Buscar neste site
12408 resultados encontrados com uma busca vazia
- Papa Bento VIII (1012-1024)
Data de nascimento desconhecida; d. 9 de abril de 1024. O primeiro dos papas Tusculanos, sendo o filho de Gregório, Conde de Tusculum, e Maria, e irmão de João XIX, ele foi, apesar de um leigo, imposto à cadeira de Pedro pela força (18 de maio, 1012). No entanto, desalojando um rival, ele se tornou um governante bom e forte. Em 14 de fevereiro de 1014, ele coroou o rei alemão Henrique II, imperador (Thietmar, Cron., VI, 61), e sempre manteve amizade com ele. A paz da Itália foi promovida pela sua subjugação dos Crescentii, derrotando os sarracenos, e aliando-se com os normandos, que apareceram nas partes do sul em seu tempo. Indo para a Alemanha, ele consagrou a catedral de Bamberg (Ann. Altahen. Majores, 1020; Chron. Cass., II, 47), visitou o mosteiro de Fulda e obteve de Henrique um documento confirmativo das doações de Carlos Magno e Otão. Para conter os vícios da incontinência clerical e da simonia, ele manteve, com o imperador, um importante sínodo em Pavia (1022 – Labbe, Concilia, IX, 819), e apoiou a reforma que estava sendo efetuada pelo grande monastério de Cluny. Para promover o interesse pela paz, ele encorajou a “Trégua de Deus” e apoiou o avanço eclesiástico de Gauzlin, o irmão natural de Roberto, o Piedoso, rei da França. Isso ele fez porque, embora ilegítimo, Gauzlin era um homem bom, e seu irmão leal estava muito desejoso de sua promoção (cf. vida de Gauzlin, em “Neues Archiv.”, III). Bento VIII foi um dos muitos papas que foram chamados a intervir na luta interminável pela precedência entre os Patriarcas de Grado e de Aquileia (Dandolo, Chron., IX, 2, n. 2). Em 1022, ele recebeu Ethelnoth de Cantuária “com grande culto e muito honrosamente consagrou-o arcebispo”, e reintegrou em sua posição Leofwine, abade de Ely (A.S. Chron., 125, 6, R.S.). Um amigo de Santo Odilo, abade de Cluny, e um dos poucos papas da Idade Média que era ao mesmo tempo poderoso em casa e grande no exterior, Bento VIII, por motivos aparentemente insuficientes, foi acusado de avareza. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/02428e.htm
- DEUS PODE SER ENCONTRADO NO CORAÇÃO DO HOMEM (São Gregório de Nissa, bispo)
Na vida humana, a saúde do corpo é boa coisa, mas o que torna feliz não é saber em que consiste a saúde, mas viver com saúde. Com efeito, se alguém, muito entretido em elogiar a saúde, toma alimentos que causam maus humores e doenças, de que lhe aproveitam, quando fica doente, os louvores à saúde? De modo semelhante entendamos a palavra que nos foi proposta, pois o Senhor não diz que a felicidade não está em conhecer algo sobre Deus, mas ter Deus em si. “Bem-aventurados os que têm coração puro porque verão, eles próprios, a Deus.” Não me parece que Deus vá colocar-se perante quem o contempla por ter purificado os olhos da alma, mas que talvez a magnificência desta palavra nos sugira aquilo que expressou mais claramente a outros: “O reino de Deus está dentro de vós.” Por aí ficamos sabendo como quem purificou seu coração de todo o criado e de toda paixão má verá em sua própria beleza a imagem da natureza divina. Creio que o Verbo incluiu, nestas poucas palavras que disse, o seguinte conselho: “Ó vós, homens, que tendes algum empenho em contemplar o verdadeiro bem, quando ouvirdes falar da majestade divina exaltada acima dos céus, de sua glória inefável, de sua indizível beleza, não vos deixeis levar pelo desespero por não poderdes ver o que desejais!” Se, por uma vida intensa e diligente, lavares de novo as sujeiras que mancham e escurecem o coração, resplandecerá em ti a divina beleza. Como acontece com o ferro, preto antes, retirada a ferrugem pelo polimento, começa a mostrar seu brilho ao sol, assim o homem interior, a quem o Senhor dá o nome de coração, quando limpar as manchas de ferrugem que surgiram em sua forma pela corrupção, recuperará a semelhança com sua principal forma original e se tornará bom. Pois o semelhante ao bom é bom. Por consequência, quem se vê a si, em si vê a quem deseja. Deste modo é feliz quem tem o coração puro porque, olhando sua pureza, pela imagem descobre a forma principal. Aqueles que veem o sol refletido num espelho, embora não tenham os olhos fixos no céu, não veem menos seu esplendor do que aqueles que olham diretamente para o próprio sol; da mesma forma, também vós, embora sem possuirdes a capacidade de contemplar a luz inacessível, se voltardes à beleza e à graça da imagem que vos foi dada no início, em vós mesmo tereis o que procurais. A pureza, a ausência das paixões desregradas e o afastamento de todo o mal é a divindade. Se, portanto, se encontrarem em ti, Deus estará totalmente em ti. Quando, pois, teu espírito estiver puro de todo vício, liberto de todo mau desejo e longe de toda nódoa, serás feliz pela agudeza e luminosidade do olhar, porque aquilo que os impuros não podem ver, tu, limpo, o perceberás. Retirada dos olhos da alma a escuridão da matéria, pela serenidade pura contemplarás claramente a beatificante visão. E esta, o que é? Santidade, pureza, simplicidade, todo o esplendor da luminosa natureza divina, pelos quais Deus se deixa ver. (Das Homilias de São Gregório de Nissa, bispo – Orat. 6 De beatitudinibus: PG 44, 1270-1271 – Séc. IV). #Igreja
- Papa Bento VII (974-983 DC)
Data de nascimento desconhecida; d. c. Outubro de 983. Agindo sob a influência de Sicco (ver BENTO VI), o clero romano e o povo elegeram para suceder a Bento VI outro Bento, bispo de Sutri, romano e filho de Davi (outubro de 974). Sua autoridade foi contestada por Bonifácio VII e, embora o próprio antipapa fosse forçado a fugir, seu grupo seguiu ferozmente seus passos e obrigou Bento a pedir ajuda a Otão II. Firmemente estabelecido em seu trono pelo imperador, ele se mostrou desejoso de verificar a maré de simonia que se elevava no alto da Igreja, e de promover a causa do monaquismo, que então significava a da civilização. Em resposta a um pedido do povo de Cartago “para ajudar a miserável província da África”, ele consagrou o sacerdote Tiago, que lhe havia sido enviado para o efeito (ver a carta do legado papal, o Abade Leão, para os Reis Hugo Capeto e Roberto). Embora ele não tenha morrido até outubro de 983, nosso conhecimento de seus empreendimentos não são proporcionais à duração de seu pontificado. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/02428d.htm
- Papa Bento VI (972-74 DC)
Data de nascimento desconhecida; d. Agosto de 974 (ver Ricobaldi de Ferrara, Compil. Chron., Em Rer. Ital. SS. IX). Bento, cardeal-diácono de São Teodoro, romano e filho de Hildebrando, foi eleito sucessor de João XIII, morto em 6 de setembro de 972; mas a necessidade de esperar pela ratificação do imperador Otão atrasou sua consagração até 19 de janeiro de 973. Nada se sabe sobre seus atos, exceto que ele confirmou os privilégios de algumas igrejas e mosteiros. O evento mais marcante de seu pontificado é o trágico fim. Ele foi preso e jogado no Castelo de Sant’Angelo por uma facção da nobreza liderada por Crescentio e pelo diácono Bonifácio VII. Lá, após um confinamento de menos de dois meses, ele foi estrangulado por suas ordens, para impedir sua libertação por Sico, um enviado imperial, enviado a Roma por Otão II. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/02428c.htm
- Papa Bento V (23 de maio de 964 – 23 de junho de 964)
Data de nascimento desconhecida; morreu em 4 de julho de 965. Bento V foi eleito papa (maio de 964) em circunstâncias muito críticas. O poderoso imperador, Otão I, havia deposto à força o indigno João XII, e o substituíra por um candidato seu que assumiu o título de Leão VIII. Mas na primeira oportunidade os romanos expulsaram Leão, e na morte (14 de maio de 964) do papa legítimo, João XII, elegeram o cardeal-diácono Bento (conhecido por sua aprendizagem como Grammaticus – ver Bento de Soracte, xxxvii). Otão ficou furioso, marchou sobre Roma, tomou Bento e pôs fim ao seu pontificado (23 de junho de 964. – Liutprand, Hist. Ottonis, xxi; Thietmar, Chron., II, 18). É mais provável que Bento tenha sido degradado pela força do que ele ter se declarado voluntariamente um intruso. Depois de restabelecer Leão, Otão deixou Roma e levou Bento com ele para a Alemanha. Colocado sob os cuidados de Adaldag, Arcebispo de Hamburgo-Bremen, que o tratou com grande consideração, ele foi até mesmo reconhecido como papa por alguns membros do clero alemão. Seus restos mortais, primeiro colocados para descansar na catedral de Hamburgo, foram depois transladados para Roma (Adão de Bremen, Gesta, II, 10; IV, 39, 40; VI, 53). Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/02428b.htm
- JESUS CRISTO: O CAMINHO PARA A VIDA!
Há nascer, há crescer e há morrer E em cada chegada uma partida Mas importa que em cada acontecer Haja sempre um caminho para a vida. Há nos olhos do outro uma promessa Cada homem é uma mão estendida É preciso que nada nos impeça De aí ver um caminho para a vida. Na Tua Luz encontramos a Verdade És o dom do Pai, a mão estendida É Jesus a plena Liberdade, o Caminho, a Verdade e a Vida. Há o olhar sereno de quem ama Há a fé das entregas decididas Há em tudo afinal uma só esperança De trilhar o caminho para a vida. Somos jovens do hoje e do amanhã Testemunhas num mundo em mudança Levamos Jesus no Coração E nas mãos a bandeira da esperança. (D. Manuel Clemente) #Cristologia #Igreja
- Papa Bento IV (900-903 DC)
Data de nascimento desconhecida; morreu no verão de 903. Os papas Bentos do quarto ao nono pertencem ao período mais sombrio da história papal. Os reinados de vários deles eram muito curtos e muito pouco se sabe sobre seus feitos. As datas de sua ascensão à Sé de Pedro e de suas mortes são em grande parte incertas. Bento IV, romano e filho de Mamalus, tornou-se papa na primeira metade de 900. Seu alto nascimento, sua generosidade, seu zelo pelo bem público são altamente elogiados pelo historiador contemporâneo Frodoardo, que lhe dá o título de “Grande “. O principal ato histórico de seu reinado foi sua coroação de Luís, o cego como imperador. Apoiou a decisão do papa Formoso, que o ordenara sacerdote, em favor da reivindicação de Argrim à Sé de Langres (Jaffé, “Regesta”, 3527, 3528), confirmou a causa de Estevão, bispo de Nápoles (Auxílio ap. Dümmler). , “Auxilius und Vulgarius”, 96 sqq.), Excomungou o assassino de Fulques, Arcebispo de Reims (Frodoard, Hist. Remensis, IV, 10), e ofereceu simpatia prática a Malaceno, bispo de Amasia, que havia sido expulso de sua sé pelos avanços dos sarracenos (Jaffé, loc. cit., 3530). Fulda e outros mosteiros receberam privilégios dele. Ele foi enterrado na frente de São Pedro, perto do portão de Guido. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/02428a.htm
- Papa Bento III (855-58 DC)
Data de nascimento desconhecida; d. 17 de abril de 858. A eleição do erudito e asceta romano Bento, filho de Pedro, foi perturbada. Com a morte de Leão IV (17 de julho de 855), Bento foi escolhido para sucedê-lo, e enviados foram enviados para assegurar a ratificação do decreto de eleição pelos Imperadores Lotário e Luís II. Mas os legados traíram sua confiança e se deixaram influenciar em favor do ambicioso e excomungado Cardeal Anastácio. O missi imperial, ganho por sua vez por eles, esforçou-se por forçar Anastácio à Igreja Romana. Benento foi insultado e preso. A maior parte do clero e das pessoas, no entanto, permaneceu fiel a ele, e o missi teve que ceder. Bento foi consagrado em 29 de setembro, ou 6 de outubro de 855, e embora seu rival tenha sido condenado por um sínodo, ele admitiu que ele estabelecesse a comunhão. Devido a dissensões e ataques externos, o reino dos francos estava em desordem e a Igreja dentro de suas fronteiras era oprimida. Bento escreveu aos bispos francos, atribuindo grande parte da miséria do império ao seu silêncio (cf. “Capitularia regum Francorum”, ed. Borécius, II, 424); e para diminuir seus males internos, esforçou-se para refrear o poderoso subdiácono Humberto (Ep. Bened., em Mon. Germ. Epp., V, 612), que era o cunhado de Lotário II, rei de Lorena, e desafiou as leis de Deus e do homem até que ele foi morto, em 864. Em um apelo feito a Bento do Oriente, ele manteve o equilíbrio entre Santo Inácio, Patriarca de Constantinopla, e Gregório, Bispo de Siracusa. Ele foi visitado pelo rei anglo-saxão Ethelwulfo com seu famoso filho Alfredo, e completou a restauração da Schola Anglorum, destruída pelo fogo em 847. Ele continuou o trabalho de reparar os danos causados às igrejas em Roma pelo ataque sarraceno de 846. Ele foi enterrado perto do portão principal de São Pedro. Uma de suas moedas prova que não houve papisa Joana entre Leão IV e ele [Garampi, “De nummo argenteo Bened. III” (Roma, 1749)]. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/02427e.htm
- Papa São Bento II (684-85 DC)
Data de nascimento desconhecida; morreu em 8 de maio de 685; era romano e filho de João. Enviado quando jovem para a schola cantorum, ele se distinguia pelo seu conhecimento das Escrituras e pelo seu canto, e como um sacerdote era notável por sua humildade, amor aos pobres e generosidade. Ele se tornou papa em 26 de junho de 684, após um intervalo de mais de onze meses. Para abreviar as vagas da Santa Sé que se seguiram à morte dos papas, ele obteve do imperador Constantino Pogonato um decreto que ou aboliu totalmente as confirmações imperiais ou as tornou possíveis da exarca na Itália [cf. “Liber Diurnus RR. PP.”, Ed. Sickel (Viena, 1889) e a crítica de Duchesne, “Le Liber Diurnus” (Paris, 1891)]. Ele adotou os dois filhos de Constantino ao receber as mechas de cabelo enviadas pelo imperador. Para ajudar a suprimir o monotelismo, ele se esforçou para garantir as assinaturas dos bispos espanhóis para os decretos do Conselho Geral VI (ver ep. Em PL, XCVI, 423), e para trazer a submissão a eles de Macário, ex-patriarca de Antioquia. Ele foi um dos papas que favoreceu a causa de St. Wilfred de York (Eddius, “Vita Wilfridi”, Ed. Raine em “Historiadores de York”, eu, 62 sqq. Cf. Raine, “Vidas dos Arcebispos de York” “, Eu, 55 sqq.). Muitas das igrejas de Roma foram restauradas por ele; e seu clero, suas diáconias para o cuidado dos pobres e seus leigos sacristãos, todos beneficiados por sua liberalidade. Ele foi enterrado em São Pedro. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/02427d.htm
- Papa Bento I (575-79 DC)
Do primeiro pontífice que leva o nome de Bento praticamente nada é conhecido. A data do seu nascimento é desconhecida; ele morreu 30 de julho de 579. Ele era romano e filho de Bonifácio, e foi chamado Bonosus pelos gregos (Evagrius, Hist., V, 16). A devastação dos lombardos tornou muito difícil a comunicação com o imperador em Constantinopla, que reivindicou o privilégio de confirmar a eleição dos papas. Assim, houve uma vacância de quase onze meses entre a morte de João III e a chegada da confirmação imperial da eleição de Bento, em 2 de junho de 575. Ele reinou quatro anos, um mês e vinte e oito dias. Quase o único ato registrado dele é que ele concedeu uma propriedade, o Massa Veneris, no território de Minturnae, para o Abade Estêvão de São Marcos “perto dos muros de Spoleto” (São Gregório I, Ep. Ix, 87, I. al. 30). A fome seguiu os lombardos devastadores e, pelas poucas palavras que o Liber Pontificalis tem sobre Bento sabemos que ele morreu no meio de seus esforços para lidar com essas dificuldades. Ele foi enterrado no vestíbulo da sacristia da antiga basílica de São Pedro. Em uma ordenação que ele realizou em dezembro, ele fez quinze sacerdotes e três diáconos e consagrou vinte e um bispos. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/02427c.htm
- Oração a São Josafá Kuncewicz
“Ó São Josafá, grande santo e heróico mártir da união de nossa Igreja com o Vigário de Cristo, o Papa de Roma. Glorioso és por conta do zelo que teve na propagação da verdadeira fé católica entre o nosso povo. Magnífico és tu por causa de seu heróico martírio pela unidade da fé de nosso povo com a Santa Sé em Roma, o verdadeiro centro da ortodoxia católica. Admirável és por conta das sublimes virtudes que adornava em tua alma. Admiramos teu ardente amor por Jesus e Maria e tua lealdade ao Vigário de Cristo. Tu és um exemplo sublime de todas as virtudes para as pessoas que te tiveram à volta. Sendo tu tão poderoso junto a Deus, visto os teus milagres provados, eu a ti peço que me obtenha junto a Jesus e Maria um forte apego à fé católica e ao meu belo rito oriental, do qual nunca devo trair ou abandonar. Obtenha também para mim a graça de um zelo infatigável pelo qual devo empenhar na re-união dos irmãos orientais afastados. Ó glorioso mártir de nossa Igreja Católica, lembre-se da nação da qual foste filho, olhe para nosso povo e rogue a Deus para que no futuro todos os ucranianos estejam em um só rebanho, sob um só pastor. Que venha logo o dia em que todos os irmãos irão se reunir diante de suas relíquias sagradas em uma Ucrânia livre e indenpendente dando graças a Deus pela união de todos os ucranianos com a Santa Sé, amém“. (Extrato das páginas 126-127 do livro “Ukrainian Rite prayerbook: My Divine friend” pelo Rev. Michael Schudlo, CSSR. Publicado em 1959, Imprimi Potest: Vladimir Malanchuk, CSSR. Vice-Provincial No. 596, 25 de maio de 1958. Nihil Obstat: Basil Makuch, STD, PhD. Censor Episcopalis. Imprimatur: Constantine Archbishop Metro). Tradução: Jéssica Ramos.
- O rito ruteno
Imediatamente após a Consagração, o sacerdote que cruza as mãos faz um sinal da cruz acima do altar com as Espécies Sagradas cantando:”Sendo Vosso e de Vós próprio, oferecemos a Vós em nome de todos e para todos”. No altar pode ser visto: o tabernáculo (os rutenos moldam seus tabernáculos como pequenas igrejas orientais); o Evangelium ou Evangelho; a estrela (que cobre o padrão e representa Belém); a colher da Comunhão para distribuir a Sagrada Comunhão aos Fiéis e a cruz de mão para beijar. Essa publicação foi tirada do site Holy Unia Tradução: João Vitor Martins Ruiz & Jéssica Ramos.
- Rito Bizantino Tradicional de Jejum e Abstinência
Rito Russo, Ruteno, Melquita, e Grego. (cf. Pe. R. Janin, A.A. Les Eglises orientales e Les Rites orientaux, Paris, 1922) Não há distinção entre o jejum e a abstinência; o jejum tem essencialmente a qualidade da comida e não a quantidade. Essas regras são para todos os ritos bizantinos, mas deve-se notar que o rito russo é muito mais severo com outras prescrições mais rigorosas e nove graus diferentes de jejum. Em aldeias e mosteiros, o antigo costume permanece em vigor, pelo qual é proibido comer antes das Vésperas. . Todos devem jejuar a partir dos sete anos de idade 1. Grande Quaresma: 48 dias. Proibições: Alimentos cozidos com gordura, peixe, óleo, ovos, produtos lácteos e vinho. O óleo é permitido no sábado e domingo. O peixe é permitido na festa da Anunciação e no Domingo de Ramos. Os russos acrescentam: Todas as segundas, terças e quintas-feiras (e quartas-feiras da semana santa), a comida só pode estar fria e seca; na Sexta-Feira Santa, nada pode ser comido. 2. Quaresma dos apóstolos: Esse varia de 9 a 42 dias, dependendo da festa da Páscoa. Começa na primeira segunda-feira após o Pentecostes até a festa de São Pedro e São Paulo. Esta Quaresma tem as mesmas regras que a Grande Quaresma, mas óleo e peixe são sacrificados (em alguns lugares), exceto às quartas e sextas-feiras. 3. Quaresma da Assunção: de 1 a 14 de agosto. Uma Quaresma difícil, permitindo apenas azeitonas e legumes cozidos em água; o óleo é tolerado aos sábados e domingos. 4. Quaresma de Natal: 40 dias antes do Natal. As mesmas restrições da Grande Quaresma, exceto óleo e peixe, são permitidos, exceto às quartas e sextas-feiras. 5. Semanal: quartas e sextas-feiras são dias de jejum estrito 6. Comida proibida: Como a maioria dos cristãos orientais, os católicos do rito bizantino mantiveram a proibição mosaica de comer sangue, animais sufocados e certos animais considerados impuros; e que os Concílios da Igreja Oriental renovaram muitas vezes. Católicos e cismáticos são igualmente fiéis nesta questão. Fonte: http://holyunia.blogspot.com/2010/08/traditional-byzantine-rite-fast-and.html?m=1 Tradução: Luan Gomes dos Santos
- Papa Adriano VI (1522-23 DC)
O último pontífice barbaro (Guicciardini, XIV, v), e o único papa dos tempos modernos, exceto Marcelo II, que reteve seu nome de batismo; sucedeu o Papa Leão X, de 9 de janeiro de 1522 a 14 de setembro de 1523. Ele nasceu de humilde filiação em Utrecht, em 2 de março de 1459. Ele perdeu seu pai piedoso, Florêncio Dedel, em tenra idade, e foi mantido na escola pela fortaleza de sua mãe viúva, primeiro em casa, depois em Zwolle com os Irmãos da Vida Comum, finalmente na Universidade de Louvain. Após um curso completo em filosofia, teologia e jurisprudência, ele foi feito Doutor da Divindade em 1491. Margarida de Borgonha custeou as despesas do estudante pobre. Sua popularidade como professor de teologia em Lovaina mostra-se merecida por suas duas principais obras, Quaestiones quodlibeticae (1521), e seus Commentarius em Lib. IV Sententiarum Petri Lombardi (1512), que foi publicado sem o seu conhecimento de notas de estudantes, e viu muitas edições. Como decano da igreja colegiada de São Pedro, em Lovaina, e vice-reitor da universidade, ele trabalhou para promover as artes e ciências, sagradas e profanas, e deu edificação universal por uma vida de singular devoção e severo ascetismo. Em 1506, ele foi, felizmente para a Igreja, selecionado pelo imperador Maximiliano como tutor de seu neto, o futuro Carlos V, então em seu sexto ano. Quaisquer que fossem as realizações que Carlos possuísse, além da arte da guerra, ele devia aos esforços de Adriano; mais precioso de tudo, seu apego inalterável à fé de seus pais. Transferido das tonalidades acadêmicas para a vida pública, o humilde professor elevou-se à eminência com celeridade maravilhosa. Em uma década, ele foi sócio de Ximenes, bispo de Tortosa, grande inquisidor da península espanhola, cardeal da Igreja Romana e, finalmente, regente da Espanha. Ele não ficou menos surpreso do que o resto da humanidade quando o conhecimento chegou até ele de que a voz unânime do Sagrado Colégio o elevara à mais alta dignidade da Terra. Tarefas apavorantes jaziam diante dele nesta hora mais sombria do papado. Para extirpar os abusos inveterados; reformar uma corte que prosperava na corrupção e detestava o próprio nome da reforma; para segurar na trela príncipes jovens e bélicos, prontos a amarrar as gargantas uns dos outros; para conter a crescente onda de revolta na Alemanha; para salvar a cristandade dos turcos, que de Belgrado agora ameaçavam a Hungria, e se Rodes caísse seriam senhores do Mediterrâneo – esses eram trabalhos hercúleos para alguém que estava em seu sexagésimo terceiro ano, nunca tinha visto a Itália, e com certeza seria desprezado pelos romanos como um “bárbaro”. Adriano aceitou as responsabilidades de seu ofício com uma concepção completa de sua magnitude. Carlos ficou exultante com a notícia da elevação de seu tutor, mas logo descobriu que o novo pontífice, apesar de sua afeição por ele, estava decidido a reinar imparcialmente. Francisco I, pelo contrário, que olhara para Adriano como uma mera ferramenta do imperador, e proferira ameaças de cisma, em pouco tempo aquiesceu, e enviou uma embaixada para apresentar sua homenagem. As apreensões de um Avignon espanhol eram infundadas; o mais cedo possível, Adriano embarcou para a Itália e fez sua solene entrada em Roma em 29 de agosto. Dois dias depois, ele recebeu a tríplice coroa. A história não apresenta mais uma figura patética do que a deste nobre pontífice, lutando sozinho contra dificuldades intransponíveis. Através das extravagâncias imprudentes de seu antecessor, as finanças papais estavam em um emaranhado triste. Os esforços de Adriano para reduzir as despesas só lhe renderam dos cortesãos necessitados o epíteto do avarento. Os direitos adquiridos foram citados contra suas tentativas de reformar a cúria. Seu núncio na Alemanha, Chierigati, recebeu pouca cortesia. Seu exagerado reconhecimento de que a Corte Romana tinha sido a fonte de todas as corrupções na Igreja foi avidamente aproveitado pelos reformadores como justificativa de sua apostasia. Seus apelos urgentes aos príncipes da cristandade para apressar-se em defesa de Rodes encontraram ouvidos que não foram ouvidos; em 24 de outubro, que valentemente defendia o baluarte da fé cristã, caiu nas mãos dos turcos, um desastre que apressou a morte do pontífice. Sua atividade pouco relaxante e o clima insalubre de Roma se combinaram para abalar sua saúde. Ele morreu apropriadamente na festa da Exaltação daquela Cruz, na qual ele havia sido pregado por mais de um ano (14 de setembro de 1523). Seu monumento, erigido por seu amigo fiel, Wilhelm Enckenvoert, ainda é visto em Roma, na igreja nacional dos alemães, Santa Maria dell ‘Anima, com sua pitoresca inscrição, tantas vezes admirada, no sentido de que até mesmo os melhores homens podem nascer em épocas inadequadas às suas virtudes: “Proh Dolor! Quantum referido em quae tempora vel optimi cujusque virtus incidat” [Gregorovius-Ampère Les tuseaux des papes Romains (Paris, 1859), 200, 201, 294,295]. Às vezes, de fato, era devido, não a qualquer falha sua, que a amizade do sexto Adriano e do quinto Carlos não revivesse os dias felizes do primeiro Adriano e do primeiro e maior dos Carlos. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/01159b.htm
- ISLÃ UMA RELIGIÃO SEM PIEDADE E SEM CARIDADE
1. ISLà UMA RELIGIÃO SEM PIEDADE E SEM CARIDADE 2. A cultura ocidental, e até mesmo outras culturas e civilizações, têm princípios adotados por pessoas numa ampla e variada Gama, que entendemos por civilização, citando o Apologista Cristão C.S. Lewis, no seu fundamental trabalho a abolição do homem, nos traz exemplos do que ele chama de o Tao, ou a lei natural que é exatamente esses princípios fundamentais e universais que como vamos ver são inexistentes no mundo islâmico: “deveres para com os pais, os mais velhos e os ancestrais” “deveres para com os filhos e a posteridade”, “a lei da boa-fé e da veracidade”, “a lei da magnanimidade”, o autor ilustra a universalidade destes princípios mediante situações das mais diversas Fontes, indo desde o velho e o Novo Testamento até escritos de aborígenes australianos, passando pela Eneida de Virgílio, indo para o bhagavad Gita, visitando os analectos de Confúcio e por aí vai. Do Alcorão e outras fontes muçulmanas, nem sombra. 3. Podemos questionar Será que Lewis nada soube do Islã, e por isso tem essa opinião ou omissão? Quem conhece Lewis, sabe que foi um grande erudito. Então seria no mínimo improvável que ele não conhecesse o Alcorão, podemos notar pela época em que Ele viveu e o papel que seu país, o Reino Unido, desempenhou no oriente médio e na Ásia. Certamente seria de esperar que Lewis, ao coletar as suas ilustrações de princípios, fosse pescar algumas no Alcorão. O grande problema dele terá sido o outro: é que o Islã simplesmente não dá sustentação para o que ele chama a lei da beneficência geral — na moral islâmica, não se deve ser caridoso senão com os irmãos de fé. O desagradável fato é que o Islã, tão somente, não ensina a regra de ouro. A máxima de Jesus “tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles” (Mateus 7, 12) aparece em praticamente todas as tradições religiosas do planeta — exceto o Islã. O Corão e o hádice traçam uma tão rígida distinção entre os Crentes e o descrentes, queria não sobra nenhuma brecha para o mandamento de beneficência geral. Aos descrentes deve-se questionar, suspeitar, resistir e combater. Nada mais. Tolerá-los, não. Amá-los, jamais. 4. Vejamos uma comparação entre o que Jesus ensinou e o que Maomé ensinou: 5. Jesus: ouviste O que foi dito aos antigos: não matarás, Quem matar será condenado em juízo. Pois eu digo-vos que todo aquele que se irar contra seu irmão será condenado em juízo. E o que chamar raca a seu irmão será condenado no conselho. E o que chamar louco será condenado ao fogo da geena Mateus 5, 21-22. 6. Maomé: quando, no campo de batalha, enfrentar diz os que descreem, golpeai-os no pescoço. Depois quando os tiverdes prostado, apertai os grilhões. Depois, outorgai-lhes a liberdade ou exige deles um resgate Até que a guerra descarregue seus fardos. […] e Alá não deixará perder-se o mérito dos que morrerem por sua causa. Corão 47: 4. 7. Isso é o que separa de forma bem marcante o Islã de todas as outras tradições religiosas. Em nenhum outro lugar podemos imaginar encontrar uma justificação tão descarada do xeique Tabandeh para uma pena menos severa ao assassino de um descrente que ao assassino de um crente em qualquer ensino religioso moderno, e em qualquer parte do mundo —somente no Islã isto é lei. 8. O ISLà PROÍBE A MATANÇA DE INOCENTES? NÃO 9. Lembrando o 11 de setembro, porta-vozes muçulmanos no ocidente e analistas de política internacional nos asseguram que o Islã proíbe tirar vidas inocentes e que, para a vasta maioria dos muçulmanos espalhados pelo mundo, o assassinato de 3.000 pessoas comandados por Bin Laden não era o cumprimento de um requisito da jihad islâmica, mas um crime contra a humanidade. 10. Como já vimos o Islã permite mentir, por esse motivo, você que está lendo este texto e mora na Europa ou em qualquer outro país em que está recebendo uma imigração grande de mulçumanos, tenha cuidado, pois você poderá perder sua liberdade em poucos anos, se puder compartilhe esse texto com seus compatriotas, veja que os termos em que o direito islâmico condena a matança de não-combatentes. Ele proíbe tirar a vida de mulheres e crianças “a não ser que estejam em luta com os muçulmanos”, ressalva amplamente interpretada como uma Permissão Para Matar civis que possam estar auxiliando em qualquer sentido o esforço de guerra”. Daí a afirmação corrente de que não há civis em Israel. Alguns líderes muçulmanos defendem essa tese com argumentos de que toda a gente dali, pela simples razão de se encontrar ali, está invadindo terras muçulmanas e, portanto, guerreando o Islã. Outros como o mundialmente famoso Xeique Yusuf al-Qaradawi, já são mais sutis: “as mulheres israelenses diferem das nossas porque são militarizadas. Em segundo lugar, considero esse tipo de operação-martírio uma indicação da Justiça do todo poderoso Alá. Alá é justo. Em sua infinita sabedoria ele deu aos fracos porque os fortes não possuem: a capacidade de transformar seus corpos em bombas, como fazem os palestinos”. 11. Bibliografia: Reliance of The traveller (Amanda publications, 1994). #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Cruzadas
- Papa Adriano V (11 de Julho de 1276 – 18 de Agosto de 1276)
(OTTOBUONO FIESCHI). Um genovês e sobrinho de Inocêncio IV. Ele foi eleito em Viterbo em 12 de julho de 1276. Como cardeal Fieschi, ele havia trabalhado para restaurar a harmonia na Inglaterra entre Henrique III e os barões rebeldes. Ele anulou as promulgações rígidas de Gregório X relacionadas aos conclaves papais, mas morreu antes de substituir as mais brandas, em 18 de agosto. Ele viveu apenas o suficiente para experimentar “quão grande o manto pesa”. Dante (Purg., Xix) realizou uma interessante conversa com ele no Purgatório. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/01159a.htm
- Papa Adriano IV (1154-1159 DC)
Nascido 1100 (?); morreu em 1 de setembro de 1159. Sabe-se muito pouco sobre o local de nascimento, parentesco ou infância de Adriano. No entanto, como é habitual em tais casos, relatos muito variados e, por vezes, muito circunstanciais, chegaram até nós sobre ele. Nossa única informação confiável devemos a dois escritores, o cardeal Boso e João de Salisbury. O primeiro escreveu uma vida de Adriano, que está incluída na coleção de Nicolas Roselli, feito Cardeal de Aragão em 1356 durante o pontificado de Inocêncio VI. A vida de Boso, publicada por Muratori (SS. Rer. Ital. III, I 441-446) e reimpressa em Migne (PL, CLXXXVIII, 135-160), também editada por Watterich (Vitae Pontificum II, 323- 374), e agora para ser lida na edição de Duchesne do Liber Pontificalis (II, 388-397; cf. proleg XXXVII-XLV), afirma que Boso, o autor dela; foi criado cardeal-diácono da titular de São Cosme e Damião, foi camareiro de Adriano e em constante e familiar serviço a ele desde o início de seu apostolado. [Ciacconio diz que Boso era sobrinho de Adriano, mas Watterich observa (op. Cit. Prolegomena) que ele não encontrou nenhuma prova disso.] Boso nos conta que Adriano nasceu na Inglaterra perto do distrito de St. Albano, e que ele deixou seu país e suas relações em sua infância para completar seus estudos, e foi para Arles na França. Durante as férias ele visitou o mosteiro de Santo Rufos perto de Avignon, onde ele fez os votos e tomou o hábito de um cânon de Austin. Depois de algum tempo ele foi eleito abade e, indo para Roma em negócios importantes relacionados com o mosteiro, foi mantido lá pelo papa Eugênio III, e feito um cardeal e bispo de Albano (1146). Matthew Paris concorda em certa medida com isso, pois ele nos diz que, ao se candidatar ao abade de St. Albano para ser recebido como monge, o abade, depois de examiná-lo, o achou deficiente e disse gentilmente: “Tenha paciência , meu filho, e ainda permaneça na escola até que você esteja melhor preparado para a posição que deseja. ” Afirma ainda que era “natural de algum lugarejo sob a abadia, talvez Langley”, e posso acrescentar que agora é razoavelmente certo que ele nasceu em Abbot’s Langley, em Hertfordshire, por volta do ano 1100; que seu pai era Roberto Brekespear, um homem de maneiras humildes, apesar de ter títulos decentes; e que Adriano foi para o exterior como um pobre estudioso errante, como João de Salisbury e muitos outros na época. No entanto, William de Newburgh, no North Riding of Yorkshire, um cânon de Austin e um historiador de alta reputação (1136-98?), Dá uma relato muito diferente, que ele provavelmente teve das vizinhas casas cistercienses de Rievaulx e Byland. “Eugênio III”, ele nos diz, “foi sucedido por Nicolas, bispo de Albano, que, mudando seu nome com sua fortuna, se chamava Adriano. Deste homem, convém relatar como ele foi levantado do pó para sentar-se no meio dos príncipes e ocupar o trono da glória apostólica. Ele nasceu na Inglaterra, e seu pai era um funcionário de poucos recursos que, abandonando seu filho jovem, tornou-se monge em St. Albano. Enquanto o menino crescia, vendo que, por necessidade, não podia pagar o tempo para ir à escola, frequentava o mosteiro por uma ninharia diária. Seu pai se envergonhou disso, insultou-o com palavras amargas por sua ociosidade e, altamente indignado, afastou-o desconsolado. O menino, deixado a si mesmo, e compelido a fazer algo por necessidade difícil, engenhosamente envergonhado de cavar ou implorar, atravessou para a França. Ele então afirma que depois de Adriano ser eleito abade de São Rufos os cânons se arrependeram de sua escolha e vieram a odiá-lo, e apelaram ao papa em duas ocasiões, trazendo várias acusações contra ele (II, vi). Essa narrativa não é apenas contrária à de Boso, mas ao que o próprio Adriano disse a João Salisbury. “O ofício do papa, ele me assegurou, era espinhoso, cercado de todos os lados por picadas afiadas. Ele desejava mesmo nunca ter deixado a Inglaterra, sua terra natal, ou pelo menos viver sua vida em silêncio no claustro de São Rufos em vez de ter entrado em caminhos tão difíceis, mas ele não se atreveu a recusar, uma vez que era a vontade do Senhor “(Polycraticus, Bk. IV, xxviii) Como ele poderia ter olhado para trás com pesar para dias calmos e felizes se tivesse encontrado crueldade paternal em St. Albano e insubordinação monástica em São Rufos? Em 1152, Adriano foi enviado em uma missão delicada e importante para a Escandinávia, como legado papal, na qual ele sucedeu para a satisfação de todos. Ele estabeleceu uma sede arquiepiscopal independente para a Noruega em Trondhjem, que ele selecionou principalmente em honra de St. Olavo, cujas relíquias estavam em sua igreja. Reformou os abusos que se infiltraram nos costumes do clero e até ajudou a melhorar as instituições civis do país. Snorro relata que nenhum estrangeiro chegado à Noruega, ganhou tanta honra pública e deferência entre as pessoas como Nicolau Brekespear. Ele foi impedido na época de estabelecer uma sé arquiepiscopal na Suécia pela rivalidade entre a Suécia e Gotalândia, um partido reivindicando a honra para Upsala, o outro para Skara. Mas ele também reformou os abusos ali e estabeleceu a contribuição conhecida como Óbulo de São Pedro. Em seu retorno a Roma, ele foi saudado como o Apóstolo do Norte e, com a morte de Anastácio IV ocorrendo na época (2 de dezembro de 1154), ele foi eleito no dia seguinte por unanimidade o sucessor de São Pedro; mas o ofício não era uma cama de rosas. O rei Guilherme da Sicília estava em franca hostilidade e a professada amizade de Frederico Barbarossa era ainda mais perigosa. Os barões da Campagna lutaram entre si e com o Papa e, partindo de seus castelos, invadiram o país em todas as direções e até roubaram os peregrinos a caminho dos túmulos dos apóstolos. A turbulenta e volúvel população de Roma estava em revolta aberta sob a liderança de Arnaldo de Brescia. O cardeal Gerardo foi mortalmente ferido em plena luz do dia, enquanto caminhava pela Via Sacra. Adriano, um homem determinado, imediatamente colocou a cidade sob um interdito e se retirou para Viterbo. Ele proibiu a observância de qualquer serviço sagrado até a quarta-feira da Semana Santa. “Então os senadores foram impelidos pela voz do clero e dos leigos a se prostrarem diante de Sua Santidade”. A submissão foi feita e a proibição foi removida. O papa retornou a Roma, e Arnaldo escapou e foi levado sob a proteção de alguns dos barões do norte da Campagna. Ele foi subseqüentemente entregue e executado. Enquanto isso, Barbarossa avançava pela Lombardia e, depois de receber a Coroa de Ferro em Pavia, aproximara-se dos limites do território papal, pretendendo receber a coroa imperial em Roma às mãos do papa. Depois de algumas negociações, um famoso encontro aconteceu em Sutri, cerca de 48 quilômetros ao norte de Roma, em 9 de junho de 1155, entre Frederico de Hohenstauffen, então o governante mais poderoso da Europa, e o humilde cânon de São Rufos, agora o governante espiritual mais poderoso do mundo. Quando o papa se aproximou, o imperador avançou para encontrá-lo, mas não segurou o estribo do papa, que fazia parte da costumeira cerimônia de homenagem. O papa não disse nada, mas desmontou, e o imperador o levou a uma cadeira e beijou seus pés. O costume exigia que o papa desse então o beijo da paz. Recusou-se a fazê-lo e disse a Frederico que, até que fosse prestada a devida homenagem, recusaria. Isso implicava que ele não o coroaria. Frederico teve que se submeter, e no dia 11 de junho outra reunião foi organizada em Nepi, quando Frederico avançou a pé e segurou o estribo do Papa, e o incidente foi encerrado. Frederico foi depois devidamente coroado em São Pedro e fez os juramentos solenes prescritos pelo costume antigo. Durante as cerimônias, uma guarda de tropas imperiais foi colocada sobre a ponte de Santo Ângelo para proteger esse subúrbio, então conhecido como a cidade Leonina. A ponte foi invadida pelas tropas republicanas da cidade propriamente dita, e uma feroz batalha se seguiu entre o exército imperial e os romanos. As lutas duraram durante o dia quente do verão e muito mais tarde. Finalmente os romanos foram derrotados. Mais de 200 caíram como prisioneiros nas mãos de Frederico, incluindo a maioria dos líderes, e mais de 1.000 foram mortos ou afogados no Tibre. Os cidadãos, no entanto, ocuparam a cidade e se recusaram a dar as provisões do Imperador; o último, agora que foi coroado, não fez nenhum esforço sério para ajudar o papa contra os normandos ou para reduzir a cidade à submissão. A malária apareceu entre suas tropas. “Ele foi obrigado a sair”, diz Gregorovius, em sua História da Cidade de Roma, “e, não sem uma dolorosa autocensura, abandonando o papa ao seu destino”. Ele se despediu dele em Tivoli, e, marchando ao norte por meio de Farfa, reduziu a cinzas em sua rota a antiga e célebre cidade de Spoleto. William I sucedeu seu pai no trono da Sicília, em fevereiro de 1154. Adriano se recusou a reconhecê-lo como rei, e se dirigiu a ele apenas como Dominus (Senhor). Hostilidades seguidas. Os sicilianos sitiaram Benevento sem resultado, e depois devastaram o sul de Campagna e se retiraram. Adriano excomungou William. Após a partida de Frederico, Adriano reuniu seus vassalos e mercenários e marchou para o sul até Benevento, uma possessão papal, onde permaneceu até junho de 1156. Foi nessa época que João de Salisbury passou três meses com ele e obteve dele a famosa Doação da Irlanda. A sorte da guerra favoreceu William. Ele capturou Brundusium, com um imenso estoque de provisões e munições de guerra, e cinco mil libras de peso de ouro que o imperador grego, Manuel I, pretendia para seu aliado, o papa. Ele também levou cativos muitos gregos ricos, a quem ele enviou a Palermo, alguns como resgate, mas o maior número a ser vendido como escravos. Isso praticamente determinou a questão da guerra. A paz foi feita em junho de 1153 e um tratado foi concluído. O papa concordou em investir William com as coroas da Sicília e Apúlia, os territórios e estados de Nápoles, Salerno e Amalfi, a Marcha de Ancona e todas as outras cidades que o rei possuía. Guilherme, por sua vez, fez o juramento feudal e tornou-se o vassalo do papa, prometendo pagar um tributo anual e defender as posses papais (Watterich, op. Cit., II, 352). Depois disso, o Papa foi para Viterbo, onde chegou a um acordo com os romanos, e no início de 1157 retornou à cidade. O Imperador se ressentiu profundamente do ato do papa em investir William com territórios que ele reivindicava como parte de seus domínios, e por essa e outras causas surgiu um conflito entre eles. Adrianonmorreu em Anagni, em conflito aberto com o Imperador, e em aliança com os lombardos contra ele. Alexandre III realizou as intenções de Adriano e, pouco depois, excomungou o imperador. A doação da Irlanda Foi durante a estada do Papa em Benevento (1156), como dissemos, que João de Salisbury o visitou. “Eu me recordo”, escreve ele, “uma viagem que fiz uma vez em Apúlia com o propósito de visitar sua Santidade, o papa Adriano IV. Fiquei com ele em Benevento por quase três meses” (Polycraticus, VI, 24; PL CXCIX, 623). Em outro trabalho, o Metalogicus, este escritor diz: Por minha solicitação [ad preces meas] ele deu e concedeu Hibernia a Henrique II, o ilustre rei da Inglaterra, para manter por direito hereditário como sua carta [que é existente] até hoje testifica. Pois todas as ilhas da antiga direita, segundo a Doação de Constantino, dizem pertencer à Igreja Romana, que ele doou. Ele também enviou por mim um anel de ouro, com as melhores esmeraldas ali colocadas, com o qual a investidura poderia ser feita para seu governo na Irlanda, e esse mesmo anel foi ordenado a ser e ainda está no tesouro público do rei. Será observado que ele diz “a minha solicitação”, e não a pedido de Henrique, e que ele foi “com o propósito de visitar” (causá visitandi), não em uma missão oficial. A sugestão de que, porque ele nasceu na Inglaterra, Adriano deuba Irlanda para o monarca Angevino, que não era de sua relação não merece séria atenção. O Metalogicus foi escrito no outono de 1159 ou no início de 1160, e a passagem citada ocorre no último capítulo (IV, xlii; P.L., vol. Cit., Col. 945). Encontra-se em todos os manuscritos da obra, um dos quais foi escrito possivelmente já em 1175, e certamente antes de 1200. Ninguém questiona a veracidade de João de Salisbury, e a única objeção levantada à afirmação é que pode ser uma interpolação . Se não é uma interpolação, constitui uma prova completa da Doação, a posse pelo anel é legalmente suficiente, e de fato o modo usado no caso da Ilha de Man, como Boichorst aponta. A Carta de Adriano, no entanto, cria uma dificuldade. Sua bula, geralmente chamada Laudabiliter, não pretende conferir Hibernia “por direito hereditário”, mas a carta referida não foi a Laudabiliter, mas uma carta formal de investidura, como foi usada no caso de Roberto Guiscard na Itália, por exemplo. “Eu Gregório, Papa, investi-lo-ei, Duque Roberto, com a terra de”, etc. (Ego Gregorius Papa investio te, Roberte Dux, de terra, etc .; Mansi, Coll. Conc., XX, 313). A questão da genuinidade da passagem no Metalogicus, impugnada pelo Cardeal Moran, W.B. Morris, e outros, devem ser mantidas separadas da questão da genuinidade do Laudabilité, e é principalmente misturando os dois juntos que a passagem no Metalogicus é atacada como uma falsificação. Boichorst (Mittheilungen des Institut für österreichische Geschichtsforschung IV, volume suplementar, 1893, p. 101) considera a Doação como indiscutível, enquanto rejeita o Laudabiliter como uma falsificação. Liebermann (Deutsche Zeitschrift für Geschichtswissenschaft 1892, I, 58) mantém a mesma opinião. Thatcher, em Estudos sobre Adriano IV; I. A Oferta da Irlanda a Henrique II, impressa no quarto volume das Publicações Decenais da Universidade de Chicago (Série I, Chicago, 1903), reproduz os argumentos de Boichorst. O bispo Creighton considerou João de Salisbury como incontestável (Tarleton, p. 180). O peso esmagador da autoridade é, portanto, a favor da genuinidade da passagem em Metalogicus. A Bula Laudabiliter está em pé de igualdade. As opiniões até agora foram fortemente divididas quanto à sua genuinidade, como será visto por uma referência ao final deste artigo; mas essas opiniões foram formadas sem o conhecimento do texto do Laudabiliter no Livro de Leinster, exceto no caso de Boichorst, que se refere a ela casualmente em uma nota que foi recentemente publicada pela primeira vez pelo escritor (New Irlanda Review Março de 1906, cf. sua História da Irlanda, xxvi, Dublin, 1906). Para o texto do Touro são prefixados os seguintes títulos: “Ah! Homens de fé do mundo, quão bonito [até agora gaélico] quando sobre o mar frio em navios Zefiros boiam notícias alegres” [Latim] uma bula concedida ao Rei dos ingleses sobre a colação, ou seja, concessão, da Hibernia, em que nada é derrogado os direitos dos irlandeses, como aparece pelas palavras do texto. Isto foi quase certamente escrito, e provavelmente pelo seu antigo tutor, Aedh McCrimthainn, durante a vida de Diarmaid MacMurchada, que foi banido em 1157 e faleceu em 1171. O texto da Bula não era, portanto, um exercício escolástico medieval. Assumindo que as declarações do Metalogicus sejam corretas, os textos relativos à Doação de Adriano podem ser arranjados conjuntamente da seguinte maneira: (1) A Carta de Investidura citada por João de Salisbury, 1156; (2) Laudabiliter, preparado provavelmente em 1156, e emitido em 1159 (?); (3) uma confirmação da carta de investidura por Alexandre III em 1159 (?); (4) Três Cartas de Alexandre III, 20 de setembro de 1172, em substância uma confirmação da Laudabiliter. A Bula não foi enviada para a frente em 1156 porque a oferta de Adriano não foi então aplicada, embora a investidura tenha sido aceita. Roberto de Torrigny (m. 1186 ou 1184) nos conta que em um Concílio realizado em Winchester, 29 de setembro de 1156, a questão de subjugar a Irlanda e oferecê-la a Guilherme, irmão de Henrique, foi considerada; “mas por não agradar à Imperatriz, mãe de Henrique, a expedição foi adiada para outro tempo” [intermissa est ad tempus illa expedite]. Isto implica claramente uma aceitação da investidura e suporta a genuinidade da passagem no Metalogicus. Henrique, então com vinte e dois anos, tinha as mãos cheias de problemas domésticos com os barões refratários da Inglaterra, com os galeses, e com os elementos discordantes em seus domínios franceses, e não podia empreender uma grande operação militar como a invasão da Irlanda. E não tendo feito isso na vida de Adriano, ele certamente exigiria uma confirmação da Doação por Alexandre antes de liderar um exército em um território cuja soberania pertencia a este último. A Carta de Confirmação é encontrada apenas em Giraldo Cambrensis, primeiro no De Expugnatione Hiberniae (II, v, em Rolls Series V, 31t5), e novamente no De Instructione Principis (II, c. Xix, em Rolls Series VIII, 197 ), onde o texto afirma que a genuinidade da confirmação foi negada por alguns. Isso, no entanto, pode ser uma interpolação posterior, como alguns afirmam. As três cartas de 20 de setembro de 1172 não contêm nenhuma confirmação direta da Doação de Adriano. Eles são dirigidos a Henrique II, os bispos e os reis e chefes da Irlanda, respectivamente. A carta dirigida a Henrique felicita-o pelo seu sucesso e exorta-o a proteger e estender os direitos da Igreja e a oferecer os primeiros frutos da sua vitória a Deus. Uma observação é feita de que não há concessão da Irlanda contida na carta, nem qualquer confirmação de uma concessão anterior, mas como poderíamos esperar uma segunda confirmação se a concessão de Adriano já tivesse sido confirmada de acordo com o texto em Giraldo? Não há dúvida quanto à genuinidade das três cartas de 20 de setembro. Elas são encontrados no Liber Scaccarii e são impressas em Migne (P.L. CC, col. 882). A doação de Adriano foi posteriormente reconhecida em muitos escritos oficiais, e o papa por mais de quatro séculos reivindicou a soberania da Irlanda em 1318 (1317?). Domhnall O’Neill e outros reis e chefes, e todos os leigos da Irlanda, encaminharam ao Papa João XXII uma carta de apelo e protesto. Eles afirmam na carta que o papa Adriano, induzido por falsas representações, concedeu a Irlanda a Henrique II e anexou uma cópia da Bula que o contexto mostra ser Laudabilité. Em 30 de maio de 1318, o papa escreveu de Avignon uma carta de conselho paternal a Eduardo II, pedindo que ele corrigisse as queixas dos irlandeses, e incluiu as cartas de O’Neill e “uma cópia da concessão que o papa Adriano teria feito para Henrique II “. Eduardo II não negou que ele realizou sob essa concessão. Por um ato do parlamento irlandês (Roll do Parlamento, VII Edward IV, Ann. 1467), depois de recitar que “como nosso Santo Padre Adriano, papa de Roma, possuía toda a soberania da Irlanda em seu domínio como de taxa na direita de sua Igreja de Roma, e com a intenção de que o vício fosse subjugado, alienou a dita terra ao rei da Inglaterra … por meio do qual concedeu aos ditos súditos da Irlanda sua lealdade ao rei da Inglaterra como seu soberano Senhor “, foi promulgado “que todos os arcebispos e bispos excomungarão todos os súditos irlandeses desobedientes, e se eles deixarem de fazê-lo, perderão £ 100”. Em 1555, por um decreto consistorial seguido de uma bula, Paulo IV, na humilde súplica de Filipe e Maria, erigiu em um reino a ilha de Hibernia, da qual, desde o tempo em que os reis da Inglaterra obtiveram o domínio da mesma através da Sé Apostólica, eles apenas se chamavam de Lordes (Domini), sem prejuízo dos direitos da Igreja Romana e de qualquer outra pessoa que afirme ter direito nela ou a ela. [Touro. Rom (ed. Turim.) VI, 489, 490.] Em 1570, os irlandeses ofereceram ou estavam prestes a oferecer o reinado da Irlanda a Filipe da Espanha. O arcebispo de Cashel atuou como seu enviado. O projeto foi comunicado ao Papa através do cardeal Alciato, que escreveu ao arcebispo de Cashel (9 de junho de 1570):Sua Santidade ficou surpreso que qualquer coisa desse tipo deveria ser tentada sem a sua autoridade, pois era fácil lembrar que o reino da Irlanda pertencia ao domínio da Igreja, era considerado um feudo sob ele, e não podia, portanto, a menos que ao Papa, ser submetida a qualquer novo governante. E o papa, para que o direito da Igreja seja preservado como deveria, diz que não entregará as cartas que você pede ao rei da Espanha. Mas se o próprio rei da Espanha pedir o feudo daquele reino, na minha opinião, o papa não recusaria. (Spicil. Ossor., Ed. Card. Moran, eu, 69). Em conclusão, não há, em meu julgamento, qualquer assunto controvertido na história sobre o qual a evidência prepondere em favor de uma visão tão decisivamente quanto a Doação de Adriano. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/01156c.htm
- ORAÇÃO DE SÃO PATRÍCIO
Levanto-me, neste dia que amanhece, Por uma grande força, Pela invocação da Trindade, Pela fé na Tríade, Pela afirmação da unidade Do Criador da Criação. Levanto-me neste dia que amanhece, Pela força do nascimento de Cristo em Seu batismo, Pela força da crucificação e do sepultamento, Pela força da ressurreição e ascensão, Pela força da descida para o Julgamento Final. Levanto-me, neste dia que amanhece, Pela força do amor dos Querubins, Em obediência aos Anjos, A serviço dos Arcanjos, Pela esperança da ressurreição e da recompensa, Pelas orações dos Patriarcas, Pelas previsões dos Profetas, Pela pregação dos Apóstolos Pela fé dos Confessores, Pela inocência das Virgens santas, Pelos atos dos Bem-aventurados. Levanto-me neste dia que amanhece, Pela força do céu: Luz do sol, Clarão da lua, Esplendor do fogo, Pressa do relâmpago, Presteza do vento, Profundeza dos mares, Firmeza da terra, Solidez da rocha. Levanto-me neste dia que amanhece, Pela força de Deus a me empurrar, Pela força de Deus a me amparar, Pela sabedoria de Deus a me guiar, Pelo olhar de Deus a vigiar meu caminho, Pelo ouvido de Deus a me escutar, Pela palavra de Deus em mim falar, Pela mão de Deus a me guardar, Pelo caminho de Deus à minha frente, Pelo escudo de Deus que me protege, Pela hóstia de Deus que me salva, Das armadilhas do demônio, Das tentações do vício, De todos que me desejam mal, Longe e perto de mim, Agindo só ou em grupo. Conclamo, hoje, tais forças a me protegerem contra o mal, Contra qualquer força cruel que ameace meu corpo e minha alma, Contra a encantação de falsos profetas, Contra as leis negras do paganismo, Contra as leis falsas dos hereges, Contra a arte da idolatria, Contra feitiços de bruxas e magos, Contra saberes que corrompem o corpo e a alma. Cristo guarde-me hoje, Contra veneno, Contra fogo, Contra afogamento, Contra ferimento, Para que eu possa receber e desfrutar a recompensa. Cristo comigo, Cristo à minha frente, Cristo atrás de mim, Cristo em mim, Cristo embaixo de mim, Cristo acima de mim, Cristo à minha direita, Cristo à minha esquerda, Cristo ao me deitar, Cristo ao me sentar, Cristo ao me levantar, Cristo no coração de todos os que pensarem em mim, Cristo na boca de todos que falarem em mim, Cristo em todos os olhos que me virem, Cristo em todos os ouvidos que me ouvirem. Levanto-me, neste dia que amanhece, Por uma grande força, pela invocação da Trindade, Pela fé na Tríade, Pela afirmação da Unidade, Pelo Criador da Criação. (Tradução: Ricardo Williams G. Santos) (“Esta oração, que deve ser rezada todas as manhãs, foi escrita originalmente em Gaélico em meados do século V por São Patrício, e recebeu esse nome por seu enorme poder de proteção contra inimigos do mundo físico e espiritual. É também considerada a mais antiga expressão da poesia vernácula européia.” Página Ecclesia). #Cristologia #Igreja
- ORAÇÃO DE NOA (São Basílio Magno – † 379)
Ó Soberano Senhor, Jesus Cristo, ó Deus nosso, Tu longânime para com nossos pecados, conduziste-nos até a hora presente, na qual pregado na Cruz vivificante, abriste a porta do paraíso ao ladrão agradecido e com a tua morte destruíste a morte; sê propício também a nós teus servos pecadores e indignos. Temos pecado, temos cometido iniqüidades e não somos dignos de erguer nossos olhos e de olhar para a altura do Céu, porque abandonamos o caminho da tua Justiça e temos caminhado segundo a vontade do nosso coração. Mas suplicamos a tua incomparável bondade, poupa-nos, Senhor, segundo a multidão das tuas misericórdias e salva-nos pelo teu Nome santo, porque se esvaíram na vaidade os nossos dias. Arranca-nos da mão do inimigo, perdoa os nossos pecados, mortifica os nossos pensamentos e sentimentos carnais, de modo que, deposto o homem velho, nos revistamos do novo e vivamos por Ti, nosso Senhor e Protetor. Assim, seguindo os teus mandamentos, possamos chegar ao eterno repouso, lá onde está a morada de todos os que se alegram; porque, na realidade, és Tu a verdadeira alegria e a exultação daqueles que te amam, ó Cristo nosso Deus. A Ti nós damos glória juntamente ao teu Pai sem princípio e ao santíssimo, bom, vivificante, teu Espírito, agora e sempre e nos séculos dos séculos. Amém. (Texto grego in Horologion. pp. 211-212) (Fonte: GHARIB, Georges, Os Ícones de Cristo, Ed. Paulus 1997, página 278). #Cristologia #Igreja
- 5 razões para um católico não ser comunista
É comum vermos pessoas dizerem que são católicos e comunistas. Mas é possível ser cristão e comungar de uma ideologia que já causou milhões de mortes no mundo?! Confira 5 razões para um católico não ser comunista. 1- As consequências do comunismo Ao estudarmos a história das revoluções comunistas, é impossível não ficarmos estarrecidos com os horrores que os revolucionários praticaram buscando modificar o sistema econômico de seus países. O “Livro Negro do Comunismo” estima que em meio século 100 MILHÕES de pessoas tenham sido assassinadas pelas ditaduras totalitárias, muitos, entre eles, cristãos de várias denominações. O Museum on Communism (Museu Global do Comunismo) estimou as mortes e nós sintetizamos nesta tabela: Ainda a guerra civil espanhola assassinou 12 bispos, 4.184 padres, 300 freiras, 2.363 monges, números estes estimados pelo historiador Hugh Thomas. 2- O comunismo se alimenta do ódio e promete um “paraíso” na Terra O comunismo de Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895) tem como base de sua doutrina a luta de classes, a luta entre dois grupos antagônicos: os “oprimidos” e os “opressores” (ricos x pobres, negros x brancos, gays x héteros, homens x mulheres, etc.) e é essa luta de classes que move a história. O fim da opressão e então um mundo sem desigualdades, só virá quando os oprimidos destruírem subjugarem o opressor, destruindo toda cultura opressora. Independentemente de quantos precisem morrer para isso. “Para fazer uma omelete é preciso quebrar os ovos” – Decálogo de Lenin (1913) 3- O comunismo nega Deus e a religião Marx propõe que os oprimidos façam uma revolução que acabaria com a luta de classes e criaria um paraíso terreno, sem Deus, para promover a igualdade, pois o mal do mundo é a desigualdade. Segundo Marx, a religião “é o ópio do povo”, ou seja, é um entorpecente, um meio de manter as massas sob o domínio dos poderosos, que deve ser destruída. O papa Pio XI, na Encíclica Quadragesimo Anno, escreveu: “Socialismo e Catolicismo são termos contraditórios. Ninguém pode ser socialista e católico ao mesmo tempo” 4– A desigualdade é natural e fruto da sabedoria de Deus Ao analisarmos o universo percebemos que ele é hierárquico e desigual, indo desde um mineral, passando pelos vegetais animais, homens e os anjos, há uma hierarquia que promove harmonia, cosmos. Se todo universo é regido pela ordem que atravessa a desigualdade dos seres, tal lei natural passa também pelos homens. Nos seres humanos também há desigualdades naturais dos quais não decorrem direitos (baixos, altos, gordos, magros, negros, brancos, carecas, cabeludos, fortes e fracos) e desigualdades dos quais decorrem direitos (virtuosos, pecadores, ladrões, honestos, professores, alunos, trabalhadores, vagabundos, pais e filhos). Isto quer dizer que um homem não tem direito sobre o outro por ser alto ou baixo, entretanto possui se é pai e o outro filho, ambos possuem direitos equivalente às suas prerrogativas. O magistério da Santa Igreja já se manifestou diversas vezes sobre tal assunto, mas encontramos em Leão XIII (Quod Apostolici Muneris e Humanum Genus) algo mais direto, ele diz que no homem também há desigualdades naturais e acidentais, desta forma os homens são semelhantes e não iguais. Estes possuem a mesma natureza, logo os mesmos direitos naturais. Quando os homens se aperfeiçoam, isso gera desigualdade e querer impor a maior igualdade possível entre os homens é querer que eles não se aperfeiçoem, mas decaiam. A igualdade só se pode realizar pelo nível mais baixo. Com relação a isso, Deus criou tal desigualdade exatamente para fomentar a cooperação mutua entre os homens, lembremos: a lei de Deus é o amor. 5– A propriedade privada é um bem natural. A propriedade privada, garante aos homens a liberdade e o direito ao seu trabalho para sobrevivência e o bem da família. Ela não pode ser retirada pelo Estado, pois é um bem natural dos homens. Quanto à isso o magistério diz através do Papa Pio IX: “para aqui (tende) essa doutrina nefanda do chamado comunismo, sumamente contrária ao próprio direito natural, a qual, uma vez admitida, levaria à subversão radical dos direitos, das coisas, das propriedades de todos e da própria sociedade humana” (Encíclica Qui pluribus, 1846). #Católico #comunista
- A ESPERANÇA DE VER A DEUS (São Gregório de Nissa, bispo)
A promessa de Deus é tão grande que supera o limite máximo da felicidade. O que poderá alguém desejar a mais acima deste bem, quando possui tudo naquele a quem vê? Com efeito, ver, conforme as Escrituras, significa ter. Por exemplo: Vejas os bens de Jerusalém é o mesmo que encontres tais bens. E dizendo: Seja repelido o ímpio, não veja a glória do Senhor, o Profeta quer significar por não veja que não seja participante. Por conseguinte, quem vê a Deus possui tudo quanto há de bom pelo fato de ver. Possui a vida sem fim, a eterna incorruptibilidade, a felicidade imortal, o reino sem fim, a alegria contínua, a verdadeira luz, a palavra espiritual e suave, a glória intangível, a perpétua exultação. Em suma, possui todos os bens. Decerto é enorme e imensamente valioso o que a promessa da felicidade propõe pela esperança. Contudo, como foi dito, o modo de ver a Deus repousa na pureza do coração. Neste ponto novamente o meu espírito tonteia, duvidando que esta pureza do coração consista em coisas que estejam fora de nosso alcance e que superem de muito nossa natureza. Pois se, por um lado, Deus pode ser visto através desta pureza, por outro lado, contudo, nem Moisés nem Paulo o viram. Com efeito, eles mesmos afirmam que nem eles nem outro qualquer podem ver a Deus. Sendo assim, aquela felicidade agora proposta pelo Verbo parece coisa que nem se pode realizar nem sequer imaginar. Que vantagem, pois, temos em saber de que modo se vê a Deus, se não temos a capacidade para tanto? Seria o mesmo que falar alguém sobre a felicidade de se morar no céu, porque lá se contempla o que na terra não se vê. De certo, quando se mostrasse algum caminho para ir ao céu, teria alguma utilidade para os ouvintes conhecer quanta felicidade existe em lá estar. Mas enquanto não for possível a subida, o que nos importa saber da felicidade celeste? Porventura serviria de alguma coisa senão para nos afligir e nos inquietar o ter conhecimento de que coisas estamos privados e impedidos de atingir? Será que o Senhor nos exorta a algo que supera nossa natureza e a grandeza do preceito ultrapassa as forças humanas? Não é assim, pois ele não ordena serem pássaros aqueles que não têm asas, nem a viverem dentro da água os que destinou à vida terrestre. Se, portanto, em tudo o mais a lei se ajusta à capacidade dos que a recebem e não obriga a coisa alguma acima da natureza, entendamos que também aqui será tudo conforme e não há que desesperar daquilo que nos é mostrado como felicidade. De fato, nem João nem Paulo nem Moisés nem outros como eles ficaram privados desta sublime beatitude, oriunda da visão de Deus. De fato, nem dela está privado aquele que disse: Está guardada para mim a coroa da justiça que me dará o justo Juiz; nem aquele que reclinou a cabeça no peito de Jesus; nem, igualmente, aquele que ouviu da voz divina: Eu te conheci mais que a todos. Por conseguinte, se não há dúvida de que são felizes aqueles que afirmaram estar a contemplação de Deus acima de nossas forças e se a felicidade consiste na visão de Deus e se a Deus vê quem tem o coração puro, então é claro que a pureza de coração, que torna o homem feliz, não está entre as coisas que nos são impossíveis. De fato, os que pretendem basear-se em Paulo, para declarar que a visão de Deus está acima de nossas forças, têm contra si a palavra do Senhor, que promete acesso à visão de Deus pela pureza do coração. (Das Homilias, de São Gregório de Nissa, bispo – Orat. 6: De beatitudinibus: PG 44,1266-1267 – Séc. IV). #Cristologia #Igreja
- O DIREITO ISLÂMICO: MENTIR, ROUBAR E MATAR
Este é um texto de vários que vou fazer sobre o islã, já tem alguns publicados, no final vou colocar em PDF pra quem quiser saber mais sobre o assunto. O DIREITO ISLÂMICO: MENTIR, ROUBAR E MATAR Vamos iniciar esse texto mostrando o que move o espírito do islã, o intuito é de mostrar que a primeira cruzada foi inevitável, pois o Islã não só ordena guerrear contra os infiéis (todos que não aceitam o islã) e subjulgá-los ao domínio islâmico, ele também permite mentir roubar e matar com vistas a promovê-lo. O islã não tem uma ética, um código moral como os dez mandamentos; o islã não partilha da mesma visão moral que o judaísmo e o cristianismo, eles aceitam tudo que faça o islã ganhar terreno no mundo. Para um mulçumano mentir é errado, mas exceto quando tem objetivo coerente com o islã, em outras palavras, se é bom para o islã, é certo, é permitido, roubar e matar em certas circunstâncias. Vejamos sobre o que Maomé ensinava sobre dizer a verdade: “estais obrigados a dizer a verdade, pois a verdade leva ao paraíso, e aquele que continue a dizer a verdade será tido na conta de verdadeiro por Alá, e tomai vós cuidado com o mentir, pois que a mentira leva à obscenidade, é obscenidade leva ao fogo do inferno, é aquele que continue a mentir e se empenhe em mentir será tido na conta de mentiroso por Alá”. Só que há um porém nessa questão, como em tantos outros princípios islâmicos, a questão entre os fiéis. Quando se trata dos infiéis, particularmente aqueles em guerra com os muçulmanos, aí Maomé já enuncia outro princípio: “guerrear é enganar”. Disse ele com todas as letras que mentir era permissível em batalha. Dai nasceram dois duradouros princípios islâmicos: a autorização ao assassinato político em honra do profeta e sua religião e a autorização a prática do ludíbrio em tempos de guerra, as doutrinas do ludíbrio — taqiyya e kitman — costumam serem identificadas com o Islã xiita e ostensivamente repudiados pelos sunitas (85% dos muçulmanos no mundo) no entanto, Como foram sancionadas pelo profeta ainda perduram em tradições acreditadas pelo sunitas. Veja como o Alcorão ensina aos seus seguidores a mentir aos infiéis: “os fiéis não tomem por confidentes os incrédulos em detrimento de outros fiéis, aqueles que assim procederem, de maneira alguma terão o auxílio de Alá, salvo se for por precaução ir resguardo contra eles”. Em outras palavras pode-se fazer amizade com os incrédulos contanto que seja por precaução e resguardo Contra Eles”: finga ser amigo deles para se fortalecer Contra Eles. Um Comentador bastante conhecido no mundo islâmico Ibn kathir explica que, nesse Versículo, “Alá proibiu a seus servos crentes colaborar com os incrédulos, ou fazer amizade vou camaradagem com Eles, isso de preferência há outros crentes”. Eximen-se desta regra “os que, em determinadas áreas ou épocas, tenham sua segurança ameaçada por incrédulos. Tais crentes, neste caso, ficam autorizados a fazer em amizade com os incrédulos por fora mas jamais por dentro, uma amizade sem sinceridade, apenas aparentemente. ROUBAR: É CERTO, SÓ É QUESTÃO DE QUEM O MULÇUMANO ROUBA O direito islâmico é notório por impor punições severas, e talvez a mais conhecida de todas seja a amputação por roubo: “é o ladrão e a ladra, cortai-lhes, a ambos, a mão, como castigo do que cometeram, como exemplar Tormento de Alá. E Alá é todo poderoso, sábio” (Corão 5:38). Mas, uma vez mais vemos a contradição dessa religião, pois a situação muda quando se trata de infiéis considerados beligerantes contra o Islã. O alcorão dispõe de leis para distribuição dos espólios de guerra, desde que se destine um quinto para Alá e obras de caridade Corão (8:41). É de conhecimento também que Maomé, Após assinar o Tratado de Hudaybiyan com os coraixitas, tranquilizou seus seguidores, que estavam totalmente confusos e decepcionado, os tranquilizou com a promessa de mais espolios: “Alá prometeu que vós ainda obtereis muitos espólios” (Corão 48:20) — é, depois de então, por numerosas vezes vieram os mulçumanos a colher o butim (espólios) das suas inovações. MATAR: É TUDO UMA QUESTÃO DE QUEM VOCÊ VAI MATAR Se você conversar com apologia estamos humano ele vai sentar ocorram 5: 32, “prescrevemos os filhos de Israel que quem mata uma pessoa, sem que esta haja matado outro ou semeado a corrupção na terra, será como se matasse todos os homens”. Entretanto, esse surrado versículo não é totalmente abrangente a proibição do assassinato que pode parecer aos incautos. Antes de mais nada, ele se refere aos filhos de Israel, no tempo passado; não sei dirigir e nunca se dirigiu aos muçulmanos. Sim ele faz parte de uma advertência ao judeus para não guerrearam contra Maomé, se não receberia um castigo terrível. A grande questão aí é que, não obstante Alá ter avisado os filhos de Israel para pararem de “semear a corrupção na terra”, eles mesmos assim continuaram: Prescrevemos os filhos de Israel que quem mata uma pessoa, sem que esta haja matado outra o semeado a corrupção na terra, será como se matasse todos os homens. E quem dita a vida será como se deve à Vida a todos os homens. E com efeito, Nossos mensageiros chegaram-lhes com as evidências; em seguida, por certo, muito deles[…] Continuaram entregue a excessos na terra. A recompensa (o castigo) dos que fazem guerra a Alá e a ser o mensageiro, e se esforçam sem semear a corrupção na terra, não é senão serem crucificados, ou terem cortadas as mãos e os pés de lados opostos, ou serem banidos da terra. Isso lhes ignomínia na vida terrena, e na derradeira vida terão formidável castigo (Corão 5: 32-33). A luz das ordens do Corão para “matar os idólatras” (9:5, 2:191) deverá ficar claro Como nessa situação, tal como em tantas outras, havia um critério para os muçulmanos e outro para os não-muçulmanos. Com efeito, O Corão estipula que “não pode um crente matar outro crente, a não ser por engano” (Corão 4:92), mas em momento algum faz uma declaração semelhante há pessoas que não sejam seguidores do Islã. Isso, como era de prever, terminou por estabelecer do direito islâmico dois pesos e Duas Medidas. Assim dita a escola shafiista de jurisprudência muçulmana sunita: “matar sem direito a tal é, depois da descrença, uma das piores atrocidades”. Determina que “é obrigatória A Retaliação[…] contra quem mate ilegitimamente um ser humano pela intenção pura de matar”. Obstante à Retaliação, contudo, no caso de um muçulmano matar um não-mulçumano”, no seu comentário muçulmano à declaração universal dos direitos humanos, o xeique Sultan Hussein Tabandeh, Líder Sufi que exerceu considerável influência na modelagem do sistema jurídico da República islâmica de Khomeini, emite parecer favorável à pena capital caso um muçulmano seja só assassinado, e desfavorável a ela caso o assassino seja Muçulmano e a vítima Não: “Visto que o islã considera pertencerem os não-muçulmanos a um nível inferior de crença e convicção, caso um muçulmano mate um não muçulmano,[…] então não deverá ser a pena dele a morte retaliativa, já que sua fé e sua convicção sobrelevam as do homem assassinado. Seja-lhe cobrado não mais que uma multa. Bryjar Lia, The Society of The muslim Brothers in Egypt. Ithaca pressão, 1998, 28. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Cruzadas
- “NÃO VOS DEIXAREIS ÓRFÃOS. VOLTAREI A VÓS.” (João 14,18).
Este verso não fala da volta de Cristo Jesus nos moldes apresentados em João 14,1-4 (Parusia): “Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais. E vós conheceis o caminho para ir aonde vou.” Trata-se da presença puramente espiritual de Jesus entre nós: O CRISTO-SABEDORIA (cf. João 14,21): “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele.” Em companhia de DEUS-PAI (cf. João 14,23): “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada.” ÓRFÃOS – grego “orfanouV”: este termo aparece duas vezes no Novo Testamente: a) em João 14,18: “Não vos deixarei ÓRFÃOS. Voltarei a vós.” b) em Tiago 1,27: “A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai é esta: visitar os ÓRFÃOS e as viúvas nas suas aflições, e conservar-se puro da corrupção deste mundo.” Qual o sentido encontrado na Tradição para o uso de Jesus Cristo em João 14,18?! Ou seja, por que o Mestre de Nazaré fez uso da palavra ÓRFÃOS em João 14,18?! Exatamente porque os discípulos de um mestre eram conhecidos e considerados socialmente como filhos desse mestre. Desta forma, acontecendo a morte física do mestre, os discípulos passavam a ser vistos e chamados de ÓRFÃOS no seio da sociedade. Cristo Jesus chamava seus discípulos de “filhos”; “filhinhos” ou “amadas criancinhas” (cf. João 13,33): “Filhinhos [“teknia”] meus, por um pouco apenas ainda estou convosco. Vós me haveis de procurar, mas como disse aos judeus, também vos digo agora a vós: para onde eu vou, vós não podeis ir.” Da mesma maneira, os apóstolos – geradores de filhos para Deus, em Cristo Jesus, chamavam seus catequizandos de “filhinhos” (cf. Gálatas 4,19): “MEUS AMADOS FILHOS [“teknia”], novamente estou sofrendo COMO QUE COM DORES DE PARTO POR VOSSA CAUSA, e isso até que Cristo seja formado em vós.” E mais: “FILHINHOS[“teknia”] meus, isto vos escrevo para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.” (1 João 2,1). FILHINHOS = MINHAS AMADAS CRIANÇAS: Portanto, nos contextos de Jesus, de Paulo e de João, os termos “FILHOS” ou “FILHINHOS” denotam o grande carinho e ternura que o Mestre por excelência e seus apóstolos (mestres secundários) têm por seus filhos e filhas espirituais de todas as idades. Os apóstolos são PAIS ESPIRITUAIS de seus CATEQUIZANDOS. Jesus Cristo, como mestre maior, promete a seus filhos/discípulos que não os deixará órfãos. E Cristo Jesus cumpre perfeitamente sua promessa de duas distintas maneiras: a) por sua ressurreição gloriosa dentre os mortos (cf. João 20; Atos dos Apóstolos 1,3): “E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus.” (Atos 1,3). b) pelo envio do Espírito Santo – “O OUTRO ADVOGADO” (cf. Lucas 24,49; João 14,16-18; Atos 1,4-5.8; 2,33): “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará (((outro Paráclito))), para que fique eternamente convosco…” (João 14,16). “kai egw erwthsw ton patera kai (((allon paraklhton))) dwsei umin ina menh meq umwn eiV ton aiwna…” (João 14,16). “κἀγὼ ἐρωτήσω τὸν πατέρα καὶ (((ἄλλον παράκλητον))) δώσει ὑμῖν ἵνα μεθ᾽ ὑμῶν εἰς τὸν αἰῶνα ᾖ,..” (João 14,16). João 14,16 é uma profecia, cujo cumprimento se deu no Domingo de Pentecostes (abertura da causa da Igreja Neotestamentária aos judeus, cf. Atos 2). “OUTRO”: “não eu, mas outra pessoa divina”. “E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca; “porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias.” (Atos 1,4-5). Todas as vezes que o Espírito Santo é derramado sobre os filhos de Deus, Cristo Jesus retorna a nós, haja que o “OUTRO PARÁCLITO” testifica, recorda e revela O CRISTO entre nós. Sim, a ação de testificar tem como sujeito a Pessoa do Espírito Santo. O Espírito Santo nos chega como Conselheiro: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco.” (João 14,16). Assim, pela ressurreição gloriosa de Cristo (os 40 dias que Jesus permaneceu entre os discípulos após a ressurreição: aparecendo-lhes e repassando-lhes instruções) e pelo envio do ESPÍRITO DA VERDADE no dia de PENTECOSTES (Atos 2), temos a certeza plena de que Jesus cumpriu fielmente sua promessa de que não deixaria seus discípulos (filhinhos) órfãos (João 14,18). “Aquele que atesta estas coisas diz: Sim! Eu venho depressa! Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Apocalipse 22,20). Fontes: Bíblia Ave Maria; Bíblia de Jerusalém e Tradução Ecumênica da Bíblia – TEB. #Cristologia #Igreja
- A GLÓRIA DE DEUS É O HOMEM VIVO; E A VIDA DO HOMEM É A VISÃO DE DEUS (Santo Irineu de Lião, bispo e
O esplendor de Deus dá a vida. Consequentemente, os que veem a Deus recebem a vida. Por isso, aquele que é inacessível, incompreensível e invisível, torna-se compreensível e acessível para os homens, a fim de dar a vida aos que o alcançam e veem. Assim como viver sem a vida é impossível, sem a participação de Deus não há vida. Participar de Deus consiste em vê-lo e gozar da sua bondade. Por conseguinte, os homens hão de ver a Deus para poderem viver. Por esta visão tornam-se imortais e se elevam até ele. Como já disse, estas coisas foram anunciadas pelos profetas de modo figurado: que Deus seria visto pelos homens que possuem seu Espírito e aguardam sem cessar sua vinda. Assim também diz Moisés no Deuteronômio: Nesse dia veremos que Deus pode falar ao homem, sem que este deixe de viver (cf. Dt 5,24). Deus, que realiza tudo em todos, é inacessível e inefável, quanto ao seu poder e à sua grandeza, para os seres por ele criados. Mas não é de modo algum desconhecido, pois todos sabemos, por meio do seu Verbo, que há um só Deus Pai que contém todas as coisas e dá existência a todas elas, como está escrito no Evangelho: A Deus, ninguém jamais viu. Mas o Unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer (Jo 1,18). Portanto, quem desde o princípio nos dá a conhecer o Pai é o Filho, que desde o princípio está com o Pai. As visões proféticas, a diversidade de carismas, os ministérios, a glorificação do Pai, tudo isto, como uma sinfonia bem composta e harmoniosa, ele manifestou aos homens, no tempo próprio, para seu proveito. Porque onde há composição, há harmonia; onde há harmonia, tudo acontece no tempo próprio; e quando tudo acontece no tempo próprio, há proveito. Por esta razão, o Verbo se tornou o administrador da graça do Pai para proveito dos homens. Em favor deles, pôs em prática o seu plano: mostrar Deus ao homem e apresentar o homem a Deus. No entanto, conservou a invisibilidade do Pai: desta forma o homem não desprezaria a Deus e seria sempre estimulado a progredir. Ao mesmo tempo, mostrou também, por diversos modos, que Deus é visível aos homens, para não acontecer que, privado totalmente de Deus, o homem chegasse a perder a própria existência. Pois a glória de Deus é o homem vivo, e a vida do homem é a visão de Deus. Com efeito, se a manifestação de Deus, através da criação dá a vida a todos os seres da terra, muito mais a manifestação do Pai, por meio do Verbo, dá a vida a todos os que veem a Deus. (Do Tratado Contra as Heresias, de Santo Irineu de Lião, bispo e mártir – Lib. 4,20,5-7: Sch 100, 640-642.644-648 – Séc. II) #Cristologia #Igreja
- Papa Santo Adriano III (884-885 DC)
O Papa Santo Adriano III, de ascendência romana, foi eleito no início do ano de 884 e morreu perto de Modena no verão do ano seguinte, a caminho da dieta convocada por Carlos, o Gordo, para determinar a sucessão do Império. Ele foi enterrado no mosteiro de Nonantula, onde sua memória desde então foi mantida na veneração local. Por decreto do Papa Leão XIII, o clero de Roma e Modena celebram sua missa e o ofício ritu duplici em 7 de setembro. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/01156b.htm
- Papa Adriano II (867-872 DC.)
Depois da morte de São Nicolau I, o clero romano e o povo elegeram, muito contra a sua vontade, o venerável Cardeal Adriano, universalmente amado por sua caridade e amabilidade, descendia de uma família romana que já havia dado dois pontífices à Igreja, Estevão III e Sérgio II. Adriano tinha agora setenta e cinco anos e, duas vezes antes, recusara a dignidade. Ele havia se casado antes de receber as ordens e sua velhice estava entristecida por uma tragédia doméstica. Como papa, ele seguiu de perto os passos de seu antecessor enérgico. Ele se esforçou para manter a paz entre os descendentes gananciosos e incompetentes de Carlos Magno. Numa entrevista no Monte Cassino, admitiu à comunhão o arrependido rei Lotário de Lorraine, depois de lhe exigir um juramento público de que não manteria relações sexuais com a sua concubina desde a proibição do papa, que aceitaria de volta a legítima esposa Theutberga e permaneceria pela decisão final da Sé Romana. Ele sustentou com vigor contra Incmaro de Reims o direito ilimitado dos bispos de apelar ao Soberano Pontífice. No Oitavo Concilio Ecumênico, que ele convocou em Constantinopla em 869, e presidiu através de dez legados, ele efetuou a deposição de Fócio e a restauração da unidade entre o Oriente e o Ocidente. Ele não teve sucesso em manter os búlgaros para o patriarcado ocidental; aquela nação imprudentemente determinou a aderir a Constantinopla, um curso que estava destinado a trazer sobre ela a ruína e a estagnação. Adriano salvou os eslavos ocidentais de um destino semelhante, apoiando os esforços dos irmãos santos, Cirilo e Metódio. De influência duradoura, para o bem ou para o mal, foi o endosso que ele deu à sua interpretação da liturgia na língua eslava. Adriano morreu no final do ano 872. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/01156a.htm
- Papa São Zacarias (741-52 D.C)
Reinado 741-52. Ano de nascimento desconhecido; morreu em março de 752. Zacarias nasceu de uma família grega que vivia na Calábria; seu pai, de acordo com o “Liber Pontificalis”, foi chamado Policrônio. Muito provavelmente ele era um diácono da Igreja Romana e, como tal, assinou os decretos do Concílio Romano de 732. Após o enterro de seu predecessor Gregório III em 29 de novembro de 741, ele foi imediatamente e por unanimidade eleito papa e consagrado e entronizado em 5 Dezembro. Seu biógrafo no “Liber Pontificalis” descreve-o como um homem de caráter gentil e conciliatório que era caridoso em relação ao clero e ao povo. De fato, o novo papa sempre se mostrou perspicaz e conciliatório em suas ações e, assim, seus empreendimentos foram muito bem sucedidos. Logo após sua elevação, ele notificou Constantinopla de sua eleição; É notável que sua sinódica (carta) não foi dirigida ao patriarca iconoclasta Anastácio, mas à Igreja de Constantinopla. Os enviados do papa também trouxeram uma carta para o imperador. Após a morte de Leão III (18 de junho de 741), seu sucessor foi seu filho Constantino V, Copronimo. No entanto, em 742, o cunhado de Constantino, Artabasdo, levantou uma revolta contra o novo imperador e estabeleceu-se em Constantinopla; assim, quando os enviados papais chegaram a Constantinopla, encontraram Artabasdo o governante lá. Tão tarde quanto 743 as cartas papais foram datadas do ano do reinado de Constantino V; em 744, no entanto, elas são datadas do ano do reinado de Artabasdo. Ainda assim, os enviados papais não pareciam ter relações próximas com o usurpador em Constantinopla, embora o último restabelecesse o culto das imagens. Depois que Constantino V derrubou seu rival, os enviados do papa lhe entregaram a carta papal na qual Zacarias exortou o imperador a restaurar a doutrina e a prática da Igreja em relação ao culto das imagens. O imperador recebeu os enviados de maneira amistosa e presenteou a Igreja Romana com as aldeias de Nympha e Normia (Norba) na Itália, que com seus territórios se estendiam até o mar. Quando Zacarias subiu ao trono, a posição da cidade e do Ducado de Roma era muito séria. Liutprando, rei dos lombardos, preparava uma nova incursão em território romano. O duque Trasamundo de Spoleto, com quem o papa Gregório III havia formado uma aliança contra a Liutprando, não cumpriu sua promessa de ajudar os romanos a recuperar as cidades ocupadas pelos lombardos. Consequentemente, Zacarias abandonou a aliança com Trasamundo e procurou proteger os interesses de Roma e do território romano por influência pessoal sobre a Liutprando. O papa foi até Terni para ver o rei lombardo que o recebeu com todas as marcas de honra. Zacarias conseguiu obter de Liutprando que as quatro cidades de Ameria, Horta, Polimartium e Blera deveriam ser devolvidas aos romanos, e que todos os patrimônios da Igreja Romana que os lombardos tinham tirado dela nos últimos trinta anos deveriam ser devolvidos; ele também foi capaz de concluir uma trégua por vinte anos entre o ducado romano e os lombardos. Uma capela para o Salvador foi construída na igreja de São Pedro, em Roma, em nome de Liutprando, na qual os feitos a respeito desse retorno de propriedade foram colocados. Depois do retorno do papa, o povo romano foi em procissão solene a São Pedro para agradecer a Deus pelo feliz resultado dos esforços do papa. Durante todo o caso, o papa aparece como governante secular de Roma e do território romano. No ano seguinte, Liutprando se preparou para atacar o território de Ravena. O exarcado bizantino de Ravena e o arcebispo imploraram ao Papa Zacarias que interviesse. Este último enviou enviados ao rei lombardo e, quando estes não tiveram sucesso, ele foi para Ravena e de lá para Pavia para ver Liutprando. O papa chegou a Pavia na véspera da festa dos Santos Pedro e Paulo Ele celebrava a vigília e a festa dos príncipes dos apóstolos em Pavia, e conseguiu induzir o rei a abandonar o ataque a Ravena e a restaurar o território pertencente à própria cidade. Liutprando morreu pouco tempo depois de seu primeiro sucessor, Hildebrando ser deposto, Ratchis se tornou o rei dos lombardos. O papa estava no melhor dos termos com ele. Em 749 o novo rei confirmou o tratado de paz com o ducado romano. No mesmo ano em que Ratchis abdicou, com sua esposa e filha fizeram os votos monásticos perante o papa, e todos os três entraram na vida monástica. Em 743, o papa Zacarias realizou um sínodo em Roma, no qual participaram sessenta bispos. Este sínodo emitiu catorze cânones em vários assuntos da disciplina da igreja. Nessa ocasião, o papa abordou a questão dos impedimentos ao casamento de parentesco no quarto grau, em relação aos quais os alemães afirmavam ter obtido uma dispensa do papa Gregório II. No ano anterior, Zacarias escrevera sobre esse ponto aos bispos e reis daquela província. Uma correspondência ativa foi mantida entre Zacarias e São Bonifácio. Este último, em seus trabalhos zelosos, organizou a Igreja nos territórios alemães e, ao fazê-lo, manteve-se em estreita ligação com a Sé Apostólica. No início de 742, logo após sua elevação, Zacarias recebeu uma carta de Bonifácio na qual o santo expressou sua total submissão ao possuidor da Cátedra de Pedro e solicitou então a confirmação dos três recém-estabelecidos bispados de Wurzburgo, Buraburgo e Erfurt; Bonifácio também buscou autoridade para realizar um sínodo na França e reprimir abusos nas vidas do clero. O papa confirmou as três dioceses e encarregou Bonifácio de participar, como legado papal, do sínodo franco que Carlomano desejava manter. Em uma carta posterior, Zacarias confirmou os metropolitas de Rouen, Reims e Sens nomeados por Bonifácio, e também confirmou a condenação dos dois hereges Adelberto e Clemente. Várias questões em que o papa e Bonifácio discordaram foram discutidas em cartas. Em 745 foi realizado o sínodo geral para o reino franco chamado por Pepino e Carlomano. Aqui foram decretados decretos contra eclesiásticos indignos, e os dois hereges, Adelberto e Clemente, foram novamente condenados. Bonifácio enviou um padre franco a Roma para fazer um relatório ao papa, e este último realizou em 25 de outubro de 745, um sínodo em Latrão, no qual, após exaustiva investigação, um anátema foi pronunciado contra os dois hereges. Zacarias encaminhou as atas do sínodo com uma carta a Bonifácio. Pepino e os bispos francos enviaram uma lista de perguntas sobre a disciplina do clero e da população cristã ao papa Zacarias, e o último respondeu em uma carta de 746, na qual decisões sobre os vários pontos são dadas. Essas decisões foram comunicadas a Bonifácio de modo que ele pudesse torná-las conhecidas em um sínodo franco. No ano seguinte, 747, Carlomano renunciou à sua autoridade e ao mundo, foi para Roma e foi recebido pelo papa Zacarias em uma ordem monástica. No começo ele morou no mosteiro de Soracte, depois em Monte Cassino. Graças aos esforços de São Bonifácio, todos os bispos francos foram agora aceitos em submissão à Sé de São Pedro. Zacarias enviou ainda outras cartas aos bispos da Gália e da Alemanha, e também a Bonifácio como legado papal para a Igreja desta região. Bonifácio estava constantemente em relações com Roma, tanto por cartas como por enviados, e enviava questões importantes ao papa para a decisão. Uma prova importante do reconhecimento pelos francos do alto poder moral do papado é demonstrada pelo apelo à autoridade papal na ocasião da derrubada da dinastia merovíngia. Os embaixadores de Pepino, o bispo Burkardo de Wurzburgo e o capelão Folrado de São Diniz, colocaram a questão diante de Zacarias: se lhe parecia certo que alguém que não possuia realmente poder real pudesse ser o rei. O papa declarou que isso não lhe parecia bom e que, sob a autoridade do papa, Pepino considerava-se justificado em proclamar-se rei dos francos. A atividade eclesiástica do papa também se estendeu à Inglaterra. Através de seus esforços, o Sínodo de Cloveshove foi realizado em 747 para a reforma da disciplina da igreja, de acordo com o conselho dado pelo papa e em imitação da Igreja Romana. Zacarias foi muito zeloso na restauração das igrejas de Roma, para as quais ele fez aperfeiçoamentos caros. Ele também restaurou o palácio de Latrão e estabeleceu vários grandes domínios como os bens fundiários estabelecidos (domus cultæ) da Igreja Romana. O papa transladou para a Igreja de São Jorge em Velabro a cabeça do mártir São Jorge, que foi encontrada durante os reparos do decadente Palácio de Latrão. Ele era muito benevolente com os pobres, aos quais as esmolas eram dadas regularmente no palácio papal. Quando os comerciantes de Veneza compraram escravos em Roma para vendê-los novamente aos sarracenos na África, o papa comprou todos os escravos, para que os cristãos não se tornassem propriedade de pagãos. Assim, numa época conturbada, Zacarias provou ser um excelente, capaz, vigoroso e caridoso sucessor de Pedro. Ele também realizou estudos teológicos e fez uma tradução dos Diálogos de Gregório, o Grande, para o grego, que foi amplamente divulgada no Oriente. Após sua morte, Zacarias foi enterrado em São Pedro. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/15743b.htm
- Jogaram 32 hóstias consagradas ao chão: uma menina viu e nos deu uma grande lição
por Editor ChurchPOP O Servo de Deus Arcebispo Fulton Sheen, a quem é atribuído um possível milagre, contou meses antes da sua morte em 1979 que sua maior inspiração foi uma menina chinesa de onze anos que morreu pela Eucaristia. O Arcebispo Sheen relatou durante uma entrevista que quando os comunistas se apoderaram da China por volta do século XX, prenderam um sacerdote em sua própria reitoria próximo à Igreja. O sacerdote observou assustado, de sua janela, como os comunistas invadiram o templo. Eles pegaram do tabernáculo as âmbulas com as espécies sagradas, atirando-a ao chão, espalharam-se as 32 hóstias consagradas. Na parte de trás da igreja havia uma menininha que rezava e viu tudo o que tinha acontecido. À noite, a pequena regressou e, escapando da guarda posta na reitoria, entrou no templo. Ali, fez uma hora santa de oração, um ato de amor para reparar o ato sacrílego. Depois, ajoelhou-se e, inclinando-se para frente, com sua língua comungou uma das Sagradas Hóstias. Cabe recordar que, naquele tempo, os leigos não podiam tocar a Eucaristia com suas mãos. A menina regressou a cada noite e, depois de sua hora santa, recebia Jesus Eucarístico na língua. Na trigésima segunda noite, depois de consumir a última hóstia, acidentalmente fez um barulho que despertou o guarda. Este correu atrás dela, agarrou-a e golpeou-a até matá-la com a parte posterior de sua arma. O sacerdote preso presenciou profundamente abatido este ato de martírio heroico. Posteriormente, quando o Arcebispo Sheen escutou o relato, prometeu a Deus que faria uma hora santa diária diante de Jesus Sacramentado, pelo resto de sua vida. A pequena ensinou ao Bispo a coragem e o amor que devemos ter pelo Santíssimo Sacramento e como a fé pode vencer o medo porque o verdadeiro amor à Eucaristia deve transcender à própria vida. #hostias #jogaram #Grande #consagradas #menina
- A História de José, o Carpinteiro (400 DC) [Apócrifo]
ASSIM JOSÉ, o Carpinteiro, pai de Cristo segundo a carne, abandonou esta vida mortal e viveu cento e doze anos. Quando nosso Salvador contou toda a sua vida aos apóstolos, reunidos no monte das Oliveiras, eles escreveram as suas palavras, e depois guardaram-nas na biblioteca de Jerusalém, e além disso, deixaram consignado que o dia no qual o santo ancião separou-se do seu corpo foi o dia 26 de Epep, na paz do Senhor. Amém. Capítulo 1 1 E estava um dia nosso bom Salvador no monte das Oliveiras com os discípulos à sua volta e dirigiu-se a eles com estas palavras: “Meus queridos irmãos, filhos de meu amado Pai, escolhidos por Ele entre todos do mundo! 2 Bem sabeis o que tantas vezes vos repeti: é necessário que eu seja crucificado e que experimente a morte; que ressuscite de entre os mortos; que vos transmita a mensagem do Evangelho para que vós, de vossa parte, o pregueis por todo o mundo; que eu faça descer sobre vós uma força do alto, a qual vos impregnará com o Espírito Santo; e que vós, finalmente, pregueis para todas as pessoas desta maneira: `Fazei penitência’. 3 Porque vale mais um copo de água na vida vindoura que todas as riquezas deste mundo; 4 e vale mais pôr somente o pé na casa de meu Pai que toda a riqueza deste mundo; 5 e mais ainda: vale mais uma hora de regozijo para os justos que mil anos para os pecadores, durante os quais hão de chorar e lamentar, sem que ninguém preste atenção nem console seus gemidos. 6 Quando, pois, meus queridos amigos, chegue a hora de ir-vos, pregai, que meu Pai exigirá contas com balança justa e equilibrada e examinará até as palavras inúteis que possais haver dito. 7 Assim como ninguém pode escapar à mão da morte, da mesma maneira\ninguém pode subtrair-se de seus próprios atos, sejam eles bons ou maus. 8 Além disso, vos tenho dito muitas vezes, e repito agora, que nenhum forte poderá salvar-se por sua própria força e nenhum rico pelo tamanho da sua riqueza. 9 E agora, escutai, que narrar-vos-ei a vida de meu pai José, o abençoado ancião carpinteiro. Capítulo 2 1 “Havia um homem chamado José que veio de Belém, essa vila judia que é a cidade do rei Davi. 2 Impunha-se pela sua sabedoria e pelo seu oficio de carpinteiro. 3 Este homem, José, uniu-se em santo matrimônio com uma mulher que lhe deu filhos e filhas: quatro homens e duas mulheres, cujos nomes eram: Judas e Josetos, Tiago e Simão; suas filhas chamavam-se Lísia e Lídia. 4 E a esposa de José morreu, como está determinado que aconteça a todo homem, deixando seu filho Tiago ainda menino de pouca idade. 5 José era um homem justo e dava graças a Deus em todos os seus atos. Costumava viajar para fora da cidade com freqüência para exercer o oficio de carpinteiro em companhia de seus dois filhos, já que vivia do trabalho de suas mãos conforme o que estabelecia a lei de Moisés. 6 Este homem justo, de quem estou falando, é José,meu pai segundo a carne, com quem se casou na qualidade de consorte, minha mãe, Maria. Capítulo 3 1 “Enquanto meu pai José permanecia viúvo, minha mãe, a boa e bendita entre as mulheres, vivia por sua parte no templo servindo a Deus em toda a santidade, e havia já completado doze anos. Passara os seus três primeiros anos na casa de seus pais, e os nove restantes no templo do senhor. 2 E, ao ver que a santa donzela levava uma vida simples e plena de temor 488 a Deus, os sacerdotes conversaram entre si e disseram: `Busquemos um homem de bem e celebremos o casamento com ele até que chegue o momento de seu matrimônio, que não seja por descuido nosso que lhe sobrevenha o período de sua purificação no templo, nem que venhamos a incorrer num pecado grave. Capítulo 4 1 “Convocaram então as tribos de Judá e escolheram entre elas doze homens correspondendo ao número das doze tribos. 2 A sorte recaiu sobre o bom velho José, meu pai segundo a carne. 3 Disseram, então, os sacerdotes à minha mãe, a Virgem: Vai com José e permanece submissa a ele até que chegue a hora de celebrar teu matrimônio. 4 Então José levou Maria, minha mãe, para sua casa. Ela encontrou o pequeno Tiago na triste condição de órfão e o cobriu de carinhos e cuidados. Esta foi a razão pela qual a chamaram Maria a mãe de Tiago. 5 Então, depois de tê-la acomodado em sua casa, José partiu para o local onde exercia o ofício de carpinteiro. 6 E minha mãe Maria viveu dois anos em sua casa até que chegou o feliz momento. Capítulo 5 1 “E no décimo quarto ano de idade Eu, Jesus, Vossa Vida, vim habitar nela por meu próprio desejo. 2 E aos três meses de gravidez o solícito José voltou de suas ocupações. Porém, ao encontrar minha mãe grávida, presa à turbação e ao medo, pensou secretamente em abandoná-la. E foi tão grande o desgosto, que não quis comer nem beber naquele dia. Capítulo 6 1 “Eis, porém, que durante a noite, mandado por meu Pai, Gabriel, o arcanjo da alegria, lhe apareceu numa visão e lhe disse: ‘José, filho de Davi, não tenhas cuidado em admitir Maria, tua esposa, em tua companhia. Saberás que o que foi concebido em seu ventre é fruto do Espírito Santo. 2 Dará, então, à luz um filho, a quem tu porás o nome de Jesus. Ele apascentará os povos com o cajado de ferro’. 3 Finalmente o anjo desapareceu. E José, voltando do sono, cumpriu o que lhe havia sido ordenado, admitindo Maria consigo. Capítulo 7 1 “E então o imperador Augusto fez proclamar que todos deveriam comparecer ao recenseamento, cada um conforme seu lugar de origem. 2 Também o bom velho se pôs a caminho e levou Maria, minha virgem mãe, até a sua cidade de Belém. E, como o par-to já estava próximo, ele fez o escriba anotar seu nome da seguinte maneira: ‘José, filho de Davi; Maria, sua esposa, e seu filho Jesus, da tribo de Judá’. 3 E Maria, minha mãe, trouxe-me ao mundo quando retomava de Belém, perto do túmulo de Raquel, a mulher do patriarca Jacó, a mãe de José e Benjamim. Capítulo 8 1 “Satanás deu um conselho a Herodes o Grande, pai de Arquelau, aquele que fez decapitar meu querido parente João. 2 E assim ele me procurou para tirar-me a vida, porque pensava que meu reino era deste mundo. 3 Meu Pai manifestou isto a José numa visão, e este pos-se imediatamente em fuga levado consigo a mim e à minha mãe, em cujos braços eu ia deitado. Salomé também nos acompanhava. Descemos, então, até o Egito e ali permanecemos por um ano, até que o corpo de Herodes foi presa da corrupção como castigo justo pelo sangue dos inocentes que ele havia derramado, e dos quais já nem se lembrava. Capítulo 9 1 “Quando o iníquo Herodes deixou de existir, voltamos a Israel e fomos viver em uma vila da Galiléia chamada Nazaré. 2 E meu pai José, o bendito ancião, continuava exercendo o oficio de carpinteiro, graças ao quê podíamos viver. Jamais poder-se-á dizer que ele comeu seu pão de graça, mas sim que se conduzia de acordo com o prescrito na lei de Moisés. Capítulo 10 1 “E, depois de tanto tempo, seu corpo não se mostrava doente, nem tinha a vista fraca, nem havia sequer um só dente estragado em sua boca. Nunca lhe faltou a sensatez e a prudência e sempre conservou intacto o seu sadio juízo, mesmo já sendo um venerável ancião de cento e onze anos. Capítulo 11 1 “Seus dois filhos mais velhos, Josetos e Simão, casaram-se e foram viver em seus próprios lares. Da mesma forma suas duas filhas se casaram, como é natural entre os homens, e José ficou com o seu pequeno filho Tiago. 2 Eu, de minha parte, desde que minha mãe me trouxe a este mundo, estive sempre submisso a ele como um menino, e fiz o que é natural entre os homens, exceto pecar. 3 Chamava Maria de ‘minha mãe’ e José ‘meu pai’. Obedecia-os em tudo o que me pediam, sem ter jamais me permitido replicar-lhes com uma palavra, mas sim mostrar-lhes sempre um grande carinho. Capítulo 12 1 “Chegou, porém, para meu pai José a hora de abandonar este mundo, que é a sorte de todo homem mortal. 2 Quando seu corpo adoeceu, veio um anjo anunciar-lhe: ‘Tua morte darse- á neste ano’. 3 E, sentindo sua alma cheia de turbação, ele fez uma viagem até Jerusalém, entrou no templo do Senhor, humilhou-se diante do altar e orou desta maneira: Capítulo 13 1 O Deus, pai de toda misericórdia e Deus de toda carne, Senhor da minha alma, de meu corpo e do meu espírito! 2 Se é que já se cumpriram todos os dias da vida que me deste neste mundo, rogo-te, Senhor Deus, que envies o arcanjo Michael para que fique do meu lado até que minha desditada alma saia do corpo sem dor nem turbação. 3 Porque a morte é para todos causa de dor e turbação, quer se trate de um homem, de um animal doméstico ou selvagem, ou ainda de um verme ou um pássaro; 4 em uma palavra, é muito dolorosa para todas as criaturas que vivem sob o céu e que alentam um sopro de espírito para suportar o transe de ver sua alma separada de seu corpo. 5 Agora, então, meu Senhor, faz com que o teu anjo fique do lado da minha alma e do meu corpo, que esta recíproca separação se consuma sem dor. 6 Não permitas que aquele anjo que me foi dado no dia em que saí de teu seio volte seu rosto irado para mim ao longo deste caminho que empreendo até vós, mas sim que ele se mostre amável e pacífico. 7 Não permitas que aqueles cujas faces mudam dificultem a minha ida até vós. 8 Não consintas que minha alma caia em mãos do Cérbero e não me confundas em teu formidável tribunal. 9 Não permitas que as ondas deste rio de fogo, nas quais serão envolvidas todas as almas antes de ver a glória de teu rosto, voltem-se furiosas contra mim. 10 Oh Deus! que julgais a todos na Verdade e na Justiça, Oxalá tua misericórdia sirva-me agora de consolo, já que sois a fonte de todos os bens, e a ti se deve toda a glória pela eternidade das eternidades! Amém.’ Capítulo 14 1 “E aconteceu que, ao voltar à sua residência habitual de Nazaré, viu-se atacado pela doença que havia de levá-lo ao túmulo. 2 Esta apresentou-se de forma mais alarmante do que em qualquer outra ocasião de sua vida, desde o dia em que nasceu. 3 Eis aqui, resumida, a vida de meu querido pai José: 4 Ao chegar aos quarenta anos, contraiu matrimônio, no qual viveu outros quarenta e nove. Depois que sua mulher morreu, passou somente um ano. 5 Minha mãe logo passou dois anos em sua casa, depois que os sacerdotes confiaram-na com estas palavras: ‘Guarda-a até o tempo em que se celebre vosso matrimônio’. 6 Ao começar o terceiro ano de sua permanência ali — tinha nessa época quinze anos de idade — trouxe-me ao mundo de um modo misterioso, que ninguém entre toda a criação pode conhecer, com exceção de mim, meu Pai e o Espírito Santo, que formamos uma unidade. Capítulo 15 1 “A vida de meu pai José, o abençoado ancião, compreendeu cento e onze anos, conforme determinara meu bom Pai. 2 O dia em que se separou do corpo foi o dia 26 do mês de Epep. 3 Então o ouro acentuado de sua carne começou a desfazer-se, e a prata da sua inteligência e razão sofreu alterações. 4 Esqueceu-se de comer e de beber, e a destreza no desempenho de seu oficio passou a declinar. 5 E aconteceu que, ao amanhecer do dia 26 de Epep, enquanto estava em seu leito foi tomado de uma grande agitação: gemeu forte, bateu palmas três vezes e, fora de si, pôs-se a gritar dizendo: Capítulo 16 1 ‘Ai miserável de mim! Ai do dia em que minha mãe trouxe-me ao mundo! 2 Ai do seio materno do qual recebi o germe da vida! Ai dos peitos que me amamentaram! 3 Ai do regaço em que me reclinei! Ai das mãos que me sustentaram até o dia em que cresci e comecei a pecar! 4 Ai de minha língua e de meus lábios que proferiram injúrias, enganos, infâmias e calúnias! 5 Ai dos meus olhos, que viram o escândalo! 6 Ai dos meus ouvidos que escutaram conversações frívolas! 7 Ai das minhas mãos que subtraíram coisas que não lhes pertenciam! 8 Ai do meu estômago e do meu ventre que ambicionaram o que não era deles! Quando alguma coisa lhes era apresentada, devoravam-na com mais avidez do que poderia fazê-lo o próprio fogo. 9 Ai dos meus pés que fizeram um mau serviço ao meu corpo, já que o levaram por maus caminhos! 10 Ai do meu corpo todo que deixou a minha alma reduzida a um deserto, afastando-a de Deus que a criou! 11 Que farei agora? Não encontro saída em parte alguma. 12 Em verdade é que pobres dos homens que são pecadores! 13 Esta é a angústia que se apoderou de meu pai Jacob em sua agonia, a qual veio hoje a ter comigo, infeliz. 14 Mas oh Senhor, meu Deus, que és o mediador de minha alma e de meu corpo e de meu espírito, cumpre em mim a tua divina vontade.’ Capítulo 17 1 “Quando terminou de dizer essas palavras, entrei no local onde ele se encontrava e ao vê-lo agitado de corpo e de alma, disse-lhe: `Salve, José, meu querido pai, ancião bom e abençoado’. 2 Ele respondeu, ainda tomado por um medo mortal: ‘Salve mil vezes, querido filho. Ao ouvir tua voz, minha alma recupera sua tranqüilidade. 3 Jesus, meu Senhor; Jesus, meu verdadeiro rei, meu salvador bom e misericordioso; Jesus, meu libertador; Jesus, meu guia; Jesus, meu protetor; Jesus, em cuja bondade encontra-se tudo; Jesus, cujo nome é suave e forte na boca de todos; Jesus, olho que vê e ouvido que ouve verdadeiramente: escuta-me hoje, teu servidor, quando elevo meus rogos e verto meus lamentos diante de ti. 4 Em verdade tu és Deus. Tu és o Senhor, conforme me tem repetido muitas vezes o anjo, sobretudo naquele dia em que suspeitas humanas se aninharam em meu coração ao observar os sinais de gravidez da Virgem sem mácula, e eu havia decidido abandoná-la. 5 Mas, quando eu estava pensando nisto, um anjo apareceu-me em sonhos e me disse: José, filho de Davi, não tenhas receio em receber Maria como esposa, pois o que há de dar à luz é luto do Espírito Santo. 6 Não guardes suspeita alguma a respeito de sua gravidez. Ela trará ao mundo um filho e tu dar-lhe-ás o nome de Jesus’. 7 Tu és Jesus Cristo, o salvador da minha alma, de meu corpo e de meu espírito. Não me condenes, teu servo e obra de tuas mãos. 8 Eu não sabia nem conhecia o mistério de teu maravilhoso nascimento e jamais havia ouvido que uma mulher pudesse conceber sem a obra de um homem e que uma virgem pudesse dar à luz sem romper o selo de sua virgindade. 9 Oh meu Senhor! Se não tivesse conhecido a lei deste mistério, não teria acreditar em ti, nem em teu santo nascimento, nem rendido honras a Maria, a Virgem, que te trouxe a este mundo. 10 Recordo ainda aquele dia em que um menino morreu por causa da mordida de uma serpente. 11 Seus familiares vieram a ti com intenção de entregar-te a Herodes. 12 Mas tua misericórdia alcançou a pobre vítima e lhe devolveste a vida para dissipar aquela calúnia que te faziam, como causador da sua morte. Pelo que houve uma grande alegria na casa do defunto. 13 Então eu te peguei pela orelha e te disse: ‘Não sejas imprudente, meu filho’. 14 E tu me ameaçaste desta maneira: ‘Se não fosses meu pai segundo a carne, dar-te-ia a entender que é isto o que acabas de fazer’. 15 Sim, pois, ó meu Senhor e Deus, esta é a razão pela qual vieste em tom de juízo e pela qual permitiste que recaíssem sobre mim estes terríveis presságios, suplico-te que não me coloques diante do teu tribunal para lutar comigo. 16 Eis que eu sou teu servo e filho de tua escrava. 17 Se houveres por bem romper meus grilhões, oferecer-te-ei um santo sacrifício, que não será outro senão a confissão da tua divina glória, de que tu és Jesus Cristo, filho verdadeiro de Deus e, por outro lado, filho verdadeiro do homem’. Capítulo 18 1 “Quando meu pai disse estas palavras, eu não pude conter as lágrimas e me pus a chorar, vendo como a morte vinha apoderando-se dele pouco a pouco e ouvindo, sobretudo, as palavras cheias de amargura que saíam da sua boca. 2 Naquele momento, meus queridos irmãos, veio-me ao pensamento a morte na cruz que haveria de sofrer pela vida de todo mundo. 3 E então Maria, minha querida mãe, cujo nome é doce para todos os que me amam, levantou-se e disse-me, tendo seu coração inundado na amargura: ‘Ai de mim, filho querido! Então está à morte o bom e abençoado ancião José, teu pai querido e adorado?’ 4 Eu lhe respondi: ‘Oh, minha mãe querida! E quem entre os humanos ver-se-á livre da necessidade de ter de encarar a morte? 5 Esta é dona de toda a humanidade, oh, mãe bendita! 6 E mesmo tu hás de morrer como todos os outros homens. 7 Mas nem tua morte nem a de meu pai José pode chamar-se propriamente morte, mas vida eterna ininterrupta. 8 Também eu hei de passar por este transe por causa da carne mortal com a qual estou revestido. 9 Agora, porém, mãe querida, levanta-te e vai até onde está o abençoado ancião José para que possas ver o lugar que o aguarda lá no alto’. Capítulo 19 1 “Levantou-se, então, entrou no local onde ele se encontrava e pôde apreciar os sinais evidentes da morte que já se refletiam nele. 2 Eu, meus queridos, postei-me em sua cabeceira, e minha mãe aos seus pés. 3 Ele fixava seus olhos no meu rosto, sem poder sequer dirigir-me uma palavra, já que a morte apoderava-se dele pouco a pouco. 4 Então, elevou seu olhar até o alto e deixou escapar um forte gemido. 5 Eu segurei suas mãos e seus pés durante um longo tempo, e ele me olhava suplicando-me que não o abandonasse nas mãos dos seus inimigos. 6 Eu coloquei minha mão sobre seu peito e notei que sua alma já havia subido até a sua garganta para deixar seu corpo. Mas ainda não havia chegado o momento supremo da morte, caso contrário, não teria podido agüentar mais. Não obstante, as lágrimas, a comoção e o abatimento que sempre a precedem já se faziam presentes. Capítulo 20 1 “Quando minha mãe querida viu-me apalpar o seu corpo, quis ela de sua parte apalpar os pés, e notou que o alento havia fugido juntamente com o calor. 2 Então dirigiu-se a mim e disse-me ingenuamente: ‘Obrigada, filho querido, pois desde o momento em que puseste tua mão sobre seu corpo, a febre o abandonou. 3 Vê, seus membros estão frios como o gelo’. 4 Eu chamei os seus filhos e filhas e lhes disse: `Falai agora com vosso pai, que este é o momento de fazê-lo, antes que sua boca deixe de falar e seu corpo fique hirto’. 5 E seus filhos e filhas falaram com ele. Mas sua vida estava minada por aquela doença mortal que provocaria sua saída deste mundo. 6 Então Lísia, filha de José, levantou-se para dizer aos seus irmãos: ‘Juro, queridos irmãos, que esta é a mesma doença que derrubou a nossa mãe e que não voltou a aparecer por aqui até agora. 7 O mesmo acontece com o nosso pai José, para que não voltemos a vêlo senão na eternidade”. 8 Então os filhos de José irromperam em lamentos, Maria, minha mãe, e eu, de nossa parte, unimo-nos ao seu pranto pois, efetivamente, já havia chegado a hora da sua morte. Capítulo 21 1 “Pus-me a olhar para o sul e vi a morte dirigir-se à nossa casa. Vinha seguida de Amenti, que é seu satélite, e do Diabo, a quem acompanhava uma multidão de esbirros vestidos de fogo, cujas bocas vomitavam fumaça e enxofre. 2 Ao levantar os olhos, meu pai deparou-se com aquele cortejo que o olhava com rosto colérico e raivoso, do mesmo modo que costuma olhar todas as almas que saem do corpo, particularmente aquelas que são pecadoras e que considera como propriedade sua. 3 Diante da visão deste espetáculo, os olhos do bom velho anuviaram-se de lágrimas. 4 Foi este o momento em que meu pai exalou sua alma com um grande suspiro, enquanto procurava encontrar um lugar onde se esconder e salvarse. 5 Quando observei o suspiro de meu pai, provocado pela visão daquelas forças até então desconhecidas para ele, levantei-me rapidamente e expulsei o Diabo e todo seu cortejo. 6 E eles fugiram envergonha dos e confusos. 7 E ninguém entre os presentes, nem mesmo minha própria mãe Maria, apercebeu-se da presença daqueles terríveis esquadrões que saem à caça de almas humanas. 8 Quando a morte percebeu que eu havia expulsado e mandado embora as potestades infernais, para que não pudessem espalhar armadilhas, encheu-se de pavor. 9 Levantei-me apressadamente e dirigi esta oração a meu Pai, o Deus de toda misericórdia: Capítulo 22 1 ‘Meu Pai misericordioso, Pai da verdade, olho que vê e ouvido que ouve: escuta-me, que eu sou teu filho querido; peço-te por meu pai José, a obra de vossas mãos. Envia-me um grande coro de anjos juntamente com Michael, o administrador dos bens, e com Gabriel, o bom mensageiro da luz, para que acompanhem a alma de meu pai José até que se tenha livrado do sétimo éon tenebroso. De forma que não se veja forçado a empreender esses caminhos infernais, terríveis para o viajante por estarem infestados de gênios malignos e saqueadores, e por ter de atravessar esse lugar espantoso por onde corre um rio de fogo igual às ondas do mar. 2 Sede, além disso, piedoso para com a alma de meu pai José quando ela vier repousar em vossas mãos, pois é este o momento em que mais necessita da tua misericórdia’. 3 Eu vos digo, veneráveis irmãos e abençoados apóstolos, que todo homem que, chegando a discernir entre o bem e o mal, tenha consumido seu tempo seguindo a fascinação dos seus olhos, quando chegue a hora de sua morte e tenha de libertar o passo para comparecer diante do tribunal terrível e fazer sua própria defesa, ver-se-á necessitado da piedade de meu bom Pai. 4 Continuemos, porém, relatando o desenlace de meu pai, o abençoado ancião. Capítulo 23 1 “E quando eu disse amém, Maria, minha mãe, respondeu na língua falada pelos habitantes do céu. 2 E no mesmo instante Michael, Gabriel e anjos, em coro, vindos do céu, voaram sobre o corpo de meu pai José. 3 Em seguida, intensificaram-se os lamentos próprios da morte, e soube então que havia chegado o momento desolador. 4 Sofria meu pai dores parecidas com as de uma mulher no parto, enquanto que a febre o castigava da mesma maneira que um forte furacão ou um imenso fogo devasta um espesso bosque. 5 A morte, cheia de medo, não ousava lançar-se sobre o corpo de meu pai para separá-lo da alma, pois seu olhar havia dado comigo, que estava sentado à sua cabeceira com as mãos sobre suas têmporas. 6 E, quando me apercebi de que a morte tinha medo de entrar por minha causa, levantei-me, dirigi meus passos até o lado de fora da porta e encontrei-a só e amedrontada, em atitude de espera. 7 Eu disse-lhe: ‘á tu, que vens do Meio-dia, entra rapidamente e cumpre o que ordenou-te meu Pai. 8 Porém, guarda José como a menina dos teus olhos, posto que é meu pai segundo a carne e compartilhou a dor comigo durante os anos da minha infância, quando teve de fugir de um lado para outro por causa das maquinações de Herodes, e ensinou-me como costumam fazer os pais para o proveito dos seus filhos’. 9 Então Abbadão entrou, tomou a alma de meu pai José e separou-a do corpo no mesmo instante em que o sol fazia sua aparição no horizonte, no dia 26 do mês de Epep, em paz. 10 A vida de meu pai compreendeu cento e onze anos. 11 Michael e Gabriel pegaram cada qual em um extremo de um pano de seda e nele depositaram a alma de meu que-rido pai José depois de tê-la beijado reverentemente. 12 Enquanto isso, nenhum dos que rodeavam José havia percebido a sua morte, nem sequer minha mãe Maria. 13 Eu confiei a alma do meu querido pai José a Michael e Gabriel, para que a guardassem contra os raptores que saqueiam pelo caminho, e encarreguei os espíritos incorpóreos de continuarem cantando canções até que, finalmente, depositaram-no junto a meu Pai no céu. Capítulo 24 1 “Então inclinei-me sobre o corpo inerte de meu pai. Cerrei seus olhos, fechei sua boca e levantei-me para contemplá-lo. 2 Depois disse à Virgem: ‘á Maria, minha mãe, onde estão os objetos de artesanato feitos por ele desde sua infância até hoje? Neste momento todos eles passaram, como se ele não tivesse sequer vindo a este mundo’. 3 Quando seus filhos e filhas ouviram-me dizer isto a Maria, minha mãe virginal, perguntaram-me com vozes fortes e lamentos: ‘Será que nosso pai morreu sem que nós nos apercebêssemos?’ 4 Eu lhes disse: ‘Efetivamente, morreu; mas sua morte não é morte, porém vida eterna. 5 Grandes coisas esperam nosso querido pai José. Desde o momento em que sua alma saiu do seu corpo, desapareceu para ele toda espécie de dor. Ele se pôs a caminho do reino eterno, deixou atrás de si o peso da carne, com todo este mundo de dor e de preocupações, e foi para o lugar de repouso que tem meu Pai nesses céus que nunca serão destruídos. 6 Mas ao dizer a meus irmãos: ‘Vosso pai José, o abençoado ancião, morreu’, eles levantaram-se, rasgaram suas vestes e o choraram durante um longo tempo. Capítulo 25 1 “Quando os habitantes de Nazaré e de toda a Galiléia enteiraram-se da triste nova, acudiram em massa ao lugar onde nos encontrávamos. De acordo com a lei dos judeus, passaram todo o dia dando sinais de luto até que chegou a nona hora. 2 Então despedi todos, derramei água sobre o corpo de meu pai José, ungi-o com bálsamo e dirigi ao meu Pai amado, que está nos céus, uma oração celestial que havia escrito com meus próprios dedos antes de encarnar-me nas entranhas da Virgem Maria. 3 E ao dizer’ Amém’ veio uma multidão de anjos. Mandei que dois deles estendessem um manto para depositar nele o corpo de meu pai José para que o amortalhassem. Capítulo 26 1 “Pus então minhas mãos sobre o seu corpo e disse: `Não serás vítima da fetidez da mor te. Que teus ouvidos não sofram corrupção. Que não emane podridão de teu corpo. Que não se perca na terra a tua mortalha nem a tua carne, mas que fiquem intactas, aderidas ao teu corpo até o dia do convite dos dois mil anos. Que não envelheçam, querido pai, esses cabelos que tantas vezes acariciei com minhas mãos. E que a boa sorte esteja contigo. 2 Aquele que se preocupar em levar uma oferenda ao teu santuário no dia de tua comemoração, eu o abençoarei com afluxos de dons celestiais. 3 Assim mesmo, a todo aquele que der pão a um pobre em teu nome, não permitirei que se veja agoniado pela necessidade de quaisquer bens deste mundo durante todos os dias de sua vida. 4 Conceder-te-ei que possas convidar ao banquete dos mil anos a todos aqueles que no dia de tua comemoração ponham um copo de vinho na mão de um forasteiro, de uma viúva ou de um órfão. 5 Hei de dar-te de presente, enquanto vivam neste mundo, a todos os que se dediquem a escrever o livro da tua saída deste mundo e a consignar todas as palavras que hoje saíram de minha boca; e, quando abandonarem este mundo, farei com que desapareça o livro no qual estão escritos seus pecados e que não sofram nenhum tormento, além da inevitável morte e do rio de fogo que está diante do meu Pai para purificar toda a espécie de almas. 6 E se acontecer que um pobre, não podendo fazer nada do que foi dito, ponha o nome de José em um de seus filhos em tua honra, farei com que naquela casa não entre a fome nem a peste, pois o teu nome habita ali de verdade’. Capítulo 27 1 “E então os anciãos da cidade apresentaram-se na casa enlutada acompanhados daqueles que procediam ao sepultamento à maneira judia. 2 E encontraram o cadáver já preparado para o enterro. A mortalha se havia aderido fortemente ao seu corpo, como se a houvessem atado com grampos de ferro, e não puderam encontrar sua abertura quando removeram o cadáver. 3 Em seguida, passou. se a conduzir o morto até seu túmulo. 4 E quando chegaram até ele e estavam já preparados para abrir sua entrada e colocá-lo junto aos restos de seu pai, veio-me à mente a lembrança do dia em que me levou até o Egito e das grandes preocupações que assumiu por mim, não pude deixar de atirar-me sobre o seu corpo e chorar por um longo tempo, dizendo: Capítulo 28 1 ‘Ah morte, de quantas lágrimas e lamentos és causa! Esse poder, porém, vem d’Aquele que tem sob o seu domínio todo o universo. 2 Por isso tal reprovação não vai tanto contra a morte senão contra Adão e Eva. 3 A morte não atua nunca sem uma prévia ordem de meu Pai. 4 Existem aqueles que viveram mais de novecentos anos e outros ainda muito mais tempo. 5 Entretanto, nenhum deles disse: ‘Eu vi a morte’ ou ‘vinha de tempos em tempos atormentar-me’. 6 Senão que ela traz uma só vez a dor, e ainda assim é meu bom Pai quem a envia. 7 E, quando vem em busca do homem, ela sabe que tal resolução provém do céu. 8 Se a sentença vem carregada de raiva, a morte também se manifesta colérica para cumprir sua incumbência, pegando a alma do homem e entregando-a ao seu Senhor. 9 A morte não tem atribuições para atirar o homem ao inferno nem para introduzi-lo no reino celestial. 10 A morte cumpre de fato a missão de Deus, ao contrário de Adão, que, ao não submeter-se à vontade divina, come-teu uma transgressão. Ele irritou meu Pai contra si por haver preferido dar ouvidos à sua mulher antes de obedecer à sua missão, e assim todo ser vivo ficou implacavelmente conde-nado à morte. 11 Se Adão não houvesse sido desobediente, meu Pai não o teria castigado com esta terrível sina. 12 O que impede agora que eu faça uma oração ao meu bom Pai para que envie um grande carro luminoso para elevar José, a fim de que não prove das amarguras da morte e que o transporte ao lugar de repouso, na mesma carne que trouxe ao mundo, para que ali viva com meus anjos incorpóreos? 13 A transgressão de Adão foi a causa de sobrevirem esses grandes males sobre a humanidade juntamente com o irremediável da morte. 14 E embora eu mesmo carregue também esta carne concebida na dor, devo provar com ela da morte para que possa apiedar-me das criaturas que formei’. Capítulo 29 1 “Enquanto eu dizia essas coisas abraçadas ao corpo de meu pai José e chorando sobre ele, 2 abriram a entrada do sepulcro e depositaram o cadáver junto ao de seu pai Jacob. 3 Sua vida foi de cento e onze anos, sem que ao fim de tanto tempo um só dente tivesse ficado estragado em sua boca ou sem que seus olhos se tornassem fracos, senão que todo o seu aspecto assemelhava-se ao de um afetuoso menino. 4 Nunca esteve doente, senão que trabalhou continua-mente em seu oficio de carpinteiro até o dia que sobreveio a doença que haveria de leválo ao sepulcro.” Capítulo 30 1 E quando nós, os apóstolos, ouvimos tais coisas dos lábios de nosso Salvador, pusemo-nos em pé cheios de prazer e passamos a adorar suas mãos e seus pés, dizendo com o êxtase da alegria: “Damos-te graças, nosso Senhor e Salvador, por te haveres dignado a presentearmos com essas palavras saídas de teus lábios. 2 Mas não deixamos de admirar, ó bom Salvador, pois não entendemos como, havendo concedido a imortalidade a Elias e a Enoque, já que estão desfrutando dos bens na mesma carne com que nasceram sem que tenham sido vítimas da corrupção, 3 e agora, tratando-se do bendito ancião José o Carpinteiro, a quem concedeste a grande honra de chamá-lo teu pai e de obedecê-lo em todas as coisas, a nós mesmos nos encarregaste: ‘Quando fordes revestidos da mesma força recebereis a voz de meu Pai, isto é, o Espírito Parácleto, e sereis enviados para pregar o evangelho, e pregai também ao meu querido pai José’; 4 e, ainda: ‘Consignai estas palavras de vida no testamento de sua partida deste mundo’; 5 e ‘lê as palavras deste testamento nos dias solenes e festivos’; 6 e ‘quem não tiver aprendido a ler corretamente, não deve ler este testamento nos dias festivos’; 7 e, finalmente, ‘quem suprimir ou adicionar algo a estas palavras de maneira a fazer-me embusteiro, será réu de minha vingança’. 8 Admira-nos, repetimos, aquele que, havendo chamado teu pai segundo a carne desde o dia em que nasceste em Belém, não lhe tenhas concedido a imortalidade para viver eternamente”. Capítulo 31 1 Nosso Salvador respondeu dizendo-lhes: “A sentença pronunciada por meu Pai contra Adão não deixará de ser cumprida, já que este não foi obediente aos mandamentos. 2 Quando meu Pai destina a alguém ser justo, este vem a ser imediatamente o seu eleito. 3 Se um homem ofende a Deus por amar as obras do demônio, acaso ignora que um dia virá a cair em suas mãos se seguir impenitente, mesmo se lhe concederem longos dias de vida? 4 Se, ao contrário, alguém vive muito tempo fazendo sempre boas obras, serão exata-mente elas que o farão velho. 5 Quando Deus vê que alguém segue o caminho da perdição, costuma conceder-lhe um curto prazo de vida e o faz desaparecer na metade dos seus dias. 6 Quanto aos demais, hão de ter o exato cumprimento das profecias ditadas por meu Pai acerca da humanidade, e todas as coisas hão de suceder de acordo com elas. 7 Haveis citado o caso de Enoque e de Elias: `Eles’, dizeis, ‘continuam vivendo e conservam a carne que trouxeram a este mundo; por que, então, em se tratando de teu pai, não lhe permitiste conservar seu corpo?’ 8 Então eu digo que, mesmo que houvesse chegado a ter mais dez mil anos, sempre incorreria na mesma necessidade de morrer. 9 Mais ainda, eu asseguro que sempre que Enoque e Elias pensam na morte, desejariam já havê-la sofrido a verem-se assim, livres da necessidade que lhes é imposta, já que deverão morrer num dia de turbação, de medo, de gritos, de perdição e de aflição. 10 Pois haveis de saber que o anticristo há de matar estes homens e derramar seu sangue na terra como a água de um copo por causa das incriminações que lhe imputarão quando os acusarem”. Capítulo 32 1 Nós respondemos dizendo: “Nosso Senhor e Deus, quem são esses dois homens dos quais disseste que o filho da perdição matará por um copo de água?” 2 Jesus, nosso Salvador e nossa vida, respondeu: “Enoque e Elias”. 3 E, ao ouvir estas palavras da boca de nosso Salvador, se nos encheu o coração de prazer e de alegria. Por isso lhe rendemos homenagens e graças como nosso Senhor, nosso Deus e nosso Salvador, Jesus Cristo, por meio de quem vão para o Pai toda glória e toda honra juntamente com Ele e com o Espírito Santo vivificador, agora, por todo o tempo e pela eternidade das eternidades. Amém.
- A Vingança do Salvador (700 DC) [Apócrifo]
Esta versão da lenda de Verônica é escrita em latim muito bárbaro, provavelmente do sétimo ou oitavo século. Uma versão anglo-saxônica, que Tischendorf conclui ser derivada do latim, foi editada e traduzida para o Cambridge Antiquarian Society, por C. W. Goodwin, em 1851. O texto anglo-saxão é de ms. na Biblioteca de Cambridge, um dos números apresentados à Catedral de Exeter pelo bispo Leofric no início do século XI. O leitor observará que há neste documento duas lendas distintas, um tanto desajeitadas – a da embaixada de Natã e a de Verônica. Nos dias do imperador Tibério César, quando Herodes era tetrarca, Cristo foi entregue sob os Pôncios Pilatos pelos judeus e revelado por Tibério. Naqueles dias Tito era um príncipe sob Tibério na região de Equitania, em uma cidade da Líbia chamada Burgidalla. E Tito tinha uma ferida na narina direita, por causa de um câncer, e ele tinha o rosto rasgado até nos olhos. Ali saiu um certo homem da Judéia, chamado Natã, filho de Naum; porque ele era um ismaelita que ia de terra em terra, de mar em mar e em todos os confins da terra. Agora, Natã foi enviado da Judéia para o imperador Tibério, para levar seu tratado à cidade de Roma. E Tibério estava doente e cheio de úlceras e febres e tinha nove tipos de lepra. E Natã queria ir para a cidade de Roma. Mas o vento norte soprou e impediu sua navegação, e o levou até o porto de uma cidade da Líbia. Agora Tito, vendo o navio chegando, sabia que era da Judéia; e todos se perguntaram, e disseram que nunca tinham visto nenhum navio vindo daquela região. E Tito ordenou ao capitão que fosse até ele e perguntou quem ele era. E ele disse: Eu sou Natã, filho de Naum, da linhagem dos ismaelitas, e sou sudito de Pôncio Pilatos na Judéia. E fui enviado para ir a Tibério, o imperador romano, para levar um tratado da Judéia. E um vento forte desceu sobre o mar e me levou a um país que não conheço. E Tito disse: Se você pudesse a qualquer momento encontrar qualquer coisa de cosméticos ou ervas que pudesse curar a ferida que tenho em meu rosto, como você vê, para que eu me torne completo, e recupere minha saúde anterior, eu iria cobrir você de muitas coisas boas. E Natã disse-lhe: Eu não sei, nem nunca soube, de tais coisas como você fala comigo. Mas por tudo isso, se você tivesse estado algum tempo atrás em Jerusalém, lá você teria encontrado um profeta escolhido, cujo nome era Emanuel, pois Ele salvará o Seu povo de seus pecados. E ele, como seu primeiro milagre em Caná da Galiléia, fez vinho da água; e por Sua palavra Ele limpou os leprosos, Ele iluminou os olhos de um cego de nascença, Ele curou paralíticos, Ele fez os demônios fugirem, Ele levantou três mortos; uma mulher apanhada em adultério e condenada pelos judeus a ser apedrejada, Ele libertou-a; e outra mulher, chamada Verônica, que sofreu doze anos de um problema de sangue, aproximou-se dele atrás e tocou a orla de Suas vestes, Ele curou; e com cinco pães e dois peixes Ele satisfez cinco mil homens, para não falar de pequeninos e mulheres, e restaram dos restos doze cestos. Todas essas coisas e muitas outras foram realizadas antes de sua paixão. Após a ressurreição, nós O vimos na carne como Ele tinha sido antes. E Tito disse a ele: Como ele ressuscitou dos mortos, vendo que ele estava morto? E Natã respondeu e disse: Ele estava manifestamente morto, e pendurado na cruz, e novamente retirado da cruz, e por três dias Ele deitou no sepulcro: depois Ele ressuscitou dos mortos e desceu ao Hades, e libertou os patriarcas e os profetas, e toda a raça humana; depois disso, apareceu aos seus discípulos e comeu com eles; depois disso, eles O viram subindo ao céu. E assim é a verdade, tudo isso que eu te digo. Porque eu vi com os meus próprios olhos e toda a casa de Israel. E Tito disse em suas próprias palavras: Ai de você, ó imperador Tibério, cheio de úlceras e envolto em lepra, porque tal escândalo foi cometido em seu reino; porque fizeste tais leis na Judéia, na terra do nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo, e eles se apoderaram do Rei e executaram a morte ao Governador dos povos; e não o fizeram vir curar-te da vossa lepra e purificar-me da minha fraqueza; por isso, se tivessem estado diante de mim, com minhas próprias mãos, eu teria matado os cadáveres daqueles judeus, e Pendurado-os na árvore cruel, porque eles destruíram o meu Senhor, e os meus olhos não foram dignos de ver o seu rosto. E quando ele tinha assim falado, imediatamente a ferida caiu da face de Tito, e sua carne e seu rosto foram restaurados à saúde. E todos os doentes que estavam no mesmo lugar foram curados naquela hora. . E Tito clamou, e todo o resto com ele, em alta voz, dizendo: Meu Rei e meu Deus, porque eu nunca vi Você, e Você me fez inteiro, me ofereceu o Espírito Santo vive e reina Deus desde a eternidade para eternidade. E assim que falou, enviou mensageiros a Vespasiano para que, com toda pressa, viesse com seus homens mais corajosos, tão preparados como para a guerra. Então Vespasiano trouxe consigo cinco mil homens armados e eles foram ao encontro de Tito. E quando eles chegaram à cidade da Líbia, ele disse a Tito: Por que é que você me fez vir aqui? E ele disse: Saibam que Jesus veio a este mundo, e nasceu na Judéia, em um lugar chamado Belém, e foi abandonado pelos judeus, e açoitado, e crucificado no Monte Calvário, e ressurgiu novamente dos mortos no terceiro dia. E os seus discípulos o viram na mesma carne em que ele nasceu, e ele mostrou-se aos seus discípulos e creram nele. E nós realmente desejamos nos tornar Seus discípulos. Agora, vamos e destruamos seus inimigos da terra, para que eles possam saber agora que não há nenhum como o Senhor nosso Deus na face da terra. Com este desígnio, então, saíram da cidade de Libia que é chamada Burgidalla, e subiram a bordo de um navio, e procederam a Jerusalém, e cercaram o reino dos judeus, e começaram a enviá-los à destruição. E, ouvindo os reis dos judeus o que fizeram, e a devastação da sua terra, caiu o temor sobre eles, e ficaram em grande perplexidade. Arquelau ficou perplexo com suas palavras e disse a seu filho: Meu filho, toma meu reino e julga-o; e aconselhai com os outros reis que estão na terra de Judá, para que possas escapar dos nossos inimigos. E assim dizendo, desembainhou a espada e apoiou-se nela; e virou a espada, que era muito afiada, e enfiou-a no peito e morreu. E seu filho se aliou com os outros reis que estavam debaixo dele, e consultaram entre si, e foram para Jerusalém com seus principais homens que estavam em conselho, e ficaram no mesmo lugar por sete anos. E Tito e Vespasiano se aconselharam a cercar sua cidade. E eles fizeram isso. E os sete anos sendo cumpridos, houve uma fome muito dolorosa, e por falta de pão eles começaram a comer terra. Então todos os soldados que eram dos quatro reis se aconselharam entre si, e disseram: Agora temos a certeza de morrer: o que Deus fará a nós? Ou de que bem é a nossa vida para nós, porque os romanos vieram tomar o nosso lugar e nação? É melhor para nós nos matarmos do que os romanos dizerem que nos mataram e ganharam a vitória sobre nós. E sacaram as suas espadas e feriram-se, e morreram, até ao número de doze mil homens deles. Então havia um grande cheiro naquela cidade dos cadáveres daqueles homens mortos. E os seus reis temeram com grande medo até a morte; e não podiam suportar o mau cheiro deles, nem os enterrar, nem os lançar fora da cidade. E eles disseram uns aos outros: O que devemos fazer? Nós realmente desistimos de Cristo até a morte, e agora nós mesmos desistimos da morte. Encurvemo-nos a cabeça e entregamos as chaves da cidade aos romanos, porque Deus já nos entregou à morte. Imediatamente subiram as muralhas da cidade, e todos clamavam com grande voz, dizendo: Tito e Vespasiano, tomem as chaves da cidade que vos foram dadas pelo Messias, que se chama Cristo. Então entregaram-se às mãos de Tito e Vespasiano e disseram: Julgue-nos, visto que devemos morrer, porque julgamos a Cristo; e ele foi entregue sem causa. Tito e Vespasiano se apoderaram deles, e alguns apedrejaram, e alguns enforcaram-se numa árvore, pés para cima e para baixo, e os golpearam com lanças; e outros desistiram de ser vendidos, e outros dividiram entre si, e fizeram quatro partes deles, assim como haviam feito com as vestes do Senhor. E eles disseram: Eles venderam a Cristo por trinta moedas de prata e venderemos trinta por um denário. E assim eles fizeram. E tendo feito isso, eles tomaram todas as terras da Judéia e de Jerusalém. Então eles fizeram uma pesquisa sobre o rosto ou retrato de Jesus, como eles poderiam encontrá-lo. E eles encontraram uma mulher chamada Verônica que tinha. Então eles prenderam Pilatos e o mandaram para a prisão, para serem guardados por quatro quatérnios de soldados na porta da prisão. Então eles imediatamente enviaram seus mensageiros a Tibério, o imperador da cidade de Roma, para que ele enviasse Velosianus até eles. E ele disse-lhe: Toma tudo o que for necessário para ti no mar, e desce à Judéia, e procura um dos discípulos daquele que se chama a Cristo e ao Senhor, a fim de que ele venha a mim e em nome do seu Deus cura-me da lepra e das enfermidades pelas quais diariamente me sobrecarrego e das minhas chagas, porque me sinto pouco à vontade. E envie sobre os reis dos judeus, que estão sujeitos à minha autoridade, suas forças e terríveis maquinas, porque eles mataram Jesus Cristo nosso Senhor e o condenaram à morte. E se você encontrar um homem capaz de me libertar desta enfermidade, eu creio em Cristo, o Filho de Deus, e me batizarei em seu nome. E Velosianus disse:E Velosianus disse: Meu senhor imperador, se eu encontrar um homem que possa nos ajudar e nos libertar, que recompensa eu prometo a ele? Tibério disse-lhe: A metade do meu reino, sem falta, para estar em sua mão. Então Velosianus imediatamente partiu e subiu a bordo do navio, içou a vela na embarcação e continuou navegando pelo mar. E ele navegou um ano e sete dias, após o qual ele chegou a Jerusalém. E imediatamente ele ordenou que alguns dos judeus subissem ao seu poder e começou a perguntar cuidadosamente quais haviam sido os atos de Cristo. Então José, da cidade de Arimateia e Nicodemos, vieram ao mesmo tempo. E Nicodemos disse: Eu o vi e sei que Ele é o Salvador do mundo. E José lhe disse: Eu o tirei da cruz e coloquei-o numa tumba nova, que havia sido cortada da rocha. E os judeus me calaram no dia do preparo à noite; e enquanto eu estava em pé em oração no dia de sábado, a casa foi pendurada pelos quatro cantos, e eu vi o Senhor Jesus Cristo como um raio de luz, e por medo caí no chão. E disse-me: Olha para mim, porque sou Jesus, cujo corpo enterraste no teu sepulcro. E eu disse a ele: Mostra-me o sepulcro onde te deitei. E Jesus, segurando minha mão na mão direita, levou-me ao lugar onde eu o enterrei. E veio também a mulher chamada Verónica, e disse-lhe: E toquei no meio da multidão a orla do seu manto, porque por doze anos sofri de uma questão de sangue; e ele imediatamente me curou. Então Velosianus disse a Pilatos: Você, Pilatos, ímpio e cruel, por que você matou o Filho de Deus? E respondeu Pilatos: A sua própria nação e os chefes dos sacerdotes, Anás e Caifás, deram-no a mim. Velosianus disse: Impiedoso e cruel, você é digno de morte e punição cruel. E ele o mandou de volta para a prisão. E Velosianus finalmente procurou o rosto ou o semblante do Senhor. E todos que estavam no mesmo lugar disseram: É a mulher chamada Verônica que tem o retrato do Senhor em sua casa. E imediatamente ele ordenou que ela fosse trazida diante de seu poder. E ele disse a ela: Você tem o retrato do Senhor em sua casa? Mas ela disse, Não. Então Velosianus ordenou que ela fosse colocada sob tortura, até que ela devesse desistir do retrato do Senhor. E ela foi forçada a dizer: eu tenho em linho limpo, meu senhor, e adoro isso diariamente. Velosianus disse: Mostre para mim. Então ela mostrou o retrato do Senhor. Quando Velosianus viu, ele se prostrou no chão; e com um coração pronto e verdadeira fé, ele segurou-a, e envolveu-a em um pano de ouro, e colocou-a em um caixão, e selou-a com seu anel. E ele jurou com juramento, e disse: Como vive o Senhor Deus, e pela saúde de César, ninguém mais o verá sobre a face da terra, até que eu veja a face de meu senhor Tibério. E quando ele havia falado assim, os príncipes, que eram os principais homens da Judéia, tomaram Pilatos para levá-lo a um porto marítimo. E ele levou o retrato do Senhor, com todos os seus discípulos, e todos em seu pagamento, e eles embarcaram no navio no mesmo dia. Então a mulher Verônica, pelo amor de Cristo, deixou tudo o que possuía e seguiu Velosianus. E Velosianus disse a ela: O que você deseja, mulher, ou o que você procura? E ela respondeu: Estou procurando o retrato de nosso Senhor Jesus Cristo, que me iluminou, não por meus próprios méritos, mas por seu próprio afeto sagrado. Devolve-me o retrato do meu Senhor Jesus Cristo; porque por causa disso eu morro com um desejo justo. Mas se você não me devolver, eu não o deixarei até que eu veja onde você o colocará, porque eu, a mulher mais miserável que sou, servirei a Ele todos os dias da minha vida; porque acredito que Ele, meu Redentor, vive para sempre. Então Velosianus ordenou que a mulher Verônica fosse levada com ele para o navio. E as velas sendo içadas, eles começaram a ir no navio em nome do Senhor, e eles navegaram pelo mar. Mas Tito, junto com Vespasiano, subiu à Judéia, vingando todas as nações sobre sua terra. No final de um ano Velosianus chegou à cidade de Roma, trouxe seu navio para o rio que é chamado Tiberis, ou Tibre, e entrou na cidade que é chamada de Roma. E ele enviou seu mensageiro ao seu senhor Tibério, o imperador no Laterano, sobre sua próspera chegada. Então Tibério, o imperador, quando ouviu a mensagem de Velosianus, regozijou-se muito e ordenou-lhe que viesse diante de seu rosto. E quando ele chegou, ele o chamou, dizendo: Velosianus, como você veio, e o que você viu na região da Judéia de Cristo, o Senhor e seus discípulos? Diz-me, peço-te, que ele me cure da minha enfermidade, para que eu seja imediatamente limpo daquela lepra que tenho sobre o meu corpo, e abro todo o meu reino ao teu poder e dele. E Velosianus disse: Meu senhor imperador, eu encontrei seus servos Tito e Vespasiano na Judéia, temendo o Senhor, e eles foram limpos de todas as suas úlceras e sofrimentos. E descobri que todos os reis e governantes da Judéia foram enforcados por Tito; Anás e Caifás foram apedrejados, Arquelau se matou com sua própria lança; e enviei Pilatos a Damasco em cativeiro e mantive-o na prisão sob guarda. Mas eu também descobri sobre Jesus, a quem os judeus mais perversamente atacaram com espadas, bastões e armas; e eles crucificaram aquele que deveria ter nos libertado e iluminado, e ter vindo a nós, e eles o enforcaram em uma árvore. E José veio de Arimateá, e Nicodemos com ele, trazendo uma mistura de mirra e aloés, cerca de cem libras, para ungir o corpo de Jesus; e eles o tiraram da cruz e o colocaram em um novo túmulo. E no terceiro dia ele certamente ressuscitou dos mortos e mostrou-se aos seus discípulos na mesma carne em que nascera. Finalmente, depois de quarenta dias, eles o viram subindo ao céu. Muitos, de fato, e outros milagres fizeram Jesus antes de sua paixão e depois. Primeiro, da água ele fez vinho; ele ressuscitou os mortos, limpou os leprosos, iluminou os cegos, curou os paralíticos, pôs os demônios em fuga; fez ouvir os surdos, os mudos falarem; Lázaro, quando quatro dias morto, ele levantou do túmulo; a mulher Veronica, que sofria de uma questão de sangue por doze anos, e tocava a orla de sua roupa, ele fez inteira. Então, agradou ao Senhor nos céus, que o Filho de Deus, que, enviado a este mundo como o primeiro criado, tivesse morrido na terra, enviasse seu anjo; e ele ordenou a Tito e a Vespasiano, que conheci naquele lugar onde está o seu trono. E agradou a Deus Todo-Poderoso que eles entrassem na Judéia e em Jerusalém, e apreendessem seus súditos, e os colocassem sob essa sentença, por assim dizer, da mesma maneira como fizeram quando seus súditos prenderam Jesus e o amarraram. E Vespasiano depois disse: O que faremos com aqueles que permanecerão? Tito respondeu: Eles enforcaram o nosso Senhor numa árvore verde e o atingiram com uma lança; Agora vamos pendurá-los em uma árvore seca e perfurar seus corpos através da lança. E eles fizeram isso. E Vespasiano disse: E aqueles que são deixados? Tito respondeu: Eles tomaram a túnica de nosso Senhor Jesus Cristo e fizeram quatro partes; Agora vamos apreendê-los e dividi-los em quatro partes – para você uma, para mim uma, para seus homens outra, e para meus servos a quarta parte. E eles fizeram isso. E Vespasiano disse: Mas o que faremos com aqueles que são deixados? Tito respondeu-lhe: Os judeus venderam o nosso Senhor por trinta moedas de prata: agora vamos vender trinta deles por uma peça de prata. E eles fizeram isso. E prenderam Pilatos e entregaram-no a mim, e eu o coloquei na prisão, para ser guardado por quatro quatérnios de soldados em Damasco. Então eles fizeram uma pesquisa com grande diligência para buscar o retrato do Senhor; e eles encontraram uma mulher chamada Verônica que tinha o retrato do Senhor. Então o imperador Tibério disse a Velosianus: Como você tem? E ele respondeu: Eu tenho em pano limpo de ouro, enrolado em um xale. E o imperador Tibério disse: Traga-o para mim e espalhe-o diante do meu rosto para que eu, caindo no chão e dobrando os joelhos, possa adorá-lo no chão. Então Velosianus estendeu seu xale com o tecido de ouro no qual o retrato do Senhor tinha sido impresso; e o imperador Tibério viu isso. E ele imediatamente adorou a imagem do Senhor com um coração puro, e sua carne foi purificada como a carne de uma criancinha. E todos os cegos, os leprosos, os aleijados, os mudos, os surdos e os possuídos por várias doenças, que ali estavam presentes, foram curados, restaurados e purificados. E o imperador Tibério inclinou a cabeça e ajoelhou-se, considerando o seguinte: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os seios que tens sugado; e ele gemeu ao Senhor, dizendo com lágrimas: Deus do céu e da terra, não me permita pecar, mas confirma minha alma e meu corpo, e coloca-me em teu reino, porque em teu nome eu confio sempre: livra-me de todos os males, como você libertou as três crianças da fornalha de fogo ardente. Então disse o imperador Tibério para Velosianus: Velosianus, você viu algum daqueles homens que viram Cristo? Velosianus respondeu: eu vi. Ele disse: Você perguntou como eles batizavam aqueles que acreditavam em Cristo? Velosianus disse: Aqui, meu Senhor, temos um dos discípulos do próprio Cristo. Então ele ordenou que Natã fosse convocado para vir até ele. Por isso, Natã veio e o batizou em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amen. Imediatamente, o imperador Tibério, curado de todas as suas doenças, subiu ao seu trono e disse: “Bem-aventurado és, ó Senhor Deus Todo-Poderoso, digno de ser louvado, que me libertou da armadilha da morte e me limpou de todas minhas iniqüidades; porque muito pequei diante de ti, ó Senhor meu Deus, e não sou digno de ver a tua face. E então o imperador Tibério foi instruído em todos os artigos da fé, plenamente e com fé forte. Que o mesmo Deus Todo Poderoso, que é Rei dos reis e Senhor dos senhores, Ele mesmo nos proteja em sua fé, e nos defenda, e nos livre de todo perigo e mal, e nos digne trazer à vida eterna, quando esta vida, que é temporária, falhar; que é abençoado para todo o sempre. Amen.
- ONDE ESTÃO OS ESCRITORES CATÓLICOS AMERICANOS? – Dana Gioia
Por anos tenho refletido sobre o paradoxo cultural e social que está na origem da diminuição da vitalidade e da diversidade das artes nos EUA. Esse enigma cultural revela, também, o retrocesso intelectual e a inércia criativa da vida religiosa americana. É paradoxal que, apesar da Igreja Católica ser o maior grupo religioso e cultural dos EUA, o catolicismo atualmente quase não tenha presença nas belas-artes americanas — seja em literatura, música, escultura, ou pintura. Não se trata somente de um paradoxo demográfico. Assinala, também, a maior mudança histórica – um empobrecimento, na verdade uma desfiguração — do catolicismo, que por dois milênios desempenhou um papel enormemente inspirador e educativo nas artes. O catolicismo romano hoje se classifica, esmagadoramente, como a maior denominação religiosa dos EUA, com mais de 68 milhões de membros. Há um visível contraste com o segundo maior grupo, os Batistas do Sul, que têm 16 milhões de membros. Representando quase um quarto da população americana, os católicos também constituem a maior minoria cultural da nação. Em apoio à sua tradicional afirmação de ser a Igreja universal, o catolicismo americano ostenta uma vasta diversidade étnica, nacional, linguística e social. (Em minha primeira paróquia em Washington, D.C., não era raro ver, nas Missas, funcionários do Congresso, imigrantes da América Central e moradores de rua ocupando o mesmo banco de igreja.) Enquanto muitas igrejas protestantes continuam a declinar, o catolicismo tem crescido constantemente nos últimos duzentos anos através da combinação de imigrantes, nascimentos e conversões. Considerando o aspecto puramente demográfico, seria de se esperar que houvesse uma grande e crescente presença católica nas belas-artes americanas. Contudo, se se pedisse a um jornalista da área artística que apontasse, entre os melhores que estão vivos, um pintor ou escultor, diretor ou coreógrafo, compositor ou poeta, que pratiquem o catolicismo, suspeito que o crítico fosse incapaz de mencionar um único nome. Poderia, seguramente, identificar uns poucos ex-católicos, como Andres Serrano, Terrence McNally, ou Mark Adamo, que usam assuntos religiosos em sátiras, críticas ou “shock value” [apresentações artísticas provocativas]. Crítica ao catolicismo acabou se transformando num gênero literário usual, que vai do ridículo (como a peça Irmã Maria Inácio explica tudo isso para você) ao tendencioso (O evangelho de Maria Madalena). Se a pesquisa abrangesse o romance — que é a mais sociológica das belas artes — um crítico literário bem informado pode oferecer alguns poucos nomes de romancistas, como Ron Hansen ou Alice McDermott, autores cujos assuntos são muitas vezes abertamente católicos. É o que há de artistas católicos visíveis em nossa cultura. A reação imediata do jornalista, no entanto, seria considerar ingênua ou tola essa preocupação; um crítico sério não deve perder tempo com essas trivialidades intelectuais… O fato é que, hoje em dia, as artes e o cristianismo parecem só remotamente conectados (quando muito). Afinal, a cultura contemporânea já não é uma cultura secularizada? Na verdade, ninguém quer quotas para artistas católicos. Não é curioso, porém, que a religião de um quarto da população americana tenha retrocedido ao ponto de invisibilidade nas belas-artes? (A situação do catolicismo nos entretenimentos populares é tema de outro ensaio nosso). É especialmente irônico que essa desaparição tenha ocorrido durante um período em que a tão celebrada diversidade cultural tenha se tornado um objetivo explícito das artes nos EUA; desconfia-se que algumas espécies de diversidade são mais convenientes que outras. Por acaso tal declínio gerou controvérsia cultural? Não, particularmente. Nem o mundo das artes, nem a alta hierarquia católica, parecem se preocupar muito com esse problema, como se houvesse um tácito acordo, de ambos os lados, que na prática (se não na teoria) o catolicismo e as artes não se misturam mesmo — um consenso que teria surpreendido não só Dante, como também um Jack Kerouac. As consequências dessa situação são lamentáveis, em vários aspectos, tanto para o mundo da cultura como para a Igreja. Para começar uma investigação séria sobre tão complexo assunto, é necessário ser factual e específico. Apesar da decadência do catolicismo ter ocorrido no plano cultural, este ensaio focalizará somente a literatura, o que já nos dará, contudo, uma perspectiva útil para a compreensão das demais artes. Espera-se, da mesma maneira, que o exame da situação dos escritores católicos possa lançar luz sobre a situação atual de todos os escritores cristãos. https://www.firstthings.com/article/2013/12/the-catholic-writer-today [Dana Gioia é um poeta e crítico-literário católico americano. Nasceu em 1950. É casado e tem três filhos.] http://danagioia.com/
- O Evangelho da Natividade de Maria (data desconhecida; tardio)
Capítulo 1. A bem-aventurada e gloriosa sempre virgem Maria, nascida da família real de Davi, nascida na cidade de Nazaré, foi criada em Jerusalém, no templo do Senhor. Seu pai foi nomeado Joaquim e sua mãe Ana. A casa de seu pai era da Galiléia e da cidade de Nazaré, mas a família de sua mãe era de Belém. A vida deles era inocente e boa diante do Senhor, e irrepreensível e piedosa diante dos homens. Pois eles dividiram toda a suas posses em três partes. Uma parte eles gastaram no templo e nos servos do templo; outra distribuíram a estranhos e pobres; a terceira eles reservaram, para eles e as necessidades da família deles. Assim, queridos a Deus, gentis com os homens, por cerca de vinte anos eles viveram em sua própria casa, uma simples vida casada, sem ter filhos. No entanto, eles prometeram que, se o Senhor lhes desse descendência, eles a entregariam para o serviço do Senhor; em que conta eles também costumavam visitar o templo do Senhor em cada uma das festas durante o ano. Capítulo 2. E aconteceu que a festa da dedicação estava próxima; portanto também Joaquim subiu a Jerusalém com alguns homens da sua própria tribo. Naquele momento, Issacar era sumo sacerdote lá. E quando viu Joaquim com a sua oferta entre os seus outros cidadãos, desprezou-o e desprezou os seus dons, perguntando por que ele, que não tinha filhos, presumia estar entre os que tinham; Dizendo que seus dons não poderiam, de modo algum, ser aceitáveis a Deus, visto que Ele o julgara indigno da primavera; pois as Escrituras diziam: Maldito todo aquele que não gerou um homem ou uma mulher em Israel. Ele disse, portanto, que ele deveria primeiro ser libertado dessa maldição pela geração de filhos; e então, e somente então, que ele deveria entrar na presença do Senhor com suas ofertas. E Joaquim, coberto de vergonha desta afronta escoriada, retirou-se aos pastores que estavam nos seus pastios com os seus rebanhos; nem voltaria para casa, pois talvez não fosse marcado com a mesma censura por parte de sua própria tribo, que estava lá na época, e ouvira isso do sacerdote. Capítulo 3. Agora, quando ele estava lá por algum tempo, em um certo dia, quando ele estava sozinho, um anjo do Senhor estava ao lado dele em uma grande luz. E quando ele estava perturbado com sua aparência, o anjo que lhe aparecera conteve seu medo, dizendo: Não temais, Joaquim, nem seja perturbado por minha aparência; porque eu sou o anjo do Senhor, enviado por Ele para lhe dizer que suas orações foram ouvidas e que suas ações de caridade subiram para a Sua presença. Atos 10: 4 Pois ele viu a sua vergonha e ouviu o vitupério da infrutuosidade injustamente lançada contra ti. Porque Deus é o vingador do pecado, não da natureza; e, portanto, quando Ele fecha o ventre de qualquer um, Ele faz isso para que possa milagrosamente abrir novamente; para que o que nasceu possa ser reconhecido como não sendo de luxúria, mas do dom de Deus. Pois não foi o caso que a primeira mãe de sua nação – Sara – foi estéril até seu octogésimo ano? E, no entanto, na velhice extrema, ela trouxe Isaque, a quem a promessa foi renovada da bênção de todas as nações. Raquel também, tão favorecida pelo Senhor e tão amada pelo santo Jacó, foi por muito tempo estéril; e, no entanto, ela trouxe José, que não era apenas o senhor do Egito, mas o libertador de muitas nações que estavam prontas para perecer de fome. Quem entre os juízes era mais forte que Sansão, ou mais santo que Samuel? E, no entanto, as mães de ambos eram estéreis. Se, portanto, a razoabilidade de minhas palavras não o persuade, acredite, de fato, que concepções muito tardias na vida e nascimentos, no caso de mulheres que foram estéreis, geralmente são acompanhadas de algo maravilhoso. Conseqüentemente sua esposa Ana trará uma filha a você, e você chamará seu nome de Maria: ela será, como você jurou, consagrada ao Senhor desde sua infância, e ela será cheia do Espírito Santo, mesmo dela ventre da mãe. Ela não comerá nem beberá coisa impura, nem dará a sua vida entre a multidão do povo que está de fora, mas no templo do Senhor, não será possível dizer, nem suspeitar, o mal a respeito dela. Portanto, quando ela tiver crescido, assim como ela mesma nascerá miraculosamente de uma mulher estéril, de modo incomparável ela, uma virgem, dará à luz o Filho do Altíssimo, que será chamado Jesus e que, de acordo com a etimologia do Seu nome, será o Salvador de todas as nações. E isto será para ti sinal daquelas coisas que anuncio: Quando chegares ao portão de Ouro em Jerusalém, lá encontrarás a tua mulher, que ultimamente ansiosa pelo atraso do teu regresso, regozijar-se-á com a vista de você. Tendo assim falado, o anjo se afastou dele. Capítulo 4. Depois disso, ele apareceu a Ana, sua esposa, dizendo: Não tema, Ana, nem pense que é um fantasma que você vê. Pois eu sou aquele anjo que apresentou suas orações e esmolas diante de Deus; e agora eu fui enviado a você para anunciar a você que você deve dar à luz uma filha, que será chamada Maria, e que será abençoada acima de todas as mulheres. Ela, cheia do favor do Senhor desde o seu nascimento, permanecerá três anos na casa de seu pai até que ela seja desmamada. Depois disso, sendo entregue ao serviço do Senhor, ela não se afastará do templo até que alcance os anos de discrição. Lá, afinal, servindo a Deus dia e noite em jejuns e orações, ela deve se abster de toda coisa impura; ela nunca conhecerá o homem, mas somente, sem exemplo, imaculada, incorrupta, sem intercurso com o homem, ela, uma virgem, dará à luz um filho; ela, sua donzela, dará à luz ao Senhor – tanto na graça como no nome e na obra, o Salvador do mundo. Levanta-te, pois, e sobe a Jerusalém; e quando chegares ao portão que, por estar revestido de ouro, se chama Dourado, ali, por sinal, encontrarás a teu marido, para cuja segurança estais ansiosos. E quando estas coisas acontecerem, saiba que o que eu anuncio sem dúvida será cumprido. Capítulo 5. Portanto, como o anjo havia ordenado, ambos saindo do lugar onde estavam, subiram a Jerusalém; e quando eles chegaram ao lugar indicado pela profecia do anjo, lá eles se conheceram. Então, regozijando-se em ver um ao outro e assegurando-se da certeza da prole prometida, eles deram graças ao Senhor, que exalta os humildes. E assim, tendo adorado o Senhor, voltaram para casa e esperaram com certeza e alegria a promessa divina. Ana concebeu, pois, e deu à luz uma filha; e de acordo com o mandamento do anjo, seus pais chamavam o nome de Maria. Capítulo 6. E quando o círculo de três anos se completou e o tempo de seu desmame foi cumprido, trouxeram a virgem ao templo do Senhor com oferendas. Agora havia em volta do templo, de acordo com os quinze Salmos de Graus, quinze degraus subindo; pois, por causa do templo ter sido construído sobre uma montanha, o altar do holocausto, que ficava do lado de fora, não podia ser alcançado a não ser por degraus. Em um deles, então, os pais dela colocaram a menininha, a Santíssima Virgem Maria. E quando eles estavam tirando as roupas que eles tinham usado na jornada, e estavam colocando, como de costume, outras que eram mais limpas e puras, a virgem do Senhor subiu todos os degraus, um após o outro, sem q ajuda de qualquer um que a conduzisse ou a levantasse, de tal maneira que, a este respeito, pelo menos, você pensaria que ela já tivesse atingido a maioridade. Pois já o Senhor, na infância de Sua virgem, realizou uma grande coisa e, pela indicação desse milagre, mostrou quão grande ela seria. Portanto, tendo sido oferecido um sacrifício segundo o costume da lei e seu voto aperfeiçoado, eles deixaram a virgem dentro dos recintos do templo, lá para ser educados com as outras virgens e voltaram para casa. Capítulo 7. Mas a virgem do Senhor avançou em idade e em virtudes; e embora, nas palavras do salmista, seu pai e mãe a tivessem abandonado, o Senhor a levou. Pois diariamente ela era visitada por anjos, diariamente desfrutava de uma visão divina, que a preservava de todo o mal, e a fazia abundar em todo o bem. E assim ela chegou a seu décimo quarto ano; e não somente os ímpios eram incapazes de acusá-la de qualquer coisa digna de reprovação, mas todos os bons, que conheciam sua vida e conversa, julgavam-na digna de admiração. Então o sumo sacerdote anunciou publicamente que as virgens que estavam publicamente instaladas no templo, e que haviam chegado a esta época da vida, deveriam voltar para casa e se casar, de acordo com o costume da nação e a maturidade de seus anos. As outras prontamente obedeceram a esse comando; mas somente Maria, a virgem do Senhor, respondeu que não podia fazer isso, dizendo que seus pais a tinham dedicado ao serviço do Senhor e que, além disso, ela mesma fizera ao Senhor um voto de virgindade, que ela nunca violaria por qualquer intercurso com o homem. E o sumo sacerdote, sendo colocado em grande perplexidade da mente, vendo que nem ele pensava que o voto devesse ser quebrado, contrariamente à Escritura, que diz: Voto e pagamento, nem ele se atrevendo a introduzir um costume desconhecido para a nação, Deu ordem para que no festival, que estava à mão, todos os chefes de Jerusalém e a vizinhança estivessem presentes, a fim de que, de seus conselhos, ele pudesse saber o que devia ser feito em um caso tão duvidoso. E quando isso aconteceu, eles decidiram unanimemente que o Senhor deveria ser consultado sobre esse assunto. E quando todos se curvaram em oração, o sumo sacerdote foi consultar Deus da maneira habitual. Tampouco queriam esperar: ouvindo uma voz emitida do oráculo e do propiciatório, que, segundo a profecia de Isaías, um homem deveria ser procurado a quem a virgem devia ser confiada e desposada. . Pois é claro o que Isaías diz: Uma ramo sairá da raiz de Jessé, e uma flor ascenderá de sua raiz; e o Espírito do Senhor repousará sobre ele, o espírito de sabedoria e entendimento, o espírito de conselho e força, o espírito de sabedoria e piedade; e ele será preenchido com o espírito do temor do Senhor. Isaías 11: 1-2 Portanto, de acordo com essa profecia, ele predisse que toda a casa e família de Davi que não fossem casados e aptos para o matrimônio deviam trazer para o altar varas e deposita-las lá; e que aquele cuja vara depois que fosse trazida produzisse uma flor, e no fim de cuja vara o Espírito do Senhor se estabelecesse na forma de uma pomba, era o homem a quem a virgem devia ser confiada e desposada. Capítulo 8 Ora, havia entre os demais José, da casa e da família de Davi, homem de grande coragem; e quando todos traziam para lá varas, segundo a ordem, só ele reteve a sua. Portanto, quando nada em conformidade com a voz divina apareceu, o sumo sacerdote achou necessário consultar Deus uma segunda vez; e ele respondeu que, daqueles que haviam sido designados, somente aquele que não tivesse depositado sua vara deveria desposar a Virgem. José, portanto, foi descoberto. Pois quando ele trouxe a vara, e a pomba veio do céu; e estabelecida no topo, parecia claramente a todos que ele era o homem a quem a virgem deveria ser adotada. Portanto, tendo as cerimônias habituais de noivado passado, ele voltou para a cidade de Belém para arrumar sua casa e obter as coisas necessárias para o casamento. Mas Maria, a virgem do Senhor, com outras sete virgens de sua idade e que foram desmamadas ao mesmo tempo, que recebera do sacerdote, voltaram para a casa de seus pais na Galiléia. Capítulo 9 E naqueles dias, isto é, no tempo de sua primeira vinda à Galiléia, o anjo Gabriel foi enviado a ela por Deus, para anunciar-lhe a concepção do Senhor, e para explicar-lhe a maneira e a ordem da concepção. . Assim, entrando, ele encheu a câmara onde ela estava com uma grande luz; e mais gentilmente saudando-a, ele disse: Ave Maria! Ó virgem altamente favorecida pelo Senhor, virgem cheia de graça, o Senhor está contigo; bendita és tu acima de todas as mulheres, bendita acima de todos os homens que até agora nasceram. Lucas 1: 26-38 E a virgem, que já estava bem familiarizada com os rostos angélicos, e não estava acostumada à luz do céu, não estava apavorada com a visão do anjo, nem surpreendida com a grandeza da luz, mas apenas perplexa com suas palavras; e ela começou a considerar de que natureza uma saudação tão incomum poderia ser, ou o que poderia prenunciar, ou que fim poderia ter. E o anjo, divinamente inspirado, tomando este pensamento, disse: Não tema, Maria, como se algo contrário à sua castidade estivesse escondido sob esta saudação. Pois ao escolher a castidade, encontraste graça com o Senhor; e, portanto, você, uma virgem, conceberá sem pecado e dará à luz um filho. Ele será grande, porque governará de mar a mar, e desde o rio até os confins da terra; e ele será chamado o Filho do Altíssimo, porque Aquele que nasce na terra em humilhação reina no céu em exaltação; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim; Lucas 1: 32-33 porquanto é Rei dos reis e Senhor dos senhores, Apocalipse 19:16 e Seu trono é de eternidade a eternidade. A virgem não duvidou dessas palavras do anjo; mas querendo saber o modo de agir, ela respondeu: Como isso pode acontecer? Por enquanto, de acordo com o meu voto, eu nunca conheci o homem, como posso produzir sem a adição da semente do homem? Para isso, o anjo disse: Não pense, Maria, que você deve conceber à maneira da humanidade: pois sem qualquer relação sexual com o homem, você, uma virgem, vai conceber; você, uma virgem, trará; você, uma virgem, vai amamentar, pois o Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo fará sombra sobre você, Lucas 1:35 sem nenhum dos calores da luxúria; e, portanto, o que deve nascer de você deve ser santo, porque só ele, sendo concebido e nascido sem pecado, será chamado o Filho de Deus. Então Maria estendeu as mãos, levantou os olhos para o céu e disse: Eis aqui a donzela do Senhor, porque não sou digno do nome de dama; seja para mim segundo a tua palavra. Será longo, e talvez até mesmo tedioso, se inserirmos nesta pequena obra tudo o que lemos como tendo precedido ou seguido a natividade do Senhor: portanto, omitindo aquelas coisas que foram mais plenamente escritas no Evangelho, vamos chegamos àqueles que são consideradas menos dignas de serem narradas. Capítulo 10 José, portanto, veio da Judéia para a Galiléia, pretendendo casar-se com a virgem que havia sido prometida a ele; já haviam transcorrido três meses e era o começo do quarto desde que ela fora noiva dele. Nesse ínterim, era evidente pela sua forma que ela estava grávida, nem poderia esconder isso de José. Por causa de ele ser prometido a ela, vindo a ela mais livremente e falando com ela mais familiarmente, ele descobriu que ela estava grávida. Começou então a ficar em grande dúvida e perplexidade, porque não sabia o que era melhor para ele fazer. Pois, sendo um homem justo, ele não estava disposto a expô-la; nem, sendo um homem piedoso, ferir sua fama justa por uma suspeita de fornicação. Ele chegou à conclusão, portanto, em particular para dissolver seu contrato e mandá-la embora em segredo. E enquanto pensava nelas, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu enquanto dormia, dizendo: José, filho de Davi, não temas; isto é, não tenha qualquer suspeita de fornicação na virgem, ou pense em qualquer mal dela; e não tenha medo de tomá-la como sua esposa, pois aquilo que é gerado nela e que agora abala sua alma não é obra do homem, mas do Espírito Santo. Pois só ela de todas as virgens trará o Filho de Deus, e você deve chamar o seu nome de Jesus, isto é, Salvador; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Portanto, José, de acordo com o mandamento do anjo, tomou a virgem como sua esposa; no entanto, ele não a conhecia, mas cuidava dela e a mantinha em castidade. Mateus 1: 18-24 E agora o nono mês desde a sua concepção estava próximo, quando José, levando com ele sua esposa junto com as coisas de que ele precisava, foi para Belém, a cidade da qual ele veio. E aconteceu que, enquanto estavam ali, cumpriram-se os dias em que ela devia dar à luz; e ela deu à luz seu filho primogênito, como os santos evangelistas mostraram, nosso Senhor Jesus Cristo, que com o Pai, o Filho e o Espírito Santo vive e reina Deus de eternidade a eternidade.
- Papa Adriano I (772-795)
De 1 de fevereiro de 772 a 25 de dezembro de 795; data de nascimento incerta; d. 25 de dezembro de 795. Seu pontificado de vinte e três anos, dez meses e vinte e quatro dias foi inigualável em comprimento por qualquer sucessor de São Pedro até mil anos depois, quando Pio VI foi deposto e aprisionado pelas mesmas Armas francas que entronizaram o primeiro papa-rei, superou Adriano por um pontificado por seis meses a mais. Em um período crítico da história do papado, Adriano possuía todas as qualidades essenciais do fundador de uma nova dinastia. Ele era um romano de nobre extração e estatura majestosa. Por uma vida de singular devoção, por realizações consideradas extraordinárias naquela época de ferro e por serviços valiosos prestados durante o pontificado de Paulo I e Estêvão III, ele conquistara tanto a estima de seus conterrâneos indisciplinados que o poderoso camareiro, Paulo Afiarta, representando em Roma os interesses de Desidério, o rei lombardo, não tinha poder para resistir à voz unânime do clero e do povo que exigia Adriano para o trono papal. A política temporal do novo pontífice era, desde o início, fortemente definida e tenazmente cumprida; a tônica foi uma firme resistência à agressão Lombarda. Ele libertou da prisão ou retirou do exílio as numerosas vítimas da violência do camareiro; e, ao descobrir que Afiarta fizera com que Sérgio, um alto funcionário da corte papal, fosse assassinado na prisão, ordenou sua prisão em Rimini, enquanto Afiarta estava voltando de uma embaixada para Desidério com a intenção declarada de levar o papa à corte Lombarda, “mesmo que fosse a cadeias”. O tempo parecia propício para sujeitar toda a Itália ao domínio lombardo; e com antagonistas menos capazes do que Adriano e Carlos ( que seria famoso em épocas posteriores como Carlos Magno), muito provavelmente a ambição de Desidério teria sido satisfeita. Parecia pouca as chances de uma intervenção franca. Os lombardos mantinham as passagens dos Alpes, e Carlos estava absorto pelas dificuldades da guerra saxônica; além disso, a presença em Pavia de Gerberga e seus dois filhos, a viúva e os órfãos de Carlomano, cujos territórios, após a morte de seu irmão, Carlos havia anexado, pareciam oferecer uma excelente oportunidade de provocar discórdia entre os francos, se apenas o papa pudesse ser persuadidos ou coagido a ungir os filhos como herdeiros do trono de seu pai. Em vez de obedecer, Adriano valentemente determinou a resistência. Fortaleceu as fortificações de Roma, convocou para a milícia os habitantes do território circundante e, quando o exército lombardo avançou, a devastação e a pilhagem convocaram Carlos a apressar-se em defesa de seus interesses comuns. Uma calmaria oportuna na guerra saxônica deixou o grande comandante livre para agir. Incapaz de levar os traiçoeiros Lombardos a termos para aberturas pacíficas, escalou os Alpes no outono de 773, tomou Verona, onde Gerberga e seus filhos procuraram refúgio, e sitiou Desidério em sua capital. Na primavera seguinte, deixando seu exército para prosseguir o cerco de Pavia, ele prosseguiu com um forte desapego a Roma, a fim de celebrar o festival da Páscoa no túmulo dos apóstolos. Chegando no Sábado Santo, foi recebido por Adriano e pelos romanos com a máxima solenidade. Os três dias seguintes foram dedicados a ritos religiosos; na quarta-feira seguinte aos assuntos de estado. O resultado duradouro de seu importante encontro foi a famosa “Doação de Carlos Magno”, por onze séculos a Magna Carta do poder temporal dos papas. A investigação minuciosa e imparcial de Duchesne sobre sua autenticidade em sua edição do Liber Pontificalis (I, ccxxxv-ccxliii) parece ter dissipado qualquer dúvida razoável. Dois meses depois, Pavia caiu nas mãos de Carlos; o reino dos lombardos foi extinto, e o papado foi para sempre libertado de seu inimigo hereditário e persistente. Nominalmente, Adriano era agora monarca de mais de dois terços da península italiana; mas sua influência era pouco mais do que nominal. Em grande parte do distrito mencionado na Doação, as reivindicações papais foram autorizadas a caducar. Para ganhar e recuperar o resto, Carlos foi forçado a fazer repetidas expedições pelos Alpes. Podemos duvidar se o grande rei dos francos teria sofrido as dificuldades do papa para interferir em seus cuidados mais imediatos, não fosse por sua extrema veneração pessoal a Adriano, que na vida e na morte nunca deixou de proclamar seu pai e melhor amigo. Não foi em menor grau, devido à sagacidade política, vigilância e atividade de Adriano, que o poder temporal do papado não permaneceu uma ficção da imaginação. Seus méritos foram igualmente grandes nas preocupações mais espirituais da Igreja. Em cooperação com a imperatriz ortodoxa Irene, ele trabalhou para reparar os danos provocados pelas tempestades iconoclastas. No ano de 787, ele presidiu, através de seus legados, o Sétimo Concílio Ecumênico, realizado em Nicéia, no qual a doutrina católica relativa ao uso e à veneração de imagens foi definitivamente exposta. A importância da oposição temporária aos decretos do Concílio em todo o Ocidente, causada principalmente por uma tradução defeituosa, agravada por motivos políticos, tem sido muito exagerada nos tempos modernos. A controvérsia suscitou uma forte refutação do chamado Libri Carolini do papa Adriano e não ocasionou nenhuma diminuição da amizade entre ele e Carlos. Ele se opunha mais vigorosamente, por sínodos e escritos, à nascente heresia do Adocionismo, um dos poucos erros cristológicos originados pelo Ocidente. O Liber Pontificalis amplia seus méritos para embelezar a cidade de Roma, na qual se diz que ele gastou quantias fabulosas. Ele morreu universalmente lamentado e foi enterrado em São Pedro. Seu epitáfio, atribuído a seu amigo vitalício, Carlos Magno, ainda existe. Raramente o sacerdócio e o império trabalharam juntos tão harmoniosamente, e com resultados tão benéficos para a Igreja e para a humanidade, como durante a vida desses dois grandes governantes. As fontes principais de nossa informação sobre Adriano são a Vida no Liber Pontificalis (q.v.), e suas cartas para Carlos Magno, preservadas por este último em seu Codex Carolinus. As estimativas do trabalho e do caráter de Adriano pelos historiadores modernos diferem das visões variadas dos escritores em relação à soberania temporal dos papas, dos quais Adriano I deve ser considerado o verdadeiro fundador. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/01155b.htm
- Cristo fundou uma Igreja Visível
Uma das diferenças mais fundamentais entre os paradigmas eclesiais protestantes e católicos diz respeito à natureza da Igreja que Cristo fundou. De acordo com o paradigma protestante predominante, a Igreja em sí é uma entidade espiritual e invisível, embora alguns de seus membros, ou seja, todos os crentes que ainda vivem nesta vida atual, sejam visíveis, porque estão corporificados. No paradigma protestante, qualquer um que tenha verdadeira fé em Cristo é ipso facto membro da única Igreja que Cristo fundou. Este paradigma protestante não reconhece que Cristo fundou um corpo visível hierarquicamente organizado.1 Em contraste, a Igreja Católica há 2.000 anos creu e ensinou que o Cristo encarnado fundou um Corpo visível hierarquicamente organizado. No paradigma católico, a fé em Cristo não é suficiente por si só para tornar uma pessoa um membro deste Corpo; um crente é incorporado a este Corpo pelo batismo válido, mas é removido deste Corpo por heresia, apostasia, cisma ou excomunhão. As confissões reformadas afirmam a visibilidade da Igreja, de modo que levanta uma questão particular: com respeito à visibilidade, como a eclesiologia reformada é distinta tanto do paradigma eclesial protestante comum quanto da eclesiologia católica? Neste artigo, primeiro mostramos que Cristo fundou Sua Igreja como um corpo visível e por que Ele fez isso. Em seguida, apresentamos as várias posições e argumentamos que a eclesiologia reformada é equivalente, em essência, ao paradigma eclesial protestante comum. Finalmente, extraímos algumas implicações importantes decorrentes da visibilidade da Igreja. I. O Corpo de Cristo é uma Unidade Visível A. A Igreja é o Corpo de Cristo; Ele é a cabeça do seu corpo místico E digo-te que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. (Mateus 16:18) Uma razão pela qual Cristo veio ao mundo é edificar Sua Igreja, que por meio e na Sua Igreja os homens poderiam finalmente vir para a vida eterna, isto é, para a visão beatífica do Deus Triúno.2 No Novo Testamento encontramos diferentes termos usados para mostram aspectos distintos da Igreja. Um desses termos é “o Corpo de Cristo” [σώματος τοῦ Χριστοῦ]. Para distinguir o Corpo de Cristo que é a Igreja, do corpo de Cristo que nasceu da Virgem Maria há 2.000 anos e agora está à destra de Deus Pai, nos referimos ao primeiro como o “Corpo Místico de Cristo”. E o segundo como o corpo físico de Cristo. Concernente ao Corpo Místico de Cristo, São Paulo escreve aos santos na igreja de Roma: Porque, assim como num só corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma função, assim, (ainda que) muitos, somos um só corpo em Cristo, e cada um de. nós membros uns dos outros. (Romanos XII, 4-5) São Paulo escreve para a igreja em Corinto: Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, mas todos os membros do corpo, embora sejam muitos, são contudo um só corpo; assim é também Cristo. Porque num mesmo Espírito fomos baptizados todos nós, para sermos um só corpo, ou sejamos Judeus ou Gentios, ou servos ou livres; e todos temos bebido de um só Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo, acaso deixa ele, por isso, de ser do corpo? E se a orelha disser: Visto que não sou olho, não sou do corpo, porventura deixa ela, por isso, de ser do corpo? Se o corpo fosse todo olho, onde estaria o ouvido ? Se fosse todo ouvido, onde estaria o olfacto ? Deus, porém, pôs os membros no corpo, cada um deles como quis. Se todos os membros fossem um só membro, onde (estaria) o corpo? Mas a verdade é que são muitos os membros, e um só o corpo. E o olho não pode dizer à mão: Eu não necessito do teu serviço; nem também a cabeça pode dizer aos pés: Vós não me sois necessários. Antes, pelo contrário, os membros do corpo, que parecem mais fracos, são os mais necessários; e os que temos por mais vis membros do corpo, a esses cobrimos com mais decoro; e os que em nós são menos honestos, os recatamos com maior decência. E os nossos membros honestos não têm necessidade de nada; mas Deus dispôs o corpo, dando maior honra àquele (membro) que a não tinha em si, para que não haja cisma no corpo, mas os membros .tenham o mesmo cuidado uns pelo outros. De maneira que, se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele, ou se um membro recebe glória, todos os membros se regozijam com ele. Ora vós sois corpo de Cristo, e membros (unidos) a membro. E assim a alguns constituiu Deus na Igreja, em primeiro lugar Apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro lugar doutores, depois os que têm o poder de operar milagres, depois os que têm o dom das curas, de assistir (a seus irmãos), de governar, (de falar) diversas línguas, de interpretar as línguas. São porventura todos Apóstolos? Todos profetas? Todos doutores? São todos porventura taumaturgos? Têm todos o dom de curar doenças? Falam todos diversas línguas? Têm todos o dom de as interpretar? Aspirai, pois, aos dons melhores. E eu vou mostrar-vos um caminho ainda mais excelente. (I Coríntios XII, 12-31) Aos santos em Colossas escreve: E ele é a cabeça do corpo da Igreja, e é o princípio, o primogênito dentre os mortos; de maneira que ele tem a primazia em todas as coisas…Eu que agora me alegro nos sofrimentos por vós, e que completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu corpo (místico), que é a Igreja. (Colossensses I: 18, 24) E aos santos em Éfeso São Paulo escreve: E pôs debaixo dos seus pés todas as coisas, e constituiu-o cabeça de toda a Igreja (Efésios I, 22) Mas, praticando a verdade na caridade, cresçamos em todas as coisas naquele que é a cabeça, o Cristo, do qual todo o corpo coordenado e unido por meio de todas as junturas de comunicação, segundo uma operação proporcionada a cada membro, toma o aumento próprio do corpo para a sua edificação na caridade (que é a alma deste corpo ou edifício espiritual). (Efésios IV, 15-16) Porque o marido é cabeça da mulher, como Cristo é cabeça da Igreja, seu corpo, do qual ele é o Salvador. (Efésios V, 23) Nestas passagens, São Paulo ensina que o Corpo Místico de Cristo é uma unidade; é um só corpo. Deus o compôs para que não houvesse divisão nele. No entanto, em outro sentido, o corpo é uma pluralidade, porque tem muitos membros. E, no entanto, os membros estão unidos em um só corpo. Cada um dos membros do Corpo tem um lugar e uma função diferentes no Corpo. Nem todos têm a mesma função ou papel. Alguns são apóstolos, alguns são profetas, alguns são professores etc., cada um de acordo com seus dons. E São Paulo ensina que alguns dons são maiores do que outros, mesmo quando cada membro é dependente dos outros. Essa dependência mútua é verdadeira não apenas das mãos e dos pés, mas também da cabeça; a Cabeça não pode dizer aos pés: “Não tenho necessidade de você” .4 Dessa maneira, o Corpo é hierarquicamente organizado, cada uma das funções subordinadas contribuindo para a atividade unificada de todo o Corpo.5 Se o Corpo não fosse hierarquicamente organizado, haveria muitas atividades diferentes, mas não uma atividade unificada. Haveria muitos indivíduos diferentes e não um só corpo. No topo da hierarquia está Cristo, a Cabeça do Corpo. A Cabeça e os membros juntos formam um Corpo, com uma vida divina compartilhada. A vida de um corpo é a sua alma, na qual todos os membros do corpo são feitos para estarem vivos e compartilharem a mesma vida do corpo. Da mesma forma, a Vida do Corpo de Cristo é o Espírito Santo, que é a Alma da Igreja.6 É por isso que São Paulo diz que por um Espírito os crentes coríntios foram batizados em um só Corpo e todos feitos para beber daquele um espírito. Esta incorporação no Corpo Místico de Cristo é o que se entende por união com Cristo. Quando São Paulo diz: “Não sou mais eu que vivo, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20). Isso não deve ser entendido num sentido individualista de “eu-e-Jesus”, mas como se referindo a nossa união com Cristo em Seu Corpo Místico, a Igreja. Nossa união com Cristo é realizada através de nossa incorporação ao Seu Corpo Místico, a Igreja, que é composta de muitos membros. Da mesma forma, quando São Paulo diz em Gálatas 3: 27-28 que aqueles que foram batizados em Cristo são todos um em Cristo, ele está se referindo aos crentes sendo incorporados na unidade do Corpo Místico de Cristo, a Igreja. Concernente a essa união, Santo Agostinho escreveu: Vamos nos regozijar e dar graças que nos tornamos não apenas cristãos, mas também Cristo. Você entende, irmãos, a graça de Cristo, nossa cabeça? Pense sobre isso, regozije-se: nós nos tornamos Cristo. Pois se Ele é a Cabeça, nós somos os membros; Ele e nós formamos o homem inteiro. . . a plenitude de Cristo, portanto; a cabeça e os membros. Qual é a cabeça e os membros? Cristo e a Igreja ”. 7 Observe a linguagem forte que Santo Agostinho usa. Por causa de nossa união com Cristo, a Cabeça em Seu Corpo Místico, não somos apenas cristãos, mas, em um sentido verdadeiro, Cristo. Como isso é possível? Porque os membros e a Cabeça formam um “homem inteiro”. Do “homem todo”, Santo Tomás de Aquino escreveu: A cabeça e os membros são como uma pessoa mística [quasi una persona mystica] e, portanto, a satisfação de Cristo pertence a todos os fiéis como sendo Seus membros. Santo Agostinho e São Tomás afirmaram que, por meio do batismo, somos incorporados ao Corpo Místico de Cristo e que essa união não é extrínseca, mas intrínseca.9 Por meio do batismo, somos incorporados a uma unidade maior do que nós mesmos e, assim, nos tornamos um só com a Cabeça e outros membros, mas sem perder nossa identidade individual.10 Essa unidade do Corpo Místico é uma unidade visível, precisamente porque é a unidade de um Corpo. Os corpos são visíveis e hierarquicamente organizados, não invisíveis.11 Como a Igreja é um Corpo, a Igreja é essencialmente visível.12 A visibilidade do Corpo não é redutível à visibilidade de alguns de seus membros; a Igreja, por si só, é visível, assim como seu corpo per se é visível. Por ser a Igreja um Corpo, “também deve ser algo definido e perceptível aos sentidos” .13 Para entender como o Corpo é visível, precisamos considerar as maneiras pelas quais um corpo vivo é unificado.14 B. As três maneiras em que um corpo é unificado Um organismo é unificado fundamentalmente de três maneiras. Primeiro, um organismo é unificado em sua essência. Cada uma das partes compartilha a mesma essência. Todas as células do nosso corpo humano são células humanas. Todas as células de uma planta de girassol são células de girassol. Todos compartilham da mesma natureza formal. E assim, como São Paulo diz em Efésios 4: 5, na Igreja há “uma só fé”. Todos nós acreditamos na mesma coisa em relação à fé da Igreja. Ao longo da história da Igreja, quando um catecúmeno é incorporado ao Corpo Místico de Cristo através do batismo, ele afirma publicamente o Credo, que é a fé da Igreja. Estamos formalmente unificados no Corpo Místico de Cristo porque todos nós acreditamos na mesma doutrina. Se a Igreja não tiver pronunciado qualquer decisão sobre alguma questão de doutrina, podemos ter opiniões diferentes sobre tais questões. Mas os membros não podem ser formalmente unificados como um Corpo se estiverem divididos em doutrinas sobre as quais a Igreja regeu definitivamente. É por isso que o Papa Pio XII escreveu: Por isso, eles erram em uma questão de verdade divina, aqueles que imaginam a Igreja ser invisível, intangível, algo meramente “pneumatológico”, como dizem, pelo qual muitas comunidades cristãs, apesar de diferirem uma da outra em sua profissão de fé, estão unidas por uma ligação invisível.15 Para ser um em essência, todos os membros do Corpo devem crer e professar tudo o que a Igreja acredita, ensina e proclama ser revelado por Deus. Em segundo lugar, um organismo é unificado em sua atividade. Cada parte de um organismo está realizando alguma tarefa específica, mas cada uma dessas tarefas específicas faz parte de uma atividade unificada maior, a atividade de todo o organismo. Da mesma forma, no Corpo Místico, todas as atividades individuais dos membros devem ser coordenadas com a atividade geral do organismo vivo que é a Igreja. Qual é a atividade geral deste Corpo Místico? É a atividade da cabeça; é a vida de Cristo. Todos nós, em união com Cristo, nos oferecemos a Deus como sacrifícios vivos. Nós o fazemos mais plenamente nos sacramentos, especialmente na Eucaristia, quando nos oferecemos ao Pai em união com o sacrifício de Cristo, e em troca somos nutridos por Sua graça. O Corpo Místico é um só pela sua vida sacramental unificada: “Visto que há um só pão, nós, que somos muitos, somos um só corpo; porque todos participamos do único pão ”. (1 Coríntios 10:17) Os membros do Corpo Místico são dinamicamente unificados porque, participando dos mesmos sacramentos, todos estão engajados em uma única e mesma atividade litúrgica. A vida dinâmica de Cristo, a Cabeça, chega aos membros do Seu Corpo através dos sacramentos. São Paulo refere-se a isto em Colossenses 2:19, onde ele escreve, “e sem estar unido com a cabeça (que é Cristo), da qual todo o corpo, organizado e servido por ligamentos e junturas, cresce com aumento (que é) de Deus.”. Os sacramentos são canais ou artérias que Cristo estabeleceu em Seu Corpo, pelos quais os membros de Seu Corpo recebem a graça da vida divina que flui da Cabeça.16 É exatamente por isso que aqueles que não participam dos sacramentos ou em todos os os mesmos sacramentos são “privados de um elemento constitutivo da Igreja” e “não podem ser chamados de“ Igrejas ”no sentido próprio” .17 Em terceiro lugar, um organismo é unificado em sua hierarquia. Nem toda parte do organismo é a cabeça. As partes de um corpo são ordenadas hierarquicamente, em sistemas, órgãos, tecidos e assim por diante. Vimos isso em 1 Coríntios 12, na descrição de São Paulo do Corpo Místico de Cristo. Se não houvesse hierarquia, então o todo não seria um corpo; seria como uma almofada de alfinetes, Cristo sendo a almofada, e todos os crentes, os alfinetes, cada um individualmente, diretamente e independentemente dos outros, ligados a ele. É por isso que a Igreja, por ser um Corpo, deve ser hierarquicamente ordenada. Os membros servem à Cabeça (e ao todo) servindo a parte do Corpo próxima a si mesmos, de acordo com os dons e capacidades com que foram equipados, e sob a autoridade da hierarquia de acordo com seu lugar dentro dela. A hierarquia de um corpo deve ser unificada no sentido de que cada membro da hierarquia deve ser ordenado para a cabeça. Se houvesse duas ou mais hierarquias – isto é, se houvesse dois ou mais fins últimos para os quais os membros são ordenados – haveria dois organismos distintos presentes, ou algo equivalente a um câncer dentro de um organismo.18 Porque a existência de um o corpo requer unidade hierárquica entre seus membros, assim também a existência do Corpo Místico de Cristo requer unidade hierárquica entre seus membros. Esses três modos de unidade correspondem também aos três papéis de Cristo como profeta, sacerdote e rei, respectivamente. Cristo é o profeta perfeito, e isso implica que os membros do Seu Corpo Místico compartilham uma só fé. Cristo é o sumo sacerdote perfeito, e isso implica que os membros do Seu Corpo Místico participem da mesma atividade litúrgica e, portanto, nos mesmos sacramentos. E porque Cristo é o rei perfeito, isso implica que os membros do Seu Corpo Místico compartilham uma hierarquia visível e, portanto, um magistério visível. Dessa forma, o perfeito cumprimento de Cristo dos papéis de profeta, sacerdote e rei implica os três “laços de unidade” na Igreja.19 Esses são também os três modos pelos quais a Igreja é visível. Está visivelmente unida em sua profissão de fé compartilhada, em sua celebração compartilhada dos mesmos sacramentos e em sua hierarquia eclesial compartilhada, cada um destes três tendo sido recebido e transmitido por sucessão dos Apóstolos.20 C. Visibilidade e Hierarquia Unificada do Corpo Místico Tenho também outras ovelhas que não são deste aprisco; e importa que eu as traga, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. (João X, 16) Quando estamos falando sobre a visibilidade da Igreja no contexto de uma discussão ecumênica envolvendo católicos e protestantes, estamos falando basicamente do terceiro modo de unidade, porque no diálogo ecumênico a questão relevante a respeito da visibilidade é esta: quando Cristo fundou Sua Igreja, Ele estabeleceu a Igreja com unidade essencial não somente em doutrina e em sacramentos, mas também em seu visível governo hierárquico? Em outras palavras, a unidade hierárquica visível é parte da essência do Corpo Místico de Cristo? Protestantes e católicos, embora discordando um pouco sobre o conteúdo do único depósito de fé, pelo menos concordam que Cristo estabeleceu a Igreja com unidade de doutrina, isto é, com um depósito de fé. Da mesma forma, embora protestantes e católicos não concordem sobre o número e a natureza dos sacramentos, eles concordam que Cristo instituiu uma ordem sacramental e a deu aos Apóstolos como parte do depósito da fé confiada à Igreja. A unidade essencial da fé e dos sacramentos pode ser vista em Efésios 4: 5, onde São Paulo diz que há “uma só fé, um só batismo”. Mas quando chegamos à questão da unidade da hierarquia, protestantes e católicos não concordam. Os protestantes afirmam que a unidade hierárquica visível que Cristo inicialmente providenciou ao Seu Corpo Místico foi acidental (isto é, não essencial) e, portanto, capaz de se perder (e de fato acabou por ser perdida), ou eles afirmam que ao Corpo Místico de Cristo nunca foi dado unidade visível hierárquica em primeiro lugar. A posição católica, por outro lado, é que a unidade hierárquica visível pertence à essência do Corpo Místico de Cristo.21 Por essa razão, de acordo com a doutrina católica, a unidade hierárquica não pode ser perdida a menos que o Corpo Místico deixe de existir. Mas, uma vez que o Corpo Místico não pode deixar de existir, porque compartilha da própria vida do Filho de Deus sobre quem a morte é impotente, a unidade hierárquica visível não pode ser perdida.22 Para que haja uma hierarquia visível, não é suficiente que cada membro seja ordenado para uma cabeça invisível. Apenas ser ordenado para uma cabeça invisível é totalmente compatível com a falta de hierarquia visível. No entanto, para que haja uma hierarquia visível, algumas pessoas humanas visíveis precisam ter uma autoridade eclesiástica que os outros não têm. De acordo com a doutrina católica, a autoridade que Cristo deu aos seus apóstolos e seus sucessores é tríplice: a autoridade para ensinar, a autoridade para conduzir os homens à santidade por meio dos sacramentos e a autoridade para governar a Igreja23. Elas também correspondem ao tríplice ofício de profeta, sacerdote e rei de Cristo. Além disso, para que uma hierarquia visível seja uma, ela deve ter uma cabeça visível. Somente se cada membro de uma hierarquia visível for ordenado para uma cabeça visível, a própria hierarquia visível poderá ser uma. E somente se a cabeça visível é essencialmente uma, a hierarquia visível pode ser essencialmente uma. Se a cabeça visível da hierarquia fosse plural, então a hierarquia visível não seria essencialmente unificada, mas no máximo unicamente acidentalmente unificada. Visto que Cristo, tendo ascendido ao Céu, não é mais visível para nós (“e uma nuvem O recebeu fora de suas vistas”, Atos 1: 9), portanto Ele designou um administrador visível (ou ‘vigário’) antes de Sua ascensão, para seja a cabeça visível do Seu corpo visível. A única cabeça visível da hierarquia visível está implícita quando Jesus diz: “haverá um rebanho e um pastor”. (João 10:16) Com relação ao estabelecimento de Cristo de uma cabeça visível do Seu Corpo, o Papa Pio XII escreveu: Mas não devemos pensar que Ele governa apenas de maneira oculta ou extraordinária. Pelo contrário, nosso Redentor também governa Seu Corpo Místico de maneira visível e normal através de Seu Vigário na Terra. Vós sabeis, Veneráveis Irmãos, que depois de ter governado o “pequeno rebanho” durante a sua peregrinação mortal, Cristo nosso Senhor, quando estava prestes a deixar este mundo e retornar ao Pai, confiou ao chefe dos apóstolos o visível governo do toda a comunidade que Ele fundou. Ele era todo sábio; e como poderia Ele deixar sem uma cabeça visível o corpo da Igreja que Ele fundara como sociedade humana? Nem contra isso pode-se argumentar que a primazia da jurisdição estabelecida na Igreja confere duas cabeças a esse Corpo Místico. Pois Pedro, em vista de sua primazia é apenas o vigário de Cristo; de modo que há apenas uma Cabeça Chefe deste Corpo, a saber, Cristo, que nunca deixa de guiar a Igreja invisivelmente, embora ao mesmo tempo Ele a governe visivelmente, através daquele que é Seu representante na terra. Após a Sua gloriosa Ascensão ao Céu, esta Igreja não descansou somente n’Ele, mas também em Pedro, sua pedra fundamental visível. Que Cristo e Seu Vigário constituam uma só Cabeça é o solene ensinamento de nosso predecessor de memória imortal Bonifácio VIII na Carta Apostólica Unam Sanctam; e seus sucessores nunca deixaram de repetir o mesmo. ((Mystici Corporis Christi, 40.)) Quando Cristo ascendeu, não haveria visível unidade hierárquica entre os doze apóstolos se Cristo não tivesse dado autoridade única a um deles para ser a cabeça visível. Antes de Sua ascensão, Cristo entregou a Pedro as chaves do Reino, encarregou-o de fortalecer seus irmãos e nomeou-o para fortalecer as ovelhas de Cristo até que Ele voltasse.24 Se Cristo não tivesse estabelecido uma cabeça visível essencialmente unificada, qualquer cisma no vértice da hierarquia visível separaria Seu Corpo Místico em dois ou mais Corpos. Por isso, São Jerônimo diz: Mas você diz, a Igreja foi fundada sobre Pedro: embora em outros lugares o mesmo seja atribuído a todos os Apóstolos, e todos eles recebem as chaves do reino dos céus, e a força da Igreja depende de todos eles igualmente, mas um entre os doze é escolhido para que, quando uma cabeça for designada, não haja ocasião para cisma25. E o Papa Leão XIII diz: De fato, nenhuma sociedade humana verdadeira e perfeita pode ser concebida que não seja governada por alguma autoridade suprema. Portanto, Cristo deve ter dado à Sua Igreja uma autoridade suprema para a qual todos os cristãos devem obedecer. Por esta razão, como a unidade da fé é necessária para a unidade da igreja, na medida em que é o corpo dos fiéis, assim também para esta mesma unidade, na medida em que a Igreja é uma sociedade divinamente constituída, unidade do governo, que afeta e envolve a unidade da comunhão, é necessário jure divino. “A unidade da Igreja manifesta-se na conexão ou comunicação mútua de seus membros e, da mesma forma, na relação de todos os membros da Igreja com uma só cabeça”. 26 Vemos aqui que a graça não destrói a natureza, mas a constrói e a aperfeiçoa. É por isso que aldeias e cidades têm prefeitos e até mesmo porque nosso país tem um presidente. Assim como em uma sociedade natural, é preciso haver uma hierarquia unificada e uma cabeça visível; assim, na sociedade dos fiéis, deve haver uma hierarquia unificada e uma cabeça visível. Pela mesma razão que virtualmente toda congregação protestante tem um pastor chefe, toda a Igreja visível também requer uma cabeça visível. A Igreja, como organismo visível, preserva a cabeça visível estabelecida por Cristo e, assim, conserva as três marcas da unidade. Sem uma cabeça visível, o Corpo Místico seria reduzido ao equivalente ontológico de alfinetes visíveis, invisivelmente conectados a uma almofada de alfinetes invisível. Isso porque, sem uma cabeça visível, uma hierarquia visível é apenas acidentalmente uma, porque, intrinsecamente, são potencialmente muitas hierarquias separadas. Muitas hierarquias separadas não são uma unidade visível; eles são ontologicamente equivalentes a muitos indivíduos separados. Eles são uma mera pluralidade, não uma unidade real. Uma ‘Igreja visível’ composta de hierarquias visíveis separadas seria equivalente em sua desunião a uma Igreja meramente invisível, tendo alguns membros visíveis.27 Portanto, uma cabeça visível pertence à essência do Corpo Místico, pois um corpo não pode ter uma mera unidade acidental, mas deve ter unidade essencialmente. Em outras palavras, uma eclesiologia análoga a alfinetes visíveis invisivelmente conectados a uma almofada invisível é equivalente a uma negação da visibilidade do Corpo Místico de Cristo porque tal eclesiologia nega a hierarquia essencialmente unificada necessária para que um corpo seja um corpo. Não faz diferença se os alfinetes são cristãos individuais ou congregações individuais. Sem uma hierarquia visível essencialmente unificada, um todo composto não pode ser um corpo, muito menos um corpo visível. E quando a unidade hierárquica é abandonada, nada preserva a unidade da fé ou a unidade dos sacramentos. Desta forma, cada um dos três “laços de unidade” depende dos outros dois. II. Por que a unidade visível é uma marca da Igreja: disciplina e cisma A. Disciplina. A Igreja deve ser una, porque Cristo é um e Deus é um. A Escritura repetidamente proscreve as divisões, um imperativo que não faz sentido em uma eclesiologia de “igreja invisível”. Da mesma forma, se a Igreja, por si só, não fosse visível, então nosso “chamado à comunhão” seria tanto impossível de alcançar e já seria alcançado, de modo que não haveria muito “apelo”. Aqui podemos apontar passagens da Escritura que mostram a importância da disciplina na igreja e a obediência à autoridade eclesial: 29 E se ele se recusar a ouvi-los, conte à Igreja; e se ele se recusar a ouvir até mesmo a Igreja, que ele seja para você como um gentio e um publicano. (Mateus 18:17) Jesus havia acabado de dizer em Mateus 16 que Ele edificaria Sua Igreja, uma coisa singular. Agora aqui, em Mateus 18:17, através do que Ele diz sobre a disciplina na Igreja, Ele nos mostra que a Igreja tem uma hierarquia visível, algo ao qual podemos dizer as coisas e (talvez mais importante) a que podemos ouvir. Este versículo mostra que a Igreja pode excomungar os que estão em pecado. (Cf. 1 Coríntios 5: 1-5.) Mas, como a comunhão é uma coisa visível, somente uma hierarquia visível pode excomungar os que estão em pecado. Pois para uma “igreja invisível” poder excomungar, a comunhão também teria que ser invisível. Além disso, o imperativo de excomungar faz pouco sentido na visão eclesial denominação-são-mero-ramos, uma vez que uma excomungado pode simplesmente ir pela rua até a próxima igreja concordar ou tolerar sua doutrina ou conduta moral. Essa capacidade vai contra o dever da Igreja de “entregar tal pessoa a Satanás para a destruição de sua carne, para que seu espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus” .30 Portanto, a Igreja visível deve ter uma hierarquia visível. Não há uma pequena ironia na noção protestante de disciplina como uma “marca da Igreja”, quando a disciplina requer precisamente a unidade hierárquica que o protestantismo carece. B. Cisma. Não há nada mais grave do que o sacrilégio do cisma. . . (Santo Agostinho, Contra Epistolam Parmeniani, lib. Ii., Cap. Ii., N. 25) Se Cristo tivesse fundado a Igreja sem uma hierarquia visível unificada, então o cisma poderia ser, no máximo, apenas uma deficiência de caridade para com outros crentes. O cisma seria o equivalente a um dos alfinetes da almofada de alfinetes que não seria beneficente para outro alfinete. E esse seria o caso se esses alfinetes representassem cristãos individuais ou congregações ou denominações locais. O cisma per se seria visivelmente simétrico em relação aos limites da Igreja, mesmo que a culpabilidade não fosse. Ou seja, nenhuma das partes do cisma estaria visivelmente afastando-se da Igreja, a menos que também estivesse abandonando a fé ou os sacramentos. Mas abandonar a fé ou os sacramentos é heresia ou apostasia. Assim, a separação dos partidos, por si só, não seria cisma da Igreja; a separação da Igreja, se houvesse qualquer separação da Igreja, seria devida apenas à heresia ou à apostasia. A perfeita unidade eclesial seria totalmente compatível com a permanência dividida em muitas hierarquias, denominações, etc. visíveis. Enquanto os cristãos partilhassem a mesma fé e os mesmos sacramentos e tivessem caridade uns para com os outros, a separação em distintas organizações autónomas não diminuiria a perfeição da unidade eclesial. Quando uma congregação se dividisse em corpos autônomos, isso não seria necessariamente um cisma; poderia ser uma mera ramificação, desde que as novas congregações conservassem a mesma fé, sacramentos e caridade uns para com os outros. Um problema óbvio aqui, entretanto, é que a separação visível é quase sempre baseada em (ou racionalizada por) desacordo na fé ou no sacramento. A unidade da fé e dos sacramentos não pode ser preservada à parte da unidade do governo eclesiástico, ou seja, uma hierarquia visível compartilhada. Além da visível unidade hierárquica, a fragmentação da fé é inevitável. Mas outro problema é que essa eclesiologia efetivamente elimina a própria possibilidade de cisma entendida como separação da autoridade eclesial visível compartilhada. E quando uma eclesiologia não tem espaço conceitual para a possibilidade de cisma, as muitas advertências sobre o cisma nas Escrituras levantam uma bandeira vermelha de que a unidade eclesial foi definida. . . para que sejam um, assim como nós.. . . .para que sejam todos um, como tu, Pai, o és em mim, e eu em ti. . . para que também eles sejam um em nós. . . para que sejam aperfeiçoados em unidade, para que o mundo saiba que Tu me enviaste e os amaste, assim como também me amaste. (João 17: 11,21-23) Peço-lhe, irmãos, que atente para aqueles que causam divisões. (Romanos 16:17) Agora eu exorto vocês irmãos através do nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos vocês confessem a mesma coisa, e não haja cismas entre vocês, mas vocês estejam unidos na mesma mente e com o mesmo propósito. (1 Coríntios 1:10) Deus compôs [o corpo de Cristo] … que “não deveria haver cisma no corpo. (1 Coríntios 12:25) Agora os atos da carne são evidentes, quais são:. . . disputas, dissensões, facções. (Gálatas 5: 19-20) Suportando um ao outro no amor, esforçando-se para manter a unidade do Espírito no vínculo da paz. (Efésios 4: 3) Nos últimos tempos virão impostores, que andarão segundo as suas paixões, cheias de impiedade. Estes são os que provocam divisões. (Judas 1: 18-19) Dada uma hierarquia visível essencialmente unificada, o cisma nunca pode ser visivelmente simétrico. Sempre consistirá da Igreja e do partido em cisma da Igreja. Sabemos que a separação da autoridade eclesial visível compartilhada nunca resulta em dois corpos místicos. Obviamente, não pode haver dois corpos místicos, uma vez que a resposta clara à pergunta de São Paulo “Cristo foi dividido?” É “Não.” 31 São Cipriano escreve: Deus é um e Cristo é um, e um é Sua Igreja, e a fé é uma, e um Seu povo unido pela cola da concordância em uma sólida unidade de corpo. A unidade não pode ser separada, nem o único corpo da Igreja, por meio da divisão de sua estrutura, pode ser dividido em pedaços.32 Mas o que faz isso ser assim? Há apenas duas respostas possíveis: a concepção invisível de almofada de alfinetes da Igreja, uma vez que o invisível não pode ser dividido, ou um principium unitatis visível, ou seja, uma cabeça perpétua visível da hierarquia eclesial visível. Nós mostramos acima porque a concepção de almofada de alfinetes da Igreja é incompatível com a Igreja sendo um Corpo. Assim, somente se existe um principium unitatis pode haver algo como “cisma de”, que não é redutível a heresia ou apostasia. Esta ideia de “cisma de” pode ser vista tanto nas Escrituras como nos padres da Igreja: Eles saíram de nós, mas não eram de nós; porque se tivessem sido de nós, certamente teriam continuado conosco. (1 João 2:19) Ele acha que ele tem Cristo, que age em oposição aos sacerdotes de Cristo, que se separa da companhia do clero e do povo? (São Cipriano, Bispo de Cartago, d. 258 dC, Sobre a Unidade da Igreja, 17.) Pensamos que essa diferença existe entre heresia e cisma: a heresia não tem um ensino dogmático perfeito, ao passo que o cisma, através de alguma dissensão episcopal, também se separa da Igreja. (São Jerônimo, Comentário. Em Epist. Ad Titum, cap. Iii., V. 10-11, ênfase adicionada.) Veja o que você deve tomar cuidado – veja o que você deve evitar – veja o que você deve temer. Acontece que, como no corpo humano, algum membro pode ser cortado – uma mão, um dedo, um pé. A alma segue o membro amputado? Enquanto estava no corpo, vivia; separado, perde sua vida. Assim, o cristão é católico, desde que ele viva no corpo: separado dele, ele se torna um herege – a vida do espírito não segue o membro amputado. (Santo Agostinho, Sermão cclxvii., N. 4) E é assim que o “cisma” foi entendido e definido na Igreja Católica: o cisma é definido como “a recusa da submissão ao Romano Pontífice ou da comunhão com os membros da Igreja a ele submetidos”. 33 Nenhuma outra definição faz sentido , em parte porque nenhuma outra definição distingue o cisma da excomunhão. Caso contrário, cada parte no cisma poderia dizer com igual garantia: “Não, eu excomungei você”. Nenhuma outra definição mostra por que o cisma está sempre errado, mesmo quando a excomunhão às vezes é necessária. Assim, vemos que tanto a disciplina como o cisma não se encaixam em uma concepção da Igreja na qual falta uma unidade hierárquica visível essencial. Um modelo de “igreja” em que tanto a disciplina quanto o cisma não são possíveis causa grande violência aos imperativos da Escritura em ambos os assuntos, e está completamente em desacordo com os primeiros mil e quinhentos anos da tradição da Igreja. III A negação da visibilidade é docetismo eclesial A. Docetismo eclesial Na eclesiologia católica, a base da unidade da Igreja é Cristo, que é ao mesmo tempo espírito e carne. Estamos unidos a Cristo estando unidos ao Seu Corpo Místico através do sacramento do batismo. Estamos mais profundamente unidos a Cristo e à Igreja através dos sacramentos da Confirmação e da Eucaristia. Um ato de cisma separa uma pessoa da Igreja e, portanto, de Cristo, porque a Igreja é o próprio Corpo Místico de Cristo. O catolicismo é sacramental, na medida em que procura o espiritual através do material, assim como conhecemos a natureza divina de Cristo somente por meio de Sua natureza humana. Nós não, como no gnosticismo, tentamos contornar o material, e tentamos aqui nesta vida contornar o sacramental e ver diretamente a natureza divina ou tomar o ponto de vista do olho de Deus, porque isso está atualmente além de nós como criaturas materiais. Se quisermos conhecer nosso status no céu, inquirimos a respeito de nosso status em Seu Corpo Místico na Terra. Esta epistemologia da fé da terra para o céu é vista no que Jesus diz aos Apóstolos: “tudo o que ligares na terra será ligado nos céus.” 34 O visível e o invisível estão ligados por causa da encarnação, na qual o que é feito para a carne de Cristo é feito para a pessoa de Cristo. É precisamente por isso que a excomunhão tem dentes; realmente corta uma pessoa de Cristo. Considere uma posição protestante comum, segundo a qual todos os cristãos estão igualmente unidos a Cristo somente pela fé e, portanto, igualmente unidos à Igreja. Eu descrevi essa posição acima como o modelo de almofada de alfinetes. De acordo com essa noção da Igreja, o cisma não faz nada à unidade de todos os cristãos, apenas à manifestação externa de nossa unidade espiritual intacta. Esta é uma eclesiologia desmaterializada (isto é, espiritualizada) que, a esse respeito, é tanto gnóstica quanto docética. Visto que o Cristo encarnado é ao mesmo tempo espírito e carne, a unidade visível do Seu Corpo Místico não é meramente uma “expressão externa” da real unidade espiritual e invisível da Igreja, assim como a união sexual não é meramente uma expressão física da unidade interior / espiritual. de marido e mulher. A União sexual verdadeiramente deveria ser uma expressão corporal de uma união espiritual. Mas a união sexual não é meramente uma expressão externa da unidade espiritual; é em si uma verdadeira união de marido e mulher. Da mesma forma, a unidade visível da Igreja (incluindo a unidade hierárquica) é uma unidade real do Corpo Místico, não apenas uma expressão externa da unidade real que é espiritual e invisível. O problema fundamental aqui é um tipo de dualismo que trata o espiritual como o real, e o material como um mero contexto para a expressão do espiritual. Isso reduz o Corpo Místico a um espírito com alguns membros visíveis, uma almofada de alfinetes invisível com alguns alfinetes visíveis. Onde quer que o cisma seja tratado como não separando uma pessoa (até certo ponto) de Cristo, aí a Igreja está sendo tratada como fundamentalmente e intrinsecamente invisível, com alguns membros visíveis. Negar a unidade essencial da hierarquia visível trata o Corpo Místico de Cristo como se não fosse realmente e essencialmente um Corpo, porque a unidade hierárquica visível é essencial e intrínseca a um corpo. Se um corpo deixa de ser visivelmente hierarquicamente, deixa de ser. É por isso que um ser humano não pode sobreviver à desintegração de seu corpo. Portanto, se a unidade visível é apenas acidental para alguma coisa, essa coisa não é um corpo vivo; é, no máximo, apenas a aparência de um corpo. Portanto, aqueles que afirmam que o Corpo Místico de Cristo é invisivelmente uno e visivelmente dividido, estão tratando o Corpo de Cristo como se fosse apenas um Corpo aparente, não um Corpo real. É por isso que esta posição é corretamente descrita como docetismo eclesial, porque o docetismo é a heresia que afirmava que Cristo só parecia ser um homem. Isso não significa que devemos cair em algum tipo de eutiquianismo eclesial. Eutiquianismo, que também é chamado Monofisismo (significando “uma natureza”), foi condenado no Quarto Concílio Geral, o Concílio de Calcedônia em 451 dC. De acordo com os Monofisitas, a humanidade de Jesus foi absorvida em Sua natureza divina tal que Ele não mais tem uma natureza humana, tendo apenas Sua natureza divina (daí “monofisismo”). O docetismo e o eutiquianismo negam que Cristo tenha uma natureza humana. Por essa razão, ambas as noções docética e eutiquiana do Corpo Místico de Cristo tratam a Igreja como em si mesma invisível, espiritual e imaterial, apenas visível no sentido de que faz uso de crentes humanos encarnados da mesma maneira que o Logos ( isto é, a Segunda Pessoa da Trindade), de acordo com uma concepção docética, talvez usasse elementos materiais para parecer ter um corpo físico, mas na verdade não era feito desses elementos materiais, nem eram partes Dele. A cristologia calcedoniana, com sua afirmação de duas naturezas distintas unidas sem mistura em uma união hipostática, implica que a Igreja como o Corpo Místico de Cristo é em si visível e hierarquicamente organizada como uma entidade corporativa.35 A acusação de que a eclesiologia católica é eutiquiana afirma que a alegação católica [de que o Corpo visível de Cristo é essencialmente um] atribui erroneamente ao aspecto visível da Igreja o que é somente verdadeiro do aspecto invisível da Igreja, e dessa maneira atribui falsamente o que é verdadeiro somente da natureza divina de Cristo à Sua natureza humana, como faz o eutiquianismo. Mas essa acusação baseia-se na noção errônea de que a unidade hierárquica visível não é intrinsecamente essencial para um corpo humano vivo. A verdadeira distinção entre a natureza divina de Cristo e Sua natureza humana não implica que o Corpo Místico de Cristo não seja necessariamente visivelmente mais do que implicaria que o corpo físico de Cristo poderia continuar a existir mesmo se todas as suas partes fossem separadas. Em vez disso, porque Cristo realmente possui a natureza humana, Seu Corpo Místico é necessariamente visivelmente um em sua hierarquia, assim como seu corpo físico é necessariamente visivelmente sua hierarquia. Um corpo humano vivo é essencialmente visivelmente um. Se deixa de ser visivelmente um, deixa de ser. Por isso, sua visível unidade hierárquica é essencial para o seu ser. É por isso que a doutrina católica de que o Corpo Místico de Cristo é essencialmente visivelmente um em sua hierarquia não é eutíquiana. B. O que faz o docetismo eclesial na prática? A espiritualidade e a visibilidade da Igreja não são mais opostas uma à outra do que a alma e o corpo de um homem, ou melhor, que a divindade e a humanidade em Cristo. . . . É por ignorar este inseparável caráter duplo da Igreja que o Protestantismo, Luterano e Reformado, nunca conseguiu resistir à tentação de distinguir, por oposição, uma Igreja evangélica invisível e única, por um lado, e, por outro lado, Igrejas visíveis, humanas e pecaminosas.36 Na prática, o docetismo eclesial implica o consumismo eclesial, porque elimina a noção de encontrar e submeter à Igreja que Cristo fundou. Na mentalidade do docetismo eclesial, o que se procura, na medida em que se olha, é uma comunidade de pessoas que compartilham a própria interpretação das Escrituras. No docetismo eclesial, a identidade da Igreja não é determinada pela forma e pela matéria, mas apenas pela forma. Qual forma? A forma da própria interpretação das Escrituras. Isso revela por que existem tantas denominações protestantes, centros de culto e comunidades eclesiais, nenhuma delas compartilhando os três laços de união com qualquer um das outras. Assim como o efeito prático do docetismo é um Cristo de nós mesmos, desconectado do Cristo histórico de carne e osso, o efeito prático do docetismo eclesial é uma Igreja feita à imagem de nossa própria interpretação, desconectada da Igreja histórica. . Isto é expresso doutrinariamente como uma negação da materialidade ou sacramentalidade da sucessão apostólica. O docetismo eclesial redefine a “sucessão apostólica” como preservação da forma, isto é, preservação da doutrina dos apóstolos. Mas sem o componente material da sucessão apostólica, o indivíduo se torna o árbitro interpretativo final do que é a doutrina apostólica. E assim começa o “shopping da igreja”. E onde há uma grande variação de demanda, surge uma grande variação de oferta. A “Igreja” é reduzida a uma empresa voltada para o consumidor, com base na própria percepção interna de cada pessoa sobre suas necessidades espirituais e sobre como as organizações, instituições ou comunidades concorrentes atendem a essas necessidades. Isso transforma a “igreja” em algo egocêntrico em vez de centrado em Deus. Outro efeito necessário do docetismo eclesial é a apatia em relação às divisões visíveis entre cristãos, comunidades e denominações. Se a unidade da Igreja é espiritual, na medida em que cada crente está invisivelmente unido a Cristo somente pela fé, então a busca de unidade visível é supérflua, até mesmo presunçosa em sua tentativa de superar Cristo.37 Se não há uma hierarquia visível essencialmente unificada, então pode haver certas razões pragmáticas para a cooperação ecumênica, como existem nos partidos políticos, não pode haver mandato divino de que não haja cismas entre nós. O docetismo eclesial redefine o termo “Igreja” para se referir a uma entidade invisível na qual todos os crentes estão perfeitamente unidos, não importando a qual instituição visível (se houver) eles atualmente pertencem. Aqui reside um ponto digno de nota. O docetismo eclesial elimina conceitualmente a própria possibilidade do cisma. Não o faz reconciliando partidos separados, mas definindo a unidade como algo meramente espiritual, e assim desmaterializando o cisma como algo invisível e espiritual, isto é, apenas uma deficiência na caridade. O docetismo eclesial trata divisões visíveis de hierarquias separadas como ramos. O docetismo eclesial nega a pecaminosidade do cisma, não de forma aberta ou explícita, mas definicionalmente e, portanto, sub-repticiamente. Ele chama o que é realmente mal (isto é, cismas) inócuo, se não bom. Ela esconde dos cismáticos seu estado de não estar em plena comunhão com o Corpo Místico de Cristo, privando-os da plenitude da graça que eles receberiam em plena comunhão com a Igreja de Cristo. IV. O que a Igreja Católica ensina sobre a visibilidade da Igreja A. Hierarquia e Unidade da Igreja Desde o primeiro século, a Igreja Católica sempre ensinou que o cisma é pecaminoso e que não é apenas uma deficiência de caridade, mas uma separação da hierarquia visível da Igreja. Isto é evidente na carta de São Clemente de Roma aos Coríntios no final do primeiro século, apenas alguns anos após a morte do último apóstolo sobrevivente. Podemos ver também de Santo Inácio, bispo de Antioquia (d. 107 dC), que escreveu: Onde está o bispo, há a comunidade, assim como onde está Cristo há a Igreja Católica. e Como, portanto, o Senhor nada fez sem o Pai, estando unidos a Ele, nem por Ele mesmo nem pelos apóstolos, também não fez nada sem o bispo e os presbíteros. Nem se esforce para que qualquer coisa pareça razoável e adequada a si mesmos à parte; mas, estando unidos no mesmo lugar, haja uma oração, uma súplica, uma mente, uma esperança, em amor e em alegria, sem mácula. Existe um Jesus Cristo, que nada é mais excelente. Portanto, corram juntos como em um templo de Deus, como para um altar, como para um Jesus Cristo, que veio de um único Pai, e está com um e foi para um. Podemos ver também em São Cipriano, Bispo de Cartago (d. 258 dC): Deve ser entendido que o bispo está na Igreja e a Igreja no bispo e e não está na Igreja quem não está com o bispo.40 São Jerônimo escreve mais claramente: Entre heresia e cisma há essa diferença, que a heresia perverte o dogma, enquanto o cisma, pela rebelião contra o bispo, separa-se da Igreja. No entanto, não há cisma que não acarrete uma heresia para justificar sua saída da Igreja.41 O Papa Leão XIII, em linguagem inequívoca, ensina que a noção de que a Igreja é “oculta e invisível” é um “erro pernicioso”: As pessoas que arbitrariamente evocam e imaginam uma Igreja oculta e invisível estão em grave e pernicioso erro: como também aqueles que consideram a Igreja como uma instituição humana que reivindica certa obediência na disciplina e nos deveres externos, mas que é sem a comunicação perene dos dons da graça divina, e sem tudo o que testemunha, por sinais constantes e indubitáveis, a existência daquela vida que é tirada de Deus. É certamente impossível que a Igreja de Jesus Cristo seja uma ou outra, já que esse homem deve ser um corpo só ou uma alma sozinha. A conexão e união de ambos os elementos é tão absolutamente necessária para a verdadeira Igreja quanto a união íntima da alma e do corpo com a natureza humana42 O Papa Pio XII diz algo bastante semelhante sobre a noção de a Igreja ser invisível: Por isso, eles erram em uma questão de verdade divina, aqueles que imaginam a Igreja ser invisível, intangível, algo meramente “pneumatológico” como dizem, pelo qual muitas comunidades cristãs, apesar de diferirem uma da outra em sua profissão de fé, estão desatadas. por uma ligação invisível. Pelo que até agora escrevemos e explicamos, Veneráveis Irmãos, está claro, Pensamos, quão gravemente eles erram ao afirmarem arbitrariamente que a Igreja é algo oculto e invisível, como também fazem aqueles que a vêem como uma mera instituição humana possuindo um certo código disciplinar e ritual externo, mas faltando poder para comunicar a vida sobrenatural. Pelo contrário, como Cristo, Cabeça e Exemplar da Igreja “não é completo, se apenas Sua natureza humana visível é considerada…, ou se apenas Sua natureza divina e invisível…, mas Ele é um através da união de ambos e um em ambos … assim como é com o Seu Corpo Místico ”já que a Palavra de Deus tomou para Si uma natureza humana sujeita a sofrimentos, para que Ele pudesse consagrar em Seu sangue a Sociedade visível fundada por Ele e“ conduzir o homem de volta às coisas invisíveis sob um visível regra.44 O ensinamento constante da Igreja Católica é que Cristo fundou uma Igreja visível com uma hierarquia visível essencialmente unificada. Algumas pessoas pensam erroneamente que o Vaticano II negou a unidade essencial da hierarquia visível da Igreja. O Vaticano II não negou a unidade essencial da hierarquia visível da Igreja. A questão aqui não é se a graça e a obra do Espírito Santo podem se estender além das fronteiras visíveis do Corpo Místico de Cristo. Claro que pode, do contrário ninguém jamais entraria na Igreja. A questão não tem nada a ver com ignorância e salvação invencíveis.46 Deus poderia ter dado graça diretamente, mas desejava dar aos homens também o dom de colaborar com Ele na dispensação das graças da Redenção, e assim Ele fundou Sua Igreja visível.47 B. A Igreja e o Reino Muitos cristãos não percebem que a Igreja Católica é e afirma ser o Reino dos Céus na Terra, no estágio nascente do Reino. Eles pensam erroneamente que o Reino é totalmente invisível, inteiramente espiritual ou inteiramente futuro. Lumen Gentium afirma especificamente que a Igreja é o reino de Cristo: A Igreja, ou, em outras palavras, o reino de Cristo agora presente no mistério, cresce visivelmente através do poder de Deus no mundo.48 Por “presente no mistério”, o Concílio quis dizer que a Igreja Católica é o Reino do Céu em seu início ou fase seminal, ou seja, o estágio anterior ao retorno de Cristo. Nós não vemos agora a plenitude do Reino. Mas a Igreja Católica é o atual governo de Cristo na terra. Jesus não disse a Pedro: “Eu te dou as chaves da Igreja, mas eu mantenho as chaves do Reino.” Em vez disso, Jesus disse a Pedro: “Eu darei a você [singular] as chaves do Reino dos Céus. . ”49 As chaves do Reino dos Céus são a autoridade apostólica sobre a Igreja. É por isso que o Catecismo diz: A Igreja é a semente e o começo deste reino. Suas chaves são confiadas a Pedro.50 Para cumprir a vontade do Pai, Cristo introduziu o Reino dos céus na terra. A Igreja é o Reino de Cristo já presente no mistério.51 A Igreja é, em última análise, una, santa, católica e apostólica em sua identidade mais profunda e definitiva, porque é nela que o Reino dos céus, o Reino de Deus, já existe e será cumprido no fim dos tempos.52 Nos Evangelhos, Jesus refere-se ao Reino dos Céus (ou Reino de Deus) mais de oitenta vezes. Ele compara o Reino a um grão de mostarda que cresce em uma árvore e a um fermento que resulta em um fermento inteiro.53 Esses exemplos não se encaixam em uma concepção meramente escatológica do Reino. Nem o ensinamento de Cristo de que o Reino dos Céus está próximo. (Mateus 4:17) Nem Sua afirmação de que o Reino do Céu sofre violência nas mãos de homens violentos. (Mateus 11:12, Lucas 16:16) Nem Sua afirmação de que o Reino dos Céus pode ser comparado à parábola do trigo e do joio (Mateus 13: 24ss) ou aos trabalhadores da vinha. (Mateus 20: 1ss) O ensinamento de Cristo de que o Reino dos Céus é como uma rede que reúne peixes de todo tipo é paralelo ao relato em João 21, onde os discípulos pegam 153 peixes e trazem a rede sobre a terra. Esse relato refere-se claramente aos Apóstolos, como pescadores de homens, trazendo todas as nações para a Igreja, e assim vemos novamente que a Igreja é o Reino em seu estágio atual. É por isso que Jesus diz: “Eu digo a vocês que entre os nascidos de mulher não há ninguém maior que João; mas aquele que é menor no reino de Deus é maior do que ele ”(Lucas 7:28), porque João foi martirizado antes de Jesus inaugurar o Reino, ou seja, a Igreja. Várias passagens do Reino nos Evangelhos referem-se ao Reino em seu estado final, mas alguns intérpretes concluem erroneamente que todas as referências do Evangelho ao Reino são escatológicas. Uma leitura protestante da declaração de Jesus: “Pois eis que o reino de Deus está no meio de ti” (Lucas 17:21), interpreta o Reino como algo interno, espiritual e invisível em nossos corações. Mas a noção de que o Reino deve ser interno ou externo é um falso dilema. Cristo agora governa o Seu povo através da Sua Igreja, através dos Apóstolos e dos bispos que eles nomearam. Os autores do Novo Testamento entendem a Igreja como o cumprimento da aliança davídica.54 O anjo Gabriel diz a Maria que o Senhor Deus dará a seu Filho o “trono de Davi, seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. 55 Deus prometera a Davi que seu trono seria estabelecido para sempre e que não lhe faltaria um homem em seu trono. Essa promessa foi cumprida quando Cristo, o Rei, o Filho de Davi, concebido pelo Espírito Santo, estabeleceu o Reino que nunca terminará. Da mesma forma, Deus havia prometido a Davi que seu filho se assentaria em seu trono em seu lugar e construiria a casa para o nome de Deus.57 Mas Salomão era um tipo de Cristo, porque Cristo está edificando a Igreja, que é o templo verdadeiro e eterno de Cristo. Deus. É por isso que São Paulo, citando Isaías, refere-se a Cristo como a “raiz de Jessé” que “surge para governar os gentios”. 58 Esse reinado sobre os gentios está ocorrendo agora, através da Igreja. E no Concílio de Jerusalém, São Tiago, o bispo de Jerusalém, cita o profeta Amós sobre a era da Igreja como “aquele dia” quando Deus levanta o tabernáculo caído de Davi, para que “o restante da humanidade busque o Senhor. ”59 Chegamos, diz o autor de Hebreus, não ao monte Sinai, mas ao monte Sião, a cidade de Davi, a Jerusalém celestial. Essa cidade é a Igreja, a casa de Deus, um reino que não pode ser abalado. O profeta Isaías escreveu sobre o Reino de Cristo: “O seu império se estenderá cada vez mais, e a paz não terá fim; sentar-se-á sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o firmar e fortalecer pelo direito e pela justiça, desde agora e para sempre; fará isto o zelo do Senhor dos exércitos.”. 61 Seu reino continuará a aumentar, nunca será derrubado, porque é divinamente estabelecido. O profeta Daniel também escreveu sobre o Reino de Cristo. Falando a Nabucodonosor, Daniel diz: “Como você olhou, uma pedra foi cortada por nenhuma mão humana, e atingiu a imagem em seus pés de ferro e barro, e quebrou-os em pedaços… Mas a pedra que atingiu a imagem se tornou uma grande montanha e encheu toda a terra . … E nos dias daqueles reis, o Deus do céu estabelecerá um reino que nunca será destruído, nem sua soberania será deixada a outro povo. Quebrará todos esses reinos e os fará cair, e ficará para sempre. ”62 Quando Deus estabeleceria este reino que nunca será destruído? Na época do quarto reino dos homens, ou seja, o reino de Roma. Isso foi cumprido no tempo de Cristo. Um protestante que concebe o Reino de Cristo como algo invisível ou espiritual pode concordar que Cristo introduziu Seu Reino há dois mil anos, mas não vê que este Reino é a Igreja Católica. Mas Jesus disse o seguinte: “E (por isso) eu preparo o reino (celestial) para vós, como meu Pai o preparou para mim, para que comais e bebais à minha mesá, no meu reino, e vos senteis sobro tronos a julgar as doze tribos de Israel. Disse mais o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos busca com instância para vos joeirar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não falte; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos.”. 63 Cristo mostra a Seus apóstolos que eles comerão e beberão em Seu Reino e sentarão em doze tronos. Comer à sua mesa refere-se na época atual à mesa eucarística. Sentado em tronos julgando as doze tribos de Israel refere-se ao seu governo da Igreja, porque a Igreja é o Novo Israel, o reino universal (ou seja, católico) do Messias. Este termo para trono (θρόνος) é onde obtemos a palavra catedral, que deriva da latim cathedra, que significa “cátedra do bispo.” A partir desta passagem em Lucas vemos também que Cristo ora especialmente por Pedro, e o encarrega de fortalecer seus irmãos. Em Mateus 16: 18-19, Cristo, a pedra angular principal, designa Simão para ser Pedro, a rocha sobre a qual Cristo edificará Sua Igreja. Este é o Reino que nunca será derrotado, mas prevalecerá até o fim dos tempos. “E digo-te que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ele. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus. ”64 Quais são essas “chaves do reino”? Elas são as chaves da casa de Davi, profetizadas por Isaías como sendo confiadas ao mordomo do Rei.65 Cristo deu as chaves do Reino a Pedro, Seu mordomo. Este é o ofício Petrino, a cátedra de São Pedro, o Apóstolo. Jesus se refere a esse papel em uma parábola, quando Ele diz: “Quem, então, é o mordomo fiel e sensato, a quem seu mestre encarregará de seus servos, para lhes dar suas rações no devido tempo?” 66 Cristo rege a Igreja através dos homens a quem confiou as chaves do Seu Reino e recebeu autoridade para falar em Seu nome. A Igreja sempre se entendeu como o estágio atual do Reino dos Céus na terra. Cristo não tem duas noivas: sua igreja e seu reino. Ele tem uma Noiva, que é Sua Igreja e Seu Reino. Ele e Sua Noiva são “uma só carne”, isto é, um Corpo Místico. Por essa razão, o entendimento católico de “avançar o Reino de Deus” é trazer pessoas para o reino de Cristo, isto é, para a Igreja Católica. O Pai Nosso não ignora a Igreja; quando oramos “Venha o seu Reino”, estamos orando pelo crescimento da Igreja Católica, o aumento do reinado de Cristo dentro dela e o glorioso retorno final do Rei. Entender que a Igreja é a forma atual do Reino de Cristo nos ajuda a entender por que a Igreja deve ter uma hierarquia visível unificada; também ajuda a entender o modo como Santo Inácio de Antioquia exorta os cristãos a seguirem seus bispos, como um general poderia exortar suas tropas a seguirem seus comandantes. Quando o centurião disse: “Eu também sou um homem sob autoridade, com soldados debaixo de mim” (Mateus 8: 9, Lucas 7: 8), suas palavras se aplicaram não apenas ao exército romano, mas ao duradouro reino que Daniel viu em sua vida. visão, isto é, à Igreja Católica. V. Posições reformadas e crítica A. Posições Aqui vamos considerar duas posições reformadas sobre a visibilidade e invisibilidade da igreja. 1. Posição: A Igreja Visível é a Igreja como as pessoas a vêem Uma perspectiva reformada sustenta que, por “igreja”, deve ser feita uma distinção entre aquilo que as pessoas vêem e aquilo que somente Deus vê. Esta distinção tem sido historicamente cunhada nos dois termos “igreja visível” e “igreja invisível”. Neste uso, a “igreja invisível” não é completamente sem partes que podem ser vistas; ao contrário, seu limite exato não é perceptível ou cognoscível para nós. Isso porque nesta eclesiologia, “igreja invisível” refere-se ao conjunto de todas as pessoas eleitas para a glória. Somente Deus sabe quais membros das congregações terrenas são eleitos e nascidos de novo internamente, 67 e assim pertencem à eterna e espiritual comunhão da Igreja. Pelo contrário, podemos perceber e, assim, saber quem faz parte da “igreja visível”, isto é, quem é membro de um corpo evangélico, seja uma denominação ou uma congregação local não afiliada a nenhuma denominação. Mas essa afiliação não garante a conversão interna do afiliado. Jesus ensinou que nesta igreja organizada sempre haveria membros, não excluindo seus líderes, que pareciam ser cristãos, mas que não eram renovados em seus corações e seriam rejeitados no Juízo Final. Estes termos não significam que existem duas igrejas, uma visível e outra escondida no céu. Em vez disso, na eclesiologia reformada há apenas uma igreja, e ela é perfeitamente conhecida por Deus e conhecida imperfeitamente na Terra.69 Essa igreja na Terra é uma em Cristo, apesar do grande número de congregações e denominações locais.70 Ela é santa porque é corporativamente consagrada a Deus, 71 assim como cada cristão é individualmente. É católica, que significa “universal”, porque existe em todo o mundo. Finalmente, é apostólica porque é fundada sobre o ensino apostólico.72 Todas as quatro qualidades podem ser vistas em Efésios 2: 19-22.73 2. Posição: Cristo Fundou uma Mera Pluralidade de Crentes sem uma Hierarquia Compartilhada Lutero, Calvino e os outros reformadores ensinaram que a igreja visível era meramente a “multidão” de crentes espalhados pela terra. Martinho Lutero descreveu a igreja visível como “o povo cristão santo”. Ele escreveu: Se as palavras “Eu acredito que há um povo cristão sagrado” fossem usadas no Credo das Crianças, toda a miséria relacionada a essa palavra obscura e sem sentido (“igreja”) poderia facilmente ter sido evitada…. Ecclesia… deve significar o povo cristão santo, não apenas dos dias dos apóstolos, que há muito já morreram, mas até o fim do mundo… .74 João Calvino escreveu: Como nós estamos a julgar a igreja visível, que cai dentro do nosso conhecimento, é, creio eu, já evidente a partir da discussão acima. Pois dissemos que a Sagrada Escritura fala da igreja de duas maneiras. Às vezes, pelo termo “igreja” significa o que está realmente na presença de Deus, na qual nenhuma pessoa é recebida, exceto aquelas que são filhos de Deus pela graça da adoção e verdadeiros membros de Cristo pela santificação do Espírito Santo. Então, de fato, a igreja inclui não somente os santos que atualmente vivem na terra, mas todos os eleitos desde o começo do mundo. Muitas vezes, no entanto, o nome “igreja” designa toda a multidão de homens espalhados pela terra que professam adorar um só Deus e Cristo75. A igreja universal é uma multidão reunida de todas as nações; é dividida e dispersa em lugares separados, mas concorda com a única verdade da doutrina divina e está ligada pelo vínculo da mesma religião. Sob ela estão assim incluídas igrejas individuais, dispostas em cidades e aldeias de acordo com a necessidade humana, de modo que cada um tenha o nome e a autoridade da igreja. Finalmente, e explicitamente prestativa, a Confissão de Fé de Westminster diz que a Igreja é visível: A igreja católica ou universal, que é invisível, consiste no número inteiro dos eleitos, que foram, são ou serão reunidos em um, sob a liderança de Cristo. A Igreja visível, que também é católica ou universal, consiste de todos aqueles em todo o mundo que professam a verdadeira religião; e de seus filhos: e é o reino do Senhor Jesus Cristo, a casa e família de Deus, da qual não há possibilidade comum de salvação. Instruindo nesta seção, o PCA Pastor TM Moore explica que “a instituição mais importante que Deus ordenou para o Seu povo não é de fato nenhuma instituição. Pelo contrário, é o Seu próprio Corpo – a Igreja ”. Em suma, esta igreja visível é a coleção não hierárquica ou pluralidade de todos os cristãos professos, alguns dos quais são eleitos e outros dos quais não são; não há eleitos fora desta igreja visível. B. Avaliações Essas duas posições eclesiais reformadas são essencialmente equivalentes porque não há diferença de princípio entre elas. Para ambas, o que é chamado de “a Igreja visível” é uma mera pluralidade de coisas visíveis. Na primeira descrição, os membros são congregações individuais não hierarquicamente unidas sob uma única hierarquia visível. Na segunda descrição, os membros são crentes individuais não hierarquicamente unidos sob uma única hierarquia visível. Portanto, sob ambas as descrições, o que está ausente é uma hierarquia visível unificada, e é por isso que o resultado não pode ser mais do que uma mera pluralidade de coisas visíveis, unidas no máximo por sua união invisível ao Cristo invisível. Para entender por que não pode ser que Cristo fundou uma “igreja visível” consistindo meramente de uma multidão de crentes espalhados pelo mundo, precisamos considerar a diferença entre uma mera pluralidade e um todo composto real. Uma mera pluralidade não é uma entidade real, mas apenas uma entidade conceitual, isto é, uma abstração de algum tipo. Imagine o conjunto de todos os objetos na minha mesa. Os membros desse conjunto incluem livros, uma impressora, algumas fotos, algumas moedas, canetas, cartões de oração, um ônibus espacial de brinquedo, um pedaço de bala, uma lâmpada, etc. Posso me referir a essas coisas com um termo singular: “ conjunto”(como em” O conjunto de todas as coisas na minha mesa “). Mas na minha mesa não há uma única coisa que consista nos livros, na impressora, nas fotos, nas moedas, nas canetas, etc. Não há conjunto na minha mesa, apenas coisas individuais que podem ser referidas coletivamente como pertencentes a um conjunto. Embora os membros do conjunto sejam reais, o conjunto em si é apenas uma construção mental, não uma entidade real. Compare isso com as partes do meu corpo. As partes do meu corpo não são uma mera pluralidade ou um mero conjunto. Eles compõem um todo real, ou seja, eu. A esse respeito, as partes do meu corpo não são como os objetos da minha mesa. As partes do meu corpo são uma pluralidade, mas elas não são uma mera pluralidade como os objetos na minha mesa. As partes do meu corpo compõem um todo real. Assim, quando uma pessoa afirma que a Igreja visível é o conjunto de todos os crentes encarnados, ela está reduzindo a Igreja visível a uma construção mental. Ele parece estar afirmando a existência da Igreja visível, mas ela adotou uma posição eclesiológica na qual não existe a Igreja visível – existem apenas crentes encarnados, assim como na realidade existem apenas objetos na minha mesa, e não, além dos objetos da minha mesa, mais um item, a saber, o conjunto de objetos na minha mesa. É por isso que aqueles que afirmam que a Igreja visível é o conjunto de todos os crentes corporificados mantêm uma posição na qual não há Igreja visível per se; existem apenas crentes visíveis, invisivelmente conectados ao Cristo invisível. E é por isso que aqueles que afirmam que a Igreja visível é o conjunto de todos os crentes corporificados possuem uma posição que é equivalente em princípio àquela daqueles que negam que a Igreja é visível, e que afirmam que a Igreja per se é invisível. Por esta razão, a alegação na Confissão de Fé de Westminster de que “a igreja visível… consiste em todos aqueles em todo o mundo que professam a verdadeira religião”, é equivalente em princípio à reivindicação daqueles que negam que a Igreja é visível. Em outras palavras, mesmo que as confissões Reformadas se refiram a uma “Igreja visível”, isso é apenas semanticamente diferente das eclesiologias protestantes que explicitamente negam a visibilidade da Igreja. Mas nem o modelo eclesial de alfinete nem o modelo eclesial de pluralidade são compatíveis com o ensinamento de São Paulo de que a Igreja é o Corpo de Cristo. A eclesiologia católica não está sujeita a este problema precisamente porque a Igreja Católica é hierarquicamente unificada. O reducionismo trata as totalidades reais compósitas como se fossem meras pluralidades de simples menores, e, dessa maneira, deixa de explicar completamente o ser, a unidade e a atividade de todos os conjuntos reais.81 Porque a estrutura hierárquica da Igreja Católica é análoga à de um organismo, é por esta mesma razão não sujeita a reducionismo eliminativo. A unidade hierárquica visível da Igreja Católica une todas as suas dioceses, paróquias e membros não em uma mera pluralidade ou num modelo de almofada de alfinetes, mas em um todo composto real, ou seja, uma unidade visível. VI. Implicações A. A Identidade da Igreja Dado que a Igreja que Cristo fundou é visível e tem uma hierarquia visível essencialmente unida, segue-se que a identidade e extensão da Igreja podem ser conhecidas, traçando sua hierarquia visível através da história. Quando os primeiros padres da Igreja escrevem sobre a Igreja Católica, eles estão se referindo a um Corpo definido. Eles não estão se referindo a uma mera pluralidade de pessoas ou congregações, sem uma hierarquia visível essencialmente unificada. Eles estão se referindo ao Corpo visível escolhido precisamente pela unidade essencial de sua hierarquia visível, e especialmente a cabeça visível daquela hierarquia visível. Isso envolve duas das quatro marcas da Igreja, conforme especificado pelo Credo Niceno: unidade e apostolicidade. “Cremos em uma Igreja santa, católica e apostólica.” Esta Igreja mencionada no Credo (como um artigo da fé cristã) é a Igreja Católica. Vimos acima da hierarquia visível da Igreja tratada como o locus da identificação da Igreja em Santo Inácio de Antioquia, que escreveu: “Onde está o bispo, há a comunidade, assim como onde está Cristo está a Igreja Católica”. 82 Santo Irineu (dC dC 200) também fala desta Igreja:] A Igreja Católica, tendo recebido o ensinamento apostólico e a fé, embora espalhada por todo o mundo, guarda-a sedosamente, como se estivesse morando em uma casa; e estas verdades ela uniformemente ensina, como tendo apenas uma alma e um coração; essas verdades ela proclama, ensina e entrrega como se tivesse apenas uma boca.83 Eusébio de Cesaréia (263-339 dC) fala dela: Mas o brilho da Igreja Católica continuou a aumentar em grandeza, pois ela sempre manteve os mesmos pontos da mesma maneira, e irradiou para toda a raça de gregos e bárbaros a natureza reverente, sincera e livre, e a sobriedade e pureza do ensinamento divino quanto à conduta e ao pensamento.84 Santo Agostinho (AD 354-430) escreve: Isto foi levado a cabo [Hoc factum est] pela Divina Providência, alcançado através das profecias dos profetas, através da Encarnação e do ensino de Cristo, através das jornadas dos apóstolos, através do sofrimento, das cruzes, do sangue e a morte dos mártires, através da admirável vida dos santos, e em todos estes, em tempos oportunos, através de milagres dignos de grandes feitos e virtudes. Quando, então, vemos tanta ajuda da parte de Deus, tanto progresso e tanto fruto, hesitaremos em nos enterrar no seio dessa Igreja? Por ter começado da cátedra apostólica até a sucessão de bispos, até a confissão aberta de toda a humanidade, ela possuía a coroa da autoridade de ensino.85 Talvez Santo Ambrósio (340-397), bispo de Milão, seja o melhor, quando escreve: “É para o próprio Pedro que Ele diz:“ tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja ”. Onde está Pedro está a Igreja. E onde há Igreja não há morte, mas a vida eterna ”. Em suma, dada esta análise da unidade essencial de uma hierarquia eclesial visível, o único candidato plausível para a Igreja que Cristo fundou, identificado por uma hierarquia visível essencialmente unificada, traçando sua sucessão de volta aos Apóstolos, é a Igreja Católica. Dado que a Igreja que Cristo fundou é visível, e assim tem uma hierarquia visível essencialmente unificada, segue-se que a Igreja que Cristo fundou é a Igreja Católica, ou seja, aquela sociedade de fé em plena comunhão com o sucessor episcopal de São Pedro. B. As Promessas para a Igreja São para a Igreja Visível Se a Igreja Católica é a Igreja que Cristo fundou, então as promessas que Cristo faz à Igreja não são promessas a uma entidade meramente invisível, tendo membros visíveis, mas são promessas à Igreja Católica. As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja Católica.87 Cristo prometeu estar com a Igreja Católica até o fim dos tempos.88 Cristo prometeu que o Espírito Santo guiará a Igreja Católica em toda a verdade.89 Seja qual for o católico A Igreja se liga à terra e será amarrada no céu.90 A Igreja Católica é a coluna e o sustentáculo da verdade.91 Todas essas promessas seriam supérfluas e inúteis se destinadas apenas ao conjunto de todos os eleitos. Somente se eles se referirem a um Corpo com uma hierarquia visível, elas fazem sentido. Uma vez que vemos o que significa para a Igreja ser visível, então vemos precisamente porque podemos confiar em Cristo confiando na Igreja Católica. Agarrando a visibilidade da Igreja e, portanto, a identidade da Igreja e, portanto, as garantias divinas relativas à Igreja, podemos então entender como se segue que a Igreja Católica é indefectível. A promessa de Cristo à Igreja de que o Espírito Santo a guiará em toda a verdade fundamenta a possibilidade para o desenvolvimento da doutrina. “Mas quando Ele, o Espírito da verdade, vier, Ele guiará você em toda a verdade.” 92 A possibilidade de desenvolvimento da doutrina depende de uma hierarquia visível essencialmente unificada. Caso contrário, não há determinação definitiva do cânon, ou da ortodoxia e heresia. Nenhuma mera associação de denominações ou congregações tem autoridade para vincular a consciência de seguidores de Cristo. Todas as decisões de todos os sínodos, sessões, concílios ou assembléias permaneceriam “em disputa”, sujeitas a refutação posterior. O desenvolvimento requer a resolução definitiva das controvérsias, de modo que a Igreja como um todo possa reconhecer uma questão como definitivamente resolvida e, então, basear-se na resposta magistral. Sem uma hierarquia visível essencialmente unificada, ficamos com o biblicismo. E é por isso que o protestantismo, sem uma hierarquia visível essencialmente unificada, deve traçar um caminho de decadência através de um dos dois caminhos: liberalismo ou um biblicismo que se desvanece no que Michael Spencer chama de “o deserto pós-evangélico”. As promessas de Crista à igreja católica construída sobre Cristo, a Pedra Angular, e a rocha de Pedro, asseguram que o deísmo eclesial é falso; elas asseguram que quando o Magistério fala definitivamente, é o Espírito Santo falando. A hierarquia visível essencialmente unificada da Igreja permite que ela não seja apenas Magistra (ou seja, professora), mas também Mater (mãe). Este é o significado da frase “Mater et Magistra”. João Calvino afirmava que a santa Igreja Católica é nossa mãe. Mas porque agora é nossa intenção discutir a igreja visível, vamos aprender até mesmo com o simples título de “mãe” de quão útil, e realmente necessário, é que devemos conhecê-la. Pois não há outro modo de entrar na vida a menos que essa mãe nos conceba em seu ventre, nos dê à luz, nos alimente de seus seios e, por último, a menos que ela nos mantenha sob seus cuidados e orientação até nos livrarmos da carne mortal., como os anjos [Mateus 22:30]. Nossa fraqueza não nos permite ser dispensados de sua escola até que tenhamos sido pupilos por toda a vida. Além disso, longe de seu peito, não se pode esperar perdão de pecados ou salvação, como testemunham Isaías [Isaías 37:32] e Joel [Joel 2:32]. (…) Por essas palavras, o favor paterno de Deus e o testemunho especial da vida espiritual são limitados ao seu rebanho, de modo que é sempre desastroso deixar a igreja. Calvino não pretendia falar da Igreja Católica em união com o sucessor de São Pedro. Contudo, sem uma hierarquia visível essencialmente unificada, o que Calvino diz aqui sobre a Igreja como nossa mãe, não faz sentido. Isso porque, sem uma hierarquia visível essencialmente unificada, não existe uma Igreja católica visível (isto é, universal); existem apenas cristãos visíveis e congregações visíveis e denominações provinciais. Nenhuma destas é a nossa mãe. Nem são, sem estar sob a hierarquia visível essencialmente unificada, parte da Igreja una, santa, católica e apostólica. Elas podem estar invisivelmente unidos a Cristo, mas elas não formam uma entidade visível unificada; eles permanecem apenas uma pluralidade visível indistinguível de uma plenitude de cismas. Sem uma hierarquia essencialmente visível, não há Igreja visível e, portanto, não há Igreja como Mater. C. Ecumenismo Se Cristo fundou uma Igreja visível, e Suas promessas se referem a essa Igreja visível, então o objetivo do ecumenismo não é apenas acordo sobre doutrina e acordo sobre os sacramentos, mas plena comunhão sob a mesma hierarquia visível, autorizada pelos Apóstolos e seus sucessores. . A oração de Cristo em João 17, concernente à nossa unidade, “para que o mundo possa saber” implica que somos chamados à plena unidade visível. No entanto, esses três laços de união estão tão relacionados que cada um depende dos outros dois. Assim como não podemos manter a unidade da fé e dos sacramentos sem a visível unidade hierárquica, também não podemos determinar ou descobrir com precisão qual é a fé que devemos manter, além dessa hierarquia visível e unificada. Na medida em que a forma de ecumenismo do “mero cristianismo” procura determinar um conjunto de doutrinas essenciais, além da hierarquia visível essencialmente unificada, essa forma de ecumenismo é intrinsecamente incapaz de atingir sua meta.95 Por essa razão, o sucesso do ecumenismo depende não de primeiro encontrando acordo doutrinário, mas em localizar o terreno e a base da autoridade magisterial. Como pe. Jeffrey Steel disse recentemente: “em cujos termos esta reunião acontece?” 96 Essa questão de nível metafísico está no centro do esforço ecumênico. Sem referência à hierarquia visível unificada, a forma do ecumenismo “mero cristianismo” é indistinguível de um chamado para estabelecer um terreno comum entre a Igreja, heresias e cismas. E é isso que torna a abordagem da Igreja Católica ao ecumenismo quase intrinsecamente ofensiva a todos os outros cristãos. Isso faz com que a Igreja Católica se destaque entre todas as denominações protestantes, porque nenhuma delas afirma ser a Igreja que Cristo fundou. Por exemplo, quando a Santa Sé libertou Responsa e Quaestiones em julho de 2007, o Conselho Mundial de Igrejas expressou sua discordância, alegando que “Cada igreja é a Igreja Católica e não simplesmente uma parte dela. Cada igreja é a Igreja católica, mas não a totalidade dela. ”Para o“ Conselho Mundial de Igrejas ”(do qual a Igreja Católica não é membro), a própria noção de que um Corpo visível individualizado por uma hierarquia visível é a única verdadeira Igreja que Cristo fundou é ofensiva. Mas a exclusividade das reivindicações da Igreja de Cristo não deveria ser mais surpreendente do que a exclusividade das reivindicações do próprio Cristo, que disse: “Ninguém vem ao Pai, senão por mim”. 97 VII. Conclusão Nós fornecemos evidência e argumentação aqui que Cristo fundou uma Igreja visível, e que esta Igreja é visível não apenas porque alguns de seus membros são incorporados, e não porque congregações e denominações locais existem. A Igreja que Cristo fundou é visível porque, como seu Corpo Místico, tem necessariamente uma hierarquia visível essencialmente unida; esta é a hierarquia de bispos e sacerdotes unidos sob o sucessor episcopal de São Pedro, a cabeça visível designada por Cristo. Sem uma hierarquia visível essencialmente unida, a disciplina da Igreja não seria possível. Isso porque somente a eclesiologia católica é sacramental, isto é, não-gnóstica. Qualquer eclesiologia em que os membros, sejam cristãos ou congregações individuais, sejam plenamente unidos à Igreja de Cristo através de uma conexão interna invisível, anula as conseqüências espirituais da excomunhão visível. No entanto, toda eclesiologia que nega que Cristo fundou uma hierarquia visível essencialmente unida deve postular uma conexão invisível entre os membros e Cristo. Da mesma forma, negar que Cristo fundou uma hierarquia visível essencialmente unificada reduz os cismas a ramos e os trata como inócuos ou mesmo desejáveis, falsamente interpretando-os como uma diversidade tão necessária. Se isso parece inconcebível, faça a si mesmo a seguinte pergunta: Se estes não fossem ramos, mas cismas, o que seria diferente sobre eles? Tratar cismas como simples ramos chama “bem” o que é mal, por isso é essencial que sejamos capazes de distinguir um ramo de um cisma, e no entanto nada menos do que a eclesiologia católica dá sentido à distinção. Cada eclesiologia que falta à eclesiologia católica cai em alguma forma de docetismo eclesial, pois trata a Igreja universal per se como se não fosse visível, não tendo uma hierarquia essencialmente unificada e, portanto, não como um Corpo. A natureza corpórea da Igreja permite que a Igreja seja tanto Mater et Magistra. Faz sentido do ensino das Escrituras sobre o locus e natureza universal do Reino dos Céus atualmente na terra. Este Reino não é invisível, mas visível, presente no mistério da Igreja Católica. Embora o Reino (isto é, a Igreja) alcance sua plenitude somente quando Cristo retornar, mesmo agora os tronos de seus mordomos são visíveis, não invisíveis, e sua lei é lei canônica. A eclesiologia reformada tenta evitar negar a visibilidade da Igreja, mas sem uma hierarquia católica visível e unificada, o que a eclesiologia reformada se refere como “a Igreja visível” não pode ser um Corpo, apenas uma mera pluralidade de membros (sejam pessoas individuais ou congregações) cada um conectado de forma invisível a Cristo. A terminologia da “Igreja visível” na eclesiologia reformada é, por essa razão, meramente semântica, não substantiva. Uma mera pluralidade de congregações não é mais um Corpo unificado do que uma mera pluralidade de pessoas. É por isso que a eclesiologia da Reforma, em essência, é indistinguível da eclesiologia daqueles que negam a visibilidade da Igreja per se. A visibilidade do Corpo Místico de Cristo implica que é um Corpo definido que pode ser traçado através da história, que as promessas feitas por Cristo concernentes à Igreja se aplicam a ela, e que a chave para o esforço ecumênico não gira em torno de algum mínimo compartilhado de doutrina, mas em torno da identificação da hierarquia visível unificada da Igreja em sucessão dos Apóstolos. Que Deus conceda a todos os cristãos a alegria de estar em plena comunhão com o Seu Corpo Místico. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Alguns protestantes afirmam que Cristo fundou um corpo visível hierarquicamente organizado, mas acreditam que em algum ponto da história ele deixou de existir. [↩] “Esta é a vida eterna, para que eles possam conhecer você, o único Deus verdadeiro, e Jesus Cristo a quem você enviou. ”(João 17: 3). Ver também Mateus 5: 8; 1 João 3: 2; 1 Coríntios 13:12; Apocalipse 22: 4. “A essência divina se manifesta imediatamente [nas almas do céu], plenamente, clara e abertamente, e nessa visão eles desfrutam da essência divina. Além disso, por esta visão [i.e. a visão beatífica da essência divina] e gozo as almas daqueles que já morreram são verdadeiramente abençoados e têm vida eterna e descanso” (Benedictus Deus, from AD 1336.) [↩] Cf. Mystici Corporis Christi, 60. [↩] Papa Pio XII escreve: É manifestamente claro que os fiéis precisam da ajuda do Redentor Divino, pois Ele disse: “Sem mim nada podeis fazer”, e de acordo com o ensinamento do Apóstolo, todo avanço desse Corpo Místico em direção à sua perfeição deriva de Cristo. Cabeça. No entanto, isso também deve ser mantido, por mais maravilhoso que possa parecer: Cristo precisa de Seus membros. Primeiro, porque a pessoa de Jesus Cristo é representada pelo Sumo Pontífice, que por sua vez deve pedir a outros que compartilhem grande parte de sua solicitude para que não seja subjugado pelo encargo de seu ofício pastoral, e deve ser ajudado diariamente pelas orações da igreja. Além disso, como nosso Salvador não governa a Igreja diretamente de maneira visível, Ele deseja ser ajudado pelos membros de Seu Corpo na realização da obra de redenção. Isso não é porque Ele é indigente e fraco, mas sim porque Ele desejou isso para a maior glória de Sua Esposa imaculada. Morrendo na cruz, deixou para a Sua Igreja o imenso tesouro da Redenção, para o qual ela nada contribuiu. Mas quando essas graças vêm a ser distribuídas, ele não apenas compartilha esta obra de santificação com Sua Igreja, mas deseja que, de alguma forma, seja devido a sua ação.. (Mystici Corporis Christi, 44.) [↩] Novamente, como na natureza, um corpo não é formado por qualquer agrupamento aleatório de membros, mas deve ser constituído de órgãos, isto é, de membros que não têm a mesma função e são organizados na devida ordem; assim, por essa razão, acima de tudo, a Igreja é chamada de corpo, que é constituída pela coalescência de partes estruturalmente desamarradas e que tem uma variedade de membros reciprocamente dependentes.” (Mystici Corporis Christi, 16.) [↩] “O que a alma é para o corpo humano, o Espírito Santo é para o Corpo de Cristo, que é a Igreja.” CCC 797. Da mesma forma, o Papa Leão XIII escreveu: “Basta dizer que, como Cristo é a Cabeça da Igreja, assim é o Espírito Santo sua alma.” Divinum Illud Munus, 6. [↩] In Ioan. 21.8. [↩] Summa Theologica III Q.48 a.2 ad 1. [↩] Uma união extrínseca é aquela em que, por exemplo, uma mera pluralidade é concebida na mente como se fosse uma unidade real, embora permaneça na verdade uma mera pluralidade. Uma união intrínseca, ao contrário, é aquela em que os indivíduos, em seu próprio ser, se tornam partes de outra coisa.. [↩] “Em um corpo natural, o princípio da unidade une as partes, cada uma delas sem sua subsistência individual; pelo contrário, no Corpo Místico, essa união mútua, embora intrínseca, liga os membros por um vínculo que deixa a cada um intacta sua própria personalidade..” Mystici Corporis Christi, 61. [↩] Até mesmo o corpo físico ressuscitado de Cristo era organizado hierarquicamente. Jesus disse: “Veja minhas mãos e meus pés, que sou eu mesmo; toca-me e vê, porque um espírito não tem carne nem ossos como vedes que eu tenho. ”Lucas 24:39. [↩] “[P] recisamente porque é um corpo é a Igreja visível.” Satis Cognitum, 3. [↩] Satis Cognitum, 3. [↩] Se tivéssemos tocado o corpo físico de Cristo, teríamos verdadeiramente tocado a Deus, porque o Seu corpo físico está verdadeiramente unido a Ele através do que é chamado de união hipostática. Da mesma forma, quando tocamos Seu Corpo Místico, também tocamos em Deus, porque pela união de membros e Cabeça, o Corpo de Cristo é Cristo. É assim que entendemos a identificação de Cristo conosco em versículos como Mateus 25:35 e Atos 9: 4. Somos membros do Seu Corpo Místico, e essa união de membros e Cabeça é tão íntima que formamos uma Pessoa Mística, assim como as células de um corpo formam um organismo.. [↩] Mystici Corporis Christi, 14. [↩] Ver também here. [↩] Responsa ad quaestiones. [↩] É por isso que Jesus diz: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois ou ele odiará um e amará o outro, ou será dedicado a um e desprezará o outro. ”(Mat. 6:24) Não podemos ser orientados fundamentalmente para dois (ou mais) fins distintos, a menos que um fim seja encomendado ao outro. [↩] Catecismo da Igreja Católica 815. [↩] Ludwig Ott escreve: “Um triplo vínculo sensível liga os membros da Igreja uns aos outros e os torna conhecidos como tais: a profissão da mesma fé, o uso dos mesmos meios de graça e a subordinação à mesma autoridade..” Fundamentals of Catholic Dogma 301 (1952). [↩] Por isso, como os apóstolos e os discípulos estavam obrigados a obedecer a Cristo, também os que os apóstolos ensinavam eram, por ordem de Deus, obrigados a obedecê-los. E, portanto, não era mais permitido repudiar um iota dos ensinamentos dos Apóstolos do que rejeitar qualquer ponto da doutrina do próprio Cristo. . . . Mas . . . a missão apostólica não estava destinada a morrer com os próprios Apóstolos, nem a acabar com o curso do tempo, uma vez que era destinada ao povo em geral e instituída para a salvação da raça humana. Porque Cristo ordenou a Seus apóstolos que pregassem o “Evangelho a toda criatura, que levasse Seu nome às nações e reis e fosse testemunha até os confins da terra”. Ele prometeu, ainda, ajudá-los no cumprimento de sua elevada missão. , e isso, não por alguns anos ou séculos apenas, mas por todo o tempo – “até a consumação do mundo”. Sobre o qual São Jerônimo diz: “Aquele que promete permanecer com seus discípulos até o fim do mundo”. declara que eles serão para sempre vitoriosos, e que Ele nunca se afastará daqueles que nEle crêem ”(Em Mateus, lib. iv, cap. 28, v. 20). Mas como tudo isso poderia ser realizado somente nos apóstolos, colocados como estavam sob a lei universal da dissolução pela morte? Consequentemente, foi provido por Deus que o Magistério instituído por Jesus Cristo não deveria terminar com a vida dos apóstolos, mas que deveria ser perpetuado. Nós vemos isso realmente propagado e, por assim dizer, entregue de mão em mão. Pois os Apóstolos consagraram bispos, e cada um designou aqueles que deviam sucedê-los imediatamente “no ministério da palavra”. Mais do que isso: eles também exigiram que seus sucessores escolhessem homens apropriados, dotassem-nos de autoridade semelhante, e confiassem a eles o ofício e missão de ensinar. “Portanto, meu filho, sê forte na graça que há em Cristo Jesus; e nas coisas que de muitas testemunhas ouviste de mim, o mesmo mandamento aos homens fiéis, que estarão aptos a ensinar também os outros” (2 Tim. Ii., I-2). Portanto, como Cristo foi enviado por Deus e pelos Apóstolos por Cristo, também os Bispos e aqueles que os sucederam foram enviados pelos apóstolos. “Os apóstolos foram designados por Cristo para pregar o evangelho para nós. Jesus Cristo foi enviado por Deus. Cristo é, portanto, de Deus, e os apóstolos de Cristo, e ambos de acordo com a vontade de Deus. . . . Pregando, pois, a palavra pelos países e cidades, quando provaram no Espírito as primícias de seus ensinos, nomearam bispos e diáconos para os fiéis. . . . Eles os nomearam e depois os ordenaram, para que, quando eles próprios morressem, outros homens experimentados continuassem seu ministério ”(S. Clemens Rom. Epist. I ad Corinth. Cap. 42, 44). Por um lado, portanto, é necessário que a missão de ensinar tudo o que Cristo ensinou permaneça perpétua e imutável e, por outro, que o dever de aceitar e professar toda a sua doutrina seja perpétuo e imutável. Nosso Senhor Jesus Cristo, quando em Seu Evangelho Ele testifica que aqueles que não estão com Ele são Seus inimigos, não designa nenhuma forma especial de heresia, mas declara que todos os hereges que não estão com Ele e não se reúnem com Ele, espalham O seu rebanho e os seus adversários; aquele que não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha » (S. Cyprianus, Ep. lxix., ad Magnum, n. I). Satis Cognitum, 8. [↩] São Paulo, falando de Cristo, escreve em Romanos 6: 9 que Cristo, “tendo ressuscitado dentre os mortos, nunca mais morrerá; a morte não será mais senhora sobre ele..” [↩] Mystici Corporis Christi, 38. [↩] Mateus 16:19, Lucas 22:32, João 21:15-17. [↩] São Jerônimo, Contra Jovinianus I.26. [↩] Satis Cognitum, 10. A última sentença é uma citação de São Tomás de Aquino, Summa Theologica, II-II Q.39 a. 1 [↩] Não apenas isso, mas se a Igreja fosse a unidade acidental de hierarquias separadas, a única unidade essencial remanescente seria a de cada indivíduo. As hierarquias separadas seriam reduzidas a unidades acidentais quando não fossem elas próprias essenciais ou parte de outra hierarquia essencialmente unificada. [↩] “O bispo da diocese é o único professor oficial, guardião e intérprete da tradição católica (cf. Catecismo da Igreja Católica, 888, 894, 895, 1560; Código de Direito Canônico 375.1, 392.1, 393, 394.1, 394.2). Enquanto o bispo pode nomear outros, ou seja, sacerdotes, diáconos, leigos, para trabalhar e agir em nome da Igreja, a tarefa de transmitir autenticamente o depósito da Fé pertence aos bispos da Igreja..” Source [↩] e.g. Hebreus 13:17 [↩] 1 Coríntios 5:5. [↩] 1 Corintíos 1:13 [↩] São Cipriano, Bispo de Cartago, d. AD 258, On the Unity of the Church, 23. [↩] Catechism of the Catholic Church 2089. [↩] Mateus 18:18 [↩] Cf. Mystici Corporis Christi, 16. [↩] Charles Journet, Theology of the Church, 13. [↩] Cf. “Institutional Unity and Outdoing Christ.” [↩] Epistola aos Esmirnianos, 8.2. [↩] Epistle to the Magnesians, 7. [↩] Epist., lxvi, 8. [↩] In Ep. ad Tit., iii, 10, ênfase adicionada. [↩] Satis Cognitum, 3. [↩] Mystici Corporis Christi, 14. [↩] Mystici Corporis Christi, 64. [↩] Mystici Corporis Christi, 65. [↩] Para uma explicação mais detalhada, ver Baptism, Schism, Full Communion, Salvation. Ver também a resposta muita clara da acusação ao Vaticano II de Thomas Storck, What is the Church of Jesus Christ? Finalmente, Responsa ad Quaestiones dá a própria clarificação da Igreja sobre isso. [↩] Mystici Corporis Christi, 13. [↩] Lumen Gentium, 3 [↩] Mateus 16:19 [↩] Catecismo da Igreja Católica, 567 [↩] Catecismo da Igreja Católica, 763 [↩] Catecismo da Igreja Católica, 865 [↩] Mateus13, Marcos 4, Lucas13 [↩] Eu escrevi sobre isso mais cedo nesse ano, ver “Feast of the Chair of St. Peter the Apostle.” [↩] Lucas 1:32-33 [↩] 1 Reis 9:5 [↩] 1 Reis 5:5 [↩] Romanos 15:12 [↩] Atos 15:16-17 [↩] Hebreus 3:4-6, 12:22-28 [↩] Isaías 9:7 [↩] Daniel 2:34,35,44 [↩] Lucas 22:29-32 [↩] Mateus 16:18-19 [↩] Isaías 22:15-23 [↩] Lucas 12:42 [↩] 2 Timóteo 2:19 [↩] Mateus 7:15-23; 13:24-30, 36-43, 47-50; 25:1-46. [↩] Ver The Reformation Study Bible, “The Church.” Cf. Belgic Confession, art. 27 (“Cremos e confessamos uma única igreja católica ou universal – uma congregação sagrada e reunião de verdadeiros crentes cristãos.”). [↩] Efésios 4:3-6. ver também PCA BOCO ch. 2-2 (“Essa unidade visível do corpo de Cristo, embora obscurecida, não é destruída por sua divisão em diferentes denominações de cristãos professos; mas todos esses que mantêm a Palavra e os Sacramentos em sua integridade fundamental devem ser reconhecidos como verdadeiros ramos da Igreja de Jesus Cristo.”). [↩] Efésios 2:21. [↩] Efésios 2:20. [↩] The Reformation Study Bible, “The Church.” [↩] Martin Luther, On the Councils and the Church – Part III (1539). [↩] Institutes of the Christian ReligionIV.1.7. [↩] Institutes of the Christian Religion IV.1.9. [↩] Westminster Confession of Faith XXV 1-2. O Livro da Ordem da Igreja para a Igreja Presbiteriana na América define a “Igreja Visível” como consistindo de “todos aqueles que professam sua fé no Senhor Jesus Cristo, juntamente com seus filhos.” Ch. 2-2. [↩] T.M. Moore, A Foundation of Truth: Studies in the Westminster Confession of Faith, 50 (1993). Observe que a igreja invisível transcende o tempo, que pode ser considerada como verticalmente universal, e a igreja visível transcende lugar ou nação, então pode ser vista como horizontalmente universal.. [↩] Scott Clark, professor de história da Igreja e teologia histórica no Westminster Seminary, refere-se ao “conectionalismo” em seu artigo sobre eclesiologia. Lá ele escreve: Intimamente relacionada com a compreensão bíblica da relação da Igreja Universal com a Igreja individualmente considerada é a questão do conexionalismo na Nova Aliança. Freqüentemente é assumido na Igreja Americana que as Igrejas do Novo Testamento eram independentes umas das outras e autônomas, isto é, sujeitas a nenhuma autoridade, exceto a sua própria. Na verdade, isso é menos uma imagem da Nova Aliança do que um amálgama da histórica visão anabatista da Igreja com a tradicional autoconfiança americana. O conectionalismo é às vezes retratado por seus oponentes como uma corrupção católica romana da verdadeira Igreja. Nada poderia estar mais longe da verdade. Essa tese exigiria que seus adeptos tratassem a Igreja visível como sua própria denominação ou o grupo de denominações com um nível mínimo de relações formais entre si. No caso do Prof. Clark, a implicação parece ser que a Igreja visível que Cristo fundou é o NAPARC.[↩] Cf. Westminster Confession of Faith, XXV.2 [↩] Ver Leon Kass’s “The Permanent Limitations of Biology.” [↩] Epistle to the Smyrnæans, 8.2. [↩] Adv. Haer., 1.x.2 [↩] Ecclesiastical History, 4.7.13 [↩] De Utilitate Credendi [↩] Commentary on Twelve Psalms of David 40.30 [↩] Mateus 16:18 [↩] Mateus 28:20 [↩] João 16:13 [↩] Mateus 16:19, 18:19 [↩] 1 Timóteo 3:15 [↩] João 16:13 [↩] Institutes IV.1.1-4 [↩] Institutes IV.1.4 [↩] Cf. Here ae here. [↩] “Journey Home to the Catholic Church: I Have Jumped into the Tiber to Swim Across“ [↩] João 14:6 [↩] Tradução: http://www.calledtocommunion.com/2009/06/christ-founded-a-visible-church/#identifier_63_1251
- The Modernist Has No Place in the Catholic Church
The Church is the hierarchical, inasmuch as She is governed by the sacred rule of Bishops, in communion with the Sovereign Pontiff, the Bishop of Rome. A simple Priest has no authority except in subordination to some Bishop. Still less have the laity anything to do with the government of the Church. As Christ governed His disciples – Ye call me Master and Lord, and ye say well, for so I am,(John xiii. 13) – so He chose out of them twelve, whom He named Apostles ( the name means commissioners, Luke vi.13), to be His substitutes after His departure, and bearing His commission to rule in His stead(Luke x. 16). And they did rule. The infant church was no democracy. Peter, Paul, and John, the only Apostle of whose action we have detailed notice, were highly Pontifical. What was to be the mind and behavior of subsequent Innocents and Gregorys was their mind and behavior. For St. Peter, see Acts v. 1-11, viii. 20-22, 1 Peter v. 1-5; where the very moderation inculcated in the use of power argues the consciousness of possessing it. Of St. Paul’s dogmatism and habit of command, we have a striking example in Galatians i. 8,9: his epistles are weighty and strong, 2 cor. x. 1-11, xiii. 1-10; 1 cor. v; 1 tim. vi.3. St. John, according to the reading of the Revised Version, lays an excommunication on the ill-advised progressivist, the Modernist of his day (2 John 9,10,110). St. Paul left Titus behind in Crete to correct things amiss, and appoint presbyters in every city (Titus i.5). Similarly he ordained Timothy bishop (2 Tim. i:6), with many directions for the exercise of his power, (1 Tim. v. 22). The seven angels or Bishops, of the churches in Asi Minor are responsible for the correction of abuses there (Apoc. ii., iii). That everything in the Church centers in the Bishop, that nothing must be done but by His authority, is the essential teaching of St. Ignatius of Antioch and of St. Cyprain. The 4th and 5th centuries, the great ages of councils, whatever else they show, testify to the pre-eminence of the Episcopal order; and that pre-eminence stands to the present day. Episcopacy is the very life of the Church. In this hierarchical constitution, the modernist sees a remnant of Roman Imperialism or Medieval Feudalism, now destined to yield place to democracy. The modernist is strongly tinged with that dislike of sacerdotalism which marked the protestant revolt of the 16th century. Both Order and Jurisdiction are to him human institutions: in the latter he considers that the layman should bear his share. And why not, if what he calls “the Christian Consciousness”, not the personal institution of Christ, has set up the Church and all that is in it? Why not, if this counsel or work be of men, and not of God (Acts v. 38,39)? Originally a Catholic, the modernist still holds the name. Even while teaching what the Pope has called “a synthesis of all heresies,” it is part of his program to remain in the communion of the Catholic Church. Towards that Church he has no loyalty; he cherishes for it a very different sentiment, admiration. He has no mind at all to obey the living Pastors of the Church for her greatness, her antiquity, her ritual, and the splendid services she has rendered mankind, so also do many who own no obedience to Rome. Admiring her, he is bent on reforming her. The modernist has no place in the Catholic Church. ( Joseph Rickaby S.J. ; The Modernist)
- JESUS CRISTO, EU CREIO EM TUDO! (Santo Tomás de Aquino)
Eu te adoro com afeto, Deus oculto, que te escondes nestas aparências. A ti sujeita-se o meu coração por inteiro e desfalece ao te contemplar. A vista, o tato e o gosto não te alcançam, mas só com o ouvir-te* firmemente creio. Creio em tudo o que disse o Filho de Deus, nada mais verdadeiro do que esta Palavra da Verdade. Na cruz estava oculta somente a tua divindade, mas aqui se esconde também a humanidade. Eu, porém, crendo e confessando ambas, peço-te o que pediu o ladrão arrependido. Tal como Tomé, também eu não vejo as tuas chagas, mas confesso, Senhor, que és o meu Deus; faz-me crer sempre mais em ti, esperar em ti, amar-te. Ó memorial da morte do Senhor, pão vivo que dás vida ao homem, faz que meu pensamento sempre de ti viva, e que sempre lhe seja doce este saber. Senhor Jesus, terno pelicano**, lava-me a mim, imundo, com teu sangue, do qual uma só gota já pode salvar o mundo de todos os pecados. Jesus, a quem agora vejo sob véus, peço-te que se cumpra o que mais anseio: que vendo o teu rosto descoberto, seja eu feliz contemplando a tua glória. * “Ouvir-te” – segundo São Paulo, a fé pelo ouvir. ** “Pelicano” – rasgar o próprio peito para alimentar seus filhotes com o seu próprio sangue e carne… (Santo Tomás de Aquino – Doutor da Igreja) #Cristologia #Eucaristia #Igreja #SantoTomásdeAquino
- O CRISTÃO, OUTRO CRISTO (São Gregório de Nissa, bispo)
Paulo sabe quem é Cristo, mais acuradamente do que todos. Com efeito, por suas atitudes mostrou como deve ser quem recebe o nome do Senhor, porque o imitou tão exatamente que revelou em si mesmo o próprio Senhor. Por tal imitação cheia de amor, transferiu seu espírito para o Exemplo, de modo que não mais parecia ser Paulo e sim Cristo, como ele mesmo bem o diz, reconhecendo a graça em si: Quereis uma prova daquele que em mim fala, o Cristo. E mais: Vivo eu, já não eu, mas é Cristo quem vive em mim. Manifestou então para nós que força possui este nome de Cristo, ao dizer que Cristo é a Virtude de Deus, a Sabedoria de Deus e deu-lhe os nomes de Paz, Luz inacessível onde Deus habita, Expiação, Redenção, máximo Sacerdote e Páscoa, Propiciação pelas almas, Esplendor da glória e Figura de sua substância, Criador dos séculos, Alimento e Bebida espirituais, Pedra e Água, Fundamento da fé e Pedra angular, Imagem do Deus invisível, grande Deus, Cabeça do Corpo da Igreja, Primogênito da nova criação, Primícias dos que adormeceram, Primogênito entre os mortos, Primogênito entre muitos irmãos, Mediador entre Deus e os homens, Filho unigênito coroado de glória e de honra, Senhor da glória, Princípio das coisas e Rei da justiça, e ainda de Rei da paz, Rei de tudo, Possuidor do domínio sobre o reino que não tem limites. Com esses e outros nomes do mesmo gênero designou o Cristo, nomes tão numerosos que não se pode contá-los com facilidade. Se forem combinadas e enfeixadas as significações de cada um, eles nos mostrarão o admirável valor e majestade deste nome, Cristo, que é impossível de traduzir-se por palavras, mas pode ser demonstrado, na medida em que conseguimos entendê-lo com nosso espírito. Por ter a bondade de nosso Senhor nos concedido o primeiro, o maior e o mais divino de todos os nomes, o nome de Cristo, nós somos chamados “cristãos”. É necessário, então, que se vejam expressos em nós todos os outros nomes que explicam o nome do Senhor, para não sermos falsamente ditos “cristãos”; mas o testemunhemos com nossa vida. (Do Tratado sobre a verdadeira imagem do cristão, de São Gregório de Nissa, bispo – PG 46,254-255 – Séc. IV). #Cristologia #Igreja
- OS DOIS CAMINHOS
“Sois uma planta caminheira” (Gil Vicente) A Bíblia está cheia de metáforas. Quando lemos, nas Sagradas Escrituras, as palavras luz, trevas, queda, pedra, videira, pão, fogo, reino etc., sabemos que elas significam outras coisas, além daquilo a que normalmente se referem na vida comum. Uma dessas metáforas, muito rica em significação, é a do caminho, que já aparece no Velho Testamento, como no Salmo 24: “Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação. O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho. Verdade e amor são os caminhos do Senhor para quem guarda sua Aliança e seus preceitos.” * A mesma ideia de caminho é retomada por Jesus, no Novo Testamento. No evangelho de São João (14, 5), Ele revela que na casa de seu Pai, para onde iria em breve, há muitas moradas; e haveria ali, também, um lugar para aqueles que o seguissem no caminho que indicou. O apóstolo Tomé pergunta, então: “Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?” Disse-lhe Jesus: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” * Deus, portanto, se manifesta como caminho, que dá acesso à terra prometida, ao reino eterno onde o sol jamais se põe e o Pai tem a sua morada. Somos chamados a fazer parte desse reino sem trevas. Por enquanto, ainda estamos muito longe: no vale escuro da queda, onde nos atirou o pecado. Mas já sabemos qual é o caminho que pode nos reconduzir à “terra sem mal”. Esse caminho está iluminado pela palavra de Deus — os ensinamentos que Ele próprio revelou aos caminhantes. * Na verdade, as Escrituras dizem que há dois caminhos: além do que leva à pátria da luz, há outro, que conduz ao reino das trevas. Um deles ruma para o alto, e tem muitos espinhos — parece um beco íngreme e sem atrativos. O outro, ao contrário, é muito bem pavimentado, mais fácil e cheio de belezas transitórias; uma descida fácil e permanente. As duas filas de pessoas se cruzam a cada instante, pelos dois caminhos. Olham-se, estudam-se, param de vez em quando para rápidas conversas, quando procuram persuadir-se mutuamente da excelência do próprio caminho. E depois retomam a subida ou a descida: as que vão exaustas para o cume da montanha iluminada, e as que descem felizes para o vale das sombras. No vaivém dos dois caminhos, há vários que trocam a pista alegre e de bom asfalto pelo chão mais duro e difícil, que vai indo cada vez mais alto. Há, também, muitos que desistem da árdua subida e trocam o beco íngreme e cansado pelo caminho mais bonito que desce logo ao lado, seduzidos pelo gosto de mel da descida fácil. São dois os caminhos. Deus permite que as pessoas escolham com total liberdade, mas faz o possível para que optem pela subida difícil — aquela que leva ao cume da montanha banhada de Luz. #CaminhosdeSantidade #MetáforasdaBíblia #Salmo24
- QUE ELE CRESÇA E EU DIMINUA – Solenidade da Natividade de São João Batista
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Solenidade da Natividade de São João Batista”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Isaías 49, 1-6) A flecha aguçada de Deus Nações marinhas, ouvi-me, povos distantes, prestai atenção: o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome; fez de minha palavra uma espada afiada, protegeu-me à sombra de sua mão e fez de mim uma flecha aguçada, escondida em sua aljava, e disse-me: “Tu és o meu Servo, Israel, em quem serei glorificado”. E eu disse: “Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus me dará recompensa”. E agora diz-me o Senhor – Ele que me preparou desde o nascimento para ser seu Servo – que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória. Disse ele: “Não basta seres meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra”. SALMO 138 Formado de modo admirável desde o seio materno (Antífona): Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes! — Senhor, vós me sondais e conheceis, sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos; percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são todos conhecidos. — Fostes vós que me formastes as entranhas, e no seio de minha mãe vós me tecestes. Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes! — Até o mais íntimo, Senhor, me conheceis; nenhuma sequer de minhas fibras ignoráveis; quando eu era modelado ocultamente, era formado nas entranhas subterrâneas. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Atos dos Apóstolos, 13, 22-26) Que Ele cresça e eu diminua Naqueles dias, Paulo disse: “Deus fez surgir Davi como rei e assim testemunhou a seu respeito: ‘Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que vai fazer em tudo a minha vontade’. Conforme prometera, da descendência de Davi Deus fez surgir para Israel um Salvador, que é Jesus. Antes que ele chegasse, João pregou um batismo de conversão para todo o povo de Israel. Estando para terminar sua missão, João declarou: ‘Eu não sou aquele que pensais que eu seja! Mas vede: depois de mim vem aquele, do qual nem mereço desamarrar as sandálias’. Irmãos, descendentes de Abraão, e todos vós que temeis a Deus, a nós foi enviada esta mensagem de salvação”. EVANGELHO (São Lucas 1, 57-66.80) A mão do Senhor estava com ele Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel, e alegraram-se com ela. No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. A mãe, porém, disse: “Não! Ele vai chamar-se João”. Os outros disseram: “Não existe nenhum parente teu com esse nome!” Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: “João é o seu nome”. E todos ficaram admirados. No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judeia. E todos os que ouviam a notícia, ficavam pensando: “O que virá a ser este menino?” De fato, a mão do Senhor estava com ele. E o menino crescia e se fortalecia em espírito. Ele vivia nos lugares desertos, até o dia em que se apresentou publicamente a Israel. QUE ELE CRESÇA E EU DIMINUA (Comentário de Scott Hahn) No evangelho desta semana, as pessoas ficam assustadas e surpresas com os eventos misteriosos que cercam o nascimento de João. Somente seus pais, Isabel e Zacarías, sabem o que essa criança será. João Batista foi moldado em segredo, foi tecido por Deus no ventre materno, como cantamos no salmo deste domingo. Já no seio de sua mãe ele foi separado e formado para ser um servo de Deus, como Isaías declara na primeira leitura. Toda a narrativa do nascimento de João é marcada com ecos do Antigo Testamento, especialmente a história de Abraão. Deus apareceu a Abraão e prometeu que sua esposa lhe daria um filho. Ele anunciou o nome de seu filho e o papel que Isaac desempenharia na história da salvação (v. Gn 17,1.16.19). A mesma coisa aconteceu com Zacarias e Isabel. Deus, através de seu anjo, anunciou o nascimento de João para este casal de justos, porém estéreis. Deu-lhe um nome especial e disse-lhes o papel único que João desempenharia no cumprimento de Seu plano na história (v. Lc 1, 5-17). Como Paulo diz na segunda leitura de hoje, João estava destinado a ser o arauto do cumprimento de todas as promessas de Deus aos filhos de Abraão (v. Lc 1,55-73). Ele ia trazer a palavra da salvação a todo o povo de Israel. Além disso, seria uma luz para as nações, para todos aqueles que, tateando, buscavam a Deus na escuridão. Muitas vezes associamos João à sua forte pregação (v. Mt 3,7-12). Mas no coração de sua missão havia uma profunda humildade. Paulo alude a isso quando cita suas palavras, mencionando que não se considerava digno de desatar as sandálias de Cristo. João disse de Cristo: “É preciso que ele cresça e eu diminua” (v. Jo 3,30). Devemos ter essa mesma atitude em nosso seguimento de Jesus. O arrependimento que João pregou era um afastamento do pecado e do egoísmo; uma total conversão de nossos corações a Deus. Devemos diminuir para que, como João, possamos crescer fortes no Espírito, até que Cristo se manifeste em cada um de nós. https://stpaulcenter.com/he-must-increase-scott-hahn-reflects-on-the-nativity-of-st-john-the-baptist/ https://stpaulcenter.com/natividad-de-juan-el-bautista-scott-hahn-reflexiona-sobre-la-natividad-de-juan-el-bautista/#
- JOÃO BATISTA – VOZ DO QUE CLAMA NO DESERTO (Santo Agostinho): “PREPARAI O CAMINHO DO SEN
A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente. Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo: tal fato tem, sem dúvida, uma explicação. E se não a soubermos dar tão bem, como exige a importância desta solenidade, pelo menos meditemos nela mais frutuosa e profundamente. João nasce de uma anciã estéril; Cristo nasce de uma jovem virgem. O pai de João não acredita que ele possa nascer e fica mudo; Maria acredita, e Cristo é concebido pela fé. Eis o assunto que quisemos meditar e prometemos tratar. E se não formos capazes de perscrutar toda a profundeza de tão grande mistério, por falta de aptidão ou de tempo, aquele que fala dentro de vós, mesmo em nossa ausência, vos ensinará melhor. Nele pensais com amor filial,a ele recebestes no coração, dele vos tornastes templos. João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o antigo e o novo. O próprio Senhor o chama de limite quando diz: A lei e os profetas até João Batista (Lucas 16,16). Ele representa o antigo e anuncia o novo. Porque representa o Antigo Testamento, nasce de pais idosos; porque anuncia o Novo Testamento, é declarado profeta ainda estando nas entranhas da mãe. Na verdade, antes mesmo de nascer, exultou de alegria no ventre materno, à chegada de Maria. Antes de nascer, já é designado; revela-se de quem seria o precursor, antes de ser visto por ele. Tudo isto são coisas divinas, que ultrapassam a limitação humana. Por fim, nasce. Recebe o nome e solta-se a língua do pai. Relacionemos o acontecido com o simbolismo de todos estes fatos. Zacarias emudece e perde a voz até o nascimento de João, o precursor do Senhor; só então recupera a voz. Que significa o silêncio de Zacarias? Não seria o sentido da profecia que, antes da pregação de Cristo, estava, de certo modo, velado, oculto, fechado? Mas com a vinda daquele a quem elas se referiam, tudo se abre e torna-se claro. O fato de Zacarias recuperar a voz no nascimento de João tem o mesmo significado que o rasgar-se o véu do templo, quando Cristo morreu na cruz. Se João se anunciasse a si mesmo, Zacarias não abriria a boca. Solta-se a língua, porque nasce aquele que é a voz. Com efeito, quando João já anunciava o Senhor, perguntaram-lhe: “Quem és tu?” (João 1,19). E ele respondeu: “Eu sou a voz do que clama no deserto” (João 1,23). João é a voz; o Senhor, porém, no princípio era a Palavra (João 1,1). João é a voz no tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna. (Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo – Sermo 293,1-3: PL 38,1327-1328 – Séc. V). 24/06 – SOLENIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA. A Igreja assume o ministério de João: prepara os caminhos do Senhor neste início de 3.° milênio. Sim, Jesus, no tempo estabelecido pelo Pai, VOLTARÁ! “PREPARAI o caminho do Senhor…” (João 1,23) “PREPARAI” – verbo no imperativo. João ordena: “PREPARAI”. A MISSÃO É DE CADA UM DE NÓS! #Cristologia #Igreja #SantoAgostinho
- The False Ape Theory
This theory holds that man bears so striking a resemblance to the ape that one is forced to conclude that he descended from the ape. The Answer.—In the first place, why argue from resemblance to descent? Or, if you argue at all, why not conclude that the ape is a degenerate man? Both arguments would be unsound, but the one would be as good as the other. What interest can you have in thus degrading man by bringing him down to the level of the ape? Better argue thus: So striking is the contrast between man and ape that man could not possibly have been evolved from the ape. The contrast consists chiefly in this, that man has a soul endowed with reason and free will, which the ape has not. This is abundantly proved by the fact that man, by means of thought and reflection, advances from one invention or discovery to another, whilst the ape, in common with other brute animals, follows his instincts and behaves today precisely as his ancestors did thousands of years ago. He has not learned to build houses, to cook his food, or to do anything characteristic of man in the most rudimentary degree of civilization. The ape’s power of mimicry is a superficial attribute which furnishes no proof of reason or thought. Even in bodily structure the contrast is so obvious, at least to the anatomist, that no basis for the evolutionary theory can be found in that quarter. This is especially evident in the size of the brain, as also in the way in which the skull is joined to the spinal column—a circumstance that determines whether the animal is to have the erect posture of a man or the stooping posture of a beast. Moreover, if such descent were a fact we should find some intermediate forms between the mere ape and the fully developed man. We should have found long before to-day what is popularly known as the missing link; but the missing link has nowhere been discovered, either in fossil remains or in living forms of animal life. The earth has been ransacked, but not a trace has come to light of the much sought for ape-man. Occasionally supposed discoveries have created a flutter in the scientific world, but they have invariably proved to be mares’ nests. And yet if Darwin’s theory of infinitesimal variations covering enormous periods of time were correct numerous specimens of intermediate forms should have been discovered. The distinguished scientist Virchow, who certainly cannot be accused of undue bias in the matter, bears the following testimony to the actual state of science on the subject: “ If we make a study of the fossil man of the quaternary period, who came nearest to our historical ancestors in the course of descent—or, better, of ascent—we find at every turn that he is a man like ourselves. Ten years ago, when a skull was found in a peat-bog, among lake-dwellings, or in some ancient cave, it was thought to furnish indications of a wild and half-developed state of human existence. Men thought they scented the atmosphere of apedom. But since then a gradual change has been wrought in our estimate of such remains. The old troglodytes, lake-dwellers, and peat men have turned out to be a very respectable set of human beings. Their heads are of such a size that many a living man to-day would feel proud if he had one as large. . . .We must candidly acknowledge that we possess no fossil types of imperfectly developed men. Nay, if we bring together all human fossils of which we have any knowledge and compare them with human beings of the present day, we can assert without any hesitation that among living men there is, proportionately, a much larger number of individuals of an inferior type than among the fossil remains thus far discovered. Whether the greatest geniuses of the quaternary age have been lucky enough to have been preserved to our day, I dare not conjecture. . . . But I must say that no skull of ape or ape-man which could have had a human possessor (or, as we take him to mean, could have been in any half-sense human) has ever yet been found. . . . We cannot teach, nor can we regard as one of the results of scientific research, the doctrine that man is descended from the ape or from any other animal.”—The Liberty of Science, p. 30 f. In the Congress of Anthropologists held in Vienna in 1889 he adds the following to the words just quoted : “We have sought in vain the missing links that are supposed to connect man with the ape. The primeval man, the genuine proanthropos, has not yet been found. Anthropologists cannot regard the proanthropos as a legitimate subject for discussion. They may see him in their dreams, but in their waking moments they must acknowledge him to be nowhere in sight. At Innsbruck in 1869 scientists in the fever-heat of discussion believed they could trace the evolution of the ape into the man ; to-day we are unable to trace the derivation of one race of men from another. At the present hour we can say that the fossil men discovered stand as far removed from the ape as ourselves. Each living race is distinctively human, and no race has yet been discovered which can be designated as apish or half-apish. … It can be clearly shown that in the course of five thousand years no appreciable change of type has taken place.” Dr. Bumuller sums up the results of his study of the question in the following statements, every one of which rests upon solid demonstration : ‘ ‘ On no recognized principle of classification can man be associated with the ape ; for, to say nothing of his gifts of understanding and speech, he stands quite alone by reason of the vastly superior development of the brain portion of his nervous system, and hence can lay claim to an independent position in the animal kingdom. Neither is his descent from the ape attested by science, for as yet no connecting link has been discovered, either in the higher walks of apedom or in the lower walks of humanity. Even the possibility of a connecting link is disproved by the tendency of apes and half-apes, in the course of their higher development in anatomical structure, to diverge more and more from the human type, and by the testimony of paleontology (the science dealing with remains of extinct species of animals preserved in the earth) . Such is the present state of scientific investigation and its results are in harmony with the view which the human understanding, lay and professional, has ever entertained when not under the tyranny of theories that happen to be the fashion of the hour.”—Man or Ape, p. 91. Munich, 1900. Science, after its many wanderings, is coming back to what Holy Writ has told us in words few and simple : “And the Lord God formed man of the slime of the earth, and breathed into his face the breath of life ; and man became a living soul” (Gen. ii. 7). “And God created man to Hisown image” (Gen. i. 27). ( Rev. M. P. Hills S. J., The Catholic’s Ready Answer)
- A REFORMA PROTESTANTE FOI PERSEGUIDA PELO SANTO OFÍCIO?
A REFORMA PROTESTANTE FOI PERSEGUIDA PELO SANTO OFÍCIO? Vamos entender a atividade do Santo Ofício no período de 1520 a 1630/40, que é chamada de segunda etapa da Inquisição espanhola, apesar de até 1580 que foi o ano em que Portugal foi anexado a península ibérica, quase não se tinham registros de processos por heresia judaizante. O Tribunal encontrava-se especialmente dedicado a erradicar a heresia dos Protestantes(os autos de Sevilha e Valladolid, 1558-1562, todos do clero e Nobreza), apesar de que os processos não foram muitos. Em sua maior parte foram estrangeiros, pois os protestantes espanhóis, em sua maioria, residiam no exterior. O protestantismo na Espanha teve pouca importância, pois os protestantes concentraram-se nas comunidades de Sevilha e Valladolid. Não obstante, é preciso esclarecer que os estrangeiros visitantes e de passagem estavam isentos da ação inquisitorial, protegidos por tratados como o que havia sido firmado por Felipe III com James I da Inglaterra (Tratado de Londres 1604), Onde se estipula, em um de seus artigos, “que não serão molestado em terra nem em mar por questões de consciência, dentro dos domínios do rei da Espanha, se não der em lugar a escândalo público. É preciso dizer que foi Carlos V, imediatamente depois do encontro com Lutero na dieta de Worms, quem ordenou à inquisição que desce urgente prioridade a esta seita herética, e examinasse Principalmente os homens que ingressaram na península vindos das regiões que tiveram a influência dos reformistas como Flanders. Cumpre esclarecer, a este propósito, duas coisas. A inquisição foi muito mal criticada pela perseguição aos protestantes, acusação que contém importantes imprecisões, Muitas delas semeadas de forma deliberada. Em primeiro lugar, convenhamos que não se pode perseguir algo que não existe. Aos protestantes modernos, evangélicos ou seja como se chamam hoje em dia ou como se autodenominam, não havia igreja protestante, o que na verdade, é visível aos olhos de um cego que hoje em dia não existe igreja protestante. Existem várias igrejas com várias divisões, podemos ter em conta que no começo de sua iniciação na história, o protestantismo não se apresentou como “a heresia”, aquela que em um futuro próximo teria de ser confrontada pela Igreja católica com o uso de todos os seus recursos. pelo contrário começou como um erro a mais em um conglomerado de erros que era necessário refutar e condenar. Não havia nada de original nestes “reformistas”, pois o desejo de reforma na Igreja como mostra Jaime Balmes, existia desde muito antes. Reformas sucessivas foram sendo feitas com o passar do tempo, mas a igreja não precisou de Lutero e seus seguidores para modificar aquilo que devia ser modificado não teve necessidade antes e não tem necessidade muito menos hoje. Os pretensos “protestantes” processados pelo Santo Ofício não foram sacerdotes, monges, freiras, bispos, Frades e outros homens pertencentes à Igreja católica (A ÚNICA IGREJA CRISTà NAQUELE MOMENTO) que difundiam desavergonhadamente a heresia entre os seus Fiéis. Por exemplo, Juan Gil, designado bispo por Carlos V, havia sido o fundador da comunidade protestante em Sevilha. Seu sucessor, um tal de Constantino Ponce de La Fuente, havia sido confessor de Carlos V. Salvando as naturais diferenças, aplicou-se o mesmo critério que com os judeus, os quais não eram perseguidos por praticar sua religião ou por sua condição de judeus (direitos sempre reconhecido), mas por Pretender fazê-lo entre os fiéis cristãos, convertendo-se falsamente. Quando foram condenados, foi por serem cristãos, traidores, e não por serem judeus. No caso dos reformadores, de sua perseguição, isto é ainda mais fácil de compreender, se, se considera que, Diferentemente do Judaísmo, estes nem sequer tinham, naquele momento (assim como não o tem hoje), um corpo hierárquico, doutrinal e teológico uniforme: não existia algo como a “religião” ou “igreja protestante”. Portanto, não se pode falar propriamente de uma perseguição a protestantes, mas sim a católicos hereges. Hoje, que é reconhecida formalmente como uma confissão diferente da católica, hoje sim, não se poderia justificar que fossem processados pela Igreja por encontrar-se naturalmente fora de sua competência. É importante deixar isso bem claro e para ser registrado por nossos amigos Protestantes e interessados. Corresponde também a esse período, especialmente no final do século XVI, alguma atividade dirigida contra os mouriscos, as bruxas e os feiticeiros (assunto que escreverei a parte futuramente). Esta, diz Dedieu, é uma longa etapa da vida da Inquisição (120 anos), que pode caracterizar-se por dois traços. Primeiro, assistimos à consolidação da instituição. Segundo, fica Definitivamente configurada a geografia dos distritos inquisitoriais e das sedes de seus respectivos tribunais. Como diz Belloc, “hoje em dia tanto católicos quantos protestante tendem a cometer um erro histórico capital”. Tendem a considerar o catolicismo de um lado e o protestantismo de outro, como dois sistemas religiosos e morais opostos, produzindo, em seus membros individuais, desde a origem do movimento, característica morais agudamente contrastantes. Tomam essa dualidade como natural mesmo no começo. Por quase 100 anos depois do movimento chamado reforma ter começado (digamos de 1520 a 1600), os homens permaneceram numa atitude mental que considerava toda a querela da cristandade como ecumênica. Pensavam como num debate em que toda a cristandade estar engajada e na qual alguma decisão final iria ser tomada para todos. Essa decisão se aplicaria à cristandade como todo e produziria uma Paz religiosa geral. O desgaste que a reforma Protestantes causou a Europa foi muito grande, a Europa não aguentaria continuar mais tempo em uma desunião religiosa. A aceitação relutante do desastre não se torna evidente — até a paz de westfalia, 130 anos depois do primeiro desafio de Lutero, e a completa separação em grupo católico e grupo protestante não aconteceu por ainda mais 50 anos aproximadamente em 1690 e 1700. É fundamental a importância da apreciação da Verdade histórica. somente alguns dos mais amargos e ardentes reformadores estavam decididos a destruir o catolicismo como uma coisa existente em separado, da qual estavam Consciente e a qual odiavam. Um número ainda menor de reformadores estava decidido a exigir alguma outra contra-religião unificada. Eles estavam decididos (como disseram e como foi dito por um século e meio antes da grande revolta) a reformar. Diziam-se dispostos a purificar a Igreja e restaurar suas virtudes originais de simplicidade e Sinceridade. Estavam dispostos, de várias maneiras (e os vários grupos diferiam em quase tudo exceto em sua reação crescente contra a unidade), a se livrar das excrescências, supertições, e falsidades históricas — das quais, Deus sabe, havia uma multidão para eles atacarem. Com passar do tempo os dois partidos passaram a se tornar bem distintos, dois exércitos hostis, dois Campos separados e finalmente a completa separação foi atingida. O que tinha sido a cristandade do ocidente se rompeu em dois fragmentos: um em que seria, dali em diante a cultura protestante, outra a cultura católica. Cada um dali para frente, reconhecia a si próprio e seu espírito como algo separado e hostil ao outro. cada um se desenvolveu, associando o Novo Espírito com sua região, nacionalidade ou cidade-estado Inglaterra, Escócia, Hamburgo etc. Nessa segunda fase os dois mundos, católica e Protestantes, estão conscientemente separados e são conscientemente antagônicos. É um período repleto de lutas físicas: “as guerras religiosas” na França e na Irlanda e, sobretudo, nas regiões da Europa central que falavam alemão. Muito antes das lutas físicas terminarem, os dois adversários estão cristalizados em sua forma permanentemente. A Europa católica acabou aceitando como aparentemente inevitável, a perda do que são agora os estados e cidades protestantes. A Europa protestante perdeu toda a esperança de influenciar com seu espírito aquela parte da Europa que foi salva para a fé. O novo Estado de coisas foi fixado pelos principais estados que puseram fim às guerras religiosas na Alemanha (na primeira metade dos anos 1600). Mas a luta continuou esporadicamente por mais uns 40 anos, e partes das Fronteiras entre aquelas duas regiões flutuavam, mesmo depois desse período adicional. As coisas não se assentaram permanentemente Nos Dois Mundos até 1688 na Inglaterra ou mesmo 1715 se considerarmos toda Europa. Para tornar as coisas Claras basta fixar as datas. Podemos considerar como a origem da luta aberta a violenta revolta relacionado ao nome de Martinho Lutero em 1517. Por volta de 1600, o movimento, como um movimento europeu generalizado, tinha se diferenciado bastante em um mundo católico e um mundo protestante, e a luta começara em torno da questão sobre qual dos dois mundos deveria predominar, não soube qual a filosofia deveria prevalecer em nossa civilização; apesar disso, Como Belloc salienta: “muitos ainda tinha uma esperança de que no final, ou a antiga tradição católica pereceria, ou a cristandade como um todo iria se reintegrar”. A segunda fase começa, em uma data tardia como 1606 na Inglaterra ou poucos anos antes no continente e não termina numa data precisa, mas, geralmente falando, nos últimos 20 anos do século XVII. Termina na França antes que a Inglaterra. Termina nos Estados germânicos — de exaustão, mais do que por qualquer outra razão — ainda mais cedo do que na França, mas pode-se dizer que a ideia de uma luta religiosa direta estava se transformando na ideia de uma luta política já nos anos 1670 ou 1680. As guerras religiosas preencheram a primeira parte dessa fase, terminando na Irlanda no meio do século XVII e na Alemanha poucos anos antes, mas a coisa era ainda pensada como sendo um acontecimento religioso até 1688 ou mesmo Poucos Anos depois, naquelas regiões onde o conflito ainda se mantinham. Vale ressaltar que as origens daquele grande movimento que abalou e dividiu, por gerações, o mundo espiritual e que chamamos de “reforma” a preparação dos materiais para aquela explosão que estilhaçou a cristandade no século XVI levou um século e meio, Pelo menos, antes do primeiro ato de rebelião contra a unidade religiosa em 1517. #IdadeMédia #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja #HistóriadaInquisição
- Natividade de São João Batista
No dia 24 de junho, a Igreja Católica comemora o nascimento de São João Batista, aquele que foi santificado ainda no útero de sua mãe, Santa Isabel, por ocasião da visita de sua prima Nossa Senhora. “Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo (Lucas 1,41). Na liturgia deste domingo, o Salmo Responsorial será o 138/139: 1 Senhor, vós me sondais e conheceis, 2 sabeis quando me sento ou me levanto; * de longe penetrais meus pensamentos; 3 percebeis quando me deito e quando eu ando, * os meus caminhos vos são todos conhecidos. 13 Fostes vós que me formastes as entranhas, * e no seio de minha mãe vós me tecestes. 14 Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, * porque de modo admirável me formastes! 14c Até o mais íntimo, Senhor, me conheceis; *15 nenhuma sequer de minhas fibras ignoráveis, quando eu era modelado ocultamente, * era formado nas entranhas subterrâneas. O vídeo revela uma versão do Salmo cantado em Inglês e legendado por mim. Original: Sonshinegaljo – http://www.youtube.com/watch?v=dYVKb98nvD0 #AgrandezadeDeus #Salmo138 #SãoJoãoBatista
- NÃO APENAS COM PALAVRAS, MAS AINDA COM ATOS SE DEVE ORAR (São Cipriano, bispo e mártir)
Não é de admirar, irmãos caríssimos, que a oração, tal como Deus a ensinou, enfeixe, por seu ensinamento, toda a nossa prece numa breve palavra de salvação. Já pelo profeta Isaías isto tinha sido predito, quando, cheio do Espírito Santo, falava da majestade e bondade de Deus: Verbo que completa e abrevia na justiça, porque Deus fará uma palavra abreviada em todo o orbe da terra. Pois a palavra de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, veio para todos e, reunindo doutos e ignorantes, sexos e idades, lhes deu preceitos salutares, resumindo de tal maneira seus mandamentos, que a memória dos discípulos não sentisse dificuldade com o ensinamento celeste, mas rapidamente aprendesse o que era necessário à simples fé. Do mesmo modo, ao ensinar-nos o que seja a vida eterna, condensou o mistério da vida com grande e divina brevidade, dizendo: Esta é a vida eterna, que te conheçam a ti, único e verdadeiro Deus, e a quem enviaste, Jesus Cristo. E ainda, querendo salientar os primeiros e maiores preceitos da lei e dos profetas, diz: Ouve, Israel. O Senhor, teu Deus, é um só Senhor; e Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. Este é o primeiro; e o segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas. E de novo: Tudo quanto quiserdes que vos façam os homens, fazei-o a eles. Isto é a lei e os profetas. Deus não nos ensinou a orar apenas com palavras, mas também com atos. Ele próprio com frequência orou e suplicou, mostrando-nos com seu exemplo o que temos de fazer. Está escrito: Ele se afastava para os lugares solitários e adorava. E ainda: Saiu para o monte a fim de orar e passou a noite inteira em oração a Deus. O Senhor orava e pedia não para si – que pediria, o inocente, para si? – mas por nossos delitos, como ele mesmo o declarou ao dizer a Pedro: Eis que Satanás procurava joeirar-vos como trigo. Mas eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça. E pouco depois rogou ao Pai por todos, dizendo: Não rogo apenas por estes, mas também por aqueles que irão crer em mim pelas palavras deles, a fim de que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós. Imensa benignidade e piedade de Deus para nossa salvação! Não contente de redimir-nos com seu sangue, ainda quis com tanta generosidade rogar por nós. Considerai o desejo daquele que rogou, para que do mesmo modo como o Pai e o Filho são um, assim também nós permaneçamos na mesma unidade. (Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir – Nn. 28-30: CSEL 3,287-289 – Séc. III). #Cristologia #Igreja
- HOMENAGEM A SOREN KIERKEGAARD (1813-1855) – Dana Gioia
“Lute pela própria salvação com temor e tremor.” Eu já era um velho quando nasci. Pequeno, de costas encurvadas, arrastava as pernas quando ia pelas ruas de Copenhague. “Pequeno Kierkegaard”, chamavam-no. Alguns até o diziam amavelmente. Quanto mais se sofre, mais se vai adquirindo o sentido do cômico. Seu cabelo armava-se em ondas de seis polegadas sobre sua cabeça. Livre-me, ó Deus, de me tornar uma pessoa segura. Que adiantaria a fé se ela não fosse irracional? O cristianismo requer uma convicção da existência do pecado. Enquanto jovem, cuidando de ovelhas no gélido campo, seu pai faminto amaldiçoava Deus por achá-lo cruel. Sua sorte mudou. Enriqueceu e casou-se bem. Seu pai sabia, porém, que essas bênçãos eram o castigo de Deus. Tudo iria por água abaixo. Sua bela esposa morreu, e, em seguida, cinco de seus filhos. Soren, aleijado, sobreviveu. A doença, que consome até a morte, é um desespero. O que nossa época precisa não é de gênios, mas de mártires. Soren se apaixonou, propôs e depois rompeu o noivado. Ninguém, pensou ele, suportaria sua presença diariamente. Minha tristeza é meu castelo. Seus livros eram lidos, porém ridicularizados. Caricaturas escarneciam de suas deformidades. Seus diários íntimos enchiam sete mil páginas. Você poderia lê-los todos, ele afirmava, e ainda assim não me conhecer. Aquele que explicar esse enigma, explicará minha vida. Quando todos são cristãos, não existe cristianismo. A multidão é mentirosa. Lembre-se de que estamos sozinhos diante de Deus — com temor e tremor. Aos quarenta e dois anos, ele caiu em sua caminhada diária. Enquanto morria, tinha um aspecto radiante. Sua pele tornou-se quase transparente. Recusou a comunhão da Igreja local. Sua sepultura não tem lápide. Agora, com a ajuda de Deus, devo finalmente me tornar eu mesmo. https://www.firstthings.com/article/2013/10/homage-to-sren-kierkegaard-1813-1855 [Dana Gioia é um poeta e crítico-literário católico americano. Nasceu em 1950. É casado e tem três filhos. Página pessoal do autor: http://danagioia.com/]
- NÓS, FILHOS DE DEUS, DEVEMOS SEMPRE PERMANECER NA PAZ DE DEUS (São Cipriano, bispo e mártir)
Cristo acrescentou claramente uma lei que nos obriga a determinada condição: que peçamos a remissão das dívidas, se nós mesmos perdoarmos aos nossos devedores, sabendo que não podemos alcançar o perdão pedido a não ser que façamos o mesmo em relação aos que nos ofendem. Por esta razão, diz em outro lugar: Com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos. E aquele servo que, perdoado de toda a dívida por seu senhor, mas não quis perdoar o companheiro, foi lançado ao cárcere. Por não ter querido ser indulgente com o companheiro, perdeu a indulgência com que fora tratado por seu senhor. Cristo propõe o perdão com preceito mais forte e censura ainda mais vigorosa: Quando fordes orar, perdoai se tendes algo contra outro, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe os pecados. Se, porém, não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, não vos perdoará os pecados. Não te restará a menor desculpa no dia do juízo, quando serás julgado de acordo com tua própria sentença e o que tiveres feito, o mesmo sofrerás. Deus ordenou que sejamos pacíficos, concordes e unânimes em sua casa. Mandou que sejamos tais como nos tornou pelo segundo nascimento; assim também ele nos quer renascidos e perseverantes. Deste modo nós, filhos de Deus, permaneçamos na paz de Deus e os que possuem um só Espírito tenham uma só alma e um só coração. Deus não aceita o sacrifício do que vive em discórdia e ordena deixar o altar e ir primeiro reconciliar-se com o irmão, para que, com preces pacíficas, possa Deus ser aplacado. Maior serviço para Deus é a nossa paz e concórdia fraterna e o povo que foi feito uno pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Nos sacrifícios que Abel e Caim foram os primeiros a oferecer, Deus não olhava os dons, mas os corações, de forma que lhe agradava pelo dom aquele que lhe agradava pelo coração. Abel, pacífico e justo, sacrificando com inocência a Deus, ensinou os outros a depositar seus dons no altar com temor de Deus, simplicidade de coração, empenho de justiça e de concórdia. Aquele que assim procedeu no sacrifício de Deus tornou-se merecidamente sacrifício para Deus. Sendo o primeiro a dar a conhecer o martírio, iniciou pela glória de seu sangue a paixão do Senhor, por ter mantido a justiça e a paz do Senhor. Esses serão, no fim, coroados pelo Senhor; esses, no dia do juízo, triunfarão com o Senhor. Quanto aos discordantes, aos dissidentes, aos que não mantêm a paz com os irmãos, mesmo que sejam mortos pelo nome de Cristo, não poderão, conforme o testemunho do santo Apóstolo e da Sagrada Escritura, escapar do crime de desunião fraterna, pois está escrito: Quem odeia seu irmão é homicida. Não chega ao reino dos céus nem vive com Deus um homicida. Não pode estar com Cristo quem preferiu a imitação de Judas [Iscariotes] à de Cristo. (Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir – Nn. 23-24: CSEL 3,284-285 – Séc. III). #Cristologia #Igreja
- JESUS CRISTO, NOSSO MISERICORDIOSO SENHOR E SALVADOR
Tu és santo, Senhor Deus único, o que fazes maravilhas. Tu és forte, Tu és grande, Tu és altíssimo, Tu és Rei omnipotente, Tu, Pai santo, Rei do céu e da terra! Tu és trino e uno, Senhor Deus, todo o bem. Tu és bom, todo o bem, o soberano bem, Senhor Deus, vivo e verdadeiro! Tu és caridade, amor! Tu és sabedoria! Tu és humildade! Tu és paciência! Tu és formosura! Tu és mansidão! Tu és segurança! Tu és descanso! Tu és gozo e alegria! Tu és a nossa esperança! Tu és justiça e temperança! Tu és toda a nossa riqueza e saciedade! Tu és beleza! Tu és mansidão! Tu és o protector! Tu és o nosso guarda e defensor! Tu és fortaleza! Tu és consolação! Tu és a nossa esperança! Tu és a nossa fé! Tu és a nossa caridade! Tu és a nossa grande doçura. Tu és a nossa vida eterna, o Senhor grande e admirável, o Deus omnipotente, o misericordioso Salvador! (São Francisco de Assis) #Cristologia #Igreja #Santos
- JESUS CRISTO: O SOL DE JUSTIÇA QUE NOS TRAZ A CURA EM SEUS RAIOS!
A morte é só uma porta que a gente atravessa para viver o esplendor da eternidade! (Newton Jayme). “Graças à ternura e misericórdia de nosso Deus, que nos vai trazer do alto a visita do SOL NASCENTE, que há de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz.” (Lucas 1,78-79). CRISTO JESUS é descrito nas Escrituras como “O SOL NASCENTE” – “A MANHÃ ou AURORA ALVISSAREIRA” – “O ASTRO NASCENTE” – “O ASTRO DAS ALTURAS”. “ANATOLÊ” – É um título do REI-MESSIAS. JESUS é ASTRO que traz em si mesmo, como fonte/nascedouro, a luz (cf. Números 24,17; Malaquias 3,20 (4,2); Isaías 60,1). YESHUA é o REBENTO que desponta do tronco, da descendência de DAVI (cf. Jeremias 23,5; 33,15; Zacarias 3,8; 6,12). (cf. Bíblia de Jerusalém). Em JESUS o próprio DEUS vem visitar o seu povo como O SOL NASCENTE A TODA MANHÃ. E O ETERNO vem com grandiosa ternura e misericórdia para conduzir e salvar o seu povo. O termo “ANATOLÈ” (“LEVANTA”), se refere ao nascer do SOL, ao SOL NASCENTE. Em Mateus 2,1-2.9; 8,11 3 24,27; Lucas 13,29; Apocalipse 7,2; 16,12; 21,13, o termo é traduzido como “ORIENTE” ou “CÉU”. O vocábulo significa o surgimento ou aparecimento da LUZ: primeiro pela vinda de JOÃO BATISTA (João 5,35). Depois e de maneira plena: JESUS CRISTO – A LUZ DO MUNDO (Mateus 4,6; Lucas 2,32; João 1,5-9; 3,19-21; 8,12; 9,5; 12,35-36.46). “ANATOLÈ”: “Este termo significa, ao mesmo tempo, O DESPONTAR DE UM ASTRO, e O BROTAR DE UMA PLANTA: o Antigo Testamento o emprega para anunciar o descendente de DAVID (Jeremias 23,5; Zacarias 3,8; 6,12) e usa o verbo correspondente para exprimir o despontar do ASTRO MESSIÂNICO (Número 24,17; cf. Malaquias 3,30). O salmo [Lucas 1,67-79] deve visar a estes dois sentidos, mas sobretudo ao segundo, muito popular então no judaísmo (cf. Mateus 2,2).” (cf. TEB, com destaques meus). ZACARIAS, em seu cântico “BENEDICTUS”, com toda certeza, tem em seu coração, notadamente, a profecia do profeta Malaquias 3,20 (4,2): “Mas para vós que temeis o meu Nome, brilhará O SOL DE JUSTIÇA, que tem a cura em seus raios…” Assim, o que Malaquias profetiza e Lucas testifica como viva realidade é que O MESSIAS JESUS É O VERDADEIRO SOL QUE NOS LIBERTA para o clarão da RESSURREIÇÃO DENTRE OS MORTOS, PARA A ETERNIDADE EM DEUS! #Cristologia #Igreja
- PAI-NOSSO: DEPOIS DO PÃO, PEDIMOS O PERDÃO DOS PECADOS (São Cipriano, bispo e mártir)
Continuando a oração, fazemos o pedido: O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Pode-se entendê-lo tanto espiritual como naturalmente. De ambos os modos Deus se serve para nossa salvação. Cristo é o pão da vida e este pão não é de todos, é nosso. Assim como dizemos Pai nosso, por ser Pai dos que entendem e creem, assim dizemos pão nosso, porque Cristo é o pão dos que comem o seu corpo. Pedimos a dádiva deste pão, todos os dias; não aconteça que nós, que estamos em Cristo e diariamente recebemos sua eucaristia como alimento de salvação, sobrevindo alguma falta mais grave, nos abstenhamos e sejamos privados de comungar o pão celeste e venhamos a nos separar do corpo de Cristo, porque são suas as palavras: Eu sou o pão da vida, que desci do céu. Se alguém comer deste pão viverá eternamente. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo. Assim, dizendo ele que viverá eternamente quem comer deste pão, como é evidente que vivem aqueles que pertencem ao seu corpo e recebem a eucaristia nas devidas disposições, é de se temer, pelo contrário, que se afaste da salvação aquele que se abstém do corpo de Cristo, conforme a advertência do Senhor: Se não comerdes da carne do Filho do homem e não beberdes de seu sangue, não tereis a vida em vós. Por este motivo, pedimos que nos seja dado diariamente nosso pão, o Cristo, para que não nos apartemos de sua santificação e de seu corpo, nós os que permanecemos e vivemos em Cristo. Em seguida, também suplicamos pelos nossos pecados: E perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. Depois do pão, pedimos o perdão dos pecados. Quão necessária, providencial e salvadora a advertência de sermos pecadores, e obrigados a rogar a Deus pelos pecados! Porque, quando recorre à indulgência de Deus, a alma se lembra de sua condição. Para que ninguém esteja contente consigo, como se fosse inocente e pela soberba se perca mais completamente, quando se lhe ordena pedir todos os dias perdão pelos pecados, cada um toma consciência de que diariamente peca. Assim também João, em sua carta, nos adverte: Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e a verdade não estará em nós. Se porém confessarmos nossas culpas, o Senhor, justo e fiel, perdoar-nos-á os pecados. Em sua carta reuniu as duas coisas: o dever de rogar pelos pecados e, rogando, suplicar a indulgência. Por isso diz que o Senhor é fiel, mantendo a sua promessa de perdoar as culpas, pois quem nos ensinou a orar por nossas dívidas e pecados também prometeu, logo em seguida, a misericórdia paterna e o perdão. (Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir – Nn. 18.22: CSEL 3,280-281.283-284 – Séc. III). #Cristologia #Igreja
- JESUS CONDENA A MANIPULAÇÃO DAS ESCRITURAS!
“Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto [“latreian”] a Deus.” (João 16,2). O verso em comento testemunha o ódio ferrenho dos edificadores judeus em relação aos filhos de DEUS, posto que rejeitaram JESUS CRISTO como O MESSIAS prometido. O texto é um alerta de que os seguidores de JESUS CRISTO seriam expulsos (“aposunagogo”) das sinagogas, seriam excluídos da vida social/religiosa de Israel. Os edificadores judeus chegariam ao ponto de matar os discípulos de YESHUA aduzindo, neste caso, que estariam prestando “SERVIÇO/OFERTA DE ADORAÇÃO” (“LATREIA”) A YHWH. Sabemos perfeitamente que os pastores judeus do tempo de CRISTO optaram por CÉSAR (João 19,15) e, interpretando particularmente as ESCRITURAS PROFÉTICAS de então (João 5,39-40; 19,7), condenaram e mataram o próprio JESUS como ato de fidelidade ao ETERNO. Agindo assim, com base exclusivamente na sabedoria humana (carne e sangue) independente do desatar profético de Deus, a elite intelectual de Israel queria desvendar os tempos que YHWH reservou só para Ele. Sim! Os edificadores judeus estudavam as Escrituras minuciosa e profundamente, porém não estavam abertos nem conheciam a DEUS, nem a CRISTO e muito menos O PODER DE YHWH (cf. João 16,3). Com tal comportamento, as lideranças judaicas rejeitaram o principal dos “ORÁCULO DE DEUS” – A PEDRA FUNDAMENTAL DA IGREJA DO DEUS VIVO (Atos 4,11-12). Desprezaram A PESSOA ÚNICA DO VERBO ENCARNADO: JESUS CRISTO: verdadeiro DEUS e verdadeiro HOMEM, nascido no tempo, na história através do seio de MARIA VIRGEM. Ora, se YHWH é o único DEUS, como pode JESUS se dizer DEUS feito HOMEM?! Isto é blasfêmia e, neste caso, a morte é a pena a ser aplicada. Eis o princípio dos judeus: “DERRAMAR SANGUE DE BLASFEMADOR/PERVERSO É O MESMO QUE OFERECER SERVIÇO DE ADORAÇÃO (SACRIFÍCIO) A DEUS.” De início, eis aí o preceito seguido pelo apóstolo Paulo: época em que perseguia, inclusive, a Igreja Neotestamentária com ódio e violência. “E Jesus, respondendo, disse-lhes: Porventura não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus?” (Marcos 12:24). Como os edificadores judeus não conheciam as ESCRITURAS, se eles viviam a estudá-las dia e noite, conforme denunciou o próprio JESUS (João 5,39-40)?! O apóstolo Pedro explica-nos com inspiração divina que O DESATAR DAS PROFECIAS é uma ação particular do próprio AUTOR DAS ESCRITURAS. Ou seja, DEUS mesmo é quem desata e abre as Suas profecias (2 Pedro 1,20) para nós e isso só acontece no tempo certo de DEUS (Gálatas 4,4-5). E DEUS assim age e faz tão somente por meio de seus verdadeiros comissionados e à luz do Espírito Santo. O episódio do eunuco de Candace nos ensina que pode existir um abismo enorme entre O ATO DE LER e O ATO DE COMPREENDER AS SAGRADAS LETRAS (Atos 8,26-35). A compreensão é um dom revelador do ESPÍRITO SANTO. Os saduceus [“tz’dukim”] se julgavam doutores/mestres na Lei [aceitavam como autoridade somente o Pentateuco] e, tentando ridicularizar A FÉ NA RESSURREIÇÃO DA CARNE, armaram uma “pegadinha” para JESUS com base na regra do LEVIRATO (Deuteronômio 25,5-6). JESUS vai respondê-los dizendo que eles não conhecem duas coisas básicas na vivência da verdadeira fé: nem as ESCRITURAS (PENTATEUCO); nem O PODER DE DEUS (Marcos 12,24). Jesus ensinará que a morte não é um entrar na inexistência. Assim, não obstante a morte física ser uma realidade, YHWH sempre será O DEUS DE VIVOS E JAMAIS DE MORTOS, pois para Ele vivem todos os seus amigos: justos e santos (cf. Lucas 20,38). O doutor de Hipona nos assevera: “Quando a alma abandona o corpo, acontece a morte física. Quando a alma abandona a Deus, dá-se a morte espiritual.” (Santo Agostinho). JESUS vai demonstrar que o estado matrimonial (realidade do debaixo do Sol) não perpetuará após a ressurreição. A ressurreição não será uma simples volta à realidade social desde mundo físico. A partir de um episódio da Lei (Êxodo 3; Marcos 12, 26-27), CRISTO defenderá a doutrina da ressurreição. Ou seja, Jesus deixará claro que Deuteronômio 25,5-6 (levirato) não se aplica à vida futura. Destarte, CRISTO DEIXA EVIDENTE QUE A ESCRITURA (LEI) É UM TODO ORGÂNICO. O Poder de Deus atesta que YHWH pode ressuscitar a carne sem o empecilho do casamento (Marcos 12,25). Ora, os saduceus queriam limitar o PODER DE DEUS por meio de uma leitura caolha de um trecho da ESCRITURA (PENTATEUCO). Como eram enviesados estes saduceus! A Escritura existe como elemento que testifica o ministério salvífico de CRISTO JESUS, não como um objeto de dominação e escravização que nos afasta do SENHOR, pois este é o único que nos pode dar a vida eterna. O CRISTIANISMO CRÊ NA RESSURREIÇÃO DOS JUSTOS/SANTOS DENTRE OS MORTOS. Ademais, podemos afirmar ainda que a fé na ressurreição da carne, além de Êxodo 3, citado por CRISTO JESUS em Lucas 20,27-39), é também ensinada em Deuteronômio 32,39: “Reconhecei agora: eu só, somente eu sou Deus, e não há outro além de mim. Eu extermino [mato] e chamo à vida, eu firo e curo, e não há quem o arranque da minha mão.” Observem as expressões: “eu mato e chamo à vida” e “eu firo e curo”. Tudo isso só pode se referir a um único ser ou pessoa. “YHWH É DEUS DE ALMAS VIVENTES, PORQUE PARA ELE VIVEM TODOS! (cf. Lucas 20,38)” “VIVEM” = presente do indicativo. #Cristologia #Igreja #Ressurreição




























![A História de José, o Carpinteiro (400 DC) [Apócrifo]](https://static.wixstatic.com/media/984c42_9a34a4efb5c84c6f91543352289e369e~mv2.jpg/v1/fit/w_176,h_124,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,blur_3,enc_auto/984c42_9a34a4efb5c84c6f91543352289e369e~mv2.jpg)
![A Vingança do Salvador (700 DC) [Apócrifo]](https://static.wixstatic.com/media/984c42_b561fc4957d347d2b8900d8cf9833381~mv2.jpg/v1/fit/w_176,h_124,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,blur_3,enc_auto/984c42_b561fc4957d347d2b8900d8cf9833381~mv2.jpg)



















