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- ALERTA: Netflix exibe Desenho infantil com beijo homossexual entre crianças
A plataforma de entretenimento Netflix ganhou repercussão no último mês ao ser acusada de promover um programa que vilipendia a fé cristã, o “especial de Natal” do grupo Porta dos Fundos, mas agora outra programação parece estar na lista das polêmicas envolvendo a gigante do streaming. Se trata do desenho “Os 3 Lá Embaixo: Contos da Arcádia”, o qual consta em classificação livre na plataforma, portanto, disponível para crianças de todas as idades. A trama fala sobre a chegada de dois príncipes alienígenas em fuga à Terra, e entre às cenas aparece um beijo homossexual entre duas crianças. “Estava vendo um desenho com meu filho de 4 anos na Netflix, classificado como livre, e teve uma cena de beijo na boca entre duas meninas. (Elas) acham que o mundo vai acabar e decidem se beijar antes que isso aconteça”, disse uma mãe, indignada. “Achei totalmente inapropriado porque está classificado como livre. Entendo que é uma forma de influenciar comportamento. A mente da criança, semelhante ao corpo, está em formação”, completou a mãe. Assim como esta mãe, a maioria dos pais não concordam com a exibição de qualquer cena erótica entre crianças, por mais “inocente” que pareça, como um simples beijo, visto que elas carregam valores nem sempre compatíveis com a educação da família em questão. Em se tratando de beijo homossexual, a reprovação é ainda maior, já que o comportamento homoafetivo ainda é criticado por questões morais, religiosas e até mesmo científicas, não havendo consenso social/acadêmico sobre o tema, especialmente envolvendo crianças e adolescentes. A mãe que preferiu não se identificar endossou esse raciocínio: “Meu filho tem 4 anos. Ele não tem idade suficiente para entender esse tema. Nós somos cristãos e passamos os nossos valores aos nossos filhos. Ele não tem maturidade para assistir esse tipo de cena”, disse ela. Via Pleno News
- MAIS ‘HUMANISMO’ E MAIS ONU: O PAPA ANUNCIA SEUS PROJETOS PARA 2020 – Carlos Esteban
Em seu discurso ao corpo diplomático, Sua Santidade delineou o programa de sua administração para o próximo ano, em que destaca a reforma da Cúria, mais “humanismo inter-religioso” e mais colaboração com a ONU. Ou seja, mais do mesmo… E feminismo, muito feminismo, misturando de maneira bastante desconcertante Nossa Senhora com a ONU, nos parágrafos finais: “A Igreja Católica celebra este ano o 70º aniversário da proclamação da Assunção da Virgem Maria ao céu”, disse ele. “Com os olhos em Maria, desejo compartilhar uma lembrança particular com todas as mulheres, 25 anos após a Quarta Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres, realizada em Pequim em 1995, desejando que, no mundo inteiro, sempre seja reconhecido o precioso papel das mulheres na sociedade e cesse toda forma de injustiça, desigualdade e violência contra elas. Sua Santidade está ciente das coisas que saíram daquelas conferências das Nações Unidas, às quais ele se refere? Saberá ele que essa organização internacional defende agressivamente o neomaltusianismo mais estrito e incompatível com qualquer visão que não apenas católica, mas religiosa da existência, com sua legião de aborto livre e gratuito, esterilização de populações inteiras do Terceiro Mundo, fomento da ideologia de gênero? É difícil pensar que ele não o saiba. É ainda mais difícil pensar que ele o saiba e, mesmo assim, considere a ONU um aliado idôneo, uma espécie de sábio e feliz dirigente do planeta. Mas há muitas coisas no Santo Padre, muitas declarações que nos levam a pensar que ele idealiza até a simplificação muitos dos conceitos do utopismo progressista. É como se, em muitas coisas, ele tivesse permanecido com a ideia perfeita, o conceito visualizado nos anos sessenta. “Desde os primeiros anos, a Santa Sé observa com interesse o projeto europeu. Este ano, comemora-se o 50º aniversário da presença da Santa Sé como Observador perante o Conselho da Europa, bem como o estabelecimento de relações diplomáticas com as então chamadas Comunidades Europeias”, disse ele. “É uma participação que busca sublinhar uma ideia de construção inclusiva, animada por um espírito participativo e solidário, capaz de fazer da Europa um exemplo de acolhida e equidade social, na esteira dos valores comuns que a sustentam. O projeto europeu continua a ser uma garantia fundamental de desenvolvimento para aqueles que fazem parte dele há muito tempo; e uma oportunidade de paz, após turbulentos conflitos e lesões, para os países que dele desejam participar.” Mas a União Europeia nada ou pouco tem a ver com o Mercado Comum dos seus pais fundadores. O que temos agora é um projeto de 1992: um “clube” que pressiona países como Polônia ou Hungria para que se abram a leis mais permissivas sobre o aborto e o ensino a crianças em idade escolar da ideologia gênero. O papa deveria saber isso, como deveria saber que essa ‘Europa’ na qual deposita tanta esperança, se recusou — ao projetar esse monstrengo que foi a sua fracassada ‘constituição’ — a reconhecer o óbvio: que se a Europa existe como uma entidade diferenciada, é exclusivamente por ter abrigado a Cristandade. O mesmo poderia ser dito de sua visão do Islã, que desespera muitos daqueles que provêm de comunidades cristãs no Oriente Médio, como os assírios e coptas, que conhecem a realidade dessa fé em seu aspecto social, muito distante do modelo consagrado em Abu Dhabi. Ou da imigração em massa sem restrições, que ele parece acreditar totalmente positiva, sem querer ver o dramático esvaziamento dos países africanos de origem dos migrantes ou a ruptura cultural que traz aos países anfitriões. Em suma, esse é o programa do Papa, um programa fundamentalmente globalista, político e apenas tangencialmente relativo às verdades da fé ou à missão de Pedro de na fé confirmar seus irmãos. https://infovaticana.com/2020/01/09/mas-humanismo-y-mas-onu-el-papa-anuncia-sus-proyectos-para-2020/
- Cardeal Zen escreve a todos os cardeais do mundo advertindo sobre o “assassinato da Igreja na
“Podemos testemunhar passivamente esse assassinato da Igreja na China por aqueles que deveriam protegê-la e defendê-la dos inimigos?” O cardeal Zen enviou uma carta a todos os cardeais do mundo, na qual expõe o problema do acordo secreto entre o Vaticano e o Partido Comunista da China. Esta questão, diz o cardeal chinês, “não diz respeito apenas à Igreja na China, mas a toda a Igreja. E nós, os cardeais, temos a imensa responsabilidade de ajudar o Santo Padre na orientação da Igreja. ” A InfoVaticana teve acesso à carta, datada de 27 de setembro de 2019, que oferecemos abaixo. A carta tem como anexos o Dubia do Cardeal Zen, publicado em julho, e as diretrizes publicadas em junho pela Santa Sé:Anúncio Eminência, Peço desculpas pelo inconveniente que esta carta possa lhe causar; mas, em consciência, acredito que o problema que abordo não diz respeito apenas à Igreja na China, mas a toda a Igreja. E nós, os cardeais, temos a imensa responsabilidade de ajudar o Santo Padre na orientação da Igreja. Bem, a partir da minha análise do Documento da Santa Sé (26/06/19), “Orientações pastorais sobre o registro civil do clero em Cina”, é bastante claro que empurra os fiéis na China a entrar em uma igreja cismática (independente do Papa e sob as ordens do Partido Comunista). Em 1º de julho, apresentei minha “dubia” ao papa. Sua Santidade me prometeu em 3 de julho estar interessado nela, mas até hoje eu ainda não sabia de nada. O cardeal Parolin diz que, quando falamos sobre a Igreja independente hoje, não devemos entender essa independência como absoluta, porque o acordo reconhece o papel do papa na Igreja Católica. Em primeiro lugar, não acredito que essa afirmação exista no acordo se não o vejo (entre outras coisas, por que esse acordo deve ser mantido em segredo e eu não posso vê-lo nem eu, um cardeal chinês?); mas, o que é ainda mais evidente, toda a realidade após a assinatura do acordo mostra que nada mudou, pelo contrário … O cardeal Parolin cita uma frase da carta do Papa Bento XVI, tirando-a completamente de contexto; Além disso, é diametralmente oposta ao parágrafo inteiro. Essa manipulação do pensamento do Papa Emérito é um sério desrespeito; ou melhor, é um insulto deplorável à pessoa do gentil e gentil papa, que ainda vive. Também estou com nojo de que eles frequentemente declarem que o que estão fazendo está em continuidade com o pensamento do papa anterior, quando o oposto é verdadeiro. Tenho motivos para acreditar (e espero um dia provar isso com documentos de arquivo) que o acordo assinado é o mesmo que o Papa Bento, em sua época, se recusou a assinar.PUBLICIDADEAnúncio Prezado Eminência, podemos testemunhar passivamente esse assassinato da Igreja na China por aqueles que devem protegê-lo e defendê-lo dos inimigos? Ele implora, de joelhos, seu irmão Cardeal Joseph ZEN, SDB “Dubia” do cardeal Zen sobre as orientações pastorais da Santa Sé sobre o registro civil do clero na China (atualizado em 8 de julho de 2019) Antes de tudo, parece estranho que a “Santa Sé” emita um documento tão importante sem especificar de que departamento ele vem e sem acrescentar a assinatura da autoridade responsável. Nos parágrafos 1 e 2, o documento apresenta o problema e a linha geral de solução. 1. O problema é que o governo nega suas promessas de respeitar a doutrina católica e, no registro civil do clero, quase sempre exige a aceitação do princípio de independência, autonomia e auto-administração da Igreja na China (deve ser completado com o que o A carta do Papa Bento XVI diz no ponto 7, 8: “(adote atitudes, faça gestos e assuma compromissos contrários aos ditames de sua consciência como católicos”). 2. Dada a complexa situação que nem sempre é a mesma em todos os lugares, a Santa Sé oferece uma linha geral de como agir: por um lado , não pretende forçar as consciências e, portanto, pede (omitindo dizer explicitamente “o governo”) que a consciência católica é respeitada; por outro lado, afirma como princípio geral que “a clandestinidade não faz parte da normalidade da vida da Igreja” (carta do Papa Bento 8.10), ou seja, é normal sair dela. Com relação à citação da carta do Papa Bento XVI no item 8.10, gostaria de transcrever quase todo o parágrafo: (a) “Alguns deles (bispos), que não desejam se submeter a um controle indevido sobre a vida da Igreja, e ansiosos por manter sua fidelidade total ao Sucessor de Pedro e à doutrina católica, foram forçados a serem consagrados clandestinamente. “; (b) “Clandestinidade não faz parte da vida normal da Igreja”; (c) “A história mostra que pastores e fiéis recorrem a ela [escondendo-se] apenas no desejo sofrido de manter intacta a própria fé”; (d) “Não aceite interferência de agências estatais no que afeta a intimidade da vida da Igreja.” O padre Jeroom Heyndrickx e o cardeal Parolin gostam de citar apenas a parte (b); O Papa Francisco (em sua mensagem de 26 de setembro de 2018) também adicionou a parte (c); mas parece-me que as partes (a) e (d) também são importantes. A seção demonstra claramente que a falta de normalidade não é uma escolha clandestina, mas que a escolha é inevitável. O que é anormal é a situação! Essa situação mudou hoje? 3. O longo parágrafo 3 tenta provar que o que é sugerido no parágrafo 5 é justificado. Primeiro teste : a Constituição garante a liberdade religiosa. Pergunto: Mas o que a longa história de perseguição nos diz, apesar da Constituição? Segundo teste : após o acordo, é “lógico” que a independência não seja mais entendida como independência absoluta, mas apenas na esfera política. Antes de tudo, se não vejo o texto do Acordo, acho difícil acreditar que eles tenham realmente reconhecido o “papel peculiar do sucessor de Pedro”. Além disso, pergunto: existe algo lógico nos sistemas totalitários? A única lógica é, como Deng Xiaoping disse, que “um gato branco é o mesmo que um gato preto”, desde que sirva aos propósitos do Partido. Imediatamente após o acordo, nada mudou na política religiosa da parte, tudo foi oficialmente reafirmado e os fatos provam isso. Terceiro teste : o contexto do diálogo “consolidado”. Eu pergunto: Mas o documento não reconhece que o governo negou suas promessas, como declarado no primeiro parágrafo e na seção nove deste documento? Quarta prova : Todos os bispos são legitimados. Isso apenas demonstra a generosidade infinita do papa ou, talvez, a pressão onipotente do governo, mas no perdoado e “recompensado” não vemos mudança, sinal de arrependimento, mas atos claros de um triunfo sem medo, rindo daqueles que Eles apostaram no cavalo errado. 4. A Seção 4 diz que os motivos mencionados acima justificam uma nova atitude . Pelo menos, aqui se afirma honestamente que o que é proposto é uma novidade , e que, portanto, não é uma continuação do passado, mas que o passado é negado como já passado, ou seja, não é mais válido. Dizem também que a Santa Sé está procurando uma fórmula para concordar com o governo (e matar dois coelhos com uma cajadada). Mas nos perguntamos: “Uma fórmula”? O que o governo pede não é uma afirmação de uma teoria: é um sistema inteiro, um regime no qual não haverá liberdade pastoral e no qual as ordens do Partido serão seguidas, incluindo a proibição de menores de 18 anos. Participe de qualquer atividade religiosa. 5. No parágrafo 5 estão as verdadeiras orientações pastorais. Em resumo: tudo o que o governo solicita é assinado, possivelmente com um esclarecimento por escrito que depois nega o que é assinado. Se o esclarecimento por escrito não for possível, faça-o verbalmente, com ou sem uma testemunha. Basta que haja a intenção de não aceitar em consciência o que de fato foi assinado . Um texto contra a fé é assinado e afirma-se que a intenção é favorecer o bem da comunidade, uma evangelização mais adequada, a gestão responsável dos bens da Igreja. Essa regra geral é, obviamente, contrária a todo princípio de moralidade . Se aceito, justificaria a apostasia. 6. O parágrafo 6 diz que a Santa Sé entende e respeita aqueles que, em consciência, não aceitam a regra estabelecida acima. Obviamente, isso é compaixão por uma minoria “teimosa” que ainda não consegue entender a nova regra. Sua atitude está errada, mas a Santa Sé tolera “provisoriamente”. 7. A Seção 7 fala sobre certos deveres dos bispos, citando um documento que não tem nada a ver com a nossa questão. 8. Na seção 8, diz-se que os fiéis aceitam a decisão de seus pastores . O que significa isso? Que eles não têm a liberdade individual de escolher? E sua consciência não deve ser respeitada? [Aos irmãos que me perguntam o que fazer, eu sempre respondo: que eles respeitam as escolhas dos outros e permanecem firmes na convicção de sua própria consciência. Isso ocorre porque não tenho autoridade para julgar os outros sobre o que é certo ou errado. Mas a Santa Sé não tem autoridade e, portanto, o dever de esclarecer aos membros da Igreja o que é justo e o que não é? Você fez com essas “orientações”? Deveríamos incentivar o abandono do sigilo e tolerar permanecer nele? Os bispos e padres podem escolher e não os fiéis? 9. Na seção 9, diz-se que a Santa Sé, entretanto, pede (e novamente omite a expressão “ao governo”) que nenhuma pressão intimidadora seja exercida contra comunidades católicas não oficiais, como já aconteceu. (Sem mencionar a palavra “governo” é quase como a reverência tradicional de não mencionar o nome do imperador.) Finalmente, todos são recomendados a discernir a vontade de Deus com “paciência e humildade”. Mas eu me pergunto: para onde foi a firmeza na fé ? Dizem então que “o caminho atual, apesar das dificuldades, também é marcado por muitas esperanças”. Parece-me, por outro lado, que os fatos destroem todos os fundamentos da esperança humana. Quanto à esperança em Deus, nunca pode ser separado da vontade sincera querer sofrer também de acordo com Sua vontade. Conclusão Este documento reverteu radicalmente o que é normal e o que é anormal, o que é necessário e o que deve ser tolerado. A esperança de seus editores pode ser que a minoria compassiva morra de morte natural. Com essa minoria, quero dizer não apenas padres clandestinos (que não recebem bispos há muito tempo quando os anciãos morrem, nem já são delegados, porque o bispo oficial da diocese já é legítimo), mas também muitos irmãos. da comunidade oficial que, com grande tenacidade, trabalhou por uma mudança, na esperança de ser apoiada pela Santa Sé, sendo pressionada a aceitar a submissão ao governo, ridicularizada pelos vencedores oportunistas. Que o Senhor não permita a realização desses desejos, daqueles que desejam a morte da verdadeira fé em minha amada pátria. Senhor tenha piedade! Diretrizes pastorais da Santa Sé sobre o registro civil do clero na China, 28/06/2019 Os pedidos sobre a atitude que eles devem adotar antes da obrigação de apresentar um pedido de registro civil chegam à Santa Sé há muito tempo. Nesse sentido, como é sabido, muitos pastores permanecem profundamente perplexos porque a modalidade desse registro – obrigatória de acordo com os novos regulamentos sobre atividades religiosas, sob pena de impossibilidade de agir pastoralmente – quase sempre implica a assinatura de um documento em que Apesar do compromisso assumido pelas autoridades chinesas de respeitar também a doutrina católica, deve-se declarar a aceitação, entre outras coisas, do princípio da independência, autonomia e auto-administração da Igreja na China. A complexidade da realidade da China e o fato de não parecer haver uma prática única de aplicar os regulamentos relativos a questões religiosas no país tornam particularmente difícil se pronunciar sobre o assunto. A Santa Sé, por um lado, não quer forçar a consciência de ninguém. E, por outro lado, ele considera que a experiência de sigilo não faz parte da normalidade da vida da Igreja, e que a história mostrou que pastores e fiéis apenas recorrem a ela com o desejo sofrido de manter intacta a fé ( cf. n. 8 da carta de Bento XVI aos católicos chineses de 27 de maio de 2007). Portanto, a Santa Sé continua solicitando que o registro civil do clero seja realizado com a garantia de respeitar a consciência e as profundas convicções católicas das pessoas envolvidas. Assim, de fato, No que diz respeito à avaliação da possível declaração que deve ser assinada no momento do registro, é necessário ter em mente que a Constituição da República Popular da China declara formalmente proteger a liberdade religiosa (art. 36). Segundo, o Acordo Provisório de 22 de setembro de 2018, reconhecendo o papel peculiar do Sucessor de Pedro, leva logicamente a Santa Sé a entender e interpretar a “independência” da Igreja Católica na China, não em sentido absoluto, isto é, , como uma separação do papa e da igreja universal, mas no que diz respeito à esfera política, de acordo com o que acontece em todas as partes do mundo nas relações entre o papa e uma igreja concreta ou entre igrejas específicas. De resto, afirme que na identidade católica não pode haver separação do Sucessor de Pedro, Isso não significa querer tornar uma Igreja específica um corpo estranho à sociedade e à cultura do país em que vive e atua. Em terceiro lugar, o atual contexto de relações entre a China e a Santa Sé, caracterizado por um diálogo consolidado entre os dois lados, é diferente daquele que viu o nascimento de organizações patrióticas nos anos cinquenta do século passado. Quarto, devemos acrescentar o fato de grande importância que, ao longo dos anos, muitos bispos ordenados sem o mandato apostólico solicitaram e obtiveram reconciliação com o Sucessor de Pedro, para que todos os bispos chineses estejam em comunhão hoje com a Sé Apostólica e eles querem uma crescente integração com os bispos católicos de todo o mundo. Diante desses fatos, é legítimo esperar uma nova atitude de todos, mesmo diante de questões práticas sobre a vida da Igreja. Por seu lado, a Santa Sé continua a dialogar com as autoridades chinesas sobre o registro civil de bispos e padres, a fim de encontrar uma fórmula que, no ato do registro, respeite não apenas as leis chinesas, mas também a doutrina católica. Enquanto isso, à luz do exposto, se um bispo ou padre decidir se registrar civilmente, mas o texto da declaração de registro não respeitar a fé católica, ele especificará por escrito no momento da assinatura que Não falta a devida fidelidade aos princípios da doutrina católica. Se não for possível fazer esse esclarecimento por escrito, o solicitante o fará verbalmente e, se possível, na presença de uma testemunha. Em qualquer caso, é adequado que o requerente ateste posteriormente a intenção com a qual se registrou. De fato, isso sempre deve ser entendido com o único objetivo de favorecer o bem da comunidade diocesana e seu crescimento no espírito de unidade, Ao mesmo tempo, a Santa Sé entende e respeita a escolha de quem, em consciência, decide não se inscrever nas condições atuais. Ela fica ao lado dele e pede ao Senhor que os ajude a guardar a comunhão com seus irmãos na fé, mesmo diante das provações que cada um terá que enfrentar. O bispo, por sua vez, “nutre e manifesta publicamente sua confiança nos padres, demonstrando lealdade e louvando-os se eles merecem; respeitar e fazer valer seus direitos, defendendo-os de críticas infundadas; resolver disputas prontamente, para impedir que preocupações prolongadas ocultem a caridade fraterna e prejudiquem o ministério pastoral ”( Apostolorum Successores, Diretório para o ministério pastoral dos bispos, 22 de fevereiro de 2004, nº 77). Também é importante que mesmo os fiéis leigos não apenas compreendam a complexidade da situação mencionada acima, mas também acolham com grande coração a dolorosa decisão de seus pastores, seja o que for. Que a comunidade católica local o acompanhe em espírito de fé, com oração e carinho, abstendo-se de julgar as decisões dos outros, guardando o vínculo de unidade e mostrando misericórdia a todos. De qualquer forma, aguardar a possibilidade de chegar, através de um diálogo franco e construtivo entre as duas partes, conforme acordado, a uma modalidade de registro civil do clero mais respeitosa da doutrina católica e, portanto, de consciência Entre as pessoas envolvidas, a Santa Sé pede que nenhuma pressão intimidadora seja exercida contra comunidades católicas “não oficiais”, como infelizmente já aconteceu. Por fim, a Santa Sé confia que todos possam aceitar essas orientações pastorais como um instrumento para ajudar aqueles que têm que tomar decisões que não são fáceis de cumprir em espírito de fé e unidade. Todos – Santa Sé, bispos, padres, religiosos, religiosos e fiéis leigos – são chamados a discernir a vontade de Deus com paciência e humildade neste trecho do caminho da Igreja na China, marcado por muitas esperanças, apesar das constantes dificuldades. Do Vaticano, em 28 de junho de 2019, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus A Santa Sé #China #Comunismo #CristãosPerseguidos #Vaticano
- Cardeal Zen escreve a todos os cardeais do mundo advertindo sobre o “assassinato da Igreja na
“Podemos testemunhar passivamente esse assassinato da Igreja na China por aqueles que deveriam protegê-la e defendê-la dos inimigos?” O cardeal Zen enviou uma carta a todos os cardeais do mundo, na qual expõe o problema do acordo secreto entre o Vaticano e o Partido Comunista da China. Esta questão, diz o cardeal chinês, “não diz respeito apenas à Igreja na China, mas a toda a Igreja. E nós, os cardeais, temos a imensa responsabilidade de ajudar o Santo Padre na orientação da Igreja. ” A InfoVaticana teve acesso à carta, datada de 27 de setembro de 2019, que oferecemos abaixo. A carta tem como anexos o Dubia do Cardeal Zen, publicado em julho, e as diretrizes publicadas em junho pela Santa Sé:Anúncio Eminência, Peço desculpas pelo inconveniente que esta carta possa lhe causar; mas, em consciência, acredito que o problema que abordo não diz respeito apenas à Igreja na China, mas a toda a Igreja. E nós, os cardeais, temos a imensa responsabilidade de ajudar o Santo Padre na orientação da Igreja. Bem, a partir da minha análise do Documento da Santa Sé (26/06/19), “Orientações pastorais sobre o registro civil do clero em Cina”, é bastante claro que empurra os fiéis na China a entrar em uma igreja cismática (independente do Papa e sob as ordens do Partido Comunista). Em 1º de julho, apresentei minha “dubia” ao papa. Sua Santidade me prometeu em 3 de julho estar interessado nela, mas até hoje eu ainda não sabia de nada. O cardeal Parolin diz que, quando falamos sobre a Igreja independente hoje, não devemos entender essa independência como absoluta, porque o acordo reconhece o papel do papa na Igreja Católica. Em primeiro lugar, não acredito que essa afirmação exista no acordo se não o vejo (entre outras coisas, por que esse acordo deve ser mantido em segredo e eu não posso vê-lo nem eu, um cardeal chinês?); mas, o que é ainda mais evidente, toda a realidade após a assinatura do acordo mostra que nada mudou, pelo contrário … O cardeal Parolin cita uma frase da carta do Papa Bento XVI, tirando-a completamente de contexto; Além disso, é diametralmente oposta ao parágrafo inteiro. Essa manipulação do pensamento do Papa Emérito é um sério desrespeito; ou melhor, é um insulto deplorável à pessoa do gentil e gentil papa, que ainda vive. Também estou com nojo de que eles frequentemente declarem que o que estão fazendo está em continuidade com o pensamento do papa anterior, quando o oposto é verdadeiro. Tenho motivos para acreditar (e espero um dia provar isso com documentos de arquivo) que o acordo assinado é o mesmo que o Papa Bento, em sua época, se recusou a assinar.PUBLICIDADEAnúncio Prezado Eminência, podemos testemunhar passivamente esse assassinato da Igreja na China por aqueles que devem protegê-lo e defendê-lo dos inimigos? Ele implora, de joelhos, seu irmão Cardeal Joseph ZEN, SDB “Dubia” do cardeal Zen sobre as orientações pastorais da Santa Sé sobre o registro civil do clero na China (atualizado em 8 de julho de 2019) Antes de tudo, parece estranho que a “Santa Sé” emita um documento tão importante sem especificar de que departamento ele vem e sem acrescentar a assinatura da autoridade responsável. Nos parágrafos 1 e 2, o documento apresenta o problema e a linha geral de solução. 1. O problema é que o governo nega suas promessas de respeitar a doutrina católica e, no registro civil do clero, quase sempre exige a aceitação do princípio de independência, autonomia e auto-administração da Igreja na China (deve ser completado com o que o A carta do Papa Bento XVI diz no ponto 7, 8: “(adote atitudes, faça gestos e assuma compromissos contrários aos ditames de sua consciência como católicos”). 2. Dada a complexa situação que nem sempre é a mesma em todos os lugares, a Santa Sé oferece uma linha geral de como agir: por um lado , não pretende forçar as consciências e, portanto, pede (omitindo dizer explicitamente “o governo”) que a consciência católica é respeitada; por outro lado, afirma como princípio geral que “a clandestinidade não faz parte da normalidade da vida da Igreja” (carta do Papa Bento 8.10), ou seja, é normal sair dela. Com relação à citação da carta do Papa Bento XVI no item 8.10, gostaria de transcrever quase todo o parágrafo: (a) “Alguns deles (bispos), que não desejam se submeter a um controle indevido sobre a vida da Igreja, e ansiosos por manter sua fidelidade total ao Sucessor de Pedro e à doutrina católica, foram forçados a serem consagrados clandestinamente. “; (b) “Clandestinidade não faz parte da vida normal da Igreja”; (c) “A história mostra que pastores e fiéis recorrem a ela [escondendo-se] apenas no desejo sofrido de manter intacta a própria fé”; (d) “Não aceite interferência de agências estatais no que afeta a intimidade da vida da Igreja.” O padre Jeroom Heyndrickx e o cardeal Parolin gostam de citar apenas a parte (b); O Papa Francisco (em sua mensagem de 26 de setembro de 2018) também adicionou a parte (c); mas parece-me que as partes (a) e (d) também são importantes. A seção demonstra claramente que a falta de normalidade não é uma escolha clandestina, mas que a escolha é inevitável. O que é anormal é a situação! Essa situação mudou hoje? 3. O longo parágrafo 3 tenta provar que o que é sugerido no parágrafo 5 é justificado. Primeiro teste : a Constituição garante a liberdade religiosa. Pergunto: Mas o que a longa história de perseguição nos diz, apesar da Constituição? Segundo teste : após o acordo, é “lógico” que a independência não seja mais entendida como independência absoluta, mas apenas na esfera política. Antes de tudo, se não vejo o texto do Acordo, acho difícil acreditar que eles tenham realmente reconhecido o “papel peculiar do sucessor de Pedro”. Além disso, pergunto: existe algo lógico nos sistemas totalitários? A única lógica é, como Deng Xiaoping disse, que “um gato branco é o mesmo que um gato preto”, desde que sirva aos propósitos do Partido. Imediatamente após o acordo, nada mudou na política religiosa da parte, tudo foi oficialmente reafirmado e os fatos provam isso. Terceiro teste : o contexto do diálogo “consolidado”. Eu pergunto: Mas o documento não reconhece que o governo negou suas promessas, como declarado no primeiro parágrafo e na seção nove deste documento? Quarta prova : Todos os bispos são legitimados. Isso apenas demonstra a generosidade infinita do papa ou, talvez, a pressão onipotente do governo, mas no perdoado e “recompensado” não vemos mudança, sinal de arrependimento, mas atos claros de um triunfo sem medo, rindo daqueles que Eles apostaram no cavalo errado. 4. A Seção 4 diz que os motivos mencionados acima justificam uma nova atitude . Pelo menos, aqui se afirma honestamente que o que é proposto é uma novidade , e que, portanto, não é uma continuação do passado, mas que o passado é negado como já passado, ou seja, não é mais válido. Dizem também que a Santa Sé está procurando uma fórmula para concordar com o governo (e matar dois coelhos com uma cajadada). Mas nos perguntamos: “Uma fórmula”? O que o governo pede não é uma afirmação de uma teoria: é um sistema inteiro, um regime no qual não haverá liberdade pastoral e no qual as ordens do Partido serão seguidas, incluindo a proibição de menores de 18 anos. Participe de qualquer atividade religiosa. 5. No parágrafo 5 estão as verdadeiras orientações pastorais. Em resumo: tudo o que o governo solicita é assinado, possivelmente com um esclarecimento por escrito que depois nega o que é assinado. Se o esclarecimento por escrito não for possível, faça-o verbalmente, com ou sem uma testemunha. Basta que haja a intenção de não aceitar em consciência o que de fato foi assinado . Um texto contra a fé é assinado e afirma-se que a intenção é favorecer o bem da comunidade, uma evangelização mais adequada, a gestão responsável dos bens da Igreja. Essa regra geral é, obviamente, contrária a todo princípio de moralidade . Se aceito, justificaria a apostasia. 6. O parágrafo 6 diz que a Santa Sé entende e respeita aqueles que, em consciência, não aceitam a regra estabelecida acima. Obviamente, isso é compaixão por uma minoria “teimosa” que ainda não consegue entender a nova regra. Sua atitude está errada, mas a Santa Sé tolera “provisoriamente”. 7. A Seção 7 fala sobre certos deveres dos bispos, citando um documento que não tem nada a ver com a nossa questão. 8. Na seção 8, diz-se que os fiéis aceitam a decisão de seus pastores . O que significa isso? Que eles não têm a liberdade individual de escolher? E sua consciência não deve ser respeitada? [Aos irmãos que me perguntam o que fazer, eu sempre respondo: que eles respeitam as escolhas dos outros e permanecem firmes na convicção de sua própria consciência. Isso ocorre porque não tenho autoridade para julgar os outros sobre o que é certo ou errado. Mas a Santa Sé não tem autoridade e, portanto, o dever de esclarecer aos membros da Igreja o que é justo e o que não é? Você fez com essas “orientações”? Deveríamos incentivar o abandono do sigilo e tolerar permanecer nele? Os bispos e padres podem escolher e não os fiéis? 9. Na seção 9, diz-se que a Santa Sé, entretanto, pede (e novamente omite a expressão “ao governo”) que nenhuma pressão intimidadora seja exercida contra comunidades católicas não oficiais, como já aconteceu. (Sem mencionar a palavra “governo” é quase como a reverência tradicional de não mencionar o nome do imperador.) Finalmente, todos são recomendados a discernir a vontade de Deus com “paciência e humildade”. Mas eu me pergunto: para onde foi a firmeza na fé ? Dizem então que “o caminho atual, apesar das dificuldades, também é marcado por muitas esperanças”. Parece-me, por outro lado, que os fatos destroem todos os fundamentos da esperança humana. Quanto à esperança em Deus, nunca pode ser separado da vontade sincera querer sofrer também de acordo com Sua vontade. Conclusão Este documento reverteu radicalmente o que é normal e o que é anormal, o que é necessário e o que deve ser tolerado. A esperança de seus editores pode ser que a minoria compassiva morra de morte natural. Com essa minoria, quero dizer não apenas padres clandestinos (que não recebem bispos há muito tempo quando os anciãos morrem, nem já são delegados, porque o bispo oficial da diocese já é legítimo), mas também muitos irmãos. da comunidade oficial que, com grande tenacidade, trabalhou por uma mudança, na esperança de ser apoiada pela Santa Sé, sendo pressionada a aceitar a submissão ao governo, ridicularizada pelos vencedores oportunistas. Que o Senhor não permita a realização desses desejos, daqueles que desejam a morte da verdadeira fé em minha amada pátria. Senhor tenha piedade! Diretrizes pastorais da Santa Sé sobre o registro civil do clero na China, 28/06/2019 Os pedidos sobre a atitude que eles devem adotar antes da obrigação de apresentar um pedido de registro civil chegam à Santa Sé há muito tempo. Nesse sentido, como é sabido, muitos pastores permanecem profundamente perplexos porque a modalidade desse registro – obrigatória de acordo com os novos regulamentos sobre atividades religiosas, sob pena de impossibilidade de agir pastoralmente – quase sempre implica a assinatura de um documento em que Apesar do compromisso assumido pelas autoridades chinesas de respeitar também a doutrina católica, deve-se declarar a aceitação, entre outras coisas, do princípio da independência, autonomia e auto-administração da Igreja na China. A complexidade da realidade da China e o fato de não parecer haver uma prática única de aplicar os regulamentos relativos a questões religiosas no país tornam particularmente difícil se pronunciar sobre o assunto. A Santa Sé, por um lado, não quer forçar a consciência de ninguém. E, por outro lado, ele considera que a experiência de sigilo não faz parte da normalidade da vida da Igreja, e que a história mostrou que pastores e fiéis apenas recorrem a ela com o desejo sofrido de manter intacta a fé ( cf. n. 8 da carta de Bento XVI aos católicos chineses de 27 de maio de 2007). Portanto, a Santa Sé continua solicitando que o registro civil do clero seja realizado com a garantia de respeitar a consciência e as profundas convicções católicas das pessoas envolvidas. Assim, de fato, No que diz respeito à avaliação da possível declaração que deve ser assinada no momento do registro, é necessário ter em mente que a Constituição da República Popular da China declara formalmente proteger a liberdade religiosa (art. 36). Segundo, o Acordo Provisório de 22 de setembro de 2018, reconhecendo o papel peculiar do Sucessor de Pedro, leva logicamente a Santa Sé a entender e interpretar a “independência” da Igreja Católica na China, não em sentido absoluto, isto é, , como uma separação do papa e da igreja universal, mas no que diz respeito à esfera política, de acordo com o que acontece em todas as partes do mundo nas relações entre o papa e uma igreja concreta ou entre igrejas específicas. De resto, afirme que na identidade católica não pode haver separação do Sucessor de Pedro, Isso não significa querer tornar uma Igreja específica um corpo estranho à sociedade e à cultura do país em que vive e atua. Em terceiro lugar, o atual contexto de relações entre a China e a Santa Sé, caracterizado por um diálogo consolidado entre os dois lados, é diferente daquele que viu o nascimento de organizações patrióticas nos anos cinquenta do século passado. Quarto, devemos acrescentar o fato de grande importância que, ao longo dos anos, muitos bispos ordenados sem o mandato apostólico solicitaram e obtiveram reconciliação com o Sucessor de Pedro, para que todos os bispos chineses estejam em comunhão hoje com a Sé Apostólica e eles querem uma crescente integração com os bispos católicos de todo o mundo. Diante desses fatos, é legítimo esperar uma nova atitude de todos, mesmo diante de questões práticas sobre a vida da Igreja. Por seu lado, a Santa Sé continua a dialogar com as autoridades chinesas sobre o registro civil de bispos e padres, a fim de encontrar uma fórmula que, no ato do registro, respeite não apenas as leis chinesas, mas também a doutrina católica. Enquanto isso, à luz do exposto, se um bispo ou padre decidir se registrar civilmente, mas o texto da declaração de registro não respeitar a fé católica, ele especificará por escrito no momento da assinatura que Não falta a devida fidelidade aos princípios da doutrina católica. Se não for possível fazer esse esclarecimento por escrito, o solicitante o fará verbalmente e, se possível, na presença de uma testemunha. Em qualquer caso, é adequado que o requerente ateste posteriormente a intenção com a qual se registrou. De fato, isso sempre deve ser entendido com o único objetivo de favorecer o bem da comunidade diocesana e seu crescimento no espírito de unidade, Ao mesmo tempo, a Santa Sé entende e respeita a escolha de quem, em consciência, decide não se inscrever nas condições atuais. Ela fica ao lado dele e pede ao Senhor que os ajude a guardar a comunhão com seus irmãos na fé, mesmo diante das provações que cada um terá que enfrentar. O bispo, por sua vez, “nutre e manifesta publicamente sua confiança nos padres, demonstrando lealdade e louvando-os se eles merecem; respeitar e fazer valer seus direitos, defendendo-os de críticas infundadas; resolver disputas prontamente, para impedir que preocupações prolongadas ocultem a caridade fraterna e prejudiquem o ministério pastoral ”( Apostolorum Successores, Diretório para o ministério pastoral dos bispos, 22 de fevereiro de 2004, nº 77). Também é importante que mesmo os fiéis leigos não apenas compreendam a complexidade da situação mencionada acima, mas também acolham com grande coração a dolorosa decisão de seus pastores, seja o que for. Que a comunidade católica local o acompanhe em espírito de fé, com oração e carinho, abstendo-se de julgar as decisões dos outros, guardando o vínculo de unidade e mostrando misericórdia a todos. De qualquer forma, aguardar a possibilidade de chegar, através de um diálogo franco e construtivo entre as duas partes, conforme acordado, a uma modalidade de registro civil do clero mais respeitosa da doutrina católica e, portanto, de consciência Entre as pessoas envolvidas, a Santa Sé pede que nenhuma pressão intimidadora seja exercida contra comunidades católicas “não oficiais”, como infelizmente já aconteceu. Por fim, a Santa Sé confia que todos possam aceitar essas orientações pastorais como um instrumento para ajudar aqueles que têm que tomar decisões que não são fáceis de cumprir em espírito de fé e unidade. Todos – Santa Sé, bispos, padres, religiosos, religiosos e fiéis leigos – são chamados a discernir a vontade de Deus com paciência e humildade neste trecho do caminho da Igreja na China, marcado por muitas esperanças, apesar das constantes dificuldades. Do Vaticano, em 28 de junho de 2019, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus A Santa Sé #China #Comunismo #CristãosPerseguidos #Vaticano
- O que aconteceu com as ‘Escolas Católicas’?
Porque ainda utilizam o título de “católicas” escolas administradas por instituições religiosas, mas que abandonaram totalmente os valores e ensinamentos católicos? Assista o vídeo… No desdobrar dos séculos, a Igreja Católica sempre foi uma referência em questões de fé e moral. Preocupada com a educação dos fiéis, tornou-se também uma das principais referências no campo do ensino. Não é atoa que as instituições de ensino católicas ganharam tanto espaço na sociedade, uma vez que grandes Santos da Igreja foram os responsáveis por essas fundações e posteriormente institutos religiosos continuaram com sua manutenção, como é o caso dos Salesianos fundados pelo grande santo Dom Bosco. Além de serem refúgios seguros de sabedoria, essas escolas também ofereciam um excelente ensino religioso, o que garantia aos fiéis a união de dois campos essenciais para uma vida equilibrada, a ciência e a religião. Infelizmente, como a maioria das instituições modernas, grande parte das escolas católicas foram contaminadas com o mal do relativismo, e acabaram perdendo sua essência, deixando de fazer aquilo que deveria ser sua principal função, aproximar seus alunos de Deus e da Santa Igreja. Outro fator que tem gerado críticas a essas escolas intituladas “católicas”, é o fato de serem consideradas inacessíveis à maioria dos católicos, por conta dos custos e mensalidades exorbitantes, o que definitivamente não condiz com a proposta de auxílio aos mais necessitados, ensinada nos Evangelhos. Entretanto a principal incoerência dessas instituições está em abandonarem os conceitos básicos da doutrina católica, ensinando muito pouco ou nenhum conceito religioso aos alunos, ou pior, algumas instituições ensinam “religião” de maneira relativista, muitas vezes confundindo os alunos, apontando que todas as religiões são boas e que todas levam a Deus. Há relatos, feitos por professores que lecionaram e escolas católicas, de que tais escolas ensinam diversos aspectos que vão contra a doutrina da igreja, como por exemplo: ensinamentos e doutrinação marxista, feminismo, “direito de escolha” (forma bonita de se falar em favor do aborto), igualdade religiosa, etc. O que acontece nas escolas ditas “católicas”, é um verdadeiro absurdo. Muitas delas superam escolas públicas e seculares em destruição da moral e doutrina católica. São verdadeiros espaços de perdição das almas, não é força de expressão, é literal. Assista este vídeo para compreender melhor essa realidade:
- O que aconteceu com as ‘Escolas Católicas’?
Porque ainda utilizam o título de “católicas” escolas administradas por instituições religiosas, mas que abandonaram totalmente os valores e ensinamentos católicos? Assista o vídeo… No desdobrar dos séculos, a Igreja Católica sempre foi uma referência em questões de fé e moral. Preocupada com a educação dos fiéis, tornou-se também uma das principais referências no campo do ensino. Não é atoa que as instituições de ensino católicas ganharam tanto espaço na sociedade, uma vez que grandes Santos da Igreja foram os responsáveis por essas fundações e posteriormente institutos religiosos continuaram com sua manutenção, como é o caso dos Salesianos fundados pelo grande santo Dom Bosco. Além de serem refúgios seguros de sabedoria, essas escolas também ofereciam um excelente ensino religioso, o que garantia aos fiéis a união de dois campos essenciais para uma vida equilibrada, a ciência e a religião. Infelizmente, como a maioria das instituições modernas, grande parte das escolas católicas foram contaminadas com o mal do relativismo, e acabaram perdendo sua essência, deixando de fazer aquilo que deveria ser sua principal função, aproximar seus alunos de Deus e da Santa Igreja. Outro fator que tem gerado críticas a essas escolas intituladas “católicas”, é o fato de serem consideradas inacessíveis à maioria dos católicos, por conta dos custos e mensalidades exorbitantes, o que definitivamente não condiz com a proposta de auxílio aos mais necessitados, ensinada nos Evangelhos. Entretanto a principal incoerência dessas instituições está em abandonarem os conceitos básicos da doutrina católica, ensinando muito pouco ou nenhum conceito religioso aos alunos, ou pior, algumas instituições ensinam “religião” de maneira relativista, muitas vezes confundindo os alunos, apontando que todas as religiões são boas e que todas levam a Deus. Há relatos, feitos por professores que lecionaram e escolas católicas, de que tais escolas ensinam diversos aspectos que vão contra a doutrina da igreja, como por exemplo: ensinamentos e doutrinação marxista, feminismo, “direito de escolha” (forma bonita de se falar em favor do aborto), igualdade religiosa, etc. O que acontece nas escolas ditas “católicas”, é um verdadeiro absurdo. Muitas delas superam escolas públicas e seculares em destruição da moral e doutrina católica. São verdadeiros espaços de perdição das almas, não é força de expressão, é literal. Assista este vídeo para compreender melhor essa realidade:
- Justiça do RJ determina que Especial de Natal do Porta dos Fundos seja retirado do ar
Decisão liminar – provisória – atende a pedido feito pela Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura. Mérito da ação ainda será analisado. O desembargador Benedicto Abicair, da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, determinou nesta quarta-feira (8) em decisão liminar – provisória – que a produtora Porta dos Fundos e a Netflix retirem do ar o “Especial de Natal Porta dos Fundos: A Primeira Tentação de Cristo”. “Por todo o exposto, se me aparenta, portanto, mais adequado e benéfico, não só para a comunidade cristã, mas para a sociedade brasileira, majoritariamente cristã, até que se julgue o mérito do Agravo, recorrer-se à cautela, para acalmar ânimos, pelo que concedo a liminar na forma requerida”, escreveu o magistrado. A decisão atende a pedido feito pela Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura que, em primeira instância e durante o plantão judiciário, havia sido negado. A assessoria de imprensa da Netflix, não divulgou comunicado. Fonte G1
- Justiça do RJ determina que Especial de Natal do Porta dos Fundos seja retirado do ar
Decisão liminar – provisória – atende a pedido feito pela Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura. Mérito da ação ainda será analisado. O desembargador Benedicto Abicair, da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, determinou nesta quarta-feira (8) em decisão liminar – provisória – que a produtora Porta dos Fundos e a Netflix retirem do ar o “Especial de Natal Porta dos Fundos: A Primeira Tentação de Cristo”. “Por todo o exposto, se me aparenta, portanto, mais adequado e benéfico, não só para a comunidade cristã, mas para a sociedade brasileira, majoritariamente cristã, até que se julgue o mérito do Agravo, recorrer-se à cautela, para acalmar ânimos, pelo que concedo a liminar na forma requerida”, escreveu o magistrado. A decisão atende a pedido feito pela Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura que, em primeira instância e durante o plantão judiciário, havia sido negado. A assessoria de imprensa da Netflix, não divulgou comunicado. Fonte G1
- Governo polonês pede que Netflix exclua filme do Porta dos Fundos
Uma petição na Polônia conta com 1,4 milhão de assinaturas pedindo pela exclusão do controverso especial de Natal da plataforma de streaming O vice-premier da Polônia, Jaroslaw Gowin, usou as redes sociais para pedir à Netflix que remova o já controverso especial de Natal do Porta dos Fundos, A Primeira Tentação de Cristo, da plataforma. O filme de 46 minutos tem revoltado religiosos no Brasil desde que foi lançado em dezembro de 2019 — culminando no ataque contra a sede da produtora dos comediantes. Em seu perfil no Twitter, o político polonês de direita cita o CEO e cofundador da Netflix, Reed Hastings, e anexa uma petição online do país, que soma mais de 1,4 milhão de assinaturas, pedindo a retirada do filme do streaming. O texto do abaixo-assinado diz que “a série de comédia do grupo brasileiro Porta dos Fundos, que retrata Jesus Cristo como homossexual, apóstolos como alcoólatras e a Virgem Maria como mulher promíscua, é um escândalo inimaginável” e que o vídeo “visa atacar cristãos e o cristianismo com um único objetivo: a blasfêmia.” Reed Hastings: Żądamy, by Netflix usunął bluźnierczy film ze swojej platformy! – Podpisz: https://t.co/mAoyYgw2PM — Jarosław Gowin (@Jaroslaw_Gowin) 5 de janeiro de 2020 A trama do especial satiriza uma parte específica da Bíblia (Evangelho de Lucas 4,1-13). O início do ministério de Jesus, quando ele se recolhe em jejum de 40 dias no deserto e é tentado por Satanás. No Brasil, o especial também motivou diversos abaixo-assinados — alguns chegaram a marca de 1 milhão de assinaturas. No vídeo, Jesus, interpretado por Gregório Duvivier, leva para casa um amigo esquisito, interpretado por Fábio Porchat, com quem vive um romance gay espantando José, Maria, os reis magos e até Deus. A sátira já traz na sinopse que é “um especial de Natal tão errado que só podia ser do Porta dos Fundos”.
- Governo polonês pede que Netflix exclua filme do Porta dos Fundos
Uma petição na Polônia conta com 1,4 milhão de assinaturas pedindo pela exclusão do controverso especial de Natal da plataforma de streaming O vice-premier da Polônia, Jaroslaw Gowin, usou as redes sociais para pedir à Netflix que remova o já controverso especial de Natal do Porta dos Fundos, A Primeira Tentação de Cristo, da plataforma. O filme de 46 minutos tem revoltado religiosos no Brasil desde que foi lançado em dezembro de 2019 — culminando no ataque contra a sede da produtora dos comediantes. Em seu perfil no Twitter, o político polonês de direita cita o CEO e cofundador da Netflix, Reed Hastings, e anexa uma petição online do país, que soma mais de 1,4 milhão de assinaturas, pedindo a retirada do filme do streaming. O texto do abaixo-assinado diz que “a série de comédia do grupo brasileiro Porta dos Fundos, que retrata Jesus Cristo como homossexual, apóstolos como alcoólatras e a Virgem Maria como mulher promíscua, é um escândalo inimaginável” e que o vídeo “visa atacar cristãos e o cristianismo com um único objetivo: a blasfêmia.” Reed Hastings: Żądamy, by Netflix usunął bluźnierczy film ze swojej platformy! – Podpisz: https://t.co/mAoyYgw2PM — Jarosław Gowin (@Jaroslaw_Gowin) 5 de janeiro de 2020 A trama do especial satiriza uma parte específica da Bíblia (Evangelho de Lucas 4,1-13). O início do ministério de Jesus, quando ele se recolhe em jejum de 40 dias no deserto e é tentado por Satanás. No Brasil, o especial também motivou diversos abaixo-assinados — alguns chegaram a marca de 1 milhão de assinaturas. No vídeo, Jesus, interpretado por Gregório Duvivier, leva para casa um amigo esquisito, interpretado por Fábio Porchat, com quem vive um romance gay espantando José, Maria, os reis magos e até Deus. A sátira já traz na sinopse que é “um especial de Natal tão errado que só podia ser do Porta dos Fundos”.
- A CAMINHO DO NIILISMO DA FÉ (EM QUATRO ETAPAS) – Tommaso Scandroglio
[O percurso que, há algum tempo, alguns homens da Igreja estão traçando para nós, fiéis, é um processo revolucionário que vai muito além da heresia: aponta diretamente para a subversão do plano divino.] É lugar-comum dizer-se que a descrição por dentro de um fenômeno — social, econômico, político, etc. — enquanto ainda está em andamento, é muito difícil. Não é uma exceção o fenômeno eclesial, com os desenvolvimentos e regressões recentes da Igreja. Portanto, considerando-se esse obstáculo, tentemos delinear o caminho que alguns homens da Igreja estão traçando para nós, fiéis, há já algum tempo. Existem, essencialmente, quatro dinâmicas em andamento: a destrutiva, a conservadora, a omissiva e a inovadora. Vamos começar com a primeira categoria, listando, em ordem dispersa e sem a intenção de ser exaustivo, alguns assuntos que foram afetados por intervenções contrastantes com a sã doutrina: a indissolubilidade matrimonial e, junto com ela, o significado do sacrifício eucarístico e do sacramento da reconciliação; a nulidade matrimonial, os absolutos morais, o sacramento da ordem, o celibato eclesiástico, a evangelização, o ecumenismo, o valor salvífico do sacrifício de Cristo (presente apenas na Igreja Católica), a graça e a justificação, a realeza social de Cristo, a figura e o papel de Maria, a primazia petrina, a liturgia, as virtudes teologais, a pena de morte, a homossexualidade, a contracepção. Existe também uma segunda categoria de assuntos, objeto de intervenções e discussões, mas que aparentemente ainda não sofreram nenhuma manipulação. Por exemplo: o aborto, a eutanásia, a vida eterna, a Trindade, o sacramento do Batismo, a família, as bem-aventuranças. Dissemos “aparentemente”, pois quando se trata da doutrina ou tudo se mantém como está, ou tudo se perde: cada princípio de fé ou de moral está intimamente unido aos demais, como vasos comunicantes. Poluir um âmbito significa também poluir as outras áreas. Rejeitar um aspecto doutrinário leva a rejeitar muitos outros. Um exemplo: qualificar a afetividade homossexual como moralmente positiva leva, necessariamente, a minar o próprio conceito de família. Portanto, esses temas, mais cedo ou mais tarde, podem confluir para a primeira categoria indicada acima. Terceira categoria: aspectos doutrinários sobre os quais recaiu a mais absoluta reserva. Por exemplo, os Novíssimos, a lei natural, etc. Mesmo neste caso, no entanto, deveríamos dizer que revolucionar algumas verdades de fé e moral, no sentido de demoli-las, envolve a formulação implícita de um julgamento sobre o que já foi deliberadamente trancado na gaveta [da doutrina]. Assim, o ataque aos absolutos morais (os princípios não negociáveis) também é um ataque à teoria da lei natural. Portanto, também neste caso, esses assuntos estarão sujeitos a futuras intervenções destrutivas. Finalmente, na quarta categoria, encontramos a elaboração de uma nova doutrina: a imigração, a pobreza, a igualdade entre homens e mulheres, o ambientalismo, a filantropia, etc. Lembre-se que esses não são assuntos próprios da justiça social que, atualmente, são interpretados à luz do pensamento católico ortodoxo, mas se separam do complexo doutrinal e cultural católico, sendo assimilados com os paradigmas do pensamento moderno e modernista. Em resumo, constituem um novo credo que, no entanto, pretende-se tornar compatível com o credo católico. Esta quarta categoria marca — e o julgamento é deliberadamente hiperbólico — uma nova fase na vida da Igreja: da heresia ao niilismo da fé. Ou seja, e sempre nos expressando de uma maneira um tanto hipertrófica, hoje a categoria “heresia” parece estar quase superada (na realidade, não é assim, porque não poderia ser assim), como se apelar para a negação das verdades de fé e moral não fosse mais suficiente para descrever a situação atual. Colocar-se no centro da pregação, da investigação doutrinária, do cuidado pastoral e do ensino o derretimento das geleiras, os barcos de imigrantes, os jovens desempregados, a biodiversidade etc., quase não significa mais heresia, mas niilismo, porque é o mesmo que falar de nada, de aspectos da vida que certamente seriam muito significativos, se interpretados à luz da doutrina católica. Quando, porém, essa luz é apagada, tornam-se miuçalhas sem sentido, exortações entediantes, banalidades soporíferas, estereótipos e lugares comuns de boteco. E, assim, está em andamento um processo de esvaziar o conteúdo da verdade católica desde o seu interior, para tornar a Igreja vazia, como se fosse um tronco do qual só restasse a casca. Será este o ponto final do processo de descristianização? Provavelmente não. Porque onde há um vazio, ele deve ser preenchido: natura abhorret a vacuo (a natureza rejeita o vazio). Agora é a vez dos cultos pagãos e do animismo — algo que poderíamos definir como ambientalismo de batina — mas depois, em um futuro incerto, teremos que adorar a Besta porque, como os Evangelhos nos dizem quando narram as tentações dirigidas a Cristo por Satanás, este o último quer ser nosso verdadeiro deus. O resultado poderia ser a conclusão lógica de um certo caminho que começou alguns séculos atrás. Como ensina Plínio Corrêa de Oliveira em sua Revolução e contrarrevolução, as fases da revolução preveem uma reversão progressiva da ordem natural e sobrenatural desejada por Deus. A partir de uma única Igreja Católica fundada por Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, se passa no Protestantismo a uma realidade na qual há várias igrejas e na qual a Igreja Católica é só uma entre muitas. Simultaneamente, com o Humanismo, Cristo não é mais o centro do universo, mas o homem. A Revolução Francesa fez de Deus uma entidade anônima – o Grande Arquiteto – e não é mais o Deus de Jesus Cristo, um Deus com um nome e sobrenome muito precisos. A revolução comunista elimina o próprio conceito de deus, difundindo o ateísmo de massa. Em 1968, foi a vez do ataque à lei moral natural. Todos os processos revolucionários se infiltraram também na Igreja. Morta, portanto, também a lei de Deus in interiore homine, ou seja, no coração do homem, passou-se ao culto não mais do homem, como aconteceu no Renascimento, mas de animais e coisas. É o marco zero da fé e da moral mencionados anteriormente. Neste deserto, se enraizará perfeitamente uma nova planta, cujo DNA é o oposto da Árvore do Conhecimento: a planta de Satanás. É a inversão perfeita da hierarquia desejada por Deus: do culto a Deus presente na Igreja Católica, ao culto a um deus cristão mas não católico, para depois passar ao culto ao homem e, finalmente, ao culto aos animais e finalmente às coisas (geleiras, Mãe Terra, Pachamama). Tudo está pronto para a chegada do Anticristo. Em resumo, é necessário demolir as verdades da Igreja, e uma maneira de fazê-lo permanecer-se em silêncio sobre algumas verdades para, em seguida, concluída a pars destruens (parte negativa), construir o culto à Besta. Talvez seja um cenário erroneamente distópico, com características excessivamente exageradas. Ou talvez não. https://lanuovabq.it/it/verso-il-nichilismo-di-fede-in-quattro-tappe
- Globo exibe funk com apologia a drogas às 11 da manhã; vídeo
O programa Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo, apresentou no fim de dezembro, em horário impróprio, uma participação da cantora Ludmila com um funk que faz apologia as drogas. A música foi exibida por volta das 11 horas da manhã, com uma letra que faz alusão clara à maconha, droga usada pela própria cantora e pelo elenco, segundo informações do G1, portal de notícias da Rede Globo. No clipe da música, chamada “Verdinha”, Ludmila aparece como proprietária de uma plantação de alface. “Apesar da plantação ser de alface, a alusão à maconha é direta, inclusive a cantora e o elenco fumam”, diz o G1. Com trocadilhos sobre a venda da “verdinha a um real” a letra da música descreve o questionamento dos familiares sobre a origem da planta. Vivi para ver a Globo as 11 hs da manha, no horário da antiga tv globinho fazer apologia as drogas ao vivo. Fatima Bernardes vc sabe o que é ter viciado na família? Não né?!!Inferno na vida dos outros, no seu é refresco…#Encontro Rede Globo lixo ???? (Paulo de Souza) pic.twitter.com/dE3sIK4Siq — Ana Lua (@ana_lua18) 30 de dezembro de 2019
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O programa Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo, apresentou no fim de dezembro, em horário impróprio, uma participação da cantora Ludmila com um funk que faz apologia as drogas. A música foi exibida por volta das 11 horas da manhã, com uma letra que faz alusão clara à maconha, droga usada pela própria cantora e pelo elenco, segundo informações do G1, portal de notícias da Rede Globo. No clipe da música, chamada “Verdinha”, Ludmila aparece como proprietária de uma plantação de alface. “Apesar da plantação ser de alface, a alusão à maconha é direta, inclusive a cantora e o elenco fumam”, diz o G1. Com trocadilhos sobre a venda da “verdinha a um real” a letra da música descreve o questionamento dos familiares sobre a origem da planta. Vivi para ver a Globo as 11 hs da manha, no horário da antiga tv globinho fazer apologia as drogas ao vivo. Fatima Bernardes vc sabe o que é ter viciado na família? Não né?!!Inferno na vida dos outros, no seu é refresco…#Encontro Rede Globo lixo ???? (Paulo de Souza) pic.twitter.com/dE3sIK4Siq — Ana Lua (@ana_lua18) 30 de dezembro de 2019
- Pe. Zezinho: “Dois pesos e duas medidas sobre o fogo na Amazônia e na Austrália”
“Não tenho dúvidas que as leituras sobre as queimadas no Brasil e agora na Austrália têm viés ideológico. Não vejo a mesma gritaria histérica” Via Facebook, o pe. Zezinho se manifestou a respeito das diferenças que observa na cobertura feita pela mídia mundial sobre os incêndios que atingiram a Amazônia em agosto passado e os que estão assolando vastas regiões da Austrália neste momento. AS QUEIMADAS DO BRASIL E DA AUSTRÁLIA Pe Zezinho scj Sou brasileiro, não sou nem esquerdista nem direitista nem centrista. Leio os acontecimentos sem cartilhas pré-estabelecidas. Vejo o que é bom e mau na esquerda, na direita e no centro. Elogio e apoio ou critico depois de ler os acontecimentos. Minhas aulas de sociologia e de filosofia me levaram a isto. Mas não tenho dúvidas que as leituras sobre as queimadas no Brasil meses atrás e agora as queimadas na Austrália têm viés ideológico. Não vejo a mesma gritaria histérica que houve com relação às queimadas na Amazônia brasileira, quando outros países amazônicos também queimavam. E agora faz meses que grassam incêndios infernais na Austrália e os jornais silenciam, ou ao menos não estão gritando histericamente contra a queima das florestas australianas. Imagino que foi coisa política. E sempre será. Não há interesse mundial em mudar o regime que governa a Austrália. Mas há interesse em desgastar o regime do Brasil depois de quase vinte anos de esquerda no governo! É natural que quem perdeu queira voltar e quem venceu queira governar por mais do que quatro anos. Não! Não votei em Bolsonaro nem no Haddad! Não concordei com a linguagem nem do Lula, nem do Haddad nem do Bolsonaro. Não imagino a política deste jeito. Espero mais maturidade desses líderes quando abrem a boca para falar ao nosso povo! Mas seguramente há dois pesos e duas medidas a respeito do fogo na Amazônia brasileira, Amazônia sul-americana e Austrália. O viés tornou-se escandalosamente político. Levou meses até que a imprensa mundial admitisse que as florestas da Austrália estavam queimando havia semanas e meses. A aguerrida adolescente que cruzou o Atlântico ao norte não fez semelhante trajeto indo para os mares do sul. Ela poupou a Austrália na sua catilinária quando a Austrália já ardia em fogo! Este fogo, que também arde na África, tornou-se político! Faz tempo que a esquerda está soprando o fogo no Brasil e ignorando o fogo na Austrália. E isto não é em defesa do Bolsonaro. No tempo do Lula o Brasil também queimou. Isto é reação contra dois pesos e duas medidas. Morreram mais coalas e mais fauna na Austrália do que no Brasil. Mas só agora a mídia decidiu admitir que há vários meses que a Austrália estava queimando! Via Aleteia
- Pe. Zezinho: “Dois pesos e duas medidas sobre o fogo na Amazônia e na Austrália”
“Não tenho dúvidas que as leituras sobre as queimadas no Brasil e agora na Austrália têm viés ideológico. Não vejo a mesma gritaria histérica” Via Facebook, o pe. Zezinho se manifestou a respeito das diferenças que observa na cobertura feita pela mídia mundial sobre os incêndios que atingiram a Amazônia em agosto passado e os que estão assolando vastas regiões da Austrália neste momento. AS QUEIMADAS DO BRASIL E DA AUSTRÁLIA Pe Zezinho scj Sou brasileiro, não sou nem esquerdista nem direitista nem centrista. Leio os acontecimentos sem cartilhas pré-estabelecidas. Vejo o que é bom e mau na esquerda, na direita e no centro. Elogio e apoio ou critico depois de ler os acontecimentos. Minhas aulas de sociologia e de filosofia me levaram a isto. Mas não tenho dúvidas que as leituras sobre as queimadas no Brasil meses atrás e agora as queimadas na Austrália têm viés ideológico. Não vejo a mesma gritaria histérica que houve com relação às queimadas na Amazônia brasileira, quando outros países amazônicos também queimavam. E agora faz meses que grassam incêndios infernais na Austrália e os jornais silenciam, ou ao menos não estão gritando histericamente contra a queima das florestas australianas. Imagino que foi coisa política. E sempre será. Não há interesse mundial em mudar o regime que governa a Austrália. Mas há interesse em desgastar o regime do Brasil depois de quase vinte anos de esquerda no governo! É natural que quem perdeu queira voltar e quem venceu queira governar por mais do que quatro anos. Não! Não votei em Bolsonaro nem no Haddad! Não concordei com a linguagem nem do Lula, nem do Haddad nem do Bolsonaro. Não imagino a política deste jeito. Espero mais maturidade desses líderes quando abrem a boca para falar ao nosso povo! Mas seguramente há dois pesos e duas medidas a respeito do fogo na Amazônia brasileira, Amazônia sul-americana e Austrália. O viés tornou-se escandalosamente político. Levou meses até que a imprensa mundial admitisse que as florestas da Austrália estavam queimando havia semanas e meses. A aguerrida adolescente que cruzou o Atlântico ao norte não fez semelhante trajeto indo para os mares do sul. Ela poupou a Austrália na sua catilinária quando a Austrália já ardia em fogo! Este fogo, que também arde na África, tornou-se político! Faz tempo que a esquerda está soprando o fogo no Brasil e ignorando o fogo na Austrália. E isto não é em defesa do Bolsonaro. No tempo do Lula o Brasil também queimou. Isto é reação contra dois pesos e duas medidas. Morreram mais coalas e mais fauna na Austrália do que no Brasil. Mas só agora a mídia decidiu admitir que há vários meses que a Austrália estava queimando! Via Aleteia
- Vencedora de Globo de Ouros atribui seu sucesso ao aborto e internet não perdoa
Líderes pró-vida rejeitaram as palavras da atriz norte-americana Michelle Williams que, ao ser premiada no Globo de Ouro, disse que não teria alcançado esse reconhecimento se não tivesse abortado seu bebê no passado, exercendo “o direito das mulheres de escolher”, quando ter filhos e com quem. “Eu não teria sido capaz de fazê-lo sem usar o direito das mulheres de decidir (Ndr: eufemismo para falar de um aborto). Escolher quando ter meus filhos e com quem tê-los quando me senti apoiada e capaz de encontrar o equilíbrio. Sabendo, como todas as mães sabem, que a balança deve sempre se inclinar e se inclinará para os nossos filhos”, afirmou a atriz de 39 anos, em 5 de janeiro, após receber o prêmio pela minissérie Fosse/Verdon. As palavras de Williams foram aplaudidas por várias estrelas de Hollywood e o trecho de seu discurso foi compartilhado nas redes sociais e meios de comunicação. Na semana passada, a revista ‘People’ revelou que a atriz está atualmente grávida. O pai de seu bebê seria Thomas Kail, diretor da minissérie onde Williams atua. Eden Linton, diretora de Educação e Juventude da Sociedade para a Proteção do Nascituro do Reino Unido (SPUC), uma das mais antigas e maiores organizações de defesa da vida do mundo, disse: “Bem-vindos a 2020, onde um troféu é mais valioso que a vida humana e as mulheres devem matar seus filhos para realizar seus sonhos”. “A Sra. Williams enviou uma mensagem para as meninas jovens e influenciáveis em todo o mundo de que seus sonhos e ambições não podem ser alcançados sem o aborto e que as mulheres devem sacrificar seus filhos para ter sucesso”, destacou. A diretora acrescentou que, “em 2020, nenhuma mulher deveria ter que sacrificar seu filho para conquistar seus sonhos” e que “a mensagem da Sra. Williams degrada as mulheres e suas capacidades”. “Em uma sociedade onde as celebridades são tão glorificadas, é extremamente preocupante ver declarações como estas que emanam de eventos de alto nível com a capacidade de influenciar os demais”, concluiu. Na rede social Twitter também ocorreram milhares de reações e críticas ao discurso de Williams. Abby Johnson, que foi diretora de uma clínica de aborto da multinacional Planned Parenthood e atualmente é uma proeminente líder pró-vida, disse na rede social que o discurso da atriz foi “desagradável”. “Então Michelle Williams quer agradecer ao aborto por seu sucesso. Quer agradecer à criança que matou para conseguir seu sucesso… e o faz enquanto está grávida atualmente. Desagradável”, disse. Em seguida, acrescentou em outro tuíte: “Michelle Williams quer que acreditemos que é preciso matar os filhos para ter sucesso. Bom, tenho 8 filhos e cumpri todos os meus objetivos educacionais e profissionais. Dizer que devemos escolher é um insulto à força das mulheres e à maternidade”. Outro comentário crítico ao discurso da atriz de Hollywood foi o de Lila Rose, presidente e fundadora da plataforma pró-vida Live Action. Ela disse: “Michelle Williams, visivelmente grávida, afirma que não teria ganhado o Globo de Ouro se não matasse o filho anterior. Nenhum troféu vale mais que a vida de uma criança. Sacrificar nossos filhos para ir atrás de nossos sonhos é a antítese total do empoderamento das mulheres”. Enquanto isso, Kristan Hawkins, presidente do grupo pró-vida Students for Life of America, também comentou o discurso. “Michelle Williams, acho tão triste que você atribua a um ato de violência, o aborto, o sucesso de sua carreira. O feminismo fracassou, pois milhões de mulheres como você foram levadas a acreditar que precisam matar outra para ter sucesso”, assinalou. Além disso, recordou que “o aborto é o oposto do empoderamento feminino. Um aborto diz que você achava que não era forte o suficiente para alcançar seus objetivos e cuidar do novo humano que criou. É o movimento pró-vida que busca o empoderamento total das mulheres, mostrando às mulheres que são super-heroínas e que podem fazer as duas coisas”. O humorista norte-americano Tim Young fez um comentário sarcástico: “Me perdi com Michelle Williams dizendo que não teria uma grande carreira se não tivesse feito um aborto e a plateia aplaudindo. Independentemente de qual lado esteja, o aborto deveria ser mais solene do que parafraseado: Se tiver um, poderá ganhar prêmios como eu!”. Uma usuária pró-vida chamada Amie Whatserface lamentou que Williams “tenha comprado o argumento da indústria do aborto que diz às mulheres vulneráveis que não se pode ter uma carreira e uma família”. “A criança que ela sacrificou pela fama provavelmente teria estado orgulhosa com o seu prêmio e teria celebrado felizmente com ela”, acrescentou.
- Vencedora de Globo de Ouros atribui seu sucesso ao aborto e internet não perdoa
Líderes pró-vida rejeitaram as palavras da atriz norte-americana Michelle Williams que, ao ser premiada no Globo de Ouro, disse que não teria alcançado esse reconhecimento se não tivesse abortado seu bebê no passado, exercendo “o direito das mulheres de escolher”, quando ter filhos e com quem. “Eu não teria sido capaz de fazê-lo sem usar o direito das mulheres de decidir (Ndr: eufemismo para falar de um aborto). Escolher quando ter meus filhos e com quem tê-los quando me senti apoiada e capaz de encontrar o equilíbrio. Sabendo, como todas as mães sabem, que a balança deve sempre se inclinar e se inclinará para os nossos filhos”, afirmou a atriz de 39 anos, em 5 de janeiro, após receber o prêmio pela minissérie Fosse/Verdon. As palavras de Williams foram aplaudidas por várias estrelas de Hollywood e o trecho de seu discurso foi compartilhado nas redes sociais e meios de comunicação. Na semana passada, a revista ‘People’ revelou que a atriz está atualmente grávida. O pai de seu bebê seria Thomas Kail, diretor da minissérie onde Williams atua. Eden Linton, diretora de Educação e Juventude da Sociedade para a Proteção do Nascituro do Reino Unido (SPUC), uma das mais antigas e maiores organizações de defesa da vida do mundo, disse: “Bem-vindos a 2020, onde um troféu é mais valioso que a vida humana e as mulheres devem matar seus filhos para realizar seus sonhos”. “A Sra. Williams enviou uma mensagem para as meninas jovens e influenciáveis em todo o mundo de que seus sonhos e ambições não podem ser alcançados sem o aborto e que as mulheres devem sacrificar seus filhos para ter sucesso”, destacou. A diretora acrescentou que, “em 2020, nenhuma mulher deveria ter que sacrificar seu filho para conquistar seus sonhos” e que “a mensagem da Sra. Williams degrada as mulheres e suas capacidades”. “Em uma sociedade onde as celebridades são tão glorificadas, é extremamente preocupante ver declarações como estas que emanam de eventos de alto nível com a capacidade de influenciar os demais”, concluiu. Na rede social Twitter também ocorreram milhares de reações e críticas ao discurso de Williams. Abby Johnson, que foi diretora de uma clínica de aborto da multinacional Planned Parenthood e atualmente é uma proeminente líder pró-vida, disse na rede social que o discurso da atriz foi “desagradável”. “Então Michelle Williams quer agradecer ao aborto por seu sucesso. Quer agradecer à criança que matou para conseguir seu sucesso… e o faz enquanto está grávida atualmente. Desagradável”, disse. Em seguida, acrescentou em outro tuíte: “Michelle Williams quer que acreditemos que é preciso matar os filhos para ter sucesso. Bom, tenho 8 filhos e cumpri todos os meus objetivos educacionais e profissionais. Dizer que devemos escolher é um insulto à força das mulheres e à maternidade”. Outro comentário crítico ao discurso da atriz de Hollywood foi o de Lila Rose, presidente e fundadora da plataforma pró-vida Live Action. Ela disse: “Michelle Williams, visivelmente grávida, afirma que não teria ganhado o Globo de Ouro se não matasse o filho anterior. Nenhum troféu vale mais que a vida de uma criança. Sacrificar nossos filhos para ir atrás de nossos sonhos é a antítese total do empoderamento das mulheres”. Enquanto isso, Kristan Hawkins, presidente do grupo pró-vida Students for Life of America, também comentou o discurso. “Michelle Williams, acho tão triste que você atribua a um ato de violência, o aborto, o sucesso de sua carreira. O feminismo fracassou, pois milhões de mulheres como você foram levadas a acreditar que precisam matar outra para ter sucesso”, assinalou. Além disso, recordou que “o aborto é o oposto do empoderamento feminino. Um aborto diz que você achava que não era forte o suficiente para alcançar seus objetivos e cuidar do novo humano que criou. É o movimento pró-vida que busca o empoderamento total das mulheres, mostrando às mulheres que são super-heroínas e que podem fazer as duas coisas”. O humorista norte-americano Tim Young fez um comentário sarcástico: “Me perdi com Michelle Williams dizendo que não teria uma grande carreira se não tivesse feito um aborto e a plateia aplaudindo. Independentemente de qual lado esteja, o aborto deveria ser mais solene do que parafraseado: Se tiver um, poderá ganhar prêmios como eu!”. Uma usuária pró-vida chamada Amie Whatserface lamentou que Williams “tenha comprado o argumento da indústria do aborto que diz às mulheres vulneráveis que não se pode ter uma carreira e uma família”. “A criança que ela sacrificou pela fama provavelmente teria estado orgulhosa com o seu prêmio e teria celebrado felizmente com ela”, acrescentou.
- A ECONOMIA VIRTUOSA – Juan Manuel de Prada
Penso que não deva haver qualquer dúvida sobre a decadência de nossa época. Isso é muito claramente percebido, por exemplo, no desprezo que ela manifesta por todas as formas de sabedoria e virtude; e na coleção de substitutivos que apresenta, para preencher a lacuna que a sabedoria e a virtude deixaram. É o caso, por exemplo, de todos os medos e histerias que nossa época espalhou em torno da chamada “mudança climática”, sinal do climatério irrevogável de uma civilização que precisa espalhar o pânico para impor uma triste simulação de sabedoria e virtude. Mas todos os medos e histerias que se espalharem, por mais fundados que sejam, resultarão finalmente estéreis; porque o homem não muda pelas verdades científicas, mas pelas verdades espirituais e morais (que nossa época nega e escarnece). É realmente delirante que uma economia, baseada na promoção e na expansão de necessidades, pretenda combater as “mudanças climáticas”. Inevitavelmente, essa pretensão enlouquecida é resolvida com propostas puritanas (guerra ao plástico e às proteínas animais), que as massas cretinizadas acatam, enquanto consomem desaforadamente bugigangas de todos os tipos; enquanto viajam compulsivamente pelos subúrbios do mapa-múndi; enquanto se multiplicam exponencialmente os fretes e se destrói o comércio local pelas compras on-line, etc. Na realidade, toda economia que tem por horizonte o “crescimento” é prejudicial à sobrevivência humana. Uma economia pode “crescer” em direção a um objetivo limitado; mas quando se baseia em crescimento geral ilimitado, torna-se pura depredação. A promoção e expansão das necessidades é a antítese de uma vida sábia e virtuosa; mas é, também, a antítese da paz e da liberdade. Sempre que aumentamos nossas necessidades, aumentamos nossa dependência de forças externas sobre as quais não temos controle; forças que são fortalecidas com nossas novas formas de dependência (começando, é claro, pelos gerados pela tecnologia, que nada fez além de favorecer o consumismo desenfreado, a deslocalização das empresas, a automação e o gigantismo econômico). Uma vida sábia e virtuosa exige uma nova orientação da tecnologia para o próximo, estimulando a criatividade humana em vez de substituí-la, incentivando o cooperativismo, devolvendo dignidade ao trabalho, favorecendo a descentralização demográfica e a recuperação do mundo rural. Chesterton se rebelava contra aqueles que alegavam exultantes que, graças aos trens rápidos que viajavam de um extremo a outro da Inglaterra, as maçãs pudessem estar disponíveis de maneira rápida e barata. “O que é realmente mais rápido e barato, para os homens, é arrancar uma maçã da macieira do jardim e levá-la à boca”, escrevia ele. Além disso, o proprietário de um pequeno sítio sempre terá muito mais cuidado para garantir a saúde de sua fonte de renda, do que as empresas transnacionais que acreditam que o universo é seu fornecedor inesgotável. As transações comerciais em larga escala geram poluição, destroem tradições locais, arrasam paisagens, esvaziam regiões, transformam o mundo em um enorme depósito de lixo. Transtornam-se, com isso, os seres humanos, enredados nessa lógica destrutiva, fundada no consumismo. Milhões de pessoas se deslocam compulsivamente, fazendo crescer as cidades de maneira patológica, transformando o mundo inteiro em um festim bulímico. É realmente esclarecedor que alguns só levem em conta os efeitos devastadores dessa mobilidade incessante, favorecida pela economia em larga escala, quando se trata de combater a imigração. Aqueles que afirmam que combater o comércio eletrônico ou a globalização é tão inútil quanto “abrir as portas para o campo”, tornam-se misteriosamente a favor de colocar portas, muros e cercas no campo para impedir a chegada de imigrantes — os quais só deixarão de chegar quando economias de pequena escala forem estabelecidas em seus países, permitindo-lhes levar uma vida sábia e virtuosa em suas próprias terras. Mas não haverá tal vida, enquanto as condições de trabalho não se humanizarem, o que não deve ser entendido como uma pena que, um dia, será substituída pela automação, mas como uma vocação humana que precisa ser atingida. O homem necessita de família e de trabalho para ser autenticamente livre e expressar sua criatividade. Um trabalho, no entanto, que destrói a alma, exige anestesia e formas mais agressivas de escapismo, entre as quais o consumismo, que é sempre uma expressão de degradação moral. https://www.xlsemanal.com/firmas/20191021/juan-manuel-de-prada-economia-virtuosa.html
- Governo incentiva castidade para prevenir gravidez entre os jovens
Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos sugere a abstinência sexual como o único método ‘100% eficaz’. O governo do presidente Jair Bolsonaro incluiu uma nova frente nas políticas adotadas para prevenção da gravidez precoce e sexo seguro entre adolescentes: a abstinência sexual . Os ministérios da Mulher, Família e Direitos Humanos (MDH) e da Saúde elaboraram políticas para estimular jovens a deixarem de fazer sexo. O MDH, liderado pela ministra Damares Alves , passou a preparar eventos públicos para promover a abstinência sexual, sob o pretexto de discutir iniciativas voltadas à prevenção da gravidez na adolescência . Em um evento sobre gravidez precoce realizado em dezembro em um auditório da Câmara dos Deputados , a pasta convidou defensores da abstinência sexual. De acordo com a Organização Mundial de Saúde ( OMS ), o Brasil tem uma índice de 56,4 nascimentos a cada mil mulheres adolescentes na segunda metade da década — a taxa mundial é de 44 para cada mil. Diante desse quadro, o MDH optou pelo que classifica de “preservação sexual”. O MDH acrescenta que “a prevenção do risco sexual já é política em outros países com resultados exitosos em diversos indicadores sociais”. “A ideia de promover a preservação sexual está sendo considerada como estratégia para redução da gravidez na adolescência por ser o único método 100% eficaz e em razão de sua abordagem não ter sido implementada pelos governos anteriores”. Um caso de sucesso deste tipo de política ocorreu em Uganda, que conseguiu reduzir de 30 para 6% a taxa de AIDS promovendo mais abstinência que preservativos, exemplo que deve ser empregado em todo o continente. ”O método de Uganda era claro: a AIDS te mata, abstenha-se das relações sexuais antes do matrimônio e sejas fiel no matrimônio. A esperança se recuperou e Uganda se converteu em um ponto de referência para o tema da AIDS”, afirma um especialista africano. Entretanto, recorda que o caso Uganda não tem apoio comercial porque os vendedores de preservativos perdem negócio ao promover a abstinência e em segundo lugar “algumas organizações ganham o pão de cada dia através da AIDS. Isto obriga a mudar a estratégia de prevenção a algo que não seja a Castidade”. A deputada católica Chris Tonietto fez o seguinte comentário em suas redes sociais: Louvamos a iniciativa da Secretária Nacional da Família, Angela Gandra Martins, que busca, apenas reafirmando o óbvio, combater o crescimento alarmante do sexo irresponsável na adolescência e todos os males sociais que pode acarretar: o combate às consequências deve levar-nos à indagação sobre as causas, e não há melhor remédio para isso do que o fomento e o fortalecimento da virtude da castidade. Respeitando e amoldando-se ao código moral que já é o da vasta maioria dos brasileiros, a Secretaria Nacional da Família, com a política do “Escolhi Esperar”, promete-nos resultados muito mais amplos e duradouros do que a promoção de métodos contraceptivos, e afasta-nos um pouco mais da abominação do aborto.
- Governo incentiva castidade para prevenir gravidez entre os jovens
Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos sugere a abstinência sexual como o único método ‘100% eficaz’. O governo do presidente Jair Bolsonaro incluiu uma nova frente nas políticas adotadas para prevenção da gravidez precoce e sexo seguro entre adolescentes: a abstinência sexual . Os ministérios da Mulher, Família e Direitos Humanos (MDH) e da Saúde elaboraram políticas para estimular jovens a deixarem de fazer sexo. O MDH, liderado pela ministra Damares Alves , passou a preparar eventos públicos para promover a abstinência sexual, sob o pretexto de discutir iniciativas voltadas à prevenção da gravidez na adolescência . Em um evento sobre gravidez precoce realizado em dezembro em um auditório da Câmara dos Deputados , a pasta convidou defensores da abstinência sexual. De acordo com a Organização Mundial de Saúde ( OMS ), o Brasil tem uma índice de 56,4 nascimentos a cada mil mulheres adolescentes na segunda metade da década — a taxa mundial é de 44 para cada mil. Diante desse quadro, o MDH optou pelo que classifica de “preservação sexual”. O MDH acrescenta que “a prevenção do risco sexual já é política em outros países com resultados exitosos em diversos indicadores sociais”. “A ideia de promover a preservação sexual está sendo considerada como estratégia para redução da gravidez na adolescência por ser o único método 100% eficaz e em razão de sua abordagem não ter sido implementada pelos governos anteriores”. Um caso de sucesso deste tipo de política ocorreu em Uganda, que conseguiu reduzir de 30 para 6% a taxa de AIDS promovendo mais abstinência que preservativos, exemplo que deve ser empregado em todo o continente. ”O método de Uganda era claro: a AIDS te mata, abstenha-se das relações sexuais antes do matrimônio e sejas fiel no matrimônio. A esperança se recuperou e Uganda se converteu em um ponto de referência para o tema da AIDS”, afirma um especialista africano. Entretanto, recorda que o caso Uganda não tem apoio comercial porque os vendedores de preservativos perdem negócio ao promover a abstinência e em segundo lugar “algumas organizações ganham o pão de cada dia através da AIDS. Isto obriga a mudar a estratégia de prevenção a algo que não seja a Castidade”. A deputada católica Chris Tonietto fez o seguinte comentário em suas redes sociais: Louvamos a iniciativa da Secretária Nacional da Família, Angela Gandra Martins, que busca, apenas reafirmando o óbvio, combater o crescimento alarmante do sexo irresponsável na adolescência e todos os males sociais que pode acarretar: o combate às consequências deve levar-nos à indagação sobre as causas, e não há melhor remédio para isso do que o fomento e o fortalecimento da virtude da castidade. Respeitando e amoldando-se ao código moral que já é o da vasta maioria dos brasileiros, a Secretaria Nacional da Família, com a política do “Escolhi Esperar”, promete-nos resultados muito mais amplos e duradouros do que a promoção de métodos contraceptivos, e afasta-nos um pouco mais da abominação do aborto.
- Homem desiste de suicídio após padre e fieis cantarem louvores
O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar trabalharam por mais de três horas para salvar homem no Centro de Patos de Minas. Ele subiu na janela do prédio e ameaçava a se jogar lá do alto. O homem tem 43 anos, toma remédio controlado e sofre de depressão. Muita gente acompanha o resgate. Homens do Corpo de Bombeiros subiram até o apartamento ao lado e tentaram convencê-lo a mudar de ideia. Ele ficou agachado na janela do prédio, mas às vezes ficava de pé, aumentando a tensão. Pessoas rezaram para que nada de mal acontecesse. A rua foi toda evacuada para ser feito o resgate. O trânsito na Rua Major Gote ficou bastante carregado e foi preciso ter paciência para transitar pelo Centro. Ele ficou na janela do segundo andar, a cerca de 8 metros do solo. Após mais de duas horas e meia, homem chegou a retirar o celular do bolso e falar com alguém. Um padre se juntou aos bombeiros para tentar fazê-lo mudar de ideia. Eles tocaram violão e cantaram o louvor “Como Zaqueu”. Após mais de três horas na janela do prédio, o homem foi convencido a entrar no apartamento. Segundo o capitão Artur do Corpo de Bombeiros, ele estava bastante transtornado e tinha alucinações, o que fez com que o trabalho de resgate fosse mais demorado. Com problemas psicológicos, o morador imaginava que estava sendo perseguido por mais de 20 homens. Para convencê-lo a descer da janela, um bombeiro permitiu que o homem usasse sua farda. Ele também foi informado que seria levado para a sede do Batalhão do Corpo de Bombeiros. Na verdade, segundo o capitão Artur, ele foi levado para uma unidade de saúde para ser medicado. ATUALIZANDO: Um trabalho de mais de três horas salvou a vida de um homem que ameaçava pular de um prédio na Rua Olegário Maciel, no Centro de Patos de Minas. O fato teve início por volta de 18h e só terminou as 21h desta terça-feira (10/12). Bombeiros, policiais, um padre e até um cantor convenceram a vítima a não pular. Segundo o capitão Arthur Fabio do Corpo de Bombeiros, os próprios familiares ligaram no telefone 193 e informaram que um homem queria se jogar da janela do terceiro andar de um prédio na Rua Olegário Maciel. Imediatamente, viaturas dos bombeiros e da Polícia Militar foram para o local. A Rua Olegário Maciel foi interditada entre a Rua Major Gote e a Avenida Getúlio Vargas. O Corpo de Bombeiros durante todo tempo dialogou com a vítima. O capitão explicou que a vítima sofre de esquizofrenia e outros fatores. Ele também estava se sentindo perseguido por alguém, a qual não soube explicar. Durante o trabalho de resgate, os bombeiros contaram com apoio de um cantor e do padre Marlon. Um bombeiro chegou a lhe ceder o uniforme da corporação para que a vítima se sentisse mais segura. Toda a ação foi acompanhada por centenas de pessoas. Segundo o capitão, por várias vezes a vítima ameaçou pular. Devido a sensação de perseguição, os bombeiros ofereceram levá-lo para o quartel. Após três horas de muita conversa, a vítima resolveu descer e foi levado para tratamento psiquiátrico. A ação foi comemorada por muitos que acompanharam o desfecho da ocorrência. via Nossa Senhora Cuida de Mim | Patos Hoje e Clube Notícia
- Homem desiste de suicídio após padre e fieis cantarem louvores
O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar trabalharam por mais de três horas para salvar homem no Centro de Patos de Minas. Ele subiu na janela do prédio e ameaçava a se jogar lá do alto. O homem tem 43 anos, toma remédio controlado e sofre de depressão. Muita gente acompanha o resgate. Homens do Corpo de Bombeiros subiram até o apartamento ao lado e tentaram convencê-lo a mudar de ideia. Ele ficou agachado na janela do prédio, mas às vezes ficava de pé, aumentando a tensão. Pessoas rezaram para que nada de mal acontecesse. A rua foi toda evacuada para ser feito o resgate. O trânsito na Rua Major Gote ficou bastante carregado e foi preciso ter paciência para transitar pelo Centro. Ele ficou na janela do segundo andar, a cerca de 8 metros do solo. Após mais de duas horas e meia, homem chegou a retirar o celular do bolso e falar com alguém. Um padre se juntou aos bombeiros para tentar fazê-lo mudar de ideia. Eles tocaram violão e cantaram o louvor “Como Zaqueu”. Após mais de três horas na janela do prédio, o homem foi convencido a entrar no apartamento. Segundo o capitão Artur do Corpo de Bombeiros, ele estava bastante transtornado e tinha alucinações, o que fez com que o trabalho de resgate fosse mais demorado. Com problemas psicológicos, o morador imaginava que estava sendo perseguido por mais de 20 homens. Para convencê-lo a descer da janela, um bombeiro permitiu que o homem usasse sua farda. Ele também foi informado que seria levado para a sede do Batalhão do Corpo de Bombeiros. Na verdade, segundo o capitão Artur, ele foi levado para uma unidade de saúde para ser medicado. ATUALIZANDO: Um trabalho de mais de três horas salvou a vida de um homem que ameaçava pular de um prédio na Rua Olegário Maciel, no Centro de Patos de Minas. O fato teve início por volta de 18h e só terminou as 21h desta terça-feira (10/12). Bombeiros, policiais, um padre e até um cantor convenceram a vítima a não pular. Segundo o capitão Arthur Fabio do Corpo de Bombeiros, os próprios familiares ligaram no telefone 193 e informaram que um homem queria se jogar da janela do terceiro andar de um prédio na Rua Olegário Maciel. Imediatamente, viaturas dos bombeiros e da Polícia Militar foram para o local. A Rua Olegário Maciel foi interditada entre a Rua Major Gote e a Avenida Getúlio Vargas. O Corpo de Bombeiros durante todo tempo dialogou com a vítima. O capitão explicou que a vítima sofre de esquizofrenia e outros fatores. Ele também estava se sentindo perseguido por alguém, a qual não soube explicar. Durante o trabalho de resgate, os bombeiros contaram com apoio de um cantor e do padre Marlon. Um bombeiro chegou a lhe ceder o uniforme da corporação para que a vítima se sentisse mais segura. Toda a ação foi acompanhada por centenas de pessoas. Segundo o capitão, por várias vezes a vítima ameaçou pular. Devido a sensação de perseguição, os bombeiros ofereceram levá-lo para o quartel. Após três horas de muita conversa, a vítima resolveu descer e foi levado para tratamento psiquiátrico. A ação foi comemorada por muitos que acompanharam o desfecho da ocorrência. via Nossa Senhora Cuida de Mim | Patos Hoje e Clube Notícia
- A TORRE DE BABEL DO TRANSHUMANISMO – Philippe Cahron
Quando a igualdade é invocada fora do campo da dignidade e dos direitos fundamentais (que é onde, na realidade, se deveria falar de equidade), ela se perverte em igualitarismo, que é um veneno mortal para a humanidade. A lógica igualitarista conduz à indiferenciação generalizada, ao “tudo é igual” que coloca o animal no mesmo nível do humano, até negar a este último o direito de transformar a natureza em seu benefício, por dever compartilhá-la com todas as outras espécies vivas. No entanto, é o humano que dá sentido aos seres vivos em toda a sua diversidade. Como a parábola dos talentos, a missão do homem não é preservar em seu estado original o que lhe foi confiado, mas dar frutos a partir do que recebeu, ou seja, fazer progredir a humanidade usando sua inteligência e os recursos à sua disposição. Agora, é o planeta a ser preservado que está hoje no coração do discurso dominante e não mais o homem, acusado de ser seu predador. A natureza não está mais a serviço do homem; ele é quem deve servi-la. Essa inversão do fim e dos meios é uma revolução que, como qualquer revolução, impõe total submissão ao dogma, pela abolição, neste caso, de especificidades políticas, culturais, étnicas, econômicas e antropológicas, para que a humanidade se transforme num vasto rebanho cuja composição, número e necessidades serão definidos uniformemente por uma pequena minoria informada pela ciência. Uma vez cortado esse elo entre natureza e homem — julgado prejudicial para a primeira e alienante para o segundo —, responsável pelo conceito de mérito através do trabalho e do intercâmbio, a humanidade poderá embarcar no caminho novo do transhumanismo, que visa libertar o homem de todos os limites em suas relações com a vida, o tempo e o ambiente, cultivando apenas a manutenção do prazer. Esta é a nova torre de Babel que se procura construir. O primeiro passo, já iniciado, é tornar a humanidade totalmente maleável para dela se servir, quebrando suas antigas estruturas através da desinformação, do medo, da culpa. O segundo passo será a nova organização desta humanidade, de acordo a visão transhumanista. Mas o projeto chegará a seu termo? Deus interrompeu essa empreitada vã porque os homens, que trabalhavam em sua realização, se tornaram escravos do projeto. A construção era seu único objetivo; a perda de um tijolo era mais grave que a morte de um homem e ninguém sentia a necessidade, fora do trabalho, de estabelecer relações com o outro. Em outras palavras, os homens já não mais correspondiam ao propósito de sua criação. Assim que se viram falando línguas diferentes, tiveram de estabelecer relações interpessoais para o mútuo entendimento, agindo e formando comunidades; começaram a necessitar uns dos outros e, a partir daí, nasceu a fraternidade, que dava um sentido verdadeiro às suas vidas. Esta é a lição da Torre de Babel: contra qualquer empreendimento escravizador, a única arma eficaz é a fraternidade. Esse valor é a pedra angular do sistema de valores expresso em nosso lema republicano, porque contém todos os demais e os protege da perversão que nutre as piores tiranias. Sem fraternidade, a liberdade é a lei dos mais fortes, igualdade é nivelamento, trabalho conjunto é comunitarismo, patriotismo é rejeição do outro, secularismo é anticlericalismo, solidariedade é recrutamento, religião é fundamentalismo, moral é rigorismo liberticida, generosidade é esmola exibicionista ou assistencialismo indiferente. Liberdade e igualdade são valores de combate quando a fraternidade é congregante e não produz vítimas. E diante de um futuro, que a maioria concorda em prever sombrio, surpreende-me que este terceiro valor do nosso lema republicano seja mencionado pela classe política com muita parcimônia. No entanto, em situações extremas, somente a fraternidade permite que uma comunidade sobreviva. https://www.lesalonbeige.fr/la-mission-de-lhomme-nest-pas-de-preserver-en-son-etat-originel-ce-qui-lui-a-ete-confie-mais-de-faire-fructifier-ce-quil-a-recu/
- Não havia comunhão na mão na Igreja dos primeiros séculos
D. Athanasius Schneider é bispo auxiliar da diocese de Karaganda (Casaquistão), uma ex-república soviética com 26% de cristãos, maioritariamente ortodoxa mas com uma pujante comunidade católica. Segundo D. Athanasius Schneider, o costume de comungar na mão é “completamente novo”, posterior ao Concílio Vaticano II, e não tem raízes nos tempos dos primeiros cristãos, ao contrário do que se alega com frequência. Na Igreja primitiva era necessário purificar as mãos antes e depois do rito, e a mão estava coberta com um corporal, de onde se tomava a forma directamente com a língua: “Era mais uma comunhão na boca do que na mão”, afirmou Schneider. De facto, depois de comungar a Sagrada Hóstia o fiel devia recolher da mão, com a língua, qualquer pequena partícula consagrada. Um diácono supervisionava esta operação. Nunca se tocava com os dedos: “O gesto da comunhão na mão tal como o conhecemos hoje era totalmente desconhecido” entre os primeiros cristãos. Aquele gesto foi substituído pela administração directa do sacerdote na boca, uma mudança que teve lugar “instintiva e pacificamente” em toda a Igreja. A partir do século V, no Oriente, e no Ocidente um pouco mais tarde. O Papa S. Gregório Magno no século VII já o fazia assim, e os sínodos franceses e espanhóis dos séculos VIII e IX sancionavam quem tocasse na Sagrada Forma. Afirma ainda D. Athanasius Schneider que a prática que hoje conhecemos da comunhão na mão nasceu no século XVII em meios calvinistas, onde não se acreditava na presença real de Jesus Cristo na eucaristia. “Nem Lutero”, que acreditava nessa presença, embora não na transubstanciação, “o teria feito”, disse o prelado. “De facto, até há relativamente pouco tempo os luteranos comungavam de joelhos e na boca, e ainda hoje alguns o fazem assim nos países escandinavos”. in religionenliberdad.com #Eucaristia #hóstia #Jesus
- UM REI PARA SER CONTEMPLADO – Scott Hahn medita sobre o Domingo da Epifania
Herodes, no evangelho de hoje, pergunta aos principais sacerdotes e escribas onde o Messias deve nascer. A resposta que Mateus coloca em seus lábios diz muito mais, combinando duas vertentes da promessa do Antigo Testamento: uma revelando que o Messias é da linhagem de Davi (2 Samuel 2, 5), e a outra predizendo “um governante de Israel”, que “irá pastorear o seu rebanho” e cuja “grandeza alcançará os confins da terra” (Miquéias 5, 1-3). A peregrinação dos Magos no Evangelho de hoje marca o cumprimento das promessas de Deus. Os Magos, provavelmente astrólogos persas, estão seguindo a estrela que, segundo profecia de Balaão, ascenderia junto com um cetro real sobre a casa de Jacó (Números 24,17). Carregados de ouro e especiarias, sua jornada evoca os oferecimentos feitos a Salomão pela rainha de Sabá e os “reis da terra” (1 Reis 10, 2, 25; 2 Crônicas 9, 24). Curiosamente, os únicos outros lugares da Bíblia, onde se mencionam juntamente o incenso e a mirra, são as canções sobre Salomão (Cântico dos Cânticos 3, 6; 4, 6; 4, 14). Eis aqui Alguém que é mais do que Salomão (Lucas 11, 31). Ele veio revelar que todos os povos são “co-herdeiros” da família real de Israel, como ensina a Epístola de hoje. Sua manifestação nos obriga a escolher: seguiremos os sinais que levam a Ele, como fizeram os sábios Magos? Ou seremos como aqueles sacerdotes e escribas que deixaram as palavras da promessa de Deus se tornarem letras mortas de uma velha página? https://stpaulcenter.com/audio/sunday-bible-reflections/a-king-to-behold-scott-hahn-reflects-on-the-feast-of-the-epiphany/
- Como resgatar a cultura ocidental
Não é nenhuma grande novidade, nossa cultura caminha a passos largos rumo a completa degradação. O que temos presenciado parece ser o grito agonizante de um corpo prestes a padecer. Após testemunhar tempos áureos de produção cultural, onde a visão cristã de mundo proporcionou nomes como T.S Eliot, Shakspeare, Dostoiévski, J.R.R Tolkien, Mozart, Bach, Rembrant, Caravaggio e tantos outros, vivemos o declínio do que um dia foi uma grande e pujante cultura ocidental. Para o próprio T.S Eliot, cultura associa-se ao desenvolvimento do indivíduo, e de nenhuma maneira poderia estar separada e independente da religião. Mas ao criar essa separação, o mundo moderno decretou a sua própria falência. Os movimentos seculares progressistas possuem o que é chamado “fé no progresso”. Uma crença de que conforme a sociedade avança através história, com as inovações tecnológicas e tudo mais, o ser humano automaticamente progride. Uma fé de que as coisas estão em constante movimento de melhora e que tudo irá ser perfeito em um futuro próximo. Já que para eles Deus não existe e o paraíso celestial é uma ideia ultrapassada, só os resta a ação prática de formar na Terra seu próprio paraíso. Quanto engano! O desenvolvimento tecnológico não aperfeiçoou o homem moralmente, não o tornou mais elevado espiritualmente, mais sábio e com conhecimento sobre si mesmo. Muito pelo contrário. Vivemos tempos de aumentos exponenciais de doenças ligadas a psique humana. Não a toa a palavra psykhé, de origem grega, é usada para descrever a alma. Vivemos tempos de profundas crises existenciais, que se refletem totalmente em nossa cultura. O homem perdeu-se de si mesmo. A degradação cultural é apenas reflexo da degradação interior. Nossa apostasia reflete a formação da cultura a nossa volta. Aquilo que prezamos, será exaltado, e aquilo que desprezamos, será rejeitado. Partindo dessa premissa, podemos identificar aquilo que tem dominado o coração e a mente da modernidade. Nada é fruto do acaso, a cultura não se enriquece ou decai por interferências dos astros ou por um processo fixo natural. São nossas crenças individuais que moldam a sociedade. Ao contrário do pensamento rousseauniano, a sociedade não corrompe ninguém, são os indivíduos com suas cosmovisões que tem o poder de corrompe-la, ou engrandece-la. A nossa crise cultural é reflexo de uma crise espiritual, que tem atormentado as consciências e abalado a convivência humana. Como conseguimos descer tanto na escala cultural? Como nossa cultura se tornou sinônimo de hiper sexualização? Como nossa produção literária se resume a contos eróticos e auto ajuda de quinta categoria? O que aconteceu? E isso não é um problema apenas do Brasil. Nos EUA, a maioria da produção cultural também são apenas versões “american style” do manifesto declínio cultural. O excesso de consumo de programas inúteis de TV, a falta de leituras úteis a mente e ao espírito, influenciaram a mente moderna e levaram a plena exaltação dos vícios e rejeição das virtudes. Aquilo que em tempos remotos era motivo de vergonha e embaraço social, hoje é exaltado e celebrado como a mais alta manifestação sócio cultural. A espiritualidade moderna (ou a falta dela), tem se manifestado de diversos modos curiosos. Uma visão peculiar é a atual visão “espiritualista sem Deus”, o pessoal da ‘good vibes’, mapa astral e outras besteiras do tipo. Rejeitam o Deus pessoal e criador, pois esse conceito está atrelado demais ao cristianismo; e apelam a um deus impessoal, amorfo e desconhecido, como se a natureza ou alinhamento de galáxias tivessem soberania sobre sua vida. Ou ainda pior, a visão materialista, sem Deus, sem esperança da redenção no plano metafísico, depositando todas suas fichas no plano material, no aqui e agora, reduzindo toda a complexidade da existência a mera matéria. Ambas possuem um imaginário errado do que é o cristianismo, da revelação de Deus em Cristo e do plano de salvação. Sua cosmovisão é fruto da rejeição do que não chegaram nem a conhecer. Não por acaso são os grupos mais atraídos por ideologias massificantes, que substituem a religião com propostas de salvação imanente. O paraíso não pode esperar o advento de Cristo, mas precisa ser implementado por nossas próprias mãos. As nossas crenças formam nosso imaginário, são como lentes de um óculos com os quais enxergamos a realidade e buscamos interpretá-la. Mas se sua lente estiver embaçada ou quebrada, isso trará problemas, e é com isso que estamos sofrendo. Viktor Frankl, o famoso psiquiatra austríaco e fundador da escola de Logoterapia, consegue trazer dados clínicos que exprimem melhor essa crise espiritual, que no fundo, também é uma crise existencial. Ele demonstra que a maioria dos jovens universitários e adultos entrevistados, afirmaram não enxergar nenhum sentido ou propósito em suas vidas. Pessoas que aparentemente possuíam tudo, casa, independência financeira e status social, disseram que sentiam um grande vazio existencial. Perceber que não há propósito na vida nos mantém em dificuldade e perplexidade diante da realidade. A decadência cultural é um reflexo da crise existencial do ser humano, que na tentativa de suprimir seu anseio natural pelo belo, justo e bom, reveste-se daquilo que tem de mais acessível, os prazeres imediatos da carne. A cultura pode refletir nossa grandeza, mas também revela nossa miséria. Muitos se afundam nos seus vícios, tudo na tentativa de obter picos de felicidade e preencher o vazio da alma. Ou ainda, tentam entorpecer a mente para que sua consciência não os lembre do vazio existencial e toda a angústia interior. Mas se as almas não forem salvas, nada mais se salvará. De nada adianta querer salvar o mundo, instituir a ordem, preservar o que o homem construiu ao longos dos séculos, se estamos perecendo com o que temos de único e mais importante, nossa alma. A luta do cristão não é contra a carne e sangue, mas contra os principados e potestades que regem o coração do homem pecaminoso. E o nosso coração entregue aos próprios vícios é um escravo do pecado, que tem arrastado toda uma cultura ao abismo. O homem nunca encontrará alívio enquanto não encontrar aquilo que busca. Na verdade, ele ainda não conhece muito bem o que tem buscado, por isso acaba se contentando com qualquer coisa que encontre. É como um mendigo, acostumado a revirar o lixo, se contenta com as migalhas espalhadas pelo chão, quando na verdade foi convidado a um grande banquete. O mundo é construído ou destruído de dentro para fora. Da mesma forma que as guerras existentes são manifestações macrocósmicas de conflitos interiores do homem, a cultura é manifestação do seu interior, do seu bem pensar, crer e agir. O resgate da cultura é o resgate do homem. E o resgate do homem é a obra da redenção de Cristo Jesus, o Deus que se fez carne para livrar-nos da condenação e jugo do pecado. Cristo é o ponto de partida para qualquer tentativa de resgate cultural, pois somente Ele pode regenerar um homem que foi feito escravo dos seus vícios e pecados e que tem refletido essa degradação em tudo a sua volta. A cultura nunca será salva sem a regeneração do homem, ela é apenas reflexo do que habita a sua mente e coração.
- [O INTERNACIONALISMO DA UNIVERSIDADE MEDIEVAL] – Eurípedes Simões de Paula
[Prof. Eurípedes Simões de Paula, titular por décadas da cadeira de História da Civilização Antiga e Medieval na USP, revela, no seguinte extrato de palestra, como o ensino superior na Idade Média era universalista sem abrir mão dos elementos nacionais.] A segunda metade do século XIII é o período de fastígio da Universidade medieval. Nunca se esqueçam que é a época em que pontificou São Tomás de Aquino. A famosa Summa de São Tomás é composta nesse período em que temos a Universidade Medieval mais típica. A Universidade de Paris cresceu de tal maneira que na segunda metade do século XIII a população estudantil de Paris orçava em cerca de trinta mil estudantes (Bolonha, na Itália, possuía vinte mil) e o maior número de estudantes estava matriculado na Faculdade de Artes, que é justamente a antepassada da nossa Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Lecionava-se aí o Trivium: Gramática, Dialética, Retórica; e o Quadrivium: Música, Aritmética, Geometria e Astronomia, divisões essas que vinham aliás do mundo antigo. Esta Universidade é uma Universidade internacional. Havia o que na época se chamava de nações (nações de estudantes). Os gallicani (a “honrada nação dos galicanos”, o nome que ela tinha nos documentos) eram indivíduos oriundos de Paris, de Bordéus, da Espanha, da Itália. A outra nação, a dos Normandi (“venerável nação dos Normandi”) compreendia os estudantes oriundos da Normandia. Os Picardi (também chamada “a muito fiel nação dos Picardi”) compreendia os alunos vindos da Flandres; e por fim na nação dos Angli ou Alemani (“a muito constante”) matriculavam-se os estudantes da Inglaterra, da Alemanha, da Escócia, da Irlanda, da Escandinávia, Polônia, Hungria e Boêmia. Os professores eram das mais variadas procedências: Alberto o Grande, por exemplo, era alemão de Colônia; Alberto da Boêmia, da Checoslováquia dos nossos dias; Sigério de Brabante, da região de Flandres; São Boaventura e Santo Tomás de Aquino, italianos. Vejam os srs. estudantes que, já naquela época, beneficiava-se extraordinariamente a Universidade com a vinda de professores estrangeiros que traziam a cultura de seu povo para que os seus novos estudantes pudessem também dela aproveitar-se. (História da ciência – perspectiva científica. Coletânea de artigos organizada por Shozo Motoyama. São Paulo, USP, 1974)
- O NÚMERO DOS ELEITOS - SERMÃO DE SÃO LEONARDO DE PORTO MAURÍCIO
O Número dos Eleitos - Sermão de São Leonardo de Porto-Maurício Índice Temático: I - Aquilo que encheu de medo os mais grandes santos; II - Aquele que se condena, se condena por sua própria malícia; III - Isso não é uma, mas uma pregação; IV - Testemunhos da Escritura; V - Exame dos diversos estados; VI - Os dois caminhos; VII - As Confissões; VIII - Como as areias do mar... Como as estrelas do firmamento; IX - Deus, Pai Justo; X - Não há desculpa; XI - A sorte dos católicos pecadores; XII - Se vós quiserdes, vós vos salvareis. Introdução: O sermão de São Leonardo de Porto-Maurício sobre o número dos eleitos: São Leonardo de Porto-Maurício foi um dos grandes pregadores de missões populares. Seus quarenta e quatro anos de ministério apostólico se passaram a percorrer incansavelmente a Itália. Em Roma mesmo, sobre Navona, São Leonardo pregou uma missão na qual o Papa Bento XIV assistiu. Sua pregação foi extremamente eficaz. "Meus sermões são à base não de belas palavras mas de belas verdades... Eu me servirei de palavras simples, familiares para ser entendido dos mais rupestres e dos mais ignorantes, sem, no entanto, cansar os mais inteligentes" Seu infatigável companheiro, o Fr. Jacques de Florência, aconselhou-o um dia de mudar seus temas de sermão, pois, dizia ele, fazendo sempre os mesmos sermões, não obtemos a mesma quantidade de fruto do que se nós variarmos. O Santo lhe respondeu por esse argumento decisivo: "Fazei-o, e tu serás um pequeno doutor presunçoso que procura a glória do mundo e não a de Deus" . Assim raciocinam os santos. "Com dois ou três companheiros, a pé, sem sapatos, cajado na mão, São Leonardo, nos diz o Padre Gemelli ( El Franciscanismo, VI), percorria toda a Itália central, quase toda a Itália do Norte e o Meio até Napólis. Em todo lugar que ele parava, provocava um concurso extraordinário do povo. Desde os primeiros sermões, a igreja se achava muito pequena para a multidão que acorria; basta citar que durante suas pregações em praças públicas, elas se enchiam de tal forma que haviam ouvintes até nos telhados. Uma vez terminado o sermão, os confessionários eram ocupados; e o missionário, sem aparentar cansaço, confessava horas após horas, de dia e de noite, com a coragem do soldado que recusa abandonar o campo de batalha até que ele tenha obtido uma completa vitória; sem esquecer que, após a batalha, falta-lhe ainda perseguir o inimigo: "contra o inferno, dizia ele, tenhais a espada na mão... estejam prontos a combater o inferno até vosso último suspiro". O Papa Bento XIV o chamou de "o grande caçador do Paraíso". Figura apostólica célebre e muito popular, São Leonardo é o Patrono das missões populares. Qual é a razão desse patronado? É o fato de que ele cumpria perfeitamente aquilo que o código de direito canônico, no cânon 1347, demanda: 1. A pregação sacra deverá expor, antes de tudo, o que os fiéis devem crer e praticar para se salvarem. 2. Os pregadores da palavra divina devem se abster de tratar dos afazeres profanos, dos sujeitos abstratos que ultrapassam a capacidade ordinária dos ouvintes. Eles devem exercer seu ministério evangélico não por razões persuasivas de uma eloquência humana, nem por parecer profano ou a sedução de uma vã e ambiciosa eloquência, mas mostrando-se em sua pregação pleno o espírito e a virtude de Deus, não se pregando eles mesmos, mas o Cristo Crucificado. Um dos mais célebres sermões de São Leonardo de Porto-Maurício foi aquele do pequeno número dos eleitos; É a esse sermão que é atribuída a conversão de grandes pecadores. Nesse sermão - que foi submetido a exame canônico, como seus outros escritos, no curso do processo de canonização -, ele passa em revista os diferentes estados de vida dos Cristãos e conclui o pequeno número (relativo) daqueles que se salvam, sendo feita em comparação com a totalidade dos homens. O leitor meditará, ele mesmo, sobre esse texto notável, e, fazendo talvez abstração de algumas expressões que podem parecer pitorescas à mentalidade moderna, ele apreenderá a solidez da argumentação que a fez merecer aprovação da Igreja. Aqui está, então, o sermão vibrante e comovedor do grande missionário. Sermão para a terça-feira após o quarto Domingo da Quaresma "Sobre o número dos eleitos", extraído do livro Sermons du bienheureux Léonard de Port Maurice (traduzido do Italiano para o Francês por Ch. Sainte Foy), pp. 134-161. I - Isso que encheu de terror os maiores santos Graças a Deus, o número de discípulos do Redentor não é tão pequeno que de tal forma que a maldade dos escribas e dos fariseus venham triunfar. Embora eles se esforcem em caluniar o Inocente e de derrubar a multidão por seus pérfidos sofismas, desacreditando a doutrina e o caráter de Nosso Senhor, achando manchas até no sol, muitos reconheceram Nele o Verdadeiro Messias, e sem receio das punições e nem das ameaças, abraçaram abertamente Seu partido. Malgrado as imposturas de Seus inimigos: "De turba autem multi crediderunt in Eum". (Mas) Todos aqueles que seguiram o Cristo o seguiram até na Sua Glória? Oh! É aqui que, venerando esse profundo mistério, eu adoro em silêncio os abismos dos decretos divinos, antes que decidir com temeridade um tão grande ponto! É um grave tema aquele de que devo tratar hoje; ele fez tremer mesmo as colunas da Igreja, encheu de terror os mais grandes santos e a população dos anacoretas dos desertos. Esta instrução, na qual se trata de decidir se o número dos cristãos que se salvam é maior ou menor que o número de cristãos que se perdem, vos inspirará, eu espero, um receio salutar dos julgamentos de Deus. II - Aquele que se perde, se perde por sua própria malícia Meus irmãos, eu queria, por causa do amor que eu vos tenho, poder vos assegurar por prognósticos de uma felicidade eterna, dizendo a cada um de vós: o paraíso vos está assegurado; o maior grande parte dos cristãos se salva, então, vocês irão se salvar também. Mas, como poderia eu vos dar essa doce segurança, se, inimigos de vós mesmo, vós vos revoltais contra os decretos de Deus? Eu percebo em Deus um sincero desejo de vos salvar, mas eu vejo em vós uma inclinação decidida a se perderem. Que farei eu, pois, hoje, se eu falo claramente? Eu vos desagradarei. Mas, se eu não falar, eu desagradarei a Deus. Eu partirei então esse tema em dois pontos: no primeiro, para vos aterrorizar, deixarei os teólogos e os Padres da Igreja decidirem a questão, e pronunciar que a maior parte dos cristãos adultos se danam; e, adorando em silêncio esse terrível mistério, eu deixarei escondido meu próprio sentimento. No segundo ponto, tentarei vingar contra os ímpios a bondade de Deus, provando-vos que aqueles que se perdem, se perdem por sua própria malícia, porque eles quiseram se condenar. Aqui estão, pois, duas verdades muito importantes. Se a primeira vos assusta, não a tomeis de mim, como se eu quisesse estreitar o caminho do Céu. Pois, eu quero ser neutro nessa questão: tomeis disso vos, antes, dos Teólogos e dos Padres da Igreja, que, por força de razões, vos imprimirão essa verdade no coração. Se vocês estão corrigidos pela segunda, rendei graças a Deus, que não quer alguma coisa a não ser que vós Lhe deis inteiramente vossos corações. Enfim, se vós me forceis a dizer claramente o que eu penso, eu o farei para vossa consolação. III - Isso não é uma curiosidade, mas uma pregação Isso não é uma vã curiosidade, mas uma pregação salutar, fazendo soar do alto do púlpito certas verdades que servem maravilhosamente para reprimir a insolência dos libertinos, às quais, falando sempre da misericórdia de Deus e da facilidade de se converter, vivem mergulhados em toda sorte de pecados e dormem com segurança no caminho da perdição. Para os desiludir e os acordar de seu torpor, examinemos hoje essa grande questão: o número de cristãos que se salvam é maior que aquele de cristãos que se perdem? Almas piedosas, retirai-vos, este sermão não é para vós: ele tem unicamente por objetivo reprimir o orgulho desses libertinos que, matando em seus corações o santo temor de Deus, se ligam ao demônio, o qual, no sentimento de Eusébio, perde as almas tranquilizando-as "immittit securitatem ut immittat perditionem". Para resolver essa dúvida, colocai de um lado os Padres da Igreja, tanto gregos como latinos, e de outros os teólogos mas sábios, os historiadores mais eruditos e ponha no meio a Bíblia exposta ao olhar de todos. Escutai, pois, não o que eu vou dizer-vos, pois eu vos declarei que não queria tomar eu mesmo a palavra nem decidir a questão, mas sim o que vos dirão esses grandes espíritos que servem como de faróis na Igreja de Deus, para esclarecer os outros afim de que eles não percam o caminho do céu. Dessa forma, guiados pela tripla luz da Fé, da Autoridade e da Razão, nós poderemos resolver seguramente essa grave questão. Observai bem que não se trata aqui de todo o gênero humano, nem de todos os católicos sem distinção, mas somente dos católicos adultos que, tendo o livre arbítrio, podem cooperar na grande obra de sua salvação. Consultemos em primeiro lugar os teólogos no qual reconhecemos que examinaram as coisas de mais perto e não exageraram em seus ensinamentos; escutemos dois sábios cardeais, Caetano e Belarmino: eles ensinam que a maior parte dos cristãos adultos se perdem, e, se eu tivesse o tempo de vos expor as razões sobre as quais eles se apoiam, vocês delas estariam convencendo a vós mesmos. Eu me contentarei em citar aqui Suarez que, depois de ter consultado todos os teólogos, depois de ter estudado atentivamente a questão, escreveu essas palavras: "o sentimento mais comum toma que no meio cristão há mais reprovados que predestinados". Se, diante da autoridade dos teólogos, vocês quiserem juntar aquela dos Padres gregos e latinos, achareis em quase todos dizem a mesma coisa. É o sentimento de São Teodoro, de São Basílio, de Santo Efrém, de São João Crisóstomo. Mais ainda, na exposição de Baronius, era uma opinião comum entre os Padres Gregos que essa verdade foi expressamente revelada à São Simão Stilita e que era para assegurar o negócio de sua salvação que ele decidiu, logo após essa revelação, viver em pé durante quarenta anos sobre uma coluna, exposta a todas às variações do tempo, modelo para todos de penitência e de santidade. Consultai agora os Padres Latinos, e vos escutareis São Gregório Magno dizer-vos em termos claros: "Muitos vem a obter a fé, mas poucos o reino celeste". "São poucos que se salvam", diz Santo Anselmo, e Santo Agostinho fala ainda mais claramente: "São, pois, poucos que se salvam em comparação com aqueles que se perdem". O mais terrível, no entanto, é São Jerônimo que, no fim de sua vida, em presença de seus discípulos, pronunciou essa terrível sentença: "De cem mil, para os quais a vida foi sempre má, acharás neles um apenas que merece a indulgência". IV - Testemunhos da Santa Escritura Mas por que procurar as opiniões dos Padres e dos Teólogos, quando a Santa Escritura define tão claramente essa questão? Percorrei o Antigo e o Novo Testamento e vós nele encontrareis uma multidão de figuras, de símbolos e de palavras que fazem destacar claramente essa verdade: são muito poucos os que se salvam. No tempo de Noé, todo o gênero humano foi submergido pelo dilúvio, e oito pessoas apenas foram salvas na arca. "No entanto, essa arca, diz São Pedro, era a figura da Igreja", "e essas oito pessoas que se salvaram, retoma Santo Agostinho, significam que há muitos poucos cristãos salvos, porque são muitos poucos que renunciam sinceramente ao século, e que aqueles que não o renunciam mais do que por palavras, não pertencem ao mistério representado por essa arca". A Bíblia nos diz ainda que dois Hebreus somente sobre dois milhões entraram na terra prometida depois da saída do Egito; quatro pessoas somente escaparam do incêndio de Sodoma e das outras vilas infames que pereceram com ela. Tudo isso significa que o número de reprovados, que devem ser jogados ao fogo como a palha, supera e muito o número dos eleitos que o Pai Celeste deve recolher um dia, como um precioso trigo no seu celeiro. Eu não terminaria, portanto, se começasse a falar aqui todas as figuras pelas quais os livros santos confirmam essa verdade. Contentemo-nos de escutar o Oráculo Vivo da Sabedoria Encarnada. Que respondeu Nosso Senhor aos curiosos do Evangelho que Lhe perguntaram: "Senhor, serão poucos que se salvarão?" Guardou Ele o silêncio? Respondeu Ele hesitando? Dissimulou Ele seu pensamento com receio de aterrorizar a multidão? Não: interrogado por um só, Ele se endereçou a todos aqueles que estavam presentes. Você me pergunta, disse-lhes Ele, se são poucos os que se salvam. Aqui está minha resposta: "Esforçai-vos em entrar pela porta estreita, pois muitos, eu vos digo, procurarão entrar e não poderão". Quem Fala aqui?! É o Filho de Deus, a Verdade Eterna, que diz mais claramente ainda em uma outra ocasião: "muitos são chamados, mas poucos são eleitos". Ele não diz: "Todos são chamados, e entre todos os homens poucos são eleitos. Mas diz: muitos são chamados, quer dizer, como explica São Gregório, que entre todos os homens, muitos são chamados à verdadeira fé, mas entre eles são poucos os que se salvam. Essas palavras, meus irmãos, são de Nosso Senhor Jesus Cristo; são elas claras? Elas são verdadeiras. Diga-me agora se é possível de ter a Fé em seu coração, e não tremer. V - Exame dos diversos estados Ah!, percebo que falando assim de todos em geral, eu falto com meu objetivo: Apliquemos então essa verdade aos diversos estados, e vós compreendereis que é preciso ou renunciar a razão, a experiência e ao senso comum dos fiéis, ou confessar que a maior parte dos católicos se perdem. Existe no mundo um estado mais favorável à inocência, onde a salvação parece mais fácil e no qual nós temos uma mais alta ideia que aquele dos Padres, que são os tenentes de Deus? Quem não acreditará, de primeira impressão , que a maior parte dentre eles são não somente bons, mas ainda perfeitos; e, no entanto, eu estou tomado de horror, quando escuto um São Jerônimo adiantar que, embora o mundo seja pleno de padres, deles apenas um sobre cem padres vivem de uma maneira conforme o seu estado; quando ouço um servo de Deus atestar que aprendeu por revelação que o número de padres que caem diariamente no inferno é tão grande, que não lhe parecia possível restar ainda tantos padres sobre a terra; quando eu escuto São João Crisóstomo escrever com lágrimas nos olhos: "Eu não creio que tenha muitos padres que se salvam, mas eu creio no contrário, que o número daquele que se perdem é bem maior". Olhai mais alto ainda; veja os prelados da Santa Igreja, os párocos tendo o encargo das almas: o número daqueles que se salvam entre eles é maior que o número dos que se perdem? Escutai Tomás de Cantimpré, ele vos recordará um fato, isto será encarregado a vós de dele tirar as consequências. Houve um sínodo em Paris: um grande número de prelados e de párocos encarregados de almas ali se achavam; o rei e os príncipes vieram ainda acrescentar por sua presença a centelha dessa assembleia. Um célebre pregador foi convidado a pregar; e durante a preparação de seu sermão, um horrível demônio apareceu-lhe e disse-lhe: "Deixai de lado todos teus livros; se você quer fazer um sermão útil a esses príncipes e prelados, contentai-vos em dizer-lhes de nossa parte: "Nós, príncipes das trevas, vos rendemos graças, a vós príncipes, prelados e pastores de almas, pois, por vossa negligência, o maior número de fiéis se perde; assim, nós nos reservamos de recompensar esse favor, quando vocês estiverem conosco no inferno". Infelizes de vós que comandeis aos outros: se tantos se perdem por vossa culpa, o que será de vós? Se entre aqueles que são os primeiros na Igreja de Deus, são poucos que se salvam, o que virá a ser de vós? Tomai todos os estados, todos os sexos, todas as condições, maridos, esposas, viúvas, jovens moças, jovens rapazes, soldados, comerciantes, artesãos, ricos, pobres, nobres, plebeus; que diremos de todas essas pessoas que vivem tão mal em outros lugares? São Vicente Ferrer vos mostrará por um fato o que vós deveis pensar. Ele relata que um subdiácono de Lyon, tendo renunciado à sua dignidade e estando retirado em um deserto para lá fazer penitência, morreu no mesmo dia e na mesma hora que São Bernardo. Aparecendo a seu bispo depois de sua morte, disse-lhe: "Sabei, meu senhor, que na mesma hora que eu expirei, trinta e três mil pessoas morreram. Sobre esse número, Bernardo e eu subimos ao céu sem demora, três entraram no Purgatório, e todos os outros caíram no inferno". Nossas crônicas testemunham um fato mais assustador ainda. Um de nossos religiosos franciscanos, célebre por sua doutrina e sua santidade, pregando na Alemanha, representou com tanta força a feiura do pecado da impureza que uma mulher caiu morta de dor à vista de todos. Depois, voltando à vida, ela disse: "quando eu fui apresentada diante do Tribunal de Deus, sessenta mil pessoas chegaram lá ao mesmo tempo de todas as partes do mundo; sobre esse número, três foram salvas passando pelo purgatório, e todo o resto foi condenado". Ó abismo dos julgamentos de Deus! De trinta e três mil, cinco somente se salvaram! De Sessenta mil não tiveram senão três que foram ao céu! Pecadores que me escutais, de qual número sereis vós? ... Que tendes a dizer? ... O que pensais?... VI - Os dois caminhos Eu vejo que quase todos vós abaixais a cabeça, apreendidos de surpresa e de horror. Retirai, porém, vosso estupor, e ao invés de nos aliciarmos, tentemos tirar de nosso receio alguma vantagem. Não é verdade que existem duas vias que conduzem ao Céu, que são a inocência e o arrependimento? Ora, se eu vos demonstro que são pouquíssimos que tomam uma dessas rotas, vós concluís disso, como homens racionais, que são pouquíssimos que se salvam. E para disso vir as provas, qual idade, qual emprego, qual condição vos encontrais onde o número de comerciantes não seja cem vezes mais considerável que aquele dos bons, e do qual pudéssemos dizer: "os bons ali são raros e os comerciantes numerosos"? Podemos dizer de nossos tempos o que São Salviano (1) disse do dele: é mais fácil achar uma multidão inumerável de pecadores mergulhados em toda sorte de iniquidades que alguns inocentes. Quantos há entre eles, entre os servidores, que sejam inteiramente honestos e fieis em seu ofício? Quantos entre os mercadores, que são justos e equitativos em seu comércio? Quantos, entre os artesãos, são exatos e verídicos? Quantos, entre os negociantes, são desinteressados e sinceros? Quantos, entre os homens da lei, que não traem a equidade? Quantos soldados que não calcam com os pés a inocência? Quantos chefes que não retém injustamente o salário daqueles que os servem ou que não procuram dominar seus inferiores? Em toda parte, os bons são raros e os perversos numerosos. Quem não sabe que hoje existe tanto libertinagem entre os jovens rapazes, tanta malícia entre os homens maduros e tanta liberdade entre as jovens moças, de vaidade entre as mulheres, de licenças na nobreza, de corrupção na burguesia, de dissolução do povo, tanta audácia entre os pobres, que podemos dizer o que Davi disse de seu tempo: "Todos parecem extraviados... e não há quem faça o bem, nem mesmo um só" (Ps. XIII e LII) Nós chegamos, ai de nós! Chegamos a esse dilúvio universal de vícios predito por Oseias: maledictum et mendacium et furtum et adulterium inundaverunt. Percorrei as ruas e as praças, os palácios e as casas, as vilas e os campos, os tribunais e os cursos, e mesmo os templos de Deus: onde achareis vós a virtude? "Ai de nós! Diz São Silvano, à exceção de um grande pequeno número que fogem do mal, o que é a assembleia dos cristãos, senão um porão de todos os vícios?" Não achamos em toda parte senão interesse, ambição, gula e luxúria. Não é verdade que a grande parte dos homens se contaminaram pelo vício da impureza, e São João não tinha ele razão de dizer que o mundo, se é que podemos chamar assim alguma coisa também tão imunda, está inteiramente posto no mal? Não sou eu quem vos diz, é a razão que vos força a crer que entre tantas pessoas que vivem assim tão mal, são pouquíssimos os que se salvam. VII - As confissões Mas a penitência, dizeis vós, não pode ela reparar com vantagem a perda da inocência? É verdade, concordo: mas sei também que a penitência é tão difícil, na prática, que ou ela perdeu extremamente o uso ou os pecadores abusam extremamente dela, que isso só basta para vos convencer que são poucos os que se salvam por esta via. Oh! Que esse caminho é de difícil acesso, estreito, semeado de espinhos, horrível de ver, duro para subir! Temos nele visto em toda parte traços de derramamento de sangue, e de coisas que lembram tristes lembranças. Quantos fracos nada chegaram a ver! Quantos desistem no começo! Quantos caem fatigados no meio, quanto se abandonam miseravelmente no fim! E, quão poucos são os que nele perseveram até a morte! Santo Ambrósio declara que é mais fácil achar homens que guardaram a inocência que entre eles achar quem tenha feito uma penitência conveniente: "Facilius inveni qui innocentiam servaverint, quam qui congruam poenitentiam egerint". Se vós considereis a penitência enquanto Sacramento, quantas confissões censuradas, quanto apologias estudadas, quantos arrependimentos enganosos, quantas promessas falsas, quantos propósitos ineficazes, quantas absolvições inválidas! Por acaso olhai como válida a confissão daquele que se acusa de seus pecados desonestos dos quais não se guarda das ocasiões próximas de levá-lo ao pecado, ou daquele que se acusa das injustiças manifestas sem ter intenção de os reparar o tanto que ele pode; ou daquele que, apenas tendo confessado, recai nas mesmas iniquidades? Oh! Abusos horríveis de um tão grande Sacramento! Um se confessa para evitar a excomunhão, o outro para dar-se a si mesmo a reputação de um penitente. Aquele se livra de seus pecados para acalmar seus remorsos, esse aqui os esconde por vergonha; Certos pecados ele acusa imperfeitamente por malícia, outros descobre por hábito. Aquele não se propõe pois ao verdadeiro fim do sacramento; A aquele falta-lhe a dor necessária; a outro falta um firme propósito. Pobres confessores, quanto esforços não vos é preciso para convencer a maior grande parte dos penitentes a essas resoluções, a esses atos, sem os quais a confissão é um sacrilégio, a absolvição uma condenação e a penitência uma ilusão! Onde estão agora aqueles que acreditam que o número dos eleitos entre os cristãos é maior que aquele de reprovados e que, para autorizar a opinião deles, convencem assim a maior parte dos católicos adultos que morrem em seus leitos, munidos dos Sacramentos da Igreja, então, pois, a maior parte dos católicos adultos são salvos? Oh! Que belo raciocínio! É preciso dizer totalmente o contrário. A maior parte dos católicos adultos se confessam mal durante toda a vida, então, ainda com mais forte razão eles se confessam mal no momento da morte!; concluímos, pois, que a maior parte é condenada. Digo: com mais razão, porque quando algum moribundo que não se confessou bem enquanto estava com boa saúde, terá ele ainda mais dificuldade em bem se confessar quando ele estiver no leito de morte, com o coração oprimido, com a cabeça vacilando, e com a razão sonolenta; (nesse momento) quando será combatido de várias formas pelos objetos ainda vivos, pelas ocasiões ainda se produzirão, pelos hábitos contraídos, e sobretudo pelos demônios que buscam todos os meios de precipitá-lo no inferno? No entanto se a todos esses falsos penitentes vós acrescentardes tantos outros pecadores que morrem de improviso no pecado, ou pela ignorância dos médicos, ou pela falta dos pais, que morrem envenenados ou enterrados em um terremoto, ou atacados de um acidente vascular cerebral, ou em uma queda, ou em um campo de batalha, ou em uma rixa, ou pegos em uma armadilha, ou atacados por um relâmpago, ou queimados, ou afogados, não é forçoso concluir que a maior parte dos cristãos adultos são condenados? É o raciocínio de São João Crisóstomo. A maior parte dos cristãos, disse esse santo, não caminha toda sua vida no caminho do inferno? Por que, pois, vos surpreendeis de que a grande parte deles vá para o inferno? Para chegar à porta é preciso pegar o caminho que a ela nos leva. Que tendes vós para responder assim a um tão forte argumento? VIII - Como as areias do mar... Como as estrelas do firmamento... A resposta, vós me direis, é que a misericórdia de Deus é grande. Sim, mas para aquele que O teme: "Misericordia Domini super timentes eum", diz o Profeta; mas Sua justiça é grande para aquele que não o teme, e ele reprova todos os pecadores teimosos: "Discedite a Me, omnes operarü iniquitatis". Mas então, vós me direis, para quem é, então, o Paraíso, se ele não é para todos os cristãos? Ele é para os cristãos, sem dúvida, mas para aqueles que não desonram esse seu carácter e que vivem como cristãos. E, além disso, se ao número de cristãos adultos que morrem na graça de Deus vós acrescentardes aquela multidão inumerável de crianças que morreram depois do Batismo, antes de terem chegado ao uso da razão, vós não vos surpreendereis mais do que o Apóstolo São João disse falando dos eleitos: "Eu vi uma grande multidão que ninguém poderia contar". E é aí que erram aqueles que pretendem que o número dos eleitos entre os católicos é maior que o de reprovados. É certo que, se vós tomardes todos os católicos juntos, a maior parte se salva, porque, após as observações que foram feitas, a metade das crianças sobre as que morrem depois do batismo, morreram antes do uso da razão. No entanto, se a esse número vós ajuntardes os adultos que conservaram o vestido da inocência, ou que, após terem se contaminado, lavaram-se nas lágrimas da penitência, é certo que a maior parte está salva; e é isso que explica essas palavras do Apóstolo São João: "Eu vi uma grande multidão", e essas outras de Nosso Senhor: "Muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se repousarão com Abraão, Isaac e Jacó no reino dos Céus", e essas outras figuras que temos costume de citar em favor dessa opinião. Mas se falamos dos cristãos adultos, a experiência, a razão, a autoridade, a conveniência e a Escritura se concordam em provar que a maior parte se condena. Não acrediteis por isso que o paraíso seja deserto; é, antes, o contrário, é um reino muito populoso; e se os reprovados são também tão numerosos quanto as areias do mar, os eleitos os são o tanto quanto as estrelas do firmamento, quer dizer então que tanto uns como os outros são inumeráveis, embora em proporções muito diferentes. São João Crisóstomo, pregando um dia na catedral de Constantinopla e considerando essa proporção, não pode conter-se de tremer de horror: "Quantos, diz ele, entre esse povo tão numeroso, acrediteis vós que haverão de eleitos?" E sem esperar a resposta, acrescentou: "Entre tantos milhares de pessoas ou não acharás cem que se salvem, e entre esses cem eu ainda tenho dúvida". Que coisa terrível! O grande santo acreditava que em um povo tão numerosos teria apenas cem que deveriam se salvar, e ainda não estava ele certo desse número. Que acontecerá de vós que me escuteis? Ó Deus Grande? Não posso nisso pensar sem tremer. É uma coisa bem difícil, meus irmãos, o negócio da salvação; pois segundo a máxima dos teólogos, quando um fim exige grandes esforços, poucos somente o atingem. "Deficit in pluribus, contingit in paucioribus" É por isso que o Doutor Angélico Santo Tomás, depois de ter, com sua imensa erudição, pesado todas as razões pró e contra, conclui no fim que a maior parte dos católicos adultos se perdem: "A beatitude eterna excede o estado comum da natureza, sobretudo desde que ela está privada da graça original, e por isso é pequeno o número dos que se salvam" (2) IX - Deus, Pai Justo Tirai, pois, dos vossos olhos essa venda no qual vos cega o amor-próprio, e que vos impede de crer em uma verdade assim evidente, dando-vos as ideias mais falsas sobre a justiça de Deus. "Pai Justo! O mundo não vos conheceu portanto", diz Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele não diz Pai Todo-Poderoso, Pai Bondosíssimo, Misericordioso, Ele diz: "Pai Justo", para nos fazer entender que de todos os atributos de Deus, nenhum é tão pouco conhecido como Sua Justiça, porque os homens recusam crer no que eles têm receio de experimentar. Tirai pois o véu que vos cobre os olhos, e diga com lágrimas: Ai de mim! A maior parte dos católicos, a maior parte dos habitantes desse lugar, e talvez mesmo desse auditório, será condenada. Qual tema merece mais vossas lágrimas? O rei Xerxès, vendo do alto de uma colina seu exército composto de cem mil soldados dispostos em ordem de batalha, e considerando que de tudo isso não haveria um só homem vivo em cem anos, não pôde conter suas lágrimas. Não temos nós muito mais razão de chorar pensando que, de tantos católicos, a maior parte será condenada? Esse pensamento não deveria ele tirar de nossos olhos córregos de lágrima ou ao menos excitar em nossos corações o sentimento de compaixão que provou certa vez o venerável Marcelo de São Domingos, religioso Agostiniano? Como ele meditava um dia sobre as penas eternas, o Senhor mostrou-lhe quanto almas iam naquele momento ao inferno e fez-lhe ver um caminho muito largo onde vinte dois mil reprovados corriam em direção ao abismo, batendo-se uns nos outros. A essa vista, o servo de Deus, estupefato, exclamava!: "Oh! Que número! Que número! E ainda vem outros. Ó Jesus! Ó Jesus! Que loucura!" (3) Deixai-me pois repetir com Jeremias: "Quem dará água à minha cabeça e uma fonte de lágrimas aos meus olhos, e eu chorarei aqueles que a filha de meu povo perdeu". Pobres almas! Como correis vós assim tão ansiosos para o inferno? Parem por favor, e escutem-me um instante. Ou vós compreendeis isso que eu quero dizer, se salvar e se perder por toda a eternidade, ou bem, vós não compreendeis. Se vós o compreenderes, e se malgrado isso vós não vos decidirdes hoje a mudar de vida, a fazer uma boa confissão, e calcar o mundo aos pés, em uma palavra, a fazer todos os vossos esforços para ser do pequeno número daqueles que se salvam, eu digo que vós não tendes a Fé. Se vós não o compreendeis, vós sois mais desculpáveis; pois, é preciso dizer que você perdeu o sentido. Se salvar durante toda a eternidade! Se perder (danar) por toda a eternidade! E não fazer todos seus esforços para evitar um e assegurar o outro, é uma coisa que não se pode conceber. Talvez não acrediteis ainda as verdades terríveis que eu venho vos ensinar. Mas esses são os teólogos mais consideráveis, os Padres mais ilustres que vos falou pela minha boca. Como podeis vós, pois, resistir à essas razões fortificadas por tantos exemplos, por tantas palavras da Escritura? Se, malgrado isso, vós hesiteis ainda, e se vosso espírito pende para a opinião oposta, essa só consideração não é suficiente para vos fazer tremer? Ah! Vós fazeis ver por isso que vós haveis pouca preocupação com a vossa salvação! Nesse negócio importante, um homem de bom senso é mais atacado pela menos dúvida do perigo que ele corre pela evidência de uma ruína completa em seus outros negócios onde a alma não é pois interessada. Também, um de nossos religiosos, o bem-aventurado Gille, tinha costume de dizer que, se um só homem devia se condenar, ele teria feito todo o possível para assegurar que não seria ele. Que devemos nós, pois, fazer, nós que sabemos que, não somente entre todos os homens, mas ainda entre os católicos, a maior parte será condenada? O que devemos nós fazer? Tomar a resolução de pertencer ao pequeno número daqueles que se salvam. Se o Cristo, dizeis vós, queria me condenar, por que ele me colocou no mundo? Cale a boca, língua temerária! Deus não criou ninguém, nem mesmo os Turcos, para os condenar; mas, quem quer que se condena, se condena porque ele bem quis. Eu quero, pois, empreender agora a defesa da bondade de meu Deus, e de a vingar de toda blasfêmia: esse será o tema do segundo ponto. Antes de ir mais longe, recolhei de um lado todos os livros e todas as heresias de Lutero e de Calvino, e do outro os livros das heresias dos Pelagianos, dos semi-pelagianos, e colocai no fogo. Uns destroem a graça, outros a liberdade, e todos são cheios de erros; jogai-os, pois, ao fogo. Todos os reprovados trazem gravados em suas frontes o oráculo do Profeta Oséias: Tua perda vem de ti, afim de que eles possam compreender que quem quer que se condene, se condena por sua própria malícia, e porque ele quer se condenar. Peguemos em primeiro lugar por base essas duas verdades incontestáveis: "Deus quer que todos os homens se salvem". "Todos tem necessidade da graça de Deus". No entanto, se eu vos demonstro que Deus tem a vontade de salvar todos os homens, e que por isso Ele lhes dá, a todos, Sua graça, com todos os outros meios necessários para obter esse fim sublime, vós sereis forçados a concordar que quem quer que se condene deve a responsabilidade à sua própria malícia, e que, se o maior número de cristãos são reprovados, é porque eles querem. "Tua perda vem de ti; em Mim está somente o seu seguro" Que Deus tenha verdadeiramente vontade de salvar todos os homens, Ele nos declara em cem lugares dos livros santos. "Eu não quero a morte do pecador, mas antes que ele se converta e que ele viva. Eu vivo, diz o Senhor, eu não quero a morte do ímpio - convertei-vos e vivei". Quando alguém deseja muito uma coisa, dizemos que ele morre de desejo, é uma hipérbole. Mas, Deus quis, e quer ainda, tão fortemente a nossa salvação que Ele por ela morreu de desejo, e Ele sofreu a morte para nos dar a vida: "et propter nostram salutem mortuus est". Essa vontade de salvar todos os homens não é, pois, em Deus, uma vontade afetada, superficial e aparente, é uma vontade verdadeira, efetiva e benfeitora, pois Ele nos fornece todos os meios mais perfeitos para nos salvar, Ele nos dá, não para que eles não tenham então seu efeito ou porque Ele quer que eles não tenham; mas Ele nos dá com uma vontade sincera, com a intenção de que elas obtenham seus efeitos e, se eles não o obtém, ele se mostra aflito e ofendido. Ele ordena aos reprovados a que eles mesmos empreguem a obra de sua salvação, Ele para isso os exorta, para isso os obriga, e, se eles não fazem, eles pecam. Eles podem, pois, o fazer e assim se salvarem. Bem mais, Deus, vendo que sem Sua ajuda nós não poderíamos mesmo nos servir de Sua graça, nos dá outros socorros e se eles ficam algumas vezes ineficazes, a culpa disso é nossa, porque com esses mesmos socorros, in actu primo, como dizem os teólogos, com esses mesmos socorros no qual um o abusa e com os quais ele se condena, um outro pode fazer o bem e se salvar; ele o poderia mesmo com socorros menos poderosos. Sim, pode acontecer que um abuse de uma graça maior e se perca, enquanto outro que coopera com uma graça menor se salve. "Se, pois, alguém se afasta da justiça (santidade), exclama Santo Agostinho, ele é arrebatado por seu livre arbítrio, incitado por sua concupiscência, enganado por sua própria persuasão. Mas para aqueles que não escutam a teologia, aqui está o que eu tenho a dizer-lhes: Deus é tão bom que, quando Ele vê um pecador correndo para sua perdição, Ele corre atrás dele, chama-o, suplica-lhe e o acompanha até as portas do inferno; e o que não faz Ele, então, para o converter? Ele envia-lhe boas inspirações, santos pensamentos, e, se ele não aproveita, Ele se zanga, se indigna, e o persegue. Vai Ele ferir-lhe? Não: Ele deixa isso de lado, e o perdoa. Mas o pecador não se converte ainda: Deus envia-lhe uma doença mortal. Tudo está acabado para ele, sem dúvida. Não, meus irmãos, Deus o cura; o pecado se obstina no mal, Deus procura na Sua Misericórdia algum novo meio; Ele lhe dá ainda um ano, e, o ano acaba, e aceita dar ainda um outro. Mas se, malgrado tudo isso o pecador quer se lançar no inferno, que faz Deus? O abandona? Não: ele o toma pela mão, e enquanto ele tem um pé no inferno e outro fora, ele o exorta ainda, e suplica-lhe a não abusar de Suas graças. No entanto, eu vou pergunto, se esse homem se condena, não é verdade que ele se condena contra a vontade de Deus e porque ele que se condenar?" Venham dizer-me agora: se Deus queria me condenar, por que colocou-me Ele no mundo?... X - Não tem desculpa Pecador ingrato, aprendei hoje que se vós vos condenais, não é pois a Deus que é preciso responsabilizar, mas a vós e à vossa própria vontade. Para vos convencerdes disso, descei até as portas do abismo: de lá vos farei vir alguém desses infelizes reprovados que queimam no inferno, a fim de que ele vos explique essa verdade. E aqui está um: "Dizei-me, quem és tu? - Eu sou um pobre idólatra, nascido em uma terra desconhecida; eu nunca escutei falar nem do céu nem do inferno, nem do que eu sofro agora. - Pobre infeliz! Vai-te, não és tu que procuro". Que algum outro venha; ei-lo aqui; "Quem és tu? - Eu sou um cismático dos últimos confins da Tartária, eu vivi sempre em um estado selvagem, sabendo apenas que há um Deus. - Isto não é o que eu pergunto, retornai ao inferno". E aqui está um outro: "E tu, quem és? - Eu sou um pobre herético do Norte. Eu nasci sobre o pólo, sem jamais ter visto nem a luz do sol nem a luz da Fé - Isso não é ainda o que eu quero, retornai ao inferno". Meus irmãos, eu tenho o coração quebrado ao ver entre os reprovados esses infelizes que nunca conheceram nada da verdadeira Fé. Sabei, portanto, que a sentença de condenação foi pronunciada contra eles; nós dizemos-lhes: Perditio tua ex te. Eles se condenaram porque eles quiseram. E quantos foram os socorros que eles receberam de Deus para se salvar! Não os conhecemos, mas eles sabem bem, e eles gritam agora: "Vós sois justo, Senhor, e Vossos julgamentos são retos" (Ps CXIX, 137). Vós deveis saber, meus irmãos, que a lei mais antiga é a lei de Deus, e que nós a portamos todos escrita em nosso coração, na qual ela aprendemos sem mestres, e que é suficiente ter a luz da razão para conhecer todos os preceitos dessa lei. É por isso que os próprios bárbaros se escondiam para cometer seus pecados, porque eles sabiam que era o mal o que eles faziam; e eles estão condenados por não terem observado a lei natural que eles tinham gravada em seus corações, pois, se a tivessem observado, Deus teria feito antes um milagre do que deixá-los se condenar; Ele lhes enviaria alguém para os instruir e lhes dar outros socorros nos quais eles se tornaram indignos por não viverem conforme às inspirações de sua própria consciência que nunca falto-lhes em advertir do bem que deviam fazer e do mal que deviam evitar. Assim, também, é sua consciência que os acusa no Tribunal de Deus, é ela que lhes diz continuamente no inferno: Perditio tua ex te, perditio tua ex te. Eles não sabem o que responder, e são forçados a confessar que eles mereceram essa sorte. No entanto, se esses infiéis não tem desculpa, terão desculpas para um católico, que tinha a sua disposição tantos sacramentos, tantos sermões, e tantos socorros? Como ousa ele dizer: se Deus deveria me condenar, por que colocou-me ele no mundo? Como ousa ele falar assim, quando Deus lhe dá tantos socorros para se salvar? Terminemos, pois, de o confundir. XI - A sorte dos católicos pecadores Respondei, vós que sofreis nos abismos. Há católicos entre vós? Oh, se há! E quantos! Que um deles venha, pois, aqui. É impossível, eles estão extremamente no fundo, e, para os fazer vir, precisaria revirar completamente o inferno; é mais fácil para um daqueles que ali caem. Eu me dirijo, pois, a tu que vives no hábito do pecado mortal, no ódio, na lama do vício impuro e que a cada dia te aproximas ainda mais do inferno. Pare, retornai no sentido contrário; é Jesus que te chama e que, por Suas feridas, como que sendo tantas vozes eloquentes, te gritam: "Meu filho, se tu te condenares, tu não terás a queixar senão de ti: perditio tua ex te" . Elevai os olhos, e veja quantas de quantas graças eu te enriqueci, afim de assegurar sua salvação eterna. Eu poderia te fazer nascer em uma floresta de Bárbaros; eu o fiz para tantos outros, mas para ti, eu te fiz nascer na fé católica; eu te elevei para um tão bom pai, uma mãe excelente, no meio de instruções e de ensinamentos dos mais puros; se, malgrado isso tu te condenas, à quem será atribuída a falta? A ti, Meu filho, a ti Perditio tua ex te. Eu tive paciência contigo; eu te escutei durante longos anos, eu te escuto ainda hoje na Penitência. Se, malgrado tudo isso, te condenas, de quem é a falta? É tua, Meu Filho, é tua: Perditio tua ex te. Tu sabes quantos são mortos em reprovação diante dos teus olhos: esses eram uma advertência para ti; Sabei quantos outros eu recoloquei no bom caminho para te dar o bom exemplo. Tu te lembras o que te disse esse excelente confessor? Foi Eu quem o fiz dizer. Não te exortou ele para que mudes de vida, à fazer uma boa confissão? Era Eu quem lhe inspirava. Lembra-te daquele sermão que te tocou o coração, foi eu quem havia conduzido. E aquilo se passou entre Mim e ti no segredo de teu coração, tu não o saberás esquecer. Essas inspirações interiores, esses conhecimentos tão claros, esses remorsos contínuos de tua consciência, tu ousarás negá-los? Tudo isso, eram tantos socorros de Minha graça, porque eu queria te salvar. Eu os recusei a tantos outros e eu lhes dei a ti, porque eu te amei ternamente. Meu filho, Meu filho, quantos outros, se eu lhes falasse também ternamente o que eu te falo hoje, se recolocariam no bom caminho! E tu, tu Me viras as costas. Escute o que vou te dizer, e serão minhas últimas palavras: tu me custastes Sangue; se, malgrado esse sangue que eu derramei por ti, tu queres se condenar, não te queixes de mim, não acuse outro a não ser a ti, e durante toda a eternidade não esqueça que se tu te condenas, tu te condenas contra Minha Vontade, tu te condenas porque tu queres te condenar: Perditio tua ex te". Ah! Meu bom Jesus, mesmo as pedras se dividiriam diante dessas doces palavras, de expressões assim tão afetuosas. Há aqui alguém que manifeste querer se condenar com tantas graças e socorros? Se pra isso ainda tem alguém, que me escute, e que ele resista depois se puder. XII - Se vós quiserdes, vós vos salvareis Barônio lembra que Juliano, o apóstata, depois de sua infame apostasia, concebeu um ódio tão grande contra o Batismo, que ele procurava dia e noite os meios de cancelá-lo. Ele preparou, para isso, um banho com sangue de cabras e se colocou nele, querendo, com esse sangue impuro de uma vítima consagrada a Vênus, retirar de sua alma o carácter sagrado do Batismo. Essa conduta vos parece abominável: mas se Juliano tivesse atingido seu desejo, é certo que ele sofreria muito menos no inferno. Pecadores, o conselho que eu quero vos dar vos parecerá sem dúvida, estranho; e, no entanto, para conseguir o bem, é (esse conselho), pelo contrário, inspirado por uma tenra compaixão por vós. Eu vos conjuro pois de joelhos, pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e pelo Coração de Maria, que mudem de vida, que vos recoloqueis no caminho que conduz ao Céu, e de fazer todo o que vocês puderem para pertencerem ao pequeno número dos eleitos. Se, ao invés disso, vós quereis continuar a caminhar na via que conduz aos infernos, achai ao menos o meio de cancelar de vós o Batismo. Infelizes de vós, se vos transportais ao inferno tendo gravado em vossa alma o nome Sagrado de Jesus Cristo e o carácter sagrado de cristão. Vossa confusão, por causa disso, será ainda maior. Fazei, pois, isto que eu vos aconselho: se vós não querer vos converterdes, ide a partir de hoje pedir ao vosso pároco para tirar vosso nome do registro dos Batizados, afim de que não reste mais nenhuma lembrança de que você era cristão; suplicai ao vosso anjo da guarda de cancelar de seu livro as graças, as inspirações e os socorros que ele vos deu por ordem de Deus, pois, infelizes de vós se ele os lembrar. Dizei a Nosso Senhor que Ele retome para si a sua Fé, o seu Batismo e os Seus sacramentos. Vós estais apreendidos de horror por esse tipo de pensamento. Jogai-vos, pois, aos pés de Jesus Cristo, e dizei-Lhe, com lágrimas nos olhos e com o coração contrito: "Senhor, eu confesso que até aqui eu não vivi como cristão, eu não sou digno de ser contato entre os vossos eleitos, reconheço que mereço a condenação, mas Vossa misericórdia é grande: e, cheio de confiança em Vossa graça, eu protesto que eu quero salvar a minha alma, deva eu sacrificar minha fortuna, minha honra, e mesmo minha vida, contanto que eu salve a minha alma (4). Até aqui eu fui infiel, eu me arrependo, eu deploro, e detesto minha infidelidade, e vos peço, disso, humildemente perdão. Perdoai-me, meu Bom Jesus, e fortificai-me ao mesmo tempo, afim de que eu me salve. Eu não Vos peço nem riquezas, nem honras, nem prosperidade; eu peço apenas uma coisas: a salvação da minha alma". E Vós, ó Jesus! Que dizeis? Aqui está a ovelha errante que voltou a Vós, ó Bom Pastor! Abraçai esse pecador arrependido, abençoai suas lágrimas e seus suspiros, ou, antes, abençoai esse povo tão bem-disposto e que não quer mais buscar outra coisa que sua salvação. Protestemos, meus irmãos, aos pés de Nosso Senhor, que nós queremos, custe o que custar, salvar nossa alma. Falemos-Lhe, com lágrimas nos olhos: "Bom Jesus, eu quero salvar a minha alma". Óh, benditas lágrima, óh bem-aventurados suspiros! Eu quero, meus irmãos, mandar-vos novamente, hoje, todos consolos. Se, pois, vós me pedis meu sentimento sobre o quanto ao número dos eleitos, ei-lo aqui: quer tenham muitos ou poucos eleitos, eu digo que aquele que quer se salvar, se salva, e que ninguém se perde se não quer se perder. E, se é verdade que são poucos que se salvam, é porque existem poucos que vivem bem. De resto, comparem essas duas opiniões: a primeira, que diz que a maior parte dos católicos são condenados; a segunda, que pretende, ao contrário, que a maior parte dos católicos são salvos; representai-vos um anjo, enviado por Deus para confirmar a primeira opinião, que venha dizer-vos não somente que a maior parte dos católicos são condenados, mas que, de toda essa multidão aqui presente, um apenas será salvo. Se você obedece aos mandamentos de Deus, se você detesta a corrupção do século, e se você abraça com um espírito de penitência a Cruz de Jesus Cristo, você será, então, esse único que se salvará. Representai-vos, em seguida, que esse anjo volta entre vós, e que, para confirmar a segunda opinião, ele vos diz que não somente a maior parte dos católicos são salvos, mas que de todo esse auditório uma só pessoa será condenada, e todos os outros se salvarão. Se você continua, depois disso, com vossas deteriorações, vossas vinganças, vossas ações criminais, e com vossas impurezas, vós sereis, então, esse único que será condenado. Para que serve, pois, saber se são poucos ou muitos que se salvam? "Empregai-vos em garantir vossa salvação certa por vossas boas obras", nos diz São Pedro. "Se vós quiserdes, vós vos salvareis", disse Santo Tomás de Aquino à sua irmã, que perguntou-lhe o que ele deveria fazer para ir ao céu. Eu vos digo a mesma coisa: e aqui está, como provo minha asserção. Ninguém se condena se não peca mortalmente, isso é de Fé; ninguém peca mortalmente se não quer, é uma proposição teológica incontestável (5). Logo, ninguém vai ao inferno se ele não quer. A consequência é evidente. Isso não é suficiente para vos consolar? Chorai os pecados passados, confessai-vos bem, não pequem mais no futuro, e vós sereis todos salvos. Por que, pois, tanto se atormentar, desde que é certo que para ir para o inferno é preciso pecar mortalmente, e que para pecar mortalmente, é preciso querer, e, por consequência, não vamos ao inferno somente se queremos? Isso não é uma opinião, mas uma verdade incontestável e bem consoladora; que Deus vos faça compreender e vos abençoe. Amém. ---- Notas ---- 1- São Salviano (390, morto em 484), festa dia 22 de Julho. Nascido sobre as extremidades do Rhin, casado, depois padre, Monge em Lérins e em Marseille; apologista e moralista. Ele deixou cartas e duas obras: De gubernatione Dei (Do governo de Deus) e Adversus avaritiam (Contra a avareza) onde faz um quadro satírico dos costumes da sociedade romana no século V, onde ele contrasta a pureza de costumes entre os bárbaros. Ele viu na invasão dos bárbaros, conforme os planos da Providência, a salvação do povo Romano. 2- "(...) RESPOSTA À TERCEIRA. — O bem proporcionado ao estado comum da natureza se realiza em muitos seres e falha em poucos. Mas, o contrário se dá com o bem excedente a esse estado comum. Assim, a ciência suficiente para administrar a própria vida muitos a têm, e os poucos que dela carecem se chamam tolos ou estultos; são porém pouquíssimos em relação aos outros os que atingem à ciência profunda das coisas inteligíveis. Ora, consistindo na visão de Deus, a eterna beatitude excede o estado comum da natureza, sobretudo porque a graça se perdeu pela corrupção do pecado original, e por isso poucos se salvam. E aqui refulge por excelência a misericórdia de Deus, elevando alguns à salvação, que muitos não alcançam abandona-dos ao curso comum e inclinação da natureza." (Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, Iª parte, questão XXIII, artigo 7) 3- Poderíamos aqui acrescentar a visão dos três pastorzinhos de Fátima, onde a Santíssima Virgem mostrou-lhes o inferno. Observemos bem que em nenhum momento nas mensagens de Fátima foi dito que estavam indo muitas almas para o Céu, muito pelo contrário, pelo fato de estarem indo inúmeros almas para o inferno, disse a Santíssima Virgem: "Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração" "Bem o segredo consta de três coisas distintas, duas das quais vou revelar. A primeira foi pois a vista do inferno! Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados em esse fogo os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras, ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que d'elas mesmas saiam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faulhas em os grandes incêndios sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe do Céu; que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu (na primeira aparição) se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor. Em seguida, levantamos os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza: — Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu disser salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á à Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz." (Vaticano - Mensagem de Fátima) 4- "Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo todo seja lançado na geena. E se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena." (Mt V, 2930) "Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?" (Mc VIII, 36) 5 - "Que é o pecado mortal? O pecado mortal é uma transgressão da lei divina, pela qual se falta gravemente aos deveres para com Deus, para com o próximo, ou para com nós mesmos." "Além da gravidade da matéria, que mais se requer para haver um pecado mortal? Além da gravidade da matéria, para haver um pecado mortal requer-se a plena advertência desta gravidade, e a vontade deliberada de cometer o pecado." (Catecismo Maior de São Pio X, Vª parte: Das virtudes principais e de outras coisas que o cristão deve saber; cap. V - dos pecados e das suas espécies principais) Resumindo, o pecado mortal é: 1) a violação da lei de Deus ou da Igreja em matéria grave; 2) feita com inteiro conhecimento; 3) com plena vontade. Faltando um desses três itens, o pecado não é grave, mas apenas leve, que a Igreja chama de pecado venial. Fontes: Católicos Online
- Cardeal Müller: Crise da igreja vem de abandonar Deus, adaptando-se à cultura
Participando da Cúpula de Liderança Estudantil do FOCUS 2020, o Cardeal Müller celebrou a Missa em 1º de janeiro pela Solenidade de Maria, Mãe de Deus. A crise que a Igreja Católica enfrenta hoje surgiu de uma tentativa – mesmo por alguns dentro da Igreja – de se alinhar com a cultura e abandonar os ensinamentos da fé, disse o cardeal Gerhard Müller em 1º de janeiro. “A crise na Igreja é causada pelo homem e surgiu porque nos adaptamos comodamente ao espírito de uma vida sem Deus”, disse o cardeal a milhares de católicos reunidos em Phoenix para a Cúpula de Liderança Estudantil de 2020, organizada pela Irmandade da Igreja Católica. Estudantes Universitários (FOCUS). “O veneno que paralisa a Igreja é a opinião de que devemos nos adaptar ao Zeitgeist, o espírito da época, e não o espírito de Deus, que devemos relativizar os mandamentos de Deus e reinterpretar a doutrina da fé revelada”, disse ele. Ele alertou que até várias pessoas na Igreja estão “ansiando” por um tipo de catolicismo sem dogmas, sem sacramentos e sem um magistério infalível. O cardeal Müller, ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, celebrou a missa em 1º de janeiro pela solenidade de Maria, Mãe de Deus. Em sua homilia, ele refletiu sobre o desejo humano de abraçar gratificações substitutas quando Deus é posto de lado. “Mas quem acredita não precisa de ideologia”, disse ele. Quem espera não vai buscar drogas. Quem ama não está atrás da luxúria deste mundo, que passa junto com o mundo. Quem ama a Deus e ao próximo, encontra a felicidade no sacrifício da doação. ” “Seremos felizes e livres quando, no espírito do amor, abraçarmos a forma de vida que Deus chamou cada um de nós pessoalmente: no sacramento do casamento, no sacerdócio celibatário ou na vida religiosa, de acordo com os três conselhos evangélicos. de pobreza, obediência e castidade por causa do reino dos céus ”, continuou ele. O cardeal Müller enfatizou que a ação de graças é uma parte essencial da vida cristã. No início do novo ano, ele encorajou os católicos a expressar gratidão por toda a criação, por enviar Cristo ao mundo como nosso salvador, pela Bem-Aventurada Virgem Maria, pela Igreja Católica, pelo dom da família e por todas as outras bênçãos que pode ser facilmente considerado um dado adquirido. “Como cristãos, temos uma consciência musical da vida: em nossos corações ressoa o cântico de ação de graças de ser redimido. Sua melodia é amor e sua harmonia é alegria em Deus ”, disse ele. Em vez de colocar a esperança no destino, ele disse, o cristão reconhece que o sofrimento é inevitável, mas ainda pode encontrar alegria em Cristo, que também sofreu e nos abriu a porta para a vida eterna. Nesses tempos difíceis, no entanto, escândalos na Igreja e uma crise entre as sociedades tradicionalmente cristãs no Ocidente levaram muitos a pensarem ansiosamente se a rocha sobre a qual Cristo edificou sua Igreja está desmoronando, disse o cardeal. “Para alguns, a Igreja Católica está atrasada em 200 anos em comparação com aonde o mundo está hoje. Existe alguma verdade nessa acusação? Os pedidos de modernização exigem que a Igreja rejeite o que é verdadeiro, em prol da construção de uma “nova religião da unidade mundial”, alertou o cardeal Müller. “Para ser admitido nessa meta-religião, o único preço que a Igreja teria que pagar é desistir de sua afirmação da verdade. Não é grande coisa, ao que parece, já que o relativismo dominante em nosso mundo rejeita a idéia de que poderíamos realmente conhecer a verdade e se apresenta como garante da paz entre todas as visões do mundo e religiões do mundo. ” A sociedade pós-cristã congratula-se com esses esforços para reconstruir a Igreja “como uma religião civil conveniente”, disse o cardeal. O antídoto para a secularização dentro da Igreja é uma vida de fé, vivida na duradoura verdade de Cristo, disse o cardeal Müller aos presentes. Deus, que é eterno, não pode ser mudado pelos caprichos da sociedade, enfatizou. “No ser humano concreto Jesus de Nazaré, a verdade universal de Deus está concretamente presente aqui e agora – no tempo e no espaço históricos”, disse Mueller. “Jesus Cristo não é a representação de alguma verdade supratemporal: Ele é ‘o caminho, a verdade e a vida’ em pessoa.” Catholic News Agency
- Cardeal Müller: Crise da igreja vem de abandonar Deus, adaptando-se à cultura
Participando da Cúpula de Liderança Estudantil do FOCUS 2020, o Cardeal Müller celebrou a Missa em 1º de janeiro pela Solenidade de Maria, Mãe de Deus. A crise que a Igreja Católica enfrenta hoje surgiu de uma tentativa – mesmo por alguns dentro da Igreja – de se alinhar com a cultura e abandonar os ensinamentos da fé, disse o cardeal Gerhard Müller em 1º de janeiro. “A crise na Igreja é causada pelo homem e surgiu porque nos adaptamos comodamente ao espírito de uma vida sem Deus”, disse o cardeal a milhares de católicos reunidos em Phoenix para a Cúpula de Liderança Estudantil de 2020, organizada pela Irmandade da Igreja Católica. Estudantes Universitários (FOCUS). “O veneno que paralisa a Igreja é a opinião de que devemos nos adaptar ao Zeitgeist, o espírito da época, e não o espírito de Deus, que devemos relativizar os mandamentos de Deus e reinterpretar a doutrina da fé revelada”, disse ele. Ele alertou que até várias pessoas na Igreja estão “ansiando” por um tipo de catolicismo sem dogmas, sem sacramentos e sem um magistério infalível. O cardeal Müller, ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, celebrou a missa em 1º de janeiro pela solenidade de Maria, Mãe de Deus. Em sua homilia, ele refletiu sobre o desejo humano de abraçar gratificações substitutas quando Deus é posto de lado. “Mas quem acredita não precisa de ideologia”, disse ele. Quem espera não vai buscar drogas. Quem ama não está atrás da luxúria deste mundo, que passa junto com o mundo. Quem ama a Deus e ao próximo, encontra a felicidade no sacrifício da doação. ” “Seremos felizes e livres quando, no espírito do amor, abraçarmos a forma de vida que Deus chamou cada um de nós pessoalmente: no sacramento do casamento, no sacerdócio celibatário ou na vida religiosa, de acordo com os três conselhos evangélicos. de pobreza, obediência e castidade por causa do reino dos céus ”, continuou ele. O cardeal Müller enfatizou que a ação de graças é uma parte essencial da vida cristã. No início do novo ano, ele encorajou os católicos a expressar gratidão por toda a criação, por enviar Cristo ao mundo como nosso salvador, pela Bem-Aventurada Virgem Maria, pela Igreja Católica, pelo dom da família e por todas as outras bênçãos que pode ser facilmente considerado um dado adquirido. “Como cristãos, temos uma consciência musical da vida: em nossos corações ressoa o cântico de ação de graças de ser redimido. Sua melodia é amor e sua harmonia é alegria em Deus ”, disse ele. Em vez de colocar a esperança no destino, ele disse, o cristão reconhece que o sofrimento é inevitável, mas ainda pode encontrar alegria em Cristo, que também sofreu e nos abriu a porta para a vida eterna. Nesses tempos difíceis, no entanto, escândalos na Igreja e uma crise entre as sociedades tradicionalmente cristãs no Ocidente levaram muitos a pensarem ansiosamente se a rocha sobre a qual Cristo edificou sua Igreja está desmoronando, disse o cardeal. “Para alguns, a Igreja Católica está atrasada em 200 anos em comparação com aonde o mundo está hoje. Existe alguma verdade nessa acusação? Os pedidos de modernização exigem que a Igreja rejeite o que é verdadeiro, em prol da construção de uma “nova religião da unidade mundial”, alertou o cardeal Müller. “Para ser admitido nessa meta-religião, o único preço que a Igreja teria que pagar é desistir de sua afirmação da verdade. Não é grande coisa, ao que parece, já que o relativismo dominante em nosso mundo rejeita a idéia de que poderíamos realmente conhecer a verdade e se apresenta como garante da paz entre todas as visões do mundo e religiões do mundo. ” A sociedade pós-cristã congratula-se com esses esforços para reconstruir a Igreja “como uma religião civil conveniente”, disse o cardeal. O antídoto para a secularização dentro da Igreja é uma vida de fé, vivida na duradoura verdade de Cristo, disse o cardeal Müller aos presentes. Deus, que é eterno, não pode ser mudado pelos caprichos da sociedade, enfatizou. “No ser humano concreto Jesus de Nazaré, a verdade universal de Deus está concretamente presente aqui e agora – no tempo e no espaço históricos”, disse Mueller. “Jesus Cristo não é a representação de alguma verdade supratemporal: Ele é ‘o caminho, a verdade e a vida’ em pessoa.” Catholic News Agency
- AS MULHERES E SUA ARTE DE ENGANAR
AS MULHERES E SUA ARTE DE ENGANAR Trabalho lícito e trabalho não ilícito Na Idade Média central houve um Index de trabalhos ilícitos ou proibidos, mas na verdade a Igreja precisou tolerar, entre esses trabalhos estão a usura e a prostituição. Vejamos um evento do início do século XIV por qual passou o Cônego de Tounai, e percebam que a arte de enganar mostrando uma beleza que não existe é tão grave quanto o próprio ato da prostituição. Tenho feito pesquisas sobre o desenvolvimento da Sociedade medieval e o trabalho, e me deparei com essa situação que me fez lembrar muitas situações no cotidiano atual, não podemos chamar de ofício o que existe atualmente, mas é uma forma de enganar e vencer na vida para muitas mulheres. “Inclusive a favor das prostitutas – pelo menos num texto admirável vê-se esboçar uma justificação. O problema colocado pela legitimidade do ganho das prostitutas a categoria mais infame do grupo dos mercenários, e tradicionalmente resolvido pela negativa, tinha uma aplicação prática no caso da aceitabilidade das esmolas e dos donativos feitos pelas “mulheres loucas”. Esse caso se apresentou com estrépito em Paris no final do século XII. Na época da construção de Notre-Dame de Paris, dissemos, um grupo de prostitutas pediu ao bispo a permissão para oferecer um vitral à Virgem, exemplo muito particular do vitral de corporação, mas que devia em todo caso excluir qualquer representação das atividades desse ofício. O bispo, embaraçado, faz consultas, e finalmente recusou. Conservamos o parecer emitido pelo autor de um dos primeiros manuais de Confissão, Tomás de Chobham. Porém, o raciocínio do erudito cônego é curioso.” As prostitutas, escreve ele, devem ser contadas entre os mercenérios. Elas alugam de fato o seu corpo e fornecem um trabalho […]. Daí esse princípio da justiça secular; age mal sendo uma prostituta, mas ela não age mal recebendo o preço do seu trabalho […] admitindo.“ que ela é uma prostituta. Dai o fato de que ela pode se arrepender por se prostituir e, no entanto, guardar os benefícios da prostituição para fazer deles esmolas. Mas se ela se prostitui por prazer e quando aluga o seu corpo para que se conheça o gozo, então o seu trabalho não é louvado, e o benefício é tão vergonhoso quanto o ato. Assim é também quando a prostituta se perfuma e se enfeita de maneira a atrair com falsas aparências e faz crer numa beleza e atrativos que ela NÃO possui, comprando o cliente o que ele vê, e que, nesse caso, é mentira, a prostituta comete com isso um pecado, e ela não deve guardar o benefício que retira disso. Se de fato o cliente a vê tal como ela é verdadeiramente, ele só dará a ela um óbulo (obole), mas, como ela lhe parece bela e resplandecente, ele lhe dá um dinheiro (denier). Nesse caso, ela só deve guardar um óbulo e dar o resto ao cliente que ela enganou, ou à Igreia ou aos pobres […]. ” Assim, o prestígio da justificação pelo trabalho se tornou tão grande no final do século XII, que o nosso autor se deixa levar a esboçar uma moral profissional da prostituição.” Le Goff, Jacques. Para uma outra Idade Média, página 129/130. #USA #Históriadaidademédia #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Doctrinaldevelopment
- Cardeal Sarah: nigerianos mortos por terroristas são ‘mártires’
“Na Nigéria, o assassinato de onze cristãos por islâmicos loucos é um lembrete de quantos dos meus irmãos africanos em Cristo vivem a fé sob o risco de suas próprias vidas” , escreveu Sarah Os líderes da Igreja africana responderam à execução relatada de 11 cristãos nigerianos por um grupo terrorista afiliado ao Estado Isâmico. “Acordamos um dia depois do Natal com as horríveis notícias da terrível decapitação de reféns cristãos pelos terroristas do Estado Islâmico”, pe. Benjamin Achi disse à ACI África em 28 de dezembro. Achi é diretor de comunicações da Diocese de Enugu, na Nigéria, onde os seqüestros contra padres têm aumentado nos últimos meses. Os comentários do padre se referiam a um vídeo de 26 de dezembro que mostrava militantes decapitando 10 cativos de olhos vendados e disparando um décimo primeiro. A província do Estado Islâmico da África Ocidental, que interrompeu o Boko Haram em 2016, disse que os assassinatos foram uma vingança pelas mortes do califa do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi e outros líderes do EI, que foram mortos por um ataque americano em outubro. Os cativos foram capturados nas últimas semanas na área de Maiduguri, no estado de Borno, afirmou o IS. Achi disse que os assassinatos em dezembro podem pressagiar ainda mais violência islâmica na Nigéria. “Esse último desenvolvimento causa sérios motivos de preocupação, especialmente após a última iniciativa do governo federal da Nigéria de estender as fronteiras do país para quem desejar que qualquer parte do continente entre sem vistos e documentação adequada. ”, Disse o padre à ACI África. O padre estava se referindo a novos regulamentos de vistos na Nigéria, que facilitam a entrada de africanos no país. Os regulamentos foram amplamente criticados na Nigéria. “De fato, estamos preocupados que esta decisão facilite o influxo de mais desses terroristas de outras partes da África para a Nigéria”, disse Achi. “Os cristãos de todas as partes da Nigéria têm apreendido horas extras e se consideram alvos claros dos intermináveis atos de terrorismo sendo testemunhados no país”, disse Achi à ACI Africa Em 28 de dezembro, o cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação do Vaticano para o Culto e Sacramentos Divinos, twittou sobre os assassinatos de 26 de dezembro. “Na Nigéria, o assassinato de onze cristãos por islâmicos loucos é um lembrete de quantos dos meus irmãos africanos em Cristo vivem a fé sob o risco de suas próprias vidas”, escreveu Sarah. “Esses batizados são mártires. Eles não traíram o Evangelho ”, acrescentou o cardeal. O arcebispo Ignatius Kaigama, da Arquidiocese de Abuja, na Nigéria, vê a ação do dia de Natal pelo EI como parte de um esforço contínuo para promover o antagonismo entre cristãos e muçulmanos no país e na região. “Eles estão tentando criar uma situação de guerra”, disse Kaigama à Rádio Vaticano. “Eles querem ver muçulmanos e cristãos brigando”. Segundo o arcebispo, os membros do EI esperam que, no meio da confusão, eles possam “ter vantagem e poder destruir os cristãos, dominar o país e até os países vizinhos”.
- Cardeal Sarah: nigerianos mortos por terroristas são ‘mártires’
“Na Nigéria, o assassinato de onze cristãos por islâmicos loucos é um lembrete de quantos dos meus irmãos africanos em Cristo vivem a fé sob o risco de suas próprias vidas” , escreveu Sarah Os líderes da Igreja africana responderam à execução relatada de 11 cristãos nigerianos por um grupo terrorista afiliado ao Estado Isâmico. “Acordamos um dia depois do Natal com as horríveis notícias da terrível decapitação de reféns cristãos pelos terroristas do Estado Islâmico”, pe. Benjamin Achi disse à ACI África em 28 de dezembro. Achi é diretor de comunicações da Diocese de Enugu, na Nigéria, onde os seqüestros contra padres têm aumentado nos últimos meses. Os comentários do padre se referiam a um vídeo de 26 de dezembro que mostrava militantes decapitando 10 cativos de olhos vendados e disparando um décimo primeiro. A província do Estado Islâmico da África Ocidental, que interrompeu o Boko Haram em 2016, disse que os assassinatos foram uma vingança pelas mortes do califa do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi e outros líderes do EI, que foram mortos por um ataque americano em outubro. Os cativos foram capturados nas últimas semanas na área de Maiduguri, no estado de Borno, afirmou o IS. Achi disse que os assassinatos em dezembro podem pressagiar ainda mais violência islâmica na Nigéria. “Esse último desenvolvimento causa sérios motivos de preocupação, especialmente após a última iniciativa do governo federal da Nigéria de estender as fronteiras do país para quem desejar que qualquer parte do continente entre sem vistos e documentação adequada. ”, Disse o padre à ACI África. O padre estava se referindo a novos regulamentos de vistos na Nigéria, que facilitam a entrada de africanos no país. Os regulamentos foram amplamente criticados na Nigéria. “De fato, estamos preocupados que esta decisão facilite o influxo de mais desses terroristas de outras partes da África para a Nigéria”, disse Achi. “Os cristãos de todas as partes da Nigéria têm apreendido horas extras e se consideram alvos claros dos intermináveis atos de terrorismo sendo testemunhados no país”, disse Achi à ACI Africa Em 28 de dezembro, o cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação do Vaticano para o Culto e Sacramentos Divinos, twittou sobre os assassinatos de 26 de dezembro. “Na Nigéria, o assassinato de onze cristãos por islâmicos loucos é um lembrete de quantos dos meus irmãos africanos em Cristo vivem a fé sob o risco de suas próprias vidas”, escreveu Sarah. “Esses batizados são mártires. Eles não traíram o Evangelho ”, acrescentou o cardeal. O arcebispo Ignatius Kaigama, da Arquidiocese de Abuja, na Nigéria, vê a ação do dia de Natal pelo EI como parte de um esforço contínuo para promover o antagonismo entre cristãos e muçulmanos no país e na região. “Eles estão tentando criar uma situação de guerra”, disse Kaigama à Rádio Vaticano. “Eles querem ver muçulmanos e cristãos brigando”. Segundo o arcebispo, os membros do EI esperam que, no meio da confusão, eles possam “ter vantagem e poder destruir os cristãos, dominar o país e até os países vizinhos”.
- Acordo do Vaticano com a China acarreta submissão ao Partido Comunista Chinês
“O Vaticano infelizmente estabeleceu um acordo secreto com a China, e agora terá que ver os católicos do país se adequarem às “Medidas administrativas para os grupos religiosos”, que serão aplicadas a partir do dia 1o de fevereiro deste ano de 2020 – entre elas, difundir os princípios e as políticas do Partido comunista chinês, e apoiar a sua liderança.” (Bruno Braga) As novas medidas serão aplicadas a partir de 1º de fevereiro de 2020. Atividades, reuniões, programas de comunidades religiosas devem ter a aprovação do Gabinete de Assuntos Religiosos. As organizações religiosas devem “disseminar os princípios e políticas do Partido Comunista Chinês”, educando “pessoal e cidadãos religiosos para apoiar a liderança do Partido Comunista Chinês”. A partir de 1º de fevereiro de 2020, novas medidas administrativas serão aplicadas a grupos religiosos chineses. De acordo com uma comunicação da Xinhua , publicada ontem, eles completam o “Regulamento sobre Assuntos Religiosos”, revisado há dois anos e foram aplicados desde 1º de fevereiro de 2018. O texto das “Medidas administrativas para grupos religiosos”, publicado pela Xinhua , consiste em 6 capítulos e 41 artigos que tratam da organização, funções, cargos, supervisão, planos de trabalho e a administração econômica de comunidades e grupos em nível nacional e local. Todos os aspectos da vida das comunidades religiosas – pelos ensinamentos, reuniões, projetos anuais e diários – e submetidos à aprovação do departamento para os assuntos religiosos do governo. Além do controle capilar de cada movimento das comunidades, as novas medidas exigem que o pessoal religioso apóie, promova e realize entre todos os membros de suas comunidades uma submissão total ao Partido Comunista Chinês. O artigo 5 declara que «as organizações religiosas devem aderir à liderança do Partido Comunista Chinês, observar a Constituição, leis, regulamentos e políticas, aderir ao princípio de independência e autogoverno, aderir às diretrizes sobre religiões na China, agem os valores do socialismo … ». O Art. 17 exige ainda: «As organizações religiosas devem divulgar os princípios e políticas do Partido Comunista Chinês, bem como as leis, regulamentos e normas nacionais para o pessoal religioso e os cidadãos religiosos, para apoiar a liderança do Partido Comunista Chinês, apoiando o sistema socialista, aderindo e seguindo o caminho do socialismo com características chinesas … ». Um padre católico chinês comentou: “Na prática, a religião não conta mais, se você é budista, taoísta, muçulmano ou cristão: a única religião admitida é a fé no Partido Comunista Chinês”. Fonte: Wang Zhicheng / AsiaNews / Infocatolica Leia também: “O amor pelo país deve superar o amor pela Igreja” diz o presidente da Associação Patriótica Chinesa, Dom Fang Xingyao Católicos chineses celebram o Natal sem jovens nas igrejas e sob controle policial O Acordo entre Vaticano e China Em 22 de setembro de 2018, o Vaticano anunciou a assinatura do Acordo Provisório com a China para a nomeação de bispos. Graças ao acordo, dois Bispos chineses puderam participar do Sínodo da Juventude celebrado no Vaticano de 3 a 28 de outubro. Os prelados aproveitaram a oportunidade para convidar o Papa Francisco para visitar a China. Alguns manifestaram oposição ao acordo, como o Bispo Emérito de Hong Kong, Cardeal Joseph Zen Ze Kiun, que em janeiro de 2018 disse que “o Vaticano está vendendo a Igreja Católica na China”. A bordo do avião no regresso de sua viagem à Letônia, Lituânia e Estônia no final de setembro do ano de 2018, o Papa Francisco disse aos jornalistas: “Eu sou responsável” pelo acordo; e explicou alguns detalhes das negociações. Sobre os Bispos que não estavam em comunhão com a Igreja até antes do acordo, Francisco disse que “foram estudados caso por caso. Para cada bispo fizeram um expediente e estes expedientes chegaram à minha escrivaninha. E eu fui o responsável por assinar cada caso dos bispos”. Quanto aos católicos que sempre foram fiéis a Roma, o Santo Padre os chamou de “resistência” e disse que “é verdade. Eles vão sofrer. Sempre há sofrimento em um acordo, mas eles têm muita fé”. Sobre o acordo, Francisco precisou que “a coisa é feita em diálogo, mas nomeia Roma, nomeia o Papa. Isso está claro. E rezamos pelos sofrimentos de alguns que não entendem ou que têm nas costas muitos anos de clandestinidade”. Em 26 de setembro, o Papa dirigiu uma mensagem aos católicos da China e à Igreja universal, na qual pediu “gestos concretos e visíveis” aos bispos que foram retirados da excomunhão. Nos últimos meses, a repressão do governo chinês contra a Igreja não parou. Em novembro, vários padres e um bispo foram presos, enquanto em alguns lugares as cruzes e outros símbolos cristãos foram destruídos. Além disso, as autoridades chinesas emitiram algumas regras que impedem, entre outras coisas, que crianças menores de 18 anos assistam aos eventos próprios do culto como a Missa. Via ACI Digital #China #Comunismo #CristãosPerseguidos #Vaticano
- Acordo do Vaticano com a China acarreta submissão ao Partido Comunista Chinês
“O Vaticano infelizmente estabeleceu um acordo secreto com a China, e agora terá que ver os católicos do país se adequarem às “Medidas administrativas para os grupos religiosos”, que serão aplicadas a partir do dia 1o de fevereiro deste ano de 2020 – entre elas, difundir os princípios e as políticas do Partido comunista chinês, e apoiar a sua liderança.” (Bruno Braga) As novas medidas serão aplicadas a partir de 1º de fevereiro de 2020. Atividades, reuniões, programas de comunidades religiosas devem ter a aprovação do Gabinete de Assuntos Religiosos. As organizações religiosas devem “disseminar os princípios e políticas do Partido Comunista Chinês”, educando “pessoal e cidadãos religiosos para apoiar a liderança do Partido Comunista Chinês”. A partir de 1º de fevereiro de 2020, novas medidas administrativas serão aplicadas a grupos religiosos chineses. De acordo com uma comunicação da Xinhua , publicada ontem, eles completam o “Regulamento sobre Assuntos Religiosos”, revisado há dois anos e foram aplicados desde 1º de fevereiro de 2018. O texto das “Medidas administrativas para grupos religiosos”, publicado pela Xinhua , consiste em 6 capítulos e 41 artigos que tratam da organização, funções, cargos, supervisão, planos de trabalho e a administração econômica de comunidades e grupos em nível nacional e local. Todos os aspectos da vida das comunidades religiosas – pelos ensinamentos, reuniões, projetos anuais e diários – e submetidos à aprovação do departamento para os assuntos religiosos do governo. Além do controle capilar de cada movimento das comunidades, as novas medidas exigem que o pessoal religioso apóie, promova e realize entre todos os membros de suas comunidades uma submissão total ao Partido Comunista Chinês. O artigo 5 declara que «as organizações religiosas devem aderir à liderança do Partido Comunista Chinês, observar a Constituição, leis, regulamentos e políticas, aderir ao princípio de independência e autogoverno, aderir às diretrizes sobre religiões na China, agem os valores do socialismo … ». O Art. 17 exige ainda: «As organizações religiosas devem divulgar os princípios e políticas do Partido Comunista Chinês, bem como as leis, regulamentos e normas nacionais para o pessoal religioso e os cidadãos religiosos, para apoiar a liderança do Partido Comunista Chinês, apoiando o sistema socialista, aderindo e seguindo o caminho do socialismo com características chinesas … ». Um padre católico chinês comentou: “Na prática, a religião não conta mais, se você é budista, taoísta, muçulmano ou cristão: a única religião admitida é a fé no Partido Comunista Chinês”. Fonte: Wang Zhicheng / AsiaNews / Infocatolica Leia também: “O amor pelo país deve superar o amor pela Igreja” diz o presidente da Associação Patriótica Chinesa, Dom Fang Xingyao Católicos chineses celebram o Natal sem jovens nas igrejas e sob controle policial O Acordo entre Vaticano e China Em 22 de setembro de 2018, o Vaticano anunciou a assinatura do Acordo Provisório com a China para a nomeação de bispos. Graças ao acordo, dois Bispos chineses puderam participar do Sínodo da Juventude celebrado no Vaticano de 3 a 28 de outubro. Os prelados aproveitaram a oportunidade para convidar o Papa Francisco para visitar a China. Alguns manifestaram oposição ao acordo, como o Bispo Emérito de Hong Kong, Cardeal Joseph Zen Ze Kiun, que em janeiro de 2018 disse que “o Vaticano está vendendo a Igreja Católica na China”. A bordo do avião no regresso de sua viagem à Letônia, Lituânia e Estônia no final de setembro do ano de 2018, o Papa Francisco disse aos jornalistas: “Eu sou responsável” pelo acordo; e explicou alguns detalhes das negociações. Sobre os Bispos que não estavam em comunhão com a Igreja até antes do acordo, Francisco disse que “foram estudados caso por caso. Para cada bispo fizeram um expediente e estes expedientes chegaram à minha escrivaninha. E eu fui o responsável por assinar cada caso dos bispos”. Quanto aos católicos que sempre foram fiéis a Roma, o Santo Padre os chamou de “resistência” e disse que “é verdade. Eles vão sofrer. Sempre há sofrimento em um acordo, mas eles têm muita fé”. Sobre o acordo, Francisco precisou que “a coisa é feita em diálogo, mas nomeia Roma, nomeia o Papa. Isso está claro. E rezamos pelos sofrimentos de alguns que não entendem ou que têm nas costas muitos anos de clandestinidade”. Em 26 de setembro, o Papa dirigiu uma mensagem aos católicos da China e à Igreja universal, na qual pediu “gestos concretos e visíveis” aos bispos que foram retirados da excomunhão. Nos últimos meses, a repressão do governo chinês contra a Igreja não parou. Em novembro, vários padres e um bispo foram presos, enquanto em alguns lugares as cruzes e outros símbolos cristãos foram destruídos. Além disso, as autoridades chinesas emitiram algumas regras que impedem, entre outras coisas, que crianças menores de 18 anos assistam aos eventos próprios do culto como a Missa. Via ACI Digital #China #Comunismo #CristãosPerseguidos #Vaticano
- AUGUSTO DEL NOCE: UM PROFETA DA NOVA ESQUERDA – Marcello Veneziani
Augusto Del Noce [filósofo italiano conservador, falecido em 1989] foi o primeiro a prever as mutações da esquerda: do comunismo para o espírito radical, a rendição ao capitalismo global, ao individualismo e à liberação sexual, que é a marca do que ele chamou de “irreligião ocidental”. Segundo Del Noce, o comunismo suicidou nos braços do capitalismo; os comunistas teriam se tornado agentes da nova burguesia cínica e permissiva, braço secular da nova revolução dos direitos civis contra a tradição, a Igreja e a civilização cristã. Para Del Noce, permanecia irrealizado e traído tudo o que havia de bom no socialismo, a começar pela denúncia da alienação; a nova esquerda havia transformado a sociedade burguesa-cristã em uma sociedade neo-burguesa de massa, dominada pelo ateísmo prático. Del Noce escreveu isto antes da queda do Muro de Berlim, no início dos anos 1970. Em diferentes níveis, as reflexões de dois autores de inspiração e militância comunistas, o herege Pierpaolo Pasolini e o orgânico Franco Rodano, com quem Del Noce teve um diálogo próximo, coincidiram com muitos de seus diagnósticos. Intelectual próximo de Berlinguer e principal teórico do cato-comunismo, Rodano descreveu a sociedade contemporânea da seguinte forma: “É a sociedade dos homens vazios: seres sem finalidade, sem valores, seres sem sequer o apelo e o estímulo para a salvação do sofrimento material; seres que se sentem vivos apenas na fúria abstrata do sexo ou nos solavancos repentinos e imprevisíveis, nos desabafos de uma anarquia esporádica e efêmera”. Palavras que Del Noce endossava e que, provavelmente, nenhum intelectual de esquerda aprovaria hoje. Ao catocomunismo Del Noce reconhecia, desde a época de Felice Balbo até seu ensaio sobre Ródano, ou seja, do pós-guerra aos anos 80, um forte senso moral e religioso, uma inspiração idealística e popular que ele não encontrou nos catodemocratas católicos. Os católicos progressistas, para Del Noce, estão mais próximos dos progressistas não católicos do que dos católicos não progressistas; a inspiração religiosa era para eles uma variável secundária em relação ao progressivismo. Com eles, Cristo era posto entre parênteses; a modernidade era o porto seguro. O cristianismo era negociável; já o progresso, a democracia, o antifascismo não. De lá, chega-se ao cristianismo de hoje. Del Noce identificou a dobradiça que ligaria os velhos comunistas ao novo espírito radical: uma certa cultura ativista, secularista e gobettiana [referente a Piero Gobetti, intelectual e ativista de esquerda], que foi expressa através de um jornal-partido, La Repubblica, de Eugenio Scalfari. Em relação ao passado, a nova esquerda tendia a perder seus traços populares e proletários, para encontrar uma nova burguesia, intelectual e empresarial, surgida nas rebeliões de Sessenta e Oito, munida do conforto dos novos poderes econômicos e financeiros. Aparentavam ser os defensores da ética e do moralismo judiciário, mas, na realidade, celebravam a liquidação dos valores comunitários, morais e religiosos. Del Noce descreveu essa transição não apenas em seus livros, mas também em seus artigos culturais para Il Tempo di Roma, então dirigido por Gianni Letta, com a intervenção de Giovanni Volpe; e Il Sabato, próximo a Comunhão e Libertação. Seus escritos foram ignorados pela cultura oficial, sem resposta das próprias partes interessadas. Del Noce viu os traços de uma nova bipolaridade entre radicais e “enraizados”. O que vimos, mais tarde, foi a realização precisa de sua análise: a esquerda se tornaria um partido radical de massa, responsável por uma sociedade liberada dos velhos instrumentos (Deus, pátria e família). A bioética, a eutanásia, o aborto, a relativização da família, a liberação sexual, a apologia da homossexualidade e a legalização das drogas tornam-se seus pontos de força e atração; eram evidentes as marcas do partidarismo radical, sobretudo nas batalhas pelo plebiscito sobre divórcio e aborto. Mas há, do outro lado, um verdadeiro partido de massas com raízes num movimento neoconservador — católico, mediterrâneo e europeu? A pergunta já tinha caído no vazio nos dias de Del Noce, e assim continua até hoje. Se Del Noce descreveu o suicídio da revolução, de forma indireta também descreveu o suicídio do conservadorismo. http://www.libertaepersona.org/wordpress/2019/12/del-noce-vide-la-parabola-della-sinistra-trentanni-prima/
- PAPA BENTO XVI SOBRE QUAL DEVE SER O 'FOCO' PRINCIPAL DOS ELEITORES CATÓLICOS
Em vista das próximas eleições - provinciais no Canadá, na corrida de liderança republicana dos EUA, nas principais eleições americanas no próximo ano e em qualquer outro lugar -, uma análise das reflexões do Papa Bento XVI sobre como os católicos devem votar é em ordem. O "voto católico" demonstrou ser um fator decisivo em várias eleições tardias e, portanto, várias tentativas de orientar esse voto em diferentes direções foram realizadas. Ao longo dos anos de seu pontificado e até mesmo antes, o papa Bento XVI tem sido muito claro sobre como os católicos devem se envolver na política e, portanto, como devem votar. Falando aos membros do Partido Popular Europeu em um discurso proferido em março de 2006, o papa enfatizou que, "no que diz respeito à Igreja Católica, o foco principal" do envolvimento político está em questões de vida "não negociáveis" , direitos da família e dos pais na educação. "No que diz respeito à Igreja Católica, o foco principal de suas intervenções na arena pública é a proteção e a promoção da dignidade da pessoa, e ela está conscientemente chamando atenção particular para princípios que não são negociáveis" , disse ele. Ele adicionou: Entre estes, emergem claramente hoje: - proteção da vida em todas as suas etapas, desde o primeiro momento da concepção até a morte natural; - reconhecimento e promoção da estrutura natural da família - como uma união entre um homem e uma mulher baseada no casamento - e sua defesa de tentativas de torná-lo juridicamente equivalente a formas radicalmente diferentes de união que, na realidade, a prejudicam e contribuem para a sua desestabilização, obscurecendo seu caráter particular e seu papel social insubstituível; - a proteção do direito dos pais de educar seus filhos. Um ano depois, na Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, o Papa repetiu a advertência sobre os valores "não negociáveis" como sendo de preocupação central para os cristãos envolvidos na política. Ele citou esses valores não negociáveis como “respeito à vida humana, sua defesa da concepção à morte natural, a família construída sobre o casamento entre um homem e uma mulher, a liberdade de educar os filhos e a promoção do bem comum em todas as suas formas.” Uma das descrições mais completas das questões não negociáveis foi escrita pelo cardeal Joseph Ratzinger antes de sua elevação ao pontificado. Em uma Nota Doutrinária de 2002 aprovada pelo Papa João Paulo II chamada A Participação dos Católicos na Vida Política, o cardeal Ratzinger escreveu “uma consciência cristã bem formada não permite votar em um programa político ou em uma lei individual que contradiga o conteúdo fundamental da fé e moral. ” Ele explicou: Quando a atividade política se depara com princípios morais que não admitem exceção, compromisso ou derrogação, o compromisso católico se torna mais evidente e carregado de responsabilidades. Em face de exigências éticas fundamentais e inalienáveis, os cristãos devem reconhecer que o que está em jogo é a essência da lei moral, que diz respeito ao bem integral da pessoa humana. É o caso das leis relativas ao aborto e à eutanásia (que não devem ser confundidas com a decisão de renunciar a tratamentos extraordinários, moralmente legítimos). Tais leis devem defender o direito básico à vida, da concepção à morte natural. Do mesmo modo, é necessário recordar o dever de respeitar e proteger os direitos do embrião humano. Analogamente, a família precisa ser protegida e promovida, com base no casamento monogâmico entre um homem e uma mulher, e protegidos em sua unidade e estabilidade diante das leis modernas sobre o divórcio: de nenhuma maneira outras formas de coabitação podem ser colocadas no mesmo nível do casamento, nem podem receber reconhecimento legal como tal. O mesmo vale para a liberdade dos pais em relação à educação de seus filhos; é um direito inalienável reconhecido também pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Da mesma forma, é preciso considerar a proteção da sociedade contra menores e a liberdade das formas modernas de escravidão (abuso de drogas e prostituição, por exemplo). Além disso, existe o direito à liberdade religiosa e ao desenvolvimento de uma economia a serviço da pessoa humana e do bem comum, com respeito à justiça social, aos princípios de solidariedade e subsidiariedade humanas, segundo os quais “os direitos de todos os indivíduos, famílias, e organizações e sua implementação prática devem ser reconhecidas ”. Finalmente, a questão da paz deve ser mencionada. Certas visões pacifistas e ideológicas tendem às vezes a secularizar o valor da paz, enquanto, em outros casos, há o problema de julgamentos éticos sumários que esquecem a complexidade dos assuntos envolvidos. A paz é sempre "o trabalho da justiça e o efeito da caridade". Exige a rejeição absoluta e radical da violência e do terrorismo e requer um compromisso constante e vigilante de todos os líderes políticos. existe o problema de julgamentos éticos resumidos que esquecem a complexidade das questões envolvidas. A paz é sempre "o trabalho da justiça e o efeito da caridade". Exige a rejeição absoluta e radical da violência e do terrorismo e requer um compromisso constante e vigilante de todos os líderes políticos. existe o problema de julgamentos éticos resumidos que esquecem a complexidade das questões envolvidas. A paz é sempre "o trabalho da justiça e o efeito da caridade". Exige a rejeição absoluta e radical da violência e do terrorismo e requer um compromisso constante e vigilante de todos os líderes políticos. O Papa Bento XVI também estabeleceu uma distinção entre o que ele chama de assuntos “não negociáveis” e outros assuntos, observando que, embora haja espaço para desacordo legítimo em alguns assuntos, mas não em outros. Em um discurso em maio deste ano, ele observou: “Ninguém pode reivindicar falar 'oficialmente' em nome de todos os fiéis leigos, ou de todos os católicos, em assuntos livremente abertos à discussão. Por outro lado, todos os católicos, e de fato todos os homens e mulheres, são chamados a agir com consciências purificadas e corações generosos ao promover resolutamente aqueles valores que eu frequentemente me referi como 'inegociáveis'. ” Essa distinção foi traçada ainda mais em uma carta de 2004 enviada pelo cardeal Ratzinger aos bispos dos EUA, que tratavam de políticos católicos e da comunhão. Nesse documento, o cardeal Ratzinger afirmou que mesmo questões tão importantes quanto a guerra e a pena de morte são de menor "peso moral" que o aborto e a eutanásia. "Enquanto a Igreja exorta as autoridades civis a buscar a paz, não a guerra, e a exercer discrição e misericórdia na imposição de punição aos criminosos, ainda pode ser permitido pegar em armas para repelir um agressor ou recorrer à pena de morte", disse ele. . "Pode haver uma diversidade legítima de opinião, mesmo entre os católicos, sobre a guerra e a aplicação da pena de morte, mas não no que diz respeito ao aborto e à eutanásia", acrescentou. Fontes: LifeSiteNews
- O INVESTIMENTO INTERNACIONAL PARA O CRESCIMENTO DAS SEITAS PENTECOSTAIS NA AMÉRICA LATINA UM PERIGO
O INVESTIMENTO INTERNACIONAL PARA O CRESCIMENTO DAS SEITAS PENTECOSTAIS NA AMÉRICA LATINA UM PERIGO SOCIAL Agora vamos falar de eventos e estratégias que se harmonizaram por toda a América Latina, eventos que como vamos observar, tem um grande desenvolvimento nas décadas de 80/90, até o que estamos vivendo atualmente. Um primeiro exemplo é a comemoração dos 100 anos de protestantismo na Guatemala que foi marcada pela festejada verificação de que o seu contingente de adeptos ultrapassava a 25% da população, dos quais 84% são pentecostais. Foi uma constatação animadora, em vista da situação anterior ao período Rios Montt, que registrava 13 ,9% de protestantes , com os pentecostais girando em tomo de 50%. Mas, o que realmente aconteceu no pais para justificar tamanha virada? De março de 1982 a agosto de 1983, a Guatemala esteve sob a ditadura de Efrain Rios Montt, um estranho militar graduado pela “Dale Carnegie School” e que subiu diretamente do posto de cabo ao de general e chefe do Estado-Maior do exército guatemalteco, ascensão que teve de permeio uma passagem pelo treinamento americano em contra-revolução no Panamá e a direção do Colégio Interamericano de Defesa, em Washington. Em 1974. apesar da fraude eleitoral, foi fragorosamente derrotado na disputa da presidência da República e seguiu, então, para um período de descanso na Espanha, como diplomata. Quando voltou, em 1978, renunciou ao catolicismo e instalou no país a “Igreja da Palavra de Deus” ou “El Verbo”, uma seita financiada pela missão transconfessional “ Gospel Outreach”, da Califórnia. E não fez outra coisa a não ser cuidar de assuntos espirituais, construir casas de oração, engajar adeptos, enfim, expandir sua seita, até março de 1982, quando um golpe militar o colocou no poder. A assessoria de governo de Rios Montt era toda da Igreja do Verbo e sua administração, afora a liberdade aos esquadrões da morte para o extermínio dos adversários, à cruel perseguição e tortura aos opositores nas cidades e aos guerrilheiros nas regiões montanhosas. foi dedicada ao proselitismo religioso. Essa preocupação tomou a feição de fanatismo, atmosfera ampliada pelas alocuções e pelas cadeias de oração para ajudá-lo, comandadas por Pat Robertson, no programa “Clube dos 700”, na televisão americana. Foi a época também aproveitada pelos organismos internacionais para se estabelecerem no país, a exemplo de “Campus Crusade for Christ”, “Billy Graham Association”, “Club 700″, “Youth With a Mission”, “Living Word Comunity”, “Gospel Outreach of Pennsylvania”, “ International Love Lift”, “Vision Mundial”, “Instituto Linguístico de Verano” e muitos outros que tomaram a Guatemala de assalto e transformaram-na no principal centro de operações para a América Central e região do Caribe. A queda de Rios Montt não fez declinar a grande influência ideológica das seitas e de grupos religiosos minoritários na Guatemala, cumprindo-se cada vez mais o seu objetivo principal , que era o de manter o povo afastado das práticas políticas, quase sempre de esquerda em um país pobre. A Assembléia de Deus, a lgreja de Deus do Evangelho Completo, a Igreja Príncipe da Paz e a Igreja de Deus Missionária têm centenas de templos abertos ao povo, merecendo destaque, ainda, a atuação dos adventistas, cujo número de fiéis aumentou muito no país nesse período. Em Honduras, fracassaram praticamente todas as igrejas protestantes históricas que se instalaram no país vindas das ilhas inglesas do Caribe. As que resistiram ao peso do isolamento, que lhes dificultava a ampliação do quadro de missionários, tiveram, Por isso mesmo, penetração de reduzida importância e conseguiram conquistar um insignificante número de adeptos. Agora. sobrevivem virtualmente estagnadas e pouco representam do ponto de vista estáticos. Em compensação, registrou-se um êxito espantoso das seitas novas, cuja presença que era relativamente recente no país respondia por 6 por cento das religiões não Católicas. Contribuiu para alterar bruscamente o quadro hondurenho a interferência na questão religiosa das grandes multinacionais que se dedicam a exploração da indústria de frutas no país, quer financiando grupos já existentes, quer promovendo o ingresso na região de missionários pentecostais e fundamentalistas dos Estados Unidos. Las bananeras, como são conhecidas popularmente a “United Fruit” e a “Standard Fruit Companies”, empenharam-se diretamente no estabelecimento das seitas nas Vastas áreas que ocupam. inclusive construindo-lhes templos e proporcionando-lhes facilidades que nunca tiveram as igrejas protestantes históricas. Algo semelhante foi na guerra civil de anos em Ele Salvador, onde o pentecostalismo caiu como uma luva no modus-vivendi da população, lá existem as melhores condições psicossociais para o desenvolvimento rápido e permanente dos movimentos religiosos autônomos, quais sejam, o horror as matanças e o medo da dominação comunista. Foi o bastante para estimular no povo sem cultura, o sentimento de culpa e de ofensa a Deus por permitir tal situação para que se conseguisse imediatamente o recolhimento à oração e a adoção de uma atitude de neutralidade propícios à criação da atmosfera de apatia politica que tanto tem servido a todas às situações dominantes. Esse ponto delicado da questão, a propósito, tem sido a bandeira da “Campus Crusade for Christ“, uma organização fundamentalista americana, com sede na Califórnia. fundada por Bill Bright, que trabalha em El Salvador desde I978. “Não podemos nos dar ao luxo de ceder a arma política e a esquerda religiosa. Devemos defender corajosamente os princípios que constituem a América” – afirmou aos salvadorenhos, no verão de 1983, James Watt, membro da Assembléia de Deus e ex-secretário do Interior dos Estados Unidos, num ataque direto à Igreja Católica. E a advertência não ficou apenas em palavras: à “Campus Crusade” incumbiu-se de amealhar milhões de dólares da Pepsi Cola, Hotéis Holliday Inn, Adolph Coors, Mobil e Coca-Cola para desencadear a vigorosa campanha “Esta é a Vida” pelos cinemas, televisão, panfletos e out-doors, destinada a mobilizar o povo contra o conflito e a favor da política do governo, contra insurreições. As igrejas pentecostais, então, transbordaram de fiéis e a guerrilha foi contida. Era uma espetacular Vitória de Bill Bright na luta contra a transformação dos valores culturais latino-americanos e pela consolidação dos movimentos religiosos, autônomos na América Central. RETALIAÇÕES IDEOLÓGICAS Em meio a uma situação confusa criada pela obstinação do governo sandinista em subordinar os assuntos religiosos a seus interesses políticos, as seitas na Nicarágua, com o pentecostalismo à frente, vão consolidando sua posição em uma nação agitada pela implantação de uma ideologia nova para um povo sofrido. Agora, os movimentos religiosos autônomos são 83 por cento do protestantismo existente no país e as notícias mais recentes dizem que somente a Assembléia de Deus instalou, nos últimos anos, 350 novos locais de oração em Manágua e no interior, isso sem contar os pertencentes à Igreja de Deus, Associação das Igrejas de Cristo e a Igreja Apostólica Fé em Jesus Cristo, que somam, aproximadamente, igual número. A cada dia, também, surgem grupos novos, como “O Caminho da Meia-Noite”, “Relâmpagos”, “Os Unitários”, “só Jesus” e “A Luz Verdadeira”, todos abrindo seus templos. A tônica do governo sandinista no campo religioso havia sido a perseguição as populações miskitas, seguidoras do Protestantismo tradicional da Igreja Moravia da costa atlântica e resistente à revolução, e a Igreja Católica, cuja hierarquia recusa, igualmente, a aceitar a tutela do governo, não obstante alguns Padres ocupem postos de responsabilidade na alta administração do país. A sustentação de um confronto ideológico com os Estados Unidos provocaram retaliações do governo sandinista contra alguns grupos religiosos que tomaram posição ostensivamente contrária à revolução. Os membros da Sociedade Bíblica, de orientação fundamentalista, por exemplo, tiveram que fugir para Miami, enquanto a “Campus Crusade” transferiu-se às pressas para a Costa Rica. Em represália, as duas organizações cancelaram o programa pró-sandinista “A Voz do Evangelho na Revolução”, transmitido de uma emissora de propriedade dos dois grupos e produzido por pastores de seitas pentecostais simpáticos ao sandinismo. São os mesmos pastores, aliás, que emitiram, através da Assembléia Geral do Comité Evangélico para Ajuda e Desenvolvimento (CEPAD), um comunicado, em nome de 37 ritos pentecostais, de apóio aos sandinistas e de exortação aos cristãos americanos para intercederem contra “as atitudes intolerantes e arrogantes dos Estados Unidos em relação à Nicarágua”. O mesmo CEPAD fazia um trabalho de profundidade em favor da nova ordem instituída na Nicarágua, como mobilizar pessoas que não se dispusessem a empunhar armas, mas colaborar com os sandinistas como médicos, enfermeiros, dentistas, engenheiros e artífices em geral, afora apóio logístico, e só retrocedeu no seu plano quando foi ameaçado pelos contra, a facção remanescente do ditador Somoza que, do exterior, luta para derrubar o governo revolucionário. As seitas pentecostais, a despeito dos reveses políticos, funcionaram a todo vapor na Nicarágua. A Costa Rica sempre foi uma espécie de zona franca aberta às religiões, sobretudo pela multiplicidade de organizações transconfessionais dos Estados Unidos que fazem base no país para atuar na América Central e no Caribe, sobretudo as mais antigas. como a “Central American Mission” (CAM) e a “Latin American Mission” (LAM). ambas com sede em San José desde as primeiras décadas dobséculo XX. Outras poderosas faith missions, como a “Trans-Word Mission”. ministravam cursos de preparação de missionários para trabalho em várias nações centro-americanas, centralizando também o esquema financeiro de apoio às diversas entidades que operam na região. Cerca de 60% dos protestantes da Costa Rica (cerca de 8% da população do país) são pentecostais, sobressaindo-se a Igreja de Deus do Evangelho Completo com, aproximadamente, 250 casas de oração, a Assembléia de Deus, com mais de 200 e a Igreja do Evangelho Quadrangular, também com mais de 200 templos. O Panamá nos anos 89 era o país com o maior número de protestantes da América Latina, quase 14% da população. Isso se deveu à influência da ocupação americana da Zona do Canal, em 1904, e à imigração de trabalhadores negros das ilhas inglesas do Caribe, já convertidos à fé Protestante, durante a época daquela obra. Mas as seitas pentecostais, que já eram 50% dos protestantes do país em 1965, pularam para 71 por cento 20 anos depois, e chegaram a 90% nos anos 90, devido à imensa força de semana proselitismo. A Igreja do Evangelho Quadrangular é a mais forte e mantém mais de 300 casas de oração espalhadas pelo país, seguida da Assembléia de Deus. SIMULAÇÃO LINGUÍSTICA A sede é em Huntington Beach, Califórnia, Estados Unidos. Aparentemente, o objetivo da organização, desde 1934, quando foi fundada por William Cameron Townsend, evangelical fundamentalista, é realizar a tradução da Bíblia em línguas e dialetos exóticos, especialmente indígenas, em várias partes do mundo Mas o disfarce da entidade cultural esconde, na verdade, uma máquina poderosa que desenvolve o trabalho missionário do “Summer Institute of Linguistics Inc.”, conhecido na América Latina pelo nome do “Instituto Linguístico de Verano“. organismo operacional da “Wycliffe Bible Translators lnc.“. Toda a. doutrinação é orientada pelo denominado “International Linguistics Center’ ’, associado a Universidade do Texas. em Dallas. Que estabelece as diretrizes para as “School for Pioneers“. No exterior, tais escolas podem ser encontradas também na França, Inglaterra, Alemanha, Austrália. Japão, Coréia e tem crescido a cada ano, principalmente nas Américas e África. Dados mais atualizados revelam que o grupo com cerca de 5 mil ativistas difundindo a Bíblia em quase 900 línguas e dialetos, em mais de 40 países. A penetração de missionários do grupo em regiões distantes e inóspitas, verdadeiras selvas, é de tamanha envergadura que, em 1963, seus dirigentes viram-se compelidos a fundar a “Jungle Aviation and Radio Service” para dar suporte logístico às suas atividades, empregando, então, pilotos, mecânicos, radiotécnicos e outros funcionários, os quais, cumulativameme, dedicam-se ao proselitismo religioso. Os aviões e helicópteros da empresa têm a abreviatura JAARS pintada na fuselagem, e é conhecida das torres controladoras de vôos por essa sigla em todo o mundo. “O Instituto Linguistico de Verano” dispõe de fartos recursos para aplicação em seus programas na América Latina. Embora não se conheça com precisão o volume das disponibilidades que manipula, as cifras do custeio de operações dão uma idéia aproximada de sua magnitude. Com efeito, apurou-se que, em 1981, por exemplo, foram gastos 35 milhões de dólares na movimentação daquela gigantesca engrenagem em diversos países católicos latinos. O “Verano”, em termos de pessoal ativo, é a maior missão religiosa dos Estados Unidos. Em sua órbita de ação, além da América Latina, estão ainda a Indonésia, Austrália, Nova Zelândia e Filipinas e todo o Sudeste asiático não comunista. Para ampliar o alcance do seu raio de açi, espera incorporar mais 3 mil membros nos próximos 10 anos. Sérios problemas já ocorreram entre a Igreja Católica e o “ Instituto Linguistico de Verano” em algumas nações sul-americanas. Os Bispos de Lima, em certa ocasião, acusaram-no publicamente de usar subterfúgios para forçar a conversão de indígenas da Amazônia peruana. Mas, em 1979. a despeito dos protestos de inúmeros prelados. foi revalidado um acordo permitindo à permanência da entidade no país por 10 anos mais. Também no México. o “Verano” foi proibido oficialmente de funcionar desde 1978. Entretanto, os missionários americanos continuam a exercer livremente a catequese das populações indígenas mexicanas. A situação no Panamá e Equador não é diferente: vetado pelos governos, mas atuando sem ser incomodado, como em Honduras, Bolívia e Suriname. Na Colômbia, onde Chester Allen Bitterman, missionário do ‘Verano”, foi, após 8 semanas de sequestro, abandonado morto pelos guerrilheiros do M-19, o governo, em 1974, pressionado pelo “Movimento para a Defesa da Cultura Nacional ”, fez uma devassa nas atividades da entidade. A investigação, conduzida polo inspetor-geral do Exército, general José Carlos Matallana, concluiu que o “Verano” constituía, de fato, grave ameaça a integridade cultural do país, como também a da Venezuela, Peru e Brasil, nações limítrofes. Contudo, um acordo feito pelo governo com a Embaixada americana deixou as coisas exatamente como estavam e ficaram até 1995, prazo final do ajuste firmado, e ainda nos dias atuais estão atuando com mais força que antes. A mais grave acusação feita à “Wycliffe Bible Translators Inc.”, a empresa tradutora de Bíblias para o “Verano”, é a de adulterar os textos sagrados destinados as populações indígenas, enxertando-os com noções falsas relativas ao conceito de autoridade e a supremacia de raças, de modo a tomar os aborígenes mais dóceis e obedientes. São distorções grosseiras, apontadas por estudiosos da Bíblia em várias obras distribuídas pelo “ Verano”. Essa fraude é comumente associada a fantasiosas previsões de tragédias iminentes, tais como terremotos, erupções vulcânicas e vendavais, em terras que se pretendem sejam abandonadas pelos nativos, as quais, a seguir, são compradas a preço vil e tornadas objeto de exploração mineral ou criação de gado em economia de escala por corporações multinacionais. O “Verano” envolve-se, ainda, em complicadas atividades paralelas à conversão com as Bíblias traduzidas pelo “Wycliffe”. Uma delas é a cooperação com formas militares na repressão a guerrilha, como no Peru, Bolívia e Colômbia. É acusada de fornecer consultores técnicos e guias para facilitar a penetração de tropas em áreas de difícil acesso ocupadas por guerrilheiros, identificando os grupamentos nativos que eventualmente possam colaborar com os insurretos. A isso chama de “pacificação” e as autoridades dos países que se têm beneficiado desse tipo de ajuda são unânimes em elogiar o know how do “Verano” no assunto. Um general boliviano exilado nos Estados Unidos, falando à propósito dessa colaboração, afirmou que , como membro do aparato de repressão de seu país, tinha posição de comando no combate à guerrilha chefiada por Teoponte e pode constatar, na ocasião, a existência do “Verano” nesse campo. Explicou que os missionários forneceram às tropas mapas da área de operações dos guerrilheiros de uma precisão incrível. Os militares receberam, inclusive, todos os dados sobre a composições étnica da população nativa e localização de fontes de produção, acompanhados de informações muito exatas sobre os grupos indígenas que apoiavam os guerrilheiros. Ideologicamente, as equipes missionárias do “Verano” são visceralmente anticomunistas. Sua doutrinação estabelece mesmo uma ligação entre a ação diabólica de Satanás e o comunismo ateu e materialista. A pregação religiosa faz-se paralelamente ao proselitismo político, usando os estudos linguísticos apenas para mistificar os dois objetivos. Em verdade, o trabalho do “Verano” é sectério e nada tem de científico, servindo tão somente para confundir e descaracterizar línguas, culturas e crenças dos povos indígenas, onde quer que seja desenvolvida. Carecem, todavia, de comprovação as acusações de que a entidade seja subvencionada pela Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos. Embora as evidências sejam fartas, e nada se provou de concreto até agora, conquanto necessitem também de explicação a enorme desproporção entre o dinheiro gasto pelo “Verano” para sustentar a sua gigantesca máquina e os modestos recursos obtidos com a simples venda da Bíblia em dialetos estranhos. É importante observar a atuação desse tipo de organização pois, no Brasil, como veremos adiante, sua presença é marcante. Jancsó István, A construção dos estados nacionais na América latina, MONTEIRO DE LIMA, Delcio, os demônios descem do Norte.
- SINOPSE DOS ERROS IMPUTADOS AO VATICANO II
Índice I- Introdução II- Natureza ambígua do último concílio III- Erros no discurso de inauguração e na mensagem para o mundo IV- Exemplos de ambigüidades e contradições nos textos do concílio V- Omissões importantes VI- Sinopse dos erros imputados ao Vaticano II: Erros doutrinais: 1- noção de Tradição e de verdade católica 2- Santa Igreja e a Beatíssima Virgem 3- missa e a liturgia sagrada 4- o sacerdócio 5- a encarnação, a redenção, o conceito do homem 6- o reino de Deus 7- o matrimônio e a condição da mulher 8- os heréticos e cismáticos (denominados “irmãos separados”) 9- a descrição errada e falaciosa das religiões não cristãs 10- erros concernentes à política, à comunidade política, às relações entre Igreja e Estado 11- erros sobre a liberdade religiosa e o papel da consciência moral Erros pastorais: 12- erros na interpretação da significação do mundo contemporâneo 13- a reforma da sagrada liturgia 14- o estudo e o ensinamento da doutrina 15- a formação dos religiosos e seminaristas, o ministério dos bispos e sacerdotes 16- a formação dos missionários e diretrizes para seu apostolado 17- as diretrizes para o apostolado dos leigos 18- a modernização da educação VII- Conclusão Retornar à doutrina ou perecer. I- Introdução Geralmente atribui-se ao Vaticano II (1962-1965) uma mentalidade pouco ou nada católica, devido ao antropocentrismo, tanto inexplicável quanto inegável, que transparece em todos seus documentos, à simpatia manifesta pelo “mundo” e seus enganosos valores. Mais concretamente, atribuem-se-lhe ambigüidades notáveis, contradições patentes, omissões significativas, e sobretudo, erros graves de doutrina e pastoral. II- Natureza jurídica ambígua do último Concílio Deve-se recordar, a título preliminar, que a ambigüidade se insinua até na natureza jurídica efetiva do concílio: tal natureza não é clara e parece indeterminada, porque o Vaticano II declarou-se simples concílio pastoral, razão pela qual não pretendeu definir dogmas, nem condenar erros (cf. o discurso de inauguração pronunciado por João XXIII em 11 de outubro de 1962 e a Notificatio lida em 5 de novembro de 1965). Portanto, as duas constituições conciliares consideradas “dogmáticas” têm esse nome num sentido puramente descritivo, ou seja, por tratarem de assunto referente ao dogma da fé. (Dei Verbum, sobre a revelação divina, e a Lumen Gentium, sobre a Igreja). O concílio define-se apertis verbis, “magistério ordinário supremo e manifestamente autêntico” (Paulo VI), figura insólita e inadequada para um concílio ecumênico. De fato, o concílio é um exercício extraordinário do magistério que ocorre no momento em que o Papa decide exercer excepcionalmente junto com todos os bispos reunidos por ele, a summa potestas, sobre toda a Igreja que lhe compete por direito divino. A referência ao caráter “autêntico” do magistério é pouco esclarecedora, porque por isso se entende normalmente um magistério “autorizado” em razão da autoridade da pessoa, não em razão de sua infalibilidade. O magistério mere authenticum não é infalível, ao contrário do “magistério ordinário infalível” (v. si si no no , 31 de março de 2001, ed. italiana, págs. 4 ss.). A infalibilidade do magistério ordinário não apresenta as mesmas características, as mesmas notas que o magistério extraordinário; portanto não pode ser aplicada ao concílio. Basta lembrar que os bispos concorrem ao magistério ordinário infalível por estarem dispersos por todo o globo (ensinando a mesma doutrina, apesar de geograficamente dispersos), não quando se encontram reunidos em concílio. Seja qual for a natureza jurídica efetiva do Vaticano II, está claro que esta não se quis impor um ensinamento marcado pela nota da infalibilidade. O próprio Paulo VI disse que os fiéis deviam acolher os ensinamentos conciliares “com docilidade e sinceridade”, isto é, com “assentimento religioso interno” (requerido para os documentos pastorais, por ex.). Tal assentimento é obrigatório com a condição de que não haja razões graves e suficientes para não concedê-lo. E que razão seria mais grave do que a alteração do depósito de fé? Durante o tormentoso desenrolar do concílio, cardeais, bispos e teólogos fiéis ao dogma já tinham estigmatizado repetidamente as ambigüidades e os erros que se infiltravam naqueles textos, erros que hoje, depois de quarenta anos de reflexão e de estudo qualificado, estamos aptos a detectar com maior precisão ainda. III- Erros no discurso de inauguração e na mensagem ao mundo Não pretendemos que esta sinopse seja completa. Parece-nos entretanto, Ter identificado um número suficiente de erros importantes, começando pelos que estão contidos na alocução de abertura e na mensagem do concílio ao mundo de 20 de outubro de 1962. Esses dois textos, apesar de não pertencerem ao concílio, o orientam no sentido desejado pela ala progressista, isto é, pelos inovadores neo-modernistas. Alocução de abertura O célebre discurso de João XXIII contém três verdadeiros erros doutrinais, além de profecias gritantemente desmentidas pelos fatos: “a Providência está nos conduzindo em direção a uma nova ordem de relações humanas que ... se dirigem à realização de desígnios superiores e inesperados ”. 1º Erro: uma concepção mutilada do magistério Este erro encontra-se na incrível afirmação, reformada por Paulo VI no discurso de inauguração da segunda seção do concílio, em 29 de setembro de 1963, segundo a qual a santa Igreja renuncia a condenar os erros: “A Igreja sempre se opôs a estes erros ( as opiniões falsas dos homens, n. da red.). Freqüentemente os condenou com a maior severidade. Em nosso tempo, entretanto, a Esposa de Cristo prefere usar a medicina da misericórdia mais que a da severidade. Ela estima que, em vez de condenar, ela responde melhor às necessidades de nossa época realçando as riquezas de sua doutrina”. Renunciando ao exercício de sua autoridade, que procede de Deus, o papa Roncalli faltava com seus deveres de vigário de Cristo. A condenação do erro é essencial para a preservação do depósito da fé (que constitui o primeiro dever do Pontífice), pois confirma a fortiori a sã doutrina, demonstrando sua eficácia com uma aplicação concreta. Além disso, a condenação do erro é necessária desde o ponto de vista pastoral, porque sustenta os fiéis, tanto os cultos quanto os menos cultos, com a autoridade inigualável do magistério, com a qual passam a contar para defender-se do erro, cuja “lógica” é sempre mais astuta e mais sutil do que a deles. E não e só isso: a condenação do erro pode induzir o que erra a refletir, colocando-o frente à verdadeira substância de seu próprio pensamento. Como sempre se repetiu, a condenação do erro é obre misericordiosa ex sese. Sustentar que esta condenação já não tem mais razão de ser, por um lado, dá impulso a uma concepção mutilada do magistério da Igreja, por outro, substitui o diálogo com o homem que erra, (que a Igreja sempre procurou) pelo diálogo com o erro. Tudo isso configura um erro de doutrina, que se manifesta no final do texto de João XXIII. Aqui aparece a idéia de que a demonstração da “validade da doutrina” é incompatível com a “renovação das condenações”, como se tal validade tivesse que impor-se unicamente graças à força de sua própria lógica interna. Se fosse assim, a fé não seria mais um dom de Deus, ela não teria mais necessidade nem da graça para existir e se fortificar, nem do exercício do princípio de autoridade, personificado pela Igreja Católica, para se sustentar. Este é o erro, em seu sentido próprio, escondido na frase de João XXIII: uma forma de pelagianismo, típico de toda concepção racionalista da fé, muitas vezes condenado pelo Magistério. Além disso, as condenações fulminam não só as heresias e os erros teológicos no sentido estrito e de maneira implacável, mas toda concepção de mundo que não seja cristã (não somente as contrárias à fé, mas também as distintas dela, religiosas ou não, porque segundo Nosso Senhor, “quem não colhe amigo, dispersa” Mt, 12,30). A posição heterodoxa de João XXIII, mantida pelo concílio e pelo pós-concílio até hoje, derrubou por terra - nota-se isso nos textos conciliares - a inflexível armadura conceitual da Igreja, apreciada outrora até por seus inimigos: “O selo intelectual da Igreja é, na sua essência, o rigor inflexível com o qual os conceitos e os juízos de valor são estabelecidos, como aeterni” (Nietzche). 2º Erro: a contaminação da doutrina pelo “pensamento moderno”, intrinsecamente anti-católico. A essa renúncia proclamada de combater o erro, a essa inaudita abdicação, está ligada outra célebre e gravíssima afirmação de João XXIII, retomada por ele na alocução aos cardeais, de 13 de janeiro de 1963, segundo a qual a “penetração doutrinal” devia ser feita “em correspondência com a mais perfeita fidelidade à autêntica doutrina”. Essa doutrina, no entanto, devia ser “estudada e exposta através das formas de investigação e da formulação literária do pensamento moderno, já que uma coisa é a substância do depositum fidei, isto é, das verdades que a nossa venerada doutrina contém. Outra coisa é a forma pela qual essas verdades são enunciadas e isso deve ser levado muito em conta, atendendo-se às normas e exigências de um magistério de caráter sobretudo pastoral”. Este conceitos foram expressamente retomados pelo concílio no decreto Unitatis Redintegratio sobre o ecumenismo, art. 6 (cf. infra). O princípio liberal e modernista de que a doutrina perene devia revestir-se de uma forma nova tirada do “pensamento moderno”, já tinha sido expressamente condenado por S. Pio X (Pascendi 1907, par. II, c.; decreto Lammetabili, nn. 63 e 64; Denzinger 2064-5/3464-5) e por Pio XII (Humani Generis, AAS 1950, 565-566). Portanto o Papa Roncalli propôs uma doutrina já condenada formalmente como herética (modernista) pelos seus predecessores. De fato, não é possível aplicar à doutrina católica as categorias do “pensamento moderno”, que nega a priori, em todas suas formas, a existência de uma verdade absoluta, cujo único valor absoluto é o homem que tudo a ele relaciona e o diviniza em todas suas manifestações (desde o instinto à “consciência de si”). Trata-se pois, de um pensamento intrinsecamente oposto a todas as verdades fundamentais do cristianismo, desde a idéia de um Deus criador, de um Deus vivo, que se revelou e incarnou, até o modo de entender a ética e a política. Ao propor tamanha contaminação, João XXIII agiu como discípulo do “método” da “Nouvelle Théologie” neo-modernista, já condenada pelo magistério. Se o concílio se preocupasse verdadeiramente com as necessidades dos tempos, que é a missão salvífica da Igreja Católica, deveria ter aprofundado as condenações do pensamento moderno que os Papas tinham formulado no passado (desde Pio IX até Pio XII), em vez de deixar que se fizesse o “estudo” e a “expressão” da doutrina “autêntica” e “antiga” em função de tal tipo de pensamento. 3º Erro: a finalidade da igreja é a unidade do gênero humano O terceiro erro se apoia na consideração de que a unidade do gênero humano é fim próprio da Igreja: “Eis a que se propõe o II Concílio Ecumênico do Vaticano...ele de certo modo prepara e abre o caminho que leva à unidade do gênero humano, fundamento necessário para que a Cidade terrestre se organize à semelhança da Cidade celeste na qual, segundo S. Agostinho, a verdade é o rei, a caridade é a lei e cujas fronteiras são a eternidade (cf. S. Agostinho, Epíst. 138, 3).” Considera-se aqui que o fundamento necessário (reflitam no adjetivo “necessário”) para que a “cidade terrestre” se assemelhe cada vez mais à “celeste” seja a unidade do gênero humano. Entretanto, nunca se ensinou no passado que a expansão da Igreja neste mundo necessitasse de tal fundamento. Além do mais, a unidade do gênero humano – unidade afirmada simpliciter pelo papa – é uma idéia mestra da filosofia da história elaborada pelo pensamento laicista a partir do século XVIII, uma componente essencial da religião da Humanidade, não da religião católica. O erro consiste aqui em misturar a visão católica com um pensamento alheio a ela, que nega e contradiz ex sese a doutrina tradicional. Os não católicos não visam a estender o reino de Deus (quer dizer, a parte deste reino visível na Terra ou a Igreja militante), mas desejam suplantar a própria Igreja pela Humanidade, convencidos como estão da dignidade do homem enquanto homem (porque não crêem no dogma do pecado original) e de seus presumidos “direitos”. Os efeitos deletérios da recusa de condenar os erros do século se fizeram sentir também, como uma espécie de némesis, no discurso pronunciado, visto que este contém no mínimo um desses erros além de pelo menos outros dois, mais propriamente teológicos. Erros na mensagem dos Padres conciliares ao mundo A mensagem ao mundo transmitida na inauguração do concílio ( Monsenhor Lefebvre foi um dos poucos a criticá-la), contém em miniatura a pastoral que se estenderia ad abundantiam na Gaudium et Spes, uma pastoral que reserva o lugar de honra para os “bens humanos”, a “dignidade do homem” enquanto homem e a “paz entre os povos” (invocada para não ter que convertê-los a Cristo). “Confiamos que a partir dos trabalhos do concílio a luz da fé resplandeça com mais clareza e intensidade. Esperamos também uma renovação espiritual, que impulsione e fomente os bens humanos, tais como os inventos científicos, os progressos técnicos e uma maior difusão da cultura.” Os “bens humanos” estão representados aqui pelo progresso da ciência, da arte, da técnica, da cultura (entendida à maneira do século, segundo se infere na Gaudium et Spes, art. 60 a 62, cf. infra).O concílio devia se preocupar disso? Deveria desejar a incrementação de tais “bens”, meramente terrenos, caducos, freqüentemente falazes, em vez de promover os bens eternos, fundados em valores perenes, ensinados pela Igreja durante os séculos? Como espantar-se com a grave crise que ainda perdura em conseqüência desse gênero de pastoral? E o que se verificou em vez de um novo esplendor? O erro teológico no sentido próprio manifesta-se depois, na conclusão da mensagem: “Por isso, humildemente e ardentemente, convidamos todos, não só nossos irmãos, a quem servimos como pastores, mas também todos os irmãos que crêem em Cristo e todos os homens de boa vontade [abstraindo sua religião pessoal], a que colaborem conosco para instaurar no mundo uma sociedade humana mais reta e mais fraterna, visto que “o desígnio divino é que, pela caridade, brilhe de algum modo o reino de Deus como dádiva do reino eterno”. Esta não é a doutrina católica, para a qual “a dádiva do reino eterno” neste mundo é exclusivamente a Igreja Católica, a Igreja visível, docente e discente, membros terrenos do corpo místico de Cristo, que cresce (lentamente, mais cresce) apesar da oposição do “príncipe deste mundo”: a Igreja, não é a união de “todos os homens de boa vontade”, de todo o gênero humano, sob o estandarte do “progresso”. IV- Exemplos de ambigüidades e contradições nos textos conciliares Ambigüidades Limitemo-nos a recordar um exemplo que já se tornou clássico. Na constituição dogmática Dei Verbum sobre a revelação divina (dogmática porque se ocupa de verdades inerentes ao dogma), as verdades de fé sobre as duas fontes paritárias da revelação (Sagrada Escritura e Tradição), sobre a inerrância absoluta das Escrituras e sobre a historicidade plena e total dos Evangelhos são expostas de maneira insuficiente e pouco clara (nos artgs. 9, 11, 19 de DV). A terminologia num caso (art. 11) se presta a interpretações opostas entre si, uma das quais pode reduzir a inerrância à “verdade consignada na Escritura visando a nossa salvação” (o que equivale a uma heresia, porque a inerrância absoluta da Sagrada Escritura, inclusive a dos fatos ali contidos é uma verdade de fé sempre mantida e ensinada pela Igreja). Contradições Como exemplo de contradição patente, recordemos o artigo 2 do decreto Perfectae Caritatis sobre a renovação da vida religiosa, onde se diz que “a renovação adequada (accommodata) da vida religiosa abarca por um lado a volta às fontes de toda vida cristã e à primitiva inspiração dos institutos, e por outro, uma adaptação (adaptationem) dos mesmos às diversas condições dos tempos”. A contradição salta aos olhos, porque o próprio da vida religiosa (segundo os três votos de pobreza, castidade e obediência), tem sido a antítese perfeita em relação ao mundo, corrompido pelo pecado original, cuja figura é caduca e passageira. Como é possível, então , que “a volta às fontes”, à “primitiva inspiração dos Institutos”, se verifique juntamente com sua “adaptação às diversas condições dos tempos”, ou melhor, “mediante tal adaptação”? A adaptação a tais “condições”, que são hoje as do mundo moderno secularizado, da cultura leiga, etc., impede por si mesmo “a volta às fontes”. Outro exemplo de contradição: no art. 79 da Gaudium et Spes se admite o direito dos governos à “legítima defesa” para “defender-se com justiça” (ut populi iuste defendatur). Parece substancialmente conforme o ensinamento tradicional da Igreja, que sempre admitiu, na hora de defender-se contra um ataque tanto externo quanto interno, um tipo de “guerra justa”, conforme os princípios do direito natural. Não obstante, no art. 82 da mesma Gaudium et Spes há, uma “proibição absoluta da guerra” (De bello omnimo interdicendo) e consequentemente, de todo tipo de guerra, sem excetuar expressamente a guerra defensiva, justificada três artigos acima. Um último exemplo: a conservação do latim como língua litúrgica. De fato, o concílio ordena que seja conservado (servetur) “o uso do latim nos ritos latinos” (Sacrossantur Concilium, 36,1), mas ao mesmo tempo, concede “maior espaço” na liturgia à língua vulgar, segundo as normas e os casos fixados pelo próprio concílio (SC 36,2). Mas as normas de caráter geral estabelecidas pelo concílio atribuem às conferências episcopais, graças à faculdade de experimentar novas formas litúrgicas (!) que lhes foi concedida, uma competência praticamente ilimitada no que concerne à introdução da língua vernácula no culto (SC 22, 2; 40-54). Além disso, abundam os casos em que o concílio autoriza o uso – parcial ou total – da língua nacional: na administração dos sacramentos, dos sacramentais e nos ritos particulares (SC 63); nos ritos do batismo nos países de missão (SC 65); na ordenação dos sacerdotes (SC 76); no matrimônio (SC 77 e 78); na recitação do Ofício Divino (SC 101) e na solene liturgia da missa (SC 113). Mais do que manter o uso do latim, o concílio parece ter-se preocupado em abrir o maior número possível de brechas à língua vulgar, determinando assim as premícias de sua vitória definitiva no pós-concílio. V- Omissões importantes Entre as omissões do concílio, limitemo-nos a recordar as mais importantes. No plano dogmático: 1- Ausência de condenação dos erros do século 2- Ausência do conceito do sobrenatural e, correlativamente, de toda menção do paraíso 3- Ausência de um estudo específico sobre o inferno, que se menciona só uma vez, levemente (cf. Lumen Gentium, art. 58 [no espanhol e no francês, 48]) 4- Ausência de qualquer menção do dogma da transubstanciação na definição da santa missa exposta no artigo 47 da SC. Esta ausência repete-se por exemplo, no art. 106 da mesma constituição e em outros lugares (cf. infra, 30) 5- Tampouco se mencionam os “pobres de espírito” (pior ainda: falta até seu conceito) No plano espiritual: 1- Em geral, percebe-se a omissão de qualquer traço especificamente católico em conceitos chaves da pastoral, concernentes às relações entre a Igreja e o Estado, o tipo ideal do indivíduo, a família, a cultura, etc. (Gaudium et Spes, 53, 74, 76, etc.; cf. infra) 2- Não se condena o comunismo (fato cobre o qual correram rios de tinta). Tal lacuna aparece na passagem da Gaudium et Spes, que condena genericamente o “totalitarismo”, colocando-o no mesmo plano que a “ditadura”: “De qualquer maneira, é inumano que a autoridade política caia em formas totalitárias ou em formas ditatoriais que lesam gravemente os direitos da pessoa ou dos grupos sociais” (Gaudium et Spes, 75). Idêntica lacuna nota-se também no artigo 79 da mesma constituição na qual se condenam métodos abomináveis como “aqueles com os que metodicamente se extermina totalmente um povo, raça ou minoria étnica... Isso tem que ser condenado veementemente como crime hediondo”. Tais “métodos” foram aplicados várias vezes no século XX, por ex., contra os armênios cristãos, exterminados pelos turcos muçulmanos nos anos que precederam à primeira guerra mundial, e, por parte do nazismo neopagão, contra os judeus, cujas vastas e florescentes comunidades da Europa centro-oriental foram aniquiladas. Mas também foram aplicados pelos comunistas, com a eliminação física sistemática dos supostos “inimigos da classe”, quer dizer, milhões de indivíduos cujo único erro era pertencer a uma classe social determinada: aristocracia, burguesia, camponeses, todas as classe a serem extirpadas em nome da sociedade sem classes, fim utópico do comunismo. Seria então preciso que esse art. 79 da Gaudium et Spes acrescentasse aos diferentes tipos de exterminação o “de uma classe social, etc.”. Mas a ala “progressista” que se impôs no concílio tratou de evitá-lo. Ela era em grande parte orientada politicamente para a esquerda, e não queria que se falasse do marxismo como doutrina nem do comunismo como sua realização prática. 3- Ausência de condenação da corrupção dos costumes, do hedonismo, que já começava a difundir-se na sociedade ocidental. VI- Sinopse dos erros imputados ao Vaticano II Dividiremos tais erros em doutrinais e pastorais, mesmo sabendo que a distinção entre ambos nem sempre é fácil. Os erros doutrinais: Os erros doutrinais se encontram nas proposições que contradizem, inteira ou parcialmente, o que a Igreja sempre ensinou, ou obscurecem, ou reduzem ou alteram de algum modo a doutrina católica. Esses erros abundam em todos os textos nos quais o Concílio quis expor sua própria doutrina, sua “perscrutação” da tradição sagrada e dos ensinamentos da Igreja: “este Concílio Vaticano perscruta (scrutatur) a tradição sagrada e a doutrina da Igreja, das quais trás à luz coisas novas (nova) sempre coerentes (congruentia) com as antigas” (Dignitatis Humanae). O leitor que nos acompanha na presente sinopse julgará em que medida corresponde à realidade a afirmação anterior. Os erros na doutrina atingem: 1- a noção de Tradição e de verdade católica 2- a santa Igreja e a beatíssima Virgem 3- a santa missa e a sagrada liturgia 4- o sacerdócio 5- a encarnação, a redenção, o conceito do homem 6- o reino de Deus 7- o matrimônio e a condição da mulher 8- os sectários, hereges e cismáticos (denominados “irmãos separados”) 9- as religiões não cristãs 10- a política, a comunidade política, as relações entre Igreja e Estado 11- a liberdade religiosa e o papel da consciência individual Os erros pastorais: Em simbiose permanente com hereges e cismáticos Os erros na Pastoral consistem essencialmente em propor uma pastoral desviada, porque põe em prática os erros doutrinais do Concílio, ou se opõe de alguma maneira, total ou parcialmente, à pastoral tradicional da Igreja, ou a altera, ou acaba contradizendo-a intrinsecamente. De um ponto de vista geral, toda a Pastoral proposta pelo Vaticano II está corrompida, porque se apóia na adaptação (aggiornamento), ou seja, no princípio do diálogo com o erro, em vez de dialogar com o que erra para convertê-lo, como foi dito mais acima. Vamos expor os erros pastorais da seguinte maneira: primeiro faremos (na seção 1.2) uma análise sucinta das apresentações fantasiosas relativas ao homem e ao mundo, alheias a qualquer referência efetiva ao ensinamento da Igreja e ao pensamento católico, desenvolvidas principalmente na Gaudim et Spes, que constituem como o fundamento teórico de grande parte da Pastoral conciliar; depois daremos alguns exemplos dos desvios da Pastoral proposta, quando seguirmos o plano geral da Gaudium et Spes e dos documentos doutrinais. Graças a tais exemplos, veremos (na sec. 1.3 e seguintes) que a Pastoral do Vaticano II se articula sempre em função de duas diretrizes fundamentais, vinculadas entre si: 1- a “adaptação” do clero, sem poupar nenhum de seus integrantes, à cultura moderna e contemporânea em todas suas formas: humanísticas, científicas, técnicas, artísticas. 2- a “colaboração ecumênica” de sacerdotes e fiéis com os chamados “irmãos separados”, com os seguidores das religiões não cristãs, com todos os homens; mas não para convertê-los à fé única e verdadeira, e sim para colaborar com eles para o progresso e a unidade do gênero humano. Além disso, no art. 24 Unitatis Redintegratio proclama-se que o ecumenismo é o “princípio geral” verdadeiro e próprio da Pastoral, entendido, obviamente, no sentido do art. 8 da Lumen Gentium e dos artgs. 1 a 4 da Unitatis Redintegratio: Este concílio deseja ardentemente (instanter exoptat) que os projetos (incepta) dos fiéis católicos progridam em união (coniuncta progrediantur) com os projetos dos “irmãos separados” como era de se esperar, aceitou-se e pôs-se em prática este convite à simbiose permanente com os hereges e os cismáticos, o que nos autoriza afirmar que as degenerações ecumênicas na celebração do culto e na pastoral, tão difundidas hoje, têm suas raízes no Concílio (e não no chamado “pós-concílio”). Os erros na Pastoral dizem respeito a: 12- interpretação do significado do mundo contemporâneo 13- reforma da sagrada liturgia 14- o estudo e o ensinamento da doutrina 15- formação dos religiosos e seminaristas, o ministério dos bispos e dos sacerdotes 16- formação dos missionários e diretrizes para seu apostolado 17- diretrizes para o apostolado dos leigos 18- a modernização da educação ERROS DOUTRINAIS 1- Erros concernentes à noção de Tradição e de verdade católica 1- 0 Um conceito errôneo da sagrada tradição, entendida como conjunto de ensinamentos graças aos quais a Igreja “tende constantemente, no decorrer dos séculos, à plenitude da verdade divina (ad plenitudinem divinae veritatis iugiter tendit), até que nelas se cumpram as palavras de Deus.’’(DE Verbum, 8). Como se a tradição, que guarda o depósito da fé desde o tempo da pregação apostólica, não possuísse a plenitude da verdade divina! Como se pudesse haver algo a ser acrescentado ou modificado nela! Esta noção de um movimento “incessante” da Igreja em direção à “plenitude da verdade”, contradiz claramente a do “depósito da fé”(I Tim. 6.20), e se vincula ao subjetivismo característico do pensamento moderno, professado pela “Nouvelle Théologie”, para a qual tudo está sempre em movimento, em progresso contínuo e não existe uma verdade absoluta, mas somente o movimento incessante do sujeito em direção à verdade que, afinal, ele mesmo produz. 1.1- A incrível afirmação, contrária ao bom senso e à toda a tradição, segundo a qual “Cristo chama a Igreja peregrina a uma reforma perene, da qual a própria Igreja, enquanto instituição humana e terrena, tem sempre necessidade (vocatur in Christo ad hanc perenem reformationem quae ipsa ... perpetuio indiget)”; reforma que deve conter também “a maneira de expor a doutrina, que deve distinguir-se cuidadosamente do mesmo depósito da fé (qui ab ipso deposito fidei sedulo distingui debet)”(Unitatis Redintegratio,6; também Gaudium et Spes, 62). Este princípio já tinha sido proclamado nas versões em língua vernácula do discurso de inauguração de João XXIII de 11/10/62, e confirmado depois ao pé da letra por este próprio Papa (um princípio, entretanto, já condenado por S. Pio X (Pascendi,11,c; Lamentabili, 63 e 64: Denzinger, 2064-5) e Pio XII (Humane Generis, AAS 1950, 565-566) (cf. supra). 1.2- “A verdade só se deve impor pela força da própria verdade (nisi vi ipsius veritatis), que penetra suave e fortemente nas almas” (Dignitatis Humanae 1),é uma proposição do concílio para justificar a liberdade religiosa. Ela é absolutamente falsa. As verdades do catolicismo, enquanto verdades divinitus reveladas, estão acima da capacidade de nossa inteligência e não se pode crer nelas sem a ajuda da graça (por isso sempre se ensinou que a fé é um dom de Deus). Além disso, tal afirmação nega de fato as conseqüências do pecado original sobre a inteligência e a vontade, feridas e debilitadas e, consequentemente inclinadas ao erro e fascinadas por ele. 2- Erros concernentes à Santa Igreja e à Beatíssima Virgem 2.0- Uma idéia equivocada sobre a Santa Igreja (conhecida como o erro do subsistit in): a Igreja não é mais concebida como a Igreja única verdadeira de Cristo (conforme sempre foi ensinado), já que se ousa escrever que a “Igreja de Cristo” (...) “subsiste na Igreja Católica”, assim como subsistem “fora dela muitos elementos de santificação e de verdade”, a título de “dons próprios da Igreja de Cristo” (Lumen Gentium 8; também: Dignitatis Humanae 1; Unitatis Redingratio 3). Isso equivale a sustentar, contra o dogma da fé, que as almas se salvam também fora da Igreja católica – a qual, já não constitui o único “meio de salvação”. Assim também as comunidades heréticas e cismáticas são “meios de salvação” (UR 3), apesar de suas “deficiências”, porque o “Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como meios de salvação, cuja virtude deriva da plenitude de graça e de verdade que se confiou à Igreja católica” (UR 3 cit.) Ainda deixa-se à Igreja católica “a plenitude total dos meios de salvação”, “auxílio geral da salvação (generale auxilium salutis)” (ibid). Mas assim a Igreja passa de meio único de salvação, a mero “auxílio geral” (expressão obscura), que possui “a plenitude total dos meios de salvação” (ainda que, só a plenitude deles, não a unicidade dos mesmos, como antes). O que significa que, in mente concilii, há meios menos plenos de salvação, capazes de conferi-la (quanto à salvação, ela só pode ser plena, pois é impossível conceber uma salvação pela metade); meios que se acham também, como parece, nos chamados “irmãos separados”, visto que estes gozam da assistência do Espírito Santo,não como indivíduos, mas cabalmente como comunidades heréticas e cismáticas. Estamos perante um erro teológico manifesto, já que as comunidades “separadas” o são precisamente porque recusaram a assistência do Espírito Santo para correrem atrás dos próprios erros que as conduziram à separação. Esta nova doutrina do concílio acaba sendo, além disso, inconsistente no plano lógico porque não se entende como meios de salvação “deficientes” e menos plenos que os da Igreja católica possam alcançar a mesma salvação conferida por esta última: a meios desiguais deveriam corresponder resultados desiguais e não um resultado idêntico. Nota sobre a declaração “Dominus Iesus” Muitos católicos se alegraram com a Declaratio Dominus Iesus (A.D 2001), que reafirmou o subsistit da Igreja de Cristo na Igreja católica, assim como o princípio segundo o qual a Igreja católica é a única a gozar da “plenitude” dos meios de salvação. No entanto, para estar conforme ao depósito da fé, a Declaratio deveria dizer que a Igreja de Cristo subsiste somente na Igreja católica, em vez de dizer – em sintonia perfeita com Lumen Gentium e Unitatis Redintegratio – que a “Igreja de Cristo”, apesar das divisões dos cristãos, continua existindo plenamente só na Igreja católica”(DI, 16). O advérbio “plenamente” não está adequado, pois deixa entender que a Igreja de Cristo continuou e continua existindo, mesmo não plenamente, em “elementos” que, apesar de se acharem fora da Igreja católica, conferem salvação. É precisamente este conceito que contradiz o dogma bilimenar Extra Ecclesiam nulla salus. Com efeito, a verdade proclamada neste dogma (nulla salus: nenhuma salvação) é a seguinte: fora da Igreja católica, Igreja única e legítima de Cristo pelos séculos dos séculos, não há nem pode haver “meios” de salvação, sejam mais plenos ou menos, isto é, “meios” que possam obter a salvação através de “igrejas” ou “comunidades” heréticas e cismáticas enquanto tais. Fora da Igreja não há outra coisa além da possibilidade de uma salvação individual do herege ou cismático material de boa fé, que compartilha as doutrinas de sua seita por ignorância inculpável da doutrina católica, e que busca sinceramente cumprir em tudo a vontade de Deus. Esta é a doutrina do batismo de desejo implícito, que se aplica também aos não cristãos: se o infiel ou herege de espírito piedoso e devoto tivesse conhecido a Igreja ou sua autêntica doutrina, teria aderido a elas. Extra Ecclesiam (visível) não existe, pois, nada além da possibilidade de uma salvação individual, que pode ocorrer por obra do Espírito Santo, apesar da pertinência material do herege, do cismático, do infiel, a sua seita, comunidade ou religião. Portanto, tal salvação não ocorre porque a seita ou comunidade represente um elemento da Igreja de Cristo. A “mesma plenitude de graça e de verdade que se confiou à Igreja católica” (Unitatis Redintegratio cit.) não age ali, mesmo que fosse de modo imperfeito, como pretendem os documentos conciliares. E isso não é tudo. Tanto o Vaticano II quanto a Dominus Iesus tendem a aplicar este gravíssimo erro doutrinal a todas as religiões não cristãs, às pagãs inclusive. Segundo sua falsa doutrina, “as sementes do verbo” [semina verbi] (da verdade revelada) apareceram de algum modo naquelas religiões e ali permanecem. Compare-se Lumen Gentium, 17, Gaudium et Spes, 36, Ad gentis,11 e 18, e Nosti a Aetate,2 com DI, 12 13 e 14. Os “elementos” de verdade e santificação que existem supostamente nas comunidades dos heréticos e cismáticos têm seu paralelo nas “sementes do verbo” que se imaginam presentes no paganismo antigo e moderno e nas religiões que se auto-proclamam reveladas. A falsa doutrina das semina Verbi deriva de uma manipulação do pensamento dos Padres da Igreja, São Justino e Clemente de Alexandria. Eles tinham visto “algo como uma semente do Verbo Divino” nas intuições de certas verdades especulativas e éticas, próximas à ordem estabelecida no mundo e no homem pelo Deus verdadeiro, que alguns filósofos chegaram a alcançar (Platão, Aristóteles e poetas gregos). Este conhecimento se limitava às intuições de filósofos e poetas, sem se estender à religião pagã, que os Padres nunca deixaram de considerar, em harmonia com a escritura, “culto ao demônio” (Salmo 95; I Cor. 10,20). Foi a neo-teologia que incluiu arbitrariamente a religião pagã no testemunho dos padres (cf. si si no no, ed. italiana, 1997,(XXIII) 9, págs. 1-4; Le sel de la Terre n. 38, outono de 2001, págs. 1-4). O erro do Vaticano II permanece, pois, na Dominus Iesus.Continuam a ensinar que as comunidades heréticas e cismáticas fazem parte da “Igreja de Cristo’’, apesar de possuírem ex sese de (supostos) meios de salvação “deficientes” e menos plenos. Ainda que se encontrem por tal motivo numa posição de inferioridade em relação à Igreja Católica, esta é uma inferioridade meramente teórica, sem conseqüências para a salvação. Tudo isso é absurdo e incoerente, e constitui a negação da verdade de fé divina, segundo a qual só a Igreja Católica é a única e verdadeira Igreja de Cristo, imutável e fiel através dos séculos. Tanto assim, que fora dela não há salvação (Denz., 802, 3866-3872). 2.1- A obscura noção da “Igreja de Cristo” como “mistério trinitário”, a não menos obscura eclesiologia trinitária, segundo a qual à Igreja do Pai sucede a do Filho, e a esta, a do Espírito Santo (Lumen Gentium 2-4). Tal idéia é desconhecida do depósito da fé, e [através dela, deturpando] um texto de Santo Irineu (Adversus Haereses III, 24,1), se professa abertamente um rejuvenescimento e uma renovação da Igreja por obra do Espírito Santo, como se estivéssemos na terceira e última idade da própria Igreja (LG 4). Tal perspectiva parece um eco dos erros de Joaquim de Floris, condenados no IV Concílio de Latrão (o duodécimo na série dos concílios ecumênicos, ano 1215) (Denz. 431-3/ 803-807). 2.2- Uma idéia equivocada de colegialidade, juridicamente anormal por comportar, contra a Tradição e a constituição da Igreja, dois sujeitos titulares do poder supremo de jurisdição: o Sumo Pontífice e o colégio episcopal (com o papa como cabeça), sendo que somente o primeiro pode exercê-lo livremente (Lumen Gentium 22 e a nota praevia). Tal idéia de colegialidade engendra o desaparecimento da responsabilidade pessoal de cada bispo no governo de sua diocese, substituindo-a pela responsabilidade coletiva das conferências episcopais (cujas decisões são tomadas por votos - Christus Dominus, 37). As conferências gozam agora também de poderes legislativos (CD 38-40), e têm ampla autonomia em muitos setores reservados tradicionalmente à competência exclusiva da Santa Sé (v. infra, 3.4, 13.6, 14.0, 15.9) 2.3- Uma interpretação gravemente errônea e ambígua da definição tradicional da Igreja como “corpo místico de Cristo” no art. 7 da Lumen Gentium. Lemos aí que “o filho de Deus, encarnado na natureza humana, redimiu o homem e o transformou em uma nova criatura (hominem redemit et in novam creaturem trasformavit) (cf. Gal. 6,15; II Cor. 5,17), superando a morte com sua morte e ressurreição”(Lumen Gentium, 7).Parece que a redenção já se efetuou para o homem, pois o transformou “em nova criatura”. Não por ter acreditado em Cristo, ter se convertido ou ter se feito cristão com a ajuda do Espírito Santo, nem devido à sua fé e suas obras sustentadas pela graça (claro em Gal 6,15 e II Cor. 5,17, citados impropriamente pelo concílio). Mas sim pela própria encarnação de Cristo, seu sacrifício e sua redenção. Estas “novas criaturas”, constituem o “corpo místico”: é o erro da chamada redenção objetiva ou anônima, autêntico cavalo de batalha da “Nouvelle Théologie” (cf. nn. 5.0, 5.1 da presente sinopse), que prescinde por completo, do livre arbítrio, da fé e das obras para obter a salvação. É evidente que se quis assimilar sic et simpliciter a noção de “corpo místico de Cristo” com a do gênero humano (cf. Lumen Gentium,1). 2.4- Outra idéia errônea sobre a Igreja é concebê-la como “povo de Deus”, em vez de “corpo místico de Cristo”. ( Lumen Gentium, 9-13). É uma definição que toma a parte pelo todo, isto é, toma o “povo de Deus” (mencionado em I Pedro 2,10) pela totalidade de Igreja (essa expressão era apenas um louvor de S. Pedro aos conversos procedentes do paganismo: “Vós que outrora não éreis povo, agora sois povo de Deus”). Essa definição implica numa visão “democrática” e “comunitária”, da própria Igreja, completamente alheia à tradição católica, e próxima ao sentimento dos hereges protestantes. Além disso, também inclui na noção de “povo” (e, portanto, numa perspectiva “comunitária” inusitada e insustentável) ao considerar seus integrantes como “membros” do “povo de Deus” (Lumen Gentium, 13). Parece que o clero participa do corpo místico de Cristo só como “membro”, em companhia do resto do “povo”. Esta noção bastarda do “povo de Deus” se superpõe à ortodoxia do “corpo místico”, do qual se participa agora em função da participação do coletivo representado pelo “povo de Deus”. Nesta ótica, o sacerdote perde seu significado autêntico porque se converte em mera função do “povo de Deus”, desempenhada sob duas formas: a do “sacerdócio comum dos fiéis” e a do sacerdócio “ministerial” ou “hierárquico” (o sacerdócio verdadeiro e próprio, o dos padres; cf. infra, nn.4.1 e 4.3). 2.5- O obscurecimento da noção da santidade da Igreja, que pertence ao depósito da fé. “A Igreja [de Cristo; n. da red.], recebendo em seu próprio seio os pecadores, santa ao mesmo tempo que necessitada de purificação constante, busca sem cessar a penitência e renovação” (Lumen Gentium, 8, cit.). Isso constitui um erro teológico evidente. Quem necessita de purificação é o pecador, não a Igreja, dado que o pecador obtém a purificação graças à ela. A santidade e perfeição pertencem à Igreja (católica) enquanto corpo místico de Cristo, fundado por Ele e governado pelo Espírito Santo. O depósito da fé e os sacramentos, cuja protetora é a Igreja, também possuem a mesma santidade e perfeição. Elas têm para nós um valor religioso, metafísico e teológico que não pode ser mesclado, ex definitione, pelas culpas dos eclesiásticos ou dos fiéis. É portanto completamente errado escrever que aqueles que se confessam “se reconciliam com a Igreja”, à qual, pecando, infligiram uma ferida (quam peccando vulneraverunt)” (Lumen Gentium, 11). Também não se pode dizer que a Igreja “de se reveste de uma verdadeira santidade , apesar imperfeita” por causa do pecado (Lumen Gentium 48), que a fere continuamente. Está errado porque o pecado ofende a Deus, mas fere unicamente quem o comete e causa dano só a ele (a pena devida ao pecado se aplica exclusivamente ao pecador: o juízo é individual). A Igreja católica, enquanto tal, não pode ser ferida pelo pecado de nenhum de seus membros; menos ainda pode ser atingido o depósito da fé. 2.6- Um desvio antropocêntrico na noção de pecado. No final do art.13 da Gaudium et Spes, lê-se que “o pecado rebaixa o homem, impedindo-o de alcançar sua própria plenitude (a plenitude consequande cum repellens)”, em vez de impedi-lo de alcançar sua própria salvação. Como se a plenitude do homem e a ausência de contradição consigo mesmo, fossem o valor principal (e o constitutivo, além disso!) da noção de pecado, que é, ao contrário, uma ofensa a Deus pela qual merecemos ser castigados (inclusive com a condenação eterna: verdade de fé, nunca recordada pelo Concílio em nenhum de seus textos). 2.7- A atribuição à santa Igreja de uma nova missão que não corresponde a nada do que sempre foi ensinado: realizar a unidade do gênero humano (cf. supra, sobre o discurso de inauguração de João XXIII). A Lumen Gentium afirma que a “Igreja de Cristo” é “um sinal e um meio de operar a união íntima com Deus e a unidade de todo o gênero humano ( LG, 1). De acordo com essa perspectiva, cabe à Igreja o dever de contribuir para o processo de unificação do mundo, fazendo-o alcançar “a plena unidade em Cristo”(ibid). Isso nada tem de surpreendente, visto que “a promoção da unidade (do gênero humano) corresponde à missão íntima da Igreja” (Gaudium et Spes, 42). Mas está claro que não se trata de uma unidade em função da salvação das almas (que se conseguiria, naturalmente, mediante a conversão ao catolicismo). Visa-se à “união íntima com Deus” de todo o gênero humano enquanto tal. E esta idéia se introduz no texto do concílio graças a uma reinterpretação heterodoxa, característica da “Nouvelle Théologie”, dos dogmas da incarnação e da redenção – denominada “objetiva”. Nesta linha se concretiza a salvação em todos os homens devido à encarnação, independentemente de sua consciência e vontade, como se fossem cristãos “anônimos” (v. supra, sobre o discurso de inauguração de João XXIII, e também infra, sec.5). A “missão íntima da Igreja”, entretanto, é aquela indicada por Nosso Senhor ressuscitado: “Ide, pois, ensinai a todos os povos , batizando-os ....” (Mt. 28,19): quer dizer, converter a Cristo o maior número possível de almas antes da Parusia, sem se preocupar com a realização da unidade do gênero humano, ideal importado da filosofia iluminista e professado com devoção particular pela maçonaria, quimérico e anticristão até a medula, porque constitui uma forma de divinização do homem, que se enaltece a si próprio e se contempla na unidade. 2.8- O conceito segundo o qual “também a Bem Aventurada Virgem progrediu na peregrinação da fé” (Lumen Gentium, 58) como se ela não soubesse desde a Anunciação que Jesus era o Filho de Deus, da mesma substância que o Pai, o Messias profetizado. 2.9- Uma outra idéia sobre a Igreja, gravemente deficiente porque a reduz a uma dimensão sociológica, descritiva: mera “sociedade dos homens (societas hominum) que têm direito a viver na sociedade civil segundo as normas da fé cristã” (Dignitatis Humanae, 13). Sua natureza de societas genere et iure perfecta em função de sua instituição divina e do fim supremo a que tende é esquecida “de modo que sua potestas é muito superior a todas as outras, não podendo ser considerada inferior ao poder civil, nem submetida a ele de modo algum (Leão XIII, Immortale Dei,1885, Denz, 1865 e 3167). O Vaticano II tratou cuidadosamente de não ratificar esta doutrina tradicional do primado e da potestade indireta da Igreja sobre a sociedade civil e sobre o Estado. 3- Erros concernentes à Santa Missa e à Sagrada Liturgia 3.0- A adoção da obscura noção “mistério pascal”, cavalo de batalha da nova teologia. Cristo realizou a redenção principalmente pelo mistério pascal de sua bem-aventurada paixão, ressurreição dentre os mortos e gloriosa ascensão (Sacossantum Concilium, 5); donde se conclui que não foi principalmente pelo valor de sua crucifixão como sacrifício expiatório que se satisfez a justiça divina. Além disso, o concílio identifica a santa missa com o “mistério pascal”, visto que afirma ter a Igreja sempre se reunido, desde o princípio, para celebrar o mistério pascal (S.C, 6) e declara que “celebra o mistério pascal a cada oito dias” (S.C, 106). Também afirma que “pelo batismo os homens são enxertados no mistério pascal de Jesus Cristo” (S.C., 6) e não, como outrora, que o batismo os faz entrar na santa Igreja, como se o mistério pascal fosse a mesma coisa que Igreja, corpo místico de Cristo. Trata-se de uma noção ambígua, indeterminada, irracional, que permite alterar o significado da redenção e da missa, ocultando a natureza sacrifical e expiatória desta última, dando prioridade à ressurreição, à ascensão, ao Cristo glorioso, contrariando o dogma de fé definido em Trento. 3.1- A definição, reticente e incompleta da santa missa como “banquete pascal no qual se recebe a Cristo”, e como memorial da morte e ressurreição do Senhor, (morte e ressurreição postos no mesmo plano), sem a menor menção ao dogma da transubstanciação nem ao caráter de sacrifício propiciatório da missa ( S.C., 47,109), é uma definição que “omite inteiramente a conversão de toda a substância do pão no corpo de Cristo e de toda a substância do vinho em seu sangue, artigo de fé do concílio de Trento, solenemente contido na profissão de fé”. Tal definição cai no caso da solene condenação lançada por Sua Santidade Pio VI em 1794: “ela é perniciosa, obscurece a exposição da verdade católica sobre o dogma da transubstanciação e favorece os hereges.Com tamanha omissão (a da transubstanciação), imprudente e temerária, esconde-se a verdade sobre um artigo de fé e cala-se uma voz consagrada pela Igreja, tendendo-se assim ao esquecimento desta, tratando-se o assunto como questão meramente escolástica” (Cost. Apost. Auctorem Fidei; Denz., 1529, 2629). Além disso, essa definição introduz uma concepção errônea da Santa Missa, que é fundamento da nova liturgia conciliar, através da qual os erros da Nouvelle Théologie chegaram até os fiéis. A índole protestante desta definição da santa missa deixa-se ver com ainda mais clareza no art. 106 do Sacossantum Concilium: “A Igreja celebra o mistério pascal a cada oito dias, no dia que é chamado com razão o dia do senhor, o Domingo. Neste dia os fiéis devem reunir-se em assembléia a fim de que, escutando a palavra de Deus e participando da Eucaristia, recordem a paixão, a ressurreição e a glória do Senhor Jesus e dêem graças a Deus, etc.”. O texto latino mostra, sem a menor sombra de dúvida, que o fim da santa missa constitui, para Jesus Cristo, memorial e louvor: christifidelis in unum convenire debent ut verbum Dei audientes et Eucharistiam participantes, memores sint (...) et gratias agant, etc. Cf. também, como prova adicional, Ad Gentes, 14: os catecúmenos participam da Santa Missa, ou seja, “assistem com todo o povo de Deus ao memorial da morte e ressurreição do Senhor” (aqui a Santa Missa é simpliciter o memorial da morte e ressurreição do Cristo, celebrado por todo o povo cristão: nem a mínima alusão ao sacrifício renovado de maneira incruenta para a expiação e o perdão de nossos pecados). Nota: Nos artigos citados já se encontra latente a definição da missa fornecida mais tarde pelo funesto artigo 7 do Institutio Novi Missalis Romani (1969), ainda vigente: “a ceia do Senhor, ou missa, é a Santa assembléia ou encontro do povo de Deus que se reúne sob a presidência do sacerdote para celebrar o memorial do Senhor”; uma definição que suscitou, na época, por seu evidente cunho herético, os protestos, tão angustiados quanto inúteis, de muitos fiéis e sacerdotes, assim como a famosa tomada de posição dos Cardeais Ottaviani e Bacci. Compare-se esta definição com a ortodoxa, contida no catecismo de S. Pio X: “O que é a Santa Missa? A Santa Missa é o sacrifício do corpo e do sangue de Jesus Cristo, que se oferece em nossos altares sob as espécies de pão e de vinho em memória do sacrifício da cruz. O sacrifício da missa é o mesmo que o sacrifício da cruz? O sacrifício da missa é substancialmente o mesmo que o sacrifício da cruz.” 3.2- A errônea promoção da assembléia eucarística, presidida pelo sacerdote, a centro da Igreja visível: “É, pois, a assembléia eucarística ( Eucharistica Synaxis) o centro da congregação dos fiéis, presidida pelo presbítero. Os presbíteros ensinam os fiéis a oferecer ao Pai a Vítima divina no sacrifício da missa e com ela a oferecer a própria vida” (Presbyterorum Ordinis, 5). Assim, pois, a função dos sacerdotes na santa missa se reduz, ao que parece, à de “ensinar” (edocent) os fiéis a oferecer a vítima divina “em união” consigo próprios (mas o que significa, num tal contexto, “ensinar a oferecer a vítima divina?)”. Acrescente-se o silêncio completo sobre uma série de fatos: quem faz o oferecimento é antes de todos o sacerdote in personna Christi; trata-se de um oferecimento de homens pecadores; tal oferecimento se faz em expiação de nossos pecados e há de ser aceito por Deus. Por outro lado, manifesta-se também aqui a idéia de concelebração do sacerdote e do povo, condenada expressamente pelo magistério pré-conciliar (v. infra 3.3); uma idéia que se fundamenta na concepção protestante de que os fiéis são todos sacerdotes, em conseqüência do batismo. Não se pode fazer uma distinção autêntica entre “sacerdócio dos fiéis” e “sacerdócio hierárquico” (v. infra 4.3). Com relação a isto, convém dizer que a Igreja sempre condenou a exaltação indevida da “sagrada sinaxis”( última condenação na Mediator Dei: AAS 39 (1947) 562: Denz., 2300/3854). 3.3- O singular alcance que se atribui à “Liturgia da Palavra”, alcance que já não é mais limitado à homília, ao sermão, mas é considerado capaz de realizar ex sese a presença de Cristo na santa missa (!): “[Cristo] está presente com sua palavra, pois é ele quem fala quando se lê na Igreja a Sagrada Escritura”. (Sacrossantum Concilium, 7). A palavra é um dos sinais sensíveis “pelos quais a santificação é significada e realizada (!), de um modo particular para cada um”(S.C.,7; também S.C.,10). A necessidade da pregação “se aplica especialmente à liturgia da palavra na celebração da Missa, na qual o anúncio da morte e da ressurreição do Senhor e a resposta do povo que escuta unem-se inseparavelmente (inseparabiliter uniuntur) com a oblação em que Cristo confirmou em seu sangue a Nova Aliança; oblação à qual unem-se os fiéis ou pelo desejo ou pela recepção do sacramento”(Presbyteroum Ordinis, 4). Através desta passagem bastante tortuosa e de outras já citadas, constata-se com clareza que “a Escritura assim considerada não tem mais por fim próprio a instrução na fé, da qual deriva a experiência mística como conseqüência, mas tem como fim direto esta experiência mística, considerada capaz de produzir o alimento cognoscitivo da fé” (Fraternidade Sacerdotal S. Pio X, O problema da reforma Litúrgica. A missa do Vaticano II e de Paulo VI, Editora Permanência, 2001). Trata-se de uma concepção irracional e de origem protestante, sem conformidade com o depósito da fé, pois induz a considerar a santa missa como simples alimento espiritual dos fiéis. 3.4- A introdução da idéia equivocada de que o sacerdote e o povo concelebram a santa missa. Insinuação da noção luterana do “sacerdócio comum”: “[os fiéis] fortaleçam-se na mesa do Senhor, dêem graças a Deus, aprendam a oferecerem-se a si mesmo ao oferecerem a hóstia imaculada, não só pelas mãos do sacerdote, mas juntamente com ele, etc. ...”(SC,48, e infra, 43). O texto citado parece reproduzir, confusamente, uma passagem da Mediator Dei onde lemos que “[os fiéis] oferecem o sacrifício, não só pelas mãos do sacerdote, mas de certo modo [quodamodo] também junto com ele.” O SC porém, omitiu a locução adverbial “de certo modo”, inserida na Mediator Dei precisamente para evitar interpretações equívocas. (cf. Si Si No No , (ed. italiana) de 30/09/2000, pág.2). 3.5- A desvalorização da denominada “missa privada”, sempre admitida pela Santa Igreja, que se celebra sem a presença e sem a participação ativa dos fiéis, “de maneira individual ou quase privada”; desvalorização reprovada expressamente por Pio XII na Mediator Dei (AAS,3 (1947), 556, 557; Denz., 2300/3853). A desvalorização em questão verifica-se na exortação conciliar segundo a qual “sempre que os ritos, cada qual segundo sua natureza própria, admitam uma celebração comunitária, com a assistência e a participação ativa dos fiéis, deve-se inculcar sua preferência, na medida do possível, a uma celebração individual e quase privada.”(SC, 27) (Lutero mostrou-se particularmente hostil à “missa privada” e, fato estranho, atribuiu ao diabo a inspiração que recebeu para combatê-la. 3.6- A adaptação do rito à cultura profana (à índole e tradição dos povos, à sua língua, música e arte) mediante a criatividade e experiência litúrgicas (SC, 37, 38, 39, 40, 90, 119) e pela simplificação sistemática do próprio rito (SC, 21, 34) ( que vai de encontro ao ensino constante do magistério; segundo o qual a cultura dos povos é que se deve adaptar às exigências dos moldes católicos, nunca se fazendo concessões à criatividade, nem à experiência, nem a nenhum modo de sentir do homem secular). 3.7- A competência, nova e inaudita, concedida às conferências episcopais em matéria litúrgica, que compreende amplas faculdades de experimentar novas formas de culto (SC, 22, e 2, 39, 49). Isso é contrário ao ensino constante do magistério, que reservou sempre ao Sumo Pontífice toda a competência em tal matéria e foi sempre hostil a qualquer inovação no campo litúrgico; cf. Gregório XVI, Inter gravissimas, 3 de fevereiro de 1832, em A Liturgia, ed. Paoline, n.130. 4- Erros concernentes ao sacerdócio 4.0- Uma concepção errônea do sacerdote, rebaixado a uma função do “povo de Deus’’ com a qual se quer, arbitrariamente, identificar a Igreja (cf. supra, n. 2.4). Com efeito, diz a Lumen Gentium que “... o povo de Deus não só reúne as gentes de diversos povos, mas também está integrado em si mesmo por funções distintas (ex variis ordinibus confletur). Isto porque há uma diversidade em seus membros (membra), seja segundo os ofícios(oficia), pois alguns desempenham o ministério sagrado(sacro ministério)para o bem de seus irmãos; seja segundo a condição e modo de vida, pois muitos no estado religioso, tendendo à santidade pelo caminho mais árduo, estimulam a seus irmãos com seu exemplo.” ( LG , 13) O “ministério sagrado” é concebido como uma ordo do “Povo de Deus”, termo que expressa, literalmente, a idéia de uma classe, ordem ou estado, no seio de uma entidade mais vasta, constituindo não apenas uma de suas partes (segundo a mens que se impôs no concílio), mas também se identificando com uma de suas funções (termo sem equivalente em latim). A “função” de outrora, ao contrário, é desempenhada mediante oficia ou munera diferentes (Presbit. Ord., 2, 4 ) Trata-se de officium (ofício) e, por conseguinte, de munus (função), e não de potestas (poder, potestade) (este conceito é mencionado em várias passagens, porém fica ausente a noção específica de “função” sacerdotal). Na nova concepção, o padre já não é mais o sacerdote de Deus; em vez disto, tornou-se sacerdote do povo de Deus, que o legitima na qualidade de “função” sua. Isso contraria toda a Tradição e a constituição divina da Igreja (cf. S. E. Mons. Bernad Fellay, La crisi del sacerdozio, bilancio del Concilio Vaticano II ( A crise do sacerdócio, balanço do Concílio Vaticano II ) : conferência feita no IV Congresso Internacional de Si Si No No, Roma, 3-5 de agosto, 2000. ) . 4.1- A afirmação, contrária à verdade histórica testemunhada pela Tradição e pelo Novo Testamento, segundo os quais Nosso Senhor elegeu como ministros, no princípio, alguns dentre os fiéis: “Mas o próprio Senhor, querendo fazer dos cristãos um só corpo, no qual todos os membros não exercem a mesma função (Rom. 12, 4) ..., constituiu alguns deles ministros, e estes, (inter fideles... quosdam instituit ministros) receberam o poder sagrado da ordem, para oferecer o sacrifício e perdoar os pecados, e desempenharam publicamente, em nome de Cristo, a função sacerdotal em favor dos homens (PO, 2 cit.). Pelo texto citado a transmissão do “poder da ordem” se legitima pela exigência de unidade da sociedade dos fiéis; pretende fazê-la depender de uma presumida “comunidade” ou “povo de Deus”. Mas Nosso Senhor não tirou seus ministros da “sociedade dos fiéis”; ao contrário, escolheu primeiro seus ministros (os apóstolos) e em seguida os formou para que eles formassem os fiéis. Elegeu seus ministros antes mesmo que existisse uma “sociedade de fiéis”. Não começou a formar a milícia cristã recrutando os soldados rasos: começou pelos oficiais, a fim de que formassem os soldados (como convém a todo exército bem organizado). 4.2- A equiparação ilegítima do sacerdócio propriamente dito (chamado “ministerial” ou “hierárquico” com o “sacerdócio comum dos fiéis”, no art. 10 da Lumen Gentium. Este documento afirma que “o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial ou hierárquico ordenam-se um ao outro [ad invicem ordinantur], ainda que cada um participe de forma particular ao Sacerdócio único de Cristo. Sua diferença é essencial [essentia], não só gradual...” (LG, 10 e também 62). Desta maneira põe-se no mesmo plano as duas formas do “sacerdócio único de Cristo”. Não se fala de “subordinação”, mas de “ordenação recíproca”: trata-se de duas funções evidentemente paritárias do “sacerdócio único de Cristo”. Tal equiparação, contrária ao depósito da fé, parece esconder uma subordinação do sacerdócio hierárquico aos dos fiéis que, para o concílio, constitui o “povo de Deus” no sentido próprio do termo. Por fim, nunca se explica a diferença entre “essencial” e “gradual” dos dois sacerdócios: ela permanece como simples enunciado verbal. 4.3- A insuficiente definição do sacerdote, do padre. Contempla-se principalmente a qualificação dos presbíteros (presbyteri) como “cooperadores do bispo” (PO,4): “O ministério [officium] dos presbíteros, por estar unido à ordem episcopal, participa à autoridade [autoritatem] com que Cristo mesmo forma, santifica e rege seu corpo” (PO, 2; v. também LG, 28). O Vaticano II parece querer “embutir”, permitam-nos a expressão, a figura do sacerdote no denominado “povo de Deus”, suprimindo o mais possível, toda a diferença entre ele e os fiéis e, considerando-o sobretudo como cooperador subordinado ao bispo. 4.4- A afirmação errônea, contrária a toda a tradição e à sentença explícita do Concílio de Trento (Ses. XXIII, cap. I; Denz., 957/1764), segundo a qual o primeiro lugar entre as “funções” sacerdotais cabe à pregação, e não à celebração da Santa Missa: “... os presbíteros, como cooperadores dos bispos, têm como obrigação principal [primum habent officium] a de anunciar a todos o evangelho de Cristo” (PO, 4). O catolicismo, ao contrário, define o sacerdócio primeiramente pelo “poder de consagrar, oferecer e administrar o corpo e o sangue do Senhor”, e, em segundo lugar, pelo poder de “perdoar ou reter os pecados” (Trento, cit.). A pregação não é necessária para a definição do sacerdote. Pensemos nos grandes santos que se dedicaram principalmente ao ministério da confissão, por ex. São Leonardo de Pádua, ou também o Santo Pe. Pio de Pietralcina: quantos sermões puderam eles pronunciar durante a vida? Poucos, na verdade. 4.5- A desvalorização do celibato eclesiástico em PO, 16, onde está escrito que “a continência perfeita e perpétua para o reino dos céus, recomendada por Nosso Senhor (cf. Mt. 19,12) ... sempre foi tida em alta estima pela Igreja, especialmente para a vida sacerdotal ... Mas não é exigida pela natureza do sacerdócio [non exigitur quidem sacerdocio supte natura], como vemos na prática da Igreja primitiva” (seguem as referências, em nota de pé de pág., a I Timóteo 3,2-5 e a Tit 1,6). Que a natureza do sacerdócio não exija o celibato eclesiástico é falso por ser contrário a toda a Tradição, que interpretou sempre neste sentido a “recomendação” de Cristo em Mt. 19,12. Tal era a opinião da Igreja primitiva, evidente também em São Paulo, que exalta o celibato virtuoso, considerando-o o melhor estado para “se dedicar às coisas do Senhor”, tanto para os homens como para as mulheres (I Cor. 7,1; 29 ss.; 32 ss.). Que o celibato não seja necessário para a natureza do sacerdócio significa somente que um homem casado pode ser ordenado Sacerdote, mantendo o estado jurídico matrimonial, mas não o seu uso, separando-se de sua mulher. Não significa de maneira alguma que os padres podem casar-se, ter mulher e filhos, como os ministro heréticos e cismáticos. As passagens de I Timóteo 3,2 e Tito 1,6, em que São Paulo escreve que se alguém deseja o episcopado deve ser, entre outras coisas, “marido de uma só mulher”, foram interpretadas no sentido de que estabeleceram o requisito, para bispos e padres, de não serem viúvos casados em segundas núpcias. 4.6- A designação repetida do sacerdócio como “presidente de assembléia”, como se semelhante nota fosse a essencial para definir a função do sacerdote na Santa Missa: cf. Sacrosantum Concilium, 33; Lumen Gentium, 26 (“presidência sagrada do bispo”); Presbyterorum Ordinis,2 (o presbítero “convoca e congrega o povo de Deus” na Santa Missa para que os fiéis possam “oferecer-se a si próprios a Deus”); Presbyterorum Ordinis, 5. 5- Erros concernentes à Encarnação, à Redenção, ao conceito do homem 5.0- Um conceito falso da encarnação. Afirma-se que o “filho de Deus por sua encarnação uniu-se de certo modo com todo homem [cum omni homine quodammodo se univit]” (Gaudium et Spes, 22), como se a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, ao encarnar-se num homem concreto, num indivíduo que possui existência histórica, tivesse se unido a todos os demais homens, e como se cada homem, pelo simples fato de ter nascido, se achasse unido a Cristo, mesmo sem sabê-lo. Desta maneira, se deforma a noção da Santa Igreja, que não é mais o “Corpo místico do Cristo” e portanto daqueles que crêem em Cristo, dos batizados: o “povo de Deus”, que é a Igreja (do “Cristo”), tende a coincidir, sic et simpliciter, com a humanidade. 5.1- Um falso conceito de Redenção. Escreve-se, com efeito, que “o Filho de Deus, encarnado na natureza humana, redimiu o homem e transformou-o em nova criatura (cf. Gal 6, 15; II Cor 15,17), superando a morte com sua morte e ressurreição.”(Lumen Gentium, 7). A Redenção aqui não se apresenta corretamente, isto é, como uma possibilidade oferecida a cada homem pela encarnação e o sacrifício na cruz de Nosso Senhor, possibilidade que se perde para sempre caso o homem não se torne cristão de verdade (ou não queira tornar-se), excetuando-se os invencivelmente ignorantes, cujo número só Deus conhece, e nos quais a graça age mediante o batismo de desejo implícito. Pretende-se afirmar aqui, ao contrário, que todo homem já foi redimido, visto que o homem transformou-se em “nova criatura” (não porque tenha-se feito cristão com a ajuda do Espírito Santo e sob a moção da graça atual, mas simplesmente pelo advento da encarnação do Verbo, assim como da “morte e ressurreição de Cristo). Trata-se da conhecidíssima teoria dos cristãos anônimos, ensinada outrora por Blondel, desenvolvida mais tarde por de Lubac e sobretudo por Karl Rahner (v. supra, discurso de João XXIII e parágrafo 2.3 do presente resumo). Constitui um erro doutrinal gravíssimo, pois prega que a justificação pessoal, subjetiva e individual, verificou-se no passado, sem participação alguma da vontade do justificado, de seu livre arbítrio e, por conseguinte, sem necessidade da conversão, nem da fé, nem do batismo ou das obras. Uma redenção garantida a todos, como se a graça estivesse ontologicamente presente em todos os homens enquanto tais. Nem Lutero chegou a tanto! Esta falsa doutrina nega na verdade o pecado original, pois o dogma de fé nos ensina que os homens não possuem a graça ao nascer (por terem herdado o pecado original, com o qual vêm ao mundo). 5.2- A conseqüente e indevida exaltação do homem enquanto tal, incompatível com a fé católica. Afirma-se que Cristo ao encarnar-se “manifesta plenamente o homem ao próprio homem e descobre-lhe a sublimidade de sua vocação”, elevando a “natureza humana” a uma “dignidade sem igual” (GS,22), como se Nosso Senhor não tivesse vindo salvar-nos do pecado e da condenação eterna, mas só para nos manifestar plenamente nossa “dignidade sem igual”, inerente ao homem por natureza. Esta declaração conciliar contradiz abertamente o ensino constante da Igreja, segundo o qual Jesus veio ao mundo para salvar o homem, e não para exaltá-lo; veio “manifestar-lhe plenamente” que é pecador e que será condenado eternamente por sua soberba se não se arrepender e se converter a Ele. Justamente o contrário de “uma dignidade sublime” a ser redescoberta! 5.3- O manifesto erro teológico contido no artigo 24 da Gaudium et Spes onde se lê que o homem é a “única criatura terrestre à qual Deus amou por si mesma [hominem, qui in terris sola creatura est quam Deus propter seipsam voluerit]”, como se o homem possuísse um valor tal que tivesse induzido Deus a criá-lo (Romano Amerio, Iota Unum, Salamanca, 1994). A virada antopocêntrica do Vaticano II torna-se palpável aqui. Trata-se de uma asserção nitidamente absurda e incompatível com a própria noção da criação divina a partir do nada, que é dogma de fé. Deus, justiça infinita, criou todas as coisas, o homem inclusive, “para si mesmo”, como sempre se ensinou. Criou tudo para sua própria glória, e não por causa de algum valor intrínseco que possuíam as criaturas, independentemente de Deus. Tamanho desvio doutrinal altera também o significado exato que se deve atribuir à criação. Altera, além do mais, o significado verdadeiro que se deve atribuir aos mandamentos cristãos de amar o próximo como a si mesmo e de nos considerarmos todos irmãos. Tais mandamentos já não estão mais sendo justificados pelo amor de Deus, que quer de nós esta caridade para com o próximo (dado que somos todos pecadores), nem pela descendência comum d’Ele, Deus Pai, mas pela proclamação de uma dignidade superior do homem enquanto homem. A Igreja nunca negou a dignidade superior do homem com relação às criaturas inferiores a ele, dignidade que deriva de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus. Mas essa dignidade perdeu seu “sublime” caráter primitivo, derivado da semelhança originária com Deus, por causa do pecado original, que despojou o homem de tal semelhança e da graça santificante que o torna capaz de conhecer e amar sobrenaturalmente a Deus e, portanto, de gozar da visão beatífica. No sentido católico, a dignidade do homem não pode ser considerada uma característica ontológica, que obrigue a respeitar qualquer decisão humana (esta é a concepção laicista), porque tal dignidade depende da vontade reta, orientada para o Bem, e constitui, consequentemente, um valor relativo e não absoluto. 5.4- Um conceito errôneo da igualdade entre os homens. Fundado na falsa concepção de redenção, afirma que sendo todos os homens redimidos por Cristo, gozam da mesma vocação e destino divinos; é necessário, por isso, reconhecer cada vez mais a igualdade fundamental de todos. (fundamentalis aequalitas inter omnes magis magisque agnoscenda est) (GS, 29). A Igreja, ao contrário, sempre ensinou que os homens são todos iguais perante Deus, mas (certamente) nunca acreditou que todos os homens estivessem objetivamente redimidos, salvos pela encarnação! Essa igualdade concebida de modo tão pouco ortodoxo tornou-se logo fundamento da “dignidade da pessoa”, em nome da qual o concílio defendeu uma liberdade religiosa de tipo protestante baseada na liberdade de consciência, isto é, na opinião individual em matéria de fé, e não no princípio católico de autoridade (v. infra, sessão 11). 5.5- A desvalorização e obscurecimento da noção de pecado original. A Gaudium et Spes afirma, no artigo 22 cit., que Cristo “devolveu à descendência de Adão a semelhança divina, deformada pelo primeiro pecado [a primo peccato deformatam]”. Mas não é essa a doutrina católica, que sempre ensinou que a semelhança de outrora ficou perdida para Adão e sua descendência, como conseqüência do pecado original. Não se trata de simples deformação! Declarar que se conservou a semelhança, ainda que de maneira imperfeita, significa abrir caminho à concepção heterodoxa da encarnação que acabamos de ver (J. Dormann, Declaratio Dominus Iesus und die Religionem, in Theoligisches Katholische Menateschrift, nov-dic. d e 2000, parágrafos 445-460). VI- Erros concernentes ao Reino de Deus. 6.0- Alteração da noção tradicional da “dilatação” ou “crescimento” do reino de Deus na terra por obra da Igreja visível. Efetivamente, tal “dilatação” ou “extensão” se confia ao “povo de Deus, que é a Igreja”, a qual, “introduzindo [inducens] este reino, não subtrai a nenhum povo qualquer bem temporal [bonum temporale]. Ao contrário, favorece e assume [fovet et assumit] no que têm de bom, todas as riquezas, recursos e costumes, [facultates et copias moresque populorum]; ao recebê-los, purifica, fortalece e eleva-os” (Lumen Gentium, 13). Aqui se introduz um elemento bastardo: o “bem temporal dos povos”, como parte constitutiva do “povo de Deus” (elevada e purificada) e, portanto, do reino de Deus que se realiza na terra. Trata-se de uma noção ambígua e inaceitável, porque nesse “bem temporal” integram-se, não só os “costumes”, mas, além deles, as “riquezas” e os “recursos”, isto é, os bens materiais de um povo. Em outras palavras, os bens materiais, elevados e purificados (!?), passam a fazer parte do reino de Deus: conceito absurdo, que evidencia uma visão naturalista do reino de Cristo, contrária ao depósito da fé. 6.1- A correlativa e inconcebível interpretação coletivista do próprio reino. Segue-se de LG 13 que a individualidade coletiva de cada povo, com seu ambíguo “bem temporal”, faz parte do “povo de Deus” (da Igreja), de maneira que pode ser “introduzida” no Reino que se realiza no mundo. 6.2- A mal compreendida contribuição dos leigos na “dilatação” do reino de Deus na terra. Essa contribuição terá de se efetuar “de modo que o mundo fique imbuído (imbuatur) do espírito de Cristo” (LG 36) (note-se o termo “imbuir-se”: vago, muito distante da idéia de conversão). Esta contribuição é entendida, inevitável e erroneamente, como contribuição para um progresso sobretudo material, sob a bandeira da cultura leiga ou “civil”, que deve fazer avançar a liberdade humana e cristã por todo o mundo: “Procurem, pois, seriamente (os seculares), que por sua competência ... os bens criados [bona creata] se estendam ao serviço de todos e de cada um dos homens e se distribuam melhor entre eles ... mediante o trabalho humano, a técnica e a cultura civil [humano labore, arte technica, civilique cultura]; e que a seu modo estes leigos conduzam os homens ao progresso universal na liberdade cristã e humana”(LG 36). Aqui aparece outro elemento estranho do naturalismo evocado no parágrafo 6: o mito laicista do progresso, com sua exaltação característica do trabalho, da técnica, da cultura “civil”, do igualitarismo, da liberdade (“humana e cristã”, seja qual for o significado desta expressão). 6.3- A incrível afirmação segundo a qual Cristo ressuscitado “já opera pela virtude de seu espírito no coração do homem, não somente despertando a aspiração do século futuro, mas alentando, purificando e robustecendo também, através desse desejo [sed eo ipso], os generosos propósitos com os quais tentamos tornar a vida mais humana e submeter a terra a este fim” (Gaudium et Spes, 28). O texto perece querer dizer que pelo próprio fato de nos inspirar o desejo da glória futura, o Espírito Santo nos inspira também desejos de felicidade terrestre, evocados pela expressão “tornar nossa vida mais humana” (!). 6.4- A afirmação incompreensível segundo a qual “o mistério pascal aperfeiçoa a atividade humana”. Define-se a Santíssima Eucaristia como “aquele sacramento da fé no qual os elementos da natureza, cultivados pelo homem [naturae elementa, ab hominibus esculta], se convertem [convertuntur] no corpo e sangue gloriosos, num banquete [coena] de comunhão fraterna que é pregustação do banquete celestial” (GS, 38 cit.). De acordo com seu estilo, o Vaticano II não menciona a transubstanciação, e insinua uma concepção protestante da santa missa. Mas, de que modo o “mistério pascal” aperfeiçoaria a atividade humana? Devido ao fato de que os que se convertem no corpo e sangue gloriosos são “elementos” da natureza, cultivados pelo homem”(!). Ao cultivar a terra, a atividade do homem produz o pão e o vinho, que se “convertem” depois no corpo e no sangue, etc.. Uma contribuição deste tipo torna perfeita a atividade do homem! Há motivos mais do que suficientes para ficarmos estupefatos diante de um tal raciocínio que chega a parecer ridículo. Quando foi que o magistério ensinou algo semelhante? Quando buscaram os demônios conexões tão disparatadas e enganosas? Não obstante, tais disparates conduzem a um fim determinado: insinuar a falsa idéia de que a atividade do homem participa de algum modo na mudança (mais exatamente: transubstantiatio) do pão e do vinho no corpo e sangue de Cristo (mudança que, na realidade, é obra somente do sacerdote). Tal idéia também se encontra na “liturgia eucarística” da missa do Novus Ordo: “Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, por este pão, fruto da terra e do trabalho do homem, que recebemos de vossa generosidade e agora vos apresentamos: ele será para nós pão de vida”. 6.5- O famoso artigo 39 da Gaudium et Spes, na conclusão do capítulo III dedicado à “atividade humana no mundo” (GS, 33-39), propõe aparentemente a visão tradicional sobre a “terra nova” e os “novos céus”. Mas o que ele nos oferece, na verdade, é a perversão da concepção do reino de Deus ensinada pela Igreja. Há aqui um esboço da idéia de uma salvação coletiva da humanidade e até “de todas as criaturas” (cf. Rom 8, 19-21) que Deus criou pensando no homem” (GS ibid.). É uma insinuação de que todas as criaturas, sem distinção, poderão entrar no reino de Deus, inclusive os destinados ao serviço e à utilidade do homem, como os animais(!). O artigo 39 afirma, a seguir, que a “nova terra” já está, figurada na “nossa terra” pois é aqui onde “cresce o corpo da nova família humana, que de certo modo vislumbra o século novo” (GS ibid.). Nota-se que a prefiguração do reino não é feita pela Igreja militante, como ensina a ortodoxia católica, mas pelo “crescimento” do “corpo da família humana”: a humanidade que cresce graças ao progresso universal, à liberdade “humana e cristã”, etc. (LG, 13 e 36; GS, 30,34 e 38 cit.). O reino de Deus, que se realiza parcialmente neste mundo já não está constituído pela Igreja, mas pela humanidade(!). A humanidade (“nova”) é o sujeito que realiza o reino e que um dia nele entrará em bloco. E de fato, segundo conclui o artigo 39 da GS, voltaremos a encontrar no reino em questão, ainda que “limpos de toda mancha, iluminados e transfigurados”, os “bens”e os “frutos” que “tenhamos propagado pela terra no Espírito do Senhor e de acordo com seu mandato”; uns bens profanos até a medula (como “a dignidade humana, a união fraterna e a liberdade”), e além disso, “todos os frutos excelentes da natureza”. Trata-se de uma visão naturalista, milenarista (que recorda a religião da humanidade), estranha por completo ao catolicismo, numa nítida antítese com a realidade exclusivamente sobrenatural do reino de Deus e de sua consumação no fim dos tempos (revelada por Nosso Senhor e sempre mantida pela Igreja). Nota: GS, 39 não vacila em afirmar que “o progresso temporal é de grande interesse para o reino de Deus”, e remete à uma nota em pé de página à encíclica Quadragesimo anno de Pio XI (AAS 23 [1931], 207), como se o presumido valor salvífico do “progresso temporal” tivesse sido proclamado por esse papa. Mas nem no parágrafo 207, nem em nenhuma outra parte da encíclica se constata a existência de uma afirmação de tal gênero. VII- Erros concernentes ao matrimônio e à condição da mulher. 7.0- Uma variação na doutrina do matrimônio, contrária ao ensinamento constante da Igreja. A instituição matrimonial se concebe agora principalmente como “comunhão íntima de vida e amor” dos esposos (GS 48), cujo fim próprio são os filhos. Por sua própria natureza, a instituição do matrimônio e o amor conjugal estão ordenados à procriação e à educação dos filhos, que constituem sua coroa [ iisque veluti suo fastigia coronantum] (GS cit.). Note-se bem: o matrimônio e o amor conjugal não têm sua razão de ser na procriação e na educação da prole, que passam a ser apenas uma “coroa”. Deste modo, o auxílio mútuo, intrínseco ao matrimônio, passa de fim secundário a primário, enquanto que o autêntico fim primário a procriação, se vê relegado a segundo lugar porque se converte em conseqüência ou coroação do valor personalista do matrimônio. 7.1- Uma definição do amor conjugal, no artigo 49 da GS, que abre a porta ao erotismo no matrimônio, contra toda a tradição da Igreja. O Concílio põe em relevo que “muitos contemporâneos nossos (?) exaltam também o amor autêntico entre marido e mulher...” (esta frase surpreende pela generalidade vaga, evidência e inutilidade). E prossegue: “este amor, por ser eminentemente humano [amor utpote eminenter humanus] – sendo voluntário, de pessoa para pessoa – abrange o bem da pessoa toda e, portanto, enriquece e valoriza com dignidade especial as manifestações do corpo e do espírito {ideoque corporis animique expressiones] e as enobrece como elementos e sinais específicos da amizade conjugal”. Em língua vernácula (em italiano, por ex.), lê-se “este amor, por ser um ato eminentemente humano”, em vez de “este amor, por ser eminentemente humano”, o que confere um significado equívoco a todo o trecho citado. Mas ainda que não se fale em “ato”, subsiste o fato de que tal amor, por ser “eminentemente humano”(o que significa isso?) “enriquece e dá valor às manifestações do corpo”, etc. A expressão “manifestações do corpo” só pode estar se referindo ao conjunto dos atos com que os cônjuges chegam ao “ato conjugal”. Ora, tais atos, tais “manifestações se justificam em bloco, exclusivamente enquanto expressões corpóreas e, por conseguinte, sensuais do amor conjugal, isto é, por seu valor erótico. A Igreja, ao contrário, tem ensinado sempre que os atos em questão são admitidos (e só dentro de seus justos limites) unicamente como atos que favorecem o abraço conjugal, entendido como ato natural, voltado para a procriação. São admitidos, pois, em relação ao fim primeiro do matrimônio, que é a procriação, e não para satisfazer em si o amor conjugal, que se inclui, a título de remedium concupiscenciae, no fim secundário do matrimônio, e por isso limitado pelo fim primário do mesmo (Castii Connubii DZ 2241 / 3718). Além disso, atribuir “dignidade especial” e “nobreza” aos atos das relações íntimas entre os cônjuges parece ridículo e chega até a ser inconveniente, mas, de qualquer modo, não está conforme o sentido católico do pudor. 7.1- As afirmações: “Deus não criou o homem solitário: desde o princípio os fez homem e mulher”(Ge. 1, 27) e “esta sociedade de homem e mulher é a primeira expressão da comunhão entre os humanos” (GS par. 12 e 50) estão formalmente corretas, mas são incompletas. Portanto dão margem ao erro doutrinal porque, ao omitir o que se diz no Gen. 2, 18 ss., geram a falsa impressão de que Deus criou o homem e a mulher ao mesmo tempo, tornando-os, por isso, completamente iguais. O Gênesis, no entanto, resumiu primeiro a obra de Deus (Gen 1, 27 cit.) e logo expôs detalhadamente como as coisas se sucederam na realidade (Gen. 2, 18 ss). Na exposição inicial, o hagiógrafo, inspirado pelo Espírito de Verdade, colocou o homem e a mulher no mesmo plano, para deixar claro que ambos foram criados por Deus à sua imagem e semelhança, e que portanto, são iguais perante o Criador. “E Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, e os criou homem e mulher” (Gen. 1, 27 cit.); mas logo esclareceu que a mulher foi criada depois do homem, de uma de suas costelas, para ser sua companheira: “E disse Yaveh Deus: “não é bom que o homem esteja só. Façamo-lhe uma companheira semelhante a ele”(Gen. 2,18). Semelhante, mas não igual, como nos explica São Paulo, falando em nome do Senhor, na famosa passagem da I Cor. 11, 3 ss., nunca citada pelo Vaticano II e hoje relegada ao esquecimento: “Porém quero que saibais que Cristo é a cabeça do homem; e o homem é a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo... O homem na verdade não deve cobrir sua cabeça, porque é a imagem e a glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem [se bem que sendo sempre imagem de Deus, não do homem, porque, na sua diferença e sua subordinação, ela é ordenada a Deus e à salvação, não ao homem (n. do trad.). Porque o homem não foi feito da mulher, mas a mulher do homem. E o homem não foi criado por causa da mulher, e sim a mulher por causa do homem... Contudo, nem o homem existe sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor. Porque assim como a mulher foi tirada do homem, também o homem é concebido pela mulher; mas todas as coisas vêm de Deus”. Toda a pastoral do Vaticano II sobre o matrimônio (GS par. 47 –52) evita mencionar as diferenças naturais entre os sexos, estabelecidas por Deus, e se rege pela idéia não católica de uma igualdade natural e total entre os cônjuges, considerados como “pessoas” que se exprimem livremente na “comunidade do amor” matrimonial. O ensinamento de São Paulo e da Igreja ao longo dos séculos (segundo o qual é o homem o chefe natural da mulher e, por conseguinte, da família), é inteiramente ignorado, assim como o princípio de que a vocação fundamental da mulher é a de ser, in primis, esposa e mãe, ter filhos e educá-los cristãmente. 7.3- Abertura aos dogmas preliminares do feminismo , forma de subcultura contemporânea particularmente perversa, destinada, em nome da igualdade, à destruição do matrimônio e da família, à exaltação da libertinagem e do homossexualismo. Essa abertura se manifesta no reconhecimento implícito da absurda aspiração das mulheres de nosso tempo à “igualdade de direito e de fato com o homem”(GS par. 9), no reconhecimento implícito do direito da mulher de abraçar o estado de vida que prefira, porque constitui um dos supostos “direitos fundamentais da pessoa”(GS par. 29), no reconhecimento de um pretenso direito de serem educadas numa “cultura humana e civil, conforme a dignidade da pessoa”(GS par. 60), na aceitação da suposta necessidade de uma “legítima promoção social da mulher”, (GS par. 52), e no desejo, por último, de uma “maior participação” das mulheres “nos campos do apostolado da Igreja ( Apostolicam Actuositatem 9), não por uma necessidade de caráter religioso, mas pelo mero fato de que “em nossos tempos as mulheres participam cada vez mais ativamente de toda a vida social” (id.). Participação mais ativa provocada, em grande parte, pelos falsos “dogmas” que acabamos de ver, condenados por Pio IX, na encíclica Quadragesimo anno como “desordem gravíssima a ser eliminada a todo custo” [pesimus vero... auferendus], porque subtrai às “mães de família” os deveres que lhe são próprios (AAS 23 (1931) 2001). VIII- Erros concernentes aos heréticos e cismáticos (os chamados “irmãos separados”). 8.0- A tese doutrinalmente perniciosa e sem fundamento histórico, segundo a qual “não poucas comunidades [haud exugya]” se separaram da plena comunhão com a Igreja católica “às vezes por responsabilidade de ambas as partes” (Unitatis Redintegratio,3), ou seja: caíram na heresia e no cisma por causa dos eclesiásticos católicos. 8.1- A afirmação “mas os que agora nascem e se nutrem da fé de Jesus Cristo dentro dessas comunidades [heréticas e cismáticas ] não podem ser acusados de pecado de divisão” (UR, 3). A afirmação é teologicamente errada, já que o “pecado de divisão” se consuma ainda hoje, quando o cismático e herético, que “vive” não da “fé em Cristo”, mas da doutrina de sua seita, adere a estas doutrinas conscientemente com sua inteligência e sua vontade. Assim, ao chegar à idade adulta, ele passa do estado de herético e cismático material, (aquele que está no erro de boa fé) ao estado de herético formal (aquele que se recusa por um ato positivo pessoal, a submeter-se à doutrina revelada por Cristo e à autoridade instituída por Ele). 8.2- “Os que crêem em Cristo e receberam validamente o batismo se acham em certa comunhão, ainda que imperfeita, com a Igreja Católica [quadam communione etsi non perfecta]” (UR, 3).Os hereges e cismáticos “estão verdadeiramente incorporados à Igreja Católica pelo batismo [batismate appositi], apesar de estarem separados de sua plena comunhão” (UR, 4). Ambas afirmações contradizem a Tradição universal da Igreja, reafirmada por Pio XII na Mystici corporis: “entre os membros da Igreja só se hão de contar de fato os que receberam as águas regeneradoras do batismo e professam a verdadeira fé, e sem que se tenham separado miseravelmente deste corpo, nem tenham sido dele afastados devido a culpas gravíssimas pelas legítimas autoridades.” (Denz, 2286). E isto vale para todos os heréticos e cismáticos públicos, inclusive os de boa fé (heréticos e cismáticos materiais). Estes últimos, no entanto, diferentemente dos heréticos e cismáticos formais, são, por sua disponibilidade de professar a verdadeira fé na verdadeira Igreja (votum Ecclesiae), “ordenados”, “por um certo desejo inconsciente, ao Corpo místico do Redentor” e, se bem que se encontrem fora de entidade visível deste corpo, podem pertencer-lhe de modo invisível e chegar assim à justificação e à salvação. Entretanto, ficam “privados desses numerosos dons e ajudas celestes às quais só se tem acesso na Igreja Católica.” Foi por isso que Pio XII, como seus predecessores, os convidaram “a favorecer os movimentos interiores da graça e saírem de seu estado, no qual não podem estar seguros de sua salvação” “Que entrem então na unidade católica” (AAS 35 (1943) 242-243; Denz., 2290/3821). Note-se a falsidade da frase seguinte: “Não obstante, justificados pela fé no batismo (cf. Conc. Florentino, sec. 8 (1439), Decr. Exultate Deo: Mansi, 31, 1055 A), [os “irmãos separados”] ficam incorporados a Cristo e, podem receber a justo título o nome de cristãos” (UR, 3). Trata-se de uma insinuação de que os católicos “ficam incorporados a Cristo” em virtude do batismo, e podem ser contados entre os membros da Igreja independentemente da profissão da verdadeira fé e da obediência aos legítimos pastores. Tal frase é fruto da má interpretação de uma passagem do concílio de Florença (1439), à qual se faz referência, extraída do famoso decreto pro Armenis, que restabeleceu a unidade com a Igreja armeniana. Mas o decreto em questão esclarece como os católicos devem entender cada um dos sete sacramentos, sem fazer a menor referência ao batismo dos heréticos, nem a seu significado: “O primeiro lugar entre os sacramentos é ocupado pelo santo batismo, que é a porta da vida espiritual, pois por ele nos fazemos membros de Cristo e do corpo da Igreja [per ipsum enim membra Christi ac de corpore efficimur Ecclesiae]” (Denz., 696 e 1314). Os que ficam aqui “incorporados” a Cristo, à Igreja, são os católicos, não os heréticos nem os cismáticos. 8.3- A ilustração, em Lumen Gentium, 8 (v. supra 2.0), do falso conceito segundo o qual o patrimônio de valores dos “irmãos separados” compreende elementa plura sanctifiactionis et veritatis (“muitos elementos de santificação e de verdade”), e ainda que se encontre “fora do recinto visível da Igreja católica”, “pertence por direito à única Igreja da Cristo” (UR, 3). Esses “elementos de santificação e de verdade” seriam: “a palavra de Deus escrita, a vida da graça, a fé, a esperança, e a caridade e alguns dons interiores do Espírito Santo” (ibid. 3). É impossível compreender que a “vida da graça” e as três virtudes teologais (fé, esperança e caridade) se conservem em comunidades heréticas e cismáticas, rebeldes à autoridade da única e legítima Igreja de Cristo. Aqui se fala de “comunidades”, de organismos estranhos e opostos à única Igreja de Cristo, não de indivíduos (para os quais, cf. supra, 8.1 e 8.2). Além disso, gostaríamos de saber que possibilidades de “santificação” que “verdades” se encerram nas doutrinas e no modo de viver destas comunidades heréticas e cismáticas, hostis ao Pontífice romano e a tudo que é católico, em cujo seio muitos negam o próprio conceito de “santificação” e defendem uma noção absolutamente subjetiva da verdade (inclusive da verdade revelada). 8.4- A afirmação de que “os cristãos não católicos”(que são hereges formais ou ao menos materiais), gozam, enquanto tais, de “certa união com o Espírito Santo [immo vera quaedam in Spiritu Santo coniunctio], que também opera neles com sua virtude santificante por meios de dons e de graças, concedendo a alguns a fortaleza para a efusão do próprio sangue”(LG, 15). Constitui uma afirmação doutrinária equivocada desde que os chamamos “irmãos separados” são separados precisamente por causa de sua rebeldia contra o Magistério da Igreja e resistência ao Espírito Santo. Assim, o Espírito Santo não pode unir-se a eles enquanto comunidades “separadas” e rebeldes, nem conferir a heréticos ou cismáticos, como tais, a graça do martírio pela fé verdadeira, que em vez de professarem, combatem. Os missionários protestantes assassinados por serem missionários não podem ser considerados mártires, quer dizer, testemunhas da verdadeira fé. É verdade que um herético formal pode converter-se pela graça de Deus e morrer pela verdadeira fé; mas então morre como católico. Um herético material pertence invisivelmente à Igreja Católico pelo votum Ecclesiae, e se sofre o martírio, também ele morre como católico e não como herético ou cismático (o que pertence ao “segredo de Deus”, como adverte Pio IX). Mas não é isso que os artigos citados querem dizer: eles afirmam claramente o contrário, que os “não católicos” seriam assistidos enquanto tais pelo Espírito de Verdade, a ponto de “derramarem seu sangue”, isto é, suportarem o martírio por sua fé, o que equivale dizer: por seus erros! Os textos se prestam à pior interpretação, que é a de fazer alusão aos heréticos obstinados, tenazes corruptores de almas, justamente condenados no passado pela Igreja (v. também, Dignitatis Humanae,12, condenando o uso da força para defender a fé, força que foi usada outrora pela Igreja). 8.5- O novo dever pastoral confiado à Igreja de oferecer “ao gênero humano a sincera colaboração [em vez de convertê-lo a Cristo] para lograr a fraternidade universal” (GS, 3), e a seguinte exortação feita aos católicos (na verdade, é uma intimação) para que colaborem com os heréticos e cismáticos (os “irmãos separados”) a fim de elaborar tradições ecumênicas da Sagrada Escritura (DV, 22); para que colaborem na obra do apostolado cristão, em nome do “patrimônio evangélico comum”, que comporta, segundo parece, “o dever comum [officium] do testemunho cristão” (Apostolicam Actuositatem, 27; UR, 24). “Reconheçam e apreciem em seu valor os tesouros verdadeiramente cristãos que, procedentes do patrimônio comum , se encontram em nossos irmãos separados” (UR, 4), e unam-se a eles na oração em certas circunstâncias especiais (UR,8). Trata-se de uma pastoral totalmente nova, porque ensina exatamente o contrário do que os Apóstolos ordenaram a respeito da conduta com os heréticos: “Ao sectário, depois de uma ou outra admoestação, evita-o, considerando que está pervertido; ele peca, e, por seu pecado, se condena” (Tit 3, 10-11); “Se alguém vem a vós e não leva esta doutrina, não o recebeis em casa nem o saudeis, pois o que o saúda se associa a suas más obras” (II Jn 10-11). O erro doutrinal em que se inspira a “nova” pastoral é evidente: não existe nem pode existir um “patrimônio evangélico comum” com os heréticos e cismáticos, assim como tampouco “valores” comuns. Os protestantes negam a tradição como fonte do dogma, assim como o magistério da Igreja, assistida pelo Espírito Santo, para “julgar o verdadeiro sentido e interpretação das Sagradas Escrituras” (Denz., 786 e 1507). Eles a deformam de mil modos, por confiarem no livre exame individual ao qual ousam submeter a aceitação desta ou daquela verdade revelada. Lutero destruiu tudo o que pôde do dogma e da moral: negou o sacerdócio; corrompeu a Escritura; jogou por terra a própria noção de Igreja; reduziu os sacramentos de sete a dois, e mesmo estes dois são falseados; negou a transubstanciação e o caráter propiciatório do santo sacrifício; negou o purgatório, a virgindade de Maria Santíssima depois do parto; ridicularizou o princípio de santidade, da virgindade e da castidade; admitiu o divórcio; negou o livre arbítrio e o valor meritório das obras; fomentou o ódio entre os cristãos, incitando-os, além disso, à rebeldia contra o princípio de autoridade. Os anglicanos conservaram seu episcopado, mas é como se não o tivessem, porque sua consagrações e ordenações são nulas do início ao fim: por defeito de forma e de intenção (assim declarou Leão XIII em 1896 por sentença dogmática: Denz., 1963,3315 ss; 3317 a -b).Eles constituem uma seita submetida ao poder político, uma “religião civil” com uma fachada cristã. Além disso, se difunde hoje entre os protestantes a presença das “sacerdotisas”, forma de neo-paganismo na qual caíram os heréticos, em virtude da propagação do feminismo. Aparentemente querem infiltrá-la também na Igreja católica, que se tornou “ecumênica” (sobre os “ortodoxos” cf. infra 8.6). 8.6- A terminologia ambígua “igrejas ou comunidades eclesiais”, ou então “igrejas ou comunidades separadas” aplicada às denominações não católicas: “em suas próprias igrejas ou comunidades eclesiais...” (LG, 15); “... as igrejas ou comunidades separadas...” (UR, 3). Com evidente erro teológico, tal terminologia qualifica de “Igreja” as seitas heréticas e cismáticas. Impossível, visto que só a Igreja católica é a Igreja fundada por Cristo. As comunidades separadas desta Igreja única, cimentada por Cristo sobre a rocha de Pedro, não têm direito, nem todas juntas nem cada uma separadamente, de proclamar-se “a Igreja de Cristo”; nem tampouco de dizer que são membros ou parte dela porque se separaram visivelmente da unidade católica (a condição dos orientais cismáticos é idêntica, como confirmam todos os Pontífices romanos desde Pio XI até Pio XI, contra as pretensões do ecumenismo não católico). 8.7- A exortação aos teólogos católicos a que “ao confrontar suas doutrinas (católicas) com a dos “irmãos separados, não esqueçam que há uma ordem ou hierarquia das verdades na doutrina católica [veritatum doctrinae], em razão de suas diferentes conexões com o fundamento da fé cristã” (UR, 11). Esta exortação contém a idéia errônea expressamente condenada por Pio XI na Mortalium animos (1929: Denz., 2199 e 1683), de que existem verdades reveladas e dogmas que se devem aceitar mais do que outros. De fato, é a autoridade de Deus o que nos move a aceitar igualmente, com o mesmo grau de obrigatoriedade, todas as verdades contidas na revelação divina, dado que “repugna à razão que não se creia em Deus quando Ele fala, ainda que fosse num ponto só.” (Leão XIII, Statis Cognitum). A exortação leva à conclusão absurda de que, no “diálogo ecumênico”, se podem discutir com os hereges as “verdades doutrinais” menos importantes na (pretensa) “hierarquia” de verdades. Chega-se assim ao princípio errôneo contido no final do artigo 11 que examinaremos no parágrafo seguinte. 8.8- O princípio segundo o qual, “ao confrontar” a doutrina da Igreja com a dos “irmão separados”, tendo presente a existência da “hierarquia” das verdades doutrinais, “se preparará o caminho por onde todos se estimulem fraternalmente a prosseguir na busca de um conhecimento mais profundo e uma exposição mais clara das insondáveis riquezas de Cristo (cf. Ef 3,8)” (UR, 11 cit.). Princípio monstruoso, que beira a heresia, porque confia a tarefa de alcançar um “conhecimento mais profundo” e uma “exposição mais clara” das riquezas incalculáveis de Cristo à investigação teológica em comum com os hereges. Como se a fidelidade e a verdade revelada e definida com clareza não correspondesse ao magistério infalível, e como se a verdade católica e o erro dos heréticos e cismáticos pudessem caminhar juntos no caminho de um “estímulo fraterno” para nos fazer conhecer melhor as riquezas insondáveis de Nosso Senhor (!). São Paulo testemunha em Ef. 3,8 (citado sem fidelidade pelo concílio) que a ele “foi outorgada a graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo”, mas ele anunciava com a pregação da “sã doutrina” (II Tim 4, 2-3), não mediante o “diálogo” com os heréticos e os cismáticos, expressamente proibido por ele e por São João (e por todos os papas) (ver supra 8,5). 8.9- O obscurecimento, a diminuição, para agradar aos protestantes, do dogma definido pelo concilio de Trento, segundo o qual só a Santa Igreja pode “julgar o verdadeiro sentido e interpretação das Sagradas Escrituras” (Denz., 786 e 507). O obscurecimento deste dogma se dá na frase seguinte: “segundo a fé católica, o magistério autêntico tem um lugar especial [peculiarem locum] para expor e pregar a palavra de Deus escrita” (UR, 21). “Lugar especial” para “expor” e “pregar” a “palavra de Deus escrita”? Compete à igreja muito mais do que isso, visto que o magistério goza de fundamento e assistência sobrenaturais; é o único juiz do “verdadeiro sentido e interpretação das Escrituras”. 8.10- A afirmação errônea de que os protestantes “querem, como nós, seguir a palavra de Cristo, utilizando-a como fonte de virtude cristã, etc.”. (UR, 23). Tal idéia nos desvia da verdade porque os protestantes querem seguir “a palavra de Cristo” não como os católicos, isto é, não como ensina a Igreja católica, mas segundo o falso princípio do “livre exame”, que os permite “professar confiante livremente o que [lhes] parece verdadeiro (confidenter confidenti quidquid verum videtur). Este princípio foi condenado formalmente como herético por Leão X em 1520, na bula Exsurge Domine, que condenou as heresias de Lutero (Denz., 769 e 1479). IX- A descrição errada e falaciosa das religiões não cristãs 9.0- A falsa atribuição a todas as religiões não cristãs de uma fé no Deus criador, semelhante à nossa: “A criatura sem o criador se esvanece. Além disso, aqueles que crêem em Deus, seja qual for sua religião, [cuiscumque sint religiones], escutaram sempre a manifestação da voz de Deus na linguagem da criação” (Gaudium et Spes 36). 9.1- A atribuição paralela e inconcebível de uma patente de verdade e de santidade a todas as religiões não cristãs, apesar de carecerem da verdade revelada e de serem fruto do espírito humano, e consequentemente não poderem, como tais, nem redimir nem salvar ninguém: “A Igreja católica não rejeita nada do que há de santo e verdadeiro nessas religiões [vera et sancta]. Considera com sincero respeito os modos de agir e viver, os preceitos e doutrinas que, apesar de divergirem dos que Ela própria ensina e professa, muitas vezes refletem um lampejo da verdade que ilumina todos os homens” (Nostra Aetate 2). Eis a contradição desta frase de teor abertamente deísta: se essas religiões “divergem” dos ensinamentos da Igreja católica, como é que refletem “muitas vezes” um “lampejo da Verdade que ilumina todos os homens”? Isso significa que para o Concílio, a “Verdade que ilumina todos os homens” pode refletir-se em doutrinas e preceitos que “divergem em muitos pontos” do ensinamento da Igreja (!). (Como um autêntico concílio ecumênico da Igreja católica pode ter inspirado tal idéia?) 9.2- A afirmação infundada segundo a qual as religiões pagãs, passadas e presentes, estão incluídas de algum modo na economia da salvação (o contrário da tradição e das Escrituras: Salmo 96 (Vulgata 95): “Pois todos os deuses dos gentios são demônios”; I Cor 10, 20). O artigo 18 do decreto Ad Gentes (sobre a atividade missionária) exorta os “institutos religiosos” nos países de missão a esforçar-se para adaptar as “riquezas místicas que possuem” ao “caráter e à idiossincrasia de cada povo”, “considerando atentamente o modo de aplicar à vida religiosa cristã, as tradições ascéticas e contemplativas cuja semente [semina] tinha sido colocada por Deus nas antigas culturas (em geral e, consequentemente, também em suas religiões) antes da proclamação do Evangelho”. As “antigas culturas”, cujos deuses eram “demônios”, e cujos sacrifícios se ofereciam “aos demônios e não a Deus” (I Cor 10, 20), são agora indevidamente revalorizadas pelo concílio, que pretende reconhecer nelas uma presença das semina verbi, das “sementes da verdade revelada”. Isso vai contra uma verdade do depósito de fé. (O mesmo conceito é repetido na Lumen Gentium 17 e Ad Gentes 11, aplicado a todos os povos não cristãos contemporâneos, pagãos inclusive: os missionários devem descobrir, “com gozo e respeito, as sementes da Palavra que nelas estão contidas”; “nelas”, quer dizer, nas “tradições nacionais e religiosas” dos países de missão cuja evangelização lhes é confiada). 9.3- A falsa descrição do hinduísmo, onde “os homens investigam o mistério divino e o expressam mediante a inesgotável fecundidade dos mitos e com os penetrantes esforços da filosofia, e buscam a libertação das angústias de nossa condição, seja mediante as modalidades da vida ascética, seja através da profunda meditação, seja buscando refúgio em Deus com amor e confiança” (Nostra Aetate 2 cit.). Descrição falsa, porque induz o católico a considerar válida a mitologia e a filosofia hindus, como se ela “investigasse” efetivamente “o mistério divino”, e como se a ascética e a meditação hindus realizassem algo semelhante à ascética cristã. Sabemos, pelo contrário, que a mistura de mitologia, magia e especulação que caracteriza a espiritualidade hindu desde a época dos Vedas (séc. XVI-X a.C.) é responsável por uma concepção completamente monista e panteísta da divindade e do mundo. Ao considerar Deus como uma força cósmica impessoal, os hindus ignoram o conceito de criação e, consequentemente, não distinguem entre realidade sensível e realidade sobrenatural, realidade material e realidade espiritual, entre o todo e os seres particulares, dissolvendo toda existência individual no Uno cósmico, de quem tudo procede e a quem tudo retorna sem cessar, enquanto que o eu individual, em si mesmo, seria pura aparência. Falta a esta filosofia, que o texto conciliar qualifica de “penetrante”, o conceito da alma individual (muito conhecido pelos gregos) e do que chamamos de vontade e livre arbítrio. A isto acrescenta-se a doutrina da reencarnação, concepção particularmente perversa (condenada explicitamente no esquema de constituição dogmática, na fase preparatória do Concílio: De deposito fidei pura custodiendo, que João XXIII e os progressistas fizeram naufragar por seu caráter pouco “ecumênico”) e o fato de que a denominada “ascesis” hindu não é mais que uma forma de epicurismo para os brâmanes. É uma busca refinada e egoísta de uma indiferença espiritual em relação a qualquer desejo, ainda que seja bom, a qualquer responsabilidade. Indiferença que se justifica por considerarem todo sofrimento como expiação de culpas contraídas numa vida anterior, etc., etc.. Que podem os católicos aprender de bom numa tal concepção de mundo? Gostaríamos muito de saber. 9.4- A falsa descrição do budismo, variante autônoma e “mais pura” do hinduísmo. O concílio declara que “o budismo, em suas várias formas, reconhece a insuficiência radical deste mundo mutável e ensina o caminho pelo qual os homens, com um espírito devoto e confiante, podem adquirir o estado de perfeita libertação, ou a suprema iluminação, através de seus próprios esforços ou apoiados num auxílio superior” (Nostra Aetate 2 cit.). É a imagem de um budismo “à moda de de Lubac”, revisada e corrigida para gozar do apreço dos católicos ignorantes que não sabem que “a insuficiência radical deste mundo” é enquadrada pelos budistas numa autêntica “metafísica do nada”, segundo a qual o mundo e o eu são existências ilusórias e aparentes (o cristianismo ensina que o mundo e o eu são bem reais, apesar de transitórios). Para o budista, tudo se “compõe e se decompõe” ao mesmo tempo, a vida é um fluxo contínuo atravessado pela dor universal. Para superar a dor, é mister convencer-se de que tudo é em vão, liberar-se de todo desejo e entregar-se a uma iniciação intelectual, uma gnose semelhante à dos hindus (até o ponto de se permitirem o uso da “magia sexual” no budismo tântrico), que nos faz chegar à indiferença completa a tudo, o Nirvana (“desaparição”, “extinção”): uma condição final de privação absoluta, na qual não há outra coisa senão o nada, o vazio, no qual o eu se extingue totalmente para dissolver-se de maneira anônima no Todo e no Uno (como queiram). Este é o “estado de perfeita libertação” ou de “suprema iluminação” que o Vaticano II ousou apresentar aos católicos como digno de atenção e respeito! 9.5- A afirmação segundo a qual “o desígnio de salvação [propositum salutis] engloba também aqueles que reconhecem o Criador, entre os quais estão em primeiro lugar [in primis] os muçulmanos, que confessando professar a fé de Abraão, adoram conosco um só Deus, misericordioso, que há de julgar os homens no último dia [qui fidem Abrahae se tenere profitentes, nobiscum Deum adorant unicum, etc.]” (Lumen Gentium 16) Esta afirmação atribui erroneamente aos muçulmanos o mesmo Deus que nós adoramos, incluindo-os na economia da salvação; trata-se de uma afirmação contrária ao dogma de fé, já que não se pode incluir no plano de salvação quem não adora o Deus verdadeiro. E os muçulmanos não adoram o Deus verdadeiro, apesar de reconhecerem Deus (Allah: “o Deus”), seus atributos de onipotência e onisciência e a criação do “mundo” e do “homem” a partir do nada. Reconhecem-no como juiz do gênero humano no fim dos tempos, mas não o reconhecem como Deus Pai, que criou na sua bondade o homem à sua “imagem e semelhança” (Gen 1, 36; Deut 32, 6; etc.), nem crêem na Santíssima Trindade, da qual têm horror, repetindo o erro dos judeus, e por isso negam a graça, a divindade de Nosso Senhor, a encarnação, a redenção, a morte na cruz, a ressurreição: desprezam todos nossos dogmas, e negam-se a ler o Velho e o Novo Testamentos considerando-os livros falsificados, por não conterem, obviamente, nenhuma menção a Maomé. O islã nega, além disso, o livre arbítrio (defendido somente por alguns exegetas minoritários considerados como heréticos), professando um determinismo absoluto, que não deixa lugar no mundo para as relações causais autênticas, visto que todas nossas ações, boas ou más, já estão “consignadas” pelo decreto indestrutível de Alá (Alcorão, 54, 52-53). 9.5.0- O reconhecimento da LG 16 repete-se na declaração Nostra Aetate de maneira mais detalhada e mais grave: “A Igreja olha também com apreço os muçulmanos, que adoram o Deus único, vivente e subsistente, misericordioso e todo poderoso, Criador do céu e da terra (cf. São Gregório VII, Epíst. 21 ad Anzir (Nacir) regem Mauritaniae: PL 148, 450 s.), que falou aos homens [qui unicum Deum adorant (...) homines allocutum], a cujos misteriosos decretos procuram submeter-se de toda a alma [cuius occultis etiam decretis toto animo se submittere student], como se submeteu Abraão, a quem a fé islâmica se refere com complacência” (NA 3). Aqui se afirma sem mais nem menos que o Deus no qual crêem os islâmicos “falou aos homens”(!). Assim sendo, o concílio mostra que considera como autêntica a “revelação” transmitida por Maomé no Alcorão. Se fosse assim, não teríamos aqui uma apostasia implícita da fé cristã, dado que a “revelação” exposta no Alcorão contradiz expressamente todas as verdades cristãs fundamentais? Além do mais, se descrevem as crenças dos muçulmanos exatamente como eles as entendem, como se dando a entender que o concílio as aprovasse. De fato, usa-se a imagem da “submissão a Deus”, que não é outra senão o significado do termo “islã” (submissão), cujo adjetivo substantivado é muslim, muçulmano (submetido [a Deus]). A frase inteira parece um eco do Alcorão 4, 125: “Quem é melhor, em religião, do que aquele que se submete a Deus, faz o bem e segue a religião de Abraão, como um Hanif [um monoteísta puro]”? Finalmente, a referência à obediência aos “decretos misteriosos” de Alá tem um forte sabor islâmico, já que nos lembra que Alá é definido no Alcorão como “o Visível e o Escondido” (Alcorão 57,3). Visível em suas obras e Escondido em seus decretos: como se o concílio quisesse que compreendêssemos que sua “estima” não recua diante do caráter ambíguo, perturbador, impenetrável, da entidade de que fala o Alcorão. O elogio do Vaticano II à “fé” de Abraão professada pelos muçulmanos, como se constituísse uma característica que os aproxima de nós, oculta a verdade, já que o Abraão do Alcorão, impregnado de elementos lendários e apócrifos, não coincide com o Abraão verdadeiro, que é obviamente o da Bíblia. O Alcorão atribui a Abraão um monoteísmo denominado “puro”, isto é, antitrinitário, anterior ao monoteísmo judaico e cristão. Maomé, enquanto profeta árabe, descendente de Abraão pela linha de Ismael, teria sido chamado por Deus para restaurar esse monoteísmo puro, libertando-o das presumidas falsificações judias e cristãs! 9.5.1- Nostra Aetate também leva seriamente em consideração a veneração que os muçulmanos professam por Jesus e a Santíssima Virgem: “Veneram Jesus como profeta, ainda que não o reconheçam como Deus; honram Maria, sua mãe virginal, e às vezes também a invocam devotamente” (NA 3 cit.). Sabe-se, entretanto, que a “cristologia” do Alcorão se baseia sobre o Jesus alterado e desfigurado dos evangelhos apócrifos e das heresias gnósticas de tipos distintos que pululavam na Arábia nos tempos de Maomé. Mostra um Jesus nascido de uma virgem por intervenção divina (Anjo Gabriel), como um profeta particularmente apreciado por Alá, um mero mortal, capaz de operar milagres por concessão de Alá; um profeta, pois, que pregou o mesmo monoteísmo atribuído por Abraão (Alcorão 57, 26-27), cuja fórmula assim diz: “Não há nenhum outro deus senão Deus, o Uno, o Invicto” (Alcorão 38, 65). Por isso Jesus, segundo o islã, foi um “servo de Deus” (Alcorão 19, 36), um submetido a Alá, um muslim, um muçulmano, chegando a anunciar, como Abraão, a vinda de Maomé (Alcorão 61, 6) (!). Quando os sarracenos veneram Jesus como profeta, eles o entendem como “profeta do islã”, mentira que nenhum católico que conserve a fé pode evidentemente aceitar (cf. R. Arnaldez, Jésus fils de Marie, prophéte de l’Islam [Jesus, filho de Maria, profeta do Islã], 1980 págs. 11-22; 129-141). 9.5.2- Quanto à veneração islâmica da Santíssima Virgem, a quem às vezes os mouros “invocam devotamente”, é um culto praticamente irrevelante, de fundo supersticioso. Um “culto” prestado à Maria como mãe de um “profeta do islã”, não enquanto mãe de Deus: um culto ofensivo a ouvidos católicos. Temos de repetir, além disso, que também a “mariologia” do Alcorão está completamente corrompida: tem sua origem em uma mistura de fontes apócrifas e heréticas. Ignora completamente a existência de São José e do Espírito Santo. Chama a Virgem Maria de “irmã de Aarão” (irmão de Moisés) e “filha de Inrão” (em hebreu Amrão, Num 26, 59), confundindo-a com Maria a profetiza (Ex 15, 20), que viveu mais ou menos doze séculos antes de Cristo. E como se não bastasse, introduzem a Virgem Maria na Trindade dos cristãos, detestada e recusada com raiva pelos muçulmanos por ser constituída, segundo o Alcorão, de Deus (Pai), Maria (Mãe) e Jesus (Filho). Disse Deus: - “Jesus, filho de Maria! Foste Tu quem disseste aos homens: Tomai-nos minha mãe e eu como deuses [literalmente como dois deuses], além de Deus!?”. Disse Jesus: - “Glória a Ti! Como vou dizer algo que não é verdade? [Alcorão 4, 171; 5, 73] Se o houvesse dito, Tu o saberias. Tu sabes o que há em mim, [quer dizer, como penso], mas eu não sei o que há em Ti. Tu és quem conhece profundamente todas as coisas ocultas” (Alcorão 5, 116). 9.5.3- Para arrematar tudo, a Nostra Aetate (3 cit.) parece louvar os muçulmanos e colocá-los como exemplo aos católicos porque “esperam o dia do julgamento, quando Deus remunerará todos os homens ressuscitados. Portanto, apreciam a vida moral, e honram a Deus, sobretudo, com a oração, as esmolas, e o jejum”, razão pela qual o concílio “exorta todos a que, esquecendo o passado”, quer dizer, as “não poucas discórdias e inimizades entre cristãos e muçulmanos, procurem com sinceridade compreender-se mutuamente, defender e promover unidos a justiça social, os bens morais, a paz e a liberdade para todos os homens” (Nostra Aetate, ibid.). Também aqui se distorce o significado dos fatos históricos, reduzindo a meras “discórdias e inimizades” as lutas sangrentas, longas e cruéis, fé contra fé, que tivemos que travar ao longo dos séculos para vencer os assaltos do islã. Além disso, se passa ao largo das diferenças abismais entre a escatologia católica e a islâmica (a falta de uma verdadeira visão beatífica, a compreensão carnal do paraíso, a eternidade das penas infernais aplicadas exclusivamente aos infiéis), não mencionando a incompatibilidade absoluta de uma concepção da “vida moral” e do “culto” com a nossa. O islã é uma religião que, além de admitir instituições moralmente inaceitáveis como a poligamia, com todos seus corolários, pretende garantir a salvação somente com as práticas legais do culto; constitui, pois, uma religião mais exterior e mais legalista do que o farisaísmo expressamente condenado por Nosso Senhor (cf. Mt 6, 5). Tudo isso é silenciado. Convidam-nos a uma colaboração com o islã, mas tal colaboração é impossível porque os muçulmanos só dão às noções de “justiça social”, “paz”, “liberdade”, etc., o sentido que se pode tirar do Alcorão ou do Asuma (aquilo que foi feito ou dito por Maomé): um sentido islâmico, totalmente diferente do nosso. Os muçulmanos, por exemplo, não entendem a paz, nem sequer à maneira do Pontífice atualmente reinante: não admitindo que os islamitas possam viver sob o jugo dos infiéis, dividem o mundo em duas partes: uma em que domina o islã (dar al-islã: morada do islã) e a outra - todo o resto - forçosamente inimiga até que se converta ou se submeta (dar al-harb: morada da guerra). A comunidade islâmica se considera sempre em guerra com o resto do mundo. A paz não é para ela um fim em si, que permite a convivência de Estados e religiões diversas: é somente um meio ditado pelas circunstâncias que obrigam a assinar armistícios com os infiéis. Tais períodos de paz devem gozar de uma duração limitada (não mais de dez anos), e a guerra (obrigação moral de cunho jurídico-religioso para o maometano) deve ser retomada sempre que possível – até a infalível vitória final: a instauração de um Estado islâmico mundial. Nota: O concílio parece justificar a afirmação de que os mouros “adoram o Deus único, etc.”, com a citação de uma carta de S. Gregório VII. Este Papa, que reinou de 1073 a 1085, escreveu uma carta pessoal de agradecimento (em 1076) ao emir de Mauritânia, Anazir, que se havia mostrado bem disposto em relação a certas petições do Papa e restituiu alguns prisioneiros cristãos. O Papa dizia que tal “ato de bondade” lhe havia sido “inspirado por Deus”, que exige o amor do próximo e o requer especialmente “de nós e de vós [...] que cremos no mesmo Deus, ainda que de modo distinto [licet diverso modo]; que louvamos e veneramos diariamente o Criador dos séculos e rei deste mundo” (PL 148, 451 A). Como explicar tais afirmações? Pela ignorância que havia nesta época da religião fundada por Maomé. De fato, o Alcorão não havia sido traduzido ainda para o latim nos tempos de S. Gregório VII, razão pela qual não se compreendiam os aspectos fundamentais desse “credo”. Sabia-se apenas que os islamitas, inimigos profundos do nome cristão, saindo de repente dos desertos da Arábia em 633, com ímpeto conquistador, mostravam, contudo, certo respeito por Jesus, como profeta, e pela Santíssima Virgem. Acreditavam em um Deus único, no caráter inspirado de sua Santas Escrituras, no julgamento e em uma vida futura. Podiam ser tomados por uma seita herética (“a seita maometana”), equívoco que se manteve por longo tempo, pois no início do século XIV Dante colocou Maomé nos infernos, entre os hereges e cismáticos (Inf. XXVIII, vv. 31 ss.). Assim, pois, o elogio particular que Gregório VII fez ao emir tem que ser enquadrado nesse contexto: Gregório VII supunha escrever a um “herege”, que tinha se comportado caridosamente naquela ocasião, como se o Deus verdadeiro, em quem o Papa pensava que o emir acreditava, tivesse tocado seu coração. De um herege, de fato, pode-se dizer que crê no mesmo Deus que nós, o confessa, ainda que de “maneira distinta”. O elogio, no entanto, não impediu S. Gregório VII de defender, com uma perfeita coerência, a idéia de uma expedição de todos os países cristãos contra o islamismo para socorrer a cristandade oriental, ameaçada de aniquilamento. A idéia se realizou, pouco depois de sua morte, com a primeira cruzada proclamada por Urbano II. A primeira tradução latina do Alcorão só ocorreu em 1143, cinqüenta anos depois da morte de Gregório VII. Foi feita pelo inglês Roberto de Chester para o abade de Cluny, Pedro o Venerável, que acrescentou uma refutação decisiva do credo islâmico: tratava-se, na realidade, de um resumo do Alcorão e sua única tradução durante séculos, até a aparição da versão crítica e completa do padre Marracci, em 1698. O cardeal de Cuso se serviu do resumo de Roberto de Chester para escrever seu célebre Cribatio Alcorani (exame crítico do Alcorão) na primeira metade do século XV, que precedeu um pouco a bula promulgada por Pio II (Eneas Sílvio Piccomolini) em outubro de 1458 para lançar uma cruzada contra os turcos (que nunca se realizou). Na ocasião, os turcos estavam se estendendo pelas Balcãs depois de terem se apoderado de Constantinopla, e Pio II os qualificou de discípulos do “falso profeta Maomé” (qualificação que repetiu em 12 de setembro de 1459, num discurso digno de nota pronunciado na catedral de Mântua, onde se reunia a Dieta encarregada de aprovar a cruzada). No discurso, chamou Maomé outra vez de impostor, dizendo que, se não fosse detido, o sultão Mehemed subjugaria todos os príncipes do ocidente, “destruiria o evangelho de Cristo e imporia a todo o mundo a lei de seu falso profeta” (cf. C. De Frede, La prima traduzione italiana del Corano, Nápoles, 1967, págs. 1 a 13; F. Babinger, Maometto il conquistatore, 1947, tradução italiana, Turim, 1967, págs. 180-183). Eis aqui, pois, uma condenação clara e forte do islamismo e de seu profeta pela boca do magistério pontifício, uma vez eliminado o erro que considerava o credo maometano como “heresia” cristã. 9.6- As proposições: “apesar de terem sido as autoridades judias com seus seguidores quem exigiu a morte de Cristo (cf. Jo 19, 6), o que se fez com Ele não pode ser imputado indistintamente a todo o povo judeu da época, nem aos judeus de hoje. E se a Igreja é o novo Povo de Deus, os judeus não devem ser assinalados como réprobos e malditos, como se isso se deduzisse das Sagradas Escrituras”. (Nostra Aetate 4). Vê-se aqui o propósito de limitar a responsabilidade do deicídio a um círculo reduzido de pessoas particulares. O sinédrio, no entanto, era a suprema autoridade religiosa, representante do judaísmo inteiro. Assim sendo, sua atuação engendrou a responsabilidade coletiva da religião judaica e do povo hebreu por ter rechaçado o Messias e Filho de Deus, como se apreende das Sagradas Escrituras de maneira inequívoca (Jo 19, 12: “Desde então Pilatos procurava libertá-lo; mas os judeus gritavam, dizendo: “Se soltas este, não és amigo de César”...; Mt 27, 25: “E todo o povo respondeu, dizendo: Caia seu sangue sobre nós e nossos filhos”). Surpreende também a afirmação de que “não se deve assinalar os judeus como réprobos e malditos, como se isso se deduzisse das Sagradas Escrituras”. Mais uma vez nos deparamos com a falta de distinção devida entre indivíduos e religião hebraica. IX- A descrição errada e falaciosa das religiões não cristãs 9.6- (...) Surpreende também a afirmação de que “não se deve assinalar os judeus como réprobos e malditos, como se isso se deduzisse das Sagradas Escrituras” (Nostra Aetate, 4). Mais uma vez nos deparamos com a falta de distinção entre indivíduos e religião hebraica. Falando dos judeus como indivíduos, a afirmação é verdadeira, como demonstra o grande número de conversões de judeus em todos os tempos; mas se falarmos do judaísmo como religião, a afirmação torna-se errada e ilógica: errada porque contradiz sem mais nem menos o evangelho e a fé desde sua origem (cf. Mt 21, 43: “Por isso vos digo que vos será tirado o reino de Deus e ele será entregue a um povo que o faça render frutos”). Ilógica, porque se Deus não reprovou a religião hebraica nem o povo hebreu no sentido religioso (que na época de Jesus se identificavam), então a Antiga aliança ainda pode ser considerada válida, assim como a infundada esperança judaica na vinda do Messias. Tudo isso configura uma descrição absolutamente mentirosa do judaísmo e de suas relações com o cristianismo. A afirmação inaceitável, contrária à doutrina perene da Igreja e a toda exegese católica, segundo a qual os livros do Velho Testamento ilustram e explicam o Novo, ao passo que sempre foi ensinado que, pelo contrário, sem reciprocidade, é o Novo Testamento que ilustra e explica o Velho: “...os livros do Antigo Testamento, recebidos integramente na proclamação evangélica, adquirem e manifestam sua plena significação no Novo Testamento (cf. Mt 5, 17; Lc 24, 27; Rom 16, 25-26; II Cor 3, 14-16) [até aqui nada a objetar; nota da redação] ilustrando-o e explicando-o ao mesmo tempo [afirmação errada, em oposição à precedente] [illud vicissim illuminat et explicant]”(Dei Verbum, 16). 9.7- A inversão da missão dos católicos em relação aos seguidores das outras religiões. Em vez de exortar os católicos a converter o maior número possível de infiéis, arrancando-os das trevas em que estão submersos, o concílio os exorta a “reconhecerem, guardarem e promoverem aqueles bens espirituais e morais, assim como os valores socioculturais dos adeptos das outras religiões [qua apud eos invenientur]” (Nostra Aetate 2 cit.). Em outras palavras: os exorta a trabalhar para que os budistas, hindus, mouros, judeus, etc., sigam sendo tais, ou melhor, “progridam” nos “valores” de suas religiões e culturas respectivas, todas elas hostis à verdade revelada (!). Tal exortação expressa um princípio geral da “igreja conciliar” (cardeal Benelli). E tal princípio mostra ao “povo de Deus”, -sacerdotes e seculares-, a atitude que deve adotar em relação aos ‘irmãos separados” e a todos os não cristãos. Essa exortação pastoral (com outras semelhantes, por ex. Lumen Gentium 17; Gaudium et Spes 28; Unitatis Redintegratio 4) trai a ordem que Jesus ressuscitado deu aos apóstolos (Mt 28, 19-20: “ide, pois; ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar o quanto eu vos ordenei...”). Uma ordem que, mutatis mutandis, atinge também todos os católicos, cada qual segundo sua capacidade. Assim, cada um que crê deve, enquanto miles Christi, dar testemunho da fé com obras de misericórdia corporal e espiritual. Não é para estranhar que, de acordo com essa mentalidade, já haja centenas de milhares de católicos que passaram ao budismo ou ao islamismo, enquanto que as conversões de budistas e mouros ao catolicismo são irrevelantes em termos numéricos. Como negar que as raízes da crise pós-conciliar estejam nas falsas doutrinas que penetraram nos textos do Vaticano II? X- Erros concernentes à política, à comunidade política e às relações entre a Igreja e o Estado 10.0 Uma noção de “vida política” não católica, segundo o princípio laicista de humanidade. “A melhor maneira de chegar a uma política autenticamente humana se baseia em fomentar o sentido interior da justiça, da benevolência e do serviço ao bem comum e em robustecer as convicções fundamentais no que concerne a natureza verdadeira da comunidade política, e por fim, no reto exercício da limitação dos poderes públicos” (Gaudium et Spes, 73). Aqui não transparece a menor preocupação com uma “vida política” segundo os pseudo valores cristãos: toda a preocupação está centrada numa “vida política” segundo os denominados valores humanos, vagamente descritos como “o sentido interior da justiça, da benevolência e do serviço ao bem comum”. Não se trata de uma adesão da inteligência e da vontade aos princípios da “justiça”, da “benevolência” e do “serviço” fundados na verdade revelada, princípios objetivos que têm Deus por autor, que a Igreja ensinou durante séculos e que exigem nosso assentimento. Os textos conciliares tratam somente do “sentido interior” (interiorem...sensum) que o indivíduo tem dos princípios, cujos fundamentos estão no próprio sujeito, em suas opiniões. Eis aqui uma concepção subjetivista da “vida política”, da praxis ou ortopraxis (comportamento reto), característica do pensamento moderno, completamente alheia ao catolicismo, ou melhor, fatalmente hostil a ele. Esta “vida política autenticamente humana”, apresenta uma finalidade puramente terrena e mundana . 10.1- A definição da “natureza verdadeira” da comunidade política, responsável pela instauração da “vida política autenticamente humana” (Gaudium et Spes 73 cit.), se move na mesma perspectiva laicista e imanentista, não católica. A “comunidade política” existe, exclusivamente, “para melhor buscar o bem comum” (Gaudium et Spes 74), “o conjunto das condições de vida social com as quais os homens, as famílias e as associações podem alcançar com maior plenitude e facilidade a própria perfeição” (Gaudium et Spes 74). Tal noção de bem comum está de acordo com o ensinamento tradicional da Igreja? Não, porque o identifica com “condições de vida social” que favorecem um “aperfeiçoamento” individual e coletivo alheio a qualquer idéia sobrenatural. Tal noção constitui um erro doutrinal. A Igreja sempre afirmou que apesar de gozar de certa autonomia, a busca do bem temporal deverá contribuir para a obtenção do “sumo bem”: a salvação da alma e a visão beatífica. De modo que, sendo a sociedade civil naturalmente instituída para a prosperidade do que é público, é necessário que ela não exclua o bem principal e máximo. Portanto, em vez de criar obstáculos, convém que ela forneça oportunamente, tanto quanto estiver a seu alcance, as melhores condições para que cada homem alcance o sumo bem incomutável. E que outra condição haverá mais cômoda e oportuna, tão eficaz e excelente quanto a santa e inviolável observância da religião verdadeira, cujo ofício consiste em unir o homem a Deus?” (Leão XIII, Immortale Dei, 1/XI/1885 em AAS pág. 118; cf. Santo Tomás, De regimine principum, I, XV). O “aperfeiçoamento” propugnado pelo concílio, ao contrário, tem a ver com os valores humanos, não com os cristãos. Tanto assim que a autoridade, que existe para dirigir a ação de todos ao bem comum, se justifica com a ressalva de que não deve exercer uma função “mecânica [?] ou despótica, e sim, utilizar uma força moral [vis moralis] baseada na liberdade e na responsabilidade de cada um” (Gaudium et Spes ibid.). Isso quer dizer: a autoridade se justifica, mas torna-se necessária uma ressalva em favor da democracia, evidente pela insistência em relação à “liberdade” e à “responsabilidade de cada um”, entendidas como valores absolutamente determinantes do exercício da autoridade. Só mais adiante é que o concílio cita um texto de S. Paulo (Rom 13, 1-5), estabelecendo a origem divina de toda autoridade constituída. Mas o sentido da citação é torcido e invertido: “É, pois, claro que a comunidade e a autoridade política se baseiam na natureza humana, e, por isso mesmo, pertencem à ordem prevista por Deus... (cf. Rom 13, 1-5)” (Gaudium et Spes 74 cit.). Onde está a distorção, ou melhor, a inversão? Em dizer que “a comunidade política e a autoridade pública” se baseiam sobretudo “na natureza humana”, e que, por isso mesmo (ideoque) pertencem à ordem prevista (praefinitum) por Deus.” O homem vem na frente de Deus e a comunidade política de tipo democrático (já que se baseia na “liberdade” e na “responsabilidade de cada um”) “pertence” à ordem prevista por Deus porque se “baseia” na “natureza humana”. Não é isso o que nos diz o Apóstolo dos gentios, que pelo Espírito Santo nos faz saber que toda potestas vem de Deus, seja qual for sua forma de governo, e em conseqüência disso se “baseia” na natureza humana (e na natureza humana corrompida pelo pecado original, que necessita sempre da espada do poder civil para ser freada) (Rom 13, 4). 10.2- A obscura precisão segundo a qual “o exercício da autoridade política, tanto na comunidade, quanto nas instituições representativas, deve realizar-se sempre dentro dos limites da ordem moral, para procurar o bem comum, concebido dinamicamente, etc.” (Gaudium et Spes 74 cit.). Não se declara de que “ordem moral” se trata, nem se compreende o que significa com exatidão “procurar o bem comum, concebido dinamicamente”. Esse dinamismo se enquadra numa linha de pensamento constituída pelo mito do progresso, do crescimento, da expansão da atividade no universo (v. supra, sec. 6); em suma, pelos valores do século, não pelos valores católicos. 10.3- Um tipo ideal de indivíduo (que a “comunidade política” deve “formar”), que nada tem de católico: “um tipo de homem culto [excultum], pacífico e benévolo em relação aos outros, para proveito da família humana”(Gaudium et Spes 74). Compare-se este retrato com o do maçom perfeito, pintado por inúmeras instituições da ordem maçônica: “O maçom é um súdito pacífico dos poderes civis onde quer que resida ou trabalhe, e não deve nunca misturar-se em complôs ou conspirações contrárias à paz pública ou ao bem da nação, nem desobedecer a seus superiores” (Grande Loja das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos, S. Gravenhange, 1761) (essa constituição aparece como apêndice da obra de Bernard Fay, A Maçonaria e a revolução intelectual do século XVIII, tradução italiana de G. Perotti, Ed. Einandi: Turim, 1945, pág. 297). Leia-se também o art. 43 da Gaudium et Spes, onde os cristãos são convidados a atuar como “cidadãos do mundo”; v. infra 17.5). 10.4- Uma definição do amor à pátria no sentido da fraternidade e do humanitarismo maçônicos e mazzinianos [de Mazzini (+1872): célebre revolucionário genovês, membro de sociedades secretas, ativista na implantação da república italiana. N. da red.]: “Cultivem os cidadãos com magnanimidade e lealdade o amor à pátria mas sem estreiteza de espírito, de modo que olhem sempre para o bem de toda família humana, cujas raças, povos e nações estão unidas por todo tipo de vínculo [bonum totius humanae quae variis coniungitur]” (Gaudium et Spes 75). A tradição católica jamais viu na “família humana” um valor superior ao das sociedades e nações cristãs, que tiveram de ser defendidas – de armas na mão – dos assaltos do mundo hostil a Cristo (por ex., a expansão islâmica na Europa). 10.5- Um tipo ideal de político (o que exerce “arte da política”), que tem pouco ou nada de católico, visto que repete o estereótipo do político democrático, bem de acordo com a moda. “Lutem [os políticos] com integridade moral e com prudência contra a injustiça e a opressão, contra a intolerância e o absolutismo de um só homem ou de um só partido político, consagrem-se com sinceridade e retidão, mais ainda, com caridade e fortaleza política, ao serviço de todos” (Gaudium et Spes 75). Trata-se de um retrato retórico volátil, vago, banal, que carece do requisito próprio do estadista católico (figura que deveria estar na mente de um concílio ecumênico): o compromisso com a defesa e a afirmação da religião católica e da moral ensinada por ela. 10.6- A idéia de que a independência da “comunidade política” é tal que exclui qualquer subordinação à Igreja (inclusive a subordinação indireta). É justo lembrar que “a comunidade política e a Igreja são independentes e autônomas, cada uma em seu próprio terreno” (Gaudium et Spes 76), porque suas estruturas são independentes do ponto de vista de organização (cf. Immortale Dei, Denz. 1886 e 3168). Não obstante, erra-se ao pensar que ambas têm em comum só o fato de estar “ao serviço” de uma ambígua “vocação pessoal e social do homem”, serviço que “realizarão com maior eficácia para o bem de todos quanto mais sadia e maior seja a cooperação entre elas, levando em conta as circunstâncias do lugar e do tempo” (Gaudium et Spes 76), isto é, segundo um mero critério de oportunidade. Essa doutrina contradiz todo o ensinamento precedente que afirmou sempre a primazia da Igreja, enquanto societas perfecta (v. supra 2.9); primazia justificada pela necessária subordinação do bem comum temporal, buscado pela “comunidade política”, ao sumo bem, oferecido pela Igreja. Mas o fim que o Vaticano II atribui à Igreja é, na realidade, mundano, e portanto não é diferente do “político”, como resulta de Gaudium et Spes 76, onde se repete, citando Lumen Gentium 13, que a missão da Igreja “é fomentar e elevar tudo quanto há de verdadeiro, de bom e de belo na “comunidade humana” (v. supra, sec. 6). A “sadia cooperação” da “comunidade política” com a Igreja católica não pode ser deixada ao sabor das circunstâncias (com a agravante de que tal cooperação se dá em função dos chamados “valores humanos”). Na verdade, essa “cooperação” constitui um dever para os Estados, porque deriva da obrigação de defender a única e verdadeira religião revelada e de promover o reinado social de Cristo, adequando o bem comum aos valores católicos. Lembremos que a falsa doutrina da independência e separação entre “comunidade política” e Igreja já foi condenada por Pio IX na proposição 55 do Sílabus, e por Pio X na Pascendi, contra o modernismo. XI- Erros concernentes à liberdade religiosa e ao papel da consciência moral 11.0- A proclamação de um “direito à liberdade religiosa”, “fundado na dignidade da pessoa humana, como é conhecida pela palavra revelada de Deus e pela própria razão natural (cf. João XXIII, Enc. Pacem in terris, 11 de abril de 1973, AAS 55 (1963) p.p. 260-261; Pio XII, Radiomensagem natalina, 24 de dezembro de 1942: AAS p. 35 (1943); Pio XI, Enc. Mit brennender Sorge, 14 de março de 1937: AAS p.p. 29 (1937) e 160; Leão XIII, Enc. Libertas praestantissimum, 20 de junho de 1888: Acta Leonis XIII, 8 (1888) págs. 237-238)” Esse direito, enquanto direito da pessoa humana, “há de ser reconhecido na ordem jurídica da sociedade, de forma que chegue a converter-se num direito civil” (Dignitatis Humanae 2). A proclamação do suposto direito à liberdade religiosa é apresentada como se estivesse conforme ao magistério pré-conciliar. No entanto, os textos de Pio XII, Pio XI e Leão XIII citados na nota pela Dignitatis Humanae 2 mostram que o direito invocado por eles, de cada um professar livremente sua fé, se refere somente à religião verdadeira, à fé católica. De modo que se refere à liberdade de consciência das almas cristãs, não a uma “liberdade religiosa” simpliciter: uma liberdade que se aplica a todas as religiões (cf. Mons. Lefebvre e il S. Uffizio [Mons. Lefebvre e o Santo Ofício] Roma: ed. Volpe, tradução italiana D. Toppet Andalo, 1980 págs. 28-69). 11.1- O princípio de que a “verdade deve ser buscada [...] mediante a livre investigação, servindo-se do magistério ou da educação, da comunicação ou do diálogo, através dos quais uns expõem a outros a verdade que tenham encontrado [invenerunt] ou crêem ter encontrado”( Dignitatis Humanae 8), concernente à “lei divina, eterna, objetiva e universal [falta o adjetivo “revelada”; n. da red.] pela qual Deus ordena, dirige e governa o mundo e os caminhos da comunidade humana segundo o desígnio de sua sabedoria e de seu amor” (ibid.). Tal princípio faz consistir “a verdade em matéria religiosa” em algo que a consciência individual “encontra”, investiga com os “outros”, servindo-se “da comunicação e do diálogo” recíprocos, onde os “outros” (alii) não são apenas os outros católicos, mas os outros em geral, todos os homens, seja qual for sua crença. É significativo que tal investigação tenha por objeto a lei divina, eterna, objetiva, etc., posta por Deus em nossos corações, a lex eterna da moral natural, como fazem os deístas. Essa apresentação doutrinal contradiz abertamente o ensinamento tradicional segundo o qual “a verdade em matéria religiosa” (e em matéria moral) é, para o católico, uma verdade revelada por Deus e conservada no depósito da fé, guardado pelo magistério. Uma verdade que requer, exige, o assentimento de nossa inteligência e de nossa vontade (assentimento possível com a ajuda determinante da graça); uma verdade que exige reconhecimento e assimilação por parte do fiel. Ele não “encontra” a verdade com suas própria forças (não se fala da ajuda do Espírito Santo no texto conciliar), ou pior ainda, ele não a encontra numa investigação comum com os hereges, os não cristãos, os infiéis! Deste modo, o critério objetivo e tipicamente católico, segundo o qual a verdade em “matéria religiosa” é assim porque Deus a revelou, é suplantado pelo subjetivismo (de origem protestante e característico do pensamento moderno). Abrem-se assim, no catolicismo, as portas para uma “religiosidade” individual anômala, uma “religiosidade” da “investigação”, do “coração”, do “sentimento da humanidade”, da “consciência”, do “diálogo”, açucarada, falsa e melosa, à moda de Jean-Jacques Rousseau. 11.2- Uma noção da “consciência moral” minada de pelagianismo. Aqui se apóia a idéia da “verdade como investigação”, fundamento da “liberdade religiosa” propugnada pelo concílio. (v. supra 11) Com efeito, lê-se na Gaudium et Spes 16: “A fidelidade a esta consciência une os cristãos aos demais homens na busca da verdade para resolver com acerto os numerosos problemas morais que se apresentam ao indivíduo e à sociedade. Quanto maior for o predomínio da consciência reta, tanto maior a segurança para cada um e para a sociedade de afastar-se dos caprichos cegos e para submeter-se às normas objetivas da moralidade”. Trata-se de que verdade aqui? Certamente da verdade concernente à fé e aos costumes. Essa verdade não deveria proceder do ensinamento infalível da Igreja, da Tradição? Mas o concílio substitui a possessão segura da verdade de fé e de moral, estabelecida pelo magistério ao longo dos séculos, pela “investigação” da verdade em geral; substitui-a, pois, por algo indeterminado, conforme o espírito do século, que gosta, como sabemos, da “investigação”, da experiência, da novidade, do movimento perpétuo. Mais ainda, esta investigação deverá ser feita em união “com os outros homens”, e portanto em união com os não católicos e os não cristãos, com os que negam todas as verdades ensinadas pela Igreja, ou quase todas. Como poderia uma investigação de tal gênero chegar a resultados positivos para a fé? Nessa atmosfera, os “cristãos”, os católicos, terão que resolver ecumenicamente os problemas morais, dialogando com os homens que não crêem, em vez de aplicarem as regras transmitidas pela fé e pela moral da Igreja (o entendimento “com outros homens” provém de um equívoco: existem “normas objetivas da moralidade” que todos os “homens de boa vontade”, fiéis à consciência moral podem encontrar em comum). Como poderiam os católicos (para quem a indissolubilidade do matrimônio é dogma de fé) procurar junto com os protestantes e ortodoxos (que negam a indissolubilidade), uma norma moral comum para uma vida familiar sadia? Não mencionamos os que admitem a poligamia, o concubinato, o repúdio, o matrimônio temporario, (por um tempo préfixado, como no islã xiita.... Tamanho disparate é inconcebível. Mas o pior de tudo é o princípio que se assenta: as “normas objetivas” da moralidade não dependem da revelação, e sim da “consciência moral”, que “as encontra na investigação comum com os outros homens”(!). Como era de se esperar, o art. 16, de que nos ocupamos, se refere à “lei escrita por Deus em seu coração [do homem: in corde suo]”: esta lei é a raiz das “normas objetivas da moralidade”, aparentemente. Não obstante, não é a verdade revelada que faz essa lei emergir das profundezas, e sim a consciência (dialogante), elevada à autoridade determinante das normas morais. Reaparece aqui a sombra de Rousseau com sua “profissão de fé do vigário de Saboyant”, deísta e pelagiana. O texto conciliar precisa que “quanto maior for o predomínio da consciência reta, tanto maior a segurança para cada um e para a sociedade de afastar-se dos caprichos cegos e para submeter-se às normas objetivas da moralidade”(Gaudium et Spes 16). Para resistir ao “capricho cego” das paixões, das tentações, etc. não é necessária a ajuda da graça? Esta foi sempre a verdade católica, baseada na Tradição e nas Escrituras: sem a graça, sem a ajuda do Espírito Santo, não se consegue observar nem a moral natural, nem a revelada, que a aperfeiçoa. Mas o texto do concílio não faz a menor alusão à graça. A “conformidade”, com as “normas objetivas” da lei moral, impressa por Deus em nossos corações, depende agora exclusivamente da “retidão” da consciência que “investiga a verdade” em conjunto com os demais. Afirmam assim, que a “consciência moral” une os homens num plano acima das religiões positivas. A ala progressista do Vaticano II chega a afirmar que não possuímos ainda a “verdade”, nem sequer a que deve ser aplicada nas questões morais práticas. Essa verdade, segundo eles, não nos foi apresentada por um magistério infalível de dezenove séculos; ela deverá proceder do esforço comum a partir da consciência individual. É este o espírito do Vaticano II, tão discutido. 11.3- (A) Todos os homens gozam da prerrogativa de “exercer livremente a religião na sociedade desde que a ordem pública seja salvaguardada”; o contrário seria uma “injúria à pessoa humana e à ordem que Deus estabeleceu” (Dignitatis Humanae 3). (B) Deve-se permitir “às comunidades religiosas” o culto público do Numen Supremum (expressão que lembra o Ser supremo dos deístas e dos revolucionários, de Robespierre) com um único limite genérico, o mesmo de sempre: “que não se violem as exigências da ordem pública”(Dignitatis Humanae 4). Tais “comunidades” gozam do direito de não serem estorvadas pelo poder civil em sua autonomia organizacional e jurídica, ou em sua liberdade de movimentos (Dignitatis Humanae 4), e, mais importante, “não se proíba às comunidades religiosas de manifestarem livremente o valor peculiar de sua doutrina para a ordenação da sociedade e para a vitalização de toda atividade humana” (Dignitatis Humanae 4). Esse dois conceitos, (A) e (B), levam a concluir que, entre as “comunidades religiosas” inclui-se também o catolicismo, em plano de igualdade com as outra religiões. Para o concílio, o “valor peculiar” da religião revelada não a coloca acima das outras, não lhe outorga uma posição de supremacia absoluta sobre as outras, não reveladas(!). É o equivalente a afirmar que todas as outras religiões gozam do mesmo direito que a católica de manifestar publicamente seu culto, em franca contradição com a proposição do Sílabus, condenando tal direito. Trata-se de um grave desvio doutrinal, que confere ao erro os mesmos direitos da verdade única revelada e apaga, aos olhos dos fieis, toda a diferença entre a verdade e o erro, entre a luz e as trevas. De fato, a Igreja sempre ensinou a tolerar as religiões falsas – necessariamente em inferioridade de condições jurídicas em relação à única religião revelada -, por motivos circunstanciais, relativos à paz social e à ordem pública, com a reserva de que seu culto não contivesse aspectos imorais. E, de fato, o Papa sempre tolerou o culto hebreu em seus Estados e em toda a cristandade, protegendo-o contra excessos ou perseguições intermitentes. Tratava-se, entretanto, de tolerar um erro, não de conceder-lhe idêntica liberdade de manifestação como à autêntica verdade revelada. 11.4- O concílio equipara o catolicismo às “religiões” falsas: a liberdade religiosa que compete à Igreja católica é a mesma que há de conceder-se a todas as “comunidades religiosas” sem distinção. Isso se infere da frase seguinte: “Igualmente, reivindica a Igreja para si a liberdade, enquanto é uma sociedade de homens que têm direito de viver na sociedade civil segundo as normas da fé cristã (Pio XI, carta Firmissimam constantiam, 28 de março de 1937: AAS 29 (1937) p. 196)” (Dignitatis Humanae 13). A frase da Dignitatis Humanae 13 parece tirada desta carta de Pio XI, mas trata-se de um engano absurdo: o Papa limitou-se a expor um argumento ad hominem contra os Estados que negavam à Igreja até o direito de existência. O Vaticano II, pelo contrário, transforma este pedido de liberdade mínima e preliminar num princípio fundamental do direito público da Igreja, como se este devesse propugnar para a Igreja apenas uma liberdade de direito comum. “Como se a Igreja fosse uma associação comparável a outras quaisquer existentes no Estado” (Leão XIII, Enc. Immortale Dei, (1/11/1885): AAS, vol. V, págs. 118). O Vaticano incorre num grave erro doutrinal sempre condenado pelos Papas, pois nega a natureza superior da Igreja, uma societas perfecta, e seu necessário primado sobre as demais societas, ex sese imperfectae, que buscam o bem comum temporal para a “comunidade política”. Tal conduta constitui, além disso, um retrocesso incrível no plano histórico: em pleno século XX, a hierarquia pede que a religião católica, inclusive nos países em que é reconhecida como religião única do Estado, se reduza à mera condição de religio licita, com um culto permitido ao lado de todos os outros, como no tempo do edito de tolerância de Constantino, que pôs fim às perseguições (313 d.C.). 11.5- A afirmação errada de que “a liberdade da Igreja” (11.4) “é um princípio fundamental nas relações entre a Igreja e os poderes públicos e toda ordem civil” (Dignitatis Humanae 13). O princípio fundamental do direito público da Igreja tem sido, desde sempre, o que atribui ao Estado o dever de reconhecer a realeza social de Cristo (Leão XIII, Immortale Dei cit.; S. Pio X, Epístola sobre “Le Sillon”, 29/8/1910). Trata-se do oportet illum regnare (I Cor 15,25) nas relações entre Estado e Igreja, e no âmbito da sociedade. Um princípio que a hierarquia atual deixou cair no esquecimento. XII- Erros concernentes à interpretação do significado do mundo contemporâneo 12.0- O concílio atribui ao século XX questionamentos metafísicos sobre si mesmo e sobre seus maiores problemas: “Em nossos dias, o gênero humano, admirado de seus próprios descobrimentos e de seu próprio poder, faz freqüentes e angustiantes indagações sobre a presente evolução do mundo, sobre a missão do homem no universo, sobre o sentido de seus esforços individuais e coletivos, sobre o fim último das coisas e da humanidade” (Gaudium et Spes 3). Estes conceitos se repetem, por exemplo, em Gaudium et Spes 10: “[...] diante da atual evolução do mundo, são cada dia mais numerosos os que buscam nova penetração das questões mais fundamentais: Que é o homem? Qual é o sentido da dor, do mal, da morte, que ainda subsistem apesar de tantos progressos feitos?, etc.” Na realidade, quase ninguém naqueles anos se perguntava “que é o homem?”, nem esboçava problemas metafísicos tão profundos. O comunismo e seus aliados de esquerda (de todos os matizes) faziam ofensivas em todas as frentes. A União Soviética, a China de Mao Tsé Tung e Cuba eram os modelos. O marxismo fazia estragos nas universidades, nas escolas, em toda a cultura, inoculando, junto ao hedonismo propugnado pela sociedade de consumo (capitalista) e as subculturas emergentes (p. ex., a chamada “da droga” e a “hippie”) o espírito revolucionário que originou na Europa e na América os movimentos estudantis de 1966-1968 (seguindo o exemplo dos “guardas vermelhos” chineses –1966) menos de três anos depois do encerramento do concílio. Considerava-se que o problema do homem estava resolvido à luz da utopia revolucionária. O homem considerava-se produto do ambiente e da história: a inversão marxista da praxis colocaria as coisas em seu lugar, criando um homem novo, livre de todos seus defeitos, de todas as contradições. Os que buscavam definir o homem em sua individualidade, recorrendo às frágeis e confusas categorias do existencialismo e da psicanálise, achavam sempre no marxismo e na revolução social, a solução do problema do Homem. Este era “o humanismo” então dominante. Os anos cinqüenta foram aparentemente estáveis, mas já traziam em si os bramidos do hedonismo que apareceu logo após a I Guerra. Quanto aos anos sessenta, são lembrados hoje, por unanimidade, como a época da emancipação da mulher, da “liberação sexual”, do início de uma mentalidade generalizada no campo político, econômico e dos costumes. Tal mentalidade, percebe-se com facilidade, perdura até nossos dias. Foram os anos do “movimento estudantil” e da “impugnação” organizada e sistemática do princípio de autoridade em todas suas formas. A tempestade estava se armando quando começou o Vaticano II, e já se encontrava às portas quando ele foi concluído. Mas o concílio não percebia a tempestade. O que diz a Gaudium et Spes sobre os jovens? “A mudança da mentalidade e da estruturas provoca com freqüência um delineamento novo das idéias recebidas. Isto nota-se particularmente entre os jovens, cuja impaciência, e inclusive às vezes angústia, leva à rebelião. Conscientes de sua própria função na vida social, desejam imediatamente participar dela”. (Gaudium et Spes 7). De que modo a massa da juventude queria “imediatamente participar” da vida social verificar-se-ia logo depois, em menos de três anos. Para proteger a juventude das seduções do século, o concílio precisava de condenar as falsas doutrinas dominantes, desde o existencialismo à psicanálise, passando pelo marxismo. Mas, em vez disso, abandonou a distinção entre natureza e graça, elaborou a teoria de uma nova ordem “social” e “humana” – aberta a todos os valores do mundo, sem excluir as características do “humanismo” revolucionário – chamou os homens modernos de “homens novos” e “criadores de uma nova humanidade” (que cresce graças à afirmação dos “valores” do progresso e da liberdade do Homem – Gaudium et Spes 30, 39). Adotando uma visão naturalista do reino de Deus, o concílio contribuiu para as manifestações revolucionárias que eclodiram logo depois para contradizer o otimismo e o triunfalismo – que celebrava o homem e o mundo - do Vaticano II. Ao abdicar do bastião representado pela doutrina perene da Igreja e pela pastoral sadia, o concílio já contribuía para a revolução, tornando-se um componente do movimento revolucionário. 12.1- A afirmação surpreendente segundo a qual o homem “descobre” hoje “paulatinamente as leis da vida social [leges vitae socialis], e duvida da orientação que se lhes deve dar” (Gaudium et Spes 4). Gostaríamos de saber de que leis se tratam. A “vida social”, nos últimos anos do século XX, aproximou-se cada vez mais do espírito hedonista e anticristão, graças também aos grandes progressos da ciência e da técnica, e à conseqüente ampliação de um bem estar material sem precedentes. Seria isso o “descobrimento” progressivo das “leis da vida social”, pouco conhecidas até então? (pouco conhecidas também para o magistério da Igreja ao longo dos séculos, como é lógico supor?) Visto que o concílio se desfez em elogios ao desenvolvimento, ao progresso, às “conquistas da humanidade” (Lumen Gentium 36; Gaudium et Spes 5 34 e 39; etc.), e posto que a única coisa que lhe preocupava era que concorressem à unidade do gênero humano e que respeitassem os “direitos humanos” (Gaudium et Spes 4 cit.), temos que pensar que eram estes os valores encarnados nas “leis” paulatinamente “descobertas”, valores e leis que constituem as “leis da vida social”, em antítese com a realeza social de Cristo. Por outro lado, na década de sessenta do século XX não havia a menor sombra de “dúvida” sobre a orientação a ser dada à “vida social”: seu desenvolvimento mostrava no Ocidente uma tendência nítida à instalação da denominada sociedade de consumo, com todas suas engrenagens; as massas, seduzidas pelos slogans revolucionários, pressionavam os governos para que elas pudessem participar do banquete do bem estar, abundante como jamais se imaginara. Para quem ainda lembra bem daqueles anos, a seguinte frase soará mais falsa do que Judas: “Afetados por tão complexa situação, muitos de nossos contemporâneos dificilmente chegam a conhecer os valores permanentes e a analisá-los com exatidão, relacionando-os com os novos descobrimentos. A inquietude os atormenta, e se perguntam entre angústias e esperanças, sobre a atual evolução do mundo” (Gaudium et Spes 4 cit.). O único meio autêntico, a única angústia verdadeira no Ocidente, Oriente Médio e Ásia era provocada pelo comunismo, por causa do poderio militar da União Soviética e da China e de sua ação subversiva em escala mundial. Os partidos comunistas trabalhavam insidiosamente nos países em que tinham chegado a ser fortes (Itália, p. ex.), fazendo chantagem permanente de guerra civil, impedida – era essa a impressão geral – somente pela presença militar da OTAN e dos EUA. 12.2- A perspectiva equívoca de “purificar” os valores do mundo para levá-los a Cristo: “O concílio se propõe a julgar sob esta luz os valores que hoje desfrutam da maior consideração e a devolvê-los à sua fonte divina. Estes valores, procedendo da inteligência que Deus deu ao homem, têm uma bondade extraordinária [valde boni sunt], mas, devido à corrupção do coração humano, sofrem com freqüência desvios contrários a sua devida ordem. Por isso necessitam purificação”(Gaudium et Spes 11). De que “valores” se tratam? Gaudium et Spes 39 refere-se a eles, ao tentar nos fazer crer (cf. supra 6 seção) que os encontraremos “purificados”, no reino de Deus (“reencontrá-los-emos limpos de toda mancha, iluminados e transfigurados”): a “dignidade humana, a união fraterna e a liberdade”, que se subordinam às exigências do “progresso universal na liberdade humana e cristã” (Lumen Gentium 36 cit.) Façamos algumas observações: 1) não é verdade que tais valores laicistas possuam “uma bondade extraordinária”. O ideal puramente laicista do progresso, que inclui a noção de uma educação puramente racional do gênero humano e exalta a felicidade e o bem estar terrenos, é profundamente anticristão. Portanto não pode ser bom nem ótimo; tampouco podem sê-lo a “dignidade humana”, a “fraternidade universal” ou “a liberdade”, pois todas três integram o famoso lema da Revolução Francesa e constituem, por isso, “direitos humanos” concebidos sob o influxo do deísmo e do racionalismo característicos da filosofia maçônico-iluminista, que inspirou as célebres Cartas de Direito, as dos chamados “Princípios Imortais”. 2) a afirmação segundo a qual tais valores são “bons”, mas “sofrem com freqüência de desvios contrários a sua devida ordem”, é fruto de um erro difundido entre os católicos liberais e seus herdeiros, os modernistas e neomodernistas, que afirmam que tais valores “são o desenvolvimento das idéias cristãs que não foram reconhecidas como tais” (Romano Amerio, Iota Unum, Salamanca, 1996, 21). De fato, a liberdade, a igualdade e a fraternidade laicistas são uma distorção de seus homônimos cristãos, porque provêm de uma visão do mundo baseada somente no homem enaltecido e soberbo. Esses valores se contrapõem ex sese a seus homônimos cristãos. Na verdade: a) a liberdade do cristão é interior e vem da fé em Cristo (Jn 8, 31-32); nada tem a ver com a liberdade como autodeterminação absoluta do indivíduo em todas suas escolhas, alheio a toda lei, a qualquer coação (libertas a coatione). É este o fundamento da democracia contemporânea e dos chamados “direitos humanos”. É a esta liberdade laicista que o concílio faz referência ininterruptamente. b) que todos sejamos irmãos (a fraternidade universal) é compreensível desde o ponto de vista cristão, porque todos procedemos de nosso criador, Deus Pai. Tal fraternidade pressupõe a fé na Santíssima Trindade e se alimenta de amor ao próximo (amado, entretanto, por amor a Deus, não por sua presumida “dignidade humana”, já que nascemos manchados pelo pecado e somos todos pecadores) (v. supra, 5 seção). Daí que a fraternidade cristã não tem nada a ver com a fraternidade política, fundamentada na ideologia igualitária que vem assolando o mundo desde a Revolução Americana e a Francesa, fundamento da democracia contemporânea. c) a mesma análise (b) convém para a “igualdade política” laicista, que nada tem em comum com a igualdade cristã (isto é, de todos nós, pecadores, frente a Deus e frente às promessas de Nosso Senhor, graças às quais somos todos “co-herdeiros” potenciais do reino (Ef 3, 6)). A liberdade, a igualdade e a fraternidade são, no sentido cristão, valores principalmente religiosos, fundados na verdade revelada. Os mesmos valores segundo o mundo são principalmente políticos, fruto do deísmo e do racionalismo iluminista, de uma visão de mundo conscientemente hostil ao cristianismo. Por isso a intenção do concílio de “purificá-los” não tem sentido. “Purificar” como? O concílio, para estar em harmonia com o ensinamento de sempre, deveria condená-los e contrapô-los à concepção autenticamente cristã dos mesmos. Na realidade, não houve “purificação” alguma: o que ocorreu foi a falsificação da doutrina da Igreja mediante sua adaptação a estes valores do mundo. E isso sucedeu graças à adoção de um conceito espúrio do homem, de sua “dignidade”, de sua “vocação”, tirado de uma noção doutrinalmente desviada da Encarnação e da Redenção (v. supra, 5 seção cit.). Um conceito do homem que, em vez de ser “purificado” de sua origem laicista, introduz o “humanismo” do pensamento revolucionário na doutrina da Igreja. 12.3- O apreço injustificado pelos “direitos humanos” desde a época do concílio: “O homem contemporâneo caminha hoje rumo ao desenvolvimento pleno de sua personalidade e rumo ao descobrimento e à afirmação crescentes de seus direitos [...] A Igreja, pois, em virtude do evangelho que lhe foi confiado proclama os direitos do homem [iura hominum], reconhece e muito estima o dinamismo da época atual, que promove tais direitos por todas partes. Devemos conseguir, entretanto, que este movimento fique imbuído [imbuendus] do espírito evangélico e preservado de qualquer aparência da falsa autoridade [pela lei divina; n. da red.]” (Gaudium et Spes 41). Sabemos que os chamados “direitos humanos” não são os “direitos naturais” admitidos pela Santa Igreja. De fato, estes últimos vêm de Deus e os primeiros vem do homem: baseiam-se na idéia (não cristã) da auto-suficiência e da perfeição intrínseca do homem enquanto homem, antes do pecado original. “O gênero humano é governado por duas leis: o direito natural e o costume. Direito natural é o que está contido nas Escrituras Sagradas e no Evangelho” (S. Th. IIª; q. 94, a.2): um preceito ético de origem divina, compreendido pela recta ratio. É este o fundamento da observância do Decálogo e de todas as relações jurídicas naturais e positivas, até o ponto em que cada um dos direitos (iura) deve ter por objeto “o que é justo” (ius est objectum iustitiae, S. Th. IIª IIª, q. 57, a.1) ( Justo segundo a ordem moral estabelecida por Deus – pela lex eterna e divina – e confirmada pela revelação e o ensinamento da Igreja, não segundo as opiniões pessoais e os desejos dos homens). Os chamados “direitos humanos”, pelo contrário, são aspirações subjetivas e universais relativas à aquisição e ao gozo de tudo que o sujeito (o Homem) deseja por considerá-lo conforme a sua dignidade de indivíduo (auto-suficiente moral e intelectualmente, capaz de determinar por si o justo e o bom). Entre estes “direitos” figura, em primeiro lugar, o direito à felicidade, sancionado na Declaração da Independência dos Estados Unidos da América. Sua reivindicação adota amiúde formas extremistas, facciosas, francamente violentas que expressam a vontade de poder individual e coletiva, característica da incivilidade e da corrupção de nosso tempo. De que maneira o concílio “persuadiu” o movimento em prol dos direitos humanos a se curvar diante do Evangelho? Ratificando os ensinamentos da Igreja sobre a lei e o direito naturais? Nem sombra disso! Quis, pelo contrário, colocar os chamados “direitos humanos” numa plataforma ideológica católica. E fez isso ao proferir que a dignidade humana é altíssima e sublime porque deriva, em primeiro lugar, da união com Cristo de todo homem em virtude da Encarnação e em segundo lugar, do fato de que a Redenção se verificou para todos no passado: “mas só Deus, que criou o homem à sua imagem e o redimiu do pecado [atque a peccato redemit], é quem pode dar resposta cabal a estes problemas [os traçados pelo desenvolvimento da personalidade dos direitos humanos; n. da red.] [...] O que segue a Cristo, homem perfeito, se faz também mais homem [et ipse magis homo fit]” (Gaudium et Spes 41 cit.) (mas não foi revelado que os que seguem Nosso Senhor, em fé e obras, recebem a potestatem filios Dei fieri [poder de converter-se em filhos de Deus] (Jn 1,12)? Agora nos dizem, ao contrário, que os seguidores de Cristo se tornam “mais homens”! Se isto não é sinal de inversão doutrinal, o que poderá ser? Note-se bem: o concílio, em vez de combater a idéia errônea da dignidade superior do homem enquanto homem, reforça-a, atribuindo ao homem enquanto tal, a todo homem, uma redenção objetiva e anônima por obra de Cristo! De modo que não é o movimento em prol dos “direitos humanos” que se “imbui” do espírito evangélico: este último, tal como o interpreta a ala progressista do concílio, é que se imbui do espírito destrutivo dos movimentos pró “direitos humanos”. 12.4- A estima e apreço que se tem pela cultura, identificada com a noção neo-iluminista e cientifista. Na época do concílio exaltava-se a “conquista do cosmos”; e o Vaticano II passou a elogiar também a cultura de massas, então emergente, como “humanismo” novo: “Com a expressão “cultura”, em geral, indica-se tudo aquilo com que o homem aperfeiçoa e desenvolve suas inúmeras qualidades espirituais e corporais; procura submeter o orbe terrestre com seu conhecimento e trabalho; torna mais humana a vida social, etc.”, e se propõe como fim último servir “de proveito a muitos; mais ainda, a todo o gênero humano” (Gaudium et Spes 53). O concílio vê com satisfação a emergência de “uma forma de cultura mais universal”, que, com a contribuição da “cultura de massas”, “promove e manifesta a unidade do gênero humano” (Gaudium et Spes 54). Segundo eles, está nascendo um “novo humanismo” à altura da “tarefa que nos foi imposta de edificar um mundo melhor na verdade e na justiça”(Gaudium et Spes 55). Parecem frases tiradas das atas ou dos cartazes de qualquer sociedade mazziniana do passado. Impossível imaginar uma valorização mais errônea, mais afastada da realidade que esta. Considerar a “cultura de massas” como promovedora de um novo humanismo! (ela, que tem sido a “encarnação” da barbárie de nossos tempos! Ela, a responsável pela destruição de toda a cultura verdadeira, conduzindo-nos ao triste predomínio do “politicamente correto”!) E chegamos ao domínio da pastoral. Que devem opor os católicos a esta “cultura” laicista? A visão do mundo da tradição católica, fundada no sobrenatural? De modo algum, porque “há de se desenvolver hoje a cultura humana de tal modo, que cultive equilibradamente a pessoa humana íntegra...” (Gaudium et Spes 56). A “cultura” nova é antropocêntrica. E os católicos devem abrir-se a essa cultura, cooperar com ela, levando em conta a “importância da obrigação que lhes cabe de trabalhar com todos os homens na construção de um mundo mais humano”(Gaudium et Spes 57). Deverão lutar por uma cultura “em conformidade com a dignidade da pessoa, sem distinção de origem, sexo, nacionalidade, religião, ou situação social” (Gaudium et Spes 60). Trata-se do tipo de cultura programado pela ONU e suas instituições, na qual desaparecem as caracteristicas da nação catolica de cultura. O concílio assegura que deve-se aspirar “ao homem universal”, educado mediante a “cultura universal”. Por isso os cristãos devem “infundir o espírito humano e cristão” “nas atividades culturais coletivas próprias do nosso tempo” (Gaudium et Spes 61). Essas idéias repetem-se nos textos do concílio: Lumen Gentium 36 afirma que os fiéis seculares devem cooperar “com o progresso universal na liberdade humana e cristã”. Põe-se “humana” e “cristã” no mesmo plano. Aliás, o “humano” fica acima do “cristão”, porque o diálogo com o mundo fundamenta-se obviamente nos valores humanos, aos quais devem adaptar-se os valores cristãos. O decreto sobre o apostolado dos leigos (Apostolicam Actuositatem 27) assegura que os valores comuns (humanos) exigem também não poucas vezes a cooperação “com quem não leva o nome de cristão, mas reconhece estes valores”. Os valores comuns hão de unir os homens num nível acima das religiões, como propõe a “religião da Humanidade”. 12.5- O apreço pelo “direito à informação”, quer dizer, “à obtenção e divulgação de notícias”, baseado numa valorização utópica de suas vantagens: “o intercâmbio público de notícias sobre fatos e coisas facilita aos homens um conhecimento mais amplo e contínuo da atualidade, de modo que possam contribuir eficazmente ao bem comum e ao maior progresso de toda a sociedade humana” (Inter Mirifica § 5). A experiência encarregou-se de demonstrar que nada disso corresponde à verdade: o bombardeio quotidiano de notícias de todo tipo por parte dos meios de comunicação de massa não produziu absolutamente “um conhecimento mais amplo e contínuo da atualidade”, capaz de “contribuir eficazmente ao bem comum e ao maior progresso da sociedade humana”. Pelo contrário, produziu uma espécie de saturação mental e a conseqüente tendência generalizada ao debilitamento da capacidade de discernir, de compreender efetivamente o significado dos fatos, esquecidos com a mesma rapidez com que são aprendidos. Desde o tempo do concílio começou-se a compreender que o circo planetário da informação é uma grande fábrica de nada. 12.6- A valorização otimista do homem (como se sua inteligência e sua vontade não estivessem feridas pelo pecado original), que aparece em quase todos os artigos da Gaudium et Spes, carece de qualquer conexão com a realidade, porque volta a propor a idéia não cristã e utópica de um homem bom por natureza, de um gênero humano naturaliter cheio (até transbordar!) dos melhores sentimentos. O homem da Gaudium et Spes (4-11) exerce as atividades de sua inteligência e vontade com suas próprias forças, investiga os sinais dos tempos e perscruta-se para compreender e conquistar a natureza, toma consciência de sua dignidade, de seus “direitos” limitados pelas “contradições” provocadas pelo desenvolvimento social. Nunca se diz que há também nele uma tendência radical ao mal, que obscurece seu juízo e desvia sua vontade, razão pela qual não pode haver um juízo claro nem uma vontade reta sem a ajuda da graça (“sem mim nada podereis fazer”: Jn 15,5). O sobrenatural não é mencionado porque está excluído de fato do “humanismo” propugnado pelo Vaticano II, cujo otimismo pinta uma imagem açucarada, retórica e falsa do homem e de suas aspirações. Fica claro nesta passagem: “as pessoas e os grupos sociais estão sedentos de um vida plena e de uma vida livre, digna do homem, pondo a seu serviço as imensas possibilidades que lhes oferece o mundo atual” (Gaudium et Spes 9). Uma imagem tão edificante, tão “politicamente correta”, das reivindicações individuais e sociais, efetuadas em nome dos “direitos humanos”, esquecendo a realidade, o fato de que, além de “uma vida plena e uma vida livre” (expressão vaga), as pessoas e os grupos sociais aspiram ao poder, ao domínio sobre os outros, ao gozo, ao prestígio, ao comando, à vingança das ofensas sofridas, reais ou presumidas. Por outro lado, vida “livre” e “plena” para o católico é a satisfação das reivindicações materiais? Ou é o cumprimento pleno da vontade de Deus, segundo os ensinamentos de Nosso Senhor, uma vida que não é “livre” nem “plena” aos olhos do mundo, e sim aos olhos de Deus? A visão otimista do homem induz o concílio a dar uma definição não católica do homem universal ou “pessoa humana integral”: “cada homem tem o dever de conservar o conceito de pessoa humana integral, no que se destacam os valores da inteligência, vontade, consciência e fraternidade; todos baseados em Deus criador, saneados e elevados maravilhosamente em Cristo” (Gaudium et Spes 61). Ao texto falta consistência lógica, porque a inteligência, a vontade e a consciência são faculdades do homem antes de serem valores, enquanto que a fraternidade não pode ser mais que um valor. Tudo isso é posto no mesmo plano. Mas onde está o valor cristão por excelência, a caridade? Onde a humildade, a obediência, o espírito de sacrifício, o desejo de agradar a Deus em tudo? Afirma-se de novo que Jesus veio “elevar” o homem, “saneando” suas qualidades, quer dizer, limpando-as de toda imperfeição. Ele, pelo contrário, não se encarnou para exaltar nossas qualidades, e sim para curar nossas enfermidades, a fim de que pudéssemos limpar nossas almas pela fé n’Ele: “não vim chamar os justos mas os pecadores” (Mc 2,17). 12.7- A interpretação do processo histórico em curso como uma tendência à unidade do gênero humano (cf. supra 2,7), no fim do qual se dissolveriam as nações: “A própria história está submetida a um processo de aceleração, impossível de não ser seguido. O gênero humano participa da mesma sorte e já não se dispersa em várias histórias distintas” (Gaudium et Spes 5: Consortionis humanae sors una efficitur et non amplius inter varias velut historias dispergitur). Esta asserção conciliar em relação à “filosofia da história” foi confirmada? À primeira vista parece que sim, neste annus Domini de 2002. Algumas precisões, entretanto, se fazem necessárias: 1) A unificação sócio-econômica do gênero humano estava tomando corpo graças ao desenvolvimento material da ciência, da técnica e da economia, com o concurso da cultura de massas. Um desenvolvimento que hoje parece ter desembocado numa espécie de forma econômica universal representada pelo chamado “mercado global”, pelo capitalismo em sua pior forma, ultraliberal e especulativa. É um monstro econômico e financeiro que nenhum Estado consegue controlar. 2) A forma política universal deste processo (uma vez esgotada a utopia comunista) consolidou-se na democracia de massas, a dos “direitos humanos”, corrupta e corruptora, que gravita sobre nossos ombros da maneira que sabemos, inimiga de todas as verdades do cristianismo. 3) Trata-se de um processo artificial, provocado conjuntamente pela avidez humana levada ao extremo, pela política de poder de certas nações e pela adesão da Igreja às idéias do século e não pelo desejo natural dos povos, não pelas exigências políticas e econômicas objetivas. 4) Tal processo, com todos seus males, estava ainda em estado embrionário no início da década de sessenta, dominado pelo dualismo democracia x comunismo e pela contraposição frontal dos chamados “blocos”. Se o concílio tivesse condenado este processo, é quase certo que este não teria atingido as dimensões quantitativas e qualificativas de hoje. De fato, a adesão por parte da hierarquia contribuiu poderosamente à denominada “unificação do gênero humano”. A Igreja “conciliar” converteu-se hoje num dos fatores que concorrem para manter a artificial “unidade” do gênero humano. 5) Esta unidade é apenas aparente, o que se demonstra pelo fato de que o islã, enriquecido com o petróleo, renovou seu ímpeto ofensivo em escala mundial, penetrando solidamente em muitos países (os europeus em particular), nos quais implantou colônias fortes, compactas e agressivas. O dualismo político da época dos “blocos” renovou-se de maneira mais insidiosa, com o inimigo intra muros, sem declarações de guerra, ou melhor, sob as bandeiras da paz, da unidade e dos “direitos humanos”. O islã, que identifica religião e política, é constitucionalmente impermeável a toda forma de democracia, e considera seu dever “religioso” conquistar o mundo todo para Alá e Maomé. Por outro lado, o gênero humano “unificado” na paz, no progresso material, na democracia, é um gênero humano aberto, como nunca foi no passado, à conquista islâmica (sem excluir a hipótese de um regresso súbito do comunismo, dado o caráter ambíguo da adesão da Rússia à “democracia”). 6) A constatação, aparentemente verdadeira, da inviabilidade de diversificação do gênero humano “em várias histórias dispersas”, não corresponde à realidade. Sob o ponto de vista católico, a Igreja tem o dever de preocupar-se antes de tudo com nações e sociedades católicas, de defender sua individualidade, no plano dos princípios e da política. Decorre daí a obrigação da Igreja de procurar que sua história seja tão “diferente” quanto possível da história do resto do mundo que lhe é hostil. Em outras palavras: a defesa da individualidade nacional católica exige o reconhecimento do direito a uma história “diversa”. Para dar um exemplo, no Antigo Testamento Deus onipotente garantiu sempre esse direito a Israel que, apesar de frágil e pequeno, quando observava os divinos mandamentos nunca era vencido pelos inimigos. A defesa da individualidade católica também exige o direito de se construir uma sociedade segundo os princípios do cristianismo, direito que o concílio ignora abertamente porque optou pela sociedade “pluralista” (Gaudium et Spes 75; Gravissimum Educationis 67). XIII - A pastoral equivocada na reforma da liturgia sagrada 13.0- A ordem de revisar os livros litúrgicos o “quanto antes”, inclusive as rubricas relativas à participação dos fiéis (Sacrossantum Concilium 25) ainda que no artigo 23 tenha-se recomendado certa prudência: “[...] não se introduzam inovações se não o exige uma utilidade verdadeira e certa na Igreja, e só depois de ter tido a preocupação de que as novas formas se desenvolvam, por assim dizer, organicamente, a partir das já existentes [processo que exige um longo tempo; n. da red.] 13.1- A exortação que dá preferência à celebração comunitária dos ritos: “Sempre que os ritos, cada qual segundo sua natureza própria, admitam uma celebração comunitária com assistência e participação dos fiéis, esta deverá ser preferida a uma celebração individual e quase privada”, sobretudo para a Santa Missa e os sacramentos (Sacrossantum Concilium 27.5). Nesta desvalorização da “celebração individual e quase privada” pulsa um eco da hostilidade de Lutero contra as “missas privadas” (v. supra 3.5). 13.2- Todos os artigos que incitam a adaptar os ritos (através de experiências e criatividade) às línguas vernáculas, à mentalidade e à cultura modernas (e, conseqüentemente, ao espírito do século), aos costumes nacionais e locais, ou que ressuscitam formas arcaicas dos mesmos (Sacrossantum Concilium 24 e 36 (parág. 243), 37, 38, 39, 40, 44, 50, 53, 54, 63, 65, 67, etc.; 77, 79, etc.; 90, etc.; 101, 119, 120, 128) (v. supra 3.5). 13.3- O convite a incrementar o número de casos em que se pode conceder a comunhão sob as duas espécies (Sacrossantum Concilium 55). 13.4- A extensão da faculdade de concelebrar, prática litúrgica reservada a algumas cerimônias particularmente solenes (especialmente em ordenações sacerdotais) e que necessita ainda de exames mais detalhados (veja-se Denz. 3928: Decreto do Santo Ofício de 23/5/1957), junto com a ordem de compor um novo rito (Sacrossantum Concilium 57 e 58). 13.5- A mitigação da severa proibição da communicatio in sacris com os “ortodoxos” ou “orientais” cismáticos (Orientalium Ecclesiarum 26 a 29) e com os “irmãos separados” em geral (Unitatis Redintegratio 8). 13.6- A concessão ao bispo da faculdade de regulamentar a disciplina da “concelebração” em sua diocese (Sacrossantum Concilium 57, parágrafo 1, 2 e 2,1). 13.7- A faculdade de celebrar a Santa Páscoa no mesmo Domingo que celebram os “ortodoxos” cismáticos, segundo seu calendário, “para fomentar a unidade entre cristãos da mesma região ou país” (Orientalium Ecclesiarum 20). 13.8- “Aos orientais separados [os chamados “ortodoxos”] que, movidos pelo Espírito Santo, se aproximem da unidade católica, não se lhes exija mais do que a simples profissão de fé católica” (Orientalium Ecclesiarum 25). XIV - A má pastoral no estudo e no ensinamento da doutrina 14.0- A atribuição aos bispos do poder de controlar as versões em vernáculo da Santa Bíblia (em vez de reservar tal poder à Santa Sé (Sacrossantum Concilium 36, parágrafo 4; Dei Verbum 25). 14.1- A seguinte ordem: “Nas celebrações sagradas deve haver leituras da Sagrada Escritura mais abundantes, mais variadas e mais apropriadas [abundantior, varior et aptior]” (Sacrossantum Concilium 35; cf. Sacrossantum Concilium 51). A ordem que prescreve a todos os fiéis um contato direto e grande com o texto sagrado. “É conveniente que os cristãos tenham amplo acesso à Sagrada Escritura” (Dei Verbum 22; cf. Dei Verbum 25). Trata-se de ordens contrárias a todo o ensinamento precedente que, contra protestantes e jansenistas, havia sempre cercado de cautela tais leituras. Muitas passagens do Antigo e do Novo Testamento dão margem a interpretações errôneas e a Igreja prudentemente confiava os textos à mediação da liturgia, da catequese, da homilia (Denz. 1429: Clemente XI ao condenar Quesnel; Denz 1567: Pio VI, Auctorem Fidei). 14.2- A exortação para que se traduzam os textos sagrados “com a colaboração dos irmãos separados” (Dei Verbum 22 cit.). 14.3- A ordem para que se façam “edições da Sagrada Escritura para uso também dos não cristãos, munidas de notas convenientes e adaptadas às suas condições” (Dei Verbum 25 cit.). 14.4- A exortação para que se promovam “reuniões mistas destinadas ao estudo de questões teológicas sobretudo onde cada um possa tratar os demais de igual para igual” (Unitatis Redintegratio 9). 14.5- Os artigos 12 e 24 da Unitatis Redintegratio, que obrigam à “cooperação” e iniciativas “conjuntas” com os irmãos separados (e com todos os homens), elevando essas atitudes à categoria de princípios gerais de pastoral. 14.6- A exortação para usar as ciências profanas na pastoral, “visto que os mais recentes estudos e descobertas científicas, históricas e filosóficas (quais eram, no entanto, durante o concílio, estas “novas descobertas” no campo da história e da filosofia? Ardemos em desejo de conhecê-las; n. da red.) suscitam novos problemas, que trazem conseqüências práticas e reclamam novas investigações teológicas [...]. Tem-se de reconhecer e empregar suficientemente no trato pastoral não só os princípios teológicos, mas também as descobertas das ciências profanas, sobretudo em psicologia e sociologia, levando os fiéis a uma vida de fé mais pura e mais madura (também gostaríamos de ter notícia das “descobertas” nestes últimos campos; n. da red.)” (Gaudium et Spes 62). XV - A má pastoral na formação dos religiosos, seminaristas, sacerdotes e no ministério episcopal 15.0- “A renovação adequada da vida religiosa traz ao mesmo tempo, por um lado, a volta às fontes de toda vida cristã e à inspiração primitiva dos institutos, e por outro, a adaptação destes às diversas condições dos tempos” (Perfectae Caritatis 2). Temos pois, ao mesmo tempo, a “inspiração primitiva” dos institutos religiosos e sua adaptação às diversas condições dos tempos, que hoje são as do mundo moderno secularizado, de cultura laicista, etc. (vide supra, nos “Exemplos de ambigüidades e contradições contidos nos textos do concílio”, que figuram na introdução desta sinopse). Acaso pode o Espírito Santo soprar simultaneamente em duas direções opostas; uma boa e outra má? 15.1- “A norma da vida, de oração e de trabalho, estará em consonância com as condições físicas e psíquicas atuais dos membros e, segundo o caráter de cada instituto, com as exigências da cultura e com as circunstâncias sociais e econômicas, em todas as partes, sobretudo nas missões [...]. Portanto revisem-se adequadamente as constituições, diretórios, livros de preces, de cerimônias e outros semelhantes, e adaptem-nos aos documentos deste sagrado concílio, suprimindo todo o antiquado” (Perfectae Caritatis 3). Como qualquer um pode ver, trata-se de uma ordem para aniquilar o passado. 15.2- Os princípios e diretrizes expostos devem aplicar-se também aos institutos consagrados puramente à vida contemplativa (Perfectae Caritatis 7). 15.3- Aos membros da “vida religiosa leiga” exorta-se igualmente “a acomodarem suas vidas às exigências modernas” (Perfectae Caritatis10). 15.4- Os superiores das ordens religiosas devem “dirigir seus súditos [...] com respeito à pessoa humana, promovendo sua subordinação voluntária” (Perfectae Caritatis 14). E se em certos casos a subordinação não quiser ser voluntária? Que farão os “superiores”? 15.5- A clausura papal para os religiosos de vida puramente contemplativa “deve adaptar-se às condições de tempo e lugar, suprimindo, depois de escutados os desejos dos próprios mosteiros, todos os costumes antiquados” (Perfectae Caritatis16). 15.6- E aqui está o artigo que formaliza a penetração do espírito do século nos conventos e mosteiros: “Mas para que esta adaptação da vida religiosa às exigências de nossos tempos não seja meramente externa [sit mere externa] [os religiosos] [...] devem instruir-se convenientemente, segundo a capacidade intelectual e a índole pessoal de cada um, sobre os costumes reinantes, as normas de sentir e pensar da vida social moderna [!]”. E a coisa não pára aí: “Esforcem-se toda a vida os religiosos em aperfeiçoar cuidadosamente esta cultura espiritual, doutrinal e técnica, e os superiores empenhem-se em fornecer-lhes, com todos os meios, as ajudas e o tempo necessários” (Perfectae Caritatis18). 15.7- O exercício do apostolado dos institutos e mosteiros sui iuris deve situar-se entre “as conferências ou conselhos de superiores maiores erigidos pela Santa Sé” e as “as conferências episcopais” (Perfectae Caritatis 23), subtraindo-se assim ao controle efetivo da Santa Sé. Além disso, “conferências dessa índole podem estabelecer-se também para os institutos seculares”(ibid.). 15.8- Visto que “o uso correto dos instrumentos de comunicação social [...] requer uma formação e uma experiência apropriadas, [...] as iniciativas que estejam aptas para conseguir este fim devem ser favorecidas, multiplicadas e direcionadas [...] nas escolas católicas de qualquer grau, nos seminários e nas associações seculares (Inter Mirifica 16). 15.9- “Não se podendo dar senão leis gerais para tamanha diversidade de povos e de regiões, estabeleçam-se em cada nação ou rito “normas peculiares de formação sacerdotal”, que serão promulgadas pelas conferências episcopais, revistas em tempo determinado e aprovadas pela Sé Apostólica. De acordo com tais normas, as leis universais se acomodarão às circunstâncias especiais de lugar e tempo” (Optatam Totius, 1). Essa norma priva a Santa Sé da regulamentação efetiva da formação sacerdotal: a Santa Sé se vê forçada a acatar tudo que for aprovado pelas conferências episcopais. O princípio, repetido no artigo 2 do decreto Optatam Totius, enuncia que a formação sacerdotal deve ser feita inteiramente “conforme as condições dos lugares”. 15.10- A Obra Pontifícia das Vocações Sacerdotais deve servir-se também “de todos os meios úteis oferecidos pelas ciências psicológicas e sociológicas” (Optatam Totius 2). A psicologia moderna não crê na existência da alma, nem na do espírito, nem na da consciência, que é reduzida a uma função psíquica do corpo. Por outro lado, o “cientificismo” da sociologia é só de tipo descritivo: não aprofunda nada. O certo é que estas ciências estavam na moda nos tempos do concílio, e por isso impressionavam os “novos teólogos”. 15.11- “Convém que os estudos sejam organizados [nos seminários menores] de modo que os alunos possam continuá-los em outros lugares sem prejuízo, caso mudem de gênero de vida” (Optatam Totius 3). 15.12- Nos seminários, “as normas da educação cristã [...] sejam convenientemente completadas com as últimas descobertas da sã psicologia e pedagogia”(Optatam Totius II; ver também Optatam Totius 20). Cabe observar que deveria ter sido mostrada, pelo menos, a pressuposta conformidade da pedagogia atual com os princípios do catolicismo. 15.13- “Antes que os seminaristas comecem os estudos propriamente eclesiásticos, devem adquirir uma formação humanística e científica semelhante à que os jovens de seu país necessitam para iniciar seus estudos superiores”(Optatam Totius 13). Mas os que entram no seminário o fazem porque desejam tornar-se sacerdotes, não pessoas cultas no sentido do mundo. Não constitui um obstáculo para a vocação, a cultura profana atual? Não cabe aos seminaristas adaptar-se a tal cultura, mas ela é que deve adaptar-se a eles, na medida do possível e em doses convenientes . 15.14- “Devem-se ensinar as disciplinas filosóficas [no seminário] [...], levando-se em conta as investigações filosóficas modernas [...], de forma que os alunos, levando em consideração a índole da época presente, se preparem para dialogar oportunamente com os homens de seu tempo”[note-se: para “dialogar”, não para converter]. A história da filosofia deve ser ensinada de modo que os alunos, ao mesmo tempo que captam os primeiros princípios dos vários sistemas, retenham o que neles se vê de verdadeiro e possam descobrir as raízes dos erros e rebatê-los”(Optatam Totius 15). Duas considerações nos permitirão enxergar os erros dessa pastoral: 1) Exige-se o conhecimento do pensamento moderno não para converter as almas a Cristo, mas para facilitar o diálogo com o mundo. 2) Os seminaristas deverão somente conhecer bem a “índole da época” presente, separando nela o bem do mal para poder apreciar o primeiro. Daí que, no campo da filosofia, devem ser capazes de reter, no meio dos diferentes sistemas filosóficos, “o que neles se vê de verdadeiro”, distinguindo-o do falso, e de “descobrir” nada menos que “as raízes dos erros e rebatê-los”. Isto é encomendar a simples seminaristas uma tarefa superior a suas forças. Não é fácil refutar com as próprias forças os erros do pensamento moderno, um pensamento inimigo de todas as verdades fundamentais do cristianismo; é mister para isto possuir uma mentalidade especulativa e uma vasta cultura, o que está ao alcance de poucos. Além disso, o erro na filosofia mistura-se com verdades, é exposto de maneira apropriada, articulada e até intelectualmente fascinante. Sua refutação deveria ser confiada aos docentes, não às débeis forças dos seminaristas em nome de uma noção absurda da liberdade pessoal. Como quer que seja, são patentes, no artigo que comentamos, as perversas intenções da “Nova Teologia”, completamente fascinada pelo pensamento moderno, que conseguiu ser introduzido nos seminários para corromper a formação tomista tradicional do clero, ainda que esta seja mantida nominalmente. 15.15- “Mas como a instrução doutrinal não deve tender unicamente à comunicação de noções, mas à formação verdadeira e interior das almas, serão revisados os métodos didáticos...” (Optatam Totius 17). A didática anterior era mera comunicação de noções... Trata-se de uma acusação com fundamentos? Não nos parece, de modo algum. A acusação constitui característica de quem se dispõe a subverter até as raízes de um método didático: uma acusação típica da pedagogia moderna, voltada continuamente para a experiência e a reforma, inimiga declarada do exercício da memória e do conhecimento sistemático. 15.16- (Os presbíteros ou sacerdotes) “respeitem com cuidado a justa liberdade que todos têm na cidade terrestre [parece proibição explícita às conversões]. Escutem com gosto os leigos [...] a fim de reconhecer juntamente com eles, os sinais dos tempos. Examinando os espíritos para ver se são de Deus (I Jo 4, 1), descubram com o sentido da fé os multiformes carismas dos leigos, tanto os humildes como os elevados, etc.” (Presbyterorum Ordinis 9). Será que temos aqui uma abertura implícita ao movimento carismático? Em todo caso, a autoridade do conjunto dos fiéis passa a concorrer com a dos padres. Além disso: “atendendo às normas do ecumenismo (cf. Conc. Vat. II, decr. Unitatis Redintegratio: De oecumenismo 21, ano l964: AAS, 57 (l965) pp. 90 e ss), não devem esquecer os irmãos que não desfrutam de plena comunhão eclesiástica conosco” (Presbyterorum Ordinis ibid.). Note-se o adjetivo “plena”. 15.17- Nesse mundo de hoje, imerso num grande processo de transformação, “os presbíteros, sobrecarregados pelas obrigações de seu ministério e por elas distraídos, podem pensar com angústia (non sine anxietate) como conseguir a unidade de sua vida interior mergulhados na magnitude da ação exterior” (Presbyterorum Ordinis 14). O conceito se repete em Presbyterorum Ordinis 22: “os ministros da Igreja e muitas vezes os fiéis cristãos sentem-se nesse mundo como que alheios a ele, buscando angustiadamente meios idôneos e palavras para poderem comunicar-se com ele”. Tais juízos não correspondem à realidade. A partir da segunda metade da década de cinqüenta, o que preocupava era a diminuição das vocações, a descristianização emergente da sociedade, as tendências modernistas que renasciam na mentalidade do clero: sentia-se no ar um trabalho surdo, lento e contínuo, que começava a difundir-se, jogando as almas na tibieza. Espalhava-se tacitamente um espírito, ainda minoritário e fragmentado, que incitava ao relaxamento e à abertura ao mundo. Mas a angústia de tipo existencial, em moda no segundo pós-guerra, experimentavam-na somente os “novos teólogos”, de fé duvidosa, servidores fiéis do pensamento contemporâneo e dos atrativos do século (como Karl Rahner, jesuíta e teólogo de mais efeito que mérito que, entre outras coisas, manteve relações com uma mulher, segundo ficou público há poucos anos). Mas ninguém sentia a necessidade, especialmente entre os fiéis, de uma reforma litúrgica (ainda por cima de uma tão radical como a que impôs uma minoria destrutiva com a cumplicidade de João XXIII). Ninguém tinha necessidade angustiante de uma “adaptação” ao mundo. 15.18- A caridade mova os presbíteros a “investigar prudentemente novos caminhos [vias novas] para o maior bem da Igreja” (Presbyterorum Ordinis 15). 15.19- “Pela amigável e fraterna convivência entre si e com os demais homens, os presbíteros podem aprender a cultivar os valores humanos e a apreciar os bens criados como dons de Deus” (Presbyterorum Ordinis 17). Mas a convivência entre os fiéis e os sacerdotes não é, nem pode ser, “amigável e fraterna”, como se se tratasse de uma relação entre iguais (!). Os fiéis confessam seus pecados ao padre, e por seu intermédio Cristo os absolve. Ele também goza do privilégio de consagrar a sagrada hóstia. Enquanto sacerdote, os fiéis não podem considerá-lo como um igual, certamente. E, de fato, sempre sentiram pelos sacerdotes, a quem recorrem também em busca de conselho sobre questões práticas importantes, um respeito hierárquico. E então, que “valores humanos” cultivará o presbítero? Todos? Toda a “mitologia” relativa ao progresso, à democracia, à liberdade, espalhada abundantemente nos textos do concílio? 15.20- Os sacerdotes devem conhecer “bem”, além dos documentos do magistério, as obras “dos melhores escritores de teologia”, e também “a cultura humana” e “as ciências sagradas”, visto que, “em nossos tempos” ambas “avançam com um ritmo novo”. Assim poderão “estabelecer com mais vantagens o diálogo com os homens do seu tempo”. (Presbyterorum Ordinis 19). Mencionando as “ciências sagradas” que “avançam com um ritmo novo” é verossímil que se pretenda dar crédito à “neoteologia”, que apresenta como “achados” as invenções e elocubrações da exegese protestante, proscrita pela autoridade eclesiástica até o último concílio. 15.21- Para a manutenção econômica do clero: “há que deixar o sistema que chamam beneficial, ou ao menos há que reformá-lo” (Presbyterorum Ordinis 20). O sustento do clero é confiado exclusivamente aos fiéis (ibid.). Não se fala de ajuda por parte da autoridade civil, em vista do regime de separação propugnado pelo Vaticano II (v. supra 10.6). A obrigação que lhes cabe de prover tal sustento funda-se no fato de que “os que desempenham ou desempenharam alguma função [munus] para o serviço do povo de Deus” têm direito a um “sustento digno” (Presbyterorum Ordinis 20 cit.). Assim, pois, confirma-se que o significado do munus sacerdotal muda para o concílio: mais do que sacerdos Dei [sacerdote de Deus], o “presbítero é sacerdos populi Dei [sacerdote do ‘povo de Deus’]. 15.22- A subversão da diocese, que já não é “a circunscrição ou o cargo para cujo governo ou desempenho é nomeado o bispo” (Enciclopédia del diritto, Milão, 1964, t. XIII, voz Diocese), e sim, “uma porção do povo de Deus que se confia a um bispo para que a apascente com a cooperação dos presbíteros” (Christus Dominus 11). É mister que “as delimitações da diocese [...] se revisem de maneira adequada [ad congruam recognitionem]”, “segundo as exigências do bem das almas” e, portanto, “com prudência”, mas quam primum, quer dizer, “o quanto antes” (Christus Dominus 22) (nota-se a contradição, típica do Vaticano II). Subversão, dizíamos, porque a recognitio das dioceses deve ser feita da seguinte maneira: “dividindo-as ou desmembrando-as ou unindo-as, ou mudando seus limites, ou elegendo um lugar mais conveniente para as sedes episcopais, ou, finalmente, dispondo-as segundo um nova ordem, sobretudo tratando-se das que abrangem cidades muito grandes” (Christus Dominus 22). O concílio desencadeia um autêntico furacão sobre as dioceses, mudando tudo, até as bases, e o mais rápido possível: território, sedes episcopais, ordem interna. A nova diocese deveria nascer de imediato; deixam a antiga cair no esquecimento. 15.23- No exercício de seu magistério, o bispo deve ensinar e apreciar, além dos valores tradicionais (p. ex. o constituído pela família), os valores laicistas da “pessoa humana, com sua liberdade, e a mesma vida do corpo [corporis vita]”, assim como a sociedade civil,[...] o trabalho e o descanso, as artes e os inventos técnicos...” (Christus Dominus 12). Deve mostrar também, segundo as diretrizes de João XXIII na Pacis in terris, citadas expressamente pelo concílio: “como resolver [!] os gravíssimos problemas relativos à possessão dos bens naturais, a seu incremento e reta distribuição, e os relativos à paz e à guerra e à vida de todos os povos?” (ibid.). De acordo com João XXIII, o concílio não vacila em afirmar que os bispos (cuja vocação é sobretudo a de ser pastores de almas) têm o dever de ensinar (aos governantes) como resolver os problemas fundamentais dos Estados modernos (!). Estamos diante do diletantismo puro e da politização do ministério episcopal. Por acréscimo, o bispo deve “explicar a doutrina cristã com métodos adaptados às necessidades dos tempos [ou seja, de uma maneira moderna] [...] e buscar e promover o diálogo com todos os homens”. (Christus Dominus13). Tem de “ordenar sua vida de forma que responda às necessidades dos tempos” (Christus Dominus16) (asserção misteriosa; o que quer dizer exatamente?). Além disso, “para procurar melhor o bem dos fiéis, segundo a condição de cada um, esforce-se por conhecer bem suas necessidades, as condições sociais em que vivem, servindo-se de meios oportunos, sobretudo a investigação social” (ibid.). Verdadeira fixação do concílio pela sociologia pastoral! No artigo 17, Christus Dominus recomenda aos bispos, sem rodeios, a instauração de “oficinas de sociologia pastoral” (seja o que for que isso signifique), encarregadas de “investigações sociais e religiosas”(!). “Os sagrados pastores, dedicando-se ao cuidado espiritual de sua grei, atendam também ao bem e à prosperidade civil, unindo seu labor eficaz ao das autoridades públicas” (Christus Dominus19). O bispo, artífice também de nosso bem estar material? Acaso é para isto que se consagram bispos, sucessores dos Apóstolos? XVI - A má pastoral na formação dos missionários e nas diretrizes dos mesmos 16.0 A atividade missionária deve desenvolver-se “de modo que da semente da palavra de Deus cresçam as igrejas autóctonas particulares em todo o mundo suficientemente organizadas e dotadas de energia próprias e de amadurecimento. Providas convenientemente de sua própria hierarquia unida ao povo fiel e de meios conaturais ao pleno desenvolvimento da vida cristã, contribuam para o bem de toda a Igreja” (Ad Gentes 6). 16.1- “Os missionários [...] suscitem comunidades de fiéis tais que [...] exercitem as funções que Deus lhes confiou: sacerdotal, profética e real [...]. Cultive-se o espírito ecumênico entre os neófitos [!]”, que devem “colaborar fraternalmente com os irmãos separados, segundo as normas do decreto sobre o ecumenismo” (Ad Gentes 15). 16.2- Também na formação do clero indígena prescreve-se para os alunos que “sejam educados no espírito do ecumenismo e se preparem convenientemente para o diálogo fraterno com os não cristãos” (não para convertê-los); isto exige, além disso, “que os estudos para o sacerdócio se façam, tanto quanto possível, em comunicação e convivência com o povo do próprio país [de origem dos alunos]” (Ad Gentes 16; veja-se também Ad Gentes 29 e 36). 16.3- “Esforcem-se os Institutos religiosos que trabalham na plantação da Igreja [em terras de missão] por expor e comunicar, segundo o caráter e a idiossincrasia de cada povo, as riquezas místicas de que estão totalmente cheios, e que caracterizam a tradição religiosa da Igreja. Considerem atentamente o modo de aplicar à vida religiosa cristã as tradições ascéticas e contemplativas, cuja semente Deus havia espalhado com freqüência nas antigas culturas antes da proclamação do Evangelho” (Ad Gentes 18). Gostaríamos de saber quais são essas “tradições ascéticas e contemplativas” já presentes, em estado de “semente”, nas antigas culturas pagãs. Trata-se do mesmo erro contido na Lumen Gentium 8, que vê “elementos de salvação” fora da Igreja, não somente entre os chamados “irmãos separados”, mas até nas religiões pagãs. 16.4- “E para que a atividade missionária dos bispos, em prol de toda a Igreja, possa exercer-se com mais eficácia, convém que as conferências episcopais dirijam os assuntos referentes à cooperação organizada do próprio país. Tratem os bispos em suas conferências...” Segue o catálogo, bastante extenso, das matérias reservadas à competência dos bispos, sem controle algum, na prática, por parte da Santa Sé (Ad Gentes 38). XVII - A má pastoral nas diretrizes para o apostolado dos leigos 17.0- “As associações apostólicas seculares” deverão “adaptar sua formação e sua experiência” para o “uso correto” dos instrumentos de comunicação social (Inter Mirifica 16, cit..; v. supra 15,8). 17.1- Os leigos devem contribuir “para o progresso universal na liberdade cristã e humana” (Lumen Gentium 36 cit.. É o mito laicista do progresso, abraçado pelo concílio, sua exaltação da “liberdade”, v. supra 6.2). 17.2- “A aceitação das relações sociais e sua observância devem ser consideradas por todos como um dos principais deveres do homem contemporâneo. Porque quanto mais se unifica o mundo, mais os deveres do homem ultrapassam os limites dos grupos particulares e se estendem pouco a pouco ao universo inteiro. Isso é impossível se os indivíduos e os grupos sociais não cultivarem em si mesmos e difundirem na sociedade as virtudes morais e sociais [Quais? A menção é genérica; n. da red.], de forma que se convertam verdadeiramente em homens novos e em criadores de uma nova humanidade, com o auxílio necessário da divina graça” (Gaudium et Spes 30). Assim, o concílio invoca a ajuda da graça divina num artigo consagrado à “superação da ética individualista” – sem mais especificações – e à exaltação de uma visão “social” da ética, recordando as falsas doutrinas do socialismo e do comunismo (!). 17.3- “As vitórias da humanidade são um sinal da grandeza de Deus e fruto de seus inefáveis desígnios” (Gaudium et Spes 34). E quais seriam estas “vitórias da humanidade”? A construção do canal de Suez? A conquista da jornada de trabalho de 8 horas? O sufrágio universal? O descobrimento da penicilina? A propaganda comunista que falava com gosto das “vitórias da humanidade em marcha”, etc.? 17.4- “A atividade humana procede do homem e se ordena a ele. Com sua ação, ele transforma as coisas e a sociedade ao mesmo tempo que se aperfeiçoa. Aprende muito, cultiva suas faculdades, se supera e transcende” (Gaudium et Spes 35). “A atividade humana” não deveria estar ordenada para Deus, ao menos indiretamente? Tudo que fazemos não se relaciona sempre com a glória de Deus e com a consecução final do Sumo Bem? 17.5- “Seguindo o exemplo de Cristo, que exerceu o artesanato, alegrem-se os cristãos de poderem exercer todas suas atividades temporais, fazendo uma síntese vital do esforço humano, familiar, profissional, científico ou técnico, com os valores religiosos, sob cuja altíssima hierarquia tudo coopera para a glória de Deus” (Gaudium et Spes 43). Ao realizar tal síntese, “os leigos” atuarão “individual e coletivamente, como cidadãos do mundo” e “colaborarão com gosto com aqueles que buscam idênticos fins” (ibid.). 17.6- “Tudo que promove a comunidade humana na ordem da família, da cultura, da vida econômico-social, da vida política, tanto nacional quanto internacional, proporciona também uma boa ajuda, segundo o plano divino, à comunidade eclesial, já que esta depende das realidades externas” (Gaudium et Spes 44). A inversão da missão da Igreja alcança aqui seu ápice no elogio do mundo. 17.7- “Vivam os fiéis numa união estreita com os demais homens de seu tempo, esforcem-se por penetrar sua maneira de pensar e sentir, cuja expressão é a cultura. Unam os conhecimentos das novas ciências e doutrinas e dos mais recentes descobrimentos com os costumes e ensinamentos cristãos, para que a prática da religião e a retidão de espírito acompanhem o conhecimento das ciências e dos progressos diários na técnica. Assim, conseguirão examinar e interpretar tudo com íntegro critério cristão” (Gaudium et Spes 62). Eis aqui uma pastoral que procede em sentido exatamente contrário à pastoral de São Paulo ( non altera sapientis: Rom 12, 16). Frente a este “sumário” da pastoral “conciliar” para os leigos não resta mais que dizer mysterium iniquitatis!, e fazer o sinal da cruz. 17.8- Os jovens têm hoje um peso maior na sociedade; isso “exige deles uma atividade apostólica. semelhante, mas sua propria índole oa dispõe a ela[...] Procurem os adultos estabelecer diálogos amigáveis com os jovens, que permitam a uns e a outros conhecer-se mutuamente, comunicando entre si o bem que cada um tem, não considerando a distância de idade” (Apostolicam Actuositatem 12). A interpretação da “índole natural” da juventude está longe de qualquer relação com a realidade, assim como o “diálogo”, sentimental e meloso que se propõe aqui entre adultos e jovens. 17.9- “Procurem os católicos cooperar com todos os homens de boa vontade em promover quanto há de verdadeiro, de justo [...]. Falem com eles, superando-lhes em prudência e humildade, e investiguem sobre as instituições sociais e públicas [?], para aperfeiçoá-las segundo o espírito do Evangelho” (Apostolicam Actuositatem 14). Diz-se na Gaudium et Spes 78: “... chama-se insistentemente a atenção de todos os cristãos para que [...] se unam com os homens realmente pacíficos [hominibus pacificis] para implorar e estabelecer a paz” (no texto em vernáculo usa-se a expressão “amantes da paz”, característica da propaganda comunista daquela época). 17.10- A colaboração dos fiéis católicos com os chamados “irmãos separados” em torno do “patrimônio evangélico comum” e o conseqüente “dever comum do testemunho cristão” (com os hereges e cismáticos!). Além disso, “também os valores humanos geram uma atividade semelhante à dos cristãos que perseguem fins apostólicos. Muitos dos que não levam o nome de cristão reconhecem estes valores” (Apostolicam Actuositatem 27). De modo que “com esta cooperação dinâmica e prudente [...] os leigos dão testemunho de Cristo [...] e da unidade da família humana” (ibid.). Os valores cristãos autênticos, católicos, são transformados em função dos valores humanos, que, conseqüentemente, lhes são superiores. De fato, são os valores humanos os que tornam possível a unidade da “família humana”, que tem tanta importância para o concílio (v. supra, seção 12). 17.11- “Para cultivar as relações humanas é preciso que se acrescentem os valores verdadeiramente humanos, sobretudo a arte da convivência fraterna, da cooperação e do diálogo” (Apostolicam Actuositatem 29). XVIII - A modernização pastoral quanto à educação 18.0- “Todos os homens, de qualquer raça, condição e idade, enquanto participantes da dignidade da pessoa, têm direito inalienável a uma educação que corresponda ao próprio fim, ao próprio caráter, aos diferentes sexos, e que seja conforme à cultura e às tradições pátrias, e, ao mesmo tempo, esteja aberta às relações fraternas com outros povos a fim de fomentar na terra a verdadeira unidade e paz” (Gravissimum Educationis 1). O ideal educativo que aqui se propõe, além de não ter nada de católico, é utópico e contraditório. De fato, o que se haverá de fazer se as singulares “tradições” e “culturas” estimulam a agir em sentido contrário às “relações fraternas com outros povos”? 18.1- Deve-se iniciar os meninos (pueri) e os jovens “conforme avança sua idade, numa positiva e prudente educação sexual” (Gravissimum Educationis 1). Sem comentários. A educação sexual pública inserida no programa escolar, foi condenada explicitamente por Pio XI, por ser imoral e corruptora, na encíclica Divini Illius Magistri (1929; Denzinger 2214 e 3697). Pio XII no discurso aos pais de família em 18 de setembro de 1951 também aborda o assunto. Os papas exigiam que se deixasse o assunto aos progenitores e educadores, individualmente. 18.2- “A Igreja, como Mãe, está obrigada a dar a seus filhos uma educação que preencha sua vida com o espírito de Cristo, e ao mesmo tempo, ajuda a todos os povos a promover a perfeição cabal da pessoa humana, inclusive para o bem da sociedade terrestre e para configurar mais humanamente a edificação do mundo” (Gaudium et Spes 3). A ajuda que a Igreja oferece a todos os povos não consiste, pois, em fazer que adquiram o “espírito de Cristo”. 18.3- “Além disso, a Igreja aplaude cordialmente as autoridades e sociedades civis que, levando em conta o pluralismo da sociedade moderna e favorecendo a devida liberdade religiosa, ajudam as famílias para que possam dar a seus filhos em todas as escolas uma educação conforme os princípios morais e religiosos das famílias” (Gravissimum Educationis 7). Não é este um modo elegante de defender o indiferentismo religioso e moral? 18.4- Nas faculdades de teologia, “promova-se”, entre outras coisas, “o diálogo com os irmãos separados e com os não cristãos e respondam-se os problemas suscitados pelo progresso das ciências” (Gaudium et Spes 11). 18.5- “Deve-se procurar com todo empenho que se fomente entre as escolas católicas uma conveniente coordenação e seja provida entre estas e outras escolas [não católicas] a colaboração que exige o bem de todo o gênero humano [sempre em primeiro lugar na mente do concílio]” (Gaudium et Spes 12; v. supra “Erros no discurso de inauguração”, na introdução da presente sinopse). CONCLUSÃO VOLTAR À DOUTRINA VERDADEIRA OU PERECER 1. Talvez se julgue temerário termos acusado um concílio ecumênico da Igreja Católica de tantos e de tão graves erros doutrinais. Pior ainda: pode parecer que nos manchamos de pecado grave, ou que caímos na heresia. Entretanto, a heresia (cf. supra 2.0) é “a negação pertinaz, por parte de um batizado, de uma verdade que deve ser crida com fé divina e católica, ou a dúvida insistente sobre a mesma verdade” (CIC de 1983, cânon 751). Ora, o Vaticano II não condenou erro nenhum, não definiu nenhuma “verdade” de fé divina e católica, nenhum dogma de fé. Não quis fazê-lo e declarou-se concílio pastoral. Portanto enquadrou seu magistério extraordinário num magistério impossível de definir sob o ponto de vista canônico: num magistério meramente “autêntico” (talvez nem isso, tendo em vista os erros que ensinou [v. supra, Introdução]). O magistério autêntico merece o assentimento dos fiéis, mas não no mesmo nível que os dogmas de fé, cuja negação é verdadeiramente um pecado. Deve-se ao concílio, portanto, o assentimento próprio a uma “pastoral” , assentimento esse que pode ser legitimamente recusado se for demonstrado que a pastoral não é boa. Trata-se, com efeito, de um assentimento fundado nas regras da prudência, acrescidas do entendimento sadio e do sensus fidei do fiel. A prudência, que só floresce no entendimento sadio, nos manda escutar o sensus fidei, que por sua vez, nos leva a rejeitar as resoluções de um concílio ambíguo e envenenado por erros como o Vaticano II. Essa prudência do fiel deriva da preocupação constante de não ofender a Deus e salvar a alma. Ela também constitui uns dos meios pelos quais a graça opera em nós. Assim, a negação das doutrinas ambíguas propagadas pelo Vaticano II é lícita e legítima e torna-se uma exigência do dever. Cada um de nós deve defender o depósito da fé segundo a própria capacidade. Todos somos milites Christi, e temos de combater pela fé. 2. Conseqüentemente, a negação dos ensinamentos falsos do Vaticano II não nos coloca fora da Igreja: não somos hereges por recusar estes ensinamentos, nem formal nem material, nem tampouco espiritualmente cismáticos. Não recusamos nosso assentimento às ordens legitimamente traçadas pela autoridade, nem pretendemos sair da Igreja para instituir ou seguir outra. Na verdade, julgamos a pastoral do concílio à luz da Tradição, ou seja, à luz do que a Santa Igreja sempre ensinou durante dezenove séculos, a partir de Nosso Senhor Jesus Cristo e dos Apóstolos. Ao compararmos a Tradição com os textos conciliares salta aos olhos, sem a menor sombra de dúvida, que a “modernização”, querida por João XXIII e imposta pelo Vaticano II, introduziu novidades incompatíveis com o que a Igreja sempre ensinou, como depósito da fé. Tivemos que assistir à múltipla e anárquica distorção da própria noção de Igreja Católica, de Corpo Místico , Santa Missa, liturgia, sacerdócio, colegialidade, matrimônio católico, reino de Deus, Tradição, Encarnação, Redenção, Anunciação e liberdade religiosa, bem como do conceito católico do homem, da relação correta entre a Igreja e o Estado, da interpretação exata do que são objetivamente os hereges, os cismáticos e os não cristãos. Tivemos que ouvir, dos lábios de um Papa, louvores ao pensamento moderno, outrora condenado várias vezes por seus predecessores. E a esse pensamento moderno e contemporâneo, intrinsecamente oposto ao pensamento transcendente católico, confiou-se a tarefa de enunciar a doutrina perene da Igreja. Quiseram submetê-la a uma “reforma contínua”, a uma adaptação cada vez maior aos falsos valores do mundo. O concílio deveria ter condenado essa corrente de pensamento contemporâneo, mas, pelo contrário, tornou-se cúmplice dela. A corrupção dos conceitos verdadeiramente católicos, e do mero senso comum, foi vasta, minuciosa e sistemática. Os textos do Vaticano II atestam de modo impressionante a decadência intelectual (e não só intelectual!) da hierarquia católica, contra a qual lutaram em vão os Papas até Pio XII, assim como um grupo espiritualmente sadio da hierarquia durante o concílio. Quem estará então dentro da Igreja: quem aceita as falsas doutrinas do Vaticano II e pretende pô-las em prática, ou quem as recusa abertamente para continuar sendo fiel ao que o magistério ensinou durante dezenove séculos, assistido pelo Espírito Santo? Quem escuta de boa fé essas falsas doutrinas continua dentro da Igreja, certamente, mas vive enganado, objetivamente levado à infidelidade sem se dar conta de que se acha quase sem defesa contra o perigo de perder ou contaminar sua fé. “Sê fiel até a morte e te darei a coroa da vida”, disse o Senhor ressuscitado (Apocalipse 2,10). Por isso, aceitar o Vaticano II é impossível para aqueles que se dão conta do diabólico embaralhamento de contradições, ambigüidades e erros ali contidos. Sem dúvida, a confusão é velada por homenagens esparsas e formais à Tradição. Essas homenagens não têm influência, entretanto, em comparação ao caudal das novidades. A Igreja concebida pelo concílio se autodefine como Igreja “de Cristo”, ou “ecumênica”, ou “conciliar”, reduzindo ao mínimo o uso do adjetivo “católica”. Essa igreja se sobrepôs à Igreja verdadeira como a cizânia ao bom grão. Nós não nos envergonhamos de afirmar a verdade, isto é, que a aceitação do Vaticano II nos afasta da Tradição e, portanto da reta doutrina, com grave perigo para a salvação da nossa alma, pois, de fato, sem a doutrina é muito difícil observar a moral ensinada por Nosso Senhor e conservar a fé. 3. Ninguém nega a evidência dos desastres que se sucederam na Igreja e nas nações católicas depois do Vaticano II, que se resumem no binômio “corrupção da fé e dos costumes”. Mas tais desastres não são compreendidos em sua causa profunda e sua natureza efetiva: a prova disso é que ainda há expoentes da hierarquia afirmando que a solução para as degenerações pós-conciliares se acha no descobrimento e na prática do “verdadeiro” Vaticano II. Quarenta anos depois de seu início, ainda continuamos em busca do “autêntico significado” daquele Assis? Ele continua sem ser compreendido, quarenta anos depois? Há um preconceito que considera o Vaticano II como um super-concílio que inaugurou para a Igreja um novo rumo, do qual é impossível afastar-se, como se a doutrina anterior a ele (a verdadeira doutrina católica) não tivesse jamais existido. Trata-se de uma idéia revolucionária que se desencadeou na Igreja desde o concílio, cuja única preocupação é conter os “abusos”, provavelmente para abafar as reações. O certo é que a crise atual da Igreja se enraíza no concílio, não nas degenerações pós-conciliares; a presente sinopse o demonstra. Não cabe à hierarquia atual outro dever senão o de restabelecer a autêntica doutrina católica. Para fazê-lo deverá invalidar um dia o concílio, ou corrigi-lo ou interpretá-lo (se for possível) à luz da Tradição. Não cabe a nós determinar o modo com que o Papa intervirá a respeito do Vaticano II, e menos ainda propor uma data. Mas nos permitimos recordar à hierarquia e a seus chefes atuais que, nas visões de Fátima, Deus todo poderoso se dignou mostrar, em sua infinita misericórdia, o castigo que infligirá um dia a toda Igreja militante, a todos nós, caso se prolonguem as graves, horrendas e repetidas ofensas e infidelidades perpetradas pelos que têm a obrigação de “conservar a doutrina da fé”. Se ninguém tiver a coragem de finalmente mudar de rumo, Deus renovará a Igreja com o “testemunho do sangue” (Heb. 12, 4): com o sangue dos mártires e do grande número de assassinatos. Se, enfim, não tiverem a coragem de mudar o rumo por causa do medo a priori de uma possível reação violenta do mundo, que crê já ter sob os pés a Igreja Católica com tudo o que Ela representa; se não tiverem a valentia de retificar o rumo por causa da convicção de que o retorno ao dogma da fé desencadearia a perseguição antecipada na visão de Fátima, pois bem, nesse caso, invoque-se a ajuda do Espírito Santo, a fim de que nos dê força para vencer nossos medos humanos em prol da glória de Deus e da salvação das almas: “Não tenham medo dos que matam o corpo e depois disso nada mais podem fazer [..]. Temam ao que, depois de ter dado a morte, tem o poder de jogar no fogo da geena” (Lc 12, 4-5). Fontes: Canonicus | Beneditinos
- ANTES, CARDEAL RATZINGER: CRITICAR AS OBSERVAÇÕES PAPAIS ÀS VEZES É "NECESSÁRIO"
O futuro Papa Bento XVI alertou No início dos anos 70 que os papas poderiam fazer “pronunciamentos” inconsistentes com a doutrina autêntica e histórica da Igreja Católica, o que exigiria “críticas” a esses pronunciamentos. As declarações, feitas trinta e três anos antes de Joseph Raztinger se tornar papa, foram republicadas em 2009, quatro anos depois que ele se tornou o Sumo Pontífice da Igreja Católica. “A fé é baseada nos dados objetivos das Escrituras e do dogma, que em tempos sombrios também podem desaparecer assustadoramente da consciência da maior parte do cristianismo (estatisticamente), sem perder de forma alguma, porém, seu caráter obrigatório e obrigatório, ”Pe. Joseph Ratzinger observou em 1972. Nesses casos, o papa deve “contrariar as estatísticas” que indicam a popularidade dos falsos ensinamentos, “e isso terá que ser feito com tanta determinação quanto o testemunho da tradição for claro”, escreveu Ratzinger. “Pelo contrário, as críticas aos pronunciamentos papais serão possíveis e até necessárias, na medida em que eles não tenham apoio nas Escrituras e no Credo, isto é, na fé de toda a Igreja”, acrescentou. Ratzinger sustentou que mesmo uma "decisão definitiva vinculativa" do papa não seria válida se "não houvesse evidência clara das fontes" da doutrina católica. “Quando não há consenso de toda a Igreja, nem evidências claras das fontes estão disponíveis, uma decisão definitiva não é possível. Se formalmente alguém tivesse lugar, as condições para tal ato seriam inexistentes e, portanto, a questão teria que ser levantada em relação à sua legitimidade ”, escreveu ele. As passagens foram escritas como parte de uma obra intitulada “Das neue Volk Gottes” (“O Novo Povo de Deus”), publicada em 1972 e republicada em uma antologia de suas obras, “Fede, ragione, verità e amore” (Faith, razão, verdade e amor ”) em 2009, depois que Ratzinger se tornou papa. As palavras foram traduzidas para o inglês para um post recente no blog amplamente lido Rorate Caeli. As citações foram reveladas em meio a uma enxurrada de acusações de impiedade e desobediência lançadas contra os signatários da “Correção Filial” do Papa Francisco, que procura corrigir publicamente o papa em relação a várias “heresias” que a Correção o acusa de ter ensinado em sua exortação apostólica Amoris Laetitia, sobre a natureza do pecado e a possibilidade de receber a Santa Comunhão em estado de pecado mortal. O vigário geral do Opus Dei, uma associação de fiéis católicos com alcance e influência global, acusou os signatários da Correção Filial de "atacar o papa", corrigindo-o publicamente, um sentimento compartilhado por Robert Fastiggi, um teólogo e professor do seminário. O porta-voz chefe dos signatários, Joseph Shaw, observou que as tentativas particulares de corrigir o papa foram recebidas com silêncio, e que o Código de Direito Canônico fala de um "dever" dos fiéis de, às vezes, dar a conhecer suas opiniões a outros católicos. Acusações semelhantes foram feitas contra os quatro cardeais que enviaram cinco perguntas ou "dubia" ao papa Francisco no final de 2016, pedindo a ele um esclarecimento de certos pontos em Amoris Laetitia. Fontes: LifeSiteNews
- SACERDOTE JESUÍTA: LÍDERES CATÓLICOS QUE DEFENDEM O ISLÃ ESTÃO 'TRAINDO A VERDADE' - 'JESUS CRISTO'
Ed Pentin, do National Catholic Register, publicou uma fascinante entrevista que ele conduziu com o padre jesuíta melkita egípcio grego Henri Boulad. O clérigo egípcio foi muito franco com o que ele considera respostas perigosamente tolas dos líderes cristãos aos avanços do Islã militante. Pentin escreve: A Igreja não deve defender o Islã "a todo custo" e procurar "exonerá-lo dos horrores cometidos todos os dias em seu nome" ou então "alguém acaba traindo a verdade", afirmou um importante estudioso jesuíta do Islã. O padre jesuíta melkita grego Henri Boulad acredita que, quando se trata de lidar com o Islã, a Igreja Católica sucumbiu a uma "ideologia de esquerda liberal que está destruindo o Ocidente" com base no pretexto de "abertura, tolerância e caridade cristã". Boulad escreveu ao Papa Francisco em agosto passado, relatou Pentin: ... dizendo a ele que muitos pensam que os pontos de vista do próprio Papa sobre o Islã estão "alinhados com essa ideologia e que, da complacência, você passa de concessões para concessões e compromete compromissos, às custas da verdade". "Os cristãos", escreveu ele, "estão esperando algo de você além de declarações vagas e inofensivas que podem obscurecer a realidade". Boulad elogiou a resposta muito mais realista do papa Bento 16 ao islamismo em sua carta a Francisco: Seu antecessor, o papa Bento XVI, teve a coragem de assumir uma posição clara e inequívoca. Sua atitude levantou muitos escudos e ganhou muitos inimigos. Mas não é um confronto franco mais saudável do que um diálogo baseado em compromisso? Quando os hierarcas judeus pediram aos apóstolos que parassem de anunciar o Evangelho, eles responderam: "Quanto a nós, não podemos deixar de proclamar o que vimos e ouvimos ..." (Atos 4:20). “Está na hora de emergir de um silêncio vergonhoso e envergonhado diante desse islamismo que ataca o Ocidente e o resto do mundo. Uma atitude sistematicamente conciliatória é interpretada pela maioria dos muçulmanos como um sinal de medo e fraqueza. Se Jesus nos disse: Bem-aventurados os pacificadores, ele não nos disse: Bem-aventurados os pacifistas. Paz é paz a qualquer custo, a qualquer preço. Tal atitude é uma traição pura e simples da verdade. ” Leia o restante deste artigo significativo de Ed Pentin aqui. Fontes: LifeSiteNews
- O PREGADOR DE RETIRO DO PAPA FALA NO ANTICRISTO COMO SENDO UM 'PACIFISTA, ECOLOGISTA E ECUMENISTA'
À luz dos eventos atuais no mundo e na Igreja Católica, parece importante ressuscitar um artigo de 2007 especialmente instigante, de John-Henry Westen, da LifeSite, republicado abaixo. Esse artigo foi amplamente citado na época e por boas razões, como você verá. Em 2007, a histeria das mudanças climáticas e o colapso geral do consenso moral não estavam tão presentes nos governos, instituições educacionais e sociedade, e agora no mais alto nível da Igreja Católica, como tem sido nos últimos anos. O novo desenvolvimento mais extraordinário foi o chefe da Igreja Católica Romana: proclamar "o proselitismo é o veneno mais forte contra o caminho ecumênico" e "o proselitismo é uma tolice solene , não faz sentido". abandonando gradualmente os ensinamentos da Igreja sobre uma "guerra justa", proclamando recentemente que "a Teologia da Libertação era uma coisa boa para a América Latina" perturbando as aplicações tradicionais dos ensinamentos morais católicos exortando todos a "defender nossa irmã mãe terra ", ao mesmo tempo em que aceitam as falsas alegações sobre o alarmismo da mudança climática como provenientes de "um consenso científico muito sólido" destruindo o capitalismo e pedindo uma nova ordem econômica internacional que soe marxista exortando fortemente a abertura de fronteiras a milhões de imigrantes islâmicos sem documentos e mal controlados, com sua cultura radicalmente diferente e leis religiosas. proclamando que "os males mais graves que afligem o mundo atualmente são o desemprego jovem e a solidão dos velhos" O Papa Francisco também convidou inimigos do cristianismo da Nova Ordem Mundial cada vez mais virulentos e proeminentes , como Paul Ehrlich , professor John Bongaarts, vice- presidente do Conselho da População, e o "czar de órgãos" da China para falar nas conferências do Vaticano e aconselhar o Igreja sobre políticas. Hoje, uma moderna e moderna lista de prioridades da " justiça social " domina as ações e declarações do Vaticano hoje - uma mudança dramática das ênfases mais enfaticamente espirituais e morais dos papados recentes. Agora, Francis acaba de elogiar e trabalhar em conjunto em uma conferência de fevereiro na Califórnia com a organização financiada por George Soros, PICO - People Improving Communities through Organizing . O OnePeterFive informa: "O site de vigilância esquerdista Discover the Political Networks descreve o PICO como um grupo que 'usa táticas de organização no estilo de Alinsky para avançar as doutrinas da esquerda religiosa' '. Em um artigo de 23 de agosto de 2016 , Westen da LifeSite relatou que Soros pagou US $ 650.000 para o PICO e outra organização para "influenciar a visita do Papa Francisco em setembro de 2015 aos EUA, com o objetivo de" mudar [parad] paradigmas e prioridades nacionais antes da campanha presidencial de 2016 ". E assim, o artigo de Westen de 2007, dados os desenvolvimentos surpreendentes que ocorreram desde a sua publicação original, agora é lido sob uma luz dramaticamente diferente do que quando foi publicado pela primeira vez. Naquela época - não faz muito tempo - poucos de nós acreditavam que muito do que aconteceu desde 2007 poderia realmente acontecer. Nós simplesmente não poderíamos imaginar que as coisas poderiam dar tão errado em tão pouco tempo. Os leitores devem sempre ter em mente que a oração e os sacrifícios pessoais oferecidos a Deus têm grande poder de mudar o curso da história, mesmo quando esse curso parece ser imparável. A frase "Não tenha medo", ou suas versões, aparece 365 vezes no Novo Testamento. Viver é uma marca necessária de um verdadeiro cristão, embora lapsos temporários estejam apenas sendo humanos. Antes do artigo, incluo duas citações relevantes - uma de João Paulo II e outra do papa Bento: Em 1976, o papa João Paulo II, como o cardeal Karol Wojtyla, advertiu: “ Agora estamos diante do maior confronto histórico que a humanidade já experimentou. Não creio que o amplo círculo da Sociedade Americana ou todo o amplo círculo da Comunidade Cristã o realizem plenamente. Agora estamos enfrentando o confronto final entre a Igreja e a anti-igreja, entre o evangelho e o anti-evangelho, entre Cristo e o anticristo. " Além disso, em 2010, o Papa Bento XVI declarou o seguinte em sua mensagem de Natal à Cúria do Vaticano: “[Nosso] mundo está ao mesmo tempo perturbado pelo senso de que o consenso moral está em colapso, consenso sem o qual estruturas jurídicas e políticas não podem funcionar. Consequentemente, as forças mobilizadas para a defesa de tais estruturas parecem fadadas ao fracasso. “Alexis de Tocqueville, em sua época, observou que a democracia nos Estados Unidos se tornou possível e funcionou porque existia um consenso moral fundamental que, transcendendo as denominações individuais, unia a todos. Somente se houver um consenso sobre o essencial, as constituições e a lei podem funcionar. Esse consenso fundamental derivado da herança cristã está em risco onde quer que seu lugar, o lugar do raciocínio moral, seja tomado pela racionalidade puramente instrumental da qual falei anteriormente. Na realidade, isso torna a razão cega para o que é essencial. Resistir a esse eclipse da razão e preservar sua capacidade de ver o essencial, de ver Deus e o homem, de ver o que é bom e o que é verdadeiro, é o interesse comum que deve unir todas as pessoas de boa vontade. O próprio futuro do mundo está em jogo." O pregador de retiro do Papa fala no Anticristo como um 'pacifista, ecologista e ecumenista' Por John-Henry Westen CIDADE DO VATICANO, 1º de março de 2007 ( LifeSiteNews ) - Observadores papais se perguntam que mensagem o Papa Bento XVI estava dando ao selecionar o arcebispo aposentado de Bolonha, cardeal Giacomo Biffi, para pregar o retiro anual da Quaresma ao papa e aos principais membros do Vaticano. Rocco Palmo, repórter especialista do Vaticano no The Tablet, o semanário católico internacional publicado em Londres, Inglaterra, notou o significado da seleção do pregador da Quaresma. "Desde tempos imemoriais - ou, pelo menos, o perfil elevado do retiro ao longo do século 20 - a seleção do pregador tornou-se um indicador bem observado dos ventos predominantes no apartamento papal", disse Palmo em seu blog. "(A) a escolha que muitas vezes cai em uma voz que o papa gostaria de divulgar... e não apenas por um maior destaque no circuito de pregação". Palmo acrescentou peso às suas observações, observando que "Antes de suas respectivas eleições para o papado, Joseph Ratzinger e Karol Wojtyla foram convocados para liderar os exercícios anuais". A seleção deste ano, quando se tornou conhecida, causou alvoroço desde que o cardeal Biffi, embora seja conhecido pela fé ortodoxa e por palavras francas, é mais conhecido, pelo menos na mídia secular, por sua pregação no anticristo. De fato, o Times de Londres relatou em 2004 que o cardeal descreveu o anticristo como "caminhando entre nós". O retiro quaresmal não decepcionou. O cardeal Biffi retomou seu tema muitas vezes repetido do anticristo, baseando suas observações nas obras de Vladimir Soloviev, um filósofo religioso russo que recebeu elogios do papa Bento antes de sua ascensão ao pontificado. Citando Soloviev, o cardeal disse que "o anticristo se apresenta como pacifista, ecologista e ecumenista". "Ele convocará um conselho ecumênico e buscará o consenso de todas as confissões cristãs, concedendo algo a cada uma. As massas o seguirão, com exceção de pequenos grupos de católicos, ortodoxos e protestantes", afirmou ele, segundo um Zenit. tradução de um resumo da Rádio Vaticano aqui: http://www.radiovaticana.org/it1/Articolo.asp?c=120479. (20 de fevereiro de 2017 - A tradução não está mais disponível no Zenit e o único relatório do Zenit sobre o retiro de 2007 menciona apenas a palestra do primeiro dia e não a mais recente sobre o Anticristo) Em seu "Conto do anticristo", Solovyov prevê que um pequeno grupo de católicos, ortodoxos e protestantes resistirá e dirá ao anticristo: "Você nos dá tudo, exceto o que nos interessa, Jesus Cristo". Para o cardeal Biffi, essa narrativa é um aviso: "Hoje, de fato, corremos o risco de ter um cristianismo que deixa de lado Jesus com sua cruz e ressurreição". O cardeal de 78 anos acrescentou que se os cristãos "se limitassem a falar de valores compartilhados, seriam mais aceitos nos programas de televisão e em grupos sociais. Mas, dessa maneira, eles teriam renunciado a Jesus, a realidade avassaladora da ressurreição. " O cardeal disse que acredita que este é "o perigo que os cristãos enfrentam em nossos dias... o Filho de Deus não pode ser reduzido a uma série de bons projetos sancionados pela mentalidade mundana predominante". O pregador dos Exercícios Espirituais acrescentou que "existem valores relativos, como solidariedade, amor à paz e respeito à natureza. Se estes se tornam absolutos, desenraizamento ou mesmo opondo-se à proclamação do evento da salvação, então esses valores se tornam uma instigação para idolatria e obstáculos no caminho da salvação ". O cardeal Biffi afirmou que "se o cristianismo - ao se abrir ao mundo e dialogar com todos - dilui o evento salvífico, fecha-se a um relacionamento pessoal com Jesus e se coloca ao lado do anticristo". As reflexões do cardeal Biffi, de fato, são muito semelhantes às observações que o papa Bento fez no outono passado, em uma reunião com os bispos suíços. Embora o papa Bento 16 não tenha falado do anticristo, ele falou de uma nova religião falsa ou "substituta", chamando-a também de "sucessora" da religião. "A sociedade moderna não é simplesmente sem moralidade, mas, por assim dizer, 'descobriu' e professa uma parte da moralidade", disse o papa aos bispos suíços. "Esses são os grandes temas de paz, não-violência, justiça para todos, preocupação com os pobres e respeito pela criação". No entanto, o papa alertou que esses "grandes temas morais" se tornaram "um complexo ético que, precisamente como força política, possui grande poder e constitui para muitos o substituto da religião ou seu sucessor". "Somente se a vida humana é respeitada desde a concepção até a morte é que a ética da paz também é possível e credível", concluiu o papa. "É só então que a não-violência pode se expressar em todas as direções; somente então é que realmente recebemos bem a criação e só então podemos chegar à verdadeira justiça." 20 de fevereiro de 2017. Fontes: LifeSiteNews
- Casal vende terreno para reverter vasectomia e são abençoados com 6º filho
Decididos por cumprir a promessa feita a Deus no altar, um casal abriu mão de um terreno a fim de reparar um grave erro proveniente de uma má orientação: a vasectomia. No último dia de 2019, Mônica e Anderson Ferreira vieram às redes sociais contar a todos uma excelente notícia que, até alguns meses antes, nem passava por suas cabeças que seria possível: estavam grávidos de mais um filho, o sexto! Esta notícia, que por si só é maravilhosa, não veio sozinha, mas acompanhada de um emocionante testemunho de conversão e que viabilizou este milagre. Quando o ano de 2019 começou, o casal que reside em Itaberá – SP, já com cinco filhos, não esperava que o ano terminasse com uma surpresa tão boa, isso porque durante a gestação de Francisco (5º filho), Mônica sofreu complicações de saúde e, em função disso, foram orientados a não terem outros filhos. Impelidos por esta orientação e principalmente pelo medo, decidiram se fechar à vida, e Anderson optou pela operação de Vasectomia. No testemunho, eles contam que durante algum tempo ficaram tranquilos, mas com o passar do tempo ficaram cada vez mais incomodados, pois sabiam que esta decisão impediria que pudessem cumprir a promessa feita diante de Deus, pelo sacramento matrimônio: “ Vocês prometem receber os filhos que Deus lhes enviar educando-os na fé do Cristo e da Igreja? – Sim prometo!” . Foi então que Deus colocou um anjo em seus caminhos, Padre Matheus Pigozzo , que através de suas postagens na internet, e diversas conversas pelo messenger, pouco a pouco ajudou que as escamas de seus olhos caíssem e pudessem compreender, portanto, a gravidade do erro que cometeram. Outro canal da graça de Deus, relata o casal em sei testemunho, que também foi muito útil e serviu de auxílio nessa tomada de consciência, foram os vídeos do casal Deia e Tiba que, em seu canal do YouTube, possuem diversos vídeos sobre a doutrina católica e família. Tudo isso permitiu que eles abrissem seus olhos e percebessem que a decisão que outrora haviam tomado, por medo e má orientação, não era a vontade de Deus, e isso os impulsionou a buscar a Santa Igreja para regularizarem sua situação. Eles perceberam que mesmo entre os católicos, enraizou-se uma mentalidade anti-católica de que há a necessidade de um controle de natalidade, ou uma expressão muito usada, mas que também é interpretada de maneira incorreta, a paternidade responsável. Tornou-se muito comum encontrar casais que sobem ao altar despreparados e que, desconhecendo a vontade de Deus, muitas vezes fazem a promessa no altar sem compreenderem o significado do que estão falando. São muitos os casais católicos que, por desconhecerem a doutrina da Santa Igreja, fazem uso de preservativos, métodos anticoncepcionais e até mesmo de cirurgias para evitarem os filhos, o que por sua vez configuram-se pecados graves , e impedem que possam receber a sagrada comunhão, isso até que se arrependam sinceramente, mudem seus hábitos e busquem o perdão de Deus através do sacramento da confissão. Leia também: Se os casais católicos não podem evitar filhos, para que serve o Método Billings? Retrato de uma Família Católica Como preparar-se espiritualmente para o parto? Decididos por cumprir a promessa feita a Deus no altar, um casal abriu mão de um terreno a fim de reparar um grave erro proveniente de uma má orientação: a vasectomia. Conscientes disso, e com profundo arrependimento e coração contrito, eles fizeram um bom exame de consciência e buscaram o sacramento da confissão e, deste modo, voltaram à comunhão. Entretanto isso não foi suficiente, pois já existia o desejo de reparar o erro cometido de maneira concreta. Eles decidiram então, fazer a reversão da vasectomia! Infelizmente, a sociedade é dirigida por pessoas que estão não se preocupam com o que há de mais valioso, a vida! Um exemplo disso é o fato de que a cirurgia de vasectomia é oferecida gratuitamente pelo SUS, enquanto a reversão dificilmente é possível pelo SUS, sendo necessário recorrer a clinicas particulares pagando um custo altíssimo. Mas isso não foi motivo para desânimo para o casal. Ajudados pela providência de Deus, e eles conseguiram vender um terreno e assim conseguiram o valor necessário para custear a cirurgia. Encontraram um médico experiente neste tipo de cirurgias e com a ajuda de Deus, a cirurgia ocorreu com sucesso no dia 22 de outubro de 2019. ” O médico operou meu corpo e ao mesmo tempo, Deus operou minha alma.” Dois meses depois, juntamente com a Festa do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, veio a confirmação do milagre de Deus concretizado, um novo bebê estava a caminho: “essa nova alma que está em nossas mãos para um dia devolvermos a Ele, ensinando os caminhos do céu, da Igreja Católica Apostólica Romana, junto com seus irmãos.” Leia também: Educação dos filhos: onde foi que eu errei? Um grave problema: Terceirizar a educação dos filhos Exame de Consciência para Crianças Leia o texto do casal postado nas redes sociais: Alguns podem se perguntar: mas vc não tinha operado? Durante a gestação do Francisco, nosso quinto filho , minha esposa teve um problema de saúde, e fomos orientados pela médica a não termos mais filhos, por medo nós nos fechamos a vida, fazendo a vasectomia. Durante um tempo estávamos tranquilos, mas no fundo sabíamos que não estávamos cumprindo a promessa que fizemos no altar, que é que aceitar os filhos que Deus quiser nos dar, e Deus nos enviou um padre na internet que muitas vezes veio conversar comigo no Mensseger e também através de suas postagens, os nossos olhos foram se abrindo com relação ao erro que havíamos cometido, e que essa não era a vontade de Deus. E também através do canal da Dea e Tiba. Depois dessa tomada de consciência, fomos buscar o que a Igreja nos pede e nos confessamos e depois veio o desejo de buscar reparar o erro e decidimos fazer a reversão da vasectomia. Graças a Deus conseguimos vender um terreno para arrumar o dinheiro para cirurgia e encontramos um médico em São Paulo muito experiente para fazer a cirurgia de reversão que ocorreu dia 22 de outubro. O médico operou meu corpo e ao mesmo tempo, Deus operou minha alma. E agora dois meses depois, Ele nos abençoou com a chegada desse novo bebe, dessa nova alma que está em nossas mãos para um dia devolvermos a Ele, ensinando os caminhos do céu, da Igreja Católica Apostólica Romana, junto com seus irmãos. Veja mais algumas fotos do casal no final do artigo. Qual a doutrina da Igreja sobre a vasectomia? O que a Igreja tem a dizer a respeito de intervenções cirúrgicas, ou quaisquer outros artifícios, que provoquem a esterilização das pessoas? É o que Padre Paulo Ricardo esclarece neste episódio de “A Resposta Católica” sobre a vasectomia. O sacramento do Matrimônio tem a abertura à vida como um de seus pilares ( o principal, na verdade ), tanto que na celebração do rito matrimonial o sacerdote pergunta de modo muito direto: “Estais dispostos a receber amorosamente os filhos como dom de Deus e a educá-los segundo a lei de Cristo e da sua Igreja?” Por esse e por muitos outros motivos, a Igreja não aprova a utilização de métodos que impeçam a fecundidade do casamento . É evidente que a “regulação da natalidade representa um dos aspectos da paternidade e da maternidade responsável”, porém, essa responsabilidade não “justifica o recurso a meios moralmente inadmissíveis (por exemplo, a esterilização direta ou a contracepção)” ( Catecismo , § 2399). Sendo a vasectomia uma intervenção cirúrgica cujo fim é esterilizar o homem, ela não é permitida pela Igreja. O ensinamento nesse sentido é muito claro, especialmente no documento da Congregação para a Doutrina da Fé à Conferência Episcopal norte-americana Haec sacra congregatio , de 13 de março de 1975, cujo teor transcrevemos: Qualquer esterilização que, por si mesma ou por sua natureza e condição própria, tem por único efeito tornar incapaz a potência procriadora deve ser considerada esterilização direta , assim como é entendida pelas declarações do Magistério pontifício, especialmente de Pio XII. Por isso, ela permanece absolutamente proibida segundo a doutrina da Igreja, não obstante toda reta intenção subjetiva dos que a praticam no intuito de curar ou de prevenir um mal físico ou psíquico que se pode prever ou recear como consequência de uma gravidez. E a esterilização da faculdade procriadora mesma é proibida mais estritamente ainda que a esterilização de atos determinados, porque acarreta para a pessoa quase sempre um estado de esterilidade irreversível. E não vale invocar mandato da autoridade pública que, pretextando a necessidade do bem comum, queira impor uma esterilização direta, pois isso lesaria a dignidade e inviolabilidade da pessoa humana. Também não se pode invocar aqui o princípio de totalidade pelo qual as intervenções nos órgãos são justificados pelo bem superior da pessoa; uma esterilidade procurada em si não visa o bem integral da pessoa humana desejado do modo justo, “guardada a ordem das coisas e dos bens”, pois ela causa dano a seu bem ético, que é o mais elevado, já que deliberadamente priva de seu elemento essencial a atividade sexual prevista e livremente escolhida. Por essa razão, o art. 20 do Código de Ética Médica, promulgado pela Conferência em 1971, traduz fielmente a doutrina a ser guardada e cuja observação deve ser urgida. Confirmando esta doutrina tradicional da Igreja, a Congregação não ignora o fato de existir a respeito dela dissensão da parte de diversos teólogos. Nega, porém, que a este fato se possa dar um significado teológico, como se constituísse um ‘lugar teológico’ que os fiéis poderiam invocar para, preterindo o magistério autêntico, aderir às posições dos teólogos que dele se afastam ( DH 4560-4561). A vasectomia é uma esterilização direta, tal qual a laqueadura. Apesar de ser tida como reversível, existem casos em que não é possível revertê-la. Quem estiver nesta situação deve ter bem presente diante de si a necessidade de viver em constante penitência pelo pecado cometido, o qual deixou consequências permanentes em seu próprio corpo — e facilmente pode levar a pessoa estéril a uma vivência irresponsável e egoística da sua sexualidade. É certo que nem toda intervenção cirúrgica que leve à esterilização pode ser considerada como um ato intrinsecamente mau em si mesmo. Contudo, “se efetuada com o fim de impedir a procriação, é uma ação intrinsecamente má por causa da ausência de direito no agente, já que nem a pessoa nem a autoridade pública têm poder direto de dispor dos membros do corpo que se estenda até lá.” É o que diz ainda uma Resposta do Santo Ofício, publicada no dia 11 de agosto de 1936 (cf. DH 3760-3765). Houve quem alegasse que a vasectomia seria motivo para a invalidação do sacramento do Matrimônio. Mas, no dia 13 de maio de 1977, a Congregação para a Doutrina da Fé emitiu um documento, intitulado Decreto sobre a impotência , negando essa possibilidade: A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé sempre sustentou que não se deve impedir o casamento aos que fizeram vasectomia e a outros que se encontram em semelhantes circunstâncias, já que não há total certeza de sua impotência. Pois bem, diante de tal práxis, e após reiterados estudos realizados por esta Sagrada Congregação e também pela Comissão para a revisão do Código de Direito Canônico, os Emmos. e Rvmos. Padres desta S. Congregação, na reunião plenária da quarta-feira, 11 de maio de 1977, decidiram responder às seguintes dúvidas a ela propostas: 1. Se a impotência que torna o casamento nulo consiste na incapacidade, antecedente e comprovadamente perpétua, seja absoluta ou relativa, de consumar a cópula conjugal. 2. Em caso afirmativo, se para a cópula conjugal se requer necessariamente a ejaculação de sêmen produzido nos testículos. A resposta é Afirmativa para a primeira questão; para a segunda é Negativa . Esta informação não atenua a imoralidade da vasectomia. Trata-se apenas de informar que alguém que se tenha submetido a tal intervenção cirúrgica pode contrair um matrimônio válido, pois, para a consumação do matrimônio, é preciso haver um ato sexual, o qual, tecnicamente, deve contar ( aviso de linguagem delicada ) com a ereção do pênis, a introdução deste na vagina e a ejaculação do líquido seminal (que não precisa necessariamente ter sido produzido nos testículos, mas em outras glândulas do aparelho reprodutor). Se isso acontecer, o matrimônio é válido. A doutrina da Igreja acerca da vasectomia é bastante clara e não deixa margem para dúvida. O que não se deve perder de vista é que “a fecundidade é um dom, um fim do matrimônio, porque o amor conjugal tende a ser fecundo”; e, de modo especial, que “a Igreja ensina que qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida” porque assim Deus quis. O ato conjugal possui dois significados, “o ato unitivo e o ato procriativo” ( Catecismo , § 2366), e Deus, em sua infinita sabedoria, achou por bem não separá-los. Mais algumas fotos do casal e os filhos: Leia também: Família, a pedra no sapato do marxismo
- Casal vende terreno para reverter vasectomia e são abençoados com 6º filho
Decididos por cumprir a promessa feita a Deus no altar, um casal abriu mão de um terreno a fim de reparar um grave erro proveniente de uma má orientação: a vasectomia. No último dia de 2019, Mônica e Anderson Ferreira vieram às redes sociais contar a todos uma excelente notícia que, até alguns meses antes, nem passava por suas cabeças que seria possível: estavam grávidos de mais um filho, o sexto! Esta notícia, que por si só é maravilhosa, não veio sozinha, mas acompanhada de um emocionante testemunho de conversão e que viabilizou este milagre. Quando o ano de 2019 começou, o casal que reside em Itaberá – SP, já com cinco filhos, não esperava que o ano terminasse com uma surpresa tão boa, isso porque durante a gestação de Francisco (5º filho), Mônica sofreu complicações de saúde e, em função disso, foram orientados a não terem outros filhos. Impelidos por esta orientação e principalmente pelo medo, decidiram se fechar à vida, e Anderson optou pela operação de Vasectomia. No testemunho, eles contam que durante algum tempo ficaram tranquilos, mas com o passar do tempo ficaram cada vez mais incomodados, pois sabiam que esta decisão impediria que pudessem cumprir a promessa feita diante de Deus, pelo sacramento matrimônio: “ Vocês prometem receber os filhos que Deus lhes enviar educando-os na fé do Cristo e da Igreja? – Sim prometo!” . Foi então que Deus colocou um anjo em seus caminhos, Padre Matheus Pigozzo , que através de suas postagens na internet, e diversas conversas pelo messenger, pouco a pouco ajudou que as escamas de seus olhos caíssem e pudessem compreender, portanto, a gravidade do erro que cometeram. Outro canal da graça de Deus, relata o casal em sei testemunho, que também foi muito útil e serviu de auxílio nessa tomada de consciência, foram os vídeos do casal Deia e Tiba que, em seu canal do YouTube, possuem diversos vídeos sobre a doutrina católica e família. Tudo isso permitiu que eles abrissem seus olhos e percebessem que a decisão que outrora haviam tomado, por medo e má orientação, não era a vontade de Deus, e isso os impulsionou a buscar a Santa Igreja para regularizarem sua situação. Eles perceberam que mesmo entre os católicos, enraizou-se uma mentalidade anti-católica de que há a necessidade de um controle de natalidade, ou uma expressão muito usada, mas que também é interpretada de maneira incorreta, a paternidade responsável. Tornou-se muito comum encontrar casais que sobem ao altar despreparados e que, desconhecendo a vontade de Deus, muitas vezes fazem a promessa no altar sem compreenderem o significado do que estão falando. São muitos os casais católicos que, por desconhecerem a doutrina da Santa Igreja, fazem uso de preservativos, métodos anticoncepcionais e até mesmo de cirurgias para evitarem os filhos, o que por sua vez configuram-se pecados graves , e impedem que possam receber a sagrada comunhão, isso até que se arrependam sinceramente, mudem seus hábitos e busquem o perdão de Deus através do sacramento da confissão. Leia também: Se os casais católicos não podem evitar filhos, para que serve o Método Billings? Retrato de uma Família Católica Como preparar-se espiritualmente para o parto? Decididos por cumprir a promessa feita a Deus no altar, um casal abriu mão de um terreno a fim de reparar um grave erro proveniente de uma má orientação: a vasectomia. Conscientes disso, e com profundo arrependimento e coração contrito, eles fizeram um bom exame de consciência e buscaram o sacramento da confissão e, deste modo, voltaram à comunhão. Entretanto isso não foi suficiente, pois já existia o desejo de reparar o erro cometido de maneira concreta. Eles decidiram então, fazer a reversão da vasectomia! Infelizmente, a sociedade é dirigida por pessoas que estão não se preocupam com o que há de mais valioso, a vida! Um exemplo disso é o fato de que a cirurgia de vasectomia é oferecida gratuitamente pelo SUS, enquanto a reversão dificilmente é possível pelo SUS, sendo necessário recorrer a clinicas particulares pagando um custo altíssimo. Mas isso não foi motivo para desânimo para o casal. Ajudados pela providência de Deus, e eles conseguiram vender um terreno e assim conseguiram o valor necessário para custear a cirurgia. Encontraram um médico experiente neste tipo de cirurgias e com a ajuda de Deus, a cirurgia ocorreu com sucesso no dia 22 de outubro de 2019. ” O médico operou meu corpo e ao mesmo tempo, Deus operou minha alma.” Dois meses depois, juntamente com a Festa do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, veio a confirmação do milagre de Deus concretizado, um novo bebê estava a caminho: “essa nova alma que está em nossas mãos para um dia devolvermos a Ele, ensinando os caminhos do céu, da Igreja Católica Apostólica Romana, junto com seus irmãos.” Leia também: Educação dos filhos: onde foi que eu errei? Um grave problema: Terceirizar a educação dos filhos Exame de Consciência para Crianças Leia o texto do casal postado nas redes sociais: Alguns podem se perguntar: mas vc não tinha operado? Durante a gestação do Francisco, nosso quinto filho , minha esposa teve um problema de saúde, e fomos orientados pela médica a não termos mais filhos, por medo nós nos fechamos a vida, fazendo a vasectomia. Durante um tempo estávamos tranquilos, mas no fundo sabíamos que não estávamos cumprindo a promessa que fizemos no altar, que é que aceitar os filhos que Deus quiser nos dar, e Deus nos enviou um padre na internet que muitas vezes veio conversar comigo no Mensseger e também através de suas postagens, os nossos olhos foram se abrindo com relação ao erro que havíamos cometido, e que essa não era a vontade de Deus. E também através do canal da Dea e Tiba. Depois dessa tomada de consciência, fomos buscar o que a Igreja nos pede e nos confessamos e depois veio o desejo de buscar reparar o erro e decidimos fazer a reversão da vasectomia. Graças a Deus conseguimos vender um terreno para arrumar o dinheiro para cirurgia e encontramos um médico em São Paulo muito experiente para fazer a cirurgia de reversão que ocorreu dia 22 de outubro. O médico operou meu corpo e ao mesmo tempo, Deus operou minha alma. E agora dois meses depois, Ele nos abençoou com a chegada desse novo bebe, dessa nova alma que está em nossas mãos para um dia devolvermos a Ele, ensinando os caminhos do céu, da Igreja Católica Apostólica Romana, junto com seus irmãos. Veja mais algumas fotos do casal no final do artigo. Qual a doutrina da Igreja sobre a vasectomia? O que a Igreja tem a dizer a respeito de intervenções cirúrgicas, ou quaisquer outros artifícios, que provoquem a esterilização das pessoas? É o que Padre Paulo Ricardo esclarece neste episódio de “A Resposta Católica” sobre a vasectomia. O sacramento do Matrimônio tem a abertura à vida como um de seus pilares ( o principal, na verdade ), tanto que na celebração do rito matrimonial o sacerdote pergunta de modo muito direto: “Estais dispostos a receber amorosamente os filhos como dom de Deus e a educá-los segundo a lei de Cristo e da sua Igreja?” Por esse e por muitos outros motivos, a Igreja não aprova a utilização de métodos que impeçam a fecundidade do casamento . É evidente que a “regulação da natalidade representa um dos aspectos da paternidade e da maternidade responsável”, porém, essa responsabilidade não “justifica o recurso a meios moralmente inadmissíveis (por exemplo, a esterilização direta ou a contracepção)” ( Catecismo , § 2399). Sendo a vasectomia uma intervenção cirúrgica cujo fim é esterilizar o homem, ela não é permitida pela Igreja. O ensinamento nesse sentido é muito claro, especialmente no documento da Congregação para a Doutrina da Fé à Conferência Episcopal norte-americana Haec sacra congregatio , de 13 de março de 1975, cujo teor transcrevemos: Qualquer esterilização que, por si mesma ou por sua natureza e condição própria, tem por único efeito tornar incapaz a potência procriadora deve ser considerada esterilização direta , assim como é entendida pelas declarações do Magistério pontifício, especialmente de Pio XII. Por isso, ela permanece absolutamente proibida segundo a doutrina da Igreja, não obstante toda reta intenção subjetiva dos que a praticam no intuito de curar ou de prevenir um mal físico ou psíquico que se pode prever ou recear como consequência de uma gravidez. E a esterilização da faculdade procriadora mesma é proibida mais estritamente ainda que a esterilização de atos determinados, porque acarreta para a pessoa quase sempre um estado de esterilidade irreversível. E não vale invocar mandato da autoridade pública que, pretextando a necessidade do bem comum, queira impor uma esterilização direta, pois isso lesaria a dignidade e inviolabilidade da pessoa humana. Também não se pode invocar aqui o princípio de totalidade pelo qual as intervenções nos órgãos são justificados pelo bem superior da pessoa; uma esterilidade procurada em si não visa o bem integral da pessoa humana desejado do modo justo, “guardada a ordem das coisas e dos bens”, pois ela causa dano a seu bem ético, que é o mais elevado, já que deliberadamente priva de seu elemento essencial a atividade sexual prevista e livremente escolhida. Por essa razão, o art. 20 do Código de Ética Médica, promulgado pela Conferência em 1971, traduz fielmente a doutrina a ser guardada e cuja observação deve ser urgida. Confirmando esta doutrina tradicional da Igreja, a Congregação não ignora o fato de existir a respeito dela dissensão da parte de diversos teólogos. Nega, porém, que a este fato se possa dar um significado teológico, como se constituísse um ‘lugar teológico’ que os fiéis poderiam invocar para, preterindo o magistério autêntico, aderir às posições dos teólogos que dele se afastam ( DH 4560-4561). A vasectomia é uma esterilização direta, tal qual a laqueadura. Apesar de ser tida como reversível, existem casos em que não é possível revertê-la. Quem estiver nesta situação deve ter bem presente diante de si a necessidade de viver em constante penitência pelo pecado cometido, o qual deixou consequências permanentes em seu próprio corpo — e facilmente pode levar a pessoa estéril a uma vivência irresponsável e egoística da sua sexualidade. É certo que nem toda intervenção cirúrgica que leve à esterilização pode ser considerada como um ato intrinsecamente mau em si mesmo. Contudo, “se efetuada com o fim de impedir a procriação, é uma ação intrinsecamente má por causa da ausência de direito no agente, já que nem a pessoa nem a autoridade pública têm poder direto de dispor dos membros do corpo que se estenda até lá.” É o que diz ainda uma Resposta do Santo Ofício, publicada no dia 11 de agosto de 1936 (cf. DH 3760-3765). Houve quem alegasse que a vasectomia seria motivo para a invalidação do sacramento do Matrimônio. Mas, no dia 13 de maio de 1977, a Congregação para a Doutrina da Fé emitiu um documento, intitulado Decreto sobre a impotência , negando essa possibilidade: A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé sempre sustentou que não se deve impedir o casamento aos que fizeram vasectomia e a outros que se encontram em semelhantes circunstâncias, já que não há total certeza de sua impotência. Pois bem, diante de tal práxis, e após reiterados estudos realizados por esta Sagrada Congregação e também pela Comissão para a revisão do Código de Direito Canônico, os Emmos. e Rvmos. Padres desta S. Congregação, na reunião plenária da quarta-feira, 11 de maio de 1977, decidiram responder às seguintes dúvidas a ela propostas: 1. Se a impotência que torna o casamento nulo consiste na incapacidade, antecedente e comprovadamente perpétua, seja absoluta ou relativa, de consumar a cópula conjugal. 2. Em caso afirmativo, se para a cópula conjugal se requer necessariamente a ejaculação de sêmen produzido nos testículos. A resposta é Afirmativa para a primeira questão; para a segunda é Negativa . Esta informação não atenua a imoralidade da vasectomia. Trata-se apenas de informar que alguém que se tenha submetido a tal intervenção cirúrgica pode contrair um matrimônio válido, pois, para a consumação do matrimônio, é preciso haver um ato sexual, o qual, tecnicamente, deve contar ( aviso de linguagem delicada ) com a ereção do pênis, a introdução deste na vagina e a ejaculação do líquido seminal (que não precisa necessariamente ter sido produzido nos testículos, mas em outras glândulas do aparelho reprodutor). Se isso acontecer, o matrimônio é válido. A doutrina da Igreja acerca da vasectomia é bastante clara e não deixa margem para dúvida. O que não se deve perder de vista é que “a fecundidade é um dom, um fim do matrimônio, porque o amor conjugal tende a ser fecundo”; e, de modo especial, que “a Igreja ensina que qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida” porque assim Deus quis. O ato conjugal possui dois significados, “o ato unitivo e o ato procriativo” ( Catecismo , § 2366), e Deus, em sua infinita sabedoria, achou por bem não separá-los. Mais algumas fotos do casal e os filhos: Leia também: Família, a pedra no sapato do marxismo
- “CONVERSÃO ECOLÓGICA” E GOVERNO MUNDIAL – Cardeal Raymond Burke
O que vejo por trás disso — “conversão ecológica” — é um estímulo à adoração da Mãe Terra. Na verdade, nossa mãe não é a terra, mas a Santíssima Virgem Maria, no sentido de que ela deu à luz nosso Salvador. Não temos outra mãe comum — e ela certamente não será um ídolo pagão como a Pachamama, cuja promoção revela muito bem o que está por trás de todo esse assunto. A adoração da Mãe Terra seria um objetivo, mas não o único. Da mesma forma, a “conversão ecológica” está sendo usada como argumento para implantar-se um governo mundial. É uma ideia maçônica; ideia de um povo completamente secularizado, que não mais reconhece que o governo do mundo está nas mãos de Deus, que o confia individualmente a governantes, nações e grupos de pessoas, de acordo com sua própria natureza. A ideia de um governo mundial é, basicamente, o mesmo fenômeno que fascinou os construtores da Torre de Babel, que presumiram possuir o poder de Deus para aproximar o céu e a terra, o que é um equívoco. O que realmente precisamos é de uma conversão religiosa; em outras palavras, uma sólida doutrina e uma sólida prática da fé em Deus, sempre obedientes à ordem com que Ele nos criou. Termos como “conversão ecológica” estão sendo usados para promover uma certa agenda que nada tem a ver com a fé católica. A Igreja sempre pregou o respeito pela natureza. Essa é a razão pela qual se ensina que o homem é o protetor da criação de Deus, devendo prestar contas por aquela criação que lhe foi confiada. Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança, isto é, com inteligência e livre arbítrio, precisamente para a missão de custodiar a terra. É o que devia ser ensinado às pessoas, e não a assim chamada “conversão ideológica”. https://thewandererpress.com/catholic/news/frontpage/interview-with-cardinal-burke-he-is-with-us-trusting-in-the-lord-in-turbulent-times/#more-27666
- O RELATIVISMO NÃO ESTÁ APENAS NOS TORNANDO IMORAIS, ESTÁ PREJUDICANDO NOSSA CAPACIDADE DE PENSAR
Não, você não perdeu a cabeça. As coisas realmente são loucas por aí. E você pode agradecer a algo chamado ditadura do relativismo. Parece que as pessoas perderam a cabeça? Que fizemos uma caminhada coletiva pelo espelho e nada é lógico, nada realmente faz sentido? Que você pode olhar as pessoas nos olhos, afirmar um fato científico e biológico, como “se você tem um cromossomo x e y e tem órgãos sexuais masculinos, então você não é uma mulher”, apenas para que eles o acusem de ser um odiador ou do lado errado da história? Ou faça um aborto. Mesmo alguns dos mais leais defensores do aborto admitem que um feto é um bebê é um ser humano. Mas isso não importa, porque uma mulher tem o direito de fazer o que quer “com seu próprio corpo”. É meio estranho. Como chegamos a esse nível de absurdo? Bem, como explico em um artigo recente na Intercollegiate Review, seja bem-vindo à "ditadura do relativismo", que, como disse o Papa Bento XVI, "não reconhece nada certo e que tem como objetivo mais alto o próprio ego e o próprio. desejos. " Como explico no artigo, encontrei esse tipo de relativismo difundido pela primeira vez em Yale. Eu vim de uma classe trabalhadora, na verdade acreditava na verdade, que era bonita e que merecia viver e até morrer por isso. Imagine minha surpresa quando cheguei a Yale (cujo lema é " Lux et Veritas " - Latina por "luz e verdade"), ao descobrir que grande parte do corpo docente e estudantil não acreditava na verdade com um "T" maiúsculo . Não, havia muitas verdades, o que obviamente me dizia que realmente não havia verdade alguma. Chuck Colson disse para testar a validade de uma visão de mundo, segui-la até sua conclusão lógica. A conclusão lógica do relativismo é um absurdo. Absurdo. Uma visão de mundo que mina suas próprias instalações. Pouco tempo depois de me formar em Yale, Allan Bloom escreveu seu famoso livro, O Fechamento da Mente Americana: Como o Ensino Superior Falhou na Democracia e Empobreceu as Almas dos Estudantes de Hoje . (Há uma legenda para você!). Bloom escreveu que “quase todo aluno que ingressa na universidade acredita, ou diz que acredita, que a verdade é relativa. Se essa crença for posta à prova ... eles não compreenderão. Que alguém considere a proposição como não evidente, os surpreende, como se ele estivesse questionando a questão 2 + 2 = 4. ” Bloom então conta a história da resposta de seus alunos ao costume hindu conhecido como sati: queimar uma viúva viva na pira funerária de seu marido. Os britânicos, é claro, proibiram o costume e lembraram aos sacerdotes hindus que os britânicos tinham um costume diferente: homens enforcados que queimavam mulheres vivas. Como os alunos reagiram? Bloom disse que seus alunos estavam tão imersos no relativismo que só podiam responder humildemente "que os britânicos nunca deveriam estar lá em primeiro lugar". O céu proíbe que eles admitam que é errado queimar mulheres vivas. Com o relativismo tão profundamente escondido em nossas escolas e cultura, não é de admirar que o cristianismo seja cada vez mais visto com um olhar ictérico. Afinal, os cristãos afirmam que existe uma Verdade "T" maiúscula e que somos feitos à Sua imagem - e que, portanto, toda vida humana é preciosa. Também ousamos acreditar em leis morais invioláveis - você sabe, como o casamento é sagrado e o adultério, errado. Nós somos meio loucos assim. Mas lembre-se da próxima vez que se sentir desesperado com a trajetória de nossa cultura: a ditadura do relativismo é construída sobre uma base de areia auto-contraditória. A verdade, como Shakespeare escreveu, será revelada. Sempre. Fontes: Reproduzido com permissão do BreakPoint.
- A PROPOSTA DO SÍNODO DE DAR AUTORIDADE ÀS CONFERÊNCIAS DOS BISPOS DESTRUIRÁ A IGREJA
A devolução da autoridade doutrinária e disciplinar às conferências dos Bispos é uma ideia perigosa, adverte A Voz da Família. Em um discurso agora famoso na Basílica do Vaticano, na véspera de sua eleição para o papado, o cardeal Joseph Ratzinger lamentou o que chamou de "ditadura do relativismo". Ele observou: Hoje, ter uma fé clara baseada no Credo da Igreja é frequentemente rotulado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se "jogar aqui e ali, carregado por todo vento de doutrina", parece a única atitude capaz de lidar com os tempos modernos. Estamos construindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e cujo objetivo final consiste unicamente no próprio ego e desejos. Lutar contra uma “ditadura do relativismo” que afirma que a verdade moral ou religiosa não é absoluta, mas relativa a situações, pessoas ou lugares, tinha sido um tema constante, se não dominante, do papado do Papa Bento XVI. O relativismo moral sustenta que não existe uma verdade moral ou religiosa que seja absolutamente verdadeira, ou seja, verdadeira, não importa para quem seja dita, quando for dita e onde. Em vez disso, os defensores do relativismo sustentam que proposições de tipo moral, como "Não matarás", podem ser verdadeiras para alguns, mas falsas para outros. Para o relativista moral: O casamento entre pessoas do mesmo sexo pode estar errado na África ou no Oriente Médio, mas no Ocidente.Possuir escravos pode ser adequado para algumas culturas, mas inaceitável para outras. A poligamia pode ser correta nos países muçulmanos, mas inaceitável em qualquer outro lugar e assim por diante… O relativismo moral constantemente tenta os responsáveis pelo bem comum, seja espiritual ou temporal. Observando a existência de uma grande variedade de crenças morais e religiosas, muitos líderes detestam afirmar, muito menos impor, um certo código moral ou doutrina espiritual, para que não percam a adesão e a cooperação do povo sob seu comando. Os governos democratas, naturalmente, são mais tentados ao relativismo, uma vez que os representantes eleitos precisam obter votos de grupos com visões religiosas e morais diferentes e muitas vezes opostas. É provável que esses políticos afirmem que as visões morais e religiosas profundamente defendidas por cada grupo são "verdadeiras para eles" e, portanto, respeitáveis. Como observou o papa Bento 16, no entanto, o relativismo moral é apenas um passo em direção ao individualismo - a visão de que cada indivíduo tem suas próprias verdades morais e espirituais, pois, segundo ele, o "objetivo final" do relativismo consiste "apenas no ego de alguém", desejos." O relativismo moral é, portanto, o começo de uma ladeira escorregadia que leva ao individualismo e à anarquia que atrapalha o Ocidente hoje: se é bom e apropriado que cada cultura tenha suas verdades morais e religiosas, então não há razão para que cada indivíduo não possa ter. dele também. Mas a ladeira não termina aí, pois o mesmo indivíduo que decidiu que era bom e apropriado que ele mantivesse sua própria verdade moral e espiritual, poderia então decidir que é bom e apropriado que as verdades morais e religiosas que ele mantém poderiam mudar de um dia para o outro. O Papa Bento XVI, então, viu claramente que o relativismo moral e espiritual era uma receita para a dissolução prática da moralidade e da espiritualidade, razão pela qual ele dedicou grande parte de seu papado a combatê-lo. Quão rapidamente esquecemos. Apenas dez breves anos após o importante discurso do Papa Bento XVI, o abade beneditino alemão Jeremias Schröder, relatando as discussões gerais realizadas durante o atual Sínodo Ordinário sobre a Família, disse em 14 de outubro deste ano que muitos pais sinodais pareciam estar defendendo o próprio relativismo que Bento XVI passou todo o seu papado denunciando. Ele disse: Muitos dos discursos nas discussões gerais mencionaram a possibilidade de lidar com perguntas com base em um determinado contexto cultural. Eu diria que houve cerca de vinte discursos e apenas dois ou três foram contra, alegando que, por causa da unidade da Igreja, a transferência de poderes teria consequências fatais. ...Eu, por exemplo, sou alemão e me parece que a questão dos divórcios de novo casamento é muito forte e amplamente sentida na Alemanha e muito menos em outros lugares. Essa é uma área em que poderia haver espaço para idéias pastorais originais, também no que diz respeito à compreensão da homossexualidade, uma questão que realmente varia de cultura para cultura. As Conferências Episcopais Nacionais podem ser autorizadas a procurar soluções pastorais que estão em sintonia com seu contexto cultural específico. (enfase adicionada) Este mesmo abade também é citado em um jornal alemão como tendo dito: Não precisamos de todo problema uma solução uniforme para toda a igreja que foi compilada em Roma. Talvez a igreja chegue a um acordo sobre o fato de que em diferentes regiões e sociedades do mundo outro contato com o complicado assunto Família é permitido. Um membro da ordem do Oriente Médio me disse recentemente: Um reconhecimento das formas de vida do mesmo sexo pela igreja seria concebível, puramente hipoteticamente, possivelmente na Europa. No entanto, no contexto islâmico, isso não seria de forma alguma. (ênfase adicionada, tradução Vox Cantoris) Essa palestra também lembra o de outro alemão, o cardeal Reinhart Marx, que afirmou em fevereiro deste ano que a Igreja na Alemanha "não era apenas uma subsidiária de Roma". Mas isso nada mais é do que a “ditadura do relativismo”, condenada por todo o papado de Bento XVI, aplicada à Igreja: o que é moral e espiritualmente certo ou errado, na prática, deve agora depender de qual conferência episcopal estamos falando. Verdade seja dita, essa tolerância tácita do relativismo pelos pais do Sínodo e pelo cardeal Marx foi prenunciada por nada menos que o próprio Papa Francisco, que escreveu, em sua exortação apostólica Evangelii Gaudium, que “um status jurídico das conferências episcopais que os considerariam sujeitos de assuntos específicos, atribuições, incluindo genuína autoridade doutrinária, ainda não foram suficientemente elaboradas. ”(ênfase adicionada) Essa observação foi seguida pela afirmação de que“ centralização excessiva, em vez de se mostrar útil, complica a vida da Igreja e seu alcance missionário”. Essas linhas estão contidas no parágrafo 32 de sua exortação, encabeçada por um apelo à "conversão do papado". Isso parece indicar que o papa Francisco estaria aberto à possibilidade de devolver parte do poder doutrinário do papado às conferências episcopais individuais. Se isso significa alguma coisa, significa dar às conferências episcopais o poder de adotar disciplinas e até doutrinas diferentes das de outras conferências. Será que um "papado convertido" seria aquele em que o papa se tornaria, para usar a frase de Bento XVI, um "ditador do relativismo" que reforça o relativismo moral e espiritual que reina entre as conferências episcopais? Nesse caso, a "ditadura do relativismo" dominaria toda a Igreja, quebrando-a em tantas partes quantas as conferências episcopais no mundo. O processo de dissolução não terminaria aí, no entanto. Pois, assim como o relativismo moral na sociedade em geral, o relativismo espiritual e moral na igreja provavelmente levará a um subjetivismo radical, onde "católicos" individuais, atropelados pelas restrições de suas conferências episcopais "autoritárias", o considerarão correto e adequado ter disciplinas e verdades religiosas sob medida para suas situações particulares. Uma futura exortação apostólica sugerirá uma "conversão do papado", devolvendo ainda mais os poderes do papado a esses indivíduos "oprimidos" ou "excluídos"? Antecipando o desastre que certamente se seguiria, se as conferências episcopais fossem dotadas de poder doutrinário e disciplinar, o cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, condenou toda a idéia como “uma idéia absolutamente anticatólica que não respeita a catolicidade da Igreja. ”De fato, católico significa literalmente universal, como em um código moral e espiritual universal que se aplica igualmente a todos, em todos os lugares, para todos os tempos; é a antítese do relativismo, que afirma que as verdades morais e espirituais são verdadeiras apenas para alguns ou para um tempo específico. Além disso, o cardeal Raymond Leo Burke rejeitou recentemente a visão de que os bispos locais ou conferências episcopais poderiam ter autoridade em nível pastoral para lidar com questões morais, condenando a proposta como “simplesmente contrária à fé e à vida católicas”, passando a afirmar que "Não há mudança nessas verdades, de um lugar para outro ou de um tempo para outro." A devolução do poder do papado para as conferências episcopais compromete, portanto, tanto a catolicidade (universalidade) quanto a unicidade (unicidade) da Igreja, tornando-a uma miscelânea de “igrejas”, todas operando sob suas próprias regras e crenças e, finalmente, , fascinado pelos caprichos dos egos individuais que os povoam. Afastando-nos da tentação de satisfazer nosso ego, o cardeal Ratzinger nos mostra, novamente por meio de seu discurso na basílica do Vaticano, a saída dessa bagunça: ele nos convidou a adotar uma “fé adulta que se recusa a seguir as tendências da moda e da moda”. a mais recente novidade. ”Em vez de abraçar um relativismo perigoso, que nada mais é do que uma máscara para uma fé infantil“ jogada aqui e ali, carregada por todo vento de doutrina ”, devemos olhar para Cristo. Pois somente através da amizade com ele podemos obter "um critério seguro para distinguir o verdadeiro do falso e enganar da verdade", escapando assim à "ditadura do relativismo" que nos ameaça a todos. ROMA, 17 de outubro de 2015. Fontes: Voz da família
- O VATICANO, NA ONU, REAFIRMA POSIÇÃO CONTRA PRESERVATIVO PARA PREVENÇÃO DO HIV/AIDS
Na sede das Nações Unidas, terça-feira, o representante do Vaticano, pe. Philip Bené reiterou a posição de longa data da Santa Sé contra o uso de preservativos, mesmo para a prevenção da Aids. Embora a posição tenha acusado o Papa de "crimes contra a humanidade" e tenha sido ridicularizada pela grande imprensa e líderes políticos, a Igreja Católica, no entanto, se recusou a ser intimidada pelas críticas. Falando na Terceira Comissão da Assembléia Geral da ONU, em Nova York, na terça-feira, 22 de novembro de 2011, sobre uma resolução sobre os Direitos da Criança, pe. Bené afirmou: “a Santa Sé não apoia de maneira alguma a contracepção ou o uso de preservativos, como medida de planejamento familiar ou em programas de prevenção ao HIV / AIDS.” A tenacidade da Igreja Católica sobre o assunto é notável, dada a enorme pressão dirigida à instituição sobre o assunto. Pe. Os comentários de Bene seguem os passos recentes do próprio Papa na África, onde ele reiterou o mesmo ensinamento. No domingo, 20 de novembro, o papa Bento XVI apresentou seu documento - Africae Munus - para mapear a evangelização do continente nos próximos anos. O documento de 55 páginas falou sobre a AIDS, observando que, embora a Igreja tenha incentivado uma resposta médica e farmacêutica, o problema é mais profundo. "Acima de tudo, é um problema ético", disse ele. "A mudança de comportamento que exige - por exemplo, abstinência sexual, rejeição da promiscuidade sexual, fidelidade no casamento - envolve a questão do desenvolvimento integral , que exige uma abordagem global e uma resposta global da Igreja." O significado dessa postura pode ser facilmente esquecido. Lembre-se que em sua primeira viagem à África como papa, Bento XVI, inadvertidamente, enfureceu a esquerda quando observou que a AIDS "não pode ser superada pela distribuição de preservativos, o que agrava até os problemas ". Ele disse que o "ensino tradicional da Igreja" sobre castidade fora do casamento e fidelidade dentro dela provou ser "a única maneira certa de impedir a propagação do HIV e da AIDS". Ele acrescentou que, embora "tenhamos que sofrer com quem sofre" e dar maior apoio àqueles que estão doentes com a doença, o combate à aids na África depende da promoção de "comportamento correto e moral". No dia seguinte ao papa fez seus comentários, o governo da Espanha, fortemente anticatólico, anunciou que enviaria mais de um milhão de preservativos aos países africanos. O Ministério das Relações Exteriores francês considerou os comentários do papa uma "ameaça às políticas de saúde pública e o dever de proteger a vida humana", enquanto o ministro holandês do desenvolvimento disse que era "extremamente prejudicial" e que "o papa está piorando as coisas". O Parlamento belga chegou ao ponto de aprovar uma resolução 95-18, considerando os comentários do Papa "inaceitáveis" e forçando o enviado belga ao Vaticano a "condenar as afirmações inaceitáveis do Papa durante sua viagem à África e a protestar oficialmente ao Santo Vejo." Enquanto isso, um dos principais especialistas em AIDS do mundo confirmou que a ciência apoiava a afirmação do Papa de que os preservativos exacerbam a AIDS. Edward C. Green, diretor do Projeto de Pesquisa em Prevenção à Aids do Centro de Estudos de População e Desenvolvimento de Harvard, disse que as evidências confirmam a validade das observações do papa . A grande mídia tentou distorcer a posição do papa (e reivindicar vitória na luta) interpretando mal os comentários em sua entrevista de 2010 com o repórter Peter Seewald. A manchete do New York Times dizia: "Em casos raros, o Papa justifica o uso de preservativos" e o London Telegraph gritava "O Papa aprova o uso de preservativos na luta contra a Aids". Até alguns meios de comunicação católicos aumentaram a confusão sobre o que o Papa quis dizer com seus comentários. A entrevista de Seewald registrada no livro 'Light of the World', na verdade fez o Papa rejeitar o uso de preservativos. "Não podemos resolver o problema [da AIDS] distribuindo preservativos ...", disse ele, acrescentando que "a pura fixação no preservativo implica uma banalização da sexualidade". Em vez disso, a mídia concentrou a atenção em um cenário hipotético levantado pelo Papa, no qual ele novamente não aprovou o uso de preservativos na prevenção da Aids. Além da correção da mídia pela editora do livro, cerca de 40 bispos de todo o mundo falaram publicamente para afirmar a posição imutável do Vaticano contra os preservativos como medidas de prevenção da Aids. O que o exposto acima demonstra é uma nova estratégia da liderança da Igreja Católica para enfrentar a cultura, mesmo nas questões mais difíceis. Parece que as táticas frequentemente usadas e fracassadas de evitar situações difíceis, de tentativas de ofuscar ou de comprometer estão sendo deixadas de lado. Bento XVI percebe que, quando a verdade é posta de lado por correção política, para cumprir ideais de civilidade ou para alcançar falsa unidade e falsa paz, o mundo é prejudicado pela falta de verdade que a Igreja é chamada a trazer a ela. Quando a verdade é ousadamente proclamada e mantida, apesar da perseguição, até os inimigos da verdade são forçados a ver que os oponentes de suas ideologias seculares ou liberais realmente acreditam em seus ensinamentos e estão dispostos a sofrer por eles. Isso acaba gerando um certo respeito por parte dos críticos e uma abertura para repensar suas próprias posições defeituosas. O Papa Bento XVI entende que essa sempre foi a única maneira de evangelizar, para o benefício de todas as pessoas. Fontes: LifeSiteNews
- O INVESTIMENTO INTERNACIONAL PARA O CRESCIMENTO DAS SEITAS OS PENTECOSTAIS E A POLÍTICA
O INVESTIMENTO INTERNACIONAL PARA O CRESCIMENTO DAS SEITAS OS PENTECOSTAIS E A POLÍTICA Ao analisar as implicações e efeitos dessa situação, o informe do CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) é um organismo da Igreja Católica fundado em 1955 pelo Papa Pio XII a pedido dos bispos da América Latina e do Caribe), observa que a polarização política das seitas repercute fortemente sobre a vida da América Latina e também da Igreja Católica, porque sua influência está mudando a vivência religiosa, tanto no âmbito urbano, quanto rural. Tal afirmação pode ser comprovada ao se constatar as inúmeras conversões ao pentecostalismo, Testemunhas de Jeová, Mórmons, entre outras, com destaque para o trabalho incansável de seus missionários. Essa verdadeira migração religiosa demonstra que o povo espera e busca uma solução sacral, ou seja, de natureza religiosa para seus problemas fundamentais. Para efeito do melhor entendimento deste estudo, importa salientar que por espectro político de direita, considere-se o perfil republicano norte-americano chamado neoconservador, fortemente influenciado pelo protestantismo/ neo-pentecostalismo, pelo movimento sionista e pela maçonaria. “A polarização das seitas afeta profundamente os movimentos de direita e de esquerda e o aspecto religioso é visto envolvido na luta violenta entre a repressão e a guerrilha. Afirma o relatório que a direita religiosa chega a manipular recursos superiores aos da própria Agência Central de Inteligência (CIA) em algumas áreas, como na Guatemala.” “De fato, naquele país as seitas religiosas têm sido, para o exército e o governo em sua guerra contra a guerrilha, tão imprescindíveis quanto as armas automáticas e os helicópteros americanos. É praticamente igual à ajuda das seitas e auxílio militar que provém direta ou indiretamente dos Estados Unidos em apoio aos governos militares direitistas e com o objetivo de acabar com o comunismo na Guatemala. Defensores da presença norte-americana na Guatemala importam dinheiro, política, valores e um esquema religioso pré-fabricado pelas seitas fundamentalistas e proclamam, ali, a união de exército, religião e governo na luta contra a guerrilha. As seitas constituem uma eficaz arma contra-revolucionária e são responsáveis pelos massacres e extermínios, justificados com a BÍBLIA na mão da ditadura e a “pacificação” como obra de Deus.” EM NOME DE DEUS “O informe do CELAM constatou que a maioria das seitas, orienta seu trabalho de catequese preferencialmente na direção das classes mais necessitadas, as quais procuram converter e manter sob sua influência através da assistência social, que compreende ajudas efetivas em dinheiro e alimentação. Essa ajuda, com frequência, representa também prémios para aqueles que conseguem novos adeptos para as seitas. Do mesmo modo, em países mais pobres é significativa a participação delas nos programas educativos. Cita o caso do Haiti, onde os dirigentes das seitas praticamente apoderam-se das crianças nos berçários e dirigem todo o seu processo educativo até a formação completa, de modo a capacita-las a se tomarem membros, igualmente, dos quadros evangelizadores.” O trabalho de aliciamento das seitas não se limita a áreas urbanas e envolve os complexos processos migratórios de camponeses até as cidades e as profundas alterações ocorridas nos meios rurais causadas por inúmeros problemas ligados ao desenvolvimento. Para todos os migrantes, incluídos os que são compelidos a se mudarem por motivos políticos. As seitas dão esperança, consolo, autoconfiança apontando, assim, o “sentido da vida”. As seitas dedicam um carinho especial às vítimas de perseguições políticas na América Latina. “A problemática das seitas apresenta-se diferente em cada país da América Latina. Assim, por exemplo, se no Brasil, a preocupação é o vertiginoso crescimento do pentecostalismo, a escalada dos Mórmons é que merece atenção especial no Chile e na América Central, além da radicalização política dos grupos fundamentalistas que faz a dor-de-cabeça da Igreja Católica. Interessante é notar que, no chamado avanço das seitas, é o pentecostalismo que ocupa, invariavelmente, o primeiro plano, pois somente no Brasil, México, Chile e El Salvador encontramos 93% dos seus adeptos, que constituem cerca de 60 por cento de todos os evangélicos da América Latina.” Comprovou o informe do CELAM que todas as seitas utilizam os mesmos processos para atrair e doutrinar as pessoas em suas reuniões e assembléias. A música e os cantos populares ocupam lugar de destaque na criação de uma atmosfera de confraternização. Ali todos se consideram à vontade, realizados, alvos de atenção. Recebem dons espirituais, não raro algum “ministério” que dá prestígio e um posto representativo na hierarquia. O canto com coro, a oração coletiva em voz alta, as aclamações, as exclamações e os testemunhos vibrantes de salvação e bênção de Deus completam o clima de exaltação e êxtase. A maioria das seitas é bem recebida no meio da população com problemas de alfabetização; em outras situações oferecem aos crentes alternativas terapêuticas que prometem resolver inúmeros problemas de saúde física e psíquica. Exercem esse dom de “cura divina” como missão de caridade, mas também o utilizam como meio de pressão e intimidação, sobretudo sobre as pessoas menos esclarecidas, que são ameaçadas de possessão diabólica e maldição, caso saiam das normas da seita. Aos convertidos, ao contrário, é dada a possibilidade de três importantes experiências: o arrependimento de uma vida pecaminosa e mundana; a conversão, seguida do ritual do “batismo nas águas”, o qual marca a regeneração e a consciência plena de estar salvo em Cristo; a santificação completa, alcançada através do batismo com o Espirito Santo. Um exemplo atual do sectarismo e do individualismo é o G12, seita criada pelo pastor colombiano César Castellanos Dominguez – Missão Carismática Internacional – e foi introduzida no Brasil em 1998 pelo Apóstolo Renê Terra Nova, fundador do Ministério Internacional da Restauração, após participar de um encontro da MCI, em Bogotá. Terra Nova adotou nova nomenclatura para a Visão Celular que passou a se chamar Movimento Celular ou M-12. O G12 é um movimento que nasceu inicialmente no seio do neo-pentecostalismo, com o propósito de provocar o crescimento das igrejas evangélicas através de pequenos grupos conhecidos como células. Essas células atuam em reuniões nas casas dos fiéis e geralmente são compostas por doze pessoas. Essa nova visão é a grande responsável por orientações entre o meio protestante de abandonarem as tradições cristãs como o Natal, por exemplo. Eles têm uma “intenção” neo-pentecostal, sendo por vezes bem recebidos em algumas igrejas, embora rejeitados em outras. As principais críticas ao movimento são, em primeiro lugar, o fato do participante do encontro ter o seu “renascimento” para Cristo (igrejas tradicionais, não aceitam o novo “nascimento”). Depois, em relação às doutrinas, há uma série delas que não são aceitas pelas denominações tradicionais e pentecostais clássicas, tais como: batalha espiritual, quebra de maldições, cobertura espiritual, atos proféticos, cura interior, etc. Vemos um novo tipo de protestantismo surgir na atualidade. Reforçando a questão da busca de terreno pelas seitas na América latina, esse G12 e outros movimentos dão continuidade a toda aquela transformação de costumes incutindo nos fiéis a necessidade de manutenção de um estilo de religiosidade sectária, através de um comportamento ético isolado do mundo. Procura-se, por esse meio, renovar no convertido o sentimento de haver superado sua condição anterior e propõe-se-lhe uma moral rigorosa, com algumas proibições mas sem sacrifícios exagerados. As verdades devem ser aceitas sem juízo crítico. “O fundamentalismo, na interpretação bíblica, dá origem ao individualismo e repudia todo critério de unificação. O comum, então, é a salvação pessoal, sem intermediários. Nisso, justamente, está centrada toda a intensa atividade de proselitismo das seitas, iniciada, via de regra, com perseverante trabalho de doutrinação individual de porta a porta.” “As seitas têm características peculiares. Algumas oferecem proteção e segurança aos convertidos nas diversas situações de crise individual, mas todas têm respostas prontas e objetivas para todas as necessidades imediatas, detendo-se minuciosamente nas questões particulares de cada um. Na interpretação flexível da Bíblia, encontram soluções para os mais complexos problemas existenciais e saídas relativamente claras e não ambíguas para quaisquer dificuldades do cotidiano. Exercitam isso com extrema convicção, pois consideram-se o único caminho de esperança nesse mundo caótico, os verdadeiros olhos de Deus para conduzir a humanidade aflita por salvação eterna.” Politicamente as seitas são, em geral, excessivamente submissas à lei, à ordem e às autoridades em todos os níveis. Mas no Brasil vemos que já criam problemas. Vemos um abuso na relação com outros grupos religiosos, e até uma aliança com traficantes para não permitir religiões que não os interessam. Estão sendo amplamente envolvidas em atuação política, querendo transformar a sociedade, não mais apenas salvar o homem; suas postulações surgem mais dóceis, mais controláveis, portanto, pela situação dominante. Sem consciência revolucionária, as seitas podem representar perigo para o status quo, porque os seus líderes podem as manipular à vontade. Isso não era muito comum, por isso certos governos fizeram uso em infiltrá-las em áreas críticas em outros países, a fim de contrapor a sua passividade política ao ativismo religioso em favor da solução de questões sociais, como ocorre frequentemente com a lgreja Católica. UM MAPA REDESENHADO “Conquanto o então presidente americano Theodore Roosevelt, em 1912, percorrendo a Patagônia (Argentina) tenha dito, cheio de mágoa, que “será Ionga e difícil a absorção desses países pelos Estados Unidos, enquanto forem países católicos”: Dizer que o incremento da penetração das seitas na América Latina é um projeto ideológico americano pode ser uma assertiva tão fácil e simplista, quanto ignorá-la.” “Por mais que se acumulem as evidências que robustecem a suspeita, seria temerário, como já observamos, concluir que haja um plano ordenado e sistemático naquele sentido. Não autoriza este juízo o fato de os Estados Unidos sediarem a totalidade das seitas que de lá desencadeiam o proselitismo sobre a América Latina, podendo também ser coincidência que o grosso do esquema financeiro que sustenta as atividades dos novos grupos religiosos seja da mesma procedência. É preferível adotar uma posição ingênua à primeira vista, do que avançar em acusações carentes de provas, embora os fatos sejam exageradamente auto-evidentes.” O melhor entendimento das mutações religiosas na América Latina, daqui para a frente será alcançado certamente se evitarmos, na medida do possível, o emprego do termo evangélico ou evangélicos, cujo significado é diferente em cada lugar. No sul do Brasil, por exemplo, é usado especificamente para designar os membros da lgreja Evangélica de Confissão Luterana. No restante do País, a acepção é mais ampla e tanto serve para chamar, todos os protestantes, independentemente de igreja ou denominação, como também tem a conotação de “crente”, pessoa ligada a um movimento pentecostal. “Assim é conveniente então, não o empregar, mesmo porque pode ser confundido e não é sinônimo de evangelical ou evangelicals (no plural), termo largameme usado nos Estados Unidos para designar uma corrente espiritual que conta com mais de 70 milhões de adeptos.” O evangelismo americano, que não é igreja ou denominação particular, como eles dizem é um modo especial de sentir Jesus e não uma doutrina, essa é a origem dos movimentos atuais que repetem a frase “igreja somos nós”. É um movimento mais identificado com o “avivamento” que animou os grandes pregadores do século XVIII, notadamente George Whitefield e Jonathan Edwards. Enfatiza o aspecto da conversão pessoal e da salvação eterna, em detrimento da dimensão social e histórica do cristianismo, sendo, pois, contra o ecumenismo. “Os evangelicals crescem em importância política a cada dia. O ex-presidente Reagan, aliás, com o intuito de obter-lhes o apoio, implantou na Casa Branca um escritório especial para cuidar dessas relações, a exemplo dos que já funcionavam para as igrejas protestantes tradicionais, os católicos e os judeus.” Vale lembrar que apenas 30 por cento dos 38 milhões de protestantes da América Latina pertencem a igrejas históricas ou tradicionais. A imensa maioria (70 por cento) já é composta de convertidos às novas seitas, notadamente as pentecostais, as quais reivindicam uma fatia cada vez maior na preferência religiosa nesta parte do continente, onde, como se sabe, 340 milhões seriam católicos. Esses números é que assustam o episcopado latino-americano e eles se tornam mais inquietadores à medida em que se constata que o crescimento dos chamados movimentos religiosos livres ou seitas verifica-se a uma taxa anual superior a 15%. O avanço frenético das novas seitas na América Latina, com efeito, é notado imediatamente à partir da fronteira norte do México. Hoje, em contraposição à modesta expansão das igrejas protestantes históricas, os Mórmons, o Movimento Moderno, a igreja Apostólica Fé em Cristo, a Ciência Cristã, os Discípulos de Cristo e dezenas de outras seitas pentecostais, todas vindas dos Estados Unidos, perturbam a, até então, tranquila supremacia que a Igreja Católica desfrutava no país até um século atrás. “O pentecostalismo mexicano perde em expressão apenas para o chileno e o brasileiro. Tem quase 2 milhões de crentes, boa estrutura, desenvolve intenso trabalho de proselitismo, mantém duas boas publicações regulares, inclusive de larga circulação nacional: “El expositor biblico cristiano” e “ Hechos de los apostoles”, mas impressionantes mesmo são os Mórmons, cerca de um milhão no país, cuja perfeita organização dispõe até de um cadastro microfilmado, com o registro de todos os adeptos no México, arquivado em Salt Lake City, capital espiritual do movimento religioso em todo o mundo.” “Aqui, vamos começar a perceber a presença das instituições chamadas transconfessionais, que que são organizações geralmente fundadas por evangelicals não históricos ou tradicionais, quase sempre fundamentalistas, não subordinadas a nenhuma igreja ou denominação religiosa. A “transconfessionalidade” não visa a coordenar ou promover a ação ou trabalho desenvolvido por várias igrejas pois, nesse caso, seria chamada interconfessional ou interdenominacional, como a Associação Cristã de Moços, que tem 12 mil sedes em 94 países. Sem a participação de católicos, perdem, também, o carater ecuménico. As transconfessionais, as faith missions (missões de fé), comumente atuam na área da evangelização, operando ou apoiando missões bíblicas ou executando projetos considerados úteis à fé cristã, sem compromisso denominacional. São mantidas por fundações e por recursos oriundos de grandes corporações empresariais, na maioria multinacionais e, a seu turno, financiam projetos de outros organismos religiosos ou leigos. As transconfessionais, via de regra, são ligadas a entidades ultraconservadoras e mesmo de direita, portanto, anticomunistas. Velada e subliminarmente empenham-se na inculturação das populações com as quais se relacionam, procurando converter ao modo de vida americano, o padrão ocidental cristão e capitalista.” Jancsó István, A construção dos estados nacionais na América latina, MONTEIRO DE LIMA, Delcio, os demônios descem do Norte. #USA #maçonaria #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Doctrinaldevelopment



























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