa à escravidão, exterminando a maior parte de sua população e 98% dos sacerdotes: não sobreviveram senão 2%! “só no ano de 1649 – comenta o Padre Ángel Pena em seu recente trabalho luzes e sombras da igreja -, os ingleses mataram na Irlanda, especificamente em Drogheda e Woxford, a milhares de católicos, alguns dizem até 40.000 e, negaram os direitos civis aos católicos irlandeses até 1913. Eram proibidos de possuir terras, exercer profissões liberais e votar. Não podiam casar-se com pessoas protestantes e tinham pena de morte se recebessem um sacerdote ou religioso”. • Sir James Stephen calcula que em 300 anos houve na Inglaterra protestante 264.000 condenados à morte por diversos delitos: cerca de 800 por ano. Lutero, fundador do protestantismo, escreveu em 1525 aos Nobres: “mata quantos camponeses puderes: fere, bate e degola a quem puderes. Feliz Serás se morreres nisto, pois morres em obediência a palavra de Deus”. Mais de 100 mil lavradores perecerão. Lutero afirmava também que os hereges deviam ser condenados sem serem ouvidos… uma amostra da terrível e intolerância protestante. Na Alemanha foram queimadas mais de 100.000 Bruxas, incluindo crianças e anciãos moribundos. Um único juiz queimou em 16 anos a 800 bruxas (uma média de 50 por ano), e na Inglaterra seriam queimadas outras 30.000. Estes números são defendidos pelo próprio Charles Lea, discípulo de Llorente, e talvez o mais reconhecido dos historiadores inimigos do Santo Ofício. A partir de 1550, registram-se na Inglaterra 400 execuções anuais de bandidos de crimes leves. Henrique VIII enviaria à forca 72.000 pessoas durante seu reinado, enquanto Eduardo VI e Elizabeth executariam 70 mil pessoas apenas com a acusação de “vagabundos e viciosos”. Esta é a opinião de Henry Kamen. Por sua vez, o grande Historiador contemporâneo Jean Dumont diz: “Se, por desgraça a Espanha e Portugal houvessem entrado na reforma Protestante, tornando-se puritana e aplicado os mesmos princípios que na América do Norte (a Bíblia é que diz, o índio é um ser inferior, um filho de satanás), um imenso genocídio teria eliminado da América do Sul todos os povos indígenas (Vittorio Messori). • Deve-se observar que, na Inglaterra protestante, a forca era Ainda Mais Cruel Do que a “fogueira” é o que descobre o historiador americano Thomas walsh, junto ao inglês Hilaire belloc, o qual explica: “o condenado por delito de traição era semi-estrangulado, para depois ser cortado, mutilado e ter seu coração arrancado ainda antes de falecer, exibindo-se depois os restos do corpo esquartejado nos lugares públicos; não era uma sorte mais invejável que a fogueira” (história da Inglaterra, Hilaire belloc). Isto mesmo é confirmado por Thomas Hope, que observa que este castigo continuará sendo imposto ainda no século XVIII! Durante o mesmo período, a pena por alta traição na França consistia em ferver vivo ao homem. por isso, queixava-se amargamente Joseph de Maistre: “não podem lançar calúnias contra o Santo Ofício, países Nos quais, como a Inglaterra, Mártires católicos foram Condenados em processo e sem as formalidades que rodeavam a atuação jurídica do Santo Ofício na Espanha”. A este respeito são leitura obrigatória os trabalhos dos Protestantes Schafer, Janssen, Haebel, Cobbet, entre outros. Este último, William Cobbet, a quem Chesterton dedicou uma magnífica biografia, conclui o seguinte: “A Rainha Elizabeth (Protestantes) causou mais mortes de católicos em um ano do que a inquisição espanhola em toda sua história (Tomás Barutta). • Em uma de suas cartas, escreve Lutero: “Se a loucura dos Romanistas [católicos] persiste, não restará a meu ver outro remédio senão que o imperador, os Reis e os Príncipes ataquem com armas estas partes da terra, e acabem com o assunto já não Por palavras mas pelo ferro(…). Rechaçamos os ladrões a golpes de marretas, castigando os bandidos com a espada e os hereges com o fogo: porque não empregarmos todas as nossas armas para expulsar este Mestres da perdição, esses Cardeais, esses Papas, todo esse lodo da Sodoma Romana, que corrompe sem cessar a igreja de Deus? Por que não lavamos nossas mãos com seu sangue? Jean Giraud partisse histoire vrair). Outro importante Historiador protestante, Haag, escreve sobre o heresiarca protestante: “Demonstrou nas lutas contra seus adversários dogmáticos uma firmeza Indomável e, ao mesmo tempo, uma animosidade, uma dureza, um orgulho, uma inflexibilidade e um despotismo que lhe criaram numerosos inimigos, e que apresentam seu caráter sobre uma luz pouco favorável” • assim ocorreu com o próprio Erasmo, que havia sido inicialmente partidário de Lutero; pouco tempo depois, desiludido pelos violentíssimos meios de que este e os seus se valiam, escreverá a um amigo em 1524: “Eles os reformistas tem sempre estas cinco palavras nos lábios: evangelho, palavra de Deus, fé, Cristo e Espírito Santo; e, no entanto, vejo muitos se comportarem de tal modo que não posso duvidar de que estejam possuídos pelo demônio” (dirigindo-se a Lutero, diz “com esse seu temperamento arrogante, imprudente e revoltado, estás agitando o mundo inteiro com uma ruinosa discórdia”; em (Henry Kamen, os caminhos da tolerância). • Por último, em vista do baixíssimo número de Réus Condenados como hereges a pena capital pelo Estado, é fácil deduzir que, no final das contas, o tribunal da Inquisição Buscou agir e combater a heresia através da dissuasão mais do que do Rigor efetivo. É o que reconhece Ricardo Garcia Cárcel, crítico e pouco amigo do tribunal da Inquisição: “A Inquisição jogou mais com a intimidação dissuasiva do que com a repressão custosa e de resultado lentos e pouco vistosos. A tolerância pragmática da Inquisição foi, definitivamente, mais fruto da preguiça e da incapacidade administrativa do que uma vontade alto controladora”. Um militar francês, parente distante da Imperatriz Josefina, que chegou a Madri pouco antes de 2 de Maio de 1808 (invasão napoleônica da Espanha) e que foi preso em Bailem, fala da Inquisição em um diário publicado em 1933 como de um organismo semelhante a um Espantalho, com mais fama do que potência ( l’inquistion n’est qu’un epouvantail, Sony l”utilize surpasse peut-etre aujourd’ hui le danger, Maurice de Tascher, 1806-1813, Paris, citado em Julio Meinvielle). • Se existiu um genocídio, e extermínio sistemático ou holocausto – palavras tão em voga na dialética atual – Este foi protestantes. Os números mais moderados sugerem centenas de milhares de pessoas executadas de diversas formas pelos campeões do livre exame, e o mesmo se leva em conta o genocídio causado pelos revolucionários Franceses em nome da liberdade e igualdade, especialmente sobre o povo camponês de La Vendée. Tal análise torna absurda qualquer comparação com os dois mil ou três mil executados a instâncias da Inquisição espanhola. E isso sem reparar nas garantias e no tratamento que uma ou outra confissão ofereciam aos hereges. Espero que tenha sido de utilidade as informações aqui expostas, e também espero que os estudantes e professores não chamem esse trabalho de positivista, pois é necessário trabalhar com números também, junto com a postura de algumas lideranças da época, mas e de se esperar nomes como revisionista, positivista, mas se uma pesquisa não foi honesta, se não trouxe a informação correta, nós fazemos esse trabalho, não para desmerecer o que alguns fizeram, mas pra motivar alguns professores e pesquisadores a serem mais honesto. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #Históriadaidademédia #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja #HistóriadaInquisição
- JUDAS E OS LIVROS APÓCRIFOS E QUEM ERAM OS FILHOS DE DEUS?(Nefilins)
A passagem poderia ser aplicada à mistura de raças, ou seja, que os descendentes de set se casaram com as decendentes de Caim, mas não se sustenta num estudo detalhado.. Desde os tempos antigos, muitos intérpretes judeus tiveram dificuldade em aceitar essa posição, e um dos motivos era o fato de que apenas “homens” da descendência de set teria se casado com “mulheres” da descendência de Caim. Por que não vice versa? Se ler o capítulo anterior, por várias vezes filhas são mencionadas na descendência de set (Gn 6). Então, por que agora, no capítulo 6, limita-se o termo as filhas de Caim? Além disso, o texto não menciona ” filhas de Caim”, mas “filhas de Adão”, que pode ser tomado por ” filhas do homem “, ou seja, descendentes humanas. Não há razão gramátical para restringir isso as filhas de Caim. Por outro lado, no antigo testamento, o termo” filhos de Deus ” não é aplicado diretamente aos homens. Fora do Gênesis 6, o termo só aparece no livro de Jó e no salmo 29. 1. Em Jô, é claramente aplicado aos anjos, entre os quais estava satanás: ” num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar- se perante o senhor, veio também satanás entre eles”. No salmo 29.1, o termo pode se aplicar também aos anjos reunidos em assembléia celeste. De qualquer modo, a única referência explícita do termo no antigo testamento é para anjos. Além disso, o Gênesis narra o aparente estranho resultado daquela união: ” ora, naquele tempo havia gigantes ( Nefilins) na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhe deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na antiguidade “( Gn6.4). À questão da interpretação judaica expressa principalmente nos livros apócrifos de 1 Enoque, Jubileus e testamento dos doze patriarcas, é preciso reconhecer que esses livros não são inspirados e, portanto não são fonte de autoridade para a teologia cristã. NO entanto eles podem conter verdades. A questão, portanto, é: o novo testamento reconhece algumas verdades desses livros, especialmente no que que diz respeito ao pecado dos anjos em Gênesis 6? Se o novo testamento reconhece isso como verdadeiro, o teólogo cristão precisa admitir que essa é a interpretação correta de Gênesis 6, não importa se os livros apócrifos tenham interpretações fantasiosas sobre sobre o assunto. O peso da inspiração do novo testamento precisa ser respeitado quer o intérprete goste ou não da interpretação. Portanto, a questão não é apelar para livros apócrifos para sustentar a teoria, e sim reconhecer que o novo testamento a reconhece. Portanto, é a autoridade do novo testamento que define a questão. É de amplo conhecimento, que essa teoria sobreviveu na tradição apocalíptica judaica. Três livros são os mais conhecidos e que mencionam o fato. O livro dos jubileus, o novo testamento dos doze patriarcas e o livro de Enoque. Também aparecem menções no documento de Damasco, no livro do eclesiástico canônico pra todo cristianismo oriental e ocidental, salvo PROTESTANTE, em 3 macabeus canônico pra igrejas ortodoxas e fragmentos do mar morto. Esses livros interpretam livros interpretam que anjos, chamados de guardiões, se relacionaram com as mulheres, gerando gigantes demoníacos, os quais foram exterminados no dilúvio. A questão é que essa interpretação era amplamente conhecida nos dias de Jesus e do novo testamento, se ela estivesse errada, o novo testamento deveria condená-la de alguma maneira, já que a menciona. Porém o novo testamento não a condena, mas há fortes indícios de que à aprova, em pelo menos quatro livros, as duas cartas de Pedro, a carta de Judas e indiretamente também o livro do apocalipse, pois todos esses livros mencionam anjos ou espíritos em prisão ( 1pe 3. 18-20; 2pe 2.4; Judas 6; apocalipse 9). A questão é de onde vem esse conceito de anjos em prisão que todos esses textos mencionam? É a resposta mais plausível é: dos livros apócrifos mencionados acima, isso é comprovado documentalmente. O autor da carta de Judas cita explicitamente o livro de 1Enoque, que é o principal livro da tradição apocalíptica judaica, vejam Judas 14-15, a seguir compare Judas 6 e 1 Enoque 1,9. Judas 6 Eis que vejo o senhor entre suas santas miríades, para exercer juízo contra todos e para fazer convictos todos os ímpios, acerca de todas as obras ímpias que impiamente praticaram e acerca de todas as palavras insolentes que ímpios pecadores proferiram contra ele. 1Enoque 1.9 Ele virá com milhares de santos, para exercer o julgamento sobre o mundo inteiro e aniquilar todos os malfeitores, reprimir toda a carne pelas más ações tão iniquamente perpetradas e pelas palavras arrogantes que os pecadores insolentemente proferiram contra ele. Os anjos em prisão Quem são os espíritos em prisão aos quais Cristo fez uma proclamação após ter sido “morto na carne”, porém” “vivificado em espírito”? ( 1 pé 3. 18-19). Quem são os anjos que pecaram, segundo Judas 6, os quais foram “algemados” e “aprisionados nas trevas” ou, de acordo com 2pedro 2/4 foram “precipitados no tártaro” em abismo de trevas? Trata-se dos mesmos personagens? Quando eles pecararam, e qual foi o pecado deles? Esse sem dúvida é um dos assuntos mais difíceis para se debater na história da teologia cristã, tendo recebido grande destaque especialmente nos primeiros séculos do Cristianismo, quando a influência do judaísmo era mais sentida nas comunidades cristãs. Por que cristãos que crêem em tantos fatos sobrenaturais da bíblia têm dificuldade em Crer que, de algum modo, anjos caídos se relacionaram com mulheres e foram punidos por Deus? Muitos dos “pais da igreja” ( Justino 100-165) seguiram a a interpretação judaica que relacionava espíritos aprisionados com anjos que haviam se relacionado com mulheres antes do dilúvio, conforme relata o texto de Gênesis 6. 1-2. Porém aos poucos, a idéia de que Cristo teria ido ao inferno após a morte e antes da ressurreição, e lá pregado para almas, começou a dominar a interpretação. É contra isso que Santo Agostinho (354-430) se revoltou no quinto século, ao demonstrar acertadamente que não faria nenhum sentido Cristo ir ao inferno e pregar à apenas um grupo de condenados, deixando todos os demais sem pregação. No meio protestante essa interpretação foi vista por conservadores, como má interpretação do antigo testamento e influência dos mitos pagãos. Mas nós últimos anos ressurgiu o assunto é agora no meio conservador, como por exemplo o exegeta Thomas R. S, chereiner, ele diz, Judas 6, assevera que: ” nós podemos estar quase certos de que Judas se referiu aqui ao pecado dos anjos em Gn 6. 1-4″. Do mesmo modo, Peter H. Davids reconhece que ” Judas, então, se refere aos anjos ( também chamados de ” vigilantes ” em 1Enoque e outras literaturas), como os anjos, os filhos do céu”. É também J. N. D. Kelly: ” esses são os “filhos de Deus” de acordo com Gn 6. 1-4, que cederam a à atração das ” filhas dos homens” e formaram união com elas. RF: confissões de santo Agostinho #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #demonologia
- ESCATOLOGIA (Purgatório )
O problema da fundamentação bíblica para o purgatório Não há nenhum texto que use essa palavra Não é tratado de forma explícita em nenhum texto. Contudo, é uma consequência indireta de textos bíblicos. Premissa: ninguém alcança a glória celestial com mácula E haverá uma vereda pura, que se chamará o caminho santo; nenhum ser impuro passará por ele, e os insensatos não rondarão por ali. (Is 35,8) Nela não entrará nada de profano nem ninguém que pratique abominações e mentiras, mas unicamente aqueles cujos nomes estão inscritos no livro da vida do Cordeiro. (Ap 21,17) Antigo testamento Conclusão: Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas. (2 Mc 12,43ss) As palavras do Senhor Aquele que falar contra o Espírito Santo não será perdoado nem neste século nem no futuro (Mt 12,32). Nas palavras de São Paulo Quanto ao fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo. Agora, se alguém edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um aparecerá. O dia (do julgamento) demonstrá-lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo. (I Cor 3,11-15) Séc. I e II Não se tem especulação, mas se celebra culto em sufrágio da alma. Séc. III Tertuliano escreve no livro, sobre a monogamia A viúva reza pela alma (do marido difunto) , naquele instante ela invoca para a sua alma o refrigério e a participação à primeira ressurreição e oferece um sacrifício no aniversário de sua morte. (De monog. 10) Comentando Mt 5, 26 alerta que no mundo subterrâneo todos deverão pagar suas dívidas. Sec III Orígenes O problema da tese da apokatástasis No final dos tempos Deus será tudo em todos O fim do mundo será semelhante ao começo Toda a história do mundo faz parte do plano de Deus para conduzir todas as coisas a Ele. Deve ter uma purificação pós-morte para levar os que morreram a sua finalidade Conclusão: os demônios serão salvos no final Século IV Santo Agostinho Vai admitir a possibilidade de uma fogo purificador pós-morte, no Enchiridion, 69. O problema do fogo do purgatório Ocidentais: seguiam a tradição de Santo Agostinho de falar em fogo expiador Orientais: criticam a expressão purgatório bem como a noção de fogo por assemelhar-se com a ideia de apokatastasis Nunca fizeram uma negação total ao purgatório Admitem penas purgatoriais, mas negam que as almas se purifiquem pelas penas. MAGISTÉRIO Concílio de Florença (1304) Se tendo feito penitência verdadeiramente, morreram na caridade de Deus antes de ter satisfeito com frutos dignos de penitência pelos pecados de comissão e omissão, sus almas, depois da morte são purificadas com penas purgatoriais, e para ser livrar dessas penas, aproveita-lhes os sufrágios dos fieis vivos, a saber, o sacrifício da missa, orações e esmola e outros ofícios de piedade que podem se fazer, segundo a instituições da Igreja, pelos fieis em favor de outros fieis. (D 693) Carta super quibusdam Perguntamos credes e cres que existe o purgatório, ao que descem as almas que morrem em graça, mas que não foram satisfeitos seus pecados pela penitência completa. Assim mesmo, se crês são atormentados com fogo temporalmente e, que apenas estão purgadas, ainda que antes do dia do juízo, chegam a verdadeira e eterna beatitude que consiste na visão de Deus face a face e no seu amor (D 570t) DISCUSSÃO MODERNA Qual é o meio de reparação no purgatório? Tese da purificação do amor Há adiamento da visão divina Aumento do desejo de Deus Sofrimento é o afastamento de Deus. O fogo do purgatório Pena de condenação: privação da visão de Deus Pena de sentido: (dor sensível) O fogo propriamente dito, não como o terrestre. Dor psicológica devido à inconformidade com as coisas criadas (Winkhofer) No purgatório não é necessário haver distinção real entre a pena de condenação e a pena de sentido. Inferno Escatologia intermediária e Final Evolução do conceito de Xeol Gradação no Xeol Tu dizias: Escalarei os céus e erigirei meu trono acima das estrelas. Assentar-me-ei no monte da assembléia, no extremo norte. Subirei sobre as nuvens mais altas e me tornarei igual ao Altíssimo. E, entretanto, eis que foste precipitado à morada dos mortos, ao mais profundo abismo. (Is 14, 13-15) ANTIGO TESTAMENTO O Xeol restrito aos ímpios Depois disso serão cadáveres sem honra, desterrados entre os mortos, numa eterna ignomínia, porque ele os ferirá, e os precipitará sem voz, abatê-los-á nas suas bases e os mergulhará na última desolação. Eles serão entregues à dor, e a memória deles perecerá. Comparecerão aterrorizados com a lembrança de seus pecados, e suas iniqüidades se levantarão contra eles para os confundir. (Sb 19-20) A ressurreição da carne (Dn 12) NOVO TESTAMENTO Inferno como exclusão da vida eterna Quem crê no Filho, possui a vida eterna; mas o que nega sua fé ao Filho, não gozará a vida e a ira de Deus pesa sobre Ele (Jo 3,36) Perde-se a vida eterna pelo pecado Acaso não sabeis que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não vos iludais! Nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os depravados, nem as pessoas de costumes infames, nem ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os injuriosos herdarão o Reino de Deus (I Cor 6, 9-11) Inferno como dor sensível Se teu olho de escandalizar, arranca-o: melhor é entrares com um só olho no Reino de Deus do que, tendo dois olhos, seres atirado na geena, onde o verme não morre e onde o fogo não se extingue (Mc 9, 47-48) PATRÍSTICA Séc. I Conserva o ensinamento Bíblico Mas os justos, que fizeram o bem e aguentaram os tormentos e odiaram os prazeres da alma, quando verem como são os castigos com tormentos terríveis e fogo inextinguível, os que erraram e negaram a Jesus com palavras e obras darão glória a seu Deus (II Carta aos Corínthios, Clemente Romano) Séc. II Ilustra a distinção entre fogo temporal e fogo eterno Então, embora te encontres na terra, verás que Deus governa nos céus, então começarás a proferir os mistérios de Deus, então amarás e admirarás os que são torturados por não quererem renegar a Deus, então condenarás a ilusão e o desvio do mundo, quando conheceres a verdadeira vida no céu, quando desprezares o que aqui é considerado morte, quando temeres a verdadeira morte, reservada para os condenados ao fogo eterno, que há de atormentar sem fim os nele lançados. Então admirarás os que suportam pela justiça o fogo temporário… Chamá-lo-ás bem-aventurados quando conheceres o que é aquele fogo (Carta a Diogneto, 10,7s) Séc. III Disputas sobre as teses Origenistas de Apokatástasis São Cipriano se põe contra a tese de conversão no Inferno A geena sempre ardente queimará os que são entregues a ela, uma pena voraz com chamas vivazes; não haverá possibilidade de que os tormentos tenham algum descanso ou fim. As almas com seus corpos serão conservados para infinitos tormentos de dor (…) Haverá então dor da pena sem fruto de penitência, choro vazio e petição ineficaz. Crerão tarde na pena eterna os que não quiseram crer na vida eterna (Ad Demetrium 24) ERROS SOBRE O INFERNO Tese condicionalista A imortalidade depende do estado de justiça da alma no momento da morte. Os justos vivem e os injustos são aniquilados. Em suma, o inferno não existe! “ o inferno é aqui, onde as pessoas sofrem”; “aqui se faz aqui se paga” Tese universalista Todos serão salvos! O inferno é temporário ou simplesmente não existe Os Albigenses diziam não haver inferno, a purificação será feita através de reencarnações sucessivas até que todos estejam salvos. ERROS Tese Atermista Nega a eternidade do inferno O inferno é purificador e, portanto, temporal Considera a apokatastasis como um novo começo Há um ciclo que se repete eternamente Separação Purificação Apokatástasis MAGISTÉRIO É definido a existência e a eternidade do inferno Todos os quais ressuscitarão com seus próprio corpos, que agora tem, para que recebem segundo suas obras, tenham sido boas ou más, uns com o diabo para a pena perpétua, outros com Cristo para glória sempiterna (D 429) Há uma pena de sentido (dor associada ao fogo) Os que fizeram o bem irão para a vida eterna e os que fizeram o mal para o fogo eterno (D 40) Há pena de condenação (ausência da visão de Deus) as almas de todos os santos que saíram deste mundo (…) estarão e estão no céu (DH 1000) (…) as almas dos que saem desse mundo com pecado mortal atual, imediatamente depois de sua morte descem ao inferno (DH 1002) DISCUSSÕES TEOLÓGICAS Inferno existencial Teses que afirmam a existência do inferno vazio Parece não estar em conformidade com a interpretação oficial do documento Lumen Gentium. Não é herética, mas não poderia se considerar ensinamento fora de perigo O fogo do inferno Defende-se que é dogmático a necessidade de haver duas penas distintas para o inferno; pena de condenação e pena de sentido. A primeira é o afastamento de Deus, a segunda é a dor sensível (fogo). O fogo do inferno seria a dor que toda criação gera no homem pela posição que ele se encontra de inimigo de Deus. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #purgatório #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja
- A missão extraordinária depende da missão ordinária (continuação das questões acerca das missões do
Passemos ao outro ponto: Eu afirmo, em segundo lugar, que nenhuma missão deve ser recebida como extraordinária se é desaprovada pela Autoridade ordinária, que reside na Igreja de Nosso Senhor. Isto porque primeiramente estamos obrigados a obedecer aos nossos pastores ordinários, sob pena de sermos considerados ‘publicanos e pagãos’ (cf. João 18,17). Com efeito, como poderíamos nos alistar sob outra disciplina que a Sua? Os enviados extraordinários teriam vindo em vão, pois estaríamos obrigados a não ouví-los – como eu já disse -, se fossem desautorizados pelos [enviados] ordinários (cf. 1Coríntios 14,33). Deus não é autor de divisão, mas de união e concórdia, principalmente entre os seus discípulos e ministros eclesiásticos, como ensina claramente Nosso Senhor na santa oração que dirigiu ao seu Pai nos últimos dias de sua vida mortal (cf. João 17,11-12). Como, pois, autorizaria duas classes de pastores: uma extraordinária e outra ordinária? Que a [classe] ordinária está autorizada, não resta a menor dúvida; quanto à extraordinária, apenas o pressupomos. Haveria, portanto, duas Igrejas diferentes, o que contraria à mais pura Palavra de Nosso Senhor, o qual não possui mais do que uma única Esposa: “Una sola paloma, una sola perfecta” (Cântico 7,8). E como o rebanho poderia estar unido sendo conduzido por dois pastores, estes desconhecendo um ao outro, com diferentes pastagens, celeiros e redis? Onde um e outro não desejariam possuir o todo? Assim seria a Igreja, sob a diversidade de pastores ordinários e extraordinários: desgarrada aqui e acolá em diferentes seitas. Porém, por acaso Nosso Senhor “está dividido” (cf. 1Coríntios 1,13) em si mesmo ou em seu Corpo, que é a Igreja? Na verdade, não! Pelo contrário: não há mais do que ‘um Senhor’ (cf. Efésios 4,5), o qual edificou o seu Corpo Místico (cf. Efésios 4,12) com uma bela variedade de membros bem proporcionais (cf. Efésios 4,2), “unidos e apertados totalmente por todos os ligamentos, através da mútua subministração” (cf. Efésios 4,16). Daí se segue que querer inserir na Igreja esta divisão de tropas ordinárias e extraordinárias é querer arruiná-la e colocá-la a perder. Assim, é necessário retornar ao que dizíamos anteriormente, a saber: que a vocação extraordinária jamais é legítima se for desaprovada pela ordinária. 3º) Na ordem dos fatos, jamais me será apresentada qualquer vocação extraordinária legítima que não tenha sido [anteriormente] recebida pela autoridade ordinária. São Paulo foi chamado extraordinariamente (cf. Atos 9,6), mas não foi aprovado e autorizado pela [autoridade] ordinária uma primeira (cf. Atos 9,17) e segunda (cf. Atos 13,3) vez? A missão recebida pela autoridade ordinária é denominada “missão do Espírito Santo” (Atos 13,4). Da missão de São João Batista não se pode dizer que fosse propriamente extraordinária, porque ele nada ensinava contrário à Igreja mosaica e porque [também ele] pertencia à raça sacerdotal (cf. Lucas 1,8). Apesar disso, a raridade de sua doutrina foi confessada pelo magistrado ordinário da Igreja judaica na bela afirmação que foi feita pelos sacerdotes e levitas (cf. João 1,19ss), e cujo teor pressupõe a alta estima e reputação de que gozava entre eles. E os próprios fariseus, que estavam sentados na cátedra de Moisés, não participaram abertamente de seu batismo, sem escrúpulos (cf. Mateus 3,5.7), o que equivale a receber sua missão como boa? E ainda Nosso Senhor, que era Mestre, não quis ser recebido: – por Simeão (cf. Lucas 2,28.34), que era sacerdote, eis que este bendisse a Nosso Senhor e a São José? – por Zacarias, sacerdote (cf. Lucas 1,76)? – e por São João [Batista] (cf. João 1,29)? E também por sua própria Paixão, que era a execução principal da sua missão: não quis Ele ter o testemunho profético do Sumo Sacerdote de então (cf. João 11,49-53)? 4º) Isto é o que São Paulo ensina quando não quer “que ninguém atribua para si a honra pastoral sem aquele que é chamado por Deus como Aarão” (Hebreus 5,1-4), pois a vocação de Aarão foi ordinariamente dada por Moisés, tanto que Deus não colocou a sua Santa Palavra imediatamente na boca de Aarão, mas na de Moisés, a quem Deus dirigiu esta ordem: “Fala a ele e coloca minhas palavras na boca dele. E eu estarei na tua boca e na [boca] dele” (Êxodo 4,15). Se considerarmos direito as palavras de São Paulo, aprenderemos também que a vocação dos pastores deve ser dada visível ou perceptivelmente, e não por aclamação e moção secreta. Vejam-se, assim, os dois exemplos que ele propõe: o de Aarão, que foi ungido e visivelmente chamado (cf. Levítico 8,12; Êxodo 28,1) e, depois, o de Nosso Senhor e Mestre, que sendo Soberano Pontífice e Pastor de todos os séculos, “não qualificou a si mesmo” (Hebreus 5,5), isto é, não atribuiu para si a honra do seu Sumo Sacerdócio, como já havia dito anteriormente São Paulo, mas “foi ilustrado por Aquele que lhe disse: ‘Tu és meu Filho; Eu hoje te gerei; Tu és eternamente Sacerdote segundo a ordem de Melquisedec’” (Hebreus 5,6). Eu vos peço que considereis este argumento: Jesus é Soberano Pontífice segundo a ordem de Melquisedec. Ele atribuiu para si e impulsionou por si mesmo esta honra? Não! Ele foi chamado (Hebreus 5,10). Quem o chamou? Seu Pai Eterno (cf. Hebreus 5,5). Como? Imediata e mediatamente, simultaneamente: imediatamente em seu Batismo (cf. Mateus 3,17) e em sua Transfiguração (cf. Mateus 17,5), com estas palavras: “Este é meu Filho muito amado, em quem tenho todas as minhas delícias. Escutai-o”; e mediatamente, pelos Profetas e, sobretudo, Davi, nos lugares em que São Paulo cita, acerca disto, os Salmos: “Tu és meu Filho; Eu hoje te gerei” (Salmo 2,7); “Tu és sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedec” (Salmo 140,4). E tudo demonstra esta vocação: a palavra da nuvem [durante a Transfiguração] foi audível e, em Davi, audível e legível. Entretanto, São Paulo, querendo mostrar a vocação de Nosso Senhor, traz apenas as passagens de Davi, as quais dizem que Nosso Senhor foi explicitado por seu Pai, contentando-se, assim, em produzir o testemunho perceptível, e produzido através das Escrituras ordinárias e dos Profetas aceitos. Afirmo, em terceiro lugar, que a autoridade da missão extraordinária jamais destrói a ordinária e nunca é conferida para revogá-la. Testemunhas disto são todos os Profetas, que jamais levantaram altar contra altar, nem revogaram a autoridade de Aarão, nem jamais aboliram as constituições da Sinagoga. Nosso Senhor também testemunha isso, ao afirmar que “todo reino dividido contra si mesmo será destruído e uma casa cairá sobre a outra” (Lucas 11,17); igualmente, testemunhou o respeito que teve à cátedra de Moises, cuja doutrina quis que fosse preservada (cf. Mateus 23,2-3). Na verdade, se o extraordinário fosse abolir o ordinário, como saberíamos quando, em quê e como deveríamos nos ater a isso? Não, não! O ordinário é imortal enquanto a Igreja existir neste mundo. Os pastores e doutores que geraram a Igreja devem possuir perpétua sucessão, “para a consumação dos Santos, até que todos nós cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, como varão perfeito, segundo a medida da idade cumprida de Cristo, a fim de que não sejamos mais meninos, instáveis, levados daqui para acolá a qualquer vento de doutrina, pela malícia dos homens que enganam com astúcia” (Efésios 4,11-14). Eis aí o belo discurso que São Paulo faz para mostrar que se os doutores e pastores ordinários não tivessem perpétua sucessão ou estivessem sujeitos à ab-rogação dos [doutores e pastores] extraordinários, teríamos apenas uma fé e uma disciplina desordenada e interrompida a todo momento; estaríamos sujeitos a sermos seduzidos pelos homens que a todo instante se orgulham da vocação extraordinária; e, como os gentios, caminharíamos – como faz observar posteriormente (cf. Efésios 4,17) – na vaidade dos nossos [próprios] entendimentos, imaginando cada um sentir a moção extraordinária do Espírito Santo. Disto, nossos tempos apresentam muitos exemplos e esta é uma das mais sólidas razões que podemos expor a este propósito: se a administração extraordinária pode invalidar a ordinária, a quem daremos a primazia? A Calvino ou a Lutero? A Lutero ou a Pacimontain? A Pacimontain ou a Blandrate? A Blandrate ou a Brence? A Brence ou à Rainha da Inglaterra? Cada um atribuirá para si este tapa-olhos da missão extraordinária, mas a Palavra de Deus retira de nós estas dificuldades, pois edificou a sua Igreja sobre um fundamento tão bom e com uma proporção tão bem compreendida, que “as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela” (Mateus 16,18). E se jamais prevaleceram e nem prevalecerão, a vocação extraordinária não tem como abolí-la, pois Deus não odeia nada do que faz; então, como Ele aboliria a Igreja ordinária para criar outras [igrejas] extraordinárias, já que foi Ele quem edificou a ordinária sobre Si mesmo e a fundamentou no seu próprio Sangue? Tradução: Luis Carlos Nabeto #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #humanismo #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #SãoFranciscodeSales #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja
- Como S. Francisco é diferente de Lutero – ou Reforma Católica vs. Reforma Protestante
ESSENCIALMENTE, FRANCISCO de Assis nos ensina que não podemos lutar contra heresias através da criação de novas heresias. S. Francisco sempre se submeteu à Igreja, os papas e os bispos. Sempre que a dita “reforma” começa com ações contra a Igreja institucional, mais heresia surge. Por exemplo, em muitos aspectos, a heresia monofisita (ou seja, Cristo tem uma só natureza) foi uma reação exagerada à heresia nestoriana (Cristo tem duas pessoas). A Igreja Católica sempre procurou apontar diretamente para a verdade, e não apenas à destruição de erro. Demasiadas vezes a refutação do erro leva para outro erro. Da mesma forma, Lutero e Calvino buscavam deslocar mal-entendidos sobre a Graça e mérito (ou seja, o nominalismo com defeito gerado por William de Ockham), criando uma visão alternativa de Graça e mérito (assim, ironicamente, abraça o nominalismo de Ockham, apenas ‘reembalando-o’). A “solução” de Lutero era, na verdade, herética. Uma solução rápida é frequentemente defeituosa. A fita adesiva pode “consertar” quase tudo – mas, eventualmente, dará lugar a outros problemas. As páginas da História da Igreja estão repletas de reformadores católicos: desde Paulo, Atanásio, passando por João Crisóstomo, João Damasceno, o Papa Gregório VII, Francisco de Assis, Domênico, Catarina de Sena, Inácio de Loyola, Teresa de Ávila, etc. Cada um desses reformadores católicos manteve a unidade da Igreja de Cristo submetido à liderança da Igreja, e pacientemente trouxeram renovação. Em muitos casos, esses renovadores sofreram a perseguição de outros cristãos e até mesmo caíram em suspeita de heresia. No entanto, sua humildade e silêncio finalmente vieram a confirmar a sua causa como defensores da verdade evangélica da Doutrina de Cristo. São Francisco de Assis é talvez um dos melhores exemplos de paciência aplicada na causa da Reforma. Quando ele foi a Roma buscar o reconhecimento do Papa, este despediu-o com impaciência e disse-lhe para ir “deitar-se com os porcos”. Sim… Eram outros tempos. Mas, depois de algum tempo, Francisco voltou, todo sujo, roupas manchadas e fedorentas das fezes de suínos. Quando o Papa se opôs à sua entrada, Francisco respondeu: “Obedeci tuas palavras e apenas fiz o que disseste; deitei-me com os porcos”. De repente, o Sumo Pontífice percebeu que estava diante de um santo homem, disposto a obedecer mesmo em face da humilhação. Assim, o Papa ouviu visão de Francisco para uma necessária renovação dos usos e e práticas dos filhos da Igreja naquela época, e o resto é História. Quando rejeitado pelo Papa, S. Francisco de Assis poderia ter apelado à Sagrada Escritura, mostrando que este seu padrão de vida pobre e humilde era como o de Cristo. Ele poderia até ter contrastado sua própria “vida bíblica” contra a extravagância da corte papal da época. Francisco tinha razão para estar angustiado, bem o sabemos, e poderia ter repreendido aqueles abades, bispos e cardeais por sua falta de testemunho evangélico. Mas em vez disso, seguiu o caminho de Cristo; aceitou ser incompreendido e caluniado, sabendo que Deus responderia suas reivindicações… e Deus nunca desampara (uma causa justa como a sua). Contraste entre São Francisco de Assis e Martinho Lutero: Lutero não visitou Roma para a confirmação da sua causa, nem procurou respeitar as estruturas da Igreja. Na verdade, o cardeal Cajetan reuniu-se em particular com Lutero e explicou-lhe como poderia modificar a sua mensagem para que fosse aprovada pela Cúria Romana e consequentemente considerada. Se Lutero tivesse se movido com mais cautela e caridade, poderia até – quem sabe – ter se tornado “São” Martinho Lutero. Infelizmente, Lutero foi inflexível e orgulhoso. Ele não considerou seu compromisso de obediência para com a Igreja de Cristo. Se o Papa não estava de acordo com ele, então ele iria rejeitar a própria instituição do papado (desde Pedro). Lutero não iria tolerar qualquer autoridade que se recusasse a apoiá-lo, imediatamente e sem questionar. Consequentemente, quando a Bula papal chegou, Lutero a queimou publicamente e começou a amaldiçoar o Papa como Anticristo. Observe a diferença entre Francisco e Lutero. O primeiro movia-se com paciência e humildemente. O último agiu de forma independente e precipitadamente. Consequentemente, a história do protestantismo é marcada por paixão cega, imprudência e divisão precipitada – como resultado, agora existem 36.000 denominações protestantes(!). Como escreveu S. Tiago Apóstolo: “A ira do homem não produz a Justiça de Deus” (Tg 1,20). A História mostra que Deus não usa “cabeças-quentes” para guiar sua Igreja na justiça. Deus escolhe os pequenos, mansos e humildes – para tais é o Reino dos Céus. Aí reside o mistério da autêntica Reforma Católica. Por Dr. Taylor Marshall – tradução livre de Henrique Sebastião ___ Fonte: MARSHAL, Taylor, ‘How St Francis differed from Martin Luther or Catholic Reform vs. Protestant Reform’, disp. em:http://taylormarshall.com/2016/10/how-st-francis-differed-from-martin-luther-or-catholic-reform-vs-protestant-reform.html?utm_source=Taylor+Marshall%27s+Updates&utm_campaign=ec98bc26bd-RSS_EMAIL_CAMPAIGN&utm_medium=email&utm_term=0_64accbc3c7-ec98bc26bd-59435393&ct=t(Regular_Blog_Updates_Campaign) Acesso 4/10/016
- Provas teológicas da existência do Inferno
DE TEMPOS EM TEMPOS ressurge uma corrente teológica que procura rediscutir/reinterpretar o tema (difícil, reconhecemos) do Inferno. Alguns outros procuram lidar com o problema desdenhando, porque o consideram inoportuno ou mesmo inadmissível para a sensibilidade das pessoas dos nossos tempos. Alguns “católicos do IBGE” (chamados também, especialmente pelos jovens, ‘católicos-jububa’), chegam a dizer abertamente que não creem na existência do Inferno. As Sagradas Escrituras, a Tradição da Igreja e o santo Magistério, porém, não deixam restar dúvida de que o Inferno, sim, existe[1], como confirmaremos no decorrer deste estudo. Não crer neste dado revelado, portanto, é afastar-se da Fé católica. Saber que existe é um ponto de partida. Outro ponto fundamental é saber que o Inferno existe, mas não é uma criação de Deus, e sim uma invenção diabólica. Os seres humanos podem entrar nele, e dali não há mais saída, mas os que o fizerem o farão usando de sua total liberdade e escolha. Saber disto facilita bastante a compreensão do problema todo. Na encíclica Spe Salvi, o Papa Bento XVI faz alusão a recentes episódios da história do mundo em que ficou evidente como o uso abusivo da liberdade pode levar, já neste mundo, a uma opção irremediável pelo mal: O Inferno não é, pois, uma mera hipótese, mas uma constatação teológica, cuja possibilidade se torna muito concreta se o ser humano olhar com sinceridade o seu próprio coração. Fatalmente, a criatura tem, sim, o poder de se afastar definitivamente de seu Criador plenamente amoroso. Na verdade, são justamente as pessoas que deixam de crer no inferno as que terminam cometendo –, por causa disso –, as maiores atrocidades. Como creem que não haverá castigo, sentem-se “para além do bem e do mal”, e assim tudo lhes parece permitido. Mas, na expressão de São Bernardo de Claraval, “impassibilis est Deus, sed non incompassibilis”– “Deus é impassível, mas não incompassível”[3]: embora não possa padecer, Deus Se compadece dos fracos e oprimidos neste mundo. Sua graça, adverte-nos mais uma vez o Papa Bento XVI, “não exclui a justiça”, nem “muda a injustiça em direito”. Os que não creem no Inferno imaginam que tudo quanto se fez ou se omitiu nesta Terra –, de bem e de mal, de sacrifício e de prazer, de esforço e de indolência, por amor e por rancor, por altruísmo ou por pura maldade, com coragem heroica ou por covardia –, termine por ter o mesmo valor, sendo recompensado de maneira exatamente igual. Contra um “Céu” e uma “Graça” deste tipo, protestou com razão, por exemplo, Dostoiévski, em seu romance Os irmãos Karamázov: “Ao final, no Banquete Eterno, não se assentarão à mesa indistintamente os malvados junto com as vítimas, como se nada tivesse acontecido.”[4] Mesmo diante de tantas razões, perguntarão pesquisadores do cristianismo e das religiões: “Quais são, especificamente, as bases bíblicas para se crer no Inferno?”. De igual modo, questionarão outros, os racionais e os isentos: “Será ainda conveniente falar sobre o inferno ao homem de hoje?”. Algumas respostas a estas questões veremos no correr deste artigo. Sagradas Escrituras As Escrituras claramente atestam um lugar de condenação eterna denominado Inferno, às vezes referido como Geena. Os exemplos são diversos: o Cristo disse que o homem que desprezar seu irmão “será condenado ao fogo da Geena” (Mt 5,22). Nosso Senhor também advertiu: “Não temais os que matam o corpo mas não podem matar a alma. Antes, temei Quem pode destruir tanto corpo como alma na Geena” (Mt 10,28). Jesus disse ainda: “Se a tua mão te faz cair, corta-a. Melhor entrar na vida com uma só mão do que, mantendo ambas as mãos, ir para a Geena de fogo inextinguível” (Mc 9,43). Usando a parábola do joio e do trigo para descrever o Julgamento final, disse ainda: “Os anjos os lançarão [os malfeitores] na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes” (Mt 13,42). Semelhantemente, em outra ocasião Cristo falou do Julgamento final, em que ovelhas serão separadas dos lobos, Ele dirá ao mau: “Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo perpétuo preparado para o demônio e seus anjos” (Mt 25,41). Também vemos, no Livro da Revelação, cada pessoa sendo julgada individualmente, e os malfeitores sendo lançados em um “fosso de fogo, que é a segunda morte” (20,13-14). Geena (‘Gehenna’) era o nome dado a um vale ao sul de Jerusalém, que era utilizado para sacrifícios pagãos de crianças pelo fogo. O profeta Jeremias amaldiçoou o lugar e predisse que seriam um lugar de morte e corrupção. Na literatura rabínica tardia, o termo identificava o lugar de castigo eterno com torturas e fogo inextinguível para os maus. A partir das provas bíblicas, a Igreja consistentemente ensinou, desde sempre, que de fato o Inferno existe. Que as almas dos que morrem em um estado de pecado mortal imediatamente vão para o castigo eterno no Inferno. O castigo do Inferno é, principalmente, a separação eterna de Deus. Lá, se sofre um sentido de perda incomensurável, a perda do Amor de Deus, que para nós é a própria vida, a perda da vida em Deus que é a Fonte de todos os bens dos quais somos capazes de desfrutar nesta vida. Esta é a perda de qualquer possibilidade de felicidade, amor verdadeiro, plenitude, consolação ou paz, pois todas estas coisas estão relacionadas a Deus, e d’Ele dependem diretamente para existir. Só em Deus o homem encontrará realização (cf. CCE 1035). As descrições dadas sobre o “fogo do Inferno” pela Constituição Apostólica Benedictus Deus(1336), do Papa Benedito XII, disseram que as almas “sofreriam a dor do Inferno”, e o Concílio de Florença (1439) decretou que as almas “seriam punidas com castigos diferentes”. Diversos santos tiveram visões de inferno. Ir. Faustina o descreveu como Teologia da Tradição e do Magistério O papa S. João Paulo II, em “Cruzando o Limiar da Esperança” (pp. 185-6), lançou a pergunta: “Pode Deus, que tanto amou o homem, permitir que o homem que O rejeita seja condenado a tormento eterno?”. Citando as Escrituras Sagradas, nas passagens que vimos mais acima, respondeu repetindo o ensino inequívoco de Nosso Senhor. Lembrou-nos também que a Igreja nunca condenou uma pessoa particular ao Inferno, nem mesmo Judas; antes, a Igreja deixa todo julgamento nas mãos de Deus. Entretanto, o Papa, por uma série de perguntas, afirma que o Deus Amor é também o Deus Justiça, que nos faz responsáveis por nossos pecados e assim, por justiça, poderá nos punir. Devemos suplicar pela Graça de resistir às tentações e seguir o caminho do Senhor, ao mesmo tempo procurando o perdão para qualquer queda em que venhamos a incorrer. Falando sobre a jornada da Igreja Peregrina, a Constituição Dogmática sobre a Igreja do CVII (n. 48) diz que “desde que não se sabe nem o dia nem a hora, devemos seguir o conselho do Senhor e vigiar constantemente, de modo que, quando o único curso de nossa vida terrena for completada, possamos merecer entrar com Ele na Festa das Bodas e sermos numerados entre os abençoados, e não com os serventes maus e preguiçosos, sermos enviados ao fogo eterno, na escuridão exterior onde ‘haverá pranto e ranger de dentes’.”. Por esta mesma razão, rezamos na primeira Oração Eucarística da Missa, “Pai aceitai esta oferenda de toda a vossa família. Concedei-nos vossa paz nesta vida, poupai-nos da condenação final, e contai-nos entre os escolhidos”. Retomando a questão posta no início, será ainda conveniente falar sobre o inferno ao homem de hoje? Tal assunto não poderia traumatizar as almas dos nossos tempos, óbvia e visivelmente mais sensíveis que as de tempos passados? A pedagogia divina, expressa na vida dos santos e místicos da Igreja, demonstra que não. Sta. Teresa de Ávila relata, em sua autobiografia, como a visão que teve do Inferno foi “uma das maiores graças” que o Senhor lhe concedeu[5]. Tal experiência, ao contrário de traumatizá-la ou afastá-la do fervor divino, fê-la inflamar-se de tal amor por Nosso Senhor que – como diz ela em seu “Caminho de Perfeição”[6] – estaria disposta a dar mil vidas pela salvação de uma só das almas que se precipitam no horrendo abismo eterno. Em 1917, em Portugal, Nossa Senhora, nossa Mãe do Céu e a grande mestra da Igreja, também não hesitou em mostrar o Inferno aos pastorinhos de Fátima. “Algumas pessoas, mesmo piedosas” – disse Ir, Lúcia em suas memórias[7] –, “não querem falar às crianças do Inferno, para não as assustar. Mas Deus não hesitou em mostrá-lo a três crianças, e uma de 6 anos apenas, a qual Ele sabia que se havia de horrorizar a ponto de, quase me atrevia a dizer, definhar-se de susto”. Por que permitiu Deus que aquelas frágeis crianças tivessem, diante de si, realidade tão aterradora? Certamente podemos considerar que sua Graça as fortaleceu sobrenaturalmente, mas a razão é que, segundo a própria vidente, Deus quis excitar-lhes o temor. Não uma espécie de temor servil, como o medo que o escravo tinha de seu dono, mas o temor filial, o respeito e a reverência de um filho. De fato, depois de contemplarem o Inferno, Francisco, Jacinta e Lúcia, ao contrário de definharem de pavor, sentiram-se inflamados por um grande amor a Deus, uma disposição nunca experimentada e também uma serenidade absolutamente inexplicável em crianças tão pequenas, mesmo diante de grandes tribulações que viveram. Passaram, a partir daí, a se penitenciar e rezar continuamente pela salvação das almas da condenação eterna. É o que devemos fazer, também nós. Estará vazio o Inferno? Mais recentemente, o reconhecido teólogo Hans Urs von Balthasar, considerado um dos pensadores cristãos mais importantes do século XX, aventou uma interessante possibilidade: o Inferno, embora exista, talvez estivesse vazio (‘l’inferno vuoto’). Será? Este seria, não podemos negar, um pensamento consolador para muita gente. Mesmo os grandes monstros da humanidade, como Judas, Nero e Calígula, Hitler ou Stalin, teriam se arrependido de todas as suas maldades em seus últimos suspiros e, assim, escapado da condenação eterna, resvalando para o Purgatório de purificação – que no caso destes, evidentemente, seria duríssimo. Ainda que possamos ter esta hipótese teológica como esperança, o fato inescapável é que a Tradição da Igreja não pode corroborar esse pensamento, por várias razões. Primeiro porque Satanás e seus anjos rebeldes já estão condenados no inferno[8]; depois porque Cristo, ao encerrar o seu “sermão escatológico”, não deixa dúvidas ao afirmar que os maus “irão para o castigo eterno” (Mt 25, 46). Devemos lembrar que Deus não deseja que ninguém seja condenado, mas nos confere a Graça atual, que ilumina o intelecto e fortalece a vontade de modo que possamos fazer o bem e nos desviar do mal. Entretanto, uma pessoa, com o consentimento do seu intelecto, pode escolher praticar o mal e, com essa escolha, cometer pecado mortal, e assim rejeitar Deus. Se uma pessoa não se arrepende do pecado mortal, não tem qualquer remorso e persiste por vontade própria neste estado, então esta rejeição consciente e voluntária de Deus continuará para a eternidade. Em resumo: as pessoas não são condenadas, mas condenam-se, elas mesmas, ao Inferno. Permanecer na fé da Igreja, portanto, é o caminho seguro, a única garantia que temos. Os pregadores da Palavra deveriam voltar a falar do Inferno, e dizer o que e como é, não para aterrorizar o povo, mas para fazer as pessoas crescerem no zelo e na caridade. A caridade não pode ser levada a sério se não se tem uma verdadeira repulsa pelo mal e pelo eterno afastamento do Sumo Bem, que é Deus. Fonte: ofielcatolico
- TAKASHI NAGAI SALVO DA MORTE PELA INTERCESSÃO DE S. MAXIMILIANO MARIA KOLBE
Takashi, ora entrando em coma, ora saindo dele, percebeu que não podia mover a cabeça, nem abrir os olhos e pensou: as convulsões começarão logo. Ouvia as orações e a voz de seu filho. Isso fez com que quisesse viver. Uma voz feminina falava de maneira reconfortante. “Oh, é a avó. Aqui está a água da Gruta de Nossa Senhora do mosteiro de Hongochi”, ela murmurou suavemente. Suas palavras evocaram Takashi a imagem bem definida da gruta de Lourdes e a face encorajadora de Maria, a mãe de Deus. Takashi em seus escritos prosseguiu: “Escutei, não sei como, mas só eu a escutei, e a escutei claramente. A voz me dizia para pedir ao Frei Maximiliano Kolbe que orasse por mim. Fiz o que me foi dito, rogando ao Frei Kolbe orações. Depois me dirigi a Cristo e disse: Senhor, entrego- me em Vossas mãos divinas.” A enfermeira Morita, que estivera comprimindo a artéria rompida, virou-se repentinamente para o doutor Tomita, dizendo: “O sangramento parou!”, grande ferimento, que resistira à medicação, tinha se curado sem auxílio médico. Mais tarde, em um de seus livros, Takashi descreveu esta experiência detalhadamente. Embora observando que sempre é possível se enganar sobre curas miraculosas, Takashi afirma que ele e os médicos que o assistiam acreditaram que sua recuperação fora um milagre. Prosseguindo, diz que curas miraculosas não era uma prova de santidade, mencionado que em lugares como Lourdes há pessoas de pouca ou nenhuma fé entre os casos que as juntas médicas declararam inexplicáveis pela medicina. Takashi atribuiu sua recuperação ao Frei kolbe. Kolbe era um Franciscano polonês, que chegou ao Japão em 1930. Fundou um mosteiro em Nagasaki e ergueu atrás dele A Gruta de Lourdes, que se tornou um lugar de peregrinação no Japão. A revista Mariana mensal O cavaleiro da virgem, fundada por ele, continua a ser a revista católica mais lida no Japão. Takashi conhecia Frei Maximilian bem. Em certa ocasião, tirou uma radiografia dele, por problemas de tuberculose. Em 1936, Kolbe foi chamado de volta à Polônia, para ser prior de um mosteiro muito grande. Sob sua direção , o mosteiro começou a publicar jornais católicos , que vendiam aos milhares a cada semana. Sua influência logo atraiu a atenção da ocupação nazista , decidida destruir qualquer forma de “resistência”. Kolbe foi preso em Maio de 1941, tornando-se o número 16.670 em Auschwitz. Por ocasião da fuga de um prisioneiro, em julho, o comandante Fritsch pôs todos os prisioneiros em fileiras e escolheu a esmo dez prisioneiros. Ordenou que “fossem levados a um depósito subterrâneo e abandonados ali, sem comida sem água, até que secassem como bulbos de tulipas”, Como Fritsch expressou. Entre os dez condenados, achava-se O sargento Francis Gajowniczek, que sem se dirigir a ninguém em particular, lamentou: “minha pobre mulher meus pobres filhos”. Kolbe avançou um passo e disse que ele não tinha família e pediu para tomar o lugar do sargento. Kolbe com outros nove foram encarcerados em 31 de Julho, sendo que no dia 14 de agosto todos tinham morrido, exceto Kolbe. Enviaram um subordinado para que acabasse com ele, dando-lhe uma injeção de ácido carbólico. A censura sobre as notícias impediu que a família Nagai tivesse conhecimento disso. Midori, no entanto, teria pensado em Kolbe quando fazia sua peregrinação à Gruta de Lourdes, construída por ele. A água que a avó usada para umedecer os lábios do doutor moribundo era daquele Santuário, porém ela não mencionou Kolbe. E ninguém mais no quarto o fizera. Takashi pessoalmente não tinha dúvida de que as preces de Kolbe lhe haviam obtido a cura. Naquele tempo, Kolbe não era um santo famoso e canonizado. Atualmente, no entanto, a maior parte dos cristãos que vai a Nagasaki em peregrinação visita também o santuário de Kolbe e a Cabana de Takashi. É natural de algum modo que, após terem passado pelos corações destes dois homens, as cores apavorantes das chamas de Auschwitz e Nagasaki se reunissem e se transformassem em luz pura. Hino a Nagasaki, Paul Glynn. Tradução : Pe. Lino Stahl, SJ. Edições Loyola. Pág. 171-172 e 173. Na foto: Takashi deitado, seu filho mais velho Makoto e Kayano, sua filha caçula. #Japão
- EXISTIU UMA PAPISA CHAMADA JOANA NA IGREJA?
EXISTIU UMA PAPISA CHAMADA JOANA NA IGREJA? (A papisa Joana é uma heroína escandalosa e ao mesmo tempo uma mulher maravilhosa, produto do imaginário medieval). A história surgiu no final do século XIII e vou resumi-la de acordo com o Livro de Alain Boreau. Por volta de 850, uma mulher nativa de Mainz, mas de origem inglesa, traveste-se a fim de seguir o seu amante, muito dedicado aos estudos e prometido, portanto, a um mundo exclusivo à mente masculina. Ela própria alcança ótimos resultados neste meio a ponto de, após uma estadia de Estudos em Atenas, receber em Roma uma acolhida calorosa e admirativa que lhe permite entrar na hierarquia da igreja e, por fim, ser eleita a papa. Seu pontificado dura mais de dois anos e é interrompido por um escândalo: Joana, que não renunciou aos prazeres da carne, fica grávida e morre durante uma procissão entre as basílicas de São Pedro do Vaticano e a de São João de Latrão, após dar à luz uma criança publicamente. Diversas versões da história produzem vestígios, provas, uma memória da papisa desde aquele tempo. Verifica-se manualmente o sexo dos Papas durante o coroamento. As procissões pontificais abandonariam o caminho direto do Vaticano a Latrão na altura da igreja de São Clemente, no intuito de evitar o local do parto. Uma estátua e uma inscrição naquele lugar teriam marcado uma lembrança deste deplorável incidente. Esta papisa nunca existiu. Joana é uma heroína imaginária. Contudo, ela foi objeto de uma crença, oficial e popular ao mesmo tempo, entre 1250 e 1550, tendo dado origem a um objeto cultual e a um mito na igreja cristã durante esse período. Le Goff tem a tese de que “ela encarnou o medo da mulher defendido pela igreja e sobretudo medo de uma intrusão feminina na própria igreja”. Alguns acusam de ser um movimento que garantia a onipotência do papado à igreja e construía uma contra imagem do Papa feminino: a papisa. O medievalista brasileiro Hilário Franco Júnior na livro (sobre as utopias medievais) propõe enxergar na história da papisa Joana a utopia da androginia, o que nos dias atuais parece sugerir uma espécie de ideologia de gênero. Também não é considerável que este personagem seja como uma rejeição do outro sexo ou que como sua anexação. Dentro da tradição bimilenar da igreja, a mulher sempre teve um papel limitado, chegando no máximo ao diaconato. Foi o século XIII que impôs papisa à igreja e à história. Alan boreau, o grande historiador da papisa Joana, mostra bem o papel desempenhado nesta construção pelo que ele chama de rede Dominicana. A papisa Joana surge primeiro na obra do dominicano João de Mailly (1243); depois em Speculum historiale (o espelho historial), do dominicano Vicente de Beauvais, enciclopedista favorito de São Luís (por volta de 1260), mas foi um outro dominicano, Martinho de Opava (nativo de Opava, na Bohemia, frade do convento dominicano de Praga, dependente da província polaca), Capelão e penitenciário pontifical, que garantiu o destino da papisa Joana em sua crônica dos imperadores por volta de 1280. A papisa Joana aparece na mesma época na obra dos autores de coletâneas como de: Estevão de Bourbon e Arnoldo de Liége. O texto de Martinho de Opava: Após o último leão (Leão IV), João, de nacionalidade inglesa, originário de Mainz, foi Papa durante 2 anos 7 meses e 4 dias. Morreu em Roma e o papado ficou vago durante o mês. Pelo que se diz, ele era uma mulher. Em sua adolescência, ela fora conduzida a Atenas vestida de homem por aquele que era seu amante Fizera muitos progressos nas diversas ciências sem que ninguém a houvesse igualado. Foi assim que em seguida pôde ensinar em Roma o trivium e teve como discípulos e ouvintes autos magistrados. E, tendo em vista que sua conduta e ciência gozavam de uma grande reputação na cidade, elegeram-na Papa por unanimidade. Porém, durante o seu pontificado. Seu companheiro engravidou-a. Como ela/ele ignorava o momento em que devia parir, quando estava se dirigindo para Latrão, vindo de São Pedro, tomada pelas dores do parto entre o Coliseu e a Igreja São Clemente, ela deu à luz uma criança e depois morreu, no exato lugar onde foi enterrada. E, já que o Senhor Papa sempre desvia nesta parte do trajeto, acredita-se geralmente que ele faz por repugnância a este acontecimento. Ela não foi inscrita no catálogo dos Santos pontífices em função da não conformidade com o sexo feminino neste domínio. Por volta de 1312, no momento em que se começa a atribuir um número aos soberanos, Tolomeu de Luca, outro dominicano e discípulo de Santo Tomás de Aquino, designa o número VIII à papisa (trata-se, portanto, de João VIII), tornando-se o 107° Papa em sua história eclesiástica. Na realidade, porém, durante este período a igreja afasta as mulheres definitivamente das responsabilidades institucionais eclesiásticas e funções sacramentais. O decreto de Graciano, que por volta de 1140 funda o direito canônico, afasta as mulheres estritamente da igreja. A propósito da papisa Joana, no final do século XIII, dois dominicanos mais uma vez, Roberto Uzes, em suas visões da profecias, e Tiago de Voragine, o célebre autor da Legenda Áurea, em sua crônica da cidade de Gênova, comentam sobre o horror da poluição do Sagrado pela mulher a respeito da papisa. Tiago de Voragine exprime-se da seguinte forma: “ Esta mulher empreende com presunção, persiste com falsidade estupidez e termina vergonhosamente. Tal é de fato a natureza da mulher, que, diante de uma ação a realizar, tem presunção e audácia no início, burrice no meio e passa vergonha no fim. A mulher, portanto, começa a agir com presunção e audácia, mas não leva em consideração o fim da ação e o que esta envolve. Ela pensa já ter feito grandes coisas. Se puder começar algo de grande, não saberá mais, depois do início, durante a ação, continuar com sagacidade o que foi iniciado, e isto por causa de uma falta de discernimento. Ela é obrigada. Portanto, a terminar com vergonha e ignomínia o que foi empreendido com presunção e audácia e continuado com burrice. E, assim está demonstrado claramente que a mulher começa com presunção, continua com burrice e termina com ignomínia.” A crença na papisa Joana faz surgir então um novo objeto e o novo rito da liturgia pontifical. O objeto é um assento sobre o qual o novo Papa, durante o seu coroamento, senta-se para que o encarregado do rito possa verificar a sua virilidade no intuito de evitar o possível retorno de uma papisa. O rito é, portanto, um toque deste indivíduo no corpo do Papa, destinada a confirmar se ele realmente possui partes viris. No entanto, com relação à papisa, as mentalidades e sensibilidades evoluem. Os ritos e lendas em torno do Papa adquirem aspectos folclóricos. No século XIX, foi em um contexto de lendas ligadas ao Papa que o Cônego Ignaz Von dollinger, (em As fábulas pontíficais da idade média), tirara a história da papisa Joana do início do livro e colocará em uma série de lendas a respeito dos Papas da Idade Média. A partir do século XIX, um texto de paródia, a ceia de Cipriano, imaginara uma paródia de liturgia pontifical que fora representada em presença do Papa e do imperador, e um verdadeiro carnaval fora instituído em Roma: trata-se da festa do Testaccio, das quais a do ano de 1256 é descrita. Ao mesmo tempo, desenvolvia-se, como bem mostra Agostino Paravicini Bagliani, um ardente interesse pelo corpo do Papa, tanto em sua forma real como e seu significado simbólico. A papisa Joana é submetida, aliás, às repercussões da evolução da imagem maravilhosa da mulher, na qual há oscilação bastante comum a este imaginário, entre o bem e o mal, o prestígio e horror. Ao mesmo tempo em que acaba virando um cruzamento de bruxa, a papisa figura no cortejo das damas exuberantes que em 1361 Boccaccio descreve em seu de muliéribus Claris (mulheres ilustres). Como Alain Boreau diz acertadamente: em 1361, Joana saiu da igreja para entrar na literatura e ter feminilidade. Contudo a iconografia da papisa desenvolve-se a partir de um duplo registro. A imagem histórica e escandalosa aparece na miniatura, depois na gravura, e concentra-se na cena do parto. A imagem hierática e prestigiosa passa do carnaval à alegoria e invade o tarô. Uma corrente de paródia inspira Rabelais em seu terceiro livro em 1546. Convém não reproduzir, pois traz palavras muito vulgares. Curiosamente, o luteranismo garante uma nova vitalidade à papisa Joana. Os luteranos ficam de fato encantados em fingir acreditarem na realidade de uma personagem que encarna tão bem o que eles queriam demonstrar como a baixeza da igreja romana. Porém, o desprezo calvinista logo em seguida e a crítica racionalista ainda mais tarde arruínam o mito de uma papisa Joana histórica. A enciclopédia encaixa a papisa Joana na categoria dos contos de velhas comadres. E Voltaire, no ensaio sobre os costumes, escreve a respeito do assassinato de João VIII em 882: “Não é mais verdadeiro do que a história da papisa Joana”. Apenas o teatro alemão retomou com sucesso a história da papisa Joana sob o nome de Frases Jetta por volta de 1480. A Revolução Francesa interessa-se pouco pelo tema da palestra em função de seu espírito crítico com relação à religião e à igreja. A única que alcançou certo sucesso foi a ópera-bouffe de Defaucinpret que termina com uma paródia do ça ira ( é um refrão que simbolizava a revolução francesa). Porém, a história da papisa parece continuar sendo popular, pelo menos em Roma. Stendhal conta em Passeios em Roma 1830, livro no qual recopia em grande parte uma viagem pela Itália publicado por Nilsson em 1694: “Quem acreditaria que ainda hoje em Roma há pessoas que dão muita importância a história da papisa Joana? Uma personagem bastante Eminente e que aspirava ao cardinalato atacou-me nesta noite sobre Voltaire, que segundo ela teria se permitido muita gente com relação à papisa Joana”. A papisa beneficiou-se de um novo entusiasmo no final do século XIX e XX enquanto “curiosidade da história ocidental”. Um livro burlesco parece ter sido responsável por este renascimento, Papisa Joana, publicado em Atenas em 1886 pelo Diego Emanuel Rígidos. Este romance alcançou um sucesso considerável na Europa, onde foi traduzido para as principais línguas. Ele foi atacado por Barbey d’Aurevilly, traduzido por Alfred Jerry (produção publicada após sua morte em 1908 e traduzida para o inglês por Lawrence Durrell em 1971). Pensa-se que o romance policial de Georges Bernanos, Um Crime (1935), retoma a história da papisa Joana. Esta teria tentado até o cinema: no filme de Maichael Anderson, Pope Joan, é uma atriz sueca Liv Ullmann que encarna a papisa. Também já se quis fazer reviver a papisa nos trabalhos (particularmente bem acolhidos nos Estados Unidos, em especial os de Luce Irigaray) que sondam as relações tumultuadas entre as igrejas e as mulheres ao longo da história, principalmente na idade média. É provável que a papisa Joana permanecerá como pano de fundo para sempre, devido às exigências das mulheres em ter uma maior importância nas instituições eclesiásticas e funções sacramentais, o que nunca tiveram e nunca será possível. Então a imagem desta heroína escandalosa, a papisa Joana, sem dúvida nunca estará ausente do inconsciente daqueles que desejam estar nos altares do Vaticano. Referência bibliográfica: Jacques le Goff, Heróis e maravilhas da Idade Média #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Históriadaidademédia
- A PENA DE MORTE NA HISTÓRIA E NAS CULTURAS ANTIGAS (essa prática não foi inovação da Inquisição)
A PENA DE MORTE NA HISTÓRIA E NAS CULTURAS ANTIGAS • (Essa prática não foi inovação da inquisição) • A pena de morte, como praticamente todas as penas espirituais e corporais, tem sua origem em tempos remotos. Desde Moisés, passando pela Grécia clássica e o império romano, esta sentença era considerada favorável e necessária para a saúde dos povos, embora seja verdade que não foram poucos os que abusaram de seu uso. Em sua excelente história da igreja (Volume 2), o Padre Garcia Villoslada observa, de forma muito oportuna: “todos os povos da terra, tanto em Atenas como em Roma, das Tribos bárbaras ou nos grandes impérios asiáticos, ao mesmo tempo que tiveram fé e religião antes de serem vítimas do ceticismo ou do indiferentismo, ditaram também a pena de morte contra aqueles que blasfemaram contra Deus e rechaçam o culto legítimo”. A pena capital contra os hereges aparecia em todos os códigos medievais: no da saxônia, no de suábia, nas partidas de Alfonso o Sábio e, embora de forma um pouco vaga nas resoluções de São Luís. • Entre os homens ilustres da Grécia estão as palavras de Platão: “Se o homem leva uma vida desordenada, desmedida entregue aos Prazeres, os médicos e o estado deveriam ocupar-se constantemente dele, e isto não seria justo. Por conseguinte, estabelecerás em nossa República uma medicina e uma jurisprudência que sejam como acabamos de dizer, e que se limitem ao cuidado dos que receberam da natureza um corpo são e uma alma bela. Quanto àqueles cujo corpo está mal constituído, deixa os morrer, e serão castigados com a morte aqueles cuja alma é naturalmente má e incorrigível (Platão a república livro 2). Nos tempos de Roma pagã, a sentença de morte estendia-se inclusive aqueles cujo único delito consistia em praticar sua fé pacífica e privadamente, como no caso dos cristãos que sofreriam as mortes mais atrozes e horrendas que se conhecem, sendo habitual, por exemplo, atirá- los aos leões para o regozijo de uma plebe amorfa e ignorante. A este respeito, explica o sacerdote espanhol Iraburu: “As perseguições romanas contra os cristãos, dentro de um mundo de altura jurídica, são um gravíssimo atentado contra a justiça. Não tratam de castigar atos criminosos, mas pretendem penalizar a homens e mulheres pelo simples fato de confessar-se cristãos. Aplicam, além disso, penas duríssimas: degradação cívica, Cárcere, exílio, envio às minas do Estado, desapropriação dos bens, morte pela espada, a cruz, o fogo, o afogamento ou as fé. E todas estas penas estão normalmente precedidas de terríveis tormentos, nos quais a autoridade Imperial tenta dobrar a vontade do mártir cristão, quando este se obstina em manter sua fé. Os judeus, Como já se comentou, executavam está pena, além dos Blasfemos, sobre os bruxos, pecadores sexuais e outros ofensores leves, queimado-os vivos, estrangulando-os, apedrejando-os ou passando-os a Fio da Espada: eram as penas estipuladas nos códigos judeus, Como assinala David goldstein. • Anteriormente, pudemos verificar que os castigos ordenados contra os hereges dos primeiros séculos, como os de Diocleciano e Maximiano contra os maniqueus em 296, e outros posteriores ditados por diversos Reis e imperadores que consideravam a heresia como delito de lesa-majestade. Este delito era castigado com a morte. É vejamos na opinião dos que são provavelmente os dois maiores doutores da Igreja Católica: Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino; ambos, especialmente o primeiro, decididos partidários da tolerância. • A igreja, entretanto, opôs-se em todas as épocas de forma rotunda tenaz à pena capital, por meio da maior parte de seus mais exímios e piedosos doutores, embora as circunstâncias posteriores obrigaram-na a ceder pouco a pouco, e finalmente aceitá-la em 1231 (em 1232 Gregório nono Estendeu as medidas de Frederico segundo a toda a cristandade dado o grande perigo dos assassinatos que vinham sendo cometidos sem cessar pelos cátaros embora tenhamos mencionado antes que Santo Agostinho havia chegado a considerar legítima em caso extraordinários a pena de morte está somente será aceita formalmente em 1232 e sempre como último recurso). • A PENA DE MORTE NA INQUISIÇÃO • A pena de morte era um castigo normalmente aplicado pela autoridade secular para vários delitos, como o assassinato, a sodomia, o envenenamento de Poços, etc. Durante a existência do tribunal da Inquisição, este castigo foi muito pouco frequente, ao contrário do que costuma crer-se. Estudos recentes realizados por historiadores provenientes das mais diversas esferas ideológicas e religiosas acabaram por confirmar esta realidade, identificando em cerca de 2% – alguns um pouco mais, outros um pouco menos – o total de hereges executados sobre o total de processados, demonstrando assim que a maior parte dos Condenados eram punidos com castigos leves ou muito leves, ou absolvidos. Cifras semelhantes já haviam sido sugeridas por outros estudos sérios, com os de Fidel Fita e Menéndez y pelayo no século XIX, ou os protestantes Schafer e Haegles no início do século XX. É fundamental ter em conta que as execuções de hereges corriam por parte do estado, que contratava Um carrasco para a ocasião. O certo e indubitável é que as cifras sugeridas por Llorente não se sustentam nem entre os historiadores mais antipáticos a inquisição. Assim, Prescott, em sua “história de Felipe II”, escreve: “Deve-se desconfiar das indicações de Llorente, pois em outras circunstâncias já admitiu de forma Leviana as estimativas mais inverossímeis”. Outro protestante, Petchel, diz que as contas de Llorente São ” um frívolo cálculo de probabilidades”. Gama, seu correligionário, é da mesma opinião. • Os únicos os Réus que podiam ser transferidos (abandonados) ao poder secular eram os hereges relapsos – reincidentes em delitos de graves – e aqueles que, reconhecendo suas falsas doutrinas, recusavam retratar-se (hereges pertinazes). Em teoria, também deveriam ser entregue a justiça secular (os hereges negativos), aqueles que negavam de maneira persistente estar defendendo uma crença errônea, quando era evidente que o faziam, e aqueles que tenda abjurado – suspeita grave – deixavam de cumprir as penas que lhes haviam sido impostas. O certo é que, de modo geral, só os reincidentes eram castigados com Suplício final, já que o resto terminava pedindo misericórdia, que sempre obtinham Henry Kamen os caminhos da tolerância). Ainda assim, encontram-se vários casos de reincidentes aos quais se perdoará a vida em troca de alguma Penitência. Por exemplo, comenta Messeguer Fernández, Se o réu era condenado à morte em sua ausência e depois se apresentar ao tribunal pedindo misericórdia e perdão, este devia admiti-lo à reconciliação, comutando-lhe a pena máxima por alguma outra. Quer dizer, até mesmo o réu mais violento que escapava ao processo (mudando-se para outra região, nação, etc.) Tinha sua vida Perdoada. De que outro tribunal poderá dizer o mesmo? • O próprio Erasmo, o humanista e pacifista por antonomásia, considerado tantas vezes como herói pelos Inimigos da Inquisição, no não só tinha uma posição favorável à pena de morte, como inclusive menciona a fogueira como meio de execução. Em 1524, escreve ao Duque da saxônia: “Não é justo castigar a fogueira um erro, seja da espécie que for, a menos que esteja ligado a sedição ou a qualquer outro delito que as leis castigam com a morte”. • Deve-se fazer um esclarecimento a respeito das acusações do uso de “fogo” , tão levianamente lançadas contra o tribunal. É completamente falso os condenados à morte, como Norma, foram Queimados em enormes piras (é preciso deixar claro que os condenados à pena capital eram sempre, quase sem exceção, Queimados apenas depois de mortos, dado convenientemente omitido pelo maçom Llorente. A forma de execução mais comum era o enforcamento ou o garrote, como apontam entre outros carbonel e Menéndez y pelayo. Confirma-o outro grande Historiador Cabrera citado em Thomas Walsh em Felipe II). Nos poucos casos registrados, os réus eram primeiro enforcados e depois enviado às chamas. São muito poucos os casos de hereges queimados vivos pelo tribunal. E estes aparecem, como já se reconheceu, nos primeiros anos de sua existência. Cecil Roth, citando um provérbio da época, diz: “Um homem podia deixar a inquisição sem se queimar, mas podia estar seguro de que sairia chamuscado”. Llorente, em compensação, menciona que só a partir do século XVIII é que praticamente já não se acha vestígios dessa pena. O historiador protestante Schafer registra que das 220 condenações de Protestantes à pena capital investigadas, apenas 12 seriam Queimados. Outro protestante, Henry Kamen, observa que “o número relativamente pequeno dos que realmente foram Queimados é um argumento efetivo contra a lenda de uma Inquisição sedenta de sangue”. É o grande Historiador italiano Adriano prosperi afirma: “O número de condenados à fogueira pela inquisição calcula-se em uma centena, contra os 100.000 processados nos tribunais civis”. Nos arquivos da suprema corte, atualmente situados no arquivo Histórico Nacional de Madrid, conservam-se os relatórios que deviam ser enviados anualmente por todos os tribunais locais, com as relações de todas as causas desde 1560 até 1700. Esse material proporcionam informação de 49.092 julgamentos, que foram estudados por Gustav Henningsen e Jaime Contreras. Segundo os cálculos desses pesquisadores, apenas cerca de 1,9% dos processados foi queimado na fogueira. • Quem aplicava sistematicamente o castigo da fogueira aos hereges (e mesmo por delitos leves) eram os protestantes, fato que vem sido reconhecido pela maior parte dos historiadores, mesmo os reformistas, como é o caso de Charles Lea, que denuncia 150 Mil pessoas queimadas apenas por delitos de bruxaria. • (vamos falar no próximo estudo sobre os massacres feito por mãos protestantes.) #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #HistóriadaInquisição
- O SANTO NOME DE JESUS
Viver sem Jesus é morrer! Jesus, nome doce e consolador, esperança de vida eterna! É alegria ao coração, canção aos ouvidos, mel aos lábios! (Santo Antônio) #Cristologia #Igreja
- JESUS CRISTO SE ENTREGOU POR MIM
Que tenho eu, Senhor, que Tu não me tenhas dado? Que sei eu, Senhor, que não me tenhas ensinado? Que valho eu, Senhor, se não estou a teu lado? Que mereço eu, Senhor, se a ti não estou unido? Perdoa-me os pecados que tenho cometido. Tu me criastes, sem que o tivesse merecido E tu me redimiste sem te ter pedido. Tu muito fizestes, Senhor Jesus, ao criar-me Muito mais bondoso fostes em resgatar-me. Serás, Senhor, menos generoso ao perdoar-me? Pois o precioso sangue que tu derramaste e a morte atroz, Jesus, que na cruz suportastes, não a sofrestes pelos anjos que te atendem mas por mim e pelos pecados que te ofendem! Se te neguei, deixa-me agora proclamar-te. Se te injuriei, ó Senhor, deixa-me louvar-te. Se te ofendi, Senhor Jesus, deixa-me amar-te. Porque mais morte que vida é viver sem adorar-te. Amém. (Padre Mateo Crawley) #Cristologia #Igreja
- JESUS CRISTO: O RENOVO DE JESSÉ
É o brotar de uma rosa pequena, Brota de uma tenra raiz. Nos cantos antigos anunciada, Fruto de Jessé prometido. A rosa, pequena e frágil, abre-se à luz Com o frio do Inverno Na escuridão da noite Rosa, tão pequena, Enche-nos do teu doce perfume. Com o teu brilho claro Afasta a escuridão. Verdadeiro homem e verdadeiro Deus, Auxílio na nossa dor Que vens para nos libertar do pecado e da morte Ó Jesus! Que a tua ajuda nos acompanhe Até à sala do banquete Do Reino do teu Pai, Onde para sempre te louvaremos! Senhor! É o que te pedimos. (Poema Católico anônimo do século XVI) #Cristologia #Igreja
- TRINDADE SANTÍSSIMA
Quanto à questão presente, acreditemos que o Pai e o Filho e o Espírito Santo são um só Deus, que criou e governa todas as coisas; que o Pai não é o Filho, e que o Espírito Santo não é o Pai nem o Filho, mas são Trindade de Pessoas em relação mútua, e são unidade na igualdade da essência. (Santo Agostinho – Trinitate) #Igreja #SantíssimaTrindade #SantoAgostinho
- PEDRO E PAULO: DOIS LUZEIROS DA IGREJA
«Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu» O Senhor reconheceu em Pedro o intendente fiel, a quem confiou as chaves do Reino, e em Paulo um mestre qualificado, a quem encarregou de ensinar na Igreja. Para prometer aos que foram formados por Paulo que encontrariam a salvação, era preciso que Pedro os acolhesse para lhes dar repouso. Quando Paulo tiver aberto os corações com a sua pregação, Pedro abrirá às almas o Reino dos Céus. Assim, pois, também Paulo recebeu de Cristo uma espécie de chave, a chave da ciência, que permite abrir em profundidade os corações endurecidos para a fé, para em seguida trazer à superfície, por uma revelação espiritual, aquilo que se encontrava escondido no interior. Trata-se de uma chave que deixa escapar da consciência a confissão do pecado e que nela encerra para sempre a graça do mistério do Salvador. Ambos receberam, pois, chaves das mãos do Senhor; um deles recebeu a chave da ciência, o outro a chave do poder; este dispensa as riquezas da imortalidade, aquele distribui os tesouros da sabedoria. Porque há tesouros do conhecimento, como está escrito: «O mistério de Deus, isto é, Cristo, no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência» (Col. 2, 2-3). (São Máximo de Turim) #Cristologia #Igreja
- SOMOS TEMPLOS DE DEUS
O mistério é claro: Deus está no homem e o homem se torna deus, e o Mediador realiza a vontade do Pai. Mediador é o Logos, que é comum a ambos: Filho de Deus, Salvador dos homens, de Deus servo, de nós pedagogo. Uma vez que a carne é serva, conforme Paulo atesta (…) Que a carne seja forma de servo é atestado pelo apóstolo quando fala do Senhor: “Aniquilou a Si mesmo, tomando a natureza de escravo”, chamando escravo o homem de carne antes que o Senhor Se tornasse escravo e Se encarnasse. O próprio Deus, porém, sofrendo na carne, libertou a carne da corrupção e, depois de tê-la afastado da escravidão portadora de morte e amarga, a revestiu de imortalidade. (São Clemente de Alexandria) #Cristologia #Igreja
- JESUS ESTÁ NA JORNADA!
Seja o que for, lembra duas coisas: Deus não abandona ninguém. Quanto mais te sentires só, ignorado, vilipendiado, incompreendido e quando pensares sucumbir ao peso de uma grave injustiça, terás a sensação de uma força infinita e arcana, que te tornará capaz de propósitos bons e viris, de cuja potência te maravilharás, quando tornares sereno. E esta força é Deus! (São José Moscati) #Cristologia #Igreja
- SÓ DEUS PREENCHE NOSSO SER
Só nos resta esvaziar-nos, desapegar-mo-nos de tudo, para que nada mais exista senão Ele, e só Ele… É aos pés da cruz que a gente sente em profundidade todo esse vazio das criaturas, essa sede infinita d´Ele. (Beata Elisabeth da Trindade) #Cristologia #Igreja
- O SINAL DA CRUZ
Durante a tentação, fazei piedosamente na fronte, O SINAL DA CRUZ, pois este é o sinal da Paixão reconhecidamente provado contra o demônio, desde que feito com fé e não para vos exibir diante dos homens, servindo eficazmente como um escudo: o Adversário, vendo quão grande é a força que sai do coração do homem que serve o Verbo (pois mostra o sinal interior do Verbo projetado no exterior), fugirá imediatamente, repelido pelo Espírito que está no homem. Era isso que o profeta Moisés representava através do cordeiro morto na Páscoa e ensinava ao aspergir o sangue nos batentes das portas: simbolizava a fé que agora se encontra em nós, ou seja, a fé no Cordeiro perfeito. Ora, persignando-nos na fronte e nos olhos com a mão, afastamos tudo aquilo que tenta nos destruir. (Santo Hipólito de Roma) #Cristologia #demonologia #Igreja


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