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- Papa Bonifácio II (530-532 DC.)
Eleito em 17 de setembro de 530; morreu em outubro de 532. Ao chamá-lo de filho de Sigisbaldo, o “Liber Pontificalis” faz a primeira menção da ancestralidade germânica do papa. Bonifácio serviu a Igreja Romana desde a juventude. Durante o reinado do Papa Felix IV, ele foi arquidiácono e personagem de considerável influência junto às autoridades eclesiásticas e civis. Sua elevação ao papado é notável, pois oferece um exemplo inquestionável da nomeação de um papa por seu predecessor, mesmo sem a formalidade de uma eleição. Félix IV, tendo apreensão pela morte e temendo uma disputa pelo papado entre facções romanas e góticas, reuniu em torno dele vários de seus clérigos e vários senadores romanos e patrícios que por acaso estavam por perto. Na presença deles, ele solenemente conferiu ao seu antigo arquidiácono o pálio da soberania papal, proclamando-o seu sucessor e ameaçando com excomunhão aqueles que se recusavam a reconhecer e obedecer a Bonifácio como papa validamente escolhido. Na morte de Felix, Bonifácio assumiu a sucessão, mas quase todos os sacerdotes romanos, sessenta de talvez cerca de setenta, recusaram-se a aceitá-lo e elegeram Dioscoro. Eles temiam a influência indevida nos assuntos papais do rei ostrogodo Atalarico, cujo avô, Teodorico I, ajudara a eleger o papa Felix IV, uma circunstância que tornava mais odiosa a nomeação deste último de Bonifácio. Ambos os papas foram consagrados em 22 de setembro de 530, Bonifácio na Basílica de Júlio e Dióscoro em Latrão. A Igreja Romana estava assim envolvida no sétimo cisma antipapal. Felizmente durou apenas vinte e dois dias, pois Dioscoro morreu em 14 de outubro, deixando Bonifácio de posse. Ele logo convocou um sínodo romano e apresentou um decreto anatematizando seu último rival, ao qual ele garantiu as assinaturas dos sacerdotes que haviam sido partidários de Dióscoro (dezembro de 530). Cada um deles lamentou sua participação na eleição irregular e prometeu obediência futura. Bonifácio reconciliou muitos por sua administração suave e conciliatória; mas algum ressentimento permaneceu, pois ele parece não ter tido oferecido uma eleição formal por aqueles que, apesar de sua submissão, impugnaram validamente sua nomeação; e cinco anos depois um papa da escolha deles solenemente queimou o anátema contra Dióscoro. Em um segundo sínodo, realizado em São Pedro (531), Bonifácio apresentou uma constituição atribuindo a si o direito de nomear seu sucessor. O clero romano assinou e prometeu obediência. Bonifácio propôs como sua escolha o diácono Virgílio e foi ratificado por sacerdotes e povo. Esta promulgação provocou um ressentimento amargo e até mesmo uma inimizade imperial, pois no terceiro sínodo (631) foi revogada. Bonifácio queimou a constituição perante o clero e o senado e anulou a nomeação de Virgílio. O reinado de Bonifácio foi marcado por seu interesse ativo em diversos assuntos da Igreja Ocidental e Oriental. No início de seu pontificado, ele confirmou as atas do Segundo Concílio de Orange, um dos mais importantes do século VI, que efetivamente acabou com as controvérsias semipelagianas. O seu presidente, Cesário, arcebispo de Arles, amigo íntimo de Bonifácio, enviara, antes da sucessão deste último, um sacerdote Armênio a Roma para pedir a Bonifácio que assegurasse a confirmação do concílio pelo papa. Sendo ele mesmo papa quando o mensageiro chegou, Bonifácio enviou uma carta de confirmação a Cesario (25 de janeiro de 531), na qual ele condenava certas doutrinas semipelagianas. Ele recebeu um apelo dos bispos africanos, que estavam trabalhando na reorganização de sua igreja após a devastação dos vândalos, pedindo-lhe para confirmar em direitos primais ao arcebispo de Cartago, que este último poderia ser mais capaz de lucrar com a ajuda da Sé Romana. No Oriente, ele afirmou os direitos do papa à jurisdição em Ilírico. Em 531, Epifânio, Patriarca de Constantinopla, declarou irregular a eleição de Estêvão para o Arcebispado de Larissa, na Tessália. Apesar das severas pressões tomadas em Constantinopla para frustrar seu propósito, Estêvão apelou a Roma, alegando que Epifânio não era competente para decidir o caso, mantendo seu ponto em termos que revelam uma clara concepção da Primazia Romana. Bonifácio convocou um quarto sínodo romano de 7 a 9 de dezembro de 531, no qual foram apresentados cerca de vinte e cinco documentos em apoio à reivindicação de Roma de jurisdição na Ilíria. O resultado do sínodo não é conhecido. Bonifácio foi estimado por sua caridade, particularmente em relação aos sofredores pobres de Roma durante um ano de fome. Ele foi enterrado em São Pedro, em 17 de outubro de 532, onde um fragmento de seu epitáfio ainda pode ser visto. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/02660a.htm
- O INTERROGATÓRIO: “POR QUE VOCÊ CRÊ EM CRISTO?” (Irmão João Damasceno)
INTERROGADO: Porque é impossível ficar indiferente a Verdade Divinamente revelada. Podemos negá-la, não aceitá-la, odiá-la, deturpá-la, mas não podemos apagá-la do mundo, porque Ela estará sempre em nossas consciências. INTERROGANTE: E quem te revelou esta verdade? INTERROGADO: A própria Verdade. Sendo a única Verdade, não pode ser revelada por outra fonte senão Ela própria. INTERROGANTE: Onde posso encontrar esta Verdade? INTERROGADO: Deixando que Ela te encontre: “porque Ela é encontrado pelos que não a tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança. (Sabedoria, 1 – 1,2) INTERROGANTE: Como você conheceu Jesus Cristo? Para acreditar nele, precisou conhecê-lo, certo? INTERROGADO: Ele nos encontra em nossa falta de esperança, nos busca em nossa confusão intelectual, e se mostra em sua Caridade. Mas Ele nos encontra por vários meios, dentre eles, o de maior expressão que é o AMOR. (ubi Caritas et Amor, Deo sibi est) Portanto, jamais desistamos de buscar a Verdade Suprema, que liga a humanidade à Divindade. Essa é a base de toda busca. INTERROGANTE: Se eu nunca ouvi falar de Jesus Cristo, como posso acreditar nele? INTERROGADO: Ele se manifesta em toda natureza criada: “Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam VISÍVEIS À INTELIGÊNCIA, por suas obras; de modo que não se podem escusar. (Romanos 1, 20) Ele se manifesta, por exemplo, no pelicano, que se lançando a terra, se mata para que os filhotes, na época seca, possam comer da sua carne e beber de seu sangue para não morrerem de fome. Ele se mostra nas mães animais, que se lançando sobre o predador, dão suas vidas para que as suas crias sobrevivem. “Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas.(Hebreus 1,1) A verdade é imutável e não pode ser contida, estando em todas as coisas. INTERROGANTE: Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? (Romanos 10,14). INTERROGADO: A primeira manifestação de Cristo é em nossas consciências. Na inquietação do homem pela razão de sua existência. O passo seguinte, de fato, é a pregação, a revelação daquilo que só se percebia em enigmas, indiretamente de modo não revelado. Mas a pregação sozinha, sem que a Virtude da Fé que é PURO DOM DE DEUS (Efésios 2,8) já esteja fomentada na alma do indivíduo, o que se pode obter é uma ideologia, uma falsa crença e uma falsa fé. Por isso, o homem é movido para Deus através de Deus, sendo que a pregação apenas lhe revela. Mas COMO PODERIA CONVERTER PREGANDO AOS SURDOS-MUDOS QUE NÃO PODEM OUVIR? Pela Caridade e pelos Sacramentos. A pregação não está restrita apenas as palavras, mas está contida no âmbito dos atos e hábitos, porque a Fé também opera pela CARIDADE (Efésios 5.5,6), pelo Batismo, pela Eucaristia e na imitação que fazemos de Cristo, como modelo para conversão alheia. INTERROGANTE: “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? Não está nossa Fé em Jesus Cristo enraizada no testemunho que ouvimos? Através das palavras e dos atos que a Igreja nos apresenta e tudo aquilo que nos rodeia? Certa vez ouvi um testemunho de um ateu (que já podemos deduzir que passou a vida buscando seu sentido) que entrou numa Igreja vazia e cinco minutos depois saiu convertido (acreditando em Jesus Cristo). O que o levou a esta conversão? INTERROGADO: Todos ouviram, muitos não creram. Também muitos não ouviram por palavras, mas viram sua Glória, porque os gentios não tinham a pregação da lei da obediência, mas traziam a obediência em seus corações, porque o Reino de Deus não é só de palavras, mas principalmente de atos, como também ensinou o apóstolo que fazia as pregações auriculares: “Porque o Reino de Deus não consiste em palavras, mas em atos. (I Coríntios 4, 20)” Deus não é uma medida que possa ser contido, antes, é Ele que contém em si todas as coisas. Conheci um incrédulo que se converteu olhando a IMAGEM DO CRISTO CRUCIFICADO, no Altar. A Palavra de Deus que é Cristo, Deus-Homem Encarnado, pode ser expressada nas palavras dos homens, mas também pelo visível, e assim por todos os sentidos nos quais Deus se comunica conosco. CRISTO é a Palavra de Deus Encarnada, e Palavra de Deus não apenas em sinais ou sílabas, mas em atos, pois a Palavra com ação é o que se chama VERBO. #Cristologia #Igreja
- Papa Constantino (708-715)
Consagrado 25 de março de 708; d. 9 de abril de 715; um sírio, o filho de João, e “um homem notavelmente afável”. A primeira metade de seu reinado foi marcada por uma cruel fome em Roma, a segunda por uma extraordinária abundância. Por algum tempo ele teve problemas com Félix, Arcebispo de Ravenna, a quem ele mesmo havia consagrado. Confiando no poder secular, o novo bispo se recusou a oferecer ao papa a obediência devida. Foi só depois de ele ter provado desgraças terríveis que Félix se submeteu. Constantino recebeu como peregrinos dois reis anglo-saxões, Conredo de Mercia e Ofa dos saxões do leste. Ambos receberam a tonsura em Roma e abraçaram a vida monástica. (Bede, Hist. Eccl., V, xix, xx.) St. Egvino, Bispo de Worcester, foi a Roma junto com eles e obteve do papa vários privilégios para seu mosteiro de Evesham. (“Chron. Abbat.de Evesham”, em R. S .; “St. Egvino e sua Abadia de Evesham”, Londres, 1904.) Os documentos existentes sobre este mosteiro que levam o nome deste papa são todos espúrios. (Eles podem ser encontrados em Haddan e Stubbs, “Concílios”, III, 281.) Mas seu privilégio para os mosteiros de Bermondsey e Woking (ibid., 276) podem ser genuínos. Em 692, o Imperador Justiniano II fez montar o chamado Concílio Quinisexto ou Trullo. Nesta assembléia, que contou apenas com a participação de bispos gregos, foram aprovados 102 cânones, muitos dos quais estabeleceram costumes contrários aos de Roma. Pelo cânon xiii, o celibato do clero secular grego tornou-se coisa do passado; e pelo canon xxxvi, um passo adicional foi dado no sentido de tornar o Patriarca de Constantinopla completamente independente da Santa Sé. Justiniano fez todos os esforços para garantir a adesão dos papas a esses decretos. Mas um após o outro todos se recusaram. Por fim, ele enviou uma ordem a Constantino para que fosse arrumado em Constantinopla. Deixando para trás, segundo o costume da época, o arcipreste, o arquidiácono e o Primicério, ou chefe dos notários, para governar a Igreja em sua ausência, ele partiu para o Oriente (709) com vários bispos e clero. Onde quer que seu navio tocasse, ele era, pelas ordens de Justiniano, recebido com a mesma honra que o próprio imperador. Ele entrou em Constantinopla em triunfo e, a pedido de Justiniano, atravessou para Nicomédia, onde ele estava residindo. Estranho dizer, este príncipe cruel recebeu o papa com a maior honra, prostrando-se diante dele e beijando seus pés. Depois de receber a Santa Comunhão nas mãos do papa, ele renovou todos os privilégios da Igreja Romana. Exatamente o que se passou entre eles sobre o assunto do Concílio Quinisexto não é conhecido. Parece, no entanto, que Constantino aprovou os cânones que não se opunham à fé verdadeira ou à moral, e que com essa aprovação qualificada de seu concílio o imperador estava contente. Logo após o retorno de Constantino a Roma (outubro de 711), Justiniano II foi destronado por Filípico Bardanes. O novo imperador esforçou-se para reviver o monotelismo, e enviou uma carta ao papa que este último levou a ser examinada em um sínodo e condenada. Além disso, quando o imperador queimou as Atas do Sexto Concílio Ecumênico, restituiu aos dípticos os nomes que aquele concílio fizera serem apagados, reergueu suas imagens e removeu a representação do concílio que estava pendurado em frente ao palácio, o papa e o povo de Roma colocaram no pórtico de São Pedro uma série de representações dos seis concílios ecumênicos e recusaram-se a colocar o nome do novo imperador em seus estatutos ou em seu dinheiro. Eles também se recusaram a colocar sua estátua, de acordo com o costume, na capela oficial de São Cesário no Palatino, cujo local acaba de ser descoberto (1907), ou para rezar por ele no Cânon da Missa. Para punir os romanos por essas medidas ousadas, um novo duque foi enviado a Roma, e eles teriam, sem dúvida, muito a sofrer, exceto pela deposição oportuna de Filípico pelo ortodoxo Anastácio (Eva de Whitsun, 713). O novo imperador apressou-se a despachar para Roma, através do Exarca Escolástico, uma carta em que professava sua ortodoxia e sua adesão ao Sexto Concílio Ecumênico, que havia condenado o monotelismo. Constantino também recebeu uma carta de João, o Patriarca de Constantinopla, reconhecendo que a “preeminência apostólica do Papa é para toda a Igreja, o que a cabeça é para o corpo”, e que “de acordo com os cânones ele é o chefe do sacerdócio cristão “. João assegurou ao papa que, enquanto cooperava com o imperador Filípico, ele sempre fora ortodoxo de coração, e que o decreto, redigido no concílio em que o imperador herético esperava restabelecer o monotelismo (712), era realmente ortodoxo no sentido, embora aparentemente não em palavras. (Veja a carta de João no epílogo do Diácono Agatho, em Mansi, “Coll. Conc.”, XII, 192.) Entre outros homens ilustres que vieram a Roma nos dias de Constantino, estava Bento, arcebispo de Milão. Ele veio não só para orar nos santuários dos Apóstolos, pois ele era um homem de uma santidade tão notável que ele se distinguia por ela em toda a Itália (Paulo, o Diácono, Hist., VI, xxix), mas também para discutir com o papa a cuja jurisdição imediata pertencia a Igreja de Pavia. Certa vez, certamente no quinto século, os bispos de Pavia estavam sujeitos aos bispos de Milão e foram consagrados por eles. Por alguma razão, talvez porque os lombardos fizeram de Pavia sua capital, seus bispos deixaram de depender dos de Milão e se tornaram diretamente sujeitos aos papas. Conseqüentemente, quando se provou a Bento que, por algum tempo, pelo menos, eles haviam sido consagrados em Roma, ele definitivamente renunciou a sua reivindicação de jurisdição sobre eles. A visita de um papa a uma cidade a qualquer distância de Roma sendo tão comparativamente rara, as pessoas de vários lugares em que Constantino tocou em sua jornada de e para Constantinopla ficaram muito contentes de poder aproveitar a oportunidade de levá-lo para consagrar um bispo para eles. Está registrado que ele consagrou doze dessa maneira e, nos tempos e lugares costumeiros, não menos do que sessenta e quatro. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/04294b.htm
- Papa Cónon (686-697 DC.)
Data de nascimento desconhecida; d., depois de uma longa doença, 21 de setembro de 687. O filho, aparentemente, de um oficial na tropa do Trácia, ele foi educado na Sicília e ordenado sacerdote em Roma. Sua idade, aparência venerável e caráter simples fizeram com que o clero e os soldados de Roma, que estavam em desacordo, deixassem de lado seus respectivos candidatos e o elegessem como papa. Ele foi consagrado (21 de outubro de 686) após o anúncio de sua eleição ter sido enviado ao Exarca de Ravenna, ou depois de ter sido confirmada por ele. Ele recebeu os missionários irlandeses, São Kilian e seus companheiros, consagrado bispo Kilian, e comissionou ele e os outros para pregar a fé na Franconia. (Vita S. Kiliani, em Canisius, Lect Antiquæ, III, 175-180.) Ele era a favor do selvagem imperador Justiniano II, que o informou que ele havia recuperado as Atas do Sexto Concílio Ecumênico, pelo qual, ele escreveu que era sua intenção mantê-lo. Justiniano também remeteu certos impostos e taxas devido ao erário imperial de vários patrimônios papais. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/04258a.htm
- Papa São Celestino V ( 5 de Julho de 1294- 13 de Dezembro de 1294)
(PIETRO DI MURRONE) Nascido em 1215, na província napolitana de Moline; eleito em Perugia, em 5 de julho de 1294; consagrado e coroado em Áquila, 29 de agosto; abdicou em Nápoles em 13 de dezembro de 1294; Morreu no castelo de Fumone, em 19 de maio de 1296. Era de pais humildes, tornou-se beneditino aos dezessete anos e acabou sendo ordenado sacerdote em Roma. Seu amor pela solidão o levou primeiro ao deserto de Monte Morone, nos Abruzzi, de onde vem seu sobrenome e, mais tarde, para os recessos mais selvagens do Monte Majella. Ele tomou como modelo o Batista. Seu pano de cabelo estava áspero com nós; uma corrente de ferro englobava sua estrutura emaciada; ele jejuava todos os dias, exceto no domingo; a cada ano ele mantinha quatro quaresmas , passando três delas em pão e água; o dia inteiro e uma grande parte da noite ele consagrou à oração e ao trabalho. Como geralmente acontece no caso dos santos anacoretas, o desejo de solidão de Pietro não estava destinado a ser gratificado. Muitos espíritos afins reuniram-se sobre ele ansiosos por imitar seu governo de vida, e antes de sua morte havia trinta e seis mosteiros, num total de 600 religiosos, com seu nome papal (Celestini). A ordem foi aprovada, como ramo dos beneditinos, por Urbano IV, em 1264. Esta congregação de celestinos (beneditinos) não deve ser confundida com outros celestinos (franciscanos), espirituais extremos que o Papa Celestino permitiu (1294) para viver como eremitas segundo a Regra de São Francisco, mas eram pendentes dos superiores franciscanos. Em gratidão, eles se chamavam em homenagem ao papa (Pauperes eremitæ Domini Celestine), mas foram dissolvidos e dispersos (1302) por Bonifácio VIII, cuja legitimidade os espirituais contestaram [Heimbucher, Orden und Kongregationen (2ª ed. Paderborn, 1907); I 280; II, 360]. Em 1284, Pietro, cansado das preocupações do governo, nomeou certo Roberto como seu vigário e mergulhou novamente nas profundezas do deserto. Seria bom que algum estudioso católico dedicasse algum tempo a uma investigação minuciosa de suas relações com o partido espiritual extremo daquela época; pois, embora seja certo que o eremita piedoso não aprovou os princípios hereges mantidos pelos líderes, é igualmente verdade que os fanáticos, durante sua vida e após sua morte, fizeram copioso uso de seu nome. Em julho de 1294, seus exercícios piedosos foram subitamente interrompidos por uma cena sem precedentes na história eclesiástica. Três eminentes dignitários, acompanhados por uma imensa multidão de monges e leigos, subiram a montanha, anunciaram que Pietro havia sido escolhido papa por voto unânime do Colégio Sagrado e humildemente implorou a ele que aceitasse a honra. Dois anos e três meses se passaram desde a morte de Nicolau IV (4 de abril de 1292) sem muita perspectiva de que o conclave em Perugia se unisse a um candidato. Dos doze cardeais que compuseram o Sagrado Colégio, seis eram romanos, quatro italianos e dois franceses. O espírito faccioso dos Guelfos e Gibelinos, que na época era epidêmico na Itália, dividia o conclave, assim como a cidade de Roma, em dois partidos hostis dos Orsini e dos Colonna, nenhum dos quais poderia derrotar o outro. Uma visita pessoal a Perugia, na primavera de 1294, de Carlos II de Nápoles, que necessitava da autoridade papal para recuperar a Sicília, apenas exasperava o caso, trocadas palavras quentes entre o monarca angevino e o cardeal Gaetani, naquela época líder intelectual dos Colonna, mais tarde, como o papa Bonifácio VIII, seu amargo inimigo. Quando a situação parecia sem esperança, o cardeal Latino Orsini admoestou os padres de que Deus havia revelado a um eremita santo que, se os cardeais não cumprissem seu dever dentro de quatro meses, Ele visitaria a Igreja com severo castigo. Todos sabiam que ele se referia a Pietro di Murrone. A proposição foi aproveitada pelo conclave exausto e a eleição foi feita por unanimidade. Pietro ouviu falar de sua elevação com lágrimas; mas, após uma breve oração, obedeceu ao que parecia a voz clara de Deus, ordenando-lhe que sacrificasse sua inclinação pessoal no altar do bem público. Fuga era impossível, mesmo se ele a contemplasse; pois assim que a notícia desse evento extraordinário se espalhou, multidões (numeradas em 200.000) se reuniram em torno dele. Sua elevação foi particularmente bem-vinda aos Espirituais, que viram nela a realização das profecias atuais de que o reino do Espírito Santo governando através dos monges estava próximo; e eles o proclamaram o primeiro papa legítimo desde a doação de riqueza e poder mundano a “ao primeiro padre rico” de Constantino (Inferno, Canto XIX). O rei Carlos de Nápoles, sabendo da eleição de seu súdito, apressou-se com seu filho Carlos Martel, rei titular da Hungria, ostensivamente para apresentar suas homenagens ao novo papa, na realidade para levar o simples homem idoso à custódia honrosa. Se Carlos soubesse como preservar a moderação na exploração de sua boa sorte, esse lucro poderia lhe trazer benefícios incalculáveis; como foi, ele arruinou tudo por ganância excessiva. Em resposta ao pedido dos cardeais, para que ele fosse a Perugia para ser coroado, por instigação de Carlos, Pietro convocou o Sacro Colégio para encontrá-lo em Áquila, uma cidade fronteiriça do Reino de Nápoles. Relutantemente, eles vieram e, um a um, Gaetani foi o último a aparecer. Sentado em uma traseira humilde, a corda segurada por dois monarcas, o novo pontífice procedeu para Áquila, e, embora apenas três dos cardeais tivessem chegado, o rei ordenou que ele fosse coroado, uma cerimônia que tinha que ser repetida em forma tradicional dias depois, o único exemplo de uma dupla coroação papal. O cardeal Latino ficou tão abalado com o curso que os acontecimentos evidentemente estavam levando que adoeceu e morreu. Pietro tomou o nome de Celestino V. Instado pelos cardeais a atravessar para os Estados da Igreja, Celestino, novamente a mando do rei, ordenou que toda a Cúria fosse para Nápoles. É maravilhoso quantos erros sérios o velho simples acumulou em cinco curtos meses. Nós não temos nenhum registro completo deles, porque seus atos oficiais foram anulados por seu sucessor. Em 18 de setembro, ele criou doze novos cardeais, sete dos quais franceses, e o restante, com uma possível exceção, napolitanos, abrindo assim a estrada para Avinhão e o Grande Cisma. Dez dias depois, ele irritou os cardeais, renovando a rigorosa lei de Gregório X, regulamentando o conclave, que Adriano V havia suspendido. Diz-se que ele nomeou um jovem filho de Carlos para a importante Sé de Lyon, mas nenhum vestígio dessa nomeação aparece em Gams ou Eubel. Em Monte Cassino, a caminho de Nápoles, esforçou-se por forçar a regra do eremita Celestino sobre os monges; eles o agradaram enquanto ele estava com eles. Em Benevento fez o bispo da cidade cardeal, sem observar nenhuma das formas tradicionais. Enquanto isso, ele espalhava privilégios e ofícios com uma mão pródiga. Recusando ninguém, descobriu-se que ele concedia o mesmo lugar ou se beneficiava de três ou quatro pretendentes rivais; ele também concedeu favores em branco. Em consequência, os assuntos da Cúria caíram em extrema desordem. Chegado a Nápoles, ele se instalou em um único apartamento do Castel Nuovo e, ao aproximar-se do Advento, tinha uma pequena cela construída segundo o modelo de sua amada cabana nos Abruzos. Mas ele estava pouco à vontade. Os assuntos de Estado ocupavam tempo que deveria ser dedicado a exercícios de piedade. Ele temia que sua alma estivesse em perigo. O pensamento de abdicação parece ter ocorrido simultaneamente ao papa e aos cardeais descontentes, a quem ele raramente consultou. Que a idéia se originou com o cardeal Gaetani, este último vigorosamente negou, e sustentou que ele originalmente se opunha a ela. Mas a séria dúvida canônica surgiu: um papa pode renunciar? Como ele não tem superior na terra, quem está autorizado a aceitar sua renúncia? A solução da questão foi reservada ao canonista treinado, Cardeal Gaetani, que, baseando sua conclusão no senso comum e no direito da Igreja à autopreservação, decidiu afirmativamente. É interessante notar quão sucintamente, quando ele se tornou Bonifácio VIII, ele despacha o assunto delicado do qual dependia a validade de sua reivindicação ao papado. No “Liber Sextus” I, vii, 1, ele emitiu o seguinte decreto: “Considerando que algumas pessoas curiosas, argumentando sobre coisas não de grande conveniência, e procurando precipitadamente, contra o ensinamento do Apóstolo, saber mais do que é preciso saber, pareceram com pouca premeditação, levantar uma dúvida ansiosa, se o Pontífice Romano, especialmente quando se reconhece incapaz de governar a Igreja Universal e de suportar o fardo do Sumo Pontificado, pode validamente renunciar ao papado, e seu fardo e honra: Papa Celestino V, nosso antecessor, enquanto ainda preside o governo da mencionada Igreja, desejando cortar toda a questão por hesitação sobre o assunto, tendo deliberado com seus irmãos, os Cardeais da Igreja Romana, dos quais Nós éramos um, com o concordante conselho e consentimento de Nós e de todos eles, pela autoridade Apostólica estabelecida e decretada, que o Romano Pontífice pode renunciar livremente. Nós, portanto, para que não aconteça que no decorrer do tempo este decreto deva cair no esquecimento, e a dúvida deva reviver a discussão, a colocamos entre outras constituições ad perpetuam rei memoriam pelo conselho de nossos irmãos. ” Quando o relato que Celestino contemplou a renúnica espalhou, a excitação em Nápoles foi intensa. O rei Carlos, cujo rumo arbitrário havia trazido coisas para essa crise, organizou uma oposição determinada. Uma enorme procissão do clero e dos monges cercou o castelo e, com lágrimas e orações, implorou ao papa que continuasse seu governo. Celestino, cuja mente ainda não estava clara sobre o assunto, retornou uma resposta evasiva, quando a multidão cantou o Te Deum e se retirou. Uma semana depois (13 de dezembro), a resolução de Celestino foi irrevogavelmente fixada; convocando os cardeais naquele dia, leu a constituição mencionada por Bonifácio no “Liber Sextus”, anunciou sua renúncia e proclamou os cardeais livres para proceder a uma nova eleição. Após o lapso dos nove dias impostos pela legislação de Gregório X, os cardeais entraram no conclave e, no dia seguinte, Benedetto Gaetani foi proclamado papa como Bonifácio VIII. Depois de revogar muitas das provisões feitas por Celestino, Bonifácio trouxe seu antecessor, agora vestido de humilde eremita, com ele a caminho de Roma. Ele foi forçado a mantê-lo sob custódia, a fim de que não fosse feito um uso hostil do velho simples. Celestino ansiava por sua cela no Abruzzi, conseguiu realizar sua fuga em San Germano, e para a grande alegria de seus monges reapareceu entre eles em Majella. Bonifácio ordenou sua prisão; mas Celestino fugiu de seus perseguidores por vários meses vagando pelos bosques e montanhas. Finalmente, ele tentou atravessar o Adriático para a Grécia; mas, levado de volta por uma tempestade, e capturado no sopé do Monte Gargano, ele foi entregue nas mãos de Bonifácio, que o confinou de perto em uma sala estreita na torre do castelo de Fumone perto Anagni (Analecta Bollandiana, 1897, XVI, 429-30). Aqui, depois de nove meses passados em jejum e oração, observado de perto, mas assistido por dois de seus próprios religiosos, embora rudemente tratado pelos guardas, ele encerrou sua extraordinária carreira em seu octogésimo primeiro ano. Que Bonifácio o tratou duramente e finalmente o assassinou cruelmente, é uma calúnia. Alguns anos após sua canonização por Clemente V em 1313, seus restos mortais foram transladados de Ferentino para a igreja de sua ordem em Áquila, onde ainda são objeto de grande veneração. Sua festa é celebrada em 19 de maio. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/03479b.htm
- Papa Celestino IV (25 de Outubro de 1241- 10 de Novembro de 1241 DC.)
(GOFREDO CASTIGLIONI.) Um nativo de Milão, sobrinho de Urbano III, e provavelmente um cisterciense; morreu em 10 de novembro de 1241. Ele foi feito cardeal por Gregório IX e o sucedeu, em 25 de outubro de 1241, no auge da guerra papal com o imperador Frederico II. Ele morreu depois de um reinado de quinze dias Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/03479a.htm
- Papa Celestino III (1191-1198 DC.)
(GIACINTO BOBONE) O primeiro dos Orsini Romanos a subir a Cátedra de Pedro, b. cerca de 1106; d. em Roma, em 8 de janeiro de 1198. Ele tinha quarenta e sete anos como cardeal quando, em seu octogésimo quinto ano, foi eleito (30 de março de 1191) sucessor de Clemente III; sendo apenas diácono, foi ordenado sacerdote (13 de abril) e consagrado bispo no dia seguinte, respectivamente, Sábado Santo e Páscoa. No dia seguinte ele ungiu e coroou o rei Henrique VI da Alemanha como imperador, e imperatriz sua rainha Constância. O rei estava então a caminho do sul da Itália para impor contra Tancredo as reivindicações de Constância à coroa das duas Sicílias. O povo romano, no entanto, não permitiu que as solenidades acima mencionadas ocorressem até que tanto o papa quanto o rei os ajudassem a satisfazer sua ira contra a vizinha Tusculum. A cidade foi nivelada com o solo e abandonada à vingança dos romanos. O papa idoso tem sido culpado por este ato de crueldade, nisto tão diferente de seu antecessor Inocêncio II, que resistiu (1142) uma insistência apaixonada semelhante dos romanos para a destruição de Tibur (Tivoli). A responsabilidade, no entanto, repousa principalmente sobre o imperador, cuja carreira italiana sedenta de sangue foi assim convenientemente inaugurada. Apesar do papa, o imperador seguiu para o sul para cumprir suas pretensões à Sicília, mas foi derrotado e compelido a se retirar, deixando a imperatriz prisioneira de Tancredo, que a libertou por petição papal. O idoso Celestino surpreendeu muitos por sua resignação em lidar com o jovem e violento Henrique VI, que na Alemanha superou seus antecessores em crueldade e opressão das igrejas. O papa também foi lento e cauteloso ao ameaçar Henrique com a excomunhão por ter prendido Rei Ricardo Coração de Leão, que Henrique fez com que fosse cercado (1192) pelo duque Leopoldo, da Áustria, e entregue a si mesmo, enquanto Ricardo estava voltando para a Inglaterra, nem o rei inglês foi libertado até que pagasse um grande resgate (£ 100.000). Foi uma violação da lei das nações que um papa mais jovem e mais vigoroso não toleraria tanto tempo. Somente em 1193 o duque e seus associados foram excomungados e uma tentativa de obrigar a restituição do resgate. Pouco depois, com a morte de Tancredo (1194), Henrique VI novamente cruzou os Alpes, resolveu finalmente compor a união da Coroa Alemã com a das Duas Sicílias. Em meio a incríveis crueldades ele cumpriu seu propósito, desafiou os direitos do papa como soberano da Sicília, enganou o papa com promessas vãs de uma cruzada, e provavelmente teria acelerado por uma geração o memorável conflito de Roma com seu filho Frederico II não tivesse a morte levado a cabo o rei cruel e sem lei, em 28 de setembro de 1197, em seu trigésimo sexto ano, não antes de ter induzido o papa a reconhecer o supracitado menino Frederico como rei das Duas Sicílias. O próprio Celestino logo faleceu, no nonagésimo segundo ano de sua idade. Ele mostrou mais resolução ao lidar com outros príncipes da Europa, particularmente em defesa das leis do casamento eclesiástico. Ele induziu o rei Afonso IX de Leão a abandonar seu projeto de uma união de incesto com uma princesa portuguesa e defendeu com vigor a validade do casamento da rainha Ingeburga com Filipe Augusto da França, a quem ele recusou o divórcio, enquanto declarou inválido o divórcio concedido a Filipe pelos bispos de seu reino. Uma séria cruzada era o ideal constante do papa Celestino; ele confirmou a nova ordem militar dos Cavaleiros Teutônicos (1191), e favoreceu grandemente os Cavaleiros Templários e os Hospitalários. São Malaquias de Armagh, São Bernardo de Hildesheim, São João Gualberto e São Ubaldo de Gubbio foram canonizados por ele. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/03478b.htm
- Papa Celestino II (1143-1144 DC.)
(GUIDO DEL CASTELLO, DE CASTELLIS) Um nativo da Toscana romana, data de nascimento desconhecida; d. 8 de março de 1144. Ele era um discípulo de Abelardo, e acrescentou a grande aprendizado a reputação de um sacerdote sério e correto. Ele foi feito cardeal em 1128, e em 1140 legado para a França, onde ele incorreu no descontentamento de São Bernardo pela a proteção que ele concedeu Arnaldo de Bréscia. Ele sucedeu a Inocêncio II, em 25 de setembro de 1143, e imediatamente levantou da França o interdito que seu antecessor infligira por causa do ato de Luís VII em opor seu próprio candidato ao bispo de Bourges eleito por direito. Na véspera de um grave conflito com Rogério da Sicília, ele morreu, após um curto reinado de cerca de seis meses. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/03478a.htm
- Papa São Celestino I (422-432 DC.)
Nada se sabe de sua história inicial, exceto que ele era romano e que o nome de seu pai era Prisco. Diz-se que ele viveu por algum tempo em Milão com Santo Ambrósio; a primeira notícia, no entanto, sobre ele que é conhecido está em um documento de Santo Inocêncio I, no ano 416, onde ele é chamado de Celestino, o Diácono. Em 418 Santo Agostinho escreveu-lhe (Epist., Lxii) em linguagem muito reverencial. Ele sucedeu São Bonifácio I como papa, 10 de setembro de 422 (segundo Tillemont, embora os bolonheses digam 3 de novembro), e faleceu em 26 de julho de 432, tendo reinado nove anos, dez meses e dezesseis dias. Apesar dos tempos difíceis em Roma, ele foi eleito sem qualquer oposição, como é aprendido de uma carta de Santo Agostinho (Epist., Cclxi), escrita para ele logo após a sua elevação, na qual o grande doutor pede sua ajuda em resolver suas dificuldades com Antônio, Bispo de Fessula na África. Uma forte amizade parece ter existido entre Celestino e Agostinho, e após a morte deste último em 430, Celestino escreveu uma longa carta aos bispos da Gália sobre a santidade, conhecimento e zelo do santo doutor, e proibiu todos os ataques à sua memória da parte dos semipelagianos, que sob a liderança do famoso asceta João Cassiano, começava a ganhar influência. Embora sua sorte tenha sido lançada em tempos tempestuosos, pois os maniqueus, donatistas, novacianos e pelagianos estavam perturbando a paz da Igreja, enquanto as hordas bárbaras estavam começando suas incursões no coração do império, o caráter firme mas gentil de Celestino permitiu-lhe conhecer com sucesso todas as exigências de sua posição. Nós o vemos em toda parte defendendo os direitos da Igreja e a dignidade de seu ofício. Nisso ele foi auxiliado por Placídia, que, em nome de seu filho jovem, Valentiniano III, baniu de Roma os maniqueus e outros hereges que estavam perturbando a paz. Celestino não apenas excluiu Celéstio, o companheiro e discípulo chefe de Pelágio, da Itália, mas obteve a condenação adicional da seita do Concílio de Éfeso, enquanto através de sua instrumentalidade Santo Germano de Auxerre e São Lobo de Troyes, que tinham sido enviados para a Inglaterra em 429, a terra natal de Pelágio, pelos bispos gauleses, conseguiram extirpar o erro de seu solo nativo. Um defensor firme dos antigos cânones, encontramos Celestino escrevendo para os bispos da Ilíria, ordenando-lhes que observassem os cânones e sua antiga fidelidade ao Bispo de Tessalônica, o vigário papal, sem o qual eles não deveriam consagrar nenhum bispo ou realizar nenhum concílio. Ele também escreve para os Bispos de Viena e Narbonna, a quem ele adverte para manter os antigos cânones, e, de acordo com o aviso de seu antecessor, para resistir às pretensões da Sé de Arles. Além disso, não devem recusar-se a admitir a penitência daqueles que a desejam no momento da morte; os bispos, também, não devem se vestir como monges, e uma ação severa deve ser tomada contra um certo Daniel, um monge do Oriente que tinha sido a causa de sérios distúrbios na Igreja da Gália. Aos Bispos da Apúlia e da Calábria, ele escreve que o clero não deve permanecer ignorante dos cânones, nem os leigos devem avançar para o episcopado sobre as cabeças do clero, nem a vontade popular, por mais forte que seja, seja humorado nesta matéria – populus docendus non sequendus. Além disso, ele ameaça penalidades severas para futuros transgressores. Ao defender os direitos da Igreja Romana de ouvir e decidir apelos de todos os quadrantes, ele entrou em conflito por algum tempo com a grande Igreja da África (ver Apiário). Os bispos africanos, no entanto, através da manifestação de algum entusiasmo, nunca puseram em causa a supremacia divina da Santa Sé, a sua própria linguagem e ações expressaram o seu pleno reconhecimento; suas queixas eram dirigidas antes contra o uso indiscriminado da prerrogativa papal. Os últimos anos do pontificado de Celestino foram retomados com a luta no Oriente sobre a heresia de Nestório. Nestório, que se tornara Bispo de Constantinopla em 428, a princípio deu grande satisfação, como aprendemos de uma carta dirigida a ele por Celestino. Ele logo despertou suspeitas de sua ortodoxia recebendo gentilmente os Pelagianos banidos de Roma pelo papa, e pouco depois, rumores de seu herético ensinamento sobre a dupla personalidade de Cristo chegando a Roma, Celestino encarregou Cirilo, bispo de Alexandria, de investigar e fazer uma relatório. Cirilo, tendo encontrado Nestório declarando abertamente sua heresia, enviou um relato completo a Celestino, que em um sínodo romano (430), tendo solenemente condenado os erros de Nestório, ordenou que Cirilo em seu nome procedesse contra Nestório, que seria excomungado e deposto. a menos que dentro de dez dias ele fazesse por escrito uma retratação solene de seus erros. Em cartas escritas no mesmo dia a Nestório, ao clero e ao povo de Constantinopla, e a João de Antioquia, Juvenial de Jerusálem, Rufos de Tessalônica, e Flaviano de Filipo, Celestino anuncia a sentença passada a Nestório e a comissão dada a Cirilo para executá-la. Ao mesmo tempo, ele restaurou todos os que haviam sido excomungados ou privados por Nestório. Cirilo transmitiu a sentença papal e seu próprio anátema a Nestório. O imperador convocou agora um concílio ecumênico para se reunir em Éfeso. Para este concílio Celestino enviou como legados, Arcádio, e Projectus, bispos, e Filipe, um padre, que deveriam agir em conjunto com Cirilo. No entanto, eles não deveriam se misturar na discussão, mas deveriam julgar as opiniões dos outros. Celestino, em todas as suas cartas, assume sua própria decisão como final, Cirilo e o Concílio, “compelidos pelos sagrados cânones e pelas cartas de Nosso Santíssimo Padre Celestino, Bispo da Igreja Romana”. O último ato oficial de Celestino, o envio de São Patrício para a Irlanda, talvez ultrapasse todo o resto em suas conseqüências de longo alcance para sempre. Ele já havia enviado (431) Paládio como bispo aos “escoceses [ou seja, irlandeses] que acreditavam em Cristo”. Mas Paládio logo abandonou a Irlanda e morreu no ano seguinte na Grã-Bretanha. São Patrício, que anteriormente fora recusado, recebia agora a tão cobiçada comissão apenas alguns dias antes da morte de Celestino, que assim se torna um participante na conversão da raça que nos próximos séculos foi realizar obras tão vastas por seus incontáveis missionários e estudiosos na conversão e civilização do mundo bárbaro. Nos assuntos locais da Igreja Romana, Celestino manifestou grande zelo. Ele restaurou e embelezou a igreja de Santa Maria em Trastevere, que havia sofrido com a pilhagem gótica de Roma, também a igreja de Santa Sabina, além de decorar o Cemitério de Santa Priscilla com pinturas do Concílio Éfeso. A data exata de sua morte é incerta. Sua festa é mantida na Igreja latina em 6 de abril, dia em que seu corpo foi colocado nas Catacumbas de Santa Priscila, de onde foi transladado em 820 pelo Papa São Pascoal I para a igreja de Sta Praxedes, embora a catedral de Mântua igualmente reivindique suas relíquias. Na igreja grega, onde ele é altamente honrado por sua condenação de Nestório, sua festa cai em 8 de abril. Os escritos existentes de São Celestino consistem de dezesseis cartas, o conteúdo de muitas das quais foram indicados acima, e um fragmento de um discurso sobre Nestorianismo entregues no Sínodo Romano de 430. O “Capitula Coelestini”, as dez decisões sobre o sujeito da graça que desempenhou um papel tão importante na história do agostinianismo, não são mais atribuídos à sua autoria. Durante séculos eles foram afixados como parte integrante de sua carta aos Bispos da Gália, mas no momento são considerados como o mais provável trabalho de St. Prospero da Aquitânia. Anastácio Bibliothecarius atribui-lhe várias outras constituições, mas com pouca autoridade. Incerta também é a afirmação do “Liber Pontificalis” que Celestino acrescentou o Introit à Missa. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/03477c.htm
- A HUMILDADE DA ORAÇÃO
Terra, em latim, escreve-se humus. É daí que deriva o nosso verbo humilhar: abaixar-se até o chão. O exemplo máximo de humildade foi dado pelo próprio Deus, que se fez barro como nós. Humildade é a virtude dos que reconhecem que são (como no verso de Camões) bichos da terra muito pequenos: esta é a nossa verdade mais radical. Por isto, Santa Teresa d’Ávila disse que a humildade é a própria verdade. Humilde é o que sabe que nada é. * Segundo Santo Agostinho, todas as cidade do mundo poderiam se reduzir a duas cidades espirituais. Numa delas, por soberba, estão os que praticam o desprezo de Deus por exagerado amor de si mesmos. Noutra, por humildade, vivem os que desprezam a si por amor a Deus. * O oposto da humildade é a soberba, que impele o barro humano a ser deus como Deus. É ela que joga a criatura nos braços macios de todos os pecados, buscando satisfazer as mil vontades do estômago, do sexo, da cobiça, da aparência e do conforto. A soberba é a areia de que falava Jesus, sobre a qual construímos nossa ilusória torre de Babel, que a tempestade logo arrasta. A humildade, ao contrário, é a pequena morada sobre a rocha, contra a qual nada podem a chuva, a enchente e os ventos. * A humildade é o primeiro passo no caminho da verdade (“só sei que nada sei”, já dizia um filósofo pré-cristão), depois de aberta a porta das virtudes, sobretudo a paciência. A pessoa mais paciente será, em seguida, a mais forte — fortaleza necessária para obedecer a Jesus, quando disse que só O seguiríamos se negássemos a nós mesmos e tomássemos nossa cruz. Isto só é possível se admitirmos, pela humildade, a nossa grande miséria. * Em nossa época, só pensamos em direitos. É preciso bastante cuidado: há muitos falsos “direitos humanos” por aí, que são mais produtos da nossa soberba que da verdade. Um bom remédio contra essa espécie de soberba jurídica é aceitarmos com humildade as pequenas humilhações do dia a dia, inclusive as justas repreensões dos nossos defeitos, voltando a conjugar com gosto o verbo obedecer. Só o humilde serve o próximo; só o humilde ouve e pratica inteiramente o que ensina o Senhor — ao contrário do soberbo, que sempre abrirá exceções na doutrina cristã para benefício próprio. * Não basta dizer: “Serei humilde”. É a transformação mais difícil de todas, inviável sem a ajuda de Deus pela oração. A humildade é condição obrigatória da oração. Sem ela, como suplicar, louvar, agradecer, inclinados diante da majestade divina? Na verdadeira oração, os adultos se atiram nos braços de Deus como crianças indefesas. Foi o próprio Deus quem disse: “Vinde a mim as criancinhas”… Só a oração pode tornar a pessoa cada vez mais vazia de si e cheia de Deus, disponível ao próximo. Uma coisa depende da outra: a humildade e a oração se completam e alimentam mutuamente. São a mão e a luva. Pela humildade, a alma se rebaixa até o chão, consciente do barro que a envolve; quando, porém, a humildade se torna oração, eleva-se da terra ao Céu, antecipando por alguns minutos a eternidade.
- Papa Calisto III (1455-1458 DC.)
Nascido perto de Valência, na Espanha, em 31 de dezembro de 1378; morreu em Roma, em 6 de agosto de 1458. Afonso de Borja (italiano Bórgia), como era conhecido antes de se tornar papa, veio de uma família nobre e, tendo concluído seus estudos, defendeu a causa do antipapa Bento XIII e recebeu deste último o título de cônego. Quando Afonso V de Aragão resolveu retirar-se do cisma e colocar a si mesmo e seu reino sob a jurisdição de Martinho V, Afonso Borgia atuou como mediador com o sucessor de Bento, Clemente VIII, e induziu o último a se submeter ao papa legítimo. Martinho V nomeou Borgia Bispo de Valência (1429), e em 1444 Eugênio IV fez dele cardeal. Em ambos os ofícios, ele era notável por sua vida mortificada, sua firmeza de propósito e sua prudência diante de sérias dificuldades. Já a opinião popular o marcou como candidato ao papado. No dia 25 de março de 1455, Nicolau V morreu, e Afonso Borgia foi eleito (8 de abril) e assumiu o nome de Calisto III. Como papa ele estava preocupado principalmente com a organização da Europa cristã contra a invasão dos turcos. Constantinopla fora capturada por Maomé II (1453) e, embora o papa Nicolau V tivesse feito todos os esforços, nada havia sido feito para manter a marcha vitoriosa das forças do islã. Já cardeal, Calisto havia manifestado especial interesse por esse trabalho e, em sua eleição, ele se propôs a executar o programa que já havia planejado. Os núncios foram enviados a todos os países da Europa para pedir aos príncipes que esquecessem por algum tempo os ciúmes nacionais e se unissem uma vez mais em um esforço final para verificar o perigo de uma invasão turca. Missionários foram enviados para a Inglaterra, França, Alemanha, Hungria, Portugal e Aragão para pregar a Cruzada, para garantir voluntários para o serviço ativo nas guerras, para coletar os impostos necessários para o apoio dos que estavam no campo e para engajar as orações dos fiéis pelo sucesso do empreendimento. Foi por ordem de Calisto III que os sinos tocaram ao meio-dia para lembrar os fiéis de que deveriam orar pelo bem-estar dos cruzados. Mas os príncipes da Europa demoraram em responder ao chamado do papa. Na Alemanha, Frederico III, por meio do ódio de Ladislau da Hungria, não estava disposto a participar de um movimento do qual a Hungria tiraria uma vantagem imediata, enquanto os bispos e eleitores se opunham à cobrança da taxa papal imposta em favor dos cruzados. Inglaterra e França estavam em guerra e se recusaram a permitir que suas forças fossem enfraquecidas pela participação nos planos de Calisto III. Gênova organizou uma frota e despachou-a contra os turcos, mas apenas para se abrir ao ataque de Aragão, enquanto Portugal, desanimado pela falta de sucesso, retirou a frota que já havia despachado. Felizmente para a Europa, os esforços do papa não foram totalmente em vão. As forças cruzadas lideradas por Hunyady, e inspiradas pelo zelo e coragem do legado papal Carvajal e São João Capistrano, encontraram-se com os turcos em Belgrado (22 de julho de 1456) e infligiram-lhes uma das piores derrotas sofridas durante o seu longo período de conflito com a Europa cristã. O papa ansiava por tal sucesso na esperança de que isso encorajasse os príncipes da Europa a responder ao pedido de ajuda. A notícia da vitória foi devidamente anunciada às cortes por mensageiros especiais do papa, mas as calorosas felicitações foram a única resposta. Infelizmente, também, pouco depois de sua vitória sobre Maomé II em Belgrado, o próprio Hunyady morreu de febre, e parecia que nenhum general cristão poderia ser capaz igualmente à tarefa de salvar a Europa. No ano seguinte deste pontificado, esforços renovados foram feitos para mobilizar a cooperação da Alemanha. O papa tentou fazer a paz entre Frederico III e Ladislau da Hungria, mas durante as negociações Ladislau morreu (1457), após um reinado de sete anos, e sua morte foi a ocasião de novas disputas entre os três grandes representantes da Casa de Habsburgo. Frederico III, Albrecht VI e Sigismundo de Tirol. Só na Albânia foi encontrado um líder, Scanderbeg, que havia resistido firmemente à invasão dos turcos, e contra quem todos os poderes de Maomé eram inúteis. Calisto III convocou (1457) outra assembléia dos príncipes da Europa para elaborar medidas contra as incursões de Maomé. Mas, novamente, seus esforços foram inúteis. Na França, o delfim era a favor das propostas de Calisto III, mas o rei se recusou a participar do empreendimento, e o clero ficou tão descontente com a imposição do imposto cruzado que em muitas províncias eles se recusaram a pagar, e apelaram a um concílio geral. Sentimentos semelhantes de desconfiança e ressentimento foram sentidos pelo clero e pelos príncipes-eleitores do Império Alemão. A Inglaterra, por causa da guerra contra as potências aliadas, a França e a Escócia, não estava disposta a embarcar em nenhuma nova expedição. A guerra entre Aragão e Gênova continuou, enquanto, como de costume, Veneza estava mais ansiosa para promover seu próprio comércio do que participar da destruição da frota turca. Na Boêmia, as disputas se desenrolaram sobre a sucessão ao trono, e mesmo quando uma assembléia dos nobres declarou a favor de Jorge Von Podiebrad, ele estava muito preocupado em tentar reconciliar seus súditos católicos e utraquistas, e assegurar um entendimento com Frederico III, para se permitir participar da Cruzada. A Hungria também se distraiu com as disputas entre os pretendentes rivais ao trono. Guilherme da Saxônia e Casimiro da Polônia, em nome de suas esposas, apresentaram pretensões, mas encontraram pouco ou nenhum apoio do povo da Hungria. Uma assembléia nacional realizada em Pesth escolheu como rei Matthias Hunyady, filho do conquistador de Belgrado, mas os partidos rivais se recusaram a se submeter a essa escolha. Finalmente (1459) eles procederam à eleição de Frederico III. O resultado de tantas disputas foi que os países mais afetados pelo perigo turco não puderam fazer nada, e embora o jovem Hunyady estivesse ansioso para seguir os passos de seu pai e se juntar aos planos imperiais de uma cruzada geral ele estava ocupado demais com as disposições contra a desordem interna e as pretensões de Frederico III para poder prestar qualquer ajuda real. Scanderbeg ainda estava no campo, mas com as pequenas forças sob seu comando, ele poderia, no máximo, esperar defender seu país, a Albânia, contra ataques. O papa estava envolvido em novas disputas após a morte de Afonso V de Aragão. De acordo com os arranjos feitos, o irmão deste seria o sucessor em Aragão e na Sicília, enquanto seu filho Fernando, previamente reconhecido como legítimo por Calisto III, deveria ter Nápoles. Mas o papa se recusou a reconhecer a reivindicação de Fernando por Nápoles e, como senhor feudal do território, afirmou por si mesmo o poder de dispor dele como desejava. Esta disputa impediu-o de continuar o trabalho de organizar a Cruzada e alienar da causa a poderosa família de Aragão. Além disso, prejudicou a reputação de Calisto III, pois dava mais cor às acusações de nepotismo que eram, então, niveladas livremente contra ele. Ele já havia feito cardeais dois de seus sobrinhos, um dos quais, o jovem Rodrigo, viria a se tornar o papa Alexandre VI; ele concedeu a um terceiro o governo do Castelo de Sant’Angelo e o título de Duque de Spoleto. Muitos afirmaram que sua oposição a Fernando de Aragão se devia ao desejo de garantir Nápoles para o inútil duque de Spoleto. Assim, a primeira parte de 1458 foi gasta, e durante os últimos meses de sua vida, até mesmo o próprio Calisto começou a perceber claramente que a obra à qual ele havia dedicado seu pontificado fora um fracasso e que, em outros ombros, deveria ser devotada a tarefa de empurrar de volta o turco. Seu reinado também é notável pela revisão do julgamento de Joana d’Arc, que foi realizado por orientação do papa, e segundo o qual a sentença do primeiro tribunal foi anulada, e a inocência da Donzela de Orléans foi proclamada. Ele também teve a honra de colocar o nome de Osmundo, Bispo de Salisbury, na lista de santos canonizados. As energias de Calisto foram muito direcionadas para a campanha contra os turcos para permitir que ele dedicasse tanta atenção ao avivamento literário da época como fizeram alguns de seus antecessores, especialmente Nicolau V, e essa negligência dos humanistas fez com que alguns deles se tornassem seus nimigos; no entanto, ele parece ter gasto uma quantia considerável de dinheiro para garantir alguns acréscimos valiosos aos tesouros do Vaticano. Calisto III deve sempre ser considerado como um homem de elevados ideais, de coragem, energia e perseverança sem limites. Ele percebeu os perigos que então confrontavam a Europa e fez todos os esforços para unir seus príncipes cristãos na defesa de seus próprios países; se ele falhou, a culpa não deve cair no papa, mas naqueles que se recusaram a dar ouvidos aos seus conselhos. É lamentável que um personagem, de outra forma direto e imaculado, tenha sido prejudicado por acusações contemporâneas de nepotismo e avareza. Ele deixou, em sua morte, uma quantia bastante notável de dinheiro. Suas cartas podem ser encontradas em Raynaldus, “Annales Eccl”. de 1455 a 1458; ver também Harduin, “Concilia”, IX, 1375-78, D’Achéry, “Spicilegium”, III (Paris ed. 796-804) e “Magn. Bullar. Rom.” (Lyon, 1692), I, 279-82. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/03187a.htm
- Papa Calisto II (1119 – 1124 DC.)
Data de nascimento desconhecida; morreu em 13 de dezembro de 1124. Seu reinado, a partir de 1 de fevereiro de 1119, é assinalado pelo término da controvérsia da investidura que, iniciada na época de Gregório VII, se desencadeara com amargura quase inabalável durante o último quartel do século XI e a anos de abertura do décimo segundo. Guido, como era chamado antes de sua ascensão ao papado, era filho do conde Guilherme de Borgonha, e ambos, pelo lado do pai e da mãe, estavam intimamente ligados a quase todas as casas reais da Europa. Seu irmão Hugo foi nomeado arcebispo de Besançon, e ele mesmo foi nomeado arcebispo de Vienne (1088), e depois nomeado legado papal na França por Pascoal II. Durante o mandato de Guido neste ofício, Pascoal II, cedendo às ameaças de Henrique V, foi induzido a emitir o “Privilegium” (1111) pelo qual ele cedeu muito do que havia sido reivindicado por Gregório VII, mas essas concessões foram recebidas com oposição violenta e em nenhum outro lugar mais do que na França, onde a oposição foi liderada por Guido, o legado papal. Este último estava presente no Concílio de Latrão (1112), e em seu retorno à França convocou uma assembléia dos bispos da França e da Borgonha em Vienne (1112), onde a investidura do clero foi denunciada como herética, e sentença de excomunhão pronunciada contra Henrique V porque ousara extorquir do papa pela violência um acordo contrário aos interesses da Igreja. Estes decretos foram enviados a Pascoal II com um pedido de confirmação, que receberam em termos gerais, 20 de outubro de 1112 (Hardouin VI, 2, 1916). Guido foi mais tarde, aparentemente, feito cardeal pelo Papa Pascoal, embora este último não pareça ter ficado muito satisfeito com seu zelo em seus ataques a Henrique V. Na morte de Pascoal II (21 de janeiro de 1118), Gelásio II foi eleito papa, mas ele foi imediatamente cercado pelos aliados italianos de Henrique V, e em sua libertação pela população fugiu para Gaeta, onde foi solenemente coroado. Henrique V exigiu a confirmação do “Privilegium”, mas, não recebendo resposta satisfatória, estabeleceu como antipapa sob o nome de Gregório VIII, o Arcebispo de Braga, Burdino, que já havia sido deposto e excomungado por ter coroado Henrique em Roma com a coroa imperial (1117). Gelásio imediatamente excomungou tanto o antipapa quanto o imperador, mas foi obrigado a fugir e se refugiou no mosteiro de Cluny, onde morreu (janeiro de 1119). No quarto dia após a morte de Gelasio (1 de fevereiro), devido principalmente aos esforços do cardeal Cuno, Guido foi eleito papa e assumiu o título de Calisto II. Ele foi coroado em Vienne (9 de fevereiro de 1119). Sua eleição foi recebida em toda parte com aprovação. Por causa de sua estreita ligação com as famílias reais da Alemanha, França, Inglaterra e Dinamarca, esperava-se que ele seria capaz de efetuar uma solução favorável da controvérsia que por tanto tempo distraiu a Igreja. Até Henrique V recebeu a embaixada papal em Estrasburgo e mostrou claramente que não estava disposto a pedir a paz e, ao mesmo tempo, retirou seu apoio ao antipapa. Chegou-se a concordar que o papa e o imperador deveriam se encontrar em Mousson. Em 1119 (8 de junho) Calisto realizou um sínodo em Toulouse, principalmente para promover reformas disciplinares na Igreja francesa, e em outubro do mesmo ano, ele abriu o Concílio em Reims, que havia sido contemplado nos preparativos preliminares entre o imperador e os embaixadores do papa em Estrasburgo. Luís VI e a maioria dos barões da França compareceram ao concílio, composto por mais de quatrocentos bispos e abades. Tinha sido combinado que durante o concílio o papa e o imperador tivessem uma conferência pessoal em Mousson, e de acordo com este acordo Henrique V chegou a Mousson, não sozinho, como havia sido previsto, mas com um exército de mais de trinta mil homens. Calisto II deixou Reims para participar da conferência em Mousson, mas ao saber dos preparativos de guerra feitos pelo imperador, e temendo que a força fosse provavelmente usada para extrair dele concessões prejudiciais, ele rapidamente voltou a Reims. Aqui o Concílio se ocupava principalmente com os regulamentos disciplinares, especialmente com decretos contra investidura, simonia e concubinato do clero. No final, como não havia esperança de um compromisso favorável com Henrique, determinou-se que o imperador e o antipapa fossem solenemente excomungados na presença dos padres reunidos e dos representantes da autoridade secular (30 de outubro de 1119). Antes de sair da França, Calisto tentou realizar um acordo entre Henrique I da Inglaterra e seu irmão Roberto, mas seus esforços nessa direção não tiveram resultado. Calisto decidiu visitar a Itália e Roma. Na última cidade, Gregório VIII, apoiado pelas forças alemãs e pelos aliados italianos do imperador, tinha tomado a sua residência, mas na aproximação de Calisto, que estava em toda parte recebido com demonstrações de boas-vindas, o antipapa foi obrigado a fugir para o fortaleza de Sutri, e Calisto entrou em Roma entre as alegrias universais da população. Ele foi para o sul para garantir a ajuda dos normandos do sul da Itália em sua luta contra Henrique V e Gregório VIII. As negociações foram totalmente satisfatórias. Gregório foi feito prisioneiro e escoltado para Roma (1121), onde ele foi salvo com dificuldade da ira do povo, e se alojou em uma prisão perto de Salerno e depois na fortaleza de Fumo. Com a ajuda dos príncipes do sul da Itália, Calisto quebrou o poder dos aliados italianos do imperador na Itália, notavelmente de Cencio Frangipani, que já havia dado tantos problemas a Gelásio II e ao próprio Calisto (1121). Tendo assim estabelecido seu poder na Itália, ele mais uma vez resolveu abrir negociações com Henrique V sobre a questão da investidura. Este último já mostrara que estava ansioso por pôr fim a uma controvérsia que alienara seus melhores amigos e que ameaçava pôr em perigo a paz do império. Uma embaixada composta de três cardeais foi enviada por Calisto para a Alemanha, e as negociações para um acordo permanente da luta pela investidura foram iniciadas em Wurzburg (outubro de 1121). Aqui foi acordado que uma trégua geral deveria ser proclamada entre o imperador e seus súditos rebeldes; que a Igreja deveria ter livre uso de seus bens; que as terras daqueles em rebelião devem ser restauradas, e a paz com a Igreja permanentemente estabelecida com o menor atraso possível. Esses decretos foram comunicados a Calisto II, que despachou o Cardeal Lamberto de Ostia como seu legado para ajudar no sínodo convocado em Worms. O sínodo começou em Worms, 8 de setembro, 1122 e 23 de setembro a concordata conhecida como Concordata de Worms (ou Pactum Calixtinum) entre o papa e o imperador foi concluída. Por seu lado, o imperador abandonou sua pretensão de investidura com anel e báculo e concedeu liberdade de eleição a sés episcopais; Por outro lado, admitiu-se que os bispos deveriam receber investidura com o cetro, que as eleições episcopais deveriam ser realizadas na presença do imperador ou de seus representantes, que no caso de disputadas eleições o imperador deveria, após a decisão dos bispos metropolitanos e sufragâneos confirmar o candidato legitimamente eleito e, finalmente, que a investidura imperial das temporalidades das sés deveriam acontecer na Alemanha antes da consagração, na Borgonha e na Itália depois desta cerimônia, enquanto nos Estados Papais o papa só tinha o direito de investidura, sem qualquer interferência por parte do imperador. Como resultado dessa Concordata, o imperador ainda retinha em suas mãos a influência controladora na eleição dos bispos na Alemanha, embora tivesse abandonado muito em relação às eleições episcopais na Itália e na Borgonha. Para assegurar a confirmação desta Concordata de Worms, Caliso II convocou o Primeiro Concílio de Latrão (18 de março de 1123). O concílio era mais representativo, quase trezentos bispos e seiscentos abades de todas as partes da Europa católica estavam presentes. O concílio confirmou solenemente o acordo que havia chegado com Henrique V em relação às eleições episcopais, e aprovou vários decretos disciplinares contra os abusos existentes, como simonia e concubinato entre o clero. Decretos também foram proferidos contra os violadores da Trégua de Deus, ladrões de igrejas e falsificadores de documentos eclesiásticos. As indulgências já concedidas aos cruzados foram renovadas, e a jurisdição dos bispos sobre o clero, secular e regulares, foi mais claramente definida. Nos últimos anos de sua vida, Calisto II esforçou-se por assegurar à Igreja a restauração em sua totalidade do Patrimônio de São Pedro, que havia sido grandemente diminuído pelas constantes guerras e rebeliões; para quebrar o poder dos nobres no Campagna, e restaurar a paz e a ordem para a cidade de Roma em si, que sofreu muito desde o tempo de Gregório VII. Ele também dedicou muito do seu tempo aos interesses da Igreja da França e ao combate aos erros e abusos que surgiram naquele país em seu tempo. No Sínodo de Toulouse (1119), condenou o ensinamento de Pedro de Bruis e seus seguidores (Hardouin VI, 2, 1977-84). Ele estabeleceu a Igreja de Viena como a igreja metropolitana das províncias eclesiásticas adjacentes (1120), terminando assim em favor do da última (que ele ainda mantinha como papa) a antiga controvérsia entre Viena e Arles. Para os privilégios a favor de Viena forjados durante o reinado de Guido, ver Gundlach, “Streit der Bisthumer Arles und Vienne” (1890). Duchesne sustenta (“Fastes Eccl.”, I, 145 sqq.) que apenas as mais recentes delas datam do tempo de Guido (cf. Robert, “Calixte II”, Paris, 1891). Ele estabeleceu várias disputas entre bispos e abades na França, despachou Geraldo de Angoulême como legado papal para a Bretanha e finalmente confirmou os direitos primais de Lyon sobre a Igreja de Sens. Ele exigiu de Henrique I da Inglaterra a libertação de seu irmão, Roberto da Normandia, bem como o reconhecimento de Thurstan, a quem ele mesmo consagrou em Reims, como arcebispo de York. Henrique, a princípio, recusou, mas, diante da ameaça de excomunhão, ele consentiu em admitir Thurstan como arcebispo de York e em reconhecer a independência da Sé dele com relação a Cantuária. Na Espanha, ele transferiu os direitos metropolitanos da velha Sé de Mérida (Emerita) para Santiago de Compostela, para o qual o santo padroeiro Callisto parece ter tido uma devoção especial. Ele mostrou sua atenção para a Alemanha pela canonização de Conrado de Constança no Concílio de Latrão (1123) e despachando Otão de Bamberg como legado papal para regular as Igrejas da Pomerânia. Em Roma, ele dedicou muita atenção ao embelezamento e melhoria da cidade, mas especialmente a igreja de São Pedro. Ele suprimiu a Sé suburbana de Santa Rufina ao unir esta diocese com o Porto, de modo que, desde então, havia apenas seis cardeais-bispos em vez de sete, como havia sido o caso anteriormente. Calisto morreu em 1124 e, após alguma disputa, Honório II foi escolhido como seu sucessor. Quanto à grande influência do reinado de Calisto II na política da Igreja, não pode haver disputas. Devido principalmente a ele, as concessões tão fracamente feitas por Pascoal II foram evocadas, e em sua própria ascensão ao trono papal, sua firmeza e força de caráter asseguraram um acordo sobre a controvérsia entre Igreja e Estado que, embora não totalmente satisfatória, era pelo menos suficiente para assegurar uma paz tão necessária. Por meio de seus esforços, pôs fim à concessão em massa de ofícios eclesiásticos por leigos; ele restabeleceu a liberdade das eleições canônicas e garantiu o reconhecimento do princípio de que a jurisdição eclesiástica só pode provir da Igreja, enquanto, por outro lado, concedia às autoridades seculares a influência a que estavam legitimamente intituladas na eleição de prelados que eram ao mesmo tempo os súditos mais poderosos e mais ricos do Estado. Por outro lado, ele foi culpado na época, principalmente pelo Arcebispo Conrado de Salzburgo, por não insistir na retirada do juramento de homenagem que todo bispo era obrigado a fazer ao imperador ou a seu senhor feudal, mas deveria ser lembrado. que Calisto II entendeu bem que a menos que algo fosse concedido a paz era impossível, e que o juramento de homenagem, por mais imprópria que a cerimônia pudesse parecer, não era uma exigência antinatural por parte do imperador em relação aos súditos que exerciam um enorme poder político como fizeram os bispos do Império Alemão. Calisto II não foi muito notável por suas produções literárias; no entanto, algumas obras chegaram até nós e são atribuídas a sua caneta. São elas: “De Miraculis Sancti Jacobi Apostoli”, “De obitu e Vita Sanctorum”, “Vita Caroli Magni Imperatoris”. Muitas cartas atribuídas a ele são preservadas. Estas, juntamente com seus outros escritos, podem ser encontrados em Migne, P.L., CLXIII (1073-1383). Além desta edição, trinta e seis de suas cartas estão contidas em “Concilia” de Hardouin (VI, 2, 1949-1976). Essas mesmas cartas, com duas adicionais, são publicadas por Mansi (XXI, 190-218); outros são dadas por D’Achery [Spicilegium (Paris, 1723), II, 964; III, 478, 479]; algumas outras adicionais podem ser encontrados em “Magn. Bull. Rom. Continuat.”, III, ed. Luxemburgo, 1730, 12. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/03185a.htm
- QUERO SER UM HOMEM NOVO EM CRISTO JESUS
Perdoa-me e ajuda-me, meu Deus! Faz morrer em mim o homem velho, vil, tíbio, ingrato, infiel, débil, indeciso e enfraquecido, e «cria em mim um coração novo», caloroso, corajoso, agradecido, fiel, forte, decidido e enérgico… Consagro-Te todos os instantes que me restam viver. Faz com que o meu futuro seja totalmente o contrário do meu passado, que o redima, que seja inteiramente empregue a fazer a tua vontade, que em todos os instantes te glorifique na medida exigida pela tua vontade. Ámen. (Beato Carlos de Foucauld) #Igreja
- Hitler Católico. Definitivamente o fim de 50 anos de calunias.
Hitler Católico. Definitivamente o fim de 50 anos de calunias. Creio que esta questão tenha chegado ao seu fim, sem possibilidades de refutação, pois após 50 anos de proibição, foi publicado o Livro de Hitler: Minha Luta (Mein Kampf) o qual não hesitei em adquirir tão logo o encontrei. Parecia que estava comprando drogas, pois sua publicação estava ainda sobre fortes críticas, com até ameaças do MP em acionar a justiça para proibir sua edição. Todavia, era necessária a leitura do seu livro, pois ao contrário de todas as fontes que possamos obter sobre a “religiosidade” de Hitler, nenhuma, a meu ver, supera o seu próprio escrito, o qual contém algo que nenhum historiador jamais sonharia alcançar: a alma do ditador nazista revelada em torno de seu projeto de poder. Ele o escreveu quando se encontrava preso, por volta da década de 20, dirigindo-se “aos adeptos do movimento” que a ele “aderiram de coração e aspiram esclarecimentos mais substanciais” (prefácio). Portanto, trata-se de uma fonte primária, extraordinária, que está acima de todas as impressões que lhe atribuíram os historiadores até a presente data, muitas delas confirmadas pelo livro, outras, totalmente equivocadas. Dentre elas, a sua religiosidade católica, atribuída a ele de forma uníssona pela crítica anticatólica. De fato, na sua infância, revela que nas “horas livres, recebia lições de canto no coro paroquial de Lambach” onde se extasiava “ante as pompas festivas das brilhantes festas da igreja” e que assim como seu pai “via na posição de pároco de aldeia o ideal na vida” e que “a situação de abade pareceu a aspiração mais elevada. Pelo menos temporariamente isto se deu” (pg. 12-13). Não obstante, “a vocação temporária para esta profissão, desapareceu muito cedo, para dar lugar a esperanças mais conformes com o meu temperamento” (ibidem). Neste tempo desejava ser artista ou arquiteto para o que se considerava “perfeito”. No entanto quando já adulto, para seu projeto nazista, Hitler deixou absolutamente claro a sua preferência religiosa: o protestantismo. Em suas próprias palavras declarou que o “protestantismo representa, por si, melhor as aspirações do germanismo (…) O protestantismo servirá para promover tudo o que é essencialmente germânico, sempre que se trate de pureza interior ou, de intensificar o sentimento nacional, ou defesa da vida alemã, da língua e também da liberdade, uma vez que tudo isto é parte essencial nele” (pg. 88). Contudo, revelou uma pequena preocupação com o protestantismo: o antissemitismo. Nesta questão, diz ele, o protestantismo “gira indecisamente” e, “a não ser que esta questão seja resolvida, não terá sentido ou possibilidade de êxito qualquer tentativa de renascimento alemão” (ibidem). De fato a questão judaica no protestantismo embora atualmente tenha caminhado mais para sua idolatria que para o antissemitismo, nem sempre foi assim e, provavelmente, isto explica a aproximação de Hitler aos luteranos, pois ali, nos escritos de Lutero, certamente encontrou o antissemitismo que procurava para a religião do Reich. Ele não deixou de incluir Lutero no rol dos “grandes lutadores”, daqueles que “mais tarde, mais de perto, tocarão o coração do povo” e daqueles que “sobretudo nos dias de tristeza, levanta os corações quebrados e almas desesperadas” a estes, disse ele, “Pertencem não só os grandes estadistas, como todos os grandes reformadores. Ao lado de Frederico, o Grande, figura aqui Martinho Lutero, bom como Ricardo Wagner” (pag. 161). A bem da verdade é bom deixar claro, que não foi o protestantismo que influenciou o antissemitismo de Hitler. A sua formação antissemítica decorreu da visão exclusivamente política e/ou filosófica do povo judeu: descobriu nele a origem do marxismo, a “praga que assolava o povo alemão”, a pior “ameaça à humanidade”. Poderia ter ele usado qualquer credo, seja o catolicismo ou o islã. Certamente, isto o mundo ligeiramente não tardará em enxergar para defender o protestantismo, e até mesmo o islã, se este fosse sua opção. A mesma certeza não se daria se o ditador tivesse usado a Igreja Católica: ninguém a desculparia e os juízes deste século já estariam forçando o papa a pedir “perdão” Imagine se Hitler tivesse declarado: “O catolicismo servirá para promover tudo que é essencialmente germânico”? Ou que no Lugar de Lutero, tivesse exaltado Pio XII? O fantástico já teria dispensado pelo menos 2 horas de massacre contra a Igreja! E olha que ele chegou a indagar: “É ou não possível a conservação do germanismo austríaco sob uma fé católica?” (pag. 89) A resposta, todavia, se mostra implícita, e é evidente que é negativa e sendo positiva, ele deixa claro que a eventual fé católica no Reich, deveria advir não de Roma, mas de uma REFORMA, cujo controle deveria estar em suas mãos. Várias de suas declarações mostraram sua rejeição ao catolicismo e, mais ainda, sua oposição a ele. Em relação ao seu “germanismo” observou que o clero católico se lhe opunha e ou não fazia resistência às ações contrárias (pg. 86). Afirma ele que a impressão geral é que “havia uma ofensa grosseira aos direitos alemães por parte do clero católico. Parecia com isso que a Igreja não sentia com o povo alemão e se colocava, de maneira injusta, ao lado do inimigo do mesmo” (ibidem). “A raiz de todo o mal, porém, estava, segundo a opinião de Schonore, no fato de a DIREÇÃO da Igreja Católica não estar na Alemanha…” (grifei) – (ibidem). Schonere – diz ele – “Iniciou uma Luta contra a Igreja, convencido que somente por ela a raça alemã poderia salvar-se. O movimento de libertação contra Roma (“Los Von Rom”) parecia o mais formidável, porém também o mais difícil processo de ataque, que teria de destruir a cidadela inimiga. Fosse ele vitorioso estaria vencida, para sempre, a infeliz cisão religiosa da Alemanha e a força interior do Reich e da nação alemã poderia, com uma tal vitória, lucrar de maneira formidável”. (ibidem). Reconheceu ele o fracasso desta luta contra Roma em relação a seus interesses, porém lamentando e ironizando: “É verdade que foi possível arrancar perto de cem mil membros á Igreja, porém, neste caso, não havia necessidade de chorar pelas “ovelhinhas” perdidas; ela perdeu só perdeu o que há muito tempo intimamente não lhe pertencia. Essa era a diferença entre a nova reforma e a antiga” (pag. 91). A partir do Mein Kampf, a alma de Hitler, sua religiosidade, seu projeto nazista, a formação do seu pensamento antissemítico, sua psicopatia, ficam absolutamente exposta, e, mais uma vez, para os críticos anticatólicos, tal qual os “milhões de mortos da inquisição”, a descoberta é decepcionante. Talvez por isto o livro é mantido em segredo, muitos são os que o estudam, mas poucos os que tem coragem de revelar a decepcionante ideia de Hitler não ser católico e, pior, ter sido protestante e jamais ter desejado o nazismo sob a fé católica bimilenar. A vergonha e a humilhação de reconhecer que os católicos estavam certos na defesa contra os 50 anos de calúnias e que Hitler era protestante, são maiores que o amor à verdade, por isto, biquinho fechado até agora. (Cristian Fernandes) #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja #Guerra
- AS CRUZADAS E A JIHAD Parte II (AS CRUZADAS FORAM AÇÕES DE DEFESA E NÃO DE IMPOSIÇÃO DO IMPÉRIO OC
AS CRUZADAS E A JIHAD PARTE II 1. AS CRUZADAS FORAM AÇÕES DE DEFESA E NÃO DE IMPOSIÇÃO DO IMPÉRIO OCIDENTAL 2. O pesquisador moderno se tiver um mínimo de honestidade, e buscar as palavras do Papa Urbano II, que ao convocar a primeira cruzada no Concílio de clermont, em 1095, clamava pela defesa da honra e da dignidade dos cristãos tanto os ocidentais quanto os orientais, ele não fazia distinção entre latinos e orientais, na verdade esta atitude já estava atrasado em muitos séculos. Nas próprias palavras de Urbano II ele convocou A Cruzada Porque sem uma ação defensiva os fiéis de Deus serão atacados […] com cada vez mais dureza pelos turcos e outras forças muçulmanas. Após advertir seu rebanho de que mantivesse a paz entre si, voltou a atenção dos congregados para o Oriente. 3. “Vossos irmãos do oriente necessitam da vossa ajuda com urgência, e deveis apressar-vos a dar-lhe o auxílio que lhe foi prometido. Porque, como muitos de vós já sabeis, Os turcos e Árabes atacaram e conquistaram Os territórios da România [o império grego], avançando a Oeste até a costa do Mediterrâneo e o Hesponto, também chamado braço de São Jorge. Vão eles ocupando terras após terras desses cristãos. Já venceram 7 batalhas. Andam matando e aprisionando aos montes, destruindo e devastando o império. E, E se nós lhes permitirmos seguir em frente com impunidade, os fiéis de Deus serão atacados por eles com cada vez mais dureza. Por isso eu, ou antes o senhor rouba a vós, como Arautos de Cristo, que repassem essas palavras e persuadam toda a gente, de qualquer classe, peões e cavaleiros, pobres e ricos, aí pronto a mente socorrer esses cristãos e destruir a raça viu investida nas terras dos nossos amigos. […] Ademais Cristo ordena. 4. É bem nítido que o Papa Urbano II não diz nada em relação sobre conversões nem de conquistas. A parte do destruir a raça vil pode escandalizar os ouvidos modernos sensíveis a justiça; mas a exortação não era para cometer nenhuma extermínio em massa, e sim para remover a regência islâmicas de terras que tinham sido cristãs. Outro resumo do discurso papal em clermont relata que Urbano falou de “um perigo iminente a ameaçar você e a todos os fiéis”. 5. “Desde os confins de Jerusalém e de Constantinopla vem circulando, e chega a repetidamente aos ouvidos, uma notícia mortificante: a saber que uma raça do reino persa, uma raça amaldiçoada, uma raça rompida com Deus, Uma Geração de coração desacertado e espírito avesso ao Senhor, invadiu com violência as terras desses cristãos e Ilhas desse povo ou mediante incêndios e pilhagens. Uma parte dos cativos eles levaram embora para as próprias terras, e outra parte mataram compro as torturas. Das igrejas de Deus depredaram algumas e ocuparam outras para as práticas de sua religião. Eles destruíram os Altares depois de os terem profanado com suas fezes […] o reino dos gregos foi por eles desmembrado, el despojado de um território tão vasto que não se atravessa em 2 meses de jornada […] essa cidade Régia, situado no centro do mundo, agora é mantida em cativeiro pelos Inimigos de Cristo, e é sujeitada ao culto Pagão por aqueles que não conhecem Deus. Ela, portanto, deseja e procura libertar-se, e não se cansa de implorar o vosso auxílio. A vós sobretudo é que ela suplica Socorro, Porque, como já dissemos, foi por Deus concedida a vós, acima de todas as demais Nações, a Glória das Armas. 6. As palavras do Papa foram motivadas devido à destruição da igreja do Santo sepulcro pelos muçulmanos: eu vou servir de estímulo o santo sepulcro de nosso senhor e salvador, ora em poder de nações sórdidas, e os demais lugares sagrados hoje tratados com ignomínia e ireverentemente maculados com as imundices dos sórdidos. 7. Formaram-se cruzadas com peregrinações: os cristãos da Europa tomar um caminho da Terra Santa por propósitos religiosos e com a intenção de se defender em caso força em bloqueados ou atacados. Muitos fizeram votos religiosos. Como particular prontidão, saiu na frente rumo à Terra Santa uma quantidade de soldados extraoficial conhecida como cruzada popular — Esses foram quase todos massacrados sem cerimônia pelos turcos na Ásia menor ocidental em agosto de 1096. 8. Devemos entender que no direito islâmico, a Jihade é obrigatória sempre que um território muçulmano seja atacado: quando não muçulmanos invadem um país islâmico, ou região próxima. 9. O chamado à Jihade faz parte de toda a história do Islã. Quando o Regente Hamdanida Ceife Aldaulá lançou campanhas anuais de Jihade contra os bizantinos, em meados do século X, muçulmanos dos mais longínquos países foram participar. Foram porque, na visão deles, os bizantinos estavam empreendendo guerras ofensivas para usurpar terras muçulmanas. Mais tarde durante a primeira cruzada, um poeta incitou os muçulmanos a responder: “não tendes vós obrigação para com Deus e islã de defender os jovens e os velhos? Respondei a Deus! Ai de vós! respondei!”, Ibn Taymiya (1263 – 1328), Esta é a jurisprudência islâmica tão querida dos jihadistas atuais. 10. OS CRUZADOS ENTRAVAM EM GUERRA POR GANÂNCIA? 11. Isto não é verdade, mas é evidente que entre os cruzados Nem todas as pessoas tinham motivações puras, mais de uma vez, muitos caíram dos Altos ideais em geral. Seguidos pelos peregrinos cristãos. No entanto, o dogma do Politicamente correto de que as cruzadas consistiram em ações não provocadas e imperialistas contra uma pacífica população mulçumana e autóctone simplesmente carece de honestidade e exatidão histórica e refletir antes a versão pela civilização ocidental do que exame histórico Genuíno. 12. O Papa Urbano não concedeu as cruzadas como uma oportunidade para ganhos. Ele decretou que as terras retomadas das mãos muçulmanas pertenceriam a Aleixo comendo e o Império Bizantino. O Papa via nas Cruzadas um ato de sacrifício, e não uma chance de lucro. 13. A empreitada era, na verdade, proibitivamente dispendiosa. Cruzados vendiam suas propriedades a fim de levantar fundos para sua longa jornada à terra santa, e faziam-no sabendo bem que podiam não voltar. 14. Antisséptico cruzado era Godofredo de bouillon, Duque da Baixa Lorena e um dos mais proeminentes Lords a tomar a cruz (Como se chamava o ato de ingressar numa cruzada). Godofredo desfez-se de muitas propriedades para financiar a viagem, mas sabe-se que ele planejava regressar, e não se estabelecer no Oriente Médio, porque não abriu mão do seu título nem de seus arrendamentos. 15. AS CRUZADAS FORAM REALIZADAS PARA O CRISTIANISMO AOS MUÇULMANOS? 16. A História contada pelas mentes raivosas da civilização ocidental, que tem esses historiadores modernos, que podemos dizer modernistas, na concepção desse tipo de historiador os cruzados saíram pelo oriente médio de espada na mão e foram matando todos os infiéis que se deparavam, exceto os que eles coagiam a converter-se ao cristianismo. Isto é uma mentira. Invenção dessa dentes que parecem que vivem no Oriente Médio ou na Ásia Central mulçumana, um afegão não poderia fazer melhor discurso contra o ocidente do que esses tolos, porque odeiam tanto a civilização ocidental em que eles vivem, e que eles foram criados e que gozam de todas as descobertas que o mundo ocidental trouxe? Seria bom que ao invés de usar um iPhone, trocassem mensagens por cartas escritas a mão, pois a tecnologia que usam é fruto do método científico ocidental, não usem carros americanos, comprem mulas da Arábia saudita pra se locomover, seria um bom exemplo de politicamente correto. É fácil de desmentir essas bobagens, é só juntar Todos Os relatos dos discursos do Papa em clermont, o somatório das menções ao dever de converter muçulmanos é igual a zero. Defender os peregrinos cristãos e reaver terras cristãs: Esse era o objetivo único que deixou o Papa Urbano preocupado, esta foi a única intenção. Sabemos que passaram-se mais de 100 anos, somente no século XVIII que cristãos europeus vieram a fazer qualquer esforço organizado para converter muçulmanos ao cristianismo — foi quando os franciscanos deram início ao trabalho missionário entre os muçulmanos em terras tomadas pelos cruzados. O empreendimento fracassou em grande medida. 17. Quando os cruzados saíram vitoriosos estabeleciam reinos e principados no Oriente Médio, Em geral deixavam os muçulmanos dos seus domínios viver em paz, praticar a própria religião com Liberdade, construir mesquitas e escolas e manter os próprios tribunais religiosos. Alguns compraram a condição deles à dos dímis em terras muçulmanas. E tinham certa autonomia, mas ficavam sujeitos a tributações desfavoráveis e outras restrições. É provável que os cruzados tem adotado algumas das leis vigentes para os dímis, mas eles nunca submeteram judeus e muçulmanos a códigos de vestuário. Assim, estas populações ficavam Livres da discriminação e do assédio no dia a dia — o oposto da prática muçulmana. A diferença fundamental é que a dima jamais fez parte da doutrina e do direito cristão, ao passo que fez e continua a fazer parte do Islã. 18. E, o que é mais, o Muçulmano espanhol Ibn Jubayr (1145-1217), quando atravessava o mediterrâneo com destino a meca na década de 1180, constatou que os muçulmanos passavam melhor nas terras controladas pelos cruzados do que nas terras islâmicas. Aquelas eram bem mais organizadas e administradas que estas, de tal maneira que os próprios muçulmanos preferiam viver nos domínios cruzados: 19. “Ao deixarmos de Tibnine (perto de tiro), percorremos uma série ininterrupta de fazendas e Vilas com terras eficientemente cultivadas. Os habitantes dali são todos os muçulmanos, mas vivem à vontade entre os Francos ou cruzados — preserve-os Deus da Tentação! Suas moradas eles pertencem e suas Posses seguem íntegras. Todas as regiões da Síria controladas pelos Francos estão sujeitas ao mesmo sistema: as terras, vilas e fazendas permanecem nas mãos dos muçulmanos. Agora a dúvida vem quebrar o coração de muitos e muitos desses homens quando eles comparam a própria sorte com a dos seus irmãos fixados em território muçulmano. Esses últimos sofrem com a injustiça de seus correligionários, enquando os Francos procedem com equidade. #Bizâncio #Históriadaidademédia #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Cruzadas #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja #Guerra
- Papa Clemente XIV (1758-1769)
(LORENZO – ou GIOVANNI VINCENZO ANTONIO – GANGANELLI). Nascido em Sant ‘Arcangelo, perto de Rimini, 31 de outubro de 1705; morreu em Roma, em 22 de setembro de 1774. Com a morte de Clemente XIII, a Igreja estava em grave sofrimento. O galicanismo e o jansenismo, o febronianismo e o racionalismo estavam em rebelião contra a autoridade do pontífice romano; os governantes da França, Espanha, Nápoles, Portugal, Parma estavam do lado dos sectários que lisonjeavam seus preconceitos dinásticos e, pelo menos na aparência, trabalhavam para o fortalecimento do poder temporal contra o espiritual. O novo papa teria que enfrentar uma coalizão de forças morais e políticas que Clemente XIII de fato havia resistido, mas não conseguiu reprimir ou mesmo materialmente verificar. A grande questão entre Roma e os príncipes Bourbon foi a supressão da Companhia de Jesus. Na França, na Espanha e em Portugal, a supressão ocorrera de fato; A adesão de um novo papa foi a ocasião para insistir na abolição da raiz e do ramo da ordem, de facto e de direito, na Europa e em todo o mundo. O conclave reuniu-se em 15 de fevereiro de 1769. Raramente, se alguma vez, um conclave foi vítima de tal interferência arrogante, intrigas básicas e pressão injustificada. Os embaixadores da França (d’Aubeterre) e da Espanha (Azpuru) e os cardeais de Bernis (França) e Orsini (Nápoles) lideraram a campanha. O colégio sagrado, composto por quarenta e sete cardeais, foi dividido em cardeais da corte e Zelanti. Os últimos, favoráveis aos jesuítas e contrários à usurpação secular, eram maioria. “É fácil prever as dificuldades de nossas negociações em um estágio em que mais de três quartos dos atores estão contra nós”. Assim escreveu Bernis a Choiseul, o ministro de Luís XV. O objetivo imediato dos intrigantes era ganhar um número suficiente de Zelanti. D’Aubeterre, inspirado por Azpuru, instou Bernis a insistir que a eleição do futuro papa dependesse de seu compromisso escrito de reprimir os jesuítas. O cardeal, no entanto, recusou. Em um memorando para Choiseul, datado de 12 de abril de 1769, ele diz: “Exigir do futuro papa uma promessa feita por escrito ou perante testemunhas, destruir os jesuítas, seria uma flagrante violação da lei canônica e, portanto, uma mancha na honra das coroas “. O rei da Espanha (Carlos III) estava disposto a assumir a responsabilidade. D’Aubeterre opinou que a lei de simonia e a lei canônica não tinha posição contra a razão, que reivindicava a abolição da Sociedade pela paz do mundo. Ameaças foram agora tinham sido recorridas; Bernis insinuou um bloqueio de Roma e insurreições populares para superar a resistência dos Zelanti. A França e a Espanha, em virtude de seu direito de veto, excluíram vinte e três dos quarenta e sete cardeais; nove ou dez mais, por conta de sua idade ou por algum outro motivo, não eram papabilis; apenas quatro ou cinco permaneceram elegíveis. Bem, poderia o Sagrado Colégio, como Bernis temia, protestar contra a violência e separar-se do apelo de não ser livre para eleger um candidato adequado. Mas D’Aubeterre foi implacável. Ele queria intimidar os cardeais. “Um papa eleito contra os desejos dos tribunais”, escreveu ele, “não será reconhecido”; e novamente, “eu acho que um papa desse temperamento [filosófico], isto é, sem escrúpulos, segurando-se rapidamente a nenhuma opinião e consultando apenas seus próprios interesses, poderia ser aceitável para os Tribunais”. Os embaixadores ameaçaram deixar Roma, a menos que o conclave se rendesse a suas ordens. A chegada dos dois cardeais espanhóis, Solis e La Cerda, acrescentou nova força ao partido da Corte. Solis insistiu em uma promessa escrita de suprimir os jesuítas ser dada ao futuro papa, mas Bernis não deveria ser ganho para tal violação da lei. Solis, portanto, apoiado no conclave pelo cardeal Malvazzi e fora pelos embaixadores da França e da Espanha, tomou o assunto em suas próprias mãos. Ele começou por soar o cardeal Ganganelli quanto à sua disposição em dar a promessa exigida pelos príncipes Bourbon como condição indispensável para a eleição. – Por que Ganganelli? Este cardeal foi o único frade no Sagrado Colégio. De origem humilde (seu pai fora cirurgião em Sant ‘Arcangelo), recebera educação dos jesuítas de Rimini e dos piaristas de Urbino e, em 1724, aos dezenove anos, ingressara na Ordem dos Frades Menores de São Francisco e mudou seu nome de batismo (Giovanni Vincenzo Antonio) para o de Lorenzo. Seus talentos e virtudes o elevaram à dignidade do definidor geral de sua ordem (1741); Bento XIV fez dele o consultor do Santo Ofício, e Clemente XIII deu-lhe o chapéu de cardeal (1759), no caso, diz-se, do padre Ricci, o genal dos jesuítas. Durante o conclave, ele se esforçou para agradar tanto o Zelanti quanto o partido da Corte sem se comprometer com nenhum dos dois. De qualquer forma, ele assinou um documento que satisfazia Solis. Crétineau-Joly, o historiador dos jesuítas, dá seu texto; o futuro papa declarou ”que ele reconheceu no soberano pontífice o direito de extinguir, com boa consciência, a Companhia de Jesus, desde que ele observasse a lei canônica; e que era desejável que o papa fizesse tudo o que estivesse em seu poder para satisfazer os desejos das Coroas “. O documento original, porém, não é encontrado em lugar algum, mas sua existência parece estabelecida por eventos subseqüentes, e também pelo testemunho de Bernis, em cartas a Choiseul (28 de julho e 20 de novembro de 1769), assegurara assim os votos dos cardeais da corte, os Zelanti o consideravam indiferente ou mesmo favorável aos jesuítas, d’Aubeterre sempre estivera a seu favor como sendo “um sábio e moderado teólogo”, e Choiseul o havia marcado como “muito bom” na lista de papabilis. Bernis, ansioso por ter sua parte na vitória dos soberanos, pediu a eleição. Em 18 de maio de 1769, Ganganelli foi eleito por quarenta e seis votos de quarenta e sete, sendo o quadragésimo sétimo o seu, que ele havia dado ao cardeal Rezzonico, sobrinho de Clemente XIII. Ele adotou o nome de Clemente XIV. A primeira encíclica do novo papa definia claramente sua política: manter a paz com os príncipes católicos a fim de assegurar seu apoio na guerra contra a irreligião. Seu antecessor o deixou um legado de grilhões com quase toda potência católica na Europa. Clemente apressou-se a acertar o máximo que pudesse com concessões e medidas conciliatórias. Sem revogar a constituição de Clemente XIII contra as incursões do jovem duque de Parma sobre os direitos da Igreja, absteve-se de insistir em sua execução e gentilmente concedeu-lhe uma dispensa para casar com sua prima, a arquiduquesa Amélia, filha de Maria Teresa da Áustria. O rei da Espanha, acalmado por essas concessões, retirou o edito não-canônico que, um ano antes, publicara como contra-ataque aos procedimentos do papa contra o infante Duque de Parma, sobrinho do rei; ele também restabeleceu o tribunal do núncio e condenou alguns escritos contra Roma. Portugal havia sido cortado de Roma desde 1760; Clemente XIV iniciou sua tentativa de reconciliação elevando ao Sagrado Colégio Paulo de Carvalho, irmão do famoso ministro Pombal; negociações ativas terminaram na revogação, pelo rei José I, das ordenações de 1760, origem e causa da ruptura entre Portugal e a Santa Sé. Uma queixa comum aos príncipes católicos era a publicação anual, na quinta-feira santa, das censuras reservadas ao papa; Clemente aboliu esse costume na primeira Quaresma de seu pontificado. Mas restava a questão ameaçadora dos jesuítas. Os príncipes Bourbon, embora agradecidos por concessões menores, não descansariam até que obtivessem o grande objetivo de suas maquinações, a total supressão da Sociedade. Embora perseguidos na França, Espanha, Sicília e Portugal, os jesuítas ainda tinham muitos protetores poderosos: os governantes, assim como a consciência pública, os protegiam e seus numerosos estabelecimentos nos eleitorados eclesiásticos da Alemanha, no Palatinado, Baviera, Silésia. , A Polônia, a Suíça e os muitos países sujeitos ao cetro de Maria Teresa, sem mencionar os Estados da Igreja e as missões estrangeiras. Os príncipes Bourbon foram movidos em sua perseguição pelo espírito dos tempos, representado em países latinos pelo filosofismo irreligioso francês, pelo jansenismo, pelo galicanismo e pelo erastianismo; provavelmente também pelo desejo natural de receber a sanção papal por seus processos injustos contra a ordem, pelos quais foram acusados no tribunal da consciência católica. A vítima da injustiça de um homem muitas vezes se torna objeto de seu ódio; Assim, somente a conduta de Carlos III, de Pombal, Tanucci, Aranda, Moniño pode ser explicada. Uma queixa sempre recorrente e quase solitária contra a Sociedade era que os Padres perturbavam a paz onde quer que estivessem firmemente estabelecidos. A acusação não é infundada: os jesuítas realmente perturbaram a paz dos inimigos da Igreja, pois, nas palavras de Alembert a Frederico II, eles eram “os granadeiros da guarda do papa”. O cardeal de Bernis, agora embaixador da França em Roma, foi instruído por Choiseul a seguir o exemplo da Espanha na renovada campanha contra os jesuítas. Em 22 de julho de 1769, ele apresentou ao papa um memorando em nome dos três ministros dos reis Bourbon: “Os três monarcas”, dizia ele, “ainda acreditam que a destruição dos jesuítas seja útil e necessária; eles já fizeram seu pedido a Vossa Santidade, e eles o renovam neste dia. ” Clemente respondeu que “ele teve sua consciência e honra para consultar”; ele pediu um atraso. Em 30 de setembro, ele fez algumas promessas vagas a Luís XV, que estava menos ansioso na batalha do que Carlos III. Este último, empenhado na supressão imediata da ordem, obtida de Clemente XIV, sob a forte pressão de Azpuru, a promessa escrita “de submeter a Sua Majestade um esquema para a extinção absoluta da Sociedade” (30 de novembro de 1769). Para provar sua sinceridade, o papa começou agora hostilidades abertas contra os jesuítas. Ele se recusou a ver seu general, padre Ricci, e gradualmente retirou de seu séquito seus melhores amigos; seus únicos confidentes eram dois frades de sua ordem, Buontempo e Francesco; nenhum príncipe ou cardeal cercou seu trono. O povo romano, insatisfeito com esse estado de coisas e reduzido à inanição por má administração, mostrou abertamente seu descontentamento, mas Clemente, preso por suas promessas e preso nas malhas da diplomacia Bourbon, não conseguiu refazer seus passos. O colégio e o seminário de Frascati foram retirados dos jesuítas e entregues ao bispo da cidade, o cardeal de York. Seus catecismos da Quaresma foram proibidos em 1770. Uma congregação de cardeais hostis à ordem visitou o Colégio Romano e expulsou os Padres; o noviciado e o colégio alemão também foram atacados. O Colégio Alemão ganhou sua causa, mas a sentença nunca foi executada. Os noviços e estudantes foram enviados de volta para suas famílias. Um sistema similar de perseguição foi estendido a Bolonha, Ravenna, Ferrara, Modena, Macerata. Em nenhum lugar os jesuítas ofereciam alguma resistência; eles sabiam que seus esforços eram fúteis. O padre Garnier escreveu: “Você me pergunta por que os jesuítas não oferecem defesa: eles não podem fazer nada aqui. Todas as abordagens, diretas e indiretas, estão completamente fechadas, com paredes duplas. Não é possível encontrar o mais insignificante memorando encontrando seu caminho. Não há ninguém que se encarregaria de entregá-lo “(19 de janeiro de 1773). Em 4 de julho de 1772, apareceu em cena um novo embaixador espanhol, Joseé Moniño, conde de Florida Blanca. Imediatamente ele atacou o papa perplexo. Ele o ameaçou abertamente com um cisma na Espanha e provavelmente nos outros estados Bourbon, como existia em Portugal de 1760 a 1770. Por outro lado, ele prometeu a restituição de Avinhão e Benevento, ainda mantida por França e Nápoles. Embora a raiva de Clemente tenha sido despertada por essa última proposta simbiótica, seu coração bom, mas fraco, não conseguiu superar o medo de um cisma generalizado. Moniño havia conquistado. Ele agora saqueava os arquivos de Roma e da Espanha para fornecer a Clemente fatos que justificassem a prometida repressão. Moniño deve ser responsabilizado pelo assunto do Breve “Dominus ac Redemptor”, ou seja, por seus fatos e provisões; o papa contribuiu pouco mais do que a forma de sua autoridade suprema. Enquanto isso Clemente continuava a assediar os jesuítas de seus próprios domínios, talvez com a intenção de preparar o mundo católico para o resumo da supressão, ou talvez esperando, com sua severidade, acalmar a ira de Carlos III e evitar a abolição de toda a ordem. . Até o final de 1772, ele ainda encontrou algum apoio contra os Bourbons no rei Carlos Emmanuel da Sardenha e na imperatriz Maria Teresa da Áustria. Mas Carlos Emmanuel morreu, e Maria Teresa, dando lugar às preces imperiosas de seu filho José II e sua filha, a rainha de Nápoles, deixou de implorar pela manutenção da Sociedade. Assim deixado a si mesmo, ou melhor, à vontade de Carlos III e às artimanhas de Moniño, Clemente começou, em novembro de 1772, a composição do Breve da Abolição, que levou sete meses para terminar. Foi assinado em 8 de junho de 1773; ao mesmo tempo, uma congregação de cardeais foi designada para administrar a propriedade da ordem reprimida. No dia 21 de julho, os sinos do Gesù tocaram a abertura da novena anual que precedeu a festa de Santo Inácio; o papa, ouvindo-os, observou: “Eles não estão tocando para os santos, mas para os mortos”. O resumo da supressão, assinado em 8 de junho, traz a data de 21 de julho de 1773. Foi divulgado no Gesù ao geral (padre Ricci) e seus assistentes na noite de 16 de agosto; no dia seguinte, foram levados primeiro para o English College e depois para o Castel Sant ‘Angelo, onde foi iniciado o longo julgamento. Ricci nunca viu o fim dele. Ele morreu na prisão, até seu último momento protestando contra sua inocência e a de sua ordem. Seus companheiros foram libertados sob Pio VI, e seus juízes os consideraram “não culpados”. O Breve, “Dominus ac Redemptor” abre com a afirmação de que é o ofício do papa garantir no mundo a unidade da mente nos laços da paz. Ele deve, portanto, estar preparado, por amor à caridade, para arrancar e destruir as coisas mais caras a ele, quaisquer que sejam as dores e amarguras que sua perda possa acarretar. Freqüentemente, os papas, seus antecessores, fizeram uso de sua autoridade suprema para reformar e até mesmo dissolver ordens religiosas que se tornaram prejudiciais e perturbaram a paz das nações, em vez de promovê-la. Numerosos exemplos são citados, então o Breve continua: “Nossos predecessores, em virtude da plenitude de poder que é deles como Vigários de Cristo, suprimiram tais ordens sem permitir que declarassem suas reivindicações ou refutassem as graves acusações feitas contra eles, ou para impugnar os motivos do papa “. Clemente agora tem que lidar com um caso semelhante, o da Companhia de Jesus. Tendo enumerado os principais favores concedidos pelos ex-papas, ele observa que “o próprio teor e termos das Constituições Apostólicas mostram que a Sociedade, desde seus primórdios, gerou os germes de dissensões e ciúmes que separaram seus próprios membros, levando-os a levantar-se contra outras ordens religiosas, contra o clero secular e as universidades, ou mesmo contra os soberanos que os receberam em seus estados “. Em seguida, segue uma lista das brigas em que os jesuítas haviam se engajado, de Sisto V a Bento XIV. Clemente XIII esperava silenciar seus inimigos renovando a aprovação de seu Instituto, “mas a Santa Sé não conseguiu nenhum consolo, a Sociedade não ajuda, o cristianismo não tira vantagem das cartas apostólicas de Clemente XIII, de abençoada memória, cartas que foram arrancadas dele ao invés de dar livremente “. No final do reinado deste papa “o clamor e as queixas contra a Sociedade aumentando dia a dia, os próprios príncipes cuja piedade e benevolência hereditária em relação a ela são favoravelmente conhecidos de todas as nações – nossos amados Filhos em Jesus Cristo, os reis da França, Espanha Portugal e as duas Sicílias – foram forçados a expulsar de seus reinos, estados e províncias, todos os religiosos desta Ordem, sabendo bem que esta medida extrema era o único remédio para tais grandes males. ” Agora a completa abolição da ordem é exigida pelos mesmos príncipes. Depois de longa e madura consideração, o papa “compelido por seu ofício, que lhe impõe a obrigação de obter, manter e consolidar com todo o seu poder a paz e a tranqüilidade do povo cristão – persuadidos, além disso, de que a Companhia de Jesus não é mais capaz de produzir o fruto abundante e o grande bem pelo qual foi instituída – e considerando que, enquanto esta ordem subsistir, é impossível para a Igreja gozar de paz livre e sólida “, resolve” suprimir e abolir “a Sociedade”, anular e revogar todos e cada um dos seus cargos, funções e administrações. A autoridade dos superiores foi transferida para os bispos; foram tomadas minuciosas providências para a manutenção e emprego dos membros da Ordem. O Breve conclui com uma proibição de suspender ou impedir sua execução, para que seja motivo de insulto ou atacar qualquer um, muito menos os antigos jesuítas, exorta os fiéis a viver em paz com todos os homens e a amarem-se uns aos outros. O primeiro e único motivo para a supressão da Sociedade apresentada neste Breve é restaurar a paz da Igreja removendo uma das partes em disputa do campo de batalha. Nenhuma culpa é colocada pelo papa sobre as regras da ordem, ou a conduta pessoal de seus membros, ou a ortodoxia de seus ensinamentos. Além disso, o Padre Sydney Smith, S.J. (in “The Month”, CII, 62, julho de 1903), observa: “Permanece o fato de que a condenação não é pronunciada na linguagem direta da afirmação direta, mas é meramente insinuada com o auxílio de fraseado hábil”; e ele contrasta este método de declarar os fundamentos para a supressão da Sociedade com a linguagem vigorosa e direta usada pelos ex-papas na supressão dos Humiliati e outras ordens. Se Clemente XIV esperava impedir a tempestade de incredulidade contra a Barca de Pedro, jogando seus melhores remadores no mar, ele estava muito enganado. Mas é improvável que ele tenha entretido tal falácia. Ele amava os jesuítas, que foram seus primeiros professores, seus confiáveis conselheiros, os melhores defensores da Igreja sobre os quais ele governava. Nenhuma animosidade pessoal guiou sua ação; os próprios jesuítas, de acordo com todos os historiadores sérios, atribuem sua supressão à fraqueza de caráter de Clemente, à diplomacia não-especializada e àquele tipo de bondade de coração que está mais inclinado a fazer o que é mais agradável do que o que é certo. Ele não foi construído para manter a cabeça acima da tempestade; suas hesitações e lutas não foram suficientes contra os inimigos da ordem, e seus amigos não encontraram uma desculpa melhor para ele do que a de Santo Afonso: o que o pobre papa poderia fazer quando todas as cortes insistissem na repressão? O jesuíta Cordara expressa a mesma mentalidade: “Acho que não devemos condenar o pontífice que, depois de tantas hesitações, julgou ser seu dever reprimir a Companhia de Jesus. Adoro minha ordem tanto quanto qualquer homem. Estando no lugar do papa, eu provavelmente deveria ter agido como ele. O Xompany, fundado e mantido para o bem da Igreja, pereceu pelo mesmo bem; não poderia ter terminado mais gloriosamente. ” Deve-se notar que o Breve não foi promulgado na forma costumeira para as Constituições papais pretendidas como leis da Igreja. Não foi uma bula, mas um breve, ou seja, um decreto de menor força vinculativa e mais fácil de revogação; não foi afixada nos portões de São Pedro ou no Campo di Fiore; nem foi comunicado em forma legal aos jesuítas em Roma; o geral e seus assistentes receberam a notificação de sua supressão. Na França, não foi publicado, a Igreja Gallicana, e especialmente Beaumont, arcebispo de Paris, opondo-se resolutamente como sendo o ato pessoal do papa, não apoiado por toda a Igreja e, portanto, não vinculativo à Igreja da França. O rei da Espanha achou o Breve muito brando, pois não condenava nem a doutrina, nem a moral, nem a disciplina de suas vítimas. O tribunal de Nápoles proibiu sua publicação sob pena de morte. Maria Teresa permitiu que seu filho José II aproveitasse a propriedade dos jesuítas (cerca de US $ 10.000.000) e depois, “reservando seus direitos”, consentiu na supressão “pela paz da Igreja”. Polônia resistiu por um tempo; os cantões suíços de Lucerna, Friburgo e Solothurn nunca permitiram que os Padres desistissem de seus colégios. Dois soberanos não católicos, Frederico da Prússia e Catarina da Rússia, tomaram os jesuítas sob sua proteção. Quaisquer que tenham sido seus motivos, seja para ofender o papa e as cortes de Bourbon ou para agradar seus súditos católicos e preservar para eles os serviços dos melhores educadores, sua intervenção manteve a ordem viva até sua completa restauração em 1804. Frederico perseverou em sua oposição apenas por alguns anos; em 1780 o Breve foi promulgado em seus domínios. Os jesuítas mantiveram a posse de todas as suas faculdades e da Universidade de Breslau até 1806 e 1811, mas classificaram-se como sacerdotes seculares e não admitiram mais noviços. Mas Catarina II resistiu até o fim. Por sua ordem, os bispos da Rússia Branca ignoraram o resumo da supressão e ordenaram aos jesuítas que continuassem a viver em comunidades e continuassem com seu trabalho habitual. Clemente XIV parece ter aprovado sua conduta. A imperatriz, a fim de colocar em repouso os escrúpulos dos Padres, envolveu-se em várias negociações com o papa e teve sua vontade. Também na França, os jesuítas perseguidos não estavam totalmente sem amigos. Madame Louise da França, filha de Luís XV, que entrara na Ordem Carmelita e era, com suas irmãs, a líder de um bando de mulheres piedosas na corte de seu pai real, elaborara um esquema para restabelecer os jesuítas. em seis províncias sob a autoridade dos bispos. Bernis, no entanto, derrotou suas boas intenções. Ele obteve do papa um novo Breve, endereçado a si mesmo e solicitando que ele visse que os bispos franceses se conformassem, cada um em sua diocese, ao Breve “Dominus ac Redemptor”. Após a morte de Clemente XIV, havia rumores de que ele havia se retratado do resumo da abolição por uma carta de 29 de junho de 1774. Essa carta, dizia-se, fora confiada ao confessor para ser entregue ao próximo papa. Foi publicado pela primeira vez em 1789, em Zurique, em “Allgemeine Geschichte der Jesuiten”, de P. Ph. Wolf. Embora Pio VI nunca tenha protestado contra esta afirmação, a autenticidade do documento em questão não está suficientemente estabelecida (De la Serviére). A primeira e quase a única vantagem que o papa colheu de sua política de concessões foi a restauração da Santa Sé de Avinhão e Benevento. Estas províncias foram tomadas pelos reis da França e Nápoles quando Clemente XIII excomungou seu parente, o jovem duque de Parma (1768). A restituição, seguindo tão de perto a supressão dos jesuítas, parecia o preço pago por ela, embora, para salvar as aparências, o duque intercedesse com os dois reis a favor do papa, e Clemente, no consistório de 17 de janeiro de 1774. , tomou ocasião para carregar os príncipes Bourbon com louvores que eles pouco mereciam. As manobras hostis e cismáticas contra a Igreja continuaram inabaláveis em muitos países católicos. Na França, uma comissão real para a reforma das ordens religiosas estava em ação há vários anos, apesar dos protestos enérgicos de Clemente XIII; sem o consentimento do papa, aboliram em 1770 as congregações de Grandmont e dos beneditinos isentos; ameaçara os premonstratenses, os trinitários e os Mínimos com o mesmo destino. O papa protestou, através de seu núncio em Paris, contra tais abusos do poder secular, mas em vão. Os celestinos e os camaldulenses foram secularizados nesse mesmo ano, 1770. As únicas concessões que Luís XV se destinava a fazer era submeter a Clemente o decreto geral para a reforma dos religiosos franceses antes de sua publicação. Isso foi em 1773. O papa conseguiu obter sua modificação em vários pontos. Em 1768, Gênova havia cedido a ilha da Córsega à França. Ao mesmo tempo um conflito surgiu quanto à introdução de “usos Gallican”. O papa enviou um visitante apostólico para a ilha e teve a satisfação de impedir a adoção de usos em oposição à prática romana. Luís XV, no entanto, vingou-se recusando-se a reconhecer a suserania do papa sobre a Córsega. Luís XV morreu em 1774 e alguém poderia ficar bastante surpreso com o elogio que Clemente XIV pronunciou em um consistório sobre “o profundo amor do rei pela Igreja e seu admirável zelo pela defesa da religião católica”. Ele também esperava que a morte penitente do príncipe tivesse garantido sua salvação. Pode-se supor que ele foi solicitado por um desejo de agradar a filha mais jovem do rei, Madame Louise da França, Prioresa das Carmelitas de Saint-Denis, por quem ele sempre demonstrou um grande afeto, atestado por numerosos favores concedidos a ela e ao seu convento. Durante o pontificado de Clemente XIV, os principais governantes em terras alemãs foram Maria Teresa, da Áustria, e Frederico, o Grande, da Prússia. Frederico, preservando os jesuítas em seus domínios, prestou à Igreja um serviço bom, embora talvez não intencional. Ele também autorizou a construção de uma igreja católica em Berlim; o papa enviou uma generosa contribuição e ordenou que fossem feitas coletas para o mesmo fim na Bélgica, na Renânia e na Áustria. Maria Teresa viveu até o título de Regina Apostolica ser concedido a ela por Clemente XIII. Mas as doutrinas de Febrônio prevaleciam em sua corte e, mais de uma vez, ela entrou em conflito com o papa. Ela se recusou a reprimir uma nova edição de Febrônio, como Clemente pediu: ela emprestou um ouvido disposto às “Queixas da nação alemã”, um esquema de reformas na Igreja, tornando-a mais dependente do príncipe do que do papa; ela legislou para as ordens religiosas de seus domínios sem consultar Roma. Ela manteve seu decreto sobre os religiosos contra todos os protestos do papa, mas retirou sua proteção dos autores das “queixas”, os eleitores de Colônia, Mainz e Trier. Ela também obteve de Clemente, em 1770, a instituição de um bispo ruteno para os católicos rutenos da Hungria. Em outras partes da Alemanha, o papa teve que enfrentar dificuldades semelhantes. O número e a riqueza das casas religiosas, em alguns casos sua inutilidade e ocasionalmente suas desordens, tentaram os príncipes a colocar mãos violentas e vorazes sobre elas. Numerosas casas deveriam ser suprimidas na Bavária para a dotação da nova Universidade de Ebersberg, no Palatinado a recepção de novos religiosos seria interrompida; Clemente se opôs a ambas as medidas com sucesso. Vestfália está em dívida com ele pela Universidade de Münster, erguida em 27 de maio de 1773. Na Espanha, Clemente aprovou a Ordem dos Cavaleiros da Imaculada Conceição, instituída por Carlos III. O rei também desejava que ele definisse o dogma da Imaculada Conceição, mas a França bloqueou o caminho. Portugal, embora fizesse uma certa demonstração exterior de boa vontade em relação a Roma, continuava a interferir nos assuntos eclesiásticos e a impor aos colégios e seminários uma educação mais consentânea com o filosofismo francês do que com o espírito da Igreja. Em Nápoles, o ministro Tanucci impediu o recrutamento de ordens religiosas; os atos episcopais exigiam o lugar real; a imprensa anti-religiosa gozava de alta proteção. A Polônia e a Rússia foram outra fonte de profunda tristeza para Clemente XIV. Enquanto, politicamente, a Polônia estava preparando sua própria ruína, os piaristas ensinavam abertamente o pior filosofismo em suas escolas e se recusavam a ter suas casas visitadas pelo núncio papal em Varsóvia. O rei Estanislau planejou a extinção das ordens religiosas e favoreceu os maçons. O papa era impotente; as poucas concessões que obteve de Catarina II para os católicos de sua nova província foram anuladas por aquela mulher obstinada assim que convinha à sua política. De sua própria autoridade, ela criou para os rutenos católicos anexados uma nova diocese (Mohileff) administrada por um bispo (Siestrencewicz) de temperamento cismático. Clemente XIV teve a satisfação de ver seu núncio, Caprara, recebido favoravelmente no Tribunal da Inglaterra, e de iniciar medidas para a emancipação dos católicos ingleses. Essa mudança nas relações entre Roma e Inglaterra deveu-se à concessão de honras reais ao irmão do rei quando visitou Roma em 1772; as mesmas honras sendo recusadas ao Pretendente. No oriente, o patriarca nestoriano, Mar Simeão, e seis de seus sufragâneos foram reunidos em Roma. Em Roma, o papa encontrou pouco favor tanto com o patrício romano quanto com o Sacro Colégio; Nenhuma das muitas medidas que ele tomou para o aperfeiçoamento de seu povo poderia expiar, aos seus olhos, sua subserviência às cortes Bourbon e a supressão dos jesuítas. Os últimos meses de sua vida foram amargurados pela consciência de seus fracassos; às vezes ele parecia esmagado sob o peso da tristeza. No dia 10 de setembro de 1774, ele foi para a cama, recebeu a Unção Extrema no dia 21 e morreu piedosamente no dia 22 do mesmo mês. Muitas testemunhas no processo de canonização de Santo Afonso de Ligório atestaram que o santo estava milagrosamente presente no leito de morte de Clemente XIV para consolá-lo e fortalecê-lo em sua última hora. Os médicos, que abriram o cadáver na presença de muitos espectadores, atribuíram a morte a disposições escorbútico e hemorroidárias de longa data, agravadas pelo trabalho excessivo e pelo hábito de provocar a transpiração artificial mesmo durante o maior calor. Apesar do atestado médico, ”o partido espanhol” e os historiadores românticos atribuíram a morte ao veneno administrado pelos jesuítas. Os restos mortais de Clemente XIV estão na igreja dos Doze Apóstolos. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/04034a.htm
- Papa Clemente XIII (1758-1769 DC.)
(CARLO DELLA TORRE REZZONICO). Nascido em Veneza, em 7 de março de 1693; morreu em Roma, em 2 de fevereiro de 1769. Ele foi educado pelos jesuítas em Bolonha, graduou-se em Pádua e em 1716 foi nomeado para o referendo de Roma dos dois departamentos conhecidos como “Signatura Justitiæ” e “Signatura Gratiæ”. “. Tornou-se governador de Rieti em 1716, de Fano em 1721 e Auditor da Rota de Veneza em 1725. Em 1737 foi nomeado cardeal-diácono e em 1743 bispo de Pádua, onde se distinguiu pelo zelo pela formação e santificação de seu clero, para a promover ele realizou um sínodo em 1746, e publicou uma pastoral muito notável sobre o estado sacerdotal. Sua vida pessoal estava de acordo com seus ensinamentos, e o jansenista Abbé Clément, uma testemunha relutante, conta que “ele era chamado de santo (por seu povo) e era um homem exemplar que, apesar das imensas receitas de sua diocese e sua propriedade privada, estava sempre sem dinheiro devido à generosidade de suas esmolas, e entregava até sua roupa “. Em 1747, ele se tornou cardeal-sacerdote e, em 6 de julho de 1758, ele foi eleito papa para suceder Bento XIV. Foi com lágrimas que ele se submeteu à vontade dos eleitores, pois ele avaliava bem a força e a direção da tempestade que se acumulava no horizonte político. O regalismo e o jansenismo eram os inimigos tradicionais da Santa Sé em seu governo da Igreja, mas um inimigo ainda mais formidável estava subindo ao poder e usando os outros dois como seus instrumentos. Essa era o partido de Voltaire e dos Enciclopedistas, os “Filósofos”, como eles gostavam de se chamar. Eles eram homens de talento e altamente educados, e por meio desses dons atraíram para si muitos admiradores e adeptos dentre as classes dominantes, com o resultado de que na época de Clemente XIII, eles tinham seus representantes no poder em Português e em todas as cinco cortes Bourbon. Sua inimizade era radicalmente contra a própria religião cristã, como uma restrição à sua licença de pensamento e ação. Em sua correspondência privada, chamavam-no de infâme (a infâmia) e aguardavam sua rápida extinção através do sucesso de sua política; mas eles sentiram que em suas relações com o público, e especialmente com os soberanos, era necessário fingir algum tipo de crença católica. Ao planejar essa guerra contra a Igreja, eles concordaram que o primeiro passo deveria ser a destruição dos jesuítas. “Quando destruímos os jesuítas”, escreveu Voltaire a Helvétius em 1761, “teremos um trabalho fácil com aInfâmia”. E o método deles era persuadir os soberanos de que os jesuítas constituíam o principal obstáculo às suas pretensões régalistas e, portanto, um perigo para a paz de seus reinos; e apoiar esta visão pela difusão da literatura difamatória, do mesmo modo convidando a cooperação daqueles que, embora cegos para o caráter de seus fins ulteriores, permaneciam com eles por razões doutrinárias ou outras em sua antipatia à Companhia de Jesus. Tal foi a situação política com a qual Clemente XIII se viu confrontado quando iniciou seu pontificado. Portugal Sua atenção foi chamada em primeiro lugar para Portugal, onde o ataque à Sociedade já havia começado. José I, príncipe fraco e voluptuoso, era uma mera marionete nas mãos de seu ministro, Sebastião Carvalho, depois Marquês de Pombal, um adepto secreto das opiniões voltarianas, e empenhado na destruição da Sociedade. Uma rebelião dos índios nas reduções do Uruguai deu a ele sua primeira oportunidade. A causa da rebelião era óbvia, pois os nativos tinham sido ordenados a abandonar imediatamente suas terras cultivadas e migrar para a floresta virgem. Mas, como estavam sob os cuidados dos missionários jesuítas, Carvalho declarou que esses devem ter instigado os nativos. Além disso, em 3 de setembro de 1758, José I foi baleado, aparentemente pelo marido ferido de uma senhora que ele havia seduzido. Pombal realizou um julgamento secreto em que declarou toda a família Távora culpada e com eles três padres jesuítas, contra quem a única prova era de que tinham sido amigos dos Távoras. Então, sob o pretexto de que todos os jesuítas pensavam da mesma maneira, ele aprisionou seus superiores, algumas centenas em número, em suas masmorras subterrâneas, e escreveu em nome do rei a Roma permissão da Santa Sé para punir os clérigos culpados. Clemente não viu o seu modo de recusar um pedido apoiado pelas garantias do rei de que ele tinha boas razões para suas acusações, mas ele implorou que o acusado pudesse ter um julgamento cuidadoso, e que o inocente não fosse incluído em uma punição que não tinha merecido. A carta do papa foi escrita com requintada cortesia e consideração, mas Pombal declarou-a insultuosa ao seu mestre e a devolveu ao remetente. Então ele enviou todos os jesuítas de Portugal e suas colônias, exceto os superiores que ainda estavam detidos em suas prisões, e os enviou para Civitavecchia, “como um presente para o papa”, sem um centavo de seus fundos confiscados que lhes foram deixados para sua manutenção. Clemente, no entanto, recebeu-os gentilmente e supriu suas necessidades. Era de se esperar que as relações diplomáticas não durassem muito depois desses eventos; foram cortadas em 1760 por Pombal, que mandou de volta o núncio Acciajuoli e chamou seu próprio embaixador; nem estas relações foram restauradas até o próximo pontificado. Pombal tinha visto a necessidade de apoiar suas medidas administrativas por um esforço para destruir o bom nome de suas vítimas com o público. Para este propósito, ele fez várias publicações difamatórias serem escritas, entre as quais se destacava a “Breve Relação”, na qual os jesuítas americanos estavam representados como tendo estabelecido um reino independente na América do Sul sob sua própria soberania e tiranizando os índios. , tudo no interesse de uma ambição insaciável e avareza. Esses difamatórios foram difundidos, especialmente por Portugal e Espanha, e muitos bispos da Espanha e de outros lugares escreveram ao papa protestando contra acusações tão improváveis em si mesmas e tão incompatíveis com sua experiência da ordem em suas próprias jurisdições. O texto de muitas de suas cartas e das respostas de aprovação de Clemente XIII pode ser visto nos “Apêndices” de “Clément XIII e Clément XIV” de Père de Ravignan. França Era de se esperar que os muitos inimigos da Sociedade na França fossem estimulados a seguir os passos de Pombal. O ataque foi aberto pelo Parlamento, que era predominantemente jansenista em sua composição, na primavera de 1761. Aproveitando-se das dificuldades financeiras em que os jesuítas franceses tinham sido levados sobre o caso do padre Lavalette, eles passaram a examinar as constituições da Sociedade na qual eles professavam encontrar graves impropriedades, e exigir que, se os jesuítas permanecessem no país, essas constituições deveriam ser remodeladas com base no princípio de reduzir o poder do geral e praticamente substituí-lo por um comissário designado pela a coroa. Eles também elaboraram um documento famoso, chamado de “Extraits des assertions”, feito inteiramente de trechos distorcidos de escritores jesuítas, e tendendo a mostrar que seu método era estabelecer sua própria dominação justificando quase todas as formas de crime e licenciosidade, particularmente tiranicídio. Luís XV, como José I, tinha um desejo enervado pela luxúria, mas, diferentemente dele, não era de maneira alguma um tolo e tinha, além disso, um respeito subjacente pela religião. Assim, ele procurou, em primeira instância, salvar um corpo de homens que ele julgou inocentes, e para esse propósito ele remeteu suas constituições aos bispos franceses reunidos em Paris em dezembro de 1761. Quarenta e cinco bispos relataram em favor das constituições, e dos jesuítas serem deixados como estavam, vinte e sete ou mais, não então em Paris, enviaram sua adesão; mas o rei estava sendo atraído para o outro lado por seus estadistas voltairianos e madame de Pompadour, e por isso preferia o conselho do único bispo que estava do lado do Parlamento, o bispo Fitz-James de Soissons. Ele então emitiu um decreto em março de 1762, que permitiu que a Sociedade permanecesse no reino, mas prescreveu algumas mudanças essenciais em seu instituto com o objetivo de satisfazer o Parlamento. Clemente XIII interveio de várias maneiras nesta crise dos jesuítas franceses. Ele escreveu ao rei em junho de 1761, e novamente em janeiro de 1762, na primeira ocasião para implorar a ele que suspendesse os procedimentos de seu parlamento, sobre este último para protestar contra o esquema de estabelecer um vigário geral francês, independente do geral em Roma, sobre as províncias francesas; foi também nesta última ocasião que, enquanto culpava o geral pelo cumprimento de alguns de seus súditos franceses, usou as famosas palavras “Sint ut sint aut non sint”. Aos bispos franceses que lhe escreveram protestando contra os feitos do Parlamento, ele respondeu em palavras de gratidão e aprovação, por exemplo ao bispo de Grenoble em 4 de abril de 1762 e ao bispo de Sarlat (com especial referência aos “Extraits des assertions”) em 14 de novembro. 1764; e para os bispos coletivamente em junho de 1762, exortando-os a usar toda a sua influência com o rei para induzi-lo a resistir aos seus maus conselheiros. Na chegada de 2 de agosto de 1762, pela qual o Parlamento suprimiu a Sociedade na França, e impôs condições impossíveis a qualquer um de seus membros que desejasse permanecer no país, Clemente respondeu por uma Alocução de 3 de setembro, na qual protestou contra o invasão dos direitos da Igreja, e anulou o arrestos do Parlamento contra a Sociedade. Finalmente, quando o rei, cedendo fracamente à pressão de seu séquito, suprimiu as províncias francesas por seu decreto de novembro de 1764, o Santo Padre sentiu que era seu dever, pedido por tantos bispos de todas as partes, publicar o Bula “Apostolicum”, de 9 de janeiro de 1765. Seu objetivo era opor-se às deturpações atuais da insitituição da Sociedade, exercícios espirituais, missões de pregação e teologia, uma aprovação solene e formal, e declarar que a própria Igreja foi atacada em essas condenações das quais ela sancionou de muitas maneiras. Espanha Os estadistas que tinham o ouvido de Carlos III estavam em correspondência regular com os enciclopedistas franceses e, durante alguns anos, já haviam projetado uma proibição da Sociedade nos moldes de Portugal e França. Mas isso não era conhecido do público ou dos jesuítas, que acreditavam ter um amigo caloroso em seu soberano. Veio então como uma surpresa a todos quando, na noite de 2 e 3 de abril de 1767, todas as casas dos jesuítas foram subitamente cercadas, os internos presos e transferidos para veículos com ordens de levá-los para a costa, daí para serem despachados para algum destino desconhecido – proibidos de levar qualquer coisa com eles além das roupas que usavam. Tampouco havia outra explicação que fosse concedida ao mundo exterior a não ser aquela contida na carta do rei a Clemente XIII, datada de 31 de março. Ali foi declarado que o rei achara necessário expulsar todos os seus súditos jesuítas por razões que ele pretendia reservar para sempre em seu seio real, mas que ele estava enviando todos a Civitavecchia para que ficassem sob os cuidados do papa, e ele permitiria a manutenção de 100 piastras (ou seja, dólares espanhóis) por ano – uma manutenção, no entanto, que seria retirada para todo o corpo, caso algum deles se arriscasse a qualquer momento para escrever qualquer coisa em defesa própria ou em críticas dos motivos da expulsão. O papa escreveu em 16 de abril uma carta muito comovente, na qual declarou que esse era o golpe mais cruel de todos em seu coração paterno, suplicando ao rei que, caso algum deles fosse acusado, não fosse condenado sem julgamento apropriado e assegurando-lhe que as acusações contra o instituto e todo o corpo de seus membros eram deturpações devido à malícia dos inimigos da Igreja. Mas nada poderia ser extraído do rei, e sabe-se agora que essa idéia de um segredo real era apenas um pretexto concebido para impedir que a Santa Sé tivesse qualquer opinião sobre o assunto. Prevendo a dificuldade de um influxo tão grande de religiosos expulsos em seus estados, Clemente sentiu-se compelido a recusar-lhes permissão para pousar e, depois de várias peregrinações, eles tiveram que se estabelecer na Córsega, onde se juntaram a seus irmãos que haviam sido igualmente mandados embora da América espanhola. Quando, um ano e meio depois, foram forçados a se mudar novamente, a compaixão do papa superou sua prudência administrativa e ele permitiu que eles se refugiassem em seu território. No trono de Nápoles estava sentado um filho de Carlos III, e no de seu sobrinho Parma. Ambos eram menores, e ambos tinham ministros voltairianos por cujo instrumento sua política era dirigida a partir de Madri. Consequentemente, os jesuítas em seus domínios foram similarmente banidos, e seu banimento atraiu protestos semelhantes do papa. Mas, no caso de Parma, havia uma complicação, pois esse estado havia sido considerado por séculos como um feudo da Santa Sé, o papa sentiu-se obrigado a condenar, por seu Monitorium de 30 de janeiro de 1768, algumas leis aprovadas pelo duque em detrimento das liberdades da Igreja. As cortes de Bourbon uniram-se então em exigir a retirada do Monitorium, ameaçando, se recusasse privar o papa pela força armada de seus territórios de Avinhão e Vanaissin na França, e de Benevento e Montecorto na Itália. Finalmente, em 18, 20, 22 de janeiro de 1769, os embaixadores da França, da Espanha e de Nápoles apresentaram-lhe notas idênticas, exigindo a total e completa supressão da Companhia de Jesus em todo o mundo. Foi isso que o matou. Ele expirou sob o choque na noite de 2 a 3 de fevereiro. Em certo sentido, sem dúvida, seu pontificado foi um fracasso, e ele tem sido culpado por uma falta de previsão que deveria tê-lo feito ceder às exigências dos tempos. Mas em um sentido mais elevado, foi um sucesso esplêndido. Pois ele tinha a percepção de ver através dos pretextos plausíveis dos inimigos da Igreja, e de discernir os fins últimos que eles estavam perseguindo. Ele via o curso dos acontecimentos sempre à luz da fé e sempre foi fiel à sua confiança. Ele sempre assumiu posições sólidas e sabia como defendê-las com uma linguagem notável por sua verdade e justiça, bem como por sua moderação e ternura cristã. Seu pontificado, em suma, proporcionou o espetáculo de um santo revestido de força moral lutando sozinho contra os poderes do mundo e seu poder físico; e tal espetáculo é uma aquisição para sempre. Havia outros aspectos sob os quais Clemente XIII tinha que lidar com os erros predominantes do regalismo e do jansenismo na França, Alemanha, Holanda, Polônia e Veneza, mas estes, em comparação, eram de menor importância. Entre os livros perniciosos condenados por ele estavam a “Histoire du peuple de Dieu” do Jesuíta Berruyer, o “Esprit” de Helvétius, a “Exposition de la doctrine chrétienne” de Mésenguy, a “Encyclopédie” de D’Alembert e Diderot, e o “De Statu Ecclesiæ” de Febronius. Ele encorajou muito a devoção ao Sagrado Coração e ordenou que o Prefácio da Santíssima Trindade fosse recitado aos domingos. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/04032a.htm
- Papa Clemente XII (1730-1740 DC.)
(LORENZO CORSINI). Nascido em Florença, em 7 de abril de 1652; eleito em 12 de julho de 1730; Morreu em Roma, em 6 de fevereiro de 1740. O pontificado santo do Papa Orsini, Bento XIII, do ponto de vista dos interesses espirituais da Igreja, não deixou nada a desejar. Ele havia, no entanto, entregue as preocupações temporais nas mãos de ministros vorazes; daí as finanças da Santa Sé estavam em más condições; houve um déficit crescente, e os suditos papais estavam em estado de exasperação. Não foi tarefa fácil selecionar um homem que possuía todas as qualidades exigidas pela emergência. Depois de deliberar por quatro meses, o Sacro Colégio uniu-se ao Cardeal Corsini, a melhor escolha possível, não fosse pelos seus setenta e oito anos e pela sua falta de visão. Um Corsini do lado do pai e da mãe um Strozzi, o melhor sangue de Florença corria por suas veias. Inumeráveis eram os membros de sua casa que haviam ascendido a altos cargos na Igreja e no Estado, mas seu principal ornamento era Santo André Corsini, o bispo canonizado de Fiesole. Lorenzo fez um curso brilhante de estudos, primeiro no Colégio Romano, depois na Universidade de Pisa, onde, após cinco anos, recebeu o grau de Doutor em Direito. Retornando a Roma, aplicou-se à prática da lei sob a direção capaz de seu tio, o cardeal Neri Corsini, um homem da mais alta cultura. Após a morte de seu tio e de seu pai, em 1685, Lorenzo, agora com trinta e três anos, renunciou ao seu direito de primogenitura e entrou no estado eclesiástico. De Inocêncio XI ele comprou, de acordo com o costume da época, por 30.000 scudi (dólares) uma posição de grau prelatial, e dedicou sua riqueza e lazer à ampliação da biblioteca legada a ele por seu tio. Em 1691 foi nomeado arcebispo titular de Nicomédia e escolhido núncio em Viena. Ele não seguiu para a corte imperial, porque Leopoldo apresentou a nova alegação, que o papa Alexandre VIII se recusou a admitir, de selecionar um núncio de uma lista de três nomes a serem fornecidos pelo papa. Em 1696, Corsini foi nomeado para o árduo cargo de tesoureiro-geral e governador do Castelo de Sant’Angelo. Sua boa fortuna aumentou durante o pontificado de Clemente XI, que empregou seus talentos em assuntos que exigiam tato e prudência. Em 17 de maio de 1706, ele foi feito cardeal-diácono da titular de Santa Susanna, mantendo o cargo de tesoureiro papal. Ele foi anexado a várias das congregações mais importantes e foi feito protetor de várias instituições religiosas. Ele avançou ainda mais sob Bento XIII, que o designou para a Congregação do Santo Ofício e o fez prefeito do tribunal judicial conhecido como Segnatura di Giustizia. Foi sucessivamente cardeal-sacerdote de S. Pietro in Vincoli e cardeal-bispo de Frascati. Assim, ele tinha mantido universalmente todos os importantes ofícios da corte romana, e não é de surpreender que sua ascensão ao papado enchesse os romanos de alegria. Em sinal de gratidão a seu benfeitor, Clemente XI, e como garantia de que ele faria desse grande pontífice seu modelo, ele assumiu o título de Clemente XII. Infelizmente, ele não tinha as qualidades importantes da juventude e da força física. As enfermidades da velhice infligiam-se pesadamente sobre ele. No segundo ano de seu pontificado, ele ficou totalmente cego; em seus últimos anos, ele foi obrigado a se manter em sua cama, da qual ele deu audiências e transacionou assuntos de estado. Não obstante sua decrepitude física, ele mostrou uma atividade maravilhosa. Ele exigiu a restituição de bens ilícitos dos ministros que haviam abusado da confiança de seu antecessor. O principal culpado, o cardeal Coscia, foi multado e condenado a dez anos de prisão. Clemente cercou-se de funcionários capazes e ganhou o afeto de seus súditos, aliviando suas cargas, encorajando a manufatura e as artes e infundindo um espírito moderno nas leis relativas ao comércio. A loteria pública, que havia sido suprimida pela severa moralidade de Bento XIII, foi revivida por Clemente e depositou em seu tesouro um montante anual equivalente a quase meio milhão de scudi (dólares), permitindo-lhe empreender os extensos edifícios que distinguem seu reinado. Ele começou a majestosa fachada de São João de Latrão e construiu nessa basílica a magnífica capela de Santo André Corsini. Ele restaurou o Arco de Constantino e construiu o palácio governamental da Consulta no Quirinal. Ele comprou do cardeal Albani por 60.000 scudi a bela coleção de estátuas, inscrições, etc. com as quais ele adornou a galeria do Capitólio. Ele pavimentou as ruas de Roma e as estradas que conduziam à cidade e alargou o Corso. Ele começou a grande Fontana di Trevi, um dos ornamentos notáveis de Roma. A fim de facilitar a reunião dos gregos, Clemente XII fundou em Ullano, na Calábria, o Colégio Corsini para estudantes gregos. Com uma intenção semelhante, ele chamou a Roma monges greco-melquitas do Monte Líbano, e atribuiu a eles a antiga igreja de Santa Maria in Domnica. Ele despachou José Simeão Assemani para o Oriente com o duplo objetivo de continuar sua busca por manuscritos e presidir como legado a um concílio nacional de maronitas. Nós não fazemos nenhuma tentativa de enumerar todas as operações que este maravilhoso homem cego dirigiu de seu leito de doença. Seu nome é associado em Roma com a fundação e o embelezamento de instituições de todos os tipos. As pessoas de Ancona o mantêm em merecida veneração e ergueram na praça pública uma estátua em sua homenagem. Deu-lhes um porto que animou a inveja de Veneza e construiu uma estrada que lhes dava acesso fácil ao interior. Ele drenou os pântanos da Chiana, perto do lago Trasimeno, levando as águas por uma vala de 14 quilômetros até o rio Tibre. Ele desautorizou a ação arbitrária de seu legado, o cardeal Alberoni, ao tomar San Marino, e restaurou a independência daquela pequena república. Sua atividade nas preocupações espirituais da Igreja foi igualmente pronunciada. Seus esforços foram direcionados para elevar o baixo tom predominante da moralidade e assegurar a disciplina, especialmente nos claustros. Ele emitiu o primeiro decreto papal contra os maçons (1738). Ele promoveu a nova Congregação dos Passionistas e deu ao seu companheiro da Toscana, São Paulo da Cruz, a igreja e mosteiro dos Santos João e Paulo, com o belo jardim com vista para o Coliseu. Ele canonizou os Santos. Vincente de Paula, João Francisco Regis, Catarina Fieschi Adorni e Juliana Falconieri, e aprovou o culto de Santa Gertrudes. Ele procedeu com vigor contra os jansenistas franceses e teve a felicidade de receber a submissão dos mauristas à Constituição Unigenitus. Através dos esforços de seus missionários no Egito, 10.000 coptas, com seu patriarca, retornaram à unidade da Igreja. Clemente persuadiu o patriarca armênio a remover dos dípticos o anátema contra o Concílio de Calcedônia e São Leão I. Em suas relações com os poderes da Europa, ele conseguiu, através de uma união de firmeza e moderação, preservar ou restaurar a harmonia; mas ele foi incapaz de manter os direitos da Santa Sé sobre os Ducados de Parma e Piacenza. Era uma consequência de sua cegueira que ele deveria se cercar de parentes confiáveis; mas ele os adiantou apenas quando provaram seu valor, e pouco fez para sua família, exceto para comprar e ampliar o palácio construído em Trastevere para o Riarii, e agora conhecido como o Palazzo Corsini (comprado em 1884 pelo governo italiano, e agora o sede da Regia Accademia dei Lincei). Em 1754, seu sobrinho, o cardeal Neri Corsini, fundou ali a famosa Biblioteca Corsini, que em 1905 incluía cerca de 70 mil livros e panfletos, 2288 incunábulos ou obras impressas nos primeiros cinquenta ou sessenta anos após a descoberta da impressão, 2511 manuscritos e 600 autógrafos. Mantendo suas extraordinárias faculdades e sua alegre resignação até o fim, ele morreu no Quirinal em seu octogésimo oitavo ano. Seus restos mortais foram transferidos para seu magnífico túmulo em Latrão, em 20 de julho de 1742. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/04030a.htm
- Papa Clemente XI (1700-1721 DC.)
(GIOVANNI FRANCESCO ALBANI). Nascido em Urbino, 23 de julho de 1649; eleito em 23 de novembro de 1700; morreu em Roma, em 19 de março de 1721. Os albanos eram uma nobre família da Úmbria. Sob Urbano VIII, o avô do futuro papa mantivera por treze anos o honorável cargo de senador de Roma. Um tio, Annibale Albani, era um ilustre estudioso e prefeito da Biblioteca do Vaticano. Giovanni Francesco foi enviado a Roma em seu décimo primeiro ano para seguir seus estudos no Colégio Romano. Ele progrediu rapidamente e era conhecido como autor aos dezoito anos, traduzindo do grego para o latim elegante. Ele atraiu a atenção da padroeira dos letrados romanos, a rainha Cristina da Suécia, que antes de se tornar maior de idade, o matriculou em sua exclusiva Accademia. Com igual ardor e sucesso, aplicou-se aos ramos mais profundos, teologia e lei, e foi feito doutor de direito canônico e civil. Um intelecto tão brilhante, unido a uma moral e piedade inabaláveis, assegurava-lhe um rápido avanço na corte papal. Com a idade de vinte e oito anos ele foi feito um prelado, e governou sucessivamente Rieti, Sabina e Orvieto, em todos os lugares aceitáveis por conta de sua reputação de justiça e prudência. Lembrado a Roma, ele foi nomeado Vigário de São Pedro e, com a morte do Cardeal Slusio, ocupou o importante cargo de Secretário de Breves Papais, que ele manteve por treze anos, e para o qual seu domínio da latinidade clássica lhe serviu singularmente. Em 13 de fevereiro de 1690, ele foi feito cardeal-diácono e depois Cardeal-Sacerdote da Títular de São Silvestre, e foi ordenado sacerdote. O conclave de 1700 teria terminado rapidamente com a eleição do cardeal Mariscotti, não tendo o veto da França tornado impossível a escolha daquele cardeal capaz. Depois de quarenta e seis dias de deliberação, o Sacro Colégio reuniu-se para escolher o cardeal Albani, cujas virtudes e capacidades superavam a objeção de que ele tinha apenas cinquenta e um anos de idade. Três dias foram gastos no esforço para superar sua relutância em aceitar uma dignidade que o fardo pesado do qual ninguém conhecia melhor do que o curialista experiente (Galland in Hist. Jahrbuch, 1882, III, 208 sqq.). O período foi crítico para a Europa e o papado. Durante o conclave, Carlos II, o último dos Habsburgos espanhóis, morreu sem filhos, deixando seus vastos domínios presos à ambição francesa e austríaca. Sua vontade, tornando Filipe de Anjou, neto de Luís XIV, único herdeiro do Império Espanhol, foi contestada pelo imperador Leopoldo, que reivindicou a Espanha para seu segundo filho, Carlos. O falecido rei, antes de fazer esse testamento, consultara o papa Inocêncio XII, e o cardeal Albani fora um dos três cardeais a quem o pontífice havia confiado o caso e que o aconselharam a pronunciar-se secretamente a seu favor. Isso era na época desconhecido do imperador, senão a Áustria teria vetado a eleição de Albani. Este último foi finalmente persuadido de que era seu dever obedecer ao chamado do Céu; em 30 de novembro, ele foi consagrado bispo e, em 8 de dezembro, solenemente entronizado no Vaticano. O entusiasmo com que sua elevação foi recebida em todo o mundo é a melhor evidência de seu valor. Até mesmo os protestantes receberam a inteligência com alegria e a cidade de Nuremberg obteve uma medalha em sua homenagem. Os sinceros reformadores católicos saudaram sua ascensão como a morte do nepotismo; pois, embora ele tivesse muitos parentes, sabia-se que ele havia instigado e escrito a severa condenação daquele abuso emitido por seu antecessor. Como pontífice, ele não desmentia seus princípios. Ele concedeu os ofícios de sua corte sobre os assuntos mais valiosos e ordenou que seu irmão mantivesse distância e evitasse adotar qualquer novo título ou interferir em assuntos de estado. No governo dos Estados da Igreja, Clemente era um administrador capaz. Ele providenciou diligentemente para as necessidades de seus súditos, foi extremamente caridoso com os pobres, melhorou a condição das prisões e garantiu comida para a população em tempos de escassez. Ele ganhou a boa vontade dos artistas, proibindo a exportação de obras-primas antigas e de cientistas, comissionando Bianchini a colocar na calçada de Sta Maria degli Angioli o meridiano de Roma, conhecido como Clementina. Sua capacidade de trabalho era prodigiosa. Dormiu pouco e comeu com parcimônia que alguns centavos por dia eram suficientes para sua mesa. Todos os dias ele confessava e celebrava a missa. Entrava minuciosamente nos detalhes de cada medida que lhe antecedia e, com as próprias mãos, preparava as numerosas alocações, Breves e constituições coletadas e publicadas depois. Ele também encontrou tempo para pregar suas belas homilias e freqüentemente era visto no confessionário. Embora sua estrutura poderosa mais de uma vez afundou sob o peso de seus trabalhos e cuidados, ele continuou a manter rigorosamente os jejuns da Igreja, e geralmente permitiu a si mesmo a mais curta trégua possível de seus trabalhos. Em seus esforços para estabelecer a paz entre os poderes da Europa e defender os direitos da Igreja, ele teve pouco sucesso, pois o século XVIII era eminentemente a era do egoísmo e da infidelidade. Um de seus primeiros atos públicos foi protestar contra a pretensão (1701) pelo Eleitor de Brandemburgo do título de Rei da Prússia. A ação do papa, embora muitas vezes ridicularizada e mal interpretada, era natural o suficiente, não apenas porque a outorga dos títulos reais sempre foi considerada privilégio da Santa Sé, mas também porque a Prússia pertencia por direito antigo ao instituto eclesiástico-militar conhecido como a Ordem Teutônica. Nos problemas excitados pela rivalidade da França e do Império pela sucessão espanhola, o papa Clemente resolveu manter uma atitude neutra; mas isso foi descoberto ser impossível, portanto, quando o Bourbon foi coroado em Madri como Filipe V, em meio às aclamações universais dos espanhóis, o papa concordou e reconheceu a validade de seu título. Isso amargurou o sombrio Imperador Leopoldo, e as relações entre a Áustria e a Santa Sé tornaram-se tão tensas que o papa não escondeu sua satisfação quando as tropas francesas e bávaras começaram a marcha sobre Viena, que terminou tão desastrosamente no campo de Blenheim. A vitória de Marlborough, seguida da bem-sucedida campanha do príncipe Eugênio no Piemonte, colocou a Itália à mercê dos austríacos. Leopoldo morreu em 1705 e foi sucedido por seu filho mais velho José, um digno precursor de José II. Uma disputa começou imediatamente sobre a questão conhecida como Jus primarum precum, envolvendo o direito da coroa de nomear para benefícios vagos. Os austríacos vitoriosos, agora senhores do norte da Itália, invadiram os Estados Papais, tomaram posse de Piacenza e Parma, anexaram Comacchio e sitiaram Ferrara. Clemente a princípio ofereceu uma resistência vigorosa, mas, abandonado por todos, não pôde esperar o sucesso, e quando um forte destacamento de tropas Protestantes sob o comando do Príncipe de Hesse-Cassel chegou a Bolonha, temendo uma repetição das terríveis cenas de 1527 , ele finalmente cedeu (15 de janeiro de 1709), reconhecendo o arquiduque Carlos como rei da Espanha “, sem prejuízo dos direitos do outro”, e prometeu-lhe a investidura de Nápoles. Embora os monarcas Bourbon não tivessem feito nada para ajudar o papa em sua luta desigual, tanto Luís quanto Filipe ficaram muito indignados e retaliaram por todos os meios ao seu alcance (ver Luís XIV). Nas negociações que antecederam a Paz de Utrecht (1713), os direitos do papa foram cuidadosamente negligenciados; seu núncio não recebeu uma audiência; seus domínios foram parcelados para atender a conveniência de qualquer das partes. A Sicília foi dada a Victor Amadeus II de Sabóia, com quem desde os primeiros dias de seu pontificado Clemente estava envolvido em discussões sobre os assuntos de imunidades eclesiásticas e nomeações para benefícios vagos. O novo rei agora se comprometera a reviver a chamada Monarchia Sicula, um antigo mas muito disputado e abusado privilégio de origem pontifícia que praticamente excluía o papa de qualquer autoridade sobre a igreja na Sicília. Quando Clemente respondeu com bann e interdito, todo o clero, cerca de 3000 em número, que permaneceu leal à Santa Sé foi banido da ilha, e o papa foi forçado a lhes dar comida e abrigo. O interdito não foi levantado até 1718, quando a Espanha recuperou a posse, mas a velha controvérsia foi repetidamente retomada sob os Bourbons. Através das maquinações do Cardeal Alberoni, Parma e Piacenza foram concedidos a um infante espanhol sem levar em consideração a soberania papal. Foi um consolo para o tão experimentado papa que Augusto da Saxônia, rei da Polônia, retornou à Igreja. Clemente trabalhou duro para restaurar a harmonia na Polônia, mas sem sucesso. Os turcos aproveitaram as dissensões entre os cristãos para invadir a Europa por terra e mar. Clemente proclamou um jubileu, enviou dinheiro e navios para ajudar os venezianos e concedeu um dízimo em todos os benefícios ao imperador Carlos VI. Quando o príncipe Eugênio venceu a grande batalha de Temesvár, que pôs fim ao perigo turco, nenhuma parte do crédito foi dada pelo mundo cristão ao papa e ao Santo Rosário. Clemente enviou ao grande comandante um abençoado chapéu e espada. A frota que Filipe V de Espanha tinha levantado por instigação do papa e com subsídios incidentes sobre as receitas da igreja foi desviada por Alberoni para a conquista da Sardenha; e embora Clemente mostrasse sua indignação exigindo a demissão do ministro e dando início a um processo contra ele, ele tinha muito a fazer para convencer o imperador de que não estava a par da transação traiçoeira. Deu uma generosa hospitalidade ao filho exilado de Tiago II da Inglaterra, Tiago Eduardo Stuart, e ajudou-o a obter a mão de Clementina, a neta consumada de João Sobieski, mãe de Carlos Eduardo. A vigilância pastoral de Clemente foi sentida em todos os cantos da terra. Ele organizou a Igreja nas Ilhas Filipinas e enviou missionários para todos os lugares distantes. Ele erigiu Lisboa em um patriarcado, em 7 de dezembro de 1716. Ele enriqueceu a Biblioteca do Vaticano com os tesouros de manuscritos reunidos às custas do papa por José Simeão Assemani em suas pesquisas por todo o Egito e a Síria. Na lamentável controvérsia entre os missionários dominicanos e jesuítas na China a respeito da permissibilidade de certos ritos e costumes, Clemente decidiu em favor dos primeiros. Quando os jansenistas provocaram uma nova colisão com a Igreja sob a liderança de Quesnel, o papa Clemente emitiu suas duas memoráveis Constituições, “Vineam Domini”, 16 de julho de 1705, e “Unigenitus”, 10 de setembro de 1713 (ver UNIGENITUS; VINEAM DOMINI; JANSENISMO). Clemente XI fez a festa da Conceição da A.V.M. um Santo dia de obrigação, e canonizou Pio V, André de Avellino, Felix de Cantalice e Catarina de Bolonha. Este grande e santo pontífice morreu apropriadamente na festa de São José, por quem ele nutria uma devoção particular, e em cuja honra ele compôs o ofício especial encontrado no Breviário. Seus restos mortais descansam em São Pedro. Seus atos oficiais, cartas e resumos, e também suas homilias, foram coletados e publicados por seu sobrinho, o cardeal Annibale Albani (2 vols., Roma, 1722-1724). Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/04029a.htm
- Papa Clemente X (1670-1676 DC.)
(EMILIO ALTIERI) Nascido em Roma, 13 de julho de 1590; eleito em 29 de abril de 1670 e falecido em Roma em 22 de julho de 1676. Incapaz de garantir a eleição de qualquer um dos principais candidatos, os cardeais finalmente, após um conclave de quatro meses e vinte dias, recorreram ao velho expediente de eleger um cardeal de anos avançados; uniam-se ao cardeal Altieri, um octogenário, cuja longa vida fora passada a serviço da Igreja, e a quem Clemente IX, na véspera de sua morte, elevara à dignidade da púrpura. A razão pela qual um prelado de tais méritos transcendentais recebeu o cardinalato tão tarde na vida parece ter sido que ele renunciou a suas pretensões à elevação em favor de um irmão mais velho. Ele protestou vigorosamente contra esse uso das vestes papais como uma mortalha fúnebre, mas finalmente foi persuadido a aceitar, e por gratidão a seu benfeitor, por dez anos mais jovem que ele, assumiu o nome de Clemente X. Os Altieri pertenciam ao antiga nobreza romana, e desde que todos menos um dos rebentos masculinos tinham escolhido a carreira eclesiástica, o papa, para salvar o nome de extinção, adotou o Paoluzzi, um dos quais ele se casou com Laura Caterina Altieri, a única herdeira do família. Durante os pontificados anteriores, o novo papa ocupou cargos importantes e foi encarregado de missões delicadas. Urbano VIII encarregou-o das obras destinadas a proteger o território de Ravenna do incontrolável Po. Inocêncio X nomeou-o núncio para Nápoles; e ele é creditado com nenhuma participação ligeira no restabelecimento da paz após os dias tempestuosos de Masaniello. Sob Alexandre VII, ele foi nomeado secretário da Congregação dos Bispos e Regulares. Clemente IX nomeou-o superintendente do tesouro do papa. Em sua ascensão ao papado, ele deu a seu novo parente, o cardeal Paoluzzi-Altieri, o tio do marido de Laura, o cargo de cardeal sobrinho, e com anos de progressão lhe confiou a administração dos negócios, a tal ponto que o Romanos irônicos disseram que ele tinha reservado para si apenas as funções episcopais de Benedicere et sanctificare, renunciando em favor do cardeal os deveres administrativos de regere et gubernare. No entanto, o Bullarium Romanum contém muitas evidências de sua atividade religiosa, entre as quais se pode mencionar a canonização dos Santos Caetano, Filipe Benitius, Francisco Borgia, Luís Bertrando e Rosa de Lima; Também a beatificação do Papa Pio V, João da Cruz e dos Mártires de Gorcum, na Holanda. Ele trabalhou para preservar a paz da Europa, ameaçada pela ambição de Luís XIV, e começou com aquele imperioso monarca a longa luta a respeito da régale, ou a receita de dioceses e abadias vazias. Ele apoiou os poloneses com forte ajuda financeira em sua dura luta contra seus invasores turcos. Ele decorou a ponte de Sant’Angelo com as dez estátuas de anjos em mármore de Carrara que ainda podem ser vistas lá. A Clemente devemos as duas belas fontes que adornam a praça da igreja de São Pedro, perto da tribuna, onde um monumento foi erguido em sua memória. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/04028b.htm
- Papa Clemente IX (1667-1669 DC.)
(GIULIO ROSPIGLIOSI) Nascido em 28 de janeiro de 1600, em Pistoja, de uma antiga família originária da Lombardia; eleito em 20 de junho de 1667; d. em Roma, em 9 de dezembro de 1669. Ele fez um brilhante curso de estudos no Seminário Romano e na Universidade de Pisa, onde recebeu o doutorado em seu vigésimo terceiro ano e se tornou professor de filosofia. Seus talentos e vida virtuosa trouxeram-lhe uma rápida promoção na corte romana, num período em que a influência da Toscana sob os pontífices toscanos era predominante em todos os lugares. Ele desfrutou do favor especial de Urbano VIII, como ele próprio gostava de literatura e poesia, e foi nomeado Arcebispo titular de Tarso e enviado como núncio para a Corte Espanhola. Ele viveu na aposentadoria durante o pontificado de Inocêncio X, que não gostava dos Barberini e seus adeptos, mas foi chamado ao poder por Alexandre VII e por ele nomeado secretário de Estado e cardeal-sacerdote da titular de São Sisto (1657). Dez anos depois, um mês após a morte de Alexandre, o cardeal Rospigliosi foi eleito para o papado pela votação unânime do Sacro Colégio. Ele era o ídolo dos romanos, não tanto por sua erudição e aplicação aos negócios, quanto por sua extrema caridade e sua afabilidade para com os grandes e pequenos. Ele aumentou a boa vontade de seus súditos comprando o monopolista que havia assegurado o macinato, ou privilégio de vender grãos, e como seu antecessor havia recolhido o dinheiro para esse fim, Clemente teve o decreto publicado em nome de Alexandre VII. Dois dias por semana ele ocupava um confessionário na igreja de São Pedro e ouvia qualquer um que desejasse confessar a ele. Ele freqüentemente visitava os hospitais, e era generoso em suas esmolas para os pobres. Em uma época de nepotismo, ele fez pouco ou nada para avançar ou enriquecer sua família. Em sua aversão à notoriedade, ele se recusou a permitir que seu nome fosse colocado nos edifícios erguidos durante seu reinado. Em 15 de abril de 1668, ele declarou Beata, Rosa de Lima, a primeira santa americana. Em 28 de abril de 1669, ele solenemente canonizou S. Maria Maddalena dei Pazzi e São Pedro de Alcântara. Ele reorganizou a Igreja em Portugal, depois que a nação alcançou sua independência da Espanha. Por um leve compromisso no caso do jansenismo francês, conhecido como Paz Clementina (Pax Clementina), ele conseguiu uma calmaria na tempestade, que, infelizmente, devido à insinceridade dos sectários, era apenas temporária. Trouxe, como árbitro, a Paz de Aix-la-Chapelle entre a França e a Espanha, e advertiu gravemente Luís XIV contra a carreira agressiva sobre a qual ele estava estabelecendo. Por estrita economia, colocou as finanças papais em boa ordem e conseguiu fornecer ajuda material a Veneza para a defesa de Creta, depois sitiada pelos turcos. Se as potências européias tivessem escutado suas exortações, essa importante ilha não teria sido perdida para a cristandade. A notícia de sua queda, após uma resistência galante de vinte anos, apressou a morte do papa. Ele morreu depois de um pontificado de dois anos, cinco meses e dezenove dias. Ele ordenou que seus restos mortais fossem enterrados sob a calçada de Santa Maria Maggiore, com a simples inscrição Clementis IX, Cineres, mas seu sucessor, Clemente X, ergueu em sua honra o suntuoso monumento que fica do lado direito da nave perto da porta. A morte do amado pontíficefoi muito lamentada pelos romanos, que o consideravam, se não o maior, pelo menos o mais amável dos papas. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/04028a.htm
- Papa Clemente VIII (1592-1605 DC.)
(IPPOLITO ALDOBRANDINI). Nascido em Fano, março de 1536, de uma distinta família florentina; morreu em Roma, em 5 de março de 1605. Ele foi eleito papa em 30 de janeiro de 1592, após um tempestuoso conclave descrito graficamente por Ranke (Geschichte der römischen Päpste, 9ª ed., II, 150 sqq.). Em sua juventude, ele fez excelente progresso na jurisprudência sob a direção de seu pai, um competente jurista. Através das etapas do advogado consistorial, auditor da Rota e do Datário, ele foi promovido em 1585 para a dignidade do Cardeal-Sacerdote do Título de São Pancrácio e foi feito grão-penitenciário. Ele ganhou a amizade dos Habsburgos por seus esforços bem sucedidos, durante uma legação para a Polônia, para obter a libertação do arquiduque Maximiliano, o pretendente derrotado ao trono polonês. Durante o conclave de 1592, ele foi o candidato involuntário da minoria compacta de cardeais que estavam determinados a libertar a Santa Sé da prepotência de Filipe II da Espanha. Sua eleição foi recebida com entusiasmo ilimitado pelos italianos e por todos que conheciam seu caráter. Ele possuía todas as qualificações necessárias no Vigário de Cristo. Irrepreensível na moral desde a infância, ele havia se colocado em um período inicial sob a direção de São Filipe Néri, que durante trinta anos foi seu confessor. Com a ascensão de Clemente ao papado, o santo idoso entregou este importante cargo a Barônio, a quem o papa, apesar de sua relutância, fez cardeal e a quem fazia sua confissão todas as noites. O fervor com que ele dizia sua missa diária enchia todos os presentes de devoção. Sua longa associação com o apóstolo de Roma levou-o a absorver o espírito do santo de forma tão completa, que nele se poderia dizer que o próprio São Filipe subiu à cátedra papal. Embora vastos problemas políticos clamavam por solução, o papa primeiro voltou sua atenção para os interesses espirituais mais importantes da Igreja. Ele fez uma visita pessoal a todas as igrejas e instituições educacionais e de caridade de Roma, em todos os lugares, eliminando abusos e reforçando a disciplina. A ele devemos a instituição da Devoção das Quarenta Horas. Ele fundou em Roma o Collegio Clementino para a educação dos filhos das classes mais ricas, e aumentou o número de faculdades nacionais em Roma, abrindo o Collegio Scozzese para o treinamento de missionários na Escócia. O “Bullarium Romanum” contém muitas constituições importantes de Clemente, notavelmente uma que denuncia o duelo e uma que prevê a inviolabilidade dos Estados da Igreja. Ele emitiu edições revisadas da Vulgata (1598), do Breviário, do Missal, também do “Cæremoniale” e do “Pontificale”. A situação complicada na França não apresentava dificuldades insuperáveis para dois estadistas consumados como Henrique de Navarra e Clemente VIII. Ficou claro para Henrique que, apesar de suas vitórias, ele não poderia manter pacificamente a coroa francesa sem adotar a fé católica. Ele abjurou o calvinismo em 25 de julho de 1593. Era igualmente claro para o papa Clemente que era seu dever enfrentar a hostilidade egoísta da Espanha ao reconhecer as legítimas alegações de Henrique, tão logo se convenceu de que a conversão deste último era algo mais do que um manobra política. No outono de 1595, solenemente absolveu Henrique IV, pondo fim à guerra religiosa de trinta anos na França e conquistando um poderoso aliado em sua luta pela independência da Itália e da Santa Sé. A amizade de Henrique foi de importância essencial para o papa dois anos depois, quando Afonso II, duque de Ferrara, morreu sem filhos (27 de outubro de 1597), e o papa Clemente resolveu trazer a fortaleza da dinastia Este sob a jurisdição imediata da Igreja. Embora a Espanha e o império encorajassem o primo ilegítimo de Alfonso, Cesare d’Este, a resistir ao papa, foram impedidos de lhe dar ajuda pelas ameaças de Henrique, e o exército papal entrou quase sem oposição em Ferrara. Em 1598, o papa Clemente ganhou ainda mais crédito pelo papado ao estabelecer um tratado definitivo de paz entre a Espanha e a França no Tratado de Vervins e entre a França e Savóia. Ele também prestou valiosa assistência em homens e dinheiro ao imperador em sua disputa com os turcos na Hungria. Ele foi tão impiedoso quanto Sisto V no esmagamento do banditismo e na punição da iniqüidade da nobreza romana. Ele nem sequer poupou a jovem patricida Beatrice Cenci, sobre quem tantas lágrimas foram derramadas. (Bertolotti, Francesco Cenci e la sua famiglia, Florença, 1879). Em 17 de fevereiro de 1600, o apóstata Giordano Bruno foi queimado na fogueira na Piazza dei Fiori. O jubileu de 1600 foi um testemunho brilhante das glórias do papado renovado, três milhões de peregrinos que visitavam os locais sagrados. Em 1595 foi realizado o Sínodo de Brest, na Lituânia, pelo qual uma grande parte do clero ruteniano e do povo foram reunidos em Roma (Likowski, Union zu Brest, 1094). Embora Clemente, apesar do constante jejum, fosse torturado com gota nos pés e nas mãos, sua capacidade de trabalho era ilimitada e seu poderoso intelecto compreendia todas as necessidades da Igreja em todo o mundo. Entrou pessoalmente nos mínimos detalhes de todos os assuntos que vieram antes dele, por exemplo, no divórcio entre Henrique IV e Margarida de Valois, ainda mais na grande controvérsia sobre a graça entre os jesuítas e os dominicanos (ver BAÑEZ, MOLINA). Ele estava presente em todas as sessões da Congregatio de auxiliis (q.v.), mas sabiamente se absteve de emitir um decreto final sobre a questão. Clemente VIII morreu em seus setenta anos após um pontificado de treze anos. Seus restos mortais repousam em Santa Maria Maggiore, onde os Borghesi, que sucedem o Aldobrandini na linhagem feminina, erigiram um monumento deslumbrante em sua memória. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/04027a.htm
- Papa Clemente VII (1523-1534 DC.)
(GIULIO DE ‘MEDICI). Nascido em 1478; morreu em 25 de setembro de 1534. Giulio de ‘Medici nasceu poucos meses após a morte de seu pai, Giuliano, que foi morto em Florença nos distúrbios que se seguiram à conspiração dos Pazzi. Embora seus pais não tivessem sido propriamente casados, eles haviam sido prometidos em casamento por sponsalia de presenti, e Giulio, em virtude de um conhecido princípio do direito canônico, foi posteriormente declarado legítimo. O jovem foi educado por seu tio, Lorenzo, o Magnífico. Ele foi feito Cavaleiro de Rodes e Grande Prior de Cápua, e, após a eleição de seu primo Giovanni de ‘Medici para o papado como Leão X, ele imediatamente se tornou uma pessoa de grande importância. Em 28 de setembro de 1513, ele foi nomeado cardeal e teve o crédito de ser o principal promotor da política papal durante todo o pontificado de Leão. Ele foi um dos candidatos mais favorecidos no conclave prolongado que resultou na eleição de Adriano VI; tampouco o cardeal de Medici, apesar de sua íntima conexão com o luxuoso regime de Leão X, perdeu completamente influência sob seu austero sucessor. Giulio, nas palavras de um historiador moderno, era “erudito, inteligente, respeitável e trabalhador, embora tivesse pouco empreendimento e menos decisão” (Armstrong, Charles V, I, 166). Após a morte de Adriano (14 de setembro de 1523), o Cardeal de ‘Medici foi escolhido Papa, em 18 de novembro de 1523, e sua eleição foi saudada em Roma com entusiasmo. Mas o temperamento do povo romano era apenas um elemento no complexo problema que Clemente VII teve de enfrentar. Toda a situação política e religiosa era de extrema delicadeza, e pode-se duvidar que houvesse um homem em cada dez mil que teria conseguido o tato natural e a prudência humana em guiar a Barca de Pedro através de águas tão tempestuosas. Clemente certamente não era um homem assim. Infelizmente, ele havia sido criado em todas as más tradições da diplomacia italiana, e, além disso, uma certa irresolução fatal do caráter parecia impeli-lo, quando qualquer decisão chegava, a relembrar o rumo acordado e a tentar fazer termos com o outro lado. Os primeiros anos de seu pontificado foram ocupados com as negociações que culminaram na Liga do Cognac. Quando Clemente foi coroado, Francisco I e o imperador Carlos V estavam em guerra. Carlos havia apoiado a candidatura de Clemente e esperava muito de sua amizade com os Medici, mas apenas um ano se passou após sua eleição até que o novo papa concluísse um tratado secreto com a França. A batalha campal travada entre Francisco e os comandantes imperiais em Pavia, em fevereiro de 1525, terminando na derrota e cativeiro do rei francês, colocou nas mãos de Carlos os meios de se vingar. Ainda assim ele usou sua vitória com moderação. Os termos do Tratado de Madri (14 de janeiro de 1526) não eram realmente extravagantes, mas Francisco parece ter assinado com a intenção deliberada de quebrar suas promessas, embora confirmadas pelo mais solene dos juramentos. Que Clemente, em vez de aceitar as aberturas de Carlos, tenha feito parte da perfídia do rei francês e ter organizado uma liga com a França, Veneza e Florença, assinada em Cognac, em 22 de maio de 1526, deve certamente ter sido considerado pelo o imperador como provocação quase imperdoável. Sem dúvida, Clemente foi movido pelo genuíno patriotismo em sua desconfiança da influência imperial na Itália e especialmente pela ansiedade por sua Florença natal. Além disso, ele se irritava sob a ordem que lhe parecia ameaçar a liberdade da Igreja. Mas, embora ele provavelmente temesse que os laços pudessem se apertar mais, é difícil perceber que ele tinha naquele momento qualquer motivo sério de queixa. Não podemos ficar muito surpresos com o que se seguiu. Os enviados de Carlos, que não obtinham satisfação do papa, se aliaram aos descontentes Colonna, que estavam atacando o território papal. Estes últimos fingiram reconciliação até que os comandantes papais foram embalados em um senso de segurança. Então os Colonna fizeram um súbito ataque a Roma e calaram Clemente no Castelo de Sant ‘Angelo enquanto seus seguidores saqueavam o Vaticano (20 de setembro de 1526). Carlos desaprovou a ação dos Colonna, mas aproveitou a situação criada pelo sucesso deles. Um período de vacilação seguido. Certa vez Clemente concluiu uma trégua com o imperador, em outro ele voltou desesperadamente para a Liga, em outro, sob o incentivo de um pequeno sucesso, ele rompeu as negociações com os representantes imperiais e retomou as hostilidades ativas, e novamente, ainda mais tarde, ele assinou uma trégua com Carlos por oito meses, prometendo o pagamento imediato de uma indenização de 60.000 ducados. Nesse meio tempo, os mercenários alemães no norte da Itália foram rapidamente reduzidos às últimas extremidades por falta de provisões e pagamento. Ao saber da indenização de 60.000 ducados, eles ameaçaram um motim, e os comissários imperiais extraíram do papa o pagamento de 100.000 ducados, em vez da soma inicialmente acordada. Mas o sacrifício foi ineficaz. Parece provável que os Lansquenetes, uma grande parte dos quais eram luteranos, estivessem realmente completamente fora de controle e que praticamente obrigaram o Condestável Bourbon, agora no comando supremo, a liderá-los contra Roma. No dia 5 de maio chegaram às muralhas, que, devido à confiança do papa na trégua que ele concluíra, estavam quase sem defesa. Clemente mal teve tempo de se refugiar no Castelo de Sant’Angelo e, durante oito dias, o “Saque de Roma” continuou em meio a horrores quase inexplorados na história da guerra. “Os luteranos”, diz uma autoridade imparcial, “regozijaram-se em queimar e contaminar o que todo o mundo adorou. Igrejas foram profanadas, mulheres, até os religiosos, violados, embaixadores saqueados, cardeais feitos cativos, zombarias feitas com dignitários e cerimônias eclesiásticas, e os soldados lutaram entre si pelo despojo “(Leathes in” Camb. Mod. História “, II, 55). Parece provável que Carlos V não estivesse realmente implicado nos horrores que então ocorreram. Ainda assim, ele não tinha objeções contra o papa, que suportava todas as conseqüências de sua diplomacia, e permitiu que ele continuasse sendo um prisioneiro virtual no Castelo de Sant’Angelo por mais de sete meses. A flexibilidade de Clemente já havia ofendido os outros membros da Liga, e seus apelos não foram muito calorosamente respondidos. Além disso, ele necessitava urgentemente do apoio imperial tanto para fazer frente aos luteranos na Alemanha quanto para restabelecer os Medici no governo de Florença de onde haviam sido expulsos. O efeito combinado dessas várias considerações e do fracasso das tentativas francesas contra Nápoles foi jogar Clemente nos braços do imperador. Depois de uma estada em Orvieto e Viterbo, Clemente retornou a Roma, e lá, antes do final de julho de 1529, os termos favoráveis à Santa Sé foram definitivamente combinados com Carlos. O selo foi montado sobre o pacto pelo encontro do imperador e do papa em Bolonha, onde, em 24 de fevereiro de 1530, Carlos foi solenemente coroado. Por quaisquer motivos que o pontífice foi influenciado, este acordo certamente teve o efeito de restaurar a Itália a tão necessária paz. Enquanto isso, eventos, cuja importante conseqüência não estava totalmente prevista, estavam ocorrendo na Inglaterra. Henrique VIII, cansado da rainha Catarina, com quem não tinha herdeiro do trono, mas apenas uma filha sobrevivente, Maria, apaixonado por Ana Bolena, revelara a Wolsey, em maio de 1527, que desejava se divorciar. Ele fingiu que sua consciência estava desconfortável com o casamento contraído sob a dispensação papal com a viúva de seu irmão. Como seu primeiro ato era solicitar à Santa Sé contingentemente a concessão do divórcio, uma dispensa do impedimento de afinidade no primeiro grau (um impedimento que se interpunha entre ele e qualquer casamento legal com Ana por conta de sua relação carnal anterior com a irmã de Ana, Maria), o escrúpulo de consciência não pode ter sido muito sincero. Além disso, como a rainha Catarina solenemente jurara que o casamento entre ela e o irmão mais velho de Henrique, Artur, nunca fora consumado, nunca houve, por conseguinte, qualquer afinidade real entre ela e Henrique, mas apenas o impedimento público … honestatis. A impaciência do rei, porém, era tal que, sem dar total confiança a Wolsey, ele enviou seu enviado, Knight, imediatamente a Roma para tratar com o papa sobre a anulação do casamento. Knight encontrou o papa como prisioneiro em Sant’Angelo e pouco pôde fazer até visitar Clemente, após sua fuga, em Orvieto. Clemente estava ansioso por gratificar Henrique, e ele não fez muita dificuldade sobre a dispensa contingente da afinidade, julgando, sem dúvida, que, como só entraria em vigor quando o casamento com Catarina fosse cancelado, não teria nenhuma consequência prática. Ao ser pressionado, no entanto, a emitir uma comissão a Wolsey para julgar o caso de divórcio, ele fez uma posição mais determinada, e o cardeal Pucci, a quem foi submetido um instrumento para esse propósito, declarou que tal documento refletiria descrédito sobre todos em causa. Uma segunda missão a Roma organizada por Wolsey, e consistindo de Gardiner e Foxe, não teve muito mais sucesso a princípio. Uma comissão foi de fato concedida e levada de volta à Inglaterra por Foxe, mas foi salvaguardada de maneiras que a tornaram praticamente inócua. A atitude de intimidação que Gardiner adotou em relação ao papa parece ter ultrapassado todos os limites da decência, mas Wolsey, temeroso de perder o favor real, estimulou-o a novos esforços e implorou que ele obtivesse, a qualquer custo, uma “comissão decretal”. Este foi um instrumento que decidiu os pontos de direito de antemão, seguro de recurso, e deixou apenas a questão de fato a ser determinada na Inglaterra. Contra isso Clemente parece sinceramente ter lutado, mas ele finalmente se rendeu a ponto de emitir uma comissão secreta ao cardeal Wolsey e ao cardeal Campeggio em conjunto para julgar o caso na Inglaterra. A comissão não deveria ser mostrada a ninguém e nunca deveria deixar as mãos de Compeggio. Nós não sabemos seus termos exatos; mas se seguisse os rascunhos preparados na Inglaterra para esse fim, declarava que a Bula de dispensa concedida por Júlio para o casamento de Henrique com a esposa do irmão falecido deveria ser declarada obri- ciosa e, portanto, nula, se os comissários descobrissem que os motivos alegados por Júlio era insuficiente e contrário aos fatos. Por exemplo, fingira-se que a dispensação era necessária para consolidar a amizade entre a Inglaterra e a Espanha, também que o jovem Henrique desejava o casamento, etc. Campeggio chegou à Inglaterra no final de setembro de 1528, mas os procedimentos do tribunal legatino foram paralisados pela produção de uma segunda dispensa concedida pelo papa Júlio na forma de um Breve. Isso teve uma importância dupla. A comissão de Clemente autorizou Wolsey e Campeggio a se pronunciarem sobre a suficiência dos motivos alegados em um determinado documento específico, a saber, a Bula; mas o Breve não foi contemplado e ficou de fora de sua comissão. Além disso, o Breve não limitou os motivos para conceder a dispensa a certas alegações especificadas, mas falou de “aliis causis animam nostram moventibus”. A produção do Breve, agora comumente admitida como sendo autêntica, embora o partido do rei tenha declarado uma falsificação, prendeu os procedimentos da comissão por oito meses e, no final, sob pressão de Carlos V, a quem sua tia Catarina apelou veementemente para o apoio, bem como para o papa, a causa foi revogada para Roma. Não pode haver dúvida de que Clemente mostrou muita fraqueza nas concessões que fizera às exigências inglesas; mas também deve ser lembrado, em primeiro lugar, que na decisão deste ponto de lei, os fundamentos técnicos para tratar a dispensação como obri- ciais eram em si sérios e, segundo, que, ao cometer a honra da Santa Sé à guarda de Campeggio, Clemente sabia que ele tinha a ver com um homem de princípio excepcionalmente alto. Até onde o papa foi influenciado por Carlos V em sua resistência, é difícil dizer; mas é claro que seu próprio senso de justiça o dispoôs totalmente em favor da rainha Catarina. Henrique, por conseguinte, mudou de posição e mostrou quão profunda era a fenda que o separava da Santa Sé, insistindo agora em que um casamento com o irmão de um falecido marido estivesse além dos poderes papais da dispensação. Clemente retaliou pronunciando censura contra aqueles que ameaçavam ter o processo de divórcio do rei decidido por um tribunal inglês, e proibiu que Henrique procedesse a um novo casamento antes de uma decisão ser dada em Roma. O rei a seu lado (1531) extorquiu uma grande soma de dinheiro do clero inglês com o pretexto de que as penalidades do præmunire haviam sido incorridas por eles através do reconhecimento do legado papal, e logo depois ele prevaleceu sobre o Parlamento para proibir sob certas condições o pagamento de anatas a Roma. Outros desenvolvimentos se seguiram. A morte do Arcebispo Warham (22 de agosto de 1532) permitiu que Henrique pressionasse pela instituição de Cranmer como Arcebispo de Cantuária, e através da intervenção do rei da França isso foi concedido, o pálio sendo concedido a ele por Clemente. Quase imediatamente após sua consagração, Cranmer procedeu a pronunciar-se sobre o divórcio, enquanto Henrique havia contratado anteriormente um casamento secreto com Ana Bolena, cujo casamento Cranmer, em maio de 1533, declarou válido. Ana Bolena foi consequentemente coroada em 1º de junho. Enquanto isso, os Comuns proibiram todos os apelos a Roma e cobraram as penas de prisão contra todos os que introduzissem bulas papais na Inglaterra. Foi só então que Clemente finalmente tomou a iniciativa de lançar uma sentença de excomunhão contra o rei, declarando ao mesmo tempo que o pretenso decreto de divórcio de Cranmer era inválido e que o casamento com Ana Bolena era nulo e sem efeito. O núncio papal foi retirado da Inglaterra e as relações diplomáticas com Roma foram interrompidas. Henrique apelou do papa a um concílio geral e, em janeiro de 1534, o Parlamento promulgou mais uma legislação que aboliu toda a dependência eclesiástica de Roma. Mas foi somente em março de 1534 que o tribunal papal finalmente pronunciou seu veredicto sobre a questão original levantada pelo rei e declarou que o casamento entre Henrique e Catarina era inquestionavelmente válido. Clemente tem sido muito culpado por esse atraso e por suas várias concessões em matéria de divórcio; na verdade, ele foi acusado de perder a Inglaterra para a Fé Católica por causa do encorajamento dado a Henrique, mas é extremamente duvidoso se uma atitude mais firme teria tido um resultado mais benéfico. O rei estava decidido a realizar seu propósito, e Clemente tinha princípios suficientes para não ceder o único ponto vital sobre o qual todos se voltaram. Nos aspectos mais eclesiásticos de seu pontificado, Clemente estava livre de reprovação. Duas reformas franciscanas, a dos capuchinhos e a dos recoletos, encontraram nele um patrono suficientemente simpático. Ele estava genuinamente a sério sobre a cruzada contra os turcos e encorajou muito as missões estrangeiras. Como patrono da arte, ele foi muito prejudicado pelo saque de Roma e pelos outros eventos desastrosos de seu pontificado. Mas ele estava muito interessado em tais assuntos e, de acordo com Benvenuto Cellini, ele tinha excelente gosto. Pela comissão dada ao último artista nomeado pelo famoso cordão Pluvial do qual ouvimos tanto na autobiografia, ele se tornou o fundador da sorte de Benvenuto. (Veja CELLINI, BENVENUTO.) Clemente também continuou a ser o patrono de Rafael e de Michelangelo, cujo grande afresco do Juízo Final na Capela Sistina foi realizado por suas ordens. Em seu veredicto sobre o caráter do Papa Clemente VII, quase todos os historiadores concordam. Ele era um príncipe italiano, um de ‘Medici e um diplomata primeiro, e um governante espiritual depois. Sua inteligência era de alta ordem, embora sua diplomacia fosse débil e irresponsável. Por outro lado, sua vida privada estava livre de reprovação, e ele tinha muitos impulsos excelentes, mas, apesar da boa intenção, todas as qualidades de heroísmo e grandeza deveriam enfaticamente ser negadas a ele. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/04024a.htm
- Papa Clemente VI (1342-1352 DC.)
(PIERRE ROGER) Nascido em 1291 no castelo de Maumont, departamento de Corrèze, França, eleito papa, em 7 de maio de 1342, em Avinhão, onde morreu em 6 de dezembro de 1352. Com dez anos de idade entrou no mosteiro beneditino de La Chaise-Dieu (Haute – Loire), onde ele fez sua profissão religiosa. Depois de dedicar algum tempo para estudar em Paris, ele se formou como médico e se tornou professor naquela cidade. Após a sua introdução ao Papa João XXII pelo cardeal Pierre Grouin de Mortemart, ele rapidamente subiu de uma dignidade eclesiástica para outra. Primeiramente prior de Saint-Baudile em Nîmes, então abade de Fécamp na Normandia, tornou-se bispo de Arras e chanceler da França em 1328, foi promovido ao arcebispado de Sens em 1329 e ao de Rouen no ano seguinte. Na última cidade, um concílio provincial, que promulgou vários decretos disciplinares, foi realizado sob sua presidência em 1335. Ele foi feito cardeal (1338) por Bento XII, a quem ele sucedeu como pontífice. Um dos traços característicos de sua política como chefe da Igreja Universal era sua devoção excessiva aos interesses da França e de seus parentes. Suas simpatias francesas impediram seus esforços de restaurar e manter a paz entre a Inglaterra e a França, embora sua mediação tenha levado à conclusão de uma breve trégua geral (Malestroit, 1343). A maioria dos vinte e cinco cardeais que ele criou eram franceses, e doze deles eram parentes dele. O rei da França recebeu permissão (1344) para comungar em ambos as espécies. Clemente aceitou a dignidade senatorial oferecida a ele como “Cavaleiro Roger” por uma delegação romana, que numerou Petrarca como um de seus membros. Ele também concedeu seu pedido para a celebração de um jubileu a cada cinquenta anos, em vez de a cada cem anos (Bula “Unigenitus”, 1343), mas recusou o convite para retornar a Roma. A permanência maior parecia estar assegurada à residência papal no exterior por sua compra da soberania de Avinhão por 80.000 florins de Joana de Nápoles e Provença (9 de junho de 1348). Na mesma época, ele também declarou essa princesa inocente de cumplicidade no assassinato de seu marido. O sucesso do papa em assuntos romanos é evidenciado por sua confirmação da regra efêmera, mas então inevitável, da Cola di Rienzi (20 de maio a 15 de dezembro de 1347). Sua condenação posterior a essa tribuna arrogante foi amplamente instrumental para provocar sua queda do poder. Logo após esses eventos, o ano jubilar de 1350 trouxe um número extraordinariamente grande de peregrinos à Cidade Eterna. Em sua tentativa de fortalecer o partido Guelfo na Itália, o papa encontrou um fracasso e foi obrigado a ceder a cidade de Bolonha ao arcebispo de Milão por um período de doze anos. Clemente assumiu com ardor o conflito de longa data entre o imperador Luís, o bávaro, e o papado. O primeiro ofendeu os sentimentos religiosos de muitos de seus adeptos ao anular arbitrariamente o casamento de Marguerite Maultasch, herdeira de Tirol, e João Henrique, príncipe da Boêmia. O descontentamento popular foi ainda mais intensificado quando o imperador autorizou seu próprio filho a casar-se com a mesma princesa. Luís, consequentemente, estava pronto para fazer as maiores concessões ao papa. Em um escrito de setembro de 1343, ele reconheceu sua assunção ilegal do título imperial, declarou sua disposição de anular todos os seus atos imperiais e de se submeter a qualquer penalidade papal, mas ao mesmo tempo desejava ser reconhecido como rei dos romanos. Clemente exigiu como condições adicionais que nenhuma lei fosse promulgada no império sem sanção papal, que a força obrigatória dos decretos reais promulgados por Luís fosse suspensa até a confirmação pela Santa Sé, de que ele deveria depor todos os bispos e abades nomeados por ele mesmo, e renunciar a toda reivindicação à soberania dos Estados Papais, Sicília, Sardenha e Córsega. Luís submeteu as exigências do papa à consideração dos príncipes alemães, numa época em que o sentimento antipapal era muito alto na Alemanha, como resultado da separação do Arcebispado de Praga da província eclesiástica de Mainz (30 de abril de 1344). Os príncipes declararam-nos inaceitáveis, mas também falaram da necessidade de eleger um novo rei no lugar de Luís, cujo governo fora tão desastroso para o império. O papa em 7 de abril de 1346, depôs Henrique de Virneburgo, arcebispo de Mainz e partidário ardente do imperador reinante, nomeou Gerlach, de vinte anos, de Nassau para a sé. Em 13 de abril do mesmo ano, ele lançou uma bula severa contra o imperador, na qual ele pediu aos eleitores que lhe dessem um sucessor. Carlos de Luxemburgo, o candidato do papa e ex-aluno, foi eleito rei da Alemanha (11 de julho de 1346), por seu pai, João da Boêmia, por Rudolf da Saxônia e pelos três eleitores eclesiásticos. Carlos IV (1346-78) aceitou substancialmente as exigências papais, mas sua autoridade não foi imediatamente reconhecida em toda a Alemanha. O país estava à beira da guerra civil, quando Luís, o bávaro, morreu repentinamente enquanto estava em uma caçada de javalis perto de Munique (11 de outubro de 1347). A oposição de Günther de Schwartzenburg (d. 14 de junho de 1349) a Carlos foi de curta duração. Deixado sem protetor, através da morte de Luís, Guilherme de Ockham e os cismaticos Frades Menores agora se submeteram ao papa. Por volta de 1344, Clemente VI concedeu a soberania das Ilhas Canárias ao príncipe castelhano Luís de la Cerda, na condição de que nenhum outro governante cristão tivesse adquirido qualquer direito à sua posse. O novo soberano, a quem foi concedido o título de Príncipe de Fortunia, concordou em introduzir o cristianismo nas ilhas e em pagar tributo à Santa Sé. Ele não pôde, no entanto, tomar posse efetiva do território, que não foi permanentemente convertido neste momento, apesar de um bispo especial (o carmelita Bernardo) ter sido nomeado para as ilhas em 1351. As tentativas do papa de reunir os gregos e armênios com a Igreja Romana não levou a resultados definitivos. O Oriente desejou não tanto um retorno à unidade doutrinal como a assistência contra os turcos. Uma cruzada contra os últimos, que foi realizado em 1344, terminou em uma trégua estéril. Mais um príncipe temporal do que um governante eclesiástico, Clemente era generoso para a profusão, um patrono das artes e letras, um amante de bom humor, banquetes bem equipados e recepções brilhantes, às quais as damas eram admitidas livremente. As pesadas despesas exigidas por tal pompa logo esgotaram os recursos que a economia de Bento XII havia provido para seu sucessor. Para abrir novas fontes de receita, na ausência da renda ordinária dos Estados da Igreja, novos impostos eram impostos e um número cada vez maior de nomeações para bispados e benefícios era reservado ao papa. Tais procedimentos arbitrários levaram a resistência em vários países. Em 1343, os agentes de dois cardeais, que Clemente nomeara para ofício na Inglaterra, foram expulsos daquele país. Eduardo III se queixou veementemente das exações da corte de Avinhão, e em 1351 foi aprovado o Estatuto dos Provisórios, segundo o qual o rei reservava o direito de apresentações em todos os casos de nomeações papais para os benefícios. A memória deste papa é obscurecida por seu partidarismo francês aberto e pelo nepotismo grosseiro de seu reinado. Clemente VI era, no entanto, um protetor dos oprimidos e um ajudante dos necessitados. Sua coragem e caridade apareceram notavelmente na época da Grande Pestilência, ou Morte Negra, em Avinhão (1348-49). Enquanto em muitos lugares, numerosos judeus foram massacrados pela população como sendo a causa da peste, Clemente emitiu bulas para sua proteção e proporcionou-lhes um refúgio em seu pequeno Estado. Ele canonizou Santo Ivo de Tréguier, Bretanha (d. 1303), o defensor dos órfãos (junho de 1347), condenou os flagelantes e, em 1351, defendeu corajosamente os frades mendicantes contra as acusações de alguns prelados seculares. Vários sermões foram preservados deste papa reconhecidamente erudito e eloquente. Ele morreu depois de uma doença curta e, de acordo com seu desejo, foi enterrado em La Chaise-Dieu. Em 1562 seu túmulo foi profanado e seus restos queimados por alguns huguenotes. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/04023a.htm
- Papa Clemente V (1305-1314 DC.)
(Bertrando de Got) Nascido em Villandraut na Gasconh(🎑a, França, 1264; morreu em Roquemaure, 20 de abril de 1314. Ele foi eleito, em 5 de junho de 1305, em Perugia como sucessor de Bento XI, após um conclave de onze meses, a grande duração da qual foi devida às facções francesas e italianas entre os cardeais. Dez dos quinze (principalmente italianos) cardeais votaram nele. A História de Giovanni Villani (Hist. Florent., VIII, 80, em Muratori, SS. RR. Ital., XIII, 417; cf. Raynald, Ann. Eccl., 1305, 2-4) de uma influência decisiva de Filipe, o belo e a nova conferência secreta do papa com concessões desprezíveis a esse rei na floresta de Saint-Jean-d’Angély é bastante a-histórica; por outro lado, os cardeais estavam dispostos a agradar o poderoso rei francês que o falecido Bento XI havia sido obrigado a aplacar por notáveis concessões, e não é improvável que algum tipo de entendimento mútuo fosse alcançado pelo rei e pelo futuro papa. Como Arcebispo de Bordeaux, Bertrando de Got era, na verdade, um súdito do rei da Inglaterra, mas desde a juventude ele fora amigo pessoal de Filipe, o belo. No entanto, ele permaneceu fiel a Bonifácio VIII. O novo papa veio de uma família distinta. Um irmão mais velho fora Arcebispo de Lyon e morreu (1297) como Cardeal-Bispo de Albano e legado papal na França. Bertrando estudou as artes em Toulouse e o e o direito canônico e civil em Orléans e Bolonha. Ele havia sido sucessivamente cônego em Bordeaux, vigário geral do arcebispo de Lyon (seu irmão mencionado), capelão papal, bispo de Comminges sob Bonifácio VIII e, finalmente, arcebispo de Bordeaux, então um ofício difícil por causa do persistente conflito entre Inglaterra e França pela posse da Normandia. Os cardeais suplicaram a ele que viesse a Perugia e fosse para Roma para sua coroação, mas ele ordenou que eles fossem para Lyon, onde ele foi coroado (14 de novembro de 1305) na presença de Filipe, o belo e com grande pompa. Durante a procissão pública habitual, o papa foi jogado de seu cavalo por uma parede caindo; um dos seus irmãos foi morto naquela ocasião, também o velho cardeal Matteo Orsini que participou de doze conclaves e viu treze papas. A jóia mais preciosa da tiara papal (um carbúnculo) foi perdida naquele dia, um incidente profeticamente interpretado por historiadores alemães e italianos, e no dia seguinte outro irmão foi morto em meio a uma disputa entre servos do novo papa e retentores dos cardeais. Por algum tempo (1305-1309), o papa Clemente residiu em diferentes lugares da França (Bordeaux, Poitiers, Toulouse), mas finalmente morou em Avinhão então um feudo de Nápoles, embora dentro do condado de Venaissin que desde 1228 reconheceu o papa como suserano (em 1348 Clemente VI comprou Avinhão por 80.000 gulden de ouro de Joana de Nápoles). Um forte afeto por sua França natal e um medo igualmente influente das condições quase anárquicas da Itália, e em particular dos Estados da Igreja e da cidade de Roma, levaram-no a essa decisão fatídica, pela qual ele se expôs à dominação de um governante civil (Filipe, o belo), cujos objetivos imediatos eram uma monarquia universal francesa e uma solene humilhação do papa Bonifácio VIII em troca da corajosa resistência à astúcia, violência e usurpações de Filipe (Hergenröther). Estados da Igreja O governo dos Estados da Igreja foi comissionado por Clemente a uma comissão de três cardeais, enquanto em Spoleto seu próprio irmão, Arnaldo Garsias de Got, ocupava o cargo de vigário papal. Giacomo degli Stefaneschi, senador e chefe popular, governou a cidade de maneira esculachada e pessoal. Confusão e anarquia prevaleceram, devido ao ódio mútuo implacável dos Colonna e Orsini, a turbulência tradicional dos romanos, e os frequentes conflitos irados entre o povo e os nobres, condições que tinham estado a piorar durante todo o século XIII e tiveram eventualmente levado até mesmo os papas italianos a fortalezas externas como Viterbo, Anagni, Orvieto e Perugia. Não se pode fazer mais uma ilustração gráfica das condições locais em Roma e no Patrimônio de Pedro do que a descrição de Nicolau de Butrinto, o historiador do imperador Henrique VII, em sua fatídica expedição romana de 1312 [ver Von Raumont, Geschichte der Stadt Rom Berlim, 1867, II (1), 745-65]. Entre os eventos romanos desfavoráveis do reinado do Papa Clemente foi a conflagração de 6 de maio de 1308, que destruiu a igreja de São João de Latrão, logo reconstruída, no entanto, pelos romanos, com a ajuda do papa. Clemente não hesitou em tentar as conclusões da guerra com o estado italiano de Veneza que injustamente se apoderou de Ferrara, um feudo do Patrimônio de Pedro. Quando a excomunhão, o interdito e a proibição geral de todas as relações comerciais fracassaram, ele proibiu os venezianos e fez com que uma cruzada fosse pregada contra eles; finalmente, seu legado, Cardeal Pélagrue, derrubou em uma batalha terrível os agressores altivos (28 de agosto de 1309). O vicariato papal de Ferrara foi então conferido a Roberto de Nápoles, cujos mercenários catalães, no entanto, eram mais odiosos para o povo do que os usurpadores venezianos. Em qualquer caso, as potências menores da Itália haviam aprendido que ainda não podiam despojar com impunidade a herança da Sé Apostólica, e foi fornecido um exemplo que o maior soldado do papado, Gil d’Albornoz (qv), prevaleceria antes que o século acabasse. Processo de Bonifácio VIII Quase imediatamente, o rei Filipe exigiu do novo papa uma condenação formal da memória de Bonifácio VIII; só assim o ódio real poderia ser aplacado. O rei desejou que o nome de Bonifácio fosse retirado da lista de papas como herege, seus ossos desenterrados, queimados e as cinzas espalhadas pelos ventos. Esse passo odioso e vergonhoso que Clemente procurou evitar, em parte por demora, em parte por novos favores ao rei; ele renovou a absolvição concedida ao rei por Bento XI, criou nove cardeais franceses de um grupo de dez, restituiu aos cardeais de Colonna seus lugares no Sacro Colégio e concedeu os títulos de propriedade da igreja por cinco anos. Finalmente, ele retirou a Bula “Clericis Laicos”, embora não a legislação anterior na qual se baseou, e declarou que a doutrina da Bula “Unam Sanctam” não afetava de maneira desvantajosa o meritório rei francês, e implicava para ele e seu reino maior grau de sujeição à sé papal do que existia anteriormente. O papa também foi útil para Carlos de Valois, irmão do rei, e pretendente ao trono imperial de Constantinopla, concedendo-lhe um dízimo de dois anos das rendas da igreja; Clemente esperava que uma cruzada operando a partir de uma Constantinopla reconquistada fosse bem-sucedida. Em maio de 1307, em Poitiers, onde a paz foi feita entre a Inglaterra e a França, Filipe novamente insistiu em um processo canônico de condenação da memória de Bonifácio VIII, como herege, blasfemo, sacerdote imoral etc. Eventualmente, o papa Respondeu que um assunto tão grave não poderia ser resolvido fora de um concílio ecumênico, e o rei por algum tempo pareceu satisfeito com essa solução. No entanto, ele retornou com frequência e urgência à sua proposta. Foi em vão que o papa demonstrou disposição para sacrificar os Templários (veja abaixo); o rei impiedoso, seguro de seu poder, pressionou pela abertura deste julgamento único, inédito desde a época do papa Formoso. Clemente teve que ceder, e designou 2 de fevereiro de 1309, como a data, e Avinhão como o local para o julgamento de seu antecessor morto sobre as acusações vergonhosas tão longo colportadas sobre a Europa pelos cardeais de Colonna e sua facção. No documento (citação) que chamou (13 de setembro de 1309) para as testemunhas, Clemente expressou sua convicção pessoal da inocência de Bonifácio, ao mesmo tempo sua resolução para satisfazer o rei. Embora o papa tivesse logo (2 de fevereiro de 1310) protestado contra uma falsa interpretação de suas próprias palavras, o processo foi realmente iniciado em um consistório de 16 de março de 1310, em Avinhão. Muito atraso se seguiu, de um lado e do outro, a propósito de métodos de procedimento. No início de 1311, as testemunhas foram examinadas fora de Avinhão, na França e na Itália, mas por comissários franceses e principalmente pelas acusações acima mencionadas dos Colonna. Finalmente, em fevereiro de 1311, o rei escreveu a Clemente, abandonando o processo ao futuro concílio (de Vienne) ou à própria ação do papa, e prometendo causar a retirada das acusações; ao mesmo tempo, ele protestou que suas intenções eram puras. Um preço dessas concessões de boas-vindas foi uma declaração formal do papa Clemente (27 de abril de 1311) sobre a inocência do rei e a de seus amigos; esses representantes da França, o “Israel da Nova Aliança”, haviam agido, disse o papa, de boa fé e com um zelo puro, nem deveriam temer no futuro qualquer prejuízo canônico dos acontecimentos de Anagni. William Nogaret foi salvo, mas em seu protesto de inocência, e na intercessão de Filipe, uma penitência foi imposta a ele e ele também recebeu absolvição. Somente aqueles que detinham propriedade eclesiástica foram finalmente excluídos do perdão. O zelo religioso de Filipe foi novamente reconhecido; todos os atos papais prejudiciais a ele e seu reino desde novembro de 1302 foram rescindidos; as rasuras são ainda visíveis na “Regesta” de Bonifácio VIII, nos Arquivos do Vaticano (ver Tosti, “Storia di Bonifazio VIII”, Roma, 1886, II, 343-44). Esta dolorosa situação foi fechada para Clemente V pelo Concílio de Vienne (16 de outubro de 1311), cuja maioria dos membros era pessoalmente favorável a Bonifácio. Não é certo que o concilio tenha formalizado a questão da culpa ou inocência de Bonifácio. Em sua forma atual, as Atas oficiais do concílio são silenciosas, e nem todos os escritores contemporâneos mencionam isso como um fato. É verdade que Giovanni Villani descreve Filipe e seus conselheiros como ansiosos para a condenação de Bonifácio pelo concílio, mas, diz ele, a memória do papa foi formalmente expurgada de todas as acusações adversas por três cardeais e vários juristas; além disso, três cavaleiros catalães se ofereceram para defender com suas espadas o bom nome do papa Gaetani contra todos os que chegavam, quando o rei cedeu, e exigiu apenas que ele fosse declarado inocente de qualquer responsabilidade pela mudança de assunto teria tomado. Com a morte de seus inimigos pessoais, a oposição a Bonifácio diminuiu, e sua legitimidade já não era negada nem mesmo na França (Balan, “O Processo de Bonifazio VIII”, Roma, 1881). Clemente V e os Templários Desde a expulsão final (1291) das forças cruzadas da Terra Santa, as ordens eclesiástico-militares na Europa suscitaram muitas críticas adversas, em parte porque foram atribuídas às suas invejas (Templários, Hospitalários ou Cavaleiros de São João, Ordem Teutônica) a derrota humilhante, em parte por causa da vasta riqueza que adquiriram em sua curta existência. Os Templários (chamados do Templo de Jerusalém, pauperes commilitones Christi Templique Solomonici, ou seja, pobres companheiros de guerra de Cristo e do Templo de Salomão) eram os mais ricos. Seus mosteiros de fortaleza, conhecidos como Templos, surgiram em todas as terras européias e, no final do século XIII, abrigavam o principal sistema bancário da Europa; os cavaleiros eram confiados por papas e reis e por pessoas de riqueza por causa de sua retidão, a boa administração de seus negócios e seu sólido crédito baseado nas inúmeras propriedades da ordem e em suas relações financeiras generalizadas. Já antes da ascensão do papa Clemente, seu status estava se tornando perigoso; Além da inveja despertada por suas riquezas, acusações de orgulho, exclusividade, usurpação de direitos episcopais, etc, foram levantadas contra eles. Eles haviam resistido a várias tentativas de unir sua ordem com os Hospitalários, e embora não seja mais fácil fixar o grau de popularidade deles com o povo comum, é certo que em muitos lugares da Europa eles haviam despertado a cupidez dos príncipes e o ciúmes de muitos eclesiásticos superiores, especialmente na França; sem a cooperação dos últimos, jamais poderiam ter caído de maneira tão trágica. Sua história é contada integralmente no artigo Templários; portanto, para evitar a repetição, bastará mencionar aqui os principais fatos. No primeiro ano do pontificado de Clemente V, o rei francês começou a exigir do papa a supressão dessa ordem eclesiástica e a instaurar uma campanha de violência e calúnia, como até o momento havia acontecido no caso de Bonifácio VIII. Se o papa, como era naturalmente temido, se recusasse finalmente a ceder na questão do processo contra a memória de seu antecessor, certamente ficaria feliz em comprar o alívio com o sacrifício dos templários. Devido à fraqueza e irresolução do papa Clemente, o plano real foi bem-sucedido. Depois de uma tentativa fracassada do papa (em agosto de 1307) de unir os Templários e os Hospitalários, ele cedeu às exigências do rei Filipe e ordenou uma investigação da ordem, contra a qual o rei trouxe acusações de heresia (renúncia de Cristo, imoralidade, idolatria, desprezo pela missa, negação dos sacramentos, etc.) Filipe, no entanto, não esperou pela operação ordinária da Inquisição, mas, com a ajuda de seu confessor, Guillaume de Paris (o inquisidor da França), e seus juristas inteligentes e inescrupulosos (Nogaret, de Plaisians, Enguerrando de Marigny) atacou subitamente em toda a ordem, 12 de outubro de 1307, pela prisão em Paris de Jacques de Molay, o Grã-mestre e cento e quarenta cavaleiros, seguido pelo mandato do inquisidor para prender todos os outros membros em toda a França, e por seqüestro real das propriedades da ordem. A opinião pública foi astuciosamente e com sucesso manipulada pelos juristas citados. Também foi falsamente feito a parecer que o papa aprovou, ou estava consententemente ciente, da ação real, enquanto a cooperação de inquisidores e bispos franceses colocava o selo de aprovação eclesiástica em um ato que certamente era até agora de injustiça grosseira. Enquanto Filipe convidava os outros príncipes da Europa a seguir seu exemplo, Clemente V protestou (27 de outubro) contra a usurpação real da autoridade papal, exigiu a transferência para sua própria custódia dos prisioneiros e de suas propriedades e suspendeu a autoridade inquisidora da prisão dos eclesiástico do rei e os bispos franceses. Filipe fez uma aparente submissão, mas enquanto isso Clemente emitiu outra bula (22 de novembro) comandando uma investigação das acusações contra os templários em todos os países europeus. (Pode-se dizer imediatamente que os resultados geralmente eram favoráveis à ordem; em parte alguma, dada a falta de tortura, havia confissões obcecadas como as obtidas na França.) Os esforços frágeis de Clemente para obter para a ordem a justiça canônica estrita (ele foi ele mesmo um excelente canonista) foram contrariados pela nova Bula que dignificou e pareceu confirmar as acusações do rei francês, nem então nem posteriormente apoiado por qualquer evidência material ou documentos fora de suas próprias testemunhas subornadas e as confissões dos prisioneiros, obtidas por tortura ou por outros métodos duvidosos de seus carcereiros, nenhum dos quais ousou resistir à bem conhecida vontade de Filipe. A alegada Regra secreta dos Templários, autorizando as acusações acima mencionadas, nunca foi produzida. Enquanto isso, William Nogaret estava ocupado em difamar o papa Clemente, ameaçando-o com acusações não diferentes das que estavam pendentes contra Bonifácio VIII, e elaborando com sucesso uma opinião pública anti-Templária contra a próxima reunião (maio de 1308) dos Estados Gerais. Em julho daquele ano, foi acordado entre o papa e o rei que a culpa ou inocência da própria ordem deveria ser separada da de seus membros individuais (franceses). O primeiro era reservado a um concílio ecumênico, que em breve seria convocado em Vienne, no sul da França, e para preparar provas para as quais, além dos exames agora em curso na Europa, e uma audiência perante o papa de setenta e dois membros da ordem trazidos das prisões de Filipe (todos os quais se confessaram culpados de heresia e oraram pela absolvição), foram designadas várias comissões especiais, a mais importante das quais começou suas sessões em Paris em agosto de 1309. Seus membros, agindo em nome e com a autoridade do papa, opunham-se ao uso de tortura, portanto centenas de cavaleiros mantinham livremente a inocência da ordem, enquanto muitos daqueles que antes cediam aos inquisidores diocesanos agora retratavam suas declarações como contrárias à verdade. Quando Nogaret e De Plaisians viram o resultado provável das audiências diante das comissões papais, eles precipitaram assuntos, fizeram o arcebispo de Sens (irmão de Enguerrando de Marigny) chamar um concílio provincial (Sens era então metropolitana de Paris e assento do tribunal local da inquisição), em que foram condenados, como hereges recidivantes, cinquenta e quatro cavaleiros que haviam recentemente retirado perante os comissários papais suas antigas confissões alegando que haviam sido dadas sob tortura e eram completamente falsas. Naquele mesmo dia (12 de maio de 1310), todos esses cavaleiros foram queimados em público em Paris, do lado de fora da Porte Santo Antônio. Até o final todos protestaram sua inocência. Não poderia haver mais nenhuma questão de liberdade de defesa; a comissão papal em Paris suspendeu suas sessões por seis meses e, quando se encontrou novamente, encontrou apenas cavaleiros que haviam confessado os crimes pelos quais foram acusados e que haviam sido reconciliados pelos inquisidores locais. O destino dos Templários foi finalmente selado no Concílio de Vienne (aberto em 16 de outubro de 1311). A maioria de seus trezentos membros se opuseram à abolição da ordem, acreditando nos supostos crimes não provados, mas o rei foi ansioso, compareceu pessoalmente no concílio, e finalmente obteve de Clemente V a execução prática de sua vontade. Na segunda sessão do concílio, na presença do rei e seus três filhos, foi lida a Bula “Vox in excelsis”, datada de 22 de março de 1312, na qual o papa disse que, embora não tivesse razões suficientes para uma condenação formal da ordem, no entanto, por causa do bem-estar comum, o ódio suportado pelo rei da França, a natureza escandalosa do seu julgamento, e a provável dilapidação da propriedade da ordem em todas as terras cristãs, ele suprimiu-a em virtude de seu soberano poder, e não por qualquer sentença definitiva. Por outra Bula de 2 de maio, ele investiu nos Hospitalários o título de propriedade da ordem reprimida. De uma forma ou de outra, no entanto, Filipe conseguiu se tornar o principal legatário de sua grande riqueza na França. Quanto aos próprios Templários, aqueles que continuaram a manter suas confissões foram libertados; aqueles que as retiraram foram considerados heréticos recaídos e foram tratados como tal pelos tribunais da Inquisição. Foi somente em 1314 que o Grão-Mestre Jacques de Molay e Geoffroy de Charnay, Grande Preceptor da Normandia, reservados ao julgamento do papa, foram condenados a perpétua prisão. Então eles proclamaram a falsidade de suas confissões e acusaram-se de covardia em trair sua ordem para salvar suas vidas. Eles foram imediatamente declarados hereges recaídos, entregues ao braço secular pela autoridade eclesiástica e queimados no mesmo dia (18 de março de 1314). Do papa Clemente, pode-se dizer que as poucas medidas de equidade que aparecem no curso desse grande crime foram devidas a ele; infelizmente, seu senso de justiça e seu respeito pela lei foram contrabalançados por um caráter fraco e vacilante, ao qual talvez sua débil e incerta saúde contribuísse. Alguns acham que ele estava convencido da culpa dos Templários, especialmente depois que muitos dos principais membros haviam admitido isso para si mesmo; eles explicam assim sua recomendação do uso da tortura, também sua tolerância à repressão do rei de toda liberdade própria de defesa por parte do acusado. Outros acreditam que ele temia por si mesmo o destino de Bonifácio VIII, cujo cruel inimigo, William Nogaret, ainda vivia, procurador-geral de Filipe, habilidoso em violência legal, e encorajado por uma longa carreira de infâmia bem-sucedida. Seu motivo mais forte era, com toda probabilidade, a ansiedade de salvar a memória de Bonifácio VIII da injustiça de uma condenação formal que a malícia de Nogaret e a fria vingança de Filipe teriam insistido, se a rica presa do Templo não tivesse sido lançada para eles; representar tanto a coragem apostólica poderia significar consequências intoleráveis, não apenas indignidades pessoais, mas, no final, o mal mais grave do cisma sob condições peculiarmente desfavoráveis para o papado. Clemente V e o Imperador Henrique VII Em cumprimento das vastas ambições da monarquia francesa (Pierre Dubois, “De recuperatione terre sancta”, ed. Langlois, Paris, 1891), o rei Filipe estava ansioso para ver seu irmão Carlos de Valois escolhido rei da Alemanha em sucessão ao assassinado Adolfo de Nassau, claro que com vista a obter mais tarde a coroa imperial. O papa Clemente aparentemente estava ativo em favor do plano de Filipe; ao mesmo tempo, deu a conhecer aos eleitores eclesiásticos que a escolha do conde Henrique de Lützelburg, irmão do arcebispo de Trier, lhe agradaria. O papa estava bem ciente de que uma extensão adicional da autoridade francesa só poderia reduzir ainda mais sua própria pequena medida de independência. Embora eleito em 6 de janeiro de 1309, como Henrique VII, e logo assegurado o acordo papal para a sua consagração imperial, foi somente em 1312 que o novo rei chegou a Roma e foi consagrado imperador na igreja de São João de Latrão por cardeais especialmente delegados pelo papa. As circunstâncias forçaram Henrique VII a se aliar aos gibelinos italianos, com o resultado de que, em Roma, ele encontrou um poderoso partido guelfo em posse de São Pedro e a maior parte da cidade, ativamente apoiada também pelo rei Roberto de Nápoles. O novo imperador, após o fracasso humilhante de sua expedição italiana, comprometeu-se a obrigar o rei angevino a reconhecer a autoridade imperial, mas foi atravessado pela ação papal em defesa do rei Roberto como vassalo da Igreja Romana, senhor das Duas Sicílias. Na véspera de uma nova campanha italiana em apoio à honra e aos direitos imperiais, Henrique VII morreu repentinamente perto de Siena, em 24 de agosto de 1313. Ele foi a última esperança de Dante e seus companheiros gibelinos, para quem o grande poeta desenhava nessa época. no “De Monarchi” seu ideal de bom governo na Itália através da restauração do forte império anterior dos governantes alemães, em quem ele via os senhores ideais do mundo europeu, e até do papa como um príncipe temporal. Clemente V e Inglaterra Embaixadores de Eduardo I ajudaram na coroação de Clemente V. A pedido do rei Eduardo, o papa libertou-o da obrigação de manter as promessas acrescentadas à Carta em 1297 e 1300, embora o rei depois tenha aproveitado pouca ou nenhuma absolvição papal. Além disso, para satisfazer o rei, ele suspendeu e chamou à corte papal (1305) o arcebispo de Cantuária, Roberto de Winchelsea, que anteriormente tinha sofrido muito por aderir ao lado de Bonifácio VIII, e que Eduardo I agora estava perseguindo com provadas acusações de traição. (Veja CLERICIS LAICOS.) Foi somente em 1307, após a ascensão de Eduardo II, que este grande clérigo, a pedido real, foi autorizado por Clemente a retornar de Bordeaux para sua Sé de Cantuária, cujo antigo direito de coroar os reis da Inglaterra, ele manteve com sucesso. Clemente excomungou (1306) Roberto Bruce, da Escócia, por sua participação no assassinato do Comyn Vermelho, e ele privou de suas sés os bispos Lambarton e Wishart por sua participação no subseqüente levante nacional dos escoceses. Os Lordes e os Comuns do Parlamento de Carlisle (1307) exibiram um forte temperamento antipapal, a propósito de outras queixas, da concessão de ricos benefícios ingleses a estrangeiros, e embora nenhuma ação positiva tenha seguido, os posteriores Estatutos dos Provisórios e Præmunire olharam para trás para este evento como indicativo do temperamento Inglês. (Veja Gasquet, “A Véspera da Reforma”, ensaio sobre “Jurisdição Mista”, e para outros itens de interesse inglês, a “Regesta” de Clemente V, e Bliss, “Calendário de Documentos Eclesiásticos relativos à Inglaterra”, Londres, 1893. sqq., série de rolos.) Clemente V e o direito canônico Ele completou o medieval “Corpus Juris Canonici” pela publicação de uma coleção de decretos papais conhecidos como “Clementineæ”, ou “Liber Clementinarum”, às vezes “Liber Septimus” em referência ao “Liber Sextus” de Bonifácio VIII. Contém decretais do último papa, de Bento XI e do próprio Clemente. Juntamente com os decretos do Concílio de Viena, foi promulgado (21 de março de 1314) na residência papal de Monteaux, perto de Carpentras. Segue o método dos “Decretais” de Gregório IX e do “Liber Sextus” de Bonifácio VIII, ou seja, cinco livros com subdivisão em títulos e capítulos. Como o papa morreu (20 de abril) antes que esta coleção tivesse sido publicada, sua autenticidade foi posta em dúvida por alguns, por que João XXII a promulgou em 25 de outubro de 1317 e a enviou para a Universidade de Bolonha como uma verdadeira coleção de decretos papais para ser usado nos tribunais e nas escolas. (Laurin, “Introdução em corpus juris canonici”, Freiburg, 1889; cf. Ehrle, “Archiv f. Litteratur und Kirchengesch.”, IV, 36 sqq.) Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/04020a.htm
- Papa Clemente IV (1265-1268 DC.)
(GUIDO LE GROS). Nascido em Saint-Gilles, no Ródano, em 23 de novembro de ano desconhecido; eleito em Perugia em 5 de fevereiro de 1265; d. em Viterbo, 29 de novembro de 1268. Após a morte de Urbano IV (2 de outubro de 1264), os cardeais, reunidos em conclave em Perugia, discutiram durante quatro meses a importante questão de se a Igreja deveria continuar a guerra até o fim contra a Casa de Hohenstaufen chamando Carlos de Anjou, o irmão mais novo de São Luís da França, ou encontrar algum outro meio de assegurar a independência do papado. Nenhuma outra solução se oferecia, o único caminho possível era unir-se ao cardeal-bispo de Sabina, por nascimento de um francês e súdito de Carlos. Guido Le Gros era de nobre descendência. Quando sua mãe morreu, seu pai, o cavaleiro Foulquois, entrou em um mosteiro cartuxo, onde terminou uma vida santa. Guido casou-se e, durante um curto período, empunhou a lança e a espada. Então, dedicando-se ao estudo da lei sob a direção do famoso Durando, ele ganhou reputação nacional como advogado. São Luís, que nutria grande respeito e afeição por ele, levou-o ao seu gabinete e fez dele um de seus conselheiros de confiança. Sua esposa morreu, deixando-lhe duas filhas, após o que imitou seu pai na medida em que ele desistiu de preocupações mundanas e tomou ordens sagradas. Sua ascensão na Igreja foi rápida; 1256, ele foi bispo de Puy; 1259, arcebispo de Narbona; Dezembro de 1261, cardeal-bispo de Sabina. Ele foi o primeiro cardeal criado por Urbano IV (Babel, Hierarchia Catholica, 7). Ele estava na França, retornando de uma importante legação para a Inglaterra, quando recebeu uma mensagem urgente dos cardeais exigindo sua presença imediata em Perugia. Só quando entrou no conclave foi informado que o voto unânime do Sacro Colégio confiou em suas mãos os destinos da Igreja Católica. Ele ficou espantado; pois somente um homem de sua vasta experiência poderia realizar plenamente a responsabilidade daquele cujo julgamento, neste momento crítico, deveria moldar irrevogavelmente o curso da história eclesiástica e italiana pelos séculos vindouros. Suas orações e lágrimas não conseguiram mover os cardeais, ele relutantemente aceitou o fardo pesado, foi coroado em Viterbo, em 22 de fevereiro, e, para homenagear o santo de seu aniversário, assumiu o nome de Clemente IV. Seus contemporâneos são unânimes e entusiastas em exaltar sua piedade exemplar e sua vida rigorosamente ascética. Ele tinha uma notável aversão ao nepotismo. Seu primeiro ato foi proibir que qualquer de seus parentes viesse à Cúria ou tentasse obter qualquer tipo de vantagem temporal de sua elevação. Os pretendentes pelas mãos de suas filhas foram advertidos de que suas noivas em perspectiva eram “filhos não do papa, mas de Guido Grossus”, e que seus dotes deveriam ser extremamente modestos. As duas senhoras preferiram a reclusão do convento. A questão napolitana ocupava, quase exclusivamente, os pensamentos de Clemente IV durante seu curto pontificado de 3 anos, 9 meses e 25 dias, que, no entanto, testemunharam as duas batalhas decisivas de Benevento e Tagliacozzo (1268) e a execução de Conradino. As negociações com Carlos de Anjou tinham progredido até agora sob o reinado de Urbano IV, que era difícil ver como o papa poderia agora retroceder, mesmo que ele estivesse inclinado. Mas Clemente não tinha intenção de fazê-lo. O poder de Manfredo e a insegurança da Santa Sé aumentavam diariamente. Clemente já havia participado ativamente das negociações com Carlos, como cardeal, e agora se esforçava ao máximo para fornecer tropas e dinheiro ao ambicioso, mas necessitado aventureiro. Legados papais e frades mendicantes apareceram em cena, pregando uma cruzada formal, com as mais amplas indulgências e promessas mais generosas. Soldados foram obtidos em abundância entre o cavalheirismo guerreiro da França; a grande dificuldade era encontrar dinheiro para equipar e manter o exército. O clero e o povo não conseguiram detectar uma cruzada no que consideraram uma disputa pessoal do papa, uma “guerra dura pelo Laterano, e não com sarracenos nem com os judeus” (Dante, Inf., Canto xxvii); embora, na realidade, os sarracenos, implantados na Itália por Frederico II, constituíssem a força principal do exército de Manfredo. Embora reduzido, por vezes, a total miséria, e forçado a prometer tudo de valor e a tomar empréstimos a taxas exorbitantes, o papa não se desesperou; a expedição chegou e, do ponto de vista militar, alcançou um sucesso brilhante. Carlos, precedendo seu exército, chegou a Roma por mar e, com a conclusão de um tratado, pelo qual as liberdades da Igreja e a soberania da Santa Sé pareciam estar mais firmemente asseguradas, ele recebeu a investidura de seu novo reino. Em 6 de janeiro de 1266, ele foi solenemente coroado em São Pedro; não, como ele desejara, pelo papa, que morava em Viterbo e nunca viu Roma, mas por cardeais designados para esse fim. Em 22 de fevereiro foi travada a batalha de Benevento, na qual Carlos foi completamente vitorioso; Manfredo foi encontrado entre os mortos. Nápoles abriu seus portões e a dinastia angevina foi estabelecida. Apesar de ser um bom general, Carlos tinha muitas fraquezas de caráter que o tornaram um governante muito diferente de seu irmão de santidade. Ele era duro, cruel, apegado e tirânico. Clemente manteve-se ocupado lembrando-o dos termos de seu tratado, reprovando seus excessos e os de seus oficiais, e avisando-o de que estava ganhando a inimizade de seus súditos. No entanto, pouco tempo depois, o jovem Conradino, desconsiderando a censura e os anátemas papais, avançou para a conquista do que ele julgava seu direito de nascença, Clemente permaneceu fiel a Carlos e profetizou que o galante jovem, recebido pelo partido guibelino em toda parte, mesmo em Roma, com entusiasmo ilimitado, “estava sendo conduzido como um cordeiro ao matadouro”, e que “sua glória desapareceria como fumaça”, uma profecia literalmente cumprida quando, depois do fatal dia de Tagliacozzo (23 de agosto de 1268), Conradino caiu nas mãos impiedosas de Carlos e foi decapitado (29 de outubro) no mercado de Nápoles. A fábula que o papa Clemente aconselhou a execução do desafortunado príncipe dizendo “A morte ou a vida de Conradino significa a vida ou a morte de Carlos” é de uma data posterior e oposta à verdade. Até mesmo a afirmação de Gregorovius de que Clemente se tornou cúmplice, recusando-se a interceder por Conradino, é igualmente infundada; pois foi demonstrado conclusivamente, não apenas que ele implorou por sua vida e implorou a São Luís que acrescentasse o peso de sua influência com seu irmão, mas, além disso, que ele repreendeu severamente Carlos por sua crueldade quando foi perpetrada. Clemente seguiu “o último dos Hohenstaufen” até o túmulo apenas um mês depois, deixando o papado em uma condição muito melhor do que quando recebeu as chaves de São Pedro. Ele foi enterrado na igreja dos dominicanos em Viterbo. Devido a visões divergentes entre os cardeais, o trono papal permaneceu vago por quase três anos. Em 1268, Clemente canonizou São Hedwig da Polônia (d. 1243). Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/04019a.htm
- Papa Clemente III (1187-1191 DC)
(Paolo Scolari). Data de nascimento desconhecida; eleito em 19 de dezembro de 1187; d. 27 de março de 1191. Durante o curto espaço (1181-1198) que separava os pontificados gloriosos de Alexandre III e Inocêncio III, nada menos que cinco pontífices ocuparam em rápida sucessão a cátedra papal. Eles eram todos veteranos treinados na escola de Alexandre, e precisavam apenas de seu vigor juvenil e do tempo de reinado para ganhar renome duradouro em uma era de grandes eventos. Gregório VIII, depois de um pontificado de dois meses, morreu em 17 de dezembro de 1187, em Pisa, para onde ele havia ido para acelerar os preparativos para a restauração de Jerusalém; ele foi sucedido dois dias depois pelo cardeal-bispo de Palestrina, Paolo Scolari, um romano de nascimento. A escolha foi particularmente aceitável para os romanos; pois ele foi o primeiro nativo de sua cidade que foi elevado ao papado desde sua rebelião nos dias de Arnaldo de Bréscia, e sua conhecida brandura e amor à paz voltaram seus pensamentos para uma reconciliação, mais necessária para eles do que para a papa. Aberturas levaram à conclusão de um tratado formal, pelo qual a soberania papal e as liberdades municipais foram igualmente garantidas; e no mês de fevereiro seguinte Clemente fez sua entrada na cidade em meio ao entusiasmo sem limites de uma população que nunca parecia ter aprendido a arte de viver com ou sem o papa. Sentado no Latrão, o papa Clemente voltou sua atenção para a tarefa gigantesca de reunir as forças da cristandade contra os sarracenos. Ele foi o organizador da Terceira Cruzada; e se essa imponente expedição produziu resultados insignificantes, a culpa agora é atribuída a ele. Ele enviou legados para os diferentes tribunais, que trabalharam para restaurar a harmonia entre os monarcas e príncipes beligerantes, e para desviar sua energia para a reconquista do Santo Sepulcro. Disparados pelo exemplo do imperador Barbarossa e dos reis da França e da Inglaterra, uma multidão de guerreiros cristãos tomou a estrada que os levou à Palestina e à morte. Na época da morte de Clemente, pouco antes da captura de Acre, as perspectivas, apesar do afogamento de Barbarossa e do retorno de Filipe Augusto, ainda pareciam bastante brilhantes. A morte do principal vassalo do papa, Guilherme II da Sicília, precipitou outra disputa infeliz entre a Santa Sé e a Hohenstaufen. Henrique VI, filho e sucessor de Barbarossa, reivindicou o reino por direito de sua esposa Constanza, a única legítima sobrevivente da Casa de Roger. O papa, cuja independência terminava, se o império e as Duas Sicílias fossem detidas pelo mesmo monarca, bem como os italianos que detestavam o domínio de um estrangeiro, decididos a resistir, e quando os sicilianos proclamaram Tancredo de Lecce, um descendente valente, mas ilegítimo da família de Rogério, como rei, o papa deu-lhe a investidura. Henrique avançou para a Itália com um forte exército para impor sua reivindicação; uma morte oportuna reservou a continuação da disputa ao sucessor de Clemente, Celestino III. Por sábia moderação, Clemente conseguiu acalmar os distúrbios causados pelas disputadas eleições nas dioceses de Trier, na Alemanha, e em St. André, na Escócia. Ele também entregou a Igreja Escocesa da jurisdição do Metropolita de York e declarou-a diretamente sujeita à Santa Sé. Clemente canonizou Otão de Bamberg, o apóstolo da Pomerânia (d. 1139), e Estêvão de Thiers em Auvergne, fundador dos Eremitas de Grammont (d. 1124). Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/04018a.htm
- VENHA A NÓS O VOSSO REINO (Santa Teresa, virgem)
Quem haverá, por mais irrefletido que seja, que, desejando fazer um pedido a uma pessoa importante, não discuta consigo mesmo como lhe falará, de forma a lhe agradar e não o aborrecer? Pensará também no que lhe irá pedir e para que fim, sobretudo quando se trata de coisa tão importante, como a que nosso bom Jesus nos ensina a pedir. Na minha opinião, é isso o mais fundamental. Não poderíeis, Senhor meu, englobar tudo numa palavra e dizer: “Dai-nos, ó Pai, o que for conveniente e adequado?” Assim nada mais seria preciso dizer a quem tudo conhece com perfeição. Isto na verdade, ó eterna Sabedoria, seria suficiente entre vós e vosso Pai, e foi assim que orastes no Horto de Getsêmani. Vós lhe manifestastes vossa vontade e temor, mas vos conformastes totalmente à sua vontade. Quanto a nós, Senhor meu, sabeis não sermos tão conformados assim, como o fostes à vontade do Pai. Por esta razão, cumpre pedir coisa por coisa. Deste modo, refletiremos antes se nos convém o que pedimos. Em caso contrário, deixemos de pedi-lo. De fato, somos assim: se não nos for concedido o que pedimos, este nosso livre-arbítrio não aceitará o que o Senhor nos der. Porque, embora seja o melhor quanto o Senhor nos der, se não vemos logo o dinheiro na mão, nunca pensamos ser ricos. Por isso Jesus nos ensina a dizer as palavras com que pedimos a vinda de seu reino: “Santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino”. Admirai, minhas filhas, a profunda sabedoria de nosso Mestre! Considero eu aqui – e para nós é bom entender – o que pedimos com este reino. A majestade de Deus via que não podíamos santificar ou glorificar como seria bom este santo nome do Pai eterno, de acordo como pouquinho que podemos, a menos que sua Majestade não providenciasse, dando-nos aqui o seu reino. Por isso o bom Jesus pôs um pedido ao lado do outro. Para entendermos o que pedimos e quanto interessa pedirmos, importuna e ardentemente, e, além disso, fazer tudo que estiver a nosso alcance para satisfazer àquele que no-lo dará, quero expor-vos aqui o que sobre isso compreendo. O supremo bem que me parece existir no reino dos céus é que já não se dá valor às coisas da terra. Sendo assim, há um alegrar-se da alegria de todos, uma paz perpétua, uma satisfação imensa em si mesmos por ver que todos engrandecem ao Senhor e bendizem seu nome, sem ninguém mais o ofender com seus pecados. Todos o amam e em seu coração não anseiam nada mais do que amá-lo, nem podem deixar de amá-lo, porque o conhecem. É assim que o deveríamos amar também aqui, embora não o possamos com toda esta perfeição e em sua essência. Pelo menos, nós o amaríamos muito mais do que o amamos, se melhor o conhecêssemos. (Do livro O Caminho da Perfeição, de Santa Teresa, virgem – Cap. 30,1-5: Oeuvres complètes. Desclée de Brouwer, Paris, 1964, 467-468 – Séc. XVI). #Igreja
- SÃO GEORGE MTATSMINDELI – PROTETOR DA IGREJA ROMANA
SÃO GEORGE MTATSMINDELI – PROTETOR DA IGREJA ROMANA O monge George Mtatsmindeli (Svyatogorets) nasceu em Trialeti, no sul da Geórgia, em 1009 (segundo algumas fontes, em 1014), em uma família de nobres governantes. Ele é conhecido principalmente como um intérprete que completou a edição da Sagrada Escritura em georgiano, que ainda é reconhecido pela Igreja da Geórgia como o único canônico e admissível para o uso litúrgico. Este santo passou parte de sua vida no Monte Athos, onde apareceu pela primeira vez em 1040. Já era reitor do mosteiro georgiano de Iversky quando precisou viajar para o Oriente, passando pela Terra Santa e visitando Antioquia e Constantinopla. Após este período, retornou à Geórgia, onde ajudou a melhorar a vida da igreja e introduziu seus trabalhos de tradução. No caminho de volta para o Monte Athos, em 1065, em Constantinopla e na presença do imperador bizantino Constantino X e do clero grego, George defendeu a Fé e a prática ritual da Igreja Romana, dizendo: “Ó rei, visto que muitas heresias entraram no meio cristão grego em tempos passados, os reis e o clero se uniram em diversos Santos Concílios onde puderam pesquisar delicadamente sobre a geração de Cristo, Nosso Senhor e de Sua aparência no Santo Sacrifício. Tudo isto foi feito para que pudéssemos levar ao povo a verdadeira doutrina de Cristo e para que não caíssemos nos erros do ímpio Apolinário que, agindo de modo carnal, chamava a carne de Cristo Senhor, sem alma e irracional, irracional e sem alma. No vinho, derramamos água para recordarmos que água e sangue saíram do lado de Nosso Senhor, como diz João Crisóstomo. Esta é a interpretação e causa de tantas discussões. Os romanos, após conhecerem a doutrina cristã, nunca mais abraçaram heresias e nenhum erro sequer entrou em seu meio, e como o próprio Senhor ensinou aos discípulos na noite da Ceia, eles também o fizeram. E não há divisão nisso, somente a Fé estaria certa ”. Em outras palavras: os gregos devem servir no pão levedado na refutação simbólica da heresia que existiu entre eles (vinda de Apolinário), mas os romanos, que nunca foram hereges, podem e devem manter seu costume, que remonta a São Pedro e ao próprio Salvador! No dia seguinte – 29 de junho, o mesmo dia em que a Santa Igreja Romana celebra a memória dos príncipes dos apóstolos, Pedro e Paulo – o asceta repousou. Seu corpo foi levado para Athos e enterrado lá. (Citado por: Giorgi Mtsiri, Vida e Nacionalidade do Santo e Abençoado Pai de Nosso Giorgi Svyatogorets, Símbolo nº 38. 1997. Georgy Mtsiri é um historiador georgiano do século XI, autor de uma série de vidas e biografias). #Bizâncio #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Oriente #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja
- ÍCONE «JANELA PARA A ETERNIDADE»
…A PALAVRA o inspira e evangeliza; a IMAGEM que visibiliza a palavra bíblica e leva aos olhos o que a palavra transmite ao ouvido; a ORAÇÃO, prece litúrgica na que ressoa a voz da Igreja e se consuma a comunhão dos Santos num mesmo e único Espírito… Frase, propositadamente repetida, não é um slogan: através do ícone o divino nos ilumina. A luz é o atributo principal da glória celeste e os ícones representam os habitantes do Reino, contempladores da luz incriada, pela qual se deixam penetrar até se tornarem esplendorosos, como indica o nimbo ao redor de seus rostos (os nimbos não são, como as auréolas ou as coroas, simples sinais da santidade). O ícone, visto com os olhos do coração iluminados pela fé, nos abre para a realidade invisível, para o mundo do Espírito, para a economia divina, para o mistério cristão na sua totalidade ultraterrena. É lugar teológico, antes, “teologia visual”, como muitos já disseram. O ícone é inspirado e sagrado de modo específico, símbolo que contém presença, cujo tempo, espaço e movimento não são representados pela percepção comum. A própria laconicidade de seus traços nos remete para uma mensagem de fé, a “visão do Invisível”, para empregar as palavras de São Paulo (Hebreus 11,1). «O ícone se afirma independentemente do artista e do espectador e suscita não a emoção, mas a vinda do transcendente, cuja presença ele atesta. O artista se esconde atrás da Tradição que fala. A obra torna-se uma manifestação de Deus, diante da qual devemos nos prostrar num ato de adoração e de oração». [4] Poder-se-ia continuar muito mais, tentando precisar bem o que é o ícone, mas os orientais não gostam de definir; pelo contrário – observa um deles – é necessário não definir! Portanto, procuremos descobrir pessoalmente o que é o ícone… No recolhimento e no silêncio, os olhos se abrem para a luz da Transfiguração e seremos naturalmente conduzidos pela força do Espírito à luz do ícone, a fim de contemplar não só a face de Jesus, mas também a luz da verdade divina (pp. 20s). [4] P. Evdokimov, [teólogo ortodoxo] La connaíssance de Dieu dans la tradition iconographique, in Unité Chrétienne, nn. 46-47, Lyon, 1977, p. 60. (Extraído de: Pergunte e Responderemos 456 – pp. 219-225 – por Dom Estevão Bittencour). #Igreja
- TU ME MOVES, SENHOR (Teresa de Jesus)
Não me move, meu Deus, para querer-te O céu que me hás um dia prometido: E nem me move o inferno tão temido Para deixar por isso de ofender-te. Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te Cravado nessa cruz e escarnecido. Move-me no teu corpo tão ferido Ver o suor de agonia que ele verte. Moves-me ao teu amor de tal maneira, Que a não haver o céu, ainda te amara E a não haver o inferno te temera. Nada me tens que dar porque te queira; Que se o que ouso esperar não esperara, O mesmo que te quero te quisera. (Teresa de Jesus – Teresa Sánchez de Cepeda y Ahumada – nasceu em Ávila no dia 28/03/1515 e morreu em Alba de Tormes na data de 04/10/1582. Foi canonizada em 22/03/1622). #Cristologia #Igreja
- O QUE É LITERATURA CATÓLICA? – Dana Gioia
“Das devoções tolas, e dos santos mal-humorados, livrai-nos, bom Senhor.” (Santa Teresa d’Avila) Algumas noções e distinções, tanto religiosas como literárias, são necessárias para o estudo da situação dos escritores e da literatura católica atual, que só terá a desejável clareza a partir da definição dessas categorias tão amplas. O que é literatura católica, e como deve ser um autor para ser considerado um escritor católico? Prefiro definir ambos os termos de modo estrito e específico; para tanto, este ensaio focalizará apenas a literatura católica de imaginação — ficção, poesia, teatro e memórias — e não os textos teológicos, eruditos e devocionais. Surpreendentemente, pouca literatura católica de criação é explicitamente religiosa; e menos ainda devocional. A maior parte toca em temas religiosos indiretamente, enquanto fala de outros assuntos, não sagrados, mas profanos, tais como amor, guerra, família, violência, sexo, mortalidade, dinheiro e poder. O que caracteriza a escrita católica é o tratamento dessas questões, marcado por uma visão de mundo particular. Essa cosmovisão católica não é uniforme, mas mesmo assim é possível descrever algumas características que, entre os escritores, abarcam tanto o fiel como o apóstata. Os escritores católicos tendem a ver a humanidade combatendo num mundo decaído, associando o desejo de graça e redenção a um profundo senso da imperfeição humana e do pecado. O mal existe, mas o mundo da matéria não é mau em si mesmo. A natureza é sacramental, cintilando com sinais de coisas sagradas. De fato, toda a realidade está misteriosamente carregada da presença invisível de Deus. Os católicos compreendem o sofrimento como algo redentor, pelo menos quando suportado em imitação da paixão e morte de Cristo. E também possuem, em geral, uma visão abrangente das coisas — estão voltados para o tempo de Cristo e dos césares, enquanto olham para a frente, em direção à eternidade. (A latinidade da Igreja pré-Vaticano II mantinha uma significativa continuidade com o antigo mundo romano, que alcançou até a classe operária de Los Angeles dos anos sessenta, onde fui criado e educado.) O catolicismo é também intrinsecamente comunitário, uma noção que vai muito além de sentar-se à Missa com os fiéis locais, estendendo-se a um senso místico de continuidade entre vivos e mortos. Finalmente, há o hábito do auto-escrutínio e do exame de consciência moral — uma fonte da soi-disant culpa católica. A cosmovisão católica não requer um “assunto sagrado” para exprimir o seu senso da imanência divina. O maior equívoco da literatura católica é buscar enquadrá-lo somente pelos seus assuntos. Tal literalismo não é somente redutivo; ele ignora, também, esses elementos espirituais que dão aos bons textos o seu valor especial. As intuições religiosas via de regra emergem naturalmente das representações da existência mundana, ao invés de serem impostas intelectualmente sobre o trabalho artístico. A literatura católica raramente é piedosa. De uma forma que algumas vezes perturba ou confunde certos leitores, tanto protestantes como laicos, os escritos católicos tendem a ser cômicos, irrequietos, rudes e até violentos. Os católicos, em geral, preferem escrever mais sobre pecadores do que sobre santos. (Não só porque os pecadores dão, em geral, protagonistas mais interessantes, mas porque suas falhas revelam de forma mais viva o estado decaído da humanidade.) A confraria dos tolos, de John Kennedy Toole, por exemplo, apresenta um enorme elenco de personagens, todos eles almas perdidas ou réprobos, os quais, com seus muitos vícios e desilusões, ridiculamente cambaleiam na direção de uma graça e de uma redenção provisórias. A mesma visão cômico-sombria impregna os romances de Evelyn Waugh, Anthony Burgess e Muriel Spark. Atticus, de Ron Hansen, começa com a investigação da vida de um assassino. A ficção de Flannery O’Connor está repleta de ressentimento, violência e raiva. “O bem e o mal parecem estar juntos, como parte da espinha dorsal de cada cultura”, disse ela certa vez, e a violência é “estranhamente capaz” de fazer com que seus personagens voltem “à realidade, preparando-os para aceitar os seus momentos de graça.” Quando Mary Karr intitulou sua coleção de poemas de Bem-vindos, pecadores, poderia estar descrevendo a própria tradição literária católica. A questão sobre o que é, ou não, um escritor católico também requer algumas distinções. A resposta muda dependendo da definição do termo “católico”, se compreendido em sentido estrito ou vago. Há três níveis de catolicismo literário, cada qual interessante de diferentes maneiras. Primeiro, há os escritores que são católicos praticantes, ativos dentro da Igreja. Segundo, há os “católicos culturais”, escritores que foram criados na fé e muitas vezes educados em escolas católicas. Esses “católicos culturais” geralmente não saíram de forma dramática da Igreja, mas se afastaram lentamente. Sua cosmovisão permanece essencialmente católica, embora suas crenças religiosas (se ainda conservam algumas) sejam frequentemente heterodoxas. Finalmente, há os católicos anti-católicos, escritores que romperam com a Igreja, mas permaneceram obcecados com suas falhas e injustiças, tanto genuínas como imaginárias. Todos esses três grupos merecem ser examinados pela crítica literária. Este ensaio, no entanto, focalizará principalmente o primeiro grupo, com algumas referências ao segundo. Essas pessoas se qualificam melhor como escritores católicos — eles que, atualmente, são os menos visíveis numa cultura literária em que só o terceiro grupo, o dos dissidentes, tem relevância. Em: https://www.firstthings.com/article/2013/12/the-catholic-writer-today
- TOMÉ PROCLAMA A DIVINDADE DE CRISTO JESUS: “MEU SENHOR E MEU DEUS!” (São Gregório Magno,
“Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio” (João 20,24). Era o único discípulo que estava ausente. Ao voltar, ouviu o que acontecera, mas negou-se a acreditar. Veio de novo o Senhor, e mostrou seu lado ao discípulo incrédulo para que o pudesse apalpar; mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz de suas chagas, curou a chaga daquela falta de fé. Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Pensais ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que, ao voltar, ouvisse contar, que, ao ouvir, duvidasse, que, ao duvidar, apalpasse, e que, ao apalpar, acreditasse? Nada disso aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A clemência do alto agiu de modo admirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé. A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar, o nosso espírito, pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou tornou-se testemunha da verdade da ressurreição. Tomé apalpou e exclamou: “Meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: Acreditaste, porque me viste?” (João 20,28-29). Ora, como diz o apóstolo Paulo: “A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem” (Hebreus 11,1). Logo, está claro que a fé é a prova daquelas realidades que não podem ser vistas. De fato, as coisas que podemos ver não são objeto de fé, e sim de conhecimento direto. Então, se Tomé viu e apalpou, por qual razão o Senhor lhe disse: “Acreditaste, porque me viste?” É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e proclamou a fé na sua divindade, exclamando: “Meu Senhor e meu Deus!” Por conseguinte, tendo visto, acreditou. Vendo um verdadeiro homem, proclamou que ele era Deus, a quem não podia ver. Alegra-nos imensamente o que vem a seguir: “Bem-aventurados os que creram sem ter visto” (João 20,29). Não resta dúvida de que esta frase se refere especialmente a nós. Pois não vimos o Senhor em sua humanidade, mas o possuímos em nosso espírito. É a nós que ela se refere, desde que as obras acompanhem nossa fé. Com efeito, quem crê verdadeiramente, realiza por suas ações a fé que professa. Mas, pelo contrário, a respeito daqueles que têm fé apenas de boca, eis o que diz São Paulo: “Fazem profissão de conhecer a Deus, mas negam-no com a sua prática” (Tito 1,16). É o que leva também São Tiago a afirmar: “A fé, sem obras, é morta” (Tiago 2,26). (Das Homilias sobre os Evangelhos, de São Gregório Magno, papa – Hom. 25,7-9: PL 76,1201-1202 – Séc. VI). #Cristologia #Igreja
- SOMOS PEDRAS VIVAS EM CRISTO JESUS (Santo Agostinho)
Somos pedras vivas trabalhadas pela fé. Assentadas pela esperança e ligadas pela caridade. Nosso fundamento é Cristo e Ele também é nossa pedra angular. É fundamento porque nos sustenta. É pedra angular porque nos une. Enquanto somos edificados, nossa humildade geme diante do Senhor. Mas quando formos glorificados cantará nossa glória. Enquanto se cortam a madeira no bosque e tiram os blocos da pedreira, enquanto se desbastam, se talham, e se ajustam, é preciso o trabalho, é necessário atenção. Quanto o Construtor eterno entrar em sua casa engalanada, resplandecente e imortal, virá o gozo e o descanso. Agora Deus habita nos seus e os seus habitam n’Ele. Deus é o cimento do edifício da unidade. O cimento humano se coloca debaixo, porque a força que opera aqui é a da gravidade. Pelo contrário, o cimento divino se coloca em cima, porque a força que opera ali é a da caridade. (Santo Agostinho – Sermão 337,1 seguintes) #Cristologia #Igreja #SantoAgostinho
- “CORPORE ET ANIMA UNUS” (Uno de Alma e Corpo)
Catecismo da Igreja Católica – 362 -365 A pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual. O relato bíblico expressa esta realidade com uma linguagem simbólica, ao afirmar que “O Senhor Deus formou o ser homem com o pó do solo, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida, e ele tornou-se um ser vivente (Gn 2,7). Portanto, o homem, em sua totalidade, é querido por Deus. Muitas vezes, na Sagrada Escritura, o termo alma designa a vida humana ou a pessoa humana inteira. Entretanto, designa também o que há de mais íntimo no homem e o que há nele de maior valor, aquilo que mais particularmente o faz ser imagem de Deus: “alma” significa o princípio espiritual no homem. O corpo do homem participa da dignidade da “imagem de Deus”: ele é corpo humano precisamente porque é animado pela alma espiritual. É a pessoa humana inteira que está destinada a tornar-se, no Corpo de Cristo, Templo do Espírito. “Unidade de corpo e alma, o homem, por sua própria condição corporal, sintetiza em si os elementos do mundo material, que nele assim atingem sua plenitude e apresentam livremente ao Criador uma voz de louvor. Portanto, não é lícito ao homem desprezar a vida corporal; ao contrário, ele deve estimar e honrar seu corpo, porque criado por Deus e destinado à ressurreição no último dia”. A unidade da alma e do corpo é tão profunda que se deve considerar a alma como a “forma” do corpo, ou seja, graças à alma espiritual, o corpo constituído de matéria é um corpo humano e vivo. O espírito e a matéria no homem são duas naturezas unidas, mas sua união forma uma única natureza. A Igreja ensina que cada alma espiritual é diretamente criada por Deus – não é “produzida” pelos pais – e é imortal: ela não perece no momento de sua separação do corpo na morte e se unirá novamente ao corpo na ressurreição final. Ocorre, por vezes, que a alma aparece distinta do espírito. Assim, São Paulo reza para que todo o nosso ser “o espírito, a alma e o corpo”, seja guardado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor” (1Ts 5, 23). A Igreja ensina que esta distinção não introduz a dualidade da alma. “Espírito” significa que o homem está ordenado desde a sua criação para seu fim sobrenatural, e que sua alma é capaz de ser elevada gratuitamente à comunhão com Deus. A tradição espiritual da Igreja insiste também no coração, no sentido bíblico de “profundidade do ser” (“nas entranhas”: Jr 31, 33), onde a pessoa se decide ou não por Deus. #Michelangelo #AdãoeEva #Genesis #CorpoeAlma #CriaçãodeAdãoCapelaSistina
- Clemente II (1046-47 DC)
(SUIDGER.) Data de nascimento desconhecida; entronizado em 25 de dezembro de 1046; d. 9 de outubro de 1047. No outono de 1046, o rei da Alemanha, Henrique III, cruzou os Alpes à frente de um grande exército e acompanhado por uma brilhante comitiva dos príncipes seculares e eclesiásticos do império, com o propósito duplo de receber a coroa imperial e de restaurar a ordem na Península Itálica. A condição de Roma, em particular, era deplorável. Em São Pedro, Laterano e Santa Maria Maior, sentou-se três pretendentes rivais ao papado. (Ver Bento IX.) Dois deles, Bento IX e Silvestre III, representavam facções rivais da nobreza romana. A posição do terceiro, Gregório VI, era peculiar. O partido da reforma, a fim de libertar a cidade do jugo intolerável da Casa de Tusculum, e a Igreja do estigma da vida dissoluta de Bento, estipulou com esse jovem que deveria renunciar à tiara ao receber uma certa quantia de dinheiro. Que essa medida heróica para expulsar a Santa Sé da destruição era simoniacal, tem sido duvidado por muitos; mas que tinha o aspecto externo da simonia e seria considerada uma falha no título de Gregório, conseqüentemente no título imperial que Henrique estava procurando, era a opinião daquela época. Forte na consciência de suas boas intenções, Gregório conheceu o rei Henrique em Piacenza e foi recebido com todas as honras possíveis. Foi decidido que ele deveria convocar um sínodo para se reunir em Sutri, perto de Roma, no qual toda a questão deveria ser ventilada. As atas do Sínodo de Sutri, 20 de dezembro, são bem resumidas pelo cardeal Newman em seus “Essays Critical and Historical” (II, 262 sqq.). Dos três pretendentes papais, Bento recusou-se a aparecer; ele foi novamente convocado e depois pronunciado deposto em Roma. Silvestre III foi “despojado de seu posto sacerdotal e calado em um mosteiro”. Gregório mostrou ser, se não um idiota, pelo menos um homem miræ simplicitatis, explicando em linguagem direta seu pacto com Bento, e ele não fez outra defesa senão suas boas intenções, e se depôs (Watterich, Vitæ Rom. Pont. I, 76); um ato de alguns interpretado como uma renúncia voluntária, por outros (Hefele), de acordo com os anais contemporâneos, como uma deposição do sínodo. O Sínodo de Sutri foi adiado para se encontrar novamente em Roma, 23 e 24 de dezembro. Bento, não aparecendo, foi condenado e deposto em contumacia, e a catedra papal foi declarada vaga. Como o rei Henrique ainda não era coroado imperador, ele não tinha direito canônico de participar da nova eleição; mas os romanos não tinham candidato para propor e imploraram ao monarca que sugerisse um sudito digno. A primeira escolha de Henrique, o poderoso Adalberto, arcebispo de Bremen, recusou-se positivamente a aceitar o fardo e sugeriu a seu amigo Suidger, bispo de Bamberg. Apesar dos protestos deste último, o rei tomou-o pela mão e apresentou-o ao aclamado clero e pessoas como seu chefe espiritual. A relutância de Suidger foi finalmente superada, embora ele insistisse em manter o bispado de sua amada sé. Ele poderia ser perdoado por temer que os turbulentos romanos o mandassem de volta a Bamberg. Além disso, uma vez que o rei se recusou a devolver ao romano as possessões usurpadas pelos nobres e pelos normandos, o papa foi forçado a procurar apoio financeiro no seu bispado alemão. Ele foi entronizado em São Pedro no dia de Natal e levou o nome de Clemente II. Ele nasceu na Saxônia de ascendência nobre, foi primeiro um cânon em Halberstadt, em seguida, capelão na corte do rei Henrique, que na morte de Eberhardo, o primeiro bispo de Bamberg, o nomeou para aquele posto importante. Ele era um homem de integridade estrita e moralidade severa. Seu primeiro ato pontifício foi colocar a coroa imperial sobre seu benfeitor e a rainha consorte, Agnes da Aquitânia. O novo imperador recebeu dos romanos e do papa o título e o diadema de um Patrício romano, uma dignidade que, desde o século X, devido às pretensões não canônicas da aristocracia romana, supostamente dava ao portador o direito de nomear o rei, papa, ou, mais exatamente falando, de indicar a pessoa a ser escolhida (Hefele). Se Deus não tivesse dado à Sua Igreja o direito inalienável de liberdade e independência, e mandasse seus campeões determinados a fazer valer esse direito, ela teria simplesmente trocado a tirania das facções romanas pelo mais sério dos casos de poder estrangeiro. O fato de que Henrique protegeu a Igreja Romana e a resgatou de seus inimigos não lhe deu apenas a pretensão de se tornar seu senhor e mestre. Reformadores de visão curta, até mesmo homens como São Pedro Damião (Opus., VI, 36), que viram na rendição da liberdade das eleições papais à vontade arbitrária do imperador a abertura de uma nova era, viveram o suficiente para se arrependerem do erro que foi cometido. Com o devido reconhecimento da parte proeminente assumida pelos alemães na reforma do século XI, não podemos esquecer que nem Henrique III nem seus bispos entenderam a importância da independência absoluta na eleição dos oficiais da Igreja. Esta lição foi ensinada a eles por Hildebrando, o jovem capelão de Gregório VI, que eles levaram para a Alemanha com seu mestre, apenas para retornar com São Leão IX para começar sua carreira imortal. Henrique III, o inimigo jurado da simonia, nunca recebeu um centavo de nenhum de seus nomeados, mas reivindicou um direito de nomeação que virtualmente o tornou chefe da Igreja e preparou o caminho para abusos intoleráveis sob seus indignos sucessores. Clemente não perdeu tempo em começar o trabalho da reforma. Em um grande sínodo em Roma, em janeiro de 1047, a compra e venda de coisas espirituais foi punida com a excomunhão; Qualquer pessoa que aceitasse conscientemente a ordenação pelas mãos de um prelado culpado de simonia, seria condenada a fazer penitência canônica por quarenta dias. Uma disputa pela precedência entre as Sés de Ravenna, Milão e Aquileia foi resolvida em favor de Ravena, cujo bispo, na ausência do imperador, estava à sua disposição à direita do papa. Clemente acompanhou o imperador em um triunfal progresso pelo sul da Itália e colocou Benevento sob um interdito por se recusar a abrir seus portões para eles. Continuando com Henrique na Alemanha, ele canonizou Wiborada, uma freira de São Galo, martirizada pelos hunos em 925. No caminho de volta a Roma, ele morreu com Pesaro. Que ele foi envenenado pelos partidários de Bento IX é uma mera suspeita sem prova. Deixou seus restos mortais para Bamberg, na grande catedral da qual seu sarcófago de mármore pode ser visto nos dias de hoje. Ele é o único papa enterrado na Alemanha. Muitos eclesiásticos zelosos, notadamente o bispo de Liège, agora se empenharam em recolocar na cadeira papal Gregório VI, a quem, junto com seu capelão, Henrique detinha em honrosa custódia; mas o imperador, sem cerimônia, nomeou Poppo, bispo de Brixen, que adotou o nome de Dâmaso II. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/04017a.htm
- AS CRUZADAS E A JIHAD ISLÂMICA (Parte I)
1. AS CRUZADAS E A JIHAD ISLÂMICA (Parte I) 2. Segundo os apologistas islâmicos os aqui dois cruzados a Jerusalém em 1099, usando as palavras do jornalista Amin maalouf no livro as cruzadas vistas pelos olhos árabes, foi o ponto de partida da hostilidade milenar entre o Islã e o ocidente. O intelectual e apologista islâmico John Esposito vai mais longe — culpa as cruzadas todas as guerras ditas Santos de trans tornar uma civilização pluralista: jogo de correr cinco séculos de convivência pacífica, até que acontecimentos políticos e um jogo de poder Imperial-papal desencadearam uma série de guerras ditas Santos que, por séculos, a fio, acirraram a cristandade contra o Islã e deixaram um legado de desentendimento e desconfiança. 3. Vamos entender se eles estão falando a verdade, em primeiro lugar as cruzadas não foram ataques gratuitos da Europa contra o mundo islâmico, e-sim respostas tardias a séculos de agressão muçulmana, que se mostrava mais feroz do que nunca no século XI. Não foram guerras de imperialismo religioso, elas visavam a recuperação de terras cristãs e a defesa dos cristãos, não foram convocadas para impor o cristianismo aos muçulmanos ou a quem mais fosse. 4. Maloouf parece que não considera essas hipóteses, ou desconhece a história, de que houve um austeridade milenar que começou com a ameaça velada que o Profeta Maomé lançou os líderes não muçulmanos vizinhos, imagens de 450 anos antes do saque cruzado a Jerusalém: “abraçai e o Islã e estareis a salvo”. Não vemos nenhum Muçulmano discutir a possibilidade de que os muçulmanos foram quem atiçaram essa hostilidade milenar ao tomarem pela força, séculos antes das Cruzadas, terras cristãs que chegaram a somar dois terços do que foi o Mundo Cristão. Podemos ver em mapas antigos que todo o norte da África era Cristão, até a mauritânia. Grandes centros cristãos estavam ali no norte da África, como Alexandria, hipona, Cartago entre outras cidades menores, além de várias regiões do Oriente Médio, da Pérsia até a Ásia Central, todos territórios cristãos atacados sucessivamente pelos muçulmanos. Os muçulmanos têm que entender que a sua origem e Cristã os seus antepassados são cristãos. Eles se renderam ao Islã por medo de morrer, pelas altas taxas de impostos, pelas humilhações, coisas que veremos com mais detalhes mais na frente, os cinco séculos de convivência pacífica que se refere Esposito foram ilustrados, segundo ele, pela Conquista muçulmana de Jerusalém em 638: “as igrejas e a população Cristã foram deixadas em paz”. Não se lembrou ele de mencionar o sermão de Sofrônio que pregou no natal de 634 queixando-se de como era “selvagem, Bárbara e Sangrenta a espada dos muçulmanos” e quão penosa aquela espada tornara vida dos cristãos. 5. AS CRUZADAS FORAM GUERRAS DEFENSIVAS DE ATAQUE SIMPLESMENTE? 6. A conquista de Jerusalém em 638 marca o início de século de agressão muçulmana. Entravam os cristãos na Terra Santa uma agitação de perseguição cada vez mais brutal. Vamos para alguns exemplos: no começo do século VIII, 60 peregrinos cristãos de Amório foram crucificados; pela mesma época, o governante muçulmano de cesareia aprisionou um grupo de peregrinos de Cônia e mandou executar todos eles por espionagem, exceto Uns poucos que se converteram ao Islamismo, muçulmanos exigiam dinheiro aos peregrinos, ameaçando pilhar a Igreja da Ressurreição caso eles não pagassem. Mais adiante, ainda no século VIII, um regedor muçulmano baniu exibições da Cruz em Jerusalém; além disso, aumentou o imposto anti-religioso cobrado aos cristão a jízia e proibiu-os de dar orientação religiosa, mesmo aos próprios filhos. 7. A humilhação e o rebaixamento dos cristãos virou norma geral na Terra Santa. Em 722 o Califa Almançor ordenou estampar a mão dos cristãos e judeus de Jerusalém com um símbolo distintivo. Cuidou-se das conversões ao cristianismo com particular severidade. Em 789 os muçulmanos decapitaram um monge convertido do Islã e fizeram a limpa no Monastério belemita de São Teodósio, matando aí mais uma porção de monges. Outros monastérios da região sofreram o mesmo destino. Em Inícios do século IX as perseguições agravaram-se tanto, que enormes quantidades de cristãos fugiram para Constantinopla e outras cidades cristãs. No ano 923 os muçulmanos procederam ã destruição de igrejas, e no domingo de Ramos de 937, para prestar seu respeito à data, fizeram um grande destruição em Jerusalém brilhando e depredando a Igreja do Calvário e a da Ressurreição. 8. Em reação contra a perseguição anticristã, os bizantinos passaram da postura defensiva ante os muçulmanos para a ofensiva, na tentativa de reaver alguns dos territórios perdidos. Durante a década de 960, o General nicéforo Focas( futuro Imperador Bizantino) comandou uma série de bem-sucedidas campanhas contra os muçulmanos, recuperando Creta, silícia, Chipre e parte da Síria; retomou ainda, em 969, a antiga cidade Cristã de Antioquia. Na década seguinte, os bizantinos estenderam essa campanha a toda a Síria. 9. Na teologia islâmica, qualquer Terra Que Chegou algum dia a pertencer a casa do Islã pertence-lhe para sempre, cabendo aos muçulmanos guerrear até reassumir o controle sobre ela. No ano 974, em Bagdá, confrontado com uma sequência de derrotas para os bizantinos, o Califa abássida (sunita) declarou JIHAD. Isto vinha em seguida a campanhas jihadistas anuais lançadas contra os bizantinos por Ceife Aldaulá, soberano da dinastia xiita hamdamida em Aleppo de 944 a 967. CEI Aldaulá solicitou aos muçulmanos que combatessem os bizantinos sob o pretexto de que eles estariam ocupando terras pertencentes a casa do Islã. Tão eficaz foi o apelo, que ocorreram às jihades com guerreiros muçulmanos vindo de terras tão remotas quanto a Ásia Central. 10. Todavia a desunião entre sunitas e xiitas acabou dificultando as jihades islâmicas, e em 1001 o Imperador Bizantino Basílio II assinou um armistício de 10 anos com o Califa fatímida (xiita). 11. Basílio, porém, logo descobreria como ela em vão assinar tais acordo de paz. Em 1004 o sexto califa fatímida, Aláqueme (985-1021), a todo pulso se voltou contra a fé cristã, que era a de sua mãe e de seus tios (dois deles patriarcas), ordenando a depredação de igrejas, a queima de cruzes e confisco de bens eclesiástico. Aos judeus também atacou-os com violência similar. No período de 10 anos seguintes, 30 mil igreja foram destruídas e um número incalculável de cristãos se converteram ao Islã um pelo único e exclusivo motivo de salvar a própria vida. Em 1009 o califa dá a mais espetacular de suas ordens anti-cristãs: manda destruir a igreja dos santo sepulcro, em jerusalém, junto com outras tantas, inclusive com a igreja da ressurreição. A igreja do santo sepulcro, reconstruida pelos de bizantinos no século VII depois de ter sido incendiada pelos persas, é aqui em serra o tradicional sítio do sepultamento de jesus (além disso, serviu de modelo para a mesquita de Al-Aqsa). O califa Aláqueme ordenou triturar o túmulo lá dentro até virar pó. Decretou que os cristãos usasem pendurada ao pescoço uma pesada cruz — e os judeus, um pesado toco de madeira em forma de bezerro. Foi expedindo um decreto mais humilhante que o outro, até chegar na determinação de que eles aceitassem o islã ou então deixassem aquelas terras”. 12. Mais tarde, o vagabundo Califa terminou por abrandar a perseguição aos não-muçulmanos, chegando mesmo a restituir à igreja muitos dos bens que havia confiscado. Essa mudança de atitude provavelmente se explica por uma relação mais tênue do cigano errante Califa com a Ortodoxia islâmica. Em 1021 ele desapareceu sob circunstâncias misteriosas; alguns do seu seguidores proclamaram-no divino e fundaram a seita baseada no mistério do desaparecimento e outros ensinamentos de esotéricos de um clérigo mulçumano, muhammad ibin Isma’il al-Darazi (a quem a denominação da seita drusa homenageia). Foi graças à mudança política de Alàqueme, continuada após sua morte, que os bizantinos tiveram permissão para reconstruir a igreja do santo sepulcro em 1027. 13. Ainda assim permaneciam cristãos em condição precária, e os peregrinos sob ameaça. Em 1056 os muçulmanos expulsaram 300 cristãos de jerusalém e proibiram a entrada de cristãos europeus na igreja do santo sepulcro. Quando os ferozes e fanáticos turcos seljútitas vieram levando saqueando tudo desde a Ásia central, impuseram um novo Rigor islâmico por onde passaram, tornando mais e mais difícil é árdua a vida tanto dos cristãos nativos como dos peregrinos (cujas peregrinações iam sendo bloqueadas). Após esmagarem os bizantino na batalha de Manziquerta e aprisionarem o imperador Romano IV Diógenes em 1071, a Ásia menor intereira foi aberta, é o avanço foi implacável. Em 1076 conquistaram a Síria; em 1077, jerusalém. O emitente seljúcida Atsiz bin Uwaq prometeu não fazer mal aos habitantes de jerusalém, mas os seus homens, tão logo adentraram a cidade, assinaram 3.000 pessoas. No mesmo ano, os seljúcidas criaram o sultanato de Rum (Roma, em referência à nova Roma, isto é, constantinopla) na cidade de Nicéia, perigosamente pertode constantinopla. Daí em diante não cessaram nada de ameaçar os Bizantinos e molestar os cristãos por toda a extensão dos seus novos domínios. 14. O império cristão de Bizâncio, que antes das guerras expasionistas do islã havia governado grandes territórios, incluindo a itália, áfrica setentrional, oriente médio e Arábia, ficou reduzido a pouco mais que a Grécia, e a sua morte nas mãos dos seljúcidas parecia iminente. A igreja ortodoxa de constantinopla considerava os Papas cismáticos e vinha e vinha evitando contato com eles já fazia séculos, mas o novo imperador Aleixo I Commeno (1081-1118) teve que engolir o orgulho e suplicou ajuda. Assim surgiu a primeira cruzada: foi um atendimento ao pedido de socorro do imperador bizantino. #IdadeMédia #Bizâncio #Históriadaidademédia #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Cruzadas #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Oriente #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja #Guerra
- OS NOBRES BEREIANOS: SOLA SCRIPTURA EM AÇÃO? (Larry Nolte – Carlos Martins Nabeto)
Todo mundo ama os bereianos [Atos 17,10-12] e todos nós gostamos de nos considerar igualmente “nobres”. Esse é, aliás, um dos textos-prova favoritos dos adeptos da “Sola Scriptura”. Muitos protestantes enxergam nisso uma espécie de trunfo, em que as Escrituras se sobrepõem ao ensinamento oral. Então a pergunta é: “Os bereianos são um exemplo da ‘Sola Scriptura’ em ação? E os protestantes atuais se comportam como os bereianos nos Atos dos Apóstolos?” É importante darmos uma olhada cuidadosa de como os bereianos se comportam e compará-los com passagens semelhantes nas Escrituras, pois quando fazemos isso podemos observar o desenvolvimento de um padrão. Atos 17,1-3 mostra como Paulo chegou a Tessalônica: “(Paulo e Silas) passaram por Anfípolis e Apolônia e chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus. Paulo dirigiu-se a eles, segundo o seu costume, e por três sábados disputou com eles. Explicava e demonstrava, à base das Escrituras, que era necessário que Cristo padecesse e ressurgisse dos mortos. ‘E este Cristo é Jesus, que eu vos anuncio!'”. Na missão de Paulo aos tessalonicenses, ele se comporta como um rabino itinerante. Quando ele chega à cidade, ele se apresenta aos líderes da sinagoga. Quando Atos diz “segundo o seu costume”, está se referindo aqui ao costume judaico, não apenas aos hábitos pessoais de Paulo. Como um rabino visitante, Paulo tinha licença para pregar e discutir a Torá. Mas o que importa aqui é que Paulo não está pregando aos pagãos, mas aos judeus da sinagoga; em outras palavras: para pessoas que conheciam as Escrituras. Das Escrituras judaicas, Paulo “desenvolveu os argumentos…” Literalmente, em grego, ele “abriu, desdobrou, destravou” as Escrituras, explicando e provando “pontos sobre o Messias esperado”. Mas então vem um “pulo”: ele passa das Escrituras para o seu próprio testemunho: “E este Cristo é Jesus, que eu vos anuncio!” Vemos claramente dois elementos em ação aqui: as Escrituras *E* o ensino oral. Paulo usa os dois elementos juntos para trazer as Boas Novas aos tessalonicenses. Os resultados são diferentes: “Alguns deles creram e associaram-se a Paulo e Silas, como também uma grande multidão de prosélitos gentios, e não poucas mulheres de destaque” (Atos 17,4). Mas nem todos se convenceram: “Os judeus, tomados de inveja, ajuntaram alguns homens da plebe e com esta gente amotinaram a cidade” contra Paulo e ele foi forçado a partir para a Beréia [cf. Atos 17,5]. Assim, temos aqui dois grupos: 1) os judeus e os gregos-judaizados (os “prosélitos gentios”) que “foram convencidos” por Paulo; e 2) os demais judeus, que não se convenceram. De fato, no grego, eles são descritos como dois grupos opostos: o primeiro grupo é descrito como “peitho” (que se traduz como “convencido”); e o segundo, os judeus que estavam “tomados de inveja”, são descritos como “apeitheo” [que se traduz como “não-convencido”]. Porém, o termo grego “peitho” significa mais do que “ser convencido por”; significa “crer, confiar, ceder, ser obediente”. Ambos os grupos criam nas Escrituras, a diferença é que o grupo que estava convencido confiava também no testemunho de Paulo e até mesmo era obediente à sua autoridade de pregar a verdade! Vamos agora seguir Paulo até a Beréia… “Logo que se fez noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para a Beréia. Quando ali chegaram, entraram na sinagoga dos judeus” (Atos 17,10). Portanto, temos aqui uma situação paralela àquela visita a Tessalônica. Novamente, Paulo vai até a sinagoga para encontrar os seus líderes, como era o costume. Mas desta vez as coisas ocorrem de um modo melhor: “Estes eram mais nobres do que os de Tessalônica e receberam a Palavra com ansioso desejo, indagando todos os dias, nas Escrituras, se essas coisas eram de fato assim. Muitos deles creram, como também muitas mulheres gregas da aristocracia e não poucos homens” (Atos 17,11-12). Pois bem: qual é a diferença que explica os melhores resultados na Beréia? A maioria dos protestantes diria que é a confiança dos bereianos nas Escrituras como única regra de fé. Mas isso seria verdade? Em ambas as cidades, Paulo pregou na sinagoga para judeus e gregos-judaizados. Podemos supor muito bem que na Beréia, ele “desenvolveu os argumentos das Escrituras para eles, explicando e provando como o Cristo deveria sofrer e ressuscitar dos mortos”, assim como tinha feito na Tessalônica. Portanto, não há como concluir que ambas as cidades tinham um conhecimento profundo das Escrituras. Discurso e debate sobre o significado das Escrituras eram coisa comum nestas sinagogas. A diferença real é que os judeus da Beréia “receberam a Palavra com ansioso desejo”. Qual Palavra? O testemunho oral! Seus corações estavam abertos à proclamação de Paulo. Já os tessalonicenses, por sua vez, rejeitaram a interpretação de Paulo das Escrituras *E* o seu testemunho de que Jesus era o Messias aguardado. Se os bereianos tivessem aplicado as Escrituras da maneira como os defensores da “Sola Scriptura” imaginam que eles fizeram, eles teriam acabado como a maioria dos judeus na Tessalônica. Embora muitas das declarações que Paulo fazia sobre as profecias acerca do Messias fossem facilmente comprováveis, verificando-se os textos havia um fato que eles não encontravam ali: “E este Cristo é Jesus, que eu vos anuncio!” Este fato central permaneceu ou caiu na disposição dos bereianos em aceitar o ensinamento de Paulo. Logo, as Escrituras apoiavam o testemunho de Paulo, mas uma leitura direta dos textos não confirmava tal doutrina. “Indagar as Escrituras” não era por si só suficiente para os bereianos. Eles eram diferentes na medida em que “receberam a Palavra com ansioso desejo”. Um povo com um coração endurecido indagaria as Escrituras do começo ao fim e jamais teria a disposição em receber a Palavra que Paulo estava trazendo. Como Paulo escreveu aos Gálatas: “Apenas isto quero saber de vós: recebestes o Espírito pelas práticas da lei (literalmente, a Torá) ou pela aceitação da fé que vos foi pregada?” (Gálatas 3,2). Eis aí uma excelente pergunta também para os bereianos. E uma excelente pergunta para nós! Jesus encontrou problemas parecidos: estando em Jerusalém para um festa, Jesus curou um homem no sábado. Quando foi contestado por alguns dos homens do templo, Ele respondeu-lhes: “Vós perscrutais as Escrituras, julgando encontrar nelas a vida eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de mim” (João 5,39). Até mesmo os discípulos estudavam as Escrituras, mas não as compreendiam! Depois da sua ressurreição, Jesus encontrou dois discípulos no caminho para Emaús. “E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes o que Dele se achava dito em todas as Escrituras” (Lucas 24,27). O que faltava aos judeus a quem Jesus falava não era o conhecimento das Escrituras. Eles tinham esse conhecimento; o que eles não tinham era esse entendimento que Jesus pode dar. Esse entendimento é o que Paulo, agindo sob a autoridade de Jesus, oferecia aos bereianos e aos tessalonicenses, mas só os bereianos eram nobres o suficiente para “receber a Palavra com ansioso desejo”. Esta combinação de Escrituras e Testemunho, de transmissão escrita e oral da Boa Nova, é encontrada em toda a Bíblia: em Atos 2 vemos a primeira colheita da Igreja recém-nascida. Ungido pelo Espírito Santo durante o Pentecostes, Pedro se dirige à multidão reunida de judeus e lhes diz que ele não se encontra bêbado, mas “pelo contrário, é Deus quem fala: ‘Acontecerá nos últimos dias que derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas. Os vossos jovens terão visões e os vossos anciãos sonharão” (Atos 2,17). Assim, vemos aqui Pedro fazendo referência às Escrituras; mas ele continua: “Israelitas, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré foi o homem recomendado por Deus a vocês…” (Atos 2,22). Com efeito, vemos agora Pedro partindo para o testemunho: ele toma as Escrituras com as quais os judeus certamente estavam familiarizados e as interpreta através do poder dado a ele por Jesus e pelo Espírito Santo (estes dois trabalham juntos, nunca separadamente). No discurso de Pedro, este padrão ocorre três vezes! Posteriormente, Filipe é enviado para levar a Boa Nova a um eunuco na estrada de Gaza: “Filipe aproximou-se e ouviu que o eunuco lia o profeta Isaías, e perguntou-lhe: ‘Porventura entendes o que estás lendo?’ Respondeu-lhe o eunuco: ‘Como é que posso entender, se não há quem mo explique?’ E rogou a Filipe que subisse e se sentasse junto dele” (Atos 8,30-31). Não foi por falta de persuasão nas Escrituras que o homem carecia da Salvação, mas por falta de uma autoridade que o guiasse! Novamente, a Escritura e o ensinamento oral, de autoridade, caminham juntos. Paulo recomenda a Timóteo por sua fé deste modo: “Tu, porém, permanece firme naquilo que aprendeste e creste. Sabes de quem aprendeste. E desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que elas têm o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo” (2Timóteo 3,14-15). Observe novamente o mesmo padrão que vimos mais acima: Timóteo recebeu a fé em Cristo através do ensino de homens a quem ele conhecia e confiava, não da própria Escritura. E o seu conhecimento das Escrituras o fez crescer em sabedoria para receber essa fé. Os mesmíssimos dois elementos estão presentes aí: a Tradição nas formas oral e escrita, ambas em harmonia. Em nenhum lugar Paulo diz que só as Escrituras foram plenamente suficientes para Timóteo. Em sua 2ª Epístola aos Tessalonicenses, Paulo enfatiza mais uma vez os dois elementos, sobre os quais repousa a nossa Fé: “Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, sejam por palavras orais, sejam por carta nossa” (2Tessalonicenses 2,15). Assim, os bereianos não eram “nobres” apenas porque indagavam as Escrituras. Eles tinham um algo a mais: “receberam a Palavra com ansioso desejo”; eles aceitaram o testemunho de Paulo! Eles não estavam dispostos a errar e então testaram a Palavra de Paulo pelas Escrituras; mas, por outro lado, eles também estavam dispostos a ser guiados e então aceitaram a autoridade de Paulo para revelar o que as Escrituras queriam dizer. Portanto, os bereianos não eram adeptos da “Sola Scriptura”. Se assim o fossem, teriam rejeitado o testemunho de Paulo de que “e este Cristo é Jesus, que eu vos anuncio!”. Esta doutrina que Paulo pregava não era encontrável nas Escrituras, mas estava em harmonia com elas. Pelo contrário, como os discípulos no caminho de Emaús, como o eunuco que conheceu Filipe e como Timóteo, os bereianos aceitaram a Boa Nova com base nas Escrituras *E* no ensinamento e interpretação de autoridade que provêm de Jesus através da sua Igreja. Autor: Larry Nolte Fonte: Site “The Beggar King” Tradução: Carlos Martins Nabeto #Igreja
- YESHUA: É ELE O SENHOR, NOSSO DEUS; NÓS, POVO DE SUAS PASTAGENS (Santo Agostinho, bispo)
As palavras que cantamos contêm nossa declaração: somos ovelhas de Deus, “porque ele é o Senhor nosso Deus, que nos fez. Ele é o nosso Deus, nós somos o povo de suas pastagens e as ovelhas de suas mãos”. Não foram os pastores que fizeram suas ovelhas, não foram eles que criaram os animais que levam a pastar. Mas o Senhor, nosso Deus, por ser Deus e criador, foi ele mesmo que fez para si as ovelhas que possui e que apascenta. Não foi um a criar aquelas que ele apascenta, nem outro a apascentar as que criou! Declaramos, pois, neste cântico, que somos as suas ovelhas, o povo de suas pastagens, as ovelhas de suas mãos. Ouçamos agora o que nos diz, a nós, a suas ovelhas. Primeiro, ele falava aos pastores; agora, porém, fala às ovelhas. Postos entre os pastores, nós ouvíamos as suas palavras com tremor, e vós, com segurança. Que acontece nestas palavras de hoje? Será que por alternância, nós com segurança, vós, com tremor? Absolutamente não. Primeiro porque, se somos pastores, o pastor ouve com tremor não apenas o que é dito aos pastores, mas também o que se diz às ovelhas. Se ouve tranquilo o que se diz às ovelhas, pouco se importa com elas. Em seguida, e já o dissemos à vossa caridade, há duas coisas a considerar em nós: uma, que somos cristãos; outra que somos prelados. Por sermos prelados, somos contados entre os pastores, se formos bons. Por sermos cristãos, convosco também somos ovelhas. Portanto, quer fale o Senhor aos pastores, quer fale às ovelhas, temos de ouvir tudo com tremor, sem que diminua a solicitude de nosso coração. Ouçamos então, irmãos, a razão pela qual o Senhor castiga as ovelhas más e o que promete às suas. “E vós, assim diz, sois minhas ovelhas”. Antes do mais, que felicidade ser do rebanho de Deus, tão grande que se alguém nela pensar, irmãos, até mesmo nas lágrimas e nas tribulações de agora, lhe vem imensa alegria. De quem foi dito: “Que apascentas Israel”, é aquele mesmo de quem se diz: “Não cochilará nem há de dormir quem guarda Israel”. Por conseguinte, ele vigia sobre nós acordados, vigia sobre nós adormecidos. Se, pois, o rebanho de um homem se sente seguro pelo pastor homem, que segurança não deve ser a nossa por ser Deus mesmo que nos apascenta, e não apenas porque nos alimenta, mas também porque nos fez? “Vós, ovelhas minhas, assim diz o Senhor Deus: eis que distingo entre ovelha e ovelha, entre bodes e cabritos”. Que fazem aqui no rebanho de Deus os cabritos? Nas mesmas pastagens, nas mesmas fontes e, no entanto, cabritos destinados à esquerda se misturam aos da direita. São tolerados antes de ser separados. Provam a paciência das ovelhas à semelhança da paciência de Deus. Ele fará, sim, a separação, uns à esquerda, outros à direita. (Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo – Serm. 47,1.2.3.6, De ovibus: CCL 41,572-573.575-576 – Séc. V). #Cristologia #Igreja #SantoAgostinho
- RESPONDENDO AS OBSERVAÇÕES CONTRA O PRIMADO DE PEDRO (parte 1)
RESPONDENDO A OBJEÇÕES PROTESTANTES CONTRA O PRIMADO DE PEDRO (Parte 1) Autor: José Miguel Arráiz Tradução: Carlos Martins Nabeto Há alguns dias, um leitor de me escreveu solicitando que analisasse e respondesse a um artigo onde um amigo protestante tentava refutar alguns argumentos a favor da doutrina católica do primado de Pedro publicados por mim. Aproveitando que agora eu tenho um pouco de tempo disponível, tratarei de responder brevemente a essas objeções em uma série que espero que não ultrapasse a dois artigos. O artigo protestante em resposta ao meu artigo original pode ser lido na íntegra no seguinte endereço: – “Resposta protestante a uma resposta católica: contestação a um artigo de José Miguel Arráiz” (em espanhol)[1] Como é possível observar, o artigo em questão é uma resposta a este outro artigo de minha autoria: – “Em Mateus 16,18, era Pedro a pedra sobre a qual se edificaria a Igreja?”[2] Comecemos: O CONTEXTO DO ARTIGO O contexto do meu artigo original partia da aplicação das regras hermenêuticas que um amigo pastor tentava me ensinar para melhor interpretar a Bíblia. Eu aproveitei essas mesmas regras para mostrar-lhe como a sua própria Bíblia ensinava efetivamente a doutrina católica do primado de Pedro, doutrina esta que ele evidentemente rejeitava. É neste contexto que o nosso novo amigo protestante escreve em sua resposta: Resposta protestante: – “Começo citando uma obra de Adolfo Eliud Gómez Sánchez, que define a hermenêutica assim: ‘A hermenêutica é a matéria que se presta ao estudo e compreensão de qualquer texto; sua aceitação é geral em todas as culturas, pois os seus princípios são aplicáveis para a correta compreensão de qualquer texto, independentemente do idioma em que foi escrito, a cultura do escritor ou dos leitores, e enfim, todos os aspectos que se levam em conta para compreender corretamente um texto literário’ (“Ensinando as Sagradas Escrituras”, México D.F., abril de 2003, p.22). Pois bem: uma coisa é conhecer as regras hermenêuticas e outra, diferente, é saber utilizá-las corretamente. Ao longo deste artigo veremos o que ‘responde’ à pergunta anteriormente formulada, um claro exemplo de alguém que, ao que parece, viu pela primeira vez as tais regras e que, digamos, não tem muito domínio delas. Ou seja, que para pegar um protestante com a sua própria arma deve primeiro conhecer e saber utilizá-la de maneira que não venha a se autogolpear nesse processo”. Quanto à primeira parte de sua argumentação, estou totalmente de acordo, pois uma coisa é conhecer as regras hermenêuticas e outra coisa é saber usá-las. Quanto à fanfarronice que se segue depois, onde duvida se eu as uso ou não corretamente, que decida o leitor… ARGUMENTO 1: O NOVO NOME DE SIMÃO: PEDRO E SEU SIGNIFICADO No meu artigo inicial eu havia afirmado que quando Deus dá um novo nome a alguém, este sempre vem acompanhado de uma nova função ou identidade; é uma mudança profunda na vida da pessoa (foram citados numerosos exemplos: Abraão, Sara, Jacó etc.). Em Mateus 16,18, vemos que Jesus muda o nome de Simão para Pedro quando diz a ele: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”, na ocasião em que lhe entrega as chaves do Reino dos Céus: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; e o que atares na terra será atado nos céus e o que desatares na terra será desatado nos céus”. Como os protestantes costumam objetar que nesse texto Jesus não está se referindo a Pedro como a pedra sobre a qual edifica a Igreja, mas a Si mesmo, eu apliquei ali as duas regras hermenêuticas que o pastor havia me apresentado: – Regra 2ª – É totalmente necessário tomar as palavras no sentido que indica o conjunto da frase. Isto é, deve-se levar em conta o significado de uma palavra à luz de todas as frases. Por isso, é necessário conhecer o pensamento do autor. Afirmei que, visto que Jesus muda o nome de Simão para Pedro (que quer dizer ‘Pedra’), não havia por que pensar – como sustentam os protestantes – que Jesus estivesse se referindo a uma outra pedra que não fosse Pedro. Não podia ser por acaso que lhe tinha colocado precisamente esse nome para logo depois referir-se a Si mesmo. Depois, apliquei esta outra regra: – Regra 3ª – É necessário tomar as palavras no sentido indicado pelo contexto, a saber: os versículos anteriores e posteriores ao texto que se estuda. Não se pode fazer doutrina com um só versículo. Isto é, deve-se levar em conta o contexto do texto para não inventar um pretexto. E aqui sustentei que também o contexto confirma que Cristo se referia a Pedro e não a Si mesmo. Em primeiro lugar, porque é a Pedro que conferiu esse nome; e, em segundo lugar, porque o significado de seu novo nome é dado imediatamente depois de nomeá-lo portador das chaves. A este argumento nosso amigo responde: Resposta protestante: – “Concentremo-nos onde se fala do caso da mudança de nome. É certo que quando se atribui um novo nome a algum personagem da Bíblia, esse nome designa o propósito e a missão de tal pessoa; porém, isso não demonstra nem significa necessariamente que se fez uma ‘substituição’ de nome. Por exemplo, todo mundo sabe que Jesus foi chamado ‘o Cristo’ (Mateus 1:16). Na Bíblia, este título é usado como seu nome próprio (Atos 2:31, 8:5, 9:20; Romanos 3:24, 5:6; entre muitos outros), porém não demonstra mudança alguma, pois também é chamado pelo seu nome natural, Jesus, por cerca de 836 vezes, em aproximadamente 99,5% do Novo Testamento. No caso de Pedro se dá o mesmo. Lemos em Marcos 3:16 que a Simão foi dado o sobrenome ‘Pedro’. Todos sabemos que depois da sua ressurreição, Cristo chamou Pedro pelo seu nome natural, Simão, em várias ocasiões (ex. João 21:15-17, onde chama Pedro de Simão enquanto era encarregado de pastorear as ovelhas). Também no livro dos Atos é assim chamado em repetidas ocasiões. Portanto, não teve o seu nome alterado, mas se lhe foi acrescentado um apelido ou, como se diz em inglês, um ‘alias’. Passemos agora a discutir o que foi colocado acima em destaque, pois essa pergunta baseia-se em um fato fictício. Já vimos que o nome de Pedro não foi alterado, mas que se lhe foi acrescentado um apelido, que foi empregado anteriormente para referir-se a Simão. Assim se responde à pergunta final: não se trata se foi por acaso ou não, mas é que isto já era uso e prática”. Resumindo esse argumento em poucas palavras: o nosso amigo protestante admite que quando se é dado um novo nome a algum personagem da Bíblia, esse nome designa o propósito e a missão de tal pessoa; porém, logo acrescenta que no caso de Pedro não foi assim, já que Pedro voltou a ser chamado por Jesus pelo seu antigo nome “Simão” e, portanto, o que Pedro recebeu não foi um novo nome mas um “apelido” ou um “alias”. A primeira coisa que se deve esclarecer é que quando Deus dá um novo nome a alguém, este sempre segue acompanhado de uma nova função ou propósito independentemente de que possa tornar a ser chamado pelo seu nome anterior. Eu nunca afirmei que se tratava de uma “substituição” absoluta de nome. Um dos exemplos que dei foi o de Jacó, cujo nome dado por Deus foi “Israel”: “Doravante não te chamarás Jacó mas Israel, porque foste forte contra Deus e contra os homens e venceste” (Gênesis 32,29); seu nome teve tanto significado que o povo originário da sua semente atribuiu para si seu novo nome “Israel” e o conserva até o dia de hoje. No entanto, se revermos o Gênesis, veremos que a partir daí Jacó é também chamado pelo seu antigo nome aproximadamente 90 vezes: no livro dos Salmos, mais de 30 vezes (e faça o exercício com qualquer outro livro da Bíblia e obter-se-á o mesmo resultado). Pois bem: empregando a lógica do nosso amigo protestante, teríamos que concluir que o novo nome dado a Jacó era só um “apelido”, que não vinha acompanhado de nenhum propósito ou significado, ainda que saibamos que na realidade não foi assim. Depois [nosso amigo] menciona que com Jesus ocorreu o mesmo, pois foi chamado “o Cristo” e também conservou o seu nome natural “Jesus”; porém isso, mais do que apoiar as suas teses, a contradiz, pois o referido nome – que significa “ungido de Deus” – reflete de maneira precisa o seu propósito e identidade, a mesma [identidade] pela qual é chamado “Emanuel” (Deus conosco), já que este nome, mais que um “apelido”, reflete quem é realmente Jesus: “a Palavra se fez carne e habitou entre nós” (João 1,14). Da mesma forma, ainda que Pedro também fosse chamado pelo seu antigo nome, inclusive por ambos os nomes ao mesmo tempo, “Simão Pedro” (cf. Mateus 4,18; 10,2; 16,16; Marcos 3,16; 14,37; Lucas 5,8; 6,14; João 1,40; 6,8.68; 13,6.9.24.36: 18,10.15.25; 20,2.6; 21,2.3.11, etc.), isso não tem por que significar que o seu novo nome não viesse acompanhado da sua identidade ou propósito. De fato, as palavras de Cristo, mais que um “apelido”, refletem a sua identidade: “Tu ÉS Pedro”, da mesma maneira que Pedro O identificou: “Tu ÉS o Cristo”. Era “Pedro” um apelido? Então “Cristo” também o era; entretanto, chame-se como se chame, identificava quem era e seu propósito. Outra coisa é dizer que o novo nome de Pedro foi conservado até o fim, ao ponto de que em todo o restante do Novo Testamento, em especial nas epístolas paulinas, é chamado de “Cefas” (‘Rocha’ ou ‘Pedra’, em aramaico) e hoje em dia o conhecemos por esse nome. Apesar de tudo isso, nosso amigo continua mais adiante: “Sobre a mudança de nome, já se demonstrou que Pedro não substitui o nome natural, mas se lhe acresce como um apelido…”. Tenho que observar aqui que o nosso amigo tem problemas para entender o que significa “demonstrar” algo: notar o fato de que Pedro foi também chamado de “Simão” depois de ter recebido o seu novo nome não equivale a “demonstrar” que o novo nome dado a Pedro não vinha acompanhado de uma nova função ou propósito. Todos podemos dizer que demonstramos algo, porém como diz o ditado: “Do dito ao fato há um longo caminho”. Outra evidência de que o nosso amigo não entendeu o argumento ou ele mesmo plantou um espantalho (falácia em que se deforma o argumento do oponente para atacá-lo com vantagem) é que ele se esmera extremamente em demonstrar que não houve uma “substituição” de nome: – “O ponto que quero trazer nisto tudo é que ainda que, sim, é certo – e nunca se negou – que a mudança de nome denota o caráter do ministério da pessoa, não podemos aplicar a regra da suposta mudança a todo mundo, porque essa não é a realidade. Há casos em que o nome é totalmente substituído, no entanto há casos em que isto não ocorre”. Porém, esse nunca foi o ponto. Como foi visto, quando um novo nome é dado por Deus a alguém, este designa sua identidade ou propósito, independentemente de que seu antigo nome torne a ser utilizado. ARGUMENTO 2: A ENTREGA DAS CHAVES E SEU SIGNIFICADO No tocante ao significado das chaves entregues a Pedro, eu havia aplicado uma outra regra hermenêutica ensinada pelo meu amigo pastor: – Regra 5ª – É necessário consultar as passagens paralelas. As passagens paralelas são aquelas que têm relação ou que tratam de um mesmo assunto. O bom estudante da Bíblia deve adquirir conhecimentos exatos sobre as doutrinas e as práticas cristãs. As coisas espirituais se explicam por meio de coisas espirituais (1Coríntios 2:13). Uma passagem paralela juntamente a outra, conforme o que se chama “cadeia temática” (exemplo: Provérbios 16:4; Mateus 10:37; Lucas 14:26; 2Pedro 3:9). Eu havia dito que uma passagem paralela a Mateus 16,19 era Isaías 22: – “Naquele dia chamarei meu servo Eliaquim, filho de Jelquias. O revestirei com tua túnica; com o teu cinto o cingirei; a tua autoridade colocarei na mão dele e ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá; porei a chave da casa de Davi sobre o seu ombro: abrirá e ninguém fechará; fechará e ninguém abrirá; o fincarei como estaca em lugar seguro e será trono de glória para a casa de seu pai: pendurarão ali tudo o que há de valor na casa de seu pai – seus descendentes e sua posterioridade -, todo o enxoval, todas as taças e cântaros. Naquele dia – oráculo de Yahveh Sebaot – se removerá a estaca fincada em lugar seguro; cederá e cairá; e a fará em pedaços o peso que sustentava, porque Yahveh falou” (Isaías 22,20-25). Afirmei que esse texto era uma profecia, onde Deus anunciou que instauraria um novo mordomo em Israel (Eliaquim, que de fato chegou a ser mordomo no lugar de Sebna; ver 2Reis 18,18; 19,2; Isaías 33,3; 37,2). Comentei que o mordomo era um ministro que detinha as chaves do reino. Ainda que os demais ministros também tivessem autoridade, a autoridade do mordomo era superior. Todos atavam e desatavam, porém o que o mordomo atava os outros ministros não podiam desatar e vice-versa (isto se refere à autoridade de tomar decisões). O mordomo não era o rei, mas tinha autoridade conferida pela mão do rei. Acrescentei que Cristo utilizou precisamente uma figura de seu tempo para que todos entendessem a nova função de Pedro: ser o novo mordomo de seu Reino. Assim como os antigos reis de Israel tinham um mordomo, Cristo designou o seu: Pedro. Quanto a isso, nosso amigo protestante responde: Resposta protestante: – “É certo que existe um paralelo no tocante às chaves, na Bíblia: além de serem usadas em seu sentido literal (ex.: Juízes 3:25), também simbolizam um alto cargo de responsabilidade; porém, em todos os casos significa ‘possuir, outorgar e negar acesso a algo’. A pergunta que nosso amigo deveria fazer a si mesmo é: o que são as chaves em Isaías e o que são as chaves em Mateus? É aqui que reside a grande diferença. Em Isaías, é entregue a chave da casa de Davi e em Mateus são entregues as chaves do Reino dos Céus. Os contextos de ambas as passagens nos esclarecem para o que servia uma e para o que servia a outra. Se revisamos o fundo da passagem de Isaías, notaremos que antes de Eliaquim converter-se em mordomo, Sebna era o ocupante do cargo. O contexto imediato do capítulo 22, desde o primeiro versículo, nos diz que Sebna era um homem ambicioso e corrupto, e por isso o próprio Javé o destituiu do cargo, pondo em seu lugar Eliaquim, a quem entregou a chave da casa de Davi, isto é, da nação de Israel. O cargo que Eliaquim ocuparia seria um cargo de caráter puramente administrativo secular”. Novamente nesse argumento, nosso amigo parece não ter entendido o argumento ou, outra vez, construído um espantalho a seu gosto. Em primeiro lugar, devo esclarecer que eu não afirmei que as chaves mencionadas em Isaías 22,22 e as chaves que Jesus entrega a Pedro sejam as mesmas chaves. O que eu sustentei é que Jesus usou uma figura bastante conhecida em sua época (a das chaves como símbolo de autoridade) para nomear Pedro como mordomo do Seu Reino. É certo – e eu mencionei – que as chaves entregues em Isaías 22,22 eram as chaves da Casa de Davi, ou dito de outro modo, do Reino de Israel, e sendo Israel uma teocracia em todo o sentido da palavra, o mordomo do reino não era um cargo meramente secular como entende o nosso amigo, mas que era acompanhado de uma paternidade espiritual. O próprio texto assim o faz ver: “Será ele um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá”. Nosso amigo tampouco parece entender que estava anunciado que o reino de Israel transcenderia o plano material e não teria fim porque Jesus, ao ser seu herdeiro, se assentaria em seu trono: “Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; reinará sobre a casa de Jacó pelos séculos e o seu Reino não terá fim” (Lucas 1,32). Portanto, com a entrega das chaves, Jesus está nomeando Pedro como novo mordomo de Seu Reino, da mesma maneira que os antigos reis de Israel nomeavam os seus mordomos. Continua o nosso amigo protestante: – “Ao contrário, as chaves do Reino dos Céus entregues a Pedro claramente denotam uma liderança espiritual que teria como pastor na Igreja. Pedro abriria as portas da fé aos gentios, porém principalmente aos judeus, quando Cristo disse a Pedro: ‘e o que atares na terra será atado nos céus e o que desatares na terra será desatado nos céus’ (Mateus 16:19); tem um paralelo em Mateus 18:18 onde Jesus diz: ‘De certo vos digo: tudo o que atares na terra, será atado no céu e tudo o que desatares na terra, será desatado no céu’. Aqui, ainda que não entregue as chaves, confere a todos os discípulos a mesma autoridade de atar e desatar, o que significa que nesse sentido a autoridade de Pedro não era superior à dos outros onze”. Estou de acordo com a primeira parte do argumento: as chaves dadas a Pedro já não são as antigas chaves de um reino físico, mas de um Reino que transcendeu ao plano espiritual. As chaves entregues a Pedro são, portanto, as chaves da Igreja, que é o Reino de Deus. Parece que nosso amigo protestante entende isto e o louvo por isso. No entanto, acrescenta ele que como o restante dos discípulos receberam também a autoridade de atar e desatar, deduz-se que a autoridade de Pedro não era superior à dos demais Apóstolos. Contudo, a fragilidade deste raciocínio está precisamente em ignorar a relação que existe com a figura que Cristo utilizou, pois do mesmo modo que nos antigos reinos havia muitos ministros que tinham autoridade para tomar decisões, apenas um deles, o mordomo, era o portador das chaves, e sua autoridade era superior à dos demais: suas decisões não podiam ser revogadas por nenhum outro ministro, já que ele só estava subordinado ao rei; por isso se dizia: “abrirá e ninguém fechará; fechará e ninguém abrirá”. Observe-se que o argumento católico não afirma que só o sucessor de Pedro tenha autoridade para atar e desatar; pelo contrário, os Bispos em comunhão com a sua cátedra, como legítimos pastores de seu rebanho, também a têm. O que se diz é que a autoridade concedida a Pedro tem uma jurisdição mais ampla, da mesma maneira que a autoridade dos ministros do reino de Israel estava subordinada à do mordomo. A melhor evidência disto é que, ainda que todos os Apóstolos recebam o poder de atar e desatar, só a Pedro foram entregues as chaves. Se o nosso amigo quer sair vitorioso comseu argumento, não tem que demonstrar que todos os Apóstolos tinham autoridade – coisa que ninguém nega – mas que a autoridade destes não estava subordinada à de Pedro quando a Escritura assinala que só Pedro porta as chaves. De fato, Jesus diz: “A TI te darei as chaves” e não “a vós…”; e desta maneira, toda a Igreja recebe as chaves através do seu portador: Pedro. Com isto, termino por ora. No meu próximo artigo, seguirei analisando os demais argumentos de nosso amigo, ainda que eu não saiba neste momento se será estritamente necessário fazê-lo, já que estes dependem da validade dos primeiros argumentos; e se os primeiros não se sustentam, muito menos os argumentos seguintes. —– NOTAS: [1] http://verdadpalabra.blogspot.com.br/2011/09/respuesta-protestante-una-respuesta.html #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja
- ABRACEI A VERDADEIRA DOUTRINA DOS CRISTÃOS – CREIO EM JESUS CRISTO (Atas do Martírio dos Santo
Aqueles homens santos foram presos e conduzidos ao prefeito de Roma, chamado Rústico. Estando eles diante do tribunal, o prefeito Rústico disse a Justino: “Em primeiro lugar, manifesta tua fé nos deuses e obedece aos imperadores”. Justino respondeu: “Não podemos ser acusados nem presos, só pelo fato de obedecermos aos mandamentos de Jesus Cristo, nosso Salvador”. Rústico indagou: “Que doutrinas professas?” E Justino: “Na verdade, procurei conhecer todas as doutrinas, mas acabei por abraçar a verdadeira doutrina dos cristãos, embora ela não seja aceita por aqueles que vivem no erro”. O prefeito Rústico prosseguiu: “E tu aceitas esta doutrina, grande miserável?” Respondeu Justino: “Sim, pois a sigo como verdade absoluta”. O prefeito indagou: “Que verdade é esta?” Justino explicou: “Adoramos o Deus dos cristãos, a quem consideramos como único criador, desde o princípio, artífice de toda a criação, das coisas visíveis e invisíveis: adoramos também o Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, que os profetas anunciaram vir para o gênero humano como mensageiro da salvação e mestre da boa doutrina. E eu, um simples homem, considero insignificante tudo o que estou dizendo para exprimir a sua infinita divindade, mas reconheço o valor das profecias que previamente anunciaram aquele que afirmei ser o Filho de Deus. Sei que eram inspirados por Deus os profetas que vaticinaram a sua vinda entre os homens”. Rústico perguntou: “Então, tu és cristão?” Justino afirmou: “Sim, sou cristão”. O prefeito disse a Justino: “Ouve, tu que és tido por sábio e julgas conhecer a verdadeira doutrina: se fores flagelado e decapitado, estás convencido de que subirás ao céu?” Disse Justino: “Espero entrar naquela morada, se tiver de sofrer o que dizes. Pois sei que para todos os que viverem santamente está reservada a recompensa de Deus até o fim do mundo inteiro”. O prefeito Rústico continuou: “Então, tu supões que hás de subir ao céu para receber algum prêmio em retribuição”? Justino respondeu-lhe: “Não suponho, tenho a maior certeza”. O prefeito Rústico declarou: “Basta, deixemos isso e vamos à questão que importa, da qual não podemos fugir e é urgente. Aproximai-vos e todos juntos sacrificai aos deuses”. Justino respondeu: “Ninguém de bom senso abandona a piedade para cair na impiedade”. O prefeito Rústico insistiu: “Se não fizerdes o que vos foi ordenado, sereis torturados sem compaixão”. Justino disse: “Desejamos e esperamos chegar à salvação através dos tormentos que sofrermos por amor de nosso Senhor Jesus Cristo. O sofrimento nos garante a salvação e nos dá confiança perante o tribunal de nosso Senhor e Salvador, que é universal e mais terrível que o teu”. O mesmo também disseram os outros mártires: “Faze o que quiseres; nós somos cristãos e não sacrificaremos aos ídolos”. O prefeito Rústico pronunciou então a sentença: “Os que não quiseram sacrificar aos deuses e obedecer ordem do imperador, depois de flagelados, sejam conduzidos para sofrer a pena capital, segundo a norma das leis”. Glorificando a Deus, os santos mártires saíram para o local determinado, onde foram decapitados e consumaram o martírio proclamando a fé no Salvador. (Das Atas do martírio dos santos Justino e seus companheiros – Cap. 1-5: cf. PG 6, 1566-1571 – Séc. II). #Cristologia #Igreja
- Dos Abismos da Terra Vós me tirareis
Às vezes, caminhamos como Cristo e tantos outros Santos, no deserto. Nossa vida se mostra árida, ressecada, empoeirada, sem cor, difícil, desesperada. O pó em nossas vidas muitas vezes se torna pesado, insuportável e nos leva à queda: doença, tristeza, morte, desemprego, falência, abandono, destruição da família, dívidas, pobreza, rebeldia dos filhos e tantas outras situações que nos jogam por terra, nos aniquilam material e espiritualmente. Temos a sensação de que estamos perdidos na vida, abandonados por todos, inclusive por Deus. Parece que não temos alternativas e estamos presos no mais fundo e escuro abismo. O desespero nos levará a perguntar: o quê farei? Como sairei deste imenso buraco em que a vida me jogou? As lágrimas de desespero correrão por nossos rostos. Pois é aí, neste momento desesperador que poderemos nos retirar por alguns momentos do próprio mundo e na maior solidão e profundidade do nosso ser, encontrar um caminho. Quarenta dias peregrinou Jesus Cristo pelo deserto. Foi tentado, passou fome e sede. Mas mesmo privado de tudo não cedeu às tentações do demônio. A tudo resistiu e saiu do deserto cheio de forças, renovado pelo Espírito Santo. Na sequência, no templo em Nazaré, escolheu a passagem de Isaias para ler: “O espírito do Senhor está sobre mim, porque o senhor me ungiu. Ele me enviou para dar a boa notícia aos pobres, para curar os corações feridos, para proclamar a libertação dos escravos e pôr em liberdade os prisioneiros, para proclamar o ano de graças da parte do Senhor, e um dia de vingança de nosso Deus; a consolar todos os aflitos, a dar-lhes um diadema em vez de cinzas, o óleo da alegria em vez de vestidos de luto, cânticos de glória em lugar de desespero.” (Isaías, 61) Lázaro estava morto há quatro dias. Jesus, que o amava, dele se compadeceu e o ressuscitou. Cegos e coxos foram curados, demônios expulsos, vidas renovadas. Por mais fundo e escuro que seja o seu abismo, por mais dolorosa que seja a sua cruz, Jesus tem a chave para libertá-lo. Creia e renove a sua vida, assopre a poeira, saía do buraco, levante-se e comece a caminhar novamente com esperança. Jesus está em você e com você, apenas você não está percebendo ou dando importância. Ouça e obedeça a palavra de Deus: “Vinde a Mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e meu peso é leve.“(Mateus 11:28) Certamente a fé Vos libertará e, então poderá entoar, em júbilo: “Vós me fizestes passar por numerosas e amargas tribulações para, de novo, me fazer viver e dos abismos da terra novamente me tirar. (Salmos, 70:20)
- IGREJA: UMA CASA SOBRE A ROCHA – Solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “O que significa crer no Papa?”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Atos dos Apóstolos 12, 1-11) As portas do inferno não prevalecerão Naqueles dias, o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João. E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender a Pedro. Eram os dias dos Pães ázimos. “Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentá-lo ao povo, depois da festa da Páscoa. Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele. Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam a porta da prisão. Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: “Levanta-te depressa!” As correntes caíram-lhe das mãos. O anjo continuou: “Coloca o cinto e calça tuas sandálias!” Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: “Põe tua capa e vem comigo!” Pedro acompanhou-o, e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão. Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou. Então Pedro caiu em si e disse: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!” SALMO 33 O anjo do Senhor vem salvar os que temem a Deus (Antífona): De todos os temores me livrou o Senhor Deus. Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem! Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou. Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia. O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (2Timóteo 4, 6-8.17-18) Libertado da boca do leão Caríssimo, quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém. EVANGELHO (São Mateus 16,13-19) A Igreja de Cristo Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”. SÃO PEDRO E SÃO PAULO (Meditação do Padre Paulo Ricardo) Desde tempos imemoriais, a Igreja celebra a solenidade de São Pedro e São Paulo, os dois grandes Apóstolos de Cristo, no dia 29 de junho. No Brasil, a celebração é transferida para o domingo seguinte, a fim de que todos os fiéis tenham condições de refletir e, mais uma vez, professar a sua fé no ministério petrino, esse “grande dom de Cristo à sua Igreja enquanto serviço necessário à unidade”, que se perpetua na história através da sucessão apostólica [1]. São Pedro é aquela rocha de que fala o Evangelho de hoje, sobre a qual se assenta o Corpo Místico de Cristo. Nos dias atuais, essa rocha se encontra na pessoa do Papa Francisco, motivo pelo qual o dia 29 de junho é também o dia do Papa. São Pedro é o Apóstolo que, “apesar da sua debilidade humana, foi constituído expressamente por Cristo no primeiro lugar entre os Doze e chamado a exercer na Igreja uma própria e específica função” [2]. Por isso, ele não é apenas o primus inter pares, como se pode pensar, mas alguém que exerce um ofício superior a todos os outros Apóstolos, isto é, “ele é a rocha sobre a qual Cristo edificará a sua Igreja; é aquele que, uma vez convertido, não vacilará na fé e confirmará os irmãos; é, por fim, o Pastor que guiará a inteira comunidade dos discípulos do Senhor” [3]. A promessa de Cristo sobre o papado obriga-nos, enquanto católicos, a testemunharmos nosso amor e fidelidade ao Santo Padre, seja ele quem for. Dom Eugênio de Araújo Sales, de augusta memória, tinha o belíssimo costume de presentear o Papa João Paulo II toda vez que ia a Roma para algum serviço na Cúria. Certa vez, o Papa o questionou por toda aquela gentileza, e o Cardeal respondeu: “Nós damos presente a alguém ou porque gostamos ou porque cremos”. É claro que ambos eram grandes amigos, mas a gentileza de Dom Eugênio não se resumia à sua natural simpatia pelo Papa polonês; ao contrário, era a sua fé no ministério petrino que o motivava a tratar o sucessor de São Pedro com ainda mais reverência. De igual modo, nós precisamos ser fiéis ao Papa não por conta das preferências pessoais de Jorge Mario Bergoglio, mas por aquilo que Francisco, 266.º sucessor de São Pedro, representa para a cristandade. Trata-se do nosso pai na fé, pelo qual Cristo rezou para nos confirmar no caminho da santidade (cf. Lc 22, 31-46). Sendo assim, nós também devemos rezar por ele para que seja fiel ao seu ministério “de apascentar o rebanho do Senhor”, ou seja, para que guarde “com todo o desvelo o depósito da fé transmitida aos Santos, repudiando as profanas novidades de palavras e as oposições de uma ciência enganadora” [4]. Alguns têm a ilusão de que o Papa é um monarca absoluto, que tudo pode fazer. Todavia, o “Romano Pontífice está como todos os fiéis submetido à Palavra de Deus, à fé católica e é garante da obediência da Igreja”, razão pela qual ele “não decide segundo o próprio arbítrio, mas dá voz à vontade do Senhor, que fala ao homem na Escritura vivida e interpretada pela Tradição” [5]. É incrível que ainda haja pessoas ansiosas por uma “declaração infalível” do Santo Padre a favor do aborto ou de qualquer outra coisa contrária à sã moral e à reta doutrina da Igreja. Isso só demonstra o quanto o mundo ainda carece daquela “nova evangelização”, que traga de volta para o coração do homem a alegria do evangelho. Portanto, com que alegria nós, católicos, devemos festejar essa data providencial! No meio deste mundo cheio de incertezas, Deus providenciou-nos essa instituição divina do papado, cujo exercício necessariamente “implica a exposição e a refutação dos erros e das culpas humanas que devem ser conhecidas para que se torne possível a cura: ‘conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres’ (Jo 8, 32)” [6]. Para nos firmar no caminho de Cristo, Ele nos deixou um vigário, um doce representante do seu Magistério. Não deixemos, então, de manifestar nosso amor ao papado, rezando e oferecendo sacrifícios pelo Santo Padre! Oração. — Ó doce Jesus, que, para nos confirmar na verdadeira fé, nos presenteastes com a instituição do papado, iluminai os passos e as intenções de vosso vigário, Francisco, a fim de que seja bem firme à sua missão e defenda o vosso rebanho dos ataques do lobo. Assim seja! Propósito. — Oferecer alguma penitência pela pessoa e intenções do Papa. Referências bibliográficas Congregação para a Doutrina da Fé, O primado do sucessor de Pedro no ministério da Igreja (21 de novembro de 1998), n. 2. Ibidem, n. 3. Ibidem, n. 3. Papa São Pio X, Carta Encíclica Pascendi Dominici Gregis (8 de setembro de 1907). Congregação para a Doutrina da Fé, op. cit., n. 7. Papa Pio XII, Carta Encíclica Summi Pontificatus (20 de outubro de 1939), n. 14.
- O ISLÂMISMO MATOU A CIÊNCIA
1. O ISLÂMISMO MATOU A CIÊNCIA 2. Você já deve ter ouvido falar que a cultura islâmica inventou a álgebra, o zero, o astrolábio (antigo instrumento de navegação). desenvolveram novas técnicas na agricultura. Preservaram a filosofia aristotélica enquanto a Europa atravessava às cegas e aos Tombos as trevas medievais. Em quase tudo Campo cultural os antigos impérios islâmicos ultrapassaram de longe os seus contemporâneos não-muçulmanos da Europa e do mundo. 3. Isto é uma mentira, de tantas outras, a tão falada era de ouro da cultura islâmica foi em grande parte obra de não-muçulmanos. Elementos centrais da crença islâmica militaram contra o avanço científico e cultural. Só o Judaísmo e o cristianismo, não o Islã, proporcionam uma base viável para a investigação científica. 4. A MÚSICA E A ARTE NO MUNDO ISLÂMICO 5. Muito se ouve falar da literatura islâmica — no mínimo, algo sobre as mil e uma noites e o Poeta Sufi jalaluddin Rumi (1207 – 1273). Há também o poeta persa Abu Nuwas (762-814), Omar caiam, A filosofia de Omar Khayyām era bastante diferente dos dogmas islâmicos oficiais. Sobre jalaluddin Rumi cujas opiniões sobre a homossexualidade veremos mais adiante, Al-Mutanabbi (915-965), cujo sobrenome significa “aquele que se faz de profeta”; o heterodoxo Sufi turco Nesimi (1417); e o Poeta épico Persa Abu al-Qasim Ferdusi (935-1020), que diversificou e poetizou a história da Pérsia utilizando como fonte, crônicas cristãs e zoroastristas já há muito perdidas. 6. Muitos desses homens eram hereges islâmicos declarados; poucos parecem ter-se inspirado no Islã propriamente dito, com raríssimas exceções, Talvez o poeta Farid ud-Din Attar (1145-1220) com sua alegoria a linguagem dos pássaros. Eles legaram à humanidade numerosas obras magistrais, mas a maior parte delas não se faz notar pelo seu caráter islâmico, mas pela falta de um estilo islâmico, é inexistente. Dar créditos ao poder inspirador do Islã equivaleria dar créditos ao sistema soviético as obras de Mandelstam, Sakharove e Soljenitsin. 7. Mas e quando é os estudos islâmicos em outras áreas artísticas? Onde se encontram os Beethovens e os miquelangelos muçulmanos? Onde escutar o correspondente islâmico do concerto para piano nº 20 de Mozart ou apreciar a Monalisa ou a Pieta do Islã? 8. Melhor nem perder tempo procurando. É Claro que existe música e arte nos países islâmicos, e alguns muçulmanos respondem por feitos musicais e artísticos que causaram boa impressão, só que foi tudo sempre em contradição com o Islã, e nada que se compare as tradições musicais e artísticas desenvolvidas no ocidente, porque o direito islâmico proíbe a música e as representações artísticas de forma humana. Na música islâmica Não há nada como “a missa em si menor” de Bach, pois a criatividade musical não tem lugar no Islã. 9. A Sharia, ao abolir instrumentos musicais, invoca o próprio Maomé, citando vários Hádices: 10. “O sublime e Poderoso Alá enviou-me à guisa de orientação e misericórdia dos crentes e ordenou-me dar cabo de instrumentos musicais, flautas, cordas, crucifixos e tudo que tenha a ver com o período pré-islâmico da ignorância” 11. “No dia da Ressurreição, Alá verterá chumbo derretido no ouvidos daquele que se deleite com a voz das cantoras”. 12. “A música desenvolve a hipocrisia Como faz a chuva com a pastagem”. 13. “Esta comunidade verá alguns dos seus membros serem tragados pela terra; outros, metamorfoseadas em animais; outros mais, assolados por chuvas de pedra. Alguém perguntou: “isso quando será, ó mensageiro de Alá? E ele respondeu: “quando aparecerem cantoras e instrumentos musicais e for legalizado o vinho”. 14. “Haverá povos da minha comunidade que tomaram por legítima a fornicação, a Seda, o vinho e Instrumentos Musicais”. 15. Não se trata de leis antigas e hoje ignoradas por todos, como algum velho decreto municipal dos tempos coloniais proibindo cuspir na calçada. O Aiatolá iraniano Khomeini declarou com veemência os males da música — e não só rock e rap, Mas qualquer música. 16. A música corrompe as mentes da nossa Mocidade. Não Existe diferença entre música e ópio. Ambos, cada um a seu modo, criam letargia. Se quereis o vosso país independente, Bani vós a música. Música é traição a nossa Pátria e a nossa mocidade 17. E a arte? A proibição do Islã à arte representativa é ainda mais absoluta. Disse Maomé: “os anjos não entram em casa onde haja cão ou imagens (ou retratos etc.) de criaturas vivas (seres humanos, animais e etc.) palavras pouco e incentivadoras há um futuro Caravaggio. 18. É claro, os museus do ocidente, querendo fazer uma honra a arte islâmica, moveu céus e terras para expor do esmalte e da caligrafia — E além disso, obviamente, não há como transplantar as maravilhas arquitetônicas e artísticas do interior das mesquitas —, mas, em comparação à artística ocidental, só o mais tacanho multiculturalista se negaria a admitir que esse é um repertório um bocado limitado. 19. A CIÊNCIA E A CULTURA TEM POR BASES O MUNDO ISLÂMICO? 20. Na verdade, o Islã não foi a fundação de nenhum desenvolvimento cultural ou científico relevante. É inegável que ocorreu um grande florescimento cultural e científico no mundo islâmico no período da idade média, mas não há nenhuma indicação de ter qualquer parte desse florescimento brotado do Islã em si mesmo. O que existe são consideráveis indícios de que ele veio não do Islã, mas dos não-muçulmanos que influenciaram vários ofícios os seus senhores mulçumanos. 21. O projeto arquitetônico das mesquitas por exemplo, que é um grande motivo de orgulho entre os muçulmanos. É na verdade uma cópia do formato e estrutura das igrejas bizantinas. (E a construção de cúpulas e Arcos, é claro, já se tinha desenvolvido mais de mil anos antes de aparecer o Islã.) A Cúpula da Rocha, datado do século VII e hoje considerada a primeira grande Mesquita, não apenas foi copiadas de modelos bizantinas: Como foi construída por artesãos divertidos. Podemos notar como inovações arquitetônicas islâmicas surgiram de necessidades militares. 22. Temos uma quantidade de exemplos muito grande. Por exemplo, o astrolábio foi desenvolvido, ou talvez aperfeiçoado, muito antes de Maomé nascer. Avicena (980-1037), Averróis (1128-1198) e outros filósofos muçulmanos alicerçaram-se na filosofia grega Pagã de Aristóteles. Quem preservou a obra de Aristóteles das devastações medievais foram os cristãos, como o padre Probo de Antioquia, que nos século V apresentou Aristóteles ao mundo árabe. O Cristão Hunain Ibn Ishaq (809-873) baixar para o Ciríaco muitas obras de Aristóteles, Platão, Galeno e Hipócrates, que seu filho traduzir para o árabe. O Cristão jacobino (sírio) Yahya Ibn Adi (893-974) também traduziu obras de filosofia para o árabe e escreveu as suas próprias, como o Tratado “a reforma da moral”, que alguns atribuem erroneamente a vários de seus contemporâneos muçulmanos. Seu aluno cristão Abu Ali Isa Ibn Zur’a (943-1008) foi mais um a traduzir Aristóteles e outros escritores gregos do Ciríaco para o árabe. O primeiro tratado médico em língua árabe, foi produzido no ano 683, era de autoria de um padre cristão, com tradução para o árabe assinada por um médico judeu. No apogeu do califado abássida, o primeiro hospital de Bagdá foi construído por um cristão nestoriano, Jabrail Ibn Bakhtisthu. Cristãos assírios fundaram uma Pioneira escola de medicina em Bendosabora, na Pérsia. A primeira Universidade do mundo, certamente, não foi islâmica, como querem acreditar a ONU e os anti-católicos, que dizem que foi a faculdade Al-azhar, no Cairo mas a assíria escola de Nisibis. 23. Não quero com estas informações desfazer de tudo o mundo islâmico pedir sua cultura, Mas temos que ser honestos, e aplicar a seguinte premissa de que nenhuma cultura existe no vácuo. Todas as culturas se constrói sobre êxitos alheios e assimilam elementos daquelas com que tem contato. Apenas a documentação histórica não respalda a ideia de que o Islã inspirou uma cultura a sobressair entre as demais. Houve uma época em que a cultura islâmica se encontrava mais avançada que a dos europeus, mas essa superioridade corresponde exatamente ao período em que os muçulmanos foram capazes de aproveitar e desenvolver com oa descobertas e desenvolvimentos da civilização bizantina e outras. Para se ter ideia lá no século VII, Os Invasores muçulmanos da Pérsia, em relação àqueles que eles tinham convertido, eram tão atrasados que andavam a fazer câmbio com ouro, um material que nunca tinham visto antes, com a prata, e a utilizar cânfora, substância inteiramente nova para eles na culinária. Deveríamos mesmo acreditar que esses homens broncos pisavam em terras estranhas trazendo debaixo do braço novos e arrojados projetos artísticos e arquitetônicos? 24. A partir do momento em que eles já não tinham mais o que tomar de bizâncio e da Pérsia, é suficientes judeus e cristãos haviam sido convertidos ao Islã ou subjulgados em regra, o Islã mergulhou em um período de estagnação intelectual do qual até hoje não saiu. A pergunta que não quer calar é que: se o Islã de fato atingiu tão alto nível de realização cultural, por que entrou em declínio tão grande, que até hoje não voltou desse declínio tão prolongado? 25. EXISTIU UMA ÉPOCA DE OURO NO ISLÃ? 26. Sim é verdade, os muçulmanos já lideraram o mundo em diversas atividades, notadamente matemática e ciência. Mas essa era de ouro despencou de tal modo que dela mal restam Vestígios no mundo islâmico. 27. Um exemplo, as ciências médicas. Os muçulmanos estabeleceram as primeiras farmácias e foram os primeiros a exigir aos médicos e farmacêuticos padrões de conhecimento e competência por meio de exames. Ao tempo do quinto califa abássida, Haru al-Rashid (763-809), fundou-se o primeiro hospital de Bagdá, a que se seguiram muitos outros. No entanto quem veio a preparar o terreno para os avanços médicos modernos não foi um muçulmano, mas sim o médico e pesquisador belga Andreas Vesalius (1514-1564), ao publicar em 1543 a primeira descrição exata dos órgãos internos humanos, intitulada de humani corporis fabrica (a estrutura do corpo humano). Explica-se: vesalius ela livre para dissecar corpos humanos, enquanto no Islã essa prática era proibida. E mais: o livro dele está cheio de desenhos anatômicos detalhados — mas também proibidas no Islã eram representações artísticas do corpo humano. 28. Na matemática é a mesma história. Abu ja’far Muhammad Ibn Musa al-khwarizmi (780-850) foi um matemático Pioneiro cujo tratado sobre álgebra uma vez traduzido do Árabe, apresentou as gerações de europeus os refinados prazeres desse ramo da matemática. Abrir dizer os princípios das demonstrações de Al-khwarizmi já tinham sido descobertos séculos antes — incluso aí o zero, Que tantas vezes se atribui aos muçulmanos. 29. Até mesmo o que hoje chamamos “algarismos arábicos” não teve origem na Arábia, mas sim na Índia pré-islâmica — e já nem se usa mais na língua árabe. 30. Ninguém nega, contudo, a influência de Al-khwarizmi. A obra de Al-khwarizmi abriu novas cenas de exploração matemática e científica na Europa, fica então a pergunta, Por que Não surtiu ela o mesmo efeito no mundo islâmico? Os europeus acabaram usando a álgebra, em conjunto com outras descobertas, para promover avanços tecnológicos significativos, e os muçulmanos não. Por quê? 31. Uma resposta é que a Europa tinha, ao contrário do mundo islâmico, uma longa e sólida tradição intelectual que possibilitava essas inovações. Tiravam-se de conhecimento provenientes da Arábia usos desconhecidos aos próprios mulçumanos. As obras de Aristóteles, assim como a de seus comentadores mulçumanos Avicena e Averróis, eram estudadas em Universidades na Europa no século XII, e daí por diante, ao que no mundo islâmico eram desconhecidas em quase toda parte, a preocupação nas escolas islâmicas era ensinar o Corão e as leis islâmicas. 32. Porque eram avicena, averróis e outros eminentes filósofos islâmicos lidos no ocidente, mas ignorados nas suas próprias tradições? Porque nem mesmo se ensinava filosofia nas escolas islâmicas daqueles tempos? 33. A responsabilidade recai sobre o sufi Abu Hamid al-Ghazali (1058-1128). Ainda que fosse um notável Pensador, E tornou-se o principal porta-voz de uma onda anti-intelectualista que veio afogar muito do pensamento filosófico e científico islâmico. 34. Jogos alguns filósofos que resultavam em abraçar as verdades no porão observa a al-Ghazali. Abu Yusuf Yaqud Ibn Ishaq al-Sabbah al-Kindi (801-873), por exemplo, falar de religião e filosofia como duas vias separadas, mas iguais, para a verdade. Dito de outro modo, os filósofos não preciso prestar atenção em homenagem ao Corão, com o seu profeta interesseiro e o seu paraíso cheio de desejos carnais e lascívia. Abu Bark al-Razi (864-930), conhecido no ocidente como Rasis, chegara ao ponto de dizer que somente a filosofia conduz a verdade suprema. Outros filósofos muçulmanos andavam seguindo linhas de investigação igualmente perigosos. 35. Em a “incoerência dos filósofos”, al-Ghazali, por fim, acusa os filósofos muçulmanos de negar as leis reveladas e As Confissões religiosas e rejeitarem os pormenores do ensino religioso e sectário, acreditando tratar-se de leis humanas e artimanhas enfeitadas. A Avicena e Al-farabi acusou de desafiarem os princípios da religião. 36. No final da incoerência al-ghazali Faz uma pergunta retórica sobre eles todos: Dever-ser-á portanto dizer concludentemente que eles são infiéis e que se impõem matar os Defensores de crenças pessoais? E responde: pronunciá-los infiéis faz-se necessário por três Razões: O ensinamento de que o mundo existe eternamente; o de que Alá não conhece coisas particulares, somente universais; e o de que não existe ressurreição do corpo. Logo, consoante os ditames do direito islâmico, impõe-se matá-los. Não seria esse, porventura, o meio de incentivar uma tradição filosófica saudável. 37. Apareceram filósofos mulçumanos depois de al-Ghazali, mas nenhum que chegasse a estatura de um Avicena. Averróis ainda respondeu a al-Ghazali em um livro intitulado “a incoerência da incoerência”, afirmando que os filósofos não precisam prostar-se ante os teólogos, mas o estrago já estava feito. Os tais tempo áureos da filosofia islâmica tinham ficado para trás. 38. O ataque de al-Ghazali aos filósofos era a manifestação sofisticada de um senso comum que sempre atravancou o desenvolvimento intelectual no mundo islâmico: predomina nele a convicção de que o corão é um livro perfeito e a sociedade islâmica como civilização perfeita, demasiados muçulmanos jugaram passar bem sem conhecimentos provindos de outras fontes — certamente sem conhecimentos provindos de infiéis. 39. A MORTE DA CIÊNCIA DECRETADA POR ALÁ 40. Mas o golpe de misericórdia na investigação científica e filosófica islâmica terá sido dado pelo próprio Corão. O livro sagrado do islã caracteriza Alá como absolutamente soberano e a nada obrigado. Essa soberania, tão absoluta que é, anula um postulado que foi fundamental para estimular o desenvolvimento da ciência na Europa: os judeus e cristãos creem que Deus é bom, e que a sua bondade é constante. Logo, Ele criou o universo de acordo com leis Racionais, desvendáveis, tornando assim compensadora a investigação científica. Santo Tomás de Aquino explica: 41. Uma vez que os princípios de certas ciências — a lógica, a geometria, a aritmética, por exemplo — só se tomam dos princípios formais das coisas, dos quais a essência da coisa depende, resulta que Deus não pode fazer algo contra os princípios formais da mesma, como por exemplo, que o gênero não se redique da espécie ou Que as linhas traçadas desde o centro de um círculo até sua circunferência não sejam iguais, ou que os três ângulos de um triângulo retilíneo não sejam iguais a dois ângulos retos. ( Suma teológica contra os gentios, capítulo 25, seção 12) 42. Já no Islã, Alá é absolutamente Livre. al-Ghazali e outros sonhos e a própria ideia de que existem leis da natureza; tal coisa seria blasfêmia, uma negação a liberdade de Alá. Dizer que ele criou o universo de acordo com leis constantes, racionais, ou que ele não pode fazer isto ou aquilo — Como diz aqui São Tomás de Aquino —, seria por amarras a sua soberania absoluta. A vontade dele tudo controla, mas não se perscruta. 43. Assim aqui na Europa Cristã a ciência prosperou, mas não na casa do Islã. No mundo islâmico Alá matou a ciência. 44. MAS EXISTEM ALGUMAS COISAS QUE PODEMOS AGRADECER AO ISLà 45. Podemos atribuir dois feitos decisivos na história da humanidade: a descoberta do novo mundo e a Renascença na Europa. 46. Todos sabemos que em 1492 Cristóvão Colombo navegou o oceano e descobriu a América, quando procurar a seguir uma rota marítima inexplorada, ao Oeste, para a Ásia. E por que queria ele descobrir uma rota ocidental para a Ásia? Aqui a queda de Constantinopla, tomada pelos muçulmanos em 1453, obstruir a as rotas comerciais para o Oriente. Isso arrasara negócio dos Mercadores europeus, que até então viajavam para a Ásia por via terrestre, em busca de especiarias e outros produtos. A navegação de Colombo visava tirar a luz desta situação de aperto, possibilitando aos europeus passar longe dos muçulmanos e alcançar a Índia por via marítima. De sorte que a periculosidade e intransigência do Islã terminou por descortinar As Américas a Europa. 47. Outro efeito produzido pela longa Agonia do Império Bizantino e finalmente pela queda de Constantinopla foi a imigração de intelectuais gregos para Europa ocidental. A expansão territorial muçulmana às custas dos bizantinos impeliu tanto os gregos a buscarem Refúgio no Oeste, que as Universidades ocidentais se viram repletas de um número sem precedentes de plantonistas e Aristótelistas. Foi o que ocasionou a redescoberta da filosofia e da literatura clássica, é um florescimento intelectual e cultural como o mundo nunca vira antes e ainda não tornou a ver. Talvez até que o declínio e queda de bizâncio tenha sido uma maior contribuição muçulmana para a história da vida intelectual e filosófico ocidental do que a preservação de Aristóteles pelos árabes. 48. Esses dois Marcos históricos, é claro, não são realmente feitos islâmicos. São consequências da aplicação das violentas doutrinas islâmicas que temos examinados em textos anteriores. Porém, no que concerne aos verdadeiros efeitos produzidos sobre o mundo todo, eles montam a mais do que pilhas de tratados filosóficos islâmicos e um amontoado de caligrafias. #Históriadaidademédia #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Oriente #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #SantoTomásdeAquino
- Papa Bento XV (1914-1922)
Pontificado: 3 de setembro de 1914 a 22 de janeiro de 1922; b. Giacomo Della Chiesa (“da igreja”), Pegli, perto de Gênova,Itália, 21 de novembro de 1854. Seus pais, o marquês Giuseppe Della Chiesa e Giovanna Migliorati, eram da nobreza, sua mãe relatada a Inocêncio VII (1404–06). Vida pregressa. Quando criança, ele era de saúde delicada e foi educado pela primeira vez por tutores, seu ensino secundário sendo no Instituto Donavaro e Giusso. Seu pai, insistindo que até padres precisavam de uma profissão na sociedade moderna, exigiu que ele atrasasse seus estudos clericais, e ele recebeu um doutorado em direito civil pela Universidade de Genoa antes de ir para Roma, onde residia no Capranica College, estudou na Universidade Gregoriana, e foi ordenado em 21 de dezembro de 1878. Ele recebeu doutorados em teologia e direito canônico. Ele era pequeno, de ombros caídos e muito magro (apelidado de “anão” por alguns, mesmo depois que ele se tornou papa), com o lado esquerdo do corpo mais alto que o direito, e ele mancava. Sua personalidade não era atraente. Por gentileza, ele manifestou explosões ocasionais de temperamento de que ele se arrependeu. Diplomata Papal e Curialista. Ensinando na Accademia dei Nobili Ecclesiastici, ele atraiu a atenção do Arcebispo Mariano Rampolla del Tindaro, que teve Della Chiesa nomeado para a equipe da Secretaria de Estado Papal. Quando Rampolla se tornou núncio da Espanha (1882), Della Chiesa tornou-se seu secretário. Além de seus trabalhos diplomáticos oficiais, os dois clérigos organizaram programas de ajuda humanitária e cuidaram das vítimas de uma epidemia de cólera. Em 1887, Rampolla foi nomeado secretário de Estado e Cardeal, e Della Chiesa retornou a Roma com seu patrono. Em 1901 ele foi promovido a subsecretário. Com a adesão de Pio X (1903), o Cardeal Rafael Merry del Val tornou-se secretário de Estado, substituindo Rampolla, a quem foi negado o trono papal após sua candidatura ser vetada pelo imperador austro-húngaro. Della Chiesa permaneceu como subsecretário, embora considerado um membro do grupo Rampolla em rivalidade com Merry del Val. Normalmente Della Chiesa poderia ter se tornado núncio da Espanha em 1907, mas Merry del Val aparentemente queria ele removido do serviço diplomático papal, e Della Chiesa foi feito arcebispo de Bolonha e consagrado por Pio X na Capela Sistina (22 de dezembro de 1907). Arcebispo de Bolonha. Seu exílio do Vaticano provavelmente ajudou a carreira do futuro papa, dando-lhe a experiência pastoral geralmente considerada necessária para o ofício papal. Bolonha estava em um dos mais seculares e distritos anticlericais da Itália, com uma boa dose de turbulência. O novo arcebispo visitou todas as instituições católicas em sua sé, algumas das paróquias rurais sendo acessíveis apenas a cavalo. Suas prioridades incluíam catequizar os leigos e elevar o nível espiritual do clero, ambos os quais ele achou deficiente. A condenação do modernismo por Pio X tinha dado origem a um alto grau de vigilância contra a heresia. Embora impecavelmente ortodoxo, Della Chiesa defendeu alguns de seus professores do seminário contra o que ele considerava suspeitas injustificadas. Bolonha há muito tempo era uma cidade cardinalícia, mas Pio X não conferiu o chapéu vermelho ao seu arcebispo até maio de 1914, o atraso, sem dúvida, devido a Merry del Val, que entre outras coisas considerava o modernismo um perigo maior do que Della Chiesa julgou ser. Eleição como papa. Pio X morreu três meses após a elevação do arcebispo de Bolonha. Della Chiesa liderou em cada cédula no conclave e foi eleito no dia 10 (3 de setembro). Ele provavelmente levou o nome Bento em memória do último papa eleito da Sé de Bolonha, Bento XIV (1740 a 1758). A coroação foi realizada na Capela Sistina, por causa da crise da Primeira Guerra Mundial Merry del Val tinha sido o principal rival de Bento no conclave e foi agora substituído como secretário de Estado e transferido para o Santo Ofício. Tanto cardeais alemãos e austriácos tinham falado contra Della Chiesa antes da eleição, acusando-o de partidarismo pró-francês, mas a questão principal foi provavelmente o Integralismo , a ortodoxia militante que levou ao que Bento e outros consideravam como zelo excessivo na busca por hereges. A busca pela paz. Desde o início, o novo pontificado foi dominado pelas tentativas urgentes do papa para acabar com a guerra. Junto com seu sincero desejo de paz, ele foi motivado pela necessidade de evitar perigosos bancos de areias políticos, pois afetavam os interesses da Igreja. Grã-Bretanha, Alemanha e (mais tarde) os Estados Unidos eram predominantemente Países protestantes, França e Itália anticlericais, Rússia militante Ortodoxa e Império Otomano Muçulmano. Assim, a neutralidade do Vaticano foi ditada tanto por considerações morais e pela necessidade de evitar tornar-se ligados aos interesses de qualquer país ou a qualquer das duas alianças. Só a Áustria era firmemente católica, e Bento viu como um amortecedor essencial entre Alemanha e Rússia. No entanto, ele pediu que a Áustria fizesse concessões territoriais à Itália, a fim de manter a Itália fora da guerra. Sua proposta formal de paz foi feita em 1º de agosto, 1917. Suas principais disposições foram: (1) substituição da “Força moral do direito” ao invés da força militar, (2) recíproca diminuição de armamentos, (3) arbitragem de disputas internacionais, (4) liberdade dos mares, (5) renúncia à indenizações de guerra, (6) restauração de todos os territórios ocupados, (7) exame “” em um espírito conciliatório ” de reivindicações de rivalidades territoriais. Enquanto publicamente os beligerantes faziam respostas evasivas, em particular, suas respostas foram quase totalmente negativas. Os Poderes centrais chamaram Bento “der französische Papst “e os aliados” le pape boche “e ambos os lados trataram sua intervenção como presunçosa. Pressionado para condenar atrocidades, ele fez isso com um esforço consciente de não ser partidário. O fracasso do esforço de paz foi o maior desapontamento de seu pontificado. A sinceridade do humanitarismo de Bento XV foi demonstrada em seus esforços incansáveis para aliviar os sofrimentos da guerra, a caridade pessoal sendo talvez a sua mais virtude conspícua. Ele estabeleceu uma organização internacional de investigação de pessoas desaparecidas, persuadiu a Suíça a dar refúgio aos soldados que sofriam de tuberculose, padres designados para visitar os feridos e prisioneiros, e estabeleceu agências de socorro. Tão generoso era ele em tais atividades que em sua morte a Santa Sé estava praticamente falida. A paz. Bento queria participar do conferência de paz no final da guerra. No entanto, os aliados, a mando da Itália, haviam concordado secretamente que a Santa Sé deveria ser excluída, mesmo que os quatorze pontos de Woodrow Wilson, a base do acordo de Versalhes, em muitos aspectos, lembrava o plano de Bento XV. O papa deplorou alguns aspectos do acordo, considerando as reparações impostas à Alemanha muito duras e acreditando que o tratado continha as sementes do futuras guerras. A Santa Sé também foi excluída da Liga das Nações, que Bento XV achava que falharia porque não foi baseada em princípios de justiça. Ela era favoravel para o nacionalismo, daí o princípio de Wilson de “autodeterminação”. Diplomacia pós-guerra. Bento permaneceu diplomaticamente ativo até sua morte, atividade que trouxe visível frutificar no fato de que o número de países representados na Santa Sé subiu de 14 a 26, com o Vaticano agora reconhecido como um importante centro de inteligência internacional. Por causa de sua antipatia pelo nacionalismo, ele a princípio não saudou a independência irlandesa. Ele se opôs à Declaração de Balfour, que prometia aos judeus uma pátria na Palestina, temendo qur a grande migração judaica seria ameaça ao status dos católicos na Terra Santa, mesmo como ele estava com medo da influência ortodoxa e protestante lá. Ele teve algum sucesso em facilitar as relações com França, a canonização de Joana D’arc (1920), contribuindo muito para essa melhoria. O cardeal Pietro Gasparri, secretário de Estado, engajado em discussões privadas com Benito Mussolini, ajudou a preparar o caminho para os Pactos Lateranenses 1929. Bento apoiou cautelosamente o novo Partito Populare Italiano, fundado pelo padre Luigi Sturzo, que pela primeira vez deu aos católicos um veículo para participar na política eleitoral italiana. O papa também apoiou o sufrágio das mulheres, alegando que as mulheres compensariam a influência dos radicais. Fortemente anti-socialista, ele estava planejando uma encíclica sobre o comunismo que ele nunca completou. Contudo, em vez de condenar a União Soviética publicamente ele autorizou negociações com o governo bolchevique, esperando que o jugo de católicos seria mais fácil sob comunismo do que tinha sido sob a ortodoxia. Assuntos da igreja interna. Apesar de conter o que ele considerava excessos antimodernistas, reafirmou as Condenações de Pio X e em 1922 publicou uma encíclica, Spiritus paraclitus, advertindo contra a crítica bíblica moderna. Ele imaginou um catecismo católico universal, mas foi incapaz de dar passos em direção a esse objetivo durante seu breve pontificado. Embora geralmente anti-protestante, ele deu permissão cautelosa para as conversações em Malines entre anglicanos e católicos. A codificação do direito canônico começou sob Pio X foi completada por Gasparri, com forte incentivo de Bento. Em 1917 o papa estabeleceu a Sagrada Congregação para a Igreja Oriental, com ele próprio como prefeito, sua preocupação com os católicos orientais tendo sido um dos seus principais motivos durante a guerra e depois. Máximo illud (“That Greatest Thing”) (1919) sinalizou uma mudança em atitudes missionárias, especialmente em chamar para o desenvolvimento o clero nativo. Morte. A doença final de Bento durou apenas alguns dias, o resultado da gripe que se transformou em pneumonia. A Santa Sé teve que pedir dinheiro emprestado para pagar pelo funeral, o conclave e a coroação de Pio XI. New Catholic Encyclopedia (Vol II). pp 248-250.
- Papa Bento XIV (1740-1758 DC)
(PROSPERO LORENZO LAMBERTINI.) Filho de Marcello Lambertini e Lucretia Bulgarini, b. em Bolonha, em 31 de março de 1675; d. 3 de maio de 1758. Sua educação inicial foi recebida de tutores. Aos treze anos foi ao Collegium Clementianum, em Roma, onde estudou retórica, filosofia e teologia. São Tomás de Aquino era seu autor favorito, mas a inclinação de sua própria mente era para estudos históricos e jurídicos nos quais ele se sobressaía, tanto no direito civil como no eclesiástico. Em 1694, embora apenas dezenove anos, recebeu o grau de Doutor em Teologia e Doutor Utriusque Juris (direito civil e canônico). Com a morte de Inocêncio XII ele foi feito advogado consistorial por Clemente XI, e pouco depois Consultor do Santo Ofício. Em 1708 ele foi nomeado Promotor da Fé; em 1712, o teólogo canônico do Vaticano e assessor da Congregação dos Ritos; em 1713 ele foi nomeado prelado doméstico; em 1718, secretário da Congregação do Concílio; e em 1725 bispo titular de Theodosia. Foi nomeado bispo de Ancona em 1727 e cardeal em 30 de abril de 1728. Foi transferido para o arcebispado de Bolonha em abril de 1731, em sucessão a Lorenzo Corsini, que se tornara papa como Clemente XII. Bento é mais conhecido na história como estudante e estudioso. Embora não seja de modo algum um gênio, sua enorme aplicação aliada a mais do que a esperteza comum fez dele um dos homens mais eruditos de seu tempo e deu a ele a distinção de ser talvez o maior erudito entre os papas. Seu caráter era multifacetado e sua gama de interesses era grande. Sua devoção à ciência e a séria investigação de problemas históricos não interferiram em seus estudos puramente literários. “Eu fui reprovado”, ele disse uma vez, “por causa da minha familiaridade com Tasso e Dante e Ariosto, mas eles são uma necessidade para mim, a fim de dar energia ao meu pensamento e vida ao meu estilo”. Essa devoção às artes e ciências levou Lambertini ao longo de toda a sua vida a um contato próximo e amigável com os autores e estudiosos mais famosos de sua época. Montfaucon, que ele conhecia em Roma, disse sobre ele: “Jovem como ele é, ele tem duas almas: uma para a ciência e outra para a sociedade”. Essa última caracterização não interferiu em sua atividade incansável em nenhuma das muitas posições importantes que ele foi chamado a preencher, nem diminuiu sua maravilhosa capacidade para o trabalho mais árduo. O zelo e a energia que Lambertini levava a esse cargo infundiram nova vida em todos os seus súditos. Ele mesmo explicou sua assiduidade dizendo que ele olhava no episcopado não como uma honra, mas como uma oportunidade de fazer o bem. Sua administração foi exemplar: ele visitou todas as partes de sua diocese, realizou sínodos, incitou as pessoas à piedade pela palavra e pelo exemplo e supervisionou os assuntos de sua diocese tão completamente que nada que necessitasse de mudança ou correção lhe escapou. Sua humildade e vasto aprendizado foram uma fonte de inspiração e força para seu clero, e sua ampla compreensão firme de assuntos públicos e questões públicas lhe conferiu uma posição de influência única entre governantes e pessoas. Em sua opinião, a base do sucesso na administração episcopal era a completa harmonia entre o bispo e o clero, e isso ele conseguiu obter. Por causa de seus maravilhosos dons e seu sucesso extraordinário como bispo de Ancona, o papa Bento XIII desejava transferi-lo para uma posição de maior responsabilidade, proporcionando um campo mais amplo para a exposição de seus poderes e atividades, mas ele respondeu em seu tom jocoso habitual que mudança de lugar poderia torná-lo diferente do que ele era, alegre, feliz e amigo do papa. Quando foi transferido para Bolonha em 1731, suas energias e atividades pareciam redobrar. Ele se tornou todas as coisas para todos os homens e é dito que nunca permitiu que alguém deixasse sua presença insatisfeita ou com raiva, e sem ser fortalecido e revigorado por sua sabedoria, conselhos ou advertências. Seus esforços foram em grande parte direcionados para a melhoria da educação clerical em sua diocese. Ele reformou o programa de estudos em seu seminário e elaborou um novo currículo no qual foi dada ênfase especial ao estudo da Sagrada Escritura e Patrologia. Quando Clemente XII morreu (6 de fevereiro de 1740), a fama de Lambertini estava no auge. Por meio de intrigas de vários tipos, o conclave que começou em 17 de fevereiro durou seis meses. Era composto de cinquenta e quatro cardeais, dos quais quarenta e seis eram italianos, três franceses, quatro espanhóis e um alemão. Estes foram divididos em várias partes. Um era composto daqueles que foram nomeados por Clemente XI, Inocêncio XIII e Bento XIII; outro daqueles nomeados por Clemente XII que eram conhecidos como o novo colégio. A longa e tediosa sessão e o calor intenso não melhoraram o temperamento dos cardeais; depois de seis meses de esforço infrutífero e constante intriga, a eleição parecia não estar mais próxima do que no começo. Vários expedientes foram sugeridos, como a retirada dos nomes dos principais candidatos e a substituição de outros, mas sem sucesso. Depois de vários planos terem sido tentados para acabar com o impasse, Lambertini, cujo nome havia sido proposto como um compromisso, se dirigiu ao conclave, dizendo: “Se vocês desejam eleger um santo, escolha Gotti; um estadista, Aldobrandini; um homem honesto, elegak a mim.” Essas palavras ditas, tanto de brincadeira quanto de verdade, ajudaram a acabar com a dificuldade. Lambertini foi escolhido e levou o nome de Bento XIV em homenagem ao seu amigo e patrono Bento XIII. Como papa, Lambertini não foi menos enérgico, corajoso e despretensioso do que antes de sua eleição. Seu grande aprendizado o colocou em posição de lidar com sucesso com situações eclesiásticas que precisavam de reforma, e o amplo espírito cristão que animou suas relações com potências estrangeiras removeu a pressão e a hostilidade das cortes e dos governantes protestantes. Ele era indubitavelmente liberal em suas relações políticas, embora nunca perdesse de vista os interesses essenciais da Igreja e da religião. Políticas públicas Ir ao limite extremo da concessão e da conciliação parece ter sido o princípio que dominou todas as ações de Bento em suas negociações com governos e governantes, tanto que, de fato, ele não escapou das críticas até mesmo das pessoas dentro da Igreja como sendo propenso a resolver dificuldades fazendo concessões ou compromissos. No entanto, suas ações podem ser julgadas, independentemente do que possa ser pensado de seus motivos, não se pode negar que ele apontou constantemente em paz e que poucas causas de atrito permaneceram após o encerramento de sua administração. Além disso, ao estimar o valor e o efeito de suas concessões, vê-se que, em quase todos os casos, ele fortaleceu a influência moral do papado, embora alguns direitos de patronato ou outros interesses materiais fossem abandonados. Tampouco sua influência foi menos potente entre os protestantes do que os governantes católicos; a estima universal na qual ele era mantido em todo o mundo significava muito em uma época, a qual era testemunhado o rompimento de muitas instituições consagradas pelo tempo, tanto sociais quanto políticas e religiosas. Uma enumeração de suas principais negociações com os chefes de estado mostrará que Bento sabiamente abandonou, na maioria dos casos, a sombra da autoridade temporal para manter a substância da supremacia espiritual. O rei de Portugal recebeu o direito de patronagem sobre todas as sedes e abadias em seu reino (1740) e foi ainda mais favorecido com o título de Rex Fidelissimus (1748). Em matéria de receitas da igreja e da distribuição de benefícios eclesiásticos, a Espanha também foi tratada com grande generosidade. Em 1741 foi concedida permissão para taxar a renda do clero, e em 1753 o governo recebeu o direito de nomeação para quase todos os benefícios espanhóis; em 1754 foi ratificado um acordo pelo qual as receitas de todos os benefícios na Espanha e nas colônias americanas eram pagas ao tesouro do governo para levar adiante a guerra contra os piratas africanos. O rei da Sardenha recebeu o título de vigário da Santa Sé, que trazia o direito de nomeação a todos os benefícios eclesiásticos em seus domínios e a renda dos feudos pontifícios, em substituição da qual deveria ser paga uma indenização anual de mil ducados pagos Mediante a mediação do papa, estabeleceu-se em Nápoles um tribunal composto por um número igual de membros clérigos e leigos presididos por um eclesiástico, que formava a corte final para o julgamento de casos eclesiásticos. Como mediador entre os Cavaleiros de Malta e o Rei de Nápoles, o papa trouxe uma controvérsia de longa data para um final feliz. Pela Encíclica “Ex omnibus christiani orbis” (16 de outubro de 1756), a amarga controvérsia sobre a questão de admitir aos sacramentos pessoas que não aceitariam a Bula “Unigenitus” foi encerrada. Insistindo na autoridade do “Unigenitus” e salientando que era dever de todos os fiéis aceitá-la com veneração, o papa decreta que somente essas pessoas deveriam ser excluídas dos sacramentos cuja oposição à constituição pontifícia era pública e notória, e que, portanto, devem ser considerados inimigos públicos. O título de rei da Prússia, tomado em 1701 pelo eleitor de Brandemburgo, foi reconhecido por Bento contra a vigorosa oposição de muitos membros da Cúria. Ele foi referido como o sábio por excelência por Maria Teresa, e recebeu muitos elogios do sultão a quem ele se referia em seus escritos como o “Bom Turco”. No final de seu pontificado, a única questão de importância nas relações exteriores da Santa Sé que não havia sido resolvida com êxito era a relativa ao Patriarcado de Aquileia, sobre o qual a República de Veneza e o imperador reivindicavam o controle. Bento decidiu que os direitos do patriarcado deveriam ser divididos entre o arcebispado de Görz, na Áustria, e o de Udine, nos Estados venezianos. Esta decisão foi considerada injusta por Veneza, que em retaliação decretou que nenhuma Bula, Breve, ou comunicação da Santa Sé deveria ser promulgada dentro da jurisdição da República sem a supervisão e aprovação do Governo. Regente temporal e espiritual Como o soberano temporal Bento governou os Estados da Igreja com sabedoria e moderação e introduziu muitas reformas com o propósito de diminuir os abusos e promover a felicidade e a prosperidade do povo. Com o objetivo de reabastecer o tesouro esgotado pela extravagância de alguns de seus predecessores, especialmente o de Bento XIII, sob a influência do cardeal Coscia, e por causa do enorme dispêndio de imóveis públicos sob Clemente XII, ele não fez nenhuma promoção para Sagrado Colégio por quatro anos. Foram tomadas medidas a pé para reformar a nobreza, uma nova divisão regional da cidade foi introduzida com a finalidade de maior eficiência administrativa, a agricultura foi estimulada e encorajada pela introdução de métodos novos e melhorados, o comércio foi promovido e o luxo contido, enquanto a prática da usura, contra a qual ele publicou a Encíclica Vix Pervenit (1745), foi quase totalmente suprimida. Bento não abandonou nenhuma das reivindicações de seus antecessores, mas o uso liberal de seus poderes não tinha outro objetivo além da promoção das artes da paz e da indústria. O mais sério é o problema visto pelas suas próprias palavras: “O papa ordena, os cardeais não obedecem e as pessoas fazem o que lhes agrada”. Em assuntos puramente espirituais e religiosos, a influência de Bento deixou uma marca duradoura em toda a Igreja e sua administração. Suas Bulas e Encíclicas, que desempenharam um papel tão importante na definição e esclarecimento de pontos obscuros e difíceis da lei eclesiástica, foram tratados eruditos cheios de sabedoria e erudição. A questão controversa dos casamentos mistos, as uniões entre católicos e protestantes, exigiram liquidação em conseqüência da crescente freqüência com que ocorreram. Grande parte da amargura do tempo da Reforma havia passado e os protestantes procuravam ter seus casamentos com católicos solenizados com cerimônias iguais àquelas em que ambos os partidos eram católicos. Embora a doutrina prevalecesse em Roma de que as partes contratantes eram os verdadeiros ministros do Sacramento do Matrimônio, nenhuma unanimidade geral prevaleceu entre os teólogos nesse ponto. Sem menosprezar essa teoria, Bento em resposta às perguntas dos bispos em muitos lugares, especialmente na Holanda e na Polônia, decretadas pela Bula “Magnæ nobis admirationis” (29 de junho de 1748), que os casamentos mistos eram permitidos apenas sob certas condições. condições bem definidas, a principal das quais era que os filhos nascidos desses casamentos fossem criados na Fé Católica, mas que tais casamentos, embora tolerados, nunca deveriam ser realizados com as cerimônias que implicam aprovação eclesiástica formal. Relações com as Igrejas Orientais Sob a destreza de Bento, uma união formal foi consumada com algumas das Igrejas Orientais. As freqüentes tentativas dos patriarcas greco-melquitas de Alexandria, Antioquia e Jerusalém de obter reconhecimento da Santa Sé não resultaram por muito tempo em nenhuma união definida, por causa da insatisfação da parte dos papas com a formulação dos credos orientais. . Em 1744, Bento XIV enviou o pálio a Serafim Tanas, que ele reconheceu como patriarca dos gregos melquitas de Antioquia. Os conflitos na Igreja Maronita, após a deposição de Jacó II, que ameaçava seriamente sua unidade, foram resolvidos em um concílio nacional (1736), cujos decretos foram aprovados por Bento. Em 18 de março de 1751, ele renovou as proibições de Clemente XII contra os maçons, e embora muito poucos governos considerassem a supressão dessa sociedade como exigindo ação decisiva de sua parte, leis foram imediatamente aprovadas por Espanha e Nápoles, e em 1757 por Milão. A controvérsia em relação aos costumes chineses e malaios, ou o sistema de acomodação ao paganismo que alguns missionários permitiram que seus convertidos praticassem, e pelo qual se dizia que idéias pagãs e práticas pagãs haviam sido enxertadas no cristianismo, foi terminada por Bento que emitiu duas bulas sobre o assunto, e exigiram que os missionários jurassem que tais abusos não seriam tolerados no futuro. A Bula “Ex quo singulari”, em relação aos abusos na China, foi publicada em 11 de julho de 1742; que em relação ao Malabar, “Omnium sollicitudinum”, 12 de setembro de 1744. (Veja CHINA, ÍNDIA.) Por causa da maneira pela qual as festas da igreja haviam sido multiplicados, Bento esforçou-se para diminuí-las. Isso ele fez na Espanha em 1742, na Sicília e na Toscana em 1748, e mais tarde na Sardenha, na Áustria e nos Estados Pontifícios. Tal movimento encontrou muita oposição de muitos cardeais. Bento silenciou suas censuras dizendo que menos festas observadas de uma maneira mais cristã contribuiriam mais para a glória da religião. Reformas litúrgicas Em assuntos litúrgicos, Bento foi extremamente conservador. Ele viu com pesar as profundas mudanças que haviam sido introduzidas no calendário romano desde a época de Pio V. O aumento no número de Festas dos Santos e a multiplicação de cargos com o posto de Duplex haviam substituído os antigos oficios feriais e dominicais, e ao longo de todo o seu pontificado ele estabeleceu-se com determinação contra a introdução de quaisquer novos ofícios no Breviário, uma política à qual ele aderiu tão estritamente que a única mudança que sofreu durante sua administração foi que Leão, o Grande, recebeu o título de Doutor. Tão profundamente impressionado estava ele com a necessidade de uma revisão completa do Breviário que eliminaria aquelas partes com as quais o senso crítico do século XVIII achava que ele encomendou o jesuíta Fabio Danzetto para preparar um relatório sobre o assunto. Este relatório em quatro volumes de notas foi de um caráter tão abrangente que se diz que fez com que Bento desistisse de seu projeto. O plano de reformar o martirológio romano foi, no entanto, levado a uma questão bem-sucedida, e uma nova edição foi publicada por sua autoridade em Roma em 1748. O mesmo se aplica ao “Cæremoniale Episcoporum”, que Bento XIII se comprometeu a reformar e que Bento XIV publicou (1752) na forma agora usual. O trabalho clássico de Bento sobre questões litúrgicas é o seu “De Servorum Dei Beatificatione et de Beatorum Canonizatione”, que ainda regula o processo de beatificação e canonização. Outros importantes escritos litúrgicos de Bento tratam do sacrifício da missa e das festas de Nosso Senhor, da Santíssima Virgem e de alguns santos. Além disso, publicou numerosas obras sobre os ritos dos gregos e orientais; Bulas e Breves sobre a celebração da oitava dos Santos Apóstolos, contra o uso de imagens de forma supersticiosas, sobre a bênção do pálio, contra a música profana nas igrejas, a rosa de ouro, etc. Para que o clero não fosse deficiente na ciência histórica e eclesiástica, e que não lhes faltasse a oportunidade de lucrar com o progresso intelectual do período, fundou em Roma quatro academias para o estudo das antiguidades romanas, das antiguidades cristãs, da história da Igreja e dos concílios, e a história da lei canônica e da liturgia. Ele também estabeleceu um museu cristão e encarregou José Assemani de preparar um catálogo dos manuscritos na Biblioteca do Vaticano, que ele enriqueceu com a compra da Biblioteca Ottoboniana, contendo 3.300 manuscritos de valor e importância únicos. Ele fundou cátedras de química e matemática na universidade romana conhecida como Sapienza, e muitas outras para pintura, escultura, etc., em outras escolas. Sobre todas essas fundações ele exerceu a mais próxima supervisão; ele também encontrou tempo para realizar muitos esquemas para a construção e adorno de igrejas em Roma. O fato de Bento nunca ter levantado um jesuíta para o cardealato é atribuído à sua hostilidade à Sociedade; por outro lado, deve-se notar que foi a um jesuíta, Emmanuel Azevedo, que ele dedicou a edição completa de suas obras (1747-51). Ele tinha sido há muito pedido por seus amigos Cardeais Passionei e Archinto para ordenar uma reforma completa daquele corpo, mas foi só no último ano de sua vida que qualquer ação decisiva foi tomada. Em 1 de abril de 1758, ele emitiu um Breve pelo qual o Cardeal Saldanha foi contratado para inspecionar todas as faculdades e casas da Sociedade em Portugal, e para realizar uma reforma das mesmas, mas essa autoridade foi retirada por seu sucessor, Clemente XIII. Bento buscou recreação na sociedade de homens e artistas eruditos, entre os quais ele brilhou como sagaz e erudito. Alegre, animado e falante, sua conversa às vezes se espantava, se não chocasse, com a sensibilidade sadia de alguns cortesãos dignos que entraram em contato com ele. Suave e graciosa em seu comportamento para todos os que se aproximaram dele, o papa às vezes não tinha nem energia nem espírito. Em uma ocasião, uma cena violenta ocorreu em que o papa expressou de maneira mais decidida sua desaprovação das táticas da corte francesa. Choiseul, o embaixador francês, pediu ao Vaticano que pedisse que a nomeação do cardeal Archinto para suceder o cardeal Valenti como secretário de Estado fosse adiada até que fossem decididos alguns assuntos em que o rei francês estivesse interessado. O próprio Choiseul faz um relato dessa cena (Letters, p. 169), sem, no entanto, relacionar todos os detalhes. A conversa foi mais animada do que Choiseul relatou, e dos “Mémoires” do barão de Besonval (p. 106) aprendemos que, quando o papa se cansou das importunidades de Choiseul, ele o agarrou pelo braço e o empurrou para o seu assento dizendo: “Seja você mesmo papa” (Fa el Papa). Choiseul respondeu: “Não, Santo Padre, façamos cada um a sua parte. Continua sendo papa e eu serei embaixador”. Essa brusquidão, no entanto, não era comum com Bento. Ele poderia ser feliz e sério. O abade Galiani certa vez apresentou-lhe uma coleção de minerais e ele disse: “Dic ut lapides isti flies fiant (Comando que essas pedras sejam feitas de pão), e a sugestão não foi perdida. O milagre solicitado foi realizado e o abade recebeu uma pensão. Para seus súditos, Bento era um ídolo. Se às vezes eles reclamavam que ele escrevia demais e os governava muito pouco, todos concordavam que ele falava bem e espirituosamente, e suas piadas e bon mots eram o deleite de Roma. Os cuidados de Estado, depois de sua elevação ao pontificado, impediram-no de se dedicar tanto quanto gostaria de ter estudado nos dias anteriores; mas ele nunca faltou estímulo intelectual. Ele cercou-se de homens como Quirini, Garampi, Borgia, Muratori, e manteve uma correspondência ativa com estudiosos de muitos tons de opinião. Sua preeminência intelectual não era apenas uma fonte de orgulho para os católicos, mas formava um forte vínculo com muitos não da fé. Voltaire dedicou-lhe o seu “Maomé” com as palavras: “Au chef de la véritable religion un iscrit contra fondate d’une religion fausse et barbare”. Em outra ocasião ele compôs para um retrato do papa o seguinte dístico: “Lambertinus hic est, romæ decus e pater orbisQui mundum scriptis docuit, virtutibus ornat.”(Este é Lambertini, o orgulho de Roma, o pai do mundo,que ensina esse mundo por seus escritos e honras por suas virtudes.) O dístico causou discussão sobre a quantidade de “hic”, mas o papa defendeu a prosódia de Voltaire, que confirmou sua opinião por uma citação de Virgílio, ele disse que deveria ser o epitáfio de Bento. Grande como homem, erudito, administrador e sacerdote, a pretensão de imortalidade de Bento repousa principalmente em seus admiráveis escritos eclesiásticos. Os mais importantes, além dos já mencionados, são: “Institutiones Ecclesiasticæ”, escrito em italiano, mas traduzido para o latim por P. Ildephonsus a S. Carolo; é uma coleção de 107 documentos, principalmente cartas pastorais, cartas a bispos e outros, tratados independentes, instruções, etc., todos eles são dissertações realmente científicas sobre assuntos relacionados com a lei da igreja ou o cuidado das almas; a obra clássica “De Synodo Dioecesanâ”, publicada após sua elevação ao papado, uma adaptação à administração diocesana da lei eclesiástica geral; Este livro é chamado por Schulte, por causa de sua influência, um dos mais importantes, se não o mais importante, moderno trabalho em direito canônico; “Casus Conscientiæ de mandato Prosp. Lambertini Archiep. Bonon propositi et resoluti”, valioso tanto para o advogado quanto para o confessor; “Bullarum Benedicti XIV”, que contém a legislação do seu pontificado, muitos de seus documentos sendo tratados científicos. Ele também compilou um “Thesaurus Resolutionum Sacræ Congregationis Concilii”, a primeira tentativa de apresentação científica da “Praxis” das Congregações Romanas. Uma edição completa de suas obras apareceu em Roma (1747-51) em doze volumes, de Emmanuel Azevedo, S.J., que também traduziu para o latim os documentos italianos. Uma edição melhor e mais completa é a de Veneza, 1788. A mais recente e mais útil (Prato, 1844) está em dezessete volumes. Algumas cartas de Bento foram publicadas por Kraus: “Briefe Benedicts XIV an den Canonicus Pier Francesco Peggi em Bolonha (1729-1758) neb Benedicts Diarium des Conclaves von 1740” (2ª ed., Freiburg, 1888). Cf. Batiffol, “Inventaire des lettres inédites du Pape Bénoit XIV” (Paris, 1894); R. De Martinis, “Acta Benedicti XIV”; (Nápoles, 1884, passim). Em 1904, Heiner editou três tratados inéditos de Bento sobre ritos, as festas dos apóstolos e os sacramentos. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/02432a.htm
- Papa Bento XIII (1724-1730)
(PIETRO FRANCESCO ORSINI) Nascido em 2 de fevereiro de 1649; morreu em 23 de fevereiro de 1730. Sendo filho de Ferdinando Orsini e Giovanna Frangipani de Tolfa, ele pertencia à família arquiducal de Orsini-Gravina. Desde os primeiros anos da juventude, ele demonstrou um gosto obstinado pela Ordem de São Domingos, e aos dezesseis anos, durante uma visita a Veneza, entrou no noviciado dominicano contra a vontade de seus pais, embora fosse o filho mais velho e herdeiro do título e propriedades de seu tio sem filhos, o duque de Bracciano. Seu apelo a Clemente IX foi infrutífero; o papa não apenas aprovou o propósito do jovem noviço, mas encurtou seu noviciado pela metade a fim de livrá-lo das importunidades de seus parentes. Como aluno e noviço, o jovem príncipe era um modelo de humildade e zelo, e se dedicava à aquisição da aprendizagem eclesiástica. Na idade de vinte e um anos ele foi promovido a um cargo de professor. Em 22 de fevereiro de 1672, ele foi elevado ao cardinalato por seu parente Clemente X. Ele protestou vigorosamente contra a honra, mas foi obrigado a aceitá-la sob o voto de obediência do Geral dos Dominicanos, por insistência do papa. Como cardeal, ele aderiu estritamente à observância da regra de sua ordem e nunca deixou de lado seu hábito. Em 1675, tendo a escolha entre o Arcebispado de Salerno e o de Manfredonia (Siponto), ele escolheu este último porque era uma diocese pobre e exigia grande exercício de zelo pastoral. Sua vida virtuosa não apenas superou a oposição feita por seus parentes quando ele se tornou monge, mas exerceu uma influência tão salutar que com o tempo sua mãe, sua irmã e duas de suas sobrinhas abraçaram a vida religiosa na Ordem Terceira de São Domingos. . Durante o conclave que se seguiu à morte de Clemente X (1676), ele foi um dos bandos de cardeais conhecidos como zelanti que concordaram que nenhuma consideração de prudência mundana os influenciaria na escolha de um novo papa. No governo de sua diocese, o cardeal Orsini foi incansável em seus trabalhos e zelo. Ele visitou até mesmo os vilarejos mais remotos e não era menos vigilante no temporal do que as coisas espirituais. Ele supriu as necessidades do povo, consertou igrejas e realizou um sínodo diocesano, cujos decretos ele publicou. Em 1680, quando Inocêncio XI o transferiu para Cesena, ele deixou para o povo de Siponto um memorial de sua atividade apostólica, sua devoção aos pobres e sua constante pregação trouxe uma completa reforma entre o clero e o povo. Vendo em suas freqüentes viagens a condição das igrejas até mesmo nas paróquias mais pobres, ele não negligenciou ninguém e pela promulgação de regras rígidas, ele aboliu todos os abusos conhecidos. Em 1686, uma doença grave, atribuída por seus médicos ao clima, causou sua transferência para Benevento, onde permaneceu por trinta e oito anos ou até ser eleito papa. Durante esse longo período, ele raramente deixou sua diocese. Todos os anos ele fazia uma visita episcopal a todas as paróquias. Sempre que necessário, ele construiu ou renovou igrejas. Ele construiu hospitais e lutou incessantemente pelo alívio dos sofrimentos dos pobres. Duas vezes durante seu episcopado (5 de junho de 1688 e 14 de março de 1702) Benevento foi visitado por terremotos e, nessas ocasiões, sua coragem, sua caridade ativa em benefício dos habitantes atingidos e sua energia na reconstrução da cidade, conquistou para ele o título do “Segundo Fundador” de Benevento. Ele realizou dois sínodos provinciais, o primeiro em 1693, com a participação de dezoito bispos, o segundo em 1698, com uma participação de vinte pessoas, cujas atas foram aprovados em Roma. A única censura feita contra sua administração é que sua simplicidade e confiança infantil o expuseram à astúcia de algumas pessoas inescrupulosas que abusaram de sua confiança. O Cardeal Orsini já havia participado de quatro conclaves, quando Inocêncio XIII morreu em março de 1724; e em tudo ele agiu no espírito dos zelanti. O conclave em que ele próprio foi escolhido reuniu-se em 20 de março; dois meses depois (25 de maio), nenhuma escolha foi feita. Esse longo atraso pesou muito na alma de Orsini, que iniciou uma novena de orações a seu patrono, São Filipe Néri, para que a eleição de um novo papa não fosse mais adiada. Antes que a novena terminasse, ele viu com terror que ele próprio seria escolhido e, relutante em aceitar uma posição que o enchesse de pavor, procurou por todos os meios em seu poder impedir sua eleição. Contra seus repetidos protestos, ele foi escolhido em 29 de maio de 1724, e mesmo após a votação final, ele se recusou a ceder, argumentando que sua idade, sua fraqueza física, sua incapacidade e uma resolução que ele nunca fez para se tornar papa deveriam isentá-lo de uma responsabilidade tão grave. Ele cedeu apenas quando ficou claro para ele que perigos graves deviam ser temidos se o conclave fosse reaberto. Então, com lágrimas, e obedecendo ao comando do geral de sua ordem, ele se permitiu ser proclamado papa. Em homenagem a Bento XI, um membro da Ordem Dominicana, ele tomou o nome de Bento XIV, que ele logo mudou para Bento XIII, pois Pedro de Luna, que havia anteriormente dado o nome (1394-1423), era cismático. Sua primeira preocupação como papa era impor uma disciplina rigidamente eclesiástica. Ele emitiu vários decretos sobre trajes eclesiásticos e foi impiedoso em seus esforços para abolir qualquer aparência de luxo ou pompa mundana entre os cardeais. Durante o Jubileu de 1725, ele cumpriu pessoalmente os deveres da Grande Penitenciária, e diz-se que considerou seriamente o renascimento das penitências públicas por certas ofensas graves. Para incentivar a fundação dos seminários diocesanos, organizou uma comissão especial (Congregatio Seminariorum). Em um sínodo provincial romano-romano realizado em 1725, ele exigiu uma aceitação incondicional da Bula Unigenitus e através de seus esforços o Cardeal De Noailles, Arcebispo de Paris, foi levado a aceitá-la em 1728. Durante seu pontificado, Bento reteve o Arcebispado de Benevento que ele administrava por um vigário geral e que ele visitou duas vezes (1727, 1729). Em questões diplomáticas e em suas relações com potências estrangeiras, Bento XVI não demonstrou o vigor e conservadorismo que marcaram sua administração em assuntos religiosos. Seu amor pela paz levou-o a tentar resolver a disputa em relação aos privilégios eclesiásticos dos reis de Nápoles (Monarchia Sicula) por meio da revogação da constituição de Clemente XI (1715) e da concessão ao rei de Nápoles (e Sicília) e seus sucessores o direito de nomear um juiz espiritual em assuntos eclesiásticos, reservando, no entanto, os casos mais importantes para a Santa Sé. A disputa com Victor Amadeus de Savóia foi agravada por dar ao rei o direito de patrocínio sobre as igrejas e mosteiros em seus domínios, sem, no entanto, admitir qualquer reivindicação aos rendimentos de benefícios vagos. Em relação a João V, rei de Portugal, o papa demonstrou extraordinária firmeza ao recusar uma reivindicação baseada nos privilégios de outros tribunais para propor candidatos ao cardealato. Isto foi em conseqüência dos protestos feitos pelos cardeais contra a eleição de Vincenzo Biechi, núncio para Lisboa. Em retaliação, João chamou todos os residentes portugueses em Roma, proibiu toda a comunicação com a Cúria Romana e tentou impedir o envio das esmolas costumeiras de Portugal para Roma; ele também interferiu nos pedidos de dispensação de impedimentos matrimoniais. Em muitas cortes da Europa, a ofensa grave foi levada por extensão (1728) à Igreja Universal do Ofício de Gregório VII, contendo um relato da excomunhão e deposição de Henrique IV, que para galicanos e protestantes parecia ofensivo. Embora a justiça plena dificilmente possa ser feita à vida virtuosa e ao zelo paternal pelos interesses religiosos de Bento, seu pontificado perdeu muito de seu brilho por causa de sua confiança equivocada no cardeal Nicolò Coscia, que havia sido seu coadjutor em Benevento. O papa ignorava as peculiaridades e a venalidade de seu favorito, cuja ganância diminuiu muito o prestígio da Santa Sé e contra quem ocorreu uma revolta popular sobre a morte do papa, resultando em dez anos de prisão para esse cardeal indigno. Os escritos teológicos de Bento foram publicados em três volumes (Ravenna, 1728). Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/02431a.htm
- Papa Bento XII (1335-1342 DC)
(JACQUES FOURNIER) Terceiro dos papas de Avignon, b. em Saverdun, na província de Toulouse, na França, eleito em 20 de dezembro de 1334; d. em Avignon, 24 de abril de 1342. Nada se sabe sobre sua paternidade ou infância. Na juventude, tornou-se monge cisterciense no mosteiro de Boulbonne, de onde passou para o de Fontfroide, cujo abade era seu tio natural, Arnoldo Novelli, em cujo nome Fournier também era conhecido. Ele estudou na Universidade de Paris, onde recebeu o doutorado em teologia. Enquanto isso, ele foi feito abade de Fontfroide, sucedendo seu tio que foi feito cardeal 19 de dezembro de 1310. Em dezembro de 1317, ele se tornou bispo de sua diocese de Palmiers, foi transladado para Mirepoix em 26 de janeiro de 1327 e foi nomeado cardeal pelo papa João XXII, 18 de dezembro de 1327. Na morte deste último, 4 de dezembro de 1334, os cardeais no conclave, a maioria dos quais se opuseram a um retorno a Roma, exigiram do Cardeal de Comminges cuja eleição parecia assegurada, a promessa de permanecer em Avignon. Sua recusa precipitou um debate inesperada para os candidatos. Na primeira votação, em 20 de dezembro de 1334, muitos eleitores, com a intenção de soar a mente do conclave, votaram no improvável cardeal Fournier, que, apesar de ser um dos poucos homens de mérito real no colégio, era pouco considerado por causa de sua origem obscura e falta de riqueza e acompanhamento. Ele surpreendeu o conclave ao receber a necessária votação de dois terços. Em 8 de janeiro de 1335, ele foi entronizado como Bento XII. Decidido a restabelecer o papado em Roma, Bento sinalizou sua adesão, providenciando a restauração da basílica de São Pedro e a Laterana. Ele estava preparado para concordar com a petição de uma delegação romana solicitando seu retorno, mas seus cardeais mostraram a impossibilidade de morar na Itália. Eles estavam certos, quaisquer que fossem seus motivos, e Bento cedeu. Com a Consciência atacada durante uma doença crítica, ele propôs como um compromisso a transferência de sua corte para Bolonha. Os cardeais destruíram a fraca esperança de assegurar a obediência, e Bento decidiu permanecer em Avignon, onde em 1339 ele começou a construir o maciço castelo papal que ainda existe. Sempre atento à Itália distraída, muitas vezes enviava dinheiro para socorrer o povo atingido pela fome e restaurar as igrejas. A reforma do abuso foi a principal preocupação de Bento XVI. Imediatamente após a sua elevação, ele reenviou seus clérigos beneficiários não necessários em Avignon, e ameaçou com castigo sumários violadores da lei de residência. Ele revogou as escandalosas “expectativas” concedidas por seus antecessores e proibiu a concessão de benefícios em commendam. Ele condenou “pluralidades” indecorosas e conferiu benefícios com tal discriminação conscienciosa que vários foram deixados por muito tempo vagos, e assim deu cor à calúnia que ele mesmo estava colhendo suas receitas. Ele invocou vigorosamente contra a ganância por ganhos entre os eclesiásticos; regulamentou os impostos sobre documentos emitidos pelos escritórios papais; tornou a visitação episcopal menos onerosa para o clero; aboliu a prática de assinar pedidos de favores papais, o que era extremamente lucrativo para funcionários públicos; e estabeleceu o Registro de Súplicas para o controle de tais petições. Aborrecendo o nepotismo, ele concedeu preferência a apenas um parente, nomeando o eminente João Bauz arcebispo de Arles, em deferência à insistência dos cardeais; ele obrigou sua única sobrinha a desencorajar nobres pretendentes e a casar-se com um de seus humildes homens. Uma lenda, garantida por Aigídio de Viterbo (morto em 1532), o credencia a dizer: “um papa deve ser como Melquisedeque, sem pai, mãe ou genealogia”. A reforma monástica particularmente envolveu seu zelo. Ele próprio um cisterciense, ele procurou reviver o fervor monástico primitivo e devoção ao estudo. Constituições papais pertinentes e visitas de mosteiros atestam sua solicitude por um renascimento monástico. Sendo um teólogo erudito, ele foi como bispo, cardeal e papa, profundamente interessado em discussões escolásticas. Ele terminou a controvérsia sobre a questão controversa sobre se a Visão Beatífica era desfrutada antes ou somente depois do Julgamento Universal. João XXII havia defendido a última visão e instigou uma discussão vigorosa. Ansioso para resolver a questão, Bento XVI ouviu as opiniões daqueles que mantinham a teoria da visão diferida e, com uma comissão de teólogos, deu quatro meses para a pesquisa patrística. Seus trabalhos terminaram na proclamação (29 de janeiro de 1336) da Bula “Benedictus Deus” definindo a visão intuitiva imediata de Deus pelas almas dos justos que não têm falhas para expiar. Zeloso também pela preservação da Fé, estimulou os bispos dos distritos infectados a serem vigilantes na repressão da heresia e insistiram no uso dos remédios preventivos da Inquisição. Ele combateu energicamente as doutrinas antipapais que os teóricos eclesiásticos-políticos do perturbado período de Avignon haviam espalhado e que, infelizmente, foram sustentados por uma escola de franciscanos desorientados. (Veja FRATICELLI, MARSILÍO DE PÁDUA, WILLIAM DE OCKHAM, MIGUEL DE CESENA.) Angustiado pela deslealdade na Irlanda, ele tentou persuadir Eduardo III a estabelecer a Inquisição em seu reino e insistiu com ele para ajudar os bispos irlandeses a extirpar heresias. Mas, apesar de ser o mais ardente inimigo da heresia, Bento foi notavelmente paciente e amoroso ao lidar com os hereges. Ele também olhou para a união da Igreja Oriental com Roma através de um delegado do imperador Andrônico, cuja sinceridade, no entanto, Bento foi forçado a questionar; Manifestou sua solicitude pela Igreja na Armênia que, no início do século XIV, sofreu invasões maometanas, socorrendo os desafortunados em questões temporais e curando as diferenças doutrinárias que há muito arrendava a Armênia com o cisma. Em assuntos puramente eclesiásticos, o pontificado de Bento XVI era digno de crédito por si mesmo e produzia bem para a Igreja. Piedoso, prudente e firme, esforçou-se conscientemente para satisfazer as necessidades da Igreja em um período crítico. Nas relações políticas, no entanto, ele não teve tanto sucesso. Inexperiente na política, ele tinha pouco gosto pela diplomacia e um conhecimento imperfeito de homens e assuntos do mundo. Motivos políticos conflitantes confundiram-no, e hesitação e vacilação contrastaram dolorosamente com sua firmeza e decisão em questões eclesiásticas. Embora determinado a agir independentemente de Filipe VI da França, este último geralmente conseguiu comprometer o papa à sua política. Ele ajudou a impedir seu retorno a Roma. Ele frustrou seu desejo de fazer as pazes com o imperador Luís da Baviera, que João XXII havia excomungado por fomentar a sedição na Itália, proclamando-se rei dos romanos e intrometendo um antipapa. Disposto a absolvê-lo caso ele se submetesse à Igreja, Bento expôs aos delegados de Luís seus generosos termos de paz (julho de 1335). Mas Filipe, auxiliado pelos cardeais, persuadiram o papa de que sua generosidade encorajava a heresia e a rebelião. Bento cedeu. Três vezes os enviados imperiais chegaram a Avinhão, mas a influência francesa prevaleceu e, em 11 de abril de 1337, Bento declarou ser impossível absolver Luís. Este último, como temia Bento, aliou-se a Eduardo III da Inglaterra contra a França. Em vão, o papa tentou evitar a guerra, mas ele não era páreo para os reis e seus aliados. Seus bons ofícios foram rejeitados; e foi humilhado pela aliança posterior de Filipe com Luís, que também havia aliado a si próprio os inimigos políticos e eclesiásticos do papa, e pela negação do imperador da autoridade do papa sobre ele, e, pior insulto de todos, por sua usurpação do poder papal em declarar a nulidade do casamento de João Henrique da Boêmia e Margaret Maultasch, que esta última poderia se casar com seu filho, Luís de Brandenburgo. O rei francês impediu a cruzada projetada de Bento contra os infiéis, fazendo da guerra com a Inglaterra uma desculpa para renunciar a sua promessa de liderar os exércitos e até mesmo desviando o dinheiro para financiar suas próprias guerras, apesar dos protestos do papa consciencioso. O ardente ardor de Bento encontrou consolo na Espanha, onde ele encorajou a campanha contra os maometanos que em 1339 invadiram a península. Bento XII não escapou da calúnia. Reformador, inimigo da heresia, construtor do palácio papal de Avignon, aliado involuntário da França e inimigo da Alemanha, fez muitos inimigos cujas deturpações inspiraram a maioria das apreciações não católicas de seu caráter. Muito mal foi feito em sua memória pelas sátiras de Petrarca, que, apesar de ser amigo e honrado por Bento, ainda se ressentia amargamente de seu fracasso em retornar a Roma. Sua obesidade natural também estimulou a caricatura e críticas não merecidas. Mas a história oferece uma justificação e testemunha que, embora ele não tenha conseguido lidar com sucesso com as dificuldades políticas de que foi herdeiro, sua piedade, virtude e espírito pacífico, sua justiça, retidão e firmeza em governar, seu zelo pela doutrina e pela reforma moral, e sua integridade de caráter estavam acima de qualquer vergonha. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/02430a.htm
- Papa Beato Bento XI (1303-1304 DC)
(Nicolau Boccasini) Nascido em Treviso, Itália, 1240; morreu em Perugia, em 7 de julho de 1304. Entrou na Ordem dos Dominicanos aos catorze anos. Depois de catorze anos de estudo, tornou-se lector de teologia, cargo que ocupou por vários anos. Em 1296 ele foi eleito Mestre Geral da Ordem. Como neste momento a hostilidade a Bonifácio VIII estava se tornando mais pronunciada, o novo geral emitiu uma ordem proibindo seus súditos de favorecer de qualquer maneira os oponentes do pontífice reinante; ele também ordenou a eles que defendessem em seus sermões, quando oportunos, a legitimidade da eleição de Bonifácio. Essa lealdade de Boccasini, que permaneceu inabalável até o fim, foi reconhecida por Bonifácio, que lhe mostrou muitas marcas de favor e confiança. Assim, com os dois cardeais-legados, o genal dominicano formou a embaixada importante, cujo objetivo era a conclusão de um armistício entre Eduardo I da Inglaterra e Filipe IV da França, então em guerra entre si. No ano de 1298, Boccasini foi elevado ao cardinalato; posteriormente foi nomeado bispo de Ostia e decano do Sacro Colégio. Como naquele tempo a Hungria foi arrendada pela guerra civil, o cardeal-bispo foi enviado para lá pela Santa Sé como legado para trabalhar pela restauração da paz. Na época do retorno do legado a Roma, a famosa disputa de Bonifácio VIII com Filipe, o belo havia atingido o seu auge. Quando, em 1303, os inimigos do papa se tornaram senhores do palácio sagrado, de todos os cardeais e prelados apenas os dois cardeais-bispos de Ostia e Sabina permaneceram ao lado do venerável pontífice para defendê-lo da violência Guilherme de Nogaret e Sciarra Colonna. Um mês depois dessa cena de violência, Bonifácio tendo morrido, Boccasini foi eleito por unanimidade em 22 de outubro, tomando o nome de Bento XI. O principal evento de seu pontificado foi a restauração da paz com a corte francesa. Imediatamente após sua eleição, Filipe enviou três embaixadores ao papa com a carta real de felicitações. O rei, embora professando sua obediência e devoção, recomendou à benevolência do papa o Reino e a Igreja da França. Bento XVI, julgando que uma política de indulgência era necessária para a restauração da paz com a corte francesa, absolveu Filipe e seus súditos das censuras que haviam incorrido e restaurou o rei e o reino aos direitos e privilégios de que foram privados por Bonifácio. . Os cardeais de Colonna também foram absolvidos de suas censuras, mas não reintegrados em suas antigas dignidades. Essa política de tolerância Bento XVI cumpriu sem comprometer a dignidade da Santa Sé ou a memória de Bonifácio VIII. Nogaret e Sciarra Colonna e os implicados no ultraje de Anagni foram declarados excomungados e convocados para comparecer perante o tribunal pontifício. Após um breve pontificado de oito meses, Bento morreu subitamente em Perugia. Suspeitava-se, não totalmente sem razão, que sua morte súbita foi causada por envenenamento pela agência de Guilherme de Nogaret. Bento XI foi beatificado no ano de 1773. Sua festa é celebrada em Roma e em toda a Ordem Dominicana no dia 7 de julho. Ele é o autor de um volume de sermões e comentários sobre uma parte do Evangelho de São Mateus, sobre os Salmos, o Livro de Jó e o Apocalipse. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/02429c.htm
- Papa Bento IX (1032-1044; Abril de 1045- Maio de 1045; 1047-1048)
Sobrinho de seus dois predecessores imediatos, Bento IX era um homem de caráter muito diferente de qualquer um deles. Ele era uma desgraça para a cátedra de Pedro. Considerando-o como uma espécie de herança, seu pai Alberico colocou-a sobre ele quando era um mero jovem não, no entanto, aparentemente de apenas doze anos de idade (de acordo com Raoul Glaber, Hist., IV, 5, n. 17). V, 5, n. 26), mas de cerca de vinte (outubro de 1032). De seus atos pontifícios pouco se sabe, exceto que ele realizou dois ou três sínodos em Roma e concedeu uma série de privilégios a várias igrejas e mosteiros. Ele insistiu que Bretislav, duque da Boêmia, deveria fundar um mosteiro, por ter levado o corpo de Santo Adalberto da Polônia. Em 1037 ele foi para o norte para se encontrar com o imperador Conrado e excomungou Heriberto, arcebispo de Milão, que estava em paz com ele (Ann. Hildesheimenses, 1038). Aproveitando-se da vida dissoluta que levava, uma das facções da cidade expulsou-o (1044) em meio à maior desordem e elegeu um antipapa (Silvestre III) na pessoa de João, bispo de Sabina (1045 -Ann Romani, init. Victor, Dialogi, III, init.) Bento, no entanto, conseguiu expulsar Silvestre no mesmo ano; mas, como alguns diziam, que ele poderia se casar, ele renunciou ao seu cargo nas mãos do arcipreste João Graciano por uma grande quantia. João foi então eleito papa e tornou-se Gregório VI (maio de 1045). Arrependido de sua barganha, Bento tentou depor Gregório. Isso resultou na intervenção do rei Henrique III. Bento, Silvestre e Gregório foram deposts no Concílio de Sutri (1046) e um bispo alemão (Suidger) tornou-se o papa Clemente II. Depois de sua rápida morte, Bento novamente tomou Roma (novembro de 1047), mas foi expulso para dar lugar a um segundo papa alemão, Damaso II (novembro de 1048). Do final de Bento, é impossível falar com certeza. Alguns autores supõem que ele ainda estava vivo quando São Leão IX morreu, e nunca deixou de tentar apoderar-se do papado. Mas é mais provável que a verdade esteja na tradição da Abadia de Grottaferrata, primeiro estabelecida pelo Abade Lucas, que morreu por volta de 1085, e corroborada por sepulcros e outros monumentos dentro de suas muralhas. Escrevendo sobre Bartolomeu, seu quarto abade (1065), Lucas conta que o jovem pontífice abandonou seu pecado e foi a Bartolomeu em busca de um remédio para seus distúrbios. A conselho do santo, Bento renunciou definitivamente ao pontificado e morreu em penitência em Grottaferrata. [Veja “São Bento e Grottaferrata” (Roma, 1895), uma obra fundada no mais importante “De Sepulcro Benedicti IX”, de Dom Greg. Piacentini (Roma, 1747).] Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/02429a.htm
















































