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- PARADOXOS DA ALDEIA GLOBAL
Um aspecto das grandes cidades, muito destacado pelas artes contemporâneas, era o da “multidão solitária”: milhões de pessoas espremidas num mesmo espaço — crescendo continuamente para os lados e para o alto —, e que perdiam a possibilidade de se comunicar diretamente, como ocorria nas pequenas cidades do interior, das quais a maior parte delas provinha. Essa gélida relação interpessoal da pólis, pressentida pelo poeta francês Baudelaire, foi mais tarde cantada e deplorada em prosa, verso, som e imagem por todo o século XX. Essa frigidez das metrópoles de certo modo foi-se atenuando, graças aos meios eletrônicos de comunicação, que começaram a devolver às pessoas alguma coisa da perdida porosidade aldeã, como uma janela gradeada torna mais tolerável a cela de uma prisão. Se, inicialmente, já o rádio, o telefone e, depois, a televisão, teriam contribuído para amenizar os efeitos opressivos daquela solidão metropolitana — uma solidão cercada de gente por todos os lados —, com a internet e o telefone celular as distâncias urbanas e interurbanas foram sensivelmente diminuídas, sem contar outros benefícios trazidos pelo progresso tecnológico. Se a mecânica e a eletricidade contribuíram para aumentar física e descontroladamente o mundo, criando esses monstros urbanos que são as metrópoles (responsáveis pelo paradoxo sociológico da multidão solitária), a eletrônica veio para encolher esse mundo desmesuradamente expandido, até transformá-lo na pequena “aldeia global” a que se referia o sociólogo canadense Marshall McLuhan, nos distantes anos sessenta. Retraía-se quase magicamente o “mundo mundo vasto mundo” do verso drummondiano. O planeta voltava a ficar misteriosamente pequeno, sem abdicar de sua grandiosidade planetária: cada vez maior e, ao mesmo tempo, oferecendo a ilusão de que tudo estava ao alcance das mãos, apesar desta proximidade ser apenas simulada, representada, imagística, virtual, construída por aplicativos de computador ou aparelhos (rádios, televisores) capazes de captar ondas eletromagnéticas. Segundo McLuhan, o homem contemporâneo à televisão e às novas mídias jamais voltaria a ser o mesmo de antes. Não só pelos efeitos culturais que as novas tecnologias da informação pudessem ocasionar, enquanto veículos transmissores de mensagens (que podiam ser boas ou más), porém pela influência que essas novas tecnologias da informação exerciam sobre o mecanismo sensorial do homem, alterando a sua própria percepção da realidade. A hipótese de McLuhan é a de que as mídias eletrônicas, independentemente do que transmitem, já por si mesmas interferem no desenvolvimento e formação da personalidade. Por seu forte apelo sensorial, predisporiam as pessoas a uma maior irracionalidade, um revivido espírito de tribo (creio que também não se possa descartar a sensação de estarem todos mais próximos de todos). Enfim, as mídias já começam a mudar as pessoas pela forma como agem em seus sentidos, independentemente do conteúdo de suas mensagens. Provém daí a sua famosa frase: o meio é a mensagem. O aperfeiçoamento tecnológico das ferramentas com que o corpo e a mente humana agem no mundo — suas “extensões”, na terminologia do sociólogo canadense —, deixou o homem moderno por demais mimado (como Ortega y Gasset já o tinha visto antes), e isto ao ponto de cair em pânico quando uma dessas extensões de repente lhe falta. O indígena eletrônico em que ele se transformou é na verdade um frouxo, existencialmente falando; um ser quase totalmente desprovido de testosterona moral. Paradoxalmente, as extensões que a tecnologia oferece ao homem torna-o mais poderoso, ao mesmo tempo que mais enfraquecido, pelo vício de tudo delegar a máquinas e aparelhos. Foi por isso que o estudioso canadense optou por fazer uma inversão na prioridade de suas investigações: em vez da usual tarefa de localizar marcas do corpo social no comportamento humano, considerava mais fascinante descobrir os condicionamentos que as novas formas de percepção, alteradas pelas novas mídias, impunham às estruturas sociais. Que mudança teria ocorrido no mecanismo sensorial do homem moderno, por ação da mídia televisiva, ao ponto de alterar a sua própria percepção da realidade? A consequência mais grave terá sido uma espécie de retribalização social, um fascínio pelo retorno a modos de convivência humana pré-civilizacionais. Se o raciocínio de McLuhan estiver correto, talvez se possa concluir da seguinte e pouco lisonjeira forma: o mundo voltou, sim, a ser uma aldeia, mas povoada menos por camponeses ocidentais reprimidos pela moral e os bons costumes, do que por pessoas semelhantes a indígenas pré-colombianos, em processo acelerado de repaganização.
- Papa veta presença de Joe Biden em missa, segundo a CNA
Segundo a CNA (Agência Católica de Notícias), a Santa Sé negou o pedido do presidente americano Joe Biden de participar de uma missa rezada pelo papa Francisco na manhã de hoje, 15 de junho. Biden está na Europa em sua primeira viagem internacional como presidente dos EUA. O pedido de assistir à missa foi negado por causa do impacto que poderia causar o fato de Biden receber a Sagrada Comunhão das mãos do papa nas discussões sobre a coerência eucarística, que a conferência episcopal americana pretende ter durante a sua reunião que começa na quarta-feira, 16 de Junho, apurou a CNA, agência em inglês do grupo ACI. Os bispos americanos devem tomar uma posição conjunta sobre negar comunhão a figuras públicas, como Biden e a presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, a também democrata Nancy Pelosi, que apoiem o aborto. Diante da recusa da Santa Sé, Biden não foi ao Vaticano. O Presidente americano viaja hoje de Bruxelas, onde participou de uma reunião com líderes do G7, a Genebra para a reunião programada com o Presidente russo Vladimir Putin no dia 16 de Junho. Biden já se encontrou com o papa Francisco em outras ocasiões. A primeira vez foi em Setembro de 2015, quando o Pontífice visitou os Estados Unidos para participar no congresso mundial das famílias na Filadélfia. Na ocasião, Biden era vice-presidente. Leia também Bispos anunciam fim da dispensa para missas dominicais na Polônia No ano seguinte, no dia 29 de Abril de 2016, já nos últimos meses da administração Obama, Biden foi ao Vaticano para uma cúpula sobre medicina regenerativa, onde elogiou o papa Francisco e defendeu um impulso global para a cura do câncer. Biden inaugurou o seu discurso no Vaticano recordando como, enquanto visitava os Estados Unidos em setembro do ano anterior, o papa Francisco o tinha confortado após a perda do seu filho mais velho Beau, que faleceu aos 46 anos de idade, de câncer no cérebro. Leia também O importante alerta de Nossa Senhora para o Brasil sobre o comunismo
- Papa veta presença de Joe Biden em missa, segundo a CNA
Segundo a CNA (Agência Católica de Notícias), a Santa Sé negou o pedido do presidente americano Joe Biden de participar de uma missa rezada pelo papa Francisco na manhã de hoje, 15 de junho. Biden está na Europa em sua primeira viagem internacional como presidente dos EUA. O pedido de assistir à missa foi negado por causa do impacto que poderia causar o fato de Biden receber a Sagrada Comunhão das mãos do papa nas discussões sobre a coerência eucarística, que a conferência episcopal americana pretende ter durante a sua reunião que começa na quarta-feira, 16 de Junho, apurou a CNA, agência em inglês do grupo ACI. Os bispos americanos devem tomar uma posição conjunta sobre negar comunhão a figuras públicas, como Biden e a presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, a também democrata Nancy Pelosi, que apoiem o aborto. Diante da recusa da Santa Sé, Biden não foi ao Vaticano. O Presidente americano viaja hoje de Bruxelas, onde participou de uma reunião com líderes do G7, a Genebra para a reunião programada com o Presidente russo Vladimir Putin no dia 16 de Junho. Biden já se encontrou com o papa Francisco em outras ocasiões. A primeira vez foi em Setembro de 2015, quando o Pontífice visitou os Estados Unidos para participar no congresso mundial das famílias na Filadélfia. Na ocasião, Biden era vice-presidente. Leia também Bispos anunciam fim da dispensa para missas dominicais na Polônia No ano seguinte, no dia 29 de Abril de 2016, já nos últimos meses da administração Obama, Biden foi ao Vaticano para uma cúpula sobre medicina regenerativa, onde elogiou o papa Francisco e defendeu um impulso global para a cura do câncer. Biden inaugurou o seu discurso no Vaticano recordando como, enquanto visitava os Estados Unidos em setembro do ano anterior, o papa Francisco o tinha confortado após a perda do seu filho mais velho Beau, que faleceu aos 46 anos de idade, de câncer no cérebro. Leia também O importante alerta de Nossa Senhora para o Brasil sobre o comunismo
- Cardeal Sarah ‘comemora’ seu aniversário no túmulo de João Paulo II
Hoje, 15 de junho, o cardeal guineo Robert Sarah faz 76 anos. O ex-prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos queria celebrar seu aniversário diante do túmulo do santo Pontífice Polonês. “Agradeço a todas as muitas mensagens que recebi hoje por ocasião do meu 76º aniversário. Reze muito por mim. Que Deus nos guarde”, escreveu o africano roxo em sua conta pessoal no Twitter. Ao lado do texto, uma fotografia do cardeal ajoelhado diante do túmulo do Papa João Paulo II, que está localizado em uma capela lateral da Basílica de São Pedro. Certamente, o cardeal deve manter uma afeição especial ao Pontífice polonês, já que o nomeou bispo com apenas 34 anos, em 1979, sendo o prelado mais jovem do mundo naquela época. Je remercie chacun pour les nombreux messages que je reçois aujourd’hui à l’occasion de mon soixante-seizième anniversaire. Priez beaucoup pour moi. Que Dieu nous garde. +RS pic.twitter.com/nKqKUn4ns6 — Cardinal R. Sarah (@Card_R_Sarah) June 15, 2021 Robert Sarah nasceu em 15 de junho de 1945 em Ourous, uma vila na Guiné. Após o ensino fundamental e médio, em 1957, ele foi forçado a deixar o país para continuar seus estudos no seminário menor de Bingerville, na Costa do Marfim. Retornando à Guiné após a independência, em outubro de 1958, ele concluiu seus estudos no seminário menor de Dixinn. Quando a escola foi requisitada pelo governo guineês, ele teve que retornar à paróquia de Sainte Croix, em Kindia, para concluir seus estudos. Ele foi ordenado padre em 20 de julho de 1969 e, pouco depois, foi enviado para Roma, onde obteve um diploma em teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, tendo enriquecido sua formação no Pontifício Instituto Bíblico. Após um período de estudo no Instituto Bíblico de Jerusalém (1971-1972), ele obteve uma licença nas escrituras sagradas. Retornando à sua terra natal, foi nomeado pároco de Boké, onde permaneceu de 1974 a 1976 e mais tarde assumiu a reitoria do seminário menor João XXIII de Kindia. Foi nomeado arcebispo metropolitano de Conakri em 13 de agosto de 1979, e foi consagrado em 8 de dezembro de 1979 pelo Cardeal Giovanni Benelli. Em 1º de outubro de 2001, João Paulo II nomeou-o secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, cargo que ocupou por nove anos, até 7 de outubro de 2010, quando o Papa Bento XVI o nomeou presidente do Pontifício Conselho “Cor Unum”. Criado cardeal por Bento XVI no consistório de 20 de novembro de 2010, sob o título de São João Bosco na Via Tuscolana, foi nomeado pelo Papa Francisco prefeito da Congregação para a Adoração Divina e da Disciplina dos Sacramentos em 23 de novembro de 2014, substituindo o cardeal espanhol Antonio Cañizares. Em 20 de fevereiro de 2021, o Pontífice argentino aceitou sua renúncia por motivos de idade, tendo completado 75 anos oito meses antes. Em 3 de maio, Francisco o promoveu à Ordem dos Sacerdotes, tendo servido mais de 10 anos como cardeal.
- Cardeal Sarah ‘comemora’ seu aniversário no túmulo de João Paulo II
Hoje, 15 de junho, o cardeal guineo Robert Sarah faz 76 anos. O ex-prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos queria celebrar seu aniversário diante do túmulo do santo Pontífice Polonês. “Agradeço a todas as muitas mensagens que recebi hoje por ocasião do meu 76º aniversário. Reze muito por mim. Que Deus nos guarde”, escreveu o africano roxo em sua conta pessoal no Twitter. Ao lado do texto, uma fotografia do cardeal ajoelhado diante do túmulo do Papa João Paulo II, que está localizado em uma capela lateral da Basílica de São Pedro. Certamente, o cardeal deve manter uma afeição especial ao Pontífice polonês, já que o nomeou bispo com apenas 34 anos, em 1979, sendo o prelado mais jovem do mundo naquela época. Je remercie chacun pour les nombreux messages que je reçois aujourd’hui à l’occasion de mon soixante-seizième anniversaire. Priez beaucoup pour moi. Que Dieu nous garde. +RS pic.twitter.com/nKqKUn4ns6 — Cardinal R. Sarah (@Card_R_Sarah) June 15, 2021 Robert Sarah nasceu em 15 de junho de 1945 em Ourous, uma vila na Guiné. Após o ensino fundamental e médio, em 1957, ele foi forçado a deixar o país para continuar seus estudos no seminário menor de Bingerville, na Costa do Marfim. Retornando à Guiné após a independência, em outubro de 1958, ele concluiu seus estudos no seminário menor de Dixinn. Quando a escola foi requisitada pelo governo guineês, ele teve que retornar à paróquia de Sainte Croix, em Kindia, para concluir seus estudos. Ele foi ordenado padre em 20 de julho de 1969 e, pouco depois, foi enviado para Roma, onde obteve um diploma em teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, tendo enriquecido sua formação no Pontifício Instituto Bíblico. Após um período de estudo no Instituto Bíblico de Jerusalém (1971-1972), ele obteve uma licença nas escrituras sagradas. Retornando à sua terra natal, foi nomeado pároco de Boké, onde permaneceu de 1974 a 1976 e mais tarde assumiu a reitoria do seminário menor João XXIII de Kindia. Foi nomeado arcebispo metropolitano de Conakri em 13 de agosto de 1979, e foi consagrado em 8 de dezembro de 1979 pelo Cardeal Giovanni Benelli. Em 1º de outubro de 2001, João Paulo II nomeou-o secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, cargo que ocupou por nove anos, até 7 de outubro de 2010, quando o Papa Bento XVI o nomeou presidente do Pontifício Conselho “Cor Unum”. Criado cardeal por Bento XVI no consistório de 20 de novembro de 2010, sob o título de São João Bosco na Via Tuscolana, foi nomeado pelo Papa Francisco prefeito da Congregação para a Adoração Divina e da Disciplina dos Sacramentos em 23 de novembro de 2014, substituindo o cardeal espanhol Antonio Cañizares. Em 20 de fevereiro de 2021, o Pontífice argentino aceitou sua renúncia por motivos de idade, tendo completado 75 anos oito meses antes. Em 3 de maio, Francisco o promoveu à Ordem dos Sacerdotes, tendo servido mais de 10 anos como cardeal.
- Bispos anunciam fim da dispensa para missas dominicais na Polônia
Os bispos poloneses decidiram por unanimidade acabar com a dispensa de assistir à missa dominical e nos dias santos de guarda adotada por causa da pandemia de covid-19. A decisão foi tomada durante a 389ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Polonesa, realizada entre os dias 11 e 12 de junho. A dispensa terminará no próximo domingo, dia 20 de junho, em todas as dioceses que adotaram a norma. Segundo a agência Reuters, o número de infectados pela covid-19 vêm diminuindo na Polônia, “com uma média de 370 novas infecções diariamente”. Desde o início da pandemia, 2.877.007 pessoas se infectaram com o vírus, que causou 74.515 mortes. Na última sexta-feira, 11 de junho, dia em que a Igreja celebra o Sagrado Coração de Jesus, os bispos da Polônia que haviam participado da assembleia celebraram uma missa, presidida pelo presidente da conferência episcopal, dom Stanisław Gądecki. A Eucaristia foi celebrada na basílica do Sagrado Coração de Jesus, em Cracóvia, onde os bispos renovaram a consagração do país à essa devoção. “Vos confiamos toda a nossa vida pessoal, familiar e social, que queremos alicerçar nos sólidos princípios do Evangelho. Como há cem anos, humildemente nos dedicamos ao Vosso Sagrado Coração, entregando-vos a nossa Pátria”, disse Dom Gądecki. Em 27 de julho de 1920, em Jasna Góra, o episcopado polonês consagrou o país ao Sagrado Coração de Jesus. O ato foi renovado um ano depois, em Cracóvia, na basílica do Sagrado Coração de Jesus, por ocasião da consagração do templo. Fonte ACI Digital
- Bispos anunciam fim da dispensa para missas dominicais na Polônia
Os bispos poloneses decidiram por unanimidade acabar com a dispensa de assistir à missa dominical e nos dias santos de guarda adotada por causa da pandemia de covid-19. A decisão foi tomada durante a 389ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Polonesa, realizada entre os dias 11 e 12 de junho. A dispensa terminará no próximo domingo, dia 20 de junho, em todas as dioceses que adotaram a norma. Segundo a agência Reuters, o número de infectados pela covid-19 vêm diminuindo na Polônia, “com uma média de 370 novas infecções diariamente”. Desde o início da pandemia, 2.877.007 pessoas se infectaram com o vírus, que causou 74.515 mortes. Na última sexta-feira, 11 de junho, dia em que a Igreja celebra o Sagrado Coração de Jesus, os bispos da Polônia que haviam participado da assembleia celebraram uma missa, presidida pelo presidente da conferência episcopal, dom Stanisław Gądecki. A Eucaristia foi celebrada na basílica do Sagrado Coração de Jesus, em Cracóvia, onde os bispos renovaram a consagração do país à essa devoção. “Vos confiamos toda a nossa vida pessoal, familiar e social, que queremos alicerçar nos sólidos princípios do Evangelho. Como há cem anos, humildemente nos dedicamos ao Vosso Sagrado Coração, entregando-vos a nossa Pátria”, disse Dom Gądecki. Em 27 de julho de 1920, em Jasna Góra, o episcopado polonês consagrou o país ao Sagrado Coração de Jesus. O ato foi renovado um ano depois, em Cracóvia, na basílica do Sagrado Coração de Jesus, por ocasião da consagração do templo. Fonte ACI Digital
- LONGE DESTE INSENSATO MUNDO
Eduardo Sim›es/IMS O homem desfigurou-se — mais que isto: desfibrou-se — quando cortou seus vínculos com o mundo natural. Contudo, recuperar esses vínculos não é tarefa fácil; seguramente, uma das formas mais equivocadas de o fazer é através de ideologias como o ambientalismo, que ora banaliza a natureza como mero instrumento político, ora como projeção de fantasias mal elaboradas de intelectuais e jovens universitários cansados da economia de mercado. Tornaram-se célebres, nos últimos cinquenta anos, alguns escritores e artistas que, aproveitando a onda da contracultura, decidiram abandonar os grandes centros e mudar-se para o campo, como já havia feito Tolstói quase um século antes. Cada país, hoje em dia, tem o seu Tolstói cansado do barulho metropolitano e vivendo longe das panelas intelectuais e literárias. No Brasil, Ariano Suassuna avisou, nos anos setenta, que se dedicaria à criação de cabras com um primo fazendeiro, no interior da Paraíba. O contista Luiz Vilela comprou um sítio, em Minas Gerais, para criar vacas leiteiras. Raduam Nassar deixou São Paulo e foi viver numa fazenda, no interior paulista. À margem dessas decisões famosas, vez em quando se ouvia falar de pessoas simples que tiveram a coragem de largar tudo na cidade e retornaram às origens rurais dos pais e avós. Trata-se de uma atitude evidentemente excepcional. São poucos os que têm coragem de fazer esse movimento radical de “meia-volta-volver” rumo ao chão da infância, ou a um chão que nunca conheceram. Não é tarefa fácil readquirir certas virtudes, que são fundamentais para suportar a dura lida no campo: antes de tudo, fortaleza e paciência, sustentadas por um fundo permanente de esperança em dias melhores. Custa imaginar, por exemplo, um gerente de banco deixando tudo, do bom e do pior — cobranças dos chefes, problemas com os clientes, salário mensal regular, escola boa para os filhos, velho círculo de amigos etc. — para voltar à terrinha da família, meio abandonada lá no interior, para plantar alguma coisa que o programa agrícola da TV garantiu ter mercado (e disto tentar sobreviver). Afinal, nada há de mais urbano do que um bancário, treinado para agradar clientes de segunda a sexta e almoçar fora com a família no fim de semana. Prazer e bem-estar é a sua utopia. Será, certamente, um homem psicologicamente menos amadurecido do que o pai e o avô, quando estes tinham a sua idade. (Um homem de dezesseis anos, no início do século XX, já podia casar-se e fazer filhos; hoje, o mesmo jovem ainda está envolto em fraldas, cheirando a cueiros). Como que uma pessoa, talhada nesses moldes, readaptará os dedos — que só sabiam roçar por teclados de computador — para o manuseio da enxada, o plantio das sementes ou das mudas, a adubação e a nutrição das plantas, a irrigação muitas vezes diária, o cuidado permanente contra as pragas? Como aceitará resignadamente os caprichos da meteorologia, que promete mandar chuva quando não precisa e seca quando não convém? Por fim, com a lavoura colhida, como distribuir os produtos no mercado? Quem encarou uma viravolta dessa espécie, em circunstâncias nem sempre favoráveis — reaprendendo a conviver com plantas e árvores, a terra e os bichos, os vaivéns da natureza e das estações —, em geral o faz porque pensa não só em si, mas também na família. Tem um plano de futuro mais saudável para os filhos, que não gostaria de ver escravos da sociedade moderna, com seus gostos, opiniões e princípios padronizados por baixo. Sabe que as dificuldades da terrinha costumam ser, de algum modo, compensadas quando se percebe que a pequena família readquiriu algo muito precioso que parecia perdido: o convívio. Na cidade grande, cada qual cuida de seu nariz; e, quando se trata de família, não há ganho de vida maior do que poder fazer tudo em comum.
- QUANDO PADRE PIO VIAJOU A BUDAPESTE
[Stefano Campanella, no livro Padre Pio, la sua chiesa, i suoi luoghi, tra devozione, storia e opere d’arte , refere-se ao belo encontro que houve, numa prisão de Budapeste, entre Padre Pio e o Cardeal Mindszenty, o prelado húngaro que se opôs ao regime comunista implantado em seu país após a Segunda Guerra Mundial. Por sua oposição, Mindszenty permaneceu encarcerado entre 1948 e 1956. Tinha 56 anos quando foi preso pelos comunistas, que o torturam e o submeteram a terríveis maus tratos. A seguir, o pequeno trecho do livro onde se menciona a bilocação de Padre Pio]. O comendador Angelo Battisti, que trabalhou no Vaticano, soube confidencialmente por um padre de Budapeste que, em seus oito anos de prisão e tortura, o Cardeal Mindszenty recebeu a visita do Padre Pio, que levou para sua cela o necessário para celebrar a Santa Missa. Em seguida, conversaram um pouco e o visitante desapareceu com o que havia trazido. O mesmo padre pediu a Battisti, que se tornara administrador da Casa Sollievo della Sofferenza [o hospital de Padre Pio, em San Giovanni Rotondo], que conseguisse de Padre Pio uma confirmação do encontro. O funcionário da Santa Sé ficou surpreso com o que soube e queria atender ao pedido de seu confidente; no entanto, quando se encontrava com Padre Pio, nunca se atrevia a mencionar o assunto, por medo de ser expulso com palavras duras. Esse medo, a cada vez, o fazia desistir de fazer a pergunta, sempre adiada para o final da conversa. Até que, numa noite de março de 1965, muitos anos depois, depois de ter abordado as questões relativas ao hospital de San Giovanni Rotondo, apesar de não ter em mente o nome e o caso de Mindszenty, Battisti perguntou à queima-roupa: “Padre, o Cardeal Mindszenty reconheceu Padre Pio?” O frade se zangou e o tratou mal, chamando-o de imbecil e idiota. O interlocutor defendeu-se: «Padre, o senhor lê o meu pensamento e sabe bem que não foi minha intenção incomodá-lo com este assunto; sabe que não sou movido pela curiosidade, mas Deus, para a Sua glória, neste momento colocou nos meus lábios o que eu queria perguntar há muito tempo”. Essas palavras mudaram repentina e radicalmente Padre Pio que, com gentileza, respondeu: “Que diabos, nos encontramos e conversamos; como é que ele não me reconheceria?” Depois ficou triste e acrescentou: “O diabo é feio, mas eles o tornaram ainda mais feio do que o diabo!” E concluiu: “Lembre-se de rezar por este grande confessor da fé, que tanto sofreu pela Igreja”. https://lanuovabq.it/it/mindszenty-la-bilocazione-di-padre-pio-e-la-messa-in-cella
- Santo Eliseu, um grande profeta – 14 de junho
SANTO DO DIA – 14 DE JUNHO – SANTO ELISEU Profeta (790 a.C.) Santo Eliseu é um dos profetas citados no Antigo Testamento, sua história está relatada na Bíblia, mais precisamente no livro de II Reis. Com um gesto simbólico, Elias consagrou Eliseu profeta e seu sucessor: “Elias andou à procura de Eliseu e o encontrou arando… Jogou-lhe nas costas o próprio manto. Então, Eliseu, abandonando os bois, correu em direção a Elias”. Por seis anos segui-o como discípulo devotado, herdando-lhe à morte a virtude carismática. Antes da misteriosa despedida, quando Elias desapareceu sobre um carro de fogo, o mestre perguntou ao discípulo: ”Que coisa queres, antes que eu parta da terra?”. Eliseu não se contentava com os “dois terços”. Porção que cabia ao primogênito: ”Peço-te”, respondeu, “que habite em mim o dobro do teu espírito”. O continuador da obra de Elias era um rico proprietário, originário de Abel-Meula. Seu nome tem um significado de bom augúrio: elisá quer dizer, com efeito, “Deus salva”, bem afinado com a natureza de sua missão, desenvolvida sob quatro reis de Israel, Jorão, Jeú, Joacaz e Joás, de 853 a 783 a.C. Antes de continuar a leitura, assista: Eliseu acompanha o exército de Jorão, encorajando o rei num momento difícil; assegura a chuva depois da canícula e a vitória; desvenda a emboscada do rei de Damasco. Depois, seguem-se as várias salvações do rei e de seu exército e multiplicam-se os prodígios efetuados pelo mais taumatúrgico dos profetas: com o manto de Elias divide as águas do Jordão; multiplica o óleo de uma viúva pobre; multiplica 20 pães para saciar a fome de uma centena de pessoas; cura da lepra Naamã, o valoroso general do rei de Damasco. Sua ação taumatúrgica prossegue mesmo depois da morte, quando um morto ressuscita ao simples contato com as relíquias do santo profeta – sepultado, como diz são Jerônimo, na Samaria. A festa desse santo, venerado sobretudo no Oriente, é celebrada liturgicamente na Ordem do Carmo. Conheça mais sobre Santo Eliseu Santo Eliseu é um dos profetas citados no Antigo Testamento, sua história está relatada na Bíblia, mais precisamente no livro de II Reis. O nome desse profeta que foi discípulo de Elias significa “meu Deus é salvação” em hebraico. Sua atividade profética foi exercida em Israel durante os reinados de Ocozias, Jorão, Jeú e Joacaz. Ele era filho de Safat e vivia em Abel-Meolá, onde Elias o encontrou e o ungiu conforme o Senhor ordenara. Eliseu acompanhou e serviu a Elias por um tempo, antes que fosse arrebatado em direção aos céus numa carruagem de fogo. Eliseu pediu a Elias uma “porção dobrada do espírito de Elias” como vontade de sucedê-lo na obra do Senhor. E foi lhe dada uma porção dupla da sua unção assim que Elias lançou sobre ele seu manto oficial. Após ter recebido o espírito profético, ou seja, o dom da profecia, começou a profetizar em Israel, realizando muitos atos miraculosos. As Escrituras relatam cerca de vinte milagres realizados por Eliseu, que vão desde a ressurreição de um menino até ao aumento do azeite de uma pobre viúva. Um dos mais conhecidos, senão o mais importante, é o que trata da cura do sírio Naamã, que era general do rei da Síria. Aquele homem, de elevada posição social, havia sido contaminado pela lepra. Naqueles tempos, a lepra era uma doença incurável, a qual excluía a pessoa completamente do convívio social. Naamã, então, ouviu falar a respeito de Eliseu e foi até ele, suplicando-lhe que fosse curado. Eliseu, então, manda que ele se banhe nas águas do rio Jordão. Ao sair do banho, Naamã estava curado. Ele agradece ao profeta e retorna para a sua terra, levando consigo uma porção de terra do solo israelita e afirmando que daquela hora em diante serviria somente ao Deus dos hebreus. Eliseu exerceu sua atividade durante mais de sessenta anos. Assim, ele acompanhou de perto a sucessão de vários reis e presenciou muitas guerras, invasões e fomes que assolaram Israel. O rei Jeú foi ungido por Eliseu, o qual o apoiou em sua determinação de acabar com o culto pagão ao deus Baal. Eliseu adoeceu e morreu já em idade avançada. A Bíblia afirma que Eliseu encontrava-se doente, passando por sofrimento tamanho que comoveu o coração de Joás, rei de Israel. “E Joás, rei de Israel, desceu a ele, e chorou sobre o seu rosto, e disse: “Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros!” Eliseu adoeceu e morreu já em idade avançada. Santo Eliseu Eliseu, com Elias, é o gigante do profetismo antigo. Filho de um rico lavrador, labutava com o arado quando Elias lhe surgiu. Temeroso da ira de Jezabel, a quem Acab referira tudo que o profeta fizera, Elias viu-se obrigado a fugir, indo-se para o deserto. Sentando-se “debaixo de um junípero, desejou para si a morte, e disse: – Basta-me de vida, Senhor, tirai-ma, porque eu não sou melhor do que meus pais. Depois lançou-se por terra e adormeceu à sombra do junípero. Então, um anjo do Senhor o tocou e lhe disse: – Levanta-te e come. Olhou e viu junto à sua cabeça um pão cozido debaixo da cinza, e um vaso d’água; comeu, pois, e bebeu, e tornou a adormecer. Voltou segunda vez o anjo do Senhor, que o tocou e lhe disse: – Levanta-te e come, porque te resta um longo caminho. Tendo-se ele levantado, comeu e bebeu e, com o vigor daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites, até o monte de Deus, Horeb. Tendo chegado ali, passou a noite numa caverna. Então o Senhor lhe dirigiu a sua palavra: – Que fazes aqui, Elias? Ele respondeu: – Eu me consumo de zelo pelo Senhor Deus dos exércitos, porque os filhos de Israel abandonaram a tua aliança, destruíram os teus altares, mataram os teus profetas à espada. Eu fiquei só, mas procuram-me tirar a vida. – Disse-lhe o Senhor: – Sai e conserva-te sobre o monte diante do Senhor, porque o Senhor vai passar. Nesse momento, diante do Senhor correu um vento impetuoso e forte, que fendia as montanhas e quebrava as rochas; mas o Senhor não estava naquele vento. Depois do vento houve um terremoto; e o Senhor não estava no terremoto. Depois do terremoto, acendeu-se um fogo, mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma branda viração. Tendo Elias ouvido isto, cobriu o seu rosto com a capa, e, tendo saído, pôs-se à entrada da caverna. Então fez-se ouvir uma voz que lhe dizia: – Que fazes aqui, Elias? – Ele respondeu: – Consumo-me de zelo pelo Senhor Deus dos exércitos porque os filhos de Israel abandonaram a tua aliança, destruíram os teus altares, mataram os teus profetas à espada; eu fiquei só, e eles me procuram para me tirar a vida. – O Senhor lhe disse: – Vai e torna ao teu caminho pelo deserto de Damasco; quando lá tiveres chegado, ungirás Hazael como rei da Síria; a Jeú, filho de Namsi, ungirás rei de Israel; a Eliseu, filho de Safat, que é de Abelmeula, ungi-lo-ás profeta em teu lugar. Acontecerá que todo o que escapar à espada de Hazael, Jeú o matará; e todo o que escapar à espada de Jeú, Eliseu o matará. Eu reservarei para mim em Israel sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal e não o adorarão, beijando a sua mão. Tendo Elias partido dali, encontrou Eliseu, filho de Safat, lavrando com doze juntas de bois; ele mesmo conduzia um dos arados das doze juntas de bois. Chegando Elias junto de Eliseu, pôs a sua capa sobre ele. Ele, deixando imediatamente os bois, correu após Elias e disse: – Permite-me que eu vá beijar meu pai e minha mãe; depois seguir-te-ei. – Elias disse: – Vai e volta, porque sabes o que te fiz. Tendo Eliseu deixado Elias, tomou uma junta de bois e matou-os; com o arado dos bois cozeu as carnes e deu-as a comer ao povo. Depois, levantando-se, partiu e seguiu Elias, para o servir. Audaciosamente, Eliseu solicitou do mestre uma parte dupla na distribuição dos dons proféticos. Isto sucedeu quando o Senhor quis arrebatar Elias ao céu num remoinho de fogo, do outro lado do Jordão, depois da partida de Galgala. Elias disse a Eliseu: – Fica aqui, porque o Senhor me mandou a Betel. – Eliseu respondeu: – Viva o Senhor e viva a tua alma, que não te deixarei. Indo para Betel, saíram os filhos dos profetas, que estavam em Betel, a receber Eliseu, e disseram-lhe: – Porventura sabes tu que o Senhor te há de levar hoje o teu amo? – Ele respondeu: – Eu também o sei; calai-vos. – Disse Elias a Eliseu: – Fica aqui, porque o Senhor me mandou a Jericó. – Ele respondeu: – Viva o Senhor e viva a tua alma, que não te deixarei. Tendo chegado a Jericó, foram os filhos dos profetas, que estavam em Jericó, ter com Eliseu, e disseram-lhe: – Porventura sabes tu que o Senhor te há de tirar hoje o teu amo: – Ele lhes disse: – Eu também o sei; calai-vos. – Disse-lhe novamente Elias: – Fica aqui, porque o Senhor me mandou até o Jordão. – Ele respondeu: – Viva o Senhor e viva a tua alma, que não te deixarei. Foram, pois, ambos juntos, e cinqüenta dos filhos dos profetas os seguiram. Pararam defronte deles, ao longe, e eles ambos se puseram à borda do Jordão. Elias tomou a sua capa, dobrou-a, e feriu as águas, as quais se dividiram para as duas bandas de modo que passaram ambos a pé enxuto. Tendo passado, disse Elias a Eliseu: – Pede-me o que queres que eu te alcance, antes que eu seja arrebatado de ti. – Eliseu respondeu: – Seja-me concedida uma porção dobrada do teu espírito. – Elias respondeu: – Dificultosa coisa pediste; todavia, se tu me vires quando me arrebatarem de ti, isto é o sinal de que terás o que pediste; mas, se não me vires, não o terás. Continuando o seu caminho, entretidos a conversar, eis que um carro de fogo e uns cavalos de fogo os separaram um do outro, e Elias subiu ao céu no meio de um remoinho. Eliseu o via e clamava: – Meu pai, meu pai! Carro de Israel e seu condutor! Depois não o viu mais. Tomando então as suas vestes, rasgou-as em duas partes, e levantou do chão a capa que Elias lhe tinha deixado cair. Voltando, parou à borda do Jordão e, pegando na capa que Elias lhe tinha deixado cair, feriu às águas dizendo: – Onde está agora o Senhor, o Deus de Elias? Quando feriu as águas, elas de dividiram para uma e para outra parte, e Eliseu passou. Começou ali a missão de Eliseu, caridoso com os pequenos, os humildes, terrível para com os orgulhosos, os poderosos, os ímpios. Principiavam os primeiros milagres do profeta. Vendo isto, os filhos dos profetas, que estavam em Jericó, na margem oposta, disseram: – O espírito de Elias repousou sobre Eliseu. E indo ao seu encontro, prostraram-se por terra a seus pés, com profundo respeito e disseram-lhe: – Sabe que entre os teus servos há cinqüenta homens fortes, que podem ir buscar o teu amo, porque talvez o espírito do Senhor o levasse, e atirasse com ele para algum monte ou para algum vale. – Eliseu respondeu: – Não mandeis. – Eles porém, constrangeram-no, até que, condescendeu e disse: – Mandai. – Mandaram, pois, cinqüenta homens, os quais, tendo buscado durante três dias, não o encontraram. Quando voltaram para Eliseu, que estava em Jericó, ele lhes disse: – Não vos disse eu: Não mandeis? – Disseram a Eliseu os habitantes desta cidade: – A habitação desta cidade é muito boa como tu mesmo, Senhor, vês, mas as águas são más e a terra é estéril. – Ele respondeu: – Trazei-me um vaso novo e deitai-lhe sal. Tendo trazido, saiu ele à fonte das águas, deitou sal nelas e disse: – Eis o que diz o Senhor: Eu sarei estas águas, e elas não causarão mais nem morte nem esterilidade. Tornaram-se, pois, sadias aquelas águas até o dia de hoje, conforme a palavra de que Eliseu disse. Dali foi para Betel, e, indo pelo caminho, uns rapazes pequenos saíram da cidade e zombavam dele, dizendo: – Sobe, ó calvo, sobe, ó calvo! Eliseu, virando-se para eles, olhou-os e amaldiçoou-os em nome do Senhor. Imediatamente saíram dois ursos do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles rapazes. Dali retirou-se para o monte Carmelo, e de lá voltou para Samaria. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume X, p. 352 à 358) #SantodoDia
- Santo Eliseu, um grande profeta – 14 de junho
SANTO DO DIA – 14 DE JUNHO – SANTO ELISEU Profeta (790 a.C.) Santo Eliseu é um dos profetas citados no Antigo Testamento, sua história está relatada na Bíblia, mais precisamente no livro de II Reis. Com um gesto simbólico, Elias consagrou Eliseu profeta e seu sucessor: “Elias andou à procura de Eliseu e o encontrou arando… Jogou-lhe nas costas o próprio manto. Então, Eliseu, abandonando os bois, correu em direção a Elias”. Por seis anos segui-o como discípulo devotado, herdando-lhe à morte a virtude carismática. Antes da misteriosa despedida, quando Elias desapareceu sobre um carro de fogo, o mestre perguntou ao discípulo: ”Que coisa queres, antes que eu parta da terra?”. Eliseu não se contentava com os “dois terços”. Porção que cabia ao primogênito: ”Peço-te”, respondeu, “que habite em mim o dobro do teu espírito”. O continuador da obra de Elias era um rico proprietário, originário de Abel-Meula. Seu nome tem um significado de bom augúrio: elisá quer dizer, com efeito, “Deus salva”, bem afinado com a natureza de sua missão, desenvolvida sob quatro reis de Israel, Jorão, Jeú, Joacaz e Joás, de 853 a 783 a.C. Antes de continuar a leitura, assista: Eliseu acompanha o exército de Jorão, encorajando o rei num momento difícil; assegura a chuva depois da canícula e a vitória; desvenda a emboscada do rei de Damasco. Depois, seguem-se as várias salvações do rei e de seu exército e multiplicam-se os prodígios efetuados pelo mais taumatúrgico dos profetas: com o manto de Elias divide as águas do Jordão; multiplica o óleo de uma viúva pobre; multiplica 20 pães para saciar a fome de uma centena de pessoas; cura da lepra Naamã, o valoroso general do rei de Damasco. Sua ação taumatúrgica prossegue mesmo depois da morte, quando um morto ressuscita ao simples contato com as relíquias do santo profeta – sepultado, como diz são Jerônimo, na Samaria. A festa desse santo, venerado sobretudo no Oriente, é celebrada liturgicamente na Ordem do Carmo. Conheça mais sobre Santo Eliseu Santo Eliseu é um dos profetas citados no Antigo Testamento, sua história está relatada na Bíblia, mais precisamente no livro de II Reis. O nome desse profeta que foi discípulo de Elias significa “meu Deus é salvação” em hebraico. Sua atividade profética foi exercida em Israel durante os reinados de Ocozias, Jorão, Jeú e Joacaz. Ele era filho de Safat e vivia em Abel-Meolá, onde Elias o encontrou e o ungiu conforme o Senhor ordenara. Eliseu acompanhou e serviu a Elias por um tempo, antes que fosse arrebatado em direção aos céus numa carruagem de fogo. Eliseu pediu a Elias uma “porção dobrada do espírito de Elias” como vontade de sucedê-lo na obra do Senhor. E foi lhe dada uma porção dupla da sua unção assim que Elias lançou sobre ele seu manto oficial. Após ter recebido o espírito profético, ou seja, o dom da profecia, começou a profetizar em Israel, realizando muitos atos miraculosos. As Escrituras relatam cerca de vinte milagres realizados por Eliseu, que vão desde a ressurreição de um menino até ao aumento do azeite de uma pobre viúva. Um dos mais conhecidos, senão o mais importante, é o que trata da cura do sírio Naamã, que era general do rei da Síria. Aquele homem, de elevada posição social, havia sido contaminado pela lepra. Naqueles tempos, a lepra era uma doença incurável, a qual excluía a pessoa completamente do convívio social. Naamã, então, ouviu falar a respeito de Eliseu e foi até ele, suplicando-lhe que fosse curado. Eliseu, então, manda que ele se banhe nas águas do rio Jordão. Ao sair do banho, Naamã estava curado. Ele agradece ao profeta e retorna para a sua terra, levando consigo uma porção de terra do solo israelita e afirmando que daquela hora em diante serviria somente ao Deus dos hebreus. Eliseu exerceu sua atividade durante mais de sessenta anos. Assim, ele acompanhou de perto a sucessão de vários reis e presenciou muitas guerras, invasões e fomes que assolaram Israel. O rei Jeú foi ungido por Eliseu, o qual o apoiou em sua determinação de acabar com o culto pagão ao deus Baal. Eliseu adoeceu e morreu já em idade avançada. A Bíblia afirma que Eliseu encontrava-se doente, passando por sofrimento tamanho que comoveu o coração de Joás, rei de Israel. “E Joás, rei de Israel, desceu a ele, e chorou sobre o seu rosto, e disse: “Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros!” Eliseu adoeceu e morreu já em idade avançada. Santo Eliseu Eliseu, com Elias, é o gigante do profetismo antigo. Filho de um rico lavrador, labutava com o arado quando Elias lhe surgiu. Temeroso da ira de Jezabel, a quem Acab referira tudo que o profeta fizera, Elias viu-se obrigado a fugir, indo-se para o deserto. Sentando-se “debaixo de um junípero, desejou para si a morte, e disse: – Basta-me de vida, Senhor, tirai-ma, porque eu não sou melhor do que meus pais. Depois lançou-se por terra e adormeceu à sombra do junípero. Então, um anjo do Senhor o tocou e lhe disse: – Levanta-te e come. Olhou e viu junto à sua cabeça um pão cozido debaixo da cinza, e um vaso d’água; comeu, pois, e bebeu, e tornou a adormecer. Voltou segunda vez o anjo do Senhor, que o tocou e lhe disse: – Levanta-te e come, porque te resta um longo caminho. Tendo-se ele levantado, comeu e bebeu e, com o vigor daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites, até o monte de Deus, Horeb. Tendo chegado ali, passou a noite numa caverna. Então o Senhor lhe dirigiu a sua palavra: – Que fazes aqui, Elias? Ele respondeu: – Eu me consumo de zelo pelo Senhor Deus dos exércitos, porque os filhos de Israel abandonaram a tua aliança, destruíram os teus altares, mataram os teus profetas à espada. Eu fiquei só, mas procuram-me tirar a vida. – Disse-lhe o Senhor: – Sai e conserva-te sobre o monte diante do Senhor, porque o Senhor vai passar. Nesse momento, diante do Senhor correu um vento impetuoso e forte, que fendia as montanhas e quebrava as rochas; mas o Senhor não estava naquele vento. Depois do vento houve um terremoto; e o Senhor não estava no terremoto. Depois do terremoto, acendeu-se um fogo, mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma branda viração. Tendo Elias ouvido isto, cobriu o seu rosto com a capa, e, tendo saído, pôs-se à entrada da caverna. Então fez-se ouvir uma voz que lhe dizia: – Que fazes aqui, Elias? – Ele respondeu: – Consumo-me de zelo pelo Senhor Deus dos exércitos porque os filhos de Israel abandonaram a tua aliança, destruíram os teus altares, mataram os teus profetas à espada; eu fiquei só, e eles me procuram para me tirar a vida. – O Senhor lhe disse: – Vai e torna ao teu caminho pelo deserto de Damasco; quando lá tiveres chegado, ungirás Hazael como rei da Síria; a Jeú, filho de Namsi, ungirás rei de Israel; a Eliseu, filho de Safat, que é de Abelmeula, ungi-lo-ás profeta em teu lugar. Acontecerá que todo o que escapar à espada de Hazael, Jeú o matará; e todo o que escapar à espada de Jeú, Eliseu o matará. Eu reservarei para mim em Israel sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal e não o adorarão, beijando a sua mão. Tendo Elias partido dali, encontrou Eliseu, filho de Safat, lavrando com doze juntas de bois; ele mesmo conduzia um dos arados das doze juntas de bois. Chegando Elias junto de Eliseu, pôs a sua capa sobre ele. Ele, deixando imediatamente os bois, correu após Elias e disse: – Permite-me que eu vá beijar meu pai e minha mãe; depois seguir-te-ei. – Elias disse: – Vai e volta, porque sabes o que te fiz. Tendo Eliseu deixado Elias, tomou uma junta de bois e matou-os; com o arado dos bois cozeu as carnes e deu-as a comer ao povo. Depois, levantando-se, partiu e seguiu Elias, para o servir. Audaciosamente, Eliseu solicitou do mestre uma parte dupla na distribuição dos dons proféticos. Isto sucedeu quando o Senhor quis arrebatar Elias ao céu num remoinho de fogo, do outro lado do Jordão, depois da partida de Galgala. Elias disse a Eliseu: – Fica aqui, porque o Senhor me mandou a Betel. – Eliseu respondeu: – Viva o Senhor e viva a tua alma, que não te deixarei. Indo para Betel, saíram os filhos dos profetas, que estavam em Betel, a receber Eliseu, e disseram-lhe: – Porventura sabes tu que o Senhor te há de levar hoje o teu amo? – Ele respondeu: – Eu também o sei; calai-vos. – Disse Elias a Eliseu: – Fica aqui, porque o Senhor me mandou a Jericó. – Ele respondeu: – Viva o Senhor e viva a tua alma, que não te deixarei. Tendo chegado a Jericó, foram os filhos dos profetas, que estavam em Jericó, ter com Eliseu, e disseram-lhe: – Porventura sabes tu que o Senhor te há de tirar hoje o teu amo: – Ele lhes disse: – Eu também o sei; calai-vos. – Disse-lhe novamente Elias: – Fica aqui, porque o Senhor me mandou até o Jordão. – Ele respondeu: – Viva o Senhor e viva a tua alma, que não te deixarei. Foram, pois, ambos juntos, e cinqüenta dos filhos dos profetas os seguiram. Pararam defronte deles, ao longe, e eles ambos se puseram à borda do Jordão. Elias tomou a sua capa, dobrou-a, e feriu as águas, as quais se dividiram para as duas bandas de modo que passaram ambos a pé enxuto. Tendo passado, disse Elias a Eliseu: – Pede-me o que queres que eu te alcance, antes que eu seja arrebatado de ti. – Eliseu respondeu: – Seja-me concedida uma porção dobrada do teu espírito. – Elias respondeu: – Dificultosa coisa pediste; todavia, se tu me vires quando me arrebatarem de ti, isto é o sinal de que terás o que pediste; mas, se não me vires, não o terás. Continuando o seu caminho, entretidos a conversar, eis que um carro de fogo e uns cavalos de fogo os separaram um do outro, e Elias subiu ao céu no meio de um remoinho. Eliseu o via e clamava: – Meu pai, meu pai! Carro de Israel e seu condutor! Depois não o viu mais. Tomando então as suas vestes, rasgou-as em duas partes, e levantou do chão a capa que Elias lhe tinha deixado cair. Voltando, parou à borda do Jordão e, pegando na capa que Elias lhe tinha deixado cair, feriu às águas dizendo: – Onde está agora o Senhor, o Deus de Elias? Quando feriu as águas, elas de dividiram para uma e para outra parte, e Eliseu passou. Começou ali a missão de Eliseu, caridoso com os pequenos, os humildes, terrível para com os orgulhosos, os poderosos, os ímpios. Principiavam os primeiros milagres do profeta. Vendo isto, os filhos dos profetas, que estavam em Jericó, na margem oposta, disseram: – O espírito de Elias repousou sobre Eliseu. E indo ao seu encontro, prostraram-se por terra a seus pés, com profundo respeito e disseram-lhe: – Sabe que entre os teus servos há cinqüenta homens fortes, que podem ir buscar o teu amo, porque talvez o espírito do Senhor o levasse, e atirasse com ele para algum monte ou para algum vale. – Eliseu respondeu: – Não mandeis. – Eles porém, constrangeram-no, até que, condescendeu e disse: – Mandai. – Mandaram, pois, cinqüenta homens, os quais, tendo buscado durante três dias, não o encontraram. Quando voltaram para Eliseu, que estava em Jericó, ele lhes disse: – Não vos disse eu: Não mandeis? – Disseram a Eliseu os habitantes desta cidade: – A habitação desta cidade é muito boa como tu mesmo, Senhor, vês, mas as águas são más e a terra é estéril. – Ele respondeu: – Trazei-me um vaso novo e deitai-lhe sal. Tendo trazido, saiu ele à fonte das águas, deitou sal nelas e disse: – Eis o que diz o Senhor: Eu sarei estas águas, e elas não causarão mais nem morte nem esterilidade. Tornaram-se, pois, sadias aquelas águas até o dia de hoje, conforme a palavra de que Eliseu disse. Dali foi para Betel, e, indo pelo caminho, uns rapazes pequenos saíram da cidade e zombavam dele, dizendo: – Sobe, ó calvo, sobe, ó calvo! Eliseu, virando-se para eles, olhou-os e amaldiçoou-os em nome do Senhor. Imediatamente saíram dois ursos do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles rapazes. Dali retirou-se para o monte Carmelo, e de lá voltou para Samaria. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume X, p. 352 à 358) #SantodoDia
- A ÁRVORE DA JUSTIÇA – Scott Hahn medita sobre o 11º Domingo do Tempo Comum
Na mensagem enigmática do profeta Ezequiel, séculos antes da vinda do Senhor, Deus deu ao seu povo uma razão para manter a esperança. Ezequiel tem uma visão do dia em que o Senhor Deus plantou uma árvore na montanha de Israel, uma árvore que produzirá folhagem e dará frutos. Quem poderia prever que essa árvore seria a Cruz do Calvário, e que o fruto seria a salvação? Ezequiel vê antecipadamente a salvação chegando a “todos os pássaros” — não apenas ao povo de Israel, mas também os gentios, que “levantarão voo” através de sua nova vida em Cristo. Deus na verdade “elevará a árvore humilde”, como prometeu solenemente. Esta salvação supera os maiores anseios da humanidade. De maneira que expressamos nosso agradecimento no Salmo: “Como é bom agradecermos ao Senhor!” É realmente bom render-Lhe graças com louvor. O salmista fala dos justos da terra, mas se dirige a Deus como fonte e medida de toda justiça e retidão. Como Ezequiel, propõe a imagem da árvore frondosa para descrever a vida do justo. A imagem, novamente, sugere que a Cruz é a medida de toda justiça. A cruz é um sinal de contradição para aqueles que preferem “florescer” de acordo com o mundo. Como São Paulo enfatiza aos coríntios, precisamos de confiança. A fé nos fortalece e é posta à prova pelas nossas obras. Lembra-nos que seremos julgados pela maneira como nossa fé se manifesta nas obras: “Para cada um receber a devida recompensa – prêmio ou castigo – do que tiver feito ao longo de sua vida corporal”. O próprio Deus nos dará o que é necessário para realizar as obras que Ele quer que façamos, desde que correspondamos à Sua graça. Nos oráculos proféticos, Ele espalha a semente que brota para se tornar a árvore da mostarda, em cuja sombra os pássaros do céu podem se abrigar, assim como Ezequiel a descreve. Jesus transmite essa doutrina aos seus discípulos de uma forma compressível para eles, juntamente com sua explicação. Nos sacramentos, oferece todavia ainda mais: a graça da fé e a confiança de que necessitamos para viver no mundo como filhos de Deus. h ttps://stpaulcenter.com/audio/sunday-bible-reflections/tree-of-righteousness-scott-hahn-reflects-on-the-eleventh-sunday-in-ordinary-time/
- Imagem de Nossa Senhora chora sangue no Mosteiro da Rosa Mística em Teresina
O Mosteiro da Rosa Mística divulgou em suas redes sociais uma imagem de Nossa Senhora da Rosa Mística chorando sangue. Para os religiosos do mosteiro as lágrimas de sangue são um alerta divino e chamado ao arrependimento. A imagem de Nossa Senhora Rosa Mística chorando chamou a atenção dos cristãos que frequentam o Mosteiro Rosa Mística, na zona Leste de Teresina. Essa não foi a primeira vez que a imagem derramou lágrimas, segundo os religiosos. Em publicação nas redes sociais, o mosteiro declarou que “a imagem de Rosa Mística voltou a verter lágrimas de sangue na madrugada de Corpus Christi”. A publicação comoveu muitos internautas, que pediram por proteção. Um do comentário diz “Mãe, intercedei por todos nós. Intercede, Mãe, junto ao teu filho Jesus, por todos os irmãos doentes”. Outro pede por misericórdia. “Mãezinha tenha Misericórdia de seus filhos!! Peço a conversão daqueles que não crer!”. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Mosteiro Maria Rosa Mística (@mosteirorosamistica) O jornal Cidadeverde.com visitou o Mosteiro Nossa Senhora Mística na manhã desta sexta-feira (11). No local vivem quatro religiosos sob o comando de Dom José Soares, que coordena os trabalhos. Após o fenômeno registrado na madrugada do dia de Corpus Christi, as visitas aumentaram consideravelmente no local. São dezenas de fiéis em busca de graças e até mesmo curiosos em busca de explicações. Um dos membros do mosteiro contou à reportagem que as lágrimas de sangue são uma espécie de alerta divino e chamado ao arrependimento. Ainda segundo o religioso, não é a primeira vez que imagem de Nossa Senhora Rosa Mística chora sangue. O fenômeno já foi registrado em outras oportunidades. As celebrações no mosteiro acontecem diariamente e são abertas ao público de segunda a sábado, às 18h. Aos domingos são duas celebrações, às 10h e às 19h. Imagem pertenceu a ex arcebispo Antes de ir para o mosteiro, a imagem de Nossa Senhora Rosa Mística pertenceu a Dom Celso José Pinto da Silva, ex arcebispo de Teresina, falecido em 2018. De acordo com o relato, ele foi um dos primeiros a presenciar o choro da santa. Nossa Senhora Rosa Mística De acordo com a tradição, Nossa Senhora Rosa Mística foi a aparição da Virgem Maria relatada, pela primeira vez, durante a Primavera de 1947 em uma cidade no interior da Itália. Ela teria aparecido vestida de branco, primeiramente com três espadas cravadas no peito e depois com três rosas substituindo as espadas: uma rosa era branca, simbolizando a oração; outra rosa era vermelha, simbolizando o sacrifício. Cristãos católicos de várias partes do mundo atribuem diversos milagres e graças à Nossa Senhora Rosa Mística. A aparição Nossa Senhora realizou uma aparição para a enfermeira Pierina Gilli, no quarto de um hospital onde ela trabalhava em Montechiari, na Itália, no ano de 1947. Na aparição, Nossa Senhora apareceu como uma senhora muito bonita, vestindo um véu branco e uma túnica púrpura. Ela tinha três espadas perfurando seu coração. Ela aparentava estar com uma tristeza muito profunda. Foi então que a Virgem, chorando, disse à enfermeira: “Oração, Penitência e Expiação.” A segunda aparição Passado um tempo, Nossa Senhora realizou uma segunda aparição. Nela, as três espadas se transformaram em três rosas: uma cor de rosa, uma branca e uma dourada. Quando apareceu, pediu que todos orassem pelos sacerdotes através de uma nova devoção mariana que seria difundida pelo mundo. Ela também pediu, na aparição, que o último dia de todos os meses fosse consagrado a Ela e que o dia 13 de julho fosse definido como o dia da Rosa Mística. Mais aparições e milagres Diversas outras aparições à enfermeira Pierina foram relatadas. Em todas elas, Nossa Senhora da Rosa Mística pedia a penitência, a oração e o cuidado com as vocações sacerdotais e com as instituições religiosas. Além disso, a Virgem curou inúmeros enfermos. Em uma das aparições, disse que tinha intensão de ser venerada como Nossa Senhora da Rosa Mística e ordenou que o meio-dia do dia 8 de dezembro fosse a festa da Imaculada Conceição, também chamada de “hora da graça”. Com informações de cidadeverde.com
- Imagem de Nossa Senhora chora sangue no Mosteiro da Rosa Mística em Teresina
O Mosteiro da Rosa Mística divulgou em suas redes sociais uma imagem de Nossa Senhora da Rosa Mística chorando sangue. Para os religiosos do mosteiro as lágrimas de sangue são um alerta divino e chamado ao arrependimento. A imagem de Nossa Senhora Rosa Mística chorando chamou a atenção dos cristãos que frequentam o Mosteiro Rosa Mística, na zona Leste de Teresina. Essa não foi a primeira vez que a imagem derramou lágrimas, segundo os religiosos. Em publicação nas redes sociais, o mosteiro declarou que “a imagem de Rosa Mística voltou a verter lágrimas de sangue na madrugada de Corpus Christi”. A publicação comoveu muitos internautas, que pediram por proteção. Um do comentário diz “Mãe, intercedei por todos nós. Intercede, Mãe, junto ao teu filho Jesus, por todos os irmãos doentes”. Outro pede por misericórdia. “Mãezinha tenha Misericórdia de seus filhos!! Peço a conversão daqueles que não crer!”. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Mosteiro Maria Rosa Mística (@mosteirorosamistica) O jornal Cidadeverde.com visitou o Mosteiro Nossa Senhora Mística na manhã desta sexta-feira (11). No local vivem quatro religiosos sob o comando de Dom José Soares, que coordena os trabalhos. Após o fenômeno registrado na madrugada do dia de Corpus Christi, as visitas aumentaram consideravelmente no local. São dezenas de fiéis em busca de graças e até mesmo curiosos em busca de explicações. Um dos membros do mosteiro contou à reportagem que as lágrimas de sangue são uma espécie de alerta divino e chamado ao arrependimento. Ainda segundo o religioso, não é a primeira vez que imagem de Nossa Senhora Rosa Mística chora sangue. O fenômeno já foi registrado em outras oportunidades. As celebrações no mosteiro acontecem diariamente e são abertas ao público de segunda a sábado, às 18h. Aos domingos são duas celebrações, às 10h e às 19h. Imagem pertenceu a ex arcebispo Antes de ir para o mosteiro, a imagem de Nossa Senhora Rosa Mística pertenceu a Dom Celso José Pinto da Silva, ex arcebispo de Teresina, falecido em 2018. De acordo com o relato, ele foi um dos primeiros a presenciar o choro da santa. Nossa Senhora Rosa Mística De acordo com a tradição, Nossa Senhora Rosa Mística foi a aparição da Virgem Maria relatada, pela primeira vez, durante a Primavera de 1947 em uma cidade no interior da Itália. Ela teria aparecido vestida de branco, primeiramente com três espadas cravadas no peito e depois com três rosas substituindo as espadas: uma rosa era branca, simbolizando a oração; outra rosa era vermelha, simbolizando o sacrifício. Cristãos católicos de várias partes do mundo atribuem diversos milagres e graças à Nossa Senhora Rosa Mística. A aparição Nossa Senhora realizou uma aparição para a enfermeira Pierina Gilli, no quarto de um hospital onde ela trabalhava em Montechiari, na Itália, no ano de 1947. Na aparição, Nossa Senhora apareceu como uma senhora muito bonita, vestindo um véu branco e uma túnica púrpura. Ela tinha três espadas perfurando seu coração. Ela aparentava estar com uma tristeza muito profunda. Foi então que a Virgem, chorando, disse à enfermeira: “Oração, Penitência e Expiação.” A segunda aparição Passado um tempo, Nossa Senhora realizou uma segunda aparição. Nela, as três espadas se transformaram em três rosas: uma cor de rosa, uma branca e uma dourada. Quando apareceu, pediu que todos orassem pelos sacerdotes através de uma nova devoção mariana que seria difundida pelo mundo. Ela também pediu, na aparição, que o último dia de todos os meses fosse consagrado a Ela e que o dia 13 de julho fosse definido como o dia da Rosa Mística. Mais aparições e milagres Diversas outras aparições à enfermeira Pierina foram relatadas. Em todas elas, Nossa Senhora da Rosa Mística pedia a penitência, a oração e o cuidado com as vocações sacerdotais e com as instituições religiosas. Além disso, a Virgem curou inúmeros enfermos. Em uma das aparições, disse que tinha intensão de ser venerada como Nossa Senhora da Rosa Mística e ordenou que o meio-dia do dia 8 de dezembro fosse a festa da Imaculada Conceição, também chamada de “hora da graça”. Com informações de cidadeverde.com
- Homeschooling, uma opção de ensino para as famílias, dá um passo importante no Brasil
A Educação Domiciliar, conhecida como Homeschooling, tem ganhado cada vez mais relevância no cenário brasileiro, especialmente neste tempo pós pandemia, quando muitas famílias perceberam o estrago que as ideologias estão causando em seus filhos através das escolas. Deseja iniciar a educação domiciliar e não sabe por onde? No final do artigo indicamos alguns institutos que oferecem cursos e produzem materiais com o intuito de auxiliar famílias que desejam iniciar nesta jornada da Educação Domiciliar . Thiago e Rafaela de Jesus têm sete filhos entre 1 e 11 anos de idade. Nenhum deles vai à escola. Há três anos o casal decidiu aderir ao homeschooling, o ensino em casa. “Hoje a escola tende a formar profissionais”, explica Thiago. “Claro, queremos que nossos filhos sejam bons cidadãos, escolham uma profissão e sejam muito bons naquilo que vão fazer, mas que eles pensem em amar a Deus e servir ao próximo. E isso a escola esqueceu”. Segundo a Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), 7,5 mil famílias praticam homeschooling no Brasil atualmente, com um total de 15 mil estudantes entre 4 e 17 anos. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que esta modalidade de ensino é constitucional, mas precisa ser regulamentada por lei para poder ser adotada no país. “As famílias estão numa espécie de limbo jurídico, aguardando a regulamentação da modalidade no país”, disse à ACI Digital Rick Dias, presidente da Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned). “Muitas são denunciadas, processadas, perseguidas pelo judiciário, esse é o risco maior, mas ainda assim o movimento só cresce no Brasil”, disse Dias. Segundo os dados da Aned, a taxa de crescimento da educação domiciliar no Brasil é de 55% ao ano. Na quinta-feira 10 de junho, o Congresso deu um passo na direção de diminuir o limbo jurídico em que vive o homeschooling brasileiro. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) 3262/19, pelo qual o homeschooling deixa de configurar crime de abandono intelectual. O texto de autoria das deputadas Chris Tonietto (PSL-RJ), Bia Kicis (PSL-DF) e Caroline de Toni (PSL-SC) altera o artigo 246 do Código Penal, que prevê detenção de quinze dias a um mês, ou multa para quem “deixar sem justa causa, prover à instrução primária de filho em idade escolar”. A proposta aprovada na CCJ acrescenta ao artigo um parágrafo: “os pais ou responsáveis que ofertarem a modalidade de educação domiciliar (homeschooling) não incorrem no crime previsto neste artigo”. A mudança proposta no Código Penal ainda tem que ser votada pelo plenário da Câmara dos Deputados para se tornar lei. Prisão e multa, porém, não são os únicos problemas para quem decide educar em casa. Elisa de Oliveira Flemer foi aprovada aos 17 anos em Engenharia Civil na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), mas a Justiça a proibiu de iniciar a faculdade em 2021. Elisa fez o ensino médio em casa porque aprende rápido e se entediava com o ritmo das aulas na escola. Aprovada por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Elisa não pôde fazer matrícula por não ter diploma do segundo grau. O documento com sanção estatal foi considerado mais importante do que a capacidade intelectual demonstrada pela estudante para decidir se ela pode ou não se tornar engenheira. Isso ocorre porque, no Brasil “a instituição escolar é soberana”, disse à ACI Digital Édson Prado de Andrade, professor de direito, advogado, gestor da Associação Brasileira de Defesa e Promoção da Educação Familiar (ABDPEF) e autor de uma tese sobre homeschooling pela USP. A educação domiciliar “é vista como um subsistema de um sistema escolar”. Andrade esteve no dia 3 de maio último na Câmara dos Deputados em Brasília para um debate sobre os projetos de regulamentação do homeschooling que tramitam na casa. “O reducionismo da educação à escola que se fez no Brasil e no mundo ‘civilizado’ deve-se à busca de instruir e educar as massas populacionais no bojo de certos ideais e ideologias”, disse Andrade. Por isso mesmo, Thiago de Jesus e sua mulher Rafaela adotaram a educação domiciliar. “A pureza das crianças está sendo muito atacada nas escolas. A própria Igreja está sendo atacada de forma intensa. E a família”, disseram. A escola “perdeu um pouco a identidade daquilo que deveria ser”. Em sua casa, a rotina do homeschooling inclui os estudos pela manhã, mas durante todo o dia as crianças fazem perguntas, tiram dúvidas. “Tem o horário formal, mas é realmente o dia a dia de estudos, de perguntas”, contou Rafaela. E, além das matérias formas, como Português, Matemática, Geografia, História e Ciências, “damos também moral, civilidade”. Outro ponto importante na educação dos filhos para Thiago e Rafaela é a Sagrada Escritura e o Catecismo, “o que não é pouca coisa, pois aqui em casa acaba tomando mais tempo”. Afinal, eles adotaram a educação domiciliar “por Deus também”. A rotina do casal espelha exatamente a definição que Rick Dias, da Aned, dá de homeschooling: ele “ocorre quando os pais assumem o controle do processo global de educação dos filhos, ou seja, além do ensino de valores, hábitos, costumes e crenças, se responsabilizam também pela instrução formal dos filhos que, normalmente, fica a cargo da escola”. Para que a educação domiciliar aconteça “de fato”, Rick Dias aponta pelo menos três características necessárias: “a educação deve ser integral”; “deve ocorrer o tempo todo e em qualquer lugar, não apenas dentro do lar”; e “deve conduzir os filhos à autonomia no processo de aprendizado”. Há “vários formatos” dessa modalidade de ensino, diz Felipe Nery, presidente do Observatório Interamericano de Biopolítica. “Temos pais que fizeram cooperativas e cada um desses pais se reveza na educação das crianças; há pais que contratam pessoas específicas para algumas áreas; existem aqueles que os próprios pais estão cuidando de todo o processo formativo de seus filhos”. As famílias católicas que optaram pelo homeschooling no Brasil têm se organizado e há várias “iniciativas católicas que acabam colaborando”, por exemplo, “para a produção e tradução de materiais” a serem usados com as crianças, uma vez que este conteúdo ainda é algo raro no Brasil, diz Nery. “São utilizadas obras de valor que às vezes são desprezadas nas escolas, pois só ficam com aquele material didático”. O processo é benéfico para todos, garante Nery. “Esses pais estão lendo muito, estudando também”. Geralmente os pais optam pela educação domiciliar por “desejo de oferecer uma educação de qualidade para os filhos, explorando ao máximo o potencial das crianças”; para “oferecer uma socialização mais ampla, qual seja, com indivíduos de todas as idades”; pela “insatisfação com o ambiente escolar, motivado por eventos de violência, bullying, pressões sociais inadequadas, insegurança e exposição dos filhos a amizades indesejadas pelos próprios pais”; devido à “má qualidade da educação escolar”; e por causa da “doutrinação ideológica nas escolas”, diz Rick Dias, da Aned. Curiosamente, esses motivos são exatamente o que os principais críticos do homeschooling apontam como problemas: falta de socialização das crianças, a qualidade do ensino e o risco de abusos no lar. “As pessoas pensam que, por estudar em casa, a criança fica só em casa. Mas não, ela sai, vai ao mercado, vai ao parque, tem outros familiares, amigos”, disse Rafaela de Jesus. “É uma pergunta que sempre se faz, mas, na verdade, não existe socialização só na escola. Reduzir a escola à socialização é diminuir muito a função da escola”, afirmou. Em relação à qualidade do ensino, Rick Dias afirma que, no Brasil, “é uma crítica injusta, pois é desprovida de quaisquer embasamentos ou provas, sejam empíricas ou científicas”. Estudos e pesquisas realizados em outros países atestam a eficácia do método. “Estudantes educados em casa possuem resultados acadêmicos de 15% a 30% superiores aos dos estudantes de escolas convencionais”, disse Dias. Quanto ao risco de abusos contra as crianças, Nery é taxativo: “não temos esse problema”, pois os pais vão estar muito atentos. “O abuso, como vemos acontecer, é por parte justamente de pais que não têm essa consciência educativa”, sublinhou. Nas famílias que adotam a educação domiciliar, os pais precisam “reorganizar toda a sua vida familiar, de trabalho, para estar muito presentes” com os filhos, disse. Há mais de um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados para regulamentar o homeschooling. O PL 3179/12, de autoria do deputado Lincoln Portela (PL-MG), que tramita em regime de prioridade, tem como relatora a deputada Luisa Canziani (PTB-PR). À ACI Digital, Canziani disse que seu relatório “vai fazer duas coisas: resguardar o direito das crianças e regulamentar o dever das famílias”. Segundo ela, haverá “uma menção explícita para que se siga a Base Nacional Comum Curricular” e também a “previsão de avaliações aos estudantes”. Outro ponto será “a questão de formação para os pais”. De acordo com a relatora, “um dos responsáveis precisa ter, no mínimo, o ensino superior completo”. Além disso, o texto estabelecerá que “os alunos em homeschooling terão vínculo com escolas, públicas ou privadas, e quem vai determinar as diretrizes gerais será o Conselho Nacional de Educação”. Canziani quer ver o projeto aprovado ainda este ano, mas ele está longe do princípio que Andrade, da ABDPEF, apresentou aos deputados no debate de que participou. “As instituições de ensino têm seu papel, seu background, sua estrutura, suas grades, seus programas. As famílias devem trabalhar com projeto pedagógico amplo, mas não devem ser enquadradas dentro da caixa escolar”, disse ele na Câmara. Para Prado de Andrade, “essa caixa escolar precisa ser revista” e, se “não resolvermos no Brasil o problema das famílias que procuram se ocultar, nós continuaremos com esta questão e uma violação das liberdades da criança de aprender a partir do seu próprio tempo, dos seus interesses e da sua própria inteligência”. Mais do que um método de ensino, um direito das famílias, Thiago e Rafaela de Jesus veem o homeschooling como uma vocação. É preciso “dar o coração, a alma, tudo”, pois se não fizer isso, perde-se “a constância, a perseverança, a atenção que você tem que dar”. Daí a importância da oração. “Rezar mesmo, rezar pela vocação dos filhos, para que Deus providencie todas as coisas, e ter coragem, porque a coragem te impulsiona para realidades novas”, pois somente na prática é que se vê “que não é um bicho de sete cabeças, pelo contrário, o pai e a mãe têm uma perspicácia natural para educar e isso vem de Deus; não somos pedagogos, mas somos pais e com certeza Deus ajuda”, conclui Thiago. Como funciona a educação domiciliar O homeschooling é uma modalidade de ensino “da mesma forma que a educação escolar e o ensino a distância”, aponta o coordenador nacional da Aned, Rick Dias. A prática baseia-se num sistema de ensino personalizado para o aluno, que encontra referências nos conteúdos curriculares definidos pelas redes de ensino e que direciona o estudante ao “aprender a aprender”. Na educação domiciliar, os pais conduzem os filhos ao autodidatismo e podem recorrer a ferramentas variadas, como videoaulas, plataformas de ensino, materiais de apoio, aplicativos, auxílio de professores particulares, entre outros. “Na educação domiciliar, os pais não se tornam professores dos filhos: eles se tornam facilitadores, protagonistas na condução do processo educacional”, explica Carlos Xavier, mestre em Direito, procurador do estado do Paraná, membro da Aned e autor de um livro sobre o tema. “O autodidatismo é o princípio pelo qual o pai e a mãe se tornam educadores. A educação domiciliar é primeiro para os pais. Eles precisam passar por um processo de autoeducação para atender as necessidades dos filhos”, explica. Quanto à obtenção dos certificados de conclusão do ensino fundamental e médio por parte dos alunos que são educados em casa, o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) tem sido usado como ferramenta para avaliar os conhecimentos dos estudantes e permitir que prossigam os estudos. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), o Encceja “avalia competências, habilidades e saberes adquiridos no processo escolar ou nos processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais, entre outros”. Quando à socialização – um dos elementos que mais causam dúvidas aos críticos da modalidade –, Xavier afirma que o processo de convivência é bastante rico, já que as famílias educadoras costumam se dedicar bastante a isso. “Há grupos de apoio com famílias que se encontram periodicamente e existem comunidades que vão se encontrar para desenvolver atividades em conjunto”, aponta. “Quanto mais famílias educadoras há numa cidade, mais atividades elas fazem juntas, como levar os estudantes a museus, parques, praticar esportes, danças, entre outros. Na escola várias dessas atividades são vistas como extracurriculares, porém, na educação domiciliar fazem parte do programa educacional”, ressalta. De acordo com dados da National Home Education Research Institute (Nheri), o homeschooling é reconhecido, permitido ou regulamentado em mais de 60 países. Os Estados Unidos, que contam com 2,5 milhões de estudantes na modalidade, são a nação com o maior número de adeptos. Na América do Sul, a educação domiciliar é regulamentada na Colômbia, no Chile, no Equador e no Paraguai. No Brasil, apesar de a modalidade não ser regulamentada, o tema tem despertado cada vez mais interesse, de acordo com Dias, sobretudo com a pandemia do novo coronavírus. Em sua opinião, o isolamento social contribuiu para aumentar a atenção de muitas famílias em relação à educação domiciliar. Segundo pesquisa feita pela Aned em 2017, com 312 famílias que mantinham seus filhos na escola, 44% (137) consideravam a possibilidade de optar pela educação domiciliar. De acordo com outra pesquisa da entidade, feita em 2018 com 1.209 famílias que afirmaram ser simpatizantes ou entusiastas da modalidade, mas ainda mantinham os filhos na escola, 68% (821) declararam que deverão optar algum dia pela educação domiciliar, enquanto 41% (500) aguardavam uma regulamentação para que pudessem decidir pelo homeschooling. Homeschooling pelo mundo Número de estudantes em alguns países que permitem a educação familiar Fonte: National Home Education Research Institute (NHERI) e Associação Nacional de Educação Domiciliar (ANED) Mais infográficos Experiências com o homeschooling A experiência de Dias e dos filhos Lorena e Guilherme (atualmente com 22 e 19 anos, respectivamente) é positiva. Ambos concluíram os estudos em casa e atualmente estão cursando faculdade. Enquanto Lorena deixou as salas de aula com 11 anos, Guilherme teve contato com o homeschooling pela primeira vez aos nove. O motivo, conta Dias, é que os pais não estavam satisfeitos com a instrução dada na escola. “Conversando com outros pais, descobri que havia outras famílias insatisfeitas quanto ao que os filhos iriam receber: padrão massificado de aprendizagem, crianças com leitura muito ruim e numa tendência ao analfabetismo funcional”. Lorena, aliás, foi a primeira estudante homeschooling do Brasil a ganhar na justiça o direito de entrar numa faculdade, ainda com 16 anos, já que havia sido aprovada no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e em duas universidades de Brasília. Karlo André Bailon, de Roraima, também teve uma história positiva com a educação familiar; conseguiu seu diploma de conclusão do ensino médio por meio do Encceja e, no início de 2018, foi aprovado na Universidade Federal de Roraima com a primeira colocação geral no curso em Medicina. Já Máli Godoy, de Minas Gerais, estuda em casa desde o início do ensino fundamental II. A estudante conta que tinha grandes dificuldades com a língua portuguesa e teve um aprendizado tão satisfatório da disciplina estudando em casa que, em 2015, decidiu se aventurar como escritora. Escreveu uma trilogia de aventuras que despertou o interesse de uma editora e acabou publicada. Xavier, entretanto, pontua que educar os filhos em casa é uma atividade que exige uma grande organização da família, além de sacrifícios, uma vez que muitas vezes os pais acabam abrindo mão de ganhos profissionais para poderem se dedicar melhor à orientação dos filhos. “A educação familiar vai demandar tempo dos pais, porque por mais que o foco seja desenvolver o autodidatismo, eles estão diretamente envolvidos, seja no planejamento, no auxílio aos filhos ou levando às atividades”, explica. “Não é uma escolha a ser feita levianamente. É preciso fazer o cálculo de custos [do ponto de vista] financeiro e pessoal que as famílias terão”, destaca. Com informações de ACI Digital e Gazeta do Povo Suporte para famílias homeschoolers Existem alguns institutos que oferecem suporte, com cursos e materiais para auxiliar os pais que estão entrando neste universo. Recomendamos àqueles que têm interesse, que conheçam alguns institutos que listaremos abaixo, que têm contribuído bastante com as famílias homeschoolers. Além destes institutos, os pais podem procurar associações de pais homeschoolers para se associar em seu estado. Essas associações também têm muito a oferecer. Instituto Cidade de Deus O Instituto Cidade de Deus é formado por um grupo de professores católicos que deseja educar, com o auxílio da graça de Deus, crianças e jovens para a santidade e a sabedoria, isto é, torná-los imagens de Cristo. Eles se dedicam exclusivamente à elaboração de um programa educacional tradicional, o qual servirá de base para pais e mestres formarem seus filhos e educandos na verdadeira sabedoria, fundamentando tudo na Sagrada Escritura, na Tradição, no autêntico Magistério e nos Santos. Entre os seus produtos estão apostilas para guiar os pais na educação domiciliar dos seus filhos desde a pré-alfabetização até o ensino médio. Conheça mais: Clique aqui para acessar o site do Instituto Cidade de Deus Brasil Paralelo O Brasil Paralelo é uma empresa brasileira fundada em 2016, que produz documentários de caráter jornalístico e historiográfico sobre política, história e atualidades. Além dos inúmeros filmes e documentários, que eles produzem, de grande relevância no cenário educativo, político e social, eles também lançaram, dentro de sua plataforma a Escola da Família A Escola da Família é apenas mais um curso? Todo mês, grandes especialistas em educação da família irão ministrar cursos para tratar sobre os problemas relacionados com o ensino dos filhos, matrimônio e relação familiar. Clique aqui para acessar o site Escola da Família dentro da plataforma Brasil Paralelo. Acaba de ser lançado o livro Homeschooling no Brasil: fatos, dados e mitos O homeschooling não é uma questão de política pública, mas sim de reconhecimento de direitos. O próprio Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar o tema, em 2018, afirmou que essa modalidade de ensino não é inconstitucional, mas precisa de lei para ser aceita pelo Estado. A lista de países desenvolvidos que tem o homeschooling regulamentado ou reconhecido na própria Constituição inclui Estados Unidos, Canadá, Portugal, Chile, África do Sul, Austrália, Irlanda, Reino Unido e muitos outros. Entre os países da OCDE, 84% deles tem ensino domiciliar legalizado. No Brasil, desde 1994 há projetos de lei tramitando no Congresso Nacional. As propostas partiram de parlamentares com variados perfis políticos, pertencentes a partidos de esquerda, centro e direita. Essa é uma relevante evidência de que nunca se tratou de uma questão ideológica, mas sim de uma demanda autêntica de famílias que compõem uma minoria social, duramente perseguidas e discriminadas pela opção de educar em casa. A obra Homeschooling no Brasil: fatos, dados e mitos, apresenta um rico panorama sobre a educação domiciliar, com dados sólidos para aprofundar a compreensão sobre a temática. Clique aqui para adquirir o livro na livraria Deia e Tiba.
- Homeschooling, uma opção de ensino para as famílias, dá um passo importante no Brasil
A Educação Domiciliar, conhecida como Homeschooling, tem ganhado cada vez mais relevância no cenário brasileiro, especialmente neste tempo pós pandemia, quando muitas famílias perceberam o estrago que as ideologias estão causando em seus filhos através das escolas. Deseja iniciar a educação domiciliar e não sabe por onde? No final do artigo indicamos alguns institutos que oferecem cursos e produzem materiais com o intuito de auxiliar famílias que desejam iniciar nesta jornada da Educação Domiciliar . Thiago e Rafaela de Jesus têm sete filhos entre 1 e 11 anos de idade. Nenhum deles vai à escola. Há três anos o casal decidiu aderir ao homeschooling, o ensino em casa. “Hoje a escola tende a formar profissionais”, explica Thiago. “Claro, queremos que nossos filhos sejam bons cidadãos, escolham uma profissão e sejam muito bons naquilo que vão fazer, mas que eles pensem em amar a Deus e servir ao próximo. E isso a escola esqueceu”. Segundo a Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), 7,5 mil famílias praticam homeschooling no Brasil atualmente, com um total de 15 mil estudantes entre 4 e 17 anos. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que esta modalidade de ensino é constitucional, mas precisa ser regulamentada por lei para poder ser adotada no país. “As famílias estão numa espécie de limbo jurídico, aguardando a regulamentação da modalidade no país”, disse à ACI Digital Rick Dias, presidente da Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned). “Muitas são denunciadas, processadas, perseguidas pelo judiciário, esse é o risco maior, mas ainda assim o movimento só cresce no Brasil”, disse Dias. Segundo os dados da Aned, a taxa de crescimento da educação domiciliar no Brasil é de 55% ao ano. Na quinta-feira 10 de junho, o Congresso deu um passo na direção de diminuir o limbo jurídico em que vive o homeschooling brasileiro. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) 3262/19, pelo qual o homeschooling deixa de configurar crime de abandono intelectual. O texto de autoria das deputadas Chris Tonietto (PSL-RJ), Bia Kicis (PSL-DF) e Caroline de Toni (PSL-SC) altera o artigo 246 do Código Penal, que prevê detenção de quinze dias a um mês, ou multa para quem “deixar sem justa causa, prover à instrução primária de filho em idade escolar”. A proposta aprovada na CCJ acrescenta ao artigo um parágrafo: “os pais ou responsáveis que ofertarem a modalidade de educação domiciliar (homeschooling) não incorrem no crime previsto neste artigo”. A mudança proposta no Código Penal ainda tem que ser votada pelo plenário da Câmara dos Deputados para se tornar lei. Prisão e multa, porém, não são os únicos problemas para quem decide educar em casa. Elisa de Oliveira Flemer foi aprovada aos 17 anos em Engenharia Civil na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), mas a Justiça a proibiu de iniciar a faculdade em 2021. Elisa fez o ensino médio em casa porque aprende rápido e se entediava com o ritmo das aulas na escola. Aprovada por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Elisa não pôde fazer matrícula por não ter diploma do segundo grau. O documento com sanção estatal foi considerado mais importante do que a capacidade intelectual demonstrada pela estudante para decidir se ela pode ou não se tornar engenheira. Isso ocorre porque, no Brasil “a instituição escolar é soberana”, disse à ACI Digital Édson Prado de Andrade, professor de direito, advogado, gestor da Associação Brasileira de Defesa e Promoção da Educação Familiar (ABDPEF) e autor de uma tese sobre homeschooling pela USP. A educação domiciliar “é vista como um subsistema de um sistema escolar”. Andrade esteve no dia 3 de maio último na Câmara dos Deputados em Brasília para um debate sobre os projetos de regulamentação do homeschooling que tramitam na casa. “O reducionismo da educação à escola que se fez no Brasil e no mundo ‘civilizado’ deve-se à busca de instruir e educar as massas populacionais no bojo de certos ideais e ideologias”, disse Andrade. Por isso mesmo, Thiago de Jesus e sua mulher Rafaela adotaram a educação domiciliar. “A pureza das crianças está sendo muito atacada nas escolas. A própria Igreja está sendo atacada de forma intensa. E a família”, disseram. A escola “perdeu um pouco a identidade daquilo que deveria ser”. Em sua casa, a rotina do homeschooling inclui os estudos pela manhã, mas durante todo o dia as crianças fazem perguntas, tiram dúvidas. “Tem o horário formal, mas é realmente o dia a dia de estudos, de perguntas”, contou Rafaela. E, além das matérias formas, como Português, Matemática, Geografia, História e Ciências, “damos também moral, civilidade”. Outro ponto importante na educação dos filhos para Thiago e Rafaela é a Sagrada Escritura e o Catecismo, “o que não é pouca coisa, pois aqui em casa acaba tomando mais tempo”. Afinal, eles adotaram a educação domiciliar “por Deus também”. A rotina do casal espelha exatamente a definição que Rick Dias, da Aned, dá de homeschooling: ele “ocorre quando os pais assumem o controle do processo global de educação dos filhos, ou seja, além do ensino de valores, hábitos, costumes e crenças, se responsabilizam também pela instrução formal dos filhos que, normalmente, fica a cargo da escola”. Para que a educação domiciliar aconteça “de fato”, Rick Dias aponta pelo menos três características necessárias: “a educação deve ser integral”; “deve ocorrer o tempo todo e em qualquer lugar, não apenas dentro do lar”; e “deve conduzir os filhos à autonomia no processo de aprendizado”. Há “vários formatos” dessa modalidade de ensino, diz Felipe Nery, presidente do Observatório Interamericano de Biopolítica. “Temos pais que fizeram cooperativas e cada um desses pais se reveza na educação das crianças; há pais que contratam pessoas específicas para algumas áreas; existem aqueles que os próprios pais estão cuidando de todo o processo formativo de seus filhos”. As famílias católicas que optaram pelo homeschooling no Brasil têm se organizado e há várias “iniciativas católicas que acabam colaborando”, por exemplo, “para a produção e tradução de materiais” a serem usados com as crianças, uma vez que este conteúdo ainda é algo raro no Brasil, diz Nery. “São utilizadas obras de valor que às vezes são desprezadas nas escolas, pois só ficam com aquele material didático”. O processo é benéfico para todos, garante Nery. “Esses pais estão lendo muito, estudando também”. Geralmente os pais optam pela educação domiciliar por “desejo de oferecer uma educação de qualidade para os filhos, explorando ao máximo o potencial das crianças”; para “oferecer uma socialização mais ampla, qual seja, com indivíduos de todas as idades”; pela “insatisfação com o ambiente escolar, motivado por eventos de violência, bullying, pressões sociais inadequadas, insegurança e exposição dos filhos a amizades indesejadas pelos próprios pais”; devido à “má qualidade da educação escolar”; e por causa da “doutrinação ideológica nas escolas”, diz Rick Dias, da Aned. Curiosamente, esses motivos são exatamente o que os principais críticos do homeschooling apontam como problemas: falta de socialização das crianças, a qualidade do ensino e o risco de abusos no lar. “As pessoas pensam que, por estudar em casa, a criança fica só em casa. Mas não, ela sai, vai ao mercado, vai ao parque, tem outros familiares, amigos”, disse Rafaela de Jesus. “É uma pergunta que sempre se faz, mas, na verdade, não existe socialização só na escola. Reduzir a escola à socialização é diminuir muito a função da escola”, afirmou. Em relação à qualidade do ensino, Rick Dias afirma que, no Brasil, “é uma crítica injusta, pois é desprovida de quaisquer embasamentos ou provas, sejam empíricas ou científicas”. Estudos e pesquisas realizados em outros países atestam a eficácia do método. “Estudantes educados em casa possuem resultados acadêmicos de 15% a 30% superiores aos dos estudantes de escolas convencionais”, disse Dias. Quanto ao risco de abusos contra as crianças, Nery é taxativo: “não temos esse problema”, pois os pais vão estar muito atentos. “O abuso, como vemos acontecer, é por parte justamente de pais que não têm essa consciência educativa”, sublinhou. Nas famílias que adotam a educação domiciliar, os pais precisam “reorganizar toda a sua vida familiar, de trabalho, para estar muito presentes” com os filhos, disse. Há mais de um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados para regulamentar o homeschooling. O PL 3179/12, de autoria do deputado Lincoln Portela (PL-MG), que tramita em regime de prioridade, tem como relatora a deputada Luisa Canziani (PTB-PR). À ACI Digital, Canziani disse que seu relatório “vai fazer duas coisas: resguardar o direito das crianças e regulamentar o dever das famílias”. Segundo ela, haverá “uma menção explícita para que se siga a Base Nacional Comum Curricular” e também a “previsão de avaliações aos estudantes”. Outro ponto será “a questão de formação para os pais”. De acordo com a relatora, “um dos responsáveis precisa ter, no mínimo, o ensino superior completo”. Além disso, o texto estabelecerá que “os alunos em homeschooling terão vínculo com escolas, públicas ou privadas, e quem vai determinar as diretrizes gerais será o Conselho Nacional de Educação”. Canziani quer ver o projeto aprovado ainda este ano, mas ele está longe do princípio que Andrade, da ABDPEF, apresentou aos deputados no debate de que participou. “As instituições de ensino têm seu papel, seu background, sua estrutura, suas grades, seus programas. As famílias devem trabalhar com projeto pedagógico amplo, mas não devem ser enquadradas dentro da caixa escolar”, disse ele na Câmara. Para Prado de Andrade, “essa caixa escolar precisa ser revista” e, se “não resolvermos no Brasil o problema das famílias que procuram se ocultar, nós continuaremos com esta questão e uma violação das liberdades da criança de aprender a partir do seu próprio tempo, dos seus interesses e da sua própria inteligência”. Mais do que um método de ensino, um direito das famílias, Thiago e Rafaela de Jesus veem o homeschooling como uma vocação. É preciso “dar o coração, a alma, tudo”, pois se não fizer isso, perde-se “a constância, a perseverança, a atenção que você tem que dar”. Daí a importância da oração. “Rezar mesmo, rezar pela vocação dos filhos, para que Deus providencie todas as coisas, e ter coragem, porque a coragem te impulsiona para realidades novas”, pois somente na prática é que se vê “que não é um bicho de sete cabeças, pelo contrário, o pai e a mãe têm uma perspicácia natural para educar e isso vem de Deus; não somos pedagogos, mas somos pais e com certeza Deus ajuda”, conclui Thiago. Como funciona a educação domiciliar O homeschooling é uma modalidade de ensino “da mesma forma que a educação escolar e o ensino a distância”, aponta o coordenador nacional da Aned, Rick Dias. A prática baseia-se num sistema de ensino personalizado para o aluno, que encontra referências nos conteúdos curriculares definidos pelas redes de ensino e que direciona o estudante ao “aprender a aprender”. Na educação domiciliar, os pais conduzem os filhos ao autodidatismo e podem recorrer a ferramentas variadas, como videoaulas, plataformas de ensino, materiais de apoio, aplicativos, auxílio de professores particulares, entre outros. “Na educação domiciliar, os pais não se tornam professores dos filhos: eles se tornam facilitadores, protagonistas na condução do processo educacional”, explica Carlos Xavier, mestre em Direito, procurador do estado do Paraná, membro da Aned e autor de um livro sobre o tema. “O autodidatismo é o princípio pelo qual o pai e a mãe se tornam educadores. A educação domiciliar é primeiro para os pais. Eles precisam passar por um processo de autoeducação para atender as necessidades dos filhos”, explica. Quanto à obtenção dos certificados de conclusão do ensino fundamental e médio por parte dos alunos que são educados em casa, o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) tem sido usado como ferramenta para avaliar os conhecimentos dos estudantes e permitir que prossigam os estudos. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), o Encceja “avalia competências, habilidades e saberes adquiridos no processo escolar ou nos processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais, entre outros”. Quando à socialização – um dos elementos que mais causam dúvidas aos críticos da modalidade –, Xavier afirma que o processo de convivência é bastante rico, já que as famílias educadoras costumam se dedicar bastante a isso. “Há grupos de apoio com famílias que se encontram periodicamente e existem comunidades que vão se encontrar para desenvolver atividades em conjunto”, aponta. “Quanto mais famílias educadoras há numa cidade, mais atividades elas fazem juntas, como levar os estudantes a museus, parques, praticar esportes, danças, entre outros. Na escola várias dessas atividades são vistas como extracurriculares, porém, na educação domiciliar fazem parte do programa educacional”, ressalta. De acordo com dados da National Home Education Research Institute (Nheri), o homeschooling é reconhecido, permitido ou regulamentado em mais de 60 países. Os Estados Unidos, que contam com 2,5 milhões de estudantes na modalidade, são a nação com o maior número de adeptos. Na América do Sul, a educação domiciliar é regulamentada na Colômbia, no Chile, no Equador e no Paraguai. No Brasil, apesar de a modalidade não ser regulamentada, o tema tem despertado cada vez mais interesse, de acordo com Dias, sobretudo com a pandemia do novo coronavírus. Em sua opinião, o isolamento social contribuiu para aumentar a atenção de muitas famílias em relação à educação domiciliar. Segundo pesquisa feita pela Aned em 2017, com 312 famílias que mantinham seus filhos na escola, 44% (137) consideravam a possibilidade de optar pela educação domiciliar. De acordo com outra pesquisa da entidade, feita em 2018 com 1.209 famílias que afirmaram ser simpatizantes ou entusiastas da modalidade, mas ainda mantinham os filhos na escola, 68% (821) declararam que deverão optar algum dia pela educação domiciliar, enquanto 41% (500) aguardavam uma regulamentação para que pudessem decidir pelo homeschooling. Homeschooling pelo mundo Número de estudantes em alguns países que permitem a educação familiar Fonte: National Home Education Research Institute (NHERI) e Associação Nacional de Educação Domiciliar (ANED) Mais infográficos Experiências com o homeschooling A experiência de Dias e dos filhos Lorena e Guilherme (atualmente com 22 e 19 anos, respectivamente) é positiva. Ambos concluíram os estudos em casa e atualmente estão cursando faculdade. Enquanto Lorena deixou as salas de aula com 11 anos, Guilherme teve contato com o homeschooling pela primeira vez aos nove. O motivo, conta Dias, é que os pais não estavam satisfeitos com a instrução dada na escola. “Conversando com outros pais, descobri que havia outras famílias insatisfeitas quanto ao que os filhos iriam receber: padrão massificado de aprendizagem, crianças com leitura muito ruim e numa tendência ao analfabetismo funcional”. Lorena, aliás, foi a primeira estudante homeschooling do Brasil a ganhar na justiça o direito de entrar numa faculdade, ainda com 16 anos, já que havia sido aprovada no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e em duas universidades de Brasília. Karlo André Bailon, de Roraima, também teve uma história positiva com a educação familiar; conseguiu seu diploma de conclusão do ensino médio por meio do Encceja e, no início de 2018, foi aprovado na Universidade Federal de Roraima com a primeira colocação geral no curso em Medicina. Já Máli Godoy, de Minas Gerais, estuda em casa desde o início do ensino fundamental II. A estudante conta que tinha grandes dificuldades com a língua portuguesa e teve um aprendizado tão satisfatório da disciplina estudando em casa que, em 2015, decidiu se aventurar como escritora. Escreveu uma trilogia de aventuras que despertou o interesse de uma editora e acabou publicada. Xavier, entretanto, pontua que educar os filhos em casa é uma atividade que exige uma grande organização da família, além de sacrifícios, uma vez que muitas vezes os pais acabam abrindo mão de ganhos profissionais para poderem se dedicar melhor à orientação dos filhos. “A educação familiar vai demandar tempo dos pais, porque por mais que o foco seja desenvolver o autodidatismo, eles estão diretamente envolvidos, seja no planejamento, no auxílio aos filhos ou levando às atividades”, explica. “Não é uma escolha a ser feita levianamente. É preciso fazer o cálculo de custos [do ponto de vista] financeiro e pessoal que as famílias terão”, destaca. Com informações de ACI Digital e Gazeta do Povo Suporte para famílias homeschoolers Existem alguns institutos que oferecem suporte, com cursos e materiais para auxiliar os pais que estão entrando neste universo. Recomendamos àqueles que têm interesse, que conheçam alguns institutos que listaremos abaixo, que têm contribuído bastante com as famílias homeschoolers. Além destes institutos, os pais podem procurar associações de pais homeschoolers para se associar em seu estado. Essas associações também têm muito a oferecer. Instituto Cidade de Deus O Instituto Cidade de Deus é formado por um grupo de professores católicos que deseja educar, com o auxílio da graça de Deus, crianças e jovens para a santidade e a sabedoria, isto é, torná-los imagens de Cristo. Eles se dedicam exclusivamente à elaboração de um programa educacional tradicional, o qual servirá de base para pais e mestres formarem seus filhos e educandos na verdadeira sabedoria, fundamentando tudo na Sagrada Escritura, na Tradição, no autêntico Magistério e nos Santos. Entre os seus produtos estão apostilas para guiar os pais na educação domiciliar dos seus filhos desde a pré-alfabetização até o ensino médio. Conheça mais: Clique aqui para acessar o site do Instituto Cidade de Deus Brasil Paralelo O Brasil Paralelo é uma empresa brasileira fundada em 2016, que produz documentários de caráter jornalístico e historiográfico sobre política, história e atualidades. Além dos inúmeros filmes e documentários, que eles produzem, de grande relevância no cenário educativo, político e social, eles também lançaram, dentro de sua plataforma a Escola da Família A Escola da Família é apenas mais um curso? Todo mês, grandes especialistas em educação da família irão ministrar cursos para tratar sobre os problemas relacionados com o ensino dos filhos, matrimônio e relação familiar. Clique aqui para acessar o site Escola da Família dentro da plataforma Brasil Paralelo. Acaba de ser lançado o livro Homeschooling no Brasil: fatos, dados e mitos O homeschooling não é uma questão de política pública, mas sim de reconhecimento de direitos. O próprio Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar o tema, em 2018, afirmou que essa modalidade de ensino não é inconstitucional, mas precisa de lei para ser aceita pelo Estado. A lista de países desenvolvidos que tem o homeschooling regulamentado ou reconhecido na própria Constituição inclui Estados Unidos, Canadá, Portugal, Chile, África do Sul, Austrália, Irlanda, Reino Unido e muitos outros. Entre os países da OCDE, 84% deles tem ensino domiciliar legalizado. No Brasil, desde 1994 há projetos de lei tramitando no Congresso Nacional. As propostas partiram de parlamentares com variados perfis políticos, pertencentes a partidos de esquerda, centro e direita. Essa é uma relevante evidência de que nunca se tratou de uma questão ideológica, mas sim de uma demanda autêntica de famílias que compõem uma minoria social, duramente perseguidas e discriminadas pela opção de educar em casa. A obra Homeschooling no Brasil: fatos, dados e mitos, apresenta um rico panorama sobre a educação domiciliar, com dados sólidos para aprofundar a compreensão sobre a temática. Clique aqui para adquirir o livro na livraria Deia e Tiba.
- O HOMEM URBANO E O CULTO DA NATUREZA
“Eu fico um pouco desconfiado desses moradores da cidade que vivem completamente distantes da natureza, e dela só se aproximam, mais ou menos, durante a férias. E tanto mais a exaltam, quanto mais protegidos estão contra as suas dificuldades!” (Gustave Thibon, “L’homme devant la nature”, 1973, in Les hommes de l’éternel . Paris, Éditions Mame, 2012)
- O NASCIMENTO DA CULTURA CRISTÃ – Alejandro Cuevas Olavarría
Quais foram os marcos fundamentais que delimitaram o nascimento da cultura cristã, no mundo ocidental? Quem foram as figuras-chave em torno das quais a Europa se tornou o que é, ou melhor, o que era? Na obra O Nascimento da Cultura Cristã , o escritor argentino Rubén Peretó Rivas (Mendoza, 1966) responde a essas perguntas por meio de um estudo detalhado de algumas das figuras mais relevantes na construção da civilização ocidental. Nomes conhecidos de todos, como São Benito, e outros nem tanto, como Casiodoro, político e escritor latino do tempo do reinado de Teodorico, cujo legado lançou as bases para o que viria depois. O autor focaliza, as figuras-chave, mas nos aproxima delas com uma nova perspectiva: não como santos perfeitos, mas como gente de carne e osso, pessoas reais, determinadas, adaptadas a seu tempo, que souberam ou quiseram dar o melhor de si. Pessoas que, em face dos acontecimentos que se sucediam diante delas, tomaram as decisões corretas para transformar um mundo decaído em algo mais agradável aos olhos de Deus, no qual os frutos da redenção de Cristo pudessem crescer com vigor e frescor. Não foram personagens portentosos. Ao contrário: no seu quotidiano, marcados pela oração, pelo amor a Deus e ao próximo, pela consciência clara do fim último souberam construir, com paciência e ao longo de toda a vida, uma cultura florescente no conhecimento e nas artes, marcados com o selo de Cristo, e que sobreviveriam no Ocidente até os rubros albores da Revolução Francesa de 1789. Peretó explica, de forma simples, os principais marcos que assinalaram o surgimento dessa cultura, falando à inteligência, mas também ao coração dos leitores. Refere-se a temas centrais na construção de uma cultura cristã europeia, tal como a educação das crianças, o papel dos mosteiros no florescimento das artes liberais ou a importância da liturgia cristã: pilares básicos, todos eles, sobre os quais se ergueu a cultura cristã ao longo dos séculos da Idade Média. No prólogo, a escritora Natalia Sanmartín nos indica a necessidade de voltar ao que nos precede, à base das nossas crenças, àquelas que puseram o Ocidente novamente de pé. Defende o valor das injuriadas línguas clássicas e argumenta que a recuperação de uma cultura cristã passa por recordar suas figuras-chave. Felizmente, a obra de Peretó, não concebida como uma obra científica, nem como um cerrado ensaio, coloca essa restauração cultural ao alcance de nossas mãos. Tudo o que fazemos, tudo o que dizemos, tudo o que vivemos, permanece em nós: vai nos esculpindo aos poucos, até chegar à obra final. Herdeiros e legítimos possuidores do passado que deu origem à civilização ocidental, a cultura cristã pode ser reerguida pelos cristãos do nosso tempo, pois cada um desses cristãos, à sua maneira, têm algo com que contribuir. Conhecer esse passado comum e esse processo é cada vez mais necessário para alcançar esse velho mundo novo.
- OLHOS NAS NUVENS E PÉS NO CHÃO
Na cachola conservadora do velho homem da roça ou das pequenas cidades — sempre muito atentos à verdadeira natureza das coisas — jamais caberia a ideia do casamento homossexual, embora o fato da homossexualidade não lhe fosse estranho, pois isto sempre existiu (na roça, na cidade, nas metrópoles). Não teriam grandes dificuldades de concordar com o filósofo espanhol Julián Marias, para quem palavra heterossexual é perfeitamente pleonástica e, portanto, dispensável, pois só pode haver relação sexual propriamente dita entre pessoas de sexos diferentes. Na mesma ordem de raciocínio, é possível afirmar algo semelhante em relação à palavra homossexual, do tipo composto, que apresenta uma notória contradição — ou, pelo menos, uma insuficiência semântica — nos termos que a formam, pois não pode haver relação sexual, estritamente falando, entre pessoas de sexo igual. Mas como não? O que ocorre, então, quando duas pessoas do mesmo sexo se relacionam intimamente? O filósofo espanhol, que, à semelhança do homem da roça, também tinha o hábito de olhar para o mundo real, responde com a argúcia que lhe era frequente: trata-se de uma imitação da verdadeira relação sexual, ou seja, daquela que se dá entre um homem e uma mulher, dotados pela natureza das ferramentas adequadas para o exercício de tão nobre e produtiva função. O homem rude do campo ou dos vilarejos não eliminaria dos homossexuais a liberdade de imitar papai-mamãe, pois ele sabia por experiência, por ter olhos de ver e ouvidos de ouvir, que a natureza humana tem lá os seus caprichos e mistérios, um dos quais é exatamente este: o da atração por seres do mesmo sexo. Na própria roça ou nas pequenas cidades, terá visto ou sabido de algumas pessoas que não se encaixavam completamente, fosse nos gestos, na fala ou até no comportamento mais íntimo, no padrão da maioria dos circunvizinhos. A própria zoofilia era de algum modo praticada e até tolerada, sem falar de outras perversões. No fundo, porém, ele teria concordado com Julián Marías: todos aqueles “diferentes” estavam envolvidos num processo mimético, atuando com ferramentas e objetos substitutivos, não originais. O que era inaceitável, na visão do velho homem da roça e das pequenas cidades, é que essas parcerias miméticas entre pessoas do mesmo sexo pudessem vestir a mesma roupa jurídica da dupla marido-e-mulher (que possui a idade de Adão e Eva e é responsável pela própria existência dos que escolhem praticar aquele relacionamento sexual imitativo). O caipira, sempre de pés no chão — e olhos nas nuvens para assuntar o tempo —, não poderia pensar de outro modo. Quando olhava para o seu pasto, no sítio, ou para suas galinhas, no quintal do vilarejo, jamais conceberia bois acasalando-se permanentemente com bois ou frangas com frangas. Seria o fim dos rebanhos e dos galinheiros, inadmissível para quem necessitava de ovos e leite. Sempre excetuando-se os não poucos casos de desvios e perversões, a sua visão do sexo era prevalentemente conservadora, fundada sobretudo na experiência real e completando-se, por fim, com o que diziam as Escrituras (e o padre repetia nas Missas de antanho, quando ainda não era politicamente incorreto tocar nesses assuntos). Como poderia duvidar da realidade que estava sob seus olhos e narizes, ainda mais quando trazia o selo da verdade revelada?
- Cardeal Sarah pede padres viris, generosos e cheios de zelo
Para o cardeal Sarah, não são os teólogos ou a teologia moderna que mais prejudicam a Igreja hoje, mas os maus padres, que infelizmente são maioria e não transmitem a verdade, através do próprio testemunho, e está contida na doutrina e liturgia da Igreja, aos fiéis. Como é o bom padre hoje? Para o cardeal Sarah, ele é alguém que não confia em sua formação para as redes sociais, alguém que não se demora na cama até o meio da manhã, se entrega a boas leituras, alimenta sua fé, se preocupa com o destino eterno de seus filhos, defende , viril, para sua esposa, a Igreja, de todos os ataques. O bom padre que Sarah desenha no seu último livro, ‘Ao serviço da verdade’, não se deixa explorar como um fantoche nas entrevistas televisivas, cuida da liturgia e não a inventa por capricho porque ele sabe que sua missão é reproduzir a liturgia que se atualiza no próprio céu, ajuda os pobres e, muitas vezes, como bom pai de família, não vê como se sustenta, mas confia plenamente na Providência. Acima de tudo, ele deve estar com ciúmes. Zelo é interesse. Uma pessoa é tão ciumenta quanto o grande interesse que ela tem pela coisa ou pela pessoa. O zelo pelas almas é, portanto, a preocupação que o pastor deve ter pela salvação eterna das ovelhas confiadas aos seus cuidados ”. Sarah concorda com o Santo Padre em ver no clericalismo uma das maiores ameaças à vida da Igreja hoje, um clericalismo que poderíamos chamar – e ele chama – pragmatismo, função do sacerdote como quem deve cumprir objetivos de negócios, pensando apenas na ação e cegos, no sentido de não serem iluminados pela Palavra de Deus, e que se apresenta como bondade quando é, na melhor das hipóteses, eficácia mundana. Isso é o que leva Sarah a concluir que não são os teólogos ou a teologia moderna que prejudicam a Igreja hoje, mas os maus padres, que fazem da Igreja uma realidade para aqueles que estão ao seu redor, crentes ou não crentes. Sarah acusa esses ‘ativistas’ chamando-os de “lobos em pele de cordeiro”, que “afirmam servir ao rebanho quando na verdade o usam para seus próprios fins”. Para usar uma expressão muito cara ao Santo Padre, se a Igreja é um “hospital de campanha”, recorda Sarah, “precisará de médicos muito competentes, capazes de salvar vidas”. Leia também Cardeal Sarah: A Igreja Católica sofre porque muitos padres perderam o sentido do sagrado O ESTUDO PARA SALVAR ALMAS «O estudo é importante. O sacerdócio, bem se diz, não é uma profissão: é uma vocação. Mas, ao dizer isso, queremos dizer que é mais, não menos do que um trabalho comum! O sacerdócio é uma missão dada por Deus! Se, portanto, um advogado, um magistrado, um médico ou um engenheiro deve ser muito competente para fazer bem o seu trabalho, quanto mais não deve ser um sacerdote?”, Escreve o ex-prefeito da Congregação para o Culto Divino, relembrando a imagem usado pelo Papa Francisco para expressar a Igreja como um “hospital de campanha”. “No hospital de campanha há necessidade de médicos muito competentes, capazes de salvar vidas. Um médico competente não se forma em um dia », frisa o cardeal Sarah. De Santa Teresa de Ávila ao Papa Emérito Joseph Ratzinger, passando por São Boaventura e São Tomé: estas são as referências citadas pelo Cardeal Sarah sobre o conceito de “estudo que enobrece a alma e a fé”. “O amor a Deus vem de conhecê-lo. Mas então esse nosso amor desenvolve o conhecimento ainda mais, porque queremos conhecer cada vez mais o Deus que amamos. A teologia, então, é certamente ciência, isto é, conhecimento sistemático, poderíamos até dizer conhecimento profissional da palavra de Deus », escreve Sarah novamente em seu último livro. É por isso que o estudo é importante. “Se um advogado, um magistrado, um médico ou um engenheiro devem ser muito competentes para fazer bem o seu trabalho, quanto mais um padre deve ser?” – Explica Sarah. Ele usa a imagem do “hospital de campo” tão caro a Francisco: “No hospital de campo há a necessidade de médicos muito competentes que sejam capazes de salvar vidas”. Em jogo está a vida das almas que se confiam aos consagrados: é preciso saber mais não por um “nozionismo” sinistro, mas porque são movidas pela “sede” do objeto do seu amor, o Eterno e o Infinito. Sarah, uma esperança conservadora para o pós-Francisco Há muitos na Igreja que pensam que Robert Sarah amadureceu ao longo do tempo um perfil interessante do ponto de vista pastoral, pessoal e teológico, a fim de ter a chance de se tornar Papa em um próximo conclave. Ele é africano, conhece o Islã e sua radicalização de perto, ele tem uma visão teológica conservadora, conhece bem a Igreja missionária, as armadilhas da Cúria e ele realmente não gosta de moda e modernidade. Essas características abriram as portas em diferentes ambientes tradicionalistas. Suas ideias os levam para a frente corajosamente, mesmo sabendo que é contra a correnteza. Há algum tempo, ele resumiu algumas disfunções no Ocidente: “Há aqueles que gostariam de uma Igreja totalmente engajada na luta de classes e aqueles que gostariam disso fora de todas as classes. A Igreja é, em vez disso, igreja na medida em que ela é próxima do homem e proclama todo o Evangelho, porque esta é sua missão, e por isso ela tem sido, é e talvez será perseguida”. Em outro momento, falando do ativismo social do clero, esclareceu: “Muitos padres e bispos estão literalmente enfeitiçados por questões políticas ou sociais. Na verdade, esses problemas nunca encontrarão respostas fora do ensino de Cristo. De temperamento calmo, mas de maneiras bastante arrogantes, sem precisão para falar com a imprensa, Sarah tornou-se muito popular no mundo de língua francesa pelos livros que começou a escrever com seu amigo editor perto do francês e americano certo. Ultimamente, ele até quebrou a relutância em enfrentar as redes sociais e tem um perfil muito ativo no Twitter. Escreve livros, participa de conferências e seminários. Robert Sarah Nascido há 74 anos em uma vila na Guiné, tornou-se arcebispo com apenas 34 anos de idade em uma realidade e em anos em que a Igreja na área foi perseguida, ele chegou ao Vaticano em 2001 chamado por João Paulo II como secretário de Propaganda Fide. Foi em 2010, com Bento XVI, que ele assumiu a liderança do Cor Unum, um órgão que lidava com caridade. Em 2010, foi criado cardeal por Ratzinger. Foi Francisco quem o nomeou Prefeito da Congregação para a Adoração Divina em novembro de 2014 como parte de uma reorganização que tratava da caridade. O livro sobre o celibato, escrito em conjunto com Bento XVI, não é o primeiro desafio de Sarah contra as aberturas tentadas pelo Papa Francisco. Ele foi uma das vozes opostas ao Sínodo sobre a Família pela abertura da comunhão para divorciados e casados em segunda união. E também no Sínodo da Amazônia ele lutou contra a ordenação de pessoas casadas e o diaconato feminino.
- Cardeal Sarah pede padres viris, generosos e cheios de zelo
Para o cardeal Sarah, não são os teólogos ou a teologia moderna que mais prejudicam a Igreja hoje, mas os maus padres, que infelizmente são maioria e não transmitem a verdade, através do próprio testemunho, e está contida na doutrina e liturgia da Igreja, aos fiéis. Como é o bom padre hoje? Para o cardeal Sarah, ele é alguém que não confia em sua formação para as redes sociais, alguém que não se demora na cama até o meio da manhã, se entrega a boas leituras, alimenta sua fé, se preocupa com o destino eterno de seus filhos, defende , viril, para sua esposa, a Igreja, de todos os ataques. O bom padre que Sarah desenha no seu último livro, ‘Ao serviço da verdade’, não se deixa explorar como um fantoche nas entrevistas televisivas, cuida da liturgia e não a inventa por capricho porque ele sabe que sua missão é reproduzir a liturgia que se atualiza no próprio céu, ajuda os pobres e, muitas vezes, como bom pai de família, não vê como se sustenta, mas confia plenamente na Providência. Acima de tudo, ele deve estar com ciúmes. Zelo é interesse. Uma pessoa é tão ciumenta quanto o grande interesse que ela tem pela coisa ou pela pessoa. O zelo pelas almas é, portanto, a preocupação que o pastor deve ter pela salvação eterna das ovelhas confiadas aos seus cuidados ”. Sarah concorda com o Santo Padre em ver no clericalismo uma das maiores ameaças à vida da Igreja hoje, um clericalismo que poderíamos chamar – e ele chama – pragmatismo, função do sacerdote como quem deve cumprir objetivos de negócios, pensando apenas na ação e cegos, no sentido de não serem iluminados pela Palavra de Deus, e que se apresenta como bondade quando é, na melhor das hipóteses, eficácia mundana. Isso é o que leva Sarah a concluir que não são os teólogos ou a teologia moderna que prejudicam a Igreja hoje, mas os maus padres, que fazem da Igreja uma realidade para aqueles que estão ao seu redor, crentes ou não crentes. Sarah acusa esses ‘ativistas’ chamando-os de “lobos em pele de cordeiro”, que “afirmam servir ao rebanho quando na verdade o usam para seus próprios fins”. Para usar uma expressão muito cara ao Santo Padre, se a Igreja é um “hospital de campanha”, recorda Sarah, “precisará de médicos muito competentes, capazes de salvar vidas”. Leia também Cardeal Sarah: A Igreja Católica sofre porque muitos padres perderam o sentido do sagrado O ESTUDO PARA SALVAR ALMAS «O estudo é importante. O sacerdócio, bem se diz, não é uma profissão: é uma vocação. Mas, ao dizer isso, queremos dizer que é mais, não menos do que um trabalho comum! O sacerdócio é uma missão dada por Deus! Se, portanto, um advogado, um magistrado, um médico ou um engenheiro deve ser muito competente para fazer bem o seu trabalho, quanto mais não deve ser um sacerdote?”, Escreve o ex-prefeito da Congregação para o Culto Divino, relembrando a imagem usado pelo Papa Francisco para expressar a Igreja como um “hospital de campanha”. “No hospital de campanha há necessidade de médicos muito competentes, capazes de salvar vidas. Um médico competente não se forma em um dia », frisa o cardeal Sarah. De Santa Teresa de Ávila ao Papa Emérito Joseph Ratzinger, passando por São Boaventura e São Tomé: estas são as referências citadas pelo Cardeal Sarah sobre o conceito de “estudo que enobrece a alma e a fé”. “O amor a Deus vem de conhecê-lo. Mas então esse nosso amor desenvolve o conhecimento ainda mais, porque queremos conhecer cada vez mais o Deus que amamos. A teologia, então, é certamente ciência, isto é, conhecimento sistemático, poderíamos até dizer conhecimento profissional da palavra de Deus », escreve Sarah novamente em seu último livro. É por isso que o estudo é importante. “Se um advogado, um magistrado, um médico ou um engenheiro devem ser muito competentes para fazer bem o seu trabalho, quanto mais um padre deve ser?” – Explica Sarah. Ele usa a imagem do “hospital de campo” tão caro a Francisco: “No hospital de campo há a necessidade de médicos muito competentes que sejam capazes de salvar vidas”. Em jogo está a vida das almas que se confiam aos consagrados: é preciso saber mais não por um “nozionismo” sinistro, mas porque são movidas pela “sede” do objeto do seu amor, o Eterno e o Infinito. Sarah, uma esperança conservadora para o pós-Francisco Há muitos na Igreja que pensam que Robert Sarah amadureceu ao longo do tempo um perfil interessante do ponto de vista pastoral, pessoal e teológico, a fim de ter a chance de se tornar Papa em um próximo conclave. Ele é africano, conhece o Islã e sua radicalização de perto, ele tem uma visão teológica conservadora, conhece bem a Igreja missionária, as armadilhas da Cúria e ele realmente não gosta de moda e modernidade. Essas características abriram as portas em diferentes ambientes tradicionalistas. Suas ideias os levam para a frente corajosamente, mesmo sabendo que é contra a correnteza. Há algum tempo, ele resumiu algumas disfunções no Ocidente: “Há aqueles que gostariam de uma Igreja totalmente engajada na luta de classes e aqueles que gostariam disso fora de todas as classes. A Igreja é, em vez disso, igreja na medida em que ela é próxima do homem e proclama todo o Evangelho, porque esta é sua missão, e por isso ela tem sido, é e talvez será perseguida”. Em outro momento, falando do ativismo social do clero, esclareceu: “Muitos padres e bispos estão literalmente enfeitiçados por questões políticas ou sociais. Na verdade, esses problemas nunca encontrarão respostas fora do ensino de Cristo. De temperamento calmo, mas de maneiras bastante arrogantes, sem precisão para falar com a imprensa, Sarah tornou-se muito popular no mundo de língua francesa pelos livros que começou a escrever com seu amigo editor perto do francês e americano certo. Ultimamente, ele até quebrou a relutância em enfrentar as redes sociais e tem um perfil muito ativo no Twitter. Escreve livros, participa de conferências e seminários. Robert Sarah Nascido há 74 anos em uma vila na Guiné, tornou-se arcebispo com apenas 34 anos de idade em uma realidade e em anos em que a Igreja na área foi perseguida, ele chegou ao Vaticano em 2001 chamado por João Paulo II como secretário de Propaganda Fide. Foi em 2010, com Bento XVI, que ele assumiu a liderança do Cor Unum, um órgão que lidava com caridade. Em 2010, foi criado cardeal por Ratzinger. Foi Francisco quem o nomeou Prefeito da Congregação para a Adoração Divina em novembro de 2014 como parte de uma reorganização que tratava da caridade. O livro sobre o celibato, escrito em conjunto com Bento XVI, não é o primeiro desafio de Sarah contra as aberturas tentadas pelo Papa Francisco. Ele foi uma das vozes opostas ao Sínodo sobre a Família pela abertura da comunhão para divorciados e casados em segunda união. E também no Sínodo da Amazônia ele lutou contra a ordenação de pessoas casadas e o diaconato feminino.
- O que pensar das vacinas contra o COVID-19?
Muitos católicos se questionam sobre como a igreja se posiciona diante da Vacina contra o Covid-19. A Santa Igreja já emitiu um parecer a favor da aplicação das vacinas contra Covid-19, entretanto existem algumas considerações a serem feitas. Essas vacinas que estão sendo desenvolvidas por diversos laboratórios, como que em uma corrida contra o tempo… seriam elas eficientes? São Seguras? Podemos toma-las tranquilamente? Para ajudar nestas questões, separamos duas formações excelentes sobre o assunto que recomendamos que todos assistam, vale muito a pena! Escute esta formação com o ponto de vista católico acerca das vacinas: (O vídeo estava disponível no youtube, mas foi retirado pela plataforma, porém ainda é possível ouvir o áudio.) Depois de assistir a formação acima, assista a próxima formação de um padre especialista em Bioética: ROCURAM-SE COBAIAS! Você quer ser um deles? Depois de assistir a formação acima, assista a formação do Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz especialista em Bioética, acerca das vacinas. Clique aqui para assistir: Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz (@providaanapolis) . Assista também 👇🏻👇🏻👇🏻 Se Deus te chamasse hoje, você estaria preparado? Clique aqui para assistir.
- O que pensar das vacinas contra o COVID-19?
Muitos católicos se questionam sobre como a igreja se posiciona diante da Vacina contra o Covid-19. A Santa Igreja já emitiu um parecer a favor da aplicação das vacinas contra Covid-19, entretanto existem algumas considerações a serem feitas. Essas vacinas que estão sendo desenvolvidas por diversos laboratórios, como que em uma corrida contra o tempo… seriam elas eficientes? São Seguras? Podemos toma-las tranquilamente? Para ajudar nestas questões, separamos duas formações excelentes sobre o assunto que recomendamos que todos assistam, vale muito a pena! Escute esta formação com o ponto de vista católico acerca das vacinas: (O vídeo estava disponível no youtube, mas foi retirado pela plataforma, porém ainda é possível ouvir o áudio.) Depois de assistir a formação acima, assista a próxima formação de um padre especialista em Bioética: ROCURAM-SE COBAIAS! Você quer ser um deles? Depois de assistir a formação acima, assista a formação do Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz especialista em Bioética, acerca das vacinas. Clique aqui para assistir: Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz (@providaanapolis) . Assista também 👇🏻👇🏻👇🏻 Se Deus te chamasse hoje, você estaria preparado? Clique aqui para assistir.
- Papa Francisco rejeita a renúncia do Cardeal Marx
O Papa Francisco escreveu uma carta ao Arcebispo de Munique, cardeal Reinhard Marx, na qual ele lhe agradece por sua coragem de apresentar sua renúncia por causa de suas ações em casos de abuso sexual de padres em seu cargo, enquanto lhe diz que não aceita tal renúncia e pedindo-lhe para continuar à frente de sua igreja local. O papa compara sua atitude com a de Cristo: “É uma coragem cristã que não teme a cruz, não tem medo de ser atordoado pela tremenda realidade do pecado. Assim como o Senhor.” “Prezado irmão”, o Papa começa por escrever, “antes de mais, obrigado pela vossa coragem”. “É uma coragem cristã que não teme a cruz, não teme ser oprimido pela tremenda realidade do pecado”, continua. “É uma graça que o Senhor te deu e vejo que queres assumi-la e guardá-la para que dê frutos. Obrigado ”, disse o Papa Marx. “Você me diz que está passando por um momento de crise”, escreve o Santo Padre, “e não só você, mas também a Igreja na Alemanha está vivendo isso”. Parecia que ele se referia ao ‘caminho sinodal’, à intercomunhão e à bênção de casais homossexuais, mas não. “Toda a Igreja está em crise por causa da questão dos abusos”, esclarece. Francisco garante que a Igreja não pode dar um passo em frente sem assumir esta crise. “A política do avestruz não leva a nada, e a crise deve ser assumida desde a nossa fé pascal”, diz o Santo Padre; a política de avestruzes, precisamente, parece ter sido escolhida pelo Vaticano nas três questões mencionadas acima. “Assumir que a crise, pessoal e comunitariamente, é o único caminho frutífero, porque uma crise não surge sozinha, mas em comunidade e devemos também ter em mente que uma crise sai melhor ou pior, mas nunca a mesma”, argumenta Sua Santidade . Francisco concorda com Marx ao descrever como uma catástrofe “a triste história de abuso sexual e a maneira de lidar com isso que a Igreja adotou até recentemente”. «Perceber esta hipocrisia no modo de viver a fé é uma graça, é um primeiro passo que devemos dar», afirma o Sucessor de Pedro. “Você não pode ficar indiferente a este crime. Assumir é colocar-se em crise ”, afirma. Segundo o Papa, cada bispo da Igreja “deve assumi-lo e perguntar-se o que devo fazer perante esta catástrofe?” “O“ mea culpa ”diante de tantos erros históricos do passado, já o fizemos mais de uma vez em muitas situações, embora não tenhamos participado pessoalmente dessa conjuntura histórica”, recorda o Santo Padre. “O Senhor nunca concordou em fazer“ a reforma ”(permita-me a expressão) nem com o projeto fariseu, nem com o saduceu, nem com o zelote, nem com o essênio. Em vez disso, ele fez isso com sua vida, com sua história, com sua carne na cruz. E este é o caminho que você mesmo, caro irmão, assume ao apresentar sua renúncia ”, disse o Papa. «É urgente «arejar» esta realidade dos abusos e como a Igreja procedeu, e deixar que o Espírito nos conduza ao deserto da desolação, à cruz e à ressurreição», afirma. “As pesquisas e o poder das instituições não vão nos salvar. O prestígio de nossa Igreja que tende a esconder seus pecados não nos salvará; Nem o poder do dinheiro nem a opinião da mídia vão nos salvar (tantas vezes dependemos demais deles) ”, garante. “Nos salvará se abrirmos a porta ao Único que pode fazê-lo e confessar nossa nudez: “Eu pequei”,“ pecamos ”… e chorar, e gaguejar quanto pudermos,“ afasta-te de mim , Sou um pecador ”, herança que o primeiro Papa deixou aos Papas e aos Bispos da Igreja”. Francisco confessa que gostou do final da carta de Marx, que dizia o seguinte: “Terei muito gosto em continuar a ser sacerdote e bispo desta Igreja e continuarei a empenhar-me a nível pastoral enquanto o mantiver sensato e oportuno . Desejo dedicar os próximos anos do meu serviço de forma mais intensa à pastoral e empenhar-me na renovação espiritual da Igreja, como o Senhor pede incansavelmente ”. O papa então responde ao pedido do cardeal Marx de renunciar ao cargo de arcebispo de Munique. “Continue como você propõe, mas como arcebispo de München und Freising”, ele escreve. E se te sentes tentado a pensar que, ao confirmar a tua missão e ao não aceitar a tua renúncia, este Bispo de Roma (teu irmão que te ama) não te entende, pensas no que Pedro sentiu diante do Senhor quando, no seu Assim, apresentou a sua demissão: “afasta-te de mim, sou um pecador”, e escuta a resposta: “apascenta as minhas ovelhas” ”, conclui o Papa. Traduzido de InfoVaticana Leia a carta completa do Santo Padre, publicada pela Sala de Imprensa da Santa Sé: Querido irmão, Em primeiro lugar, obrigado por sua coragem. É uma coragem cristã que não teme a cruz, não teme aniquilar-se perante a tremenda realidade do pecado. Isso é o que o Senhor fez (Fp 2,5-8). É uma graça que o Senhor te deu e vejo que queres assumi-la e guardá-la para que dê frutos. Obrigado. Você me diz que está passando por um momento de crise, e não só você, mas também a Igreja na Alemanha. Toda a Igreja está em crise por causa do problema dos abusos; Além disso, a Igreja hoje não pode dar um passo em frente sem assumir esta crise. A política de avestruzes não leva a nada, e a crise deve ser assumida desde a nossa fé pascal. Sociologismos, psicologismos são inúteis. Assumir a crise, pessoal e comunitariamente, é o único caminho fecundo, porque uma crise não surge sozinha mas na comunidade e devemos também ter presente que uma crise sai melhor ou pior, mas nunca igual [1]. Você me diz que desde o ano passado vem refletindo: partiu, buscando a vontade de Deus com a decisão de aceitá-la, fosse ela qual fosse. Concordo com você em chamar a triste história de abuso sexual e a maneira como a Igreja lidou com ela de catástrofe até recentemente. Perceber essa hipocrisia no caminho da fé viva é uma graça, é o primeiro passo que devemos dar. Temos que nos apropriar da história, tanto pessoalmente quanto como comunidade. Você não pode ficar indiferente diante desse crime. Assumir isso significa se colocar em crise. Nem todo mundo quer aceitar essa realidade, mas é o único caminho, porque tomar “resoluções” transformadoras sem “colocar a carne na grelha” não leva a lugar nenhum. As realidades pessoais, sociais e históricas são concretas e não devem ser assumidas com ideias; porque as ideias são discutidas (e é bom que o sejam), mas a realidade deve sempre ser assumida e discernida. É verdade que as situações históricas devem ser interpretadas com a hermenêutica da época em que aconteceram, mas isso não nos exime de tomá-las e assumi-las como a história do “pecado que nos assedia”. Portanto, em minha opinião, cada Bispo da Igreja deve assumi-lo e se perguntar o que devo fazer diante desta catástrofe? Fizemos o “mea culpa” diante de tantos erros históricos do passado mais de uma vez em muitas situações, embora não tenhamos participado pessoalmente dessa situação histórica. E essa mesma atitude é o que nos é pedido hoje. Está-se a pedir-nos uma reforma que – neste caso – não consiste em palavras, mas em atitudes que tenham a coragem de se colocarem em crise, de assumirem a realidade seja qual for a consequência. E toda reforma começa por si mesma. A reforma da Igreja foi feita por homens e mulheres que não temeram entrar em crise e se deixar reformar pelo Senhor. É o único caminho, caso contrário não seremos mais do que “ideólogos reformistas” que não colocam a própria carne em jogo. O Senhor nunca aceitou fazer “a reforma” (permita-me a expressão) nem com o projeto fariseu, nem com o saduceu, nem com o zelote, nem com o essênio. Em vez disso, ele fez isso com sua vida, com sua história, com sua carne na cruz. E este é o caminho, aquele que você mesmo, caro irmão, assume quando se demite. Você diz bem em sua carta que enterrar o passado não nos leva a nada. Silêncios, omissões, dar peso excessivo ao prestígio das Instituições só levam ao fracasso pessoal e histórico, e nos levam a conviver com o peso de “ter esqueletos no armário”, como diz o ditado. É urgente “arejar” esta realidade dos abusos e de como a Igreja procedeu, e deixar o Espírito nos conduzir ao deserto da desolação, à cruz e à ressurreição. É o caminho do Espírito que devemos seguir, e o ponto de partida é a humilde confissão: erramos, pecamos. As pesquisas e o poder das instituições não nos salvarão. O prestígio de nossa Igreja que tende a esconder seus pecados não nos salvará; Nem o poder do dinheiro nem a opinião da mídia nos salvarão (muitas vezes dependemos demais deles). Nos salvará abrir a porta para o Único que pode fazê-lo e confessar nossa nudez: “Eu pequei”, “nós pecamos” … e chorar, e gaguejar como podemos que “afasta-te de mim que Eu sou um pecador ”, uma herança que o primeiro Papa os Papas e os Bispos da Igreja. E então sentiremos aquela vergonha curadora que abre as portas para a compaixão e a ternura do Senhor que está sempre perto de nós. Como Igreja, devemos pedir a graça da vergonha e que o Senhor nos salve de ser a desavergonhada prostituta de Ezequiel 16. Gosto de como você termina a carta: “Continuarei com prazer a ser sacerdote e bispo desta Igreja e continuarei a me comprometer a nível pastoral enquanto o mantiver sensato e oportuno. Gostaria de dedicar os próximos anos do meu serviço de forma mais intensa à pastoral e a lutar pela renovação espiritual da Igreja, como V. Exa. Pede incansavelmente ”. E esta é minha resposta, querido irmão. Continue como você propõe, mas como Arcebispo de München und Freising. E se te sentires tentado a pensar que, ao confirmar a tua missão e não aceitar a tua renúncia, este Bispo de Roma (teu irmão que te ama) não te entende, pensas no que Pedro sentiu diante do Senhor quando, à sua maneira, Ele apresentou a renúncia: “afasta-te de mim, sou um pecador”, e ouve a resposta: “apascenta as minhas ovelhas. Com afeto fraterno. FRANCISCO
- Papa Francisco rejeita a renúncia do Cardeal Marx
O Papa Francisco escreveu uma carta ao Arcebispo de Munique, cardeal Reinhard Marx, na qual ele lhe agradece por sua coragem de apresentar sua renúncia por causa de suas ações em casos de abuso sexual de padres em seu cargo, enquanto lhe diz que não aceita tal renúncia e pedindo-lhe para continuar à frente de sua igreja local. O papa compara sua atitude com a de Cristo: “É uma coragem cristã que não teme a cruz, não tem medo de ser atordoado pela tremenda realidade do pecado. Assim como o Senhor.” “Prezado irmão”, o Papa começa por escrever, “antes de mais, obrigado pela vossa coragem”. “É uma coragem cristã que não teme a cruz, não teme ser oprimido pela tremenda realidade do pecado”, continua. “É uma graça que o Senhor te deu e vejo que queres assumi-la e guardá-la para que dê frutos. Obrigado ”, disse o Papa Marx. “Você me diz que está passando por um momento de crise”, escreve o Santo Padre, “e não só você, mas também a Igreja na Alemanha está vivendo isso”. Parecia que ele se referia ao ‘caminho sinodal’, à intercomunhão e à bênção de casais homossexuais, mas não. “Toda a Igreja está em crise por causa da questão dos abusos”, esclarece. Francisco garante que a Igreja não pode dar um passo em frente sem assumir esta crise. “A política do avestruz não leva a nada, e a crise deve ser assumida desde a nossa fé pascal”, diz o Santo Padre; a política de avestruzes, precisamente, parece ter sido escolhida pelo Vaticano nas três questões mencionadas acima. “Assumir que a crise, pessoal e comunitariamente, é o único caminho frutífero, porque uma crise não surge sozinha, mas em comunidade e devemos também ter em mente que uma crise sai melhor ou pior, mas nunca a mesma”, argumenta Sua Santidade . Francisco concorda com Marx ao descrever como uma catástrofe “a triste história de abuso sexual e a maneira de lidar com isso que a Igreja adotou até recentemente”. «Perceber esta hipocrisia no modo de viver a fé é uma graça, é um primeiro passo que devemos dar», afirma o Sucessor de Pedro. “Você não pode ficar indiferente a este crime. Assumir é colocar-se em crise ”, afirma. Segundo o Papa, cada bispo da Igreja “deve assumi-lo e perguntar-se o que devo fazer perante esta catástrofe?” “O“ mea culpa ”diante de tantos erros históricos do passado, já o fizemos mais de uma vez em muitas situações, embora não tenhamos participado pessoalmente dessa conjuntura histórica”, recorda o Santo Padre. “O Senhor nunca concordou em fazer“ a reforma ”(permita-me a expressão) nem com o projeto fariseu, nem com o saduceu, nem com o zelote, nem com o essênio. Em vez disso, ele fez isso com sua vida, com sua história, com sua carne na cruz. E este é o caminho que você mesmo, caro irmão, assume ao apresentar sua renúncia ”, disse o Papa. «É urgente «arejar» esta realidade dos abusos e como a Igreja procedeu, e deixar que o Espírito nos conduza ao deserto da desolação, à cruz e à ressurreição», afirma. “As pesquisas e o poder das instituições não vão nos salvar. O prestígio de nossa Igreja que tende a esconder seus pecados não nos salvará; Nem o poder do dinheiro nem a opinião da mídia vão nos salvar (tantas vezes dependemos demais deles) ”, garante. “Nos salvará se abrirmos a porta ao Único que pode fazê-lo e confessar nossa nudez: “Eu pequei”,“ pecamos ”… e chorar, e gaguejar quanto pudermos,“ afasta-te de mim , Sou um pecador ”, herança que o primeiro Papa deixou aos Papas e aos Bispos da Igreja”. Francisco confessa que gostou do final da carta de Marx, que dizia o seguinte: “Terei muito gosto em continuar a ser sacerdote e bispo desta Igreja e continuarei a empenhar-me a nível pastoral enquanto o mantiver sensato e oportuno . Desejo dedicar os próximos anos do meu serviço de forma mais intensa à pastoral e empenhar-me na renovação espiritual da Igreja, como o Senhor pede incansavelmente ”. O papa então responde ao pedido do cardeal Marx de renunciar ao cargo de arcebispo de Munique. “Continue como você propõe, mas como arcebispo de München und Freising”, ele escreve. E se te sentes tentado a pensar que, ao confirmar a tua missão e ao não aceitar a tua renúncia, este Bispo de Roma (teu irmão que te ama) não te entende, pensas no que Pedro sentiu diante do Senhor quando, no seu Assim, apresentou a sua demissão: “afasta-te de mim, sou um pecador”, e escuta a resposta: “apascenta as minhas ovelhas” ”, conclui o Papa. Traduzido de InfoVaticana Leia a carta completa do Santo Padre, publicada pela Sala de Imprensa da Santa Sé: Querido irmão, Em primeiro lugar, obrigado por sua coragem. É uma coragem cristã que não teme a cruz, não teme aniquilar-se perante a tremenda realidade do pecado. Isso é o que o Senhor fez (Fp 2,5-8). É uma graça que o Senhor te deu e vejo que queres assumi-la e guardá-la para que dê frutos. Obrigado. Você me diz que está passando por um momento de crise, e não só você, mas também a Igreja na Alemanha. Toda a Igreja está em crise por causa do problema dos abusos; Além disso, a Igreja hoje não pode dar um passo em frente sem assumir esta crise. A política de avestruzes não leva a nada, e a crise deve ser assumida desde a nossa fé pascal. Sociologismos, psicologismos são inúteis. Assumir a crise, pessoal e comunitariamente, é o único caminho fecundo, porque uma crise não surge sozinha mas na comunidade e devemos também ter presente que uma crise sai melhor ou pior, mas nunca igual [1]. Você me diz que desde o ano passado vem refletindo: partiu, buscando a vontade de Deus com a decisão de aceitá-la, fosse ela qual fosse. Concordo com você em chamar a triste história de abuso sexual e a maneira como a Igreja lidou com ela de catástrofe até recentemente. Perceber essa hipocrisia no caminho da fé viva é uma graça, é o primeiro passo que devemos dar. Temos que nos apropriar da história, tanto pessoalmente quanto como comunidade. Você não pode ficar indiferente diante desse crime. Assumir isso significa se colocar em crise. Nem todo mundo quer aceitar essa realidade, mas é o único caminho, porque tomar “resoluções” transformadoras sem “colocar a carne na grelha” não leva a lugar nenhum. As realidades pessoais, sociais e históricas são concretas e não devem ser assumidas com ideias; porque as ideias são discutidas (e é bom que o sejam), mas a realidade deve sempre ser assumida e discernida. É verdade que as situações históricas devem ser interpretadas com a hermenêutica da época em que aconteceram, mas isso não nos exime de tomá-las e assumi-las como a história do “pecado que nos assedia”. Portanto, em minha opinião, cada Bispo da Igreja deve assumi-lo e se perguntar o que devo fazer diante desta catástrofe? Fizemos o “mea culpa” diante de tantos erros históricos do passado mais de uma vez em muitas situações, embora não tenhamos participado pessoalmente dessa situação histórica. E essa mesma atitude é o que nos é pedido hoje. Está-se a pedir-nos uma reforma que – neste caso – não consiste em palavras, mas em atitudes que tenham a coragem de se colocarem em crise, de assumirem a realidade seja qual for a consequência. E toda reforma começa por si mesma. A reforma da Igreja foi feita por homens e mulheres que não temeram entrar em crise e se deixar reformar pelo Senhor. É o único caminho, caso contrário não seremos mais do que “ideólogos reformistas” que não colocam a própria carne em jogo. O Senhor nunca aceitou fazer “a reforma” (permita-me a expressão) nem com o projeto fariseu, nem com o saduceu, nem com o zelote, nem com o essênio. Em vez disso, ele fez isso com sua vida, com sua história, com sua carne na cruz. E este é o caminho, aquele que você mesmo, caro irmão, assume quando se demite. Você diz bem em sua carta que enterrar o passado não nos leva a nada. Silêncios, omissões, dar peso excessivo ao prestígio das Instituições só levam ao fracasso pessoal e histórico, e nos levam a conviver com o peso de “ter esqueletos no armário”, como diz o ditado. É urgente “arejar” esta realidade dos abusos e de como a Igreja procedeu, e deixar o Espírito nos conduzir ao deserto da desolação, à cruz e à ressurreição. É o caminho do Espírito que devemos seguir, e o ponto de partida é a humilde confissão: erramos, pecamos. As pesquisas e o poder das instituições não nos salvarão. O prestígio de nossa Igreja que tende a esconder seus pecados não nos salvará; Nem o poder do dinheiro nem a opinião da mídia nos salvarão (muitas vezes dependemos demais deles). Nos salvará abrir a porta para o Único que pode fazê-lo e confessar nossa nudez: “Eu pequei”, “nós pecamos” … e chorar, e gaguejar como podemos que “afasta-te de mim que Eu sou um pecador ”, uma herança que o primeiro Papa os Papas e os Bispos da Igreja. E então sentiremos aquela vergonha curadora que abre as portas para a compaixão e a ternura do Senhor que está sempre perto de nós. Como Igreja, devemos pedir a graça da vergonha e que o Senhor nos salve de ser a desavergonhada prostituta de Ezequiel 16. Gosto de como você termina a carta: “Continuarei com prazer a ser sacerdote e bispo desta Igreja e continuarei a me comprometer a nível pastoral enquanto o mantiver sensato e oportuno. Gostaria de dedicar os próximos anos do meu serviço de forma mais intensa à pastoral e a lutar pela renovação espiritual da Igreja, como V. Exa. Pede incansavelmente ”. E esta é minha resposta, querido irmão. Continue como você propõe, mas como Arcebispo de München und Freising. E se te sentires tentado a pensar que, ao confirmar a tua missão e não aceitar a tua renúncia, este Bispo de Roma (teu irmão que te ama) não te entende, pensas no que Pedro sentiu diante do Senhor quando, à sua maneira, Ele apresentou a renúncia: “afasta-te de mim, sou um pecador”, e ouve a resposta: “apascenta as minhas ovelhas. Com afeto fraterno. FRANCISCO
- AS REALIDADES ESCATOLÓGICAS (PARTE II)
Da Benedictus Deus (Bento XII) a Exsurge Domine (Leão X) 4) Constituição Benedictus Deus de Bento XII (29/01/1336) A Constituição Benedictus Deus de Bento XII é um dos documentos mais importantes do Magistério sobre escatologia; deram-lhe ensejo alguns sermões pronunciados por João XXII, seu predecessor que, a título pessoal e como doutor privado, havia pregado na Festa de Todos os Santos e no terceiro domingo do Advento de 1331 que os eleitos não gozavam da visão de Deus senão depois da ressurreição final. Em 05/01/1332 acrescentou que também os réprobos só padecem completamente o suplício eterno depois do Juízo universal; não que ele negasse que tanto o céu como o inferno começassem, respectivamente, para justos e pecadores, logo após a morte, mas se afastava da doutrina tradicional e sufragava esta novidade invocando o testemunho de alguns santos, particularmente São Bernardo de Claraval⁹. Houve grande clamor e João XXII, depois de ponderar as objeções contrárias, alimentou a intenção de definir a questão no sentido tradicional, mas não teve tempo para isso, porque a morte o colheu quando já havia submetido suas opiniões privadas ao Juízo da Igreja. Coube a Bento XII, dois anos depois da morte do seu predecessor, desfazer a confusão¹⁰. A Constituição Benedictus Deus é um documento ex cathedra, a julgar pelas fórmulas definitórias que emprega: o objetivo primeiro é definir o estado das almas logo após a morte, mas indiretamente examina também em que consiste a bem-aventurança eterna, que é essencialmente a visão imediata de Deus. Além disso, insiste na eternidade, que é uma duração infinita”. O Concílio de Florença e os últimos documentos do Magistério se inspiram nesta constituição”¹¹. Do estado depois da morte “Com a presente constituição, que permanecerá sempre em vigor, definimos com Autoridade Apostólica que: segundo a ordenação geral de Deus, as almas de todos os santos, que morreram antes da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, como também as dos santos Apóstolos, mártires, confessores, virgens e dos outros fiéis mortos depois de terem recebido o santo Batismo de Cristo, nos quais nada havia a purificar quando morreram, ou as [almas] dos que venham a morrer [quando decedent etiam in futurum]¹² sem nada terem que purificar; ou, então, no caso em que tiveram ou tenham algo que purificar, desde que estejam purificadas depois da morte; e as almas das crianças renascidas pelo mesmo Batismo de Cristo, e as [almas] das que hão de ser batizadas, desde que o sejam e vierem a morrer antes do uso da razão: [todas estas almas], imediatamente depois de sua morte e da purificação de que falamos para aqueles que tiverem necessidade dela, ainda antes da reassunção de seus corpos e do Juízo universal, depois da Ascensão do Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, ao céu – estiveram, estão e estarão no céu, admitidos na companhia dos santos anjos, no Reino dos céus e no Paraíso celeste, com Cristo.” “E depois da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo viram e veem a Essência Divina com visão intuitiva e face a face, sem mediação de criatura como objeto de visão [nulla mediante creatura in ratione obiecti visi se habente], mas a Essência Divina se lhes manifesta de modo imediato, sem véus [nude], clara e abertamente; e por esta visão gozam da Essência Divina, e por esta visão e fruição são verdadeiramente bem-aventuradas as almas dos que partiram deste mundo e receberam a vida e o descanso eterno; e as dos que morrerem depois verão também a Essência Divina e Dela gozarão antes do Juízo universal.” “Esta visão da Essência Divina e sua fruição tornam desnecessários [evacuant] nestas almas os atos de Fé e de Esperança, enquanto a Fé e a Esperança são virtudes propriamente teologais [prout fides et spes propriae theologicae sunt virtutes]; além disso, depois que nestas almas começou ou vier a começar esta visão intuitiva e face a face [talis intuitiva ac facialis visio] e sua fruição, esta visão e fruição continuarão a existir ininterruptamente e sem nenhum esvaziamento [evacuatione] da visão e fruição, e continuará até o Juízo final, e daí para toda a eternidade [et ex tunc usque in sempiternum].” “Definimos ainda que, segundo a ordenação geral de Deus, as almas dos que morrem em estado de pecado mortal atual descem ao inferno logo depois da morte [animae decedentium in actuali peccato mortali mox post mortem suam ad inferna descendunt], onde são atormentadas com suplicios infernais [ubi poenis infernalibus cruciantur]; e que, não obstante, no dia do Juízo, todos os homens comparecerão com seus corpos “diante do tribunal de Cristo” para prestar contas dos próprios atos, “a fim de que cada um receba a retribuição das obras feitas, para o bem ou para o mal, enquanto estava no corpo” (2 Cor 5, 10).” 5) Carta Super quibusdam de Clemente VI (29/09/1351) Entre os 74 quesitos propostos por Clemente VI ao mekhitar (consolador) da Armênia, para avaliar a ortodoxia de sua fé, dois são sobre o purgatório e a visão beatífica. [TEXTO: C. BARONIUS, Annales Ecclesiastici, ano 1351, 3, 15]. “Perguntamos se creste e crês que existe o purgatório, ao qual descem as almas dos que morrem em estado de graça, mas que ainda não repararam [satisfecerunt] seus pecados com uma penitência completa.” “Igualmente perguntamos se creste e crês que [estas almas] são atormentadas temporariamente com fogo; e que, uma vez purificadas, ainda antes do dia do Juízo chegam à verdadeira e eterna bem-aventurança, que consiste na visão face a face e no amor [dilectione] de Deus.” 6) Concílio de Florença (XVII ecumênico) Bula Laetentur coeli de Eugênio IV (sess. VI-06/07/1439) O II Concílio de Lyon e o de Florença foram obrigados a voltar a atenção para alguns pontos de atrito entre gregos e latinos a respeito da escatologia. O de Florença não fez senão reproduzir o texto do de Lyon, quase ao pé da letra, servindo-se também da Constituição Benedictus Deus e evitando, portanto, as palavras “fogo” e “purgatório”. Não deixa de acrescentar, porém, a referência à visão de Deus Uno e Trino e à perfeição da visão, proporcionada ao mérito”. Da mesma forma [definimos que] “aqueles que estão verdadeiramente arrependidos, se vierem a morrer em estado de graça [in Dei caritate] antes de terem praticado atos de reparação [satisfecerint] com frutos dignos de penitência (cf. Mt 3,8; Lc 3,8) pelo que cometeram ou omitiram, depois da morte suas almas são purificadas com as penas do purgatório (…), e os sufrágios dos fiéis vivos lhes são proveitosos para alívio destas penas: ou seja, o Sacrifício da Missa [missarum (…) sacrificia], as orações, as esmolas e outras práticas de piedade que os fiéis costumam oferecer pelos outros fiéis, segundo as instituições da Igreja”. Mas “as almas daqueles que, depois de terem recebido o (…) Batismo, não incorreram em nenhuma mancha de pecado, como também aqueles que, depois de terem contraído a mancha do pecado, se purificaram (…), seja enquanto viviam no corpo, seja depois de tê-lo deixado, como já foi dito: [estas almas] são imediatamente recebidas no céu” e contemplam claramente o próprio Deus, tal como Ele é [sicuti est], Uno e Trino; uns, no entanto, de modo mais perfeito que outros, segundo os méritos.” “As almas, porém, dos que morrem em pecado mortal atual, ou apenas com o pecado original, precipitam-se imediatamente no inferno para serem punidas, mas com penas desiguais”. 7) Bula Exsurge Domine de Leão X (15/06/1520) Num primeiro momento Lutero não achava dificuldade em aceitar o purgatório, mas negava que sua existência pudesse ser provada pela Sagrada Escritura; foi esta a tese do heresiarca na disputa de Leipzig (1519). Na realidade, ele contestava a canonicidade dos dois livros dos Macabeus, onde está a passagem clássica sobre o sufrágio pelos mortos (2 Mc 12, 41-46). Mais tarde, porém (1530), negou tudo, segundo a lógica do seu sistema: admitida a justificação só pela fé, a que é atribuída a justiça de Cristo, não pode haver lugar para um estado intermediário entre a condenação e a salvação eterna. O homem em si mesmo continua sempre pecador e merecedor da condenação eterna; se a sua fé lhe garante a justiça de Cristo, que é infinita, então esta justificação se torna perfeita e nada mais lhe pode retardar a salvação. Por isso, para Lutero, a intervenção da Igreja com as indulgências e a intercessão dos santos tornam-se supérfluas. Os reformadores ortodoxos seguem fielmente esta teoria até os nossos dias. Esta a razão por que o Concílio de Trento incluiu a doutrina sobre o purgatório no decreto sobre a justificação. A Bula Exsurge Domine condena quatro proposições luteranas sobre o purgatório: como dissemos, naquele tempo o herege discordava da Fé católica, mas ainda não chegava a negá-la explicitamente. [Proposições condenadas] “37. Não se pode provar o purgatório com nenhum texto canônico da Sagrada Escritura.” “38. As almas no purgatório não estão seguras de sua salvação, pelo menos nem todas: e não está provado, nem pela razão, nem pelas Escrituras, que elas estejam fora do estado de poder merecer ou aumentar a Caridade.” “39. As almas no purgatório pecam continuamente, enquanto buscarem o descanso e tiverem horror das penas.” “40. As almas saídas do purgatório pelos sufrágios dos vivos gozam de menor bem-aventurança [minus beantur] do que se tivessem feito a reparação por si mesmas [si per se satisfecissent].” #Apocalipse #Apologética
- Padre é multado por celebrar a Santa Missa no Rio Grande do Sul
Ação da prefeitura “fere frontalmente a lei estadual”, afirma o pároco O padre Cristiano Cardoso Pereira, pároco da Igreja Matriz de Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, foi multado por celebrar Missa no fim de semana do dia 6 de junho de 2021. Na data, o município passava por uma série de restrições visando conter o avanço da pandemia de Covid-19. Como medida de enfrentamento ao coronavírus, um decreto municipal proíbe as celebrações religiosas com a presença de público na cidade. A medida está em vigor desde o dia 1.º de junho de 2021. Entretanto, o padre alegou que um decreto estadual considera os cultos religiosos como atividades essenciais no Rio Grande do Sul. E, seguindo esse raciocínio, ele poderia celebrar a Missa. “Ademais do choque legal entre os referidos diplomas, é por bem do razoável consultar a comunidade a fim de que não ocorra injustiças de nenhuma natureza, como foi o caso concreto. A fé e a vida religiosa bem vivida são comprovadamente motivo de aumento da imunidade do corpo e equilíbrio psíquico, temas já amplamente debatido no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado e que construíram o referido diploma estadual”, afirmou o padre multado em cerca de R$ 1,1 mil. O padre multado e a lei estadual De acordo com a Procuradoria Geral do Estado do Rio Grande do Sul, as celebrações religiosas podem ocorrer no estado, desde que se obedeçam as medidas de prevenção ao coronavírus, como distanciamento social, uso de máscara e limite de 25% de ocupação da capacidade dos templos. Entretanto, a PGE alerta que os municípios podem adotar regras mais rígidas do que as estabelecidas pelo estado ou restringir serviços tidos como essenciais pela lei estadual desde que haja justificativa para isso. O sacerdote disse à ACI Digital que protocolou “na prefeitura pedido para inclusão das atividades religiosas como serviços essenciais e também tentamos falar com o prefeito, mas ele não nos respondeu”. O padre multado também alegou que o bispo da cidade tinha conhecimento de que ele celebraria a Missa. Já a prefeitura do município informou que antes de aplicar a multa, orientou o padre sobre o decreto. A prefeitura também registrou um boletim de ocorrência na polícia contra o sacerdote. Padre vai recorrer Padre Cristiano afirmou que vai recorrer da multa, mas não vai “retroceder”. Ele pediu que os fiéis continuem orando contra o que chama de perseguição contra a Igreja. Padre multado por Missa denuncia choque legal e atropelo a direito essencial em município do Rio Grande do Sul: aconteceu em Santa Vitória do Palmar, cuja prefeitura proibiu, via decreto, as celebrações religiosas na cidade sob a justificativa da contenção da pandemia de covid-19. O padre Cristiano Cardoso Pereira, no entanto, reafirma que as atividades religiosas são consideradas essenciais no estado do Rio Grande do Sul e que, portanto, mesmo multado, não vai parar de celebrar as Missas. “Nossa Senhora nos alertou contra o comunismo e todos os males que perseguem a igreja e a liberdade religiosa. Então, temos que apelar à nossa mãezinha. Rezem também pelos sacerdotes que estão em situações como esta, mas não contam com apoio ou se sentem sozinhos nessa luta. Que Nossa Senhora encontre esses sacerdotes e também os fiéis leigos, para que eles tenham coragem”, afirmou o sacerdote. Padre multado por Missa A ocorrência alegava infração de medida sanitária preventiva e se baseava no artigo 268 do Código Penal, que atribui multa e detenção de um a doze meses para quem infringe “determinação do poder público destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa”. O padre Cristiano declarou à agência ACI Digital que, na manhã de domingo, um oficial de Justiça lhe apresentou um mandado que o impedia de celebrar a Missa e que determinava multa de 10 mil reais em caso de desobediência. O pároco resolveu celebrar mesmo assim, atendo-se ao “quadro de proteção sanitária com limite de pessoas, uso de álcool, máscaras, higienização”. E acrescentou: “Dentro dessas condições, a igreja ficou cheia, o que mostra que os fiéis querem sua liberdade religiosa e precisam ir à Missa”. De acordo com as declarações do próprio pe. Cristiano à ACI Digital, o bispo da diocese do Rio Grande, dom Ricardo Hoepers, está informado e acompanha o caso com auxílio de advogados: “Ele disse que estava comigo se eu decidisse celebrar a Missa”. Choque legal e atropelo a direito essencial O pároco reforçou que vai recorrer, ao mesmo tempo em que deve defender o direito à liberdade de culto religioso com amparo na constuição brasileira, na lei estadual gaúcha nº 15.548, de 4 de novembro de 2020, que reconhece explicitamente as atividades religiosas como essenciais, e nas próprias medidas gerais implementadas para evitar responsavelmente os contágios pelo coronavírus: “Tenho aqui meus livros e duas gaitas, podem leiloar. Enquanto eu tiver forças, vou abrir a igreja”. Quanto ao fato de que o plano de ação da prefeitura “fere frontalmente a lei estadual”, o pároco acrescenta: “Ademais do choque legal entre os referidos diplomas, é por bem do razoável consultar a comunidade a fim de que não ocorram injustiças de nenhuma natureza, como foi o caso concreto. A fé e a vida religiosa bem vivida são comprovadamente motivo de aumento da imunidade do corpo e equilíbrio psíquico, temas já amplamente debatido no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado e que construíram o referido diploma estadual”. Fonte: Aleteia #Coronavírus #Pandemia
- Padre é multado por celebrar a Santa Missa no Rio Grande do Sul
Ação da prefeitura “fere frontalmente a lei estadual”, afirma o pároco O padre Cristiano Cardoso Pereira, pároco da Igreja Matriz de Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, foi multado por celebrar Missa no fim de semana do dia 6 de junho de 2021. Na data, o município passava por uma série de restrições visando conter o avanço da pandemia de Covid-19. Como medida de enfrentamento ao coronavírus, um decreto municipal proíbe as celebrações religiosas com a presença de público na cidade. A medida está em vigor desde o dia 1.º de junho de 2021. Entretanto, o padre alegou que um decreto estadual considera os cultos religiosos como atividades essenciais no Rio Grande do Sul. E, seguindo esse raciocínio, ele poderia celebrar a Missa. “Ademais do choque legal entre os referidos diplomas, é por bem do razoável consultar a comunidade a fim de que não ocorra injustiças de nenhuma natureza, como foi o caso concreto. A fé e a vida religiosa bem vivida são comprovadamente motivo de aumento da imunidade do corpo e equilíbrio psíquico, temas já amplamente debatido no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado e que construíram o referido diploma estadual”, afirmou o padre multado em cerca de R$ 1,1 mil. O padre multado e a lei estadual De acordo com a Procuradoria Geral do Estado do Rio Grande do Sul, as celebrações religiosas podem ocorrer no estado, desde que se obedeçam as medidas de prevenção ao coronavírus, como distanciamento social, uso de máscara e limite de 25% de ocupação da capacidade dos templos. Entretanto, a PGE alerta que os municípios podem adotar regras mais rígidas do que as estabelecidas pelo estado ou restringir serviços tidos como essenciais pela lei estadual desde que haja justificativa para isso. O sacerdote disse à ACI Digital que protocolou “na prefeitura pedido para inclusão das atividades religiosas como serviços essenciais e também tentamos falar com o prefeito, mas ele não nos respondeu”. O padre multado também alegou que o bispo da cidade tinha conhecimento de que ele celebraria a Missa. Já a prefeitura do município informou que antes de aplicar a multa, orientou o padre sobre o decreto. A prefeitura também registrou um boletim de ocorrência na polícia contra o sacerdote. Padre vai recorrer Padre Cristiano afirmou que vai recorrer da multa, mas não vai “retroceder”. Ele pediu que os fiéis continuem orando contra o que chama de perseguição contra a Igreja. Padre multado por Missa denuncia choque legal e atropelo a direito essencial em município do Rio Grande do Sul: aconteceu em Santa Vitória do Palmar, cuja prefeitura proibiu, via decreto, as celebrações religiosas na cidade sob a justificativa da contenção da pandemia de covid-19. O padre Cristiano Cardoso Pereira, no entanto, reafirma que as atividades religiosas são consideradas essenciais no estado do Rio Grande do Sul e que, portanto, mesmo multado, não vai parar de celebrar as Missas. “Nossa Senhora nos alertou contra o comunismo e todos os males que perseguem a igreja e a liberdade religiosa. Então, temos que apelar à nossa mãezinha. Rezem também pelos sacerdotes que estão em situações como esta, mas não contam com apoio ou se sentem sozinhos nessa luta. Que Nossa Senhora encontre esses sacerdotes e também os fiéis leigos, para que eles tenham coragem”, afirmou o sacerdote. Padre multado por Missa A ocorrência alegava infração de medida sanitária preventiva e se baseava no artigo 268 do Código Penal, que atribui multa e detenção de um a doze meses para quem infringe “determinação do poder público destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa”. O padre Cristiano declarou à agência ACI Digital que, na manhã de domingo, um oficial de Justiça lhe apresentou um mandado que o impedia de celebrar a Missa e que determinava multa de 10 mil reais em caso de desobediência. O pároco resolveu celebrar mesmo assim, atendo-se ao “quadro de proteção sanitária com limite de pessoas, uso de álcool, máscaras, higienização”. E acrescentou: “Dentro dessas condições, a igreja ficou cheia, o que mostra que os fiéis querem sua liberdade religiosa e precisam ir à Missa”. De acordo com as declarações do próprio pe. Cristiano à ACI Digital, o bispo da diocese do Rio Grande, dom Ricardo Hoepers, está informado e acompanha o caso com auxílio de advogados: “Ele disse que estava comigo se eu decidisse celebrar a Missa”. Choque legal e atropelo a direito essencial O pároco reforçou que vai recorrer, ao mesmo tempo em que deve defender o direito à liberdade de culto religioso com amparo na constuição brasileira, na lei estadual gaúcha nº 15.548, de 4 de novembro de 2020, que reconhece explicitamente as atividades religiosas como essenciais, e nas próprias medidas gerais implementadas para evitar responsavelmente os contágios pelo coronavírus: “Tenho aqui meus livros e duas gaitas, podem leiloar. Enquanto eu tiver forças, vou abrir a igreja”. Quanto ao fato de que o plano de ação da prefeitura “fere frontalmente a lei estadual”, o pároco acrescenta: “Ademais do choque legal entre os referidos diplomas, é por bem do razoável consultar a comunidade a fim de que não ocorram injustiças de nenhuma natureza, como foi o caso concreto. A fé e a vida religiosa bem vivida são comprovadamente motivo de aumento da imunidade do corpo e equilíbrio psíquico, temas já amplamente debatido no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado e que construíram o referido diploma estadual”. Fonte: Aleteia #Coronavírus #Pandemia
- DE VOLTA À ROÇA
No princípio era o “homem da roça”. Mais tarde é que surgiu o homem da pequena cidade e só muito depois o habitante das metrópoles, mais ou menos alheio a plantas e árvores, longe da terra e dos bichos, quase indiferente aos vaivéns da natureza e das estações. Não nos interessa, aqui, falar do camponês idealizado dos poetas árcades ou românticos, nem a sua animalização deformadora operada por escritores realistas ou naturalistas (exemplo extremo é a caricatura do caipira feita por Monteiro Lobato), mas o homem da roça verdadeiro, sujeito às chuvas e trovoadas da condição humana, ferido pelo pecado original e pelas contingências da natureza. O “homem da roça” — convém chamá-lo assim, em vez do termo livresco “camponês”, para o diferenciar do homem urbano desenraizado —, era produto daquele “mundo antigo”, que hoje muitos demonizam e praticamente já não existe mais. Era, antes de tudo, um forte, como dizia Euclides da Cunha. Não tinha outra saída além de ser forte, pois a isto o obrigava a realidade difícil e muitas vezes inóspita em que vivia, com suas permanentes exigências. O prazer, para ele, era algo muito volátil, circunscrito a um único dia da semana, e isso quando algum imprevisto não lhe requisitava, também, um bom pedaço do sétimo dia, teoricamente feito para o descanso e a oração. Além de treinado pelos vaivéns da natureza e das estações (cuja instabilidade nem sempre garantia ao trabalho o êxito esperado), pelas dificuldades em realizar as coisas mais banais do dia a dia (preparo dos alimentos, necessidades fisiológicas, cuidados com o corpo), crescia aprendendo a respeitar os que tinham vivido antes dele, com os quais havia aprendido tudo o que sabia. O antigo homem da roça era, por natureza, culturalmente conservador: não podia dar-se ao luxo de experimentar novas soluções para problemas que se repetiam quase sempre os mesmos, e para os quais os antepassados já tinham uma resposta convincente. Mudanças, quando havia, eram algo imposto pela realidade e dependentes da inteligência individual, não por uma caprichosa subjetividade disposta a novas experiências. Era obrigado a aceitar limites, aprendia a desejar as coisas mais simples, usualmente não apreciava a promiscuidade. Em geral sentia-se, por força da educação que recebera e pelas imposições do próprio ofício, mais atraído pela ordem que pelo caos. Aquele antigo “homem da roça”, enquanto persiste em subsistir nalgum recanto da alma do homem urbano, despreza a pretensão moderna de criar uma sociedade artificial, com a tecnologia substituindo toda e qualquer atividade individual; uma sociedade em que todas as funções humanas, materiais e mentais, sejam potenciadas por extensões mecânicas, elétricas e eletrônicas, como pretende agora a ideologia trans-humanista, que não passa de filosofia para crianças mimadas (mas que, de certo modo, já é uma deplorável realidade hoje em dia). Quem tudo delega às ferramentas, em especial às eletrônicas, e cruza os braços, será necessariamente mais fraco, inicialmente no aspecto físico, e, em seguida, no plano psíquico. Desfibra-se à medida que corta as raízes com as coisas mais elementares — água, terra, fogo e ar —, que o filósofo grego pré-socrático Empédocles acreditava estar na origem do universo, mas que estão, seguramente, no dia a dia do homem da roça: o chão em que ele lança a semente para germinar, o precioso líquido que faz a plantar crescer, o sol que alimenta a planta nascente, o oxigênio que ele e seus animais aspiram para continuar vivos e operantes. O homem atual transformou-se, espiritual e existencialmente, numa frágil porcelana chinesa amparada por recursos tecnológicos de toda espécie. Delicado e desarmado, foi treinado desde cedo a delegar ao Estado, cada vez mais abstrato e ao mesmo tempo onipresente, a segurança e a proteção que antes esperava da família ou do círculo social imediatamente mais próximo. O “homem da roça” está de fato condenado a desaparecer? Não, obrigatoriamente. É possível ser e até estar na roça — nessa “roça íntima”, feita da plena consciência de que não se podem cortar os vínculos com as coisas elementares — até mesmo quando exilado num pequeno apartamento de cidade grande. Onde quer que esteja, pode o homem ser um caipira em espírito, não muito diferente daquele “pobre em espírito” de que falava Jesus no Sermão da Montanha: basta exercitar os músculos da alma na prática das virtudes.
- É possível se comunicar com a vida após a morte?
Nós, cristãos católicos, acreditamos na imortalidade da alma e professamos nossa fé “na comunhão dos santos”. Não seria possível, então, que os falecidos se comunicassem conosco? Nós cristãos católicos admitimos e proclamamos a imortalidade da alma. Cremos na sua sobrevivência consciente logo depois da separação do corpo pela morte. Acreditamos que as almas dos falecidos continuam solidárias com os que ainda vivemos nesta peregrinação terrestre. Professamos nossa fé na comunhão dos santos. Podemos comunicar-nos com os falecidos mediante a oração invocativa. Não seria possível, então, que os falecidos também se comunicassem conosco? A doutrina cristã sobre a comunhão dos santos se refere à comunicação mútua de bens espirituais, no plano inteiramente imperceptível da fé. É certo que a Bíblia menciona várias vezes aparições perceptíveis de espíritos do além. Assim o evangelista Lucas nos relata que “o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando na casa onde ela estava, disse-lhe: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 26-28). Jesus ressuscitado apareceu a Saulo a caminho de Damasco e falou com ele (cf. At 9). A Igreja aprovou aparições de Nossa Senhora em Lourdes e em Fátima. Trata-se, nestes casos, evidentemente, de comunicações perceptíveis vindas do além. A fé cristã, por conseguinte, admite não somente a mera possibilidade de comunicações sensíveis, mas afirma fatos reais deste tipo de trato entre o além e o aquém. Não devemos, porém, esquecer que Lucas nos informa que o Anjo “foi enviado por Deus”. Quem negará a Deus todo-poderoso a capacidade de enviar-nos seus mensageiros? Quando Deus manda, a iniciativa é sua; e a conseqüente manifestação do além toma para nós um caráter espontâneo. Bem outra é a situação quando a iniciativa é nossa, querendo nós provocar alguma conversação com entidade do além. Quem pretende provocar a manifestação de algum falecido para dele receber mensagem ou notícia pratica um ato chamado pelos antigos de necromancia, expressão que vem do grego nekrós = falecido e mantéia = adivinhação. E quem intenta comunicar-se com o além com o fim de colocá-lo a serviço do homem realiza um ato já conhecido pelos antigos como magia. Quando a esperada ação da evocada entidade do além é a favor do homem ou para o bem, chama-se magia branca, mas será sempre “magia”. E se for para o mal, será magia negra ou malefício, feitiçaria, bruxaria. Tais comunicações provocadas do além, seja na forma de necromancia, seja na de magia (branca ou negra, pouco importa), são conhecidas também como evocação. Há diferença fundamental entre invocação e evocação: esta sempre pretende uma comunicação perceptível provocada por iniciativa do homem; aquela é apenas uma forma de prece ou súplica. É evidente que a invocação é um ato bom e cristão, expressão da comunhão dos santos. Leia também Ou somos Católicos ou somos Espíritas – não podemos servir a dois senhores! – Pe. José Augusto Mas que dizer da evocação? Para esta pergunta recebemos da revelação divina resposta clara e insistente: Êxodo 22, 17: “Não deixarás viver os feiticeiros”. Aqui, a palavra “feiticeiros” engloba todos aqueles que praticam qualquer tipo de evocação: necromantes e magos, sem excluir os que se entregam à magia branca. Deviam ser condenados à morte. Levítico 19, 31: “Não vos voltareis para os necromantes nem consultareis os adivinhos, pois eles vos contaminariam. Eu sou Iahweh, vosso Deus”. Levítico 20, 6: “Aquele que recorrer aos necromantes e aos adivinhos para ter comunicação com eles, voltar-me-ei contra esse homem e o exterminarei do meio de seu povo”. Portanto são condenados também aqueles que simplesmente consultam os necromantes. Levítico 20, 27: “O homem ou a mulher que entre vós forem necromantes ou adivinhos serão mortos; serão apedrejados, e o seu sangue cairá sobre eles”. Deuteronômio 18, 10-14: “Que em teu meio não se encontre alguém que faça presságio, oráculos, adivinhação ou magia, ou que pratique encantamentos, que interrogue espíritos ou adivinhos, ou evoque os mortos, pois quem pratica essas coisas é abominável a Iahweh, e é por causa dessas abominações que Iahweh teu Deus os desalojará em teu favor. Tu serás íntegro para com Iahweh teu Deus. Eis que as nações que vais conquistar ouvem oráculos e adivinhos. Quanto a ti, isso não te é permitido por Iahweh teu Deus”. 2 Reis 17, 17, enumerando as infidelidades de Israel, pelos quais foi castigado: “… Praticaram a adivinhação e a feitiçaria e venderam-se para fazer o mal na presença de Iahweh, provocando sua ira. Então Iahweh irritou-se sobremaneira contra Israel e arrojou-o para longe de sua face…” 2 Reis 21, 6: descrição dos crimes do rei Manassés: “Praticou encantamentos e a adivinhação, estabeleceu necromantes e adivinhos e multiplicou as ações que Iahweh considera más, provocando assim a sua ira”. Isaías 8, 19-20: o profeta se levanta contra aqueles que dizem: “Consultai os necromantes e os adivinhos que sussurram e murmuram”. Destaque especial merece a consulta do rei Saul à necromante de Endor, narrada em 1 Samuel 28, 3-25. Estando em dificuldades na guerra contra os filisteus, e sem saber o que fazer, o rei Saul disse aos seus servos: “Buscai-me uma necromante para que eu lhe fale e a consulte”. Informaram-lhe os servos que havia uma na localidade de Endor, ao sul do monte Tabor. Saul então disfarçou-se e, de noite, acompanhado de dois homens, foi à casa da necromante (os espíritas diriam “médium”) e lhe pediu para evocar o falecido Samuel. Segundo o texto, Samuel de fato compareceu e disse a Saul: “Por que perturbas o meu repouso, evocando-me?” Saul respondeu: “É que estou em grandes angústias. Os filisteus guerreiam contra mim, Deus se afastou de mim, não me responde mais. Então vim te chamar para que me digas o que tenho que fazer”. Respondeu Samuel: “Por que me consultas, se Iahweh se afastou de ti e se tornou teu adversário?” E lhe anunciou os castigos de Deus. Em Eclesiástico 46, 20 lemos a respeito deste caso de evocação: “Mesmo depois de morrer, (Samuel) profetizou, anunciou ao rei (Saul) seu fim, do seio da terra elevou sua voz para profetizar, para apagar a iniqüidade do povo”. Segundo os textos citados, parece que se deve admitir que o falecido Samuel, evocado pela necromante de Endor, realmente compareceu. Todo o contexto, todavia, deixa evidente que se trata de caso excepcional, sendo a evocação não a causa, mas a ocasião aproveitada por Deus para autorizar o comparecimento do falecido profeta e anunciar os castigos ao rei desobediente e infiel. Deste episódio singular não se pode inferir que nos outros casos os necromantes e magos conseguissem de fato fazer comparecer os falecidos evocados. Aliás, em 1 Crônicas 10, 13-14, somos assim informados acerca do fim do rei: “Saul pereceu por se ter mostrado infiel para com Iahweh, não seguira a palavra de Iahweh e, além disso, interrogara e consultara uma necromante. Não consultou a Iahweh, que o fez perecer e transferiu a realeza a Davi, filho de Jessé“. Clara, repetida, enérgica e severíssima é, pois, a proibição divina de evocar os falecidos. E este mandamento divino não foi revogado na Nova Aliança. Eis alguns exemplos: Em Atos 13, 6-12, Paulo e Barnabé encontram em Patos um judeu “mago e falso profeta”, que se opunha à missão apostólica dos dois. Paulo, repleto do Espírito Santo, lhe disse: “Filho do diabo, cheio de toda a falsidade e malícia, inimigo de toda justiça, não cessas de perverter os retos caminhos do Senhor? Eis que agora o Senhor faz pesar sobre ti a sua mão”. Em Atos 16, 16-18, Paulo, estando em Filipos, dá com uma jovem escrava “que tinha um espírito de adivinhação e obtinha para seus amos muito lucro, por meio de oráculos”. Paulo disse ao espírito que estava na jovem: “Eu te ordeno em nome de Jesus Cristo: sai desta mulher!” E o espírito saiu no mesmo instante. Em Atos 19, 11-20 descreve-se a atividade e a pregação de Paulo em Éfeso, com este resultado: “Muitos daqueles que haviam crido vinham-se confessar e revelar suas práticas. Grande número dos que se haviam dado à magia amontoavam os seus livros e os queimavam em presença de todos. E estimaram o valor deles em cinqüenta mil peças de prata”. Deviam ser muitos os livros de magia! O fato de eles queimarem estes livros só se explica se admitirmos que o Apóstolo falou fortemente contra as práticas da magia. Na carta aos Gálatas (5, 20-21) declara o mesmo Apóstolo que os que praticam a magia “não herdarão o Reino de Deus”. E São João, no Apocalipse, revela que a porção dos magos se encontra no lago ardente de fogo e enxofre (21, 8); e que, na hora do julgamento, os magos ficarão de fora da Cidade Eterna (22, 15). Leia também POR QUE NÃO SOU PROTESTANTE? Posteriormente, a Igreja sempre se manteve fiel a esta rigorosa interdição divina de evocar os falecidos. No último Concílio, o Vaticano II, em 1964, a Constituição Lumen Gentium, temendo que a doutrina sobre nossa comunicação espiritual com os falecidos pudesse dar azo a interpretações do tipo espiritista, acrescentou ao texto do n. 49 a nota n. 2 (no site do Vaticano, n. 147), “contra qualquer forma de evocação dos espíritos“, coisa que, esclareceu a comissão teológica responsável pela redação do texto, nada tem a ver com a “sobrenatural comunhão dos santos”. A comissão definiu então mais claramente o que se proibia: “A evocação pela qual se pretende provocar, por meios humanos, uma comunicação perceptível com os espíritos ou as almas separadas, com o fim de obter mensagens ou outros tipos de auxílio”. O Concílio Vaticano II nos remete então a vários documentos anteriores da Santa Sé (já no dia 27 de setembro de 1258 o papa Alexandre IV falara disso), principalmente à declaração de 4 de agosto de 1856 (cf. Denz. 2823-2825) e à resposta de 24 de abril de 1917 (cf. Denz. 3642). Na declaração de 4 de agosto de 1856, precisamente quando Allan Kardec se iniciava no espiritismo, era repetida a proibição de “evocar as almas dos mortos e pretender receber suas respostas”. No documento de 24 de abril de 1917 se declarava ilícito “assistir a sessões ou manifestações espiritistas, sejam elas realizadas ou não com o auxílio de um médium, com ou sem hipnotismo, sejam quais forem estas sessões ou manifestações, mesmo que aparentemente simulem honestidade ou piedade; quer interrogando almas ou espíritos, ou ouvindo-lhes as respostas, quer assistindo a elas com o pretexto tácito ou expresso de não querer ter qualquer relação com espíritos malignos”. No dia 31 de março de 1892 a Santa Sé publicou sua resposta oficial a um caso imaginado de evocação no qual as circunstâncias descritas eram as mais favoráveis. Eis a exposição do caso, a pergunta e a resposta: “Tito, depois de excluir qualquer comunicação com o mau espírito, tem o costume de evocar as almas dos defuntos. Costuma proceder da seguinte maneira: Quando está só, sem outra preparação, dirige uma prece ao príncipe da milícia celeste a fim de obter dele o poder de comunicar-se com o espírito de determinada pessoa. Espera algum tempo; depois, enquanto conserva a mão pronta para escrever, sente um impulso que lhe dá a certeza da presença do espírito. Expõe então as coisas que deseja saber e sua mão escreve as respostas a estas questões. Tais respostas concordam inteiramente com a fé católica e a doutrina da Igreja acerca da vida futura. Geralmente elas falam sobre o estado em que se encontra a alma do tal falecido, pedem sufrágios etc. É lícito proceder desta maneira?” — A resposta oficial, aprovada pelo papa Leão XIII, foi categórica: “O que foi exposto não é permitido“. Leia também Sábado Santo: Que está acontecendo hoje? – A descida do Senhor à mansão dos mortos “A alma de Lázaro levada para junto de Abraão”, Mestre de James IV da Escócia. Os falecidos podem nos trazer mensagens do além? Para sabermos o que acontece depois da morte, não necessitamos perturbar o repouso dos falecidos. Deus escolheu outro caminho para nos instruir sobre o sentido da vida e o destino eterno que teremos. Não é permitido, como já vimos, evocar as almas de pessoas que já morreram, prática muito comum no espiritismo. Mas por que tão rigorosa interdição, afinal? Não poderíamos ser positivamente ajudados pela instrução dos falecidos? Ou quererá Deus deixar-nos na ignorância acerca dos acontecimentos depois da morte? O próprio Jesus nos deu a resposta na parábola do pobre Lázaro e do rico epulão (cf. Lc 16, 19-31). Ambos morrem e são julgados, cada um de acordo com a vida que levou nesta terra. Lázaro “foi levado pelos anjos ao seio de Abraão”, isto é, ao céu. O rico avarento é condenado ao inferno. A diferença entre os dois, depois da morte, é grande. O falecido rico gozador implora: “Pai Abraão, tem piedade de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo para me refrescar a língua, pois estou torturado nesta chama”. Mas a separação entre ambos é definitiva e a comunicação, impossível. A resposta do céu é clara e dura: “Entre vós e nós existe um grande abismo, de modo que aqueles que quiserem passar daqui para junto de vós não o podem, nem tampouco atravessarem os de lá até nós” (v. 26). O falecido epulão insiste num pedido com filantrópica proposta: “Pai, eu te suplico, envia então Lázaro até a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; que ele os advirta, para que não venham eles também para este lugar de tormento”. Era uma sugestão que parecia muito boa. Estabelecer-se-ia um útil intercâmbio entre os do além, com seus novos conhecimentos, e os da terra, sempre necessitados de esclarecimento e orientação. No entanto, a resposta do céu é seca: “Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam!” (v. 29). Mas o proponente insiste, com uma justificação: “Não, pai Abraão, se alguém dentre os mortos for procurá-los, eles se converterão”. A razão parecia óbvia. É a solução proposta também pelos atuais movimentos espiritistas. Se é verdade que as almas dos falecidos sobrevivem conscientemente e que elas continuam solidárias conosco, afirmações que são corroboradas pela Bíblia e ensinadas pela Igreja Católica, por que não poderia o Criador escolher esta via para trazer revelações úteis do além? A resposta do céu, entretanto, segundo Jesus, é sem rodeios: “Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão” (v. 31). É a rejeição pura e simples da via espiritista [1]. Leia também Aprenda porque os católicos rezam pelos mortos? Deus certamente “quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4). Ele não quer deixar-nos na ignorância. Mas o Criador dos homens escolheu outra via para instruí-los sobre o sentido da vida e o destino eterno. Na Constituição dogmática Dei Verbum, de 1965, o Concílio Vaticano II resume no n. 2 assim o plano divino da revelação: Aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e tomar conhecido o mistério de sua vontade (cf. Ef 1, 9), pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, e, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina. Mediante esta revelação, portanto, o Deus invisível, levado por seu grande amor, fala aos homens como a amigos (cf. Ex 33, 11; Jo 15, 14-15), e com eles se entretém para os convidar à comunhão consigo e nela os receber. Este plano de revelação se concretiza através de acontecimentos e palavras intimamente conexos entre si, de forma que as obras realizadas por Deus na história da salvação manifestam e corroboram os ensinamentos e as realidades significadas pelas palavras. Estas, por sua vez, proclamam as obras e elucidam o mistério nelas contido. No entanto, o conteúdo profundo da verdade, seja a respeito de Deus, seja da salvação do homem, se nos manifesta por meio dessa revelação em Cristo, que é ao mesmo tempo mediador e plenitude de toda a revelação. Deste plano de revelação estão excluídos os falecidos. Depois de Moisés e dos Profetas, Deus nos enviou seu Filho, o Verbo eterno que ilumina todos os homens, para que habitasse entre os homens e lhes expusesse os segredos de Deus (cf. Jo 1, 1-18). Com Jesus recebemos a plenitude da revelação necessária para a nossa salvação. Ele se apresenta a si mesmo com uma declaração solene: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6). Ele está “cheio de verdade” (Jo 1, 14). “Nele se acham escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl 2, 3). Ele é pessoalmente o anunciado e prometido Emanuel, Deus-com-os-homens. Ele é para nós como a nuvem luminosa do Êxodo: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12). Ele é a luz das gentes (cf. Lc 2, 32), o sol nascente que ilumina os que estão nas trevas (cf. Lc 1, 78s). “Eu, a luz, vim ao mundo para que aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (Jo 12, 46). Não necessitamos perturbar o repouso dos falecidos (cf. 1Sm 28, 15). O Concílio Vaticano II, na citada Constituição Dei Verbum (n. 4b), nos garante que “a economia cristã, como aliança nova e definitiva, jamais passará, e já não há que esperar nenhuma nova revelação pública antes da gloriosa manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 1Tm 6, 14; Tt 2, 13)”. Não haverá “terceira revelação”. O espiritismo, que pretende ser precisamente esta “terceira revelação”, não só não entra nos planos de Deus Revelador, mas se opõe à economia divina. Fonte: Frei Boaventura Kloppenburg por Equipe Christo Nihil Praeponere Leia também Ou somos Católicos ou somos Espíritas – não podemos servir a dois senhores! – Pe. José Augusto #Espiritismo #FormaçõesCatólicas
- É possível se comunicar com a vida após a morte?
Nós, cristãos católicos, acreditamos na imortalidade da alma e professamos nossa fé “na comunhão dos santos”. Não seria possível, então, que os falecidos se comunicassem conosco? Nós cristãos católicos admitimos e proclamamos a imortalidade da alma. Cremos na sua sobrevivência consciente logo depois da separação do corpo pela morte. Acreditamos que as almas dos falecidos continuam solidárias com os que ainda vivemos nesta peregrinação terrestre. Professamos nossa fé na comunhão dos santos. Podemos comunicar-nos com os falecidos mediante a oração invocativa. Não seria possível, então, que os falecidos também se comunicassem conosco? A doutrina cristã sobre a comunhão dos santos se refere à comunicação mútua de bens espirituais, no plano inteiramente imperceptível da fé. É certo que a Bíblia menciona várias vezes aparições perceptíveis de espíritos do além. Assim o evangelista Lucas nos relata que “o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando na casa onde ela estava, disse-lhe: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 26-28). Jesus ressuscitado apareceu a Saulo a caminho de Damasco e falou com ele (cf. At 9). A Igreja aprovou aparições de Nossa Senhora em Lourdes e em Fátima. Trata-se, nestes casos, evidentemente, de comunicações perceptíveis vindas do além. A fé cristã, por conseguinte, admite não somente a mera possibilidade de comunicações sensíveis, mas afirma fatos reais deste tipo de trato entre o além e o aquém. Não devemos, porém, esquecer que Lucas nos informa que o Anjo “foi enviado por Deus”. Quem negará a Deus todo-poderoso a capacidade de enviar-nos seus mensageiros? Quando Deus manda, a iniciativa é sua; e a conseqüente manifestação do além toma para nós um caráter espontâneo. Bem outra é a situação quando a iniciativa é nossa, querendo nós provocar alguma conversação com entidade do além. Quem pretende provocar a manifestação de algum falecido para dele receber mensagem ou notícia pratica um ato chamado pelos antigos de necromancia, expressão que vem do grego nekrós = falecido e mantéia = adivinhação. E quem intenta comunicar-se com o além com o fim de colocá-lo a serviço do homem realiza um ato já conhecido pelos antigos como magia. Quando a esperada ação da evocada entidade do além é a favor do homem ou para o bem, chama-se magia branca, mas será sempre “magia”. E se for para o mal, será magia negra ou malefício, feitiçaria, bruxaria. Tais comunicações provocadas do além, seja na forma de necromancia, seja na de magia (branca ou negra, pouco importa), são conhecidas também como evocação. Há diferença fundamental entre invocação e evocação: esta sempre pretende uma comunicação perceptível provocada por iniciativa do homem; aquela é apenas uma forma de prece ou súplica. É evidente que a invocação é um ato bom e cristão, expressão da comunhão dos santos. Leia também Ou somos Católicos ou somos Espíritas – não podemos servir a dois senhores! – Pe. José Augusto Mas que dizer da evocação? Para esta pergunta recebemos da revelação divina resposta clara e insistente: Êxodo 22, 17: “Não deixarás viver os feiticeiros”. Aqui, a palavra “feiticeiros” engloba todos aqueles que praticam qualquer tipo de evocação: necromantes e magos, sem excluir os que se entregam à magia branca. Deviam ser condenados à morte. Levítico 19, 31: “Não vos voltareis para os necromantes nem consultareis os adivinhos, pois eles vos contaminariam. Eu sou Iahweh, vosso Deus”. Levítico 20, 6: “Aquele que recorrer aos necromantes e aos adivinhos para ter comunicação com eles, voltar-me-ei contra esse homem e o exterminarei do meio de seu povo”. Portanto são condenados também aqueles que simplesmente consultam os necromantes. Levítico 20, 27: “O homem ou a mulher que entre vós forem necromantes ou adivinhos serão mortos; serão apedrejados, e o seu sangue cairá sobre eles”. Deuteronômio 18, 10-14: “Que em teu meio não se encontre alguém que faça presságio, oráculos, adivinhação ou magia, ou que pratique encantamentos, que interrogue espíritos ou adivinhos, ou evoque os mortos, pois quem pratica essas coisas é abominável a Iahweh, e é por causa dessas abominações que Iahweh teu Deus os desalojará em teu favor. Tu serás íntegro para com Iahweh teu Deus. Eis que as nações que vais conquistar ouvem oráculos e adivinhos. Quanto a ti, isso não te é permitido por Iahweh teu Deus”. 2 Reis 17, 17, enumerando as infidelidades de Israel, pelos quais foi castigado: “… Praticaram a adivinhação e a feitiçaria e venderam-se para fazer o mal na presença de Iahweh, provocando sua ira. Então Iahweh irritou-se sobremaneira contra Israel e arrojou-o para longe de sua face…” 2 Reis 21, 6: descrição dos crimes do rei Manassés: “Praticou encantamentos e a adivinhação, estabeleceu necromantes e adivinhos e multiplicou as ações que Iahweh considera más, provocando assim a sua ira”. Isaías 8, 19-20: o profeta se levanta contra aqueles que dizem: “Consultai os necromantes e os adivinhos que sussurram e murmuram”. Destaque especial merece a consulta do rei Saul à necromante de Endor, narrada em 1 Samuel 28, 3-25. Estando em dificuldades na guerra contra os filisteus, e sem saber o que fazer, o rei Saul disse aos seus servos: “Buscai-me uma necromante para que eu lhe fale e a consulte”. Informaram-lhe os servos que havia uma na localidade de Endor, ao sul do monte Tabor. Saul então disfarçou-se e, de noite, acompanhado de dois homens, foi à casa da necromante (os espíritas diriam “médium”) e lhe pediu para evocar o falecido Samuel. Segundo o texto, Samuel de fato compareceu e disse a Saul: “Por que perturbas o meu repouso, evocando-me?” Saul respondeu: “É que estou em grandes angústias. Os filisteus guerreiam contra mim, Deus se afastou de mim, não me responde mais. Então vim te chamar para que me digas o que tenho que fazer”. Respondeu Samuel: “Por que me consultas, se Iahweh se afastou de ti e se tornou teu adversário?” E lhe anunciou os castigos de Deus. Em Eclesiástico 46, 20 lemos a respeito deste caso de evocação: “Mesmo depois de morrer, (Samuel) profetizou, anunciou ao rei (Saul) seu fim, do seio da terra elevou sua voz para profetizar, para apagar a iniqüidade do povo”. Segundo os textos citados, parece que se deve admitir que o falecido Samuel, evocado pela necromante de Endor, realmente compareceu. Todo o contexto, todavia, deixa evidente que se trata de caso excepcional, sendo a evocação não a causa, mas a ocasião aproveitada por Deus para autorizar o comparecimento do falecido profeta e anunciar os castigos ao rei desobediente e infiel. Deste episódio singular não se pode inferir que nos outros casos os necromantes e magos conseguissem de fato fazer comparecer os falecidos evocados. Aliás, em 1 Crônicas 10, 13-14, somos assim informados acerca do fim do rei: “Saul pereceu por se ter mostrado infiel para com Iahweh, não seguira a palavra de Iahweh e, além disso, interrogara e consultara uma necromante. Não consultou a Iahweh, que o fez perecer e transferiu a realeza a Davi, filho de Jessé“. Clara, repetida, enérgica e severíssima é, pois, a proibição divina de evocar os falecidos. E este mandamento divino não foi revogado na Nova Aliança. Eis alguns exemplos: Em Atos 13, 6-12, Paulo e Barnabé encontram em Patos um judeu “mago e falso profeta”, que se opunha à missão apostólica dos dois. Paulo, repleto do Espírito Santo, lhe disse: “Filho do diabo, cheio de toda a falsidade e malícia, inimigo de toda justiça, não cessas de perverter os retos caminhos do Senhor? Eis que agora o Senhor faz pesar sobre ti a sua mão”. Em Atos 16, 16-18, Paulo, estando em Filipos, dá com uma jovem escrava “que tinha um espírito de adivinhação e obtinha para seus amos muito lucro, por meio de oráculos”. Paulo disse ao espírito que estava na jovem: “Eu te ordeno em nome de Jesus Cristo: sai desta mulher!” E o espírito saiu no mesmo instante. Em Atos 19, 11-20 descreve-se a atividade e a pregação de Paulo em Éfeso, com este resultado: “Muitos daqueles que haviam crido vinham-se confessar e revelar suas práticas. Grande número dos que se haviam dado à magia amontoavam os seus livros e os queimavam em presença de todos. E estimaram o valor deles em cinqüenta mil peças de prata”. Deviam ser muitos os livros de magia! O fato de eles queimarem estes livros só se explica se admitirmos que o Apóstolo falou fortemente contra as práticas da magia. Na carta aos Gálatas (5, 20-21) declara o mesmo Apóstolo que os que praticam a magia “não herdarão o Reino de Deus”. E São João, no Apocalipse, revela que a porção dos magos se encontra no lago ardente de fogo e enxofre (21, 8); e que, na hora do julgamento, os magos ficarão de fora da Cidade Eterna (22, 15). Leia também POR QUE NÃO SOU PROTESTANTE? Posteriormente, a Igreja sempre se manteve fiel a esta rigorosa interdição divina de evocar os falecidos. No último Concílio, o Vaticano II, em 1964, a Constituição Lumen Gentium, temendo que a doutrina sobre nossa comunicação espiritual com os falecidos pudesse dar azo a interpretações do tipo espiritista, acrescentou ao texto do n. 49 a nota n. 2 (no site do Vaticano, n. 147), “contra qualquer forma de evocação dos espíritos“, coisa que, esclareceu a comissão teológica responsável pela redação do texto, nada tem a ver com a “sobrenatural comunhão dos santos”. A comissão definiu então mais claramente o que se proibia: “A evocação pela qual se pretende provocar, por meios humanos, uma comunicação perceptível com os espíritos ou as almas separadas, com o fim de obter mensagens ou outros tipos de auxílio”. O Concílio Vaticano II nos remete então a vários documentos anteriores da Santa Sé (já no dia 27 de setembro de 1258 o papa Alexandre IV falara disso), principalmente à declaração de 4 de agosto de 1856 (cf. Denz. 2823-2825) e à resposta de 24 de abril de 1917 (cf. Denz. 3642). Na declaração de 4 de agosto de 1856, precisamente quando Allan Kardec se iniciava no espiritismo, era repetida a proibição de “evocar as almas dos mortos e pretender receber suas respostas”. No documento de 24 de abril de 1917 se declarava ilícito “assistir a sessões ou manifestações espiritistas, sejam elas realizadas ou não com o auxílio de um médium, com ou sem hipnotismo, sejam quais forem estas sessões ou manifestações, mesmo que aparentemente simulem honestidade ou piedade; quer interrogando almas ou espíritos, ou ouvindo-lhes as respostas, quer assistindo a elas com o pretexto tácito ou expresso de não querer ter qualquer relação com espíritos malignos”. No dia 31 de março de 1892 a Santa Sé publicou sua resposta oficial a um caso imaginado de evocação no qual as circunstâncias descritas eram as mais favoráveis. Eis a exposição do caso, a pergunta e a resposta: “Tito, depois de excluir qualquer comunicação com o mau espírito, tem o costume de evocar as almas dos defuntos. Costuma proceder da seguinte maneira: Quando está só, sem outra preparação, dirige uma prece ao príncipe da milícia celeste a fim de obter dele o poder de comunicar-se com o espírito de determinada pessoa. Espera algum tempo; depois, enquanto conserva a mão pronta para escrever, sente um impulso que lhe dá a certeza da presença do espírito. Expõe então as coisas que deseja saber e sua mão escreve as respostas a estas questões. Tais respostas concordam inteiramente com a fé católica e a doutrina da Igreja acerca da vida futura. Geralmente elas falam sobre o estado em que se encontra a alma do tal falecido, pedem sufrágios etc. É lícito proceder desta maneira?” — A resposta oficial, aprovada pelo papa Leão XIII, foi categórica: “O que foi exposto não é permitido“. Leia também Sábado Santo: Que está acontecendo hoje? – A descida do Senhor à mansão dos mortos “A alma de Lázaro levada para junto de Abraão”, Mestre de James IV da Escócia. Os falecidos podem nos trazer mensagens do além? Para sabermos o que acontece depois da morte, não necessitamos perturbar o repouso dos falecidos. Deus escolheu outro caminho para nos instruir sobre o sentido da vida e o destino eterno que teremos. Não é permitido, como já vimos, evocar as almas de pessoas que já morreram, prática muito comum no espiritismo. Mas por que tão rigorosa interdição, afinal? Não poderíamos ser positivamente ajudados pela instrução dos falecidos? Ou quererá Deus deixar-nos na ignorância acerca dos acontecimentos depois da morte? O próprio Jesus nos deu a resposta na parábola do pobre Lázaro e do rico epulão (cf. Lc 16, 19-31). Ambos morrem e são julgados, cada um de acordo com a vida que levou nesta terra. Lázaro “foi levado pelos anjos ao seio de Abraão”, isto é, ao céu. O rico avarento é condenado ao inferno. A diferença entre os dois, depois da morte, é grande. O falecido rico gozador implora: “Pai Abraão, tem piedade de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo para me refrescar a língua, pois estou torturado nesta chama”. Mas a separação entre ambos é definitiva e a comunicação, impossível. A resposta do céu é clara e dura: “Entre vós e nós existe um grande abismo, de modo que aqueles que quiserem passar daqui para junto de vós não o podem, nem tampouco atravessarem os de lá até nós” (v. 26). O falecido epulão insiste num pedido com filantrópica proposta: “Pai, eu te suplico, envia então Lázaro até a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; que ele os advirta, para que não venham eles também para este lugar de tormento”. Era uma sugestão que parecia muito boa. Estabelecer-se-ia um útil intercâmbio entre os do além, com seus novos conhecimentos, e os da terra, sempre necessitados de esclarecimento e orientação. No entanto, a resposta do céu é seca: “Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam!” (v. 29). Mas o proponente insiste, com uma justificação: “Não, pai Abraão, se alguém dentre os mortos for procurá-los, eles se converterão”. A razão parecia óbvia. É a solução proposta também pelos atuais movimentos espiritistas. Se é verdade que as almas dos falecidos sobrevivem conscientemente e que elas continuam solidárias conosco, afirmações que são corroboradas pela Bíblia e ensinadas pela Igreja Católica, por que não poderia o Criador escolher esta via para trazer revelações úteis do além? A resposta do céu, entretanto, segundo Jesus, é sem rodeios: “Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão” (v. 31). É a rejeição pura e simples da via espiritista [1]. Leia também Aprenda porque os católicos rezam pelos mortos? Deus certamente “quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4). Ele não quer deixar-nos na ignorância. Mas o Criador dos homens escolheu outra via para instruí-los sobre o sentido da vida e o destino eterno. Na Constituição dogmática Dei Verbum, de 1965, o Concílio Vaticano II resume no n. 2 assim o plano divino da revelação: Aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e tomar conhecido o mistério de sua vontade (cf. Ef 1, 9), pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, e, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina. Mediante esta revelação, portanto, o Deus invisível, levado por seu grande amor, fala aos homens como a amigos (cf. Ex 33, 11; Jo 15, 14-15), e com eles se entretém para os convidar à comunhão consigo e nela os receber. Este plano de revelação se concretiza através de acontecimentos e palavras intimamente conexos entre si, de forma que as obras realizadas por Deus na história da salvação manifestam e corroboram os ensinamentos e as realidades significadas pelas palavras. Estas, por sua vez, proclamam as obras e elucidam o mistério nelas contido. No entanto, o conteúdo profundo da verdade, seja a respeito de Deus, seja da salvação do homem, se nos manifesta por meio dessa revelação em Cristo, que é ao mesmo tempo mediador e plenitude de toda a revelação. Deste plano de revelação estão excluídos os falecidos. Depois de Moisés e dos Profetas, Deus nos enviou seu Filho, o Verbo eterno que ilumina todos os homens, para que habitasse entre os homens e lhes expusesse os segredos de Deus (cf. Jo 1, 1-18). Com Jesus recebemos a plenitude da revelação necessária para a nossa salvação. Ele se apresenta a si mesmo com uma declaração solene: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6). Ele está “cheio de verdade” (Jo 1, 14). “Nele se acham escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl 2, 3). Ele é pessoalmente o anunciado e prometido Emanuel, Deus-com-os-homens. Ele é para nós como a nuvem luminosa do Êxodo: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12). Ele é a luz das gentes (cf. Lc 2, 32), o sol nascente que ilumina os que estão nas trevas (cf. Lc 1, 78s). “Eu, a luz, vim ao mundo para que aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (Jo 12, 46). Não necessitamos perturbar o repouso dos falecidos (cf. 1Sm 28, 15). O Concílio Vaticano II, na citada Constituição Dei Verbum (n. 4b), nos garante que “a economia cristã, como aliança nova e definitiva, jamais passará, e já não há que esperar nenhuma nova revelação pública antes da gloriosa manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 1Tm 6, 14; Tt 2, 13)”. Não haverá “terceira revelação”. O espiritismo, que pretende ser precisamente esta “terceira revelação”, não só não entra nos planos de Deus Revelador, mas se opõe à economia divina. Fonte: Frei Boaventura Kloppenburg por Equipe Christo Nihil Praeponere Leia também Ou somos Católicos ou somos Espíritas – não podemos servir a dois senhores! – Pe. José Augusto #Espiritismo #FormaçõesCatólicas
- De bicicleta, padre atende confissões em domicílio
Padre Paul Rivas Alfaro tem 32 anos e serve na Diocese de Carabayllo, no norte de Lima, Peru. Como não tem carro, aproveita a bicicleta que ganhou de presente para visitar as casas dos fiéis, atender confissões e administrar outros sacramentos como a Eucaristia e a unção dos enfermos. O sacerdote foi ordenado em 28 de outubro de 2019, dia em que a Igreja no Peru celebra o Senhor dos Milagres, a devoção católica mais importante do país. “Deram-me a bicicleta de presente por uma questão de saúde, porque tenho colesterol alto, mas me perguntava como poderia usá-la para ajudar meus fiéis. Então, atendo as confissões ‘delivery’ porque, embora tenhamos missas presenciais, são poucas as pessoas que vêm”, disse o sacerdote a ACI Prensa em 3 de junho. Padre Paul é vigário na paróquia de São Conrado em Carabayllo, uma região onde também há muitas necessidades materiais. Ele disse que, com a bicicleta, “vou aonde estão, vou procurar as ovelhas. Por dia, confesso cerca de quatro pessoas que solicitam. Também fico um tempo na igreja e também tenho meu tempo para minhas orações”. Leia também A Igreja permite a Confissão Comunitária? O padre disse a ACI Prensa que esta iniciativa do “delivery” de confissões nasceu na semana passada e já confessou 32 pessoas em suas casas, a maioria delas idosas. “Vou com todos os implementos de biossegurança. Na minha bicicleta vou com as luzes necessárias, o capacete, o protetor facial, as máscaras, tudo isso”, disse. O sacerdote contou que já administrou a unção dos enfermos três vezes e que para este sacramento não tem horário. “Não tenho carro e uso bicicleta. Se alguém me diz ‘meu familiar precisa da unção’, vou independente da hora”. Leia também A IMPORTÂNCIA DO SACRAMENTO DA CONFISSÃO Padre Paul disse que, quando postou em suas redes sociais sobre as confissões, um amigo lhe pediu que fosse confessá-lo. “Mas ele mora a 70 km da minha paróquia, então, respondi que teria que sair às 4h para poder ir e confessá-lo, uma viagem um pouco longa. Mas, para que ele possa se encontrar com Deus e para que Deus perdoe os seus pecados, eu vou”. O sacerdote diocesano, que ingressou no seminário aos 17 anos, também disse que desde o início da pandemia do coronavírus, que no Peru deixou mais de 180 mil mortos segundo os últimos dados oficiais, tem levado doações a quem mais precisa. “Em todo esse tempo de pandemia, tenho ajudado em cinco lugares de extrema pobreza, muitas dessas famílias vivem em situação sub-humana, muitas delas carecem de serviços básicos: não há eletricidade, água e esgoto”, disse. Leia também PECADO MORTAL – O OBSTÁCULO PARA NOSSA SALVAÇÃO “Nestes locais temos realizado diversos trabalhos para levar comida. Fizemos isso com o apoio de alguns policiais voluntários da delegacia de minha jurisdição. Com eles, preparamos o café da manhã para levar para as crianças dessas áreas. No Natal de 2020, preparamos um Natal para mil crianças e este ano esperamos atingir o dobro”, acrescentou. Para promover sua campanha de solidariedade, que ajudará famílias em cinco áreas carentes, o sacerdote disse em sua página no Facebook que “o peruano unido pode fazer grandes coisas. É hora de nos unirmos para apoiar as famílias mais atingidas neste momento”. “Precisamos de alimentos, remédios, equipamentos de biossegurança, roupas de inverno e, acima de tudo, precisamos de vocês para nos ajudar a estender esta campanha para chegar a mais pessoas”, disse. Fonte ACI Digital Leia também Exame de Consciência para uma boa Confissão Quem quer faz, que não quer arruma desculpa! Leia também Exame de Consciência para Crianças #confissão #SacramentodaConfissão #Testemunho
- De bicicleta, padre atende confissões em domicílio
Padre Paul Rivas Alfaro tem 32 anos e serve na Diocese de Carabayllo, no norte de Lima, Peru. Como não tem carro, aproveita a bicicleta que ganhou de presente para visitar as casas dos fiéis, atender confissões e administrar outros sacramentos como a Eucaristia e a unção dos enfermos. O sacerdote foi ordenado em 28 de outubro de 2019, dia em que a Igreja no Peru celebra o Senhor dos Milagres, a devoção católica mais importante do país. “Deram-me a bicicleta de presente por uma questão de saúde, porque tenho colesterol alto, mas me perguntava como poderia usá-la para ajudar meus fiéis. Então, atendo as confissões ‘delivery’ porque, embora tenhamos missas presenciais, são poucas as pessoas que vêm”, disse o sacerdote a ACI Prensa em 3 de junho. Padre Paul é vigário na paróquia de São Conrado em Carabayllo, uma região onde também há muitas necessidades materiais. Ele disse que, com a bicicleta, “vou aonde estão, vou procurar as ovelhas. Por dia, confesso cerca de quatro pessoas que solicitam. Também fico um tempo na igreja e também tenho meu tempo para minhas orações”. Leia também A Igreja permite a Confissão Comunitária? O padre disse a ACI Prensa que esta iniciativa do “delivery” de confissões nasceu na semana passada e já confessou 32 pessoas em suas casas, a maioria delas idosas. “Vou com todos os implementos de biossegurança. Na minha bicicleta vou com as luzes necessárias, o capacete, o protetor facial, as máscaras, tudo isso”, disse. O sacerdote contou que já administrou a unção dos enfermos três vezes e que para este sacramento não tem horário. “Não tenho carro e uso bicicleta. Se alguém me diz ‘meu familiar precisa da unção’, vou independente da hora”. Leia também A IMPORTÂNCIA DO SACRAMENTO DA CONFISSÃO Padre Paul disse que, quando postou em suas redes sociais sobre as confissões, um amigo lhe pediu que fosse confessá-lo. “Mas ele mora a 70 km da minha paróquia, então, respondi que teria que sair às 4h para poder ir e confessá-lo, uma viagem um pouco longa. Mas, para que ele possa se encontrar com Deus e para que Deus perdoe os seus pecados, eu vou”. O sacerdote diocesano, que ingressou no seminário aos 17 anos, também disse que desde o início da pandemia do coronavírus, que no Peru deixou mais de 180 mil mortos segundo os últimos dados oficiais, tem levado doações a quem mais precisa. “Em todo esse tempo de pandemia, tenho ajudado em cinco lugares de extrema pobreza, muitas dessas famílias vivem em situação sub-humana, muitas delas carecem de serviços básicos: não há eletricidade, água e esgoto”, disse. Leia também PECADO MORTAL – O OBSTÁCULO PARA NOSSA SALVAÇÃO “Nestes locais temos realizado diversos trabalhos para levar comida. Fizemos isso com o apoio de alguns policiais voluntários da delegacia de minha jurisdição. Com eles, preparamos o café da manhã para levar para as crianças dessas áreas. No Natal de 2020, preparamos um Natal para mil crianças e este ano esperamos atingir o dobro”, acrescentou. Para promover sua campanha de solidariedade, que ajudará famílias em cinco áreas carentes, o sacerdote disse em sua página no Facebook que “o peruano unido pode fazer grandes coisas. É hora de nos unirmos para apoiar as famílias mais atingidas neste momento”. “Precisamos de alimentos, remédios, equipamentos de biossegurança, roupas de inverno e, acima de tudo, precisamos de vocês para nos ajudar a estender esta campanha para chegar a mais pessoas”, disse. Fonte ACI Digital Leia também Exame de Consciência para uma boa Confissão Quem quer faz, que não quer arruma desculpa! Leia também Exame de Consciência para Crianças #confissão #SacramentodaConfissão #Testemunho
- Ecologismo como religião
O coração do homem é uma fábrica de ídolos, já dizia acertadamente João Calvino. Sempre que substituímos o culto a Deus por qualquer outra coisa, caímos nesse terrível pecado. Até mesmo coisas boas que Deus criou, podem se tornar idolatrias, quando amadas da maneira errada, esse é o caso da natureza. Como a narrativa da criação nos diz, Deus criou os céus e a terra, as plantas, os animais, os mares e tudo que neles há, e disse que tudo era “bom”. Após a criação da natureza, Deus cria o homem e o coloca no jardim para “cultivar e guardar” (Gn 2:15). Esse mandato coloca o homem como protetor da criação, um mordomo de Deus no paraíso criado. Mesmo após a queda, esse mandato permanece, somos chamados a cuidar da terra pois ela é uma boa criação de Deus e pertence a Ele. (Salmo 24:1) A natureza revela a glória de Deus e toda sua beleza, e nós somos indesculpáveis ao contemplá-la, não o glorificar ao Senhor como seu criador. (Romanos 1) Mas a grande idolatria é olhar a criação e enxerga-la como divina, esse é o grande erro dos militantes ecologistas. Não é raro ouvir referências a natureza como “mãe terra”, “a força maior”, e outras formas de divinização daquilo que é criado. A visão bíblica é que Deus é o criador da natureza. Ele não faz parte dela, mas lhe é superior e distinto. Na visão pagã, deus faz parte da natureza, ou é a própria natureza, estando em todas as coisas e sendo todas as coisas. A mente dos militantes ecologistas é uma visão pagã panteísta, onde deus é tudo e está em tudo. Por isso a natureza é divinizada. Mesmo tendo rejeitado o Deus bíblico, de alguma forma eles buscam adorar e prestar culto a alguma coisa. No coração deles, sempre haverá um altar para adoração. O coração do homem jamais estará vazio. Por isso, o apóstolo diz: “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.” (Romanos 1:22) A criação de Deus deve ser amada, cuidada e respeitada. Os cristãos, mais do que ninguém, tem motivos para cuidar daquilo que pertence a Deus. A criação foi concedida ao homem para o seu uso consciente, nenhum cristão olha para aquilo que Deus lhe deu de modo displicente, pelo menos não deveria. Que os cristãos possam analisar a participar da solução dos problemas do mundo, não a partir de visões ideológicas apaixonadas, mas com uma cosmovisão bíblica fiel. Que sejamos Sal e Luz, em meio a um mundo de trevas idolátricas. SOLI DEO GLORIA Ramon Serrano
- A FRAGILIDADE DO HOMEM MODERNO
Depois da primeira guerra mundial, em 1918, houve uma pandemia que dizem ter matado, no mínimo, 50 milhões de pessoas por todo o mundo; era a “gripe espanhola”, que não escolhia faixa etária para contagiar. Levava pessoas com comorbidade ou não, infectando indiscriminadamente qualquer tipo de ser humano. Mas o mundo não parou por causa da espanhola, sobretudo porque havia um mundo a restaurar, depois da terrível guerra que tinha acabado de envolver boa parte da Europa. Em 1969, houve uma gripe, mais conhecida como “gripe de Hong Kong”, ou ainda “gripe espacial”, que não fez tanto estrago como a espanhola, porém matou mais de um milhão de pessoas pelo mundo todo. (Só na Itália, perto de vinte mil pessoas perderam as vidas num único ano, e a mídia italiana noticiava o acontecimento como algo mais ou menos administrável). Diferentemente do que ocorreu no último ano, com a chegada da peste chinesa, o mundo não se escondeu em casa com medo do vírus, empregos não foram ameaçados, a vida seguiu mais ou menos normal. Mas o que aconteceu com o mundo? O que aconteceu com as pessoas? De lá para cá, nos últimos cinquenta anos, nosso velho mundo mudou muito: a par de um progresso tecnológico nunca visto antes, os casais deixaram de fazer filhos e, salvaguardados pelos anticoncepcionais, transformaram o sexo na principal fonte de diversão da espécie humana. Rivalizando com os prazeres da cama, só mesmo as seduções do consumismo: famílias menores tinham mais dinheiro para gastar com bobagens. Várias décadas antes, o filósofo espanhol Ortega y Gasset já tinha percebido as graves consequências humanas e culturais que eram provocadas pela sociedade de bem-estar, chamando a atenção, especialmente, para os filhos mimados da modernidade, liberados repentinamente para o conforto e o prazer, na virada do século XIX para o século XX, com a chegada da eletricidade, dos eletrodomésticos, o progresso do saneamento básico nas cidades, o desenvolvimento da indústria farmacêutica etc. Com o advento desse admirável mundo novo, cujo cenário principal eram as grandes cidades, ia lentamente desaparecendo o deplorável mundo antigo, predominantemente rural ou aldeão, construído por quase dois milênios de civilização cristã. Junto com o mundo antigo, desaparecia, no entanto, um tipo de pessoa mais afeita, desde a infância, às dificuldades da vida dura no campo ou nas pequenas cidades. Era o homem da roça, ou a ele bem vizinho, que conhecia o nome das plantas e das árvores, lidava com a terra e os bichos, experimentava na pele os vaivéns da natureza e das estações. Foi esse homem que, há cem anos, pôde suportar a “gripe espanhola” com armas que quase não possuímos mais, sobretudo fortaleza e paciência, além da fé em Deus e da esperança em outra vida, muito além dos vírus e das doenças deste mundo de aquém-túmulo.
- AS REALIDADES ESCATOLÓGICAS (PARTE I)De I Constantinopla a II LyonII. A RETRIBUIÇÃO
AS REALIDADES ESCATOLÓGICAS (PARTE I) De I Constantinopla a II Lyon II. A RETRIBUIÇÃO Ressurreição não significa retribuição. Os documentos do Magistério, segundo o ensinamento da Bíblia (cf. Jo 5, 28-29), falam de ressurreição universal; todos os homens, todos os mortos, todos incluindo, portanto, os bem aventurados e os condenados. Quanto ao momento da ressurreição, refere-se o Magistério ao dia da vinda do Senhor, ao último dia, ao dia do Juízo, à consumação do mundo. Independentemente, porém, das questões particulares, os documentos oficiais ensinam que a retribuição é imediata, logo após a morte: que é a fronteira definitiva que separa os que se salvam dos que se condenam, encerrando a situação terrena de peregrinação. A primeira consequência, conceitualmente separável, mas relacionada com a anterior, é que esta justiça, seja a recompensa do prêmio da visão beatífica, seja o castigo no inferno, é eterna, e tanto os santos, quanto os réprobos, no mesmo instante da morte, vão para o lugar que merecem. Os que, porém, morrendo na graça de Deus, não estiverem de todo puros, deverão passar por uma estado de purificação, antes de chegarem à bem-aventurança eterna (o purgatório). A questão do limbo das crianças não batizadas não é diretamente tratada pelo Magistério da Igreja¹. 1. Sínodo de Constantinopla (543) Entre as ideias origenistas condenadas no sínodo, sobressai-se aquela sobre a escatologia, que passou à história como “apocatástase” ou restauração. Esta teoria foi formulada por Orígenes com relação ao seu princípio de preexistência das almas, condenado nesta mesma assembleia. Segundo a teoria origenista, o inferno é uma pena medicinal² cuja duração é proporcional à culpa: arrependido e purificado, o condenado participará da restauração total de todas as coisas em Deus. Orígenes interpreta, neste sentido, algumas passagens da Sagrada Escritura que parecem se referir a uma restauração final (cf. Mt 19, 28; At 3, 21; Rm 8, 19-22; 1 Cor 15, 25-28. 54 55; 2 Pd 3, 13; Ap 21, 1.5); e quanto às passagens evangélicas que falam da eternidade do inferno, ele as considera medidas pedagógicas para afastar o homem do mal, razão porque não convém pregar esta natureza medicinal às pessoas simples, porque não serviria para afastá-las do pecado³. Este modo de pensar foi visto com simpatia por Dídimo de Alexandria, por São Gregório de Nissa e durante certo tempo também por São Jerônimo. Mas Orígenes vai mais longe: depois da apocatástase, as almas continuariam a ser livres e também no céu poderiam esfriar no fervor e ser punidas com uma nova encarnação⁴. Esta concepção do inferno teve e tem ainda hoje seus adeptos entre os protestantes⁵. Se alguém disser ou pensar que o castigo dos demônios ou dos homens ímpios é temporário e que um dia terá fim, ou que chegará a dar-se a “apocatástase” dos demônios e dos homens ímpios seja anátema nos dirá, por fim, a ata conciliar. 2) Carta Sub catholicae professione de Inocêncio IV (06/03/1254) Já no símbolo de Santo Epifânio fala-se da “vida eterna”; no chamado Fides Damasi, diz-se que a vida eterna será prêmio pelas boas obras e suplício eterno pelos pecados. O símbolo Quicumque afirma como verdade de Fé católica que “os que agiram bem irão para a vida eterna; os que agiram mal, para o fogo eterno”. O XI Concílio de Toledo reafirma a eternidade da glória e o IV Concílio de Latrão define solenemente que tanto a bem aventurança, quanto a pena, jamais terão fim. Todavia no século XIII surgiu uma disputa entre os bispos gregos de Chipre e o bispo latino de Nicósia sobre a escatologia intermediária⁶, o que deu motivo à Santa Sé para uma explicitação. Os gregos sempre celebraram os sufrágios pelos defuntos, mas o modo de se exprimir dos latinos lhes parecia contaminado de origenismo, como se o purgatório fosse um inferno temporário; por isso, negavam o fogo e o próprio nome de purgatório, porque evocaria uma ideia de espaço. Não contestavam, porém, a existência de um estado provisório para as almas que morressem com pecados leves, do qual Deus as liberta pela intercessão da Igreja: mas não se convenciam de uma purificação como efeito da pena. Inocêncio IV, nesta carta ao seu legado junto aos gregos, Cardeal Eudes de Châteauroux, bispo de Frascati, dá maior precisão ao dogma católico. Trata-se, portanto, de uma intervenção particular para os cipriotas, mas aí há pontos que penetram a Fé católica, tanto assim que anos depois foram solenemente definidos no II Concílio de Lyon: a existência do purgatório, o castigo dos pecadores depois da morte, a recompensa imediata dos justos⁷. † Em suma, porque a Verdade afirma no Evangelho que se alguém blasfemou contra o Espírito Santo não lhe será perdoado nem neste mundo, nem no outro (cf. Mt 12, 32), isto nos dá a entender que certos pecados são perdoados neste mundo presente, outros, no mundo futuro; e o Apóstolo diz que “o fogo provará a qualidade da obra de cada um” (I Cor 3,13); e “aquele, cuja obra arder, sofrerá dano, mas será salvo, embora como quem passa pelo fogo” (I Cor 3, 15); e os próprios gregos, segundo se diz, creem e sustentam, com toda a verdade e certeza, que as almas dos que morrem depois de terem recebido a Penitência embora sem a terem cumprido -, ou a daqueles que morrem sem pecado mortal, mas com pecados veniais e imperfeições, são purificadas depois da morte e podem ser ajudadas pelos sufrágios da Igreja; e já que eles [os gregos] dizem que o lugar desta purificação [locum purgationis] não lhes fora indicado por seus mestres [doctoribus] com nome certo e próprio: Nós, que, em conformidade com as tradições e a autoridade dos Padres da Igreja [sanctorum patrum], o chamamos purgatório, queremos que daqui por diante seja chamado por eles com este nome. De fato, com aquele fogo passageiro são purgados os pecados, não os mortais ou capitais, que antes não tenham sido perdoados pela Penitência, mas os pequenos e veniais, que, ainda depois da morte, pesam sobre eles [gravant], se não foram perdoados durante a vida. Se alguém, porém, morrer em pecado mortal, sem a Penitência, será sem nenhuma dúvida eternamente atormentado pelo fogo do inferno eterno [aeternae gehennae ardoribus perpetuo cruciatur]. Entretanto, as almas das criancinhas que morrem depois do Batismo e as dos adultos que morrem em estado de graça [in caritate] e não estão retidas, nem pelo pecado, nem por satisfação alguma que tenham de cumprir por ele, vão imediatamente para a Pátria eterna [ad patriam protinus transvolant sempiternam]. 3) II Concílio de Lyon (XIV ecumênico) – Profissão de Fé de Miguel Paleólogo (sess. IV 6.7.1274) As controvérsias entre os gregos e os latinos sobre a escatologia intermediária ocuparam todo o séc. XIII. O II Concílio de Lyon que, dentre outras preocupações, se empenhou na união com os gregos, não podia ignorar este pomo de discórdia, e na profissão de Fé que o Imperador Miguel Paleólogo enviou ao Concílio, e que foi lida na quarta sessão, todos reconheceram a verdade da Igreja Universal, que mais tarde seria sancionada no Concílio de Florença. Tanto em Lyon como em Florença evita-se mencionar a palavra “fogo” e muito menos é usado o termo “purgatório”: fala-se só genericamente de penas purificatórias. Do purgatório “Se aqueles que estão verdadeiramente arrependidos morrerem em estado de graça [in caritate] antes de terem feito atos de reparação [satisfecerint] com frutos dignos de Penitência (cf. Mt 3,8; Lc 3,8) pelo que fizeram ou deixaram de fazer, suas almas, depois da morte, são purificadas com penas do purgatório ou purificantes [poenis purgatoriis seu catharteriis], como no-lo explicou nosso irmão João⁸; e para alívio destas penas lhes aproveitam os sufrágios dos fiéis vivos, isto é, o Sacrificio da Missa, as orações, as esmolas e as outras práticas de piedade que os fiéis costumam fazer por seus irmãos na Fé, segundo as instituições da Igreja”. Da bem-aventurança “Mas as almas daqueles que, depois de terem recebido o santo Batismo, não incorreram em nenhuma mancha de pecado, como também aqueles que, depois de terem contraído a mancha do pecado, se purificaram, seja enquanto viviam no corpo, seja depois de tê-lo deixado, como se disse antes, [estas almas] são recebidas imediatamente no céu.” Da condenação “As almas, porém, dos que morrem em pecado mortal ou só com o original descem imediatamente ao inferno para serem punidas, embora com penas desiguais.” Do juízo final “A mesma Santa Igreja Romana crê firmemente e firmemente assegura que, no entanto, no dia do Juízo, todos os homens comparecerão perante o tribunal de Cristo com seus corpos, para prestar contas de seus próprios atos (cf. Rm 14,10.12).” 1. É de Fé católica que só o pecado original já basta para criar uma separação escatológica de Deus e, neste sentido, trazer um estado de condenação. A questão de fato, ou seja, a existência de um estado após a morte em que se achem almas só com o pecado original, tradicionalmente denominado “limbo”, continua como uma doutrina teológica [cf. SANTO TOMÁS DE AQUINO, Summa theologiae. Suppl., q.69, a. 4-6; idem, De malo, q. L. BILLOT, diversos artigos em Etudes, 1920-1922; INOCÊNCIO III, Carta Maiores Ecclesiae. 2. ORÍGENES, De principiis 2,10,6: PG 11, 238. 3. Contra Celsum 5, 15: PG 11, 1204. 4. Schleiermacher muito contribuiu para a difusão desta idéia. Segundo A. HARNACK, Dogmengeschichte, Tubingen, 4ª ed., 1909,3,661, todos os reformadores aderiram de coração à apocatástase, e também em nossos dias muitos teólogos modernos bizantinos e greco-russos a veem com simpatia. Cf. M. JUGIE, Theologia dogmatica orientalium dissidentium IV, Paris, 1931, 137-151. Outra forma de negação da eternidade das penas do inferno, tanto na Antiguidade, como na Idade Média, era a de sustentar o aniquilamento dos condenados, teoria já defendida pelos gnósticos no séc. II: cf. SANTO IRINEU, Adversus haereses 1,7,1: PG 7, 514. Foram depois imitados pelos socinianos medievais. Paralelamente, houve quem evoluísse com a teoria, chegando a afirmar que a alma humana não é imortal por natureza, mas Deus a torna imortal só para os eleitos (ARNÓBIO, O VELHO, Adversus nationes 2.14. 5. Bibliografia: B. ALTANER, Patrologia, Edições Paulinas, São Paulo, 1972, 213; J. DANIELOU, Origène, Paris, 1948, 207-217. 6. M. RONCAGLIA, Georges Bardanes métropolite de Corfou et Barthélemy de l’Ordre Franciscain, Roma, 1953, com documentação dos colóquios entre gregos e latinos. 7. Trata-se de Frei João Parastron ou Barastron, O.F.M., nascido em Constantinopla e apóstolo da união, que acompanhou até Lyon os legados gregos e assistiu à sessão IV do concílio. O Papa reconhece que ele se empenhou diu et utiliter pela união. Morreu em Constantinopla em 1275. 8. SÃO BERNARDO DE CLARAVAL, Sermo in festo Omnium Sanctorum: PL 185, 472. Cf. SANTO AGOSTINHO, Enarratio in psalmum 43: PL 36, 485; Id., De Trinitate 1, 13: PL. 42, 843-844. Não seria difícil encontrar em outros textos patrísticos passagens no mesmo sentido. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #IcelandSwedenDenmarkNorway #Patrística #Apocalipse #desenvolvimentodoutrinal #Doctrinaldevelopment
- FETOS ABORTADOS E VACINAS: A VERDADE ESQUECIDA – Leon Pereira (frade dominicano e médico)
1. O uso de vacinas moralmente corruptas é aceitável por motivos graves, especialmente para a proteção de pessoas vulneráveis, a título temporário; 2. A necessidade moral de receber tais vacinas deve implicar que a pessoa esteja sob grande pressão ou tenha necessidade de recebê-las para manter o emprego (como, por exemplo, a equipe médica de um hospital); 3. Em todos os casos, a Igreja e todas as pessoas têm o dever de protestar contra a produção de tais vacinas e contra os abortos, incluindo os abortos para pesquisas médicas; 4. Os seguintes pontos são deveres impostos aos médicos e chefes de família: • Usar vacinas alternativas (se houver); • Pressionar autoridades políticas e sistemas de saúde para disponibilizar vacinas éticas; • Recorrer, se necessário, à objeção de consciência para vacinas derivadas do aborto (ou seja, recusar essas vacinas); • Opor-se por todos os meios (por escrito, por meio de associações, meios de comunicação etc.) às vacinas derivadas de aborto; • Fazer pressão para a produção de vacinas alternativas éticas; • Exigir um rigoroso controle legal dos fabricantes da indústria farmacêutica; • Combater e utilizar todos os meios legais para dificultar a vida das empresas farmacêuticas que atuam sem escrúpulos e sem ética. 5. Em nenhum caso o uso de tais vacinas pode ser qualificado como um dever moral, nem cercado de elogios; na melhor das hipóteses, como o canibalismo em casos de extrema necessidade, seu uso continua deplorável; 6. Um problema à parte é a necessidade médica de tais vacinas: a pandemia realmente justifica o uso de vacinas? Ou a questão de sua segurança: as vacinas Covid estão em fase experimental e algumas são novas em sua modalidade de ação. Esses problemas ainda são objetos de discussão da parte de pessoas competentes na matéria; e, por isto, é mais do que compreensível que a população geralmente relute em vacinar-se; 7. Já existem vacinas moralmente aceitáveis ou estarão disponíveis em breve, embora possa ser difícil obtê-las, dependendo de onde se viva; 8. Ninguém deve ser forçado a receber uma vacina contra a própria consciência; 9. Se, a rigor, a “virtude da justiça” não proíbe receber tais vacinas, a “virtude da caridade” pode levar os cristãos a renunciar a elas, seja para o bem da própria alma, seja para ser testemunhas da dignidade da vida. https://lanuovabq.it/it/feti-abortiti-e-vaccini-le-verita-dimenticate
- Na Índia o aborto seletivo eliminou 22 milhões de meninas em 30 anos
Um novo estudo da Lancet confirma, infelizmente, que a tendência está em alta: o aborto de meninas aumentou 60% entre 2007 e 2016. O aborto seletivo de meninas continua a aumentar na Índia. Se começarmos a partir da base de que a distribuição natural dos sexos no gigante asiático de 1.300 milhões de habitantes é de 950 mulheres para cada 1.000 homens, segue-se que nos trinta anos de 1987 a 2016 “faltando” 13,5 milhões de meninas. Mas se uma estimativa mais crível pressupõe que a distribuição natural seja na verdade 975 mulheres por 1.000 homens, chegamos ao número exorbitante de 22 milhões de meninas desaparecidas “devido ao aborto seletivo”. Aborto seletivo aumentou 60% Os números vêm de um novo estudo publicado em 8 de abril na Lancet. De acordo com a pesquisa realizada, a tendência é pior: se na década de 1987-1996 havia 3,5 milhões de meninas (com um colapso de 950 mulheres por 1.000 homens), entre 2007 e 2016 faltam até 5,5 milhões, ou seja, 60% a mais. Abortos seletivos de meninas “aumentaram em quase todos os estados da Índia” e ocorrem principalmente em famílias onde já há uma menina. As piores províncias são Gujarat, Punjab, Rajasthan e Haryana. “Nossos estudos contradizem aqueles que afirmam que o aborto seletivo de meninas na Índia está diminuindo.” Mais abortos em famílias ricas A eliminação das meninas, especialmente se elas forem concebidas após o nascimento de outra criança, “é mais comum em famílias mais ricas e educadas do que nas pobres”, continua o estudo. “O aborto seletivo de meninas é uma das formas mais graves de discriminação de gênero”, levando a um aumento no número de homens “que gostariam, mas não conseguem encontrar um parceiro, o que consequentemente leva a um aumento nos casos de violência contra as mulheres”. O genocídio das meninas foi denunciado em 2010 por uma famosa capa do The Economist que dizia: “O que aconteceu com cem milhões de meninas?”. A revista documentou a situação muito grave em países como Índia e China. Em 2017, novamente o The Economist escreveu que “na Índia, e em todo o mundo, a guerra contra as meninas parece ter diminuído. O experimento demográfico da Ásia teve consequências desastrosas. Certamente não será repetido. O que a ONU espera para intervir? O estudo publicado no Lancet mostra que este não é o caso: o aborto seletivo de meninas na Índia continua e está em ascensão. Quando as Nações Unidas e as organizações feministas tomarão conhecimento da ausência dessas 22 milhões de meninas? Para quem quer ouvir, a ausência do som de suas andanças faz mais barulho do que mil campanhas em favor do aborto como um direito absoluto das mulheres. #Aborto
- Na Índia o aborto seletivo eliminou 22 milhões de meninas em 30 anos
Um novo estudo da Lancet confirma, infelizmente, que a tendência está em alta: o aborto de meninas aumentou 60% entre 2007 e 2016. O aborto seletivo de meninas continua a aumentar na Índia. Se começarmos a partir da base de que a distribuição natural dos sexos no gigante asiático de 1.300 milhões de habitantes é de 950 mulheres para cada 1.000 homens, segue-se que nos trinta anos de 1987 a 2016 “faltando” 13,5 milhões de meninas. Mas se uma estimativa mais crível pressupõe que a distribuição natural seja na verdade 975 mulheres por 1.000 homens, chegamos ao número exorbitante de 22 milhões de meninas desaparecidas “devido ao aborto seletivo”. Aborto seletivo aumentou 60% Os números vêm de um novo estudo publicado em 8 de abril na Lancet. De acordo com a pesquisa realizada, a tendência é pior: se na década de 1987-1996 havia 3,5 milhões de meninas (com um colapso de 950 mulheres por 1.000 homens), entre 2007 e 2016 faltam até 5,5 milhões, ou seja, 60% a mais. Abortos seletivos de meninas “aumentaram em quase todos os estados da Índia” e ocorrem principalmente em famílias onde já há uma menina. As piores províncias são Gujarat, Punjab, Rajasthan e Haryana. “Nossos estudos contradizem aqueles que afirmam que o aborto seletivo de meninas na Índia está diminuindo.” Mais abortos em famílias ricas A eliminação das meninas, especialmente se elas forem concebidas após o nascimento de outra criança, “é mais comum em famílias mais ricas e educadas do que nas pobres”, continua o estudo. “O aborto seletivo de meninas é uma das formas mais graves de discriminação de gênero”, levando a um aumento no número de homens “que gostariam, mas não conseguem encontrar um parceiro, o que consequentemente leva a um aumento nos casos de violência contra as mulheres”. O genocídio das meninas foi denunciado em 2010 por uma famosa capa do The Economist que dizia: “O que aconteceu com cem milhões de meninas?”. A revista documentou a situação muito grave em países como Índia e China. Em 2017, novamente o The Economist escreveu que “na Índia, e em todo o mundo, a guerra contra as meninas parece ter diminuído. O experimento demográfico da Ásia teve consequências desastrosas. Certamente não será repetido. O que a ONU espera para intervir? O estudo publicado no Lancet mostra que este não é o caso: o aborto seletivo de meninas na Índia continua e está em ascensão. Quando as Nações Unidas e as organizações feministas tomarão conhecimento da ausência dessas 22 milhões de meninas? Para quem quer ouvir, a ausência do som de suas andanças faz mais barulho do que mil campanhas em favor do aborto como um direito absoluto das mulheres. #Aborto
- JESUS, O PROMETIDO DESDE O INÍCIO – Scott Hahn medita sobre o 10º Domingo do Tempo Comum
No evangelho de hoje vemos Jesus curando e expulsando demônios na Galileia. Junto da multidão que o seguia — e que se acercava dele ao ponto de nem Lhe deixar tempo para comer —, também o acompanhavam pessoas que não compreendiam o que ele estava fazendo. Seus próprios amigos acreditavam que Ele tinha perdido o juízo, necessitando de repousar por um tempo. Mas os escribas, que vinham de Jerusalém, não estavam apenas humanamente equivocados: eles o acusavam de estar possuído pelo príncipe dos demônios. A realidade, contudo, é exatamente o contrário. Jesus está se revelando a Si mesmo como o prometido da primeira leitura: Ele é o descendente da mulher que veio para esmagar a cabeça da serpente demoníaca. Na parábola do homem forte, que está no Evangelho de hoje, Jesus revela que veio não apenas para derrotar o demônio, mas também para libertar os que estavam sob o seu jugo. É assim que São Beda a explica: “O Senhor amarrou também o homem forte, ou seja, o demônio; limitou o seu poder de seduzir os escolhidos [de Deus], limitou a sua ação no mundo (que é a casa do demônio). Deus arruinou a casa do demônio e arrebatou suas posses, isto é, os homens, livrando-os das ciladas do demônio e unindo-os à Sua Igreja”. Os escribas blasfemam, quando atribuem aos demônios esta obra do Espírito Santo. Jesus, então, declara algo que nos assusta, ao dizer: “Aquele que blasfemar contra o Espírito Santo jamais terá perdão”. Isso não significa que a misericórdia de Deus tenha limites (v. Catecismo da Igreja Católica , nº 1864). O que Ele queria dizer era que o único pecado que imperdoável é o de rejeitar a misericórdia que o Espírito Santo nos oferece. Em vez disto, devemos imitar aqueles que se sentavam aos pés de Jesus. Pois foi Ele mesmo Quem garantiu: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. https://stpaulcenter.com/the-promised-one-scott-hahn-reflects-on-the-tenth-sunday-in-ordinary-time/
- Padre alerta que é preciso proteger os filhos da ideologia de gênero na Educação
O Padre José Eduardo, durante a homilia de ontem, fez um grave alerta aos pais, catequistas e professores, explicando do jeito mais didático e simples o que é a ideologia de gênero na Educação e como combatê-la. Assista esta importante homilia sobre a educação dos filhos: “Educar a criança para Deus e não para si”. Clique aqui para assistir: Padre José Eduardo: “Por trás da ideologia de gênero há um projeto de poder” O padre José Eduardo de Oliveira e Silva, da Diocese de Osasco, tornou-se referência no que diz respeito à defesa da família em âmbito nacional. Embora religioso, em vários de seus debates públicos, ele deixa de lado argumentos bíblicos e opta por defender suas convicções, principalmente, a partir da filosofia, da história e do direito. É com base nessas e outras áreas do conhecimento humano que o sacerdote vem apontando, há anos, o perigo sorrateiro que a ideologia de gênero representa para o país, em especial quando aplicada à educação. Em vários dos intensos debates sobre o assunto que movimentaram casas legislativas pelo país, ele foi presença frequente. Uma de suas participações mais relevantes se deu em setembro de 2015, quando foi um dos conferencistas convidados pela Comissão para Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, em Brasília. O Sempre Família conversou com o sacerdote sobre os motivos pelos quais as famílias devem se preocupar com a ideologia de gênero e o que elas podem fazer pela educação dos seus filhos. Vários setores da sociedade, incluindo muitos grupos cristãos, travam uma luta bastante intensa contra a instauração da ideologia de gênero no âmbito judicial relativo à educação. Mesmo com diversas vitórias, será possível apenas com essa batalha judicial atingir resultados duradouros, sendo que no âmbito acadêmico a ideologia de gênero domina? Não. Sem dúvida, precisamos entender que a verdadeira batalha é filosófica. É preciso entender a lógica interna dessa ideia para desconstruí-la por dentro, o que não é muito difícil, porque ela é flagrantemente ideológica. Hoje em dia fala-se em alguns meios que não existe uma “ideologia” de gênero. Há pessoas até que são, digamos, da mesma posição que a nossa, que evitam falar a palavra “ideologia” porque a consideram muito agressiva. No entanto, há uma ideologia, sim, e os textos dos próprios autores que a propõem são muito categóricos nesse sentido. …há uma ideologia, sim, e os textos dos próprios autores que a propõem são muito categóricos nesse sentido. Afinal de contas, o que é uma ideologia? Uma ideologia é diferente da verdadeira filosofia. A filosofia enxerga toda a realidade através de princípios últimos; ela tem realmente princípios, que são verificáveis. A filosofia entende que esses princípios são a melhor expressão da realidade. Uma ideologia faz exatamente o contrário: ela concebe um ideal prático, e em nome desse ideal prático futuro, recalcula toda a realidade, mesmo passando por cima dos princípios, fazendo com que toda a realidade seja adulterada, forçada, arrombada. Então esse é o problema: o que a gente vê nos textos dos teóricos de gênero é que a perspectiva de gênero deve ser um pré-requisito metodológico normativo e um fim político. Ou seja, é um pré-requisito, você não está nem discutindo se aquilo é verdade ou não, mas já parte da ideia de que aquilo é a realidade e depois o transforma num fim político. Isso é que, de fato, é uma ideologia. Por isso não adianta só a batalha judicial. A gente tem que realmente, filosoficamente, despir essas ideias e mostrar o seu fundo ideológico, mostrar que na essência elas têm apenas uma coisa: vontade de poder. É a essa vontade de poder que o senhor se referiu quando disse, em uma entrevista, que a pulverização da família tem por objetivo a criação de indivíduos soltos, facilmente manipuláveis? Existem pessoas e grupos que querem criar um poder global baseado numa ética universal a ser imposta a toda a sociedade. Mas ela não pode ser imposta de um modo puramente político, porque como é que você vai governar o mundo? Não tem jeito. Então você cria um ambiente em que todas as pessoas se comportam do mesmo modo, cria um ethos coletivo – coletivista por definição – em que as pessoas vão se comportando do jeito que esses eventuais senhores do mundo querem. Mas com família não dá para fazer isso. Como é que você ensina para uma criança que tem pai, mãe, que está sendo educada dentro de casa, é cristã, que está recebendo os valores do Evangelho, etc., que ter filhos é uma coisa ruim, que o verdadeiro fim da vida humana é trabalhar, que você tem que produzir para o bem da coletividade geral, que não existe transcendência? Isso não cola, não pega. Então dentro dessa ciência sociológica, eles precisam suprimir a família e deixar a pessoa como indivíduo solto, que assim é muito facilmente manipulado e acaba aceitando qualquer coisa. É péssimo para a pessoa, mas é ótimo para os maus políticos, para os ditadores. O direito à educação resulta em uma atribuição significativa de responsabilidades ao Estado, que detém nessa área amplos poderes de ação. Quais são as possibilidades de ação dos cristãos na proteção das crianças e adolescentes contra a ideologia de gênero nas escolas, visto que esta é apresentada justamente como uma abordagem pluralista, tolerante e antidiscriminatória? A primeira coisa que todo mundo precisa entender é esta: a ideologia de gênero não está combatendo a discriminação. Não é essa a finalidade. Esse é o pacote, a embalagem, o outdoor que ela utiliza para ir adiante. Mas na verdade ela é uma teoria sobre a identidade humana, cuja essência consiste em dizer que ninguém é alguém, e ponto final. Esse é o núcleo da ideologia de gênero. Em segundo lugar, uma vez que todos entendam que não há efetivamente uma intencionalidade de desconstruir preconceitos, então é necessário entender que nós podemos influenciar a educação. A família é o lugar da educação. A família educa; a escola apenas escolariza. Quem educa é o pai, a mãe, os irmãos, a família, o ambiente familiar, o avô, a avó, o tio, a tia, todo mundo que está dentro da casa. E por um motivo filosoficamente muito simples, ao qual o próprio Hegel de algum modo deu relevo na Fenomenologia do Espírito, onde ele diz não entender por que as pessoas gostam tanto da família, em vez de gostar do Estado, que é o lugar onde a razão se manifesta em toda a sua exuberância, em toda a sua perfeição. E ele diz: no fundo, é porque no Estado o indivíduo é um número, mas na família o indivíduo é alguém, é amado por si mesmo. Ele, porém, considera isso um atraso, algo primitivo, algo atávico demais. No fundo, Hegel está falando uma grande verdade, ou seja, a família educa porque ali você é alguém, você é um filho, é um irmão, é insubstituível. Ali, as pessoas amam você, lhe ensinam a virtude por amor, você se torna alguém por amor. Na escola, não: ali você é um número. a ideologia de gênero não está combatendo a discriminação. Não é essa a finalidade. Se você morrer no meio do ano letivo, vão pular seu número na chamada: “27, …, 29”, porque o 28 morreu. Mas no próximo ano vai ter outro 28 no seu lugar, porque você simplesmente deixou de existir. Você não é alguém para a escola. Entender isso é fundamental, porque a possibilidade de educar para ser humano – a educação do ponto de vista humano – está necessariamente atrelada à família. Existem, portanto, níveis em que a família pode influenciar a escola, níveis que parecem ser crescentes. Em um primeiro nível, estão as famílias que preferem adotar o homeschooling, educar o filho em casa, que é um direito constitucional, que não pode ser negado por ninguém. Depois, as famílias que decidem fazer colégios para os seus filhos: uma associação de famílias cria uma escola que educa seus filhos de acordo com os valores das próprias famílias. Em terceiro lugar, as escolas particulares, que vêm da iniciativa privada e não necessariamente das famílias: as famílias que pagam têm o direito de exigir que a escola ensine de acordo com os seus valores. Os pais podem se articular, podem conversar juntos, participar mais da vida da escola. Por último, nas escolas públicas, pode acontecer o mesmo: os pais podem se articular, entender o que acontece na escola, influenciar os professores, falar sobre a ideologia de gênero. Em outras palavras, se estão querendo usar a educação como instrumento para destruir a família, temos que fazer o contrário: usar a família para destruir esse projeto maquiavélico de educação. Se fizermos isso, conseguimos virar o jogo. os pais podem se articular, entender o que acontece na escola, influenciar os professores, falar sobre a ideologia de gênero. A implantação do Sistema Nacional da Educação, prevista para este mês, pode ser algo danoso para a relação das famílias com as escolas? A partir da necessidade desses grupos de acabar com a família e de tirar a educação das bases, se introduziu em 2009 na Constituição brasileira o conceito novo de um Sistema Nacional de Educação. Segundo a nossa interpretação, isso deveria ser entendido forçosamente como coordenação e colaboração com os demais sistemas de ensino, estaduais e municipais. Porém, esse conceito já foi colocado na Constituição na perspectiva de ser interpretado como um SUS da educação, ou seja, um sistema único em que a União determina o que a escola tem que ensinar. O primeiro passo foi a elaboração de uma base curricular comum, o que é um absurdo, porque a Lei de Diretrizes e Bases diz que se deve dar progressiva autonomia aos sistemas e às próprias escolas, por um motivo óbvio: quando estou na base, entendo quais são as necessidades daquelas crianças, ouço as suas famílias, percebo que educação precisa ser aplicada ali. Isso só pode acabar em desastre. Não há como a centralização da educação não ser desastrosa. Dou como exemplo o que aconteceu no Japão, um exemplo que no Brasil eles não querem que seja conhecido. O Japão foi o primeiro a estabelecer bases curriculares comuns, com o fim de elevar o nível da educação, porque o país queria entrar no mercado internacional. O que aconteceu? Os filhos dos ricos tinham possibilidade de estudar, mas os filhos dos pobres não conseguiam dar conta e tinham que estudar em escolas alternativas, fazendo matérias particulares à parte, para poderem passar. E a garotada começou a ficar deprimida, a pensar em suicídio, a se matar. Há um fenômeno no Japão chamado hikikomori, jovens que ficam trancados dentro de casa, não saem nunca. O próprio Japão percebeu que aquela medida foi um suicídio educacional. O Brasil quer trilhar os mesmos caminhos. Mas chegou a hora de a gente dizer não: nós queremos que nossas escolas tenham independência, que os sistemas possam se articular desde a base, sobretudo sofrendo a interferência direta das famílias dos alunos. Fonte: Sempre Família #FormaçõesCatólicas #IdeologiadeGênero #PadreJoséEduardo
- Padre alerta que é preciso proteger os filhos da ideologia de gênero na Educação
O Padre José Eduardo, durante a homilia de ontem, fez um grave alerta aos pais, catequistas e professores, explicando do jeito mais didático e simples o que é a ideologia de gênero na Educação e como combatê-la. Assista esta importante homilia sobre a educação dos filhos: “Educar a criança para Deus e não para si”. Clique aqui para assistir: Padre José Eduardo: “Por trás da ideologia de gênero há um projeto de poder” O padre José Eduardo de Oliveira e Silva, da Diocese de Osasco, tornou-se referência no que diz respeito à defesa da família em âmbito nacional. Embora religioso, em vários de seus debates públicos, ele deixa de lado argumentos bíblicos e opta por defender suas convicções, principalmente, a partir da filosofia, da história e do direito. É com base nessas e outras áreas do conhecimento humano que o sacerdote vem apontando, há anos, o perigo sorrateiro que a ideologia de gênero representa para o país, em especial quando aplicada à educação. Em vários dos intensos debates sobre o assunto que movimentaram casas legislativas pelo país, ele foi presença frequente. Uma de suas participações mais relevantes se deu em setembro de 2015, quando foi um dos conferencistas convidados pela Comissão para Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, em Brasília. O Sempre Família conversou com o sacerdote sobre os motivos pelos quais as famílias devem se preocupar com a ideologia de gênero e o que elas podem fazer pela educação dos seus filhos. Vários setores da sociedade, incluindo muitos grupos cristãos, travam uma luta bastante intensa contra a instauração da ideologia de gênero no âmbito judicial relativo à educação. Mesmo com diversas vitórias, será possível apenas com essa batalha judicial atingir resultados duradouros, sendo que no âmbito acadêmico a ideologia de gênero domina? Não. Sem dúvida, precisamos entender que a verdadeira batalha é filosófica. É preciso entender a lógica interna dessa ideia para desconstruí-la por dentro, o que não é muito difícil, porque ela é flagrantemente ideológica. Hoje em dia fala-se em alguns meios que não existe uma “ideologia” de gênero. Há pessoas até que são, digamos, da mesma posição que a nossa, que evitam falar a palavra “ideologia” porque a consideram muito agressiva. No entanto, há uma ideologia, sim, e os textos dos próprios autores que a propõem são muito categóricos nesse sentido. …há uma ideologia, sim, e os textos dos próprios autores que a propõem são muito categóricos nesse sentido. Afinal de contas, o que é uma ideologia? Uma ideologia é diferente da verdadeira filosofia. A filosofia enxerga toda a realidade através de princípios últimos; ela tem realmente princípios, que são verificáveis. A filosofia entende que esses princípios são a melhor expressão da realidade. Uma ideologia faz exatamente o contrário: ela concebe um ideal prático, e em nome desse ideal prático futuro, recalcula toda a realidade, mesmo passando por cima dos princípios, fazendo com que toda a realidade seja adulterada, forçada, arrombada. Então esse é o problema: o que a gente vê nos textos dos teóricos de gênero é que a perspectiva de gênero deve ser um pré-requisito metodológico normativo e um fim político. Ou seja, é um pré-requisito, você não está nem discutindo se aquilo é verdade ou não, mas já parte da ideia de que aquilo é a realidade e depois o transforma num fim político. Isso é que, de fato, é uma ideologia. Por isso não adianta só a batalha judicial. A gente tem que realmente, filosoficamente, despir essas ideias e mostrar o seu fundo ideológico, mostrar que na essência elas têm apenas uma coisa: vontade de poder. É a essa vontade de poder que o senhor se referiu quando disse, em uma entrevista, que a pulverização da família tem por objetivo a criação de indivíduos soltos, facilmente manipuláveis? Existem pessoas e grupos que querem criar um poder global baseado numa ética universal a ser imposta a toda a sociedade. Mas ela não pode ser imposta de um modo puramente político, porque como é que você vai governar o mundo? Não tem jeito. Então você cria um ambiente em que todas as pessoas se comportam do mesmo modo, cria um ethos coletivo – coletivista por definição – em que as pessoas vão se comportando do jeito que esses eventuais senhores do mundo querem. Mas com família não dá para fazer isso. Como é que você ensina para uma criança que tem pai, mãe, que está sendo educada dentro de casa, é cristã, que está recebendo os valores do Evangelho, etc., que ter filhos é uma coisa ruim, que o verdadeiro fim da vida humana é trabalhar, que você tem que produzir para o bem da coletividade geral, que não existe transcendência? Isso não cola, não pega. Então dentro dessa ciência sociológica, eles precisam suprimir a família e deixar a pessoa como indivíduo solto, que assim é muito facilmente manipulado e acaba aceitando qualquer coisa. É péssimo para a pessoa, mas é ótimo para os maus políticos, para os ditadores. O direito à educação resulta em uma atribuição significativa de responsabilidades ao Estado, que detém nessa área amplos poderes de ação. Quais são as possibilidades de ação dos cristãos na proteção das crianças e adolescentes contra a ideologia de gênero nas escolas, visto que esta é apresentada justamente como uma abordagem pluralista, tolerante e antidiscriminatória? A primeira coisa que todo mundo precisa entender é esta: a ideologia de gênero não está combatendo a discriminação. Não é essa a finalidade. Esse é o pacote, a embalagem, o outdoor que ela utiliza para ir adiante. Mas na verdade ela é uma teoria sobre a identidade humana, cuja essência consiste em dizer que ninguém é alguém, e ponto final. Esse é o núcleo da ideologia de gênero. Em segundo lugar, uma vez que todos entendam que não há efetivamente uma intencionalidade de desconstruir preconceitos, então é necessário entender que nós podemos influenciar a educação. A família é o lugar da educação. A família educa; a escola apenas escolariza. Quem educa é o pai, a mãe, os irmãos, a família, o ambiente familiar, o avô, a avó, o tio, a tia, todo mundo que está dentro da casa. E por um motivo filosoficamente muito simples, ao qual o próprio Hegel de algum modo deu relevo na Fenomenologia do Espírito, onde ele diz não entender por que as pessoas gostam tanto da família, em vez de gostar do Estado, que é o lugar onde a razão se manifesta em toda a sua exuberância, em toda a sua perfeição. E ele diz: no fundo, é porque no Estado o indivíduo é um número, mas na família o indivíduo é alguém, é amado por si mesmo. Ele, porém, considera isso um atraso, algo primitivo, algo atávico demais. No fundo, Hegel está falando uma grande verdade, ou seja, a família educa porque ali você é alguém, você é um filho, é um irmão, é insubstituível. Ali, as pessoas amam você, lhe ensinam a virtude por amor, você se torna alguém por amor. Na escola, não: ali você é um número. a ideologia de gênero não está combatendo a discriminação. Não é essa a finalidade. Se você morrer no meio do ano letivo, vão pular seu número na chamada: “27, …, 29”, porque o 28 morreu. Mas no próximo ano vai ter outro 28 no seu lugar, porque você simplesmente deixou de existir. Você não é alguém para a escola. Entender isso é fundamental, porque a possibilidade de educar para ser humano – a educação do ponto de vista humano – está necessariamente atrelada à família. Existem, portanto, níveis em que a família pode influenciar a escola, níveis que parecem ser crescentes. Em um primeiro nível, estão as famílias que preferem adotar o homeschooling, educar o filho em casa, que é um direito constitucional, que não pode ser negado por ninguém. Depois, as famílias que decidem fazer colégios para os seus filhos: uma associação de famílias cria uma escola que educa seus filhos de acordo com os valores das próprias famílias. Em terceiro lugar, as escolas particulares, que vêm da iniciativa privada e não necessariamente das famílias: as famílias que pagam têm o direito de exigir que a escola ensine de acordo com os seus valores. Os pais podem se articular, podem conversar juntos, participar mais da vida da escola. Por último, nas escolas públicas, pode acontecer o mesmo: os pais podem se articular, entender o que acontece na escola, influenciar os professores, falar sobre a ideologia de gênero. Em outras palavras, se estão querendo usar a educação como instrumento para destruir a família, temos que fazer o contrário: usar a família para destruir esse projeto maquiavélico de educação. Se fizermos isso, conseguimos virar o jogo. os pais podem se articular, entender o que acontece na escola, influenciar os professores, falar sobre a ideologia de gênero. A implantação do Sistema Nacional da Educação, prevista para este mês, pode ser algo danoso para a relação das famílias com as escolas? A partir da necessidade desses grupos de acabar com a família e de tirar a educação das bases, se introduziu em 2009 na Constituição brasileira o conceito novo de um Sistema Nacional de Educação. Segundo a nossa interpretação, isso deveria ser entendido forçosamente como coordenação e colaboração com os demais sistemas de ensino, estaduais e municipais. Porém, esse conceito já foi colocado na Constituição na perspectiva de ser interpretado como um SUS da educação, ou seja, um sistema único em que a União determina o que a escola tem que ensinar. O primeiro passo foi a elaboração de uma base curricular comum, o que é um absurdo, porque a Lei de Diretrizes e Bases diz que se deve dar progressiva autonomia aos sistemas e às próprias escolas, por um motivo óbvio: quando estou na base, entendo quais são as necessidades daquelas crianças, ouço as suas famílias, percebo que educação precisa ser aplicada ali. Isso só pode acabar em desastre. Não há como a centralização da educação não ser desastrosa. Dou como exemplo o que aconteceu no Japão, um exemplo que no Brasil eles não querem que seja conhecido. O Japão foi o primeiro a estabelecer bases curriculares comuns, com o fim de elevar o nível da educação, porque o país queria entrar no mercado internacional. O que aconteceu? Os filhos dos ricos tinham possibilidade de estudar, mas os filhos dos pobres não conseguiam dar conta e tinham que estudar em escolas alternativas, fazendo matérias particulares à parte, para poderem passar. E a garotada começou a ficar deprimida, a pensar em suicídio, a se matar. Há um fenômeno no Japão chamado hikikomori, jovens que ficam trancados dentro de casa, não saem nunca. O próprio Japão percebeu que aquela medida foi um suicídio educacional. O Brasil quer trilhar os mesmos caminhos. Mas chegou a hora de a gente dizer não: nós queremos que nossas escolas tenham independência, que os sistemas possam se articular desde a base, sobretudo sofrendo a interferência direta das famílias dos alunos. Fonte: Sempre Família #FormaçõesCatólicas #IdeologiadeGênero #PadreJoséEduardo
- Bispos do Chile respondem presidente do país: Casamento é entre homem e mulher
O Comitê Permanente do Episcopado do Chile (CECh) afirmou que o casamento é a união entre um homem e uma mulher e que “não há fundamento” para compará-lo com as uniões homossexuais, depois do apoio do presidente chileno à lei do “matrimônio igualitário”. No dia 1º de junho, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou que daria “urgência de lei” ao projeto de “matrimônio igualitário”. “Todas as pessoas, sem distinção de orientação sexual, poderão viver no amor e constituir família, com toda a proteção e dignidade que precisam e merecem”, disse o presidente. A decisão foi rejeitada por diversos setores políticos, inclusive de partidos que compõem a coalizão de governo, pela falta de um debate prévio. Os opositores também criticaram Piñera por considerar o gesto como “oportunismo” político, já que o projeto foi promovido em 2017 pela então presidente, Michelle Bachelet. Em nota divulgada no dia 2 de junho, a Comissão Permanente do Episcopado do Chile afirmou que “aqueles de nós que seguem Jesus Cristo como Salvador e Senhor e são guiados por seus ensinamentos, temos a certeza de que o casamento estabelecido e desejado por Deus é apenas entre um homem e uma mulher, uma comunhão que cria vida e estabelece a família”. “O que a Igreja Católica ensina sobre este assunto é claro e conhecido: ‘a vocação para o matrimónio está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, tais como saíram das mãos do Criador’ (Catecismo da Igreja Católica, 1603)”, diz a nota. A família é o “’ lugar primário de relações interpessoais, célula primeira e vital da sociedade (…) que nasce da íntima comunhão de vida e de amor fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher´ (Compêndio da Doutrina Social do Igreja, 211)”, acrescentou. A nota cita a exortação apostólica Amoris laetitia, onde o papa Francisco afirma que “não há base para assimilar ou estabelecer analogias, nem mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o projeto de Deus para o matrimônio e a família”. Os bispos afirmaram que “o exposto anteriormente em nada contradiz a firme convicção da Igreja de que ‘toda pessoa, independentemente de sua orientação sexual, deve ser respeitada em sua dignidade e acolhida com respeito, tentando evitar qualquer sinal de discriminação injusta”. “Do ponto de vista dos direitos das pessoas que decidem viver juntas, a legislação nacional estabeleceu um regime que protege legalmente sua decisão e lhe confere o reconhecimento”, diz a nota em referência ao Acordo sobre a União Civil. “Esperamos que estas palavras possam ajudar no discernimento de quem exerce a responsabilidade de legislar e de todas as pessoas que procuram o maior bem para todos nós que vivemos no Chile”, concluíram os bispos. O bispo de San Bernardo e administrador apostólico de Rancagua, Dom Juan Ignacio González, divulgou um documento baseado no Catecismo da Igreja Católica para alertar que “a tentativa de chamar com o nome de matrimônio a união de pessoas do mesmo sexo é uma falsificação a verdade sobre a espinha dorsal da sociedade civil e da Igreja, com consequências imprevisíveis para o futuro da sociedade”. “Não é o Estado, nem as confissões religiosas, os que decidem sobre o que é e o que não é matrimônio. O matrimônio consiste no consentimento livre entre um homem e uma mulher”, afirmou. Fonte: ACI Digital
- Bispos do Chile respondem presidente do país: Casamento é entre homem e mulher
O Comitê Permanente do Episcopado do Chile (CECh) afirmou que o casamento é a união entre um homem e uma mulher e que “não há fundamento” para compará-lo com as uniões homossexuais, depois do apoio do presidente chileno à lei do “matrimônio igualitário”. No dia 1º de junho, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou que daria “urgência de lei” ao projeto de “matrimônio igualitário”. “Todas as pessoas, sem distinção de orientação sexual, poderão viver no amor e constituir família, com toda a proteção e dignidade que precisam e merecem”, disse o presidente. A decisão foi rejeitada por diversos setores políticos, inclusive de partidos que compõem a coalizão de governo, pela falta de um debate prévio. Os opositores também criticaram Piñera por considerar o gesto como “oportunismo” político, já que o projeto foi promovido em 2017 pela então presidente, Michelle Bachelet. Em nota divulgada no dia 2 de junho, a Comissão Permanente do Episcopado do Chile afirmou que “aqueles de nós que seguem Jesus Cristo como Salvador e Senhor e são guiados por seus ensinamentos, temos a certeza de que o casamento estabelecido e desejado por Deus é apenas entre um homem e uma mulher, uma comunhão que cria vida e estabelece a família”. “O que a Igreja Católica ensina sobre este assunto é claro e conhecido: ‘a vocação para o matrimónio está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, tais como saíram das mãos do Criador’ (Catecismo da Igreja Católica, 1603)”, diz a nota. A família é o “’ lugar primário de relações interpessoais, célula primeira e vital da sociedade (…) que nasce da íntima comunhão de vida e de amor fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher´ (Compêndio da Doutrina Social do Igreja, 211)”, acrescentou. A nota cita a exortação apostólica Amoris laetitia, onde o papa Francisco afirma que “não há base para assimilar ou estabelecer analogias, nem mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o projeto de Deus para o matrimônio e a família”. Os bispos afirmaram que “o exposto anteriormente em nada contradiz a firme convicção da Igreja de que ‘toda pessoa, independentemente de sua orientação sexual, deve ser respeitada em sua dignidade e acolhida com respeito, tentando evitar qualquer sinal de discriminação injusta”. “Do ponto de vista dos direitos das pessoas que decidem viver juntas, a legislação nacional estabeleceu um regime que protege legalmente sua decisão e lhe confere o reconhecimento”, diz a nota em referência ao Acordo sobre a União Civil. “Esperamos que estas palavras possam ajudar no discernimento de quem exerce a responsabilidade de legislar e de todas as pessoas que procuram o maior bem para todos nós que vivemos no Chile”, concluíram os bispos. O bispo de San Bernardo e administrador apostólico de Rancagua, Dom Juan Ignacio González, divulgou um documento baseado no Catecismo da Igreja Católica para alertar que “a tentativa de chamar com o nome de matrimônio a união de pessoas do mesmo sexo é uma falsificação a verdade sobre a espinha dorsal da sociedade civil e da Igreja, com consequências imprevisíveis para o futuro da sociedade”. “Não é o Estado, nem as confissões religiosas, os que decidem sobre o que é e o que não é matrimônio. O matrimônio consiste no consentimento livre entre um homem e uma mulher”, afirmou. Fonte: ACI Digital
- MOMENTOS MEMORÁVEIS NO JARDIM – Hadley Arkes
O meu falecido professor Leo Strauss insistia que não há na Bíblia qualquer ensinamento distinto sobre “natureza”, nem direitos que derivam da natureza. Também não conseguia encontrar a presença do “direito natural” nem de um raciocínio moral que permitisse aceder à verdade moral, para além da “revelação”. Mas o aspecto central do Judaísmo é a aliança entre Deus e Abraão e só existe um tipo de criatura que tem, pela sua própria natureza, a capacidade de pesar o bem a retirar de qualquer contrato, promessa feita ou compromisso, e depois honrar esse compromisso mesmo quando deixa de ser no seu interesse ou da sua vontade. Quanto ao raciocínio moral do direito natural, a negociação entre Abraão e Deus sobre o destino de Sodoma e Gomorra é um incidente indicativo. “Não deve o Juiz de todo o universo fazer o bem?” Será que Ele destruirá os retos com os maus? Se todo o nosso entendimento moral derivasse unicamente da revelação, então estaria Abraão a sugerir que Deus não tinha entendido bem as implicações da sua própria revelação? Ou estaria a apelar a um conjunto de princípios ou verdades morais que até Deus respeitaria, e que tinha adoptado para si? Esse entendimento da Aliança era central para o significado do Judaísmo e do povo judeu. Jesus, na Última Ceia, estabelece uma nova aliança, mas como foi observado por Joseph Weiler, a noção de aliança manteve-se central para cristãos e para judeus – e para a compreensão de Deus. Uma aliança, ou um contrato, implica a existência de duas ou mais partes com igual capacidade para contratar. Pode haver uma disparidade enorme entre poder e carácter, mas a questão está em saber se os homens, como foram criados por Deus, tinham a capacidade de medir o “bem” que poderiam ganhar com este acordo; sobre se estavam a dar o seu “consentimento” informado; e se poderiam ser responsabilizados por honrar o compromisso, manter a promessa. O esquema dependia, então, de Deus ter diante de Si aquelas criaturas que tinha criado como “agentes morais”. A sua conduta não seria “determinada” por forças exteriores ao seu controlo. Elas tinham a liberdade de fazer escolhas e de serem responsabilizadas por elas. Deus “propôs” uma aliança e estava a lidar com seres que tinham a liberdade de a aceitar ou rejeitar. Sem esse dado central, diz Weiler, Deus não teria mais interesse nessa aliança do que teria numa aliança com cães e cavalos, pois não estaria a lidar com Seres Humanos plenos. Ele não interviria para evitar que eles cometessem erros, ou maldades, porque não era o seu desejo criar um mundo de robôs. O mesmo Weiler tinha confrontado os líderes da União Europeia com a necessidade de fazerem as suas próprias e necessárias escolhas acerca de Deus. Nessa altura ele era já o mais competente estudioso de direito internacional e comparado. Nasceu na África do Sul, de uma linha de 500 anos de rabinos; fez os seus estudos em Cambridge e na Haia e no Instituto Universitário Europeu, em Florença. Os seus livros estão traduzidos em várias línguas. Enquanto consultor para a Convenção para o Futuro da Europa, conquistou os corações de muitos de nós. Weiler, um judeu ortodoxo, liderou a oposição ao movimento para purgar qualquer referência à tradição cristã da Constituição da União Europeia. Esse caminho não augurava nada de bom para judeus ou cristãos – nem ninguém. Em resposta foi-lhe dito que isso minaria o carácter “secular” da União, e a sua “neutralidade” religiosa. Mas o que é que estava a ser minado? Como explicou Weiler, a liberdade de culto prevalecia mesmo em países com Igrejas oficiais (como Inglaterra e Dinamarca). Foi então que colocou ao Presidente da Convenção esta questão instigante: por que é que a posição normal devia ser o laicismo? Se metade das pessoas, na Europa, viviam em Estados cujas constituições faziam referência explícita a Deus, por que é que essa não havia de ser a posição-padrão? Weiler argumentou que a neutralidade era uma posição falsa e impossível. A escolha aqui, disse ele, era binária: “sim a Deus, ou não a Deus. Por que é que a exclusão de Deus seria mais neutra que a sua inclusão? Trata-se do favorecimento de uma mundivisão, o secularismo, acima de outra mundivisão, a religiosa, mas neste caso é um secularismo disfarçado de neutralidade”. Num recente encontro, Weiler regressou à sua insistência na centralidade desse “agente moral” que estabelece uma Aliança. Mas se Eva e Adão não tivessem qualquer conhecimento do bem e do mal antes de terem comido da árvore, como é que poderiam ser culpabilizados – e punidos? Aqui Weiler oferece uma perspectiva muito diferente: essa mão estendida para a maçã “impele Eva rumo à sua vocação humana plena: viver e compreender-se enquanto agente moral, para completar a sua criação à imagem de Deus”. E, dessa perspectiva, aquilo que, até agora, deve ser visto como a Queda de Adão e Eva pode ser descrito como a sua Ascensão. E a punição deve ser vista a uma luz bem diferente: “A tristeza é necessária para apreciar a alegria… a morte é aquilo que nos permite apreciar a vida” enquanto dom de Deus. Se fossemos programados para nunca fazer coisas más, jamais poderíamos alcançar a grandeza de conhecer e amar o bem ”. Nas palavras do nosso querido falecido Michael Novak, esta é uma “Igreja dos pecadores, pelos pecadores e para os pecadores”. Henry James recordou um Domingo em Roma, na Basílica de São Pedro, a ouvir música e a contemplar a cena, e disse que “a imensidão clara do local protegia a conversa e até o mexerico. A imagem não era a de um templo em particular, mas de ser formada pelas próprias paredes de uma fé que não estava para impor pequenos pudores”. (Tradução de Filipe d’Avillez) http://actualidadereligiosa.blogspot.com/2021/04/momentos-memoraveis-no-jardim.html#.YLwtMPlKjIU https://www.thecatholicthing.org/2021/04/20/memorable-moments-in-the-garden/
- Papa Francisco prepara restrições à missa tradicional em latim
De acordo com fontes no Vaticano, o Papa pretende divulgar em breve um documento destinado a “reinterpretar” o Motu Proprio Summorum Pontificum, promulgado pelo papa emérito Bento XVI, que permitiu o uso irrestrito da missa de São Pio V (Forma Extraordinária do Rito Romano) em toda a Igreja. A Congregação para o Culto Divino prepara um documento modificando o motu próprio Summorum Pontificum, com o qual Bento XVI liberou a celebração da missa no rito anterior às reformas instauradas depois do Concílio Vaticano II, apurou o grupo ACI junto a uma fonte de dentro da congregação. O papa Francisco fez uma sessão de perguntas e respostas a portas fechadas com os membros da Conferência Episcopal Italiana que se encontraram em Roma para sua assembleia plenária anual entre os dias 24 e 27 de maio. Aos bispos, Francisco teria insinuado que haverá novos regulamentos para a celebração da missa na forma extraordinária, disseram dois bispos participantes da conferência ao grupo ACI. Com a publicação do Summorum Pontificum, Bento XVI permitiu a celebração da missa de acordo com o Missal de São João XXIII em toda a Igreja de rito latino. Na carta dirigida a todos os bispos que acompanhou o motu próprio de 2007, Bento XVI estabeleceu que “na história da Liturgia, há crescimento e progresso, mas nenhuma ruptura. Aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial”. Bento XVI acrescentou: “quero chamar a atenção para o fato de que este missal nunca foi juridicamente ab-rogado e, consequentemente, em princípio sempre continuou permitido “. Segundo a fonte do grupo ACI na Congregação para o Culto Divino, as modificações ao Summorum Pontificum restabeleceriam a necessidade de obter o consentimento do bispo local para utilizá-lo. As mudanças “foram solicitadas por alguns bispos locais, reivindicando a necessidade de regular melhor as condições para celebrar a Missa no Rito Antigo”. A queixa mais comum dos bispos seria que às vezes, o grupo de pessoas que solicita a missa tradicional em latim é minúsculo, e acrescentar esta celebração e manter uma igreja aberta para uma quantidade tão pequena de pessoas pode ser problemático em dioceses com escassez de sacerdotes. Em 2020, a Congregação para a Doutrina da Fé enviou um questionário de nove pontos sobre o Summorum Pontificum aos presidentes das conferências episcopais do mundo inteiro. O papa Francisco afirmava querer ser “informado sobre a aplicação atual” do motu proprio. As respostas não iriam para a Congregação para a Doutrina da Fé, mas para a Congregação do Culto Divino. O documento restringindo o uso da forma extraordinária estaria em sua terceira versão. As duas primeiras versões teriam sido consideradas “muito duras”. A terceira toma mais cuidado com “a possibilidade de que regulamentações restritivas possam ser percebidas como um passo atrás no caminho da harmonia litúrgica desejada por Bento XVI”, apurou o grupo ACI. Uma das ideias seria exigir que os padres que queiram rezar missa na forma extraordinária estabeleçam uma comunidade específica em uma igreja específica. Na basílica de São Pedro, o rito extraordinário já está restrito à capela Clementina, nas Grutas do Vaticano, desde o dia 22 de março. O primeiro rascunho impôs limitações estritas à idade dos celebrantes e seria semelhante à consideração de “Missa Perdoada” de Paulo VI, que permitia a celebração sob condições estritas. Na sua forma atual, comunidades e padres diocesanos que já oferecem missa na Forma Extraordinária podem continuar a fazê-lo, mas o clero diocesano que deseja começar a oferecer missa tradicional deve obter autorização. Ainda está sendo discutido se os bispos locais ou a Santa Sé serão responsáveis pela concessão dessas licenças. A administração dos outros sacramentos em Forma Extraordinária, ou seja, casamento, batismo, confirmação, etc., seria mantida para aqueles que já têm permissão para celebrar a Missa Tradicional hoje. Terminar o último rascunho e preparar a publicação do novo documento será tarefa do novo subsecretário da congregação, Aurelio García Masías. Em julho, ele será consagrado bispo, uma dignidade que não costuma ser dada a subsecretários de dicastérios. Essa decisão indicaria o desejo do papa Francisco de transferir a competência sobre a missa tradicional latina da CDF para a Congregação para o Culto Divino. Com informações de ACI DIgital
- Papa Francisco prepara restrições à missa tradicional em latim
De acordo com fontes no Vaticano, o Papa pretende divulgar em breve um documento destinado a “reinterpretar” o Motu Proprio Summorum Pontificum, promulgado pelo papa emérito Bento XVI, que permitiu o uso irrestrito da missa de São Pio V (Forma Extraordinária do Rito Romano) em toda a Igreja. A Congregação para o Culto Divino prepara um documento modificando o motu próprio Summorum Pontificum, com o qual Bento XVI liberou a celebração da missa no rito anterior às reformas instauradas depois do Concílio Vaticano II, apurou o grupo ACI junto a uma fonte de dentro da congregação. O papa Francisco fez uma sessão de perguntas e respostas a portas fechadas com os membros da Conferência Episcopal Italiana que se encontraram em Roma para sua assembleia plenária anual entre os dias 24 e 27 de maio. Aos bispos, Francisco teria insinuado que haverá novos regulamentos para a celebração da missa na forma extraordinária, disseram dois bispos participantes da conferência ao grupo ACI. Com a publicação do Summorum Pontificum, Bento XVI permitiu a celebração da missa de acordo com o Missal de São João XXIII em toda a Igreja de rito latino. Na carta dirigida a todos os bispos que acompanhou o motu próprio de 2007, Bento XVI estabeleceu que “na história da Liturgia, há crescimento e progresso, mas nenhuma ruptura. Aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial”. Bento XVI acrescentou: “quero chamar a atenção para o fato de que este missal nunca foi juridicamente ab-rogado e, consequentemente, em princípio sempre continuou permitido “. Segundo a fonte do grupo ACI na Congregação para o Culto Divino, as modificações ao Summorum Pontificum restabeleceriam a necessidade de obter o consentimento do bispo local para utilizá-lo. As mudanças “foram solicitadas por alguns bispos locais, reivindicando a necessidade de regular melhor as condições para celebrar a Missa no Rito Antigo”. A queixa mais comum dos bispos seria que às vezes, o grupo de pessoas que solicita a missa tradicional em latim é minúsculo, e acrescentar esta celebração e manter uma igreja aberta para uma quantidade tão pequena de pessoas pode ser problemático em dioceses com escassez de sacerdotes. Em 2020, a Congregação para a Doutrina da Fé enviou um questionário de nove pontos sobre o Summorum Pontificum aos presidentes das conferências episcopais do mundo inteiro. O papa Francisco afirmava querer ser “informado sobre a aplicação atual” do motu proprio. As respostas não iriam para a Congregação para a Doutrina da Fé, mas para a Congregação do Culto Divino. O documento restringindo o uso da forma extraordinária estaria em sua terceira versão. As duas primeiras versões teriam sido consideradas “muito duras”. A terceira toma mais cuidado com “a possibilidade de que regulamentações restritivas possam ser percebidas como um passo atrás no caminho da harmonia litúrgica desejada por Bento XVI”, apurou o grupo ACI. Uma das ideias seria exigir que os padres que queiram rezar missa na forma extraordinária estabeleçam uma comunidade específica em uma igreja específica. Na basílica de São Pedro, o rito extraordinário já está restrito à capela Clementina, nas Grutas do Vaticano, desde o dia 22 de março. O primeiro rascunho impôs limitações estritas à idade dos celebrantes e seria semelhante à consideração de “Missa Perdoada” de Paulo VI, que permitia a celebração sob condições estritas. Na sua forma atual, comunidades e padres diocesanos que já oferecem missa na Forma Extraordinária podem continuar a fazê-lo, mas o clero diocesano que deseja começar a oferecer missa tradicional deve obter autorização. Ainda está sendo discutido se os bispos locais ou a Santa Sé serão responsáveis pela concessão dessas licenças. A administração dos outros sacramentos em Forma Extraordinária, ou seja, casamento, batismo, confirmação, etc., seria mantida para aqueles que já têm permissão para celebrar a Missa Tradicional hoje. Terminar o último rascunho e preparar a publicação do novo documento será tarefa do novo subsecretário da congregação, Aurelio García Masías. Em julho, ele será consagrado bispo, uma dignidade que não costuma ser dada a subsecretários de dicastérios. Essa decisão indicaria o desejo do papa Francisco de transferir a competência sobre a missa tradicional latina da CDF para a Congregação para o Culto Divino. Com informações de ACI DIgital
- Cardeal Müller: “Marx é responsável pelo fracasso” da igreja alemã
Cardeal Müller: “Marx é responsável pelo fracasso” da igreja alemã “A renúncia do cardeal Reinhard Marx prova que o caminho sinodal alemão, politicamente dirigido, falhou”, diz o ex-prefeito da Doutrina da Fé, cardeal Gerhard Müller, em entrevista ao La Nuova Bussola Quotidiana. “Agora, o Papa tem a obrigação de fazer algo mais para preservar a unidade da Igreja”, diz Müller, em declarações imediatas à renúncia de seu colega Marx como arcebispo de Munique-Frisinga. Para Müller, “essa renúncia e o chamado caminho sinodal são duas questões diferentes, não podem ser confundidas. Mas, ao mesmo tempo, esse “caminho” também falhou porque, como vimos, vai em uma direção que não tem nada a ver com a Igreja, seus fundamentos, a Bíblia e a tradição apostólica.” O ex-prefeito não esquece o papel de Marx neste processo infame que ameaça dividir a Igreja. “Marx é responsável pelo fracasso do sínodo, mesmo que ele culpe um fracasso genérico da Igreja”, argumenta, referindo-se às palavras de seu colega de Munique, que em declarações após sua carta de renúncia falou de uma Igreja condenada a “um beco sem saída”. “Isso é inaceitável: ele quer delegar ao Papa, que é seu amigo, a tarefa de resolver os problemas que ele próprio deixou de fora e, na minha opinião, isso não está correto. No entanto, “a Igreja é uma instituição divina, não falhará mesmo que os homens falhem. Judas falhou, os apóstolos de Golgotha também falharam, por isso não podemos falar do fracasso da Igreja que é infalível por natureza.” O Cardeal Reinhard Marx pediu ao Papa Francisco que aceitasse sua renúncia como arcebispo de Munique e Freising. Isso foi anunciado hoje em um comunicado pela assessoria de imprensa da arquidiocese alemã. Marx explicou suas razões a Francisco em uma carta em 21 de maio. Cardeal Marx apresenta sua renuncia ao Papa Em uma declaração pessoal, Marx disse que nos últimos meses havia pensado repetidamente em renunciar ao cargo: “Eu me examinei e tentei tomar a decisão certa em oração e conversa espiritual através do ‘discernimento do espírito'”. Os “eventos e discussões” das últimas semanas desempenharam apenas um papel menor. Muitas falhas pessoais, erros administrativos O Papa Francisco teria informado Marx que esta carta já poderia ser publicada e que o ex-presidente da Conferência Dos Bispos Alemães (DBK) deve continuar a exercer seu ministério episcopal até que uma decisão seja tomada. Na carta ao Papa, Marx explica que sua principal preocupação é “assumir a responsabilidade conjunta pela catástrofe do abuso sexual cometida pelos funcionários da Igreja nas últimas décadas”. Para ele, investigações e relatórios periciais nos últimos dez anos têm demonstrado consistentemente que houve “muitas falhas pessoais e erros administrativos”, mas “também falhas institucionais ou sistêmicas”. As últimas controvérsias mostram, segundo o roxo de 67 anos, “que alguns na Igreja simplesmente não querem aceitar esse elemento de coresponsabilidade e, portanto, também de coresponsabilidade da instituição, e, portanto, se opor a qualquer diálogo de reforma e renovação em relação à crise de abuso”. Em sua carta ao papa, Marx expressa uma “clara rejeição” dessa atitude, segundo a assessoria de imprensa da arquidiocese de Munique. Ele acredita que o caminho sinodal deve continuar Ao mesmo tempo, Marx ressaltou que o “caminho sinodal” iniciado na Alemanha deve continuar. A Igreja Católica chegou a um “beco sem saída”, disse o cardeal. Com sua renúncia ao cargo, ele espera ser capaz de marcar um sinal pessoal “para um novo começo, para uma nova saída da Igreja”. “Quero mostrar que o escritório não está na vanguarda, mas na missão do Evangelho”, disse Marx. Ele diz que está disposto a assumir a responsabilidade pessoal, “não só pelos meus possíveis erros, mas pela instituição da Igreja, que ajudei a moldar há décadas”. O cardeal assegura que não tem sido fácil para ele apresentar sua renúncia, e espera poder continuar trabalhando para a Igreja no futuro: “Meu serviço para esta Igreja e para o povo não termina. Mas para o bem de um novo começo necessário, quero assumir a corresponsabilidade do passado” Marx acredita que o “impasse” no qual a Igreja se encontra no momento pode se tornar um “ponto de virada” Traduzido de InfoCatolica #Alemanha #AssembléiaSinodalAlemã #SínododaAlemanha
- Cardeal Müller: “Marx é responsável pelo fracasso” da igreja alemã
Cardeal Müller: “Marx é responsável pelo fracasso” da igreja alemã “A renúncia do cardeal Reinhard Marx prova que o caminho sinodal alemão, politicamente dirigido, falhou”, diz o ex-prefeito da Doutrina da Fé, cardeal Gerhard Müller, em entrevista ao La Nuova Bussola Quotidiana. “Agora, o Papa tem a obrigação de fazer algo mais para preservar a unidade da Igreja”, diz Müller, em declarações imediatas à renúncia de seu colega Marx como arcebispo de Munique-Frisinga. Para Müller, “essa renúncia e o chamado caminho sinodal são duas questões diferentes, não podem ser confundidas. Mas, ao mesmo tempo, esse “caminho” também falhou porque, como vimos, vai em uma direção que não tem nada a ver com a Igreja, seus fundamentos, a Bíblia e a tradição apostólica.” O ex-prefeito não esquece o papel de Marx neste processo infame que ameaça dividir a Igreja. “Marx é responsável pelo fracasso do sínodo, mesmo que ele culpe um fracasso genérico da Igreja”, argumenta, referindo-se às palavras de seu colega de Munique, que em declarações após sua carta de renúncia falou de uma Igreja condenada a “um beco sem saída”. “Isso é inaceitável: ele quer delegar ao Papa, que é seu amigo, a tarefa de resolver os problemas que ele próprio deixou de fora e, na minha opinião, isso não está correto. No entanto, “a Igreja é uma instituição divina, não falhará mesmo que os homens falhem. Judas falhou, os apóstolos de Golgotha também falharam, por isso não podemos falar do fracasso da Igreja que é infalível por natureza.” O Cardeal Reinhard Marx pediu ao Papa Francisco que aceitasse sua renúncia como arcebispo de Munique e Freising. Isso foi anunciado hoje em um comunicado pela assessoria de imprensa da arquidiocese alemã. Marx explicou suas razões a Francisco em uma carta em 21 de maio. Cardeal Marx apresenta sua renuncia ao Papa Em uma declaração pessoal, Marx disse que nos últimos meses havia pensado repetidamente em renunciar ao cargo: “Eu me examinei e tentei tomar a decisão certa em oração e conversa espiritual através do ‘discernimento do espírito'”. Os “eventos e discussões” das últimas semanas desempenharam apenas um papel menor. Muitas falhas pessoais, erros administrativos O Papa Francisco teria informado Marx que esta carta já poderia ser publicada e que o ex-presidente da Conferência Dos Bispos Alemães (DBK) deve continuar a exercer seu ministério episcopal até que uma decisão seja tomada. Na carta ao Papa, Marx explica que sua principal preocupação é “assumir a responsabilidade conjunta pela catástrofe do abuso sexual cometida pelos funcionários da Igreja nas últimas décadas”. Para ele, investigações e relatórios periciais nos últimos dez anos têm demonstrado consistentemente que houve “muitas falhas pessoais e erros administrativos”, mas “também falhas institucionais ou sistêmicas”. As últimas controvérsias mostram, segundo o roxo de 67 anos, “que alguns na Igreja simplesmente não querem aceitar esse elemento de coresponsabilidade e, portanto, também de coresponsabilidade da instituição, e, portanto, se opor a qualquer diálogo de reforma e renovação em relação à crise de abuso”. Em sua carta ao papa, Marx expressa uma “clara rejeição” dessa atitude, segundo a assessoria de imprensa da arquidiocese de Munique. Ele acredita que o caminho sinodal deve continuar Ao mesmo tempo, Marx ressaltou que o “caminho sinodal” iniciado na Alemanha deve continuar. A Igreja Católica chegou a um “beco sem saída”, disse o cardeal. Com sua renúncia ao cargo, ele espera ser capaz de marcar um sinal pessoal “para um novo começo, para uma nova saída da Igreja”. “Quero mostrar que o escritório não está na vanguarda, mas na missão do Evangelho”, disse Marx. Ele diz que está disposto a assumir a responsabilidade pessoal, “não só pelos meus possíveis erros, mas pela instituição da Igreja, que ajudei a moldar há décadas”. O cardeal assegura que não tem sido fácil para ele apresentar sua renúncia, e espera poder continuar trabalhando para a Igreja no futuro: “Meu serviço para esta Igreja e para o povo não termina. Mas para o bem de um novo começo necessário, quero assumir a corresponsabilidade do passado” Marx acredita que o “impasse” no qual a Igreja se encontra no momento pode se tornar um “ponto de virada” Traduzido de InfoCatolica #Alemanha #AssembléiaSinodalAlemã #SínododaAlemanha
- DIREITO E EUCARISTIA – Pe. Santiago Martín
Esta semana, o Papa aprovou uma reforma do Código de Direito Canónico. Embora os meios de comunicação social se tenham concentrado principalmente na questão do abuso de menores, há outras coisas muito importantes que passaram despercebidas. Refiro-me àqueles que fazem referência à defesa da Eucaristia. No cânon 1379, parágrafo 3, diz: “Tanto aquele que tentou conferir Ordens Sagradas a uma mulher como a mulher que tentou receber Ordens Sagradas incorrem em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica; além disso, o clérigo pode ser punido com a demissão do estado clerical”. Fala de “tentativa”, deixando assim claro que a ordenação sacerdotal não pode ser realizada porque, mesmo que a cerimónia litúrgica tivesse tido lugar, não teria tido valor. Fala também de “ordens sagradas”, que, embora não seja especificada, proíbe não só o sacerdócio, mas também o diaconato feminino. Além disso, quem o fizesse — e isto refere-se a bispos, que sozinhos podem ordenar sacerdotes — seria automaticamente excomungado — é o que se entende por “latae sententiae” — e seria impedido de exercer o sacerdócio e governar a diocese até que a excomunhão fosse levantada. Isto resolve a questão da ordenação feminina, incluindo o acesso ao diaconato. Há uma excomunhão para quem a tenta e, também, para a mulher que se presta a receber esta ordenação, que, além disso, não teria lugar e não seria mais do que uma tentativa. Ao proteger o sacerdócio, a Eucaristia é protegida, a qual não pode ser celebrada por aqueles que não têm direito a isto. Este não é o único artigo do novo Código que defende a Eucaristia, embora os outros não sejam tão claros como este. O cânone 1371, parágrafo 1, diz: “Quem não obedecer à Sé Apostólica, o Ordinário ou o Superior que legitimamente o ordena ou proíbe, e após admoestação persistir na sua desobediência, será punido de acordo com a gravidade do caso, com censura ou privação do cargo ou com as outras penas mencionadas no cânone 1336, §§ 2-4”. Esta punição poderia ser reservada, por exemplo, para aqueles que tenham realizado as bênçãos dos casais homossexuais, ao contrário de uma disposição específica e pública do Vaticano. Também no cânon 1382, parágrafo 1, afirma-se que “quem profana as espécies consagradas, ou as tira ou as guarda para fins sacrílegos, incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica; o clérigo também pode ser punido com outras penas, não excluindo a expulsão do estado clerical”. E aqui podem ser incluídos aqueles que deram a comunhão aos protestantes, pois ao fazê-lo fizeram uma profanação do Corpo e Sangue de Cristo, e fizeram-no publicamente, sabendo que era proibido pela Sé Apostólica. Embora não seja tão claro como a excomunhão daqueles que tentam ordenar mulheres, poderia ser interpretado no sentido de que aqueles que o fizeram são também excomungados, com todas as consequências. Tal como noutros casos, a avaliação desta modificação do Código deve ser feita tendo em conta as reações. As reações não tardaram a chegar. Um líder proeminente dos leigos alemães criticou duramente o Papa por ter fechado definitivamente a porta ao diaconato e ao sacerdócio feminino, impondo uma penalidade tão grosseira como a excomunhão. Pessoalmente, eu teria gostado se houvesse mais clareza relativamente à administração da Eucaristia para aqueles que não a podem receber, quando o padre tem conhecimento do fato, mas temos de agradecer o que foi alcançado, que é muito. A Eucaristia é a coisa mais sagrada que temos, porque é o próprio Cristo que lá está. Tudo o que for feito para o defender e honrar será pouco. A Igreja vive para a Eucaristia; profaná-la, ou permitir que ela seja profanada, é a coisa mais séria que pode acontecer.


















































