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- A MORTE É A PASSAGEM DA PEREGRINAÇÃO TERRENA PARA A PÁTRIA DO CÉU – Homilia de Bento XVI na So
Celebramos hoje a Solenidade de Todos os Santos, que nos faz saborear a alegria de participar na grande família dos amigos de Deus ou, como escreve São Paulo, de «tomar parte na herança dos santos na luz» ( Cl 1, 12). A Liturgia repropõe a expressão repleta de maravilha do apóstolo João: «Vede que amor tão grande o Pai nos concedeu, a ponto de nos podermos chamar filhos de Deus; e, realmente, o somos» (1 Jo 3, 1). Sim, tornarmo-nos santos significa realizar plenamente aquilo que já somos enquanto elevados, em Cristo Jesus, à dignidade de filhos adoptivos de Deus (cf. Ef 1, 5; Rm 8, 14-17). Com a encarnação do Filho, a sua morte e ressurreição, Deus quis reconciliar consigo a humanidade e abri-la à partilha da sua própria vida. Quem crê em Cristo Filho de Deus renasce «do alto», é como que regenerado por obra do Espírito Santo (cf. Jo 3, 1-8). Este mistério actualiza-se no sacramento do Baptismo, mediante o qual a mãe Igreja dá à luz os «santos». A vida nova, recebida no Baptismo, não está sujeita à corrupção e ao poder da morte. Para quem vive em Cristo a morte é a passagem da peregrinação terrena para a pátria do Céu, onde o Pai acolhe todos os seus filhos, «de toda nação, raça, povo e língua», como lemos hoje no Livro do Apocalipse (7, 9).Por isso é muito significativo e apropriado que depois da festa de Todos os Santos a Liturgia nos faça celebrar amanhã a Comemoração de todos os fiéis defuntos. A «comunhão dos santos», que professamos no Credo, é uma realidade que se constrói aqui, mas que se manifestará plenamente quando nós contemplarmos Deus «assim como ele é» (1 Jo 3, 2). É a realidade de uma família ligada por profundos laços de solidariedade espiritual, que une os fiéis defuntos a quantos peregrinam no mundo. Um vínculo misterioso mas real, alimentado pela oração e pela participação no sacramento da Eucaristia. No Corpo místico de Cristo as almas dos fiéis encontram-se a superar a barreira da morte, intercedem umas pelas outras, realizam na caridade um íntimo intercâmbio de dons. Em tal dimensão de fé compreende-se também a prática de oferecer orações de sufrágio pelos defuntos, de modo especial o Sacrifício eucarístico, memorial da Páscoa de Cristo, que abriu aos crentes a passagem para a vida eterna. […] Queridos amigos, a tradicional pausa diante dos túmulos dos nossos defuntos seja uma ocasião para pensar sem temor no mistério da morte e cultivar aquela constante vigilância que nos prepara para a enfrentar com serenidade. A Virgem Maria, Rainha dos Santos, a quem agora com confiança filial nos dirigimos, nos ajude nisto. Bento XVI, Angelus, 1 de Novembro de 2005
- Homilia do Papa Bento XVI na Solenidade de Todos os Santos
HOMILIA DO PAPA BENTO XVI DURANTE A CELEBRAÇÃO DA SANTA MISSA NA SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS 1º de Novembro de 2006 Amados irmãos e irmãs A nossa celebração eucarística inaugurou-se hoje com a exortação “Alegremo-nos todos no Senhor”. A liturgia convida-nos a compartilhar o júbilo celeste dos santos, a saborear a sua alegria. Os santos não são uma exígua casta de eleitos, mas uma multidão inumerável, para a qual a liturgia de hoje nos exorta a levantar o olhar. Em tal multidão não estão somente os santos oficialmente reconhecidos, mas os batizados de todas as épocas e nações, que procuraram cumprir com amor e fidelidade a vontade divina. De uma grande parte deles não conhecemos os rostos e nem sequer os nomes, mas com os olhos da fé vemo-los resplandecer, como astros repletos de glória, no firmamento de Deus. No dia de hoje, a Igreja festeja a sua dignidade de “mãe dos santos, imagem da cidade divina” (A. Manzoni), e manifesta a sua beleza de esposa imaculada de Cristo, nascente e modelo de toda a santidade. Sem dúvida, não lhe faltam filhos obstinados e até rebeldes, mas é nos santos que ela reconhece os seus traços característicos, e precisamente neles saboreia a sua glória mais profunda. Na primeira Leitura, o autor do livro do Apocalipse descreve-os como “uma multidão enorme, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7, 9). Este povo compreende os santos do Antigo Testamento, a partir do justo Abel e do fiel Patriarca Abraão, os do Novo Testamento, os numerosos mártires do início do cristianismo e também os beatos e os santos dos séculos seguintes, até às testemunhas de Cristo desta nossa época. Todos eles são irmanados pela vontade de encarnar o Evangelho na sua existência, sob o impulso do eterno animador do Povo de Deus, que é o Espírito Santo. Mas “para que servem o nosso louvor aos santos, o nosso tributo de glória, esta nossa solenidade?”. Com esta interrogação tem início uma famosa homilia de São Bernardo para o dia de Todos os Santos. É uma pergunta que se poderia fazer também hoje. E actual é inclusive a resposta que o Salmo nos oferece: “Os nossos santos diz não têm necessidade das nossas honras, e nada lhes advém do nosso culto. Por minha vez, devo confessar que, quando penso nos santos, sinto-me arder de grandes desejos” (Disc. 2; Opera Omnia Cisterc. 5, 364ss.). Eis, portanto, o significado da solenidade hodierna: contemplando o exemplo luminoso dos santos, despertar em nós o grande desejo de ser como os santos: felizes por viver próximos de Deus, na sua luz, na grande família dos amigos de Deus. Ser santo significa: viver na intimidade com Deus, viver na sua família. Esta é a vocação de todos nós, reiterada com vigor pelo Concílio Vaticano II, e hoje proposta de novo solenemente à nossa atenção. Mas como é que podemos tornar-nos santos, amigos de Deus? A esta interrogação pode-se responder antes de tudo de forma negativa: para ser santo não é necessário realizar acções nem obras extraordinárias, nem possuir carismas excepcionais. Depois, vem a resposta positiva: é preciso sobretudo ouvir Jesus e depois segui-lo sem desanimar diante das dificuldades. “Se alguém me serve Ele admoesta-nos que me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. Se alguém me servir, o Pai há-de honrá-lo” (Jo 12, 26). Quem nele confia e o ama com sinceridade, como o grão de trigo sepultado na terra, aceita morrer para si mesmo. Com efeito, Ele sabe que quem procura conservar a sua vida para si mesmo, perdê-la-á, e quem se entrega, se perde a si mesmo, precisamente assim encontra a própria vida (cf. Jo 12, 24-25). A experiência da Igreja demonstra que cada forma de santidade, embora siga diferentes percursos, passa sempre pelo caminho da cruz, pelo caminho da renúncia a si mesmo. As biografias dos santos descrevem homens e mulheres que, dóceis aos desígnios divinos, enfrentaram por vezes provações e sofrimentos indescritíveis, perseguições e o martírio. Perseveraram no seu compromisso, “vêm da grande tribulação lê-se no Apocalipse lavaram as suas túnicas e branquearam-nas no sangue do Cordeiro” (Ap 7, 14). Os seus nomes estão inscritos no livro da Vida (cf. Ap 20, 12); a sua morada eterna é o Paraíso. O exemplo dos santos constitui para nós um encorajamento a seguir os mesmos passos, a experimentar a alegria daqueles que confiam em Deus, porque a única verdadeira causa de tristeza e de infelicidade para o homem é o facto de viver longe de Deus. A santidade exige um esforço constante, mas é possível para todos porque, mais do que uma obra do homem, é sobretudo um dom de Deus, três vezes Santo (cf. Is 6, 3). Na segunda Leitura, o Apóstolo João observa: “Vede que amor tão grande o Pai nos concedeu, a ponto de nos podermos chamar filhos de Deus; e, realmente, o somos!” (1 Jo 3, 1). Portanto, é Deus que nos amou primeiro e, em Jesus, nos tornou seus filhos adoptivos. Na nossa vida tudo é dom do seu amor: como permanecer indiferente diante de um mistério tão grande? Como deixar de responder ao amor do Pai celestial, com uma vida de filhos reconhecidos? Em Cristo, entregou-se inteiramente a nós e chama-nos a um profundo relacionamento pessoal com Ele. Portanto, quanto mais imitarmos Jesus e permanecermos unidos a Ele, tanto mais entraremos no mistério da santidade divina. Descobrimos que somos amados por Ele de modo infinito, e isto impele-nos, por nossa vez, a amar os irmãos. O amar implica sempre um acto de renúncia a si mesmo, o “perder-se a si próprio”, e é precisamente assim que nos torna felizes. Assim chegamos ao Evangelho desta festa, ao anúncio das Bem-Aventuranças, que há pouco ouvimos ressoar nesta Basílica. Jesus diz: Bem-aventurados os pobres de espírito, bem-aventurados os aflitos, os mansos, quem tem fome e sede de justiça, os misericordiosos, bem-aventurados os puros de coração, os pacificadores, os que sofrem perseguição por causa da justiça (cf. Mt 5, 3-10). Na realidade, o Bem-Aventurado por excelência é somente Ele, Jesus. Com efeito, Ele é o verdadeiro pobre de espírito, o aflito, o manso, aquele que tem fome e sede de justiça, o misericordioso, o puro de coração, o pacificador; Ele sofre perseguição por causa da justiça. As Bem-Aventuranças revelam-nos a fisionomia espiritual de Jesus e assim exprimem o seu mistério, o mistério da Morte e da Ressurreição, da Paixão e da alegria da Ressurreição. Este mistério, que é mistério da verdadeira bem-aventurança, convida-nos ao seguimento de Jesus e, deste modo, ao caminho que conduz a ela. Na medida em que aceitamos a sua proposta e nos colocamos no seu seguimento cada qual nas suas próprias circunstâncias também nós podemos participar das Bem-Aventuranças. Juntamente com Ele, o impossível torna-se possível e até um camelo pode passar pelo fundo de uma agulha (cf. Mc 10, 25); com a sua ajuda, somente com a sua ajuda podemos tornar-nos perfeitos como é perfeito o Pai celeste (cf. Mt 5, 48). Estimados irmãos e irmãs, agora entramos no coração da Celebração eucarística, estímulo e alimento de santidade. Daqui a pouco tornar-se-á presente de modo mais excelso Cristo, verdadeira Videira à qual, como ramos, estão unidos os fiéis que vivem na terra e os santos do céu. Por conseguinte, mais íntima será a comunhão da Igreja que peregrina no mundo, com a Igreja triunfante na glória. No Prefácio proclamaremos que os santos são nossos amigos e modelos de vida. Invoquemo-los para que nos ajudem a imitá-los e comprometamo-nos a responder com generosidade, segundo o seu exemplo, à vocação divina. Invoquemos especialmente Maria, Mãe do Senhor e espelho de toda a santidade. Ela, a Toda Santa, nos faça ser fiéis discípulos do seu Filho Jesus Cristo! Amém. https://homilias.com.br/liturgia-diaria-07-11-21-32o-domingo-tempo-comum/?customize_changeset_uuid=216451c5-d12e-49e5-8ec7-729c1e830bd9&customize_autosaved=on SUGESTÃO DE LEITURA: #homilia #homiliadominical #homilia #despedidadopapabentoxvi #papabentoxvi #missade071121 #BENTOXVI #benção #homiliadiária #santos #santamissa #bentoxvii #despedidadopapabento #omeliaoggi #solenidadedetodosossantos #xvi #missadetodosossantos #homiliadodomingo #diadetodosossantos #santamisa #todosossantos #legadodebentoxvi #habemuspapam #santosdaIgreja #todos #benedettoxvi #santamissa #evangelhodamissadehoje #benedictxvi #bentoxvi #homilias #HOMILIADEHOJE #todosossantos #santos #papaemérito #verdadeiropapa #papa #Bento #santo #homiliatodosossantos
- Os 5 Primeiros sábados
Os 5 Primeiros sábados Cfr. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, Porto, 1973). Como praticar a devoção dos cinco primeiros sábados? Para realizar perfeitamente esta devoção reparadora devemos fazer, durante os cinco primeiros sábados de cinco meses seguidos, na intenção geral de reparar nossos próprios pecados e os de toda a humanidade contra o Coração Imaculado de Maria, quatro atos de piedade: 1 – A Confissão: pode ser feita no primeiro sábado ou antes, ainda que oito dias ou mais antes, se for impossível ou muito difícil se confessar no dia. No entanto, lembramos que é necessário estar em estado de graça no primeiro sábado do mês, a fim de fazer comunhão reparadora. Na Confissão, é muito importante a intenção de reparar o Coração Imaculado de Maria. Esta intenção reparadora não precisa ser dita ao confessor, mas apenas colocada mentalmente diante de Deus antes da Confissão. Nosso Senhor disse a Irmã Lúcia que se esquecermos da intenção reparadora, podemos colocar esta na Confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tivermos para nos confessar. 2 – O Terço: a tradicional oração mariana do Terço também faz parte da devoção dos cinco primeiros sábados, que deve ser rezado na intenção da reparação do Imaculado Coração de Maria. 3 – Os 15 minutos de meditação sobre os mistérios do Rosário: Nossa Senhora pediu que fizéssemos companhia a ela durante pelo menos 15 minutos, meditando sobre os 15 mistérios do Rosário, em espírito de reparação ao seu Imaculado Coração. Não precisamos meditar todo primeiro sábado sobre todos os 15 mistérios. Podemos meditar apenas um, dois, três ou mais mistérios, conforme a nossa escolha pessoal. Também é possível meditar os mistérios do Rosário conforme o Tempo Litúrgico. Por exemplo: no Tempo do Advento, podemos meditar os Mistérios Gozosos; no Tempo da Quaresma, os Mistérios Dolorosos; no Tempo Pascal, os Mistérios Gloriosos; ou ainda podemos meditar aqueles Mistérios que mais dizem respeito à Liturgia do dia. 4 – A comunhão: é o ato essencial desta devoção reparadora. Para compreender bem a sua importância, recordemos a devoção da comunhão das nove primeiras sextas-feiras, em reparação das ofensas contra o Sagrado Coração de Jesus, e a comunhão milagrosa dada aos três Pastorinhos de Fátima, pelo Anjo da Guarda de Portugal, no outono de 1916, de caráter eminentemente reparador, que evidencia-se na oração, repetida seis vezes, três vezes antes e três vezes depois da comunhão: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido; e pelos méritos infinitos de seu Sacratíssimo Coração e do Imaculado Coração de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores”. Nessas quatro práticas da devoção dos cinco primeiros sábados, a intenção reparadora é muito importante, especialmente na comunhão, porque as ofensas contra o Imaculado Coração de Maria também ofendem gravemente o Sacratíssimo Coração de Jesus. ⚘ A devoção dos Cinco Primeiros Sábados Na terceira aparição, em Fátima, a 13/7/1917, a SSma. Virgem anunciou que viria pedir a comunhão reparadora nos primeiros sábados”. Mais tarde, a 10/12/1925, quando a Irmã Lúcia já estava na Casa das Dorotéias, em Pontevedra, na Espanha, Nossa Senhora apareceu-lhe de novo. A Seu lado via-se o Menino Jesus, em cima de uma nuvem luminosa: “Olha, minha filha – disse-lhe a Virgem Maria – o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado: – se confessarem, – receberem a Sagrada Comunhão, – rezarem um terço e – Me fizerem quinze minutos de companhia meditando nos mistérios do Rosário com o fim de Me desagravar. ⚘ PROMESSA: Eu prometo assisti-los na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas.” ⚘ A Confissão No dia 15 de fevereiro de 1926, apareceu-lhe de novo o Menino Jesus. Perguntou-lhe se já tinha espalhado a devoção à sua Santíssima Mãe. A Irmã Lúcia apresentou a dificuldade que algumas almas tinham de se confessar ao sábado, e pediu para ser válida a confissão de oito dias. “Sim, pode ser de muitos mais ainda, contanto que, quando Me receberem, estejam em graça, e que tenham a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria” ⚘ Por que cinco sábados Esta pergunta, levantada por muitos, também a fez a Irmã Lúcia a Nosso Senhor, que assim lhe respondeu: “Minha filha, o motivo é simples: são cinco as espécies de ofensas e blasfêmias proferidas contra o Imaculado Coração de Maria. 1ª. As blasfêmias contra a Imaculada Conceição; 2ª. Contra a sua virgindade; 3ª. Contra a maternidade divina, recusando, ao mesmo tempo, recebê-La como Mãe dos homens; 4ª. Os que procuram publicamente infundir, nos corações das crianças, a indiferença, o desprezo, e até o ódio para com esta Imaculada Mãe; 5ª. Os que A ultrajam diretamente nas Suas sagradas imagens”. #ladainhaaoimaculadocoraçãodemaria #primeirossábadosdomês
- Como devemos nos preparar para a morte?
Nós, que nos preocupamos com a salvação da nossa alma, compartilhamos todos de um mesmo medo: o de que a morte nos encontre despreparados. Como estarmos atentos, então, para que isso não aconteça? De que modo podemos nos preparar para a nossa inevitável partida deste mundo? Tradicionalmente, a Igreja Católica sempre alertou os seus fiéis para se prepararem para o momento da morte. O Catecismo da Igreja Católica em seu número 1014 diz claramente que: “A Igreja nos encoraja à preparação da hora de nossa morte (Livrai-nos, Senhor, de uma morte súbita e imprevista: antiga ladainha de todos os santos), a pedir à Mãe de Deus que interceda por nós “na hora de nossa morte” (oração da Ave-Maria) e a entregar-nos a S. José, padroeiro da boa morte: Em todas as tuas ações, em todos os teus pensamentos deverias comportar-te como se tivesse de morrer hoje. Se tua consciência estivesse tranquila, não terias muito medo da morte. Seria melhor evitar o pecado que fugir da morte. Se não estás preparado hoje, como o estarás amanhã? Louvado sejais, meu Senhor, por nossa irmã, a morte corporal, da qual homem algum pode escapar. Ai dos que morrerem em pecado mortal, felizes aqueles que ela encontrar conforme a vossa santíssima vontade, pois a segunda morte não lhes fará mal.” Ora, ser colhido por uma morte inesperada é, talvez, a pior desgraça que pode acontecer a um cristão. Então, como deve ser a preparação para uma boa morte? Ela passa necessariamente por uma boa vida. E o contrário também pode ser assim explicado: para se viver bem é preciso preparar-se bem para a morte. É o que os santos, como São Roberto Belarmino e Santo Afonso Maria de Ligório ensinaram ao longo dos séculos. Esses santos especificamente, escreveram grandes obras que até os dias atuais auxiliam os cristãos. No livro “O homem e a eternidade”, o Padre Garrigou-Lagrange descreve a morte e recorda que o homem não deve ser colhido por ela, mas deve esperá-la e estar preparado. Embora haja uma aversão natural ao pensamento sobre a morte, o pecador, por causa disso, vive a fugir do simples pensamento sobre ela, porém o homem temente a Deus, virtuosamente, deveria pensar a respeito da morte várias vezes ao longo do dia. Os existencialistas, de forma ateia, pagã, exortam o homem a ir autenticamente para a morte. Ora, essa é a postura da Igreja desde há muitos séculos: o homem deve caminhar em direção à morte com seus próprios pés. Isso não quer dizer que ele deva causar a sua morte, é óbvio, mas é preciso ter consciência da iminência da morte. Apesar disso, a Igreja é bastante razoável em relação à morte, ela compreende que é preciso um respeitoso temor diante da morte, primeiro por causa dos pecados cometidos cotidianamente e dos quais é necessário pedir perdão a Deus, segundo porque, mesmo salvos, talvez seja forçoso pagar alguma pena no Purgatório, o qual, embora seja um lugar de grande esperança, não deixa de ser também de grande sofrimento e de punição. Diante desse temor reverente diante da morte, o que deve animar a cada fiel é uma fé viva. Esperar a vida eterna, uma vida desfrutada ao lado da Santíssima Trindade, com a Virgem Maria e com os Santos. A fé viva é a primeira virtude que deve brotar no coração de cada indivíduo, além disso, é importante também uma caridade incendida, que cresce no dia a dia, à medida em que se aproxima mais de Deus. Fé e Caridade são duas virtudes que precisam ser cultivadas e que acabam por tornar mais firme a terceira virtude, a Esperança que, diante da morte, se mostra fundamental. O Pe. Garrigou-Lagrange usa uma expressão interessante para descrever a virtude da Esperança. Ele diz que se trata de uma “certeza tendencial”, ou seja, de uma tendência que impele a pessoa a jogar-se nos braços de Deus. A Igreja dá indulgência plenária para as pessoas que, no momento da morte, renovam os atos de Fé, Esperança e Caridade e também para aquelas que, no derradeiro momento, trazem aos lábios os nomes de Jesus e de Maria. A preparação para a morte é algo muito sério, conforme visto, por isso, é uma falta de fé e um erro grave, esconder dos doentes a gravidade de sua doença e a proximidade da morte. Constitui um ato de verdadeira caridade avisar as pessoas que a morte está próxima para que elas possam se preparar. Por isso, é injustificável não falar para os pacientes internados nas UTIs, desenganados, qual é realmente o seu estado de saúde, impedindo-os de se prepararem para a apresentação diante do juízo de Deus, pedindo o perdão de seus pecados. Leia e compartilhe Estaremos preparados quando a morte vier? Nesse sentido, o Pe. Garrigou-Lagrange dá um conselho bastante prático: combinar com um parente, um amigo para ser avisado da gravidade da doença e da iminência da morte. Trata-se de um verdadeiro ato de caridade. Uma outra sugestão preciosa do Pe. Garrigou é a do exercício de viver a Santa Missa, na aproximação da morte, as mesmas realidades nela vividas, ou seja, adoração, reparação, súplica e ação de graças. Diante da morte: adoração, colocar-se diante de Deus, autor da vida, inclinar-se completamente em direção à vontade Dele e adorá-Lo. Em seguida, a reparação, pois é possível que, na morte, a pessoa viva alguma dor, agonia, angústia e assim, oferecer esses sentimentos como reparação das próprias culpas e dos pecados. Depois, a súplica, pedindo a Deus perdão dos próprios pecados, clamando pela misericórdia e compaixão. Finalmente, a ação de graças, por todas as maravilhas e dons recebidos de Nosso Senhor ao longo da vida. Assim, morte e Eucaristia são duas realidades que estão próximas uma da outra, pois a morte de Cristo é celebrada na Eucaristia. No momento da consagração na Santa Missa, tem-se novamente a morte sacramental de Jesus Cristo, pois o seu sangue está separado de sua carne, de forma incruenta. Finalmente, o Padre Garrigou-Lagrange sugere a repetição frequente de uma oração de São Pio X, que diz: “Senhor, seja qual for o gênero de morte que Vos apraz reservar-me, aceito-a desde já, com todo coração e boa vontade, aceito-a de vossas mãos, com todas as suas angústias, penas e dores.” De maneira teológica, é sabido que a morte não foi desejada por Deus inicialmente, mas, por causa do pecado dos primeiros pais, ela entrou no mundo. Por ter entrado no mundo pela desobediência do homem – e não por um projeto de Deus -, ela revestiu-se de um caráter medicinal, ou seja, é um remédio penal, uma punição que, para o homem, serve de remédio. A morte ensina ao homem o quanto é passageira esta vida, a como não deve apegar-se a si mesmo nem aos bens materiais. E mais, ensina o homem a colocar os seus tesouros no céu. “Onde está o seu coração? Aí está o seu tesouro” (conf. Lc 12, 34) A devoção a São José é muitíssimo recomendada, pois é chamado o “Padroeiro da Boa Morte”, uma vez que morreu assistido pela Virgem Santíssima e por Jesus, a situação ideal almejada por todos. São José, rogai por nós. Leia também Indulgência: a grande misericórdia de Deus desconhecida por quase todos os cristãos Como devemos preparar-nos para a morte Sumário. A experiência prova que morrem felizmente os que, no último momento, estão já mortos para o mundo, isto é, desligados dos bens de que nos deve separar a morte. É, pois, preciso que desde já aceitemos a privação dos bens, a separação dos parentes e de todas as coisas da terra, lembrando-nos que, se não o fizermos voluntariamente agora, necessariamente teremos de o fazer na morte, mas com risco da salvação eterna. Quem ainda não escolheu um estado de vida, tome aquele que houvera querido escolher na hora da morte. I. Diz Santo Ambrósio que morrem felizmente os que, no tempo da sua morte, estão já mortos para o mundo, isto é, desligados daqueles bens de que forçosamente os deve separar a morte. Mister, pois, se torna que desde já aceitemos a privação dos bens, a separação dos parentes e de todas as coisas da terra. Se não fizermos isto voluntariamente durante a vida, seremos forçados a fazê-lo na morte, mas então com extrema dor e com risco da salvação eterna. A este propósito observa Santo Agostinho que, para morrer em paz, é vantajosíssimo pormos em ordem durante a vida os negócios temporais, fazendo desde já a disposição dos bens que é preciso deixar, a fim de não termos de nos ocupar então senão da nossa união com Deus. — Naquela hora convém que só se fale em Deus e no paraíso. Os últimos momentos da vida são demasiadamente preciosos para serem desperdiçados em pensamentos terrestres. É na morte que se acaba a coroa dos escolhidos, porque é então que se recolhe a maior soma de merecimentos, aceitando os sofrimentos e a morte com resignação e amor. Semelhantes sentimentos, porém, não os poderá ter na morte quem não os tiver excitado durante a vida. Com este fim, pessoas devotas têm por hábito renovarem todos os meses a protestação da boa morte com os atos cristãos de fé, esperança e caridade, com a confissão e comunhão, como se já estivessem no leito de morte, próximas a saírem deste mundo. Oh, como esta prática nos ajudará a caminharmos bem, a nos desprendermos do mundo e morrermos de boa morte! Beatus ille servus, quem, cum venerit dominus eius, inveniet sic facientem (1) — “Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, encontre a fazer isto.” Quem espera a toda a hora a morte, ainda que esta venha subitamente, não pode deixar de morrer bem. Ao contrário, o que se não faz na vida, é dificílimo fazê-lo na morte. — A grande serva de Deus, irmã Catarina de Santo Alberto, da ordem de Santa Teresa, estando para morrer, gemia e dizia: Minhas irmãs, não é o medo da morte que me faz gemer, porque há vinte e cinco anos que a estou esperando, gemo por ver tantas pessoas iludidas, que vivem no pecado, e esperam, para se reconciliarem com Deus à hora da morte, em que eu com dificuldade posso pronunciar o nome de Jesus. II. Examina-te, meu irmão, e vê se tens o coração apegado a alguma coisa terrestre: a alguma pessoa, a algum posto, a alguma casa, a alguma riqueza, a alguma sociedade, a alguns divertimentos, e lembra-te que não és eterno. Tudo terás de deixar um dia, e talvez em breve. Porque queres então ficar agarrado a esses objetos com risco de morreres cheio de inquietações? Oferece desde já tudo a Deus, estando disposto a privar-te de tudo, quando Lhe agradar. Se não tens ainda escolhido o estado de vida, toma o que na hora da morte quiseras ter escolhido e que te deixará morrer mais contente. Se já o escolheste, faze agora o que então quiseras ter feito no teu estado. Faze como se cada dia fosse o último de tua vida e cada ação a última que praticas: a última oração, a última confissão, a última comunhão. Imagina, numa palavra, a cada hora que já estás no leito da morte, ouvindo a intimação: proficiscere de hoc mundo — “parte deste mundo” , e por isso repete muitas vezes a protestação para a boa morte, dizendo: Ó meu Deus, só poucas horas me restam; nelas vos quero amar quanto possa na vida presente, para mais Vos amar na outra. Pouco tenho que Vos oferecer; ofereço-Vos os meus padecimentos e o sacrifício da minha vida, em união com o sacrifício que Jesus Cristo Vos ofereceu por mim na cruz. Senhor, as penas que sofro são poucas e leves em comparação com as que mereci; tais como são, aceito-as em testemunho do amor que Vos tenho. Resigno-me a todos os castigos que me queirais infligir nesta vida e na outra, contanto que Vos possa amar na eternidade. Castiga-me tanto quanto Vos aprouver, mas não me priveis do vosso amor. Sei que não merecia mais amar-Vos, por ter tantas vezes desprezado o vosso amor; mas Vós não podeis repelir uma alma arrependida. Pesa-me, ó meu supremo Bem, de Vos haver ofendido. Amo-vos de todo o coração e em Vós ponho toda a minha confiança. A vossa morte, ó Redentor meu, é a minha esperança. Deposito a minha alma em vossas mãos chagadas. — Maria, minha querida Mãe, socorrei-me nesse grande momento. Desde já vos entrego o meu espírito: dizei a vosso Filho que se apiede de mim. A vós me recomendo, livrai-me do inferno. Leia também O que são os Novíssimos que os católicos precisam meditar diariamente? O céu, a morte, o purgatório… #FormaçõesCatólicas #Morte
- Como devemos nos preparar para a morte?
Nós, que nos preocupamos com a salvação da nossa alma, compartilhamos todos de um mesmo medo: o de que a morte nos encontre despreparados. Como estarmos atentos, então, para que isso não aconteça? De que modo podemos nos preparar para a nossa inevitável partida deste mundo? Tradicionalmente, a Igreja Católica sempre alertou os seus fiéis para se prepararem para o momento da morte. O Catecismo da Igreja Católica em seu número 1014 diz claramente que: “A Igreja nos encoraja à preparação da hora de nossa morte (Livrai-nos, Senhor, de uma morte súbita e imprevista: antiga ladainha de todos os santos), a pedir à Mãe de Deus que interceda por nós “na hora de nossa morte” (oração da Ave-Maria) e a entregar-nos a S. José, padroeiro da boa morte: Em todas as tuas ações, em todos os teus pensamentos deverias comportar-te como se tivesse de morrer hoje. Se tua consciência estivesse tranquila, não terias muito medo da morte. Seria melhor evitar o pecado que fugir da morte. Se não estás preparado hoje, como o estarás amanhã? Louvado sejais, meu Senhor, por nossa irmã, a morte corporal, da qual homem algum pode escapar. Ai dos que morrerem em pecado mortal, felizes aqueles que ela encontrar conforme a vossa santíssima vontade, pois a segunda morte não lhes fará mal.” Ora, ser colhido por uma morte inesperada é, talvez, a pior desgraça que pode acontecer a um cristão. Então, como deve ser a preparação para uma boa morte? Ela passa necessariamente por uma boa vida. E o contrário também pode ser assim explicado: para se viver bem é preciso preparar-se bem para a morte. É o que os santos, como São Roberto Belarmino e Santo Afonso Maria de Ligório ensinaram ao longo dos séculos. Esses santos especificamente, escreveram grandes obras que até os dias atuais auxiliam os cristãos. No livro “O homem e a eternidade”, o Padre Garrigou-Lagrange descreve a morte e recorda que o homem não deve ser colhido por ela, mas deve esperá-la e estar preparado. Embora haja uma aversão natural ao pensamento sobre a morte, o pecador, por causa disso, vive a fugir do simples pensamento sobre ela, porém o homem temente a Deus, virtuosamente, deveria pensar a respeito da morte várias vezes ao longo do dia. Os existencialistas, de forma ateia, pagã, exortam o homem a ir autenticamente para a morte. Ora, essa é a postura da Igreja desde há muitos séculos: o homem deve caminhar em direção à morte com seus próprios pés. Isso não quer dizer que ele deva causar a sua morte, é óbvio, mas é preciso ter consciência da iminência da morte. Apesar disso, a Igreja é bastante razoável em relação à morte, ela compreende que é preciso um respeitoso temor diante da morte, primeiro por causa dos pecados cometidos cotidianamente e dos quais é necessário pedir perdão a Deus, segundo porque, mesmo salvos, talvez seja forçoso pagar alguma pena no Purgatório, o qual, embora seja um lugar de grande esperança, não deixa de ser também de grande sofrimento e de punição. Diante desse temor reverente diante da morte, o que deve animar a cada fiel é uma fé viva. Esperar a vida eterna, uma vida desfrutada ao lado da Santíssima Trindade, com a Virgem Maria e com os Santos. A fé viva é a primeira virtude que deve brotar no coração de cada indivíduo, além disso, é importante também uma caridade incendida, que cresce no dia a dia, à medida em que se aproxima mais de Deus. Fé e Caridade são duas virtudes que precisam ser cultivadas e que acabam por tornar mais firme a terceira virtude, a Esperança que, diante da morte, se mostra fundamental. O Pe. Garrigou-Lagrange usa uma expressão interessante para descrever a virtude da Esperança. Ele diz que se trata de uma “certeza tendencial”, ou seja, de uma tendência que impele a pessoa a jogar-se nos braços de Deus. A Igreja dá indulgência plenária para as pessoas que, no momento da morte, renovam os atos de Fé, Esperança e Caridade e também para aquelas que, no derradeiro momento, trazem aos lábios os nomes de Jesus e de Maria. A preparação para a morte é algo muito sério, conforme visto, por isso, é uma falta de fé e um erro grave, esconder dos doentes a gravidade de sua doença e a proximidade da morte. Constitui um ato de verdadeira caridade avisar as pessoas que a morte está próxima para que elas possam se preparar. Por isso, é injustificável não falar para os pacientes internados nas UTIs, desenganados, qual é realmente o seu estado de saúde, impedindo-os de se prepararem para a apresentação diante do juízo de Deus, pedindo o perdão de seus pecados. Leia e compartilhe Estaremos preparados quando a morte vier? Nesse sentido, o Pe. Garrigou-Lagrange dá um conselho bastante prático: combinar com um parente, um amigo para ser avisado da gravidade da doença e da iminência da morte. Trata-se de um verdadeiro ato de caridade. Uma outra sugestão preciosa do Pe. Garrigou é a do exercício de viver a Santa Missa, na aproximação da morte, as mesmas realidades nela vividas, ou seja, adoração, reparação, súplica e ação de graças. Diante da morte: adoração, colocar-se diante de Deus, autor da vida, inclinar-se completamente em direção à vontade Dele e adorá-Lo. Em seguida, a reparação, pois é possível que, na morte, a pessoa viva alguma dor, agonia, angústia e assim, oferecer esses sentimentos como reparação das próprias culpas e dos pecados. Depois, a súplica, pedindo a Deus perdão dos próprios pecados, clamando pela misericórdia e compaixão. Finalmente, a ação de graças, por todas as maravilhas e dons recebidos de Nosso Senhor ao longo da vida. Assim, morte e Eucaristia são duas realidades que estão próximas uma da outra, pois a morte de Cristo é celebrada na Eucaristia. No momento da consagração na Santa Missa, tem-se novamente a morte sacramental de Jesus Cristo, pois o seu sangue está separado de sua carne, de forma incruenta. Finalmente, o Padre Garrigou-Lagrange sugere a repetição frequente de uma oração de São Pio X, que diz: “Senhor, seja qual for o gênero de morte que Vos apraz reservar-me, aceito-a desde já, com todo coração e boa vontade, aceito-a de vossas mãos, com todas as suas angústias, penas e dores.” De maneira teológica, é sabido que a morte não foi desejada por Deus inicialmente, mas, por causa do pecado dos primeiros pais, ela entrou no mundo. Por ter entrado no mundo pela desobediência do homem – e não por um projeto de Deus -, ela revestiu-se de um caráter medicinal, ou seja, é um remédio penal, uma punição que, para o homem, serve de remédio. A morte ensina ao homem o quanto é passageira esta vida, a como não deve apegar-se a si mesmo nem aos bens materiais. E mais, ensina o homem a colocar os seus tesouros no céu. “Onde está o seu coração? Aí está o seu tesouro” (conf. Lc 12, 34) A devoção a São José é muitíssimo recomendada, pois é chamado o “Padroeiro da Boa Morte”, uma vez que morreu assistido pela Virgem Santíssima e por Jesus, a situação ideal almejada por todos. São José, rogai por nós. Leia também Indulgência: a grande misericórdia de Deus desconhecida por quase todos os cristãos Como devemos preparar-nos para a morte Sumário. A experiência prova que morrem felizmente os que, no último momento, estão já mortos para o mundo, isto é, desligados dos bens de que nos deve separar a morte. É, pois, preciso que desde já aceitemos a privação dos bens, a separação dos parentes e de todas as coisas da terra, lembrando-nos que, se não o fizermos voluntariamente agora, necessariamente teremos de o fazer na morte, mas com risco da salvação eterna. Quem ainda não escolheu um estado de vida, tome aquele que houvera querido escolher na hora da morte. I. Diz Santo Ambrósio que morrem felizmente os que, no tempo da sua morte, estão já mortos para o mundo, isto é, desligados daqueles bens de que forçosamente os deve separar a morte. Mister, pois, se torna que desde já aceitemos a privação dos bens, a separação dos parentes e de todas as coisas da terra. Se não fizermos isto voluntariamente durante a vida, seremos forçados a fazê-lo na morte, mas então com extrema dor e com risco da salvação eterna. A este propósito observa Santo Agostinho que, para morrer em paz, é vantajosíssimo pormos em ordem durante a vida os negócios temporais, fazendo desde já a disposição dos bens que é preciso deixar, a fim de não termos de nos ocupar então senão da nossa união com Deus. — Naquela hora convém que só se fale em Deus e no paraíso. Os últimos momentos da vida são demasiadamente preciosos para serem desperdiçados em pensamentos terrestres. É na morte que se acaba a coroa dos escolhidos, porque é então que se recolhe a maior soma de merecimentos, aceitando os sofrimentos e a morte com resignação e amor. Semelhantes sentimentos, porém, não os poderá ter na morte quem não os tiver excitado durante a vida. Com este fim, pessoas devotas têm por hábito renovarem todos os meses a protestação da boa morte com os atos cristãos de fé, esperança e caridade, com a confissão e comunhão, como se já estivessem no leito de morte, próximas a saírem deste mundo. Oh, como esta prática nos ajudará a caminharmos bem, a nos desprendermos do mundo e morrermos de boa morte! Beatus ille servus, quem, cum venerit dominus eius, inveniet sic facientem (1) — “Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, encontre a fazer isto.” Quem espera a toda a hora a morte, ainda que esta venha subitamente, não pode deixar de morrer bem. Ao contrário, o que se não faz na vida, é dificílimo fazê-lo na morte. — A grande serva de Deus, irmã Catarina de Santo Alberto, da ordem de Santa Teresa, estando para morrer, gemia e dizia: Minhas irmãs, não é o medo da morte que me faz gemer, porque há vinte e cinco anos que a estou esperando, gemo por ver tantas pessoas iludidas, que vivem no pecado, e esperam, para se reconciliarem com Deus à hora da morte, em que eu com dificuldade posso pronunciar o nome de Jesus. II. Examina-te, meu irmão, e vê se tens o coração apegado a alguma coisa terrestre: a alguma pessoa, a algum posto, a alguma casa, a alguma riqueza, a alguma sociedade, a alguns divertimentos, e lembra-te que não és eterno. Tudo terás de deixar um dia, e talvez em breve. Porque queres então ficar agarrado a esses objetos com risco de morreres cheio de inquietações? Oferece desde já tudo a Deus, estando disposto a privar-te de tudo, quando Lhe agradar. Se não tens ainda escolhido o estado de vida, toma o que na hora da morte quiseras ter escolhido e que te deixará morrer mais contente. Se já o escolheste, faze agora o que então quiseras ter feito no teu estado. Faze como se cada dia fosse o último de tua vida e cada ação a última que praticas: a última oração, a última confissão, a última comunhão. Imagina, numa palavra, a cada hora que já estás no leito da morte, ouvindo a intimação: proficiscere de hoc mundo — “parte deste mundo” , e por isso repete muitas vezes a protestação para a boa morte, dizendo: Ó meu Deus, só poucas horas me restam; nelas vos quero amar quanto possa na vida presente, para mais Vos amar na outra. Pouco tenho que Vos oferecer; ofereço-Vos os meus padecimentos e o sacrifício da minha vida, em união com o sacrifício que Jesus Cristo Vos ofereceu por mim na cruz. Senhor, as penas que sofro são poucas e leves em comparação com as que mereci; tais como são, aceito-as em testemunho do amor que Vos tenho. Resigno-me a todos os castigos que me queirais infligir nesta vida e na outra, contanto que Vos possa amar na eternidade. Castiga-me tanto quanto Vos aprouver, mas não me priveis do vosso amor. Sei que não merecia mais amar-Vos, por ter tantas vezes desprezado o vosso amor; mas Vós não podeis repelir uma alma arrependida. Pesa-me, ó meu supremo Bem, de Vos haver ofendido. Amo-vos de todo o coração e em Vós ponho toda a minha confiança. A vossa morte, ó Redentor meu, é a minha esperança. Deposito a minha alma em vossas mãos chagadas. — Maria, minha querida Mãe, socorrei-me nesse grande momento. Desde já vos entrego o meu espírito: dizei a vosso Filho que se apiede de mim. A vós me recomendo, livrai-me do inferno. Leia também O que são os Novíssimos que os católicos precisam meditar diariamente? O céu, a morte, o purgatório… #FormaçõesCatólicas #Morte
- Estaria preparado se a morte chegasse para você hoje?
Dinheiro, honras, modas, posições brilhantes, triunfos políticos e literários, vaidades, prazeres… De tudo se preocupa o homem, exceto do principal: salvar a sua alma. E a morte aí vem e lá se vão as ilusões! — Qual é o teu nome? — perguntou a um mocinho Luís XI, rei da França. — Eu me chamo Estevão. — Qual o teu emprego? — Ajudante de cozinheiro. — Quanto ganhas? — Tanto quanto Vossa Majestade. — E isso é possível? — Sim, senhor! Porque Vossa Majestade, governando, e eu, no meu humilde trabalho, ganhamos o céu ou o inferno . O Rei, maravilhado pela sabedoria da resposta, que revelou tão bom senso e “fidelidade”, nomeou Estevão camareiro seu. “ Que adianta ao homem ”, diz Nosso Senhor, “ ganhar o mundo inteiro, se vem a perder a sua própria alma?” ( Mt 16, 26). Perdida a alma, tudo perdido! Salva a nossa alma, tudo está salvo! Cuidemos do essencial . O resto é acidental. O essencial é a salvação da alma. O resto… o resto… vaidade, fumaça, ilusão, loucura. A Sagrada Escritura diz que é infinito o número dos insensatos: Stultorum infinitus est numerus . Quem são estes insensatos? Os que pensam em tudo neste mundo, exceto no grande negócio da eterna salvação. Dinheiro, honras, modas, posições brilhantes, triunfos políticos e literários, vaidades, prazeres, de tudo se preocupa o homem, exceto do principal: salvar a sua alma! O único bem deste mundo é salvar-se; o único mal, condenar-se. E a morte aí vem e lá se vão as ilusões! Que levamos para a sepultura? Ai! nada, nada do que no mundo cobiçamos e desejamos loucamente. Só nos acompanham as obras boas ou más . As boas, para a recompensa, as más, para a perdição eterna. S. Filipe Néri chamava louco quem não cuida da sua salvação. O único bem deste mundo é salvar-se, dizia S. Francisco Xavier , o único mal, condenar-se . E Santa Teresa repetia, cheia de aflições, às suas irmãs pedindo-lhes que rezassem pelos pecadores: “Minhas filhas, uma alma, uma eternidade! Uma alma que é perdida, tudo perdido! ” A salvação é, pois, negócio importantíssimo. Único negócio! Negócio de uma perda irreparável. Perdem-se riquezas, bens, parentes, amigos, etc. Nem tudo está perdido! Perde-se a alma! Tudo perdido e para sempre! Leia também Como fazer uma boa confissão? conheça este exame de consciência! E há tanta gente que brinca com a salvação! Tantos gozadores da vida que aí sorriem da eternidade como se se tratasse de uma ilusão de devotas ou de um conto de fadas. Tratemos desde já de preparar a nossa alma para a vida eterna. A morte aí vem. Tens certeza de viver longo tempo ainda? E se a morte te surpreender hoje? Em que estado a tua alma iria se apresentar a Deus? E o juízo? E o inferno? E a eternidade? Vamos! É tempo de arrumar os negócios e sobretudo o grande negócio da salvação! Não se brinca com Deus, com a alma e a eternidade . Salva tua alma! Olhemos as coisas do mundo tais como são na realidade: puro nada, vaidade e loucura! Haja paz em nossa alma. Pensemos um pouco no que é eterno. Dizia Santa Teresa: “Nada te perturbe, nada te assuste, tudo passa, Deus não muda, quando se tem Deus nada falta, só Deus basta ”. Leia também O que são os Novíssimos que os católicos precisam meditar diariamente? O céu, a morte, o purgatório… Estaremos preparados quando a morte vier? Nossa vida não tem sentido em si mesma. Vivemos para preparar um encontro num momento decisivo. O porquê de nossa existência decide-se no último instante, quando nos encontraremos com Nosso Senhor. É algo muito sério e importante. Ora, do que é feito o nosso dia? De tempo. São ao todo 24 horas. Cada hora tem 60 minutos, cada minuto tem 60 segundos… Enquanto estamos aqui, os segundos vão passando. Pode até ser que os segundos de nossa vida sejam quantitativamente idênticos (o segundo que está acontecendo agora é igual ao que aconteceu antes e ao que virá depois), mas qualitativamente não o são. De fato, há segundos decisivos, tempos na vida em que se põe em jogo uma decisão definitiva . É a hora de todas as horas — a hora da morte. E quando será a nossa morte? Em um segundo! A morte não dura quase tempo algum. Acontece numa fração de segundos. Morrer, afinal, é ir do estar ao não estar vivo, sem meio termo. “Ah, fulano está quase morrendo”, mas ainda está vivo; “se você tivesse vindo antes, tê-lo-ia visto com vida”, mas já morreu! No fundo, não há um “quase morrer” nem um “acabar de morrer”, só o estar vivo e o estar morto, e é da fração de segundos que separa um estado do outro que depende nossa eternidade. Mas o que significa “eternidade”? Quer dizer para sempre , é um nunca mais acabar . (Santa Teresa d’Ávila, quando criança, gostava de repetir com o irmãozinho Rodrigo que tanto a salvação quanto a condenação são para sempre: ¡Siempre, siempre, siempre! ) Nosso destino eterno depende de um único instante. Como estaremos na hora da morte? Em que condição traremos a alma no momento do encontro? Se morrermos em graça, estaremos salvos para sempre; se em pecado, condenados também para sempre… Quem nunca passou por ao menos um ensaio de morte, por algum risco ou perigo grave, por algum acidente do qual escapou por um fio? Eu já passei por vários. Quando ainda era seminarista, estava um dia conduzindo pela estrada. Era de noite, e minha velocidade era bastante considerável. À minha frente ia um caminhão sem lanternas a “incríveis” 30 km/h… Assim que o vi, freei rapidamente e, graças a Deus e ao meu anjo da guarda, estou hoje aqui fazendo homilias, embora pudesse ter morrido naquela noite, sem nunca ser ordenado padre. Outra história. Durante o meu primeiro ano de filosofia, vim a Cuiabá comemorar os 25 anos de ordenação (não me lembro se episcopal ou presbiteral) de D. Bonifácio. Na volta, meu ônibus capotou. Também ali poderia ter-se encerrado tudo, e eu não teria concluído sequer os estudos. A pergunta básica e fundamental é: se em um daqueles momentos eu tivesse morrido, estaria preparado? Estaria pronto para me apresentar diante de Deus? Quando entrei naquele ônibus de Cuiabá para Campo Grande, não me passava pela cabeça que aquela pudesse ser minha última viagem. Quando peguei o volante naquela noite, não pensava que aquele pudesse ser meu último carro. Se eu não estivesse em estado de graça, e a morte ali me assaltasse como um ladrão, haveria um padre mais no inferno, condenado para sempre! Leia também Indulgência: a grande misericórdia de Deus desconhecida por quase todos os cristãos Quantas vezes Deus nos permite experimentar que a morte vem frequentemente sem aviso prévio, como um ladrão ! Por isso diz Jesus: Vigiai! Precisamos, sim, estar prontos porque tudo depende daquele último momento, o momento da morte, o momento da prestação de contas. Quem disse que teremos tempo de nos arrepender? Sabemos às vezes estar em pecado, mas nos iludimos pensando: “Não, depois eu me confesso”. Ora, quem disse que teremos tempo de nos confessar, ou mesmo de fazer um ato de contrição? Ouçamos o que Nosso Senhor nos está dizendo hoje: Vigiai! Não sabemos nem o dia nem a hora. Se o dono da casa soubesse quando viria o ladrão, vigiaria para que sua casa não fosse arrombada . Estejamos preparados, irmãos. Cristo é amor, misericórdia e compaixão. Deus Filho se fez homem para nos alertar. Que grande caridade para conosco! Deus não faz “terrorismo espiritual”, mas nos chama a atenção para o que realmente importa: Vigiai! Não nos revoltemos nem fiquemos indignados com o Senhor; pelo contrário, mudemos o quanto antes de vida e nos arrependamos enquanto ainda é possível. Chegará o momento em que cessará todo o tempo, e não teremos nem sequer um momento para nos mudar. Mudemos já, antes de o tempo mudar-se em eternidade. II. Comentário exegético O ladrão inesperado (cf. Lc 12,39s) . — Se o pai de família soubesse a que hora (gr. ποίᾳ φυλακῇ = em que guarda, i.e. em qual das quatro vigílias da noite [1]) havia de vir o ladrão, vigiaria, sem dúvida, e não deixaria minar a sua casa . Alguns vertem do grego: “Se tivesse sabido… teria vigiado… nem teria deixado” [2]; parece mais adequada, no entanto, a versão da Vulgata por causa dos verbos ᾔδει, ἔρχεται, que designam antes um caso hipotético que um fato pretérito. — Minar: alusão às casas orientais que, fabricadas muitas vezes com barro, podiam ser facilmente terebradas com um punhal ou qualquer outro instrumento. A aplicação da imagem à espera pela vinda de Cristo faz-se sem nenhuma dificuldade. Cristo (melhor, o dia do Senhor, i.e. o dia do juízo) virá ocultamente e sem aviso, trazendo para os pecadores a justa retribuição. Cumpre pois vigiar, para que tal dia não nos encontre despreparados (cf. 1Ts 5,2; 2Pd 3,8ss; Ap 16,15). — Muitos Santos Padres e não poucos autores recentes interpretam a parábola em referência à morte de cada homem, sobretudo porque a passagem paralela em Lc. encontra-se num contexto não escatológico. Embora a última vinda de Cristo demore muito tempo, os verdadeiros discípulos de Jesus devem estar sempre preparados, como se ele os fosse assaltar a qualquer instante (cf. e.g. São João Crisóstomo, hom. lxxvii in Matth. 2,3: M 58,705; São Gregório Magno, hom. xiii 6: M 76,1127). O servo fiel e o infiel (cf. Lc 12,41-48) . — O texto é o mesmo no I e III evangelhos (de Lc. são próprios os vv. 41.47s), mas são diversas as circunstâncias de tempo e lugar. Se se trata da mesma instrução, é preferível seguir a ordem de Lc., mais fiel à cronologia e à indicação dos lugares. a ) Imagem. — As famílias ricas contavam com um grande número de servos, os quais recebiam como certa remuneração uma quantidade determinada de alimento (σιτομέτριον = porção racionada de grãos, cf. Lc 12,42). Estavam sob os cuidados de um οἰκονόμος, ou administrador, ele mesmo um servo, o mais grato e próximo ao senhor, a quem competia vigiar os demais e prover às necessidades de cada um. Se, na ausência do dono, o despenseiro cumprisse fielmente o seu dever, era constituído sobre a família, i.e. tornava-se responsável pelos bens de toda a casa, o que era a maior recompensa que podia receber um servo; se, porém, maltratasse os companheiros e se aproveitasse da ausência do senhor para entregar-se ao ócio e a divertimentos, o patrão poderia voltar de repente, cortá-lo em dois (i.e. supliciá-lo, segundo o costume dos déspotas orientais) e pôr a sua parte com (i.e. dar-lhe a mesma sorte que têm) os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes [3]. Estas últimas palavras referem-se mais à doutrina espiritual do que à imagem, como é evidente. — Família (gr. οἰκετεία) = servos domésticos, famulício etc. (cf. Mt 24,49: σύνδουλοι = conservos). b ) Doutrina espiritual. — A parábola fala especialmente dos Apóstolos e demais ministros do Evangelho (cf. Lc 12,41; 1Cor 4,1), mas não exclui outras classes de fiéis (cf. 1Pd 1,10). — Todo o que for constituído sobre a família de Cristo e cumprir fiel e prudentemente [4] o seu dever há de estar sempre alerta, como se a qualquer hora o Senhor fosse voltar para lhe pedir contas. Ao que Ele encontrar procedendo assim o advento do Filho de Homem (quer no juízo particular, quer no universal) constitui-lo-á administrador de tudo quanto possui , i.e. no tempo da parusia lhe retribuirá generosamente, ou o cumulará após a morte de honra e glória na felicidade eterna. Àquele, porém, que tiver procurado somente os próprios interesses nem for achado digno da função recebida dividi-lo-á (gr. διχοτομήσει = cindirá, cortará em partes), i.e. o separará “do consórcio dos santos” (São Jerônimo), ou o punirá severamente, e porá a sua parte (sorte, herança etc.) entre os hipócritas e pérfidos, i.e. entre os infiéis (Lc.), o que equivale a dizer: “dar-lhe-á o mesmo fim que têm os ímpios”, sobre os quais paira a condenação à geena, onde haverá choro etc. Leia e compartilhe: Como devemos nos preparar para a morte? #FormaçõesCatólicas #Morte
- Estaria preparado se a morte chegasse para você hoje?
Dinheiro, honras, modas, posições brilhantes, triunfos políticos e literários, vaidades, prazeres… De tudo se preocupa o homem, exceto do principal: salvar a sua alma. E a morte aí vem e lá se vão as ilusões! — Qual é o teu nome? — perguntou a um mocinho Luís XI, rei da França. — Eu me chamo Estevão. — Qual o teu emprego? — Ajudante de cozinheiro. — Quanto ganhas? — Tanto quanto Vossa Majestade. — E isso é possível? — Sim, senhor! Porque Vossa Majestade, governando, e eu, no meu humilde trabalho, ganhamos o céu ou o inferno . O Rei, maravilhado pela sabedoria da resposta, que revelou tão bom senso e “fidelidade”, nomeou Estevão camareiro seu. “ Que adianta ao homem ”, diz Nosso Senhor, “ ganhar o mundo inteiro, se vem a perder a sua própria alma?” ( Mt 16, 26). Perdida a alma, tudo perdido! Salva a nossa alma, tudo está salvo! Cuidemos do essencial . O resto é acidental. O essencial é a salvação da alma. O resto… o resto… vaidade, fumaça, ilusão, loucura. A Sagrada Escritura diz que é infinito o número dos insensatos: Stultorum infinitus est numerus . Quem são estes insensatos? Os que pensam em tudo neste mundo, exceto no grande negócio da eterna salvação. Dinheiro, honras, modas, posições brilhantes, triunfos políticos e literários, vaidades, prazeres, de tudo se preocupa o homem, exceto do principal: salvar a sua alma! O único bem deste mundo é salvar-se; o único mal, condenar-se. E a morte aí vem e lá se vão as ilusões! Que levamos para a sepultura? Ai! nada, nada do que no mundo cobiçamos e desejamos loucamente. Só nos acompanham as obras boas ou más . As boas, para a recompensa, as más, para a perdição eterna. S. Filipe Néri chamava louco quem não cuida da sua salvação. O único bem deste mundo é salvar-se, dizia S. Francisco Xavier , o único mal, condenar-se . E Santa Teresa repetia, cheia de aflições, às suas irmãs pedindo-lhes que rezassem pelos pecadores: “Minhas filhas, uma alma, uma eternidade! Uma alma que é perdida, tudo perdido! ” A salvação é, pois, negócio importantíssimo. Único negócio! Negócio de uma perda irreparável. Perdem-se riquezas, bens, parentes, amigos, etc. Nem tudo está perdido! Perde-se a alma! Tudo perdido e para sempre! Leia também Como fazer uma boa confissão? conheça este exame de consciência! E há tanta gente que brinca com a salvação! Tantos gozadores da vida que aí sorriem da eternidade como se se tratasse de uma ilusão de devotas ou de um conto de fadas. Tratemos desde já de preparar a nossa alma para a vida eterna. A morte aí vem. Tens certeza de viver longo tempo ainda? E se a morte te surpreender hoje? Em que estado a tua alma iria se apresentar a Deus? E o juízo? E o inferno? E a eternidade? Vamos! É tempo de arrumar os negócios e sobretudo o grande negócio da salvação! Não se brinca com Deus, com a alma e a eternidade . Salva tua alma! Olhemos as coisas do mundo tais como são na realidade: puro nada, vaidade e loucura! Haja paz em nossa alma. Pensemos um pouco no que é eterno. Dizia Santa Teresa: “Nada te perturbe, nada te assuste, tudo passa, Deus não muda, quando se tem Deus nada falta, só Deus basta ”. Leia também O que são os Novíssimos que os católicos precisam meditar diariamente? O céu, a morte, o purgatório… Estaremos preparados quando a morte vier? Nossa vida não tem sentido em si mesma. Vivemos para preparar um encontro num momento decisivo. O porquê de nossa existência decide-se no último instante, quando nos encontraremos com Nosso Senhor. É algo muito sério e importante. Ora, do que é feito o nosso dia? De tempo. São ao todo 24 horas. Cada hora tem 60 minutos, cada minuto tem 60 segundos… Enquanto estamos aqui, os segundos vão passando. Pode até ser que os segundos de nossa vida sejam quantitativamente idênticos (o segundo que está acontecendo agora é igual ao que aconteceu antes e ao que virá depois), mas qualitativamente não o são. De fato, há segundos decisivos, tempos na vida em que se põe em jogo uma decisão definitiva . É a hora de todas as horas — a hora da morte. E quando será a nossa morte? Em um segundo! A morte não dura quase tempo algum. Acontece numa fração de segundos. Morrer, afinal, é ir do estar ao não estar vivo, sem meio termo. “Ah, fulano está quase morrendo”, mas ainda está vivo; “se você tivesse vindo antes, tê-lo-ia visto com vida”, mas já morreu! No fundo, não há um “quase morrer” nem um “acabar de morrer”, só o estar vivo e o estar morto, e é da fração de segundos que separa um estado do outro que depende nossa eternidade. Mas o que significa “eternidade”? Quer dizer para sempre , é um nunca mais acabar . (Santa Teresa d’Ávila, quando criança, gostava de repetir com o irmãozinho Rodrigo que tanto a salvação quanto a condenação são para sempre: ¡Siempre, siempre, siempre! ) Nosso destino eterno depende de um único instante. Como estaremos na hora da morte? Em que condição traremos a alma no momento do encontro? Se morrermos em graça, estaremos salvos para sempre; se em pecado, condenados também para sempre… Quem nunca passou por ao menos um ensaio de morte, por algum risco ou perigo grave, por algum acidente do qual escapou por um fio? Eu já passei por vários. Quando ainda era seminarista, estava um dia conduzindo pela estrada. Era de noite, e minha velocidade era bastante considerável. À minha frente ia um caminhão sem lanternas a “incríveis” 30 km/h… Assim que o vi, freei rapidamente e, graças a Deus e ao meu anjo da guarda, estou hoje aqui fazendo homilias, embora pudesse ter morrido naquela noite, sem nunca ser ordenado padre. Outra história. Durante o meu primeiro ano de filosofia, vim a Cuiabá comemorar os 25 anos de ordenação (não me lembro se episcopal ou presbiteral) de D. Bonifácio. Na volta, meu ônibus capotou. Também ali poderia ter-se encerrado tudo, e eu não teria concluído sequer os estudos. A pergunta básica e fundamental é: se em um daqueles momentos eu tivesse morrido, estaria preparado? Estaria pronto para me apresentar diante de Deus? Quando entrei naquele ônibus de Cuiabá para Campo Grande, não me passava pela cabeça que aquela pudesse ser minha última viagem. Quando peguei o volante naquela noite, não pensava que aquele pudesse ser meu último carro. Se eu não estivesse em estado de graça, e a morte ali me assaltasse como um ladrão, haveria um padre mais no inferno, condenado para sempre! Leia também Indulgência: a grande misericórdia de Deus desconhecida por quase todos os cristãos Quantas vezes Deus nos permite experimentar que a morte vem frequentemente sem aviso prévio, como um ladrão ! Por isso diz Jesus: Vigiai! Precisamos, sim, estar prontos porque tudo depende daquele último momento, o momento da morte, o momento da prestação de contas. Quem disse que teremos tempo de nos arrepender? Sabemos às vezes estar em pecado, mas nos iludimos pensando: “Não, depois eu me confesso”. Ora, quem disse que teremos tempo de nos confessar, ou mesmo de fazer um ato de contrição? Ouçamos o que Nosso Senhor nos está dizendo hoje: Vigiai! Não sabemos nem o dia nem a hora. Se o dono da casa soubesse quando viria o ladrão, vigiaria para que sua casa não fosse arrombada . Estejamos preparados, irmãos. Cristo é amor, misericórdia e compaixão. Deus Filho se fez homem para nos alertar. Que grande caridade para conosco! Deus não faz “terrorismo espiritual”, mas nos chama a atenção para o que realmente importa: Vigiai! Não nos revoltemos nem fiquemos indignados com o Senhor; pelo contrário, mudemos o quanto antes de vida e nos arrependamos enquanto ainda é possível. Chegará o momento em que cessará todo o tempo, e não teremos nem sequer um momento para nos mudar. Mudemos já, antes de o tempo mudar-se em eternidade. II. Comentário exegético O ladrão inesperado (cf. Lc 12,39s) . — Se o pai de família soubesse a que hora (gr. ποίᾳ φυλακῇ = em que guarda, i.e. em qual das quatro vigílias da noite [1]) havia de vir o ladrão, vigiaria, sem dúvida, e não deixaria minar a sua casa . Alguns vertem do grego: “Se tivesse sabido… teria vigiado… nem teria deixado” [2]; parece mais adequada, no entanto, a versão da Vulgata por causa dos verbos ᾔδει, ἔρχεται, que designam antes um caso hipotético que um fato pretérito. — Minar: alusão às casas orientais que, fabricadas muitas vezes com barro, podiam ser facilmente terebradas com um punhal ou qualquer outro instrumento. A aplicação da imagem à espera pela vinda de Cristo faz-se sem nenhuma dificuldade. Cristo (melhor, o dia do Senhor, i.e. o dia do juízo) virá ocultamente e sem aviso, trazendo para os pecadores a justa retribuição. Cumpre pois vigiar, para que tal dia não nos encontre despreparados (cf. 1Ts 5,2; 2Pd 3,8ss; Ap 16,15). — Muitos Santos Padres e não poucos autores recentes interpretam a parábola em referência à morte de cada homem, sobretudo porque a passagem paralela em Lc. encontra-se num contexto não escatológico. Embora a última vinda de Cristo demore muito tempo, os verdadeiros discípulos de Jesus devem estar sempre preparados, como se ele os fosse assaltar a qualquer instante (cf. e.g. São João Crisóstomo, hom. lxxvii in Matth. 2,3: M 58,705; São Gregório Magno, hom. xiii 6: M 76,1127). O servo fiel e o infiel (cf. Lc 12,41-48) . — O texto é o mesmo no I e III evangelhos (de Lc. são próprios os vv. 41.47s), mas são diversas as circunstâncias de tempo e lugar. Se se trata da mesma instrução, é preferível seguir a ordem de Lc., mais fiel à cronologia e à indicação dos lugares. a ) Imagem. — As famílias ricas contavam com um grande número de servos, os quais recebiam como certa remuneração uma quantidade determinada de alimento (σιτομέτριον = porção racionada de grãos, cf. Lc 12,42). Estavam sob os cuidados de um οἰκονόμος, ou administrador, ele mesmo um servo, o mais grato e próximo ao senhor, a quem competia vigiar os demais e prover às necessidades de cada um. Se, na ausência do dono, o despenseiro cumprisse fielmente o seu dever, era constituído sobre a família, i.e. tornava-se responsável pelos bens de toda a casa, o que era a maior recompensa que podia receber um servo; se, porém, maltratasse os companheiros e se aproveitasse da ausência do senhor para entregar-se ao ócio e a divertimentos, o patrão poderia voltar de repente, cortá-lo em dois (i.e. supliciá-lo, segundo o costume dos déspotas orientais) e pôr a sua parte com (i.e. dar-lhe a mesma sorte que têm) os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes [3]. Estas últimas palavras referem-se mais à doutrina espiritual do que à imagem, como é evidente. — Família (gr. οἰκετεία) = servos domésticos, famulício etc. (cf. Mt 24,49: σύνδουλοι = conservos). b ) Doutrina espiritual. — A parábola fala especialmente dos Apóstolos e demais ministros do Evangelho (cf. Lc 12,41; 1Cor 4,1), mas não exclui outras classes de fiéis (cf. 1Pd 1,10). — Todo o que for constituído sobre a família de Cristo e cumprir fiel e prudentemente [4] o seu dever há de estar sempre alerta, como se a qualquer hora o Senhor fosse voltar para lhe pedir contas. Ao que Ele encontrar procedendo assim o advento do Filho de Homem (quer no juízo particular, quer no universal) constitui-lo-á administrador de tudo quanto possui , i.e. no tempo da parusia lhe retribuirá generosamente, ou o cumulará após a morte de honra e glória na felicidade eterna. Àquele, porém, que tiver procurado somente os próprios interesses nem for achado digno da função recebida dividi-lo-á (gr. διχοτομήσει = cindirá, cortará em partes), i.e. o separará “do consórcio dos santos” (São Jerônimo), ou o punirá severamente, e porá a sua parte (sorte, herança etc.) entre os hipócritas e pérfidos, i.e. entre os infiéis (Lc.), o que equivale a dizer: “dar-lhe-á o mesmo fim que têm os ímpios”, sobre os quais paira a condenação à geena, onde haverá choro etc. Leia e compartilhe: Como devemos nos preparar para a morte? #FormaçõesCatólicas #Morte
- SÃO FRANCISCO DE ASSIS EM GLASGOW – Pe. Santiago Martín
“Eu tenho um sonho”. Assim começa o discurso mais conhecido de Martin Luther King, proferido nos degraus do Lincoln Memorial, em Washington, em 1963. Bem, esta noite eu também tive um sonho. Sonhei que São Francisco recebeu permissão especial de Deus e voltou à terra para participar da conferência climática de Glasgow. Ele partiu da sua terra natal, Assis, onde o seu corpo está enterrado, usando transporte público e não num dos sessenta aviões privados em que voaram os grandes da terra para o evento. Para falar de poluição, utilizam aviões que poluem, quando poderiam ter evitado isso participando por videoconferência, se acaso, por razões de segurança, não pudessem ir por transportes públicos. Mas, é claro, o que realmente importa não é o clima, mas a foto para a eleição. O clima é apenas a desculpa. Quando se soube quem ele era, São Francisco foi autorizado a tomar a tribuna dos oradores e houve um silêncio expectante à espera das suas palavras. Então o santo de Assis começou a explicar o “Cântico das Criaturas”, fazendo primeiro uma introdução para mostrar aos ignorantes que era um hino ao Criador pelas criaturas que Ele tinha criado, e não um hino às criaturas, divinizadas e colocadas no lugar do seu Senhor. Ele insistiu, na introdução, no amor que tinha por todas aquelas criaturas, enquanto obras de Deus, e especialmente pela terra, que ele chamou primeiro “irmã” e depois “irmã mãe”, para deixar claro que nada poderia estar mais longe da sua intenção do que considerá-la uma deusa andina, a “pachamama”. Ela é uma criatura”, disse o santo, “tal como a ‘irmã morte’, que nos visitará a todos para nos levar à nossa pátria final, desde que morramos na graça de Deus, pois ‘ai se ela encontra o pecador em pecado grave’. Após a introdução, começou a recitar o seu hino de louvor a Deus, mas já na grande sala de reuniões tinham começado os murmúrios de desaprovação. Quando terminou, quis acrescentar algo em conclusão. Com a ousadia e coragem que os santos normalmente têm, falou ao distinto público sobre a necessidade de uma mudança de estilo de vida. Ele disse-lhes que a conversão era essencial e urgente. Mas não só conversão verde, conversão energética ou conversão política, que são conceitos utilizados para apelar a uma ação geral, mas também conversão pessoal. Não nos sentimos responsáveis pelos pecados coletivos”, disse ele, “e é por isso que quase nada é feito”. Temos de olhar novamente para as coisas a partir do velho e saudável ponto de vista moral católico, falando de pecados pessoais e, neste caso, temos de pedir a todos e a cada um que pratique aquela forma moderna de pobreza chamada austeridade. Uma austeridade que leva a gastar o que é necessário, mas não mais. Uma austeridade que alimenta a caridade, porque não se trata de gastar menos para ter mais, mas de partilhar mais e ajudar aqueles que não podem gastar sequer o mínimo para sobreviver. À medida que S. Francisco prosseguia com seu discurso, as vozes de protesto na sala aumentavam cada vez mais alto, especialmente quando ele usava o termo “pecado”, o que fazia muitos, nos seus assentos, tremerem desconfortavelmente; ou levava outros a levantarem-se e saírem da sala, dizendo que tal conversa era inaceitável. É claro que o desconforto aumentou ainda mais, quando o santo disse que não compreendia quantos milhões eram gastos em viagens de turismo espacial, como os muito ricos estão fazendo, enquanto tantos homens morriam de fome. Naquele momento, o meu sonho transformou-se num pesadelo. O discurso de São Francisco foi interrompido pelos gritos dos espectadores, e os seguranças arrastaram-no até um escuro porão, para tentar explicar-lhe o que realmente era toda esta história de mudança climática. Antes que os capangas conseguissem fazer o seu trabalho com ele, acordei. O sonho tinha-se transformado num pesadelo. Mas, quando me acalmei, aliviado por São Francisco não ter sido torturado pelos tolerantes, algumas palavras suas flutuaram na minha mente e coração: vida eterna, criaturas gratas ao seu Criador, austeridade, caridade. E eu não queria voltar a dormir para não as esquecer.
- POR QUE O AMOR AO PRÓXIMO É INSEPARÁVEL DO AMOR A DEUS? – Pe. Santiago Martín
[No texto a seguir, ao comentar o Evangelho do último domingo, em que um mestre da Lei se aproxima de Jesus e lhe pergunta: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” — e Jesus lhe responde que é o amor a Deus —, o padre espanhol Santiago Martín mostra, com clareza, como o amor ao próximo, se desligado das motivações religiosas, se transforma em pura ideologia. E, como consequência, elimina-se toda a possibilidade de diálogo civilizado com quem pensa diferente: os “não-amigos”. A atual “cultura do cancelamento” é expressão dessa errônea concepção do amor cristão. É certo que o fechamento de canais, no youtube, com a vaga alegação de disseminarem fake news , tem sua raiz na guerra política progressismo versus conservadorismo, mas acaba por condicionar as pessoas mais simples a se retraírem, de maneira até violenta, diante de tudo o que é contrário a seu modo de pensar. O inimigo deixou de ser alguém por quem se deve rezar e converter, mas só um obstáculo a ser sumariamente eliminado. O amor ao próximo, se não for condicionado pelo amor a Deus, transforma-se facilmente em filantropia idolátrica, em antropolatria]. Uma das muitas armadilhas que ameaçavam — e às vezes de fato aprisionaram — os católicos, nestes anos pós-conciliares foi a tentativa de separar o amor de Deus do amor ao próximo. Por um tempo, o amor a Deus foi apresentado como um competidor do amor ao homem, e foi até dito que, se se amava o próximo pelo amor de Deus, no fundo não se amava o próximo. Desta forma, foi feita uma experiência de cortar a raiz do amor, que é a motivação religiosa. Contudo, amando-se unicamente o homem pelo homem, esse amor logo definharia: começava-se por deixar de amar aqueles que não eram “amigos”: os inimigos, os hostis, os que são de outro país, de outra cultura ou de outra religião. Por outro lado, aqueles que resistiram à prova — aqueles que continuaram a nutrir o seu amor humano com motivações religiosas, com a oração, com a Eucaristia, com a confissão —, viram o seu amor ao próximo fortalecido, porque quando o motivo humano de amar não era mais suficiente, ainda havia o enorme caudal de motivos divinos. Se não se fazem as coisas pelos homens — é o próprio Deus que nos diz — que se faça por Ele. Trata-se, pois, de compreender que só existe um mandamento: o do amor. E que este mandamento único tem duas dimensões inseparáveis: Deus e o homem. Não se pode amar o primeiro sem amar o segundo, e vice-versa. Mas o amor a Deus precede o amor ao ser humano, pois é sua raiz, seu alimento, sua fonte contínua de renovação. O amor ao homem, ao contrário, é a prova de que nosso amor a Deus é verdadeiro e não apenas algo teórico e retórico.
- No Vaticano, exorcista expõe o perigo do sincretismo brasileiro nas missas
O exorcista da diocese de Bauru (SP), monsenhor Rubens Miraglia Zani, foi um dos palestrantes do Curso de Exorcismo e Oração de Libertação, que aconteceu em Roma, Itália, de 25 a 30 de outubro. Na ocasião, em uma participação on-line, o sacerdote falou sobre a realidade dos cultos afro-brasileiros e o exorcismo. Segundo ele, o sincretismo faz com que as pessoas achem “normal” ser católico e participar de tais cultos, quando na verdade “facilita a aproximação do mau”. O Curso de Exorcismo e Oração de Libertação foi organizado pelo Ateneu Pontifício Regina Apostolorum (APRA) de Roma, pelo Instituto Sacerdos e pelo Grupo de Pesquisa e Informação Sociorreligiosa (GRIS). “Trata-se de um curso multidisciplinar, mas não é para formar exorcistas. Ele divulga esse tipo de assunto num mundo tão seco, sem formação específica. Há ainda padres e bispos que não têm formação sobre esse assunto, o que torna um curso como este algo precioso e necessário”, disse monsenhor Zani, que é delegado coordenador da Secretaria Linguística Portuguesa da Associação Internacional dos Exorcistas e pároco da Paróquia Nossa Senhora do Líbano, da Eparquia Maronita do Brasil, em Bauru. Leia também São João Paulo II sobre os abusos litúrgicos: “A liturgia nunca é propriedade privada de alguém” Segundo o exorcista, no Brasil, o sincretismo é uma realidade e “isso ocorre por uma falta de catequese que faz com que as pessoas mesclem os cultos afro-brasileiros com o cristianismo”. Por isso, disse, há “uma dificuldade em fazer com que as pessoas compreendam que Nossa Senhora não é Iemanjá, que ir a um terreiro não é católico”. Monsenhor Zani contou que “um produto tipicamente nacional” é a umbanda, “que é o mais sincretista e há pessoas que já veneram até mesmo elementos da Nova Era”. “Essa mistura tem um verniz muito superficial de católico”, como o uso das imagens católicas, “mas apenas um verniz mesmo que, com o passar do tempo se tornou ainda pior. O que se vê é um degradar contínuo que vai diluindo os conceitos da fé católica”, afirmou. Nos cultos afro-brasileiros há “uma mentalidade que cultua forças malignas como se fossem do bem”. Assim, afirmou o sacerdote, “o culto que era para ser exclusivo a Deus é prestado a esses entes”. Além disso, “há a prática da incorporação que ajuda a pessoa a receber esses espíritos. Tudo isso, facilita a aproximação do mau”. Entretanto, disse monsenhor Zani, “o sincretismo faz com que as pessoas não percebam isso e achem que é normal”. Leia também “Missa Afro”, a síntese de todos os abusos litúrgicos “Muitas vezes, a pessoa não tem noção do que realmente é; por vezes, essa pessoa foi levada a esses cultos por inocência, em alguns casos, quando ainda era criança”, disse. O sacerdote contou que um dos casos que acompanhou por mais tempo foi de uma pessoa que, na infância, foi levada pelos pais e consagrada à umbanda. “Essa pessoa teve problemas gravíssimos que levou durante sua vida, perdeu vários empregos porque surtava e passava por vexações. Ela sofreu muito”, recordou. Outro caso foi de uma menina de 13 anos que não frequentava cultos afro-brasileiros. “Queriam atingir a mãe dela, que frequentava a umbanda, mas afetou a menina. Como queriam afetar a mãe, a forma de atingir uma mãe é atacar seus filhos”, relatou. O exorcista ressaltou que “nem todas as pessoas que passaram pelo sincretismo precisam de exorcismo”. Mas, essas pessoas “devem fazer uma renúncia formal e procurar a confissão”. Leia também Padre carismático pede perdão por abusos litúrgicos: “Não celebrava a Missa da Igreja” “Mas, há sim essa possibilidade de necessitar do exorcismo”, disse. E nesses casos é necessário primeiro descartar outras possíveis causas dos problemas pelas quais a pessoa esteja passando. “Primeiro, deve olhar para a própria saúde física ou mental, procurar um médico, que pode ser um clínico-geral que depois vai encaminhar a um especialista, um psicólogo ou psiquiatra e deve fazer a terapia. Se não for a solução ou o profissional de saúde disser que não há nada, aí pode suspeitar e procurar um exorcista”, declarou. Segundo monsenhor Zani, “é comum” ser procurado por pessoas que dizem ter “algo espiritual e acham que deve ter uma solução rápida”. “São as ideias de filmes, que são errôneas e criam expectativas, faz com que veem o exorcismo como uma solução mágica”, afirmou. Fonte: ACI Digital Leia também A Santa Missa e os abusos litúrgicos que ofuscam sua grandeza e seu mistério #AbusosLitúrgicos #Liturgia #Missa #SantaMissa
- No Vaticano, exorcista expõe o perigo do sincretismo brasileiro nas missas
O exorcista da diocese de Bauru (SP), monsenhor Rubens Miraglia Zani, foi um dos palestrantes do Curso de Exorcismo e Oração de Libertação, que aconteceu em Roma, Itália, de 25 a 30 de outubro. Na ocasião, em uma participação on-line, o sacerdote falou sobre a realidade dos cultos afro-brasileiros e o exorcismo. Segundo ele, o sincretismo faz com que as pessoas achem “normal” ser católico e participar de tais cultos, quando na verdade “facilita a aproximação do mau”. O Curso de Exorcismo e Oração de Libertação foi organizado pelo Ateneu Pontifício Regina Apostolorum (APRA) de Roma, pelo Instituto Sacerdos e pelo Grupo de Pesquisa e Informação Sociorreligiosa (GRIS). “Trata-se de um curso multidisciplinar, mas não é para formar exorcistas. Ele divulga esse tipo de assunto num mundo tão seco, sem formação específica. Há ainda padres e bispos que não têm formação sobre esse assunto, o que torna um curso como este algo precioso e necessário”, disse monsenhor Zani, que é delegado coordenador da Secretaria Linguística Portuguesa da Associação Internacional dos Exorcistas e pároco da Paróquia Nossa Senhora do Líbano, da Eparquia Maronita do Brasil, em Bauru. Leia também São João Paulo II sobre os abusos litúrgicos: “A liturgia nunca é propriedade privada de alguém” Segundo o exorcista, no Brasil, o sincretismo é uma realidade e “isso ocorre por uma falta de catequese que faz com que as pessoas mesclem os cultos afro-brasileiros com o cristianismo”. Por isso, disse, há “uma dificuldade em fazer com que as pessoas compreendam que Nossa Senhora não é Iemanjá, que ir a um terreiro não é católico”. Monsenhor Zani contou que “um produto tipicamente nacional” é a umbanda, “que é o mais sincretista e há pessoas que já veneram até mesmo elementos da Nova Era”. “Essa mistura tem um verniz muito superficial de católico”, como o uso das imagens católicas, “mas apenas um verniz mesmo que, com o passar do tempo se tornou ainda pior. O que se vê é um degradar contínuo que vai diluindo os conceitos da fé católica”, afirmou. Nos cultos afro-brasileiros há “uma mentalidade que cultua forças malignas como se fossem do bem”. Assim, afirmou o sacerdote, “o culto que era para ser exclusivo a Deus é prestado a esses entes”. Além disso, “há a prática da incorporação que ajuda a pessoa a receber esses espíritos. Tudo isso, facilita a aproximação do mau”. Entretanto, disse monsenhor Zani, “o sincretismo faz com que as pessoas não percebam isso e achem que é normal”. Leia também “Missa Afro”, a síntese de todos os abusos litúrgicos “Muitas vezes, a pessoa não tem noção do que realmente é; por vezes, essa pessoa foi levada a esses cultos por inocência, em alguns casos, quando ainda era criança”, disse. O sacerdote contou que um dos casos que acompanhou por mais tempo foi de uma pessoa que, na infância, foi levada pelos pais e consagrada à umbanda. “Essa pessoa teve problemas gravíssimos que levou durante sua vida, perdeu vários empregos porque surtava e passava por vexações. Ela sofreu muito”, recordou. Outro caso foi de uma menina de 13 anos que não frequentava cultos afro-brasileiros. “Queriam atingir a mãe dela, que frequentava a umbanda, mas afetou a menina. Como queriam afetar a mãe, a forma de atingir uma mãe é atacar seus filhos”, relatou. O exorcista ressaltou que “nem todas as pessoas que passaram pelo sincretismo precisam de exorcismo”. Mas, essas pessoas “devem fazer uma renúncia formal e procurar a confissão”. Leia também Padre carismático pede perdão por abusos litúrgicos: “Não celebrava a Missa da Igreja” “Mas, há sim essa possibilidade de necessitar do exorcismo”, disse. E nesses casos é necessário primeiro descartar outras possíveis causas dos problemas pelas quais a pessoa esteja passando. “Primeiro, deve olhar para a própria saúde física ou mental, procurar um médico, que pode ser um clínico-geral que depois vai encaminhar a um especialista, um psicólogo ou psiquiatra e deve fazer a terapia. Se não for a solução ou o profissional de saúde disser que não há nada, aí pode suspeitar e procurar um exorcista”, declarou. Segundo monsenhor Zani, “é comum” ser procurado por pessoas que dizem ter “algo espiritual e acham que deve ter uma solução rápida”. “São as ideias de filmes, que são errôneas e criam expectativas, faz com que veem o exorcismo como uma solução mágica”, afirmou. Fonte: ACI Digital Leia também A Santa Missa e os abusos litúrgicos que ofuscam sua grandeza e seu mistério #AbusosLitúrgicos #Liturgia #Missa #SantaMissa
- Cada pecado mortal acrescenta sete anos de Purgatório
Por cada pecado mortal perdoado, uma alma precisaria passar, em média, por sete anos no Purgatório. Conheça esta e outras revelações recebidas por duas místicas da Igreja Católica. Leia também neste artigo se Devemos ter medo das penas do Purgatório e no final do artigo algumas dicas para se evitar o purgatório e ir direto ao céu. Conforme revelações aos santos, o Purgatório não é uma colônia de férias, mas um local de purificação quase tão terrível quanto o inferno. tanUma hora de purgatório pode ser pior que uma vida inteira das mais duras penitências e sofrimentos nessa vida. A principal diferença com relação ao inferno é que aqueles que vão para o purgatório já estão salvos, isso significa que o sofrimento terá um fim quando as penas devidas forem pagas integralmente (isso pode demorar 1 ano como muitos séculos), enquanto os que são condenados ao inferno sofrerão para sempre. Aprouve a Deus mostrar em espírito as sombrias moradas do Purgatório a algumas almas privilegiadas, as quais revelariam os mistérios dolorosos que aí se passavam para a edificação dos fiéis [1]. Foi deste número a ilustre Santa Francisca, fundadora das Oblatas, que morreu em Roma, a 9 de março de 1440. Deus a favoreceu com grandes luzes a respeito do estado das almas na outra vida. Ela viu o Inferno e os seus horríveis tormentos; viu também o interior do Purgatório e a ordem misteriosa — quase como uma “hierarquia de expiações” — que reina nesta parte da Igreja de Jesus Cristo. “Santa Francisca Romana dando esmolas”, de Giovanni Battista Gaulli. Em obediência a seus superiores, que se viram obrigados a lhe imporem esta obrigação, ela deu a conhecer tudo quanto Deus lhe havia manifestado; e suas visões, escritas a pedido do venerável cônego Matteotti, seu diretor espiritual, gozam de toda a autenticidade que se pode desejar nessas matérias. A serva de Deus declara que, depois de ter suportado com horror indescritível a visão do Inferno, saiu daquele abismo e foi conduzida por seu guia celestial até as regiões do Purgatório. Ali não reinava nem o terror nem a desordem, nem o desespero nem a escuridão eterna; ali a esperança divina difundia sua luz, de modo que, como lhe disseram, este lugar de purificação também era chamado de “estadia de esperança”. Ela viu ali almas que sofriam cruelmente, mas anjos as visitavam e assistiam em seus sofrimentos. O Purgatório, ela dizia, é dividido em três partes distintas, que são como que as três grandes províncias daquele reino de sofrimento. Elas estão situadas uma abaixo da outra, e são ocupadas por almas de diferentes ordens, estando estas mais profundamente submersas quanto mais contaminadas e distantes estiverem da hora de sua libertação. Santa Francisca Romana viu no Purgatório almas que sofriam cruelmente, mas os anjos de Deus as visitavam e assistiam em seus sofrimentos. A região mais baixa é repleta de um fogo violento, mas não tão obscuro quanto o do Inferno; trata-se de um vasto mar de fogo, do qual são expelidas chamas imensas. Inumeráveis almas encontram-se mergulhadas nessas profundezas: são aquelas que se tornaram culpadas de pecados mortais, devidamente confessados, mas não suficientemente expiados em vida. A serva de Deus então aprendeu que, por cada pecado mortal perdoado, resta à alma culpada passar por um sofrimento de sete anos [2]. Esse prazo não pode evidentemente ser encarado como uma medida definitiva, mas como uma pena média, já que pecados mortais diferem em enormidade. Ainda que as almas estejam envoltas pelas mesmas chamas, seus sofrimentos não são os mesmos: eles variam de acordo com o número e a natureza dos pecados cometidos. Neste Purgatório mais baixo a santa notou a presença de leigos e de pessoas consagradas a Deus. Os leigos eram aqueles que, depois de uma vida de pecado, tiveram a alegria de se converterem sinceramente; as pessoas consagradas a Deus eram aquelas que não haviam vivido de acordo com a santidade do seu estado de vida. Naquele mesmo momento, ela viu descer a alma de um sacerdote conhecido dela, mas cujo nome ela não revela: o padre tinha a face coberta com um véu que escondia uma mancha. Embora tenha levado uma vida edificante, este padre não havia sempre observado com rigor a virtude da temperança, tendo procurado mui ardentemente as satisfações da mesa. Por cada pecado mortal perdoado, resta à alma culpada passar por um sofrimento de, em média, sete anos no Purgatório. A santa foi conduzida então ao Purgatório intermediário, destinado para as almas que haviam merecido um castigo menos rigoroso. Aí havia três distintos compartimentos: um que lembrava um imenso calabouço de gelo, cujo frio era indescritivelmente intenso; o segundo, ao contrário, era como um grande caldeirão de óleo e massa fervente; o terceiro tinha a aparência de um lago de metal líquido semelhante a ouro ou prata fundidos. O alto Purgatório, que a santa não descreve, é a morada temporária das almas que menos sofrem — com exceção da pena de perda [3] —, e estão muito próximas do feliz momento de sua libertação. Tal é, em substância, a visão de Santa Francisca Romana relativa ao Purgatório. O que segue, agora, é um registro de Santa Maria Madalena de Pazzi, uma carmelita de Florença, tal como vai relatado em sua biografia, escrita pelo pe. Cepare. Sua revelação dá uma figura mais completa do Purgatório, ao passo que a visão precedente não faz senão traçar os seus contornos. Santa Maria Madalena de Pazzi, em uma pintura de Pedro de Moya. Algum tempo antes de sua morte, que aconteceu em 1607, a serva de Deus, M.ª Madalena de Pazzi, estando uma noite com várias outras religiosas no jardim do convento, foi arrebatada em êxtase e viu o Purgatório aberto diante de si. Ao mesmo tempo, como ela deu a conhecer depois, uma voz lhe fez o convite para visitar todas as prisões da Justiça divina e contemplar como são verdadeiramente dignas de compaixão todas as almas detidas neste lugar. Neste momento, ouviu-se ela dizer: “Sim, eu irei”, consentindo em empreender esta dolorosa jornada. De fato, ela caminhou por duas horas em torno do jardim, o qual era muito grande, fazendo pausas de tempos em tempos. A cada vez que interrompia o passo, ela contemplava atentamente os sofrimentos que lhe eram mostrados. Ela foi vista, então, apertando com força as mãos e pedindo compaixão, seu rosto tornou-se pálido e seu corpo curvou-se sob o peso do sofrimento, em presença do terrível espetáculo com o qual ela se confrontava. A santa começou a lamentar em alta voz: “Misericórdia, meu Senhor, misericórdia! Descei, ó Sangue Precioso, e libertai estas almas de sua prisão. Pobres almas! Sofreis tão cruelmente e, no entanto, estais tão contentes e alegres. Os cárceres dos mártires, em comparação com estes, eram jardins de deleite. Não obstante, existem outros ainda mais profundos. Quão feliz sorte seria a minha, se não fosse obrigada a descer para estes lugares!” “Pobres almas! Sofreis tão cruelmente e, no entanto, estais tão contentes e alegres.” Ela desceu, no entanto, porque foi forçada a continuar seu caminho. Tendo dado alguns passos, porém, ela parou aterrorizada e, suspirando, gritou: “Quê? Até religiosos nesta morada sombria! Bom Deus, como eles são atormentados! Ah, Senhor!” A santa não explica a natureza dos sofrimentos que tinha diante dos olhos, mas o horror que ela manifestava ao contemplá-los fazia com que ela suspirasse a cada passo que dava. Daí ela passou a lugares menos obscuros. Eram as prisões das almas simples e de crianças nas quais a ignorância e a falta de razão extenuaram muitas faltas. Seus tormentos pareciam à santa muito mais suportáveis que os das outras pessoas. Nada havia ali a não ser gelo e fogo. Ela notou que estas almas tinham consigo seus anjos da guarda, os quais as fortificavam enormemente com sua presença; mas ela também via demônios cujas formas pavorosas faziam aumentar seus sofrimentos. Avançando um pouco mais o passo, ela viu almas ainda mais desafortunadas, e ouviu-se ela gritar: “Ó, quão horrível é este lugar! Ele é cheio de demônios horrendos e tormentos inacreditáveis! Quem, ó meu Senhor, são as vítimas dessas cruéis torturas? Ai! Elas estão sendo perfuradas com espadas afiadas, elas estão sendo cortadas em pedaços.” Foi-lhe revelado, então, que aquelas eram as almas cuja conduta havia sido contaminada pela hipocrisia. Avançando um pouco, ela viu uma grande multidão de almas que eram feridas, por assim dizer, e esmagadas sob uma prensa; e ela entendeu que aquelas eram as almas que se haviam apegado à impaciência e à desobediência durante suas vidas. Ao contemplá-las, os olhares, os suspiros e toda a atitude da santa exprimiam compaixão e terror. O cárcere das almas que haviam se manchado com a impureza era tão sujo e pestilento, que a visão deu náuseas a Santa Madalena de Pazzi. Um momento depois sua agitação aumentou, e a santa soltou um grito terrível. Era o cárcere dos mentirosos que agora se abria diante dela. Depois de o considerar atentamente, ela gritou bem alto: “Os mentirosos são confinados em um lugar na vizinhança do Inferno, e seus sofrimentos são excessivamente grandes. Chumbo fundido é derramado dentro de suas bocas; eu os vejo queimar e, ao mesmo tempo, tremer de frio.” Ela foi então à prisão daquelas almas que haviam pecado por fraqueza, e ouviu-se ela exclamar: “Ai! Eu havia pensado que os encontraria entre aqueles que haviam pecado por ignorância, mas eu me enganei; vós queimais com um fogo mais intenso.” Mais adiante, ela observou almas que se haviam apegado demais aos bens deste mundo e haviam pecado por avareza. “Que cegueira”, ela disse, “ter buscado tão ardentemente uma fortuna perecível! Aqueles a quem as riquezas não puderam saciar o suficiente aqui são devorados com tormentos. Eles se fundem como metal na fornalha ardente.” Daí ela passou ao lugar onde as almas aprisionadas haviam se manchado com a impureza. Ela as viu em um cárcere tão sujo e pestilento que a visão lhe deu náuseas, e ela imediatamente deu as costas àquele espetáculo repugnante. Vendo os ambiciosos e os orgulhosos, ela disse: “Vede aqueles que quiseram brilhar diante dos homens! Agora estão condenados a viver nesta escuridão pavorosa.” Foram-lhe mostradas, então, aquelas almas que haviam sido culpadas de ingratidão para com Deus. Elas eram vítimas de tormentos indescritíveis e afogadas, por assim dizer, em um lago de chumbo fundido, por haver feito secar, com sua ingratidão, a fonte da piedade. Muitas almas no Purgatório tinham consigo seus anjos da guarda, que as fortificavam enormemente com sua presença; mas havia também demônios cujas formas pavorosas faziam aumentar seus sofrimentos. Finalmente, em um último cárcere, foram-lhe mostradas as almas que não se tinham dado a nenhum vício em particular, mas que, por falta da devida vigilância sobre si mesmas, cometeram todo tipo de faltas triviais. A santa notou que estas almas tomavam parte nos castigos de todos os vícios, em um grau moderado, porque as faltas que elas cometeram apenas de tempos em tempos tornaram-nas menos culpadas do que aqueles que as tinham cometido habitualmente. Após esta última estação, a santa deixou o jardim, implorando a Deus que nunca mais a fizesse testemunha de um espetáculo tão desolador: ela sentia que não tinha forças para suportá-lo. Seu êxtase continuou, no entanto, e conversando com Jesus ela falou: “Dizei-me, Senhor, qual era o vosso desígnio em descobrir-me aquelas terríveis prisões, das quais eu sabia tão pouco e agora compreendo ainda menos? Ah, agora eu vejo: quisestes dar-me o conhecimento de vossa infinita santidade e fazer-me detestar cada vez mais a mínima mancha de pecado, tão abominável aos vossos olhos.” Fonte: Equipe Christo Nihil Praeponere Devemos ter medo das penas do Purgatório? Existem no Purgatório, assim como Inferno, dois tipos de pena: a de dano e a dos sentidos. A pena de dano consiste em ser privado por um tempo da visão de Deus, que é o bem supremo, o fim beatífico para o qual nossas almas foram criadas, assim como nossos olhos o foram para a luz. Trata-se de uma sede lancinante que atormenta a alma. “Quase todos os teólogos ensinam que os réprobos e as almas no Purgatório sofrem a ação do mesmo fogo.” A pena dos sentidos, que é um sofrimento sensível, é a mesma que experimentamos em nossa carne. A fé nada nos diz sobre a sua natureza; no entanto, é opinião comum dos doutores que ela consiste em fogo e noutras formas de sofrimento. O fogo do Purgatório, dizem os Santos Padres, é o mesmo do Inferno, do qual fala o rico epulão: Quia crucior in hac flamma, “Eu sofro horrores nestas chamas” (Lc 16, 26). No que diz respeito à intensidade das dores, infligidas pela infinita justiça de Deus, ela é proporcional à natureza, à gravidade e ao número dos pecados cometidos. Cada um recebe conforme a suas obras, ou seja, cada um deve satisfazer as dívidas pelas quais se vê responsável diante de Deus. Esses débitos, no entanto, diferem grandemente em qualidade. Alguns os acumularam durante toda uma vida, a ponto de atingirem os dez mil talentos do Evangelho, ou seja, milhões e dezenas de milhões; outros, porém, contraíram pouco a pagar, ou seja, devem aqueles poucos tostões que não foram expiados na terra. “A Virgem do Carmo salvando almas do Purgatório”, de Diego Quispe Tito. Disto se segue, em primeiro lugar, que as almas são submetidas a diversos tipos de sofrimento; além disso, existem inúmeros graus de expiação no Purgatório, dos quais alguns são incomparavelmente mais severos do que outros. Contudo, falando em termos gerais, os doutores concordam em dizer que as penas que ali se padecem são as mais excruciantes de todas. O mesmo fogo, diz S. Gregório Magno, que atormenta os condenados, purifica os eleitos (cf. In Ps. 37). “Quase todos os teólogos”, escreve S. Roberto Belarmino, “ensinam que os réprobos e as almas no Purgatório sofrem a ação do mesmo fogo” (De Purgat., II, 6). Deve-se ter como certo, diz o mesmo Belarmino (cf. De Gemitu Columbæ, II, 9), que não há proporção entre os sofrimentos da vida presente e os do Purgatório. S. Agostinho, por sua vez, afirma exatamente o mesmo em seu comentário ao Salmo 31: “Senhor”, escreve ele, “não me castigueis em vossa ira e não me rejeiteis entre aqueles a quem dissestes: ‘Ide para o fogo eterno’. Não me castigueis em vossa ira; purificai-me, antes, de tal modo nesta vida que eu não precise ser purificado pelo fogo na próxima. Sim, eu temo este fogo, que foi ateado para os que serão salvos, é verdade; mas, ainda assim, continua a ser fogo (cf. 1Cor 3, 15). Eles serão salvos, sem dúvida, depois da provação das chamas, mas essa provação será terrível, o tormento será mais intolerável do que os piores tormentos deste mundo”. Não há proporção entre os sofrimentos da vida presente e os do Purgatório. Notai o que diz S. Agostinho, e o que S. Gregório, o Venerável Beda, S. Anselmo e S. Bernardo disseram depois dele. Santo Tomás vai ainda mais longe, chegando a afirmar que a mais leve das penas do Purgatório supera todos os sofrimentos desta vida, sejam eles quais forem. A dor, diz o beato Peter Lefèvre, é mais profunda e mais aguda quando ataca diretamente a alma e a mente do que quando as atinge mediante o corpo. O corpo mortal, assim como os próprios sentidos, absorvem e atenuam uma parte da dor física, e até mesmo da dor moral (Sentim. du B. Lefèvre sur la Purg. Mess. du S. Coeur, nov. 1873). O autor da Imitação de Cristo, por sua vez, explica essa doutrina com uma sentença prática e impressionante. Falando de maneira geral dos sofrimentos da outra vida, ele diz que “lá uma hora de tormentos será mais terrível do que uma centena de anos de rigorosa penitência passada aqui” (Imit., I, 24). A fim de comprovar essa doutrina, pensemos que todas as almas no Purgatório sofrem a pena de dano e que essa pena supera o mais intenso sofrimento possível neste mundo. Voltando-nos agora para a pena dos sentidos, sabemos que coisa terrível é o fogo, ainda que seja uma frágil chama acendida em nossas casas, e que dor se sente na mais leve queimadura. O quão mais terrível não deve ser, pois, aquele fogo inextinguível, que não se alimenta nem de madeira nem de óleo! Acendido pelo sopro de Deus, como instrumento de sua justiça, ele se apodera das almas, atormentando-as com incomparável fúria. No Purgatório, uma hora de tormentos será mais terrível do que uma centena de anos de rigorosa penitência passada aqui. Tudo o que dissemos — e que ainda havemos de dizer — já basta para inspirar-nos aquele temor sadio que Jesus Cristo nos recomenda. Mas antes que alguns leitores, esquecidos da confiança cristã que deve moderar nossos medos, se entreguem a um temor excessivo, permitam-nos aprofundar a doutrina que acabamos de expor ouvindo o que diz outro doutor da Igreja, S. Francisco de Sales, cuja pena retrata os sofrimentos do Purgatório aliviados pelas consolações que os acompanham. São Francisco de Sales, bispo e doutor da Igreja. “Nós devemos”, diz o santo e amável diretor de almas, “colher da meditação do Purgatório mais consolação do que apreensão. A maior parte daqueles que temem o Purgatório pensam mais em seus próprios interesses do que nos interesses da glória de Deus. Ora, isso se deve ao fato de que pensam apenas nos sofrimentos, sem levarem em conta a paz e a alegria de que gozam as santas almas que ali habitam. É verdade que os tormentos são tão grandes que os sofrimentos mais agudos desta vida não se lhes comparam; mas a satisfação interior que lá se experimenta é tal, que nenhuma prosperidade ou contentamento desta terra se lhe pode igualar. As almas vivem ali numa contínua união com Deus, perfeitamente conformadas com a vontade divina. Só querem o que Deus quer e, se lhes fosse aberto o Paraíso, prefeririam precipitar-se no Inferno a apresentar-se manchadas diante de Deus. Purificam-se voluntária e amorosamente, porque assim Deus o quer. Desejam permanecer no estado que mais aprouver a Deus, e isto por todo o tempo que for da vontade dele. São invencíveis na prova e não podem ter um movimento sequer de impaciência nem cometer qualquer imperfeição. Amam mais a Deus do que a si próprias, com um amor simples, puro e desinteressado. Os anjos as consolam e estão certas de sua salvação, com uma esperança inigualável. Suas amarguras são mitigadas por uma paz profunda. Se é infernal a dor que sofrem, a caridade derrama-lhes no coração uma inefável ternura. É uma caridade mais forte do que a morte e mais poderosa do que o Inferno. O Purgatório é um feliz estado, mais desejável que temível, porque as chamas que lá ardem são chamas de amor” (Esprit de St. François de Sales, IX, p. 16). A satisfação interior que se experimenta no Purgatório é tal, que nenhuma prosperidade ou contentamento desta terra se lhe pode igualar. Tais são os ensinamentos dos doutores. Do quanto vimos se segue que, se as penas do Purgatório são rigorosas, não são, contudo, carentes de toda consolação. Quando nos impõe a cruz nesta vida, Deus derrama sobre ela a unção de sua graça. Assim também, ao purificar as almas no Purgatório como ouro na fornalha, Ele ameniza o ardor de suas chamas com consolações indescritíveis. Não devemos, pois, perder de vista esse elemento consolador, esse lado bom e positivo da imagem, pintada às vezes em cores tão sombrias, que iremos analisar nos próximos capítulos. 10 DICAS PARA EVITAR O PURGATÓRIO 1 – Elimine as causas do pecado e lute contra qualquer tentação. 2 – Penitência (Oferecer a Deus pequenos sacrifícios). 2 – Aceitar o sofrimento – a vontade de Deus. (Exemplo: Não reclamar calor, frio). 3 – Sacramentos (Confissão, Eucaristia) – Através do Percebemos a malícia do pecado. 5 – Oração (Morte Santa e que eu fique livre do purgatório). 6 – Aceite a morte (Aceitar a morte da maneira que Deus quiser). SENHOR MEU DEUS, ACEITO DESDE JÁ, DE BOA VONTADE, E RECEBO COM ALEGRIA E RESIGNAÇÃO O GÊNERO DE MORTE QUE VOS PROVER COM VOSSAS DORES E SOFRIMENTOS. 7 – Unção dos enfermos. 8 – Salvar uma alma (Ajudar uma alma a sair do pecado). 9 – Indulgências (Parciais e plenárias). 10 – Difundir a boa imprensa. (Divulgar a vida dos santos – catolicismo).
- Cada pecado mortal acrescenta sete anos de Purgatório
Por cada pecado mortal perdoado, uma alma precisaria passar, em média, por sete anos no Purgatório. Conheça esta e outras revelações recebidas por duas místicas da Igreja Católica. Leia também neste artigo se Devemos ter medo das penas do Purgatório e no final do artigo algumas dicas para se evitar o purgatório e ir direto ao céu. Conforme revelações aos santos, o Purgatório não é uma colônia de férias, mas um local de purificação quase tão terrível quanto o inferno. tanUma hora de purgatório pode ser pior que uma vida inteira das mais duras penitências e sofrimentos nessa vida. A principal diferença com relação ao inferno é que aqueles que vão para o purgatório já estão salvos, isso significa que o sofrimento terá um fim quando as penas devidas forem pagas integralmente (isso pode demorar 1 ano como muitos séculos), enquanto os que são condenados ao inferno sofrerão para sempre. Aprouve a Deus mostrar em espírito as sombrias moradas do Purgatório a algumas almas privilegiadas, as quais revelariam os mistérios dolorosos que aí se passavam para a edificação dos fiéis [1]. Foi deste número a ilustre Santa Francisca, fundadora das Oblatas, que morreu em Roma, a 9 de março de 1440. Deus a favoreceu com grandes luzes a respeito do estado das almas na outra vida. Ela viu o Inferno e os seus horríveis tormentos; viu também o interior do Purgatório e a ordem misteriosa — quase como uma “hierarquia de expiações” — que reina nesta parte da Igreja de Jesus Cristo. “Santa Francisca Romana dando esmolas”, de Giovanni Battista Gaulli. Em obediência a seus superiores, que se viram obrigados a lhe imporem esta obrigação, ela deu a conhecer tudo quanto Deus lhe havia manifestado; e suas visões, escritas a pedido do venerável cônego Matteotti, seu diretor espiritual, gozam de toda a autenticidade que se pode desejar nessas matérias. A serva de Deus declara que, depois de ter suportado com horror indescritível a visão do Inferno, saiu daquele abismo e foi conduzida por seu guia celestial até as regiões do Purgatório. Ali não reinava nem o terror nem a desordem, nem o desespero nem a escuridão eterna; ali a esperança divina difundia sua luz, de modo que, como lhe disseram, este lugar de purificação também era chamado de “estadia de esperança”. Ela viu ali almas que sofriam cruelmente, mas anjos as visitavam e assistiam em seus sofrimentos. O Purgatório, ela dizia, é dividido em três partes distintas, que são como que as três grandes províncias daquele reino de sofrimento. Elas estão situadas uma abaixo da outra, e são ocupadas por almas de diferentes ordens, estando estas mais profundamente submersas quanto mais contaminadas e distantes estiverem da hora de sua libertação. Santa Francisca Romana viu no Purgatório almas que sofriam cruelmente, mas os anjos de Deus as visitavam e assistiam em seus sofrimentos. A região mais baixa é repleta de um fogo violento, mas não tão obscuro quanto o do Inferno; trata-se de um vasto mar de fogo, do qual são expelidas chamas imensas. Inumeráveis almas encontram-se mergulhadas nessas profundezas: são aquelas que se tornaram culpadas de pecados mortais, devidamente confessados, mas não suficientemente expiados em vida. A serva de Deus então aprendeu que, por cada pecado mortal perdoado, resta à alma culpada passar por um sofrimento de sete anos [2]. Esse prazo não pode evidentemente ser encarado como uma medida definitiva, mas como uma pena média, já que pecados mortais diferem em enormidade. Ainda que as almas estejam envoltas pelas mesmas chamas, seus sofrimentos não são os mesmos: eles variam de acordo com o número e a natureza dos pecados cometidos. Neste Purgatório mais baixo a santa notou a presença de leigos e de pessoas consagradas a Deus. Os leigos eram aqueles que, depois de uma vida de pecado, tiveram a alegria de se converterem sinceramente; as pessoas consagradas a Deus eram aquelas que não haviam vivido de acordo com a santidade do seu estado de vida. Naquele mesmo momento, ela viu descer a alma de um sacerdote conhecido dela, mas cujo nome ela não revela: o padre tinha a face coberta com um véu que escondia uma mancha. Embora tenha levado uma vida edificante, este padre não havia sempre observado com rigor a virtude da temperança, tendo procurado mui ardentemente as satisfações da mesa. Por cada pecado mortal perdoado, resta à alma culpada passar por um sofrimento de, em média, sete anos no Purgatório. A santa foi conduzida então ao Purgatório intermediário, destinado para as almas que haviam merecido um castigo menos rigoroso. Aí havia três distintos compartimentos: um que lembrava um imenso calabouço de gelo, cujo frio era indescritivelmente intenso; o segundo, ao contrário, era como um grande caldeirão de óleo e massa fervente; o terceiro tinha a aparência de um lago de metal líquido semelhante a ouro ou prata fundidos. O alto Purgatório, que a santa não descreve, é a morada temporária das almas que menos sofrem — com exceção da pena de perda [3] —, e estão muito próximas do feliz momento de sua libertação. Tal é, em substância, a visão de Santa Francisca Romana relativa ao Purgatório. O que segue, agora, é um registro de Santa Maria Madalena de Pazzi, uma carmelita de Florença, tal como vai relatado em sua biografia, escrita pelo pe. Cepare. Sua revelação dá uma figura mais completa do Purgatório, ao passo que a visão precedente não faz senão traçar os seus contornos. Santa Maria Madalena de Pazzi, em uma pintura de Pedro de Moya. Algum tempo antes de sua morte, que aconteceu em 1607, a serva de Deus, M.ª Madalena de Pazzi, estando uma noite com várias outras religiosas no jardim do convento, foi arrebatada em êxtase e viu o Purgatório aberto diante de si. Ao mesmo tempo, como ela deu a conhecer depois, uma voz lhe fez o convite para visitar todas as prisões da Justiça divina e contemplar como são verdadeiramente dignas de compaixão todas as almas detidas neste lugar. Neste momento, ouviu-se ela dizer: “Sim, eu irei”, consentindo em empreender esta dolorosa jornada. De fato, ela caminhou por duas horas em torno do jardim, o qual era muito grande, fazendo pausas de tempos em tempos. A cada vez que interrompia o passo, ela contemplava atentamente os sofrimentos que lhe eram mostrados. Ela foi vista, então, apertando com força as mãos e pedindo compaixão, seu rosto tornou-se pálido e seu corpo curvou-se sob o peso do sofrimento, em presença do terrível espetáculo com o qual ela se confrontava. A santa começou a lamentar em alta voz: “Misericórdia, meu Senhor, misericórdia! Descei, ó Sangue Precioso, e libertai estas almas de sua prisão. Pobres almas! Sofreis tão cruelmente e, no entanto, estais tão contentes e alegres. Os cárceres dos mártires, em comparação com estes, eram jardins de deleite. Não obstante, existem outros ainda mais profundos. Quão feliz sorte seria a minha, se não fosse obrigada a descer para estes lugares!” “Pobres almas! Sofreis tão cruelmente e, no entanto, estais tão contentes e alegres.” Ela desceu, no entanto, porque foi forçada a continuar seu caminho. Tendo dado alguns passos, porém, ela parou aterrorizada e, suspirando, gritou: “Quê? Até religiosos nesta morada sombria! Bom Deus, como eles são atormentados! Ah, Senhor!” A santa não explica a natureza dos sofrimentos que tinha diante dos olhos, mas o horror que ela manifestava ao contemplá-los fazia com que ela suspirasse a cada passo que dava. Daí ela passou a lugares menos obscuros. Eram as prisões das almas simples e de crianças nas quais a ignorância e a falta de razão extenuaram muitas faltas. Seus tormentos pareciam à santa muito mais suportáveis que os das outras pessoas. Nada havia ali a não ser gelo e fogo. Ela notou que estas almas tinham consigo seus anjos da guarda, os quais as fortificavam enormemente com sua presença; mas ela também via demônios cujas formas pavorosas faziam aumentar seus sofrimentos. Avançando um pouco mais o passo, ela viu almas ainda mais desafortunadas, e ouviu-se ela gritar: “Ó, quão horrível é este lugar! Ele é cheio de demônios horrendos e tormentos inacreditáveis! Quem, ó meu Senhor, são as vítimas dessas cruéis torturas? Ai! Elas estão sendo perfuradas com espadas afiadas, elas estão sendo cortadas em pedaços.” Foi-lhe revelado, então, que aquelas eram as almas cuja conduta havia sido contaminada pela hipocrisia. Avançando um pouco, ela viu uma grande multidão de almas que eram feridas, por assim dizer, e esmagadas sob uma prensa; e ela entendeu que aquelas eram as almas que se haviam apegado à impaciência e à desobediência durante suas vidas. Ao contemplá-las, os olhares, os suspiros e toda a atitude da santa exprimiam compaixão e terror. O cárcere das almas que haviam se manchado com a impureza era tão sujo e pestilento, que a visão deu náuseas a Santa Madalena de Pazzi. Um momento depois sua agitação aumentou, e a santa soltou um grito terrível. Era o cárcere dos mentirosos que agora se abria diante dela. Depois de o considerar atentamente, ela gritou bem alto: “Os mentirosos são confinados em um lugar na vizinhança do Inferno, e seus sofrimentos são excessivamente grandes. Chumbo fundido é derramado dentro de suas bocas; eu os vejo queimar e, ao mesmo tempo, tremer de frio.” Ela foi então à prisão daquelas almas que haviam pecado por fraqueza, e ouviu-se ela exclamar: “Ai! Eu havia pensado que os encontraria entre aqueles que haviam pecado por ignorância, mas eu me enganei; vós queimais com um fogo mais intenso.” Mais adiante, ela observou almas que se haviam apegado demais aos bens deste mundo e haviam pecado por avareza. “Que cegueira”, ela disse, “ter buscado tão ardentemente uma fortuna perecível! Aqueles a quem as riquezas não puderam saciar o suficiente aqui são devorados com tormentos. Eles se fundem como metal na fornalha ardente.” Daí ela passou ao lugar onde as almas aprisionadas haviam se manchado com a impureza. Ela as viu em um cárcere tão sujo e pestilento que a visão lhe deu náuseas, e ela imediatamente deu as costas àquele espetáculo repugnante. Vendo os ambiciosos e os orgulhosos, ela disse: “Vede aqueles que quiseram brilhar diante dos homens! Agora estão condenados a viver nesta escuridão pavorosa.” Foram-lhe mostradas, então, aquelas almas que haviam sido culpadas de ingratidão para com Deus. Elas eram vítimas de tormentos indescritíveis e afogadas, por assim dizer, em um lago de chumbo fundido, por haver feito secar, com sua ingratidão, a fonte da piedade. Muitas almas no Purgatório tinham consigo seus anjos da guarda, que as fortificavam enormemente com sua presença; mas havia também demônios cujas formas pavorosas faziam aumentar seus sofrimentos. Finalmente, em um último cárcere, foram-lhe mostradas as almas que não se tinham dado a nenhum vício em particular, mas que, por falta da devida vigilância sobre si mesmas, cometeram todo tipo de faltas triviais. A santa notou que estas almas tomavam parte nos castigos de todos os vícios, em um grau moderado, porque as faltas que elas cometeram apenas de tempos em tempos tornaram-nas menos culpadas do que aqueles que as tinham cometido habitualmente. Após esta última estação, a santa deixou o jardim, implorando a Deus que nunca mais a fizesse testemunha de um espetáculo tão desolador: ela sentia que não tinha forças para suportá-lo. Seu êxtase continuou, no entanto, e conversando com Jesus ela falou: “Dizei-me, Senhor, qual era o vosso desígnio em descobrir-me aquelas terríveis prisões, das quais eu sabia tão pouco e agora compreendo ainda menos? Ah, agora eu vejo: quisestes dar-me o conhecimento de vossa infinita santidade e fazer-me detestar cada vez mais a mínima mancha de pecado, tão abominável aos vossos olhos.” Fonte: Equipe Christo Nihil Praeponere Devemos ter medo das penas do Purgatório? Existem no Purgatório, assim como Inferno, dois tipos de pena: a de dano e a dos sentidos. A pena de dano consiste em ser privado por um tempo da visão de Deus, que é o bem supremo, o fim beatífico para o qual nossas almas foram criadas, assim como nossos olhos o foram para a luz. Trata-se de uma sede lancinante que atormenta a alma. “Quase todos os teólogos ensinam que os réprobos e as almas no Purgatório sofrem a ação do mesmo fogo.” A pena dos sentidos, que é um sofrimento sensível, é a mesma que experimentamos em nossa carne. A fé nada nos diz sobre a sua natureza; no entanto, é opinião comum dos doutores que ela consiste em fogo e noutras formas de sofrimento. O fogo do Purgatório, dizem os Santos Padres, é o mesmo do Inferno, do qual fala o rico epulão: Quia crucior in hac flamma, “Eu sofro horrores nestas chamas” (Lc 16, 26). No que diz respeito à intensidade das dores, infligidas pela infinita justiça de Deus, ela é proporcional à natureza, à gravidade e ao número dos pecados cometidos. Cada um recebe conforme a suas obras, ou seja, cada um deve satisfazer as dívidas pelas quais se vê responsável diante de Deus. Esses débitos, no entanto, diferem grandemente em qualidade. Alguns os acumularam durante toda uma vida, a ponto de atingirem os dez mil talentos do Evangelho, ou seja, milhões e dezenas de milhões; outros, porém, contraíram pouco a pagar, ou seja, devem aqueles poucos tostões que não foram expiados na terra. “A Virgem do Carmo salvando almas do Purgatório”, de Diego Quispe Tito. Disto se segue, em primeiro lugar, que as almas são submetidas a diversos tipos de sofrimento; além disso, existem inúmeros graus de expiação no Purgatório, dos quais alguns são incomparavelmente mais severos do que outros. Contudo, falando em termos gerais, os doutores concordam em dizer que as penas que ali se padecem são as mais excruciantes de todas. O mesmo fogo, diz S. Gregório Magno, que atormenta os condenados, purifica os eleitos (cf. In Ps. 37). “Quase todos os teólogos”, escreve S. Roberto Belarmino, “ensinam que os réprobos e as almas no Purgatório sofrem a ação do mesmo fogo” (De Purgat., II, 6). Deve-se ter como certo, diz o mesmo Belarmino (cf. De Gemitu Columbæ, II, 9), que não há proporção entre os sofrimentos da vida presente e os do Purgatório. S. Agostinho, por sua vez, afirma exatamente o mesmo em seu comentário ao Salmo 31: “Senhor”, escreve ele, “não me castigueis em vossa ira e não me rejeiteis entre aqueles a quem dissestes: ‘Ide para o fogo eterno’. Não me castigueis em vossa ira; purificai-me, antes, de tal modo nesta vida que eu não precise ser purificado pelo fogo na próxima. Sim, eu temo este fogo, que foi ateado para os que serão salvos, é verdade; mas, ainda assim, continua a ser fogo (cf. 1Cor 3, 15). Eles serão salvos, sem dúvida, depois da provação das chamas, mas essa provação será terrível, o tormento será mais intolerável do que os piores tormentos deste mundo”. Não há proporção entre os sofrimentos da vida presente e os do Purgatório. Notai o que diz S. Agostinho, e o que S. Gregório, o Venerável Beda, S. Anselmo e S. Bernardo disseram depois dele. Santo Tomás vai ainda mais longe, chegando a afirmar que a mais leve das penas do Purgatório supera todos os sofrimentos desta vida, sejam eles quais forem. A dor, diz o beato Peter Lefèvre, é mais profunda e mais aguda quando ataca diretamente a alma e a mente do que quando as atinge mediante o corpo. O corpo mortal, assim como os próprios sentidos, absorvem e atenuam uma parte da dor física, e até mesmo da dor moral (Sentim. du B. Lefèvre sur la Purg. Mess. du S. Coeur, nov. 1873). O autor da Imitação de Cristo, por sua vez, explica essa doutrina com uma sentença prática e impressionante. Falando de maneira geral dos sofrimentos da outra vida, ele diz que “lá uma hora de tormentos será mais terrível do que uma centena de anos de rigorosa penitência passada aqui” (Imit., I, 24). A fim de comprovar essa doutrina, pensemos que todas as almas no Purgatório sofrem a pena de dano e que essa pena supera o mais intenso sofrimento possível neste mundo. Voltando-nos agora para a pena dos sentidos, sabemos que coisa terrível é o fogo, ainda que seja uma frágil chama acendida em nossas casas, e que dor se sente na mais leve queimadura. O quão mais terrível não deve ser, pois, aquele fogo inextinguível, que não se alimenta nem de madeira nem de óleo! Acendido pelo sopro de Deus, como instrumento de sua justiça, ele se apodera das almas, atormentando-as com incomparável fúria. No Purgatório, uma hora de tormentos será mais terrível do que uma centena de anos de rigorosa penitência passada aqui. Tudo o que dissemos — e que ainda havemos de dizer — já basta para inspirar-nos aquele temor sadio que Jesus Cristo nos recomenda. Mas antes que alguns leitores, esquecidos da confiança cristã que deve moderar nossos medos, se entreguem a um temor excessivo, permitam-nos aprofundar a doutrina que acabamos de expor ouvindo o que diz outro doutor da Igreja, S. Francisco de Sales, cuja pena retrata os sofrimentos do Purgatório aliviados pelas consolações que os acompanham. São Francisco de Sales, bispo e doutor da Igreja. “Nós devemos”, diz o santo e amável diretor de almas, “colher da meditação do Purgatório mais consolação do que apreensão. A maior parte daqueles que temem o Purgatório pensam mais em seus próprios interesses do que nos interesses da glória de Deus. Ora, isso se deve ao fato de que pensam apenas nos sofrimentos, sem levarem em conta a paz e a alegria de que gozam as santas almas que ali habitam. É verdade que os tormentos são tão grandes que os sofrimentos mais agudos desta vida não se lhes comparam; mas a satisfação interior que lá se experimenta é tal, que nenhuma prosperidade ou contentamento desta terra se lhe pode igualar. As almas vivem ali numa contínua união com Deus, perfeitamente conformadas com a vontade divina. Só querem o que Deus quer e, se lhes fosse aberto o Paraíso, prefeririam precipitar-se no Inferno a apresentar-se manchadas diante de Deus. Purificam-se voluntária e amorosamente, porque assim Deus o quer. Desejam permanecer no estado que mais aprouver a Deus, e isto por todo o tempo que for da vontade dele. São invencíveis na prova e não podem ter um movimento sequer de impaciência nem cometer qualquer imperfeição. Amam mais a Deus do que a si próprias, com um amor simples, puro e desinteressado. Os anjos as consolam e estão certas de sua salvação, com uma esperança inigualável. Suas amarguras são mitigadas por uma paz profunda. Se é infernal a dor que sofrem, a caridade derrama-lhes no coração uma inefável ternura. É uma caridade mais forte do que a morte e mais poderosa do que o Inferno. O Purgatório é um feliz estado, mais desejável que temível, porque as chamas que lá ardem são chamas de amor” (Esprit de St. François de Sales, IX, p. 16). A satisfação interior que se experimenta no Purgatório é tal, que nenhuma prosperidade ou contentamento desta terra se lhe pode igualar. Tais são os ensinamentos dos doutores. Do quanto vimos se segue que, se as penas do Purgatório são rigorosas, não são, contudo, carentes de toda consolação. Quando nos impõe a cruz nesta vida, Deus derrama sobre ela a unção de sua graça. Assim também, ao purificar as almas no Purgatório como ouro na fornalha, Ele ameniza o ardor de suas chamas com consolações indescritíveis. Não devemos, pois, perder de vista esse elemento consolador, esse lado bom e positivo da imagem, pintada às vezes em cores tão sombrias, que iremos analisar nos próximos capítulos. 10 DICAS PARA EVITAR O PURGATÓRIO 1 – Elimine as causas do pecado e lute contra qualquer tentação. 2 – Penitência (Oferecer a Deus pequenos sacrifícios). 2 – Aceitar o sofrimento – a vontade de Deus. (Exemplo: Não reclamar calor, frio). 3 – Sacramentos (Confissão, Eucaristia) – Através do Percebemos a malícia do pecado. 5 – Oração (Morte Santa e que eu fique livre do purgatório). 6 – Aceite a morte (Aceitar a morte da maneira que Deus quiser). SENHOR MEU DEUS, ACEITO DESDE JÁ, DE BOA VONTADE, E RECEBO COM ALEGRIA E RESIGNAÇÃO O GÊNERO DE MORTE QUE VOS PROVER COM VOSSAS DORES E SOFRIMENTOS. 7 – Unção dos enfermos. 8 – Salvar uma alma (Ajudar uma alma a sair do pecado). 9 – Indulgências (Parciais e plenárias). 10 – Difundir a boa imprensa. (Divulgar a vida dos santos – catolicismo).
- As “Profecias” de São Malaquias
Na Irlanda, hoje é a festa de São Malaquias, um dos grandes reformadores eclesiásticos do século XII. Ele serviu por um tempo como Primaz da Irlanda na muito antiga Sé de Armagh, estabelecida pelo próprio São Patrício, mas mais tarde renunciou ao cargo e terminou sua vida como bispo de Down. A revista Butler’s Lives of the Saints resume sua carreira comparando-o a São Teodoro de Cantuária, que viveu meio século antes dele e deu uma forma permanente à organização da Igreja na Inglaterra. Sua festa também é mantida por várias congregações de cânones regulares, uma vez que o movimento reformista do qual ele era uma figura tão importante estava muito preocupado em restaurar a disciplina para as vidas de tais congregações, e também dos cânones das catedrais. Ele era um amigo íntimo de São Bernardo e na verdade morreu em seus braços após uma breve doença durante uma visita à Abadia de Clairvaux, no Dia de Finados de 1148. Bernard estava tão convencido da santidade de Malaquias que, ao celebrar seu funeral, cantou o Post – Oração de comunhão de um Bispo Confessor em vez da Missa de Requiem; ele mais tarde escreveu sua biografia e, por essas razões, os cistercienses também têm o Malaquias no calendário. O julgamento de Bernardo foi formalmente confirmado pelo Papa Clemente III em 1190; A Irlanda tinha, é claro, muitos santos antes disso, mas Malaquias foi o primeiro a ser formalmente reconhecido como tal por um Papa. É uma pena que um homem que merece ser homenageado ao lado de seus contemporâneos como Ss Bernard e Norbert como um grande reformador da Igreja agora seja conhecido principalmente como o suposto autor de uma série manifestamente fraudulenta de “profecias” sobre os papas. Em um mundo mais feliz, o fato de Bernard nada dizer sobre eles seria suficiente para desacreditá-los totalmente. Eles consistem em breves frases em latim que supostamente dizem algo sobre os homens que serão eleitos papas, desde o contemporâneo do santo Celestino II (que reinou por menos de 5 meses e meio em 1143-44) a “Pedro, o Romano”, 111 papas depois. Eles foram trazidos à atenção do mundo pela primeira vez em 1595 por um monge beneditino chamado Arnold de Wion, que os atribuiu a São Malaquias sem dizer por que razão, e na verdade, sem dizer de onde eles vieram. Foi só em 1871 que um padre francês chamado Cucherat alegou, com base em nenhuma evidência conhecida, que Malachy os entregou ao predecessor de Celestino II, Inocêncio II, enquanto visitava Roma para buscar o pallia dos dois metropolitas irlandeses. Eles foram então depositados nos arquivos papais e, de alguma forma, completamente esquecidos por cerca de 450 anos. A opinião geral daqueles que estudaram o assunto é que eles foram planejados para influenciar o conclave realizado no final de 1590, após a morte repentina de Urbano VII, que foi Papa por apenas 13 dias, o reinado mais curto da história papal. De Celestino II a Urbano VII, eles são extremamente e obviamente precisos, geralmente referindo-se aos sobrenomes dos papas. Por exemplo, antes de sua eleição para o papado, Celestino II se chamava Guido de Castello, pois era de uma cidade da Umbria chamada Città di Castello, que fica às margens do rio Tibre; a primeira “profecia” é “de castello Tiberis – do castelo do Tibre.” A partir de 1590, no entanto, eles se tornam tão vagos quanto as chamadas profecias de outro luminar do século 16 no campo, Nostradamus. Pio VIII (1829-30), por exemplo, corresponde a “vir religiosus – um homem religioso” (assim se espera!), e Pio XII para “pastor angelicus – um pastor angelical”. Outros são manifestamente incorretos, como Clemente XIII (1758-69), um nobre veneziano que corresponde a “Rosa da Umbria”. Isso deu origem a algumas explicações muito embaraçosas e complicadas de como as “profecias” se encaixam em seus respectivos papas. Clemente XIII canonizou um franciscano, José de Cupertino, e beatificou dois outros, e a Ordem Franciscana foi fundada por um umbriano …É certamente verdade que algumas das supostas profecias correspondem plausivelmente de uma forma ou de outra a seus respectivos papas, como inevitavelmente devem, dada sua imprecisão. Papa Leão XIII (1878-1903) corresponde a “lumen in caelo – uma luz no céu”, que pode ser vista como uma referência ao cometa em seu brasão, e seis papas depois, “flos florum – flor de flores ”pode ser vista como uma referência às flores-de-lis (um símbolo heráldico extremamente comum) nos braços de Paulo VI. Diz-se que a tradição de assumir um nome diferente na eleição para o papado às vezes começou com João II em 533, que anteriormente se chamava Mercúrio, e mudou seu nome por achar que não era apropriado para um Papa ter o nome de um pagão Deus. Na verdade, isso era uma anomalia, e não voltaria a acontecer por quase meio milênio, quando um “Pedro Boca de Porco” (Pietro Bocca di Porco) foi eleito em 1009, e, por considerar impróprio ser chamado de “Pedro II ”, mudou seu nome para Sergius IV. O que realmente estabeleceu a tradição foi o grande movimento de reforma que começou em meados do século 11, no qual São Malaquias seria tão proeminente. A partir de 1046, os papas começaram a reviver os nomes de seus ancestrais antigos e santos, como Clemente, Dâmaso e Victor, como um sinal de que, após a longa decadência do final do século 9 a meados do século 11, o papado estava agora voltando ao as idades gloriosas do passado. De 1046 a 1145, treze dos dezoito papas foram “o segundo com esse nome”, seguidos por oito “terços” de onze de 1145 a 1227. (O último Papa a manter seu nome de batismo, Marcelo II, morreu em 1555 no dia 22º dia de seu reinado, selando o costume com um pouco de medo supersticioso.) Mas é claro, nenhum Papa jamais escolheu o nome de São Pedro, Isso também se reflete (e talvez resulte) nas supostas “profecias” de São Malaquias, a última das quais é “Pedro, o Romano”, qualificada da seguinte forma: “Na última perseguição à Santa Igreja Romana, estará sentado Pedro o romano, que apascentará suas ovelhas em muitas tribulações; e sendo estas concluídas, a cidade das sete colinas será destruída, e o terrível juiz julgará seu povo. ” No entanto, a chamada profecia não dizem que não haverá papas entre “Pedro o Romano”, que corresponde ao Papa Francisco (cujo nome de batismo é Jorge, e cuja família é do norte da Itália, não de Roma), e a penúltima entrada na lista. Portanto, quando o papado atual acabar, se o mundo não acabar também, e o sucessor de Francisco for eleito, seremos deixados no escuro para o futuro … ou melhor, tão no escuro quanto estivemos durante todo esse tempo. GREGORY DIPIPPO FONTE: New Liturgical Movement #oúltimopapa #profecias #profeciassobreospapas #profecia #sãomalaquias #opapadofimdomundo
- Padre Pio: Um sacerdote católico que obrou milagres e carregou as feridas de Jesus Cristo em seu cor
Padre Pio foi um padre franciscano capuchinho que carregou as cinco chagas de Jesus Cristo em seu corpo de modo visível por mais de cinquenta anos. Padre Pio era também vidente, leitor de mentes, profeta, milagreiro, confessor, místico, asceta e missionário em escala mundial.1 Centenas de livros e artigos foram escritos sobre Padre Pio. Artigos longos sobre ele apareceram em muitas revistas, incluindo Newsweek, Time e The New York Times Magazine.2 O evento da recepção dos estigmas Ter os estigmas significa ter sobre o corpo «as marcas que se assemelham às chagas no corpo crucificado de Cristo».3 Houve apenas cerca de sessenta exemplos aceites de estigmas na história da Igreja Católica.4 Padre Pio foi o primeiro sacerdote na história da Igreja Católica a receber os estigmas visíveis. Ele teve os estigmas visíveis por mais de cinquenta anos, e a sua perda de sangue ao longo dos anos foi tão grande que, de acordo com a ciência médica, ele não poderia ter sobrevivido por muito tempo ― certamente não por cinquenta anos.5 Na verdade, Padre Pio recebeu os estigmas de forma invisível em 14 de Agosto de 1910.6 Padre Pio rogou que os seus estigmas permanecessem invisíveis e ocultos aos olhos dos homens.7 Mas a 20 de Setembro de 1918, ao fazer a sua acção de graças após uma Missa, ele recebeu os estigmas visíveis. O seu diretor espiritual ordenou-lhe que descrevesse tudo o que tinha acontecido naquele dia. Padre Pio descreveu o evento: «Eu avistei um visitante misterioso diante de mim… estava a pingar sangue dos pés e do lado. A visão assustou-me… Então a visão do visitante passou, e eu vi que as minhas mãos, pés e lado estavam perfurados e a deitar sangue. Vós ireis imaginar a dor que eu senti, e que continuo a experimentar quase todos os dias continuamente.8 A ferida do coração sangra continuamente, especialmente da noite de quinta-feira até ao sábado. Querido Padre, eu estou a morrer de dor por causa da ferida e o constrangimento resultante… Eu levanto a minha voz e não paro de implorar-Lhe, até que em Sua misericórdia ele a tire, não a ferida ou a dor, o que é impossível porque eu desejo estar inebriado com dor, mas esses sinais exteriores que me causam tal embaraço e humilhação insuportável.»9 Os seus estigmas eram feridas muito profundas no centro das suas mãos e pés e no lado esquerdo do seu corpo. As suas mãos e pés estavam perfurados dum lado ao outro; conseguia-se ver a luz através da membrana que cobria as suas feridas. Ele usava meias-luvas sobre as mãos (excepto durante a Missa) e meias nos pés.10 Ao longo dos anos, milhares de pessoas viram as feridas do Padre Pio expostas nas suas Missas.11 A atadura que estava localizada na ferida lateral ficava encharcada de sangue durante a noite, e tinha de ser trocada na manhã seguinte. Os seus estigmas foram examinados por médicos em várias ocasiões. A conclusão imparcial a que eles chegaram foi que as suas feridas eram inexplicáveis. Sem a permissão directa dos seus superiores, ninguém podia ver as feridas.12 O Dr. Bignami examinou as feridas pouco depois de Padre Pio as ter recebido. Ele declarou: « …eu não entendo como essas feridas persistiram até agora por quase um ano sem ficarem melhor ou pior.»13 Para confirmar a conclusão dos médicos, que a presença dos estigmas era inexplicável e milagrosa, há o facto de que o Padre Pio teve operações a uma hérnia e a um cisto. Essas enfermidades cicatrizaram normalmente, mas os seus estigmas não cicatrizavam normalmente.14 Surpreendentemente, as feridas de Padre Pio em suas mãos eram muitas vezes abertas e expostas, mas permaneciam completamente livres de infecção. Ele perdia cerca de um copo cheio de sangue todos os dias da ferida em seu lado, que ficava sempre coberta por um pano de linho.15 Outro médico, o Dr. Sanguinetti, disse a um amigo: «Se tu ou eu sofrêssemos um décimo da dor que Padre Pio sofre com as suas feridas, estaríamos mortos.»16 Perguntou-se a Padre Pio por que motivo a ferida na sua lateral estava num lugar ligeiramente diferente do lugar da ferida de Nosso Senhor. Ele respondeu: «Seria demais se fosse exactamente como a do Senhor.»17 Além dos estigmas, Padre Pio sofria a coroação de espinhos e a flagelação semanalmente.18 O sangue em torno dos estigmas do Padre Pio por vezes exalava uma agradável fragrância «como uma mistura de violetas e rosas». Um médico acrescentou: «Há que considerar que de todas as partes do organismo humano o sangue é o mais rápido a se decompor. De qualquer modo, o sangue jamais emite um odor agradável.»19 Esta fragrância milagrosa e agradável também se podia sentir em coisas que pertenciam ao Padre Pio e em algumas coisas que ele tocava. Alguns devotos do Padre Pio sentiram uma fragrância agradável, a rosas, a flores silvestres ou a um cheiro de fumaça de charuto. Eles acreditavam que isso indicava a sua presença, um aviso ou uma mensagem de algum tipo. Nos arquivos do Santuário de Nossa Senhora das Graças há volumes de testemunhos de mais de mil pessoas que foram declaradas irremediavelmente doentes por médicos, mas que foram curadas de enfermidades incuráveis e de efeitos de lesões incapacitantes por intercessão de Padre Pio.20 Padre Pio também foi responsável por numerosas conversões entre incrédulos, ateus e agnósticos ― e entre pessoas que se diziam católicas, mas que tinham deixado de praticar a Fé.21 A infância de Padre Pio A mãe de Padre Pio deu à luz a oito filhos, três dos quais morreram muito cedo.22 Padre Pio nasceu em 25 de maio de 1887, chamado Francesco Forgione, e foi baptizado no dia seguinte.23 Aos cinco anos de idade, Francesco era extremamente sensível às questões relativas a Deus. Nesta altura, ele começou a ter visões ― visões de coisas sagradas, bem como visões de coisas muito más. Essas visões horrivelmente malignas o assustavam e o faziam chorar.24 Francesco (Padre Pio) não gostava de sair e de brincar com crianças da sua idade, porque, como ele disse, «Eles não são honestos, eles usam baixo calão, e praguejam».25 Francesco era uma criança meditativa e dócil. Aos cinco anos de idade, ele disse que já tinha prometido fidelidade a São Francisco de Assis; aos nove anos de idade, a sua mãe descobriu que ele estava a tentar dormir no chão duro e frio, com uma pedra fazendo de travesseiro.26 Quando criança, tornou-se uma segunda natureza para Francesco, quando em torno de meninas, para controlar os seus olhos modestamente, manter a cabeça um pouco inclinada, agir muito reservadamente, e evitar ficar muito familiarizado com elas.27 Todas as noites, a família de Padre Pio rezava o Rosário em conjunto. O Rosário tinha um lugar especial na sua casa. Outras coisas poderiam ser sacrificadas na sua casa, mas não o Rosário.28 Uma vez, quando jovem, ele viu uma menina que ele conhecia trabalhar com a sua agulha, costurando uma atadura num vestido. Ele disse-lhe: «Andrianella, hoje nós não trabalhamos. É domingo.» Mostrando a sua irritação, a moça respondeu: «Menino, és muito pequeno para falar assim». Francesco deixou-a, e voltou com um par de tesouras. Ele então agarrou a atadura em que ela estava a trabalhar e cortou-a em pedaços.29 Quando Francesco Forgione (Padre Pio) tinha quatorze anos (1901), ele foi enviado para trabalhar num programa de ensino médio sob a direção de Angelo Caccavo. Em 1902, Caccavo atribuiu a Francesco a tarefa de escrever um artigo intitulado «Se Eu Fosse Rei.»: «[Se eu fosse Rei] lutaria, primeiro contra o divórcio, que tantos homens maus desejam, e faria as pessoas respeitarem tanto quanto possível o Sacramento do Matrimónio. O que aconteceu com Juliano, o Apóstata, que era corajoso, auto-controlado e estudioso, mas que cometeu o grande erro de negar o cristianismo, no qual foi educado, porque decidiu reviver o paganismo? A sua vida foi desperdiçada porque ele não conseguiu nada, excepto o nome desprezível de apóstata.»30 A 6 de Janeiro de 1903, Padre Pio ingressou na vida religiosa como um monge capuchinho.31 A saúde de Padre Pio era tão frágil que o seu professor de teologia lhe disse: «A tua saúde não é boa, portanto podes tornar-te pregador. A minha esperança para ti é que sejas um grande e consciente confessor.»32 A declaração foi profética, pois seria cumprida de maneira incrível. Padre Pio foi ordenado sacerdote da Igreja Católica em 10 de Agosto de 1910.33 Confissões João 20:21-23: «Assim como o Pai me enviou, também vos envio a vós. Tendo proferido estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.» No Evangelho de João, vemos o poder de perdoar os pecados conferido por Jesus Cristo aos Apóstolos. O poder de perdoar os pecados conferido aos sacerdotes validamente ordenados por um bispo desempenharia um papel proeminente na vida e nos milagres de Padre Pio. De 1918 a 1923, Padre Pio ouvia confissões de quinze a dezanove horas todos os dias. Nas décadas de 1940 e 1950, ele geralmente ouvia confissões por um pouco menos tempo do que isso, mas ainda cinco a oito horas por dia.34 A confissão média feita ao Padre Pio durava apenas três minutos. De acordo com uma estimativa, Padre Pio ouviu um total de aproximadamente cinco milhões de confissões.35 Tantas pessoas queriam que Padre Pio ouvisse as suas confissões que geralmente tinham que esperar duas ou três semanas antes da sua vez.36 O número de pessoas tornou-se tão grande que foi necessário abrir um escritório para guardar os bilhetes. Os bilhetes eram numerados; eles indicavam onde as pessoas estavam alinhadas para o confessionário do Padre Pio.37 Esse sistema de numeração começou a ser implementado em janeiro de 1950.38 Havia também uma regra instituída que era permitido confessar-se ao Padre Pio mais de uma vez a cada oito dias. Um homem de Pádua, que tinha ido se confessar ao Padre Pio, tentou confessar-se outra vez antes do período de oito dias de espera ter passado. A fim de contornar o período de espera, ele mentiu sobre a quantidade de dias que se passaram desde a sua última confissão ao Padre Pio. Quando ele entrou no confessionário, Padre Pio expulsou-o e acusou-o vigorosamente da sua mentira. Depois de ser expulso, o homem disse com lágrimas, «Eu disse muitas mentiras durante a minha vida, e pensei que eu poderia enganar o Padre Pio também».39 Mas Padre Pio tinha um conhecimento sobrenatural da sua acção. Padre Pio exigia que cada confissão fosse uma verdadeira conversão. Ele não tolerava a falta de honestidade na explicação dos pecados. Ele era muito duro com aqueles que faziam desculpas, falavam sem sinceridade ou não tinham uma firme decisão de mudar. Exigia a franqueza e a honestidade total do penitente. Ele também exigia uma verdadeira e sincera tristeza de coração, e uma firmeza absoluta nas resoluções da pessoa para o futuro.40 Muitos dos penitentes de Padre Pio fizeram a assombrosa declaração de que, quando no seu confessionário, eles experimentavam a incrível impressão de estar diante do tribunal de Deus.41 Se o penitente não era honesto, ou apenas lia a lista de seus pecados sem a firme resolução de mudar, Padre Pio muitas vezes resmungava «vai embora».42 Muitas pessoas disseram que Padre Pio era brusco e irado, que às vezes ele fechava o painel no rosto do penitente. Padre Pio frequentemente denunciava um penitente com uma frase abrasadora.43 Um homem que foi expulso do confessionário pelo padre Pio declarou: «Que tipo de monge preguiçoso é esse?» Ele não me deu tempo para dizer uma palavra, mas logo me chamou de porco velho e mandou-me sair!» Outra pessoa disse a este homem que Padre Pio provavelmente tinha boas razões para chamá-lo de porco velho e tratá-lo dessa maneira. «Não sei por quê», disse o homem que fora expulso do confessionário; E então, depois de uma pausa, o homem disse: «Ao menos que seja por eu estar a viver com uma mulher que não é a minha esposa.»44 Padre Pio também expulsou certos sacerdotes e bispos do seu confessionário.45 Padre Pio disse certa vez a um padre: «Se você soubesse o quão pavoroso é sentar-se no tribunal do confessionário! Estamos a administrar o Sangue de Cristo. Devemos ter cuidado para não nos arriscarmos a sermos muito maleáveis ou negligentes.»46 Outro homem foi confessar-se ao Padre Pio para testá-lo. Ele queria ver se o Padre Pio conseguia perceber que ele estava a mentir. O homem disse ao Padre Pio que não estava ali para confessar os seus pecados, mas para pedir orações por um parente. Isso não era verdade, e Padre Pio sabia disso imediatamente. Padre Pio deu-lhe um golpe no rosto e mandou-o sair do confessionário.47 Uma mulher que veio numa longa viagem para ver Padre Pio disse-lhe em confissão: «Padre Pio, há quatro anos eu perdi o meu marido e eu não tenho ido à igreja desde então». Padre Pio respondeu: «Por ter perdido o seu marido, você também perdeu Deus? Vá embora! Vá embora!» enquanto fechava rapidamente a porta do confessionário. Pouco depois desse evento, a mesma mulher recuperou a sua fé, atribuindo tal recuperação à maneira como Padre Pio a tinha tratado ― provavelmente reconhecendo como ela tinha colocado o apego ao seu marido acima de Deus.48 André Mandato falou sobre o momento em que foi se confessar ao Padre Pio: «Eu estava a ir à igreja todos os domingos, mas não tinha qualquer crença forte na confissão. Eu ia muito raramente. Comecei a acreditar na confissão somente depois que fui ao Padre Pio. Na primeira vez que confessei-me para ele, ele disse-me quais eram os pecados que eu tinha cometido».49 Katharina Tangeri descreveu a confissão ao Padre Pio: «… Padre Pio começava perguntando-nos quanto tempo tinha passado desde a nossa última confissão. Esta primeira pergunta estabelecia contacto entre Padre Pio e o penitente; de repente, parecia que o Padre Pio sabia tudo sobre nós. Se as nossas respostas [do penitente] não fossem claras ou fossem inexatas, ele as corrigiria; tínhamos a sensação de que… o seu olho conseguia ver a nossa alma como ela realmente era perante de Deus.»50 Padre Pio comentou sobre a quantidade de confissões que ele ouviu e como ele foi capaz de as fazer: «Houve períodos em que ouvi confissões sem interrupção por dezoito horas consecutivas. Eu não tenho um momento sequer para mim. Mas Deus me ajuda efetivamente no meu ministério. Sinto força para renunciar a tudo, desde que as almas retornem a Jesus e amem Jesus.»51 Joh McCaffery confessou-se com Padre Pio, e relata a sua experiência extraordinária. McCaffery queria que Padre Pio rezasse por alguns dos seus amigos. McCaffery recorda: «Então, durante uma pausa, eu comecei a dizer “E então, Padre…,” mas ele interrompeu-me a sorrir e disse: “Sim, vou lembrar dos seus amigos também!”»52 Uma mulher chamada Nerina Noe foi ao Padre Pio para se confessar. Ela disse-lhe que estava a pensar em parar de fumar; ela não antecipou a rude resposta que Padre Pio lhe deu: «Mulheres que fumam cigarros são repugnantes.»53 Frederick Abresch era um daqueles penitentes que tinham sido convertido depois de ir ao Padre Pio para confissão. Seguem-se algumas das coisas que ele descreveu sobre a história da sua incrível conversão: «Em Novembro de 1928, quando fui ver Padre Pio pela primeira vez, faziam alguns anos desde que eu houvera passado do protestantismo ao catolicismo, coisa que fiz por conveniência social. Eu não tinha fé; pelo menos agora entendo que eu estava meramente sob a ilusão de a ter. Tendo sido criado numa família altamente anti-católica e imbuído de preconceitos contra os dogmas a tal ponto que uma instrução apressada não foi capaz de os aniquilar, sempre fui ávido por coisas secretas e misteriosas. «Encontrei um amigo que me introduziu nos mistérios do espiritismo, mas cansei-me rapidamente dessas mensagens inconclusivas de além do túmulo; fui fervorosamente para o campo do ocultismo, magia de todos os tipos, etc. Então eu encontrei um homem que declarou, com um ar misterioso, que ele estava na posse da única verdade: “Teosofia.” Eu rapidamente me tornei seu discípulo, e em nossas mesas de cabeceira começámos a acumular livros com os títulos mais sedutores e atraentes. Com auto-confiança e auto-importância, usava palavras como Reencarnação, Logos, Brahma, Maja, esperando ansiosamente alguma grande e nova realidade que deveria supostamente acontecer. «Não sei por quê, embora acredite que era sobretudo para agradar a minha mulher, mas de vez em quando eu continuava a aproximar-me dos Santos Sacramentos. Este era o meu estado de alma quando, pela primeira vez, ouvi falar desse padre capuchinho que me fora descrito como um crucifixo vivo, operando milagres contínuos. «A curiosidade crescia… decidi ir vê-lo com os meus próprios olhos… Ajoelhei-me no confessionário [e contei ao Padre Pio que]… eu considerava a confissão como uma boa instituição social e educacional, mas que não acreditava em absoluto na divindade do Sacramento… O Padre, no entanto, disse com expressões de grande tristeza: “Heresia! Então todas as tuas comunhões foram sacrílegas… tens de fazer uma confissão geral. Examina a tua consciência e lembra-te de quando fizeste a tua última boa confissão. Jesus tem sido mais misericordioso contigo do que com Judas.» «Então, olhando sobre a minha cabeça com um olhar severo, ele disse numa voz forte, “Louvado seja Jesus e Maria!,” e foi até à igreja para ouvir as confissões das mulheres, enquanto eu permaneci na sacristia, profundamente comovido e impressionado. A minha cabeça estava a girar e eu não conseguia me concentrar. Eu ainda ouvia nos meus ouvidos: “Lembra-te de quando fizeeste a tua última boa confissão!” Com dificuldade consegui chegar à seguinte decisão: Eu diria ao Padre Pio que eu era protestante e que, embora depois da abjuração tenha sido rebaptizado (condicionalmente), e todos os pecados de minha vida passada tenham sido aniquilados em virtude do santo Baptismo, no entanto, para tranquilidade própria eu queria começar a confissão desde a minha infância. «Quando o Padre retornou ao confessionário, ele repetiu a pergunta para mim: “ Então, quando foi a última vez que fizeste uma boa confissão?” Eu respondi: “Padre, como eu era…,” mas nesse momento o Padre interrompeu-me dizendo: “… fizeste a última confissão quando estavas a voltar da tua lua de mel, vamos deixar tudo de lado e começar desde lá!” «Eu permaneci mudo, abalado com um estupor, e entendi que eu tinha tocado o sobrenatural. O Padre, entretanto, não me deu tempo para reflectir. Escondendo o seu conhecimento de todo o meu passado, e, em forma de perguntas, ele listou todas as minhas falhas com precisão e clareza… Depois que o Padre trouxe todos os meus pecados mortais à luz, com palavras impressionantes ele fez-me entender a gravidade dessas falhas, acrescentando num tom de voz inesquecível, “Cantaste um hino a Satanás, enquanto Jesus, em Seu ardente amor, quebrou o próprio pescoço por ti.” Então ele deu-me a minha penitência e absolveu-me… Acredito não só nos dogmas da Igreja Católica, mas também na menor das suas cerimónias… para tirar esta fé, seria necessário tirar também a minha vida.»54 Joe Greco, agora um grande devoto de Padre Pio, teve um sonho em que ele encontrou Padre Pio numa estrada e pediu-lhe para salvar o seu pai doente. O pai de Joe recuperou-se repentinamente após o sonho. De modo a agradecer a Padre Pio, Joe decidiu viajar para vê-lo pessoalmente. Depois de esperar quatro dias, Joe conseguiu encontrar-se com Padre Pio para confissão. Joe descreveu o encontro: «Foi esta a causa, na verdade, quando Padre Pio viu-me, disse: “Bem, então o teu pai está bem.” Bem, isto realmente destroçou-me, porque eu nunca estive em San Giovanni Rotondo antes. Eu nunca tinha estado naquela parte do mundo, nem conhecia ninguém lá. E, no entanto, apresentei-lhe na minha mente uma pergunta, eu estava a dizer: “foi você, foi você?” E ele respondeu: “no sonho, no sonho.” Bem, eu comecei a tremer, estava com medo de dizer a verdade. Eu disse: “Sim, Padre, no sonho, Padre.” Contei-lhe os meus pecados, e antes de me dar a absolvição, ele me disse: “Ora, então, há outra coisa que sabes” [que não mencionaste na confissão]. Eu disse, “bem Padre, eu não consigo me lembrar de mais nada.” Padre Pio passou a descrever um incidente com uma moça no parque aquando da minha primeira vez no exército. Bem, tudo voltou para mim. Eu desejava que o chão se abrisse e me engolisse, eu estava tão envergonhado. Então eu disse ao Padre Pio, “Sim Padre, tudo me volta e julgo que esqueci de dizer isso em confissão, estou tão envergonhado.” ― “Bem” ― disse ele ―, estás a carregar este pecado contigo desde 1941, e o local foi Blackburn para dizer-te a verdade.” E eu levantei-me para ir embora e Padre Pio disse, “Há outra coisa que esqueceste.” Eu pensei que era sobre algum pecado. E ele disse: “olha dentro do teu bolso.” Então tirei do meu bolso as contas do Rosário, dei-lhas, abençoou-as e as devolveu. E foi isso.» Um homem disse ao Padre Pio em confissão: «Mas eu estou apegado aos meus pecados, porque eles são um modo de vida necessário. Ajude-me a encontrar um remédio». Padre Pio entregou-lhe uma oração a São Miguel Arcanjo para ser dita todos os dias durante quatro meses.55 Don Nello Castello, sacerdote de Pádua, Itália, que tinha ido confessar-se centenas de vezes ao Padre Pio, recordou as suas incríveis experiências: «Eu fui confessar-me ao Padre Pio pelo menos cem vezes, e lembro-me da primeira vez, as suas palavras abalaram-me e iluminaram-me. Os conselhos que ele me deu reflectiam o conhecimento exacto de toda a minha vida, passada e futura. Às vezes ele surpreendia-me com sugestões sem relação com os pecados confessados. Mas eventos posteriores deixavam claro que o seu conselho tinha sido profético. Numa confissão em 1957, ele falou cinco vezes com insistência sobre a mesma questão, usando palavras diferentes e lembrando-me de uma feia falha de impaciência. Além disso, ele iluminou-me sobre as causas subjacentes que provocaram a impaciência. Ele descreveu para mim o comportamento que eu deveria seguir para evitar a impaciência no futuro. Isso aconteceu sem que eu tivesse dito uma palavra sobre o problema. Assim ele conhecia os meus problemas melhor do que eu e aconselhava-me a como corrigi-los.»56 Entre os que iam ver Padre Pio, havia descrentes professos. Alguns iam vê-lo por curiosidade, outros para zombar do Padre Pio e de Deus. Dois maçons, que eram amargamente antagónicos a Deus e à Igreja Católica, decidiram fazer falsas confissões ao Padre Pio de pecados que eles simplesmente inventaram. O objetivo deles era profanar o Sacramento da Penitência. Esses homens visitaram-no em momentos separados. Quando eles começaram a confessar os pecados inventados, Padre Pio os deteve, disse-lhes que sabia o que estavam a fazer e então começou a contar a cada um os seus pecados reais, bem como a hora, o lugar e como os cometeram. Os dois homens ficaram tão perplexos que alguns dias depois se arrependeram de suas vidas pecaminosas e se converteram.57 Um comunista incrédulo também dirigiu-se ao Padre Pio para confissão. Na época, ele ainda não tinha abandonado as suas crenças malignas. Padre Pio correu-o do confessionário, dizendo: “O que estás a fazer diante do tribunal de Deus se não crês? Vai! Vai-te embora! Tu és um comunista!»58 No confessionário, Padre Pio dizia coisas como: «Por que vendeste a alma ao Diabo?… Quão irresponsável!… Estás no caminho do Inferno!…Ó homem descuidado, vai, primeiro e obtenha arrependimento, e depois venha cá…!»59 Uma pessoa em confissão questionou a própria existência do Inferno. Padre Pio respondeu: «Vais acreditar quando chegares lá».60 Padre Pio considerava frequentemente a confissão como sendo algo necessário para o crescimento na vida espiritual. Ele ia confessar-se pelo menos uma vez por semana. Ele nunca quis que os seus filhos espirituais ficassem sem confissão por mais de dez dias.61 Uma vez, fizeram a seguinte pergunta a Padre Pio: «Confessamos tudo o que podemos lembrar ou saber, mas talvez Deus vê outras coisas que não podemos recordar?» Ele respondeu: «Se colocarmos [na nossa confissão] toda a nossa boa vontade e tivermos a intenção de confessar [todos os pecados mortais]… tudo o que podemos saber ou lembrar ― a misericórdia de Deus é tão grande que Ele incluirá e apagará mesmo o que não podemos lembrar ou saber.»62 Por esta razão, deve-se dizer no final de uma confissão: «e confesso todos os pecados que me possa ter esquecido e não mencionei nesta confissão.» Padre Pio sobre as modas modernas 1 Timóteo 2:9: «Do mesmo modo orem também as mulheres em traje honesto, ataviando-se com modéstia e sobriedade…» Gálatas 5:19: «Obras obras da carne são manifestas: são a fornicação, a impureza, a luxúria.» Padre Pio tinha opiniões extremamente fortes sobre modas femininas no vestir-se. Quando começou a mania das mini-saias, ninguém se atrevia a ir ao mosteiro de Padre Pio vestido duma maneira tão inapropriada. Outras mulheres não iam com mini-saia, mas com saias que eram mais para curtas. Padre Pio ficava muito chateado com isso também. Uma mulher tentou mudar de saia antes de se confessar; ela pegou emprestada uma saia mais longa de uma amiga. Quando entrou no confessionário, ele puxou a persiana e fechou-a novamente, dizendo: «Bem, estamos nos vestindo para um carnaval?»63 Qualquer mulher que entrasse no seu confessionário vestindo uma saia que não fosse oito polegadas [aproximadamente 20 centímetros] abaixo dos joelhos era mandada embora imediatamente sem poder se confessar.64 Outras mulheres, que conseguiram entrar vestidas um pouco inadequadamente, foram expulsas pelo Padre Pio, com ele às vezes a gritar «fora! fora! fora!»65 Padre Pio não tolerava nem saias apertadas, nem vestidos curtos ou decotados. Ele também proibiu as suas filhas espirituais de usar meias transparentes. A sua severidade aumentava a cada ano. Ele despedia as mulheres do confessionário, mesmo antes de entrarem caso notasse que o seu vestido era inadequado. Muitas manhãs ele mandou embora uma após outra ― acabando por ouvir apenas algumas poucas confissões. Ele também tinha uma placa pendurada à porta da igreja que declarava: «Por desejo explícito do Padre Pio, as mulheres devem entrar no seu confessionário vestindo saias pelo menos oito polegadas [aproximadamente 20 centímetros] abaixo dos joelhos. É proibido pedir emprestado vestidos mais longos na igreja e usá-los para o confessionário.» Padre Pio repreendia algumas mulheres com as palavras: «Vá se vestir». Às vezes acrescentava: «Palhaças!» Ele não abria excepção para ninguém, quer fossem pessoas que ele conheceu ou viu pela primeira vez, quer fossem filhas espirituais de longa data. Em muitos casos, as saias eram muitas centímetros abaixo dos joelhos, mas ainda não eram suficientemente longas para a severidade de Padre Pio. Meninos e homens também tinham que usar calças compridas, se não quisessem ser expulsos da igreja.66 Sobre pecados de impureza Jacinta de Fátima: «Os pecados que mais fazem que almas vão para o Inferno são os pecados da carne.» Era bem sabido entre os sacerdotes mais velhos que Padre Pio não era contra usar linguagem dura, áspera e chocante, como já vimos. Isso era especialmente verdade quando ele lidava com casos de impureza, escândalo, calúnia e pecados contra a maternidade. Ele não perdoava essas pessoas sem uma repreensão, e frequentemente uma muito severa. Enquanto que pecadores graves eram frequentemente admoestados com um severo aviso, a outros era-lhes recusada a absolvição por não estarem suficientemente preparados.67 O Padre Paolo Rossi, postulador geral dos Capuchinhos, declarou: «Padre Pio tinha um carácter áspero.»68 Um homem que estava a ser infiel à sua esposa confessou ao Padre Pio que estava a ter «uma crise espiritual». Padre Pio levantou-se e gritou, «Qual crise espiritual? Tu és um porco vil e Deus está indignado contigo. Vai-te embora!»69 Outra jovem confessou ter cometido pecados contra a pureza. Contudo, ela sabia que, quando voltasse para casa, cairia na mesma tentação e cometeria o pecado novamente. Ela não tinha o firme propósito de emenda (a firme resolução de mudar a vida e deixar de pecar) ― um componente essencial para fazer uma confissão válida. Padre Pio recusou-se a absolvê-la. Ela voltou novamente e fez a mesma confissão, mas Padre Pio novamente não a absolveu. Isso aconteceu quatro vezes seguidas. Mesmo antes da sua quinta confissão, ela pensou consigo mesma: «Prefiro morrer que cometer esse pecado de novo», e ela pensou nisso durante toda a sua confissão. Padre Pio examinou-a atentamente e depois a absolveu.70 Uma mulher que teve um aborto conheceu Padre Pio. Ela disse: «Eu nunca soube que aborto era um pecado.» Ele respondeu: «O que queres dizer? Não sabias que isso é um pecado? Isso é matar … é um pecado, um grande pecado.»71 Uma mulher disse ter lido livros imorais. Padre Pio disse: «Já confessaste isso antes?» «Sim», ela respondeu. ― O que o teu confessor te disse? ― Perguntou Padre Pio. «Que eu não deveria fazer mais isso», disse ela. Sem dizer uma palavra, Padre Pio fechou a porta do confessionário em seu rosto e começou a ouvir a próxima confissão.72 A influência de Padre Pio noutras pessoas O modo como Deus usou Padre Pio para interceder milagrosamente por outros era tão bem conhecido que as pessoas na área tinham um apego profundo, até mesmo absurdo, a ele. Quando foi dito que Padre Pio poderia ser transferido para uma localidade diferente, a população local tentou evitar isso ameaçando violência se ele fosse transferido. Foi, como é óbvio, uma decisão terrível e pecaminosa por parte dessas pessoas. Isto serve para mostrar, no entanto, que a intercessão milagrosa de Padre Pio era bem conhecida entre o povo. Em Agosto de 1923, os superiores de Padre Pio disseram-lhe que ele iria ser transferido. A 10 de Agosto de 1923, um homem chamado Donato dirigiu-se a Padre Pio e apontou-lhe uma arma, dizendo: «Morto ou vivo, você vai ficar connosco aqui nesta aldeia.» Imediatamente, as pessoas cercaram Donato e desarmaram-no.73 As pessoas costumavam cortar pedaços do hábito de Padre Pio e manter os pedaços como relíquias. Padre Pio falou sobre isso: «Olha o que eles fazem, isso é paganismo, eu tenho que ser duro com eles.»74 Padre Pio restaura a visão aos cegos Um cego implorou ao Padre Pio que restaurasse a sua visão «mesmo que fosse num olho só», para que pudesse voltar a ver os rostos de seus entes queridos. Padre Pio interrogou-o repetidamente: ― «Só num olho?» Padre Pio disse ao homem para ser de bom coração e que ele iria rezar por ele. Algumas semanas mais tarde o homem retornou em lágrimas para agradecer Padre Pio porque a sua visão tinha sido restaurada! Padre Pio disse: «Então, estás a ver normalmente de novo?» O homem respondeu: «Sim, deste olho aqui, não do outro». Padre Pio disse: «Ah, só de um olho? Que isto seja para ti uma lição, nunca ponha limites a Deus, peça sempre a grande graça!»75 Um jovem pediu a Padre Pio que o curasse da sua cegueira. Padre Pio perguntou-lhe: Queres que a tua vista seja restaurada, ou salvar a tua alma?» O homem respondeu: «Se é uma escolha estrita, eu prefiro salvar minha alma.» «É uma escolha estrita», disse Padre Pio, e foi uma coisa muito amarga e difícil de aceitar para o jovem.76 Em 1919, um padre chamado Padre Carlo Naldi veio com o seu amigo judeu, Lello Pegna. O padre explicou que Pegna tinha ficado totalmente cego. Eles tinham ido ao Padre Pio para ver se ele poderia ser curado. Padre Pio disse a Pegna: «O Senhor não te concederá a graça da vista física a menos que primeiro recebas a visão da tua alma, e depois de te baptizarem, o Senhor te dará a tua vista». Meses depois, Pegna voltou sem os óculos escuros que usava normalmente. Pegna explicou ao Padre Pio que, apesar da oposição da sua família, ele tinha se tornado cristão e baptizado. No início, ele ficou desanimado quando a sua cegueira continuou, mas depois de alguns meses a sua visão voltou. O médico que já tinha dito a Pegna que ele estava irremediavelmente cego teve que admitir que a sua visão estava em perfeito estado. O Padre Paolino manteve contacto com Lello Pegna por quase trinta anos, e relatou que a sua visão ainda era perfeita.»77 Uma menina sem pupilas enxerga! Gemma di Giorgi era uma menina que nasceu sem pupilas nos olhos. Gemma foi declarada incurável por vários de especialistas. Aos sete anos de idade (1947), a avó de Gemma levou-a para conhecer Padre Pio.78 A meio do caminho, Gemma começou a ver. A avó de Gemma e outros amigos maravilharam-se com esta ocorrência milagrosa; eles consideraram o sucedido um milagre! Quando Gemma chegou, Padre Pio, apesar de nunca ter visto Gemma antes, chamou Gemma pelo nome à frente da congregação na igreja, e ouviu a sua confissão. Durante a confissão, apesar do facto de Gemma não ter mencionado nada sobre a sua cegueira, Padre Pio fez o sinal da cruz sobre cada olho. No final da confissão, ele abençoou-a e disse: «Seja boa e santa.»79 Passadas décadas depois deste evento, Gemma vê perfeitamente e ainda passa por exames oculares por especialistas que concordam que não há explicação para a sua capacidade de ver. Gemma não tem pupilas, e é um facto científico que sem pupilas uma pessoa não consegue ver. A avó de Gemma também disse: «Muitos oftalmologistas chegaram aqui em nossa casa e todos declararam a mesma coisa: sem pupilas nos olhos, ninguém deveria ser capaz de ver e que, portanto, isto é um milagre.»80 A Sra. Dryden explica como Padre Pio esteve envolvido na cura da sua filha. «Quando a minha filha adoeceu com cancro de colo uterino há seis anos, o seu médico lhe deu cinco anos de vida, no último exame ela foi informada de que estava completamente curada. Eu acredito que tudo isso é devido ao Padre Pio. Um amigo católico contou-me sobre ele, então eu rezei para ele e depositei a minha confiança nele. Eu não sou católica, mas creio que foi um milagre.»81 Histórias como essa acima são numerosas. Há muitas histórias de curas físicas e intervenções especiais de Padre Pio, mas não irei abordar mais dessas, pois este livro não tem como foco as suas curas físicas milagrosas. Pode-se ler testemunhos de pessoas que foram milagrosamente curadas através da intercessão do Padre Pio em muitos livros; alguns deles são dedicados principalmente a este tópico.82 Histórias pessoais Padre Pio conversou com uma mulher recém-viúva; o seu marido tinha deixado a ela e aos seus dois filhos para viver com outra mulher há mais de três anos. De repente, o cancro lhe tirou a vida. Ele consentiu em receber os últimos sacramentos antes da sua morte, depois de muitos apelos urgentes. A mulher perguntou: «Onde está a sua alma, Padre? Eu não durmo, preocupada». «A alma do seu marido está condenada para sempre», respondeu Padre Pio. A mulher respondeu: «Condenada?» Padre Pio tristemente acenou com a cabeça. «Ao receber os últimos sacramentos, ele ocultou muitos pecados, não teve nem arrependimento nem boa resolução. Ele também era um pecador contra a misericórdia de Deus, porque ele disse que sempre quis ter uma parte das coisas boas da vida e depois ter tempo para se converter a Deus.»83 Uma outra mulher disse ao seu noivo que ela não poderia prosseguir com o casamento ao menos que ele concordasse em voltar para a Igreja. Aborrecido e cinicamente, ele concordou em ir com ela ao mosteiro do Padre Pio. Eles foram juntos à missa matinal. Durante a missa, a menina ficou espantada ao ver o seu noivo a olhar para o altar, pálido e com ar de chocado. «Isso acontece todos os dias?» Ele disse calmamente para ela. «Sim», ela respondeu com perplexidade, estando ignorante do motivo da sua pergunta incomum. Só depois que eles saíram da Igreja é que a sua reacção foi-lhe claramente explicada. Ele viu um monte de espinhos na cabeça do Padre Pio, e sangue a escorrer pelo seu rosto; e ele pensou que todos estavam a ver o que ele viu.84 Um dia, um padre levou um marido e uma esposa ao Padre Pio para que ele os pudesse abençoar. Três dos seus filhos foram presos por roubo. Padre Pio disse-lhes: «Eu recuso-me absolutamente a abençoar-vos! Vós não puxastes as rédeas quando os vossos filhos estavam a crescer, então não venham pedir a minha bênção agora que eles estão na prisão.»85 Alberto Del Fante era um jornalista que desprezava Padre Pio. Denunciou-o em revistas como um charlatão que assaltava pessoas ingénuas. Alguns anos mais tarde, o neto de Del Fante, Enrico, foi acometido de doença renal e tuberculose. Os médicos deram pouca esperança de que Enrico fosse se recuperar. Familiares de Enrico viajaram para ver Padre Pio e pedir-lhe para rezar por ele. Padre Pio assegurou-lhes que o rapaz se recuperaria. Desesperado e perturbado, Del Fante até disse: «Se Enrico ficar bem, eu mesmo vou fazer uma peregrinação a San Giovanni Rotondo». Ele estava convencido de que nada iria acontecer, mas o menino curou-se. Del Fante ficou profundamente comovido com este milagre e foi ver Padre Pio que o ajudou a voltar-se para Deus. Após a conversão, Del Fante passou a promover Padre Pio com dedicação.86 Uma mulher cuja filha tinha acabado de morrer no processo de dar à luz dirigiu-se ao Padre Pio. A mulher não conseguia pensar noutra coisa para além da perda da sua filha. Padre Pio disse-lhe: «E por que choras tanto por ela quando ela já está no Paraíso? Farias muito melhor ao dedicares mais atenção às atividades da sua filha de dezassete anos de idade, que chega à casa tarde da noite de danças e entretenimentos.»87 Em Roma, um jovem tinha vergonha do seu costume normal de inclinar o chapéu quando passava diante de uma igreja Católica. Ele tinha medo que os seus amigos zombassem dele. Mas uma vez ele ouviu a voz do Padre Pio no seu ouvido dizendo: «Covarde». Mais tarde, ele conheceu Padre Pio pessoalmente e sem lhe ter dito nada Padre Pio disse: «Da próxima vez será uma caixa de som no ouvido!» Uma senhora idosa disse ao Padre Pio: «Padre, hoje faço 60 anos. Diga algo bonito para mim.» Padre Pio sussurrou-lhe: «A morte está próxima.»88 Uma vez Padre Pio estava a vir detrás do altar e falou com um homem que estava a tirar fotografias. Ele disse ao homem que não deveria tirar mais do que uma ou duas fotografias durante a missa. A pessoa concordou, mas depois fotografou dois carretéis inteiros. Todas as fotos saíram em branco.89 Um médico tirou uma única foto de Padre Pio, e depois decidiu tirar mais fotos. Quando o médico reajustou a sua câmara e estava prestes a fotografar, Padre Pio disse: «Não, doutor, sem fotos, por favor!» «Certo Padre, desculpe!» Entretanto, o médico prosseguiu tirando uma fotografia após outra. Todas elas saíram em branco, excepto a foto que o médico tinha tirado antes de lhe ter sido proibido tirar mais.90 Cesare Festa era advogado e primo do médico pessoal de Padre Pio. Festa decidiu ir ver o famoso padre sobre o qual o seu primo lhe havia contado tanto. Quando se encontraram, Padre Pio disse: «Tu és um maçom». Numa expressão arrogante de lealdade à loja, Festa disse: «Sim, Padre». «E qual é a sua tarefa como um maçom?» Perguntou Padre Pio. «É continuar a nossa luta contra a Igreja na esfera política», respondeu Festa. Padre Pio então disse coisas a Festa que o convenceram de que ele não poderia ter tido tal conhecimento dele e de seu passado excepto por meios sobrenaturais.91 Um comunista aproximou-se de Padre Pio e começou a falar com ele. Padre Pio interrompeu-o dizendo: «Posso ver o teu cartão de membro?» O homem tirou-o da carteira e entregou-o. Padre Pio pegou o cartão e partiu-o em pedaços.92 Certa vez, Padre Pio disse a um homem chamado António: «Como podes chamar-te católico e comunista ao mesmo tempo? Faz a tua escolha. És uma coisa ou a outra, mas não podes ser ambas.» Essas declarações abalaram António e o fizeram renunciar ao comunismo e retornar à fé católica.93 Giovanni da Prato era taxista e um comunista violento. Quando se embriagava, Prato às vezes golpeava a sua esposa. Uma noite ele tinha feito exactamente isso, estava cambalear no seu quarto, e atirou-se para a cama. Nesse momento, ele começou a sentir a cama a ser sacudida fortemente na grade inferior, e olhando para baixo, em espanto, viu um frade segurando a grade e olhando para ele furiosamente. O frade disse-lhe muito claramente o que pensava dele e da sua actividade, e então desapareceu. O violento comunista Giovanni saiu da sua cama, rapidamente trancou a porta da frente e gritou para sua esposa: «Agora, então, onde está aquele monge?» Deixando de lado as suas recusas e protestos, Giovanni revistou a casa e não encontrou ninguém. Passado algum tempo, ele ficou sóbrio o suficiente para convencer-se da sinceridade da sua esposa. A sua esposa estava a rogar ao Padre Pio por ajuda; ela perguntou-se se esse evento era a resposta para as suas orações. Ela disse ao marido que acreditava que era Padre Pio que tinha aparecido no quarto. Giovanni disse severamente: «Olha, nenhum monge faz de mim um tolo. Eu vou lá dar um vista de olhos nesse teu Padre Pio e ouvir o que ele tem a dizer em sua defesa. Eu também vou descobrir se ele voa!» Alguns dias mais tarde, fiel à sua palavra, Giovanni fez uma longa viagem no seu táxi para ver Padre Pio. Chegou e encontrou Padre Pio. Ele reconheceu Padre Pio, e falou com ele. Ficou estrépito e Padre Pio levou-o para fazer uma confissão. Após a sua confissão, Giovanni admitiu: «O que eu esqueci, ele lembrou para mim. Eu estava a chorar…» E no final da confissão, Giovanni retirou o seu cartão de sócio do Partido Comunista e pediu ao Padre Pio que o destruísse. «Sim, eu o farei. Mas tu tens outra dessas cartas na gaveta da cabeça da sua cama. Destrói essa também quando retornares à casa.» Padre Pio disse-lhe então: «Tens dado grande escândalo, e agora tens de fazer algo para compensar isso. Para a tua penitência irás todos os domingos à Santa Comunhão na última missa na igreja principal até que eu te diga para parar. «Naqueles dias, a regra do jejum era abster-se de todos os alimentos sólidos desde a meia-noite até à Santa Comunhão. Giovanni teve que fazer isso durante a maior parte de um ano. Giovanni tinha sido uma figura importante entre os seus companheiros comunistas, mas agora ele era apenas um «santo Zé» comum. Ele desafiou alguns dos comunistas que conhecia dizendo: «Por que vós não vindes comigo para verdes como vos sais?» Mês após mês os comunistas iam ver Padre Pio; eles ficavam sempre impressionados e por vezes eram convertidos.94 Um homem chamado Francis escreveu para a revista oficial do Padre Pio sobre como Padre Pio tentou ajudá-lo. Ele escreveu: «Como você pode ver com base no discurso acima, eu estou na prisão em Inglaterra. Eu estou cá há cinco anos… Não se preocupe, eu não culpo ninguém por onde estou, excepto o meu próprio ser estúpido. Sim, eu sou o culpado… Eu sou um alcoólatra e foi aí onde todo o problema começou… Uma noite eu estava dormindo e tive um sonho do Padre Pio a avisar-me que se eu não parasse de beber, acabaria em muitos problemas. Bem, eu nunca fiz qualquer caso do sonho e aqui estou hoje na prisão, numa sentença de prisão perpétua… Eu não vou entrar em detalhes, mas eu ainda rezo o meu Rosário e, claro, a minha novena ao bom homem.»95 Outra história interessante enviada à revista foi a história de R. Van Gisbergen: «Eu sou um homem de 28 anos da Holanda… Quando pequeno, eu era contra tudo o que era religioso. Os meus pais sempre me levavam à igreja no domingo, mas quando tinha a oportunidade, eu tentava escapar deles. Sim, algo em mim era contra Deus. A minha vida estava repleta de todos os tipos de pecados contra Deus… Nesse momento, muitas vezes eu tentei cometer suicídio e estava cheio de ódio contra mim, as pessoas e o mundo… Em 23 de Setembro de 1988, o diabo apareceu no meu sonho e eu fiquei com muito medo. Fora deste sonho eu não acreditava em Deus ou no diabo. O diabo apareceu na forma de cabeças de cães e cabeças de dragões com línguas cheias de sangue. Eu estava em pânico. Então veio um monge com uma barba e um hábito castanho. Ele disse-me: «Não tenhas medo meu filho, eu vou proteger-te por Deus Todo-Poderoso!» Eu acordei imediatamente e havia em mim uma alegria e felicidade inexplicáveis… «De qualquer forma, liguei para a minha mãe e falei com ela sobre esse sonho. Ela pediu-me para passar por lá, fui até ao seu lar e ela mostrou-me um livro intitulado: Padre Pio de Pietrelcina. A minha mãe abriu-o e eu senti o cheiro de uma espécie de perfume… Então ela virou as páginas e eu não podia acreditar nos meus olhos porque a foto mostrava o mesmo monge do meu sonho. Eu gritei, “… este é o mesmo homem como no meu sonho». A minha mãe estava cheia de admiração… de repente eu ouvi em holandês, «venha ao meu túmulo, venha ao meu túmulo». Sua voz era tão clara… e no ano passado eu agradeci a Padre Pio… em sua sepultura.»96 Bilocação Padre Pio, também era conhecido por ter o dom da bilocação: a capacidade de estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Embora ele quase nunca saísse do seu mosteiro, um bispo viu Padre Pio na beatificação de Santa Teresinha. Padre Pio também foi visto no túmulo do Papa São Pio X.97 Em 1916, um general italiano chamado Cadorna sofreu uma terrível derrota em batalha. Sob a sua liderança houve muitas baixas, e, em consequência, foi demitido do seu comando. O general pegou a sua arma, e estava prestes a cometer suicídio, quando Padre Pio simultaneamente apareceu à frente dele na sua tenda. Padre Pio disse-lhe para pôr de lado a arma. Depois que a guerra terminou, o general, que nunca tinha conhecido Padre Pio, visitou o mosteiro em San Giovanni Rotondo. Ele imediatamente reconheceu Padre Pio como o monge que tinha aparecido na sua tenda.98 Padre Pio visto no ar Durante a Segunda Guerra Mundial, alguns pilotos americanos e ingleses foram ordenados a bombardear a área de San Giovanni Rotondo, na Itália. Quando estavam a preparar-se para soltar as bombas, os pilotos relataram ter visto no ar um monge que, com as mãos estendidas, os convenceu a não soltar as bombas. Mais tarde eles reconheceram Padre Pio como aquele que apareceu diante deles no céu.99 Um presbiteriano, coronel Loyal Bob Curry, também relatou isso. O Coronel Curry serviu no 464º Grupo de Bombas da Décima Quinta Força Aérea, sob o general Nathan F. Twining, de Dezembro de 1944 até que o seu avião foi abatido e ele foi preso pelos alemães um mês depois. Ele ouviu falar das aparições de Padre Pio no céu. Curry disse: «Todo mundo estava a falar disso, tanto os militares americanos quanto os italianos que cuidavam dos alojamentos.»100 Sobre o seu relacionamento com anjos Padre Pio frequentemente recomendava que, se as pessoas quisessem enviar-lhe uma mensagem ou uma petição, poderiam enviar-lhe o seu anjo da guarda. Padre Dominic, que lidava com as correspondências americanas para Padre Pio, perguntou: «Padre… uma mulher quer saber se ela ao enviar o seu anjo da guarda a si, ele vem?» Padre Pio respondeu: «Diga a ela que o seu anjo não é como ela. O seu anjo é muito obediente, e quando ela o envia, ele vem!»101 Padre Pio vivia em contacto próximo com o seu anjo da guarda, que o ensinou a traduzir cartas para francês e grego. O anjo mantinha Padre Pio acordado durante a noite para que pudessem os dois cantar louvores de Deus. O anjo de Padre Pio aliviava-lhe também a dor que ele sofria de golpes que recebia de demónios.102 Padre Pio tinha muitos títulos para o seu anjo da guarda, incluindo: anjinho, amigo, irmão, companheiro, maestro, secretário, mensageiro celestial, companheiro de minha infância e outros.103 Padre Pio, Carta, 20 de Abril de 1915: «Repitai frequentemente a bela oração: “Anjo de Deus, meu guardião, a quem a bondade do Pai celestial me confia, ilumina, protege e guia-me agora e para sempre.»104 Um advogado chamado Attilio de Sanctis estava completamente espantado com o facto de que ele tinha conduzido o seu carro aproximadamente 44 quilómetros enquanto dormia sem qualquer acidente. Durante uma visita ao Padre Pio, perguntou-lhe o que acontecera naquela noite, que ele havia percorrido milhas enquanto dormia. Padre Pio disse a Sanctis: «Adormeceste e o teu anjo da guarda conduziu o teu carro.»105 Padre Pio disse sobre os anjos: «Os anjos nos invejam apenas por uma coisa: não podem sofrer por Deus.»106 Padre Pio escreveu o seguinte ao seu director espiritual em 5 de Novembro de 1912: «Não vos posso contar o modo como esses canalhas[os demónios] me batem. Às vezes eu sinto que estou prestes a morrer. No sábado, pareceu-me que eles queriam acabar comigo e eu não sabia que santo invocar. Voltei-me para o meu anjo e depois de me fazer esperar um pouco, lá estava ele pairando perto de mim, cantando hinos à divina Majestade em sua voz angélica… Eu repreendi-o amargamente por me ter feito esperar por tanto tempo, quando eu não tinha falhado em invocá-lo para auxílio meu. Para puni-lo, eu não queria olhá-lo na cara; eu queria fugir, fugir dele. Mas ele, pobre criatura, alcançou-me quase em lágrimas e segurou-me até que eu ergui os meus olhos para o seu rosto e achei que ele estava chateado. Então ele disse: “Estou sempre perto de si, meu amado jovem…»107 Padre Pio sobre o Diabo Padre Pio disse uma vez a um grupo de pessoas que o número de demónios activos no mundo é maior do que todas as pessoas que viveram desde Adão.108 Padre Pio também disse: «Se todos os demónios que estão aqui tomassem uma forma corporal, apagariam a luz do sol!»109 Durante um período de sua vida, Padre Pio serviu como um director espiritual de meninos num seminário. Uma noite, um rapaz foi despertado por risadas desdenhosas, ruído de pedaços de ferro sendo girados ao redor e caindo ao chão, e de correntes batendo contra o chão, enquanto ouvia-se Padre Pio a suspirar repetidas vezes: “Ó minha Madona!” Na manhã seguinte, o menino examinou a ferragem que sustentava a cortina em torno da cama do Padre Pio, e encontrou todas as peças torcidas. Ele também olhou para Padre Pio e viu-o «com um olho inchado e meio enfermo».110 Esta história circulou entre os seminaristas, que indagaram Padre Pio sobre o sucedido. Padre Pio respondeu e descreveu o que havia acontecido para convencer os meninos da necessidade absoluta da oração na batalha com o Diabo. Padre Pio disse: «Quereis saber por que o diabo me deu uma surra terrível? É porque eu, como vosso pai espiritual, estou disposto a defender cada um de vós.» Identificando o menino pelo nome, ele continuou: «Ele estava a sofrer uma forte tentação contra a pureza, e quando ele invocou a Madona, ele estava espiritualmente também a pedir-me ajuda. Corri imediatamente para ajudá-lo, e com a ajuda do Rosário de Nossa Senhora eu tive sucesso. O menino que tinha sido tentado dormiu até a manhã, enquanto eu enfrentei a batalha, sofri os golpes, mas ganhei a luta.»111 Um ex-seminarista, de quem Padre Pio foi director espiritual e confessor, escreveu que ele e os seus colegas ouviram o ruído assustador de barras de ferro a bater no quarto de Padre Pio. Eles também ouviram um som semelhante a um comboio a viajar a alta velocidade através de um túnel.112 Um dos alunos, que se tornou Pe. Matrice, também explicou como uma noite ele acordou por causa de um terrível tumulto vindo da área onde o Padre Pio estava a dormir. Ele descreveu ouvir «uma explosão de riso zombeteiro e o som de barras de ferro sendo torcidas, bem como de correntes clamando no chão.»113 As impressionantes torturas pelas quais os demónios faziam Padre Pio passar De noite, Padre Pio passava a maior parte do seu tempo no quarto. Ouvia-se sons altos que assustavam os frades. Quando eles se dirigiam ao quarto de Padre Pio, encontravam-no «encharcado de suor, e as suas roupas tinham que ser trocadas da cabeça aos pés.»114 Certas pessoas que foram ao convento não acreditavam nos relatos de tais ocorrências estranhas; elas riam de tais ocorrências como se estas fossem produto da imaginação de um monge. Uma vez, o bispo Andrea D’Agostino foi um convidado no mosteiro. Ele considerava a história de Padre Pio um conto fabuloso, medieval. No entanto, enquanto ele estava a comer com os frades, ele foi surpreendido por um grande barulho estrondoso vindo de cima do tecto. Ele ficou pálido e tremia.115 O assistente do bispo, que estava a comer no quarto de hóspedes, correu para o refeitório cheio de medo. O bispo estava tão assustado que não queria dormir sozinho naquela noite. Na manhã seguinte, ele deixou o mosteiro e nunca mais voltou.116 Numa manhã cedo, depois de todos terem adormecido, Padre Pio ouviu uma batida na porta. Parecia ser o Pe. Agostino (o seu director espiritual) pedindo para entrar. Padre Pio disse, «Entre… por que você veio… Como chegou aqui?» Pe. Agostino disse: «Deus enviou-me. Ele está descontente consigo». Padre Pio ficou surpreso: «O quê?» Perguntou Padre Pio enquanto balançava as pernas sobre a cama e começava a sair da cama. «Não, não, não precisa se levantar. Só vim dizer que Deus não aprova a sua prática de penitência». Padre Pio disse: «Se você está realmente aqui a pedido de Deus, tem de dar-me um sinal. Peço que diga o nome de Jesus». Naquele momento, os lábios de Agostino separaram-se e ele começou a rir; a sua voz mudou. Padre Pio tentou estender a mão e tocar a sua túnica castanha. A aparição desapareceu, deixando para trás um cheiro forte de enxofre.117 Falando sobre esse evento numa carta de 28 de Julho de 1914, Padre Pio disse: «O Diabo, como sabeis, é um grande artífice do mal… ele poderia enganar-vos por alguma ilusão diabólica ou aparição disfarçada de anjo de luz… Este apóstata infeliz sabe até mesmo disfarçar-se de capuchinho e fazer bem o papel. Peço-vos que acrediteis em alguém que passou por uma experiência dessa natureza.»118 Numa carta ao seu director espiritual, em 18 de Dezembro de 1912, Padre Pio disse: «Noutra noite o Diabo apareceu-me à semelhança de um dos nossos Padres e deu-me uma ordem muito rigorosa do Padre Provincial para não vos escrever mais por motivo de isto ser contra a pobreza e um sério obstáculo à perfeição. Confesso a minha fraqueza, caro Pai, pois chorei amargamente, acreditando que isso fosse um facto. Eu nunca teria nem sequer levemente suspeitado que esta fosse uma das armadilhas do ogro se o anjo não tivesse revelado a fraude para mim.»119 Padre Pio era atacado com bastante frequência por demónios os quais ele chamava de «diabos impuros» e «monstros feios». Havia assaltos interiores e exteriores, que incluíam uivos, tremores, ruídos e objectos voadores. Um desses incidentes ele descreveu ao seu director espiritual: «Era tarde da noite e eles começaram os seus assaltos com ruídos diabólicos. Embora eu não tenha visto nada no início, eu percebi quem é que estava a produzir o som estranho. Em vez de ficar aterrorizado, eu preparei-me para a batalha enfrentando-os com um sorriso sarcástico. Então vieram diante de mim sob as aparências mais detestáveis. A seguir, para me fazer abusar da graça de Deus, eles começaram a tratar-me com luvas de criança. Mas, graças ao céu, tratei deles e lidei com eles de acordo com o que valiam. Quando viram os seus esforços subirem em fumaça, eles lançaram-se sobre mim, atiraram-me ao chão, e deram-me golpes terríveis, atirando ao ar almofadas, livros e cadeiras, ao mesmo tempo que soltavam gritos desesperados e proferiam palavras extremamente sujas.»120 A carta de Padre Pio ao seu director espiritual, 14 de Outubro de 1912, afirma: «O Diabo quer o fim absoluto de todas as relações e comunicações consigo. Ele ameaça que, se eu recusar-me obstinadamente a prestar-lhe atenção, ele far-me-á coisas que a mente humana nunca poderia conceber.»121 Falando sobre o Diabo e os seus demónios, Padre Pio revelou a ferocidade incompreensível da malícia diabólica deles: «O ogro não admitirá a derrota. Ele apareceu em quase todas as formas. Nos últimos dias, ele tem-me visitado juntamente com alguns de seus companheiros armados com porretes e armas de ferro e, o que é pior, em sua própria forma de demónios.»122 Padre Pio revelou mais dos sofrimentos incríveis pelos quais o Diabo lhe fez passar: «Quem sabe quantas vezes ele atirou-me para fora da cama e me arrastou pelo quarto?… A outra noite foi uma das piores. Das dez horas quando fui para a cama até às cinco horas da manhã, aquele maligno não parou de me bater… eu realmente pensei que era a última noite da minha vida; ou, que se eu não morresse, ficaria louco. Às cinco da manhã, quando o maligno se foi, todo o meu ser estava envolto num frio tal que tremia da cabeça aos pés. E durou algumas horas. Eu estava a sangrar pela boca…»123 Noutra vez, Padre Pio descreveu a reacção dos demónios quando ele recebeu uma carta do seu director espiritual: «Quando eu recebi a sua carta recentemente e antes de eu abri-la, esses miseráveis disseram-me para rasgá-la ou atirá-la ao fogo. Se eu fizesse isso, eles iriam se retirar para sempre e nunca mais me incomodariam. Fiquei em silêncio sem lhes dar qualquer resposta, enquanto no meu coração eu os desprezava. Então eles acrescentaram: “Nós queremos isso apenas como uma condição para a nossa retirada. Ao fazeres isso, tu não vai mostrar desprezo por ninguém.” Eu respondi que nada me faria mudar de ideia. Eles lançaram-se sobre mim em forma de vários tigres famintos, amaldiçoando-me e ameaçando me fazer pagar por isso. Meu querido Padre, eles cumpriram a sua palavra! Daquele dia em diante, eles têm me espancado todos os dias.»124 O Diabo por vezes aparecia sob a forma de um feio gato negro, ou como uma jovem nua fazendo uma dança impura, ou como um guarda prisional que o chicoteava, ou sob a aparência de Cristo Crucificado, do seu pai espiritual, do seu padre provincial, do seu anjo da guarda, de Nossa Senhora, ou de São Francisco.125 Outras vezes, o Diabo cuspia no seu rosto e atormentava-o com ruídos ensurdecedores.126 Padre Pio às vezes referia-se ao Diabo e aos demónios como: «o ogro, patife, espírito maligno, miserável imundo, besta imunda, desgraçado lamentável, rostos horríveis, espíritos impuros, esses canalhas, espírito perverso, besta horrível, apóstatas impuros, bestas selvagens uivantes, enganador maligno, príncipe das trevas.»127 Na noite de 5 de Julho de 1964, um grito de socorro foi ouvido no convento: «Meus irmãos, ajudai-me!» Era Padre Pio a pedir ajuda. Os seus irmãos correram para ajudá-lo e encontraram Padre Pio deitado no chão, sangrando pelo nariz e pela testa, e com uma série de feridas acima da sua sobrancelha direita.128 Uma vez o maligno falou através de uma pessoa possuída, e gritou: «Padre Pio, se não roubares almas que nos pertencem não lhe molestaremos!»129 Um filho espiritual disse a Padre Pio: «Pai, algumas pessoas negam a existência do Diabo»; Padre Pio respondeu: «Como pode alguém duvidar da sua existência quando eu o vejo ao meu redor a toda hora?»130 Uma vez, o Diabo entrou no confessionário e fingiu fazer uma confissão. Padre Pio recordou a incrível ocorrência: «Uma manhã, enquanto eu estava confessando os homens, um homem alto, magro, vestido de uma maneira bastante refinada e com bons modos, apresentou-se a mim. Quando se ajoelhou, este estranho começou a confessar os seus pecados, que eram de toda espécie contra Deus, contra o seu próximo, contra a lei moral; eles eram todos grotescos! Uma coisa impressionou-me. Depois de repreender todas essas acusações, usando a palavra de Deus, o ensinamento da Igreja e o ensinamento moral dos santos para sustentar as minhas palavras, esse penitente intrigante retorquiu as minhas palavras, justificando, com grande habilidade e rara gentilidade, todos os tipos de pecados, esvaziando-os de toda malícia e tentando, ao mesmo tempo, fazer com que todos os actos pecaminosos parecessem normais, naturais, humanamente indiferentes. E isso não só diz respeito a pecados horripilantes contra Jesus, Nossa Senhora e os santos… mas também pecados moralmente sujos e grosseiros que atingiam os níveis mais nauseantes imagináveis. «As respostas que este misterioso penitente dava de vez em quando aos meus argumentos, com subtileza e malícia felpuda, fizeram uma impressão terrível em mim. Pensei comigo mesmo: “Quem é este? De que mundo ele vem? Quem é ele?” E eu tentei olhar para ele com cuidado no rosto, a fim de talvez eventualmente ler alguma coisa entre as linhas do seu rosto, e ao mesmo tempo ouvia com muito cuidado cada palavra dele para que nenhuma delas me escapassem e eu as pudesse pesar em todo o seu significado. Em certo ponto, por meio de uma luz interior, vívida e brilhante, percebi claramente quem estava diante de mim. E com um tom decidido e urgente eu disse-lhe: “Diga: Viva Jesus! Viva Maria! Assim que pronunciei esses nomes doces e poderosíssimos, Satanás imediatamente desapareceu numa centelha de fogo, deixando para trás um cheiro sufocante.»131 Numa carta de 2 de Março de 1917, Padre Pio disse: «Deveis voltar-vos para Deus quando estiverdes a ser atacado pelo inimigo; deveis ter esperança n’Ele e esperar d’Ele tudo o que é bom. Não vos debruceis voluntariamente sobre o que o inimigo vos apresenta. Lembrai-vos que quem foge ganha…»132 Padre Pio também explicou que o Diabo não pode prejudicar-nos espiritualmente ao menos que o deixemos entrar: «O Diabo é como um cão louco atado por uma corrente, além do comprimento da corrente, ele não consegue pegar ninguém. E vós, portanto, mantende a vossa distância. Se chegardes muito perto sereis pegos. Lembrai-vos, o Diabo tem apenas uma porta pela a qual entrar em nossa alma: a nossa vontade. Não há portas secretas ou escondidas. Nenhum pecado é um pecado verdadeiro se não tivermos voluntariamente consentido.»133 Padre Pio disse: «Eu não tenho um minuto de tempo livre; é tudo gasto liberando irmãos do domínio de Satanás. Bendito seja Deus, a maior caridade é a de libertar as almas cativadas por Satanás e conquistá-las para Cristo.»134 No fim da vida de Padre Pio (aos 80 anos), ele não conseguia virar-se sozinho na cama. Padre Pio também tinha de ser segurado para levantar-se e sentar-se na sua cadeira. Às vezes, quando ele estava na sua cadeira, rezando o Rosário, ele era repentinamente atirado da cadeira ao chão pelo Diabo.135 Padre Pio disse: «Se o Diabo está a fazer barulho, é um excelente sinal: o que é aterrorizante é a sua paz e concórdia com a alma de um homem.»136 Os sofrimentos de Padre Pio Uma das principais razões pelas quais o Diabo odiava Padre Pio era ele estar a ganhar tantas almas através dos seus sofrimentos. Ele frequentemente comentava a extensão desses espantosos sofrimentos. Padre Pio: «O Pai celestial não deixou de permitir-me participar dos sofrimentos do seu Filho Unigénito, mesmo fisicamente. Essas dores são tão agudas que são absolutamente indescritíveis e inconcebíveis.»137 Padre Pio disse que os seus sofrimentos poderiam ser comparados «àquilo que os mártires experimentaram quando foram queimados vivos ou brutalmente condenados à morte ao darem testemunho de sua fé em Jesus Cristo.»138 Padre Pio, 25 de Novembro de 1915: «A minha condição está-se a tornar insuportável e eu permaneço vivo somente por um milagre.»139 Padre Pio, Carta, 3 de Novembro de 1915: «O Senhor fez-me experimentar as dores que os malditos sofrem nas regiões infernais.»140 Padre Pio, Carta, 13 de Agosto de 1916: «… Não estou a exagerar quando digo que as almas do Purgatório certamente não sofrem maiores dores.»141 Padre Pio: «… estou a sofrer imensamente e sinto que estou o tempo todo a morrer.»142 Falando a uma pessoa sobre alguns de seus sofrimentos físicos, Padre Pio disse: «Veja, não são tanto os dias, quando os eventos do dia começam, uma coisa leva-me à próxima, e assim o dia passa. São as noites. Se alguma vez me permito dormir, a dor destes (e ele levantou as suas mãos feridas para indicar os estigmas) é multiplicada para além de qualquer medida.»143 Respondendo a uma pessoa que lhe perguntou se os seus estigmas doem, Padre Pio respondeu: «Achas que o Senhor deu-mos para decoração?»144 Padre Pio: «Imaginem a angústia que eu senti e ainda experimento praticamente todos os dias, a ferida no coração sangra abundantemente…»145 «…Eu tenho consciência de que há em mim algo que parece uma folha de ferro que se estende desde a parte inferior do meu coração até ao lado inferior direito das minhas costas. Isso causa muita dor e não me deixa descansar…»146 Padre Pio recusava todos os tipos de aquecimento artificial, gás ou aquecedores eléctricos, mesmo aquecimento a carvão para as noites frias de inverno.147 Uma vez Padre Pio passou durante vinte e um dias sem comer. Ele só recebeu a Sagrada Comunhão. «Tens de comer», disse o superior. «Por favor, eu não consigo comer.» «Tens de fazê-lo», insistiu o superior, e em poucos minutos Padre Pio vomitou tudo o que conseguiu.148 Padre Pio muitas vezes tinha falta de apetite, períodos de vómito e transpiração. Tinha períodos de febre alta que confundiam todos os médicos, que não sabiam como tratá-lo.149 Algumas das temperaturas de Padre Pio eram tão altas que o mercúrio disparava do termómetro. Alguns termómetros comuns quebraram debaixo da sua axila.150 Numa ocasião, usando um termómetro diferente que não se partiu, a sua temperatura foi para 53°C.151 As temperaturas acima de 51,6 graus centígrados às vezes surgiam sem qualquer razão. O Pe. Michaelangelo, um franciscano que morava com ele, disse: «Nenhum termómetro ordinário conseguia medir a temperatura de Padre Pio… Eu estava presente uma vez quando o médico quis tirar a sua temperatura e ver se iria quebrar o seu termómetro. Padre Pio disse: «Não, o termómetro vai quebrar!» Num instante, bang! O mercúrio disparou e quebrou-o imediatamente.»152 Um médico, que estava a conversar com outro médico sobre as altas temperaturas do Padre Pio, declarou: «Quando eu tirei a sua temperatura, ela saiu da escala. Eu tive que pedir um termómetro especial, e na noite passada registou 51,6 °C e 48,8 °C nesta manhã. Ele não deveria nem estar vivo.»153 Padre Pio disse sobre o sofrimento: «Nenhum sofrimento suportado por amor a Cristo, mesmo mal suportado, ficará sem recompensa na vida eterna. Confie e tenha esperança nos méritos de Jesus e, desta forma, mesmo o barro pobre se tornará o melhor ouro que brilhará no palácio do Rei do Céu.»154 Nosso Senhor falou uma vez com Padre Pio sobre do seus sofrimentos da seguinte maneira: «Meu filho, preciso de vítimas para apaziguar a raiva justificável e divina de meu Pai: renova o teu sacrifício e fá-lo sem reservas.»155 Padre Pio: «Se as pessoas ao menos compreendessem o valor do sofrimento, não procurariam o prazer, mas somente o sofrimento.»156 Padre Pio também queixou-se de problemas de cegueira já em 18 de Novembro de 1912.157 Em 30 de Janeiro de 1915, Padre Pio escreveu: «… a minha visão… melhora ocasionalmente.»158 Padre Pio teve um sofrimento adicional de ser recrutado para o serviço militar por um período de tempo, apesar do estado incrivelmente terrível da sua saúde física.159 Outro sofrimento (embora não físico) foi o facto de que, embora Deus muitas vezes tenha deixado claro o estado das almas dos outros, Padre Pio permaneceu na obscuridade sobre a sua própria alma.160 Padre Pio disse: «Noutras almas, através da graça de Deus, vejo claramente, mas na minha eu não vejo nada além de trevas.»161 Padre Pio queria ser um missionário Quando havia a possibilidade de o Padre Pio ser transferido para um local diferente, ele estava pronto para ir, mas preferia o campo missionário. Ele mesmo escreveu aos seus superiores de modo a obter permissão para trabalhar como missionário na Índia. Esta permissão foi recusada.162 Padre Pio disse: «Quanto desejo, e quão feliz eu seria, se eu pudesse estar lá na Índia para oferecer o meu pobre trabalho para a expansão da Fé. Mas se essa boa sorte não me é reservada, mas para outras almas mais nobres e mais queridas a Jesus, exercerei a minha missão com uma oração humilde, fervorosa e eficaz.»163 Alimentos e sono Em 1945, a ingestão de comida de Padre Pio foi medida em aproximadamente 100 gramas por dia, embora ele pesasse mais de 77 kg.164 A quantidade de comida e bebida que Padre Pio consumia não daria para sustentar a vida de um bebé.165 Quando Padre Pio conseguia dormir bem, o que não era frequente, dormia por cerca de duas a três horas. Muitas noites foram passadas sem dormir. Essa falta de sono surpreendeu os médicos; eles estavam confusos quanto a como ele conseguia trabalhar sem ser revigorado pelo sono.166 Oração e Padre Pio Quando o padre espiritual de Padre Pio pediu a Padre Pio que redobrasse as suas orações, Padre Pio disse que isso não era possível porque o seu tempo era «todo gasto em oração.»167 Padre Pio disse: «O que falta hoje à humanidade é oração.»168 Padre Pio: «Buscamos a Deus nos livros, mas é na oração que o encontramos. A oração é a chave que abre o coração de Deus.»169 Padre Pio: «Todas as orações são boas quando acompanhadas por boas intenções e boa vontade.»170 Padre Pio recomendava que as pessoas fizessem breves orações mentais, oferecendo tudo o que fizeram, por mais trivial que fosse, a Jesus Cristo.171 Padre Pio, Carta, 14 de dezembro de 1916: «Tentai praticar oração mental, que é a meditação santa, e que esta seja habitualmente sobre a vida, paixão e morte de Jesus.»172 Padre Pio fazia os seus penitentes recitarem a seguinte oração: «O meu passado, ó Senhor, à vossa Misericórdia, o Meu presente ao Vosso Amor, o Meu futuro à Vossa Providência!»173 Padre Pio disse: «O Senhor só me permite recordar aquelas pessoas e coisas que Ele quer que eu lembre. De facto, em várias ocasiões, Nosso Senhor misericordioso sugeriu-me pessoas que eu nunca conheci ou mesmo tinha ouvido falar, com o único propósito de lhes apresentar a Ele e interceder por elas, e neste caso Ele nunca falha em responder às minhas pobres e fracas orações. Por outro lado, quando Jesus não me quer responder, Ele faz-me realmente esquecer de orar por aquelas pessoas por quem eu tinha firmemente decidido e pretendia orar.»174 Numa carta datada de 16 de Setembro de 1916, Padre Pio disse: «Ore pelo restabelecimento do reino de Deus; pela propagação da Fé; pela exaltação e triunfo de nossa santa Madre, a Igreja. Ore pelos… infiéis, pelos hereges e pela conversão dos pecadores.»175 Padre Pio sobre distrações na oração: «Não te deves distrair voluntariamente. Mas se te distraíres, continua a orar e terás grande mérito, pois Nosso Salvador sabe que não és um anjo a orar para Ele, mas uma pobre mulher. Segue orando sem cessar. E quando achares que é difícil se concentrar, não percas mais tempo parando para considerar o porquê e o “pelo quê.” É como um viajante que perde o seu caminho. Assim que percebe que está no caminho errado, ele coloca-se imediatamente no caminho certo novamente. Ora, tens de continuar a meditar, sem paragens para reflectir sobre a sua falta de concentração.»176 Padre Pio sobre a Mãe Santíssima e o Rosário A devoção do Padre Pio à Virgem Maria era fundada na verdade de que Jesus especificamente deseja tal devoção. Jesus escolheu vir à terra através de Maria. Da mesma forma, Jesus escolhe que vamos a Ele através dela; porque a sua alma engrandece ao Senhor. Como ensina a Escritura: «Então Maria disse: “A minha alma glorifica o Senhor; e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador, porque lançou os olhos para a baixeza da sua serva. Portanto, eis que, de hoje em diante, todas as gerações me chamarão bendita. Porque o Todo-poderoso fez em mim grandes coisas…”» (Lucas 1:46-49) A Escritura fornece-nos uma profecia clara sobre a devoção que «todas as gerações» de cristãos (católicos) darão à Mãe de Deus. Ela chega até a usar a mesma palavra usada na Ave Maria, que os católicos rezam: «Ave Maria, cheia de graça o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte.» A Sagrada Escritura também indica que a Virgem Maria é a Arca da Nova Aliança. A Arca da Antiga Aliança era uma arca que continha as tábuas da Lei que Deus deu a Moisés no Monte Sinai. A Presença Divina de Deus ou nuvem de glória («shekinah») mantinha-se acima da Arca. Por isso, a Arca tinha poderes misteriosos sobre os inimigos de Deus (1 Reis / 1 Samuel, capítulos 5-6). Em Êxodo 40:34-35, o Antigo Testamento usa a palavra «cobrir» («episkiasei» em grego) para descrever como a nuvem da glória de Deus ou a presença visível (a «shekinah») ofuscava o Templo e a Arca da Antiga Aliança. Em Lucas 1:35, encontramos exactamente a mesma palavra a ser empregada para descrever o Espírito Santo que cobre Maria, pois ela é a Arca da Nova Aliança, o templo vivo da verdadeira Palavra de Deus (Jesus Cristo). Lucas 1:35: «O Espírito Santo descerá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso mesmo o Menino que há-de nascer de ti, será santo e será chamado Filho de Deus.» No Evangelho de Lucas, a Virgem Maria é claramente identificada como a nova e perfeita Arca da Aliança, o tabernáculo vivo da Presença Divina, Jesus Cristo. Considere o incrível paralelo que a Escritura nos dá entre o que aconteceu com a Arca da Antiga Aliança nos dois primeiros livros de Reis (ou Samuel) e o que aconteceu com a Arca da Nova Aliança, a Bem-aventurada Virgem Maria, no Evangelho de Lucas. 2 Reis (ou 2 Samuel) 6:9: «Davide temeu o Senhor, naquele dia, dizendo: Como entrará a arca do Senhor em minha casa?» Lucas 1:43: «[Isabel disse:] Donde a mim esta dita, que a mãe do meu Senhor venha ter comigo?» Davide diz: «Como entrará a arca do Senhor em minha casa?», enquanto que Isabel pergunta como «que a mãe do meu Senhor venha ter comigo?» Isabel diz a mesma coisa a Maria que Davide disse sobre a Arca porque Maria é a Arca da Nova Aliança. Isto é confirmado sem qualquer dúvida ao prosseguirmos com o relato de 2 Reis. Pouco depois de Davide ter dito: «Como entrará a arca do Senhor em minha casa?»,lemos que a Arca ficou com Obededom de Get por três meses. 2 Reis (ou 2 Samuel) 6:11: «A arca do Senhor esteve três meses em casa de Obededom, de Get, e o Senhor abençoou Obededom e toda a sua casa.» Da mesma forma, em Lucas capítulo 1, lemos que Maria (a Arca da Nova Aliança) ficou com Isabel por três meses. Lucas 1:56: «Maria ficou com Isabel cerca de três meses; depois voltou para sua casa.» Note também que, como a Arca ficou com Obededom por três meses, o Senhor abençoou a sua casa. Da mesma forma, como Maria (a Arca) ficou com Isabel por três meses, o Senhor abençoou a sua casa, concedendo-lhe um novo filho, como lemos em Lucas 1:57. Lemos a seguir que Davide saltou e dançou diante da Arca quando ela chegou em sua presença. 2 Reis (ou 2 Samuel) 6:16 «Quando entrou a arca do Senhor na cidade de Davide, Micol, filha de Saul, olhando da janela, viu o rei Davide dançando e saltando diante do Senhor, e desprezou-o em seu coração.» No mesmo capítulo de Lucas, lemos que a criança no ventre de Isabel saltou diante de Maria (a Arca). Lucas 1:41: «Aconteceu que, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.» Em Apocalipse vemos também que a Virgem Maria é identificada como a Arca da Aliança. Apocalipse 11:19: «Então abriu-se o templo de Deus, o do céu, e apareceu a arca da sua aliança no seu templo. E sobrevieram relâmpagos, vozes, trovões, um terramoto e uma grande saraivada.» Apocalipse 12:1: «Depois apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de sol, com a lua debaixo de seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.» Quando a Bíblia foi escrita, ela não foi escrita com capítulos e versículos indicados. A divisão da Bíblia em capítulos e versículos surgiu no século XII. Assim, o autor do Apocalipse, São João o Apóstolo, escreveu o seu livro em um fluxo contínuo. Assim, as palavras que põem termo ao capítulo 11 fluem imediatamente para as palavras em que se inicia o capítulo 12, sem qualquer divisão maior. Isso significa que a aparição da Arca no final do capítulo 11 ― «apareceu a arca da sua aliança no seu templo» (Apoc 11:19) ― é imediatamente explicada pela visão da «mulher» vestida de sol que dá inicio ao capítulo doze, o versículo seguinte (Apocalipse 12:1). Isto indica, uma vez mais, que «a mulher» vestida de sol, que carregou a Pessoa Divina no seu ventre (a Virgem Maria), é a Arca do Novo Testamento. Como vimos, Deus usa tipos e prefiguração em toda a Escritura. O tipo do Antigo Testamento ― um verdadeiro evento na história do povo de Deus ― prefigura o cumprimento do Novo Testamento. A necessidade de o povo escolhido de Deus ter passado pela água do Mar Vermelho é um tipo da necessidade de ser salvo através do baptismo de água. O Cordeiro da Páscoa é um tipo da morte de Nosso Senhor na Cruz. O maná miraculoso no deserto, relatado no livro do Êxodo, é um tipo da Eucaristia. A Arca da Aliança no Antigo Testamento é claramente um tipo de Nossa Senhora. O cumprimento do Novo Testamento é sempre maior do que o tipo do Antigo Testamento. Nossa Senhora, como o tabernáculo vivo da Presença Divina, é maior do que a Arca da Aliança do Antigo Testamento. A Arca do Antigo Testamento abrigava as palavras de Deus, mas a Arca do Novo Testamento abrigava a Palavra de Deus Encarnada. Moisés pôs o maná do deserto dentro da Arca da Antiga Aliança, mas Maria continha o verdadeiro pão vivo que desceu do céu (João 6), Jesus Cristo. Moisés também colocou a vara de Aarão dentro da Arca, que acabou florescendo para provar o verdadeiro Sumo Sacerdote; enquanto Maria continha o Sumo Sacerdote real e eterno, Jesus Cristo. A Arca do Antigo Testamento foi revestida de ouro puríssimo (Êxodo 25:11), sem mancha de liga, mas a Arca da Nova Aliança é a maior pessoa humana que alguma vez viveu, sem mancha de pecado original ou actual ― repleta de uma superabundância de graças de Deus: «cheia de graça» (Lucas 1:28). Oza foi ferido de morte por tocar na Arca da Antiga Aliança (2 Reis / 2 Samuel 6:6-8), e Maria é uma virgem que «não conheceu varão», intacta e preservada por Deus para um propósito especial (Lucas 1:34). Uma vez que o cumprimento do Novo Testamento é sempre maior do que o tipo do Antigo Testamento, o poder da Arca da Nova Aliança (de Maria) sobre os inimigos de Deus é ainda maior do que a da Arca do Antigo Testamento. Padre Pio compreendia tudo isso. Padre Pio disse muitas vezes: «Eu gostaria de ter uma voz alta o suficiente para dizer a todos os pecadores do mundo para amar Maria. Ela é o oceano através do qual se deve viajar para chegar a Jesus.»177 Acima da porta de Padre Pio estavam as palavras: «Maria é a razão de toda a minha esperança.»178 Padre Pio instruiu: «Recita o Rosário e recita-o sempre e tanto quanto puderes.»179 Uma pessoa disse: «Nós sempre o víamos com o Rosário na mão ― no convento, nos corredores, nas escadas, na sacristia, na Igreja, mesmo no breve intervalo quando se vai e vem do confessionário.»180 Outra pessoa acrescentou: «Quando no final ele já não nos falava, nós contavamos-lhe os nossos pensamentos. Pedíamos ajuda. E tudo o que ele fazia era mostrar-nos o Rosário, sempre, sempre.»181 Falando de Nossa Senhora, Padre Pio disse: «Cada graça passa por suas mãos.»182 Padre Pio instruiu os seus filhos espirituais: «Em todo o tempo livre que tiverdes, tendo terminado os vossos deveres de estado, vos deveis ajoelhar e rezar o Rosário. Rezar o Rosário diante do Santíssimo Sacramento ou diante de um crucifixo.»183 Em relação ao Rosário, a própria Virgem disse ao Padre Pio: «Com essa arma vencerás». Convencido do poder do Rosário, Padre Pio sempre tinha o Rosário nas mãos. Quando a sua morte estava próxima, ele recomendou o Rosário aos seus filhos espirituais dizendo: «Ame a Nossa Senhora e faça-a ser amada. Recite sempre o Rosário.»184 Padre Pio sobre o Rosário como uma arma Quando Padre Pio dirigiu-se para a sua cama (alguns dias antes de morrer), ele disse aos frades que estavam no seu quarto: «Dai-me a minha arma!» E os frades, surpresos e curiosos, perguntaram-lhe: «Onde está a arma? Não vemos nada!» Padre Pio respondeu: «Está no meu hábito, que vocês acabaram de pendurar!» Depois de ter passado pelos bolsos do seu hábito religioso, os frades disseram-lhe: «Padre, não há arma alguma no seu hábito! … nós só conseguimos encontrar o seu Rosário aqui!» Padre Pio imediatamente disse: «E isso não é uma arma?… a verdadeira arma?!»185 Padre Pio usava o Rosário em torno do braço à noite.186 Algumas outras visões dadas a Padre Pio Padre Pio recebeu muitas visões fascinantes e surpreendentes durante a sua vida. Em Março de 1913, Padre Pio escreveu ao seu confessor, Pe. Agostino, e disse-lhe o seguinte: «Na manhã de sexta-feira eu ainda estava na cama quando Jesus apareceu para mim. Ele estava muito triste e chateado. Mostrou-me uma multidão de sacerdotes regulares e seculares, entre eles vários dignitários eclesiásticos. Alguns estavam a celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Outros estavam vestidos com as vestes sagradas; outros ainda as tiravam. «A visão de Jesus em angústia deu-me muita dor, então eu perguntei-Lhe por que Ele estava a sofrer tanto. Ele não respondeu, mas continuou a olhar para aqueles sacerdotes. Quando Ele cansou-se de olhar, Ele afastou a vista. Ele ergueu os olhos para mim e duas lágrimas correram pelas suas bochechas. Afastou-se da multidão de sacerdotes com uma expressão de desgosto e desprezo, gritando: “Açougueiros!” Voltando-se para mim, disse: “Meu filho, não acredite que a minha agonia tenha durado apenas três horas. Não, eu estarei em agonia até ao fim do mundo por causa daqueles por quem eu fiz o máximo. Durante a minha agonia, meu filho, não devemos dormir. A minha alma procura algumas gotas de piedade humana. Mas, infelizmente, eles deixam-me sozinho sob o peso da indiferença. A ingratidão e o sono dos meus ministros tornam a minha agonia mais difícil de suportar. Eis como eles retornam o meu amor. O que me dói ainda mais é que eles acrescentam desprezo e incredulidade à sua indiferença. Quantas vezes eu estive a ponto de destruí-los, mas fui retido pelos anjos e pelas almas que me amam. Escreva ao seu confessor e diga-lhe o que viu e o que ouviu esta manhã. Diga-lhe para mostrar a sua carta ao Provincial.»187 Enquanto orava na igreja, Padre Pio ouviu Jesus dizer o seguinte: «Com que ingratidão recompensam os homens o meu amor! Eu seria menos ofendido por eles se eu os tivesse amado menos. Meu o Pai não quer mais suportá-los. Eu mesmo quero parar de amá-los, mas, eis que o meu coração é feito para amar! Homens fracos e covardes não fazem nenhum esforço para vencer a tentação e, de facto, se deleitam em sua maldade. As almas pelas quais tenho uma predileção especial falham quando são postas à prova, os fracos dão lugar ao desânimo e ao desespero, enquanto os fortes relaxam-se gradualmente. Eles deixam-me sozinho de noite, sozinho de dia nas igrejas. Eles não se importam mais com o Sacramento do altar. Quase ninguém fala deste Sacramento de amor, e mesmo aqueles que o fazem, falam, infelizmente, com grande indiferença e frieza. O meu coração está esquecido; ninguém mais pensa no meu amor e Eu continuo triste. Para muitas pessoas a minha casa tornou-se um centro de diversões… Eu vejo, meu filho… muitas pessoas que agem de forma hipócrita e traem-me com comunhões sacrílegas, pisoteando a luz e a força que eu lhes dou continuamente…»188 Padre Pio e o Purgatório 2 Macabeus 12:46: «Santo e salutar pensamento este de orar pelos mortos. Eis porque ofereceu um sacrifício expiatório pelos defuntos, para que fossem livres dos seus pecados.» 2 Mateus 12:32: «… O que disse [alguma palavra] contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro.» 1 Coríntios 3:13, 15: «… manifestada será a obra de cada um, pois o dia do Senhor a fará conhecer, visto que será revelado no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se subsistir a obra do que a sobreedificou, receberá prémio. Se a obra de algum arder, ele sofrerá prejuízo, mas será salvo, apesar disso, como por meio do fogo.» Uma noite, Padre Pio estava sentado sozinho numa sala consumido em oração, quando um idoso entrou e sentou-se ao lado dele. «Eu olhei para ele, mas não pensei em como ele conseguiu entrar no convento naquela hora. Perguntei-lhe: “Quem és tu? O que queres?” O homem respondeu: “Padre Pio, sou Pietro di Mauro, apelidado de Precoco. Eu morri neste convento [num incêndio] em 18 de Setembro de 1908, no quarto número 4. Ainda estou no Purgatório, e preciso de uma Missa para libertar a minha alma deste lugar. Deus concedeu-me permissão para vir até você e pedir as suas orações.” Depois de ouvir a história dele, eu disse: “Podes ter a certeza de que amanhã celebrarei a Missa para a tua libertação.» Padre Pio disse então que a Missa que celebrou no dia seguinte libertou a alma do homem do Purgatório. Um dos outros sacerdotes no convento, mais tarde, verificou os registos da vila e descobriu que tal indivíduo realmente tinha morrido nas circunstâncias descritas por Padre Pio.189 Um dia, alguns dos frades viram Padre Pio repentinamente sair da mesa e começar a falar, como se estivesse a falar com alguém. Mas ninguém estava ao redor de Padre Pio com quem ele poderia estar a falar. Os frades achavam que Padre Pio estava a ficar louco, e perguntaram com quem ele estava a falar. «Oh, não vos preocupeis, eu estava a falar com algumas almas que estavam a caminho do Purgatório para o Céu. Elas pararam aqui para agradecer-me por ter lembrado delas na minha Missa desta manhã.»190 Padre Pio disse: «Mais almas dos mortos do Purgatório do que dos vivos escalam este monte para assistir as minhas Missas e buscar as minhas orações.»191 Certa vez alguém perguntou ao Padre Pio como o Purgatório poderia ser evitado. Ele respondeu: «Aceitando tudo da mão de Deus. Oferecer tudo a Ele com amor e acção de graças nos permitirá passar do nosso leito de morte para o paraíso.»192 O Céu 1 Cor. 2:9: «… nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem entrou no coração do homem, o que Deus preparou para aqueles que o amam.» Padre Pio disse o seguinte sobre o Céu: «O Céu é alegria total, alegria contínua. Estaremos constantemente agradecendo a Deus. É inútil tentar descobrir exactamente como é o Céu, porque não conseguimos compreendê-lo. Mas quando o véu desta vida for levantado, nós entenderemos as coisas duma maneira diferente.»193 «… à noite, quando fecho os olhos, o véu é levantado e vejo o paraíso aberto diante de mim; e feliz com esta visão, durmo com um sorriso de doce beatitude nos meus lábios e um semblante perfeitamente tranquilo…»194 Padre Pio não sabia tudo Visto que Padre Pio recebeu dons milagrosos que superam até os maiores santos da história da Igreja, algumas pessoas caíram na falsa ideia de que ele de algum modo sabia tudo. Mas Padre Pio, sendo um simples ser humano e um instrumento da vontade de Deus, só sabia o que o Senhor lhe revelava e o que o Senhor queria que ele soubesse. Como todos os outros, ele permanecia ignorante a respeito de muitas outras coisas. Por exemplo, o seu director espiritual, Pe. Agostino, perguntou a Padre Pio se um médico que morreu se tinha salvado ou perdido. Padre Pio disse: «Eu nada sei». Pe. Benedetto perguntou ao Padre Pio sobre o Pe. Luca, que não foi encontrado depois de uma batalha. Padre Pio respondeu: «Quanto ao Pe. Luca de feliz memória, nada sei… Mas a minha mente diz-me que ele não se encontra entre os vivos. Que agrade a Deus refutar o meu pressentimento». Provou-se que Padre Pio estava errado: o Pe. Luca apareceu vivo.195 Às vezes, os julgamentos e avaliações de Padre Pio eram incorrectos. Por exemplo, há o caso do sobrinho de Padre Pio. O sobrinho de Padre Pio, Ettore Masone, fora expulso da faculdade porque a administração descobriu que ele tinha epilepsia, e a faculdade não queria a responsabilidade de cuidar dele. Quando Padre Pio soube que o seu sobrinho não estava mais na escola, ele presumiu que ele a tinha abandonado. «Afasta-te de mim, seu vagabundo!», gritou Padre Pio ao seu sobrinho. «Tens muita coragem para estar na minha presença!», disse ele. «Por que estás a falar comigo dessa maneira, tio?» O seu sobrinho respondeu. «Porque deixaste a faculdade. Vai-te embora!» «Tio, leia esta carta». Quando Padre Pio leu a verdadeira razão pela qual Ettore foi convidado a sair, pôs a cabeça sobre a mesa e começou a chorar.196 Sobre a Igreja, a sua ordem, a justiça de Deus, o mundo e as almas condenadas ao Inferno Em relação à sua Província Franciscana, numa carta de 29 de Dezembro de 1912, Padre Pio escreveu: «Há algum tempo Ele [Nosso Senhor] não tem o prazer de me responder sempre que se trata de assuntos pertencentes à nossa Província, pois Ele está muito descontente com o modo como a nossa Província está-se a comportar.»197 Padre Pio também pôde ver que a apostasia e desolação quase universal estava a crescer e bem estabelecida já em 1914. Numa carta de 20 de Abril de 1914, Padre Pio disse: «… aflige o meu coração ver tantas almas a apostatar de Jesus. O que congela o sangue perto do meu coração é o facto de muitas dessas almas se afastarem de Deus somente por estarem privadas da palavra divina. A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Quem então ceifará a colheita nos campos da Igreja quando estiver quase madura? Ficará espalhada pelo chão por causa da escassez de trabalhadores? Será colhida pelos emissários de Satanás que, infelizmente, são numerosos e extremamente activos? Ah, que o dulcíssimo Deus nunca permita que isso aconteça. Que Ele seja movido a compadecer-se da pobreza dos homens que se está a tornar extrema.»198 Padre Pio, Carta, 25 de Abril de 1914: «Rezemos ao nosso mui misericordioso Jesus para que venha em socorro da Sua Igreja, pois as suas necessidades se tornaram extremas.»199 Padre Pio, Carta, 16 de Fevereiro de 1915: «… ela precisaria ter um director [espiritual] que fosse muito iluminado nos caminhos de Deus. Mas onde deve esse tal ser encontrado nestes tempos terríveis? O próprio Jesus misericordioso queixou-se disso. Oh, meu querido Pai, que momentos tão tristes são esses!… Que o Pai divino logo ponha fim a esta situação desastrosa!»200 Padre Pio, Carta, 28 de Agosto de 1917: «Ore por esta alma que chora sobre a desolação universal e especialmente sobre a desolação da nossa pobre Província.»201 Padre Pio lamentou a Deus Pai deste modo: «Pai, eu vos suplico, ou rapidamente ponha um fim ao mundo ou ponha fim aos pecados que são continuamente cometidos contra a adorável Pessoa de seu Filho unigénito.»202 Padre Pio encarou a Primeira Guerra Mundial como um castigo pela incredulidade do homem.203 Em Julho de 1946, Padre Pio enviou duras palavras ao Arcebispo de Benevento, Itália: «Benevento foi bombardeada, perdeu a catedral e a residência episcopal como um castigo para o Arcebispo… Pior, nem mesmo depois desta punição de Deus está o Arcebispo disposto a entender a sua responsabilidade. Ele é realmente duro de coração… Almas estão sendo perdidas e os inimigos de Deus estão a causar estragos, tudo porque o Arcebispo dorme…»204 Padre Pio sobre a necessidade da fé católica, sobre a necessidade de obras com fé, e sobre outras religiões e seitas O Credo Atanasiano: «Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica. Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.» Profissão de Fé do Concílio de Trento: «Esta verdadeira fé católica, fora da qual ninguém pode salvar-se, que agora voluntariamente professo, e verdadeiramente mantenho…» Papa Eugénio IV, Concílio de Florença, «Cantate Domino», 1441, ex cathedra: «A Santa Igreja Romana crê firmemente, professa e prega que nenhum dos que estão fora da Igreja Católica, não só pagãos como também judeus, heréticos e cismáticos, poderá participar na vida eterna; mas que irão para o fogo eterno que foi preparado para o demónio e os seus anjos, a não ser que a Ela se unam antes de morrer; e que é tão importante a unicidade do corpo da Igreja que só aos que nela permanecem lhe aproveitam, para a salvação, os sacramentos da Igreja e [lhes] dão prémios eternos os jejuns, as esmolas e as demais obras de piedade e os exercícios do dever cristão. E que ninguém, por mais esmolas que dê, ainda que derrame seu sangue pelo Nome de Cristo, pode salvar-se se não permanecer no seio e na unidade da Igreja Católica.» João 3:5: «Em verdade, em verdade te digo que quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus.» Marcos 16:16: «O que crer e for baptizado, será salvo; o que, porém, não crer, será condenado.» Mateus 16:18-19: «… tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus: tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus, e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus.» 1 Timóteo 3:15: «… a Igreja do Deus vivo, coluna e firmamento da verdade.» Tiago 2:24: «Vedes pois que o homem é justificado pelas obras e não pela fé somente.» Apocalipse 20:12-15: «E vi os mortos, grandes e pequenos, de pé diante do trono. Foram abertos livros; e foi aberto um outro livro, que é o da vida; e foram julgados os mortos pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. O mar deu os mortos que estavam nele, a morte e o Hades deram os mortos que estavam neles, e fez-se juízo de cada um segundo as suas obras. Depois, a morte e o Hades foram lançados no tanque de fogo. E aquele que se não achou inscrito no livro da vida foi lançado no tanque de fogo.» Apocalipse 22:12: «Eis que venho sem demora, e a minha recompensa está comigo, para retribuir a cada um segundo a sua obra.» As cartas de Padre Pio provam claramente que ele não respeitava religiões falsas e que sustentava claramente o dogma de que é necessário ser-se católica para a salvação. Segue-se o que Monsenhor George Pogany (que conhecia pessoalmente Padre Pio) disse sobre a visão do Padre Pio acerca de outras religiões. «… Padre Pio insistia que a fé católica era a única religião fundada por Jesus Cristo. Ele aceitava todos como homens, mas estava convencido de que outras religiões foram fundadas por homens diversos, como por Lutero, por Calvino, ou por Zwinglio…»205 Padre Pio, Carta, 27 de Janeiro de 1918: «…a Igreja; esta querida e doce pomba, que só ela pode pôr os ovos, dando à luz às pequenas pombas do Noivo. Agradeça continuamente a Deus por seres uma filha da Igreja…»206 Falando sobre os pecados da humanidade, Padre Pio disse: «Ele (Jesus) vê toda a feiura e malícia das criaturas ao cometê-los. Ele sabe até que ponto esses pecados ofendem e ultrajam a Majestade de Deus. Ele vê todas as infâmias, imodéstias, blasfémias que procedem dos lábios das criaturas acompanhadas da malícia de seus corações, daqueles corações e daqueles lábios que foram criados para produzir hinos de louvor e bênção ao Criador. Ele vê os sacrilégios com que os sacerdotes e os fiéis se contaminam, não se importando com os sacramentos instituídos para a nossa salvação como meios necessários para ela; tornados agora, em vez disso, em ocasião de pecado e condenação das almas.»207 Um cego chamado Pietruccio perguntou a Padre Pio o que uma pessoa tem que fazer para salvar a sua alma. Padre Pio respondeu: «Basta que mantenha os mandamentos de Deus e da Igreja.»208 Ouviu-se uma vez Padre Pio dizer o seguinte sobre um gentil médico: «Que pena que ele é judeu.»209 Numa carta de 7 de Abril de 1913, Padre Pio disse: «Quantos irmãos miseráveis respondem ao amor de Jesus, lançando-se de braços abertos à infame seita da Maçonaria!»210 Durante os dias do Padre Pio, várias seitas não-católicas estavam activamente a tentar «converter» os italianos. Uma dessas seitas abriu um jardim de infância perto de Padre Pio. Padre Pio sabia que as crianças estavam sendo expostas a criticismo da fé católica. Padre Pio estava muito chateado; ele disse ao superior: «Faça algo rápido! Vá em meu nome ao arcebispo e obtenha permissão para abrir um jardim de infância perto do deles…» Um jardim de infância foi inaugurado, e num curto período de tempo a seita teve que fechar o seu jardim de infância e mover-se para outro lugar.211 Padre Pio lutava contra o mal não apenas com oração, mas também com acção. Sobre leitura espiritual Padre Pio disse: «Se a leitura de livros santos tem o poder de converter homens mundanos em pessoas espirituais, quão poderosa deve ser essa leitura em levar homens e mulheres espirituais a uma maior perfeição.»212 Padre Pio, Carta, 14 de Dezembro de 1916: «Continue com a sua leitura espiritual, porque se é a alma que fala a Deus na meditação, na leitura espiritual é Deus quem fala à alma através da leitura correcta desses livros.»213 Sobre pessoas que buscam o extraordinário Enquanto que eventos extraordinários eram comuns na vida de Padre Pio, ele aconselhava os outros a não buscar o extraordinário; e frequentemente advertia aqueles que procuravam-no, dizendo que eles não tinham fé ou coisa pior. Ele declarou: «Estou convencido de que muitas pessoas não querem viver pela fé, mas buscam o extraordinário». Padre Pio advertia-os respondendo a cartas de pessoas que procuravam o milagroso, dizendo por escrito: «Viva pela fé!»214 Algumas mulheres às vezes agarravam-no, e ele muitas vezes gritava: «Oh, afaste-se, afaste-se!» Ele pegava o seu cordão e girava-o em direção a elas ameaçando-as. Às vezes, ele gritava: «Isso é paganismo! Isso é fanatismo!» Mais de uma vez, Padre Pio comentou: «Deveria haver uma grande cerca ao redor desta área com o sinal, “Asilo de Lunáticos.”»215 Uma jovem acreditava que ela estava a ter visões de Jesus. Padre Pio disse-lhe para não acreditar nas visões. A dama recusou-se a deixar que Padre Pio a orientasse nesse assunto. Ela disse que Padre Pio estava a contradizer as coisas que Jesus lhe tinha dito nas suas visões. Depois de alguns meses a mulher cometeu suicídio.216 Padre Pio sobre como chegar ao Céu e os poucos que são salvos 1 Pedro 4:18: «Se o justo a custo será salvo, o que acontecerá ao ímpio e ao pecador?» Mateus 7:13: «Entrai pela porta estreita porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela.» Padre Pio, Carta a um sacerdote, 23 de Fevereiro de 1915: «Que Jesus e Maria vos ajudem sempre e que dêem às vossas palavras o poder de converter e de conter a precipitada senda de muitas almas rumo ao precipício.»217 Padre Pio disse: «Não sabeis que devemos estar em alerta no caminho da salvação? Só os fervorosos conseguem alcançá-la, nunca os mornos ou aqueles que dormem!»218 Em carta de 27 de Maio de 1914, Padre Pio disse: «Meu Deus! Se todos estivessem cientes da vossa severidade, bem como da vossa ternura, que criatura seria tão tola a ponto de ousar ofender-vos?»219 Um dos irmãos perguntou a Padre Pio: «Por que choras?» Padre Pio respondeu:«Por que eu não deveria chorar vendo a humanidade danando a si mesma a todo custo?»220 Falando do Sangue Divino de Jesus: «Apenas uns poucos se beneficiarão d’Ele, a maioria corre no caminho da perdição.»221 Padre Pio sobre a Fé Padre Pio: «Devemos lembrar que a fé é o maior dom que Deus ofereceu ao homem nesta terra, porque de um homem terreno ele se torna um cidadão do Céu. Guardemos este grande presente com grande zelo. Ai daquele que se esquece de si mesmo, que esquece o Céu, cuja fé se torna fraca, e pior ainda quem nega a sua fé. Esta é a maior afronta que o homem pode oferecer a Deus.»222 Padre Pio: «… renova a tua fé nas verdades da doutrina cristã, especialmente em tempos de conflito. E renova de maneira bem particular a tua fé nas promessas da vida eterna que nosso dulcíssimo Jesus faz àqueles que lutam com energia e coragem. Deves encorajar-te e confortar-te por saber que não estamos sozinhos em nossos sofrimentos, porque todos os seguidores do Nazareno espalhados por todo o mundo sofrem da mesma maneira, e todos estão expostos, como nós, às provações e tribulações da vida.»223 Padre Pio: «Em tentações contra a fé, invoque São Miguel e os Santos Apóstolos Pedro e Paulo.»224 Padre Pio sobre agradar somente a Deus Numa carta de 3 de Dezembro de 1916: «Deves tentar agradar a Deus somente, e se Ele está satisfeito, todo mundo está satisfeito.»225 Padre Pio sobre o mundo Numa carta de 4 de Agosto de 1915, Padre Pio disse: «Afaste-se de… assembleias profanas, de entretenimento corrupto e destruidor, de toda companhia ímpia.»226 Padre Pio: «… não se preocupem com a zombaria dos insensatos. Saiba que os santos sempre foram zombados pelo mundo e pelos mundanos; eles foram pisoteados e triunfaram sobre o mundo e as suas máximas.»227 Padre Pio, Carta, 16 de Março de 1921: «… o mundo está cheio de malícia, e nenhuma vigilância prudente é suficiente para evitar ser contaminado. Somente fugindo dela podemos ser vencedores.»228 Padre Pio, Carta, 13 de Setembro de 1920: «Eu louvo a tua resolução de desejar consagrar-se inteiramente a Deus na sombra do claustro sagrado. Portanto, se o teu pai não precisa de ti por absoluta necessidade, tente por todos os meios, mesmo fugindo, realizar este santo plano. O chamado do Senhor deve ser seguido imediatamente, caso contrário colocamos a nossa salvação em perigo.»229 Padre Pio sobre o Orgulho Numa carta a um filho espiritual, em 30 de Janeiro de 1915, Padre Pio escreveu: «Dizes-me que queres permanecer desapercebido por teres medo de cair em orgulho. Eu mesmo não consigo entender como uma pessoa pode se orgulhar de dons que reconhece em si mesmo. Parece-me que quanto mais rico ele se vê, mais razão tem de se humilhar perante o Senhor, pois os dons do Senhor aumentam e ele nunca pode retribuir plenamente o doador de todas as coisas boas. Quanto a ti, o que tens, em particular, para te orgulhar? O que tens que não recebeste? Se então recebeste tudo, por que te vanglorias como se fosse próprio de ti? Oh, sempre que o tentador queira que te enchas de orgulho, diz a ti mesmo: tudo o que é bom em mim eu recebi de Deus em empréstimo e eu teria de ser um tolo para vangloriar-me do que não é meu.»230 Falando sobre a humildade, Padre Pio disse: «Não vês? É como se alguém aqui lhe desse um belo relógio de ouro para concertar, e durante a viagem o tenhas tirado e exibido como se fosse teu para os outros ocupantes do compartimento. Não serias um sujeito muito tolo? Ou, se realmente o quisesses manter, não serias um indivíduo muito perverso?»231 Padre Pio sobre a Missa Mateus 26:26-28: «… Jesus tomou pão e o benzeu, e o partiu, e deu-o a seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei, isto é o meu corpo.” Depois, tomando um cálice, deu graças, e deu-lho, dizendo: “Bebei dele todos. Porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, que será derramado por muitos para remissão dos pecados.» 1 Cor 10:16: «Porventura o cálice de bênção, que benzemos, não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão, que partimos, não é a participação do corpo do Senhor?» 1 Cor 11: 26-29 «Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que ele venha. Portanto todo aquele que comer este pão ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado quanto ao corpo e sangue do Senhor… porque aquele que o come e bebe come e bebe a própria condenação, não distinguindo o corpo do Senhor.» De acordo com algumas estimativas, cerca de vinte milhões de pessoas assistiram Padre Pio a oferecer Missa.232 Sobre o valor da Missa, Padre Pio disse: «Se os homens ao menos apreciassem o valor da Santa Missa, seriam necessários guardas de trânsito nas portas da igreja todos os dias para manter as multidões em ordem.»233 Perguntaram a Padre Pio o que a sua Missa significava para ele. Ele respondeu: «É uma participação sagrada na paixão de Jesus. Tudo o que o Senhor sofreu em Sua paixão, eu sofro, na medida em que é possível a um ser humano. E isso está fora de qualquer mérito meu, mas inteiramente devido à Sua bondade.»234 Antes de Padre Pio oferecer a hóstia não consagrada na sua patena, ele passava os dedos ao redor da hóstia para ter certeza de que não havia partículas soltas.235 Padre Pio: «Toda Santa Missa, ouvida com devoção, produz em nossas almas efeitos maravilhosos, abundantes graças espirituais e materiais que nós mesmos não conhecemos. É mais fácil para a terra existir sem o sol do que sem o Santo Sacrifício da Missa.»236 Padre Pio: «Vou ao lagar da Igreja, ao santo altar, onde, a partir do Sangue daquela graciosa e incomum Uva, é destilado o Vinho sagrado com o qual só poucas pessoas afortunadas podem ficar embriagadas.»237 Padre Pio sobre receber a Comunhão João 6:54-55: «Jesus disse-lhes: “Em verdade, em verdade, vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós. O que come a minha carne e bebe o meu sangue,, tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.» Perguntaram a Padre Pio sobre receber a Sagrada Comunhão. Ele respondeu: «É uma misericórdia interna e externa. Um abraço.» Pergunta: «Quando Jesus vem, ele só visita a alma?» Padre Pio: «O ser inteiro.» Pergunta: «O que Jesus faz na Comunhão?» Padre Pio: «Ele encontra prazer em Sua criatura.» Pergunta: «A Comunhão é uma incorporação?» Padre Pio: «É uma fusão. Como duas velas que se fundem e não são mais distinguíveis.»238 Padre Pio, Carta a um filho espiritual sobre o receber da Comunhão: «Continua a receber a Comunhão e não te preocupes em não poder receber o Sacramento da Penitência. Jesus vai premiar a tua boa vontade. Lembra-te do que eu disse tantas vezes: enquanto não estivermos certos de estar em pecado grave, não precisamos de nos abster da Comunhão.»239 «A menos que estejas certo de estar em pecado mortal, podes tomar Comunhão todos os dias.»240 Padre Pio: «O meu coração sente-se atraído por um poder superior antes de estar unido a Ele no Santíssimo Sacramento. Tenho tanta fome e sede antes de recebê-Lo, que precisaria de muito pouco para eu morrer de saudade… E em vez de ficar satisfeito depois de ter recebido o Sacramento, essa fome e sede aumentam ainda mais. No momento em que estou em posse deste grande bem, então sim, a plenitude da doçura é verdadeiramente tão grande que quase digo a Jesus: Basta! Eu não aguento mais! Eu esqueço que estou mesmo neste mundo. A mente e o coração não desejam mais nada… Às vezes me pergunto se existem almas que não sentem o seu peito a arder com fogo divino, especialmente no momento em que se encontram diante d’Ele no Santíssimo Sacramento. Parece-me impossível, particularmente se o indivíduo é um sacerdote ou religioso.»241 Devoções especiais de Padre Pio Padre Pio sempre levava consigo a santa relíquia da Cruz. Ele queria que os seus filhos espirituais carregassem uma também ou usassem um crucifixo permanentemente ao redor de seus pescoços.242 Padre Pio tinha uma devoção especial à Paixão de Nosso Senhor, a Nossa Senhora e a São Miguel Arcanjo. Ele exortava os outros a terem estas devoções. Padre Pio enfatizava que São Miguel é o nosso protector contra as ciladas do diabo.243 Ele recomendava São Miguel às almas, dizendo-lhes para recorrer sempre a ele durante as tentações. Padre Pio também recomendava que as pessoas fossem ao Monte Sant’Angelo para venerar São Miguel.244 Padre Pio sobre o matrimónio Padre Pio tinha um lugar muito especial no seu coração para as famílias numerosas. Ele dizia que «o matrimónio é para as crianças» e que, como diz a Bíblia, «os filhos são um dom do Senhor» (Salmo 126:3).245 A boa esperança que ele tinha para os casamentos era que esses fossem «belamente coroado com filhos», para «povoar a terra e o paraíso.»246 Padre Pio recusava-se veementemente a aceitar qualquer pessoa que, de propósito, recusasse a geração de crianças. Recusava-lhes a absolvição. Uma vez ele disse a uma pessoa: «Que a vingança do Senhor não caia sobre ti.» E ele disse a outra pessoa: «Quando te casaste, Deus tomou a decisão de quantos filhos Ele te iria dar.247 Alguns dos pecados que mais pertubavam Padre Pio eram os pecados contra a maternidade; a limitação das famílias; pecados contra a vida; maldição; blasfémia; mentira; calúnia; e o escândalo de se vestir imodestamente.248 Padre Pio nunca quis desviar-se da doutrina católica tradicional.249 O fim da vida de Padre Pio Quando Padre Pio morreu em 1968, ele estava a receber cinco mil cartas por mês.250 Muitas foram as cartas que recebeu Padre Pio que foram guardadas pelos frades num armazém do tamanho duma garagem. Estimava-se que havia mais de duas milhões de cartas de todo o mundo.251 Quando Padre Pio ouviu falar do crescente número de sacerdotes, freiras e leigos radicais, bem como da dissidência do ensino católico e da falta de vocações, alegadamente ouviu-se ele dizer mais de uma vez: «Graças a Deus estou velho e perto da morte!»252 Padre Pio exortava à frequente recitação da oração: «Ó Jesus, salvai os eleitos na hora das trevas.»253 E contrariamente ao que alguns disseram, Padre Pio nunca celebrou a Nova Missa. Padre Pio morreu em 1968; a Nova Missa não foi promulgada antes de 3 de Abril de 1969. Porque Padre Pio era tão conhecido e procurado por seus extraordinários dons de Deus (ele era a pessoa mais fotografada no mundo na sua altura),254 não é surpreendente que certas pessoas ― talvez para promover uma determinada agenda ― tenham circulado certas histórias sobre ele que não são verdadeiras. Certas pessoas afirmam que ele disse e fez certas coisas que, de facto, ele nunca disse ou fez. Por exemplo, foi amplamente divulgado que Padre Pio supostamente disse a uma pessoa em particular que «um dia você será Papa», quando ele nunca fez isso. A pessoa a quem supostamente Padre Pio disse isso, mais tarde admitiu publicamente numa revista proeminente que Padre Pio nunca lhe tinha dito isso. Alguns afirmaram que Padre Pio fez uma profecia sobre os três dias de trevas, quando não o fez. Outros afirmam que Padre Pio respeitava falsas religiões, ou admirava aqueles que as praticavam. Isso não é verdade; não há fundamento, e isso é contradito pelas suas correspondências pessoais que mostram que ele rejeitava absolutamente uma falsa religião ecuménica e afirmava que a fé católica é necessária. É claro que Padre Pio não respeitava outras religiões ou admirava os que as praticavam, pois então ele estaria a testificar que todos os seus esforços e sofrimentos (como ouvir confissões, que ele julgava serem necessárias para perdoar pecados graves) não tinham sentido. Talvez como um aviso da crescente Grande Apostasia, poucos dias antes da sua morte, quando recebido por uma filha espiritual, Padre Pio colocou a mão sobre a cabeça dela e disse duas vezes de forma contundente: «Filha, seja constante e perseverante na fé de nossos pais.»255 Pouco antes da sua morte, em 23 de Setembro de 1968, as feridas dos estigmas do Padre Pio cicatrizaram milagrosamente. Quando Padre Pio morreu, não havia vestígios dos estigmas.256 O Dr. Sala declarou que a cicatrização das feridas era clinicamente inexplicável. Padre Pio sempre quis que os estigmas fossem invisíveis e Jesus concedeu a sua oração no final da sua vida.257 O Pe. Onorato assinalou bem que, à medida que o ministério de Padre Pio se aproximava do fim, os sinais também se escasseavam.258 Na noite anterior à morte do Padre Pio, a cripta que segurava o seu corpo foi completada e abençoada.259 Durante os quatro dias e noites após a morte do Padre Pio, cerca de duzentas mil pessoas passaram diante do seu caixão.260 Para santos superlativamente prospectivos, a causa para a canonização inclui cerca de cinco caixas de documentação que é submetida à Congregação para as Causas dos Santos. No caso de Padre Pio, mais de cem caixas de documentação foram inicialmente apresentadas.261 Em 1968, quando Padre Pio morreu, deixou para trás um enorme hospital chamado A Casa para o Alívio do Sofrimento, que o The New York Times descreveu como «um dos mais belos, bem como um dos mais modernos e totalmente equipados hospitais do mundo.»262 O seu legado incluiu 726 grupos de oração com 68.000 membros. Há também vinte e dois centros do Padre Pio para crianças deficientes e um centro para cegos. Como exemplo da profunda influência da sua vida, em 1997, seis milhões e meio de pessoas visitaram o túmulo do Padre Pio.263 Padre Pio disse o que faria depois de morrer. «Eu fiz um pacto com o Senhor: quando a minha alma tiver sido purificada nas chamas do purgatório e considerada digna de ser admitida à presença de Deus, tomarei o meu lugar à porta do paraíso, mas não entrarei até eu ver o último de meus filhos espirituais entrar.»264 Notas finais: 1 John McCaffery, Blessed Padre Pio, Roman Catholic Books, Fort Collins, CO., pág. 24. 2 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 1. 3 The Oxford Illustrated Dictionary, Segunda Edição, Clarendon Press, Oxford, England, pág. 832. 4 John McCaffery, Blessed Padre Pio, Roman Catholic Books, Fort Collins, CO., pág. 130. 5 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 27. 6 Augustine McGregor, Padre Pio, His Early Years, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 17. 7 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 67. 8 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 25. 9 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 109. 10 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 26. 11 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 160. 12 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 26. 13 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 67. 14 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 88. 15 Radio Replies Press, Inc., Who is Padre Pio, TAN Books, Rockford, IL, pág. 9. 16 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 143. 17 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 63. 18 Pe. Alessio Parente, Send me Your Guardian Angel, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 14. 19 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 29. 20 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 3. 21 Bert Ghezzi, Mystics & Miracles, Loyola Press, Chicago, IL, pág. 79. 22 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 7. 23 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pág. 7. 24 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 9. 25 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 10. 26 Clarisse Bruno, Roads to Padre Pio, Sétima edição, Barto, PA., pág. 12. 27 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pág. 28 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 29. 29 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 8. 30 Renzo Allegri, Padre Pio Man of Hope, Servant Pub., Ann Harbor, MI., pág. 9. 31 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 42. 32 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 17. 33 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 73. 34 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 294. 35 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pág. 89. 36 Padre Pio de Pietrelcina, Walking in the Footsteps of Jesus Christ, The Leaflet Missal Company, St. Paul, MN., pág. 72. 37 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pp. 148-149. 38 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 122. 39 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 30 40 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 40-41. 41 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 42. 42 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 122. 43 John McCaffery, Blessed Padre Pio, Roman Catholic Books, Fort Collins, CO., pág. 57. 44 John McCaffery, Blessed Padre Pio, Roman Catholic Books, Fort Collins, CO., pág. 59. 45 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 133. 46 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 41 47 John McCaffery, Blessed Padre Pio, Roman Catholic Books, Fort Collins, CO., pág. 59. 48 Madame Katharina Tangari, Stories of Padre Pio, Tan Books, Rockford, IL., pág. 57. 49 Patricia Treece, Quiet Moments with Padre Pio, Servant Publications, Ann Arbor, MI., n.º 94. 50 Madame Katharina Tangari, Stories of Padre Pio, Tan Books, Rockford, IL., pág. 50. 51 Patricia Treece, Quiet Moments with Padre Pio, Servant Publications, Ann Arbor, MI., n.º 69. 52 John McCaffery, Blessed Padre Pio, Roman Catholic Books, Fort Collins, CO., pág. 54. 53 Clarice Bruno, Roads to Padre Pio, Sétima Edição, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 183. 54 Madame Katharina Tangari, Stories of Padre Pio, Tan Books, Rockford, IL., pp. 107-109. 55 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 207. 56 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 30. 57 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. XI. 58 Radio Replies, Inc., Who is Padre Pio, TAN Books, Rockford, IL., pág. 28. 59 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 41. 60 A Celebration of Padre Pio, Pray, hope and don’t worry, National Centre for Padre Pio, Barto, PA. (vídeo) 61 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 41 62 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 128 63 John McCaffery, Blessed Padre Pio, Roman Catholic Books, Fort Collins, CO., pág. 88. 64 Clarice Bruno, Roads to Padre Pio, Sétima Edição, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 193. 65 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 299. 66 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 191. 67 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 153. 68 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 404. 69 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 297. 70 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 155. 71 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 297. 72 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 155. 73 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 99. 74 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 198. 75 John McCaffery, Blessed Padre Pio, Roman Catholic Books, Fort Collins, CO., pág. 71. 76 John McCaffery, Blessed Padre Pio, Roman Catholic Books, Fort Collins, CO., pág. 86. 77 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 171. 78 Clarice Bruno, Roads to Padre Pio, Sétima Edição, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 111. 79 Clarice Bruno, Roads to Padre Pio, Sétima Edição, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pp. 113,114. 80 Clarice Bruno, Roads to Padre Pio, Sétima Edição, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 115 81 Pe. Alessio Parente, Send me Your Guardian Angel, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 504. 82 Pe. Alessio Parente, Send me Your Guardian Angel, National Centre for Padre Pio, Barto, PA. 83 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 158. 84 John McCaffery, Blessed Padre Pio, Roman Catholic Books, Fort Collins, CO., pág. 80. 85 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 133. 86 Bert Ghezzi, Mystics & Miracles, Loyola Press, Chicago, IL, pág. 79. 87 Clarice Bruno, Roads to Padre Pio, Sétima Edição, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 190. 88 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 118. 89 John McCaffery, Blessed Padre Pio, Roman Catholic Books, Fort Collins, CO., pág. 30. 90 John McCaffery, Blessed Padre Pio, Roman Catholic Books, Fort Collins, CO., pág. 40. 91 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 31. 92 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 217. 93 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 131. 94 John McCaffery, Blessed Padre Pio, Roman Catholic Books, Fort Collins, CO., pp. 29-30. 95 Pe. Alessio Parente, Send me Your Guardian Angel, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pp. 331-332. 96 Pe. Alessio Parente, Send me Your Guardian Angel, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pp. 493-494. 97 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 48. 98 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 30. 99 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 30. 100 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 251. 101 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 214. 102 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pág. 52. 103 Pe. Tarcisio, The Devil in The Life of Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 114. 104 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. II, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 421. 105 Clarice Bruno, Roads to Padre Pio, Sétima Edição, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 148. 106 Pe. Alessio Parente, Send me Your Guardian Angel, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 65. 107 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 351. 108 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 141. 109 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 367. 110 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pág. 61. 111 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pp. 61-62. 112 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 78. 113 Augustine McGregor, Padre Pio, His Early Years, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 181. 114 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pág. 56. 115 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pág. 56. 116 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 81. 117 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 27. 118 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. II, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pp. 150-151. 119 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 362. 120 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 19. 121 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. II, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 346. 122 Pe. Tarcisio, The Devil in The Life of Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 60. 123 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 64. 124 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. II, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 376-377. 125 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 20. 126 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 77. 127 Pe. Tarcisio, The Devil in The Life of Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 52 (Letters Vol. 1, pág. 150) 128 Pe. Tarcisio, The Devil in The Life of Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 88. 129 Pe. Tarcisio, The Devil in The Life of Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 111. 130 Pe. Tarcisio, The Devil in The Life of Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 11. 131 Pe. Tarcisio, The Devil in The Life of Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pp. 80, 81. 132 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. III, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 418. 133 Clarice Bruno, Roads to Padre Pio, Sétima Edição, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 157. 134 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 122. 135 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 55. 136 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. III, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 627. 137 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 973. 138 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 41. 139 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 770. 140 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 607. 141 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 884. 142 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. III, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 525. 143 John McCaffery, Blessed Padre Pio, Roman Catholic Books, Fort Collins, CO., pág. 64. 144 Radio Replies Press, Inc., Who is Padre Pio, TAN Books, Rockford, IL, pág. 9. 145 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 107. 146 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 110. 147 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 183. 148 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 24. 149 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pág. 55. 150 Gerardo di Flumeri, The Mystery of the Cross in Padre Pio of Pietrelcina, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 16. 151 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 21. 152 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 31. 153 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 39 154 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 177. 155 Augustine McGregor, Padre Pio, His Early Years, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 198. 156 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 212. 157 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 43. 158 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 590. 159 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 57. 160 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 113. 161 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 218. 162 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 197. 163 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 142. 164 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 237. 165 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 27. 166 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 120. 167 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 33. 168 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 33. 169 Padre Pio de Pietrelcina, Walking in the Footsteps of Jesus Christ, The Leaflet Missal Company, St. Paul, MN., pág. 68. 170 Patricia Treece, Quiet Moments with Padre Pio, Servant Publications, Ann Arbor, MI., n.º 86. 171 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 143. 172 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. III, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 671. 173 Madame Katharina Tangari, Stories of Padre Pio, Tan Books, Rockford, IL., pág. 9. 174 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. II, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 102. 175 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. III, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 256. 176 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pp. 164-165. 177 Clarice Bruno, Roads to Padre Pio, Sétima Edição, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 12. 178 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 91. 179 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 89. 180 Padre Pio of Pietrelcina, Spirituality Series, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 164. 181 Padre Pio of Pietrelcina, Spirituality Series, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 164. 182 Clarice Bruno, Roads to Padre Pio, Sétima Edição, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 219. 183 Madame Katharina Tangari, Stories of Padre Pio, Tan Books, Rockford, IL., pág. 215. 184 Pe. Tarcisio, The Devil in The Life of Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 54. 185 Pe. Tarcisio, The Devil in The Life of Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 123. 186 Padre Pio of Pietrelcina, Spirituality Series, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 74. 187 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 31. 188 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 385-386. 189 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 172. 190 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 172. 191 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 173. 192 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 179. 193 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 178. 194 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 347. 195 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 182. 196 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 319. 197 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 370. 198 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 523. 199 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. II, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 88. 200 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 597. 201 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 1041. 202 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 183. 203 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 121. 204 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 273. 205 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág.417. 206 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. III, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 943. 207 Radio Replies Press, Inc., Who is Padre Pio, TAN Books, Rockford, IL, pág. 24. 208 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 156. 209 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 300. 210 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 396. 211 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 178. 212 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 138. 213 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. III, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 671. 214 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 145. 215 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 293. 216 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 138. 217 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 600. 218 Madame Katharina Tangari, Stories of Padre Pio, Tan Books, Rockford, IL., pág. 53. 219 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 534. 220 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 121. 221 Radio Replies Press, Inc., Who is Padre Pio, TAN Books, Rockford, IL, pág. 30. 222 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 33. 223 Patricia Treece, Quiet Moments with Padre Pio, Servant Publications, Ann Arbor, MI., n.º 45. 224 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 1103. 225 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. III, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 543. 226 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. I, Frades de Nossa Senhora da Graça, San Giovanni Rotondo, Itália, pág. 488. 227 Patricia Treece, Quiet Moments with Padre Pio, Servant Publications, Ann Arbor, MI., n.º 44. 228 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. III, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 1065. 229 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. III, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 904. 230 Padre Pio of Pietrelcina, Letters Vol. II, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 337. 231 John McCaffery, Blessed Padre Pio, Roman Catholic Books, Fort Collins, CO., pág. 68. 232 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pág. 99. 233 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pág. 101. 234 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 148. 235 Dorothy Gaudiose, Prophet of the People, Alba House, NY, NY., pág. 202. 236 Gerardo di Flumeri, The Mystery of the Cross in Padre Pio of Pietrelcina, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 16. 237 Gerardo di Flumeri, The Mystery of the Cross in Padre Pio of Pietrelcina, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 27. 238 Gerardo di Flumeri, The Mystery of the Cross in Padre Pio of Pietrelcina, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 50. 239 Gerardo di Flumeri, The Mystery of the Cross in Padre Pio of Pietrelcina, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 51. 240 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 138. 241 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 181. 242 Pe. Tarcisio, The Devil in The Life of Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 113. 243 Clarice Bruno, Roads to Padre Pio, Sétima Edição, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 151. 244 Pe. Tarcisio, The Devil in The Life of Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 113. 245 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pág. 117. 246 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pág. 117. 247 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pág. 118. 248 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 152. 249 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 180. 250 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 13. 251 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 167. 252 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 364. 253 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pág. 113. 254 Fifty Years of Thorns and Roses (vídeo). National Centre for Padre Pio, Barto, PA. 255 Pe. Stefano Manelli, Padre Pio of Pietrelcina, Franciscans of the Immaculate, New Bedford, MA., pág. 112. 256 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 44. 257 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 214. 258 Pe. John A. Schug, Padre Pio, National Centre for Padre Pio, Barto, PA., pág. 241. 259 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. 43. 260 Padre Pio de Pietrelcina, Walking in the Footsteps of Jesus Christ, The Leaflet Missal Company, St. Paul, MN., pág. 26. 261 Padre Pio. The Wonder Worker, Our Lady’s Chapel, New Bedford, MA., pág. XII. 262 C. Bernard Ruffin, Padre Pio: The True Story, Our Sunday Visitor, Huntington, IN., pág. 286. 263 Patricia Treece, Quiet Moments with Padre Pio, Servant Publications, Ann Arbor, MI., n.º 120. 264 Gennaro Preziuso, The Life of Padre Pio, Society of St. Pauls, Staten Island, NY., pág. 197. FONTE: IGREJACATÓLICA.ORG #pio #oraçãopadrepio #oracionpadrepio #padre #padrepio #padrepiodepietrelcina #padrepiorogai #stpadrepio #HISTÓRIADEPADREPIO #santopadrepio #padrepiomovie #terçopadrepio #padrepiomissa #padrepiomisa #saintpadrepio #conselhosdopadrepio #SÃOPADREPIO #opadrepio #missadopadrepio
- Por que muitos não conseguem crer
Falemos sobre o porquê de tantas pessoas não receberem a graça da verdadeira fé e não tenderem para as posições verdadeiras. Em João capítulo 5, Jesus diz aos judeus que não creram nele: «Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a glória que só de Deus vem?» – João 5:44 Jesus revela que a razão principal de não ser dada a graça da verdadeira fé às pessoas é elas procurarem a aprovação e o respeito de outros homens ao invés de Deus. Este princípio aplica-se a todos os casos, a não-crentes, a hereges de todos os tipos, e às multidões dos que alegam ser católicos ou até «católicos tradicionais», mas que não são verdadeiramente católicos por aderirem obstinadamente a posições falsas. Essas pessoas estão demasiadamente preocupadas com o que os outros pensam, respeitam ou aprovam, ao invés de se focarem exclusivamente no que é verdadeiro aos olhos de Deus e no que Lhe é agradável. O foco deles é muito na horizontal, digamos, ao invés de na vertical. Estão a procura de refúgio noutras pessoas, ao invés de buscá-lo em Deus. Se essas pessoas se focassem somente ou suficientemente no que é verdadeiro e correcto aos olhos de Deus, independentemente de como os outros reagem, iriam então receber a graça de ver a verdade. No entanto teriam também de lidar com conflitos, desrespeito, mentiras, zombaria e ódio vindo de pessoas que doutro modo não reagiriam desse jeito perante elas. Mateus 10:25 – «Se eles chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos?» Gálatas 1:10 – «Porventura é o favor dos homens que eu procuro, ou o de Deus? Porventura é aos homens que pretendo agradar? Se agradasse ainda aos homens, não seria servo de Cristo.» 2 Timóteo 3:12 – «E todos os que querem viver piamente em Jesus Cristo, padecerão perseguição.» João 15:18-19 – «Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim. Se fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos aborrece.» A importância deste ponto não deve ser subestimada. Se adotardes e defenderdes a verdade de Deus, independentemente do que os outros dizem, enfrentareis oposição. Sereis odiados. Sereis desrespeitado, mentirão sobre vós e sereis zombado pelas pessoas que doutro modo não reagiriam assim convosco. É isso que vai acontecer, e aplica-se especialmente hoje em dia durante a Grande Apostasia – o período a que Jesus se referia quando disse: quando o Filho do Homem vier, pensais que achará Ele fé na terra? (Lucas 18:8). Isto não significa que uma pessoa deva procurar ser combativa por ser combativa, mas que aderir à verdade na sua íntegra e professá-la sem compromisso levará às reações anteriormente mencionadas por parte de pessoas malignas, numa escala menor ou maior dependendo do vosso estado na vida. Ora, por vezes as pessoas aderem às verdadeiras posições, mas começam a dar ouvidos a outras pessoas que desdenham ou desrespeitam aqueles que a elas aderem. Se uma pessoa dá demasiada importância à essa reação, Deus irá retirar graça dessa pessoa e a convicção dela irá enfraquecer, talvez até ao ponto de perder a fé. É por isso que, genericamente falando, não deveis continuar a dialogar com aqueles que negam pertinazmente ou atacam a verdade ou vivem de modo pecaminoso. Deveis evangelizá-los e fazer um esforço para convertê-los, mas se são claramente teimosos na sua rejeição da verdade, e não estão interessados em mudar, deveis seguir em frente. Não deveis estar em companhia com eles para ouvir as suas ideias, ao menos que algum propósito de estudo ou investigação assim o exija. Evitai o herege após a segunda admonição (Tito: 3:10). Quando pessoas continuam a buscar a companhia e a ouvir tais hereges e descrentes, frequentemente ficam manchadas, enfraquecidas, ou totalmente corrompidas. Por vezes um crente perde a fé porque ele ou ela está muito preocupado com a reação, desprezo ou desrespeito por parte de outros. No entanto, quando Deus vê que o coração da pessoa está demasiadamente interessado no que os homens respeitam e aprovam, por não terem respondido adequadamente às graças prevenientes de Deus de focar-se n’Ele, é mais comum Deus nem sequer dar a graça da verdadeira fé a essa pessoa. Visto que o coração da pessoa é fixado, em grau inapropriado, no que as outras pessoas respeitam, essa pessoa não possui a graça de inclinar-se para a verdade total de Deus mas somente para uma verdade parcial. Também é por isso que tantas pessoas gravitam para doutrinas de homens, para seitas criadas por homens, e para opiniões de homens como autoridade final. No seu coração elas querem glória ou aprovação de homens, ao invés de Deus. Ademais, quando as pessoas estão demasiadamente preocupadas com receber aprovação de outros, o seu intelecto torna-se obscurecido. Como resultado, começam a respeitar, ou a dar importância ao que certas pessoas respeitam, mesmo que o que eles estejam a desrespeitar ou a ignorar deva ser considerado digno de respeito se fosse propriamente avaliado pelos seus próprios méritos, segundo a verdade de Deus e os factos. Isto não é sugerir que não haverá ninguém que aprove, respeite ou aprecie uma pessoa que adira à verdade completa ou a sua posição. Isso acontecerá, mas a vasta maioria, especialmente hoje, rejeitará essa pessoa. Além do mais, quase nunca acontece de um herege não ter qualquer preocupação com a aprovação de Deus. Hereges tipicamente desejam a aprovação de Deus até um certo grau, mas o problema é que não estão exclusivamente ou suficientemente focados na glória ou aprovação de Deus. Ao invés, eles mantêm uma afeição inapropriada pelo que é respeitado ou aprovado por outros homens. Consequentemente, não lhes é conferida a luz da verdade; não lhes é dada uma fé forte que, sendo firmada no próprio Deus, é também intocável pelos ventos de argumentos e posições elaborados pela astúcia e engenho humano. «… para que não mais sejamos meninos flutuantes e levados ao sabor de todo o vento de doutrina, pela malignidade dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.» – Éfesios 4:14 Logo, ao avaliar a vossa conduta ou determinar as vossas posições, ponde de lado toda a consideração sobre o que os outros pensam. Não interessa o que os vossos amigos pensam ou o que o vosso «pastor» pensa ou o que o vosso «padre» pensa. Tudo o que importa é o que é verdade e correcto diante de Deus. Avaliai a coisa em si diante de Deus e à luz da Sua revelação. Santo Afrates: «Aquele que confia no Senhor é como uma árvore posta à margem do rio. Aquele que põe a sua confiança no homem recebe a maldição de Jeremias.» Em muitos casos, considerações empresariais, financeiras ou profissionais também têm um papel no porquê de as pessoas continuarem a aderir a posições falsas ou a heresias. Por exemplo, pessoas que têm um programa religioso, ou um espetáculo religioso, ou ensinam numa escola em particular, em muitos casos perderiam os seus cargos se adoptassem a verdade completa. Logo, não estão inclinadas a adoptá-la. Essas pessoas não são dignas de Cristo, e devem procurar outra ocupação. Mateus 10:37-39 – «O que ama o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim; e o que ama o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim. O que não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. O que se prende à sua vida perdê-la-á, e o que perder a sua vida por meu amor, achá-la-á.» Há vários ditos tradicionalistas que confortam-se pelo facto de terem vários amigos «tradicionalistas», terem uma «comunidade tradicionalista», etc. Isso não significa nada. Muitos se surpreenderão no Dia do Julgamento quando virem muitos dos seus «heróis trad» a serem condenados ao fogo eterno por terem comprometido a verdade de Deus. O facto de eles terem tido muitos apoiantes ou amigos nesta vida que achavam que eles eram os maiores não significa coisa alguma. O que importa é somente se as suas crenças e conduta foram justas aos olhos de Deus. «Não seguirás a multidão para fazer o mal, nem em juízo te unirás ao parecer do maior número, para te desviares da verdade.» – Êxodo 23:2 «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque vos digo que muitos procurarão entrar, e não conseguirão.» – Lucas 13:24 FONTE: IGREJACATOLICA.ORG #SantoAfrates #Lucas1324 #Tito310 #Éfesios414 #João544 #João151819 #Gálatas110 #Êxodo232 #Mateus1025 #2Timóteo312
- Comunicado do Arcebispo Viganò por ocasião da visita de Biden ao Vaticano
Domingo, 31 de Outubro de 2021 Domini Nostri Jesu Christi Regis Por ocasião da visita, do passado dia 29 de Outubro, ao Vaticano, as agências noticiosas[1] difundiram a notícia segundo a qual Joe Biden tinha referido o conteúdo do encontro e que Francisco o teria definido «um bom católico», convidando-o a «continuar a receber a Comunhão». É intrigante que, até à data, nenhum comentário esclarecedor tenha chegado da Sala de Imprensa Vaticana. Isto deixa presumir que as palavras de Joe Biden correspondem à verdade e que Bergoglio, efectivamente, as tenha pronunciado. Mesmo que quanto dito por Biden coincida perfeitamente com as intempestivas observações de Jorge Mario Bergoglio – que definiu como «grande italiana» uma notória abortista radical –, é evidente que tais afirmações representam um escândalo sem precedentes, uma vez que não condenam as posições de uma figura política a favor do aborto, negando a imutável posição do Magistério da Igreja e soando como um flagrante convite ao sacrilégio, profanando a Santíssima Eucaristia ao recebê-la em estado de pecado público e manifesto. Todos os católicos sabem que crime horrendo representa o homicídio de uma criatura indefesa no ventre materno; do gravíssimo escândalo dado aos fiéis não só por Joe Biden, como abortista convicto, mas pelo próprio Bergoglio, ao qual é reconhecida a autoridade de Supremo Pastor da Igreja. A sua acção demolidora não conhece descanso, no silêncio atónito dos Cardeais e dos Bispos. As raríssimas excepções de Pastores que verdadeiramente se preocupam com as almas que lhes são confiadas – valha para todas a do Eminentíssimo Cardeal Burke[2] – são vistas com hostilidade pela maioria dos seus Irmãos e pelo Vaticano, numa inquietante subversão da missão da Igreja de Cristo, hoje esmagada pelas alterações climáticas, pelo capitalismo inclusivo e pela vacinação em massa. Bergoglio foi recentemente reconhecido como «guia moral» pelo Council for Inclusive Capitalism, liderado por Lynn Forester de Rotschild, e nomeou como membro da Pontifícia Academia das Ciências Sociais o economista Jeffrey David Sachs, Presidente da Sustainable Development Solutions Network da ONU, um defensor da redução da população mundial e da luta contra as alterações climáticas[3]: esta é a medida de uma estranheza à missão do Papado e deveria levar os Prelados da Igreja a questionar-se seriamente sobre a sua idoneidade mental e moral para o papel que desempenha. Exorto os fiéis, na festa instituída, por Pio XI, em honra da Realeza Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, a rezarem à Divina Majestade para que a Igreja de Cristo seja a primeira sociedade, entre aquelas aflitas pela presente crise, na qual volte a reinar Jesus Cristo, hoje substituído pelos ídolos da ideologia globalista. † Carlo Maria Viganò, Arcebispo [1] Cfr. https://apnews.com/article/joe-biden-pope-francis-business-poverty-rome-b4675e7b3115c5f3ddd3a735f9ee1e25. [2] Cfr. https://www.diesirae.pt/2021/10/carta-do-cardeal-burke-sobre-os.html. [3] Cfr. https://www.agensir.it/quotidiano/2021/10/25/papa-francesco-nomina-jeffrey-david-sachs-membro-ordinario-della-pontificia-accademia-delle-scienze-sociali/ e https://www.osservatoreromano.va/it/news/2021-10/quo-243/nuovo-membro-della-pontificia-accademia-delle-scienze-sociali.html. Outubro 31, 2021 A pedido do Arcebispo Carlo Maria Viganò, o portal Dies Iræ traduziu e disponibiliza, em exclusivo para língua portuguesa, a carta que S.E.R. publicou, hoje, por ocasião da visita do Presidente Biden, no dia 29 de Outubro, ao Vaticano. FONTE: DIES IRAE #LynnForesterdeRotschild #JoeBiden #francisco #CarloMariaViganò #SaladeImprensaVaticana #JorgeMarioBergoglio #Vaticano #Bergoglio
- Fiéis defuntos: reza-se por eles porque o Purgatório existe
O dia 2 de Novembro é a comemoração de todos os fiéis defuntos. A Igreja lembra-nos de rezar pelos mortos que, enquanto esperam para ir para o Céu, têm de cumprir a sua pena no Purgatório. Esta sua condição deve-se ao facto de os pecados mortais que a pessoa confessou durante a sua vida terrena já terem sido remidos no que diz respeito à culpa, o que os impediu de ir para o Inferno, enquanto a pena resultante do pecado ainda deve ser expiada. Pode-se, certamente, limitar as penas do Purgatório se, durante a vida, se fazem obras reparadoras: orações, Santas Missas, sacrifícios voluntários oferecidos em reparação dos próprios pecados e indulgências aplicadas a si próprios. Tudo o que, porém, não fomos capazes de expiar nesta terra continua por fazer na próxima vida, precisamente no Purgatório. Mas o que é o Purgatório? Uma história para fazer as crianças portarem-se bem? Uma invenção da Idade Média, como alguns dizem? De modo algum, a verdade do Purgatório é encontrada na Bíblia, mesmo no Antigo Testamento. A Igreja sempre afirmou a sua existência, alertando para as penas, tudo menos leves, que esse implica. Façamos uma breve digressão, começando com a morte de Aarão. Em tal ocasião, foram oferecidos sacrifícios durante um mês inteiro. Assim, se é possível oferecer sacrifícios por um defunto, quer dizer que o falecido pode expiar as consequências dos seus pecados, graças aos sacrifícios dos vivos, mesmo depois da morte. No capítulo 12 do Segundo Livro dos Macabeus, é narrado que Judas Macabeu, após uma batalha importante, reparou que havia objectos idólatras debaixo da túnica de cada um dos soldados caídos, pelo que decidiu rezar para que Deus perdoasse o pecado desses soldados. Além disso, Judas Macabeu mandou fazer uma colecta e enviou-a a Jerusalém, para que fosse oferecido um sacrifício expiatório. Isto significa que havia a convicção de que se podia rezar pelos defuntos, o que quer dizer também que se estava convencido de que havia um “lugar” de expiação na vida após a morte. Mesmo no Novo Testamento há testemunhos valiosos da existência do Purgatório. Gosto de recordar aqui um episódio do diário de Santa Perpétua, que foi martirizada, em Cartago, em 203. Enquanto se encontrava na prisão, Perpétua teve uma dupla visão. Na primeira visão ela viu o seu irmão, Dinócrates, que tinha morrido aos sete anos de idade. Perpétua viu o seu irmão mais novo sair «de um lugar tenebroso onde havia muitas outras pessoas; estava quente e sedento, sujo e pálido. O rosto estava desfigurado pela ferida que o tinha matado». Perpétua viu o seu irmão que tentava, sem sucesso, beber de uma piscina e assim compreendeu que Dinócrates estava a sofrer. Com pena desta visão, rezou pela alma do seu irmãozinho. O Senhor ouviu as suas orações e, numa segunda visão, viu Dinócrates perfeitamente curado, capaz de beber, capaz de brincar como fazem todas as crianças. Interpretando esta segunda visão, Perpétua escreveu: «Acordei e compreendi que a pena lhe tinha sido perdoada». Como podemos ver, já nos primeiros séculos, os santos estavam certos da realidade do Purgatório. Também de outros episódios, podemos ter a certeza do que a Igreja ensinava desde o início. No segundo século, um bispo da Ásia Menor, chamado Abércio, compôs o seu epitáfio antes de morrer, que diz: «Estas coisas ditava eu, Abércio, quando tinha precisamente setenta e dois anos de idade. Vendo-as e compreendendo-as, rezai por Abércio». Também um antigo autor cristão, Tertuliano, escreveu: «No dia do aniversário, fazemos orações pelos defuntos». E Santo Agostinho: «Não se pode negar que as almas dos defuntos podem ser ajudadas pela piedade dos seus entes queridos ainda vivos, quando é oferecido por eles o sacrifício do Mediador [ou seja, a Santa Missa] ou através de esmolas». É evidente que se as pessoas rezam e mandam dizer Missas pelos defuntos é porque os consideram no Purgatório, porque se estivessem no Paraíso não precisariam de nada, tendo a alegria eterna da visão beatífica. Enquanto se estivessem no Inferno nada lhes poderia dar alívio por causa da pena eterna. A existência do Purgatório é, portanto, uma certeza da nossa bela Fé católica. Mas agora podemos perguntar: quão graves são as penas do Purgatório? Certamente que estas penas não são pequenas. Esta tentação poderia ser desencadeada, especialmente entre os preguiçosos: “Bem, talvez devido à minha vida medíocre não vá directamente para o Céu, contentar-me-ei em estar um pouco no Purgatório”. Este olhar para baixo traduz-se, no entanto, em catástrofe. Aponta-se para o Paraíso, há esperança de ir para o Purgatório, mas se se aponta para o Purgatório, há um sério risco de escorregar lentamente para o Inferno. Tal como acontece com as crianças em idade escolar: se se aponta para o oito, há esperança de chegar à positiva, mas se se aponta directamente para a positiva, o risco de reprovação é tudo menos hipotético. E as penas do Purgatório são tudo menos leves. São duas: do dano, às almas é retardada a visão de Deus; e do sentido, as almas são punidas com o «fogo» corporal. Santo Agostinho escreveu: «Aquele que envelheceu no pecado, levará mais tempo a atravessar aquele rio de fogo e, na medida da sua culpa, a chama aumentará o castigo». E Santo Afonso Maria de Ligório afirmou que o fogo que queima os condenados ao Inferno é o mesmo que purifica os eleitos no Purgatório: a única diferença é que o primeiro dura para sempre, enquanto o segundo é temporário. É claro que também se deve considerar que no Purgatório também há alegrias. Em primeiro lugar, a certeza da salvação eterna, que na vida terrena mesmo os bons não têm, como podemos ver pela vida de muitos santos que, apesar da sua evidente santidade, não se consideravam dignos do Paraíso. Depois, o facto de ser impossível pecar, enquanto estivermos vivos não sabemos se vamos cair em pecado. No Purgatório, por outro lado, temos a certeza de poder amar o Senhor para sempre, sem O ofender mais. Além disso, as santas almas do Purgatório têm o consolo das nossas orações, dos sofrimentos oferecidos e das indulgências lucradas para elas, que aliviam, encurtam ou até mesmo eliminam totalmente as penas. Por esta razão, não podemos “abandonar” os nossos entes queridos que possam estar no Purgatório e é muito agradável lucrar para eles a indulgência plenária. Isto é possível todos os anos, desde o meio-dia de 1 de Novembro até ao fim de 2 de Novembro, para aqueles que visitam uma igreja, ou cemitério, de 1 a 8 de Novembro, renunciando, obviamente, a todos os pecados, mesmo veniais, e, depois, com as condições habituais, que são receber a Comunhão, rezar de acordo com as intenções do Sumo Pontífice (por exemplo, um Padre-Nosso e uma Ave-Maria) e confessar-se, mesmo que não no próprio dia, mas algum tempo antes ou depois. No ano passado, a Penitenciaria Apostólica, devido às dificuldades de deslocação colocadas pelas autoridades públicas com a desculpa da pandemia de COVID, decidiu que a possibilidade de lucrar as indulgências para os defuntos fosse prolongada durante todo o mês de Novembro. Também este ano, tal possibilidade foi confirmada. Aproveitemo-la abundantemente, os nossos entes queridos ficar-nos-ão gratos e, uma vez no Paraíso, recordar-se-ão de nós e devolver-nos-ão o favor que lhes fizemos abreviando os seus sofrimentos presentes. P. Stefano Bimbi FONTE: DIES IRAE
- A MISSÃO DO CRISTIANISMO NA SALVAÇÃO DA CULTURA
[Trechos da conferência que o filósofo francês Fabrice Hadjadj proferiu na sexta-feira, 29 de outubro, em Bassano del Grappa (Vicenza), ao receber o 39º Prêmio Internacional de Cultura Católica. Falou de cultura, abordou o tema do transumanismo e a relação entre o homem e a tecnologia, destacando sobretudo o papel do cristianismo na preservação da cultura que recebemos dos antigos]. “Ao tornar-me cristão, tornei-me contemporâneo de Moisés, Paulo, Agostinho, Tomás de Aquino, Dante, Manzoni, mas também de Sófocles, Aristóteles, Virgílio, que prepararam o caminho para o Evangelho. Sei que, no fundo, as perguntas feitas por Shakespeare ou Goldoni ainda valem para mim”. Para falar de cultura, explicou Fabrice Hadjadj, é necessário o ponto de vista do camponês, pois “a palavra [cultura] se refere sobretudo a uma relação com a terra”. Requer paciência e consciência de que “o homem não é aquele que inicia ou controla totalmente a obra. A obra nasce de um dom inicial: o da semente”. Assim, o homem de cultura, seja quem for, “reconhece sempre o dom inicial do material e a inspiração, sabendo que a sua própria mão estará sempre sujeita à artrite”. Nesse contexto, a Revelação cristã ocupa um lugar especial. “O catolicismo não é uma cultura rival das demais, pois não se coloca no mesmo nível das culturas. Se as culturas podem ser comparadas com as espécies vegetais, a Revelação cristã não é uma espécie mais viva e mais bela que deveria substituir as outras, como uma erva maravilhosa mais forte que uma erva daninha. Mais que isto, [a Revelação cristã] é o sol, a chuva e a tesoura do jardineiro. É aquilo que permite que cada cultura cresça, se purifique, dê flores mais belas e frutos mais saborosos”. “Ora, temo que não estejamos mais na era da cultura”, continuou ele. “O modelo não é mais aquele da agricultura, do dom e dos dias prósperos. É o tempo do computador, do controle total e, naturalmente, de uma perda total de controle, já que aquele tipo de controle produz um excesso de tensão». Já não há mais a paciência que a cultura exige, a paciência que tem o homem que planta uma árvore e que sabe que provavelmente não vai gozar dos seus frutos; ou a paciência do artesão que ajuda a construir uma catedral, sabendo que não vai ver o término do trabalho, mas somente os seus netos. “Se o dispositivo tecno-emocional nos arrasta tão facilmente para o instantaneísmo e o presentismo, é porque estamos sem esperança. Ao contrário dos antigos, que acreditavam na transmissão cultural, e ao contrário do moderno, que acreditava no progresso, o pós-moderno não acredita mais no futuro… Não planta árvores. Faz encomendas para entrega rápida». Quando se tratou de reconstruir Notre-Dame destruída pelo incêndio, por exemplo, o mais grave, segundo Hadjadj, não foi a tomada de consciência da necessidade de reconstruir a catedral, mas “a constatação de que, mesmo que reparássemos todo aquele edifício, tornando-o idêntico ao anterior, não estamos mais na era dos “construtores de catedrais”. Sua cultura está irremediavelmente perdida. Para preservar os seus vestígios, estamos condenados a apelar aos engenheiros agnósticos de hoje». “Então, como pode estar garantida uma “continuidade histórica suficiente para que nossos netos ainda tenham uma vida, cuja essência se pareça com a de seus avós?” A resposta que ele deu está precisamente no Apocalipse: “A Revelação católica não é uma cultura, mas se tornará cada vez mais o lugar onde as culturas ainda podem existir. Num mundo tecnocrático, que sempre rompe com o passado, onde só se fala em destruir, resta à Igreja, na permanência milagrosa de seu magistério, manter a unidade da condição humana desde o momento da expulsão do Éden até a descida da Jerusalém celestial». Ao cristianismo cabe, portanto, uma verdadeira “missão de salvação” para a cultura de hoje: “Cada vez mais, no futuro, será necessário responder ao “Ouve, Israel”, se quisermos continuar a ouvir Mozart ou ler Em Busca do Tempo Perdido [de Proust]…” https://lanuovabq.it/it/hadjadj-un-premio-che-ricorda-la-missione-del-cristianesimo
- VISITA A UMA CIDADE PARALELA
Fui hoje rezar diante do túmulo de minha mãe. Os túmulos são como as imagens dos santos: Vestígio suntuoso ou humilde De algo muito mais grave e misterioso. Penso em meu futuro túmulo, Que um dia, inevitavelmente, estará abandonado, Quando meus netos e filhos Também estiverem longe de seus filhos e netos. Sua laje será castigada pelo sol operário do meio-dia, Pelas chuvas torrenciais do verão, Quando não suavemente envolvido Pelos luares espirituais do pobre Alphonsus. Minha alma estará longe, Dolente ou exultante com outros fatos. As almas dos vivos é que vagueiam pelos cemitérios, Por essa cansada geometria de pedras, nomes e datas Que só o manto frio do orvalho vem à noite acarinhar; Por esse depósito de cubos estatelados no chão E ironicamente organizados à maneira de uma cidade, Com suas ruas, endereços e habitantes, Uma espécie de espelho sarcástico da cidade lá fora. — E daí? E daí? — pergunta a velha canção do rádio. Eu não tomarei o menor conhecimento Do sol, da lua ou das últimas goteiras desanimadas Pingando monotonamente das várias cruzes de Cristo, — Cruzes que são os únicos seres vivos do cemitério.
- O que são os Novíssimos? O céu, a morte, o purgatório…
Nos Livros Santos chamam-se Novíssimos às coisas que sucederão ao homem no fim da vida: a morte, o juízo, o destino eterno: o céu ou o inferno. A Igreja apresenta-os de modo especial durante o mês de novembro. Através da liturgia, convidam-se os cristãos a meditar nestas realidades. 1. O que há depois da morte? Deus julga cada pessoa pela sua vida? O Catecismo da Igreja Católica ensina que «a morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina, manifestada em Jesus Cristo» «Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através de uma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre». Neste sentido S. João da Cruz fala do juízo particular de cada um dizendo que «ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor». Catecismo da Igreja Católica, 1021-1022 Contemplar o mistério Tudo se conserta, menos a morte… E a morte conserta tudo. Sulco , 878 Em face da morte, sereno! – É assim que te quero. – Não com o estoicismo frio do pagão; mas com o fervor do filho de Deus, que sabe que a vida é mudada, não tirada. – Morrer?… Viver! Sulco , 876 Não faças da morte uma tragédia!, porque não o é. Só aos filhos desamorados é que não entusiasma o encontro com seus pais. Sulco , 885 O verdadeiro cristão está sempre disposto a comparecer diante de Deus. Porque, em cada instante – se luta por viver como homem de Cristo -, encontra-se preparado para cumprir o seu dever. Sulco , 875 “Achei graça quando ouvi o senhor falar das “contas” que Deus lhe pedirá. Não, para vós Ele não será Juiz – no sentido austero da palavra -, mas simplesmente Jesus”. Esta frase, escrita por um Bispo santo, que consolou mais de um coração atribulado, bem pode consolar o teu. Caminho , 168 2. Quem são os que vão para o céu? Como é o céu? O céu é “o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva.” S. Paulo escreve: Nem olho viu, nem ouvido ouviu, nem passou pelo pensamento do homem as coisas que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Cor 2, 9). Depois do juízo particular, os que morrem na graça e na amizade de Deus e estão perfeitamente purificados vão para o céu. Vivem em Deus, vêem-no tal como é. Estão sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, gozam da sua felicidade, do seu Bem, da Verdade e da Beleza de Deus. Esta vida perfeita com a Santíssima Trindade,esta comunhão de vida e de amor com Ela, com a Virgem Maria, com os anjos e com todos os bem-aventurados chama-se céu. Pela sua morte e ressurreição, Jesus Cristo «abriu-nos» o céu. Viver no céu é “estar com Cristo” (cf. Jo 14, 3; Flp 1, 23; 1 Ts 4,17). Os eleitos vivem «n’Ele»; mas n’Ele conservam, ou melhor, encontram a sua verdadeira identidade, o seu nome próprio. (cf. Ap 2, 17) Catecismo da Igreja Católica, 1023-1026 Contemplar o mistério Mentem os homens quando dizem “para sempre” nas coisas temporais. Só é verdade, com uma verdade total, o “para sempre” da eternidade. – E assim hás de viver tu, com uma fé que te faça sentir sabores de mel, doçuras de céu, ao pensares nessa eternidade que, essa sim, é para sempre! Forja , 999 Pensa como é grato a Deus Nosso Senhor o incenso que se queima em sua honra; pensa também quão pouco valem as coisas da terra que, mal começam, já acabam… Pelo contrário, um grande Amor te espera no Céu: sem traições, sem enganos: todo o amor, toda a beleza, toda a grandeza, toda a ciência…! E sem enjoar: saciar-te-á sem saciar. Forja , 995 Se transformamos os projetos temporais em metas absolutas, cancelando do horizonte a morada eterna e o fim para que fomos criados – amar e louvar o Senhor, e possuí-lo depois no Céu -, os mais brilhantes empreendimentos se tornam traições e mesmo veículo para aviltar as criaturas. Recordemos a sincera e famosa exclamação de Santo Agostinho, que havia passado por tantas amarguras enquanto desconhecia Deus e procurava fora dEle a felicidade: Criaste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em ti! Amigos de Deus , 208 Na vida espiritual, muitas vezes é preciso saber perder, aos olhos da terra, para ganhar no Céu. – Assim ganha-se sempre. Forja , 998 3. O que é o purgatório? É para sempre? Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu. A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados. Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: «Por isso, [Judas Macabeu] pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres das suas faltas» (2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos. Catecismo da Igreja Católica, 1030-1032 Contemplar o mistério O purgatório é uma misericórdia de Deus, para limpar os defeitos daqueles que desejam identificar-se com Ele. Sulco , 889 Não queiras fazer nada para ganhar méritos, nem por medo das penas do purgatório. Empenha-te, desde agora e para sempre, em fazer tudo, até as coisas mais pequenas, para dar gosto a Jesus. Forja , 1041 “Esta é a vossa hora, e o poder das trevas”. – Quer dizer que… o homem pecador tem a sua hora? – Tem, sim… E Deus, a sua eternidade! Caminho , 734 4. O inferno existe? Significa permanecer separado d’Ele – do nosso Criador – para sempre, por nossa própria livre escolha. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra «Inferno». Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus é escolher este fim para sempre. A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente, após a morte, aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, «o fogo eterno». A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em Quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira. Jesus fala muitas vezes da «geena» do «fogo que não se apaga» (630) reservada aos que recusam, até ao fim da vida, acreditar e converter-se, e na qual podem perder-se, ao mesmo tempo, a alma e o corpo. A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus. As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão: «Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição e muitos são os que seguem por eles. Que estreita é a porta e apertado o caminho que levam à vida e como são poucos aqueles que os encontram!» (Mt 7, 13-14). Catecismo da igreja Católica, 1033-1036 Contemplar o mistério Não esqueçais que é mais cômodo – mas é um descaminho – evitar a todo o custo o sofrimento, com a desculpa de não desgostar o próximo. Freqüentemente, esconde-se nessa inibição uma vergonhosa fuga à dor própria, já que normalmente não é agradável fazer uma advertência séria. Meus filhos, lembrai-vos de que o inferno está cheio de bocas fechadas. Amigos de Deus , 161 Um discípulo de Cristo nunca raciocinará assim: “Eu procuro ser bom, e os outros, se quiserem…, que vão para o inferno”. Este comportamento não é humano, nem se coaduna com o amor de Deus, nem com a caridade que devemos ao próximo. Forja , 952 Somente o inferno é castigo do pecado. A morte e o juízo não passam de conseqüências, que aqueles que vivem na graça de Deus não temem. Sulco , 890 5. Quando será o juízo final? Em que consistirá? A ressurreição de todos os mortos, «justos e pecadores» (Act 24, 15), há-de preceder o Juízo final. Será «a hora em que todos os que estão nos túmulos hão-de ouvir a sua voz e sairão: os que tiverem praticado o bem, para uma ressurreição de vida, e os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de condenação» (Jo 5, 28-29). Então Cristo virá «na sua glória, com todos os seus anjos […]. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. […] Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna» (Mt 25, 31-33.46). O Juízo final terá lugar quando acontecer a vinda gloriosa de Cristo. Só o Pai sabe o dia e a hora, só Ele decide sobre a sua vinda. Pelo seu Filho Jesus Cristo. Ele pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a história. Nós ficaremos a saber o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais a sua providência tudo terá conduzido para o seu fim último. O Juízo final revelará como a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas pelas suas criaturas e como o seu amor é mais forte do que a morte (cf. Ct.8, 6). A mensagem do Juízo final é um apelo à conversão, enquanto Deus dá ainda aos homens «o tempo favorável, o tempo da salvação» (2 Cor 6, 2). Ela inspira o santo temor de Deus, empenha na justiça do Reino de Deus e anuncia a «feliz esperança» ( Tt 2, 13) do regresso do Senhor, que virá «para ser glorificado nos seus santos, e admirado em todos os que tiverem acreditado» (2 Ts 1, 10). Catecismo da Igreja Católica, 1038-1041 Contemplar o mistério Quando pensares na morte, apesar dos teus pecados, não tenhas medo… Porque Ele já sabe que O amas…, e de que massa estás feito. – Se tu O procurares, acolher-te-á como o pai ao filho pródigo: mas tens de procurá-Lo! Sulco , 880 “Conheço algumas e alguns que não têm forças nem para pedir socorro”, dizes-me desgostoso e cheio de pena. – Não passes ao largo; a tua vontade de salvar-te e de salvá-los pode ser o ponto de partida da sua conversão. Além disso, se reconsideras, perceberás que também a ti te estenderam a mão. Sulco , 778 O mundo, o demônio e a carne são uns aventureiros que, aproveitando-se da fraqueza do selvagem que trazes dentro de ti, querem que, em troca do fictício brilho de um prazer – que nada vale -, lhes entregues o ouro fino e as pérolas e os brilhantes e os rubis embebidos no sangue vivo e redentor do teu Deus, que são o preço e o tesouro da tua eternidade. Caminho , 708 Para salvares o homem, Senhor, morres na Cruz; e, no entanto, por um só pecado mortal, condenas o homem a uma eternidade infeliz de tormentos… Quanto te ofende o pecado, e quanto não devo odiá-lo! Forja , 1002 6. No final dos tempos Deus prometeu céu novo e uma nova terra. Que devemos esperar? A esta misteriosa renovação, que há-de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura chama «os novos céus e a nova terra» ( 2 Pe 3, 13) (640). Será a realização definitiva do desígnio divino de «reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas que há nos céus e na terra» (Ef 1, 10). Para o homem, esta consumação será a realização final da unidade do género humano, querida por Deus desde a criação e da qual a Igreja peregrina era «como que o sacramento» (LG 1). Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos resgatados, a «Cidade santa de Deus» ( Ap 21, 2), a «Esposa do Cordeiro» (Ap 21, 9). Esta não mais será atingida pelo pecado, pelas manchas (644), pelo amor próprio, que destroem e ferem a comunidade terrena dos homens. A visão beatífica, em que Deus Se manifestará aos eleitos de modo inesgotável, será a fonte inexaurível da felicidade, da paz e da mútua comunhão. «Ignoramos o tempo em que a terra e a humanidade atingirão a sua plenitude, e também não sabemos como é que o universo será transformado. Porque a figura deste mundo, deformada pelo pecado, passa certamente, mas Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação e uma nova terra, na qual reinará a justiça e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens( GS 39 ). «A expectativa da nova terra não deve, porém, enfraquecer, mas antes ativar a solicitude em ordem a desenvolver esta terra onde cresce o corpo da nova família humana, que já consegue apresentar uma certa prefiguração do mundo futuro. Por conseguinte, embora o progresso terreno se deva cuidadosamente distinguir do crescimento do Reino de Cristo, todavia, na medida em que pode contribuir para a melhor organização da sociedade humana, interessa muito ao Reino de Deus» (DS 39). Catecismo da Igreja Católica, 1043-1049 Contemplar o mistério Enquanto aqui vivemos, o reino assemelha-se ao fermento que uma mulher tomou e misturou com três medidas de farinha, até que toda a massa ficou fermentada. Quem compreende o reino que Cristo propõe, percebe que vale a pena arriscar tudo para consegui-lo: é a pérola que o mercador adquire à custa de vender tudo o que possui, é o tesouro achado no campo. O reino dos céus é uma conquista difícil, e ninguém tem a certeza de alcançá-lo; mas o clamor humilde do homem arrependido consegue que as suas portas se abram de par em par. É Cristo que passa , 180 Nesta terra, a contemplação das realidades sobrenaturais, a ação da graça em nossas almas, o amor ao próximo como fruto saboroso do amor a Deus, representam já uma antecipação do céu, um começo destinado a crescer de dia para dia. Nós, os cristãos, não suportamos uma vida dupla: mantemos uma unidade de vida, simples e forte, em que se fundamentam e se compenetram todas as nossas ações. É Cristo que passa , 126 O tempo é o nosso tesouro, o “dinheiro” para comprarmos a eternidade. Sulco , 882 Fonte: Opus Dei #Purgatório #Céu #Escatologia #Julgamento #Novíssimos #Inferno
- O que são os Novíssimos? O céu, a morte, o purgatório…
Nos Livros Santos chamam-se Novíssimos às coisas que sucederão ao homem no fim da vida: a morte, o juízo, o destino eterno: o céu ou o inferno. A Igreja apresenta-os de modo especial durante o mês de novembro. Através da liturgia, convidam-se os cristãos a meditar nestas realidades. 1. O que há depois da morte? Deus julga cada pessoa pela sua vida? O Catecismo da Igreja Católica ensina que «a morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina, manifestada em Jesus Cristo» «Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através de uma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre». Neste sentido S. João da Cruz fala do juízo particular de cada um dizendo que «ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor». Catecismo da Igreja Católica, 1021-1022 Contemplar o mistério Tudo se conserta, menos a morte… E a morte conserta tudo. Sulco , 878 Em face da morte, sereno! – É assim que te quero. – Não com o estoicismo frio do pagão; mas com o fervor do filho de Deus, que sabe que a vida é mudada, não tirada. – Morrer?… Viver! Sulco , 876 Não faças da morte uma tragédia!, porque não o é. Só aos filhos desamorados é que não entusiasma o encontro com seus pais. Sulco , 885 O verdadeiro cristão está sempre disposto a comparecer diante de Deus. Porque, em cada instante – se luta por viver como homem de Cristo -, encontra-se preparado para cumprir o seu dever. Sulco , 875 “Achei graça quando ouvi o senhor falar das “contas” que Deus lhe pedirá. Não, para vós Ele não será Juiz – no sentido austero da palavra -, mas simplesmente Jesus”. Esta frase, escrita por um Bispo santo, que consolou mais de um coração atribulado, bem pode consolar o teu. Caminho , 168 2. Quem são os que vão para o céu? Como é o céu? O céu é “o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva.” S. Paulo escreve: Nem olho viu, nem ouvido ouviu, nem passou pelo pensamento do homem as coisas que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Cor 2, 9). Depois do juízo particular, os que morrem na graça e na amizade de Deus e estão perfeitamente purificados vão para o céu. Vivem em Deus, vêem-no tal como é. Estão sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, gozam da sua felicidade, do seu Bem, da Verdade e da Beleza de Deus. Esta vida perfeita com a Santíssima Trindade,esta comunhão de vida e de amor com Ela, com a Virgem Maria, com os anjos e com todos os bem-aventurados chama-se céu. Pela sua morte e ressurreição, Jesus Cristo «abriu-nos» o céu. Viver no céu é “estar com Cristo” (cf. Jo 14, 3; Flp 1, 23; 1 Ts 4,17). Os eleitos vivem «n’Ele»; mas n’Ele conservam, ou melhor, encontram a sua verdadeira identidade, o seu nome próprio. (cf. Ap 2, 17) Catecismo da Igreja Católica, 1023-1026 Contemplar o mistério Mentem os homens quando dizem “para sempre” nas coisas temporais. Só é verdade, com uma verdade total, o “para sempre” da eternidade. – E assim hás de viver tu, com uma fé que te faça sentir sabores de mel, doçuras de céu, ao pensares nessa eternidade que, essa sim, é para sempre! Forja , 999 Pensa como é grato a Deus Nosso Senhor o incenso que se queima em sua honra; pensa também quão pouco valem as coisas da terra que, mal começam, já acabam… Pelo contrário, um grande Amor te espera no Céu: sem traições, sem enganos: todo o amor, toda a beleza, toda a grandeza, toda a ciência…! E sem enjoar: saciar-te-á sem saciar. Forja , 995 Se transformamos os projetos temporais em metas absolutas, cancelando do horizonte a morada eterna e o fim para que fomos criados – amar e louvar o Senhor, e possuí-lo depois no Céu -, os mais brilhantes empreendimentos se tornam traições e mesmo veículo para aviltar as criaturas. Recordemos a sincera e famosa exclamação de Santo Agostinho, que havia passado por tantas amarguras enquanto desconhecia Deus e procurava fora dEle a felicidade: Criaste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em ti! Amigos de Deus , 208 Na vida espiritual, muitas vezes é preciso saber perder, aos olhos da terra, para ganhar no Céu. – Assim ganha-se sempre. Forja , 998 3. O que é o purgatório? É para sempre? Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu. A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados. Esta doutrina apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que já fala a Sagrada Escritura: «Por isso, [Judas Macabeu] pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres das suas faltas» (2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos. Catecismo da Igreja Católica, 1030-1032 Contemplar o mistério O purgatório é uma misericórdia de Deus, para limpar os defeitos daqueles que desejam identificar-se com Ele. Sulco , 889 Não queiras fazer nada para ganhar méritos, nem por medo das penas do purgatório. Empenha-te, desde agora e para sempre, em fazer tudo, até as coisas mais pequenas, para dar gosto a Jesus. Forja , 1041 “Esta é a vossa hora, e o poder das trevas”. – Quer dizer que… o homem pecador tem a sua hora? – Tem, sim… E Deus, a sua eternidade! Caminho , 734 4. O inferno existe? Significa permanecer separado d’Ele – do nosso Criador – para sempre, por nossa própria livre escolha. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra «Inferno». Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus é escolher este fim para sempre. A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente, após a morte, aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, «o fogo eterno». A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em Quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira. Jesus fala muitas vezes da «geena» do «fogo que não se apaga» (630) reservada aos que recusam, até ao fim da vida, acreditar e converter-se, e na qual podem perder-se, ao mesmo tempo, a alma e o corpo. A principal pena do inferno consiste na separação eterna de Deus. As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão: «Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição e muitos são os que seguem por eles. Que estreita é a porta e apertado o caminho que levam à vida e como são poucos aqueles que os encontram!» (Mt 7, 13-14). Catecismo da igreja Católica, 1033-1036 Contemplar o mistério Não esqueçais que é mais cômodo – mas é um descaminho – evitar a todo o custo o sofrimento, com a desculpa de não desgostar o próximo. Freqüentemente, esconde-se nessa inibição uma vergonhosa fuga à dor própria, já que normalmente não é agradável fazer uma advertência séria. Meus filhos, lembrai-vos de que o inferno está cheio de bocas fechadas. Amigos de Deus , 161 Um discípulo de Cristo nunca raciocinará assim: “Eu procuro ser bom, e os outros, se quiserem…, que vão para o inferno”. Este comportamento não é humano, nem se coaduna com o amor de Deus, nem com a caridade que devemos ao próximo. Forja , 952 Somente o inferno é castigo do pecado. A morte e o juízo não passam de conseqüências, que aqueles que vivem na graça de Deus não temem. Sulco , 890 5. Quando será o juízo final? Em que consistirá? A ressurreição de todos os mortos, «justos e pecadores» (Act 24, 15), há-de preceder o Juízo final. Será «a hora em que todos os que estão nos túmulos hão-de ouvir a sua voz e sairão: os que tiverem praticado o bem, para uma ressurreição de vida, e os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de condenação» (Jo 5, 28-29). Então Cristo virá «na sua glória, com todos os seus anjos […]. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. […] Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna» (Mt 25, 31-33.46). O Juízo final terá lugar quando acontecer a vinda gloriosa de Cristo. Só o Pai sabe o dia e a hora, só Ele decide sobre a sua vinda. Pelo seu Filho Jesus Cristo. Ele pronunciará então a sua palavra definitiva sobre toda a história. Nós ficaremos a saber o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais a sua providência tudo terá conduzido para o seu fim último. O Juízo final revelará como a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas pelas suas criaturas e como o seu amor é mais forte do que a morte (cf. Ct.8, 6). A mensagem do Juízo final é um apelo à conversão, enquanto Deus dá ainda aos homens «o tempo favorável, o tempo da salvação» (2 Cor 6, 2). Ela inspira o santo temor de Deus, empenha na justiça do Reino de Deus e anuncia a «feliz esperança» ( Tt 2, 13) do regresso do Senhor, que virá «para ser glorificado nos seus santos, e admirado em todos os que tiverem acreditado» (2 Ts 1, 10). Catecismo da Igreja Católica, 1038-1041 Contemplar o mistério Quando pensares na morte, apesar dos teus pecados, não tenhas medo… Porque Ele já sabe que O amas…, e de que massa estás feito. – Se tu O procurares, acolher-te-á como o pai ao filho pródigo: mas tens de procurá-Lo! Sulco , 880 “Conheço algumas e alguns que não têm forças nem para pedir socorro”, dizes-me desgostoso e cheio de pena. – Não passes ao largo; a tua vontade de salvar-te e de salvá-los pode ser o ponto de partida da sua conversão. Além disso, se reconsideras, perceberás que também a ti te estenderam a mão. Sulco , 778 O mundo, o demônio e a carne são uns aventureiros que, aproveitando-se da fraqueza do selvagem que trazes dentro de ti, querem que, em troca do fictício brilho de um prazer – que nada vale -, lhes entregues o ouro fino e as pérolas e os brilhantes e os rubis embebidos no sangue vivo e redentor do teu Deus, que são o preço e o tesouro da tua eternidade. Caminho , 708 Para salvares o homem, Senhor, morres na Cruz; e, no entanto, por um só pecado mortal, condenas o homem a uma eternidade infeliz de tormentos… Quanto te ofende o pecado, e quanto não devo odiá-lo! Forja , 1002 6. No final dos tempos Deus prometeu céu novo e uma nova terra. Que devemos esperar? A esta misteriosa renovação, que há-de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura chama «os novos céus e a nova terra» ( 2 Pe 3, 13) (640). Será a realização definitiva do desígnio divino de «reunir sob a chefia de Cristo todas as coisas que há nos céus e na terra» (Ef 1, 10). Para o homem, esta consumação será a realização final da unidade do género humano, querida por Deus desde a criação e da qual a Igreja peregrina era «como que o sacramento» (LG 1). Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos resgatados, a «Cidade santa de Deus» ( Ap 21, 2), a «Esposa do Cordeiro» (Ap 21, 9). Esta não mais será atingida pelo pecado, pelas manchas (644), pelo amor próprio, que destroem e ferem a comunidade terrena dos homens. A visão beatífica, em que Deus Se manifestará aos eleitos de modo inesgotável, será a fonte inexaurível da felicidade, da paz e da mútua comunhão. «Ignoramos o tempo em que a terra e a humanidade atingirão a sua plenitude, e também não sabemos como é que o universo será transformado. Porque a figura deste mundo, deformada pelo pecado, passa certamente, mas Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação e uma nova terra, na qual reinará a justiça e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens( GS 39 ). «A expectativa da nova terra não deve, porém, enfraquecer, mas antes ativar a solicitude em ordem a desenvolver esta terra onde cresce o corpo da nova família humana, que já consegue apresentar uma certa prefiguração do mundo futuro. Por conseguinte, embora o progresso terreno se deva cuidadosamente distinguir do crescimento do Reino de Cristo, todavia, na medida em que pode contribuir para a melhor organização da sociedade humana, interessa muito ao Reino de Deus» (DS 39). Catecismo da Igreja Católica, 1043-1049 Contemplar o mistério Enquanto aqui vivemos, o reino assemelha-se ao fermento que uma mulher tomou e misturou com três medidas de farinha, até que toda a massa ficou fermentada. Quem compreende o reino que Cristo propõe, percebe que vale a pena arriscar tudo para consegui-lo: é a pérola que o mercador adquire à custa de vender tudo o que possui, é o tesouro achado no campo. O reino dos céus é uma conquista difícil, e ninguém tem a certeza de alcançá-lo; mas o clamor humilde do homem arrependido consegue que as suas portas se abram de par em par. É Cristo que passa , 180 Nesta terra, a contemplação das realidades sobrenaturais, a ação da graça em nossas almas, o amor ao próximo como fruto saboroso do amor a Deus, representam já uma antecipação do céu, um começo destinado a crescer de dia para dia. Nós, os cristãos, não suportamos uma vida dupla: mantemos uma unidade de vida, simples e forte, em que se fundamentam e se compenetram todas as nossas ações. É Cristo que passa , 126 O tempo é o nosso tesouro, o “dinheiro” para comprarmos a eternidade. Sulco , 882 Fonte: Opus Dei #Purgatório #Céu #Escatologia #Julgamento #Novíssimos #Inferno
- Indulgências para os fiéis defuntos prorrogadas novamente até o fim de novembro
Na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, no dia 2 de novembro, milhões de fiéis de todo o mundo visitam os cemitérios para rezar pelos falecidos de suas famílias e obterem a indulgência plenária para oferecê-las às almas do purgatório. Devido à pandemia e às medidas de restrições, a Penitenciaria Apostólica respondeu às solicitações de numerosos bispos, emitindo um decreto que anuncia a prorrogação das indulgências plenárias da mesma forma que em 2020, ou seja, para todos o mês de novembro e não apenas no Oitavário os primeiro oito dias de novembro Um Decreto da Penitenciaria Apostólica, publicado nesta quinta-feira (28), estabelece a possibilidade de obter as indulgências plenárias para os fiéis defuntos durante todo o mês de novembro. O texto afirma que a decisão foi tomada depois de ter ouvido “os pedidos recebidos recentemente de vários Pastores Sagrados da Igreja, devido à permanência da pandemia”. A Penitenciaria Apostólica, portanto, “confirma e estende para todo o mês de novembro de 2021 todos os benefícios espirituais já concedidos em 22 de outubro de 2020”, através de um decreto semelhante com o qual, também por causa da Covid-19, as indulgências plenárias para os fiéis defuntos foram prorrogadas para todo o mês de novembro de 2020. Leia também Aprenda porque os católicos rezam pelos mortos Normalmente, a indulgência era concedida pela Santa Sé se o fiel visitasse algum cemitério entre os dia 1º e 8 de novembro e caso cumprisse as condições necessárias para obtê-la (oração pelos fiéis defuntos, confissão, comunhão e oração pelas intenção do Santo Padre). Entretanto, este ano, devido à pandemia, a Penitenciaria Apostólica, por meio de um decreto, estendeu o tempo para obter a indulgência, com o intuito de evitar aglomerações e permitir que um maior número possível de fiéis possa obtê-la. Assim, a indulgência poderá ser obtida até o fim do mês de novembro. A mudança também ocorreu com a indulgência específica do dia 2 de novembro, quando podia-se obter uma indulgência plenária com a visita piedosa a um oratório ou igreja e rezar ali um Pai-Nosso e um Credo, juntamente com o cumprimento das condições necessárias para obter qualquer indulgência plenária (confissão, comunhão e oração pelo Santo Padre). O decreto permitiu que essa indulgência fosse obtida em qualquer dia do mês de novembro, a escolha de cada um dos fiéis. Leia também O que fazer para lucrar as Indulgências Plenárias do Dia de Finados? Além disso, os idosos, doentes e todos aqueles que, por motivos graves, não podem sair de casa, devido à decisão das autoridades ou por outra razão, podem lograr a indulgência se se unirem espiritualmente aos outros fiéis e se comprometerem a tentar cumprir o quanto antes as três condições para lucrar a indulgência (confissão, comunhão e oração pelo Santo Padre). O decreto convida essas pessoas a rezar, diante de uma imagem de Jesus ou da Virgem Maria, orações pelos fiéis defuntos, como as laudes ou as vésperas do Ofício para os Mortos, o Rosário, o Terço da Misericórdia ou outras devoções oferecidas aos defuntos. Pode-se, também, meditar uma passagem do Evangelho e realizar uma obra de misericórdia, oferecendo-a a Deus. Fonte: Vatican News Leia também A história do Dia dos Fiéis Defuntos #Finados #Indulgências
- Indulgências para os fiéis defuntos prorrogadas novamente até o fim de novembro
Na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, no dia 2 de novembro, milhões de fiéis de todo o mundo visitam os cemitérios para rezar pelos falecidos de suas famílias e obterem a indulgência plenária para oferecê-las às almas do purgatório. Devido à pandemia e às medidas de restrições, a Penitenciaria Apostólica respondeu às solicitações de numerosos bispos, emitindo um decreto que anuncia a prorrogação das indulgências plenárias da mesma forma que em 2020, ou seja, para todos o mês de novembro e não apenas no Oitavário os primeiro oito dias de novembro Um Decreto da Penitenciaria Apostólica, publicado nesta quinta-feira (28), estabelece a possibilidade de obter as indulgências plenárias para os fiéis defuntos durante todo o mês de novembro. O texto afirma que a decisão foi tomada depois de ter ouvido “os pedidos recebidos recentemente de vários Pastores Sagrados da Igreja, devido à permanência da pandemia”. A Penitenciaria Apostólica, portanto, “confirma e estende para todo o mês de novembro de 2021 todos os benefícios espirituais já concedidos em 22 de outubro de 2020”, através de um decreto semelhante com o qual, também por causa da Covid-19, as indulgências plenárias para os fiéis defuntos foram prorrogadas para todo o mês de novembro de 2020. Leia também Aprenda porque os católicos rezam pelos mortos Normalmente, a indulgência era concedida pela Santa Sé se o fiel visitasse algum cemitério entre os dia 1º e 8 de novembro e caso cumprisse as condições necessárias para obtê-la (oração pelos fiéis defuntos, confissão, comunhão e oração pelas intenção do Santo Padre). Entretanto, este ano, devido à pandemia, a Penitenciaria Apostólica, por meio de um decreto, estendeu o tempo para obter a indulgência, com o intuito de evitar aglomerações e permitir que um maior número possível de fiéis possa obtê-la. Assim, a indulgência poderá ser obtida até o fim do mês de novembro. A mudança também ocorreu com a indulgência específica do dia 2 de novembro, quando podia-se obter uma indulgência plenária com a visita piedosa a um oratório ou igreja e rezar ali um Pai-Nosso e um Credo, juntamente com o cumprimento das condições necessárias para obter qualquer indulgência plenária (confissão, comunhão e oração pelo Santo Padre). O decreto permitiu que essa indulgência fosse obtida em qualquer dia do mês de novembro, a escolha de cada um dos fiéis. Leia também O que fazer para lucrar as Indulgências Plenárias do Dia de Finados? Além disso, os idosos, doentes e todos aqueles que, por motivos graves, não podem sair de casa, devido à decisão das autoridades ou por outra razão, podem lograr a indulgência se se unirem espiritualmente aos outros fiéis e se comprometerem a tentar cumprir o quanto antes as três condições para lucrar a indulgência (confissão, comunhão e oração pelo Santo Padre). O decreto convida essas pessoas a rezar, diante de uma imagem de Jesus ou da Virgem Maria, orações pelos fiéis defuntos, como as laudes ou as vésperas do Ofício para os Mortos, o Rosário, o Terço da Misericórdia ou outras devoções oferecidas aos defuntos. Pode-se, também, meditar uma passagem do Evangelho e realizar uma obra de misericórdia, oferecendo-a a Deus. Fonte: Vatican News Leia também A história do Dia dos Fiéis Defuntos #Finados #Indulgências
- MEDITAÇÃO DE FINADOS
[Se os mortos estão enterrados no coração dos seus, qualquer dia pode ser Dia de Finados. Qualquer hora, qualquer momento poderia sê-lo. Depois do nosso sepultamento, quando já estivermos na Pátria definitiva, ainda um resto há de ficar de nós, por aqui, nas lembranças dos que ficaram: alguém se lembrará da nossa voz, nosso semblante, nossos tiques, nossas manias, alguma palavra dita, algum fato marcante etc. E isto até que cheguemos, definitivamente, ao fim. Nesse aspecto, ninguém morre de repente: partimos pouco a pouco, em lenta viagem, até que o tempo, por fim, jogue sem dó a derradeira pá de cal no que sobrou de nós na memória de nossos entes queridos (ou nossos desafetos), que permanecerem no mundo depois de nós]. Nossos mortos são enterrados Em nosso próprio coração? Se assim for, qualquer dia então Pode ser Dia de Finados… De fato. Após o passamento, Algo de nós há de ficar, Como lembrança solta no ar, Zanzando etéreo pelo vento. Alguém, quando estiver a sós, Vai se lembrar de nossa voz, De nossa escoliose lombar, Até chegarmos lentamente, Definitivamente, Ao térreo fim de todos nós. Não há quem morra de repente. De entre as coisas do mundo impermanente, Parte-se pouco a pouco, em lenta viagem, Até o tempo, por fim, jogar sem dó A derradeira pá de cal na imagem Que sobrou da alma após o pó.
- A LEI DO AMOR – Scott Hahn medita sobre o 31º Domingo do Tempo Comum
O amor é a única lei pela qual devemos viver. E o amor é o cumprimento da Lei que Deus revela, por meio de Moisés, na primeira leitura de hoje (ver Romanos 13: 8-10; Mateus 5: 43-48). A unidade de Deus — a verdade de que Ele é um único Deus, Pai, Filho e Espírito — significa que devemos amá-Lo com um só amor: um amor que O sirva com todo o nosso coração e nossa mente, nossa alma e nossa força. Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro. Amamos nosso próximo porque não podemos amar o Deus que não vemos, se não amarmos aqueles que foram feitos à Sua imagem e semelhança, e que podemos ver (ver 1 João 4: 19-21). E somos chamados a imitar o amor que Cristo nos revelou, ao entregar Sua vida na Cruz (ver 1 João 3:16). Como ouvimos na Epístola de hoje, foi por Seu sacrifício perfeito na Cruz que Ele, de uma vez por todas, tornou possível que nos aproximemos de Deus. Não há maior amor do que oferecer a própria vida (ver João 15:13). Talvez seja por isso que Jesus diz ao escriba, no Evangelho de hoje, que ele não está distante do reino de Deus. O escriba reconhece que os holocaustos e sacrifícios da antiga Lei tinham, como objetivo, ensinar a Israel que o que Deus deseja é o amor (ver Oséias 6: 6). Os animais, oferecidos em sacrifício, eram símbolos do auto-sacrifício pessoal, a inteira doação de nós mesmos. É isto que Deus verdadeiramente espera. Somos chamados, hoje, a examinar nossos corações. Cultivamos outros amores que dificultam nosso amor a Deus? Amamos as outras pessoas como Jesus nos amou (ver João 13: 34-35)? Amamos nossos inimigos? Rezamos por aqueles que se opõem a nós e nos perseguem (ver Mateus 5:44)? Digamos ao Senhor que O amamos, tal como fazemos no Salmo de hoje. E levemos a sério a Sua Palavra, para que possamos progredir e merecer a vida eterna em Seu reino, a pátria celestial onde corre o leite e o mel. https://stpaulcenter.com/audio/sunday-bible-reflections/the-law-of-love-scott-hahn-reflects-on-the-thirty-first-sunday-in-ordinary-time/
- Carta do Cardeal Burke sobre os políticos católicos e a não admissão à Sagrada Comunhão
28 de Outubro de 2021 Festa dos Santos Simão e Judas, Apóstolos Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo! Queridos irmãos e irmãs em Cristo, Durante os últimos meses, a intenção da Igreja nos Estados Unidos da América tem estado muito presente nas minhas orações. Na sua próxima reunião de Novembro, os Bispos dos Estados Unidos da América considerarão a aplicação do cânone 915 do Código de Direito Canónico: «Não sejam admitidos à sagrada comunhão os excomungados e os interditos, depois da aplicação ou declaração da pena, e outros que obstinadamente perseverem em pecado grave manifesto.»[1] As suas deliberações abordarão, em particular, a situação a longo prazo e gravemente escandalosa dos políticos católicos que persistem em apoiar e fazer avançar programas, políticas e leis em violação grave dos preceitos mais fundamentais da lei moral, ao mesmo tempo que afirmam ser católicos devotos, especialmente apresentando-se para receber a Sagrada Comunhão. Ao rezar pelos Bispos e pela minha pátria, os Estados Unidos da América, tenho pensado cada vez mais na experiência da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, há mais de 17 anos, na sua reunião de Verão, em Denver, em Junho de 2004, ao abordar a mesma questão. Trata-se de uma experiência que vivi intensamente. Achei importante oferecer as seguintes reflexões como uma ajuda para todos nós ao abordarmos, agora e no futuro, um assunto tão crítico – uma questão de vida e morte para os nascituros e de salvação eterna para os políticos católicos envolvidos – na minha pátria, como noutras nações. Tinha querido oferecer estas reflexões muito mais cedo, mas a recuperação de recentes dificuldades de saúde impediu a escrita destas reflexões até agora. O contexto da reunião de Junho de 2004 dos Bispos dos Estados Unidos foi a campanha do Senador John Kerry para Presidente dos Estados Unidos. O Senador Kerry afirmou ser católico, ao mesmo tempo que apoiava e promovia o aborto a pedido na nação. Na altura, era Arcebispo de Saint Louis (nomeado a 2 de Dezembro de 2003 e instalado a 26 de Janeiro de 2004). Como tinha sido a minha prática como Bispo de La Crosse (nomeado a 10 de Dezembro de 1994 e instalado a 22 de Fevereiro de 1995), aconselhei o Senador Kerry a não se apresentar para receber a Sagrada Comunhão porque, depois de ter sido devidamente admoestado, persistiu no pecado objectivamente grave de promover o aborto directamente procurado. Não fui o único Bispo a admoestá-lo desta forma. Desde o tempo do meu primeiro ministério episcopal na Diocese de La Crosse, tinha enfrentado a situação de políticos que se apresentavam como católicos praticantes e, ao mesmo tempo, apoiavam e faziam avançar programas, políticas e leis em violação da lei moral. Como novo e relativamente jovem Bispo, falei com os irmãos Bispos, especialmente um dos mais antigos sufragâneos da minha província eclesiástica, sobre vários legisladores católicos da Diocese de La Crosse que se encontravam nesta situação. A resposta comum dos irmãos Bispos foi a expectativa de que a Conferência dos Bispos acabaria por abordar a questão. Conhecendo a minha obrigação moral numa questão de tão sérias consequências, definida no cân. 915, comecei a contactar os legisladores da Diocese de La Crosse, pedindo para me encontrar com eles para discutir a completa incoerência da sua posição em relação ao aborto procurado com a fé católica que professavam. Infelizmente, nenhum deles se mostrou disposto a encontrar-se comigo. Um deles teve comigo uma certa correspondência, insistindo que a sua posição relativamente ao aborto era coerente com a fé católica, seguindo o conselho errado apresentado, por certos professores dissidentes de teologia moral, aderentes da escola herética do proporcionalismo, numa cimeira realizada, no complexo de Hyannisport, da Família Kennedy, no Verão de 1964. A documentação da reunião encontra-se num livro de Albert R. Jonsen, que acompanhou um dos professores dissidentes europeus de teologia moral e esteve presente em toda a reunião[2]. Relativamente à recusa dos legisladores em se encontrarem comigo, devo observar que considero, na melhor das hipóteses, ingénuo o refrão comum de que é necessário mais diálogo com os políticos e legisladores católicos em questão. Na minha experiência, eles não estão dispostos a discutir o assunto porque o ensinamento do direito natural, que é necessariamente também o ensinamento da Igreja, está para além da discussão. Em alguns casos, também tive a forte impressão de que eles não estavam dispostos a discutir o assunto, porque simplesmente não estavam dispostos a ter as suas mentes e corações mudados. A verdade continua a ser que o aborto procurado é a destruição consciente e voluntária de uma vida humana. Quando eu era Arcebispo de Saint Louis, um legislador católico aceitou encontrar-se comigo, embora, como o seu pároco também atestou, não se apresentasse para receber a Sagrada Comunhão. Ele começou o encontro mostrando-me uma fotografia da sua família. Se bem me lembro, a sua esposa e ele tiveram quatro filhos. À medida que a nossa conversa avançava, perguntei-lhe como, tendo-me mostrado com tanto orgulho a fotografia dos seus filhos, podia votar regularmente a favor da matança de bebés no útero. Ele baixou imediatamente a cabeça e disse: “Está errado. Eu sei que está errado”. Embora o exortasse a agir de acordo com a sua consciência, que acabara de exprimir, tive de admirar o facto de, pelo menos, ele ter admitido o mal em que estava envolvido e não ter tentado apresentar-se-me como um católico devoto. Quanto à realidade objectiva da prática do aborto como uma violação gravíssima do primeiro preceito da lei natural, que salvaguarda a inviolabilidade da vida humana inocente e indefesa, não há nada sobre a qual dialogar. O tema do diálogo deve ser a melhor forma de prevenir um tal mal na sociedade. Tal prevenção nunca poderá envolver a promoção efectiva do mal. Com o anúncio da minha transferência da Diocese de La Crosse para a Arquidiocese de Saint Louis, a 2 de Dezembro de 2003, a imprensa secular viajou para a Diocese de La Crosse, a fim de encontrar material para a criação de uma imagem negativa do novo Arcebispo antes da sua chegada à Arquidiocese. Enquanto que, antes da minha transferência, não houve discussão pública das minhas intervenções pastorais com os legisladores em questão, como é inteiramente apropriado, o assunto tornou-se agora público em Dezembro de 2003 e em Janeiro de 2004. Ao colocar a questão da aplicação do cân. 915 perante o corpo de Bispos na sua reunião de Junho de 2004, a acção pastoral que eu tinha empreendido na Diocese de La Crosse e que estava a começar a tomar na Arquidiocese de Saint Louis foi seriamente colocada em questão. Para ilustrar o facto, durante uma pausa na reunião, encontrei, numa escadaria, um dos membros eminentes da Conferência dos Bispos, que me agitou o dedo, declarando: Não pode fazer o que tem vindo a fazer sem a aprovação da Conferência dos Bispos. Para ser claro, outros Bispos estavam a seguir uma acção pastoral semelhante. Respondi à sua declaração assinalando que, quando morrer, irei comparecer perante o Senhor, para prestar contas do meu serviço como Bispo, e não perante a Conferência dos Bispos. Aqui, devo notar que a acção pastoral tomada não teve nada que ver com a interferência na política. Foi dirigida à salvaguarda da santidade da Sagrada Eucaristia, à salvação das almas dos políticos católicos em questão – que pecavam gravemente não só contra o Quinto Mandamento, mas também estavam a cometer sacrilégio ao receberem indignamente a Sagrada Comunhão – e à prevenção do grave escândalo causado por eles. Quando intervim pastoralmente com políticos católicos, isso foi feito de uma forma devidamente confidencial. Certamente, não dei publicidade a este assunto. Foram antes os políticos que acharam útil apresentar-se como católicos praticantes, na esperança de atrair os votos dos católicos, que publicitaram o assunto para um fim político. A discussão durante a reunião de Junho de 2004 foi difícil e intensa. Sem entrar nos detalhes da discussão, aparentemente não houve consenso entre os Bispos, embora houvesse entre alguns dos Bispos mais influentes o desejo de evitar qualquer intervenção com políticos católicos que, de acordo com a disciplina do cân. 915, não deveriam ser admitidos a receber a Sagrada Comunhão. Por fim, o Presidente, o então Bispo Wilton Gregory, da Diocese de Belleville, remeteu o assunto a um grupo de trabalho sobre Bispos e políticos católicos, sob a presidência do então Cardeal Theodore McCarrick, que se opôs claramente à aplicação do cân. 915 no caso de políticos católicos que apoiavam o aborto procurado e outras práticas que violam gravemente a lei moral. O grupo de trabalho era composto por um conjunto de Bispos com visões mistas sobre o assunto. Em qualquer caso, com o tempo, o grupo foi esquecido e a questão crítica foi deixada por abordar pela Conferência dos Bispos. Quando o Bispo Gregory anunciou o grupo de trabalho, o Bispo sentado ao meu lado observou que agora podíamos ter a certeza de que a questão não seria abordada. No contexto de recordar a reunião de Denver da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos, em Junho de 2004, é importante para mim recontar duas outras experiências pessoais relacionadas. Primeiro, na Primavera de 2004, enquanto estava em Washington, D.C., para actividades pró-vida, encontrei-me, em privado, durante quarenta e cinco minutos, com um dos mais altos funcionários do governo federal, um cristão não-católico que manifestava grande respeito pela Igreja Católica. No decurso da nossa conversa, ele perguntou-me se, tendo em conta as graves dificuldades de saúde do Papa São João Paulo II, a eleição de um novo Papa poderia significar uma mudança nos ensinamentos da Igreja relativamente ao aborto procurado. Manifestei alguma surpresa com a sua pergunta, explicando que a Igreja nunca poderá mudar o seu ensinamento sobre o mal intrínseco do aborto procurado porque é um preceito da lei natural, a lei escrita por Deus em cada coração humano. Ele respondeu que tinha feito a pergunta porque tinha concluído que o ensinamento da Igreja sobre o assunto não podia ser tão firme, uma vez que podia nomear-me 80 ou mais católicos no Senado e na Câmara dos Representantes que apoiavam regularmente a legislação pró-aborto. A conversa em questão foi um testemunho eloquente do grave escândalo causado por esses políticos católicos. De facto, eles contribuíram, de forma significativa, para a consolidação de uma cultura de morte nos Estados Unidos, na qual o aborto procurado é simplesmente um facto da vida quotidiana. O testemunho da Igreja Católica sobre a beleza e bondade da vida humana, desde o seu primeiro momento de existência, e a verdade da sua inviolabilidade foi gravemente comprometido ao ponto de os não-católicos acreditarem que a Igreja mudou ou irá mudar aquilo que é, de facto, um ensinamento imutável. Enquanto a Igreja, cumprindo a missão de Cristo, sua Cabeça, para a salvação do mundo, se opõe totalmente ao ataque à vida humana inocente e indefesa, a Igreja Católica nos Estados Unidos parece aceitar a prática abominável, de acordo com uma visão totalmente secularizada da vida humana e da sexualidade. A esse respeito, é-me dito que o argumento da verdade sobre a vida humana é frequentemente ineficaz, uma vez que a cultura não tem qualquer consideração pela verdade objectiva, exaltando as opiniões do indivíduo, por mais contrárias que sejam à razão certa. Talvez a abordagem adoptada na assistência a mães e pais que contemplam o aborto devesse ser adoptada a uma escala mais ampla, nomeadamente a visualização de uma ecografia da minúscula vida humana no seu início. Na minha experiência, quando as mães e os pais pensam em visualizar o aborto primeiro, uma tal ecografia, a maior parte deles não procede ao aborto. A imagem visível da beleza e da bondade da vida humana convence-os do mal do aborto. Tais ecografias devem ser facilmente visíveis, especialmente por aqueles que são responsáveis por conduzir o testemunho essencial da vida da Igreja e por aqueles que são responsáveis pelas políticas, programas e leis da nação, que devem proteger e fomentar a vida humana, e não prever a sua destruição. O segundo evento teve lugar durante a minha visita a Roma, em finais de Junho e princípios de Julho de 2004, a fim de receber, do Papa João Paulo II, o pálio de Arcebispo Metropolitano de Saint Louis. Dada a difícil experiência do encontro em Denver, no início do mês de Junho, fui aconselhado a visitar a Congregação para a Doutrina da Fé, a fim de ter a certeza de que a minha prática pastoral era coerente com o ensinamento e a prática da Igreja. Fui recebido em audiência pelo então Prefeito da Congregação, Sua Eminência Joseph Cardinal Ratzinger, e pelo então Secretário da Congregação, Arcebispo, agora Cardeal, Angelo Amato, e um funcionário de língua inglesa da Congregação. O Cardeal Ratzinger assegurou-me que a Congregação tinha estudado a minha prática e não encontrou nada de censurável nela. Apenas me advertiu para não apoiar candidatos a cargos públicos, algo que, de facto, eu nunca tinha feito. Manifestou alguma surpresa perante a minha dúvida sobre o assunto, dada uma carta que tinha escrito aos Bispos dos Estados Unidos em que tinha abordado minuciosamente a questão. Perguntou-me se eu tinha lido a sua carta. Disse-lhe que não tinha recebido a carta e perguntei-lhe se poderia ter a gentileza de me fornecer uma cópia. Ele sorriu e sugeriu que eu a lesse num blogue popular, pedindo ao funcionário de língua inglesa que fizesse uma fotocópia do texto tal como aparecia na sua totalidade no blogue[3]. A carta em questão expõe, de maneira autoritária, o ensinamento e a prática constantes da Igreja. O fracasso na sua distribuição aos Bispos dos Estados Unidos contribuiu, certamente, para o fracasso dos Bispos, em Junho de 2004, em tomar as medidas adequadas na implementação do cân. 915. Agora, é-me dito que se mantém que a carta era confidencial e, portanto, não pode ser publicada. A verdade é que ela foi publicada, já no início de Julho de 2004, e que claramente o Prefeito da Congregação, que a redigiu, não ficou de todo perturbado com o facto. Passaram-se dezassete anos desde a reunião da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, em Denver, durante o mês de Junho de 2004. A questão mais grave da aplicação do cân. 915 do Código de Direito Canónico aos políticos católicos que apoiam e promovem programas, políticas e legislação em grave violação da lei natural parece continuar a ser uma questão para a Conferência dos Bispos. De facto, a obrigação do Bispo individual é uma questão de disciplina universal da Igreja, relativamente à fé e à moral, sobre a qual a Conferência dos Bispos não tem autoridade. Efectivamente, vários Bispos compreenderam o seu dever sagrado na matéria e estão a tomar as medidas apropriadas. Uma Conferência dos Bispos cumpre um importante papel de apoio ao Bispo diocesano, mas não pode substituir a autoridade que lhe pertence de forma adequada. É o Bispo diocesano, e não a Conferência, que aplica a lei universal a uma situação particular[4]. O trabalho da Conferência dos Bispos consiste em ajudar os Bispos individualmente no cumprimento do seu dever sagrado, de acordo com o cân. 447 do Código de Direito Canónico: «A Conferência episcopal, instituição permanente, é o agrupamento dos Bispos de uma nação, ou determinado território, que exercem em conjunto certas funções pastorais a favor dos fiéis do seu território, a fim de promoverem o maior bem que a Igreja oferece aos homens, sobretudo por formas e métodos de apostolado convenientemente ajustados às circunstâncias do tempo e do lugar, nos termos do direito.»[5] O que mais corresponde à promoção do «maior bem que a Igreja oferece aos homens» do que a salvaguarda e a promoção da vida humana criada à imagem e semelhança de Deus[6], e redimida pelo Preciosíssimo Sangue de Cristo, Deus, o Filho Encarnado[7], corrigindo o escândalo dos políticos católicos que promovem, pública e obstinadamente, o aborto procurado. Convido-vos a rezarem comigo pela Igreja nos Estados Unidos da América e em todas as nações, para que, fiel à missão de Cristo, seu Esposo, ela seja fiel, límpida e firme na aplicação do cân. 915, defendendo a santidade da Sagrada Eucaristia, salvaguardando as almas dos políticos católicos, que violariam gravemente a lei moral e ainda se apresentariam para receber a Sagrada Comunhão, cometendo, assim, sacrilégio, e impedindo o mais grave escândalo causado pela inobservância da norma do cân. 915. Que Deus vos abençoe a vós e aos vossos lares. Rezem por mim e, especialmente, pela recuperação da minha saúde. Vosso, no Sagrado Coração de Jesus e no Imaculado Coração de Maria, e no Puríssimo Coração de São José, Raymond Leo Cardeal Burke [1] «Can. 915 Ad sacram communionem ne admittantur excommunicati et interdicti post irrogationem vel declarationem poenae aliique in manifesto gravi peccato obstinate perseverantes.» [2] Cf. Albert R. Jonsen, The Birth of Bioethics (New York: Oxford University Press, 1998), pp. 290-291. [3] Cf. https://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/7055.html; Tradução inglesa: https://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/7055bdc4.html?eng=y. [4] Cf. can. 447; e Ioannes Paulus PP. II, Litterae Apostolicae Motu proprio datae Apostolos suos, De theologica et iuridica natura Conferentiarum Episcoporum, 21 Maii 1998, Acta Apostolicae Sedis 90 (1998) 641-658. [5] «Can. 447 Episcoporum conferentia, institutum quidem permanens, est coetus Episcoporum alicuius nationis vel certi territorii, munera quaedam pastoralia coniunctim pro christifidelibus sui territorii exercentium, ad maius bonum provehendum, quod hominibus praebet Ecclesia, praesertim per apostolatus formas et rationes temporis et loci adiunctis apte accommodatas, ad normam iuris.» [6] Cf. Gn 1, 27. [7] Cf. 1 Pe 1, 2. 19; 1 Jo 1, 7; Rom 3, 25; Ef 1, 7; e Heb 9, 12; e Ap 1, 5. FONTE: DIES IRAE #CartadoCardealBurkesobreospolíticoscatólicoseanãoadmissãoàSagradaComunhão
- E se Compostela guardasse o crânio de São Tiago?
“A última coisa que desejo é que alguém se sinta chateado, não quero dizer nada. Tenho apenas procurado transmitir o conhecimento científico e que seja valorizado e criticado na sua justa medida por cientistas ou por pessoas que possam sustentar, discutir, debater ou refutar os argumentos que defendo ”, Fernando Serrulla Rech, à frente da Unidade , conta Vida Nueva da Antropologia Forense do Instituto de Medicina Legal da Galiza, com sede no Hospital de Verín (Ourense). Serrulla acaba de publicar na revista norte-americana Forensic Anthropology um artigo no qual interpreta a pesquisa que já fez em 1991 sobre os restos do esqueleto correspondentes à cabeça do apóstolo Santiago Alfeo, também chamado de Santiago el Menor, contidos no relicário do busto reconhecido como o Caput Argenteum da Capela das Relíquias da Catedral de Santiago. “Os sinais de trauma encontrados nos ossos do crânio mostram sinais de decapitação ”, diz ele no artigo. Disto podemos deduzir duas hipóteses, se aceitarmos o martírio descrito pelos historiadores da Igreja Católica e das escrituras: que os restos mortais não pertencem a Santiago Alfeo, e que a caveira pode pertencer a Santiago el Mayor ”. Da própria catedral de Santiago responde-se que Serrulla “introduz uma hipótese sobre a qual não fazemos qualquer avaliação, além de circunscrevê-la ao âmbito de uma suposição pessoal “. Assim, no relatório de dezembro de 1991, detalham que se trata “de um estudo dos fragmentos ósseos contidos no relicário de Santiago Alfeo, que, no seu conjunto, não representam mais do que meio crânio”. Além disso, esclarece que nessa documentação “não se chega a nenhuma conclusão que relacione os referidos fragmentos com os de Santiago el Mayor”. Segundo as mesmas fontes, esta investigação “reconhece a dificuldade de se chegar a certezas sobre o sexo e a idade da pessoa a quem pertencem os restos do esqueleto, bem como sobre as causas da morte. O que, surpreendentemente, trinta anos depois e sem maiores estudos, já não é obstáculo para propor tal hipótese comprometedora ”. A conclusão de Serrulla reconsidera o conteúdo da arca do apóstolo Santiago Zebedeo, à qual está consagrada a catedral Compostela. E que são venerados na cripta sob o altar-mor desde 1886, uma vez que seus restos mortais foram encontrados naquele mesmo lugar em 1879, junto com seus discípulos Atanásio e Teodoro, após o sepulcro original ter sido fechado com tijolos desde o século 12 por ordem de o bispo Gelmírez. Estudo do século 19 O artigo também põe em causa a bula Deus Omnipotens, que em 1884 atestava a autenticidade dos restos mortais do Apóstolo Santiago que repousavam na cripta. “É um estudo que não compartilho do ponto de vista científico”, diz ele. “O cardeal Payá perguntou aos cientistas da época se eles consideravam que esses restos poderiam pertencer a Santiago el Mayor e os professores disseram que sim. Se ele tivesse me feito essa mesma pergunta, teria dito que não poderia saber ”, argumenta Serrulla. Fontes da catedral, por outro lado, defendem “as pesquisas feitas no final do século XIX”, como relatam. “ Eram três corpos e, para a investigação, muitas relíquias atribuídas ao apóstolo foram comparadas, embora uma delas fosse fundamental”, dizem, referindo-se a “um fragmento do crânio”. Essas fontes citam as Notas Históricas (1985) à bula Deus Omnipotens, de José Guerra Campos , bispo de Cuenca: “Durante a fase romana do processo de autenticidade das relíquias de Santiago, em 1884, o fragmento de Pistoia serviu providencialmente para confirmar a identificação dos ossos do Apóstolo ”. FONTE: VIDA NUEVA DIGITAL
- VIRGEM MARIA, BELA NO CORPO PORQUE BELA NO ESPÍRITO – Pierfrancesco Nardini
A vida da Virgem Maria está, em grande parte, envolta em mistério. Os dados biográficos deixados pela Sagrada Escritura são muito poucos e não se pode confiar muito em apócrifos e outros textos. É normal que os fiéis queiram saber mais. É o amor pela Virgem. Nesse desejo de conhecer, não se deve exagerar. São Tomás de Villanova escreveu: “O que está escrito na Bíblia é suficiente para o conhecimento de sua história: dela nasceu Jesus. O que é preciso saber, além disto?”. O santo tinha razão: o que mais se poderia querer saber dela, além do fato de que dela nasceu Jesus, que é Deus? O que mais é preciso saber? Há uma consideração que, na modesta opinião de quem escreve, nunca poderia ser esquecida, quando o assunto é a aparência física da Virgem, saber o que ela pensava, que caráter tinha etc… É algo que também se encontra em Roschini, em seu tão importante e belo livro La vita di Maria (Roma, Belardeti, 1945). Note-se como, nessa obra, no capítulo sobre a aparência de Maria, o autor não se limita ao físico, mas também acentua o aspecto moral. Ele poderia ter falado sobre sua dimensão espiritual e moral em todos os outros capítulos do livro, mas, em vez disto, ele o insere junto com o aspecto físico, para sublinhar a indispensabilidade e inseparabilidade das duas coisas. Se “é impossível, de fato, apresentar uma imagem completa de Maria (…) sem a luz da teologia” (p. 21), muito menos se pode pensar em avaliar a aparência de Maria apenas com base nas características físicas, sem levar em conta o aspecto moral, intimamente ligado à doutrina e à teologia. Muitos santos a descreveram como dotada de uma beleza extraordinária, marcada por sua Imaculada Conceição, ou seja, por sua pura beleza moral. É algo bem verossímil, diz o bom senso. Seria possível imaginar que não influísse sobre o físico o fato de ela ser a Imaculada Conceição? Desejar-se-ia que não se refletisse, em seu corpo, o fato de ela ser a única criatura que atingiu a perfeição moral? Com efeito, e visando além de uma curiosidade pura e simples, de nada serve aos fiéis saber que Maria era muito bela (porque certamente era bela), para logo se embrenharem em raciocínios sem rumo ou, mesmo, esbarrar nos limites do desrespeito. Em vez disso, é necessário conhecer sua perfeição moral, que é a verdadeira e decisiva beleza aqui nesta vida (se é bela a alma, é belo corpo). E inspirar-se nela para chegar o mais perto possível de seu exemplo, que é um caminho direto e seguro até Jesus. http://itresentieri.it/maria-bella-nello-spirito-bella-nel-corpo/
- Maurício da seleção de vôlei é demitido por criticar Super-Homem LGBT
O Minas Tênis Clube demitiu o jogador de vôlei Maurício Souza, acusado de homofobia por causa de uma publicação em suas redes sociais na qual criticou a publicação de nova história em quadrinho do novo Super-Homem, que se assume como bissexual e aparece beijando outro homem. Inicialmente, o clube havia afirmado o direito dos atletas se expressarem em suas redes sociais, mas cedeu à pressão dos patrocinadores, Fiat e Gerdau, voltou atrás e dispensou o atleta. Em entrevista ao jornal O Globo , o técnico da seleção brasileira de vôlei, Renan Dal Zotto, também disse que Maurício está fora de seus planos. “Em se tratando de seleção brasileira, não tem espaço para profissionais homofóbicos”. “Fico triste com tudo o que está acontecendo, porque, infelizmente, a gente não pode mais dar opinião, colocar os valores acima de tudo, os valores de família, do que a gente acredita”, disse Maurício nas redes sociais. Maurício Souza, medalha de ouro na Olimpíada de 2016, ouro na Copa do Mundo de 2019 e prata na de de 2018 e três vezes campeão sul-americano com a seleção brasileira, publicou em sua conta de Instagram uma imagem sobre a nova história em quadrinhos da DC Comic sobre o novo Super-Homen, Jon Kent, filho de Clark Kent, que se assume bissexual. Na foto, o personagem aparece beijando outro homem. Leia também Clipe LGBT é gravado dentro de Igreja Católica em Manaus “É só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar”, comentou o atleta. Em seguida, o jogador Douglas Souza, que jogou com Maurício na seleção brasileira e é declaradamente homossexual, rebateu a publicação. “Se uma imagem como essa te preocupa, sinto muito, mas eu tenho uma novidade para sua heterossexualidade frágil. Vai ter beijo sim”, escreveu. Maurício fez nova publicação afirmando que “hoje em dia o certo é errado e o errado é certo. Não se depender de mim. Se tem que escolher um lado, eu fico do lado que eu acho certo. Fico com minhas crenças, valores e ideais”. Leia também PODE UMA PESSOA COM TENDÊNCIAS HOMOSSEXUAIS SER UM BOM CATÓLICO? O caso alcançou grande repercussão. Maurício Souza foi acusado de homofobia e recebeu muitas críticas. Uma das torcidas do Minas Tênis Clube, a Independente, publicou nota em que repudiava “os comportamentos” do atleta e que iria ignorá-lo “nas redes sociais, jogos e manifestações”. “O que homofóbicos querem é palco para reverberar seus preconceitos, e não será por meio de nós que isso ocorrerá”, disse a torcida. Em uma nota publicada no dia 25 de outubro, o Minas afirmou que “todos os atletas federados à agremiação têm liberdade para se expressar livremente em suas redes sociais”. Mas, ressaltou que clube não aceita “manifestações homofóbicas, racistas ou qualquer manifestação que fira a lei” e que “as opiniões do jogador não representam as crenças da instituição sociodesportiva”. Entretanto, o clube voltou atrás após sofrer pressão por parte dos patrocinadores Fiat e Gerdau, que, em notas, também acusaram as declarações do atleta de homofóbicas e exigiram a adoção de “medidas cabíveis” em relação a ele. No dia 26 de outubro, o Minas comunicou o afastamento de Maurício por tempo indeterminado. Mas, como as pressões se mantiveram, acabaram levando à demissão do jogador na quarta-feira, 27 de outubro. Leia também Hungria aprova lei que proíbe pornografia e temática LGBT para menores Em um vídeo em seu Instagram momentos antes do anúncio de sua demissão, Maurício Souza pediu desculpas a “todos que se sentiram ofendidos” com sua opinião. Afirmou que “assim como vocês defendem o que acreditam, eu também tenho o direito de defender o que acredito”. O atleta contou que estava “passando por dificuldades no time” e que talvez sairia do cube “por causa de uma opinião”. “A vontade de vocês foi esta e está sendo acatada. Hoje em dia a gente não pode dar opinião sobre nada, que a gente pode ser penalizado”, declarou. “Infelizmente, chegamos a este ponto, os patrocinadores repudiaram. Eu não sei o que fiz, se foi algum crime. Se fosse crime, eu já estava preso. Eu acho que não foi crime nenhum. O que fiz foi dar minha opinião”, afirmou. Maurício sempre usa um pingente de crucifixo e afirmou em uma recente live que é cristão e batizado na Igreja Católica. Na quarta-feira, ao comunicar seu desligamento do Minas Tênis Clube, reafirmou a defesa de seus valores. “Sigo meu caminho plantando o que acredito, meu legado continua! O que deixarei para meus filhos é o que conta no final”, afirmou. Leia também Movimento LGBT declara que tem como objetivo destruir a Família Na manhã desta quinta-feira, o atleta voltou às redes sociais para afirmar que a sua saída do Minas ocorreu devido aos patrocinadores e não por causa do clube. “O Minas não teve culpa nenhuma nisso tudo. A culpa disso tudo foi da turma da lacração fazendo pressão em cima dos patrocinadores, o que acarretou de o patrocinador ameaçar o Minas de tirar o patrocínio tanto do masculino quanto do feminino e isso ficou insustentável”. Segundo ele, o diretor de vôlei masculino, Elói Lacerda de Oliveira Neto, e o presidente Ricardo Vieira Santiago “fizeram o máximo” para que ele permanecesse na equipe. “Infelizmente, o time não aguentaria perder tantos patrocínios assim”, afirmou. ACI Digital procurou as empresas patrocinadoras do Minas. A Gerdau informou que não comentará o assunto. A Fiat não respondeu até o fechamento da matéria. Leia também Papa Bento XVI diz que aborto e casamento gay são obra do anticristo Publicação do atleta não é crime O professo de Direito Constitucional e mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Tadeu Nóbrega, disse à ACI Digital que “cada vez mais” tem aparecido a discussão sobre a punição profissional de uma pessoa por expressar sua opinião em sua rede social pessoal. “Não há ainda uma sólida jurisprudência sobre isso. Contudo, parece-me que não [pode haver essa punição], pois a rede social pessoal não se confunde com a da empresa ou do clube, como no caso do jogador Maurício Souza”, disse. “O empregado tem direito à sua individualidade e não pode ser constrangido a submeter-se em sua vida pessoal a valores impostos pelo empregador ou, pior, por seus patrocinadores. Esses comportamentos podem denotar discriminação contra o trabalhador e suscitar responsabilidade civil do empregador, inclusive por danos morais, se for o caso”, afirmou Tadeu Nóbrega. Segundo ele, a situação é “pior ainda quando constatado que a discriminação ou preconceito se dá por questão de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, pois “poderia ser enquadrada como conduta punível criminalmente, conforme a previsão da Lei do Racismo”. Leia também Governo Bolsonaro corta verbas de filmes e séries LGBT em TVs públicas Nóbrega afirmou que “a proclamação da doutrina católica sobre o homossexualismo, seja sacerdote, religioso ou leigo, onde for, inclusive nas redes sociais, não caracteriza crime”. Segundo o advogado, “a lei penal não faz previsão específica” sobre a homofobia. No Brasil, o que aconteceu foi que, em um julgamento de 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) “aprovou a tese de que, até que seja editada lei específica pelo Congresso Nacional, as condutas ditas ‘homofóbicas’ e ‘transfóbicas’, reais ou supostas, se enquadrariam nos crimes previstos na Lei do Racismo e, no caso de homicídio doloso, constitui circunstância que o qualifica, por configurar motivo torpe”. Na mesma decisão, o Supremo “fez constar expressamente que a repressão penal à prática do que chama, com aspas, de ‘homotransfobia’ não alcançaria nem restringiria o exercício da liberdade religiosa, mas a limitaria, com a ressalva de que ‘tais manifestações não configurem discurso de ódio, assim entendidas aquelas exteriorizações que incitem a discriminação, a hostilidade ou a violência contra pessoas em razão de sua orientação sexual ou de sua identidade de gênero’”. Para o advogado, “essa suposta concessão à liberdade religiosa” parece “ter sido insuficiente”, pois “os termos e expressões vagos, como ‘discurso de ódio’ e ‘incitar a discriminação’, geram insegurança quanto à aplicação da regra penal”. Além disso, “há casos práticos que demonstram restrições à liberdade de expressão e, até mesmo, um forte movimento no Brasil no sentido de criminalizar o discurso religioso, a pregação, o proselitismo e a proclamação do Santo Magistério”. Leia também Jovem de 15 anos exibe crucifixo e bloqueia marcha LGBT na Polônia Mas, Nóbrega lembrou que “a Constituição, tratados internacionais de direitos humanos e a legislação interna asseguram o direito à liberdade religiosa e de expressão”. Para ele, ainda que a proclamação da doutrina católica sobre homossexualismo fosse considerada crime, “Santo Agostinho nos ensina que lex iniusta non est lex , ou seja, a ‘lei injusta não é lei’. Desse modo, as leis injustas não obrigam o foro de consciência, salvo talvez para evitar escândalo ou perturbações. Portanto, mesmo que a conduta venha a ser injustamente punível pelo Estado, o católico tem o direito (e alguns até o dever) de resistir para defender a Fé”, declarou. Via ACI Digital Leia também A escandalosa ignorância dos católicos a respeito de sua própria doutrina #LGBT
- Maurício da seleção de vôlei é demitido por criticar Super-Homem LGBT
O Minas Tênis Clube demitiu o jogador de vôlei Maurício Souza, acusado de homofobia por causa de uma publicação em suas redes sociais na qual criticou a publicação de nova história em quadrinho do novo Super-Homem, que se assume como bissexual e aparece beijando outro homem. Inicialmente, o clube havia afirmado o direito dos atletas se expressarem em suas redes sociais, mas cedeu à pressão dos patrocinadores, Fiat e Gerdau, voltou atrás e dispensou o atleta. Em entrevista ao jornal O Globo , o técnico da seleção brasileira de vôlei, Renan Dal Zotto, também disse que Maurício está fora de seus planos. “Em se tratando de seleção brasileira, não tem espaço para profissionais homofóbicos”. “Fico triste com tudo o que está acontecendo, porque, infelizmente, a gente não pode mais dar opinião, colocar os valores acima de tudo, os valores de família, do que a gente acredita”, disse Maurício nas redes sociais. Maurício Souza, medalha de ouro na Olimpíada de 2016, ouro na Copa do Mundo de 2019 e prata na de de 2018 e três vezes campeão sul-americano com a seleção brasileira, publicou em sua conta de Instagram uma imagem sobre a nova história em quadrinhos da DC Comic sobre o novo Super-Homen, Jon Kent, filho de Clark Kent, que se assume bissexual. Na foto, o personagem aparece beijando outro homem. Leia também Clipe LGBT é gravado dentro de Igreja Católica em Manaus “É só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar”, comentou o atleta. Em seguida, o jogador Douglas Souza, que jogou com Maurício na seleção brasileira e é declaradamente homossexual, rebateu a publicação. “Se uma imagem como essa te preocupa, sinto muito, mas eu tenho uma novidade para sua heterossexualidade frágil. Vai ter beijo sim”, escreveu. Maurício fez nova publicação afirmando que “hoje em dia o certo é errado e o errado é certo. Não se depender de mim. Se tem que escolher um lado, eu fico do lado que eu acho certo. Fico com minhas crenças, valores e ideais”. Leia também PODE UMA PESSOA COM TENDÊNCIAS HOMOSSEXUAIS SER UM BOM CATÓLICO? O caso alcançou grande repercussão. Maurício Souza foi acusado de homofobia e recebeu muitas críticas. Uma das torcidas do Minas Tênis Clube, a Independente, publicou nota em que repudiava “os comportamentos” do atleta e que iria ignorá-lo “nas redes sociais, jogos e manifestações”. “O que homofóbicos querem é palco para reverberar seus preconceitos, e não será por meio de nós que isso ocorrerá”, disse a torcida. Em uma nota publicada no dia 25 de outubro, o Minas afirmou que “todos os atletas federados à agremiação têm liberdade para se expressar livremente em suas redes sociais”. Mas, ressaltou que clube não aceita “manifestações homofóbicas, racistas ou qualquer manifestação que fira a lei” e que “as opiniões do jogador não representam as crenças da instituição sociodesportiva”. Entretanto, o clube voltou atrás após sofrer pressão por parte dos patrocinadores Fiat e Gerdau, que, em notas, também acusaram as declarações do atleta de homofóbicas e exigiram a adoção de “medidas cabíveis” em relação a ele. No dia 26 de outubro, o Minas comunicou o afastamento de Maurício por tempo indeterminado. Mas, como as pressões se mantiveram, acabaram levando à demissão do jogador na quarta-feira, 27 de outubro. Leia também Hungria aprova lei que proíbe pornografia e temática LGBT para menores Em um vídeo em seu Instagram momentos antes do anúncio de sua demissão, Maurício Souza pediu desculpas a “todos que se sentiram ofendidos” com sua opinião. Afirmou que “assim como vocês defendem o que acreditam, eu também tenho o direito de defender o que acredito”. O atleta contou que estava “passando por dificuldades no time” e que talvez sairia do cube “por causa de uma opinião”. “A vontade de vocês foi esta e está sendo acatada. Hoje em dia a gente não pode dar opinião sobre nada, que a gente pode ser penalizado”, declarou. “Infelizmente, chegamos a este ponto, os patrocinadores repudiaram. Eu não sei o que fiz, se foi algum crime. Se fosse crime, eu já estava preso. Eu acho que não foi crime nenhum. O que fiz foi dar minha opinião”, afirmou. Maurício sempre usa um pingente de crucifixo e afirmou em uma recente live que é cristão e batizado na Igreja Católica. Na quarta-feira, ao comunicar seu desligamento do Minas Tênis Clube, reafirmou a defesa de seus valores. “Sigo meu caminho plantando o que acredito, meu legado continua! O que deixarei para meus filhos é o que conta no final”, afirmou. Leia também Movimento LGBT declara que tem como objetivo destruir a Família Na manhã desta quinta-feira, o atleta voltou às redes sociais para afirmar que a sua saída do Minas ocorreu devido aos patrocinadores e não por causa do clube. “O Minas não teve culpa nenhuma nisso tudo. A culpa disso tudo foi da turma da lacração fazendo pressão em cima dos patrocinadores, o que acarretou de o patrocinador ameaçar o Minas de tirar o patrocínio tanto do masculino quanto do feminino e isso ficou insustentável”. Segundo ele, o diretor de vôlei masculino, Elói Lacerda de Oliveira Neto, e o presidente Ricardo Vieira Santiago “fizeram o máximo” para que ele permanecesse na equipe. “Infelizmente, o time não aguentaria perder tantos patrocínios assim”, afirmou. ACI Digital procurou as empresas patrocinadoras do Minas. A Gerdau informou que não comentará o assunto. A Fiat não respondeu até o fechamento da matéria. Leia também Papa Bento XVI diz que aborto e casamento gay são obra do anticristo Publicação do atleta não é crime O professo de Direito Constitucional e mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Tadeu Nóbrega, disse à ACI Digital que “cada vez mais” tem aparecido a discussão sobre a punição profissional de uma pessoa por expressar sua opinião em sua rede social pessoal. “Não há ainda uma sólida jurisprudência sobre isso. Contudo, parece-me que não [pode haver essa punição], pois a rede social pessoal não se confunde com a da empresa ou do clube, como no caso do jogador Maurício Souza”, disse. “O empregado tem direito à sua individualidade e não pode ser constrangido a submeter-se em sua vida pessoal a valores impostos pelo empregador ou, pior, por seus patrocinadores. Esses comportamentos podem denotar discriminação contra o trabalhador e suscitar responsabilidade civil do empregador, inclusive por danos morais, se for o caso”, afirmou Tadeu Nóbrega. Segundo ele, a situação é “pior ainda quando constatado que a discriminação ou preconceito se dá por questão de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, pois “poderia ser enquadrada como conduta punível criminalmente, conforme a previsão da Lei do Racismo”. Leia também Governo Bolsonaro corta verbas de filmes e séries LGBT em TVs públicas Nóbrega afirmou que “a proclamação da doutrina católica sobre o homossexualismo, seja sacerdote, religioso ou leigo, onde for, inclusive nas redes sociais, não caracteriza crime”. Segundo o advogado, “a lei penal não faz previsão específica” sobre a homofobia. No Brasil, o que aconteceu foi que, em um julgamento de 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) “aprovou a tese de que, até que seja editada lei específica pelo Congresso Nacional, as condutas ditas ‘homofóbicas’ e ‘transfóbicas’, reais ou supostas, se enquadrariam nos crimes previstos na Lei do Racismo e, no caso de homicídio doloso, constitui circunstância que o qualifica, por configurar motivo torpe”. Na mesma decisão, o Supremo “fez constar expressamente que a repressão penal à prática do que chama, com aspas, de ‘homotransfobia’ não alcançaria nem restringiria o exercício da liberdade religiosa, mas a limitaria, com a ressalva de que ‘tais manifestações não configurem discurso de ódio, assim entendidas aquelas exteriorizações que incitem a discriminação, a hostilidade ou a violência contra pessoas em razão de sua orientação sexual ou de sua identidade de gênero’”. Para o advogado, “essa suposta concessão à liberdade religiosa” parece “ter sido insuficiente”, pois “os termos e expressões vagos, como ‘discurso de ódio’ e ‘incitar a discriminação’, geram insegurança quanto à aplicação da regra penal”. Além disso, “há casos práticos que demonstram restrições à liberdade de expressão e, até mesmo, um forte movimento no Brasil no sentido de criminalizar o discurso religioso, a pregação, o proselitismo e a proclamação do Santo Magistério”. Leia também Jovem de 15 anos exibe crucifixo e bloqueia marcha LGBT na Polônia Mas, Nóbrega lembrou que “a Constituição, tratados internacionais de direitos humanos e a legislação interna asseguram o direito à liberdade religiosa e de expressão”. Para ele, ainda que a proclamação da doutrina católica sobre homossexualismo fosse considerada crime, “Santo Agostinho nos ensina que lex iniusta non est lex , ou seja, a ‘lei injusta não é lei’. Desse modo, as leis injustas não obrigam o foro de consciência, salvo talvez para evitar escândalo ou perturbações. Portanto, mesmo que a conduta venha a ser injustamente punível pelo Estado, o católico tem o direito (e alguns até o dever) de resistir para defender a Fé”, declarou. Via ACI Digital Leia também A escandalosa ignorância dos católicos a respeito de sua própria doutrina #LGBT
- TRÊS BOAS NOTÍCIAS E UMA ESPERANÇA– Pe. Santiago Martín
Não faltam motivos de preocupação, na Igreja e no mundo, mas esta semana quero concentrar-me em duas coisas que têm corrido bem e uma terceira que a Igreja fez como devia, mesmo que esteja a criar-lhe problemas. PRIMEIRA NOTÍCIA. A primeira foi a derrota no parlamento italiano da lei que obrigaria, entre outras coisas, à doutrinação da ideologia do gênero nas escolas e consideraria criminosos aqueles que se lhe opunham. A chamada “Lei Zan”, que leva o nome do seu autor, foi derrotada no Senado italiano. Deve-se recordar que o Vaticano fez um grande esforço para se opor a esta lei, advertindo mesmo que a sua aprovação violaria a Concordata entre a Itália e a Santa Sé. Embora tudo parecesse indicar que a lei seria aprovada, quando a votação foi realizada anonimamente, não obteve os votos necessários. SEGUNDA NOTÍCIA. A segunda boa notícia vem da Argentina. Há alguns meses, na diocese de Venado Tuerto, a Caritas, supostamente com a permissão do bispo, publicou uma oração blasfema comparando a Santíssima Virgem Maria com a Pachamama. Perante os protestos, só conseguiam pensar em dizer que o tinham feito para estar em sintonia com o Papa Francisco, atribuindo assim ao Pontífice a autoria indireta do crime. Escrevi contra esta abominação na época e ganhei mais do que um insulto por ela. Bem, esta semana, o bispo dessa diocese teve a sua demissão aceita apenas cinco dias depois de a ter apresentado. Gostaria de o ter visto afastado imediatamente do cargo, mas já é alguma coisa que não lhe tenha sido permitido continuar no cargo, uma vez atingida a idade do afastamento. Se Deus quiser, deve servir de lição para os bajuladores, que acabam por fazer mal àquele que dizem honrar. Deve também servir como um aviso de que a Virgem não deve ser tocada, pois há muitos de nós que estão dispostos a dar as suas vidas, se necessário, para a defender. Esta Mãe tem filhos e aqueles que tão facilmente a insultam devem saber disso. TERCEIRA NOTÍCIA. A terceira notícia vem da Bolívia. Uma menina de onze anos está grávida como resultado de uma violação por um familiar. Os pais da adolescente e ela própria decidiram não fazer o aborto, apesar da enorme pressão para o fazer. A Igreja apoia a família e argumenta que ninguém pode ser obrigado a fazer um aborto, como pretende o governo. Os ataques à Igreja são ferozes e até o ombudsman anunciou um processo judicial, simplesmente devido ao apoio que a Igreja dá à menina e aos seus pais, para que ela possa levar a gravidez até ao fim, como ela deseja. É tudo absurdo: a mocinha violada quer ter o seu filho, o governo quer que ela o mate, e a Igreja está sendo responsabilizada por dar à vítima de violação o apoio de que ela necessita. Os ataques e insultos não são dirigidos contra o violador, mas contra a organização que quer ajudar a jovem violada (e que até se ofereceu para cuidar da criança, que é tão inocente como a mãe). O ódio dos abortistas pela vida, e por aqueles que a defendem, atinge a paroxismo e é demonstrado num caso como este. A Igreja na Bolívia está indo muito bem e merece todo o nosso apoio. Rezemos por eles, especialmente pela menina e pelo seu filho. UMA ESPERANÇA. E se vamos pedir orações, gostaria de me fazer eco do desejo dos católicos cubanos para o regresso da liberdade ao seu povo. A presença de um grande grupo que se manifestou próximo do Vaticano (tão próximo quanto lhes foi permitido), serviu para que o mundo soubesse que a sangrenta ditadura cubana ainda existe e que há muitos que, movidos pela fé, estão lutando contra ela. Cuba tem católicos que não desistem, e a Nicarágua e a Venezuela têm bispos que não estão dispostos a permanecer em silêncio diante da ditadura. Ambos são uma fonte de orgulho para a Igreja. Rezemos por eles.
- LUZ DO MUNDO
O pensamento cristão já nasceu perfeito, porque foi projetado por Deus como expressão da verdade. Tão perfeito que, após o ponto final do último livro da Bíblia, o Apocalipse, nada mais há que acrescentar de essencial. Perfeito não significa, necessariamente, estático: esse pensamento cresceu muito, nos últimos dois mil anos, desenvolvido pelos melhores homens da Igreja, pessoas que humildemente acreditavam que, sem a graça divina, nada se faz de perdurável neste mundo. Um crescimento, um desenvolvimento exigidos por aquelas próprias revelações, perfeitas e completas, recebidas pelos Apóstolos nas primeiras décadas da Igreja, sempre organicamente limitados pelas balizas impostas pelas revelações divinas. Tão perfeito é o pensamento cristão, que não aceita dialética no sentido hegeliano da palavra: toda antítese mal-intencionada que se aproxima, desaparece como um cisco, imediatamente, na combustão da doutrina católica. Nos últimos dois milênios, nem faltaram os Judas que tentassem empanar o seu brilho — sempre os houve na Igreja romana —, mas mesmo agora, neste momento mais pagão que cristão da civilização ocidental, ela ainda insiste em projetar seus lumes na face cansada do mundo, como a estrela-guia que sempre foi. O brilho já não é tão intenso como o foi na época inaugural descrita pelos Atos dos Apóstolos , ou no tempo dos mártires, ou nos últimos séculos da Idade Média, pois a névoa do mundo é espessa. Uma outra luz candidata-se a substituí-la, luz megalomaníaca de lamparina vagabunda, acesa com os óleos poluentes do Iluminismo (que é luz enganadora: mais oculta a verdade do que revela). Algumas vezes, achamos que a luz que vem de Roma vai apagar-se, que não resistirá aos tornados que sopram da dita “nova ordem mundial”, que se luteranizará, esquecidos de que a Igreja é uma estrela com luz própria e inextinguível, que vai brilhar para sempre, pois já estava acesa antes deste universo criado e de qualquer outro mundo possível.
- Arquidiocese exige comprovação de vacina para Padres, catequistas e demais agentes de pastoral
Dom Roque Paloschi, da Arquidiocese de Porto Velho, publicou nesta quarta-feira (27) um decreto com disposições concernentes à vacinação em tempo de Pandemia da Covid-19. O decreto proíbe que todos os Padres, Diáconos e todos os agentes de pastoral que não foram “totalmente imunizados” com a vacina para Covid-19 possam exercer o ministério e atuar nas comunidades. Leia o trecho do decreto abaixo: “Orientamos que, a partir da publicação deste, não sejam admitidos para desenvolver seu ministério em nossas comunidades Catequistas, Ministros da Comunhão e da Palavra, Padres, Diáconos, coordenadores de pastorais, movimentos, serviços e comunidades e demais agentes de pastoral que não estejam em dia com a vacinação contra a Covid-19 (ao menos com segunda dose ou dose única, e a terceira quando for possível).” Fiéis foram às redes sociais questionando o decreto uma vez que “a vacina é experimental e não há comprovação cientifica de que são realmente eficazes e seguras, e mesmo aqueles que foram totalmente vacinados ainda são obrigados a usar máscara, e estão sujeitos a contrair e transmitir a doença, e também correm o risco de morte.” Veja o que diz um comentário nas redes sociais: É inconcebível, que a Igreja, através de seus pastores estejam tão alinhados com estes ditames sanitários, suplantando até mesmo a tal pastoralidade tão apregoada pelos próprios prelados. Aqui não cabe nem mensurar como deve estar a dimensão espiritual dessas Paróquias e Dioceses que fizeram de suas celebrações, reuniões sanitárias, de seus sacerdotes, agentes de saúde, do medo sua espiritualidade, da vacina o seu dogma, do passaporte sanitário seu mandamento e da vida biológica o seu “deus”. Leia o decreto na íntegra: DOM ROQUE PALOSCHI Por mercê de Deus e da Sé Apostólica Arcebispo Metropolitano de Porto Velho Prot. n° 27/2021 A todos que este novo decreto virem, saudação, paz e bênção no Senhor! DISPOSIÇÕES CONCERNENTES À VACINAÇÃO EM TEMPO DE PANDEMIA DA COVID-19 Meus irmãos e minhas irmãs, graça e paz! Considerando o avanço da pandemia da Covid-19, considerando a necessidade de seguirmos as medidas sanitárias para o enfrentamento da mesma e considerando também que infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa é crime, com pena de um a doze meses de detenção e multa, segundo o artigo 268 do Código Penal. Tendo também em vista todas as orientações que o Papa Francisco nos tem feito nesses últimos meses, bem como os demais Bispos do Brasil e do mundo (leia-se abaixo alguns exemplos): “Graças a Deus e ao trabalho de muitos, hoje temos vacinas para proteger-nos da Covid- 19. Elas são esperança para acabarmos com a pandemia, mas somente se estiverem disponíveis para todos e se colaborarmos uns com os outros.” (Papa Francisco) “Os esforços heroicos dos profissionais da saúde nos proporcionaram vacinas seguras e eficazes para proteger toda família humana. Vacinar-se é uma opção de amor a todos, principalmente aos mais vulneráveis.” (Dom Cláudio Cardeal Hummes, O.F.M.) “Vacinas-se com as vacinas autorizadas pelas autoridades competentes é um ato de amor. E ajudar a que a maioria da gente se vacine é um ato de amor. Amor a si mesmos, amor aos familiares e amigos, amor a todos os povos.” (Papa Francisco) Orientamos que, a partir da publicação deste, não sejam admitidos para desenvolver seu ministério em nossas comunidades Catequistas, Ministros da Comunhão e da Palavra, Padres, Diáconos, coordenadores de pastorais, movimentos, serviços e comunidades e demais agentes de pastoral que não estejam em dia com a vacinação contra a Covid-19 (ao menos com segunda dose ou dose única, e a terceira quando for possível). Lembramos que temos responsabilidade para com o povo que está em contato com nossos agentes de pastoral, e queremos zelar pelo bem e saúde de todos e de todas. Não podemos admitir que a falta de informação e as notícias falsas que circulam irresponsavelmente, principalmente nas redes sociais, venham a ser causa de doença ou morte de mais irmãos e irmãs. Jesus veio para que tenhamos vida, e vida em abundância (cf. Jo 10,10). Desde já agradecemos também a todos que ajudam a proteger a vida com esses pequenos gestos de amor. Agradecemos de modo especial aos profissionais da saúde que tanto trabalham nesse tempo de pandemia. Deus abençoe a todos e a todas. Porto Velho 27 de outubro de 2021. Dom Roque Paloschi Arcebispo Metropolitano de Porto Velho Pe. Marcelo Moschini Daudt Chanceler #Pandemia
- Arquidiocese exige comprovação de vacina para Padres, catequistas e demais agentes de pastoral
Dom Roque Paloschi, da Arquidiocese de Porto Velho, publicou nesta quarta-feira (27) um decreto com disposições concernentes à vacinação em tempo de Pandemia da Covid-19. O decreto proíbe que todos os Padres, Diáconos e todos os agentes de pastoral que não foram “totalmente imunizados” com a vacina para Covid-19 possam exercer o ministério e atuar nas comunidades. Leia o trecho do decreto abaixo: “Orientamos que, a partir da publicação deste, não sejam admitidos para desenvolver seu ministério em nossas comunidades Catequistas, Ministros da Comunhão e da Palavra, Padres, Diáconos, coordenadores de pastorais, movimentos, serviços e comunidades e demais agentes de pastoral que não estejam em dia com a vacinação contra a Covid-19 (ao menos com segunda dose ou dose única, e a terceira quando for possível).” Fiéis foram às redes sociais questionando o decreto uma vez que “a vacina é experimental e não há comprovação cientifica de que são realmente eficazes e seguras, e mesmo aqueles que foram totalmente vacinados ainda são obrigados a usar máscara, e estão sujeitos a contrair e transmitir a doença, e também correm o risco de morte.” Veja o que diz um comentário nas redes sociais: É inconcebível, que a Igreja, através de seus pastores estejam tão alinhados com estes ditames sanitários, suplantando até mesmo a tal pastoralidade tão apregoada pelos próprios prelados. Aqui não cabe nem mensurar como deve estar a dimensão espiritual dessas Paróquias e Dioceses que fizeram de suas celebrações, reuniões sanitárias, de seus sacerdotes, agentes de saúde, do medo sua espiritualidade, da vacina o seu dogma, do passaporte sanitário seu mandamento e da vida biológica o seu “deus”. Leia o decreto na íntegra: DOM ROQUE PALOSCHI Por mercê de Deus e da Sé Apostólica Arcebispo Metropolitano de Porto Velho Prot. n° 27/2021 A todos que este novo decreto virem, saudação, paz e bênção no Senhor! DISPOSIÇÕES CONCERNENTES À VACINAÇÃO EM TEMPO DE PANDEMIA DA COVID-19 Meus irmãos e minhas irmãs, graça e paz! Considerando o avanço da pandemia da Covid-19, considerando a necessidade de seguirmos as medidas sanitárias para o enfrentamento da mesma e considerando também que infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa é crime, com pena de um a doze meses de detenção e multa, segundo o artigo 268 do Código Penal. Tendo também em vista todas as orientações que o Papa Francisco nos tem feito nesses últimos meses, bem como os demais Bispos do Brasil e do mundo (leia-se abaixo alguns exemplos): “Graças a Deus e ao trabalho de muitos, hoje temos vacinas para proteger-nos da Covid- 19. Elas são esperança para acabarmos com a pandemia, mas somente se estiverem disponíveis para todos e se colaborarmos uns com os outros.” (Papa Francisco) “Os esforços heroicos dos profissionais da saúde nos proporcionaram vacinas seguras e eficazes para proteger toda família humana. Vacinar-se é uma opção de amor a todos, principalmente aos mais vulneráveis.” (Dom Cláudio Cardeal Hummes, O.F.M.) “Vacinas-se com as vacinas autorizadas pelas autoridades competentes é um ato de amor. E ajudar a que a maioria da gente se vacine é um ato de amor. Amor a si mesmos, amor aos familiares e amigos, amor a todos os povos.” (Papa Francisco) Orientamos que, a partir da publicação deste, não sejam admitidos para desenvolver seu ministério em nossas comunidades Catequistas, Ministros da Comunhão e da Palavra, Padres, Diáconos, coordenadores de pastorais, movimentos, serviços e comunidades e demais agentes de pastoral que não estejam em dia com a vacinação contra a Covid-19 (ao menos com segunda dose ou dose única, e a terceira quando for possível). Lembramos que temos responsabilidade para com o povo que está em contato com nossos agentes de pastoral, e queremos zelar pelo bem e saúde de todos e de todas. Não podemos admitir que a falta de informação e as notícias falsas que circulam irresponsavelmente, principalmente nas redes sociais, venham a ser causa de doença ou morte de mais irmãos e irmãs. Jesus veio para que tenhamos vida, e vida em abundância (cf. Jo 10,10). Desde já agradecemos também a todos que ajudam a proteger a vida com esses pequenos gestos de amor. Agradecemos de modo especial aos profissionais da saúde que tanto trabalham nesse tempo de pandemia. Deus abençoe a todos e a todas. Porto Velho 27 de outubro de 2021. Dom Roque Paloschi Arcebispo Metropolitano de Porto Velho Pe. Marcelo Moschini Daudt Chanceler #Pandemia
- Uma família numerosa católica à espera de gêmeos faz sucesso na internet
Nosso plano é fazer a vontade de Deus, afirmam pais de 10 crianças. A família de Carlos e Mariana Arasaki chama a atenção em um mundo obcecado por contraceptivos e planejamento familiar. Casados há 10 anos, eles são pais de dez filhos, contando os dois gêmeos que devem nascer em março. A foto com que anunciaram a chegada dos dois mais novos herdeiros, com uma espécie de “escadinha” numerada com balões dos filhos viralizou nas redes sociais. A tal ponto que chamou a atenção dos meios de comunicação. O casal virou notícia em diversos sites. Mas os sites omitiram a razão profunda pela qual Carlos e Mariana têm sua grande família: os Arasaki são católicos. “Para nós, essa repercussão nunca foi planejada, nós só nos abrimos. Quando você abre seu coração para Deus entrar e a providência poder fazer o que ela precisa fazer, você sabe que não vai se arrepender, porque tomou a decisão correta”, afirmou Carlos. Para o casal, essa foi uma oportunidade de falar sobre a importância de estar aberto a receber os filhos que Deus enviar. Para Carlos, o principal é que a mensagem que transmitem é “universal”, “é uma oportunidade de poder passar para todas as pessoas, de todas as religiões”, o valor de “se abrir à vida”. Leia também: A Igreja Católica permite o uso dos métodos anticoncepcionais? A foto da família Arasaki com seus dez filhos foi postada no Instagram @coracaodemami. Segundo Mariana, esta conta na rede social foi criada para atender ao pedido de conhecidos que perguntavam como a família lidava com tantos filhos. Inicialmente, a ideia era partilhar essa experiência apenas com amigos. Mas, o alcance foi bem maior. A conta, lançada no início de outubro, já possui mais de 75 mil seguidores. Para o casal, o objetivo ao partilhar suas experiências é “despertar a atenção das pessoas de que a paternidade e a maternidade são o principal, muito mais do que estar focado no seu dinheiro, em crescer profissionalmente, para onde vai viajar, questões egoístas”. “O ponto fundamental é você deixar seu coração aberto para Deus, porque ter uma família numerosa não é um pedido que Jesus vai fazer a todos. Mas, para cada um Ele tem um pedido diferente, para uns Ele tem um, para outros, dois, para outros Ele vai pedir a adoção. E todos os chamados são lindos”, disse Mariana. Para Mariana e Carlos, o caminho que trilharam até a construção de uma família numerosa foi possível porque “fazer a vontade de Deus sempre foi o plano de nossas vidas”. O casal se conheceu em um domingo de Páscoa, na igreja Nossa Senhora do Brasil, em São Paulo (SP). Desde então, ainda como amigos, passaram a “ir à missa diária, rezar o terço”. Tinham “uma vida de oração juntos”, contou Mariana. “Já tínhamos uma maturidade na época de que queríamos fazer a vontade de Deus”, disse Carlos. “Deus iria cuidar de nós e nos mostrar nossa vocação, qual caminho deveríamos seguir”. Leia também Desvantagens do filho único e vantagens de uma família numerosa Depois do casamento, Carlos e Mariana não definiram quantos filhos queriam ter. Segundo Carlos, a decisão de ter muitos filhos “não é algo imediato, é uma vivência que você vai percebendo quando vai criando os primeiros filhos”. É necessário abdicar de “diversas situações que estava acostumado quando solteiro, quando era uma pessoa que não tinha tantas responsabilidades, que não tinha que cuidar de uma família”, diz. “Você só descobre tendo novos filhos que eles são uma bênção, são um tesouro, uma dádiva e alegram, complementam a sua vida”. Para Mariana, com esta abertura à vida, é possível “entender um pouquinho do amor de Deus por nós, porque cada filho que chega não é que o nosso amor se divida, pelo contrário, ele se multiplica” e, com o nascimento de cada filho, Deus “melhora nossos defeitos, vai nos dando sabedoria para conduzir a família”. “É algo muito especial”, declarou. Carlos contou que cada “filho é um mundo novo de oportunidades que se abre”. “Você vê esse filho de um tipo de personalidade mais tímido, outro mais líder, outro mais sorridente. Então, vê que cada coração é um tesouro que Deus te dá para você descobrir mais coisas sobre a vida, sobre o amor de Deus”. Por isso, não se pode colocar limitações, “não há limitações para o amor de Deus”. “Falam em limitações financeiras, de tempo, limitações egoístas do que vou fazer com minha carreira ou determinados planos que eu tenho. Mas, na verdade, os planos de Deus são muito mais ricos e maiores”. Leia também Como católicos, podemos escolher a quantidade de filhos? Família Arasaki na igreja Nossa Senhora do Brasil, em São Paulo (SP). Foto: @coracaodemami Membros do Apostolado da Oração, Carlos e Mariana veem sua vida em família também como um testemunho. “É como a pedra na água que você joga e vai fazendo círculos concêntricos e isso vai expandindo. Quanto mais filhos, mais amigos, mais famílias que vão se aproximando. Grande parte desse apostolado é um apostolado que é automático. As pessoas olham na rua e não precisamos falar nada”, disse Carlos, que também é membro da prelazia pessoal da Opus Dei. Mariana lembrou que, muitas vezes durante um passeio, quando as pessoas os veem com várias crianças e ela grávida, param a família “para perguntar se é tudo nosso, se é do mesmo pai e da mesma mãe”. Como muitas famílias, o casal também já se perguntou se iria dar conta. “Esse dar conta é se vamos ser capazes de dar a formação correta”, diz Mariana, “e não do trabalho em si, porque, depois que você vai tendo os filhos, o trabalho se automatiza e não fica algo trabalhoso”. Para Carlos, o importante é “fazer o melhor todos os dias para fazer aquilo que está dentro do seu controle”. Assim, é preciso se dedicar às “coisas que posso influenciar positivamente, administrar bem o meu lar, acompanhar os meus filhos, tomar os cuidados necessários para que eles se formem bem. Mas, o resto da vida é imprevisível, tanto para uma pessoa, quanto para quinze, vinte pessoas. Então, você tem que abrir mão da tentação de querer controlar tudo”. Leia também Casal vende terreno para reverter vasectomia e são abençoados com 6º filho Essa confiança em Deus e fé são vividas pela família no cotidiano. “São pequenos detalhes que fazem a diferença”, disse Mariana. “De manhã, vamos para a escola rezando o terço no carro e cada um reza um mistério e cada um faz seus pedidos pessoais; nas refeições, agradecem sempre pelo alimento e, antes de dormir, também fazem a oração”, contou Carlos. Outra prática é oferecer tudo a Jesus. “Buscamos ensinar para as crianças que Jesus se alegra muito com isso. Se estamos tristes, felizes, para oferecermos para Ele. Quando eles não querem comer uma comida diferente, eu converso e falo da importância, digo: ‘mamãe também não gosto de muita coisa, mas faz por Jesus, porque na vida a gente não faz só o que gosta’. Então, estou sempre tentando mostrar esse lado para eles”, disse Mariana. As crianças trazem em seus nomes a marca da devoção católica da família. “Sempre nos inspiramos nos nossos santos de devoção. Então, para cada filho tem uma história diferente”, disse Mariana. A primeira filha do casal, de nove anos, chama-se Maria Philomena. A mãe alcançou uma graça por intercessão de santa Filomena quando era jovem e prometeu dar o nome da santa à sua primeira filha. “E ela nasceu no dia da apresentação de Nossa Senhora, então meu marido falou que não tinha como não ser Maria Philomena”. As meninas todas levam o nome de Nossa Senhora: Maria Clara, de 7 anos, Maria Sophia, de seis, Margarida Maria, de três, Maria Madalena, de dois, e Stella Maria, de dez meses. Os meninos são Martin, de oito anos, e Bernardo, de quatro. Os gêmeos que ainda estão no ventre da mãe se chamarão João Pio e Josemaría, por causa de “são Josemaria Escrivá, nosso santo do coração; João de várias santos e Pio por Padre Pio” de Pietrelcina, de quem Mariana é muito devota. São Josemaria Escrivá foi o fundador da Opus Dei. Leia também Um grave problema: Terceirizar a educação dos filhos “Descobri que eram gêmeos foi um dia que tive um sangramento e fui ao consultório da minha médica”, conta Mariana. “Achei que seria atendida rápido, mas Deus tem sempre um plano. Eu cheguei lá e demorou um pouco. Enquanto eu esperava, comecei a chamar por Padre Pio e pedir que intercedesse por meu bebê, para que fosse feita a vontade de Deus. Então, fui pedindo a ele a graça. Enquanto fazia a ultrassom, minha médica começou a rir e perguntou e disse: ‘Você não imagina porque eu estou rindo? São gêmeos!’ Meu coração, então, pulou de alegria, parecia que tinha se dilatado cinco vezes mais e eu ia explodir de felicidade”, contou Mariana. Ao refletir sobre esse episódio, Carlos contou que lembrou de são Felipe Néri, “que na hora que foram exumar o corpo dele viram que o coração dele era maior do que o de uma pessoa normal. É a mesma questão, o seu coração se dilata, seu amor se multiplica, a sua felicidade já não tem mais limites. Por que você vai limitar sua felicidade?” Fonte: ACI Digital Leia também Quando é que os pais compreenderão sua missão em relação aos próprios filhos? Curso de Formação para Catequistas e Pais que desejam dar catequese aos Filhos Cientes desta realidade, apresentamos o curso de formação com metodologia, conteúdo e espiritualidade para catequistas e pais que desejam ensinar seus filhos. Aquilo o que é necessário para ensinar autêntica doutrina católica para seus filhos ou alunos, e ajudá-los a viver como verdadeiros cristãos. O curso terá inicio em 08 de novembro e terá duração de três meses e meio todas as segundas-feiras. Será totalmente online através de reuniões virtuais. 👉 Clique aqui para mais informações e inscrever-se no curso #Família #famíliasnúmerosas #Filhos
- Uma família numerosa católica à espera de gêmeos faz sucesso na internet
Nosso plano é fazer a vontade de Deus, afirmam pais de 10 crianças. A família de Carlos e Mariana Arasaki chama a atenção em um mundo obcecado por contraceptivos e planejamento familiar. Casados há 10 anos, eles são pais de dez filhos, contando os dois gêmeos que devem nascer em março. A foto com que anunciaram a chegada dos dois mais novos herdeiros, com uma espécie de “escadinha” numerada com balões dos filhos viralizou nas redes sociais. A tal ponto que chamou a atenção dos meios de comunicação. O casal virou notícia em diversos sites. Mas os sites omitiram a razão profunda pela qual Carlos e Mariana têm sua grande família: os Arasaki são católicos. “Para nós, essa repercussão nunca foi planejada, nós só nos abrimos. Quando você abre seu coração para Deus entrar e a providência poder fazer o que ela precisa fazer, você sabe que não vai se arrepender, porque tomou a decisão correta”, afirmou Carlos. Para o casal, essa foi uma oportunidade de falar sobre a importância de estar aberto a receber os filhos que Deus enviar. Para Carlos, o principal é que a mensagem que transmitem é “universal”, “é uma oportunidade de poder passar para todas as pessoas, de todas as religiões”, o valor de “se abrir à vida”. Leia também: A Igreja Católica permite o uso dos métodos anticoncepcionais? A foto da família Arasaki com seus dez filhos foi postada no Instagram @coracaodemami. Segundo Mariana, esta conta na rede social foi criada para atender ao pedido de conhecidos que perguntavam como a família lidava com tantos filhos. Inicialmente, a ideia era partilhar essa experiência apenas com amigos. Mas, o alcance foi bem maior. A conta, lançada no início de outubro, já possui mais de 75 mil seguidores. Para o casal, o objetivo ao partilhar suas experiências é “despertar a atenção das pessoas de que a paternidade e a maternidade são o principal, muito mais do que estar focado no seu dinheiro, em crescer profissionalmente, para onde vai viajar, questões egoístas”. “O ponto fundamental é você deixar seu coração aberto para Deus, porque ter uma família numerosa não é um pedido que Jesus vai fazer a todos. Mas, para cada um Ele tem um pedido diferente, para uns Ele tem um, para outros, dois, para outros Ele vai pedir a adoção. E todos os chamados são lindos”, disse Mariana. Para Mariana e Carlos, o caminho que trilharam até a construção de uma família numerosa foi possível porque “fazer a vontade de Deus sempre foi o plano de nossas vidas”. O casal se conheceu em um domingo de Páscoa, na igreja Nossa Senhora do Brasil, em São Paulo (SP). Desde então, ainda como amigos, passaram a “ir à missa diária, rezar o terço”. Tinham “uma vida de oração juntos”, contou Mariana. “Já tínhamos uma maturidade na época de que queríamos fazer a vontade de Deus”, disse Carlos. “Deus iria cuidar de nós e nos mostrar nossa vocação, qual caminho deveríamos seguir”. Leia também Desvantagens do filho único e vantagens de uma família numerosa Depois do casamento, Carlos e Mariana não definiram quantos filhos queriam ter. Segundo Carlos, a decisão de ter muitos filhos “não é algo imediato, é uma vivência que você vai percebendo quando vai criando os primeiros filhos”. É necessário abdicar de “diversas situações que estava acostumado quando solteiro, quando era uma pessoa que não tinha tantas responsabilidades, que não tinha que cuidar de uma família”, diz. “Você só descobre tendo novos filhos que eles são uma bênção, são um tesouro, uma dádiva e alegram, complementam a sua vida”. Para Mariana, com esta abertura à vida, é possível “entender um pouquinho do amor de Deus por nós, porque cada filho que chega não é que o nosso amor se divida, pelo contrário, ele se multiplica” e, com o nascimento de cada filho, Deus “melhora nossos defeitos, vai nos dando sabedoria para conduzir a família”. “É algo muito especial”, declarou. Carlos contou que cada “filho é um mundo novo de oportunidades que se abre”. “Você vê esse filho de um tipo de personalidade mais tímido, outro mais líder, outro mais sorridente. Então, vê que cada coração é um tesouro que Deus te dá para você descobrir mais coisas sobre a vida, sobre o amor de Deus”. Por isso, não se pode colocar limitações, “não há limitações para o amor de Deus”. “Falam em limitações financeiras, de tempo, limitações egoístas do que vou fazer com minha carreira ou determinados planos que eu tenho. Mas, na verdade, os planos de Deus são muito mais ricos e maiores”. Leia também Como católicos, podemos escolher a quantidade de filhos? Família Arasaki na igreja Nossa Senhora do Brasil, em São Paulo (SP). Foto: @coracaodemami Membros do Apostolado da Oração, Carlos e Mariana veem sua vida em família também como um testemunho. “É como a pedra na água que você joga e vai fazendo círculos concêntricos e isso vai expandindo. Quanto mais filhos, mais amigos, mais famílias que vão se aproximando. Grande parte desse apostolado é um apostolado que é automático. As pessoas olham na rua e não precisamos falar nada”, disse Carlos, que também é membro da prelazia pessoal da Opus Dei. Mariana lembrou que, muitas vezes durante um passeio, quando as pessoas os veem com várias crianças e ela grávida, param a família “para perguntar se é tudo nosso, se é do mesmo pai e da mesma mãe”. Como muitas famílias, o casal também já se perguntou se iria dar conta. “Esse dar conta é se vamos ser capazes de dar a formação correta”, diz Mariana, “e não do trabalho em si, porque, depois que você vai tendo os filhos, o trabalho se automatiza e não fica algo trabalhoso”. Para Carlos, o importante é “fazer o melhor todos os dias para fazer aquilo que está dentro do seu controle”. Assim, é preciso se dedicar às “coisas que posso influenciar positivamente, administrar bem o meu lar, acompanhar os meus filhos, tomar os cuidados necessários para que eles se formem bem. Mas, o resto da vida é imprevisível, tanto para uma pessoa, quanto para quinze, vinte pessoas. Então, você tem que abrir mão da tentação de querer controlar tudo”. Leia também Casal vende terreno para reverter vasectomia e são abençoados com 6º filho Essa confiança em Deus e fé são vividas pela família no cotidiano. “São pequenos detalhes que fazem a diferença”, disse Mariana. “De manhã, vamos para a escola rezando o terço no carro e cada um reza um mistério e cada um faz seus pedidos pessoais; nas refeições, agradecem sempre pelo alimento e, antes de dormir, também fazem a oração”, contou Carlos. Outra prática é oferecer tudo a Jesus. “Buscamos ensinar para as crianças que Jesus se alegra muito com isso. Se estamos tristes, felizes, para oferecermos para Ele. Quando eles não querem comer uma comida diferente, eu converso e falo da importância, digo: ‘mamãe também não gosto de muita coisa, mas faz por Jesus, porque na vida a gente não faz só o que gosta’. Então, estou sempre tentando mostrar esse lado para eles”, disse Mariana. As crianças trazem em seus nomes a marca da devoção católica da família. “Sempre nos inspiramos nos nossos santos de devoção. Então, para cada filho tem uma história diferente”, disse Mariana. A primeira filha do casal, de nove anos, chama-se Maria Philomena. A mãe alcançou uma graça por intercessão de santa Filomena quando era jovem e prometeu dar o nome da santa à sua primeira filha. “E ela nasceu no dia da apresentação de Nossa Senhora, então meu marido falou que não tinha como não ser Maria Philomena”. As meninas todas levam o nome de Nossa Senhora: Maria Clara, de 7 anos, Maria Sophia, de seis, Margarida Maria, de três, Maria Madalena, de dois, e Stella Maria, de dez meses. Os meninos são Martin, de oito anos, e Bernardo, de quatro. Os gêmeos que ainda estão no ventre da mãe se chamarão João Pio e Josemaría, por causa de “são Josemaria Escrivá, nosso santo do coração; João de várias santos e Pio por Padre Pio” de Pietrelcina, de quem Mariana é muito devota. São Josemaria Escrivá foi o fundador da Opus Dei. Leia também Um grave problema: Terceirizar a educação dos filhos “Descobri que eram gêmeos foi um dia que tive um sangramento e fui ao consultório da minha médica”, conta Mariana. “Achei que seria atendida rápido, mas Deus tem sempre um plano. Eu cheguei lá e demorou um pouco. Enquanto eu esperava, comecei a chamar por Padre Pio e pedir que intercedesse por meu bebê, para que fosse feita a vontade de Deus. Então, fui pedindo a ele a graça. Enquanto fazia a ultrassom, minha médica começou a rir e perguntou e disse: ‘Você não imagina porque eu estou rindo? São gêmeos!’ Meu coração, então, pulou de alegria, parecia que tinha se dilatado cinco vezes mais e eu ia explodir de felicidade”, contou Mariana. Ao refletir sobre esse episódio, Carlos contou que lembrou de são Felipe Néri, “que na hora que foram exumar o corpo dele viram que o coração dele era maior do que o de uma pessoa normal. É a mesma questão, o seu coração se dilata, seu amor se multiplica, a sua felicidade já não tem mais limites. Por que você vai limitar sua felicidade?” Fonte: ACI Digital Leia também Quando é que os pais compreenderão sua missão em relação aos próprios filhos? Curso de Formação para Catequistas e Pais que desejam dar catequese aos Filhos Cientes desta realidade, apresentamos o curso de formação com metodologia, conteúdo e espiritualidade para catequistas e pais que desejam ensinar seus filhos. Aquilo o que é necessário para ensinar autêntica doutrina católica para seus filhos ou alunos, e ajudá-los a viver como verdadeiros cristãos. O curso terá inicio em 08 de novembro e terá duração de três meses e meio todas as segundas-feiras. Será totalmente online através de reuniões virtuais. 👉 Clique aqui para mais informações e inscrever-se no curso #Família #famíliasnúmerosas #Filhos
- Morte cerebral: o que os católicos precisam saber
Morte cerebral: o que os católicos precisam saber COMENTÁRIO: Pessoas de boa vontade, dentro e fora da comunidade médica, devem apoiar a pesquisa médica em busca de maneiras inovadoras e moralmente incontestáveis de substituir órgãos com defeito. Em 1968, um influente comitê da Harvard Medical School introduziu a morte encefálica com a definição oximorônica de “coma irreversível como um novo critério de morte”, desconsiderando o fato de que estar em coma não é estar morto, mas vivo. Declarar uma pessoa morta por critérios de morte encefálica é o principal meio pelo qual os órgãos são obtidos para transplante. A validade dos critérios de morte encefálica é disputada entre aqueles que defendem a crença na dignidade inerente a todo ser humano. Alguns, inclusive eu, estão convencidos de que a morte encefálica não representa a morte da pessoa humana. Outros pensam que, se houver perda total e irreversível de todas as funções cerebrais, a pessoa humana estará morta. Proponho que, independentemente da posição que um indivíduo ocupe, todos nós devemos nos opor ao uso de critérios de morte encefálica na prática clínica. A validade da morte encefálica pode ser avaliada em dois níveis. A primeira é no nível teórico: se o cérebro foi destruído – isto é, sofreu “necrose patológica total” – a pessoa humana, necessariamente, está morta? A segunda é no nível prático: o cérebro de fato sofreu destruição em uma pessoa declarada com morte cerebral? Ao examinar qualquer questão bioética, devemos começar examinando as evidências científicas – a realidade deve ser nosso ponto de partida. A seguir, analisamos as evidências científicas usando filosofia e teologia. Finalmente, chegamos a uma conclusão moral. Se não procedermos nesta ordem (por exemplo, se concebermos uma ideia filosófica e depois tentarmos impô-la artificialmente à realidade), cometemos erros fundamentais, resultando em conclusões errôneas. Por isso, examinaremos o que revelam os casos de três pacientes reais. O Caso de “TK” O caso de “TK” trata da solidez teórica da morte encefálica. Um artigo de 2006 sobre seu caso no Journal of Child Neurology aborda diretamente a questão crítica de se, quando o cérebro está completamente destruído, a pessoa humana está necessariamente morta. Aos 4 anos, TK foi acometido por um tipo de meningite bacteriana. Esta infecção destruiu seu cérebro. É fundamental entender que TK não tinha tecido cerebral de forma alguma . O cérebro de TK estava realmente morto. Mas estava TK, a pessoa humana, morta? Apesar de não ter cérebro, TK sobreviveu por 20 anos . Ele usou nutrientes de alimentação por tubo, lutou contra infecções, manteve a temperatura corporal e teve um crescimento físico proporcional. Em outras palavras, o corpo de TK continuou a funcionar como um todo unificado. Afirmo que não há maneira de explicar isso, exceto pela presença persistente de sua alma, o princípio de integração do corpo. O caso de TK demonstra que um ser humano pode continuar a viver na ausência de qualquer tecido cerebral funcional. Alguns estudiosos da tradição judaico-cristã que apóiam o uso de critérios de morte encefálica afirmam, usando argumentos filosóficos elaborados, que, embora TK tenha sobrevivido 20 anos, na verdade ele estava morto o tempo todo. Em contraste, uma minoria de estudiosos católicos que apóiam os critérios de morte encefálica afirma que o corpo de TK estava vivo, mas o próprio TK não. Ambas as visões são como o imperador sem roupas – elas nos pedem para descrer de nossos próprios olhos e insistem que TK apenas parecia estar vivo, ou que o que estava vivo apenas parecia ser TK. Os leitores podem decidir por si próprios, usando o bom senso, se um paciente que é quente e rosado, tem um batimento cardíaco, demonstra crescimento físico proporcional e sobrevive por 20 anos está vivo ou morto – e, se vivo, se ele é um ser humano ou um novas espécies biológicas não mamíferas que não existem na natureza. O caso de Zack Dunlap Agora nos voltamos para a integridade da morte encefálica no nível prático: se um paciente é declarado em morte encefálica, o cérebro é destruído? As diretrizes médicas para declarar morte encefálica de um paciente adulto nos Estados Unidos são as da American Academy of Neurology (AAN), publicadas pela primeira vez em 1995 e revisadas pela última vez em 2010. As diretrizes pediátricas são muito semelhantes às diretrizes para adultos. O primeiro caso que examinaremos para responder a essa questão é o de Zack Dunlap. Zack é de uma pequena cidade fora de Oklahoma City. Em 2007, aos 21 anos, ele sofreu uma grave lesão cerebral em um acidente de ATV. Ele foi levado de helicóptero para um hospital e 36 horas após o acidente foi declarado em morte encefálica. Zack havia indicado em sua carteira de motorista que desejava ser doador de órgãos e seus pais deram permissão para que seus órgãos fossem removidos. Por volta dessa época, a prima de Zack, que era enfermeira, ficou preocupada com o fato de Zack não estar morto. Ele segurou o pé de Zack e raspou o calcanhar com um canivete. Zack puxou o pé da mão de seu primo. Seu primo então enfiou a unha sob a unha de Zack em uma área dolorida. Zack retirou a mão. Esses movimentos colocaram em dúvida o diagnóstico de morte encefálica e a retirada iminente do órgão foi cancelada. Zack escapou por pouco da morte por extração de órgãos. Cinco dias depois, Zack abriu os olhos. Doze dias depois, Zack disse a seus pais “Eu te amo” e deu seus primeiros passos. Quarenta e oito dias depois, Zack saiu do centro de reabilitação e voltou para casa. Zack contou mais tarde que ele podia ouvir o médico declarar que ele tinha morte cerebral e que ele estava com raiva, mas que ele não conseguia se comunicar. O caso de Zack ilustra um exemplo de um paciente declarado em morte cerebral que (1) não estava morto, (2) não tinha morte cerebral e (3) teve uma recuperação completa. Os defensores da morte encefálica podem argumentar que o caso de Zack não está formalmente documentado e, portanto, não pode ser usado como um exemplo de falha das diretrizes da AAN. Em um nível pragmático, podemos perguntar: Isso realmente importa? O caso de Zack é um exemplo de sério erro de diagnóstico na prática clínica, seja atribuível ao fato de as diretrizes serem menos de 100% infalíveis ou à conhecida variabilidade no cumprimento das diretrizes. O caso de Jahi McMath Agora chegamos ao caso de Jahi McMath. Em 2013, com 13 anos, Jahi foi submetida a uma cirurgia na garganta para sua apneia do sono. Depois disso, ela desenvolveu sangramento excessivo no local da cirurgia e sua condição piorou. A certa altura, o coração de Jahi parou por 10 minutos. Dois dias depois, Jahi foi declarado com morte cerebral. No caso de Jahi, as diretrizes para o diagnóstico de morte encefálica foram estritamente seguidas e documentadas. Mesmo assim, Jahi sobreviveu por mais de quatro anos até sucumbir a complicações abdominais. Ela passou a maior parte desse tempo no apartamento de sua mãe, sustentada por um respirador e alimentação por tubo. Os vídeos mostram Jahi se movendo e respondendo apropriadamente a comandos simples. Jahi passou pelas mudanças da puberdade, incluindo a menstruação. A ressonância magnética mostrou a preservação de grandes partes de seu cérebro. Jahi foi declarada com morte cerebral de acordo com as diretrizes médicas atuais, mas ela não estava nem (1) morta nem (2) em morte cerebral. ‘Brain Dead’ não significa morte Isso levanta a questão: quantos pacientes como Zack e Jahi existem cujos casos nunca vieram à tona, seja porque o suporte de vida foi interrompido ou os órgãos foram retirados? No início deste ano, Michael Nair-Collins e Ari R. Joffe co-escreveram um capítulo no Handbook of Clinical Neurology no qual examinaram a pergunta: Qual porcentagem de pacientes declarados com morte cerebral tem função persistente do hipotálamo (uma parte do cérebro)? Aqueles que não estão familiarizados com a literatura sobre morte encefálica ficarão surpresos ao saber que aproximadamente metade dos pacientes declarados em morte encefálica têm função persistente do hipotálamo. Mas esses pacientes ainda podem ser declarados em morte encefálica porque as diretrizes da AAN consideram a função hipotalâmica persistente irrelevante para um diagnóstico de morte encefálica. Mas isso viola o que a maioria dos defensores dos critérios de morte encefálica da tradição judaico-cristã estipula como necessário para que uma declaração de morte encefálica seja válida: a perda completa da função cerebral. Porque não pode haver uma perda completa da função cerebral se parte do cérebro (o hipotálamo) ainda funcionar. E como há uma chance de 50-50 de que um paciente declarado em morte encefálica ainda possua função hipotalâmica, de acordo com seus critérios, há uma chance de 50-50 de que um paciente declarado em morte encefálica ainda esteja vivo. Nos Estados Unidos, isso equivale a aproximadamente 7.500 a 10.000 pacientes com “morte cerebral”, tendo seus órgãos colhidos enquanto ainda vivos a cada ano. Critérios de combate à maré crescente de morte encefálica Se esse equilíbrio se inclinar – por exemplo, se cada paciente declarado em morte cerebral tivesse tempo para o retorno potencial de alguma função cerebral se manifestar, em vez de uma rápida coleta de órgãos em alguns dias – certamente seria na direção de mais pacientes vivos, não mortos. Além disso, o número de pacientes com função cerebral persistente de qualquer tipo pode ser muito maior do que a metade, já que muitas funções cerebrais não são testadas clinicamente. Ninguém propôs um padrão médico “mais preciso” para os EUA. E embora não haja nenhum sinal de mudança no padrão médico, a mudança está sendo ativamente buscada no nível da lei – para tornar a declaração de morte encefálica mais fácil , não mais difícil. Uma revisão atualmente proposta para o Ato de Determinação Uniforme da Morte, a lei modelo para morte encefálica nos Estados Unidos, busca fazer exatamente isso. Um princípio fundamental da ética médica é o consentimento informado. Isso significa que o paciente deve ser informado sobre os riscos, benefícios e alternativas de uma intervenção médica. Aqueles que apóiam a validade teórica dos critérios de morte encefálica devem, no mínimo, advogar pelo consentimento informado. Para aqueles que defendem que todo o cérebro deve ser destruído para que uma declaração de morte encefálica seja válida, o consentimento informado exige a divulgação às partes interessadas (como aquelas que decidem se querem ser doadores de órgãos com carteira de motorista) que pelo menos metade dos pacientes declarados mortos usando os critérios de morte encefálica ainda estão vivos. Além disso, exige a revelação de que existe o risco, por menor que seja, de estar consciente ao ser declarada morte cerebral (como aconteceu com Zack) e talvez até mesmo enquanto órgãos estão sendo removidos. Parece improvável que muitas pessoas se inscrevam para se tornar doadores de órgãos com esse conhecimento. Acredito que uma abordagem melhor é que todos aqueles que acreditam na santidade da vida, independentemente de apoiarem ou se oporem à validade teórica dos critérios de morte encefálica, se oponham ao uso de critérios de morte encefálica para obter órgãos para transplante na prática clínica. Podemos então, como uma única voz, apoiar a pesquisa médica que busca maneiras inovadoras e moralmente incontestáveis de substituir órgãos com problemas. O Dr. Joseph M. Eble é o presidente da Tulsa Guild da Catholic Medical Association e sócio-gerente da Fidelis Radiology. Os assuntos pelos quais ele é apaixonado incluem morte cerebral, adoção e construção de pontes entre pessoas de diferentes etnias. Suas publicações incluem Brain Death: What Catholics Should Know , em coautoria com o Dr. Doyen Nguyen, e sua entrevista mais recente sobre o tema da morte cerebral foi com o padre jesuíta Mitch Pacwa no EWTN Live . Ele pode ser contatado em eblej@yahoo.com. FONTE: Nathional Catholic Register #Mortecerebraloqueoscatólicosprecisamsaber
- Médico católico homenageado por serviço prestado durante a pandemia de COVID-19
O’Connell foi criado na Igreja Católica e disse que sua fé católica é parte integrante de sua carreira médica. NOVA YORK, NY – Um neurologista que respondeu ao início da pandemia COVID-19 na cidade de Nova York em 2020 foi premiado com o prêmio de Doutor Católico do Ano deste ano. Major Daniel E. O’Connell, MD, MPH, recebeu o prêmio em 26 de outubro durante a Missa da Arquidiocese de Los Angeles para Profissionais de Saúde Católicos. “Dan compartilhou sua jornada no auge da COVID em Nova York, e seu serviço realmente se destacou”, disse Elise Frederick, Diretora Executiva da Mission Doctors Association, que concede o prêmio. “Ser capaz de deixar a fé liderar em um ambiente onde você está cercado por outras pessoas que compartilham sua fé é uma coisa, mas fazer isso, testemunhar seus valores em silêncio em tempos tão críticos e desafiadores requer um verdadeiro líder.” O’Connell foi criado na Igreja Católica e disse que sua fé católica é parte integrante de sua carreira médica. “Certamente não consigo me imaginar fazendo medicina sem minha base cristã católica”, disse ele. “Acho que é um grande motivador – senão o último – para mim fazer isso, porque não consigo me imaginar sendo um médico sem essa base.” Ele frequentou escolas públicas até a faculdade de medicina. “Eu procurei especificamente uma escola de medicina católica, que eu acho que é um tanto única na era moderna”, disse O’Connell. “Nunca tive essa experiência de escola católica e … queria que a minha formação como médico fosse de origem católica.” Ele frequentou a escola de medicina na Universidade de Loyola em Chicago. O’Connell disse que descobriu que Loyola enfatizava o tratamento ético dos pacientes, com base na espiritualidade católica. Ele se lembrou do primeiro dia de aula de anatomia. Estudantes de medicina aprendem anatomia com indivíduos que doaram seus corpos após a morte para a escola. O’Connell lembra que um padre católico abençoou os cadáveres e orou pelas almas das pessoas que doaram seus corpos. “E havia a promessa de tratar esses cadáveres … com o maior respeito”, disse O’Connell. “Achei que foi um grande alicerce inicial, avançar em nossa formação de médicos com aquela mentalidade católica de respeitar a pessoa humana, a dignidade da pessoa humana”. Hoje, O’Connell é neurologista em exercício, com especialização em neuro-oncologia e tratamento da dor. Ele também é oficial médico nas reservas da Força Aérea dos Estados Unidos. Ele se envolveu no serviço militar pela primeira vez na faculdade, por meio do Corpo de Treinamento de Oficiais da Reserva. Após a faculdade, O’Connell matriculou-se na Reserva Individual Ready. Sua primeira missão com o IRR foi em 2019 na Base Conjunta de Pearl Harbor-Hickam, no Havaí, em resposta à falta de pessoal médico no estado. Em 4 de abril de 2020, O’Connell foi convidado a se deslocar em 24 horas para a cidade de Nova York, em resposta à pandemia COVID-19. Ele se encontrou com outros reservistas na Base Conjunta McGuire-Dix-Lakehurst em Nova Jersey. “E de lá, em mais ou menos um dia, pegamos ônibus até uma Times Square deserta”, disse ele. O’Connell conhecia a cidade de Nova York porque fez estágio em medicina interna no New York Medical College. “Nem parecia Nova York”, disse ele. “Mudou totalmente a minha percepção da cidade. Era uma cidade fantasma quando chegamos, e totalmente deserta. ” O’Connell presumiu que serviria no Javits Convention Center, que havia sido convertido em um hospital improvisado para pacientes do COVID-19. Mas os militares da ativa estavam ajudando a administrar isso. “A maior necessidade acabou sendo nos hospitais comunitários vizinhos e nos vários bairros da cidade de Nova York, que são extremamente densos em população e – especialmente nas áreas onde fomos designados – são desproporcionalmente afetados pela crise do COVID em vários de razões ”, disse ele. O’Connell foi designado para servir no Hospital Lincoln no Bronx, que ele disse ser o segundo hospital mais atingido na cidade na época. Seu trabalho se limitava ao nono andar, que era uma unidade médico-cirúrgica convertida em UTI médica. Ele disse que o andar tinha cerca de 30 quartos que acomodavam cerca de 60 pacientes. Ele se lembra que o hospital fez orifícios nas paredes para que os fios passassem dos pacientes nos quartos para as máquinas no corredor. “A situação estava meio desesperada”, disse O’Connell. “Ventiladores temporários tiveram que ser colocados nas salas, e eles tiveram que colocar linhas IV – porque não havia espaço nas próprias salas, eles não foram construídos para ser uma UTI médica – no corredor externo.” O’Connell é neurologista, mas seu treinamento incluiu um ano de medicina interna e três anos de neurologia para pacientes internados. Ainda assim, ele não tinha certeza de como seu conjunto de habilidades se traduziria nas necessidades dos pacientes antes dele. “Eu não sabia o que esperar inicialmente, mas fui designado para uma equipe de chão junto com os residentes”, disse ele. “E, acredite, a última coisa que eu queria era ser residente de novo. Para quem sabe alguma coisa sobre medicina, eles podem entender por quê. Certamente foi uma experiência humilhante. ” “As enfermeiras e os terapeutas respiratórios, na minha opinião, fizeram a maior parte do trabalho, porque o cuidado [foi] amplamente de suporte.” Ele disse que a maior parte de seu tempo era gasto essencialmente em trabalhos médicos pesados, embora ele fizesse exames neurológicos ocasionais. Entre quatro e seis dias por semana, O’Connell verificava os pacientes e ajudava a tratar quaisquer condições que sofressem além do COVID-19. Muitos de seus pacientes iniciais eram mais velhos e apresentavam condições médicas frequentemente exacerbadas pelo coronavírus. O’Connell passou dois meses no Lincoln Hospital na cidade de Nova York, e ele estima que várias dezenas de seus pacientes morreram de comprometimento respiratório relacionado ao COVID-19, ou de agravamento das comorbidades no cenário de infecção por COVID-19, durante esse tempo. Ao final de sua implantação, o número de pacientes COVID-19 em seu andar havia caído substancialmente, permitindo uma transição suave de reservistas militares fora do hospital. Já se passou mais de um ano desde a implantação de O’Connell para a pandemia COVID-19 e ele ainda está processando a experiência. “Minha analogia é a enchente de 100 anos”, disse ele. “É algo que você não espera, mas para o qual você tenta ter algum nível de preparação.” “Mas uma das razões pelas quais entrei para as reservas militares é para ter a oportunidade de ajudar, caso algo assim aconteça, como médico militar.” O’Connell disse que lutou para aceitar o prêmio de Doutor Católico do Ano, porque acredita que os terapeutas respiratórios e enfermeiras foram os verdadeiros heróis da pandemia COVID-19, e ele dedicou o prêmio a eles. “Eles são realmente aqueles que nos ajudam com a crise da COVID, porque … não há cura para a COVID, por assim dizer”, disse ele. “Não há tratamento que você possa dar, em tempo real, para uma infecção aguda por COVID que mate o vírus imediatamente. Por causa disso, as necessidades são de tornar os pacientes o mais saudáveis possível, para diminuir a probabilidade de falência de órgãos multissistêmicos e outras comorbidades. ” Ainda assim, O’Connell espera que seu testemunho incentive outros médicos a deixarem sua fé guiar suas carreiras. “Servir como médico missionário nem sempre significa viajar para o outro lado do mundo, para um local remoto e ajudar as pessoas”, disse ele. “Você também pode fazer isso localmente.” A Mission Doctors Association começará a aceitar nomeações para o prêmio de Doutor do Ano Católico de 2022 em janeiro. Os destinatários anteriores do Prêmio Católico de Doutor do Ano incluem cirurgiã geral e irmã missionária ativa, Irmã Deirdre Byrne, que foi a primeira a responder em 11 de setembro; e o Dr. Tom Catena, um médico missionário católico internacional. O prêmio foi concedido a ‘Todos os Trabalhadores Católicos da Saúde’ em 2020. FONTE: NATHIONAL CATHOLIC REGISTER #homenagemamédicocatólico #médicocatólico #pandemiacovid
- Quando é que os pais compreenderão sua missão em relação aos próprios filhos?
A perda da fé e confusão de nossos tempos se faz sentir de maneira muito intensa nas famílias. Pais que amam seus filhos e querem o melhor para eles, por causa da desorientação em que se encontram, acabam sendo os primeiros a minar-lhes a felicidade. A questão é gritante e se impõe a indagação: Como é possível que alguém que ame os seus filhos possa contribuir para a infelicidade deles? Se trata de uma pergunta grave, que deveria ser encarada com a devida seriedade. A resposta a essa grave questão passa pelas palavras: DESCONHECIMENTO, IGNORÂNCIA, ENGANO. Nenhum pai ou mãe, que mereça esse nome, deseja ou trabalha para a destruição da felicidade dos próprios filhos; pelo contrário: a grande maioria dos pais morreriam mil vezes para poupar os próprios filhos. Naturalmente todos os pais querem o bem e a felicidade de seus filhos. Donde vem então que grande parte dos filhos são infelizes, sendo que muitos desenvolvem quadros depressivos, angústias existenciais e fobias de várias coisas? Como explicar que tantos filhos acabem adentrando no mundo dos vícios como drogas, pornografia, prostituição, jogos e outros? Como compreender a rebeldia e desrespeito de tantos filhos pelos pais que lançam uns e outros em grandes sofrimentos? O que está em questão não é a intenção dos pais, mais a ideia que os pais de hoje têm sobre FELICIDADE e o caminho que tomam para alcançá-la. Ao ter uma ideia errada sobre o que seja a felicidade e uma visão equivocada sobre o sentido da vida, os pais irão guiar seus filhos erroneamente e esses filhos terão uma visão deturpada sobre a vida, buscando a felicidade onde ela não pode ser encontrada. A grande maioria dos pais têm uma ideia errada do que seja a felicidade e de como educar e conduzir os filhos de modo a torná-los pessoas boas e felizes. Os pais, em sua maioria, estão equivocados em seus conceitos, confusos com o mundo e por isso perdidos em seus caminhos…como dizia o poeta de Brasília: “São crianças como você…”. Os pais desejam o melhor, mas frequentemente não sabem como fazer, nem por onde ir. Se tornaram pastores desorientados porque antes foram (e estão sendo) “como ovelhas sem pastor”, pois quem deveria ensiná-los o sentido da vida, dar clareza de sua missão e fortalecê-los na fé, também se perderam em meio ao modernismo, às ideologias e mundanismos de nossos tempos. De novo, nas palavras cantadas pelo poeta: “Nem os ‘santos’ têm ao certo a medida da maldade…” e por isso “a tempos são os jovens que adoecem. “…Herdeiros são da virtude que perdemos”. A medida em que a maior parte do clero católico foi perdendo a fé, passando a ter uma péssima formação filosófica e teológica, sendo capturado ou se deixando levar por toda sorte de ideologias e heresias, também foi deixando de lado sua gravíssima missão, que seria a condução do rebanho aos Céus; para isso, ensinando-o a verdade de Deus e comunicando a graça de Nosso Senhor por meio dos sacramentos, levando as pessoas a viverem de maneira cristã, cumprindo seus deveres de estado, para com Deus, para com próximo, para com a sociedade e para consigo mesmos. De maneira muito especial, o clero deveria ajudar os pais a compreender e a desempenhar sua missão junto aos filhos, mas, na maior parte dos casos não é o que tem ocorrido, pois ao perderem a fé, deixando de ter uma cosmovisão cristã do mundo e da sociedade, deixaram de ensinar de forma coerente com a doutrina católica. Em outras palavras, a maioria dos padres e bispos NÃO ensinam mais a Doutrina Católica em nossas paróquias e dioceses, de modo que, em geral, os católicos NÃO têm recebido a verdade sempre ensinada pela Igreja por meio daqueles que teriam a obrigação de transmiti-la…mesmo porque ninguém pode dar aquilo que não tem… Com a revolução tecnológica e a facilitação do acesso a informação e aos meios formativos, muitos fiéis leigos começaram a despertar e perceber a distância que havia (e há) entre aquilo que a maioria dos padres e bispos diziam e aquilo que a Igreja sempre ensinou. Assim, muitos perceberam que, em vários lugares as lideranças da Igreja foram capturadas pelas ideologias, reproduzindo em suas falas e ensinamentos muitos erros grosseiros já combatidos pela Igreja. Começaram a enxergar também (com muita dor) que tinham errado muito na formação de seus filhos, porque deixaram (ou talvez nunca tenham recebido) uma visão verdadeiramente católica da vida, do mundo, da sociedade e especialmente da família. Por causa da falta de formação, os pais deixaram de ter os instrumentos e critérios para avaliar a realidade e distinguir o que é certo do que é errado, o que é falso do que é verdadeiro, os caminhos que podem ser bons e os devem ser evitados. Mas, em boa parte dos casos o estrago já estava feito e restava reparar e tentar remediar, suplicando a Deus misericórdia pelos erros cometidos para com os filhos…e talvez, quem sabe, tentar ajudar os netos, sobrinhos e essa nova geração a perceberem e a trilharem o caminho para a verdadeira felicidade. Muitas famílias estariam ainda inteiras; muitos vícios e sofrimentos não teriam entrado nos lares e nas vidas, muitos filhos ainda estariam conosco, se simplesmente os pais tivessem aprendido bem qual é a vontade de Deus, como deviam enxergar e compreender o mundo e a família para bem cumprirem sua missão. Embora todos tenham sua parcela de responsabilidade pessoal, seguramente se esses pais tivessem tido uma boa catequese e a ajuda de bons sacerdotes em suas paróquias, a história de muitos filhos e de muitas famílias, e mesmo de nossas sociedades, seria muito diferente. Pais bem formados na fé sabem da absoluta necessidade de se viver na graça de Deus e por isso mesmo teriam uma vida de oração e ensinariam seus filhos a rezar e a buscar viver sempre na presença de Deus. Pais bem formados jamais descuidariam da missa dominical, da confissão e da formação catequética de seus filhos, se esforçando para que eles desejassem mais as coisas do alto do que qualquer glória da terra, seja dada por diplomas, carreiras bem-sucedidas ou poder adquirido. Pais bem formados na fé da Igreja jamais deixariam entrar em seus lares aquilo que pudesse destruir a santidade e a virtude de seus filhos, atraindo-os para os vícios, como é o caso das novelas imundas, das músicas e modas imorais, de algumas modalidades de jogos etc. Pais conscientes não matriculariam seus filhos em escolas que pudessem deformar sua visão cristã do mundo e ensinar contravalores, nem deixariam seus filhos frequentar festas que são escolas de vícios como carnaval, raves, discotecas, pancadões etc. Pais cristãos JAMAIS votariam em partidos ou políticos que propõe leis e levantam bandeiras contrárias a lei de Deus. Pais formados na verdadeira doutrina católica compreenderiam que o matrimônio é uma missão, e que a felicidade e salvação de seus filhos depende, em grande parte, do exemplo de fé e da educação cristã que receberem. Entretanto, mais uma vez é preciso dizer que não basta constatar os erros e as lacunas, mas é preciso tentar reparar o que for ainda possível e rezar e fazer penitência por aquilo que não depende mais de nós. Algo que podemos fazer é buscar aprender bem a doutrina, estudando A Palavra de Deus, o Catecismo e demais documentos da Igreja. Podemos melhorar nossa espiritualidade adquirindo o hábito da oração diária, especialmente do terço ou rosário. E, de modo muito especial, uma vez que aprendemos ao menos o básico da doutrina, podemos ajudar outras pessoas a conhecerem a nossa fé católica. Particularmente, podemos ajudar os pais a educar seus filhos na fé, para que reconheçam o que é bom e agradável a Deus, despertando o desejo de viver na virtude, buscando a graça e perseverando na comunhão com Deus. Que Deus abençoe seu povo e lhe a graça de conhecer, viver e transmitir sua verdade. E que os filhos aprendam com os pais o caminho do céu. Templário de Maria Escravo inútil da Santíssima Virgem Curso de Formação para Catequistas e Pais que desejam dar catequese aos Filhos Cientes desta realidade, apresentamos o curso de formação com metodologia, conteúdo e espiritualidade para catequistas e pais que desejam ensinar seus filhos. Aquilo o que é necessário para ensinar autêntica doutrina católica para seus filhos ou alunos, e ajudá-los a viver como verdadeiros cristãos. O curso terá inicio em 08 de novembro e terá duração de três meses e meio todas as segundas-feiras. Será totalmente online através de reuniões virtuais. 👉 Clique aqui para mais informações e inscrever-se no curso #EducaçãodosFilhos #famíliasnúmerosas #Família #Filhos #FormaçõesCatólicas
- Quando é que os pais compreenderão sua missão em relação aos próprios filhos?
A perda da fé e confusão de nossos tempos se faz sentir de maneira muito intensa nas famílias. Pais que amam seus filhos e querem o melhor para eles, por causa da desorientação em que se encontram, acabam sendo os primeiros a minar-lhes a felicidade. A questão é gritante e se impõe a indagação: Como é possível que alguém que ame os seus filhos possa contribuir para a infelicidade deles? Se trata de uma pergunta grave, que deveria ser encarada com a devida seriedade. A resposta a essa grave questão passa pelas palavras: DESCONHECIMENTO, IGNORÂNCIA, ENGANO. Nenhum pai ou mãe, que mereça esse nome, deseja ou trabalha para a destruição da felicidade dos próprios filhos; pelo contrário: a grande maioria dos pais morreriam mil vezes para poupar os próprios filhos. Naturalmente todos os pais querem o bem e a felicidade de seus filhos. Donde vem então que grande parte dos filhos são infelizes, sendo que muitos desenvolvem quadros depressivos, angústias existenciais e fobias de várias coisas? Como explicar que tantos filhos acabem adentrando no mundo dos vícios como drogas, pornografia, prostituição, jogos e outros? Como compreender a rebeldia e desrespeito de tantos filhos pelos pais que lançam uns e outros em grandes sofrimentos? O que está em questão não é a intenção dos pais, mais a ideia que os pais de hoje têm sobre FELICIDADE e o caminho que tomam para alcançá-la. Ao ter uma ideia errada sobre o que seja a felicidade e uma visão equivocada sobre o sentido da vida, os pais irão guiar seus filhos erroneamente e esses filhos terão uma visão deturpada sobre a vida, buscando a felicidade onde ela não pode ser encontrada. A grande maioria dos pais têm uma ideia errada do que seja a felicidade e de como educar e conduzir os filhos de modo a torná-los pessoas boas e felizes. Os pais, em sua maioria, estão equivocados em seus conceitos, confusos com o mundo e por isso perdidos em seus caminhos…como dizia o poeta de Brasília: “São crianças como você…”. Os pais desejam o melhor, mas frequentemente não sabem como fazer, nem por onde ir. Se tornaram pastores desorientados porque antes foram (e estão sendo) “como ovelhas sem pastor”, pois quem deveria ensiná-los o sentido da vida, dar clareza de sua missão e fortalecê-los na fé, também se perderam em meio ao modernismo, às ideologias e mundanismos de nossos tempos. De novo, nas palavras cantadas pelo poeta: “Nem os ‘santos’ têm ao certo a medida da maldade…” e por isso “a tempos são os jovens que adoecem. “…Herdeiros são da virtude que perdemos”. A medida em que a maior parte do clero católico foi perdendo a fé, passando a ter uma péssima formação filosófica e teológica, sendo capturado ou se deixando levar por toda sorte de ideologias e heresias, também foi deixando de lado sua gravíssima missão, que seria a condução do rebanho aos Céus; para isso, ensinando-o a verdade de Deus e comunicando a graça de Nosso Senhor por meio dos sacramentos, levando as pessoas a viverem de maneira cristã, cumprindo seus deveres de estado, para com Deus, para com próximo, para com a sociedade e para consigo mesmos. De maneira muito especial, o clero deveria ajudar os pais a compreender e a desempenhar sua missão junto aos filhos, mas, na maior parte dos casos não é o que tem ocorrido, pois ao perderem a fé, deixando de ter uma cosmovisão cristã do mundo e da sociedade, deixaram de ensinar de forma coerente com a doutrina católica. Em outras palavras, a maioria dos padres e bispos NÃO ensinam mais a Doutrina Católica em nossas paróquias e dioceses, de modo que, em geral, os católicos NÃO têm recebido a verdade sempre ensinada pela Igreja por meio daqueles que teriam a obrigação de transmiti-la…mesmo porque ninguém pode dar aquilo que não tem… Com a revolução tecnológica e a facilitação do acesso a informação e aos meios formativos, muitos fiéis leigos começaram a despertar e perceber a distância que havia (e há) entre aquilo que a maioria dos padres e bispos diziam e aquilo que a Igreja sempre ensinou. Assim, muitos perceberam que, em vários lugares as lideranças da Igreja foram capturadas pelas ideologias, reproduzindo em suas falas e ensinamentos muitos erros grosseiros já combatidos pela Igreja. Começaram a enxergar também (com muita dor) que tinham errado muito na formação de seus filhos, porque deixaram (ou talvez nunca tenham recebido) uma visão verdadeiramente católica da vida, do mundo, da sociedade e especialmente da família. Por causa da falta de formação, os pais deixaram de ter os instrumentos e critérios para avaliar a realidade e distinguir o que é certo do que é errado, o que é falso do que é verdadeiro, os caminhos que podem ser bons e os devem ser evitados. Mas, em boa parte dos casos o estrago já estava feito e restava reparar e tentar remediar, suplicando a Deus misericórdia pelos erros cometidos para com os filhos…e talvez, quem sabe, tentar ajudar os netos, sobrinhos e essa nova geração a perceberem e a trilharem o caminho para a verdadeira felicidade. Muitas famílias estariam ainda inteiras; muitos vícios e sofrimentos não teriam entrado nos lares e nas vidas, muitos filhos ainda estariam conosco, se simplesmente os pais tivessem aprendido bem qual é a vontade de Deus, como deviam enxergar e compreender o mundo e a família para bem cumprirem sua missão. Embora todos tenham sua parcela de responsabilidade pessoal, seguramente se esses pais tivessem tido uma boa catequese e a ajuda de bons sacerdotes em suas paróquias, a história de muitos filhos e de muitas famílias, e mesmo de nossas sociedades, seria muito diferente. Pais bem formados na fé sabem da absoluta necessidade de se viver na graça de Deus e por isso mesmo teriam uma vida de oração e ensinariam seus filhos a rezar e a buscar viver sempre na presença de Deus. Pais bem formados jamais descuidariam da missa dominical, da confissão e da formação catequética de seus filhos, se esforçando para que eles desejassem mais as coisas do alto do que qualquer glória da terra, seja dada por diplomas, carreiras bem-sucedidas ou poder adquirido. Pais bem formados na fé da Igreja jamais deixariam entrar em seus lares aquilo que pudesse destruir a santidade e a virtude de seus filhos, atraindo-os para os vícios, como é o caso das novelas imundas, das músicas e modas imorais, de algumas modalidades de jogos etc. Pais conscientes não matriculariam seus filhos em escolas que pudessem deformar sua visão cristã do mundo e ensinar contravalores, nem deixariam seus filhos frequentar festas que são escolas de vícios como carnaval, raves, discotecas, pancadões etc. Pais cristãos JAMAIS votariam em partidos ou políticos que propõe leis e levantam bandeiras contrárias a lei de Deus. Pais formados na verdadeira doutrina católica compreenderiam que o matrimônio é uma missão, e que a felicidade e salvação de seus filhos depende, em grande parte, do exemplo de fé e da educação cristã que receberem. Entretanto, mais uma vez é preciso dizer que não basta constatar os erros e as lacunas, mas é preciso tentar reparar o que for ainda possível e rezar e fazer penitência por aquilo que não depende mais de nós. Algo que podemos fazer é buscar aprender bem a doutrina, estudando A Palavra de Deus, o Catecismo e demais documentos da Igreja. Podemos melhorar nossa espiritualidade adquirindo o hábito da oração diária, especialmente do terço ou rosário. E, de modo muito especial, uma vez que aprendemos ao menos o básico da doutrina, podemos ajudar outras pessoas a conhecerem a nossa fé católica. Particularmente, podemos ajudar os pais a educar seus filhos na fé, para que reconheçam o que é bom e agradável a Deus, despertando o desejo de viver na virtude, buscando a graça e perseverando na comunhão com Deus. Que Deus abençoe seu povo e lhe a graça de conhecer, viver e transmitir sua verdade. E que os filhos aprendam com os pais o caminho do céu. Templário de Maria Escravo inútil da Santíssima Virgem Curso de Formação para Catequistas e Pais que desejam dar catequese aos Filhos Cientes desta realidade, apresentamos o curso de formação com metodologia, conteúdo e espiritualidade para catequistas e pais que desejam ensinar seus filhos. Aquilo o que é necessário para ensinar autêntica doutrina católica para seus filhos ou alunos, e ajudá-los a viver como verdadeiros cristãos. O curso terá inicio em 08 de novembro e terá duração de três meses e meio todas as segundas-feiras. Será totalmente online através de reuniões virtuais. 👉 Clique aqui para mais informações e inscrever-se no curso #EducaçãodosFilhos #famíliasnúmerosas #Família #Filhos #FormaçõesCatólicas
- Como São Francisco lidou com um pecado de Frei Leão
Tendo passado S. Francisco perto de uma festa/torneio promovida pelo Conde Orlando subiu ao muro que o separava dos rumores e entoou um cântico cujo conteúdo essencial rezava assim: A imensidade do Bem que me espera é tão superior, que todo o sofrimento é para mim redentor. O Conde alegrou-se com aquela simplicidade de ser e de cantar, e convidou-os para a sua mesa. A impressão causada pelo Santo e por sua conversação foi tanta que o aristocrata ofereceu-lhe como propriedade, o monte Alverne, para se poder retirar e recolher em suas orações e contemplações. Ora aí se escondia um grande malfeitor, a quem chamavam o Lobo por ser terrível nas suas rapinas e feroz nas suas crueldades. S. Francisco, com a sua reconhecidíssima paciência, grande mansidão e profunda humildade alcançou a conversão desta fera. O extraordinário Níkos Kazantzákis, prémio Nobel da literatura, era um escritor admirável. Infelizmente só li três livros dele: Os irmãos inimigos, O Cristo recrucificado e a vida de S. Francisco de Assis. Não obstante as suas posições filosóficas, com as quais não concordo, era arguto e tinha intuições magníficas. Por exemplo, na sua biografia do Santo de Assis pega na narração do Irmão Lobo do Monte Alverne e cria uma história extraordinária, que eu ainda não encontrei nas Fontes Franciscanas, mas que, de qualquer modo, retrata, quanto a mim, na perfeição a mentalidade e o modo de ser de S. Francisco. O Irmão Lobo, apesar de convertido, não tinha alcançado ainda o estado de perfeição. Daí que não só resolveu banquetear-se, numa quaresma, como seduziu, Frei Leão, Padre e confessor de S. Francisco. Toda a tentação foi desenvolvida com aparências de bem. Afinal todo o repasto magnífico com suas guloseimas eram um dom de Deus! Frei Leão, deixou-se seduzir e repastou-se gulosamente com o Irmão Lobo. No dia seguinte, caindo em si, e muito arrependido, vai “confessar” o seu pecado ao Diácono S. Francisco. O Santo deteve-se em silêncio, como que meditando em seu coração, até que retorquiu: Frei Leão o teu pecado é grave, como penitência eu farei um jejum rigoroso em tais e tais dias. Isto é, S. Francisco assumiu sobre si o pecado do outro unindo-se vicariamente a Jesus Cristo de modo a reparar a ofensa e a implorar o perdão. Disse a verdade, mas não condenou, não repreendeu, não acusou, pelo contrário ofereceu-se ao Crucificado para que participando nos Seus sofrimentos pudesse alcançar a Graça do arrependimento e da conversão dos que por fraqueza pecaram. Um dos Santos franciscanos, muito desconhecido (mais um…), S. Francisco Solano, a certa altura da sua vida foi mandado exercer o cargo de Mestre de Noviços – (para quem não está por dentro desta deste jargão diga-se, com pouco rigor) diga-se, para nos entendermos, que o noviciado é a recruta dos frades. Ora, S. Francisco Solano acompanhou durante esses anos noviços, com muitos defeitos e não poucos pecados. Mas contrariamente a outros Mestres não se irritava, pelo menos exteriormente, não ralhava, não repreendia. Porém, às ocultas empenhava-se com grande sacrifício e generosidade em compensar ou reparar aquilo em que eles tinham falhado. Se faltavam à oração ou nela eram descuidados, se não faziam as penitências devidas nem os trabalhos próprios da sua educação tudo isso ele fazia pela calada oferecendo-se por eles. O resultado desta formação, considerada original ou mesmo singular, foi um fortalecimento e ainda um renascimento das vocações. Mais tarde foi mandado para as missões na América do Sul onde continuou o seu trabalho extraordinário. Agiu à maneira de S. Francisco, por isso não admira a fecundidade apostólica que obteve. Poderemos nos dias de hoje conseguir, através deste método, os frutos apostólicos, que S. Francisco e muitos dos seus sucessores alcançaram? Eu creio que sim. Padre Nuno Serras Pereira | via Senza Pagare
- Como São Francisco lidou com um pecado de Frei Leão
Tendo passado S. Francisco perto de uma festa/torneio promovida pelo Conde Orlando subiu ao muro que o separava dos rumores e entoou um cântico cujo conteúdo essencial rezava assim: A imensidade do Bem que me espera é tão superior, que todo o sofrimento é para mim redentor. O Conde alegrou-se com aquela simplicidade de ser e de cantar, e convidou-os para a sua mesa. A impressão causada pelo Santo e por sua conversação foi tanta que o aristocrata ofereceu-lhe como propriedade, o monte Alverne, para se poder retirar e recolher em suas orações e contemplações. Ora aí se escondia um grande malfeitor, a quem chamavam o Lobo por ser terrível nas suas rapinas e feroz nas suas crueldades. S. Francisco, com a sua reconhecidíssima paciência, grande mansidão e profunda humildade alcançou a conversão desta fera. O extraordinário Níkos Kazantzákis, prémio Nobel da literatura, era um escritor admirável. Infelizmente só li três livros dele: Os irmãos inimigos, O Cristo recrucificado e a vida de S. Francisco de Assis. Não obstante as suas posições filosóficas, com as quais não concordo, era arguto e tinha intuições magníficas. Por exemplo, na sua biografia do Santo de Assis pega na narração do Irmão Lobo do Monte Alverne e cria uma história extraordinária, que eu ainda não encontrei nas Fontes Franciscanas, mas que, de qualquer modo, retrata, quanto a mim, na perfeição a mentalidade e o modo de ser de S. Francisco. O Irmão Lobo, apesar de convertido, não tinha alcançado ainda o estado de perfeição. Daí que não só resolveu banquetear-se, numa quaresma, como seduziu, Frei Leão, Padre e confessor de S. Francisco. Toda a tentação foi desenvolvida com aparências de bem. Afinal todo o repasto magnífico com suas guloseimas eram um dom de Deus! Frei Leão, deixou-se seduzir e repastou-se gulosamente com o Irmão Lobo. No dia seguinte, caindo em si, e muito arrependido, vai “confessar” o seu pecado ao Diácono S. Francisco. O Santo deteve-se em silêncio, como que meditando em seu coração, até que retorquiu: Frei Leão o teu pecado é grave, como penitência eu farei um jejum rigoroso em tais e tais dias. Isto é, S. Francisco assumiu sobre si o pecado do outro unindo-se vicariamente a Jesus Cristo de modo a reparar a ofensa e a implorar o perdão. Disse a verdade, mas não condenou, não repreendeu, não acusou, pelo contrário ofereceu-se ao Crucificado para que participando nos Seus sofrimentos pudesse alcançar a Graça do arrependimento e da conversão dos que por fraqueza pecaram. Um dos Santos franciscanos, muito desconhecido (mais um…), S. Francisco Solano, a certa altura da sua vida foi mandado exercer o cargo de Mestre de Noviços – (para quem não está por dentro desta deste jargão diga-se, com pouco rigor) diga-se, para nos entendermos, que o noviciado é a recruta dos frades. Ora, S. Francisco Solano acompanhou durante esses anos noviços, com muitos defeitos e não poucos pecados. Mas contrariamente a outros Mestres não se irritava, pelo menos exteriormente, não ralhava, não repreendia. Porém, às ocultas empenhava-se com grande sacrifício e generosidade em compensar ou reparar aquilo em que eles tinham falhado. Se faltavam à oração ou nela eram descuidados, se não faziam as penitências devidas nem os trabalhos próprios da sua educação tudo isso ele fazia pela calada oferecendo-se por eles. O resultado desta formação, considerada original ou mesmo singular, foi um fortalecimento e ainda um renascimento das vocações. Mais tarde foi mandado para as missões na América do Sul onde continuou o seu trabalho extraordinário. Agiu à maneira de S. Francisco, por isso não admira a fecundidade apostólica que obteve. Poderemos nos dias de hoje conseguir, através deste método, os frutos apostólicos, que S. Francisco e muitos dos seus sucessores alcançaram? Eu creio que sim. Padre Nuno Serras Pereira | via Senza Pagare
- A DEMOCRACIA NA EUROPA ESTÁ EM RISCO – Václav Klaus
[Numa decisão sem precedentes, o Tribunal Constitucional polonês decidiu, no início deste mês, que não reconhecerá mais a supremacia das leis europeias: estas devem respeitar a legislação polaca. Esse confronto entre Polónia e União Europeia levanta a questão fundamental: deve o processo de integração europeia conduzir à criação de uma entidade supranacional, acima dos Estados-Membros individuais, ou estes Estados devem manter a sua soberania e transferir a Bruxelas apenas uma parte dela? Václav Klaus, autor do pequeno artigo a seguir, foi presidente da República Tcheca de 2003 a 2013. É considerado um “eurocético”, categoria dos que acreditam que a União Europeia oferece sérios riscos à soberania das nações das quais é composta. Aqui, solidariza-se com a Polônia, o país que, juntamente com a Hungria, é atualmente governado por conservadores e tem afirmado a sua independência em relação a leis europeias que conflitem com os seus interesses e valores nacionais — em especial, as relativas aos grupos LGBT e ao direito de aborto —, e que, por essa independência, em grande parte ditada pelo vivo catolicismo polonês, pode sofrer sanções econômicas]. Quando a democracia na Europa, ou melhor, na União Europeia, está ameaçada, é necessário que os democratas europeus protestem em alto e bom som. O que está em jogo, hoje em dia, não é pouca coisa. No seu discurso ao Parlamento Europeu em 19 de outubro, a Sra. Von der Leyen [atual presidente da Comissão Europeia] declarou que a recente decisão do Tribunal Constitucional da Polónia, que contesta a supremacia das leis da UE, “põe em causa os fundamentos da União Europeia”. De acordo com o Presidente von der Leyen, “é dever da Comissão proteger os direitos dos cidadãos da UE” e, portanto, “a Comissão agirá”. Esta é uma declaração sem precedentes. Nas últimas semanas, o Tribunal Constitucional polonês levantou explicitamente uma questão que todos os verdadeiros democratas vêm fazendo há décadas: se o processo de integração europeia deveria levar à criação de uma entidade supranacional, acima dos Estados membros individuais, ou esses Estados deveriam manter sua soberania e transferir apenas parte dela para Bruxelas? Esta tem sido, desde os anos 1950, a principal questão subjacente ao processo de integração europeia. Todo mundo o sabe (ou deveria saber). E ninguém tem que fechar os olhos para isso. Nem mesmo a Sra. Von der Leyen. Após meses de sérias discussões, o Tribunal Constitucional polonês decidiu que, entre outras coisas, parte dos tratados da UE “não é compatível com a Constituição da República da Polônia” e acrescentou que a Constituição polonesa tem primazia sobre as leis europeias. Esta pode não ser uma declaração popular em Bruxelas, mas é a opinião de um órgão constitucional legítimo de um Estado membro da União Europeia (tal como a decisão do Tribunal Constitucional Alemão, em Karlsruhe, em maio de 2020) e ninguém tem o direito de desrespeitá-la. Nem mesmo um funcionário da Comissão Europeia, em alemão Beamte, como a Sra. Von der Leyen. Ela, certamente, não pode se atrevera dizer que isto “põe em causa os fundamentos da União Europeia”. A decisão do Tribunal Constitucional polonês sem dúvida que pôs em questão as opiniões e posições unilaterais que foram promovidas, durante anos, por funcionários europeus — na maioria ativistas europeus, mas até mesmo alguns políticos europeus. A senhora von der Leyen proclama que a Comissão Europeia deve proteger os cidadãos da União e tenciona fazê-lo. Também somos cidadãos de um Estado-Membro da UE [República Tcheca], mas não nos sentimos ameaçados pela decisão do Tribunal Constitucional polaco. Ninguém precisa nos proteger disto. Pelo contrário, sentimos a necessidade de “nos proteger a nós mesmos” do enfraquecimento da soberania dos Estados membros da União Europeia. Também não estamos convencidos de que os cidadãos polacos necessitem da proteção da Comissária von der Leyen. Os poloneses mostraram muitas vezes, na História, que se preocupam com a soberania de seu país. É extremamente inadequado que a Sra. Von der Leyen se refira, em seu discurso, ao sindicato polonês Solidariedade de 40 anos atrás, que visava acabar com a subordinação da Polônia à União Soviética. A Polônia não se libertou do domínio soviético para perder sua soberania novamente, desta vez em um contexto aparentemente democrático. O Tribunal Constitucional polaco estava ciente disto, e era sobre isso que tratava a sua sentença. É nosso dever, checos, no nosso próprio interesse, apoiar os polacos nesta questão. https://lanuovabq.it/it/la-polonia-ha-ragione-la-democrazia-in-europa-e-a-rischio
- DAS CERTEZAS DO PRESENTE AO FUTURO SEMPRE INCERTO
Estão aí, cada vez mais discordantes, as duas grandes forças políticas — já com dimensão histórica — que lutam por predominar e conduzir o barco do velho mundo, agora sem porteira: o globalismo e o… antiglobalismo. O primeiro termo da contenda já diz, por si mesmo, o que significa: o abandono da ideia de soberania nacional e a adoção progressiva de um internacionalismo político de origem maçônica (que acabaria resultando em uma espécie de governo planetário), sob o pretexto de salvar um planeta ameaçado pela superpopulação e a degradação ambiental. E tudo isto capitaneado por certa elite financeira, empresarial, intelectual e política, espalhada pelas Américas, Europa e parte da Ásia. O mesmo não ocorre com o outro termo, antiglobalismo, que é mais uma frente ampla contrária a um possível governo planetário, do que um preciso e sistemático conjunto de ideias políticas e culturais. Abrange defensores do livre mercado, como conservadores e liberais, que entre si não concordam em muitos aspectos da vida moral (como o aborto e casamento gay), mas convergem na ideia de pátria e manutenção da soberania de seus povos. O próprio governo russo, com seu nacionalismo fascistoide — ao qual não faltam ambições imperialistas —, e sua crítica à política ocidental pró-aborto e a ideologia de gênero, se inclui de algum modo e provisoriamente nessa frente ampla, que também não deixa de fora algumas correntes de esquerda europeia antiglobalistas. De certo modo, o globalismo também seria uma espécie de “frente”, incluindo “liberais” (verdadeiramente liberados em questões morais, mas de perfil social-democrata na concepção do papel do estado) e esquerdistas de velho corte internacionalista (mais estatizantes e igualmente “liberados” no aspecto moral), ligados pelo denominador-comum do não-soberanismo e do anticonservadorismo. Bom exemplo dessa união, sempre estratégica, ocorre debaixo de nossas fuças, no Brasil atual. Quem vai ganhar essa guerra: os globalistas, que pretendem homogeneizar o mundo, ou os soberanistas que, sem negar o fato geopolítico e econômico da globalização, acreditam que a nação não pode perder seu caráter unitário e independente? Os segundos têm por fundamento “cultural” religiões tradicionais, de matriz transcendente, e ainda reconhecem a validade da “lei natural” no ordenamento jurídico-moral da sociedade; os primeiros, arquitetam e lentamente constroem uma nova religiosidade imanentista, algo panteística, centrada no homem como ponta-de-lança de um evolucionismo cósmico e histórico, cientificista do ponto de vista do conhecimento, personalista e relativista do ponto de vista moral. O político conservador francês Jean-Frédéric Poisson lembrou, recentemente, o que disse certa vez João Paulo II sobre o assunto. Em seu discurso à Unesco em 1980, o papa polaco “…viu claramente qual era a escolha que estava disponível para todos nós: ou defendemos o mundialismo, que é um materialismo e um consumismo enganosamente universal e verdadeiramente polemogênico [gerador de conflitos], ou buscamos um senso de dignidade humana e redescobrimos que, para cada sociedade, existe um bem comum, uma cultura nacional que deve ser protegida. “As nações são os grandes instrutores dos povos”, disse João-Paulo II em uma fórmula inesquecível. Quem defende seu povo, luta à sua maneira pela civilização como um todo . Um cristão, portanto, não pode omitir-se e deve participar dessa contenda, na medida de suas forças e de seus meios. Mas uma coisa é certa: o futuro do mundo é incerto. Qual futuro, todavia, não é incerto?
- A escandalosa ignorância dos católicos a respeito de sua própria doutrina
“O meu povo se perde por falta de conhecimento.”(Os.4,6) Nunca alcançou tanta força essa exclamação de Deus através do profeta Oseias como em nossos dias. O desconhecimento dos católicos a cerca da doutrina de sua Igreja é tão extenso e avassalador que impacta e não deixa de impressionar mesmo os observadores mais distraídos. Os católicos em geral não sabem as coisas mais básicas e elementares para viverem como bons católicos, razão pela qual se assemelham muito mais a pagãos e a indiferentes religiosos do que a seguidores de Cristo. Pergunte aos católicos, mesmo aos que frequentam Igreja a décadas: o que é a graça de Deus? Como alcançar ou recuperar essa graça? O que é um pecado mortal? Qual a diferença entre pecado mortal e venial? O que é um sacramento e qual sua função? O que é necessário para se fazer uma confissão válida? Quem pode receber a Sagrada Comunhão e quem não pode? O que é uma comunhão sacriléga? O que determina que uma pessoa vá para o céu ou para o inferno? Toda religião é boa e nos leva para Deus?… O desconhecimento da doutrina leva necessariamente ao não cumprimento, pois ninguém pode obedecer uma lei que não conhece. Em modo geral, a ignorância e o descumprimento da vontade de Deus, expressa em seus Mandamentos e nos preceitos da Palavra de Deus ensinados pela Igreja, levam as pessoas a viverem em estado de pecado mortal permanente, pois se trata de uma ignorância culpável, ou seja, do desconhecimento de coisas que todo católico tem a obrigação de saber. Somente o torpor causado pela mais profunda ignorância podem explicar a pouca preocupação na qual vivem a maior parte dos católicos que estão a um passo do inferno, bastante apenas que morram na situação em que se encontram para serem precipitados no fogo eterno. A grande maioria dos católicos vivem como se a Lei de Deus não existisse: faltam às missas dominicais por preguiça ou comodismo; vivem juntos sem serem casados; frequentam seitas e alimentam superstições; são simpáticos ao espiritismo e aderem a heresias como a reencarnação; aderem ou apoiam pelo voto a partidos e candidatos de orientação revolucionária socialista/comunista; evitam filhos por meio de medicamentos anticoncepcionais e fazem operações para não terem mais crianças; aderem ou se simpatizam com as ideologias de Gênero, LGBT, feminista, etc… Raramente se confessam; comungam de modo sacrilégio recebendo Jesus Eucarístico em estado de pecado mortal; aderem ao relativismo doutrinário e moral passando a crer que toda religião é boa e pode salvar, e que, não importa o que se faz ou os pecados nos quais se viva, pois todos irão para o céu, uma vez que Deus é misericordioso; etc, etc, etc… A situação é verdadeiramente dramática e perturbadora. Uma multidão de católicos está marchando para o inferno por não conhecer e não viver de acordo com a verdade de Deus sempre ensinada pela Igreja, mas hoje desconhecida por quase todos. É evidente que a maior culpa por toda essa trágica ignorância é do clero, uma vez que a maior parte dos padres e bispos perderam a fé ou a coragem de ensinar a verdade por medo de perseguições e retaliações. Desgraçadamente a gravíssima missão de salvar as pessoas, ajudando-as a viver na graça de Deus para poderem ir para os Céus e salvá-las do Inferno, não é objeto de preocupação por parte da maioria dos padres e bispos. Por isso NÃO falam sobre a ABSOLUTA NECESSIDADE de se viver na graça, NÃO ensinam sobre o que é preciso fazer e como é preciso viver para se salvar, NÃO falam sobre os pecados e suas consequências, NÃO insistem na NECESSIDADE da oração diária, da CONFISSÃO frequente, do esforço que se deve fazer para amar a Deus de verdade pondo em prática seus Mandamentos… Entretanto, NÃO basta constatar e lamentar a apostasia da maior parte do clero. Segue sendo necessário conhecer a verdade para vivê-la, ensiná-la e defendê-la. É preciso que os católicos adquiram a consciência da NECESSIDADE de se estudar a doutrina para bem vivê-la e ensiná-la a seus filhos, netos, alunos e demais irmãos, pois nossa salvação depende disso. A Palavra de Deus, O Catecismo, os documentos da Igreja e muitos outros materiais de formação na boa doutrina estão a nossa disposição, basta um pouco de boa vontade e de disciplina para se conhecer ao menos o básico de nossa fé. Como a nossa salvação e de nossos filhos depende diretamente do conhecimento e vivência da verdade ensinada por Cristo através da Igreja, JAMAIS se poderá alegar falta de tempo, pois se assim for feito, quem o fizer apenas estará demonstrando que NÃO tem fé, que NÃO acredita em Jesus Cristo, nem na salvação que Ele nos proporcionou…ou que NÃO têm amor suficiente para se preocupar com a felicidade eterna própria e de seus filhos. Que Deus tenha misericórdia de nosso povo e nos desperte e incomode a todos para fazermos alguma coisa em prol de nossa salvação e de nossos irmãos, a começar de nossa própria casa. Templário de Maria Escravo inútil da Santíssima Virgem Para se aprofundar, assista este vídeo: Curso de Formação para Catequistas e Pais que desejam dar catequese aos Filhos Cientes desta realidade, apresentamos o curso de formação com metodologia, conteúdo e espiritualidade para catequistas e pais que desejam ensinar seus filhos. Aquilo o que é necessário para ensinar autêntica doutrina católica para seus filhos ou alunos, e ajudá-los a viver como verdadeiros cristãos. O curso terá inicio em 08 de novembro e terá duração de três meses e meio todas as segundas-feiras. Será totalmente online através de reuniões virtuais. 👉 Clique aqui para mais informações e inscrever-se no curso #Catequese #Catequista #DoutrinaCatólica #FormaçõesCatólicas
- A escandalosa ignorância dos católicos a respeito de sua própria doutrina
“O meu povo se perde por falta de conhecimento.”(Os.4,6) Nunca alcançou tanta força essa exclamação de Deus através do profeta Oseias como em nossos dias. O desconhecimento dos católicos a cerca da doutrina de sua Igreja é tão extenso e avassalador que impacta e não deixa de impressionar mesmo os observadores mais distraídos. Os católicos em geral não sabem as coisas mais básicas e elementares para viverem como bons católicos, razão pela qual se assemelham muito mais a pagãos e a indiferentes religiosos do que a seguidores de Cristo. Pergunte aos católicos, mesmo aos que frequentam Igreja a décadas: o que é a graça de Deus? Como alcançar ou recuperar essa graça? O que é um pecado mortal? Qual a diferença entre pecado mortal e venial? O que é um sacramento e qual sua função? O que é necessário para se fazer uma confissão válida? Quem pode receber a Sagrada Comunhão e quem não pode? O que é uma comunhão sacriléga? O que determina que uma pessoa vá para o céu ou para o inferno? Toda religião é boa e nos leva para Deus?… O desconhecimento da doutrina leva necessariamente ao não cumprimento, pois ninguém pode obedecer uma lei que não conhece. Em modo geral, a ignorância e o descumprimento da vontade de Deus, expressa em seus Mandamentos e nos preceitos da Palavra de Deus ensinados pela Igreja, levam as pessoas a viverem em estado de pecado mortal permanente, pois se trata de uma ignorância culpável, ou seja, do desconhecimento de coisas que todo católico tem a obrigação de saber. Somente o torpor causado pela mais profunda ignorância podem explicar a pouca preocupação na qual vivem a maior parte dos católicos que estão a um passo do inferno, bastante apenas que morram na situação em que se encontram para serem precipitados no fogo eterno. A grande maioria dos católicos vivem como se a Lei de Deus não existisse: faltam às missas dominicais por preguiça ou comodismo; vivem juntos sem serem casados; frequentam seitas e alimentam superstições; são simpáticos ao espiritismo e aderem a heresias como a reencarnação; aderem ou apoiam pelo voto a partidos e candidatos de orientação revolucionária socialista/comunista; evitam filhos por meio de medicamentos anticoncepcionais e fazem operações para não terem mais crianças; aderem ou se simpatizam com as ideologias de Gênero, LGBT, feminista, etc… Raramente se confessam; comungam de modo sacrilégio recebendo Jesus Eucarístico em estado de pecado mortal; aderem ao relativismo doutrinário e moral passando a crer que toda religião é boa e pode salvar, e que, não importa o que se faz ou os pecados nos quais se viva, pois todos irão para o céu, uma vez que Deus é misericordioso; etc, etc, etc… A situação é verdadeiramente dramática e perturbadora. Uma multidão de católicos está marchando para o inferno por não conhecer e não viver de acordo com a verdade de Deus sempre ensinada pela Igreja, mas hoje desconhecida por quase todos. É evidente que a maior culpa por toda essa trágica ignorância é do clero, uma vez que a maior parte dos padres e bispos perderam a fé ou a coragem de ensinar a verdade por medo de perseguições e retaliações. Desgraçadamente a gravíssima missão de salvar as pessoas, ajudando-as a viver na graça de Deus para poderem ir para os Céus e salvá-las do Inferno, não é objeto de preocupação por parte da maioria dos padres e bispos. Por isso NÃO falam sobre a ABSOLUTA NECESSIDADE de se viver na graça, NÃO ensinam sobre o que é preciso fazer e como é preciso viver para se salvar, NÃO falam sobre os pecados e suas consequências, NÃO insistem na NECESSIDADE da oração diária, da CONFISSÃO frequente, do esforço que se deve fazer para amar a Deus de verdade pondo em prática seus Mandamentos… Entretanto, NÃO basta constatar e lamentar a apostasia da maior parte do clero. Segue sendo necessário conhecer a verdade para vivê-la, ensiná-la e defendê-la. É preciso que os católicos adquiram a consciência da NECESSIDADE de se estudar a doutrina para bem vivê-la e ensiná-la a seus filhos, netos, alunos e demais irmãos, pois nossa salvação depende disso. A Palavra de Deus, O Catecismo, os documentos da Igreja e muitos outros materiais de formação na boa doutrina estão a nossa disposição, basta um pouco de boa vontade e de disciplina para se conhecer ao menos o básico de nossa fé. Como a nossa salvação e de nossos filhos depende diretamente do conhecimento e vivência da verdade ensinada por Cristo através da Igreja, JAMAIS se poderá alegar falta de tempo, pois se assim for feito, quem o fizer apenas estará demonstrando que NÃO tem fé, que NÃO acredita em Jesus Cristo, nem na salvação que Ele nos proporcionou…ou que NÃO têm amor suficiente para se preocupar com a felicidade eterna própria e de seus filhos. Que Deus tenha misericórdia de nosso povo e nos desperte e incomode a todos para fazermos alguma coisa em prol de nossa salvação e de nossos irmãos, a começar de nossa própria casa. Templário de Maria Escravo inútil da Santíssima Virgem Para se aprofundar, assista este vídeo: Curso de Formação para Catequistas e Pais que desejam dar catequese aos Filhos Cientes desta realidade, apresentamos o curso de formação com metodologia, conteúdo e espiritualidade para catequistas e pais que desejam ensinar seus filhos. Aquilo o que é necessário para ensinar autêntica doutrina católica para seus filhos ou alunos, e ajudá-los a viver como verdadeiros cristãos. O curso terá inicio em 08 de novembro e terá duração de três meses e meio todas as segundas-feiras. Será totalmente online através de reuniões virtuais. 👉 Clique aqui para mais informações e inscrever-se no curso #Catequese #Catequista #DoutrinaCatólica #FormaçõesCatólicas
- O FILÓSOFO KAROL WOJTYLA E SEU ASSOMBRO DIANTE DO SER HUMANO – Antonio Tarallo
Para compreender a filosofia de Karol Wojtyla é necessário partir do ser humano. O homem, na mente e na alma de João Paulo II, ocupava um lugar privilegiado. O pensamento antropológico é de fundamental importância na obra do filósofo polonês. Mas por que o homem é o centro de todo o seu pensamento? Obviamente, essa resposta acabará chegando até Deus, mas o ponto de partida é o seu conhecimento e estudo da humanidade. O valor do homem, feito “à imagem e semelhança de Deus” (é importante lembrar isso), foi repetidamente abordado por Wojtyla filósofo, para mais tarde ser examinado de perto no pontificado de João Paulo II, em seus documentos pontifícios, os quais — em muitas ocasiões — também podem ser considerado quase uma “extensão” de seus ensaios filosóficos anteriores. Ensaios que podem ter uma espécie de denominador comum: a antropologia. Perambular pelos seus escritos não é tarefa simples: é preciso admitir. A monumental obra wojtyliana é complexa tanto pela quantidade e pelos temas, como por sua estrutura e conteúdo. Tentemos, então, rapidamente, sublinhar alguns pontos fundamentais. Retroceder pode ser uma forma de descrever seu pensamento. Consideremos sua primeira encíclica, Redemptor Hominis , de 1979. João Paulo II escreve: O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se o não experimenta e se o não torna algo seu próprio, se nele não participa vivamente. E por isto precisamente Cristo Redentor, como já foi dito acima, revela plenamente o homem ao próprio homem. Esta é — se assim é lícito exprimir-se — a dimensão humana do mistério da Redenção. Nesta dimensão o homem reencontra a grandeza, a dignidade e o valor próprios da sua humanidade. No mistério da Redenção o homem é novamente « reproduzido » e, de algum modo, é novamente criado. A citação é um pouco longa. Mas fragmentá-la seria como trair o autor. Um primeiro elemento, que deve ser sublinhado, é essa consequencialidade dos conceitos no filósofo Wojtyla, como um rio intermitente de pensamentos, que chegam a uma conclusão bem definida. Falando do valor do homem, devemos necessariamente citar outro texto fundamental do autor, que poderíamos definir como uma suma do seu pensamento. É o ensaio Pessoa e ato , de 1969. Deve ser destacada, antes de tudo, uma novidade neste ensaio, no que diz respeito ao panorama filosófico contemporâneo: o confronto sem preconceitos com o pensamento moderno e contemporâneo. Essas páginas densas tratam de coisas como a fenomenologia e até a psicanálise. O pensador Wojtyla não ignora os outros filósofos nem se fecha numa situação de incomunicabilidade, e isto sem renunciar ao seu próprio património cultural e filosófico, ou seja, o Cristo, para ficar numa única palavra. Wojtyla tenta sinceramente colocar a tradição aristotélico-tomista em diálogo com as instâncias da filosofia contemporânea, especialmente a fenomenologia, o personalismo, o pensamento dialógico. A introdução dessa obra imediatamente já nos faz compreender sua vivacidade de pensamento: Quando se fala da experiência do homem, é preciso compreender, antes de tudo, que o homem se aproxima de si mesmo e, portanto, estabelece consigo próprio um contato cognitivo. Esse contato tem caráter experimental, de certa forma contínuo (…) Na verdade, não dura ininterruptamente, nem mesmo quando se refere ao próprio “eu”: ao nível da consciência, se interrompe pelo menos durante o sono. No entanto, o homem é sempre ele mesmo e, portanto, a experiência de si mesmo de alguma forma também perdura. Há, nela, momentos mais nítidos, bem como uma série de momentos menos nítidos que, no entanto, constituem uma específica totalidade de experiências do homem que eu sou (esse homem que é composto por múltiplas experiências e, de certa forma, constitui a sua suma ou, melhor, a sua resultante). A partir dessa passagem, fica claro que a filosofia de Wojtyla não surge de uma reflexão impelida por doutas discussões acadêmicas, mas começa com a experiência, sobretudo a humana. É uma espécie de método que apoiará o filósofo polonês também em seu pontificado. A pessoa, portanto, é o centro de seu pensamento. Sem uma compreensão adequada da pessoa, os debates éticos não podem levar a nenhum resultado construtivo e verdadeiro. Não passam de ruminações mentais sem base na vida real. E um “cristão fiel”, como Wojtyla, obviamente não pode prescindir da verdade. Em seus escritos, fica evidente a influência de uma das filósofas mais importantes do século XX: Edith Stein. Haverá muitos pontos em comum entre seu pensamento e o de Wojtyla, a começar pelo estudo da fenomenologia de Edmund Husserl e Max Scheler. Mas o grande mestre de ambos é São João da Cruz, sobre o qual o jovem estudante Wojtyla escreveu sua tese de doutorado, entre outras coisas. Wojtyla, como papa, em 2003 escreverá em seu poema “Tríptico romano. Meditações” (2003): “Um riacho que flui não se espanta/ e vai descendo silenciosamente os bosques/ ao ritmo da sua torrente, / mas o ser humano se assombra.” O assombro, o espanto são características fundamentais de sua investigação filosófica. Sem isso, qualquer reflexão sobre seu pensamento filosófico seria em vão. Sua vocação filosófica, poética e sacerdotal deve ser procurada no espanto e admiração que experimenta diante do ser humano. Em Pessoa e ato ele ainda escreveu estas palavras que representam o húmus de sua investigação: “Nosso estudo nasceu do assombro diante do ser humano, que gera, como se sabe, o primeiro impulso cognitivo. Parece-me que esse assombro — que não é admiração, ainda que dela tenha algo — está na origem deste estudo. O maravilhar-se como função do intelecto se manifesta em uma série de respostas ou soluções. Desta forma, não só se desenvolve o processo de pensar sobre o homem, mas também satisfaz uma certa necessidade da existência humana. O homem não pode perder o lugar que lhe é próprio naquele mundo que ele mesmo configurou.” https://lanuovabq.it/it/il-filosofo-wojtyla-e-il-suo-stupore-di-fronte-alluomo
- Terra, Pessoas e Destino. Lição brilhante de Solzhenitsyn
Caros amigos do Duc in altum , sai o terceiro número da revista mondopiccolo, com o tema “Terra, Popolo & Destino. Algum motivo para resistir à Modernidade ”, com artigos de Alessandro Gnocchi, Antonio de Felip, Matteo Donadoni, Patrizia Fermani, Chiara Gnocchi, Paolo Gulisano, Roberto Pecchioli, Vittoria Maria Putti e Fabio Trevisan. A compra pode ser feita solicitando a revista na livraria ou diretamente no site da Fede & Cultura . Com a permissão do editor, publicamos o ensaio de Alessandro Gnocchi dedicado a Aleksandr Isaevič Solženicyn . por Alessandro Gnocchi Magadan é uma cidade sem história, inventada em 1929 pelo gênio escuro e labiríntico de Stalin. Não tem terra, não tem povo, não tem destino. Foi inventado lá, no extremo leste da Sibéria, no Mar de Okhotsk, para trazer e separar milhares, milhares e milhares de prisioneiros do Arquipélago Gulag. Seu nome pouco ou nada diz àqueles que não ouviram pelo menos algo sobre o inferno dos campos de concentração soviéticos. Mais tragicamente evocativo é o de Kolyma, a região que o rodeia, a terra dos campos de concentração espalhados como ilhas em um mar de dor. “ Maldito seja Kolyma, a você chamamos de planeta negro! Aqui você inevitavelmente perde a cabeça, não há volta … ” cantavam os habitantes do Arquipélago, e os bons soviéticos, embora o conhecessem bem, não se atreviam a entoar aquele lamento: não acabar ali também, na “maldita Kolyma, onde doze meses é inverno e o resto é verão “ Eu me curvo a esta terra de Kolyma Depois de um exílio que durou vinte anos, em 27 de maio de 1994, Aleksandr Isaevič Solzhenitsyn, o gênio luminoso e topográfico que deu a conhecer ao mundo os meandros do mal do Arquipélago Gulag, voltou a colocar os pés no solo russo sobre os sem gordura solo de Magadan e, ao mesmo tempo, os abrigos espirituais com os quais foi involuntariamente espalhado. “ Eu me curvo a esta terra de Kolyma na qual centenas de milhares, senão milhões, de nossos compatriotas injustamente condenados estão enterrados. Hoje, na efervescência das transformações políticas contingentes, há uma tendência de esquecer esses milhões de vítimas levianamente, e que aqueles que não foram tocados por tanto extermínio o fazem, também podemos entender, mas e aqueles que se fizeram responsável por eles? No entanto, as raízes de nossa queda atual vêm daí. De acordo com as antigas crenças cristãs, a terra que acolhe mártires inocentes é tornada sagrada por eles. E o consideraremos como tal, na esperança de que a luz de uma futura cura da Rússia se manifeste na região de Kolyma ” . Aleksandr Isaevich iniciou a jornada que o levaria de volta a Moscou com essas palavras. Mais de dez mil quilômetros por mês, feitos de palcos, encontros, confrontos, debates e palestras, sem dar um centavo aos frutos da modernidade do Oriente e do Ocidente. Um itinerário paciente e violento para restaurar a geografia da Mãe Rússia e retroceder a história de todo um povo, começando com a proclamação da santidade mártir na maldita terra de Kolyma. A história, as almas escolhidas sabem, é sempre uma função da geografia, um lugar onde é mais fácil encontrar o sagrado e o arcano do que na crônica, ainda que de proporções universais. Eleição capturada no espírito de Aleksandr Isaevič por Cristina Campo em uma entrevista de 1975 e agora na coleção do volume Com um nome falso : “Solženicyn hoje é algo que te faz dobrar os joelhos. A expressão não é minha, mas ele é o apóstolo de amanhã, tão antigo e imemorial, quase um animal pré-histórico. (…) no frenesi universal de todos esses macacos enlouquecidos com eletrodos no cérebro, possuídos por obsessões, terrores e imagens que fariam qualquer animal baixar os olhos de vergonha, aparece Solzhenitsyn e aquele rosto, mortalmente sério, imensamente casto, totalmente apaixonado, e acima de tudo livre do medo contemporâneo de se mostrar assim… de repente, ah !, dizem, um homem ”. A força moral e as tradições inalienáveis da literatura russa Na realidade, com a alma de um animal pré-histórico, Soljenitsyn há muito tempo recomeçara a retroceder sua história pessoal e a de sua terra, inextricavelmente ligadas, de acordo com os cânones do Verdadeiro. Nascido em 1918, ele seguiu todo o caminho estabelecido pelo Estado soviético para seus novos homens. Escola, educação ateísta e materialista, uma licenciatura em matemática pela Universidade de Rostov e uma licenciatura em filosofia, depois serviço militar como oficial condecorado durante a Grande Guerra Patriótica, até 9 de fevereiro de 1945, quando foi preso por criticar Stalin numa carta escrita para um amigo. Aí começou o itinerário estabelecido pelo estado soviético para os homens que não queriam ser novos: Lubyanka, Sharaška, Kolyma, Cazaquistão, exílio em Kok-Terek. Dez anos em que também passou no hospital chegando a morrer de câncer. Foi nessa década que Aleksandr Isaevič deu início ao lento regresso à realidade em que terra, povo e destino se juntaram numa geografia desenhada pela fé, desde o regresso à ortodoxia e à alma da Santa Mãe Rússia. A obra literária e cultural deste homem pré-histórico não pode ser entendida se for considerada exclusivamente como a denúncia dos horrores do comunismo, quando é, ao invés, a leitura de uma história individual à luz da Kenosis e da Ressurreição , que o Cristianismo Ortodoxo nunca separa. Só depois dessa glosa é legítimo relembrar pelo menos as principais etapas da obra de um dos maiores escritores contemporâneos. Em 1962, após a denúncia de Kruščev dos crimes stalinistas no XXII Congresso de Pcus, a revista Novyj Mir publicou Um dia de Ivan Denisovič , a descrição da vida em um campo de concentração da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Em 1963, novamente em Novyj Mir , L na casa de Matrëna , Na estação Krečetovka e Para o bem da causa foram lançados . Com a queda de Kruščev, o clima em torno do novo escritor torna-se hostil até a perseguição. Suas obras circulam de forma limitada e clandestina, mas conseguem cruzar a fronteira sem o controle efetivo do autor. Foi assim em 1968, na Itália, na França e em grandes trechos da São publicados Times Cancer Division e The First Circle . As duas obras lhe renderam o Prêmio Nobel de Literatura de 1970 “ pela força moral com que deu continuidade às tradições essenciais da literatura russa” . Solženicyn não compareceu à cerimônia de entrega por medo de não poder retornar à sua terra natal. No ano seguinte, na França, são publicados os dois primeiros livros do Arquipélago Gulag e agosto de 1914 , que passarão a fazer parte da tetralogia A Roda Vermelha . Em fevereiro de 1974, ele foi expulso da União Soviética e encontrou hospitalidade na casa do escritor alemão Heinrich Böll. Em seguida, ele se muda para Zurique, onde se junta a sua esposa Natalija Svetlova e filhos. Em seguida, ele se estabelece nos Estados Unidos, em Cavendish, Vermont, onde tenta recriar um ambiente que o faça lembrar sua Rússia. Lá permanecerá até 1994, quando poderá retornar à sua terra natal, onde falecerá no dia 3 de agosto de 2008. Qual foi a nossa “liberdade”? O Arquipélago Gulag , a sua obra mais famosa, é composto por dois termos que precisam de ser explicados. Gulag é a abreviatura de “Glavnoe upravlenie ispravitel’no-trudovych lagerej” ou “Direção Geral dos Campos de Trabalho Corretivos”. Sob sua administração existiram centenas de campos de concentração de diferentes níveis nos quais se estima que, entre 1930 e 1953, vinte milhões de cidadãos soviéticos passaram, dos quais pelo menos três milhões morreram. Cada campo de concentração era uma ilha do campo de concentração sobre o qual Solzhenitsyn escreve: “ Mas mesmo quando todos os fundamentos sobre o Arquipélago Gulag tiverem sido escritos, lidos e compreendidos, será possível entender o que foi a nossa ‘liberdade’? Qual foi o país que arrastou o arquipélago sobre si durante décadas? Foi a minha vez de carregar um tumor do tamanho do punho grande de um homem dentro de mim. O tumor saía da minha barriga e deformava-se, impedia-me de comer e dormir, sempre tive consciência disso (embora nem sequer representasse meio por cento do meu corpo, enquanto o Arquipélago constituísse 8 por cento do país). Foi horrível não porque pressionou órgãos adjacentes, deslocando-os, mas porque emitiu venenos e envenenou todo o corpo. Da mesma forma, nosso país foi gradualmente poluído pelos venenos do Arquipélago. Deus sabe se algum dia vai se livrar deles ”. E, um pouco mais adiante, são listados e ilustrados os venenos que, desde o vasto mar de campos de concentração, se espalharam pelo país a ponto de deformar a chamada “vida livre” de quem estava além das cercas: “ constante medo, marcação, circunspecção e desconfiança, ignorância geral, denúncia, traição como forma de existência, corrupção, mentira como forma de existência, crueldade, psicologia do escravo” . Vivendo sem mentiras A mentira, em particular, marcou a degradação da sociedade soviética abaixo do nível humano. E, justamente contra a atitude de mentir, Aleksandr Isaevič convidou seus compatriotas a lutar na famosa exortação Viva sem Mentira , publicada em 12 de fevereiro de 1974, dia de sua prisão seguida de sua expulsão do país: “ Estamos prestes a chegar ao fundo do poço, a mais completa ruína espiritual está pairando sobre todos nós, a morte física está prestes a explodir, o que vai incinerar a nós e aos nossos filhos, e continuamos a balbuciar com um sorriso tímido: Como poderíamos evitá-lo ? Não temos força. Estamos tão desumanizados que pela modesta sopa de hoje estamos dispostos a sacrificar qualquer princípio, nossa alma, todos os esforços dos que nos precederam, qualquer possibilidade para a posteridade, para não perturbar nossa existência miserável. Não temos mais orgulho, firmeza, ardor no coração. (…) Não há mesmo saída? E só temos que esperar inertes que algo aconteça por si mesmo? O que está sobre nós nunca se desprenderá de si mesmo se todos continuarmos a aceitá-lo todos os dias, homenageá-lo, consolidá-lo, se não rejeitarmos pelo menos aquilo a que é mais sensível. Se não rejeitarmos a mentira. (…) E é precisamente aqui que se encontra a chave da nossa libertação, chave que esquecemos e que também é tão simples e acessível: a recusa de participar pessoalmente na mentira. Mesmo que a mentira cubra tudo, mesmo que domine tudo, em um ponto somos inflexíveis: que não domine através do meu trabalho! Homens. (…) Para os jovens que querem viver de acordo com a verdade, a primeira existência vai complicar-se um pouco: até as lições aprendidas na escola são, de facto, cheias de mentiras, tem que escolher. Mas para quem quer ser honesto não há escapatória, nem mesmo neste caso: nunca, nem mesmo nas questões técnicas mais inofensivas, pode-se evitar um ou outro dos passos descritos, ao lado do verdade ou do lado da mentira: do lado da independência espiritual ou do lado da servidão da alma. E quem ainda não teve a coragem de defender a sua alma não ostenta as suas visões de vanguarda, não se vangloria de ser um académico ou um “artista do povo” ou um general: em vez disso, diga simplesmente: sou uma besta de carga e um covarde, só preciso ficar aquecido com o estômago cheio. (…) Mas se nos deixamos vencer pelo medo, deixamos de reclamar que alguém não nos deixa respirar: somos nós que não o permitimos. Dobramos ainda mais as costas, esperamos mais e nossos irmãos biológicos amadurecerão os tempos em que podemos ler nossos pensamentos e mudar nossos genes. Se mais uma vez formos covardes, isso significará que não somos nada, que não há esperança para nós e que o desprezo de Pushkin nos convém: quais são as dádivas da liberdade para os rebanhos? Seu legado, de geração em geração, é o jugo das bolhas e do chicote ”. Um poema que os poetas ainda não alcançaram Quanto e como a humanidade de seu país havia caído Solzhenitsyn descreveu em centenas de páginas mostrando os labirintos criados por mentiras e os grandes monstrinhos que os habitam e governam. Emaranhados de signos, símbolos e palavras sem sentido, senão o da repressão de toda a humanidade, como a caverna escura governada por Pàvel Nikolàevič Rusànov na Divisão de Câncer : “O trabalho de Rusànov havia sido por muitos anos – mais de vinte – examinar os questionários. É um trabalho sempre confiado a uma única pessoa. Só os estranhos tolos ou mal informados não sabem o que é um trabalho delicado de renda, quanto talento requer. É um poema que os poetas ainda não alcançaram. Qualquer pessoa, ao longo da vida, preenche vários questionários: cada um contém um certo número de questões. Agora, a resposta de uma única pessoa a uma única pergunta em um único questionário já constitui uma linha fina, esticada para sempre por aquele homem no Centro de Triagem de Questionários local. Desse modo centenas deles se estendem de cada pessoa, em todos os milhões convergem, e se esses fios se tornassem visíveis, veríamos todo o céu coberto por uma teia de aranha; se eles se tornassem materialmente tangíveis, ônibus, bondes e as próprias pessoas perderiam todas as chances de se locomover, e nem mesmo o vento seria capaz de carregar pedaços de jornal ou folhas de outono pelas ruas. No entanto, mesmo que não sejam visíveis ou tangíveis, o homem sente perenemente a sua presença. O fato é que os chamados questionários ‘cristalinos’ são como uma verdade absoluta, como um ideal: quase inatingível. Para qualquer pessoa viva você sempre pode escrever algo negativo ou suspeito, todos, querendo ir ao fundo das coisas, estão cientes de algo ou têm algo a esconder. Naturalmente, a sensação constante desses fios invisíveis suscita espontaneamente o respeito por quem dirige a tão complicada empresa, assim como seu poder ”. e nem mesmo o vento poderia carregar pedaços de jornal ou folhas de outono pelas ruas. No entanto, mesmo que não sejam visíveis ou tangíveis, o homem sente perenemente a sua presença. O fato é que os chamados questionários ‘cristalinos’ são como uma verdade absoluta, como um ideal: quase inatingível. Para qualquer pessoa viva você sempre pode escrever algo negativo ou suspeito, todo mundo, querendo ir ao fundo das coisas, está ciente de algo ou tem algo a esconder. Naturalmente, a sensação constante desses fios invisíveis suscita espontaneamente o respeito por quem dirige a complicada empresa, assim como seu poder ”. e nem mesmo o vento poderia carregar pedaços de jornal ou folhas de outono pelas ruas. No entanto, mesmo que não sejam visíveis ou tangíveis, o homem sente perenemente a sua presença. O fato é que os chamados questionários ‘cristalinos’ são como uma verdade absoluta, como um ideal: quase inatingível. Para qualquer pessoa viva você sempre pode escrever algo negativo ou suspeito, todo mundo, querendo ir ao fundo das coisas, está ciente de algo ou tem algo a esconder. Naturalmente, a sensação constante desses fios invisíveis suscita espontaneamente o respeito por quem dirige a tão complicada empresa, assim como seu poder ”. o homem sente perenemente a sua presença. O fato é que os chamados questionários ‘cristalinos’ são como uma verdade absoluta, como um ideal: quase inatingível. Para qualquer pessoa viva você sempre pode escrever algo negativo ou suspeito, todos, querendo ir ao fundo das coisas, estão cientes de algo ou têm algo a esconder. Naturalmente, a sensação constante desses fios invisíveis suscita espontaneamente o respeito por quem dirige a tão complicada empresa, assim como seu poder ”. o homem sente perenemente a sua presença. O fato é que os chamados questionários ‘cristalinos’ são como uma verdade absoluta, como um ideal: quase inatingível. Para qualquer pessoa viva você sempre pode escrever algo negativo ou suspeito, todo mundo, querendo ir ao fundo das coisas, está ciente de algo ou tem algo a esconder. Naturalmente, a sensação constante desses fios invisíveis suscita espontaneamente o respeito por quem dirige a tão complicada empresa, assim como seu poder ”. está ciente de algo ou tem algo a esconder. Naturalmente, a sensação constante desses fios invisíveis suscita espontaneamente o respeito por quem dirige a tão complicada empresa, assim como seu poder ”. está ciente de algo ou tem algo a esconder. Naturalmente, a sensação constante desses fios invisíveis suscita espontaneamente o respeito por quem dirige a tão complicada empresa, assim como seu poder ”. Foram os burocratas da revolução como Rusànov, homens sem terra, sem povo, sem destino, os parasitas que corroeram a alma de seus irmãos a ponto de torná-los semelhantes a eles. E o fizeram por meio da maior perversão que pode se infiltrar no coração de um ser humano: transformar o sentimento de culpa em relação a Deus em sentimento de culpa em relação ao Homem. Os questionários de que Solzhenitsyn fala foram uma das muitas ferramentas engenhosas desta operação: “Para qualquer pessoa viva, você sempre pode escrever algo negativo ou suspeito, todos, querendo ir ao fundo das coisas, estão cientes de algo ou têm algo a esconder “ . Não se alegre se encontrar, não chore se perder Para quem foge da alavanca da mentira, a grade invisível esticada pelas respostas às formas do regime materializou-se em torno do Arquipélago dos campos de concentração. Mas, bem ali, os homens que pretendiam manter seus corações inteiros poderiam encontrar o caminho para a salvação. Não é por acaso que Aleksandr Isaevič intitulou “A alma e o reticulado” a parte do Arquipélago Gulag dedicada ao seu próprio renascimento espiritual e de muitos de seus companheiros de prisão: “ Parece que o sentimento de raiva, o desânimo dos esmagados, o ódio generalizado, a irritação, o nervosismo devem se espalhar no homem. Em vez disso, você nem percebe como o curso imperceptível do tempo gasto no cativeiro alimenta sentimentos opostos em você. Antes você era brusco e impaciente, estava sempre com pressa, o tempo estava se esgotando. Agora você tem em abundância, você tem meses e anos atrás de você e à sua frente, e a paciência corre em suas veias, um líquido benéfico e calmante. É a subida. Antes de você não perdoar nada a ninguém, você condenou implacavelmente e hosannavi com igual veemência; agora uma tolerância pacífica pronta para perdoar tudo é a base de seus julgamentos, que não são mais categóricos. Agora que você entende sua fraqueza, pode compreender a fraqueza dos outros, assim como pode compreender a força dos outros. E espero imitá-lo. As pedras farfalham sob nossos pés. Estamos ascendendo … Eventualmente, seu coração, sua própria pele são cobertos por uma armadura defensiva de autocontrole. Você não se apressa mais em fazer perguntas, não se apressa em dar respostas, sua língua perde a elasticidade da vibração fácil, seus olhos não brilham mais de alegria pelas boas novas ou ficam turvos de dor. Na verdade, é preciso saber distinguir entre alegria e dor. Sua regra de vida é agora, não se alegre se encontrar, não chore se perder ”. Os prisioneiros entraram nos campos de concentração e os monges saíram. Em uma pequena porção, é claro, mas não tão insignificante quanto você possa pensar. Eram criaturas que conseguiram erradicar de seus corações o sentimento de culpa em relação ao Homem para restaurá-lo em relação a Deus: e encontraram a paz, exichia. “Em geral, você sabe”, confidencia Kornfel, um médico judeu que se converteu ao cristianismo no campo de concentração, “estou convencido de que nenhum castigo nos atinge indevidamente nesta vida terrena. Evidentemente, não pode nos atingir pelo que realmente somos culpados. Mas se pensarmos em nossa vida e refletirmos profundamente, sempre encontraremos o verdadeiro crime pelo qual fomos punidos ” . Os Justos, sem os quais a aldeia não existe Esses homens, tão novos a ponto de serem pré-históricos, se abriram para o amor ao próximo, o do cativeiro e o da casa, o do amigo e o do inimigo. Inconscientemente, as cercas se tornaram o abrigo de uma terra abençoada, fertilizada por mártires, e floresceu pelo cristianismo russo que a revolução havia cancelado sem destruir a semente. Foi a fé de Dostoiévski que, por meio de Ambrósio de Optina, Serafim de Sarov, Sérgio de Radonez, subiu à alma pelos ramos sírios de Isaac e Efrém, pelos patrísticos de Nicolau, João Crisóstomo, Basílio e os dois Gregores, apostólico, à contemplação da Cruz e da Ressurreição: à Kenosis e à Glória . Nos campos construídos para obscurecer Deus, os homens de boa vontade redescobriram o vínculo mais íntimo entre a Encarnação, a Cruz e a Ressurreição que tornara o cristianismo russo, kenótico e litúrgico, tenaz de uma vez por todas. Dentro das cercas, como no sagrado recinto de uma igreja, ressuscitou a força vital da eterna liturgia, nunca alterada pelo homem, com o objetivo de exorcizar o profano do mundo, de libertá-lo da ilusão de sua própria autonomia, de manifestar o raízes e cumprimento do universo em Cristo por meio da ação do Espírito Santo. Onde os sacerdotes foram reduzidos a um número como todos os outros homens, o movimento de adoração em que todo o cosmos é desenhado e a criação reconhece o seu Criador e o revela, provocando uma ação de graça e louvor, retomou o vigor. Quem quis, ali, Cristina Campo defende que as mais belas páginas de Solženicyn, “um matemático formado intimamente, espiritualmente, pelo rito” são dedicadas ao homem entendido como animal litúrgico. “No rito escreveu as suas páginas mais brilhantes, alguns poemas que são pequenos clássicos” . E me vêm à mente as descrições da igreja de São Nikita Mártir em Moscou, encerrada em uma obra-prima como No primeiro círculo ou as da Procissão da Páscoa , que Aleksandr Isaevič não teria concebido se não tivesse passado pelos campos de concentração . É difícil esquecer as criaturas que desafiam o ateísmo de Estado desfilando diante do clero que celebra a Ressurreição: homens “que imploram a seus jovens companheiros que deixem algum espaço livre”, o crente imponente que carrega “uma pesada lanterna de vidro facetada com uma vela dentro” no topo de um longo mastro , as dez mulheres segurando grandes velas acesas “com rostos duros de renúncia, prontas até a morte se fossem incitadas contra elas de tigres. Duas das dez eram meninas (…), mas como seus rostos foram purificados ”. É a Beleza que vai salvar o mundo evocada por Aleksandr Isaevič no discurso de entrega do Nobel e tirada daquele baú que é obra de Dostoiévski. Um dom divino que se encontra tanto na liturgia inalterada como no rosto do jurodivye , os loucos em Cristo que ao longo dos séculos embelezaram a ortodoxia, especialmente a russa. Se as páginas do rito citadas por Cristina Campo são exemplares do lado litúrgico, La casa di Matrëna é sobre a loucura em Cristo. A involuntária protagonista da história é uma camponesa que hospeda em sua isba uma ex-professora de matemática deportada, habitada por ratos e baratas. Ele não tem nada atraente que seja visível a olho nu: sua fala é uma palavra falada, seus gestos nada são, sua própria prática religiosa é uma prática religiosa do nada. Sua vida é marcada apenas pela expropriação voluntária em troca da qual ele recebe apenas desprezo. Antes de morrer, ela até ajuda aqueles que estão desmontando sua casa, desmontando peça por peça. E, depois de enterrada, ninguém guarda uma palavra cordial em sua memória: “estava sujo; ele não se importava com os bens domésticos; ela não era econômica; nem criava porco, não gostava de criá-lo, sabe-se lá por quê; e, estúpida, ajudava estranhos sem compensação ” . Só o professor de matemática, estrangeiro, pode ver a beleza dessa alma louca: “ Ele não se importava com os bens domésticos … Ele não se preocupava em comprar coisas e depois mantê-las mais do que sua própria vida. Ele não se importava com roupas bonitas. Roupas que embelezam monstros e ladrões. Não compreendida e abandonada nem mesmo pelo marido, alheia às irmãs e cunhadas, ridícula, disposta a trabalhar estupidamente pelos outros sem compensação, ela, que enterrou seus seis filhos mas não sua disposição sociável, não acumulou bens para o dia da morte. A cabra esbranquiçada, o gato aleijado, a ficus … Todos nós havíamos vivido ao lado dela e não havíamos entendido que ela era a Justa sem a qual, como diz o ditado, não há aldeia. Nem a cidade. Nem todas as nossas terras ”. Fonte: Aldo Maria Valli
- É por isso que (apesar das aparências) este é o momento perfeito para se tornar um católico
O mundo católico está agitado com a notícia de que um importante bispo anglicano se converteu ao catolicismo. Michael Nazir-Ali, bispo anglicano aposentado de Rochester, Inglaterra, que no passado estava prestes a ser nomeado arcebispo de Canterbury, foi recebido na Igreja Católica no Dia de São Miguel (29 de setembro). Nem é preciso dizer que muitos católicos estão entusiasmados com isso. Outros, no entanto, deram as boas-vindas à conversão de Nazir-Ali ou expressaram perplexidade. Quem foi ferido? Se os relatos forem verdadeiros, parece que alguns altos funcionários do Vaticano não apoiaram a travessia Nazir-Ali para o Tibre. Eles vêem isso como um “golpe para o ecumenismo” e pensam que Nazir-Ali é o tipo errado de convertido. Embora essas objeções possam parecer estranhas e até inacreditáveis, elas estão de acordo com a crescente indiferença religiosa generalizada na Igreja Católica. O ecumenismo católico começou na década de 1960 como um esforço para ver o que une e divide os católicos dos protestantes e ortodoxos, mas acabou se tornando um meio de prevenir as conversões ao catolicismo. Muitos católicos convertidos contam histórias de padres que tentaram persuadi-los a não se converterem, e o próprio Papa Francisco mostrou repetidamente uma antipatia pelas conversões ao catolicismo. A conversão de uma pessoa como Nazir-Ali, que parece acreditar nas verdades do catolicismo, é realmente um retrocesso em relação a esse ecumenismo, mas isso é bom aos olhos dos fiéis católicos. Outros católicos, mais do que zangados, ficaram genuinamente perplexos com a notícia da conversão de Nazir-Ali, tanto que na rede responderam a esta notícia com comentários do tipo: “Como se pode converter a uma Igreja que não busca conversões e não parece acreditar em si mesmo? “. A Igreja está em declínio e sua reputação está em frangalhos. Por que alguém iria querer se converter? São católicos praticantes que dizem isso, não protestantes anticatólicos. Mas por que deveriam os católicos, que acreditam que a Igreja possui a plenitude da verdade, ficar perplexos quando uma pessoa decide abraçar essa verdade? Primeiro, devemos reconhecer que essa atitude é pelo menos compreensível. Afinal, a Igreja está em crise, até as raízes. Somos constantemente bombardeados com más notícias de todos os níveis da Igreja, desde nossa paróquia local e chancelaria diocesana até o Vaticano. Essas más notícias podem ter um efeito cumulativo, pois, em última análise, associamos a fé católica a escândalo, corrupção e concessões. É por esta razão que alguns católicos criticam os meios de comunicação que falam frequentemente de escândalos, corrupção e transigências. Esses católicos, muitos dos quais são bem-intencionados, argumentam que focar nas más notícias afasta as pessoas da fé. Mas essa é a atitude de um clerical, não de um católico. Existem problemas na Igreja e aqueles que os relatam não são os seus criadores. Os católicos não devem fugir da verdade, especialmente quando ela ilumina as trevas dentro da Igreja. Além disso, tenho ouvido de muitos católicos, incluindo conversos, que um olhar direto para os escândalos da Igreja os ajudou na fé. Quando vêem que outros católicos também reconhecem e lutam contra os problemas da Igreja, se fortalecem e se animam, porque sabem que não estão sós. Eles procuram fazer parte não de um culto, mas de uma Igreja que aborda seus problemas de forma direta e sem malícia. Isso não impede que esses problemas afetem seriamente o testemunho da Igreja. Afinal, nosso Senhor advertiu que seria melhor afogar-se nas profundezas do mar do que fazer alguém tropeçar na fé (cf. Mt 18, 6). Pode ser difícil ver uma razão para se tornar católico hoje, com os líderes católicos desencorajando conversões com suas ações ultrajantes e suas palavras francas. Ainda assim, este é o momento perfeito para se converter. Por que estou dizendo isso? Primeiro, porque todoeste é o momento perfeito para se filiar à Única Igreja Verdadeira. Nosso Senhor deseja que cada pessoa se filie à Sua Igreja, e não há melhor momento do que o presente. Mas também é um bom momento porque, se você se filiar à Igreja hoje, estará de olhos bem abertos. Você sabe que há problemas, mas mesmo assim você entra. Na década de 1990, quando me converti ao catolicismo, fui uma das centenas de milhares de pessoas que se converteram todos os anos na América. Foi uma época de esperança e otimismo, pelo menos na superfície. O papa João Paulo II estava em sua fase ascendente, convertidos eminentes como Scott Hahn e o padre Richard John Neuhaus inspiravam católicos e não católicos, e a “época insensata” pós-Vaticano II parecia estar em declínio. É claro que, em retrospectiva, é fácil ver como ignoramos muitos dos problemas profundos que se escondiam sob aquela superfície brilhante, principalmente o escândalo de abuso sexual. Ouvi uma estatística (que, devo admitir, não pude verificar) de que metade dos católicos convertidos naquela época não eram mais católicos praticantes na Vigília Pascal do ano seguinte. Com base na minha experiência, acredito. Muitas pessoas estavam se tornando católicas com pouca compreensão dos próprios elementos humanos decaídos dentro da Igreja. Esse não é o caso hoje. Se você se tornar católico agora, é difícil não saber com antecedência sobre nossa roupa suja. Você não usará óculos cor de rosa, e futuros escândalos, embora possam (com razão) deixá-lo com raiva, não serão tão catastróficos para sua fé como poderiam ter sido para minha geração de convertidos. E há mais uma razão pela qual é um momento perfeito para se converter: o bem encontrado na Igreja Católica é infinitamente maior do que o mal. Eu literalmente quero dizer “infinitamente”. Esse bem começa com os sacramentos. Nos sacramentos, a graça infinita de Deus é recebida de uma forma única, esses sacramentos não existem na Igreja Anglicana, nem em nenhuma outra denominação protestante. Nenhum escândalo papal, nenhum bispo infiel e nenhum abuso sacerdotal podem impedir esse presente. Além disso, é no catolicismo que se pode experimentar a espiritualidade cristã que se desenvolveu e se aprimorou ao longo de dois milênios. Isso nos dá os meios pelos quais podemos ter um relacionamento íntimo com nosso divino Criador. A Igreja Católica também possui a plenitude da verdade, para que possamos saber com certeza o jeito certo de viver (e quando falhamos nessa tentativa, a Igreja também nos dá o caminho para voltar aos trilhos). Eu poderia continuar esta lista de coisas boas na Igreja Católica até que o feed infinito do seu navegador quebrasse, mas vou parar por enquanto. A Igreja Católica possui tesouros infinitamente belos. Sim, é isso mesmo: esses tesouros costumam ser enterrados sob montes de escândalos, corrupção e concessões. No entanto, os tesouros ainda estão lá para aqueles que, como Michael Nazir-Ali, desejam recebê-los. Este é um ótimo momento para se tornar um católico. Fonte: crisemagazine.com / por Eric Sammons #Éporissoqueapesardasaparênciasesteéomomentoperfeitoparasetornarumcatólico





































