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- PAIXÃO SEGUNDO SÃO LUCAS – Domingo da Paixão
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “A Paixão de Cristo segundo São Lucas”, clicar AQUI. Nesta homilia para o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, ouça os comentários do Padre Paulo Ricardo ao sacrifício redentor de Cristo na Cruz e descubra alguns belíssimos detalhes que só o Evangelho de São Lucas revela sobre a sua Paixão. PAIXÃO DE CRISTO (Meditação de Scott Hahn) “O que está escrito a respeito de Mim, está chegando ao seu cumprimento”, diz Jesus no Evangelho de hoje (Lucas 22,37). De fato, alcançamos o clímax do ano litúrgico, o mais alto cume da história da salvação, quando tudo o que foi anunciado e prometido deve realizar-se. No final do longo Evangelho de hoje, a obra da nossa redenção terá sido cumprida, e a nova aliança escrita com o sangue do Seu corpo humilhado, pendido de uma cruz num lugar chamado Caveira. Em sua Paixão, Jesus foi “contado entre os iníquos”, como Isaías profetizou (Isaías 53,12). Ele é revelado, definitivamente, como o Servo Sofredor anunciado pelo profeta, o tão esperado Messias, cujas palavras de obediência e fé ressoam na primeira leitura e no Salmo de hoje. Os insultos e tormentos que ouvimos nestas duas leituras pontuam o Evangelho, enquanto Jesus é espancado e escarnecido (Lucas 22, 63–65; 23, 10–11, 16); enquanto Suas mãos e pés são perfurados (Lucas 23,33 ); enquanto os inimigos disputam Suas roupas (Lucas 23, 34); e enquanto, por três vezes, eles O desafiam a provar Sua divindade, salvando-se a Si mesmo do sofrimento (Lucas 23, 35, 37, 39). Jesus permanece fiel à vontade de Deus até o fim, não abdicando de Sua provação. Entrega-Se livremente aos seus torturadores, com a confiança que aparece na primeira leitura de hoje: “O Senhor Deus é meu socorro… Não serei envergonhado.” Destinados ao pecado e à morte, como filhos da desobediência de Adão, nós fomos libertos para a santidade e a Vida pela perfeita obediência de Cristo à vontade do Pai (Romanos 5, 12-14, 17-19; Efésios 2, 2; 5, 6) . É por isso que Deus o exaltou grandemente. É por isso que temos a salvação em Seu nome. Seguindo Seu exemplo de humilde obediência, nas provações e cruzes de nossas vidas, sabemos que nunca seremos abandonados; que um dia também estaremos com Ele no Paraíso (Lucas 23, 42). É ver e acreditar. https://stpaulcenter.com/passion-of-the-christ-scott-hahn-reflects-on-passion-sunday/ PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Isaías 50, 4-7) Fiel até o fim à vontade de Deus O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. SALMO 21 A perfeita obediência do Servo Sofredor (Antífona): Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? — Riem de mim todos aqueles que me veem, torcem os lábios e sacodem a cabeça: ‘Ao Senhor se confiou, ele o liberte e agora o salve, se é verdade que ele o ama!’. — Cães numerosos me rodeiam furiosos, e por um bando de malvados fui cercado.Transpassaram minhas mãos e os meus pés e eu posso contar todos os meus ossos. Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam! —Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica.Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro! — Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembleia hei de louvar-vos! Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, glorificai-o, descendentes de Jacó, e respeitai-o toda a raça de Israel! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Filipenses 2, 6-11) A auto-humilhação do Deus encarnado Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame : ‘Jesus Cristo é o Senhor’, para a glória de Deus Pai. EVANGELHO (São Lucas 23, 1-49) Paixão e morte de Cristo Levantou-se a sessão e conduziram Jesus diante de Pilatos, e puseram-se a acusá-lo: “Temos encontrado este homem excitando o povo à revolta, proibindo pagar imposto ao imperador e dizendo-se Messias e rei.” Pilatos perguntou-lhe: “És tu o rei dos judeus?” Jesus respondeu: “Sim.” Declarou Pilatos aos príncipes dos sacerdotes e ao povo: “Eu não acho neste homem culpa alguma.” Mas eles insistiam fortemente: “Ele revoluciona o povo ensinando por toda a Judéia, a começar da Galiléia até aqui.” A estas palavras, Pilatos perguntou se ele era galileu. E, quando soube que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, pois justamente naqueles dias se achava em Jerusalém. Herodes alegrou-se muito em ver Jesus, pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar dele muitas coisas, e esperava presenciar algum milagre operado por ele. Dirigiu-lhe muitas perguntas, mas Jesus nada respondeu. Ali estavam os príncipes dos sacerdotes e os escribas, acusando-o com violência. Herodes, com a sua guarda, tratou-o com desprezo, escarneceu dele, mandou revesti-lo de uma túnica branca e reenviou-o a Pilatos. Naquele mesmo dia, Pilatos e Herodes fizeram as pazes, pois antes eram inimigos um do outro. Pilatos convocou então os príncipes dos sacerdotes, os magistrados e o povo, e disse-lhes: “Apresentastes-me este homem como agitador do povo, mas, interrogando-o eu diante de vós, não o achei culpado de nenhum dos crimes de que o acusais. Nem tampouco Herodes, pois no-lo devolveu. Portanto, ele nada fez que mereça a morte. Por isso, soltá-lo-ei depois de o castigar.” Acontecia que em cada festa ele era obrigado a soltar-lhes um preso. Todo o povo gritou a uma voz: “À morte com este, e solta-nos Barrabás.” (Este homem fora lançado ao cárcere devido a uma revolta levantada na cidade, por causa de um homicídio.) Pilatos, porém, querendo soltar Jesus, falou-lhes de novo, mas eles vociferavam: “Crucifica-o! Crucifica-o!” Pela terceira vez, Pilatos ainda interveio: “Mas que mal fez ele, então? Não achei nele nada que mereça a morte; irei, portanto, castigá-lo e, depois, o soltarei.” Mas eles instavam, reclamando em altas vozes que fosse crucificado, e os seus clamores recrudesciam. Pilatos pronunciou então a sentença que lhes satisfazia o desejo. Soltou-lhes aquele que eles reclamavam e que havia sido lançado ao cárcere por causa do homicídio e da revolta, e entregou Jesus à vontade deles. Enquanto o conduziam, detiveram um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para que a carregasse atrás de Jesus. Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam. Voltando-se para elas, Jesus disse: “Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos. Porque virão dias em que se dirá: ‘Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram!’ Então dirão aos montes: ‘Caí sobre nós!’ E aos outeiros: ‘Cobri-nos!’ Porque, se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco?” Eram conduzidos ao mesmo tempo dois malfeitores para serem mortos com Jesus. Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda. E Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem.” Eles dividiram as suas vestes e as sortearam. A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: “Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!” Do mesmo modo zombavam dele os soldados. Aproximavam-se dele, ofereciam-lhe vinagre e diziam: “Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.” Por cima de sua cabeça pendia esta inscrição: “Este é o rei dos judeus.” Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: “Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!” Mas o outro o repreendeu: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício? Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum.” E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!” Jesus respondeu-lhe: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso.” Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona. Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio. Jesus deu então um grande brado e disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.” E, dizendo isso, expirou. Vendo o centurião o que acontecia, deu glória a Deus e disse: “Na verdade, este homem era um justo.” E toda a multidão dos que assistiam a este espetáculo, e viam o que se passava, voltou batendo no peito. Os amigos de Jesus, como também as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia, conservavam-se a certa distância, e observavam estas coisas.
- DEUS APERTA, MAS NÃO SUFOCA – Conto do Padre Lucas Prados
Era uma vez um homem riquíssimo, que possuía muitos bens, uma grande fazenda, muitos animais, vários empregados e um único filho, seu herdeiro. Um dia, o velho pai, já avançado em idade, disse aos seus empregados que construíssem um pequeno estábulo. Dentro dele, o próprio pai preparou uma forca e, ao lado, uma placa com algo escrito: “Para que você nunca despreze as palavras de seu pai”. Mais tarde, ele chamou seu filho, levou-o para o celeiro e disse-lhe: – Esta forca é para você! Eu te conheço muito bem e sei que, quando eu faltar, você gastará toda a sua herança, vivendo como não deve. Eu quero que você me prometa uma coisa: que, se o que eu disse a você acontecer, você não vai cometer suicídio com veneno, nem meter uma bala na cabeça, mas vai se enforcar aqui. O jovem riu, pensou que era absurdo, mas, para não contradizer o pai, prometeu que o faria, pensando consigo mesmo que isso jamais aconteceria. O tempo passou, o pai morreu e o filho cuidou de tudo e, como o pai previra, o jovem gastou tudo, vendeu os bens, perdeu os amigos e até a própria dignidade. Desesperado e angustiado, ele começou a refletir sobre sua vida e viu que havia sido um idiota. Ele se lembrou das palavras do pai e começou a dizer: – Meu pai … Se eu tivesse escutado seu conselho …! Mas agora é tarde demais. Eu nunca segui as palavras de meu pai, não pude alegrá-lo quando estava vivo, mas pelo menos desta vez farei sua vontade. Eu cumprirei minha promessa. Não tenho mais nada… Então, ele subiu os degraus e colocou a corda em volta do pescoço e pensou: -Ah, se eu tivesse uma nova oportunidade!… Então, ela se jogou do alto da escada e, por um momento, sentiu a corda apertar sua garganta… Era o fim. No entanto, o braço da forca estava oco e quebrou-se facilmente, deixando o jovem cair no chão. Sobre ele caíram joias, esmeraldas, rubis, safiras e diamantes. A forca estava cheia de pedras preciosas. Entre as coisas que caíram ele encontrou uma nota. Nela estava escrito: “Esta é sua nova oportunidade. Gosto muito de você! Com amor, seu pai.” https://adelantelafe.com/cuentos-con-moraleja-dios-aprieta-pero-no-ahoga/
- PRINCIPAIS SUGESTÕES DA CARTA DO PAPA BENTO XVI SOBRE CRISE DE ABUSO
10 de abril de 2019 ( LifeSiteNews ) - Uma longa carta que foi escrita pelo papa Emérito Bento XVI aborda a crise de abuso que remonta à origem da revolução sexual e a subsequente revolução no clero. Dá como solução para a crise o retorno à crença demonstrativa em Deus e também o retorno ao respeito pela Santa Eucaristia. A carta, publicada pela primeira vez pela EWTN, dá pouca indicação de sua autenticidade, nem mesmo uma data. No entanto, a LifeSiteNews recebeu informações de que um documento importante seria divulgado amanhã em Roma e, portanto, fornece este resumo dos principais pontos do documento. Rastreando a revolução sexual na Alemanha e na Áustria por meio de um relato de filmes de sexo patrocinados pelo Estado para crianças e jovens que mostram relações sexuais, a carta do papa Bento 16 observa a traição dos teólogos em relação à rejeição do conceito de mal intrínseco - o conceito que existe são "ações que sempre e sob todas as circunstâncias devem ser classificadas como más". Bento XVI lembra como a encíclica Veritatis Splendor do papa São Paulo II foi denunciada pelo principal teólogo alemão por causa de sua inclusão do mal intrínseco. Explicando o conceito em defesa do papa John Paul, Benedict escreve: “[John Paul] sabia que não devia deixar dúvidas sobre o fato de que o cálculo moral envolvido no equilíbrio de mercadorias deve respeitar um limite final. Existem produtos que nunca estão sujeitos a trocas. Existem valores que nunca devem ser abandonados por um valor maior e até superam a preservação da vida física. Há martírio. Deus é (sobre) mais do que mera sobrevivência física. Uma vida que seria comprada pela negação de Deus, uma vida baseada em uma mentira final, é uma não-vida. ” Voltando à corrupção moral do clero, Bento XVI escreve que, durante os anos 1960, "em vários seminários foram estabelecidas cliques homossexuais, que agiam de maneira mais ou menos aberta e significativamente alteravam o clima nos seminários". Ele observa que quando o Vaticano tentou investigar essas coisas foram bloqueadas. De uma posição aparentemente desapegada, Bento XVI observa que os “critérios para a seleção e nomeação de bispos também foram alterados após o Concílio Vaticano II ... Acima de tudo, um critério para a nomeação de novos bispos era agora sua 'conciliaridade'”. : “De fato, em muitas partes da Igreja, as atitudes conciliares eram entendidas como tendo uma atitude crítica ou negativa em relação à tradição até então existente, que agora seria substituída por uma nova e radicalmente aberta relação com o mundo.” Dando um exemplo, o Papa Emérito relata: “Um bispo (a quem ele não menciona), que havia sido reitor do seminário, havia providenciado para que os seminaristas fossem exibidos filmes pornográficos, supostamente com a intenção de torná-los resistentes ao comportamento contrário. para a fé. " Resumindo em um parágrafo a gravidade do problema que Bento XVI escreve: Havia - não apenas nos Estados Unidos da América - bispos individuais que rejeitaram a tradição católica como um todo e procuraram criar um tipo de "catolicidade" nova e moderna em suas dioceses. Talvez valha a pena mencionar que em poucos seminários os alunos que foram pegos lendo meus livros foram considerados inadequados para o sacerdócio. Meus livros estavam escondidos, como literatura ruim, e lidos apenas debaixo da mesa. O papa Emérito lembra as palavras de Jesus: "Quem faz um desses pequeninos que acreditam em mim pecar, seria melhor para ele se uma grande pedra de moinho fosse pendurada no pescoço e ele fosse jogado no mar" (Marcos 9 : 42) relacionando-os a um abuso da fé. “A frase 'os pequenos' na linguagem de Jesus significa os crentes comuns que podem ser confundidos em sua fé pela arrogância intelectual daqueles que pensam que são espertos. Então, aqui Jesus protege o depósito da fé com uma ameaça enfática de punição para aqueles que fazem mal ”, explica Bento. Citações principais sobre a solução para a crise A força contrária contra o mal, que ameaça a nós e ao mundo inteiro, só pode consistir em entrar nesse amor [de Deus]. É a verdadeira força contrária contra o mal. O poder do mal surge da nossa recusa em amar a Deus. Aquele que se confia ao amor de Deus é redimido. Nosso ser não redimido é uma conseqüência de nossa incapacidade de amar a Deus. Aprender a amar a Deus é, portanto, o caminho da redenção humana. ”Quando Deus morre em uma sociedade, ela se torna livre, estávamos certos. Na realidade, a morte de Deus em uma sociedade também significa o fim da liberdade, porque o que morre é o propósito que fornece orientação. E porque a bússola desaparece, isso nos indica a direção certa, ensinando-nos a distinguir o bem do mal. Esse é o caso da pedofilia. Foi teorizado há pouco tempo como bastante legítimo, mas se espalhou cada vez mais. E agora percebemos com choque que as coisas estão acontecendo com nossos filhos e jovens que ameaçam destruí-los. O fato de isso também poder se espalhar na Igreja e entre os padres deve nos perturbar em particular. Por que a pedofilia atingiu tais proporções? Por fim, a razão é a ausência de Deus. Nós, cristãos e padres, também preferimos não falar de Deus, porque esse discurso não parece prático. Uma tarefa primordial, que deve resultar das convulsões morais de nosso tempo, é que nós mesmos novamente voltemos a viver por Deus e por Ele. Acima de tudo, nós mesmos devemos aprender novamente a reconhecer Deus como o fundamento de nossa vida, em vez de deixá-Lo de lado como uma frase de alguma forma ineficaz. Não desvalorize a presença verdadeira, oferecendo-a como cortesia O Papa Bento XVI vincula a crise ao desrespeito a Jesus na Santa Eucaristia. O Papa Emérito fala de “quão pouco nós, cristãos de hoje, ainda sabemos sobre apreciar a grandeza do dom que consiste em Sua Presença Real”, observando que a “Eucaristia é desvalorizada em um mero gesto cerimonial quando é dado como certo que a cortesia exige Ele deve ser oferecido em celebrações familiares ou em ocasiões como casamentos e funerais a todos os convidados por motivos familiares. ” “O que é necessário antes de mais nada”, diz o Papa Bento XVI, “é a renovação da fé na realidade de Jesus Cristo dada a nós no Santíssimo Sacramento.” Ele acrescenta: “devemos fazer tudo o que pudermos para proteger o dom da Santa Eucaristia por abuso. Bento XVI conclui a advertência contra a tentação do diabo de ver a Igreja como "inteiramente má" e, assim, criar uma nova "Igreja melhor" de nossa própria autoria. “A idéia de uma Igreja melhor, criada por nós mesmos, é de fato uma proposta do diabo, com a qual ele quer nos afastar do Deus vivo, através de uma lógica enganosa pela qual somos enganados com muita facilidade”, escreve ele. Bento XVI diz que, embora existam peixes e ervas daninhas ruins na Igreja, a “Igreja de Deus também existe hoje, e hoje é o próprio instrumento através do qual Deus nos salva”. "É muito importante opor-se às mentiras e meias-verdades do diabo com toda a verdade: sim, há pecado na Igreja e o mal", conclui Bento. "Mas ainda hoje existe a Santa Igreja, que é indestrutível." Apesar de muitas passagens da carta poderem ser lidas como uma crítica ao Papa Francisco, particularmente a seção sobre a desvalorização da Eucaristia ao permitir sua recepção indiscriminada, Bento encerra sua carta com este elogio ao Papa Francisco. “No final das minhas reflexões, gostaria de agradecer ao Papa Francisco por tudo o que ele faz para nos mostrar, repetidas vezes, a luz de Deus, que não desapareceu até hoje. Obrigado Santo Padre! Fontes: Life Site News
- PAPA EMÉRITO BENTO XVI QUEBRA SILÊNCIO SOBRE CRISE DE ABUSO: TEXTO COMPLETO
Igreja Católica , Escândalos De Abuso Sexual Do Clero , Lei Natural , Carta De Crise Do Abuso Do Papa Benedict , Papa Beneditino Xvi , Escândalos De Abuso Sexual Leia: Principais sugestões da carta do Papa Bento XVI sobre crise de abuso 10 de abril de 2019 ( EWTN ) - De 21 a 24 de fevereiro, a convite do Papa Francisco, os presidentes das conferências episcopais do mundo se reuniram no Vaticano para discutir a atual crise da fé e da Igreja; uma crise experimentada em todo o mundo após revelações chocantes de abuso de escritório perpetrado contra menores. A extensão e a gravidade dos incidentes relatados causam angústia tanto aos sacerdotes quanto aos leigos, e levou mais do que alguns a questionar a própria fé da Igreja. Era necessário enviar uma mensagem forte e buscar um novo começo, para tornar a Igreja novamente verdadeiramente credível como luz entre os povos e como força a serviço dos poderes de destruição. Como eu mesmo havia exercido uma posição de responsabilidade como pastor da Igreja no momento do surto público da crise, e durante o período que antecedeu a ela, tive que me perguntar - mesmo que, como emérito, não sou mais diretamente responsável - o que eu poderia contribuir para um novo começo. Assim, depois que a reunião dos presidentes das conferências episcopais foi anunciada, compilei algumas notas pelas quais poderia contribuir com uma ou duas observações para ajudar nesta hora difícil. Tendo entrado em contato com o Secretário de Estado, o Cardeal [Pietro] Parolin e o próprio Santo Padre [Papa Francisco], parecia apropriado publicar este texto no Klerusblatt [um periódico mensal para o clero na maioria das dioceses da Baviera]. Meu trabalho está dividido em três partes. Na primeira parte, pretendo apresentar brevemente o contexto social mais amplo da questão, sem o qual o problema não pode ser entendido. Tento mostrar que, na década de 1960, ocorreu um evento flagrante, em uma escala sem precedentes na história. Pode-se dizer que, nos 20 anos de 1960 a 1980, os padrões anteriormente normativos em relação à sexualidade entraram em colapso por completo e surgiu uma nova normalidade que até agora foi objeto de trabalhosas tentativas de rompimento. Na segunda parte, pretendo apontar os efeitos dessa situação na formação dos padres e na vida dos padres. Finalmente, na terceira parte, gostaria de desenvolver algumas perspectivas para uma resposta adequada por parte da Igreja. EU. (1) O assunto começa com a introdução prescrita e apoiada pelo estado de crianças e jovens na natureza da sexualidade. Na Alemanha, a então ministra da Saúde, [Käte] Strobel, fez um filme no qual tudo o que anteriormente não tinha permissão para ser exibido publicamente, incluindo as relações sexuais, agora era exibido para fins educacionais. O que inicialmente se destinava apenas à educação sexual dos jovens foi conseqüentemente amplamente aceito como uma opção viável. Efeitos semelhantes foram alcançados pelo “Sexkoffer” publicado pelo governo austríaco [Uma polêmica 'mala' de materiais de educação sexual usada nas escolas austríacas no final dos anos 80]. Os filmes sexuais e pornográficos tornaram-se uma ocorrência comum, a ponto de serem exibidos nos cinemas [ Bahnhofskinos ]. Ainda me lembro de ter visto, enquanto caminhava pela cidade de Regensburg, um dia, multidões de pessoas em fila diante de um grande cinema, algo que antes só vimos em tempos de guerra, quando se esperava uma alocação especial. Lembro-me também de ter chegado à cidade na Sexta-feira Santa no ano de 1970 e visto todos os outdoors com um grande cartaz de duas pessoas completamente nuas em um abraço próximo. Entre as liberdades pelas quais a Revolução de 1968 procurava lutar estava essa liberdade sexual total, uma que não concedia mais nenhuma norma. O colapso mental também estava ligado a uma propensão à violência. É por isso que filmes sexuais não eram mais permitidos em aviões, porque a violência irrompeu entre a pequena comunidade de passageiros. E como as roupas da época provocaram igualmente agressão, os diretores da escola também tentaram introduzir uniformes escolares com o objetivo de facilitar o clima de aprendizado. Parte da fisionomia da Revolução de 68 foi que a pedofilia também foi diagnosticada como permitida e apropriada. Para os jovens da Igreja, mas não apenas para eles, esse foi de muitas maneiras um momento muito difícil. Sempre me perguntei como os jovens nessa situação poderiam abordar o sacerdócio e aceitá-lo, com todas as suas ramificações. O extenso colapso da próxima geração de padres naqueles anos e o número muito elevado de laicizações foram conseqüências de todos esses desenvolvimentos. (2) Ao mesmo tempo, independentemente desse desenvolvimento, a teologia moral católica sofreu um colapso que tornou a Igreja indefesa contra essas mudanças na sociedade. Vou tentar descrever brevemente a trajetória desse desenvolvimento. Até o Concílio Vaticano II, a teologia moral católica era amplamente fundamentada na lei natural, enquanto as Escrituras Sagradas eram citadas apenas para antecedentes ou fundamentação. Na luta do Conselho por um novo entendimento do Apocalipse, a opção da lei natural foi largamente abandonada, e uma teologia moral baseada inteiramente na Bíblia foi exigida. Ainda me lembro de como a faculdade jesuíta de Frankfurt treinou um jovem pai altamente dotado (Bruno Schüller) com o objetivo de desenvolver uma moralidade baseada inteiramente nas Escrituras. A bela dissertação de Padre Schüller mostra um primeiro passo para a construção de uma moralidade baseada nas Escrituras. O padre Schüller foi então enviado à América para estudos adicionais e voltou com a constatação de que somente a Bíblia não podia expressar sistematicamente a moralidade. Ele então tentou uma teologia moral mais pragmática, sem ser capaz de responder à crise da moralidade. No final, foi principalmente a hipótese de que a moralidade deveria ser determinada exclusivamente pelos propósitos da ação humana que prevaleciam. Enquanto a antiga frase “o fim justifica os meios” não foi confirmada dessa forma grosseira, seu modo de pensar se tornou definitivo. Consequentemente, não havia mais nada que constituísse um bem absoluto, mais do que algo fundamentalmente mau; [poderia haver] apenas julgamentos de valor relativo. Não havia mais o bem [absoluto], mas apenas o relativamente melhor, dependente do momento e das circunstâncias. A crise da justificação e apresentação da moralidade católica atingiu proporções dramáticas no final dos anos 80 e 90. Em 5 de janeiro de 1989, foi publicada a “Declaração de Colônia”, assinada por 15 professores de teologia católicos. Centrou-se em vários pontos de crise na relação entre o magistério episcopal e a tarefa da teologia. [As reações a] este texto, que a princípio não se estenderam além do nível usual de protestos, rapidamente se transformaram em protestos contra o Magistério da Igreja e reuniram, de maneira audível e visível, o potencial de protesto global contra os textos doutrinários esperados de João. Paulo II (cf. D. Mieth, Kölner Erklärung, LThK, VI 3 , p. 196) [LTHK é o Lexikon für Theologie und Kirche, um “Lexicon of Theology and the Church” em língua alemã, cujos editores incluíam Karl Rahner e o cardeal Walter Kasper.] O papa João Paulo II, que conhecia muito bem a situação da teologia moral e a seguiu de perto, encomendou uma encíclica que colocaria essas coisas de novo em ordem. Foi publicado sob o título “ Veritatis splendor ” em 6 de agosto de 1993 e provocou reações veementes por parte dos teólogos morais. Antes dele, o “Catecismo da Igreja Católica” já apresentava de maneira persuasiva, de maneira sistemática, a moralidade proclamada pela Igreja. Nunca esquecerei como o então teólogo moral alemão Franz Böckle, que, retornando à Suíça natal após sua aposentadoria, anunciou em vista das possíveis decisões da encíclica “ Veritatis splendor ” que, se a encíclica determinasse a existência de ações que sempre e sob todas as circunstâncias fossem classificadas como más, ele a desafiaria com todos os recursos à sua disposição. Foi Deus, o Misericordioso, que o poupou de ter que pôr em prática sua resolução; Böckle morreu em 8 de julho de 1991. A encíclica foi publicada em 6 de agosto de 1993 e de fato incluiu a determinação de que havia ações que nunca poderiam se tornar boas. O papa estava plenamente consciente da importância dessa decisão naquele momento e, para esta parte de seu texto, consultou novamente os principais especialistas que não participaram da edição da encíclica. Ele sabia que não devia deixar dúvidas sobre o fato de que o cálculo moral envolvido no equilíbrio de mercadorias deve respeitar um limite final. Existem produtos que nunca estão sujeitos a trocas. Existem valores que nunca devem ser abandonados por um valor maior e até superam a preservação da vida física. Há martírio. Deus é mais do que mera sobrevivência física. Uma vida que seria comprada pela negação de Deus, uma vida baseada em uma mentira final, é uma não-vida. O martírio é uma categoria básica da existência cristã. O fato de o martírio não ser mais moralmente necessário na teoria defendida por Böckle e muitos outros mostra que a própria essência do cristianismo está em jogo aqui. Na teologia moral, entretanto, outra questão havia se tornado premente: a hipótese de que o Magistério da Igreja deveria ter competência final (“infalibilidade”) apenas em assuntos relativos à própria fé, ganhou ampla aceitação; (nesta visão) questões relativas à moralidade não devem se enquadrar no escopo de decisões infalíveis do Magistério da Igreja. Provavelmente, existe algo certo nessa hipótese que justifique uma discussão mais aprofundada. Mas há um conjunto mínimo de costumes que é indissoluvelmente vinculado ao princípio fundamental da fé e que deve ser defendido para que a fé não seja reduzida a uma teoria, mas seja reconhecida na sua reivindicação à vida concreta. Tudo isso torna aparente o quão fundamentalmente a autoridade da Igreja em questões de moralidade é posta em causa. Aqueles que negam à Igreja uma competência final de ensino nessa área obrigam-na a permanecer em silêncio precisamente onde está em jogo o limite entre verdade e mentira. Independentemente desta questão, em muitos círculos da teologia moral foi exposta a hipótese de que a Igreja não tem e não pode ter sua própria moralidade. O argumento é que todas as hipóteses morais também teriam paralelos em outras religiões e, portanto, uma propriedade cristã da moralidade não poderia existir. Mas a questão da natureza única de uma moralidade bíblica não é respondida pelo fato de que, para cada frase em algum lugar, um paralelo também pode ser encontrado em outras religiões. Pelo contrário, trata-se de toda a moralidade bíblica, que, como tal, é nova e diferente de suas partes individuais. A doutrina moral das Sagradas Escrituras tem sua singularidade, em última análise, baseada em se apegar à imagem de Deus, na fé naquele Deus que se mostrou em Jesus Cristo e que viveu como ser humano. O Decálogo é uma aplicação da fé bíblica em Deus à vida humana. A imagem de Deus e a moralidade estão juntas e, portanto, resultam na mudança particular da atitude cristã em relação ao mundo e à vida humana. Além disso, o cristianismo tem sido descrito desde o início com a palavra hodós [grego para uma estrada, no Novo Testamento freqüentemente usado no sentido de um caminho de progresso]. A fé é uma jornada e um modo de vida. Na igreja antiga, o catecumenato foi criado como um habitat contra uma cultura cada vez mais desmoralizada, na qual eram praticados os aspectos distintos e frescos do modo de vida cristão e, ao mesmo tempo, protegido do modo de vida comum. Penso que ainda hoje são necessárias comunidades catecumenais para que a vida cristã se afirme à sua maneira. II Reações eclesiais iniciais (1) O processo de dissolução do conceito cristão de moralidade, há muito tempo, foi marcado, como tentei mostrar, por um radicalismo sem precedentes na década de 1960. Essa dissolução da autoridade de ensino moral da Igreja necessariamente teve que ter um efeito nas diversas áreas da Igreja. No contexto da reunião dos presidentes das conferências episcopais de todo o mundo com o Papa Francisco, a questão da vida sacerdotal, bem como a dos seminários, é de particular interesse. No que diz respeito ao problema da preparação para o ministério sacerdotal nos seminários, há de fato um colapso abrangente da forma anterior dessa preparação. Em vários seminários, foram estabelecidas panelinhas homossexuais, que agiram de maneira mais ou menos aberta e mudaram significativamente o clima nos seminários. Em um seminário no sul da Alemanha, candidatos ao sacerdócio e candidatos ao ministério leigo do especialista pastoral [ pastoral referente ] moravam juntos. Nas refeições comuns, seminaristas e especialistas em pastoral comiam juntos, os casados entre os leigos às vezes acompanhados por suas esposas e filhos e, ocasionalmente, por suas namoradas. O clima neste seminário não poderia fornecer apoio para a preparação da vocação sacerdotal. A Santa Sé sabia de tais problemas, sem ser informada com precisão. Como primeiro passo, foi organizada uma visita apostólica de seminários nos Estados Unidos. Como os critérios para a seleção e nomeação de bispos também foram alterados após o Concílio Vaticano II, a relação dos bispos com seus seminários também era muito diferente. Acima de tudo, um critério para a nomeação de novos bispos era agora a sua "conciliaridade", que obviamente poderia ser entendida como significando coisas bastante diferentes. De fato, em muitas partes da Igreja, as atitudes conciliares eram entendidas como tendo uma atitude crítica ou negativa em relação à tradição até então existente, que agora seria substituída por um novo relacionamento radicalmente aberto com o mundo. Um bispo, que havia sido reitor do seminário, havia providenciado para que os seminaristas fossem exibidos filmes pornográficos, supostamente com a intenção de torná-los resistentes a comportamentos contrários à fé. Havia - não apenas nos Estados Unidos da América - bispos individuais que rejeitaram a tradição católica como um todo e procuraram criar um tipo de “catolicidade” nova e moderna em suas dioceses. Talvez valha a pena mencionar que em poucos seminários os alunos que foram pegos lendo meus livros foram considerados inadequados para o sacerdócio. Meus livros estavam escondidos, como literatura ruim, e lidos apenas debaixo da mesa. A Visitação que agora ocorreu não trouxe novas idéias, aparentemente porque vários poderes se uniram para ocultar a verdadeira situação. Uma segunda visita foi encomendada e trouxe consideravelmente mais insights, mas no geral não conseguiu alcançar nenhum resultado. No entanto, desde a década de 1970, a situação nos seminários geralmente melhorou. E, no entanto, apenas casos isolados de um novo fortalecimento das vocações sacerdotais surgiram, pois a situação geral havia mudado de direção. (2) A questão da pedofilia, pelo que me lembro, não se tornou aguda até a segunda metade da década de 80. Enquanto isso, já se tornara uma questão pública nos EUA, de modo que os bispos de Roma procuraram ajuda, uma vez que o direito canônico, como está escrito no novo Código (1983), não parecia suficiente para tomar as medidas necessárias. Roma e os canonistas romanos tiveram dificuldades com essas preocupações; na opinião deles, a suspensão temporária do ofício sacerdotal deveria ser suficiente para produzir purificação e esclarecimento. Isso não pôde ser aceito pelos bispos americanos, porque os padres permaneceram a serviço do bispo e, portanto, puderam ser considerados [ainda] diretamente associados a ele. Apenas lentamente, a renovação e o aprofundamento da lei criminal deliberadamente vagamente construída do novo Código começaram a tomar forma. Além disso, porém, havia um problema fundamental na percepção do direito penal. Somente o chamado garantidorismo [uma espécie de protecionismo processual] ainda era considerado "conciliar". Isso significa que, acima de tudo, os direitos do acusado tinham que ser garantidos, a ponto de excluir de fato qualquer condenação. Como contrapeso às opções de defesa muitas vezes inadequadas disponíveis para os teólogos acusados, seu direito à defesa por garantia foi estendido a tal ponto que as condenações eram quase impossíveis. Permita-me uma breve excursão neste momento. À luz da escala da má conduta pedofílica, uma palavra de Jesus voltou a chamar a atenção, dizendo: “Quem faz um desses pequeninos que acreditam em mim pecar, seria melhor para ele se uma grande pedra de moinho estivesse pendurada em sua pescoço e ele foi jogado no mar ”(Marcos 9:42). A frase “os pequenos” na linguagem de Jesus significa os crentes comuns que podem ser confundidos em sua fé pela arrogância intelectual daqueles que se consideram espertos. Então aqui Jesus protege o depósito da fé com uma enfática ameaça de punição para aqueles que o prejudicam. O uso moderno da frase em si não está errado, mas não deve obscurecer o significado original. Nesse sentido, fica claro, contrariamente a qualquer garantidorismo, que não é apenas o direito do acusado que é importante e exige uma garantia. Grandes bens como a fé são igualmente importantes. Uma lei canônica equilibrada que corresponde a toda a mensagem de Jesus deve, portanto, não apenas garantir o acusado, o respeito por quem é um bem legal. Também deve proteger a Fé, que também é um ativo legal importante. Uma lei canônica devidamente formada deve, portanto, conter uma dupla garantia - proteção legal do acusado, proteção legal do bem em jogo. Se hoje se apresenta essa concepção inerentemente clara, geralmente cai em ouvidos surdos quando se trata da questão da proteção da Fé como um bem legal. Na consciência geral da lei, a Fé não parece mais ter a classificação de um bem que requer proteção. Esta é uma situação alarmante que deve ser considerada e levada a sério pelos pastores da Igreja. Gostaria agora de acrescentar, às breves notas sobre a situação da formação sacerdotal no momento da eclosão pública da crise, algumas observações sobre o desenvolvimento do direito canônico nesta matéria. Em princípio, a Congregação do Clero é responsável por lidar com os crimes cometidos pelos padres. Mas como o garantidorismo dominou a situação em grande parte na época, concordei com o papa João Paulo II que era apropriado atribuir a competência para esses delitos à Congregação para a Doutrina da Fé, sob o título “ Delicta maiora contra fidem . " Esse arranjo também possibilitou impor a penalidade máxima, ou seja, expulsão do clero, que não poderia ter sido imposta sob outras disposições legais. Este não foi um truque para poder impor a penalidade máxima, mas é uma consequência da importância da Fé para a Igreja. De fato, é importante ver que tal má conduta dos clérigos prejudica a Fé. Somente onde a fé não determina mais as ações do homem, essas ofensas são possíveis. A severidade da punição, no entanto, também pressupõe uma prova clara da ofensa - esse aspecto do garantidorismo permanece em vigor. Em outras palavras, para impor a pena máxima legalmente, é necessário um processo criminal genuíno. Mas tanto as dioceses quanto a Santa Sé ficaram sobrecarregadas com tal exigência. Por isso, formulamos um nível mínimo de processo criminal e deixamos em aberto a possibilidade de a própria Santa Sé assumir o julgamento, onde a diocese ou a administração metropolitana é incapaz de fazê-lo. Em cada caso, o julgamento teria que ser revisto pela Congregação para a Doutrina da Fé, a fim de garantir os direitos dos acusados. Finalmente, na Féria IV (ou seja, a assembléia dos membros da Congregação), estabelecemos uma instância de apelação a fim de prever a possibilidade de apelação. Porque tudo isso realmente foi além das capacidades da Congregação para a Doutrina da Fé, e porque surgiram atrasos que precisavam ser evitados devido à natureza da questão, o Papa Francisco empreendeu reformas adicionais. III (1) O que deve ser feito? Talvez devêssemos criar outra igreja para que as coisas funcionassem? Bem, esse experimento já foi realizado e já falhou. Somente a obediência e o amor a nosso Senhor Jesus Cristo podem indicar o caminho. Então, primeiro tentemos entender de novo e de dentro [de nós mesmos] o que o Senhor deseja e deseja conosco. Primeiro, sugiro o seguinte: Se realmente quiséssemos resumir muito brevemente o conteúdo da Fé, conforme estabelecido na Bíblia, poderíamos fazê-lo dizendo que o Senhor iniciou uma narrativa de amor conosco e deseja incluir tudo criação nele. A força contrária ao mal, que ameaça a nós e ao mundo inteiro, pode consistir apenas em nossa entrada nesse amor. É a verdadeira força contrária contra o mal. O poder do mal surge da nossa recusa em amar a Deus. Aquele que se confia ao amor de Deus é redimido. Nosso ser não redimido é uma conseqüência de nossa incapacidade de amar a Deus. Aprender a amar a Deus é, portanto, o caminho da redenção humana. Vamos agora tentar descompactar um pouco mais esse conteúdo essencial da revelação de Deus. Podemos então dizer que o primeiro presente fundamental que a fé nos oferece é a certeza de que Deus existe. Um mundo sem Deus só pode ser um mundo sem significado. Para onde, então, tudo o que vem é? De qualquer forma, não tem propósito espiritual. De alguma forma, está simplesmente lá e não tem objetivo nem sentido. Então não há padrões de bem ou mal. Então somente o que é mais forte que o outro pode se afirmar. O poder é então o único princípio. A verdade não conta, na verdade não existe. Somente se as coisas tiverem uma razão espiritual, forem pretendidas e concebidas - somente se houver um Deus Criador que seja bom e deseje o bem - a vida do homem também terá significado. O fato de haver Deus como criador e como a medida de todas as coisas é, antes de tudo, uma necessidade primordial. Mas um Deus que não se expressaria, que não se tornaria conhecido, continuaria sendo uma presunção e, portanto, não poderia determinar a forma [ Gestalt ] de nossa vida. Mas um Deus que não se expressaria, que não se faria conhecido, continuaria sendo uma suposição e, portanto, não poderia determinar a forma de nossa vida. Para que Deus seja realmente Deus nesta criação deliberada, devemos procurar que Ele se expresse de alguma maneira. Ele o fez de várias maneiras, mas decisivamente no chamado que foi a Abraão e deu às pessoas em busca de Deus a orientação que leva além de todas as expectativas: o próprio Deus se torna criatura, fala como homem conosco, seres humanos. Dessa maneira, a frase “Deus é” se transforma em uma mensagem verdadeiramente alegre, precisamente porque Ele é mais do que compreensivo, porque Ele cria - e é - amor. Mais uma vez, conscientizar as pessoas sobre isso é a primeira e fundamental tarefa que o Senhor nos confiou. Uma sociedade sem Deus - uma sociedade que não o conhece e o trata como inexistente - é uma sociedade que perde sua medida. Em nossos dias, o slogan da morte de Deus foi cunhado. Quando Deus morre em uma sociedade, ela se torna livre, estávamos certos. Na realidade, a morte de Deus em uma sociedade também significa o fim da liberdade, porque o que morre é o propósito que fornece orientação. E porque a bússola desaparece, isso nos indica a direção certa, ensinando-nos a distinguir o bem do mal. A sociedade ocidental é uma sociedade em que Deus está ausente na esfera pública e não tem mais nada a oferecer. E é por isso que é uma sociedade em que a medida da humanidade está cada vez mais perdida. Em pontos individuais, torna-se subitamente evidente que o que é mau e destrói o homem se tornou uma questão de curso. Esse é o caso da pedofilia. Foi teorizado há pouco tempo como bastante legítimo, mas se espalhou cada vez mais. E agora percebemos com choque que as coisas estão acontecendo com nossos filhos e jovens que ameaçam destruí-los. O fato de isso também poder se espalhar na Igreja e entre os padres deve nos perturbar em particular. Por que a pedofilia atingiu tais proporções? Por fim, a razão é a ausência de Deus. Nós, cristãos e padres, também preferimos não falar de Deus, porque esse discurso não parece prático. Após a revolta da Segunda Guerra Mundial, nós na Alemanha ainda tínhamos expressamente colocado nossa Constituição sob a responsabilidade de Deus como um princípio orientador. Meio século depois, não era mais possível incluir a responsabilidade perante Deus como princípio norteador na constituição européia. Deus é considerado a preocupação do partido de um pequeno grupo e não pode mais permanecer como o princípio orientador da comunidade como um todo. Essa decisão reflete a situação no Ocidente, onde Deus se tornou assunto privado de uma minoria. Uma tarefa primordial, que deve resultar das convulsões morais de nosso tempo, é que nós mesmos novamente voltemos a viver por Deus e por Ele. Acima de tudo, nós mesmos devemos aprender novamente a reconhecer Deus como o fundamento de nossa vida, em vez de deixá-Lo de lado como uma frase de alguma forma ineficaz. Nunca esquecerei o aviso que o grande teólogo Hans Urs von Balthasar me escreveu uma vez em um de seus cartões de cartas. "Não pressuponha o Deus trino, Pai, Filho e Espírito Santo, mas apresente-os!" De fato, na teologia, Deus é frequentemente dado como certo como uma questão de disciplina, mas concretamente não se lida com ele. O tema de Deus parece tão irreal, tão distante das coisas que nos preocupam. E, no entanto, tudo se torna diferente se alguém não pressupõe, mas apresenta Deus. De alguma forma, não O deixando em segundo plano, mas reconhecendo-O como o centro de nossos pensamentos, palavras e ações. (2) Deus se tornou homem para nós. O homem, como Sua criatura, está tão próximo de Seu coração que se uniu a ele e, assim, entrou na história humana de uma maneira muito prática. Ele fala conosco, vive conosco, sofre conosco e levou a morte sobre si por nós. Falamos sobre isso em detalhes na teologia, com palavras e pensamentos aprendidos. Mas é precisamente dessa maneira que corremos o risco de nos tornarmos mestres da fé, em vez de sermos renovados e dominados pela fé. Vamos considerar isso em relação a uma questão central, a celebração da Santa Eucaristia. Nosso manejo da Eucaristia só pode suscitar preocupações. O Concílio Vaticano II concentrou-se corretamente em devolver este sacramento da Presença do Corpo e Sangue de Cristo, da Presença de Sua Pessoa, de Sua Paixão, Morte e Ressurreição, ao centro da vida cristã e da própria existência da Igreja. . Em parte, isso realmente aconteceu, e devemos ser muito gratos ao Senhor por isso. E, no entanto, uma atitude bastante diferente é predominante. O que predomina não é uma nova reverência pela presença da morte e ressurreição de Cristo, mas uma maneira de lidar com Ele que destrói a grandeza do Mistério. A participação declinante na celebração eucarística de domingo mostra o quão pouco nós, cristãos de hoje, ainda sabemos sobre apreciar a grandeza do dom que consiste em Sua Presença Real. A Eucaristia é desvalorizada em um mero gesto cerimonial quando é dado como certo que a cortesia exige que Ele seja oferecido em celebrações familiares ou em ocasiões como casamentos e funerais a todos os convidados por razões familiares. A maneira como as pessoas geralmente simplesmente recebem o Santo Sacramento em comunhão normalmente mostra que muitos vêem a comunhão como um gesto puramente cerimonial. Portanto, ao pensar sobre que ação é necessária, acima de tudo, é óbvio que não precisamos de outra Igreja de nosso próprio projeto. Antes, o que é necessário, antes de tudo, é a renovação da fé na realidade de Jesus Cristo dada a nós no Santíssimo Sacramento. Em conversas com vítimas de pedofilia, tomei consciência desse primeiro e mais importante requisito. Uma jovem que era ex-servidor de altar me disse que o capelão, seu superior como servidor de altar, sempre introduzia o abuso sexual que estava cometendo contra ela com as palavras: “Este é o meu corpo que será entregue a você. . ” É óbvio que essa mulher não pode mais ouvir as próprias palavras de consagração sem experimentar novamente toda a terrível angústia de seu abuso. Sim, precisamos implorar urgentemente ao Senhor por perdão, e antes de mais nada, devemos jurar por Ele e pedir que Ele nos ensine a todos novamente a entender a grandeza de Seu sofrimento, Seu sacrifício. E devemos fazer tudo o que pudermos para proteger o dom da Santa Eucaristia de abusos. (3) E finalmente, há o mistério da igreja. A frase com a qual Romano Guardini, quase 100 anos atrás, expressava a alegre esperança que foi incutida nele e em muitas outras, permanece inesquecível: “Um evento de importância incalculável começou; a Igreja está despertando nas almas. ” Ele queria dizer que a Igreja não era mais experimentada e percebida como meramente um sistema externo que entra em nossas vidas, como um tipo de autoridade, mas, ao contrário, começou a ser percebida como estando presente no coração das pessoas - como algo não apenas externo, mas internamente nos movendo. Cerca de meio século depois, ao reconsiderar esse processo e ver o que estava acontecendo, senti-me tentado a reverter a frase: "A Igreja está morrendo em almas". De fato, a Igreja hoje é amplamente considerada apenas algum tipo de aparato político. Fala-se quase exclusivamente em categorias políticas, e isso se aplica até aos bispos, que formulam sua concepção da igreja do amanhã quase exclusivamente em termos políticos. A crise, causada pelos muitos casos de abuso clerical, insta-nos a considerar a Igreja como algo quase inaceitável, que devemos agora tomar em nossas próprias mãos e redesenhar. Mas uma Igreja criada por si mesma não pode constituir esperança. O próprio Jesus comparou a Igreja a uma rede de pesca na qual peixes bons e ruins são finalmente separados pelo próprio Deus. Há também a parábola da Igreja como um campo no qual crescem os bons grãos que o próprio Deus semeou, mas também as ervas daninhas que "um inimigo" semeou secretamente sobre ele. De fato, as ervas daninhas no campo de Deus, a Igreja, são excessivamente visíveis, e os peixes maus na rede também mostram sua força. No entanto, o campo ainda é o campo de Deus e a rede é a rede de pesca de Deus. E em todos os momentos, não há apenas as ervas daninhas e os peixes maus, mas também as colheitas de Deus e os bons peixes. Proclamar ambos com ênfase não é uma forma falsa de apologética, mas um serviço necessário à Verdade. Nesse contexto, é necessário referir-se a um texto importante no Apocalipse de São João. O diabo é identificado como o acusador que acusa nossos irmãos diante de Deus dia e noite (Apocalipse 12:10). O Apocalipse de São João retoma, assim, um pensamento do centro da narrativa de enquadramento no Livro de Jó (Jó 1 e 2, 10; 42: 7-16). Nesse livro, o diabo procurou falar abaixo da justiça de Jó diante de Deus como sendo meramente externa. E é exatamente isso que o Apocalipse tem a dizer: o diabo quer provar que não há pessoas justas; que toda a justiça das pessoas é exibida apenas do lado de fora. Se alguém pudesse se aproximar de uma pessoa, a aparência de sua justiça desapareceria rapidamente. A narrativa em Jó começa com uma disputa entre Deus e o diabo, na qual Deus se referiu a Jó como um homem verdadeiramente justo. Ele agora deve ser usado como exemplo para testar quem está certo. Tire suas posses e você verá que nada resta da piedade dele, argumenta o diabo. Deus permite a ele essa tentativa, da qual Jó emerge positivamente. Agora o diabo empurra e ele diz: “Pele por pele! Tudo o que um homem tem, ele dará por sua vida. Agora, estenda a mão agora, e toque o osso e a carne dele, e ele te amaldiçoará ao teu rosto. ”(Jó 2: 4f) Deus concede ao diabo um segundo turno. Ele também pode tocar a pele de Jó. Apenas matar Jó é negado a ele. Para os cristãos, é claro que este Jó, que está diante de Deus como um exemplo para toda a humanidade, é Jesus Cristo. No Apocalipse de São João, o drama da humanidade é apresentado a nós em toda a sua amplitude. O Deus Criador é confrontado com o diabo que fala mal de toda a humanidade e de toda a criação. Ele diz, não apenas para Deus, mas sobretudo para as pessoas: Veja o que esse Deus fez. Supostamente uma boa criação, mas na realidade cheia de miséria e nojo. Essa depreciação da criação é realmente uma depreciação de Deus. Ele quer provar que o próprio Deus não é bom e, assim, desviar-nos dEle. A atualidade do que o Apocalipse está nos dizendo aqui é óbvia. Hoje, a acusação contra Deus é, acima de tudo, sobre caracterizar Sua Igreja como totalmente ruim e, assim, nos dissuadir dela. A ideia de uma Igreja melhor, criada por nós mesmos, é de fato uma proposta do diabo, com a qual ele deseja nos afastar do Deus vivo, através de uma lógica enganosa pela qual somos enganados com muita facilidade. Não, ainda hoje a Igreja não é apenas composta de peixes e ervas daninhas. A Igreja de Deus também existe hoje, e hoje é o próprio instrumento através do qual Deus nos salva. É muito importante opor-se às mentiras e meias-verdades do diabo com toda a verdade: Sim, há pecado na Igreja e o mal. Mas ainda hoje existe a Santa Igreja, que é indestrutível. Hoje existem muitas pessoas que humildemente acreditam, sofrem e amam, em quem o Deus real, o Deus amoroso, se mostra para nós. Hoje Deus também tem suas testemunhas ( mártires ) no mundo. Nós apenas temos que estar vigilantes para poder vê-los e ouvi-los. A palavra mártir é retirada do direito processual. No julgamento contra o diabo, Jesus Cristo é a primeira e verdadeira testemunha de Deus, o primeiro mártir, que desde então tem sido seguido por inúmeros outros. A Igreja de hoje é mais do que nunca uma "Igreja dos Mártires" e, portanto, uma testemunha do Deus vivo. Se olharmos em volta e ouvirmos com um coração atento, podemos encontrar testemunhas em todos os lugares hoje, especialmente entre pessoas comuns, mas também nas altas fileiras da Igreja, que defendem a Deus com sua vida e sofrimento. É uma inércia do coração que nos leva a não querer reconhecê-los. Uma das grandes e essenciais tarefas de nossa evangelização é, tanto quanto possível, estabelecer habitats de fé e, acima de tudo, encontrá-los e reconhecê-los. Eu moro em uma casa, em uma pequena comunidade de pessoas que descobrem essas testemunhas do Deus vivo repetidas vezes na vida cotidiana e que alegremente apontam isso para mim também. Ver e encontrar a Igreja viva é uma tarefa maravilhosa que nos fortalece e nos alegra em nossa fé várias vezes. No final das minhas reflexões, gostaria de agradecer ao Papa Francisco por tudo o que ele faz para nos mostrar, repetidas vezes, a luz de Deus, que não desapareceu ainda hoje. Obrigado Santo Padre! (Bento XVI) Traduzido por Anian Christoph Wimmer. As citações das Escrituras usam a Edição Revisada da Versão Católica (RSVCE). Este documento foi publicado originalmente por EWTN. Fontes: Life Site News Comentários sobre a Carta do Papa Bento VXI Por Professor Bellei Primeiro Vídeo - Apresentação Segundo Vídeo - Primeira Live Terceiro Vídeo - Segunda Live (Em breve...)
- The Revolt Against the Authority of God, the Church, the State and the Parents.
The modern world has to a great extent rejected the idea of authority, and therefore of obedience. In the early Christian ages, the authority of God, the Church, the state, and the parent was accepted, even though not always obeyed. The first break came with the rejection of the authority of the Church by the so-called Protestant Reformers. They declared that in religious matters man owed obedience to no one except God, that each individual had the right to interpret the Bible as he thought best, and that each man’s private conscience was the sole judge of right and wrong. Little by little this revolt against authority extended to other areas—to civil, educational, and family matters. It has been left to our own period to complete the revolt by a widespread rejection of the authority of God. The atheistic Communist denies that there is a God, and opposes all religion as the opium that lulls people to close their eyes to the material world. The modern pagan lives as though there was no God to Whom he is responsible for his actions. DEMOCRACY AND AUTHORITY This modern trend against the acceptance of authority is very common in liberal circles in the United States where it is cloaked under the term “democracy.” This word is often misused to convey the idea that everyman has a right to think what he pleases without any consideration of objective truth; to speak or write what he wishes without consideration of charity, justice, or the common welfare; to do what he desires without regard for moral right or wrong. This so-called democratic trend against authority has swept into the home. Treatises are written about democracy in family life. Suggestions are made that important family matters should be decided by majority vote of the members. So many parents obey their children that they give the appearance of believing that they have received their authority from the votes of these children. They act like anxious politicians who know that their continuance in office depends upon not offending their constituents. TEENAGERS AND OBEDIENCE This modern reversal of roles is seen especially in the relation between teenagers and their parents. Don’t misunderstand me. I like teenagers. I think that the vast majority of the have good sense. I don’t think that the modern generation is worse than their parents were in their teens. However,there is a growing tendency, which I consider unhealthy, to treat teenagers as a class apart, especially in the matter of obedience. So much emphasis has been placed in modern books on the danger of awakening rebellion in adolescents by over-strictness, that many modern parents are confused. They are afraid to discipline their teenagers; they feel that they must treat them very gently lest they turnout to be juvenile delinquents. They give into the wishes of their children and abandon the demand for obedience. There are, indeed, dangers in too great strictness; but there are equally grave dangers in too great leniency. Kindness and love must be tempered with firmness. Teenagers must be trained to recognize that, like all the rest of the human race,they are now,and during all their life will be, subject to authority in many forms—the authority of parents, of Church, of State, and of God. They must learn to understand the foundation upon which all authority rests,its necessity for human life,and the wisdom and obligation of submitting the individual’s personal desires to the just commands of superiors. (Thomas E. Tobin C.SS.R., “Who Obeys, You or Your Child?”)
- O SERVO SOFREDOR – Profeta Isaías
Eis que meu Servo prosperará, crescerá, elevar-se-á, será exaltado. Assim como, à sua vista, muitos ficaram embaraçados – tão desfigurado estava que havia perdido a aparência humana -, assim o admirarão muitos povos: os reis permanecerão mudos diante dele, porque verão o que nunca lhes tinha sido contado, e observarão um prodígio inaudito. Quem poderia acreditar nisso que ouvimos? A quem foi revelado o braço do Senhor? Cresceu diante dele como um pobre rebento enraizado numa terra árida; não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares, e seu aspecto não podia seduzir-nos. Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele. Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniqüidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual nosso caminho; o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós. Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. (Ele não abriu a boca.) Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender sua causa, quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado de meu povo? Foi-lhe dada sepultura ao lado de fascínoras e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma, e em sua boca nunca tenha havido mentira. Mas aprouve ao Senhor esmagá-lo pelo sofrimento; se ele oferecer sua vida em sacrifício expiatório, terá uma posteridade duradoura, prolongará seus dias, e a vontade do Senhor será por ele realizada. Após suportar em sua pessoa os tormentos, alegrar-se-á de conhecê-lo até o enlevo. O Justo, meu Servo, justificará muitos homens, e tomará sobre si suas iniqüidades. Eis por que lhe darei parte com os grandes, e ele dividirá a presa com os poderosos: porque ele próprio deu sua vida, e deixou-se colocar entre os criminosos, tomando sobre si os pecados de muitos homens, e intercedendo pelos culpados. (Isaías, final do cap. 52 e início do 53)
- O grande cisma da Igreja CatóIica e ortodoxa, uma questão política ou teológica?
O grande cisma da Igreja CatóIica e ortodoxa, uma questão política ou teológica? Ao longo da história, Constantinopla têm-se mostrado um patriarcado de pouca confiança, antes do grande cisma houveram pequenos cismas, Constantinopla já adotou a heresia Ariana, e por vários momentos mostra-se que não merece confiança, já selaram acordos com Roma para terminar o cisma, mas logo que conseguem sair de um momento de crise voltam a defender com toda sua arrogância ás questões que levaram ao grande cisma que foram orquestrados por Fócio e Miguel Cerulário, vejamos um desses momentos de acordo e também os grandes motivos para o grande cisma. Vinte e nove anos depois do primeiro concilio de Lyon celebrou-se nesta cidade um segundo, que é o décimo quarto ecumênico, e cujo objetivo principal foi a volta dos gregos à unidade católica. O patriarcado latino unido em Constantinopla acabara em 1261 com o reinado de Balduíno II, que foi expulso por Miguel Paléologo, primeiro imperador da última dinastia grega. Este príncipe, político astuto, precisando da proteção da santa sé, quer contra os maometanos, quer contra o rei da Sicília, que o ameaçava, trabalhou muito para a reunião da Igreja do Oriente com a Igreja latina. Neste intuito, o Papa Gregório X convidou o imperador do Oriente, bem como os outros príncipes católicos, a virem com os bispos gregos ao concílio geral de Lyon. Miguel não não foi, mas mandou embaixadores e vários bispos das primeiras sedes. A assembleia composta de quinze cardeais, quinhentos bispos, setenta abades, perto de mil doutores, e também dos embaixadores de França, Alemanha, da Inglaterra, e e do rei de Aragão pessoalmente. O concílio foi presidido pelo Papa e celebrou-se na catedral de S. João. Todos os prelados da Igreja latina foram ao encontro dos representantes da Igreja grega até fora da cidade, e os conduziram com grande solenidade no ao Papa, que lhes recebeu de pé o lhes deu o ósculo da paz com todos os sinais de um paternal afeto. De seu lado, os gregos tributaram ao Papa todas as homenagens devidas ao vigario de Jesus Cristo. Apresentaram as cartas do imperador e dos bispos do Oriente, e disseram, que vinham render toda. a obediência à Igreja romana e professor a mesma fé com ela. Logo depois da sua chegada, no dia da festa São Pedro, assistiram á missa, que o Papa celebrou na catedral, perante todo o concílio. O símbolo cantou-se primeiramente em latim; os gregos o cantaram depois na sua língua e repetiram três vezes estas palavras: Que procede do Pai e do Filho, Filioque procedit. Todo o orbe, católico exultou de alegria com o concilio de Lyon. S. Boaventura, que estava presente e foi encarregado do pregar o sermão da abertura, tomou para tema estas belas palavras do profeta: « Levanta-te, Jerusalém; dirige as tuas vistas para. o Oriente, e do alto dos montes contempla os teus filhos, que se congregam desde o Oriente até ao Ocidente.» — mas este júbilo durou pouco; pois, em consequência do fanatismo, da ignorância, e das intrigas, que levaram Miguel Paléologo a dissimular ou a variar, as esperanças dadas pela Igreja grega foram frustradas. Depois de algumas perturbações havidas na volta dos deputados,o cisma. manteve-se como de antes. O segundo concílio de Lyon fez várias constituições concernentes á fé, ás eleições dos bispos, ás ordenações dos clérigos, ao conclave dos Cardeais, á autoridade suprema dos Papas, etc. Eis o seu decreto sobre este último e importante assunto: «A Santa Igreja Romana possuo a soberania e o pleno primado e principado sobre toda a. Igreja católica, e reconhece com verdade e humildade ter a recebido, com a plenitude do poder, do Senhor mesmo, na pessoa de S. Pedro, príncipe e chefe dos Apóstolos, do qual o pontífice romano é sucessor; e da mesma maneira, que esta Igreja é obrigada, sobre todas as outras, a defender a verdade e a fé, e a decidir todas as questões a este respeito. » Vê-se por estas palavras tão claras e formais o que é a Igreja romana, na constituição da. Igreja. católica. E se as controvérsias da fé devem ser decididas pelo Papa, não é ele por isso mesmo Infalível? (D. Gueranger, monarquia pontifical, 1274 — padre RIVAUX, tratado de História eclesiástica, tomo II, 1877) A união das Igrejas também não se efetivou. Houve um momento em que pareceu que Sim. Miguel VIII Paléologo, ameaçado por Carlos de Anjou – — que, logo depois do caso de Túnis, se lançara sobre a Albânia —, enviou a Gregório X o patriarca Beccos para acabar com o cisma. Declarava aceitar o Credo romano, incluído o Filioque, o uso dos ázimos e o primado do Papa. No Concilio de Lyon de 1274, a reconciliação parecia selada. Na catedral de São João, os prelados gregos, durante a missa cantada, repetiram três vezes o Filioque, para que todos o ouvissem bem. Mas, no fundo, isso não passava de uma operação política. O clero grego continuava hostil aos latinos, a esse pontífice que “fomentava a impiedade”, a esse “verdadeiro lobo no redil”. Nas igrejas do Oriente, exaltava-se no púlpito Fócio e Cerulário… A partir de 1278, Nicolau III notou uma evidente má vontade em por em prática as decisões dos acordos de Lyon. Com Martinho IV l, inteiramente devotado à política angevina, o equilíbrio desfez-se; Carlos, Filipe de Courtenay e Veneza, com o apoio de Roma, voltaram a fazer uma aliança contra o “pretenso imperador dos gregos”. O Imperador Andrônico II, quando sucedeu a seu pai, tirou a conclusão que impunha: exilou Beccos e os partidários da união, ao mesmo tempo que financiava a revolta anti-francesa que culminaria com as vésperas sicilianas. Perante o islã vencedor, o escândalo do cisma continuava.( Daniel Rops, A Igreja das catedrais e das cruzadas, pág. 532-533, São Paulo, 2014, quadrante) Um acontecimento capital acabava de abater-se pesadamente sobre a cristandade: destino: o Cisma de 1054. O lento desentendimento que se insinuara no decorrer dos séculos entre as duas metades da Igreja tinha múltiplas causas: evolução diferente dos ritos e práticas, mais fixos e uniformes no Oriente, mais variados no Ocidente; desacordos teológicos cuja importância os dois campos aumentavam a seu bel-prazer, tal como o que havia provocado a introdução da expressão Filioque no Credo por parte dos ocidentais; má vontade do patriarca de Constantinopla em reconhecer o primado da sé de Roma, sobretudo a partir do momento em se tornara o único que contava no Oriente, pois os territórios dos outros patriarcas tinham sido ocupados pelo lslã ( Jerusalém e Alexandria) ou vinham sendo fortemente atacados por ele de (Antioquia); e, finalmente, desprezo não dissimulado dos bizantinos, astutos e letrados, pelos bárbaros do Ocidente. A ruptura foi provocada pela ambição de um homem: Miguel Cerulário patriarca de Constantinopla. lnteligente até o excesso, de uma sutileza que sabia mascarar uma firmeza de aço, esse homem que, na sua juventude, desejara calçar as sandálias de púrpura do Basileu, uma vez Clérigo. Transferiu para o plano eclesiástico os sonhos da sua ambição: ser o chefe único de uma igreja livre de qualquer controle e na qual se incluíssem todas as dioceses do Oriente. Para atingir esse fim, não teve o menor escrúpulo em lançar mão de todos os meios: habilidades suspeitas, perfídias e violências. Insistindo no que aparentemente separava os cristãos, chamando heresias as mínimas diferenças de expressão, qualificando como escandalosos costumes tão inocentes como o de cortar a barba, trabalhou habilmente para introduzir a cizânia entre as duas partes da Cristandade. O erro dos ocidentais, e principalmente do papa Leão IX, foi não se aperceberem de que o patriarca desejava a ruptura e de que toda a manifestação inoportuna de autoridade o favorecia. Enviando como ligados a Bizâncio dois rudes lorenos, desconhecedores das sutilezas bizantinas o cardeal Humberto, o célebre reformador, e Frederico de Lorena, futuro papa “gregoriano” –, Roma precipitou os acontecimentos. A astúcia e a cautela opuseram-se à falta de moderação e de jeito, sob o olhar indiferente do imperador Constantino IX Monômaco, mais preocupado com a literatura e os encantos femininos do que com discussões teológicas. Quando, em 6 de julho de 1054, o cardeal Humberto, julgando dobrar Cerulário, depôs sobre o altar de Santa Sofia o texto de uma excomunhão, deu a vitória ao patriarca. Valendo-se da indignação provocada por esse gesto, o ambicioso pôde reunir todo ou quase todo o Oriente, desde o basileu ao último dos calafates, contra essa Roma Bárbara e herética que vinha insultar na sua casa os príncipes da Santa Igreja bizantina. E, em 24 de julho, um sínodo oriental promulgou cânones que consagravam a ruptura. ** Essa ruptura foi fatal? De maneira nenhuma. Certamente, as diferenças entre os gregos e latinos eram profundas; as sensibilidades eram dessemelhantes. As atitudes, espiritual e moral no Ocidente, simbolista e escatológica no Oriente, não combinavam. No entanto, os vínculos estabelecidos ao longo dos séculos por trinta gerações uniam ainda as duas partes da Cristandade. No princípio do século XI, pudera-se até constatar uma tendência para a aproximação; o duplo perigo dos normandos e dos turcos, a frequência cada vez maior das peregrinações a Terra Santa, um melhor Conhecimento no Ocidente das origens orientais da espiritualidade, tudo isso contribuía para a unidade. Constantino IX só manifestava respeito e boas intenções para com o Papa de Roma. Por que, então, eclodiu o drama? É preciso reconhecer aqui um desses casos, mais frequentes do que se julga, em que a personalidade de um homem e as suas intenções são decisivas e podem obliterar os destinos durante séculos. Perante um acontecimento que, na perspectiva do tempo, tem urna importância dramática, qual foi a reação dos contemporâneos? Aperceberam-se eles de que se tratava de um corte doloroso e desastroso que se introduzia no cristianismo? Se Miguel Cerulário tinha querido que fosse assim, a simples ideia do cisma perturbava muitas almas fiéis. Não podemos ler sem emoção a carta que o santo patriarca Pedro de Antioquia escreveu ao seu colega de Constantinopla: “Peço-te”, escreve ele, “suplico-te, adjuro-te, e em pensamento lanço-me aos teus joelhos sagrados, rogando-te que a tua divina Beatitude ceda a este golpe e se dobre ás circunstâncias. Tremo só de pensar que, querendo curar esta ferida, ela pode degenerar em coisa pior, no cisma, ou que, procurando erguer o que está abatido, se prepare uma queda ainda maior. Considera o que resultará evidentemente de tudo isto, quer dizer, desta imensa divergência, que acabará por separar da nossa santa Igreja essa sé magnânima e apostólica. A maldade passará a invadir a Vida e o mundo inteiro será subvertido. Se os dois reinos da terra estiverem mergulhados na intranquilidade, poo toda a parte haverá lágrimas abundantes; os nossos exércitos em parte alguma serão vitoriosos”. Palavras admiráveis e proféticas! Mas não foi apenas Pedro de Antioquia quem se exprimiu desta forma; Jorge o Hagiorita declarava perante o imperador Constantino Ducas, em 1064, que a fé dos latinos não sofrera qualquer desvio e que o uso do pão fermentado no Oriente só se tornara necessário para provar a certos extraviados que o corpo do Senhor possuía alma e razão, respectivamente simbolizadas pelo fermento e pelo sal misturados a farinha. Joao ll, metropolita de Kiev, reconhecia que os erros de que os ocidentais eram acusados não feriam os dogmas. Teofilacto, arcebispo de Ácrida na Bulgária, no seu tratado sobre os erros dos latinos, dizia formalmente que esses “erros” não podiam justificar um cisma, criticava duramente a orgulhosa pretensão dos teólogos orientais e afirmava que, no fundo da questão, havia sobretudo rivalidades pessoais ou raciais. Mas, ao lado dessas vozes serenas, quantas outras injustas e apaixonadas! O fosso do cisma foi aprofundado, como por prazer, pela maldade e pela estupidez. Houve, em Bizâncio, homens, teólogos, que, incapazes de compreender o Ocidente, ou não desejando compreendê-lo, continuaram o trabalho de Miguel Cerulário, acumulando calúnias e acusações sem fundamento. Basta consultar um dos inumeráveis tratados que apareceram então para medir a sua fraqueza e tantas vezes a sua abjeção. Os agravos articulados nessa espécie de libelo são em número de vinte e oito, nem um a menos! Os seis erros maiores, tirados da argumentação de Fócio, referem-se aos ázimos (pão fermentado ou não? Grave questão…), à processão do Espirito Santo, à Confirmação separada do Batismo, às infrações ao jejum da Quaresma e ao do sábado, e, por fim, ao celibato dos padres. Mas, a essas acusações fundamentais, os panfletários acrescentam atabalhoadamente outras, sempre sob o sopro da mesma indignação. Durante os ofícios, os padres latinos têm uma compostura pouco conveniente, levam a luxúria ao ponto de raspar a barba em vez de deixá-la crescer, e o celebrante chega ao altar com a cabeça coberta, o que é verdadeiramente escandaloso; além disso, os fiéis ousam benzer-se com cinco dedos, quando todos sabem que devem fazê-lo apenas com três; e, finalmente, os bispos do Ocidente, quando morrem, são expostos no caixão sem as mãos juntas… E é por bagatelas desse género que o Oriente passará a julgar Ocidente… ( Daniel Rops, A Igreja das catedrais e das cruzadas, pág. 532-533, São Paulo, 2014, quadrante) #IdadeMédia #USA #Bizâncio #Históriadaidademédia #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #Oriente #filioque #Dogmas #desenvolvimentodoutrinal #SantíssimaTrindade #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Doctrinaldevelopment #Igreja
- A IGREJA E O ESCÂNDALO DO ABUSO SEXUAL – O diagnóstico de Bento XVI sobre a crise da igreja e
O Papa Emérito Bento XVI escreveu recentemente um texto intitulado “A Igreja e os abusos sexuais”, no qual oferece suas reflexões sobre a atual situação eclesial e apresenta suas propostas para enfrentar esta grave crise. O texto (escrito em alemão) é dividido em três partes. No primeiro apresenta o contexto histórico a partir dos anos 1960, no segundo se refere aos efeitos na vida dos sacerdotes e no terceiro se propõe uma resposta adequada da Igreja. Originalmente, o mesmo seria publicado na Semana Santa pelo Klerusblatt, um jornal mensal para o clero de algumas dioceses bávaras da Alemanha; no entanto, terminou sendo divulgado na quarta-feira, 10 de abril, pelo jornal New York Post. ACI Digital oferece uma tradução ao português do documento na íntegra, que é, nas palavras do próprio Bento XVI, sua contribuição para “ajudar a Igreja nesta hora tão difícil “. A seguir, o texto completo do Papa Bento XVI: De 21 a 24 de fevereiro, a convite do Papa Francisco, os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo se reuniram no Vaticano para discutir a crise da Fé e da Igreja, uma crise palpável em todo o mundo após as estarrecedoras revelações dos abusos perpetrado por clérigos contra menores. A extensão e a gravidade dos incidentes relatados têm afligido profundamente tanto sacerdotes quanto leigos, e levou a não poucas pessoas a questionarem a própria fé da Igreja. Era necessário enviar uma mensagem forte e procurar um novo começo, com tal de tornar a Igreja novamente verdadeiramente credível como uma luz entre os povos e como uma força ativa contra os poderes da destruição. Já que eu mesmo me encontrava servindo em uma posição de responsabilidade como pastor da Igreja no momento da eclosão pública da crise e durante seu desenvolvimento, eu tive que me perguntar – ainda que como emérito já não seja mais diretamente responsável por essa situação – o que eu podia fazer para contribuir com um novo começo em retrospecto. Assim, durante o período que vai do anúncio até a realização da reunião dos Presidentes das Conferências Episcopais, compilei algumas anotações com as quais creio poder oferecer uma ou duas observações e ajudar a Igreja nessa hora tão difícil. Tendo entrado em contato com o Secretário de Estado, Cardeal [Pietro] Parolin e o Santo Padre [Papa Francisco], pareceu-me apropriado publicar o texto resultante deste esforço no “Klerusblatt” (NdT: um jornal mensal para o clero de algumas dioceses da Baviera). Meu trabalho está dividido em três partes. Na primeira, pretendo apresentar brevemente o contexto societário mais amplo da questão, sem o qual o problema não pode ser entendido. Eu tento mostrar que na década de 60 ocorreu um evento excepcional, em uma escala sem precedentes na história. Pode-se dizer que, nos 20 anos decorridos entre 1960 e 1980, os padrões vinculantes relativos à sexualidade até então entraram em colapso por completo, gerando uma ausência de normativa que já foi objeto de tentativas laboriosas de compreensão. Na segunda parte, pretendo destacar os efeitos dessa situação na formação dos sacerdotes e na vida dos sacerdotes. Finalmente, na terceira parte, gostaria de desenvolver algumas perspectivas para uma resposta adequada por parte da Igreja. I. (1) O assunto começa com a introdução, prescrita e apoiada pelo Estado, de crianças e jovens no tema da natureza da sexualidade. Na Alemanha, a então ministra da Saúde, [Käte] Strobel, mandou fazer um filme mostrando tudo o que antes não podia ser exibido publicamente, incluindo relações sexuais, e que passou a ser exibido com o propósito de educar os jovens. O que inicialmente se destinava apenas à educação sexual destes, por conseguinte, foi amplamente aceito como uma opção viável para o resto da sociedade. Efeitos semelhantes foram alcançados pelo “Sexkoffer” publicado pelo governo austríaco [NdT: Uma espécie de ´kit´ repleto de material destinado à educação sexual usado nas escolas austríacas no final da década de 1980]. Filmes sexuais e pornográficos tornaram-se uma ocorrência comum, a ponto de serem exibidos nos cinemas [Bahnhofskinos]. Ainda me lembro de ter visto, andando pela cidade de Regensburg um dia, verdadeiras multidões de pessoas se alinhando em frente a uma grande sala de cinema, algo que anteriormente só havíamos visto nos tempos da guerra, quando alguma alocação especial era esperada. Lembro-me também de ter chegado à cidade na Sexta-feira Santa, no ano de 1970, e de ver todos os outdoors preenchidos por um grande cartaz de duas pessoas completamente nuas num abraço apertado. Entre as liberdades pelas quais a Revolução de 1968 lutou estava a total liberdade sexual, uma que não mais possuía normas. A vontade de usar a violência, que caracterizou esses anos, está fortemente relacionada a esse colapso mental. Na verdade, os filmes sexuais não eram mais permitidos nos aviões porque poderiam gerar violência na pequena comunidade de passageiros. E dado que os excessos no vestuário também provocavam agressão, os diretores das escolas fizeram várias tentativas de introduzir uma vestimenta escolar que facilitasse um clima de aprendizado. Parte da fisionomia da Revolução de 1968 foi que a pedofilia também foi diagnosticada como um comportamento aceitável e apropriado. Para os jovens da Igreja, mas não apenas para eles, este foi um momento muito difícil em muitos aspectos. Sempre me perguntei como os jovens nessa situação poderiam se aproximar do sacerdócio e aceitá-lo com todas as suas ramificações. O extenso colapso das gerações seguintes de sacerdotes naqueles anos e o grande número de secularizações foram uma consequência de todos esses desenvolvimentos. (2) Ao mesmo tempo, independentemente destes desenvolvimentos, a teologia moral católica sofreu um colapso que deixou a Igreja desamparada diante dessas mudanças na sociedade. Vou tentar delinear brevemente a trajetória que esse desenvolvimento percorreu. Até o Concílio Vaticano II, a teologia moral católica era em grande parte baseada na lei natural, enquanto as Sagradas Escrituras eram citadas apenas para obter contexto ou justificação. Na luta do Concílio por uma nova compreensão do Apocalipse, a opção pela lei natural foi amplamente abandonada, e uma teologia moral baseada inteiramente na Bíblia foi exigida. Ainda me lembro como a faculdade jesuíta em Frankfurt treinou o jovem e inteligente Padre (Schüller) com o propósito de desenvolver uma moralidade baseada inteiramente nas Escrituras. A bela dissertação do Padre (Bruno) Schüller mostra um primeiro passo para a construção de uma moralidade baseada nas Escrituras. O sacerdote foi então enviado para os Estados Unidos e voltou, percebendo que somente com a Bíblia a moralidade não poderia ser expressa sistematicamente. Então ele tentou uma teologia moral mais pragmática, sem poder dar uma resposta à crise da moralidade. Consequentemente, nada poderia ser considerado um bem absoluto, assim como, por outro lado, coisa alguma poderia ser considerada fundamentalmente ruim; (Poderia haver) apenas juízos de valor relativos. Não havia mais o bom em seu sentido mais absoluto, apenas o aquilo que era relativamente melhor ou contingente para o momento e as circunstâncias específicas. A crise da justificação e da forma de expor a moral católica alcançou proporções dramáticas no final dos anos 80 e 90. Em 5 de janeiro de 1989, foi publicada a “Declaração de Colônia”, assinada por 15 catedráticos católicos de teologia. O documento se concentrou em vários pontos da crise da relação entre o magistério dos bispos e a tarefa da teologia. (As reações a) este texto, que em princípio não passaram do usual nível de protestos, cresceu rapidamente e se tornou um grito contra o magistério da Igreja e reuniu, clara e visivelmente, o potencial de um protesto global contra os esperados textos doutrinais de João Paulo II. (cf. (cf. D. Mieth, Kölner Erklärung, LThK, VI3, p. 196) (N.dT: O LTHK é o Lexikon für Theologie und Kirche, o Lexicon de Teologia e a Igreja, cujos editores incluíam o teólogo Karl Rahner y o hoje Cardeal alemão Walter Kasper). O Papa João Paulo II, que conhecia muito bem e acompanhava de perto a situação em que a teologia moral se encontrava, encomendou o trabalho de uma encíclica para tornar as coisas claras novamente. E foi publicada sob o título de Veritatis Splendor no dia 6 de agosto de 1993 e logo gerou reações veementes de vários teólogos morais. Antes disso, o Catecismo da Igreja Católica (publicado em 1992) já havia apresentado, de maneira persuasiva e sistemática, a moralidade proclamada pela Igreja. Nunca vou esquecer a forma como o então líder teólogo moral alemão, Franz Böckle, tendo retornado para sua Suíça natal após a aposentadoria, anunciou em relação à Veritatis Splendor que se a encíclica determinasse que existem ações que sempre e em todas as circunstâncias deveriam ser classificados como más, ele iria rebatê-la com todos os recursos à sua disposição. Foi Deus, o Misericordioso, que evitou que este propósito fosse executado, pois Böckle morreu em 8 de julho de 1991. A encíclica foi publicada em 06 de agosto de 1993 e efetivamente incluía a determinação de que certas ações jamais podem ser consideradas boas. O Papa estava plenamente consciente da importância dessa decisão e, nessa parte do texto, consultou novamente os melhores especialistas que não participaram da edição da encíclica. Ele sabia que não deveria deixar dúvidas sobre o fato de que a moralidade que busca o equilíbrio de bens deve ter sempre um limite final. Alguns bens simplesmente não estão sujeitos a concessões. Há valores que jamais devem ser abandonados por um valor mais alto e até mesmo superar a preservação da vida física. Há martírio. Deus é mais. Ele vale mais que a própria sobrevivência física. Uma vida comprada pela negação de Deus, uma vida baseada em uma mentira, ao final, não é vida. O martírio é a categoria básica da existência cristã. O fato de que o mesmo já não seja moralmente necessário, como afirma a teoria defendida por Böckle e muitos outros, demonstra que a própria essência do cristianismo está em jogo aqui. Na teologia moral, no entanto, outra questão tornou-se urgente: a hipótese de que o Magistério da Igreja deveria ter competência final (“infalibilidade”) apenas nas questões relativas à fé e já não nas que se referem à moralidade, havia ganhado ampla aceitação. Dizia-se que estas questões não deveriam cair no âmbito de decisões infalíveis do magistério da Igreja. Provavelmente há algo de verdade nesta hipótese e que merece mais discussão, mas há um conjunto mínimo de questões morais que estão intimamente relacionadas com o princípio fundamental da fé, o qual deve ser defendido, para que a fé não venha a ser reduzida a uma teoria e que já não seja reconhecida em seu clamor pela vida concreta. Tudo isso nos permite ver o quão fundamentalmente a autoridade da Igreja é questionada quando se trata de questões de moralidade. Aqueles que negam à Igreja uma competência no ensinamento definitivo nesta área, forçam-na a permanecer em silêncio exatamente ali, onde se encontra em jogo a fronteira entre a verdade e a mentira. Independentemente deste assunto, em muitos círculos da teologia moral foi apresentada a tese de que a Igreja não tem e não pode ter sua própria moralidade. O argumento era que todas as hipóteses morais teriam seu paralelo em outras religiões e, portanto, não haveria uma natureza cristã. Mas a questão da natureza da moralidade bíblica não é respondida pelo fato de que para cada frase singular em algum lugar da Escritura, podemos encontrar um paralelo em outras religiões. Na verdade, trata-se do conjunto da moralidade bíblica, que, como tal, é novo e distinto de suas partes individuais. A doutrina moral das Sagradas Escrituras tem a sua forma única de ser predicada em última instância na sua concreção à imagem de Deus, na fé em um Deus que se manifestou a Si mesmo em Jesus Cristo e viveu como ser humano. O Decálogo é uma aplicação para a vida humana da fé bíblica em Deus. A imagem de Deus e da moralidade se pertence uma a outra e é por isso que resulta na mudança particular da atitude cristã em relação ao mundo e à vida humana. Além disso, o cristianismo tem sido descrito desde o início com o termo Hodoš (caminho, em grego, usado no Novo Testamento para discutir um caminho de progresso). A fé é uma travessia e uma forma de vida. Na Igreja antiga, o catecumenato foi criado como um habitat no qual os aspectos distintos e frescos daquele modo de viver a vida cristã eram ao mesmo tempo praticados e protegidos, contra uma cultura cada vez mais desmoralizada. Acredito que mesmo hoje, algo como estas comunidades de catecumenato sejam necessárias para que a vida cristã possa se afirmar da maneira que lhe é própria. II. As reações eclesiais iniciais (1) O processo há muito preparado e em andamento para a dissolução do conceito cristão de moralidade foi marcado, como tentei demonstrar, pelo radicalismo sem precedentes dos anos 1960. Essa dissolução da autoridade moral do ensino da Igreja devia ter um efeito sobre os diferentes membros da Igreja. No contexto da reunião dos presidentes das conferências episcopais em todo o mundo com o Papa Francisco, a questão da vida sacerdotal, assim como a dos seminários, é de particular interesse. Uma vez que está relacionado ao problema o tema da preparação para o ministério sacerdotal nos seminários, e, existe de fato uma ampla decomposição no que diz respeito à anterior forma de preparação dos candidatos. Em vários seminários foram estabelecidos grupos homossexuais que agiram mais ou menos abertamente, o que mudou significativamente o clima que se vivia ali. Em um seminário no sul da Alemanha, os candidatos ao sacerdócio e ao ministério leigo de agentes de pastoral (Pastoralreferent) viviam juntos. Nas refeições diárias, os seminaristas e os especialistas em pastoral estavam juntos. Os casados às vezes estavam com suas esposas e filhos; e às vezes com suas namoradas. O clima neste seminário não oferecia o apoio necessário para a preparação adequada para a vocação sacerdotal. A Santa Sé sabia desses problemas sem ser informada com precisão. Como primeiro passo, foi acordada uma visita apostólica para os seminários nos Estados Unidos. Como os critérios para a seleção e nomeação dos bispos também mudaram depois do Concílio Vaticano II, a relação dos bispos com seus seminários também tornou-se muito diferente. Acima de tudo, a “conciliaridade” foi estabelecida como um critério para a nomeação de novos bispos, o que poderia ser entendido de várias maneiras. De fato, em muitos lugares entendeu-se que as atitudes conciliares se relacionavam a uma postura crítica ou negativa à tradição que existia até então, e que precisava ser substituída por uma relação nova e radicalmente aberta com o mundo. Um bispo, que já havia sido reitor de um seminário, fez os seminaristas assistirem a filmes pornográficos com a intenção de torná-los resistentes a condutas contrárias à fé. Havia – e não apenas nos Estados Unidos da América – bispos que individualmente rejeitavam totalmente a tradição católica e buscavam uma nova e moderna “catolicidade” em suas dioceses. Pode valer a pena mencionar que em muitos seminários, os estudantes que os viram lendo meus livros eram considerados inadequados para o sacerdócio. Meus livros estavam escondidos, como se fossem literatura ruim, e eram lidos apenas debaixo da escrivaninha. A visita apostólica afinal não trouxe novas pistas, aparentemente porque vários poderes juntaram forças para maquiar a verdadeira situação. Uma segunda visita foi ordenada e permitiu novos dados, mas no final tampouco obteve resultado algum. No entanto, desde a década de 1970, a situação nos seminários geralmente melhorou. E, no entanto, apenas casos isolados de um novo fortalecimento das vocações sacerdotais surgiram, posto que a situação em geral havia tomado outro rumo. (2) A questão da pedofilia, se não me falha a memória, não era crítica até a segunda metade da década de 1980. Entretanto, ele se tornou um assunto público nos Estados Unidos, tanto assim que os bispos foram a Roma para procurar ajuda e que o direito canônico, conforme escrito no novo Código (1983), não parecia suficiente para tomar as medidas necessárias. Na primeira visita, Roma e os canonistas romanos tinham dificuldades com estas preocupações porque, em sua opinião, a suspensão temporária do ministério sacerdotal deveria ser suficiente para gerar purificação e esclarecimento. Isto não podia ser aceito pelos bispos americanos, porque assim os sacerdotes permaneciam a serviço do bispo e, portanto, seguiam diretamente associados a ele. Lentamente, foi tomando forma uma renovação e um aprofundamento na lei criminal do novo Código, construída deliberadamente e com ligeireza. Além disso e no entanto, havia um problema fundamental na percepção do direito penal. Apenas o chamado “garantismo” (uma espécie de protecionismo processual ao réu) era considerado uma postura “conciliar”. Isso significa que os direitos do acusado devem ser garantidos, acima de tudo, até o ponto em que qualquer tipo de condenação fosse impossibilitada. Como um contrapeso para as opções de defesa disponíveis para os teólogos acusados e muitas vezes inadequadas, o direito de defesa dos mesmos usando o “garantismo” estendeu-se a tal ponto que era quase impossível uma condenação. Permitam-me um breve excurso neste momento. À luz da escalada da conduta pedófila, uma palavra de Jesus novamente nos interpela: ” Se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, seria melhor que fosse lançado no mar com uma grande pedra amarrada no pescoço” (Mc 9,42). A palavra pequenino, na língua de Jesus, significava aqueles crentes comuns que podem ver sua fé confundida pela arrogância intelectual daqueles que acreditam ser inteligentes. Então, aqui Jesus protege o depósito da fé com uma ameaça ou punição enfática para aqueles que prejudicam estas pessoas. O uso moderno da frase não está em si mesmo errado, mas não deve obscurecer o significado original. Fica claro, contra qualquer garantismo, que não apenas o direito do acusado é importante e requer uma garantia. Grandes bens como a fé são igualmente importantes. Assim, uma lei canônica equilibrada, que corresponda à totalidade da mensagem de Jesus, não apenas deve fornecer uma garantia para o acusado, para quem o respeito é um bem lícito, mas também deve proteger a fé que também é um importante e lícito bem. Uma lei canônica adequadamente formada deve então conter uma dupla garantia: a proteção legal do acusado e a proteção legal da propriedade que está em jogo. Se hoje esta concepção intrinsecamente clara é apresentada, ela geralmente cai em ouvidos surdos quando se trata da questão da proteção da fé como um bem legal. Na consciência geral da lei, a fé não parece mais ter o grau de um bem que requer proteção. Esta é uma situação alarmante que os pastores da Igreja devem considerar e levar a sério. Agora eu gostaria de acrescentar, às breves notas sobre a situação da formação sacerdotal na época da crise, algumas observações sobre o desenvolvimento do direito canônico nesta matéria. Em princípio, a Congregação para o Clero é responsável por lidar com crimes cometidos por padres, mas dado que o “garantismo” dominava amplamente a situação daquela época, eu concordei com o Papa João Paulo II que era apropriado designar essas ofensas à Congregação para a Doutrina da Fé, sob o título de “Delicta maiora contra fidem” (NdT: Delitos graves contra a fé). Isso possibilitou a imposição da pena máxima, ou seja, a expulsão do estado clerical, que não poderia ter sido imposta sob outras disposições legais. Este não foi um truque para impor a pena máxima, mas uma consequência da importância da do bem que é a fé para a Igreja. De fato, é importante notar que uma tamanha má conduta deste tipo por parte de um clérigo, acaba, em última instância, prejudicando a fé. Onde a fé não determina mais as ações do homem tais ofensas se tornam possíveis. A severidade da pena, no entanto, também pressupõe uma prova clara da ofensa: este aspecto da garantia continua em vigor. Em outras palavras, para impor a pena máxima legalmente, é necessário um processo criminal genuíno, mas ambas as dioceses e a Santa Sé estão sobrecarregadas por esta exigência. Portanto, formulamos um nível mínimo de procedimentos criminais e deixamos aberta a possibilidade de que a própria Santa Sé assuma o julgamento quando a diocese ou a administração metropolitana não possam fazê-lo. Em cada caso, o julgamento deve ser revisado pela Congregação para a Doutrina da Fé para garantir os direitos do acusado. Finalmente, na quarta feria (N.dT. a assembleia ou reunião geral dos membros desta Congregação da Cúria em que são discutidos os diversos casos em andamento), estabelecemos uma instância de recurso para oferecer a possibilidade de o acusado apelar. Já que tudo isso ultrapassou as capacidades concretas da Congregação para a Doutrina da Fé e não havia outra alternativa mais que enfrentar os longos atrasos, devido à natureza peculiar do assunto, o Papa Francisco decidiu então realizar mais reformas. III. (1) O que deve ser feito? Talvez devêssemos criar outra Igreja para que as coisas funcionem? Bem, essa experiência já foi feita e já falhou. Somente a obediência e o amor a nosso Senhor Jesus Cristo pode nos mostrar o caminho, então primeiramente devemos tentar entender de novo e de dentro (de nós mesmos) o que o Senhor quer e quis de nós. Em primeiro lugar, gostaria de sugerir o seguinte: se realmente queremos resumir muito brevemente o conteúdo da fé, tal como está na Bíblia, teríamos que fazê-lo dizendo que o Senhor começou uma narrativa de amor com as pessoas e quer abraçar toda a criação nesta narrativa. A maneira de lutar contra o mal que nos ameaça e ameaça o mundo todo, só pode residir no nosso ingresso neste amor em última instância. Esta é a verdadeira força contra o mal, já que o poder do mal surge da nossa recusa em amar a Deus. Quem se entrega ao amor de Deus é redimido. Nossa realidade de não-redimidos é consequência de nossa incapacidade de amar a Deus. Aprender a amar a Deus é, portanto, o caminho da redenção humana. Vamos tentar desenvolver um pouco mais este conteúdo essencial da revelação de Deus. Podemos assim dizer que o primeiro dom fundamental que a fé nos oferece é a certeza de que Deus existe. Um mundo sem Deus só pode ser um mundo sem significado. Caso contrário, de onde tudo viria? Em todo caso, não haveria um propósito espiritual. De alguma forma, simplesmente está lá e não tem propósito ou significado algum. Então não há padrões de bem ou mal, e somente o que é mais forte do que qualquer outra coisa que se possa afirmar e então o poder se torna o único princípio. A verdade não conta, simplesmente não existe. Somente se as coisas tiverem uma razão espiritual, elas têm uma intenção e são concebidas. Somente se existe um Deus Criador que é bom e que quer o bem, a vida do homem pode então fazer sentido. Existir um Deus que seja o criador e a medida de todas as coisas é primeiro e acima de tudo uma necessidade, mas um Deus que não se expressa em nada aquilo que é, que não se dá a conhecer, permaneceria como uma presunção e, em consequência, não poderia determinar a forma [ Gestalt] do nosso viver. Para que Deus seja realmente Deus nesta criação deliberada, temos que olhar para Ele para que ele se expresse de alguma forma. Ele fez de muitas maneiras, mas decisivamente na vocação de Abraão e deu às pessoas que procuravam a Deus a orientação que nos leva além de toda expectativa: o próprio Deus se torna criatura, falando como um homem conosco, seres humanos. Nesse sentido, a frase “Deus é”, torna-se ao final uma mensagem verdadeiramente alegre, precisamente porque Ele é mais do que intelecto porque cria – e é – o amor para que mais uma vez as pessoas tenham consciência de que esta é a primeira e mais fundamental tarefa confiada a nós pelo Senhor. Uma sociedade sem Deus – uma sociedade que não o conhece e o trata como inexistente – é uma sociedade que perde sua medida. Em nossos dias, a frase da morte de Deus foi acunhada. Quando Deus morre em uma sociedade, nos é dito, torna-se livre. Na realidade, a morte de Deus em uma sociedade também significa o fim da liberdade porque o que morre é o propósito que provê orientação, já que desaparece a bússola que nos indica a direção certa e que nos ensina a distinguir o bem do mal. A sociedade ocidental é uma sociedade na qual Deus está ausente na esfera pública e não tem nada para oferecer a ela. E essa é a razão pela qual a sociedade perde cada vez mais sua noção de humanidade. Em pontos individuais, de repente parece que o que é ruim e destrói o homem se tornou uma questão de rotina. Esse é o caso da pedofilia. Admitiu-se há pouco tempo como algo legítimo, mas se espalhou mais e mais. E agora percebemos com surpresa que as coisas que estão acontecendo com nossas crianças e jovens ameaçam destruí-las. O fato de que isso também pode ser estendido na Igreja e entre os sacerdotes é algo que deve nos interpelar de maneira particular. Por que a pedofilia atingiu tais proporções? No final, a razão é a ausência de Deus. Nós cristãos e sacerdotes também preferimos não falar de Deus porque esse discurso não parece ser prático. Após a convulsão da Segunda Guerra Mundial, nós na Alemanha ainda tínhamos expressamente em nossa Constituição que estávamos sob a responsabilidade de Deus como um princípio orientador. Meio século depois, já não era possível incluir a responsabilidade para com Deus como um princípio orientador na Constituição Europeia. Deus é visto como a preocupação partidária de um pequeno grupo e não pode mais ser um princípio orientador para a comunidade como um todo. Esta decisão é refletida na situação no Ocidente, onde Deus se tornou um assunto particular, destinado a uma pequena minoria. Uma tarefa primordial, que deve resultar das convulsões morais de nosso tempo, é que novamente comecemos a viver para Deus e sob Ele. Acima de tudo, temos que aprender mais uma vez a reconhecer Deus como a base de nossa vida. Em vez de deixá-lo de lado como se fosse uma frase ineficaz. Jamais esquecerei o aviso do grande teólogo Hans Urs von Balthasar que uma vez me escreveu em um de seus cartões postais. “Não pressuponha o Deus trino: Pai, Filho e Espírito Santo, apresente-o!” De fato, na teologia, Deus é sempre tomado como uma questão de rotina, mas na vida concreta não a pessoa não se relaciona com Ele. O tema de Deus parece tão irreal, tão alheio às coisas que nos preocupam e entretanto, tudo se torna diferente quando nós não pressupomos mas apresentamos Deus aos demais. Não deixando para trás como uma moldura, mas reconhecendo-o como o centro de nossos pensamentos, palavras e ações. (2) Deus se tornou homem para nós. O homem como sua criatura está tão perto de seu coração que se uniu a si mesmo e, assim, entrou na história humana de maneira muito prática. Ele fala conosco, vive conosco, sofre conosco e assumiu a morte por nós. Falamos sobre isso em detalhes em teologia, com palavras e pensamentos aprendidos, mas é precisamente assim que corremos o risco de nos tornarmos professores da fé, em vez de sermos renovados e transformados em mestres pela fé. Considere isso com relação à questão central, a celebração da Santa Eucaristia. Nossa forma de lidar com a Eucaristia só pode gerar preocupação. O Concílio Vaticano II concentrou-se justamente em devolver este sacramento da presença do corpo e do sangue de Cristo, da presença da sua pessoa, da sua paixão, morte e ressurreição, ao centro da vida cristã e à própria existência da Igreja. Em parte, isso realmente aconteceu e devemos ser gratos ao Senhor por isso. E ainda assim uma atitude muito diferente prevalece. O que predomina não é uma nova reverência pela presença da morte e ressurreição de Cristo, mas uma maneira de lidar com Ele que destrói a grandeza do Mistério. A queda na participação das celebrações eucarísticas dominicais mostra quão pouco os cristãos de hoje sabem apreciar a grandeza do dom que consiste em sua verdadeira Presença. A Eucaristia tornou-se um mero gesto cerimonial quando se toma por parâmetro que as boas maneiras exigem que que esta seja oferecida em celebrações familiares ou às vezes em casamentos e funerais a todos os convidados, simplesmente por motivos familiares. A maneira pela qual as pessoas simplesmente recebem o Santíssimo Sacramento na comunhão como algo rotineiro mostra que muitos o veem como um gesto puramente cerimonial. Portanto, quando você pensa sobre a ação que é necessária em primeiro lugar, é bastante óbvio que não precisamos de outra Igreja com um design próprio. Em vez disso, precisa-se, em primeiro lugar, alcançar a renovação da fé na realidade de que Jesus Cristo realmente nos é dado no Santíssimo Sacramento. Em conversas com vítimas de pedofilia, fiquei muito consciente desse primeiro e fundamental requisito. Uma jovem que tinha sido acólita me disse que o capelão, seu superior no culto do altar, sempre a introduzia ao abuso sexual com estas palavras: “Este é o meu corpo que será entregue por ti”. É óbvio que esta mulher não pode mais ouvir as palavras da consagração sem experimentar novamente a terrível angústia do abuso. Sim, temos que implorar ao Senhor urgentemente pelo seu perdão, mas antes de tudo temos que jurar por Ele e pedir a Ele que nos ensine novamente a entender a grandeza de Seu sofrimento e Seu sacrifício. E nós temos que fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para proteger o dom da Santa Eucaristia do abuso. (3) E finalmente, está o Mistério da Igreja. A frase com que Romano Guardini, há quase 100 anos, expressou a esperança alegre dele, e de tantos outros, permanece inesquecível: “Um evento de importância incalculável começou, a Igreja está despertando nas almas (do povo) “ Ele quis dizer que a igreja não foi experimentada ou vista simplesmente como um sistema externo que entrou em nossas vidas, como uma espécie de autoridade, mas tinha começado a ser percebido como presente nos corações das pessoas, não como algo meramente externo, mas que nos moveu internamente. Quase 50 anos depois, a repensar esse processo e ver o que vem acontecendo, estou tentado a reverter a frase: “A Igreja está morrendo nas almas (das pessoas).” De fato, hoje a Igreja é amplamente vista apenas como um tipo de aparato político. Fala-se dela quase que exclusivamente em categorias políticas e isso se aplica até mesmo a bispos que formulam a sua concepção da Igreja do amanhã quase exclusivamente em termos políticos. A crise, causada por muitos casos de abuso de clérigos, nos faz olhar para a Igreja como algo quase inaceitável que nós temos que tomar em nossas mãos e redesenhar. Mas uma Igreja que se autoconstrói não pode constituir esperança alguma. O próprio Jesus comparou a Igreja a uma rede de pesca na qual o próprio Deus separa os bons peixes dos maus. Há também uma parábola da Igreja como um campo onde o trigo cresce que o próprio Deus semeou com a erva daninha que “um inimigo” secretamente lançou. Na verdade, a erva daninha no campo de Deus, a Igreja, é agora demasiado visível e os maus peixes na rede também mostram sua força. No entanto, o campo ainda é o campo de Deus e a rede é a rede de Deus. E em todos os tempos não houve apenas má erva daninha ou peixes ruins, mas também as colheitas de Deus e a boa pesca. Proclamar ambos com ênfase e da mesma forma não só é uma falsa apologética, mas um serviço necessário à Verdade. Neste contexto, é necessário se referir a um texto importante no Apocalipse de João. O diabo é identificado como o acusador que acusa nossos irmãos diante de Deus dia e noite. (Apocalipse 12:10). O Apocalipse, em seguida, leva um pensamento que está no centro da narrativa no livro de Jó (Jó 1 e 2, 10; 42: 7-16). Ali se diz que o diabo procurou mostrar que a retidão de vida de Jó perante Deus era meramente externa. E é exatamente isso que o Apocalipse tem a dizer: o diabo quer provar que não há pessoas corretas, que sua correção só se mostra externamente. Se alguém pudesse se aproximar, a aparência da justiça cairia rapidamente. A narrativa começa com uma disputa entre Deus e o diabo, na qual Deus se referiu a Jó como um homem verdadeiramente justo. Agora ele será usado como um exemplo para provar quem está certo. O diabo pede que todas as suas posses sejam removidas para ver que nada resta de sua piedade. Deus permite que ele faça isso, depois do qual Jó age positivamente. Então o demônio pressiona e diz: “Pele por pele! Sim, tudo que o homem tem dará por sua vida. Agora, porém, estende a tua mão e toca o seu osso e a sua carne, e verás se não te amaldiçoa na tua face “(Jó 2,4f). Então Deus dá ao demônio um segundo round. Ele também toca a pele de Jó e só lhe é negado matá-lo. Para os cristãos, é claro que este trabalho, que se coloca diante de Deus como um exemplo para toda a humanidade, é Jesus Cristo. No Apocalipse, o drama da humanidade nos é apresentado em toda a sua amplitude. O Deus Criador é confrontado com o diabo que fala a toda a humanidade e a toda a criação. Ele fala não só a Deus, mas acima de tudo ao povo: Veja o que este Deus fez. Supostamente uma boa criação. Na realidade, Ele é cheio de miséria e desprazer. O desânimo da criação é, na realidade, o desprezo de Deus. Ele quer provar que o próprio Deus não é bom e afastar-nos dEle. A oportunidade da que o Apocalipse nos está falando aqui é óbvia. Hoje, a acusação contra Deus é, acima de tudo, desprezo de Sua Igreja como algo maligno em sua totalidade e, portanto, nos desencoraja dela. A idéia de uma Igreja melhor, feita por nós mesmos, é na verdade uma proposta do diabo, com a qual ele quer nos afastar do Deus vivo usando uma lógica enganosa em que podemos facilmente cair. Não, ainda hoje a Igreja não é feita apenas de peixes ruins e ervas daninhas. A Igreja de Deus também existe hoje e hoje é o mesmo instrumento pelo qual Deus nos salva. É muito importante opor com toda a verdade as mentiras e meias-verdades do diabo: sim, há pecado e mal na Igreja, mas ainda hoje há a Santa Igreja, que é indestrutível. Também hoje há muitas pessoas que humildemente acreditam, sofrem e amam, em quem o verdadeiro Deus, o Deus amoroso, se mostra a nós. Deus também tem Suas testemunhas (“mártires”) no mundo hoje. Nós apenas precisamos estar atentos para conseguir vê-los e ouvi-los. A palavra mártir é tirada da lei processual. No julgamento contra o diabo, Jesus Cristo é o primeiro e verdadeiro testemunho de Deus, o primeiro mártir, que desde então tem sido seguido por inúmeros outros. Hoje, a Igreja é mais do que nunca uma Igreja dos mártires e, portanto, um testemunho do Deus vivo. Se olharmos em volta e escutarmos com um coração atento, hoje poderemos encontrar testemunhas por toda parte, especialmente entre as pessoas comuns, mas também nas altas fileiras da Igreja, que defendem a Deus com suas vidas e seus sofrimentos. É uma inércia do coração que nos leva a não querer reconhecê-los. Uma das grandes e essenciais tarefas de nossa evangelização é, na medida do possível, estabelecer habitats de fé e, acima de tudo, encontrá-los e reconhecê-los. Eu moro em uma casa, em uma pequena comunidade de pessoas que descobrem repetidamente esses testemunhos do Deus vivo na vida cotidiana, e que alegremente me dizem isso. Ver e encontrar a Igreja viva é uma tarefa maravilhosa que nos fortalece e que, uma e outra vez, nos faz felizes na nossa fé. Ao final de minhas reflexões, gostaria de agradecer ao Papa Francisco por tudo que ele faz para nos mostrar-nos sempre a luz de Deus que, mesmo nos dias de hoje, não desapareceu. Obrigado Santo Padre! Bento XVI https://www.acidigital.com/noticias/o-diagnostico-de-bento-xvi-sobre-a-crise-da-igreja-e-dos-abusos-sexuais-do-clero-28270
- EX-ESPIÃO DA UNIÃO SOVIÉTICA REVELOU: “NÓS CRIAMOS A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO”
Ion Mihai Pacepa foi general da polícia secreta da Romênia comunista antes de pedir demissão do seu cargo e fugir para os EUA no fim da década de 70. Considerado um dos maiores “detratores” de Moscou, Pacepa concedeu entrevista a ACI Digital [da rede católica americana de televisão EWTN] e revelou a conexão entre a União Soviética e a Teologia da Libertação na América Latina. A seguir, os principais trechos da sua entrevista. Em geral, você poderia dizer que a expansão da Teologia da Libertação teve algum tipo de conexão com a União Soviética? Sim. Soube que a KGB teve uma relação com a Teologia da Libertação através do general soviético Aleksandr Sakharovsky, chefe do serviço de inteligência estrangeiro (razvedka) da Romênia comunista, que foi conselheiro e meu chefe até 1956, quando foi nomeado chefe do serviço de espionagem soviética, o PGU1; Ele manteve o cargo durante 15 anos, um recorde sem precedentes. Em 26 de outubro de 1959, Sakharovsky e seu novo chefe, Nikita Khrushchev, chegaram à Romênia para as chamadas “férias de seis dias de Khrushchev”. Ele nunca tinha tomado um período tão longo de férias no exterior, nem foi sua estadia na Romênia realmente umas férias. Khrushchev queria ser reconhecido na história como o líder soviético que exportou o comunismo à América Central e à América do Sul. A Romênia era o único país latino no bloco soviético e Khrushchev queria envolver os “líderes latinos” na sua nova guerra de “libertação”. Eu me investiguei sobre Sakharovsky, vi os seus escritos, mas não pude encontrar nenhuma informação relevante sobre sua figura. Por que? Sakharovsky era uma imagem soviética dos anos quentes da Guerra Fria, quando os membros dos governos britânico e israelense ainda não conheciam a identidade dos líderes do Mossad e do MI-6. Mas, Sakharovsky desempenhou um papel extremamente importante na construção da história da Guerra Fria. Ele ocasionou a exportação do comunismo a Cuba (1958-1961); ele manipulou de maneira perversa a crise de Berlim (1958-1961) criou o Muro de Berlim; a crise dos mísseis cubanos (1962) e colocou o mundo na beira de uma guerra nuclear. A Teologia da Libertação foi de alguma maneira um movimento ‘criado’ pela KGB de Sakharovsky ou foi um movimento existente que foi exacerbado pela URSS? O movimento nasceu na KGB e teve um nome inventado pela KGB: Teologia da Libertação. Durante esses anos, a KGB teve uma tendência pelos movimentos de “Libertação”. O Exército de Libertação Nacional da Colômbia (FARC –sic–), criado pela KGB com a ajuda de Fidel Castro; o Exército de Libertação Nacional da Bolívia, criado pela KGB com o apoio de “Che” Guevara; e a Organização para Libertação da Palestina (OLP), criado pela KGB com ajuda de Yasser Arafat, são somente alguns movimentos de “Libertação” nascidos em Lubyanka – lugar dos quartéis-generais da KGB. O nascimento da Teologia da Libertação em 1960 foi a tentativa de um grande e secreto “Programa de desinformação” (Party-State Dezinformatsiya Program), aprovado por Aleksandr Shelepin, presidente da KGB, e pelo membro do Politburo, Aleksey Kirichenko, que organizou as políticas internacionais do Partido Comunista. Este programa demandou que a KGB guardasse um controle secreto sobre o Conselho Mundial das Igrejas (CMI), com sede em Genebra (Suíça), e o utilizasse como uma desculpa para transformar a Teologia da Libertação numa ferramenta revolucionária na América do Sul. O CMI foi a maior organização internacional de fiéis depois do Vaticano, representando 550 milhões de cristãos de várias denominações em 120 países. O nascimento de um novo movimento religioso é um evento histórico. Como foi construído este novo movimento religioso? A KGB começou construindo uma organização religiosa internacional intermédia chamada “Conferência Cristã pela Paz”, cujo quartel general estava em Praga. Sua principal tarefa era levar a Teologia da Libertação ao mundo real. A nova Conferência Cristã pela Paz foi dirigida pela KGB e estava subordinada ao respeitável Conselho Mundial da Paz, outra criação da KGB, fundada em 1949, com seu quartel geral também em Praga. Durante meus anos como líder da comunidade de inteligência do bloco soviético, dirigi as operações romenas do Conselho Mundial da Paz (CMP). Era estritamente KGB. A maioria dos empregados do CMP eram oficiais de inteligência soviéticos acobertados. Suas duas publicações em francês, “Nouvelles perspectives” e “Courier da Paix”, estavam também dirigidas pelos membros infiltrados da KGB –e da romena DIE2–. Inclusive o dinheiro para o orçamento da CMP chegava de Moscou, entregue pela KGB em dólares, em dinheiro lavado para ocultar sua origem soviética. Em 1989, quando a URSS estava à beira do colapso, o CMP admitiu publicamente que 90 por cento do seu dinheiro chegava através da KGB3. Como começou a Teologia da Libertação? Eu não estava propriamente envolvido na criação da Teologia da Libertação. Eu soube através de Sakharovsky, entretanto, que em 1968 a Conferência Cristã pela Paz criada pela KGB, apoiada em todo mundo pelo Conselho Mundial da Paz, foi capaz de manipular um grupo de bispos sul-americanos da esquerda dentro da Conferência de Bispos Latino-americanos em Medellín (Colômbia). O trabalho oficial da Conferência era diminuir a pobreza. Seu objetivo não declarado foi reconhecer um novo movimento religioso motivando os pobres a rebelar-se contra a “violência institucionalizada da pobreza”, e recomendar o novo movimento ao Conselho Mundial das Igrejas para sua aprovação oficial. A Conferência de Medellín alcançou ambos objetivos. Também comprou o nome nascido da KGB “Teologia da Libertação”. A Teologia da Libertação teve líderes importantes, alguns deles famosas figuras “pastorais” e alguns intelectuais. Sabe se houve alguma participação do bloco soviético na promoção da imagem pessoal ou dos escritos destas personalidades? Alguma ligação específica com os bispos Sergio Mendes Arceo do México ou Helder Câmara do Brasil? Alguma possível conexão direta com teólogos da Libertação como Leonardo Boff, Frei Betto, Henry Camacho ou Gustavo Gutiérrez? Tenho boas razões para suspeitar que havia uma conexão orgânica entre a KGB e alguns desses líderes promotores da Teologia da Libertação, mas não tenho evidência para comprová-la. Nos últimos 15 anos que morei na Romênia (1963-1978), dirigi a espionagem científica e tecnológica do país, e também as operações de desinformação destinadas a aumentar a importância de Ceausescu no Ocidente. Recentemente vi o livro de Gutiérrez “Teologia da Libertação: Perspectivas” (1971) e tive a intuição de que este livro foi escrito em Lubyanka. Não surpreende que ele seja considerado agora como o fundador da Teologia da Libertação. Porém, da intuição aos fatos, entretanto, há um longo caminho. https://www.acidigital.com/noticias/ex-espiao-da-uniao-sovietica-nos-criamos-a-teologia-da-libertacao-28919 https://www.catholicnewsagency.com/news/former-soviet-spy-we-created-liberation-theology-83634
- A CONTEMPLAÇÃO NA TRADIÇÃO CRISTÃ DO SÉCULO XII, SEGUNDO HUGO DE S. VITOR – Antonio Donato Rosa
Hugo de São Vitor nasceu na Saxônia, no Sacro Império Romano Germânico; ainda jovem dirigiu-se para Paris, ingressando no Mosteiro de São Vitor recém fundado por Guilherme de Champeaux. Tornou-se mais tarde professor de Teologia na escola anexa ao Mosteiro de São Vítor, aproximadamente um século e meio antes de S. Tomás de Aquino ter lecionado em Paris. Ao lecionar na Universidade de Paris, Tomás de Aquino encontrou a Universidade já em funcionamento; Hugo de S. Vitor, porém, além de professor, teve a si confiada a incumbência de organizar a própria escola anexa ao mosteiro de S. Vitor na qual posteriormente ele se notabilizaria como professor. Foi desta escola organizada por Hugo e de outras, como a escola da catedral de Notre Dame onde ensinou seu discípulo Pedro Lombardo, o autor do famoso Livro das Sentenças, que surgiria mais tarde a primeira Universidade da civilização ocidental, a Universidade de Paris. Em nossa opinião, Hugo de S. Vitor está, ao lado de S. Agostinho e de S. Tomás de Aquino, entre os maiores teólogos do Cristianismo; S. Boaventura, entretanto, vai mais longe nesta apreciação: na Redução das Ciências à Teologia ele praticamente coloca Hugo de S. Vitor no primeiro lugar absoluto.Um dos motivos pelo qual Hugo de S. Vitor caiu num certo esquecimento entre os modernos se deve ao fato de que a ordem a que ele pertencia, a dos Cônegos Regulares de São Vitor, na qual desempenhou um papel semelhante ao de S. Tomás de Aquino na dos Dominicanos, deixou de existir já há vários séculos. Como professor Hugo conseguiu um feito raro na História da Pedagogia: assim como Platão, que conseguiu formar em Aristóteles um discípulo à altura do mestre, Hugo nos deixou na pessoa de Ricardo de S. Vitor um teólogo não menos brilhante do que ele próprio; e a obra de Ricardo de S. Vitor continua de tal forma a de Hugo que os escritos de ambos parecem formar um só conjunto. Raríssimas vezes na História se registrou o fenômeno da reprodução do gênio do mestre em seus discípulos; um dos motivos que provavelmente explicam este fato em Platão e em Hugo de S. Vitor se relaciona com o interesse incomum que ambos estes pensadores tiveram para com a filosofia da educação e as concepções elevadas e profundamente elaboradas que tinham a respeito do assunto. Com Hugo de S. Vitor retornamos ao tema da contemplação vista no contexto de uma escola de Teologia; estamos, ademais, em meio às idéias pedagógicas que se situam nos próprios primórdios do nascimento da instituição universitária no Ocidente. Hugo de S. Vitor expôs em uma forma concisa o que entendia por contemplação em um opúsculo intitulado Sobre o modo de Aprender e de Meditar. Neste opúsculo Hugo afirma que há três operações básicas da alma racional, as quais constituem entre si uma hierarquia, e que devem, portanto, ser desenvolvidas uma em seqüência à outra. A primeira ele denomina de pensamento. A segunda, de meditação; a terceira, de contemplação. 1- O pensamento ocorre, diz Hugo, “quando a mente é tocada transitoriamente pela noção das coisas, ao se apresentar a própria coisa, pela sua imagem, subitamente à alma, seja entrando pelo sentido, seja surgindo na memória”. Entre os ensinamentos de Hugo de S. Vitor, entra aqui o papel que a leitura adquire na Pedagogia. A importância da leitura reside em que ela pode ser utilizada para estimular a primeira operação da inteligência que é o pensamento. Mas ao mesmo tempo a limitação da leitura está em que ela não pode estimular as operações seguintes da inteligência, a meditação e a contemplação, a não ser indiretamente, na medida em que a leitura estimula o primeiro estágio do pensamento que é o pressuposto dos demais. Isto significa que requer-se uma teoria da leitura em que o mestre saiba utilizar-se dela para produzir o pensamento, e ao mesmo tempo compreenda que há outros processos mentais mais elevados que devem também ser desenvolvidos mas que podem vir a ser impedidos por uma concepção errônea por parte do mestre que não conseguisse compreender que estes não dependem mais diretamente da leitura. A importância do assunto é tão grande que Hugo de São Vitor dedicou seis dos sete livros de sua obra conhecida como Didascalicon à teoria da leitura. 2- A segunda operação da inteligência, continua Hugo, é a meditação. A meditação baseia-se no pensamento, e é “um assíduo e sagaz reconduzir do pensamento, esforçando-se para explicar algo obscuro, ou procurando penetrar no que ainda nos é oculto”. O exercício da meditação, assim entendido, exercita o engenho. Como a meditação, porém, se baseia por sua vez no pensamento e o pensamento é estimulado pela leitura, temos na realidade duas coisas que exercitam o engenho: a leitura e a meditação. Segundo as palavras de Hugo, “na leitura, mediante regras e preceitos, somos instruídos a partir de coisas que estão escritas. A leitura também é uma investigação do sentido por uma alma disciplinada. A meditação toma, depois, por sua vez, seu princípio na leitura, embora não se realize por nenhuma das regras ou dos preceitos da leitura. A meditação é uma cogitação freqüente com conselho, que investiga prudentemente a causa e a origem, o modo e a utilidade de cada coisa”. 3- Mas, acima da meditação e baseando-se nela, existe ainda o que Hugo chama de contemplação. Ele explica o que é a contemplação e no que difere da meditação do seguinte modo: “A contemplação é uma visão livre e perspicaz da alma de coisas que existem em si de modo amplamente disperso. Entre a meditação e a contemplação o que parece relevante é que a meditação é sempre de coisas ocultas à nossa inteligência; a contemplação, porém, é de coisas que, segundo a nossa capacidade, são manifestas; e que a meditação sempre se ocupa em buscar alguma coisa única, enquanto que a contemplação se estende à compreensão de muitas, ou também de todas as coisas. A meditação é, portanto, um certo vagar curioso da mente, um investigar sagaz do obscuro, um desatar o que é intrincado. A contemplação é aquela vivacidade da inteligência, a qual, já possuindo todas as coisas, as abarca em uma visão plenamente manifesta, e isto de tal maneira que aquilo que a meditação busca, a contemplação possui”. Estas passagens do Opúsculo sobre o Modo de Aprender revelam um dos pontos básicos da pedagogia vitorina, o de levar o discípulo do pensamento à contemplação. No sétimo livro do Didascalicon, às vezes conhecido também como uma obra em separado denominada Os Três Dias (De Tribus Diebus), Hugo dá um exemplo mais extenso desta concepção; este texto, entretanto, é muito longo para ser reportado aqui e também muito denso para poder ser resenhado. (Em: http://www.cristianismo.org.br/efp3-12.htm)
- DECRETO DO CONCÍLIO DE CARTAGO A RESPEITO DO BATISMO DAS CRIANÇAS.
DECRETO DO CONCÍLIO DE CARTAGO A RESPEITO DO BATISMO DAS CRIANÇAS. A 15 de maio de 252, S. Cipriano reuniu em Cartago um segundo Concílio, em que se achava, entre outras coisas, uma prova autêntica da fé da Igreja concernente ao do pecado original. Decidiu-se ali que se devia administrar o batismo as crianças, logo depois de nascidas. “Porque, dizem os padres, se os grandes pecadores, apenas se convertem, são admitidos ao batismo e recebem a remissão de suas culpas, com maior razão se deve conceder as crianças. cuja única mácula é a que contraíram por sua origem, como nascidos de Adão, segundo a carne. “Fizeram-se também regulamentos relativos ao cisma dos libeláticos > diz-se de cristão apóstata possuidor de libelo (‘certificado’) . Os decretos desse Concílio, como os do Concílio precedente. foram sujeitos ao papa S. Cornélio por uma carta sinodal assinada por quarenta e dois bispos. Mais tarde, no ano 254, sabendo S. Cipriano que Marciano, bispo de Arles (Os bispos das Gálias, sobretudo o de Lião, Faustino, tinham escrito a S. Cipriano como conhecendo a fundo o que dizia respeito aos novacianos. Tinham também dirigido as suas queixas a Roma. Era, pois, a Roma que a Gália e a África recorriam quando procuravam o poder executivo e supremo da Igreja.) tinha abraçado o cisma de Novato e se gloriava até de ter interrompido toda a comunicação com os seus colegas, escreveu ao Papa Santo Estevão, que havia substituído S. Cornélio. pedindo-lhe que remediasse de pronto este mal. “Escrevi, diz-lhe ele, aos bispos das Gálias e principalmente aos fiéis de Arles, recomendando-lhes que excomunguem Marciano e nomeiem outro bispo em seu lugar, afim de reunir o rebanho que ele dividiu.” já antes ele tinha denunciado à santa sé Privato, bispo herético de Lambeze. Desta sorte vê-se que o sábio primaz da África, convencido da supremacia de Roma sobre a lgreja universal, recorreu 51 à sua solicitude pastoral, ora a respeito da África, ora a respeito da Gália; mas, por uma deplorável consequência da fragilidade humana, esqueceu-se, em uma circunstância do respeito que tinha ao Sumo Pontífice. Foi na questão da validade do batismo administrado pelos hereges. A lgreja católica creu sempre que o batismo, imprimindo um caráter indelével, não pode administrar-se mais que uma vez; e que, tirando toda a sua virtude da instituição divina. é sempre válido, seja quem for o que o administra, padre ou secular, cristão ou infiel, contanto que observe o rito que Jesus Cristo instituiu e tenha intenção de fazer o que faz a Igreja. Porém, como vários hereges dos primeiros séculos. entre outros, os gnósticos, tinham alterado a forma do batismo, foi necessário administrá-lo de novo aos que o haviam recebido de suas mãos. Daí veio o costume, quase universal na Igreja primitiva, de rebatizar os hereges que se convertiam; porque a maior parte deles, em razão de seus erros, davam um batismo duvidoso ou inválido. Ainda hoje se pratica o mesmo a respeito dos protestantes quando não se tem a certeza de que eles observassem todas as condições essenciais da forma. No começo do século III, Agripino, bispo de Cartago, não tinha ficado por aí: confundiu a validade intrínseca do sacramento com o lícito da sua administração não fazendo distinção alguma entre os hereges e rebatizando-os sem exceção. “Agripino, diz S. Vicente de Lerins, foi o primeiro que, contra os divinos cânones, a disciplina da Igreja e o costume dos antigos, ensinou que o batismo se devia sempre reiterar.” Dava como razão que os hereges não podem conferir a graça e a vida espiritual, pois eles mesmos não a têm. Essa razão envolveria outro erro, a saber: que, na própria Igreja, aquele que estivesse em estado de pecado mortal não poderia validamente administrar um sacramento. Já o rigorismo exagerado de Tertuliano tinha inclinado e enganado a sua lógica no mesmo sentido. PENDÊNCIA DE SÃO CIPRIANO COM O PAPA A RESPEITO DO BATISMO DOS HEREGES S. Cipriano seguiu o sentimento e a prática de Agripino. Por consequência, consultado a respeito do batismo dos novacianos, que não alteravam a forma deste sacramento, decidiu, de acordo com duas assembleias de bispos (255, 256), que era inválido. Segundo o seu costume, mandou a decisão ao Papa Santo Estêvão, que a condenou, sem que se saiba em que termos. Cipriano julgou sem razão que se tratava não de uma questão dogmática, mas de um simples ponto de doutrina, sobre que a Igreja podia conservar o seu costume. “Com isso, diz ele, não pretendemos violentar nem impor a lei a pessoa alguma.” Fez em consequência uma nova tentativa para sustentar a sua opinião. Convocou, no primeiro de setembro do ano 256, um terceiro Concílio de oitenta e cinco bispos, em que todos foram do seu parecer. Ele estava aferrado à sua opinião não só pela adesão dos bispos de sua provincial mas também pela aprovação de alguns do Oriente e, sobretudo, de Firmiliano, bispo de Cesareia. Até chegaram ambos a manifestar uma viva indignação e a falar contra 0 Papa de um modo inconveniente e indesculpável, diz Santo Agostinho.1 S. Cipriano mandou dois deputados ao Sumo Pontífice com a decisão tomada de novo; mas o chefe da Igreja não os recebeu. A discussão continuou ainda durante o pontificado de Sixto II, sucessor de Santo Estêvão, e acabou por uma reconciliação geral. Os bispos da África abandonaram a sua opinião e até a condenaram por um decreto. A maior parte dos orientais se retrataram, segundo o testemunho de Santo Agostinho e de S. Basílio ( S. Jerônimo, in Lúcifer, cap. 8. — Santo Agostinho Contra crescent., Livro 3 — Epístola 93, ad Vincentium. — S. Basílio, Epístola 99, ad amphiloc. —. — Dom Gueranger, Monarquia pontifícia. — Girino, tomo 3.) . Finalmente a questão terminou completamente no Ocidente por um decreto do concílio de Arles, em 315, e, em 325, em toda a Igreja pelo do concilio geral de Nicéia. O que triunfou definitivamente, como sempre, foi a decisão romana. Quanto a S. Cipriano, vê-se em seu livro Da paciência, escrito pouco tempo depois dessas contestações, que ele se arrependeu da sua resistência. Santo Agostinho nos ensina também que esse santo bispo, suposta a realidade do seu conflito com o Papa, retratou-se antes de morrer e expiou a sua culpa pelo martírio. O venerável São Beda, o mais douto e erudito dos escritores do século VII, numa época em que subsistiam ainda monumentos, que pouco depois se perderam, diz que S. Cipriano, transviado de boa fé, teve a felicidade de conhecer afinal a verdade e de abraçar o sentimento da Igreja e dos santos. Destarte a Igreja romana, resistindo ao ardor do gênio e aos momentâneos transportes de cólera de seus mais prezados e gloriosos filhos, bem como aos ataques de seus inimigos, manteve em toda a sua integridade a fé, de que tanto nos gloriamos. Tratado de história eclesiástica, volume 1 — Padre RIVAUX, 1876— Brasília: Editora Pinus, 2011. #USA #Bizâncio #France #Batismo #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Belarus #sãoJerônimo #desenvolvimentodoutrinal #HistóriadasHeresias #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Doctrinaldevelopment #Igreja #SantoAgostinho
- O colapso da fé
“Estou convencido de que a responsabilidade primária de todo esse colapso na Fé deve ser assumida pelos sacerdotes. Em seminários e universidades católicas, não raramente, ensinamos pouca ou nenhuma doutrina. Ensinamos o que mais gostamos! O Catecismo para crianças foi abandonado. A Confissão desprezada. Além disso, não há mais padres nos confessionários! Somos, portanto, parcialmente responsáveis por tal colapso. Nos anos 70 e 80, em particular, cada padre fazia o que bem queria dentro da Missa. Não havia duas Missas que se assemelhassem; por consequência, isso foi o que dissuadiu tantos fiéis de estarem ali. O Papa Bento XVI apontou que a crise na Liturgia desencadeou a crise da Igreja. Lex orandi, lex credendi: nós rezamos como cremos. Se não temos mais Fé, a Liturgia é reduzido a um espetáculo, um show, um folclore e os fiéis afastam-se. Nós provavelmente somos culpados por tamanha negligência. Sempre tem graves consequências a dessacralização da Liturgia. Queremos humanizar a Missa, torna-la compreensível, mas ela permanece e permanecerá um mistério para além de qualquer compreensão humana.” Cardeal Sarah.
- EIS QUE EU FAREI COISAS NOVAS – 5º Domingo da Quaresma
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Qual é mesmo o preço do nosso pecado?”, clicar AQUI. Se a única solução que Deus encontrou para nos perdoar os pecados e livrar do inferno foi a Cruz, se os nossos crimes custaram o sangue do próprio Deus feito carne… das duas uma: ou o pecado é mesmo uma coisa muito séria, ou nossa época perdeu por completo a noção do que ele seja e está a brincar com a própria salvação. É o que Padre Paulo Ricardo medita nesta homilia, comentando o evangelho da mulher adúltera e fazendo-nos adentrar no tempo litúrgico da Paixão do Senhor. AS COISAS NOVAS (Meditação de Scott Hahn) A Liturgia desta Quaresma nos mostrou o Deus do Êxodo. Ele é um Deus poderoso e cheio de graça, o Qual, inteiramente fiel à sua aliança, fez “grandes coisas” para o Seu povo, como diz o Salmo de hoje. Mas as “coisas de muito tempo atrás”, como Isaías nos diz na primeira leitura de hoje, não são nada em comparação com o “algo novo” que Ele fará no futuro. A primeira leitura de hoje e o salmo recordam os maravilhosos acontecimentos do Êxodo. Ambos vêem no Êxodo um padrão e uma profecia do futuro, quando Deus restaurará a sorte de Seu povo caído em pecado. As leituras de hoje antecipam um Êxodo ainda maior, quando Deus se reunirá às tribos exiladas de Israel que se espalharam pelos quatro cantos do mundo. O novo Êxodo, que Israel tanto esperava, chegou com a morte e ressurreição de Jesus. Como a mulher adúltera no evangelho de hoje, todos foram poupados pela compaixão do Senhor. Todos ouviram Suas palavras de perdão, Seu apelo ao arrependimento, para não mais pecarem. Como Paulo na epístola de hoje, Cristo tomou posse de todos, assumindo cada um como filho do nosso Pai celestial. Através da Igreja, Deus formou um povo para Si mesmo, destinado a anunciar o Seu louvor, exatamente como Isaías disse que Ele faria. E como Isaías prometeu, Ele deu de beber água viva a Seu “povo eleito”, nas terras desérticas do mundo (João 7, 37–39). Mas o nosso Deus é sempre um Deus do futuro, não do passado. Devemos viver com corações esperançosos, “esquecendo o que passou, mas nos esforçando para seguir adiante”, como Paulo nos diz. Sua salvação, diz Paulo, é um poder no presente, “o poder de sua ressurreição”. Devemos viver aguardando um Êxodo ainda maior e final, perseguindo “a meta, rumo ao prêmio, que, do alto, Deus” nos chama a receber em Cristo, lutando com fé para alcançar a última novidade que Deus nos promete: a ressurreição dos mortos. https://stpaulcenter.com/something-new-scott-hahn-reflects-on-the-fifth-sunday-of-lent/# PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Isaías 43, 16-21) Eis que eu farei coisas novas Isto diz o Senhor, que abriu uma passagem no mar e um caminho entre águas impetuosas; que pôs a perder carros e cavalos, tropas e homens corajosos; pois estão todos mortos e não ressuscitarão, foram abafados como mecha de pano e apagaram-se: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as conheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca. Hão de glorificar-me os animais selvagens, os dragões e os avestruzes, porque fiz brotar água no deserto e rios na terra seca para dar de beber a meu povo, a meus escolhidos. Este povo, eu o criei para mim e ele cantará meus louvores”. SALMO 125 Maravilhas da reconciliação (Antífona): Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria! — Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar; encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios, de canções. — Entre os gentios se dizia: “Maravilhas fez com eles o Senhor!” Sim, maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria! — Mudai a nossa sorte, ó Senhor, como torrentes, no deserto. Os que lançam as sementes entre lágrimas ceifarão com alegria. — Chorando de tristeza sairão, espalhando suas sementes; cantando de alegria voltarão, carregando os seus feixes! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Filipenses 3, 8-14) Correndo para alcançar Quem já nos alcançou Irmãos: Na verdade, considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele eu perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele, não com minha justiça provindo da Lei, mas com a justiça por meio da fé em Cristo, a justiça que vem de Deus, na base da fé. Esta consiste em conhecer a Cristo, experimentar a força de sua ressurreição, ficar em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos. Não que já tenha recebido tudo isso ou que já seja perfeito. Mas corro para alcançá-lo, visto que já fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, eu não julgo já tê-lo alcançado. Uma coisa, porém, eu faço: esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente. Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus. EVANGELHO (São João 8, 1-11) As condições da misericórdia Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Colocando-a no meio deles, disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés, na Lei, mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?” Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio do povo. Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles?” Ninguém te condenou?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”.
- A família por Pitirim Sorokin
(St.Mary´s Basilica in Detroit, Holy Matrimony – Photo by Lawrence OP) “A família…deve tornar novamente uma união de corpos, almas, corações e mentes em um único coletivo “nós”. Sua função básica, de implantar simpatia profunda, compaixão, amor, e lealdade em seus membros em geral, deve ser restaurada e desenvolvida inteiramente. Isso é necessário porque nenhuma outra agência pode realizar essa tarefa tão bem quanto a boa família convencional. Esse tipo de família se tornará a base de uma nova ordem social criativa“. Pitirim Sorokin
- O SAQUE DE CONSTANTINOPLA
O SAQUE DE CONSTANTINOPLA Cruzadas continuaram, de tempos em tempos, atacando os turco-seljúcidas em várias partes do seu crescente império. Há um incidente na Quarta Cruzada, de 1204, que frequentemente é citado pelos críticos como exemplo de hipocrisia, brutalidade e cobiça ocidental, assim como a tomada de Jerusalém. Foi a invasão e o saque de Constantinopla pelos cruzados, em um ataque particularmente destrutivo e brutal. (É preciso, obviamente, distinguir esse incidente do saque de Constantinopla que ocorreu em 1453 ). A versão mais difundida dessa história conta que o exército cruzado, que supostamente deveria chegar à Terra Santa, mudou de rota movido por uma profunda cobiça pelas riquezas da capital oriental e, possivelmente, também por ódio aos bizantinos cismáticos. Eles decidiram capturar e saquear a cidade e o fizeram com extrema ferocidade – demonstrando uma vez mais a sua natureza. Assim como o resto da história “anticruzadas”, essa versão ignora certos fatos e distorce outros. Certamente, os cruzados que participaram no episódio eram culpados. Eles se permitiram desviar do seu objetivo e foram atraídos por uma série complexa de esquemas politico/militares que tiveram por fim o trágico saque. Tudo começou quando os cruzados atacaram, no Mar Adriático, um porto que pertencia à Hungria. A razão para isso era a de que os cruzados tinham uma grande divida com os venezianos, que iriam transportá-los. Apareceram menos soldados que o esperado, mas os venezianos. ainda assim, queriam cobrar pelos navios extras. Eles propuseram aos cruzados a quitação da dívida pela ajuda com a captura do porto de Zara. Os cruzados concordaram e tomaram o porto cristão de um rei que havia se voluntariado para a Cruzada. O papa Inocêncio III condenou com veemência essa aberração e incitou o exército a cumprir seu verdadeiro objetivo. Entretanto, uma grande tentação descarrilou a expedição. Um requerente ao trono bizantino, Aleixo IV Ângelo, pediu ajuda aos cruzados e aos venezianos para ganhar poder em Constantinopla. Em troca, ele prometia restaurar a união do Império Bizantino com Roma, ajudar a Cruzada e pagar o restante do dinheiro que os cruzados deviam à República de Veneza. O plano foi apresentado ao papa Inocêncio. Ele já havia recusado a proposta quando Aleixo IV lhe fizera diretamente e a rejeitou uma vez mais. Assim fizeram também alguns líderes dos cruzados, que prosseguiram sozinhos para a Terra Santa. Para outros, no entanto, era um negócio bom demais para ser dispensado e, por isso, guerrearam contra Bizãncio, a fim de estabelecer Aleixo IV como imperador. Contudo, Aleixo IV não conseguiu cumprir sua promessa de pagamento aos aliados latinos. Por fim, os cruzados o abandonaram e ele acabou sendo morto por seus inimigos gregos e substituído por um imperador antilatino. Foi ai que a decisão de se vingar de Constantinopla foi tomada. A raiva que gerou três dias de saques, assassinatos e destruição foi gerada, em parte, na longa história de antagonismo entre latinos e gregos, e em memória de uma atrocidade cometida pelos bizantinos apenas 22 anos antes. Nesse massacre, de 1182, os gregos atacaram a população latina de Constantinopla e mataram homens, mulheres e crianças. O clero católico foi atingido com ferocidade particular. Um diácono foi decapitado e teve sua cabeça amarrada ao rabo de um cão, para demonstrar desprezo por Roma. De acordo com o arcebispo Guilherme de Tiro, um historiador da época, o bando desenterrou e despedaçou cadáveres de católicos, invadiu hospitais para matar os doentes e vendeu milhares como escravos. Agora, os latinos estavam se vingando do mesmo modo; eles também profanaram locais e objetos sagrados, comportando se de maneira abominável. Em seguida, instituíram um império latino, que durou até a derrota para os bizantinos em 1261. O papa recebeu noticias de toda parte. Primeiramente ficou satisfeito pelo que parecia ser a reunificação das igrejas; mas logo após ouvir a história inteira se viu horrorizado e excomungou os cruzados. Depois desse evento desastroso, cruzadas continuaram de tempos em tempos até a morte de São Luis IX, rei da França, em 1271. Ele morreu doente no norte da África, no decurso da segunda cruzada que empreendeu.’ Junto com São Luis morreu o zelo pela empresa das cruzadas. Ele foi parcialmente revivido, com dificuldades, nos séculos seguintes, quando a cristandade se defrontou com as invasões dos turco-otomanos uma ameaça muito maior do que os seljúcidas jamais foram. As Cruzadas foram, então, um fracasso, já que não alcançaram o objetivo de libertar permanentemente a Terra Santa? Louis Bréhier faz essa pergunta, e a responde bem: Devese concluir então que as Cruzadas não tiveram importãncia histórica e que serviram apenas para desperdiçar as forças da Europa? Com frequência esquece-se de que as Cruzadas começaram como uma guerra de defesa e que, independentemente das inconveniências que delas possam ter resultado, o império Bizantino recebeu proteção efetiva contra os turcos no final do século XI. Se no século XIV o lslã retomou sua marcha, isso só ocorreu depois do entusiasmo pelas Cruzadas ter morrido. #IdadeMédia #USA #Bizâncio #Históriadaidademédia #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #SaquedeConstantinopla #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Doctrinaldevelopment #Igreja
- ARBITRARIEDADES NA CELEBRAÇÃO DA MISSA – Dom Antonio Carlos Rossi Keller
Pobres dos fiéis católicos que frequentam as Santas Missas em muitas de nossas igrejas… Submetidos tantas vezes às arbitrariedades de uma pseudo liturgia pautada por distorções, abusos, ridículas inserções de palmas, agitação de folhetos, danças, símbolos e mais símbolos que não simbolizam nada. Quanto abuso! Quanta arbitrariedade! Quanta falta de respeito não só para com Aquele para quem deveria dirigir-se a celebração, mas também para com os pobres fiéis que são obrigados a engolir esdrúxulas situações falsamente chamadas de “inculturação litúrgica”, mas que na verdade revelam falta de fé ou a ignorância das mais elementares verdades da fé em relação à Eucaristia, à Presença Real e outras. Pobres fiéis guiados por alguns pastores que arrotam slogans fundados em um palavreado eivado de conceitos atribuídos ao malfadado “espírito do Concílio” que na verdade, de conciliar nada tem… Tal espírito passa longe daquilo que a Igreja de Cristo é e pretendeu favorecer com a reforma litúrgica. Pobres fiéis, forçados a ter de engolir o que destrói a fé, o que na prática nega a centralidade do Mistério de Cristo, poluindo-o com a tentativa de desfocar este Mistério através da inserção de conceitos ideologizados sobre Deus, o homem, a criação e tantas outras realidades. A “nobre simplicidade” apregoada pelo Concílio transformou-se em desculpa para um “pobretismo” litúrgico que se expressa em despojamento do elementar, em relaxo, sujeira, descaso e outros defeitos. Dá-se à Liturgia, portanto a Deus, o que há de pior: no mínimo, o que é de gosto duvidoso. Chegamos ao tempo em que quem obedece as Normas Litúrgicas é acusado de rubricista. Ai de quem ousar usar os paramentos prescritos pela legislação litúrgica vigente. No mínimo será caracterizado como “romano”, o que na visão de muitos é considerado como uma ofensa. E quem celebrar usando com fidelidade os livros litúrgicos, “dizendo o que está em letras pretas e fazendo o que está em letras vermelhas” será execrado pelos apregoadores do “autêntico espírito do Concílio”. Sinceramente, é preciso muita, mas muita fé mesmo para não deixar de acreditar que ‘as portas do inferno não prevalecerão’, como nos ensina Nosso Senhor. (Dom Antonio Carlos Rossi Keller, paulista, é bispo de Frederico Westphalen, cidade do noroeste do Rio Grande do Sul, na divisa com a Argentina).
- Abusos Litúrgicos
“Parece-me que não havia coisa mais desagradável do que ver a diversidade das cerimônias com que se celebravam a Missa. Uns começavam o santo sacrifício pelo Pater noster; outros, enquanto se revestiam da casula, recitavam o Introibo. Lembro-me de que, um dia, estando em Saint-Germain-en-Laye, notei que sete ou oito padres celebravam a Missa de modo diferente: um fazia de um modo, outro de modo diverso; era uma variedade que provocava lágrimas”. Assim descrevia São Vicente de Paulo (1581-1660) os abusos litúrgicos de sua época, que ele procurou corrigir. Estamos nos séculos XVI e XVII, portanto, depois da reforma litúrgica feita por São Pio V, em cumprimento do estabelecido pelo Concílio de Trento. Nesse tempo, explica o livro da vida de São Vicente, também em consequência das guerras de religião demorou a entrar em prática a disciplina eclesiástica estabelecida pelo Concílio Tridentino. “O relaxamento do clero era deplorável… praticavam mal as cerimônias dos sacramentos… muitos padres não usavam batina, nem hábito eclesiástico para celebrar a Missa, e ministravam os sacramentos em traje secular”. São Paulo apóstolo (1Cor 11) invectivava contra os abusos litúrgicos que já havia entre os primeiros cristãos. Portanto, não são exclusividade da nossa época. Mas a fé e o respeito devidos à Eucaristia nos impelem a não nos conformarmos com esses desmandos. O Cardeal Virgílio Noé, cerimoniário da Santa Sé, explicou que, com a célebre expressão “fumaça de Satanás no templo de Deus”, Paulo VI se referia aos abusos litúrgicos pós-conciliares: “A fumaça de Satanás não era outra coisa que a mentalidade que queria distorcer as regras tradicionais e litúrgicas da cerimônia Eucarística… Ele condenava o espírito de protagonismo e delírio de onipotência que se seguiram à liturgia do Concílio” (14/5/2008). O Cardeal Joseph Ratzinger, hoje o Papa emérito, dizia: “a crise eclesial, na qual nos encontramos hoje, depende em grande parte do desmoronamento da Liturgia” (La mia vita, pag. 113). O Papa São João Paulo II na Encíclica Ecclesia de Eucharistia escreve: “Não há dúvida que a reforma litúrgica do Concílio trouxe grandes vantagens… A par destas luzes, não faltam sombras, infelizmente… Num contexto eclesial ou outro, existem abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento. Às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrifical, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e valor de um encontro fraterno ao redor da mesa… A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções…” (n. 10). “Temos a lamentar, infelizmente, que, sobretudo a partir dos anos da reforma litúrgica pós-conciliar, por um ambíguo sentido de criatividade e adaptação, não faltaram abusos, que foram motivo de sofrimento para muitos…” (n. 52). “O mistério eucarístico – sacrifício, presença, banquete – não permite reduções nem instrumentalizações…” (n. 61). Dom Fernando Rifan, bispo da Administração Apóstolica Pessoal São João Maria Vianney. #abusos #litúrgicos
- São Tomás de Aquino vs Padres da Igreja
Recentemente me perguntaram por que São Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, tem uma importância tão central para a teologia católica quando há a miríade de testemunhos dos antigos Padres da Igreja. Esta foi a minha resposta: Bem, há várias transições na história da teologia. Em primeiro lugar, nosso Deus veio ao povo de Israel. O Senhor Jesus nasceu como um israelita e revelou-se como o portador de seu cumprimento da aliança. Então, você o tem morrendo, subindo e ascendendo de volta ao Seu Pai. A partir daqui, os judeus começaram a pregar que Deus-tornado-homem havia morrido pelos pecados do mundo, e ressuscitou dos mortos para abolir a morte e trazer a imoralidade e a vida à luz. Não há quase nada sobre a metafísica aqui. O judeu conhecia Deus de maneira diferente do que o grego. A tradição filosófica grega procurava Deus ou o “um” (mônada) de baixo para cima – forma, substância, acidente, matéria, causa, efeito, movimento, etc., etc. O judeu conhecia a Deus porque Deus apareceu na porta da frente dele (Abraão / Moisés / Egito / Páscoa). Este último é muito mais pessoal, relacional, contratual e prático, enquanto o primeiro é impessoal, lógico, imprático, etc, etc. Os primeiros cristãos judeus continuaram a levar adiante a adoração de Jesus, o “Adonai”, igual a Deus. No entanto, quando o evangelho se tornou a missão dos gentios no mundo greco-romano, o evangelho ficaria sob escrutínio de pessoas influenciadas pela tradição filosófica grega. Por isso, “como pode o finito Jesus, uma criatura, ser Deus” (simplicidade divina). E assim, os teólogos da Igreja não tiveram escolha a não ser se envolver com a metafísica grega e usar isso como um veículo para transmitir e esclarecer os segredos e mistérios de Deus. A revolução, talvez, é que os mistérios de Deus não estão em desacordo com as ciências naturais. Eles têm coesão, já que Deus fez ambos, e eu não posso ser esquizofrênico ou contraditório. Assim, uma confiança de que a metafísica poderia ser usada para reconciliar questões relacionadas à identidade de Cristo (ou seja, veja os padres da Capadócia). Os Pais da Igreja usaram esse método e o vemos tão maravilhosamente em São João Damasceno e São Máximo, o Confessor. Mas isso só foi aplicado a questões específicas, e um trabalho sistemático completo o suficiente para lidar com toda a ciência da teologia não havia sido feito (nenhum descrédito para De Fide Orthodoxa de S. João). Em última análise, a metafísica grega e o mistério cristão foram reconciliados de uma maneira tão singular com São Tomás de Aquino (e seus professores) que isso não foi feito antes. Talvez o tipo de estudo existisse, mas Aquino o trouxe para um novo nível. Onde alguns dos padres da Igreja pouco se importam com a total coerência da tradição cristã com a ciência natural, Tomás assume a tarefa de fornecer uma estrutura teológica e filosófica robusta. Isso tem grandes benefícios, mas também tem suas limitações. Ninguém aparentemente conhecia as limitações do pensamento escolástico mais do que o próprio Tomás de Aquino. Talvez os tomistas não percebam (tenho certeza que a maioria). Os mistérios da revelação divina têm precedência … sempre. Agora, você tinha um espécie de movimento neopatrístico que procurava simplesmente “aderir aos Padres”, mas uma tarefa tão nobre é repleta de dificuldades. Em primeiro lugar, eles não são todos coerentes em sua teologia, comentário e pensamento. É por isso que o anglicanismo, particularmente a tradição anglo-católica, está repleto do mesmo impasse em matéria de doutrina. Eles têm um Magistério dos Padres da Igreja, e é simplesmente um museu inanimado que data dos mortos. Alguns desses dados são bons e verdadeiros, e alguns são falsos e ruins. Quem decide? Tire sua foto. Contudo, isso não quer dizer que Tomás de Aquino confiasse nos pais da Igreja. Muito pelo contrário, ele é um comentarista de patrística ambulante. Ele era um homem bíblico e patrístico, ambos. Basta ver quantas vezes cita de São João Crisóstomo, São Dionísio, a Santo Agostinho e São João de Damasco só para citar alguns. Algum dia, alguém deveria escrever sobre a confiança tomista no testemunho patrístico e bíblico para dissipar os mitos modernos de um Aquino que os vê como supérfluos em comparação com a razão. Tradução YBARRA, Erick. St. Thomas Aquinas vs Church Fathers Disponível em: https://erickybarra.org/2019/04/04/st-thomas-aquinas-vs-church-fathers/
- MINHA VIDA COM PADRE DONIZETTI – Joelmir Beting
Padre Donizetti, pároco de Tambaú Convivi, pessoalmente, com o Padre Donizetti, dos meus sete aos 17 anos. Um convívio diário, com a graça de Deus. Como coroinha disciplinado e como secretário mais ainda. Ou seja: pelas bênçãos do Padre Donizetti, deixei-me picar pela mosca do jornalismo. Até hoje, em plena atividade multimídia, no Brasil e no Exterior. O detalhe: justamente o Padre Donizetti foi quem me empurrou para o jornalismo, em São Paulo. Primeiro, ordenando-me estudar Sociologia na USP. Segundo, dando-me carta de apresentação “a quem interessar possa”. Foi com ela, em 1956, que abri as portas do “Diário de São Paulo” e, em 1957, da “Rádio 9 de Julho”, emissora oficial da Arquidiocese de São Paulo. Predestinado, foi na “Rádio 9 de Julho” que conheci minha Lucila. Estamos casados e felizes há 48 anos, hoje, no rodapé de dois filhos, duas noras e quatro netos maravilhosos. Quer dizer: eu saí do Padre Donizetti, mas o Padre Donizetti nunca saiu de mim. Imaginem minha comoção ao estar presente no dia de sua recente exumação. Chorei e rezei por ele durante dias. Assim como comovido passei todo este último dia 31 de maio. Sim, o do 56º aniversário de sua última bênção. Um fenômeno espantoso: mais de 130 mil romeiros na Tambaú de 13 mil habitantes. Num único dia, 10 romeiros para cada tambauense. A cidade virou, naquele domingo azul de maio, um caldeirão humano, documentado por toda a imprensa da época. Trabalhei 24 horas por dia no sábado e na segunda. Sobrevoei a cidade e seu entorno, com milhares de ônibus e de caminhões de romeiros estacionados em sítios, chácaras e fazendas. A cidade ficou fechada para veículos em geral. Só era permitido o ingresso de ambulâncias, que mal podiam trafegar no meio da multidão. No dia seguinte, 1º de junho de 1955, Tambaú amanheceu completamente vazia. Para todos nós, da cidade, foi um choque: o choque do silêncio… (Depoimento de Joelmir Beting sobre Pe. Donizetti nos 50º anos de morte do sacerdote)
- AS DEMORAS DE DEUS
“Suportai as demoras de Deus!” (Eclesiástico, 2, 4) Seu Tião, meu finado vizinho, gostava de contar um causo — e sabia fazê-lo muito bem. Foi peão de boiadeiro até perto da Segunda Guerra Mundial, buscou boi no Mato-Grosso e Goiás, amansou burro xucro. Jamais me esquecerei de uma história que me contou um dia, pouco antes de morrer: tinha um sabor de testamento existencial, em que ele próprio era personagem (não o mais importante, como verá o leitor). Penso, às vezes, que todos nós somos personagens desta história… Nela, o velho Tião ainda era o moço Tião, e ajudava a trazer uma boiada de Sacramento, quando foi escolhido para uma missão especial: encontrar dois bois que se perderam do rebanho — um boi preto e um boi branco. Seu Tião deixou os companheiros, a boiada e partiu sozinho com a sua mula. Depois de muita busca, deu de tardinha com o boi preto, junto de uma mina d’água. Agradeceu a Deus, armou ali a sua rede e dormiu. No segundo dia, continuou atrás do boi branco: o reverso da medalha. Já tinha a cara e faltava a coroa. Pensou: “Será que o boi branco já não topou com a boiada?” Na dúvida, ficou com a pior hipótese e prosseguiu para o terceiro dia de pesquisa, naquele vasto chão de mundo. Terceiro dia, coisa nenhuma. Rastreou fazenda por fazenda: e nada de boi branco. Do terceiro para o quarto dia, pernoitou na casa de um velho baiano, que quase não falava e morava sozinho, no meio de umas grotas. Manhãzinha, depois de arrear a mula e atrelar o boi preto para prosseguir na busca, o baiano lhe disse meio distraído, como quem não queria dizer nada: — Sem querer, o senhor vai achar o boi e a boiada — e mais nada falou. Seu Tião agradeceu, despediu-se e retomou o caminho, pensando naquelas estranhas palavras do velho: “Sem querer, o senhor vai achar o boi e a boiada”. Já cansado de procurar em todas as planícies, colinas e montanhas do quarto dia, não tendo mais aonde ir, foi afrouxando de leve as rédeas do animal. Era a mula, agora, que indicava o rumo e conduzia o peão perdido. Pousou num rancho abandonado. E veio mais um dia: era o quinto dia. As veredas subiam e desciam, cruzavam pastos e capoeiras, detinham-se em minas e riachos, mas não levavam ao boi sumido — que era o outro lado do seu disco, a contrapartida do seu destino. Rastreou mais fazendas por toda a extensão do quinto dia, e nada de boi branco. No fim do sexto dia, parou num beco de caminho, próximo a uma aguada. Armou a rede num galho de árvore e dormiu. Acordou, de manhã bem cedo, com a mula zurrando bastante inquieta. Pegou a arma, instintivamente, e deu um tiro para o alto. Ouviu, em seguida, o toque de um berrante não muito longe dali. Era a boiada de Sacramento. A sua boiada! Voltara, enfim, ao ponto de partida, mas com a tarefa pela metade: faltava o boi branco. — Você acredite se quiser — me disse ele. — Mas quando olhei pro lugar em que tinha amarrado o boi preto, o que foi que eu vi? O boi branco, junto do boi preto! Um do lado do outro. Era o sétimo dia. Seu Tião, depois de fazer a sua parte, havia encontrado o boi branco e a boiada sem querer, de uma só vez, como havia profetizado o velho baiano. E, do mesmo modo que Deus, no sétimo dia, descansou da criação do mundo, seu Tião pôde finalmente descansar de sua árdua parceria com o Espírito Santo, que foi o verdadeiro protagonista desta história.
- A CRUZ – Tasso da Silveira
Das mãos do Senhor erguiam-se labaredas, dos pés do Senhor erguiam-se labaredas, dos flancos do Senhor erguiam-se labaredas de dor… O corpo divino se estorcia como um tronco verde na queimada. O incêndio de dor crepitava violento em toda a carne do Senhor. E as mãos que tinham abençoado infinitamente eram agora folhas crestadas, e os pés que tinham sagrado os caminhos do mundo eram rebentos retorcidos, e a cabeça que abrigava os pensamentos eternos era uma fronde que ia tombar reboando. O incêndio de dor crepitava violento na alma e na carne do Senhor. E as chagas eram brasas vivas, e as palavras que brotavam trêmulas dos lábios que haviam pronunciado as verdades divinas eram outras chamas, mais altas e puras, de dor infinita. O incêndio de dor crepitava violento e enchia do seu rumor imenso a grande noite do mundo…
- MARIA, MÃE DE DEUS Parte II
MARIA, MÃE DE DEUS Parte II Voltemos a comentar sobre um assunto que está sendo colocado em dúvida pelos novos hereges da atualidade, novos apenas por viverem na atualidade, pois, as heresias são as mesmas, ao falar do Logos” que se transformou em carne através de uma virgem, Maria, a Theotokos” (orações contra os Arianos, I,42), Atanásio ecoava a linguagem da devoção popular. Porém ele já começara a revestir esse título da racionalidade que ajudaria a defendê-lo dos ataques que sofreu meio século após a sua morte. Como Newman sugeriu em seu livro Os arianos do século IV, o povo era ortodoxo mesmo quando os bispos não o eram (John Henry Newman, “The orthodoxy of the body of the faithful during The supremacy oficial arianism”, in The Arians of the forth century, 3° edição, Londres,1871, pp. 457-472. Em seu uso do vocabulo “Theotokos”, assim como em seu emprego de outros títulos e metáforas, Atanásio se associou à ortodoxia da devoção popular e a desafrontou. A ideia de lex orandi lex credenti, que na devoção cristã tinha um conteúdo normativo doutrinário que precisava ser esclarecido, parecia ter sido formulada pouco depois da época de Atanásio. Mas evidentemente seu trabalho teve como base algumas dessas ideias. O conteúdo normativo da devoção também se tornou evidente em outro contexto, quando Atanásio se utilizou da “comemoração de Maria” para resgatar a ortodoxia de sua doutrina. Ele o fez pelo menos em dois de seus escritos. A mais importante de suas composições literárias foi a carta a Epicteto, que teve grande divulgação em grego, latim, sírio e armênio nos séculos posteriores, sendo citada nos decretos do Concílio de Éfeso de 431 e no Concilio da Calcedônia de 451. Depois da derrota do arianismo, ela parece ter voltado à tona pela recrudescência da antiga heresia docética que negava a total humanidade de Jesus ou afirmava que ele não possuía um corpo genuinamente humano. Algumas pessoas chegavam ao extremo de asseverar que o corpo de Cristo fora feito da mesma essência [homoousion] do Logos (Atanásio, carta a Epicteto, 9. Essa nova forma de docetismo, sobre cujos ensinamentos os estudiosos de hoje ainda não concordam, é frequentemente vista como precursora da teologia apolinarista. Em sua resposta, Atanásio fundamentava sua argumentação nas“divinas Escrituras” e nos decretos dos “padres reunidos em Nicéia”, acusando os neodocetistas de sobrepujarem até mesmo os arianos: “Os senhores foram mais longe na impiedade que qualquer heresia. Pois, se o Logos possui a mesma essência do corpo, a comemoração e o ofício de Maria são supérfluos [peritte tes Maria he mneme kazi he chreia] ” ( Atanásio, carta a Máximo, o filósofo,3). E em sua carta a Máximo, combatendo a doutrina que afirmava que o Logos se tornara homem como consequência necessária de sua própria natureza, Atanásio novamente declarou: “Se assim fosse, a comemoração de Maria seria supérflua”. Seu ponto de Vista nos parece bem claro: Maria era considerada novamente, como fora por padres antignósticos, a garantia da verdadeira humanidade de Jesus Cristo. Menos claro é o caráter preciso da “comemoração” a qual Atanásio se refere. Se a palavra grega mneme significasse simplesmente “memória”, como no Novo Testamento e em outros textos (2pedro 1,15″tenhais lembranças dessas coisas”), ele estaria argumentando que a lembrança de Maria, santificada no Credo ou em preces comemorativas, necessariamente traria consigo a implicação de que a humanidade de Cristo teria se originado nela e não preexistiria desde a eternidade. Porém mneme algumas vezes tinha um significado técnico na formação do calendário cristão, referindo-se ao aniversário de um santo ou mártir (São Basílio, cartas, 93).” Martin Jugie, em seus estudos sobre os primeiros festivais devotados a Maria no Ocidente, discordou que a mneme de Maria mencionada nos primeiros documentos do século V se referisse ao aniversário de sua morte ou “sono” [koimesis] afirmando que se relacionava com o aniversário de sua“natividade”, que pode ter significado seu ingresso no Céu. Em seu grande estudo posterior sobre a morte e ascensão da Virgem, ele repetiu, corrigiu e ampliou essa argumentação. Entretanto para nós esse problema é secundário. Seria a expressão Tes Marias he mneme uma referência a alguma festividade marista? Há algumas evidências da existência de um festival denominado a mneme de Maria, celebrado no primeiro domingo depois do Natal, porém elas não se estendem até a época de Atanásio. Todavia, tanto essas evidências como sua linguagem parecem corroborar a possibilidade de que uma celebração de Maria já existia durante sua época e que sua argumentação foi feita com base nela. **** Assim, ele afirmara que não haveria justificativa para um festival comemorativo da Virgem Maria, a Theotokos, se ela não tivesse desempenhado um papel importante na história da salvação. Ela pertencia ao Novo Testamento, não ao Velho, e não fora lembrada, a exemplo dos antigos santos de Israel, como uma profetisa da vinda de Cristo. Em vez disso, ela tivera uma função ou cargo, (chreia): fora escolhida e incumbida da missio por meio da qual o Logos incriado recebera sua criada humanidade. E de fato esse ministério, chreia, era celebrado com gratidão na observância de sua mneme, ou celebração de Maria. O ministério (chreia) era um fato na história da salvação, a comemoração (mneme) , um fato consumado na prática cristã. Tanto o credo como o calendário da Igreja testemunhavam a doutrina de que a natureza humana de Cristo era a de uma criatura e que a natureza divina de Cristo não era a de um homem. A prova da ligação entre o homem Cristo e a humanidade era “a comemoração e o oficio de Maria”, que seria supérflua se a humanidade de Cristo fosse uma espécie de componente de sua preexistência como o Logos de Deus. Apesar de as evidências deixarem claro que é inegável o fato de que Atanásio jamais elaborou uma justificativa satisfatória para as implicações da total e verdadeira humanidade do Senhor como ele o fez com relação a sua divindade, também Fica evidente que ambos os aspectos de sua “dupla explicação” estavam voltados para a autoridade da fé ortodoxa. Na composição e identificação dessa autoridade, o culto e a devoção da Igreja eram vistos como elementos importantes na definição do que Atanásio, na conclusão de sua Carta a Epicteto, denominou “a profissão da fé devocional e ortodoxa” [he homologia tes eusebous kai orthodoxous pisteos] (Atanásio, carta a Epicteto,2). Se Maria era Theotokos, como a linguagem da devoção declarara, a relação entre a divindade e a humanidade de Jesus Cristo deveria ser de tal sorte que justificasse esse termo aparentemente incongruente, e por isso foi necessária a elaboração da doutrina da “comunicação das propriedades”. Se Maria teve a função de “revestir” o Logos de uma autêntica e, portanto, criada humanidade, como a “comemoração de Maria” e a prática da devoção cristã declararam, nenhuma aversão a carne e ao sangue seria permitida para macular a doutrina da encarnação. Para ser considerada dogma da Igreja, a doutrina precisaria não apenas se sujeitar é tradição apostólica — como registrada nas Escrituras e em testemunhos, como os decretos do Concilio de Nicéia — mas também ao culto e à devoção da Igreja católica e apostólica. A condição humana de Maria em relação a Cristo ainda apontava para outra linha de desenvolvimento, isto é, para a tarefa de especificar de modo mais acurado a maneira de lidar com mais propriedade com os atributos mal empregados pela heresia. No Século IV, a maioria das controvérsias girava em torno de predicados como homoousios ou Theotokos. Porém a literatura sobre as controvérsias também sugere que a definição de heresia era a má interpretação de um atributo, para a qual a resposta Ortodoxa foi um esclarecimento mais preciso. A resposta satisfatória foi encontrada apenas pelo Concílio de Éfeso e em épocas posteriores a ele, porém atualmente, com a visão proporcionada pelo distanciamento, ela é considerada como o primeiro estágio do desenvolvimento da controvérsia ariana. Nas palavras de Henry Gwatkin, a heresia ariana “degradou o Senhor dos Santos, colocando-o no mesmo nível de suas criaturas”. Ela atribuía a Cristo mais do que imputava a qualquer outro santo, porém menos do que era atribuído a suprema Divindade. A doutrina ariana concernente aos santos não é fácil de ser reconstituída a partir de seus fragmentos, apesar de sabermos que a Thalia de Arius falava dos “eleitos de Deus e dos homens sábios de Deus, seus sagrados filhos” (citação de Atanásio, Orações contra os arianos, 1,5). Há alguma evidência de que certas lendas sobre os santos foram transmitidas por fontes arianas,” mas estamos mais bem informados a respeito da Visão ariana sobre as relações entre Cristo e os santos. Segundo a carta dos arianos endereçada a Alexandre de Alexandria, O Logos era “uma criatura perfeita de Deus, que não se comparava a uma de suas criaturas” (Citação em Atanásio, sobre os Concílios de Arímino e Seleucia,16; pois ele fora uma criatura através da qual Deus fizera todas as outras. Portanto, a “superioridade” dessa criatura sobre todas as outras consistia no fato de ter sido criada diretamente por Deus, enquanto as outras haviam sido criadas através do Logos. Consequentemente, o Logos era perfeito em sua preexistência, mas em sua carreira terrena ele se tomara perfeito. Ao retratar o homem Jesus Cristo, o arianismo parecia ter combinado a negação da presença de uma alma humana em sua pessoa com a doutrina de Paulo de Samosata, que afirmava que ele se tornara merecedor da condição de “Filho de Deus” por seu “progresso moral” [prokope] ((Citação em Atanásio, sobre os Concílios de Arímino e Seleucia 26). Supunha-se que os arianos acreditavam que Deus o elegera “pela presciência” de que Cristo não se rebelaria contra ele e iria, “por cuidado e autodisciplina” [dia epimeleian kai askesin], triunfar sobre sua “natureza mutável” e permanecer “fiel“ (citação de Teodoro, História eclesiástica, 1, 12-13). Como a condição de filho do Logos era um atributo de sua perfeição como criatura, e a qualidade de filho de Deus do homem Jesus era consequência de sua perfeita obediência, a diferença entre a sua condição de filho e a natureza dos santos era quantitativa e não qualitativa. Pela obediência perfeita os santos poderiam, no final, atingir o mesmo estado de merecimento. A doutrina ariana, afirmando que os santos eram participes da condição de Cristo como filho de Deus, tinha sua contraparte no preceito de Atanásio que declarava essa participação através da “divinização”. “Por nossa ligação com seu corpo também nos tornamos o templo de Deus e, como consequência, nos transformamos em filhos de Deus, de tal modo que, até mesmo em nós, o Senhor está sendo reverenciado” (Atanásio, oração contra os arianos, 1,43). Os santos não atingiriam a condição de filho pela imitação de Cristo, mas, essencialmente, pela sua transformação por Cristo, que, segundo o famoso preceito atanasiano, se tornou humano para que os santos pudessem se tornar divinos. São Atanásio não acreditava que essa transformação e divinização fossem possíveis apenas porque o Logos era Criador e não criatura. O Salvador era o mediador entre Deus e a humanidade apenas porque ele próprio era Deus. Ele não atingira um novo status por ser o maior de todos os santos, mas fora restaurado a seu status eterno depois de cumprir na Terra a missão para a qual fora enviado como homem. Porém, os santos se tornaram filhos de Deus, criaturas nas quais o Criador habitava de modo tão completo que Ele podia ser cultuado neles. Esse foi o atributo que o arianismo tentou imputar a Cristo, uma criatura na qual o Criador, habitava tão plenamente que Deus podia ser adorado em sua pessoa, o maior de todos os santos e, portanto, mediador entre Deus e a humanidade. Traçando uma linha divisória entre o Criador e a criatura e confessando que o Filho de Deus se encontrava ao lado de Deus, a ortodoxia nicena tornava possível e necessária a distinção qualitativa entre ele e até mesmo o maior dos santos, entre sua mediação incriada e sua intercessão criada. Agora que as afirmações arianas estavam mudadas, o que aconteceria com todos esses atributos? O que analisamos até o momento no marismo de Atanásio parece indicar que, em um sentido bastante diverso do que foi inferido por Harnack,“tudo o que os arianos ensinaram sobre Cristo, a ortodoxia passou a ensinar sobre Maria”, de modo que esses atributos da criatura não mais se aplicavam a Jesus Cristo, Filho de Deus, mas à Virgem Maria, Mãe de Deus. O retrato de Maria na Carta as virgens, de Atanásio, concorda com a descrição ariana do Filho de Deus, afirmando que ela “fora escolhida porque, apesar de mutável por natureza, seu esmerado caráter não sofrera nenhuma deterioração”. Atanásio falou de seu “progresso” e talvez até tenha usado a palavra prokope [progresso moral] , que os arianos empregaram para Cristo (Atanásio, carta às virgens.Segundo Atanásio, a evolução de Maria envolveu conflitos, dúvidas e pensamentos maus, mas ela triunfou sobre eles e assim conseguiu se tornar “a imagem e o modelo” de virgindade para todos os que buscam a perfeição, isto é, a maior de todos os santos. Como mencionamos anteriormente na análise de toda a sua doutrina, a linguagem devocional (Theotokos, “Mãe de Deus”) e a prática piedosa (mneme, “comemoração”) que estavam por trás do marismo de Atanásio eram o principal exemplo de que uma criatura pode se tornar merecedora de culto por ter se tornado a morada do Criador. O hino no qual Atanásio talvez tenha encontrado o titulo Theotokos era o original grego da conhecida versão latina Sub tuum praesidium, que possivelmente deu origem a esse culto. Para outras controvérsias, é necessário procurar maiores esclarecimentos sobre a doutrina, mas ao esclarecermos esta polêmica podemos ver que, já em Atanásio, ela se constituiu em uma evolução, pela especificação do assunto. Quando esse desenvolvimento realmente aconteceu, apareceu em primeiro lugar, e mais plenamente, nos países de língua grega do Oriente, onde a pressuposição ascética e devocional da doutrina de Maria já estava presente muito antes de surgir no Ocidente. #USA #Maria #France #Patrística #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #Dogmas #desenvolvimentodoutrinal #HistóriadasHeresias #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Doctrinaldevelopment #Igreja #Concílio
- [SOBRE A TEOLOGIA PROGRESSISTA] – Cornelio Fabro
Padre e filósofo Cornelio Fabro com Papa João Paulo II Qual mensagem de salvação pode anunciar ao mundo uma teologia que, sob o pretexto racionalista de desmitologização [dos Evangelhos], esvazia de sua realidade histórica os eventos da salvação, deixando na sombra — ou até os negando ou omitindo completamente — os mistérios e dogmas fundamentais do cristianismo, para se aplicar apenas às estruturas sócio-político-econômicas do homem, rejeitando o sagrado que há no mistério da queda e da redenção do homem? Qual princípio de renovação pode haver numa teologia que, sem escrúpulos, seculariza a moral e, quase vergonhosa do ideal de pureza e pobreza cristã do Evangelho, irrompe numa existência marcada pelo prazer, pela recusa do sacrifício e para a escancarada celebração do sexo, logo alinhando-se à luta de classes, de braço dado com o marxismo, e, com a brutalidade da psicanálise mais radical, proclamar a inocência libertadora dos instintos? O que o mundo deve ou pode fazer com uma teologia sem pudor, que nos desarma diante do mal? O que pode significar, para a sociedade consumista, mergulhada no tédio e na rebelião do ato gratuito, uma teologia dessa espécie, a qual, para salvar o mundo, se embriaga do veneno que intoxica o próprio mundo? Não será esta uma teologia do desprezo de Deus, do homem e do mundo? Uma teologia sem amor e sem pudor, que delira, como adverte São Vincente de Lerins, com a profanae vocum novitates [diante do palavreado ímpio do mundo]? (Cornélio Fabro, L’avventura della teologia progressista. Milano, Rusconi Editore, 1974, “Introduzione”)
- UM BOM DOCUMENTÁRIO SOBRE A MISSA ANTIGA
Há cinquenta anos, Papa Paulo VI aprovava o novo Missal Romano, com as revisões litúrgicas que todos conhecemos: celebração em língua vernácula, padre voltado para a assembleia e várias modificações no texto. Talvez seja um bom momento para saber um pouco mais sobre a Missa antiga. O documentário acima, Mysterium fidei, o Santo Sacrifício da Missa, da produtora Agnus Dei, é um trabalho muito bom sobre a Missa antiga e suas inesgotáveis riquezas espirituais. É narrado pelo Padre Juan Manuel Rodríguez, sacerdote diocesano de Madri. Quando Papa Bento XVI permitiu a volta da Missa antiga, em latim (também conhecida por Missa Tridentina), em sua carta apostólica “Summorum Pontificum”, de 2007, fiéis de todo o mundo católico se apressaram em suas dioceses a procurar quem a celebrasse: ainda havia quem devotasse grande estima àquela forma litúrgica de grande poder espiritual (e que tanta influência exerceu sobre a cultura do Ocidente). Já são várias as cidades, no Brasil e no mundo, que atualmente esse serviço religioso. O lamentável é que poucas são as igrejas que ainda contam com a estrutura física adequada à celebração da Missa antiga, como o velho altar ao fundo, diante do qual se posicionava o celebrante, e a mesa da Eucaristia, onde os fiéis se ajoelhavam para receber a comunhão na boca. Algumas ainda guardam, também, as peças que no passado eram utilizadas na celebração, como a patena da comunhão, as Sacras (pequenos quadros com as palavras das orações, colocado sobre o altar para auxiliar o celebrante), o Missal latino, os castiçais, o grande crucifixo. Com a velha Missa, voltam também certa práticas que caíram em desuso, como atendimento de confissões antes da celebração. Muitas celebrações passaram a contar, também, com a presença de corais, apresentando os cantos próprios da Missa em sua forma gregoriana. Para facilitar as orações dos fiéis, livretos bilíngües são emprestados aos fiéis, contendo os textos em latim e português. Os grupos responsáveis pela volta da Missa Tridentina procuram, em geral, ressaltar que o propósito das celebrações, no rito antigo, não é o de provocar polêmicas contra o Concílio Vaticano II e a Missa de Paulo VI. Papa Bento XVI, na já mencionada carta apostólica “Summorum Pontificum”, depois de dizer que esse modo de celebração (a Missa tridentina) “deve gozar da devida honra pelo seu uso venerável e antigo”, destaca também que as duas formas litúrgicas são, ambas, expressões da «lex orandi» católica. Não devem levar a uma divisão na «lex credendi» («norma de fé») da Igreja, pois representam dois usos do “único” rito romano.
- QUE TAL VOLTAR A VIVER? – 4º Domingo da Quaresma
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Meu filho estava morto e tornou a viver”, clicar AQUI. O Evangelho deste domingo conta-nos a célebre história de um rapaz que “estava morto e tornou a viver”: o Filho Pródigo. Com essa parábola, Nosso Senhor quer nos lembrar que somos muito mais do que pensamos ser: podemos até nos iludir com sonhos de “independência” e desbaratar nossos bens “numa vida desenfreada”, mas somos filhos do Rei! Assista a esta meditação do Padre Paulo Ricardo e conheça a dinâmica da conversão pela qual todos temos de passar. OS QUE NASCERAM DE NOVO (Meditação de Scott Hahn) Na primeira leitura de hoje, Deus perdoa “o opróbrio” das gerações que murmuraram contra ele após o Êxodo. No limiar da terra prometida, Israel pode celebrar a Páscoa, a festa do primogênito de Deus, com um coração limpo (Josué 5, 6-7; Êxodo 4, 22; 12, 12-13). A reconciliação também está no coração da história que Jesus conta no evangelho de hoje. A história do filho pródigo é a história de Israel e de toda a raça humana, mas é, também, a história de todo aquele que crê. No Batismo, nos é dado um divino direito de nascer novamente, numa “nova criação”, como São Paulo coloca na epístola de hoje. Quando pecamos, porém, nos assemelhamos ao filho pródigo da parábola, abandonando a casa do pai, esbanjando nossa herança na tentativa de viver sem ele. Perdidos no pecado, nos separamos da graça da filiação divina que, no Batismo, nos foi generosamente concedida. Contudo, ainda é possível voltarmos a nós mesmos, retornando ao Pai, como faz o pródigo. Mas somente Ele pode remover o opróbrio e restaurar a filiação divina que desprezamos. Somente Ele pode nos libertar da escravidão do pecado que nos faz — como o filho pródigo — ver a Deus não como nosso Pai, mas como nosso patrão, a quem servimos como escravos. Deus não quer escravos, mas filhos. Como o pai, no Evangelho de hoje, Ele deseja ardentemente chamar cada um de nós de filho, para conosco compartilhar a Sua vida, dizendo a cada um de nós: “Tudo o que tenho é teu”. As palavras de saudade e compaixão do Pai ainda chegam aos Seus filhos pródigos, através do Sacramento da Penitência. Tudo isto é parte do que São Paulo, na epístola de hoje, chama de “ministério da reconciliação”, confiado por Jesus aos Apóstolos e à Igreja. Reconciliados como Israel, na primeira leitura, assumimos o nosso lugar à mesa da Eucaristia, o banquete de boas-vindas ao qual o Pai chama os Seus filhos perdidos — a nova Páscoa que celebramos neste lado de cá do paraíso. Experimentamos a bondade do Senhor, como cantamos no Salmo de hoje, regozijando-nos por descobrir que nós, que estávamos mortos, novamente estamos vivos. https://stpaulcenter.com/found-alive-again-scott-hahn-reflects-on-the-fourth-sunday-of-lent/ PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Josué 5, 9a.10-12) A reconciliação com o Pai Naqueles dias, ao Senhor disse a Josué: “Hoje tirei de cima de vós o opróbrio do Egito”. Os israelitas ficaram acampados em Guilgal e celebraram a Páscoa no dia catorze do mês, à tarde, na planície de Jericó. No dia seguinte à Páscoa, comeram dos produtos da terra, pães sem fermento e grãos tostados nesse mesmo dia. O maná cessou de cair no dia seguinte, quando comeram dos produtos da terra. Os israelitas não mais tiveram o maná. Naquele ano comeram dos frutos da terra de Canaã. SALMO 33 Experimentando o gosto da reconciliação (Antífona): Provai e vede quão suave é o Senhor! — Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,/ seu louvor estará sempre em minha boca./ Minha alma se gloria no Senhor;/ que ouçam os humildes e se alegrem! — Comigo engrandecei ao Senhor Deus,/ exaltemos todos juntos o seu nome! / Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu,/ e de todos os temores me livrou. — Contemplai a sua face e alegrai-vos,/ e vosso rosto não se cubra de vergonha!/ Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido,/ e o Senhor o libertou de toda angústia. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (2Coríntios 5, 17-21) A reconciliação através da Igreja Irmãos: Se alguém está em Cristo, é uma criatura nova. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo. E tudo vem de Deus, que, por Cristo, nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação. Com efeito, em Cristo, Deus reconciliou o mundo consigo, não imputando aos homens as suas faltas e colocando em nós a palavra da reconciliação. Somos, pois, embaixadores de Cristo, e é Deus mesmo que exorta através de nós. Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus. Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus. EVANGELHO (São Lucas 15, 1-3.11-32) Renascido pela humildade Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. Então Jesus contou-lhes esta parábola: “Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’. Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos. O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa. O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’. Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca medeste um cabrito para eu festejar com meus amigos. Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’. Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado’”.
- TRANSUBSTANCIAÇÃO E PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA
TRANSUBSTANCIAÇÃO E PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA “ISTO É O MEU CORPO (…) ISTO É O MEU SANGUE” (MATEUS 26, 26-28) ” modo de presença de Cristo sobe as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz com ela seja como que o coroamento da vida espiritual e o fim ao qual Tendem em todos os sacramentos. No Santíssimo Sacramento da Eucaristia estão contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente o corpo e o sangue juntamente com a alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte o Cristo todo. Esta presença chama-se real não por exclusão, como se as outras não fossem reais, Mas Sou autonomásia, por que é substancial e por que por ela Cristo, Deus e homem se torna presente completo”(CIC). DIDAQUÊ “No que concerne à eucaristia celebrai-a do seguinte modo (…) ninguém coma ou beba de vossa Eucaristia se não estiver batizado em nome do senhor, pois a respeito dela disse o senhor: “não deis coisas santas aos cães” (9,1.5). INÁCIO DE ANTIOQUIA “Eles se afastam da Eucaristia e da oração porque não professam que a Eucaristia é a carne de nosso salvador Jesus Cristo, que sofreu por nossos pecados e que na sua bondade, “o pai ressuscitou” (carta aos esmirnenses 4,1). “Eles (os hereges) se afastam da Eucaristia e da oração por que não professam que a Eucaristia é a carne de nosso salvador Jesus Cristo, que sofreu por nossos pecados e que, na sua bondade, o pai ressuscitou (carta aos esmirnenses 7,1). “Preocupai-vos em participar de uma só Eucaristia. De fato, há uma só carne de Nosso Senhor Jesus Cristo e um só Cálice na unidade do seu sangue, um único Altar, assim como um só Bispo Com o presbítero e os diáconos, meus companheiros de serviço. desse modo, o quê fizerdes, fazei-o segundo Deus” (carta aos piladelfos 4). “Não sinto prazer pela comida corruptível, nem me atrai os prazeres desta vida. Desejo o pão de Deus, que é a carne de Jesus Cristo, da linhagem de Davi, e por bebida desejo sangue dEle, que é o amor incorruptível” (carta aos romanos 7,3,). JUSTINO MÁRTIR ” Este alimento se chama entre nós ‘Eucaristia’ da qual ninguém pode participar a não ser que creia serem verdadeiros os nossos ensinamentos e se lavou no banho do batismo que traz a remissão dos pecados e a Regeneração, e vive conforme o que Cristo nos ensinou. de fato, não tomamos estas coisas como pão comum ou bebida ordinária,mas da maneira como Jesus Cristo, nosso salvador, feito carne por força do verbo de Deus, Teve carne e sangue para nossa salvação, assim nos ensinou que, por virtude da oração ao verbo que procede de Deus, alimente sobre o qual foi dita Ação de Graças -alimento com qual, por transformação, se nutrem nosso sangue e nossa carne – é a carne e o sangue Daquele mesmo Jesus encarnado. foi isso que os apóstolos nas memórias por eles escritas que se chamam Evangelhos, nos transmite que asim foi ordenado a eles, quando Jesus, tomando o pão e dando graças disse: fazei isto em memória de mim. Isto é o meu corpo; e, igualmente, tomando o cálice e dando graças, disse: Isto é o meu sangue ( 1Apologia 66, 1-3). “Este alimento chama-se entre nós Eucaristia. ninguém pode participar dele, a não ser aquele que crê que nossa doutrina é verdadeira e que foi purificado pelo batismo para o perdão dos pecados e para a Regeneração, e que vive como Cristo ensinou. Pois não é pão ou vinho comum o que recebemos. Com efeito, do mesmo modo como Jesus Cristo, nosso salvador, se fez carne pela palavra de Deus e assumiu a carne e o sangue para nossa salvação, também nos foi ensinado que o alimento sobre o qual foi pronunciada a ação de graças com as mesmas palavras de Cristo é a própria carne e o sangue de Jesus que se encarnou; depois de transformado, Nutre nossa carne e nosso sangue (…) Os apóstolos, em suas memórias que chamamos ‘Evangelhos’, nos transmitiram a recomendação que Jesus lhes fizera: tendo ele tomado o pão e das Graças, disse: ‘fazei isto em memória de mim. Isto é o meu corpo (Lucas 22,19; Marcos 14,22); e tomando igualmente O Cálice, deu graças e disse: Isto é o meu sangue (Marcos 14,24) e os deu Somente a Eles . Desde então, vírgula nunca mais deixamos de Recordar estas coisas entre nós” (diálogo com o judeu trifão 66). IRENEU DE LIÃO ” Aconselhando também aos seus discípulos a oferecerem a Deus As Primícias das suas criaturas, não por que precisasse mas para que eles não se mostrassem inoperantes e ingratos, tomou o pão que deriva da criação, deu Graças, dizendo: Isto é o meu corpo; do mesmo modo, tomou o cálice, e provém como nós da criação o declarou seu sangue e estabeleceu a nova oblação do novo testamento. é esta a mesma oblação que a igreja recebeu dos Apóstolos e que, no mundo inteiro, ela oferece a Deus que nos dá o alimento, como Primícias dos dons de Deus na (Nova Aliança contra as heresias 4,17, 5). ” Como poderão (os hereges) ter certeza de que o pão ao qual deram Graças é o corpo do Senhor e o cálice de vinho o seu sangue se não o reconhecem como filho do criador do mundo, Isto é, o seu verbo pelo qual o lenho frutifica, brotam as fontes e a terra dá primeiramente a erva, depois a espiga e por fim a espiga cheia de trigo? Como ainda podem afirmar que a carne se corrompe e não pode participar da vida quando ela se alimenta do corpo e do sangue do Senhor? Então, ou mudam sua maneira de pensar ou se abstenha de oferecer as ofertas de que falamos acima Pão e Vinho. Quanto a nós, Nossa maneira de pensar e estar de acordo com a Eucaristia e a Eucaristia confirma a nossa doutrina, pois oferecemos o que já é seu, proclamando, como é justa, a comunhão e a unidade da carne e do espírito. Assim como pão que vem da terra, ao receber a invocação de Deus, já não é pão comum, mas a Eucaristia, feita de dois elementos: ou terrestre e o Celeste; do mesmo modo, nossos corpos, por receberem a Eucaristia Já não são corruptíveis, por terem a esperança da Ressurreição (contra as heresias 4,18, 3-4). ” Ele (Jesus) ainda reconheceu como seu próprio sangue o Cálice tirado da natureza criada, com o qual fortifica o nosso sangue, e proclamou ser seu próprio corpo o pão tirado da natureza criada com o qual se fortificam os nossos corpos; se, portanto, o cálice que foi misturado e o pão que foi produzido recebem a palavra de Deus e se tornam a Eucaristia, Isto é, o sangue e o corpo de Cristo, e se por eles cresce e se fortifica a substância da nossa carne, como podem entender que a carne seja incapaz de receber o dom de Deus que consiste na vida eterna, quando ela é alimentada pelo sangue e pelo corpo de Cristo e é membro deste corpo? Como diz o bem-aventurado apóstolo na epístola aos Efésios: somos membros de seu corpo, formados pela carne e pelos seus ossos; e não fala de algum homem pneumático e indivisível porque o espírito não tem ossos nem carne mas da estrutura do homem que nada tinha feito de carne, nervos e ossos, alimentado pelo cálice que é o sangue de Cristo e é fortificado pelo pão que é o seu corpo. Assim como a muda da videira, depositada na terra depois frutifica, e o Grão de Trigo caido no solo e destruído, Ressurge multiplicado pela ação do Espírito de Deus que tudo sustém e, em seguida, pela Arte dos homens, se fazem dessas coisas vinho e pão pelo que pela palavra de Deus se tornam na Eucaristia, Isto é, no corpo e sangue de Cristo; da mesma forma; os nossos corpos, alimentados por esta Eucaristia, depois de serem decompostos, ressuscitarão, no seu tempo, quando o verbo de Deus os fará ressuscitar para a glória de Deus Pai, porque Ele dará a imortalidade ao que é corruptível já que o poder de Deus se manifestará na fraqueza (contra as heresias 5,2, 2-3) TERTULIANO DE CARTAGO ” Com grande desejo tenho querido comer a Páscoa convosco antes de padecer, ó destruidor da lei que ainda esperava observar a Páscoa, tão seguro de que deleitaria pela carne do cordeiro judeu. Ou será que era ele, aquele que tendo que ser levado ao sacrifício Como Uma Ovelha e que, Como uma Ovelha perante o tosquiador, não deveria de abrir sua boca, desejava realizar a figura de seu sangue salvífico? Poderia também ter sido entregue por qualquer estranho para que não dissesse eu que também neste Salmo estava sendo cumprido: ‘Aquele que come pão comigo levantou seu pé contra mim porém, isto teria sido próprio de outro Cristo,não daquele que cumprir as profecias… Tendo declarado, pois, que ele, com grande desejo, teria desejado comer a sua própria Páscoa, pois seria indigno que Deus desejasse algo alheio, tendo tomado o pão e distribuído aos discípulos, pelo seu corpo, dizendo: Este é o meu corpo, Isto é, figura de meu corpo porém não teria sido, mas sim corpo verdadeiro. é demais, uma coisa vã como é um fantasma não poderia conter a figura. ou se por isto é o pão fez seu corpo, porque parecia de corpo verdadeiro, logo deveria entregar por nós o pão. Fazia para o vazio de Marcião que fosse crucificado o pão e nada mais para o melão que Marcião teve ao invés do coração? Não entendeu que é antiga esta figura do corpo de Cristo, que diz por Jeremias: Urgiam tramas contra mim, dizendo: venham! lancemos uma lasca em seu pão, isto é, a cruz em seu corpo. assim portanto, aquele que ilumina as antigas figuras, ao chamar de pão ao seu corpo, declarou suficientemente o que queria significar então o pão. assim, na comemoração do Cálice, e constituindo o Testamento selado com o seu sangue, confirmou a substância de seu corpo. porque o sangue não pode ser de corpo algum que não seja de carne. porque se alguma propriedade não carnal do corpo se nós opõe, certamente se não for Carnal não terá sangue. Assim a prova da realidade do corpo se confirmar pelo Testamento da carne e a prova da realidade da Carne pelo testemunho do Sangue Bom e para que reconheça a antiga figura do sangue do vinho, diz Isaías (…) muito mas manifestamente o gênesis, na benção de Judá, de cuja tribo deveria provir a origem da carne de Cristo, já então esboçava a Cristo em Judá: lavará – disse – em vinho as suas vestes e em sangue e uvas o seu manto, significando a estola e manto a carne, e o vinho o sangue. Assim agora consagrou seu sangue no vinho aquele que então fez o vinho figura de seu sangue” (contra Marcião 4,40). “Pelo qual, pelo sacramento do pão e do Cálice, já temos provado no evangelho a verdade do corpo e do sangue do Senhor em contrário do fantasma pregado por Marcião (contra Marcião 5,8). “O sacramento da Eucaristia confiado pelo senhor durante a ceia e a todos, o tomamos também nas reuniões antes do amanhecer e não da mão de outros senão daqueles de quem presidem (…) Sofremos aflição se cai ao chão algo de nosso cálice ou também do nosso pão” (da coroa 3) HIPÓLITO DE ROMA ” Apresse-se todo fiel a receber a Eucaristia, antes de provar Qualquer coisa. Se ele a receber porque tem fé, o que quer que depois lhe seja Dado, ainda que mortal não poderá prejudicá-lo. Esforcem-se todos para que o Infiel não prove a Eucaristia, nem que o faça um rato ou outro animal, e para que dela não caia qualquer parcela e se perca: ela é o corpo de Cristo, que deve ser comido pelos crentes e não deve ser negligenciada” (tradição Apostólica). ORÍGENES DE ALEXANDRIA “Não temes comungar o corpo de Cristo, e aproximando-se da Eucaristia como se estivesses limpo e puro? Como podes desprezar o juízo de Deus? não te lembras que está escrito: ‘por isso há entre vós muitos fracos, doentes e muitos que morrem? Por que muitos fracos? porque não julgam a si mesmos, não se examinamos, não entendem o que é participar da igreja, nem [entendem] o que é aproximar-se de tantos e tão exímios sacramentos. Sofrem aquilo que costumam sofrer aqueles que têm febre. quando se atrevem comer dos manjares do Santos, Isto é, acarretam ruína para si mesmos” (comentários sobre os salmos 37,2,6). “Em razão disso, Graças aos demônios, Celso é um homem que desconhecem a Deus e Suas Obras. Não, ao contrário, Damos graças ao criador de tudo; comemos os pães oferecidos com a ação de graças e a oração sobre os dons recebidos pelos tornados pela oração Eucaristia em corpo Santo e santificador dois que se servem dele com propósito (contra Celso 8,33). “Conhecei a vós mesmos, vós que estais acostumados a assistir os dizendo os mistérios: quando recebemos o corpo do Senhor, o guardais com todo cuidado e veneração, para que não caia nada dele, nem desapareça nada do dom consagrado; isto porque, Como acreditais, sereis réus – e por justo motivo – se perdeste algo por negligência. E se, com justa razão, empregais tanto Cuidado para conservar o seu corpo, como poderíeis julgar menos ímpio a negligência [em seguir a] sua palavra?” (homilia sobre Êxodo 13, 3). “Portanto, se sobre com ele (Jesus) para celebrar a Páscoa, ele te dará o cálice do novo testamento E também o pão da Benção; concederá o seu corpo e o seu sangue” (homilia sobre Jeremias 19,13). ” [Anteriormente,] o Maná era alimento em Enigma; agora, claramente a carne do verbo de Deus é verdadeiro alimento como ele mesmo diz: minha carne é verdadeiramente comida e meu sangue é verdadeiramente bebida (homilia sobre números 7,2). NOVACIANO DE ROMA “Apressando-se a ir ao espetáculo [dos gladiadores], mal tendo saído do sacrifício do Senhor (missa), este Infiel, carregando consigo a Eucaristia (como é de costume), passou com o santo (a Eucaristia) pelo caminho do prostíbulo, por entre os corpos obscenos das prostitutas. Desta forma, merece muito mais repreensão em razão do caminho que adotou do que pelo prazer [moral proporcionados pelo] espetáculo” (dos espetáculos 5). ANÔNIMO(séc IIIl) “Dignai enviar o teu santo espírito sobre estas criaturas e mudar o pão no corpo do senhor e salvador Jesus Cristo, vírgula e o cálice no sangue do Novo Testamento” (Eucológio o egípcio). HILÁRIO DE POITIERS “O verbo se fez realmente carne e nós, na refeição do Senhor, recebemos realmente a carne do verbo(…) Ele nos dá tanto a realidade de sua carne quanto à realidade de sua divindade no sacramento da sua carne” (da Trindade 8,13) “Se é verdade que ‘a palavra se fez carne’, também é verdade que no sagrado alimento (Eucaristia) Recebemos a palavra feita a carne. Por isso, devemos estar convencidos que permanece em nós, de um modo conatural, aquele que (…) também mesclou no sacramento que nos Comunica a sua carne com a natureza da eternidade(…) por sua carne, ele está em nós e nós nele (…) Ele mesmo atesta que estamos em alto grau nele, pelo Sacramento em que nos comunica a sua carne e o seu sangue(…) esta é, portanto, a fonte de nossa vida: a presença de Cristo por sua carne em nós, [seres]” (carnais da Trindade 8,13 traço 16) “Ele mesmo diz: ‘minha carne é verdadeiramente comida e meu sangue é verdadeiramente bebida. Quem come da minha carne e bebe do meu sangue fica em mim e eu nele’ (João 6,56). quanto a verdade da carne e do sangue não há lugar para dúvida: é verdadeiramente carne e verdadeiramente sangue, como vemos pela própria declaração do Senhor e por nossa fé em suas palavras. Esta carne, uma vez comida, e este sangue, bebido, fazem que sejamos também nós um em Cristo e o Cristo em nós. Não é isto verdade? Não o será para os que negam ser Jesus Cristo verdadeiro Deus! Ele está em nós, pois, por sua carne, e nós nele, e ao mesmo tempo o que nos somos está com ele em Deus” (da Trindade). “ATANÁSIO DE ALEXANDRIA “Verás os Levitas trazer pães e um cálice de vinho, e colocá-los sobre a mesa. Enquanto não forem feitas as invocações e orações, não há nada além de pão e cálice vinho, porém, após terem sido pronunciadas as grandes e admiráveis orações, então o pão se converte em corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo e o vinho e se converte em seu sangue. Acuda-nos à celebração dos mistérios. Enquanto não se fizerem as orações e invocações, este pão e este vinho São simplesmente Pão e Vinho. mas, depois de se pronunciar essas grandes orações e Santas invocações, o verbo desce ao pão e ao cálice, e [estes] se convertem no corpo do verbo (aos recém batizados página 26,325). EFRÉM DA SÍRIA “Chamou o pão ‘seu corpo vivo’ encheu-o de si próprio e do seu espírito (…) e aquele que o come com fé, come fogo e espírito (….) tomai e comei-o todos; e, com ele, comei o espírito santo. De fato, é verdadeiramente o meu corpo, e quem o come viverá eternamente (homilia para a Semana Santa 4). “Em teu pão se esconde o espírito, /que não pode digerir-se; /em teu vinho está o fogo, que não pode beber-se./ O Serafim não podia aproximar seus dedos das brasas,/ E elas só puderam aproximar-se os lábios de Isaías;/ nem os dedos as tomaram, nem os lábios as digeriram;/ mas o senhor concedeu a nós ambas coisas./ O fogo desceu com Ira para destruir os pecadores,/ mas o fogo da Graça Desce sobre o pão e ali permanece./ Em vez do fogo que destruiu o homem,/ comemos o fogo no pão/ e fomos salvos” (hinos sobre a fé 10,8-10). CIRILO DE JERUSALÉM “Portanto, tendo Ele pronunciado e dito acerca do pão: ‘Isto é meu Corpo’, quem se atreverá a duvidar disso a partir de então? E tendo Ele asseverado e dito: ‘Isto é o meu Sangue’, quem jamais poderá duvidar e dizer que não é o Sangue Dele? (…) Em outra ocasião, com um sinal seu, converteu a água em vinho em Caná da Galileia. Então não deveríamos crer quando converte o vinho em Sangue? (…) Assim, com total segurança participamos do Corpo e Sangue de Cristo. Isto porque na figura do pão te é dado o Corpo, e na figura do vinho te é dado o Sangue, para que, tendo participado do Corpo e do Sangue de Cristo, sejas feito corpóreo e consaguíneo Seu, e porque assim como somos feitos portadores de Cristo ao se distribuir por nossos membros o seu Sangue, assim também – conforme o bem-aventurado Pedro (2Ped. 1,4; 4,3) – somos feitos portadores ‘consortes da divina natureza’. Com efeito, não consideres como mero pão e mero vinho, porque são Corpo e Sangue de Cristo, conforme a fé: crê com firmeza, sem qualquer dúvida, que foi feito digno do Corpo e do Sangue de Cristo” (Leituras Catequéticas 4,1-2.6). “Quanto a mim, recebi do Senhor o que também vos transmiti’ etc. (I Cor 11, 23). Esta doutrina de São Paulo é bastante para produzir plena certeza sobre os divinos mistérios pelos quais obtendes a dignidade de vos tornardes concorpóreos e consanguíneos de Cristo. Quando, pois, Ele mesmo declarou do pão: ‘ Isto é o meu Corpo’, quem ousará duvidar? E quando Ele asseverou categoricamente: ‘ Isto é o meu Sangue’, quem ainda terá dúvida, dizendo que não é? Outrora em Caná da Galileia, por sua vontade, mudara a água em vinho; e não seria também digno de fé, ao mudar o vinho em sangue? (…) É, portanto, com toda segurança que participamos de certo modo do Corpo e do Sangue de Cristo: em figura de pão é deveras o Corpo que te é dado; e em figura de vinho, o Sangue, para que, participando do Corpo e Sangue de Cristo, te tornes corpóreo e consanguíneo dele. Passamos assim a ser ‘Cristóforos’, isto é, portadores de Cristo, cujo Corpo e Sangue se difundem por nossos membros. E então, como diz São Pedro, ‘participamos da natureza divina’ (2Pd 1,4). Não trates, por isso, como simples pão e vinho a este Pão e Vinho, pois são, respectivamente, Corpo e Sangue de Cristo, consoante a afirmação do Senhor. E ainda que os sentidos não o possam sugerir, a fé no-lo deve confirmar com segurança. Não julgueis a coisa pelo paladar, antes, pela fé, enche-te de confiança , não duvidando de que foste julgado digno do Corpo e Sangue de Cristo” (Leituras Catequéticas 4,3.6). “Depois que nos santificarmos a nós mesmos com estes hinos espirituais (“Sanctus”), invocamos o Deus amante dos homens, para que envie o seu Espírito sobre a oblação, para que faça do pão Corpo de Cristo e do vinho Sangue de Cristo, pois, certamente, qualquer coisa que o Espírito Santo tocar será santificado e mudado” (Leituras Catequéticas 5,7). Invocamos Deus misericordioso para que envie o seu Santo Espírito sobre as oblações que apresentamos a fim de Ele transformar o pão em corpo de Cristo e o vinho em sague de Cristo. O que o Espírito Santo toca, é santificado e transformado totalmente” (Leituras Catequéticas 23,7). “O Verbo de Deus, em se unindo à própria carne, deu-lhe a virtude de vivificar. Portanto, convinha que Ele se unisse aos nossos corpos, de modo misterioso, mediante Sua sagrada Carne e precioso Sangue, que recebemos no Pão e no Vinho [consagrados] pela bênção vivificante”. “Jesus está presente na Eucaristia, com o mesmo Corpo e o mesmo Sangue com que Ele nasceu, sofreu, morreu e ressuscitou dos mortos. Cristo diz: ‘ Isto é o meu Corpo. Isto é o meu Sangue. Quem poderia duvidar? Quem poderia dizer a Jesus: ‘ Isto não é o Seu Corpo. Isto não é o Seu Sangue’?”. “O Pão que parece pão, não é pão, mesmo que tenha aspecto e gosto de pão, mas é o Corpo de Jesus. O Vinho, mesmo que pareça vinho pelo gosto e cor, não é vinho, mas o Sangue do Senhor”. Gregório de Nissa “Embora sendo coisas de pouco valor antes da bênção, depois da santificação que vem do Espírito, ambas estas coisas [- pão e vinho-] operam de modo excelente” (Do Batismo de Cristo). Ambrósio de Milão “Vês como é operante a Palavra de Cristo, se a Palavra do Senhor Jesus é de tanta virtude, que fez começar o que não existia – como, por exemplo, o mundo – quanto mais operante não será para conservar as coisas já existentes e comvertê-las em outras” (Dos Sacramentos 1,4). “Talvez tu digas: ‘ Meu pão é pão comum’. No entanto, este pão é Pão antes das palavras sacramentais. Logo que se realiza a consagração, de pão que é, torna-se Carne de Cristo” (Dos Sacramentos 4). “O Senhor ordenou e se fez o céu; o Senhor ordenou e se fez a terra; o Senhor ordenou e se fizeram os mares; o Senhor ordenou e geraram todas as criaturas. Veja, portanto, como é eficaz a palavra de Cristo. Se a palavra do Senhor Jesus é tão poderosa a ponto de, por meio dela, começar a ser o que antes não era, quanto mais haverá de sê-lo para fazer que as coisas que já eram sejam e se tranformem em outra coisa” (Dos Sacramentos 4,4,15). “Confirmemos a verdade do mistério da Eucaristia pelo exemplo da encarnação: porventura o nascimento de Cristo foi precedido de processo natural? (…) É evidente que a Virgem gerou acima da ordem narural. Ora, o corpo que consagramos nasceu da Virgem. Por que buscas a ordem o Corpo de Cristo (=Eucaristia) quando acima da natureza nasceu da Virgem o Senhor? Foi verdadeira a carne de Cristo, crucificada e sepultada; portanto, é verdadeiramente de sua carne este sacramento”. “Sabes, portanto, que aquilo que recebes é o Corpo de Cristo (…) Diz [o sacerdote], o qual, na véspera de sua paixão, tomou o pão em suas santas mãos. Antes da consagração é pão, mas logo que se lhe acrescentam as palavras de Cristo, é o Corpo de Cristo (…) Antes das palavras de Cristo, o cálice está cheio de vinho e água; mas enquanto as palavras de Cristo agiram, faz-se ali o sangue de Cristo que remiu o povo”. “[Quanto à passagem:] “O Senhor fez tudo quanto seria no céu e na terra’ [, significa:] apesar das aparências de pão e de vinho, todavia devemos crer que, após a consagração, nelas não existe outra coisa senão a Carne e o Sangue de Cristo”. Anônimo (séc. IV) “Verdadeiramente o céu e a terra estão cheios de Tua glória, pela manifestação do Senhor Deus e Salvador nosso, Jesus Cristo: faze, ó Deus, que também este sacrifício esteja pleno de Tua bênção através da vinda de teu santíssimo Espírito” (Anáfora de São Marcos Evangelista). João Crisóstomo “Suplicamos-te: envia sobre nós e sobre estas ofertas o Teu Espírito Santo. Faze deste pão o precioso Corpo de teu Cristo, transformando-o com Teu Santo Espírito. Amém. A quantos o receberem, seja proveitoso para a sobriedade da alma, a remissão dos pecados, a comunhão do teu Espírito Santo, a plenitude do Reino dos Céus, a confiança em Ti e não para o pecado e a condenação” (Anáfora). “Ergue-se o sacerdote não para atrair para baixo o fogo, mas o Espírito Santo: e por longo tempo dura a súplica, não para que uma chama acesa do alto consuma as ofertas [do pão e vinho], mas para que a graça, descida sobre o sacrifício, inflame por meio deste as almas de todos” (Do Sacerdócio 3,4). “[O sacerdote] diz: ‘ Isto é meu Corpo’. Esta palavra transforma as coisas ofertadas, tal como aquela palavra: ‘Crescei e multiplicai-vos; preenchei a terra’ (Gên.1,28), ainda que dita uma só vez, preenche nossa natureza de força para procriar filhos. Assim, esta palavra(=’Isto é meu Corpo’), tendo sido dita uma só vez, desde aquele tempo até hoje e até a vinda do Senhor, opera o sacrifício perfeito em casa mesa mas igrejas (…) [Sobre o altar,] ali jaz Cristo imolado” (Homilia 1). “Seu Corpo está agora diante de nós [sobre o altar]” (Homilia sobre Mateus 50,2). “Não é o homem que faz com que as coisas oferecidas se tornem Corpo e Sangue de Cristo, mas o próprio Cristo, que foi crucificado por nós. O sacerdote, figura de Cristo, pronuncia estas palavras, mas a sua eficácia e a graça são de Deus. ‘ Isto é o meu Corpo’ – diz ele. Estas palavras tranformam as coisas oferecidas” (Prod. jud. 1,6). NABETO, Carlos Martins; A fé cristã primitiva. #USA #France #Patrística #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #China #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Doctrinaldevelopment #Igreja
- A IMPORTÂNCIA DA FILOSÓFIA PARA A DOUTRINA CRISTÃ( a questão da alma imortal)
A IMPORTÂNCIA DA FILOSÓFIA PARA A DOUTRINA CRISTÃ( a questão da alma imortal) “Aquilo que o corpo principal da filosofia apenas supôs, os discípulos de Cristo aprenderam e proclamaram “(Clem. Prot. 11.112.2) A importância da filosofia para a doutrina de Clemente não deve ser procurada principalmente em suas declarações complementares sobre as pessoas ou até mesmo acerca das ideias dos filósofos, em especial Sócrates e Platão, mas , antes, na influência do médio platonismo em seu pensamento acerca de doutrinas cristãs cruciais, como a natureza do homem e da pessoa de Cristo (Clem. Str. 4.22, 144.2). Ele retratou o homem como um ser dual, como o centauro da mitologia clássica, composto de corpo e alma (Clem. Str. 4.3.9.4). Esta era a tarefa da vida inteira do “filósofo” cristão “gnóstico”: cultivar a libertação da alma das cadeias do corpo, em preparação para a libertação da alma das cadeias do corpo, em preparação para a libertação suprema, a morte (Clem. Str. 4.3.12.5). Esta concepção apareceu até mesmo nas declarações mais profundas de Clemente da doutrina cristã do homem como criatura e pecador e se refletiram em suas acomodações à doutrina platônica da pré-existência da alma. Uma ambivalência semelhante estava evidente em sua cristologia. Ele afirmou reiteradamente a historicidade da encarnação e a realidade da carne de Jesus (Clem. Prot.2.3.2); mas, por sua definição do que se constituída a verdadeira humanidade ter sido desenvolvida sob os obstáculos que foi descrito, suas declarações cristológicas, soam como docéticas. Parece evidente que Clemente não era de fato um docetista, mas ele obscureceu a distinção entre o Logos e a alma de uma maneira que podia levar nessa direção. Não a história da vida, morte e da ressurreição de Jesus Cristo, mas o Logos divino que apareceu nessa história era o tema da cristologia de Clemente. Ele parece falar com mais facilidade sobre o modo de existência peculiar ao senhor ressurreto que acerca do modo manifesto em seus sofrimentos. Um motivo para isso está no conceito de Clemente da própria ressurreição, quer de Cristo quer dos cristãos. A percepção médio platônica da alma imortal, às vezes, parecia a Clemente se igualar à mesa, a despeito de outras indicações de que ele não considerava que a alma fosse naturalmente imortal. Isso não era uma simples helenização do evangelho, conforme deixam claro suas polêmicas contra o gnosticismo por essa helenização; mas foi menos uma vitória da doutrina cristã sobre o pensamento grego do que pareceu ser. O QUE ATENAS TEM QUE VER COM JERUSALÉM? (Tertuliano. Presc.7.9) O fechamento da academia ateniense foi mais o ato de um médico legista que de um algoz. O estabelecimento da universidade imperial de Constantinopla, por Teodósio II ou talvez pelo próprio Constantino, já tinha transferido o centro de aprendizado grego de Atenas para a nova capital do mundo helênico e, assim, a escola pagã de Atenas “já tinha sobrevivido aos seus propósitos” e “não era mais de grande importância no império cristão” (Vasiliev 1958, 1:187). Os professores pagãos emigraram de Atenas para a pérsia, mas, no fim, voltaram para o império tendo conseguido a promessa de Justiniano de salvo conduto. A seguir os professores de filosofia passaram a ser considerados tanto indesejáveis quanto inofensivos. A partir daí concluíram que a teologia tinha eliminado a filosofia da atenção dos homens ponderados: A filosofia é uma área de estudo que brotou da teologia. Ela se torna sua subordinada e sua rival. Ela postulava doutrinas, em vez de investigá-las. Tinha de encontrar a racionalidade ou encontrar motivos para essas doutrinas. E durante eras mais tarde a filosofia esteve morta”. É verdade que o estudo formal da filosofia grega diminuiu com o surgimento da autoridade da teologia cristã ortodoxa(católica). Dos escritos de Aristóteles poucos foram traduzidos para o Latin. Boécio, o tradutor dessas obras, pretendia traduzir todas as obras de Aristóteles e Platão para o Latin, sua intenção era “demonstrar que eles não discordam em tudo conforme muitos sustentam, mas estão na maior harmonia possível em muitas coisas que pertencem à filosofia” (Boec. Herm. Sec. Pr). Mas os dois tratados lógicos foi tudo o que ele completou, ou preservado, aparentemente, foi tudo que os cristãos ocidentais conheciam sobre Aristóteles. Foi como teólogos que eles estudaram Aristóteles. Boécio, cuja tradução de Aristóteles limita o fim do pensamento clássico tanto quanto o fechamento quase contemporâneo da escola de Atenas, também foi o autor de um livro que qualifica seriamente qualquer interpretação do triunfo da teologia. Seu livro consolation of philosophy [consolo da filosofia], “a mais nobre obra literária do final do período da antiguidade” (Norden, 1898, 2:585) desempenhou um papel único na história da literatura e devoção medievais. Os manuscritos da obra estão amplamente distribuídos nas bibliotecas da Europa; ele foi traduzido pelo rei Alfred, por Chaucer e talvez a rainha Elizabeth I; e forneceu conforto para Dante Alighieri em seu luto pela morte de Beatrice. Boécio, vegetando na prisão por traição e presumivelmente por sua fidelidade ao trinitarismo ortodoxo(católico), desacatando um imperador Ariano, voltou-se para um antigo gênero de literatura clássica, o discurso consolador ou consolatio (compaixão), adaptado por Ciro a partir do modelo grego. Boécio parece ter sido o primeiro teólogo cristão a usar o consolatio, mas o resultado foi uma forma de consolação que retrata a operação do divino nos assuntos dos homens sem qualquer referência inequívoca à doutrina cristã de Deus, quer ariana quer nicena. O tema básico do livro era uma defesa do livre arbítrio e da bondade da providência divina, sob cuja soberania o destino tem permissão de funcionar. Boécio, em um diálogo com a filosofia personificada, expõe sua doutrina de Deus como “o constante supervisor com conhecimento prévio, cuja percepção se move em harmonia com a futura natureza de nossos atos enquanto distribui recompensa para o bom e punição para o mau”(Boec.cons.5.6.45) #USA #imortalidadedaalma #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #desenvolvimentodoutrinal #HistóriadasHeresias #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Doctrinaldevelopment
- A ALMA MORRE?
A ALMA MORRE? De onde veio essa idéia de sono da alma e de aniquilação segundo as seitas? Vou utilizar material dos próprios protestantes para mostrar a confusão que é esse meio: Foi defendido pela primeira vez por Arnobius de Sicca (c. 327 dC), Arnobius nascido um pagão e por muitos anos foi um oponente vigoroso do cristianismo. O Dr. Morey, citando obras de referência padrão como o DICIONÁRIO DA TEOLOGIA DE BAKER e o historiador protestante da igreja Philip Schaff, traça a crença para Arnobius no início do século IV. De um aviso em seus sonhos, Arnobius foi convertido na fé e tornou-se professor de retórica na Sicca em África e contava Lactantius entre seus alunos. Ele é autor de um tratado em sete livros intitulados “Contra os pagãos” (c 305 dC). Pe. Comentários de Jurgens – “Apresentado como uma defesa do cristianismo contra as numerosas acusações falsas de seus adversários, e escrito sobre o ano 305 dC, o trabalho tem pouco para recomendá-lo. Foi escrito apressadamente por um homem que tinha pouca compreensão do cristianismo; tem um certo valor próprio: é uma fonte preciosa de informação sobre os cultos pagãos do tempo de Arnobius “. ( A FÉ DOS PAÍS ANTERIORES , Volume 1, página 262) O historiador da igreja protestante Philip Schaff diz sobre o trabalho de Arnobius – “Arniz maligno e insatisfatório. Arnobius parece ignorante sobre a Bíblia como Minucius Felix. Ele nunca cita o Antigo Testamento e o Novo Testamento apenas uma vez. Não sabe nada da história dos judeus e do culto mosaico e confunde os fariseus e saduceus “. “Quanto ao homem, Arnobius … Diz que a sua imortalidade. A alma ultrapassa o corpo, mas depende unicamente de Deus para o dom da eterna duração. Os ímpios vão ao fogo da Geena e, em última instância, serão consumados ou ANIQUILADOS “. ( HISTÓRIA DA IGREJA CRISTà , Volume 2, página 858 citada em Morey, página 199) Esta visão do “sono da alma” foi posteriormente defendida por vários hereges anabatistas, valdenses e socinianos durante e logo antes do período da Reforma, que fez com que Calvino escrevesse sua “Psicopanquica” em resposta. Até mesmo Wycliff, Tyndale e, aparentemente, Lutero começaram a ensinar o sono da alma como uma resposta à Igreja Católica ensinando sobre o purgatório. No entanto, esses primeiros “Reformadores” não negaram o castigo eterno no inferno. O sono da alma claramente não é a visão ortodoxa da igreja cristã e tanto o condicionamento quanto o universalismo foram condenados já no segundo conselho de Constantinopla em 553 dC, enquanto o Quinto Conselho de Latrão (1512-1517) condenou mais tarde opiniões erradas sobre a alma. Mesmo Leroy Froom, que escreveu a maior defesa do ensino intitulado A FALA CONDITIONALISTA DE NOSSOS PADRES (Review and Harald Publishing, 1966) é forçado a admitir que nenhum pensador cristão antes do século 12 pode ser claramente reivindicado como um “condicionista” ( veja o trabalho de Morey que trata extensivamente dos argumentos de Froom). Agora que discutimos os antecedentes históricos que mostram as doutrinas do “sono da alma” e seus ensinamentos concomitantes tanto da imortalidade condicional quanto do aniquilacionismo (embora não estejam necessariamente ligados), não são claramente o ensino ortodoxo da igreja cristã histórica (nem católica nem ortodoxa nem protestante), devemos aprofundar o suporte bíblico proposto para esses ensinamentos pouco ortodoxos. Para uma discussão exaustiva de todas as passagens bíblicas relevantes que tratam da vida após a morte, recomendo o livro do Dr. Robert Morey DEATH AND THE AFTERLIFE (Bethany, 1984) que o especialista em culto Walter Martin chamou de “o estudo bíblico mais abrangente do assunto no último meio século “. (capa) Vários versos do Antigo Testamento (alguns do NT) foram sugeridos por Phil Morrison e Brian Gay, bem como Derek Tin para apoiar a imortalidade condicional ou o “sono da alma” ou a extinção ou aniquilação dos ímpios no julgamento final. Quero responder aos versículos que muitas vezes são criados em defesa do “sono da alma” ou do chamado estado inconsciente dos mortos. Estava lendo um artigo sobre a imortalidade da alma, e descobri, que ao contrário das seitas evangélicas, que ensinam que quem morre está a dormir, os reformadores protestantes pensam o contrário!!. vejamos: “No ínterim [entre a morte e a ressurreição], a alma não dorme, mas está acordada e goza da visão dos anjos e de Deus e conversa com eles“. ( LUTHER’S WORKS , Vol XXV, página 321, citada em Morey, página 201) “Este versículo [comentando em Atos 7:59] testifica claramente que a alma do homem não é uma respiração desaparecendo, de acordo com alguns loucos, mas que é um espírito essencial e sobrevive à morte”. ( John Calvin , Commentary on Acts citado em Morey, página 209) Segundo o Dr. Morey, o primeiro livro de Calvino foi um tratado contra a doutrina do sono da alma, intitulado -Psychopannychia-. Finalmente, da WESTMINSTER CONFISSÃO DE FÉ XXX 2.1 citada em Robert Morey DEATH AND THE AFTERLIFE (Bethany House, 1984) página 201-202 Os corpos dos homens, depois da morte, retornam ao pó e vêem a corrupção; mas suas almas, que nem morrem nem dormem, com uma subsistência imortal, retornam imediatamente a Deus, que lhes deu: as almas dos justos, sendo então perfeitas em santidade, são recebidos nos céus mais elevados, onde contemplam a face de Deus em luz e glória, esperando a redenção total de seus corpos. E as almas dos ímpios são lançadas no inferno, onde permanecem em tormento e escuridão exterior, reservadas para o julgamento do grande dia. Todos os grandes revivalistas Evangélicos Protestantes – Edwards, Whitefield, Wesley, Spurgeon e Moody – acreditavam no ensino ortodoxo de uma alma imortal e uma vida pós-vida consciente, bem como punição eterna…. #USA #imortalidadedaalma #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Doctrinaldevelopment
- FÉ E RAZÃO
FÉ E RAZÃO Alocução Singulari quadam (9/12/1854) TEXTO: Pio IX acta, Roma, 1857, 1/1, 623-625; CL 6, 844 845, Da diferença entre o método filosófico e o teológico (…) Há, além disso (…), homens eminentes por sua erudição que confessam que a religião é o dom mais precioso dado por Deus aos homens, mas superestimam a razão humana e de tal modo a exaltam que pensam, tão desvairadamente, que ela deve ser equiparada á própria religião. Por isso, segundo esta vã opinião, as disciplinas teológicas deveriam ser tratadas do mesmo modo que as filosóficas entretanto, como aquelas se apoiam nos dogmas de Fé — a que nada supera em firmeza e em estabilidade —, explicam-se estas e são iluminadas pela razão humana que é o que de mais inseguro pode haver, uma vez que ela varia segundo as inclinações pessoais de cada um, e está sujeita a inúmeras falácias e ilusões. Assim, rejeitada a autoridade da Igreja, ficou aberto um vastíssimo campo a todas as mais difíceis e complicadas questões. E a razão humana, confiante em suas débeis forças e aventurando-se por esse caminho com excessiva liberdade, caiu nos mais vergonhosos erros, que não podemos nem queremos aqui enumerar, mas que são bem conhecidos e provados, e que redundaram em tão grandes danos para a religião e para a sociedade [et civilis rei detrimentum]. Po: isso, é preciso mostrar a esses homens, que supetestimam as forças da razão humana, que isso é simplesmente contrário áquela tão verdadeira sentença do Apóstolo das Gentes: “Se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo” (GI 6,3). Deve-se-lhes mostrar quanta presunção é perscrutar os mistérios que Deus clementíssimo Se dignou revelar-nos, e quanta presunção é atrever-se a alcançá-los e compreendê-los com a fraqueza e a limitação da razão humana, uma vez que (eles) transcendem as forças de nossa inteligência que, segundo o mesmo Apóstolo, deve ser cativa do obséquio da Fé (cf. 2 Cor 10,5). E estes seguidores, ou melhor, adoradores da razão humana, que a tomam como mestra segura, sob cuja orientação é prometida toda espécie de prosperidade, certamente esqueceram como foi grave e dolorosa a ferida aberta na natureza humana pelo pecado do primeiro pai, ou seja: a inteligência se obscureceu e a vontade ficou inclinada ao mal. Daí por que os mais célebres filósofos da mais remota antiguidade, apesar de terem escrito admiravelmente muitas obras, contaminaram, no entanto, suas doutrinas com gravíssimos erros. Assim se explica aquela continua luta que experimentamos em nós e de que fala o Apóstolo: “Sinto em meus membros uma lei que se opõe à lei do meu espírito” (Rm 7,23). Se portanto é certo que, por causa do pecado original, transmitido a todos os descendentes de Adão, a luz da razão ficou enfraquecida e a espécie humana miseravelmente perdeu seu primitivo estado de justiça e inocência, quem negará que, para não cair ou desviar-se, entre tão graves perigos e tão grande debilidade de forças, é necesséria à salvação o socorro da religião divina e da Graça celestial? Auxílio que certamente Deus concede com grande benignidade Áqueles que, com humilde oração, o pedem, pois está escrito: “Deus resiste aos soberbos, mas dá Sua graça aos humildes” (Tg 4,6)(…) É preciso que inculqueis este salutar ensinamento nos ânimos daqueles que a tal ponto exageram a faculdade da razão humana que, com ela, ousam perscrutar e explicar também os mistérios(…), e que lhes explique que nada mais excelente foi pela Providência de Deus dado aos homens que a autoridade da Fé divina, que para nós é como um faroI nas trevas, como um guia que conduz à Vida. #USA #Bizâncio #humanismo #Fé #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Bíblia #Doctrinaldevelopment #Igreja
- PEQUENA IGREJA – Augusto Frederico Schmidt
Eu queria louvar-te, pequena e humilde igreja Desta cidadezinha que está morrendo. Eu queria agradecer-te a compreensão que me deste Das coisas humildes e eternas. Eu queria saber cantar a tua tranquilidade E a tua pura beleza, Ó igreja da roça, adormecida diante do jardim cheio de rosas! Ó pequena casa de Jesus Cristo, irmã das outras casas solenes e graves. Escondida e modesta, com as tuas torres e os teus sinos Que sabem encher o ar matinal com um tão doce apelo, E no instante vesperal lembram que é hora de dormir para agrande família dos passarinhos inquietos, Dos passarinhos que tumultuam o pobre jardim cheio de flores!
- Toda sexta-feira é dia de abstinência de carne, entenda o por-quê.
Muitos haverão de estranhar a pergunta, pois, aparentemente, caiu em completo desuso a proibição de se comer carne na sexta-feira. No entanto, pela legislação atual da Igreja, essa determinação ainda é válida e está, portanto, em pleno vigor. Por que os católicos não comem carne às Sextas-feiras? A abstinência de carne na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa é um costume largamente conhecido, mesmo fora da Igreja Católica, entretanto o que muitos esquecem, inclusive os católicos, é que os católicos não devem comer carne todas as Sextas-feiras do ano , pois são dias penitenciais e em todas elas devemos unir-nos à Paixão de Cristo, fazendo algum sacrifício por amor a Deus. Antes de continuar a leitura, assista o vídeo para compreender melhor: Leia também Quais carnes não devemos comer às sextas-feiras? Onde está escrito que devemos nos abster de carne todas as sextas-feiras do ano? Este é um mandamento da Igreja: “Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja” Além dos mandamentos da lei de Deus, há 5 mandamentos da igreja que devemos observar com mesmo rigor: 1 – Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho. 2 – Confessar-se ao menos uma vez por ano. 3 – Receber o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa da ressurreição. 4 – Praticar abstinência de carne (ou penitência à escolha) todas as sextas-feiras do ano; Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja. 5 – Ajudar a Igreja em suas necessidades. Leia também Não é possível ser um bom Cristão sem Vida de Oração Praticar penitência a escolha e Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja Nós católicos precisamos escolher uma penitência para todas as Sextas-feiras do ano, tradicionalmente esta penitência é a abstinência de carne. A CNBB permite a comutação por outra penitência, contudo os bons sacerdotes orientam que esta comutação não deve ser feita de maneira casual. O ideal é que se a pessoa deseja substituir por outra penitência, é que seja feita a escolha de outra penitência para todas as sextas-feiras do ano. No Brasil o jejum e a abstinência de carne devem ser feitos na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Este jejum consiste em um leve café da manhã, um almoço leve e um lanche também leve à tarde, sem mais nada no meio do dia, nem o cafezinho. Quem desejar, pode fazer um jejum mais rigoroso; o obrigatório é o mínimo. Os que já tem mais de sessenta anos estão dispensados da obrigatoriedade, mas podem fazê-lo se desejarem. Diz o Catecismo que o jejum “Determina os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as festas litúrgicas; contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração (CDC, cân. 882)”. Se deseja se aprofundar, assista: Além dos mandamentos da igreja, também encontramos no Código de Direito Canônico: Cân. 1249. Todos os fiéis, cada qual a seu modo, estão obrigados por lei divina a fazer penitência; mas, para que todos estejam unidos mediante certa observância comum da penitência, são prescritos dias penitenciais, em que os fiéis se dediquem de modo especial à oração, façam obras de piedade e caridade, renunciem a si mesmos, cumprindo ainda mais fielmente as próprias obrigações e observando principalmente o jejum e a abstinência, de acordo com os cânones seguintes. Cân. 1250. Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas- feiras do ano e o tempo da quaresma. Cân. 1251. Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Cân. 1252. Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os sessenta anos começados. Todavia, os pastores de almas e os pais cuidem que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados à lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade. Aprenda mais Curso rápido sobre os 10 Mandamentos da Lei de Deus #pecadomortal #Quaresma #FormaçõesCatólicas #Catequese #DezMandamentos
- Toda sexta-feira é dia de abstinência de carne, entenda o por-quê.
Muitos haverão de estranhar a pergunta, pois, aparentemente, caiu em completo desuso a proibição de se comer carne na sexta-feira. No entanto, pela legislação atual da Igreja, essa determinação ainda é válida e está, portanto, em pleno vigor. Por que os católicos não comem carne às Sextas-feiras? A abstinência de carne na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa é um costume largamente conhecido, mesmo fora da Igreja Católica, entretanto o que muitos esquecem, inclusive os católicos, é que os católicos não devem comer carne todas as Sextas-feiras do ano , pois são dias penitenciais e em todas elas devemos unir-nos à Paixão de Cristo, fazendo algum sacrifício por amor a Deus. Antes de continuar a leitura, assista o vídeo para compreender melhor: Leia também Quais carnes não devemos comer às sextas-feiras? Onde está escrito que devemos nos abster de carne todas as sextas-feiras do ano? Este é um mandamento da Igreja: “Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja” Além dos mandamentos da lei de Deus, há 5 mandamentos da igreja que devemos observar com mesmo rigor: 1 – Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho. 2 – Confessar-se ao menos uma vez por ano. 3 – Receber o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa da ressurreição. 4 – Praticar abstinência de carne (ou penitência à escolha) todas as sextas-feiras do ano; Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja. 5 – Ajudar a Igreja em suas necessidades. Leia também Não é possível ser um bom Cristão sem Vida de Oração Praticar penitência a escolha e Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja Nós católicos precisamos escolher uma penitência para todas as Sextas-feiras do ano, tradicionalmente esta penitência é a abstinência de carne. A CNBB permite a comutação por outra penitência, contudo os bons sacerdotes orientam que esta comutação não deve ser feita de maneira casual. O ideal é que se a pessoa deseja substituir por outra penitência, é que seja feita a escolha de outra penitência para todas as sextas-feiras do ano. No Brasil o jejum e a abstinência de carne devem ser feitos na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Este jejum consiste em um leve café da manhã, um almoço leve e um lanche também leve à tarde, sem mais nada no meio do dia, nem o cafezinho. Quem desejar, pode fazer um jejum mais rigoroso; o obrigatório é o mínimo. Os que já tem mais de sessenta anos estão dispensados da obrigatoriedade, mas podem fazê-lo se desejarem. Diz o Catecismo que o jejum “Determina os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as festas litúrgicas; contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração (CDC, cân. 882)”. Se deseja se aprofundar, assista: Além dos mandamentos da igreja, também encontramos no Código de Direito Canônico: Cân. 1249. Todos os fiéis, cada qual a seu modo, estão obrigados por lei divina a fazer penitência; mas, para que todos estejam unidos mediante certa observância comum da penitência, são prescritos dias penitenciais, em que os fiéis se dediquem de modo especial à oração, façam obras de piedade e caridade, renunciem a si mesmos, cumprindo ainda mais fielmente as próprias obrigações e observando principalmente o jejum e a abstinência, de acordo com os cânones seguintes. Cân. 1250. Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas- feiras do ano e o tempo da quaresma. Cân. 1251. Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Cân. 1252. Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os sessenta anos começados. Todavia, os pastores de almas e os pais cuidem que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados à lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade. Aprenda mais Curso rápido sobre os 10 Mandamentos da Lei de Deus #pecadomortal #Quaresma #FormaçõesCatólicas #Catequese #DezMandamentos
- ESTADO DO MUNDO ANTES DE CRISTO – Padre W. Devivier
Fácil é, hoje que o Evangelho transformou e regenerou tudo, votar ao esquecimento todos os seus benefícios, e logra-los, entretanto, com soberba ingratidão. Fala-se com ostentação em fraternidade, igualdade e filantropia, e até em caridade; e facilmente se esquece, que é a Jesus Cristo e à sua Igreja, que se estão devendo estes sentimentos generosos e estas virtudes civilizadoras. Não seremos certamente nós que iremos negar ao mundo romano a sua civilização material na alvorada do cristianismo. Reconhecemos mesmo que ela tinha chegado a um grau de esplendor, sob certos aspectos, extraordinário. E nem os nossos tempos modernos, não obstante, se podem facilmente comparar com os daquela época. Leia-se com efeito Os Césares pelo conde Franz de Champagny, para se ver, num como quadro deslumbrante, o grau de prosperidade exterior, a que Roma tinha chegado. Nem também negaremos a Roma pagã a situação privilegiada, que ela ocupa no mundo das letras. Quem de fato ousaria negar aos escritores do século de Augusto o mérito superior da forma? Têm o encanto do estilo, e a arte neles alcançou o seu auge. Força é, entretanto, reconhecer que sob esse exterior brilhante, sob essa forma encantadora, quase se não encontram senão uns fragmentos de verdade; algumas lições de bom senso prático, algumas ideias elevadas; mas não um corpo de doutrina, nem luz formando um foco. No que em particular diz respeito às verdades religiosas, as mais fundamentais e as mais necessárias à felicidade do homem neste e no outro mundo, que de dúvidas, de incoerências, de contradições, e de erros grosseiros! Não são, em verdade, esta grandeza material e esta superioridade intelectual as que geram a verdadeira civilização, nem jamais poderão tornar uma sociedade feliz. Não é em tais gozos que se encontra a felicidade dos indivíduos ou das nações; porque a felicidade do homem está na verdade e na virtude. Foi ele criado para conhecer, servir e amar a Deus neste mundo e a gozar eternamente no outro; a sua inteligência e o seu coração foram conformados para a Verdade e para o Bem, isto é, para o Infinito e para o Eterno. Por mais que ele procure desviar-se do seu fim, por mais que procure esquecê-lo ou ignorá-lo, nunca será menos verdade, ser este o seu fim e nunca deixará de ser verdadeiro o dito de Santo Agostinho: Fecisti nos ad te, Domine, et irrequietum est cor nostrum, donec requiescat in te. E a própria experiência nos mostra, por outra parte, como o nosso coração é de uma capacidade como que infinita, e os nossos desejos sem limites. O que valem todos os bens criados para lhe saciarem a sede de felicidade, que o atormenta? São-lhe todos eles como uma gotinha de água para o vasto mar. E, demais disto, mesmo quanto à prosperidade material, que triste era a realidade das coisas no mundo pagão! Quem não sabe que o número de favorecidos pela chamada fortuna era grandemente restrito? Cícero nos assegura que, na populosa Roma, havia apenas dois mil proprietários; e no tempo de Nero seis cavalheiros eram donos de metade da província romana da África, isto é, de uma superfície muito maior que a da Inglaterra. A grande massa popular vivia em muita miséria, e só conhecia as fortunas e os prazeres de seus senhores para os cobiçar. O pauperismo dominava o organismo social ao modo de uma chaga nojenta e profunda. Quanto aos costumes, não se lê sem horror e profunda tristeza, o que a história antiga nos conta acerca da degradação moral, a que descera o mundo pagão antes do advento do Cristianismo. Concedamos ter havido no mundo antigo boas falas, sentimentos generosos e ações humanitárias e caritativas; apesar de horrivelmente desfiguradas, nunca a imagem de Deus, no homem, se chegou a apagar por completo. O que, porém, se não pode negar é que a nota saliente ou o caráter dominante e universal na sociedade anterior a Cristo era uma crueldade por vezes feroz junta com uma espantosa imoralidade nas instituições e nos costumes. A realidade vai muito além do que a imaginação se pode representar, de modo que nem a corrupção dos tempos modernos se pode comparar com ela. Havia nos homens humanizados e nos povos mais policiados uma insensibilidade do coração, um menosprezo pela humanidade, uma aversão para com os pobres, um horror para com os infortunados e um gosto pelo sangue, pela carnificina e pelas infâmias de toda sorte, a tal ponto que hoje, no meio cristão em que vivemos, e já tão longe daqueles tempos, dificilmente podemos fazer ideia de tão vis e tão cruéis costumes. Toda a humanidade estava dominada por um orgulho sem limites, por um egoísmo desenfreado e por um sensualismo ferino, que sacrificava tudo, sem remorsos, aos seus desejos. Vejamos como S. Paulo resume a história do mundo antigo. Falando aos romanos, cuja civilização dominava o mundo, e em si absorvera todas as energias e vícios dos povos subjugados, ousa ele dizer-lhes em rosto, sem receio que o contradigam: “Vós não tendes afeto nem fidelidade nem comiseração (sine affectione, absque foedere, sine misericórdia); cheios de toda a sorte de iniqüidades e maldades, malícias (iniquitate, malitia, nequitia, plenos invidia, homicidio, malignitate); odientos e odiosos (odibiles, odientes invicem). E ainda S. Paulo é de todos os escritores antigos o mais comedido. Platão, Aristóteles, Aristófanes, Plauto, Tito, Lívio, Tácito, Juvenal, Suetônio, Plutarco, Sêneca, todos, enfim, nos contam os horrores da sociedade pagã com uma sinceridade e franqueza no falar, que faz estremecer. E eram as nações mais civilizadas as que tinham estes costumes públicos e comumente recebidos. Os estranhos, os prisioneiros, os vencidos, os escravos, os enfermos, os endividados, os pobres, as crianças, os velhos, as mulheres, os operários, todos os fracos, os sofredores, os trabalhadores, a grande maioria, enfim, do gênero humano, era objeto de ódio, de zombaria e destruição. Os demais entregavam-se a toda sorte de vícios, que tinham as honras de divindades, com seus templos, altares e sacerdócio em todas as grandes cidades do mundo, de modo que a desmoralização era uma como obrigação social e a imoralidade tinha um culto público. Assim se encontrava o mundo antes de Jesus Cristo. E a este mundo sem amor, sem comiseração, sem entranhas de piedade e sem virtudes, imerso em todo o gênero de erros e torpezas, veio a suceder outro, este que nós conhecemos aureolado com as luzes da verdade, da pureza e da caridade. E donde lhe veio esta transformação magnífica e impossível de prever? O que se depara no ponto de contato entre os dois mundos, tão diferentes um do outro? Uma cruz, e nesta cruz o divino Fundador do Cristianismo, Jesus Cristo, que morre para redimir e regenerar o gênero humano decaído e aviltado. Que mais se pode exigir para se reconhecer a divindade de Jesus Cristo e da Igreja, obra sua? (Pe. W. Devivier, SJ. Curso de apologética cristã. São Paulo, Melhoramentos, 1925, p. 505-8)
- 10 conselhos surpreendentes para rezar o rosário conversando com Maria no dia-a-dia
Dá para rezar inclusive “sem palavras”… A oração do rosário, popularmente chamado de “terço“, é um meio para repassarmos calmamente os mistérios da vida de Jesus e de Maria – enquanto recebemos graças muito especiais prometidas pela Mãe de Deus à humanidade! Com base no livro “O rosário, teologia de joelhos”, escrito pelo padre Florian Kolfhaus, da Secretaria de Estado do Vaticano, oferecemos 10 conselhos práticos para rezar o rosário todos os dias: 1. Leve sempre o rosário no bolso Ou o decenário, que tem apenas dez contas e pode ser transportado facilmente. Toda vez que você pegar a chave para sair de casa, lembre-se também de levar o rosário! 2. Aproveite alguns dos seus tempos livres para rezar Enquanto espera a consulta médica, num intervalo do trabalho ou dos estudos, nas filas do dia-a-dia… 3. Reze durante tarefas e atividades esportivas Existem atividades que não exigem muita concentração porque são mais práticas: estender a roupa no varal, lavar o carro, andar de bicicleta, correr… Assim como as pessoas que se amam pensam no outro durante essas atividades, também o rosário pode ser rezado como gesto de amor a Jesus e Maria! 4. Imagens e música podem ajudar… O rosário é uma oração contemplativa: mais importante que as palavras que recitamos é a predisposição do coração para contemplar os mistérios que estamos meditando. Assim, você pode escolher imagens que ajudem a contemplar cada passagem da vida Cristo e de Maria. Música sacra em segundo plano também pode ser um instrumento útil para recolher os sentidos. 5. Transforme suas distrações em “assunto de oração” As distrações estão o tempo todo ao nosso redor: é a lista de compras, o aniversário, a pessoa doente, a preocupação… Lutar contra esses pensamentos não os elimina. O melhor é conversar com Deus sobre essas “distrações” e rezar uma ave-maria pelas pessoas e intenções ligadas a elas: com isto, a oração se torna sincera, real, pessoal, englobando as coisas que inquietam o seu coração e colocando-as nas mãos de Deus, por intercessão de Nossa Senhora! 6. Reze durante os seus deslocamentos A caminho do trabalho ou da escola, seja de carro ou de ônibus, de trem ou caminhando, você pode ir conversando com Maria como quem conversa com qualquer outro amigo: com naturalidade, sem precisar inclinar a cabeça nem fechar os olhos. Aproveite e dedique as ave-marias às pessoas que cruzam pelo seu caminho e pela sua vida: esses “estranhos” que estão pelas ruas e calçadas, as pessoas do trabalho e da escola… Se um médico passar por você, por exemplo, reze por ele e pelos seus pacientes! 7. Reze “peregrinando” O rosário pode ser rezado em todo lugar. Nada impede que o rezemos de joelhos, oferecendo o sacrifício físico pela nossa formação da vontade e por intenções de desagravo, mas não se trata de “aguentar o máximo possível a todo custo”. O que importa é saber que o nosso corpo e a nossa alma são para Deus! Você pode rezar sentado, deitado, andando, com a mesma confiança de filho que conversa com a mãe sem se preocupar excessivamente com formalidades. A forma, o jeito, a postura devem estar a serviço do conteúdo: se não, não fazem o menor sentido. 8. Ofereça cada mistério por uma intenção Reze cada mistério por uma intenção especial: pela sua família, por um amigo, pelo Papa Francisco, pelos cristãos perseguidos na Síria, no Iraque, nos Estados Unidos, na sua escola ou empresa… Quanto mais específica for a intenção, melhor. Não peça só por você: seja generoso! 9. Reze também nas horas de “deserto espiritual” – mesmo que seja sem palavras… Todos nós passamos por momentos de aridez espiritual, de aflição, de angústia, nos quais não conseguimos ou até não queremos rezar. Afinal, acontece a mesma coisa em relação às pessoas que amamos: mesmo amando-as, há momentos em que não estamos a fim de conversar com elas. São os altos e baixos do humor. Nesses momentos difíceis, porém, podemos fazer silêncio e simplesmente recitar um mistério do terço. Esse gesto de força de vontade oferecido a Deus pode ser a semente de uma transformação poderosa e inesperada! Aliás, pode ser suficiente apenas segurar o rosário na mão, sem pronunciar palavra alguma: a boa oração pode ser simplesmente um ato de presença. Assim como aqueles momentos em que não temos vontade de conversar, mas queremos estar perto de alguém, em silêncio, porque a proximidade diz muito mais do que parece. 10. Adormeça rezando o rosário Rezar ave-marias, para um católico, faz mais sentido que contar carneirinhos para dormir, não faz? E toda mamãe se comove ao ver o filhinho ou a filhinha adormecendo no seu colo… #Rosário #Terço
- O UNICÓRNIO NA TRADIÇÃO CRISTÃ
O UNICÓRNIO NA TRADIÇÃO CRISTà O unicórnio na Bíblia A figura do unicórnio está presente em várias passagens diferentes da Bíblia Cristã: Salmo 22:21, Salmo 29:6 e Salmo 92:10 ou ainda em Jó 39:9-10, Números 23:22, Isaías 34:7 e Deuteronômio 33:17. Na realidade não significa que estejam se referindo aos seres mitológicos, mas sim pode ser considerada uma má tradução do hebraico para os outros idiomas. Originalmente, o termo hebraico Re’ém foi trocado pela palavra Monokeros (Bíblia Septuaginta grega), que pode ser traduzida literalmente como “um só chifre” ou “unicórnio”. A Bíblia Vulgata, por sua vez, traduziu o hebraico Re’ém para rinoceronte. ORIGENS DIVERSAS A origem do tema do unicórnio é incerta e se perde nos tempos. Presente nos pavilhões de imperadores chineses e na narrativa da vida de Confúcio, no Ocidente faz parte do grande número de monstros e animais fantásticos conhecidos e compilados na era de Alexandre e nas bibliotecas e obras helenísticas. O unicórnio tem sido uma presença frequente na literatura fantástica, surgindo em obras de Lewis Carroll, C.S. Lewis e Peter S. Beagle. Anteriormente, na sua novela A Princesa de Babilônia. PARA A NOVA ERA O que é nova era? A Nova Era é um conjunto de proposições “místicas” sem lógica, mas que tem feito sucesso por quatro principais teses o panteísmo, a reencarnação, a comunicação com o além… em vista da implantação de uma Nova Era, dita “de Aquário (ou Aguadeiro)” em que a humanidade estará unificada sob um só Governo mundial e uma só religião. Tal mensagem é mais fantasiosa e emocional do que lógica e científica. O panteísmo, por exemplo, é uma aberração filosófica, pois identifica a Divindade (o Absoluto, o Eterno) com o mundo e o homem, que são relativos e passageiros. Não há prova de reencarnação, nem alguém tem reminiscência do que fez ou foi em sua” vida pregressa”. Também se pode dizer à luz da psicologia e da parapsicologia, que os fenômenos mediúnicos nada têm que ver com comunicação do além, mas são expressões do inconsciente do médium e dos seus clientes. O unicórnio, para os adeptos da Nova Era, costuma ser o símbolo da liberdade sexual: heterossexualidade, homossexualidade, Fornicação (sexo antes do casamento), sexo grupal, etc. Por esse motivo muitos historiadores querem identificar a figura do unicórnio na leitura cristã como um andrógeno, ou bissexual NA IDADE MÉDIA E A INTERPRETAÇÃO DA IGREJA O unicórnio é um belo exemplo da presença de seres imaginários, em paralelo a personagens históricos ou seres reais, dentre os heróis da Idade Média. O destino do unicórnio, enquanto personagem heróico, ilustra, de um lado, a indiferença que durante muito tempo os homens e mulheres da Idade Média demonstravam com relação a fronteira entre imaginário e realidade e, de outro, a paixão deles por heróis surpreendentes e carregados de simbolismo. O unicórnio foi legado a Idade Média pela Antiguidade. Os Padres da Igreja, autores cristãos da Alta ldade Média, descobriram-no em uma obra que constitui a fonte da formidável presença deste animal na cultura do Ocidente Medieval. Trata-se do Physiologus, tratado escrito em grego entre os séculos II e IV em Alexandria por uma figura pertencente a um meio certamente gnóstico, ou seja, imbuído de religiosidade simbólica. Este texto foi rapidamente traduzido para o latim. O sucesso do unicórnio se deve as suas qualidades estéticas e sobretudo sobretudo às suas íntimas relações com o Cristo e a Virgem no seio da sensibilidade religiosa medieval. O unicórnio é citado três vezes por Plínio em sua História natural (8, 31, 76) e por Solino, polígrafo do século III que forneceu à Idade Média o seu maior estoque de maravilhas em suas Collectanea rerum memorabilium, mas o texto decisivo é o Physiologus: “O unicórnio é pequeno e muito selvagem. Ele possui um chifre na cabeça. Nenhum caçador consegue pegá-lo, a não ser por uma astúcia. Uma virgem o atrai onde ela mora. Quando a vê, o unicórnio pula em seu colo. Ele então é preso e conduzido ao palácio do rei.” A introdução do unicórnio no saber pseudocientifico e simbólico da ldade Media é reforçada pela retransmissão de vários textos fundamentais. como os Moralia in Job, de Gregório Magno (31. 15), as Etymologiae de lsidoro de Sevilha (12, 2. 12-13). 06 Comentários aos Salmos de Beda, o Venerável (comentário do SL 77), a enciclopédia De rerum naturis de Raban Maur (VIII, 1). No século XII, 0 unicórnio confirma o seu sucesso por sua presença nos popularíssimos poemas dos Carmina Burana. Porém, ele impõe-se sobretudo como uma grande personagem dos Bestiários, coletânea de textos metade científicos, metade fictícios, mas sempre moralizados, que reúnem em uma mesma crença e sedução animais reais e imaginários. A descrição do unicórnio geralmente repete a do Physiologus. Ele é um animal muito feroz e, com o seu chifre, mata qualquer caçador que se aproxime; mas, se se deparar com uma virgem, precipita-se sobre os seus seios, e ela amamenta-o para em seguida capturá-lo. A virgindade da moça é uma condição indispensável para o sucesso da caçada. Este personagem do unicórnio, assim como todas as heranças da Antiguidade, passa por um processo de cristianização na Idade Média. Ele é uma imagem do Salvador, torna-se um chifre de salvação, elege domicílio no seio da Virgem Maria, passa a ilustrar o texto do Evangelho de João (1,14): “0 verbo se fez carne e habitou entre nos”. O unicórnio lembra a Virgem por excelência, Maria; sua caça representa alegoricamente o Mistério da Encarnação, no qual ele próprio representa o Cristo espiritual unicórnio (Christus spiritualis unicomis), e seu chifre toma-se a cruz de Cristo. Assim, em função de sua identificação com a Virgem Maria e ao mesmo tempo com Jesus Cristo, o unicórnio está no cerne do simbolismo cristão, vejam que houve uma dupla identificação por parte de alguns historiadores, mas uma dupla idem que é a leitura cristã, isso permitiu que alguns historiadores insistissem no caráter andrógino do cristianismo apoiando-se no duplo simbolismo do unicórnio medieval. Assim, este último teria legado ao imaginário europeu a imagem de um modelo humano bissexual, isso é perfeitamente visto nas doutrinas da nova era que trazem uma ideia de sociedade sem uma identificação com sua verdadeira sexualidade, e ensinam que isso é criado a partir da sua identificação quando se (descobrir) sexualmente. O poema Do unicórnio, extraído do Bestiário divino, o mais longo dos bestiários em versos francês, escrito por volta de 1210-1211 por Guilherme, o Clérigo da Normandia, é um bom exemplo desta crença. “Falar-vos-emos do unicórnio: um animal que possui um chifre único, situado bem no meio da fronte. Esta besta é tão temerária, tão agressiva e tão atrevida que ataca o elefante, o mais temível dos animais que existem no mundo. O unicórnio tem o casco tão duro e cortante que facilmente luta com o elefante, e este casco é tão afiado que nada escapa de seu golpe sem ser furado ou talhado. O elefante não pode defender-se quando atacado, pois o unicórnio acerta o seu ventre com tamanha força, com seu casco cortante como lâmina, que acaba estripando-o completamente. Esta besta é tão forte que não teme nenhum caçador. Aqueles que quiserem tentar pela astúcia o unicórnio pegar e atar, quando ele sai para cavalgar, na montanha ou a beira do mar, uma vez tendo descoberto seu refúgio e com minúcia examinado suas pegadas, vão buscar uma donzela cuja virgindade seja certa; depois fazem-na sentar e esperar na toca da besta a capturar. Assim que o unicórnio chega e vê a menina, ele logo dirige-se a ela e deita-se em seu colo; surgem então os caçadores que espiam-no; ai, eles arrebatam e atam-no, depois conduzem-no diante do rei, à força e com impetuosidade. Esta besta extraordinária, que possui um único chifre na cabeça, representa Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador. Ele é o unicórnio celeste, que alojou-se no seio da Virgem, que é tão digna de veneração; nela, ele tomou forma humana e apareceu assim aos olhos do mundo; mas seu povo não o reconheceu. Muito ao contrário, certos judeus espiaram-no e acabaram prendendo e atando-o; conduziram-no diante de Pilatos, e lá, condenaram-no a morte. Le Goff, Heróis e maravilhas da Idade Média, 2° edição — Petrópolis, RJ; vozes,2011. #USA #Bizâncio #humanismo #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Bíblia #Doctrinaldevelopment
- O BATISMO É NECESSÁRIO PARA SALVAÇÃO? – Responde o Catecismo da Igreja Católica
“O Senhor mesmo afirma que o Batismo é necessário para a salvação. Também ordenou a seus discípulos que anunciassem o Evangelho e batizassem todas a nações. O Batismo é necessário, para a salvação, para aqueles aos quais o Evangelho foi anunciado e que tiveram a possibilidade de pedir este sacramento. A Igreja não conhece outro meio senão o Batismo para garantir a entrada na bem-aventurança eterna; é por isso que cuida de não negligenciar a missão que recebeu do Senhor, de fazer “renascer da água e do Espírito” todos aqueles que podeis ser batizados. Deus vinculou a salvação ao sacramento do Batismo, mas ele mesmo não está vinculado a seus sacramentos.” “Desde sempre, a Igreja mantém a firme convicção de que as pessoas que morrem em razão da fé, sem terem recebido o Batismo, são batizadas por sua morte por e com Cristo. Este Batismo de sangue, como o desejo do Batismo, acarreta os frutos do Batismo, sem ser sacramento.” “Para os catecúmenos que morrem antes de seu Batismo, seu desejo explícito de recebê-lo, juntamente com o arrependimento de seus pecados e a caridade, garante-lhes a salvação que não puderam receber pelo sacramento.” “‘Sendo que Cristo morreu por todos e que a vocação última do homem é realmente uma só, a saber, divina, devemos sustentar que o Espírito Santo oferece a todos, sob forma que só Deus conhece, a possibilidade de se associarem ao Mistério Pascal’. Todo homem que, desconhecendo o Evangelho de Cristo e sua Igreja, procura a verdade e pratica a vontade de Deus, segundo seu conhecimento dela, pode ser salvo. Pode-se supor que tais pessoas teriam desejado explicitamente o Batismo se tivessem tido conhecimento da necessidade dele.” “Quanto às crianças mortas sem Batismo, a Igreja só pode confiá-las à misericórdia de Deus, como o faz no rito das exéquias por elas. Com efeito, a grande misericórdia de Deus, “que quer que todos os homens se salvem” (1Tm 2,4), e a ternura de Jesus para com as crianças, que o levou a dizer: “Deixai as crianças virem a mim, não as impeçais” (Mc 10,14), nos permitem esperar que haja um caminho de salvação para as crianças mortas sem Batismo. Eis por que é tão premente o apelo da Igreja de não impedir as crianças de virem a Cristo pelo dom do santo Batismo.” (In: Catecismo da Igreja Católica, § 1257-1261., “A necessidade do batismo”)
- O PRECEITO DOMINICAL – Papa João Paulo II
Sendo a Eucaristia o verdadeiro coração do domingo, compreende-se por que razão, desde os primeiros séculos, os Pastores não cessaram de recordar aos seus fiéis a necessidade de participarem na assembleia litúrgica. « No dia do Senhor, deixai tudo — declara, por exemplo, o tratado do século III denominado Didaskália dos Apóstolos— e zelosamente correi à vossa assembleia, porque é o vosso louvor a Deus. Caso contrário, que desculpa terão junto de Deus aqueles que não se reúnem, no dia do Senhor, para ouvir a palavra de vida e nutrir-se do alimento divino que permanece eternamente? ». Geralmente o apelo dos Pastores foi recebido na alma dos fiéis com uma convicta adesão, e, se não faltaram tempos e situações em que diminuiu a tensão ideal no cumprimento deste dever, não se pode, todavia, deixar de recordar o autêntico heroísmo com que sacerdotes e fiéis observaram esta obrigação em muitas situações de perigo e restrição da liberdade religiosa, como se pode constatar desde os primeiros séculos da Igreja até aos nossos dias. Justino, na sua primeira Apologia dirigida ao imperador Antonino e ao Senado, pôde descrever com ufania o costume cristão da assembleia dominical, que congregava no mesmo lugar os cristãos das cidades e das aldeias. Quando, durante a perseguição de Diocleciano, viram as suas assembleias interditas com a máxima severidade, foram muitos os corajosos que desafiaram o édito imperial, preferindo a morte a faltar à Eucaristia dominical. É o caso daqueles mártires de Abitinas, na áfrica proconsular, que assim responderam aos seus acusadores: « Foi sem qualquer temor que celebrámos a ceia do Senhor, porque não se pode deixá-la; é a nossa lei »; « não podemos viver sem a ceia do Senhor ». E uma das mártires confessou: « Sim, fui à assembleia e celebrei a ceia do Senhor com os meus irmãos, porque sou cristã ». Esta obrigação de consciência, baseada numa necessidade interior que os cristãos dos primeiros séculos sentiam tão intensamente, a Igreja nunca cessou de a afirmar, embora, num primeiro tempo, não tenha julgado necessário prescrevê-la. Só mais tarde, face à tibieza ou à negligência de alguns, teve de explicitar o dever de participar na Missa dominical: a maior parte das vezes fê-lo sob forma de exortação, mas às vezes recorreu também a disposições canónicas concretas. Assim aconteceu em diversos Concílios particulares, do século IV em diante (por exemplo, no Concílio de Elvira, do ano 300, não se fala de obrigação, mas de consequências penais depois de três ausências) e sobretudo a partir do século VI (como sucedeu no Concílio de Agde, de 506). Estes decretos de Concílios particulares desembocaram num costume universal de carácter obrigatório, como algo completamente óbvio. O Código de Direito Canónico, de 1917, compilou pela primeira vez a tradição numa lei universal. O Código actual confirma-a, dizendo que « no domingo e nos outros dias festivos de preceito, os fiéis têm obrigação de participar na Missa ». Essa lei foi normalmente entendida como implicando obrigação grave: assim o ensina o Catecismo da Igreja Católica, sendo fácil de compreender o motivo, quando se considera a importância que o domingo tem para a vida cristã. Hoje, como nos heróicos tempos iniciais, em muitas regiões do mundo, a situação apresenta-se difícil para muitos que desejam viver coerentemente a sua fé. Umas vezes, o ambiente é abertamente hostil, outras vezes e com mais frequência é indiferente e refractário à mensagem do Evangelho. O crente, para não ser vencido, deve poder contar com o apoio da comunidade cristã. Por isso, é necessário que ele se convença da importância decisiva que tem, para a sua vida de fé, o facto de se reunir ao domingo com os outros irmãos, para celebrar a Páscoa do Senhor no sacramento da Nova Aliança. Pertence, aos Bispos de modo particular, empenhar-se « para fazer com que o domingo seja reconhecido, santificado e celebrado por todos os fiéis como verdadeiro “dia do Senhor”, no qual a Igreja se reúne para renovar o memorial do seu mistério pascal, mediante a escuta da palavra de Deus, a oferta do sacrifício do Senhor, e a santificação do dia através da oração, das obras de caridade e da abstenção do trabalho ». Uma vez que a participação na Missa é uma obrigação dos fiéis, a não ser que tenham um impedimento grave, impõe-se aos Pastores o relativo dever de oferecer a todos a possibilidade efectiva de satisfazer o preceito. Nesta linha, se colocam certas disposições do direito eclesiástico, como, por exemplo, a faculdade que o sacerdote, após autorização prévia do Bispo diocesano, tem de celebrar mais de uma Missa ao Domingo e dias festivos, a instituição das Missas vespertinas, e ainda a indicação de que o tempo útil para o cumprimento do preceito começa já na tarde de sábado em coincidência com as primeiras Vésperas do domingo. Do ponto de vista litúrgico, o dia festivo tem efectivamente início com as referidas Vésperas. Consequentemente, a liturgia da Missa, designada às vezes « pré-festiva » mas que realmente é « festiva » para todos os efeitos, é a do domingo, tendo o celebrante a obrigação de fazer a homilia e de rezar com os fiéis a oração universal. Além disso, os pastores hão-de lembrar aos fiéis que, no caso de se ausentarem da sua residência habitual no dia de domingo, devem preocupar-se de participar na Missa no lugar onde se encontram, enriquecendo assim a comunidade local com o seu testemunho pessoal. Simultaneamente, será preciso que estas comunidades exprimam um caloroso acolhimento aos irmãos chegados de fora, sobretudo em lugares que atraiam numerosos turistas e peregrinos, para os quais muitas vezes será necessário prever particulares iniciativas de assistência religiosa. (In: Dies Domini – Carta apostólica ao episcopado, ao clero e aos fiéis da Igreja Católica sobre a santificação do Domingo)
- A ALEGRIA DO MUNDO – Alceu Amoroso Lima
A afinidade profunda entre a Fé e a Poesia é que ambas restituem ao homem a infância perdida. A poesia, pelo mistério da palavra. A fé, pelo mistério do silêncio. A poesia, operando em nós o milagre da reversibilidade do tempo. A fé, levando-nos do tempo à eternidade. A grande melancolia da vida é, precisamente, o imperativo da irreversibilidade. Fisicamente, não podemos evitar o envelhecimento, por mais que os químicos e os fisiologistas procurem iludir os homens com a máscara, tantas vezes tétrica ou ridícula, de uma mocidade artificial – que hoje procura até basear-se numa «ciência» nova : a «cosmética»… Essa falsa mocidade, de cabelos pintados ou rugas cirurgicamente suprimidas, é a única velhice realmente irreparável. Só há um meio natural de nos preservar da ação do tempo: a poesia. A poesia, com ou sem versos. A poesia que preserva em nós as fontes naturais da alegria. A poesia que nos arranca à solidão. A poesia que nos restitui a inocência infantil. A poesia que nos faz percorrer o tempo em sentido contrário, do delta às cachoeiras, e nos pode levar sempre às fontes inesgotáveis do desejo e da ilusão. A poesia que nos ensina o mistério das coisas. A poesia que faz os animais falarem. A poesia que não conhece distâncias nem idades. A poesia que nos faz sempre brincar com as coisas graves e tomar a sério as coisas fúteis, como o faríamos em criança. Pois a essência da poesia, no sentido mais amplo do termo, é nos colocar sempre, como as crianças se colocam, no centro do universo, no mais fundo arcano daquela «máquina do mundo», de que falou o poeta, sem querer penetrá-la e, no entanto, de dentro dela. Pois o poeta, queira ou não queira, o autêntico poeta, nos fala de dentro da máquina do mundo e nos mostra como, afinal, ela é simples. Somos nós que, com o tempo, a complicamos. Para a criança, tudo é simples, justamente porque tudo é mistério e o milagre é tão natural como a queda das folhas ou o curso das cascatas. A poesia é o único antídoto natural contra o envelhecimento, mesmo quando aparentemente, nos envelhece antes do tempo. Pois são as almas infantis, com vocação poética, que mais cedo sentem a tremenda solidão das almas, a irremediável torre do silêncio e incompreensão recíproca, em que os homens vivem inexoravelmente murados, «emparedados», como dizia Cruz e Sousa, por mais que se esforcem por sair do seu trágico isolamento. Contra essa solidão que resiste, por vezes, à própria poesia, só há uma libertação: a Fé. Se a poesia nos restitui a infância, que é tantas vezes uma tragédia inconfessada — pois a solidão começa em nós apenas raia a consciência do nosso eu e só as almas vazias ignoram esse drama da incompreensão da nossa infância pelos adultos; se a poesia vence o tempo e o percorre no sentido das origens terrenas,— é a Fé, e só ela, que consegue abolir o tempo ou antes transcendê-lo, pois só a morte abole o tempo, para nos levar então à única verdadeira e total Infância, a da Eternidade. A eternidade não começa depois do tempo, isto é, depois da morte. Começa quando vemos a luz do dia. É ao nascermos que tempo e eternidade, simultaneamente, tomam conta do nosso desamparo. Mas o homem é uma máquina frágil e tão lenta, que só muitos anos mais tarde, só na consciência do sofrimento (e também da alegria, sua companheira, discreta ou exuberante) é que os seus olhos do espírito se abrem aos dois acompanhantes que o seguirão a vida inteira. Por vezes, só tomamos conhecimento de um dêles, frequentemente ao tempo sem a eternidade. Por vezes, muito mais raramente, nas almas naturalmente místicas, da eternidade sem o tempo. Para todos, porém, que querem viver a vida, sob todas as suas facetas, as duas vertentes não se dissociam. E essa visão global da vida é que a Fé cristã nos restitui, se a perdemos, e nos guarda, se tivermos a sorte de poder preservá-la, em nós, sem interrupção. Os dois momentos culminantes do ano cristão, do ano intensamente vivido pelo homem — o Natal e a Páscoa — nos apresentam as duas faces da nossa vida total, cada qual em um sentido. O Natal é a descida da Eternidade ao tempo, como a Páscoa é a subida do tempo à Eternidade. E por isso mesmo é que Nata l e Páscoa são os dois polos do mundo cristão, do nosso mundo restituído à sua substância mais pura, pela infância espiritual que só a Poesia e a Fé nos permitem recompor. O Natal é a descida de Deus à terra, da eternidade ao tempo, do invisível ao visível. É’ o mistério da Encarnação. É o tremendo paradoxo da Verdade que assume a face do erro, da Pureza que se apresenta na terra com as vestes do pecado. Pois Deus é a Verdade e a Pureza e o homem é o Erro e o Pecado. Mas justamente o que faz a essência do mistério cristão, o que faz com que ele permita ao homem vencer a sua solidão, a sua angústia, o seu desespero ou, pior ainda, a sua indiferença e o seu orgulho de ser ele mesmo um deus, o único deus da maquina do mundo, — é que a Fé nos mostra, no homem Jesus, o Messias prometido aos séculos, o Salvador único, o próprio Filho de Deus que veio colocar-se ao alcance de nossas mãos para viver conosco, sofrer conosco, alegrar-se conosco, morrer conosco e, afinal, ressuscitar conosco e conosco viver a superação final do tempo pela Eternidade. E só assim deixa o homem de ser apenas Erro e Pecado, para se tornar o irmão, em carne e osso, da própria Verdade e da própria Pureza do Cristo Nosso Senhor. A ausência da Fé nos deixa apenas no plano natural. E a Poesia quando muito nos leva, de novo, às fontes humanas do desejo. A presença da Fé não suprime a Poesia, alia-se a ela. Confunde-se com ela. E depois de nos levar à infância, aos oito anos do poeta, com a camisa aberta ao peito, entre as borboletas azuis, nos leva ainda além. Leva-nos aos campos e às borboletas, que a Poesia por vezes não consegue descobrir. Pois a Fé é a poesia da própria poesia. É a essência; a própria essência poética. É a chave que nos leva do domínio da magia e do encantamento de Ariel, ao domínio em que volta a verdade depois da fantasia, em que a realidade é mais real do que a revelada, apenas, pelos nossos sentidos. A Fé nos leva mais longe do que a Poesia. Esta nos leva aos campos da ilusão das coisas naturais. Aquela nos leva aos horizontes do Enfim, da Realidade última, pelas mãos do silêncio, plenitude da palavra. E o Natal, festa anual da vinda de Deus ao mundo, festa Simbólica e mais do que isso, real, do nascimento do único Esperado, festa da infância restituída ao homem envelhecido e desapontado pela vida, festa da inocência restaurada, da vitória sobre o pecado e o sofrimento — o Natal é a grande preparação para a Páscoa, é a grande anunciação de que a vida vale a pena de ser vivida. Mas só o vale, para nós, quando sabemos preservar em nós as fontes do desejo pela poesia, sim (mas indo além, indo à fonte das fontes, onde o Desejo se torna Visão, onde todas as confusões e os mistérios do mundo se tornam translúcidos). E tudo isso, aqui na terra. Tudo isso, antes da morte. Tudo isso em plena vigência da lei do sofrimento e da solidão. Cada um de nós carrega consigo o seu Natal. Cada um de nós o aniquila ou o recompõe, conforme sabe ou não utilizar a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Quando deixamos apagar-se em nós a compreensão profunda do Natal; quando deixa-nos que ele venha a nós, cada ano, como uma festa meramente mundana, pretexto para «reveillons» ou presentes arruinadores ou, quando muito, para uma vaga nostalgia de paraísos perdidos — o que já é uma vitória contra o terríve esquecimento; quando não sabemos ouvir a voz que, cada ano, na noite santa, nos segreda as palavras de esperança e de perdão, – então, sim, é que deixamos secar em nós as fontes do desejo. Mas quando sabemos abrir os alçapões do nosso mundo fechado, para que os morcegos vôem e cedam o lugar ao humor das asas angélicas, – então é que nem tudo está perdido. Então é que o homem feito não deixou morrer de todo, em si, o espírito da infância, o menino que dorme. E nao é uma só vez por ano, que devemos viver o Natal. É a cada dia. É cada manhã do ano todo. A missa quotidiana outra coisa não é senão o renascimento solar da morte e da ressurreição do Cristo, isto é, da Alegria do Mundo, como diz Bach. E o Natal é a grande preparação quotidiana para a Morte e a Ressurreição. A alegria cristã é inseparável da morte e da ressurreição. Nisto é que se separa, radicalmente, da alegria pagã. O paganismo é, sem dúvida, uma preparação para o cristianismo. Mas o neo-paganismo é uma corrupção do cristianismo. O paganismo se preparou para receber a Alegria do Mundo, agitando infantilmente os seus maracás e os seus tacapes, nas selvas primitivas, ou levantando estátuas ao deus desconhecido, na Ágora ou em Atenas. Mas o neo-paganismo — invadido pela ferrugem ou intoxicado pelo álcool dos sentidos, delirante de arrogância ou sorridente de displicência — esse é realmente o único irremediável envelhecimento, a única verdadeira negação da vida. O mundanismo anti-cristão, o agnosticismo indiferente ou o ateismo militante, esses realmente rejeitam o Natal, corrompem o Natal, matam o espírito de infância no coração dos homens. E enchem o mundo moderno com os acordes lânguidos dos seus “réveillons”, ou com as apóstrofes implacáveis da religião como ópio dos povos. E com isso fecham aos homens de hoje as portas douradas da infância, corrompendo a Poesia e desterrando a Fé. Por isso mesmo, é preciso defender no mundo de hoje o sentido profundo do Natal, renovação da Infância do homem e do Mundo. Hermann Melville, o mais poderoso gênio dos EUA, escreveu um dia como síntese genial do desespero: «Sadness is universal and eternal» (A tristeza é universal e eterna). Contra essa apóstrofe do grande poeta em prosa, o maior talvez dos norte-americanos, que vislumbrou sem dúvida o segredo da verdade, quando disse que o Cristo era «o melhor dos homens» e como tal — era «The Man of Sorrows», o homem dos sofrimentos — contra essa apóstrofe noturna podemos erguer o canto solar do maior dos poetas da música: o «Cristo, Alegria dos Homens»! Quando, em Belém, no mais humilde dos berços, nasce o filho de Maria, é a alegria, não é o sofrimento, que nasce para os homens. Mas Ele não veio abolir o sofrimento. Como escreveu outro grande poeta, o maior dos nossos dias, Claudel: «Ele veio sofrer conosco». A alegria verdadeira não é a negação do sofrimento. É a explicação do sofrimento. Nem a morte suprime o sofrimento. Só o Cristo o faz. E se o faz é porque veio sofrer conosco, é porque nos veio indicar o caminho da verdadeira alegria, que não é a escravidão aos falsos prazeres dos sentidos, mas o segredo da grande paz de espirito, aquela que nos dá a compreensão do sentido da dor. Não é a Dor que é eterna e universal. É a alegria que é universal e eterna. A alegria pela infância restituída aos homens pela Poesia e pela Fé. A alegria pela vitória sobre a dor. A alegria pela simplicidade, pela naturalidade, pela humildade. A alegria, pela compreensão do Natal, do Natal de 25 de dezembro como do Nata de cada dia, pois as fontes do eterno desejo estão prontas, cada dia, a desalterar a nossa sede insaciável do infinito, se soubermos ver, no Filho de Maria, a Suprema Alegria do Mundo. (Diário de Notícias, 25 de dezembro de 1954)
- A VIRGEM DA ANUNCIAÇÃO – Antonello de Messina
A Virgem da Anunciação é uma pintura a óleo de Antonello de Messina (1430-1479), realizada nos últimos anos de vida do pintor, entre 1474 e 1476. O autor representa a Virgem Maria no momento em que recebe o anúncio do Arcanjo Gabriel: Naquele tempo, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”. Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível”. Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.
- A PACIÊNCIA DE DEUS – 3º Domingo da Quaresma
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “E se não nos convertermos?”, clicar AQUI. Assim como, vendo a aflição do seu povo no Egito, Deus desceu para libertá-lo e conduzi-lo à Terra Prometida, também por nossa salvação Ele move céus e terra. Assim como, porém, “a maior parte deles desagradou a Deus, pois morreram e ficaram no deserto”, se não correspondermos a Ele pela fé, também nós nadaremos… para morrer na praia. É esse o tema de mais uma meditação do Padre Paulo Ricardo para esta Quaresma. OS FRUTOS DA FIGUEIRA (Meditação de Scott Hahn) Na Igreja, fomos transformados em filhos do Deus de Abraão, Isaac e Jacó, o Deus que, na primeira leitura de hoje, fez Moisés conhecer o Seu nome e os Seus caminhos. Consciente da Sua aliança com Abraão (Êxodo 2, 24), Deus veio resgatar Seu povo da escravidão do Egito. Fiel a essa mesma aliança (Lucas 1, 54-55, 72-73), Ele enviou Jesus para salvar todas as vidas da destruição, como nos diz o Salmo de hoje. São Paulo, na epístola de hoje, lembra que os atos salvíficos de Deus, no Êxodo, foram escritos para a futura Igreja, como prelúdio e prenúncio de nosso próprio Batismo através da água, de nossa libertação dos pecados, da comida e da bebida espirituais com que seríamos alimentados. No entanto, os acontecimentos do Êxodo também foram deixados como uma “advertência”: ser filhos de Abraão não é garantia de que alcançaremos a terra prometida da nossa salvação. Jesus nos adverte, no Evangelho de hoje, que a qualquer momento podemos perecer; não como castigo de Deus por sermos “os mais pecadores”, mas porque, como os israelitas no deserto, cedemos aos maus desejos, nos tornamos reclamões, esquecidos de todos os benefícios que Dele recebemos. Jesus nos convoca, hoje, para o “arrependimento”. Não para uma mudança súbita de coração, mas uma transformação contínua e diária de nossas vidas. Somos chamados a viver a vida tal como cantamos no Salmo de hoje: abençoando o Seu santo nome, e dando graças por Sua bondade e misericórdia. A figueira, na parábola de Jesus, é um símbolo familiar aos israelenses do Antigo Testamento (Jeremias 8, 3; 24, 1-10). Assim como à figueira é dada uma última chance de produzir frutos antes de ser cortada, Jesus também propicia a Israel uma última oportunidade para dar bons frutos, como sinal de seu arrependimento (Lucas 3, 8). A Quaresma deve ser, para nós, como o tempo misericordioso concedido à figueira, um período de graça em que deixamos “o jardineiro” Jesus Cristo cuidar do jardim de nossos corações, arrancar os parasitas que sufocam em nós a presença da vida divina, fortalecendo-nos para os frutos que daremos por toda a eternidade. https://stpaulcenter.com/fruits-of-the-fig-scott-hahn-reflects-on-the-third-sunday-of-lent/ PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Êxodo 3, 1-8a.13-15) A promessa da liberdade Naqueles dias, Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Levou, um dia, o rebanho deserto adentro e chegou ao monte de Deus, o Horeb. Apareceu-lhe o anjo do Senhor numa chama de fogo, do meio de uma sarça. Moisés notou que a sarça estava em chamas, mas não se consumia, e disse consigo: “Vou aproximar-me desta visão extraordinária, para ver por que a sarça não se consome”. Senhor viu que Moisés se aproximava para observar e chamou-o do meio da sarça, dizendo: “Moisés! Moisés!” Ele respondeu: “Aqui estou”. E Deus disse: “Não te aproximes! Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é uma terra santa”. E acrescentou: “Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó”. Moisés cobriu o rosto, pois temia olhar para Deus.E o Senhor lhe disse: “Eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor por causa da dureza de seus opressores. Sim, conheço os seus sofrimentos. Desci para libertá-los das mãos dos egípcios, e fazê-los sair daquele país para uma terra boa e espaçosa, uma terra onde corre leite e mel”. Moisés disse a Deus: “Sim, eu irei aos filhos de Israel e lhes direi: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’. Mas, se eles perguntarem: ‘Qual é o seu nome?’, o que lhes devo responder?” Deus disse a Moisés: “Eu Sou aquele que sou”. E acrescentou: “Assim responderás aos filhos de Israel: ‘Eu Sou’ enviou-me a vós’”. E Deus disse ainda a Moisés: “Assim dirás aos filhos de Israel: ‘O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó enviou-me a vós’. Este é o meu nome para sempre, e assim serei lembrado de geração em geração”. SALMO 102 A libertação dos pecados (Antífona): O Senhor é bondoso e compassivo. — Bendize, ó minha alma, ao Senhor,/ e todo o meu ser, seu santo nome!/ Bendize, ó minha alma, ao Senhor,/ não te esqueças de nenhum de seus favores! — Pois ele te perdoa toda culpa,/ e cura toda a tua enfermidade;/ da sepultura ele salva a tua vida/ e te cerca de carinho e compaixão. — O Senhor é indulgente, é favorável,/ é paciente, é bondoso e compassivo./ Quanto os céus por sobre a terra se elevam,/ tanto é grande o seu amor aos que o temem. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1Coríntios 10, 1-6.10.12) A ingratidão dos libertados Irmãos, não quero que ignoreis o seguinte: Os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem e todos passaram pelo mar; todos foram batizados em Moisés, sob a nuvem e pelo mar; e todos comeram do mesmo alimento espiritual, e todos beberam da mesma bebida espiritual; de fato, bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava — e esse rochedo era Cristo —. No entanto, a maior parte deles desagradou a Deus, pois morreram e ficaram no deserto. Esses fatos aconteceram para serem exemplos para nós, a fim de que não desejemos coisas más, como fizeram aqueles no deserto. Não murmureis, como alguns deles murmuraram, e, por isso, foram mortos pelo anjo exterminador. Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair. EVANGELHO (São Lucas 13, 1-9) A paciência de Deus Naquele tempo, vieram algumas pessoas trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam. Jesus lhes respondeu: “Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa? Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo. E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”. E Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’ Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás’”.
- Diálogo sobre a Jurisdição Papal Universal x Jurisdição Patriarcal Romana
Esta é uma troca de idéias que tive recentemente com um cristão ortodoxo. Eu queria salvá-la para meus próprios propósitos, mas, como sempre, achei que também o compartilharia por causa do registro público. As palavras do meu interlocutor estão em citação de blocos em negrito / itálico e as minhas estão em texto normal. Por seu OP Brian, eu não achei que fosse realmente uma concessão tão grande! Contudo, como penso que João apontou, cria confusão histórica como muitos exemplos de áreas onde Roma tinha “jurisdição Patriarcal” como tinham e aplica isto para significar que eles têm jurisdição em todo lugar, e que eles podem excomungar Bispos fora desta jurisdição ‘imediata” com esta excomunhão sendo final sem o consentimento dessas outras jurisdições. Vemos isso no Grande Cisma. Roma estava claramente violando o 8º Concílio Ecumênico, e mesmo que este concílio seja apenas disciplinar, sua visão do papel de Roma torna filosoficamente impossível simplesmente dizer que todos fora de Roma estão errados, eles são excomungados, e no processo são ELES que incorreram em cisma, mesmo porque ela rompeu a comunhão deles * Como você sabe, a jurisdição supra metropolitana exercida por Roma sobre os territórios suburbicários não era uma concessão a uma jurisdição primacial restrita do Ocidente, mas era antes uma tradição aceita de acordo com o princípio da acomodação com as fronteiras geopolíticas do império Romano. Alguns dos papas “papalistas” mais ardentes (Santo Inocêncio, São Bonifácio, etc, etc.), que não hesitavam em falar de sua jurisdição universal no sentido universal, apostólico e petrino, eram igualmente estritos para nunca violar os direitos dos metropolitas que estavam fora dos territórios supra-metropoliticos da Sé Romana. Portanto, é perfeitamente consistente com a teoria papal. Quanto ao poder da excomunhão – Como discutido, o Papa São Celestino, que é venerado pelo Oriente / Ocidente (mesmo coptas), acreditava que estava bem dentro do poder de sua Sé emitir uma “sentença aberta” de “excomunhão” sobre o bispo de Constantinopla através da mediação legatina de São Cirilo de Alexandria que aceitou o plano. O Concílio convocado por Teodósio II, cujo planejamento fora feito sem o conhecimento da carta de excomunhão do papa, era uma questão de concordar com a parte do papa. Como mencionei, o Papa viu isso como uma oportunidade para Nestório se arrepender de seu erro e / ou confirmá-lo em heresia. No “Decreto Contra Nestorius” do Concílio, os padres do Concílio mencionam duas causas que “obrigaram” a decisão de excomungar e depor Nestório. (1) Que ele não atenderia ao apelo para aparecer, e (2) à carta de São Celestino de Roma. A justificativa para isso foi, como declarou abertamente Filipe, o presbitero, “o Senhor Cristo deu as chaves do reino a Pedro, e fez dele a rocha e o fundamento da Igreja, como alguém que liga e desliga no céu … que hoje vive e julga em seus sucessores … e o papa Celestino ocupa seu lugar ”. Esta declaração foi seguida por uma afirmação de São Cirilo e do Concílio. Se isso não é um exercício de jurisdição espiritual universal, pelo menos em questões de doutrina, então eu não saberia o que seria. _* Penso que, se formos honestos sem nós mesmos, essas jurisdições são mesmo desenvolvimentos históricos. Por exemplo, parece que Roma tinha jurisdição patriarcal sobre o norte da África (Tunísia), Grécia e em todos os lugares do noroeste (Gália, Espanha, Inglaterra) dessas geografias. Este não é um território pequeno para dizer o mínimo e é fácil como isso pode ser confundido com a jurisdição sobre quase toda a terra como tudo o que restou foi talvez a Trácia (que realmente não foi evangelizada do que eu posso dizer), Ásia Menor , Arábia e Egito. * Estas “jurisdições” (Roma sobre as Suburbicárias, Antioquia sobre a Ásia, Alexandria sobre o Egito e depois sobre a Trácia, etc, etc.) foram certamente de desenvolvimento histórico. É por isso que é importante distinguir entre (a) a primazia universal petrina apostólica e (2) a ascensão dos Metropolitas e Patriarcas. Há uma convergência de localização entre as três Sés Petrinas e as metrópoles triplas do Império, e assim acontece que os três principais centros do mundo romano se tornariam as três Sés de Pedro. No entanto, Roma não possuía essa jurisdição limitada e restrita sobre o norte da África, nem sobre a Gália, Espanha, Inglaterra ou Grécia. O Vicariato de Salónica, que supervisionou as eleições episcopais na península da Ilíria, foi estabelecido no pontificado de Libério, Dâmaso ou Sirício (esqueci-me qual) e, portanto, a função papal está bastante fora deste estrato de jurisdição. À medida que nos movemos para o 5º, 6º e 7º séculos, há mais uma jurisdição de fato sobre a linha principal das sés ocidentais do que de jure. Por exemplo, Aquiléia e Ravena eram novas. Tudo isso para dizer que devemos distinguir entre duas diferentes camadas de jurisdição eclesial – (1) papal, que é universal e não tem restrições, e (2) metropolitana / patriarcal. Elas não são sinônimos. _ * Bem, isso nos faz perguntar por que Roma tem essa jurisdição? A resposta óbvia a princípio parece ser que eles herdaram a jurisdição sobre onde Pedro e Paulo tinham igrejas e sobre quaisquer igrejas, como a Gália e o Norte da África, aquelas igrejas então criadas. É difícil dizer com precisão. O design original do governo é envolto na obscuridade. O que sabemos é que certas Sés cujo Bispo Metrópole serviu como um ponto nodal conveniente de communio para as igrejas circunvizinhas se tornaram uma certa Cabeça para a qual os bispos vizinhos poderiam recorrer para fins de concílio e administrativos. Mais uma vez, muito fora da função papal apostólica. _* Há um problema imediato que surge, historicamente. As igrejas na Turquia foram iniciadas por Paulo, mas aparentemente não sob a jurisdição “patriarcal” de Roma no século II. Além disso, o Egito (teoricamente) estava sob Marcos, que deixou o lado de Pedro em Roma. No entanto, eles nunca estiveram sob a jurisdição patriarcal de Roma. Além disso, temos exemplos óbvios, como o norte da África, onde esses bispos expressaram completa independência (como a controvérsia do terceiro século do rebatismo, embora afirmassem-se de maneira semelhante contra o papa Zósimo durante a controvérsia pelagiana) e o mundo parecia reconhecer isso sem controvérsia. Muitas vezes, a visão romana da história lida com isso concluindo levianamente que “eles estavam se condescendendo com bispos desobedientes e não afirmando sua autoridade ‘real’”, o que não é menos especial que a linha ortodoxa padrão que “bispos orientais estavam apenas usando bajulação florida e realmente não significava todas as coisas pró-papais que eles disseram. ”Talvez a verdade não esteja em algum lugar no meio, mas eu realmente acho que está. As igrejas da Turquia tinham uma metrópole diferente. Essa é a única razão pela qual elas não se enquadravam no patriarcado de Roma. A península da Ilíria serviu como uma esquisitice periférica. Era mais provável que tivesse comunicações mais fáceis com o Oriente. Era mais discrição papal do que qualquer inevitabilidade de jure ou geopolítica. _* O Oriente realmente usou uma linguagem florida. O papa possuía uma jurisdição “patriarcal” sobre metade do mundo civilizado europeu / mediterrâneo e, portanto, cristão. Por último, este Bispo de Roma, claramente o mais importante na cristandade pelo tamanho do seu Patriarcado e sua herança da autoridade de Pedro e Paulo, teria sido um bispo óbvio para apelar em tempos de disputas. * _ Devemos lembrar que o Patriarcado de Roma era puramente político, restrito, criado pela igreja e existindo em um plano diferente de sua jurisdição papal, apostólica, irrestrita e divina. De fato, o Patriarcado de Roma foi, nos primeiros 450 anos, muito menor que o de Alexandria. _ * E, de fato, foi isso que aconteceu. No entanto, nada disso se traduz em que o mesmo Bispo tenha autoridade sobre os outros “patriarcados”, por assim dizer, nem seja capaz de impor doutrinas sob a ameaça de cortar esses Patriarcados, não apenas da comunhão com Roma, mas da própria Igreja. Claro, Roma pensou isso, mas ninguém mais parecia nem parecia nem um pouco preocupado com isso. Ironicamente, o “Grande Cisma” ocorreu literalmente nas linhas patriarcais. Todos aqueles que se vêem parte do Patriarcado Romano após o século VIII foram com Roma. Todos aqueles que não foram com seus patriarcados históricos … mesmo depois de séculos de ocupação latina e evangelização. Na minha opinião sincera, isso tem raízes em uma eclesiologia histórica que tem séculos de profundidade e precede a visão romana sendo imposta fora de seus limites. Você está absolutamente certo. As linhas patriarcais do Patriarcado Romano não envolvem as igrejas orientais. Também não envolveu todas as igrejas ocidentais. _* O consentimento era relevante quando, como aludi antes, o Norte da África disse não ao rebatismo e teve comunhão com o mundo inteiro, além de Roma. Ou seja, eles se recusaram a consentir, mas foram reconhecidos como estando ainda na Igreja. Isso mostrou que mesmo dentro de um Patriarcado, como vemos em um dos cânones apostólicos, o principal metropolita não pode operar além do consentimento dos Bispos menores. Cartago não estava no “Patriarcado” de Roma no século III. O próprio termo em si não parece ser uma linguagem ocidental comum até o século VII. _* O que eu acho que a história nos mostra claramente é que a Igreja é um organismo hierárquico, mas não se sustentava e caia sobre o reconhecimento romano. Roma não era o principal árbitro em todos os assuntos em todos os lugares e, se assim o desejassem, eles poderiam cortá-lo e você estava literalmente fora da Igreja. Ou, em outras palavras, não podemos definir a Igreja como sendo meramente em comunhão com Roma, que é, em última análise, como Roma define a Igreja – Nada sobre ela. Porque, claramente, esta visão romana simplesmente não é o caso em nenhum trecho durante os primeiros cinco séculos da Igreja. Bem, a Igreja é o Corpo Místico de Cristo e, portanto, há explicações de ordem mais elevada para a sua essência do que apenas “estar em comunhão com Roma”. No entanto, como São Leão disse, “as grandes cidades devem assumir uma responsabilidade mais ampla, através da qual os cuidados da Igreja universal devem convergir para o único assento de Pedro, e nada em qualquer lugar deve ser separado da sua Cabeça”. Eu também sugeriria que há pelo menos um bom argumento a ser feito de que uma enorme quantidade de dados mostra que Roma determinou o que era a verdadeira doutrina e, portanto, os termos da comunhão eclesial. Isto é o que a Roma pediu ao Oriente através da Fórmula de Hormisdas (515-519) e que foi recebido pelo Patriarca de Constantinopla ao lado de mais de 200 bispos no Oriente. Essa declaração não apenas exigia que Roma fosse seguida em todas as coisas, mas oferecia uma razão para isso: a promessa de Cristo nosso Deus de abençoar a Pedro que ele construísse Sua Igreja sobre ele e que as portas do inferno nunca prevaleceriam contra ele. Esta é a mesma linha de pensamento que vemos em São Máximo, São Teodoro, São Teodoro Abu Quara, São Nicéforo, Santo Estêvão de Dor, São Sofrônio de Jerusalém e, ironicamente, o Concílio de Constantinopla de 681. _* Em última análise, é por isso que penso que o cisma romano é epistemológico. Eles redefiniram o que é a Igreja. * _ O que Roma estaria pedindo aos ortodoxos para acreditar que está faltando na fórmula de Hormidas do século 6, mais de 4 séculos antes da quebra final? _* Eles ignoram a história básica (como o Egito sendo independente), não intencionalmente, já que eu não estou acusando a ICAR de estupidez a esse respeito, mas desconhecendo as ramificações dessas óbvias verdades eclesiológicas nos primeiros séculos. A idéia de Roma poder dizer que metade da Igreja está errada sobre o Filioque, que nenhum concílio e nenhuma igreja local do Oriente consentiram, e então ir em frente e invadir as terras dos Patriarcados estrangeiros e estabelecer uma igreja paralela com os bispos latinos onde a norma, e não a exceção era que eles impingiriam “reformas litúrgicas” latinas que, como admitem os estudiosos da ICAR hoje, as inovações ocidentais que romperam com a prática romana anterior são honestamente impensáveis nos primeiros séculos. Como isso não seria um cisma óbvio, por parte de Roma, se não fosse eclesiologicamente impossível, de acordo com a epistemologia de Roma, estar em cisma, porque afinal a Igreja está em comunhão com Roma? Eu também estou aborrecido com algumas das decisões dos nossos Papas. Certamente, não estou feliz com a divisão Oriente / Ocidente. Mas perceba que Roma tinha feito essas afirmações desde muito cedo. Eles eram os líderes da cristandade. A exigência do absolutismo papal (em certo sentido) era necessária para a comunhão. Nós vemos isso com a escrita dos Tomos de São Leão. Entre Éfeso 449 e Calcedônia 451 (e antes que este último sequer fosse um plano de ação), o papa exigiu que Teodósio II / Marciano mandasse os bispos orientais assinarem o Tomo como condição para a comunhão com a Sé Apostólica. Os Papas não pediram nada menos durante o Concílio de Calcedônia e a cura do cisma acaciano. Lembrando a você, foi durante a cura do cisma acaciano que Justiniano I aplicou força violenta para garantir que os monofisitas do Egito e da Síria obedecesse ao Tomo de São Leão, e a Igreja de Alexandria tinha uma jurisdição “paralela”. Não são boas lembranças. _* Portanto, para encerrar, é por isso que posso admitir com certeza que Roma teve uma jurisdição imediata e bastante maior nos primeiros séculos. No entanto, vimos essa jurisdição realmente fragmentada pelo segundo século em partes (Egito) e nunca a vimos operar além do consentimento dessas igrejas locais, nem operou sobre igrejas como Antioquia sobre as quais ela não tinha jurisdição. Papalismo moderno honestamente parece desenvolver via precedente … tudo começando com Paul Samosata (sp?) e apelos para Roma. Isto se codifica no Direito Canônico em Sárdica. Então esse poder de corte aparente tornou-se visto para além de um concílio ecumênico, ou, com efeito, todos os fiéis em todos os lugares. Não temos nenhuma indicação de que qualquer um desses precedentes tenha derivado de uma verdadeira prerrogativa apostólica. De fato, vemos quaisquer afirmações de tais prerrogativas rejeitadas no século II e durante a controvérsia do rebatismo. É por isso que Erick poderia dizer, bem, a ideia está lá, mas obviamente evoluiu. Eu acho que os ortodoxos concordam. Com certeza evoluiu … para outro organismo inteiro! * _ Mas, novamente, você vê a jurisdição papal como algo que começou com sua metrópole local, depois seu Patriarcado, e depois, mais tarde, sua plena reivindicação de domínio universal. Mas não é assim que qualquer católico vê isso. A jurisdição papal era * SEMPRE * universal… mesmo quando a jurisdição metropolitica de Roma estava restrita a pequenaos suburbicários. Tradução YBARRA, Erick. Dialogue on Papal Universal vs Roman Patriarchal Jurisdiction Disponível em: https://erickybarra.org/2019/03/15/dialogue-on-papal-universal-vs-roman-patriarchal-jurisdiction/
- O “Relato das duas Cidades”: a Semana Santa na Antiga Constantinopla
A Semana Santa tanto na Tradição Romana como na Bizantina é fruto de uma mescla de tradições; logo se poderia afirmar com o Padre Robert Taft, que as duas tiveram uma grandíssima capacidade de absorver e sintetizar novas tendências e influxos externos e de adaptar-se a novas exigências. Das duas, será Constantinopla a que adquirá, pouco a pouco, um poder dominante, já que era a capital do Império oriental, daí a rápida difusão dos costumes e dos ritos constantinopolitanos. Mas não somente é importante esta capital, senão que teríamos de acrescentar: Jerusalém e os monastérios da Palestina; os usos litúrgicos de Jerusalém se difundiram por todo o orbe graças aos peregrinos, como não destacar a Peregrina por excelência: Egeria. Este intercâmbio, diz o Padre Taft, se intensifica após o primeiro período do iconoclasmo (726-775), durante a “restauração monástica” levada a cabo por São Teodoro Estudita (+826) que trouxe à capital monges do monastério palestinense de São Sabas para combater contra os hereges, isto é, contra os iconoclastas. Fruto disso foi a: síntese litúrgica constantinopolitana-sabaítica, que mais tarde dará como resultado o chamado “rito bizantino”. Sebastián Janeras expôs esta evolução mostrando a estrutura, as leituras e a hinografia que contém os livros das duas tradições: 1.-Jerusalém: Lecionário hagiopolita armênio (s. V) e georgiano (s. V-VIII) e Ofícios da Semana Santa no Codex Stavrou 43, transcrito em 1122; 2.- Constantinopla: Typikon da Grande Igreja: manuscritos dos s. IX-X, Evangeliário e Prophetologion (Lecionário com as leituras do AT). Estas fontes, prossegue o Padre Taft, parecem demostrar um triplo processo de empréstimo recíproco: 1.- Importância primária de Jerusalém como centro de peregrinação, sobretudo na Semana Santa; isto faz com que se infiltrem elementos hagiopolitas nos ritos constantinopolitanos. Ej: Lecionário do s. IX; o Orthros (Laudes) da Sexta- Feira Santa tem uma série de 11 Leituras do Evangelho, fruto da união das Leituras da antiga Vigília de Jerusalém da noite da Quinta- Feira Santa com as das Horas do dia da Sexta- Feira Santa hagiopolita. 2.- Influência constantinopolitana na “Cidade Santa”: esta série de Leituras segundo o Typicon da “Grande Igreja” chegam até Jerusalém e são incorporadas ao Ofício hagiopolita no final do primeiro milênio; assim se pode ver no Stavrou 43 (ant. 1009). 3.- “Triódion” bizantino: todo o anterior será codificado definitivamente neste livro litúrgico: Matinas da Sexta- Feira Santa de Jerusalém, 11 Leituras hagiopolitas-constantinopolitanas do Evangelho, Vésperas da Sexta- Feira Santa em Jerusalém e Matinas do Sábado Santo com as Leituras constantinopolitanas, mais as Horas do dia da Sexta- Feira Santa de Jerusalém. II.- A SEMANA SANTA NA “ANTIGA CONSTANTINOPLA” Na maior parte do primeiro milênio, Constantinopla permanece imune à influência dos novos Ofícios da Semana Santa de Jerusalém, mantendo assim uma Liturgia sóbria até o período do predomínio monástico posterior à luta contra o iconoclasmo, (726-775 / 815-843) na qual se enriquece de elementos hagiopolitas. De acordo com o Typikon do século X , as celebrações da Semana Santa eram precedidas do “Sábado de Lázaro”, isto é , do Sábado anterior ao Domingo de Ramos. Fica claro, tanto no Evangelho como no Diário da Peregrina Egeria (384), que a Ressurreição de Lázaro é o prelúdio das celebrações Pascais, já que Cristo mostra seu poder sobre a vida e sobre a morte, fazendo assim da ressurreição de seu amigo uma profecia do que sucederia no “Octavo Dies”. Em Constantinopla, neste dia, o Patriarca administrava os Sacramentos da iniciação, no pequeno Batistério, depois do Orthros. No Domingo de Ramos, segundo nos diz Baumstark, tinham lugar os Ofícios na Igreja dos “Quarenta Soldados Mártires” no Tetrapylon de bronze, ao norte do Forum Tauri, próximo do Philadelphion. O Patriarca era o encarregado de distribuir as palmas para o clero e a assembléia, após o qual tinha lugar a Procissão até Santa Sofia, onde se celebrava a “Divina Liturgia”. O primeiro testemunho da procissão bizantina das palmas o temos na Vida de Santo André, “o multitudinário” (ca. 650-950). De Segunda- Feira a Quarta- Feira: não há diferença entre esses dias e as férias quaresmais: não há Eucaristia, mas a “Liturgia dos Dons Pré-santificados”. Na Quinta- Feira Santa tinha lugar, pela manhã em Santa Sofia, a Adoração da preciosa relíquia da Paixão custodiada pela Grande Igreja: a Sagrada Lança que perfurou o flanco de Cristo, tal como podemos ler em Jo 19, 34. Pela tarde tinham lugar as Vésperas e o Lavatório dos pés (pedilavium), durante o qual o Patriarca lavava os pés de 12 membros do clero (3 subdiáconos, 3 diáconos, 3 presbíteros, 1 arcebispo e 2 metropolitanos); após isto tinha lugar a “Liturgia da Crisma” de São Basílio Magno. Pela tarde se lia uma série de cinco Leituras vigiliares: 3 do AT (Ex, Jb e Is) e 1 Epístola (relato paulino da “Instituição”) mais um “centão evangélico” ou uma concordância estruturada cronologicamente dos eventos que vão desde a Quinta- Feira Santa pela noite até a aurora da Sexta- Feira Santa. Os Ofícios da Sexta- Feira Santa compreendiam: Pannychis (Vigília) na tarde da Quinta- Feira Santa após a Missa crismal, Orthos e Tritoekte (terça-sexta) e Vésperas com a “Liturgia dos Pré-santificados” pela tarde. Os únicos elementos cerimoniais deste dia eram: a Veneração da Sagrada Lança antes do Orthros e a Catequese pré-batismal junto à renúncia a Satanás que o Patriarca fazia em “Hagia Elena”, parte integrante do processo de iniciação pascal. É curioso que não tenha lugar em Constantinopla neste dia nem a Leitura da Paixão nem a Adoração da Cruz ou de uma relíquia desta. Não obstante, no Evangelho das Vésperas da Sexta- Feira Santa encontramos a anámnesis da Paixão do Senhor: desde a condenação de Jesus até sua sepultura; também se lê o “servo sofrente” de Isaías. O Orthros do Sábado Santo no Typikon não tem nada de particular, exceto os dois estribilhos referidos aos soldados que montam guarda diante do túmulo de Jesus, sepultado por nossa salvação. O Evangelho deste dia narra a ordem que dá Pilatos para que montem guarda os soldados e assim não possam roubar os discípulos o corpo de Jesus dizendo que ressuscitou. A Profecia que se lê este dia é a dos “ossos secos” do profeta Ezequiel. Salvador Aguilera López ____________________________________ Bibliografia 1.- Taft, R. La Settimana Santa nella Tradizione Bizantina en “A partire della liturgia. Perché è che la liturgia”. Lipa edizioni, Roma 2004: pag. 250-284. 2.- Id. A tale of two cities. The Byzantine Holy Week Triduum as a paradigm of liturgical History en “J.N. Alexander (cur.), Time and Community In Honor of Thomas Julian Talley”. Washington DC, 1990: pag. 21-41. 3.- Arranz, M. Les grandes étapes de la liturgie byzantine: Palestine-Byzance-Ruse en “Liturgie de l’Église particulière, liturgie de l’Église universelle”.Bibliotheca Ephemerides Liturgicae, Subsidia 7: Roma 1976, pag. 43-72. 4.- Janeras, S. I vangeli domenicali della risurrezione nelle tradizioni liturgiche agiopolita e bizantina en “Studia Anselmiana, 91. Analecta Liturgica 10”. Roma 1986, pag. 55-69. ________ Fonte do texto: http://lexorandies.blogspot.com/2012/03/el-relato-de-las-dos-ciudades-semana.html?m=1 Tradução: Millán Betarelli
- A VERDADE SOBRE GALILEU – Etienne Couvert
O caso Galileu pertence ao arsenal de mentiras e imposturas que os historiadores modernos forjaram com todas as peças por ódio a Jesus Cristo e a sua Igreja, com a intenção declarada de destruir a fé. Desde o começo de nossas pesquisas sobre a gnose, não cessamos de deparar com mentiras de tal maneira enraizadas nos espíritos que nossos estudos e argumentos provocam ainda reações de desconfiança e ceticismo da parte de cristãos sinceros que têm dificuldade de se libertar dos modismos intelectuais do “politicamente correto, do cientificamente correto, do religiosamente correto”. Este estudo sobre Galileu inscreve-se na seqüência daquilo que dissemos sobre os humanistas da Renascença, no capítulo II do nosso segundo volume: A gnose contra a fé, intitulado Gnose e humanismo. De maneira que é útil relê-lo antes de abordar nosso trabalho e ter presente o que desenvolvemos sobre o caráter fundamentalmente anti-cristão de tal humanismo. A condenação do heliocentrismo. Sabemos que o culto de Mitra foi contraposto, desde os primeiros séculos cristãos, ao culto de Jesus Cristo. Mitra é o sol invencível (Sol invictus). Quase que se tornou o culto oficial do Império Romano sob Aureliano. Ora, os humanistas do Renascimento restauraram esse culto, mas em segredo, em seus conventículos íntimos. O sistema heliocêntrico, ensinado por Copérnico e retomado por Galileu, é uma manifestação da adoração do sol. Copérnico escreveu em De revolutionibus orbium coelestium: “In mundo vere omnium residet Sol. Quis enim in hoc pulcherrimo templo lampadem hanc in alio vel meliori loco poneret, quam unde totum simul possit illuminare. Si quidem non inepte quidam lucernam mundi, alii mentem, alii rectorem vocant, Trismegitum visibilem deum.” O Sol é, pois, para Copérnico, o Espírito do mundo, o Reitor dos mundos, um deus visível. A referência a Hermes Trismegisto é significativa. O Sol tem, em sua morada, sede em todas as coisas do mundo e o mundo é seu templo. Não se trata de uma definição do panteísmo? Galileu precisa: “Parece-me que na natureza se acha uma substância muito volátil, muito tênue, muito rápida, que, espalhando-se pelo universo, penetra tudo sem obstáculo, aquece, dá vida e torna fecundas todas as criaturas animadas. Parece que os sentidos nos mostram que o corpo do Sol é o receptáculo desse “espírito”, fora do qual se difunde sobre todo o universo uma imensa luz acompanhada desse espírito calorífico e, penetrando todos os corpos capazes de ser animados, dá-lhes vida e fecundidade.” “O sol é um deus visível no centro do universo. Imóvel, ele penetra todas as criaturas, ele é a fonte da vida, ele anima todas as coisas. Sem sombra de dúvida é um culto solar que Copérnico e Galileu praticavam. À luz desses textos os juizes do Santo Ofício condenaram Galileu. Assim, abrem-se novas perspectivas sobre o intrincado caso Galileu.” Encerra-se a citação do nosso texto. Compreende-se, desse modo, que as considerações sobre os movimentos da terra e do sol são apenas pretextos para desenvolver um ensinamento fundamentalmente panteísta e as autoridades romanas não se enganaram a respeito. Aos 24 de fevereiro de 1616, o heliocentrismo de Copérnico era condenado pelo Santo Ofício. A justo título, como se viu. E para manifestar que os censores não eram patetas caídos em armadilhas, eles esclareceram que as proposições condenadas eram “absurdos em filosofia e formalmente heréticas”, mas que eles não prejulgavam as considerações puramente astronômicas ou físicas. O caso deveria estar encerrado. Sem outras conseqüências. Mas eles tinham diante dos olhos uma verdadeira seita, muito bem organizada. A Academia dos Linceis. Essa academia funcionava como um clube maçônico, com uma fachada mundana, oficial, que atraía a alta sociedade romana promovendo conferências, concertos, banquetes e recepções diversas, e um núcleo operacional na casa de campo de Pedro Cesi, em Acquaspartia, próximo a Urbino. Os três mentores da seita são Pedro Cesi, Cesarini, mas sobretudo monsenhor Ciampoli, o grão-mestre dos Linceis, que veremos em ação mais adiante. O programa é claríssimo. Eis a fórmula: “estabeleceremos por silogismos e experiências os paradoxos que aparecem completamente contrários aos dogmas sagrados.” Retenhamos bem a fórmula. As experiências ditas científicas, os raciocínios chicaneiros só têm um fim: destruir a fé, mudar a religião. A confissão é aguda. Trata-se de lançar, tomando pretextos de ordem científica, como a disputa dos cometas, um ataque de grande estilo contra as bases intelectuais da cultura tradicional que prevalece em Roma. O que está em jogo é o prestígio e a legitimação intelectual dos Linceis. Ela será, pois, confrontada com a resistência do Colégio Romano dos Jesuítas, onde reinava o respeito à tradição aristotélica em filosofia e a vigilância sobre os princípios da fé católica. Galileu é um membro eminente da Academia. Aos 17 de julho de 1620, durante uma sessão secreta em Acquaspartia, decidiu-se a denominada operação “Sarseide”. Galileu devia preparar uma obra para denunciar a física aristotélica, tratada de puro “nominalismo”, lançara o slogan: “O livro da natureza não foi escrito para ser lido somente por Aristóteles. Esse grande livro do mundo está ao alcance de todos. Os comentários de Aristóteles são como uma prisão da razão”. Ele devia pôr sua autoridade a serviço da Academia para assegurar seu prestígio e sua legitimidade intelectual. Ele se pôs a trabalhar. Entretanto, aos 17 de setembro de 1621, o cardeal Belarmino, enérgico prefeito do Santo Ofício, falecia. Enfim, podia-se aproveitar de uma grande liberdade para as “novidades”. Em 1622, o manuscrito do Saggiatore está em mãos dos linceis. Ele foi revisto e corrigido por Cesarini, depois pelo príncipe Cési, e o texto definitivo foi redigido por monsenhor Ciampoli, o grão-mestre. É uma máquina de guerra contra “os adoradores obstinados da Antigüidade”, contra os jesuítas do Colégio Romano. A obra está plena de sarcasmo e zombarias contra eles. Maneja a arma do ridículo, apontada contra o Colégio Romano e contra o acatamento do princípio de autoridade da tradição, com as fórmulas fustigantes e insultantes contra “os patos incapazes de seguir os vôos das águias…” Ora, para os jesuítas, o princípio de autoridade é mais sagrado que uma citação criticável. Era um valor de caráter religioso e um ponto fundamental da luta contra a heresia. Por isso, reagiram. Achavam-se – disseram eles -, na obra, os átomos de Epicuro, as idéias de Demócrito, o nominalismo de Ockham, as elucubrações confusas de matriz pitagórica. Um panegírico dos autores pagãos com odor de ateísmo e dos autores católicos com odor de heresia. Um verdadeiro escândalo, portanto. Um papa “inovador”, Urbano VIII. Em 1623, ocorre um novo conclave… Monsenhor Ciampoli “trabalha” os cardeais, intriga e “faz” o papa Urbano VIII, na pessoa de Maffeo Barberini, o papa dos “inovadores”, o amigo de Galileu. É uma explosão de alegria para os membros da Academia dos Lincei. Maffeo Barberini é um jovem, poeta, esportivo; diríamos hoje pop. Ele se apressa a colocar os lincei nos cargos mais importantes da corte. Monsenhor Ciampoli continua sendo um conselheiro íntimo e discreto. O jovem sobrinho do novo papa, Francisco Barberini, é feito cardeal e dirige o pontificado. Ele será a alma penada do seu tio. Ao longo das grandes festas e manifestações de júbilo organizadas pelos lincei para promover o novo papa, Galileu é recebido oficialmente como filósofo do Vaticano, em uma bela cerimônia, a 23 de abril de 1624. Barberini sabe que deve sua eleição ao grão-mestre dos lincei, mons. Ciampoli. Este conhece “os sinais do tempo”. Para ele, esse pontificado é uma “admirável conjuntura”. Graças a ele, o mundo de Aristóteles está liquidado. Galileu é “o filósofo cristão moderno” que substitui o pagão Aristóteles no cume da nova cultura católica. Ele nomeia seus amigos e os de Galileu para a Sapientia, nova universidade romana, que ele dirige contra o Colégio Romano dos jesuítas. A nova filosofia é apresentada à corte, do púlpito, nas academias e famílias da sociedade romana. Revolução cultural que permitia esperar para logo poder relançar a campanha em defesa da Copérnico condenado. Urbano VIII dirigiu-se contra os jesuítas. Em 1627, recusou a canonização do cardeal Belarmino e impôs na ocasião a obrigação de esperar cinqüenta anos antes de iniciar um processo. Nomeou o cardeal Pedro de Berule, “o novo teólogo”, o místico reformador da fé, grande inimigo dos jesuítas e grande amigo de Saint-Cyran. É ele que vai orientar os oratorianos da França na direção do jansenismo por dois séculos (2). Ora, a 3 de novembro de 1624, em seu discurso inaugural do Colégio Romano, o Pe. Spinola condena fortemente as “tentativas de edificar um novo monumento humano de sabedoria”. Ele compara a nova filosofia pagã dos inovadores à construção da torre de Babel. Os inovadores querem subir ao céu. São rebeldes contra Deus e a fé. Querem provocar a ruína da Igreja. Esse discurso teve grande repercussão. Mas, nessa admirável conjuntura, não era fácil denunciar Galileu, o sábio católico oficial, o amigo íntimo do papa, o maior filósofo da Europa, amado, acariciado, adulado, respeitado e temido. E enquanto o novo papa e seus amigos da Academia dos lincei preparavam essa revolução cultural, os jesuítas continuavam através da Europa sua obra de reconquista das províncias protestantes. Nesse contexto, parece-nos conveniente reproduzir uma bela página do livro de Pedro Redondi que seguimos aqui passo a passo (3): “Não são petulantes e ruidosas manifestações de alegria de literatos inovadores e aristocratas progressistas romanos galvanizados pela eleição de um papa amigo de Galileu e intelectual refinado que preocupam os jesuítas. Mas é uma linha geral de abertura cultural e política improvisada cujos efeitos são contrários à linha de renovação e de luta da Igreja da Contra-Reforma fixada pelo Concílio de Trento. A Companhia de Jesus, que é o instrumento mais eficaz dessa linha de conduta, não é a vítima de uma estreita visão provincial e romana dos problemas que condiciona a maior parte dos seus inimigos na cúria. O fronte principal da luta contra a Reforma não sãos os corredores da cúria, nem os salões da academia, são as planícies e as cidades da Hungria e da Boêmia, onde os padres da Companhia, após os regimentos imperiais, alcançam a vitória; eles reconquistaram para Roma as igrejas profanadas pelos ritos protestantes, içaram os estandartes ornados do símbolo da eucaristia sobre os mosteiros das ordens religiosas decadentes e corruptas e confiscaram-nos para transformá-los em centros de reeducação religiosa, sem incomodar-se com reclamações romanas dos monges. O êxito dos jesuítas é impressionante, sobre o teatro principal da guerra de religião. Nos territórios há pouco resgatados dos protestantes populações inteiras regressam em massa ao catolicismo, por todos os meios, a todo preço… Consolidada pelas suas vitórias e pela consciência política e religiosa das suas dimensões mundiais, a Companhia de Jesus sabe que a fidelidade ao Império é a melhor garantia contra a Reforma. Ela desconfia das perigosas aberturas diplomáticas do novo pontífice em direção de um aventureiro sem escrúpulo como Richelieu, novo astro nascente da política européia.” O verdadeiro processo. Quando o livro do Saggiatore apareceu nas livrarias de Roma, o primeiro exemplar vendido foi comprado pelo Pe. Grassi, eminente professor do Colégio Romano. Ele era um homem de caráter irascível e explodiu de raiva na livraria. Depois anunciou uma resposta que jamais publicou. Como se viu, Galileu havia sido recebido com grande pompa pelo papa em abril de 1624. Ora, no verão de 1624, o Pe. Grassi depositou no protocolo do Santo Ofício uma denúncia contra o Saggiatore por heresia contra a Eucaristia. O texto dessa denúncia foi reencontrado por Pedro Redondi em um arquivo anexo ao processo de Galileu. Ele havia sido desentranhado desde o início do processo (4). O Pe. Grassi sustentou duas acusações fundamentais contra Galileu. O nominalismo de Ockham, segundo o qual as qualidades das coisas são apenas nomes, mas não existem na realidade. Se vejo a cor vermelha no objeto, essa cor está na minha percepção, mas não realmente no objeto. Se vejo a luz do sol, ela está na minha percepção, mas não no sol. Com efeito, é um absurdo. O “atomismo” de Demócrito: se os átomos ou corpúsculos ou “mínima” constituem a substância do objeto, então as percepções sensíveis que são o produto dessas partículas, fazem também parte da substância da coisa. Se, pois, nas espécies eucarísticas, as formas sensíveis do pão e do vinho subsistem após a consagração, é que a substância das mesmas continua presente. Por conseguinte, não ocorre transubstanciação, mas consubstanciação e a tese de Galileu não faz senão retomar a de Lutero e dos protestantes. Galileu, o filósofo oficial da corte pontifícia e o grande amigo do papa, não passa de um protestante camuflado… Com efeito, as congregações gerais dos jesuítas sempre condenaram o “atomismo” em voga entre os humanistas e proibiram que fosse ensinado nos colégios da Companhia. Condenação renovada no curso do século XVII com uma notável insistência. A 1º de abril de 1623, a Companhia de Jesus havia interdito o ensinamento da doutrina do atomismo nos colégios. Não se deve identificar a substância com a extensão e as qualidades. As partículas são apenas as medidas da matéria. O atomismo não passa de uma forma sutil de materialismo. Se é a matéria que produz as formas sensíveis e as qualidades das coisas, então ela é a criadora dessas formas; ela é então de natureza divina… Essa condenação foi renovada em 1641, em 1643 e 1649. Eis a forma protestante: “O pão e o Corpo de Cristo estão realmente, mas não substancialmente nem essencialmente presentes, por que se o pão não tinha mais substância, ele não seria mais nada e por conseguinte não seria nem sequer um sacramento.” Vê-se aí a velha tentação nominalista. Por onde se vê que os ensinamentos filosóficos, contrários ao bom senso e à razão, provocam conseqüências desastrosas nas afirmações da doutrina católica. O filósofo cristão não pode, pois, ensinar o nominalismo nem o atomismo sem atacar a fé. A acusação era grave, e Galileu o compreendeu logo. Ficou com medo. Tentaram tranqüilizá-lo. Seu livro havia recebido imprimatur e aprovação entusiasta do papa. Ele creu poder esperar impunidade, mas a suspeita de heresia começava a circular pela cidade, não obstante a proteção do papa. Aconselhou-se a Galileu que não retrucasse, que guardasse silêncio; diríamos hoje, vulgarmente, que “enfiasse a viola no saco”; pois Galileu bem sabia que a acusação estava fundamentada e que o Pe. Grassi havia compreendido bem a intenção subjacente do autor. A funda dos cardeais. Aos 18 de abril de 1631, na Capela Sixtina, em presença do papa Urbano VIII e durante a liturgia da Sexta-Feira Santa, o Pe. Grassi, eminente jesuíta, pronunciou uma oração solene que deve ter soado desagradavelmente aos ouvidos do papa: “Devemos deplorar, Reverendos Padres, uma terrível destruição e uma imensa ruína. O edifício que a Sabedoria Divina havia erigido com suas próprias mãos, esse templo eterno da paz entre Deus e os homens foi demolido por saqueadores ímpios, destruído, reduzido a pó. Com efeito, como é atroz assistir à cena da ruína iminente. Esses instrumentos, essas alavancas, esses operários, tudo está pronto para a espantosa empreitada de destruição…Os guardiães do templo, novos levitas, dormem um profundo sono. Mas o terror os desperta agora do profundo sono. A turba dos saqueadores avança. O véu do templo já está arrancado, quando a alma se separa de Cristo; toda a estrutura tomba e um tal ruído semelhante ao da morte, mesmo que estejam dormindo, os obriga a acordar. As coisas sagradas são tripudiadas, os altares profanados, o templo em ruína. Onde nos refugiaremos, onde, pergunto eu?” Que se passava então? O exército sueco de Gustavo Adolfo percorria a Europa, destruindo, incendiando, assassinando tudo em sua passagem. Os exércitos imperiais estavam desamparados e impotentes diante de tal fúria. Gustavo Adolfo aproximava-se dos Alpes. A 7 de abril ele estava na Baviera, pilhando e saqueando os colégios dos jesuítas, condenando-os a fugir ou a esconder-se. A situação era grave e, entretanto, “os levitas dormiam”. O papa, evidentemente, estava designado. Gustavo Adolfo ameaçava Roma. Reinava a insegurança. Era preciso dar um basta. Várias vezes já os cardeais haviam censurado ao papa sua complacência com os hereges em Roma. Reclamava-se uma ação enérgica, uma cruzada católica contra a heresia e as novidades subversivas. A 8 de março de 1632, o cardeal Borgia levantou-se, denunciou as fraquezas do papa e começou a ler um memorial “de grande importância para a religião e a fé”. Repreendeu ao papa sua atitude conciliatória em face do rei da Suécia. Urbano VIII quis cortar-lhe a palavra e ameaçou-o de deposição. O próprio irmão do papa quis apanhá-lo a força, mas os outros cardeais agruparam-se em torno dele para protegê-lo. Foi um tumulto, um escândalo em pleno consistório. O fato chegou ao conhecimento de todas as chancelarias. A Espanha reagiu imediatamente, protestou diplomaticamente contra as fraquezas do papa diante dos inimigos da religião, apoiou energicamente o cardeal Borgia, que se tornara o verdadeiro senhor do consistório. Cogitou-se a deposição do papa. Alguns dias mais tarde, o imperador Habsburgo enviou a Roma seu conselheiro, o cardeal jesuíta Peter Pazmani que veio repetir ao papa as mesmas ameaças de Madri. O papa teve de prometer um maior rigor para a defesa da ortodoxia. “A admirável conjuntura” estava terminada. O falso processo. Em março de 1632, Galileu publicava o Diálogo, honrado com um breve do papa e munido de imprimatur. Galileu aí retomava as teses de Copérnico sobre os movimentos da terra e as marés, com a autorização do Vaticano, sob a condição de não mesclar considerações sobre as Escrituras e apresentando-as como hipótese. Galileu aproveitou o ensejo para retornar ao atomismo de Demócrito e atacar Aristóteles. Identificou a substância corporal com seus componentes materiais e quantitativos, reduzindo o real a seu valor numérico. Mas evitou empregar o vocábulo “átomo”, bem como falar em “substância”. Seu amigo e cúmplice, Campanella, cuja reputação de herético era notória, felicitou-o em uma carta de 3 de abril de 1632 por renovar os antigos pitagóricos e os adeptos de Demócrito. A carta tornou-se pública. A cumplicidade era evidente. Uma denúncia foi enviada ao cartório do Santo Ofício. Imediatamente, o papa confiou o assunto a seu sobrinho, o cardeal Barberini. Ele não podia deixar o affaire em mãos do cardeal Borgia, prefeito do Santo Ofício, que o acusava abertamente de indulgência culpável e de falta de firmeza na obra da Contra-Reforma. Levar o caso ao Santo Ofício teria sido um verdadeiro suicídio político para o papa, um enorme escândalo, a prova da sua cumplicidade com os inovadores. O cardeal sobrinho formou uma comissão especial independente do Santo Ofício. Assegurou-se a Galileu acerca das intenções benévolas do papa, seu grande amigo e o cardeal sobrinho explicou ao núncio de Florença, em uma carta de 25 de setembro de 1632: “As obras de Galileu foram entregues a uma comissão particular com o cuidado de examinar e de ver se se poderia evitar seu envio à Sagrada Congregação do Santo Ofício”. O papa precisou ao mesmo núncio que ele havia feito um grande favor a Galileu não submetendo tal matéria ao tribunal, mas a uma congregação particular, criada expressamente, o que era muito significativo. Galileu foi intimado pelo cardeal sobrinho, incumbido da sua defesa. Ele devia reconhecer haver defendido a teoria de Copérnico, mostrar-se conciliador, não protestar: “O tribunal então poderá ser clemente com o acusado e Sua Santidade ficará satisfeito”. Assim se fez. Galileu foi obrigado a proclamar publicamente em uma igreja a condenação do heliocentrismo já formulada antes contra Copérnico. Ele fez essa declaração a 22 de junho de 1633, para satisfação de todos. O papa deu-lhe um castelo como residência vigiada. Mas o cardeal Borgia, indignado com a manobra, havia-se recusado a assinar o processo verbal. No dia seguinte, o Pe. Grassi foi exilado para Savóia. Impôs-se-lhe interdito de publicar qualquer material; como jesuíta fiel e obediente, submeteu-se. O texto da segunda denúncia contra o Diálogo desapareceu dos arquivos, assim como as atas das assembléias da Comissão Especial. A limpeza foi geral e bem feita. Ponto final. O caso Galileu estava encerrado. O resto não passa de lenda, mito, mentira, impostura. O fiasco de um pontificado. A última façanha, se assim se pode dizer, do papa Urbano VIII foi a fuga bem sucedida de Campanella. Tomás Campanella, dominicano nascido na Calábria, em Stilo, possuía uma imaginação fecunda, conhecimentos extensos em cabala e alquimia, idéias tomadas de empréstimo a Joaquim de Fiore, uma atividade desordenada e furibunda. Fazia-se chamar de “Messias”, anunciava as catástrofes do fim dos tempos. Como suas predições tardavam a cumprir-se, imaginou urdir uma conspiração para expulsar os espanhóis do Reino de Nápoles. Ele havia comprometido numerosos fidalgos e trezentos monges. Mas ele foi detido a tempo e condenado à prisão em Nápoles. Campanella havia continuado a cruzada contra a escolástica e contra Aristóteles. Mas Urbano VIII veio em seu socorro. Durante três anos, ele negociou sua libertação com a corte de Madri. Em vão. Finalmente, prometeu ao rei da Espanha que o faria julgar pelo Santo Ofício. O rei, sem desconfiança, entregou-lho em 1626, após 25 anos de prisão. Imediatamente, o papa concedeu-lhe a liberdade e admitiu-o em sua intimidade. Campanella publicou uma Apologia por Galileu e uma Defesa do sistema de Copérnico, não contrário à Escritura em 1634. Sua obra-prima, se se pode dizer, foi a A Cidade do Sol em que ele pregava uma comunidade total de bens e de pessoas, na esteira da Utopia de Thomas Morus. Mas suas heresias eram conhecidas. Sofria ameaças, recorria-se ao Santo Ofício. Em desespero de causa, Urbano VIII entendeu-se com o conde de Noilles, embaixador da França, para ajudá-lo a fugir, disfarçado de cavalheiro. Ele foi calorosamente recomendado a Richelieu e ao rei Luís XIII. Deste obteve uma pensão de 3.000 libras e fixou-se em Paris onde trabalhava na biblioteca do rei. Gabriel Naudé, bibliotecário chefe, agradeceu publicamente a Urbano VIII “em nome da ciência” haver protegido Campanella com sua autoridade. Ora, Naudé era membro da “Fraternidade Rosa Cruz”, cujo palavra de ordem era: “Guerra ao papa, abolição do culto”. Quando a inquisição real de Nápoles se deu conta do subterfúgio, exigiu que lhe fosse devolvido seu prisioneiro. O papa recusou. Conclusão. Em toda esta história há círculo vicioso. Humanistas, rosa-cruzes, lincei e outros formavam entre eles como uma vasta teia de aranha recobrindo toda a Europa. Esses homens estavam ligados por correspondências regulares e cumplicidades ativas, como acabamos de vê-lo. O caso Galileu só pode ser compreendido realmente à luz de uma tragédia mais vasta, a tragédia do combate do protestantismo contra os dogmas da fé católica e contra a filosofia escolástica que é seu suporte necessário. Dava-se aparência de um ataque a Aristóteles e aos jesuítas do Colégio Romano. Na verdade, e de uma maneira astuta, trabalhava-se com encarniçamento por matar a fé nas almas. Quando um papa é o eleito de um conchavo, quando sua eleição resulta de manobras subterrâneas, para dar o poder hierárquico a um amigo e cúmplice, este se acha uma situação muito desconfortável. Urbano VIII não pode declarar sua intenção profunda. Uma vez instalado na cátedra de Pedro, é obrigado, por sua função magisterial a continuar ensinando as verdades de fé em que não crê mais e gostaria de destruir. Ele deve manobrar sutilmente entre aqueles que “fizeram” sua eleição, e lhe recordam sem cessar o que esperam dele, e o conjunto do clero romano fiel, que ignora essas manobras e se acha perplexo e ressabiado, diante de situações mal compreendidas. É necessária uma singular aptidão para utilizar as fórmulas da fé católica, esvaziadas de suas substâncias, e colocá-las a serviço do panteísmo e da gnose. Os mais perspicazes compreenderam. Foram os jesuítas do Colégio Romano, publicamente e violentamente atacados, também os cardeais indignados. Houve, em Roma, na ocasião, homens muito corajosos e enérgicos para dirigir-se firmemente contra um papa prevaricador. Mas houve também dois príncipes cristãos, o rei Filipe IV da Espanha e o imperador Fernando II de Habsburgo, que puseram todo o prestígio de sua autoridade e de seu poder contra Urbano VIII até ameaçando-o de deposição. Bibliografia: REDONDI, Pietro. Galilée hérétique (Ed. Galimard, 1985 e 2003). Seguimos passo a passo sua obra, resumindo-a fielmente tanto quanto possível.Quando publicada, essa obra foi objeto de críticas virulentas. A Civilta Cattolica dos jesuítas censurou-o por haver lançado uma hipótese gratuita podendo pôr em questão a formulação tradicional do caso Galileu”. Em 1984, a Academia Pontifícia de Ciências havia publicado a documentação do Santo Ofício e afirmado que não havia nada inédito nos arquivos do Vaticano. Pietro Redondi respondeu: “O valor científico dessa afirmação não poderá evidentemente ser posto em discussão, porquanto os que a fazem guardam também a exclusividade da prova.” Todavia, o dossier do caso Galileu é singularmente incompleto. Faltam-lhe as denúncias do Pe. Grassi e as deliberações da comissão especial, que foram destruídas. Pietro Redondi julgou que as correspondências privadas dos protagonistas do drama podiam fornecer as verdadeiras razões do processo assim como as intenções subjacentes de uns e outros. Quando uma comissão de peritos oficiais, escolhidos por uma autoridade política, é encarregada de um trabalho de pesquisa, ela não pode fornecer, infelizmente, senão uma “versão politicamente, cientificamente, religiosamente correta” diante da qual todos devem inclinar-se reverentemente. Sabemos hoje que essas versões “oficiais” são recheadas de mentiras e imposturas… RANKE, Leopoldo. Histoire de la Papauté pendant le XVI et le XVIIsiècles. Ranke é um historiador protestante do século XIX. Quando sua obra veio a lume em Berlim, foi recebida com grande sucesso entre os protestantes e igualmente entre os católicos. Ranke pôde, graças às suas pesquisas históricas, restabelecer a verdade sobre o papado. Seu livro foi publicado na França em 1837 e novamente em 1848, em uma edição crítica por Alexandre de Saint-Chéron que lhe acrescentou notas e complementos históricos, onde o autor protestante claudicava. Essa obra foi recentemente reeditada, em 1986, na coleção “Bouquins” pela casa Robert Laffont. É indispensável ler essa obra para compreender como o caso Galileu se inscreve em um combate global empreendido pela Igreja para reconquistar a Europa do protestantismo com o apoio do imperador Habsburgo e os esforços dos colégios jesuítas. {O texto de Etienne Couvert foi publicado por Lecture et Tradition – Bulletin litteraire contrerévolutionnaire, maio de 2006, Bordeaux. Traduzido pelo Pe. João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa]
- SACERDOTE, ALTAR, VÍTIMA
SACERDOTE, ALTAR, VÍTIMA Não pode haver religião sem altar, sem sacrifício e sem sacerdote. Na Gênesis encontramos estas indicações em termos positivos: “E Noé edificou um altar ao Senhor, e tomando de todos os animais e de todas as aves puras, ofereceu hoje em holocausto sobre o altar (8,20) Abraão, por sua vez, construiu um altar em Siquém, em Hebrom, E aí ofereceu um sacrifício ao Senhor (Gênesis 12, 7; 13, 18). E assim por diante, em toda parte onde há um culto religioso, encontramos o sacerdote, o altar, a vítima (Gênesis 22, 9; 35,1; êxodo 15, 15; 27,1; 29, 13; números 7, 1; 18, 3; Deuteronômio 27,5 Lamentações 2, 7; Amós 9,1; Malaquias 2, 13). Em toda parte, no antigo como no Novo Testamento, encontramos com o base de todo o culto, os três inseparáveis elementos: sacerdote, altar e vítima. Na Igreja católica, a única igreja fundada por Jesus Cristo, estes três elementos são igualmente a base de todo seu culto. A um sacerdócio, instituído pelo próprio Jesus Cristo: fazer isto em memória de mim (Lucas 22,19), disse o salvador aos seus apóstolos instituindo o santo sacrifício da missa. Há também um sacrifício. A função do sacerdote, diz o apóstolo, ou do pontífice, oferecer dons e sacrifícios a Deus (hebreus 5,1). Há ainda um altar, diz São Paulo: “Nós (os cristãos) temos um altar, do qual os (sacerdotes judeus) que servem ao tabernáculo, não têm facudade de comer (hebreus 13, 10). O sacerdote é aquele que recebe o sacramento da ordem, e é ungido é consagrado sacerdote, segundo a ordem de melquisedec, com os caracteres já indicados. O sacrifício é o próprio Jesus Cristo, que, não querendo mais os holocaustos de animais, oferece-se ao Pai eterno para a salvação dos homens (hebreus 5,1). O altar é o lugar preparado para oferecer este sacrifício, onde, por indicação divina, deve ser enrolada a vítima. O anjo estava diante do altar para oferecer as orações (Apocalipse 8,3). Se agora olharmos para o culto protestante, não encontramos nenhum destes elementos essenciais. Sacerdote? — Não há. Apenas um leigo que se intitula pastor, mas sem ordenação, sem missão, sem poderes, sem capacidade. Altar? — Não existe: No templo há apenas uma estante e uma Bíblia. Nenhum altar, nenhum incenso, nenhum lugar próprio para sacrifícios. Sacrifícios? — Não existe também. Fazer às vezes uma ceia, onde é servido um pedaço de pão e um copo de vinho (dependendo da seita apenas suco de uva, ou refresco de uva), não constitui nenhum sacrifício; é uma ceia, um jantar, o que quiserem, que se pode fazer em casa como na casa de oração…nada mais… Nem sacerdote, nem altar, nem sacrifício: tudo desaparece. E estes pobres de Protestantes julgam possuir uma religião indígena; julgam, e não possuem nada, nem sequer a sombra de uma religião. O profeta tinha anunciado que em toda parte eu queria um sacrifício puro em honra de Deus (Malaquias 1,11) e a casa de oração protestante aboliu este sacrifício: Periit sacrificium… geme outro profeta (Joel 1,9). É o deserto… a destruição… é a abominação no lugar, que deveria ser um lugar Santo, e que se torna um antro de perdição. Et erit in templo abominatio desolationis (Daniel 9,27). Pobres protestantes, reflitam um instante! LOMBAERD, Júlio Maria, ataques protestantes as verdades católicas. #USA #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #Eucaristia #Dogmas #desenvolvimentodoutrinal #Doctrinaldevelopment #Igreja
- A CORRUPÇÃO DA JUVENTUDE NA UNIVERSIDADE NIILISTA
1. UNIVERSIDADE PARA TODOS? O atual ministro da Educação, prof. Ricardo Vélez, acertou na mosca ao dizer que nem todos os alunos, saídos do ensino médio, são chamados à universidade e à vida acadêmica. É o que todas as pessoas, mais ou menos normais, sempre pensaram até pouco tempo. Não se trata de elitismo, mas de bom senso. Um indivíduo de inteligência mais prática do que teórica não necessita de estudos superiores para começar a vida profissional; bastam-lhe cursos que o habilitem nessa ou naquela área. A importância de uma profissão não provém da presença maior ou menor de elementos teóricos e abstratos, mas da dignidade com que é exercida. Só mesmo a democratite — democracia infectada pelo vírus do igualitarismo — ousa promover cursos de habilitação profissional a “cursos superiores”, para que todos enfim se sintam “doutores”. Frentistas de postos de gasolina já perceberam muito bem o espírito da coisa e da época: para eles, todo mundo é doutor. Nunca foi tão fácil, no Brasil, conseguir um título de doutor: é só abastecer no posto mais perto de casa. (Cá entre nós, que ninguém nos ouça: atualmente, um título de doutor em Letras ou História, em universidade pública, não é lá muito mais difícil não). O vírus do igualitarismo busca nivelar todas as pessoas, como se fossem máquinas, cantando o mesmo samba de uma nota só (como diria o Tom Jobim). Igualdade de direitos, sim e sempre. Igualitarismo massificador, não e nunca. 2. QUE DROGA DE UNIVERSIDADE! O fato é que a presença, na universidade, de alunos não talhados para os estudos superiores acaba, fatalmente, por dar resultados bem pouco acadêmicos: ser utilizados como “massa de manobra” da militância comunista ou do tráfico de drogas, quando não as duas coisas ao mesmo tempo. Um campus de universidade pública tem tudo para se transformar em território livre das drogas. Com alunos e professores usando, nunca faltará gente para intermediar o comércio (alunos, funcionários e, por que não?, também professores). Nunca faltavam comentários sobre professores que se drogavam com os próprios alunos, sobretudo orientandos: iam da teoria revolucionária nas aulas à prática mais abjeta, partilhando a “cannabis” com os jovens discípulos, ao som de protesto político da MPB. Um dos compositores mais queridos na universidade era o Aldir Blanc, sobretudo em sua parceria com João Bosco, de preferência na voz da Elis Regina. Um comunista pra Lênin nenhum botar defeito. No entanto, mais que comunista, Dr. Aldir Blanc é médico psiquiatra e sabe muito bem o que a droga pode provocar no organismo humano. Disse-o numa entrevista, há três anos: “Droga nunca usei. Por ter vindo da psiquiatria, vi tanta coisa triste envolvendo droga, tanta gente pirando até mesmo com a pretensamente salutar maconha, que eu nunca fui chegado. Sempre tive um problema de sangramento nasal, então pra mim é intolerável a ideia de cheirar. Fiz uma vez uma experiência com maconha, que me deu uma sede e uma taquicardia desgraçada. Devo ter tomado umas dez cervejas pro coração serenar e pra língua voltar a funcionar. Então pra que que eu quero essa merda na minha vida?”(Entrevista a “O Globo” em 28/08/2016). O diabo, mestre insuperável das inversões, sempre considerou o bem como coisa maléfica e o mal como expressão suprema do bem. Entre as comicidades involuntárias dos países comunistas, havia a de considerar como “corruptores da juventude” os poucos professores que faziam o bem, ou seja, ensinavam os alunos a pensar fora dos padrões limitados impostos pelo regime. Eram presos e enviados ao Gulag, quando não assassinados. A verdade é bem outra. Se existe ambiente moralmente corrupto e corruptor é justamente o dos cursos universitários em que predominam docentes comunistas, especializados em virar de ponta-cabeça os valores que sempre foram tidos como legítimos e desejáveis. Biblioteca da universidade de Bolonha
- A CONDENAÇÃO DE MARTINHO LUTERO
A CONDENAÇÃO DE MARTINHO LUTERO Bula Exsurge Dominc de Leão X (15.6.1520) É sabido que Martinho Lutero (1483-1546) conhecia os escritos de Huss já antes de sua ruptura com a Igreja. Religioso agostiniano cm 1505, sacerdote em 1507, foi professor na Universidade de Wittenberg de 1511 até às morte seu pensamento teológico esteve em continua evolução, mas podemos dizer que o núcleo fundamental que o levou ao repúdio do catolicismo jé estava delineado em 1513, depois da chamada “experiência da torre”. Embora aparentemente ainda ligado à sua Ordem e à Igreja, no íntimo já tinha deixado de pertencer a uma e a outra: os comentários que fez dos Salmos, que são exatamente dessa época (1513-1516), estão em total oposição à doutrina católica. Experiência fundamental de Lutero e nervo de toda a sua concepção teológica é a negação da sacramentalidade da Igreja no sentido católico do termo. Não desconhece ele a existência de formações empíricas a que se dá o nome de Igrejas; mas para ele verdadeira Igreja é a congregação invisível dos verdadeiros crentes, que têm acesso directamente a palavra de Deus contida na Escritura. A contrapartida é a recusa de toda instituição visível que se diga depositária e intérprete da verdade revelada e dispensadora de graças. Neste mundo, intrinsecamente corrompido pelo pecado (recorde-sr que Lutero identifica o pecado original com a concupiscência), só pode o homem confiar que Deus não lhe impute a iniquidade; mas nem a Fé o justifica interiormente, nem muito menos instrumentos humanos como a Igreja e os sacramentos — conclui Lutero. O mercado das indulgências, que se fazia em Magdeburg, Halverstadt e Mainz, foi a ocasião próxima do estopim. Em 31.10.1517, no próprio ano do encerramento do V Concilio de Latrão, o frade agostiniano afixou, na porta da Igreja da Universidade de Wittenberg, suas 95 teses contra as indulgências. Foi grande a repercussão, porque não era só a venda das indulgências que era combatida por Lutero, mas o próprio princípio de que a Igreja fosse a dispenseira dos méritos da Paixão de Cristo, como Clemente VI havia exposto na Bula Ungenitus de 27.1.1343. Em vão expediu Leão X, em 9.11.1518, o Decreto Cum postquam> (A bula é endereçada ao Cardeal Caietanus ( Tomás de Vio), legado papal na dieta de Augsburg. O Papa tentara primeiro conter Lutero por meio de seus superiores da Ordem (3.31518); em 7.8 foi ele intimado a comparecer a Roma; em 23.8 e 11.9 foram expedidos ao Cardeal Caietanus dois Breves com a missão de dialogar, convencer e julgar Lutero. Tudo em vão: o rebelde fugiu para Augsburg na noite de 20 para 21.10, quando começadas as conversações. A bula Completa Postquam é, sem dúvida, doutrinária em matéria de indulgências), em que reconhecia os abusos, sem deixar de manter a doutrina tradicional“. Nessa altura, Lutero já tinha declarado a ineficácia da ex-comunhão e, em 10.12.1520, mostrou a pouca importância que dava ao Direito Canônico, queimando o seu código junto com nova Bula Exsurge Domine, na qual, depois de uma consulta papal aos professores das Universidades de Colônia e Louvain, eram condenadas 41 proposições extraídas da obra do heresiarca. A universidade de colônia tinha condenado as obras e uma série de proposições extraídas de seus escritos (30.8.1519). O mesmo fez a universidade de Louvain ( 7.11.1519). O Papa teve assim que analisar mais de perto o caso: em 9.1.1520 o primeiro consistório presidido todos Cardeais Caietanus e Accolti. Prolongaram-se os trabalhos até abril e a maioria dos membros da comissão se inclinou pela condenação de lutero, mas Leão X resolveu tomar uma decisão tão grave assim só em 20.5. A missão de redigir foi confiada ao Cardeal Accolti. Referem-se umas à concupiscência e à natureza humana depois do pecado; outras, à graça’“, aos sacramentos, especialmente à Penitência’”, ao purgatório, às indulgências e a Igreja. Lutero não só não se submeteu, mas respondeu com a máxima arrogância com um libelo: Contra a execrável bula do anticristo, essas foram palavras dele. Foi excomungado em 3.1.1521: consumava-se assim sua ruptura com a Igreja Católica. [Proposições condenadas] 1. É herética, mas amplamente difundida, a afirmação de que os sacramentos do Novo Testamento conferem a graça santificante aos que não [lhe] põe obstáculo. (As proposições são transcritas quase ao pé da letra das obras de Lutero. A de número 1 se acha nas resolutiones de 1518, e, ainda que diretamente se refira aos sacramentos, contém uma concepção geral da igreja, segundo a qual afirma ele ser herética a concepção católica da Igreja como instrumento da Graça. todas as outras proposições devem ser vistas à luz desta perspectiva fundamental, que nega a instrumentalidade do elemento visível da Igreja e reduz tudo a fé interior, que, para Lutero, é uma mera confiança em que Deus não leve em conta os pecados, já que, para heresiarca, o homem é e continua assim sempre pecador. 2. Negar que permaneça o pecado na criança depois do batismo é menosprezar, ao mesmo, tempo Paulo e Cristo. (A proposição é tirada literalmente da resolução 2 sobre a disputa de Leipzig, onde Lutero acrescenta que o pecado venial se diferencia do mortal só em relação a misericórdia de Deus. Também o comentário ao salmo 118. O ponto da questão é que Lutero identifica o pecado com a concupiscência: daí afirma o heresiarca que o pecado subsiste mesmo depois do batismo e que “o justo peca em toda boa obra”. chegou Lutero a essas conclusões por uma verdadeira e própria mistificação do pensamento de Santo Agostinho). 15. Grave é o erro daqueles que se aproximam do sacramento da Eucaristia, confiados em que se confessaram, em que não têm consciência de nenhum pecado mortal, em que fizeram previamente suas orações e atos preparatórios: todos eles comem e bebem a própria condenação (cf. 1 Co: 11, 29). Mas se crerem e confiarem que ali hão de conseguir a graça, só esta fé os torna puros e dignos. ( Tanto nesta proposição, coluna anterior, é o princípio da justificação pela fé fiducial a única coisa que conta). 24. Aos cristãos deve-se ensinar a amar a ex-comunhão do que a temê-la. 25. O Romano Pontífice, sucessor de Pedro, não é o vigário de Cristo sobre todas as Igrejas do mundo inteiro, instituído pelo próprio Cristo na pessoa de São Pedro [in beato Petro]. 26. A palavra de Cristo a Pedro: “Tudo o que desligares sobre a terra etc.” (Mt 16, 19) só vale para aquilo que foi ligado pelo próprio Pedro. 27. É certo que não pertence absolutamente ao poder da Igreja ou do Papa [in manu Eclesiae aut papae] estabelecer artigos de fé, muito menos leis morais ou referentes a boas Obras. Da Igreja, realidade visível e invisível Cristo, o único Mediador, constituiu na terra Sua Igreja santa, comunidade de Fé, de Esperança e de Caridade, como um organismo visível; sustenta-a incessantemente” e, por ela, difunde sobre todos a verdade e a graça. Mas a sociedade constituída de órgãos hierárquicos e o Corpo Místico de Cristo, a assembleia visível e a comunidade espiritual, a Igreja terrestre e a Igreja de posse dos bens celestiais não devem ser consideradas como duas realidades, mas formam uma só realidade complexa, em que se fundem o elemento humano e o divino ( Pio XII encíclica Humani generis). Por esta profunda analogia, a Igreja comparada ao mistério do Verbo Encarnado. De fato, assim como a natureza assumida, indissoluvelmente unida a ele, está a serviço do Verbo Divino como órgão vivo de salvação, assim também o organismo social da Igreja está a serviço do Espirito de Cristo que o vivifica, para o crescimento do Corpo (cf. Rf 4.16 3). Esta é a única Igreja de Cristo [Haec est unica Chisti Eclesia], que no símbolo professamos “una, santa, católica e apostólica” e que nosso Salvador, depois de Sua ressurreição, entregou a Pedro para apascentar (cf. J0 21, 15.16.17), confiando-lhe e aos outros Apóstolos sua difusão e governo (cf. Mt 28,18), e a constituiu para sempre como “coluna e fundamento da verdade”(cf. 1 Tm 3,15). Esta Igreja, constituída e ordenada neste mundo como uma sociedade, subsiste na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele”, embora se encontrem, fora de sua estrutura [compaginem] visível, vários elementos de santificação e verdade [Haec Ecclesia, in hoc mundo ut societas constituta et ordinata, subsistit in Ecclesia Catholica, a successore Petri et episcopi: in eius communione gubernata, licet extra eius compaginem elementa plura sanctficationis et veritatis inveniantur]. Estes elementos, como dons próprios da Igreja de Cristo, impelem à unidade católica [quae ut dona Ecclesiae Christi propria, ad unitatem catholicam impellunt]. Mas assim como Cristo consumou a obra da Redenção na pobreza e na perseguição, assim também a Igreja é chamada a seguir o mesmo caminho, para comunicar aos homens os frutos da salvação em Cristo Jesus, “sendo de natureza divina [cumprimentos in foma Dei esset] (…), despojou-Se de Si próprio, assumindo a condição de servo [formam servi accipiens] (Fl 2,6-7), e por nós “fez-Se pobre, embora fosse rico”(2 Cor 8,9): assim também a Igreja, embora o cumprimento de sua missão exija meios humanos, não foi instituída para buscar a glória deste mundo, mas para pregar a humildade e a abnegação, inclusive com seu exemplo. Cristo foi enviado pelo Pai para “evangelizar os pobres, (…) curar os contritos de coração” (Lc 4,18), “procurar e salvar o que estava perdido”(Lc 19,10): da mesma forma, a Igreja cerca de amor todos os afligidos pela fraqueza humana; mais ainda: reconhece nos pobres e no: que sofrem) a imagem de seu Fundador pobre e sofredor, faz o possível para aliviar-lhes a pobreza e neles procura servir a Cristo. Mas enquanto Cristo, “santo, inocente, imaculado'(Hb 7,26), não conheceu o pecado (cf. 2 Cor 5,21), mas veio em expiação dos pecados de todos [sola delicta populi] (cf. Hb 2,17), a Igreja, abraçando em seu seio os pecadores, ao mesmo tempo santa e necessitada de constante purificação, busca sem cessar a penitência e a renovação. “Entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus avança a Igreja, peregrina (santo Agostinho, cidade de Deus), anunciando a Cruz e a a Morte do Senhor até que Ele venha (cf. 1 Cor 11,26). Mas ela é revigorada pela força do Senhor ressuscitado para vencer, com paciência e caridade, suas aflições e dificuldades, tanto internas quanta externas, para poder revelar fielmente, embora entre sombras, o mistério de Cristo ao mundo, até que no fim dos tempos se manifeste com todo o esplendor. Collantes, Justo, A fé católica: documentos do magistério da Igreja, Lumen Christi; Anápolis, GO, 2003. #USA #Bizâncio #humanismo #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Belarus #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Doctrinaldevelopment #Igreja
- OS CRISTÃOS NO MUNDO – Da Carta a Diogneto (entre os séculos I e II)
[A Carta a Diogneto, de autor desconhecido, escrita entre o final do primeiro século cristão e o início do segundo, procura instruir um pagão, de nome Diogneto, sobre os princípios da fé cristã.] Os cristãos não se diferenciam dos outros homens nem pela pátria nem pela língua nem por um gênero de vida especial. De fato, não moram em cidades próprias, nem usam linguagem peculiar, e a sua vida nada tem de extraordinário. A sua doutrina não procede da imaginação fantasista de espíritos exaltados, nem se apóia em qualquer teoria simplesmente humana, como tantas outras. Moram em cidades gregas ou bárbaras, conforme as circunstâncias de cada um; seguem os costumes da terra, quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer em outros usos; mas o seu modo de viver é admirável e passa aos olhos de todos por um prodígio. Habitam em suas pátrias, mas como de passagem; têm tudo em comum como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria. Todo país estrangeiro é sua pátria e toda pátria é para eles tera estrangeira. Casam-se como toda gente e criam seus filhos, mas não rejeitam os recém-nascidos. Têm em comum a mesa, não o leito. São de carne, porém, não vivem segundo a carne. Moram na terra, mas sua cidade é no céu. Obedecem às leis estabelecidas, mas com seu gênero de vida superam as leis. Amam a todos e por todos são perseguidos. Condenam-nos sem os conhecerem; entregues à morte, dão a vida. São pobres, mas enriquecem a muitos; tudo lhes falta e vivem na abundância. São desprezados, mas no meio dos opróbrios enchem-se de glória; são caluniados, mas transparece o testemunho de sua justiça. Amaldiçoam-nos e eles abençoam. Sofrem afrontas e pagam com honras. Praticam o bem e são castigados como malfeitores; ao serem punidos, alegram-se como se lhes dessem a vida. Os judeus fazem-lhes guerra como a estrangeiros e os pagãos os perseguem; mas nenhum daqueles que os odeiam sabe dizer a causa do seu ódio. Numa palavra: os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo. A alma está em todos os membros do corpo; e os cristãos em todas as cidades do mundo. A alma habita no corpo, mas não provém do corpo; os cristãos estão no mundo, mas não são do mundo. A alma invisível é guardada num corpo visível; todos vêem os cristãos, pois habitam no mundo, contudo, sua piedade é invisível. A carne, sem ser provocada, odeia e combate a alma, só porque lhe impede o gozo dos prazeres; o mundo, sem ter razão para isso, odeia os cristãos precisamente porque se opõem a seus prazeres. A alma ama o corpo e seus membros, mas o corpo odeia a alma; também os cristãos amam os que os odeiam. Na verdade, a alma está encerrada no corpo, mas é ela que contém o corpo; os cristãos encontram-se detidos no mundo como numa prisão, mas são eles que abraçam o mundo. A alma imortal habita numa tenda mortal; os cristãos vivem como peregrinos em moradas corruptíveis, esperando a incorruptibilidade dos céus. A alma aperfeiçoa-se com a mortificação na comida e na bebida; os cristãos, constantemente mortificados, vêem seu número crescer dia a dia. Deus os colocou em posição tão elevada que lhes é impossível desertar. (In: Padres apologistas. São Paulo, Paulus, 2018)
- A LITURGIA ROMANA – Otto Maria Carpeaux
A liturgia romana é, sem dúvida, uma obra literária, embora de um tipo diferente da literatura pagã e da literatura medieval; constitui uma literatura sui generis, não comparável a nenhuma outra, de modo que nem os critérios classicistas nem os critérios “modernos” a ela se aplicam bem. A mais geral e mais rigorosa das normas historiográficas exige a compreensão e apreciação de todos os fatos históricos segundo os cânones e critérios da própria época a que pertencem. Vista assim, a liturgia é alguma coisa mais do que um cerimonial eclesiástico; revela-se como obra literária, cujo valor, se bem que relacionado intimamente com o credo que exprime, não pode depender das convicções religiosas da critica ou do critico. A apreciação literária da liturgia exige, certamente, uma “suspension of disbelief” da parte do descrente: mas a leitura compreensiva de Dante e Milton exige o mesmo de todos os que não são católicos florentinos ou puritanos ingleses. Após a “suspensão da descrença”, ninguém negará à liturgia o caráter de grande obra literária que marca os séculos VI e VII, iluminando-lhes a “obscuridade”. A liturgia romana compõe-se de certo número de pequenos textos religiosos, reunidos conforme a atuação do sacerdote no altar. Alguns desses textos são iguais, permanentes, em todas as missas, particularmente o Cânon, que inclui o sacrifício e a transubstanciação; outros mudam conforme os domingos e a sua posição nas fases do ano eclesiástico; outros, segundo os dias dos santos cujo martírio ou translação se comemora. A origem romana da liturgia em vigor explica, nestes últimos casos, certa preferência dada aos santos locais da cidade de Roma, de modo que a ordem dos serviços religiosos nas igrejas romanas (“igrejas de estação”) influiu na composição da liturgia e do ano eclesiástico. Não é possível verificar com certeza quando, onde e porque todos aqueles textos foram redigidos e depois reunidos em ordem definitiva; as origens da liturgia assemelham-se à maneira como a filologia do século XIX imaginava a criação da s “epopeias populares”, do Poema del Cid ou do Nibelungenlied, de autoria coletiva. O verdadeiro autor da liturgia é a Igreja. Havia várias Igrejas e várias liturgias. Só no Oriente existem ou existiam dois grupos inteiros de liturgias, do tipo antioqueno e do tipo alexandrino, redigidas em grego ou em línguas asiáticas, e uma delas foi a primeira liturgia romana, hoje desaparecida. No Ocidente se introduziram variantes da forma oriental: a liturgia ambrosiana, na Igreja de Milão; a liturgia moçárabe ou gótica, na Espanha, a liturgia céltica, nas ilhas britânicas; e, particularmente na França, a liturgia galicana, que influiu muito na formação definitiva da liturgia romana, para ceder, enfim, a esta, que suplantou, no Ocidente, todas as outras. A liturgia romana é um compromisso entre as liturgias orientais e ocidentais, e um compromisso extraordinariamente feliz. A história da liturgia romana encontra-se no Liber pontificalis, a crônica dos primeiros papas, na correspondência papal e nos martiriológios romanos. As missas dos séculos V e VIII subsistem em três velhas coleçoes: o Sacramentarium Leonianum, o Sacramentarium Gelasianum e o Sacramentariuin Gregorianum. Com a interpolação de elementos galicanos no Sacramentarium Gregorianum, na época e a pedido de Carlos Magno, terminou a evolução; na Idade Média fizeram-se apenas modificações sem importância. O “Introibo ad altare Dei”, pórtico da missa, compõe-se de versículos bíblicos e da reza pela absolvição dos pecados; logo a linguagem da Vulgata (“Judica me, Deus, et discerne causam meam de gente non sancta”) revela a sua qualidade litúrgica. O início da missa liga-se ao “Confiteor” por uma daquelas fórmulas que sempre voltam, lembrando menos um refrão do que as fórmulas feitas da epopeia homérica: “Gloria Patri et Filio et Spiritui Sancto, sicut erat in principio et nunc et semper, in saecula saeculorum. Amen.” É o “tema” da missa. Após o “Introitus”, que alude à festa do dia, Deus é aclamado em palavras gregas que formam uma espécie de tríptico: “Kyrie, eleison. Kyrie, eleison. Kyrie, eleison. Christe, eleison. Christe, eleison. Christe, eleison. Kyrie, eleison. Kyrie, eleison. Kyrie, eleison.” Trata-se, com efeito, de uma “aclamação”, como a receberam os imperadores de Bizâncio no momento de sentarem-se no trono. Várias orações cercam a leitura solene da Epístola e do Evangelho, herança do serviço religioso na sinagoga, e entre elas incluiu-se o “Gloria in excelsis Deo…”, como que abrindo o céu sobre o altar. A transição para o serviço de sacrifício é feita por uma das partes mais antigas da missa, o ato de mistura de vinho e água, simbolizando a união dos fiéis com Cristo: “Deus, qui humanae substantiae dignitatem mirabiliter condidisti, et mirabilius reformasti”, palavras nas quais a dignidade austera da língua latina se humilha no coletivismo dos “divinitatis consortes””. Sobrevivem, na liturgia romana, apenas algumas palavras das epikleseis, das invocações do Espírito Santo, que nas liturgias gregas quase sufocam, pela sua grande extensão, o Cânon; a liturgia ocidental é de sobriedade romana. Quando, e isso acontece só uma vez, cede à pompa oriental, na Praefatio, com o seu júbilo dos exércitos celestes, dos “Angeli, Dominationes, Potestates, Seraphim”, seguem-se, então, imediatamente, as palavras secas, de maior economia estilística, do Cânon, que é a parte genuinamente romana da missa latina, romana no sentido local: no momento em que o Cânon é recitado, qualquer altar católico, em qualquer parte do mundo, está idealmente em Roma. No “Communicantes et memoriam venerantes”, a comemoração dos santos, mencionarn-se, além da Virgem e dos Apóstolos, somente Lino, Cleto, Clemente, Xisto e Cornélio, entre os primeiros sucessores de S. Pedro no bispado romano; depois, o africano Cipriano e os mártires locais da cidade: Lourenço, Crisógono, João e Paulo, Cosme e Damião. Estamos em uma basílica dos primeiros séculos, perto das catacumbas. E em outra oração muito antiga, no “Hanc igitur oblationem”, inseriu Gregório Magno as palavras “diesque nostros in tua pace disponas”, para lembrar a todos os séculos vindouros as atribulações da cidade de Roma no século VI, cercada pelos bárbaros longobardos; palavras que são de uma atualidade permanente. Após a transubstanciação, que se distingue pelo mais alto grau de expressão religiosa — o silêncio — pede-se a Cristo o “locum refrigerii, lucis et pacis” para os “qui nos praecesserunt cum signo fidei et dormiunt in somno pacis”, e, já fora do Cânon, a graça para os que há pouco aclamaram o Kyrios e agora, em outro “tríptico”, se curvam perante o Deus sacrificado: “Agnus Dei, qui tollis peccata mundi: miserere nobis. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi: miserere nobis. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi: dona nobis pacem.” O ciclo está fechado. O fim é a melodia largamente desenvolvida com que a Igreja despede os “circunstantes” para voltarem à vida profana: “Ite, Missa est.” A variedade das missas era, no começo, muito grande: cada dia tinha a sua missa especial, como acontece ainda nas semanas da quaresma, nas quais o mundo inteiro participa do culto nas “igrejas de estação” da Urbs. Mas a sobriedade romana fez tudo para suprimir as diversidades exuberantes. Distribuiu-se uma missa mais ou menos uniformizada pelas “estações do ano”, constituindo o ano eclesiástico a repetição simbólica da epopéia da história sacra e redenção do genero humano: Advento, Rorate coeli, Natal, Epiphania, Cinzas, Invocabit, Reminiscere, Oculi, Laetare Jerusalém, Iudica, Palmarurn, Semana Santa, Páscoa, Quasimodogeniti, Pentecostes, os 24 domingos, desde a Trindade ate a leitura da profecia apocalíptica, Finados; e, de novo, Advento. Afirmar que a liturgia é uma grande obra de arte implica esteticismo suspeito. Assim como a língua latina, durante muitos séculos de sobrevivência, se adaptou a estados de alma inteiramente novos, assim também a liturgia latina teve significação diferente em todas as épocas. A sua interpretação como drama religioso tem fundamento apenas na relação puramente histórica entre as cerimónias eclesiásticas e o teatro medieval, e na pompa religiosa do Barroco, quando a música e as artes plásticas colaboraram para transformar a missa solene em “obra de arte total”, no sentido de Wagner. Essa interpretação ajuda a sufocar a palavra; mas a palavra é a essência da liturgia. A liturgia é essencialmente uma composição literária, sem consideração de eleitos teatrais ou pictórico-musicais. Talvez se entenda melhor o sentido da liturgia nas missas rezadas na alta madrugada, sem música, quando o sacerdote só murmura as palavras, e o silêncio absoluto em torno do sacrifício é menos efetuoso e mais profundo. É preciso ler e entender o texto — não basta ouvi-lo — para “sentire cum Ecclesia”. Ecclesia”. Então a permanência de certos textos e as modificações de outros durante o ciclo do ano revelam-se como traços característicos de um “ciclo” em sentido literário, de uma epopeia. A primeira e maior epopeia que o Ocidente criou. Como todas as grandes epopeias, a liturgia constitui um mundo completo — criação, nascimento, vida, morte e fim — dentro dos muros da igreja. Mundo fechado, cuja literatura é “exótica” num sentido diferente do da pagã: literatura de outro mundo. Para designar o “fora”, a Igreja Romana, tão zelosa do uso exclusivo da língua latina, admitiu uma expressão do latim vulgar: “fuori le mura”; várias igrejas em Roma chamam-se assim. A expressão lembra aquele “diesque nostros in tua pace disponas” que foi inserto porque “fuori le mura” não havia aquela paz. A epopeia eclesiástica da liturgia decorreu só dentro dos muros. Lá fora, havia os bárbaros e a destruição. Otto Maria Carpeaux. História da literatura ocidental. Rio, O Cruzeiro, 1959 [Cap. IV, “O cristianismo e o mundo”]
- Por que o sacríficio de Abel era melhor do que o de Caim?
“E o Senhor se agradou com Abel e sua oferta, mas para Caim e sua oferta ele não teve consideração” (Gn 4: 4b-5). Por que Deus aceita o sacrifício de Abel, mas rejeita o sacrifício de Caim? Os exegetas chegaram a conclusões diferentes ao longo dos anos. Tanto Lutero quanto Calvino, por exemplo, pensaram que era simplesmente um caso de Deus preferir Abel a Caim e, assim, preferir a oferta de Abel. A questão até chamou a atenção de psicólogos de auto-ajuda como Jordan Peterson, que vê o texto como ambíguo: As ofertas de Abel agradam a Deus, mas as de Caim não. Abel é recompensado muitas vezes, mas Caim não é. Não está exatamente claro por que (embora o texto indique fortemente que o coração de Caim simplesmente não está nela). Talvez a qualidade do que Caim propôs fosse baixa. Talvez o espírito dele estivesse relutante. Ou talvez Deus estivesse irritado por algumas razões secretas. Mas o texto bíblico é realmente tão ambíguo? As escrituras dizem que Caim se ressentia de Abel, não porque Deus arbitrariamente predestinou um e puniu o outro, mas “porque os próprios feitos de Caim eram maus e os justos de seu irmão” (1 João 3:12). Hebreus também vê a diferença como esta: “Pela fé, Abel ofereceu a Deus sacrifício mais aceitável do que Caim, através do qual ele recebeu a aprovação como justo, Deus dando testemunho aceitando seus dons” (Hb 11: 4). Portanto, não foram as “razões secretas” de Deus ou sua preferência arbitrária por Abel sobre Caim, mas porque Abel ofereceu “sacrifício mais aceitável” na fé. E o que o fez o sacrifício de Abel melhor? “Abel trouxe os primogênitos do seu rebanho e as suas gordas porções” (Gen. 4: 4a). Ou seja, ofereceu os primogênitos, o melhor que ele tinha. Mas Caim não oferece a Deus os primeiros frutos de sua colheita. Em vez disso, ele simplesmente lhe dá “uma oferta do fruto da terra” (Gn 4: 3). Se Abel está dando a Deus o equivalente a filé mignon, Caim está lhe dando carne moída. Esta é uma diferença em fé e obras. Pela fé, Abel dá tudo a Deus. Caim não o faz. Os primeiros cristãos entenderam isso. São João Crisóstomo observou que a piedade de Abel é demonstrada pelo “fato de que ele não ofereceu casualmente nenhuma de suas ovelhas, mas uma das primogênitas, isto é, das valiosas e especiais”, ao passo que no caso de Caim, “nada do tipo é sugerido “; A descrição de Gênesis 4: 3 de Caim trazendo “uma oferenda do fruto do solo” sugere uma falta de zelo ou cuidado. A exegese de Dídimo, o Cego, é virtualmente idêntica: a sinceridade de Abel é demonstrada por sua escolha dos primogênitos, e “Caim deveria ter feito também oferecendo algumas das primícias”, já que o que é devido a Deus deveria “ser distribuído antes de tudo mais. ”Em vez disso, Caim procrastina, trazendo sua oferta“ no decorrer do tempo ”(Gênesis 4: 3),“ como se lembrasse de Deus somente em segunda opinião ”. Vemos algo similar no Novo Testamento com Ananias e Safira, que “venderam um pedaço de propriedade, e. . . retiveram alguns dos rendimentos, e trouxeram apenas uma parte e colocou-a aos pés dos apóstolos ”, fingindo que era todo o valor da venda (Atos 5: 1-2). A questão não é que eles oferecem a Deus nada, mas que eles oferecem a ele menos que tudo. Por sua fraude, e por sua retenção de Deus, eles são mortos (Atos 5: 5, 10). Para Ananias e Safira, quanto a Caim, a mensagem é a mesma que a mensagem de Cristo a Laodicéia: “Eu conheço as suas obras: vocês não são frios nem quentes. Antes fosse que vocês fossem frios ou quentes! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca ”(Ap 3: 15-16). Vale a pena lembrar que, assim como nas provações dos israelitas no deserto, “estas coisas aconteceram a eles como uma advertência, mas foram escritas para nossa instrução, sobre as quais o fim dos tempos tem chegado” (1 Coríntios. 10:11). Pois cada um de nós é confrontado com a mesma escolha: queremos dar tudo a Deus ou tentar contentar-nos com menos? Em um mundo que nos encoraja a nos conformarmos em ser “pessoas basicamente boas”, Cristo repetidamente nos adverte que isso não é bom o suficiente. Ele diz que qualquer um que “não odeie seu próprio pai e mãe e esposa e filhos e irmãos e irmãs, sim, e até mesmo sua própria vida, ele não pode ser meu discípulo. Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo ”(Lucas 14: 26-27). Imediatamente depois disso, ele compara o discipulado à construção de uma torre ou à guerra. Realizar qualquer um desses esforços sem entusiasmo é uma maneira infalível de perder uma batalha ou construir uma meia torre (Lucas 14: 28-32). E assim, “qualquer um de vocês que não renuncie a tudo o que ele tem não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:33). As escrituras nos dizem não apenas para dar a Deus qualquer fruto que nos sobrarmos e por aí. Em vez disso, “as primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à casa do Senhor teu Deus” (Êxodo 23:19, 34:26). Em outras palavras, não esperes até que te sintas confortável para dar o dízimo, não espere até sentir que tem tempo para começar a fazer a oração. Dê a Deus imediatamente, dê de sua necessidade, dê a ele (no tempo, no dinheiro, na confiança, e assim por diante) quando parece que você não pode. É por isso que Cristo louva a viúva que colocou duas moedas no tesouro como tendo dado mais do que as outras, porque “todas elas contribuíram com sua abundância; mas ela, da sua pobreza, pôs tudo o que tinha, toda a sua vida ”(Marcos 12:44). Ela não dá apenas uma moeda em sua pobreza, mas duas. Seja generoso com Deus em sua pobreza, e ele será generoso com você em sua abundância ilimitada. “Honre o Senhor com sua substância e com os primeiros frutos de toda a sua produção; então os vossos celeiros ficarão cheios de abundância, e os seus tanques estarão cheios de vinho ”(Provérbios 3: 9-10). O mundo nos encoraja a sermos cristãos moralistas “bons o suficiente”, que prestam serviço a Deus. Cristo nos chama ao invés para sermos Abel. Tradução Why Abel’s Sacrifice Was Better Disponível em: https://www.catholic.com/magazine/online-edition/why-abels-sacrifice-was-better
- A VISÃO DA GLÓRIA – 2º Domingo da Quaresma
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Transfigurados pelo Espírito Santo”, clicar AQUI. Por que em toda Quaresma a Igreja proclama o evangelho da Transfiguração, senão para que sejamos capazes de reconhecer na cruz de Cristo, da Sexta-Feira Santa, a expressão do amor inigualável de Deus por toda a humanidade? Em mais esta meditação quaresmal, Padre Paulo Ricardo nos mostra como é o Espírito Santo, da nuvem, que vai tirar as vendas de nossos olhos e preparar-nos para o “êxodo” por que todos temos de passar, seguindo os passos de Nosso Senhor. A VISÃO DA GLÓRIA (Meditação de Scott Hahn) No evangelho de hoje, subimos a montanha com Pedro, João e Tiago. Lá vemos Jesus “transfigurado”, falando com Moisés e Elias sobre Seu “êxodo”. A palavra grega “êxodo” significa “partida”. Mas a palavra é escolhida deliberadamente para despertar nossa lembrança da fuga dos israelitas do Egito. Por Sua morte e ressurreição, Jesus liderará um novo Êxodo – libertando não apenas Israel, mas todas as raças e pessoas; não da servidão ao faraó, mas da escravidão do pecado e da morte. Ele guiará toda a humanidade, não para o território prometido a Abraão na Primeira Leitura de hoje, mas à comunidade celeste que Paulo descreve na epístola de hoje. Moisés, o doador da lei de Deus, e o grande profeta Elias, foram as únicas figuras do Antigo Testamento a ouvir a voz e ver a glória de Deus no topo de uma montanha (Êxodo 24, 15–18; 1 Reis 19, 8–18). A cena de hoje assemelha-se muito à revelação de Deus a Moisés, que também levou consigo três companheiros e cujo rosto também se acendeu de forma esplendente (Êxodo 24, 1; 34, 29). Mas quando a nuvem divina se afasta no evangelho de hoje, Moisés e Elias se vão. Apenas Jesus permanece. Ele revelou a glória da Trindade: a voz do Pai, o Filho glorificado e o Espírito na nuvem brilhante. Jesus cumpre tudo o que Moisés e os profetas vieram para ensinar e nos mostrar sobre Deus (Lucas 24, 27). Ele é o Eleito prometido por Isaías (Isaías 42, 1; Lucas 23, 35), o “profeta semelhante a mim” que Moisés havia prometido (Deuteronômio 18, 15; Atos 3, 22–23; 7, 37). Muito acima disso tudo, Ele é o Filho de Deus (Salmos 2, 7; Lucas 3, 21-23). “Ouça-o”, a voz nos fala da nuvem. Se, como Abraão, colocamos nossa fé em Suas palavras, um dia também seremos conduzidos à “terra dos viventes” que cantamos no Salmo de hoje. Participaremos de Sua ressurreição, como Paulo promete, quando nossos corpos humildes serão glorificados como o Seu. https://stpaulcenter.com/the-glory-in-sight-scott-hahn-reflects-on-the-second-sunday-of-lent/ PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Gênesis 15, 5-12.17-18) A terra prometida da velha aliança Naqueles dias, o Senhor conduziu Abrão para fora e disse-lhe: “Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz!” E acrescentou: “Assim será a tua descendência”. Abrão teve fé no Senhor, que considerou isso como justiça. E lhe disse: “Eu sou o Senhor que te fez sair de Ur dos Caldeus, para te dar em possessão esta terra”. Abrão lhe perguntou: “Senhor Deus, como poderei saber que vou possuí-la?” E o Senhor lhe disse: “Traze-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um carneiro de três anos, além de uma rola e de uma pombinha”. Abrão trouxe tudo e dividiu os animais pelo meio, mas não as aves, colocando as respectivas partes uma frente à outra. Aves de rapina se precipitaram sobre os cadáveres, mas Abrão as enxotou. Quando o sol já se ia pondo, caiu um sono profundo sobre Abrão e ele foi tomado de grande e misterioso terror. Quando o sol se pôs e escureceu, apareceu um braseiro fumegante e uma tocha de fogo, que passaram por entre os animais divididos. Naquele dia, o Senhor fez aliança com Abrão, dizendo: “Aos teus descendentes darei esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o Eufrates”. SALMO 26 A caminho da terra dos viventes (Antífona): O Senhor é minha luz e salvação. — O Senhor é minha luz e salvação;/ de quem eu terei medo?/ O Senhor é a proteção da minha vida;/ perante quem eu tremerei? — Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo,/ atendei por compaixão!/ Meu coração fala convosco confiante,/ é vossa face que eu procuro. — Não afasteis em vossa ira o vosso servo,/ sois vós o meu auxílio!/ Não me esqueçais nem me deixeis abandonado,/ meu Deus e Salvador! — Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver/ na terra dos viventes./ Espera no Senhor e tem coragem,/ espera no Senhor! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Filipenses 3, 17-4,1) Os cidadãos do céu Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que vivem de acordo com o exemplo que nós damos. Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o estômago, a glória deles está no que é vergonhoso e só pensam nas coisas terrenas. Nós, porém, somos cidadãos do céu. De lá aguardamos o nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Ele transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso, com o poder que tem de sujeitar a si todas as coisas. Assim, meus irmãos, a quem quero bem e dos quais sinto saudade, minha alegria, minha coroa, meus amigos, continuai firmes no Senhor. EVANGELHO (São Lucas 9, 28b-36) A terra prometida do Céu Naquele tempo, Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante. Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. Eles apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele. E, quando estes homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que estava dizendo. Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem. Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!” Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.























![[SOBRE A TEOLOGIA PROGRESSISTA] – Cornelio Fabro](https://static.wixstatic.com/media/984c42_ec2c621071ce482db8b196ae341bb251~mv2.jpg/v1/fit/w_176,h_124,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,blur_3,enc_auto/984c42_ec2c621071ce482db8b196ae341bb251~mv2.jpg)

























