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- O GNOSTICISMO HOJE – Thomas G. Weinandy, OFM
Frei Thomas G. Weinandy, OFM Discute-se muito, atualmente, sobre a presença de um novo gnosticismo dentro da Igreja Católica. Parte do que foi escrito é útil, mas muito do que foi apontado como um renascimento dessa heresia tem, na verdade, pouco a ver com o seu velho antecedente. Além disso, é uma atitude em geral equivocada reconhecer esta antiga heresia nalgumas tendências atuais do catolicismo. Para trazer um mínimo de clareza a essa discussão sobre o neo-gnosticismo, é preciso primeiro uma compreensão inteligível da modalidade antiga. O gnosticismo primitivo manifestou-se de várias formas, muitas vezes bastante complicadas, mas alguns princípios essenciais são discerníveis: 1) O gnosticismo contém um dualismo radical: enxerga na “matéria” a fonte de todo o mal, e, no “espírito”, a origem divina de tudo que é bom; 2) Os seres humanos são compostos tanto de matéria (o corpo) como de espírito (que possibilita o acesso ao que é divino); 3) A “salvação” consiste em obter o conhecimento verdadeiro (gnosis), uma iluminação que permite a transição progressiva do mundo material maligno para o reino espiritual e, por fim, a plena comunhão com a divindade suprema e imaterial; 4) Diversos “redentores gnósticos” se apresentaram, cada qual afirmando possuir tal conhecimento, que possibilita o acesso àquela iluminação “salvífica”. À luz do exposto, os seres humanos se dividiriam em três categorias: 1) As pessoas carnais, aprisionadas de tal modo no mundo da matéria ou do corpo (fontes do mal), que seriam incapazes de receber o “conhecimento salvífico”; 2) As psíquicas ou anímicas, que estariam parcialmente confinadas ao reino carnal e parcialmente iniciadas no domínio do espírito. (Dentro do gnosticismo propriamente cristão, essas pessoas são os que viveriam pela mera “fé”, pois não possuem a plenitude do conhecimento divino. Não são totalmente iluminados e, portanto, devem confiar naquilo em que “acreditam”); 3) Finalmente, as pessoas capazes de completa iluminação, os gnósticos, que possuem a plenitude do conhecimento divino. Por meio de seu conhecimento salvador, eles podem se libertar totalmente do mundo material maligno e ascender à esfera divina. Eles vivem e são salvos não pela “fé”, mas pelo “conhecimento”. Comparado ao antigo gnosticismo, o que agora se propõe como neo-gnosticismo, dentro do catolicismo contemporâneo, parece confuso e ambíguo, assim como mal endereçado. Acusam-se alguns católicos de neo-gnosticismo pois supostamente acreditariam que são salvos por aderirem a “doutrinas” inflexíveis e sem vida, observando com rigor um “código moral” rígido e implacável. Eles afirmariam “conhecer” a verdade e, por isso, exigem que ela seja realizada e, sobretudo, obedecida. Esses “católicos neo-gnósticos” não estariam abertos ao movimento renovado do Espírito, que sopraria na Igreja contemporânea — que é, frequentemente, apontado como o “novo paradigma”. É certo que todos nós conhecemos católicos que agem de forma “superior” aos outros, que ostentam sua compreensão mais completa da teologia dogmática ou moral para acusar os demais de lassidão. Esta superioridade pecaminosa, entretanto, se enquadra na categoria da soberba, sem que seja, em si mesma, uma forma de gnosticismo. Somente seria correto chamar a isto de neo-gnosticismo, se os assim acusados estivessem propondo um “novo conhecimento salvífico”, uma “nova iluminação” que divergisse das Sagradas Escrituras, como tradicionalmente é entendida, e daquilo que é autenticamente ensinado pela tradição viva do Magistério. Tal acusação não pode ser feita a “doutrinas” que, longe de serem verdades abstratas e sem vida, são expressões maravilhosas das realidades centrais da fé católica: a Trindade, a Encarnação, o Espírito Santo, a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia, a lei de amor de Jesus para com Deus e o próximo, refletida nos Dez Mandamentos, etc. Essas “doutrinas” definem o que a Igreja foi, é e sempre será. São as doutrinas que a tornam única, santa, católica e apostólica. Além disso, tais doutrinas e mandamentos não são um modo de vida esotérico, que escraviza as pessoas a leis irracionais e impiedosas, impostas de fora por uma autoridade tirânica. Pelo contrário, esses mesmos “mandamentos” foram dados por Deus à humanidade, em seu amor misericordioso, a fim de nos assegurar uma vida santa e divina. Além do mais, Jesus, o Filho encarnado do Pai, nos revelou o modo de vida que devemos viver, sempre na expectativa de seu Reino. Quando Deus nos diz o que nunca devemos fazer, ele está nos protegendo do mal, o mal que pode destruir nossas vidas humanas — vidas que Ele criou à sua imagem e semelhança. Jesus, através de sua paixão, morte e ressurreição, salvou-nos da grande devastação do pecado, derramando o seu Espírito Santo precisamente para nos capacitar a viver vidas genuinamente humanas. Promover este modo de vida não é propor um novo conhecimento salvífico. Para os antigos gnósticos, as pessoas de fé — bispos, sacerdotes, teólogos e leigos cristãos — seriam chamados de “psíquicos”. Eram desprezados exatamente porque não podiam reivindicar nenhum “conhecimento” especial ou esotérico: eram obrigados a viver pela fé na revelação de Deus, como entendida e fielmente transmitida pela Igreja. Os que hoje, erroneamente, acusam outros de neo-gnosticismo, são os que propõem — quando confrontados, na vida real, com os aspectos fundamentais da doutrina e da moral — a necessidade de procurar pessoalmente, por si mesmos, o que Deus gostaria que eles fizessem. Encorajam as pessoas a discernir, por si mesmas, a melhor forma de ação, conforme o dilema moral que enfrentam em seu próprio contexto existencial; são elas próprias que decidiriam o que fazer em cada momento específico. Dessa forma, seria a própria consciência do indivíduo, a sua comunhão pessoal com o divino, que determinariam os requisitos morais adequados a cada circunstância. Não importa o que ensina a Escritura ensina, o que Jesus afirmou, o que a Igreja tem transmitido através da tradição viva do seu magistério: tudo isto poderia ser substituído por um “conhecimento” mais elevado, uma “iluminação” superior. Se há algum paradigma neo-gnóstico na Igreja, hoje em dia, poderia ser encontrado justamente aqui. Esse “novo paradigma” é o equivalente da velha gnosis, uma forma de estar verdadeiramente “no saber”, de ter acesso especial ao que Deus estaria nos dizendo como indivíduos aqui e agora, mesmo que vá além e possa até mesmo contradizer o que Ele próprio nos revelou nas Escrituras e pela tradição da Igreja. Os que reivindicam tal conhecimento iluminado não estão em condições de ridicularizar como neo-gnósticos os que simplesmente procuram viver pela “fé” na revelação divina, conforme ensinada pela tradição da Igreja. Espero que tudo isso possa trazer alguma clareza à atual discussão eclesial sobre o gnosticismo “católico” contemporâneo, colocando-o dentro do contexto histórico apropriado. O gnosticismo não pode ser usado como um rótulo contra aqueles fiéis “não iluminados” que somente buscam agir, com a ajuda da graça de Deus, conforme sempre os tem chamado a agir o ensinamento divinamente inspirado da Igreja. [Artigo publicado em 5 de Junho de 2018 no site americano The Catholic Thing] https://www.thecatholicthing.org/2018/06/07/gnosticism-today/
- Himno «De Nativitate» – Santo Efrém da Síria
«O Senhor veio a ela (Maria) para tornar-se servo. O Verbo veio a ela para calar em seu seio. O raio veio a ela para não fazer ruído. O pastor veio a ela, e nasceu o Cordeiro, que chora docemente. O seio de Maria trocou os papéis: quem criou tudo apoderou-se dele, mas na pobreza. O Altíssimo veio a ela, mas entrou humildemente. O esplendor veio a ela, mas vestido com roupas humildes. Quem tudo dá experimentou a fome. Quem dá de beber a todos sofreu a sede. Saiu dela nu, quem tudo reveste (de beleza).» (Santo Efrém da Síria – Himno «De Nativitate» 11, 6-8). #Igreja #Maria
- PASTOR SOLÍCITO, VIGILANTE SOBRE O REBANHO DE CRISTO JESUS (São Bonifácio, bispo e mártir)
A Igreja é como uma grande barca que navega pelo mar deste mundo. Sacudida nesta vida pelas diversas ondas das tentações, não deve ser abandonada a si mesma, mas governada. Na Igreja primitiva temos o exemplo de Clemente, Cornélio e muitos outros na cidade de Roma, de Cipriano em Cartago, de Atanásio em Alexandria. Sob o reinado dos imperadores pagãos, eles governaram a barca de Cristo, ou melhor, a sua caríssima esposa, que é a Igreja, ensinando-a, defendendo-a, trabalhando e sofrendo até ao derramamento de sangue. Ao pensar neles e noutros semelhantes, fico apavorado; o temor e o tremor me penetram e o pavor dos meus pecados me envolve e deprime! (Sl 54,6); gostaria muito de abandonar inteiramente o leme da Igreja, se encontrasse igual precedente nos Padres ou na Sagrada Escritura. Mas não sendo assim, e dado que a verdade pode ser contestada mas nunca vencida nem enganada, nossa alma fatigada se refugia nas palavras de Salomão: Confia no Senhor com todo o teu coração, e não te fies em tua própria inteligência; em todos os teus caminhos, reconhece-o, e ele conduzirá teus passos (Pr 3,5-6). E noutro lugar: O nome do Senhor é uma torre fortíssima. Nela se refugia o justo e será salvo (cf. Pr 18,10). Permaneçamos firmes na justiça e preparemos nossas almas para a provação; suportemos as demoras de Deus, e lhe digamos: Vós fostes um refúgio para nós, Senhor, de geração em geração (Sl 89,1). Confiemos naquele que colocou sobre nós este fardo. Por não podermos carregá-lo sozinhos, carreguemo-lo com o auxílio daquele que é onipotente e nos diz: O meu jugo é suave e o meu fardo é leve (Mt 11,30). Fiquemos firmes no combate, no dia do Senhor, porque vieram sobre nós dias de angústia e de tribulação (cf. Sl 118,143). Se Deus assim quiser morramos pelas santas leis de nossos pais (cf. 1Mc 2,50), a fim de merecermos alcançar junto com eles a herança eterna. Não sejamos cães mudos, não sejamos sentinelas caladas, não sejamos mercenários que fogem dos lobos, mas pastores solícitos, vigilantes sobre o rebanho de Cristo. Enquanto Deus nos der forças, preguemos toda a doutrina do Senhor ao grande e ao pequeno, ao rico e ao pobre, e todas as classes e idades, oportuna e inoportunamente, tal como São Gregório escreveu em sua Regra Pastoral. (Das Cartas de São Bonifácio, bispo e mártir – Ep. 78:MGH, Epistolae, 3,352.354 – Séc.VIII). #Igreja
- A IGREJA ADIANTA-SE QUAL O DESPONTAR DA AURORA (São Gregório Magno, papa)
A madrugada ou aurora é o tempo da passagem das trevas para a luz. Portanto, é muito justo dar estes nomes à Igreja de todos os eleitos. Pois, conduzida da noite da infidelidade à luz da fé, qual aurora depois das trevas, ela se abre para o dia com o esplendor da caridade celeste. O Cântico dos Cânticos bem o diz: Quem é esta que se adianta qual aurora nascente? Indo em busca dos prêmios da vida celeste, a Santa Igreja é chamada aurora porque abandonou as trevas dos pecados e começou a refulgir com a luz da justiça. Sobre esta qualidade de ser madrugada ou aurora, temos algo a pensar com mais sagacidade. A aurora e a madrugada anunciam ter passado a noite, no entanto, ainda não mostram toda a claridade do dia: repelem aquela, acolhem este, e, enquanto isto, as trevas e a luz se misturam. Que somos nós nesta vida, nós que seguimos a verdade, a não ser aurora ou madrugada? Já havendo realizado algo que pertence à luz, no entanto, ainda não nos libertamos inteiramente das trevas. Pelo Profeta foi dito a Deus: Diante de ti, nenhum vivente é justo. E em outro lugar: Em muitas coisas falhamos todos. Por isto, quando Paulo diz: Passou a noite; não acrescenta logo: Chegou o dia, mas: O dia se aproximou. Ao dizer que, passada a noite, o dia não veio mas se aproximou, demonstra, sem qualquer dúvida, estar ainda na aurora, depois das trevas e antes do sol. A Santa Igreja dos eleitos será então plenamente dia quando já não houver nela sombra de pecado. Será então plenamente dia quando for clara pelo perfeito ardor da luz em seu íntimo. Bem se mostra estar a aurora como que de passagem, nas palavras: E mostrastes à aurora seu lugar. Aquele a quem se mostra seu lugar é chamado daqui para ali, é claro. Qual é então o lugar da aurora, a não ser a perfeita claridade da visão eterna? Quando, conduzida, lá chegar, nada mais lhe restará das passadas trevas da noite. A aurora apresa-se em alcançar seu lugar, no testemunho do Salmista: Minha alma tem sede do Deus vivo; quando irei e aparecerei diante da face de Deus? A este lugar já conhecido a aurora apressava-se a chegar, quando Paulo dizia ter o desejo de morrer e estar com Cristo. E de novo: Para mim, viver é Cristo e morrer, um lucro. (Dos Livros “Moralia” sobre Jó, de São Gregório Magno, papa – Lib. 29,2-4: PL 76,478-480 – Séc.VI). #Igreja
- BEM-AVENTURADOS AQUELES QUE SERVEM JESUS CRISTO NA PESSOA DO IRMÃO NECESSITADO (São Gregório de Nazi
Diz a Escritura: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7). A misericórdia não é certamente a última das bem-aventuranças. Lemos também: “Feliz de quem pensa no pobre e no fraco” (Sl 40,2). E ainda: “Feliz o homem caridoso e prestativo” (Sl 111,5). E noutro lugar: “O justo é generoso e dá esmola” (Sl 36,26). Tornemo-nos dignos destas bênçãos, de sermos chamados misericordiosos e cheios de bondade. Nem sequer a noite interrompa a tua prática de misericórdia. Não digas: “Vai e depois volta, amanhã te darei o que pedes”. Não se deve interpor entre a tua resolução e o bem que vais fazer. Só a prática do bem não admite adiamento. “Reparte o teu pão com o faminto, acolhe em tua casa os pobres e peregrinos” (Is 58,7), com alegria e presteza. “Quem se dedica a obras de misericórdia”, diz o Apóstolo, “faça-o com alegria” (Rm 12,8). Essa presteza e solicitude duplicarão a recompensa da tua dádiva. Mas o que é dado com tristeza e de má vontade não se torna agradável nem é digno. Devemos alegrar-nos, e não entristecer-nos, quando prestamos algum benefício. Diz a Escritura: “Se quebrares as cadeias injustas e desligares as amarras do jugo” (Is 58,6), isto é, da avareza e das descriminações, das suspeitas e das murmurações, que acontecerá? A tua recompensa será grande e admirável! “Então, brilhará a tua como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa” (Is 58,8). E quem há que não deseja a luz e a saúde? Por isso, se me julgais digno de alguma atenção, vós, servidores de Cristo, seus irmãos e co-herdeiros, em todas as ocasiões visitemos a Cristo, alimentemos Cristo, tratemos as feridas de Cristo, vistamos a Cristo, acolhamos a Cristo, honremos a Cristo; não apenas oferecendo-lhe uma refeição, como fizeram alguns, não apenas ungindo-o com perfumes como Maria, não apenas dando-lhe o sepulcro como José de Arimatéia, não apenas dando o necessário para o sepultamento como Nicodemos que dava a Cristo só uma parte do seu amor, nem, finalmente, oferecendo ouro, incenso e mirra, como fizeram os magos, antes de todos esses. O Senhor do universo quer a misericórdia e não o sacrifício, e a compaixão tem maior valor que milhares de cordeiros gordos. Ofereçamos a misericórdia e a compaixão na pessoa dos pobres que hoje na terra são humilhados, de modo que, ao deixarmos este mundo, eles nos recebam nas moradas eternas, juntamente com o próprio Cristo nosso Senhor, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém. (Dos Sermões de São Gregório de Nazianzo, bispo do séc. IV). #Igreja
- O CRISTIANISMO E A SALVAÇÃO
O Cristianismo (…) não se afirma simplesmente como continuação da história de Israel ou como simples retomada de sua trajetória, mas como a realização das promessas anunciadas pelos profetas e como a inauguração dos tempos últimos da salvação. Cristo constitui a ação decisiva de Deus na história, ação que muda “uma vez para sempre” o sentido da condição humana e traz novidade que, a partir daí, torna-se absolutamente adquirida: ninguém poderá mais separar a união da natureza humana com a natureza divina realizada em Cristo. E ninguém mais poderá cancelar a redenção que ele já adquiriu para todos. Não é mais possível qualquer recaída. No plano objetivo, a humanidade já está irrevogavelmente salva. Resta apenas fazer todos os homens participarem daquilo que foi realizado uma vez por todas em Cristo: agora, cada homem decide o sentido de sua própria existência e de sua própria eternidade em função da acolhida ou da rejeição desse mistério de salvação operado na história. Em Cristo, tem-se o evento que introduz mudança qualitativa na história do mundo, a tal ponto definitiva que não se pode mais voltar atrás. Tudo isso impede de fazer do cristianismo uma espécie de gnose ou concepção do mundo ideal, mais ou menos fora das realidades humanas e às quais viria como que sobrepor por fora. O cristianismo não nasce de um sistema filosófico ou de um conjunto de verdades abstratas, mas de um evento, único e irrepetível, determinado e determinável no espaço e no tempo, embora absolutamente transcendente. A fé cristã representa a afirmação de que o mistério da salvação há séculos esperado já se cumpriu em Cristo, nada mais havendo agora a esperar senão sua extensão à humanidade inteira e sua manifestação visível com a escatologia definitiva. (Carlo Rocchetta, Os Sacramentos da fé, Paulinas, p. 34-35). #Igreja
- CRISTO JESUS: NOSSO SACERDOTE, NOSSA CABEÇA, NOSSO DEUS (Santo Agostinho)
Deus não poderia conceder dom maior aos homens do que dar-lhes como Cabeça a sua Palavra, pela qual criou todas as coisas, e a ela uni-los como membros, para que o Filho de Deus fosse também filho do homem, um só Deus com o pai, um só homem com os homens. Por conseguinte, quando dirigimos a Deus nossas súplicas, não separemos d’Ele o Filho; e, quando o Corpo do Filho orar, não separe de si sua Cabeça. Deste modo, o único Salvador de Seu Corpo, nosso Senhor Jesus Cristo, é o mesmo que ora por nós, ora em nós e recebe a nossa oração. Ele ora por nós como nosso sacerdote; ora em nós como nossa cabeça e recebe a nossa oração como nosso Deus. Reconheçamos n’Ele a nossa voz, e em nós a sua voz. E quando se disser sobre o Senhor Jesus, sobretudo nos profetas, algo referente àquela humilhação aparentemente indigna de Deus, não hesitemos em Lhe atribuir, já que Ele não hesitou em fazer-se um de nós. É a Ele que toda a criação serve, porque todo o universo é obra de Suas mãos. Por isso, contemplamos sua divindade e majestade, quando ouvimos: No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. No princípio estava ela com Deus. Tudo foi feito por Ela e sem Ela nada se fez (Jo 1,1-3). Mas se nesta passagem contemplamos a divindade do Filho de Deus que supera as mais excelsas criaturas, ouvimos também em outras passagens da Escritura o mesmo Filho de Deus que geme, ora e louva. Hesitamos então em atribuir-Lhe tais palavras, porque nosso pensamento reluta em passar da contemplação de Sua divindade à Sua humilhação, como se fosse uma injúria reconhecer como homem Aquele a quem orávamos como a Deus; por isso, o nosso pensamento fica muitas vezes perplexo, e esforça-se por alterar o sentido das palavras. Porém, não encontramos na Escritura recurso algum para aplicar tais palavras senão ao Filho de Deus, sem jamais separá-las d’Ele. Despertemos, pois, e estejamos vigilantes na fé. Consideremos Aquele que assumiu a condição de servo, a quem há pouco contemplávamos na condição de Deus; tornando-se semelhante aos homens e sendo visto como homem, humilhou-se a Si mesmo, fazendo-Se obediente até à morte (cf. Fl 2,7-8). E quis tornar Suas as palavras do salmo, ao dizer, pregado na cruz: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? (Sl 21,1). Ele ora na sua condição de servo, e recebe a nossa oração na sua condição de Deus; ali é Criatura, aqui o Criador; sem sofrer mudança, assumiu a condição mutável da criatura, fazendo de nós, juntamente com Ele, um só Homem, Cabeça e Corpo. Nossa oração, pois, se dirige a Ele, por Ele e n’Ele; oramos juntamente com Ele e Ele ora juntamente conosco. (Dos Comentários sobre os Salmos, de Santo Agostinho, bispo). #Cristologia #Igreja
- A VERDADEIRA CIÊNCIA FOGE DA SOBERBA (São Gregório Magno, papa)
Considera, ó homem redimido, quem é aquele que por tua causa está pregado na cruz, qual a sua dignidade e grandeza. A sua morte dá a vida aos mortos; por sua morte choram o céu e a terra, e fendem-se até as pedras mais duras. Para que, do lado de Cristo morto na cruz, se formasse a Igreja e se cumprisse a Escritura que diz: Olharão para aquele que transpassaram (Jo 19,37), a divina Providência permitiu que um dos soldados lhe abrisse com a lança o sagrado lado, de onde jorraram sangue e água. Este é o preço da nossa salvação. Saído daquela fonte divina, isto é, no íntimo do seu Coração, iria dar aos sacramentos da Igreja o poder de conferir a vida da graça, tornando-se para os que já vivem em Cristo bebida da fonte viva que jorra para a vida eterna (Jo 4,14). Levanta-te, pois, tu que amas a Cristo, sê como a pomba que faz o seu ninho na borda do rochedo (Jr 48,28), e aí, como o pássaro que encontrou sua morada (cf. Sl 83,4), não cesses de estar vigilante; aí esconde como a andorinha os filhos nascidos do casto amor; aí aproxima teus lábios para beber a água das fontes do Salvador (cf. Is 12,3). Pois esta é a fonte que brota no meio do paraíso e, dividida em quatro rios (cf. Gn 2,10), se derrama nos corações dos fiéis para irrigar e fecundar a terra inteira. Acorre com vivo desejo a esta fonte de vida e de luz, quem quer que sejas, ó alma consagrada a Deus, e exclama com todas as forças do teu coração:“Ó inefável beleza do Deus altíssimo e puríssimo esplendor da luz eterna, vida que vivifica toda vida, luz que ilumina toda luz e conserva em perpétuo esplendor a multidão dos astros, que desde a primeira aurora resplandecem diante do trono da vossa divindade. Ó eterno e inacessível, brilhante e suave manancial daquela fonte oculta aos olhos de todos os mortais! Sois profundidade infinita, altura sem limite, amplidão sem medida, pureza sem mancha!” De ti procede o rio que vem trazer alegria à cidade de Deus (Sl 45,5), para que entre vozes de júbilo e contentamento (cf. Sl 41,5) possamos cantar hinos de louvor ao vosso nome, sabendo por experiência que em vós está a fonte da vida, e em vossa luz contemplamos a luz (Sl 35,10). (Das Obras de São Boaventura, bispo – Opusculum 3, Lignum vitae, 29-30.47 Opera omnia 8,79 – Séc.XIII). #Igreja
- AS RAZÕES DO ÊXITO DA LENDA NEGRA (As manipulações dos judeus na propaganda anticatólica)
AS RAZÕES DO ÊXITO DA LENDA NEGRA (As manipulações dos judeus na propaganda anticatólica) #INQUISIÇÃO #LENDANEGRA #SANTOOFÍCIO Os Protestantes, que haviam empregado com sucesso a imprensa para difundir suas ideias, tentaram ganhar com a propaganda a guerra que não podiam ganhar pelas armas. THOMAS MADDEN Já ouviu o ditado que diz que a gota escava a pedra? Pois bem; uma má publicação é também uma gota, mas uma gota de veneno corrosivo capaz de estragar os corações mais inocentes, sobretudo se os encontra desprevenidos; é uma gota, mas gota que cai sem cessar dia após dia, sabendo que a constância, tanto para o bem quanto para o mal, opera prodígios. E se a publicação embora perversa, sabe apresentar-se com os enfeites de palavras bonitas e com o atrativo do gracejo, torna-se então uma gota de veneno Açucarada, que tragará não apenas com facilidade mas até mesmo com delícia todos aqueles que neste mundo não costumam guiar-se por outro critério que não o do paladar, que são inúmeros. FÉLIX SARDÁ Y SALVANY É um fato indiscutível que a imprensa foi uma das invenções de maior destaque realizadas pelo homem, principalmente por possibilitar a difusão maciça da cultura que outrora estava reservada a uns poucos privilegiados. A imprensa de Gutenberg – que com algumas variações é semelhante à atual – permitia a edição de centenas de cópias de um livro em pouco tempo e a um custo baixo. Porém, como aconteceu não poucas vezes na história, algumas invenções foram empregadas para um fim totalmente oposto àquele concebido Originalmente. Assim, a imprensa logo se converteria em uma máquina difamadora dos inimigos daqueles que detinham sua posse. Como observa o historiador V. Pinto Presto, Lutero havia colocado o potencial de difusão da Imprensa a serviço da Polêmica religiosa. Apenas entre 1517 e 1520 venderam-se 300.000 exemplares de 30 escritos de Lutero, muitos deles panfletários: “A imprensa foi logo utilizada pelos reformadores, como um instrumento privilegiado para a difusão de suas ideias”. “As imagens de todos que todos temos dos tormentos inquisitoriais, e que vimos nos livros de escola – comenta Vittorio Messori – foram impressas em Amsterdã e Londres, com o apoio da propaganda protestante, no âmbito da luta contra a Espanha pela hegemonia no Atlântico. É conhecido o papel decisivo que tiveram na imprensa os agiotas judeus, inicialmente associados Gutemberg e pouco depois tomando totalmente posse dela, quando o inventor alemão não conseguiu pagar os juros usurários que seus antigos sócios exigiam. Diz o historiador norte-americano Filipe Power que os judeus “empregaram o seu poder dentro da indústria editorial, tanto Para apoiar os holandeses em sua luta quanto para espalhar as críticas contra a Espanha. A imprensa será, tanto para protestantes quanto para os Judeus -como reconhece o informativo da BBC de Londres, uma espécie de Deus ex machina, de salvação: a espada Dourada que lhes permitiria ferir, com certo êxito, a imagem da Espanha e da igreja no mundo. A QUINTA COLUNA E O FINANCIAMENTO JUDEU Naturalmente, alguém devia financiar as caríssimas campanhas de difamação que emanavam às centenas de milhares de gráficas, bem como sua distribuição. Sobre isto, não há muitas dúvidas: os judeus, que sentiam uma especial aversão contra a Espanha, ofereceram-se de bom grado para financiar a revolução Protestante. Assim o admite o historiador judeu Lucien Wolf, dizendo que “os judeus fingiam ser calvinistas, isso lhes dava novos amigos que coincidiam com eles na inimizade contra Roma, a Espanha e a inquisição(…); e o resultado foi que se tornaram Aliados zelosos e eficazes Dos calvinistas”. Além do financiamento, proporcionaram ajuda logística aos Inimigos da Espanha através da “quinta coluna” que lá formaram historicamente, Como já foi bem provado e se exporá mais vezes. É preciso ter em conta o receio e o ódio que os judeus guardavam contra a Espanha e a igreja – especialmente após o decreto de expulsão – para compreender sua atitude beligerante, embora com venda tá a este respeito um fato raramente mencionado, Isto é: que não apenas os judeus expulsos tiveram parte ativa no plano de desmembrar a Espanha. O ressentimento anti-hispânica não nasce somente dos judeus expulsos da península, mas, como recolhe o insuspeito historiador argentino Kuznitzky, o grosso dos sefarditas “instalados em Amsterdam, berço da propaganda antiespanhola, eram conversos ou descendentes de conversos espanhóis e portugueses que, por uma razão ou outra, haviam decidido emigrar para a Holanda muito antes de 1492. Fatos como estes nos obrigam a discordar daqueles historiadores se desculpam e creem compreensível a atitude hostil e agressiva dos judeus, pois, como vemos, o ódio fatal destes contra a Igreja Católica e a Espanha data de muito antes. Ódio infundado e inexplicável, se se tem em conta os bons Tratos e o cuidado que receberam na Espanha, tanto por parte dos diferentes monarcas quanto pela igreja em geral. Para muitos, certamente, o poder da Imprensa seria uma revanche. Basta lembrar os nomes de Reuchlin, Melanchton, Ponche de La Fuente, cazalla, Pérez, Luís Leon, todos de origem judia e fundamentais para a consolidação da reforma. É o que conhece García Cárcel, assinalando que após os estudos feitos por Kaplan, yerushalmi, Mechoulan e contreras, ficou claramente demonstrado a importância que tiveram os judeus exilados da Espanha na configuração da imagem negativa do país. Para confirma-lo, há este respeito esclarecedores pronunciamento de diversos historiadores. O experiente Historiador espanhol Ricardo de la Cierva escreve em Sua obra (o terceiro templo); “com seus três postos avançados em Amsterdam, Londres e Nova York, os judeus de Amsterdã, em boa parte descendentes daqueles expulsos da Espanha pelos Reis católicos, meditaram e planejaram durante décadas sua vingança contra a Espanha. Este é um importantíssimo ato do drama estratégico mundial da idade moderna, e que não foi estudado apesar de seu enorme interesse”. Acrescenta o crítico Salvador de Madariaga, em (o auge e o ocaso do império espanhol na América), que os judeus tiveram parte importante na desintegração do império espanhol(…). Sua atividade contra a Espanha popularizou-se nos dois Campos mais importantes da vida espanhola: o religioso e o Imperial. Os judeus foram assíduos disseminadores da reforma; não tanto por um interesse sincero por ela em si, mas porque significavam cisma e divisão na fé rival”. Os conversos portugueses de Amberes deram um poderoso estímulo ao luteranismo desde seus primeiros dias. Já em 1521 tinham um fundo para imprimir as obras de Lutero em castelhano. Observa Júlio Caro Baroja – sobrinho do escritor Pio Baroja Nessi – em Sua obra (os judeus na Espanha moderna e contemporânea) “pode-se dizer que foi das famílias judias espanholas e portuguesas que se fixaram na Holanda, Inglaterra e outras partes deste meados do século XVII até mesmo do século XVIII que surgiu, em grande parte, o corpo de doutrina sobre a inquisição, a monarquia espanhola, etc., que foi aceito na Europa protestante até nossos dias: o marrano buscou uma forte e justificada Vingança contra seu país de origem em todas as ocasiões que pôde. Se contra os visigodos os judeus haviam se aliado aos árabes, agora, contra a monarquia espanhola, seus descendentes aliavam-se ora aos turco, ora aos holandeses, ora aos ingleses, e até, nos tempos de Richelieu, de maneira mais privada, aos franceses. Os fatos são conhecidos, e não é preciso recorrer a textos hostis e nem às justificativas dos Defensores de Israel para conhecê-los em toda sua extensão. Em certas manobras diplomáticas dos turcos contra a Espanha intervieram judeus fugidos da Espanha em meados do século XVI. Posteriormente, os conversos do Brasil, relacionados com os judeus de Amsterdam, secundaram os planos dos Holandeses em seus ataques a portos daquele país, defendidos por Portugueses e Espanhóis. Sabem-se inclusive os nomes dos que agiram como Espiões e especialistas no ataque à bahia (1623), na invasão de Pernambuco, etc. O próprio Cecil Roth, em sua extensa (história dos marranos Capítulo 10), comenta abertamente que os judeus portugueses financiaram a revolta contra o domínio espanhol nos países baixos, por ordem do Traidor de sua Pátria Guilherme de Orange. Em seu livro (A árvore de ódio. A lenda Negra e suas consequências nas relações entre EUA e Espanha, o recém citado Professor Phlip W. Power escreve. “Ao sair da Espanha, muitos judeus foram para a Itália, os domínios muçulmanos, os países baixos, a Alemanha e a França, lugares em que crescia a recepção à propaganda e a ação antiespanhola. Em seus novos lares, os judeus fizeram com grande dedicação tudo o que estava ao seu alcance para atrapalhar o comércio espanhol, e ajudaram os projetos mulçumanos de Vingança pela derrota em Granada. E sua erudição e conhecida dialética em matérias teológicas foram por vezes colocadas ao serviço da revolução protestante, que proporcionou tanta angústia à Espanha”. Thomas walsh, em seu Felipe II, acrescenta: “Se dermos crédito a Graetz e a outros historiadores judeus, estes tiveram um papel muito mais importante em tudo isto do que os cristãos, por motivos misteriosos, costuma demitir. Era incalculável o número dos membros desta raça enérgica e bem dotada que se haviam instalado em todos os países da Europa durante os assim chamados anos obscuros da idade média; foi incalculável o número dos que, assimilados como católicos sinceros ou passando por pretensos católicos, formaram depois os núcleos da sublevação Internacional. Estavam em todas as partes, em Estreita comunicação entre si e com os judeus da Sinagoga. Havia tantos na Inglaterra e na França, que um escritor judeu do século XVI, frequentemente citado pelos judeus modernos, atribui a este fato “a inclinação dos Ingleses e franceses pelo protestantismo”. por último, é preciso mencionar que esta “cruzada” contra a Igreja e os estados cristãos não aconteceu nem foi gerada de um dia para o outro. O douto rabino Newman expressa a mesma opinião, dizendo: “as forças que alcançaram seu auge nos séculos XV e XVI, foram postas em movimento durante os séculos XI, XII e XIII, e prepararam o caminho para as grandes heresias no cristianismo”. E acrescenta: “O papel dos judeus Como estimuladores e propagadores de opiniões anti eclesiásticas na Idade Média não deve ser subestimado”. #maçonaria #humanismo #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja #HistóriadaInquisição
- EM VÓS, SENHOR JESUS, ESTÁ A FONTE DA VIDA (São Boaventura, bispo)
Considera, ó homem redimido, quem é aquele que por tua causa está pregado na cruz, qual a sua dignidade e grandeza. A sua morte dá a vida aos mortos; por sua morte choram o céu e a terra, e fendem-se até as pedras mais duras. Para que, do lado de Cristo morto na cruz, se formasse a Igreja e se cumprisse a Escritura que diz: Olharão para aquele que transpassaram (Jo 19,37), a divina Providência permitiu que um dos soldados lhe abrisse com a lança o sagrado lado, de onde jorraram sangue e água. Este é o preço da nossa salvação. Saído daquela fonte divina, isto é, no íntimo do seu Coração, iria dar aos sacramentos da Igreja o poder de conferir a vida da graça, tornando-se para os que já vivem em Cristo bebida da fonte viva que jorra para a vida eterna (Jo 4,14). Levanta-te, pois, tu que amas a Cristo, sê como a pomba que faz o seu ninho na borda do rochedo (Jr 48,28), e aí, como o pássaro que encontrou sua morada (cf. Sl 83,4), não cesses de estar vigilante; aí esconde como a andorinha os filhos nascidos do casto amor; aí aproxima teus lábios para beber a água das fontes do Salvador (cf. Is 12,3). Pois esta é a fonte que brota no meio do paraíso e, dividida em quatro rios (cf. Gn 2,10), se derrama nos corações dos fiéis para irrigar e fecundar a terra inteira. Acorre com vivo desejo a esta fonte de vida e de luz, quem quer que sejas, ó alma consagrada a Deus, e exclama com todas as forças do teu coração:“Ó inefável beleza do Deus altíssimo e puríssimo esplendor da luz eterna, vida que vivifica toda vida, luz que ilumina toda luz e conserva em perpétuo esplendor a multidão dos astros, que desde a primeira aurora resplandecem diante do trono da vossa divindade. Ó eterno e inacessível, brilhante e suave manancial daquela fonte oculta aos olhos de todos os mortais! Sois profundidade infinita, altura sem limite, amplidão sem medida, pureza sem mancha!” De ti procede o rio que vem trazer alegria à cidade de Deus (Sl 45,5), para que entre vozes de júbilo e contentamento (cf. Sl 41,5) possamos cantar hinos de louvor ao vosso nome, sabendo por experiência que em vós está a fonte da vida, e em vossa luz contemplamos a luz (Sl 35,10). (Das Obras de São Boaventura, bispo – Opusculum 3, Lignum vitae, 29-30.47 Opera omnia 8,79 – Séc. XIII). #Cristologia #Igreja
- O VERBO SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS (São Leão Magno, papa).
A humildade foi assumida pela majestade, a fraqueza pela força, a mortalidade pela imortalidade. Para saldar a dívida de nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à natureza passível. Deste modo, como convinha à nossa recuperação, o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, podia submeter-se à morte através de sua natureza humana e permanecer imune em sua natureza divina. Por conseguinte, numa natureza perfeita e integral de verdadeiro homem, nasceu o verdadeiro Deus, perfeito na sua divindade, perfeito na nossa humanidade. Por “nossa humanidade” queremos significar a natureza que o Criador desde o início formou em nós, e que assumiu para renová-la. Mas daquelas coisas que o Senhor trouxe, e o homem enganado aceitou, não há nenhum vestígio no Salvador; nem pelo fato de se ter irmanado na comunhão da fragilidade humana, tornou-se participante dos nossos delitos. Assumiu a condição de escravo, sem mancha de pecado, engrandecendo o humano, sem diminuir o divino. Porque o aniquilamento, pelo qual o invisível se tornou visível, e o Criador de tudo quis ser um dos mortais, foi uma condescendência da sua misericórdia, não uma falha de seu poder. Por conseguinte, aquele que, na sua condição divina se fez homem, assumindo a condição de escravo, se fez homem. Entrou, portanto, o Filho de Deus neste mundo tão pequeno, descendo do trono celeste, mas sem deixar a glória do Pai; é gerado e nasce de modo totalmente novo. De modo novo porque, sendo invisível em si mesmo, torna-se visível como nós; incompreensível, quis ser compreendido; existindo antes dos tempos, começou a existir no tempo. O Senhor do universo assume a condição de escravo, envolvendo em sombra a imensidão de sua majestade; o Deus impassível não recusou ser homem passível, o imortal submeteu-se às leis da morte. Aquele que é verdadeiro Deus, é também verdadeiro homem; e nesta unidade nada há de falso, porque nele é perfeita respectivamente tanto a humanidade do homem como a grandeza de Deus. Nem Deus sofre mudança com esta condescendência da sua misericórdia nem o homem é destruído com sua elevação a tão alta dignidade. Cada natureza realiza, em comunhão com a outra, aquilo que lhe é próprio: o Verbo realiza o que é próprio de Verbo, e a carne realiza o que é próprio da carne. A natureza divina resplandece nos milagres, a humana sucumbe aos sofrimentos. E como o Verbo não renuncia à igualdade da glória do Pai, também a carne não deixa a natureza de nossa raça. É um só e o mesmo – não nos cansaremos de repetir – verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro Filho do homem. É Deus porque no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus: e o Verbo era Deus. É homem porque o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,1.4). (Das cartas de São Leão Magno, papa). #Cristologia #Igreja
- CONSTANTINO E A IGREJA: A AÇÃO DA IGREJA CONTRA OS PAGÃOS
CONSTANTINO E A IGREJA A AÇÃO DA IGREJA CONTRA OS PAGÃOS Eis um trecho de estudo que estou fazendo sobre a ação da Igreja contra os pagãos: A época de verdadeiras restrições aos pagãos começou mais tarde. As coisas se tornam compreensíveis na obra jurídica de Justiniano I (527 565). Ele dispôs de todas as doações e heranças a favor da conservação do paganismo fossem proibidas. Nessa época surgiu também, pela primeira vez, a ideia do batismo forçado para todos os que ainda não estavam batizado. Os pagãos deviam abjurar sua crença antiga, qualquer atividade instrutiva foi desautorizada, eles perderam a capacidade de contrair atos legais e foram excluídos do exército e do serviço público estatal. A academia platônica de Atenas, a universidade por assim dizer, foi fechada por causa de seu caráter pagão (529). CONSTANTINO E A PROIBIÇÃO DOS ADIVIHOS: Temos alguns documentos da igreja primitiva que demonstram que Constantino favoreceu o cristianismo, e graças a Deus, é só por favorecimento de Deus é que a igreja pode crescer e espalhar o evangelho ao mundo, Constantino foi um instrumento para a igreja conquistar o mundo para Jesus Cristo. A legislação de Constantino a favor da igreja Supressão dos adivinhos(319) Cod. Theod. IX. XVI.I (Nullus haruspex) Nenhum arúspice >[ Na Roma antiga ,era o sacerdote que fazia prognósticos, advinhações, consultando as víceras de animais sacrificados] aproximar-se-á do limiar de seu vizinho, ainda que com outro propósito (diferente do de adivinhar). A amizade com gente dessa profissão deve ser encerrada, mesmo que seja antiga. O arúspice que violar o domicílio de seu vizinho será queimado. Qualquer pessoa que o convidar, seja por persuasão ou por pagamento em dinheiro, será privada de seus bens e banida a alguma ilha. Os que desejarem continuar em suas superstições poderão ser autorizados a praticar seus ritos em lugar público. Quem delatar tais contravenções não será considerado como delator, mas será merecedor de recompensa. Dado em roma, a 1° de fevereiro, quinto ano do consulado de Constantino Augusto e de Licínio César. A evolução do século IV de alguma maneira pode ser acompanhado através do destino dos santuários pagãos. Inicialmente, Constantino apenas tinha ordenado o fechamento dos grandes templos, que por causa da prostituição sagrada pareciam representar de maneira especial um perigo para os bons costumes. Incluído estava templo de Astarte em Afaka, na fenícia; em heliópolis (Baalbek), mandou também edificar uma igreja cristã no lugar do templo de Afrodite (Astarte). Não se consegue mais esclarecer por que em sua época também foi arrasado o templo de Esculápio em Aigai, na Sicília. Casos especialmente crassos e conhecidos na época mas tardia são a destruição do Serapeum em Alexandria (391) e a do Marneion em Gaza (402). O despovoamento dos templos apresentava um difícil problema, pois do lado cristão havia a consciência de que alguns deles constituíam obras de arte tão significativas que não se podia abandoná-los à total ruína. Houve assim um conjunto de determinações legais que tinha por objetivo a conservação de templos significativos, por causa da arte, como monumentos históricos. Uma disposição do ano 399, por exemplo, diz assim: “Os sacrifícios proibimos totalmente, mas queremos que os templos, como ‘obras de arte’, sejam preservados” (Codex Theotosianus 16, 10 e 15; 10, 20). Já anteriormente (346) foi disposto que os edifícios dos templos que se achassem fora dos muros da cidade fossem preservados, por causa do jogos que lá se realizavam. Um terceiro estágio da evolução do tratamento das construções culturais pagãs, enfim, ocorre com sua transferência à propriedade dos cristãos. Foram então transformados em igrejas cristãs. Evidentemente em conformidade com a fé cristã, primeiro tinham de ser libertados da influência dos demônios mediante o Exorcismo. A expiação desses prédios mediante a afixação do crucifixo parecia o expediente adequado. Esse terceiro estágio de ocupação e transformação está muito bem descrito numa inscrição na igreja de São Jorge em Esra: Em casa de Deus foi transformado o parque dos demônios. luz de salvação brilha onde as trevas tudo cobriam. Onde ardiam os sacrifícios aos Ídolos agora estão os coros dos Anjos. Onde antes se ofendia a Deus soam agora preces implorantes (corpus inscriptionum Grae. 4, 8627, do ano 452). Mais um documento da igreja, onde demonstra que a igreja passou por períodos de paz, muito antes de Constantino, mas quem diz que Constantino fundou a igreja vai dizer que nunca viu esses documentos, só veem o que interessa pra difamar a Igreja. A PERSEGUIÇÃO NO REINADO DE VALERIANO (253-260) Cipriano, ep. LXXX.I No princípio de seu reinado, VALERIANO pareceu favorecer ao cristianismo. Havia cristãos em seu palácio que foram mencionados no rescrito como, por exemplo, Caesariani (ver Dionísio de Alexandria, Eusébio, H. E. VII. X. 3ss). O seguinte extrato expressa bem a tendência de seu segundo rescrito. O primeiro determinava os sacrifícios exigíveis dos bispos e sacerdotes e negava aos cristãos o direito de reunião e o uso de cemitérios. Toda contravenção era punida com a morte. Rumores falsos estão circulando. A verdade, porém, é esta: VALERIANO enviou um reescrito ao senado ordenando que sejam castigados imediatamente os bispos, sacerdotes e Diáconos; os senadores, cavaleiros e fidalgos romanos devem ser privados de suas propriedades e degradados; e, se persistirem na fé cristã, decapitados; as matronas, privadas de seus bens e desterradas. Qualquer membro da casa de césar que confessou ou que ainda confessa ser cristão perderá seus bens e será entregue preso para trabalhos forçados nas terras do imperador. O rescrito de Galiano(261) Eusébio, H.E.VII.XIII.2 Um edito de 260, cujo texto está perdido, permitiu que as basílicas fossem reabertas, os cemitérios restaurados e a liberdade de culto concedida. O cristianismo tornou-se assim, religio licita. O imperador César p. Licínio Galiano, pio, Félix, Augusto, a Dionísio, pina, Demétrio e demais bispos. Ordenamos que se estenda a toda terra a indulgência que inspirou nossa bondade, de tal maneira que todos os nossos súditos abandonem os antros da superstição. Podereis, pois, vós também, usar das disposições de nosso rescrito, para que doravante ninguém vos moleste. Aliás, já foi concedido há tempo o que legalmente vos podeis fazer. Deixo o procurador de assuntos públicos, Aurélio Cirênio, encarregado de dar cumprimento a esta disposição em vosso favor. RESTITUIÇÃO DOS BENS ECLESIÁSTICOS POR CONSTANTINO Nesse documento, vemos Constantino devolver às Igrejas e seus bens aos cristãos, me respondam, como alguém pode devolver um bem a uma instituição (segundo alguns desonestos) que ele mesmo criou? Apoio de Constantino a Igreja na Restituição dos bens eclesiásticos Constantino à Anulino, procônsul da África (313) Eusébio, H.E. X.V15-17 Salve, estimadíssimo Anulino. É costume de nossa Benevolência exigir que as coisas pertencentes ao direito alheio não só sejam respeitadas, mas também restituídas….16. Portanto, mandamos que, ao receber esta carta, faça com que sejam restituídas imediatamente às igrejas cristãs as propriedades que estejam sob poder de qualquer pessoa em qualquer cidade ou lugar. É nossa vontade que voltem a seus proprietários legais o que as referidas igrejas possuíram outrora. 17. Toda vez que vossa fidelidade souber ser verdadeira esta nossa injunção, ponha mãos à obra para que, quanto antes, lhes sejam devolvidos os jardins, as casas e qualquer outra propriedade que legalmente lhes tenham pertencido, de modo que conste que obedeceu ao nosso preceito, Adeus, amado e estimado Anulino. Carta de Constantino a Sapor, rei dos persas (333) Mantendo a fé divina, sou feito participante da luz da verdade: guiado pela luz da verdade, avanço no conhecimento da fé divina. É por isso que, como minhas próprias ações evidenciam, professo a religião mais sagrada; e este culto declaro ser aquele que me ensina um conhecimento mais profundo do Deus mais santo; auxiliado por tal poder Divino, começando desde as próprias fronteiras do oceano, eu despertei cada nação do mundo em sucessão a uma bem fundamentada esperança de segurança; de modo que aqueles que, gemendo em servidão aos tiranos mais cruéis e cedendo à pressão de seus sofrimentos diários, estivessem quase totalmente destruídos, foram restaurados através de minha ação para um estado muito mais feliz. Este Deus confesso que mantenho honra e lembrança incessantes; este Deus me agrada contemplar com pensamentos puros e sinceros no auge de sua glória. ESTE Deus, eu invoco com os joelhos dobrados, e recuo com horror do sangue dos sacrifícios de seus cheiros repugnantes e detestáveis, e de todo fogo mágico nascido na terra: pois as superstições profanas e ímpias que são contaminadas por esses ritos têm caído e consignado para a perdição de muitas nações do mundo gentio. Pois aquele que é o Senhor de todos não pode suportar que aquelas bênçãos que, em sua própria benevolência e consideração das necessidades dos homens ele revelou para a ascensão de todos, sejam pervertidas para servir às concupiscências de qualquer um. Sua única exigência do homem é a pureza de espírito e um espírito imaculado; e por este padrão ele pesa as ações da virtude e piedade. Pois seu prazer está em obras de moderação e delicadeza: ele ama os mansos, e odeia o espírito turbulento: deleitando-se na fé, ele castiga a incredulidade: por ele todo poder presunçoso é derrubado, e ele vinga a insolência dos orgulhosos. Enquanto os arrogantes e pretensiosos são totalmente derrubados, ele invoca o humilde e perdoador com recompensas merecidas: assim ele honra e fortalece com sua ajuda especial um reino justamente governado, e mantém um rei prudente na tranquilidade da paz. NÃO POSSO, então, meu irmão acreditar que eu errei em reconhecer este único Deus, o autor e pai de todas as coisas: a quem muitos de meus antecessores no poder, desviados da loucura do erro, se aventuraram a negar … Pois eu mesmo testemunhei o fim daqueles que ultimamente assediaram os adoradores de Deus por seu ímpio decreto. E esta abundante ação de graças é devida a Deus que, através de sua excelente Providência, todos os homens que observam suas santas leis se alegram com o renovado prazer da paz. Por isso, estou plenamente convencido de que tudo está na melhor e mais segura postura, visto que Deus está concedendo, através da influência de seu serviço religioso puro e fiel, e sua unidade de julgamento respeitando seu caráter divino, reunir todos os homens para a si mesmo. DANIEL-ROPS, Henri, A Igreja dos apóstolos e dos mártires — São Paulo, quadrante, 2014, capítulo XII; BETTENSON, Henry, documentos da Igreja Cristã, São Paulo, Astra, 2011, página 50 à 57; PELIKAN, Jaroslav, A tradição Cristã volume 1, São Paulo, Shedd publicações, 2014. #Patrística #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja
- Os Católicos pdem acreditar em Karma?
Como estou trabalhando atualmente em um campus universitário, suponho que não deveria ficar surpreso que alguém perguntasse se um católico pode ou não acreditar em “karma”. Afinal de contas, é um conceito popular (mas freqüentemente mal entendido), aparentemente especialmente entre os jovens. Para algumas pessoas, elas não significam nada mais do que “boas coisas acontecem a pessoas boas e coisas ruins acontecem a pessoas más”. Mas a doutrina real do karma é um pouco mais sutil do que, digamos, Meu Nome é Earl. Então, veja como Yuvraj Krishan descreve isso em seu livro The Doctrine of Karma: Its Origin and Development in Brāhmaṇical, Buddhist, and Jaina Traditions: Existem três características essenciais da doutrina do karma: (i) É uma lei ética ou moral: os bons karmas (punya, sukrta) produzem felicidade (sukha) e os maus karmas (pãpa, duṣkṛta) produzem sofrimentos, duḥkha. (ii) É uma lei de responsabilidade moral na alma de ãtmã de uma pessoa, pois o agente de um ato é responsável por suportar as conseqüências desse ato. Assim, é uma lei de justiça retributiva. (iii) A justiça retributiva é dispensada através do punarjanma, renascimento da alma ou ãtmã do fazedor. De fato, renascimento em formas superiores ou inferiores de existência, homens, animais e plantas, etc., e sofrimento e desigualdade de seres nessas formas também são de caráter retributivo. O que o karma acerta? Bem, cada uma das três “características essenciais” chega a uma verdade real: (i) Somos mais felizes, a longo prazo, quando vivemos moralmente e somos infelizes, a longo prazo, quando vivemos imoralmente. (ii) Na justiça, boas ações merecem recompensa e ações perversas merecem punição. (iii) Essas demandas de justiça não podem terminar com nossas vidas terrenas: há muitos contra-exemplos de pessoas que “saíram impunes”, que praticaram atos perversos e nunca viram as conseqüências terríveis. Por outro lado, o que dizer de todas aquelas pessoas inocentes que sofreram injustamente e que nunca foram justificadas? Tudo isso é capturado sucintamente na descrição de São Paulo do Juízo Final, “que retribuirá a cada um segundo as suas obras: a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, buscam a glória, a honra e a imortalidade; mas ira e indignação aos contumazes, rebeldes à verdade e seguidores do mal. Tribulação e angústia sobrevirão a todo aquele que pratica o mal, primeiro ao judeu e depois ao grego; mas glória, honra e paz a todo o que faz o bem, primeiro ao judeu e depois ao grego. Porque, diante de Deus, não há distinção de pessoas.” (Ironicamente, isso é de Romanos 2: 6-11, uma carta frequentemente entendida pelos protestantes para dizer que Deus mostra parcialidade entre aqueles que ele arbitrariamente declarou eleitos e aqueles que ele arbitrariamente declarou reprováveis, e que as obras não importam na salvação). Então, o que o karma erra? Yuvraj Krishan descreve o Karma como “o mais sério desafio ao conceito de um Criador e Governador todo-poderoso, onisciente e onipresente”. Por quê? Porque karma é entendido como uma espécie de lei mecânica do universo, como a gravidade, operando à parte de Deus. É uma força totalmente impessoal. Como cristãos, percebemos que a “justiça cósmica” é, em última análise, a justiça divina, que é Jesus Cristo quem virá julgar os vivos e os mortos. Isso também chega à diferença mais profunda e incrível. A justiça kármica é justiça fria e impessoal. Mas como a justiça divina é pessoal, ela também é animada pela misericórdia e caridade divinas. Às vezes, isso é mal entendido como uma piedade da misericórdia de Deus contra a Sua justiça. Isso é um erro e faz de Deus uma espécie de ser mal-humorado e imperfeito, em vez do Deus perfeito e imutável do Universo. Então, como pode Deus ser justo e misericordioso? Santo Anselmo de Cantuária (1033-1109) explorou isso em seu Proslogium e chegou a essa conclusão básica. A justiça é, nas palavras de Cícero, dar a cada um o que lhes é devido, ou o que lhes é devido por natureza. Então é apenas (de uma maneira bastante óbvia, eu acho) como sendo justo punir os maus. Mas como pode ser justo para Deus poupar os ímpios? Porque a misericórdia está agindo de acordo com a própria natureza de Deus. Em outras palavras, a misericórdia de Deus é a Sua justiça para Si mesmo. Misericórdia é o que é devido a sua natureza boa, e assim é a justiça de Deus para Ele mesmo ser misericordioso. Veja como Anselmo coloca: “Deus, poupando os ímpios, é justo, de acordo com sua própria natureza, porque faz o que é consistente com sua bondade; mas Ele não é justo, de acordo com nossa natureza, porque Ele não inflige a punição merecida. MAS também é justo que Você deva punir os maus. Pois o que é mais justo do que o bem receber bens e o mal, males? Como, então, é justo que Você castigue os ímpios e, ao mesmo tempo, poupe os ímpios? Ou, de certo modo, Você justamente puna e, em outro, justamente os poupe? Pois, quando você pune o ímpio, é justo, porque é consistente com os seus méritos; e quando, por outro lado, você poupa o ímpio, é justo, não porque é compatível com os seus méritos, mas porque é compatível com a sua bondade. Pois, poupando o ímpio, Você é igualmente justo, de acordo com a sua natureza, mas não de acordo com a nossa, assim como você é compassivo, de acordo com a nossa natureza, e não de acordo com a sua; vendo que, como nos salvando, a quem seria justo para Você destruir, Você é compassivo, não porque sente afeição (affectum), mas porque sentimos o efeito (effectum); então Você é justo, não porque nos retribui como merecemos, mas porque Você faz aquilo que torna Você como o Ser supremamente bom. Desta forma, portanto, sem contradição, você pune justamente e justamente poupa.” Assim, a revelação cristã é melhor do que o karma, porque é pessoal e, portanto, há espaço para a misericórdia divina e para o arrependimento humano. No rosto de Jesus Cristo, o misericordioso Juiz dos vivos e dos mortos, vemos o cumprimento de tudo o que o Karma anseia … e mais. Tradução:http://shamelesspopery.com/can-catholics-believe-in-karma/
- A Maioria dos Protestantes Europeus e Americanos não são mais ”protestantes”
Mas os protestantes hoje acreditam nessas doutrinas? Um fascinante par de levantamentos do Pew, que marcou o 500º aniversário da Reforma, decidiu descobrir levantando grandes números de protestantes nos EUA e em oito países da Europa Ocidental. Os resultados foram fascinantes. Os resultados europeus As descobertas gerais na Europa são sombrias: A Europa está perdendo sua identidade cristã. Nos Países Baixos, por exemplo, 20% da população é católica (a maioria relaxados) e 18% da população é protestante (mais devota), mas eles são ofuscados pelos 48% do país que religiosamente são não afiliados. Cristãos não estão vivendo o cristianismo. Entre aqueles que professam uma afiliação religiosa, poucos dizem que a religião é muito importante em suas vidas (12% para Protestantes, 13% para católicos), ou que eles oram diariamente (14% protestantes, 12% católicos) ou que freqüentam a igreja semanalmente (8% protestantes, 14% católicos). Aqueles que estão vivendo como cristãos freqüentemente adotaram uma mistura estranha de teologia católica e protestante. “Os protestantes em todos os países pesquisados, exceto a Noruega, são mais propensos a dizer que ambos os elementos são necessários para a salvação do que assumir a posição de sola fide tradicionalmente protestante. Por exemplo, quase três vezes mais protestantes alemães dizem que fé e boas obras são necessárias para entrar no céu (61%) do que a fé fosse o caminho para o céu (21%). ”Mais estranho ainda:“ em países que têm partes substanciais de populações católicas e protestantes, somente na Holanda os católicos (66%) são mais propensos do que os protestantes (47%) a dizer que a salvação vem da fé e das boas obras. Na Alemanha, na Suíça e no Reino Unido, os protestantes são tão propensos quanto os católicos – se não mais prováveis – a adotar essa crença tradicional católica ”. A Sola Fide foi defendida pelos primeiros protestantes como “o artigo pelo qual a igreja está em pé ou cai”. Por esse padrão, o protestantismo europeu caiu. As descobertas americanas A versão americana do estudo não tinha um olho para os religiosamente não-afiliados, ou a negligência da prática religiosa dentro do cristianismo (outros estudos fizeram isso, e encontraram uma trajetória similar, ainda que mais lenta, ao que encontramos na Europa Ocidental. ). Em vez disso, o Pew queria apenas saber se católicos e protestantes pelo menos conheciam sua própria fé, ou por que não estamos todos em uma só Igreja. A resposta curta é não. Apenas 70% dos entrevistados sabiam que o período em que os protestantes se separaram da Igreja Católica é chamado de “Reforma” e não “Grande Cruzada” ou “Revolução Francesa”. 10% pensavam que São Tomás de Aquino começou a Reforma Protestante. . E apenas 27% dos protestantes perceberam que os protestantes (historicamente) mantêm a sola fide e os católicos não. Portanto, a maioria dos protestantes não está, ao que parece, profundamente investida na história da Reforma, ou traçando sua linhagem teológica. Mas quais são as suas crenças teológicas agora? Como mostra o lado esquerdo deste gráfico, nada parece com o que os Reformadores ensinaram: O cristianismo que os protestantes norte-americanos praticam normalmente não é “o protestantismo puramente químico”. É uma mistura de idéias protestantes, idéias católicas e, provavelmente, muitas outras idéias da sociedade secular. Doutrina e o problema da autoridade O catolicismo tem clareza e estrutura. Se você quer saber o que a Igreja Católica ensina, você pode procurar e geralmente descobrir rapidamente. É verdade que nem todos os católicos vivem isso, nem todos os católicos entendem ou acreditam nisso, mas isso não muda o fato de que ainda há algo que pode ser chamado de “a” postura católica na questão. Quando nós, católicos, olhamos para o protestantismo, muitas vezes esperamos encontrar algo parecido com a Igreja Católica. Como existe um “-ismo”, esperamos uma ideologia comum ou um conjunto de valores ou algo que une os vários protestantes como um todo coerente. Não posso dizer quantas vezes ouvi (ou me perguntaram) sobre “a visão protestante” sobre alguma doutrina sobre a qual havia inúmeras visões “protestantes”. Em quase todos os casos, não existe a visão protestante. Há apenas uma visão protestante, e todos os outros protestantes são livres para aceitar ou rejeitar essa visão. Ou, em outras palavras, você pode ser um católico ruim (no sentido de se recusar a acreditar no que a Igreja acredita), mas não está claro como você pode ser um mau protestante. Surpreendentemente, a maioria dos protestantes de hoje não acredita no que seus bisavós acreditavam em grandes questões como sola fide ou sola Scriptura. Isso os torna maus protestantes? Se assim for, isso significa que eles e seus antepassados são maus cristãos, por rejeitar o que seus ancestrais católicos ensinaram? Uma vez que o protestantismo aceitou a idéia de que você poderia aceitar o cristianismo enquanto rejeitava a Igreja, foi estabelecida uma trajetória que nos trouxe a este lugar. Afinal, se os cristãos do século XVI, como Lutero, podem rejeitar doutrinas cristãs fundamentais (como transubstanciação, ordens sacras, primazia papal etc.) e ainda se considerarem cristãos, por que os protestantes do século XXI não podem rejeitar doutrinas protestantes fundamentais? e sola Scriptura) e ainda se consideram protestantes? Adicione a isso que não há papa no protestantismo, nenhum magistério, nenhuma autoridade da Igreja de qualquer tipo. Anglicanos não podem policiar Metodistas não podem policiar presbiterianos, e ninguém tem qualquer obrigação moral em relação a um desses e não a outro. Na maior parte, a autoridade da igreja existe apenas na medida em que os protestantes individuais querem que ela exista. Eu acho que há várias coisas para tirar disso, mesmo como católicos: 1-Pare de presumir que, se uma pessoa é protestante, ela necessariamente mantém a crença. Nenhuma crença coerente une o protestantismo. Em vez disso, pergunte o que eles acreditam. Você pode ter uma surpresa. 2-Reconheça o empate e o desafio da autoridade. Se eles percebem isso ou não, muitos protestantes têm passado pela vida com uma religião feita para um, sua própria mistura pessoal de catolicismo, várias denominações protestantes, e tudo o que eles experimentaram, viram na TV, etc. Por um lado, há algo extremamente atraente sobre uma autoridade religiosa externa e visível, com um conjunto coerente de crenças e práticas que resistiram ao teste do tempo por 2000 anos. Por outro lado, há algo aterrorizante sobre esse espectro e a quantidade de controle que ele exige. 3-Reconheça que o problema pode não ser estritamente teológico. Algumas pessoas não são católicas porque o exame cuidadoso dos dados teológicos não as convenceu. Mas essas pessoas são uma pequena minoria fugaz. A maioria das pessoas simplesmente não pensou profundamente sobre a questão, ou não foi convidada para uma igreja católica, ou apenas assistiu TV e estereótipos. 4-Veja o seu papel. Você pode não ser um teólogo, capaz de alcançar aquele primeiro (fugazmente pequeno) grupo de pessoas que mencionei no último ponto, mas você pode fazer algo sobre esse segundo grupo. Forme amizades autênticas com pessoas que você deseja que fossem católicas, compartilhe livros católicos interessantes ou conversações ou apenas ideias, atraia-os mais profundamente para uma exploração das Escrituras e dos primeiros escritos cristãos. Você pode até mesmo crescer mais profundamente em sua fé nesse meio tempo. Tradução:http://shamelesspopery.com/no-longer-protestant/
- A FUMAÇA QUE ENTROU NO TEMPLO
Era uma bela tarde de verão, em Roma. O sol se punha atrás do Vaticano naquela quinta-feira, dia 29 de junho de 1972. Na Praça de São Pedro, um grande número de fiéis, vindos de vários países, assistia à Missa celebrada por Paulo VI, na festa solene de São Pedro e São Paulo. Duas outras comemorações completavam a festa principal: dez anos de pontificado do Papa e dez anos do início do Concílio Vaticano II. Diante de trinta cardeais, secretários de Estado, bispos e padres de dioceses do mundo inteiro, o Santo Padre fez a homilia mais estranha da recente história da Igreja Católica. Disse Paulo VI, para o espanto dos presentes: — Tenho a sensação de que, por alguma fresta, a fumaça de satanás entrou no templo de Deus. Há dúvidas, incertezas, problemas, inquietações, confrontos… Não há mais confiança na Igreja. Confia-se mais nos profetas mundanos da imprensa ou nos movimentos sociais, aos quais recorremos para pedir a fórmula da verdadeira vida, esquecidos de que somos nós os possuidores e mestres dessa fórmula. Infiltrou-se a dúvida em nossas consciências, por fendas que deviam estar abertas à luz. A ciência só espalha a crítica e a incerteza, ela que devia nos aproximar cada vez mais de Deus e nos ajudar a celebrá-Lo com maior intensidade. Os cientistas são aqueles que mais conscientemente e mais dolorosamente curvam a cabeça, acabando por ensinar ao mundo: “Nada sabemos e nada temos a dizer sobre Deus.” A educação, cada vez mais confusa, se transforma numa verdadeira escola de contradições, algumas vezes absurdas. Celebra-se o progresso para, em seguida, destruí-lo com revoluções cada vez mais estranhas e radicais, negando tudo o que foi conquistado e retornando à vida mais primitiva, depois de muito exaltar-se o progresso do mundo moderno. Também na Igreja — prosseguia o Papa — predomina esse estado de incerteza. Acreditava-se que, depois do Concílio, viria um dia de sol para a história da Igreja. Ao contrário, veio um dia de nuvens, de tempestade, de escuridão, de buscas, de incertezas. Pregamos o ecumenismo, e nos distanciamos cada vez mais uns dos outros. Procuramos cavar abismos em vez de aterrá-los… Então, o Papa interrompeu o quadro tenebroso que, diante da multidão silenciosa, acabava de pintar. De volta à causa das trevas, formulou uma pergunta a que ele mesmo respondeu: — Como aconteceu tudo isso? Vou fazer aqui uma confidência: acredito que houve intervenção de um poder inimigo. O seu nome é diabo. A explicação que o Papa dava para o caos moderno era absolutamente inesperada. Mas, quem lá estava, foi obrigado a crer no que ouvia: da boca de Paulo VI, homem culto e refinado, admirado pelos progressistas (que lhe abandonariam depois da encíclica Humanae Vitae), responsável pela maior reforma litúrgica da história da Igreja, amigo de filósofos como Jacques Maritain e Jean Guitton, saía aquela frase que muitos classificariam como “fundamentalista”. Como falar em demônio, em pleno século XX? Pois o Papa acreditava, sim, que qualquer coisa de sobrenatural tinha vindo ao mundo para perturbar e sufocar os frutos do Vaticano II, impedindo que a Igreja “irrompesse num verdadeiro hino de alegria por haver retomado plenamente consciência de si”. Ao contrário da sonhada unidade, conflitos internos se sucediam na Igreja Católica, com pelo menos dois cismas de vulto — Sociedade São Pio X, na França, e Palmar de Tróia, na Espanha —, espelhando a divisão provocada pelo recente Concílio, ao ponto de falar-se então em duas “igrejas” dentro de uma só: a “igreja” pré-conciliar e a “igreja” pós-conciliar, não muito diferente da reforma protestante no século XVI. Para os partidários da primeira, era inaceitável tudo o que viesse após o Vaticano II; para os segundos, começaria uma nova Igreja após o Concílio, mais aberta às exigências da modernidade. Nos seis anos seguintes, e últimos, de seu pontificado, o Papa não conseguia esconder a angústia causada por essa cisão, que lhe doía como o espinho na carne de que falava São Paulo. Morreu aos 81 anos, em agosto de 1978, há quarenta anos, sempre insatisfeito com os rumos que tomava a Barca de Pedro. Um pouco antes, tinha dito ao mencionado filósofo francês Jean Guitton: — Hoje, há uma grande inquietação por aí, tanto no mundo como na Igreja, e o que está em questão é a fé… O que me impressiona, quando considero o mundo católico, é que dentro do catolicismo parece predominar, por vezes, um pensamento não-católico, e pode acontecer que este pensamento não-católico, dentro do próprio catolicismo, torne-se mais forte amanhã. Mas ele não representará nunca o pensamento da Igreja. É necessário que subsista um pequeno rebanho, por menor que seja. Depois de Paulo VI, sucederam-se dois Papas dispostos a defender a doutrina católica de sempre: São João Paulo II e Bento XVI. No entanto, ideias nada católicas continuavam a ser ensinadas nos seminários e nos púlpitos, influindo negativamente na formação de muitos padres e fiéis, provocando o maior esvaziamento da fé de que se tem notícia na história da Igreja.
- Primeiro sem iguais: uma resposta ao texto sobre a primazia do Patriarcado de Moscou.
Por Sua Eminência Elpidophoros Lambriniadis, Metropolita de Bursa Uma resposta ao texto sobre o primado do Patriarcado de Moscou Elpidophoros Lambriniadis Metropolita de Bursa Professor de Teologia, Universidade de Thessaloniki Numa recente decisão sinodal, [1] a Igreja da Rússia parece mais uma vez [2] escolher o seu isolamento tanto do diálogo teológico com a Igreja Católica Romana como da comunhão das Igrejas Ortodoxas. Dois pontos são dignos de nota desde o início, que são indicativos da intenção do Sínodo da Igreja da Rússia: Primeiro, seu desejo de enfraquecer o texto de Ravena, [3] invocando razões aparentemente teológicas para justificar a ausência de sua delegação da reunião plenária da comissão conjunta (uma ausência ditada, como todos sabem, por outras razões [4]). ]); e Em segundo lugar, desafiar da maneira mais aberta e formal (a saber, por decreto sinodal) a primazia do Patriarcado Ecumênico no mundo Ortodoxo, observando que o texto de Ravenna, no qual todas as Igrejas Ortodoxas concordaram (com a exceção, é claro, da Igreja da Rússia), determinando a primazia do bispo sobre os três níveis de estrutura eclesiológica na Igreja (local, provincial, universal) de uma forma que apoie e garanta a primazia e o primeiro trono da Igreja Ortodoxa. O texto da posição do Patriarcado de Moscou sobre o “problema” (como o chamam) de Primazia na Igreja universal não nega nem o sentido nem o significado da primazia; e até este ponto, está correto. Além disso, no entanto, se esforça para alcançar (na verdade, como veremos, de forma indireta) a introdução de duas distinções relacionadas ao conceito de primazia. 1. Separação entre primazia eclesiológica e teológica A primeira diferenciação contrasta a primazia que se aplica à vida da Igreja (eclesiologia) e como entendida na teologia. Assim, o texto do Patriarcado de Moscou é forçado a adotar a distinção sem precedentes entre, por um lado, a primazia “primária” do Senhor e, por outro lado, as primazias “secundárias” dos bispos (“várias formas de primazia”. .. são secundárias “), embora mais tarde, no mesmo documento, seja sugerido que o bispo é a imagem de Cristo (cf. 2: 1), o que parece implicar que as duas primazias são unívocas ou, pelo menos, análogas e não meramente equívocas. . Mesmo a formulação escolástica de tais distinções entre primazias “primárias” e “secundárias” demonstra a contradição furtiva. Além disso, a pretendida separação da eclesiologia da teologia (ou cristologia) teria consequências adversas para ambos. Se a Igreja é de fato o Corpo de Cristo e a revelação da vida trinitária, então não podemos falar sobre diferenças e distinções artificiais que quebram a unidade do mistério da Igreja, que encapsula o teológico (no sentido estrito da palavra) e formulações cristológicas igualmente. Caso contrário, a vida da igreja é separada da teologia e reduzida a uma instituição administrativa seca, enquanto, por outro lado, uma teologia sem correspondência na vida e na estrutura da Igreja torna-se uma preocupação acadêmica estéril. De acordo com o Metropolita João de Pérgamo: “A separação das instituições administrativas da Igreja do dogma não é simplesmente infeliz; é até perigosa” [5]. 2. A separação dos diferentes níveis eclesiológicos A segunda diferenciação, que em nossa opinião é tentada pelo texto do Patriarcado de Moscou, pertence aos três níveis eclesiológicos na estrutura da Igreja. É aqui, parece, que todo o peso desse texto está suspenso. O texto afirma que a primazia da diocese local é entendida e institucionalizada de uma forma, enquanto no nível regional de uma “arquidiocese autocéfala” (sínodo eparquial autocéfalo) é entendida em outra, e no nível da igreja universal ainda outra maneira (cf. 3: “Devido ao fato de que a natureza da primazia, que existe em vários níveis da ordem da igreja [diocesana, local e universal] varia, as funções do primus em vários níveis não são idênticas e não podem ser transferidas de um nível para outro “). Como a decisão sinodal alega, não somente estas três primazias diferem, mas até mesmo suas fontes são diferentes: a primazia do bispo local deriva da sucessão apostólica (2: 1), a primazia do chefe de uma Igreja autocéfala de sua eleição pelo sínodo (2: 2), e a primazia da cabeça da igreja universal a partir do posto atribuído a ele pelos dípticos (3: 3). Assim, como conclui o texto do Patriarcado de Moscou, esses três níveis e suas correspondentes primazias não são proporcionais, já que o texto de Ravenna os leva a basear-se no 34 ° cânon apostólico. O que é claramente aparente aqui é o esforço agonizante na presente decisão sinodal de tornar a primazia algo externo e, portanto, estranho à pessoa do primaz. É isso que consideramos ser a razão pela qual a posição do Patriarcado de Moscou insiste tanto em determinar as fontes de primazia, que sempre diferem da pessoa do primus, de tal maneira que o primaz se torne o receptor, ao invés do fonte de sua primazia. Talvez essa dependência também implique a autonomia do primado? Para a Igreja, uma instituição é sempre hipostasiada em uma pessoa. Jamais poderemos encontrar uma instituição impessoal, como seria se a primazia fosse concebida independentemente de um primaz. Deve ser esclarecido aqui que a primazia do primus é também hipostasiada pelo lugar específico, a Igreja local, a região geográfica sobre a qual o primaz preside. [6] É importante neste momento observar as seguintes contradições lógicas e teológicas: i) Se o primus é um recipiente de (sua) primazia, então a primazia existe sem e independentemente dele, o que é impossível. Isto aparece muito claramente nas razões apresentadas para a primazia nos níveis regional e ecumênico. Para o nível regional, a fonte da primazia é considerada o sínodo eparquial; mas pode haver um sínodo sem primus? A relação dialética entre o primaz e seu sínodo, tal como formulada pelo 34º cânon dos Apóstolos (assim como o 9º e 16º cânones de Antioquia, segundo os quais um sínodo sem um hierarca presidente é considerado incompleto), é revogada por causa de uma relação unilateral onde os muitos constituem um, contradizendo toda razão que reconhece o único hierarca presidente tanto como fator constitutivo e fiador da unidade dos muitos. [7] Um segundo exemplo de contradição lógica é apresentado pelo apelo aos Dípticos. Aqui o sintoma é tomado como a causa e o significado confundido com o significante. Os dípticos não são a fonte de primazia no nível interprovincial, mas sim sua expressão – na verdade, apenas uma de suas expressões. Por si mesmos, os dípticos são uma expressão da ordem e da hierarquia das igrejas autocéfalas, mas tal hierarquia requer o primus presidente (e depois um segundo, um terceiro e assim por diante); elas não podem, de maneira retrospectiva, constituir a primazia em que elas mesmas se baseiam. A fim de compreender melhor essas inovações, procuremos um momento em que tudo isso significaria se as relacionássemos e aplicássemos à vida da Santíssima Trindade, a verdadeira fonte de toda primazia (“Assim diz Deus, o rei de Israel, o Deus de Sabaote que o livrou, eu sou o primeiro “Is 44: 6). [8] A Igreja sempre entendeu e consistentemente entendeu a pessoa do Pai como a primeira na comunhão das pessoas da Santíssima Trindade (“a monarquia do Pai”) [9]. Se fôssemos seguir a lógica do texto do Sínodo da Rússia, teríamos também de reivindicar que Deus o Pai não é a causa anárquica da divindade e paternidade (“Por isso inclino os joelhos perante o Pai”. depois de quem toda a paternidade no céu e na terra é nomeada. “Efésios 3,14-15), mas torna-se um receptor de sua própria” primazia “. De onde? Das outras pessoas da Santíssima Trindade? No entanto, como podemos supor isso sem invalidar a ordem da teologia, como escreve São Gregório, o teólogo, ou, pior ainda, sem derrubar – talvez devêssemos dizer “confundir” – as relações das Pessoas da Santíssima Trindade? É possível que o Filho ou o Espírito Santo “preceda” o Pai? ii) Quando o texto do Sínodo da Rússia se recusa a aceitar uma “hierarquia universal” sob o pretexto de que a universalidade de tal hierarquia “elimina a igualdade sacramental dos bispos” (3: 3) é meramente formular um sofisma. Quanto ao seu sacerdócio, é claro, todos os bispos são iguais, mas não são nem podem ser iguais como bispos de cidades específicas. Os cânones sagrados (como o 3ºcanon do Segundo Concílio Ecumênico, o 28º do IV Concílio Ecumênico e o 36º do Concílio Quinisexto) classificam as cidades, atribuindo a alguns o status de um Metropolitanato e a outros o status de um Patriarcado. Entre estas últimos, o atributo adicional para uma responsabilidade primacial, para outra responsabilidade secundária, e assim por diante. Nem todas as Igrejas locais são iguais, estejam em ordem ou em posição. Além disso, na medida em que um bispo nunca é um bispo sem designação específica, mas sim o bispo presidente de uma Igreja local – isto é, ele é sempre o bispo de uma cidade específica (que é uma característica inseparável e condição da ordenação do episcopado) – então os bispos também são classificados de acordo (ou seja, a dignidade de uma Metrópole é diferente da de um Patriarcado; e, novamente, uma diferente dignidade é atribuída aos antigos Patriarcados, como sendo endossada pelos Concílios Ecumênicos, e outra é atribuída aos Patriarcados modernos). Assim, dentro de tal ordem de classificação, é inconcebível que não haja primus. [10] Pelo contrário, nos últimos tempos, observamos a aplicação de uma nova “primazia”, a saber, uma “primazia de números”, que aqueles que hoje encontram falha na primazia universal canônica da Igreja Matriz dogmatizam sobre um posto que não é testado na tradição da Igreja, mas baseada no princípio ubi russicus ibi ecclesia russicae, isto é, “onde quer que haja um russo, também a jurisdição da Igreja Russa se estende”. Na longa história da Igreja, o hierarca presidente da Igreja universal era o bispo de Roma. Depois que a comunhão eucarística com Roma foi quebrada, canonicamente o hierarca presidente da Igreja Ortodoxa é o arcebispo de Constantinopla. No caso do arcebispo de Constantinopla, observamos a singular concomitância de todos os três níveis de primazia, a saber, o local (como Arcebispo de Constantinopla-Nova Roma), o regional (como patriarca) e o universal ou mundial (como Patriarca Ecumênico). Esta primazia tríplice traduz-se em privilégios específicos, como o direito de apelação e o direito de conceder ou remover a autocefalia (exemplos dos últimos são as Arquidioceses-Patriarcados de Ochrid, Pec e Turnavo, etc.), privilégio que o Patriarca Ecumênico exerceu mesmo nos casos de alguns patriarcados modernos, ainda não validados por decisões dos Concílios Ecumênicos, o primeiro dos quais é o de Moscou. A primazia do arcebispo de Constantinopla nada tem a ver com os dípticos, que, como já dissemos, expressam essa classificação hierárquica (que, novamente em termos contraditórios, o texto do Patriarcado de Moscou admite implicitamente, mas nega explicitamente). Se vamos falar sobre a fonte de uma primazia, então a fonte de tal primazia é a própria pessoa do Arcebispo de Constantinopla, que precisamente como bispo é um “entre iguais”, mas como Arcebispo de Constantinopla e, portanto, como Patriarca ecumênico é o primeiro sem iguais (primus sine paribus). ———————————————————————– [1] Leitura e citação do texto em inglês, “Posição do Patriarcado de Moscou sobre o problema da primazia na Igreja Universal”, como publicado no site oficial do Patriarcado de Moscou: https://mospat.ru/en/ 2013/12/26 / news96344 / [2] Exemplos característicos de outras instâncias de tal isolamento incluem a ausência do Patriarcado de Moscou da Conferência das Igrejas Européias, bem como a prática agora estabelecida dos representantes desta Igreja para celebrarem a Divina Liturgia separadamente dos outros representantes da Igreja. Igrejas Ortodoxas, fechando-se dentro das Embaixadas locais da Federação Russa, sempre que houver uma oportunidade para uma Liturgia Panortodoxa em vários contextos. [3] Sua Eminência Metropolitana Chrysostomos de Messinia tratou deste assunto em um recente artigo publicado em 30 de dezembro de 2013, no site: http://www.romfea.gr/diafora-ekklisiastika/21337-2013-12-30 -03-52-35. [4] Quanto ao que exatamente ocorreu em Ravenna em 2007, e as impressões dolorosas registradas por observadores católicos romanos, ver a análise de pe. Aidan Nichols em seu livro Rome and the Eastern Churches, San Francisco: Ignatius Press, 2nd edition, 2010, pp. 368-9: Em outubro de 2006[SIC], a comissão retomou suas discussões em Ravenna, embora o evento tenha sido marcado por ‘greve’ por parte do representante do patriarcado de Moscou. O protesto do bispo Hilarion foi causado não pelos crimes, reais ou imaginários, da Igreja Católica, mas pela presença de uma delegação da Igreja Ortodoxa Estoniana, cuja autocefalia (sic), subscrita por Constantinopla, ainda é negada na Rússia. Sua ação demonstrou, é claro, a necessidade precisamente de uma primazia universal forte para equilibrar a sinodalidade na Igreja. “E ele continua:” A decisão do patriarcado de Moscou em outubro de 2007 de retirar seus representantes da reunião de Ravenna … Não foi apenas um impedimento irritante para esse diálogo; foi precisamente o tipo de acontecimento que faz os católicos pensarem que os ortodoxos precisam do papa tanto quanto o papa precisa deles ”(p. 369). [5] “The Synodal Institution: Historical, Ecclesiological and Canonical Issues,” in Theologia 80 (2009), pp. 5-6. [In Greek] [6] Assim, enquanto o Patriarca de Antioquia permaneceu por muito tempo em Damasco, ele continua a ser o Patriarca de Antioquia, uma vez que Damasco está dentro da jurisdição geográfica daquela igreja. [7] Metropolita João de Pérgamo, “Recent Discussions on Primacy in Orthodox Theology,” no volume editado por Walter Cardeal Kasper, Petrine Ministry: Catholics and Orthodox in Dialogue, New York: The Newman Press, 2006, pp. 231- 248. Veja-se também o Metropolita João de Pérgamo, “Eclesiologia Eucarística na Tradição Ortodoxa”, Theologia 80 (2009), p. 23. [em grego] [8] Eu pessoalmente lidei com este assunto durante uma palestra na Escola Santa Cruz de Teologia em Boston: “De fato, no nível da Santíssima Trindade, o princípio da unidade não é a essência divina, mas a Pessoa do Pai (‘ Monarquia “do Pai”, no nível eclesiológico da Igreja local, o princípio da unidade não é o presbitério ou o culto comum dos cristãos, mas a pessoa do Bispo, assim, no nível pan-ortodoxo, o princípio da unidade não pode ser uma ideia nem uma instituição, mas precisa ser, se quisermos ser coerentes com a nossa teologia, uma pessoa “. (http://www.ecclesia.gr/englishnews/default.asp?id=3986) [9] Em seu terceiro discurso teológico, São Gregório, o Teólogo, escreve: “Quanto a nós, nós O honramos como a monarquia” (PG 36, 76). O conceito de monarquia corresponde à “ordem da teologia” (5th Theological Oration, PG 36, 164). A Santíssima Trindade não compreende uma federação de pessoas; Portanto, não devemos nos escandalizar quando o próprio teólogo dos Padres fala da monarquia e primazia do Pai divino. [10] Este argumento foi claramente articulado no artigo de pe. John Panteleimon Manoussakis, intitulado “Primacy and Ecclesiology: The State of the Question”, no trabalho coletivo intitulado ” Orthodox Constructions of the West, edited by Aristotle Papanikolaou and George Demacopoulos, New York: Fordham University Press, 2013, p. 233. Tradução:https://www.patriarchate.org/-/primus-sine-paribus-hapantesis-eis-to-peri-proteiou-keimenon-tou-patriarcheiou-moschas-tou-sebasmiotatou-metropolitou-prouses-k-elpidophorou
- A Condenação gráfica dos papas aos abortistas…traçada tão longe como em 1588!
Papa Sisto V, primeiro papa a emitir uma bula contra os abortistas Acredite ou não, o aborto era um problema crescente nos anos 1500. Alguns especularam que isso era uma resposta ao aumento da taxa de prostituição. Qualquer que seja o caso, o papa Sisto V condenou formalmente os aborcionistas em sua bula papal Effraenatam, que significa em latim “sem restrição”. O Santo Padre usa as palavras mais fortes contra aqueles que matam a criança enquanto ainda estão no ventre de sua mãe. O papa Sisto V, nascido com o nome Felice Peretti di Montalto, era um homem interessante. Ele era franciscano. Antes de ser eleito papa, a lenda afirma que Nostradamus certa vez se aproximou de Felice, ajoelhou-se, beijou sua capa e proclamou que Felice um dia seria o papa. Como Papa, Sisto planejava transformar o Coliseu em uma fábrica de tecelagem de seda – um plano que nunca aconteceu. Sisto também tinha uma maneira engenhosa de evitar a guerra com os turcos e acabar com as Cruzadas de uma vez por todas. Ele iria simplesmente transferir todo o Santo Sepulcro de Cristo de Jerusalém para Roma! Sem mais peregrinações necessárias! O papa Sisto V emitiu Effraenatam do Monte Quirinal em Roma em 29 de novembro de 1588. A bula excomunga os envolvidos em abortos, mas reserva diferentes graus de punição para vários graus de envolvimento na tentativa de obter um aborto, bem como punições específicas para os participantes de vocações particulares, por exemplo clérigos, farmacêuticos e empregadores. O Santo Padre lista os meios terríveis para obter um aborto em seus dias. Ele descreve os métodos como “golpes, venenos, remédios, poções, pesos, cargas, trabalho e labutas impostas a uma mulher grávida e até mesmo outros meios desconhecidos e extremamente pesquisados”. Ele também fala de contracepção como poções usadas para impedir a concepção. Aqui está uma citação contra os abortistas encontrados em Effraenatam: “Notando que freqüentemente por várias Constituições Apostólicas a audácia e ousadia dos homens mais devassas, que não conhecem restrição, de pecar com licença contra o mandamento“ não matar ”foi reprimida; Nós, que somos colocados pelo Senhor no supremo trono da justiça, sendo aconselhados pela razão mais justa, estamos em parte renovando velhas leis e em parte estendendo-as a fim de restringir com justa punição a monstruosa e atroz brutalidade daqueles que não têm medo de matar a maioria dos fetos cruelmente ainda se escondendo nas vísceras maternas. Quem não detesta tal ato abominável e maligno, pelo qual se perdem não apenas os corpos, mas também as almas? ” Eu gostaria de ouvir seus pensamentos sobre três coisas em particular: Primeiro, acho incrível que isso tenha sido um grande problema numa era católica – o século XVI. Embora haja referência ao aborto e à contracepção nos documentos da Igreja primitiva, eu ingenuamente presumo que o aborto é um fenômeno recente. Certamente, não era tão comum quanto é hoje, mas há alguma maneira de saber como eram as taxas de aborto? Em segundo lugar, o Santo Padre se refere ao aborto como “brutalidade monstruosa e atroz”? Por que não usamos esse tipo de linguagem no discurso público? Terceiro, o Santo Padre diz que as vítimas do aborto, os bebês, perdem seus corpos e também suas almas. Isto é uma referência ao limbo? Isto é, os abortados, sem o batismo, perdem a visão beatífica? Parece que este é o sentido da citação. Tradução:http://taylormarshall.com/2013/01/the-popes-graphic-condemnation-of.html
- Foram 50 milhões de pessoas realmente mortas na Inquisição?
A apologética (defendendo o catolicismo e, às vezes, o cristianismo geral) é geralmente muito divertida. Eu amo meu trabalho, mas às vezes é irritantemente frustrante. Uma vez tive uma experiência que ofereceu uma oportunidade para esclarecer alguns fatos históricos relevantes sobre a Inquisição. (Na verdade, houve várias inquisições). Os cristãos não-católicos e o mundo secular usaram as Inquisições, as Cruzadas e o incidente de Galileu como “porretes” para bater na Igreja por quase 500 anos. Eu mesmo fiz isso em meus dias de apologética protestante. Mas tais críticos quase invariavelmente distorcem (voluntária ou involuntariamente) os fatos conhecidos para fazê-lo. Um apologista protestante reformado e especialista em islamismo referiu-se em seu site à “Inquisição em que cerca de 50 a 68 milhões de pessoas foram mortas por Roma”. Esses números foram bastante fantásticos (para dizer o mínimo e caridosamente), visto que toda a população da Europa no seu auge na Idade Média é pensado por estudiosos ter sido talvez 100-120 milhões. Isso significaria que a Igreja matou tantas pessoas quanto a Peste Negra (Peste Negra), que dizimou cerca de um terço a metade da população. Eu respondi: “Por favor, me diga o nome de historiadores respeitáveis que afirmam uma figura tão ridícula”. Ele disse que sabia de um artigo na Internet que não conseguiu localizar por David A. Plaisted: que acabou por ser um professor de ciência da computação, e não um historiador acadêmico. Mas, quando pressionado, meu demônio não ofereceu nenhum historiador para apoiar sua afirmação e rapidamente desceu (como tantas vezes nesses tipos de “discussões”) a meros insultos e táticas evasivas. Antes de ser banido de seu site, produzi para ele – depois de ser desafiado a fazê-lo – dois professores (não-católicos) de história com opiniões muito diferentes. Edward Peters, da Universidade da Pensilvânia, é o autor de ”Inquisition” (Berkeley: University of California Press, 1989). Henry Kamen, um membro da Royal Historical Society e professor da Universidade de Wisconsin – Madison, escreveu The Spanish Inquisition: A Historical Revision (New Haven: Yale University Press, 1998). Esses dois livros estão na linha de frente de uma perspectiva emergente e muito diferente sobre as Inquisições: um entendimento de que elas estavam exponencialmente menos inclinadas a emitir penalidades de morte do que anteriormente era comumente assumido, e também muito diferentes em caráter e até em essência do que o antecessores esteriótipos anti-católicos nos fizeram acreditar. Na página 87 de seu livro, o Dr. Peters afirma: “A melhor estimativa é que cerca de 3.000 sentenças de morte foram realizadas na Espanha por veredicto inquisitorial entre 1550 e 1800, um número bem menor do que em tribunais seculares comparáveis.” Da mesma forma, Dr Kamen afirma em seu livro: Tendo em conta todos os tribunais da Espanha até cerca de 1530, é improvável que mais de duas mil pessoas tenham sido executadas por heresia pela Inquisição. (p. 60) . . . É claro que, durante a maior parte de sua existência, a Inquisição estava longe de ser uma força destruidora da morte, seja na intenção ou na capacidade. . . . Parece que durante os séculos XVI e XVII menos de três pessoas por ano foram executadas em toda a monarquia espanhola, da Sicília ao Peru, certamente uma taxa mais baixa do que em qualquer tribunal provincial de justiça na Espanha ou em qualquer outro lugar da Europa. (p. 203) Mitos enormes obviamente são abundantes. Mas isso significa que eu “defendo” a pena capital por heresia, ou que todos os católicos deveriam? Não; Pessoalmente, eu defendo as práticas tolerantes da Igreja primitiva. No entanto, também acho extremamente importante compreender as inquisições de maneira correta e precisa no contexto de seus tempos (a Idade Média e os primeiros períodos modernos). Nessas eras, quase todos os cristãos (não apenas católicos; apenas alguns pequenos grupos como anabatistas e quakers) acreditavam tanto na punição corporal quanto na capital por heresia, porque achavam que a heresia era muito mais perigosa para uma pessoa e uma sociedade do que uma doença física. Sua premissa, pelo menos, estava exatamente certa, até onde vai: a heresia pode levar um ao inferno; nenhuma doença poderia fazer isso. Como lidar com a heresia é uma questão separada e muito complexa. Na Idade Média, toda heresia era praticamente considerada como obstinação e de má fé; má vontade, etc. A Igreja hoje tem uma abordagem muito mais psicologicamente matizada: muita heresia é (erroneamente) acreditada de boa fé; daí o aderente é menos culpado e inocente o suficiente para ser punido. Também aprendemos que a coerção é inútil. Esta era a posição cristã original, de qualquer maneira (antes que a heresia se tornasse envolta em desordem civil, como nos casos dos donatistas, monofisitas, arianos e albigenses, entre outros). Seja como for, alguns protestantes e outros críticos da Igreja Católica exercem um duplo padrão gritante ao condenar apenas a Igreja Católica por se envolver nessa prática e exagerar grotescamente ao postular números ridículos; até mesmo alistar desesperadamente não-historiadores para reforçar suas visões desinformadas. Em resposta, deve-se notar que os protestantes (incluindo Lutero, Calvino, os primeiros protestantes ingleses, Zuinglio, Melanchthon et al.) Têm uma lista muito longa e preocupante de “escândalos” e “inquisições” também. Como apenas um exemplo entre muitos, Martinho Lutero e João Calvino sancionaram a execução de anabatistas devido a sua crença no batismo de adultos, que consideravam ser “sedição”. Milhares de católicos na Inglaterra e na Irlanda foram executados (muitas vezes de maneira muito hedionda). simplesmente por serem católicos e adoradores como seus ancestrais fizeram por 1.500 anos. Assim, é claro que a noção da pena de morte para a heresia era, em grande parte, um produto da Idade Média, e os protestantes que chegaram no final desse período, em sua maioria, não se opuseram a ela. De fato, a execução de “bruxas” de renome era quase inteiramente um fenômeno protestante (como nos famosos julgamentos das Bruxas de Salém). Ignorar totalmente esses fatos, enquanto condenando a Igreja Católica, é se envolver em revisionismo histórico desonesto. Tradução: http://www.ncregister.com/blog/darmstrong/were-50-million-people-really-killed-in-the-inquisition
- Igreja Primitiva: Escritura superior a tradição?
Eu recebi um e-mail anônimo de um leitor de um país diferente, e sua pergunta dizia respeito a se os primeiros padres da Igreja acreditavam no dogma protestante da “Sola Scriptura” e / ou se o apelo à “tradição” era, ainda que útil, ainda um componente inferior à substância das Escrituras. Eu coloquei minha resposta em 2 pontos. (1) A posição da Igreja primitiva foi muito claramente dedicada à Sagrada Escritura como revelação “inspirada por Deus”. Como tal, os escritos inspirados eram venerados como infalíveis e inerrantes. No entanto, assim também era com a pregação “oral” dos apóstolos. Isto é claramente indicado por 2 Tessalonicenses 2:15, onde São Paulo escreve à Igreja da Tessália com a seguinte instrução – “Então, irmãos, permaneçam firmes e mantenham as tradições que nos foram ensinadas, seja de boca a boca ou por carta “. Então, aqui, uma parte da Sagrada Escritura nos diz que o testemunho oral apostólico foi igualmente a ser consentido ao lado da Escritura escrita. O imperativo é permanecer firme e manter as tradições que ou encontraram manifestadas por escrito ou em comunicação oral. Assim, no mínimo, a era apostólica tinha um meio oral inspirado através do qual o conteúdo da revelação divina estava sendo disseminado entre o mundo greco-romano (século I). (2) A questão é se após a era apostólica, os limites da revelação divina seriam inscritos unicamente no texto de um cânon de algum tipo. Bem, sabemos que não havia um cânon singular em uso nos primeiros séculos da Igreja. Os padres faziam referência a um “Corpo de Escrituras” que incluía o Antigo Testamento e o Novo Testamento, e eles o respeitavam em especial, em oposição à pregação comum e pública dos oficiais da Igreja. Você pode até encontrá-los dizendo que o apelo às Escrituras é amplamente suficiente para resolver disputas doutrinárias. E isso não seria problema algum. Esse pode ser o cenário para um filho da Igreja que segue a tradição dos bispos na sucessão apostólica. Para “ele”, pode ser muito claro, e certamente, desde muito cedo, vemos “batidas de bíblia” como uma maneira de refutar os hereges. Não tem nada de errado com isso. No entanto, o que os primeiros apologistas aprenderam foi que o apelo à Escritura e sua interpretação adequada não eram suficientes para proteger a veracidade e autenticidade do Evangelho divino, e assim o que começamos a ver é * além * de um apelo às Escrituras, temos um apelo à tutela pública da fé apostólica pelos anciões das Igrejas que receberam a origem física dos próprios Apóstolos, ou aqueles apóstolos (minúsculo) que se associaram intimamente com os Apóstolos. Em outras palavras, outra instituição entrou no armamento dos primeiros apologistas, a saber, a tradição visível mantida pela sucessão visível dos bispos. Portanto, se os hereges não se conformavam com o regula fide (regra de fé), como sustentado pela tradição da sucessão (Bispos), eles eram invalidados simplesmente por isso. É por volta dessa época que indivíduos como Tertuliano e Santo Irineu codificam esta estrutura de critérios ou padrões visíveis para identificar a fé apostólica autêntica contra a miríade de cismáticos e hereges que todos alegavam ter a Escritura, sua interpretação apropriada e a Conhecimento “secreto” dos Apóstolos (gnósticos). Eu recomendo a leitura de Santo Irineu (Adversus Heresies) e Tertuliano (Prescrição Contra os Hereges). Ambos são gratuitos online. Agora, uma última nota – isso não significa que os Apologistas estavam meramente apelando para algum componente acidental da história (isto é, sucessão pós-Apostólica) que apenas fortaleceu a interpretação bíblica de um lado. Não, a progressão da “surra de Bíblia” para um “apelo à verdadeira Igreja” não foi uma inovação, mas a utilidade da última foi algo deduzido das Escrituras e da própria tradição cristã original. Então, o que os Apologistas estavam simplesmente fazendo era inicialmente usar as citações das Escrituras para lutar em sua batalha primária, mas depois tirando outros armamentos do arsenal que * estava sempre lá *, mas que não foi retirado e colocado em uso. A regula fide como sustentada pela sucessão universal de bispos apostólicos que estavam todos unidos em um e o mesmo sistema de crenças como em sí mesmo e não um elemento inferior sob a Palavra de Deus, mas era o guardião do último. O Dictum era “A Escritura pertence à Igreja”, etc, etc. Este desenvolvimento foi particularmente útil contra os gnósticos que, na maior parte, pelo menos inicialmente, pareciam ser comunidades muito ascéticas dedicadas à refeição eucarística, ávidos leitores da Sagrada Escritura, estudiosos em estudo intelectual e cuja piedade parecia extraordinária. Disputar citação vs. citação, felizmente, não é tudo o que os apologistas tinham para proteger e defender a fé apostólica, estando convencidos de que mais artilharia estava disponível pela promessa de Cristo, que foi entendida como pertencente à orientação contínua do Espírito através do Apostolado que é perpetuado através da sucessão falada acima. Vou citar de uma passagem em particular em Irineu abaixo que vai apontar na direção em que estou indo, mas, por favor, leia todo o seu Adversus Haeresies. “Visto que, portanto, temos tais provas, não é necessário buscar a verdade entre outros sendo que é fácil obter da Igreja; Visto que os apóstolos, como um homem rico [depositando seu dinheiro] num banco, colocaram em suas mãos copiosamente todas as coisas relativas à verdade: para que todo homem, quem quisesse, pudesse tirar dela a água da vida. Pois ela é a entrada para a vida; todos os outros são ladrões e bandoleiros. Por causa disso, somos obrigados a evitá-los, apenas fazendo a escolha da coisa pertencente à Igreja com a maior diligência e apegar-se à tradição da verdade. Pois como se mantém a causa? Suponha que surja uma disputa relativa a alguma questão importante entre nós, não deveriamos recorrermos às Igrejas mais antigas com as quais os apóstolos mantiveram relações constantes, e aprender com elas o que é certo e claro em relação à presente questão? Pois como deveria ser se os próprios apóstolos não tivessem nos deixado escritos? Não seria necessário, [nesse caso,] seguir o curso da tradição que eles transmitiram àqueles a quem entregaram as Igrejas? ”(Livro 3, Capítulo 4) Tradução:https://erickybarra.wordpress.com/2018/05/23/the-primitive-church-scripture-tradition/
- A ONU CONTRA A FAMÍLIA
Obras bem documentadas têm mostrado, nas últimas décadas, como a Organização das Nações Unidas foi completamente reestruturada, a partir dos anos sessenta, com suas agências — Unicef, Unesco, OMS, OMC, IPCC etc. — passando a funcionar como instrumentos para a criação de um “governo mundial”, responsável por uma verdadeira revolução cultural no planeta, cujo principal objetivo é destruir a família pela promoção da “ideologia de gênero”. Boa pesquisa sobre a ONU se encontra no trabalho da jornalista e professora belga Marguerite A. Peeters: Marion-ética, os peritos da ONU impõe suas leis. Há tradução espanhola pela editora espanhola Rialp, publicada em 2007. O livro de Marguerite Peeters, que hoje ensina na Pontifícia Universidade Urbaniana de Roma, focaliza mais especificamente os “três princípios inegociáveis” defendidos pelo Papa Bento XVI (defesa da vida em todas as suas fases, da concepção à morte natural; casamento como união permanente entre um homem e uma mulher; direito dos pais de decidir sobre a educação dos próprios filhos.), e as ações realizadas pela ONU em nível mundial para afrontá-los, através da revolução feminista, sexual e cultural. A autora apresenta a nova ética que deve ser imposta ao mundo, e que é exatamente o contrário dos “três princípios inegociáveis” de Bento XVI (que, diga-se, não representam opinião particular do Papa emérito, mas verdade defendida desde sempre pelo cristianismo católico). Identifica, a seguir, os artífices dessa nova ética, com as técnicas e estratégias utilizadas em sua implantação, que prevê sutil manipulação do poder judiciário, do sistema educacional, da grande mídia, das instituições políticas e das próprias religiões, com um objetivo bem preciso: promover uma ambiciosa obra de engenharia social que substitua hábitos, costumes e ideias dos cristãos. Revela, sobretudo, o incansável trabalho realizado no campo das religiões pelos agentes da ONU, que passaram da confrontação direta e agressiva dos cultos e tradições, a métodos mais inteligentes de assédio, escondidos sob a aparência de colaborações e alianças. Sabem que o ser humano não vive sem alguma forma de religiosidade; e, em vez de destrui-la, pretendem agora modifica-la, adaptando-a aos desígnios da chamada “nova ordem mundial”. O que fazem eles? Buscam fragmentar “por dentro” a unidade do corpo eclesial e dos fiéis, que são agora levados a questionar os dogmas e reivindicar seus direitos sexuais e reprodutivos, em nome — eis aqui a suma esperteza — de sua própria tradição religiosa. Para isto, estimulam nos teólogos que identifiquem em seus próprios textos sagrados argumentos que apoiem o pensamento globalista. O trabalho dos agentes da ONU estará bem perto do sucesso quando conseguirem transformar a “nova ética” em dever religioso… O historiador inglês Arnold Toynbee acreditava que, pelo andar da carruagem da História, seria inevitável um governo mundial. Restava saber, dizia ele, se seria democrático ou totalitário. Se depender das agências da ONU e do poderoso financiamento internacional que recebem, estará seguramente mais perto do segundo tipo. Até agora, as mudanças revolucionárias das últimas décadas só tem resultado em “fragmentação familiar, social e intergeracional; solidão e abandono dos velhos; carências e feridas afetivas de crianças que vivem em famílias monoparentais ou reconstituídas; aumento das depressões; desestruturação antropológica; fracassos escolares; desorientação profissional; aumento dos suicídios, do desespero e da sensação de insegurança de muitos jovens, que se refugiam na droga, na violência, nas seitas e no satanismo; perda das tradições culturais e da fé.” (Marguerite Peeters, obra citada) Que analgésico poderia remediar tanto sofrimento, causado pela obstinada negação da realidade que se encontra no projeto delirante da “nova ordem mundial” e das atuais agências da ONU? O e-book pode ser comprado pela Amazon no seguinte endereço:
- The Story of a False Mystic.
In France, during the turmoil caused by the League, impostors flourished. A girl who came to Paris from Rheims, by name Nicole Tavernier, acquired an extraordinary reputation for sanctity. Daily she passed into a trance when she spoke at great length, her words being taken down as divine revelations. She was supposed to have the spirit of prophecy, and it was widely bruited that her predictions were infallibly true. On one occasion when in the Church of the capuchins at Meudon, she was kneeling not far from Madame Acarie(Blessed Mary of the Incarnation), the latter remarked that Nicole had withdrawn, and remained absent for nearly an hour. Madame Nicole did not notice her return, but saw she was in her former place. After the Saintly woman asked: “Where did you go, Nicole, and remain away so long?” To which Nicole replied: “I have been to Tours to warn a certain noblemen who were met to plot and cabal that they must abandon their projects, since their intentions are very hurtful to the true faith, and if carried into effect, will work terrible mischief.” At Paris Nicole was indeed daily consulted by statesmen even and politicians, as well as by Priests and Religious. Two prominent persons, however, Madame Acarie and the Cardinal de Bérulle, placed no faith in Nicole Tavernier. Madame Acarie openly said that she feared that the girl was terribly deluded and deceived, that it must be an evil spirit who had taken possession of her and was simulating all kinds of mystical phenomena to draw many into error, and hence the prediction could be well explained. The sudden voyage to Tours was far from being proved to be a fact, and even if it were, it is well known that these aerial transvections are by no means impossible to the demon, as so many witchcraft trials have shown times without number. Moreover Nicole was found out in a many good lies and cozenage. She was questioned by two capuchins, experts in these matters, and they found the whole thing was a trickery and obsession. When the girl was freed from these dark influences and the devil cast out, she proved to be in herself a rather stupid and ignorant rustic. In spite of all persuasions, she married a low churl,and soon ceased to practice religion. All Paris were scandalized and deeply shocked at such an exposure. However, eventually, Nicole was reconciled by Pére de Lingendes. A detailed account of the extraordinary events is given by the Bishop of Orleans in his study LA Bienheureuse Marie de l’incarnation, new edition, Paris, 1854. (Physical Phenomena of Mysticism, Montague Summers) Kindly visit http://christusvincitsite.wordpress.com/ for more posts on demonology, eschatology etc.
- INQUIETO ESTÁ O NOSSO CORAÇÃO, ENQUANTO NÃO REPOUSA EM TI, SENHOR (Santo Agostinho, bispo)
Grande és tu, Senhor, e sumamente louvável: grande é a tua força, e a tua sabedoria não tem limites! Ora, o homem, esta parcela da criação, quer te louvar, este mesmo homem carregado com sua condição mortal, carregado com o testemunho de seu pecado e como testemunho de que resistes aos soberbos. Ainda assim, quer louvar-te o homem, esta parcela de tua criação! Tu próprio o incitas para que sinta prazer em louvar-te. Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em ti. Dá-me, Senhor, saber e compreender o que vem primeiro: o invocar-te ou o louvar-te? Começar por conhecer-te ou por invocar-te? Mas quem te invocará sem te conhecer? Por ignorância, poderá invocar alguém em lugar de outro. Será que é melhor seres invocado, para seres conhecido? Como, porém, invocarão aquele em quem não creem? ou como terão fé, sem anunciante? Louvarão o Senhor aqueles que o procuram. Quem o procura encontra-o e tendo-o encontrado, louva-o. Buscar-te-ei, Senhor, invocando-te; e invocar-te-ei, crendo em ti. Tu nos foste anunciado; invoca-te, Senhor, a minha fé, aquela que me deste, que me inspiraste pela humanidade de teu Filho, pelo ministério de teu pregador. Invocarei o meu Deus, o meu Deus e Senhor: mas como? Porque ao invocá-lo eu o chamarei para dentro de mim. Que lugar haverá em mim, aonde o meu Deus possa vir? Aonde virá Deus em mim, o Deus que fez o céu e a terra? Há, então, Senhor, meu Deus, algo em mim que te possa conter? O céu e a terra, que fizeste e nos quais me fizeste, são eles capazes de te conter? Ou, se sem ti nada existiria de quanto existe, é porque tudo quanto existe te contém? Portanto eu, que também existo, que tenho de pedir tua vinda em mim, em mim que não existiria se não estivesses em mim? Ainda não estou nas profundezas da terra e, no entanto, ali também estás. Pois, mesmo que desça às profundezas da terra, ali estás. Não existiria, pois, meu Deus, de forma alguma existiria, se não estivesses em mim. Ou melhor, não existiria eu se não existisse em ti, de quem tudo, por quem tudo, em quem todas as coisas existem? É assim, Senhor, é assim mesmo. Para onde te chamo, se já estou em ti? Ou donde virás para mim? Para onde me afastarei, fora do céu e da terra, para que lá venha a mim o meu Deus, que disse: Eu encho o céu e a terra? Quem me dera descansar em ti! Quem me dera vires a meu coração, inebriá-lo a ponto de esquecer os meus males, e abraçar-te a ti, meu único bem! Que és para mim? Perdoa-me, se falo. Que sou eu a teus olhos, para que me ordenes amar-te e, se não o fizer, te indignares e ameaçares com imensas desventuras? É acaso pequena desventura não te amar? Ai de mim! Dize-me, por compaixão, Senhor meu Deus, o que és tu para mim. Dize à minha alma: Sou tua salvação. Dize de forma a que ela te escute. Os ouvidos de meu coração estão diante de ti, Senhor. Abre-os e dize à minha alma: Sou tua salvação. Correrei atrás destas palavras e segurar-te-ei. Não escondas de mim tua face. Morra eu, para que não morra, e assim possa contemplá-la! (Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo – Lib. 1,1.1-2.2; 5,5: CCL 27,1-3 – Séc. V). #Cristologia #Igreja #SantoAgostinho
- O DOMINGO PERTENCE AO SENHOR – 9º Domingo do Tempo Comum
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Ainda devemos santificar o sábado?”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Livro do Deuteronômio 5,12-15) O Senhor quis um dia só para Ele Assim fala o Senhor: “Guarda o dia de sábado, para o santificares, como o Senhor teu Deus te mandou. Trabalharás seis dias e neles farás todas as tuas obras. O sétimo dia é o do sábado, o dia do descanso dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu boi, nem teu jumento, nem algum de teus animais, nem o estrangeiro que vive em tuas cidades, para que assim teu escravo e tua escrava repousem da mesma forma que tu. Lembra-te de que foste escravo no Egito e que de lá o Senhor teu Deus te fez sair com mão forte e braço estendido. É por isso que o Senhor teu Deus te mandou guardar o sábado”. SALMO 80 Um dia para adorar o Senhor (Antífona): Exultai no Senhor, a nossa força! Cantai salmos, tocai tamborim, harpa e lira suaves tocai! Na lua nova soai a trombeta, na lua cheia, na festa solene! Porque isso é costume em Jacó, um preceito do Deus de Israel; uma lei que foi dada a José, quando o povo saiu do Egito. Eis que ouço uma voz que não conheço: “Aliviei as tuas costas de seu fardo, cestos pesados eu tirei de tuas mãos. Na angústia a mim clamaste, e te salvei. Em teu meio não exista um deus estranho nem adores a um deus desconhecido! Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor, que da terra do Egito te arranquei”. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (2Coríntios 4,6-11) A fé: tesouro guardado em vaso de barro Irmãos: Deus, que disse: “Do meio das trevas brilhe a luz”, é o mesmo que fez brilhar a sua luz em nossos corações, para tornar claro o conhecimento da sua glória na face de Cristo. Ora, trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós. Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados; por toda parte e sempre levamos em nós mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossos corpos. De fato, nós, os vivos, somos continuamente entregues à morte, por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossa natureza mortal. EVANGELHO (São Marcos 2,23-3,6) O dia do Senhor foi feito para nós Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?” Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus, e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”. E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Portanto, o Filho do Homem é Senhor também do sábado”. Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada. Ao saírem, os fariseus, com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo. O DIA DO SENHOR (Comentário do Pe. Francisco Fernández-Carvajal) Tal como lemos na primeira Leitura da Missa, foi o próprio Deus quem instituiu as festas do Povo eleito e era Ele quem pedia para que as observassem. O sábado, depois de seis dias de trabalho nos afazeres próprios de cada um, era o dia dedicado a Deus em reconhecimento da sua soberania sobre todas as coisas. No tempo de Jesus, haviam-se introduzido muitos abusos rigoristas, o que originou diversos choques dos fariseus com o Senhor, como o que relata o Evangelho da Missa de hoje. Cristo recorda-lhes que as prescrições sobre o descanso sabático não têm um valor absoluto e que Ele, o Messias, é o Senhor do sábado. Jesus Cristo teve um grande apreço pelo sábado e pelas festividades judaicas, embora soubesse que, com a sua chegada, todas essas disposições seriam abolidas para darem lugar a festas cristãs. A Ressurreição do Senhor teve lugar no “primeiro dia da semana”, como testemunham todos os Evangelistas. E na tarde daquele mesmo dia, Jesus apareceu aos seus discípulos reunidos no Cenáculo. Oito dias mais tarde, isto é, no “primeiro dia da semana” seguinte, apareceu de novo em circunstâncias semelhantes. É possível que o Senhor quisesse indicar-nos que esse primeiro dia devia ser uma data muito particular. Os cristãos entenderam-no assim e desde o início começaram a reunir-se para celebrá-lo, de tal modo que o denominavam o dia do Senhor. Desde o começo, pois, e de uma forma ininterrupta, esta data foi sempre celebrada de um modo muito particular. Por isso, perguntamo-nos agora se cada domingo é realmente para nós um dia que gira em torno da Missa e se, em função dela, todas as horas que a precedem ou lhe sucedem estão preenchidas pela consideração alegre de que fomos resgatados e somos vitoriosos em Cristo, por cuja morte e Ressurreição nós também já não estamos sob o império da morte, antes somos filhos de Deus. Para a reevangelização do mundo, é particularmente urgente realizar um apostolado eficaz a respeito da santificação do domingo, um apostolado que penetre nas famílias. Porque há gente que chega a perder o espírito cristão por uma maneira errada de descansar nos fins de semana. “O domingo deve ser um dia para descansar em Deus, para adorar, suplicar, agradecer, pedir perdão ao Senhor pelas culpas cometidas na semana que passou, pedir-lhe graças de luz e força espiritual para os dias da semana que começa” (Papa Pio XII). O descanso dominical – bem como os demais dias de preceito – não pode ser para nós um tempo de repouso cheio de ociosidade insossa, desculpável talvez em quem não conhece a Deus. Trata-se de um “descanso dedicado a Deus” e, ainda que nos nossos dias se vá assistindo a uma grande mudança de costumes, o cristão deve entender sempre que “o descanso dominical tem uma dimensão moral e religiosa de culto a Deus”. http://www.hablarcondios.org/pt/meditacaodiaria/1/
- SHAKESPEARE FOI UM CONSERVADOR – Paul Johnson
“Shakespeare não foi um revolucionário, em nenhum sentido da palavra e em campo algum. Ao contrário, valorizava a estabilidade. Tinha instinto de comerciante provinciano da classe média que ia bem nos negócios. Era conservador e detestava ativamente as idéias radicais, como deixou claro na peça em que mais expressava uma opinião: Troilus e Cressida. Reiterou essa aversão enfática e repetidamente em suas peças históricas, nas quais deplorava todas as tentativas de injustiças corrigidas, sobretudo, por meio da violência contra a ordem estabelecida. O conservadorismo de Shakespeare, sua preferência pela ordem estabelecida, com todas as suas imperfeições (das quais estava bem ciente e que expunha com freqüência), era temperado por um desejo de “aperfeiçoamento” da moral pública e das maneiras privadas, pela adoção gradual e pacífica de melhores formas de fazer as coisas. Amor pelo “aperfeiçoamento”, no lugar da revolução.” (Paul Johnson, Os criadores. Rio, Elsevier, 2006, p.54)
- JÓ PREFIGURAVA CRISTO JESUS (São Zeno de Verona, bispo)
Tanto quanto se pode entender, irmãos caríssimos, Jó prenunciava a figura de Cristo, o que é provado por uma comparação: Jó é chamado de justo por Deus. Ora, Cristo é a Justiça de cuja fonte bebem todos os bem-aventurados. Dele se disse: Levantar-se-á para vós o Sol da Justiça. Jó é dito veraz. O Senhor, que declara no evangelho: Eu sou o caminho e a verdade, é a própria verdade. Jó foi rico. E quem mais rico do que o Senhor? Dele são todos os servos ricos, dele o mundo inteiro e toda a natureza, no testemunho do Santo Davi: Do Senhor é a terra e sua plenitude, o orbe da terra e todos quantos nele habitam. O diabo tentou Jó por três vezes. De modo semelhante, narra o Evangelista, por três vezes o mesmo diabo esforçou-se por tentar o Senhor. Jó perdeu os bens que possuía. O Senhor, por nosso amor, abandonou os bens celestes e fez-se pobre para enriquecer-nos. O diabo, furioso, matou os filhos de Jó. E aos profetas, filhos de Deus, o louco povo fariseu assassinou. Jó manchou-se pelas úlceras. O Senhor, assumindo a carne de todo o gênero humano, apareceu manchado com as sujeiras dos pecadores. Jó foi instigado pela esposa a pecar. A sinagoga quis obrigar o Senhor a seguir a depravação dos anciãos. Apresentam-se os amigos de Jó a insultá-lo. E ao Senhor insultaram os sacerdotes que deviam cultuá-lo. Jó senta-se no monturo coberto de vermes. Também o Senhor no verdadeiro monturo, isto é, na lama desse mundo se demorou rodeado de homens estuantes de crimes e paixões, os verdadeiros vermes. Jó recuperou tanto a saúde quanto a riqueza. E o Senhor, ressuscitando, concedeu não só a saúde, mas a imortalidade aos que nele creem e recuperou o domínio sobre toda a natureza, segundo suas próprias palavras: Tudo me foi dado por meu Pai. Jó teve filhos em substituição aos primeiros. O Senhor também gerou, depois dos filhos dos profetas, os santos apóstolos. Jó, feliz, descansou em paz. O Senhor, porém, permanece o bendito eternamente, antes dos séculos, nos séculos e por todos os séculos dos séculos. (Dos Tratados de São Zeno de Verona, bispo – Tract. 15,2: PL 11,441-443 – Séc.IV). #Cristologia #Igreja
- Pedofilia no clero católico, verdades e mitos.
É uma rotina a todo católico, sempre que faz uma defesa da Igreja Católica sobre qualquer assunto, é de imediato atacado com: “A Igreja Católica é um antro de pedofilia, com seus padres pervertidos!”, ou algo do tipo. Isso se intensifica pelo foco especial que a mídia dá em escândalos que tenham padres envolvidos, como essa máteria de um grupo cuja parcialidade é suspeita: (https://www.google.com.br/amp/s/noticias.r7.com/domingo-espetacular/videos/denuncias-de-pedofilia-contra-igreja-catolica-repercutem-no-mundo-21022018%3famp), e também os recentes escândalos no Chile: (https://www.google.com.br/amp/s/www.publico.pt/2018/05/18/mundo/noticia/bispos-chilenos-demitemse-em-massa-devido-a-escandalo-de-pedofilia-1830542/amp) —-“—-“—–“—-“——“—- Vamos então tratar desse tema tão triste e difícil. Os Sacerdotes católicos são mais suscetíveis a pedofilia, que todo o resto dos homens? Isto é simplesmente falso. Não existe absolutamente nenhuma evidência de que haja mais probabilidade de padres violentarem as crianças do que qualquer outro grupo de homens. O uso e abuso de crianças como objeto de satisfação sexual de adultos é uma epidemia que atinge todas as classes, profissões, religiões e comunidades étnicas espalhadas pelo mundo todo, como indicam claramente as estatísticas em pornografia infantil, incesto e prostituição infantil. A pedofilia (o abuso sexual de uma criança pré-adolescente) entre os padres é extremamente rara, afetando 0,3% de todo o clero. Este número, citado no livro “Pedófilos e Padres” (Pedhofiles and Priests) do escritor não-católico Philip Jenkins, vem do estudo mais completo feito até hoje que descobriu que de 2.252 padres pesquisados durante um período de 30 anos, essa era a porcentagem de padres que apresentavam sintomas de serem atormentados pela pedofilia. mesmo que o número total de violentadores sexuais no sacerdócio seja maior do que os culpados de pedofilia, este número é menor do que 2% – quando comparado com os entre os homens casados (Jenkins, “Pedophiles and Priests”). Não existe nenhuma evidência de que seja mais provável os prelados católicos serem pedófilos do que os ministros protestantes, líderes judeus, médicos, ou qualquer outra instituição na qual os adultos estejam numa posição de autoridade e poder sobre as crianças. O celibato dos padres os leva à pedofilia? O celibato não tem nenhuma relação de causa com nenhum tipo de vício sexual, incluindo a pedofilia. Na verdade, homens casados são tão suscetíveis à violência sexual de crianças como os padres celibatários (Jenkins, “Priests and Pedophilia”). Na população em geral, a maioria dos violentadores são homens heterossexuais reprimidos que violentam sexualmente meninas. Também se encontram mulheres entre os violentadores sexuais. Mesmo sendo difícil obter estatísticas precisas sobre abuso sexual infantil, os padrões característicos do violentador sexual em série de crianças tem sido bem explicados. Os perfis do molestador de crianças jamais incluiu adultos normais que são atraídos eroticamente pelas crianças como resultado de abstinência. (Fred Berlin, “Compulsive Sexual Behaviors” in Addiction and Compulsion Behaviors [Boston: NCBC, 1998], Patrick J. Carnes, “Sexual Compulsion: Challenge for Church Leaders” in Addiction and Compulsion; O’Leary, “Homosexuality and Abuse”). Sobre os escândalos com envolvimento de padres, ao contrário do que se imagina, a regra não se trata de violação de crianças, essa é a excessão entre os casos, explico: mais de 90% dos casos envolvem o molestamento clerical de jovens do sexo masculino, isso se chama “efebofilia” a atividade sexual por padres homossexuais com jovens seminaristas ou garotos de 16,17 anos de idade… Embora tais atividades homossexuais com menores sejam crimes – e imorais – se difere bastante do imaginário. Sobre essa vertente dos escândalos, um fato é relevante ressaltar: Nos anos 50, a ex-funcionária do Partido Comunista Americano, Bella Dodd, testemunhou perante o Comitê de Atividades Não Americanas da Câmara. Dodd, que serviu como conselheiro legal ao Partido Comunista nos EUA, revelou, “Nos anos 1930, colocamos mil e cem homens no sacerdócio para destruir a Igreja de dentro para nós. Agora eles estão nos lugares mais altos da Igreja. Michael Rose documentou a existência de uma “subcultura gay” dentro do sacerdócio católico em seu livro Goodbye, Good Men . A homossexualização do sacerdócio católico foi nutrida e apoiada por um processo comprometido de seleção do seminário que afasta os bons candidatos, processo esse sistematicamente orquestrado por organizações comunistas. Uma das acusações mais fracas, é a que a maior incidência de criminosos sexuais esteja dentro do clero católico, tanto nos EUA, onde os anti católicos se utilizando de vários meios, cujo mais danoso é a mídia e sua perseguição a Igreja, citarei alguns fatos que colocam em dúvida essa suposta predominância retradada nas séries, filmes, e reproduzidas pelo cidadão comum: *Em 21 de outubro de 2007, a Associated Press noticiou que mais de 2.500 casos de má conduta sexual foram relatados entre professores de escolas públicas durante um período de cinco anos, com casos variando de “bizarros a sádicos”. *13 de outubro de 2009, o New York Times informou que, somente em 2009, 26 prisões por abuso infantil foram feitas entre rabinos, professores de yeshivá, conselheiros de acampamentos, comerciantes e membros da família da Comunidade Judaica Ortodoxa. *Em 18 de junho de 2007, o Insurance Journal noticiou: “ As três empresas que asseguram a maioria das igrejas protestantes nos Estados Unidos geralmente recebem mais de 260 relatórios por ano de jovens com menos de 18 anos sendo abusados sexualmente por clérigos, funcionários da igreja, voluntários ou congregação _No Brasil em uma rápida pesquisa sobre as mais recentes apreensões de pedófilos, essa predominância também é posta em xeque: *[…]perfil dos criminosos é variado. Foram identificados homens e mulheres, estudantes, advogados, profissionais da saúde e até educadores. -[Nessa apreensão, 251 pedófilos presos, e não se noticia nenhum padre, pelo histórico da mídia seria mais que surpreendente, ter um padre entre os envolvidos e não ser destaque na matéria.]-{https://www.google.com.br/amp/s/g1.globo.com/google/amp/g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/operacao-de-combate-a-exploracao-sexual-infantil-cumpre-578-mandados-no-df-e-em-24-estados.ghtml } *[…]46 suspeitos de pedofilia, os suspeitos trabalhavam em escolas e buffets infantis. {https://www.google.com.br/amp/s/noticias.r7.com/balanco-geral/videos/policia-de-sp-realiza-operacao-para-prisao-de-46-suspeitos-de-pedofilia-20022018%3famp} *[…]maioria das vítimas são molestadas por vizinhos, amigos ou membros da família. Na maioria das vezes são casados ou estão numa relação estável;Muitas vezes são familiares, vizinhos, amigos ou colegas; Pedófilos são muitas vezes profissionais bem-sucedidos, […]prendeu em flagrante 104 pessoas Entre detidos estão donos de escola de futebol, profissionais de saúde e servidores públicos “Vão de classe A à C, um comportamento que não entende classe social” {https://www.google.com.br/amp/s/brasil.elpais.com/brasil/2017/10/20/politica} _Um dado triste e revoltante, mas que afasta um pouco dos padres essa total infâmia que lhes atribuem, é que: *[…] Número de pedófilos com parentesco com a vítima chega a 40% {https://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=335236} Livro citado no post: Philip Jenkins “Pedófilos e Padres” (“Pedhofiles and Priests”) {https://books.google.com.br/books?id=qXFjAgAAQBAJ&pg=PR2&lpg=PR2&dq=philip+jenkins+Pedhofiles+and+Priests&source=bl&ots=n1PUfTSNUT&sig=0jVG2xb-7I3Qne95nVIb-eAR6KU&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwjzsbWn2LLbAhXIfZAKHblvDGs4ChDoATACegQICRAB#v=onepage&q=philip%20jenkins%20Pedhofiles%20and%20Priests&f=false}
- EU SOU A VIDEIRA, VÓS OS RAMOS (São Cirilo de Alexandria, bispo)
Querendo mostrar a necessidade de estarmos unidos a ele pelo amor, e a grande vantagem que nos vem desta união, o Senhor afirma que é a videira. Os ramos são os que, já se tornaram participantes da sua natureza pela comunicação do Espírito Santo. De fato, é o Espírito de Cristo que nos une a ele. A adesão a esta videira nasce da boa vontade; a união da videira conosco procede do seu afeto e natureza. Foi, de fato, pela boa vontade que nos aproximamos de Cristo, mediante a fé; mas participamos da sua natureza por termos recebido dele a dignidade da adoção filial. Pois, segundo São Paulo, quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito (1Cor 6,17). Do mesmo modo, o autor sagrado, noutro lugar da Escritura, dá ao Senhor o nome de alicerce e fundamento. Sobre ele somos edificados como pedras vivas e espirituais, para nos tornarmos, pelo Espírito Santo, habitação de Deus e formarmos um sacerdócio santo. Entretanto, isto só será possível se Cristo for nosso fundamento. A mesma coisa vem expressa na analogia da videira: Cristo afirma ser ele próprio a videira e, por assim dizer, a mãe e a educadora dos ramos que dela brotam. Nele e por ele fomos regenerados no Espírito Santo, para produzirmos frutos de vida, não da vida antiga e envelhecida, mas daquela vida nova que procede do amor para com ele. Esta vida nova, porém, só poderemos conservá-la se nos mantivermos perfeitamente inseridos em Cristo, se aderirmos fielmente aos santos mandamentos que nos foram dados, se guardarmos com solicitude este título de nobreza adquirida e se não permitirmos que se entristeça o Espírito que habita em nós, quer dizer, Deus que por ele mora em nós. O evangelista João nos ensina sabiamente de que modo estamos em Cristo e ele em nós, quando diz: A prova de que permanecemos com ele, e ele conosco, é que ele nos deu o seu Espírito(1Jo 4,13). Assim como a raiz faz chegar aos ramos a sua seiva natural, também o Unigênito de Deus concede aos homens, sobretudo aos que lhe estão unidos pela fé, o seu Espírito. Ele os conduz à santidade perfeita, comunica-lhes a afinidade e parentesco com sua natureza e a do Pai, alimenta-os na piedade e dá-lhes a sabedoria de toda virtude e bondade. (Do Comentário sobre o Evangelho de São João, de São Cirilo de Alexandria, bispo – Lib. 10,2: PG 74,331-334 – Séc.V). #Cristologia #Igreja
- The Good, The Bad & The Indifferent!
Are all actions either good or bad in themselves? No; besides good and bad acts there are also in different acts. What is an indifferent act? An indifferent act is one which is neither commanded nor forbidden ; which is innocent and allowed in itself, but which under certain circumstances can become bad. Under what circumstances can such an act become bad? It can become bad when it carries with it certain bad effects which we are bound to avoid. Give some examples. It is in itself an innocent thing to throw stones out of the window; but if there is danger of breaking people’s heads down below, it is not allowed. It is in itself an innocent thing to read ; but if the book happens to contain anything which does harm to religion, or tempts us to sin, the reading becomes bad. It is allowed to enjoy amusement which is not sinful in itself ; but if it takes us away from our duty it becomes bad. Going to the races and laying a bet is allowed; but if it runs the risk of ruining ourselves or our family it becomes bad. Speaking about facts is in itself innocent ; but if it causes mischief to do so, we ought to keep silence instead. Offering a drink to a friend is allowed; but if it will tempt him to get drunk it becomes bad. Is there any way m which even a good act can become bad? Yes, even a good act can become bad if done with bad intention or for a bad purpose. Give some examples. Suppose a man gives charity to a poor person in order afterwards to draw that person into sin. Suppose a man pays another man’s debts in order to get him under his evil power. Suppose a man professes a certain religion simply in order to gain some worldly advantage. Suppose a man gives money not out of charity but merely to flatter his own vanity and pride. If we have some good purpose in view, may we use any means which will help us to it? We may use any means which are innocent, but we must not use any means which are sin. Give some examples. Suppose we wish to help the poor or support our family, we are not allowed to steal or cheat for that purpose. Suppose we want to help a friend on, we are not allowed to give him a false certificate or testimonial. Suppose we wish to save a friend from trouble, we are not allowed to tell lies in his favour, or to bribe the police. Suppose we want to stop a bad man from doing harm to others, we are not allowed to shoot him to get him out of the way. Suppose we want to pass an examination to help us on in life, we are not allowed to cheat by getting a secret look at the examination paper beforehand. 134- What famous saying contains this truth? The saying : ” We must not do evil that good may come. What about the saying that ” The end justifies the means “? As a general principle it is not true; a good end never justifies an evil means. But does not the end sometimes justify the means? In a certain sense it does ; that is to say, there are certain things which usually are not allowed, but sometimes because of certain good effects they are allowed. Give some examples. Usually it is not allowed to till a man; but the Government may kill a public criminal in order to protect the general public and prevent such crimes from spreading. The same is true of killing in selfdefence or in a just war. Usually it is not allowed to cut off a limb or member; but in case of disease it is allowed, in order to save life or restore health. Usually it is not allowed to cause pain to others; but this is allowed when necessary to punish a child so as to cure its faults. Usually it is not allowed to risk one’s life. But it is not only allowed but is an act of great virtue to risk one’s life to save others. Usually it is not allowed to take other people’s things ; but taking a loaf to save the life of a starving man would be allowed. 138. Why are such exceptions allowed? Reason tells us that they are allowed because of certain important good results which ought to be secured. Ernest Hull S. J., Man’s Great Concern
- St. John Marie Vianney on Dances
Before reading the following text, I would like to express my personal opinion that our dear saint does not condemn dancing in general as we shall see, but particular dances (of which the occasion is also called) which are either immoral or an occasions of sin, freely indulged by the youth or the unmarried. Holding the contrary or extreme view that dancing is wrong places one at odds with the scriptures. The follow is an extract from St. John Marie Vianney’s homily on dancing( or dances). At the hour of my death, God will ask me not if you have fulfilled your duties but if I have taught you what you must do in order to fulfil them. You say, too, that I shall never break down your resistance to the point of making you believe that there is harm in amusing yourself for a little while in dancing? You do not wish to believe that there is any harm in it? Well, that is your affair. As far as I am concerned, it is sufficient for me to tell you in such a way as will insure that you do understand, even if you want to do it all the same. By doing this I am doing all that I should do. That should not irritate you: your pastor is doing his duty. But, you will say, the Commandments of God do not forbid dancing, nor does Holy Scripture, either. Perhaps you have not examined them very closely. Follow me for a moment and you will see that there is not a Commandment of God which dancing does not cause to be transgressed, nor a Sacrament which it does not cause to be profaned. You know as well as I do that these kinds of follies and wild extravagances are not ordinarily indulged in, but on Sundays and feast days. What, then, will a young girl or a boy do who have decided to go to the dance? What love will they have for God? Their minds will be wholly occupied with their preparations to attract the people with whom they hope to be mixing. Let us suppose that they say their prayers — how will they say them? Alas, only God knows that! Besides, what love for God can be felt by anyone who is thinking and breathing nothing but the love of pleasures and of creatures? You will admit that it is impossible to please God and the world. That can never be. God forbids swearing. Alas! What quarrels, what swearing, what blasphemies are uttered as a result of the jealousy that arises between these young people when they are at such gatherings! Have you not often had disputes or fights there? Who could count the crimes that are committed at these diabolical gatherings? The Third Commandment commands us to sanctify the holy day of Sunday. Can anyone really believe that a boy who has passed several hours with a girl, whose heart is like a furnace, is really thus satisfying this precept? St. Augustine has good reason to say that men would be better to work their land and girls to carry on with their spinning than to go dancing; the evil would be less. The Fourth Commandment of God commands children to honour their parents. These young people who frequent the dances, do they have the respect and the submission to their parents’ wishes which they should have? No, they certainly do not; they cause them the utmost worry and distress between the way they disregard their parents’ wishes and the way they put their money to bad use, while sometimes even taunting them with their old-fashioned outlook and ways. What sorrow should not such parents feel, that is, if their faith is not yet extinct, at seeing their children given over to such pleasures or, to speak more plainly, to such licentious ways? These children are no longer Heaven-bent, but are fattening for Hell. Let us suppose that the parents have not yet lost the Faith…. Alas! I dare not go any further! …. What blind parents! …. What lost children! …. Is there any place, any time, any occasion wherein so many sins of impurity are committed as the dancehalls and their sequels? Is it not in these gatherings that people are most violently prompted against the holy virtue of purity? Where else but there are the senses so strongly urged towards pleasurable excitement? If we go a little more closely into this, should we not almost die of horror at the sight of so many crimes which are committed? Is it not at these gatherings that the Devil so furiously kindles the fire of impurity in the hearts of the young people in order to annihilate in them the grace of Baptism? Is it not there that Hell enslaves as many souls as it wishes? If, in spite of the absence of occasions and the aids of prayer, a Christian has so much difficulty in preserving purity of heart, how could he possibly preserve that virtue in the midst of so many sources which are capable of breaking it down? “Look,” says St. John Chrysostom, “at this worldly and flighty young woman, or rather at this flaming brand of diabolical fire who by her beauty and her flamboyant attire lights in the heart of that young man the fire of concupiscence. Do you not see them, one as much as the other, seeking to charm one another by their airs and graces and all sorts of tricks and wiles? Count up, unfortunate sinner, if you can, the number of your bad thoughts, of your evil desires and your sinful actions. Is it not there that you heard those airs that please the ears, that inflame and burn hearts and make of these assemblies furnaces of shamelessness?” Is it not there, my dear brethren, that the boys and the girls drink at the fountain of crime, which very soon, like a torrent or a river bursting its banks, will inundate, ruin, and poison all its surroundings? Go on, shameless fathers and mothers, go on into Hell, where the fury of God awaits you, you and all the good actions you have done in letting your children run such risks. Go on, they will not be long in joining you, for you have outlined the road plainly for them. Go and count the number of years that your boys and girls have lost, go before your Judge to give an account of your lives, and you will see that your pastor had reason to forbid these kinds of diabolical pleasures! …. Ah, you say, you are making more of it than there really is! I say too much about it? Very well, then. Listen. Did the Holy Fathers of the Church say too much about it? St. Ephraim .tells us that dancing is the perdition of girls and women, the blinding of men, the grief of angels, and the joy of the devils. Dear God, can anyone really have their eyes bewitched to such Ian extent that they will still want to believe that there is no harm in it, while all the time it is the rope by which the Devil pulls the most souls into Hell? …. Go on, poor parents, blind and lost, go on and scorn what your pastor is telling you! Go on! Continue the way you are going! Listen to everything and profit nothing by it! There is no harm in it? Tell me, then, what did you renounce on the day of your Baptism? Or on what conditions was Baptism given to you? Was it not on the condition of your taking a vow in the face of Heaven and earth, in the presence of Jesus Christ upon the altar, that you would renounce Satan and all his works and pomps, for the whole of your lives — or in other words that you would renounce sin and the pleasures and vanities of the world? Was it not because you promised that you would be willing to follow in the steps of a crucified God? Well then, is this not truly to violate those promises made at your Baptism and to profane this Sacrament of mercy? Do you not also profane the Sacrament of Confirmation, in exchanging the Cross of Jesus Christ, which you have received, for vain and showy dress, in being ashamed of that Cross, which should be your glory and your happiness? St. Augustine tells us that those who go to dances truly renounce Jesus Christ in order to give themselves to the Devil. What a horrible thing that is! To drive out Jesus Christ after having received Him in your hearts! “Today,” says St. Ephraim, “they unite themselves to Jesus Christ and tomorrow to the Devil.” Alas! What a Judas is that person who, after receiving our Lord, goes then to sell Him to Satan in these gatherings, where he will be reuniting himself with everything that is most vicious! And when it comes to the Sacrament of Penance, what a contradiction is such a life! A Christian, who after one single sin should spend the rest of his life in repentance, thinks only of giving himself up to all these worldly pleasures! A great many profane the Sacrament of Extreme Unction by making indecent movements with the feet, the hands and the whole body, which one day must be sanctified by the holy oils. Is not the Sacrament of Holy Order insulted by the contempt with which the instructions of the pastor are considered? But when we come to the Sacrament of Matrimony, alas! What infidelities are not contemplated in these assemblies? It seems then that everything is admissible. How blind must anyone be who thinks there is no harm in it! …. The Council of Aix-la-Chapelle forbids dancing, even at weddings. And St. Charles Borromeo, the Archbishop of Milan, says that three years of penance were given to someone who had danced and that if he went back to it, he was threatened with excommunication. If there were no harm in it, then were the Holy Fathers and the Church mistaken? But who tells you that there is no harm in it? It can only be a libertine, or a flighty and worldly girl, who are trying to smother their remorse of conscience as best they can. Well, there are priests, you say, who do not speak about it in Confession or who, without permitting it, do not refuse absolution for it. Ah! I do not know whether there are priests who are so blind, but I am sure that those who go looking for easygoing priests are going looking for a passport which will lead them to Hell. For my own part, if I went dancing, I should not want to receive absolution not having a real determination not to go back dancing. Listen to St. Augustine and you will see if dancing is a good action. He tells us that “dancing is the ruin of souls, a reversal of all decency, a shameful spectacle, a public profession of crime.” St. Ephraim calls it “the ruin of good morals and the nourishment of vice.” St. John Chrysostom: “A school of public unchastity.” Tertullian: “The temple of Venus, the consistory of shamelessness, and the citadel of all the depravities.” “Here is a girl who dances,” says St. Ambrose, “but she is the daughter of an adulteress because a Christian woman would teach her daughter modesty, a proper sense of shame, and not dancing! “ Alas! How many young people are there who since they have been going to dances do not frequent the Sacraments, or do so only to profane them! How many poor souls there are who have lost therein their religion and their faith! How many will never open their eyes to their unhappy state except when they are falling into Hell! …. UP
- Ó PRECIOSO E ADMIRÁVEL BANQUETE (Santo Tomás de Aquino, presbítero)
O unigênito Filho de Deus, querendo fazer-nos participantes da sua divindade, assumiu nossa natureza, para que, feito homem, dos homens fizesse deuses. Assim, tudo quanto assumiu da nossa natureza humana, empregou-o para nossa salvação. Seu corpo, por exemplo, ele o ofereceu a Deus Pai como sacrifício no altar da cruz, para nossa reconciliação; seu sangue, ele o derramou ao mesmo tempo como preço do nosso resgate e purificação de todos os nossos pecados. Mas, a fim de que permanecesse para sempre entre nós o memorial de tão imenso benefício, ele deixou aos fiéis, sob as aparências do pão e do vinho, o seu corpo como alimento e o seu sangue como bebida. Ó precioso e admirável banquete, fonte de salvação e repleto de toda suavidade! Que há de mais precioso que este banquete? Nele, já não é mais a carne de novilhos e cabritos que nos é dada a comer, como na antiga Lei, mas é o próprio Cristo, verdadeiro Deus, que se nos dá em alimento. Poderia haver algo de mais admirável que este sacramento? De fato, nenhum outro sacramento é mais salutar do que este; nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais. É oferecido na Igreja pelos vivos e pelos mortos, para que aproveite a todos o que foi instituído para a salvação de todos. Ninguém seria capaz de expressar a suavidade deste sacramento; nele se pode saborear a doçura espiritual em sua própria fonte; e torna-se presente a memória daquele imenso e inefável amor que Cristo demonstrou para conosco em sua Paixão. Enfim, para que a imensidade deste amor ficasse mais profundamente gravada nos corações dos fiéis, Cristo instituiu este sacramento durante a última Ceia, quando, ao celebrar a Páscoa com seus discípulos, estava prestes a passar deste mundo para o Pai. A Eucaristia é o memorial perene da sua Paixão, o cumprimento perfeito das figuras da Antiga Aliança e o maior de todos os milagres que Cristo realizou. É ainda singular conforto que ele deixou para os que se entristecem com sua ausência. (Das Obras de Santo Tomás de Aquino, presbítero – Opusculum 57, In festo Corporis Christi, lect. 1-4 – Séc.XIII). #Igreja
- SURSUM CORDA: DEZ SUGESTÕES PARA REVITALIZAR A IMAGINAÇÃO LITERÁRIA – James Conley (Final)
Renovação de nossas mentes (conclusão) Os livros produzem cultura. Os bons livros, bem lidos e bem refletidos, produzem uma boa e santa cultura. Os bons livros formam boas mentes e bons corações. Os bons livros formam boas vidas. Os bons poemas fazem a mesma coisa, assim como boas peças musicais, bons trabalhos artísticos e boas peças de teatro. Seria um projeto valioso listar alguns desses trabalhos também, e eu poderia faze-lo — mas só depois de reler os livros que sugeri aqui. Os livros e autores que relacionei são um ponto de partida para o desenvolvimento de sua imaginação literária, e todas as suas consequências. Rezo para que eles levem a mais livros, mais autores e mais gêneros literários — a mais descobertas em bibliotecas e livrarias. Rezo para que eles possam conduzir à sabedoria. Possam esses livros ser uma fonte de alegria, e possam eles ser uma fonte de assombro. Possa cada um de nós, como pedia São Paulo, ser transformados pela renovação do nosso entendimento. (James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015)
- A MORAL E A PENITÊNCIA PARA A SANTIFICAÇÃO O casamento e o celibato:
A MORAL E A PENITÊNCIA PARA A SANTIFICAÇÃO O casamento e o celibato: Uma vida santificada uma vida santificada — Este é o ideal cristão. Será necessário acrescentar que se trata de um ideal que pressupõem uma vida moralmente transformada? O grande chamado de Cristo, aquele que se fez ouvir ao longo de toda a sua mensagem, foi sempre este: “convertei-vos”. Viver no Senhor seguir o seu exemplo, é o mesmo que levar a cabo uma renovação tão completa quanto possível. Esta a base da moral Cristã. Não se trata da doutrina de um filósofo, cujos preceitos possamos ou devemos escutar; trata-se simplesmente de um reforço para a luz acender a luz e identificarmos com Cristo. São Paulo, e muitas paisagens das suas epístolas, tinha feito compreender perfeitamente Qual o alicerce sobre o qual devia as entrar a moral dos batizados: a semelhança com Cristo, a identificação com Cristo. Sede puros, porque os vossos corpos são membros de Cristo (1Cor. 6,15). Sede generosos como Cristo, que, sendo Rico, se fez pobre por nosso amor, para que fôssemos ricos pela sua pobreza (2Cor.8 9-11). Esquecei-vos de vós mesmos, como aquele que, sendo Deus, tomou para si a condição de servo (Fil 2, 5-7). Maridos, Amai as vossas esposas. Como Cristo amou a sua igreja (Ef 5, 25). Não há nenhum 2 princípios da moral que não se encontre transfigurados pela ideia da identificação Sobrenatural com Cristo. Em volta desta noção fundamental, nos encontrar em todos os textos da Igreja Primitiva, os pensadores cristãos, os primeiros padres, irão desenvolver os seus ensinamentos de acordo com o temperamento de cada um. Em atenção a uma concepção moral mousse simples, muito humana, como o autor da Didaquê, que se limita a extrair os seus preceitos da escritura; ou como Hermas, o autor do pastor, Telecine assim o ideal dos verdadeiros cristãos: “constantemente simples, felizes, sem azedume no trato mútuo, cheio de compaixão para com todos e repletos de uma candura infantil”. Outros, como Santo Inácio de Antioquia, acentuaram o lado Místico do esforço moral; e o outros ainda, como Clemente, para quem a vida é “um combate espiritual”, sublinharão o lado ascético. Não se trata aqui senão de simples matizes; O que conta é o desejo de renovação, que o chefe da igreja exige incessantemente dos fiéis; é essa imagem perfeita do homem, encarnada em Jesus, que propõe a meditação dos fiéis. Vejamos, por exemplo, Os Problemas do Casamento e da vida sexual. É conhecida a gravidade de que esses problemas se revestiam na sociedade romana. O divórcio e o celibato minam os alicerces da família, e a escravidão, pela facilidade com que põe à disposição dos Senhores as mulheres, por toda parte uma gente desmoralização. A condição normal do cristão é ser casado. São Paulo estabelecerá já com justiça os princípios do casamento dos fiéis. A igreja não só não rejeita o casamento, como ser o Point na gente a todos os hereges que os condenam. “Mostremos, exclama Tertuliano, mostremos a felicidade do casamento, , que é a oblação confirma, que a benção sela, que os anjos conhecem e que o Pai ratifica”. Não foi o próprio Cristo que ordenou aos esposos que fossem “uma só carne” e que nunca se separassem? O divórcio é, pois, inadimissível segundo a ótica Cristã, e o celibato só é compreensível se tiver em vista uma realização mais alta, uma união Mística com a pureza absoluta. A concepção Cristã da virgindade liga-se a esse mesmo ideal. Muito antes da aparição dos monges e das Freiras, há na igreja homens e mulheres que renunciam ao casamento para se entregarem a Deus. Era um costume que já foram posto em prática em Israel pelos nazarenos e pelos essênios. No cristianismo primitivo, as mulheres virgens são mais numerosas que os homens, Por que aqueles que queriam consagrar a sua existência ao Senhor faziam-se sacerdotes. Desde os primeiros tempos, como por exemplo em Antioquia na época de Santo Inácio, as virgens formam um grupo à parte, muito venerado na igreja. São Cipriano denominá-las-á “a coroa da igreja”, e Origines exclamará: “um corpo imaculado, eis a hóstia viva agradável ao Senhor!”. É, com efeito, sobre o duplo aspectos de uma Perfeição no ideal de Pureza e de um matrimônio místico com Cristo que temos de conceber esta instituição e especificamente Cristã. Fala-se da virgindade como um verdadeiro substituto do martírio, abundante em Graças; e quando o conselho hispânico de Elvira, Por volta do ano 300, declara excomungados as virgens cristãs que tenham violado os seus votos, não faz se não homologar um uso corrente. É nesta concepção da virgindade, virtude superior e união com Cristo, que devemos ver a origem do celibato dos sacerdotes, que os apóstolos e os primeiros discípulos não tinham posto em prática e que só veio a estabelecer se lentamente. Mas, segundo o cristianismo, o próprio casamento assume um sentido novo e se torna diferente do casamento Pagão, embora Ester na mente adote os seus principais usos: os cortejos, as coroas, as manifestações de regozijo. O acordo dos casais, que os pagãos reconhece ainda em muitos casos como indispensável ubi Gaius, ibi Gaia —, não é suficiente. A necessidade social de ter filhos, os deveres familiares, cujos princípios foram perfeitamente expostos por Clemente de Alexandria e em nome dos quais os imperadores tinham legislado inutilmente, não constituem as verdadeiras bases da União Cristã. É em Deus que os esposos se devem unir, no espírito de amor e de Pureza semelhante em tudo àquele que Cristo demonstrou para com a sua igreja. E Tertuliano evoca esses esposos que “se apoiam mutuamente nas vias do Senhor, que oram juntos, que se aproximam juntos da mesa de Deus e que, juntos, enfrentam as provações”. O casamento tornou-se assim, não já uma instituição que as melhores leis podem proteger, mais um Sacramento. Eu no dia em que a sociedade for Cristã, encontrará nele um dos alicerces que mais abaladas estavam no mundo Pagão. (A Igreja Primitiva mostra-se hostil a um segundo casamento. No entanto, São Paulo tinha dito que as viúvas jovens deviam tornar a casar-se(1tim 5,14). Mas as segundas núpcias foram criticados e até proibidas em algumas comunidades. Atenágoras classifica-ad como “um adultério decente”. Não podemos negar que havia grandeza nesta concepção do casamento, Dom em que os esposos se entregam um ao outro uma só vez em Deus e por ele, e que a própria morte não podia romper, porque a vida eterna era uma certeza. “Por quem fazes a tua oferenda — perguntava-se há um que se casaram novamente —, pela tua mulher morta ou pela viva?” Com efeito, a qual delas se juntaria ele, após a ressurreição? Mas este rigorismo não se Manteve e a igreja passou a aceitar essas uniões, Possivelmente para evitar abusos). A mesma mudança se opera atitude do homem em relação aos bens deste mundo. Não é que o fiel os devo rejeitar sistematicamente; não se julgue que os membros desta Igreja Primitiva eram um povo de monges e de ascetas. “Lembremos — diz Tertuliano — do grande conhecimento que devemos a Deus. Não há um único fruto das suas obras que nós recusemos!” O que o cristianismo Condena é o abuso, o excesso de afeição que o homem dedica aos bens da terra e que o faz diz conhecer o verdadeiro sentido e valor limitado que tem. Clemente de Alexandria e muitos outros padres denunciam com Rigor o luxo, os vestuários de riscos coloridos, “as sandálias bordadas a ouro, sobre as quais os pregos se enrolam em espiral”, a gulodice desmedida dos ricos, as gastronomia requintadas “e a vã habilidade dos doceiros”. O ensinamento da igreja é que se deve fazer uso de tudo aquilo que Deus deu aos homens, mas com gratidão, com medida, sem perder de vista as riquezas celestes que não passam e o alimento Celeste que é “o único prazer seguro e puro”. Bibliografia: Daniel Rops, A Igreja dos Apóstolos e Mártires #Patrística #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja
- Sobre a Virgem Maria
Toda a Tradição fala abundantemente de Nossa Senhora; razão pela qual a Igreja lhe presta um culto especial (hiperdulia). Os santos Padres e Doutores confirmam a nossa fé. Vejamos um pouco de tudo aquilo que eles nos oferecem sobre a Virgem Maria. São Cirilo de Alexandria (370´442) ´ sobre “Maria, Mãe de Deus”: “Causa-me profunda admiração haver alguns que duvidam em dar à Virgem Santíssima o título de Mãe de Deus. Realmente, se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, por que motivo não pode ser chamada de Mãe de Deus a Virgem Santíssima que o gerou? Esta verdade nos foi transmitida pelos discípulos do Senhor, embora não usassem esta expressão. Assim fomos também instruídos pelos santos Padres. Em particular Santo Atanásio (295 ´373), nosso pai na fé, de ilustre memória, na terceira parte do livro que escreveu sobre a santa e consubstancial Trindade, dá frequentemente à Virgem Santíssima o título de Mãe de Deus. Vejo´me obrigado a citar aqui as suas palavras, que têm o seguinte teor: “A Sagrada Escritura, como tantas vezes fizemos notar, tem por finalidade e característica afirmar de Cristo Salvador essas duas coisas: que Ele é Deus e nunca deixou de o ser, visto que é a Palavra do Pai, seu explendor e sabedoria; e também que nestes últimos tempos, por causa de nós, se fez homem, assumindo um corpo da Virgem Maria, Mãe de Deus”. E continua mais adiante: “Houve muitos que já nasceram santos e livres de todo pecado: Jeremias foi santificado desde o seio materno; também João, antes de ser dado à luz, exultou de alegria ao houvir a voz de Maria Mãe de Deus”. Estas palavras são de um homem inteiramente digno de lhe darmos crédito, sem receio, e a quem podemos seguir com toda segurança. Com efeito, ele jamais pronunciou uma só palavra que fosse contrária `as Sagradas Escrituras. De fato, a Escritura, verdadeiramente inspirada por Deus, afirma que a Palavra de Deus se fez carne, uniu´se à alma dotada de alma racional. Portanto, a Palavra de Deus assumiu a descendência de Abraão e, formando para si um corpo vindo de uma mulher, tornou´se participante da carne e do sangue. Assim, já não é somente Deus mas também homem, semelhante a nós, em virtude da sua união com a nossa natureza. Por conseguinte, o Emanuel, Deus´conosco, possue duas realidades, isto é, a divindade e a humanidade. Todavia é um só Senhor Jesus Cristo, único e verdadeiro Filho por natureza, ainda que ao mesmo tempo Deus e homem. Não é apenas um homem divinizado, igual àqueles que pela graça se tornam participantes da natureza divina; mas é verdadeiro Deus que, para nossa salvação, se tornou visível em forma humana, conforme Paulo testemunha com as seguintes palavras: “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que estavam sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva”(Gal 4, 4´5). São Cirilo de Alexandria (370´442) ´ da homilia pronunciada no Concílio de Éfeso (431), contra Nestório que negava ser Maria Mãe de Deus: “Contemplo esta assembléia de homens santos, alegres e exultantes que, convidados pela santa e sempre Virgem Maria e Mãe de Deus, prontamente acorreram para cá. Embora oprimido por uma grande tristeza, a vista dos santos padres aqui reunidos encheu´me de júbilo. Neste momento vão realizar´se entre nós aquelas doces palavras do salmista Davi: “Vede como é bom, como é suave os irmãos viverem juntos bem unidos!” (Sl 132,1). Salve, ó mística e santa Trindade, que nos reunistes a todos nós nesta igreja de Santa Maria Mãe de Deus.Salve, ó Maria, Mãe de Deus, venerável tesouro do mundo inteiro, lâmpada inextinguível, coroa da virgindade, cetro da verdadeira doutrina, templo indestrutível, morada daquele que lugar algum pode conter, virgem e mãe, por meio de quem é proclamado bendito nos santos evangelhos “o que vem em nome do Senhor”(Mt 21,9). Salve, ó Maria, tu que trouxeste em teu sagrado seio virginal o Imenso e Incompreensível; por ti; é glorificada e adorada a Santíssima Trindade; por ti, se festeja e é adorada no universo a cruz preciosa; por ti, exultam os céus; por ti, se alegram os anjos e os arcanjos; por ti, são postos em fuga os demônios; por ti, cai do céu o diabo tentador; por ti, é elevada ao céu a criatura decaída; por ti, todo o gênero humano, sujeito à insensatez dos ídolos, chega ao conhecimento da verdade; por ti, o santo batismo purifica os que crêem; por ti, recebemos o óleo da alegria; por ti, são fundadas igrejas em toda a terra; por ti, as nações são conduzidas à conversão. E que mais direi? Por Maria, o Filho Unigênito de Deus veio “iluminar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte” (Lc1,77); por ela, os profetas anunciaram as coisas futuras; por ela, os apóstolos proclamaram aos povos a salvação; por ela os mortos ressuscitam; por ela, reinam os reis em nome da Santíssima Trindade. Quem dentre os homens é capaz de celebrar dignamente a Maria, merecedora de todo louvor? Ela é mãe e virgem. Que coisa admirável! Este milagre me deixa extasiado. Quem jamais ouviu dizer que o construtor fosse impedido de habitar no templo que ele próprio construiu? Quem se humilhou tanto a ponto de escolher uma escrava para ser a sua própria mãe? Eis que tudo exulta de alegria! Reverenciemos e adoremos a divina Unidade, com santo temor veneremos a indivisível Trindade, ao celebrar com louvores a sempre Virgem Maria! Ela é o templo santo de Deus, que é seu Filho e esposo imaculado. A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.” Santo Ireneu (140´202): “No Cristo que nasce de Maria, é a humanidade toda que renasce à vida, a solidariedade existente entre Cristo e os homens traz esta consequência: a concepção e o nascimento de Jesus já são a redenção por antecipação dos homens.” “Como por uma virgem desobediente foi o homem ferido, caiu e morreu, assim também por meio de uma virgem obediente à palavra de Deus, o homem recobrou a vida. Era justo e necessário que Adão fosse restaurado em Cristo, e que Eva fosse restaurada em Maria, a fim de que uma virgem feita advogada de uma virgem, apagasse e abolisse por sua obediência virginal a desobediência de uma virgem.” Santo Agostinho (†430): “Pelo sexo feminino caiu o homem e pelo sexo feminino encontrou sua reparação. Pois, uma Virgem deu `a luz a Cristo, e uma mulher anunciou a ressurreição! Pela mulher veio a morte. Pela mulher chegou a vida” (Sermão 232,2). “Enquanto Cristo é gerado pelo Pai, Deus de Deus, não é sacerdote. Ele o é, em razão da carne que assumiu, em razão da vítima que oferece e recebeu de nós.”(A Virgem Maria, Ed. Paulus, 1996) “Nem se deve tocar na palavra “pecado” em se tratando de Maria; e isto em respeito Àquele de quem mereceu ser a Mãe, que a preservou de todo pecado por sua graça.” “Nosso Senhor entrou por sua livre vontade no seio de Virgem… Engravidou sua Mãe, todavia sem privá´la da sua virgindade. Tendo´se formado a si mesmo, saiu e manteve íntegras as entranhas da mãe. Desta maneira, revestiu aquela de quem se dignou nascer, com a honra de mãe e com a santidade de virgem… Que significa isso? Quem pode dizê´lo? Quem o pode calar? Coisa admirável. Mas não nos é permitido calar aquilo de que somos incapazes de esclarecer… Não obstante, sentimo´nos constrangidos a louvar, para que o nosso silêncio não seja sinal de ingratidão. Graças sejam dadas a Deus! Aquilo que não se pode exprimir dignamente, pode´se crer firmemente.” (Sermão 215,3). “Maria permaneceu virgem concebendo o seu Filho, virgem ao dá´lo à luz, virgem ao carregá´lo, virgem ao alimentá´lo do seu seio, virgem sempre”. (Sermões 186,1´ 3° de Natal). “Veio ele[Cristo] habitar num seio materno, deixando´o intacto”. “Com efeito, assim como nesse sepulcro nenhum morto foi sepultado, nem antes, nem depois, (Jo 19,41), também no seio virginal de Maria, nem antes nem depois, ser mortal algum foi concebido.”(De fide et symbolo IV,8.11). “Virgem concebeu. Virgem deu à luz. Virgem viveu até a morte, ainda que estivesse desposada com um operário. “(A Instrução dos Catecúmenos 22,40). “Nossa fé não é ficção. Nunca vimos o rosto da Virgem Maria da qual, sem contato de varão e sem detrimento de sua virgindade no parto, nasceu o Senhor Jesus Cristo milagrosamente”(A Trindade VIII,5,7). “Na verdade, era digno, e de todo conveniente, que o parto daquela que havia procriado ao Senhor do céu e da terra, e que permanece virgem após ter dado à luz, fosse celebrado não somente com festejos humanos, mas com cânticos sublimes de louvor, pelos anjos.” (Sermão 193,1 ´ 10° do Natal) “Causa´nos admiração o parto de uma Virgem … A integridade virginal permanece inviolada na concepção e no parto.” (Sermão 192,1 ´ 9° do Natal) “Já era Filho único do Pai aquele que nasceu como filho único de sua Mãe.”(idem) “Causa´te estranheza, [ó Porfírio] porventura, o inusitado parto de uma Virgem? Nem sequer isto deve constranger´te. Digo mais: isto deve conduzir´te a aceitar a ter piedade, porque aquele que é admirável nasce admiravelmente.” (A Cidade de Deus, X,29,1.2) “Maria, Jesus ao ser concebido em ti, encontrou´te virgem, e uma vez nascido te deixa Virgem. Concede´te a fecundidade sem te privar da integridade! De onde te vem tudo isso?… Dize´me, ó Anjo, de onde veio tal glória a Maria? E o Anjo diz: Eu já o declarei ao saudá´la: “Ave, cheia de graça” (Gratia plena!) (Lc 1, 28). (Sermão 291,6). “Mas os católicos… ao contrário, sempre creram na virgindade da santa Maria, no parto. Ele tomou de Maria um corpo real e autêntico, tendo sua Mãe permanecido virgem no parto, assim como depois do parto”. (Contra Iulianum I, 2,4) “Mereceu ela conceber e dar à luz, ao que nos consta, sem pecado algum. … porque sabemos que lhe foi conferida maior abundância de graça para vencer qualquer pecado.” (De natura et gratia 36,42). S. Agostinho ´ Sobre os irmãos de Jesus: “Quando voces ouvirem falar dos “irmãos do Senhor”, pensem logo que se trata de algum parentesco que os une a Maria, sem imaginar ter ela tido outros filhos.”(Comentário do Evangelho de João XXVIII,3). “O hábito de nossa Escritura santa, com efeito, é de não restringir esse nome de “irmãos” unicamente aos filhos nascidos do mesmo homem e da mesma mulher… É preciso penetrar o sentido das expressões empregadas pela Sagrada Escritura. Ela tem sua maneira de dizer. Possui sua linguagem própria. Quem ignora essa linguagem pode ficar perturbado e perguntar´se: Então, o Senhor tem irmãos? Será que Maria teve ainda outros filhos? Não! De modo algum! … Qual é, pois, a razão de ser da expressão “irmãos do Senhor”? Irmãos do Senhor eram os parentes de Maria… Como se demonstra isso? Pela própria Escritura, que chama, por exemplo, Lot de irmão de Abraão (Gen 13,8 e 14,14). E ele era tio de Lot, e, todavia, chamam´se ambos de irmãos, unicamente por serem parentes. Também Labão era tio de Jacó, por ser irmão de Rebeca, esposa de Isaac. Lede a Escritura e vereis que tio e sobrinho tratavam´se de irmãos.” (Comentário do Evangelho de João X,2) “O seio de Maria é a câmara nupcial. É aí que Ele se tornou a cabeça da Igreja.” (Comentário do Evangelho de João). “Para esse fim [a Encarnação]criou a Virgem, essa que Ele escolheu para que lhe desse o ser em seu seio”(De peccatorum meritis et remissione II, 24,38). “Maria deu à luz corporalmente a Cabeça deste corpo. A Igreja dá à luz espiritualmente os membros dessa Cabeça. Nem em Maria nem na Igreja, a virgindade impede a fecundidade. E nem em uma nem em outra a fecundidade destrói a virgindade”(A Virgindade Consagrada II,2). “Entre todas as mulheres, Maria é a única a ser ao mesmo tempo Virgem e Mãe, não somente segundo o espírito, mas também pelo corpo.” “Cristo nasceu com efeito da Mãe que embora em contato com varão concebeu intacta, e sempre intacta permaneceu, concebeu virgem, dando à luz virgem, virgem morrendo, embora fosse desposada com o carpinteiro, extinguiu todo orgulho da nobreza carnal. Uma virgem concebe, virgem leva o fruto, uma virgem dá à luz e permanece perpetuamente virgem.” Santo Efrém (306´373) – doutor da Igreja: “Virgem gerou a Luz, sem ficar com nenhum sinal, como a sarça que ardia ao fogo sem se consumir”. Santo Epifânio (†403): “Voltando´se o Senhor, viu o discípulo a quem amava”, e lhe disse, a respeito de Maria: “Eis aí tua Mãe”; e então à Mãe: “Eis aí teu filho” (Jo 19,26). Ora, se Maria tivesse filhos, ou se seu esposo ainda estivesse vivo, por que o Senhor a confiaria a João, ou João a ela? Mas, e por que não a confiou a Pedro, a André, a Mateus, a Bartolomeu? Fê´lo a João por causa da sua virgindade. A ele foi que disse: “Eis aí a tua mãe”. Não sendo mãe corporal de João, o Senhor queria significar ser ela a mãe ou o princípio da virgindade: dela procedeu a Vida. Nesse intuito dirigiu´se a João, que era estranho, que não era parente, a fim de indicar que sua Mãe devia ser honrada. Dela, na verdade, o Senhor nascera, quanto ao corpo; sua encarnação não fora aparente, mas real. E se ela não fosse verdadeiramente sua Mãe, aquela de quem recebera a carne, e que o dera à luz, não se preocuparia tanto em recomendá´la como a sempre Virgem. Sendo sua Mãe, não admitia mancha alguma na sua honra e no admirável vaso do seu corpo. Mas prossegue o Evangelho: “e a partir daquele momento, o discípulo a levou consigo”. Ora, se ela tivesse esposo, casa e filhos, iria para o que era seu, não para o alheio.”(PG, 42, 714s) S. João Crisóstomo (349´407): “Virgem que permaneceu virgem, sendo verdadeiramente mãe.” S. Gregório Magno (540´604) – Papa e doutor da Igreja: “Virgem que deu à luz e, enquanto dava à luz, duplicava a virgindade” . S.Cirilo de Jerusalém (370´444) – doutor da Igreja – sobre a Imaculada: “Que arquiteto, erguendo uma casa de moradia, consentiria que seu inimigo a possuísse inteiramente e habitasse?” São João Damasceno (675´749) ´ da homilia sobre a dormição da Mãe Santíssima de Deus na festa da Assunção: “Quem ama ardentemente alguma coisa costuma trazer seu nome nos lábios e nela pensar noite e dia. Não se me censure, pois, se pronuncio este terceiro panegírico da Mãe de meu Deus, como oferenda em honra de sua partida. Isto não será favor para ela mas servirá a mim mesmo e a vós, aqui presentes… Não é Maria que precisa de elogios, nós é que precisamos de sua glória. Um ser glorificado, que glória pode receber ainda? a fonte da luz, como será iluminada ainda? Ela [Maria] cativou o meu espírito, ela reina sobre a minha palavra, dia e noite sua imagem me é presente. Mãe do Verbo, dá´me de que falar!… Eis aquela cuja festa celebramos hoje em sua santa e divina Assunção. Aquele que… desceu ao seio virgíneo para ser concebido e se encarnar, sem deixar o seio do Pai; Aquele que através da Paixão marchou voluntariamente para a morte, conquistando pela morte a imortalidade e voltando ao Pai; como não pôde ele atrair ao Pai sua Mãe segundo a carne? como não elevaria da terra ao céu aquela que fora um verdadeiro céu sobre a terra? Hoje, da Jerusalém terrestre, a Cidade viva de Deus foi conduzida à Jerusalém do alto; aquela que concebera como seu primogênito e unigênito o Primogêntio de toda a criatura e o Unigênito do Pai, vem habitar na Igreja das primícias; a arca do Senhor, viva e racional, é transportada ao repouso de seu Filho. As portas do paraíso se abrem para acolher a terra portadora de Deus, onde germinou a árvore da vida eterna, redentora da desobediência de Eva e da morte infligida a Adão. Aquela que foi o leito nupcial onde se deu a divina encarnação do Verbo, veio repousar em túmulo glorioso, como em tálamo nupcial, para de lá se elevar até a câmara das núpcias celestes, onde reina em plena luz com seu Filho, e seu Deus, deixando´nos também como lugar de núpcias seu túmulo sobre a terra…. Mas então? morreu a fonte da vida, a Mãe de meu Senhor? Sim, era preciso que o ser formado da terra à terra voltasse, para dalí subir ao céu, recebendo o dom da vida perfeita e pura a partir da terra, após ter´lhe entregue o seu corpo. Era preciso que, como o ouro no crisol, a carne rejeitasse o peso da imortalidade e se tornasse, pela morte, incorruptível, pura, e assim ressuscitasse do túmulo… Eguei vossos olhos, Povo de Deus, alçai vosso olhar! Eis em Siào a Arca do Senhor Deus dos exércitos, à qual vieram pessoalmente prestar assistência os Apóstolos, tributando seu derradeiro culto ao corpo que foi princípio de vida e receptáculo de Deus. Eis a Virgem, filha de Adão e Mãe de Deus: por causa de Adão entrega o seu corpo à terra, mas por causa de seu Filho eleva a alma aos tabernáculos celestes! Que toda a criação celebre a subida da Mãe de Deus: os grupos de jovens em sua alegria, a boca dos oradores em seus panegíricos, o coração dos sábios em suas dissertações sobre essa maravilha, os velhos de veneráveis cãs em suas contemplações. Que todas as criaturas se associem nesta homenagem, que ainda assim, não seria suficiente. Todos, pois, deixemos em espírito este mundo com aquela que dele parte. Cantemos hinos sacros e nossas melodias se inspirem nas palavras: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo!” (PG. 96, 753´761) Santo Ildefonso de Toledo (617´667) ´ sobre a virgindade perpétua de Maria: “ Tua pureza fica salva no anúncio angélico sobre tua prole; tua virgindade encontra segurança no nome de teu Filho, e assim permaneces honesta e íntegra depois do parto. Não quero ver´te [Joviano] questionar sobre o pudor de nossa Virgem no parto, não quero ver´te corromper a sua integridade na geração; não quero saber violada sua virgindade no momento em que deu à luz. Não lhe negues a maternidade porque foi virgem; não a prives da plena glória da virgindade, porque foi mãe. Se uma dessas coisas tu confundes, em tudo erraste. Desconhecer a harmonia que as une é ignorar por completa a verdade que encerram. Se não pensas assim estas errado, pecas contra a justiça. Se negas à Virgem sua maternidade ou sua virgindade, injurias grandemente a Deus. Negas que ele possa fazer a sua vontade, que ele possa manter virgem a que encontrou virgem. Mas então a divindade do Onipotente antes trouxe detrimento do que benefício a Maria; enfeiou´a Aquele que enchera de beleza, ao criá´la. Cesse o pensamento que assim julga, cale´se a boca que assim fala, não ressoe tal voz. Porque Maria é Virgem por graça de Deus, virgem de homem, virgem por testemunho do anjo, virgem por declaração do esposo, virgem sem sombra de dúvida, virgem antes da vinda do seu filho, virgem depois de concebê´lo, virgem no parto, virgem depois do parto. Fecundada pelo Verbo e de repleta, dignamente deu´o à luz, em nascimento humano, sim, conforme à condição e à verdade das coisas humanas, mas de modo intacto, incorrupto e totalmente íntegro. Isso ela deve a um dom divino, a uma divina graça, a uma divina concessão, mediante uma obra totalmente nova, de eficácia nova, de realização inédita, mantendo´se virgem pela concepção e depois da concepção, pelo parto, com o parto e depois do parto, virgem com o que havia de nascer, com o que nascia, virgem depois do seu nascimento. Dita, pois, esposa e virgem, escolhida para esposa e virgem, criada como esposa e virgem. Sempre virgem, apesar do filho e do esposo, alheia a toda união e comércio conjugal. Verdadeiramente virgem e santa, virgem gloriosa, virgem honrada. E após o nascimento do Verbo encarnado, após a natividade do homem assumido em Deus, do homem unido a Deus, mais santa virgem ainda, santíssima, mais bem´aventurada, mais gloriosa, mais nobre, mais honrada, e mais augusta. “(Patrologia Latina 96,58) SOBRE AS IMAGENS S. Gregório de Nissa (†394): “O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente”(Panegírico de S. Teodoro, PG 46, 737d). S. Gregório Magno (†604), Papa e doutor da Igreja, a Sereno, bispo de Marselha: “Tu não devias quebrar o que foi colocado nas igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os ignorantes; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler” (Epístola XI 13 PL 77,1128c). S. João Damasceno (†749): “O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados”.(De imaginibus I 17 PG 94, 1248 c) “Antigamente Deus, que não tem corpo nem face, não poderia ser absolutamente representado através duma imagem. Mas agora que Ele se fez ver na carne e que Ele viveu com os homens, eu posso fazer uma imagem do que vi de Deus.” “A beleza e a cor das imagens estimula minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo dos campos estimula o meu coração para dar glória a Deus” (CIC, 1162). II Concílio de Nicéia (787) : “Nós definimos com todo o rigor e cuidado que, à semelhança da representação da cruz preciosa e vivificante, assim as venerandas e sagradas imagens pintadas quer em mosaico, quer em qualquer outro material adaptado, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus, nas alfaias sagradas, nos paramentos sagrados, nas paredes e nas mesas, nas casas e ruas; sejam elas a imagem do Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo, a da imaculada Senhora nossa, a santa Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos justos” (DS, 600´601). Concílio de Trento (1545´1563): “As imagens de Cristo e da Virgem Maria, Mãe de Deus, e dos Santos, devem ser guardadas nas Igrejas, onde se lhes devem prestar a devida honra e veneração; não por crer que haja nelas “Divindades” ou “virtude alguma”, a quem queremos adorar ou pedir favores imitando os antigos gentios, que punham toda a sua confiança em seus ídolos; mas porque as honras que lhes prestamos as referimos aos protótipos que elas representam, de sorte que, quando beijamos uma imagem, ou nos descobrimos ou prostramo´nos diante dela, adoramos Jesus Cristo e veneramos os santos por elas representadas”. Martinho Lutero: “Penso que no que diz respeito às imagens, símbolos e vestes litúrgicas, … e coisas semelhantes, deixe´se à livre escolha. Quem não quiser essas coisas deixe´as de lado. Se bem que as histórias inspiradas na Bíblia ou em histórias edificantes, parecem´me serem muito úteis”(Carta, 1528
- A MAÇONARIA E A GUERRA DE 1914
A MAÇONARIA E A GUERRA DE 1914 Depois de um profundo estudo da questão, certos autores afirmam que a guerra de 1914 foi, na realidade, uma guerra de judeus e de maçons, talvez provocada e, em todo caso, utilizada por eles, para a realização dos seus fins; foram eles, com efeito, os grandes beneficiários da Paz de Versalhes, pela queda das monarquias e pela democratização da Europa, pelo desmembramento da Áustria católica, pela transferência, para mãos judaicas, da hegemonia financeira, pela criação da Liga das Nações, reclamada e anunciada, há muito tempo, pelas lojas e pelos judeus. A discussão desta afirmação é assunto que excederia os limites deste estudo; seria também sair do nosso quadro. Mas alguns documentos maçônicos apresentados ao leitor bastarão, sem dúvida, para que possa formar a sua opinião. O ATENTADO DE SARAJEVO A 15 de setembro de 1912, a Revista internacional das sociedades secretas, dirigida por Monsenhor Jouim, publicava as seguintes linhas: “É possível que, um dia, se esclareça estas palavras de um importante maçom suíço, relativas aos herdeiros do Trono austríaco: “É um homem como se quer, é pena que esteja condenado: morrerá nos degraus do Trono”.(Revista Internacional das Sociedades secretas. Avenida Portalis, número 8, Paris, número de 15 de setembro de 1912, página 787-788). A 28 de junho de 1914, o arquiduque herdeiro da Áustria e sua mulher pereciam em Sarajevo, vítimas das balas dos maçons Sérvios. A 12 de Outubro do mesmo ano, um dos assassinos, Cabrinovic, declarava tranquilamente aos juízes do Conselho de Guerra: “na maçonaria é permitido matar”. Tais são, em resumo, as incógnitas inquietantes do crime político que desencadeou a guerra. Evoquemos brevemente os fatos: O Arquiduque e sua esposa chegavam em viagem oficial a Sarajevo, cidade da Bósnia Herzegovina, próxima da Fronteira Sérvia. Ocupavam os assentos posteriores de um automóvel, tendo, em frente o general Potiorek e o conde Harrach. O carro percorria lentamente o cais Appel, em direção ao palácio Municipal. Armados de bombas e revólveres, oito Assassinos estavam espalhados na multidão. Três eram mais resolutos: Cabrinovic, princip e Grabes. Perto da ponte comurja, Cabrinovic lançou uma bomba que caiu sobre o automóvel, oscilou um instante e rolou até o chão, onde explodiu, ferindo diversas pessoas, entre elas as que ocupavam o carro seguinte ao dos Príncipes. O arquiduque parou, para se informar do estado dos feridos; depois continuou, conformando-se ao programa estabelecido. Terminada a recepção no Palácio Municipal, o Conde Harrach resolveu colocar-se no estribo esquerdo, para proteger suas altezas contra um provável atentado desse lado. Mas este havia de vir pela direita. Na esquina da Rua Francisco José, o automóvel parou justamente diante de princip, outro assassino que disparou, de perto, vários tiros de Browning. Os Arquiduques não se moveram, mas, decorrido um instante, a Arquiduquesa caiu lentamente contra o ombro do marido. O Conde Harrach ouviu-o murmurar docemente: “Sofia, Sofia, não morra, viva para os nossos filhos”. Entretanto o príncipe continuava sentado tranquilamente, amparando a Arquiduquesa; apareceu-lhe um pouco de sangue nos lábios e, à pergunta do conde Harrach, respondeu com voz fraca: “não é nada, não é nada”. Depois, também desmaiou. O cortejo chegava ao Palácio do Governo; os dois corpos foram transportados rapidamente para o primeiro andar, mas os médicos, chamados com urgência, puderam apenas verificar a morte. O drama terminara. Havia durado só alguns minutos, alguns Breves minutos que deviam abalar o mundo. Vinte acusados compareceram perante o conselho de Guerra de Sarajevo. Oito haviam participado diretamente do crime. Os quatro mais ativos haviam sido Princip, Cabrinovic, Grabez e Illic. Todos eram moços, entre dezoito e vinte anos de idade; a maior parte eram estudantes. Princip era judeu. Resolvido o assassínio, os conjurados careciam de armas, e aqui se entrevê, pela primeira vez, o poder oculto cuja influência nesse drama teve consequências tão formidáveis. Faltavam-lhe as armas e, para as obter, dirigiram-se de comum acordo, a narodna odbrana, na pessoa de um dos seus membros, Ciganovic, que, em tudo isso, serviu de traço de união entre os conjurados e o major Sérvio Tankosic, um dos dirigentes da narodna odbrana, sociedade secreta do gênero dos carbonários, cujos chefes eram também maçons.(vejam os detalhes do processo em: Der Prozess gengen die attentater von Sarajevo, trechos do relatório estenográfico do processo, reunidos pelo professor Pharos, de Berlim, Deckers Verlag. 1918). Sob uma aparência filantrópica de educação popular, o seu verdadeiro intuito era provocar uma situação revolucionária entre as populações eslavas da áustria-hungria. Ciganovic recebeu os conjurados, de braços abertos; garantiu-lhes logo que a norodna se encarregaria de fornecer as armas e de organizar a conspiração, com a condição de que eles se conservação tranquilo e esperassem. No momento oportuno, seriam prevenidos. E o Major Tankosic tomou logo o caso a seu cargo. Um tal Casimirovic, cuja atuação se conserva obscura, Partiu para uma misteriosa viagem, em visita a certas lojas maçônicas da Europa. Depois do seu regresso, os conjurados foram enviados a Sarajevo e o atentado se realizou, tal como foi narrado. Além da narodna, vejo que é importante citar a influência da Maçonaria internacional, que no decorrer do processo foi definida por certo trechos dos interrogatórios, cujo relatório estenográfico foi reproduzido, vou colocar apenas um pequeno trecho deste interrogatório, pois ficaria muito prolongado o texto, quem quiser saber todo o interrogatório é só entrar em contato comigo: Cabrinovic — “Casimirovic era maçom e, de um certo modo, um chefe. Partiu quase imediatamente (depois que os conjurados se ofereceram para perpetrar o crime) para o estrangeiro. Esteve na Rússia, na França, em Budapeste. Toda vez que eu perguntava a Ciganovic, quando se realizariam os nossos projetos ele respondia: ‘Quando Casimirovic voltar’. Naquela época, as Ciganovic contou-me também que, dois anos antes, os maçons haviam condenado à morte o Herdeiro do Trono, mas não haviam encontrado ainda quem quisesse executar essa sentença. Mais tarde, quando me entregou a browning e os cartuchos, disse-me: ‘O homem voltou ontem de Budapeste’. Eu sabia que o móvel dessa viagem fora a nossa empresa, acerca da qual ele conferenciara, no estrangeiro, com certos círculos (organizações)”. Presidente — “não são histórias o que me estás contando?” Cabrinovic — “é a verdade pura, muito mais exato do que os vossos documentos da narodna odbrana”……. #maçonaria #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja #Guerra
- O martírio de São Thomas More e do Cardeal Fisher
Como mencionado anteriormente nesta série, 1 Cromwell seguiu as filosofias políticas de Marsílio de Pádua e Nicolau Maquiavel, especialmente a reivindicação do primeiro de que a Igreja Católica deveria ser submetida ao controle dos leigos. Ele também foi influenciado pelo conselho deste último de que, na vida pública, pode-se ignorar a diferença entre o certo e o errado, mas, mesmo assim, manter sempre a aparência de retidão. Após a queda de Wolsey, ele habilmente mudou de lado e rapidamente subiu a serviço do rei para se tornar seu secretário. Nessa posição, ele liderou Henrique por graus para aceitar sua agenda há muito acalentada para reprimir os mosteiros e saquear a riqueza da Igreja, mas ele teve que ser cuidadoso por causa da natureza cada vez mais desequilibrada e violenta do Rei ganancioso. Quando sua doença corrompeu tanto seu corpo como sua mente, Henrique voltou seu ódio contra os homens mais piedosos e influentes em seu reino em proporção à sua santidade, porque eles eram uma repreensão contra sua pecaminosidade. Em 1534, Cromwell impôs ao Parlamento uma série de atos que culminaram com o Ato de Supremacia que retirou a direção da Igreja inglesa em todos os aspectos de Roma e a deu ao rei junto com o título de “Chefe Supremo da Igreja da Inglaterra”. ” A legislatura cuidadosamente selecionada também levou essa coerção ao limite, exigindo que todo adulto tivesse de fazer um juramento para esse efeito sob a pena de morte. O rei então nomeou Cromwell seu vigário geral com jurisdição completa para dirigir todas as atividades religiosas dos bispos, padres e monges na ilha conturbada. Os cartuxos O erudito bíblico, padre Andrew Breen comentou uma vez referindo-se ao ódio aparentemente irracional dos escribas e fariseus em relação a Nosso Senhor: “Há algumas naturezas tão consumidas pelo mal que quanto maior e mais nobre é um homem, mais amarga se torna sua oposição 2 E assim foi com Henrique e Cromwell, que se moveram contra os homens mais santos e admirados do reino. Quando a desordem moral de Henrique aumentou, ele voltou sua raiva violenta contra quaisquer católicos principescos que ele visse ou mesmo suspeitasse de se opor a suas alegações extravagantes, incluindo os até então amados membros de sua própria família. Cromwell, por outro lado, em seu modo frio e calculista, apenas os via como obstáculos a serem eliminados. A fim de perseguir seus objetivos perniciosos, o vigário geral estabelecido estabeleceu uma extensa rede de espiões e agentes, os mais repugnantes canalhas disponíveis. Os primeiros mártires que caíram sob a tirania ultrajante da coroa foram os cartuxos, sempre um dos primeiros alvos de perseguição por causa de sua grande austeridade e piedade. Suas casas foram destruídas na França durante a Revolução Francesa de 1789, depois na Europa por Napoleão, na Itália durante as revoluções do século XIX e na Espanha durante a guerra civil no século XX. A observação de Santo Ambrósio sobre a santa virgindade certamente se aplica aos santos monges de Chartreuse, “a castidade merece nosso louvor, não porque seja encontrada em mártires, mas porque faz mártires”. As primeiras atrocidades giraram em torno do prior da Cartuxa de Londres, John Houghton, que já era considerado um santo por seus contemporâneos por causa de sua devoção ao aperfeiçoamento da vida de oração da comunidade. O prior não entrou na controvérsia com uma bravata imprudente, mas tentou reconciliar os ensinamentos da Igreja com as novas leis sem ceder aos fundamentos. No entanto, em sua santa simplicidade, ele não percebeu que Cromwell já havia predeterminado a destruição de sua ordem. Houghton, dois outros priores e dois padres adicionais foram julgados por traição. Quando o júri viu que os três cartuxo e seus companheiros eram religiosos piedosos, eles tiveram grande dificuldade em pronunciar a sentença desejada. Cromwell invadiu sua câmara e com grande ira ameaçou os jurados com sua própria morte. Suficientemente encolhidos, condenaram as vítimas inocentes à morte mais cruel que se possa imaginar. No dia de sua execução, foram colocados em uma armação de madeira e arrastados por cavalos por estradas irregulares, que arranhavam e cortavam suas traseiras, até o cadafalso em Tyburn. John Houghton, o primeiro a sofrer, foi amarrado por uma corda grossa para evitar morder o pescoço. Depois de elevar o sagrado monge, o carrasco imediatamente cortou a corda, deixando-o ainda vivo no chão. O abençoado mártir foi despojado de suas roupas e violentamente jogado no quarteirão, onde foi rasgado no meio. Seus intestinos foram arrancados e queimados. Ele continuou a orar durante esta provação mais selvagem com incrível fervor e amor. Enquanto assistia seu coração ser cortado, ele gritou: “Bom Jesus, o que você fará com meu coração?” Ele foi então cortado em quartos, caldado e exposto em lanças em diferentes partes da cidade. Depois de assistir a este espetáculo brutal, os outros quatro padres seguiram seu exemplo sagrado. Seis semanas depois, as três substituições deles foram arrastadas para Tyburn, onde tiveram o mesmo destino. Durante os próximos dois anos, por assédio implacável e abuso, os agentes de Cromwell foram capazes de derrubar toda a resistência cartusiana com a exceção de dez monges que permaneceram constantes. Eles foram enviados para a terrível masmorra de Newgate, onde foram acorrentados em pé até os postes por seus tornozelos e pescoço, com as mãos amarradas atrás deles. Em uma atmosfera de ar fétido, pouca ou nenhuma comida, e sua própria sujeira, eles ficaram febris e morreram – todos, exceto um. Como recompensa por sua resistência, ele também foi enviado para Tyburn para ser massacrado. Perfil: Saint John Fisher Um acadêmico e, eventualmente, Chanceler da Universidade de Cambridge em seus primeiros dias, Fisher tornou-se bispo de Rochester através do patrocínio da condessa de Richmond e seu filho, o rei Henrique VII. Sua elevação não provinha de influência política, mas de sua difundida reputação de aprendizado, piedade e diligência em seus santos deveres. Embora Rochester fosse a menor e mais pobre diocese da Inglaterra, o bispo asceta resistiu constantemente à sua transferência para alguma com mais prestígio e receita. Sozinho entre os bispos ingleses, ele cumpriu seus deveres pastorais com excepcional zelo e meticulosidade e manteve uma vida privada austera, comendo pouco, limitando seu sono a quatro horas e usando a disciplina livremente. Ele mantinha uma caveira diante dele enquanto fazia suas refeições e dizia a missa para lembrá-lo da morte. Os livros eram seu único prazer terreno, inspirando-o a formar uma das melhores bibliotecas da Europa, mas infelizmente sua grande coleção foi destruída durante sua prisão. Como a tempestade de repressão caiu sobre a Inglaterra, Fisher mostrou uma resistência e intransigência, tanto quanto seu corpo frágil e envelhecido permitiria (ele estava perto de setenta anos de idade). Em cada conjuntura, cada confronto, cada crise, ele sempre tomava uma decisão baseada nos mais altos princípios de seu chamado, o que geralmente resultava em um aumento do sofrimento. Na referida convocação de 1531 e na mesma assembléia, dois anos depois, o bispo de Rochester lutou resolutamente contra a invasão do rei, mas sem sucesso. Durante o auge do processo de divórcio e a coroação de Bolena em 1533, o defensor das prerrogativas da Igreja foi preso e mantido por três meses, presumivelmente para mantê-lo em silêncio e fora do caminho. Pelo menos uma tentativa de envenená-lo fora feita, o que resultou na morte de um criado, e um tiro de uma pequena peça de munição disparada da residência de Bolena penetrou na biblioteca do bispo. O Papa Clemente VII finalmente pronunciou em março de 1534 que o casamento entre Henrique e Catarina era válido e que as ações subseqüentes de Cranmer eram nulas e sem efeito. A vingança seguiu rapidamente. Enquanto o Parlamento aumentava as penalidades para aqueles que desafiavam a vontade do rei, mas antes do ato final de supremacia, Cromwell exigiu que Fisher fizesse um juramento de negar a autoridade papal. Ele absolutamente recusou e foi colocado na Torre de Londres pelos últimos quatorze anos de sua vida. Na atmosfera fria e inóspita da antiga fortaleza sem roupa e comida adequadas, o prelado sofredor suportou longos meses de agonia, mas alegremente compôs vários tratados. Antes da morte de Fisher, o papa anunciou que enviaria um chapéu de cardeal ao valente bispo. Quando Henrique foi informado da honra, ele entrou em uma fúria sádica e ímpia e rugiu: “quando chegar, ele terá que usá-la em seus ombros, pois uma cabeça para colocá-lo ele não terá nenhuma:” 3 E assim Foi, o esqueleto de um homem foi retirado de seu confinamento cruel para Tower Hill e decapitado.A cabeça decepada do mártir foi empalada em uma lança na ponte de Londres, onde dia após dia a aparência era cada vez mais a de uma pessoa voltando para uma vida saudável, o que muitos levaram como um milagre. Finalmente foi removido e jogado no rio para dar lugar ao de São Thomas More. Perfil: São Thomas More A fama e atratividade de Thomas More se baseia em grande parte na nobreza de caráter que ele demonstrou em sua vida pública como advogado e jurista e em sua adesão intransigente a um princípio que causou sua morte. Sua capacidade de superar as tentações da concupiscência juvenil, da venalidade e da fama da aprovação real veio da profunda formação espiritual que experimentou quando jovem. Ele ilustrou a necessidade de combate espiritual nas muitas composições literárias que ele produziu ao longo de sua vida. Durante os seus vinte e poucos anos, More, apesar de ter mantido uma residência separada nas proximidades, passava a maior parte do seu dia no mosteiro Cartuxo de Londres (Charterhouse), onde participou na vida de oração do monge e aprendeu os caminhos da vida austera. Por quatro longos anos, esses mestres espirituais ensinaram o futuro mártir a não confiar apenas em seu talento ou esforço, mas na graça divina para entender e seguir a vontade de Deus. Como advogado, adquiriu uma reputação generalizada de honestidade e integridade, pois nunca aceitaria um caso a menos que estivesse satisfeito com a justiça, sempre olhando para os interesses de seus clientes e não dos seus. Seu amor pela justiça e pela verdade tornou-se ainda mais proeminente quando ele atuou como promotor da cidade de Londres e, eventualmente, julgou, com prejuízo de alguma receita para o seu crescimento imobiliário. O serviço público, então como agora, pagava consideravelmente menos do que o setor privado, especialmente porque More se recusava escrupulosamente a aceitar subornos. Em 1522, More entrou ao serviço do rei como seu secretário particular, finalmente avançando para a posição de lorde chanceler do reino, substituindo Wolsey em 25 de outubro de 1529. No entanto, o jurista honesto (seus deveres eram em grande parte legais, pois ele não participaria no divórcio) expressou sua relutância em uma carta a seu amigo Bispo Fisher, “… eu mantenho meu lugar lá precariamente como um cavaleiro desacostumado na sela.” O esforço de Cromwell para provocar uma mudança revolucionária no Parlamento teve a oposição das táticas engenhosas e indiretas de More. Frustrado, Cromwell suspendeu o Parlamento para a Páscoa (1532) e voltou sua atenção para a Convocação do Clero, onde teve mais sucesso, especialmente depois que o Arcebispo Warham de Canterbury morreu e Fisher ficou seriamente doente. Quando os bispos deram a Henrique vasta autoridade sobre assuntos espirituais, Fisher fez seu famoso comentário: “O forte é traído até por aqueles que deveriam tê-lo defendido:” e More reclamou que a capitulação surgiu de uma atitude “que desespera a ajuda de Deus”. 4 No dia seguinte, More demitiu-se entrando no jardim da residência do rei e entregando-lhe a bolsa de couro branco contendo o grande selo.Quando ele saiu, More olhou nos olhos do rei com um olhar penetrante e Henrique, com sua consciência ainda um pouco intacta, desviou o olhar. Em sua aposentadoria, More escreveu vários tratados que atacaram com sucesso a crescente noção de que a lei estadual tem precedência sobre a lei da Igreja e que o próprio Estado tem poder sobre a consciência de um indivíduo. Quando os escritos de More tornaram a propaganda de Cromwell ineficaz, a condenação do grande jurista foi selada. Se qualquer homem pudesse fugir da fúria do rei violento e da agenda terrorista calculista de Cromwell, a profunda espiritualidade e o vasto conhecimento jurídico de More lhe ofereciam uma pequena chance, mas no final, a força do mal provou ser grande demais. O eminente juiz foi preso e quando ele se recusou a prestar juramento, que na época não havia sido escrito em lei, foi enviado para a Torre, onde passou os últimos quinze meses de sua vida. Quatro dias depois, em 21 de abril de 1534, Fisher foi enviado para a mesma prisão miserável. A sétima sessão do Parlamento da Reforma ocorreu entre o início de novembro e meados de dezembro de 1534. Até então, a penalidade por não reconhecer as alegações absurdas do rei era a prisão. A nova legislação exigia a pena de morte para aqueles que colocavam o amor de Deus acima de todas as outras considerações. Quando os meses de inverno chegaram à primavera, More ocupou-se continuando sua escrita. (A Yale University Press publicou seus trabalhos completos em quatorze volumes.) Em seu último trabalho, o escritor sério escolheu a Paixão de Cristo para seu tema. More notou que Cristo foi subjugado pela tristeza, medo e cansaço, que só poderiam ser resistidos através da oração, como Nosso Senhor constantemente lembrou os Apóstolos adormecidos. Até então, todas as partes deveriam ter reconhecido que Henrique e Cromwell estavam trabalhando para a execução de More, pois a prisão não era mais suficiente. Em meados de junho, seus materiais de escrita e livros foram removidos. Ele então fechou as persianas nas janelas de sua cela e passou seus últimos dias meditando nas Quatro Últimas Coisas. Depois de um julgamento simulado de injustiça cruel, More foi decapitado em 6 de julho. Notas 1. for Marsilius see Crusade, Jan./Feb., 2002, p. 17 and for Machiavelli see Nov/Dec. 2003, p. 19. 2. Rev Andrew A. Breen, A Harmonized Exposition of the Four Gospels (Milwaukee, 1928) vol. II, p.22. 3. Dom Bede Camm O.S.B., Lives of the English Martyrs, vol. I, p. 97 4. Both quotes Gerard B, Wegemer, Thomas More, (Princeton, 1995) p. 147 Tradução:https://www.catholicculture.org/culture/library/view.cfm?recnum=5999
- UMA VIDA CONSAGRADA PELA ORAÇÃO NOS CRISTÃOS PRIMITIVOS
UMA VIDA CONSAGRADA PELA ORAÇÃO NOS CRISTÃOS PRIMITIVOS Não é somente uma vez por semana, por ocasião da cerimônia da missa, como acontece hoje com muitos cristãos, que o fiel dois primeiros tempos volta o seu pensamento para Deus. “Quer vivamos, quer morramos — dissera São Paulo —, somos do Senhor” (romanos 14,8), e ainda: “para mim, o viver é Cristo (Filipenses 1, 21). Os batizados traduzem em vida essas afirmações. No tempo em que vivia — homem entre homens — Jesus afirmara muitas vezes a necessidade da oração e, neste aspecto como em todos os outros, dera exemplo aos seus. Pela oração tinha-se preparado para todos os grandes acontecimentos da sua vida; na oração encontrara repouso e força, e através da oração unira-se muitas vezes a seu pai. Foi o que formulou Clemente de Alexandria, o grande Pensador de fins do Século II, em termos tão admiráveis que vale a pena reproduzí-los na íntegra: “fazemos de toda a nossa vida uma festa, persuadidos de que Deus está presente em toda parte e de todas as maneiras, e de que, quando trabalhamos, o louvamos, e, quando navegamos, lhe entoamos hinos. A nossa oração é, atrevo-me a dizer, uma conversa com Deus. Mesmo quando nos dirigimos a ele em silêncio ou mal mexendo os lábios, interiormente estamos a orar. Mesmo depois de terminada a oração vocal, continuamos de cabeça levantada e de braços erguidos ao céu, voltados para o universo espiritual na comoção da nossa alma. Quer passeie, converse ou descanse, quer trabalhe ou leia, o fiel ora: e, sozinho no reduto da sua alma, se medita, invoca o Pai Com Gemidos inefáveis, e o pai está próximo daquele que o invoca assim (estromada VII, 7). Voltado para o Oriente — porque o Oriente é Cristo. Oriens ex alto, o lugar de onde procede a luz que desperta os homens que dormem nas trevas, e também a direção da Jerusalém terrestre — O Fiel ora em muitos momentos do dia. Ergue as mãos num gestos tão antigo Como o próprio homem, e junta-as para a Súplica; prostra-se por terra ou ajoelha-se para confessar a sua humildade, a sua miséria; e, pelo sinal da cruz, três vezes repetido sobre a testa, sobre os lábios e sobre o peito — assinala-se a si mesmo com selo do Mestre, enquanto a boca proclama, segundo as circunstâncias, o seu modo particular de pertençer a Cristo. “Todas as manhãs e a todas as horas — escreve Aristides por volta do ano 140 — os cristãos cantam a Deus e o louvam pela sua bondade para com eles. E de modo parecido rendem-lhe Graças pelo alimento e pela bebida que ele lhes dá”. Que oração rezam os fiéis da Igreja Primitiva? Estamos muito longe de conhecer todas e, além disso, não tinham o caráter rígido e estereotipado com que muitos cristãos de hoje se contentam. Certamente o pai-nosso, a oração Cristã por Excelência, era a mais usada. Por outro lado, iam buscar à escritura sagrada muitas das suas mais belas páginas, tal como a tradição de Israel as transmitia, e era por meio dos Salmos Bíblicos que suplicavam ao todo poderoso, Como faz a igreja nos nossos dias. Mesmo que não as citassem textualmente, os Cristão serviam-se de numerosas fórmulas do povo eleito, das suas alusões e cadências, Como fizera a Santíssima virgem no magnificat; mas renovavam e transformavam essas reminiscências judaicas, introduzido nelas o pensamento de Cristo, profeticamente presente através dos símbolos do Antigo Testamento e fim Supremo de toda a expectativa de Israel (é a interpretação simbólica do Antigo Testamento, que quase todos os padres da igreja — principalmente os do século II — e os cristãos da idade média tanto usaram. Ela explica uma enorme quantidade de alusões que ainda hoje se encontram explícitas no breviário, que a seleção dos Evangelhos e das epístolas de todos os domingos dá a conhecer aos fiéis e que as esculturas das nossas catedrais materializam em obras-primas. Assim por exemplo a ressurreição é simbolizada pela saída do Egito e pela história de Jonas; a circuncisão liga-se à água que jorrou no Horebe; a Travessia do Mar Vermelho ou o dilúvio são figuras do batismo etc.). Pouco chegou até nós dessas orações primitivas, pelo menos na sua versão mais antiga. Mas as que conhecemos tem um tom pungente, tanto que muitas delas nos foram transmitidas pelas atas dos Mártires, e por isso exprimem a fé e a esperança de homens chegados ao ponto culminante da experiência humana perante a morte. Por exemplo, oração de São Policarpo, momentos antes do seu martírio em 155: “Senhor, Deus todo poderoso, pai de Jesus Cristo, teu filho bem amado e abençoado, que nos ensinou a conhecer-te, Deus dos Anjos, dos poderes de toda criação e da raça dos justos que vivem na tua presença! Eu te bendigo por me ter julgado digno deste dia e desta hora, digno de tomar parte com os Mártires. No cálice do teu Cristo, a fim de ressuscitar para a vida eterna da alma e do corpo, na incorruptibilidade do Espírito Santo. Possa eu hoje ser admitido à tua presença no meio deles, como uma vítima bem nutrida e apetecível! Tu me concedes agora, ó Deus que não mente, a sorte que me tinhas feito ver antecipadamente Deus da Verdade! Por esta graça, como por tudo, eu te louvo, eu te bendigo, eu te glorifico, por meio do Eterno e Celeste Sacerdote Supremo, Jesus Cristo. Por É, glória a Ti, com ele e com o Espírito Santo, agora e pelos séculos dos séculos!” Amém!” Este grito de amor que o Santo Bispo de Esmirna proferia diante do carrasco não era outro senão aquele que, a todas as horas do dia, ocorria aos lábios de todos os fiéis. Qual significado da oração? Pedimos a Deus e esperamos que ser atendidos (o que não quer dizer que estes apelos tenham sempre intenções pragmáticas e interesses). Mas os primeiros cristãos conheciam a proclamavam a eficácia da oração e dos sacramentos, conheciam melhor do que nós o seu significado, a sua intenção simbólica e mística. A seus olhos, orar era conversar com jesus vivo, como haviam conversado os discípulos de Emaús e como cada um conversaria, no dia de amanhã, com cristo na glória. Comungar era sentar-se à mesa da última ceia, cujos pormenores eram todos familiares, e ao mesmo tempo tomar parte da ceia eterna, que se iria celebrar o dia de amanhã. Essa atitude explícita-se mais nas obras de São Cirilo de Jerusalém, do pseudodionísio e de Máximo, o confessor, e ganha uma ressonância admirável, que hoje infelizmente está quase esquecida. A mesma intenção Mística explica igualmente que os primeiros cristãos tivessem querido consagrar o tempo. Assinalar com festas e preces o ano, o mês e a semana é fazer passar para a imortalidade aquilo que a nossa vida tem de mais perecível; é, de alguma forma, estabelecer uma relação imediata entre a nossa natureza, ligada ao efêmero, e a ordem Sobrenatural da Eternidade Divina. É preciso consagrar o tempo, como é preciso consagrar a vida, como é preciso dar tudo ao Senhor! A semana ordena-se então em volta do domingo, dia da Ressurreição, que se torna o seu ponto de partida. Da mesma maneira, retomando a tradição judaica dois jejuns (o jejum consistia na abstenção de todo alimento e de toda a bebida até a Hora Nona, Isto é, até o meio da tarde. O jejum da sexta-feira assinalava a comemoração da morte de Cristo; o da quarta-feira talvez espiasse a traição de Judas. Aos jejuns da semana acrescentaram-se jejuns anuais que precediam a Páscoa; foram fixados em 40 dias, em memória do jejum que Cristo fez no deserto. Esta é a origem — que data do século I — da nossa Quaresma. Vemos claramente a substituição do jejum judaico pelo jejum cristão). Mas deslocando-os para evitar confusões, a quarta e a sexta feira lembram aos fiéis a necessidade da Penitência, e o sábado, conservando alguma coisa do antigo Sabbath, é um dia de preparação para a glória do domingo. Pouco a pouco, o ano inteiro é organizado dentro de um ciclo litúrgico que consagra a Deus todos os meses, todas as estações, todos os dias. No começo parece existir apenas uma grande festa: a da Páscoa para qual converge o tempo, que culmina com a ressurreição; mas bem depressa, antes do século IV, outros episódios da vida de Cristo impõe comemorações particulares. Tais são Sobretudo o nascimento Divino, que será lembrado desde época muito antiga, em datas variáveis; e o Pentecostes, antiga festa judaica tornada Cristã, comemorando a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. Assim, toda a existência do Cristão se encontra iluminada. Começou pelo batismo e pelas suas grandes cerimônias, com as quais se faz a profissão de fé; vai continuar de um extremo ao outro, balizada pela oração, orientada para Deus, marcada como um símbolo Perpétuo que faz dela as Primícias da eternidade; e quando ela acaba, é ainda a oração que acompanha o Cristão morto ao limiar das felicidades eternas. O enterro, como todo o resto, é um ato Cristão, e torna-se alegria porque a alma atingiu o seu fim. Sobre esse corpo lavado e ataviado, entoavam-se ainda as últimas preces, tiradas dos Versículos dos Salmos: “fazei-me ouvir uma palavra de gozo e de alegria, para que exultem os ossos triturados (Salmo 50). “Vós Sois o meu asilo, das angústias me preservareis” (Salmo 31). ” Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque vós estais comigo, Senhor” (Salmo 22). Bibliografia: A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires, Daniel Rops #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja
- Condenação de Inocêncio XI contra Miguel de Molinos e o erro Quietista(Coelestis Pastor)
Introdução: A fim de libertar o mundo, prostrado na escuridão e preso por numerosos erros pagãos, do poder do diabo que o manteve prisioneiro miserável após a queda de nosso primeiro pai, o pastor celestial, Cristo nosso Senhor, por sua misericórdia inefável, condescendeu a ter carne e, como vítima viva, ofereceu-se a Deus por nós na madeira da cruz, pregando a garantia de nossa redenção à madeira da cruz como prova de seu amor por nós. Então, antes de retornar ao céu, ele deixou na terra a Igreja Católica sua noiva, como uma nova cidade, uma santa Jerusalém, descendo do céu sem ruga ou mancha, uma e santa, protegida por suas poderosas armas contra os portões do inferno. Seu governo ele confiou ao príncipe dos apóstolos, Pedro e seus sucessores; eles devem preservar todo o ensinamento extraído de seus lábios, para que as ovelhas redimidas por seu precioso sangue não se alimentem de idéias venenosas e caiam em erros antigos. Este poder a Sagrada Escritura nos ensina que ele confiou especialmente ao abençoado Pedro. Pois a qual dos apóstolos além de Pedro, ele disse: “Apascenta as minhas ovelhas”. E novamente: “Eu orei por você para que sua fé não desapareça; e quando você tiver se convertido, fortaleça seus irmãos”. Portanto, nós que ocupamos o trono de Pedro e possuímos o poder igual ao dele, não pelos nossos próprios méritos, mas pela sabedoria inescrutável de Deus todo-poderoso, desejamos firmemente que o povo cristão abrace aquela fé proclamada por Cristo nosso Senhor através de seus apóstolos em uma tradição contínua e ininterrupta. ; a fé que ele prometeu durará até o fim do mundo. 1. Recentemente foi trazido à atenção do nosso ofício apostólico que um certo Miguel de Molinos, sob o pretexto da oração de silêncio, mas na verdade em desacordo com o ensino e prática dos santos padres desde os primórdios, estava ensinando falsas doutrinas por palavra e escritos, e na prática estava seguindo elas; essas doutrinas estavam levando os fiéis da verdadeira religião e da pureza da piedade cristã a erros terríveis e a toda indecência. Portanto, uma vez que sempre ficamos profundamente preocupados com o fato de que as almas dos fiéis confiadas a nós por Deus cheguem seguramente no tão esperado porto de salvação, sendo livres de tais erros depravados, ordenamos, após investigação legítima, que o supracitado Molinos fosse preso. Então, pessoalmente e na presença de nossos ilustres irmãos, cardeais da Santa Igreja Romana que haviam sido especialmente designados como inquisidores gerais em toda a cristandade, consultamos vários mestres da teologia sagrada e recebemos seu julgamento em palavras e por escrito, e o pesamos. cuidadosamente. Até mesmo implorando a assistência do Espírito Santo, decidimos condenar, com o consentimento unânime destes nossos irmãos, as seguintes proposições deste mesmo Molinos. Ele havia reconhecido essas proposições como suas e havia sido condenado por ditar, escrever, disseminar e retê-las, ou reconheçando sua culpa, como é explicado mais detalhadamente nos procedimentos e veredictos judiciais emitidos por nosso mandato de 28 de agosto de 1687. As proposições: 1. É necessário que o homem reduza seus próprios poderes ao nada, e este é o caminho interior. 2. Desejar operar ativamente é ofender a Deus, que deseja ser ele mesmo o único agente; e, portanto, é necessário abandonar-se totalmente em Deus e, a partir daí, continuar existindo como um corpo inanimado. 3. Votos sobre fazer algo são impedimentos para a perfeição. 4. A atividade natural é inimiga da graça e impede as operações de Deus e a verdadeira perfeição, porque Deus deseja operar em nós sem nós. 5. Ao não fazer nada, a alma se aniquila e retorna ao seu começo e à sua origem, que é a essência de Deus, na qual permanece transformada e divinizada, e Deus permanece em si mesmo, porque então as duas coisas não estão mais unidas. , mas são uma só, e desta maneira Deus vive e reina em nós, e a alma se aniquila em ser operativo. 6. O caminho interior é aquele no qual nem a luz, nem o amor, nem a resignação são reconhecidos, e não é necessário entender a Deus, e deste modo se faz progresso corretamente. 7. Uma alma não deve considerar nem a recompensa, nem a punição, nem o paraíso, nem o inferno, nem a morte, nem a eternidade. 8. Ele não deve desejar saber se está progredindo de acordo com a vontade de Deus, ou se ficará ou não com a mesma resignação; nem é necessário que ele deseje conhecer seu próprio estado ou seu próprio nada; mas ele deve permanecer como um corpo inanimado. 9. A alma não deve se lembrar de si mesma, nem de Deus, nem de qualquer coisa, e na vida interior toda reflexão é prejudicial, até mesmo reflexão sobre suas ações humanas e sobre seus próprios defeitos. 10. Se alguém escandaliza os outros pelos seus próprios defeitos, não é necessário refletir, desde que a vontade de escandalizar não esteja presente; não ser capaz de refletir sobre os próprios defeitos, é uma graça de Deus. 11. Não é necessário refletir sobre dúvidas quanto ao fato de alguém estar procedendo corretamente ou não. 12. Aquele que dá sua livre vontade a Deus não deve se importar com nada, nem com o inferno, nem com o céu; nem deve ter desejo de sua própria perfeição, nem de virtudes, nem de sua própria santidade, nem de sua própria salvação, cuja esperança ele deve remover. 13. Depois de nosso livre-arbítrio ter sido resignado a Deus, a reflexão e o cuidado sobre tudo de nós mesmos devem ser deixados para aquele mesmo Deus, e devemos deixá-lo a ele, para que ele possa operar sua vontade divina em nós sem nós. 14. Não é correto que aquele que está resignado à vontade divina, peça qualquer coisa de Deus; porque pedir é uma imperfeição, pois o ato é da própria vontade e eleição, e isto é o desejo de que a vontade divina se conforme com a nossa, e não que a nossa seja conformada ao divino; e isto do Evangelho: “Busque e você encontrará”, não foi dito por Cristo para almas interiores que não desejam ter livre arbítrio; nem de fato, almas desse tipo alcançam esse estado, que não podem buscar nada de Deus. 15. Assim como eles não devem pedir nada de Deus, eles também não devem dar graças a ele por nada, porque ambos são um ato de sua própria vontade. 16. Não é apropriado buscar indulgências por punição devido aos próprios pecados, porque é melhor satisfazer a justiça divina do que buscar a misericórdia divina, visto que esta procede do amor puro de Deus, e a primeira de um amor interessado de nós mesmos, e isso não é uma coisa agradável a Deus e meritória, porque é um desejo de evitar a cruz. 17. Quando o livre-arbítrio foi entregue a Deus, e o cuidado e o pensamento de nossa alma foram deixados para o mesmo Deus, nenhuma consideração de tentações precisa mais ser motivo de preocupação; ninguém deve fazer resistência negativa, com a aplicação de nenhuma energia, e se a natureza é despertada, deve-se deixar que ela seja despertada, porque é a natureza. 18. Aquele que em sua oração usa imagens, figuras, pretensões e suas próprias concepções, não adora a Deus “em espírito e em verdade”. 19. Aquele que ama a Deus da maneira que a razão aponta ou o intelecto compreende, não ama o verdadeiro Deus. 20. Afirmar que na oração é necessário ajudar-se pelo discurso e pelas reflexões, quando Deus não fala à alma, é ignorância. Deus nunca fala; seu modo de falar é operação, e ele sempre opera na alma quando essa alma não o impede por seus discursos, reflexões e operações. 21. Na oração é necessário permanecer na fé obscura e universal, com o silêncio e o esquecimento de qualquer pensamento particular e distinto dos atributos de Deus e da Trindade, e assim permanecer na presença de Deus para adorá-lo e amá-lo e servi-lo, mas sem produzir atos, porque Deus não tem prazer nestes. 22. Este conhecimento através da fé não é um ato produzido por uma criatura, mas é um conhecimento dado por Deus à criatura, que a criatura não reconhece que tem, e nem mais tarde sabe que ele a tinha; e o mesmo é dito do amor. 23. A mística de São Bernardo no Scala Claustralium (A Escada dos Reclusos) distinguiram quatro etapas: leitura, meditação, oração e contemplação infusa. Aquele que sempre permanece no primeiro, nunca passa para o segundo. Aquele que sempre persiste no segundo, nunca chega ao terceiro, que é a nossa contemplação adquirida, na qual devemos persistir ao longo de toda a vida, desde que Deus não atraia a alma (sem a alma esperar) para infundir a contemplação; e se isto cessar, a alma deve voltar ao terceiro passo e permanecer nisto, sem voltar novamente ao segundo ou primeiro. 24. Quaisquer pensamentos que ocorram em oração, mesmo impuros ou contra Deus, os santos, a fé e os sacramentos, se não forem voluntariamente nutridos, nem voluntariamente expulsos, mas tolerados com indiferença e resignação, não impedem a oração da fé; na verdade eles tornam isso mais perfeito, porque a alma permanece mais resignada à vontade divina. 25. Mesmo que a pessoa se torne sonolenta e adormeça, não obstante, há oração e contemplação real, porque oração e resignação, resignação e oração são as mesmas, e enquanto a resignação perdura, a oração também perdura. 26. Os três caminhos: o purgativo, o iluminitivo e o unitivo, são o maior absurdo de que se fala na teologia mística (já que existe apenas um caminho, a saber, o caminho interior). 27. Aquele que deseja e abraça devoção sensata não deseja nem busca a Deus, mas a si mesmo; e quem anda pelo caminho interior, tanto nos lugares santos como nos dias de festa, age mal quando o deseja e tenta possuí-lo. 28. O cansaço para as questões espirituais é bom, se, de fato, o próprio amor é purificado. 29. Enquanto a alma interior despreza os discursos sobre Deus, desdenha as virtudes e permanece fria, não sentindo fervor em si mesma, é um bom sinal. 30. Tudo o que sentimos sensatamente na vida espiritual é abominável, básico e impuro. 31. Nenhuma pessoa meditativa exerce virtudes interiores verdadeiras; estas não devem ser reconhecidas pelos sentidos. É necessário abandonar as virtudes. 32. Nem antes nem depois da comunhão há qualquer outra preparação ou ato de ação de graças requerido para estas almas interiores do que a continuação de uma resignação passiva habitual, porque de uma maneira mais perfeita ela fornece todos os atos de virtudes, que podem ser praticados e são praticados no caminho comum. E, se nesta ocasião de comunhão surgem emoções de humildade, de petição ou de ação de graças, devem ser reprimidas, sempre que não se descubra que são de um impulso especial de Deus; do contrário, eles são impulsos da natureza ainda não morta. 33. Aquela alma age mal, que procede por este caminho interior, se deseja em dias de festa, por qualquer esforço particular para excitar alguma devoção sensível em si, já que para uma alma interior todos os dias são iguais, todos festivos. E o mesmo é dito dos lugares santos, porque para almas desse tipo todos os lugares são parecidos. 34. Dar graças a Deus pelas palavras e pelo discurso não é para almas interiores que devem permanecer em silêncio, não colocando nenhum obstáculo diante de Deus, porque ele opera nelas; e quanto mais se resignam a Deus, descobrem que não podem recitar a oração do Senhor, ou seja, o Pai Nosso. 35. Não cabe às almas desta vida interior realizar obras, mesmo virtuosas, por sua própria escolha e atividade; caso contrário, eles não estariam mortos. Tampouco devem provocar atos de amor à Santíssima Virgem, aos santos ou à humanidade de Cristo, porque, como são objetos sensíveis, também o amor deles é para com eles. 36. Nenhuma criatura, nem a Santíssima Virgem, nem os santos, devem habitar em nosso coração, porque somente Deus deseja ocupá-la e possuí-la. 37. Na ocasião das tentações, mesmo as violentas, a alma não deve provocar atos explícitos de virtudes opostas, mas deve perseverar no amor e resignação acima mencionados. 38. A cruz voluntária de mortificações é um peso pesado e infrutífero e, portanto, deve ser rejeitada. 39. As obras mais santas e penitências, que os santos realizaram, não são suficientes para remover da alma nem mesmo um único laço. 40. A Santíssima Virgem nunca realizou nenhum trabalho exterior e, no entanto, era mais santa que todos os santos. Portanto, pode-se chegar à santidade sem trabalho exterior. 41. Deus permite e deseja nos humilhar e nos conduzir a uma verdadeira transformação, porque em algumas almas perfeitas, mesmo que não inspiradas, o demônio inflige violência em seus corpos e os faz cometer atos carnais, mesmo em vigília e sem o desnorteamento da mente, movendo fisicamente suas mãos e outros membros contra suas vontades. E o mesmo é dito no que diz respeito a outras ações pecaminosas em si mesmas, em ambos os casos elas não são pecados, mas nelas (porque com estas) o consentimento não está presente. 42. Um caso pode ser dado, que coisas deste tipo contrárias à vontade resultarão em atos carnais ao mesmo tempo por parte de duas pessoas, por exemplo, homem e mulher, e por parte de ambos os atos seguintes. 43. Deus nos séculos passados criou santos através do ministério dos tiranos; agora, na verdade, ele produz santos através do ministério de demônios, que, ao causar as coisas acima mencionadas, contrariam a vontade, fazem com que eles se desprezem mais e se aniquilem e se resignem a Deus. . Tradução: https://www.catholicculture.org/culture/library/view.cfm?recnum=5432
- A real história do Papa Pio XII e os Judeus
No último ano, vários comentaristas procuraram refazer acusações antigas e mal informadas, numa tentativa de minar a reputação do papa Pio XII. Seu esforço de guerra para salvar vidas judaicas foi, surpreendentemente, a principal área de ataque. O programa da BBC Reputations, repetido em 14 de fevereiro de 1996, foi um ataque especialmente virulento. Seguiu-se uma resenha no The Times pela correspondente de assuntos religiosos, Ruth Gledhill, que atacou Pio XII aparentemente apenas com base no programa da BBC. Mais tarde, o produtor do programa, Jonathan Lewis, tentou explicar sua posição no liberal jornal católico The Tablet. Pio XII foi um dos poucos líderes mundiais fora do próprio povo judeu que foi rápido em reconhecer o perigo do nazismo. O ex-diplomata israelense Pinchas Lapide, em seu livro ”The Last Three Popes and the Jews” , demonstra convincentemente a proteção consistente e ativa fornecida aos judeus na Europa pelo papado. Ele não se esquiva das fortes críticas de outras partes da Igreja Católica quando necessário e de alguns governos católicos em particular. Além disso, ele exige respeito daqueles que lêem de uma perspectiva judaica. Estima-se que as ações de Pio XII levaram diretamente à economia de 800.000 vidas de judeus durante a guerra. A estimativa de 800.000 vidas judias é baseada no testemunho do governo pós-guerra do recém-criado Estado de Israel, que reconheceu e honrou a contribuição do papa. Os israelenses reconheceram a figura e uma floresta de tantas árvores foi plantada em comemoração no Neguebe, SE de Jerusalém, e foi mostrada ao papa Paulo VI com alguma cerimônia em sua primeira visita do estado a Israel. Rev. Fr. Jean Charles-Roux, agora um padre Rosininiano que vive em Londres e cujo pai foi o embaixador francês na Santa Sé na década de 30, viveu com sua família em Roma durante o fatídico período pré-guerra. Ele lembra que o papa contou ao pai, já em 1935, que o novo regime na Alemanha era “diabólico”. O embaixador freqüentemente advertia seu governo, mas a reação geral na França parece ter sido a de que era bom ver a volta do militarismo prussiano e que não era ruim que um pintor de casas austríaco-tcheco fosse agora chanceler. A reação nos EUA e na Grã-Bretanha não foi muito diferente naquela época; e até mais tarde, quando devem ter começado a conhecer os campos. O governo dos EUA aceitou um total de 10.000 a 15.000 refugiados judeus durante a guerra. – uma estatística verdadeiramente escandalosa. A Grã-Bretanha era um pouco melhor e antes da guerra o governo estava cheio de “pacificadores”, o duque de Windsor visitou Hitler e Lloyd George até chegou a chamá-lo de “o maior alemão vivo”! O embaixador do próprio governo Charles-Roux em Paris (e o governo britânico) ficaram surdos aos apelos do Vaticano para ajudar a resistência interna alemã ao governo nazista. Desde o início, Pio XII tentou persuadir os governos aliados a apoiar a oposição alemã a Hitler, mas, como eles não ouviam homens como o bispo anglicano Bell de Chichester ou os poucos judeus que haviam fugido da Alemanha para a Grã-Bretanha e a América, eles não iriam e não ouviram um papa. Homens como Adam von Trott zu Sulz (ele fora um erudito de Rodes em Balliol), Peter Yorek von Wartenburg e muitos outros líderes alemães que mais tarde formaram o círculo de Kreisau, fizeram tentativas contínuas, repetidas, enérgicas e em última instância fúteis para alcançar e persuadir os britânicos para apoiar, ou mesmo falar com a resistência alemã a Hitler. Eles foram todos mortos na conspiração de 20 de julho para assassinar Hitler, o último em uma longa linha de tentativas frustradas de se livrar do ditador, que foi desencadeada pelo oficial católico romano, conde Claus Schenk von Stauffenberg. Stauffenberg foi baleado imediatamente. Outros conspiradores não tiveram tanta sorte. Eles foram julgados pelo infame “Tribunal do Povo” e enforcados por cabos de piano de ganchos de açougueiros da prisão de Ploetzensce. Isso foi filmado por ordens de Hitler para que ele pudesse assistir mais tarde. O conde von Galen, o bispo católico romano de Munster, era outro crítico declarado das políticas raciais e eugenistas dos nazistas e, sem dúvida, teria sido liquidado por eles, se não fosse pela proeminência e prestígio de sua posição. Em agosto de 1943, Pio XII recebeu um pedido do Congresso Judaico Mundial para tentar persuadir as autoridades italianas a remover 20.000 refugiados judeus dos campos de concentração no norte da Itália. “Nossos irmãos apavorados olham para Vossa Santidade como a única esperança de salvá-los da perseguição e da morte”, escreveram eles. Em setembro de 1943, A.L. Easterman, em nome do WJC, relatou ao Delegado Apostólico em Londres (não havia Núncio, já que o governo britânico sempre se recusou a reconhecer os direitos diplomáticos da Santa Sé – uma ressaca de nosso passado anti-católico). Ele relatou que os esforços da Santa Sé em favor dos judeus foram bem-sucedidos e escreveu: “Tenho certeza de que os esforços de sua graça e da Santa Sé trouxeram esse resultado feliz, e gostaria de expressar à Santa Sé e a si mesmo os mais calorosos agradecimentos do Congresso Mundial Judaico. ” Na mesma época, o chefe da polícia alemã em Roma ameaçou mandar cerca de 200 judeus para a frente russa, a menos que produzissem dentro de 36 horas 50 kg de ouro ou equivalente em moeda. O Rabino Chefe se aproximou da Santa Sé que imediatamente colocou 15 kg à sua disposição e emprestou o dinheiro necessário gratuitamente. Mais da metade dos judeus de Roma estavam abrigados em edifícios eclesiásticos abertos por instruções expressas do próprio Pio XII. A Secretaria de Estado do Vaticano salvou mais judeus fingindo seus batismos e enviando listas de judeus “batizados” ao embaixador alemão, Weizsacker, para que pudessem ser evacuados. Muitos dos salvos foram ajudados a escapar pela imensa emissão excessiva de passaportes do Vaticano, particularmente na segunda metade de 1944, e existem registros de muitos deles. No entanto, isso deveria ser tratado com pouca ou nenhuma evidência documental comum, já que os nazistas sem dúvida teriam esmagado esse meio de fuga imediatamente se tivessem percebido até que ponto ele estava sendo usado para facilitar o resgate dos judeus. Em novembro de 1943, o rabino-chefe Herzog escreveu ao cardeal Roncalli, futuro Papa João XXIII, então delegado apostólico da Turquia e da Grécia, dizendo: “Aproveito para expressar à vossa Eminência meus sinceros agradecimentos, bem como meu profundo apreço por vossa gentilmente atitude para com Israel e da inestimável ajuda dada pela Igreja Católica para o povo judeu em sua aflição. Você poderia por favor transmitir esses sentimentos que vêm de Sião, a Sua Santidade o Papa (Pio XII), juntamente com as garantias de que o povo de Israel sabe valorizar sua assistência e sua atitude “. O American Jewish Welfare Board escreveu a Pio XII em julho de 1944 para expressar seu apreço pela proteção dada aos judeus durante a ocupação alemã da Itália. No final da guerra, o Congresso Mundial Judaico expressou sua gratidão ao Papa e deu 20 milhões de liras às instituições de caridade do Vaticano. Um ex-diplomata israelense na Itália alegou que: “A Igreja Católica salvou mais vidas de judeus durante a guerra do que todas as outras igrejas, instituições religiosas e organizações de resgate juntas. Seu registro está em contraste com as realizações da Cruz Vermelha Internacional e da Democracias Ocidentais “. O papa protestou particularmente contra as deportações de judeus na Eslováquia, na Hungria e em Vichy, na França, uma vez que esses eram países anteriormente católicos, onde os fascistas haviam conquistado o controle e ainda tinham uma maioria de cidadãos católicos. Na Hungria, a Nunciatura usou milhares de formulários em branco e forjados para ajudar os judeus a escapar. Um funcionário da Cruz Vermelha até se queixou de que o uso de documentos falsificados era contra a Convenção de Genebra! Felizmente, essa queixa bastante inofensiva não impediu a continuidade da operação secreta do Núncio. O papa Pio XII conhecia bem a Alemanha, tendo anteriormente sido núncio papal ali. Foi ele mesmo quem escreveu (depois de ler o primeiro rascunho do cardeal Faulhaber de Munique) as críticas às políticas raciais na Encíclica Mit Brennender Sorge (que significa “com ardente ansiedade”, ou seja, sobre a ameaça nazista às minorias raciais e especificamente aos judeus) dirigida diretamente ao povo alemão durante o pontificado do Papa Pio XI. Ele escreveu que os católicos nunca devem ser anti-semitas porque “somos todos semitas espiritualmente”. Por uma questão de fato histórico simples, o rabino Israel Zolli, rabino chefe de Roma, foi recebido na Igreja Católica em 1945, após o fim da guerra. Ele foi batizado inteiramente por sua livre e espontânea vontade e pediu a Pio XII, com quem ele trabalhou de perto para salvar vidas judaicas, ser seu padrinho. O Dr. Zolli escolheu o nome Eugenio como seu nome de batismo precisamente porque era o nome de Pio XII. Esses fatos raramente são mencionados pelos comentaristas, mas são claramente vitais para qualquer avaliação da reputação de Pio XII. Em vez disso, uma campanha insidiosa foi mantida contra o bom nome daquele papa, em grande parte centrado em torno da acusação de que ele manteve silêncio durante a guerra sobre o sofrimento dos judeus e se recusou a mencioná-los pelo nome. É agora geralmente implícito por alguns que isso aconteceu porque ele era racista e um anti-semita. É difícil conceber uma mentira mais detestável. Pio XII, como cardeal Pacelli, escreveu a encíclica Non Abbiamo Bisogno, que condenava as doutrinas fascistas italianas, bem como a Divini Redemptoris, que se opunha ao comunismo soviético e aos massacres e à fome cometidos em seu nome na Rússia (por exemplo, os 10 milhões de camponeses morreram de fome na Ucrânia). Pio XII era um opositor muito ativo, enérgico e zeloso do totalitarismo e da opressão. O papa Pio XI emitiu a encíclica Mit Brennender Sorge em 1937 porque ele era o papa no poder; mas foi o cardeal Pacelli, depois Pio XII, quem o escreveu. A hierarquia católica romana alemã agradeceu ao Papa XI pela carta, que condenava categoricamente o racismo e o anti-semitismo, e o papa apontou para o cardeal Pacelli dizendo que era ele quem havia sido responsável por isso. A primeira encíclica de Pio XII em 1939, Summi Pontificatus, repetiu o tema e a Gestapo recebeu imediatamente ordens da liderança nazista para impedir sua distribuição. Posteriormente, Pio XII adotou sua política de não nomear os judeus explicitamente. Isso se deveu em parte à sua experiência da “surdez” diplomática dos governos aliados e em parte por causa de seu conhecimento e experiência da crescente perseguição aos judeus, que seguiu as declarações condenatórias feitas nas duas encíclicas mencionadas. Em vez disso, dedicou-se à operação secreta de resgate para salvar vidas de judeus, que foi provavelmente a mais bem-sucedida de todas, especialmente se levarmos em conta a salvação dos judeus húngaros e as ações conjuntas do Vaticano e do núncio papal na Hungria desse tempo. É bem reconhecido que os salvadores dos judeus húngaros eram o núncio papal e a embaixada sueca (na pessoa de Raoul Wallenberg), ambos tentando enganar o assassino nazista chefe, Adolf Eichmann. Pio XII seguiu o plano da hierarquia católica romana holandesa para nomear os judeus explicitamente em sua condenação às deportações nazistas e pretendia emitir uma declaração semelhante. Os nazistas ameaçaram prender mais judeus. A Igreja Reformada Holandesa concordou em não protestar abertamente, mas a hierarquia católica romana emitiu, em maio de 1943, seu famoso protesto contra as deportações. Os nazistas então lançaram uma ofensiva total contra os judeus (exceto aqueles que haviam se convertido à Igreja Reformada Protestante Holandesa). Ironicamente, foi a carta de condenação aberta da hierarquia holandesa que levou à prisão e execução de Edith Stein, a monja e filósofa judaica católica romana. A notícia da crescente perseguição chegou a Pio XII. Seu próprio protesto deveria entrar no L’Osservatore Romano naquela mesma noite, mas ele queimou o rascunho dizendo “Se o protesto dos bispos holandeses custou a vida de 40.000 pessoas, minha intervenção levaria pelo menos 200.000 pessoas para a morte”. ” (Ver II Seitimanale, 1 de março de 1975, p.40.) Tal foi o resultado de nomear abertamente os judeus; mais morte de gestos vãos. Não há dúvida de que, se Pio XII tivesse feito um gesto tão vago, em vez de salvar mais vidas judias, ele estaria aberto à crítica de ter tornado a situação pior por declarações públicas vãs e inoportunas. Aqueles que agora o criticam por não dizer o suficiente, então o teriam atacado por dizer demais. É fácil esquecer que só havia isso que o papa poderia fazer. Ele não tinha exército ou polícia além da Guarda Suíça e ele não foi ouvido pelas potências aliadas. Sob constante vigilância e ameaças dos nazistas quando ocuparam Roma, suas declarações foram tomadas e destruídas pela Gestapo. Quanto à sua influência com fiéis católicos romanos, ele já havia explicitado com precisão e franqueza quais eram seus pontos de vista e os da Igreja nas duas encíclicas acima mencionadas e em constantes reafirmações de sua posição no jornal do Vaticano L’Osservatoire. Nenhum católico romano leal precisou ter qualquer dúvida na época sobre as opiniões da Igreja Católica sobre o nazismo e o racismo. O fato de alguns católicos ruins se permitirem envolver com o terror nazista não pode ser atribuído ao papa Pio XII – assim como o fato de que existiam judeus Kapos e uma polícia judaica ajudando os nazistas a aplicar suas políticas de extermínio pode ser atribuída aos líderes religiosos judeus. Pio XII claramente repudiou as doutrinas pervertidas dos nazistas e também as doutrinas fascistas imorais de Benito Mussolini (que tinham sido condenados na encíclica Non Abbiamo Bisogno que significa “não temos necessidade” ou seja, das doutrinas fascistas). Ele também é criticado algumas vezes por não excomungar Hitler, mas Hitler já foi excomungado ipso facto por toda uma série de crimes e só poderia ter retornado à fé católica, mesmo supondo que ele quisesse, por ter sua excomunhão levantada pelo próprio papa. O levantamento da sentença foi reservado à Santa Sé, latae sententiae. Além disso, a queixa pressupõe que Hitler tenha tomado conhecimento da Santa Sé e da Igreja Católica. Na medida em que o fez, foi por razões puramente políticas, uma vez que ele foi forçado a reconhecer a influência da Igreja Católica e do papado. Hitler se descreveu como “um pagão completo” (veja Hitler’s Table Talk) e considerou a Igreja Católica como seu maior inimigo, que ele destruiria quando tivesse a oportunidade. É preciso lembrar, também, que o papa tinha um dever para com seu próprio rebanho, que estavam em igual perigo se eles se manifestassem contra os nazistas. O príncipe Sapicha, o cardeal de Cracóvia, na Polônia, disse ao papa, com toda a exatidão, que se houvesse denúncias públicas abertas, católicos e judeus seriam massacrados na Polônia. Era melhor tentar resgatar o maior número possível através das casas religiosas e permitir que o Exército da oposição se desenvolvesse (o que aconteceu – o Armija Krajowa, o exército subterrâneo secreto sob o comando do General Bor-Komorowski que mais tarde foi traído pelos soviéticos e massacrado. pelos nazistas). Em 1940, 800 padres morreram em Buchenwald, 1.200 em 1942 e 3.000 em 1943. E isso foi apenas Buchenwald. Mais tarde, após o fim da guerra, Pio XII recebeu uma grande delegação de judeus romanos no Vaticano e ordenou que os degraus imperiais fossem abertos para que eles entrassem. Esses degraus eram geralmente reservados para chefes de Estado coroados (embora mais tarde tenham sido abertos uma vez para o presidente Charles de Gaulle). O Papa os recebeu na capela Sistina e, vendo que seus visitantes judeus se sentiam desconfortáveis naquele lugar, ele desceu do seu trono e os acolheu calorosamente dizendo-lhes para se sentirem completamente em casa, dizendo: “Eu sou apenas o Vigário de Cristo, mas você são seus muito colegas e parentes “. Tal era seu grande amor pelo povo judeu, aumentado por seu conhecimento de seus terríveis sofrimentos. Oskar Schindler, um católico romano, é considerado um “gentio justo” por muitos judeus por salvar a vida de cerca de 3.000 a 4.000 judeus em suas fábricas. Por que então o papa Pio XII é tão injustamente criticado, apesar de ter salvo 800 mil vidas de judeus? Tradução: https://www.catholicculture.org/culture/library/view.cfm?recnum=7086
- Um Panorama Geral da História do Cristianismo na Síria
34: a conversão de Saulo de Tarso na estrada para Damasco. Jesus já era conhecido na Síria. 46-48: a primeira missão de Paulo a Antioquia. Os discípulos de Jesus foram chamados cristãos pela primeira vez nesta cidade. Final do primeiro século: o cristianismo se espalhou para Edessa (hoje, Urfa, Turquia). Por volta de 110: Santo Inácio, bispo de Antioquia, inaugurada uma era de mártires. Século II-IV: uma escola de teologia desenvolvida em Antioquia, um dos seus discípulos mais prestigiados foi João Crisóstomo. O monaquismo floresceu do quarto ao quinto século com milhares de ascetas, monges e cenobitas. São Simeão, o Estilita e São Maron, não moravam longe de Alepo. Século IV: Edessa tornou-se o local de uma escola de teologia síria-aramaica. Santo Efrém, Bardesanes e Afraates espalharam o cristianismo no interior da Síria. 4º a 6º século: os cristãos se espalham para outras áreas. Século V: A Síria estava no centro da controvérsia monofisista, e as sés dos bispos eram disputadas por monofisitas e católicos. O Concílio de Calcedônia não conseguiu terminar as disputas. Os monges de São Maron, fiéis a Roma, começaram a procurar refúgio no Líbano. Século VII: Na corte de Umayyade, em Damasco, muitos profissionais eram cristãos. O califa Omar demitiu autoridades cristãs e seu sucessor obrigou-os a usar roupas distintas. Em 722 ainda havia 3,8 milhões de cristãos na Síria, de uma população de 4 milhões. Século VIII: O califa abássida al-Mahdi forçou Tannukhs árabes-cristãos a se converterem ao islamismo. 855: Cristãos em Homs se revoltaram e seus líderes foram crucificados nos portões da cidade. Século IX: O Islã estava ganhando vantagem: muitas igrejas se tornaram mesquitas e, por volta de 900, metade da população síria era muçulmana. Século XII-XIII: os cristãos na Síria tinham problemas em áreas controladas alternadamente por cruzados e muçulmanos. Em 1124, a catedral de Alepo foi transformada em mesquita. 1350: de uma população de um milhão, 100.000 eram cristãos. 1439: Os jacobitas participaram do Concílio de Florença, mas a queda de Constantinopla e a ocupação otomana da Síria foi um obstáculo para a reunião da Igreja. Século XVI: As comunidades cristãs ortodoxas, jacobitas e armênias foram reconhecidas pelo sultão otomano como nações com seus próprios tribunais e leis. Século XIX: a pressão européia forçou o Império Otomano a fazer reformas: a igualdade de todos os cidadãos foi proclamada, qualquer que fosse sua religião, e os estatutos pessoais dos cristãos mantidos. 1860: os massacres de cristãos no Monte Líbano se espalharam para Damasco: 12.000 sobreviveram. 1915: Um grande número de armênios fugiu para a Síria de massacres na Turquia. Cristãos na Síria hoje Greco-ortodoxos São 500.000 divididos em seis dioceses. Seu líder é o “Patriarca de Antioquia e todo o Oriente”, e sua liturgia é em árabe. Damasco é a Sé patriarcal desde 1342. Greco-católicos (melquitas) A Igreja Católica Grega de Antioquia nasceu de um retorno ao catolicismo de parte da Igreja Ortodoxa Grega em Antioquia. Em 1724, a eleição do patriarca Cirilo Tanass, que favoreceu a união com Roma, incomodou Constantinopla, que enviou outro patriarca a Damasco, dividindo a comunidade. Tanass e alguns melquitas foram forçados a se refugiar no Líbano e outros emigraram para o Egito e a Palestina. Aqueles que permaneceram foram ferozmente perseguidos e massacrados pelos otomanos em Aleppo em 1817. Uma revolução na Grécia desviava a hostilidade contra os ortodoxos e em 1837 os melquitas obtiveram um líder. Hoje existem 200.000 melquitas em cinco dioceses. Armênios A Igreja Armênia foi inspirada por São Gregório, o Iluminador, que fez a Armênia Cristã no terceiro século. É dividido em ortodoxos (gregorianos) e católicos armênios. A deportação forçada para Alepo pelos turcos na Primeira Guerra Mundial e o êxodo de armênios da Cilícia e Alexandreta aumentaram consideravelmente a comunidade na Síria. Os católicos gregorianos armênios de Sis e o patriarca católico armênio da Cilícia vivem no Líbano. Hoje, os 150.000 gregorianos armênio-sírios e 20.000 católicos vivem principalmente em Aleppo, Jazira e Lattakia. Existem duas dioceses católicas armênias. A liturgia armênia é baseada nas tradições de Jerusalém, Capadócia e Bizâncio. Siríacos / sírios A Igreja Síria nasceu em meados do século 6 a partir da disputa sobre as duas naturezas de Cristo. Jacob Baradai ordenou sacerdotes e bispos monofisistas, colocando-os à margem da hierarquia católica. Esta igreja jacobita foi acompanhada pela maioria dos sírios que se opunham ao domínio bizantino. Em 1662, um ex-bispo jacobita tornou-se o primeiro titular de uma igreja católica síria; mas esta foi uma experiência de curta duração e a nova Igreja só foi restabelecida em 1783 sob a égide do Patriarca Maronita, que a deu asilo no Líbano até o reconhecimento oficial da “nação dos católicos sírios” em 1845. A maioria dos “sírios ” são ex-refugiados do sul da Turquia. Esses 60.000 ortodoxos (jacobitas) e 40.000 católicos são baseados principalmente em Jazira e Aleppo. Assírios e caldeus Os assírios são cristãos que pertenciam à Igreja Nestoriana estabelecida na Mesopotâmia. Os caldeus são aqueles que retornaram ao catolicismo em 1681. Os 40.000 caldeus assírios na Síria são pequenas minorias que são severamente julgadas por guerras e exíladas forçadamente frequentemente. Há uma diocese caldaica: Aleppo; o patriarca caldeu que tem o título de Babilônio reside em Bagdá. A liturgia é celebrada em caldeu e árabe. Maronitas Os monges de São Maron fundaram a Igreja em Antioquia junto ao rio Orontes. Os maronitas são católicos. Perseguidos pelos monofisistas e depois pelos árabes, a maioria foi forçada a se refugiar no Líbano. Na Síria existem apenas 25.000 maronitas que têm três dioceses e vivem em Aleppo, Tartus, Lattakia e Damasco. A sede do Patriarca Maronita (que também tem o título de Antioquia) está em Bkerke, no Líbano. Latinos Os 3.000 latinos, a maioria católicos da Palestina ou da Europa (franceses e italianos), estão sob a jurisdição do Vicariato Apostólico de Alepo para os latinos, estabelecido em 1762. A maioria vive em Damasco e Alepo. Protestantes Alguns milhares de membros de várias denominações formam o Conselho Evangélico Superior da Síria e do Líbano. Relações com o Estado Na Síria, o islamismo não é a religião do estado. O país é secular, o que garante igualdade para os membros de outras religiões. Os cristãos podem comprar terras e construir igrejas. Os clérigos estão isentos do serviço militar e as escolas fornecem instrução religiosa cristã e muçulmana. Ao contrário de outros países árabes, a Síria reprime o fundamentalismo muçulmano. Os cristãos apóiam o governo que garante sua sobrevivência. A emigração é um problema sério para as igrejas cristãs; pelo menos 250.000 cristãos deixaram a Síria desde 1958. Os cristãos rurais estão constantemente se mudando para as cidades, por causa da pressão dos muçulmanos e da falta de estruturas. Outras religiões na Síria islamismo Há cerca de 12 milhões de muçulmanos sunitas nas principais cidades sírias, cerca de 75% da população. Eles seguem a Sunna completa, os ditos de Maomé transmitidos por seus companheiros e obedecem ao Grande Mufti, eleito por toda a sua vida. Os muçulmanos alawi, hoje 1.800.000, são seguidores de Aly, genro de Maomé. Eles são considerados hereges por teólogos muçulmanos. O contato com os cruzados levou ao sincretismo ao ponto de celebrarem o Natal, a Epifania e o Pentecostes. Os 200.000 xiitas ismaelitas são assim chamados porque seguem o ramo, que na sucessão dinástica do imã para no sétimo Imam, Ismail, e não no décimo segundo, como os xiitas iranianos. Drusos As doutrinas dessa comunidade foram propagadas pela primeira vez no Egito. Suas crenças misteriosas são baseadas em uma variedade de livros, incluindo obras de Aristóteles e os Salmos. Eles acreditam em reencarnação e não permitem a poligamia. Assim, eles são considerados hereges por outros muçulmanos. A perseguição os forçou a se refugiar no sul da Síria e nas montanhas libanesas de Chouf. Judeus De todas as comunidades religiosas, os judeus, reivindicando 2.500 anos de história na Síria, são os mais antigos. Com a criação do Estado de Israel, seus números despencaram; em 1994, eles eram apenas 1.250, principalmente em Aleppo. Restrições do governo em viagens ao exterior foram levantadas apenas recentemente e os judeus sírios estão agora autorizados a emigrar, embora não para Israel. Muitos vão para os Estados Unidos. Tradução: https://www.catholicculture.org/culture/library/view.cfm?recnum=3657
- IDE E FAZEI DISCÍPULOS – Domingo da Santíssima Trindade
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Ide, fazei discípulos e batizai!”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Livro do Deuteronômio 4,32-34.39-40) Deus é o único senhor: guardai sua Palavra Moisés falou ao povo, dizendo: “Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra, e investiga, de um extremo ao outro dos céus, se houve jamais um acontecimento tão grande ou se ouviu algo semelhante. Existe, porventura, algum povo que tenha ouvido a voz de Deus falando-lhe do meio do fogo, como tu ouviste, e tenha permanecido vivo? Ou terá jamais algum Deus vindo escolher para si um povo entre as nações, por meio de provações, de sinais e prodígios, por meio de combates, com mão forte e braço estendido, e por meio de grandes terrores, como tudo o que por ti o Senhor vosso Deus fez no Egito, diante de teus próprios olhos? Reconhece, pois, hoje, e grava-o em teu coração, que o Senhor é o Deus lá em cima no céu e cá embaixo na terra, e que não há outro além dele. Guarda suas leis e seus mandamentos, que hoje te prescrevo, para que sejas feliz, tu e teus filhos depois de ti, e vivas longos dias sobre a terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre”. SALMO 32 Reta é a palavra do Senhor (Antífona): Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança. Reta é a palavra do Senhor,/ e tudo o que ele faz merece fé./ Deus ama o direito e a justiça,/ transborda em toda a terra a sua graça. A palavra do Senhor criou os céus,/ e o sopro de seus lábios, as estrelas./ Ele falou e toda a terra foi criada,/ ele ordenou e as coisas todas existiram. Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem,/ e que confiam esperando em seu amor,/ para da morte libertar as suas vidas/ e alimentá-los quando é tempo de penúria. No Senhor nós esperamos confiantes,/ porque ele é nosso auxílio e proteção!/ Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,/ da mesma forma que em vós nós esperamos! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Romanos 8,14-17) Que o Espírito nos ajude a cuidar das coisas do Pai Irmãos: Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. De fato, vós não recebestes um espírito de escravos, para recairdes no medo, mas recebestes um espírito de filhos adotivos, no qual todos nós clamamos: Abá, ó Pai! O próprio Espírito se une ao nosso espírito para nos atestar que somos filhos de Deus. E, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo; se realmente sofremos com ele, é para sermos também glorificados com ele. EVANGELHO (São Mateus 28,16-20) “Fazei discípulos meus todos os povos” Naquele tempo, os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram. Então Jesus aproximou-se e falou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo”. UMA FAMÍLIA DE AMOR (Comentário de Scott Hahn) No domingo passado celebramos a vinda do Espírito Santo, que selou a Nova Aliança de Deus e renovou toda a criação. Nesta nova criação, somos já parte da família de Deus, que se revelou como Trindade de amor. Compartilhamos sua natureza divina, recebendo seu Corpo e seu Sangue (v. 2 Pedro 1,14). Esse é o significado das três celebrações que coroam o tempo pascal: Pentecostes, Solenidade da Santíssima Trindade e Corpus Christi. Estas festas devem nos lembrar, no mais íntimo do nosso coração, quão profundamente Deus nos ama; e como nos escolheu antes da fundação do mundo para sermos Seus filhos (v. Ef 1, 4-5). As leituras deste domingo nos mostram que todas as palavras e obras de Deus visavam revelar o mistério da Santíssima Trindade e trazer-nos sua bênção em Jesus Cristo. Nós herdamos esta bênção pelo batismo e a renovamos em cada Eucaristia. Através de sua palavra, o Senhor encheu os céus e a terra com sua bondade divina, como cantamos no salmo de hoje. Movido por amor, Deus escolheu Abraão, e de seus descendentes constituiu o seu próprio povo, como Moisés nos recorda na primeira leitura (v. Dt. 4, 20-37) Por meio dos israelitas, Ele revelou para as nações que é o único Senhor. A Palavra de Deus se encarnou em Jesus, “filho de Abraão” (Mt 1,1). Ele nos ensina, no Evangelho deste domingo, que o único Deus é Pai, Filho e Espírito, e deseja que todos os povos sejam seus. Como Ele fez com Israel quando o tirou do Egito, Deus nos libertou da escravidão; é isso que São Paulo nos diz na epístola de hoje. Assim como adotou os israelitas como filhos (v. Romanos 9, 4), agora Ele nos dá o seu Espírito, graças ao qual podemos reconhecê-Lo como “Pai nosso”. Como herdeiros de Deus, hoje assumimos os compromissos de Moisés e Jesus. Devemos colocar n’Ele os nossos corações e fazer tudo o que Ele nos ordenou. A Eucaristia é o cumprimento de sua promessa de estar conosco até o fim do mundo; é a garantia de que Ele nos libertará da morte para vivermos, para sempre, na terra prometida do Seu Reino. https://stpaulcenter.com/familia-de-amor-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-solemnidad-de-la-santisima-trinidad/ https://stpaulcenter.com/family-of-love-scott-hahn-reflects-on-the-solemnity-of-the-holy-trinity/
- LUIZ, ESPLENDOR E GRAÇA NA TRINDADE E DA TRINDADE (Santo Atanásio, bispo)
Não devemos perder de vista a Tradição, a Doutrina e a Fé da Igreja Católica, tal como o Senhor ensinou, tal como os apóstolos pregaram e os Santos Padres transmitiram. De fato, a tradição constitui o alicerce da Igreja, e todo aquele que dela se afasta deixa de ser cristão e não merece mais usar este nome. Ora, a nossa fé é esta: cremos na Trindade santa e perfeita, que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo; nela não há mistura alguma de elemento estranho; não se compõe de Criador e criatura; mas toda ela é potência e força operativa; uma só é a sua natureza, uma só é a sua eficiência e ação. O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo; e deste modo, se afirma a unidade da Santíssima Trindade. Por isso, proclama-se na Igreja um só Deus,que reina sobre tudo, age em tudo e permanece em todas as coisas (cf. Ef 4,6). Reina sobre tudo como Pai, princípio e origem; age em tudo, isto é, por meio do Verbo; e permanece em todas as coisas no Espírito Santo. São Paulo, escrevendo aos coríntios acerca dos dons espirituais, tudo refere a Deus Pai como princípio de todas as coisas, dizendo: Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos (lCor 12,4-6). Os dons que o Espírito distribui a cada um vêm do Pai por meio do Verbo. De fato, tudo o que é do Pai é do Filho; por conseguinte, as graças concedidas pelo Filho, no Espírito Santo, são dons do Pai. Igualmente, quando o Espírito está em nós, está em nós o Verbo, de quem recebemos o Espírito; e, como o Verbo, está também o Pai. Assim se cumpre o que diz a Escritura: Eu e o Pai viremos a ele e nele faremos a nossa morada (Jo 14,23). Pois onde está a luz, aí também está o esplendor da luz; e onde está o esplendor, aí também está a sua graça eficiente e esplendorosa. São Paulo nos ensina tudo isto na segunda Carta aos coríntios, com as seguintes palavras: A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós (2Cor 13,13). Com efeito, toda a graça que nos é dada em nome da Santíssima Trindade, vem do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Assim como toda a graça nos vem do Pai por meio do Filho, assim também não podemos receber nenhuma graça senão no Espírito Santo. Realmente, participantes do Espírito Santo, possuímos o amor do Pai, a graça do Filho e a comunhão do mesmo Espírito. (Das Cartas de Santo Atanásio, bispo – Ep. l ad Serapionem, 28-30: PG 26,594-595.599 – Séc. IV). #Igreja #SantíssimaTrindade
- A CADEIRA VAZIA (Sabedoria Popular)
O pai de uma jovem estava muito doente, por isso, a filha pediu para que o seu pároco fosse visitá-lo ao hospital. Quando entrou no quarto do doente, o padre deparou com o idoso deitado na cama, mas ao seu lado direito, havia uma cadeira vazia. O padre pensou que o doente esperava a sua chegada e disse: – O senhor estava à minha espera… Mas o idoso respondeu: – Na verdade, não. Eu nem sei quem é o senhor. Disse o padre: – Eu sou o padre da paróquia onde a sua filha vai.. Foi ela quem pediu para que eu viesse aqui e quando me deparei com a cadeira vazia, pensei que soubesse que receberia a minha visita. Com a voz enfraquecida, o pai da jovem começou a falar: – Ah, essa cadeira? Ela tem uma história. Eu nunca soube rezar. Na verdade, eu nunca quis aprender, pois sempre achei que Deus estava muito longe de mim, a resolver coisas mais importantes. Até que um dia um amigo falou-me: “Rezar é conversar com Jesus. Quando quiseres falar com Ele, senta-te numa cadeira e coloca a outra na tua frente. Pensa que Jesus está sentado nessa cadeira e, então, começas a conversar”. Eu gostei muito daquela ideia e, desde então, converso com Jesus durante duas ou três horas por dia. Mas nunca contei a ninguém! O padre simpatizou com aquele homem e eles ficaram a conversar por muito tempo. Por fim, o padre voltou para casa. Três dias depois, a filha comunicou à igreja que o seu pai tinha morrido naquela tarde. O padre, então, perguntou: – Ele morreu em paz? A jovem, com os olhos cheios de lágrimas, respondeu: – Creio que sim. Creio que ele morreu em paz. Pouco antes de partir, ele deu-me um beijo e disse que me amava. Tive que sair do quarto por alguns minutos e, quando voltei, ele já tinha partido. Só uma coisa me deixou intrigada… – O que foi, minha filha? Perguntou o presbítero. – O senhor lembra-se daquela cadeira que ele insistia em deixar ao lado de sua cama? Então… Ele arrastou para bem perto da cama e morreu com a cabeça encostada nela. O padre não conteve a emoção e disse: – Louva a Deus por isso, menina! Porque ele morreu no colo de Jesus!
- A missa na Igreja Primitiva, do século I ao século IV.
A missa na Igreja Primitiva, do século I ao século IV. Os textos dos mais antigos escritores cristãos, as descobertas arqueológicas e as pinturas das catacumbas permitem-nos fazer uma ideia bastante completa do que podia ser a celebração da missa (a palavra missa parece vir do latim missa, equivalente missio no baixo latim dos séculos IV a IX e que significa despedida. No fim da cerimônia, o diácono dizia, como hoje: Ite, missa est, ide, é o fim, a despedida. Há quem sustente que a palavra vem de mensa, repasto, com o sentido de refeição Sagrada, e que, no baixo latim, se tornou messa. A partir dos fins do século IV, foi aplicada ao rito inteiro. Encontranmos no termo kermesse, de origem flamenga ou Germânica: é a missa da Igreja, Kerk-messe, dia da Consagração do edifício ou dia do santo padroeiro. Nos tempos mais antigos do cristianismo, quando o grego era ainda a língua usual dos fiéis, parece que se serviam umas vezes da palavra Eucaristia, outras da palavra Eulogía, que significa benção. Esta última reduziu-se depois ao sentido do pão consagrado ou qualquer objeto consagrado, um sentido que ainda hoje conserva-se na Igreja Ortodoxa Grega. É, na Igreja Primitiva designava se muitas vezes a missa com o termo Geral de Sacramento; em Santo Agostinho “Celebrar os sacramentos” significa dizer a missa, Sacramento por excelência. Daí provém o nome “sacramentário”, dado aos missais mais antigos), nos primeiros tempos do cristianismo, nos fins do Século II, por exemplo, nos princípios do século III. Antes de mais nada, onde se realiza a reunião? É preciso repetir: as reuniões não tem por marco as catacumbas, a não ser em casos excepcionais, quando se trata de comemorar especialmente um Mártir, ou em tempos de perseguição violenta, quando se torna indispensável esconder-se. Assim, o vestíbulo dos Flávios, bem como estes ou aqueles oratórios do cemitério de Ostriano ou de Santo Hermes mostram ainda que serviam de lugares de culto. Mas, habitualmente, os cristãos reuniam-se em pleno dia. Um convertido amigo, um desses fiéis ricos que a fé acaba de ganhar para Cristo, põe a sua moradia à disposição da comunidade. Muitas igrejas de Roma guardam ainda a recordação desses proprietários que deram ao senhor as suas casas: Prisca, Cecília, Prudente, Clemente; aliás, debaixo das Fundações das basílicas, encontraram-se Muitas vezes os alicerces dessas casas. As pesquisas de dura europos, nas areias do deserto Sírio, trouxeram a luz do dia uma dessas casas-templos. A disposição das casas romanas ricas, divididas em partes públicas e parte privadas, prestava-se admiravelmente à instalação do culto dentro das suas Paredes, talvez tenha sido a partir do fim do século I que os cristãos pensaram em edificar a ‘casa da igreja’ para ali terem salas mais espaçosas, já que a assistência aumentava te ano para ano. Em Roma, no século II, assim com em Edessa, Aparméia, Alexandria e Antióquia, não há dúvida de que havia aquilo que nós hoje chamamos igrejas. Muito antes de Constantino, houve-as na síria e na palestina. Espalhadas por toda a parte, deviam see numerosas, pois em várias ocasiões os imperadores que perseguiram o cristianismo no século III assinarão decretos ordenando sua destruição. É no domingo dia comemorativo da Ressurreição, que substitui o Sabbath para os cristãos, que a missa tem toda a sua solenidade. Na tarde da véspera, houve a devida preparação por meio de preces, Salmos e instruções piedosas. É a vigília, quando se anuncia o novo dia, à meia-noite, começa a cerimônia propriamente dita, para acabar ad lucem, com o despontar da aurora; as nossas missas de meia-noite conservam ainda a lembrança dessa antiga prática (levanta-te na hora em que o galo canta — escreve Santo Hipólito — e reza, porque esta é a hora em que os filhos de Israel renegaram Cristo e em que nós, que cremos pela fé, olhamos cheio de esperança para a aproximação da luz eterna). Começa então a missa, que compreende duas grandes partes: uma mais geral, que os catecúmenos podem assistir, e a outra reservada aos fiéis em que se realizam o sacrifício e o mistério. A primeira parte, uma espécie de introdução ao sacrifício, vai ser de oração e instrução, pois é necessário preparar os espíritos e os corações para se abrirem ao mistério. Em nome do Povo, uma Diácono ora; é a rogação ou Ladainha. tal como se lê nas constituições apostólicas, compilação do século IV, em que se recolheram tradições bem mais antigas, essa súplica que dizia assim: “Roguemos todos a Deus pelos catecúmenos, a fim de que ele, que é bom e ama os homens, escute as nossas orações e as acolha com favor. Que ele lhes revele a boa nova do seu Cristo, os ilumine no conhecimento Divino e o instrua nos seus mandamentos”. Segue-se uma série de pedidos dirigidos ao Senhor: pelos catecúmenos e pelos recém batizados, pelos doentes e pelos cativos; pelos condenados as minas; pelos Mártires que esperam o suplício, e também, conforme o preceito da caridade, por aqueles que os torturam e os enviam a morte. A cada um destes apelos a multidão responde com estas palavras gregas que ainda hoje pronunciamos Kyrie Eleison! Senhor, acolhei a nossa suplica! Em seguida, reunindo de algum modo todas as inquietações e todas as esperanças numa breve e comovente oração, o celebrante pronuncia a coleta, a oração de apelo de todos ao único Deus todo -poderoso e eterno, consolação de todos os que estão tristes, força dos Trabalhadores, que a súplica de todos os que sofrem chegue até Vós e que através das suas penas, todos se regozijem com a vossa misericórdia! E a voz unânime dá assistência responde em sinal de assentimento: Amém!” — assim seja! Seguem-se as leituras, em número variável, a fim de familiarizar os cristãos com as tradições e os dogmas. Subindo a um lugar elevado, a um púlpito, que São Cipriano comparará à Tribuna onde os magistrados Romanos administravam a justiça, um leitor faz ouvir diversos textos ordenados segundo os significados da festa que se celebra. Lê páginas do Antigo Testamento, da Lei e dos Profetas; trechos das cartas que os grandes chefes da cristandade tinha escrito no decurso do seu apostolado ou que um ou outro ainda escrevia: epístolas de São Paulo, de São João, e São Pedro, de Santo Inácio e de São Clemente; ou ainda passagens dos Atos dos Apóstolos. As narrativas referentes aos Mártires, tal como chegaram até nós e que são tão comoventes, são também lidas desta maneira, Temos de pensar o que os fiéis imaginavam ao escutarem o relato tão dramático na sua simplicidade, dos sofrimentos que os seus irmãos acabavam de suportar e aos quais sabiam que podiam estar destinados alguns dos que se encontrava entre eles! Entre as leituras, recitavam-se ou cantavam-se salmos, e de todas as bocas saiam um grito de esperança e de fé, o velho grito de Israel: aleluia! De todas as leituras, a última, a essencial, é a do Evangelho, a palavra de Deus. Não é confiada a um simples leitor, mas aos diáconos, e a passagem é escolhida pelo próprio Bispo; mais tarde, há de fixar-se esta ou aquela para determinados dias. “O senhor esteja convosco!” de pé, os fiéis escutam, numa espécie de posição de sentido que já os crentes do templo observavam em Jerusalém. Concluída a leitura do Evangelho, o Bispo comenta-o pessoalmente ou faz comentar por um pregador de sua escolha. É homilia, de que se encontrarão muitos espécimes nos padres da igreja, e que é a origem do nosso sermão. A missa dos catecúmenos vai terminar. Voltado para multidão, com os braços abertos, o sacerdote repete, Como faz ainda hoje: “O Senhor esteja convosco! Oremos!”, e tem lugar a oração dos fiéis. De pé, também com os braços abertos, na posição tão bela dos orantes e das orantes cujas figuras temos pintadas nas Catacumbas ou esculpidas nos sarcófagos, em silêncio pedem durante alguns minutos o auxílio daquele que se vai fazer carne e sangue no pão e no vinho. Uma última coleta põe termo a esta meditação profunda: “Senhor, nós vos oferecemos hóstias e preces; acolhei-as pelas almas que vos imploram e por todos aqueles que temos em mente. Que essas almas passem da Morte para vida. Amém”. Agora o sacrifício propriamente dito pode começar. A segunda parte da missa assume um caráter mais Augusto. Os catecúmenos, os penitentes e mesmo os Pagão simpatizantes que estiveram presentes até aqui tem de sair. Os diáconos não falam mais e os fiéis calam-se. É o Bispo, o próprio pontífice, quem passa a oficiar. O primeiro gesto é a oferenda. No Tempo da Igreja Primitiva, compreendia duas partes que, nos nossos dias, parecem tão diferentes uma da outra que ninguém pensa em aproximá-las: o peditório e o Ofertório. De fato, são a mesma coisas. Para se unir ao sacrifício, cada fiel deve fazer uma oferta; dá-se o pão e o vinho que hão de ser consagrados (encontra-se alguma coisa desse antigo uso não somente no peditório, tão depreciado, mas ainda no costume de convidar os fiéis a colocarem eles mesmos no cibório a hóstia que será consagrada para a sua comunhão). Dá-se também esmolas para os pobres, para as viúvas e para os que são assistidos pela comunidade. Os diáconos separam as esmolas do resto das oferendas e colocam o pão e o vinho sobre o altar. Não há certeza de que, antes do século V, durante esse tempo se entidade qualquer salmo ou hino; mas, depois de tudo preparado, o celebrante recita uma oração coletiva em nome de toda assistência: “Oremos, meus irmãos, para que este sacrifício, meu e vosso, seja favorávelmente acolhido por Deus”. Os fiéis é respondem amém, é a seguir o sacerdote, pelas orações chamadas secretas (reservadas à plebs secreta, ao povo escolhido dos fiéis), pede ao Senhor que, em troca desses dons terrenos, conceda ao seu povo os dons do céu e da eternidade. E agora o momento mais solene de toda a cerimônia; pela vontade do seu representante, Cristo vai estar presente nas espécies eucarísticas. É o prefácio e o cânon; é a consagração. O pontífice Convida os fiéis ao máximo fervor. “corações ao alto! — nós os temos no Senhor! Demos Graças a Deus! Sim, é digno e justo!”. E o celebrante continua: “sim, é verdadeiramente digno e justo que nós nos rendamos graças, ó Senhor, ó Santo, ó pai todo poderoso e eterno!”. Enumera os benefícios de Deus e lembra os grandes mistérios da Encarnação e da Redenção. Vem-lhe aos lábios as palavras do Evangelho, numa improvisação mística. E esta súplica, este apelo a Deus sobre a terra termina com o Grito 3 vezes repetido: Santo, Santo, Santo…. Com as mãos estendidas sobre o pão e o vinho, como podemos ver em uma pintura das catacumbas. O sacerdote repete as palavras pronunciadas por Cristo na Última Ceia. O espírito santo desce entre as almas dos fiéis e o sacrifício aceito por pelo Todo Poderoso. A última parte da missa é a comunhão. O sacerdote parte o pão como fez Cristo; é a fração do pão, que pela sua importância, que muitas vezes dá o nome a toda a missa. Pronuncia-se então uma prece encantadora — a prece da unidade — que a didaqué nos transcreve: “Assim como este pão estava disperso nos seus elementos pelas Colinas, e agora se encontra reunido, permiti, senhor, que a nossa Igreja se reúna de todas as extremidades da terra…” É o instante em que todos os presentes vão tomar parte no repasto sagrado, todos aqueles que são santos e puros, porque os outros devem ser sair, expulsos por uma fórmula categórica na qual se citam, muito a propósito, as palavras do Evangelho: “Não lanceis aos cães as coisas santas”. Os comungantes — e a palavra aqui ganha o seu verdadeiro sentido — trocam entre si o beijo da Paz. Cada um se aproxima do pontífice, que já comungou, seguido dos sacerdotes e diáconos. O Bispo coloca na mão direita de cada comungante um Pedaço de Pão, dizendo: Corpus Christi. Depois o diácono oferece o cálice que contém o vinho: sanguis Christi cálix vitae, e o amém que o fiel murmura não é uma simples fórmula, mas um ato de fé nesse Cristo que está presente nele, a expressão de sua esperança e do seu amor. Acaba agora missa. Reza-se uma oração coletiva para agradecer a Deus os seus benefícios. “Nós vos damos graças, pai santo, pelo vosso Santo Nome, que fizestes habitar em nossos corações, pelo conhecimento que nos destes, pela fé e imortalidade que nos revelastes por meio de Jesus…”. Respondo-lhe um grito de alegria, um imenso Hosana. Depois, ajoelhada, a assistência recebe a benção do bispo e escuta essa “oração sobre o povo” que o reúne uma última vez diante de Deus: “ide, a missa está dita!”. Já o dia desponta no Oriente. Os fiéis voltam para suas casas com a alma repleta de felicidade. A vida poderá trazer-lhes os seus sofrimentos e os seus perigos, mas eles têm cristo dentro de si. Bibliografia: Daniel Rops, A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Cristologia #Igreja
- Verdade sobre a Inquisição Espanhola (Thomas F. Madden)
A cena é em uma sala simples com uma porta à esquerda. Um jovem agradável, atormentado por perguntas tediosas e irrelevantes, exclama em tom frustrado: “Eu não esperava um tipo de Inquisição Espanhola”. De repente, a porta se abre para revelar o cardeal Ximinez ladeado pelo cardeal Fang e pelo cardeal Biggles. “Ninguém espera a inquisição espanhola!” Ximinez grita. “Nossa principal arma é surpresa … surpresa e medo … medo e surpresa … Nossas duas armas são medo e surpresa … e eficiência implacável … Nossas três armas são medo, surpresa e eficiência inescrupulosa…. e uma devoção quase fanática ao papa … Nossas quatro … não … Entre nossas armas … entre nosso armamento – existem elementos como o medo, a surpresa … Eu entrarei de novo. ” Qualquer pessoa que não viva sob uma rocha nos últimos 30 anos provavelmente reconhecerá essa famosa cena do Flying Circus do Monty Python. Nesses esboços, três inquisidores inaptos, vestidos de vermelho-escarlate, torturam suas vítimas com instrumentos como travesseiros e cadeiras confortáveis. A coisa toda é engraçada porque o público sabe muito bem que a Inquisição Espanhola não era nem inepta nem confortável, mas implacável, intolerante e mortal. Não é preciso ter lido The Pit and the Pendulum, de Edgar Allan Poe, para ter ouvido falar das masmorras escuras, dos religiosos sádicos e das terríveis torturas da Inquisição Espanhola. O cavalete, a dama de ferro, as fogueiras em que a Igreja Católica despejou seus inimigos aos milhões: todos esses são ícones familiares da Inquisição Espanhola firmados em nossa cultura. Esta imagem da Inquisição Espanhola é útil para aqueles que têm pouco amor pela Igreja Católica. Qualquer um que deseje bater na Igreja sobre a cabeça e os ombros não demorará muito para agarrar seus dois porretes favoritos: as Cruzadas e a Inquisição Espanhola. Eu lidei com as Cruzadas em uma edição anterior da CRISIS (ver “A História Real das Cruzadas”, abril de 2002). Agora para o outro porrete. Para entender a Inquisição Espanhola, que começou no final do século XV, devemos olhar brevemente para sua antecessora, a Inquisição medieval. Antes de fazermos, porém, vale a pena ressaltar que o mundo medieval não era o mundo moderno. Para as pessoas medievais, a religião não era algo que se fazia na igreja. Foi sua ciência, sua filosofia, sua política, sua identidade e sua esperança de salvação. Não era uma preferência pessoal, mas uma verdade permanente e universal. A heresia, então, atingia o coração dessa verdade. Ela condenava o herege, colocava em perigo as pessoas próximas a ele e destruia o tecido da comunidade. Os europeus medievais não estavam sozinhos nessa visão. Foi compartilhado por inúmeras culturas ao redor do mundo. A prática moderna da tolerância religiosa universal é em si mesma bastante nova e singularmente ocidental. Líderes seculares e eclesiásticos da Europa medieval abordaram heresias de maneiras diferentes. A lei romana equiparava heresia a traição. Por quê? Porque o reinado foi dado por Deus, tornando assim a heresia um desafio inerente à autoridade real. Os hereges dividiam as pessoas, causando inquietação e rebelião. Nenhum cristão duvidava que Deus puniria uma comunidade que permitisse que a heresia criasse raízes e se espalhasse. Reis e plebeus, portanto, tinham boas razões para encontrar e destruir os hereges onde quer que os encontrassem – e eles o fizeram com entusiasmo. Um dos mitos mais persistentes da Inquisição é que foi uma ferramenta de opressão imposta a europeus indispostos por uma Igreja faminta por poder. Nada poderia estar mais errado. Na verdade, a Inquisição trouxe ordem, justiça e compaixão para combater as perseguições populares e seculares de hereges. Quando as pessoas de uma aldeia reuniram um herege suspeito e o levaram ao senhor local, como ele seria julgado? Como poderia um leigo analfabeto determinar se as crenças do acusado eram heréticas ou não? E como as testemunhas foram ouvidas e examinadas? A Inquisição medieval começou em 1184, quando o papa Lúcio III enviou uma lista de heresias aos bispos da Europa e ordenou-lhes que desempenhassem um papel ativo para determinar se os acusados de heresia eram, de fato, culpados. Em vez de depender de tribunais seculares, senhores locais ou apenas multidões, os bispos deveriam fazer com que os hereges acusados em suas dioceses fossem examinados por clérigos instruídos usando as leis romanas de evidência. Em outras palavras, eles deveriam “inquirir” – assim, o termo “inquisição”. Do ponto de vista das autoridades seculares, os hereges eram traidores de Deus e do rei e, portanto, mereciam a morte. Do ponto de vista da Igreja, no entanto, hereges foram ovelhas perdidas que se desviaram do rebanho. Como pastores, o papa e os bispos tinham o dever de trazer aquelas ovelhas de volta ao rebanho, assim como o Bom Pastor lhes havia ordenado. Assim, enquanto os líderes seculares medievais tentavam salvaguardar seus reinos, a Igreja estava tentando salvar almas. A Inquisição forneceu um meio para os hereges escaparem da morte e retornarem à comunidade. A maioria das pessoas acusadas de heresia pela Inquisição medieval foi absolvida ou sua sentença suspensa. Aqueles que foram considerados culpados de grave erro foram autorizados a confessar seus pecados, fazer penitência e serem restaurados ao Corpo de Cristo. A suposição subjacente da Inquisição era que, como ovelhas perdidas, os hereges simplesmente se desviaram. Se, no entanto, um inquisidor determinou que uma determinada ovelha se afastou propositalmente do rebanho, não havia mais nada que pudesse ser feito. Os hereges não arrependidos ou obstinados foram excomungados e entregues às autoridades seculares. Apesar do mito popular, a Igreja não queimava hereges. Foram as autoridades seculares que consideraram a heresia uma ofensa capital. O simples fato é que a Inquisição medieval salvou milhares de pessoas inocentes (e até mesmo não tão inocentes) que, de outra forma, teriam sido assadas pelos senhores seculares ou pelo poder da multidão. À medida que o poder dos papas medievais crescia, também crescia a extensão e a sofisticação da Inquisição. A introdução dos franciscanos e dominicanos no início do século XIII proporcionou ao papado um corpo de dedicados religiosos dispostos a dedicar suas vidas à salvação do mundo. Como sua ordem fora criada para debater com os hereges e pregar a fé católica, os dominicanos tornaram-se especialmente ativos na Inquisição. Seguindo os códigos de lei mais progressistas do dia, a Igreja no século 13 formou tribunais inquisitoriais respondendo a Roma em vez de bispos locais. Para garantir justiça e uniformidade, foram escritos manuais para funcionários inquisitoriais. Bernard Gui, mais conhecido hoje como o inquisidor fanático e maligno em O Nome da Rosa, escreveu um manual particularmente influente. Não há razão para acreditar que Gui tenha sido parecido com o seu retrato fictício. No século XIV, a Inquisição representava as melhores práticas jurídicas disponíveis. Os funcionários da inquisição eram especialistas em direito e teologia treinados em universidades. Os procedimentos eram similares àqueles usados em inquisições seculares (nós os chamamos de “inquéritos” hoje, mas é a mesma palavra). O poder dos reis aumentou dramaticamente no final da Idade Média. Os governantes seculares apoiaram fortemente a Inquisição porque a viam como uma maneira eficiente de garantir a saúde religiosa de seus reinos. No máximo os reis culparam a Inquisição por serem muito lenientes aos hereges. Como em outras áreas de controle eclesiástico, as autoridades seculares no final da Idade Média começaram a tomar a Inquisição, removendo-a da supervisão papal. Na França, por exemplo, funcionários reais assistidos por acadêmicos da Universidade de Paris assumiram o controle da Inquisição Francesa. Os reis justificaram isso com base na crença de que sabiam melhor do que o papa distante como lidar melhor com a heresia em seus próprios reinos. Essas dinâmicas ajudariam a formar a Inquisição Espanhola – mas havia outras também. A Espanha foi em muitos aspectos bastante diferente do resto da Europa. Conquistada pela jihad muçulmana no século VIII, a península ibérica tinha sido um local de guerra quase constante. Como as fronteiras entre os reinos muçulmano e cristão mudaram rapidamente ao longo dos séculos, era do interesse da maioria dos governantes praticar um grau razoável de tolerância para outras religiões. A capacidade de muçulmanos, cristãos e judeus viverem juntos, chamada de convivencia pelos espanhóis, era uma raridade na Idade Média. De fato, a Espanha era o lugar mais diversificado e tolerante da Europa medieval. A Inglaterra expulsou todos os seus judeus em 1290. A França fez o mesmo em 1306. No entanto, na Espanha, os judeus prosperaram em todos os níveis da sociedade Mas talvez fosse inevitável que as ondas de antissemitismo que varreram a Europa medieval acabassem por chegar à Espanha. Inveja, ganância e credulidade levaram a crescentes tensões entre cristãos e judeus no século XIV. Durante o verão de 1391, aglomerações urbanas em Barcelona e outras cidades se espalharam pelos bairros judeus, cercaram os judeus e deram a eles uma escolha de batismo ou morte. A maioria preferiu o batismo. O rei de Aragão, que fez o melhor que pôde para impedir os ataques, mais tarde lembrou aos seus súditos de doutrina da Igreja bem estabelecida sobre o assunto dos batismos forçados – eles não contam. Ele decretou que qualquer judeu que aceitasse o batismo para evitar a morte poderia retornar à sua religião. Mas a maioria desses novos conversos decidiu permanecer católica. Havia muitas razões para isso. Alguns acreditavam que a apostasia os tornava impróprios para serem judeus. Outros temiam que retornar ao judaísmo os deixasse vulneráveis a futuros ataques. Outros ainda viram seu batismo como uma maneira de evitar o crescente número de restrições e tributos impostos aos judeus. Com o passar do tempo, os conversos se estabeleceram em sua nova religião, tornando-se tão piedosos quanto outros católicos. Seus filhos foram batizados no nascimento e criados como católicos. Mas eles permaneceram em um submundo cultural. Embora cristãos, a maioria dos conversos ainda falava, vestia-se e comia como judeus. Muitos continuaram a viver em bairros judeus, de modo a estar perto de membros da família. A presença de conversos teve o efeito de cristianizar o judaísmo espanhol. Isso, por sua vez, levou a um fluxo constante de conversões voluntárias para o catolicismo. Em 1414, um debate foi realizado em Tortosa entre líderes cristãos e judeus. O próprio papa Bento XIII compareceu. Do lado cristão estava o médico papal, Jerônimo de Santa Fé, que havia se convertido recentemente do judaísmo. O debate provocou uma onda de novas conversões voluntárias. Só em Aragão, 3.000 judeus receberam o batismo. Tudo isso causou uma boa dose de tensão entre aqueles que permaneceram judeus e aqueles que se tornaram católicos. Os rabinos espanhóis, depois de 1391, haviam considerado conversos como judeus, uma vez que haviam sido forçados ao batismo. No entanto, em 1414, os rabinos enfatizaram repetidamente que os conversos eram de fato cristãos verdadeiros, uma vez que haviam voluntariamente saído do judaísmo. Em meados do século XV, toda uma nova cultura converso estava florescendo na Espanha – judaica em etnia e cultura, mas católica na religião. Os conversos, sejam eles novos convertidos ou os descendentes de convertidos, orgulhavam-se enormemente dessa cultura. Alguns até afirmaram que eram melhores que os “velhos cristãos”, já que, como judeus, eram relacionados pelo sangue ao próprio Cristo. Quando o converso bispo de Burgos, Alonso de Cartagena, rezou a Ave Maria, ele dizia com orgulho: “Santa Maria, Mãe de Deus e minha parente de sangue, rogai por nós pecadores”. A expansão da riqueza e do poder na Espanha levou a uma reação contrária, particularmente entre os velhos cristãos aristocráticos e de classe média. Eles se ressentiram da arrogância dos conversos e invejaram seus sucessos. Vários folhetos foram escritos demonstrando que virtualmente toda linhagem nobre na Espanha havia sido infiltrada por conversos. Teorias de conspiração anti-semitas abundaram. Os conversos, dizia-se, faziam parte de uma elaborada trama judaica para apoderar-se da nobreza espanhola e da Igreja Católica, destruindo ambos de dentro. Os conversos, segundo essa lógica, não eram cristãos sinceros, mas judeus secretos. A erudição moderna demonstrou definitivamente que, como a maioria das teorias da conspiração, essa era pura imaginação. A grande maioria dos conversos eram bons católicos que simplesmente se orgulhavam de sua herança judaica. Surpreendentemente, muitos autores modernos – na verdade, muitos autores judeus – abraçaram essas fantasias anti-semitas. Hoje é comum ouvir que os conversos eram realmente judeus secretos, lutando para manter sua fé escondida sob a tirania do catolicismo. Até mesmo o American Heritage Dictionary descreve “converso” como “um judeu espanhol ou português que se converteu ao cristianismo no final da Idade Média para evitar a perseguição ou a expulsão, embora muitas vezes continuassem praticando o judaísmo em segredo”. Isso é simplesmente falso. Mas a constante batida de acusações convenceu o rei Fernando e a rainha Isabela de que a questão dos judeus secretos deveria pelo menos ser investigada. Respondendo ao seu pedido, o Papa Sisto IV emitiu uma bula em 1 de novembro de 1478, permitindo que a coroa formasse um tribunal inquisitorial consistindo de dois ou três padres com mais de 40 anos. Como era agora o costume, os monarcas teriam autoridade completa sobre os inquisidores e a inquisição. Fernando, que tinha muitos judeus e conversos em sua corte, não ficou inicialmente muito entusiasmado com a coisa toda. Dois anos se passaram antes que ele finalmente nomeasse dois homens. Assim começou a Inquisição Espanhola. O rei Fernando parece ter acreditado que o inquérito iria fazer pouco. Ele estava errado. Um barril de ressentimento e ódio explodiu em toda a Espanha, quando os inimigos dos conversos – tanto cristãos quanto judeus – saíram da toca para denunciá-los. ressentimento e oportunismo foram os principais motivadores. No entanto, o volume de acusações sobrecarregou os inquisidores. Eles pediram e receberam mais assistentes, mas quanto maior a Inquisição se tornava, mais acusações recebiam. Por fim, até Fernando estava convencido de que o problema dos judeus secretos era real. Neste estágio inicial da Inquisição Espanhola, cristãos e judeus antigos usavam os tribunais como uma arma contra seus inimigos conversos. Como o único propósito da Inquisição era investigar conversos, os cristãos antigos não tinham nada a temer com isso. Sua fidelidade à fé católica não estava sob investigação (embora estivesse longe de ser pura). Quanto aos judeus, eles eram imunes à Inquisição. Lembre-se, o propósito de uma inquisição era encontrar e corrigir as ovelhas perdidas do rebanho de Cristo. Não tinha jurisdição sobre outros rebanhos. Aqueles que obtiverem sua história da História do Mundo de Mel Brooks, Parte I, talvez fiquem surpresos em saber que todos aqueles judeus que sofrem várias torturas nas masmorras da Inquisição Espanhola são nada mais que um produto da fértil imaginação de Brooks. Os judeus da Espanha não tinham nada a temer da Inquisição Espanhola. Nos primeiros anos em rápida expansão, houve muitos abusos e confusões. A maioria dos conversos acusados foi absolvida, mas não todos. Queimadas bem divulgadas – muitas vezes por causa do falso testemunho falso – justificadamente amedrontavam outros conversos. Aqueles com inimigos muitas vezes fugiram da cidade antes que pudessem ser denunciados. Onde quer que olhassem, os inquisidores encontravam mais acusadores. Quando a Inquisição se expandiu para Aragão, os níveis de histeria alcançaram novas alturas. O Papa Sisto IV tentou acabar com isso. Em 18 de abril de 1482, ele escreveu aos bispos da Espanha: Em Aragão, Valência, Maiorca e Catalunha, a Inquisição foi, durante algum tempo, movida não pelo zelo pela fé e pela salvação das almas, mas pela luxúria. Muitos cristãos verdadeiros e fiéis, no testemunho de inimigos, rivais, escravos e outras pessoas inferiores e até menos apropriadas, foram, sem qualquer prova legítima, lançadas em prisões seculares, torturadas e condenadas como heréticos recaídos, privados de seus bens e propriedades e entregues ao braço secular para serem executadas, para o perigo das almas, estabelecendo um exemplo pernicioso e causando desgosto a muitos. Sisto ordenou que os bispos assumissem um papel direto em todos os tribunais futuros. Eles deveriam assegurar que as normas de justiça bem estabelecidas da Igreja fossem respeitadas. O acusado deveria ter um advogado e o direito de apelar para Roma. Na Idade Média, os comandos do papa teriam sido obedecidos. Mas esses dias foram embora. O rei Fernando ficou indignado quando ouviu a carta. Ele escreveu para Sisto, sugerindo abertamente que o papa havia sido subornado com ouro converso. Coisas me disseram, Santo Padre, que, se for verdade, parece merecer o maior assombro. . . Para esses rumores, no entanto, não acreditamos porque parecem ser coisas que de nenhuma maneira teriam sido concedidas por Sua Santidade, que tem o dever com a Inquisição. Mas se por acaso concessões foram feitas através da persuasão persistente e astuta dos conversos, eu pretendo nunca deixar que elas tenham efeito. Tome cuidado, portanto, para não deixar que o assunto vá além, revogue quaisquer concessões e nos confie com o cuidado desta questão. Esse foi o fim do papel do papado na Inquisição Espanhola. De agora em diante seria um braço da monarquia espanhola, separado da autoridade eclesiástica. É estranho, então, que a Inquisição Espanhola seja tantas vezes descrita hoje como um dos grandes pecados da Igreja Católica. A Igreja Católica, como instituição, não teve quase nada a ver com isso. Em 1483, Fernando nomeou Tomás de Torquemada como inquisidor-geral para a maior parte da Espanha. Foi tarefa de Torquemada estabelecer regras de evidência e procedimento para a Inquisição, bem como estabelecer filiais nas principais cidades. Sisto confirmou a consulta, esperando que isso trouxesse alguma ordem para a situação. Infelizmente, o problema só virou bola de neve. Esse foi um resultado direto dos métodos empregados pela antiga Inquisição espanhola, que se desviaram significativamente dos padrões da Igreja. Quando os inquisidores chegavam a uma determinada área, anunciavam um Edito da Graça. Este era um período de 30 dias em que judeus secretos podiam voluntariamente se manifestar, confessar seus pecados e fazer penitência. Este era também um momento para outros com informações sobre os cristãos praticando o judaísmo em segredo para torná-los conhecidos para o tribunal. Aqueles considerados culpados após os 30 dias decorridos poderiam ser queimados na fogueira. Para os conversos, então, a chegada da Inquisição certamente focalizou a mente. Eles geralmente tinham muitos inimigos, qualquer um dos quais poderia decidir dar falso testemunho. Ou talvez suas práticas culturais fossem suficientes para condenação? Quem sabia? A maioria dos conversos, portanto, fugiam ou se alinhava para confessar. Aqueles que não o fizeram arriscaram uma investigação na qual qualquer tipo de boato ou evidência, não importando a sua idade ou suspeita, era aceitável. A oposição na hierarquia da Igreja Católica à Inquisição Espanhola só aumentou. Muitos eclesiásticos salientaram que era contrário a todas as práticas aceitas para os hereges serem queimados sem instrução na fé. Se os conversos eram culpados, era apenas ignorância, não heresia intencional. Numerosos clérigos nos níveis mais altos reclamaram a Fernando. A oposição à Inquisição Espanhola também continuou em Roma. O sucessor de Sisto, Inocêncio VIII, escreveu duas vezes ao rei pedindo maior compaixão, misericórdia e clemência para os conversos – mas sem sucesso. À medida que a Inquisição Espanhola acelerou, os envolvidos ficaram cada vez mais convencidos de que os judeus da Espanha estavam ativamente seduzindo os conversos de volta à sua antiga fé. Foi uma ideia tola, não mais real do que as teorias conspiratórias anteriores. Mas Fernando e Isabela foram influenciados por isso. Ambos os monarcas tinham amigos e confidentes judeus, mas também sentiam que seu dever para com seus súditos cristãos os impelia a remover o perigo. Começando em 1482, eles expulsaram os judeus de áreas específicas onde o problema parecia maior. Durante a década seguinte, porém, eles estavam sob crescente pressão para remover a ameaça percebida. A Inquisição Espanhola, argumentou-se, nunca conseguiria trazer os conversos de volta ao rebanho enquanto os judeus minavam seu trabalho. Finalmente, em 31 de março de 1492, os monarcas emitiram um decreto expulsando todos os judeus da Espanha. Fernando e Isabela esperavam que seu decreto resultasse na conversão da maioria dos judeus remanescentes em seu reino. Eles estavam em grande parte corretos. Muitos judeus em altas posições, incluindo os da corte real, aceitaram o batismo imediatamente. Em 1492, a população judaica da Espanha era de cerca de 80.000. Cerca de metade foram batizados e, assim, mantiveram suas propriedades e meios de subsistência. Os demais partiram, mas muitos deles acabaram retornando à Espanha, onde receberam o batismo e tiveram suas propriedades restauradas. No que dizia respeito à Inquisição Espanhola, a expulsão dos judeus significava que o número de conversos era agora muito maior. Os primeiros 15 anos da Inquisição Espanhola, sob a direção de Torquemada, foram os mais mortíferos. Aproximadamente 2.000 conversos foram colocados nas chamas. Por volta de 1500, no entanto, a histeria se acalmara. O sucessor de Torquemada, o cardeal arcebispo de Toledo, Francisco Jiménez de Cisneros, trabalhou arduamente para reformar a Inquisição, removendo as más maçãs e os procedimentos de reforma. Cada tribunal recebeu dois inquisidores dominicanos, um consultor jurídico, um policial, um promotor e um grande número de assistentes. Com exceção dos dois dominicanos, todos eles eram oficiais leigos reais. A Inquisição Espanhola foi em grande parte financiada por confiscos, mas estes não eram freqüentes ou grandes. De fato, mesmo em seu auge, a Inquisição estava sempre apenas cumprindo suas metas. Após as reformas, a Inquisição Espanhola teve muito poucos críticos. Contando com profissionais jurídicos bem-educados, foi um dos órgãos judiciais mais eficientes e compassivos da Europa. Nenhum tribunal importante na Europa executou menos pessoas do que a Inquisição Espanhola. Esta era uma época, afinal de contas, onde danificar arbustos em um jardim público em Londres levava à pena de morte. Em toda a Europa, as execuções eram eventos cotidianos. Mas não é assim com a Inquisição Espanhola. Em seus 350 anos de vida, apenas cerca de 4.000 pessoas foram colocadas na estaca. Compare isso com a caça às bruxas que se espalhou pelo resto da Europa católica e protestante, na qual 60.000 pessoas, a maioria mulheres, foram assadas. A Espanha foi poupada dessa histeria precisamente porque a Inquisição Espanhola a deteve na fronteira. Quando as primeiras acusações de bruxaria surgiram no norte da Espanha, a Inquisição enviou seu pessoal para investigar. Esses estudiosos jurídicos treinados não encontraram nenhuma evidência crível para os sabbaths das bruxas, a magia negra ou a torra de bebê. Também foi notado que aqueles que confessavam a feitiçaria tinham uma curiosa incapacidade de voar através dos buracos de fechadura. Enquanto os europeus jogavam as mulheres em fogueiras com abandono, a Inquisição Espanhola fechou a porta contra essa insanidade. (Para o registro, a Inquisição Romana também deteve a mania de bruxa de infectar a Itália.) E as masmorras escuras e câmaras de tortura? A Inquisição Espanhola tinha cadeias, é claro. Mas elas não eram especialmente escuros nem parecidas com masmorras. De fato, no que diz respeito às prisões, elas foram amplamente consideradas as melhores da Europa. Havia até mesmo casos de criminosos na Espanha propositalmente blasfemando para serem transferidos para as prisões da Inquisição. Como todos os tribunais da Europa, a Inquisição Espanhola usou tortura. Mas isso acontecia com menos frequência que outros tribunais. Pesquisadores modernos descobriram que a Inquisição Espanhola aplicava tortura em apenas 2% de seus casos. Cada instância de tortura foi limitada a um máximo de 15 minutos. Em apenas 1% dos casos, a tortura foi aplicada duas vezes e nunca pela terceira vez. A conclusão inescapável é que, pelos padrões de seu tempo, a Inquisição Espanhola foi positivamente esclarecida. Essa foi a avaliação da maioria dos europeus até 1530. Foi então que a Inquisição Espanhola desviou sua atenção dos conversos para a nova Reforma Protestante. O povo da Espanha e seus monarcas estavam determinados que o protestantismo não se infiltraria em seu país como tinha na Alemanha e a França. Os métodos da Inquisição não mudaram. Execuções e tortura continuavam raras. Mas seu novo alvo mudaria para sempre sua imagem. Em meados do século XVI, a Espanha era o país mais rico e poderoso da Europa. O rei Filipe II viu a si mesmo e seus compatriotas como fiéis defensores da Igreja Católica. Menos ricos e menos poderosos eram as áreas protestantes da Europa, incluindo a Holanda, o norte da Alemanha e a Inglaterra. Mas elas tinham uma nova arma poderosa: a imprensa. Embora os espanhóis derrotassem os protestantes no campo de batalha, perderiam a guerra de propaganda. Estes foram os anos em que a famosa “Lenda Negra” da Espanha foi forjada. Inúmeros livros e panfletos saíram das imprensas do norte acusando o Império Espanhol de depravação desumana e horríveis atrocidades no Novo Mundo. Espanha opulenta foi lançada como um lugar de escuridão, ignorância e maldade. Embora os estudiosos modernos tenham descartado há muito tempo a Lenda Negra, ela ainda permanece muito viva hoje. Rápido: Pense em um bom conquistador. A propaganda protestante que almejava a Inquisição Espanhola extraiu generosamente da Lenda Negra. Mas também tinha outras fontes. Desde o início da Reforma, os protestantes tiveram dificuldade em explicar a lacuna do século XV entre a instituição de Cristo de Sua Igreja e a fundação das igrejas protestantes. Os católicos naturalmente apontaram esse problema, acusando os protestantes de terem criado uma nova igreja separada da de Cristo. Os protestantes contra-argumentavam que a igreja deles era a criada por Cristo, mas que fora forçada a se esconder pela Igreja Católica. Portanto, assim como o Império Romano perseguiu os cristãos, também seu sucessor, a Igreja Católica Romana, continuou a persegui-los durante toda a Idade Média. Inconvenientemente, não havia protestantes na Idade Média, mas os autores protestantes os encontravam de qualquer maneira sob a forma de várias heresias medievais. (Afinal, eles eram subterrâneos). Sob essa luz, a Inquisição medieval nada mais era do que uma tentativa de esmagar a igreja oculta e verdadeira. A Inquisição Espanhola, ainda ativa e extremamente eficiente em manter os protestantes fora da Espanha, era para os escritores protestantes a última versão dessa perseguição. Misture-se liberalmente com a Lenda Negra e você terá tudo o que precisa para produzir folhetos sobre a horrível e cruel Inquisição Espanhola. E assim eles fizeram. O povo espanhol amava sua inquisição. É por isso que durou tanto tempo. Ficava de guarda contra o erro e a heresia, protegendo a fé da Espanha e assegurando o favor de Deus. Mas o mundo estava mudando. Com o tempo, o império da Espanha desapareceu. Riqueza e poder mudaram para o norte, em particular para a França e a Inglaterra. No final do século 17, novas idéias de tolerância religiosa estavam borbulhando nos cafés e salões da Europa. As inquisições, católicas e protestantes, murcharam. Os espanhóis teimosamente seguraram a deles e, por isso, foram ridicularizados. Os filósofos franceses como Voltaire viam na Espanha um modelo da Idade Média: fraco, bárbaro, supersticioso. A Inquisição Espanhola, já estabelecida como uma ferramenta sanguinária de perseguição religiosa, foi ridicularizada pelos pensadores do Iluminismo como uma arma brutal de intolerância e ignorância. Uma nova e fictícia Inquisição espanhola foi construída, projetada pelos inimigos da Espanha e da Igreja Católica. Por ser profissional e eficiente, a Inquisição Espanhola manteve registros muito bons. Grandes arquivos estão cheios deles. Esses documentos eram mantidos em segredo, de modo que não havia razão para os escribas fazerem nada além de registrar com exatidão todas as ações da Inquisição. Eles são uma mina de ouro para historiadores modernos que mergulharam avidamente neles. Até agora, os frutos dessa pesquisa tornaram uma coisa muito clara – o mito da Inquisição Espanhola não tem nada a ver com a coisa real. Thomas F. Madden é professor associado e presidente do Departamento de História da Saint Louis University. Ele é o autor de numerosas obras, incluindo mais recentemente A Concise History ofthe Crusades (Rowman & Littlefield, 1999) e Enrico Dandolo and the Rise of Venice (Johns Hopkins University Press, 2003). Traduzido de: https://www.catholicculture.org/culture/library/view.cfm?recnum=5236
- AMARÁS!
A essência da Escritura é AMAR sempre (Deuteronômio, 6,5; Levítico, 19,18; Mateus, 22,35-40). E ao falar sobre o AMOR Jesus ensina uma Tradição bem antiga. Ambos os versículos Deuteronômio 6,5 e Levítico 19,18 têm início com uma mesma PALAVRA: “AMARÁS”. A Tradição rabínica nos ensina que textos bíblicos escritos de maneira semelhante também estão relacionados com conteúdos semelhantes. O Conteúdo é o AMOR (Compaixão). Veja como o ensino de Jesus (Mateus 22,35-40) se harmoniza perfeitamente com a Tradição positiva (Mateus 5,17). O CAMINHO SALVÍFICO É ÚNICO, É JESUS, PORQUE DEUS É AMOR. JESUS é a expressão plena do AMOR de DEUS entre nós e por nós. O fundamento do AMOR AO PRÓXIMO é este: “AMA O TEU PRÓXIMO COMO SE ELE FOSSE TU!” O Amor incondicional a Deus e ao próximo é que nos leva mais adiante e nos conduz ao Pai Eterno: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas.” (Mateus, 7,12). E este AMOR pleno e incondicional a Deus que passa pelo AMOR ao próximo, de forma objetiva e clara, faz parte da teologia de São Paulo: “a fé que opera pela caridade” (Gálatas 5,6). É impossível AMAR A CRISTO JESUS sem SERVIR AO PRÓXIMO por AMOR a DEUS: “…Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade, porque toda a lei se encerra num só preceito: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gálatas, 5,13-14 – cf, Levítico, 19,18).” #Igreja
- APROXIMAI-VOS DE DEUS E FICAREIS LUMINOSOS (São Gregório de Agrigento, bispo)
Suave, diz o Eclesiastes, é esta luz e extremamente bom, para nossos olhos penetrantes, é contemplar o sol esplêndido. Pois sem a luz o mundo não teria beleza, a vida não seria vida. Por isto, já de antemão, o grande contemplador de Deus, Moisés, disse: E Deus viu a luz e declarou-a boa. Porém é conveniente para nós pensar naquela grande, verdadeira e eterna luz que ilumina a todo homem que vem a este mundo, quer dizer, Cristo, salvador e redentor do mundo, que, feito homem, quis assumir ao máximo a condição humana. Dele fala o profeta Davi: Cantai a Deus, salmodiai a seu nome, preparai o caminho para aquele que se dirige para o ocaso; Senhor é seu nome; e exultai em sua presença. Suave declarou o Sábio ser a luz e prenunciou ser bom ver com seus olhos o sol da glória, aquele sol que no tempo da divina encarnação disse: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não caminha nas trevas, mas terá a luz da vida. E outra vez: Este o juízo: a luz veio ao mundo. Desta maneira, pela luz do sol, gozo de nossos olhos corporais, anunciou o Sol da justiça espiritual, tão suave àqueles que foram encontrados dignos de conhecê-lo. Viam-no com seus próprios olhos, com ele viviam e conversavam, como um homem qualquer, embora não fosse um qualquer. Era, de fato, verdadeiro Deus que deu vista aos cegos, fez os coxos andar, os surdos ouvir, limpou os leprosos, aos mortos devolveu a vida. Todavia, mesmo agora é realmente delicioso vê-lo com olhos espirituais e contemplar demoradamente sua simples e divina beleza. Além disso, é delicioso, pela união e comunicação com ele, tornar-se luminoso, ter o espírito banhado de doçura e revestido de santidade, adquirir o entendimento e vibrar de uma alegria divina que se estenda a todos os dias da presente vida. O sábio Eclesiastes bem o indicou quando disse: Por muitos anos que viva o homem, em todos eles se alegrará. É evidente que o Autor de toda alegria o é para os que veem o Sol de justiça. Dele disse o profeta Davi: Exultem diante da face de Deus, gozem na alegria; e também: Exultai, ó justos, no Senhor; aos retos convém o louvor. (Do Comentário sobre o Eclesiastes, de São Gregório de Agrigento, bispo – Lib. 10, 2: PG 98,1138-1139 – Séc.VI). #Igreja
- SURSUM CORDA: DEZ SUGESTÕES PARA REVITALIZAR A IMAGINAÇÃO LITERÁRIA – James Conley (Parte XIV)
A morte do arcebispo, de Willa Cather No ano passado, tive a oportunidade de visitar a casa de Willa Cather em Red Cloud, Nebraska. As planícies ao redor de Red Cloud são o que Cather chamava “a matéria-prima com que é feita a nossa região”. Red Cloud é um belo lugar. Basta estar lá para entender porque os céus abertos de Nebraska serviram de inspiração a um dos maiores escritores dos EUA. Mas havendo crescido em Red Cloud, entre 1880 e1890, Cather foi tocada por mais coisas, além do cenário das campinas de Nebraska. Tocaram-na as pessoas que vinham de muitos lugares para cultivar as terras dali. Tocaram-na as pessoas que vinham de cidades distantes com suas famílias para plantar e colher numa terra desconhecida. Foi tocada por sua esperança, seu otimismo, sua coragem — e pelas perdas que suportaram enquanto viajavam em busca de uma vida nova. A morte vem para o arcebispo é um romance histórico. É a narrativa ficcionalizada do primeiro bispo missionário de Santa Fé, que Cather chamou de Jean Marie Latour. A história fala de sua viagem para o Oeste, sua luta para proclamar e viver o Evangelho, sua amizade com um irmão padre e, por fim, sua morte tranqüila. A história me é familiar, pois se assemelha à história do bispo verdadeiro de Santa Fé, Jean Baptiste Lamy, e seu bom amigo, o primeiro bispo de Denver, Joseph Projectus Machebeuf. O que dá vida à obra é o incrível cenário descrito por Cather e o admirável sentido missionário compartilhado pelos dois amigos. Juntos, trabalharam para construir naquela região o reino de Deus, e Cather capturou perfeitamente a sua motivação. Recolheu as histórias que tinha ouvido sobre eles, além dos demais que conheceu em Red Cloud — gente que também tinham percorrido grandes distâncias, esperando e confiando na vontade divina. Cather capturou suas tristezas e seus triunfos. Com sua linguagem concisa, escreveu sobre coisas reais. Veja o espírito de triunfo, a amizade e a alegria de quando a dupla chegou a Santa Fé, muito bem mostrado pela escritora: “O jovem Bispo não estava sozinho na exaltação desse momento. A seu lado cavalgava Padre Joseph Vaillant, seu amigo de infância, que junto dele tinha feito essa longa peregrinação e, com ele, compartilhado todos os perigos. Os dois cavalgavam juntos para Santa Fé, e tudo isso para a glória de Deus.” A morte do arcebispo é uma obra particularmente significativa para os cristãos. Suas imagens são particularmente pungentes para os que amam o Oeste americano. Seus personagens encarnam as mais autênticas virtudes, como a lealdade, a fraternidade e a amizade. Mas A morte do arcebispo é uma história de lutas e de esperanças, de fracassos e de vitórias — uma história de vida e de morte por coisas muito mais importantes do que nós mesmos. (James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015)
- SURSUM CORDA: DEZ SUGESTÕES PARA REVITALIZAR A IMAGINAÇÃO LITERÁRIA – James Conley (Parte XIII)
O renascimento literário anglocatólico Por mais de cem anos, entre 1850 e 1960, alguns escritores ingleses produziram uma literatura católica de qualidade, numa quantidade surpreendente de obras. Alguns deles — como Tolkien, Chesterton e o beato Newman — são muito bem conhecidos. Outros, como Robert Hugh Benson e Hilaire Belloc, ainda não são universalmente reconhecidos. Alguns, como Graham Greene e Evelyn Waugh, debateram-se até o fim da vida acerca do sentido do catolicismo. E um deles até nem foi Católico: C. S. Lewis, autor de uma literatura completamente imbuída de princípios católicos. Criativos e inteligentes, francos e decididos, esses escritores, e muitos de seus amigos e contemporâneos, produziram livros buscando compreender os problemas e perspectivas de nossa época, voltados sempre para Jesus Cristo como fonte eterna da graça. Obras como O poder e a glória, de Greene, ou Breadshead revisited, de Waugh, apresentam personagens com temperamentos e debilidades muitíssimo parecidos com os nossos. Outras obras, como o épico da Terra Média de Tolkien, ou a Trilogia do Espaço de Lewis, produzem universos inteiros que nos remetem para o Cristo. A poesia de Belloc, os ensaios de Chesterton e os sermões de Newman atestam que o Cristo movimenta nosso mundo e nossos próprios corações. Haveria muitas obras que recomendar. Ao abrir os livros desses autores, é preciso estar preparado para rir à vontade, mas também para ver com clareza, numa esplêndida visão, o poder, a ordem, o amor e a glória de Deus. Confesso que tomei conhecimento do Renascimento Literário Anglo-católico durante meus primeiros anos de universidade, e foi lendo esses autores que finalmente me tornei católico. * Amizade entre escritores foi algo bastante incentivado entre os Inklings, grupo informal de escritores que se reunia nos bares de Oxford, de preferência no “A águia e a criança” (que eles preferiam chamar de “O pássaro e o bebê”). Entre seus membros regulares estavam J.R.R. Tolkien, seu filho Christopher Tolkien, C.S. Lewis e o irmão mais velho deste, Warren Lewis. A maioria dos Inklings foram cristãos sérios, e muitos deles verdadeiros católicos. Liam seus trabalhos em conjunto, com comentários, oferecendo sugestões e ajuda quando necessário. Em geral, eram amigos que compreendiam o poder de contar histórias — um poder que produzia virtudes comuns e uma cultura comum. Os Inklings, movimento importante da “renascença literária anglo-católica”, são um modelo para estimular a vida intelectual católica. O espírito do grupo — fomento da amizade, predominância de valores cristãos e uma elevada concepção das artes — continha os elementos que sempre entusiasmaram o pensamento católico. (James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015)
- NOVA DATAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO (Parte 4/11)
NOVA DATAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO (Parte 4/11) Autor: Daniel Iglesias Grèzes Fonte: http://www.infocatolica.com/blog/razones.php Tradução: Carlos Martins Nabeto 4. AS EPÍSTOLAS PAULINAS No início do Capítulo 3 (“As Epístolas Paulinas”, Robinson afirma o seguinte: – “Se ignoramos as soluções excêntricas e a sombra das epístolas controversas, podemos dizer que há um consenso bastante geral sobre a datação da parte central do ministério e da carreira literária de São Paulo, com uma margem de diferença de pouco mais de dois anos para cima ou para baixo. Isto está longe de ser o caso de qualquer outra parte do Novo Testamento: os Evangelhos, os Atos, as demais Epístolas e o Apocalipse. As Epístolas Paulinas constituem, portanto, um importante ponto fixo e um marco, não apenas de cronologia absoluta como também de extensão relativa contra a qual é possível medir outros desenvolvimentos” (p.30). Não obstante, por diversas razões que o autor explica, é impossível determinar com certeza absoluta as datas exatas dos atos da vida de São Paulo (cf. pp.30-32). Robinson sustenta que se deve dar prioridade aos dados cronológicos trazidos pelos escritos de Paulo, preferindo-os aos [dados cronológicos] dos Atos dos Apóstolos; no entanto, afirma que ambos os testemunhos podem ser reconciliados muito bem. Após estas e outras observações preliminares, o autor dedica quase 18 páginas (pp.33-50) a uma tentativa de esboço da cronologia da vida de Paulo, como marco de trabalho para o estudo da cronologia das suas cartas. Robinson parte do dado que considera mais confiável: uma inscrição descoberta em Delfos e publicada em 1905, que permite datar com grande exatidão o proconsulado de Galião na Acaia (cf. Atos 18,12): – “Com maior certeza podemos dizer que Galião assumiu o seu cargo no início do verão do ano 51 e que Paulo compareceu perante ele pouquíssimo tempo depois, provavelmente em maio ou junho” (p.33). Pulando muitas páginas de argumentação erudita, que seria impossível resumir brevemente aqui, indicarei o resultado a que chegou o autor: – “Neste ponto, podemos resumir as nossas conclusões sobre o esboço da carreira de Paulo, recordando que as datas absolutas abaixo não podem ser mais do que aproximadas: 33 – Conversão 35 – 1ª visita a Jerusalém 46 – 2ª visita a Jerusalém (para alívio da fome) 47/48 – 1ª viagem missionária 48 – Concílio de Jerusalém 49/51 – 2ª viagem missionária 52/57 – 3ª viagem missionária 57 – Chegada a Jerusalém 57/59 – Prisão em Cesareia 60/62 – Prisão em Roma” (pp.49-50). Na terceira e última parte do capítulo, Robinson tenta inserir cada uma das cartas de São Paulo dentro do marco geral anteriormente traçado. Após muitas páginas de argumentação erudita (pp.50-78), o autor resume assim as suas conclusões: – “Se as nossas conclusões estiverem corretas, a totalidade da literatura existente de Paulo (sem esquecer que logo em 2Tessalonicenses 3,17 ele fala de “todas as minhas cartas”) parece cair dentro de um período de 9 anos; na verdade, quanto às suas [duas] cartas primeiras cartas (aos Tessalonicenses), encontram-se dentro de um espaço assombrosamente pequeno de 4 anos e meio. Para esclarecer isto, podemos encerrar com um resumo de datas: 50 (início) – 1Tessalonicenses 50 (ou início de 51) –2Tessalonicenses 55 (primavera) – 1Coríntios 55 (outono) – 1Timóteo 56 (início) – 2Coríntios 56 (final) – Gálatas 57 (início) – Romanos 57 (final da primavera) – Tito 58 (primavera) – Filipenses 58 (verão) – Filemon, Colossenses e Efésios 58 (outono) – 2Timóteo Deve-se enfatizar novamente que as datações absolutas poderiam se mover mais ou menos em 1 ano para cima ou para baixo e que o esquema é mais uma tentativa do que uma certeza. Porém, a importância destas conclusões, para as que não são particularmente polêmicas (exceto para as Epístolas Pastorais), é tripla: a) Elas fornecem um critério (ou escala de tempo) razoavelmente fixo para se comparar outras evidências; b) Se de fato a totalidade da carreira literária extremamente diversa de Paulo ocupou um lapso tão breve, isto nos oferece um critério objetivo sobre quanto tempo é necessário dar aos desenvolvimentos na teologia e na prática. Ainda que possa parecer, à primeira vista, extremamente curto, não deveríamos esquecer outras duas regras de medida: todo o ensinamento e ministério de Jesus (…) levou de três a quatro anos. E todo o desenvolvimento do pensamento e da prática do Cristianismo primitivo até a morte de Estêvão e a conversão de Paulo, incluindo a primeira exposição helenística do Evangelho, se deu dentro de um período de duração semelhante. Na verdade Hengel, em seu importante artigo “Christologie und neuetestamentliche Chronologie”, bem argumenta que a etapa crucial do entendimento básico da Igreja sobre Cristo e seu significado esteve representada por 4 ou 5 anos “explosivos”, entre 30 e 35 (…) Os argumentos a priori da Cristologia à cronologia e, na verdade, de qualquer “desenvolvimento” ao tempo por ele requerido são quase que totalmente não-confiáveis. c) A hipótese de trabalho que fizemos, de confiar em Atos até que se provasse o contrário, foi muito reinvindicada substancialmente. Não há praticamente nada no relato de Lucas que choque com a evidência paulina e, na última parte de Atos, as correspondências são notavelmente próximas. Inclusive, nos discursos atribuídos a Paulo e especialmente naqueles em que se pode presumir que Lucas esteve presente (Atos 20 e 22-25), há paralelos que sugerem que estão longe de serem composições puramente livres” (pp.78-79). Como amostra, indicarei apenas alguns dos argumentos expostos por Robinson para chegar a estas conclusões: – “Agora não há quase ninguém que negue a autenticidade de Filemon. Há alguns, especialmente na Alemanha, que questionam Colossenses por razões estilísticas e teológicas. Porém, a interrelação próxima e complexa de nomes como Filemon aponta fortemente para o fato de que essas duas epístolas foram ditadas pela mesma pessoa, ao mesmo tempo, e enviadas para Colossos por Tíquico, na companhia de Onésimo (Colossenses 4,7-9; Filemon 12)” (p.57). A autenticidade de Efésios é bem mais discutida do que a de Colossenses. As duas teses principais sobre esta questão são a tradicional (que atribui a autoria a Paulo) e a de que um discípulo da 2ª geração, que imita Paulo e expõe sua teologia após sua morte. Robinson pensa que é muito mais provável que o próprio Paulo tenha escrito uma carta como Efésios, que coincide em 90 a 95% com seu estilo habitual. A tese contrária enfrenta graves dificuldades: o autor deveria ter combinado uma imitação servil do estilo de Paulo com uma profunda originalidade teológica. Acrescento que seu gênio teológico se mostra, por exemplo, na profunda doutrina sobre o matrimônio (Efésios 5,21-23); os gênios desta magnitude não costumam passar pela história sem deixar outros rastros. Ademais, seria inexplicável o porquê de o imitador ter reproduzido somente a nota pessoal de Efésios 6,21-22 (cf. Colossenses 4,7-9) para acrescentar verossimilitude. Robinson confessa que durante seu estudo sobre o tema mudou de opinião sobre as Cartas Pastorais (1Timóteo, 2Timóteo e Tito). Inicialmente ele, como a maioria dos críticos protestantes, pensava que estas três cartas tinham sido escritas no século II, porque manifestam sinais daquilo que esses críticos costumam denominar “protocatolicismo” (ênfase na sã doutrina, na hierarquia da Igreja etc.). No entanto, após analisar com cuidado o assunto, convenceu-se de que nessas três cartas não há nada que não possa ter sido escrito pelo próprio Paulo e que as numerosas referências pessoais que estas contêm permitem colocá-las, com muita segurança, dentro do marco cronológico da vida de Paulo. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Igreja
- NOVA DATAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO (Parte 3/11)
NOVA DATAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO (Parte 3/11) Autor: Daniel Iglesias Grèzes Fonte: http://www.infocatolica.com/blog/razones.php Tradução: Carlos Martins Nabeto 3. A IMPORTÂNCIA DO ANO 70 No início do Capítulo 2 (“A Importância do Ano 70”), o autor enuncia uma das suas principais teses: – “Um dos fatos mais estranhos do Novo Testamento é que aquele, que em qualquer projeção pareceria ser o evento singular mais datável e culminante do período (a queda de Jerusalém no ano 70 d.C. e, com ela, o colapso do judaísmo institucional baseado no Templo), não é mencionado nem uma só vez como fato passado. É obviamente predito e, pelo menos em alguns casos, assume-se que essas predições foram escritas (ou redigidas) depois do evento; porém, o silêncio é de todas as maneiras tão significativo assim como para Sherlock Holmes em relação ao silêncio do cachorro que não ladrou” (p.14). Em primeiro lugar, Robinson descarta a interpretação de S. G. F. Brandon: esse silêncio seria uma tentativa deliberada de ocultar a simpatia de Jesus e dos primeiros cristãos pelos zelotas revolucionários, cujo levante foi esmagado pelos romanos. Essa interpretação é totalmente arbitrária e recebeu críticas devastadoras por parte de Hengel, Cullmann e muitos outros acadêmicos. Prossegue Robinson: – “Obviamente se tem tentado explicações quanto a esse silêncio. No entanto, a explicação mais simples de todas, de que talvez (…) haja extremamente pouco no Novo Testamento que seja posterior ao ano 70 e que os seus eventos não são mencionados porque ainda não tinham ocorrido, a meu juízo exige mais atenção do que recebeu nos círculos críticos” (p.15). O restante do capítulo é dedicado a examinar a relação dos três Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) com os eventos do ano 70. Em primeiro lugar, Robinson analisa o discurso escatológico de Marcos 13, que começa assim: – “Ao sair do Templo, disse-lhe um dos seus discípulos: ‘Mestre: olha que pedras e que edifícios!’ Jesus lhe respondeu: ‘Vês estas grandes construções? Não restará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada’. E estando Jesus no Monte das Oliveiras, em frente ao Templo, perguntaram-lhe Pedro, Tiago, João e André: ‘Diga-nos quando se darão estas coisas e qual será o sinal de que tudo isto estará a ponto de chegar ao fim” (Marcos 13,1-4). Robinson sublinha que a longa resposta de Jesus não faz qualquer referência à destruição do Templo; a única referência que faz em relação ao Templo é esta alusão implícita: – “Quando virdes a abominação da desolação erigida onde não deve – quem ler, que entenda – então os que estiverem na Judeia que fujam para os montes; quem estiver no telhado, que não desça para pegar nada em sua casa; e quem estiver no campo, que não retorne para pegar o seu manto” (Marcos 13,14-16). É claro que “a abominação da desolação” não pode se referir à profanação e destruição do Templo no ano 70. Já nesse momento seria muito tarde para fugir para os montes da Judeia, porque estes já estavam em poder dos romanos desde o ano 67. É sabido que os cristãos de Jerusalém fugiram para Pela, uma cidade grega da Decápolis, por volta do ano 65, antes do início do sitiamento de Jerusalém. Robinson mostra que o discurso de Marcos 13 é influenciado por dois livros do Antigo Testamento: 1Macabeus e Daniel; mostra também que nesse discurso, em que Jesus exorta os seus discípulos a estarem vigilantes durante os tempos de perseguição que viriam, não há nada que não possa encontrar um paralelo no perídio da História da Igreja coberto pelo livro dos Atos dos Apóstolos. Em segundo lugar, o autor analisa o Evangelho de Mateus. Antes de mais nada, se detém na única passagem evangélica que foi quase unanimemente considerada pelos exegetas como uma profecia retrospectiva sobre a destruição de Jerusalém no ano 70: – “Então pegaram os servos, os maltrataram e mataram. O rei se encolerizou e enviou suas tropas para acabar com aqueles homicidas e incendiou a sua cidade” (Mateus 22,6-7). Apoiando-se em estudos anteriores de K. H. Rengstorfhas e S. Pedersen, Robinson sustenta que Mateus 22,7 representa uma descrição fixa das antigas expedições militares de vingança, que é um lugar-comum na literatura do Oriente Próximo, do Antigo Testamento e dos rabinos, motivo pelo qual não se deve inferir que reflete um acontecimento em particular. Robinson mostra que as verdadeiras profecias “ex eventu” (posteriores ao evento) da destruição de Jerusalém, como as do apocalipse judaico conhecido como 2Baruc e dos Oráculos Sibilinos, descrevem vários detalhes históricos. Assim, alguém procuraria em vão essa espécie de detalhes no Novo Testamento. O autor sublinha que no discurso escatológico de Mateus (capítulo 24), paralelo com o de Marcos, a referência à “abominação da desolação” é explicitamente relacionada com o profeta Daniel (cf. Mateus 24,25). Robinson também destaca que Mateus 24,20 (“Rogai para que a vossa fuga não se dê no inverno nem no sábado”) denota um ambiente palestinense primitivo e um apego à lei do sábado mais estrito do que aquele recomendado aos cristãos nesse mesmo Evangelho (cf. Mateus 12,1-14), no qual se tende a apoiar a hipótese de uma redação não-tardia de Mateus. A seguir, o autor sustenta que, na hipótese de uma redação tardia de Mateus, não enxerga nenhuma razão para que o evangelista conservasse (nem mesmo inventasse) profecias de Jesus aparentemente não-cumpridas (como as de Mateus 10,23; 16,28 e 24,34), sem tentar dar alguma explicação da aparente discordância entre essas profecias e os fatos posteriores. Eu acrescento o seguinte: ainda que, a partir do ponto de vista teológico, essa discordância seja apenas aparente, este argumento de Robinson em favor de uma redação não-tardia é bastante forte. Posteriormente, Robinson afirma que a referência de Jesus ao assassinato de “Zacarias, filho de Baraquias, morto entre o Templo e o altar” (Mateus 23,35) pode ser interpretada razoavelmente como uma referência a 2Crônicas 20,21: “Porém eles se conjuraram contra Zacarias e, por ordem do rei, o apedrejaram no átrio do Templo do Senhor”. Finalmente o autor analisa o Evangelho de Lucas, detendo-se em duas passagens que parecem descrever detalhes do sitiamento de Jerusalém entre os anos 67 e 70: – “E quando se aproximou, ao ver a cidade, chorou por ela, dizendo: ‘Se tu também conhecesses neste dia o que te leva à paz! No entanto, agora está oculto aos teus olhos, porque virão dias sobre ti em que não somente os inimigos te rodearão com valas, te cercarão e te estreitarão por todos os lados, como te esmagarão contra o solo e também os teus filhos que estão dentro de ti; e não deixarão pedra sobre pedra em ti, porque não conheceste o tempo da visita que te foi feito” (Lucas 19,41-44); – “Quando virdes Jerusalém cercada por exércitos, sabei que já se aproxima a sua desolação. Então os que estiverem na Judeia, que fujam para os montes; e quem estiver dentro da cidade, que se ponha em marcha; e quem estiver nos campos, que não entre nela. Estes são dias de castigo para que se cumpra tudo o que está escrito. Ai daquelas que estiverem grávidas e das que estiverem criando [os filhos] nesses dias! Porque haverá uma grande calamidade sobre a terra e haverá ira contra este povo. Cairão ao fio da espada e serão levados cativos para todas as nações; e Jerusalém será pisoteada pelos gentios, até que se cumpra o tempo dos gentios” (Lucas 21,20-24). No entanto, Robinson afirma que estes textos não fornecem mais do que descrições estereotipadas de operações militares da Antiguidade: – “Na narrativa de Josefo sobre a captura romana de Jerusalém há algumas características que são mais distintivas, tais como a fantástica luta de facções que permaneceu durante o sitiamento, os horrores da peste e da fome (que incluiu canibalismo) e, finalmente, o incêndio no qual o Templo e uma grande parte da cidade foram destruídos. Foram estes eventos que prenderam a imaginação de Josefo e, podemos supor, de todas as demais testemunhas. Nada disto é dito nesta passagem [bíblica]. Por outro lado, entre todas as barbaridades que Josefo relata, não diz que os conquistadores esmagaram crianças contra o solo (os menores de 17 anos foram vendidos como escravos). A expressão [de Jesus] (…) não é baseada em nada do que ocorreu entre os anos 66 e 70: é [apenas] um lugar comum da profecia hebraica” (pp.26-27). Apoiando-se nos estudos de C. H. Dodd, Robinson afirma que as descrições de Jesus não se ajustam à tomada de Jerusalém por Tito no ano 70, mas a Nabucodonosor no ano 586 a.C. Para concluir, acrescento outras duas considerações: 1) Se os Evangelhos Sinóticos tivessem sido escritos após o ano 70 e as profecias de Jesus sobre a destruição de Jerusalém fossem posteriores ao evento, não se explicaria o porquê neste caso (diferentemente de outros), os evangelistas não explicitaram que as profecias de Jesus tinham se cumprido; 2) Quanto à profecia de Jesus de que do Templo de Jerusalém não restaria pedra sobre pedra, ela começou a se cumprir no ano 70, mas o seu pleno cumprimento ocorreu no ano 363, quando uma série de acontecimentos extraordinários fez fracassar uma tentativa de reconstrução do Templo patrocinado pelo imperador romano Juliano, o Apóstata (cf. Stanley Jaki, “To Rebuild Or Not To Try?”, Editora Real View Books: Royal Oak-Michigan, 1999). #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja


















































