Ecologismo como religião
O coração do homem é uma fábrica de ídolos, já dizia acertadamente João Calvino. Sempre que substituímos o culto a Deus por qualquer outra coisa, caímos nesse terrível pecado. Até mesmo coisas boas que Deus criou, podem se tornar idolatrias, quando amadas da maneira errada, esse é o caso da natureza.
Como a narrativa da criação nos diz, Deus criou os céus e a terra, as plantas, os animais, os mares e tudo que neles há, e disse que tudo era “bom”.
Após a criação da natureza, Deus cria o homem e o coloca no jardim para “cultivar e guardar” (Gn 2:15). Esse mandato coloca o homem como protetor da criação, um mordomo de Deus no paraíso criado.
Mesmo após a queda, esse mandato permanece, somos chamados a cuidar da terra pois ela é uma boa criação de Deus e pertence a Ele. (Salmo 24:1) A natureza revela a glória de Deus e toda sua beleza, e nós somos indesculpáveis ao contemplá-la, não o glorificar ao Senhor como seu criador. (Romanos 1)
Mas a grande idolatria é olhar a criação e enxerga-la como divina, esse é o grande erro dos militantes ecologistas. Não é raro ouvir referências a natureza como “mãe terra”, “a força maior”, e outras formas de divinização daquilo que é criado.
A visão bíblica é que Deus é o criador da natureza. Ele não faz parte dela, mas lhe é superior e distinto. Na visão pagã, deus faz parte da natureza, ou é a própria natureza, estando em todas as coisas e sendo todas as coisas.
A mente dos militantes ecologistas é uma visão pagã panteísta, onde deus é tudo e está em tudo. Por isso a natureza é divinizada. Mesmo tendo rejeitado o Deus bíblico, de alguma forma eles buscam adorar e prestar culto a alguma coisa. No coração deles, sempre haverá um altar para adoração. O coração do homem jamais estará vazio. Por isso, o apóstolo diz: “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.”
(Romanos 1:22)
A criação de Deus deve ser amada, cuidada e respeitada. Os cristãos, mais do que ninguém, tem motivos para cuidar daquilo que pertence a Deus. A criação foi concedida ao homem para o seu uso consciente, nenhum cristão olha para aquilo que Deus lhe deu de modo displicente, pelo menos não deveria.
Que os cristãos possam analisar a participar da solução dos problemas do mundo, não a partir de visões ideológicas apaixonadas, mas com uma cosmovisão bíblica fiel.
Que sejamos Sal e Luz, em meio a um mundo de trevas idolátricas.
SOLI DEO GLORIA
Ramon Serrano
















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