TAKASHI NAGAI SALVO DA MORTE PELA INTERCESSÃO DE S. MAXIMILIANO MARIA KOLBE
Takashi, ora entrando em coma, ora saindo dele, percebeu que não podia mover a cabeça, nem abrir os olhos e pensou: as convulsões começarão logo. Ouvia as orações e a voz de seu filho. Isso fez com que quisesse viver. Uma voz feminina falava de maneira reconfortante. “Oh, é a avó. Aqui está a água da Gruta de Nossa Senhora do mosteiro de Hongochi”, ela murmurou suavemente. Suas palavras evocaram Takashi a imagem bem definida da gruta de Lourdes e a face encorajadora de Maria, a mãe de Deus. Takashi em seus escritos prosseguiu: “Escutei, não sei como, mas só eu a escutei, e a escutei claramente. A voz me dizia para pedir ao Frei Maximiliano Kolbe que orasse por mim. Fiz o que me foi dito, rogando ao Frei Kolbe orações. Depois me dirigi a Cristo e disse: Senhor, entrego- me em Vossas mãos divinas.”
A enfermeira Morita, que estivera comprimindo a artéria rompida, virou-se repentinamente para o doutor Tomita, dizendo: “O sangramento parou!”, grande ferimento, que resistira à medicação, tinha se curado sem auxílio médico. Mais tarde, em um de seus livros, Takashi descreveu esta experiência detalhadamente. Embora observando que sempre é possível se enganar sobre curas miraculosas, Takashi afirma que ele e os médicos que o assistiam acreditaram que sua recuperação fora um milagre. Prosseguindo, diz que curas miraculosas não era uma prova de santidade, mencionado que em lugares como Lourdes há pessoas de pouca ou nenhuma fé entre os casos que as juntas médicas declararam inexplicáveis pela medicina.
Takashi atribuiu sua recuperação ao Frei kolbe. Kolbe era um Franciscano polonês, que chegou ao Japão em 1930. Fundou um mosteiro em Nagasaki e ergueu atrás dele A Gruta de Lourdes, que se tornou um lugar de peregrinação no Japão. A revista Mariana mensal O cavaleiro da virgem, fundada por ele, continua a ser a revista católica mais lida no Japão. Takashi conhecia Frei Maximilian bem. Em certa ocasião, tirou uma radiografia dele, por problemas de tuberculose. Em 1936, Kolbe foi chamado de volta à Polônia, para ser prior de um mosteiro muito grande. Sob sua direção , o mosteiro começou a publicar jornais católicos , que vendiam aos milhares a cada semana. Sua influência logo atraiu a atenção da ocupação nazista , decidida destruir qualquer forma de “resistência”. Kolbe foi preso em Maio de 1941, tornando-se o número 16.670 em Auschwitz. Por ocasião da fuga de um prisioneiro, em julho, o comandante Fritsch pôs todos os prisioneiros em fileiras e escolheu a esmo dez prisioneiros. Ordenou que “fossem levados a um depósito subterrâneo e abandonados ali, sem comida sem água, até que secassem como bulbos de tulipas”, Como Fritsch expressou. Entre os dez condenados, achava-se O sargento Francis Gajowniczek, que sem se dirigir a ninguém em particular, lamentou: “minha pobre mulher meus pobres filhos”. Kolbe avançou um passo e disse que ele não tinha família e pediu para tomar o lugar do sargento. Kolbe com outros nove foram encarcerados em 31 de Julho, sendo que no dia 14 de agosto todos tinham morrido, exceto Kolbe. Enviaram um subordinado para que acabasse com ele, dando-lhe uma injeção de ácido carbólico.
A censura sobre as notícias impediu que a família Nagai tivesse conhecimento disso. Midori, no entanto, teria pensado em Kolbe quando fazia sua peregrinação à Gruta de Lourdes, construída por ele. A água que a avó usada para umedecer os lábios do doutor moribundo era daquele Santuário, porém ela não mencionou Kolbe. E ninguém mais no quarto o fizera. Takashi pessoalmente não tinha dúvida de que as preces de Kolbe lhe haviam obtido a cura. Naquele tempo, Kolbe não era um santo famoso e canonizado. Atualmente, no entanto, a maior parte dos cristãos que vai a Nagasaki em peregrinação visita também o santuário de Kolbe e a Cabana de Takashi. É natural de algum modo que, após terem passado pelos corações destes dois homens, as cores apavorantes das chamas de Auschwitz e Nagasaki se reunissem e se transformassem em luz pura.
Hino a Nagasaki, Paul Glynn. Tradução : Pe. Lino Stahl, SJ. Edições Loyola. Pág. 171-172 e 173.

Na foto: Takashi deitado, seu filho mais velho Makoto e Kayano, sua filha caçula.
















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