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- JESUS CRISTO E DOM QUIXOTE
Diante do Quixote, esse homem que resolveu deixar o conforto de sua casa e sair pelo mundo para fazer o bem, mesmo à custa da própria vida, como faziam os cavaleiros medievais, é inevitável pensar-se noutro “homem” que, há dois mil anos, também deixou o conforto de sua casa e saiu pelo mundo para fazer o bem, também disposto a dar a própria vida por sua causa: Jesus Cristo, modelo de todos os cavaleiros medievais e até daquele que pretendia ser a paródia desses últimos. De certo modo, foi assim que pensou o judeu Harold Bloom, um dos críticos literários mais lidos de hoje. Disse ele certa vez do Dom Quixote, de Cervantes (que aliás considearva o primeiro e maior de todos os romances) que era a verdadeira bíblia espanhola; e Nosso Senhor Dom Quixote era um autêntico Cristo. É evidente o exagero das afirmações, mas de algum modo elas nos indicam um interessante caminho de confronto e comparação. De fato, para alguém como Bloom, que vê as coisas de fora do universo cristão, as similitudes entre Cristo e Quixote podem mesmo ser muitas. Para começar, seriam ambos personagens fictícios, dois loucos que leram bastante e deixaram-se afetar pelas obras lidas. Jesus cresceu lendo a Torá, os profetas, os livros sapienciais, e julgou que o Messias ali predito era ele mesmo. Quixote leu vários romances de cavalaria e acreditou que poderia ser um cavaleiro andante. Ambos eram solteiros; e, em determinado momento de suas vidas, decidiram abandonar suas vidas privadas e sair pelo mundo. E não foram sozinhos: Cristo com seus discípulos, Dom Quxote com seu escudeiro. Os dois tinham por objetivo consertar as coisas tortas da vida, em nome de uma visão inegociável do que era correto e justo. Assim pensam os atuais gentios. De forma bem diferente vêem as coisas aqueles que estão dentro do universo cristão, para os quais as diferenças logo se impõem. Jesus não era louco, Dom Quixote sim. A prova da sanidade mental de Jesus é a perfeira coerência e sabedoria do que ensinou em suas saídas pelo mundo. Um louco não construiria tanto e tão bem… Jesus sabia que era o Messias, Dom Quixote assumiu uma identidade fictícia. Jesus preparava as pessoas para um tribunal e uma justiça para além deste mundo; Quixote queria a justiça aqui mesmo, neste mundo, e não abria mãos dos louros da vitória. Jesus era a humildade, Quixote a patética soberba dos loucos. A arma de Jesus era a espada da palavra, a lança do Quixote feria e matava. Jesus via a realidade tal como era, Quixote projetava no mundo real as fantasias de sua mente. Jesus era Deus, Quixote um miserável como qualquer um de nós. É curioso verificar como, no momento em que Descartes estava lançando as bases da filosofia idealista (expressa no cogito ergo sum; penso, logo existo; a realidade é aquilo que se pensa da realidade), Cervantes já profeticamente mostrava o engodo que estava por trás dessa visão de mundo egocêntrica, centrada nas próprias idéias (portanto, ideológica). “Tudo o que eu digo é absolutamente verdadeiro e completo, e desenho tudo em minha mente, segundo a minha vontade.” (Dom Quixote) “Sei quem sou, e quem posso ser, se eu assim o quiser.” (Dom Quixote) O mundo exterior, para Dom Quixote, era uma projeção de suas idéias: a bacia do barbeiro era o elmo de Mambrino. “…isso que a ti te parece bacia de barbeiro é para mim elmo de Mambrino e a outro lhe parecerá outra coisa.” (Parte I, cap. XXV) Dom Quixote, segundo Thomas Mann, queria viver da glória da própria autoglorificação. Não é o destino do homem moderno, antropocêntrico, desligado de Deus?
- Ladainha da Humildade – mais que uma oração, um modelo de vida
A humildade é a mãe de todas as virtudes. Reze conosco esta magnifica oração que nos relembra sobre os diversos aspectos em que podemos exercitar a humildade em nossas vidas. Esta oração foi composta pelo Cardeal Merry del Val, secretário do Estado do Vaticano durante o pontificado de São Pio X. Ladainha da Humildade Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade nós. Senhor, tende piedade de nós. Jesus manso e humilde de coração: ouvi-nos. Jesus manso e humilde de coração: atendei-nos. Jesus manso e humilde de coração: fazei o nosso coração semelhante ao Vosso. Do desejo de ser estimado, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser amado, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser procurado, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser louvado, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser honrado, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser preferido, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser consultado, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser aprovado, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser adulado, livrai-me, Jesus! Do temor de ser humilhado, livrai-me, Jesus! Do temor de ser desprezado, livrai-me, Jesus! Do temor de ser rejeitado, livrai-me, Jesus! Do temor de ser caluniado, livrai-me, Jesus! Do temor de ser esquecido, livrai-me, Jesus! Do temor de ser ridicularizado, livrai-me, Jesus! Do temor de ser escarnecido, livrai-me, Jesus! Do temor de ser injuriado, livrai-me, Jesus! Que os outros sejam mais amados do que eu – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo! Que os outros sejam mais estimados do que eu – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo! Que os outros possam crescer na opinião do mundo e que eu possa diminuir – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo! Que aos outros seja concedida mais confiança no seu trabalho e que eu seja deixado de lado – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo! Que os outros sejam louvados e eu esquecido – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo! Que os outros possam ser preferidos a mim em tudo – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo! Que os outros possam ser mais santos do que eu, contanto que eu pelo menos me torne santo como puder – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo! Ó Maria, Mãe dos humildes, rogai por nós! São José, protetor das almas humildes, rogai por nós! São Miguel, que fostes o primeiro a lutar contra o orgulho e o primeiro a abatê-lo, rogai por nós! Ó justos todos, santificados a partir do espírito de humildade, rogai por nós! Oremos: Ó Deus, que, por meio do ensinamento e do exemplo do Vosso Filho Jesus, apresentastes a humildade como chave que abre os tesouros da graça (cf. Tg 4,6) e como início de todas as outras virtudes – caminho certo para o Céu – concedei-nos, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, a mais humilde e mais santa de todas as criaturas, aceitar agradecendo todas as humilhações que a Vossa Divina Providência nos oferecer. Por Nosso Senhor Jesus Cristo que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém. #Oração
- Ladainha da Humildade – mais que uma oração, um modelo de vida
A humildade é a mãe de todas as virtudes. Reze conosco esta magnifica oração que nos relembra sobre os diversos aspectos em que podemos exercitar a humildade em nossas vidas. Esta oração foi composta pelo Cardeal Merry del Val, secretário do Estado do Vaticano durante o pontificado de São Pio X. Ladainha da Humildade Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade nós. Senhor, tende piedade de nós. Jesus manso e humilde de coração: ouvi-nos. Jesus manso e humilde de coração: atendei-nos. Jesus manso e humilde de coração: fazei o nosso coração semelhante ao Vosso. Do desejo de ser estimado, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser amado, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser procurado, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser louvado, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser honrado, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser preferido, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser consultado, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser aprovado, livrai-me, Jesus! Do desejo de ser adulado, livrai-me, Jesus! Do temor de ser humilhado, livrai-me, Jesus! Do temor de ser desprezado, livrai-me, Jesus! Do temor de ser rejeitado, livrai-me, Jesus! Do temor de ser caluniado, livrai-me, Jesus! Do temor de ser esquecido, livrai-me, Jesus! Do temor de ser ridicularizado, livrai-me, Jesus! Do temor de ser escarnecido, livrai-me, Jesus! Do temor de ser injuriado, livrai-me, Jesus! Que os outros sejam mais amados do que eu – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo! Que os outros sejam mais estimados do que eu – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo! Que os outros possam crescer na opinião do mundo e que eu possa diminuir – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo! Que aos outros seja concedida mais confiança no seu trabalho e que eu seja deixado de lado – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo! Que os outros sejam louvados e eu esquecido – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo! Que os outros possam ser preferidos a mim em tudo – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo! Que os outros possam ser mais santos do que eu, contanto que eu pelo menos me torne santo como puder – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo! Ó Maria, Mãe dos humildes, rogai por nós! São José, protetor das almas humildes, rogai por nós! São Miguel, que fostes o primeiro a lutar contra o orgulho e o primeiro a abatê-lo, rogai por nós! Ó justos todos, santificados a partir do espírito de humildade, rogai por nós! Oremos: Ó Deus, que, por meio do ensinamento e do exemplo do Vosso Filho Jesus, apresentastes a humildade como chave que abre os tesouros da graça (cf. Tg 4,6) e como início de todas as outras virtudes – caminho certo para o Céu – concedei-nos, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, a mais humilde e mais santa de todas as criaturas, aceitar agradecendo todas as humilhações que a Vossa Divina Providência nos oferecer. Por Nosso Senhor Jesus Cristo que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém. #Oração
- Uma Fé em Vão: S. Paulo vs o Cristianismo ”Progressista”
Em cada Natal e Páscoa, os principais meios de comunicação veiculam histórias destinadas a desacreditar as realidades históricas presentes nestes Dias Sagrados ou no Cristianismo em geral. Este ano, o papel iconoclasta é obedientemente desempenhado pelo colunista do New York Times, Nicholas Kristof, e pela ministra protestante Serene Jones. Em uma entrevista com Jones, Kristoff pergunta: “Para alguém como eu, que é atraído pelos ensinamentos de Jesus, mas não acredita no nascimento virginal ou na ressurreição física, o que eu sou? Eu sou cristão? ”Jones responde:“ Bem, você parece muito comigo, e eu sou uma ministra cristã”. Mas não é suficiente para a ministro e presidente do seminário (no Union Theological Seminary, um bastião do protestantismo liberal) lançar dúvidas sobre a realidade do nascimento virginal e da ressurreição. Jones passa a desacreditar a fé “vacilante” daqueles que realmente acreditam no que os evangelistas contam: Para os cristãos para quem a ressurreição física se torna uma espécie de obsessão, parece-me ser uma fé muito instável. E se amanhã alguém encontrasse o corpo de Jesus ainda no túmulo? Isso significaria então que o cristianismo era uma mentira? Não, a fé é mais forte que isso. É verdade, se você não acredita em nada concreto a respeito de Jesus, é muito difícil refutar a ressurreição, porque não há nada que refutar. Mas para os cristãos através dos séculos, a ressurreição é o evento muito real sobre o qual toda a fé é baseada. Os maiores cristãos sempre tiveram uma saudável “obsessão” por seu Senhor, incluindo e talvez especialmente sua ressurreição. Em 1 Coríntios, São Paulo descreve como sendo de “primordial importância” o fato de “que Cristo morreu pelos nossos pecados de acordo com as escrituras, que ele foi sepultado, que foi ressuscitado no terceiro dia de acordo com as escrituras, e que apareceu a Cefas, depois aos doze ”(1 Coríntios 15: 1-4). Há uma razão para essa importância central da ressurreição. Ao contrário de Serene Jones, São Paulo acreditava no céu e no inferno. Quando Kristof perguntou a Jones o que acontece quando morremos, ela respondeu: “Eu não sei! Pode haver alguma coisa, pode não haver nada. ”Para isso, São Paulo provavelmente responderia como em 1 Coríntios. 15: 12-19 Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Tradução HESCHMEYER, Joe. A Faith in Vain: St. Paul vs ”Progressive” Christianity Disponível em: http://shamelesspopery.com/a-faith-in-vain/
- AS RAÍZES OCULTAS DO ESQUERDISMO ANTICRISTÃO – Alain Pascal
A partir do momento em que a revolução é anticristã, o esquerdismo faz parte da lógica da guerra religiosa, das forças ocultas que fizeram a revolução, e que continuam até hoje, já que ainda não acabou. De fato, é uma guerra contra Cristo, mas também contra Deus. Não estou inventando nada: os intelectuais de esquerda já deixaram tudo bem claro. Eles acusaram o Ocidente cristão de ser a civilização do Pai, um termo que no fundo designa Deus. É nesse sentido que o esquerdismo é uma consequência do Renascimento, quando o ser humano — ou, para ser mais preciso, o Iniciado — toma o lugar de Deus. Como todos os movimentos revolucionários, o esquerdismo quer destruir a antiga humanidade, isto é, a humanidade criada por Deus. Esse combate é a fonte religiosa da teoria do gênero, segundo a qual Deus criou o homem bissexual, devendo a “nova” humanidade se tornar andrógina, como na mitologia hermética e no simbolismo maçônico. Depois da “morte de Deus”, há o ódio contra o Pai e a culpabilização do homem ocidental… O esquerdismo é uma continuação da filosofia que negou a Deus, mas vai além porque torna Deus culpado do Mal. É nisso que ele retoma o esoterismo da gnose e da teosofia. O esquerdismo, portanto, tem raízes ocultas e acrescenta ao ódio para com Deus, o ódio ao Pai ao qual Deus foi reduzido. A acusação não tem nenhum fundamento teológico, mas possui uma utilidade imensa: denunciar o Masculino e promover em seu lugar o Feminino. Naturalmente, não se trata de defender a mulher, mas de usá-la para destruir a civilização, segundo o princípio leninista: “Quem controla a mulher, controla a sociedade”. As principais imposturas culturais do esquerdismo Para nos tornar culpados e nos destruir, o esquerdismo impôs várias doutrinas que são imposturas, porque não têm fundamento histórico ou científico. Eles são todos mentirosos, pelas falsificações operadas sobre os fatos. É o caso do pseudo-anti-racismo, do terceiro-mundismo, do feminismo, mas também da ecologia. Não posso aqui repetir os argumentos que dei no meu livro [Alain Pascal, Maio de 68 e a destruição da França, Paris, Editions des Cimes, 2018], mas apenas insistir nas consequências práticas. Por exemplo, já nos anos 50, Marcuse havia identificado os imigrantes como revolucionários natos, que tomariam o lugar dos trabalhadores ocidentais aburguesados. Com os proletários desviados da revolução pelo que ele chama de trabalho alienado, era necessário que o Ocidente fosse invadido por massas do Terceiro Mundo. Este programa parece-me ser bem atual. Ecologia e conservadorismo Uma palavra também sobre ecologia, que na verdade deveria ser uma defesa da ordem natural criada por Deus, mas que não o é de forma alguma, uma vez que é uma ideologia de extrema esquerda, portanto anti-cristã. Para prová-lo, basta dizer que é sustentada por um culto da natureza considerada como divindade cósmica. E isso não fica só no plano teórico. As crianças são alistadas neste culto pelo que se chama, em psicologia, de “atos de compromisso” (plantar uma árvore, limpar a deusa natureza, etc.), ao mesmo tempo que lhes ensinamos que agora eles possuem uma identidade de gênero — e tudo isso é parte do ataque ao Masculino ocidental. [Alain Pascal é um ensaísta francês, nascido em 1948, com vários livros publicados, em especial sobre a relação da filosofia moderna com seitas esotéricas] Le gauchisme a des racines occultes et il ajoute à la haine de Dieu, celle du Père auquel il le réduit
- Papa Leão XII (1823-1829 dC)
(ANNIBALE FRANCESCO CLEMENTE MELCHIORE GIROLAMO NICOLA DELLA GENGA) Nascido no Castello della Genga, no território de Spoleto, em 22 de agosto de 1760; morreu em Roma, em 10 de fevereiro de 1829. A família de seu pai fora enobrecida por Leão XI em 1605; sua mãe era Maria Luisa Periberti de Fabriano. Eles tinham uma família grande, sete filhos e três filhas, dos quais Annibale era o quinto filho e o sexto filho. Aos treze anos foi colocado no Collegio Campana de Osimo, de onde foi transferido, em 1778, para o Collegio Piceno em Roma e pouco depois para a Accademia dei Nobili Ecclesiastici. Foi ordenado subdiácono quatro anos depois e diácono em 1783. Dois meses depois, foi ordenado sacerdote, sendo obtida a dispensa pelo defeito de idade, pois ele tinha apenas vinte e três anos. Ele era uma pessoa bonita e tinha maneiras envolventes e, logo após a sua ordenação, atraiu a vista de Pio VII, que estava visitando a Accademia, e por ele foi elevado à prelatura como cameriere segreto. Em 1790 ele foi escolhido para entregar na Capela Sistina a oração sobre a morte do Imperador José II e realizou sua difícil tarefa para a admiração de todos os ouvintes, sem ofender as suscetibilidades da Áustria ou comprometer a autoridade da Santa Sé. Em 1792 ele se tornou um cônego da igreja do Vaticano, e no ano seguinte foi consagrado arcebispo titular de Tiro e enviado como núncio para Lucerna. Daí ele foi transferido para a nunciatura em Colônia em 1794, cargo que ocupou com grande sucesso por onze anos. Em 1795, foi creditado como núncio extraordinário na Dieta de Ratisbona por Pio VII, a fim de poder lidar com as dificuldades entre a Igreja alemã e seus governantes prussianos. Retornando a Roma para conversar com Consalvi sobre essas questões, soube que Napoleão desejava a substituição de outro núncio mais dedicado a seus interesses, na pessoa de Bernier, bispo de Orléans. Pio VII, no entanto, foi firme e Della Genga retornou a Munique. Em 1798 ele foi com o cardeal Caprara a Paris com o objetivo de arranjar algum acordo entre a Santa Sé e Napoleão I. No entanto, ele foi recebido friamente e as negociações logo deram em nada. Della Genga retornou a Roma, onde testemunhou as indignidades oferecidas a Pio VII pelos franceses. Voltou consternado à abadia de Monticelli, que lhe fora concedida em commendam vitalicia pelo papa Pio VI. Aqui ele passou seu tempo ensinando seu coro de camponeses a tocar o órgão e a cantar o canto simples. Esperando terminar seus dias lá, ele construiu na igreja da abadia os túmulos de sua mãe e de si mesmo. Mas em 1814, com a queda de Napoleão, Pio VII retornou a Roma e Monsenhor Della Genga foi enviado a Paris como enviado extraordinário para transmitir os parabéns do papa ao rei Luís XVIII. Consalvi, no entanto, que foi credenciado a todos os soberanos então em Paris, ressentia-se fortemente desta missão, que ele considerou ser um desprezo para si mesmo. Luís XVIII tentou amenizar as questões, mas o poderoso Secretário de Estado conseguiu o que queria, e Della Genga retornou a Roma, de onde voltou a Monticelli. Aqui permaneceu por dois anos, quando Pio VII o criou cardeal de Santa Maria em Trastevere e nomeou-o bispo de Sinigaglia. Mas sua falta de saúde exigiu residência no ar saudável de Spoleto e ele nunca entrou em sua diocese, da qual ele pediu demissão dois anos depois. Em 1820, sua saúde melhorada, ele foi nomeado Vigário de Roma, arqui-sacerdote da Basílica de Libério e prefeito de várias congregações. Três anos depois, em 20 de agosto, Pio VII morreu; e no dia 2 de setembro o conclave foi aberto no Quirinal. Durou vinte e seis dias. A princípio, os candidatos mais proeminentes eram o cardeal Severoli, representante dos Zelanti, e o cardeal Castiglioni (depois Pio VIII), representante do partido moderado. Castiglioni era o candidato mais desejado pelas grandes potências católicas, mas, apesar de seus desejos, a influência de Severoli aumentava diariamente e, na manhã de 21 de setembro, ele recebera até vinte e seis votos. Como isso significava que ele provavelmente seria eleito no próximo escrutínio, o cardeal Albani, que representou a Áustria no conclave, informou seus colegas que a eleição do cardeal Severoli não seria aceitável para o imperador e pronunciava um veto formal. Os Zelanti ficaram furiosos, mas, por sugestão de Severoli, transferiram seu apoio a Della Genga e, antes que os poderes percebessem o que estava acontecendo, triunfantemente o elegeram por 34 votos na manhã de 28 de setembro. A princípio, no entanto, o papa eleito não estava disposto a aceitar o cargo. Com lágrimas, ele lembrou os cardeais de sua falta de saúde. “Vocês estão elegendo um homem morto”, disse ele, mas, quando eles insistiram que era seu dever aceitar, ele cedeu e garantindo graciosamente ao Cardeal Castiglioni que ele algum dia seria Pio VIII, anunciando sua própria intenção de tomar o nome Leão XII. Imediatamente após sua eleição, ele nomeou Della Somaglia, um octogenário, Secretário de Estado, um ato significativo da política do novo reinado. Leão foi coroado em 5 de outubro. Suas primeiras medidas foram algumas tentativas não muito bem sucedidas de reprimir o banditismo e a licença então predominantes em Maritima e Campagna, e a publicação de uma ordenança que confinou novamente a seus guetos os judeus, que haviam se mudado para a cidade durante o período da Revolução. Essas medidas são típicas do temperamento e da política de Leão XII. Há algo de patético no contraste entre a inteligência e a magistral energia exibida por ele como governante da Igreja e a ineficiência de sua política como governante dos Estados Pontifícios. Diante da nova ordem social e política, ele empreendeu a defesa de instituições antigas, personalizadas e aceitas; ele tinha pouca percepção das esperanças e visões daqueles que eram então os pioneiros da maior liberdade que se tornara inevitável. Tentativas severas foram feitas para purificar a Cúria e controlar a multidão de funcionários ineficientes e venais que compunham sua equipe. O indiferentismo e o proselitismo protestante do período foram combatidos; a devoção do mundo católico foi estimada pelo jubileu de 1825, apesar da oposição de prelados ou soberanos tímidos e reacionários; a perseguição dos católicos na Holanda foi satisfeita e superada, e o movimento pela emancipação dos católicos nas ilhas britânicas foi administrado e incentivado até que o sucesso fosse assegurado. O descontentamento popular com o governo dos Estados Papais foi enfrentado pelas severidades do cardeal Rivarola. A causa legitimista na França e na Espanha, embora marcada em ambos os países pelo uso indevido da religião como instrumento de reação política, foi apoiada, mesmo quando (como na supressão das escolas jesuítas na França, e a vacância das Sés Mexicanas devido às reivindicações da Espanha sobre suas ex-colônias) os representantes daquela causa mostraram-se indiferentes ou contrários aos interesses da Fé. Consalvi foi consultado e admirado pelo papa, que, tanto neste caso quanto no do tesoureiro Cristaldi, mostrou-se magnânimo demais para permitir que as queixas pessoais pesassem contra a apreciação do mérito, mas a morte do cardeal em 1824 impediu a contribuição de sua sabedoria aos conselhos da Santa Sé. O Collegio Romano foi restaurado para as mãos eficientes dos jesuítas em 1824; os maçons e outras sociedades secretas foram condenados em 1825; a imprensa tipográfica do Vaticano foi restaurada e a Biblioteca do Vaticano enriquecida; estudiosos como Zurla, Martucci e Champollion foram encorajados; muito foi feito para a reconstrução de São Paulo e a restauração da aparência de adoração. Mas a saúde de Leão era frágil demais para sustentar sua incansável dedicação aos assuntos da Igreja. Mesmo em dezembro de 1823, ele havia quase morrido e se recuperado apenas por um milagre, através das orações do venerável Bispo de Marittima, Vincenzo Strambi, cuja vida foi oferecida a Deus e aceita no lugar do papa. Em 5 de fevereiro de 1829, depois de uma audiência privada com o cardeal Bernetti, que havia substituído Somaglia como secretário de Estado em 1828, ele ficou repentinamente doente e parecia saber que seu fim estava próximo. No oitavo ele pediu e recebeu o Viaticum e foi ungido. Na noite do nono ele caiu inconsciente e na manhã do décimo ele morreu. Ele tinha um caráter nobre, uma paixão por ordem e eficiência, mas carecia de compreensão e simpatia pelos desenvolvimentos temporais de seu período. Seu governo era impopular em Roma e nos Estados Papais e, por várias medidas de seu reinado, diminuiu enormemente para seus sucessores suas chances de resolver os novos problemas que os confrontavam.
- O REI-PASTOR É O CORDEIRO IMOLADO – 4º Domingo da Páscoa
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “O Cordeiro redimiu as ovelhas”, clicar AQUI. Jesus Cristo se apresenta no Evangelho deste domingo como o Bom Pastor, que dá a vida eterna a suas ovelhas. Mas o preço dessa graça é a própria vida do pastor. É por isso que, em harmonia com o Apocalipse, a Igreja canta na Páscoa: Agnus redemit oves, isto é, “o Cordeiro redimiu as ovelhas”. Ouça esta pregação do Padre Paulo Ricardo e medite conosco sobre a vitória que Cristo nos conquista do alto da Cruz, oferecendo-se como vítima para a nossa salvação. O PASTOR E O CORDEIRO (Meditação de Scott Hahn) A missão de Israel — ser instrumento de salvação de Deus até os confins da Terra (Isaías 49, 6) — é cumprida na Igreja. Pela “Palavra de Deus”, que Paulo e Barnabé pregam na primeira leitura de hoje, nasce o povo da nova aliança, um povo que glorifica o Deus de Israel como Pai de todos eles. A Igreja permanece fiel à graça de Deus concedida aos apóstolos, continua a sua obra de salvação por todas as gerações. Através da Igreja, os povos de todas as terras ouvem a voz do Pastor e O seguem (Lucas 10, 6). O Bom Pastor do Evangelho de hoje é o Cordeiro entronizado da Segunda Leitura. Ao dar a Sua vida por Seu rebanho, o Cordeiro tornou possível uma nova Páscoa (1 Coríntios 5, 7), libertando pelo Seu sangue “toda nação, raça, povo e língua” da escravidão do pecado e da morte. A Igreja é a “grande multidão” que João viu na segunda leitura de hoje. Deus jurou a Abraão que seus descendentes seriam tão numerosos, que nem daria para contar. E, como João testemunhou, esta promessa é cumprida na Igreja (compare-se Apocalipse 7, 9 e Gênesis 15, 5). É do trono de Deus que o Cordeiro governa. Dá abrigo ao Seu rebanho, alimentando sua fome com o próprio Corpo e Sangue, conduzindo-os às “fontes de água viva” que conduzem à vida eterna (João 4,14). O Cordeiro é o eterno Rei-Pastor, o filho de Davi predito pelos profetas. Sua Igreja é o reino de todo Israel, que, segundo os profetas, seria restaurado em um pacto eterno (Ezequiel 34, 23–31; 37, 23-28). Não é um reino que qualquer tribo ou nação possa reivindicar, ciumentamente, só para si. A Palavra do Pastor a Israel é agora dirigida a todas as nações da terra, convocando a todos para adorar e bendizer Seu nome no templo celestial. Este é o deleite dos gentios: podemos agora cantar a canção que outrora só Israel poderia cantar, o alegre Salmo de hoje: “Ele mesmo nos fez, e somos seus,/ nós somos seu povo e seu rebanho.” https://stpaulcenter.com/shepherd-and-the-lamb-scott-hahn-reflects-on-the-fourth-sunday-of-easter/ PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Atos dos apóstolos 13, 14.43-52) A voz do Pastor através da Igreja Naqueles dias, Paulo e Barnabé partindo de Perge, chegaram a Antioquia da Pisídia. E, entrando na sinagoga em dia de sábado, sentaram-se. Muitos judeus e pessoas piedosas convertidas ao judaísmo seguiram Paulo e Barnabé. Conversando com eles, os dois insistiam para que continuassem fiéis à graça de Deus. No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra de Deus. Ao verem aquela multidão, os judeus ficaram cheios de inveja e, com blasfêmias, opunham-se ao que Paulo dizia. Então, com muita coragem, Paulo e Barnabé declararam: “Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos. Porque esta é a ordem que o Senhor nos deu: ‘Eu te coloquei como luz para as nações, para que leves a salvação até os confins da terra’”. Os pagãos ficaram muito contentes, quando ouviram isso, e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que eram destinados à vida eterna, abraçaram a fé. Desse modo, a palavra do Senhor espalhava-se por toda a região. Mas os judeus instigaram as mulheres ricas e religiosas, assim como os homens influentes da cidade, provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. Então os apóstolos sacudiram contra eles a poeira dos pés, e foram para a cidade de Icônio. Os discípulos, porém, ficaram cheios de alegria e do Espírito Santo. SALMO 29 A alegria do rebanho conquistado (Antífona): Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, nós somos seu povo e seu rebanho. — Aclamai o Senhor, ó terra inteira,/ servi ao Senhor com alegria,/ ide a ele cantando jubilosos! — Sabei que o Senhor, só ele, é Deus,/ Ele mesmo nos fez, e somos seus,/ nós somos seu povo e seu rebanho. — Sim, é bom o Senhor e nosso Deus,/ sua bondade perdura para sempre,/ seu amor é fiel eternamente! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Apcalipse 7,9.14b-17) O Rei-Pastor é o Cordeiro imolado Eu, João, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. Então um dos anciãos me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro. Por isso, estão diante do trono de Deus e lhe prestam culto, dia e noite, no seu templo. E aquele que está sentado no trono os abrigará na sua tenda. Nunca mais terão fome nem sede. Nem os molestará o sol nem algum calor ardente. Porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos”. EVANGELHO (São João 10, 27-30) A promessa do Pastor Naquele tempo, disse Jesus: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos um”.
- Papa Leão XI (1 de Abril de 1605 -27 de Abril de 1605 dC)
(ALESSANDRO OTTAVIANO DE ‘MEDICI). Nascido em Florença em 1535; Morreu em Roma em 27 de abril de 1605, no vigésimo sétimo dia após sua eleição para o papado. Sua mãe, Francesca Salviati, era filha de Giacomo Salviati e Lucrezia Medici, sendo esta última irmã de Leão X. De sua infância ele levou uma vida de piedade e sempre teve um desejo sincero de entrar no estado eclesiástico, mas não conseguiu o consentimento de sua mãe. Após a sua morte, foi ordenado sacerdote e, um pouco mais tarde, o Grão-Duque Cósimo da Toscânia enviou-o como embaixador a Pio V, cargo que ocupou durante quinze anos. Gregório XIII o fez bispo de Pistoia em 1573, arcebispo de Florença em 1574 e cardeal em 1583. Clemente VIII enviou-o, em 1596, como legado para a França, onde prestou um bom serviço à Igreja ao reprimir a influência huguenote na corte de Henrique IV e ajudando a restaurar a religião católica. Em seu retorno à Itália, foi nomeado prefeito da Congregação dos Bispos e Regulares. Em 1600 tornou-se bispo da diocese suburbicária de Albano, de onde foi transferido para Palestrina em 1602. Alessandro era um amigo íntimo de São Filipe Néri, com quem passou muito tempo em conversas espirituais e cujos conselhos procurava em todos os assuntos importantes. Quando Alessandro foi embaixador da Toscana na corte de Pio V, Filipe previu sua eleição para o papado. Em 14 de março de 1605, onze dias após a morte de Clemente VIII, sessenta e dois cardeais entraram no conclave. Entre os candidatos ao papado, destacam-se o grande historiador Barônio e o famoso controversista jesuíta Belarmino. Mas Aldobrandini, o líder do partido italiano entre os cardeais, fez uma causa comum com o partido francês e provocou a eleição de Alessandro contra o desejo expresso do rei Filipe III da Espanha. O rei Henrique IV da França, que aprendera a estimar Alessandro quando o legado papal em sua corte, e cuja esposa, Maria de ‘Medici era parente de Alessandro, teria gastado 300.000 ecus na promoção da candidatura de Alessandro. Em 1 de abril de 1605, Alessandro subiu ao trono papal como Leão XI, tendo então setenta anos de idade. Ele ficou doente imediatamente após sua coroação. Durante sua enfermidade, ele foi importunado por muitos membros da Cúria e por alguns embaixadores de cortes estrangeiras para conferir o cardinalato a um de seus sobrinhos-netos, a quem ele mesmo educou e a quem ele amava, mas ele tinha tanta aversão ao nepotismo que ele recusou firmemente o pedido. Quando seu confessor pediu que ele concedesse, ele o dispensou e mandou chamar outro confessor para prepará-lo para a morte. Tradução Catholic Encyclopedia. Pope Leo XI. Disponível em: http://www.newadvent.org/cathen/09162a.htm
- Papa Leão X (1513-21 dC)
(GIOVANNI DE MEDICI). Nascido em Florença, 11 de dezembro de 1475; morreu em Roma, em 1 de dezembro de 1521, foi o segundo filho de Lorenzo, o Magnífico (1449-1492) e Clarice Orsini, e desde a sua juventude foi destinado à Igreja. Recebeu tonsura em 1482 e em 1483 tornou-se abade de Font Douce na diocese francesa de Saintes e nomeado protonotário apostólico por Sisto IV. Todos os benefícios que os Medici poderiam obter estavam à sua disposição; Conseqüentemente tornou-se possuído da abadia rica de Passignano em 1484 e em 1486 de Monte Cassino. Devido à constante pressão exercida por Lorenzo e seus enviados, Inocêncio VIII, em 1489, criou um cardeal de treze anos, com a condição de que ele dispensasse a insígnia e o privilégio de seu cargo por três anos. Enquanto isso, sua educação foi completada pelos mais distintos humanistas e estudiosos, Angelo Poliziano, Marsilio Ficino e Bernardo Dovizi (mais tarde Cardeal Bibbiena). De 1489 a 1491, Giovanni de ‘Medici estudou teologia e direito canônico, em Pisa, sob Filipo Decio e Bartolomeu Sozzini. Em 9 de março de 1492, em Fiesole, ele foi investido com a insígnia de um cardeal e em 22 de março entrou em Roma. No dia seguinte, o papa o recebeu em consistência com as cerimônias costumeiras. Os romanos acharam o jovem cardeal mais maduro do que sua idade poderia esperar. Seu pai lhe enviou uma impressionante carta de conselhos marcada pelo bom senso e conhecimento da natureza humana, além de testemunhar os sentimentos elevados e virtuosos aos quais o idoso Lorenzo retornou no final de sua vida. Nesta carta ele impõe a seu filho certas regras de conduta, e o adverte para ser honrado, virtuoso e exemplar, tanto mais que o Colégio dos Cardeais da época era deficiente nessas boas qualidades. No mês seguinte à morte de Lorenzo rechamou o cardeal de Florença. Ele retornou mais uma vez a Roma para a eleição papal, o que resultou, muito contra sua aprovação, na elevação do indigno Alexandre VI, após o que Giovanni permaneceu em Florença de agosto de 1492, até a expulsão dos Medici em 1494, quando ele fugiu de sua cidade natal com o hábito de um monge franciscano. Depois de várias tentativas infrutíferas para restaurar a supremacia de sua família, ele levou a vida de um amador literário e artístico. Patronato, liberalidade e má administração financeira freqüentemente o reduziam a situações angustiantes; De fato, ele permaneceu um mau administrador até o fim. Mas, embora seu modo de vida fosse bastante mundano, ele se destacou em dignidade, propriedade e conduta irrepreensível na maioria dos cardeais. No final do pontificado de Júlio II (1503-1513), a sorte mais uma vez sorriu para Giovanni de ‘Medici. Em agosto de 1511, o papa estava perigosamente doente e o cardeal Medici já aspirava à sucessão. Em outubro de 1511, tornou-se legado em Bolonha e Romagna e nutria a esperança de que sua família voltaria a governar em Florença. Os florentinos tinham tomado a parte dos cismáticos pisanos, razão pela qual o papa apoiou os Medici. Enquanto isso, o cardeal sofreu outro revés. O exército, espanhol e papal, com o qual ele estava viajando, foi derrotado em 1512 em Ravena pelos franceses e ele foi feito prisioneiro. Mas foi uma vitória de Pirro, pois os franceses logo perderam todas as suas posses na Itália, e o cardeal, que deveria ter sido levado para a França, conseguiu escapar. A supremacia dos Medici, em Florença, foi restabelecida em setembro de 1512, e essa mudança inesperada nas fortunas de sua família foi apenas o prelúdio de honras mais elevadas. Júlio II morreu em 21 de fevereiro de 1513, e em 11 de março Giovanni de ‘Medici, então com trinta e oito anos de idade, foi eleito papa. No primeiro escrutínio, ele recebeu apenas um voto. Seus adeptos, os cardeais mais jovens, retiveram sua candidatura até o momento apropriado. A eleição encontrou aprovação mesmo na França, embora, aqui e ali, houvesse um receio natural de saber se o papa jovem se mostraria igual ao seu fardo. Em muitos lugares, grandes esperanças foram colocadas nele por políticos que confiavam em sua competência, por estudiosos e artistas de quem ele já era um patrono, e por teólogos que procuravam reformas enérgicas da igreja sob um governante pacífico. Infelizmente, ele realizou as esperanças apenas dos artistas, literatos e mundanos que consideravam a corte papal como um centro de diversão. A aparência pessoal de Leão foi perpetuada por nós na célebre pintira de Rafael na Galeria Pitti em Florença, que o representa com os cardeais Medici e Rossi. Ele não era um homem bonito. Seu semblante gorduroso, brilhante e efeminado, com olhos fracos, sobressai na foto sob uma tampa bem fechada. O corpo pesado é suportado por pernas finas. Seus movimentos eram lentos e, durante as funções eclesiásticas, sua corpulência fazia com que ele limpasse constantemente o suor do rosto e das mãos, para a angústia dos transeuntes. Mas quando ele ria ou falava, a impressão desagradável desaparecia. Ele tinha uma voz agradável, sabia como se expressar com elegância e vivacidade, e seus modos eram fáceis e graciosos. “Vamos desfrutar do papado desde que Deus nos deu”, diz-se que ele comentou após sua eleição. O embaixador veneziano que relatou isso dele não era imparcial, nem estava em Roma na época, no entanto, a frase ilustra bastante a natureza amante do prazer do papa e a falta de seriedade que o caracterizou. Ele não prestou atenção aos perigos que ameaçavam o papado e entregou-se sem restrições a diversões, que eram fornecidas em abundante abundância. Ele estava possuído por um amor insaciável de prazer, esse traço distintivo de sua família. A música, o teatro, a arte e a poesia atraíam-no a qualquer mundano mimado. Embora temperado, adorava dar banquetes e entretenimentos caros, acompanhados de folia e diversão; e apesar de sua indolência, ele tinha uma forte paixão pela perseguição, que ele realizava todos os anos em maior escala. Desde a sua juventude, ele era um entusiasta amante da música e atraiu para a sua corte os músicos mais distintos. Na mesa, ele gostava de ouvir improvisações e, embora seja difícil de acreditar, em vista de sua dignidade e de seus gostos artísticos, permanece o fato de que ele também gostava das piadas achatadas e absurdas dos bufões. O discurso solto e os incríveis apetites deleitavam-no. No ridículo e caricatura, ele era um mestre. O esplendor, querido pelos romanos em busca de prazeres, lutas de touros e afins, não foi negligenciada. Todo ano ele se divertia durante o carnaval com máscaras, música, performances teatrais, danças e corridas. Mesmo durante os anos conturbados de 1520, ele participou de festividades extraordinariamente brilhantes. Representações teatrais, com música agradável e dança graciosa, eram suas diversões favoritas. O palácio papal tornou-se um teatro e o papa não hesitou em assistir a peças impróprias como a imoral “Calendra” de Bibbiena e o indecente “Suppositi” de Ariosto. Todos os seus contemporâneos elogiaram e admiraram o infalível temperamento de Leão, que ele nunca perdeu inteiramente, mesmo em adversidades e problemas. Ele mesmo alegre, ele desejou ver outros alegre. Ele era bem-humorado e liberal e nunca recusou um favor a seus parentes e companheiros florentinos, que inundaram Roma e se apoderaram de todos os cargos oficiais, ou aos numerosos outros peticionários, artistas e poetas. Sua generosidade era ilimitada, nem seu prazer em dar uma pose ou desejo por vanglória; vinha do coração. Ele nunca foi ostentoso e não dava importância ao cerimonial. Ele era pródigo em obras de caridade; conventos, hospitais, soldados dispensados, estudantes pobres, peregrinos, exilados, aleijados, cegos, doentes, os desafortunados de todos os tipos eram generosamente lembrados, e mais de 6 mil ducados eram distribuídos anualmente em esmolas. Sob tais circunstâncias, não é de surpreender que o grande tesouro deixado por Júlio II tenha sido totalmente dissipado em dois anos. Na primavera de 1515, o Ministério das Finanças estava vazio e Leão nunca se recuperou de seu embaraço financeiro. Vários métodos duvidosos e repreensíveis foram utilizados para arrecadar dinheiro. Ele criou novos ofícios e dignidades, e os lugares mais exaltados foram colocados à venda. Os jubileus e indulgências foram degradados quase inteiramente em transações financeiras, mas sem sucesso, como o tesouro foi arruinado. A renda do papa foi de entre 500.000 e 600.000 ducados. Só a casa papal, que Júlio II mantinha com 48.000 ducados, agora custava o dobro dessa quantia. Ao todo, Leão gastou cerca de quatro milhões e meio de ducados durante seu pontificado e deixou uma dívida no valor de 400.000 ducados. Em sua morte inesperada, seus credores enfrentaram a ruína financeira. Um certo Lampoon proclamou que “Leão X consumiu três pontificados; o tesouro de Júlio II, as receitas de seu próprio reinado e as de seu sucessor”. É correto, no entanto, prestar total crédito às boas qualidades de Leão. Ele era altamente cultivado, suscetível a tudo o que era belo, um orador polido e um escritor inteligente, possuidor de boa memória e julgamento, de maneira digna e majestosa. Era geralmente reconhecido, mesmo por aqueles que eram hostis em relação a ele, que ele era sincero religioso e cumpria estritamente seus deveres espirituais. Ele ouvia missa e lia diariamente seu jornal Breviario e jejuava três vezes por semana. Sua piedade não pode ser verdadeiramente descrita como profunda ou espiritual, mas isso não justifica a contínua repetição de sua alegada observação: “O quanto nós e nossa família lucramos com a lenda de Cristo é suficientemente evidente para todas as eras”. John Bale, o carmelita inglês apóstata, o primeiro a dar cresiro a essas palavras no tempo da rainha Isabel, não era nem mesmo contemporâneo de Leão. Entre os muitos ditos de Leão X que chegaram até nós, não há um de natureza cética. Em sua vida privada, ele preservou como papa a reputação irrepreensível que havia tido quando era cardeal. Seu personagem mostra uma notável mistura de boas e más características. A fama de Leão X é devida à promoção de literatura, ciência e arte. Sob ele, Roma tornou-se mais do que nunca o centro do mundo literário. “De todas as partes”, escreveu o cardeal Riario em 1515 para Erasmo em Roterdã, “os homens de letras estão correndo para a Cidade Eterna, seu país comum, seu apoio e sua padroeira”. Os poetas eram especialmente numerosos em Roma e poucos príncipes foram tão louvados em versos como Leão X. Ele distribuía presentes, favores, posições, títulos, não apenas a poetas e eruditos reais, mas frequentemente em poetasters e em bobos comuns. Ele estimava particularmente os secretários papais Bembo e Sadoleto, ambos celebrados poetas e escritores de prosa. Bembo encantou a todos pela sua polidez e inteligência. Suas clássicas letras ciceronianas exibem uma relação extremamente variada com quase todas as celebridades de sua época. Entre outras coisas, ele preparou uma edição crítica das obras de Dante e foi um zeloso colecionador de manuscritos, livros e obras de arte. Sua conduta não estava de acordo com sua posição como notário papal, conde palatino e incumbente de inúmeros benefícios, pois ele era mundano e auto-indulgente. Sadoleto era outro homem. Ele levou uma vida pura e imaculada, era um sacerdote modelo, uniu em si as diferentes fases da cultura antiga e moderna e foi um ardente entusiasta da antiguidade. Em elegância e polimento ele não era inferior a Bembo. Entre os poetas latinos da Roma Medicinal podemos mencionar brevemente Vida, que compôs um poema de grande mérito, o “Christiade” e foi exaltado por seus contemporâneos como o Virgílio cristã; Sanazaro, autor de um poema épico sobre o nascimento de Cristo, que é um modelo de estilo; o carmelita Spagnolo Mantovano com seu “Calendário de Festas”; Ferreri, que da maneira mais ingênua, reformulou os hinos do Breviário com termos pagãos, imagens e alusões. O número total desses poetas excede cem; e Lampoon de 1521 diz que eles eram mais numerosos que as estrelas no céu. A maioria deles caiu no esquecimento bem merecido. Isto é igualmente verdadeiro para a poesia italiana contemporânea – mais prolífica do que notável. Entre os poetas italianos, Trissino escreveu uma tragédia, “Sophonisba”, e um épico “L’Italia liberata dai Gothi”, mas não obteve sucesso real, apesar do sério propósito e da beleza da linguagem. Rucellai, um parente do papa, cujo poema didático inteligente e compreensivo sobre as abelhas encontrou grande aprovação de seus contemporâneos, devia sua reputação principalmente a uma obra inferior, a tragédia de “Rosmonda”. O celebrado improvisatore, Tebaldeo escreveu em latim e italiano. Para Ariosto, o papa foi extraordinariamente severo. A arqueologia recebeu grande encorajamento. Um de seus representantes mais ilustres foi Manetti. Em 1521, a primeira coleção de inscrições topográficas romanas apareceu e introduziu uma nova era. Progresso importante foi devido aos trabalhos do erudito antiquário Fulvio. Fulvio, Calvo, Castiglione e Rafael planejaram uma pesquisa arqueológica da Roma antiga acompanhada de um texto. A morte prematura de Rafael interrompeu abruptamente o trabalho que foi realizado por Fulvio e Calvo. A língua grega também encontrou favor e encorajamento; Aldo Manúcio, o editor veneziano, cujas excelentes e corretas edições dos clássicos gregos se tornaram tão populares, foi um dos protegidos de Leão. Andrea Johannes Lascari e Musurus foram convocados da Grécia para Roma e fundaram um colégio grego, a “Academia Medicinal”. Além disso, o papa encorajou a coleta de manuscritos e livros. Ele recuperou a biblioteca de sua família que foi vendida pelos florentinos em 1494 aos monges de San Marco, levou-os a Roma e aplicou os regulamentos de Sisto IV para a Biblioteca do Vaticano. O mais ilustre de seus bibliotecários era Ingirami, menos por meio de quaisquer obras eruditas do que por seu dom de eloqüência. Ele foi chamado o Cícero de sua idade e desempenhou um papel importante na corte. Em 1516 ele foi sucedido pelo humanista bolonhês Beroaldo. Leão tentou, como anteriormente fora feito por Nicolau V, aumentar os tesouros da Biblioteca do Vaticano e, com esse objetivo, enviou emissários em todas as direções, até mesmo para a Escandinávia e o Oriente, para descobrir tesouros literários e obtê-los ou emprestá-los para o propósito de fazer cópias. Os resultados, no entanto, não foram importantes. A universidade romana, que entrou em decadência, foi reformada, mas não floresceu por muito tempo. No geral, Leão, como Mecenas literário, foi superestimado por seu biógrafo Giovio e depois pelos panegiristas. Relativamente pouco foi conseguido, em parte por causa da constante falta de dinheiro e em parte por causa da falta de consideração e pressa que o papa costumava mostrar ao distribuir seus favores. Ele era na realidade apenas um diletante. No entanto, ele deu um importante estímulo à vida científica e literária e foi um fator poderoso no desenvolvimento cultural do Ocidente. Resultados mais importantes resultaram de sua promoção da arte, embora ele fosse inquestionavelmente inferior em gosto e julgamento ao seu predecessor Júlio II. Leão incentivou a pintura além de todos os outros ramos da arte; preeminente nesta classe estão as produções imortais de Rafael. Em 1508 ele chegou a Roma, convocado por Júlio II, e permaneceu lá até sua morte em 1520. A proteção estendida a esse mestre genial é a reivindicação mais duradoura de Leão sobre a posteridade. As realizações de Rafael, já numerosas e importantes, adquiriram mais dignidade e grandeza sob Leão. Ele pintou, esboçou e gravou de obras de arte antigas, modeladas em barro, fez desenhos para palácios, dirigiu o trabalho de outros por ordem do papa, deu conselho e ajuda igualmente para supervisores e operários. “Tudo relacionado à arte que o papa entrega a Rafael”, escreveu um embaixador em 1518. Este não é, naturalmente, o lugar para tratar a prodigiosa atividade de Rafael. Nós nos limitamos a breve menção de alguns de seus trabalhos. Ele terminou a decoração dos salões do Vaticano ou “Stanze”, iniciada sob Júlio II, e no terceiro salão inteligentemente se referiu a Leão X, introduzindo cenas dos pontificados de Leão III e Leão IV. Uma comissão mais importante foi dada a ele para pintar os desenhos das tapeçarias da Capela Sistina, a mais alta das realizações de Rafael, a mais magnífica delas sendo “a pesca milagrosa de São Pedro” e “São Paulo pregando em Atenas”. Um terceiro empreendimento famoso foi a decoração da Loggia do Vaticano feita por alunos de Rafael sob sua direção, e principalmente de seus projetos. A mais requintada de suas pinturas é a maravilhosa Madona Sistina e a “Transfiguração”. A Escultura mostrou um declínio acentuado sob Leão X. Michelangelo ofereceu seus serviços e trabalhou 1516-1520 em uma fachada de mármore para a igreja de San Lorenzo, em Florença, mas não terminou. Por outro lado, o papa deu especial atenção e encorajamento às artes menores, p. escultura decorativa, e promoveu as artes industriais. A maior e mais difícil tarefa de Leão foi no campo da arquitetura e foi herdada de seu antecessor, a continuação da nova São Pedro. Bramante permaneceu seu principal arquiteto até sua morte em 1514. Rafael o sucedeu, mas em seus seis anos de cargo pouco foi feito, para seu pesar, por falta de meios. Podemos agora nos voltar para os eventos políticos e religiosos do pontificado de Leão. Aqui, o brilhante esplendor que se difunde sobre seu patrocínio literário e artístico, logo se transforma em uma profunda tristeza. Suas bem conhecidas inclinações pacíficas tornavam a situação política uma herança desagradável, e ele tentava manter a tranquilidade por meio de exortações, às quais, no entanto, ninguém escutava. A França desejou vingar-se da derrota de 1512 e reconquistar o Milão. Veneza fez uma aliança com ela, após o que o Imperador Maximiliano, a Espanha e a Inglaterra em 1513 concluíram uma Liga Sagrada contra a França. O papa desejava, a princípio, permanecer neutro, mas esse curso o teria isolado, então ele decidiu ser fiel à política de seus predecessores e procurou, portanto, se opor aos desígnios da França, mas, ao fazê-lo, evitar a severidade. Em 1513, os franceses foram decisivamente derrotados em Novara e foram forçados a efetuar uma reconciliação com Roma. Os cardeais cismáticos se apresentaram e foram perdoados, e a França então participou do Concílio de Latrão, que Leão havia continuado. Mas o sucesso foi logo obscurecido pela incerteza. A França se esforçou para formar uma aliança com a Espanha e obter Milão e Gênova por uma aliança matrimonial. Leão temia pela independência dos Estados Papais e pela chamada liberdade da Itália. Ele negociou por todos os lados sem se comprometer e, em 1514, conseguiu criar uma aliança anglo-francesa. O medo da Espanha agora deu lugar ao pesadelo da supremacia francesa e o papa começou a negociar de maneira enganosa e desleal com a França e seus inimigos simultaneamente. Antes de ter decidido se ligar de um jeito ou de outro, Luís XII morreu e o jovem e ardente Francisco I o sucedeu. Mais uma vez, Leão procurou demora. Ele apoiou a Liga contra a França, mas até o último momento esperava por um acordo com Francisco. Mas o último, pouco depois de sua descida à Itália, conquistou a grande vitória de Marignano, de 13 a 14 de setembro de 1515, e o papa agora decidiu-se atirar-se nos braços do rei mais cristão e implorar misericórdia. Ele foi obrigado a alterar completamente a sua política e abandonar ao rei francês Parma e Piacenza, que havia se reunido com o Milão. Uma entrevista com o rei Francisco em Bolonha resultou na Concordata Francesa (1516), que trouxe consigo importantes consequências para a Igreja. A Sanção Pragmática de Bourges (1438), profundamente hostil ao papado, foi revogada, mas o papa pagou um alto preço por essa concessão, quando concedeu ao rei o direito de nomeação a todas as sedes, abadias e priorados da França. Através desta e de outras concessões, por ex. no que diz respeito à jurisdição eclesiástica, a influência real sobre a Igreja francesa estava assegurada. Grande descontentamento resultou na França entre o clero e nos parlamentos. A abolição da Sanção Pragmática, elaborada em conformidade com os decretos do Concílio de Basileia, afetou os adeptos do sistema conciliar de governo da igreja. A abolição das eleições eclesiásticas livres afetou gravemente os interesses de muitos e a oposição à Concordata foi mantida por séculos. A vantagem para a Igreja e para o papa de tão grande sacrifício era que a França, até então de atitude esquisitica, agora estava firmemente vinculada à Santa Sé, que assim desviava o perigo do completo distanciamento. No entanto, a maneira pela qual a coroa francesa abusou de seu controle sobre a Igreja levou, em um período posterior, a grandes males. Enquanto isso, o Concílio de Latrão, continuado por Leão após sua elevação ao papado, estava chegando ao fim, tendo expedido numerosos e muito oportunos decretos, por exemplo, contra os falsos ensinamentos filosóficos do professor paduano, Pietro Pompanazzi, que negou a imortalidade da alma. As invasões do Humanismo pagão na vida espiritual foram enfrentadas pelo surgimento simultâneo de uma nova ordem de estudos filosóficos e teológicos. Na nona sessão foi promulgada uma Bula que tratou exaustivamente de reformas na Cúria e na Igreja. As abadias e os benefícios eram daqui em diante concedidos apenas a pessoas de mérito e de acordo com a lei canônica. As provisões de benefícios e processos consistórios foram reguladas; deposições eclesiásticas e transferências feitas mais difíceis; os benefícios comendatórios foram proibidos; e uniões e reservas de benefícios, também dispensas para obtê-los, eram restritos. Medidas também foram tomadas para reformar a administração da Cúria e as vidas dos cardeais, dos clérigos e dos fiéis. A instrução religiosa das crianças foi declarada um dever. Blasfemos e eclesiásticos incontinentes, negligentes ou simoníacos deveriam ser severamente punidos. As receitas da igreja não deveriam mais ser voltadas para usos seculares. As imunidades do clero deveriam ser respeitadas, e todos os tipos de superstição deveriam ser abolidas. A décima primeira sessão tratou da cura das almas, particularmente com a pregação. Essas medidas, infelizmente, não foram completamente cumpridas e, portanto, a tão necessária reforma genuína não foi realizada. Perto do encerramento do concílio (1517), o leigo nobre e altamente culto, Gianfrancesco Pico della Mirandola, fez um discurso notável sobre a necessidade de uma reforma da moral; seu relato da condição moral do clero está entristecido e revela as muitas e grandes dificuldades que se colocaram no caminho de uma genuína reforma. Ele concluiu com a advertência de que, se Leão X deixasse tais ofensas impunes e se recusasse a aplicar remédios de cura a essas feridas da Igreja, seria de temer que o próprio Deus cortasse os membros podres e os destruísse com fogo e espada. Naquele mesmo ano, esta advertência profética foi verificada. As reformas salutares do Concílio de Latrão não encontraram nenhuma aceitação prática. O pluralismo, os benefícios comendatórios, e a concessão de dignidades eclesiásticas às crianças permaneceram habituais. O próprio Leão não hesitou em anular repetidamente os decretos do concílio. A Cúria Romana, então muito desprezada e contra a qual tantos invejaram com violência, permaneceu tão mundana como sempre. O papa não estava disposto ou não em condições de regular a conduta indigna e imoral de muitos cortesãos romanos. A situação política absorveu sua atenção e foi em grande parte responsável pelo encerramento prematuro do concílio. Em março de 1516, o imperador Maximiliano atravessou os Alpes para fazer guerra aos franceses e venezianos. O papa seguiu seu curso habitual de mudança e dissimulação. A princípio, quando os eventos pareciam favoráveis aos franceses, ele apoiou Francisco. Mas sua antiga dupla política deixara Francisco com tanto mau humor que agora aderiu a uma política antipapal, quando Leão adotou uma atitude antipática em relação ao rei. Suas relações foram ainda mais tensas a propósito do Ducado de Urbino. Durante a invasão francesa, o duque de Urbino reteve a assistência que ele tinha o dever de entregar ao papa, que agora o exilou e deu o título ao seu sobrinho, Lorenzo de ‘Medici. O rei francês estava muito descontente com a política papal, e quando Francisco I e Maximiliano formaram a aliança de Cambrai em 1517 e concordaram com uma divisão da Itália Superior e Central, o Papa Leão se viu em uma posição desagradável. Em parte, por causa de sua constante vacilação, ele havia entrado em um perigoso isolamento, ao qual o duque de Urbino reconquistou seu ducado; para coroar todas as outras calamidades veio uma conspiração de cardeais contra a vida do papa. O líder, o cardeal Petrucci, era um jovem eclesiástico mundano que só pensava em dinheiro e prazer. Ele e os outros cardeais que haviam proposto a escolha de Leão, fizeram depois tais numerosas e insistentes exigências que o papa não poderia ceder a eles. Outras causas de descontentamento foram encontradas na desafortunada guerra com Urbino e na abolição das capitulações eleitorais e dos excessivos privilégios dos cardeais. Petrucci tinha má vontade pessoal em relação ao “papa ingrato”, que havia removido seu irmão do governo de Siena. Ele tentou ter o papa envenenado por um médico, mas a suspeita foi despertada e o enredo foi traído por meio de uma carta. A investigação implicou os cardeais Sauli, Riario, Soderini e Castellesi; eles tinham sido culpados, pelo menos, de ouvir Petrucci, e talvez desejassem seu sucesso, embora sua total cumplicidade não fosse realmente provada. Petrucci foi executado e os outros punidos com multas; Riario pagou a enorme soma de 150.000 ducados. O caso lança uma luz sinistra sobre o grau de corrupção nos mais altos círculos eclesiásticos. Despreocupado com o escândalo que estava dando, Leão aproveitou o processo para criar trinta e um novos cardeais, obtendo assim uma faculdade inteiramente submissa e também dinheiro para levar adiante a desafortunada guerra com Urbino. Não poucos destes cardeais foram escolhidos por conta das grandes quantias que tinham. Mas essas nomeações também trouxeram vários homens virtuosos e distintos ao Sacro Colégio, e isso foi ainda mais importante porque estabeleceu definitivamente a superioridade do papa sobre os cardeais. A guerra com Urbino, encorajada por Francisco I e Maximiliano com o propósito de aumentar as dificuldades de Leão, foi finalmente encerrada, depois de ter custado enormes somas e esvaziado o tesouro papal. Lorenzo de ‘Medici permaneceu na posse do ducado (1517). Fiel à antiga tradição da Santa Sé, desde o início de seu reinado, Leão defendeu zelosamente uma cruzada contra os turcos, e no final da guerra com Urbino assumiu a causa com determinação renovada. Em novembro de 1517, ele apresentou um memorial exaustivo a todos os príncipes da Europa e se esforçou para uni-los em um esforço comum, mas em vão. As respostas dos poderes revelaram-se amplamente dissimilares. Eles suspeitavam um do outro e cada um buscava naturalmente realizar vários propósitos secundários próprios. Leão respondeu uma carta ameaçadora do sultão por esforços ativos. Procissões religiosas foram realizadas, uma trégua de cinco anos foi proclamada em toda a cristandade e a Cruzada foi pregada (1518). O papa mostrou seriedade real, mas seu grande plano fracassou por falta de cooperação por parte dos poderes. Além disso, o cardeal Wolsey, lorde chanceler da Inglaterra, frustrou os esforços pacíficos do papa e, assim, desferiu um duro golpe ao prestígio internacional do papado. Quando a Cruzada foi pregada na Alemanha, ela encontrou uma grande parte do povo fortemente predisposta contra a Cúria, e forneceu-lhes uma ocasião para expressar seus pontos de vista em termos simples. Acreditava-se que a Cúria simplesmente buscava obter mais dinheiro. Um dos numerosos panfletos rancorosos declarou que os verdadeiros turcos estavam na Itália e que esses demônios só poderiam ser pacificados por correntes de ouro. A boa causa foi gradualmente fundida a uma importante questão política, a sucessão ao trono imperial. Maximiliano procurou a eleição para o seu neto, Carlos da Espanha. Um rival apareceu na pessoa de Francisco I, e tanto ele quanto Carlos competiram entre si na tentativa de ganhar o favor do papa com repetidas garantias de sua disposição de se mover contra os turcos. O evento da eleição relegou a cruzada ao segundo plano. Em 1519, o papa percebeu que não havia mais nenhuma perspectiva de realizar seu projeto. A atitude de Leão em relação à sucessão imperial foi influenciada principalmente por sua ansiedade em relação ao poder e independência da Santa Sé e da chamada liberdade da Itália. Nenhum candidato era aceitável para ele, Carlos, se possível, menos que Francisco, devido à preponderância de poder que deve resultar de sua ascensão. O papa teria preferido um príncipe eleitoral alemão, o da Saxônia ou, mais tarde, o eleitor de Brandemburgo. Ele “navegou”, como de costume, “com duas bússolas”, manteve os dois rivais à distância por meio de um jogo duplo, jogado com habilidade incomparável, e até conseguiu concluir simultaneamente uma aliança com os dois. O engano e a falta de sinceridade de suas relações políticas não podem ser inteiramente desculpados, seja pela difícil posição em que ele foi colocado, seja pelo exemplo de seus contemporâneos seculares. A morte de Maximiliano (janeiro de 1519) acabou com a irresolução do papa. Primeiro ele tentou derrotar ambos os candidatos, levantando um eleitor alemão. Depois, ele trabalhou zelosamente por Francisco I no esforço de garantir sua firme amizade, caso Carlos se tornasse imperador, um evento que se tornava cada dia mais provável. Somente no último momento, quando a eleição de Carlos estava certa e inevitável, Leão se aproximou do seu lado; depois da eleição, ele observou com grande ansiedade a atitude que o novo imperador poderia assumir. A ocorrência mais importante do pontificado de Leão e da mais grave conseqüência para a Igreja foi a Reforma, que começou em 1517. Não podemos entrar em um relato minúsculo desse movimento, cuja causa remota reside nas condições religiosas, políticas e sociais da Alemanha. É certo, no entanto, que as sementes de descontentamento em meio às quais Lutero lançou seu fogo estavam germinando há séculos. A causa imediata estava ligada à odiosa ganância por dinheiro exibida pela Cúria Romana e mostra até que ponto todos os esforços de reforma haviam diminuído até então. Alberto de Brandenburgo, já arcebispo de Magdeburgo, recebeu além disso o Arcebispado de Mainz e o Bispado de Hallerstadt, mas em troca foi obrigado a coletar 10.000 ducados, que foram taxados acima das taxas usuais de confirmação. Para indenizá-lo e tornar possível cumprir essas obrigações, Roma permitiu que ele pregasse em seu território a indulgência plenária prometia a todos aqueles que contribuíram para a nova Catedral São Pedro; ele foi autorizado a manter metade das devoluções, uma transação que trouxe desonra a todos os envolvidos. Somado a isso, abusos ocorreram durante a pregação da Indulgência. As contribuições em dinheiro, um mero acessório, eram frequentemente o principal objetivo, e as “Indulgências pelos Mortos” tornaram-se um veículo de ensinamentos inadmissíveis. Que Leão X, na mais séria de todas as crises que ameaçavam a Igreja, deixasse de provar o guia adequado para ela, é suficientemente claro do que foi relatado acima. Ele não reconheceu nem a gravidade da situação nem as causas subjacentes da revolta. Medidas vigorosas de reforma poderiam ter se revelado um eficaz antídoto, mas o papa estava profundamente enredado em assuntos políticos e permitiu que a eleição imperial ofuscasse a revolta de Lutero; além disso, entregou-se sem restrições aos seus prazeres e não conseguiu compreender plenamente os deveres de seu alto cargo. Os últimos esforços políticos do papa foram direcionados para a expansão dos Estados da Igreja, estabelecendo um poder dominante no centro da Itália por meio da aquisição de Ferrara. Em 1519 ele concluiu um tratado com Francisco I contra o imperador Carlos V. Mas o egoísmo e as invasões dos franceses e a luta contra o movimento luterano o levaram a unir-se a Carlos, depois de ter recorrido novamente ao seu método de dupla face de tratar com ambos os rivais. Em 1521, papa e imperador assinaram uma aliança defensiva com o objetivo de expulsar os franceses da Itália. Depois de alguma dificuldade, os aliados ocuparam Milão e Lombardia. Em meio às alegrias sobre esses sucessos, o papa morreu repentinamente de uma malária maligna. Seus inimigos são erroneamente acusados de tê-lo envenenado. O magnífico papa foi dado um funeral simples e não até o reinado de Paulo III um monumento erigido à sua memória na Igreja de Santa Maria sopra Minerva. É frio, prosaico e indigno de um apreciador como Leão. O único veredicto possível sobre o pontificado de Leão X é que foi uma infelicidade para a Igreja. Sigismondo Tizio, cuja devoção à Santa Sé é inquestionável, escreve com sinceridade: “Na opinião geral, era injurioso para a Igreja que sua Cabeça se deliciasse com peças, música, caçadas e tolices, em vez de prestar atenção séria às necessidades de seu rebanho e seu luto pelos seus infortúnios “. Von Reumont diz pertinentemente – “Leão X é em grande parte culpado pelo fato de que a fé na integridade e no mérito do papado, em seus poderes morais e regeneradores, e mesmo em suas boas intenções, deveria ter caído tão baixo que os homens pudessem declarar extinto o antigo espírito verdadeiro da Igreja “. Tradução Catholic Encyclopedia. Pope Leo x. Disponível em: http://www.newadvent.org/cathen/09162a.htm
- Idolatria Bíblica: Concepções Autênticas e Falsas
A idolatria é um ato consciente por natureza ou definição. Os católicos são acusados de substituir o pão e o vinho como ídolos do Deus vivo. Eu acho que praticamente nenhum católico que sabe alguma coisa sobre sua fé seria estúpido o suficiente conscientemente para adorar o que ele acredita que ainda é apenas um pedaço de pão. Pode ser considerado um culto equivocado, mas ainda é bastante piedoso e não-idólatra, assim como nós católicos diríamos que o culto luterano ou anglicano é piedoso e bem-intencionado, mas na verdade não tem a Presença Real (devido à ordenação e sucessão apostólica problemas). Não é idolatria – apenas um erro quanto à metafísica. Onde está o pecado em adorar a Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador e Redentor – Deus Filho? Achamos que Ele está verdadeiramente presente nos elementos consagrados. Assim como Lutero. Se somos idólatras, ele também é. Lutero era conhecido por se curvar em adoração. Os luteranos também acreditam que Jesus Cristo está verdadeiramente, substancialmente presente após a Consagração, então por que eles não são habitualmente acusados de idolatria? É da essência da idolatria ser do coração, da alma e da vontade. Se alguém está substituindo Deus por alguma outra coisa, essa é uma decisão interior. Tem que ser; caso contrário, a coisa toda seria reduzida a ações robóticas de um agente sem livre-arbítrio. Esse tipo de coisa é pressuposto também no Sermão da Montanha, onde Jesus mostra como todos os pecados começam em nossos corações: o ódio é a semente do assassinato, a luxúria o cerne do adultério, etc. Todo pecado é assim (pelo menos o pecado pelo qual somos responsáveis). A idolatria é a adoração de um falso deus. Isso não acontece na missa, porque é entendido por todos que Jesus, não pão e vinho, está sendo adorado eucaristicamente. A própria palavra transubstanciação prova isso. Quanto a ser uma questão de coração e alma: a Bíblia estabelece isso, penso: Isaías 66: 3 como aquele que abençoa um ídolo. Estes escolheram seus próprios caminhos, e sua alma se deleita em suas abominações. Ezequiel 14: 4-5 Portanto, fala-lhes, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Qualquer homem da casa de Israel que tomar os seus ídolos no seu coração e lhe impuser a pedra de tropeço diante do seu rosto; vem ao profeta, eu o Senhor lhe responderei por causa da multidão de seus ídolos, a fim de me apegar aos corações da casa de Israel, todos afastados de mim por meio de seus ídolos. Ezequiel 20:16 porque rejeitaram as minhas ordenanças e não andaram nos meus estatutos, e profanaram os meus sábados; porque o seu coração foi atrás dos seus ídolos. (Ezequiel 36:25; Sir 46:11) Outro motivo bíblico é o desprezo de Deus sobre os homens que “servem” os ídolos (que é do coração e da vontade: 2 Reis 17:12; 2 Reis 21:21; 2 Crônicas 24:18; Sl 106: 36; Ez 20:39; 1 Tessalonicenses 1: 9). São Paulo localiza a idolatria firmemente na disposição interior: Romanos 1:21, 24-25 Pois, embora conhecessem a Deus, não o honraram como Deus nem lhe deram graças, mas tornaram-se fúteis em seu pensamento e suas mentes sem sentido foram obscurecidas. . . . Portanto, Deus os entregou na concupiscência de seus corações à impureza, à desonra de seus corpos entre si, porque eles trocaram a verdade sobre Deus por uma mentira e adoraram e serviram a criatura, em vez de o Criador, que é abençoado para sempre! Amém. Tradução ARMSTRONG, David. Biblical Idolatry: Authentic & Counterfeit Conceptions Disponível em: https://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2019/05/biblical-idolatry-authentic-counterfeit-conceptions.html
- Deus imoralmente ”assassinou” o filho do rei Davi?
2 Samuel 12: 9, 13-15, 18 (RSV) Por que desprezaste a palavra do Senhor, para fazeres o que é mal aos olhos dele? Você feriu Uriás, o hitita com a espada, e tomou sua esposa para ser sua esposa, e matou-o com a espada dos amonitas. . . . [13] Davi disse a Natã: “Pequei contra o SENHOR.” E disse Natã a Davi: “O SENHOR também tem tirado o seu pecado; você não morrerá. [14] Não obstante, porque com este ato desprezaste o SENHOR, o filho que te nasceu morrerá. ”[15] Então Natã foi para sua casa. E o SENHOR golpeou a criança que a esposa de Uriás deu a Davi, e ficou doente. . . . [18] No sétimo dia a criança morreu. O ateísta Jon Morgan afirmou na caixa de comentários do meu blog: Segundo essa história, Davi e Bate-Seba conceberam um filho por meio do adultério. No mundo de hoje, o aborto poderia ter sido a saída, mas não estava disponível, e Davi aparentemente chegou à conclusão de que matar o marido de Bate-Seba, Uriás, e depois casar-se com ela era a única maneira possível de abafar. O bebê foi então levado a termo, e um pouco após o termo a criança foi morta. Esse é o trabalho chocante de um “defensor de matar crianças sedentos de sangue”? Na verdade, foi o seu Deus. Parece que você está aplicando um conjunto de regras a Deus e um conjunto completamente diferente de regras para os humanos, e eu acho que isso é um problema. O ateu Stewart Felker também entrou em contato: O problema mais significativo com essa passagem não é simplesmente a morte de um inocente, mas Deus está punindo o bebê a fim de punir o pai por seus pecados! O principal ponto crucial da questão. . . não é sobre a morte prematura em si, mas sobre a morte de um inocente por Deus como punição direta pelo pecado de outra pessoa. Diferencia-se até mesmo daqueles casos em que Deus mata ou ordena a morte de um grupo de pessoas e crianças em massa, de modo que fazem parte desse grupo maior. Este foi o alvo específico de uma criança individual como punição pelos pecados de seu pai. Além disso, eu realmente penso que “em vez de a morte de crianças inocentes ser uma coisa má, muitas vezes é uma bênção para as crianças serem tiradas de uma vida de dificuldades nas mãos de uma sociedade pecaminosa, e conduzidas a um paraíso de paz e descanso ”é o produto da racionalização e nos leva a um território ético insanamente duvidoso e até perigoso. Não é só que Deus tem a prerrogativa de fazer o que ele quer aqui, no entanto. Isso pode ou não ser verdade como regra geral (embora, é claro, Deus não pudesse fazer coisas contra sua própria natureza, nem poderia, de boa fé, fazer coisas que ele prometeu que não faria, etc.); mas aqui estamos especificamente falando sobre Deus mais ou menos arbitrariamente matando alguém para punir alguém por seus próprios pecados. Se Davi soubesse que a criança seria imediatamente conduzida a um paraíso interminável, não deveria ele estar satisfeito e não aborrecido? Do ponto de vista antigo do Oriente Médio que está por trás dessa história, no entanto, provavelmente não havia essa noção de que a criança entra no paraíso após a morte. O pano de fundo e a explicação mais relevante é que Deus matou o filho de Davi porque as vidas humanas eram às vezes consideradas descartáveis e poderiam ser usadas oportunisticamente para coisas como punição vicária. (A capacidade de consumo de vidas humanas – em particular a vida das crianças – atinge o seu apogeu mais extremo na ideia de que ainda existem vestígios de uma atitude positiva em relação ao sacrifício de crianças em vários textos bíblicos.) Eu encontrei um artigo que dá uma resposta completa e adequada ao “dilema” de Deus supostamente matando uma criança por causa dos pecados de seu pai: “Deus matou o bebê de Davi?” (Come and Reason Ministries). A Bíblia às vezes apresenta as coisas como Deus fazendo alguma coisa, quando na verdade significa (no nível mais profundo) que Deus permitiu que algo acontecesse em Sua providência. E assim, o artigo explica: Alguém realmente acredita que é justo matar um bebê inocente pelo pecado do pai? A Bíblia certamente não: * A alma que peca é aquela que vai morrer. O filho não compartilhará a culpa do pai, nem o pai compartilhará a culpa do filho. A justiça do justo será creditada a ele, e a iniqüidade dos ímpios será imputada contra ele. [Ezequiel 18:20] * . . . Então, o que está acontecendo? O contexto revela que o autor da passagem está elaborando a mentalidade do rei Davi e daqueles que viveram naquela época na história da Terra. Naquela época, na história da Terra, as pessoas atribuíam a Deus aquilo que Deus permitia, mas não causava diretamente. Um exemplo disso seria a morte do rei Saul, que era rei antes de Davi. O rei Saul cometeu suicídio e a Bíblia registra isso fielmente, mas a Bíblia também descreve o suicídio de Saul como sendo Deus a matá-lo: Saul disse ao seu escudeiro: “Saca a tua espada e corra para mim, ou estes companheiros incircuncisos virão e correrão comigo e abusarão de mim.” Mas o seu escudeiro estava aterrorizado e não o faria; então Saul pegou sua própria espada e caiu sobre ela. Quando o escudeiro viu que Saul estava morto, ele também caiu em sua espada e morreu com ele. Então Saul e seus três filhos e seu escudeiro e todos os seus homens morreram juntos no mesmo dia. [1 Samuel 31: 4-6] * Saul morreu porque foi infiel ao Senhor; ele não guardou a palavra do Senhor e até consultou um médium para orientação, e não perguntou ao Senhor. Então o Senhor o matou e entregou o reino a Davi, filho de Jessé. [1 Crônicas 10: 13-14] * Agora, Deus realmente colocou Saul à morte? Um anjo foi enviado do céu para forçar Saul a desferir sua espada contra sua vontade, ou Saul decidiu acabar com sua própria vida? Então por que a Bíblia diz “o Senhor o matou?” Porque neste momento na Bíblia Deus é descrito como fazendo o que Ele permite. . . . * Não nos é dito o que realmente causou a morte da criança, apenas que a criança morreu e Deus não interveio para parar esta morte, apesar das orações de Davi. O pronunciamento do profeta de que a criança morreria era um anúncio do que Deus previu aconteceria, uma previsão de eventos futuros. Não foi uma descoberta judicial com posterior execução por Deus. Não significava que Deus mataria a criança ou causaria a morte da criança, mas que Deus sabia que a criança morreria e que Deus não interviria para salvar milagrosamente a criança. Eu expliquei o mesmo tipo de coisa (análoga) no caso da Bíblia dizendo que “Deus endureceu o coração do Faraó” que – quando analisado de perto – é realmente Faraó endurecendo seu próprio coração, e Deus permitindo isso em Sua providência. Assim, a Bíblia diz (neste sentido específico) que Deus fez isso em vez do Faraó. Veja: Deus “endurecendo corações”: como interpretamos isso? Resposta a um calvinista: endurecimento do coração do faraó O artigo citado acima menciona que cada pessoa é responsável por seu próprio pecado. Sim, é verdade, e mostro que este é um ensinamento bíblico também: Deus “punindo” os descendentes: é injusto e inútil? Seidensticker Folly # 17: “para a terceira e quarta gerações”? Deus pune a quarta geração? Um exemplo muito claro e direto de Deus permitindo uma coisa, enquanto a Bíblia diz que Ele fez isso, é encontrado no livro de Jó. Está tudo cuspido ali. Jó (como é bem conhecido) sofreu terrivelmente, embora o próprio Deus tenha dito a respeito de Jó: “Não há outro semelhante a ele na terra, homem íntegro e reto, que tema a Deus e se desvie do mal?” (Jó 1: 8 ; cf. 2: 3). Jó mesmo compreendeu seu sofrimento como Deus enviando o mal: Jó 2: 9-10 (RSV) Então sua esposa lhe disse: “Você ainda mantém sua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre. ”[10] Mas ele disse a ela:“ Você fala como uma das mulheres tolas falaria. Porventura receberemos o bem das mãos de Deus e não receberemos o mal? ”Em tudo isso Jó não pecou com os seus lábios. O escritor do livro, perto do fim, refere-se a “todo o mal que o Senhor lhe trouxera” (42:11). Esta é, novamente, a linguagem da providência e (tecnicamente) do antropomorfismo, ou condescendente à compreensão limitada do homem, explicando as coisas sobre Deus de uma maneira não literal. Para mais sobre isso, veja meu artigo: Antropopatismo e antropomorfismo: dados bíblicos (Deus condescendente às limitações humanas do entendimento). Se quisermos descobrir a verdade literal do que estava acontecendo em um nível espiritual muito mais profundo, o início do livro explica isso em sua narrativa. Deus permitiu que Satanás afligisse Jó: Jó 1:12 E o SENHOR disse a Satanás: “Eis que tudo o que ele tem está em seu poder; somente sobre si mesmo não estenda a sua mão ”. . . Jó 2: 6-7 E o SENHOR disse a Satanás: “Eis que ele está em seu poder; poupa-lhe a vida. 7 Então Satanás saiu da presença do Senhor, e afligiu a Jó com feridas repulsivas, desde a planta do pé até o alto da cabeça. Então você tem isso de novo. Às vezes, a Bíblia afirma que “Deus fez x”, mas o que isso realmente significa em um nível mais profundo é que “Deus em Sua providência não quis, mas antes, permitiu em Sua providência onisciente, para um propósito mais profundo”. Como foi mostrado, vemos isso no caso de Jó, o caso do rei Saul (citado no artigo no topo), e com o faraó endurecendo seu coração. Este é o pensamento bíblico. Mas nem um em mil ateus jamais teria se familiarizado com esse antigo pensamento hebraico do Oriente Próximo. Nem seria (infelizmente) um em cem cristãos (mesmo que muitos). É por isso que nós, apologistas, fazemos o que fazemos! Estamos aqui para educar e ajudar os fiéis a entender melhor a Bíblia e sua fé cristã. Assim eu respondi a Stewart Felker: Você é quem não entende o pensamento hebraico, neste caso, e em muitos outros. Mas boa tentativa fracassada, levando mais uma vez a Deus, por sua ignorância de como a Bíblia realmente apresenta e explica seu caráter e natureza. Que seja uma lição para você. Tradução ARMSTRONG, David. Did God Imorally ”Murder” King David’s Innocent Child? Disponível em: https://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2019/05/did-god-immorally-murder-king-davids-innocent-child.html
- A INTERVENÇÃO DE THEODORICO E O JULGAMENTO DO PAPA SYMACO.
A INTERVENÇÃO DE THEODORICO E O JULGAMENTO DO PAPA SYMACO. Ele teve por sucessor Santo Athanasio II, que ocupou pouco tempo a santa sé, e a quem uma manobra deu dois sucessores simultaneamente, Symaco e Lourenço. Era o princípio de um cisma. O mais legítimo e o único canônico teria sido um concílio, mas ele poderia reunir-se passado alguns meses. Para tirar a dificuldade, recorreu-se a Theodorico, remetendo-se ao seu arbítrio. Foi, diz Barônio, um espetáculo aflitivo, mas o único meio do evitar uma guerra civil no seio do Roma. Os dois competidores, Symaco e Lourenço, compareceram em Roma perante Theodorico, que decidiu sabiamente, que só devia ter como legítimo a Symmaco, que fora eleito primeiro, o que tivera mais sufrágios. Em consequência desta sentença, Symmaco foi confirmado e reconhecido pelos bispos como legítimo Papa. Como depois este Papa foi acusado de vários crimes, Theodorico convocou para o julgar um concílio em Roma, no ano 601, mas os bispos o representaram-lhe, que «competia ao Papa convocá-lo por direito divino e por autoridade dos concílios, o que não havia exemplo de que nenhum Papa tivesse sido sujeito ao juízo do seus inferiores.» Então Theodorico mostrou-lhes por algumas cartas de Symmaco, que este pontifíce consentia em que se convocasse o concílio, que efetivamente se reunia em Roma no ano 501, e o Papa, na presença dos padres, autorizou-os a julgar o pleito : são os próprios termos das atas do concílio. Symmaco foi reconhecido inocente o absolvido das culpas, que lhe imputavam. * A glória de Theodorico não durou até ao fim da sua Vida. A idade o as enfermidades o tornaram invejoso, avarento, desconfiado. Os aduladores aproveitaram-se de suas fraquezas para o indispor contra os homens mais respeitáveis do seu reino. O senador Symmaco o o seu genro Boécio pereceram em horríveis suplícios. –Theodorico não sobreviveu muito tempo ás suas crueldades. Um dia puseram-lhe a mesa uma cabeça de peixe; ele imaginou que era a cabeça de Symmaco, que o ameaçava; levantou-se assustado, deitou-se na cama, o expirou cheio de remorsos no ano 526. A sua morte foi seguida do algumas revoluções políticas, e em 540 as proezas de Belizário fizeram do novo passar Roma e uma parte do Itália para a dominação dos imperadores do Oriente. * Em 546, Totila, rei dos ostrogodos, tirou Roma de Belizário, que a retomou no ano seguinte. Em 549, Totila reconquistou-a outra vez. Em 552, Narsés, outro general romano, arrancou-a de novo aos bárbaros, a quem expulsou da península. A Itália veio a ser outra vez uma província romana, tendo Ravenna por capital e residência do exarca. Assim abandonada a viúva para sempre dos seus reis e dos césares, Roma não tardou, como vamos ver nos próximos textos, a ser exposta a novos bárbaros, perante quem os imperadores do Oriente a desampararam completamente. Por estas desgraças e vicissitudes contínuas, é fácil de ver que a divina providência trabalhava para tornar a Igreja independente do todas as potências do século o a preparava pouco a pouco para os destinos santos, pacíficos e imortais, que lhe reserva. TRATADO DE HISTÓRIA ECLESIÁSTICA,PADRE RIVAUX, 1876,TOMI II, LIVRARIA INTERNACIONAL #IdadeMédia #USA #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Símaco #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja
- A KGB DE BATINA (Como os comunistas se infiltraram na Igreja Ortodoxa russa) – Victor Orlov
[The Washigton Post,17 de Julho de 1988]. A Igreja Ortodoxa Russa, em todo o mundo, celebra seu milênio neste mês, em um momento em que o regime soviético parece cada vez mais disposto a permitir a liberdade de culto em suas fronteiras. Mas é importante compreender o motivo dessa súbita tolerância: o governo só confia na hierarquia da igreja soviética, pois ela é efetivamente controlada pela KGB. A evidência de que a igreja é infiltrada pela KGB vem da minha própria experiência como agente da inteligência da KGB. Entre outros jovens oficiais, alguns anos atrás me ofereceram um lugar na Academia Espiritual da igreja, uma universidade que está ligada à sua sede em Zagorsk, nos arredores de Moscou. Este lugar especial na academia (proveniente de uma cota da KGB, sem o habitual e competitivo exame de admissão) oferece uma “carreira esplêndida” na hierarquia da igreja e substanciais benefícios materiais. Recusei, mas não faltaram voluntários. Não há como saber exatamente quantos membros da hierarquia da igreja estão, hoje, associados à KGB, mas há poucas dúvidas de que ela controla as atividades mais importantes da hierarquia da igreja. Compreender a relação secreta da KGB com a igreja é importante, neste momento, quando são relativamente poucas as queixas sobre a suposta supressão da religião na União Soviética. Contudo, essa visão ingênua não deve ser levada a sério, pois a igreja, lá, não é um corpo independente; e uma das tragédias dessa situação é que milhões de cristãos honestos, na União Soviética, não sabem com quem estão se confessando. O dilema que enfrenta o regime soviético, hoje em dia, é como manter sob controle a igreja sem parecer violar grosseiramente os direitos humanos de seus membros. Para saber como os soviéticos realizaram essa tarefa complicada, precisamos olhar para a história, que revela quatro tendências principais na relação entre o governo e a igreja desde a revolução de 1917 até o presente: Eliminação dos líderes. A primeira tendência, que começou imediatamente após a revolução, foi marcada por extrema brutalidade. A igreja, dentro do país, perdeu praticamente toda a sua liderança. A maioria de seus líderes foi assassinada ou levada ao exílio. As contas diferem, mas pelo menos 6.000 padres foram assassinados nos primeiros 18 meses após a revolução bolchevique. Pressão sobre os fiéis. A segunda tendência envolvia ações mais sofisticadas. Durante esse período, desde o início da década de 20 até o início da década de 40, todas as propriedades da igreja foram desapropriadas. Na melhor das hipóteses, qualquer pessoa que demonstrasse abertamente sua fé era punida com um emprego inferior. Simultaneamente, uma poderosa campanha de propaganda negativa estava acontecendo contra a igreja, com uso intenso de desinformação. Coexistência pacífica. A terceira tendência, de meados dos anos 50 até meados dos anos 80, foi marcada por uma relativa tolerância. O governo se reconciliou com a existência da igreja e, de tempos em tempos, elogiou seu papel no movimento pela paz mundial. Aparente sustentação. A quarta tendência, que começou recentemente, surpreendeu a maioria dos observadores. O governo soviético parecia, de repente, estar apoiando a igreja ao comemorar seu milésimo aniversário. A União Soviética parecia, como dizia a CNN, “orgulhosa de sua igreja e de sua história de mil anos”. Precisamos analisar essa história com cuidado. Duas coisas que não podemos negar, nos comunistas, são a lógica e a razão. Moral, humanismo, inteligência — essas qualidades podem estar ausentes da história comunista. Mas lógica e razão, não. Qual era, então, a lógica e a razão por trás da aparente mudança de atitude de Mikhail Gorbachev em relação à igreja? Para responder a essa pergunta, precisamos entender a importância que os comunistas atribuem aos sistemas de crença, seja uma religião ou uma ideologia. Lênin percebeu imediatamente, após a revolução, que ele não poderia competir, com a igreja, em ideologia ou credibilidade junto ao povo. A única solução que ele viu foi a destruição da igreja., em consonância com o slogan comunista: “Se o inimigo não se render, ele deve ser destruí-lo”. Foi exatamente o que os comunistas fizeram. Uma igreja, porém, com uma congregação de muitos milhões de fiéis, não podia ser esmagada da noite para o dia. Portanto, a destruição devia começar pelas lideranças da igreja. O próximo passo foi dissuadir a congregação ortodoxa — o povo russo, em outras palavras — de participar de qualquer expressão aberta de fé. Para conseguir isso, o regime oferecia ao povo uma escolha difícil: exibia publicamente a fé e morria de fome ou reprimia a fé para sobreviver. Esse tipo de tática derrubou a árvore da Igreja Ortodoxa na União Soviética, mas as suas raízes permaneceram. A fé, mesmo quando oculta da vista, provou ser indestrutível, o que era uma péssima notícia para a festa… O regime percebeu que, em vez de destruí-lo, só tinha conseguido abafar o cristianismo. E, para as autoridades soviéticas — cujo maior medo era sempre o povo — essa expressão secreta e privada da religião era ainda mais perigosa. Foi então que as autoridades soviéticas resolveram o problema com uma técnica típica da KGB: infiltrar-se no objeto visado e controlá-lo desde dentro, fazendo com que a organização controlada se torne apenas uma miragem, uma ilusão do que realmente é. A infiltração foi feita pelos métodos tradicionais da KGB. A polícia secreta recrutou uma rede de informantes, principalmente pela força ou através de ameaças. No entanto, um subproduto vantajoso desta operação foi que semeou desconfiança entre o clero e os fiéis (a existência de informantes da KGB, afinal de contas, não era nenhum segredo para as pessoas). Contudo, a festa não poderia estar completa só com esse vago sistema de informantes e agentes. Os informantes não eram totalmente confiáveis. Então, o próximo passo foi a infiltração, na igreja, de oficiais confiáveis da KGB, um processo que começou, o mais tardar, em meados dos anos 50. O programa foi supervisionado pelo que hoje é conhecido como a Quinta Diretoria da KGB (responsável pela ideologia), com o apoio da Segunda Diretoria (que lida com a contra-inteligência). No final dos anos 80, a igreja havia sido totalmente infiltrada. A miragem de igreja já estava construída. A KGB tem preferência esse tipo de infiltração, que é mais poderosa, pois lhe permite construir uma rede interconectada em constante expansão, que pode ser utilizada para checar cada fragmento de informação e criar um bem elaborado mosaico de mentiras. O trabalho de infiltração forneceu mais um benefício à KGB, mais especificamente, à sua primeira Diretoria Principal, responsável pela inteligência estrangeira. Descobriu-se que a igreja oferecia aos oficiais da KGB um bom disfarce para atividades de espionagem no exterior. Sua maior queixa era que o número de cargos disponíveis não era suficiente para suas necessidades. Gostaria de enfatizar que a Igreja Ortodoxa Russa, sediada na União Soviética, é totalmente diferente da Igreja Ortodoxa Russa fora da Rússia. Essa última, que se tornou independente pela encíclica do Patriarca Tikhon, em 1920, era inicialmente composta por cristãos russos que emigraram durante a Revolução de 1917. Essa igreja tornou-se um alvo importante para a inteligência soviética; nela, a KGB conseguiu provocar alguns danos, mas essa igreja no exterior está fazendo o possível para combater o comunismo e salvar o cristianismo russo. Infelizmente, ainda há poucos como nós, os que podemos, no mundo livre, ajudar os milhões de crentes e os muitos sacerdotes honestos da União Soviética. Mas, pelo menos, podemos recusar aos comunistas e à KGB o benefício de aceitar a miragem de igreja que eles criaram, olhando com o necessário ceticismo para seus esforços contínuos de controlar a livre expressão religiosa na União Soviética. (Victor Orlov é pseudônimo de um ex-oficial da KGB que recebeu asilo político nos Estados Unidos antes da Perestroika). https://www.washingtonpost.com/archive/opinions/1988/07/17/putting-the-kgb-in-a-cassock-why-moscow-is-infiltrating-the-soviet-orthodox-church/98c4041d-95cc-445a-85f4-527488094996/?utm_term=.84510cd3b842
- O Sínodo da Amazônia e a impossibilidade da ordenação sacerdotal de mulheres
Já que está “na ordem do dia”, eis uma pequena contribuição ao vindouro Sínodo da Amazônia: sobre a impossibilidade da ordenação sacerdotal de mulheres, um Bispo católico do século IV (famoso por combater duramente as heresias que tentavam ingressar pela porta dos fundos na Igreja) *ensina ortodoxamente* aos Bispos e Presbíteros de hoje que adotam indevidamente as “posições inovadoras” e sempre infundadas da Teologia da Libertação: – “Para começar, para quem isto não for imediatamente óbvio, se investigar todo o escopo do passado (…) nunca, em momento nenhum, uma mulher ofereceu sacrifícios a Deus: Eva, embora tivesse caído em transgressão, não se atreveu a empreender tal impiedade, assim como nenhuma de suas filhas o fizeram. (…) E em nenhum lugar [do Antigo Testamento] uma mulher jamais ofereceu sacrifícios. Também no Novo Testamento, se [de fato] fosse ordenado por Deus que as mulheres oferecessem sacrifícios ou viessem a ter qualquer função canônica na Igreja, a própria [Virgem] Maria deveria ter atuado como sacerdotisa, eis que ela foi considerada digna de carregar em seu ventre o Rei de todos, o Deus celeste, o Filho de Deus; seu ventre tornou-se um Templo e, pela bondade de Deus, um incrível mistério foi preparado para ser a morada da natureza humana do Senhor. Porém, não foi da vontade de Deus que ela fosse uma sacerdotisa. Ela sequer foi incumbida da administração do batismo, para que Cristo fosse batizado por ela e não por João [Batista]. (…) Sucessores do episcopado e do presbiterato na Casa de Deus foram nomeados (…) e em nenhum lugar uma mulher foi designada. As Escrituras dizem: ‘Filipe, o evangelista, teve quatro filhas que profetizaram’, mas com certeza elas não foram sacerdotisas. E ‘Ana, filha de Fanuel, era uma profetisa’, porém o sacerdócio não lhe foi confiado. (…) É verdade que há uma ordem de diaconisas na Igreja, mas esta [ordem] não permite a prática do sacerdócio ou qualquer função litúrgica. Existe por uma questão de modéstia feminina, para o momento do batismo ou o exame de alguma condição ou problema, quando o corpo de uma mulher pode ser desnudado, de modo que não venha a ser vista pelos padres, mas pela mulher assistente designada pelo sacerdote para essa ocasião, para cuidar temporariamente dela no momento em que o seu corpo é descoberto” (Santo Epifânio de Salamina [*310/+403], Panarion 79,2,3-79,3,6). #Sacerdócio #sacerdotisa #SínododaAmazônia #Teologiadalibertação
- Ataques autocontraditórios de Calvino contra o monasticismo
Eu só queria mostrar, a propósito, que tipo de monges a Igreja primitiva tinha, e qual era a profissão monástica, que a partir da aparência do contraste os leitores possam julgar quão grande é a afronta daqueles que alegam antiguidade em apoio ao monaquismo atual. Agostinho, enquanto traça um monasticismo sagrado e legítimo. . . (Institutas da Religião Cristã, Livro IV, 13:10) Observe como Calvino descreveu o monasticismo antigo como “sagrado e legítimo”. Por que, então, ele não defende sua continuação em seu tempo, se é algo tão santo e bom? Ele refuta radicalmente seu próprio ponto de vista ao (por um lado) conceder que a coisa já foi sagrada e (por outro lado) negar qualquer possibilidade de, portanto, reformá-la e levá-la de volta ao lugar onde antes estava . Ele se desespera; ele carece de esperança e fé de que a Igreja possa trazer isso pela graça de Deus. É uma perspectiva essencialmente cínica e pessimista; mais contrária às injunções do otimismo idealista do Novo Testamento no Espírito Santo. Os primeiros protestantes gostavam de se chamar “reformadores” (e são chamados até hoje), mas o que eles geralmente defendiam era a coisa mais distante da “reforma” – por qualquer definição razoável do termo. Calvino justamente condena os pecados reais dos monges e sacerdotes de seu tempo, mas o leitor deve lembrar-se do truque empregado. Uma grande parte do que era todo o quadro dos primeiros monges “santos” da Igreja eram aquelas práticas “católicas” que Calvino condena. Mas Calvino parece incapaz ou não quer notar a impressionante autocontradição. Se Calvino garante que os antigos monges eram mais santos (o que, com toda a probabilidade, era o caso, em contraste com o período corrupto e decadente do século 16, com o pecado pessoal entre os sacerdotes e religiosos tristemente excessivos), então é bastante óbvio que a resposta para o problema atual é encontrar uma maneira de fazer com que o atual clero e os religiosos sejam reformados, de modo que eles sejam como seus antepassados antigos, que até mesmo Calvino admira e oferece como contraste. Essa foi a solução da Reforma Católica no final do século XVI, com o Concílio de Trento e outras reformas, mas não da Revolução Protestante. A resposta é claramente não se livrar das categorias de padres, freiras e monges. Se as categorias são essencialmente erradas e perversas e desnecessárias e anti-bíblicas, etc., então elas estavam erradas tanto nos séculos IV e V quanto no século XVI (a partir de uma perspectiva revolucionária protestante). Portanto, Calvino não poderia ter raciocinado contrastando os exemplos mais antigos com os mais novos. Mas Calvino não raciocina dessa maneira. Seria logicamente consistente demais para o seu gosto. Em vez disso, ele argumenta da seguinte maneira totalmente ridícula: 1) Os antigos sacerdotes, monges e monjas eram santos e piedosos; boa gente. 2) Hoje, as mesmas classes são completamente corruptas. 3) Portanto, não há esperança, e devemos abolir as três classes. Isso nem entra nas noções ridículas de que a missa é blasfema, abominável, idólatra e assim por diante; no entanto, a mesma Missa com as mesmas crenças celebradas pelos antigos, de alguma forma, não os torna culpados da mesma maldade que Calvino acusa os católicos em seu tempo de cometer toda vez que vão à igreja. Nós vemos a contradição e insubordível autocontradição a cada passo quando examinamos de perto as visões de mundo de Calvino e de outros originadores protestantes. O que no mundo está errado com a separação pelas razões certas? Pode-se ter um ministério de oração, que é uma coisa não social em si mesma. João Batista se separou. Os profetas eram geralmente figuras isoladas, pela natureza de sua função. Jesus foi embora para estar sozinho em tempos de oração. Ele jejuou 40 dias e noites sozinho antes de iniciar seu ministério público. Mais uma vez, observamos o rígido legalismo e a incapacidade de permitir que diferentes dons sejam exercidos na Igreja. É o caminho de Calvino ou a estrada. Eu diria que os princípios são eternos e fundamentados nas Escrituras e na tradição sagrada. O que precisamos rejeitar é o secularismo, não o monasticismo. Precisamos ser mais parecidos com a Bíblia e a Igreja do que com o mundo, que nunca compreenderá o monasticismo e os conselhos evangélicos. Mesmo muitos protestantes (incluindo João Calvino) não entendem. Tradução ARMSTRONG, David. Calvin’s Self-Contradictory Trashing on Monasticism Disponível em: https://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2019/05/calvins-self-contradictory-trashing-of-monasticism.html
- ARMADURA DO CRISTÃO – São Paulo
(Efésios, 6, 10 – Bíblia da Ave Maria)
- Yahvé ou Jeová? O Nome de Deus
Autor: José Manuel Raccamarich Para nós, como seres humanos, foi necessário, desde o início, estabelecer uma relação com o que nos rodeia, com o que cremos e com o que somos. É por isso que dentro da nossa existência foi inevitável dar nome a tudo aquilo com o que nos relacionávamos. Desde a Criação, por vontade divina, foi estabelecido que o homem desse nome a todos os animais criados por Deus para que não estivesse sozinho (Gênesis 2,19-20). Em nossos dias, se contam grande quantidade de religiões em diversos países e regiões do mundo, cada uma com deuses diferentes e cada um destes deuses com nome próprio. Mas quando Deus, o único e verdadeiro, começou a se revelar aos homens, após a queda dos nossos primeiros pais Adão e Eva, foi necessário, nesse momento, conhecer o seu nome: – “Set também teve um filho e lhe colocou o nome de Enós, que foi o primeiro a invocar o nome de Deus” (Gênesis 4,26). Contudo, o Gênesis não nos revela qual nome Enós invocou. Mas Deus revelou o seu nome quando Moisés lhe perguntou. Deus respondeu: “Eu sou aquele que sou” (Êxodo 3,14). – “Eu sou YHWH. Eu apareci a Abraão, Isaac e Jacó como Deus todopoderoso; e a nenhum deles revelei o meu nome: YHWH” (Êxodo 6,2-3). Pois bem, o que são estas quatro letras: YHWH? Essas quatro letras são chamadas “Tetragrama”, termo que provém do grego “tetra-grammaton”, que significa “quatro letras”. Para compreendermos se o Nome de Deus é Jeová ou Yahvé, é necessário que nos ambientemos no contexto histórico da pergunta “por que existem estes dois nomes e qual foi a sua origem?”. O rei Nabucodonosor II conquistou Jerusalém no ano 587 a.C. e suprimiu a independência dos hebreus (os judeus antigos); também o belíssimo Templo de Salomão, orgulho nacional dos hebreus, foi totalmente arrasado. O rei levou em cativeiro toda Jerusalém, todos os príncipes e todos os homens valentes, cerca de 10.000 cativos, e todos os oficiais e ferreiros. Não restou ninguém, exceto os pobres do povo da terra (cf. 2Reis 24,14). Mas o Cativeiro afetou apenas as classes altas hebreias? Sim, esta era a ideia: os vencedores tinham interesse em impedir que ressurgisse ali um poder político forte e, para isso, levaram à força a classe dirigente vencida e capaz de liderar uma revolta. Mas o que tem a ver o Cativeiro da Babilônia com o nome de Deus? Após o Cativeiro da Babilônia, levando em conta estritamente o texto de Êxodo 20,7, restou proibido aos judeus pronunciar o nome de Deus, para que não fosse profanado pelos pagãos. Assim, quando faziam a leitura da Lei e dos Profetas nas sinagogas, ao encontrarem o Tetragrama YHWH, faziam uma pausa silenciosa e depois prosseguiam com a leitura. Com o transcorrer dos anos e das gerações, o nome de Deus deixou de ser pronunciado e já ninguém mais sabia qual era a pronúncia correta. De todo modo, a tradição das sinagogas, de fazer uma pausa e prosseguir a leitura ao encontrar a palavra YHWH, continuou até os tempos de Jesus. Não vemos Jesus dizendo em momento nenhum no Evangelho qual era o nome de Deus. Então, com o passar do tempo, prosseguiu-se com a proibição? Algo interessante que ocorreu antes do Cativeiro da Babilônia foi uma separação que se deu entre os judeus: os judeus samaritanos, ao considerarem os demais povos e Jerusalém pouco ortodoxos e impuros em relação à Lei, provocaram o rompimento das relações antes do ano 597 a.C. Mas o que é interessante nisso? O notável é que, ao cortar as relações com os demais judeus, não se aplicou a eles a proibição de se pronunciar o nome de Deus. E eles pronunciavam “Yahvé” e continuaram pronunciando assim por gerações… e até hoje eles dizem “Yahvé” e escutamos “Javé”. No séc. VII d.C., os mestres rabínicos da Escola de Tiberíades, chamados “massoretas”, decidiram colocar vogais nas palavras das Sagradas Escrituras (pois eram escritas sem vogais e cada vez mais aumentava a confusão sobre a pronúncia das palavras). No tocante ao tetragrama YHWH, como nunca era pronunciado, ninguém sabia quais vogais deveriam usar. Pegaram, então, as vogais da palavra “Adonai” (a-o-a), que era a palavra lida em substituição ao tetragrama: a letra “i” no fim de Adonai não foi contada porque, para os hebreus, trata-se de consoante e não de vogal; também mudaram o primeiro “a” para “e” por razões de fonética semítica (conforme o sistema inventado pelos massoretas, a consoante “Y”, primeira letra do tetragrama, por ser consoante forte, não poderia ser seguida pela vogal “a”, por ser fraca, devendo assim ser mudada para a vogal “e”, que é uma vogal forte). Não obstante a este trabalho dos massoretas, o nome YHWH continuou sendo substituído nas leituras pela palavra Adonai. Então, o que os massoretas do século VII fizeram foi pronunciar o tetragrama como Yahveh, valendo-se do hebraico antigo, para assimilar sua pronúncia ao hebraico Adonai (o Senhor). Se a tese da Escola Francesa de Línguas, do séc. XVIII, tiver razão ao afirmar que todo idioma vai se modificando e mutando pelo uso e pelo abuso, isso também ocorreu com o hebraico. Desse modo, encontramos hoje, em todas as Bíblias hebraicas, a pronúncia do tetragrama indicada como “Yehovah”, pelo uso e abuso do idioma através dos séculos. Pois bem: vejamos alguns nomes dados a Deus pelas Sagradas Escrituras: – Adonai: quer dizer “Senhor”; transcrito como “Kyrios” no grego; – Elohim: quer dizer “Senhor Deus”; – El: é um dos nomes mais antigos usados pelos israelitas, inclusive antes da redação do Êxodo, que foi o primeiro livro escrito da Bíblia. Este nome significa “Ser forte”, “o Supremo”, ou simplesmente “Deus”; – El Shadai: quer dizer “o Altíssimo” ou “Todo poderoso”. Deus se apresentou com este nome diante dos patriarcas (Êxodo 6,2-3); – Yahweh Shebaoth: quer dizer “Deus dos exércitos”. Não aparece na Lei judaica (Pentateuco), mas nos livros proféticos; – Ganna: quer dizer “Deus zeloso”; – El Hai: quer dizer “Deus vivente”. Quanto ao “Aleluia”, o que significa? “Glorificado seja Yahvé” (Halalayah). Se o nome de Deus fosse Jeová, se pronunciaria “Aleluyeh”, o que jamais ocorreu em nenhum escrito em hebraico, aramaico, nem foi traduzido para o grego, pois o grego traz “Aleluia” e não “Aleluie” (cf. Apocalipse 19,1.4.6). Não podemos saber, com certeza absoluta, qual é a pronúncia correta do Nome de Deus, mas sabemos que a pronúncia mais próxima do Nome de Deus é “Yahvé”. – “E foi concedido a Jesus um Nome superior a todo Nome, para que no Nome do Senhor Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e nos infernos, e que toda língua confesse que Jesus é o Senhor” (Filipenses 2,9-11). Fonte: Revista Vox Veritas nº 3 Tradução: Carlos Martins Nabeto #jeova #Tetragrama #yahve #YHWH
- LIÇÃO DE T. S. ELIOT
Escrevo porque gosto de falar Com mortos, coração a coração, E com aqueles que ainda nascerão Mas cujo espírito pressinto no ar. O que é o tempo presente? Não se escreve Para ser lido aqui, neste momento. O agora é mais efêmero que a neve E os livros passam como passa o vento. Escrever é juntar as permanentes Coisas que, pelo tempo, estão dispersas — O belo, o amor ao próximo, a verdade — Jogando-as pelo chão como sementes. São murmúrios inúteis? Vãs conversas? São espelhos fiéis da eternidade.
- PADRE PIO NA VIDA DO ROMANCISTA GRAHAM GREENE
O romancista inglês Graham Greene, sempre catalogado entre os maiores escritores católicos do século XX, não teve uma vida de fé tão tranqüila como se pensa: basta ler suas duas autobiografias, para o perceber. Não se sabe pediu ou, pelo menos, aceitou a extrema-unção, no final da vida. No ensaio “Graham Greene & o estigmatizado”, publicado no prestigioso “The New York Review of Books”, o jornalista americano Kenneth L. Woodward faz algumas revelações interessantes sobre a relação do escritor inglês com o Padre Pio de Pietrelcina, a partir de uma carta que recebeu do próprio Greene. Nela, o escritor deixava transparecer que seu interesse por Padre Pio não vinha só dos seus misteriosos estigmas (que o obrigava a usar curativos semelhantes a faixas de algodão para estancar o sangramento das mãos), embora Greene se admirasse daquele sangue que vazava, estancava e voltava a correr. Espantava-o mais, porém, a capacidade do frade capuchinho de “ler corações”, sabendo antecipadamente dos pecados daqueles que o procuravam, fosse no confessionário ou fora dele. Na carta ao jornalista Woodward, Greene fala de suas experiências com a Missa de Padre Pio, em San Govanni Rotondo, no sul da Itália, provavelmente no final dos anos cinquenta. Greene, então já separado de sua esposa, foi a San Giovanni Rotondo com a sua amante da época, Yvonne Cloetta, e esperava ser recebido por Padre Pio, que era amigo de um grande amigo seu, o marquês Patrizzi. O encontro estava marcado para a noite, no mosteiro. Na hora H, porém, Greene arranjou uma desculpa para não ir. Explicou, depois, que ele e sua amante (também católica) não queriam que suas vidas mudassem. Padre Pio, certamente, que nunca leu um romance de Graham Greene, na certa “leria” no coração do escritor e de sua amante a situação pecaminosa em que viviam, e exigiria que deixassem aquela vida. No entanto, na manhã seguinte, Greene conta que foram à famosa Missa de Padre Pio. “Na época, não estava autorizado a celebrar a missa no altar-mor, mas apenas em um pequeno altar lateral, e ele teve que dizer sua missa às 5:30 da manhã. Havia apenas algumas mulheres do lado de fora dos portões do mosteiro esperando que abrissem e, durante a missa, estávamos a cerca de um metro e oitenta de distância dele. As mulheres foram imediatamente ao confessionário quando a missa acabou, onde ele ficou até a hora do almoço. Durante toda a missa, ele tentou esconder os estigmas, puxando as mangas até o meio das mãos, mas é claro que elas não conseguiam esconde-los. Provavelmente não podia usar luvas. Eu tinha sido avisado que a Missa dele era muito longa, por isso fiquei surpreso ao verificar que estava na média em termos de duração…. Fiquei ainda mais surpreso quando saímos da igreja e descobri que eram sete horas, sem ter ideia como esse longo período de tempo tinha passado.” (Carta a Kenneth L. Woodward) Nessa mesma carta, o escritor também mostrava admiração pelo papa Pio XII, a quem conheceria mais tarde, nos anos 50. Dos dois Pios, porém, o autor inglês preferia claramente o frade capuchinho, apesar do que tinha ouvido, em Roma, a respeito do futuro santo, sobre o qual um monsenhor do Vaticano lhe havia dito que não passava de “uma velha e piedosa fraude”. Greene deixa claro que não compartilhava daquela opinião. Apesar de, naquele período final de sua vida, aos oitenta anos, Greene se dizer um “católico ateu ou agnóstico”, o certo é que ainda carregava uma fotografia de Padre Pio em sua carteira. Graham Greene & the Stigmata
- HÁ POBRES NA ÁFRICA PORQUE SOMOS RICOS? – Riccardo Cascioli
Há um lugar comum, um refrão terceiro-mundista que domina uma fatia substancial do mundo católico politizado: na África há pobres porque somos ricos… E que se mistura a outro lugar-comum: na África há guerras porque vendemos armas. Muitas vezes, já explicamos como essa afirmação é uma loucura colossal, o costumeiro esquema ideológico que contradiz a realidade dos fatos. Admitindo-se que o período colonialista tenha sido apenas uma história de roubo de recursos naturais, ao longo dos últimos 50 anos mais de mil bilhões de dólares foram jogados em países africanos para a luta contra a pobreza. Mil bilhões de dólares. Em comparação, o famoso “Plano Marshall”, que os americanos promoveram para reanimar a Europa após a Segunda Guerra Mundial, consistiu em um investimento de 14 bilhões de dólares, ao longo de 4 anos. A Europa com 14 bilhões levantou-se rapidamente; já a África, com 1000 bilhões, não consegue sair do subdesenvolvimento. Será que um determinado segmento católico não é capaz de fazer perguntas sérias sobre a realidade da África e, mais genericamente, sobre os países em desenvolvimento? E sobre o comércio de armas: nestes dias, lembrou-se do 25º aniversário do genocídio cometido em Ruanda, um dos eventos mais sangrentos já registrados na África. Bem, em pouco mais de três meses, entre 800.000 e um milhão de pessoas foram mortas, e todas com facas e facões de uso cotidiano. Nenhuma arma foi vendida pelo Ocidente. Ninguém pode negar que, entre os muitos fatores que contribuem para a pobreza na África e suas guerras, também haja responsabilidades deste ou daquele país ocidental, mas é, na verdade, um fator entre muitos e certamente não o mais importante. As razões da pobreza na África são diversas, mas na maioria das vezes elas têm a ver com causas internas – tribalismo, corrupção, algumas concepções religiosas – e certamente não traz benefício nenhum aos pobres de lá a Europa ficar alimentando esse sentimento de culpa. Aliás, é exatamente o oposto, porque nos leva a perseverar em políticas de bem-estar que já se mostraram ineficazes. Ouvir bispos e padres, em vez disso, perpetuar a abordagem ideológica (são pobres porque somos ricos) é realmente lamentável. Além do mais, impele os fiéis e a opinião pública a apoiar políticas suicidas, como a imigração sem limites. http://lanuovabq.it/it/prete-su-nave-ong-segno-di-una-chiesa-ideologica
- O FOGO DO AMOR DIVINO – 3º Domingo da Páscoa
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Terceira aparição do Ressuscitado aos discípulos”, clicar AQUI. O Evangelho deste domingo nos narra o episódio da segunda pesca milagrosa, quando Jesus Ressuscitado precede os Apóstolos na Galileia, aparecendo de novo a eles e renovando-lhes a fé, exatamente no lugar em que eles foram chamados pela primeira vez ao serviço de Nosso Senhor. Nesta meditação, Padre Paulo Ricardo comenta essa passagem conclusiva do Evangelho de São João e mostra-nos como podemos crescer, com a ajuda da graça de Deus, nas virtudes da fé e da caridade, assim como os primeiros discípulos. FOGO DE AMOR (Meditação de Scott Hahn sobre a conversão de Pedro) Há dois lugares, nas Escrituras, onde o detalhe curioso das “brasas acesas” é mencionado. O primeiro é no Evangelho de hoje, quando os Apóstolos retornam da pesca para encontrar o pão e o peixe aquecendo ao fogo. O segundo é a cena no pátio do Sumo Sacerdote, na Quinta-feira Santa, quando Pedro, junto de alguns guardas e escravos, se aquecem, enquanto Jesus é interrogado lá dentro (João 18,18). Diante do primeiro braseiro, Pedro negou conhecer Jesus por três vezes, como Jesus havia predito (João 13,38; 18, 15-18, 25-27). A brasa acesa de hoje é cenário do arrependimento de Pedro, pois três vezes Jesus lhe pede para fazer uma profissão de amor. O tríplice mandato de Jesus, “apascenta as minhas ovelhas”, revela que Pedro foi indicado como o pastor de todo o rebanho do Senhor, a cabeça de Sua Igreja (Lucas 22, 32). A pergunta de Jesus, “Tu me amas mais do que estes?” é um lembrete do compromisso de Pedro de entregar sua vida por Jesus, mesmo que os outros apóstolos enfraqueçam (João 13, 37; Mateus 26, 33; Lucas 22, 33). Jesus então explica o que o amor e a liderança de Pedro exigirão, predizendo a sua morte por crucificação (“estenderás as mãos”). Antes de sua própria morte, Jesus havia alertado os apóstolos de que seriam odiados como Ele foi odiado, e que sofreriam como Ele sofreu (Mateus 10, 16-19, 22; João 15, 18-20; 16, 2). Vemos o começo dessa perseguição na primeira leitura de hoje. Açoitados como Jesus, os apóstolos, no entanto, “saíram do Conselho muito contentes, por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus.” Sua alegria é baseada na fé de que Deus transformará o “seu pranto em uma festa”, como cantamos no Salmo de hoje. Por seus sofrimentos, eles bem o sabem, serão considerados dignos de permanecer, no Céu, diante do “Cordeiro que foi imolado”, uma cena vislumbrada na Segunda Leitura de hoje (ver também Apocalipse 6, 9-11). https://stpaulcenter.com/fire-of-love-scott-hahn-reflects-on-the-third-sunday-of-easter/ PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Atos dos apóstolos 5,27b-32.40b-41) Sofrer por Jesus Naqueles dias, os guardas levaram os apóstolos e os apresentaram ao Sinédrio. O sumo sacerdote começou a interrogá-los, dizendo: “Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina. E ainda nos quereis tornar responsáveis pela morte desse homem!” Então Pedro e os outros apóstolos responderam: “É preciso obedecer a Deus, antes que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o Guia Supremo e Salvador, para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos seus pecados. E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem”. Então mandaram açoitar os apóstolos e proibiram que eles falassem em nome de Jesus, e depois os soltaram. Os apóstolos saíram do Conselho, muito contentes, por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus. SALMO 29 O pranto se transformou em festa (Antífona): Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes. — Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes,/ e não deixastes rir de mim meus inimigos!/ Vós tirastes minha alma dos abismos/ e me salvastes, quando estava já morrendo! — Cantai salmos ao Senhor, povo fiel,/ dai-lhe graças e invocai seu santo nome!/ Pois sua ira dura apenas um momento,/ mas sua bondade permanece a vida inteira;/ se à tarde vem o pranto visitar-nos,/ de manhã vem saudar-nos a alegria. — Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade!/ Sede, Senhor, o meu abrigo protetor!/ Transformastes o meu pranto em uma festa,/ Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Apcalipse 5, 11-14) Tudo pelo Cordeiro imolado Eu, João, vi e ouvi a voz de numerosos anjos, que estavam em volta do trono, e dos Seres vivos e dos Anciãos. Eram milhares de milhares, milhões de milhões, e proclamavam em alta voz: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória, e o louvor”. Ouvi também todas as criaturas que estão no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles existe, e diziam: “Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre”. Os quatro Seres vivos respondiam: “Amém”, e os Anciãos se prostraram em adoração daquele que vive para sempre. EVANGELHO (São João 21, 1-19) O preço da conversão de Pedro Naquele tempo, Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”. Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?” Responderam: “Não”. Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”. Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão.Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”. Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. Jesus disse-lhes: “Vinde comer”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos. Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”. E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus lhe disse: “Apascenta as minhas ovelhas”. Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”. Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”.
- GUSTAVE THIBON – Emiliano Fumaneri
O lançamento do filme para o cinema, Le stelle inquiete, dedicado à filósofa Simone Weil (1909-1943), teve o considerável mérito de fazer melhor conhecer ao público italiano a figura do pensador católico Gustave Thibon (1903-2001), o ‘filósofo-camponês’ (philosophe-paysan), o autodidata capaz de se familiarizar com as línguas clássicas e modernas, o estudioso de Ludwig von Klages, Nietzsche, Santo Tomás e da mística carmelita, capaz de ganhar a admiração de figuras imponentes da paisagem cultural europeia. Gustave Thibon nasceu em 1903, em Saint-Marcel d’Ardèche (interior da França), de uma família de camponeses. A íntima comunhão com os ritmos da natureza e a familiaridade com o silêncio acumulam nele aquelas profundas, vastas, reservas interiores que verterá em suas obras. Em 1916, depois de frequentar a escola municipal, se vê forçado a abandonar os estudos para dedicar-se ao trabalho no campo. Alheio a preocupações religiosas, transcorre uma adolescência agnóstica. Aos dezoito anos, no entanto, é assaltado por uma veemente paixão pelo conhecimento. Com ímpeto febril se atira ao estudo das línguas, aprende sozinho o latim, o grego e o alemão. Enfrenta textos de filosofia e teologia; arrisca-se também em matemática e biologia. Thibon se reconcilia com a Fé Católica da infância através da leitura de Léon Bloy (1846-1917) e do encontro com Jacques Maritain (1882-1973), a quem deve a descoberta da obra de Santo Tomás de Aquino. Maritain o encoraja a escrever, e a sua amizade (encerrada devido a diferenças de opinião sobre Charles Maurras e a Action Française), lhe permitirá publicar os primeiros artigos na Revue Thomiste. É sempre o incentivo dos amigos que lhe permite superar a natural inclinação para a modéstia e o empurra a publicar, em 1940, a obra que o revela ao grande público: Diagnostics. Essai de physiologie sociale, à qual segue: Retour au réel. Nouveaux diagnostics (1943). O primeiro dos dois ensaios será traduzido e publicado em 1947 pela Morcelliana, com o título de Diagnosi. Saggio di fisiologia sociale. Graças ao interesse de Marcos Tangheroni (1946-2004), em 1973 as edições Volpe publicam uma nova tradução de Diagnosi, que, um ano depois, segue à primeira edição italiana de Ritorno al reale. Nuove diagnosi (1972). Em nossa língua [italiano] foram traduzidas também as coleções de aforismos thibonianos: La scala di Giacobbe (1947)[8], Il pane di ogni giorno (1949)[9], L’uomo maschera di Dio (1971). São publicados também: Quel che Dio ha unito. Saggio sull’amore (1947), Vivere in due (1955), Crisi moderna dell’amore] (1957), Nietzche o il declino dello spirito (1964). Finalmente, deve-se assinalar o livro-testemunho escrito com o padre dominicano Joseph-Marie Perrin, Simone Weil come l’abbiamo conosciuta (2000). A profundidade de pensamento, a penetrante lucidez do julgamento e a deslumbrante beleza do estilo lhe valem logo o reconhecimento de outros prestigiosos intelectuais, como Marcel de Corte (1905-1944), Gabriel Marcel (1889–1973), Henri Massis (1886-1970). Mas o encontro que mais marcará sua vida espiritual e intelectual é aquele com Simone Weil. Fugindo dos nazistas, no verão de 1941, Weil encontra refúgio na fazenda de Thibon. Entre a inquieta pensadora de origens hebraicas e o filósofo-camponês se estabelece uma relação profunda marcada pela máxima franqueza e uma altíssima estima recíproca, tanto que Simone decide confiar-lhe os seus manuscritos. Após a prematura morte da filósofa (1943), Thibon se encarrega de fazer conhecer seu nome ao mundo, publicando trechos dos diários dela sob o título La pesanteur et la grace (1948), editado em italiano como L’ombra e la grazia (trad. it., Comunità, Milão, 1951). Quando de sua morte, que o colhe em 2001, Gustave Thibon deixa ao mundo – além de três filhos, os netos e uma memória indelével no coração de quem o conheceu – uma vintena de obras, inumeráveis artigos e textos de conferências; sem contar a considerável quantidade de escritos que não foram publicados. O eixo principal do pensamento thiboniano repousa sobre dois princípios: a oposição aos ídolos e o amor pela unidade. Dois momentos que, no entanto “se fundem num só, porque o ídolo representa a parte elevada ao todo, mas somente destruindo os ídolos se pode reconstruir a unidade” (Il pane di ogni giorno, Morcelliana, 1949, p. 10). “Deus criou unindo”, observa Thibon. O pecado, o drama do homem consiste em separar o que Deus uniu: “A metafísica da separação é a própria metafísica do pecado” (Quel che Dio ha unito, Società Editrice Siciliana, 1947, p. VI). O nosso tempo, marcado pelo esquecimento do Ser e das verdades supremas, é afligido pela luta feroz e implacável entre os ídolos. Só pode ser a guerra endêmica a condição estrutural de um mundo dominado por falsas divindades: nenhuma delas pode permitir às outras de elevar-se acima de todas para reivindicar o senhorio devido ao único verdadeiro Deus. O conflito entre os ídolos garante, assim, a impossibilidade de qualquer autêntica transcendência. Procurar a morte representa a verdadeira vocação da idolatria: a sede de sangue devora o ídolo, enquanto o ódio visceral pelo Ser o consagra ao nada e à mentira. Para o Sócrates cristão vivente em Thibon, o autêntico espírito filosófico consiste, assim, “em preferir às mentiras que fazem viver as verdades que fazem morrem” (L’ignorance étoilée, Fayard, 1985, p. 45). Thibon faz, então, igualmente seu o ditado de Tolkien: ‘as raízes profundas não gelam’. Assim é em relação às verdades mais simples e ordinárias: a profundidade dos abismos pertence ao grande, imenso oceano da normalidade. Chata e superficial é apenas a terra pisada pelos ídolos. “O thibonismo é uma filosofia do bom senso”, escreveu Hervé Pasqua. A verdadeira sabedoria está em ser fieis tanto ao ‘realismo da terra’ quanto às verdades eternas do Céu, visto que “as coisas supremas florescem apenas do outro lado do túmulo. Mas elas começam aqui embaixo, e a frágil semente delas está em nossos corações, e nada floresce no Céu que não tenha antes germinado na terra” (La scala di Giacobbe, AVE, 1947, p. 102). O mundo moderno enlouqueceu, sustenta Chesterton, “não tanto porque admite a anormalidade, mas porque não sabe reencontrar a normalidade”. A era da secularização ultrajou e decompôs, no fim, a própria natureza humana; eis por que se torna necessária, primeiro, uma obra de ‘apostolado do senso comum’. “Houve um tempo – escreveu o filósofo francês, em uma célebre passagem de Ritorno al reale – em que o Cristianismo teve de lutar contra a natureza: aquela natureza que era tão dura, tão hermeticamente fechada que a graça tinha dificuldade em tocá-la. Hoje, devemos lutar pela natureza, a fim de salvar o mínimo de saúde terrena necessária à ação do sobrenatural”. Thibon, estranho tanto ao evanescente espiritualismo que abandona ao mal as realidades terrenas, como também ao perfeccionismo encarnado pelo mito do progresso tecnológico necessário e irrefreável, mais do que um ‘iconoclasta da reação’ – à maneira do colombiano Nicolás Gómez Dávila (1913-1994), ao qual é acomunado por numerosas afinidades, até estilísticas – é uma ‘testemunha da esperança’. “A época em que tudo foi perdido”, escreve, “é também aquela em que tudo pode ser reencontrado” (Entretiens avec Gustave Thibon, par Philippe Barthelet, La Place Royale, 1988, p. 175). Tomando partido a favor da positividade última do real, o seu é um apelo ao reconhecimento da ‘verdade das coisas’. A esperança repousa na plenitude do ser, em última instância na onipotência divina. Deus é; é o Ser. O ídolo, o não-ser: a idolatria é a religião da desesperança. Desaba, assim, o pressuposto da gnose eterna: a irredimível, desesperada negação da realidade criada. É o amor a revelar o próprio mistério do ser. Se a metafísica da esperança thiboniana se revela impermeável aos fogos fátuos do progressismo, também não cede às sugestões ‘tradicionalistas’ das utopias ‘arqueológicas’. “Que me importa, portanto, o passado enquanto passado? Não percebem que, quando choro sobre a ruptura de uma tradição, é sobretudo no porvir que eu penso. Quando vejo apodrecer uma raiz, tenho pena das flores que secarão amanhã por falta de seiva” (L’uomo maschera di Dio, SEI, 1971, p. 258). A devota memória do passado não deve nos induzir a “considerar a morte das coisas mortais como uma perda irreparável. Não se agarrar totalmente, desesperadamente à materialidade (no sentido mais amplo) de uma tradição, uma instituição, de um regime. Precisa salvar a alma das coisas às quais o vento da morte levou embora o corpo” (Parodies et mirages ou la décadence d’un monde chrétien. Notes inédites (1935-1978), Éditions du Rocher, 2011, p. 20). A afirmação dos valores supra-históricos e eternos não deve ser confundida com a imagem de uma realidade histórica cumprida e realizada. “A verdadeira fidelidade não consiste […] em impedir toda mudança, mas mais precisamente em impregnar toda mudança de eterno” (Crisi moderna dell’amore, Marietti, 1957, p. 8). O philosophe-paysan sabe bem que está precluso o caminho de volta ao paraíso terrestre, obstruído pela misteriosa realidade do pecado original, mas o homem, como diria Gomez Dávila, “respira com dificuldade em um mundo não atravessado por sombras sagradas”. O ideal da cristandade não pode ser menosprezado superficialmente. Certamente: o reino de Deus não é deste mundo; ocorre evitar o recorrente ‘mito do homem coletivo’, a tentação idolátrica que, no ‘Grande Animal’ platônico (ver República, VI, 492-493), encontra, talvez, a imagem mais eloquente. No entanto, é a própria natureza humana a exigir “uma civilização onde a tempestade é irrigada sem pose pelo Eterno” (Préface à Dom Gérard, Demain la Chrétienté, Dismas, 1986, p. 11). O cristão deve trabalhar também por uma sociedade centrada em Deus, portadora e transmissora dos valores eternos (o Verdadeiro, o Belo e o Bem), onde as tradições e os costumes sejam intermediadores (metaxu[22]) entre o homem e seu fim transcendente. “A nossa eternidade não é a negação do tempo, mas a namorada” (Il pane di ogni giorno, cit., p. 165). O próprio exemplo dos santos mostra que os cristãos devem ser ao mesmo tempo “visionários dos Céus e prodigiosos operários na terra”. Pelo contrário, um mundo impregnado pela mera ‘terrestrità’ defendida por Gramsci em seus Quaderni del carcere, baseado, por assim dizer, no princípio do homem como ‘medida de todas as coisas’, é o gerador de uma dis-sociedade: uma massa de indivíduos atomizados regida unicamente pelo precário equilíbrio das relações de força. A própria palavra ‘equilíbrio’ é sintomático, enfatiza Thibon: “O equilíbrio concerne apenas à quantidade, ao peso, as relações de força. A harmonia implica a qualidade e a convergência de qualidades para um fim comum” (L’équilibre et l’harmonie, Fayard, 1976, p. XI). A neurose igualitária que agita o nosso tempo deve ser reconduzida ao abandono dessa essencial distinção. A absolutização do princípio da igualdade se exprime na lei do número. Mas o triunfo do quantum não deixa espaço senão para o ‘mundo em frangalhos’ surgido do choque entre seres massificados e grupos ‘desconectados’ entre si, sem vínculos algum – antes de tudo interior – que os una. Trágicas são as consequências: o conflito “erigido a lei permanente das sociedades” e a “generalização da violência” que cada vez mais se torna “o único meio de se fazer entender e de obter satisfação” (ibid.). Isso explica por que neste ‘reino da quantidade’ tenha sido imposta a metáfora do equilibrista no lugar daquela do afinador, o harmonizador de sons. Mas “o equilibrismo teve seu tempo, temos apenas a escolha entre os dois termos dessa alternativa: restaurar, por meio da harmonia, uma ordem vivente ou deixarmos que nos imponham uma ordem morta e mortal, por uma força sem alma que aniquilará todas as outras” (ibid.). A razão impiedosamente calculista do homem-massa está inclinada a organizar o seu espaço de vida da mesma forma que uma máquina, plasmando-o por meio da técnica. Sintoma dessa patologia é a crescente difusão de organismos sociais artificiais, de coletividades anônimas dentro das quais os homens, meras engrenagens de uma megamáquina social, agem como funcionários irresponsáveis. Esses agrupamentos negligenciam a lei fundamental da harmonia e da duração de uma sociedade: a lei da comunidade de destino, fundada no princípio da interdependência e da recíproca solidariedade. Na comunidade de destino – cujo exemplo mais típico é a família – o interesse pessoal coincide com o cumprimento do próprio dever. Uma sociedade é saudável, afirma Thibon, na medida em que tende a atenuar a tensão entre interesse e dever; é deletéria, na medida em que tende a exasperá-la. Para o Ocidente, ‘saciado e desesperado’, marcado pelos restos das ideologias totalitárias, o realismo thiboniano traz, portanto, uma grande mensagem de esperança: “A única nobreza do homem, o único caminho de salvação está no resgate do tempo por meio da beleza, da oração e do amor. Fora disso, os nossos desejos, as nossas paixões, as nossas ações são apenas ‘vaidades e soprar do vento’, ressaca do tempo que o tempo devora. Tudo o que não pertence à eternidade reencontrada pertence ao tempo perdido” (L’uomo Maschera di Dio, cit., p. 262). (Texto publicado originamente em La Bussola Quotidiana, no dia 20/08/2011). Tradução: https://farfalline.blogspot.com/search?q=thibon
- Réplica ao frágil texto: “O TEXTO ADULTERADO E MAL INTERPRETADO DE INÁCIO DE ANTIOQUIA”
Mas o Prof. Fábio Morais, depois que mostrei-lhe o artigo, me disse: – “Não! Deixa que eu faço isso”! Concordei. E ele fez a réplica, desmantelando, como sempre, esses tolos que só consideram os Pais da Igreja para desvirtuá-los. Eis a matéria do Prof. Fábio: ============================================= ============================================= O Chico Bento, confesso, me fez enorme favor, quando postou um artigo do Thiago Dutra sobre uma passo da carta de S. Inácio de Antioquia aos tralianos. Favor, sim! Pois me proporcionou a oportunidade de desmascarar (outra vez) esse coitado que se acha teólogo e patrologista. Não rirei da cria do Elisson Freire, porque expor-se ao ridículo como ele fez, não tem graça nenhuma… ——– Seria o Chico Bento fake do Thiago Dutra??? Talvez! É possível. Mas isso pouco me interessa… Interessa é que o artiguete postado não vale um vintém furado. A análise das tolices do Thiago Dutra, prefiro fazê-la, aqui, começando pelo final do texto dele. A conclusão do herege é a seguinte: ————————— Baseado nas provas [sic!] apresentadas, só nos resta concluir duas coisas: 1- Inácio não cria que quando morresse estaria orando pelos vivos, nem que havia pessoas fazendo isso; 2- A citação que os católicos romanos usam pra defender uma crença desenvolvida apenas em meados do terceiro Século, é adulterada. ————————— Bom, a “adulteração” à qual o herege se refere, estaria na tradução, feita por Ivo Storniolo e Euclides M. Balancin, da seguinte passagem da carta de S. Inácio ao tralianos (13,3): “αγνιζεται υμων το εμον πνευμα, ου μονον νυν αλλα και οταν θεου επιτυχω. ετι γαρ υπο κινδυνον ειμι· αλλα πιστος ο πατηρ εν Ιησου Χριστω πληρωσαι μου την αιτησιν και υμων· εν ω ευρεθειημεν αμωμοι.(ver aqui:http://www.textexcavation.com/greekignatiustrallians.html Os referidos tradutores católicos, na “Coleção Patrística”,da “PAULUS” (2017, p.101) assim trazem a passagem (versal minha): ——————– “Meu espírito se SACRIFICA por vós, não somente agora, mas também quando eu chegar a Deus. Eu ainda estou exposto ao perigo, mas o Pai é fiel, em Jesus Cristo, para atender minha oração e a vossa. Que sejais encontrados nele sem reprovação.” ——————– Para o herege, a PAULUS “falsificou” o texto de S. Inácio. A tradução correta, para o Thiago, seria “SANTIFICA” e não “SACRIFICA”. E para “provar” a suposta adulteração, o Dutra agarra-se ao “New Advent”, que traz (versais minhas): “Let my spirit be SANCTIFIED by yours, not only now, but also when I shall attain to God.” (aqui: http://www.newadvent.org/fathers/0106.htm) O “New Advent” e…SÓ! Tal a âncora do patrologista improvisado. O Thiago não traz mais NENHUMA TRADUÇÃO QUE VERTA DESSA FORMA. NENHUMA! Para ele: “….a versão do New Advent é mais confiável…” O “filhinho” do Elisson desconsidera traduções como a do “E-CRISTIANISMO”, site PROTESTANTE, declaradamente ANTICATÓLICO mas que traz A MESMA TRADUÇÃO DA PAULUS (aqui: http://www.e-cristianismo.com.br/historia-do-cristianismo/pais-apostolicos/inacio-de-antioquia-epistola-aos-da-tralia.html{ Para ele, só o New Advent” traduz com correção. As demais traduções (sobretudo a da PAULUS) estão truncadas… Que beleza! Um moleque que nunca teve uma aula de grego na vida e que demonstra os seus “conhecimentos” desse idioma pincelando aqui e ali, na Internet, se julga apto a contrariar tradutores experientes (católicos E PROTESTANTES) para, apegando-se ao “New Advent”, acusar TODAS AS OUTRAS traduções de “falsificadas”!!! Oh! Falou o suprassumo da Patrologia! Rasguemos, então, TODAS as traduções das cartas inacianas que vertem como a da PAULUS. Estão TODAS erradas! Só a da “New Advent”, avalizada pelo grande “patrologista” Thiago Dutra, está correta. Esse arrogante não passa de um IGNORANTE, isto sim! Consideremos, em primeiro lugar, o texto grego transliterado (versais minhas): ————————————————————————————— “αγνιζεται υμων το εμον πνευμα, ου μονον νυν αλλα και οταν θεου επιτυχω. ετι γαρ υπο κινδυνον ειμι· αλλα πιστος ο πατηρ εν Ιησου Χριστω πληρωσαι μου την αιτησιν και υμων· εν ω ευρεθειημεν αμωμοι.” ” HAGNIZETAI humon para emon pneuma ou monon nun, alla kai hotan theou epitucho. eti gar hupo kindunon eimi; alla pistos ho pater pt Iesou Christo plerosai mou dez aitesin kai humón, en ho heuretheiete amomoi.” ——————————————————————————————————— HAGNIZETAI [“αγνιζεται”]!!! É o “eureka” do Thiago Dutra! Sim! Pois é nesse termo grego que ele baseia-se TODA a sua argumentação, no artigo ora considerado. Alega o herege que o termo deriva de “HAGNOS” [“αγνος”], que por sua vez significa, nos léxicos e no texto grego da Bília: “puro”, “puro de sensualidades”, “casto”, “recatado”, “imaculado”, “limpo”… E então ele cansa os leitores com uma enxurrada de citações da Septuaginta que nada fazem além de encher linguiça…. Para o herege, está claro, a tradução correta é “SANTIFICA” e não “SACRIFICA”, no trecho ao tralianos, já referido. Não é um gênio, esse moleque ? Não é não! É outro tolo sem formação, outro leigo curioso! Ora, o campo semântico de “HAGNOS” [“αγνος”] não é tão estreito como pretende o Thiago Dutra, de modo que o termo e seus derivados impliquem ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE em santidade moral, na ausência das impurezas do corpo em relação aos preceitos divinos. TAMBÉM PODE significar isso. TAMBÉM!!! Ninguém o nega. Mas ele,”αγνος”, ressalta sobretudo uma pureza CERIMONIAL. Como bem diz o http://erika000.comunidades.net/santo-sagrado-original-grego-e-hebraico(versais minhas): ——- “αγνος (hagnos) está provavelmente relacionada a αγιος. Significa especificamente puro, mas, é provável, unicamente num SENTIDO CERIMONIAL… —— Daí a RELAÇÃO do termo “αγνος” (“hagnos”) com “SACRIFÍCIO”, no sentido de algo ser “entregue” a Deus como oblação santificada, pura. Isso, por si, JÁ JUSTIFICARIA A TRADUÇÃO DA PAULUS: —- “Meu espírito se SACRIFICA por vós …” – diz S. Inácio —- Ou seja: — “Eu “ofereço”, “consagro” por vós o meu espírito… Com efeito o correspondente hebraico do vocábulo grego é “קדֶשׁ” (kodesh), que, segundo o mesmo http://erika000.comunidades.net/santo-sagrado-original-grego-e-hebraico SIGNIFICA (versais minhas): “…separado”, “santidade”, “sacralidade”, “posto à parte”… “celebrar”, “CONSAGRAR”, “DEDICAR”, “purificar”, “santificar”…” NESSE SENTIDO é que S. Inácio diz que o seu espírito “SE SACRIFICA”!!! Tanto a tradução da PAULUS como a de qualquer outra igual a ela, ESTÃO CORRETAS, desde que considere-se com atenção a etimologia do termo grego DENTRO DO SEU CONTEXTO PRÓXIMO E REMOTO. Ainda. HAGNIZETAI [“αγνιζεται”] importa igualmente nessa “entrega” em sacrifício que acabo de referir. Com efeito, assim diz o https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=https://lists.ibiblio.org/pipermail/b-greek/2009-May/049276.html&prev=search(versais minhas): ——- “Hagnizetai no texto em questão [ Inácio aos Tralianos 13,3] pode certamente significar “faz-se santo” ou “SE OFERECER SACRIFICIALMENTE” ——– Assim, S. Inácio está enfatizando a sua doação, a sua entrega, o seu empenho pelos seus irmãos em Cristo. E essa nuance (“EMPENHO”), subjacente à intenção inaciana expressa por termos gregos de ampla significação, a reconhece outro site PROTESTANTE, o ‘MONERGISMO’, que assim traz a passagem (versais minhas): —- “Meu espírito POR VÓS SE EMPENHA, não apenas agora, também quando com Deus me encontrar. Ainda estou em perigo, mas o Pai é fiel para cumprir em Jesus Cristo o meu e o vosso pedido. Oxalá vos encontreis irrepreensíveis nele. (Aqui: http://www.monergismo.net.br/textos/livros/Carta-de-Inacio-aos-Tralianos.pdf) — Não há dúvida alguma quanto à legitimidade da tradução da PAULUS e daquelas que como ela vertem. S. Inácio afirma claramente que se oferece a si mesmo, qual sacrifício, pelos seus irmãos, empenhando-se por eles. E diz ainda que o faria DEPOIS QUE CHEGASSE NO CÉU (versais minhas): —- “não somente agora, MAS TAMBÉM QUANDO EU CHEGAR A DEUS”. — E aqui abro um parêntesis para ressaltar que MESMO SE O THIAGO DUTRA ESTIVESSE CORRETO (o que é falso!) e a tradução “se SANTIFICA” (advogada por ele) se impusesse como absoluta… ….AINDA ASSIM CONTINUARIA DE PÉ O ENTENDIMENTO DE QUE S.INÁCIO PROCURARIA NOS BENEFICIAR QUANDO ESTIVESSE JUNTO DE DEUS, NO CÉU. S. Inácio “se SANTIFICARIA” por nós , como quer o Thiago Dutra ???? Seja! Mas o grande mártir afirma que o faria TAMBÉM NO CÉU!! Ou não afirma, Thiago ? Ora, como ele o faria, Thiago Dutra ? Seja de que forma for (qualquer uma!) temos indiscutível o fato de que no Céu ele continuaria A NOS BENEFICIAR! Porque no Céu ele “se SANTIFICARIA” (admitindo-se a tese do Thiago) …POR NÓS!!!! E isso implica O AUXÍLIO DELE PARA CONOSCO! NO CÉU!!!! Logo, a tradução da passagem, em última análise é, para a questão maior que envolve o texto, de importância secundária. Importa é que S. Inácio prometeu nos auxiliar quando estivesse na glória (versais minhas): —– “…POR VÓS, não somente agora, mas também QUANDO CHEGAR A DEUS”. —— De sorte que seria evidentemente absurdo cogitar que S. Inácio se opunha a qualquer pedido de intercessão feito a ele, depois que morresse, por nós que ainda peregrinamos nesta terra. O coitado do Thiago Dutra fez um escarcéu enorme por nada! Claudicou na exegese e não desfez a conclusão óbvia que nós, católicos, defendemos. Estude um pouquinho mais, pivete! Chico Bento: ARRUME COISA MELHOR!!! Por Maria, Fábio Morais.
- DESCRIÇÃO DO ESTADO DAS ALMAS DO PURGATÓRIO – Santa Catarina de Gênova (em resumo do padre Ga
Afiançam os biógrafos que Catarina de Gênova ditou em êxtase o seu Tratado do Purgatório; ditava o que via e experimentava. Os teólogos sempre apreciaram muito este tratado, por encontrarem nele um precioso complemento daquilo que a ciência teológica pode dizer. Em vez de analisar apenas o aspecto negativo do purgatório, de se ficar no afastamento dos obstáculos, a santa observa de preferência o lado positvo, que conhecia por experiência. Sublinharemos os traços desta descrição que nos parecem mais significativos. (Padre Garrigou-Lagrange) Cap. I. As almas do purgatório não têm outra alternativa, a não ser ficarem onde estão, visto ter sido isso que Deus ordenou… Não podem nem pecar, nem merecer pelo fato de se absterem de pecar. Cap. II. Não há paz comparável à delas, a não ser a dos santos no céu, e tal paz cresce incessantemente por influência de Deus, à medida que os impedimentos vão desaparecendo. Tais impedimentos são como que ferrugem e a felicidade das almas aumenta à medida que esta ferrugem diminui. Cap. III. Deus aumenta nelas o desejo de o verem e acende-lhes no coração um fogo de caridade tão poderoso que se lhes torna insuportável depararem com um obstáculo entre elas e o seu fim. Cap. IV. No fim da vida terrena, a alma permanece para sempre confirmada no bem ou no mal que escolheu. As almas do purgatório encontram-se, portanto, confir- madas na graça. Cap. V. Deus castiga menos os condenados do que eles merecem. Cap. VI. As almas do purgatório conformam-se perfeitamente com a vontade, de Deus. Cap. VII. Sentem-se tão fortemente atraídas para Deus que nenhuma comparação pode exprimir tal atração. Ima-ginemos, todavia, um único pão para matar a fome a todas as criaturas humanas e que bastava vê-lo para a fome ser satisfeita. Cap. VIII. O inferno e o purgatório manifestam a sabedoria admirável de Deus. No próprio instante em que a alma se separa do corpo, ela dirige-se para o lugar que lhe corresponde e que lhe assinalam. Mesmo a alma em pecado mortal, não encontrando lugar mais próprio para si, precipita-se por si mesma no inferno… A alma justa, que ainda não tem a pureza necessária para a união divina, lança-se voluntariamente no purgatório para ser purificada. Cap. IX. Pelo que diz respeito a Deus, vejo que o céu tem portas e pode entrar nele quem quiser, porque Deus é todo bondade; mas a essência divina é tão pura que a alma, se nota em si qualquer impedimento, precipita-se no purgatório e encontra esta grande misericórdia: a destruição de tal impedimento. Cap. X. A maior pena destas almas consiste em terem pecado contra a divina Bondade e terem ainda em si como que uma ferrugem, que são restos do pecado. Cap. XI. A alma vê que Deus, pelo seu grande amor e Providência constante, jamais deixará de a atrair à sua última perfeição. Vê também que, ligada pelos restos do pecado, não pode por si mesma corresponder a esta atração. Se encontrasse um purgatório mais penoso, no qual pudesse ser mais rapidamente purificada, mergulharia nele imediatamente. Cap. XII. Vejo raios de fogo que purificam as almas como o ouro no cadinho é libertado das suas escórias. Quando a alma fica completamente purificada, o fogo já nada tem a queimar; e se ela se aproxima dele não sentirá dor alguma. Cap. XIII. O seu desejo de ver a Deus é tão ardente e tão poderosamente reprimido, que se torna um tormento para ela… Deus, pela sua misericórdia, esconde-lhe conse-qüências do pecado, que ainda restam nela, e quando estiverem destruídas, dar-lhas-á a conhecer, para que compreenda a ação divina que lhe restituiu a pureza. (Eis um ponto que não se lê nos escritos dos teólogos!) Cap. XIV. O amor divino, ao subjugar estas almas, confere-lhes uma paz indescritível. Têm, assim, grande alegria e grande pena; uma não diminui a outra. Cap. XV. Se ainda pudessem merecer, bastaria um só ato de arrependimento para se libertarem da sua dívida, em virtude da intensidade deste ato. Elas sabem que nem um óbulo sequer lhes será perdoado; eis o decreto da justiça divina. E se a favor delas são oferecidos piedosos sufrágios por pessoas deste mundo, tal fato só as alegra de harmonia com a vontade de Deus e sem amor próprio. Cap. XVI. Enquanto a purificação não estiver concluída, estas almas compreendem que, se se aproximassem de Deus pela visão beatífica, não estariam no seu lugar e por isso sentiriam um maior sofrimento do que se permanecessem no purgatório. Cap. XVII. Esclarecidas, assim, a respeito da necessidade da reparação, gostariam de dizer aos mortais: «Ó criaturas miseráveis, por que vos deixais cegar de tal modo pelas coisas transitórias, que não fazeis nenhum aprovisionamento para a grande necessidade que cairá sobre vós?» Dizeis: «Confessar-me-ei, ganharei uma indulgência plenária e serei salva». Lembrai-vos que a confissão completa e a perfeita contrição requeridas para ganhar a indulgência plenária não se atingem assim facilmente. Cap. XVIII. Estas almas sofrem tão voluntariamente as suas penas, que não desejariam o menor alívio, por conhecerem quão justas são. Cap. XIX. Esta espécie de purificação a que vejo sujeitas as almas do purgatório, experimentei-a em mim mesma durante dois anos… Tudo o que constituía para mim um alívio corporal ou espiritual foi-me tirado gradualmente… Finalmente, para concluir: vede bem que tudo o que é humano o nosso Deus todo poderoso e misericordioso transforma-o radicalmente. Não é outra a obra que se leva a cabo no purgatório. (R. Garrigou-Lagrange. O homem e a eternidade. Lisboa, Aster, 1958, p. 225-229)
- NOTAS AVULSAS SOBRE DANTE E A DIVINA COMÉDIA
O GRANDE SÉCULO XIII. Nos século XII, mas sobretudo no XIII — em que nasceu Dante —, deu-se a grande floração espiritual que fundou a civilização tal como hoje a conhecemos. É o período da simplicidade evangélica de São Francisco de Assis e São Domingos de Gusmão, da Cavalaria Andante em defesa dos mais fracos, da criação das Universidades, da grande inteligência filosófica de Santo Tomás de Aquino, da alta poesia da Divina comédia, das monumentais catedrais góticas, da pintura de Giotto, dos livros com iluminuras. Nesses dois séculos, deu-se um amplo desenvolvimento urbano, com o surgimento das cidades modernas como as conhecemos hoje, boa parte das quais ainda existentes na Europa atual. CIDADE DE DEUS E CIDADE DOS HOMENS. Para compreender uma obra literária, cuja estrutura narrativa e conceitual está toda fundada nos três reinos sobrenaturais — inferno, purgatório e paraíso —, não se pode perder de vista a visão de mundo cristã que predominou na Idade Média. A obra Cidade de Deus, de Santo Agostinho, lançou as bases da filosofia cristã da história e influenciou todo o pensamento medieval. Santo Agostinho concebia a história humana a partir de dois amores opostos, que remontam ao mundo angélico. Esses dois amores fundaram duas cidades distintas: o amor a Deus e desprezo de si mesmo criou a Cidade de Deus; e o amor de si, com desprezo de Deus, lançou as bases da “cidade dos homens”. A Cidade de Deus é peregrina: desceu do céu, caminhará pela Terra e depois voltará ao ponto de partida — o Paraíso —, enquanto a “cidade dos homens” provém de baixo, lutará com a outra Cidade enquanto houver História, e um dia retornará aos abismos: o inferno. Aqui estão os dois horizontes que norteiam a Divina comédia: paraíso e inferno. A Cidade de Deus, que se confunde com a própria Igreja, regula-se pelos mandamentos mosaicos e as virtudes cristãs, enquanto a “Cidade dos homens” cria os próprios valores, geralmente invertendo os princípios normativos fundados na revelação divina. Foi essa filosofia da história que orientou a cultura e a civilização medieval, vivendo-a ao ponto de arriscar a própria vida em defesa do Reino de Deus, como nas Cruzadas. A DIVINA COMÉDIA COMO ASCESE. Como a transfiguração de Cristo passa pela cruz, também a transfiguração moral, como a concebe Dante, subentende um duplo auto-sacrifício: eliminação dos vícios e contenção das paixões. Sua viagem pelos três reinos sobrenaturais, além do sentido literal (é de fato uma narrativa fantástica que conta histórias passadas por lá, com personagens humanos que lá estão), é uma viagem ascética: a busca de elevação e aperfeiçoamento espiritual, a conquista das virtudes mais elevadas. Ascese, que provém do grego “askesis” e significa trabalho, exercício, pressupõe um itinerário. Dante percorre a pé os três reinos, num percurso sempre ascendente (embora a primeira parte, no inferno, seja descendente), que consiste inicialmente na plena consciência do pecado (inferno), no arrependimento (purgatório) e finalmente na absolvição (paraíso). A MORAL CRISTÃ NA ESTRUTURA NARRATIVA DA DIVINA COMÉDIA. Os cantos do Inferno e do Purgatório, na Divina comédia, se estruturam de acordo com os vícios capitais. O inferno é estruturado como um cone de ponta-cabeça, com nove círculos, em que os primeiros e mais largos círculos (onde estão os pecadores por fraqueza) vão se estreitando à medida em que se desce (onde estão os pecadores por malícia). Um cone invertido, em cujo vértice está a cidade de Lúcifer. É como se o ambiente sofresse um “aperto circular”, uma constrição física espacial que remete inevitavelmente à disposição dos pecados pela sua gravidade. A CULPA É SEMPRE DO OUTRO. No segundo círculo do inferno, onde estavam os luxuriosos, as almas eram arremessadas de um lado a outro, com violência, pela ventania e a tempestade: alegoria do poder do sexo sobre a vontade das pessoas. Ali, Dante encontraria Paolo e Francesca, dois cunhados que se transformaram em amantes e, quando descobertos, assassinados pelo marido traído (Giovanni, irmão de Paulo). O episódio seria muito explorado pela arte romântica, que via em Francesca uma vítima dos casamentos arranjados. A pedido de Dante, Francisca conta o início do relacionamento, quando liam um romance sobre os Cavaleiros da Távola Redonda. No romance, o cavaleiro Lancelote se apaixona por Genebra, esposa do Rei Artur. Aconselhada pelo amigo Galeoto, Genebra se oferece a Lancelote, e foi nesse momento da leitura que ela e o cunhado Paulo trocam o primeiro beijo. O trágico foi que, em vez de reconhecer a própria culpa, culpou o romance que então liam. Veio disto sua condenação moral: não assumir pessoalmente a falta cometida. UM TÍTULO DISPLICENTE? É estranho, a princípio, que o autor tenha chamado de “comédia” uma obra que trata do destino eterno das pessoas, da salvação e perdição das almas. Trata-se de um poema longo que, embora narrativo, não pode ser classificado como epopéia; não se encaixa, aliás, em nenhum gênero literário conhecido, embora todos participem, de alguma maneira, de sua elaboração: há muito de lírico em seus milhares de tercetos, muito de dramático nas expiações do purgatório e de trágico no sofrimento dos danados. Tinha dois sentidos, na época de Dante, a palavra comédia. Primeiramente, como se compreendia entre os gregos e romanos antigos, significava uma composição teatral, em prosa ou verso, na qual se representava a vida cotidiana, expondo ao ridículo os vícios e defeitos humanos, com final quase sempre bem sucedido. Podia significar também, no contexto medieval, todo texto em língua vulgar, julgada desdenhosamente indigna de tratar temas mais nobres (só o latim podia fazê-lo), restringindo-se portanto a assuntos mais triviais. Segundo Scartazzini, em seu célebre Dicionário dantesco, Dante aproveitou-se dos dois sentidos: nomeou sua obra de “comédia” por ser escrita em língua vulgar e pelo final feliz. DANTE NO CINEMA. As imagens fantásticas, criadas por Dante para representar os três reinos sobrenaturais, jamais poderiam ser imitadas convincentemente pelo cinema até pouco tempo atrás. O filme mudo de 1911, O inferno, uma cara produção italiana que fez muito sucesso, limitava-se ao primeiro cântico (nem sempre com total fidelidade à obra escrita) e com os poucos recursos técnicos da época. Agora, os recursos da computação gráfica, que recriaram com efeitos admiráveis os personagens e ambientes fantásticos de O senhor dos anéis, teriam tudo para fazer uma Divina comédia mais fiel à imaginação do poeta florentino. Como, porém, Hollywood botaria os homossexuais no sétimo círculo do inferno ou Maomé no oitavo círculo, com a cabeça rachada ao meio até o queixo, como pena por haver criado uma religião que dividia a humanidade? BENEFÍCIOS DA CRISE EXISTENCIAL. O político Dante foi exilado e nunca mais voltaria à sua cidade. No meio do caminho de sua vida, longe da família e dos amigos, viu-se numa “selva selvaggia”, perambulando de uma cidade a outra, socorrido aqui e ali por amigos e admiradores de sua obra. O drama do seu desterro, porém, provocou nele uma mudança radical de vida: em vez da administração pública, passou então a cuidar das coisas do espírito. A Roma antiga não esperou tanto tempo (cinco ou seis séculos) para ver escrita a sua maior epopéia, a Eneida, de Virgílio; e os gregos, ao contrário, tiveram logo no início de sua civilização a Ilíada e a Odisséia, poemas épicos que ajudaram a construir espiritualmente o mundo grego. O cristianismo precisou esperar por treze séculos — e por um homem em crise existencial, superiormente dotado em termos literários e espirituais — para criar o seu poema definitivo, como nunca houve antes e provavelmente nunca mais se repetirá.
- OS ROMANCES EM QUE DEUS ESTÁ PRESENTE – Padre Robert Lauder
Periodicamente, o assunto “romance católico” vem à tona. Qual é o status do romance católico? O romance católico existe, verdadeiramente? Uma vida de leitura ávida me assegura que sim, e que pode ser definido da seguinte forma: um romance cujo tema se baseia em algum dogma, ensinamento moral ou princípio sacramental da Igreja, e no qual o mistério do catolicismo é apresentado afirmativamente. Descobri o romance católico ainda no colégio, e embora não tivesse condições de defini-lo na época, depois de ler Brighton Rock, de Graham Greene, fui fisgado para sempre. Nos anos seguintes, devorei romances de Greene, François Mauriac, Georges Bernanos e Evelyn Waugh. Eu os emprestei aos meus amigos, todos formados em faculdades católicas – que nunca tinham lido nenhum daqueles romances, nem tinham ouvido falar deles ou de seus autores. Infelizmente, até hoje esses romances católicos clássicos permanecem, em boa parte, como uma espécie de riqueza escondida. Tente-se persuadir professores de literatura, em colégios ou faculdades católicas, a oferecer um curso sobre eles! Minha impressão é a de que eles achariam o assunto muito paroquial. Na verdade, o sentido e o mistério dramatizados nos romances católicos é o oposto do paroquial: as histórias lidam com as verdades mais profundas do ser humano. A importância do romance católico tradicional, e também o fato do seu desaparecimento, foi sublinhada por Richard Gilman em seu provocativo livro de memórias de 1987, Faith, sex, mystery (sem tradução para o português). Gilman relata como sua conversão do judaísmo secularista ao catolicismo foi muito auxiliada pelos romances de Greene, Mauriac, Bernanos e Waugh. Ele escreveu que, então, “queria ouvir falar sobre Deus”, e que ele o encontrou “escondido em todos esses mundos fictícios, mais ou menos como um fator responsável pelos enredos, muitas vezes como antagonista, e sua presença estava ali — Sua presença… Ele era alguém, um personagem não totalmente diferente dos demais.” Quando, mais tarde, Gilman se afastou do catolicismo, ele observou com precisão que ninguém mais escrevia aquele tipo de romance católico que o tinha aproximado da Igreja. No entanto, alguma coisa andou aparecendo desde aquela época, um novo tipo de romance católico, cujos exemplos mais marcantes são os trabalhos de Alice McDermott. Na minha opinião, os sete romances de McDermott dramatizam a idéia colocada no poema de Gerard Manley Hopkins: “Kingfishers Catch Fire”: “…a figura de Cristo a mil papéis é submissa, /Formoso nos membros, formoso em olhos não seus, / Ele apresenta-se ao Pai através da face humana” (Gerard Manley Hopkins. Poemas. São Paulo, Cia.das Letras, 1989, trad. de Aíla de O. Gomes, p. 117). Alice McDermott parece especialmente atenta a essas palavras. São impressionantes o seu poder de observação e sua capacidade de expressar o que observa. Correndo o risco de simplificar demais, vejo a aventura religiosa, naqueles romances clássicos católicos mais antigos, como o drama de um Deus transcendente, o Cão de caça do Céu, entrando dramaticamente na vida do pecador indeciso parado diante dos portões do Inferno. É o drama da intervenção espiritual, cujo clímax é o resgate de um pecador obstinado: Scobie cometendo suicídio em O Coração da Matéria (de Graham Greene); o padre beberrão, em O Poder e a Glória (idem), incapaz de pedir perdão por seu pecado de fornicação; o relacionamento adúltero de Sarah Miles e Maurice Bendrix em Fim de caso (idem); Mme la Comtesse, no Diário de um pároco de aldeia (Bernanos), que se fecha à graça de Deus depois da morte de seu filho; ou Lord Marchmain, cuja última ação é abençoar a si mesmo em seu leito de morte, em Brideshead Revisited (Evelyn Waugh). Ao contrário, as obras-primas de McDermott, como Charming Billy ou After This, não envolvem nenhuma presença dramática de Deus, porque Deus está presente da primeira à última página. Nos mundos ficcionais de McDermott, cada realidade é uma palavra de Deus, uma palavra dita a cada um de nós. Aqui, Deus nunca poderia ser descrito como um estranho ou intruso — não é “Cão de caça do Céu”, de Francis Thompson, que ilumina o seu trabalho, mas Hopkins, cuja visão de um “mundo carregado da grandeza de Deus” ela compartilha. McDermott vê a criação como um sacramental e, dentro desse mundo sacramental, a graça funcionaria de maneira muito sutil. Com medo de revelar pontos importantes do enredo, hesito em falar alguma coisa sobre o último romance de McDermott, The Ninth Hour (“A hora nona”, sem tradução no Brasil), que é um dos melhores que ela já escreveu. Deixemos, porém, que uma cena inicial fale pelo todo. Nela, uma irmã enfermeira está terminando suas visitas de rotina, quando surge uma emergência inesperada que requer sua presença. Ao mesmo tempo, sua bexiga está quase estourando e ela precisa desesperadamente ir ao banheiro. É, simultaneamente, um chamado de Deus e um chamado da natureza: o sagrado e o profano! A comicidade delicada e indulgente da cena nos lembra que não há dois mundos, o mundo natural e o mundo sobrenatural. No mundo de McDermott, todos estão envolvidos em uma cósmica aventura de amor. Tudo é graça: rezar um rosário ou lavar um vaso sanitário; as águas purificadoras do batismo e a limpeza de uma mancha em tecido fino. Cristo está em toda parte, desempenhando seu papel em mil lugares; ele é o horizonte contra o qual todo o drama acontece. Uma pessoa pode ser um horizonte? A escrita de McDermott revela sua crença de que o Cristo Ressuscitado pode. (Padre Robert Lauder leciona filosofia na Saint John University, em Queens, Nova York. Suas palestras sobre romance católico estão disponíveis no YouTube.)
- EDUCAÇÃO É OUTRA HISTÓRIA – Fausto Zamboni
Há muito se fala da urgência de se melhorar o estado da educação no Brasil, em termos que revelam claramente a perda da capacidade de narrar o que está acontecendo diante dos nossos olhos. A tragédia do ensino no Brasil será um caminho sem volta se não conseguirmos reconhecê-la e descrevê-la de maneira apropriada. O pensador austríaco Ivan Illich, há quase 50 anos, já havia notado um dos paradoxos que distinguiam a educação de todos os demais esforços humanos. Enquanto nos sistemas de transporte, na área militar e industrial, na informática e nos demais ramos da atividade humana o investimento dava resultados imediatos e evidentes, na educação ele resultou num sistema de ensino em que abundam problemas graves como indisciplina, criminalidade, tráfico de drogas e permissividade sexual. O mesmo século 20 que viu a consolidação do sistema de ensino universal e obrigatório testemunhou também a severa queda na capacidade de proficiência em leitura. Donald Wood, no livro Post-Intellectualism and the Decline of Democracy, escrito em 1996, revela como a proficiência em leitura, nos Estados Unidos, estava em quase 90% no início do século 20 e, depois de todo o investimento em educação ao longo do último século, na passagem para o terceiro milênio cerca de 30% dos adultos eram totalmente ou funcionalmente analfabetos, com as faculdades e universidades decaindo drasticamente, nos primeiros anos, para um nível semelhante ao das últimas séries do antigo ensino fundamental. Se a situação dos Estados Unidos – país que conta com as melhores universidades do planeta – é preocupante, o que dizer da realidade brasileira? Neste panorama de declínio mundial, o Brasil ocupa repetidamente as piores posições nos rankings internacionais. No último teste realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Pisa 2015, o Brasil ocupou a 63.ª posição em Ciências, a 59.ª em leitura e a 66.ª colocação em Matemática, num universo de 72 nações. E o que dizer das taxas de analfabetismo funcional? Segundo o Instituto Paulo Montenegro, em 2016 apenas 8% dos que atuavam no mercado de trabalho eram proficientes em leitura, o que corresponde a uma taxa de 92% de analfabetos funcionais. E mesmo entre aqueles que concluíram o ensino universitário ou que têm pós-graduação, mais da metade (55%) são analfabetos funcionais! Mais grave ainda que estes números catastróficos é a incapacidade de reconhecer e descrever esta situação. Políticos e educadores apontam a falta de investimentos e a necessidade de se ampliar o alcance da escola, com aumento dos anos de escolarização e preferência pelo estudo em turno integral. As teorias pedagógicas costumam representar o passado como uma etapa ascensional em que cada geração evolui em relação à anterior, sendo a última o ponto mais alto de toda a história humana. Contudo, a maioria desses planejadores nunca teve uma experiência autenticamente educativa, e usa o termo “educação” de maneira totalmente imprópria. Durante a história humana, com exceção dos últimos dois séculos, nunca houve ensino obrigatório. Na Grécia Antiga, por exemplo, só os bons professores, aqueles que despertavam a admiração, conseguiam alunos; praticamente não havia alunos desinteressados porque ninguém era obrigado a frequentar compulsoriamente a escola. Era normal, portanto, que os alunos admirassem o professor e procurassem imitá-lo, e que este desejasse a realização plena daqueles. O rendimento dos alunos era muito alto e não se falava em crise do ensino antes do advento da escolarização obrigatória. Se esta fosse a regra, quem poderia ser considerado professor, no Brasil? Quais situações de ensino poderiam ser consideradas, ainda, educativas? Todas as experiências de implantação dos sistemas de ensino obrigatórios foram obras de reformadores políticos e religiosos que queriam mudar a mentalidade da população evitando o caminho da persuasão dos adultos – árdua e incerta. Eles optaram por moldar as mentes ainda informes das crianças, que são psicologicamente vulneráveis e incapazes de compreender racionalmente o que está acontecendo. Emblemático é o caso do estado norte-americano de Massachussets, no fim do século 19, em que 80% da população resistiu à escolarização compulsória até com armas; cidades foram assediadas pelo exército e crianças foram escoltadas para a escola. Desde então, a centralização e uniformização dos currículos não cessou de avançar, ao ponto de a Unesco declarar, em 1989, que “deveria haver um currículo universal, internacional e padronizado, estabelecido sob os auspícios das Nações Unidas”. No século 20, a escola foi um espaço privilegiado em que foi testado um amplo programa de controle do comportamento. O filósofo e prêmio Nobel Bertrand Russell, membro da Câmara dos Lordes e muito influente nos altos círculos da Europa e dos Estados Unidos, desejava, no livro The Impact of Science on Society, de 1953, uma ditadura científica em que o governo fosse capaz de fazer qualquer um pensar qualquer coisa – como, por exemplo, que a neve é preta. O professor francês Pascal Bernardin, no livro Maquiavel Pedagogo, de 1995, revela como a Unesco discute há décadas como implantar técnicas de controle de conduta na educação e modificação de atitudes em escala internacional. Os modernos sistemas de ensino não procuram desenvolver a inteligência, de modo a produzir um aluno independente. Como é possível “produzir” um aluno facilmente manipulado por planejadores sociais – ao ponto de poder ser padronizado em escala internacional – e que seja ao mesmo tempo inteligente? O aluno com a inteligência pouco desenvolvida não tem segurança suficiente para afirmar o que viu, e vai na onda do que todos estão dizendo. Só assim é possível fazer qualquer um pensar qualquer coisa. Não é de se estranhar, pois, que o nível da educação venha caindo anos após ano. Ivan Illich estava errado: o investimento em educação tem produzido exatamente os resultados esperados. Nós é que não estamos sabendo contar a história certa. [Fausto Zamboni é professor de Língua e Literatura Italiana na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e autor de Contra a escola: ensaio sobre literatura, ensino e educação liberal.Campinas, Vide, 2016.] Artigo publicado em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/educacao-e-outra-historia-1koy9eltdo1k0tl19ssx1gcrb/
- Historiografia sobre as alegações papais do Papa Leão I (400-461): Eruditos Protestantes e Ortodoxos
É de conhecimento comum que o Papa São Leão, o Grande, ocupa um lugar especial na Igreja Cristã do século V. Em particular, suas alegações especiais de manter a autoridade do apóstolo Pedro em relação à Igreja universal têm sido uma das características mais distintivas de seus escritos. Embora isso não seja uma questão de controvérsia na erudição histórica, em minhas idas e vindas com os Ortodoxos Orientais na história dos Concílios de Éfeso 449 e Calcedônia 451, tem havido o hábito de minimizar o que Leão pensava do ofício papal por parte dos meus interlocutores. Mas à medida que os dados de suas afirmações se tornam mais revelados, descubro que o que é dito com frequência é algo como “quem se importa com o que Leão disse”? Eu até ouvi dizer que Leão habitualmente fazia falsas alegações de autopromoção sobre o poder de sua posição. Há também aqueles que diriam que os católicos interpretaram mal ou mal entenderam o que São Leão realmente queria dizer. Essa é uma discussão mais séria e racional a ter. Mas, de qualquer forma, o que pode surpreender alguns Ortodoxos são os hinos litúrgicos que têm S. Leão como tema. Por exemplo: “Ó Campeão da Ortodoxia, e professor de santidade, A iluminação do universo e a glória inspirada dos verdadeiros crentes. O mais sábio Padre Leão, seus ensinamentos são como música do Espírito Santo para nós! Ore para que Cristo, nosso Deus, salve nossas almas! ”(Troparian – Tone 8) “Ó glorioso Leão, quando subiste ao trono do Bispo, fecha a boca dos leões com a verdadeira doutrina da Santíssima Trindade: Você iluminou o seu rebanho com o conhecimento de Deus. Portanto, você é glorificado, ó vidente das coisas divinas!” (Kontakion – Tom 3) São Leão também faz parte do texto litúrgico do Synodikon da Orthodoxia que foi composto durante o Sínodo de 843. Há três vezes “Anátema!” pronunciado para: “Aos que rejeitam os ensinamentos que foram pronunciados para o estabelecimento das verdadeiras doutrinas da Igreja de Deus pelos Santos Padres Atanásio, Cirilo, Ambrósio, Anfilóquio, a proclamação de Deus, Leão, o mais santo Arcebispo da Roma Antiga, e por todos os os outros e, além disso, que não abraçam as Atas dos Concílios Ecumênicos, especialmente os do Quarto, digo, e do Sexto ”. Na Fórmula de Reunião sob o Papa S. Hormisdas (518-19), através da qual os Patriarcas Orientais se reconciliaram com a Santa Ortodoxia, os seguintes termos e condições de retorno ao aprisco de Cristo foram os seguintes: “Seguindo, como dissemos antes, a Sé Apostólica em todas as coisas e proclamando todas as suas decisões, endossamos e aprovamos todas as cartas que o Papa São Leão escreveu sobre a religião cristã”. No 5º Concílio Ecumênico realizado em Constantinopla em 553, diz-se o seguinte: “Para que aqueles que assim caluniam o santo concílio de Calcedônia não tenham mais oportunidade de fazê-lo, ordenamos recitar as decisões dos santos Sínodos, a saber: primeiro de Éfeso e de Calcedônia, com respeito às epístolas. de Cirilo de abençoada memória e de Leão, de memória piedosa, em algum momento Papa da Roma Antiga. Embora as referências acima aos escritos de São Leão estejam provavelmente em referência àqueles enviados de ida e volta ao Oriente com respeito à doutrina das duas naturezas de Cristo, como seu famoso Tomo, isso ainda é uma indicação de que São Leão foi honrado como um homem digno de ser reverenciado por sua ortodoxia. E, no entanto, descobriremos que suas declarações sobre o papa se aproximam de todos os dogmas que foram codificados no Concílio Vaticano 1º em 1870. Como os ortodoxos podem explicar esse problema? Estou certo de que há espaço para admitir uma elevada primazia papal na Ortodoxia, como foi admitido por muitos eruditos ortodoxos (ver, em particular, a declaração feita pelo professor de teologia da Universidade de Salónica e Sua Eminência Metropolitana Elpidofóro Lambriniadis da declaração de Bursa em resposta ao Patriarcado de Moscou sobre o tema da primazia), mas eu ainda sinto que a base racional que São Leão deu para o Ofício Papal e sua extensão de autoridade excede em muito o que é prontamente admitido até mesmo por esses tipos de ortodoxos amigos da primazia. Eu vou deixar o leitor ser o juiz disso. Existe uma vasta gama de traduções para o inglês do corpus de São Leão (Epístolas / Sermões) no site do New Advent. Mas o que eu gostaria de fazer aqui é catalogar algumas declarações de estudiosos-historiadores não católicos sobre as alegações papais feitas por São Leão. Eu não concordo com cada pedaço do comentário que esses historiadores dão, mas eu achei extremamente esclarecedor como eles, apesar de não terem nenhuma razão particular para ser inclinado ao poder papal, claramente vêem a “essência das alegações papais no Vaticano 1”, como se diz, revelado nos ensinamentos deste grande Papa primitivo. Aqui está uma lista dos contribuidores: O professor de Oxford Dr. Beresford J. Kidd, que não só escreveu sobre o tema da primazia papal, mas também sobre as Igrejas Orientais em geral, desde os tempos antigos até os tempos atuais. Sua ‘Primazia Romana é sua síntese detalhada sobre o assunto até o ano de 461 dC Dr. Trevor Jalland, que assumiu a tarefa de ministrar os oito Sermões sobre a Divindade da conferência do Rev. John Bampton (Cônego de Salisbury) diante da Universidade de Oxford no ano de 1942, deu sua série de palestras sobre um estudo histórico do papado que lida principalmente com a fundação da Igreja nos evangelhos com Jesus Cristo, e caminha pela igreja pré-Constantina até a situação pós-constantiniana do cristianismo bizantino. Há o professor anglicano Robert Evans, que escreveu um excelente estudo sobre a tradição eclesial latino-patrística. J.N.D. Kelly é outro historiador anglicano e autor do famoso livro “Doutrinas Cristãs Primitivas”. Jaroslav Pelikan, um proeminente historiador luterano que mais tarde se converteu à Ortodoxia Oriental. Henry Chadwick, outro renomado historiador anglicano. J.G. Davies, o Edward Cadbury Professor de Teologia na Universidade de Birmingham. Kenneth Scott Latourette, Sterling Professor de Missões e História Oriental e membro do Berkeley College na Universidade de Yale. Geoffrey Barraclough, historiador medievalista inglês de Oxford. Dr. A. Siecienski, um historiador bizantino ortodoxo oriental; Cyril Richardson, estudioso anglicano de História e Patrística que foi professor de história no Union Theological Seminary; Dr. Bruce Shelley, Professor Sênior de História da Igreja e Teologia Histórica no Denver Theological Seminary; H. Burn-Murdoch, historiador anglicano e autor de O Desenvolvimento do Papado e da Igreja, Continuidade e Unidade; Nicolas John Alexander Cheetham, um diplomata britânico que entrou para o serviço depois de ganhar uma bolsa de estudos clássicos para Eton e se formar com honras de Christ Church, Oxford; Karl F. Morrison, professor anglicano da History @ Rutger’s University; Dr. Charles Gore, bispo anglicano e professor historiador; e finalmente o trecho no Dicionário Oxford da Igreja Cristã (1958, Editado por F.L. Cross). “A concepção de Leão de seu ofício é, portanto, clara e abrangente. (1) Ele tomou os textos conhecidos do Evangelho – os voces evangelicae de Damasus – para significar que a autoridade suprema foi concedida por nosso Senhor em São Pedro. (2) Ele considerou São Pedro ter sido o primeiro bispo de Roma e (3) sua autoridade ter sido perpetuada em seus sucessores. (4) Ele concebeu como reforçado por uma presença mística de Pedro na Sé de Pedro; e como tendo por suas conseqüências, (5) que a autoridade de outros bispos não foi derivada por eles imediatamente de Cristo, mas mediada a eles através de Pedro, e (6) que, enquanto sua autoridade era limitada a cada uma de suas próprias dioceses, um plentitudo potestatis sobre toda a Igreja, e o governo da Igreja foi dado a ele ”(Dr. Beresford J. Kidd, O Primado Romano a AD 461, página 122-3) “A teoria petrina, como finalmente colocada em forma por Leão, foi, sem dúvida, mantida em boa saúde e como a única garantia de unidade. A teoria sofreu poucas modificações desde os tempos de Leão … todos os outros elementos da teoria Leonina permaneceram e será encontrada pelo Concílio Vaticano. O Concílio afirma (1) “a instituição da primazia do bem-aventurado Pedro” e “um primado não somente de honra, mas de jurisdição verdadeira e apropriada”; (2) “a perpetuidade da primazia do abençoado Pedro nos pontífices romanos” – “seus sucessores, em quem ele vive e preside e julga até hoje”; e (3) “o poder e a natureza da primazia do pontífice romano” para ser “o poder supremo de governar a Igreja Universal”. (Dr. Beresford J. Kidd, A Primazia Romana a 461 AD, páginas 153-154) “Qual é a parte da intenção de nosso Senhor de formar uma ekklesia permanente de seus discípulos? Leão responde: “O nascimento de Cristo é o começo do povo cristão, e o aniversário da cabeça é o aniversário do corpo”. Qual foi o lugar de São Pedro? Ele foi designado antes dos outros por este motivo, para que pudéssemos entender pelo sentido místico de seus títulos … quando ele é estabelecido como porteiro do reino dos céus, e é estabelecido como um juiz das coisas a serem ligadas e desligadas, de que tipo é sua associação com Cristo ‘. Ou ainda: “Ele [o Senhor] originalmente o designou (a responsabilidade do episcopado) ao mais abençoado Pedro, o cabeça de todos os apóstolos; e tem a intenção de que, a partir dele, seus dons sejam transmitidos a todo o corpo, para que quem ousar se separar do fundamento de Pedro possa saber que está excluído da comunhão com Deus (myterii… divini). São Pedro veio a Roma para ensinar e morrer lá? Leão responde: “Quando as regiões da Terra foram divididas entre eles (os doze apóstolos), o mais abençoado Pedro, chefe do grupo apostólico, foi enviado à cidadela do Império Romano; que assim a luz da Verdade, que estava sendo feita para a salvação de todas as nações, pudesse brilhar com maior eficácia em todo o mundo desde a própria capital ”. Outras igrejas consultaram a Sé Romana como um árbitro universal? Ele [Leão] responde: “Os homens recorrem à Sé do abençoado Apóstolo Pedro de todo o mundo e exigem de nossas mãos aquele cuidado geral para a Igreja que foi confiado àquele que é visto pelo Senhor”. A Sé Romana tem uma primazia de doutrina? “Aquilo que a Igreja Católica acredita e ensina em todos os lugares sobre o mistério da encarnação do Senhor está contido na carta (Tomo), que estou enviando ao meu irmão e companheiro bispo Flaviano”. Tem também uma primazia de jurisdição? Leão lembra ao bispo de Tessalônica: “Confiamos a vocês … com nosso ofício legatino, de tal maneira que vocês foram chamado a compartilhar nossa responsabilidade, não a possuir a plenitude do poder”. Em que base bíblica a afirmação de tal autoridade repousa? O quarto sermão de “aniversário” de Leão fornece a resposta. Não apenas o texto familiar de Tu es Petrus aparece lá (este sermão é a fonte da qual a constituição vaticana Pastor Aeternus deriva algumas de suas frases mais importantes), mas lado a lado estão escritos os textos de Lucan e Johannine, em virtude de que ele acredita que um privilégio peculiar foi conferido a São Pedro pelo próprio Senhor ”(Dr. Trevor Gervase Jalland, A Igreja e o Papado: Um Estudo Histórico, página 302-2) “Leão leva a um ponto culminante uma história de manobra tática e teorização fragmentária que marcaram o bispado de Roma a partir do século II e que se consolidou no século IV. O reconhecimento do cristianismo sob Constantino e sua subseqüente elevação ao status de religião do Império levantaram agudamente o problema da autonomia da Igreja. O papado emerge como uma resposta ocidental para esse problema. No Oriente, a autonomia da Igreja não era vista como um problema que requeria solução teórica ou institucional. A suposição dizia que a relação da Igreja com o Estado era uma relação do mesmo tipo que normalmente caracterizava o povo da antiguidade e suas religiões étnicas. A Igreja foi absorvida pelo Estado, ambos juntos formando um povo organicamente unido de Deus. Isto não significa que devemos aplicar de forma não crítica o rótulo “Cesaropapismo”. A história da Igreja no Império Bizantino é geralmente suprida de eventos, indivíduos e grupos, todos testemunhando uma vontade recorrente por parte dos cristãos orientais de influenciar ou de se opor ao imperador por motivos religiosos e teológicos. No Oriente, a oposição religiosa ao imperador tende a tomar a forma de um faccionalismo político muito tradicional dentro de uma sociedade total entendida como cristã. “A teoria papal que vemos atingindo um grau marcante de cristalização em Leão … Os poderes plenários do papa se apóiam em plenos poderes dados em primeira instância ao apóstolo Pedro, que recebeu tais poderes por seu mérito em ter sido o primeiro dos Apóstolos a confessar Jesus como o Cristo, no famoso incidente em Cesaréia de Filipe. A Pedro é confiado o governo da Igreja. Este governo inclui elementos jurisdicionais e doutrinários. Jurisdicionalmente, isso significa que Pedro recebe o “poder de ligar e desligar”, autoridade completa sobre todos os assuntos disciplinares que regulam a posse dos ofícios da Igreja e as condições nas quais os homens estão ou não em comunhão com a Igreja. Doutrinariamente, Pedro fundou o ensinamento da Igreja Cristã “por sua pregação uniforme em todo o mundo”. O papel único de Pedro é mais definido em sua relação tanto com Cristo quanto com os outros apóstolos. Ao conceder a Pedro sua comissão, Cristo leva Pedro a uma “união indivisa” com Ele mesmo; Cristo, a Rocha, ordenou que Pedro também seja Rocha, solidificada pela própria força de Cristo, “para que as coisas que são próprias de meu próprio poder possam ser comuns a você pela participação comigo”. Em relação aos outros apóstolos, Pedro possui o principado. Leão faz a distinção crucial, bastante estranha à visão igualmente jurista de Cipriano sobre o assunto: os apóstolos possuem uma honra comum (a da ordem episcopal), mas não uma potestas idêntica (poder jurisdicional). Um esquema de governo derivado é o esboço pelo qual a autoridade dada por Cristo a Pedro é por sua vez concedida a Pedro pelos apóstolos, mas concedida de tal maneira que a autoridade de Pedro não é temporária por permanente. “O privilégio de Pedro permanece”. Pedro, num sentido imediato, governa todos os pastores da Igreja, a quem Cristo governa num sentido mais último e anterior. “Ter dito tanto é ter passado imperceptivelmente a linguagem de Leão sobre o próprio papado, pois Pedro vive e governa em cada ocupante sucessivo da cátedra papal. “Pedro não abandonou o governo da Igreja, que ele assumiu”. A noção da transferência dos poderes plenários de Pedro para os papas sucessores de Leão se fixa pelo conceito altamente legal de herança. O papa é o herdeiro (haeres) de Pedro … No caso dos sucessores de Pedro, eles herdam o ofício do príncipe dos Apóstolos, embora não possuam esse mérito particular que foi o fundamento de sua recepção em primeiro lugar. Assim, o papa funciona “no lugar” de Pedro. A Igreja Romana possui o principio sobre todas as igrejas do mundo inteiro. Por causa da relação peculiar de Pedro com Cristo, Leão pode consistentemente dizer que tudo o que ele como papa corretamente faz é feito pelo próprio Cristo. ”(Professor Robert F. Evans, Una e Santa: A Igreja no Pensamento Patrístico Latino, página 135-7) “Razões já foram dadas para mostrar que em uma questão como a que está sob visão, afetando as reivindicações que os bispos de Roma fazem em favor de sua Sé, declarações feitas por seus ocupantes não podem ser permitidas em equidade em apoio a essas alegações. Isso se aplica com força especial a São Leão, que foi o primeiro a formular as “Idéias Petrinas”, que no século quinto governaram as mentes das autoridades da Igreja Romana em seus esforços para engrandecer a Sé, dos quais, por esse data, São Pedro passou a ser considerado o único fundador e primeiro Bispo. Uma condição essencial para o sucesso desses esforços foi a ampliação dos “privilégios de São Pedro” e, para esse fim, ninguém contribuiu mais do que São Leão. Sua posição histórica como “o Pai do Papado” será analisada mais tarde; será suficiente dizer agora que em suas obras pode ser encontrado, sem dúvida, o germe que, em última instância, se desenvolveu naquelas alegações de ser o Monarca absoluto sobre a Igreja, que são incorporados nos Decretos do Vaticano e no Satis Cognitum … Ele é o primeiro a estabelecer por uma teoria definitiva do poder papal, de qualquer modo, em matéria de jurisdição, e a teoria como aparece nele está na estrada para justificar o absolutismo universal. De fato, toda a inclinação da mente de Leão tendeu nessa direção. ”(Papalismo, Edward Denny, Página 94 & 98) “Em meados do século V a igreja romana havia estabelecido, de jure e de fato, uma posição de primazia no Ocidente, e as alegações papais de supremacia sobre todos os bispos da cristandade haviam sido formuladas em termos precisos. O Estudioso traçando a história dos tempos, particularmente das controvérsias ariana, donatista, pelagiana e cristológica, não pode deixar de ficar impressionado com a habilidade e persistência com que a Santa Sé estava continuamente avança e consolida suas reivindicações. Desde que seu ocupante foi aceito como o sucessor de São Pedro, o príncipe dos Apóstolos, foi fácil inferir que a autoridade única que Roma realmente desfrutava, e que os papas viam concentrada em suas pessoas e seu ofício, era não mais do que o cumprimento do plano divino … Os verdadeiros criadores e promotores da teoria da primazia romana eram os próprios papas. Homens como Dâmaso (366-384), Sirício (384-99), Inocêncio (402-417) e seus sucessores não apenas se esforçaram para promovê-la no plano prático, mas esboçaram a teologia em que se baseavam, viz. a doutrina de que a posição e autoridade únicas designadas por Cristo a São Pedro pertenciam igualmente aos papas que o seguiram como bispo de Roma. Leão, o Grande (440-461) foi responsável por reunir e dar forma final aos vários elementos que compõem esta tese. Sua concepção da primazia é admiravelmente apresentada na carta que ele enviou a Anastácio, bispo de Tessalônica, em 466: “Os Bispos de fato”, declarou ele, “têm uma dignidade comum, mas não têm posição uniforme, e na medida em que entre os abençoados Apóstolos, apesar da semelhança de sua propriedade honrosa, havia certa distinção de poder. Enquanto a eleição de todos eles era igual, ainda assim foi dada a um [i.e. São Pedro] para assumir a liderança do resto. Deste modelo surgiu uma distinção de bispos também, e por uma ordenança importante foi provido que todos não deveriam arrogar tudo para si, mas que deveria haver em cada província alguém cuja opinião deveria ter precedência entre os irmãos; e mais uma vez, aquele que é nomeado para as cidades maiores deve assumir uma responsabilidade mais ampla, e que através deles o cuidado da Igreja universal deve convergir para a cátedra de Pedro, e nada em lugar algum deve ser separado da sua Cabeça. Seu ensinamento, conforme exposto em muitos contextos, envolve as seguintes ideias. Primeiro, os famosos textos do Evangelho referentes a São Pedro devem ser tomados como implicando que a autoridade suprema foi conferida por nosso Senhor ao Apóstolo. Em segundo lugar, São Pedro era na verdade bispo de Roma, e seu magistério foi perpetuado em seus sucessores naquela sé. Em terceiro lugar, estando São Pedro deste modo, por assim dizer, misticamente presente na Sé Romana, a autoridade de outros bispos em toda a Cristandade não deriva imediatamente de Cristo, mas (como no caso dos Apóstolos) é mediada a eles através de São Pedro, isto é, através do Romano Pontífice que assim o representa, ou, para ser mais preciso, é uma espécie de Petrus Redivivus. Em quarto lugar, enquanto o seu mandato é, naturalmente, limitado às suas próprias dioceses, o magistério de São Pedro e, com ele, os seus sucessores, os Papas de Roma, é um plenitudo potestatis que se estende sobre toda a Igreja, para que o seu governo repouse finalmente com eles. e eles são seu porta-voz divinamente nomeado. ”(Early Christian Doctrine, 5th-Ed, JND Kelly, 417-421) “Como foi discutido no capítulo anterior, o papa Leão I (440-61) entendeu seu papel como bispo de Roma principalmente em termos de seu relacionamento único com Pedro, cujo mandato como ‘pastor chefe’, junto com seus poderes de ‘ligar e desligar ‘, Leão herdou como o sucessor de Pedro. A posição de Leão era simples – que “Pedro recebeu a primazia da dignidade apostólica como compensação (renumeratio) por sua fé; a Igreja universal foi estabelecida sobre o fundamento de sua firmeza (soliditas) e Leão, seu sucessor, foi responsável por seus cuidados (solicitudinis). De muitas maneiras, esse pensamento não era “radicalmente diferente, ou mais avançado que os de seus predecessores recentes”, e ainda assim há muito se observa que o pontificado de Leão é um marco significativo na evolução da Primazia Romana. A teologia pode não ter sido nova, mas a aplicação de Leão era. ”(O papado e a ortodoxia, A. Edward Siecienski, página 171) As Igrejas do Oriente também deviam uma lealdade especial a Roma. No que se referia à Igreja de Constantinopla, “quem duvidaria de que ela se submeteu à sé apostólica” [diz o Papa São Gregório Magno], isto é, claro, a Roma? Ao saudar a autoridade de Leão, os padres de Calcedônia deram testemunho da ortodoxia de Roma. De uma vez Sé após a outra tinham capitulado nesta ou naquela controvérsia com heresia. Constantinopla havia dado origem a vários hereges durante os séculos IV e V, notavelmente Nestório e Macedônio, e as outras Sés também eram conhecidas por se afastarem ocasionalmente da verdadeira fé. Mas Roma tinha uma posição especial. O bispo de Roma tinha o direito, por sua própria autoridade, de anular as atas de um Sínodo. De fato, quando se falou de um concílio para resolver controvérsias, Gregório afirmou o princípio de que “sem a autoridade e o consentimento da Sé Apostólica, nenhum dos assuntos transacionados [por um concílio] tem força obrigatória” (A Tradição Cristã: O surgimento da tradição católica, Vol. 1, Jaroslav Pelikan, página 354) “Em seus decretos e cartas, Leão consolidou a doutrina essencialmente jurídica da autoridade petrina como a que se desenvolveu desde Dâmaso sessenta anos antes. A personalidade de Leão como homem, apesar do grande número de documentos sobreviventes de sua pena, é curiosamente ilusória só porque ele só podia escrever em nome da grande instituição com a qual ele emergira sua identidade. Leão acreditava ser o sucessor de Pedro em mais do que qualquer sentido histórico. Quando ele pregou ou escreveu uma carta, ele acreditava que o próprio São Pedro estava falando e escrevendo; ou pelo menos que seus ouvintes e leitores deveriam receber suas palavras como tais. Porque o papa é o herdeiro legal de tudo o que São Pedro foi, não houve diminuição do poder das chaves, mas uma plenitudo potestasis [plenitude de poder] ”(Henry Chadwick, a Igreja Primitiva). Pouco se sabe de sua vida anterior, além do fato de que, como diácono romano, ele se opunha ao pelagianismo. Seu Papado é notável principalmente pela enorme extensão que ele avançou e consolidou a influência da Sé Romana. Em um momento de desordem geral, ele procurou fortalecer a Igreja por um governo central energético baseado na firme crença de que a supremacia de sua Sé era de autoridade divina e bíblica, e ele pressionou suas reivindicações à jurisdição na África, Espanha e Gália. Ele também conseguiu do imperador Valentiniano III um reescrito que reconheceu sua jurisdição sobre todas as províncias ocidentais. ”(Dicionário Oxford da Igreja Cristã, 1958, página 797) “Sob Leão, o Grande (440-61), a primazia de Roma foi finalmente estabelecida e foi ele quem forneceu uma teoria ou base dogmática que deveria ser mantida por séculos. A concepção de Leão deve ser encontrada em cinco sermões proferidos a uma audiência de cerca de duzentos bispos reunidos para celebrar o aniversário de sua consagração. Ele interpretou o texto petrino como significando que a autoridade suprema foi concedida por Jesus sobre Pedro. Em seguida, ele considerou Pedro ter sido o primeiro bispo de Roma e sua autoridade de ter sido perpetuada em seus sucessores. Ele também concebeu essa autoridade como reforçada por uma presença mística de Pedro na Sé Romana. Ele, portanto, tirou as conseqüências de que a autoridade de todos os bispos, além do Papa, não é derivada imediatamente de Cristo, mas mediatamente através de Pedro e que está limitada às suas próprias dioceses, enquanto sua plenitudo potestastis sobre toda a Igreja ”. (Igreja Cristã Primitiva: Uma História de seus Primeiros Séculos, JG Davies, página 331) “… Muito mais importante foi Leão I, que ocupou o cargo de papa de 440 a 461, e quem com Gregório I, a quem devemos encontrar em um capítulo posterior, é conhecido pelo consenso comum como ‘O Grande’. Nenhum de seus antecessores foi tão vigoroso ou exerceu uma influência tão grande. Ele insistiu que, pelo decreto de Cristo, Pedro era a rocha, o fundamento, o porteiro do reino dos céus, estabelecido para ligar e desligar, cujos julgamentos mantinham sua validade no céu, e que através do papa, como seu sucessor, Pedro continuava a executar a tarefa que lhe fora confiada. Nós notamos como o Tomo de Leão estabeleceu a posição doutrinal que foi aprovada pelo Concílio de Calcedônia. Leão se recusou a reconhecer como válido o cânon promulgado por aquele organismo que elevava a sé de Constantinopla a uma posição substancialmente igual à de Roma, parecendo assim afirmar o direito de seu ofício de discordar dos decretos de um concílio geral ou ecumênico. ”(Uma História do Cristianismo, Kenneth Scott Latourette, página 186) “Mas na época de Leão (440-461) as circunstâncias haviam mudado; e é esta mudança radical nas circunstâncias que tornou possível para Leão afirmar a primazia de Roma com uma garantia e firmeza sem precedentes no passado. Sem dúvida, a personalidade de Leão também desempenhou um papel. Em espírito, se não por nascimento, um romano dos romanos, treinando um administrador, ele trouxe para o seu ofício o sentido inato da autoridade da classe governante romana e uma forte mistura do tradicional orgulho romano. Seu tom e fala são os de um governante nato, e é significativo que ele seja o primeiro papa a assumir o antigo título pagão, Pontifex Maximus, que os imperadores haviam descartado. Mas nada é mais característico de Leão do que sua ênfase na autoridade principesca de São Pedro. Para ele, Pedro não é apenas o “príncipe dos apóstolos”; ele também é um grande príncipe da Igreja, que “com razão governa todos os que são governados em primeira instância por Cristo”. O que há de novo na atitude de Leão é essa ênfase na “regra” e no “principado”, culminando na concepção da Igreja como uma monarquia governada pelo Papa agindo em nome de Pedro. Leão foi rápido em compreender sua oportunidade, “impulsionado” (disse ele) “por essa solicitude que, por instituição divina, concedemos à igreja universal” … Leão também interveio ativamente nas disputas doutrinárias que se desenrolavam no Oriente, e era sua definição do dogma cristão que prevaleceu no Concílio de Calcedônia 451. [1] No entanto, Leão fez uma contribuição capital para a doutrina da primazia papal, e não é por acaso que suas cartas e decretos encontraram um lugar proeminente na lei canônica posterior. Foi Leão quem primeiro formulou a idéia do Papa como representante de Pedro, “cuius vice fungimur” – uma frase que resume sucintamente a essência das alegações papais e se repete constantemente através da história papal futura. Foi Leão, mais uma vez, quem primeiro reivindicou a “plenitude do poder”, que mais tarde desempenhou um papel tão decisivo no desenvolvimento da monarquia papal. A concepção hierárquica, segundo a qual “o cuidado da igreja universal deve convergir para o único assento de Pedro”, deve mais a ele do que a qualquer outro indivíduo. Leão levou o papado o mais longe possível teoricamente. Mas ainda fazia parte da igreja estatal do Império, e as relações ambíguas entre o bispo de Roma e o imperador romano não haviam sido resolvidas ”(The Medieval Papacy, Geoffrey Barraclough, p. 26-27). “No sermão que Leão pregou no dia de sua entrada no cargo, ele exaltou a ‘glória do abençoado Apóstolo Pedro … em cuja cátedra seu poder vive e sua autoridade brilha’. A cidade que uma vez desfrutou do favor como capital do império, a cena do martírio de Pedro e Paulo, recebeu agora um poderoso novo líder. Leão fez sua entrada na história mundial como a Cabeça Suprema de toda a cristandade. Apelando ao testemunho triplo do Evangelho (Mt 16: 13-19; Lucas 22:31, 32; e João 21: 15-17), o novo papa estabeleceu a base teórica para a primazia papal. Cristo prometeu construir sua Igreja em Pedro, a rocha para todas as eras, e os bispos de Roma são seus sucessores nessa autoridade … Leão elevou o status do ofício do bispo em Roma de uma vez por todas. Ele carregou o papado o mais longe possível teoricamente. A dinastia de Pedro, Príncipe da Igreja estabeleceu, solenemente, decisivamente … A visão de Leão sobre o papado parecia ter o apoio não só do imperador, mas também dos padres sagrados reunidos em Calcedônia. Um ano antes do encontro com Átila, em outubro de 451, o subúrbio de Constantinopla, na costa asiática do Bósforo, atraiu 350 bispos para defender a verdadeira fé contra as falsas interpretações da vida de Jesus Cristo. Embora o imperador tivesse chamado o concílio para Calcedônia e o visitado pessoalmente, o espírito do papa Leão era dominante. Suas cartas, decisões e ações eram citadas com tanta frequência que, às vezes, referiam-se a ele suficiente para que a maioria dos bispos gritasse com alegria: “Essa era a fé dos Padres, que era a fé dos Apóstolos … Pedro falou através Leão ‘”. (História da Igreja em Linguagem Clara, Bruce L. Shelley, 2ª Edição – Página 137-38) “Os sermões austeros e simples do Papa Leão I revelam-no no cargo de censor, cuidando da moral de seu povo. Como pretor, o papa declarou e definiu a lei da Igreja. Desde o quarto século, igrejas em muitas partes da Europa eram conhecidas por apelar a Roma como o árbitro final e juiz de casos eclesiásticos, e a sagaz e cuidadosa sabedoria das decisões papais, tanto em questões teológicas quanto práticas, ajudou muito esse poder crescente. Finalmente, um César, o papa estendeu uma jurisdição imperial sobre o mundo latino, uma jurisdição baseada não em uma autoridade civil, mas na autoridade da tradição apostólica da qual ele era tanto guardião quanto intérprete … Desde os dias de Agostinho, no entanto, o poder papal aumentara gradualmente e essa jurisdição prática de Roma correspondia a afirmações altamente desenvolvidas. Enquanto datam de um século antes [do século IV], elas alcançam sua expressão mais clara em Leão I. O Papa é considerado como o sucessor de São Pedro, o Príncipe dos Apóstolos, a quem foi confiada a autoridade final de toda a Igreja. . O Bispo de Roma é o porteiro do céu, o pastor da Igreja Universal e o guardião da tradição apostólica. Sobre ele recai, de Pedro, a plenitude de todo poder (plenitudo potestatis), e ele é sem igual ou superior no mundo. Dele flui toda a autoridade e todo dom da graça que a Igreja desfruta. Separar-se da Igreja Romana é afastar-se das bênçãos divinas que são mediadas apenas pelo papado. “(A Igreja através dos séculos, Cirilo Richardson, página 81-85) “Quando São Leão alcançou o trono papal, ele começou imediatamente a afirmar sua autoridade em linguagem franca, e aproveitou a ocasião para fazê-lo com frequência. Nos primeiros sermões ele fala do “bem ordenado amor de toda a Igreja, que sempre reconhece Pedro na Sé de Pedro”. “O bem-aventurado Pedro … não deixou o leme da Igreja que ele tomou. Portanto, se alguma coisa é corretamente feita e decretada por nós, é de seu trabalho e méritos cujo poder vive e cuja autoridade prevalece em sua Sé … Ele não é apenas o presidente desta Sé, mas também o primaz de todos os bispos, portanto… acredite que é ele falando com você, cujo ofício nós ocupamos em seu lugar ‘… Ele [Leão] ensina que os outros apóstolos receberam seus poderes, não diretamente de Cristo, mas mediatamente somente através de São Pedro. Segue-se que os bispos recebem seus poderes mediatamente somente através do representante de São Pedro … A soberania de Roma é de nomeações divinas; Roma é “aquela Sé a qual o Senhor designou para presidir todas as outras”. Estes exemplos do constante ensino de São Leão mostram a base dogmática que ele formulou para a supremacia soberana de sua sé ”(O Desenvolvimento do Papado, H. Burn-Murdoch, página 229-230). “… Mas o mais firme e mais efetivo defensor do catolicismo em sua aparência romana provou ser Leão I (440-461). O primeiro de apenas dois Papas a quem a história atribuiu o título de Grande, ele se ergue como uma segunda pedra de São Pedro em meio a um século repleto de pavor e desastre … O que é certo é que na época de sua morte Ele já era uma figura notável entre o clero romano, bem educado, altamente competente, plenamente consciente da majestade de seu futuro ofício, e ansioso para afirmá-lo da maneira mais autoritária … Como suas 150 cartas sobreviventes mostram, ele insistentemente lembrou eles [bispos] de sua dependência da Sé de Pedro como fonte de toda autoridade, de seu dever de obediência a ela e de seu próprio dever de cuidar deles. Quando Hilário, bispo de Arles, tentou afirmar a independência da igreja Gallicana contra Roma, Leão obteve do polêmico Valentiniano um decreto confirmando a primazia absoluta da Sé Apostólica e proibindo os bispos da Gália ou de qualquer outra província imperial, sob ameaça de penalidades legais, a contrariar suas ordenanças. Ao mesmo tempo, ele estava elaborando uma teoria da monarquia papal. Ele desejava estabelecer que os poderes conferidos a São Pedro pelo próprio Cristo fossem automaticamente transmitidos aos sucessores do Apóstolo e a todos os futuros bispos de Roma que eram, pelo menos em princípio, eleitos pelo clero e pelos leigos da cidade. Ele se descreveu como o “herdeiro indigno de São Pedro”, o que significa que ele e todos os outros papas, ao mesmo tempo em que herdaram o poder do apóstolo ao máximo, não presumiram possuir suas virtudes. Em outras palavras, qualquer papa, quaisquer que sejam suas falhas pessoais, tinha legitimidade para desempenhar suas funções e governar a Igreja como o indivíduo mais moral e intelectualmente perfeito. A teoria afirmava que, no exercício de seus poderes herdados, um papa não poderia ser julgado por nenhuma autoridade externa; ele era, com efeito, infalível ”(Uma História dos Papas, Nicholas Cheetham, página 25-26) “Ele [Leão] era um homem de intelecto espaçoso e receptivo e de grande coragem; e coube a ele dar à doutrina da primazia petrina a expressão mais refinada que até então havia recebido … Considerava que, como São Pedro era o chefe do Colégio Apostólico, seus sucessores episcopais deveriam ter poderes diretivos sobre todos os outros bispos. O aspecto central da eclesiologia de Leão foi seu conceito de ordem hierárquica. O ofício, não os atributos pessoais de seu titular, determinava a autoridade de um bispo. “Nenhum pontífice é tão perfeito, nenhum prelado tão imaculado, que não ofereça sacrifícios de reconciliação pelos seus próprios pecados quando os oferece pelos pecados do povo” (Sermão 5) … O episcopado era um corpo gracioso, unido por unanimidade e concordância; e, no entanto, essa harmonia foi assegurada por uma hierarquia de precedência e obediência. Seguindo a distinção de poder entre os Apóstolos, encabeçada pela Sé de São Pedro, os bispos compartilhavam a mesma dignidade, mas não a mesma ordem. “Então, quem sabe que está acima de alguns, não se ofenda que alguém esteja acima de si; deixe-o preferir a obediência que ele exige ”. O conceito de governo eclesiástico de Leão foi dominado por essa ordem hierárquica de bispos, metropolitas e prelados “nas grandes cidades”, culminando no sucessor de São Pedro. Em sua opinião, essa ordem era prefigurada entre os Apóstolos e, igualmente importante, prescrita canonicamente … Embora Leão aceitasse um desenvolvimento progressivo na compreensão da fé e nos regulamentos disciplinares através de decretos conciliares, sua aceitação estava sujeita a algumas qualificações severas. Por toda a sua oecumenicidade, o Concílio de Calcedônia promulgou seu vigésimo oitavo cânon elevando Constantinopla ao segundo posto entre as sés primaciais, um regulamento que Leão denunciou totalmente e que quase o persuadiu a repudiar o próprio Concílio. Os concílios gerais, ele escreveu, foram convocados “pelo preceito de príncipes cristãos com o consentimento da Sé Apostólica” (Ep 114). De seus decretos, os bispos de Roma eram os principais executores, os principais vigilantes contra a “inovação injusta”. (…) Era, para a mente de Leão, um sistema de cortes inferiores e superiores, correspondendo às fileiras entre os bispos que, em seus sínodos episcopais, metropolitanos ou primais, exerciam graus apropriados de competência jurisdicional. Os concílios eram um elemento extraordinário, mas legítimo, nessa estrutura jurídica. Mas acima de todas elas estava a Sé de São Pedro, à qual poderiam ir os apelos de qualquer sacerdote em qualquer parte do mundo, à qual, por intermédio da comissão de Cristo a São Pedro, o governo geral das igrejas pertencesse inalienamente. A preservação dessa ordem dependia do julgamento adequado dos casos de disciplina e doutrina e da preservação da Igreja contra as heresias. A redução de quaisquer privilégios na escala enfraqueceria todo o sistema, destruiria a disposição apostólica e colocaria em perigo a liberdade da Igreja. A chave para a síntese de Leão foi, portanto, o formalismo, a compreensão da tradição nos aspectos jurídicos e administrativos. ”(Tradição e Autoridade na Igreja Ocidental 300-1140, Karl F. Morrison, páginas 87, 91-92, 94 e 104 ) “Esta é uma interpretação das palavras do nosso Senhor a São Pedro, que todos nós podemos aceitar [ou seja, Pedro como representante, apenas], e que é bastante inteligível. É bastante distinto da visão mediatorial, segundo a qual São Pedro é algo que os outros Apóstolos não são, e a fonte para eles do que eles são. Esta última visão é de fato marcadamente excluída pela linguagem dos padres em geral, exceto, na verdade, por aqueles como São Leão, que constituem o que pode ser verdadeiramente chamado de “escola papal” de escritores. (The Roman Catholic Claims, Dr. Charles Gore, Página 86) Tradução YBARRA, Erick. Historiography on the Papal-claims of Pope Leo I (400-461): Protestant & Eastern Orthodox Scholarship Disponível em: https://erickybarra.org/2016/12/14/anglicans-must-admit-but-the-orthodox/
- Papa Vítor I (189-98) e a Primazia Romana – Análise Crítica
Muitos ouviram a história sobre o papa São Vítor I e seu confronto com algumas igrejas orientais sobre a datação correta da celebração da Páscoa, mas muitos dos detalhes e a história circundante são deixados de lado, e por isso muitas vezes se pensa que esse cenário poderia ser usado como evidência contra a teoria papal do governo da Igreja. Vamos rever a sequência de eventos, com alguns detalhes adicionados. Durante o curto pontificado de 11 ou 12 anos de Victor I (189-199), a variação entre as igrejas sobre a data de celebração da Páscoa tornou-se uma grave controvérsia. A diferença na prática entre Roma e algumas igrejas orientais já existia como é evidenciado pelo registro do encontro de Santo Irineu de São Policarpo com o Papa Santo Aniceto. S. Policarpo manteve a celebração da Páscoa a ser observada no dia 14 de Nisan, também conhecida como prática Quartodecimana (o décimo quarto). Nenhum deles conseguiu persuadir um ao outro sobre qual era o dia correto para celebrar. Apesar disso, eles foram capazes de manter a paz um com o outro, e o Papa Santo Aniceto permitiu que São Policarpo celebrasse a Eucaristia no Dia do Senhor. Isso foi em 154/5 dC. Cerca de 11/12 anos depois, o debate sobre a data da Páscoa ocorreu em Laodicéia (uma cidade da Ásia) entre os próprios asiáticos, exigindo alguns deles para tentar defender a prática Quartodecimana (Bispo Melitão de Sardes). Um bispo contemporâneo de Hierápolis, Cláudio Apolinário, escreveu em protesto à prática Quartodecimana provavelmente em resposta a essa complicação oriental em Laodicéia: “Há alguns agora que, por ignorância, amam levantar contenda sobre estas coisas, sendo culpados nisto de uma ofensa perdoável; pois a ignorância não merece tanto a culpa quanto a necessidade de instrução. E eles dizem que no décimo quarto dia [de nisã] o Senhor comeu o cordeiro pascal com seus discípulos, mas que Ele mesmo sofreu no grande dia dos pães ázimos [isto é, a décima quinta de nisã]; e eles interpretam Mateus como favorecendo sua visão, da qual parece que sua visão não concorda com a lei, e que os Evangelhos parecem, segundo eles, estar em desacordo ”(Chronicon Paschale). Por volta do ano 190, o papa São Vítor obviamente conhecia a variação entre a Ásia e o consenso das igrejas, e assim solicitou que os sínodos fossem realizados em todos os lugares sobre a questão. Houve um sínodo realizado na Palestina sob Teófilo de Cesaréia, Narciso de Jerusalém, um sínodo em Ponto sob Palmas, outro na Gália sob Irineu. Outros bispos envolvidos foram os pastores da igreja em Osroene, Bacílo de Corinto, Cássio de Tiro, Claro de Ptolemais, e nossa testemunha histórica Eusébio de Cesaréia também observa que havia “cartas de muitos outros que expressaram a mesma opinião e julgamento e emitiram o mesmo voto. E a visão [tradição romana] que foi descrita acima foi aceita por todos eles ”(Historia Ecclesiastica, V, 23-25). Além disso, São Clemente, chefe da escola em Alexandria, publicou um resumo das tradições que recolheu e todas concordaram com a posição de Roma. Todas essas igrejas em todo o Oriente e Ocidente decidiram a favor de celebrar a Páscoa no domingo, o dia do Senhor. Exceto o sínodo na Ásia Menor sob S. Polícrates de Éfeso. Em vez de sugerir que a tradição estava aberta a divergências, Polícrates insistiu em sua carta ao papa Vítor que os clérigos que o precederam em Éfeso e na Ásia ao redor tinham “guardado o décimo quarto dia da Páscoa de acordo com o evangelho, nunca partindo dela, mas obedecendo à regra da fé ”(ibid 24). Observe aqui que o Sínodo da Ásia compreendeu que a prática Quartodecimana faz parte da “regra de fé”, embora muitas outras igrejas ao redor do mundo pensem em contrário. Sugerir que o resto das igrejas eram desviantes da regula fidei era uma afirmação poderosa. Muitas vezes os leitores deste evento histórico encontram-se dirigindo seu viés contra o Papa Vítor, não percebendo essa implicação da Ásia. Na mesma carta, Polícrates acrescenta: “Eu, portanto, irmãos que viveram sessenta e cinco anos no Senhor e conversaram com irmãos de todo o mundo, examinaram todas as escrituras sagradas e não se assustam com palavras aterrorizantes. Pois aqueles maiores do que eu disseram: “Devemos obedecer a Deus e não ao homem”. Agora, de acordo com nosso historiador Eusébio, o sínodo asiático havia escrito esta carta em resposta ao papa Vítor, que ele próprio havia pedido a Ásia para realizar um sínodo sobre a questão. A carta declara: “Eu poderia nomear os bispos que estão aqui reunidos a quem você me pediu para convocar e eu convoquei”. É provável que os sínodos que foram realizados em outros lugares também fossem convocados pelo próprio Vítor. Este pedido de convocação dos sínodos revela uma indicação de como Roma entendia sua responsabilidade em assegurar a unidade eclesial. Com base nisso, não somos realmente informados. Mas quero salientar aqui que, quando o sínodo asiático disse “Devemos obedecer a Deus, e não ao homem”, em protesto contra a mudança de sua regra quartodecimana, é provável que eles não estejam respondendo apenas a Vítor, mas a Vítor e a todos os sínodos das igrejas cristãs, já que não foi até receber esta carta que “logo Vítor, que era chefe da Igreja em Roma, imediatamente se comprometeu a separar da unidade comum as paróquias de toda a Ásia e as igrejas que concordassem com elas como heterodoxas e ele escreveu cartas pronunciando todos os irmãos de lá como totalmente excomungados ”. Foi só depois de receber essa nota de inconformidade que as excomunhões foram enviadas. Podemos pensar um pouco diferente se percebermos que essa resposta inicial da Ásia não é apenas um ato de rejeição papal, mas também uma rejeição do consenso do resto do mundo. Mas mesmo assim, o ferrenho antipapalista ”Papalismo” de Edward Denny (página 252-3) parece apenas notar que se a Ásia acreditasse em um Pontífice Romano com uma autoridade de ensino infalível e jurisdição universal nunca escreveria “Devemos obedecer a Deus em vez de homem” em resposta a este papa. Mas, como foi apontado, isso foi em resposta à totalidade dos sínodos realizados tanto no Oriente quanto no Ocidente. Se o ponto de Denny for concedido, ele terá que conceder igualmente em nome dos monofisistas que não aceitaram Calcedônia, já que eles não acharam a Igreja mais ampla via Calcedônia como tendo qualquer autoridade para obedecer, e assim por diante. Para Denny, então, as igrejas nunca devem permitir que qualquer modo de autoridade ecumênica tenha a capacidade de impor ligaduras. Isto, naturalmente, atravessa os Sínodos Ecumênicos. Mas como anglicano, quão difícil foi negar a autoridade dos Sínodos? Dado o clima atual na Inglaterra, tal feito não é considerado difícil. Eusébio também insere uma citação de uma carta do sínodo palestino mencionada acima, cujo destinatário [mais provável Vítor] é desconhecido, mas cujo conteúdo é totalmente relevante para a controvérsia contemporânea. Ela diz: “Você se esforça para enviar cópias de nossa carta a todas as paróquias, para que não possamos ser culpados por aqueles que descuidadamente enganaram suas próprias almas. E asseguramos que em Alexandria eles também mantêm o mesmo dia que nós. Pois as cartas são levadas de nós para eles e deles para nós, para que, de comum acordo e ao mesmo tempo, guardemos o dia sagrado ”. Não parece que esses povos orientais pensaram que era uma questão tão leve. Nós não sabemos exatamente como esta provação terminou com o Papa Vítor. Alguns tendem a acreditar que ele cedeu de seu ato de excomunhão, mas eu não encontrei nenhuma boa evidência para apoiar isso. O nome de Vítor está no calendário romano como um mártir, então podemos suspeitar que ele morreu de boa fé. Alguns historiadores têm o seguinte para comentar sobre este papa e suas ações: “Em nenhum ponto de sua história esta preeminência [primazia] é tão evidente como no Papa Vítor, 189-90: quando“ da Gália a Osroene [no Eufrates] ”seu convite para a convocação de concílios para efetuar um acordo da controvérsia pascal foi aceita em todos os lugares. “Esta iniciativa do Papa Vitor sozinho, uma iniciativa que provou ser eficaz, basta mostrar como era evidente, naqueles tempos antigos, a situação excepcional e a autoridade ecumênica da igreja romana” (Dr. Beresford Kidd, The Roman Primacy to AD 461 página 18-19) “O Papa Victor inicia um movimento em favor da unidade de observância. Concílios são realizados simultaneamente a seu pedido em toda a cristandade, e todos publicam decisões de que a Páscoa deve ser celebrada apenas no domingo. Só as igrejas asiáticas resistem a essa decisão. São Vítor “tenta afastá-las da unidade comum”. Alguns outros bispos acham isso muito duro, pois o bispo de Éfeso havia suplicado uma tradição recebida do apóstolo São João, e eles “acharam que Vítor tinha levado a tarefa um tanto bruscamente”. Entre estes, Santo Irineu ‘incontestavelmente’ insistiu com Victor para considerar que a diferença no costume do jejum apenas trazia mais claramente a unidade da fé em relevo … Mas, seja como for, encontramos nesta história incompleta de um Papa consciente de que é ele quem deve ver a uniformidade nas igrejas cristãs. Nós vemos concílios reunidos em toda parte a sua demanda. Nós o vemos reivindicar o direito de excomungar não, como antes, apenas heresiarcas individuais, mas numerosas e populosas igrejas de fundação Apostólica. Sua ação ‘não agradou a todos os bispos’, então vemos que muitos estavam, de fato, satisfeitos… Não há vestígios de qualquer negação do direito, mas apenas da justiça de seu exercício ”(Dom John Chapman, Bispo Gore e Catholic Claims, página 66-67). “Vítor, que era bispo de Roma, contemporâneo e amigo de Irineu, foi penetrado com cuidado por todas as igrejas; A isto, sua conduta na controvérsia pascal é testemunha suficiente, pois sua ação estendeu-se a todas as igrejas do Oriente, do Egito à Ásia, a qual ele encarregou de reunir na mesma data para a Páscoa – e era suficientemente enérgico para Renan poder dizer: “O papado já nasceu e nasceu bem” (Monsenhor Pierre Battifol, Catolicismo e Papado, p. 111) “Não há vestígios de um protesto contra a ação de Vítor em razão de príncipio. Ninguém sugeriu que ele não tinha o direito de agir como ele havia feito. ”(Trevor Jalland, Church and Papacy, p. 121) O que sabemos é que o problema dos Quartodecimanos persistiu e foi continuamente tratado à medida que o tempo avança. Por exemplo, no Concílio de Arles (314), os bispos escreveram seus cânones em discurso ao recém-eleito papa Silvestre I, e o primeiro cânon diz: “Em primeiro lugar, no que diz respeito à observância da Páscoa do Senhor, foi resolvido que devemos observá-la no mesmo dia e ao mesmo tempo em todo o mundo e enviar cartas, de acordo com o costume, a todos ”. Arles pretendia que o papa Silvestre transmitisse esses cânones para a rede mais ampla de igrejas, talvez como o Sínodo da Palestina desejado por Vítor [ver acima]. Sabemos disso pelo prefácio da carta já citada que declara: “… a assembléia de bispos se reuniu na cidade de Arles para seu mais santo lorde e irmão, Silvestre. O que nós, em conselho comum, decretamos, reportamos à sua caridade, para que todos saibam o que deve ser observado no futuro ”. Enquanto este Concílio se reuniu sem o Papa já que, segundo os bispos presentes, Silvestre “não pôde deixar o lugar onde os Apóstolos até hoje têm seus assentos [lugar de juiz] e onde seu sangue sem cessar testemunha a glória de Deus … ”, claramente pretendiam que seus cânones fossem ratificados pela autoridade da sé romana. (Carta Sinodal para Silvestre, Sylloge Optatiana, Corpus Scriptorum Ecclesiasticorum Latinorum, XXVI, 206-208). Eles reconhecem ao Papa que se ele achasse “sábio assistir a esta grande assembléia, nós firmemente acreditamos que um veredicto mais severo teria sido passado contra eles [donatistas] e se você estivesse julgando aqui conosco, nós deveríamos todos se regozijar com uma alegria mais profunda … e resolvemos escrever em primeiro lugar a vocês, que detêm as dioceses maiores, que através de vocês, de preferência, nossas resoluções devam ser conhecidas de todos. ”(Ibidem). Em uma nota de rodapé, o 8º cânon, os bispos de Arles condenaram a posição cipriânica do re-batismo, confirmando a posição do papa Estêvão (250). Posteriormente, o Concílio de Nicéia (325) confrontou a questão de frente e escreveu na seção final da carta do Concílio aos egípcios: ”Também lhes enviamos as boas novas do acordo relativo à passagem sagrada, isto é, que em resposta às suas orações esta questão também foi resolvida. Todos os irmãos do Oriente que até agora seguiram a prática judaica, a partir de agora, observarão o costume dos romanos e de vós mesmos e de todos nós que, desde os tempos antigos, mantivemos a Páscoa junto com vocês. Regozijando-se então nestes sucessos e na paz e harmonia comuns e no corte de toda a heresia, dê as boas-vindas ao nosso companheiro ministro, seu bispo Alexandre, com toda a maior honra e amor. Ele nos fez felizes com sua presença e, apesar de sua idade avançada, empreendeu um trabalho tão grande a fim de que vocês também desfrutem da paz. ” O Concílio de Nicéia reconhece implicitamente a prioridade que Roma atribuiu à celebração correta da Páscoa, e até mesmo determina que a observância futura estará de acordo com a prática romana e do Oriente Médio. Mas vale a pena destacar aqui que a carta de Santo Irineu, embora possa ter entrado em jogo com o papa Vítor, não contribuiu para mitigar a decisão de Nicéia. Muitos dos detratores papais que utilizaram o pontificado vitoriano como uma evidência contra a teoria papal comentaram sobre quanto Vítor foi exagerado quando cortou as igrejas asiáticas. Bem, o que podemos concluir sobre Nicéia? Mas o quartodecimanismo cessou porque o grande e todo-poderoso concílio de Nicéia pronunciou-se contra ele? Não, para o historiador Constantinpolitano Sócrates Escolástica do quinto século que fala de São João Crisóstomo tendo privado os Quartodecimanos de suas igrejas desde que ele ordenou Heráclides de Éfeso. (Historia ecclesiastica, 6.11 (NPNF2 2, pp. 145-147). São João Crisóstomo nasceu em 354 dC, cerca de 25 anos depois de Nicéia. Na época em que João foi ordenado 381 dC, Nicéia já havia passado por mais de 50 anos. Assim, a existência de Quartodecimanos superou Nicéia apesar da decisão do Concílio. Isso significa que o Concílio de Nicéia não tinha nenhuma autoridade para interferir na prática disciplinar das igrejas em todo o mundo? como os ortodoxos orientais ou, talvez, os anglo-católicos seriam capazes de negar isso, eu esperaria isso dos historiadores protestantes pós-reformados. Conclusão Então, o que normalmente é obtido a partir do cenário entre Vítor vs Ásia é que o papa é desobedecido e, ergo, o papa não tem jurisdição sobre a Igreja universal. O que quer que possamos dizer em resposta a isso, alguém teria que perguntar o que a pessoa que acredita na primeira sentença constituiria evidência de autoridade. Certamente, o próprio Vítor achava que era certo e, certamente, sua posição acabaria se tornando a norma de todos. Nenhum bispo da época protestou contra o seu direito de excomungar. Além disso, como vimos, o sínodo asiático que ostentava sua ortodoxia a Vítor alegou que sua prática Quartodecimana era a única que era consistente com a “regra da fé”, em contraste com todos os sínodos do Oriente e do Ocidente. Esta não era a Ásia vs Roma, esta foi a Ásia vs Oriente / Ocidente. Assim, aqueles que se encontram abanando do lado da Ásia, por qualquer motivo, precisam manter a coerência e afirmar que os processos sinodais da igreja universal também não têm autoridade para tornar obrigatória a aplicação na igreja universal. Mais ainda, desde que a prática do Quartodecimanismo sobreviveu ao Concílio Ecumênico de Nicéia. Eu sugeriria, em contradição com aqueles que simplesmente citariam que o Sínodo Asiático não deu atenção ao Papa Victor, que neste ponto da história (180 dC) temos um testemunho da primazia romana no ato, ao invés de qualquer teoria declarada. E isso é provavelmente devido ao fato de que não temos muitos dos documentos que sobreviveram. Tradução YBARRA, Erick. Pope Victor I (189-98) & the Roman Primacy – Critical Analysis Disponível em: https://erickybarra.org/2017/01/13/pope-victor-i-189-98-the-roman-primacy-critical-analysis/
- O RATO E A COMUNIDADE – Murilo Mendes
1 O rato apareceu Num ângulo da sala. Um homem e uma mulher Apareceram também, Trocaram palavras comigo, Fizeram diversos gestos E depois foram-se embora. ? Que sabe esse rato de mim. E esse homem e essa mulher Sabem pouco mais que o rato. 2 Passam meses e anos perto de nós, Rodeiam-nos, sentam-se com a gente à mesa. Comentam a guerra, os telegramas, Discutem planos políticos e econômicos, Promovem arbitrariamente a felicidade coletiva. Conhecem nosso paletó, camisa e gravata, Nosso sorriso e o gesto de mover o copo. Têm medo de nos tocar, não conhecem nossas lágrimas. ? Que sabem do nosso coração, do nosso desespero, da nossa [comunicabilidade. ? Que sabem do centro da nossa pessoa, de que são participantes. …Subúrbios longínquos, esses homens. 3 Entretanto cada um deve beber no coração do outro. Todos somos amassados, triturados: O outro deve nos ajudar a reconstituir nossas partes. O homem que não viu seu amigo chorar Ainda não chegou ao centro da experiência do amor. Para o amigo não existe nenhum sofrimento abstrato. Todo o sofrimento é pressentido, trocado, comunicado. ? Quem sabe conviver o outro, quem sabe transferir o coração. Viver com o outro é agonizar, morrer e ressuscitar com. Ninguém mais sabe tocar na chaga aberta: Entretanto todos têm uma chaga aberta. 4 Desconhecido que atravessas a rua, ? Que tens de comum comigo. A mesma solidão e a mesma roupa. Procuras consolo, mas não podes parar. És o servo da máquina e do tempo. Mal sabes teu nome, nem o que desejas neste mundo. Procuras a comunidade de uma pessoa, Mas não a encontras na massa-leviatã. Procuras alguém que seja obscuro e mínimo, Que possa de novo te re-apresentar a ti mesmo. 5 A mulher que escolhemos, a única e não outra Dentre tantas que habitam a terra triste, Esta mesma, frágil e indefesa, bela ou feia, Eis o mundo que nos é de novo apresentado Por intermédio de uma só pessoa. Esta é a que rompe as grades do nosso coração, Esta é a que possuímos mais pela ternura que pelo sexo. E nada será restaurado no seu genuíno sentido Se a mulher não retornar ao seu princípio: É a máquina instalada dentro dela que deveremos vencer. Quando esta mulher se tornar de novo submissa e doce, Os homens pela mão da antiga mediadora Abrirão outra vez um ao outro os corações que sangram. (Murilo Mendes. Poesia liberdade. Rio, Agir, 1947, p. 109-112)
- A “Manopla do Infinito” e sua verdadeira história
Neste mundo nada se cria, tudo se copia! (em grande parte da Igreja Católica) Relíquia da mão de Santa Teresa de Ávila à esquerda, a Manopla Infinito à direita. Saiba mais sobre a Relíquia da Mão esquerda de Santa Teresa D’Ávila A Ordem dos Carmelitas Descalços nasceu da reforma da Ordem do Carmo, em meados do séc. XVI, impulsionada por Santa Teresa de Jesus, inspirada pela austeridade vivida nos primeiros conventos dos eremitas do Monte Carmelo, em Jerusalém (séc. XII). Reformado o ramo feminino a partir do Convento de Ávila, Teresa de Jesus empreendeu a reforma do masculino. O projecto foi aprovado pelo Papa Pio V e confirmado por Gregório XIII, dando-se a separação completa dos Carmelitas Descalços em relação aos Calçados em 1593. Enviado por Santa Teresa a Portugal, Frei Ambrósio Mariano funda o primeiro convento de Carmelitas Descalços, em Lisboa, a 15 de Outubro de 1581, com apoio de Filipe II, e três anos depois o primeiro feminino, o Convento de Santo Alberto, também em Lisboa, este último, no local onde hoje se situa o Museu Nacional de Arte Antiga às Janelas Verdes, anexo ao Palácio Alvor/Távora . Em terras portuguesas, a descalcez carmelitana (também designada por Ordem dos Irmãos Descalços da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo e Ordem Carmelitana Descalça) remonta a 1581, ano em que se funda em Lisboa, sob a invocação de S. Filipe, o primeiro convento masculino de Carmelitas Descalços, beneficiando do clima de favorecimento que, em contexto pós tridentino, se dispensava às ordens reformadas. «A famosa cidade de Lisboa, afeiçoada do trato dos filhos de Sta. Teresa, desejava casa das filhas, não se prometendo menos delas do que via neles». É nestes termos que a Crónica de Carmelitas Descalços redigida pelo portugûes Fr. Belchior de Santa Ana apresenta o contexto da primeira fundação de descalças femininas em Portugal. Vários nobres se organizaram para pedir ao Prior de S. Filipe, Fr. Ambrósio Mariano, «procurasse trazer religiosas àquela cidade, que mais que qualquer outra de Espanha era acomodada para elas». Os mais activos em todo este processo foram D. Duarte de Castel-Branco, Conde do Sabugal, com especial referência à nora, D. Luísa Coutinho, D. Luís de Lencastre, Comendador-Mor de Avis e D. João Lobo, Barão de Alvito. Nesse sentido, a 16 de Outubro de 1584, parte para Sevilha Fr. Ambrósio Mariano, e a 19 de Janeiro de 1585 fundava-se em Lisboa o primeiro convento de carmelitas descalças, tendo como fundadora a Madre Maria de San José Salazar, uma discípula de Santa Teresa e talvez uma das suas religiosas mais emblemáticas. Este projecto fundacional estivera desde muito cedo nos desejos da Santa, a quem o contexto da fundação portuguesa fora apresentado em revelação, associado justamente à figura de Maria de San José, então prioresa do convento de descalças de Sevilha. Santa Teresa de Jesus morreu na noite de 04 de Outubro de 1582, curiosamente no mesmo dia em que o calendário juliano foi substituído pelo calendário gregoriano, de modo que o dia passou a ser sexta-feira 15 Outubro. Seu corpo, enterrado no convento da Anunciação, em Alba de Tormes, Espanha, foi exumado em 25 de Novembro de 1585 (a 04 de Julho de 1583 de acordo com outras fontes). Segundo a lenda, ao abrir o caixão, o corpo estava inteiro e incorrupto. O Padre Carmelita Jerónimo Gracián, cortou-lhe então a mão esquerda entregando-a como relíquia sagrada às Madres Carmelitas do Convento de San José de Ávila, em Espanha, não sem antes guardar para si o dedo mindinho da Santa. Começa aqui, em 1599, a história da relíquia da Mão esquerda de Santa Teresa de Jesus (ou D’Ávila) em Portugal, altura em que foi trazida e mantida no primeiro Convento Carmelita feminino fundado em Lisboa, Convento de Sto.Alberto. Com a extinção das Ordens Religiosas em 1834 e após a morte da última freira em 1890 o convento é definitivamente encerrado. Vão por essa altura lentamente desaparecendo os dez mosteiros que Portugal contava à época, à excepção do de Coimbra que é encerrado com o advento da República. A mão permaneceu em Portugal de 1599 até 1920. Nesta data, as freiras que a guardavam, fugindo da revolução que depôs a monarquia em 1910, levaram-na de volta para a Espanha. Em 1924, foi transferida para o convento recentemente aberto dos Carmelitas Descalços de Ronda. No início da Guerra Civil em Espanha, a 29 de Agosto de 1936, a mão foi requisitada pelos republicanos. Em Fevereiro de 1937, quando as tropas golpistas tomaram Málaga, encontraram “uma relíquia esquecida” na mala do republicano Coronel José Villalba Riquelm, e em vez de a devolverem aos seus proprietários, levaram-na para Burgos, onde Franco não hesitou em se apropriar dela. O Capelão do asilo, Padre Rendon, tentando justificar a apropriação indevida da Relíquia, consolou os Carmelitas com a seguinte frase: “La mano no se pierde, se va con el Caudillo para guiarle en la conducción de la Patria”. Franco, enquanto viveu, nunca se separou da Relíquia, incorporando-a mesmo na sua comitiva oficial, incluindo-a durante as viagens oficiais, e nas férias de Verão em San Sebastian ou em Pazo de Meiras. Depois da sua morte, a mão de Santa Teresa foi devolvida à congregação religiosa, e está actualmente no convento da cidade Merced de Ronda, Málaga, não tendo nunca mais regressado a Portugal, onde tinha permanecido durante mais de três séculos. Não se pense no entanto que é a única relíquia preservada de Santa Teresa D’Ávila: o mesmo convento também tem o seu olho esquerdo. O pé direito e parte da mandíbula superior está em Roma, o braço esquerdo e coração, na Igreja da Anunciação, em Alba de Tormes. No altar-mor da mesma igreja, é preservado o que resta de seu corpo numa arca de mármore. Dedos e pedaços de carne estão espalhados por Espanha e outros países. Conta o jornal “El Mundo” uma anedota curiosa sobre o outro braço da Santa, não corrompido: numa peregrinação carmelita que viajou para o Estados Unidos em visita aos frades Carmelitas daquele país, resolveram levar consigo o Relicário contendo o Braço de Santa Teresa D’Ávila. Quando o navio chegou a Nova York, tiveram que preencher um questionário na alfândega, e não existindo nenhuma clausula onde se pudesse incluir a designação de “Relíquias Religiosas”, fez com que o zeloso funcionário da alfândega, assinalasse com uma cruz a alínea correspondente a “enlatados e salgados”. Fontes: http://patrimoniocultural.cm-lisboa.pt/ http://www.lavozdegalicia.es/ http://coscorronderazon.blogspot.pt/ serzisanz.wordpress.com http://ler.letras.up.pt/artigo12701.pdf #ManopladoInfinito #SantaTeresaDÁvila
- NOSSO SENHOR E NOSSO DEUS – 2º Domingo da Páscoa
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Dois rios de misericórdia”, clicar AQUI. Na famosa visão que Santa Faustina teve de Jesus Misericordioso, cuja festa celebramos neste domingo, vemos dois rios saírem de seu Coração: um branco e outro vermelho. A partir do Evangelho, Padre Paulo Ricardo medita nesta homilia sobre o significado desses dois rios de misericórdia, com os quais Cristo quer, por um lado, nos perdoar e, por outro, nos unir ao seu mistério pascal. UM SOPRO DE VIDA NOVA (Meditação de Scott Hahn) O profeta Daniel numa visão viu “Alguém semelhante ao Filho do Homem” receber realeza eterna (Daniel 7, 9-14). João é levado para o céu na segunda leitura de hoje, onde ele vê a profecia de Daniel cumprida em Jesus, que aparece como “Alguém semelhante ao Filho do Homem”. Jesus está vestido com o manto de um Sumo Sacerdote (Êxodo 28, 4; Sabedoria 18, 24) e usando a faixa dourada de um rei (1 Macabeus 10, 89). Ele foi exaltado pela destra do Senhor, como cantamos no Salmo de hoje. Seu corpo ressuscitado, que os Apóstolos tocam no evangelho de hoje, foi transformado em um Espírito vivificador (1 Coríntios 15, 45). Como o Pai O ungiu com o Espírito e o poder (Atos 10, 38), Jesus derrama aquele Espírito sobre os Apóstolos, enviando-os ao mundo “como o Pai Me enviou”. Jesus “sopra” o Espírito de Sua vida divina nos Apóstolos — como Deus soprou o “hálito de vida” em Adão (Gênesis 2, 7), como a oração de Elias devolveu “o sopro de vida” à criança morta (1 Reis 17, 21-23), e como o Espírito soprou vida nova aos mortos no vale dos ossos (Ezequiel 37, 9–10). Seu sopro criador une os Apóstolos — Sua Igreja — ao Seu corpo, e os capacita a soprar Sua vida em um mundo agonizante, para torná-lo uma nova criação. No Evangelho e na Primeira Leitura de hoje, vemos os apóstolos cumprindo essa missão com poderes que somente Deus possui – o poder de perdoar pecados e de operar “sinais maravilhosos”, uma expressão bíblica usada apenas para descrever as poderosas obras de Deus (Êxodo 7, 3; 11,10; Atos 7, 36). Tomé e os outros viram “muitos outros sinais” depois que Jesus ressuscitou dos mortos. Eles viram e acreditaram. Eles receberam a Sua vida, que continua na Palavra e nos sacramentosnda Igreja, para que nós, que não vimos, possamos herdar Suas bênçãos e “ter vida em Seu nome”. https://stpaulcenter.com/breath-of-new-life-scott-hahn-reflects-on-the-second-sunday-of-easter/ PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Atos dos apóstolos 5, 12-16) Sinais e maravilhas da Igreja nascente Muitos sinais e maravilhas eram realizados entre o povo pelas mãos dos apóstolos. Todos os fiéis se reuniam, com muita união, no Pórtico de Salomão. Nenhum dos outros ousava juntar-se a eles, mas o povo estimava-os muito. Crescia sempre mais o número dos que aderiam ao Senhor pela fé; era uma multidão de homens e mulheres. Chegavam a transportar para as praças os doentes em camas e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, pelo menos a sua sombra tocasse alguns deles. A multidão vinha até das cidades vizinhas de Jerusalém, trazendo doentes e pessoas atormentadas por maus espíritos. E todos eram curados. SALMO 117 Ação de graças pela Igreja que Jesus fundou (Antífona): Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!” — A casa de Israel agora o diga:/ “Eterna é a sua misericórdia!’/ A casa de Aarão agora o diga:/ “Eterna é a sua misericórdia!”/ Os que temem o Senhor, agora o digam:/ “Eterna é a sua misericórdia!” — “A pedra que os pedreiros rejeitaram/ tornou-se agora a pedra angular./ Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:/ Que maravilhas ele fez a nossos olhos!/ Este é o dia que o Senhor fez para nós,/ Alegremo-nos e nele exultemos! — Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação,/ ó Senhor,/ dai-nos também prosperidade!”/ Bendito seja,/ em nome do Senhor,/ aquele que em seus átrios vai entrando!/ Desta casa do Senhor vos bendizemos./ Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Apcalipse 1,9-11a.12-13.17-19) Jesus, sumo sacerdote da Igreja Católica Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, e também no reino e na perseverança em Jesus, fui levado à ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho que eu dava de Jesus. No dia do Senhor, fui arrebatado pelo Espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta, qual dizia: “O que vais ver, escreve-o num livro”. Então voltei-me para ver quem estava falando; e ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro. No meio dos candelabros havia alguém semelhante a um “filho de homem”, vestido com uma túnica comprida e com uma faixa de ouro em volta do peito. Ao vê-lo, caí como morto a seus pés, mas ele colocou sobre mim sua mão direita e disse: “Não tenhas medo. Eu sou o Primeiro e o Último, aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para sempre. Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos. Escreve pois o que viste, aquilo que está acontecendo e que vai acontecer depois”. EVANGELHO (São João 20, 19-31) Jesus, Nosso Senhor e nosso Deus Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.
- INSTITUTO TAVISTOCK E MUDANÇA DE SEXO EM CRIANÇAS – Angela Pellicciari
Somente no ano passado, mais de 2.500 crianças inglesas foram encaminhadas ao centro responsável pela mudança de sexo: o Instituto Tavistock. Há poucos dias, o Times de Londres, defensor do pensamento progressista, dedicou duas páginas inteiras ao assunto. A novidade foi a demissão de cinco médicos cuja tarefa era decidir em quais crianças aplicar o tratamento de interrupção da puberdade. Por que os médicos se demitiram? Porque sofreram fortes pressões para orientar, no sentido de mudança de sexo, crianças cujos problemas psicológicos não puderam ser determinados ou estudados suficientemente. Vou me limitar, aqui, a algumas considerações sobre o centro onde tais experimentos são realizados. O Instituto Tavistock é um centro de pesquias instituído em nome da ciência que, supostamente, tem fins puramente científicos. É importante esclarecer o significado das palavras: em nome da ciência, durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses realizaram experimentos em larga escala na Manchúria para medir com precisão quanto tempo demorava para morrer algumas pessoas submetidas a vários tipos de tortura. Pode-se dizer que fui amiga de Ettore Bernabei (1921-2016), que foi diretor geral da RAI entre 1961 e 1974 e uma das personalidades que mais contribuíram para os êxitos da Itália católica, no período pós-guerra. Conversando com ele uma tarde, em sua casa, ele me mostrou um livro, sublinhado com cuidado, que eu, por várias razões, decidi não comprar: Maçons, do grão-mestre do Grande Oriente Democrático, Gioele Magaldi. Uma leitura interessante. É verdade que, para leigos, entre os quais me incluo, é uma leitura cujas mensagens subjacentes são muitas vezes difíceis de decifrar. No entanto, uma informação me parece clara, interessante e dificilmente suspeita de parcialidade: a história do Instituto Tavistock. Para contá-la, recorro a Magaldi como a única fonte de informação. O grão-mestre me perdoará. O Instituto Tavistock nasceu em Londres em 1920 como uma clínica psiquiátrica. Em 1921, “investigações foram realizadas em veteranos da Primeira Guerra Mundial sobre psicoses traumáticas causadas pelos bombardeios. Tratava-se de identificar com critérios científicos o ‘limiar de ruptura’ da resistência de um ser humano submetido a tensões-limites”. Em 1932, se juntou ao grupo de cientistas um “infiltrado alemão”, um “especialista em ‘dinâmica de grupo’, isto é, técnicas de manipulação do indivíduo pertencente a um grupo, orientadas a que ele adquira uma nova personalidade e novos valores”. No segundo pós-guerra, o instituto propôs “um projeto ambicioso: aplicar nada menos do que à sociedade inteira os resultados daqueles estudos sobre o ‘limiar de ruptura’, aperfeiçoados durante as duas guerras mundiais, para destruir toda a resistência psicológica no indivíduo e colocá-lo à mercê da Nova Ordem Mundial” (…) “Nos anos 60 foi o próprio Tavistock, em colaboração com os serviços secretos ingleses, que conduziu o experimento de difusão e uso de drogas” em “experimentos de ‘engenharia social’ por meios das drogas “. De acordo com Magaldi, o principal objetivo do Instituto Tavistock de hoje “é, em última análise, pesquisar maneiras de provocar ‘mudanças de paradigmas culturais’ nas sociedades humanas por meio da instauração de ‘ambientes sociais perturbados’ ou da manipulação das ‘dinâmicas ocultas de grupo’. Como ensaio, em 1989 foram realizadas no Instituto Tavistock uma série de palestras sobre o tema ‘O Papel das ONGs no enfraquecimento dos Estados nacionais”. Ele acrescenta: “A rede de controle da mente do indivíduo e dos comportamentos coletivos orientados a criar, com o apoio das grandes fundações, o pensamento único — que embase uma nova escala de valores “politicamente corretos” — se espalhou em poucas décadas em todo o Ocidente, como qualquer um pode ver.” Acho que essa leitura esclarece em que contexto “científico” os experimentos com crianças inglesas estão inseridos. http://lanuovabq.it/it/cliniche-per-bambini-trans-e-massoneria-uno-strano-intreccio
- ”Por que, Deus, por quê?” – O Problema do Sofrimento
Ultimamente, tenho sido inundado por histórias de tragédia horríveis, imenso sofrimento, perda de esperança, felicidade despedaçada e feridas dolorosas. Quero dizer o tipo que, uma vez ouvido, você fica sem uma migalha de sabedoria terrena para trazer consolo. Há apenas algumas coisas que acontecem em nossas vidas que, após reflexão adicional, apenas confirmam que não há palavras a serem ditas que possam restaurar a esperança e a cura. Muitos de nós até morrem antes de obter respostas satisfatórias, se já não percebemos antes. Falo aqui das histórias que ouço nos noticiários da mídia, de amigos, parentes próximos e até da minha própria vida. Sim, não tenho vergonha de dizer que sofro. Meu sofrimento pode ser consideravelmente menor do que os outros, e muito menos do que as gerações que me precederam, mas o fato é que todos nós sofremos. Se você ainda não sofreu, apenas espere. Como um orador cristão disse uma vez, a vida vai chutar seus dentes pra valer 6 ou 7 vezes (no mínimo!). Se isso já não aconteceu, você só precisa viver um pouco mais e isso vai acontecer. De um jeito ou de outro. Alguns de nós recuperam nossos dentes e outros nunca recuperam um único dente. Essas perdas podem ser físicas, materiais ou espirituais. De fato, eu tenho um número de membros muito próximos da família que estão sofrendo imensamente enquanto falamos. Mesmo assim, se eu tivesse que falar por mim mesmo, é no reino espiritual que eu sofro o mais. Eu também conheço muitos amigos íntimos cuja conversa contínua consiste em definir seu sofrimento espiritual, mesmo que implicitamente. Eles podem nem saber que eu posso ouvir isso neles. Então o que fazer? Onde está Deus em tudo isso? Nós chamamos Deus Pai, não é? Nós oramos a Ele pelas coisas, certo? Nosso Senhor não disse algo como “que homem há entre vós que, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se ele pedir um peixe, ele lhe dará uma serpente? Se vocês, então, sendo maus, sabem dar bons presentes a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que Lhe pedirem! ”(Mt 7: 9-11). Isso foi dito no famoso Sermão de Jesus, chamado de Sermão da Montanha, e continua do capítulo 5 ao 7 no Evangelho segundo São Mateus. Eu sempre pensei que este Sermão fosse a teologia básica de Deus Pai que Jesus queria que Seus discípulos soubessem. Já li o Novo Testamento tantas vezes que cometi violações graves ao ler tão rapidamente através do Sermão da Montanha sem ler mais devagar e orar a Deus para revelar Seu rosto para mim nas palavras de nosso Senhor. Bem, pela graça de Deus, este dia eu fiz exatamente isso. E eu percebi, Jesus ensina na citação acima que devemos ver Deus como um pai muito melhor do que todos os melhores pais terrestres da Terra. O raciocínio é bastante inegável. Que bom pai do mundo daria a seu filho ou filha uma cobra mortal e venenosa ou uma pedra sem vida quando pedem pão? A questão retórica é clara. Não existem tais pais que sejam bons. Nós sabemos disso por experiência. Nosso Senhor sabe que sabemos disso por experiência. E, no entanto, aqui está o próprio Senhor da Glória, argumentando a partir da experiência humana para transmitir as alturas do caráter de Deus para nós. Mas, não é bom o suficiente, você vê? Veja, se alguns de nós estivessem ouvindo o Senhor Jesus naquela época, nós teríamos, em tom incerto, respondido com: “De fato, creio que é precisamente este Deus e Pai seu que nos deu cobras, pedras, e até a última dor dolorosa em nossas almas e corpos! Confesso que houve mais vezes do que eu poderia contar onde este era o meu próprio coração. Eu tenho visto uma certa profundidade para o desespero que posso ter tido nesta vida para ter sido suficiente a me levar até lá. E nos tempos em que estive lá, penso no sentimento como um homem enterrado a 400 pés de profundidade no chão. Onde eu poderia ter tentado imaginar a luz à frente através do túnel escuro, ou onde eu poderia ter sido uma luz no fim do túnel para outra pessoa, eu era uma âncora para o desespero. Senhor tenha piedade. Se você está lendo isso, e pode compreender o que estou dizendo, então eu não tenho que lhe dizer que posses físicas, riqueza, saúde, prosperidade e boa filosofia motivacional simplesmente derretem, como um homem disse, como um Estatueta de cera diante de uma fornalha quando confrontada com a dor da alma que requer algo muito mais. Infinitamente mais. Qual é a resposta? À pergunta: “Por que, Deus?”, Posso dar-lhe algumas das respostas padrão que ouvimos dos apologistas cristãos de antigamente e de hoje, como a intenção de Deus de trazer um bem maior através das coisas más permitidas. Mas, às vezes, até isso não é suficiente. Por isso, direi a você que não tenho uma resposta para essa pergunta, mas posso ter algo a dizer que o ajudará de qualquer maneira. É muito simples. Nosso Senhor Jesus, Deus-em-carne, andou nesta terra e, como nos diz o inspirado São Lucas, andou por aí “fazendo o bem” (Atos 10:38). Ele curou paralíticos, leprosos, os doentes e os moribundos. Não seria ótimo se víssemos tudo isso? Lembro-me de momentos em minha vida em que costumava me perguntar: “Não seria muito mais fácil acreditar em Jesus se fôssemos testemunhas oculares de todas as coisas milagrosas que Jesus fez? Isso não torna os apóstolos, em certo sentido, colocados em um lugar mais privilegiado do que aqueles que não o viram? Não os coloca em um lugar onde é mais fácil e menos difícil acreditar? ”. Sim e não. São Lucas registra o seguinte: ”Então se voltou para os seus discípulos e disse em particular: “Bem-aventurados os olhos que vêem as coisas que vês; pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vedes, e não o viram, e ouvir o que ouvem e não o ouviram ”(Lucas 10: 23-24). Então sabemos que eles foram mais abençoados. E ainda assim, nosso Senhor diz: “Tomé, porque você me viu, você acreditou. Bem-aventurados os que não viram e creram. ‘”(João 20:29). Sem dúvida, então, que essa bênção maior estava sobre os cristãos da diáspora que São Pedro escreveu. Na abertura da epístola, ele escreve: “Nisto, vocês se regozijam muito, embora agora, por algum tempo, se necessário, tenham ficado tristes com várias provações, que a genuinidade de vossa fé, sendo muito mais preciosa que o ouro que perece, embora seja testada pelo fogo, possa ser encontrada para louvar, honrar e gloriar-se na revelação de Jesus Cristo, a quem não tendo visto vocês amam. Embora agora vocês não O vejam, mas creiam, vocês se alegram com a alegria inexprimível e cheia de glória, recebendo o fim de sua fé – a salvação de suas almas ”(1 Pedro 1: 6-9). Você olharia isso? Essas pessoas “regozijam-se muito” enquanto são “afligidas por várias provações”, têm sua fé “testada pelo fogo” e, no entanto, nunca viram o Senhor Jesus. O que essas pessoas têm que nós não? São Pedro nos diz: fé genuína. As provas testam nossa fé, para provar que ela é genuína ou falsa. E ficou claro para mim neste dia, enquanto eu meditei na Sagrada Escritura, que não é tanto o fato de que a fé é testada pelo sofrimento, a fim de provar que é genuína e que nos dá esperança, mas é o fato de que Há pessoas que tiveram essa fé e foram para o Senhor! Temos todas essas perguntas sobre por que o mal existe? Por que Deus faz isso? Permite isso? Coloca-nos através disso? Todas essas perguntas são antigas. Perguntas antigas. Elas podem remontar ao Jardim do Éden. Por que a serpente? Por que a morte veio desde o começo? Por que Abel inocentemente perdeu a vida? Por que Deus destruiu o mundo com água na grande inundação? Por que Israel passou mais de quatro séculos nos confins do Egito, a última parte da qual consistia em dura escravidão e trabalho árduo? Por que Israel permaneceu perdido, mesmo depois disso, por quarenta anos no deserto? Por que Israel foi para o exílio, afinal? Por que o templo foi destruído? Por que os reis maus e ímpios ascenderam ao poder e prosperaram com vidas longas? Por que os primeiros cristãos tiveram que sofrer tão grande martírio? Acima de tudo, por que as criaturas estúpidas foram autorizadas a levantar, pendurar e matar Deus enquanto pregavam na Cruz e O deixavam lá como se fosse impuro? As respostas para essas perguntas podem não ser nenhuma, ou podem não ser totalmente satisfatórias. Há um mistério para toda essa providência soberana, e podemos, se Deus permitir, saborear o fato de que tudo é para Sua própria glória e propósito. Mas o que parece mais concreto para mim, neste momento, é saber que sempre houve homens e mulheres, ao longo desta história grosseira da humanidade, que responderam a tudo isso com alegre louvor em Deus enquanto perseveravam com paciência, viviam vidas. marcadas pela santidade, e ofereceram suas vidas como um cheiro de doce aroma a Deus. Alguns foram mortos (Abel), traídos e abandonados (José), vítimas de adultério (Oséias), perderam literalmente de tudo (Jó), ou foram apedrejados (Habacuque, Jeremias, Santo Estêvão, o Protomártir), etc, etc. E, no entanto, eles foram marcados pela alegria inabalável em Deus, e pacientemente suportaram o que este mundo tinha para eles. Olha, acreditar em Jesus é acreditar em seu poder. Isto é o que Jesus viu naqueles que Ele curou. Ele costumava dizer: “Sua fé salvou você”. Fé em quê? Fé no poder de Deus é o que os salvou. Assim, acreditar em Jesus é acreditar em seu poder. Se estamos em um ponto em que temos dificuldade de nos ajoelhar e buscar a Cristo de todo o coração pela graça de suportar pacientemente e perseverar tudo o que o mundo tem para nos atirar, incluindo especialmente os tiros que vêm de dentro da casa de Deus, é um bom sinal que perdemos a fé no poder de Jesus Cristo. E, como eu disse, acreditar em Jesus é acreditar em Seu poder. Negar ou ignorar seu poder é negá-lo. Minha mensagem aqui é a seguinte: em vez de encontrar poder para responder a todas as suas perguntas, ver todas as objeções resolvidas ou ver seus problemas desaparecerem, busque poder onde ele é exibido principalmente na vida daqueles que vieram antes de nós (ou pessoas que você conhece hoje), que foram capazes de viver uma vida de imensa alegria e paciência, apesar de toda a loucura e desconhecido. De fato, o poder que levaria para responder suas objeções e / ou ver-se curado é um poder muito menor do que aquele poder que pode sustentá-lo quando você, quase incapaz de levantar seus olhos para o céu, pode, vez após vez, ver pelo testemunho de tantas testemunhas, nosso próprio Senhor o Capitão, abra-se ao poder de Jesus em fazer de você um vaso para mostrar Sua força quando somos fracos. Isto é o que nosso Senhor quis dizer quando, depois de ouvir as orações de São Paulo para ser curado do espinho em seu lado, respondeu com: “Minha graça é suficiente para você, porque a minha força é aperfeiçoada na fraqueza” (2 Cor 12: 8-10). Uau! O que? Você quer me dizer que Deus não está no negócio de tornar Sua força conhecida em nossa força? Sim isso está certo. E esse é o nosso problema. Nós queremos ser fortes. A solução? Abrace sua fraqueza! Aprenda a viver com sua fraqueza! Ame sua fraqueza! Proclame sua fraqueza! Ame sua fraqueza! Ostentem o fato de que você não sabe por que Deus fez como Ele fez !! Por isso, a força do nosso Deus é feita perfeita! Agora, eu não terminarei aqui antes que eu saiba que o meu ego sinistro ainda tem uma objeção adicional (elas nunca terminam?). Certamente era mais fácil para pessoas como São Paulo, os Apóstolos, Abraão, Davi, Noé, Abel o justo, Moisés, Isaías, Jeremias, etc, etc. Eles realmente encontraram o rosto milagroso para contemplar! Não seria muito mais fácil ter apenas mais segurança das coisas para tornar as coisas um pouco mais fáceis de gerenciar? A resposta é simples. Eles foram muito mais abençoados por terem visto a Deus, mas com uma proximidade maior a Deus vem um teste muito maior. E nós vemos isso confirmado. Mas, mesmo assim, há um certo senso de que aqueles que estiveram mais longe de encontros diretos são colocados sob um desafio maior de acreditar. Eu não posso deixar de receber isso do nosso Senhor, que disse, como citado acima, que o homem que acredita, mas não viu, é muito mais abençoado do que aquele que acredita porque viu. Isto é porque a fé não é tanto o que você tem visto com os seus olhos quanto é o que está acontecendo em seu coração, alma, mente e eu interior. Você realmente ama a Deus? É por isso que a fé é provavelmente a coisa mais difícil do mundo. Não brinque com isso. Entregue-se a Deus e, juntamente com os Apóstolos, clame: “Senhor, eu creio; ajuda a minha incredulidade! ”Muito em breve, tenho certeza de que seu coração pode ser tão convertido que, em vez de atirar em Jesus dizendo que Deus o Pai nos dá serpentes, você verá que Ele sempre nos dá o que mais precisamos para o nosso bem. Por que, não é o próprio Senhor Jesus, o eterno Filho de Deus, que veio do eterno seio do Pai, que é a querida morada do fogo do amor de Deus, que era perfeitamente sem pecado, mas que mesmo assim era homem sem lugar para colocar seus mortos, afligidos, e odiado por todos? O que esse Filho eterno viu no Pai celestial? Creio que foi dito quando foi dito por seus discípulos: “Rabbi, coma”, ao que ele respondeu: “Tenho comida para comer, da qual você não sabe … Minha comida é fazer a vontade daquele que enviou a Mim, e para terminar o seu trabalho ”(João 4: 32-34). O Senhor sabia que, como o eterno Filho, o Pai Lhe daria a comida perfeita quando pedisse. O que foi essa comida? Foi a cruz. Essa é a nossa comida? Se não é, então estamos jantando em uma mesa diferente do que o nosso Senhor. E o que isso significa? Deixo-vos com a passagem mais sucinta da Escritura que encapsula toda a minha mensagem para você. Mais importante ainda, mantenha o dedo na alegria, pois é a esperança da glória futura, e não a resposta para todas as nossas perguntas, nem a cura de nossos corpos, que nos dará essa alegria que Jesus teve na dieta de uma maldição. -Cruz: “Portanto, nós também, visto que estamos cercados por tão grande nuvem de testemunhas, deixemos de lado todo peso, e o pecado que tão facilmente nos enlaça, e corramos com perseverança a maratona que está colocada diante de nós, olhando para Jesus , o autor e consumador da nossa fé, que pela alegria que foi colocada diante Dele suportou a cruz, desprezando a vergonha, e sentou-se à destra do trono de Deus. ”(Hb 12: 1-2) Tradução YBARRA, Erick. Why, God, Why? Disponível em: https://erickybarra.org/2019/04/26/why-god-why/
- A MISERICÓRDIA – Shakespeare
“A qualidade da misericórdia é que não se impõe, Caindo como a doce chuva do céu Sobre a terra embaixo dela. É duplamente abençoada: Abençoa quem a concede e quem a recebe; É a mais poderosa entre os todo-poderosos: Fica melhor no monarca do que a sua coroa. O cetro mostra a força do poder temporal, Um atributo da reverência e da majestade, Onde deve residir o temor e o medo dos reis; A misericórdia está acima da instabilidade do cetro, Está entronizada nos corações dos reis. É um atributo do próprio Deus. E o poder terreno mostra-se semelhante ao divino Quando a misericórdia tempera a justiça. Pela justiça nenhum de nós seria salvo. Rezamos por misericórdia, E essa mesma oração deve ensinar-nos a todos A retribuir a misericórdia recebida.” (William Shakespeare, O mercador de Veneza, Ato 4, cena 1).
- A PÁSCOA CRISTÃ E A REGENERAÇÃO DA MATÉRIA
Ceia em Emaús, de Caravaggio O QUE FIZERAM CONOSCO? Um filósofo ateu — Jean-Paul Sartre — dizia que o importante é o que fazemos com aquilo que fizeram de nós. Em princípio, não parece haver nada de errado com essa noção, contudo é lamentável que o filósofo francês só enxergasse, “naquilo que fizeram de nós”, ações do tipo meramente natural e social, exercida por coisas visíveis e mensuráveis, como se não houvesse coisas invisíveis e incomensuráveis atuando em nossa personalidade; como se só existisse o que fosse medido pela régua limitada da ciência experimental; enfim, como se Deus e o demônio não contassem. O QUE ESTAMOS FAZENDO DE NÓS? A riqueza inestimável do cristianismo foi revelar que, por trás das aparências de uma vida meramente natural e social, existe uma realidade mais profunda e espiritual. Na perspectiva cristã, não há nenhuma incompatibilidade entre o mundo material e o espiritual, pois ambos são criações divinas, e tudo o que Deus faz, o faz bem feito. Não podemos esquecer que a própria ciência moderna, como a conhecemos hoje, desenvolvida para melhorar nosso domínio sobre a realidade material, foi basicamente obra do cristianismo, a partir do século XII e XIII, nos séculos finais da Idade Média. A MATÉRIA-PRIMA DA PESSOA HUMANA. A matéria-prima de nossa personalidade, da qual começamos a tomar consciência na puberdade, traz as marcas de nossa herança genética, da sociedade em que vivemos, das tentações demoníacas e da Providência divina. Esquecer essa múltipla presença é falsear a compreensão da realidade humana. O que Deus espera que “façamos” com aquilo que “fizeram” de nós? Colaboraremos com Ele em nossa auto-construção ou seguiremos outro caminho? Dessa resposta depende a nossa eternidade. O ENGANO DO MATERIALISMO. Outros caminhos não faltam. Nos últimos cinqüenta anos, por influência de filósofos como o já mencionado Sartre, começou a crescer no mundo uma visão atéia e materialista da vida, que se expandiu pelos meios de comunicação, por boa parte da produção cultural e do sistema educacional do Ocidente (Europa e Américas). Quantas vezes, nesse arco de tempo de meio século, um fedelho não virou as costas a Deus, lá por volta dos doze ou treze anos, passando a desenvolver sua personalidade a partir das premissas ingênuas e falsas do ateísmo? Quando o fedelho já era um velho — depois de viver de forma incompleta, como se tudo, nesta vida, fosse material e terminasse com a morte —, percebia que construíra seu edifício existencial sobre a areia movediça daquelas negações pueris da adolescência, sem ter parado um só instante para pensar na insensatez que era delegar a um engenheiro adolescente a planta-baixa da própria vida. O EQUIVOCADO DESPREZO DA MATÉRIA. Para muita gente, o mundo material é uma coisa desprezível, verdadeira prisão do espírito, quase uma doença. Pensam assim os espíritas, os budistas, os muçulmanos, os maçons, os comunistas — com suas visões de mundo impregnadas daquilo que os historiadores religiosos chamam de “gnosticismo”, caracterizado por uma postura rebelde em relação ao Criador, negando-O ou censurando-O. Para o cristianismo não é assim: a matéria “está” doente, afetada pelo pecado, mas não é uma “doença”. O universo criado não é um caótico monte de fezes expelido por um deus impotente (que os gnósticos chamam de demiurgo), porém uma obra de arte maravilhosa, disposta com “medida, número e peso” pelo Criador, como dizem as Sagradas Escrituras no Livro de Sabedoria (11, 20). A INTEGRAÇÃO PERFEITA EM CRISTO. A festa da Páscoa, que ainda comemoramos nesta semana, é principalmente isto: época de comemorar-se a regeneração da matéria pela força do Espírito, a reconstrução do corpo destruído de Cristo pelo milagre da ressurreição, a vitória da Vida sobre a morte. E a promessa, enfim, de que nossos corpos frágeis, destruídos pela morte, também ressuscitarão no Juízo Final. Basta ter fé e viver de acordo com ela.
- IGNORÂNCIA E PRECONCEITO ANTICATÓLICO NA BBC – Catherine Utley
Foi um risco haver trabalhado como jornalista na BBC News por 30 anos — no meu caso, na redação do BBC World Service —, onde nunca se podia assistir ou ouvir um boletim de notícias, sem pensar numa manchete melhor para a matéria, ou como a matéria poderia ter sido mais bem contada. Mas foi, realmente, um feito notável para a BBC 1’s News at Ten [principal noticiário noturno do canal], na noite de 15 de abril, passar o programa inteiro sem uma única menção a qualquer dessas palavras: cristão, cristianismo, católico, adoração, adoradores, sagrado, Missa, Semana Santa. Era como se não tivesse ocorrido a ninguém, na emissora, que o horrível incêndio, que devorara a Catedral de Notre Dame por várias horas, era algo mais profundo ou significativo — pelo menos para os bilhões de cristãos em todo o mundo (particularmente católicos) — do que a trágica destruição de uma atração turística particularmente bem visitada. Lucy Williamson, em Paris, fez uma referência aos parisienses rezando pela Catedral. Também houve muito interesse, mais tarde, no relato de Kevin Connolly sobre o significado histórico de Notre Dame — referências a ter testemunhado a coroação de Napoleão e a celebração da libertação de Paris em 1944 — e assim por diante. Mas quando se falou de seus espaços sagrados, santificados pelas orações dos fiéis católicos durante centenas de anos? Onde as cenas das grandes missas que lá se celebraram? Onde os clipes de coros que levantaram suas vozes em hinos de louvor? Onde as fotos da multidão reunida do lado de fora, enquanto o fogo ardia, cantando hinos e rezando para que a Catedral fosse salva? Por que, em suma, o principal programa de notícias da BBC, depois de ter tempo de preparar adequadamente a cobertura, deixou de reconhecer a importância da Notre Dame como a expressão mais profunda da civilização cristã na França, sobre a qual todo um continente foi fundado? A deterioração da BBC, no que diz respeito ao modo como relata fatos relacionados à fé cristã, surgiu há muitos anos. A coisa é séria, ao ponto de até mesmo massacre e perseguição de cristãos em todo o mundo, da Nigéria à China, serem lamentavelmente mal noticiados. Os canais locais são muito mais agressivos do que o serviço internacional da BBC, mas mesmo este último não pode ser totalmente desculpado. Como isso aconteceu? Em boa parte provém da ignorância. Como católica, fiquei espantada, na Casa de Bush [edifício público em Londres que já foi sede do serviço internacional da BBC], com o fato dos colegas da sala de imprensa, criados e educados no Reino Unido, com um conhecimento da cena geopolítica global superior à minha, poderiam ser tão ignorantes sobre o cristianismo. Lembro-me de uma Sexta-Feira Santa na redação, em que descobri que, da meia dúzia de jornalistas brilhantes e bem-educados da BBC com quem eu trabalhava naquele dia, apenas um sabia do evento que se comemorava. Mesmo agora, enquanto escrevo, o experiente jornalista da BBC, Hugh Schofield, está dizendo no programa World at One que a calamidade de Notre Dame aconteceu na semana da Páscoa. Não, Hugh. Nós não estamos na semana da Páscoa. Estamos na Semana Santa. Ainda devemos passar pela Última Ceia, a traição de Cristo e Sua crucificação antes de, finalmente, na próxima semana, chegar à alegria da Ressurreição e à celebração da Páscoa. Contudo, há mais do que ignorância nisso tudo. A verdade é que eles não querem saber. Tomou conta da BBC uma visão de mundo que, há muito tempo, aceita sem questionar a posição liberal “esclarecida” sobre assuntos como aborto e eutanásia. Mesmo no Serviço Internacional — última trincheira de neutralidade — as normais e escrupulosas verificações sobre se estávamos ou não adulterando a matéria, foram deixadas de lado quando as questões tratadas tinham a ver conosco, pessoalmente. O aborto é um direito; um fato. Esqueçam-se aquelas partes do mundo, para as quais nós transmitimos, onde isso não é visto assim. O desdobramento do vil escândalo de abuso sexual, na Igreja Católica, serviu apenas para confirmar o já bem estabelecido preconceito da BBC contra o catolicismo. O abuso sexual tornou-se a única questão católica considerada digna de ser tratada. Quando o papa Bento XVI visitou Londres em 2010, saiu da reunião editorial matutina, na Casa Bush, uma ordem aos jornalistas para que as observações do Papa sobre abuso infantil, feitas durante sua viagem, permanecessem no topo da matéria “por um número razoável de horas”, apesar do que pudesse acontecer posteriormente, e não obstante o que ele pudesse dizer sobre outros assuntos, depois de sua chegada. Era um surpreendente distanciamento da nossa prática editorial normal, que buscava avaliar uma matéria jornalística em sua dinâmica e por seus próprios méritos. Um pouco depois da ordem dada, naquele dia, perguntaram-me se me importaria de trocar minha tarefa de redator principal do dia e escrever sobre a África, continente do qual não sabia nada. Eu fui substituída por alguém que nada sabia do papa. Tal coisa nunca tinha acontecido comigo antes e nunca mais se repetiu. Foi-me dito depois, em segunda-mão, que achavam ser melhor que alguém que não fosse católico escrevesse a matéria sobre o papa. O incêndio de Notre Dame, ocorrido no início da Semana Santa, é especialmente comovedor para os cristãos, pois a visão das chamas devorando a Catedral parece-lhes um símbolo da destruição de tudo aquilo em que acreditam. Quando a árdua reconstrução começar, uma enorme quantidade de explicações devará ser dada sobre a finalidade da Catedral, e o fato de que está lá para servir. Muita gente estará envolvida nessa tarefa. Talvez, após a dor e o sofrimento desta tristíssima semana, os parisienses comecem a testemunhar um recomeço, num nível mais profundo do que poderíamos até agora imaginar. Nossa Senhora da França, rogai por nós! https://www.thearticle.com/ignorance-and-anti-catholic-bias-at-the-bbc-a-former-employee-writes
- OS ADORADORES DA PÁSCOA – Joel B. Pollak
O ex-presidente Barack Obama, a ex-candidata democrata à presidência, Hillary Clinton, e vários outros líderes democratas denunciaram os ataques terroristas aos que chamam de “adoradores da Páscoa” — não cristãos — no domingo, no Sri Lanka. Os atentados suicidas mataram quase 300 pessoas e feriram outras 500 em ataques a três igrejas, três hotéis e um complexo habitacional. Muitos foram mortos enquanto assistiam à missa no domingo de Páscoa. O governo supostamente suspeita que os responsáveis, todos do Sri Lanka, eram membros de “um grupo terrorista islâmico nacional chamado National Thowfeek Jamaath”. No entanto, Obama, Clinton e outros democratas — incluindo o candidato presidencial de 2020, Julián Castro — não identificaram as vítimas dos ataques como “cristãos”, chamando-os de “adoradores da Páscoa”, em respostas estranhamente semelhantes [de vários políticos democratas]: Twitter de Obama: “Os ataques a turistas e adoradores da Páscoa no Sri Lanka são um ataque à humanidade. Em um dia dedicado ao amor, à redenção e à renovação, oramos pelas vítimas e ficamos ao lado do povo do Sri Lanka.” Twitter de Hilary Clinton: “Neste fim de semana sagrado para muitas religiões, devemos nos unir contra o ódio e a violência. Estou orando por todos os que são afetados pelos terríveis ataques de hoje aos adoradores da Páscoa e turistas no Sri Lanka.” Twitter de Julián Castro, candidato à presidência dos EUA em 2020: “Em um dia de redenção e esperança, o mal desses ataques aos adoradores da Páscoa e e turistas no Sri Lanka é profundamente entristecedor. Minhas orações hoje vão aos mortos e feridos, e suas famílias. Que possamos encontrar a graça.” Twitter de Jared Polis, governador do Colorado: “Foi desolador saber desses ataques a turistas e adoradores da Páscoa no Sri Lanka. O Colorado está ao lado do povo do Sri Lanka durante este dia muito trágico e nós sofremos pelas pessoas afetadas por esses atos de violência.” Twitter de Ami Bera, político democrata: “Estou profundamente triste com os terríveis atos de violência contra os adoradores da Páscoa e turistas no Sri Lanka. Envio minhas mais profundas condolências às vítimas e suas famílias. Estamos unidos com o povo do Sri Lanka.” Durante os oito anos de Obama como presidente, ele e Hilary Clinton (seu primeiro Secretário de Estado) foram criticados por sua relutância em identificar o Islam radical como fonte de muitos ataques terroristas. Em um discurso no National Prayer Breakfast (Café da Manhã de Oração Nacional), em 2015, Obama procurou estabelecer uma equivalência moral entre o terror e a tortura usados pelo chamado “Estado Islâmico” (ou ISIS) e o cristianismo medieval. Advertiu os americanos a não falar com presunção de superioridade sobre o Islã radical, já que “outras pessoas cometeram atos terríveis em nome de Cristo” séculos atrás. Os democratas também criticaram o presidente Donald Trump e seu governo por não usar a palavra “muçulmanos” para designar as vítimas do ataque terrorista de Christchurch, em março, na Nova Zelândia, embora Trump tenha identificado os alvos como “mesquitas”. Da mesma forma, ele identificou os alvos no Sri Lanka como “igrejas e hotéis”. https://www.breitbart.com/national-security/2019/04/22/obama-clinton-democrats-denounce-attacks-on-easter-worshippers-not-christians/
- QUE RELIGIÃO E QUE DEUS CONVÊM À ATIVIDADE POLÍTICA? – Stefano Fontana
A principal tarefa da autoridade política, além de estar consciente de seus deveres em relação à religião, é a de não colocar todas as religiões no mesmo nível, mas avaliá-las à luz da própria razão política. Não basta abrir a política ao âmbito da religião em geral, uma vez que existem religiões que se opõem às exigências da razão política — razão pela qual a autoridade política deveria se deixar guiar. A autoridade política deve, portanto, colocar-se o problema da religião verdadeira. A este respeito, a religião católica tem uma pretensão toda sua. No famoso discurso ao Parlamento Federal em Berlim, em 2011, Bento XVI disse que a religião católica nunca pretendeu transformar o Evangelho em lei civil, nem jamais quis dar à revelação um conteúdo diretamente político ou jurídico. Aliás, sempre se fundamentou no direito natural, pedindo aos Estados que respeitem a lei natural, que também resulta da razão. Bento XVI quis dizer que a política não deve se relacionar com uma religião fundamentalista, que faz da revelação uma lei civil, porque seria a morte da política (transformada em religião). Não deve nem mesmo confiar-se a uma religião irracional, que não estabelece qualquer ligação entre si e a razão política. Deve confiar — por motivos de razão política e não de fé — numa religião que garanta a autonomia da política baseada na lei natural; portanto, numa ligação direta com a moral e indireta com a religião verdadeira. De fato, se olharmos para a história, a Igreja sempre manteve o poder temporal e o poder espiritual distintos um do outro, embora nas várias formas que essa distinção assumiu nas diferentes épocas. Mas nunca deixou de ensinar — e o faz até hoje — que o poder político acaba por enlouquecer-se se corta relações com o poder religioso, portanto com a religião católica e a Igreja, às quais deve recorrer em momentos de confusão para recuperar o sentido de si mesmo, ou seja, a sua própria legitimidade. https://www.vanthuanobservatory.org/ita/potere-politico-e-potere-spirituale-2/
- Contradições no relato das especiarias depositadas no sepulcro de Jesus?
O ateísta e anti-teísta Bob Seidensticker, que foi “criado presbiteriano”, dirige o influente blog Cross Examined. Ele me perguntou lá, em 8-11-18: “Eu tenho mais de 1000 posts aqui atacando sua visão de mundo. Você vai deixar isso acontecer? Ou você poderia apresentar uma nova perspectiva útil que eu ignorei em uma ou duas dessas postagens? ”Ele também fez uma declaração geral em 6-22-17:“ Os argumentos dos cristãos são fáceis de refutar. . . Eu ouvi as coisas boas, e não é muito bom. ”Ele acrescentou na caixa de comentários:“ Se eu entendi mal a posição cristã ou os argumentos cristãos, aponte isso. Mostre-me onde eu os caracterizei erroneamente. Tal confusão seria de fato previsível, visto que o próprio Bob admitiu (2-13-16): “Meu estudo da Bíblia tem sido aleatório, e eu pulo com base no que quer que eu esteja pesquisando no momento”. Eu decidi fazer uma série de posts em resposta. Também foi dito: “tome cuidado com o que você deseja”. Se Bob responder a este post e me informar disso, sua resposta será adicionada ao final juntamente com a minha contra-resposta. Se você não vê isso, tenha certeza de que ele não respondeu, ou não me informou que ele respondeu. Mas não prenda a respiração. Bob (para o registro) praticamente implorou e pediu-me para dialogar com ele em maio de 2018, via e-mail. Mas por volta de 10 a 18, após ataques maciços e infantis de xingamentos contra mim, encorajados por Bob em seu blog (pouco antes de ele me banir), sua opinião era a seguinte: “Dave Armstrong. . . deixou claro que uma conversa intelectual ponderada não era seu objetivo. . . . [Eu] não tenho interesse no que ele está escrevendo. ” E em 25/10/18, completamente alheio à ridícula ironia de sua declaração, Bob escreveu em um comentário de seu blog: “O problema, parece-me, é quando alguém recebe essas pistas, como você, mas ignora elas. Eu suponho que o ato de ignorar pode ser deliberado ou apenas por apatia, mas alguém que não é um pouco levado a investigar a dissonância cognitiva apenas permanecerá um cristão, gordinho e ignorante. ”Mais uma vez, Bob zomba de alguns cristãos em sua caixa de comentários em 27/10/18: “Você não pode explicar para nós, você não pode defendê-lo, você nem pode defender isso para si mesmo. Defenda sua posição ou cale-se sobre isso. É claro que você não tem nada. ”E novamente no mesmo dia:“ Se você não puder responder a pergunta, seja homem e diga isso. ”E em 26/10/18:“ você se recusa a defendê-lo, depois de ser questionado sobre mais de uma vez. ”E novamente:“ Você é o único que joga jogos, equivocado e incapaz de responder aos desafios. ”A hipocrisia covarde de Bob não tem limites. Ele ainda não pronunciou um pio em resposta a – agora – 30 das minhas críticas ao seu atroz raciocínio. As palavras de Bob estarão em azul. Para encontrar estes posts, procure por palavras “Seidensticker” na minha página sobre ateus ou pesquise “Seidensticker Folly #” na minha barra lateral (perto do topo). ***** Em seu artigo, Mais das 20 principais contradições bíblicas mais contundentes (Parte 6) (4-18-19), o inimigo da Bíblia fez vários argumentos idiotas: alegando contradição quando não há nenhuma contradição logicamente necessária (uma falha extremamente comum na “exegese” bíblica ateísta. Vamos dar uma olhada em um dos dois argumentos que ele apresenta, intitulado: “As mulheres trouxeram especiarias para o túmulo (ou não)”. A importância das especiarias do ponto de vista da trama é que elas são a motivação para a visita das mulheres ao túmulo no domingo após a crucificação de Jesus. Você precisa de alguém lá para descobrir o túmulo vazio. Isso é pura especulação cínica e de pouca utilidade de qualquer ponto de vista: lógico, exegético, literário. . . É tão ridículo quanto afirmar: “A importância do rei Fernando e da rainha Isabela do ponto de vista da trama é que eles são a motivação para a viagem de Colombo através do Oceano Atlântico. Você precisa de alguém lá para descobrir a América. ” Nenhum exegeta bíblico sério aborda o texto do Novo Testamento de maneira tão boba. Mas, como já observei muitas vezes, ateus anti-teístas como Bob se aproximam da Bíblia como um açougueiro se aproxima de um porco. Eles não estão interessados em entendê-la como ela é, ou em descobrir verdades teológicas ou históricas no texto (mesmo que eles não acreditem na teologia; não é necessário ser, por exemplo, um muçulmano para querer acertar com precisão a interpretação do Alcorão). Eles estão lá apenas para mentir sobre a Bíblia e distorcer o que ela ensina, com o propósito de sua própria agenda de lançar tantas dúvidas, suspeitas e deboche sobre a Bíblia, cristãos e cristianismo quanto possível. Bob tem uma boa arte. Mas ele faz pseudo-argumentos realmente estúpidos, e é por isso que esta é agora a 31ª vez que eu refutei-os (e é virtualmente certo que ele irá ignorar este artigo também, fazendo 31 vezes seguidas). Quando o sábado terminou, Maria Madalena, Maria, a mãe de Tiago, e Salomé compraram especiarias para irem ungir o corpo de Jesus. Muito cedo no primeiro dia da semana, logo após o nascer do sol, elas estavam a caminho da tumba e perguntaram uma a outra: “Quem rolará a pedra da entrada da tumba?” (Marcos 16: 1–3 ) Vários comentaristas (e o próprio autor de Marcos) notaram outro furo no enredo: por que as mulheres se incomodariam em fazer a viagem sem poder reverter a pedra na porta? O verso anterior deixa claro que as mulheres assistiram ao enterro e sabiam da pedra. Esta é realmente uma pergunta justa, mas não é tão difícil responder de forma plausível. Pode-se imaginar qualquer número de cenários análogos nos quais as pessoas partem para realizar uma tarefa, sabendo que existem obstáculos (talvez insuperáveis) em sua maneira de superar. Mas elas tentam fazer isso. Então, por exemplo, tivemos um incidente em que trancamos as chaves do nosso carro em uma viagem ao Alasca em 2017. Nós poderíamos ter dito (e pode ter realmente dito algo como): “nós vamos abrir a janela do carro para pegar as chaves dentro. Mas onde podemos encontrar um pedaço de arame para fazer isso? ”Acontece que estávamos em uma área de acampamento, e andamos (depois de ter perguntado a alguns vizinhos de acampamento) a uma boa distância do escritório, onde um fio foi obtido, levando ao sucesso. Assim, neste cenário, o seguinte pode muito bem ter sido o processo de pensamento das mulheres que vão ungir Jesus: 1) Gostaríamos de ir ungir o corpo de Jesus. 2) Uma dificuldade para nós, se quisermos, é que há uma pedra grande em frente ao túmulo. Alguém terá que removê-la, pois é muito pesada para nós. 3) Quem irá ou poderá rolar esta pedra? 4) Talvez possamos alistar alguns outros para nos ajudar, no caminho até lá. # 1 e # 3 estão presentes no texto. # 2 é a premissa assumida de # 3: não declarado no texto. # 4 simplesmente não é mencionado, mas é perfeitamente plausível. E se esse pensamento estava presente, então o texto tal como está não é inexplicável. Mas deixe isso de lado. Eu não, mas eu aprecio a atenção sempre presente de Bob em relação às sensibilidades cristãs. O evangelho de João conta uma história diferente sobre quem aplicou as especiarias. Voltando à sexta-feira à tarde: Com a permissão de Pilatos, [José de Arimatéia] veio e levou o corpo embora. Ele estava acompanhado por Nicodemos, o homem que anteriormente havia visitado Jesus à noite. Nicodemos trouxe uma mistura de mirra e aloés, cerca de setenta e cinco quilos. Tomando o corpo de Jesus, os dois o envolveram, com as especiarias, em tiras de linho. Isso estava de acordo com os costumes funerários judaicos. (João 19: 38–40) Setenta e cinco quilos de especiarias? Você já carregou uma mochila de 75 libras ou levantou um peso de 75 libras no ginásio? Isso soa como um peso impraticável e um presente sem sentido extravagante, mas vamos deixar isso de lado também. Sim, desta vez vamos. Tenho certeza de que alguém escreveu sobre o costume do enterro em algum lugar. Mas noto de passagem que o historiador judeu Josefo, de fato, nos informa que quarenta libras de especiarias foram usadas para ungir o bem conhecido ancião Rabi Gamaliel (Antiguidades dos Judeus, Livro 17c.8, s.3). Agora a história tem homens aplicando as especiarias. Na história de João, as mulheres (ou mulheres) vão sem razão: “No início do primeiro dia da semana, quando ainda estava escuro, Maria Madalena foi ao sepulcro” (João 20: 1). Nenhuma razão, isto é, exceto como um suporte literário para descobrir o túmulo vazio. . . . Dependendo do evangelho escolhido, as mulheres vão ao túmulo para aplicar especiarias na manhã de domingo (mas não as usam de verdade) ou os homens aplicam com sucesso as especiarias na tarde de sexta-feira. Este é um exemplo clássico e clássico de um ateu afirmando uma suposta contradição bíblica, quando não foi demonstrado de forma alguma: nem um pouco. Isso acontece o tempo todo. Bob fez isso literalmente centenas de vezes em sua patética polêmica sofista. Primeiro de tudo, só porque João não declara a razão pela qual Maria foi ao túmulo, não se segue que não existia razão alguma. Isso não é uma contradição. São simplesmente os ataques gratuitos de Bob contra a Bíblia invadindo com a suposição injustificada de que não havia razão. De fato, Marcos 16: 1 (veja acima; cf. Lc 23: 55-56; 24: 1) forneceu a razão pela qual Maria Madalena foi para lá. Pode-se dizer, da mesma forma: “No início do primeiro dia da semana, enquanto ainda estava escuro, Bob Seidensticker foi ao banheiro”. Ele também foi lá por “nenhuma razão”? Ou é razoável supor que ele deve ter tido alguma razão, o que não foi declarado nesta descrição particular, mas também não é tão difícil de supor? Talvez um relato adicional (digamos, o diário de Bob) pudesse nos informar que ele foi esvaziar a bexiga, pentear o cabelo e escovar os dentes (e talvez também passar um minuto admirando um sofista no espelho). Então Bob se vira e faz a mesma coisa estúpida novamente. Ele afirma que temos que escolher entre os homens que aplicam especiarias, ou mulheres, mais tarde. Por que devemos escolher? Por que as duas coisas não podem ser verdade? Isso é o que é chamado de falsa dicotomia. Elas certamente podem ser ambos verdadeiras. Só porque Bob em sua infinita sabedoria não parece ser capaz de compreender esse cenário perfeitamente possível, não prova que é impossível. Eu me deparei com um artigo maravilhoso: “101 Contradições Bíblicas ‘Limpadas’ “. # 81-89 lidou com os relatos bíblicos da ressurreição. # 81 e # 84 lidam diretamente com o argumento de Bob (com o qual devemos concluir): 81. O corpo de Jesus estava envolto em especiarias antes do enterro, de acordo com os costumes fúnebres judaicos (João 19: 39-40), ou as mulheres vieram e administraram as especiarias mais tarde (Marcos 16: 1)? (Categoria: os textos são compatíveis com um pouco de pensamento) João 19: 39,40 afirma claramente que José e Nicodemos envolveram o corpo em 75 libras de mirra e aloés, junto com tiras de linho. Também sabemos pelos escritores sinóticos que o corpo foi colocado em uma grande mortalha. Não há contradição aqui. O fato de os sinóticos não mencionarem as especiarias durante o enterro não significa que eles não foram usados. Se Marcos 16: 1 é tomado como significando que as mulheres estavam esperando fazer o próprio processo funerário, elas precisariam das tiras de linho também, que não são mencionadas. Elas simplesmente desejavam realizar seu último ato de devoção ao seu mestre adicionando temperos extras àqueles usados por José. Como Yahshua morreu por volta da nona hora (Marcos 15: 34-37), teria havido tempo (quase três horas) para que José e Nicodemos realizassem o processo de sepultamento rapidamente antes do início do sábado. Não precisamos supor que só houvesse tempo para eles envolverem seu corpo em uma mortalha e depositarem no túmulo. . . . 84. As mulheres foram ao túmulo para ungir o corpo de Jesus com especiarias (Marcos 16: 1; Lucas 23: 55-24: 1), ou para ver o sepulcro (Mateus 28: 1), ou sem razão (João 20: 1) (Categoria: os textos são compatíveis com um pouco de pensamento) . . . Sabemos que eles foram ao túmulo para colocar mais especiarias no corpo de Yahshua, como Lucas e Marcos nos dizem. O fato de que Mateus e João não dão uma razão específica não significa que não houvesse uma. Elas estavam indo para colocar especiarias, seja ou não seja os autores do Evangelho todos mencionam isso. Não esperamos que todos os detalhes sejam incluídos em todos os relatos, caso contrário, não haveria necessidade de quatro deles! Tradução ARMSTRONG, David. Seidensticker Folly #31: Jesus’ Burial Spices Contradiction? Disponível em: https://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2019/04/seidensticker-folly-31-jesus-burial-spices-contradiction.html
- A RESSURREIÇÃO DE JESUS – Domingo da Páscoa
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “O que significa crer na Ressurreição de Jesus?”, clicar AQUI. Afinal, o que significa acreditar na Ressurreição de Nosso Senhor? Em que consiste o mistério que celebramos todos os anos na Páscoa e como ele influi diretamente em nossa vida espiritual? São as perguntas às quais Padre Paulo Ricardo procura responder nesta homilia, reforçando alguns pontos básicos de nossa fé, que deveriam ser óbvios para todos os que crêem em Jesus Cristo, mas que infelizmente têm ficado ocultos em nossa época, seja por ignorância, seja por incredulidade. VENDO E ACREDITANDO (Scott Hahn medita sobre o Domingo da Páscoa) Jesus não é visível de maneira alguma. No entanto, o evangelho de hoje nos diz que Pedro e João “viram e creram”. O que eles viram? Lençóis no chão de um túmulo vazio. Talvez tenha sido isso que os convenceu de que Ele não tinha sido levado por ladrões, que normalmente roubavam os caros lençóis sepulcrais e deixavam os corpos. No entanto, é notória repetição — sete vezes em nove versículos — da palavra “túmulo”. Eles viram o túmulo vazio e acreditaram na promessa que Ele lhes fizera: Deus o ressuscitaria no terceiro dia. A primeira leitura de hoje nos diz que os apóstolos foram escolhidos para serem Suas testemunhas; Cristo lhes deu a tarefa de “pregar e testemunhar”, a todos, aquilo que tinham visto, desde a Sua unção com o Espírito Santo no rio Jordão, até o episódio do sepulcro vazio. Além de sua própria experiência, os apóstolos foram instruídos nos mistérios da economia divina, ou seja, nos planos de salvação de Deus: eles aprenderam tudo o que os profetas haviam testemunhado sobre Ele (Lc 24, 24,44). Agora, eles podiam “compreenderem as Escrituras” e nos ensinar o que Jesus lhes tinha dito: Ele era a “pedra angular” rejeitada pelos construtores, do qual o Salmo de hoje profetiza a ressurreição e exaltação (Lc 20,17; Mt 21, 42; Atos 4,11). Nós somos os filhos das testemunhas apostólicas. É por isso que continuamos a nos reunir logo cedo, na manhã do primeiro dia da semana, para celebrar esta “festa do túmulo vazio” e agradecer por “Cristo nossa vida” (como Ele é chamado na epístola de hoje). Tendo sido batizados em sua Morte e Ressurreição, vivemos a vida divina do Cristo ressuscitado; nossas vidas estão “ocultas com Cristo em Deus”. Agora, também nós somos suas testemunhas. No entanto, testemunhamos coisas que não vimos, mas nas quais acreditamos; nós procuramos, entre as coisas da terra, o que está mais acima. O que os Apóstolos testemunharam, nós agora vivemos em memorial. Como eles, nós comemos e bebemos com o Senhor ressuscitado no altar. E esperamos, confiados no que eles nos anunciaram: o dia em que apareceremos “juntamente com Ele na glória”. https://stpaulcenter.com/seeing-and-believing-scott-hahn-reflects-on-easter-sunday/ https://stpaulcenter.com/ver-y-creer-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-domingo-de-pascua/ PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Atos dos apóstolos 10, 34a.37-43) Juiz dos vivos e dos mortos Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judéia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele. E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, pregando-o numa cruz. Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós, que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos. E Jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que Deus o constituiu Juiz dos vivos e dos mortos. Todos os profetas dão testemunho dele: “Todo aquele que crê em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados”. SALMO 117 O maior de todos os dias (Antífona): Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos! — Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!/ “Eterna é a sua misericórdia!”/ A casa de Israel agora o diga:/ “Eterna é a sua misericórdia!” — A mão direita do Senhor fez maravilhas,/ a mão direita do Senhor me levantou./ Não morrerei, mas ao contrário, viverei/ para contar as grandes obras do Senhor! — A pedra que os pedreiros rejeitaram,/ tornou-se agora a pedra angular;/ pelo Senhor é que foi feito tudo isso!/ Que maravilhas ele fez a nossos olhos! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Colossenses 3, 1-4) Cristo, nossa vida Irmãos: Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória. EVANGELHO (São João 20, 1-9) Os que viram e acreditaram No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido tirada do túmulo. Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”. Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou. De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.
- Exame de Consciência para Crianças
EXAME DE CONSCIÊNCIA PARA CRIANÇAS Crianças a partir da idade da razão, ou seja, 6 ou 7 anos, já podem buscar este belo sacramento, mesmo sem terem feito a primeira eucaristia. Os pais sempre serão os primeiros catequistas! Para a criança se confessar basta fazer um bom exame de consciência, se arrepender de seus pecados e buscar um bom sacerdote. Clique aqui baixar a versão do exame de consciência para crianças em PDF. Condições para se confessar bem: 1 – Exame de consciência 2 – Arrependimento dos pecados 3 – Propósito de não tornar a pecar 4 – Confissão 5 – Penitência Aqui inicia exame de consciência resumido para crianças iniciando no sacramento da confissão, no qual se analisa a consciência mediante aspectos: – Em relação a Deus. – Em relação à Família. – Em relação à escola e amigos. – Em relação a si proprios. Aqueles que preferirem podem acessar o exame de consciência mais completo, voltado para jovens e adultos. Relação com Deus: Jesus é o meu melhor amigo? Tenho rezado? De manhã e de noite? Agradeço a Deus as coisas boas, peço ajuda para as difíceis e peço desculpa pelos meus erros? Tenho ido à Missa todos os Domingos? Brinco ou gozo com o nome de Deus, da Igreja ou de orações? Sou apostolo de Jesus no meu dia a dia? Preocupo-me em estudar e conhecer melhor a palavra e a vontade de Jesus? Relação com a Família: Mostro respeito e carinho aos meus pais e familiares? Fui obediente aos meus pais e pessoas mais velhas? Ajudei nas tarefas em casa sem que ninguém me tenha pedido? Tenho cuidado com a minha casa? e com o meu quarto? Dou mais importância aos jogos de computador ou televisão do que conversar com a minha família? Sou amigo ou sou rival dos meus irmãos? Estou sempre pronto a ajudá-los e atento ás suas vidas? Levo alegria e amor aos mais velhos da minha familia (avós, tios…) Relação na escola e com os amigos: Respeitei, colaborei e fui amigo dos meus professores? Criei um ambiente de amizade e trabalho na turma? Fui amigo de todos os meus colegas em todas as situações? Estive atento aqueles que ninguém liga, e defendi os mais fracos? Gozei, humilhei ou disse mal de alguém? Ajudei quem precisava nos trabalhos, tarefas ou estudos? Bati em alguém? Disse palavras feias ou insultos? Enganei alguém, mexi ou fiquei com alguma coisa que não era minha? Relação à mim: Sou capaz de assumir a verdade e as suas consequências? (não dizer mentiras) Sou honesto nas minhas tarefas, e faço sempre o melhor que sei e que posso? Dei mau exemplo aos outros? Fui preguiçoso? Zango-me frequentemente com os outros? Distribui alegria? Gastei mal o dinheiro? Fui invejoso? Fui orgolhoso? Desprezei os outros? Conheço-me bem, assumo e combato os meus defeitos? Agradeço a Jesus as minhas qualidades e tento melhorá-las? Ato de Contrição: Meu Deus porque sois tão bom, tenho muita pena de Vos ter ofendido. Ajudai-me a não tornar a pecar. Amem. A doutrina da Igreja e os Sacramentos É preciso confessar-se sempre que se vai comungar? Não é preciso confessar-se sempre que se vai comungar. Quem estiver na graça de Deus pode comungar sempre. Mas são tão grandes os benefícios da Confissão, que nos devemos confessar com frequência, mesmo que não estejamos em pecado mortal. O que é o pecado mortal e pecado venial? O pecado mortal chama-se assim porque mata a vida sobrenatural da alma, que é a graça de Deus. É uma desobediência à Lei de Deus em matéria grave com plena advertência do entendimento e consentimento da vontade. O pecado venial é uma desobediência à Lei de Deus em matéria leve, ou desobediência em matéria grave, mas sem plena advertência ou sem pleno consentimento. Quem tiver cometido pecado mortal pode comungar? Não. Tem, primeiro, de se confessar. E quem tiver cometido pecado venial? Pode comungar rezando o acto de contrição perfeita com o propósito de se confessar assim que puder. Quais são os pecados capitais e virtudes opostas? – Soberba – Humildade – Avareza – Liberalidade – Luxúria – Castidade – Ira – Paciência – Gula – Temperança – Inveja – Caridade – Preguiça – Diligência Mandamentos da Lei de Deus 1 – Adorar a Deus sobre todas as coisas 2 – Não invocar o Santo Nome de Deus em vão 3 – Santificar os domingos e festas de guarda 4 – Honrar pai e mãe (e outros legítimos superiores) 5 – Não matar, nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo). 6 – Guardar castidade nas palavras e nas obras. 7 – Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo). 8 – Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo). 9 – Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos. 10 – Não cobiçar as coisas alheias. Estes dez mandamentos resumem-se em dois que são: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.” O que é a Eucaristia? É um sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo na Última Ceia, que contém o verdadeiro Corpo e Sangue de Jesus e que se realiza todas as vezes que é celebrado o Santo Sacrifício da Missa. Condições para bem comungar o Santo Corpo do Senhor Jesus: 1 – Estar na graça de Deus (quem não tiver cometido pecado mortal ou quem, tendo cometido pecado venial se tenha arrependido, feito o propósito de não voltar a pecar, rezado o acto de contrição e feito o compromisso de se confessar assim que puder). 2 – Saber e pensar quem se vai receber. 3 – Estar em jejum eucarístico (consiste em não comer nem beber coisa alguma uma hora antes da comunhão. Os doentes, os idosos e seus acompanhantes estão dispensados do jejum. Remédios necessários e água natural podem tomar-se a qualquer momento, pois não quebram o jejum eucarístico. #confissão #Crianças #ExamedeConsciência #Filhos #FormaçõesCatólicas
- Exame de Consciência para Crianças
EXAME DE CONSCIÊNCIA PARA CRIANÇAS Crianças a partir da idade da razão, ou seja, 6 ou 7 anos, já podem buscar este belo sacramento, mesmo sem terem feito a primeira eucaristia. Os pais sempre serão os primeiros catequistas! Para a criança se confessar basta fazer um bom exame de consciência, se arrepender de seus pecados e buscar um bom sacerdote. Clique aqui baixar a versão do exame de consciência para crianças em PDF. Condições para se confessar bem: 1 – Exame de consciência 2 – Arrependimento dos pecados 3 – Propósito de não tornar a pecar 4 – Confissão 5 – Penitência Aqui inicia exame de consciência resumido para crianças iniciando no sacramento da confissão, no qual se analisa a consciência mediante aspectos: – Em relação a Deus. – Em relação à Família. – Em relação à escola e amigos. – Em relação a si proprios. Aqueles que preferirem podem acessar o exame de consciência mais completo, voltado para jovens e adultos. Relação com Deus: Jesus é o meu melhor amigo? Tenho rezado? De manhã e de noite? Agradeço a Deus as coisas boas, peço ajuda para as difíceis e peço desculpa pelos meus erros? Tenho ido à Missa todos os Domingos? Brinco ou gozo com o nome de Deus, da Igreja ou de orações? Sou apostolo de Jesus no meu dia a dia? Preocupo-me em estudar e conhecer melhor a palavra e a vontade de Jesus? Relação com a Família: Mostro respeito e carinho aos meus pais e familiares? Fui obediente aos meus pais e pessoas mais velhas? Ajudei nas tarefas em casa sem que ninguém me tenha pedido? Tenho cuidado com a minha casa? e com o meu quarto? Dou mais importância aos jogos de computador ou televisão do que conversar com a minha família? Sou amigo ou sou rival dos meus irmãos? Estou sempre pronto a ajudá-los e atento ás suas vidas? Levo alegria e amor aos mais velhos da minha familia (avós, tios…) Relação na escola e com os amigos: Respeitei, colaborei e fui amigo dos meus professores? Criei um ambiente de amizade e trabalho na turma? Fui amigo de todos os meus colegas em todas as situações? Estive atento aqueles que ninguém liga, e defendi os mais fracos? Gozei, humilhei ou disse mal de alguém? Ajudei quem precisava nos trabalhos, tarefas ou estudos? Bati em alguém? Disse palavras feias ou insultos? Enganei alguém, mexi ou fiquei com alguma coisa que não era minha? Relação à mim: Sou capaz de assumir a verdade e as suas consequências? (não dizer mentiras) Sou honesto nas minhas tarefas, e faço sempre o melhor que sei e que posso? Dei mau exemplo aos outros? Fui preguiçoso? Zango-me frequentemente com os outros? Distribui alegria? Gastei mal o dinheiro? Fui invejoso? Fui orgolhoso? Desprezei os outros? Conheço-me bem, assumo e combato os meus defeitos? Agradeço a Jesus as minhas qualidades e tento melhorá-las? Ato de Contrição: Meu Deus porque sois tão bom, tenho muita pena de Vos ter ofendido. Ajudai-me a não tornar a pecar. Amem. A doutrina da Igreja e os Sacramentos É preciso confessar-se sempre que se vai comungar? Não é preciso confessar-se sempre que se vai comungar. Quem estiver na graça de Deus pode comungar sempre. Mas são tão grandes os benefícios da Confissão, que nos devemos confessar com frequência, mesmo que não estejamos em pecado mortal. O que é o pecado mortal e pecado venial? O pecado mortal chama-se assim porque mata a vida sobrenatural da alma, que é a graça de Deus. É uma desobediência à Lei de Deus em matéria grave com plena advertência do entendimento e consentimento da vontade. O pecado venial é uma desobediência à Lei de Deus em matéria leve, ou desobediência em matéria grave, mas sem plena advertência ou sem pleno consentimento. Quem tiver cometido pecado mortal pode comungar? Não. Tem, primeiro, de se confessar. E quem tiver cometido pecado venial? Pode comungar rezando o acto de contrição perfeita com o propósito de se confessar assim que puder. Quais são os pecados capitais e virtudes opostas? – Soberba – Humildade – Avareza – Liberalidade – Luxúria – Castidade – Ira – Paciência – Gula – Temperança – Inveja – Caridade – Preguiça – Diligência Mandamentos da Lei de Deus 1 – Adorar a Deus sobre todas as coisas 2 – Não invocar o Santo Nome de Deus em vão 3 – Santificar os domingos e festas de guarda 4 – Honrar pai e mãe (e outros legítimos superiores) 5 – Não matar, nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo). 6 – Guardar castidade nas palavras e nas obras. 7 – Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo). 8 – Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo). 9 – Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos. 10 – Não cobiçar as coisas alheias. Estes dez mandamentos resumem-se em dois que são: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.” O que é a Eucaristia? É um sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo na Última Ceia, que contém o verdadeiro Corpo e Sangue de Jesus e que se realiza todas as vezes que é celebrado o Santo Sacrifício da Missa. Condições para bem comungar o Santo Corpo do Senhor Jesus: 1 – Estar na graça de Deus (quem não tiver cometido pecado mortal ou quem, tendo cometido pecado venial se tenha arrependido, feito o propósito de não voltar a pecar, rezado o acto de contrição e feito o compromisso de se confessar assim que puder). 2 – Saber e pensar quem se vai receber. 3 – Estar em jejum eucarístico (consiste em não comer nem beber coisa alguma uma hora antes da comunhão. Os doentes, os idosos e seus acompanhantes estão dispensados do jejum. Remédios necessários e água natural podem tomar-se a qualquer momento, pois não quebram o jejum eucarístico. #confissão #Crianças #ExamedeConsciência #Filhos #FormaçõesCatólicas
- 6 Coisas a se Ponderar Sobre Judas Iscariontes
É a Semana Santa, e estamos nos aproximando rapidamente da Sexta-feira Santa e do Domingo de Páscoa. Hoje é um dia tradicionalmente conhecido como “Quarta-feira dos espiões”, porque é o dia em que nos lembramos da traição de Cristo por Judas Iscariotes. É um lembrete de que gastamos muito pouco tempo pensando em Judas … talvez porque não gostamos do que veríamos se olhássemos mais de perto. Mas aqui estão 8 pontos que podem valer a pena refletir sobre: 1) Judas foi um dos Doze. Na superfície, esse é um ponto óbvio e desinteressante. Mas vale a pena considerar com mais profundidade. Por um lado, como mencionei há dois anos, isso mostra que Judas é um dos primeiros doze ministros ordenados da Igreja (escolhidos a dedo por Cristo, como ele reconhece em João 6: 70-71!). Isso vai ter muitas implicações (por um lado, como eu disse no outro post, isso mostra que a visão protestante da Igreja como apenas a coleção dos salvos está obviamente errada). Mas hoje, eu quero considerar outro aspecto: em algum momento, Judas desistiu de tudo para seguir a Cristo (Marcos 10:28). Esses tipos de histórias são preocupantes – lembro-me aqui de Charles Templeton, que foi um evangelista ao lado de Billy Graham nos primeiros dias da Youth for Christ, mas acabou renunciando ao cristianismo e se tornando agnóstico ou ateu. Há muitos cristãos que lhe dirão a reconfortante mentira de que isso não é possível – que, enquanto você realmente acreditar, nunca poderá cair. São Paulo discordava, e sua razão foi sua própria consciência da história de Israel. Apontando que muitas das pessoas que Deus salvou do Egito acabaram rejeitando-o e morrendo, Paulo conclui: “Portanto, todo aquele que pensa estar em pé, cuide dele para que não caia” (1 Coríntios 10:12). Judas nos lembra da mesma coisa. Se Judas pudesse desistir de tudo e passar tanto tempo com Cristo, até mesmo tornar-se amigo Dele, e ainda cair tão dramaticamente (e aparentemente finalmente), você e eu não deveríamos cair na presunção. Isso, mas pela graça de Deus, nós vamos. 2) Judas não era único. Não há razão para acreditar que Judas fosse especialmente único. Isto é, seria fácil cair na armadilha de pensar em Judas como o único na história tão depravado que poderia trair a Cristo assim. Mas claro, isso não é verdade. Ele não é o único cristão, ele nem é o único padre. Temos uma sugestão disso nas falhas de alguns dos outros Discípulos – por exemplo, as negações de Jesus por parte de Pedro ou a fuga dos Discípulos quando Jesus é preso. Mas acho que temos uma sugestão disso em muitas igrejas (e certamente, muitas notícias sobre escândalos católicos) hoje. 3) Judas havia escondido lutas espirituais. Os problemas de Judas não começaram na Semana Santa. Não era como se ele fosse um discípulo verdadeiro, fiel e leal e, um dia, traísse Cristo sem razão. Não, havia um longo caminho dele lentamente se afastando da Luz em direção à escuridão. O timing do comentário de Jesus em João 6: 70-71 sugere que Judas se escandalizou com o ensinamento de Jesus sobre a Eucaristia. Depois que Jesus descreveu Sua Carne e Sangue como alimento e bebida reais, “muitos de seus discípulos recuaram e não mais saíram com ele”, e assim “Jesus disse aos doze: ‘Vocês também irão embora?’” (João 6 : 66-67). Pedro falando em nome dos Doze, reafirma seu compromisso com Jesus, mas é nesse ponto que Jesus primeiro alude à traição vinda de Judas. Algo parece ter ficado mal com Judas – ou o ensinamento de Jesus, ou o fato de que esse ensinamento prejudicou a popularidade de Jesus, ou o fato de que Jesus não foi atrás das multidões. Por João 12, ouvimos que Judas começou a roubar de Jesus (João 12: 6). Se você cometeu um grande pecado, seja um caso extraconjugal ou se perdeu o carro ou quase qualquer outra coisa, há uma boa chance de que o pecado não tenha sido o ponto de partida. Toda uma série de más ações levou ao resultado muito ruim. São Francisco de Sales descreve o processo como “tentação, deleite e consentimento”: Imagine para si mesmo uma jovem princesa amada de seu marido, a quem algum malvado desgraçado deveria mandar um mensageiro para tentá-la à infidelidade. Primeiro, o mensageiro traria suas proposições. Em segundo lugar, a princesa aceitaria ou rejeitaria as aberturas. Em terceiro lugar, ela consentiria ou recusaria. Mesmo assim, quando Satanás, o mundo e a carne olham para uma alma exposta ao Filho de Deus, eles colocam tentações e sugestões diante daquela alma, segundo a qual-1. O pecado é proposto para isso. 2. Quais propostas são agradáveis ou desagradáveis para a alma. 3. A alma ou consente, ou rejeita-os. Em outras palavras, os três passos descendentes de tentação, deleite e consentimento. E embora os três passos nem sempre sejam tão claramente definidos como nesta ilustração, eles devem ser claramente traçados em todos os grandes e sérios pecados. São Tiago diz a mesma coisa quando fala de como “o desejo, quando concebeu, dá origem ao pecado; e o pecado, quando crescido, traz a morte ”(Tiago 1:15). O problema aqui não é que Judas tenha lutado contra a tentação – todos nós o fazemos. O problema é que ele parece ter mantido essas lutas para si mesmo. Deixou-as apodrecer até que elas deram à luz uma traição medonha. São João diz: “este é o julgamento, que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más” (João 3:19). O mal floresce na escuridão, por isso, se você está lutando com algo, compartilhe essa luta espiritual – com um padre, com um parceiro de responsabilidade, ou com um ente querido ou amigo em quem você confia. Você pode se surpreender ao ver a tentação encolher à luz. 4) Judas não tinha interesse teológico aparente. Como cristãos, somos parte do “Novo Israel”. Mas o que isso significa? Vale a pena lembrar de onde veio o nome. O patriarca Jacó teve seu nome mudado para Israel depois de lutar a noite toda com um anjo (ou possivelmente com Cristo). No final disto, a misteriosa figura celestial diz: “O teu nome não mais se chamará Jacó, mas Israel, porque tens lutado com Deus e com os homens e prevaleceste” (Gen. 32:28). Em outras palavras, temos um Deus que acolhe uma luta. E Judas parece ter sido perturbado por alguma mensagem de Jesus. Mas ele é desinteressado ou não está disposto a entrar nessa luta. Uma das coisas marcantes sobre Judas é que, ao longo dos Evangelhos, nós realmente só o ouvimos falando sobre duas coisas: ele e o dinheiro. Aparentemente tudo o que ele diz é auto-engrandecedor ou um apelo financeiro. Em meio a toda a ação da Semana Santa, Maria de Betânia derramou caro nardo na cabeça de Jesus. Judas questiona: “Por que o perfume foi assim desperdiçado? Pois este perfume poderia ter sido vendido por mais de trezentos denários e dado aos pobres ”(Marcos 14: 4-5). Jesus respondeu (Marcos 14: 6-9), “Deixe-a em paz; por que você a incomoda? Ela fez uma coisa linda para mim. Pois vocês sempre terão os pobres com vocês e, sempre que quiser, podem fazer o bem a eles; mas vocês nem sempre me terão. Ela fez o que pôde; ela ungiu meu corpo de antemão para enterrar. E verdadeiramente, eu digo a vocês, onde quer que o evangelho seja pregado em todo o mundo, o que ela fez será contado em memória dela ”. A resposta de Jesus é teológica. É difícil imaginar que faça algum sentido para Judas, porque ele não parece ter (pelo menos neste ponto) os olhos necessários para ver por que valeria a pena apenas fazer uma coisa bonita por Deus. A lógica de Judas é o funcionalismo frio da era moderna – coisas belas e caras como perfume devem ser vendidas para que o dinheiro possa ser gasto em coisas puramente funcionais, como pão para os pobres (ou pelo menos, para encher os bolsos de pessoas como Judas e seus descendentes burocráticos). Em outras palavras, a única vez que ouvimos Judas perguntando algo próximo a uma questão religiosa, é um puramente “evangelho de justiça social” que não tem lugar para transcendência, beleza, cruz, ou, finalmente, Deus. A imagem de Judas que emerge do Novo Testamento é alguém que não consegue captar as dimensões “verticais” do cristianismo, mas que pensa puramente em termos de horizontalidade. Seu foco parece ser menos em Deus do que nas pessoas (e, finalmente, em si mesmo). 5) Judas não tinha respeito pela Eucaristia. Já mencionei que primeiro Judas parece começar a separar-se de Cristo depois do ensinamento de Jesus sobre a Eucaristia em João 6, e é uma questão aberta sobre se ele foi motivado por razões teológicas (desgosto com o que Jesus estava ensinando) ou pessoais (desprezo de ver Jesus perdendo uma multidão). Mas isso culmina em sua traição na quinta-feira santa. Vale a pena notar o quanto a traição de Judas é retratada como ligada à Eucaristia (Lucas 22: 19-22): E ele tomou o pão, e quando ele deu graças, ele quebrou e deu a eles, dizendo: “Este é o meu corpo que é dado por vocês. Faça isso em memória de mim. ”E também o cálice depois do jantar, dizendo:“ Este cálice derramado para vocês é o novo pacto em meu sangue. Mas eis que a mão daquele que me trai está comigo na mesa. Porque o Filho do homem vai como foi determinado; mas ai daquele homem por quem ele é traído! Jesus está denunciando a audácia de Judas em participar desta primeira missa, enquanto seu coração está determinado a trair. Os discípulos estão todos (salvo um, provavelmente) confusos sobre o significado desta proclamação sinistra, e começam perguntando a quem Jesus se refere. São João narra o que acontece a seguir desta maneira: Jesus respondeu: “É aquele a quem eu vou dar este pedaço quando o mergulhar”. Então, quando ele mergulhou o pedaço, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. Então depois do pedaço, Satanás entrou nele. Jesus disse-lhe: “O que você vai fazer, faça rapidamente.” Agora ninguém na mesa sabia por que ele disse isso a ele. Alguns pensaram que, porque Judas tinha a caixa de dinheiro, Jesus estava lhe dizendo: “Compre o que precisamos para a festa”; ou que ele deveria dar algo aos pobres. Então, depois de receber o pedaço, ele saiu imediatamente; e caiu a noite. Judas recebeu o pedaço indigno, e João descreve sua indigna recepção do pedaço como o ponto em que Satanás entra nele. Então, ele se levanta e (aparentemente levando o dinheiro com ele) sai. Ou seja, ele desconsidera totalmente o fato de que eles estão no meio de uma cerimônia religiosa – a refeição da Páscoa e a primeira missa – e apenas sai para realizar seus negócios profanos. Seria como se você recebesse a Sagrada Comunhão e depois saísse pela porta, sem ficar para o fim da missa. 6) Judas cooperou com Satanás. A coisa horrível e surpreendente sobre Judas não é apenas que um cristão traiu Cristo, mas que um dos Doze deveria estar em aliança com o diabo. Isso não significa que Judas sabia que ele estava cumprindo a promessa de Satanás, mas os evangelistas estão certos de que isso era mais do que apenas maldade humana comum. Algo sobrenaturalmente malicioso está presente aqui. Mas aqui é onde eu quero ligar tudo: se tirarmos os olhos das coisas do Céu, acabaremos colocando-os nas meras coisas da terra. E nesse ponto, estamos a meio caminho de voltar nossos olhos para o que está abaixo de nós. Há um caso extremamente preocupante de um padre em Boise, Idaho (aviso sério de conteúdo) que ilustra isso. Um dos detetives do caso descreveu como os bate-papos e e-mails gravados “mostravam que Faucher estava” buscando ativamente interesses com homens gays, interesses satânicos “e o estupro e assassinato de menores”. A estação de notícias local informou que: Faucher se comunicou on-line com várias pessoas, incluindo um homem do Brasil chamado “Bruno”, explicitamente descrevendo as imagens que os dois homens estavam olhando e detalhando seus desejos. A certa altura, segundo os detetives, o brasileiro enviou a Faucher uma série de pornografia infantil violenta, apenas para o padre responder que ele já os havia visto. “Há apenas um deles que eu realmente gosto, o do menino sendo espancado até a morte”, escreveu Faucher. “Eu quero que você me envie mais jovens e até crianças.” Em outra ocasião, Faucher e Bruno discutiram o padre viajando para o Brasil, onde o casal planejava encontrar, atacar sexualmente e finalmente matar um garotinho. O padre aposentado também fantasiou em estuprar um coroinha e disse ao outro homem que havia violado os sacramentos ao ejacular no vinho da comunhão em St. Mary, em Boise. Além disso, o padre urinou em uma cruz e um Código de Direito Canônico, e se gabou de falsificar a senilidade para justificar seus abusos litúrgicos intencionais e depois mentir sobre isso depois. O caso foi tão ruim que a Igreja enviou um exorcista antes de vender a casa de Faucher. Eles reconheceram o que eu espero que todos reconheçam – que isso é mais do que apenas uma depravação humana comum. É cooperação com algo espetacularmente maligno. Quando ouvi sobre este caso, fiquei estupefato, como imagino que a maioria das pessoas estavam. Que tipo de padre, imaginei, acaba assim? Aquele que tirou os olhos de Deus e os colocou firmemente em si mesmo. Alguns insights vêm do próprio homem, que disse (enquanto aguarda julgamento): “Quando eu sair, terei pelo menos mais um ou dois capítulos depois disso”, disse ele. “Acho que a longo prazo meu legado e reputação serão restaurados, simplesmente porque o que estou sendo acusado não sou eu.”[…] Ele escreveu que decidiu perdoar e orar pelo promotor, o juiz e o bispo, que “trabalharam juntos para me manter na prisão”. A vítima real, na opinião de Faucher, é ele. Em suas cartas aos apoiadores, ele reclamou da comida, das escolhas de filme, etc. Nesse ponto, você pode estar se perguntando: como é que um homem de vilania caricatural tem “apoiadores”? Mas ele tem simpatizantes, pensamento incrível que possa parecer. Esses partidários incluem o prefeito de Boise, que na verdade escreveu uma carta ao tribunal em nome de Faucher. Parece que Faucher fez todos os amigos certos e promoveu todas as causas progressivas corretas. Em 2006, ele teve a ousadia de escrever um artigo para os estadistas de Idaho em favor do casamento gay. Meu ponto aqui não é que todos que discordam da Igreja sobre o casamento sejam maus. É que tudo o que esse padre diz ou faz parece ser sobre si mesmo – especialmente agora que vemos como sua paixão pelo casamento gay era egocêntrica. Tirando os olhos de Deus, ele os colocou em causas mundanas e finalmente em si mesmo. Raramente, felizmente, encontramos histórias tão obviamente satânicas quanto as do padre. Faucher ou do apóstolo Judas. Mas vale a pena ver o padrão: se os seus olhos não estiverem voltados para cima em direção a Jesus, eles vão lentamente descer. Antes que você perceba, seus olhos e seu coração podem estar fixos em algo profano. O remédio para isso é nunca se tornar complacente e estar sempre perto de Cristo, particularmente na Eucaristia. Um alcoólatra em recuperação que eu conheço me disse: “se eu começasse a beber novamente, o problema não seria no dia em que eu pegasse a primeira bebida. Seria muito antes disso. ”Isso é astuto e verdadeiro para você e para mim como é para ele. As tentações tornam-se delícias, e as delícias se tornam pecados, se não as eliminarmos pela raiz. Os pecados bebês se tornam grandes pecados, se não os trouxermos para a luz. Isso é o que Judas tem a nos ensinar. Tradução HESCHMEYER, Joe. 6 Things to Ponder About Judas Iscariot Disponível em: http://shamelesspopery.com/6-things-to-ponder-about-judas-iscariot/
- O DEVER DA POLÍTICA PARA COM A RELIGIÃO – Stefano Fontana
Se a autoridade política faz o bem, está legitimada; se não o faz, não é legítima, não passando de um cargo público entre os outros. Assim, a política tem um dever para com o bem. O bem, no entanto, não se sustenta por si só, pois a moral exige um caráter absoluto que não pode dar-se por si mesma. O bem moral tem necessidade de um fundamento religioso em Deus. É por isso que a política tem deveres diretos em relação à moral (é chamada a fazer o bem), mas também tem deveres indiretos em relação à religião (é chamada a render culto público a Deus). Caso contrário, lentamente desapareceriam até os seus deveres para com o bem. Quando a política se recusa a reconhecer os próprios deveres em relação à religião e a Deus, acontece com freqüência de esquecer-se de que também tem deveres para com o bem moral em si mesmo. Se a política perder de vista seus deveres para com a Sagrada Família, acabará esquecendo-se também os da família comum. Ao perder de vista a vida eterna, acaba por esquecer-se até de defender a vida humana. Se a política bastasse a si mesma e pudesse fundamentar-se por conta própria, não precisaria de um relacionamento com a religião. No máximo, teria com ela relações contingentes e acidentais, ligadas a particulares períodos históricos ou necessidades extrínsecas, como, por exemplo, em tempos de crise e dificuldades — seja porque a religião age como uma espécie de cimento civil entre os cidadãos (a religião civil), ou porque ajuda a curar feridas sociais e as formas mais agudas de desconforto (religião como ambulância). Mas não seria uma relação essencial, de tal modo que, sem a religião, a política não pudesse ser verdadeira política. A Igreja ensina, ao contrário, que a política precisa da religião, assim como da moral, para ser política no verdadeiro sentido da palavra. Sem religião, de fato, ela perde a sua legitimidade profunda, debilita-se e torna-se subserviente a interesses partidários, esquecendo-se gradualmente da própria vida moral, até finalmente perder de todo a força e limitar-se a ser mera administração (interesseira) das coisas, ao invés de guiar os homens para o bem comum. https://www.vanthuanobservatory.org/ita/potere-politico-e-potere-spirituale-2/
- QUANDO A POLÍTICA SE TORNA UMA RELIGIÃO ANTI-RELIGIOSA – Stefano Fontana
O que acontece se o poder político decide recusar seus deveres para com a religião e para com Deus? O dado mais interessante dessa recusa é que o próprio poder se torna Deus; quando o poder político luta contra o Absoluto, transforma-se a si mesmo num absoluto. Quando a política lança Deus para fora da praça pública – seja na forma de violência do tipo jacobino ou da forma liberal e tolerante da democracia relativista –, termina por utilizar uma força de valor religioso, com pretensões a uma nova religião. O secularismo contemporâneo é dogmático, violento, discriminatório e inquisitorial, como se possuísse uma força propriamente religiosa. É óbvio que não se trata de uma religião verdadeira, mas contém uma força religiosa, mesmo que do tipo anti-religioso. Esse é um fato de notável importância. O poder político não consegue se colocar numa posição de neutralidade em relação ao poder espiritual e a Deus. Se não é com Deus, é contra Deus. Um mundo sem Deus não é um mundo neutro, mas um mundo sem Deus; enfim, um mundo contra Deus. A laicidade política, entendida como a rejeição da religião e de Deus na esfera pública, é, portanto, impossível. Uma vez que Deus seja eliminado, o poder político preencherá esse espaço público com outros deuses, começando com a divinização de si mesmo. Acaba sendo surpreendente, aos olhos de nossos contemporâneos, a conseqüência paralela disto: uma verdadeira laicidade política só pode ser alcançada se a política aceitar não apenas sua dependência (direta) da moralidade, mas também sua dependência (indireta) da religião. https://www.vanthuanobservatory.org/ita/potere-politico-e-potere-spirituale-2/
- A AUTORIDADE POLÍTICA VEM DE DEUS – Stefano Fontana
A relação entre poder político e poder espiritual deriva estritamente da origem da própria autoridade política. A Igreja sempre ensinou que a autoridade (política) vem de Deus; e afirma: “Não há poder senão de Deus” (Rom. 13, 1-4). O próprio Jesus Cristo o proclamou, dizendo a Pilatos: “Não terias poder sobre mim se não te fosse dado de cima” (João 19-11). Leão XIII ensinou o mesmo princípio: “Deus é a fonte do poder humano” (Encíclica Diuturnum illud, 1881, sobre a autoridade política). Este princípio não significa que Deus designa as pessoas que devem governar. A indicação de “quem” deve governar ocorre de muitas maneiras (hoje, também através da via democrática). Nem Renzi nem Conte foram indicados por Deus para liderar o governo italiano. Mas uma coisa é indicar “quem” deve governar e outra coisa é legitimá-lo moralmente, isto é, dar o fundamento do “por que” é correto que esse ou aquele governem. A descendência em linha direta ou o voto democrático indicam quem governa, mas eu não sou capaz de legitimá-lo, nem de estabelecer que seja justo que ele governe, que seja bom que ele governe. Ora, a única razão pela qual um homem pode comandar outro homem é que ele o faça para o próprio bem do comandado. O único motivo legitimante do poder é, portanto, o bem comum ao qual ele deve servir. Mas o bem comum continua sem fundamento sem o Supremo Bem. Deus é a Garantia do Bem e, portanto, de todo poder do homem sobre o homem que pretenda ser moralmente legítimo, isto é, que não é apenas poder, mas também autoridade. Poder-se-ia também pensar o contrário. Se não for em Deus, em que mais poderia basear-se o poder do homem sobre outro homem? Sobre o voto da maioria é que não pode ser, porque se trataria de uma mera força numérica; na decisão de alguma assembléia ou parlamento também não, porque seria só uma posição partidária; e nem mesmo nos deveres e direitos do homem, porque, sem Deus, eles não teriam o fundamento último e absoluto, sendo portanto manipuláveis. Sem Deus não há ordem, não há o bem nem o mal, nem a justiça, e o poder político seria relegado à força bruta. Seria apenas uma questão de músculos. https://www.vanthuanobservatory.org/ita/potere-politico-e-potere-spirituale-2/
- Investigação sobre a ortodoxia oriental: um guia católico
Um amigo meu me enviou uma série de perguntas sobre o assunto do papado com a Ortodoxia Oriental em mente. Como essas perguntas são bem padronizadas, pensei em criar um post com as melhores respostas padrão que eu pudesse dar. Aprecie. ”Se tivesse que dizer a alguém sucintamente por que a Ortodoxia Oriental rejeita a infalibilidade papal? E é certo dizer que a Ortodoxia Oriental não rejeita a autoridade papal como um todo, que eles podem reconhecer a primazia do bispo de Roma, eles também reconheceriam a jurisdição universal?” Bem, ninguém pode pretender responder a essa pergunta para os ortodoxos. Mais do que qualquer outra época, os últimos 100 anos, e particularmente os eventos de 2018, revelam uma diferença na compreensão da primazia de Constantinopla vis-à-vis das outras igrejas autocéfalas. Por que eles rejeitam a infalibilidade papal? Ortodoxos diferentes darão respostas diferentes. Para os mais filosóficos, eles rejeitarão a própria metodologia epistêmica de uma máquina externa infalível como uma muleta legalista para os racionalistas. Para aqueles que têm uma mentalidade mais histórica, eles podem não ter um problema com a idéia de agentes externos infalíveis (i.e Concílios), mas eles não vêem o Consensus Patrum (consenso dos Padres) sustentando a visão de que o Papa é infalível , mesmo sob apenas algumas condições. Uma vez que a Lei da Crença é a Lei de Oração, e uma vez que o teste da Crença é o consenso da Igreja, é lógico que se o consenso não sustenta a Infalibilidade Papal, que esta é uma criação pós-apostólica dos homens. Quanto à autoridade papal na Igreja Ortodoxa. Mais uma vez, pessoas diferentes dirão coisas diferentes. Os teólogos criados nas escolas russas manterão a idéia de que todos os bispos são absolutamente iguais e que as hierarquias administrativas (metropolitano, patriarca) são privilégios canônicos que existem fora da ordem divina da Igreja e podem estar lá ou não. Aqueles teólogos que são da escola de Constantinopla / Grécia podem estar dispostos a dizer que um Papa Universal não é apenas bom, mas necessário, mas que esta autoridade é relegada a uma forma muito menor do que a existente no Vaticano hoje. Nenhuma prerrogativa de infalibilidade singular, nem jurisdição imediata / direta sobre todos os cristãos. Sua autoridade papal seria limitada por uma forma de apelação, o que significa que ele poderia julgar casos em que lhe seja feito um apelo, com a ressalva de que causas grandes (grandes casos) teriam de ser resolvidas pela mais alta autoridade, um Concílio Ecumênico. Assim vão as teorias. Mas os ortodoxos devem entrar em um Concílio pan-ortodoxo com todos os seus hierarcas para fazer uma análise final sobre essa questão. Tentativas foram feitas por décadas para um Concílio que eventualmente se reuniu em Creta 2016, mas por várias razões, isso não alcançou status ecumênico, e talvez nunca. ”Você aceitaria o modo como a infalibilidade papal é enunciada no catecismo? O atual … ”em virtude de seu ofício, quando, como pastor supremo e mestre de todos os fiéis, que confirma seus irmãos em sua fé (Lucas 22:32), proclama, por ato definitivo, alguma doutrina de fé ou moral. Portanto, suas definições, de si mesmas, e não do consentimento da Igreja, são justamente mantidas irreformáveis, pois são pronunciadas com a assistência do Espírito Santo, uma assistência prometida a ele no bem-aventurado Pedro ”. E como diabos nós derivamos isso das escrituras ???? Boas perguntas. Receio que o problema seja mais complicado. Para começar, a definição precisa da “Infalibilidade Papal”, com suas condições restritas, não existe em nenhum lugar nos Padres da Igreja, nos Concílios ou até mesmo nos doutores eclesiásticos até o século XI. E quando digo “lugar nenhum”, quero dizer apenas na documentação que existe até hoje das fontes mais confiáveis. Isso é uma lasca de tudo o que foi escrito, e por isso temos que ter cuidado para não afirmar, absolutamente, que a definição não era conhecida. A evidência de que algo semelhante à infalibilidade papal foi acreditada e mantida pelos Padres da Igreja é bastante significativa. Embora não mostrem consciência de um conjunto restrito de condições. Quando a indefectibilidade de Roma é falada, é muito abrangente. Por exemplo, eles vão ver, “a Sé de Pedro permanecerá sem mácula para sempre, de acordo com a promessa de Cristo, nosso Deus”. Bem, eles soam bastante incondicionais. Mas aqui está o problema. Honório foi condenado por um Concílio com a aprovação do Papa, precisamente por heresia. Virgílio foi pelo menos acusado de heresia, e cometeu um erro de referência a uma carta ortodoxa (carta de Ibas de Edessa na controvérsia dos Três Capítulos), mesmo que ele próprio não fosse heterodoxo por intenção. Assim, é bastante claro que, pelo menos, nem todos acreditavam que a Sé de Roma poderia estar absolutamente livre de todas as manchas possíveis. Por outro lado, o que fazemos com as evidências positivas? Teólogos latinos posteriores diriam que preservamos a promessa de indefectibilidade para o ministério de ensino de Roma, mas somente quando isso conta como um ensino obrigatório sobre toda a igreja. De onde vem nas Escrituras? Boa pergunta. Envolverá sempre uma construção sistemática baseada no estudo exegético indireto. Então, por exemplo. Sabemos que Cristo prometeu que as portas do inferno nunca prevaleceriam contra a Igreja devido à força da rocha por baixo. Bem, o que é essa Rocha? Se é Pedro e / ou seus sucessores, então ele é divinamente fortalecido para manter a força para impedir a Igreja de cair em heresia. Em segundo lugar, quando Cristo disse que oraria pela conversão de Pedro, que sua fé não falharia e que, depois, ele deveria “fortalecer os irmãos”. Mesmo que isso tenha sido uma falha moral da parte de Pedro em negar a Cristo três vezes, ainda mostra que Cristo orou singularmente pela fé de Pedro para retornar a um estado de graça convertido e para incutir a força para os outros apóstolos continuarem escolhendo sua cruz e seguindo a Cristo. Os pais da Igreja veriam nisso uma profecia tipológica do ministério dos sucessores de Pedro. Todos os itens acima são construções sistemáticas, e não são derivados do espaço limitado da exegese ”Então, a ideia é que esses erros anteriores não eram quando o papa estava dando ensino vinculativo” Sim, você pode dizer que o que se desenvolveu são as condições. Mas então, novamente, você também tem muitas correntes de teólogos que, francamente, negaram que Roma fosse capaz de ser infalível, nunca. Fócio, é um exemplo (embora no Concílio de Constantinopla de 879, ele não tenha feito objeções ao texto de supremacia papal na Acta), mas você sempre teve filas e filas que acreditavam. ”Que não foi universalmente ensinado, a la Vincent de Lérins” Sim. Então, temos que fazer algumas distinções. O que conta como universal. Se levarmos os anos de 150 a 379, o ensinamento de que Cristo é 100% humano e 100% divino tem licença para ser chamado de “universal”. Então São Vicente de Lerins estava mirando alto demais, se ele quis dizer universalidade “absoluta”. Mas acho que ele estava falando mais livremente. “Ah eu vejo. Pode admitir exceções. A Bíblia também usa “todos” dessa maneira. Então isso não é surpreendente.” Eu acho que o que ele está se referindo é o que o episcopado ortodoxo mantém em defesa dos erros, e que se torna o consenso patrum ao longo do tempo que os arianos morreram, os paulianistas morreram, os apolinarianos morreram, etc, etc ”O que você quer dizer com “o que o episcopado ortodoxo tem em defesa dos erros”?’ Então, algo se torna, eventualmente, o patrum consensus oficial (consenso dos padres) O Ocidente Latino, incluindo muitas vozes significativas no Oriente, sustentava que Roma era divinamente fundada e seu ministério de ensino duraria indefectível até o fim do mundo. Santos como São Leão Magno, Máximo, o confessor, Teodoro do Studium, Santo Agatão, etc, etc. Todos eles mantiveram isso. Se os ortodoxos quiserem descartar completamente a idéia de infalibilidade papal, eles perdem seu distintivo para o consenso, porque é assim que o Ocidente entendia as coisas. ”Ahh isso é um argumento inteligente” O que quero dizer é que a sucessão apostólica é mantida (você tem ordenações episcopais válidas) e um certo agrupamento do episcopado retém a verdade, em contraposição a grupos de ruptura dissidentes do todo. Com o tempo, o episcopado ortodoxo surge como o consenso sobrevivente. E este foi sempre o episcopado em união com o Papa. Os ortodoxos admitem que Roma foi ortodoxa nos primeiros 10 séculos. Os coptas diriam que Roma era boa até o século V, com Leão “o herege”. ”Certo, eles foram o primeiro grande grupo a romper e manter a sucessão apostólica, certo? Eles são o único grupo antes da separação 1054 a fazê-lo? Isso é, reter a SA (Sucessão Apostólica).” Precedidos por Nestório, que milagrosamente liderou um golpe episcopal que sobreviveu durante séculos, até hoje em um pouco conhecido (no mundo Inglês) grupo “Igreja Assíria do Oriente” (veja o comentário de A Sombra de Nestório do Dr. William Tighe) . Mas sim, o cisma egípcio / siríaco de Calcedônia (451) foi um grande cisma e causou as turbulências políticas / eclesiais que viriam nos séculos VI e VII. Veja Justiniano e a construção da Igreja Ortodoxa Síria de Menze, os Dois Mil Anos de Cristianismo Copta de Meinardus e Sofrônio de Jerusalém e Heresia do Século VII de Allen. Donatistas eram muito grandes (eles mantinham as ordenações episcopais), mas os Maometanos os levaram no século 7 completamente ”Oh, a Igreja Assíria do Oriente remonta tão longe?!? Eu não fazia ideia! Uau. Eu quero dizer uma uma dissidência tão antiga. Uau, eu não percebi que os donatistas continuaram também. Caramba. Até os muçulmanos.” Quando os estudiosos dizem que “o Oriente dificilmente reconheceria as aclamações do papa”, temos que entender “Oriente” como incluindo os nestorianos, coptas, arianos, semi-arianos, macedônios, monotelitas, iconoclastas e alguns outros. Vamos colocar desta forma, absolutamente falando, não há uma única doutrina que passe completamente no teste da universalidade, exceto que Jesus existe, Deus existe e coisas assim. Havia pessoas que já rejeitavam os sacramentos no tempo de Tertuliano. Então nós temos duas opções. Deus equipa a Sua igreja com os recursos para trazer ordem ao caos, ou nós normalizamos o caos ”Quanto às seleções de fontes patrísticas sobre a autoridade papal e a infalibilidade, você tem sugestões?” Bem, eu estou trabalhando em um livro, mas vai demorar um pouco antes que seja feito. Os acadêmicos têm sido inadequados em captar o que as fontes dizem. Isto é devido a uma variedade de razões. Você vai querer ler mais de um livro. Mas eu recomendaria o erudito bizantino ortodoxo Dr. A. Ed Siecieski “O Papado e a Ortodoxia“. Ele é um convertido do catolicismo romano para a Igreja da Calcedônia Oriental, mas seu livro é muito honesto e procura capturar as visões do Oriente e do Ocidente com grande fidelidade. Eu obviamente discordo dele aqui e ali em pontos significativos. Mas seu material será essencial para saber daqui para frente nos estudos. Este livro, até agora, é incomparável em termos de conhecimento contemporâneo. No lado católico, nós vendemos a fazenda há 60 anos dizendo a todos que eles estão bem, e por isso não publicamos mais coisas que procuram provar nosso ponto de vista. Isso é triste e infeliz. Assim, você terá que ler obras de quando os estudiosos católicos eram são. (1) As Igrejas Orientais o Papado por J. Herbert Scott. (2) Estudos sobre o Papado primitivo por J. Chapman. (3) A Igreja Primitiva e a Sé de Pedro por Luke Rivington. Para material de fonte nua, um erudito anglicano (E. Giles) compilou uma lista de todas as citações entre 96-453 que falam da primazia papal. Na verdade, é grátis e online. Mas você ainda pode encomendá-lo via Amazon. Se você quer livros que absolutamente procurem refutar totalmente o papado, não há correspondências para o “Papalismo” de Edward Denny e “Os santos primitivos e a sé de Roma” do padre Puller. Eu não terminei o conjunto destes dois últimos, mas pelo que li, eles não são convincentes o suficiente para mudar meus pontos de vista. ”Incrível, obrigado por todas essas referências!! Às vezes é difícil encontrar grandes referências, a maioria dos quais não ouvi falar. Eu sempre recomendei a Rússia e a Igreja. Ou seja como for chamado.” Um assunto particularmente difícil para nós Papistas é a questão do Concílio de Constança, e particularmente seu decreto Haec Sancta. Este decreto diz que um Concílio tem autoridade sobre o papa por direito divino. O papa Martinho V parece ter ratificado este decreto, e os teólogos católicos tiveram que lidar com os resultados disso. A maioria diz que não se destinava a ser um decreto doutrinário “infalível”, mas é certamente assim que foi compreendido pelos contemporâneos. Isso é conhecido como Conciliarismo. Obviamente, foi morto. Papas por séculos antes de Constança afirmam sua supremacia sobre os Concílios, e o mesmo depois de Constança. Em 1460, o Papa Pio II o condenou, e o Vaticano colocou a sentença de morte nela para sempre. E como Conciliarismo foi condenado por um Concílio, seu próprio instrumento de escolha (ou seja, o Concílio) foi seu próprio ceifador. No entanto, há este negócio peculiar da ratificação de Martinho V de Haec Sancta. Um erudito ortodoxo, padre Sergius Bulgokov, escreveu um trabalho significativo intitulado “O dogma do Vaticano”, onde ele procura explorar exatamente isso, mostrando a supremacia e a infalibilidade papal como uma farsa completa. No entanto, se você ler o livro “A Igreja Ortodoxa Oriental”, ele adota uma linha liberal sobre a autoridade da Igreja, e uma que é insustentável. E ele não tinha uma boa alternativa, deixando espaço para melhores argumentos do lado católico. Tradução YBARRA, Erick. Inquiry into Easter Orthodoxy: a catholic guideline Disponível em: https://erickybarra.org/2019/03/10/inquirer-into-eastern-orthodoxy-a-catholic-guideline/#more-6391
- A POLÍTICA ANTICRISTÃ DO PRESIDENTE OBAMA
Quem acompanha política internacional, certamente ser lembrará do polêmico Obamacare (apelido da Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente), um projeto de regulamentação do sistema de saúde norte-americano, proposto pelo presidente Barach Obama. A lei foi aprovada em 2010 e, entre outras coisas, obrigava empresas — leigas ou religiosas — a pagar, com direito a reembolso, cirurgias de esterilização e fornecer pílulas anticoncepcionais a suas funcionárias (inclusive a “pílula do dia seguinte”, comprovadamente abortiva), violando a liberdade de crença dos cidadãos. Cristãos católicos e evangélicos chiaram, e o barulho do chiado alcançou a mídia. Entidades e organizações confessionais procuraram a justiça, praticando a “objeção de consciência” (direito do cidadão de não obedecer a leis que confrontem suas convicções religiosas), numa queda de braço que durou vários anos, até que finalmente Donald Trump, em 2017, isentou das obrigações previstas no Obamacare todos os que alegassem razões morais e religiosas. Mas voltemos à era Obama, presidente declaradamente favorável ao aborto, à eutanásia, ao casamento gay. O papa, à época, era Bento XVI, célebre entre outras coisas pela defesa da vida humana em todas as suas fases, da concepção à morte natural; do casamento como união permanente entre um homem e uma mulher; e do direito dos pais de decidir sobre a educação dos próprios filhos. Eram duas visões — a de Obama e a de Bento XVI — radicalmente conflitantes. Num país com incontáveis denominações religiosas, a Igreja Católica americana é a maior de todas, com cerca de 20% da população (mais de 70 milhões de fiéis). Mesmo sabendo que nem todas as ovelhas desse rebanho acolhiam os ensinamentos morais da Igreja, o presidente Obama tinha pela frente um osso duro de roer, uma pedra que era preciso remover do caminho, com muitas e boas universidades, órgãos de imprensa, a maior rede católica de televisão do mundo (EWTN), bispos e padres ainda fiéis à doutrina. Hoje, sabemos que Obama não ficou de braços cruzados. Em outubro de 2016, o famoso site Wikileaks publicou milhares de e-mails recuperados da conta pessoal do estrategista político John Podesta, que foi Chefe de Gabinete da Casa Branca de Bill Clinton, conselheiro do presidente Obama e chefe de campanha da candidata presidencial do Partido Democrata Hillary Clinton. Entre esses muitos e-mails, que comprometiam a então candidata Hillary Clinton e o Partido Democrata (que agiu pouco democraticamente na escolha do candidato oficial que concorreria com Trump), estavam os dois trocados, entre 10 e 11 de fevereiro de 2012, com Sandy Newman, presidente da organização esquerdista Voices for Progress e próximo de Obama. A resistência católica ao Obamacare é o assunto principal desses e-mails, em que se fala da necessidade de iniciar-se uma Primavera Católica na Igreja. Fazia pouco mais de um ano (dezembro de 2010) que começara a Primavera Árabe, no Oriente Médio e norte da África, supostamente para a derrubada de ditadores impopulares (as armas dos rebeldes traziam a indisfarçável impressão digital da administração Obama). O primeiro e-mail publicado pelo Wikileaks era o de John Podesta, do dia 10 de fevereiro de 2012, com a resposta de Sandy Newman já no dia seguinte. Os e-mails falavam da necessidade dessa Primavera Católica, expressão poética que significava, no fundo, mudanças radicais no catolicismo romano, através da criação de organizações de fachada (como a Catholics in Alliance for the Common Good e a Catholics United) que, aparentando institutos para divulgação da doutrina social da Igreja, eram só pontas-de-lança da promoção idéias revolucionárias (aceitação do aborto, eutanásia, direitos LGBT). “Como a maioria dos movimentos de Primavera”, dizia Podesta, “acho que esse terá de começar de baixo para cima.” Ou seja: entre os leigos, os quais, devidamente “catequizados” pelo “catecismo” de Obama e da Nova Ordem Mundial, forçosamente provocariam o fim da “ditadura medieval” católica, obrigando padres, freiras e bispos a se curvarem diante do mundo. Link para os e-mails: https://wikileaks.org/podesta-emails/emailid/6293















































