top of page

Como resgatar a cultura ocidental

4 de jan. de 2020
5 min de leitura

Não é nenhuma grande novidade, nossa cultura caminha a passos largos rumo a completa degradação. O que temos presenciado parece ser o grito agonizante de um corpo prestes a padecer.

Após testemunhar tempos áureos de produção cultural, onde a visão cristã de mundo proporcionou nomes como T.S Eliot, Shakspeare, Dostoiévski, J.R.R Tolkien, Mozart, Bach, Rembrant, Caravaggio e tantos outros, vivemos o declínio do que um dia foi uma grande e pujante cultura ocidental.

Para o próprio T.S Eliot, cultura associa-se ao desenvolvimento do indivíduo, e de nenhuma maneira poderia estar separada e independente da religião. Mas ao criar essa separação, o mundo moderno decretou a sua própria falência.

Os movimentos seculares progressistas possuem o que é chamado “fé no progresso”. Uma crença de que conforme a sociedade avança através história, com as inovações tecnológicas  e tudo mais, o ser humano automaticamente progride. Uma fé de que as coisas estão em constante movimento de melhora e que tudo irá ser perfeito em um futuro próximo. Já que para eles Deus não existe e o paraíso celestial é uma ideia ultrapassada, só os resta a ação prática de formar na Terra seu próprio paraíso. Quanto engano!

O desenvolvimento tecnológico não aperfeiçoou o homem moralmente, não o tornou mais elevado espiritualmente, mais sábio e com conhecimento sobre si mesmo. Muito pelo contrário. Vivemos tempos de aumentos exponenciais de doenças ligadas a psique humana. Não a toa a palavra psykhé, de origem grega,  é usada para descrever a alma.

Vivemos tempos de profundas crises existenciais, que se refletem totalmente em nossa cultura. O homem perdeu-se de si mesmo. A degradação cultural é apenas reflexo da degradação interior. Nossa apostasia reflete a formação da cultura a nossa volta. Aquilo que prezamos, será exaltado,  e aquilo que desprezamos, será rejeitado. Partindo dessa premissa, podemos identificar aquilo que tem dominado o coração e a mente da modernidade.

Nada é fruto do acaso, a cultura não se enriquece ou decai por interferências dos astros ou por um processo fixo natural. São nossas crenças individuais que moldam a sociedade. Ao contrário do pensamento rousseauniano, a sociedade não corrompe ninguém, são os indivíduos com suas cosmovisões que tem o poder de corrompe-la, ou engrandece-la. A nossa crise cultural é reflexo de uma crise espiritual, que tem atormentado as consciências e abalado a convivência humana.

Como conseguimos descer tanto na escala cultural? Como nossa cultura se tornou sinônimo de hiper sexualização?  Como nossa produção literária se resume a contos eróticos e auto ajuda de quinta categoria? O que aconteceu?

E isso não é um problema apenas do Brasil. Nos EUA, a maioria da produção cultural também são apenas versões “american style” do manifesto declínio cultural. O excesso de consumo de programas inúteis de TV, a falta de leituras úteis a mente e ao espírito, influenciaram a mente moderna e levaram a plena exaltação dos vícios e rejeição das virtudes. Aquilo que em tempos remotos era motivo de vergonha e embaraço social, hoje é exaltado e celebrado como a mais alta manifestação sócio cultural.

A espiritualidade moderna (ou a falta dela), tem se manifestado de diversos modos curiosos. Uma visão peculiar é a atual visão “espiritualista sem Deus”, o pessoal da ‘good vibes’, mapa astral e outras besteiras do tipo. Rejeitam o Deus pessoal e criador, pois esse conceito está atrelado demais ao cristianismo; e apelam a um deus impessoal, amorfo e desconhecido, como se a natureza ou alinhamento de galáxias tivessem soberania sobre sua vida. Ou ainda pior, a visão materialista, sem Deus, sem esperança da redenção no plano metafísico, depositando todas suas fichas no plano material, no aqui e agora, reduzindo toda a complexidade da existência a mera matéria.

Ambas possuem um imaginário errado do que é o cristianismo, da revelação de Deus em Cristo e do plano de salvação. Sua cosmovisão é fruto da rejeição do que não chegaram nem a conhecer. Não por acaso são os grupos mais atraídos por ideologias massificantes, que substituem a religião com propostas de salvação imanente. O paraíso não pode esperar o advento de Cristo, mas precisa ser implementado por nossas próprias mãos.

As nossas crenças formam nosso imaginário, são como lentes de um óculos com os quais enxergamos a realidade e buscamos interpretá-la. Mas se sua lente estiver embaçada ou quebrada, isso trará problemas, e é com isso que estamos sofrendo.

Viktor Frankl, o famoso psiquiatra austríaco e fundador da escola de Logoterapia, consegue trazer dados clínicos que exprimem melhor essa crise espiritual, que no fundo, também é uma crise existencial.  Ele demonstra que a maioria dos jovens universitários e adultos entrevistados, afirmaram não enxergar nenhum sentido ou propósito em suas vidas. Pessoas que aparentemente possuíam tudo, casa, independência financeira e status social, disseram que sentiam um grande vazio existencial.

Perceber que não há propósito na vida nos mantém em dificuldade e perplexidade diante da realidade.

A decadência cultural é um reflexo da crise existencial do ser humano, que na tentativa de suprimir seu anseio natural pelo belo, justo e bom, reveste-se daquilo que tem de mais acessível, os prazeres imediatos da carne. A cultura pode refletir nossa grandeza, mas também revela nossa miséria.

Muitos se afundam nos seus vícios, tudo na tentativa de obter picos de felicidade e preencher o vazio da alma. Ou ainda, tentam entorpecer a mente para que sua consciência não os lembre do vazio existencial e toda a angústia interior.

Mas se as almas não forem salvas, nada mais se salvará. De nada adianta querer salvar o mundo, instituir a ordem, preservar o que o homem construiu ao longos dos séculos, se estamos perecendo com o que temos de único e mais importante, nossa alma.

A luta do cristão não é contra a carne e sangue, mas contra os principados e potestades que regem o coração do homem pecaminoso. E o nosso coração entregue aos próprios vícios é um escravo do pecado, que tem arrastado toda uma cultura ao abismo. O homem nunca encontrará alívio enquanto não encontrar aquilo que busca. Na verdade, ele ainda não conhece muito bem o que tem buscado, por isso acaba se contentando com qualquer coisa que encontre. É como um mendigo, acostumado a revirar o lixo, se contenta com as migalhas espalhadas pelo chão, quando na verdade foi convidado a um grande banquete.

O mundo é construído ou destruído de dentro para fora. Da mesma forma que as guerras existentes são manifestações macrocósmicas de conflitos interiores do homem, a cultura é manifestação do seu interior, do seu bem pensar, crer e agir.

O resgate da cultura é o resgate do homem. E o resgate do homem é a obra da redenção de Cristo Jesus, o Deus que se fez carne para livrar-nos da condenação e jugo do pecado. Cristo é o ponto de partida para qualquer tentativa de resgate cultural, pois somente Ele pode regenerar um homem que foi feito escravo dos seus vícios e pecados e que tem refletido essa degradação em tudo a sua volta.

A cultura nunca será salva sem a regeneração do homem, ela é apenas reflexo do que habita a sua mente e coração.

 
 
 

Posts Relacionados

Ver tudo

Comentários


CONTATO
Avalie-nosRuimNão muito bomBomMuito bomÓtimoAvalie-nos

Agradecemos pelo envio !

© 2019 - 2023. INTERVENÇÃO DIVINA - Criado por Divino Design.

Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

bottom of page
ConveyThis