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- DÍVIDAS PARA O PRÓXIMO PONTIFICADO – Stefano Fontana
A revista jesuítica La Civiltà Cattolica publicou, em seu último caderno, o texto da conversa que Francisco teve, em 19 de maio, com os diretores das revistas culturais europeias dos jesuítas. Eis um diálogo que deve ser examinado com muita atenção. Antes, porém, uma breve introdução pode ser útil. Nestes últimos tempos, após o agravamento da condição física de Francisco e o cancelamento de algumas viagens ao exterior, os observadores começaram a falar de um pontificado a caminho do fim. Alguns também sublinharam que, justamente por causa do motus in fine velocior , Francisco estaria intensificando suas intervenções destinadas a condicionar estruturalmente o próximo pontificado, de modo que a Igreja nunca mais volte atrás. Uma das principais ferramentas deste plano, mas não a única (pois a liturgia também é um front muito vivo), seria a nomeação apressada de cardeais eleitores de fé bergogliana. Até agora, 60% do colégio cardinalício foram nomeados por Francisco. Foi nesse contexto que surgiu a conversa com os editores das revistas jesuíticas de que falávamos. Foi um “discurso de método”, em que Francisco retomou alguns dos principais critérios de seu modo de pensar, especialmente o critério da “realidade superior à ideia”. O futuro da Igreja seria condicionado não só com as nomeações dos cardeais, mas também por novos critérios, de modo que não haja retrocesso (também e sobretudo) no modo de pensar. O slogan “a realidade é maior que a ideia” é ambíguo. Pode ser interpretado no sentido da filosofia e da teologia cristãs clássicas, como a dependência do nosso pensamento à realidade, que representa a verdade do nosso pensar e dizer. Verdadeiro é dizer o que é e negar o que não é. No entanto, também pode ser entendido em um sentido existencial, experiencial, histórico, sociológico: os processos em andamento são mais importantes que as ideias, porque as ideias surgiriam deles e não vice-versa. Na minha opinião, Francesco tem essa segunda versão em mente. Francisco fez disso o critério orientador de seu discurso aos diretores, em 19 de maio, aplicando-o sobretudo ao tema — muito caro para ele — do discernimento. Ele disse que as ideias são abstratas, enquanto apenas o discernimento é real, porque este se mediria precisamente pela realidade. Portanto, os periódicos jesuítas não devem propor ideias abstratas — “equações matemáticas, um teorema” —, mas experiências e oportunidades de discernimento. Fui atrás da última edição da revista jesuíta milanesa Aggiornamenti sociali (“Atualizações sociais”) e verifiquei esse compromisso. Diz o subtítulo da revista: “Descobrindo vínculos em um mundo em mudança”. Os vínculos “se descobrem” no interior do processo: não há ideias e critérios que antecedam o conhecimento e o discernimento. Este é o modo de pensar e fazer que Francisco indicou às revistas culturais jesuítas: “As ideias devem vir da experiência; o discernimento é o que realmente importa”. No entanto, tal abordagem não se sustenta. A luz para realizar o discernimento não pode vir do próprio discernimento, mas deve precedê-lo. De algo escuro, necessitado de discernimento, não pode vir a luz que permite esclarecer. O motivo disto consiste num princípio elementar: ninguém dá o que não tem. O que é escuro não pode fornecer luz a si mesmo. O Barão de Munchausen não pode arrastar-se do mar para a praia sozinho, puxando-se pelos cabelos. Este princípio — ninguém dá o que não tem — é uma aplicação de outro princípio, ainda mais radical: nada pode sair do nada. Nessa conversa com os editores das revistas jesuíticas, Francisco mais uma vez reafirmou a sua própria epistemologia, ou seja, sua concepção de verdade, conhecimento e ação. Condenando — na verdade, muito imprecisamente — a ideia como abstrata, se não surgir do discernimento da realidade, indicou sua própria concepção de verdade como algo que surge de uma relação (a verdade como relação já havia sido proposta por ele, na primeira entrevista com o padre Spadaro, após o conclave, e já então ele deixou muita gente preocupada), em um processo de discernimento que se torna constitutivo da manifestação da verdade, ao invés de ser guiado por ela. Há muitos elementos para definir esta concepção de verdade como “historicista”, segundo a qual o discernimento não é o resultado, mas o contexto original (a priori) do qual a verdade deveria surgir. É evidente que uma verdade entendida nesse sentido será, sempre, relativa. A epistemologia bergogliana, dita à sua maneira, com muitas concessões a uma retórica própria, espontânea e deliberada, tem enormes repercussões em toda a teologia e não apenas na teologia moral, à qual o conceito de discernimento está mais intimamente ligado. Para dar um exemplo: doutrina e tradição não podem mais constituir critérios de discernimento, pois assim seriam transformadas em ideias abstratas, como “uma equação matemática ou um teorema”. Neste ponto, podemos retornar à breve premissa colocada acima. Admitamos, como hipótese para este nosso exercício mental, que Francisco realmente queira fazer intervenções estruturais para que, depois dele, a Igreja não possa mais — mesmo que o deseje — voltar atrás. Por exemplo, não possa mais retornar ao conceito clássico de verdade. Nesse caso, ele deveria fazer nomeações em postos-chave — como o colégio de cardeais — de pessoas que compartilham dessa epistemologia filosófica e teológica. Diante de uma tal perspectiva, há pouco a dizer e muito a rezar. https://lanuovabq.it/it/lipoteca-sul-prossimo-pontificato
- Câmara dos Deputados aprova o Dia Nacional do Terço dos Homens no Brasil
A Câmara dos Deputados aprovou na última segunda-feira (13) o Projeto de Lei que institui o dia 8 de setembro, Natividade de Nossa Senhora, como o Dia Nacional do Terço dos Homens. O texto agora vai ao Senado para votação. “O Terço dos Homens tem se caracterizado como porta de entrada de homens que não só retornam à comunhão com a Igreja, mas, ao mesmo tempo, de transformação interior na vida desses homens no seio de suas famílias e na sociedade em geral”, disse em entrevista à ACI Digital Glayson Lozer, secretário-geral do Terço dos Homens do Brasil. “Isso é o que esperamos cada vez mais: evangelizar, santificar, salvar as almas”. A proposta da lei foi do deputado Eros Biondini (PL-MG). “Quando os pais oram, a família toda é edificada. Obrigado a todos pelo grande apoio que recebi. Sem vocês eu não conseguiria”, publicou Biondini em suas redes sociais. Para o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), relator do projeto, o terço realizado dos homens tem como missão reforçar a presença de leigos da Igreja e das suas comunidades. E é um sinal cristão para a formação da família e de uma sociedade cristã. “A iniciativa do Terço do Homens é valorosa para a Igreja porque traz para o seio da adoração de Maria parte dos homens que muitas vezes acabaram ficando distantes de certas atividades de louvor”, disse o deputado no plenário da Câmara. O coordenador da Frente Parlamentar Católica, deputado Francisco Jr (PSD-GO), declarou em discurso na Câmara: “O terço dos homens é o movimento que mais cresce no Brasil. E ele vem neste momento trazer toda essa energia, toda essa coragem, toda essa disposição do brasileiro”. Glayson Lozer disse que a aprovação do Projeto de Lei do Dia Nacional do Terço dos Homens estava sendo aguardada desde fevereiro de 2021, após o encerramento da XIII Romaria Nacional do Terço dos Homens, em Aparecida (SP). “Neste período fomos até o autor do projeto, Eros Biondini”. O deputado foi internado por alguns dias com covid-19, o que interrompeu temporariamente os trabalhos, segundo Lozer. “Realizamos uma audiência pública em agosto de 2021. Até que chegamos ao histórico dia 13 de junho de 2022, quando, após a leitura do relatório no plenário, a Câmara dos Deputados aprovou”. O dia 8 de setembro foi escolhido com muito critério, disse Lozer. “Na então Vila Providência, hoje município de Itabi (SE), um grupo com cerca de 200 homens rezou sob o nome “Terço dos Homens” pela primeira vez. Era dia 8 de setembro de 1936, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, onde o grupo existe até hoje”. O Terço dos Homens é um movimento católico com reconhecido por lei em sete Estados do país: Sergipe, São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Maranhão. Desde 2009 as romarias anuais do Terço dos Homens ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida lotam a cidade de aparecida (SP).
- Câmara dos Deputados aprova o Dia Nacional do Terço dos Homens no Brasil
A Câmara dos Deputados aprovou na última segunda-feira (13) o Projeto de Lei que institui o dia 8 de setembro, Natividade de Nossa Senhora, como o Dia Nacional do Terço dos Homens. O texto agora vai ao Senado para votação. “O Terço dos Homens tem se caracterizado como porta de entrada de homens que não só retornam à comunhão com a Igreja, mas, ao mesmo tempo, de transformação interior na vida desses homens no seio de suas famílias e na sociedade em geral”, disse em entrevista à ACI Digital Glayson Lozer, secretário-geral do Terço dos Homens do Brasil. “Isso é o que esperamos cada vez mais: evangelizar, santificar, salvar as almas”. A proposta da lei foi do deputado Eros Biondini (PL-MG). “Quando os pais oram, a família toda é edificada. Obrigado a todos pelo grande apoio que recebi. Sem vocês eu não conseguiria”, publicou Biondini em suas redes sociais. Para o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), relator do projeto, o terço realizado dos homens tem como missão reforçar a presença de leigos da Igreja e das suas comunidades. E é um sinal cristão para a formação da família e de uma sociedade cristã. “A iniciativa do Terço do Homens é valorosa para a Igreja porque traz para o seio da adoração de Maria parte dos homens que muitas vezes acabaram ficando distantes de certas atividades de louvor”, disse o deputado no plenário da Câmara. O coordenador da Frente Parlamentar Católica, deputado Francisco Jr (PSD-GO), declarou em discurso na Câmara: “O terço dos homens é o movimento que mais cresce no Brasil. E ele vem neste momento trazer toda essa energia, toda essa coragem, toda essa disposição do brasileiro”. Glayson Lozer disse que a aprovação do Projeto de Lei do Dia Nacional do Terço dos Homens estava sendo aguardada desde fevereiro de 2021, após o encerramento da XIII Romaria Nacional do Terço dos Homens, em Aparecida (SP). “Neste período fomos até o autor do projeto, Eros Biondini”. O deputado foi internado por alguns dias com covid-19, o que interrompeu temporariamente os trabalhos, segundo Lozer. “Realizamos uma audiência pública em agosto de 2021. Até que chegamos ao histórico dia 13 de junho de 2022, quando, após a leitura do relatório no plenário, a Câmara dos Deputados aprovou”. O dia 8 de setembro foi escolhido com muito critério, disse Lozer. “Na então Vila Providência, hoje município de Itabi (SE), um grupo com cerca de 200 homens rezou sob o nome “Terço dos Homens” pela primeira vez. Era dia 8 de setembro de 1936, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, onde o grupo existe até hoje”. O Terço dos Homens é um movimento católico com reconhecido por lei em sete Estados do país: Sergipe, São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Maranhão. Desde 2009 as romarias anuais do Terço dos Homens ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida lotam a cidade de aparecida (SP).
- OS CRISTÃOS SÃO SEMPRE TENTADOS A FAZER AS PAZES COM O MUNDO – Russell R. Reno
[Russell R. Reno, convertido do protestantismo ao catolicismo, é o atual editor da importante revista conservadora americana First Things , interreligiosa, aberta a ortodoxos, protestantes e judeus. A seguir, trechos de uma entrevista concedida recentemente na Espanha]. As democracias liberais enfrentam seu declínio. Nossas sociedades foram degradadas à medida que as sólidas afirmações da tradição — como Deus, nação ou justiça — foram substituídas por um esquadrão de “deuses fracos”. Os deuses fracos ou brandos são o mercado, o individualismo… Eles representam a ideia de que podemos organizar nossa sociedade em torno de coisas pouco intensas, que não despertam paixões. Assim, pensam eles, seremos capazes de criar uma ordem social mais pacífica, com menos conflitos. Se não houver nada pelo qual valha a pena lutar, ninguém lutará. Se não houver nada pelo qual valha a pena morrer, ninguém morrerá… O problema é que esses “deuses fracos” não nos oferecem âncoras para a vida. Eles não nos fornecem as grandes lealdades que galvanizam nossas vidas e lhes dão significado e propósito. O que vemos, no século 21, é que as pessoas estão procurando compromissos, procurando paixões às quais possam se entregar, e esses são os “deuses fortes”. É uma metáfora que uso para descrever os objetos do nosso amor. * A ideia de ‘verdade’ é um deus forte, mas a noção de ‘sentido’ é fraca. Cada um tem seu próprio ‘sentido’, mas o conceito de ‘verdade’ é mais inflexível, mais nítido. Não é por acaso que hoje falamos muito de sentido e muito pouco de verdade. * Um paradoxo do nosso tempo é que a promessa do pós-Segunda Guerra de uma sociedade aberta (que era, sobretudo, uma promessa de liberdade), resultou no que vivemos hoje: uma época em que as pessoas têm cada vez mais medo de falar, em público, sobre as coisas em que acreditam. Hoje, temos uma cultura da liberdade diminuída, embora ainda se repita aqui e ali aquela promessa de liberdade. É apenas mais um indicador de que o projeto democrático liberal, pós-Segunda Guerra Mundial, chegou a um impasse. * A meu ver, há três áreas vitais onde as pessoas têm lealdades mais fortes: a família, a nação e a fé, a Igreja. Para que a nação não domine as lealdades entre as pessoas, é importante encorajar as três. O equilíbrio é facilmente alcançado ao entendermos que a política não é tudo: porque a família é importante, e vem em primeiro lugar, e porque há uma verdade transcendente que vai além da política. A família limita a política por baixo e a Igreja por cima, mas acho que todas as três lealdades são necessárias em nosso tempo. * A teologia liberal é um tratado de paz entre os homens de fé e as atitudes dominantes do nosso tempo. É a busca de uma forma de minimizar essa tensão, e ela está sempre se espalhando entre os crentes, porque somos tentados a fazer as pazes com o mundo. (…) Em nosso tempo, está ficando cada vez mais claro que você está de um lado ou de outro, e essa polarização pode realmente ajudar a fortalecer nossa fé, em vez de enfraquecê-la. * Sempre foi tarefa do jornalismo cristão encorajar os fiéis. Hoje, no entanto, é particularmente importante que o jornalismo cristão ofereça aos fiéis um retrato preciso e verdadeiro da realidade. Uma das grandes vítimas do politicamente correto é a verdade, mas nossa fé nos dá coragem para nos comprometermos e dizer a verdade. https://www.infocatolica.com/?t=noticia&cod=43677
- O que S. Agostinho descobriu ao meditar sobre a Santíssima Trindade na praia?
Era por volta do ano 415 e Santo Agostinho caminhava pela praia em um dia claro e ensolarado. Ele estava frustrado, tendo feito uma pausa no trabalho que ficou conhecido como uma de suas maiores contribuições doutrinárias para a Igreja, De Trinitate, ou “Sobre a Trindade”. O assunto o deixou com os olhos turvos – precisando de ar fresco. Foi nesse momento, quando a maré espumosa subiu, que um menino chamou a atenção de Santo Agostinho. A criança de rosto sardento tinha uma testa franzida e determinada. Ele estava claramente tramando alguma coisa, correndo para frente e para trás, para frente e para trás, entre o mar e um pequeno buraco no chão. “Meu filho,” Santo Agostinho chamou sobre as ondas quebrando, “O que você está fazendo aí?” O menino ergueu a concha rosa que estava usando para mover a água, “Estou tentando encaixar aquele grande oceano neste pequeno buraco”, ele gritou, apontando assertivamente para a areia. Santo Agostinho sorriu, encantado com a inocência da criança, seus olhos brilhantes, a forma como a luz do sol brilhava em seus cabelos crespos. Ele então seguiu o menino para se ajoelhar ao lado do pequeno buraco, observando-o derramar algumas poucas gotas. “Meu filho”, o bispo de Hipona deu a notícia gentilmente, virando os ombros magros do menino para o mar. Ele então abriu os próprios braços: “Você nunca poderia encaixar este grande e magnífico oceano naquele pequeno buraco!” A criança não vacilou, mas respondeu rapidamente: “E você nunca poderia entender a Santíssima Trindade”. Então, em um piscar de olhos, o menino desapareceu. Ao longo dos séculos, muitos grandes pensadores especularam sobre essa lenda. A criança era um anjo? Ele era o próprio Cristo? Muitos interpretaram as palavras do menino literalmente, concluindo que é impossível para o homem entender a Trindade – então por que tentar? Mas enquanto eu estava sentado na praia outro dia, vendo meu próprio filho encher um buraco de areia com água de novo e de novo, a sabedoria do meu confessor veio à mente em relação às grandes questões da vida – “Nunca podemos entender esses mistérios de uma só vez ” (muito parecido com o oceano – onde os cientistas descobrem novas vidas o tempo todo). “Mas se abrimos nossa mente para Deus, ele se revela a nós pouco a pouco.” E é essa parte pouco a pouco ou gota a gota que significa muito para mim. Essa criança poderia encaixar todo o oceano em seu pequeno buraco? Claro que não – assim como Santo Agostinho não conseguiu encaixar todo o mistério da Santíssima Trindade em seu cérebro de uma só vez. Mas o garotinho poderia colocar um pouquinho de água salgada no buraco arenoso, antes que ele afundasse, nutrindo o solo? Sim, e na minha experiência, é da mesma forma que Deus muitas vezes se comunica conosco – pouco a pouco ou gota a gota. Escute esta bela canção que nos remete a este episódio da vida de Santo Agostinho:
- O que S. Agostinho descobriu ao meditar sobre a Santíssima Trindade na praia?
Era por volta do ano 415 e Santo Agostinho caminhava pela praia em um dia claro e ensolarado. Ele estava frustrado, tendo feito uma pausa no trabalho que ficou conhecido como uma de suas maiores contribuições doutrinárias para a Igreja, De Trinitate, ou “Sobre a Trindade”. O assunto o deixou com os olhos turvos – precisando de ar fresco. Foi nesse momento, quando a maré espumosa subiu, que um menino chamou a atenção de Santo Agostinho. A criança de rosto sardento tinha uma testa franzida e determinada. Ele estava claramente tramando alguma coisa, correndo para frente e para trás, para frente e para trás, entre o mar e um pequeno buraco no chão. “Meu filho,” Santo Agostinho chamou sobre as ondas quebrando, “O que você está fazendo aí?” O menino ergueu a concha rosa que estava usando para mover a água, “Estou tentando encaixar aquele grande oceano neste pequeno buraco”, ele gritou, apontando assertivamente para a areia. Santo Agostinho sorriu, encantado com a inocência da criança, seus olhos brilhantes, a forma como a luz do sol brilhava em seus cabelos crespos. Ele então seguiu o menino para se ajoelhar ao lado do pequeno buraco, observando-o derramar algumas poucas gotas. “Meu filho”, o bispo de Hipona deu a notícia gentilmente, virando os ombros magros do menino para o mar. Ele então abriu os próprios braços: “Você nunca poderia encaixar este grande e magnífico oceano naquele pequeno buraco!” A criança não vacilou, mas respondeu rapidamente: “E você nunca poderia entender a Santíssima Trindade”. Então, em um piscar de olhos, o menino desapareceu. Ao longo dos séculos, muitos grandes pensadores especularam sobre essa lenda. A criança era um anjo? Ele era o próprio Cristo? Muitos interpretaram as palavras do menino literalmente, concluindo que é impossível para o homem entender a Trindade – então por que tentar? Mas enquanto eu estava sentado na praia outro dia, vendo meu próprio filho encher um buraco de areia com água de novo e de novo, a sabedoria do meu confessor veio à mente em relação às grandes questões da vida – “Nunca podemos entender esses mistérios de uma só vez ” (muito parecido com o oceano – onde os cientistas descobrem novas vidas o tempo todo). “Mas se abrimos nossa mente para Deus, ele se revela a nós pouco a pouco.” E é essa parte pouco a pouco ou gota a gota que significa muito para mim. Essa criança poderia encaixar todo o oceano em seu pequeno buraco? Claro que não – assim como Santo Agostinho não conseguiu encaixar todo o mistério da Santíssima Trindade em seu cérebro de uma só vez. Mas o garotinho poderia colocar um pouquinho de água salgada no buraco arenoso, antes que ele afundasse, nutrindo o solo? Sim, e na minha experiência, é da mesma forma que Deus muitas vezes se comunica conosco – pouco a pouco ou gota a gota. Escute esta bela canção que nos remete a este episódio da vida de Santo Agostinho:
- UMA GLORIOSA PROCISSÃO – Scott Hahn medita sobre a Festa da Santíssima Trindade
Na Liturgia de hoje somos conduzidos, através do tempo, em uma gloriosa procissão — que inicia antes da terra e do céu serem postos em seus devidos lugares, até a vinda do Espírito sobre a nova criação, que é a Igreja. Começamos já no coração da Trindade, ao ouvirmos o testemunho da Sabedoria, na Primeira Leitura de hoje. Eternamente gerado, o primogênito de Deus procede, desde toda a eternidade, do deleite amoroso do Pai. Através Dele, os céus foram postos em seu devido lugar e se fixaram os fundamentos da terra. Desde antes do começo, Ele estava com o Pai como Seu “Artifice”, o artesão pelo qual todas as coisas foram feitas. E Ele teve uma especial satisfação na glória suprema do trabalho de Deus, que foi a criação da raça humana, os “filhos dos homens”. No Salmo de hoje, Ele desce do céu um pouco menor do que os anjos, vindo até nós como “Filho do Homem” (Hebreus 2, 6-10). Todas as coisas foram postas sob Seus pés, para que Ele pudesse restaurar, à humanidade, a glória para a qual ela foi criada desde o princípio: a glória que um dia se perdeu no pecado. Ele experimentou a morte para que pudéssemos ser ressuscitados para a Vida na Trindade, e Seu nome fosse glorificado sobre toda a terra. Por meio do Filho, obtivemos a graça e o acesso ao Pai, por intermédio do Espírito, como São Paulo se orgulha em dizer na Epístola de hoje (Efésios 2,18). O Espírito, que é o Amor de Deus, foi derramado em nossos corações: um Espírito de adoção, tornando-nos filhos do Pai mais uma vez (Romanos 8, 14-16). Este é o Espírito que Jesus promete no Evangelho de hoje. Seu Espírito vem como dom e unção divinos (1João 2,27), para nos guiar até a verdade total; para nos mostrar “as coisas que hão de vir” (coisas que já estavam destinadas a existir, mesmo antes de todos os séculos); para que encontremos paz e união em Deus; para que possamos compartilhar a vida da Trindade, vivendo em Deus tal como Ele vive em nós (João 14,23; 17,21). https://stpaulcenter.com/glorious-processions-scott-hahn-reflects-on-trinity-sunday/
- O que são os Dons do Espírito Santo?
DONS DO ESPÍRITO SANTO são hábitos sobrenaturais que dispõem as faculdades a obedecer prontamente à moção do divino Espírito Santo. Posto que as virtudes movam aos actos bons, os Dons são necessários para a prática dos actos mais perfeitos e para actos heróicos. Nisso se distinguem as virtudes dos Dons do Espírito Santo. São sete: I – Sapiência — move-nos a julgar rectamente das coisas divinas e a dedicarmo-nos a elas. II – Entendimento — faz-nos penetrar as verdades da Fé. III – Conselho — dirige-nos em todas as circunstâncias particulares da vida. IV – Fortaleza — aperfeiçoa a vontade, quanto aos nossos deveres em ocasião de perigo. V – Ciência — faz-nos julgar acertadamente das coisas humanas. VI – Piedade — aperfeiçoa a vontade, quanto aos deveres relativos ao próximo e a Deus. VII – Temor de Deus — aperfeiçoa a vontade, quando é necessário resistir ao atrativo dos prazeres proibidos. Padre José Lourenço in Dicionário da Doutrina Católica OS DONS DO ESPÍRITO SANTO Por Dom Estêvão Bettencourt, OSB Admitamos um barco movido a remos; avança através das águas lentamente e com grande esforço dos remadores. Se nesse barco, porém, colocarmos velas que possam captar o sopro do vento e as deixarmos abertas, o barco se adiantará muito mais rapidamente e sem cansaço para a tripulação. Assim em nós há o progresso espiritual, lento e penosos, se procurarmos – com a graça de Deus – pôr em prática as virtudes teologais e morais; avançamos segundo dimensões humanas… Podemos, porém, progredir muito mais rápida e facilmente se abrirmos nossas velas – os dons do Espírito Santo – para que captem o sopro do Espírito Santo; nosso progresso toma então as dimensões do próprio Espírito; assim nossa oração torna-se extremamente saborosa se nos deixarmos mover pelo Espírito Santo. Fazendo eco ao texto de Is 11,2, a teologia distingue 7 Dons do Espírito Santo. Estes habilitam a pessoa a realizar atos heróicos e façanhas generosas, experimentando nisso profunda alegria. DOM DA SABEDORIA É o mais precioso. Possibilita ao cristão tornar-se dócil ao Espírito Santo para contemplar Deus e seu plano. Há duas maneiras de contemplar as coisas de Deus: uma adquirida, que exige estudo e meditação, e pode ser árdua; outra que procede por afinidade com Deus, afinidade decorrente do amor; assim, quem vive intimamente com Deus num amor dócil e pronto, é levado pelo Espírito Santo a descobrir verdades que o estudo não atinge; essa descoberta é saborosa (saber e sabor vem ambos da mesma raiz latina SAP). Por isso o Dom da Sabedoria está ligado à virtude da CARIDADE; quanto mais vigoroso é o amor num cristão, tanto mais facilmente atua neste o Dom da Sabedoria DOM DO ENTENDIMENTO É a luz dada pelo Espírito santo para que o cristão penetre no sentido profundo das verdades da fé (os mistérios da Ssma. Trindade, da Encarnação do Filho, da Eucaristia…); tais verdades deixam de ser “abstratas” e frias, como parecem ser a muitos principiantes, para tornar-se objetos de intuições profundas e belas, que proporcionam grande alegria ao cristão. Tal dom está muito ligado à virtude da fé. DOM DA CIÊNCIA É o que nos faz olhar para este mundo com o olhar de Deus; leva-nos a descobrir nas criaturas visíveis o vestígio da sabedoria e da perfeição do Criador. Faz-nos ver também como são insuficientes os bens deste mundo para saciar as aspirações do coração humano; desta intuição seguiram-se muitas conversões da vida fútil para uma vida profundamente cristã. Tal dom foi ricamente possuído por São Francisco de Assis. O dom da Ciência é relacionado com a virtude da PRUDÊNCIA, pois aperfeiçoa a capacidade que temos de perceber a relação das criaturas com Deus. DOM DO CONSELHO É o que nos faz olhar para este mundo com o olhar de Deus; leva-nos a descobrir nas criaturas visíveis o vestígio da sabedoria e da perfeição do Criador. Faz-nos ver também como são insuficientes os bens deste mundo para saciar as aspirações do coração humano; desta intuição seguiram-se muitas conversões da vida fútil para uma vida profundamente cristã. Tal dom foi ricamente possuído por São Francisco de Assis. O dom da Ciência é relacionado com a virtude da PRUDÊNCIA, pois aperfeiçoa a capacidade que temos de perceber a relação das criaturas com Deus. DOM DO CONSELHO É aquele que nos faz descobrir a decisão certa a ser tomada num momento de hesitação; dá-nos perceber a atitude equilibrada entre posições extremadas. A vida humana é marcada por situações complexas, nas quais a razão, mesmo iluminada pela fé, não consegue penetrar com clareza; ora, o Dom do Conselho nos faz discernir, com rapidez e eficiência, o certo e o errado, apontando-nos com segurança o caminho a seguir. Associa-se também à virtude da PRUDÊNCIA, que é, sem dúvida, a virtude do lúcido discernimento. O DOM DA PIEDADE Faz-nos conceber o afeto filial para com Deus e sentimentos fraternos para com todos os homens filhos do mesmo Pai. Assim, ultrapassamos um relacionamento meramente jurídico com Deus e os demais seres humanos; não nos contentarmos com uma religião de preceitos e proibições apenas, para assumir uma religião de amor, a respeito da qual dizia S. Tomás: “O amor não tem medida; a medida do amor é não ter medida”. Assim o coração do cristão mais e mais se assemelha ao Coração de Cristo. O Dom da Piedade é relacionado com a virtude da JUSTIÇA, que ele ultrapassa, pois a própria meta da justiça é propiciar o aumento do amor entre os homens. O DOM DA FORTALEZA Impele-nos a enfrentar corajosamente os obstáculos que se opõem à prática do bem; sugere-nos as palavras do Apóstolo: “Tudo posso naquele que me dá força!” (Fl 4,13). É o dom que sustentou os mártires no certame em prol da fidelidade a Cristo, e sustenta todo cristão na sua vivência cotidiana, em que se requerem paciência, perseverança, magnanimidade em grau elevado. O DOM DO TEMOR DE DEUS É o que nos inspira profunda reverência para com Deus. Trata-se de temor filial inspirado por amor e não por temor servil (do escravo). Este dom suscita em nós o horror ao pecado e a força para vencermos as tentações; inspira-nos também a fuga das imperfeições e um anseio de uma liberdade interior cada vez mais viva. É relacionado com a virtude da temperança, pois esta reprime os apetites desordenados, em vista de uma adesão sempre mais livre a Deus. Fonte: Teologia Moral – Escola Mater Ecclesiae – Dom Estêvão Bettencourt, OSB #EspíritoSanto #FormaçõesCatólicas #Pentecostes
- O que são os Dons do Espírito Santo?
DONS DO ESPÍRITO SANTO são hábitos sobrenaturais que dispõem as faculdades a obedecer prontamente à moção do divino Espírito Santo. Posto que as virtudes movam aos actos bons, os Dons são necessários para a prática dos actos mais perfeitos e para actos heróicos. Nisso se distinguem as virtudes dos Dons do Espírito Santo. São sete: I – Sapiência — move-nos a julgar rectamente das coisas divinas e a dedicarmo-nos a elas. II – Entendimento — faz-nos penetrar as verdades da Fé. III – Conselho — dirige-nos em todas as circunstâncias particulares da vida. IV – Fortaleza — aperfeiçoa a vontade, quanto aos nossos deveres em ocasião de perigo. V – Ciência — faz-nos julgar acertadamente das coisas humanas. VI – Piedade — aperfeiçoa a vontade, quanto aos deveres relativos ao próximo e a Deus. VII – Temor de Deus — aperfeiçoa a vontade, quando é necessário resistir ao atrativo dos prazeres proibidos. Padre José Lourenço in Dicionário da Doutrina Católica OS DONS DO ESPÍRITO SANTO Por Dom Estêvão Bettencourt, OSB Admitamos um barco movido a remos; avança através das águas lentamente e com grande esforço dos remadores. Se nesse barco, porém, colocarmos velas que possam captar o sopro do vento e as deixarmos abertas, o barco se adiantará muito mais rapidamente e sem cansaço para a tripulação. Assim em nós há o progresso espiritual, lento e penosos, se procurarmos – com a graça de Deus – pôr em prática as virtudes teologais e morais; avançamos segundo dimensões humanas… Podemos, porém, progredir muito mais rápida e facilmente se abrirmos nossas velas – os dons do Espírito Santo – para que captem o sopro do Espírito Santo; nosso progresso toma então as dimensões do próprio Espírito; assim nossa oração torna-se extremamente saborosa se nos deixarmos mover pelo Espírito Santo. Fazendo eco ao texto de Is 11,2, a teologia distingue 7 Dons do Espírito Santo. Estes habilitam a pessoa a realizar atos heróicos e façanhas generosas, experimentando nisso profunda alegria. DOM DA SABEDORIA É o mais precioso. Possibilita ao cristão tornar-se dócil ao Espírito Santo para contemplar Deus e seu plano. Há duas maneiras de contemplar as coisas de Deus: uma adquirida, que exige estudo e meditação, e pode ser árdua; outra que procede por afinidade com Deus, afinidade decorrente do amor; assim, quem vive intimamente com Deus num amor dócil e pronto, é levado pelo Espírito Santo a descobrir verdades que o estudo não atinge; essa descoberta é saborosa (saber e sabor vem ambos da mesma raiz latina SAP). Por isso o Dom da Sabedoria está ligado à virtude da CARIDADE; quanto mais vigoroso é o amor num cristão, tanto mais facilmente atua neste o Dom da Sabedoria DOM DO ENTENDIMENTO É a luz dada pelo Espírito santo para que o cristão penetre no sentido profundo das verdades da fé (os mistérios da Ssma. Trindade, da Encarnação do Filho, da Eucaristia…); tais verdades deixam de ser “abstratas” e frias, como parecem ser a muitos principiantes, para tornar-se objetos de intuições profundas e belas, que proporcionam grande alegria ao cristão. Tal dom está muito ligado à virtude da fé. DOM DA CIÊNCIA É o que nos faz olhar para este mundo com o olhar de Deus; leva-nos a descobrir nas criaturas visíveis o vestígio da sabedoria e da perfeição do Criador. Faz-nos ver também como são insuficientes os bens deste mundo para saciar as aspirações do coração humano; desta intuição seguiram-se muitas conversões da vida fútil para uma vida profundamente cristã. Tal dom foi ricamente possuído por São Francisco de Assis. O dom da Ciência é relacionado com a virtude da PRUDÊNCIA, pois aperfeiçoa a capacidade que temos de perceber a relação das criaturas com Deus. DOM DO CONSELHO É o que nos faz olhar para este mundo com o olhar de Deus; leva-nos a descobrir nas criaturas visíveis o vestígio da sabedoria e da perfeição do Criador. Faz-nos ver também como são insuficientes os bens deste mundo para saciar as aspirações do coração humano; desta intuição seguiram-se muitas conversões da vida fútil para uma vida profundamente cristã. Tal dom foi ricamente possuído por São Francisco de Assis. O dom da Ciência é relacionado com a virtude da PRUDÊNCIA, pois aperfeiçoa a capacidade que temos de perceber a relação das criaturas com Deus. DOM DO CONSELHO É aquele que nos faz descobrir a decisão certa a ser tomada num momento de hesitação; dá-nos perceber a atitude equilibrada entre posições extremadas. A vida humana é marcada por situações complexas, nas quais a razão, mesmo iluminada pela fé, não consegue penetrar com clareza; ora, o Dom do Conselho nos faz discernir, com rapidez e eficiência, o certo e o errado, apontando-nos com segurança o caminho a seguir. Associa-se também à virtude da PRUDÊNCIA, que é, sem dúvida, a virtude do lúcido discernimento. O DOM DA PIEDADE Faz-nos conceber o afeto filial para com Deus e sentimentos fraternos para com todos os homens filhos do mesmo Pai. Assim, ultrapassamos um relacionamento meramente jurídico com Deus e os demais seres humanos; não nos contentarmos com uma religião de preceitos e proibições apenas, para assumir uma religião de amor, a respeito da qual dizia S. Tomás: “O amor não tem medida; a medida do amor é não ter medida”. Assim o coração do cristão mais e mais se assemelha ao Coração de Cristo. O Dom da Piedade é relacionado com a virtude da JUSTIÇA, que ele ultrapassa, pois a própria meta da justiça é propiciar o aumento do amor entre os homens. O DOM DA FORTALEZA Impele-nos a enfrentar corajosamente os obstáculos que se opõem à prática do bem; sugere-nos as palavras do Apóstolo: “Tudo posso naquele que me dá força!” (Fl 4,13). É o dom que sustentou os mártires no certame em prol da fidelidade a Cristo, e sustenta todo cristão na sua vivência cotidiana, em que se requerem paciência, perseverança, magnanimidade em grau elevado. O DOM DO TEMOR DE DEUS É o que nos inspira profunda reverência para com Deus. Trata-se de temor filial inspirado por amor e não por temor servil (do escravo). Este dom suscita em nós o horror ao pecado e a força para vencermos as tentações; inspira-nos também a fuga das imperfeições e um anseio de uma liberdade interior cada vez mais viva. É relacionado com a virtude da temperança, pois esta reprime os apetites desordenados, em vista de uma adesão sempre mais livre a Deus. Fonte: Teologia Moral – Escola Mater Ecclesiae – Dom Estêvão Bettencourt, OSB #EspíritoSanto #FormaçõesCatólicas #Pentecostes
- SEMPRE O MISTÉRIO DO MAL
O problema do mal sempre inquietou muito os céticos, os que não aceitam a existência de Deus, ou O aceitam com revolta gnóstica. Se Deus existisse (ou se, existindo, fosse perfeito), jamais permitiria o mal. Santo Agostinho é de fundamental valia na compreensão desse mistério, “o mistério da iniquidade”, nas palavras de São Paulo. Santo Agostinho afirma que Deus, impossibilitado de criar o mal — pois da absoluta bondade não poderia sair nada de maligno —, o permite para dele tirar um bem maior. Haverá bem maior do que a salvação eterna? A mística italiana Maria Valtorta disse, certa vez, algo assombroso sobre o assunto, que de certa forma complementa a verdade expressa pelo Bispo de Hipona: se Deus eliminasse o mal da face da terra, o homem se esqueceria inteiramente Dele. De fato, quem deixaria de buscar os prazeres mais intensos — no sexo, nas drogas ou na comida —, se não tivessem consequências desastrosas, se não produzissem os males das doenças venéreas, da dependência química ou da obesidade mórbida? Quem se ajoelharia para rezar, se a vida fosse um gozo perene e a própria morte chegasse mansamente, como um interruptor acionado de leve para apagar a luz? Pelo que conhecemos do ser humano (ou seja, de nós próprios), Deus não faria falta alguma nesse mundo perfeito e autossuficiente. E o esquecimento de Deus seria, inevitavelmente, o caminho mais curto para o inferno. A maioria das pessoas certamente se perderia para todo o sempre, depois de toda uma vida entregue ao deleite permanente. Donde essa necessidade paradoxal do mal, “enquanto ainda se disser hoje ” (para usar o adverbio com que a Carta aos Hebreus designa o tempo, em contraposição à eternidade). O saber, no hoje do tempo, que o mal — o mal involuntário — é aliado dos homens na luta pela salvação da alma, dá mais condições à pessoa humana de aceitar mais pacientemente as doenças, as pestes, as guerras, as dores, as tragédias pessoais ou históricas etc. O mal, permitido por Deus, colabora portanto para a salvação do homem. Isto, evidentemente, não estava dos planos do demônio.
- NAS RUAS, EM FAVOR DA VIDA – Pe. Santiago Martín
Várias vezes dediquei este comentário sobre a situação atual da Igreja ao apoio em defesa da vida do ser humano, desde a sua concepção até à morte natural. Embora a principal missão da Igreja seja proclamar a boa nova do amor de Deus, que inclui a existência da vida eterna, não podemos permanecer em silêncio perante a carnificina que o aborto representa, tal como não podemos permanecer em silêncio perante o racismo, a corrupção de menores, o tráfico de droga ou a guerra. Falar do amor de Deus sem aplicar esse amor à vida quotidiana, transformaria o cristianismo numa religião espiritualista que mereceria o epíteto de “ópio do povo”. O problema não é se as injustiças são ou não denunciadas (a maior das quais é o aborto), mas que o ponto de referência espiritual, a motivação espiritual, se perdeu em todo o imenso serviço social que a Igreja continua a levar a cabo. É sobretudo missão dos leigos trazer à vida pública todas as iniciativas que decorrem da ordem dada por Cristo de amar o nosso próximo tal como Ele nos amou. E é, sobretudo, a missão dos pastores ajudar os leigos a não perder de vista a dimensão sobrenatural desta difícil tarefa. Todos nós, um e todos, cada um no seu lugar, devemos fazer de tudo por Cristo, para que Ele possa reinar no coração de cada um de nós e na sociedade. Um exemplo disto é o que o NEOS, a nova alternativa cultural promovida por Jaime Mayor Oreja e María San Gil, está fazendo. Procuram enfrentar a ditadura do relativismo, que, como um rolo compressor, quer passar por cima dos restos do humanismo cristão, para impor uma nova ordem mundial com um único modelo de pensamento e comportamento. Ideologia de gênero, aborto e eutanásia são três dos aspectos mais marcantes desta ditadura, cuja sombra se espalha cada vez mais sobre o velho Ocidente. O NEOS, juntamente com a Assembleia para a Vida — que inclui as associações que lutaram contra o aborto nos últimos anos —, e mais de 200 instituições, incluindo o CEU, fizeram uma manifestação, em Madrid, no dia 26 de Junho, a partir do meio-dia da Glorieta de Bilbao, contra a nova lei do aborto aprovada pelo governo social-comunista de Espanha. É uma lei tão radical, que um católico não pode ficar indiferente a ela. O aborto será permitido a menores, a partir dos 16 anos de idade, sem o consentimento ou mesmo o conhecimento dos pais. Como Carmen Fernández de la Cigoña salientou, na conferência de imprensa realizada na terça-feira para apresentar o chamado à manifestação, os menores não podem ir à escola sem um consentimento parental assinado, mas podem matar a criança que trazem no ventre, sem que ninguém da sua família saiba e possa aconselhá-los. Mesmo o período de reflexão antes de realizar um aborto, que foi imposto pela já muito permissiva lei anterior, será abolido. Além disso, a nova lei significará ainda mais problemas aos médicos que fazem uso da objeção de consciência, pois haverá um registo oficial de todos eles, com tudo o que isso poderá implicar para a sua vida profissional, se quiserem continuar trabalhando no sistema de saúde pública. Na Espanha, existe certamente uma forte consciência provida — a fundação “Derecho a vivir” entregou, nesta semana, 91.118 assinaturas contra a nova lei do aborto —, mas não é suficiente. Se países, como os Estados Unidos, estão conseguindo inverter as leis do aborto, é porque os defensores da vida humana nunca cederam ao desânimo ou ao assédio dos meios de comunicação social. Todos os anos, demonstram a sua firme determinação em ir contra o aborto na “Marcha em Washington”, que reúne centenas de milhares de pessoas. Na Espanha é tempo de sair novamente à rua, para que aqueles que estão implementando a ideologia do gênero, incluindo o aborto, compreendam que existe um setor da sociedade que não desistiu e que não vai aceitar, docilmente, a imposição da Agenda 2030 por eles programada. Um católico deve fazer de tudo por Cristo, e isto deve ser posto em prática na vida quotidiana. Há momentos especiais em que permanecer em silêncio face a leis tão terríveis, como a nova lei do aborto, significaria tornar-se cúmplice da mesma. É por isso que devemos sair da rotina e da inércia, mostrando que existimos e ainda estamos vivos, indo para as ruas. Devemos fazê-lo por Cristo e pela vida dos mais fracos — as crianças que são vítimas de aborto.
- Papa Francisco critica “moda” litúrgica antiquada
O papa Francisco está preocupado com o uso de sobrepelizes rendadas e barretes por padres da Sícilia, um sinal, para ele, de pouca implementação das decisões do Concílio Vaticano II. “Falo claramente: caríssimos, ainda a sobrepeliz, o barrete…, mas onde estamos? Sessenta anos depois do Concílio! Um pouco de atualização inclusive na arte litúrgica, na ‘moda’ litúrgica”, disse o papa Francisco hoje (9) ao receber bispos e padres da Sicília no Vaticano. “Eu não gostaria de terminar sem mencionar algo que me preocupa, que me preocupa muito. Eu me pergunto: como vai a reforma começada pelo Concílio? Como vai entre vocês? A piedade popular é uma grande riqueza e devemos preservá-la, acompanhá-la para que não se perca. Também devemos educá-la. A este respeito, leiam o número 48 da Evangelii nuntiandi , que tem plena vigência o que são Paulo VI nos disse sobre a piedade popular: libertá-la de todo gesto supersticioso e pegar a substância que tem dentro”, disse o papa. “Sim, tudo bem às vezes trazer um pouco da renda da avó. É para homenagear a avó, não é? Vocês entenderam tudo, não é mesmo? É bom homenagear a avó, mas é melhor celebrar a mãe, a santa mãe Igreja, e como a mãe Igreja quer ser celebrada. E que a insularidade não impeça a verdadeira reforma litúrgica que o Concílio propôs. E não permaneçam imóveis”. O papa também sugeriu que os padres prestassem atenção ao pregar homilias porque “as pessoas querem substância. Um pensamento, um sentimento e uma imagem, e elas carregam isso durante toda a semana”. “Não sei como os padres sicilianos pregam, se pregam como sugerido na Evangelii gaudium ou se pregam de tal forma que as pessoas saem para fumar um cigarro e depois voltam…. Esses sermões no qual falam de tudo e de nada. Tenham em mente que após oito minutos a atenção diminui, e as pessoas querem substância. Um pensamento, um sentimento e uma imagem, e elas carregam isso durante toda a semana”, concluiu o papa. Seguem abaixo dois textos dos sites Salvem a Liturgia e Direto da Sacristia. Pastoral do Pano! Por Verbum Abbreviatum Espalhou-se pelas sacristias paroquiais um novo jargão eclesiástico, possuindo como finalidade definir um tipo muito “característico” de seminarista, era criada assim a “pastoral do pano” e obviamente os “seminaristas do pano”. Usando de uma perspectiva caricata certos padres demonstrando aversão pela atual atitude religiosa dos pretendentes ao sacerdócio, que não possuem mais valores morais ou utopias sociais, mas preocupam-se com rendas encontradas na “25 de março” (rua comercial em São Paulo) e os mais novos modelitos eclesiásticos que circulam pelo bairro de Santa Cecília. (emitimos o nome da famosa grife paulistana para não sofrermos as penas legais por uso impróprio) Infelizmente, as duas posturas possuem bases muito sólidas e exageros mais que notórios. Qual seria em sã consciência o padre que perderia metade de seu dia escolhendo bordados, alamares, tecidos italianos ou forros canadenses? Alguém com uma clara percepção de que o centro de toda a liturgia é ele, quem deve brilhar é ele e como ele não pode sair por aí desfilando uma Channel no braço ele coloca uma renda carregada de frustrações por baixo da casula altamente bordada. Esperem caros leitores do SL! Minha senha não foi roubada e quem escreve não é um adorador de Boff encerrado em alguma taberna marxista por esse mundo afora. Quem escreve é alguém que diante de extremos mais que desnecessários sente-se incomodado e impelido a soltar algumas palavras. Qual seria o sacerdote que em pleno uso de suas faculdades usaria durante três meses a mesma túnica, sempre suja e já com aquele cheiro muito bem definido ou ainda aquela estola com todas as cores litúrgicas e ao mesmo tempo sem ter nada de litúrgica? Quem usaria em todas as Santas Missas as mesmas alfaias ou jamais teria em seu armário uma casula? (visto que no Brasil sempre faz calor! Alguém me explica o frio de São Paulo então!) Explico onde quero chegar caro (a) leitor (a), a linha que separa a Pastoral do Pano e a Heresia do Desleixo é muito tênue e translúcida, sendo facilmente ultrapassada por quem quer que seja. Aqueles que acusam a existência de uma escrupulosa preocupação na Pastoral do Pano, podem estar nadando a braços largos na Heresia do Desleixo e por sua vez aqueles que indicam com voz clara a falta de rendas e brocados dourados em certos sacerdotes praticantes da Heresia do Desleixo, podem do mesmo modo, estar de braços dados com a vaidosa Pastoral do Pano. Não venho trazer o mapa de onde se encontra o Santo Graal e muito menos o endereço da famosa grife eclesiástica, venho expor da maneira mais clara possível (e espero não desrespeitar os leitores) a dor que me atinge ao ver como é raro ver uma situação onde o “bom” das duas situações esteja em harmônica consonância. Comum é ver seminaristas que gastam centenas em alvas sempre mais brocadas e bordadas, cíngulos sempre mais brilhantes e caros, batinas para cada estação do ano e não possuem sequer uma Bíblia para estudo ou um livro de espiritualidade que os acompanhe. Muito menos raro é ver padres e seminaristas “sociais” com livros e livros espalhados por onde passam (livros nem sempre bons), discursos sociais lançados durante o café da manhã ou quem sabe durante o intervalo das aulas, e durante uma Santa Missa aparecem com uma túnica amassada, amarelada e o pior de tudo, fétida. Desejam a igualdade e mal conseguem respeitar a igualdade de narinas que o bom Deus deu a cada ser humano. Triste ver um grupo discutindo sobre paramentos caros e todo o resto e quando questionados sobre alguma parte doutrinária ou ensinamento espiritual, sobre partes da Sagrada Escritura, mais que rapidamente mudam de assunto! Ou aqueles outros sociólogos de porta de Igreja, quando perguntados sobre qualquer coisa referente ao culto, lançam a pergunta para o grupo precedente, (que obviamente bem longe se encontra) Tarefa nossa é demonstrar que barretes não escondem cabeças vazias e caridade com o próximo sofredor não implica em permanecer sujo durante a Santa Missa. Queremos o que a Igreja tem para nos dar e não o que as misérias humanas insistem em dispensar a bel-prazer, nossa geração quer ser como foram os verdadeiros santos, o piedoso São Felipe Neri que não deixava de fazer caridade para não sujar a batina, São Francisco de Assis que fazia caridade e não se via impedido de usar o hábito. A ausência de utopias que nos acusam é divertidamente ilógica, ela está impressa nos mais belos vitrais, nas mais belas colunas góticas, nas ogivas que protegem a assembléia, nos santos paramentos que esperam por quem os use em vitrines de museus, nos mosteiros convertidos em hotéis de luxo, nas Igrejas vendidas para supermercados, nos padres esquecidos em asilos, nas verdadeiras obras de caridade que estão esquecidas, na misericórdia vivida plenamente e descrita nas mais simples hagiografias. “Quem tem olhos veja”. Mostrar que o zelo pela Sagrada Liturgia não acaba em si, mostrar que o “sofrido povo de Deus” tem direito ao belo e digno é mais que necessário. Casulas realmente não enchem barrigas, mas piquetes também não glorificam ao Deus Eterno. Muito além do “pano” A importância espiritual dos paramentos e insígnias além de sua estética Queixa-se de que, ao entrar no coro para a salmodia, ao dirigir-se para celebrar a missa, logo mil pensamentos lhe assaltam a mente e o distraem de Deus. Mas, antes de ir ao coro ou à missa, que fez na sacristia, como se preparou, que meios escolheu e empregou para fixar a atenção? (Sermão proferido no último sínodo por São Carlos Borromeu) Feliz e evidentemente, estamos vivendo em outro tempo. Embora ainda vivo, o pensamento de uma fé socialmente instrumentalizada e, com isso, desprovida em grande parte de seu caráter transcendental, perde sua força depois de décadas determinando o que era bom ou não para os fiéis e, pior, para as vocações sacerdotais e religiosas. Não obstante o empenho de tantos homens, e o fato disto ser também o resultado do enfado de anos de um relativismo com poucas exceções, o pontificado do Papa Bento XVI foi um impulso e vigor ao novo movimento litúrgico que hoje testemunhamos . Mas ainda não podemos nos dar por satisfeitos. Há – diríamos – outras linhas nascidas ou influenciadas por esses novos tempos que, embora tenham um ou mais pontos em comum, divergem entre si em aspectos cruciais: há quem execute as rubricas apenas por ritualismo (fazer em virtude da lei litúrgica somente); também há quem só deseje se vangloriar por meio da beleza litúrgica , usurpando o lugar de Nosso Senhor, e, por fim, há quem faz da Liturgia apenas um mero barroquismo , sem que dela se colham bons e grandes frutos, como é possível quando se desvia de seus propósitos: louvor, adoração, expiação dos pecados e ação de graças. Particularmente, não concordamos com o reprovável termo “panos” para se referir aos paramentos litúrgicos , que denota um pauperismo em significado e nunca deveria ser relacionado às alfaias, mas se tornou usual devido à vulgaridade com que é usado. Mas, há quem o use para demonstrar seu desprezo pelas vestes sacras, como quem afirma que não passam de “panos”, sem significado, sem importância, sem ser meio catequético pelo uso aos fiéis e até mesmo a quem os usa. Em julho de 2009, o “Salvem a Liturgia!” publicou um artigo muito claro e sincero sobre a chamada “Pastoral do Pano”, falando sobre frágil linha que separa os vaidosos e superficiais que se aproveitam da Liturgia como um lugar de maravilhas para o seu ego e os que a desprezam quase que totalmente – só restando as fórmulas que recitam e os gestos que executam para a válida dos sacramentos que celebram. Mais lamentável e – ao mesmo tempo – ridícula ainda é a justificativa daqueles que, falando de seu gosto litúrgico “sóbrio” e “centrado”, ridicularizam os paramentos que fazem uso de rendas e decorações florais. Acreditar em fúteis argumentos como estes e outros é o mesmo que deixar de usar paramentos róseos unicamente pela moderna e imperfeita ligação entre esta cor e o seu uso exclusivo pelas mulheres. Como forma de defesa à importância dos paramentos mas também para refutar quem os despreza, apresentamos a seguir as orações que acompanham a paramentação das vestes episcopais e sacerdotais (estas estão todas inclusas naquelas, mas aquelas superam em número a estas, de modo que, obviamente, os sacerdotes não se paramentam como bispos). A reforma litúrgica do Vaticano II , embora tenha excluído a obrigatoriedade de a vestição dos paramentos ser acompanhada de cada respectiva oração, não proibiu no Missal de Paulo VI o fato de rezar mais especificamente enquanto se paramenta. Portanto, as oração a seguir são do rito antigo: o problema não é não ter a sensibilidade litúrgica (como se refere Bento XVI) do usus antiquior , mas reprová-la e desprezar os bens que sobrevêm dela quando é virtuosamente vivida, tal como acontece àqueles que de reta intenção são liturgicamente sensíveis a outras espiritualidades. Enfim, na reflexão sobre as orações que acompanha a vestição de cada paramento, veremos que há por trás algo de espiritual muito maior e mais importante do que a aparente ostentação ou luxo de quem só assim interpreta: As cáligas eram os calçados dos militares romanos e símbolo da expansão do Império, feitas de couro e algumas vezes até mesmo os escravos as calçavam; mas, usualmente, eram do vestuário dos legionários até os centuriões. A Igreja preservou o modelo, embora decorado: botas que chegam até a metade das pernas e que é fechada por fios atados. Ao chegar à sacristia, o Bispo se desfaz dos seus sapatos civis e enquanto as calça, diz: Calçai, Senhor, os meus pés na preparação do Evangelho da paz e protegei-me à sombra de Vossas asas. Depondo a mozzetta : Livrai-me, Senhor, do homem velho com as suas obras e costumes, e revesti-me do homem novo, criado segundo Deus na justiça e santidade da verdade . Lavando as mãos: Dai, Senhor, força às minhas mãos para lavar toda a iniquidade, e poder para servir-Vos sem culpa no corpo e na alma . O amito aparece no século VIII para cobrir a cabeça e pescoço do Celebrante e ministros sagrados, e, passando debaixo dos braços, talvez para apertar a alva ao peito, sobre a qual se veste. Quando no século X apareceu o barrete, o amito passou a cobrir unicamente o pescoço . Contudo, em [ritos de] certas ordens religiosas (que, na maioria, não tem barrete), conserva o uso primitivo do capuz. Usa-se por baixo todas as vezes que esta se vestir. Também se põe imediatamente sobre o roquete ou sobrepeliz todas as vezes que se deva vestir, sem a alva, a dalmática, pluvial ou casula, como para assistir ao Bispo na Missa e Vésperas Pontificais. Com o amito: Ponde, Senhor, sobre a minha cabeça o capacete da salvação para rejeitar todas as tentações do diabo e armadilhas do inimigo . A alva era a túnica interior que todos os romanos usavam no século VI . Deve ser trazida nas Missas, nas Procissões solenes e nas Exposições solenes do Santíssimo Sacramento. Enquanto veste a alva: Purificai-me, Senhor, e limpai meu coração, para que como aqueles que lavaram as suas vestes no sangue do Cordeiro, possa eu desfrutar de alegrias eternas. O cíngulo passou a apertar aos rins a alva depois do século VIII . Deve ser branco ou da cor dos paramentos. Enquanto se cinge com o cíngulo: Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da fé e da virtude da castidade, e apagai de meus membros o ardor da concupiscência, para permanecer sempre em mim a força da castidade . A cruz peitoral , cujo costume é de carregar relíquias dos Mártires, tem forma latina e seu uso foi herdado dos primeiros cristãos. Depois de beijar a cruz peitoral e recebê-la: Senhor Jesus Cristo, dignai-Vos proteger-me de todas as ciladas do inimigo com o sinal santíssimo de Vossa Cruz, e dignai-Vos conceder a mim, Vosso indigno servo, que assim como levo em meu peito esta Santa Cruz com todos os Vossos Santos, sempre tenha em minha mente a memória da Paixão e as vitórias dos Mártires. A estola era, segundo Batiffol, era uma peça de tecido de linha, terminada com franjas, da qual os homens se serviam para resguardar o pescoço do frio . Era aberta por diante e ornada duma orla de bordado precioso, que dava a volta ao pescoço e descia até os pés. Depois de adotada no vestuário litúrgico , como insígnia de dignidade (nas liturgias oriental, visigótica e galicana no século VI, e na liturgia romana no século IX), para poder ser revestida por baixo da dalmática e da casula, a estola perdeu a sua parte mais importante – a túnica, e conservou apenas o bordado ( orarium ). Deve ter uma cruz grega no meio e nas duas extremidades. Os sacerdotes usavam-na cruzada ao peito debaixo da casula já que a cruz peitoral era (e continua sendo reservada aos Bispos); contudo, a usavam pendendo paralelamente ao peito, tal como os Bispos, quando sobre a sobrepeliz. Ao vestir a estola: Dai-me, Senhor, a estola da imortalidade que perdi com a desobediência de meus pais, e ainda quando dos Vossos sagrados Mistérios me aproximo sem ser digno, com este ornamento eu mereça a alegria eterna. A tunicela era um vestido comprido , estreito, com ou sem mangas, que os personagens oficiais de Roma , no século V, traziam debaixo da poenula (da qual derivou a casula litúrgica) ou da toga . Ao vestir a tunicela: Que o Senhor me revista com a túnica do gozo e as vestes da alegria. A dalmática, a princípio vestido de escravos ou vestido interior , foi no século II adotada como vestido exterior. Vestia-se por cima da túnica inferior e por baixo da poenula ou da toga . Desde o fim do século V, foi adotada pelo Papa como insígnia própria e depois concedida por ele como distinção honorífica aos bispos e presbíteros da Igreja Romana e mais tarde aos de outras Igrejas. Todavia, este privilégio foi-se estendendo aos diáconos das diversas Igrejas . Hoje só o Bispo nas Missas pontificais se conserva fiel ao costume – antigamente comum também aos sacerdotes, de vestir a tunicela e a dalmática por baixo da casula. De resto, por um desejo de simetria – pouco respeitador da tradição e das regras litúrgicas -, a tunicela e a dalmática acabaram por se tornar iguais, indistinguíveis. Contudo, alguns modelos se preocupam em dar à dalmática duas faixas horizontais ( segmentae ) que unem as duas verticais ( claves ). A tunicela permaneceria, portanto, com duas verticais e só uma horizontal. Ao vestir a dalmática: Revesti-me, Senhor, com a veste da salvação e da alegria, e rodeai-me com a dalmática da justiça. As luvas ( chirotecas ) são de seda, da cor litúrgica e com bordados nas costas – uma insígnia de distinção, em uso desde a época carolíngia . O Bispo usa-as até o ofertório, exceto na Sexta-feira Santa e na Missa dos Defuntos. Ao calçar as chirotecas : Envolvei, Senhor, minhas mãos com a pureza do Homem novo que desceu do céu, para que, como seu amado Jacó, que com as mãos cobertas com pele de cabra, pediu a bênção paterna, uma vez oferecidas a seu pai comida e bebida muito agradáveis, também a oferenda da salvação doada por nossas mãos mereça a bênção da Vossa graça. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que em semelhança pela carne pecadora, ofereceu a Si mesmo por nós. A casula era primitivamente um manto de lã ou de couro, em forma de saco ou de sino, destinada nas viagens a resguardar do mau tempo . Era a poenula , adotada pelos romanos no século II. Tinha só uma abertura por onde se passava a cabeça, e, caindo dos ombros até aos pés, envolvia todo o corpo, simulando assim uma pequena casa (casula). Ampla e majestosa, flutuava ao mais ligeiro movimento do corpo, o que lhe fez dar o nome de planeta (do grego, andar errante). No século VI, o povo abandonou este vestido, mas o clero continuou a usá-la . Pouco a pouco, os membros da Hierarquia inferior renunciaram a um ornamento tão caro, que ficou reservado aos presbíteros e aos bispos. A sua forma variou bastante a partir do século XIII, devido a sucessivas reduções que, sob pretexto de facilitar os movimentos do Celebrante, transformaram a ampla, ágil e majestosa planeta na inestética, desgraciosa e pesada casula cujo modelo conhecemos. Há o costume de tirá-la quando o sacerdote prega do púlpito, porque no rito antigo o sermão não é considerado parte propriamente integrante da Missa, logo, não é necessária a casula como paramento para tal. O costume de suspender a parte da casula que cai das costas do Celebrante durante as Elevações, antes do significado teológico, tem o sentido prático de ajuda no trato do paramento originado quando este era mais amplo. Ao vestir a casula: Senhor, que dissestes “Meu jugo é suave e o meu fardo é leve”, concedei-me que eu o leve de tal modo que possa obter a sua graça. A mitra primitivamente era uma touca branca, de forma alongada, mais ou menos cônica e sem nenhum ornato. No século XII, em Roma, toma a forma duma coroa ( regnum ), e vai sofrendo depois, no decorrer dos séculos, várias modificações. O mais antigo documento da sua concessão aos Bispos data do século XI . Segundo Tomás de Aquino, as duas pontas que formam a mitra significam o Antigo e o Novo Testamentos; as ínfulas, que descem sobre as espáduas, expressam o resplendor que saía da cabeça de Moisés após ter a visão de Deus, o brilho da sabedoria dada aos bons pastores, como prometido ao profeta Jeremias (3, 15). Há dois bons e detalhados artigos sobre ela: um no Salvem a Liturgia! e na Wikipedia. Ao impor a mitra: Imponde, Senhor, em minha cabeça a mitra e o capacete da salvação, para que não caia nas ciladas do antigo inimigo e de todos os demais adversários. O anel deve ter uma pedra preciosa respectiva à dignidade do Prelado. No caso dos Bispos, é o símbolo da união com a sua Igreja. Segundo alguns, é diferente do anel com que os antigos Bispos selavam as suas cartas, tal como acontece ao Papa com o Anel do Pescador. Ao impor o anel: Adornai, Senhor, os dedos do meu coração e de meu corpo, e envolvei-me sete vezes com o Espírito santificador. O manípulo , como o seu nome indica ( mappula, sudarium ), era o lenço de cerimônia que fazia parte do vestido do aparato dos romanos . Servia para cobrir o rosto, limpar o suor , transmitir ordens, dar o sinal do princípio dos jogos, aclamar os vencedores. O presidente da assembleia litúrgica adotou-o, e os ministros imitaram-no . Apesar de simples adorno hoje, a oração que acompanha a sua paramentação o enche de significado espiritual. Ao vestir o manípulo: Fazei, Senhor, que eu mereça levar o manípulo com espírito humilde, para que com alegria tenha eu parte entre os Santos. Não há oração que o Bispo reze enquanto recebe o báculo e se destina à procissão de ingresso. É possível ver , primeiramente pelo significado de cada peça e depois pela oração que acompanha a paramentação de cada uma, que nada na Liturgia é sem sentido . É evidente que os frutos espirituais da celebração dos Sacramentos dependem da vida do ministro, contudo, é inegável que os sinais (sonoros, visuais e sensíveis) da Liturgia muito ajudam na espiritualidade do ministro ordenado que os valoriza quando celebra os Sacramentos. Imagine-se, portanto, um sacerdote que unicamente tira seus paramentos do armário e não recita nenhuma oração (nem de paramentação nem aquelas contidas até no Missal de Paulo VI como fórmulas de intenção para a celebração da Missa). Agora, imagine-se um sacerdote que se prepara adequadamente: em estado de graça (requisito para a liceidade do sacramento), rezando a intenção do que celebrará e preparando o espírito pelas belíssimas, explicantes e profundas orações de paramentação… Qual deles colherá mais frutos de seu ministério? Por isso, dizemos: a beleza da Liturgia ensina e santifica quem a vive com reta intenção . Sobre o uso do barrete na Liturgia Com o solidéu, a mitra e o capuz dos hábitos religiosos, o barrete está entre os chapéus eclesiásticos com uso dentro ou fora da Liturgia ou em ambas as ocasiões. O barrete surgiu no século X, quando no rito romano o amito deixou de ser usado sobre o cabeça e permaneceu apenas sobre os ombros, como é atualmente. Primeiro teve a forma do solidéu, conforme conhecemos, que se tornou outra peça do vestuário eclesiástico. Depois adquiriu a forma de cubo, tal como o chapéu usado pelos juízes romanos, no exercício de sua função, como demonstração da autoridade. A sua cor depende da hierarquia de quem o usa: preto para seminaristas, diáconos e padres; violáceo para os bispos; vermelho para os cardeais; branco para o Papa, embora esteja em desuso há séculos, e para os cônegos premonstratenses. O Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote tem barrete de cor azul, algo único na Igreja, devido à sua ligação com São Francisco de Sales, que é representado de vestes naquela cor. Tem três palas levantadas, que se unem numa borla de seda; o lado sem aba fica voltado para a orelha esquerda, de modo que a mão direita de quem o usa o alcance e com ela o retire. Para os seminaristas, diáconos, padres e cônegos a borla do barrete é de cor preta; para os padres monsenhores de Sua Santidade e Prelados de Sua Santidade e para os bispos a borla é de cor violácea; para os padres monsenhores Protonotários Apostólicos a borla é cor vermelha; o barrete branco dos cônegos premonstratenses e do Papa e o barrete vermelhos dos Cardeais não têm borla, mas em seu lugar um curto cordão, como o do solidéu. O acima mencionado Instituto Cristo Rei tem barrete com borla de cor azul para todos os membros. Os eclesiásticos com título de Doutor podem usar, fora da Liturgia, o barrete com quatro palas. Indicações comuns para um presbítero durante a Missa segundo a forma ordinária do rito O uso do barrete não é igual à mitra, com a mesma dignidade e os mesmos detalhes. Vejam: 1. Após paramentar-se e rezar, cobre-se com o barrete e faz inclinação da cabeça ao crucifixo. 2. Quando chegar ao mais baixo degrau do altar para, descobre-se pegando o barrete com a mão direita na aba sobre a sua orelha direita, entrega-o ao ministro que o ajuda e faz inclinação profunda do corpo ao altar ou, se o sacrário estiver no altar, faz genuflexão sem soltar as mãos postas. Mantém-se com a cabeça descoberta mesmo se tiver que aspergir a assembleia durante o ato penitencial, aos domingos e em outras ocasiões prescritas para isso. . Quando sentar-se para a Liturgia da Palavra, o ministro lhe dá o barrete e com ele se cobre. 4. Durante o canto de aclamação ao Evangelho, levanta-se, mesmo se tiver que colocar incenso no turíbulo (Instrução Geral do Missal Romano, n. 131). Retira o barrete antes de rezar a oração Purificai os meus lábios ou de abençoar, se houver, o Diácono ou, também se houver, o concelebrante ir proclamar o Evangelho. 5. Após a proclamação do Evangelho, se faz ou não a homilia, cobre-se com o barrete. 6. Descobre a cabeça após a homilia e assim continua até depois de beijar o altar, ao fim da Missa: depois de abençoar o povo , recebe do ministro o barrete e o mantém à altura do peito, dirige-se ao altar, beija-o e só depois cobre-se, enquanto volta para a sacristia. Outros eclesiásticos e o uso do barrete Concelebrantes, bispos, outros padres, diáconos e seminaristas também podem usar o seu barrete: se participam das procissões inicial e final, cobrem a cabeça, e sempre que estiverem sentados. O Bispo pode usar o barrete e o solidéu em missas de dias de semanas, nos quais não é obrigatório o uso da mitra. Assim, também ele faz as mesmas ações que um presbítero com o barrete, diferentes das ações com a mitra.
- Papa Francisco critica “moda” litúrgica antiquada
O papa Francisco está preocupado com o uso de sobrepelizes rendadas e barretes por padres da Sícilia, um sinal, para ele, de pouca implementação das decisões do Concílio Vaticano II. “Falo claramente: caríssimos, ainda a sobrepeliz, o barrete…, mas onde estamos? Sessenta anos depois do Concílio! Um pouco de atualização inclusive na arte litúrgica, na ‘moda’ litúrgica”, disse o papa Francisco hoje (9) ao receber bispos e padres da Sicília no Vaticano. “Eu não gostaria de terminar sem mencionar algo que me preocupa, que me preocupa muito. Eu me pergunto: como vai a reforma começada pelo Concílio? Como vai entre vocês? A piedade popular é uma grande riqueza e devemos preservá-la, acompanhá-la para que não se perca. Também devemos educá-la. A este respeito, leiam o número 48 da Evangelii nuntiandi , que tem plena vigência o que são Paulo VI nos disse sobre a piedade popular: libertá-la de todo gesto supersticioso e pegar a substância que tem dentro”, disse o papa. “Sim, tudo bem às vezes trazer um pouco da renda da avó. É para homenagear a avó, não é? Vocês entenderam tudo, não é mesmo? É bom homenagear a avó, mas é melhor celebrar a mãe, a santa mãe Igreja, e como a mãe Igreja quer ser celebrada. E que a insularidade não impeça a verdadeira reforma litúrgica que o Concílio propôs. E não permaneçam imóveis”. O papa também sugeriu que os padres prestassem atenção ao pregar homilias porque “as pessoas querem substância. Um pensamento, um sentimento e uma imagem, e elas carregam isso durante toda a semana”. “Não sei como os padres sicilianos pregam, se pregam como sugerido na Evangelii gaudium ou se pregam de tal forma que as pessoas saem para fumar um cigarro e depois voltam…. Esses sermões no qual falam de tudo e de nada. Tenham em mente que após oito minutos a atenção diminui, e as pessoas querem substância. Um pensamento, um sentimento e uma imagem, e elas carregam isso durante toda a semana”, concluiu o papa. Seguem abaixo dois textos dos sites Salvem a Liturgia e Direto da Sacristia. Pastoral do Pano! Por Verbum Abbreviatum Espalhou-se pelas sacristias paroquiais um novo jargão eclesiástico, possuindo como finalidade definir um tipo muito “característico” de seminarista, era criada assim a “pastoral do pano” e obviamente os “seminaristas do pano”. Usando de uma perspectiva caricata certos padres demonstrando aversão pela atual atitude religiosa dos pretendentes ao sacerdócio, que não possuem mais valores morais ou utopias sociais, mas preocupam-se com rendas encontradas na “25 de março” (rua comercial em São Paulo) e os mais novos modelitos eclesiásticos que circulam pelo bairro de Santa Cecília. (emitimos o nome da famosa grife paulistana para não sofrermos as penas legais por uso impróprio) Infelizmente, as duas posturas possuem bases muito sólidas e exageros mais que notórios. Qual seria em sã consciência o padre que perderia metade de seu dia escolhendo bordados, alamares, tecidos italianos ou forros canadenses? Alguém com uma clara percepção de que o centro de toda a liturgia é ele, quem deve brilhar é ele e como ele não pode sair por aí desfilando uma Channel no braço ele coloca uma renda carregada de frustrações por baixo da casula altamente bordada. Esperem caros leitores do SL! Minha senha não foi roubada e quem escreve não é um adorador de Boff encerrado em alguma taberna marxista por esse mundo afora. Quem escreve é alguém que diante de extremos mais que desnecessários sente-se incomodado e impelido a soltar algumas palavras. Qual seria o sacerdote que em pleno uso de suas faculdades usaria durante três meses a mesma túnica, sempre suja e já com aquele cheiro muito bem definido ou ainda aquela estola com todas as cores litúrgicas e ao mesmo tempo sem ter nada de litúrgica? Quem usaria em todas as Santas Missas as mesmas alfaias ou jamais teria em seu armário uma casula? (visto que no Brasil sempre faz calor! Alguém me explica o frio de São Paulo então!) Explico onde quero chegar caro (a) leitor (a), a linha que separa a Pastoral do Pano e a Heresia do Desleixo é muito tênue e translúcida, sendo facilmente ultrapassada por quem quer que seja. Aqueles que acusam a existência de uma escrupulosa preocupação na Pastoral do Pano, podem estar nadando a braços largos na Heresia do Desleixo e por sua vez aqueles que indicam com voz clara a falta de rendas e brocados dourados em certos sacerdotes praticantes da Heresia do Desleixo, podem do mesmo modo, estar de braços dados com a vaidosa Pastoral do Pano. Não venho trazer o mapa de onde se encontra o Santo Graal e muito menos o endereço da famosa grife eclesiástica, venho expor da maneira mais clara possível (e espero não desrespeitar os leitores) a dor que me atinge ao ver como é raro ver uma situação onde o “bom” das duas situações esteja em harmônica consonância. Comum é ver seminaristas que gastam centenas em alvas sempre mais brocadas e bordadas, cíngulos sempre mais brilhantes e caros, batinas para cada estação do ano e não possuem sequer uma Bíblia para estudo ou um livro de espiritualidade que os acompanhe. Muito menos raro é ver padres e seminaristas “sociais” com livros e livros espalhados por onde passam (livros nem sempre bons), discursos sociais lançados durante o café da manhã ou quem sabe durante o intervalo das aulas, e durante uma Santa Missa aparecem com uma túnica amassada, amarelada e o pior de tudo, fétida. Desejam a igualdade e mal conseguem respeitar a igualdade de narinas que o bom Deus deu a cada ser humano. Triste ver um grupo discutindo sobre paramentos caros e todo o resto e quando questionados sobre alguma parte doutrinária ou ensinamento espiritual, sobre partes da Sagrada Escritura, mais que rapidamente mudam de assunto! Ou aqueles outros sociólogos de porta de Igreja, quando perguntados sobre qualquer coisa referente ao culto, lançam a pergunta para o grupo precedente, (que obviamente bem longe se encontra) Tarefa nossa é demonstrar que barretes não escondem cabeças vazias e caridade com o próximo sofredor não implica em permanecer sujo durante a Santa Missa. Queremos o que a Igreja tem para nos dar e não o que as misérias humanas insistem em dispensar a bel-prazer, nossa geração quer ser como foram os verdadeiros santos, o piedoso São Felipe Neri que não deixava de fazer caridade para não sujar a batina, São Francisco de Assis que fazia caridade e não se via impedido de usar o hábito. A ausência de utopias que nos acusam é divertidamente ilógica, ela está impressa nos mais belos vitrais, nas mais belas colunas góticas, nas ogivas que protegem a assembléia, nos santos paramentos que esperam por quem os use em vitrines de museus, nos mosteiros convertidos em hotéis de luxo, nas Igrejas vendidas para supermercados, nos padres esquecidos em asilos, nas verdadeiras obras de caridade que estão esquecidas, na misericórdia vivida plenamente e descrita nas mais simples hagiografias. “Quem tem olhos veja”. Mostrar que o zelo pela Sagrada Liturgia não acaba em si, mostrar que o “sofrido povo de Deus” tem direito ao belo e digno é mais que necessário. Casulas realmente não enchem barrigas, mas piquetes também não glorificam ao Deus Eterno. Muito além do “pano” A importância espiritual dos paramentos e insígnias além de sua estética Queixa-se de que, ao entrar no coro para a salmodia, ao dirigir-se para celebrar a missa, logo mil pensamentos lhe assaltam a mente e o distraem de Deus. Mas, antes de ir ao coro ou à missa, que fez na sacristia, como se preparou, que meios escolheu e empregou para fixar a atenção? (Sermão proferido no último sínodo por São Carlos Borromeu) Feliz e evidentemente, estamos vivendo em outro tempo. Embora ainda vivo, o pensamento de uma fé socialmente instrumentalizada e, com isso, desprovida em grande parte de seu caráter transcendental, perde sua força depois de décadas determinando o que era bom ou não para os fiéis e, pior, para as vocações sacerdotais e religiosas. Não obstante o empenho de tantos homens, e o fato disto ser também o resultado do enfado de anos de um relativismo com poucas exceções, o pontificado do Papa Bento XVI foi um impulso e vigor ao novo movimento litúrgico que hoje testemunhamos . Mas ainda não podemos nos dar por satisfeitos. Há – diríamos – outras linhas nascidas ou influenciadas por esses novos tempos que, embora tenham um ou mais pontos em comum, divergem entre si em aspectos cruciais: há quem execute as rubricas apenas por ritualismo (fazer em virtude da lei litúrgica somente); também há quem só deseje se vangloriar por meio da beleza litúrgica , usurpando o lugar de Nosso Senhor, e, por fim, há quem faz da Liturgia apenas um mero barroquismo , sem que dela se colham bons e grandes frutos, como é possível quando se desvia de seus propósitos: louvor, adoração, expiação dos pecados e ação de graças. Particularmente, não concordamos com o reprovável termo “panos” para se referir aos paramentos litúrgicos , que denota um pauperismo em significado e nunca deveria ser relacionado às alfaias, mas se tornou usual devido à vulgaridade com que é usado. Mas, há quem o use para demonstrar seu desprezo pelas vestes sacras, como quem afirma que não passam de “panos”, sem significado, sem importância, sem ser meio catequético pelo uso aos fiéis e até mesmo a quem os usa. Em julho de 2009, o “Salvem a Liturgia!” publicou um artigo muito claro e sincero sobre a chamada “Pastoral do Pano”, falando sobre frágil linha que separa os vaidosos e superficiais que se aproveitam da Liturgia como um lugar de maravilhas para o seu ego e os que a desprezam quase que totalmente – só restando as fórmulas que recitam e os gestos que executam para a válida dos sacramentos que celebram. Mais lamentável e – ao mesmo tempo – ridícula ainda é a justificativa daqueles que, falando de seu gosto litúrgico “sóbrio” e “centrado”, ridicularizam os paramentos que fazem uso de rendas e decorações florais. Acreditar em fúteis argumentos como estes e outros é o mesmo que deixar de usar paramentos róseos unicamente pela moderna e imperfeita ligação entre esta cor e o seu uso exclusivo pelas mulheres. Como forma de defesa à importância dos paramentos mas também para refutar quem os despreza, apresentamos a seguir as orações que acompanham a paramentação das vestes episcopais e sacerdotais (estas estão todas inclusas naquelas, mas aquelas superam em número a estas, de modo que, obviamente, os sacerdotes não se paramentam como bispos). A reforma litúrgica do Vaticano II , embora tenha excluído a obrigatoriedade de a vestição dos paramentos ser acompanhada de cada respectiva oração, não proibiu no Missal de Paulo VI o fato de rezar mais especificamente enquanto se paramenta. Portanto, as oração a seguir são do rito antigo: o problema não é não ter a sensibilidade litúrgica (como se refere Bento XVI) do usus antiquior , mas reprová-la e desprezar os bens que sobrevêm dela quando é virtuosamente vivida, tal como acontece àqueles que de reta intenção são liturgicamente sensíveis a outras espiritualidades. Enfim, na reflexão sobre as orações que acompanha a vestição de cada paramento, veremos que há por trás algo de espiritual muito maior e mais importante do que a aparente ostentação ou luxo de quem só assim interpreta: As cáligas eram os calçados dos militares romanos e símbolo da expansão do Império, feitas de couro e algumas vezes até mesmo os escravos as calçavam; mas, usualmente, eram do vestuário dos legionários até os centuriões. A Igreja preservou o modelo, embora decorado: botas que chegam até a metade das pernas e que é fechada por fios atados. Ao chegar à sacristia, o Bispo se desfaz dos seus sapatos civis e enquanto as calça, diz: Calçai, Senhor, os meus pés na preparação do Evangelho da paz e protegei-me à sombra de Vossas asas. Depondo a mozzetta : Livrai-me, Senhor, do homem velho com as suas obras e costumes, e revesti-me do homem novo, criado segundo Deus na justiça e santidade da verdade . Lavando as mãos: Dai, Senhor, força às minhas mãos para lavar toda a iniquidade, e poder para servir-Vos sem culpa no corpo e na alma . O amito aparece no século VIII para cobrir a cabeça e pescoço do Celebrante e ministros sagrados, e, passando debaixo dos braços, talvez para apertar a alva ao peito, sobre a qual se veste. Quando no século X apareceu o barrete, o amito passou a cobrir unicamente o pescoço . Contudo, em [ritos de] certas ordens religiosas (que, na maioria, não tem barrete), conserva o uso primitivo do capuz. Usa-se por baixo todas as vezes que esta se vestir. Também se põe imediatamente sobre o roquete ou sobrepeliz todas as vezes que se deva vestir, sem a alva, a dalmática, pluvial ou casula, como para assistir ao Bispo na Missa e Vésperas Pontificais. Com o amito: Ponde, Senhor, sobre a minha cabeça o capacete da salvação para rejeitar todas as tentações do diabo e armadilhas do inimigo . A alva era a túnica interior que todos os romanos usavam no século VI . Deve ser trazida nas Missas, nas Procissões solenes e nas Exposições solenes do Santíssimo Sacramento. Enquanto veste a alva: Purificai-me, Senhor, e limpai meu coração, para que como aqueles que lavaram as suas vestes no sangue do Cordeiro, possa eu desfrutar de alegrias eternas. O cíngulo passou a apertar aos rins a alva depois do século VIII . Deve ser branco ou da cor dos paramentos. Enquanto se cinge com o cíngulo: Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da fé e da virtude da castidade, e apagai de meus membros o ardor da concupiscência, para permanecer sempre em mim a força da castidade . A cruz peitoral , cujo costume é de carregar relíquias dos Mártires, tem forma latina e seu uso foi herdado dos primeiros cristãos. Depois de beijar a cruz peitoral e recebê-la: Senhor Jesus Cristo, dignai-Vos proteger-me de todas as ciladas do inimigo com o sinal santíssimo de Vossa Cruz, e dignai-Vos conceder a mim, Vosso indigno servo, que assim como levo em meu peito esta Santa Cruz com todos os Vossos Santos, sempre tenha em minha mente a memória da Paixão e as vitórias dos Mártires. A estola era, segundo Batiffol, era uma peça de tecido de linha, terminada com franjas, da qual os homens se serviam para resguardar o pescoço do frio . Era aberta por diante e ornada duma orla de bordado precioso, que dava a volta ao pescoço e descia até os pés. Depois de adotada no vestuário litúrgico , como insígnia de dignidade (nas liturgias oriental, visigótica e galicana no século VI, e na liturgia romana no século IX), para poder ser revestida por baixo da dalmática e da casula, a estola perdeu a sua parte mais importante – a túnica, e conservou apenas o bordado ( orarium ). Deve ter uma cruz grega no meio e nas duas extremidades. Os sacerdotes usavam-na cruzada ao peito debaixo da casula já que a cruz peitoral era (e continua sendo reservada aos Bispos); contudo, a usavam pendendo paralelamente ao peito, tal como os Bispos, quando sobre a sobrepeliz. Ao vestir a estola: Dai-me, Senhor, a estola da imortalidade que perdi com a desobediência de meus pais, e ainda quando dos Vossos sagrados Mistérios me aproximo sem ser digno, com este ornamento eu mereça a alegria eterna. A tunicela era um vestido comprido , estreito, com ou sem mangas, que os personagens oficiais de Roma , no século V, traziam debaixo da poenula (da qual derivou a casula litúrgica) ou da toga . Ao vestir a tunicela: Que o Senhor me revista com a túnica do gozo e as vestes da alegria. A dalmática, a princípio vestido de escravos ou vestido interior , foi no século II adotada como vestido exterior. Vestia-se por cima da túnica inferior e por baixo da poenula ou da toga . Desde o fim do século V, foi adotada pelo Papa como insígnia própria e depois concedida por ele como distinção honorífica aos bispos e presbíteros da Igreja Romana e mais tarde aos de outras Igrejas. Todavia, este privilégio foi-se estendendo aos diáconos das diversas Igrejas . Hoje só o Bispo nas Missas pontificais se conserva fiel ao costume – antigamente comum também aos sacerdotes, de vestir a tunicela e a dalmática por baixo da casula. De resto, por um desejo de simetria – pouco respeitador da tradição e das regras litúrgicas -, a tunicela e a dalmática acabaram por se tornar iguais, indistinguíveis. Contudo, alguns modelos se preocupam em dar à dalmática duas faixas horizontais ( segmentae ) que unem as duas verticais ( claves ). A tunicela permaneceria, portanto, com duas verticais e só uma horizontal. Ao vestir a dalmática: Revesti-me, Senhor, com a veste da salvação e da alegria, e rodeai-me com a dalmática da justiça. As luvas ( chirotecas ) são de seda, da cor litúrgica e com bordados nas costas – uma insígnia de distinção, em uso desde a época carolíngia . O Bispo usa-as até o ofertório, exceto na Sexta-feira Santa e na Missa dos Defuntos. Ao calçar as chirotecas : Envolvei, Senhor, minhas mãos com a pureza do Homem novo que desceu do céu, para que, como seu amado Jacó, que com as mãos cobertas com pele de cabra, pediu a bênção paterna, uma vez oferecidas a seu pai comida e bebida muito agradáveis, também a oferenda da salvação doada por nossas mãos mereça a bênção da Vossa graça. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que em semelhança pela carne pecadora, ofereceu a Si mesmo por nós. A casula era primitivamente um manto de lã ou de couro, em forma de saco ou de sino, destinada nas viagens a resguardar do mau tempo . Era a poenula , adotada pelos romanos no século II. Tinha só uma abertura por onde se passava a cabeça, e, caindo dos ombros até aos pés, envolvia todo o corpo, simulando assim uma pequena casa (casula). Ampla e majestosa, flutuava ao mais ligeiro movimento do corpo, o que lhe fez dar o nome de planeta (do grego, andar errante). No século VI, o povo abandonou este vestido, mas o clero continuou a usá-la . Pouco a pouco, os membros da Hierarquia inferior renunciaram a um ornamento tão caro, que ficou reservado aos presbíteros e aos bispos. A sua forma variou bastante a partir do século XIII, devido a sucessivas reduções que, sob pretexto de facilitar os movimentos do Celebrante, transformaram a ampla, ágil e majestosa planeta na inestética, desgraciosa e pesada casula cujo modelo conhecemos. Há o costume de tirá-la quando o sacerdote prega do púlpito, porque no rito antigo o sermão não é considerado parte propriamente integrante da Missa, logo, não é necessária a casula como paramento para tal. O costume de suspender a parte da casula que cai das costas do Celebrante durante as Elevações, antes do significado teológico, tem o sentido prático de ajuda no trato do paramento originado quando este era mais amplo. Ao vestir a casula: Senhor, que dissestes “Meu jugo é suave e o meu fardo é leve”, concedei-me que eu o leve de tal modo que possa obter a sua graça. A mitra primitivamente era uma touca branca, de forma alongada, mais ou menos cônica e sem nenhum ornato. No século XII, em Roma, toma a forma duma coroa ( regnum ), e vai sofrendo depois, no decorrer dos séculos, várias modificações. O mais antigo documento da sua concessão aos Bispos data do século XI . Segundo Tomás de Aquino, as duas pontas que formam a mitra significam o Antigo e o Novo Testamentos; as ínfulas, que descem sobre as espáduas, expressam o resplendor que saía da cabeça de Moisés após ter a visão de Deus, o brilho da sabedoria dada aos bons pastores, como prometido ao profeta Jeremias (3, 15). Há dois bons e detalhados artigos sobre ela: um no Salvem a Liturgia! e na Wikipedia. Ao impor a mitra: Imponde, Senhor, em minha cabeça a mitra e o capacete da salvação, para que não caia nas ciladas do antigo inimigo e de todos os demais adversários. O anel deve ter uma pedra preciosa respectiva à dignidade do Prelado. No caso dos Bispos, é o símbolo da união com a sua Igreja. Segundo alguns, é diferente do anel com que os antigos Bispos selavam as suas cartas, tal como acontece ao Papa com o Anel do Pescador. Ao impor o anel: Adornai, Senhor, os dedos do meu coração e de meu corpo, e envolvei-me sete vezes com o Espírito santificador. O manípulo , como o seu nome indica ( mappula, sudarium ), era o lenço de cerimônia que fazia parte do vestido do aparato dos romanos . Servia para cobrir o rosto, limpar o suor , transmitir ordens, dar o sinal do princípio dos jogos, aclamar os vencedores. O presidente da assembleia litúrgica adotou-o, e os ministros imitaram-no . Apesar de simples adorno hoje, a oração que acompanha a sua paramentação o enche de significado espiritual. Ao vestir o manípulo: Fazei, Senhor, que eu mereça levar o manípulo com espírito humilde, para que com alegria tenha eu parte entre os Santos. Não há oração que o Bispo reze enquanto recebe o báculo e se destina à procissão de ingresso. É possível ver , primeiramente pelo significado de cada peça e depois pela oração que acompanha a paramentação de cada uma, que nada na Liturgia é sem sentido . É evidente que os frutos espirituais da celebração dos Sacramentos dependem da vida do ministro, contudo, é inegável que os sinais (sonoros, visuais e sensíveis) da Liturgia muito ajudam na espiritualidade do ministro ordenado que os valoriza quando celebra os Sacramentos. Imagine-se, portanto, um sacerdote que unicamente tira seus paramentos do armário e não recita nenhuma oração (nem de paramentação nem aquelas contidas até no Missal de Paulo VI como fórmulas de intenção para a celebração da Missa). Agora, imagine-se um sacerdote que se prepara adequadamente: em estado de graça (requisito para a liceidade do sacramento), rezando a intenção do que celebrará e preparando o espírito pelas belíssimas, explicantes e profundas orações de paramentação… Qual deles colherá mais frutos de seu ministério? Por isso, dizemos: a beleza da Liturgia ensina e santifica quem a vive com reta intenção . Sobre o uso do barrete na Liturgia Com o solidéu, a mitra e o capuz dos hábitos religiosos, o barrete está entre os chapéus eclesiásticos com uso dentro ou fora da Liturgia ou em ambas as ocasiões. O barrete surgiu no século X, quando no rito romano o amito deixou de ser usado sobre o cabeça e permaneceu apenas sobre os ombros, como é atualmente. Primeiro teve a forma do solidéu, conforme conhecemos, que se tornou outra peça do vestuário eclesiástico. Depois adquiriu a forma de cubo, tal como o chapéu usado pelos juízes romanos, no exercício de sua função, como demonstração da autoridade. A sua cor depende da hierarquia de quem o usa: preto para seminaristas, diáconos e padres; violáceo para os bispos; vermelho para os cardeais; branco para o Papa, embora esteja em desuso há séculos, e para os cônegos premonstratenses. O Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote tem barrete de cor azul, algo único na Igreja, devido à sua ligação com São Francisco de Sales, que é representado de vestes naquela cor. Tem três palas levantadas, que se unem numa borla de seda; o lado sem aba fica voltado para a orelha esquerda, de modo que a mão direita de quem o usa o alcance e com ela o retire. Para os seminaristas, diáconos, padres e cônegos a borla do barrete é de cor preta; para os padres monsenhores de Sua Santidade e Prelados de Sua Santidade e para os bispos a borla é de cor violácea; para os padres monsenhores Protonotários Apostólicos a borla é cor vermelha; o barrete branco dos cônegos premonstratenses e do Papa e o barrete vermelhos dos Cardeais não têm borla, mas em seu lugar um curto cordão, como o do solidéu. O acima mencionado Instituto Cristo Rei tem barrete com borla de cor azul para todos os membros. Os eclesiásticos com título de Doutor podem usar, fora da Liturgia, o barrete com quatro palas. Indicações comuns para um presbítero durante a Missa segundo a forma ordinária do rito O uso do barrete não é igual à mitra, com a mesma dignidade e os mesmos detalhes. Vejam: 1. Após paramentar-se e rezar, cobre-se com o barrete e faz inclinação da cabeça ao crucifixo. 2. Quando chegar ao mais baixo degrau do altar para, descobre-se pegando o barrete com a mão direita na aba sobre a sua orelha direita, entrega-o ao ministro que o ajuda e faz inclinação profunda do corpo ao altar ou, se o sacrário estiver no altar, faz genuflexão sem soltar as mãos postas. Mantém-se com a cabeça descoberta mesmo se tiver que aspergir a assembleia durante o ato penitencial, aos domingos e em outras ocasiões prescritas para isso. . Quando sentar-se para a Liturgia da Palavra, o ministro lhe dá o barrete e com ele se cobre. 4. Durante o canto de aclamação ao Evangelho, levanta-se, mesmo se tiver que colocar incenso no turíbulo (Instrução Geral do Missal Romano, n. 131). Retira o barrete antes de rezar a oração Purificai os meus lábios ou de abençoar, se houver, o Diácono ou, também se houver, o concelebrante ir proclamar o Evangelho. 5. Após a proclamação do Evangelho, se faz ou não a homilia, cobre-se com o barrete. 6. Descobre a cabeça após a homilia e assim continua até depois de beijar o altar, ao fim da Missa: depois de abençoar o povo , recebe do ministro o barrete e o mantém à altura do peito, dirige-se ao altar, beija-o e só depois cobre-se, enquanto volta para a sacristia. Outros eclesiásticos e o uso do barrete Concelebrantes, bispos, outros padres, diáconos e seminaristas também podem usar o seu barrete: se participam das procissões inicial e final, cobrem a cabeça, e sempre que estiverem sentados. O Bispo pode usar o barrete e o solidéu em missas de dias de semanas, nos quais não é obrigatório o uso da mitra. Assim, também ele faz as mesmas ações que um presbítero com o barrete, diferentes das ações com a mitra.
- Hungria doa 25 mil euros à diocese da Nigéria afetada pelo massacre
O massacre perpetrado por um grupo terrorista na Nigéria conseguiu cruzar as fronteiras do país e pelo menos condenar o ataque hediondo aos cristãos pela comunidade internacional. Tanto a ONU quanto Josep Borrel, representante da União Europeia, condenaram o ataque à sua maneira. “Ataques, sequestros e mortes de civis por grupos armados no norte da Nigéria mataram mais de 160 pessoas, incluindo 130 civis, desde 28 de maio. Tais atos hediondos de terrorismo e violência são intoleráveis. Esses ataques representam uma séria ameaça à segurança da Nigéria e da região mais ampla, inclusive no cada vez mais conturbado noroeste do país”, dizia o comunicado da UE. Nenhuma palavra se refere ao massacre de que o massacre foi em uma igreja no dia de Pentecostes contra um grupo de católicos que estavam na missa. Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjartó, condenou o sangrento ataque a uma igreja católica em Owe, Nigéria. O ministro húngaro do governo de Viktor Orbán anunciou uma ajuda de 25.500 euros em ajuda emergencial à diocese afetada pelo ataque. Ao contrário do resto dos líderes europeus, o ministro das Relações Exteriores húngaro declarou que “o cristianismo continua sendo a religião mais perseguida do mundo, como foi visto no ataque terrorista cometido na cidade nigeriana de Deve”. Peter Szijjartó afirmou que “como um país que tem sido uma nação cristã por mil anos, a Hungria tem o dever moral de agir neste momento”. Desta forma, a Hungria afirma destinar 25.000 euros à diocese afetada “para contribuir para o cuidado e tratamento hospitalar de órfãos e pessoas que perderam parentes”, disse Szijjartó. Leia também: Hungria aprova lei que proíbe pornografia e temática LGBT para menores Bispo acusa insurrectos pelo massacre de Pentecostes na Nigéria O bispo de Ondo, Nigéria, dom Jude Arogundade, disse que o objetivo dos terroristas que mataram 38 pessoas numa missa de Pentecostes era “aterrorizar os cristãos e matar o maior número possível”. Em um comunicado divulgado ontem (8), o bispo classificou o massacre como um “crime que clama aos céus”. Para dom Arogundade, “outro motivo remoto poderia ser enviar uma mensagem política ao governador do Estado de Ondo, sua excelência Rotimi Akeredolu, cujos grandes esforços para expulsar os bandidos das florestas de Ondo, e sua firme decisão de enfrentar a insurgência no país suscitaram a atenção nacional e o descontento de alguns”. A Nigéria sofre desde 2009 com a insurgência do grupo radical islãmico Boko Harum ao qual se associaram radicais muçulmanos da etnia fulani e o Estado Islâmico. O bispo de Ondo afirmou que “o motivo por trás da ideia satânica de assassinar pessoas inocentes que vivem em paz só poderia nos fazer concluir que aqueles que o fizeram são assassinos sem sentido”. No dia do massacre, diz o comunicado do bispo, “por volta das 12h e perto do final da santa missa, quando as pessoas estavam saindo da igreja, apareceram os terroristas covardes ainda não identificados e começaram a atirar em todos de perto” AVISO: As imagens podem ofender a sensibilidade do leitor “Também usaram explosivos de dinamite dentro e fora da igreja”, o que levou “à morte de muitas crianças, mulheres e homens”, deixando um saldo de 38 mortos e 61 feridos que estão sendo atendidos em hospitais locais, disse o bispo. A maioria dos líderes e organizações internacionais não condenou o ataque. “Entre as vítimas há muitas crianças feridas, homens e mulheres que estão em estado crítico e recebendo vários tratamentos no Hospital St. Louis e no Centro Médico Federal de Owo. Muitos requerem cuidados intensivos com enormes custos financeiros”, disse Arogundade. “Aqui apelo a todas as boas pessoas do mundo para que ofereçam sua ajuda financeira para cobrir os custos e os tratamentos necessários”. A diocese de Ondo disponibilizou uma conta para receber colaboração. CATHOLIC DIOCESE OF ONDO-RELIEF FUNDS ZENITH BANK PLC 5072601447 Mais informações clique AQUI Leia também Por que o massacre de dezenas de católicos em Pentecostes não é um “escândalo mundial”?
- Hungria doa 25 mil euros à diocese da Nigéria afetada pelo massacre
O massacre perpetrado por um grupo terrorista na Nigéria conseguiu cruzar as fronteiras do país e pelo menos condenar o ataque hediondo aos cristãos pela comunidade internacional. Tanto a ONU quanto Josep Borrel, representante da União Europeia, condenaram o ataque à sua maneira. “Ataques, sequestros e mortes de civis por grupos armados no norte da Nigéria mataram mais de 160 pessoas, incluindo 130 civis, desde 28 de maio. Tais atos hediondos de terrorismo e violência são intoleráveis. Esses ataques representam uma séria ameaça à segurança da Nigéria e da região mais ampla, inclusive no cada vez mais conturbado noroeste do país”, dizia o comunicado da UE. Nenhuma palavra se refere ao massacre de que o massacre foi em uma igreja no dia de Pentecostes contra um grupo de católicos que estavam na missa. Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjartó, condenou o sangrento ataque a uma igreja católica em Owe, Nigéria. O ministro húngaro do governo de Viktor Orbán anunciou uma ajuda de 25.500 euros em ajuda emergencial à diocese afetada pelo ataque. Ao contrário do resto dos líderes europeus, o ministro das Relações Exteriores húngaro declarou que “o cristianismo continua sendo a religião mais perseguida do mundo, como foi visto no ataque terrorista cometido na cidade nigeriana de Deve”. Peter Szijjartó afirmou que “como um país que tem sido uma nação cristã por mil anos, a Hungria tem o dever moral de agir neste momento”. Desta forma, a Hungria afirma destinar 25.000 euros à diocese afetada “para contribuir para o cuidado e tratamento hospitalar de órfãos e pessoas que perderam parentes”, disse Szijjartó. Leia também: Hungria aprova lei que proíbe pornografia e temática LGBT para menores Bispo acusa insurrectos pelo massacre de Pentecostes na Nigéria O bispo de Ondo, Nigéria, dom Jude Arogundade, disse que o objetivo dos terroristas que mataram 38 pessoas numa missa de Pentecostes era “aterrorizar os cristãos e matar o maior número possível”. Em um comunicado divulgado ontem (8), o bispo classificou o massacre como um “crime que clama aos céus”. Para dom Arogundade, “outro motivo remoto poderia ser enviar uma mensagem política ao governador do Estado de Ondo, sua excelência Rotimi Akeredolu, cujos grandes esforços para expulsar os bandidos das florestas de Ondo, e sua firme decisão de enfrentar a insurgência no país suscitaram a atenção nacional e o descontento de alguns”. A Nigéria sofre desde 2009 com a insurgência do grupo radical islãmico Boko Harum ao qual se associaram radicais muçulmanos da etnia fulani e o Estado Islâmico. O bispo de Ondo afirmou que “o motivo por trás da ideia satânica de assassinar pessoas inocentes que vivem em paz só poderia nos fazer concluir que aqueles que o fizeram são assassinos sem sentido”. No dia do massacre, diz o comunicado do bispo, “por volta das 12h e perto do final da santa missa, quando as pessoas estavam saindo da igreja, apareceram os terroristas covardes ainda não identificados e começaram a atirar em todos de perto” AVISO: As imagens podem ofender a sensibilidade do leitor “Também usaram explosivos de dinamite dentro e fora da igreja”, o que levou “à morte de muitas crianças, mulheres e homens”, deixando um saldo de 38 mortos e 61 feridos que estão sendo atendidos em hospitais locais, disse o bispo. A maioria dos líderes e organizações internacionais não condenou o ataque. “Entre as vítimas há muitas crianças feridas, homens e mulheres que estão em estado crítico e recebendo vários tratamentos no Hospital St. Louis e no Centro Médico Federal de Owo. Muitos requerem cuidados intensivos com enormes custos financeiros”, disse Arogundade. “Aqui apelo a todas as boas pessoas do mundo para que ofereçam sua ajuda financeira para cobrir os custos e os tratamentos necessários”. A diocese de Ondo disponibilizou uma conta para receber colaboração. CATHOLIC DIOCESE OF ONDO-RELIEF FUNDS ZENITH BANK PLC 5072601447 Mais informações clique AQUI Leia também Por que o massacre de dezenas de católicos em Pentecostes não é um “escândalo mundial”?
- SEMPRE É PECADO SENTIR RAIVA? – Padre Paulo Ricardo
[Padre Paulo Ricardo, na homilia abaixo, interpreta de modo admirável uma difícil passagem do Evangelho, quando Jesus diz: “Todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: ‘patife!’ será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de ‘tolo’ será condenado ao fogo do inferno”]. No Evangelho de hoje, Jesus nos ensina a conter a ira nos nossos corações: “Ouvistes o que foi dito: ‘Não matarás’. Eu, porém, vos digo: Quem disser a um seu irmão: ‘Tolo, estulto’, esse será passível de juízo”. O que Jesus quer dizer com isso tudo? Bom, em primeiro lugar, temos de entender que existe em nós como, dom de Deus, uma faculdade de irascibilidade. Nós nos irritamos, e isso é uma coisa que está presente no mundo animal. Ou seja: nós temos desejos; os nossos desejos, porém, podem encontrar algo que os impede, um empecilho que suscita raiva. É exatamente isso. Se você vê que perde a paciência com facilidade, que você está sempre irritado, se pergunte qual é o seu desejo. Ou seja: as pessoas não conseguem enxergar isso, mas é importante ver que, dentro de nós, existe uma espécie de “criança mimada” que diz: “Seja feita a minha vontade assim na terra como no céu”, ou seja, o que eu desejo. Mas o que eu desejo nem sempre é justo e, mesmo que fosse justo, nem sempre é possível alcançar. Então, nós temos de refrear a nossa ira. Por quê? Porque a nossa ira está escondendo dentro de nós, na realidade, uma espécie de desordem em que queremos ser Deus: “Seja feita a nossa vontade”. Mas, além disso, a ira se torna ainda mais grave quando ela tem como objeto o nosso irmão, ou seja, quando começamos a desejar o mal para o nosso irmão. É a realidade da malevolência, ou seja, eu quero o mal, eu desejo o mal. E então, quando eu, consciente e deliberadamente, desejo o mal para o meu irmão, ali estou cometendo um pecado grave, um pecado mortal. Se eu simplesmente me irrito e perco a paciência, isso é uma desordem ou, talvez, no máximo, um pecado venial, mas não um pecado mortal — eu simplesmente perdi a paciência, eu simplesmente mostro que, dentro de mim, existe uma desordem. Mas, se eu quero e desejo o mal para uma pessoa, então estou cometendo um pecado mortal, e é contra isso que Jesus se opõe. Aqui vem a pergunta: “Então Jesus está dizendo que, se eu falar um palavrão contra o meu irmão, eu vou para o inferno?” São João Crisóstomo diz que é evidente que não. Não é essa a intenção de Jesus, também porque o próprio Jesus usou “xingamentos”, o próprio Jesus disse para os fariseus que eles são uma “raça de víboras”, ou, para os discípulos de Emaús, disse que eram “tardos de coração”, ou seja, são tolos e têm dificuldade de crer; são lentos. São Paulo, por exemplo, chamou os gálatas de “estultos”. Quer dizer que São Paulo está na geena? Não. Nós devemos entender que, às vezes, é possível, sim, usar palavras fortes, quando essas palavras fortes são dirigidas ao irmão por caridade, ou seja, para acordá-lo. Imaginemos um filho sonâmbulo que está caminhando na direção de um abismo; o pai tenta acordá-lo, mas o filho não acorda de jeito nenhum e, então, ele dá uns tapas na cara do filho. Não é por ódio, mas por pura caridade, para acordá-lo, para que ele não caia no abismo. Assim, também nós podemos usar, às vezes, palavras duras e fortes para acordar pessoas que estão se perdendo; mas tem de ser por caridade, por amor, e não por ódio. Sofrerá o juízo e será jogado na geena aquele que, cometendo pecado mortal, deseja o mal para o irmão simplesmente pelo mal; mas aquele que deseja, por caridade, que o seu irmão passe por alguma tribulação para que ele acorde, para que ele se converta, este na verdade tem o seu coração configurado a Deus, que é lento para se irar, mas, quando realiza algum ato de ira, o faz por sua infinita misericórdia, porque também a ira é uma forma de Deus nos amar. https://padrepauloricardo.org/episodios/sempre-e-pecado-sentir-raiva
- CANCELAMENTO LINGUÍSTICO
Artigo interessante de Chiara Pajetta, no jornal italiano Nuova Bussola Quotidiana , comentando o livro recém-lançado Manifesto del libero pensiero (“Manifesto do livre pensamento”), de Paola Mastrocola e Luca Ricolfi (Editora La Nave di Teseo, 128 p.). O assunto é a linguagem politicamente correta e suas fórmulas mais “inclusivas”, que devem substituir as antigas palavras da tribo humana. No fundo, o espírito que move tudo isso é a velha fúria revolucionária, mas agora operando de modo mais suave e diabolicamente inteligente nas instituições sociais e culturais, no caso, a linguagem. É a hora da cancel culture. Agora já não se pode mais dizer “sexo”, mas “gênero”. Velho é, definitivamente, idoso. Cego deve ser deficiente visual, mas há uma fórmula pretensamente menos discriminatória: “pessoa portadora de deficiência”. A palavra pátria, que é muito machista e patriarcal, deveria ser trocada por mátria (e, neste caso, não importa que seja matriarcal demais…). Falar em útero ou barriga de aluguel é ofensivo: é preferível a forma soft “maternidade substitutiva”, que opera a mágica de tornar mais tecnicamente aceitável uma coisa sórdida, como a compra e venda de filhos. A companhia aérea alemã Lufthansa é um exemplo de como a própria iniciativa privada está cavalgando no lombo do politicamente correto: não mais saudará os passageiros com “caras senhoras e senhores”, mas com um simples “bom dia”, para não ofender eventuais trans a bordo. As palavras mágicas, hoje em dia, são “inclusão” e “sustentabilidade”, quer se trate de um show musical, de uma empresa ou até mesmo um simples vestido de mulher. Ao lado desses exemplos já nossos conhecidos, a autora menciona algumas propostas verdadeiramente surrealistas, para dizer o mínimo. É o caso da palavra inglesa history (história), que deveria dar lugar a herstory , uma vez que o “his” de “history” sugere o pronome possessivo masculino “seu”, enquanto o “her” de “herstory” se referiria a uma pessoa feminina. De modo que uma historiadora feminista poderia designar sua atividade acadêmica com a palavra herstorian , em vez da forma machista historian (historiador) . Fala a autora das novas ferramentas de censura tecnológica baseadas em algoritmos e programas de inteligência artificial. Quem usa o editor de textos Word, do Bill Gates, frequentemente se depara com sugestões de trocas de palavras ou locuções propostas por Mister Algoritmo. Algumas vezes são sugestões até razoáveis, o que é um modo de criar confiabilidade nesse instrumento, que logo mais, certamente, pelo que conhecemos da mente do sr. Gates, começará a sugerir mudanças do tipo acima mencionado. “Só os regimes totalitários pretendem mudar a linguagem de cima para baixo”, diz com acerto a jornalista, e cita George Orwell, que com a novilíngua de seu famoso romance 1984 exemplifica-o de forma admirável. A seguir, alguns trechos do artigo “Palavras proibidas: como a liberdade de pensamento é bloqueada”, de Chiara Pajetta, que pode ser lido inteiro aqui : “Se até a década de 1970 a censura era “direita” e a liberdade de expressão era de ‘esquerda’, tendo em vista que a cultura dominante era considerada autoritária e conservadora, a partir da década de oitenta de 1980, o progressismo permeou cada vez mais a consciência coletiva, lenta mas seguramente, dando origem ao politicamente correto.” “As palavras politicamente corretas têm hoje livre curso nas escolas, universidades, instituições, jornais, cinema e TV, empresas privadas e companhias aéreas e, claro, nos gigantes da web.” Ser progressista, hoje, também significa tornar-se ‘legislador da linguagem’, ou seja, ditar regras no uso das palavras. Com a presunção arrogante de estabelecer como deveríamos chamar as coisas e as pessoas, a ‘intellighenzia’ de esquerda acredita estar gerando novos e virtuosos comportamentos (…) com a piedosa ilusão de que o desprezo pelos outros é eliminado com uma simples troca de palavras. (…) É pura hipocrisia pensar que chamar velhos de idosos os torna objeto de maior atenção e respeito.” “Décadas de termos ‘atualizados’ mudaram as pessoas a tal ponto, que elas se tornaram cada vez mais sensíveis, e agora até se consideram vítimas, simplesmente porque ouvem uma palavra indesejada. Surgiu uma nova geração de jovens que temem ser agredidos em sua sensibilidade pessoal. Certas expressões, ou algumas passagens da literatura, poderiam perturbá-los: chegamos à inédita ‘era da suscetibilidade’.”
- Por que o massacre de dezenas de católicos em Pentecostes não é um “escândalo mundial”?
Mais de 50 católicos foram brutalmente assassinados durante a missa de pentecostes em uma igreja na Nigéria. Porque não se tornou um escândalo mundial? O padre mexicano Eduardo Hayen e o padre espanhol Juan Manuel Góngora perguntam por que o massacre perpetrado no domingo (5), Solenidade de Pentecostes, em uma igreja católica na Nigéria, não é um “escândalo mundial”. “Se o massacre tivesse acontecido em um bar de Madri, Paris ou Nova York teria sido um escândalo planetário, mas é a Nigéria… e são cristãos”, escreveu Eduardo Hayen, que trabalha como diretor do jornal Presença da diocese mexicana de Ciudad Juárez. Embora vários meios de comunicação internacionais tenham divulgado notícias sobre o massacre ocorrido no domingo (5), na igreja de São Francisco Xavier em Owo, estado de Ondo, Nigéria, onde dezenas de pessoas morreram, ainda não há pronunciamentos de organizações internacionais ou líderes políticos. Vários usuários nas redes sociais acusam militantes islâmicos da etnia fulani pelo massacre. Padre Góngora, que será premiado pela plataforma HazteOír por sua defesa dos valores cristãos no Twitter, onde tem mais de 51 mil seguidores, comentou que “diante do martírio de 50 cristãos na Nigéria nas mãos de fanáticos jihadistas, lembremos que essa perseguição brutal é silenciada”. Góngora publicou junto com o tuíte uma imagem de uma cruz ao lado da frase Christian Lives Matter (Vidas cristãs importam). A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) pediu em comunicado que os líderes políticos e religiosos do mundo “condenem firme e explicitamente este ataque terrorista”, cometido “no domingo de Pentecostes”. Orações pelas vítimas do massacre de cristãos católicos “A barbárie dos maus é tremenda, o testemunho dos bons vai brilhar muito mais. Descansem em paz. Uma oração pelos cristãos deste país”, escreveu no Twitter Francisco Javier “Patxi” Bronchalo , padre da diocese espanhola de Getafe. “Estamos tristes com o ataque em Pentecostes a uma paróquia católica na Nigéria, na qual dezenas de pessoas foram mortas. Rezo pelas famílias das vítimas e pelos cristãos que, em tantos lugares, não podem viver sua fé livre e normalmente”, disse o arcebispo de Madri, cardeal Carlos Osoro. O bispo auxiliar do México, dom Salvador González Morales, ofereceu sua “oração e proximidade espiritual pelos irmãos e irmãs da Igreja de São Francisco Xavier na Nigéria, uma oração confiada pelos defuntos e uma súplica para que a violência e a intolerância terminem!” “As imagens do massacre de cristãos em #OWO, Nigéria, são terríveis. Irreproduzíveis. Como é possível matar em nome de Deus? Como pudemos deixar morrer em nossos corações que Deus, o verdadeiro Deus, é compaixão, paz, cuidado, ternura, misericórdia?”, perguntou do Sergio Buenanueva o bispo de San Francisco, na Argentina. “Rezemos por nossos irmãos católicos martirizados enquanto celebravam Pentecostes. Que o sangue deles, unido ao Sangue do Cordeiro inocente, traga paz a esse povo, arrependimento e conversão para seus algozes. Lamentamos essas vítimas. Todas as vítimas”. Papa reza pela conversão dos “cegos pelo ódio” responsáveis por massacre na Nigéria O papa Francisco, diante do massacre de cristãos em uma igreja da Nigéria em Pentecostes , “reza pela conversão daqueles que estão cegos pelo ódio e pela violência, para que possam escolher o caminho da paz e da justiça”, disse o secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin. Homens armados invadiram a igreja de São Francisco Xavier, em Owo, no Estado de Ondo, durante a Solenidade de Pentecostes, no domingo (5). Não há um número oficial de mortos, mas autoridades nigerianas falam em pelo menos 50. As suspeitas sobre a autoria do massacre recaem sobre militantes islâmicos da etnia fulani, ou sobre o grupo terrorista islâmico Boko Haram. Em telegrama enviado a dom Jude Ayodeji Arogundade, bispo de Ondo, Nigéria, foi dito que “o papa Francisco está profundamente triste ao saber do terrível ataque à igreja de São Francisco em Owo”, informou Parolin. “Sobre vocês e os fiéis da diocese, o papa Francisco invoca as bênçãos divinas de consolo e fortaleza, enquanto continuam vivendo com fidelidade e coragem a mensagem do Evangelho” Em seu telegrama, Francisco encomendou “as almas dos mortos à misericórdia de Deus Todo-Poderoso” e implorou “cura e consolação divina aos feridos e aos que choram”.
- Por que o massacre de dezenas de católicos em Pentecostes não é um “escândalo mundial”?
Mais de 50 católicos foram brutalmente assassinados durante a missa de pentecostes em uma igreja na Nigéria. Porque não se tornou um escândalo mundial? O padre mexicano Eduardo Hayen e o padre espanhol Juan Manuel Góngora perguntam por que o massacre perpetrado no domingo (5), Solenidade de Pentecostes, em uma igreja católica na Nigéria, não é um “escândalo mundial”. “Se o massacre tivesse acontecido em um bar de Madri, Paris ou Nova York teria sido um escândalo planetário, mas é a Nigéria… e são cristãos”, escreveu Eduardo Hayen, que trabalha como diretor do jornal Presença da diocese mexicana de Ciudad Juárez. Embora vários meios de comunicação internacionais tenham divulgado notícias sobre o massacre ocorrido no domingo (5), na igreja de São Francisco Xavier em Owo, estado de Ondo, Nigéria, onde dezenas de pessoas morreram, ainda não há pronunciamentos de organizações internacionais ou líderes políticos. Vários usuários nas redes sociais acusam militantes islâmicos da etnia fulani pelo massacre. Padre Góngora, que será premiado pela plataforma HazteOír por sua defesa dos valores cristãos no Twitter, onde tem mais de 51 mil seguidores, comentou que “diante do martírio de 50 cristãos na Nigéria nas mãos de fanáticos jihadistas, lembremos que essa perseguição brutal é silenciada”. Góngora publicou junto com o tuíte uma imagem de uma cruz ao lado da frase Christian Lives Matter (Vidas cristãs importam). A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) pediu em comunicado que os líderes políticos e religiosos do mundo “condenem firme e explicitamente este ataque terrorista”, cometido “no domingo de Pentecostes”. Orações pelas vítimas do massacre de cristãos católicos “A barbárie dos maus é tremenda, o testemunho dos bons vai brilhar muito mais. Descansem em paz. Uma oração pelos cristãos deste país”, escreveu no Twitter Francisco Javier “Patxi” Bronchalo , padre da diocese espanhola de Getafe. “Estamos tristes com o ataque em Pentecostes a uma paróquia católica na Nigéria, na qual dezenas de pessoas foram mortas. Rezo pelas famílias das vítimas e pelos cristãos que, em tantos lugares, não podem viver sua fé livre e normalmente”, disse o arcebispo de Madri, cardeal Carlos Osoro. O bispo auxiliar do México, dom Salvador González Morales, ofereceu sua “oração e proximidade espiritual pelos irmãos e irmãs da Igreja de São Francisco Xavier na Nigéria, uma oração confiada pelos defuntos e uma súplica para que a violência e a intolerância terminem!” “As imagens do massacre de cristãos em #OWO, Nigéria, são terríveis. Irreproduzíveis. Como é possível matar em nome de Deus? Como pudemos deixar morrer em nossos corações que Deus, o verdadeiro Deus, é compaixão, paz, cuidado, ternura, misericórdia?”, perguntou do Sergio Buenanueva o bispo de San Francisco, na Argentina. “Rezemos por nossos irmãos católicos martirizados enquanto celebravam Pentecostes. Que o sangue deles, unido ao Sangue do Cordeiro inocente, traga paz a esse povo, arrependimento e conversão para seus algozes. Lamentamos essas vítimas. Todas as vítimas”. Papa reza pela conversão dos “cegos pelo ódio” responsáveis por massacre na Nigéria O papa Francisco, diante do massacre de cristãos em uma igreja da Nigéria em Pentecostes , “reza pela conversão daqueles que estão cegos pelo ódio e pela violência, para que possam escolher o caminho da paz e da justiça”, disse o secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin. Homens armados invadiram a igreja de São Francisco Xavier, em Owo, no Estado de Ondo, durante a Solenidade de Pentecostes, no domingo (5). Não há um número oficial de mortos, mas autoridades nigerianas falam em pelo menos 50. As suspeitas sobre a autoria do massacre recaem sobre militantes islâmicos da etnia fulani, ou sobre o grupo terrorista islâmico Boko Haram. Em telegrama enviado a dom Jude Ayodeji Arogundade, bispo de Ondo, Nigéria, foi dito que “o papa Francisco está profundamente triste ao saber do terrível ataque à igreja de São Francisco em Owo”, informou Parolin. “Sobre vocês e os fiéis da diocese, o papa Francisco invoca as bênçãos divinas de consolo e fortaleza, enquanto continuam vivendo com fidelidade e coragem a mensagem do Evangelho” Em seu telegrama, Francisco encomendou “as almas dos mortos à misericórdia de Deus Todo-Poderoso” e implorou “cura e consolação divina aos feridos e aos que choram”.
- O CRÍTICO FRANKLIN DE OLIVEIRA
A esquerda, hoje, predomina no jornalismo, no mundo da cultura e na universidade; e não admite concorrência. Jamais dialoga com o outro lado, pois seu projeto não tem a ver com ideias, mas com poder. Vai longe a época em que um crítico de esquerda, como Franklin de Oliveira, podia dedicar um livro de ensaios, como Viola d’Amore , a um amigo de direita, o romancista Adonias Filho, que era favorável à ditadura militar. Assim dizia a dedicatória: “A A. F., antiga e fraternal amizade, vinda das mesmas preocupações literárias, consolidada na defesa dos valores da Cultura e da Dignidade Humana, cuja frente de luta a diversidade das nossas posições ideológicas não restringe, antes amplia, pelo dever que nos anima de proteger a Inteligência.” Quem foi Franklin de Oliveira? Nascido no Maranhão, em 1916, desde cedo interessou-se por música e literatura. Aprendeu teoria musical e violino, que tocava nas reuniões domésticas (todos, na família, sabiam algum instrumento). Quanto à literatura, lia tudo o que lhe chegava às mãos, ao mesmo tempo em que se iniciava no estudo de várias línguas, tendência de sua personalidade que, mais tarde, o ligaria por estreita amizade ao poliglota Guimarães Rosa, cuja obra acompanhou de muito perto e da qual se tornaria um dos principais intérpretes entre nós. Franklin ingressou no jornalismo em seu próprio estado. Em 1938, mudou-se para o Rio de Janeiro. Nas décadas de quarenta e cinquenta, manteve uma famosa coluna, “Sete dias”, na revista O Cruzeiro . Trabalhou, depois, no legendário Correio da Manhã , até o fechamento do importante diário carioca em meados dos anos sessenta. Ali, alternava com Otto Maria Carpeaux uma coluna de crítica literária e outra de crítica musical (sobre a arte de Bach, Mozart, Beethoven, Wagner, Debussy, e não a de Chico-Caetano-Gil). Sem dispor de sinecura universitária, foi, talvez, o último grande crítico que usou exclusivamente o jornal como veículo para seus artigos e ensaios, que oscilavam entre o debate mais especializado de ideias e a divulgação da literatura junto ao público não especializado. Fez, sempre, crítica ideológica: era marxista e considerava a literatura uma forma privilegiada de tomada de consciência da realidade. Mas o seu marxismo se juntava e, não raro, se confundia com a perspectiva hegeliana, que pressupunha a existência do “espírito de época”, manifestado nas diferentes modalidades da cultura — a política, a religião, a educação, as artes, os costumes etc. A descoberta desse “espírito”, segundo esse modo de ver, só se daria pelo estudo interligado das chamadas “ciências do espírito” (hoje rebaixadas a ciências sociais), pois seus resultados individuais não passariam de reconstituição parcial daquela figura maior, o Zeitgeist — espírito de cada tempo ou cada época. O crítico Franklin de Oliveira, sabendo que os romances e poemas “representam” a vida em sua totalidade, aproximava-se dos livros e dos autores com o cuidado de não mutilá-los com abordagens unilaterais — formalistas, sociológicas, psicanalíticas —, procurando antes compreendê-los em seu esforço de assimilação de tudo o que é humano e está no mundo. Com o tempo, o marxista que havia nele foi radicalizando ainda mais esse método, adaptando-o às circunstâncias brasileiras, que segundo ele exigiam dos criadores e dos críticos uma posição mais empenhada na construção urgente daquilo que o Brasil ainda não tinha: uma civilização. Assim, a dimensão estética da literatura deveria, provisoriamente, ceder terreno à política. Mesmo sem concordar com o crítico — e dele podemos discordar não poucas vezes —, é preciso relê-lo sempre. Uma voz inteligente não tem partido, mesmo quando ideologicamente empenhada, pois o seu verdadeiro partido é o do espírito, que sempre tem se beneficiado com a discordância e a diversidade de ideias. Infelizmente, parece cada vez mais utópico o dia em que esquerdistas voltarão a ler direitistas, e vice-versa, do mesmo modo como o esquerdista Franklin de Oliveira e o direitista Adonias Filho um dia se leram e civilizadamente se falavam, sem mútuo cancelamento.
- O que tem feito nossas Crianças se perderem?
Você tem filhos e gostaria que eles fossem para o Céu? Certamente o desejo de todos os pais é de que seus filhos sejam bons e encontrem o caminho para o Céu. Se você tem filhos, netos, sobrinhos, afilhados, etc. e deseja ajudá-los a encontrar o caminho para o Céu, esta formação é para você. Assista agora mesmo a formação e compartilhe com os pais que você conhece: Apresentamos um curso totalmente online de formação catequética, doutrinária, e de vida espiritual para crianças. Neste curso a criança terá acesso à Sã Doutrina da Igreja Católica, com foco especial na espiritualidade. Além de encerrar com chave de ouro com o estudo e preparação para a Consagração a Nossa Senhora pelo Método de são Luís Maria Grignion de Montfort. Essa primeira turma terá o direito de acompanhar as aulas ao vivo, com a possibilidade de interagir com o formador e tirar dúvidas ao vivo. Clique aqui para saber mais sobre o curso e inscrever-se. #EducaçãodosFilhos #famíliasnúmerosas #Pais #Família #Filhos #FormaçõesCatólicas #PadreRodrigoMaria #Formaçõesaovivo
- O que tem feito nossas Crianças se perderem?
Você tem filhos e gostaria que eles fossem para o Céu? Certamente o desejo de todos os pais é de que seus filhos sejam bons e encontrem o caminho para o Céu. Se você tem filhos, netos, sobrinhos, afilhados, etc. e deseja ajudá-los a encontrar o caminho para o Céu, esta formação é para você. Assista agora mesmo a formação e compartilhe com os pais que você conhece: Apresentamos um curso totalmente online de formação catequética, doutrinária, e de vida espiritual para crianças. Neste curso a criança terá acesso à Sã Doutrina da Igreja Católica, com foco especial na espiritualidade. Além de encerrar com chave de ouro com o estudo e preparação para a Consagração a Nossa Senhora pelo Método de são Luís Maria Grignion de Montfort. Essa primeira turma terá o direito de acompanhar as aulas ao vivo, com a possibilidade de interagir com o formador e tirar dúvidas ao vivo. Clique aqui para saber mais sobre o curso e inscrever-se. #EducaçãodosFilhos #famíliasnúmerosas #Pais #Família #Filhos #FormaçõesCatólicas #PadreRodrigoMaria #Formaçõesaovivo
- A importante missão de educar os filhos para o Céu
A grande questão enfrentada por todos os pais cristãos que têm consciência de sua missão é sobre a forma de como educar seus filhos de modo a despertar neles o amor a Deus e o desejos pelas coisas do alto. Em um tempo de profunda apostasia onde a sociedade quase nada reflete dos valores cristãos, onde os atrativos são numerosos e o sentido da vida, para a maioria das pessoas, se limita principalmente às coisas deste mundo, a tarefa de ensinar as crianças a amar a Deus sobre todas as coisas e a desejar mais o céu do que jogos ou chocolate é tremendamente desafiadora. A primeira grande dificuldade para o cumprimento dessa missão de santificar os os filhos são os próprios pais, que, em sua grande maioria, não possuem clareza suficiente da gravidade desse seu dever de estado ou não acreditam em Jesus Cristo o suficiente para ao menos tentar obedecê-lo. Assim a grande maioria dos filhos, mesmo de pessoas que frequentam a Igreja, não têm um modelo prático diante dos olhos do que seja esse amar a Deus acima de tudo. Para quem desperta a consciência para a necessidade de trabalhar pela santificação e salvação dos filhos, o primeiro passo é fazer um exame de consciência e perguntar se está ao menos no esforço de vivência de uma autêntica vida cristã, tal como a Igreja sempre ensinou. Desgraçadamente a falta de fé e o mundanismo de muitos pais acaba sendo um dos grandes obstáculos para fazer dos filhos verdadeiros seguidores de Jesus Cristo. Uma vez que os pais (ou os que lhes fazem as vezes) estejam convencidos de que a nossa felicidade está em Deus, ficará muito fácil ajudar os filhos a perceberem que o cumprimento da vontade de Deus nos torna pessoas boas e felizes. De fato, Deus sempre ajuda os pais de boa vontade que estão lutando para fazer o que é certo e que desejam formar seus filhos na fé. Antes de terminar a leitura, assista essa formação: Depois disso caberá aos pais buscar os meios para fazer despertar no coração dos filhos esse desejo por Deus e pelas coisas celestes. Daí, juntamente com o exemplo, entra a importância da vida de oração, da catequese, do ensino dos valores e do testemunho de tantas outras crianças que amaram a Jesus e a sua Mãe Santíssima, fazendo ver que a santidade é acessivel…e é para todos. Apesar de todas as dificuldades, com o auxílio da graça de Deus e a utilização dos meios adequados, os pais e educadores podem sim, cumprir de modo satisfatório a sua missão de ajudar seus filhos a serem os santos de que o mundo de hoje tanto precisa, fachos luminosos que farão enxergar o caminho da paz e da felicidade em meio às densas trevas do mundanismo e da indiferença para com Deus. Templário de Maria Curso de Catequese e Espiritualidade para Crianças Para auxiliar os pais em sua missão, estaremos disponibilizando um curso de Catequese e Vida Espiritual para Crianças, culminando com a preparação para a total consagração das crianças à Santíssima Virgem, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort. Aquilo o que é necessário para ensinar autêntica doutrina católica para ajudar seus filhos a viverem como verdadeiros cristãos. O curso terá inicio em 13 de junho e terá duração de quatro meses com aulas todas as segundas-feiras às 19h. Será totalmente online através de reuniões virtuais. Participem e divulguem! 👉 Clique aqui para mais informações e inscrever-se no curso #EducaçãodosFilhos #famíliasnúmerosas #Família #Matrimônio #Filhos #FormaçõesCatólicas
- A importante missão de educar os filhos para o Céu
A grande questão enfrentada por todos os pais cristãos que têm consciência de sua missão é sobre a forma de como educar seus filhos de modo a despertar neles o amor a Deus e o desejos pelas coisas do alto. Em um tempo de profunda apostasia onde a sociedade quase nada reflete dos valores cristãos, onde os atrativos são numerosos e o sentido da vida, para a maioria das pessoas, se limita principalmente às coisas deste mundo, a tarefa de ensinar as crianças a amar a Deus sobre todas as coisas e a desejar mais o céu do que jogos ou chocolate é tremendamente desafiadora. A primeira grande dificuldade para o cumprimento dessa missão de santificar os os filhos são os próprios pais, que, em sua grande maioria, não possuem clareza suficiente da gravidade desse seu dever de estado ou não acreditam em Jesus Cristo o suficiente para ao menos tentar obedecê-lo. Assim a grande maioria dos filhos, mesmo de pessoas que frequentam a Igreja, não têm um modelo prático diante dos olhos do que seja esse amar a Deus acima de tudo. Para quem desperta a consciência para a necessidade de trabalhar pela santificação e salvação dos filhos, o primeiro passo é fazer um exame de consciência e perguntar se está ao menos no esforço de vivência de uma autêntica vida cristã, tal como a Igreja sempre ensinou. Desgraçadamente a falta de fé e o mundanismo de muitos pais acaba sendo um dos grandes obstáculos para fazer dos filhos verdadeiros seguidores de Jesus Cristo. Uma vez que os pais (ou os que lhes fazem as vezes) estejam convencidos de que a nossa felicidade está em Deus, ficará muito fácil ajudar os filhos a perceberem que o cumprimento da vontade de Deus nos torna pessoas boas e felizes. De fato, Deus sempre ajuda os pais de boa vontade que estão lutando para fazer o que é certo e que desejam formar seus filhos na fé. Antes de terminar a leitura, assista essa formação: Depois disso caberá aos pais buscar os meios para fazer despertar no coração dos filhos esse desejo por Deus e pelas coisas celestes. Daí, juntamente com o exemplo, entra a importância da vida de oração, da catequese, do ensino dos valores e do testemunho de tantas outras crianças que amaram a Jesus e a sua Mãe Santíssima, fazendo ver que a santidade é acessivel…e é para todos. Apesar de todas as dificuldades, com o auxílio da graça de Deus e a utilização dos meios adequados, os pais e educadores podem sim, cumprir de modo satisfatório a sua missão de ajudar seus filhos a serem os santos de que o mundo de hoje tanto precisa, fachos luminosos que farão enxergar o caminho da paz e da felicidade em meio às densas trevas do mundanismo e da indiferença para com Deus. Templário de Maria Curso de Catequese e Espiritualidade para Crianças Para auxiliar os pais em sua missão, estaremos disponibilizando um curso de Catequese e Vida Espiritual para Crianças, culminando com a preparação para a total consagração das crianças à Santíssima Virgem, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort. Aquilo o que é necessário para ensinar autêntica doutrina católica para ajudar seus filhos a viverem como verdadeiros cristãos. O curso terá inicio em 13 de junho e terá duração de quatro meses com aulas todas as segundas-feiras às 19h. Será totalmente online através de reuniões virtuais. Participem e divulguem! 👉 Clique aqui para mais informações e inscrever-se no curso #EducaçãodosFilhos #famíliasnúmerosas #Família #Matrimônio #Filhos #FormaçõesCatólicas
- Hoje celebramos a memória de Maria, Mãe da Igreja
Na segunda-feira após o Domingo de Pentecostes, a Igreja celebra a memória da Bem-Aventurada Virgem Maria Mãe da Igreja. Por Aleteia – O decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos que formaliza essa data, definida pelo Papa Francisco em 2018, afirma: “Esta celebração ajudará a recordar que a vida cristã, para crescer, deve ser ancorada no mistério da Cruz, na oblação de Cristo no convite eucarístico e na Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos redimidos”. A referência bíblica para esta memória é esta passagem do Evangelho de São João: “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis aí teu filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Eis aí tua mãe’” (Jo 19,25-27). A partir desse texto, o decreto destaca que Maria aceitou o testamento de amor do Seu Filho e acolheu todos os homens, personificados no discípulo amado, como filhos a serem regenerados para a vida divina. Ela se tornou, assim, a amorosa Mãe da Igreja que Cristo gerou na cruz e à qual deu o Espírito. Por sua vez, no discípulo amado, Cristo elegeu todos os discípulos como herdeiros do Seu amor por Sua Mãe, a quem confiou todos eles para que a acolhessem com amor filial. Como guia dedicada da Igreja nascente, Maria iniciou a sua própria missão materna já no cenáculo, rezando com os Apóstolos na expectativa da vinda do Espírito Santo. A piedade cristã, recorda ainda o decreto, honrou Maria com títulos de certo modo equivalentes, como Mãe dos discípulos, dos fiéis, dos crentes, de todos aqueles que renascem em Cristo, e também “Mãe da Igreja”, conforme aparece nos textos dos autores espirituais e do magistério pontifício . Em 21 de novembro de 1964, o Papa São Paulo VI declarou Maria “ Mãe da Igreja, isto é, de todo o Povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores, que a chamam de Mãe amorosíssima “, estabelecendo que, “ com este título suavíssimo, seja a Mãe de Deus doravante honrada e invocada por todo o povo cristão “. Além disso, em 1º de janeiro de cada ano, também celebramos Maria como Mãe de Deus. Por que João Paulo II queria que Maria fosse chamada de “Mãe da Igreja” São João Paulo II foi um dos mais fortes defensores da celebração oficial do papel de Maria como mãe de todos os fiéis cristãos Em 2018, o Papa Francisco instituiu uma celebração anual na segunda-feira seguinte à festa de Pentecostes chamada “Maria, Mãe da Igreja”. O decreto que anuncia a celebração explica que: “Esta celebração nos ajudará a lembrar que o crescimento da vida cristã deve estar ancorado no Mistério da Cruz, na oblação de Cristo no banquete eucarístico e na Mãe do Redentor e Mãe dos Redimidos, a Virgem, que faz sua oferta a Deus.” Embora a celebração litúrgica seja nova, o desejo de reconhecimento oficial desse título de Maria teve muitos apoiadores ao longo dos anos. Por exemplo, São João Paulo II defendeu esse título em várias ocasiões. Ele o mencionou pela primeira vez em sua encíclica Redemptoris Mater , onde recordou as palavras de São Paulo VI em referência a este título. Durante o Concílio, o Papa Paulo VI afirmou solenemente que Maria é Mãe da Igreja , «isto é, Mãe de todo o povo cristão, tanto dos fiéis como dos Pastores». Mais tarde, em 1968, na Profissão de Fé conhecida com o nome de «Credo do Povo de Deus», repetiu essa afirmação de forma ainda mais compromissiva, usando as palavras: «Nós acreditamos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no Céu a sua função maternal em relação aos membros de Cristo, cooperando no nascimento e desenvolvimento da vida divina nas almas dos remidos». Mais tarde, ele explicou em uma audiência geral em 1997 que: “o Papa Paulo VI gostaria que o próprio Concílio Vaticano II proclamasse ‘Maria Mãe da Igreja, isto é, de todo o Povo de Deus, dos fiéis e de seus Pastores. ‘Ele fez isso sozinho em seu discurso no final da terceira sessão do Conselho (21 de novembro de 1964), pedindo também que ‘a partir de agora a Santíssima Virgem seja honrada e invocada com este título por todo o povo cristão’.” Em particular, São João Paulo II favoreceu fortemente esse título de Maria desejando que a Igreja olhasse para Maria como um modelo de imitação. Ele explica isso primeiro em Redemptoris Mater. [Na] sua nova maternidade no Espírito, Maria abraça todos e cada um na Igreja e abraça todos e cada um através da Igreja. Nesse sentido, Maria, Mãe da Igreja, também é o modelo de Igreja. De fato, como Paulo VI espera e pede, a Igreja deve extrair “da Virgem Mãe de Deus a forma mais autêntica de perfeita imitação de Cristo”. Os cristãos erguem os olhos com fé para Maria no curso de sua peregrinação terrena, eles “se esforçam para crescer em santidade”. Maria, a exaltada Filha de Sião, ajuda todos os seus filhos, onde quer que estejam e qualquer que seja sua condição, a encontrarem em Cristo o caminho para a casa do Pai. A Igreja, então, vê Maria como um exemplo supremo de fidelidade, mas também de maternidade. O amor de Maria por toda a humanidade direciona o amor da Igreja e mostra à Igreja como cuidar de seus filhos. João Paulo II acreditava firmemente que essa denominação de Maria era vital para o ministério da Igreja e teria o prazer de vê-la enfatizada nesta nova celebração litúrgica que se segue ao Pentecostes. #MãedeDeus #NossaSenhora
- Hoje celebramos a memória de Maria, Mãe da Igreja
Na segunda-feira após o Domingo de Pentecostes, a Igreja celebra a memória da Bem-Aventurada Virgem Maria Mãe da Igreja. Por Aleteia – O decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos que formaliza essa data, definida pelo Papa Francisco em 2018, afirma: “Esta celebração ajudará a recordar que a vida cristã, para crescer, deve ser ancorada no mistério da Cruz, na oblação de Cristo no convite eucarístico e na Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos redimidos”. A referência bíblica para esta memória é esta passagem do Evangelho de São João: “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis aí teu filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Eis aí tua mãe’” (Jo 19,25-27). A partir desse texto, o decreto destaca que Maria aceitou o testamento de amor do Seu Filho e acolheu todos os homens, personificados no discípulo amado, como filhos a serem regenerados para a vida divina. Ela se tornou, assim, a amorosa Mãe da Igreja que Cristo gerou na cruz e à qual deu o Espírito. Por sua vez, no discípulo amado, Cristo elegeu todos os discípulos como herdeiros do Seu amor por Sua Mãe, a quem confiou todos eles para que a acolhessem com amor filial. Como guia dedicada da Igreja nascente, Maria iniciou a sua própria missão materna já no cenáculo, rezando com os Apóstolos na expectativa da vinda do Espírito Santo. A piedade cristã, recorda ainda o decreto, honrou Maria com títulos de certo modo equivalentes, como Mãe dos discípulos, dos fiéis, dos crentes, de todos aqueles que renascem em Cristo, e também “Mãe da Igreja”, conforme aparece nos textos dos autores espirituais e do magistério pontifício . Em 21 de novembro de 1964, o Papa São Paulo VI declarou Maria “ Mãe da Igreja, isto é, de todo o Povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores, que a chamam de Mãe amorosíssima “, estabelecendo que, “ com este título suavíssimo, seja a Mãe de Deus doravante honrada e invocada por todo o povo cristão “. Além disso, em 1º de janeiro de cada ano, também celebramos Maria como Mãe de Deus. Por que João Paulo II queria que Maria fosse chamada de “Mãe da Igreja” São João Paulo II foi um dos mais fortes defensores da celebração oficial do papel de Maria como mãe de todos os fiéis cristãos Em 2018, o Papa Francisco instituiu uma celebração anual na segunda-feira seguinte à festa de Pentecostes chamada “Maria, Mãe da Igreja”. O decreto que anuncia a celebração explica que: “Esta celebração nos ajudará a lembrar que o crescimento da vida cristã deve estar ancorado no Mistério da Cruz, na oblação de Cristo no banquete eucarístico e na Mãe do Redentor e Mãe dos Redimidos, a Virgem, que faz sua oferta a Deus.” Embora a celebração litúrgica seja nova, o desejo de reconhecimento oficial desse título de Maria teve muitos apoiadores ao longo dos anos. Por exemplo, São João Paulo II defendeu esse título em várias ocasiões. Ele o mencionou pela primeira vez em sua encíclica Redemptoris Mater , onde recordou as palavras de São Paulo VI em referência a este título. Durante o Concílio, o Papa Paulo VI afirmou solenemente que Maria é Mãe da Igreja , «isto é, Mãe de todo o povo cristão, tanto dos fiéis como dos Pastores». Mais tarde, em 1968, na Profissão de Fé conhecida com o nome de «Credo do Povo de Deus», repetiu essa afirmação de forma ainda mais compromissiva, usando as palavras: «Nós acreditamos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no Céu a sua função maternal em relação aos membros de Cristo, cooperando no nascimento e desenvolvimento da vida divina nas almas dos remidos». Mais tarde, ele explicou em uma audiência geral em 1997 que: “o Papa Paulo VI gostaria que o próprio Concílio Vaticano II proclamasse ‘Maria Mãe da Igreja, isto é, de todo o Povo de Deus, dos fiéis e de seus Pastores. ‘Ele fez isso sozinho em seu discurso no final da terceira sessão do Conselho (21 de novembro de 1964), pedindo também que ‘a partir de agora a Santíssima Virgem seja honrada e invocada com este título por todo o povo cristão’.” Em particular, São João Paulo II favoreceu fortemente esse título de Maria desejando que a Igreja olhasse para Maria como um modelo de imitação. Ele explica isso primeiro em Redemptoris Mater. [Na] sua nova maternidade no Espírito, Maria abraça todos e cada um na Igreja e abraça todos e cada um através da Igreja. Nesse sentido, Maria, Mãe da Igreja, também é o modelo de Igreja. De fato, como Paulo VI espera e pede, a Igreja deve extrair “da Virgem Mãe de Deus a forma mais autêntica de perfeita imitação de Cristo”. Os cristãos erguem os olhos com fé para Maria no curso de sua peregrinação terrena, eles “se esforçam para crescer em santidade”. Maria, a exaltada Filha de Sião, ajuda todos os seus filhos, onde quer que estejam e qualquer que seja sua condição, a encontrarem em Cristo o caminho para a casa do Pai. A Igreja, então, vê Maria como um exemplo supremo de fidelidade, mas também de maternidade. O amor de Maria por toda a humanidade direciona o amor da Igreja e mostra à Igreja como cuidar de seus filhos. João Paulo II acreditava firmemente que essa denominação de Maria era vital para o ministério da Igreja e teria o prazer de vê-la enfatizada nesta nova celebração litúrgica que se segue ao Pentecostes. #MãedeDeus #NossaSenhora
- POR QUE A ESQUERDA DESDENHA A CULTURA MAIS ELEVADA?
A esquerda emburrece cada vez mais, ou seja, cada vez mais ela se aproxima de sua verdadeira natureza, que é a de propor para a sociedade um modelo de vida política e moral completamente inadequado. Tal modelo inadequado, quase sempre revestido de aspectos utópicos e românticos, de fácil apelo popular, no fundo revela um desejo de viver ontologicamente essa inadequação — a inadequação como “sentido de vida” —, que parece ser de fato, para os socialistas de todos os matizes, o fim último da existência humana. A inadequação é a mãe da instabilidade. A instabilidade como morada definitiva é uma entre tantas possíveis definições do inferno. A inadequação e a instabilidade como condição do homem: eis o projeto revolucionário. Segundo esse projeto, é preciso fazer de tudo para o indivíduo não se adaptar à realidade; antes, pelo contrário, deve ser educado para confrontá-la em todos os aspectos da vida: cultural, político, econômico, religioso etc. Confronto é o estado natural da alma socialista, mesmo a mais brandamente fabiana, e não espera outra coisa senão colisão e destruição: colisão com princípios e valores que provêm do passado da espécie, destruição de tudo o que se tornou estável e consolidado pelo processo de depuração normal que muitas vezes a História torna possível. Frise-se: o homem revolucionário (categoria que não inclui só os socialistas, mas também os liberais progressistas) não deseja só destruir a má herança do passado (que, evidentemente, existe), mas a própria ideia de tradição, de transmissibilidade, de geração a geração, das coisas que foram aprovadas pela humanidade em cada nação e cada período histórico. Um exemplo desse ódio pelo passado é o que acontece no âmbito cultural. As últimas décadas de política socialista, no Brasil, assistiram a um desdém, jamais visto antes, pelo patrimônio histórico e arquitetônico do país. Quem volta de um passeio a Ouro Preto, ou de outra cidade histórica com semelhante formação histórico-social, é testemunha do abandono em que se encontram casarões e igrejas do período colonial. “Para que conservar uma cidade, quando ela é um documento vivo de um passado socialmente classista e injusto?”, perguntaria o homem da colisão e da destruição, adepto natural da política de terra arrasada. A metodologia do Black Lives Matter americano, essencialmente violenta e terrorística, não é invenção recente: é cria normal e terrivelmente lógica do mesmo espírito revolucionário que despreza tudo o que provenha de Ontem. Mas nem sempre os esquerdistas foram assim. Para ficar só num exemplo (e há vários outros), basta lembrar o caso do jornalista e crítico literário maranhense Franklin de Oliveira. Foi socialista, um hegeliano de esquerda; trabalhou com Brizola em cargo importante, quando este foi governador do Rio Grande do Sul, no início dos anos sessenta; defendeu as mesmas causas igualitaristas, irrealistas e equivocadas de seus parceiros de ideologia. Franklin foi, porém, um homem de grande cultura literária e humanística. Tinha, especialmente pelo patrimônio histórico-arquitetônico do Brasil, um zelo verdadeiramente admirável, que o levou a escrever um dos livros mais belos que já vi em sua defesa: Morte da memória nacional , publicado em 1966 pela editora Civilização Brasileira, uma editora (pasme-se) de comunistas, e relançado em 1991 pela Topbooks. De que tratava o livro? Do descaso em que se encontravam então, em meados dos anos sessenta, muitas construções tombadas pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), do norte ao sul do país: casas, prédios públicos e igrejas de inegável valor histórico e artístico, testemunhas de momentos relevantes da história nacional, mas seriamente ameaçados em sua sobrevivência. O apelo do socialista Franklin de Oliveira continua vivo, com surpreendente atualidade. A esquerda — quando ela ainda não estava tão próxima de sua verdadeira natureza, quando ainda estava a caminho — já foi mais inteligente.
- Urgente: Ataque durante missa de Pentecostes deixa ao menos 50 mortos na Nigéria
Homens armados invadiram hoje, 5 de junho, Solenidade de Pentecostes, a Igreja de São Francisco, na cidade de Owo, no estado de Ondo, Nigéria, matando e ferindo fiéis. De acordo com a polícia local, os criminosos mataram 50 fiéis e deixaram vários outros feridos. Entre as vítimas estão mulheres e crianças. Imagens e vídeos postados nas redes sociais mostram o massacre. Vários usuários acusam os Fulani, etnia majoritariamente muçulmana. A identidade e o motivo dos responsáveis pelo ataque não ficaram imediatamente claros. “É tão triste que, enquanto a Santa Missa estava acontecendo, homens armados desconhecidos atacaram a Igreja Católica de São Francisco, deixando muitos temidos mortos e muitos outros feridos e a Igreja violada”, disse o porta-voz da Igreja Católica na Nigéria, reverendo Augustine Ikwu. Ikwu disse que o bispo e os padres da paróquia sobreviveram ilesos ao ataque. 🇳🇬 | Brutal ataque terrorista islámico en una iglesia católica de la ciudad de Owo, Nigeria. Yihadistas abrieron fuego y asesinaron a más de 50 personas en la misa de celebración del Pentecostés.pic.twitter.com/6CDnwd28s2 — La Derecha Diario (@laderechadiario) June 5, 2022 O governador de Ondo, Arakunrin Akeredolu, se disse profundamente triste com o ataque. No Twitter, classificou-o como “vil e satânico”. Akeredolu disse que “é um ataque calculado ao povo pacífico do Reino de Owo, que tem desfrutado de relativa paz ao longo dos anos”. Leia também “Na África está o futuro da Igreja Católica” Afirmou ainda que estava em contato com dom Jude Ayodeji Arogundade, Bispo de Ondo. Akeredolu disse que as autoridades civis “vai destinar todos os recursos disponíveis para caçar esses agressores e fazê-los pagar”. “Nunca nos curvaremos às maquinações de elementos implacáveis em nossa determinação de livrar nosso estado dos criminosos”, disse ele. Leia também O MARTÍRIO DOS CRISTÃOS NA NIGÉRIA CONTINUA #África
- Urgente: Ataque durante missa de Pentecostes deixa ao menos 50 mortos na Nigéria
Homens armados invadiram hoje, 5 de junho, Solenidade de Pentecostes, a Igreja de São Francisco, na cidade de Owo, no estado de Ondo, Nigéria, matando e ferindo fiéis. De acordo com a polícia local, os criminosos mataram 50 fiéis e deixaram vários outros feridos. Entre as vítimas estão mulheres e crianças. Imagens e vídeos postados nas redes sociais mostram o massacre. Vários usuários acusam os Fulani, etnia majoritariamente muçulmana. A identidade e o motivo dos responsáveis pelo ataque não ficaram imediatamente claros. “É tão triste que, enquanto a Santa Missa estava acontecendo, homens armados desconhecidos atacaram a Igreja Católica de São Francisco, deixando muitos temidos mortos e muitos outros feridos e a Igreja violada”, disse o porta-voz da Igreja Católica na Nigéria, reverendo Augustine Ikwu. Ikwu disse que o bispo e os padres da paróquia sobreviveram ilesos ao ataque. 🇳🇬 | Brutal ataque terrorista islámico en una iglesia católica de la ciudad de Owo, Nigeria. Yihadistas abrieron fuego y asesinaron a más de 50 personas en la misa de celebración del Pentecostés.pic.twitter.com/6CDnwd28s2 — La Derecha Diario (@laderechadiario) June 5, 2022 O governador de Ondo, Arakunrin Akeredolu, se disse profundamente triste com o ataque. No Twitter, classificou-o como “vil e satânico”. Akeredolu disse que “é um ataque calculado ao povo pacífico do Reino de Owo, que tem desfrutado de relativa paz ao longo dos anos”. Leia também “Na África está o futuro da Igreja Católica” Afirmou ainda que estava em contato com dom Jude Ayodeji Arogundade, Bispo de Ondo. Akeredolu disse que as autoridades civis “vai destinar todos os recursos disponíveis para caçar esses agressores e fazê-los pagar”. “Nunca nos curvaremos às maquinações de elementos implacáveis em nossa determinação de livrar nosso estado dos criminosos”, disse ele. Leia também O MARTÍRIO DOS CRISTÃOS NA NIGÉRIA CONTINUA #África
- São Felipe Neri e o milagre de Pentecostes
Em 1544, com quase 30 anos, Filipe teve uma experiência extraordinária na vigília de Pentecostes. O milagre do coração de São Filipe Néri, que, pela efusão do Espírito Santo, dilatou-se fisicamente, mostra-nos de forma material a transformação interior que o Paráclito realiza espiritualmente em nossas almas. A Igreja atravessava as perturbações religiosas do século XVI, sobretudo as consequências do protestantismo e da má vida de muitos do clero. Preparavam-se em Trento as seções do grande Concílio e o mundo cristão vivia uma encruzilhada histórica complicada. Nesta situação, Filipe rezava com ardor nas úmidas e escuras galerias das catacumbas de São Sebastião, onde gostava de rezar uma prece que se confundia com o clamor dos mártires que ali morreram: “Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e renovareis a face da Terra”. Enquanto rezava nas catacumbas, onde muitos mártires foram sepultados, ele recebeu uma grande efusão do Espírito Santo. Naquele lugar, do sangue glorioso dos primeiros mártires, ele se sentia queimar de amor a Deus, e meditava o maravilhoso prodígio de Pentecostes, quando os Apóstolos, trancados no Cenáculo, foram repletos do Espírito Santo, descido neles em forma de línguas de fogo. De repente, o seu coração foi invadido de uma grande alegria, e uma luz misteriosa o iluminou. Viu entrar dentro de sua boca uma bola de fogo, a qual fazia arder o seu coração e aumentá-lo consideravelmente de tamanho. De fato, quando morreu, uma autópsia de seu corpo revelou que o seu músculo cardíaco era maior do que o comum, tendo chegado a deslocar duas costelas para acomodar-se. Num instante, viu-se tomado de excepcional amor e entusiasmo pelas coisas divinas, bem como de uma capacidade incomum de comunicá-los. Assim, esse jovem começou essa santa renovação social transformando a Itália com sublime humildade e paciência, o que sua Congregação deu continuidade gloriosamente. O Divino Espírito Santo tinha descido ao coração de Filipe, dilatando-o milagrosamente, de tal modo que foi repetida, neste jovem de 30 anos, a mesma cena dos Apóstolos no Cenáculo! As duas costelas que recobriam o coração ficaram, por toda a vida, arqueadas para fora e atrás do coração. Conservam-se ainda hoje, como eloquentes testemunhas do Pentecostes de São Filipe, suas duas costelas arqueadas: uma no Oratório de Roma e a outra em Nápoles. O Espírito Santo o tinha feito Dele. Desde esse Pentecostes, Filipe experimentou uma contínua palpitação do coração e um estremecimento, sempre que se ocupava das coisas espirituais. Na oração, experimentava grandes emoções e alegrias espirituais, que chegava ao ponto de quase morrer. E Deus, atendendo à oração de Filipe, amenizava o fogo do seu coração. Quase no fim de sua vida, Filipe dizia que havia tido mais devoção na juventude do que na velhice, pois o Senhor Jesus amenizou, de uma vez, o seu ardor divino. Retirado do livro: “São Filipe Néri – O Apóstolo de Roma -“. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas. O pentecostes de São Filipe Néri São Filipe Néri, que coincidentemente no dia de hoje, 31 de maio, do ano de 1544, passou por um pentecostes pessoal e extraordinário. Nessa data, Filipe estava rezando nas catacumbas de São Sebastião em Roma, quando recebeu a efusão do Espírito Santo que entrou por sua boca, na forma de uma bola de fogo, e fez com que o seu coração se dilatasse fisicamente, como descreve seu biógrafo Pietro Giacomo Bacci: Quando ele estava com o maior empenho pedindo os dons do Espírito Santo, apareceu-lhe um globo de fogo que entrou por sua boca e se alojou em seu peito; em seguida, ele ficou tomado por tal fogo de amor que, incapaz de suportá-lo, atirou-se ao solo; como alguém que tenta se refrescar, despiu seu peito para de algum modo moderar a chama que sentia. Após permanecer assim por algum tempo e recuperar-se um pouco, levantou-se cheio de inusitada alegria, e imediatamente todo seu corpo começou a tremer violentamente; pondo a mão no peito, sentiu no lado do coração um inchaço grande como o punho de um homem; mas, nem então nem depois, isso provocou a mais leve dor ou ferida [1]. Essa dilatação milagrosa do coração de São Filipe Néri permaneceu por mais de 50 anos, até o fim de sua vida, conforme atestou o médico Andrea Cesalpino que, ao fazer a autópsia do corpo, constatou inclusive o deslocamento das costelas causado pelo aumento do coração: Percebi que as costelas estavam rompidas naquele ponto, isto é, separadas da cartilagem. Só dessa maneira era possível que o coração tivesse espaço suficiente para levantar e abaixar. Cheguei à conclusão de que se tratava de algo sobrenatural, de uma providência de Deus para que o coração, batendo tão fortemente como batia, não se ferisse contra as duras costelas [2]. Esses feitos extraordinários e sobrenaturais, embora nos causem certo espanto e pareçam ser tão distantes da nossa realidade, são compreensíveis se observarmos a história de vida de São Filipe Néri, cujo coração foi sendo pouco a pouco preparado, através da ação e da oração, para receber a efusão do amor de Deus. 2. Nascido em 21 de julho de 1515, em Florença, Filipe Néri foi batizado e crismado como todos nós, com a diferença, porém, que desde cedo havia nele uma correspondência ao amor de Deus que se refletia na bondade de suas ações. Essa distinção nas virtudes fez com que seus familiares não o chamassem pelo nome, mas sim de Pippo, il Buono . Na juventude, embora seus pais planejassem um futuro promissor para ele nos negócios da família, Filipe decide abrir mão de tudo e partir como peregrino para Roma, a fim de conhecer os túmulos de São Pedro e São Paulo, porque, no fundo, queria se entregar a Deus como fizeram esses dois apóstolos. Vivendo despojadamente na casa de uma família romana, Filipe inicia um caminho de busca pela santidade dedicando-se à oração, confessando-se com frequência e sendo aconselhado espiritualmente por seu confessor, padre Persiano Rosa. Porque almejava um progresso na vida interior, Filipe Néri passa a cultivar o hábito de visitar as catacumbas dos mártires — numa época em que ninguém o fazia — e permanecia diante delas em oração, pedindo a Nosso Senhor que também lhe desse a graça de unir-se a Ele. Num contexto em que Roma estava tomada pelo renascimento do paganismo, a atitude daquele jovem visitando tão frequentemente os mortos era considerada um ato de loucura. Mas São Filipe Néri sabia que não visitava as catacumbas por causa da morte e sim pela vida sobrenatural que um dia palpitou no coração daqueles homens e mulheres, a ponto de eles renunciarem a si próprios por amor a Deus. Assim, as catacumbas tornaram-se o local de peregrinação daquele jovem leigo de 29 anos. Até que, na Vigília de Pentecostes de 1544, o Espírito Santo desceu sobre ele, e seu coração ficou abrasado de tal modo que aumentou de tamanho. Nesse dia, Filipe selou seu matrimônio espiritual com Deus, que lhe deixou um sinal visível dessa união. É isso que Deus também deseja fazer conosco: constituir uma união íntima por meio do Espírito Santo. Foi isso que ocorreu com os Apóstolos em Pentecostes, quando o divino Paráclito fez com que aqueles homens, antes tímidos e medrosos, estivessem dispostos a ir pelo mundo testemunhar o amor com que foram amados e retribuir esse amor dando suas vidas por Jesus. Esse amor por Nosso Senhor constitui o sinal mais claro de que o Espírito Santo age em nós, pois, como afirma São Paulo, caritas Christi urget nos , “o amor de Cristo nos impele” ( 2Cor 5, 14). Esse mesmo amor levou Filipe Néri a deixar tudo e entregar-se a Deus e ao próximo. Inicialmente, ele não aspirava ao sacerdócio, pois se considerava indigno de tão grandioso ministério. Porém, obediente ao seu confessor, Filipe seguiu esse caminho e, em 1551, foi ordenado sacerdote. Em seu ministério, buscou conduzir todos a Deus, por meio da Confissão, da Eucaristia e dos retiros de pregação, que deram origem aos seus primeiros Oratórios. Tal exemplo real e palpável da ação de Deus na vida de São Filipe Néri mostra-nos a transformação interior que o Espírito Santo opera em nossas almas, quando cooperamos com a graça divina. Por isso, esforcemo-nos para permanecer em estado de graça, a fim de experimentarmos a ação transformadora que o divino Consolador quer realizar em nós e, tomados por um fogo abrasador, querermos unir-nos a Jesus como a mais amorosa das esposas quer se unir ao seu esposo. São Filipe Néri deixou tudo para se unir a Cristo e, uma vez consumada essa união, fez de tudo para que os outros vivessem a mesma experiência. A exemplo do “santo da alegria”, preparemos nosso interior e abramo-nos ao Espírito Santo, que é derramado em nossos corações para nos levar à felicidade eterna, na qual veremos, face a face, Aquele que amamos, conheceremos como somos conhecidos e amaremos como somos amados. #SãoFelipeNeri
- São Felipe Neri e o milagre de Pentecostes
Em 1544, com quase 30 anos, Filipe teve uma experiência extraordinária na vigília de Pentecostes. O milagre do coração de São Filipe Néri, que, pela efusão do Espírito Santo, dilatou-se fisicamente, mostra-nos de forma material a transformação interior que o Paráclito realiza espiritualmente em nossas almas. A Igreja atravessava as perturbações religiosas do século XVI, sobretudo as consequências do protestantismo e da má vida de muitos do clero. Preparavam-se em Trento as seções do grande Concílio e o mundo cristão vivia uma encruzilhada histórica complicada. Nesta situação, Filipe rezava com ardor nas úmidas e escuras galerias das catacumbas de São Sebastião, onde gostava de rezar uma prece que se confundia com o clamor dos mártires que ali morreram: “Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e renovareis a face da Terra”. Enquanto rezava nas catacumbas, onde muitos mártires foram sepultados, ele recebeu uma grande efusão do Espírito Santo. Naquele lugar, do sangue glorioso dos primeiros mártires, ele se sentia queimar de amor a Deus, e meditava o maravilhoso prodígio de Pentecostes, quando os Apóstolos, trancados no Cenáculo, foram repletos do Espírito Santo, descido neles em forma de línguas de fogo. De repente, o seu coração foi invadido de uma grande alegria, e uma luz misteriosa o iluminou. Viu entrar dentro de sua boca uma bola de fogo, a qual fazia arder o seu coração e aumentá-lo consideravelmente de tamanho. De fato, quando morreu, uma autópsia de seu corpo revelou que o seu músculo cardíaco era maior do que o comum, tendo chegado a deslocar duas costelas para acomodar-se. Num instante, viu-se tomado de excepcional amor e entusiasmo pelas coisas divinas, bem como de uma capacidade incomum de comunicá-los. Assim, esse jovem começou essa santa renovação social transformando a Itália com sublime humildade e paciência, o que sua Congregação deu continuidade gloriosamente. O Divino Espírito Santo tinha descido ao coração de Filipe, dilatando-o milagrosamente, de tal modo que foi repetida, neste jovem de 30 anos, a mesma cena dos Apóstolos no Cenáculo! As duas costelas que recobriam o coração ficaram, por toda a vida, arqueadas para fora e atrás do coração. Conservam-se ainda hoje, como eloquentes testemunhas do Pentecostes de São Filipe, suas duas costelas arqueadas: uma no Oratório de Roma e a outra em Nápoles. O Espírito Santo o tinha feito Dele. Desde esse Pentecostes, Filipe experimentou uma contínua palpitação do coração e um estremecimento, sempre que se ocupava das coisas espirituais. Na oração, experimentava grandes emoções e alegrias espirituais, que chegava ao ponto de quase morrer. E Deus, atendendo à oração de Filipe, amenizava o fogo do seu coração. Quase no fim de sua vida, Filipe dizia que havia tido mais devoção na juventude do que na velhice, pois o Senhor Jesus amenizou, de uma vez, o seu ardor divino. Retirado do livro: “São Filipe Néri – O Apóstolo de Roma -“. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas. O pentecostes de São Filipe Néri São Filipe Néri, que coincidentemente no dia de hoje, 31 de maio, do ano de 1544, passou por um pentecostes pessoal e extraordinário. Nessa data, Filipe estava rezando nas catacumbas de São Sebastião em Roma, quando recebeu a efusão do Espírito Santo que entrou por sua boca, na forma de uma bola de fogo, e fez com que o seu coração se dilatasse fisicamente, como descreve seu biógrafo Pietro Giacomo Bacci: Quando ele estava com o maior empenho pedindo os dons do Espírito Santo, apareceu-lhe um globo de fogo que entrou por sua boca e se alojou em seu peito; em seguida, ele ficou tomado por tal fogo de amor que, incapaz de suportá-lo, atirou-se ao solo; como alguém que tenta se refrescar, despiu seu peito para de algum modo moderar a chama que sentia. Após permanecer assim por algum tempo e recuperar-se um pouco, levantou-se cheio de inusitada alegria, e imediatamente todo seu corpo começou a tremer violentamente; pondo a mão no peito, sentiu no lado do coração um inchaço grande como o punho de um homem; mas, nem então nem depois, isso provocou a mais leve dor ou ferida [1]. Essa dilatação milagrosa do coração de São Filipe Néri permaneceu por mais de 50 anos, até o fim de sua vida, conforme atestou o médico Andrea Cesalpino que, ao fazer a autópsia do corpo, constatou inclusive o deslocamento das costelas causado pelo aumento do coração: Percebi que as costelas estavam rompidas naquele ponto, isto é, separadas da cartilagem. Só dessa maneira era possível que o coração tivesse espaço suficiente para levantar e abaixar. Cheguei à conclusão de que se tratava de algo sobrenatural, de uma providência de Deus para que o coração, batendo tão fortemente como batia, não se ferisse contra as duras costelas [2]. Esses feitos extraordinários e sobrenaturais, embora nos causem certo espanto e pareçam ser tão distantes da nossa realidade, são compreensíveis se observarmos a história de vida de São Filipe Néri, cujo coração foi sendo pouco a pouco preparado, através da ação e da oração, para receber a efusão do amor de Deus. 2. Nascido em 21 de julho de 1515, em Florença, Filipe Néri foi batizado e crismado como todos nós, com a diferença, porém, que desde cedo havia nele uma correspondência ao amor de Deus que se refletia na bondade de suas ações. Essa distinção nas virtudes fez com que seus familiares não o chamassem pelo nome, mas sim de Pippo, il Buono . Na juventude, embora seus pais planejassem um futuro promissor para ele nos negócios da família, Filipe decide abrir mão de tudo e partir como peregrino para Roma, a fim de conhecer os túmulos de São Pedro e São Paulo, porque, no fundo, queria se entregar a Deus como fizeram esses dois apóstolos. Vivendo despojadamente na casa de uma família romana, Filipe inicia um caminho de busca pela santidade dedicando-se à oração, confessando-se com frequência e sendo aconselhado espiritualmente por seu confessor, padre Persiano Rosa. Porque almejava um progresso na vida interior, Filipe Néri passa a cultivar o hábito de visitar as catacumbas dos mártires — numa época em que ninguém o fazia — e permanecia diante delas em oração, pedindo a Nosso Senhor que também lhe desse a graça de unir-se a Ele. Num contexto em que Roma estava tomada pelo renascimento do paganismo, a atitude daquele jovem visitando tão frequentemente os mortos era considerada um ato de loucura. Mas São Filipe Néri sabia que não visitava as catacumbas por causa da morte e sim pela vida sobrenatural que um dia palpitou no coração daqueles homens e mulheres, a ponto de eles renunciarem a si próprios por amor a Deus. Assim, as catacumbas tornaram-se o local de peregrinação daquele jovem leigo de 29 anos. Até que, na Vigília de Pentecostes de 1544, o Espírito Santo desceu sobre ele, e seu coração ficou abrasado de tal modo que aumentou de tamanho. Nesse dia, Filipe selou seu matrimônio espiritual com Deus, que lhe deixou um sinal visível dessa união. É isso que Deus também deseja fazer conosco: constituir uma união íntima por meio do Espírito Santo. Foi isso que ocorreu com os Apóstolos em Pentecostes, quando o divino Paráclito fez com que aqueles homens, antes tímidos e medrosos, estivessem dispostos a ir pelo mundo testemunhar o amor com que foram amados e retribuir esse amor dando suas vidas por Jesus. Esse amor por Nosso Senhor constitui o sinal mais claro de que o Espírito Santo age em nós, pois, como afirma São Paulo, caritas Christi urget nos , “o amor de Cristo nos impele” ( 2Cor 5, 14). Esse mesmo amor levou Filipe Néri a deixar tudo e entregar-se a Deus e ao próximo. Inicialmente, ele não aspirava ao sacerdócio, pois se considerava indigno de tão grandioso ministério. Porém, obediente ao seu confessor, Filipe seguiu esse caminho e, em 1551, foi ordenado sacerdote. Em seu ministério, buscou conduzir todos a Deus, por meio da Confissão, da Eucaristia e dos retiros de pregação, que deram origem aos seus primeiros Oratórios. Tal exemplo real e palpável da ação de Deus na vida de São Filipe Néri mostra-nos a transformação interior que o Espírito Santo opera em nossas almas, quando cooperamos com a graça divina. Por isso, esforcemo-nos para permanecer em estado de graça, a fim de experimentarmos a ação transformadora que o divino Consolador quer realizar em nós e, tomados por um fogo abrasador, querermos unir-nos a Jesus como a mais amorosa das esposas quer se unir ao seu esposo. São Filipe Néri deixou tudo para se unir a Cristo e, uma vez consumada essa união, fez de tudo para que os outros vivessem a mesma experiência. A exemplo do “santo da alegria”, preparemos nosso interior e abramo-nos ao Espírito Santo, que é derramado em nossos corações para nos levar à felicidade eterna, na qual veremos, face a face, Aquele que amamos, conheceremos como somos conhecidos e amaremos como somos amados. #SãoFelipeNeri
- O VENTO IMPETUOSO DO ESPÍRITO – Scott Hahn medita sobre a Solenidade de Pentecostes
O derramamento do Espírito Santo sobre o novo povo de Deus coroa os poderosos atos do Pai na história da salvação. A festa judaica de Pentecostes convocava todos os judeus devotos a Jerusalém, para celebrar o nascimento de Israel como povo eleito de Deus, na aliança da Lei dada a Moisés no Sinai (Levítico 23, 15-21; Deuteronômio 16, 9-11). Na Primeira Leitura de hoje, os mistérios prefigurados nessa festa cumprem-se no derramamento do Espírito sobre Maria e os apóstolos (Atos 1,14). O Espírito sela a nova lei e a nova aliança trazida por Jesus, escrita não em tábuas de pedra, mas no coração dos fiéis, como os profetas haviam prometido (2 Coríntios 3, 2-8; Romanos 8, 2) O Espírito é revelado como o sopro vivificante do Pai, a Sabedoria pela qual Ele fez todas as coisas, como cantamos no Salmo de hoje. No princípio, o Espírito veio como um “vento poderoso” pairando sobre a face da terra (Gênesis 1, 2). E na nova criação de Pentecostes, o Espírito novamente vem como “um vento forte e impetuoso” para renovar a face da terra. Assim como Deus fez o primeiro homem do pó e o encheu do Seu Espírito (Gênesis 2, 7), no Evangelho de hoje vemos o Novo Adão tornar-se um Espírito vivificante, dando uma vida nova aos Apóstolos (1 Coríntios 15, 45. 47). Como um rio de água viva para todas as épocas, Ele derramará o Espírito sobre Seu corpo, que é a Igreja, como ouvimos na Epístola de hoje (v. também João 7, 37-39). Nós recebemos esse Espírito nos sacramentos, depois de transformados em novas criaturas pelo Batismo (2 Coríntios 5,17; Gálatas 6,15). Bebendo do mesmo Espírito na Eucaristia (1 Coríntios 10, 4), nós somos os primeiros frutos de uma nova humanidade, composta de todas as nações que há debaixo do céu, sem distinção de riqueza, língua ou raça: um povo nascido do Espírito. https://stpaulcenter.com/a-mighty-wind-scott-hahn-reflects-on-pentecost-sunday/
- Hoje celebramos a Solenidade de Pentecostes e o do Nascimento da Igreja
Assista a homilia da Solenidade de Pentecostes e o do Nascimento da Igreja 👇🏻 Hoje é celebrada Solenidade de Pentecostes, que comemora a vinda do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos, cinquenta dias após a ressurreição de Jesus Cristo. O capítulo dois do livro dos Atos dos Apóstolos descreve que, “de repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo”. João Paulo II ao refletir sobre este evento em sua encíclica “Dominum et vivificantem”, assinalou que “o nascimento da Igreja se dá no dia de Pentecostes. Este acontecimento constitui a manifestação definitiva daquilo que já se tinha realizado no mesmo Cenáculo no Domingo da Páscoa”. “Cristo Ressuscitado veio e foi ‘portador’ do Espírito Santo para os Apóstolos. Deu-lho dizendo: ‘Recebei o Espírito Santo’. Isso que aconteceu então no interior do Cenáculo, ‘estando as portas fechadas’, mais tarde, no dia do Pentecostes, viria a manifestar-se publicamente diante dos homens”. Leia o Evangelho deste domingo e em seguida escute a homilia: Anúncio do Evangelho (Jo 20, 19-23) — O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. 19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20 Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21 Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22 E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23 A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #EspíritoSanto #Pentecostes
- Hoje celebramos a Solenidade de Pentecostes e o do Nascimento da Igreja
Assista a homilia da Solenidade de Pentecostes e o do Nascimento da Igreja 👇🏻 Hoje é celebrada Solenidade de Pentecostes, que comemora a vinda do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos, cinquenta dias após a ressurreição de Jesus Cristo. O capítulo dois do livro dos Atos dos Apóstolos descreve que, “de repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo”. João Paulo II ao refletir sobre este evento em sua encíclica “Dominum et vivificantem”, assinalou que “o nascimento da Igreja se dá no dia de Pentecostes. Este acontecimento constitui a manifestação definitiva daquilo que já se tinha realizado no mesmo Cenáculo no Domingo da Páscoa”. “Cristo Ressuscitado veio e foi ‘portador’ do Espírito Santo para os Apóstolos. Deu-lho dizendo: ‘Recebei o Espírito Santo’. Isso que aconteceu então no interior do Cenáculo, ‘estando as portas fechadas’, mais tarde, no dia do Pentecostes, viria a manifestar-se publicamente diante dos homens”. Leia o Evangelho deste domingo e em seguida escute a homilia: Anúncio do Evangelho (Jo 20, 19-23) — O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor. 19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20 Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21 Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22 E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23 A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”. — Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor. #EspíritoSanto #Pentecostes
- PENTECOSTES CONTRA BABEL
Gravai nos muros, nos postes A boa nova do Céu: — Acabou-se em Pentecostes A confusão de Babel. Foi quando, em Jerusalém, Pelos poderes de Deus, Os apóstolos judeus Tornaram-se poliglotas: Eis que falavam tão bem A língua em que eram nascidos, Quanto as línguas mais ignotas (E eram logo compreendidos Por quem sabia, somente, A língua de sua gente). A boa nova do Céu Gravai nos muros, nos postes: Acabou-se, em Pentecostes, A confusão de Babel.
- Brasil busca se tornar líder pró-vida no mundo promovendo adesões a tratado contra aborto
O acordo não é só oposição a legislações abortistas, mas uma pró-ativa estruturação da defesa da saúde integral da mulher Por Aleteia – O Brasil quer ser uma nação líder nas políticas pró-vida no mundo, e, com este objetivo, está promovendo novas adesões ao assim chamado Consenso de Genebra: trata-se de um tratado global em defesa da vida e contra o aborto, lançado em 2020. Os Estados Unidos, que eram o principal signatário, deram um nítido passo atrás sob a gestão do atual presidente Joe Biden, que, por razões ideológicas, retirou o país dos tratados em defesa da vida e da família que haviam sido assinados pelo antecessor, Donald Trump. A adesão da Colômbia No dia 13 deste mês de maio, durante sessão extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington, a Colômbia aderiu ao Consenso de Genebra, marcando um chamativo contraste com a postura da sua Suprema Corte, que, três meses antes, havia descriminalizado o aborto no país. A Colômbia foi 36º país a assinar o Consenso de Genebra. Segundo o jornal Gazeta do Povo, a adesão colombiana decorreu de intensa articulação do governo brasileiro, cujos esforços para trazer mais países latino-americanos ao acordo é coordenado pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Cristiane Britto, em conjunto com a secretária nacional da Família, Angela Gandra, que afirmou: “Para nós foi uma alegria, porque [a Colômbia] é um país que acabou de ter a Suprema Corte admitindo o aborto com seis meses. Isso mostra que o governo está forte para mostrar que é pró-vida e pró-família”. Leia também Arcebispo excomunga Presidente da Câmara nos EUA por defender o aborto Políticas pró-vida e pró-família no Brasil No tocante à proteção da vida e à defesa da maternidade no Brasil, a ministra Cristiane Britto citou iniciativas dos ministérios do Trabalho e da Economia e declarou: “Todos os programas do governo, de toda a Esplanada, têm que ter a perspectiva do fortalecimento de vínculos familiares (…) A gente vai colocar como política de Estado, não de governo, que a pauta da família é prioritária, porque é isso que a própria sociedade brasileira quer”. O Consenso de Genebra O acordo internacional pró-vida não é apenas uma forma de oposição às legislações abortistas, mas sim, pró-ativamente, uma estruturação da defesa da saúde integral da mulher. Essa defesa inclui a preocupação com os impactos físicos e psicológicos do aborto, costumeiramente negligenciados no discurso de quem defende o aborto como “solução de saúde pública”. O acordo destaca ainda a necessidade de se fortalecer a família, bem como a soberania dos países para legislarem sobre o aborto sem pressões de lobbies abortistas. Junto com o Brasil, as nações atualmente mais engajadas na expansão do Consenso de Genebra são a Polônia e a Hungria – não por acaso, os dois países são incansavelmente pintados pela “grande mídia” como “de extrema direita” e “contrários aos direitos humanos”. Leia também Duas celebridades (Elba e Cássia Kis), uma coisa em comum: a Luta contra o Aborto #Aborto #Brasil
- Brasil busca se tornar líder pró-vida no mundo promovendo adesões a tratado contra aborto
O acordo não é só oposição a legislações abortistas, mas uma pró-ativa estruturação da defesa da saúde integral da mulher Por Aleteia – O Brasil quer ser uma nação líder nas políticas pró-vida no mundo, e, com este objetivo, está promovendo novas adesões ao assim chamado Consenso de Genebra: trata-se de um tratado global em defesa da vida e contra o aborto, lançado em 2020. Os Estados Unidos, que eram o principal signatário, deram um nítido passo atrás sob a gestão do atual presidente Joe Biden, que, por razões ideológicas, retirou o país dos tratados em defesa da vida e da família que haviam sido assinados pelo antecessor, Donald Trump. A adesão da Colômbia No dia 13 deste mês de maio, durante sessão extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington, a Colômbia aderiu ao Consenso de Genebra, marcando um chamativo contraste com a postura da sua Suprema Corte, que, três meses antes, havia descriminalizado o aborto no país. A Colômbia foi 36º país a assinar o Consenso de Genebra. Segundo o jornal Gazeta do Povo, a adesão colombiana decorreu de intensa articulação do governo brasileiro, cujos esforços para trazer mais países latino-americanos ao acordo é coordenado pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Cristiane Britto, em conjunto com a secretária nacional da Família, Angela Gandra, que afirmou: “Para nós foi uma alegria, porque [a Colômbia] é um país que acabou de ter a Suprema Corte admitindo o aborto com seis meses. Isso mostra que o governo está forte para mostrar que é pró-vida e pró-família”. Leia também Arcebispo excomunga Presidente da Câmara nos EUA por defender o aborto Políticas pró-vida e pró-família no Brasil No tocante à proteção da vida e à defesa da maternidade no Brasil, a ministra Cristiane Britto citou iniciativas dos ministérios do Trabalho e da Economia e declarou: “Todos os programas do governo, de toda a Esplanada, têm que ter a perspectiva do fortalecimento de vínculos familiares (…) A gente vai colocar como política de Estado, não de governo, que a pauta da família é prioritária, porque é isso que a própria sociedade brasileira quer”. O Consenso de Genebra O acordo internacional pró-vida não é apenas uma forma de oposição às legislações abortistas, mas sim, pró-ativamente, uma estruturação da defesa da saúde integral da mulher. Essa defesa inclui a preocupação com os impactos físicos e psicológicos do aborto, costumeiramente negligenciados no discurso de quem defende o aborto como “solução de saúde pública”. O acordo destaca ainda a necessidade de se fortalecer a família, bem como a soberania dos países para legislarem sobre o aborto sem pressões de lobbies abortistas. Junto com o Brasil, as nações atualmente mais engajadas na expansão do Consenso de Genebra são a Polônia e a Hungria – não por acaso, os dois países são incansavelmente pintados pela “grande mídia” como “de extrema direita” e “contrários aos direitos humanos”. Leia também Duas celebridades (Elba e Cássia Kis), uma coisa em comum: a Luta contra o Aborto #Aborto #Brasil
- A ÚLTIMA OPORTUNIDADE PARA EVITAR O CISMA NA IGREJA – Pe. Santiago Martín
As conclusões do processo sinodal, nas diferentes dioceses, estão gradualmente se tornando públicas, e algumas são bem preocupantes, como as da diocese de Barcelona, nas quais se pede algo muito semelhante ao que o Sínodo alemão está pedindo. É realmente isso o que os católicos praticantes de Barcelona estão pedindo? E se não o conseguirem, não haverá frustração e um sentimento de decepção? E se conseguirem, será possível manter a unidade na Igreja Católica? Mas talvez seja aí que reside a raiz do problema, nessa unidade que já não existe, exceto formalmente. Não sou eu que o digo, nem apenas os da minoria conservadora que querem uma Igreja fiel à Palavra de Deus e à Tradição. Magnus Striete, professor de Teologia Fundamental na Faculdade Católica de Teologia da Universidade Alemã de Friburgo, e um dos principais impulsionadores da assembleia sinodal alemã, disse recentemente: “Fala-se constantemente de um cisma iminente, semelhante ao desencadeado por Martin Lutero, com as suas críticas à igreja no século XVI; mas os críticos não precisam de se preocupar com a ocorrência de um cisma. O cisma já existe há muito tempo. Em muitos círculos católicos, o fosso entre a consciência dos fiéis e o credo vinculativo, estabelecido pelo Magistério da Igreja, é tão pronunciado que já não há nada a reparar”. Não que o que o Professor Striete descreve seja verdade, por ser ele quem o diga. Até penso que ele não está levando em conta grandes partes da Igreja, e não apenas na África, que não aceitaria as reformas exigidas pelos neo-protestantes alemães. É possível que a situação, ali, já seja irreversível, mas a Igreja não é apenas a Alemanha, por mais rica e influente que seja. Contudo, acredito que a cisão é de fato um fato, e que é generalizada. Quando o Sínodo alemão estava começando, o bispo de Essen (Alemanha) ameaçou que se tudo o que pedissem não fosse aceito, haveria um cisma maior do que o de Lutero, porque não se limitaria a uma região da Europa, mas se espalharia por todo o mundo. Penso que ele tem razão, mesmo se o que eles estão pedindo não esteja tão generalizado como afirmam. No fundo, isto é uma guerra e eles estão demonstrando sua força para intimidar os oponentes. É por isso que o apelo do Papa a um consistório no final de Agosto, com o objetivo teórico de discutir a reforma da Cúria, pode ser a última oportunidade para evitar a cisão que já existe na prática. Será a segunda vez que Francisco reunirá os cardeais (a primeira foi no início do seu pontificado), quando a tradição era reuni-los pelo menos sempre que fossem nomeados novos cardeais. Isto dá uma ideia da importância da reunião. A sua importância, contudo, é prejudicada pelo fato de se realizar no final de Agosto. O calor em Roma, nessa altura, é sufocante; embora os cardeais estejam protegidos por um escudo de ar-condicionado, não parece ser a melhor época para os convocar. Em qualquer caso, será uma grande oportunidade para o Papa ouvir os cardeais que, normalmente, não têm acesso a ele e que se limitam a dar a conhecer as suas opiniões através dos meios de comunicação social. Ele poderá ver e ouvir o Cardeal Zen — se os comunistas chineses o deixarem sair do país —, que não foi recebido há alguns meses, quando ele o solicitou. Poderá ouvir os Cardeais Burke, Pell, Müller, Eijk (Arcebispo de Utrecht) ou Erdó (Arcebispo de Budapeste). Naturalmente, ouvirá também Marx (Munique), Hollerich (Luxemburgo), Cupich (Chicago) ou o novo cardeal, McElroy (San Diego), que estão entre os principais defensores das teses mais liberais. Os cardeais terão a oportunidade de se encontrarem e conhecerem uns aos outros, já que muitos deles são de lugares remotos como Cabo Verde, Santa Lúcia, Laos ou Tonga. Além disso, não se podem excluir algumas surpresas, especialmente dada a idade do Pontífice, embora o fato de ele ir fazer duas viagens em Julho e uma em Setembro pareça indicar que a sua saúde é suficientemente boa. Para voltar à opinião do Professor Striete, tudo parece indicar que a cisão é, de fato, irreversível. Mas temos de tentar evitar uma cisão oficial até ao fim. Não, porém, ao preço de sacrificar a verdade. Não é possível eliminar Cristo, que é a Verdade, para manter a unidade na Igreja, que é a Sua obra, pois a Igreja sem Cristo não é absolutamente nada.
- Deus castiga? (Parte 1: O paradoxo de Epicuro)
Autor: José Miguel Arráiz Fonte: http://infocatolica.com/blog/apologeticamundo.php Trad.: Carlos Martins Nabeto Como “promessa é dívida”[1], inicio aqui uma nova série de artigos, em que analiso a nova edição do livro “Deus não castiga”, de Alejandro Bermúdez Rosell. Neste artigo começarei analisando uma das principais objeções: a de que, segundo suas próprias palavras, nunca recebeu resposta. Eis o que ele diz: – “Nunca recebemos uma resposta direta às imensas objeções que apresentamos, filosófica e teologicamente, se se afirma que, com efeito, Deus castiga… A filosofia levanta o desafio que tradicionalmente é conhecido como ‘paradoxo de Epicuro’. O desafio atribuído ao filósofo grego Epicuro (341-270 a.C.) é este: ‘Ou Deus quer evitar o mal e não pode; ou Deus pode e não quer; ou Deus não quer e não pode; ou Deus pode e quer’ Portanto, se o mal existe, ou Deus é perverso, ou Deus não existe. Ao longo de 2014, aqueles que afirmam que ‘Deus castiga’ foram incapazes de explicar a resposta filosófica que o Catolicismo possui diante deste paradoxo e se limitaram a repetir citações do Magistério e da Escritura… Aqueles que vêm insistindo [na tese] de que Deus castiga jamais responderam como sua proposta teológica – que creem confirmada pelo mero apelo a citações – é compatível com a resposta filosófica católica. No máximo, um dos ‘castigadores’ se limitou a apontar no Twitter que coisa NÃO significa que Deus castiga… e sem explicar que coisa, sim, significa que assim seja!” Não é verdade que não lhe foi dada uma resposta. Antes de começar, é necessário esclarecer – em honra à verdade – que a afirmação de que não lhe foi dada uma resposta para essa questão não é verdadeira. Quero recordar a Alejandro que a essa exata objeção dediquei um artigo completo intitulado: – “Resposta a Alejandro Bermúdez: O castigo é um mal que Deus pretende em ordem a um bem maior”[2] E não só eu, como também Nestor Martinez, professor de filosofia católica e meu companheiro aqui em Infocatólica, o fez em: – “A razão teológica e o castigo divino”[3] Outra grave falta à verdade verifico quando ele sustenta que “no máximo, um dos ‘castigadores’ se limitou a apontar no Twitter que coisa NÃO significa que Deus castiga… e sem explicar que coisa, sim, significa que assim seja!”. Isto também é falso, visto que eu dediquei a primeira intervenção[4] para explicar o que se deve entender quando é dito que Deus castiga. Não acho bom, tampoco, que ele se refira ambiguamente ao Fr. Nelson Medina como “um dos ‘castigadores’”, perseverando na atitude de esconder dos seus leitores a identidade e os argumentos dos seus oponentes. Frei Nelson Medina é um conhecido teólogo e pregador internacional, que contribuiu para o debate, primeiro no Twitter e depois no seu blog[5]. Em tal intervenção, Fr. Nelson não pretendia tornar a repetir o que já havíamos dito, mas ajudar a esclarecer como NÃO SE DEVE entender o castigo divino, de modo a não transmitir uma imagem distorcida de Deus. O mesmo fez Mons. José Ignacio Munilla, bispo de San Sebastián, quando participou do debate e afirmou que era um erro negar que Deus castigava; porém, disse que era necessário entender isto corretamente[6]. O problema filosófico de Epicuro Uma vez esclarecido o anterior, podemos mergulhar de cabeça na análise do problema filosófico de Epicuro e se ele realmente representa uma objeção quanto ao tema do castigo divino. Porém, antes é oportuno repassar brevemente alguns conceitos básicos de Teologia, como o são o significado de castigo, pena, mal, etc. – O castigo é simplesmente a pena que se impõe a quem cometeu um delito ou falta. – A pena é a privação de um bem, que uma criatura racional sofre involuntariamente por uma culpa própria. A pena é, portanto, um mal (“malum poenae”) derivado de otro mal (“malum culpae”). – O mal não é outra coisa senão a ausência de bem. O problema filosófico de Epicuro levanta [a hipótese de] que se Deus existisse, não poderia existir o mal, salvo se Deus não fosse bom ou não fosse onipotente. Alejandro parte daqui e recorre a um sofisma que faz ver que, como o castigo é um mal, Deus não pode nunca querer castigar. Por trás deste raciocínio, existem dois erros; é importante revelá-los: 1) Não distingue entre o mal físico e o mal moral; e entre ser a causa direta e indireta. Alejandro insiste que Deus não castiga porque não pode ser causa direta do mal. Pois bem: não está em discussão que possa sê-lo, porque como já dissemos, o mal não tem causa direta, por ser a ausência de bem. Dizer o contrário seria cair em Maniqueísmo. Eu mesmo afirmei que Deus não pode ser causa direta do mal em meu livro “Deus Castiga”, na página 43. O que ocorre é que, por Deus não ser causa direta do mal, não se deduz que não castigue. Tampouco se deduz que não possa pretendê-lo, querê-lo ou ser sua causa indireta. “Espere um instante! Você quer dizer que Deus pode ser causa indireta do mal? Você quer dizer que Deus pode pretender o mal ou querê-lo?” – É neste ponto que devemos nos deter e pensar com calma, para não confundir. Em primeiro lugar, devemos distinguir entre o “mal físico” (a doença, o sofrimento, etc.) e o “mal moral” (o pecado). Quanto ao “mal moral”, Deus não o pretende nem o quer, nem como meio nem como fim; isto porque, além de repugnar à santidade infinita de Deus, envolve ainda a subversão da ordem necessária que toda criatura inteligente e livre diz acerca de Deus como último fim. Contudo, isto não impede que Deus permita sua existência; isto porque essa permissão não envolve uma aprovação do mesmo, e de outro lado, Deus não tem nenhuma obrigação de impedir sua existência. Porém, quanto ao “mal físico”, Deus pode, sim, pretendê-lo como um meio para obter um fim superior: pode querer uma doença para obter uma conversão; ou um sofrimento específico para purificar-nos. Portanto, negar que Deus possa, em determinada circunstância, pretender o mal físico como meio para obter um bem maior não implica somente negar que Deus castigue, como também negar que possamos ser purificados através dos sofrimentos. Ainda que o sofrimento e o castigo sejam conceitos distintos e nem sempre necessariamente relacionados (já que nem todo sofredor sofre porque está em pecado), sabemos que ambos são ordenados pela Providência Divina para obter um bem maior. No Evangelho vemos uma infinidade de exemplos, desde o caso do cego de nascença (que o próprio Jesus afirma que assim nasceu para que se manifestasse a glória de Deus) até o caso do emudecimento temporário de Zacarias (assim castigado e então purificado de sua incredulidade). Quanto a isto, sugiro a leitura integral da explicação do Cardeal Zeferino González, em sua obra “Filosofia Elementar”[7], que coloquei ao final, nas Notas. Você também encontrará aí uma explicação completa de São Tomás de Aquino[8]. 2) Reduz a pena a um mero mal Eis aqui otro erro de Alejandro porque, como explica São Tomás, é errôneo ignorar que a pena contém dois elementos, isto é, a “razão de mal” (já que é a privação de algum bem) e a “razão de bem” (já que tanto é justa quanto ordenada). Segundo São Tomás, este erro foi cometido também por alguns filósofos pagãos, como Cicero; daí deduziram que o castigo não provinha de Deus. A seguir, compartilho a explicação de São Tomás que, apesar de ter sido escrita há muito tempo, mostra que a objeção não mudou em absolutamente nada; até parece que enxergamos o próprio São Tomás participando do debate atual: – “Se a pena ou castigo procede de Deus – Primeiramente, se procede assim: parece que a pena não procede de Deus, porque todo mal é inverso a algum bem. Porém, a pena é um mal, eis que provoca dano; portanto, é contrária a um bem. Entretanto, o que é contrário a um bem não pode proceder do Sumo Bem, porque o Sumo Bem não seria autor da paz, mas da luta e da dissensão, se Dele procedessem coisas contrárias. Logo, o castigo não procede de Deus. / Ademais, tudo o que está além da intenção do agente, deve-se a algum defeito. Porém, todo mal está além da intenção do agente, como diz Dionísio: ‘Porque ninguém age em vista do mal’. Logo, todo mal deve-se a algum defeito. Contudo, nada do que se deve a um defeito tem Deus como sua causa, como foi mostrado. Logo, não procede de Deus. / Ademais, o que não é causa da ação, não é causa daquilo que é causado pela ação, como foi dito. Porém, existem muitas penas que se infligem a alguns pelos pecados de outros, pois muitos são castigados com aflições por aqueles que injustamente os oprimem. Logo, como Deus não é causa da culpa, parece que tampouco seja causa de qualquer pena. / Ademais, tudo que procede de Deus tende ao bem. Mas algumas penas se inclinam ao mal, como a fome e outras coisas semelhantes. Logo, nem toda pena procede de Deus. / Ademais, para aquilo cuja geração é boa, sua corrupção é má. Porém, a geração da graça é boa, porque procede de Deus. Assim, a corrupção da graça é má. Entretanto, a corrupção da graça é uma pena ou castigo. Logo, nem toda pena procede de Deus, pois Deus é causa apenas dos bens. Por outro lado, contrário a isto, tudo o que é justo, é bom; e tudo o que é bom, procede de Deus. Porém, toda pena é justa, como provou Agostinho na distinção anterior. Logo, toda pena ou castigo procede de Deus. / Ademais, a quem pertence a remuneração, pertence também a condenação, isto é, àquele a quem corresponde julgar os atos bons e maus. Ora, premiar as boas obras é próprio de Deus; logo, também é próprio Dele infligir as penas. Respondo: Deve-se dizer que a pena contém duas coisas, isto é: a “razão de mal”, já que é a privação de algum bem; e a “razão de bem”, já que é justa e ordenada. Portanto, alguns antigos, que consideravam somente a pena, já que é um defeito e um mal, disseram que as penas não procediam de Deus; nesse erro incorreu também Cicero, como vemos por sua obra ‘De Officiis’. Estes homens negaram, portanto, a Providência de Deus sobre os atos humanos, pelo qual a ordem que a pena tem em relação à culpa não diziam que se devesse à Providência Divina, mas à justiça dos homens que infligiam a pena; e que o defeito que há na pena não era ordenado por Deus, mas que ocorria pela necessidade das causas segundas, pois afirmavam que Deus dava o ser às coisas como o faz um agente movido por necessidade natural, de modo tal que de uma primeira origem, que não tem nenhum defeito, procederia um primeiro originado distante de sua perfeição; e diziam, segundo, que maior era a distância em relação a um primeiro, pela ordem das causas e dos efeitos, quanto mais defeituosa tal coisa fosse. / Esta tese é errônea, como se mostrou no l.1,d.39, onde se diz que a Providência Divina se estende a tudo. E, portanto, há que se dizer que os castigos procedem de Deus, embora a culpa não proceda de Deus, por mais que ambas as coisas sejam más. / A razão disso é que a cada coisa se lhe atribui uma causa eficiente, segundo o modo em que essa coisa procede de dita causa. Porém, a culpa tem razão de mal e de defeito, segundo proceda de sua causa eficiente, que não ordena sua ação ao fim devido; e, assim, à culpa não se lhe pode atribuir uma causa que não possa cair em algum defeito. A pena, ao contrário, não tem razão de mal nem de defeito, segundo procede de sua causa eficiente, porque esta inflige o castigo por uma ação ordenada, mas que tem razão de defeito e de mal somente no que recebe a ação, o qual é privado de algum bem por uma justa ação. / E, assim, Deus é autor da pena, mas de modo diverso, segundo a diversidade das penas. Porque há uma pena de dano, como a subtração da graça e coisas semelhantes, e destas penas Deus é causa, não por fazer algo, mas por não fazer mais bem, pois pelo fato de que Deus não influi a graça se segue, no castigado, a privação da graça. Há uma pena de sentido, que se inflige por alguma ação e, desta, Deus é autor fazendo algo também. Ao primeiro [argumento], portanto, há que se dizer que um bem particular é inverso a outro bem particular, como o quente em relação ao frio; e que ambos procedem de Deus. E não se segue, por isto, que Deus não seja autor da paz, porque a própria luta entre os contrários se ordena a alguma união, pois convêm na forma do misto, e também porquanto no universo se ordenam por modo de certa consonância. Assim, pois, não é inconveniente, por mais que o bem natural proceda de Deus, que também a pena, que contraria esse bem natural, proceda, enquanto é boa, de Deus. Ao segundo, há que se dizer que nenhum mal nem nenhum defeito é pretendido nem por Deus nem por nenhum outro agente; mas que todo mal e defeito se devem a algum defeito, quer da causa eficiente, quer da matéria recipiente. Pois bem: o mal de culpa resulta do defeito da causa eficiente; e, portanto, não pode ser reduzido à Causa Eficiente, que não pode falhar. Porém, o mal da pena se deve a um defeito da matéria, como se vê por isto: o juiz justo tende a implantar a ordem da justiça em seus súditos; essa ordem não pode ser recebida no pecador senão que é castigado por algum defeito, e assim, por mais que esse defeito, por cuja causa a pena é um mal, não seja pretendido pelo juiz, senão a ordem da justiça; no entanto, o juiz justo é autor da pena, já que a pena é algo ordenado, e assim Deus é autor das penas. Ao terceiro, há que se dizer que, por mais que Deus não seja autor da ação torpe, já que comporta uma deformidade, no entanto, é causa sua, já que é certa ação, e, portanto, também pode ser chamado causa daquilo que é efetuado por essa ação. Ao quarto, há que se dizer que a pena não inclina ao mal de culpa diretamente, por modo de hábito e disposição, mas indiretamente, já que pela pena alguém é privado de algo pelo qual era retraído da culpa. E isto não é inconveniente; que se diga que Deus subtrai aquilo pelo qual alguém se conservava imune da culpa, isto é, a graça. Ao quinto, há que se dizer que por mais que a corrupção da graça em si seja algo mau, no entanto, que este que é indigno da graça seja privado dela é bom e justo; e, deste modo, procede de Deus como Ordenador” (São Tomás de Aquino, Comentário às Sentenças, l.2, d.37, q.3, a.1). Obviamente, uma coisa é que estas respostas tenham sido dadas em seu momento, e outra coisa é que Alejandro não tenha se convencido delas. Porém, isto é uma coisa, e outra é dizer aos seus leitores que não recebeu resposta, deixando, ao mesmo tempo, de indicar-lhes onde se encontram os argumentos dos seus oponentes, para assim oferecer-lhes somente a sua versão, fechando-se numa bolha. Alejandro alega em sua nova introdução que não houve um verdadeiro debate porque não lhe responderam a essas objeções, porém, eu sustento que, se não houve verdadeiro debate foi porque ele não foi suficientemente honesto com seus leitores, para permitir-lhes ouvir o que tínhamos a dizer. —– NOTAS [1] Artigo em espanhol: http://infocatolica.com/blog/apologeticamundo.php/1502010840-novedades-sobre-el-debate-de [2] Artigo em espanhol: http://infocatolica.com/blog/apologeticamundo.php/1405210504-respuesta-a-alejandro-bermude [3] Artigo em espanhol: http://infocatolica.com/blog/praeclara.php/1406250544-title [4] Artigo em espanhol: http://infocatolica.com/blog/apologeticamundo.php/1404050617-idios-castiga-o-no-castiga [5] Artigo em espanhol: http://fraynelson.com/blog/2014/06/14/en-torno-a-una-polemica-teologica/ [6] Foi isto o que disse Mons. José Ignacio Munilla, bispo de San Sebastian, quando foi consultado acerca deste debate: “Em primeiro lugar, deve-se distinguir entre o ‘castigo eterno’ e o ‘castigo temporário’. Por ‘castigo eterno’ entendemos o castigo definitivo aos ímpios, relatado explicitamente em Mateus 26 (na Sagrada Escritura), e não é, absolutamente, incompatível com [o fato de] que ‘Deus é amor’. Dizer que ‘Deus é amor’ e, portanto, não pode existir o castigo eterno é contrapor os conceitos de maneira infantil. Em Deus a justiça e a misericórdia não são duas coisas: elas se fundem e são uma só. / No tocante ao ‘castigo temporário’, pode-se dizer que Deus não envia castigos temporais? Não, não se pode dizer tal coisa. Na Sagrada Escritura há passagens muito claras, onde se fala dos castigos de Deus, como quando fala das pragas de Egito; ou de Davi, que após ter pecado, Deus lhe pediu que escolhesse entre diversos castigos. Não cabe dizer que ‘Deus não castiga nunca’; seria incorreto. Nosso Papa emérito Bento XVI, no Sínodo dos Bispos do ano de 2008, disse uma frase que chamou a atenção de muita gente; ele disse: ‘…Deus teve que recorrer com frequencia ao castigo…’”. A explicação completa está nesta url (podcast em espanhol): http://www.apologeticacatolica.org/Descargas/MunillaDiosCastiga.mp3 [7] Assim explica o cardeal Zeferino González, em sua obra “Filosofia Elementar”: “1ª) Por mais que Deus não pretenda o mal físico ‘per se’ ou como fim, já que não se deleita no mal de suas criaturas, e longe de chatear-se, ama tudo o que criou, é induvidável que pode escolhê-lo ou querê-lo, como meio proporcional para realizar algum fim bom. A razão é que, neste caso, a volição do mal físico por parte de Deus, tem por termo e como fim o bem que pressupõe a existência do mal físico como meio, ou falando com mais propriedade, como condição hipotética da existência do bem pretendido por Deus; e digo hipotética, porque a existência e realização de determinados bens, como resultante de tais ou quais males físicos, se acham em relação com o grau de perfeição relativa que Deus quis comunicar a este mundo, e que poderia ser superior em outro dos possíveis [mundos]. / 2ª) No que toca ao mal moral, Deus não o pretende ou quer, nem como meio nem como fim, porque, além de repugnar à santidade infinita de Deus, o mal moral envolve a subversão da ordem necessária que toda criatura, e mais que todas, a criatura inteligente e livre, toca a Deus como último fim da Criação. Contudo, isto não impede que Deus permita sua existência, porque esta permissão não envolve uma aprovação do mesmo, e por outra parte, nenhuma obrigação tem Deus de impedir sua existência. Ainda mais, todavia: dada a existência de seres inteligentes e livres, pode-se dizer conveniente e até natural a permissão do mal moral por parte de Deus; porque a verdade é que a Deus, como governador supremo e universal do mundo, corresponde permitir que cada ser aja em conformidade com as condições próprias da sua natureza. A vontade humana é de sua natureza defectível, flexível em ordem ao bem e ao mal, e livre e responsável em seus atos. Logo, a Deus, como previsor universal do mundo e em especial do homem, só lhe corresponde dar a este os meios e auxílios necessários para operar o bem moral, porém sem o matar nem anular sua liberdade, impondo-lhe a necessidade física de agir bem. Isto sem contar que a realização do mal moral serve também: a) para manifestar que o homem, quando faz o bem, o faz livremente, e é credor de prêmio; b) para revelar a paciência e longanimidade do mesmo Deus; c) para manifestar sua misericórdia, perdoando, e sua justiça, castigando. / 3ª) Infira-se do que foi dito até aqui: 1º – que nem a existência do mal físico, nem a do mal moral, envolvem repugnância ou contradição absoluta com a Providência e a bondade de Deus; 2º – que até podemos apontar razões plausíveis e fins racionais e justos para sua existência; 3º – que Deus, absolutamente falando, poderia impedir a existência do mal físico e moral, quer com a criação de outro mundo, quer com uma disposição diferente deste [mundo]; 4º – que ainda que possamos apontar alguns fins prováveis da permissão do mal moral, ignoramos a causa final desta permissão por parte de Deus, já que não sabemos com certeza qual seja o fim principal e os motivos divinos desta permissão, devendo, portanto, dizer com a Escritura: ‘Quis cognovit sensum Domini, aut quis consiliarius ejus fuit?’. Com maior razão, é aplicável esta reflexão à nossa ignorância em relação aos fins particulares, a que se subordina a existência do mal físico e moral no ser A ou B. / Que a volição do mal físico, no sentido exposto, não se opõe à bondade divina, prova-se ademais porque, na hipótese contrária, Deus não poderia querer e realizar certos bens e perfeições de uma ordem superior. A pouco que se reflita, se reconhecerá, sem dúvida, que a ausência absoluta e completa do mal físico levaria consigo a ausência da paciência, da fortaleza, da magnanimidade, da constância e, para dizê-lo de uma vez, das características mais belas e sublimes da virtude em todas suas múltiplas manifestações. Ainda mais, todavia: a ausência de todo mal físico levaria consigo à morte ou à atonia absoluta da sociedade humana, com suas artes, ciências e indústrias, que vêm a ser a luta perseverante da humanidade contra o mal físico. [8] São Tomás, Suma Teológica, l.2, q.108, a.4: “Pode-se considerar a pena de dois modos: primeiro, como castigo; e, neste sentido unicamente, o pecado a merece, porque por ela se restabelece a igualdade da justiça, enquanto que aquele que pecando se excedeu, seguindo sua própria vontade, padece contra sua vontade algum dano; pelo que, como todo pecado é voluntário, inclusive o original, conforme o que foi dito (l.2 q.81 a.1), se segue que ninguém é castigado desta forma senão pelo pecado voluntário. / E, a partir de outro ângulo, a pena pode ser considerada como remédio, que não só é curativo do pecado passado, mas que tem assim mesmo virtude para preservar do pecado futuro e para empurrar-nos a fazer algo bom. Conforme a isto, alguém é castigado algumas vezes sem culpa, embora nunca sem causa. No entanto, há que se ter em conta que nunca o remédio priva de um bem maior visando um bem menor — por exemplo, deixar alguém cego para curar-lhe o calcanhar —, mas, às vezes, causa um dano no [bem] menor para prestar ajuda no [bem] mais importante. E como os bens espirituais são os de maior valor, e os temporais, os de menor, é que às vezes se castiga alguém nestes últimos, sem culpa — por exemplo, com muitas penalidades nesta vida presente, que Deus inflige para que sirvam de humilhação ou de prova. Ao contrário, não se castiga a ninguém nos bens espirituais sem culpa própria, nem nesta nem na outra vida, já que na vida futura as penas não são remédio, mas consequência da condenação espiritual”. #castiga #epicuro #paradoxo #parte
- Martinho Lutero tinha razão?
Autor: José Miguel Arráiz Fonte: http://infocatolica.com/blog/apologeticamundo.php Trad.: Carlos Martins Nabeto Já há algum tempo temos ouvido de altos prelados da Igreja reconhecimentos e elogios à figura de Lutero. Se tem dito de tudo, desde coisas moderadas (em que se admite que ele pode ter sido movido por uma boa e reta intenção) até louvores desmedidos (situando-o como parte da grande Tradição da Igreja ou até se admitindo que teve razão no que diz respeito à doutrina da justificação). A partir da ponto de vista de um leigo, quero neste artigo compartilhar o que considero acertado e desacertado nestes elogios politicamente corretos feitos em nossa época sobre a figura e doutrina de Lutero. SOBRE AS BOAS INTENÇÕES DE MARTINHO LUTERO Saber exatamente quais eram as intenções de Lutero para agir como agiu nos tempos da Reforma Protestante é algo impossível, pois como todos nós sabemos, o fôro interno só é conhecido por Deus. O que podemos, sim, fazer é formar uma opinião aproximada e falível, evitando cair em juízo temerário quanto ao que o próprio Lutero admitia e o estudo objetivo dos fatos históricos. A partir desta perspectiva, o máximo que se poderia admitir, na melhor das hipóteses, como mera possibilidade, é que Lutero pode ter agido com o que chamamos “consciência reta” ainda que errônea. Tal como tradicionalmente nos foi ensinado, age em “consciência reta” quem julga da bondade ou malícia de um ato com fundamento e prudência, diferentemente da “consciência falsa”, que julga com irreflexão e sem fundamento sério. Ao contrário, age com “consciência verdadeira” aquele que além de agir em consciência reta, acerta em seu juízo e age de acordo com ao ordem moral objetiva. Não se deve confundir a “consciência reta” com a “consciência verdadeira”. Uma pessoa pode agir com consciência reta quando, com suas limitações, colocou todo o empenho em agir corretamente independentemente de acertar (consciência verdadeira) ou se equivocar por algum erro especulativo (consciência errônea). Age em consciência reta invencivelmente errônea quem, depois de ter feito todo o possível para agir corretamente, ainda assim erra, porém age de acordo com o que a sua consciência lhe dita, consciência que, neste caso, estaria deficientemente formada. Nos próprios escritos de Lutero o encontramos admitindo que passou por uma intensa luta interior, onde lhe atormentava pensar que poderia ter agido equivocadamente, mas que finalmente ficou convencido de que agia para a glória de Deus. A este respeito, escreveu Lutero: – “Certa vez [o diabo] me atormentou e quase me estrangulou com as palavras de Paulo a Timóteo; tanto que o coração se me queria dissolver no peito: ‘Tu foste a causa de que tantos monges e monjas abandonassem seus mosteiros’. O diabo habilmente me tirava da vista os textos sobre a justificação… Eu pensava: ‘Quem ordena estas coisas és somente tu; e, se tudo for falso, tu serás o responsável por tantas almas caírem no inferno’. Com essa tentação cheguei a sofrer tormentos infernais, até que Deus me tirou dela e me confirmou que meus ensinamentos eram palavra de Deus e doutrina verdadeira” (Martinho Lutero, Tisch. 141,I,62-63). – “Antes de tudo, o que temos que estabelecer é se nossa doutrina é palavra de Deus. Se isto se verifica, estamos certos de que a causa que defendemos pode e deve ser mantida, e não há demônio que possa lançá-la abaixo… Eu, em meu coração, já rejeitei qualquer outra doutrina religiosa, seja ela qual for, e venci aquele molestíssimo pensamento que o coração murmura: ‘Tu és o único que possuis a palavra de Deus? E os demais, não a têm?’… Tal argumento o acho válido para todos os profetas, àqueles que também se lhes foi dito: ‘Vós sois poucos, o povo de Deus somos nós’” (Martinho Lutero, Tisch. 130,I,53-54). Parece que Lutero nunca se livrou da dúvida e, ao longo dos anos, retornava a ele um persistente peso de consciência, que identificava como tentações do demônio. No ano de 1535, já na avançada idade de 52 anos, admite todavia que acha o argumento “bastante capcioso e robusto dos falsos apóstolos”, que lhe impugnam deste modo: “Os apóstolos, os Santos Padres e seus sucessores nos deixaram estes ensinamentos; tal é o pensamento e a fé da Igreja. Pois bem, é impossível que Cristo tenha deixado a sua Igreja errar por tantos séculos. Somente tu sabes mais que tantos homens santos e que toda a Igreja… Quem és tu para atrever-te a dissentir de todos eles e para colocar-nos violentamente um dogma diverso? Quando Satanás urge este argumento e quase conspira com a carne e com a razão, a consciência se aterroriza e desespera, e é preciso entrar continuamente dentro de si mesmo e dizer: ainda que os santos Cipriano, Ambrósio e Agostinho; ainda que São Pedro, São Paulo e São João; ainda que os anjos do céu te ensinem outra coisa, isto é o que eu sei de certo: que não ensino coisas humanas, mas divinas; ou seja, que [no negócio da salvação] tudo o atribuo a Deus e nada aos homens” (WA 40,1; pp.130-131). O certo é que se tal boa intenção existiu, a soberba pouco a pouco o levou a afastar-se cada vez mais do ideal evangélico, enchendo seu coração de ódio e maldições, como ele mesmo admitiu: – “Visto que não posso rezar, tenho que maldizer. Direi: ‘Santificado seja teu nome’, porém acrescentarei: ‘Maldito, condenado e desonrado seja o nome dos papistas e de todos quantos blasfemam o teu nome’. Direi: ‘Venha teu reino’, e acrescentarei: ‘Maldito, condenado e destruído seja o papado com todos os reinos da terra, contrários ao teu reino’. Direi: ‘Faça-se tua vontade’, e acrescentarei: ‘Malditos, condenados, desonrados e aniquilados sejam todos os pensamentos e planos dos papistas e de quantos maquinam contra a tua vontade e conselho’. Verdadeiramente, assim rezo todos os dias, sem cessar, oralmente e com o coração; e comigo, todos quantos crerem em Cristo” (WA 30,3; p.470). O cardeal Joseph Ratzinger, antes de se tornar Papa, pontualizou a este respeito: – “Há que se levar em conta que não só existem anátemas por parte católica contra a doutrina de Lutero, como também existem desqualificações bastante explícitas contra o Catolicismo por parte do reformador e de seus companheiros; reprovações que culminam na frase de Lutero de que restamos divididos para a eternidade. É este o momento de referir-nos a essas palavras cheias de raiva pronunciadas por Lutero em relação ao Concílio de Trento, nas quais restou finalmente clara sua rejeição à Igreja católica: ‘Teria que fazer prisioneiro ao Papa, aos cardeais e a todos esses canalhas que o idolatram e santificam; tê-los por blasfemos e logo arrancar-lhes a linguagem coalhada; colocá-los todos na fila da forca… Então se lhes poderia permitir que celebrassem o Concílio, ou o que quer que seja, a partir da forca ou no inferno, com os diabos’” (Card. Joseph Ratzinger, “Igreja, Ecumenismo e Política: novos ensaios de eclesiologia”, Biblioteca de Autores Cristãos, Madri, 1987, p. 120). Uma vez mergulhado nessa espiral de loucura, todos aqueles que divergiam de Lutero em qualquer ponto de doutrina ou o consideravam inimigo era objeto dos qualificativos mais sujos e vulgares: ao duque Jorge da Saxônia, chama-o de “assassino”, “traidor”, “infame” “assassino profissional”, “derramador de sangue”, “patife sem-vergonha”, “mentiroso”, “maldito”, “cão”, “sanguinário”, “demônio”. Os insultos contra o Papa sempre foram uma constante e é quase impossível contabilizá-los: “anticristo maldito”, “burro papal”, “asno papal”, “bispo dos hermafroditas e Papa dos sodomitas”, “apóstolo do diabo”. Não só os católicos eram objeto de seus opróbrios, como também passaram a alcançar os próprios protestantes: a Tomás Münzer chama-o de “arquidemônio que não realiza senão latrocínios, assassinatos e derramamentos de sangue”; seu aliado Andreas Karlstadt, quando passa a divergir dele, se transforma em um “sofista, essa mente louca”, “muito mais louco que os papistas”; o mesmo ocorre com Ulrico Zwinglio, que quando nega a presença de Cristo na Eucaristia passa a ser “digníssimo de santo ódio, pois age tão indecente e maliciosamente em nome da santa palavra de Deus” e um “servidor do diabo”. É evidente que Lutero não era precisamente a pessoa ideal para tentar reformar a Igreja; e já passados tantos séculos desde aqueles acontecimentos, resta claro que a figura do reformador protestante não tem por que seguir separando católicos e protestantes. Eu mesmo, que não nutro simpatia por tão sinistro personagem, não teria problema em admitir que pode ter tido, no começo, justa indignação pelos abusos no tráfico de indulgências, ou que estava sinceramente convencido de estar na verdade. E ao admitir isto, não vejo que esteja sendo concedido a ele qualquer grão de razão. DO OBSCURECIMENTO DO SENTIDO DA GRATUIDADE DA SALVAÇÃO NA IGREJA CATÓLICA Porém, outro dos louvores que se costuma ouvir a respeito da figura de Lutero e que já começa a ser preocupante, é aquele onde se admite e sustenta que durante séculos perdeu-se, na Igreja Católica, o sentido da gratuidade da salvação divina e foi Lutero quem teve o mérito de recuperá-la. Quanto a isso, pode-se mencionar concretamente a pregação feita pelo padre Rainiero Cantalamessa, em março deste ano [de 2016], na Basílica de São Pedro, em que afirmou o seguinte: – “Existe o perigo de que alguém ouça falar da justiça de Deus e, sem saber o significado, ao invés de animar-se, se assuste. Santo Agostinho já o havia explicado claramente: “A ‘justiça de Deus’ – escrevia ele – é aquela pela qual Ele nos faz justos mediante sua graça; exatamente como ‘a salvação do Senhor’ (Salmo 3,9) é aquela pela qual Ele nos salva” (Do Espírito e da Letra 32,56). Em outras palavras: a justiça de Deus é o ato pelo qual Deus faz justos, agradáveis a Ele, aos que crerem em seu Filho. Não é um ‘fazer-se justiça’, mas um ‘fazer justos’. Lutero teve o mérito de trazer à luz esta verdade, depois de que, durante séculos, pelo menos na pregação cristã, se havia perdido o sentido; e é isto, sobretudo, o que a Cristiandade deve à Reforma, a qual no próximo ano cumpre o quinto centenário. “Quando descobri isto – escreveu mais tarde o reformador – senti que renascia e me parecia que se me abriram de par em par as portas do paraíso”” (Prefácio às obras em latim, ed. Weimar 54, p.186). Se bem que seja possível que na época de Lutero alguns pregadores de indulgências pudessem deixar em segundo plano a doutrina sobre a gratuidade da graça (desconheço até que ponto), não é justo atribuir isto à pregação cristã da Igreja durante séculos. Como bem fez notar o sacerdote e doutor em teologia José María Iraburu em um artigo publicado recentemente[1], sustentar isto é cometer uma grande injustiça para com aqueles pregadores que mais prestígio e influência tiveram na Cristiandade de seu tempo, tanto antes como depois da época de Lutero, e que ensinaram sempre a verdadeira doutrina católica da graça e da justificação, e estavam livres de toda espécie de pelagianismo ou semipelagianismo; entre eles, recordou: Santa Hildegarda de Bingen (+1179), São Domingo de Gusmão (+1221), São Francisco de Assis (+1226), Santo Antonio de Pádua (+1231), Beato Ricério de Múcia (+1236), Davi de Augsburgo (+1272), São Tomás de Aquino (+1274), São Boaventura (+1274), Santa Gertrudes de Helfta (+1302), Santa Ângela de Foligno (+1309), mestre Eckahrt (+1328), Taulero (+1361), Beato Henrique Suson (+1366), Santa Brígida da Suécia (+1373), Santa Catarina de Sena (+1380), Ruysbroeck (+1381), Beato Raimundo de Cápua (+1399), São Vicente Férrer (+1419), São Bernardino de Sena (+1444), São João de Capistrano (+1456), Tomás de Kempis (+1471), Santa Catarina de Gênova (+1507), Barnabé de Palma (+1532), Francisco de Osuna (+1540), Santo Inácio de Loiola (+1556), São Pedro de Alcântara (+1562), São João d’Ávila (+1569), e tantos outros. Realmente se pode afirmar com justiça que estes santos, doutores, pregadores e mestres espirituais desconheceram em suas pregações a gratuidade da justificação do homem pela graça que na fé tem seu início? Obscureceram em seu tempo, “durante séculos”, “ao menos na pregação” ao povo, o entendimento da salvação como pura graça concedida pelo Senhor gratuitamente? As pregações de todos esses mestres e doutores, conservadas hoje em dia, são uma clara evidência de que isso não é certo; e ainda que tenhamos o mais nobre desejo de melhorar as relações com nossos irmãos luteranos, a solução não pode ser lançada injustamente contra os nossos antepassados na fé… DIFERENÇAS ENTRE A DOUTRINA CATÓLICA E A LUTERANA Para compreender quais são as diferenças reais que subsistem entre a doutrina católica e a luterana, temos que resumir, ainda que seja bem brevemente, os erros do ex-monge alemão: A concupiscência é sempre pecado Nós, católicos, cremos que se comete pecado ao consentir o impulso pecaminoso, não simplesmente ao senti-lo. Para Lutero, ao contrário, a concupiscência é pecado já em si mesma, formal e imputável. Este primeiro erro conduziu Lutero a uma vida de tormento, porque apesar de todas as boas obras que tentava fazer, não conseguia alcançar a paz interior ao sentir-se constantemente em pecado mortal e próximo da condenação eterna. Neste estado psicológico, Lutero foi conduzido ao seu segundo erro: a negação total da liberdade humana. O homem não é livre Tal como sustenta Lutero, em sua obra “De Servo Arbitrio”, o pecado original destruiu totalmente o livre arbítrio da pessoa humana. Para o ex-monge alemão, o homem é já incapaz de fazer alguma obra boa; portanto todas as suas obras, ainda que tenham uma aparência bela, são, não obstante e provavelmente, pecados mortais… E se as obras dos justos são pecado, como afirma sua conclusão, com maior motivo o são as dos que ainda não foram justificados. A doutrina católica ensina, ao contrário, que em razão do pecado original o livre arbítrio encontra-se debilitado, porém não aniquilado, e que ainda que para efetuar atos saudáveis (atos que conduzem à salvação) é imprescindível a graça de Deus, podendo realizar sem a ajuda da graça obras moralmente boas. O homem se justifica somente pela graça através da fé fiducial ou fé somente O terceiro erro de Lutero parte do anterior, pois conclui que se o homem não é livre, aqueles que se salvam o conseguem porque Deus lhes outorga a salvação de uma forma absolutamente passiva e extrínseca. O homem não coopera em nada para sua salvação, mas tudo se resolve pela certeza subjetiva de ter sido justificado pela fé graças à imputação dos méritos de Cristo. Basta aceitar Cristo como salvador e confiar em estar salvo para assegurar a salvação, independentemente se age conforme à vontade de Deus ou se descumpre os Mandamentos. A partir desta perspectiva, o homem continua sendo pecador, porém é declarado justo, de uma forma semelhante como se tomássemos um homem maltrapilho e sujo e o cobríssemos sem lavá-lo com uma túnica esplendidamente branca. Ao olhar para ele, o Juiz miraria a túnica branca e resplandecente (que representa Jesus Cristo, o qual morreu por nossos pecados) ao invés da sujeira que se encontra debaixo dela. Nós, católicos, ao contrário, cremos que podemos cooperar na nossa justificação, não com nossas próprias forças, mas porque a graça nos inspira e nos capacita para fazê-lo. Cremos, ademais, que Deus não só nos declara justos, como também nos faz justos; que nos santifica e renova, de modo que, por meio da graça, somos uma nova criatura. Consequentemente, devemos viver como nova criatura. A fé deve fazer-se efetiva no amor, no cumprimento dos Mandamentos e nas obras de caridade. A doutrina luterana, ainda que piedosamente envernizada e ainda que pretenda dar primazia à graça, no fundo apresenta uma noção deficiente da mesma, crendo que ela é impotente na hora de transformar o homem, não o tornando verdadeiramente santo, conformando-se então por declará-lo somente justo, permanecendo imundo e pecador. Os justificados não podem perder sua salvação Se se conclui erroneamente que o homem se salva somente pela fé, é compreensível que se conclua que o crente justificado não pode perder sua salvação ainda que não obedeça os Mandamentos e cometa pecados graves. Daí que em 1521, a 1º de agosto, escreve Lutero em uma carta a Melanchthon: – “Se és pregador da graça, prega uma graça verdadeira e não fictícia; se a graça é verdadeira, deves cometer um pecado verdadeiro e não um fictício. Deus não salva os que são somente pecadores fictícios. Seja um pecador e peca audazmente, porém crê e alegra-te em Cristo ainda mais audazmente… enquanto estivermos aqui [neste mundo] temos que pecar… Nenhum pecado nos separará do Cordeiro, ainda que forniquemos e assassinemos mil vezes ao dia”. Nós, católicos, ao contrário, cremos que o crente justificado pode decair do estado de graça de Deus se comete pecado mortal. O Evangelho está cheio de advertências neste sentido. Cristo nos fala daquele ramo (crente) que deixa de dar fruto (fazer boas obras) e é cortado e lançado ao fogo (João 15); deixa claro que não somente aquele que confessa sua fé Nele entrará no Reino dos Céus, como também aquele que faz a vontade de Deus (Mateus 7,21). Quando o jovem rico pergunta a Jesus o que deve fazer para salvar-se, Ele lhe responde que cumpra os Mandamentos (Mateus 19,17). A epístola de São Tiago, em seu capítulo 2, contém praticamente uma refutação formal às teses de Lutero, a ponto de que este tentou por todos os meios excluí-la da Bíblia e a qualificou como “a epístola de palha”. OS ERROS DERIVADOS DA DOUTRINA DE LUTERO Porém, os erros de Lutero não acabaram ali e, como uma fila de peças de dominó que cai um atrás do outro, seguiram-se multiplicando. Nesse sentido pontualizou o cardeal Joseph Ratzinger: – “Lutero, após a ruptura definitiva, não só rejeitou categoricamente o papado, como também qualificou de idolátrica a doutrina católica da missa, porque via nela uma recaída na Lei, com a consequente negação do Evangelho. Reduzir todas estas confrontações a simples mal-entendidos é, no meu modo de ver, uma pretensão iluminista, que não indica a verdadeira medida do que foram aquelas lutas guiadas pela paixão, nem o peso da realidade presente em suas alegações. A verdadeira questão, portanto, pode unicamente consistir em nos perguntar até que ponto, hoje, é possível superar as posturas de então e alcançar um consenso que vai além daquele tempo. Em outras palavras: a unidade exige passos novos e não se realiza mediante artifícios interpretativos. Se em seu dia [a divisão] se realizou com experiências religiosas contrapostas, que não podiam encontrar espaço no campo vital da doutrina eclesiástica transmitida, tampouco hoje a unidade se forja somente mediante discussões multifacetadas, mas com a força da experiência religiosa. A indiferença é um meio de união tão somente na aparência” (Card. Joseph Ratzinger, “Igreja, Ecumenismo e Política: novos ensaios de eclesiologia”, Biblioteca de Autores Cristãos, Madri, 1987, pp. 120-121). Dito em linguagem simples: as diferenças existem e ignorá-las não fará que desapareçam, ponto este que tratarei a seguir. ESTAMOS HOJE DE ACORDO, CATÓLICOS E PROTESTANTES, NO QUE DIZ RESPEITO À DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO? O Papa Francisco, aludindo ao Acordo Católico-Luterano a respeito da justificação, de 1999[2], declarou em uma entrevista que “hoje em dia, os protestantes e os católicos estão de acordo quanto a doutrina da justificação”. Com todo o respeito que o Papa merece e compreendendo que este tipo de declaração pode ser motivada pela boa intenção de buscar uma aproximação entre católicos e protestantes, creio que se somos realistas temos que aceitar que a situação é bem diferente. Em primeiro lugar, teria que matizar que a referida declaração somente foi firmada pela Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial. Tal Federação representa apenas um conjunto de igrejas luteranas, as quais não abarcam nem 7% do protestantismo e nem sequer a totalidade do luteranismo. É um fato lamentável porém certo que a rejeição do acordo foi praticamente total pelas demais denominações cristãs, incluindo as batistas, metodistas, calvinistas, pentecostais, etc. E como fez notar acertadamente Luis Fernando Pérez em um artigo publicado em Info católica[3], inclusive dentro do próprio luteranismo tal acordo foi amplamente rejeitado por centenas de teólogos e pela Igreja Evangélica da Dinamarca (luterana), com um argumento cheio de senso comum: trata-se de um texto que o próprio Lutero teria rejeitado, pois se aproxima da doutrina católica sobre a justificação e se afasta do “sola fide” do ex-monge agostiniano alemão. O teólogo protestante José Grau explicou isso da seguinte maneira: – “O chamado Acordo sobre a Justificação, de 1999, da mesma forma que as conversações que serviram de prolegômenos nas duas últimas décadas do século XX, faz com a doutrina da justificação o mesmo que fez Trento com o agostinianismo: se aproxima semanticamente de Lutero (ainda que sem condená-lo nominalmente, especificamente, sem tampouco levantar a excomunhão vaticana que pesa sobre ele). E assim como em Trento a Igreja Romana descafeinou Agostinho (nota nossa: isto é falso), agora estes luteranos, de braços dados com os católicos, descafeínaram Lutero. O resultado prático não é outro senão a inutilização da ‘dinamite’ da mensagem reformada, luterana, protestante e sobretudo bíblica (o Evangelho é poder ‘dinamite’ de Deus ‘para salvação de todo aquele que crê’, Romanos 1:16), anulando a espoleta das doutrinas da graça mediante uma terminologia teológica que parece do agrado de todos quando lida de passagem, sem se aprofundar nos conceitos. Umas afirmações equilibram as outras de sinal diferente, sem entrar quase nunca no miolo fundamental da questão. Como escreve Pedro Puigvert, na carta a ‘La Vanguardia’ (de 05/11/1999): ‘Os católicos não cederam em nada, porque isso de confessar que a justificação é obra da graça de Deus o têm crido sempre, juntamente com a cooperação humana que agora resulta que também é fruto da graça, ainda que a Escritura o desminta quando diz: ‘Àquele que age não se lhe conta o salário como graça, mas como dívida; mas ao que não age e crê Naquele que justifica o ímpio, sua fé lhe é contada por justiça’ (Romanos 4:5-6). Roma ganhou a batalha doutrinária. Ah, se Lutero erguesse a cabeça!”. Pessoalmente, gostaria de compartilhar daquela apreciação do Papa e crer que os católicos e evangélicos verdadeiramente chegamos a professar uma mesma fé a respeito do tema “justificação”; porém, a crua realidade é outra: nem sequer os próprios protestantes, entre eles mesmos, estão de acordo neste tema. LUTERO TEVE RAZÃO NO QUE DIZ RESPEITO À DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO? Hoje está na moda dar razão a Lutero: é politicamente correto. Cremos agora, católicos e evangélicos, que o homem é justificado por meio da graça de Deus? Sim, porém sempre temos crido nisso. O problema está quando se afirma, a respeito das diferenças doutrinárias reais que existiram e existem entre a doutrina católica e a luterana, que Lutero era quem tinha razão. Se a doutrina de Lutero, que foi condenada dogmaticamente por um Concílio Ecumênico e dogmático, resulta na doutrina verdadeira, seria melhor apagar as luzes e irmos embora, porque então terão razão também os protestantes ao afirmarem que não precisamos nem de Papas nem de Concílios, já que se é como eles sustentam, [Papas e Concílios] podem equivocar-se quando definem aquilo que é dogma de fé. E se tudo se trata de um gesto diplomático, é necessário recordar, como nos foi sempre ensinado, que um ecumenismo que não encontra-se fundamentado na verdade não é um verdadeiro ecumenismo, e por mais que posemos juntos e sorridentes para as fotos, não estaremos mais próximos hoje uns dos outros como estávamos há 500 anos. —– NOTAS: [1] http://infocatolica.com/blog/reforma.php/1603310952-370-elogiando-a-lutero-1-cant [2] http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/chrstuni/documents/rc_pc_chrstuni_doc_31101999_cath-luth-joint-declaration_sp.html [3] http://infocatolica.com/blog/coradcor.php/1606291202-no-hay-acuerdo-real-catolico #Fotos #Lutero #martinho #tinha
- Jesus: um mito copiado de outras religiões?
Como parte de um material que estou preparando, apresento o seguinte estudo rechaçando a ideia de que a vida, morte e ressurreição de Jesus é fruto de assimilações de mitologias pagãs antigas. Essa teoria se popularizou devido ao filme O Código Da Vinci e o documentário Zeitgest, mesmo algumas páginas ateias, depois de longos anos passando vergonha postando informação falsa, se deram conta de que não há nenhuma evidência de tais alegações. Sobre a teoria de Jesus ser um plágio Essa teoria também é popular, mas é uma das que menos tem qualquer tipo de suporte histórico e é mais rejeitada por qualquer historiador sério. Mas, na maioria das vezes quem a sustenta não se importa com isso, muito menos se importam em apresentar evidências sólidas que deem suporte a essa teoria insana, apenas fazem alegações desconexas baseadas em textos de confiabilidade duvidosa retirado da internet. Quando pressionado por evidências que confirmem sua afirmação, alguns recorrem ao documentário Zeitgest, que já foi rechaçado por inúmeras vezes por não fornecer nenhuma base histórica relevante as suas afirmações, ou a alguns escritores antirreligiosos que constroem argumentos cheio de pressuposições e conjecturas falsas. Essa teoria afirma que a vida, morte e ressurreição de Jesus é baseada na mitologia antiga de deidades de outras religiões (Mitra, Osíris, Hórus e etc), as chamadas religiões de mistério. Por alegadas similaridades entre as histórias, os entusiastas dessa teoria alegam que a história de Jesus foi copiada, portanto, sendo uma farsa total. Esse galera também se guia pelo famoso livro O Código Da Vinci, onde o autor faz afirmações parecidas, eles só se esquecem que Dan Brown não é historiador e o livro é uma obra de ficção, talvez por isso seus argumentos sejam tão fantasiosos. Mais quais seriam essas alegações? Somente para citar alguns exemplos para que você possa entende-los e desmistifica-los: Mithra: Nascido de uma virgem, dia 25 de dezembro, tinha doze seguidores, era um grande professor e foi crucificado. As semelhanças podem lembrar a Jesus, mas elas seriam verdadeiras? Não há menção de nascimento virginal no Mithraísmo, de fato, pouco de sabe sobre suas origens, a não ser o que alguns poucos desenhos descobertos em cavernas podem afirmar. Nem há nenhum relato dele sendo qualquer tipo de professor ou tendo seguidores, muito menos tendo sido crucificado. Attis: Nascido de uma virgem, dia 25 de dezembro, foi crucificado e ressuscitou. Quantas coincidências com Jesus não?! Mas infelizmente para os fantasiosos seguidores dessa teoria, não há nenhuma menção sobre a data de 25 de dezembro nos mitos de Attis, ele é associado com o retorno anual da primavera. De acordo com a lenda, Agdistis, um monstro hermafrodita, levantou-se da terra como um descendente de Zeus. Agdistis gera o rio Sangarius que revelou a ninfa, Nana, que traz uma amêndoa em seu peito e se torna grávida pela amêndoa, gerando a Attis. Não há nenhum relato de crucificação no mito de Attis. E em uma das versões do mito, Attis é transformado num pinheiro. Hórus: Nascido de uma virgem, dia 25 de dezembro, tinha doze discípulos, foi crucificado e ressuscitou. Aparentemente todos os deuses antigos eram iguais. Há dois relatos de nascimento relacionados a Hórus (nenhum mostra um nascimento virginal).E em uma das versões, Ísis sua mãe, praticou magia para ressuscitar Osíris dos mortos assim ela poderia dar a luz a um filho que pudesse vingar sua morte. Ísis então engravidou do esperma de seu marido morto. Nunca se disse que Hórus foi crucificado, nem mesmo de ter morrido. A única conexão que nós podemos fazer de Hórus sendo ressuscitado é se nós considerarmos a eventual fusão de Hórus e Osíris. Mas tal teoria resulta em um beco sem saída, aparentemente notado pelos egípcios já que eles posteriormente alteraram suas crenças para arrumar as contradições. No conto egípcio, Osíris é ou desmembrado por Seth em uma batalha ou selado em uma arca e afogado no Nilo. Ísis então reúne o corpo de Osíris novamente e ressuscita Osíris para conceber um herdeiro que irá vingar a morte de Osíris. Não há nenhum relato de dias de nascimento, nem de seguidores, apenas conjecturas vazias. Poderíamos perder muito tempo fazendo a mesma coisa. Perceba que todos esses mitos não tem ligação alguma com o cristianismo, mas claramente eles se apossaram de características cristãs para atrair fiéis ao seu movimento sincrético. Além do mais, para montar seu “Jesus mítico”, eles precisam além de distorcer as mitologias, juntar um pedaço de cada mito para formar um que possa ser usado no caso contra a história de Cristo. A pessoa que acredita nessas conexões ignora completamente todas as evidências históricas. Não possui nenhum traço de julgamento crítico e pouco se importa com a verdade. Chega de invenção, vamos aos fatos! O primeiro passo para qualquer pessoa que realmente busque entender essas alegações seria consultar as visões e opiniões dos acadêmicos nas áreas de especialização relevantes. Claro, os estudiosos diferem em alguns detalhes, mas o que eles têm a dizer sobre essa questão específica? Hoje, quase todos os estudiosos das especializações históricas relevantes rejeitam unanimemente a noção de que Jesus é uma cópia dos deuses pagãos. Parece que a evidência disponível os persuadiu contra esses alegados paralelos. Vejamos algumas opiniões:[1] “Até onde eu sei, não existem qualquer evidência que a morte e ressurreição de Jesus seja uma construção mitológica.” T.N.D Mettinger. “A ideia de morte e ressurreição de deuses é em grande parte um equívoco baseado em reconstruções imaginativas em textos tardios e altamente ambíguos.” J.Z Smith. “Todos estes mitos são repetitivos e representações simbólicas da morte e do renascimento da vegetação. Estes não são figuras históricas…” Edwin Yamauchi, “Ela está cheia de tantos erros factuais e afirmações bizarras que é difícil acreditar que o autor é sério.” Bart Ehrman “Alegações de uma dependência cristã sobre o mitraísmo foram rejeitadas em todos os níveis.” Ronald Nash O historiador Justo Gonzalez explica o motivo das alegadas similaridades: “Durante as duas ou três primeiras décadas do século vinte, pensava-se que as religiões de mistério formavam uma unidade baseada em uma “teologia misteriosa” comum, e que o Cristianismo era simplesmente uma delas, ou quando muito, uma religião distinta na qual a influência dos mistérios era grandemente sentida. De acordo com os eruditos desta época, o Cristianismo tomou dos mistérios seu conceito sobre a paixão, morte e ressurreição de deus; seus ritos de iniciação – o batismo; sua refeição sacramental – a comunhão. Mas desde então, tem sido feito um estudo cuidadoso sobre os mistérios, e a conclusão obtida por quase todos os eruditos é que não existiu tal coisa como uma “teologia misteriosa” em comum. Muito pelo contrário, os cultos de mistério diferiam tanto um do outro, que é até mesmo é difícil explicar o termo “religião de mistério”. Além disso, essas religiões parecem não ter alcançado seu pleno desenvolvimento até o segundo e terceiro séculos da era cristã, que é o período em que a maioria de suas características em comum com o Cristianismo aparecem. Segue-se que tais características podem ser mais facilmente explicadas como a influência do Cristianismo sobre elas do que o oposto, mais ainda quando aprendemos que já neste período os cultos pagãos tentavam imitar algumas das características da nova fé dinâmica.” [2] O historiador ainda acrescenta: “Visto que o politeísmo fazia parte de sua estrutura fundamental, cada religião de mistério se sentia autorizada a aceitar e a adaptar qualquer coisa que achasse de valor em outras religiões. Se existe uma característica da religião do período helenista, esta é o sincretismo. Um culto competia com os outros, não para ser o mais austero, mas para ser o mais amplo, para incluir as mais diversas doutrinas”.[3] Segundo os especialistas, pouco de sabe sobre essas chamadas religiões de mistério, visto que suas doutrinas e ritos de iniciação eram secretos e suas crenças mantidas entre um grupo seleto de participantes. Eles não tinham escritos sagrados e muito do que se sabe sobre eles são frutos de adições posteriores, então é difícil ter certeza sobre qualquer coisa. Como confirma o professor e Ph.D em Estudos religiosos Merril Tenney: “ Os rituais em si eram secretos. Isto significa que não estavam abertos ao escrutínio. Além do mais, os dados são muito escassos e requerem cuidado antes de se poder fazer comparações”[…] “Tal como com outros cultos, detalhes de origem e doutrina não são totalmente claros.”[4] O acadêmico Edwin Yamauchi escreve que “a suposta ressurreição de Attis só aparece depois de 150 dC”. E no caso de Mithra, o próprio professor Ronald Nash explica que “o mitraísmo floresceu depois do cristianismo, não antes, então o cristianismo não poderia ser copiado Mitraísmo O momento está errado em ter influenciado o desenvolvimento do cristianismo do primeiro século ”. Essa é a diferença entre mitos e história, como mostramos no capítulo 3, a Bíblia possui uma vasta gama que a coloca num patamar completamente diferente dessas alegações mitológicas. Muitos estudiosos de modo semelhante tem reconhecido durante quase dois milênios uma clara distinção entre os relatos dos escritores do Evangelho e dos criadores dos mitos das religiões de mistério. Por exemplo, Walter Kunneth, professor de teologia sistemática da Universidade de Erlangen, na Alemanha, declara a respeito da originalidade do evangelho: ” A mensagem da ressurreição não surgiu no mundo contemporâneo para ser mais uma das lendas de culto habituais, em que Jesus seria um herói de um novo culto, pondo-se harmoniosamente lado a lado com outros heróis cultuais. Mas sua mensagem foi em termos de uma estrita exclusividade, um único é o Senhor (kyrios). Aqui, toda a analogia falha. Esse testemunho, em contraste com a condescendência do mundo mítico inteiro, chega com uma intolerante reivindicação de totalidade, que põe em questão a validade e a verdade de toda a mitologia.”[5] Os professores Carlidge e Dungan reconhecem o mesmo: ” Se os cristão utilizaram conceitos e termos usuais para comunicar sua fé, eles com frequência lhe deram uma significação exclusiva. Quando adoraram a Jesus como seu salvador, o resultado foi um poderosa negação: “Nem César, nem Esculápio, nem Hércules, nem Dionísio, nem Ptolomeu, nem qualquer outro deus é o salvador do mundo – só Jesus é!”[6] Leia de cabo a rabo os vários mitos gregos e depois leia até o fim os relatos dos evangelhos, então você verá uma diferença marcante no sabor de todo o seu conteúdo. O tradutor e estudioso do Novo Testamento J.B Philips, descreve: ” Eu havia lido em grego e latim inúmeros mitos, mas não achei o mais leve sabor de mito aqui [nos evangelhos]. Não há histeria, nenhuma manipulação para impressionar e nenhuma tentativa de fraude […]. Há uma sinceridade e simplicidade quase pueris, e o efeito total é tremendo.”[7] Embora a literatura popular esteja cheia dessa baboseira ficcional, a tendência entre os estudiosos do assunto é contrária. Como enfatiza o acadêmico J.P Moreland: ” Nunca é suficiente enfatizar que tais influências são vistas pelos atuais estudiosos do Novo Testamento como tendo pequeno ou nenhuma papel na formação da imagem de Jesus no Novo Testamento, em geral, ou das narrativas da ressurreição em particular. “[8] Mesmo na época que a tese do sincretismo estava em alta, o grande historiador e teólogo liberal alemão, Adolf Von Harnack, escreveu: ” Devemos rejeitar a mitologia comparativa que acha conexões causais entre tudo e todos, as quais derrubam sólidas barreiras, saltam sobre abismos como se fosse um jogo infantil, e engendram combinações a partir de semelhanças superficiais […]. Através de tais métodos, pode-se transformar Cristo em um deus do sol num piscar de olhos, ou criar-se lendas acerca do nascimento de todo deus concebível, ou reunir-se todos os tipos de pombas mitológicas para fazerem companhia a pomba batismal, e encontra-se todo número de jumentos célebres para acompanharem o jumentinho no qual Jesus montou em Jerusalém, e assim, com varinha mágica das “religiões comparadas”, triunfalmente eliminar todas característica original em qualquer das religiões.”[9] Que podemos concluir de tudo isso? Que simplesmente essa conjectura fantasiosa deve ser rechaçada, pois além de distorcer a própria mitologia, adicionando e criando novas explicações para ficarem semelhante aos evangelhos, suas conjecturas não possuem nenhum fundamento histórico, muito menos suporte acadêmico. Esses mito não foram criados para serem reais, por isso eles sempre se modificavam especialmente nos lugares de culto sincretista. Não é a toa que nenhum acadêmico leva essas alegações a sério, os “misticistas” são como os defensores da terra plana no âmbito do debate histórico. Rejeitam o Novo Testamento e toda sua fundamentação histórica, mas acreditam em qualquer ilusão popular antirreligiosa. Ramon Serrano Referências: [1] Para leitura completa: jamesbishopblog.com/2015/01/19/23-reasons-why-scholars-know-jesus-is-not-a-copy-of-pagan-religions/ [2] Justo Gonzalez, Uma História do Pensamento Cristão Vol 1 p. 41-42 [3] Ibid p.43 [4] Merril C. Tenney, Enciclopédia da Bíblia, Vol 5, p.162 [5] Walter Kunneth, The Theology of the Ressurection p.62 [6] David Cartlidge, Documents for the study of the gospels p.21 [7] J.B Philips, The ring of the truth p.77 [8] J.P Moreland, Scaling the secular city. p.181 [9] Citado por Ronald Nash, Christianity and the Hellenistic world p.118-119 #Jesus
- O casamento natural é a base da civilização
O casamento natural é a base da civilização A instituição do casamento vem sofrendo diversos ataques nas últimas décadas, sendo taxada de todos os nomes e ridicularizadas por todos os lados, chegando ao extremo de ativistas do casamento entre pessoas do mesmo sexo tentarem redefinir o casamento como simplesmente uma relação privada entre duas pessoas amorosas e comprometidas. Na verdade, eles querem redefinir o casamento não para se casarem, já que estatísticas [1] mostram que não houve aumento significativo do número de casamento homossexual nos países onde a prática é legalizada há décadas, mas para alcançar poder. Ao conseguir que o Estado reconheça o casamento homossexual em igualdade com o casamento natural (hétero), será a sanção de que o comportamento homossexual e o heterossexual são a mesma coisa, e qualquer crítica será considerada um preconceito punível por lei. Sabemos que a lei é um “incentivador” de comportamentos, e através dela eles querem moldar os padrões naturais alcançando validação e normalização. Ou seja, pela força da lei, querem aprovação, reconhecimento e validação de toda a sociedade. Mas a instituição do casamento não foi criada pelo Estado e nem pode ser modificada por ele. O casamento natural é reconhecido e incentivado pelo Estado, por que ele (o Estado), reconhece seus benefícios para sociedade como um todo, e não por questões de bondade governamental, ao contrário do casamento entre pessoas do mesmo sexo, que apresenta diversas evidências de comportamentos que são destrutivos ao indivíduo e a sociedade. Segundo o órgão americano CDC (Center for Disease Control), 82% dos casos de AIDS em 2006 foram transmitidos por sexo homossexual entre homens, e eles também são 60% dos casos de sífilis.[2] No Brasil, a prevalência de aids entre jovens homens que fazem sexo com homens (HSH) aumentou 140% entre 2009 e 2016.[3] Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) os homossexuais apresentam 20 vezes mais chances de contrair o vírus da AIDS.[4] Entre várias outras coisas como incidência de câncer[5], abuso de drogas [6] e diminuição da expectativa de vida.[7] Se a lei é um “incentivador” de comportamento, porque incentivar um comportamento que não é saudável nem ao indivíduo nem a sociedade? No entanto, o casamento é muito mais do que o relacionamento privado de duas pessoas. O casamento é uma instituição social que fornece à sociedade o próprio alicerce da civilização – a unidade familiar procriadora. Sem o casamento natural, não haveria estabilidade para as crianças. Na verdade, o casamento é a mais antiga e básica das três instituições fundamentais da civilização ocidental (as outras duas são governo e a igreja). É o mais básico dos três porque sem crianças não haveria necessidade de um governo ou de uma igreja, e nenhum governo ou igreja poderia agir como pai ou mãe. A família é e sempre foi a base fundamental da sociedade. Por isso os ataques a ela tem se tornado tão frequentes, pois ao destruí-la, todo o resto também será. Os benefícios do casamento natural não podem ser suprimidos em nome de ideologias. O casamento natural beneficia o casal, seus filhos, nossa economia e a nação como um todo. De fato, o casamento natural serve como um tipo de sistema imunológico nacional. Quando nossos casamentos são fortes, nossa nação é forte e nossos problemas sociais são poucos. Quando nossos casamentos são fracos, assim é a nossa nação. Desde a antiguidade isso foi percebido, o desprezo pelo casamento se tornou tão evidente, que em 131 a.C, o censor Quintus Metellus Macedonius propôs que o casamento deveria ser obrigatório. Pois a disponibilidade de sexo fácil e sem compromisso tinha eliminado a motivação dos homens para casar.[8] Vejamos o exemplo da queda de Roma, as consequências a longo prazo da prostituição, permissividade, repúdio ao casamento, divórcio, aborto, infanticídio e declínio da população, foram que as cidades romanas começaram a encolher em número e tamanho. Eventualmente o império teve que depender de um constante fluxo de colonizadores bárbaros. No século II, o imperador Marco Aurélio teve de recrutar escravos e gladiadores e contratar germanos e citas para compor as fileiras do seu exército. Consequentemente, Roma tornou-se vulnerável devido ao alto fluxo de imigrantes.[9] Não levaria mais de dois séculos para que o império romano do ocidente caísse por completo. No Brasil, segundo dados do IBGE, 1 em cada 3 casamentos termina em divórcio.[10] E segundo o governo brasileiro, para confirmar o que afirmei acima de que a lei é uma grande “incentivador” de comportamento, desde que foi aprovada a lei do divórcio em 1977, o número de divórcio só aumentou, de 1984 a 2014, teve um aumento de mais de 1000%.[11] Segundo estudo da psicóloga e pesquisadora social norte-americana Judith Wallerstein, o aumento do número de crianças com problemas psicológicos e psíquicos, bem como de adolescentes que entram no mundo do álcool e das drogas, é devido à separação dos pais. Nesse estudo que durou 25 anos, a pesquisadora descobriu que os efeitos do divórcio são muito mais profundos nas crianças do que antes se supunha, e que essas consequências podem ser sentidas na vida adulta, com problemas de relacionamento, bebidas e sexo. Há casos que podem gerar depressão e problemas de aprendizado.[12] O casamento vem sendo rechaçado em todo o mundo, boa parte dos países apresentam aumento no número de divórcios. É uma doença que vem enfraquecendo nossa sociedade, e vimos como isso pode impactar profundamente as estruturas sociais. Mas vamos analisar o porquê que o casamento natural é a base da sociedade, e porque casamentos saudáveis representam uma sociedade saudável e devem ser preservados. Segundo algumas estatísticas, o casamento natural: Aumenta a expectativa de vida de homens e mulheres.[13] Civiliza os homens e os concentra em atividades produtivas. Homens solteiros causam a sociedade muito mais problemas do que homens casados. Protege as mulheres, que muitas vezes desistem ou adiam suas carreiras para ter filhos, de serem abandonadas e prejudicadas economicamente por homens não comprometidos. Protege as mães de crimes violentos. Mães que nunca se casaram são mais que o dobro propenso a sofrer crimes violentos do que as mães que se casaram.[14] Reduz os custos de bem-estar para a sociedade.[15] Encoraja uma taxa de natalidade de substituição adequada, resultando em jovens bastante produtivos que contribuem para a sociedade e proporciona segurança social aos idosos. Se essa taxa não for adequada, a nação não pode se sustentar sem a imigração. As crianças de casamento natural tem: – Sete vezes menos probabilidade de viver na pobreza.[16] – Seis vezes menos probabilidade de cometer suicídio.[17] – Menos da metade da probabilidade de cometer crime.[18] – Menos da metade da probabilidade de engravidar fora do casamento.[19] – Desenvolvem melhor academicamente e socialmente.[20] – São mais saudáveis fisicamente e emocionalmente quando atingem a idade adulta.[21] Esses resultados positivos do casamento não são novos na nossa cultura do século XXI. Desde praticamente o nascer da humanidade, o casamento tem sido o alicerce da estrutura social humana. Na verdade, o antropólogo britânico J.D. Unwin estudou oitenta e seis culturas civilizadas e incivilizadas, abrangendo cinco mil anos e encontrou que as culturas mais prósperas eram aquelas que mantinham uma forte ética matrimonial. Toda civilização que abandonou essa ética, incluindo os impérios romano, babilônico e sumério, sofreu a morte em breve depois de liberalizar suas práticas sexuais.[22] Uma sociedade civilizada e produtiva não durará muito se seus adultos abandonam seus filhos e uns aos outros para buscar desejos sexuais fora do casamento natural. Imagine uma sociedade onde existe um número crescente de indivíduos que não possuem uma família estável. Sem a família natural – que fornece às pessoas suas necessidades mais básicas – o caos logo se seguirá. Na verdade, praticamente todos os problemas sociais que temos podem ser rastreados até sua raiz, a família. Se você não acha, basta dar uma olhada nos lares que são destruídos por divórcios, brigas e abandonos. Sem a unidade familiar estável, a sociedade logo entrará em colapso. Infelizmente, nos dias de hoje as práticas que enfraquecem o casamento natural vem sendo incentivadas, e as consequências disso já vêm sendo sentidas. O casamento é uma instituição divina, fundamentado no amor ágape, sacrificial. Como nos diz o apóstolo Paulo, o marido deve ter o mesmo amor pela sua esposa que Cristo teve pela sua Igreja. Sabendo dos sacrifícios e dores que Cristo sofreu pela Igreja, temos uma ideia da importância do que é essa união. Segundo o cristianismo, a mulher é tomada como parte do homem, e “a ideia de que o homem de algum modo esteja incompleto, constitutivamente a caminho a fim de encontrar no outro a parte que falta para a sua totalidade, isto é, a ideia de que, só na comunhão com o outro sexo, possa tornar-se « completo », está sem dúvida presente. E, deste modo, a narração bíblica conclui com uma profecia sobre Adão: « Por este motivo, o homem deixará o pai e a mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne » (Gn 2, 24).”[23] Por isso, o casamento simboliza a volta ao estado de “uma só carne”, a sua completude, reunidos e sustentados pelo eterno amor de Deus. “ Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela…” Efésios 5:25 Referências: [1] Maggie Gallagher and Joshua Baker, “Demand for Same-Sex Marriage: Evidence from the United States, Canada, and Europe,” Institute for Marriage and Public Policy, April 26, 2006 [2] Center for Disease Control, Cases of HIV infection and AIDS in the United States and Dependent Areas, 2006 HIV/AIDS Surveillance Report [3] saude.estadao.com.br/noticias/geral,prevalencia-de-aids-entre-homens-que-fazem-sexo-com-homens-aumenta-140-em-7-anos,70002018897 [4] exame.abril.com.br/mundo/oms-homossexuais-tem-20-vezes-mais-probabilidades-de-contrair-hiv/ [5] John R. Diggs, Jr. M.D, “The Health Risks of Gay Sex,” Corporate Resource Council, 2002 [6] Gay and Lesbian Medical Association, “Ten Things Lesbians Should Discuss With Their Health Care Provide >https://www.health.ny.gov/diseases/aids/consumers/lgbt/lesbian_health_concerns.htm< [7] Hogg RS, Strathdee SA, Craib KJP, O’Shaughnessy MV, Montaner JSG, Schechter MT. Modelling the impact of HIV disease on mortality in gay men. International Journal of Epidemiology [8] Citado pelo historiador Aulus Gellius em The Attic nights of Aulus. [9] Vishal Mangalwadi – O livro que fez o seu mundo [10] noticias.r7.com/brasil/ibge-divorcios-sobem-casamentos-caem-e-brasileiro-tem-menos-filhos-14112017 [11] brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/11/em-10-anos-taxa-de-divorcios-cresce-mais-de-160-no-pais [12] The Unexpected Legacy of Divorce: A 25-Year Landmark Study, Judith Wallerstein [13] Marital status and longevity in the United States population, http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16905719. [14] Robert E. Rector, Patrick F. Fagan, and Kirk A. Johnson, “Marriage: Still the Safest Place for Women and Children, [15] Patrick F. Fagan et al., “The Positive Effects of Marriage: A Book of Charts,” The Heritage Foundation, http://www.heritage.org/research/features/marriage/index.cfm [16] See Patrick F. Fagan et al., “The Positive Effects of Marriage: A Book of Charts,” The Heritage Foundation, http://www.heritage.org/research/features/marriage/index.cfm [17] Michael J. McManus, “Why Is It in the Government’s Interest to Save Marriages?” The Heritage Foundation, http://www.heritage.org/research/family/WM80.cfm [18] Ibid, Fagan, Chart 17. [19] Ibid, Fagan, Chart 29 [20] Ibid, Fagan, Chart 21. [21] Ibid, Fagan, Charts 16-29. [22] Joseph Daniel Unwin, Sex and Culture (London: Oxford University Press, 1934). [23] Encíclica Deus Caritas Est – Bento XVI O Caminho
- COMO NÃO FUI APROVADA EM ENTREVISTA DE EMPREGO, NA ÓPERA DE PARIS, POR TER TRABALHADO NUM SEMANÁRIO
[Estagiária por cinco meses na redação do semanário conservador francês Valleurs actuelles , Adélaïde foi recusada numa entrevista de emprego na Associação para a Promoção da Ópera de Paris (AROP – Association pour le Rayonnement de l’Opéra national de Paris), por causa de seu passado na imprensa de “extrema direita”. A seguir, ela relata como foi esse momento. O máximo de sectarismo imaginável]. Estagiária por vários meses no semanário Valeurs actuelles e com recente título de mestrado, estou começando a procurar ofertas de emprego. Eu gostaria de trabalhar por algum tempo em grandes instituições culturais. Envio, assim, o meu currículo à Associação para a promoção da Ópera Nacional de Paris (AROP), “que reúne cerca de 4.500 entusiastas da ópera e do bailado, particulares e companhias, que desejam apoiar a Ópera de Paris”. A funcionária responsável pelo setor me responde e me oferece uma entrevista de emprego na terça-feira, 24 de maio. No dia marcado, vou à Ópera Garnier, no 9º distrito da capital. A entrada é pela ala dos artistas, como me indicou Camille (nome falso), responsável pela entrevista. Estou cinco minutos adiantada. A secretária me faz esperar. No salão, vejo artistas que tive a oportunidade de admirar durante os espetáculos da Garnier ou da Bastille. São 11 da manhã. Eu ainda estou com o coração leve a esta hora. A funcionária responsável, com quem tenho um encontro, me recebe com bastante frieza. Caminhamos pelos corredores do prédio, tombado como monumento histórico em 1923. Para aliviar o clima, digo a Camille que me sinto em L’Âge heureux , filme que se passa na Ópera Garnier e marcou minha infância. Ela sorri. Chegamos à lanchonete. Artistas e funcionários tomam ali alguma bebida. Camille, acho eu, toma um café com leite (ou um chocolate quente). A entrevista vai começar. Ela pede que me apresente. Entusiasmada e honrada por estar ali, no coração desta instituição reconhecida em todo o mundo, digo-lhe: — Meu nome é Adelaide. Eu tenho 23 anos de idade. Depois de uma dupla licenciatura em história e ciência política na Sorbonne, concluí um Mestrado I e um Mestrado II em ciência política com especialização em comunicação política e institucional, ainda no mesmo estabelecimento. Ela sorri e parece feliz ao ver que provenho desta universidade parisiense. Continuo evocando longamente minha paixão pela arte e, em particular, pelo balé. Mostro à minha interlocutora que conheço bem o funcionamento da Ópera de Paris e que acompanho diariamente suas notícias. Por sua vez, Camille me mostra um vídeo do AROP, no YouTube, em que artistas falam sobre a importância da arte em suas vidas e a abertura da Ópera de Paris. Já tinha visto este vídeo. Ela me pergunta o que eu acho. Em seguida, desenvolvo um argumento sobre a acessibilidade da Ópera de Paris e as questões que dela surgem (heterogeneidade social, comunicação, desmistificação em torno do elitismo da instituição). Ela balança a cabeça. — Ela deve pensar que estou habilitada — pensei com meus botões. Saliento também que devorei a obra de Jean-Philippe Thiellay, L’Opéra, s’il vous plait: plaidoyer pour l’art lyrique . — Você está bem por dentro das questões do AROP — ela reconhece. Minhas respostas e sua aquiescência me levam a acreditar que sou competente para o cargo. Em seguida, porém, vêm os fatídicos cinco minutos: — Acho surpreendente que você esteja se candidatando aqui, no meio cultural, com seu currículo — ela me disse. Volto a falar: — Sim, escrevi na imprensa de opinião, mas agora quero me abrir ao mundo do entretenimento. Ela me interrompe: — Sim, mas na imprensa de extrema direita. (Além de Valeurs actuelles , também escrevi para o site do Boulevard Voltaire e a revista L’Incorrect ). Vendo, sem dúvida, meu sorriso tenso, ela continua: — Eles mesmos assumem ser de extrema-direita. No entanto, não querendo que “meu passado” interferisse na entrevista, expliquei a Camille que, tendo estudado por cinco anos na Sorbonne, e forjado laços preciosos com estudantes de esquerda, não tenho dificuldade em trabalhar com pessoas que defendem ideias opostas às minhas. Garanto-lhe que busco ser imparcial no meu trabalho. Meus anos estudando na Sorbonne me ensinaram a manter um perfil discreto. Mas não adianta nada. Camille me diz que minhas convicções – que ela desconhece, por sinal – nada têm a ver com as defendidas por Alexander Neef, diretor da Ópera Nacional de Paris. Cheguei na hora errada. Em 2019-20, a instituição ganhou as manchetes com seu relatório sobre diversidade, de coautoria com Pap Ndiaye, o novo Ministro da Educação Nacional. Mais uma vez, digo a Camille que sou profissional em meu trabalho e que a Ópera de Paris nunca ouvirá falar de minhas ideias políticas, mas ela se recusa a ouvir. Neste momento, percebo que de fato são realmente as minhas supostas opiniões, que Camille acredita ter adivinhado a partir do meu currículo, que selarão definitivamente o meu destino. Ela continua e me diz que a equipe, “composta por algumas pessoas provindas da imigração”, teria dificuldade em trabalhar com alguém como “eu”. Seus colegas, a quem ela admite ter mostrado meu currículo, duvidaram da minha capacidade de promover a linha diversitária da Ópera de Paris, e também de crescer no trabalho em um ambiente de esquerda. Volto a responder que sei silenciar minhas inclinações políticas no contexto profissional; que sou bastante capaz de me relacionar e trabalhar em equipe, independentemente das convicções de cada um de seus membros. Defendo-me, mais uma vez, evocando meus estudos na Sorbonne, que me permitiram aprender a conviver com colegas de ideias diferentes. Mas, para a funcionária-chefe que me entrevista, nada prova que eu poderia defender a linha da Ópera de Paris deixando minhas opiniões de lado. Camille confidencia que me fez vir a esta entrevista para que eu pudesse me explicar: — Você realmente achou que, com um currículo assim, poderia ser contratada no mundo da cultura? — ela me diz, sarcasticamente, ao mesmo tempo em que parece me conceder uma certa forma de coragem (pois eu poderia ter ocultado minhas experiências na imprensa de opinião). Tudo está claro: ela não tem mesmo a intenção de considerar seriamente minha candidatura. — Mas vamos parar por aqui, para não desperdiçarmos o seu tempo e o meu — ela finalmente soltou, visivelmente cansada de seu próprio sadismo. Surpresa com o rumo que a entrevista está tomando, calmamente eu digo: — Espere aí, senhora. Antes de sair, eu gostaria de voltar a um ponto. Tudo isso é bastante paradoxal. A senhora defende com razão a diversidade e a inclusão, mas fecha suas portas para uma jovem habilitada ao cargo, apenas porque ela não tem as mesmas convicções políticas que as de sua equipe e a sua. Camille me responde com um sorriso: — Racismo não é opinião, mas crime. Surpresa com sua insinuação e sectarismo, digo-lhe que é realmente hora de parar com a conversa. — Concordo totalmente —, ela responde. Ela me acompanha até a porta. — Passar bem, senhora — disse-lhe eu com um último suspiro. Saindo da Garnier, fico realmente mais triste pela falta de abertura de espírito da minha interlocutora, do que por não ter sido selecionada para o cargo. Lamento não ter dito a Camille que ela está a anos-luz do que alguns espectadores esperam. Nas redes sociais, grupos de discussão testemunham a decepção e insatisfação de alguns fiéis da Ópera de Paris, que apontam o dedo para o politicamente correto – às vezes em detrimento da meritocracia –, defendido por esta prestigiosa instituição, fundada por Luís XIV. Lembro, por fim, que num certo ponto de nossa conversa Camille já me havia alertado: — O mundo da cultura é de esquerda. Não perca seu tempo se candidatando. https://www.valeursactuelles.com/societe/comment-jai-ete-recalee-dun-entretien-dembauche-a-lopera-de-paris-pour-avoir-travaille-a-valeurs-actuelles
- Há 92 anos Nossa Senhora Aparecida era proclamada padroeira do Brasil
Há 92 anos, em 31 de maio de 1931, Nossa Senhora Aparecida foi proclamada padroeira do Brasil, em uma cerimônia que reuniu uma multidão no Rio de Janeiro (RJ), então capital federal. A consagração solene ocorreu após o papa Pio XI ter assinado decreto no ano anterior conferindo este título à Mãe Aparecida. A historiadora Tereza Pasin, autora do livro “Senhora Aparecida”, contou em entrevista à ACI Digital que aquela data foi importante não só para Aparecida, mas para o Rio de Janeiro e todo o país. “Foi a primeira saída de Nossa Senhora, uma viagem oficial e a imagem levada ao Rio de Janeiro para a proclamação foi a encontrada no rio Paraíba do Sul, não um fac-símile”. A proposta de pedir à Santa Sé a proclamação de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil surgiu no contexto do Congresso Mariano de 1929, em Aparecida (SP). “O congresso de 1929 lembrou os 25 anos da coroação de Nossa Senhora Aparecida como rainha do Brasil, o que aconteceu em 8 de setembro de 1904. Então, como ela já era Rainha, os bispos e arcebispos pediram ao papa que a proclamasse padroeira do Brasil”. Assim, o pedido foi feito ao papa por empenho do então arcebispo do Rio de Janeiro, dom Sebastião Leme, e do reitor do Santuário na época, padre Antão Jorge Hechenblaickner. Em 16 de julho de 1930, o papa Pio XI assinou o decreto que proclamou Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil. Segundo a historiadora, especialista na história da devoção a Nossa Senhora Aparecida, o que motivou este pedido foi a crescente quantidade de romeiros que ia a Aparecida. “Principalmente em 1900, a Igreja pediu que as romarias viessem acompanhadas do pároco e ou de um bispo, porque antes, temos muitas romarias, mas não romarias oficiais. Com isso foi crescendo a devoção a Nossa Senhora, por isso decidiram pedir que fosse proclamada padroeira do Brasil”. Antes, porém, o Brasil já tinha um padroeiro. Em 1826 o Papa Leão XII havia declarado padroeiro do país São Pedro de Alcântara, santo de devoção da Família Real Portuguesa. Seu nome, Pedro de Alcântara, foi inclusive escolhido como nome de batismo daqueles que viriam a se tornar imperadores do Brasil – Dom Pedro I e Dom Pedro II. De acordo com a historiadora Tereza Pasin, a proclamação de Nossa Senhora como padroeira do país não mudou em nada a situação em relação a São Pedro de Alcântara. “Oficialmente, nós temos dois padroeiros, ou seja, o padroeiro e a padroeira”, afirmou. “Mas, mesmo naquela época, muitos não conheciam São Pedro de Alcântara”, disse. Portanto, afirmou que o pedido que os bispos fizeram ao papa foi “por uma ligação de devoção, porque foi muito grande a quantidade de devotos que começaram a surgir e os brasileiros já viam Nossa Senhora como padroeira”. Pasin declarou que Nossa Senhora não tem uma ligação específica com determinado período histórico. “Nossa Senhora passou pela colônia, pelo Império, pela República Velha e República Nova. Mas, por que aconteceu tudo isso? Porque em torno de Nossa Senhora Aparecida há uma fé popular. Aí está toda resposta, uma fé popular”, afirmou. Leia também Conheça mais sobre as aparições de Nossa Senhora Aparecida A grande festa de proclamação no Rio de Janeiro Após o papa assinar o decreto em 1930, teve início a preparação para a cerimônia de proclamação de Nossa Senhora como padroeira do Brasil, no Rio de Janeiro. Realizou-se, então, um congresso mariano de 24 a 31 de maio de 1931. “Foi muito bem preparado e foi um tempo de oração esperando a vinda da imagem”, contou Pasin. Entretanto, a celebração teve início ainda em Aparecida e seguiu por todo o percurso. “No trem que levou a imagem ao Rio de Janeiro, que ficou conhecido como trem de Nossa Senhora, um vagão foi transformado em capela para a imagem”, contou a historiadora. Além disso, o trem foi parando em todas as estações no caminho, onde aconteciam homenagens a Nossa Senhora. Pasin contou que as flores para Nossa Senhora “eram doadas e ficavam ali na capela até a estação seguinte, onde recebiam nova doação de flores. Então, muitas pessoas tinham uma pétala de lembrança de Nossa Senhora”. A historiadora narrou episódios marcantes de algumas estações, como em Quatis, onde “os vigários e paroquianos andaram seis quilômetros a pé para chegar à estação”. Outro fato que considerou marcante ocorreu onde hoje é a estação de Japeri, pois, “quando as pessoas chegaram, o trem já tinha passado e, então, aquelas pessoas passaram o dia inteiro na estação esperando o trem voltar à noite”. O trem de Nossa Senhora chegou à estação D. Pedro II, atual Central do Brasil, no Rio de Janeiro, às 7h. A imagem foi levada em carro aberto para a igreja de São Francisco de Paula, onde foi celebrada uma missa campal. Em seguida, seguiu para a catedral, na época, a igreja de Nossa Senhora do Carmo e, às 14h, saiu em procissão até a Praça da Esplanada do Castelo, onde aconteceu a proclamação solene de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Durante a procissão, muitas homenagens foram feitas a Nossa Senhora Aparecida. Tereza Pasin contou que “seis aviões da marinha acompanharam o percurso”. Além disso, “participaram 50 mil filhas de Maria e, no total, quase 1 milhão de pessoas”. “Nos prédios havia muita gente. Em quase todo o percurso, pétalas eram jogadas das residências”, disse. Na Esplanada do Castelo, participaram da proclamação o cardeal Leme, o então presidente da república, Getúlio Vargas, o ministro Oswaldo Aranha, o núncio apostólico dom Aloísio Masella, e o arcebispo de São Paulo, dom Duarte Leopoldo e Silva. Tereza Pasin citou uma frase dita pelo cardeal Sebastião Leme naquela ocasião e que foi registrada pelo Jornal do Commercio: “O Rio de Janeiro foi na aclamação de ontem a voz de toda a terra brasileira”. Na proclamação, o arcebispo do Rio de Janeiro “fez a leitura de uma oração para Nossa Senhora que ele já havia escrito em 1929 de modo particular”. Desde então, contou a historiadora, “passamos a rezar aqui em Aparecida diariamente às 15h com o título de consagração a Nossa Senhora Aparecida e, ao término das Missas, os padres também rezam”. Segundo Pasin, todo o que ocorreu naquele dia 31 de maio de 1931 também contribuiu para aumentar ainda mais a devoção a Nossa Senhora Aparecida no Brasil. “Na época, tinha o jornal O Santuário de Aparecida, que abrangia todo o Brasil. Ele narrou toda a festa, a ida da imagem ao Rio de Janeiro, as paragens, a chegada a então capital federal, tudo o que tinha sido preparado. Então, as pessoas que não participaram ficaram sabendo e, com isso, a devoção foi aumentando”. Hoje, segundo a historiadora, celebrar os 90 anos da proclamação de Nossa Senhora como padroeira do Brasil é também uma forma de reafirmar esta devoção. “Nós precisamos dessa fé. Vamos comemorar, vamos falar, vamos lembrar a história, aquilo que acalentou o povo da época. Hoje, nós gostamos de dizer Rainha e Padroeira do Brasil”. Programação festiva Para marcar a data, o Santuário Nacional de Aparecida preparou uma programação festiva que teve início no domingo, 30 de maio, com missa presidida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta, no Altar Central da Basílica. Hoje, uma imagem fac-símile de Nossa Senhora Aparecida refaz o trajeto rumo ao Rio de Janeiro, desta vez seguindo em comitiva de carro. Na capital fluminense a programação festiva tem início às 15h, com acolhida da imagem na Central do Brasil. Em seguida, haverá um Te Deum, às 16h, na Igreja Nossa Senhora do Carmo, antiga Catedral da Sé. Às 17h, haverá a inauguração da exposição de fotos dos 90 anos da proclamação, na Igreja São Francisco de Paula, onde será celebrada Missa em ação de graças às 18h. A programação conta ainda com apresentação da Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro e da cantora Elba Ramalho, na Igreja São Francisco de Paula, às 19h30. Leia também Conheça mais sobre a história da Imagem de Nossa Senhora Aparecida Oração de consagração a Nossa Senhora Aparecida Senhora Aparecida, o Brasil é vosso! Rainha do Brasil, abençoai a nossa gente Nossa Senhora da Conceição, tende compaixão do vosso povo Protegei as criancinhas! Guiai a mocidade! Guardai a família! Esclarecei o nosso governo! Salvação para a nossa pátria! Senhora Aparecida, o Brasil vos ama, o Brasil em vós confia! Senhora Aparecida, o Brasil vos aclama! Salve Rainha! Fonte: ACI Digital #NossaSenhoraAparecida
- Há 92 anos Nossa Senhora Aparecida era proclamada padroeira do Brasil
Há 92 anos, em 31 de maio de 1931, Nossa Senhora Aparecida foi proclamada padroeira do Brasil, em uma cerimônia que reuniu uma multidão no Rio de Janeiro (RJ), então capital federal. A consagração solene ocorreu após o papa Pio XI ter assinado decreto no ano anterior conferindo este título à Mãe Aparecida. A historiadora Tereza Pasin, autora do livro “Senhora Aparecida”, contou em entrevista à ACI Digital que aquela data foi importante não só para Aparecida, mas para o Rio de Janeiro e todo o país. “Foi a primeira saída de Nossa Senhora, uma viagem oficial e a imagem levada ao Rio de Janeiro para a proclamação foi a encontrada no rio Paraíba do Sul, não um fac-símile”. A proposta de pedir à Santa Sé a proclamação de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil surgiu no contexto do Congresso Mariano de 1929, em Aparecida (SP). “O congresso de 1929 lembrou os 25 anos da coroação de Nossa Senhora Aparecida como rainha do Brasil, o que aconteceu em 8 de setembro de 1904. Então, como ela já era Rainha, os bispos e arcebispos pediram ao papa que a proclamasse padroeira do Brasil”. Assim, o pedido foi feito ao papa por empenho do então arcebispo do Rio de Janeiro, dom Sebastião Leme, e do reitor do Santuário na época, padre Antão Jorge Hechenblaickner. Em 16 de julho de 1930, o papa Pio XI assinou o decreto que proclamou Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil. Segundo a historiadora, especialista na história da devoção a Nossa Senhora Aparecida, o que motivou este pedido foi a crescente quantidade de romeiros que ia a Aparecida. “Principalmente em 1900, a Igreja pediu que as romarias viessem acompanhadas do pároco e ou de um bispo, porque antes, temos muitas romarias, mas não romarias oficiais. Com isso foi crescendo a devoção a Nossa Senhora, por isso decidiram pedir que fosse proclamada padroeira do Brasil”. Antes, porém, o Brasil já tinha um padroeiro. Em 1826 o Papa Leão XII havia declarado padroeiro do país São Pedro de Alcântara, santo de devoção da Família Real Portuguesa. Seu nome, Pedro de Alcântara, foi inclusive escolhido como nome de batismo daqueles que viriam a se tornar imperadores do Brasil – Dom Pedro I e Dom Pedro II. De acordo com a historiadora Tereza Pasin, a proclamação de Nossa Senhora como padroeira do país não mudou em nada a situação em relação a São Pedro de Alcântara. “Oficialmente, nós temos dois padroeiros, ou seja, o padroeiro e a padroeira”, afirmou. “Mas, mesmo naquela época, muitos não conheciam São Pedro de Alcântara”, disse. Portanto, afirmou que o pedido que os bispos fizeram ao papa foi “por uma ligação de devoção, porque foi muito grande a quantidade de devotos que começaram a surgir e os brasileiros já viam Nossa Senhora como padroeira”. Pasin declarou que Nossa Senhora não tem uma ligação específica com determinado período histórico. “Nossa Senhora passou pela colônia, pelo Império, pela República Velha e República Nova. Mas, por que aconteceu tudo isso? Porque em torno de Nossa Senhora Aparecida há uma fé popular. Aí está toda resposta, uma fé popular”, afirmou. Leia também Conheça mais sobre as aparições de Nossa Senhora Aparecida A grande festa de proclamação no Rio de Janeiro Após o papa assinar o decreto em 1930, teve início a preparação para a cerimônia de proclamação de Nossa Senhora como padroeira do Brasil, no Rio de Janeiro. Realizou-se, então, um congresso mariano de 24 a 31 de maio de 1931. “Foi muito bem preparado e foi um tempo de oração esperando a vinda da imagem”, contou Pasin. Entretanto, a celebração teve início ainda em Aparecida e seguiu por todo o percurso. “No trem que levou a imagem ao Rio de Janeiro, que ficou conhecido como trem de Nossa Senhora, um vagão foi transformado em capela para a imagem”, contou a historiadora. Além disso, o trem foi parando em todas as estações no caminho, onde aconteciam homenagens a Nossa Senhora. Pasin contou que as flores para Nossa Senhora “eram doadas e ficavam ali na capela até a estação seguinte, onde recebiam nova doação de flores. Então, muitas pessoas tinham uma pétala de lembrança de Nossa Senhora”. A historiadora narrou episódios marcantes de algumas estações, como em Quatis, onde “os vigários e paroquianos andaram seis quilômetros a pé para chegar à estação”. Outro fato que considerou marcante ocorreu onde hoje é a estação de Japeri, pois, “quando as pessoas chegaram, o trem já tinha passado e, então, aquelas pessoas passaram o dia inteiro na estação esperando o trem voltar à noite”. O trem de Nossa Senhora chegou à estação D. Pedro II, atual Central do Brasil, no Rio de Janeiro, às 7h. A imagem foi levada em carro aberto para a igreja de São Francisco de Paula, onde foi celebrada uma missa campal. Em seguida, seguiu para a catedral, na época, a igreja de Nossa Senhora do Carmo e, às 14h, saiu em procissão até a Praça da Esplanada do Castelo, onde aconteceu a proclamação solene de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Durante a procissão, muitas homenagens foram feitas a Nossa Senhora Aparecida. Tereza Pasin contou que “seis aviões da marinha acompanharam o percurso”. Além disso, “participaram 50 mil filhas de Maria e, no total, quase 1 milhão de pessoas”. “Nos prédios havia muita gente. Em quase todo o percurso, pétalas eram jogadas das residências”, disse. Na Esplanada do Castelo, participaram da proclamação o cardeal Leme, o então presidente da república, Getúlio Vargas, o ministro Oswaldo Aranha, o núncio apostólico dom Aloísio Masella, e o arcebispo de São Paulo, dom Duarte Leopoldo e Silva. Tereza Pasin citou uma frase dita pelo cardeal Sebastião Leme naquela ocasião e que foi registrada pelo Jornal do Commercio: “O Rio de Janeiro foi na aclamação de ontem a voz de toda a terra brasileira”. Na proclamação, o arcebispo do Rio de Janeiro “fez a leitura de uma oração para Nossa Senhora que ele já havia escrito em 1929 de modo particular”. Desde então, contou a historiadora, “passamos a rezar aqui em Aparecida diariamente às 15h com o título de consagração a Nossa Senhora Aparecida e, ao término das Missas, os padres também rezam”. Segundo Pasin, todo o que ocorreu naquele dia 31 de maio de 1931 também contribuiu para aumentar ainda mais a devoção a Nossa Senhora Aparecida no Brasil. “Na época, tinha o jornal O Santuário de Aparecida, que abrangia todo o Brasil. Ele narrou toda a festa, a ida da imagem ao Rio de Janeiro, as paragens, a chegada a então capital federal, tudo o que tinha sido preparado. Então, as pessoas que não participaram ficaram sabendo e, com isso, a devoção foi aumentando”. Hoje, segundo a historiadora, celebrar os 90 anos da proclamação de Nossa Senhora como padroeira do Brasil é também uma forma de reafirmar esta devoção. “Nós precisamos dessa fé. Vamos comemorar, vamos falar, vamos lembrar a história, aquilo que acalentou o povo da época. Hoje, nós gostamos de dizer Rainha e Padroeira do Brasil”. Programação festiva Para marcar a data, o Santuário Nacional de Aparecida preparou uma programação festiva que teve início no domingo, 30 de maio, com missa presidida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta, no Altar Central da Basílica. Hoje, uma imagem fac-símile de Nossa Senhora Aparecida refaz o trajeto rumo ao Rio de Janeiro, desta vez seguindo em comitiva de carro. Na capital fluminense a programação festiva tem início às 15h, com acolhida da imagem na Central do Brasil. Em seguida, haverá um Te Deum, às 16h, na Igreja Nossa Senhora do Carmo, antiga Catedral da Sé. Às 17h, haverá a inauguração da exposição de fotos dos 90 anos da proclamação, na Igreja São Francisco de Paula, onde será celebrada Missa em ação de graças às 18h. A programação conta ainda com apresentação da Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro e da cantora Elba Ramalho, na Igreja São Francisco de Paula, às 19h30. Leia também Conheça mais sobre a história da Imagem de Nossa Senhora Aparecida Oração de consagração a Nossa Senhora Aparecida Senhora Aparecida, o Brasil é vosso! Rainha do Brasil, abençoai a nossa gente Nossa Senhora da Conceição, tende compaixão do vosso povo Protegei as criancinhas! Guiai a mocidade! Guardai a família! Esclarecei o nosso governo! Salvação para a nossa pátria! Senhora Aparecida, o Brasil vos ama, o Brasil em vós confia! Senhora Aparecida, o Brasil vos aclama! Salve Rainha! Fonte: ACI Digital #NossaSenhoraAparecida
- Como rezar com o Papa o Terço mundial pela paz na Ucrânia
O Terço acontece nesta terça-feira, 31 de maio, e será possível acompanhar ao vivo pela internet Por Aleteia – O Papa Francisco convocou para esta terça-feira, 31 de maio, festa da Visitação da Virgem Maria a Isabel, uma oração internacional do Terço pela paz na Ucrânia. Francisco participará da oração diretamente da Basílica de Santa Maria Maior, aos pés da imagem de Maria Rainha da Paz. Será às 18h (horário de Roma, 13h em Brasília e 17h em Lisboa). “Convido os fiéis, famílias e comunidades a unirem-se a esta invocação para obter de Deus, por intercessão da Rainha da Paz, o dom que o mundo espera”, disse o Papa Francisco, referindo-se a este tempo mundial de oração. Como se juntar ao Papa no Terço Mundial pela Paz A oração pela paz encerra o mês de maio – tradicionalmente dedicado à Virgem Maria – e será transmitida ao vivo pelos canais oficiais da Santa Sé, com comentários em língua portuguesa. Vários santuários ao redor do mundo promoverão a oração do Terço ao mesmo tempo que o Papa Francisco e estarão conectados com a transmissão ao vivo, direto de Roma. Os santuários participantes são os seguintes: Santuário da Mãe de Deus (Zarvanytsia) na Ucrânia; Catedral de Sayidat al-Najat (Nossa Senhora da Salvação) no Iraque; Catedral de Nossa Senhora da Paz na Síria; Catedral de Maria Rainha da Arábia no Bahrein; Santuário de Nossa Senhora da Paz e Boa Viagem; Santuário Internacional de Jesus Salvador e Mãe Maria; Santuário de Jasna Góra; Santuário Internacional dos Mártires Coreanos; Santa Casa de Loreto; Santíssima Virgem do Santo Rosário; Santuário Internacional Nossa Senhora de Knock; Santíssima Virgem do Rosário; Nossa Senhora Rainha da Paz; Nossa Senhora de Guadalupe; Nossa Senhora de Lourdes. Famílias ucranianas participarão Durante a oração mundial, o Papa Francisco estará cercado por famílias da comunidade ucraniana em Roma, além de jovens que fizeram recentemente sua primeira comunhão e crisma, escoteiros e membros do Corpo de Gendarmaria do Vaticano e da Guarda Suíça. Também participarão membros de três paróquias de Roma com o nome da Virgem Maria Rainha da Paz. Clique aqui reze junto com o Papa! #Ucrânia
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O Terço acontece nesta terça-feira, 31 de maio, e será possível acompanhar ao vivo pela internet Por Aleteia – O Papa Francisco convocou para esta terça-feira, 31 de maio, festa da Visitação da Virgem Maria a Isabel, uma oração internacional do Terço pela paz na Ucrânia. Francisco participará da oração diretamente da Basílica de Santa Maria Maior, aos pés da imagem de Maria Rainha da Paz. Será às 18h (horário de Roma, 13h em Brasília e 17h em Lisboa). “Convido os fiéis, famílias e comunidades a unirem-se a esta invocação para obter de Deus, por intercessão da Rainha da Paz, o dom que o mundo espera”, disse o Papa Francisco, referindo-se a este tempo mundial de oração. Como se juntar ao Papa no Terço Mundial pela Paz A oração pela paz encerra o mês de maio – tradicionalmente dedicado à Virgem Maria – e será transmitida ao vivo pelos canais oficiais da Santa Sé, com comentários em língua portuguesa. Vários santuários ao redor do mundo promoverão a oração do Terço ao mesmo tempo que o Papa Francisco e estarão conectados com a transmissão ao vivo, direto de Roma. Os santuários participantes são os seguintes: Santuário da Mãe de Deus (Zarvanytsia) na Ucrânia; Catedral de Sayidat al-Najat (Nossa Senhora da Salvação) no Iraque; Catedral de Nossa Senhora da Paz na Síria; Catedral de Maria Rainha da Arábia no Bahrein; Santuário de Nossa Senhora da Paz e Boa Viagem; Santuário Internacional de Jesus Salvador e Mãe Maria; Santuário de Jasna Góra; Santuário Internacional dos Mártires Coreanos; Santa Casa de Loreto; Santíssima Virgem do Santo Rosário; Santuário Internacional Nossa Senhora de Knock; Santíssima Virgem do Rosário; Nossa Senhora Rainha da Paz; Nossa Senhora de Guadalupe; Nossa Senhora de Lourdes. Famílias ucranianas participarão Durante a oração mundial, o Papa Francisco estará cercado por famílias da comunidade ucraniana em Roma, além de jovens que fizeram recentemente sua primeira comunhão e crisma, escoteiros e membros do Corpo de Gendarmaria do Vaticano e da Guarda Suíça. Também participarão membros de três paróquias de Roma com o nome da Virgem Maria Rainha da Paz. Clique aqui reze junto com o Papa! #Ucrânia
- DIFICULDADES DE UM PROFESSOR UNIVERSITÁRIO CONSERVADOR NA BÉLGICA – Cornelis J. Schilt
[Cornelis J. Schilt é especialista em história da ciência moderna e do conhecimento. Ele estudou Física, Astrofísica e História e Filosofia da Ciência. Tem doutorado pela Universidade de Oxford. É pesquisador de pós-doutorado na Universidade Livre de Bruxelas e vive com sua família na zona rural flamenga]. Quando John Henry Newman (1801-1890) escreveu sua Apologia pro vita sua (1864), vivia uma vida agitada, religiosa e intelectualmente. De membro proeminente do Movimento de Oxford dentro da Igreja Anglicana, ele se converteu ao catolicismo romano aos quarenta e poucos anos, e logo se tornou um dos apologistas mais notáveis da Igreja. Mal sabia ele que o melhor ainda estava por vir. A conversão de Newman não foi um despertar instantâneo: veio gradualmente, acompanhada de momentos prolongados de dúvida e de dor. Diante da morte de um velho amigo querido, na época de sua conversão, ele escreveu: “Ele estava em boa fé… Eu esperava que sua última doença trouxesse luz à minha mente, sobre o que eu deveria fazer. Não a trouxe. Escrevi uma nota, que dizia assim: ‘Chorei amargamente sobre seu caixão, ao pensar que ele me deixou na obscuridade quanto ao caminho da verdade, e o que eu deveria fazer para agradar a Deus e cumprir seu desígnio.'” Como jovem acadêmico e ministro anglicano, Newman foi um ardente porta-voz da fé anglicana como via média entre o protestantismo e o catolicismo, particularmente através de uma série de folhetos publicados em 1834. No entanto, a partir do final da década de 1830, seu pensamento e sua escrita sofreram uma mudança profunda, e ele começou a considerar seriamente o catolicismo como uma opção viável. Nada disso, porém, ocorreu facilmente. Mesmo antes de se converter formalmente, colegas e amigos romperam com ele; depois, até a maioria de sua família o abandonou. No entanto, a principal preocupação de Newman não era com sua própria dor e sofrimento: “Minha grande angústia é a perplexidade, inquietação e ceticismo que estou causando a tantas pessoas… Senti, por vários dias, uma verdadeira dor em meu coração; e, de vez em quando, todas as queixas do salmista pareciam ser minhas.” Newman tornou-se uma grande fonte de inspiração quando, há meia década, eu me converti ao catolicismo, levado por um profundo desejo de espiritualidade e unidade dentro da Igreja universal. Ele nunca virou as costas para a igreja que deixou e permaneceu em contato próximo com muitos amigos anglicanos (às vezes, com relacionamentos restaurados depois de décadas). Pessoalmente, permaneço grato pela educação calvinista que recebi, pois me ensinou a amar e estudar profundamente as Escrituras, terreno em que seria desejável uma via média entre o protestantismo e o catolicismo. No início deste ano, Newman adquiriu um significado ainda maior, quando experimentei uma segunda conversão: uma conversão política. No meu coração, sempre fui um conservador. Em particular quando se trata de questões de fé e família, de vida e morte, de estética, de literatura e de pedagogia, sou e permaneço profundamente tradicional. No entanto, pouco disso vem à tona quando se olha para o meu perfil público. Como acadêmico, historiador da produção de conhecimento no início do período moderno, atualmente pesquiso e ensino em uma universidade “livre”. Antes disso, eu estava em Oxford, naquela que é, possivelmente, sua faculdade mais “plural” e “liberal”. Até muito recentemente, minha esfera do Twitter consistia principalmente de acadêmicos liberais, mas as discussões em que eu estava envolvido giravam em torno de assuntos muito distantes do domínio político. Achei que era possível viver nas sombras, abster-me de participar ativamente de debates sobre questões sociopolíticas, morais e éticas. Parecia que, de certa forma, eu ia me defendendo das balas relacionadas ao Black Lives Matter, ao movimento Rhodes Must Fall, e questões como aborto e ideologia de gênero. Mas, a cada expressão sorridente, eu ia morrendo um pouco. Havia duas razões muito convincentes para não falar. A primeira era um medo mórbido de ser descoberto e prejudicado. A segunda era uma dúvida mórbida sobre a validade e o valor de minhas próprias ideias e posições sobre essas questões. Ambos eram profundamente pessoais e profundamente institucionais. Eu cresci em um ambiente onde se destacar era considerado uma coisa ruim. Qualquer pessoa com apenas um grama a mais de inteligência acima da média era considerada um incômodo, ou pior ainda, uma ameaça. Em vez de aprender a orgulhar-se de minhas capacidades e habilidades, e trabalhar duro para tirar o máximo de mim mesmo, fui treinado a ficar quieto e a evitar “ostentação” ou “exibição”. Além disso, nunca aprendi a apreciar adequadamente os valores da tradição em que cresci. O cristianismo dos países baixos está morrendo lentamente porque a Igreja não percebeu que as gerações mais jovens não aceitam mais receber cegamente seus costumes e suas tradições. Em vez de definir e legitimar essas tradições valiosas, as igrejas as jogam ao mar para apaziguar os nunca satisfeitos (ou continuam a navegar perto de Cila e Caríbdis de olhos vendados, com resultados previsíveis). A igreja em que cresci era do último tipo, com pouco espaço para um jovem crente intelectualmente curioso. Coloque-se nessa mistura um parente próximo, cujo extremismo de direita zombava de tudo que eu considerava valioso, e o produto do medo e da dúvida não é nada surpreendente. No plano institucional, essas razões pessoais foram exacerbadas por um clima hostil em relação a tudo que considero sagrado. Não há nada de liberal em uma faculdade ou universidade “liberal”, quando se trata de opiniões não consideradas “liberais”. Abomino o aborto, mas o simples trazer o assunto à tona já parece uma monstruosidade. Com os direitos LGBTQ+ espalhados por todos os lugares, uma discussão sobre a definição de casamento como uma união entre um homem e uma mulher, biologicamente definida, está fora de cogitação. Sugerir que o conflito israel-palestino possui mais de um ângulo, é semelhante a escrever uma carta de demissão. O pior, em tudo isso, é a experiência de autocoerção passivo-agressiva para evitar trazer à tona tudo o que possa perturbar a paz cuidadosamente cultivada. Abaixo a cabeça de vergonha por ceder; às vezes, até mesmo temendo expressar algo que poderia ser considerado apoio a esse novo totalitarismo, e tudo para salvar minha pele e não ser descoberto. Ao longo desses anos, duvidava se deveria realmente permanecer na academia. A oportunidade de fazer pesquisas relativamente independentes, e ensinar aos alunos sobre os fundamentos da ciência moderna, me impeliu ao doutorado em história da ciência e começar a carreira acadêmica. No entanto, o conflito entre os valores sócio-políticos do instituto e os meus não desapareceu magicamente. Na verdade, está ficando pior. Quando li, pela primeira vez, sobre as reuniões do Equity Canoe, no Evergreen State College, mal pude acreditar no que via. Quando vi as imagens, foi ainda pior do que eu poderia imaginar. Pensava que fosse uma aberração, uma faculdade enlouquecida, uma exceção. Eu estava enganado. O clima acadêmico atual está rapidamente seguindo a rota do Evergreen State College. Palavras como “diversidade”, “equidade” e “inclusão” tornaram-se a novilíngua do totalitarismo. No início deste ano, um acadêmico que respeito sugeriu que era melhor eu não colaborar com outro acadêmico por causa de suas ideias “polarizantes”; isso poderia prejudicar minha reputação e impedir minha estabilidade profissional. Foi um momento de grande alívio, porque de repente eu sabia exatamente o que devia fazer: colaborar. Isso abriu um mundo no qual eu nunca pensei que entraria, devido aos medos e dúvidas descritos acima. Esse acadêmico era Yoram Hazony; nos encontramos pessoalmente na semana seguinte, e o resto é história. Nunca mais vou viver de mentiras. Continuo com medo, mas não duvido mais da validade e relevância de minhas crenças ortodoxas e conservadoras. Eu preferiria ser condenado ao ostracismo pela verdade, do que me esconder com vergonha e viver uma mentira. Recuso-me a abraçar um “liberalismo” totalitário e iliberal, baseado em versões distorcidas da verdade, justiça e história. Como intelectual e como historiador que se especializou exatamente no período em que essas distorções começaram a se manifestar mais ostensivamente, acredito que tenho o dever de gritar que o rei está nu. Não mais “medo e dúvidas”, mas um justo frygt og bæven (temor e tremor). Como Newman, tenho medo da perplexidade, inquietação e ceticismo que poderei causar a tantas pessoas e o sofrimento que experimentarei. Mas nunca mais vou viver de mentiras. Se há algo que a história confirma, é a validade e a justiça do conservadorismo. No entanto, se há algo que o conservadorismo precisa, é de um maior enraizamento na história. Enquanto estamos falando, a história está sendo reescrita por acadêmicos liberais cuja agenda não é corrigir erros do passado, mas violar os direitos do passado. É uma agenda mais uma vez elaborada sobre a trindade profana da diversidade, equidade e inclusão, o mesmo tipo de pseudo-historiografia adotada por regimes totalitários para controlar a narrativa. Como Orwell escreveu em 1984 , “Você percebe que o passado, a partir de ontem, foi realmente abolido?… Todos os registros foram destruídos ou falsificados, todos os livros foram reescritos, todos os quadros foram repintados, todas as estátuas, ruas e prédios foram renomeados, todas as datas foram alteradas. E esse processo continua dia a dia e minuto a minuto. A história parou.” Se alguma coisa devemos fazer, é preservar para a posteridade o mundo como ele era e lutar por sua redescoberta pelas gerações futuras. Apologia Pro Vita Sua
- Como Educar os Filhos para o Céu?
Você tem filhos e gostaria que eles fossem para o Céu? Certamente o desejo de todos os pais é de que seus filhos sejam bons e encontrem o caminho para o Céu. Se você tem filhos, netos, sobrinhos, afilhados, etc. e deseja ajudá-los a encontrar o caminho para o Céu, esta formação é para você. Assista agora mesmo a formação e compartilhe com os pais que você conhece: Já pensou em oferecer aos seus filhos e crianças da sua família um curso de catequese realmente católico, livre de heresias e distorções das Sagradas Escrituras, como tornou-se muito comum em função da Teologia da Libertação? Apresentamos um curso totalmente online de formação catequética, doutrinária, e de vida espiritual para crianças. Neste curso a criança terá acesso à Sã Doutrina da Igreja Católica, com foco especial na espiritualidade. Além de encerrar com chave de ouro com o estudo e preparação para a Consagração a Nossa Senhora pelo Método de são Luís Maria Grignion de Montfort. Essa primeira turma terá o direito de acompanhar as aulas ao vivo, com a possibilidade de interagir com o formador e tirar dúvidas ao vivo. Clique aqui para saber mais sobre o curso e inscrever-se. #EducaçãodosFilhos #Filhos #FormaçõesCatólicas #Catequese #Catequista #PadreRodrigoMaria
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