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POR QUE O AMOR AO PRÓXIMO É INSEPARÁVEL DO AMOR A DEUS? – Pe. Santiago Martín

4 de nov. de 2021
2 min de leitura

[No texto a seguir, ao comentar o Evangelho do último domingo, em que um mestre da Lei se aproxima de Jesus e lhe pergunta: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” — e Jesus lhe responde que é o amor a Deus —, o padre espanhol Santiago Martín mostra, com clareza, como o amor ao próximo, se desligado das motivações religiosas, se transforma em pura ideologia. E, como consequência, elimina-se toda a possibilidade de diálogo civilizado com quem pensa diferente: os “não-amigos”. A atual “cultura do cancelamento” é expressão dessa errônea concepção do amor cristão. É certo que o fechamento de canais, no youtube, com a vaga alegação de disseminarem fake news, tem sua raiz na guerra política progressismo versus conservadorismo, mas acaba por condicionar as pessoas mais simples a se retraírem, de maneira até violenta, diante de tudo o que é contrário a seu modo de pensar. O inimigo deixou de ser alguém por quem se deve rezar e converter, mas só um obstáculo a ser sumariamente eliminado. O amor ao próximo, se não for condicionado pelo amor a Deus, transforma-se facilmente em filantropia idolátrica, em antropolatria].

Uma das muitas armadilhas que ameaçavam — e às vezes de fato aprisionaram — os católicos, nestes anos pós-conciliares foi a tentativa de separar o amor de Deus do amor ao próximo.

Por um tempo, o amor a Deus foi apresentado como um competidor do amor ao homem, e foi até dito que, se se amava o próximo pelo amor de Deus, no fundo não se amava o próximo. Desta forma, foi feita uma experiência de cortar a raiz do amor, que é a motivação religiosa.

Contudo, amando-se unicamente o homem pelo homem, esse amor logo definharia: começava-se por deixar de amar aqueles que não eram “amigos”: os inimigos, os hostis, os que são de outro país, de outra cultura ou de outra religião.

Por outro lado, aqueles que resistiram à prova — aqueles que continuaram a nutrir o seu amor humano com motivações religiosas, com a oração, com a Eucaristia, com a confissão —, viram o seu amor ao próximo fortalecido, porque quando o motivo humano de amar não era mais suficiente, ainda havia o enorme caudal de motivos divinos.

Se não se fazem as coisas pelos homens — é o próprio Deus que nos diz — que se faça por Ele. Trata-se, pois, de compreender que só existe um mandamento: o do amor. E que este mandamento único tem duas dimensões inseparáveis: Deus e o homem. Não se pode amar o primeiro sem amar o segundo, e vice-versa. Mas o amor a Deus precede o amor ao ser humano, pois é sua raiz, seu alimento, sua fonte contínua de renovação. O amor ao homem, ao contrário, é a prova de que nosso amor a Deus é verdadeiro e não apenas algo teórico e retórico.

 
 
 

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