O INVESTIMENTO INTERNACIONAL PARA O CRESCIMENTO DAS SEITAS PENTECOSTAIS NA AMÉRICA LATINA UM PERIGO

O INVESTIMENTO INTERNACIONAL PARA O CRESCIMENTO DAS SEITAS PENTECOSTAIS NA AMÉRICA LATINA
UM PERIGO SOCIAL
Agora vamos falar de eventos e estratégias que se harmonizaram por toda a América Latina, eventos que como vamos observar, tem um grande desenvolvimento nas décadas de 80/90, até o que estamos vivendo atualmente.
Um primeiro exemplo é a comemoração dos 100 anos de protestantismo na Guatemala que foi marcada pela festejada verificação de que o seu contingente de adeptos ultrapassava a 25% da população, dos quais 84% são pentecostais. Foi uma constatação animadora, em vista da situação anterior ao período Rios Montt, que registrava 13 ,9% de protestantes , com os pentecostais girando em tomo de 50%. Mas, o que realmente aconteceu no pais para justificar tamanha virada?
De março de 1982 a agosto de 1983, a Guatemala esteve sob a ditadura de Efrain Rios Montt, um estranho militar graduado pela “Dale Carnegie School” e que subiu diretamente do posto de cabo ao de general e chefe do Estado-Maior do exército guatemalteco, ascensão que teve de permeio uma passagem pelo treinamento americano em contra-revolução no Panamá e a direção do Colégio Interamericano de Defesa, em Washington. Em 1974. apesar da fraude eleitoral, foi fragorosamente derrotado na disputa da presidência da República e seguiu, então, para um período de descanso na Espanha, como diplomata. Quando voltou, em 1978, renunciou ao catolicismo e instalou no país a “Igreja da Palavra de Deus” ou “El Verbo”, uma seita financiada pela missão transconfessional “ Gospel Outreach”, da Califórnia. E não fez outra coisa a não ser cuidar de assuntos espirituais, construir casas de oração, engajar adeptos, enfim, expandir sua seita, até março de 1982, quando um golpe militar o colocou no poder.
A assessoria de governo de Rios Montt era toda da Igreja do Verbo e sua administração, afora a liberdade aos esquadrões da morte para o extermínio dos adversários, à cruel perseguição e tortura aos opositores nas cidades e aos guerrilheiros nas regiões montanhosas. foi dedicada ao proselitismo religioso. Essa preocupação tomou a feição de fanatismo, atmosfera ampliada pelas alocuções e pelas cadeias de oração para ajudá-lo, comandadas por Pat Robertson, no programa “Clube dos 700”, na televisão americana. Foi a época também aproveitada pelos organismos internacionais para se estabelecerem no país, a exemplo de “Campus Crusade for Christ”, “Billy Graham Association”, “Club 700″, “Youth With a Mission”, “Living Word Comunity”, “Gospel Outreach of Pennsylvania”, “ International Love Lift”, “Vision Mundial”, “Instituto Linguístico de Verano” e muitos outros que tomaram a Guatemala de assalto e transformaram-na no principal centro de operações para a América Central e região do Caribe.
A queda de Rios Montt não fez declinar a grande influência ideológica das seitas e de grupos religiosos minoritários na Guatemala, cumprindo-se cada vez mais o seu objetivo principal , que era o de manter o povo afastado das práticas políticas, quase sempre de esquerda em um país pobre. A Assembléia de Deus, a lgreja de Deus do Evangelho Completo, a Igreja Príncipe da Paz e a Igreja de Deus Missionária têm centenas de templos abertos ao povo, merecendo destaque, ainda, a atuação dos adventistas, cujo número de fiéis aumentou muito no país nesse período.
Em Honduras, fracassaram praticamente todas as igrejas protestantes históricas que se instalaram no país vindas das ilhas inglesas do Caribe. As que resistiram ao peso do isolamento, que lhes dificultava a ampliação do quadro de missionários, tiveram, Por isso mesmo, penetração de reduzida importância e conseguiram conquistar um insignificante número de adeptos. Agora. sobrevivem virtualmente estagnadas e pouco representam do ponto de vista estáticos. Em compensação, registrou-se um êxito espantoso das seitas novas, cuja presença que era relativamente recente no país respondia por 6 por cento das religiões não Católicas.
Contribuiu para alterar bruscamente o quadro hondurenho a interferência na questão religiosa das grandes multinacionais que se dedicam a exploração da indústria de frutas no país, quer financiando grupos já existentes, quer promovendo o ingresso na região de missionários pentecostais e fundamentalistas dos Estados Unidos. Las bananeras, como são conhecidas popularmente a “United Fruit” e a “Standard Fruit Companies”, empenharam-se diretamente no estabelecimento das seitas nas Vastas áreas que ocupam. inclusive construindo-lhes templos e proporcionando-lhes facilidades que nunca tiveram as igrejas protestantes históricas.
Algo semelhante foi na guerra civil de anos em Ele Salvador, onde o pentecostalismo caiu como uma luva no modus-vivendi da população, lá existem as melhores condições psicossociais para o desenvolvimento rápido e permanente dos movimentos religiosos autônomos, quais sejam, o horror as matanças e o medo da dominação comunista. Foi o bastante para estimular no povo sem cultura, o sentimento de culpa e de ofensa a Deus por permitir tal situação para que se conseguisse imediatamente o recolhimento à oração e a adoção de uma atitude de neutralidade propícios à criação da atmosfera de apatia politica que tanto tem servido a todas às situações dominantes. Esse ponto delicado da questão, a propósito, tem sido a bandeira da “Campus Crusade for Christ“, uma organização fundamentalista americana, com sede na Califórnia. fundada por Bill Bright, que trabalha em El Salvador desde I978.
“Não podemos nos dar ao luxo de ceder a arma política e a esquerda religiosa. Devemos defender corajosamente os princípios que constituem a América” – afirmou aos salvadorenhos, no verão de 1983, James Watt, membro da Assembléia de Deus e ex-secretário do Interior dos Estados Unidos, num ataque direto à Igreja Católica. E a advertência não ficou apenas em palavras: à “Campus Crusade” incumbiu-se de amealhar milhões de dólares da Pepsi Cola, Hotéis Holliday Inn, Adolph Coors, Mobil e Coca-Cola para desencadear a vigorosa campanha “Esta é a Vida” pelos cinemas, televisão, panfletos e out-doors, destinada a mobilizar o povo contra o conflito e a favor da política do governo, contra insurreições. As igrejas pentecostais, então, transbordaram de fiéis e a guerrilha foi contida. Era uma espetacular Vitória de Bill Bright na luta contra a transformação dos valores culturais latino-americanos e pela consolidação dos movimentos religiosos, autônomos na América Central.
RETALIAÇÕES IDEOLÓGICAS
Em meio a uma situação confusa criada pela obstinação do governo sandinista em subordinar os assuntos religiosos a seus interesses políticos, as seitas na Nicarágua, com o pentecostalismo à frente, vão consolidando sua posição em uma nação agitada pela implantação de uma ideologia nova para um povo sofrido. Agora, os movimentos religiosos autônomos são 83 por cento do protestantismo existente no país e as notícias mais recentes dizem que somente a Assembléia de Deus instalou, nos últimos anos, 350 novos locais de oração em Manágua e no interior, isso sem contar os pertencentes à Igreja de Deus, Associação das Igrejas de Cristo e a Igreja Apostólica Fé em Jesus Cristo, que somam, aproximadamente, igual número. A cada dia, também, surgem grupos novos, como “O Caminho da Meia-Noite”, “Relâmpagos”, “Os Unitários”, “só Jesus” e “A Luz Verdadeira”, todos abrindo seus templos.
A tônica do governo sandinista no campo religioso havia sido a perseguição as populações miskitas, seguidoras do Protestantismo tradicional da Igreja Moravia da costa atlântica e resistente à revolução, e a Igreja Católica, cuja hierarquia recusa, igualmente, a aceitar a tutela do governo, não obstante alguns Padres ocupem postos de responsabilidade na alta administração do país.
A sustentação de um confronto ideológico com os Estados Unidos provocaram retaliações do governo sandinista contra alguns grupos religiosos que tomaram posição ostensivamente contrária à revolução. Os membros da Sociedade Bíblica, de orientação fundamentalista, por exemplo, tiveram que fugir para Miami, enquanto a “Campus Crusade” transferiu-se às pressas para a Costa Rica. Em represália, as duas organizações cancelaram o programa pró-sandinista “A Voz do Evangelho na Revolução”, transmitido de uma emissora de propriedade dos dois grupos e produzido por pastores de seitas pentecostais simpáticos ao sandinismo. São os mesmos pastores, aliás, que emitiram, através da Assembléia Geral do Comité Evangélico para Ajuda e Desenvolvimento (CEPAD), um comunicado, em nome de 37 ritos pentecostais, de apóio aos sandinistas e de exortação aos cristãos americanos para intercederem contra “as atitudes intolerantes e arrogantes dos Estados Unidos em relação à Nicarágua”.
O mesmo CEPAD fazia um trabalho de profundidade em favor da nova ordem instituída na Nicarágua, como mobilizar pessoas que não se dispusessem a empunhar armas, mas colaborar com os sandinistas como médicos, enfermeiros, dentistas, engenheiros e artífices em geral, afora apóio logístico, e só retrocedeu no seu plano quando foi ameaçado pelos contra, a facção remanescente do ditador Somoza que, do exterior, luta para derrubar o governo revolucionário.
As seitas pentecostais, a despeito dos reveses políticos, funcionaram a todo vapor na Nicarágua.
A Costa Rica sempre foi uma espécie de zona franca aberta às religiões, sobretudo pela multiplicidade de organizações transconfessionais dos Estados Unidos que fazem base no país para atuar na América Central e no Caribe, sobretudo as mais antigas. como a “Central American Mission” (CAM) e a “Latin American Mission” (LAM). ambas com sede em San José desde as primeiras décadas dobséculo XX. Outras poderosas faith missions, como a “Trans-Word Mission”. ministravam cursos de preparação de missionários para trabalho em várias nações centro-americanas, centralizando também o esquema financeiro de apoio às diversas entidades que operam na região.
Cerca de 60% dos protestantes da Costa Rica (cerca de 8% da população do país) são pentecostais, sobressaindo-se a Igreja de Deus do Evangelho Completo com, aproximadamente, 250 casas de oração, a Assembléia de Deus, com mais de 200 e a Igreja do Evangelho Quadrangular, também com mais de 200 templos.
O Panamá nos anos 89 era o país com o maior número de protestantes da América Latina, quase 14% da população. Isso se deveu à influência da ocupação americana da Zona do Canal, em 1904, e à imigração de trabalhadores negros das ilhas inglesas do Caribe, já convertidos à fé Protestante, durante a época daquela obra. Mas as seitas pentecostais, que já eram 50% dos protestantes do país em 1965, pularam para 71 por cento 20 anos depois, e chegaram a 90% nos anos 90, devido à imensa força de semana proselitismo.
A Igreja do Evangelho Quadrangular é a mais forte e mantém mais de 300 casas de oração espalhadas pelo país, seguida da Assembléia de Deus.
SIMULAÇÃO LINGUÍSTICA
A sede é em Huntington Beach, Califórnia, Estados Unidos. Aparentemente, o objetivo da organização, desde 1934, quando foi fundada por William Cameron Townsend, evangelical fundamentalista, é realizar a tradução da Bíblia em línguas e dialetos exóticos, especialmente indígenas, em várias partes do mundo Mas o disfarce da entidade cultural esconde, na verdade, uma máquina poderosa que desenvolve o trabalho missionário do “Summer Institute of Linguistics Inc.”, conhecido na América Latina pelo nome do “Instituto Linguístico de Verano“. organismo operacional da “Wycliffe Bible Translators lnc.“. Toda a. doutrinação é orientada pelo denominado “International Linguistics Center’ ’, associado a Universidade do Texas. em Dallas. Que estabelece as diretrizes para as “School for Pioneers“. No exterior, tais escolas podem ser encontradas também na França, Inglaterra, Alemanha, Austrália. Japão, Coréia e tem crescido a cada ano, principalmente nas Américas e África.
Dados mais atualizados revelam que o grupo com cerca de 5 mil ativistas difundindo a Bíblia em quase 900 línguas e dialetos, em mais de 40 países. A penetração de missionários do grupo em regiões distantes e inóspitas, verdadeiras selvas, é de tamanha envergadura que, em 1963, seus dirigentes viram-se compelidos a fundar a “Jungle Aviation and Radio Service” para dar suporte logístico às suas atividades, empregando, então, pilotos, mecânicos, radiotécnicos e outros funcionários, os quais, cumulativameme, dedicam-se ao proselitismo religioso. Os aviões e helicópteros da empresa têm a abreviatura JAARS pintada na fuselagem, e é conhecida das torres controladoras de vôos por essa sigla em todo o mundo.
“O Instituto Linguistico de Verano” dispõe de fartos recursos para aplicação em seus programas na América Latina. Embora não se conheça com precisão o volume das disponibilidades que manipula, as cifras do custeio de operações dão uma idéia aproximada de sua magnitude. Com efeito, apurou-se que, em 1981, por exemplo, foram gastos 35 milhões de dólares na movimentação daquela gigantesca engrenagem em diversos países católicos latinos. O “Verano”, em termos de pessoal ativo, é a maior missão religiosa dos Estados Unidos. Em sua órbita de ação, além da América Latina, estão ainda a Indonésia, Austrália, Nova Zelândia e Filipinas e todo o Sudeste asiático não comunista. Para ampliar o alcance do seu raio de açi, espera incorporar mais 3 mil membros nos próximos 10 anos.
Sérios problemas já ocorreram entre a Igreja Católica e o “ Instituto Linguistico de Verano” em algumas nações sul-americanas. Os Bispos de Lima, em certa ocasião, acusaram-no publicamente de usar subterfúgios para forçar a conversão de indígenas da Amazônia peruana. Mas, em 1979. a despeito dos protestos de inúmeros prelados. foi revalidado um acordo permitindo à permanência da entidade no país por 10 anos mais. Também no México. o “Verano” foi proibido oficialmente de funcionar desde 1978. Entretanto, os missionários americanos continuam a exercer livremente a catequese das populações indígenas mexicanas. A situação no Panamá e Equador não é diferente: vetado pelos governos, mas atuando sem ser incomodado, como em Honduras, Bolívia e Suriname.
Na Colômbia, onde Chester Allen Bitterman, missionário do ‘Verano”, foi, após 8 semanas de sequestro, abandonado morto pelos guerrilheiros do M-19, o governo, em 1974, pressionado pelo “Movimento para a Defesa da Cultura Nacional ”, fez uma devassa nas atividades da entidade. A investigação, conduzida polo inspetor-geral do Exército, general José Carlos Matallana, concluiu que o “Verano” constituía, de fato, grave ameaça a integridade cultural do país, como também a da Venezuela, Peru e Brasil, nações limítrofes. Contudo, um acordo feito pelo governo com a Embaixada americana deixou as coisas exatamente como estavam e ficaram até 1995, prazo final do ajuste firmado, e ainda nos dias atuais estão atuando com mais força que antes.
A mais grave acusação feita à “Wycliffe Bible Translators Inc.”, a empresa tradutora de Bíblias para o “Verano”, é a de adulterar os textos sagrados destinados as populações indígenas, enxertando-os com noções falsas relativas ao conceito de autoridade e a supremacia de raças, de modo a tomar os aborígenes mais dóceis e obedientes. São distorções grosseiras, apontadas por estudiosos da Bíblia em várias obras distribuídas pelo “ Verano”. Essa fraude é comumente associada a fantasiosas previsões de tragédias iminentes, tais como terremotos, erupções vulcânicas e vendavais, em terras que se pretendem sejam abandonadas pelos nativos, as quais, a seguir, são compradas a preço vil e tornadas objeto de exploração mineral ou criação de gado em economia de escala por corporações multinacionais.
O “Verano” envolve-se, ainda, em complicadas atividades paralelas à conversão com as Bíblias traduzidas pelo “Wycliffe”. Uma delas é a cooperação com formas militares na repressão a guerrilha, como no Peru, Bolívia e Colômbia. É acusada de fornecer consultores técnicos e guias para facilitar a penetração de tropas em áreas de difícil acesso ocupadas por guerrilheiros, identificando os grupamentos nativos que eventualmente possam colaborar com os insurretos. A isso chama de “pacificação” e as autoridades dos países que se têm beneficiado desse tipo de ajuda são unânimes em elogiar o know how do “Verano” no assunto.
Um general boliviano exilado nos Estados Unidos, falando à propósito dessa colaboração, afirmou que , como membro do aparato de repressão de seu país, tinha posição de comando no combate à guerrilha chefiada por Teoponte e pode constatar, na ocasião, a existência do “Verano” nesse campo. Explicou que os missionários forneceram às tropas mapas da área de operações dos guerrilheiros de uma precisão incrível. Os militares receberam, inclusive, todos os dados sobre a composições étnica da população nativa e localização de fontes de produção, acompanhados de informações muito exatas sobre os grupos indígenas que apoiavam os guerrilheiros.
Ideologicamente, as equipes missionárias do “Verano” são visceralmente anticomunistas. Sua doutrinação estabelece mesmo uma ligação entre a ação diabólica de Satanás e o comunismo ateu e materialista. A pregação religiosa faz-se paralelamente ao proselitismo político, usando os estudos linguísticos apenas para mistificar os dois objetivos. Em verdade, o trabalho do “Verano” é sectério e nada tem de científico, servindo tão somente para confundir e descaracterizar línguas, culturas e crenças dos povos indígenas, onde quer que seja desenvolvida. Carecem, todavia, de comprovação as acusações de que a entidade seja subvencionada pela Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos. Embora as evidências sejam fartas, e nada se provou de concreto até agora, conquanto necessitem também de explicação a enorme desproporção entre o dinheiro gasto pelo “Verano” para sustentar a sua gigantesca máquina e os modestos recursos obtidos com a simples venda da Bíblia em dialetos estranhos.
É importante observar a atuação desse tipo de organização pois, no Brasil, como veremos adiante, sua presença é marcante. Jancsó István, A construção dos estados nacionais na América latina, MONTEIRO DE LIMA, Delcio, os demônios descem do Norte.
















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