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  • PROCURAI AS COISAS DO ALTO (São Jerônimo, presbítero)

    Recebeu alguém de Deus riquezas e bens e a possibilidade de gozar deles, de tomar sua porção e de alegrar-se em seu trabalho, também isso é dom de Deus. Não terá muito que pensar nos dias de sua vida, visto que Deus o ocupa com a alegria do coração. Em comparação daquele que se sacia de suas posses nas trevas das preocupações e, com grande tédio da vida, acumula as coisas perecíveis, declara ser preferível aquele que desfruta coisas presentes. Este, pelo menos, sente-se feliz em usá-las; para aquele, porém, apenas o peso das inquietações. E diz por que é um dom de Deus poder gozar das riquezas. É porque não terá muito que pensar nos dias de sua vida. Com efeito, Deus o ocupa com a alegria de seu coração: não terá tristeza, não se afligirá com pensamentos, levado pela alegria e o prazer das coisas diante de si. Contudo, melhor ainda é entender, com o Apóstolo, o alimento e a bebida espirituais, dados por Deus, e ver a bondade de todo seu esforço, porque com enorme trabalho e desejo vamos poder contemplar os bens verdadeiros. É esta a nossa porção, alegrarmo-nos em nosso desejo e fadiga. Que é um bem, sem dúvida, mas até que Cristo, nossa vida, se manifeste, ainda não é a plenitude do bem. Todo o trabalho do homem é para sua boca e, no entanto, seu espírito não se sacia. Qual é a vantagem do sábio sobre o insensato? Qual a do pobre, se não de saber como caminhar em face da vida? O fruto de todo trabalho dos homens neste mundo é consumido pela boca, mastigado e desce ao estômago para ser digerido. E por muito pouco tempo deleita o paladar, pois dá prazer somente enquanto está na boca. Além disto, não se sacia a alma de quem comeu. Primeiro, porque deseja comer, de novo, pois quer o sábio, quer o tolo, não pode viver sem alimento, e a preocupação do pobre é sustentar seu mirrado corpo para não morrer à míngua. Segundo, porque a alma não encontra utilidade alguma na refeição do corpo, o alimento é comum ao sábio e ao ignorante, e o pobre vai aonde percebe haver recursos. Todavia é preferível entender a expressão do autor do Eclesiástico que, instruído nas Escrituras celestes, concentra todo o trabalho em sua boca, e sua alma não se sacia por desejar sempre aprender. Nisso tem mais o sábio do que o insensato; porque, embora se sinta pobre (aquele pobre que o Evangelho declara feliz), caminha para alcançar a vida, seguindo pela estrada apertada e difícil que a ela conduz. É pobre de obras más, porém, sabe onde mora Cristo, a vida. (Do Comentário sobre o Eclesiastes, de São Jerônimo, presbítero – PL 23,1057-1059 – Séc. V). #Igreja

  • A INSONDÁVEL PROFUNDIDADE DE DEUS (São Columbano, abade)

    Deus está em todo lugar, imenso e próximo em toda parte, conforme o testemunho dado por ele mesmo: Eu sou o Deus próximo e não o Deus de longe. Não busquemos, então, longe de nós a morada de Deus, que temos dentro de nós, se o merecermos. Habita em nós como a alma no corpo, se formos seus membros sadios, mortos ao pecado. Então verdadeiramente mora em nós aquele que disse: E habitarei neles e entre eles andarei. Se, portanto, formos dignos de tê-lo em nós, em verdade seremos vivificados por ele, como membros vivos seus: nele, assim diz o Apóstolo, vivemos, nos movemos e somos. Quem, pergunto eu, investigará o Altíssimo em sua inefável e incompreensível essência? Quem sondará as profundezas de Deus? Quem se gloriará de conhecer o Deus infinito que tudo enche, tudo envolve, penetra em tudo e ultrapassa tudo, tudo contém e esquiva-se a tudo? Aquele que ninguém jamais viu como é. Por isto, não haja a presunção de indagar sobre a impenetrabilidade de Deus, o que foi, como foi, quem foi. São realidades indizíveis, inescrutáveis, ininvestigáveis; simplesmente, mas com todo o ardor, crê que Deus é como será, do modo como foi, porque Deus é imutável. Quem, pois, é Deus? Pai, Filho e Espírito Santo, um só Deus. Não perguntes mais sobre Deus; porque os que querem conhecer a imensa profundidade, têm antes de considerar a natureza. Com razão compara-se o conhecimento da Trindade à profundeza do mar, conforme diz o Sábio: E a imensa profundidade, quem a alcançará? Do modo como a profundeza do mar é invisível ao olhar humano, assim a divindade da Trindade é percebida como incompreensível pelo entendimento humano. Por conseguinte, se alguém quiser conhecer aquele em quem deverá crer, não julgue compreender melhor falando do que crendo; ao ser investigada, a sabedoria da divindade foge para mais longe do que estava. Procura, portanto, a máxima ciência não por argumentos e discursos, mas por uma vida perfeita; não pela língua, mas pela fé que brota da simplicidade do coração, não adquirida por doutas conjeturas da impiedade. Se, por doutas investigações procurares o inefável, irá para mais longe de ti do que estava; se, pela fé, a sabedoria estará à porta, onde se encontra; e onde mora poderá ser vista ao menos em parte. Mas em verdade até certo ponto também será atingida, quando se crer no invisível, mesmo sem compreendê-lo; deve-se crer em Deus por ser invisível, embora em parte o coração puro o veja. (Das Instruções de São Columbano, abade – Instr. 1 de Fide, 3-5: Opera, Dublin,1957, pp. 62-66 – Séc.VII). #Igreja

  • EXULTE MINHA ALMA NO SENHOR (São Gregório de Agrigento, bispo)

    Vem, come com alegria teu pão e bebe com coração feliz o teu vinho, porque tuas obras já agradaram a Deus. A explicação mais simples e óbvia desta frase parece-me ser uma justa exortação que nos dirige o Eclesiastes: abraçando um tipo de vida simples e apegados à instrução de uma fé sincera para com Deus, comamos o pão com alegria e bebamos o vinho de coração feliz; sem resvalar para as palavras maldosas, nem nos comportar com duplicidade. Pelo contrário, pensemos sempre o que é reto, e, quanto nos seja possível, auxiliemos com misericórdia e liberalidade os necessitados e mendigos, isto é, atentos aos desejos e ações com que o próprio Deus se deleita. No entanto, o sentido místico nos leva a mais altos pensamentos e ensina-nos a ver aqui o pão celeste e sacramental que desceu do céu e trouxe a vida ao mundo. Ensina-nos também, com o coração feliz, a beber o vinho espiritual, aquele vinho que jorrou do lado da verdadeira vide, no momento da paixão salvífica. Destes fala o Evangelho de nossa salvação: Tendo Jesus tomado o pão, abençoou-o e disse a seus santos discípulos e apóstolos: Tomai e comei: isto é meu corpo que por vós é repartido para a remissão dos pecados; o mesmo fez com o cálice e disse: Bebei todos dele; este é o meu sangue da nova Aliança, que por vós e por muitos é derramado em remissão dos pecados. Aqueles que comem deste pão e bebem o vinho sacramental, na verdade enchem-se de alegria, exultam e podem exclamar: Deste alegria a nossos corações. Ainda mais – julgo eu – este pão e este vinho designam, no livro dos Provérbios, a sabedoria de Deus, subsistente por si mesma, Cristo, o nosso salvador, quando diz: Vinde, comei do meu pão e bebei do vinho que preparei para vós; indicando assim a mística participação do Verbo. Aqueles que são dignos desta participação, trazem em todo o tempo vestes ou obras não menos luminosas do que a luz, realizando o que o Senhor diz no Evangelho: Que vossa luz brilhe diante dos homens, para que vejam vossas obras boas e glorifiquem vosso Pai que está nos céus. Igualmente se percebe que em suas cabeças core sempre o óleo, isto é, o Espírito da verdade que os protege e defende contra todo dano do pecado. (Do Comentário sobre o Eclesiastes, de São Gregório de Agrigento, bispo – Lib. 8,6: PG 98,1071-1074 – Séc.VI). #Igreja

  • SOMENTE A VERDADE: ÊXODO DE CATÓLICOS IGNORANTES PARA O PROTESTANTISMO E ÊXODO DE PROTESTANTES INSTR

    SOMENTE A VERDADE: ÊXODO DE CATÓLICOS IGNORANTES PARA O PROTESTANTISMO E ÊXODO DE PROTESTANTES INSTRUÍDOS PARA O CATOLICISMO Autor: Joel Adán Domínguez Fonte: Revista Vox Veritas nº 3 Tradução: Carlos Martins Nabeto Há pelo menos três décadas observamos um importante êxodo de protestantes para a Igreja Católica, ainda que esteja ocorrendo em maior número um êxodo de católicos para seitas ou igrejas protestantes. Mas ocorre aí algo bem peculiar na grande maioria ou – eu poderia dizer – em todos os casos. E desta vez quero apresentar alguns dados que tenho observado e que ninguém consegue desmentir: Um católico que passa para uma seita ou igreja protestante tem uma das seguintes razões para essa mudança: – Não conhecia a doutrina católica; – Era um católico nominal que nem sequer ia à Missa; – Era um católico ativo, mas que se aborreceu com alguém dentro da Igreja e, por raiva, passou para outra igreja ou seita; – O Catolicismo não o agradava porque ele “não se sentia bem”; – A sua paróquia não tinha o que ele queria que tivesse e, encontrando uma igreja ou seita que tinha o que ele queria, mudou para lá. Talvez alguém me diga que há também sacerdotes que mudaram de lado e que eles não eram ignorantes. Mas não é bem assim… Tenho analisado detalhadamente os testemunhos de muitos ex-sacerdotes e notado que desconhecem em grande medida o que a Igreja ensina, como se jamais tivessem lido o Catecismo; ou apenas falam com despeito, como um que dizia que a transubstanciação era magia, ou outro que dizia que a Igreja o obrigava a ensinar a adoração das imagens, ou ainda outro que me surpreendeu ao se apaixonar de repente por uma mulher e que agora afirma que a doutrina da Igreja está errada; porém, quem mais me surpreendeu foi um ex-sacerdote que afirmou que a Igreja Católica ensina um Cristo morto! Será que ele nunca foi à Missa ou nunca celebrou uma Missa em que ouviu a assembleia proclamar o Cristo ressuscitado? Isto sim, é surpreendente! Deste modo, vemos nitidamente falsidade nessas conversões: eram sacerdotes ignorantes ou falam por despeito. Em compensação… Um protestante que se torna católico, o faz pelas seguintes razões: – Estudou profundamente a Palavra de Deus; – Se deu conta, por fontes confiáves, de que a História aponta uma única Igreja verdadeira: a Igreja Católica; – Se deu conta de que o seu pastor, na verdade, não o ensinava sobre o que os católicos realmente creem, ficando então surpreso ao perceber que os católicos leem a Bíblia, ao contrário do que dizia o seu pastor; – Se deu conta de que a sua igreja não era a verdadeira e então já não fazia sentido permanecer ali; – Se deu conta de que doutrinas como “uma vez salvo, sempre salvo” e “somente a Bíblia” não podem ser sustentadas pela própria Bíblia; – Se deu conta de algo que não lhe sai da cabeça: foi a Igreja Católica quem compilou o Novo Testamento! Por essas e muitas outras razões, afastadas de sentimentalismos, os testemunhos dos irmãos que passaram para a Igreja Católica são detonadores! Mas há ainda uma outra coisa bem comum e que deve ser sublinhado: os católicos que passam para uma seita ou igreja protestante geralmente passam a odiar o Catolicismo, falam muito mal da Igreja Católica, a ofendem… Pelo contrário, um protestante que se torna católico continua amando a sua antiga congregação e os seus membros, ainda que estes, pelo contrário, o passem a enxergar como “o condenado”. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Igreja

  • Mentiras anti-católicas e propaganda enganosa: O Papa São Pio V reivindicou ser Deus? Um bispo disse

    Mentiras anti-católicas e propaganda enganosa: O Papa São Pio V reivindicou ser Deus? Um bispo disse que o Venerável Papa João Paulo II era Deus?” • O papa e Deus são os mesmos. Eles têm todo o poder no céu e na terra.” – Papa Pio V, citado em Barclay. Existem alguns exemplos de sites anti-católicos que utilizam a citação de forma desonesta, sem verificação de sua exatidão (um requisito básico, rudimentar e elementar de toda a pesquisa séria). Você pode encontrar uma fonte original (pode encontrar uma fonte real dentro de dez minutos de pesquisa). Em vez disso, temos “Barclay”. “O papa e Deus são os mesmos, então ele tem todo o poder no céu e na terra.” Papa Pio V, citado em Barclay, Capítulo XXVII, p.218, “Cidades Petrus Bertanous”. ( “Declarações Católicas Incríveis sobre o Pai”, Haja Mentiras, Ministérios de Luz) “O Papa e Deus são os mesmos, então ele tem todo o poder no Céu e na Terra.” – Papa Pio V, citado em Barclay, Capítulo XXVII, p. 218, “Cidades Petrus Bertanous”. ( “A marca da besta” ) “O papa e Deus são os mesmos, então ele tem todo o poder no céu e na terra.” Papa Pio V, citado em Barclay, Capítulo XXVII, p.218, “Cidades Petrus Bertanous”. ( “666, o Papa, Anticristo e Vaticano – For Dummies!” “Quem é o Anticristo: A Besta do Apocalipse 13” ) [mesmo] ( “Palavras de uma Besta” ) [mesmo] ( “Babilônia Misteriosa” ) [mesmo] ( “A Vergonha da Igreja Católica Romana” ) [mesmo] ( “Profecia Bíblica – Falsa Doutrina” ) Etc., etc ad nauseum. . . Ver muito mais uma pesquisa do Google que eu fiz. Esta é uma distorção completa do que realmente foi escrita, propagado perversamente por sites anti-católicos. A declaração é real da bula do Papa São Pio contra [a Rainha] Elizabeth / Regnans in Excelsis (27 de abril de 1570). Isso começa: Pio Bispo, servo dos servos de Deus, em memória duradoura do assun to. Aquele que reina no alto, um quem é dado todo o poder no céu e na terra, uma santa mãe, um sabre, um Pedro, o primeiro dos apóstolos e o sucessor de Pedro, o papa de Roma, por ele governado em plenitude de poder. (do site Tudorhistory.org; o texto das Enciclopédias Papais Online é idêntico; veja também uma versão original em latina original ) A frase é sobre Deus, não sobre o papa: 1) Deus, aquele que reina no alto. 2) “A quem é dado todo o poder no céu e na terra” – obviamente referindo-se a Jesus, sobre quem é declarado nas Escrituras. 3). . . tem cometido [a Igreja]. . . 4) “para um só na terra, … o sucessor de Pedro” Tem sido coletado radicalmente a partir de um contexto e com uma taxa completamente inventada, por pessoas com uma agenda que não é importada com precisão. Outra frase do texto também distingue claramente entre o papa e De nós: . . . nós (que a bondade de Deus é chamada ao supracitado governo da Igreja). . . As catolicas nunca acreditaram que a papa é Deus.Isso is totally ridículo. É uma mentira condenável espalhada por anti-católicos. Outra declaração feita por um bispo sobre o papa João Paulo II é usada como outra alegação para provar que os papas pensam que são Deuses, e os católicos congênero. Foi publicado em Zenit ( 9-20-04 ): Bispo de Auckland diz que o Papa Preside da Cruz [. . . ] Em uma comunicação da chegada dos prelados da Nova Zelândia para Roma, Dom Patrick Dunn de Auckland disse sobre o Papa: “Os seus olhos são brilhantes como um metro polido, ele é sem dúvida recente, e não ee em público por mais de um ano. Sua condição torna-se um esforço para ele falar, e as pessoas até o pai “. “Parece que o papa João Paulo II agora preside a Igreja universal a partir de seu lugar na cruz de Cristo”, disse o bispo Dunn, que viajou com outros sete prelados para Roma. Ele faz uma declaração impressionante. Mas a questão é, o que exatamente ele quer dizer? O bispo está dizendo que o papa João Paulo II era Deus (Cristo)? Não, claro que não. Ou que ele foi literalmente crucificado com Jesus Cristo, em 30 d. C? Não; obviamente não. Ele está usando uma imagem eminentemente bíblica de “pegue sua cruz”: Mateus 10:38 e aquele que não toma a sua cruz e segue-me não é digno de mim. Mateus 16:24 Então Jesus disse aos seus discípulos: “Se você quiser vir para mim, se você mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Marcos 8:34 E chamou a si uma parede com os seus discípulos, e disse-lhes: Se você quiser vir para mim, negue-se um mesmo, tome a sua cruz e siga-me. São Paulo é várias vezes impressionantes na mesma linha: Romanos 6: 6 Sabemos que o nosso antigo filho foi crucificado para que o corpo pecaminoso fosse destruído e não pudessemos mais senhores pelo pecado. Romanos 8:17. . . companheiros herdeiros com Cristo, do que sofram com ele, um fim de que também serão glorificados com ele. 2 Coríntios 1: 5-7 Porque, também, nós compartilhamos abundantemente os sofrimentos de Cristo, assim também por meio de Cristo Cristo, abundância em consolo. Se você está aflitos, é para o seu conforto e uma paz; e, se formos consolados, é para o seu conforto, que vocês experimentam quando suportam pacientemente os sofrimentos que sofremos. Nossa esperança por você é inabalável; pois isso, ao lado dos sofrimentos, você também compartilha nosso conforto. 2 Coríntios 4: 8-12 Somos afligidos de todas as formas, mas não somos esmagados; perplexo, mas não levado ao desespero; perseguido, mas não abandonado; derrubado, mas não destruído; Sempre levando o corpo para a morte de Jesus, para que também seja uma vida de Jesus se manifestar em nossos corpos.Enquanto vivemos, estamos sempre presentes em nossa morte por Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. Então a morte está em ação em nós, mas a vida em você. Gálatas 2:20 Fui crucificado com Cristo; já não sou eu que vivo, mas Cristo que vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que eu sou e entregue por mim. Gálatas 6:14 Mas a tua vontade é para o glorioso, a não ser que é uma cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo tem sido democrático para mim e eu para o mundo. Gálatas 6:17 De agora em diante, ninguém me perturbe; Porque eu carrego no meu corpo como marcas [Gk., “estigma”] de Jesus. Filipenses 3:10 para que você possa receber a opinião e o poder de sua ressurreição, e podem se tornar seus sofrimentos, tornando-se como ele em sua morte, Colossenses 1:24 Agora, você pode fazer meus sofrimentos por causa de você, e minha carne eu completar o que está faltando nas aflições de Cristo por uma causa de seu corpo, isto é, uma igreja, Por “lógica” anticatólica (e uma reductio ad absurdum), Paulo está também afirmando ser Deus. Afinal, ele “sofre” com Cristo, ele diz “nós compartilhamos os sofrimentos de Cristo”, e “sempre carregando no corpo a morte de Jesus”, e ele diz que “foi crucificado com Cristo”, e “Eu carrego No meu corpo as marcas de Jesus “e” tornando-se como ele na sua morte “e” na minha carne completa da falta de aflições de Cristo “. Então isso prova que ele está cobrindo ser Deus? Não, claro que não. Todos os cristãos devem identificar-se com Cristo em seus sofrimentos em nosso favor. Isso é bastante bíblico. E isso é o que significa que não há artigo.Período. Fim da história. As pessoas causam confusão com a Bíblia e acabam tento uma visão da Igreja católicas equivocada, ao lançar-se de mentiras anticatólicas, vindas de um grupo radical de protestantes contra os católicos fanáticos e intolerantes.

  • Ave Maria (comunista) deles

    #comunista #deles #Maria

  • Precisamos falar das mentiras sobre a legalização do aborto.

    “Mas a hora vem, a hora chegou, em que a vocação da mulher se realiza em plenitude (…) Por isso, no momento em que a humanidade conhece uma mudança tão profunda, as mulheres iluminadas do espírito do Evangelho tanto podem ajudar para que a humanidade não decaia” [1]. Assim se expressavam os padres conciliares ao término do Concílio Vaticano II, vislumbrando o sublime chamado da mulher perante a sociedade: a irradiação do amor. Mas essa, infelizmente, parece não ser a proposta de alguns meios de comunicação, que rezam mais na cartilha das grandes empreiteiras do aborto que nas máximas do decálogo. Na sua edição de novembro, a revista TPM lançou uma campanha humilhante na internet, a fim de despertar um famigerado debate a respeito da legalização do aborto [2]. Com a hashtag # precisamosfalarsobreaborto, a publicação incentivou seus leitores a postarem supostos números e pesquisas sobre o tema nas redes sociais, além de fotos com o cartaz do movimento. À ideia, como era de se esperar, somaram-se vozes de alguns artistas já nacionalmente conhecidos por suas posições, no mínimo, controversas. Um dos sinais de decadência de uma sociedade, dizia o filósofo Mário Ferreira dos Santos, é quando, em assuntos importantes, a população passa a dar ouvidos a artistas e atletas [3]. A revista TPM é a mesma que em 2007, durante a visita do Papa Bento XVI ao Brasil, fazia chacota de católicos e cristãos dizendo-se “super a favor do amor. Mas, sim, a gente já deve ter feito várias piadas sobre casamento” [4]. Na reportagem agora em questão, o auge da vigarice intelectual sai da boca de um comediante — sim, segundo a TPM, alguém muito relevante para palpitar neste assunto: “Um dia, espero, ainda vamos achar a proibição do aborto um absurdo, assim como achamos um absurdo a escravidão ou o holocausto”. Esta é a lógica da delinquência: impedir que um bebê seja assassinado pela própria mãe é o mesmo que segregar negros e brancos ou mandar judeus para câmaras de gás. Eis os nossos “formadores de opinião”. Eis a voz de quem encontra eco nos meios de comunicação brasileiros. Prestem atenção: aborto significa retalhar uma vida indefesa. E, vá lá, ainda que não se pudesse dizer com toda certeza se o embrião em desenvolvimento é ou não um ser humano — embora os estudos de embriologia já não manifestem qualquer dúvida sobre a humanidade do feto —, seríamos do mesmo modo obrigados a optar pela via da prudência, isto é, a preservação da vida, pois existiria a possibilidade de se tratar de um ser humano. Olavo de Carvalho está certo quando diz: “À luz da razão, nenhum ser humano pode arrogar-se o direito de cometer livremente um ato que ele próprio não sabe dizer, com segurança, se é ou não um homicídio” [5]. A lei moral exige isso. Os defensores do aborto, por outro lado, não só se recusam a admitir um debate franco a respeito do início da vida, mas também, não se sabe com que autoridade, assumem a responsabilidade de escolher quem merece ou não viver. Isso não é diálogo, isso é imposição, como bem observou o editorial do jornal Gazeta do Povo: apesar do título, a campanha da revista pede debate, “mas não dá espaço aos argumentos pró-vida e já indica qual deveria ser o seu resultado: o apoio à descriminalização” [6]. Não é preciso ser nenhum filósofo para perceber a trapaça. TPM diz: “A cada dois dias uma brasileira morre em decorrência de um aborto ilegal”. É falso. Segundo dados do próprio SUS — os quais podem ser acessados por qualquer indivíduo que tenha acesso à internet —, o número de mortes anuais por aborto ilegal no Brasil não chega a cinquenta [7]. No ano de 2012, foram registradas 69 mortes por aborto: 13 foram espontâneos, 11 para a classificação “outros tipos de aborto”, 40 por razões “não especificadas” e apenas 5 por falhas durante o procedimento. Outra mentira que se costuma aventar: o número de abortos ilegais é consequência da legislação vigente, que restringe a prática. Ora, seguindo esse raciocínio, teríamos de descriminalizar o homicídio por causa dos 60 mil assassinatos que ocorrem todos os anos no Brasil. Trata-se, evidentemente, de uma grande boçalidade. A Rússia, onde o aborto é legalizado desde a era soviética, viu-se obrigada a impor limites à sua atual legislação, dada a quantidade absurda de abortamentos realizados no país: o número de abortos é maior que o de nascimentos [8]. De fato, o principal entrave para estas discussões é justamente o lobby que se faz em cima de números e pesquisas duvidosas. Há anos o movimento abortista utiliza jogos linguísticos para manipular a opinião pública. Na década de 1970, o falecido médico americano Bernard Nathanson — até então conhecido como o “rei do aborto” — ficou horrorizado ao perceber, por meio do ultrassom, o que ocorria com o feto durante a operação. A sua descoberta resultou no famoso documentário “O grito silencioso” [9]. Anos mais tarde, ele revelaria a farsa a respeito dos números de abortos clandestinos nos Estados Unidos [10]: É uma tática importante. Dizíamos, em 1968, que na América se praticavam um milhão de abortos clandestinos, quando sabíamos que estes não ultrapassavam de cem mil, mas esse número não nos servia e multiplicamos por dez para chamar a atenção. Também repetíamos constantemente que as mortes maternas por aborto clandestino se aproximavam de dez mil, quando sabíamos que eram apenas duzentas, mas esse número era muito pequeno para a propaganda. Esta tática do engano e da grande mentira se se repete constantemente acaba sendo aceita como verdade. Com efeito, a revista TPM presta um enorme desserviço à sociedade brasileira, sobretudo às mulheres, ao reproduzir dados e opiniões de ONGs que, sabe-se muito, são, no mais das vezes, grandes parceiras das fundações internacionais — cujas intenções são, inegavelmente, o controle da natalidade [11]. Primeiro, é um atentado à soberania nacional. Segundo — e mais importante —, um crime contra a dignidade humana. Raciocinem: que mais pode gerar gravidezes indesejadas e, por conseguinte, abortos — sejam legais sejam ilegais — que o estímulo à “cultura do descarte”, como denuncia o Papa Francisco? A própria revista TPM admite: “nunca fomos a favor de casar virgem”. O Brasil segue na lista dos países onde os jovens iniciam a vida sexual mais cedo. Ora, o recorde não se deve a outra coisa senão à so called “educação sexual”. Desde o ensino fundamental, os adolescentes são ensinados a se considerarem uma espécie de mercadoria para comprar e vender. E a mídia em geral é a principal promotora desse tipo de comportamento, incentivando a pornografia, o adultério, relações promíscuas etc. Eles inoculam o veneno para sugerirem o remédio. Ademais, diferentemente da propaganda que se faz, é preciso frisar que a legalização do aborto não se trata de uma iniciativa em defesa das mulheres pobres. Ao contrário, é uma clara vertente da ciência eugenista. Basta lembrar, por exemplo, o projeto macabro idealizado pela senhora Margaret Sanger, a fundadora da poderosa Federação Internacional de Paternidade Planejada (IPPF). Ela dizia: “Nós queremos exterminar a população negra” [12]. Hoje, nos Estados Unidos, 40% das gravidezes de mulheres negras terminam interrompidas graças a essa política [13]. Diga-se o óbvio: não são os pró-vida que se assemelham aos nazistas. O lamentável caso de Jandira Magdalena dos Santos Cruz, a jovem de 27 anos que veio a falecer após complicações durante um aborto clandestino, tendo depois o corpo mutilado pelos assassinos, apenas elucida o que João Paulo II já havia observado na Carta Apostólica Mulieris Dignitatem [14]: O fato narrado no Evangelho de João pode apresentar-se em inúmeras situações análogas em todas as épocas da história. Uma mulher é deixada só, é exposta diante da opinião pública com “o seu pecado”, enquanto por detrás deste “seu” pecado se esconde um homem como pecador, culpado pelo “pecado do outro”, antes, co-responsável do mesmo. E, no entanto, o seu pecado escapa à atenção, passa sob silêncio: aparece como não responsável pelo “pecado do outro”! Às vezes ele passa a ser até acusador, como no caso descrito, esquecido do próprio pecado. Quantas vezes, de modo semelhante, a mulher paga pelo próprio pecado (pode acontecer que seja ela, em certos casos, a culpada pelo pecado do homem como “pecado do outro”), mas paga ela só e paga sozinha! Quantas vezes ela fica abandonada na sua maternidade, quando o homem, pai da criança, não quer aceitar a sua responsabilidade? E ao lado das numerosas “mães solteiras” das nossas sociedades, é preciso tomar em consideração também todas aquelas que, muitas vezes, sofrendo diversas pressões, inclusive da parte do homem culpado, “se livram” da criança antes do seu nascimento. “Livram-se”: mas a que preço? A opinião pública de hoje tenta, de várias maneiras, “anular” o mal deste pecado; normalmente, porém, a consciência da mulher não consegue esquecer que tirou a vida do próprio filho, porque não consegue apagar a disponibilidade a acolher a vida, inscrita no seu “ethos” desde o “princípio”. Infelizmente, essa opinião pública denunciada pelo Santo Padre é a mesma a instrumentalizar a morte de Jandira para a causa abortista. Assim, induzem muitas mulheres ao erro, submetendo-as à pressão machista, a qual, vejam só, as feministas juram combater. No documentário Blood Money, há vários depoimentos de mulheres que se submeteram a um aborto e ainda hoje vivem as sequelas físicas e psíquicas do crime [15]. A Igreja não é alheia a esse sofrimento. É justamente por conhecer o coração das mulheres que o Magistério se manifesta inegociavelmente a favor da vida. Já ficou provado: aborto não é solução. É, antes, um dos problemas. Por isso, mais do que falar sobre aborto, é preciso falar das mentiras que geralmente estão associadas às suas propostas de legalização. A revista TPM precisa descobrir isso. Referências Mensagem do Concílio Vaticano II às mulheres Precisamos falar sobre aborto in TPM DOS SANTOS, Mário Ferreira. Invasão vertical dos bárbaros. São Paulo: É Realizações, 2012. Papa Bento XVI in TPM Olavo de Carvalho, A lógica do aborto, in Diário do Comércio (14 de outubro de 2010). Precisamos mesmo falar sobre aborto in Gazeta do Povo (23 de novembro de 2014). Dados do Sistema Único de Saúde. Aprenda a pesquisar essas informações neste vídeo: Em 45 segundos… Rússia aprova restrições ao aborto para tentar debelar colapso populacional, in Zenit (03 de dezembro de 2013). O grito silencioso Eu fiz cinco mil abortos AV.25: A nova estratégia mundial do aborto. Veja também: Fundação Ford e Anis. Margaret Sanger: “We want to exterminate the Negro Population.” Her wish is coming true, in LifeNews. The Negro Project João Paulo II, Carta Apostólica Mulieris Dignitatem (15 de agosto de 1988), n.14. Veja também: Ex de Jandira é indiciado por apoio a aborto no Rio. Blood Money: aborto legalizado Texto retirado do site: Padre Paulo Ricardo

  • A SABOTAGEM DO IMPÉRIO AUSTRO-HÚNGARO

    A SABOTAGEM DO IMPÉRIO AUSTRO-HÚNGARO Seria muito prolongado a numeração do Papel exercido pela maçonaria nas revoluções modernas da Turquia, da Sérvia, da Grécia, da Alemanha etc. Trataremos apenas da sua ação na Hungria, país muito interessante sob o nosso ponto de vista, porque, após a revolução bolchevista de Bela Jun, o governo aprendeu e publicou os arquivos maçônicos, provando assim claramente a relação da Maçonaria com o movimento revolucionário. A 28 de abril de 1918, o venerável grão-mestre da Maçonaria húngara, Dr. Arpad Bokai pronunciou, em Viena, um discurso muito patriótico: “Os inimigos da Hungria são também os inimigos da Áustria; os que se aliaram, para desmembrar a Áustria, querem fazer o mesmo com a Hungria; foi a monarquia o que, na tempestade da Guerra, protegeu mais eficazmente os povos da áustria-hungria, etc.” Em novembro do mesmo ano, o império desmoronava e na primeira página do seu boletim, que podia finalmente aparecer, sem obstáculos, a Maçonaria Vienense saudava, nestes termos, o acontecimento: “O novo estado de coisas sobreveio, de surpresa. Repentinamente tornamo-nos republicanos Livres, senhores de nós mesmos. Não éramos mais os escravos e os Mártires de um governo de burocratas, rastejando servilvente perante o absolutismo e o militarismo” (Wiener Freimauner Zeitung, 1929 pág. 2). Por uma vez, o doutor Arpad Bokay, Grão-mestre da maçonaria húngara pronunciava a 2 de novembro de 1918, um discurso significativo, de que transcrevo uma passagem, tirada de o (governo revolucionário Karolyi acabava de se constituir): “Este programa maçônico que o orador acabar para dispor é também o programa do Conselho Nacional Húngaro e do governo Popular Que hora se forma. “Ele traça nitidamente a nossa atuação. “Marcharemos com Eles trabalharemos com Eles partilharemos a sua tarefa bastante pesada mas também não abre para que a velha Hungria penetre sem estremecimento na terra abençoada da nova Hungria O que é o voto mais fervoroso de tudo bom Patriota nossos amados e muitos estimados irmãos trabalham hoje na primeira fila e instrui enche-nos de tranquilidade pois nos conhecemos e sabemos que cumpriram com Espírito maçônico a obra que empreenderam”. ( Nota do Jornal — “seis irmãos maçons pertencerão ao primeiro governo Republicano Húngaro, como ministros, secretários e sub-secretários de estado”). Com o advento de Bella Kun, a Maçonaria teve de afrontar certas dificuldades; por uma ironia da sorte, passava a ser considerada demasiadamente burguesa e desconfiavam dela. Após a queda do bolchevismo, o governo Húngaro ordenou a dissolução das lojas e publicou seus arquivos. Na sua desgraça Os Maçons húngaros apelaram para os seus irmãos do mundo inteiro. Relativamente a este ponto, o jornal maçônico Latomia de Leipzig publicava, em março de 1922, um interessante artigo que segue: “HUNGRIA” “Mediante informações de um dos nossos irmãos húngaros, residentes em Nuremberg, sobre a triste sorte dos maçons da Hungria, podemos fazer a seguinte comunicação: “Depois de endereçar durante a guerra, uma mensagem de saudação ao imperador francisco-josé, os maçons aderiram, depois da catástrofe, à ideia republicana socialista, na nobre persuasão de que havia chegado finalmente o tempo de realizar o ideal maçônico; fizeram-lhe, com seus escritos, uma propaganda ativa e a maior parte dos dirigentes foram maçons. “Quando, mais tarde, a onda bolchevista submergiu a hungria, os homens que se apossaram do poder não tardaram a oprimir a maçonaria, como se fosse uma instituição burguesa. “Pouco depois, graças ao auxílio estrangeiro, a reação reassumiu o poder e, inspirada por uma direção Clerical,interdisse igualmente as lojas norte-americanas. E, como a Hungria negociava, então, um empréstimo nos estados unidos, os americanos responderam que não era possível tratar desse empréstimo, enquanto as instituições do direito não fossem estabelecidas na Hungria, alusão muito clara a interdição da maçonaria húngara. “Em consequência, o governo húngaro viu-se obrigado a entrar em relações com o Grão-Mestre. Propôs o restabelecimento livre dos trabalhos maçônicos, com condição de conceder aos profanos direito e acesso. “Esta proposta foi, naturalmente, recusada pelo Grão- Mestre e o empréstimo não se realizou”. Leia-se a seguinte carta aberta do deputado Júlio Gombôs ao presidente do Conselho húngaro, conde Paulo Teleki. “Como todos sabem, o governo Húngaro dissolveu a Maçonaria, Porque alguns dos membros dessa seita cooperaram na preparação da revolução de outubro e na obra de destruição sistemática, contrária aos interesses do povo e do estado da Hungria. Segundo as declarações dos inquisidores, havia, entre esses homens, alguns que, entre nós, representavam as tendências dos judeus para o domínio Universal e que tentaram, sob a proteção do segredo, adormecer o sentimento nacional, para fazer triunfar uma doutrina anti-nacional que nos é estranha, mas que eles muito prezam. “Sabemos também que as lojas empreenderam a luta contra o que se denomina o clericalismo, porque a força da ideia Cristã e a organização da cristandade eram um obstáculo à realização do seu plano. “Em tempo, a move e, com ela, segundo creio, grande parte da sociedade cristã da Hungria receberam, com júbilo, a ordem do governo, proscrevendo a Maçonaria, e foi com alegria ainda maior que penetramos nos locais misteriosos dispostos da grande loja simbólica. Não tencionamos abandoná-los, pois veríamos nesse abandono a anulação da obra atual para a salvaguarda nacional. “Considerando o passado dos órgãos da Maçonaria Húngara e a diversidade das concepções do mundo nós e, segundo creio, o governo só podemos manter o nosso ponto de vista de interdição. Ainda que a decisão da Sorte da Maçonaria Húngara seja um caso de ordem interior, na minha opinião, Vossa Excelência prestaria um valioso serviço ao país, informando aos estrangeiros sobre essa questão e outra que a ela se prende: a questão judaica, para que, no exterior, não se formem ideias errôneas acerca das medidas tomadas para a defesa da religião, da moral, do povo e da nação”. Eis o resumo dos papéis secretos encontrados nas lojas de Budapeste: O livro sobre a maçonaria na Hungria que a união das sociedades cristãs e nacionais Húngara acaba de editar divide-se em três partes: a primeira intitulada os crimes da Maçonaria por Adorjan Barcsay, reproduz grande número dos documentos apreendidos na época da dissolução das lojas, em 1920. A segunda parte, escrita por Joseph Palatinus, intitula-se: os segredos de uma loja de província e revela, como a primeira, a obra oculta de destruição que arrastou a Hungria à revolução de outubro de 1918 e ao comunismo de 1919. “A última parte contém lista dos membros das lojas maçônicas da Hungria e prova que 90% dos maçons húngaros eram judeus. Os três primeiros Capítulos resumem brevemente a história geral do movimento maçônico. Os capítulos 4 e 7 analisam os métodos de ação dos maçons húngaros, a sua luta contra a Igreja e o ensino religioso nas escolas, a sua campanha em favor do sufrágio Universal, a sua política das nacionalidades e a sua tendência internacional. Finalmente os últimos capítulos, os que devem mais especialmente, merecem a nossa atenção, demonstram como os judeus agrupados nas lojas, prepararam sistematicamente a derrota e as perturbações que sucederam à guerra. O Capítulo XI revela-nos com apoio de numerosos documentos, que na Hungria Como em outros lugares, a Maçonaria é uma obra eminentemente Judaica; assim por exemplo o livro que contém a Constituição da Grande Loja simbólica da Hungria, impresso em Budapeste em 1905, traz a data da era Judaica de 5886. O texto dos votos pronunciados pelos adeptos está expresso em idioma hebraico; as senhas secretas eram também palavras hebraicas. A lista publicada no fim do livro prova que 90% dos membros das lojas eram o judeus: Abel, Bloch, Berger, Fuchs, Herz, Lévy, Pollak, Rosenthal, Schon, Jun, Hubar, etc. O autor do livro cita a esse respeito, um prefácio muito característico da obra do professor Pedro Agoston (um dos comissários do povo que participou do poder com Bela Kun e que os tribunais húngaros condenaram à morte, em dezembro último) obra intitulada a vida dos judeus, no qual, entre outras coisas se diz que escrever a história dos judeus da Hungria é escrever a história do movimento maçônico no mesmo país. “A imprensa judeu-maçônica também foi sempre a defensora dos judeus emigrados da Galícia que, durante a guerra, arruinaram, com suas vergonhosas especulações, a vida económica da Hungria. Os mesmos jornais envenenaram a mocidade das escolas com as suas teorias anti-patriótica. O Vilag de 8 de dezembro de 1910 escrevia: ‘O ensino exagerado da língua Húngara, a exaltação dos Sentimentos patrióticos, pelo estudo dos Cânticos nacionais tem apenas um resultado: o embrutecimento da Infância’. E o Kelet, Jornal Oficial dos maçons húngaros, imprimia, em 15 de dezembro de 1910: ‘Necessitamos conquistar os professores, para chegar, por meio deles, ao coração da mocidade e preparar o ensino leigo. ‘Os mestres devem ser os precursores das ideias mais avançadas’. Bibliografia: A conjuração anticristã, Monsenhor Delassus. As forças secretas da revolução, Léon de poncis #maçonaria #humanismo #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja

  • Homeschooling and A Failed School System

    An article published in THE GUARDIAN maintained that weak teachers lacking the proper grasp of their lessons and consequently their uninspiring or confused lessons, are the reasons why students are not equipped enough to make the best out of their lives(click here for the article). If the supposed brilliant students are not getting the best out of the system, what then are we to say about the ever increasing number of the dull and atypical children. In most educational institutes, administrators often blame teachers with regards to the inefficiency of students, but they rarely cast a glance at the school system. The secular school system has failed in achieving its main goal of education which is improving the mind and the increasing number of dull and inefficient students attests to this fact . What we see today in schools is just some “bookish learning” , whereby students memorize notes and textbooks only to pass exams – that is if they are so good as not to cheat! What hope does a child, typical or atypical, have in such a system? The Associate Professor of Psychology, Catholic University of America, Thomas Edward Shield Ph.D. sadly wrote: It should be observed at the outset that the educational failure of our present school system is not confined to dull and atypical children. Recent evidence, such as that furnished by the boards and committees appointed to investigate public education in various parts of the country, points to the fact that there is something fundamentally wrong with the school system, since it is grinding out dullards in ever increasing numbers and failing to bring even the brighter children up to a reasonable efficiency in those matters which constitute the staple of the curriculum. (The Making and the Unmaking of a Dullard) In developing the mind so as to become efficient, the school system must take into consideration, the development of the mental and the moral life of the student. While the secular school system may have no great difficulty in developing the intellect, that of morals requires great assistance from the educative forces at home together with the guidance of a positive religion, customs and traditions which determines the conduct of the student. This questions the capability of the secular school system to impart true education especially with its secularization policy, which has subsequently created an education environment riddled with conflicting creeds and customs. The teachings of a positive religion, national customs and family traditions shapes the moral life of the student; it instills a positive will and a proper reverence to authority. The child clings to the religious principles as he approaches maturity and without these factors which determines his conduct as a child, his education is incomplete and neither is he going to attain proper efficiency in his chosen field of study. Efficiency is not just about the intellect, there must be the will. Hard work, discipline, studiousness etc are qualities that can’t be left out in the development of the intellect and the attainment of efficiency but these cannot be acquired and channeled into proper use without a good moral life. In the past, there was a perfect blend between the educative forces of the school and home. While the teachers played their role, the father and other older members of the family ensured the child possessed the right conduct so as to make any form of learning meaningful. The child enjoyed their companionship and protection, and grew with well balanced maturity of both mind and character. Unfortunately the social and economic changes of the past few decades have completely transformed the environment of the child. The old educative forces has been destroyed and nothing equivalent has been found to replace them. The Father is compelled to seek employment outside the home, and the “modern woman”, despising the role of the house wife, now opts for full-time jobs the condition couldn’t be any worse. The desired goals can never be complete when there is some form of neglect either in the moral or mental life of the child. Herein lies the reason why education is most suitably handled by a religious establishment – namely the Catholic Church. History attests to this fact! The widespread secularization has created an environment which destroys all reverence for authority, breaks the force of creeds and national customs and family traditions which have played so large a part in bringing to balanced maturity the minds and characters of our forefathers. The conflict of creeds in public schools, which is inevitable where children of many religious denominations mingle freely, results in robbing these poor disinherited children of the support which their fathers found in the teachings and in the practice of their religion. The undermining of the positive teaching of religion and other values due to the neglect of the moral life of the child, will only aggravate the problem of the inefficiency of the modern child in school. Weak teachers and uninspiring lessons is just a little portion of the problem, the public education system is simply not capable of undertaking the huge task of developing minds that would build a better society. In these dark times one cannot be too careful in view of the fact that most Catholic schools are just Catholic in name only; institutes that have inhaled the odious smoke of secularization and as a result neglecting the true Catholic education. However, the Catholic Homeschooling is best option in training of the Catholic child – typical or atypical. It offers the advantages of having a perfectly balanced mental and moral life; which includes the homely “old-fashioned” guidance and companionship which helped the education process of the child in the past centuries. It’s necessity for the child and the Catholic Faith at large was clearly expressed in the words of Fr. John A Hardon: Catholic Home Schooling in the United States is the necessary result of a culture in which the Catholic Church is being opposed on every level of her existence. Given the widespread secularization in our country, home schooling is not only valuable and useful, home schooling is absolutely necessary for the survival of the Catholic Church in America. Kyrie Eleison

  • A assombrosa história do metropolita russo que conseguiu a união com Roma e que o Tzar encarcerou

    A assombrosa história do metropolita russo que conseguiu a união com Roma e que o Tzar encarcerou O encontro em Cuba entre o Papa Francisco e o Patriarca Kirill da Igreja Ortodoxa Russa é histórico e emocionante, e dá lugar a rever os esforços para unir as Igrejas do Oriente e do Ocidente, e conhecer a uns de seus grandes promotores: Isidoro de Kiev, que foi metropolita ortodoxo da Rússia no séc.XV, chegou a ser cardeal e foi testemunha da Queda de Constantinopla ( onde os turcos lhe fizeram prisioneiro e quase o matam ). O primeiro encontro Moscou-Roma foi em 1438 Não é correto, como dizem alguns meios, que o encontro de Kirill com Francisco seja o primeiro encontro entre um Papa de Roma e um metropolita (arcebispo) de Moscou. Em 15 de agosto de 1438 chegou à Ferrara (Itália) procedente da Rússia, Isidoro, metropolita de Kiev e Moscou, enviado pelo Tzar Basílio II. Depois de uma viagem de 11 meses, pôde assim participar do concilio de Florença-Ferrara, presidido pelo Papa Eugênio IV e o Patriarca de Constantinopla. Neste concílio estavam plenamente representadas as Igrejas ortodoxas e orientais, e inclusive estava presente em pessoa o Imperador bizantino João VIII , o Paleólogo. Isidoro não era russo, mas grego. Nascido em Salônica, e levava apenas um ano no cargo de Metropolita de Kiev e Moscou. Era um humanista, intelectual e entusiasta da missão de unir as Igrejas do Oriente e do Ocidente, divididas desde o cisma do séc .XI (que a Rússia chegou mais tarde, como explicamos aqui ¹ ) O imperador bizantino João VIII já havia empregado antes Isidoro como embaixador no Concilio de Basiléia em 1434. Bizâncio muito fraca: umas poucas cidades rodeadas por turcos Nesta época, tanto a corte imperial bizantina como o Patriarcado ortodoxo de Constantinopla tinham claro que o Império Bizantino estava rodeado e encurralado pelos turcos otomanos, que controlavam tanto os Balcãs como a Anatólia. Sérvia e Bulgária eram vassalos turcos e os otomanos haviam conquistado Salônica, a cidade natal de Isidoro. O Império nessa época se reduzia a cidade de Constantinopla, algumas ilhas do Egeu, algum território no sul da Grécia e algumas cidades mais costeira. Havia clérigos ortodoxos fanáticos que preferiam aos turcos antes que a Roma, mas o imperador, o Patriarca e muitos mais, como Isidoro, queriam alcançar a reunificação das Igrejas e forçar o envio de ajudas da Europa para Bizâncio. O Concilio que reuniu a latinos e ortodoxos O Concílio cumpria todas as condições de um Concílio Ecumênico. O patriarca de Constantinopla esteve em pessoa, e o de Antioquia, o de Alexandria e o de Jerusalém, bloqueados pelos turcos, enviaram seus representantes com poder de decisão. O Patriarca de Constantinopla caiu enfermo mas fez ler um texto decretando o valor universal do Concílio e indicando que quem se negasse a submeter-se as suas decisões seria excomungado. Desde um ponto de vista teológico ficou claro que as discrepâncias entre latinos e ortodoxos eram absolutamente menores, basicamente de linguagem e de detalhes rituais. Todos os choques teológicos se resolveram com boa vontade por ambas as partes. Assim, os delegados latinos e os orientais aprovaram a bula Laetentur caeli, de 6 de julho de 1439, promulgando a união das igrejas grega e latina. ( Os textos em espanhol desta bula com os gregos e as seguintes com outras igrejas orientais se podem ler aquí ². ) O Filioque, o purgatório, o pão da missa… temas resolvidos Gregos e latinos, como iguais, discutiram livremente. “Os latinos admitiram a correção do modo dos gregos de expressar a procedência do Espírito Santo e, consequentemente, já não exigiam que aceitassem a fórmula latina do dogma, senão sua essência. Os gregos aceitaram a legalidade da inclusão do Filioque no Credo mas a condição -concedida de bom grado- de que aquele acréscimo não se consideraria obrigatório para eles. A questão do pão com ou sem levedura, sem grandes dificuldades foi apagada da pauta graças a boa vontade de ambas as partes. Cada parte aceitou o uso de ambas tradições como possível. Sobre a questão do purgatório também foi alcançado o consenso ao aceitar que bastava a unidade fáctica no principal e que não era necessário insistir na forma da expressão” (Wilhelm de Fris. Ortodoxia y Catolicismo. Bruselas, 1992, p. 103-104). Como explica a “Historia de la Iglesia Católica en Rusia” (de Stanislav Kozlov-Strutinski y Pavel Parfentiev, edição de 2014 em russo, um livro de 730 páginas), devido às circunstâncias políticas e materiais (falta de meios para seguir residindo, necessidade de regressar o quanto antes, para proteger-se dos turcos) a discussão sobre a questão principal da primazia do papa foi abreviada. No entanto , nesta questão também se chegou a um consenso: os gregos admitiram o direito supremo do Papa ao governo de toda a Igreja, conservando os direitos tradicionais e privilégios dos patriarcas do oriente. Uma unificação aceitada e equilibrada Os gregos que firmaram a ata da união, não a tomavam como uma aceitação do “catolicismo” e abdicação da “ortodoxia”; desde seu ponto de vista a ata constatava que a fé grega “dos Santos Padres” e a confissão latina eram a mesma doutrina, embora expressada em termos distintos. O novo Patriarca de Constantinopla, Gregório III Mamma, favorável à união, explicava assim em uma carta ao príncipe de Kíev Alexandr Vladimirovich: “A todos os que nós excomungamos, eles também os excomungam , e aos que nós nos aferramos, eles também se aferram ”. (Popov A. Estudio histórico literario de los escritos rusos antiguos contra los latinos (ss. XI-XV), Moscú, 1875). A ata da união foi firmada por quase todos os participantes gregos do Concílio com o beneplácito do anterior Patriarca constantinopolitano que havia iniciado as sessões (que para aquele momento havia morrido mas deixando um testamento que aprovava a união). Só o metropolita de Éfeso e o de Stavropol (que se havia ido) ficaram sem assinar. Isidoro assinou com alegria e foi à Rússia para anunciar a unidade. Isidoro, metropolita de Kiev e Moscou, assinou entusiasta. Enquanto os demais escreviam simplesmente a palavra “assino”, ele escreveu “ assino com amor e aprovação” (Kartashev A.V. Ensayos sobre la historia de la Iglesia Rusa, Tomo 1, Moscú, 1991). Isidoro, um dos grandes artífices do acordo, se pôs então em direção para Moscou para anunciar a recém decretada unidade e consolidá-la nos principados russos. Um primeiro gesto da reunificação se vê na crônica presencial “Viagem à Florença”, de autor russo. Quando descreve a viagem para Florença, aos templos ortodoxos lhes chama “igreja” e aos latinos “bozhnitsa” (casa de Deus); de igual modo, chama “bispos” aos exarcas ortodoxos e “biskups” aos latinos. Depois de firmar-se a ata, o autor passa a chamar a todos –italianos, alemães, poloneses- com a terminologia russa, assinalando-os já como algo próprio. (Biblioteca de la literatura de la Rusia antigua, T.6, San Petersburgo, 1999). Nesta viagem de volta Isidoro se inteirou de que o Papa lhe havia nomeado cardeal (apenas há casos nessa época de cardeais de rito não latino) e lhe havia designado como seu legado para Lituânia, Galitzia (na Polônia), Letônia ( os países bálticos) e toda a Rus. Era um território quase inabarcavel. Hoje, o nacionalismo ortodoxo russo trata de desautorizar Isidoro (que era seu legítimo metropolita e acudiu à Itália com beneplácito e gastos pagos do zar) e retirar o valor do Concílio de Ferrara-Florença (onde russos, gregos e ortodoxos em geral estavam legítimamente representados). Nós vamos responder aos argumentos contrários à união remetendo-nos a “Historia de la Iglesia Católica en Rusia” de Stanislav Kozlov-Strutinski y Pavel Parfentiev. As cartas de Isidoro a suas cidades Isidoro, regressando à Rússia depois do Concílio, enviou uma mensagem a cada cidade de sua extensa zona metropolitana. Não tocava nas questões teológicas. Se autodenomina “Arcebispo de Kiev” (usando assim uma expressão latina) e proclama: “Alegrai-vos agora todos, já que a Igreja oriental e a Igreja ocidental que estiveram certo tempo divididas e contrárias uma a outra, agora se uniram com uma união verdadeira em sua unidade original e em paz, em uma unidade antiga e sem nenhuma fissura. Aceitai essa santa e mui santa unidade e união com grande alegria e honra espiritual. Rogo a todos vós em Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo que nos deu sua bondade que não tenhamos nenhuma divisão com os latinos; já que somos todos servos do Senhor Deus e Salvador nosso Jesus Cristo e em nome de Seu batismo. Logo roga a seus fiéis não ter divisões com os latinos, aceitar mutuamente o sacramento do batismo, e o poder receber os sacramentos e celebrar nos templos de cada confissão, assim como considerar igualmente real e santa a Eucaristia, seja com o pão com levedura ou sem ele “porque assim o decidiu em sua solene reunião o concílio Universal na cidade de Florença” (Floria B. N. Investigaciones de la historia de la Iglesia. Medioevo ruso antiguo y eslavo. Moscú, 2007). O povo da Rússia contra Roma? Um argumento dos ortodoxos russos mais anticatólicos (hoje e no século XVI) é que o povo da Rus ( Os senhorios eslavos orientais que logo seriam Rússia, Bielorrússia e Ucrânia) não queriam essa união. Mas isso é confundir a Rus com Moscou e seus arredores. As fontes históricas, especialmente as mais primárias, não tocadas pela influência moscovita, mostram que a união foi recebida com alegria ao menos no grão Principado de Tver (vizinho e rival do de Moscou, e por isso sempre com um braço estendido para a Polônia). Também foi bem recebida, com alegria, na Rus de Lituânia. Sabemos ademais que atravessando Hungria, Polônia e Lituânia, Isidoro percorreu distintas dioceses de seu enorme território metropolitano. De cidade em cidade ia celebrando a Eucaristia mencionando nela ao Papa Eugênio IV e nenhum prelado de rito oriental nem nenhum príncipe local se indignou por isso nem lhe negou autoridade metropolitana a Isidoro. Quando chega em 1441 a Kiev, o príncipe Alexandr Vladimirovich –registram as crônicas- entregou a “seu Pai Isidoro, metropolita de Kiev e de toda a Rus” um escrito especial confirmando seus direitos fiscais e jurídicos como metropolita. O Tzar de Moscou impediu a união eficaz Assim, na Polônia, na Lituânia, en Kiev, em Tver… por todas as partes as comunidades ortodoxas aceitavam a seu metropolita e a união com os cristãos latinos… até que Isidoro chegou a Moscou. Chegou na Páscoa de 1441 e proclamou a união das duas Igrejas na Catedral da Dormição do Kremlin de Moscou ( A mesma que podem visitar hoje os turistas). Em sua primeira Divina Liturgia ali levava um crucifixo de rito latino à frente da procissão e nomeou o papa Eugenio IV durante as rezas da liturgia. Também leu em voz alta o decreto de unificação. Era o mesmo que havia feito em muitas outras cidades, mas na solenidade de Páscoa. Lhe entregou ao Tzar moscovita, Basilio II, uma mensagem do Papa, pedindo que ajudasse o metropolita a trabalhar pela união dos cristãos na Rússia. Três dias depois, o Tzar Basílio II se assegurou de que 6 bispos se reunissem em um apressado sínodo local e depuseram Isidoro, o metropolita oficial, designado com apoio de Constantinopla para toda a Rus. Foi um caso direto de ingerência do poder político na organização eclesial. Se pode dizer também que o príncipe moscovita impunha assim sua vontade contrária à união sobre muitos outros povos da Rus que não a combatiam. Encarceraram Isidoro no Monastério Chúdov, exigindo-lhe que renunciasse a união com Roma, coisa que se negou a fazer. Esteve preso até setembro de 1443, dois anos, quando pôde escapar ao vizinho principado de Tver, e mais tarde a Lituânia e Roma. Alguém deveu favorecer sua fuga porque levou sua extensa biblioteca de humanista erudito, que cruzou a Europa e se guarda hoje no Vaticano. Pretextos rituais para uma intervenção política Se revisamos textos russos ortodoxos de 20 ou 30 anos posteriores a esses fatos, vemos que acusam a Isidoro de graves erros doutrinais e teológicos e heterodoxia. Mas quando revisamos fontes mais próximas do tempo dos fatos (por exemplo, a chamada Primeira Crônica de Novgorod), vemos que a Isidoro lhe acusam em um primeiro momento de coisas absolutamente menores: orar pelo Papa, usar uma cruz latina… não lhe acusam de violar os cânones ortodoxos universais, na Grécia ou na Terra Santa, porém “os usos da terra russa”. Essas foram as desculpas minúsculas com as quais o Tzar e seus bispos dóceis encarceraram a seu metropolita, obviamente por razões políticas, e não por diferenças doutrinais sérias. Há uma corrente de fundo que destacam Kozlov-Strutinski y Parfentiev em seu livro: na Rússia se dava uma importância exagerada a temas rituais absolutamente menores que para os ortodoxos cultos na Grécia ou em outros países não eram problemáticos. Inclusive no século XVII, a ruptura entre ortodoxos e velhos-crentes (ou vétero-ortodoxos) se baseou em temas rituais menores. Estes dois historiadores recordam que pouco depois de romper com Isidoro “os ortodoxos russos se voltaram com reprovação contra os gregos e contra todos os cristãos não-moscovitas em geral, acusando-lhes de que sua fé está deformada por tais e quais diferenças rituais e culpando-lhes de persignar-se com os dedos equivocados e de cantar aleluia às vezes incorretas. A versão anti-romana da história A partir de 1458 (dezessete anos depois de encarcerar Isidoro) os textos ortodoxos começam a recolher outra versão da história. O metropolita Jonas de Moscou (dócil ao Tzar, contrário a unidade) se enfrentava com o metropolita Gregório de Lituânia (discípulo de Isidoro) e ele se encarregou de que os textos começassem a acusar Isidoro de erros teológicos. Mas no principado de Tver, segundo os documentos, se mantiveram “florentinos” (favoráveis a unidade) basicamente até essa data de 1458. Outro dos autores de textos contra Isidoro foi Simeão de Suzdal, que de fato era seu inimigo pessoal. Este autor quer absolver os príncipes políticos da acusação de ingerência em assuntos eclesiásticos e justificar que a metrópole de Moscou fique livre (ignorando a Constantinopla), investindo as tintas contra quem devia ser seu legítimo pastor, Isidoro. E coisas que Simeão não diz, lhe são atribuídas ou “aumentadas” por quem o citam em anos posteriores. Isidoro em Roma e Constantinopla Isidoro, talvez o arcebispo católico com um território canônico mais extenso, já não podia governá-lo. Voltou a Roma em 1443: não havia conseguido promover a unidade. O Papa Nicolás V o enviou em 1452 a Constantinopla, com 200 soldados latinos para ajudar a defender a cidade dos turcos, que começavam seu assédio. Também tinha a missão de tentar assentar a união com o clero ortodoxo, e de fato, com os turcos às portas conseguiu reunir a 300 clérigos bizantinos para trabalhar este tema. Enquanto isso , o colossal exército turco conquistou Constantinopla em 29 de maio de 1453, pondo fim a mil anos de Império Romano do Oriente. Das cinco grandes sedes Patriarcais do cristianismo (Jerusalém, Alexandria, Antioquia, Constantinopla e Roma) todas, menos Roma, estavam agora sob o poder muçulmanos. Os turcos entraram na cidade causando um grande massacre. Isidoro tinha 68 anos, e é evidente que não era um homem covarde, mas tampouco tinha vontade de morrer antes de tempo. Pôs seu traje de cardeal em um cadáver: os turcos o encontraram, cortaram a cabeça do corpo e a passearam com ela pelas ruas. A Isidoro confundiram com um Zé -Ninguém e o escravizaram como a outros milhares de cativos anônimos. Se preparou para escapar e comprar sua liberdade e poder voltar a Roma. Escreveu uma detalhada carta ao Papa explicando os horrores da queda de Bizâncio. O Papa lhe nomeou bispo de Sabina. Depois Pío II lhe honraria com títulos pomposos impossíveis de exercer em territórios turcos: Patriarca Latino de Constantinopla e arcebispo de Chipre. Morreu em Roma em 1463, aos 78 anos, depois de sobreviver a dois cercos, viajar milhares e milhares de kilômetros, dominar vários idiomas para tentar mediar entre nações e mentalidades mui distintas e buscar a união dos cristãos incansavelmente. _____ Autor: P.J.Ginés / T.Fedótova. Tradução: David Nesta. Fonte:https://www.religionenlibertad.com/movil/articulo_rel.asp?idarticulo=47712&accion= #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Oriente #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja

  • O Concílio de Éfeso (Parte III): Oposição. Conciliábulo dos bispos antioquenos

    A fim de preservar a opinião pública em Éfeso do lado do Sínodo, os sermões foram pregados por Cirilo e por Regino, Arcebispo de Constância (Salamina), no Chipre, e também repetidamente por Teódoto de Ancira, em oposição à heresia de Nestório e o Sínodo agora enviando aos imperadores seu relatório completo, do qual já falamos, em que foi especialmente explicado porque não havia sido pensado adequado esperar mais tempo antes de iniciar a primeira sessão. Não só tinha dezesseis dias decorridos desde o período da abertura  do Concílio nomeado pelos imperadores, mas muitos bispos já tinha adoecido em Éfeso, e alguns tinham até morrido, e, particularmente, os mais idosos dos bispos eram fervorosamente querendo voltar para casa. Além disso, João de Antioquia tinha pedido eles, através de Alexandre de Apameia e Alexandre  de Hierápolis, para começar de uma só vez. Eles tinham, portanto, apesar da recusa de Nestório aparecer, abrido o Sínodo no dia 2 de junho, e ao fazer isso, colocaram o santo Evangelho, como representante de Cristo, no trono que foi criado no meio da assembléia. Então além disso tudo que teve lugar na primeira sessão foi com precisão e particularmente relatado e descrito ao Papa Celestino, já tinha pronunciado o mesmo julgamento que o Sínodo sobre Nestório. Finalmente, os imperadores foram solicitados a tomar conta para que a heresia fosse estirpada de todas as igrejas e os livros de Nestório queimados. As atas do sínodo que já haviam sido preparados no intervalo também foram anexadas. Alguns dias depois, nos dias 26 ou 27 de junho, João de Antioquia chegou finalmente em Éfeso, e o Sínodo imediatamente enviou uma delegação para encontrá-lo, composta por vários bispos e clérigos, para mostrar-lhe o devido respeito, e ao mesmo tempo para torná-lo familiarizado com a deposição de Nestório, para que ele não fosse atraído para nenhum intercurso com ele. Os soldados que cercavam o arcebispo João impediram a delegação de falar com ele na rua; consequentemente, eles o acompanharam até sua residência, mas foram obrigado a esperar aqui por várias horas, exposto aos insultos dos soldados e, finalmente, quando eles dispersaram a delegação, foram levados para casa, maltratados e espancados. O conde Irineu, amigo de Nestório, sugerira esse tratamento, e aprovou. Os enviados imediatamente informaram  o Sínodo do que aconteceu, e mostrou as feridas que eles tinham recebido, que provocaram uma grande indignação contra João de Antioquia. De acordo com a representação de Memnon, excomunhão foi por esta razão pronunciada contra ele; mas vamos ver mais sobre isso que não aconteceu até depois, e é claro que Memnon, em sua narrativa muito breve, passou por uma porção intermediária – o triplo convite de João. Enquanto isso, Candidiano tinha ido ainda mais longe em sua oposição aos membros do Sínodo, fazendo com que eles fossem aborrecidos e insultados por seus soldados, e até cortando seu suprimento de comida, enquanto ele forneceu a Nestório uma guarda de corpo regular de camponeses armados. João de Antioquia, imediatamente após a sua chegada, enquanto ainda empoeirado da jornada, e no momento que ele estava permitindo que os enviados do Sínodo esperassem, realizou em sua própria residência um Conciliábulo com seus adeptos, em que, em primeiro lugar, o Conde Candidiano relatou como Cirilo e seus amigos, apesar de todos os avisos, e em oposição ao decretos imperiais, havia realizado uma sessão cinco dias antes, contestou o seu direito (o conde) de estar presente, tinha dispensado os bispos enviados por Nestório, e não deram atenção para as cartas dos outros. Antes de prosseguir, João de Antioquia solicitou que o edito de convocação do imperador devesse ser lido, após o que Candidiano continuou com seu relato sobre o que tinha acontecido, e em resposta a uma nova questão de João, declarou que Nestório tinha sido condenado sem ser escutado. João achou isso bem de acordo com a disposição do Sínodo, pois, ao invés de receber ele e seus companheiros de uma maneira amigável, eles tinham apressado sobre eles tumultuosamente (foi assim que ele descreveu o que tinha acontecido). Mas o Santo Sínodo, que agora era reunido, decidiria o que era adequado em relação a eles. E este Sínodo, do qual João fala em tais termos grandiloquentes, numerava apenas quarenta e três membros, incluindo ele próprio, enquanto do outro lado havia mais de duzentos. João então propôs a questão, o que seria decidido a respeito de Cirilo e seus seguidores; e vários que não eram bispos nestorianos particularmente pronunciaram, relataram como Cirilo e Memnon de Éfeso tinham, a partir do começo, maltratado os nestorianos, não lhes permitiu igreja, e até mesmo no festival de Pentecostes, não havia permitido a eles realizarem o serviço. Além disso, Memnon tinha enviado os seus clérigos nas residências dos bispos, e ordenou-lhes que com ameaças a participar de seu concílio. E assim ele e Cirilo confundiram tudo, de modo que suas próprias heresias não pudessem ser examinadas. Heresias, como a Ariana, a Apolinarista Eunomianista,que estavam certamente contidas na última carta de Cirilo (A Nestório, junto com os anátemas). Era, portanto, dever de João cuidar para que os cabeças dessas heresias (Cirilo e Memnon) devessem ser adequadamente punidos por tais ofensas graves, e que os bispos que foram mal orientados por eles deveriam ser submetidos a penalidades eclesiásticas. Para estas acusações imprudentes e falsas, João respondeu com mansidão hipócrita “, que ele certamente queria que ele não fosse ser obrigado a excluir da Igreja qualquer um que havia sido recebido no sagrado sacerdócio, mas membros doentes devem certamente ser cortados para salvar o conjunto do corpo; e por esta razão Cirilo e Memnon mereciam ser depostos, porque eles tinham dado ocasião para desordens, e tinham agido em oposição aos comandos dos imperadores,e, além disso, estavam nos capítulos mencionados (os anatematismos) culpados de heresia. Todos os que foram enganados por eles deveriam ser excomungados até confessarem seu erro, anatemizar as proposições heréticas de Cirilo, aderir estritamente ao credo de Nicéia, sem qualquer adição estrangeira, e além disso se juntar ao Sínodo de João “. A assembléia aprovou esta proposta, e João então anunciou a sentença da seguinte maneira:- “O Santo Sínodo, reunido em Éfeso, pela graça de  Deus e o comando dos imperadores piedosos, declara: Nós deveríamos ter desejado ser capazes de realizar um Sínodo em paz, mas porque vocês realizaram uma assembléia separada sob autoria de um herético, de disposição insolente e obstinada, embora já estivéssemos na vizinhança, e encheram a cidade e o  Santo Sínodo com confusão, a fim de impedir o exame de suas heresias apolinarianas, arianas e eunomianas, e não esperaram pela chegada dos santos bispos de todas as regiões e também desconsideraram as advertências e avisos de Candidiano, portanto, você, Cirilo de Alexandria, e você, Memnon deste lugar, saibam que vocês estão depostos e demitido de todas as funções sacerdotais, como os originadores de toda a desordem, etc. Vocês outros, que deram o seu consentimento, são excomungados, até que vocês reconheçam sua falta e se reformem, aceitem de novo a fé de Nicéia (como se eles tivessem abdicado!) sem adição estrangeira, anatematize as proposições heréticas de Cirilo e em todas as coisas- obedeçam comando dos imperadores, que exigem uma paz e consideração mais precisa do dogma. Este decreto foi subscrito por todos os quarenta e três membros  do Conciliábulo: João de Antioquia, Alexandre de Apameia, e Alexandre de Hierápolis; João, metropolita de Damasco; Doroteu, Metropolita de Marcianópolis; Dexiano, Metropólita de Selêucia; Basílio, Metropolita da Tessália; Antíoco, Metropolita de Bosra; Paulo, bispo de Emesa ;Apringio de Cálcis;Policrônio de Heracléia; Cirilo de Adana Ausonio de Himeria; Musseu de Arwad e Antarado Hesíquio de Castabala; Salustio de Córico; Jacobo de Dorostolus; Zosis de Isbuntis; Eustáquio do Parnaso; Diógenes de Seleucobelo; Placon of Laodicéia; Policrônio de Epifânio; Eritilas, metropolita de Heracéia; Himerio, Metropolita de Nicomedia; Eutério, Metropolita de Tiana; Asterio, metropolita de Amida; Teodoreto, o famoso Bispo de Ciro; Macário, bispo de Laodicéia Maior; Teosebio de Cios, na Bitínia; Maximiano, Metropolita de Anazarbus; Gerontio, bispo de Claudiópolis; Ciro de Marcopolis; Aurelio de Irenopolis; Melécio de Neocesaréia; Helladio de Ptolemais; Tariano (Trajamis) de Augusta Valentino de Mallus; Marciano de Abrytus; Daniel de Eaustinopolis; Juliano de Larissa; Heliades de Zeugma; e Marcelino de Arca. O Conciliábulo então, em cartas muito unilaterais, informaram o imperador, as damas imperiais (a esposa e irmã do Imperador Teodósio II.), o clero, o senado e as pessoas de Constantinopla, de tudo o que tinha acontecido, e um pouco mais tarde exigiu mais uma vez aos membros do genuíno Sínodo, por escrito, não mais para atrasar o tempo de arrependimento e conversão, e separar-se de Cirilo e Memnon, etc, caso contrário, em breve eles seriam forçados a lamentar sua própria loucura. No sábado à noite o Conciliábulo pediu ao Conde Candidiano para cuidar que nem Cirilo nem Memnon, nem qualquer um de seus aderentes (excomungados), devesse realizar serviço divino no domingo. Candidiano agora desejava que nenhum membro de qualquer partido sinodal devesse oficiar, mas apenas o clero ordinário da cidade; mas Memnon declarou que ele não iria de forma alguma submeter-se a João e seu Sínodo, e Cirilo e seus seguidores mantiveram o serviço divino. Todos os esforços de João para nomear a força outro bispo de Éfeso, no lugar de Memnon foram frustrado pela oposição dos habitantes ortodoxos. É geralmente assumido que Candidiano antecipou o legítimo Sínodo com suas informações, e não permitiu que seus registro chegarem a Constantinopla. Mas este não foi o caso; porque vemos a partir de uma carta ainda existente de Dalmácio e outros monges e o clero de Constantinopla ao Sínodo, que o próprio imperador lhes enviara as cartas que o Sínodo se dirigiram a eles imediatamente após a deposição de Nestório, e ele também deve ter recebido o relato que lhe foi endereçado. Dalmácio afirma, ao mesmo tempo, que todas as pessoas aprovaram a deposição de Nestório, e que o Imperador em pessoa havia expressado muito favoravelmente a respeito do Sínodo. A partir disso percebemos que naquela época ele ainda não havia recebido o relato de Candidiano. Após a chegada deste uma violenta mudança ocorreu imediatamente. O imperador Teodósio agora enviou o magistrado Paládio a Éfeso com uma carta ‘estabelecendo “que ele tinha aprendido com Candidiano que uma parte dos bispos realizou uma sessão sem esperar por João de Antioquia. Além disso, nem todos os bispos que foram entavam presentes em Éfeso havia tomado parte nesta sessão, e que aqueles que tinham feito isso não tinham discutido o dogma na maneira prescrita, mas em um espírito faccioso. Ele então declarou que tudo o que tinha sido feito era inválido, e disse que enviaria um oficial especial do palácio, que em conjunto com Candidiano poderia examinar o que tinha acontecido, e proteger contra qualquer desordem no futuro. Enquanto isso, e até que o Sínodo coletivo deveria ter discutido o dogma, nenhum bispo deveria deixar a cidade de Éfeso, seja para prosseguir para a corte imperial ou para voltar para casa. O comando também deveria ser dado aos governadores das várias províncias para não permitir que qualquer bispo que possa retornar de Éfeso para ficar em casa. Ele (o Imperador) não tomou parte em nome de qualquer homem, e nem por Nestório, mas apenas pela a verdade e a doutrina. “Esta carta tem data 3 Kal. Jul., Isto é, 29 de junho. Como, no entanto, a resposta de Cirilo para isso, que foi dada a Paládio, foi elaborada em 1 de julho ‘ Paládio deve ter chegado em Éfeso antes do final de Junho, e essa data deve ter sido um erro do escritor. João e seus adeptos naturalmente se alegraram com esta carta imperial, e pensaram como o mundo era feliz, como se dizia em sua resposta, estar sob tais governantes. Eles continuaram dizendo por que eles foram constrangidos a depor Cirilo e os outros, en não desdenharam em alegar como sua principal razão, que estes tinham se aventurado a atacar o bispo da cidade imperial e não obedeceu aos comandos do Imperador. Seu Conciliábulo eles chamam um santo Sínodo, e rezam para que o Imperador dê a ordem, que no exame a respeito do dogma, que está prestes a ocorrer, cada metropolita terá apenas dois bispos com ele, a fim de paralisar o número excessivo dos bispos do Egito e da Ásia Menor, de quem eles pensavam que não podiam falar com desprezo suficiente. Depois de ler a carta do imperador, eles desejaram, eles disseram, manter um serviço de ação de graças na Igreja de S. João, mas as pessoas fecharam as portas contra eles, e os conduziu a suas casa à força. A origem de tudo era Memnon, e o Imperador devia, portanto, tê-lo expulso da cidade. ‘É provável que o incidente a que se referem tivesse ocorrido na tentativa de nomear outro bispo para Éfeso, já que Memnon também menciona um tumulto como tendo surgido nessa ocasião. Em uma segunda carta ao Imperador, eles pedem que o Sínodo devesse ser removido para outro lugar, mais perto da corte, onde Cirilo e seus seguidores poderiam ser condenados por seus próprios escritos. VON HEFELE, Karl. History of The Christian Councils, from the original documents (VOL III)

  • O Papa e o Patriarca ortodoxo se excomungaram em 1054… e os russos não deram importância

    O Papa e o Patriarca ortodoxo se excomungaram em 1054… e os russos não deram importância Em 1054 o Patriarca de Constantinopla e o Papa de Roma, através de seu legado, se excomungaram mutuamente e decretaram a divisão de suas Igrejas. A excomunhão não se levantou de forma firme e solene até há exatamente 50 anos, em 7 de dezembro de 1965, quando na vigília da conclusão do Concílio Vaticano II, com uma declaração comum do Papa Paulo VI e do patriarca ecumênico Atenágoras. A ruptura oficial de 1054 teve graves e duradouras consequências de falta de unidade que ainda prejudicam os cristãos, mas vale a pena ressaltar alguns fatos que demostram que durante vários séculos houve territórios inteiros nos quais esta “excomunhão ” apenas se aplicava: os fiéis, simplesmente, pareciam não dar-se por convencidos na Rússia, Ucrânia e os territórios de sua zona de influência. A bula de excomunhão sobre o altar A excomunhão mútua, encenada e protagonizada pelo Patriarca de Constantinopla Miguel Cerulário e o legado papal, o cardeal Humberto, em 1054, demorou em aplicar-se em territórios inteiros. O cardeal Humberto deixou sobre o altar de Santa Sofia a bula de excomunhão. Depois voltou a Roma, mas vários códices sugerem que voltou passando por Kiev, onde foi recebido com respeito e cerimônias eclesiásticas. O metropolita da Rus de Kiev, ao menos nesse momento, parecia estar em total comunhão com Roma e não se dava por excomungado. Uma ruptura que não se aplicava Em muitas cátedras orientais não tinham nada clara a ruptura, segundo lemos na “Historia de la Iglesia Católica en Rusia” (de Stanislav Kozlov-Strutinski y Pavel Parfentiev, edição de 2014 em russo, um livro de 730 páginas). Um exemplo é o fato de que durante o século XI e XII numerosas dinastias casavam e se davam em casamento sem impedimento algum de credo ou de ritual, as de rito latino com as de rito oriental. Os príncipes russos casavam seus filhos com príncipes e princesas de famílias polacas, húngaras e nórdicas de rito latino (suecas, norueguesas, saxãs e, em geral, varegas, ou seja , vikings das rotas fluviais russas). O príncipe de Kiev peregrino em Roma A ruptura demorou muito em chegar à consciência dos clérigos e príncipes da Rus. Um exemplo vemos quando Iziaslav Yaroslavich ( filho de Yaroslav , o Sábio, que casou suas dúzias de filhos e filhas com príncipes de toda Europa), herdeiro de Kiev, brigou com seus irmãos e fugiu para Polônia e depois para Alemanha buscando aliados. Dali contactou com o Imperador Henrique IV e o Papa Gregório VII. Como qualquer outro líder católico, enviou seu filho Yaropolk ( que usava o nome cristão de Pedro) sob forma de “peregrinação à tumba dos Apóstolos “, e queria estabelecer seu principado sob a autoridade do Papa, apresentando Kiev como um presente para Pedro. Yaropolk chegou a Roma em 1075, vinte anos depois da excomunhão, e se mostrou em tudo um devoto papista sem que ninguém lhe tratasse como um excomungado. O Papa Gregório pediu ao rei polaco Boleslav para ajudar-lhe a recuperar Kiev. Iziaslav conseguiu recuperar Kiev acompanhado de tropas varegas (vikings de terras eslavas); sua esposa era polaca e cunhou moedas dedicadas a São Pedro e construiu uma Igreja dedicada a São Pedro. Um código escrito a pedido de sua esposa (a princesa polaca Gertruda) desenha a princesa ajoelhada aos pés do apóstolo São Pedro e mostra também a Yaropolk e sua esposa orando perante o apóstolo. Hoje em dia Yaropolk , devoto petrino e peregrino em Roma, é considerado oficialmente santo da Igreja Ortodoxa Russa. Seu pai Iziaslav era além disso grande amigo de São Teodósio das Covas de Kiev ao que visitava com freqüência. Isso é um exemplo de uma dinastia a cavalo entre Oriente e Ocidente, que não parecia dar-se por aludida pelas excomunhões mútuas. As listas de “erros” latinos… Não falam do papado Un detalhe interessante se dá no fato de que o mesmo Patriarca Cerulário estabeleceu e difundiu uma lista de erros dos cristãos de rito latino que se supõe que deviam indignar aos cristãos de rito grego. Por exemplo: os latinos usavam pão sem levedura na eucaristia, comiam carne de presa estrangulada, raspavam a barba, jejuavam nos sábados e deixavam os monges comer carne! No entanto, nas listas de Cerulário e de outros autores da primeira época da ruptura não se menciona como agravo a primazia papal, embora é evidente que conheciam as reivindicações papais sobre esta primazia. Padres da Igreja como São Leão Magno, São Teodoro Estudita e São Máximo, o Confessor — os 3 hoje são santos comuns ao oriente e o ocidente — , haviam deixado clara sua aposta pela primazia papal e durante essa época da ruptura a facção pró-Constantinopla não se atrevia a abordar o tema. Os textos anti-latinos que se encontram na Rússia nesta época não são escritos por russos, senão por enviados gregos chegados a Rússia, que irritados pela fluidez do tratamento com o mundo latino na Rus de Kiev se sentem obrigados a escrever contra isso. Estes textos anti-latinos durante muito tempo não influíram no tratamento russo com o mundo latino, mas sim forneceram a ideia ao cristão russo comum de que todos esses temas menores ( a barba, o jejum de carne nos monges, etc…) eram importantíssimos, ideia que até hoje perdura. Na realidade, segundo os historiadores, a ruptura da Rússia com o Ocidente latino não alcançou os séculos XV e XVI, com a passagem do poder de Kiev para Moscou e a ruptura administrativa com Constantinopla, mas com o aparecimento de um patriarcado próprio em Moscou. O caso de São Nicolas: da Itália à Rússia ! Em 1087 em Mira, cidade grega costeira na Lícia (Anatólia), alguns marinheiros latinos arrebataram as relíquias de São Nicolau e as levaram a Bari, na Itália, e as colocaram em uma Igreja dedicada ao santo. O papa Urbano declarou uma Festa de Transladação das Relíquias de São Nicolau Taumaturgo. É curioso que esta festa de origem papal na Rússia se recebeu, aceitou e se estendeu nessa época: A Rússia, trinta anos depois da “ruptura” em Constantinopla, se faz, influenciada por um decreto papal, devota de S. Nicolau como santo milagroso, que movia coisas no espaço e que era cultuado notadamente pelo Papa de Roma S. Clemente. Em Kiev escreveram uma crônica sobre essa transferência das relíquias de Nicolau: aos latinos chama “ fiéis” e ao Papa “Santíssimo Patriarca”. E é evidente que o autor da crônica conhecia a excomunhão mútua decretada 30 anos antes, mas ao que parece não lhe dava importância alguma. Em um evangelho na Rússia de 1056-1057 falam da devoção popular russa ao santo latino Santo Apolinário (um santo que na Grécia não interessava ninguém). Há textos russos desta época com litanias a todos os santos que incluem montões de reis vikings, germânicos e santos anglos como Adabelto, Olaf, Magnus, Canuto, Wotulfo, Albano, Wenceslao… Príncipes russos financiando monastérios latinos Outro exemplo da fluidez de tratamento da nobreza russa com os “excomungados” do Ocidente se nota nos donativos das famílias para monastérios e conventos latinos. Os documenta Nazarenko A.V. en “La Rus Antigua en los Caminos Internacionales” (livro de 2001, editado em Moscou, em russo. página 585-606). Por exemplo, em finais do séc .XI e princípios do séc.XII se sabe que um monge irlandês, um tal Maurício, foi enviado a Kiev para buscar donativos para construir um monastério em Ratisbona (Alemanha) dedicado a São Tiago e Santa Gertrudis. Foi recebido com honras pelo príncipe e regressou com grandes donativos com os quais se finalizou o monastério. Mais ainda, no séc.XIII havia um monastério filial destes em Kiev. Outro monastério latino que recebeu grandes donativos dos príncipes de Kiev foi o de São Pantaleão em Colônia (Alemanha), que os recebeu de Mstislav I Vladimírovich (filho de Gytha de Wessex, que era filha do último rei saxão da Inglaterra, Harold, que morreu em 1066 na famosa batalha de Hastings contra os normandos) e de seu filho Iziaslav II, que foi batizado como Pantaleão (muitos príncipes russos tinham 3 ou 4 nomes: um eslavo, outro grego ou latino de batismo, outro germânico e algum sobrenome… sem contar o patronímico). Diz a lenda que um urso atacou Mstislav e o deixou ferido, moribundo, mas um jovem lhe apareceu em uma visão e lhe disse : “Meu nome é Pantaleão, e minha casa amada está em Colônia, e o sarou. Ao recuperar-se Mstislav a familia se fez devota do santo e de seu convento na longínqua Colônia. Iziaslav II Pantaleão, o filho do milagroso, morreu aos 54 anos em 1154, um século depois da excomunhão mútua, sem que pareça que deixara de apoiar ao convento latino de Colônia. Igrejas latinas havia por toda a Rus de Kiev e até o século XIII foi frequente a chegada de missionários latinos à Rússia e a “Bulgária do Volga” e até as estepes do Mar Negro. Quando as russas batizavam em igrejas varegas Um documento do século XII em russo chamado ” As perguntas de Kirik”, escrito em Novgorod, de direito canônico, recolhe que muitas mulheres russas (eslavas) levavam seus bebês para se batizar em igrejas “varegas” ( isto é, germânicas-latinas) mas o texto, embora parece entender que é algo errôneo (se impõe una ligeira penitência à mulher) dá por suposto que o batismo em outras igrejas é válido. A santa ortodoxa que vivia em Roma no século XIII Uma santa russa do calendário ortodoxo, Santa Parasceva, princesa da família dos príncipes de Polotsk (um principado importante do século XI e XII, no que hoje é a Bielorrússia, com sede episcopal) foi peregrina em Roma, viveu ali 7 anos e morreu em 1239. A Igreja Ortodoxa Russa a canonizou em 1273, mais de dois séculos depois da “excomunhão mútua”, sem que parecesse irritar-lhes seus anos de vida devota em terra latina. ( Conta M.A. Taube, “Roma y Rusia en el periodo antes de los mongoles”, Almanaque Católico, 2, París, 1928, em francês). A Rússia “românica” cheia de construtores latinos É coisa bem sabida, além disso, que as Igrejas do século XII que hoje contemplam os turistas no chamado “Anel de Ouro” ( nos antigos principados de Suzdal e Vladimir, por exemplo) as construíam e desenhavam técnicos ocidentais , chegados a pedido dos príncipes a partir da Alemanha, Polônia e Lombardia. O príncipe Yuri “Dolgoruki”, ou seja , “Jorge Brazolargo”, que seria o fundador de Moscou) e seu filho Santo André Bogolubski ( o primeiro a dedicar uma Igreja russa à Virgem) foram os grandes promotores desta arte, um autêntico românico no Oriente europeu. Todos esses indícios mostram que demorou muito em se consumar a ruptura decretada em 1054. Oxalá demore menos em consumar-se e levar-se a plenitude a reconciliação e plena comunhão. ____ Autor: P.J. Ginés / T. Fedótova Fonte:https://www.religionenlibertad.com/movil/articulo_rel.asp?idarticulo=46398&accion= Tradução: David Nesta #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Oriente #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja

  • O Papa e o Patriarca ortodoxo se excomungaram em 1054… e os russos não deram importância

    A ruptura oficial de 1054 teve graves e duradouras consequências de falta de unidade que ainda prejudicam os cristãos, mas vale a pena ressaltar alguns fatos que demostram que durante vários séculos houve territórios inteiros nos quais esta “excomunhão ” apenas se aplicava: os fiéis, simplesmente, pareciam não dar-se por convencidos na Rússia, Ucrânia e os territórios de sua zona de influência. A bula de excomunhão sobre o altar A excomunhão mútua, encenada e protagonizada pelo Patriarca de Constantinopla Miguel Cerulário e o legado papal, o cardeal Humberto, em 1054, demorou em aplicar-se em territórios inteiros. O cardeal Humberto deixou sobre o altar de Santa Sofia a bula de excomunhão. Depois voltou a Roma, mas vários códices sugerem que voltou passando por Kiev, onde foi recebido com respeito e cerimônias eclesiásticas. O metropolita da Rus de Kiev, ao menos nesse momento, parecia estar em total comunhão com Roma e não se dava por excomungado. Uma ruptura que não se aplicava Em muitas cátedras orientais não tinham nada clara a ruptura, segundo lemos na “Historia de la Iglesia Católica en Rusia” (de Stanislav Kozlov-Strutinski y Pavel Parfentiev, edição de 2014 em russo, um livro de 730 páginas). Um exemplo é o fato de que durante o século XI e XII numerosas dinastias casavam e se davam em casamento sem impedimento algum de credo ou de ritual, as de rito latino com as de rito oriental. Os príncipes russos casavam seus filhos com príncipes e princesas de famílias polacas, húngaras e nórdicas de rito latino (suecas, norueguesas, saxãs e, em geral, varegas, ou seja , vikings das rotas fluviais russas). O príncipe de Kiev peregrino em Roma A ruptura demorou muito em chegar à consciência dos clérigos e príncipes da Rus. Um exemplo vemos quando Iziaslav Yaroslavich ( filho de Yaroslav , o Sábio, que casou suas dúzias de filhos e filhas com príncipes de toda Europa), herdeiro de Kiev, brigou com seus irmãos e fugiu para Polônia e depois para Alemanha buscando aliados. Dali contactou com o Imperador Henrique IV e o Papa Gregório VII. Como qualquer outro líder católico, enviou seu filho Yaropolk ( que usava o nome cristão de Pedro) sob forma de “peregrinação à tumba dos Apóstolos “, e queria estabelecer seu principado sob a autoridade do Papa, apresentando Kiev como um presente para Pedro. Yaropolk chegou a Roma em 1075, vinte anos depois da excomunhão, e se mostrou em tudo um devoto papista sem que ninguém lhe tratasse como um excomungado. O Papa Gregório pediu ao rei polaco Boleslav para ajudar-lhe a recuperar Kiev. Iziaslav conseguiu recuperar Kiev acompanhado de tropas varegas (vikings de terras eslavas); sua esposa era polaca e cunhou moedas dedicadas a São Pedro e construiu uma Igreja dedicada a São Pedro. Um código escrito a pedido de sua esposa (a princesa polaca Gertruda) desenha a princesa ajoelhada aos pés do apóstolo São Pedro e mostra também a Yaropolk e sua esposa orando perante o apóstolo. Hoje em dia Yaropolk , devoto petrino e peregrino em Roma, é considerado oficialmente santo da Igreja Ortodoxa Russa. Seu pai Iziaslav era além disso grande amigo de São Teodósio das Covas de Kiev ao que visitava com freqüência. Isso é um exemplo de uma dinastia a cavalo entre Oriente e Ocidente, que não parecia dar-se por aludida pelas excomunhões mútuas. As listas de “erros” latinos… Não falam do papado Un detalhe interessante se dá no fato de que o mesmo Patriarca Cerulário estabeleceu e difundiu uma lista de erros dos cristãos de rito latino que se supõe que deviam indignar aos cristãos de rito grego. Por exemplo: os latinos usavam pão sem levedura na eucaristia, comiam carne de presa estrangulada, raspavam a barba, jejuavam nos sábados e deixavam os monges comer carne! No entanto, nas listas de Cerulário e de outros autores da primeira época da ruptura não se menciona como agravo a primazia papal, embora é evidente que conheciam as reivindicações papais sobre esta primazia. Padres da Igreja como São Leão Magno, São Teodoro Estudita e São Máximo, o Confessor — os 3 hoje são santos comuns ao oriente e o ocidente — , haviam deixado clara sua aposta pela primazia papal e durante essa época da ruptura a facção pró-Constantinopla não se atrevia a abordar o tema. Os textos anti-latinos que se encontram na Rússia nesta época não são escritos por russos, senão por enviados gregos chegados a Rússia, que irritados pela fluidez do tratamento com o mundo latino na Rus de Kiev se sentem obrigados a escrever contra isso. Estes textos anti-latinos durante muito tempo não influíram no tratamento russo com o mundo latino, mas sim forneceram a ideia ao cristão russo comum de que todos esses temas menores ( a barba, o jejum de carne nos monges, etc…) eram importantíssimos, ideia que até hoje perdura. Na realidade, segundo os historiadores, a ruptura da Rússia com o Ocidente latino não alcançou os séculos XV e XVI, com a passagem do poder de Kiev para Moscou e a ruptura administrativa com Constantinopla, mas com o aparecimento de um patriarcado próprio em Moscou. O caso de São Nicolas: da Itália à Rússia! Em 1087 em Mira, cidade grega costeira na Lícia (Anatólia), alguns marinheiros latinos arrebataram as relíquias de São Nicolau e as levaram a Bari, na Itália, e as colocaram em uma Igreja dedicada ao santo. O papa Urbano declarou uma Festa de Transladação das Relíquias de São Nicolau Taumaturgo. É curioso que esta festa de origem papal na Rússia se recebeu, aceitou e se estendeu nessa época: A Rússia, trinta anos depois da “ruptura” em Constantinopla, se faz, influenciada por um decreto papal, devota de S. Nicolau como santo milagroso, que movia coisas no espaço e que era cultuado notadamente pelo Papa de Roma S. Clemente. Em Kiev escreveram uma crônica sobre essa transferência das relíquias de Nicolau: aos latinos chama “ fiéis” e ao Papa “Santíssimo Patriarca”. E é evidente que o autor da crônica conhecia a excomunhão mútua decretada 30 anos antes, mas ao que parece não lhe dava importância alguma. Em um evangelho na Rússia de 1056-1057 falam da devoção popular russa ao santo latino Santo Apolinário (um santo que na Grécia não interessava ninguém). Há textos russos desta época com litanias a todos os santos que incluem montões de reis vikings, germânicos e santos anglos como Adabelto, Olaf, Magnus, Canuto, Wotulfo, Albano, Wenceslao… Príncipes russos financiando monastérios latinos Outro exemplo da fluidez de tratamento da nobreza russa com os “excomungados” do Ocidente se nota nos donativos das famílias para monastérios e conventos latinos. Os documenta Nazarenko A.V. en “La Rus Antigua en los Caminos Internacionales” (livro de 2001, editado em Moscou, em russo. página 585-606). Por exemplo, em finais do séc .XI e princípios do séc.XII se sabe que um monge irlandês, um tal Maurício, foi enviado a Kiev para buscar donativos para construir um monastério em Ratisbona (Alemanha) dedicado a São Tiago e Santa Gertrudis. Foi recebido com honras pelo príncipe e regressou com grandes donativos com os quais se finalizou o monastério. Mais ainda, no séc.XIII havia um monastério filial destes em Kiev. Outro monastério latino que recebeu grandes donativos dos príncipes de Kiev foi o de São Pantaleão em Colônia (Alemanha), que os recebeu de Mstislav I Vladimírovich (filho de Gytha de Wessex, que era filha do último rei saxão da Inglaterra, Harold, que morreu em 1066 na famosa batalha de Hastings contra os normandos) e de seu filho Iziaslav II, que foi batizado como Pantaleão (muitos príncipes russos tinham 3 ou 4 nomes: um eslavo, outro grego ou latino de batismo, outro germânico e algum sobrenome… sem contar o patronímico). Diz a lenda que um urso atacou Mstislav e o deixou ferido, moribundo, mas um jovem lhe apareceu em uma visão e lhe disse : “Meu nome é Pantaleão, e minha casa amada está em Colônia, e o sarou. Ao recuperar-se Mstislav a familia se fez devota do santo e de seu convento na longínqua Colônia. Iziaslav II Pantaleão, o filho do milagroso, morreu aos 54 anos em 1154, um século depois da excomunhão mútua, sem que pareça que deixara de apoiar ao convento latino de Colônia. Igrejas latinas havia por toda a Rus de Kiev e até o século XIII foi frequente a chegada de missionários latinos à Rússia e a “Bulgária do Volga” e até as estepes do Mar Negro. Quando as russas batizavam em igrejas varegas Um documento do século XII em russo chamado ” As perguntas de Kirik”, escrito em Novgorod, de direito canônico, recolhe que muitas mulheres russas (eslavas) levavam seus bebês para se batizar em igrejas “varegas” ( isto é, germânicas-latinas) mas o texto, embora parece entender que é algo errôneo (se impõe una ligeira penitência à mulher) dá por suposto que o batismo em outras igrejas é válido. A santa ortodoxa que vivia em Roma no século XIII Uma santa russa do calendário ortodoxo, Santa Parasceva, princesa da família dos príncipes de Polotsk (um principado importante do século XI e XII, no que hoje é a Bielorrússia, com sede episcopal) foi peregrina em Roma, viveu ali 7 anos e morreu em 1239. A Igreja Ortodoxa Russa a canonizou em 1273, mais de dois séculos depois da “excomunhão mútua”, sem que parecesse irritar-lhes seus anos de vida devota em terra latina. ( Conta M.A. Taube, “Roma y Rusia en el periodo antes de los mongoles”, Almanaque Católico, 2, París, 1928, em francês). A Rússia “românica” cheia de construtores latinos É coisa bem sabida, além disso, que as Igrejas do século XII que hoje contemplam os turistas no chamado “Anel de Ouro” ( nos antigos principados de Suzdal e Vladimir, por exemplo) as construíam e desenhavam técnicos ocidentais , chegados a pedido dos príncipes a partir da Alemanha, Polônia e Lombardia. O príncipe Yuri “Dolgoruki”, ou seja , “Jorge Brazolargo”, que seria o fundador de Moscou) e seu filho Santo André Bogolubski ( o primeiro a dedicar uma Igreja russa à Virgem) foram os grandes promotores desta arte, um autêntico românico no Oriente europeu. Todos esses indícios mostram que demorou muito em se consumar a ruptura decretada em 1054. Oxalá demore menos em consumar-se e levar-se a plenitude a reconciliação e plena comunhão. ____ Autor: P.J. Ginés / T. Fedótova Fonte: https://www.religionenlibertad.com/movil/articulo_rel.asp?idarticulo=46398&accion Tradução: David Nesta

  • A assombrosa história do metropolita russo que conseguiu a união com Roma e que o Tzar encarcerou

    O primeiro encontro Moscou-Roma foi em 1438 Não é correto, como dizem alguns meios, que o encontro de Kirill com Francisco seja o primeiro encontro entre um Papa de Roma e um metropolita (arcebispo) de Moscou. Em 15 de agosto de 1438 chegou à Ferrara (Itália) procedente da Rússia, Isidoro, metropolita de Kiev e Moscou, enviado pelo Tzar Basílio II. Depois de uma viagem de 11 meses, pôde assim participar do concilio de Florença-Ferrara, presidido pelo Papa Eugênio IV e o Patriarca de Constantinopla. Neste concílio estavam plenamente representadas as Igrejas ortodoxas e orientais, e inclusive estava presente em pessoa o Imperador bizantino João VIII , o Paleólogo. Isidoro não era russo, mas grego. Nascido em Salônica, e levava apenas um ano no cargo de Metropolita de Kiev e Moscou. Era um humanista, intelectual e entusiasta da missão de unir as Igrejas do Oriente e do Ocidente, divididas desde o cisma do séc .XI (que a Rússia chegou mais tarde, como explicamos aqui ¹ ) O imperador bizantino João VIII já havia empregado antes Isidoro como embaixador no Concilio de Basiléia em 1434. Bizâncio muito fraca: umas poucas cidades rodeadas por turcos Nesta época, tanto a corte imperial bizantina como o Patriarcado ortodoxo de Constantinopla tinham claro que o Império Bizantino estava rodeado e encurralado pelos turcos otomanos, que controlavam tanto os Balcãs como a Anatólia. Sérvia e Bulgária eram vassalos turcos e os otomanos haviam conquistado Salônica, a cidade natal de Isidoro. O Império nessa época se reduzia a cidade de Constantinopla, algumas ilhas do Egeu, algum território no sul da Grécia e algumas cidades mais costeira. Havia clérigos ortodoxos fanáticos que preferiam aos turcos antes que a Roma, mas o imperador, o Patriarca e muitos mais, como Isidoro, queriam alcançar a reunificação das Igrejas e forçar o envio de ajudas da Europa para Bizâncio. O Concilio que reuniu a latinos e ortodoxos O Concílio cumpria todas as condições de um Concílio Ecumênico. O patriarca de Constantinopla esteve em pessoa, e o de Antioquia, o de Alexandria e o de Jerusalém, bloqueados pelos turcos, enviaram seus representantes com poder de decisão. O Patriarca de Constantinopla caiu enfermo mas fez ler um texto decretando o valor universal do Concílio e indicando que quem se negasse a submeter-se as suas decisões seria excomungado. Desde um ponto de vista teológico ficou claro que as discrepâncias entre latinos e ortodoxos eram absolutamente menores, basicamente de linguagem e de detalhes rituais. Todos os choques teológicos se resolveram com boa vontade por ambas as partes. Assim, os delegados latinos e os orientais aprovaram a bula Laetentur caeli, de 6 de julho de 1439, promulgando a união das igrejas grega e latina. ( Os textos em espanhol desta bula com os gregos e as seguintes com outras igrejas orientais se podem ler aquí ². ) O Filioque, o purgatório, o pão da missa… temas resolvidos Gregos e latinos, como iguais, discutiram livremente. “Os latinos admitiram a correção do modo dos gregos de expressar a procedência do Espírito Santo e, consequentemente, já não exigiam que aceitassem a fórmula latina do dogma, senão sua essência. Os gregos aceitaram a legalidade da inclusão do Filioque no Credo mas a condição -concedida de bom grado- de que aquele acréscimo não se consideraria obrigatório para eles. A questão do pão com ou sem levedura, sem grandes dificuldades foi apagada da pauta graças a boa vontade de ambas as partes. Cada parte aceitou o uso de ambas tradições como possível. Sobre a questão do purgatório também foi alcançado o consenso ao aceitar que bastava a unidade fáctica no principal e que não era necessário insistir na forma da expressão” (Wilhelm de Fris. Ortodoxia y Catolicismo. Bruselas, 1992, p. 103-104). Como explica a “Historia de la Iglesia Católica en Rusia” (de Stanislav Kozlov-Strutinski y Pavel Parfentiev, edição de 2014 em russo, um livro de 730 páginas), devido às circunstâncias políticas e materiais (falta de meios para seguir residindo, necessidade de regressar o quanto antes, para proteger-se dos turcos) a discussão sobre a questão principal da primazia do papa foi abreviada. No entanto , nesta questão também se chegou a um consenso: os gregos admitiram o direito supremo do Papa ao governo de toda a Igreja, conservando os direitos tradicionais e privilégios dos patriarcas do oriente. Uma unificação aceitada e equilibrada Os gregos que firmaram a ata da união, não a tomavam como uma aceitação do “catolicismo” e abdicação da “ortodoxia”; desde seu ponto de vista a ata constatava que a fé grega “dos Santos Padres” e a confissão latina eram a mesma doutrina, embora expressada em termos distintos. O novo Patriarca de Constantinopla, Gregório III Mamma, favorável à união, explicava assim em uma carta ao príncipe de Kíev Alexandr Vladimirovich: “A todos os que nós excomungamos, eles também os excomungam , e aos que nós nos aferramos, eles também se aferram ”. (Popov A. Estudio histórico literario de los escritos rusos antiguos contra los latinos (ss. XI-XV), Moscú, 1875). A ata da união foi firmada por quase todos os participantes gregos do Concílio com o beneplácito do anterior Patriarca constantinopolitano que havia iniciado as sessões (que para aquele momento havia morrido mas deixando um testamento que aprovava a união). Só o metropolita de Éfeso e o de Stavropol (que se havia ido) ficaram sem assinar. Isidoro assinou com alegria e foi à Rússia para anunciar a unidade. Isidoro, metropolita de Kiev e Moscou, assinou entusiasta. Enquanto os demais escreviam simplesmente a palavra “assino”, ele escreveu “ assino com amor e aprovação” (Kartashev A.V. Ensayos sobre la historia de la Iglesia Rusa, Tomo 1, Moscú, 1991). Isidoro, um dos grandes artífices do acordo, se pôs então em direção para Moscou para anunciar a recém decretada unidade e consolidá-la nos principados russos. Um primeiro gesto da reunificação se vê na crônica presencial “Viagem à Florença”, de autor russo. Quando descreve a viagem para Florença, aos templos ortodoxos lhes chama “igreja” e aos latinos “bozhnitsa” (casa de Deus); de igual modo, chama “bispos” aos exarcas ortodoxos e “biskups” aos latinos. Depois de firmar-se a ata, o autor passa a chamar a todos –italianos, alemães, poloneses- com a terminologia russa, assinalando-os já como algo próprio. (Biblioteca de la literatura de la Rusia antigua, T.6, San Petersburgo, 1999). Nesta viagem de volta Isidoro se inteirou de que o Papa lhe havia nomeado cardeal (apenas há casos nessa época de cardeais de rito não latino) e lhe havia designado como seu legado para Lituânia, Galitzia (na Polônia), Letônia ( os países bálticos) e toda a Rus. Era um território quase inabarcavel. Hoje, o nacionalismo ortodoxo russo trata de desautorizar Isidoro (que era seu legítimo metropolita e acudiu à Itália com beneplácito e gastos pagos do zar) e retirar o valor do Concílio de Ferrara-Florença (onde russos, gregos e ortodoxos em geral estavam legítimamente representados). Nós vamos responder aos argumentos contrários à união remetendo-nos a “Historia de la Iglesia Católica en Rusia” de Stanislav Kozlov-Strutinski y Pavel Parfentiev. As cartas de Isidoro a suas cidades Isidoro, regressando à Rússia depois do Concílio, enviou uma mensagem a cada cidade de sua extensa zona metropolitana. Não tocava nas questões teológicas. Se autodenomina “Arcebispo de Kiev” (usando assim uma expressão latina) e proclama: “Alegrai-vos agora todos, já que a Igreja oriental e a Igreja ocidental que estiveram certo tempo divididas e contrárias uma a outra, agora se uniram com uma união verdadeira em sua unidade original e em paz, em uma unidade antiga e sem nenhuma fissura. Aceitai essa santa e mui santa unidade e união com grande alegria e honra espiritual. Rogo a todos vós em Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo que nos deu sua bondade que não tenhamos nenhuma divisão com os latinos; já que somos todos servos do Senhor Deus e Salvador nosso Jesus Cristo e em nome de Seu batismo. Logo roga a seus fiéis não ter divisões com os latinos, aceitar mutuamente o sacramento do batismo, e o poder receber os sacramentos e celebrar nos templos de cada confissão, assim como considerar igualmente real e santa a Eucaristia, seja com o pão com levedura ou sem ele “porque assim o decidiu em sua solene reunião o concílio Universal na cidade de Florença” (Floria B. N. Investigaciones de la historia de la Iglesia. Medioevo ruso antiguo y eslavo. Moscú, 2007). O povo da Rússia contra Roma? Um argumento dos ortodoxos russos mais anticatólicos (hoje e no século XVI) é que o povo da Rus ( Os senhorios eslavos orientais que logo seriam Rússia, Bielorrússia e Ucrânia) não queriam essa união. Mas isso é confundir a Rus com Moscou e seus arredores. As fontes históricas, especialmente as mais primárias, não tocadas pela influência moscovita, mostram que a união foi recebida com alegria ao menos no grão Principado de Tver (vizinho e rival do de Moscou, e por isso sempre com um braço estendido para a Polônia). Também foi bem recebida, com alegria, na Rus de Lituânia. Sabemos ademais que atravessando Hungria, Polônia e Lituânia, Isidoro percorreu distintas dioceses de seu enorme território metropolitano. De cidade em cidade ia celebrando a Eucaristia mencionando nela ao Papa Eugênio IV e nenhum prelado de rito oriental nem nenhum príncipe local se indignou por isso nem lhe negou autoridade metropolitana a Isidoro. Quando chega em 1441 a Kiev, o príncipe Alexandr Vladimirovich –registram as crônicas- entregou a “seu Pai Isidoro, metropolita de Kiev e de toda a Rus” um escrito especial confirmando seus direitos fiscais e jurídicos como metropolita. O Tzar de Moscou impediu a união eficaz Assim, na Polônia, na Lituânia, en Kiev, em Tver… por todas as partes as comunidades ortodoxas aceitavam a seu metropolita e a união com os cristãos latinos… até que Isidoro chegou a Moscou. Chegou na Páscoa de 1441 e proclamou a união das duas Igrejas na Catedral da Dormição do Kremlin de Moscou ( A mesma que podem visitar hoje os turistas). Em sua primeira Divina Liturgia ali levava um crucifixo de rito latino à frente da procissão e nomeou o papa Eugenio IV durante as rezas da liturgia. Também leu em voz alta o decreto de unificação. Era o mesmo que havia feito em muitas outras cidades, mas na solenidade de Páscoa. Lhe entregou ao Tzar moscovita, Basilio II, uma mensagem do Papa, pedindo que ajudasse o metropolita a trabalhar pela união dos cristãos na Rússia. Três dias depois, o Tzar Basílio II se assegurou de que 6 bispos se reunissem em um apressado sínodo local e depuseram Isidoro, o metropolita oficial, designado com apoio de Constantinopla para toda a Rus. Foi um caso direto de ingerência do poder político na organização eclesial. Se pode dizer também que o príncipe moscovita impunha assim sua vontade contrária à união sobre muitos outros povos da Rus que não a combatiam. Encarceraram Isidoro no Monastério Chúdov, exigindo-lhe que renunciasse a união com Roma, coisa que se negou a fazer. Esteve preso até setembro de 1443, dois anos, quando pôde escapar ao vizinho principado de Tver, e mais tarde a Lituânia e Roma. Alguém deveu favorecer sua fuga porque levou sua extensa biblioteca de humanista erudito, que cruzou a Europa e se guarda hoje no Vaticano. Pretextos rituais para uma intervenção política Se revisamos textos russos ortodoxos de 20 ou 30 anos posteriores a esses fatos, vemos que acusam a Isidoro de graves erros doutrinais e teológicos e heterodoxia. Mas quando revisamos fontes mais próximas do tempo dos fatos (por exemplo, a chamada Primeira Crônica de Novgorod), vemos que a Isidoro lhe acusam em um primeiro momento de coisas absolutamente menores: orar pelo Papa, usar uma cruz latina… não lhe acusam de violar os cânones ortodoxos universais, na Grécia ou na Terra Santa, porém “os usos da terra russa”. Essas foram as desculpas minúsculas com as quais o Tzar e seus bispos dóceis encarceraram a seu metropolita, obviamente por razões políticas, e não por diferenças doutrinais sérias. Há uma corrente de fundo que destacam Kozlov-Strutinski y Parfentiev em seu livro: na Rússia se dava uma importância exagerada a temas rituais absolutamente menores que para os ortodoxos cultos na Grécia ou em outros países não eram problemáticos. Inclusive no século XVII, a ruptura entre ortodoxos e velhos-crentes (ou vétero-ortodoxos) se baseou em temas rituais menores. Estes dois historiadores recordam que pouco depois de romper com Isidoro “os ortodoxos russos se voltaram com reprovação contra os gregos e contra todos os cristãos não-moscovitas em geral, acusando-lhes de que sua fé está deformada por tais e quais diferenças rituais e culpando-lhes de persignar-se com os dedos equivocados e de cantar aleluia às vezes incorretas. A versão anti-romana da história A partir de 1458 (dezessete anos depois de encarcerar Isidoro) os textos ortodoxos começam a recolher outra versão da história. O metropolita Jonas de Moscou (dócil ao Tzar, contrário a unidade) se enfrentava com o metropolita Gregório de Lituânia (discípulo de Isidoro) e ele se encarregou de que os textos começassem a acusar Isidoro de erros teológicos. Mas no principado de Tver, segundo os documentos, se mantiveram “florentinos” (favoráveis a unidade) basicamente até essa data de 1458. Outro dos autores de textos contra Isidoro foi Simeão de Suzdal, que de fato era seu inimigo pessoal. Este autor quer absolver os príncipes políticos da acusação de ingerência em assuntos eclesiásticos e justificar que a metrópole de Moscou fique livre (ignorando a Constantinopla), investindo as tintas contra quem devia ser seu legítimo pastor, Isidoro. E coisas que Simeão não diz, lhe são atribuídas ou “aumentadas” por quem o citam em anos posteriores. Isidoro em Roma e Constantinopla Isidoro, talvez o arcebispo católico com um território canônico mais extenso, já não podia governá-lo. Voltou a Roma em 1443: não havia conseguido promover a unidade. O Papa Nicolás V o enviou em 1452 a Constantinopla, com 200 soldados latinos para ajudar a defender a cidade dos turcos, que começavam seu assédio. Também tinha a missão de tentar assentar a união com o clero ortodoxo, e de fato, com os turcos às portas conseguiu reunir a 300 clérigos bizantinos para trabalhar este tema. Enquanto isso , o colossal exército turco conquistou Constantinopla em 29 de maio de 1453, pondo fim a mil anos de Império Romano do Oriente. Das cinco grandes sedes Patriarcais do cristianismo (Jerusalém, Alexandria, Antioquia, Constantinopla e Roma) todas, menos Roma, estavam agora sob o poder muçulmanos. Os turcos entraram na cidade causando um grande massacre. Isidoro tinha 68 anos, e é evidente que não era um homem covarde, mas tampouco tinha vontade de morrer antes de tempo. Pôs seu traje de cardeal em um cadáver: os turcos o encontraram, cortaram a cabeça do corpo e a passearam com ela pelas ruas. A Isidoro confundiram com um Zé -Ninguém e o escravizaram como a outros milhares de cativos anônimos. Se preparou para escapar e comprar sua liberdade e poder voltar a Roma. Escreveu uma detalhada carta ao Papa explicando os horrores da queda de Bizâncio. O Papa lhe nomeou bispo de Sabina. Depois Pío II lhe honraria com títulos pomposos impossíveis de exercer em territórios turcos: Patriarca Latino de Constantinopla e arcebispo de Chipre. Morreu em Roma em 1463, aos 78 anos, depois de sobreviver a dois cercos, viajar milhares e milhares de kilômetros, dominar vários idiomas para tentar mediar entre nações e mentalidades mui distintas e buscar a união dos cristãos incansavelmente. _____ Autor: P.J.Ginés / T.Fedótova. Tradução: David Nesta. Fonte: https://www.religionenlibertad.com/movil/articulo_rel.asp?idarticulo=47712&accion

  • O problema do mal

    Porque Deus permite o sofrimento e o mal? Um dos argumentos mais utilizados dos ateus contra o cristianismo é o problema do mal. Antes de abordarmos a questão, ressalto que esse é um assunto delicado, pois toca na área onde argumentos lógicos podem ser irrelevantes. Ninguém após perder um ente querido quer ouvir sobre a lógica de Deus permitir isso ou aquilo, mas apenas querem ser confortados e amados num momento de aflição. Tomo como exemplo o grande apologista e escritor C.S Lewis, que escreveu dois livros sobre o assunto, O problema do sofrimento, oferecendo argumentos e defendendo que a presença da dor no mundo em nada implica com a existência de um Deus amoroso e soberano. E um dos seus mais profundos livros, A anatomia de uma dor, Um luto em observação, onde ele conta toda a dor e aflição que sentia após de ter perdido a esposa numa luta angustiante contra o câncer e como isso abalou sua fé. No primeiro ele faz da perspectiva lógica, o segundo, da emocional, de quem está sofrendo na pele aquela dor. Portanto, há duas formas de abordar esse problema, o modo intelectual e o emocional. Livros inteiros são escritos para responder esse problema, mas vou tentar aborda-lo de forma breve. Se Deus é bom e poderoso, porque não acaba com o mal? A presença do mal do mundo é consequência do pecado, para Deus criar um mundo sem pecado, Ele [Deus] deveria criar um mundo onde não existisse liberdade, mas onde não existe liberdade, não existe amor, mas sim escravidão. Ou seja, pedir a Deus que criasse o ser humano incapaz de pecar, é pedir que Deus criasse escravos incapaz de amar livremente. E se não podemos nem amar livremente, seríamos incapazes de praticar qualquer tipo de ação. Sabendo de tudo isso, Deus escolheu criar o ser humano dotado de liberdade, pois somente nesse cenário o bem, o amor, o nobre e o justo poderia sobressair e ter lugar. Do contrário, seríamos apenas bonecos pré determinados, sem responsabilidades nem escolhas. Somos livre dentro da soberania de Deus. O mal é a ausência de bem. Assim como o frio é a ausência de calor, o silêncio é a ausência de som, o mal é a ausência do bem. Para sabermos que algo é mal, precisamos saber o que é bom, temos que ter algo padrão para comparar, por isso a presença do mal, longe de indicar que Deus não existe, indica sua existência, pois se Ele não existisse, não haveríamos de distinguir o mal do bem, esse conceito seria pessoal, um estupro poderia ser considerado algo ‘bom’, já que a definição seria individual. Sem Deus, qual seria o padrão do Bem? O próprio ser humano? Convenções sociais? Ao usar o mal como argumento contra Deus, o ateu entra em contradição. Pois ao dizer que algo é mal, ele automaticamente e inconscientemente afirma o que deveria ser bom. Não saberíamos o que seria uma linha torta, sem conhecer uma reta, já dizia o próprio C.S Lewis. Portanto, a presença do mal é reflexo da nossa liberdade. Somos livres para pecar, mas também para amar . Mesmo num mundo caído cheio de sofrimento devido ao pecado, somente sendo livres poderíamos amar, fazer o bem e fazer superabundar a graça de Deus. Por sermos limitados na compreensão dos planos divinos, não sabemos quais exatamente são as intenções de Deus com tudo isso. Mas nem por isso Ele ficou alheio a nossa dor, mas sofreu na pele as próprias consequências do pecado e da nossa rebelião contra Ele, ao se fazer carne e sofrer em Cristo e ser crucificado pelos nossos pecados. Em nenhum momento Deus nos prometeu um paraíso nessa Terra, aqui teríamos aflições e dores, mas Ele prometeu que não seria para sempre. Haveria de chegar o tempo onde as velhas coisas passariam e tudo seria renovado, onde não haveria nem choro nem dor. A peça só termina quando o autor sobe ao palco para os aplausos finais. Todo cristão sabe que todo sofrimento é passageiro, que somos apenas peregrinos nessa terra, que o propósito da nossa vida não é viver na ausência de dor, mas na presença de Deus. Jesus, os apóstolos, os mártires e profetas nos dão total exemplo disso. O sofrimento, para o mal ou para o bem, faz parte da realidade humana, querer eliminar Deus por causa disso, é retirar a única esperança de alívio. Dias virão, onde toda lágrima será enxugada e todo pranto se converterá em alegria diante da presença do Deus Todo Poderoso. ” Este é o meu consolo no meu sofrimento: A tua promessa dá-me vida. ” Salmos 119:50

  • A ESPERANÇA QUE VAI ALÉM DO FIM (Karol Józef Wojtyła – São João Paulo II)

    No tempo certo, A esperança se eleva de todos os lugares sujeitos a morte A esperança é o contrapeso Nela o mundo que morre, revela a vida de novo Nas ruas as pessoas com casacos curtos e com cabelos caídos no pescoço Cortam com a lâmina do passo o espaço do grande mistério Que em cada um deles se estende entre morte e esperança Um espaço que flui para o alto, como a pedra de luz solar Revirada ao ingresso do sepulcro Neste espaço, a mais perfeita medida do mundo Tu és! (Karol Józef Wojtyła – São João Paulo II)

  • OS OLHOS DOS SÁBIOS ESTÃO FIXADOS EM CRISTO JESUS – O CABEÇA DA IGREJA (São Gregório de Nissa,

    Se a alma levantar os olhos para sua cabeça, que é Cristo – conforme comparação de Paulo – considere-se feliz pela viva agudeza de seu olhar, porquanto tem os olhos ali onde não existe a escuridão do mal. O grande Paulo, e quem quer que seja igualmente grande, tem os olhos na cabeça, como também os tem todos os que vivem, se movem e são em Cristo. Pois como não é possível que veja trevas quem está na luz, também não pode acontecer que quem tem olhos em Cristo, os fixe em alguma coisa vã. Quem, pois, tem os olhos na cabeça, entendendo cabeça por princípio de tudo, tem olhos em toda virtude (Cristo é a virtude absoluta e perfeita), na verdade, na justiça, na incorruptibilidade, em todo bem. Os olhos do sábio estão em sua cabeça; o insensato, porém, caminha nas trevas. Quem não põe sua lâmpada sobre o candelabro, mas coloca-a debaixo do leito, faz com que a luz seja trevas. Ao contrário, quão numerosos são aqueles que, por suas lutas, se enriquecem com as realidades supremas, vivem na contemplação da verdade e, no entanto, são tidos por cegos e inúteis, tais como Paulo a gloriar-se, dizendo-se insensato por causa de Cristo. A prudência e sabedoria dele não se preocupavam nunca com aquilo que é objeto de nossos cuidados. Diz ele: Nós, estultos por Cristo, como se dissesse: “Nós, cegos em relação às coisas daqui de baixo, porque olhamos para cima e temos os olhos na cabeça”. Por este motivo era sem teto e sem mesa, pobre, peregrino, nu, sofrendo fome e sede. Quem não o julgaria infeliz, vendo-o preso e açoitado como um infame, após o naufrágio, ser levado pelas ondas do mar alto, e conduzido daqui para ali em cadeias? E, no entanto, embora tratado desta maneira entre os homens, não despregou os olhos, mantendo-os sempre em Cristo, Cabeça e dizia: Quem nos separará da caridade de Deus, que está em Cristo Jesus? aflição, angústia, perseguição, fome, nudez, perigos, espada? Como se dissesse: “Quem arrancará meus olhos da Cabeça e os voltará para aquilo que se calca aos pés?” A nós também nos exorta a agir de modo semelhante quando ordena ter gosto pelas coisas do alto; não é isto o mesmo que dizer termos os olhos em Cristo, Cabeça? (Das Homilias sobre o Eclesiastes, de São Gregório de Nissa, bispo – Hom. 5:PG 44,683-686 – Séc.IV). #Cristologia #Igreja

  • A MAÇONARIA REVOLUCIONÁRIA NA EUROPA

    • A MAÇONARIA REVOLUCIONÁRIA NA EUROPA • PORTUGAL • “Em Portugal, a liberdade de pensamento, a República e a maçonaria andam de mãos dadas, mas, dos três a que se dirige é a maçonaria que antes de tudo, protege a liberdade de pensamento e difunde o seu ensino”. • À frente da maçonaria portuguesa está o Grão-Mestre Magalhaes Lima, jornalista, advogado, político, livre pensador, republicano, revolucionário e um dos personagens dirigentes da maçonaria universal. • Em dezembro de 1907, esteve em Paris e realizou nas Lojas da capital francesa, uma série de conferências sob o título de: Portugal, Destruição da Monarquia, necessidade da República. • Algumas semanas depois, el-rei D. Carlos e seu filho mais velho eram assassinados. D. Manuel subia ao trono, mas, como era inofensivo, limitaram-se a envia-lo para o exílio. • Os maçons nem se dignaram ocultar que eram os autores da revolução portuguesa. Na seção de 12 de fevereiro de 1911, o maçom Furnemont, grande orador do Grande Oriente da Bélgica, dizia: • “Lembrai-vos do profundo sentimento de altivez que todos experimentamos, ao sabermos da rápida revolução portuguesa? Em poucas horas, ruía o trono, o povo triunfava e a república era proclamada. Para os profanos, foi um raio no céu sereno. Mas nós meus irmãos, nós sabíamos, conhecíamos a maravilhosa organização dos nossos irmãos portugueses, o seu zelo infatigável, a sua atividade incessante. Conhecíamos o segredo desse glorioso acontecimento”. • Citando essa passagem, Wichtl acrescenta: • “Quereis outra prova? Vede o Bundesblatt, órgão oficial da Grande Loja prussiana Zu den derei Weltkügeln. Esse jornal fala de um livro do professor português Jorge Graínha sobre a história da maçonaria em Portugal, de 1733 a 1912, e cita as primeiras palavras do prefácio: • “A maioria dos homens que se distinguiram no decorrer das convulsões políticas, religiosas e literárias de Portugal, nos dois últimos séculos, pertencia a maçonaria. ” • “E o Dr. Grainha acrescenta: • Todos os chefes importantes da revolução política de 5 de outubro de 1910 eram maçons” • Os que auxiliaram a queda da monarquia pertenciam as famílias seguintes: Castro, Costa, Cohenn, Pereira, Ferreira, Teixeira, Fonseca, etc; famílias poderosas, ocupando postos importantes na Espanha, na Holanda, na Inglaterra, na América, unidas pela maçonaria e pela aliança israelita universal. • Espanha • Na Espanha, como em toda parte, o fim principal da maçonaria é a destruição da Monarquia e da Religião. O Grão-Mestre Morayta disse-o claramente, no congresso maçônico internacional de Madri (julho de 1894): • “O povo seguiu sempre a política do rei; esse tempo passou; na Espanha, a república é um progresso próximo e necessário”. • Se não conseguiram assassinar Afonso XIII, não foi por faltas de tentativas. O número de atentados contra o rei é impressionante. Todavia, falaremos apenas do caso Ferrer que é interessante, porque revela a organização mundial da maçonaria: • “Sob um vão pretexto, ouve em Barcelona uma revolta e os incêndios e os massacres obrigaram o governo a estabelecer, na cidade, o estado de sitio. O agitador Ferrer foi preso. Em lugar de ser fuzilado imediatamente, foi entregue ao tribunal militar que o condenou à morte. E, logo, despachos mentirosos foram enviados a todos os jornais do mundo: Ferrer não julgado conforme as leis, seu defensor foi preso. O clero e o próprio Papa foram responsabilizados pelo fato. ‘A mão sangrenta da igreja, que é parte no processo, escrevia a lanterna, dirigiu tudo e os esbirros do rei da Espanha cumpriram apenas as suas determinações. Todos os povos se devem insurgir contra essa religião de assassínio e de sangue’. E para reforçar o efeito de tais palavras, uma caricatura representava um padre com um punhal nas mãos. Ameaças de represálias, de assassínios do Rei e do Papa choveram em Madri e em Roma. Petições circulavam de Paris a Roma, a Bruxelas a Londres e a Berlim, para protestar contra o julgamento. Ferrer foi executado. Imediatamente, se realizaram em todas as principais cidades da França e de todos os países europeus, numerosas e sangrentas manifestações. Para cúmulo, armou-se, nas ruas de Paris, uma espécie de Triunfo em que, sob a proteção da polícia e com a participação do exército, Ferrer foi glorificado, ao som das estrofes da Internacional. • “Os governos foram interpelados, nos diversos parlamentos, conselhos departamentais e municipais assinaram protestos. 57 cidades da França resolveram dar o nome de Ferrer a uma de suas ruas. • “A espontaneidade e o número prodigioso dessas manifestações, por uma causa estranha aos interesses dos diversos países indicam uma organização extensiva a todos os povos atuando até nas suas localidades menos importantes. • “O conselho da Ordem do Grande Oriente de Paris enviou a todas as suas Lojas e a todos os poderes maçônicos do mundo um protesto contra a execução de Ferrer, no qual reivindicavam o agitador como um dos seus membros: ‘Ferrer foi um dos nossos. Sentiu que na obra maçônica, se concentra o mais sublime ideal que o homem pode realizar. Afirmou os nossos princípios, até a morte. O que procuraram ferir nele foi o ideal maçônico. Diante da marcha do Indefinido Progresso da humanidade, eleva-se uma força retrógrada que, com seus princípios e sua ação, visa rejeitar nos nas trevas da Idade Média’ • “A maçonaria declarou, portanto, com palavras e atos, que considerava e defendia Ferrer como a Encarnação do seu ideal. Por uma carta do próprio ser a um dos seus amigos conheceremos uma parte desse ideal: “para não alarmar o povo e não oferecer ao governo o protesto de fechar os meus estabelecimentos, denomino-os Escola Moderna, em lugar de Escola de Anarquistas. Porque o fim da minha propaganda, confesso-o francamente, é formar nas minhas escolas anarquistas convictos. O meu voto é atrair a revolução. Momentaneamente, todavia, devemos limitar-nos inculcar aos cérebros da Mocidade o princípio da revolução violenta. Ela deve aprender que, contra os esbirros e a tonsura, existe um único meio: a bomba e o veneno”. • Eis o homem que a Maçonaria apresentou ao mundo, como um dos Apóstolos do seu ideal. • Alguns dias depois da execução de Ferrer, o ministério de Madri foi obrigado a apresentar sua demissão; os chefes dos partidos liberal e democrático, obedecendo, sem dúvida, as injunções das Lojas, comunicarão ao presidente Maura que se oporiam implacavelmente a qualquer projeto ou medida apresentados por ele. A sua retirada encheu de alegria todos os adeptos da liberdade de pensamento, na Europa. O jornal Acácia escreveu: • “Não é verdade que no mundo inteiro se travou um duelo formidável, o mesmo em toda parte, entre as religiões e o pensamento Livre, entre a autocracia e a Democracia, entre o absolutismo e a revolução? A fronteiras para a igreja e tenho Vaticano para? Não se encontra o drama da humanidade, não se encontra o drama da humanidade, ao redor das forças internacionais que são a convenção e a escola? A queda do gabinete Maura e a execução de Ferrer são apenas episódios desse grande e infinito drama”. • Itália • As revoluções que, a partir de 1821, se desencadearam, na Itália, foram obra da maçonaria, segundo afirmou o maçom Chiossone, em uma conferência realizada, em 1907, na loja parisiense solidariedade. • O mais célebre revolucionário italiano é Mazzini, cuja atividade Europeia, entre 1830 e 1872, é tão conhecida, que não há necessidade de evocar nestas páginas. Seu intuito era a revolução universal e ele mantinha relações com os revolucionários do mundo inteiro. Mazzini e Garibaldi são considerados as estrelas de primeira grandeza da maçonaria italiana. • Mazzine for nomeado grão-mestre em 1875. Como seria necessário dedicar um livro inteiro para mencionar os nomes dos revolucionários italianos, vou apenas mencionar alguns, com poucas palavras sobre os documentos da Alta Venda Romana de que já foi falado em outros textos. Essas cartas, de cujo conteúdo foi enviada, naquela época, uma cópia a todas as cortes da Europa, tem uma importância capital, pois provém de um dos grandes Supremos da Maçonaria; foram publicadas em parte, no livro de Crétineau-Joly, L’Église Romaine em face de la révolution, e revelam a organização secreta geral do movimento revolucionário, na Itália. Na base, estavam as lojas maçônicas; acima destas, as associações ou vendas ou carbonários que eram, segundo Louis Blanc, a parte militante da maçonaria. • À frente de todas, ficava a Alta Venda, composta de 40 membros, todos Escolhidos cuidadosamente, entre os revolucionários de eleição das lojas e das vendas. o chefe era Nubius, cujo verdadeiro nome não foi revelado pelo Vaticano. Nubius dirigiu a Alta Venda até 1844. Tornou-se então, repentinamente fraco de espírito e morreu quatro anos depois. • Entre esses 40 adeptos, muitos eram membros das mais importantes famílias de Roma; outros haviam sido admitidos pelo seu valor pessoal, outros, finalmente, eram judeus, pois Como já vimos e veremos em outros textos posteriormente, que os judeus constituem sempre a maioria nos conselhos superiores das sociedades secretas. • Diversos membros da alta renda frequentavam continuamente a corte de Roma, eram íntimos dos Cardeais e do Papa, sem que ninguém tivesse qualquer suspeita, nem pudesse desconfiar deles. Foi só mais tarde que se descobriu o seu verdadeiro papel, quando os documentos caíram em poder do Papa; entretanto, não se pôde saber como o Vaticano os conseguiu obter. • A existência da alta venda era ignorada de todas as vendas inferiores e, portanto, da Maçonaria inferior. Contudo, acima dela, havia outro grupo ainda mais secreto, desconhecido dos próprios membros da Alta Venda que lhes obedeciam cegamente, sem saber de onde provinha a ordem. Prova-o a carta de um deles, Melegari, dirigido ao doutor Breintenstein em 1836. • “Queremos sacudir todo jugo e a um que não se vê, que apenas se sente e pesa sobre nós. Donde vem? Onde está? Ninguém o sabe ou, pelo menos, ninguém o diz. A sociedade é secreta, até para nós veteranos das sociedades secretas. Exigem de nós, às vezes, coisas de arrepiar os cabelos; e acreditareis que me informam, de Roma, de que dois dos nossos, bem conhecidos pelo seu ódio ao fanatismo, foram obrigados, por ordem do Chefe Supremo, a ajoelhar e a comungar, pela última Páscoa? Não discuto a minha obediência, mas quisera saber o objeto de Tais falsas provas de devoção”. • Essas cartas são, sem dúvida, documentos extraordinários, como eram trocadas entre confrades, os 40 membros não se constrangiam e manifestavam claramente os seus verdadeiros pensamentos, dando provas de um cinismo frio e tranquilo e diversidade impressionante. • Infelizmente, a maior parte dos textos originais foram queimadas e Crétineau-joly compôs o seu livro, baseando-se em notas e borrões que haviam sido conservados. Foi, portanto, acusado de não ter publicado o texto original e de ter feito Literatura. Embora a parte essencial da obra seja exata, pois, do contrário, o Vaticano não autorizaria a sua publicação, não é possível garantir a autenticidade literal do texto. Transcrevo, a título de amostra, a carta de Vindice, escrita de Castellamare a Núbius, a 9 de agosto de 1838, na qual se desenvolve o plano da Alta Venda: • “Os assassínios que os nossos comentem, ora na França, ora na Suíça e sempre na Itália, causa-nos vergonha e remorso. É o apólogo de Cain e de Abel, explicando a origem do mundo, e nós progredimos tanto que tais meios já não nos podem satisfazer. De que serve matar o homem? Só para amedrontar os tímidos e afastar de nós os corações valentes. Os carbonários, nossos predecessores, não compreendiam o seu poder. Não é no sangue de um homem isolado ou de um traidor que deve ser exercido, mas sobre as massas. Não individualizemos o crime; para emgrandecê-lo até às proporções do patriotismo e do ódio contra a Igreja, devemos generalizá-lo. Uma punhalada não tem significação nem consequência. Que resulta, para o mundo, de alguns cadáveres desconhecidos, semeados nas ruas pela vingança das Sociedades Secretas? Que importa ao povo que o sangue de um operário, de um artista, de um fidalgo e até de um príncipe seja derramado, em virtude de uma sentença de Mazzini ou de algum dos seus sicários”? O mundo não tem tempo de prestar ouvidos aos gritos das vítimas; passa esquece. Somos nós, meu Nubius, os únicos que podem suspender-lhe a marcha. O catolicismo não teme mais do que a monarquia, mas estas duas bases da ordem social podem desmoronar, pela corrupção; logo, não cessemos de corromper. Tertuliano dizia, com razão, que o sangue dos Mártires gerava cristãos. ficou assentado, em nossos Concílios, que não queremos mais crostãos; logo, não façamos novos mártires, mas vulgarizemos o vício entre as multidões. Respirem-no estas, pelos cinco sentidos, até à saturação; esta terra, em que caiu a sementeira de Arentino, está sempre disposta a receber ensinamentos lúbricos. Formai corações de viciosos e não tereis mais católicos. Afastai o sacerdote do trabalho, do altar e da virtude, procurai habilmente dar outra ocupação ao seu tempo e aos seus pensamentos, tornai-o ocioso, guloso e patriota, e ele será ambicioso, intrigante e perverso. Alcançareis um resultado mil vezes melhor do que matando e estilhaçando os ossos de alguns pobres coitados. • Eu não quero e vós também não desejais — não é verdade, amigo Nubius? — dedicar a minha vida aos conspiradores, para continuarmos a trilhar a senda antiga. • Empreendamos a corrupção em larga escala, a corrupção do povo pelo clero e a corrupção do clero por nós; a corrupção nos levará, um dia, a enterrar a Igreja. • Ouvi, ultimamente um dos nossos amigos rir-se filosoficamente dos nossos projetos, observando: “Para abater o catolicismo seria preciso suprimir, primeiro a mulher. O conceito é verdadeiro, mas, como não podemos suprimir a mulher, corrompamo-la com a Igreja. Corruptio optime pessima. O fim tem bastante atrativos, para tentar homens da nossa têmpera. Não nos desviemos dele, pela satisfação de algumas míseras vinganças pessoais. O punhal mais apropriado, para ferir o coração da Igreja, é a corrupção. Mãos à obra, pois, e até o fim!” • Após a morte de Mazzine, seus discípulos melhores e mais fiéis assumiram a direção da Maçonaria. Foi nomeado então o primeiro conselho da ordem dos maçons italianos, com 33 membros. No decorrer de 1872, fundou-se a unidade Maçônica italiana que, em 1887 consolidou as suas posições. • A Maçonaria italiana foi sempre unicamente revolucionária e, assumindo o poder, o fascismo a dissolveu. • A este respeito, Popolo d’itália publicou: • “Pela primeira vez, um partido no poder tem a coragem de quebrar o obscuro abraço envolvente e sufocante da maçonaria. Pela primeira vez, uma coalisão governamental ousa lançar um desafio irreparável e essa velha seita secreta, cujos tentáculos, se haviam insinuado em todas as organizações do Estado e que, até há pouco tempo, costumava impor uma espécie de investidura a todos os gabinetes derivados do temeroso e vacilante liberalismo italiano. Desde que era necessário resolver o problema, toda tergiversação reforçaria o oculto poder do Palácio Giustiniani e confirmaria mais uma vez, a invulnerabilidade da seita que se julgava um governo dos governos, um Estado acima do Estado. O ato corajoso do Grande Conselho demonstrou, pelo contrário, que o fascismo, partido de mocidade e de reforma, possui um poder tão seguro e mediato, que ousa desafiar a maçonaria e afrontar, com iluminada energia, todo risco de desordens interiores. • “Uma vida nova se inicia para a Itália”. • COMENTANDO ESTE MANIFESTO, ALBERT LANTOINE, ESCREVEU: • “Obrigada, por assim dizer, a retroceder sobre si mesma, a Maçonaria vai consagrar-se a trabalhos espirituais, evitar toda tentativa de manifestação, que seria muito mal recebida, e, chegada a hora da possibilidade de represália, saberá vingar-se da afronta que lhe foi infligida”. Bibliografia: A conjuração anticristã, Monsenhor Delassus. As forças secretas da revolução, Léon de poncis. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #maçonaria #humanismo #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Gnosticismo #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Revoluçãofrancesa #Igreja

  • UM VENTO NOVO – Domingo de Pentecostes

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Igreja, o novo Corpo de Cristo”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Atos dos Apóstolos 2,1-11) O sopro vivificante do Pai Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. Cheios de espanto e admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? Nós que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!” SALMO 103 O Espírito que tudo renova (Antífona): Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai! Bendize, ó minha alma, ao Senhor!/ Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande!/ Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras!/ Encheu-se a terra com as vossas criaturas! Se tirais o seu respiro, elas perecem/ e voltam para o pó de onde vieram./ Enviais o vosso espírito e renascem/ e da terra toda a face renovais. Que a glória do Senhor perdure sempre,/ e alegre-se o Senhor em suas obras!/ Hoje seja-lhe agradável o meu canto,/ pois o Senhor é a minha grande alegria! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1Coríntios 12, 3b-7.12-13) Unidos por um só Espírito Irmãos: Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo. Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito. EVANGELHO (São João 20,19-23) O Espírito Santo age através da Igreja Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”. UM VENTO NOVO (Comentário de Scott Hahn) O dom do Espírito Santo ao novo povo de Deus é o evento que coroa o plano de salvação do Pai. A festa judaica de Pentecostes convocava todos os devotos judeus a Jerusalém para celebrar seu nascimento como povo escolhido de Deus, sob a Lei dada a Moisés no Sinai (v. Lv 23,15-21; Dt 16, 9-11). A primeira leitura de hoje mostra-nos como os mistérios prefigurados nessa festa se cumprem no momento em que se derrama o Espírito sobre Maria e os Apóstolos (v. Atos 2,14). O Espírito sela a nova lei e o nova aliança trazida por Jesus, escrita não sobre tábuas de pedra, mas no coração dos crentes, como havia sido prometido pelos profetas (v. Jr 31,31-34;  2Cor 3, 2 -8; Rm 8,2). O Espírito é revelado como o sopro vivificante do Pai, a Vontade através da qual Ele fez todas as coisas, como nos diz o salmo de hoje. No começo, o Espírito era o “vento de Deus” que “se movia sobre a face das águas” (Gen 1,2). E na nova criação de Pentecostes, esse mesmo Espírito vem como um “vento forte e impetuoso” para renovar a face da terra. Assim como Deus formou o primeiro homem a partir do barro e o encheu do Seu Espírito (v. Gen 2,7), no Evangelho de hoje vemos o Novo Adão, que compartilha o Espírito vivificador, soprando-O sobre os apóstolos e dando-lhes nova vida (v. 1 Cor 15, 45-47). Como um rio de água viva para todas as gerações, Ele derramará seu Espírito através de seu Corpo, que é a Igreja, como nos diz a epístola de hoje (v. também Jo 7, 37-39). Nós recebemos esse Espírito através dos sacramentos. Pelo Batismo, fomos transformados em uma “nova criação” (v. 2 Cor 5,17; Gal 6,15). Alimentando-nos, na Eucaristia, com esse Espírito que é único (v. 1Cor 10,4), somos os primeiros frutos de uma nova humanidade, nascida de cada nação que existe debaixo do céu, sem distinções de língua, raça ou condição social. Somos um povo nascido do Espírito. https://stpaulcenter.com/viento-nuevo-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-pentecostes/ https://stpaulcenter.com/a-new-wind-scott-hahn-reflects-on-pentecost-sunday/

  • O ENVIO DO ESPÍRITO SANTO (Santo Irineu, bispo)

    Ao dar a seus discípulos poder para que fizessem os homens renascer em Deus, o Senhor lhes disse: Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19). Deus prometera, por meio dos profetas, que nos últimos tempos derramaria o seu Espírito sobre os seus servos e servas para que recebessem o dom da profecia. Por isso, o Espírito Santo desceu sobre o Filho de Deus, que se fez Filho do homem, habituando-se com ele a conviver com o gênero humano, a repousar sobre os homens e a morar na criatura de Deus. Assim renovava os homens segundo a vontade do Pai, fazendo-os passar da sua antiga condição para a vida nova em Cristo. São Lucas nos diz que esse Espírito, depois da ascensão do Senhor, desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes, com o poder de dar a vida nova a todos os povos e de fazê-los participar da Nova Aliança. Eis por que, naquele dia, todas as línguas se uniram no mesmo louvor de Deus, enquanto o Espírito congregava na unidade as raças mais diferentes e oferecia ao Pai as primícias de todas as nações. Foi por isso que o Senhor prometeu enviar o Paráclito, que os tornaria capazes de receber a Deus. Assim como a farinha seca não pode, sem água, tornar-se uma só massa nem um só pão, nós também, que somos muitos, não poderíamos transformar-nos num só corpo, em Cristo Jesus, sem a água que vem do céu. E assim como a terra árida não produz fruto se não for regada, também nós, que éramos antes como uma árvore ressequida, jamais daríamos frutos de vida, sem a chuva da graça enviada do alto. Com efeito, nossos corpos receberam, pela água do batismo, aquela unidade que os torna incorruptíveis; nossas almas, porém, a receberam pelo Espírito. O Espírito de Deus desceu sobre o Senhor como Espírito de sabedoria e discernimento, Espírito de conselho e fortaleza, Espírito de ciência e de temor de Deus (Is 11,2). É este mesmo Espírito que o Senhor por sua vez deu à Igreja, enviando do céu o Paráclito sobre toda a terra, daquele céu de onde também Satanás caiu como um relâmpago (cf. Lc 10,18). Por esse motivo, temos necessidade deste orvalho da graça de Deus para darmos fruto e não sermos lançados ao fogo, e para que também tenhamos um Defensor onde temos um acusador. Pois o Senhor confiou ao Espírito Santo o cuidado da sua criatura, daquele homem que caíra nas mãos dos ladrões e a quem ele, cheio de compaixão, enfaixou as feridas e deu dois denários reais. Tendo assim recebido pelo Espírito a imagem e a inscrição do Pai e do Filho, façamos frutificar os dons que nos foram confiados e os restituamos multiplicados ao Senhor. (Do Tratado contra as heresias, de Santo Irineu, bispo – Lib. 3,17,1-3: SCh 34,302-306 – Séc. II). #Igreja

  • A INQUISIÇÃO E O NÚMERO DE MORTOS EM TODA A SUA HISTÓRIA, E A CONCLUSÃO DE VINTE OITO HISTORIADORES

    • A INQUISIÇÃO E O NÚMERO DE MORTOS EM TODA À SUA HISTÓRIA, E A CONCLUSÃO DE VINTE OITO HISTORIADORES E O DOCUMENTÁRIO DA BBC DE LONDRES. • Depois de ler e ouvir as palestras de protestantes extremamente desonestas, onde podemos verificar um nível de desonestidade intelectual e desconhecimento sobre o tema muito elevados, e podemos falar dos nossos professores com um nível de influência marxista muito grande, são extremamente mentirosos como os protestantes anticatólicos, através desse material quero compartilhar uma pesquisa historiográfica sem anacronismo. Vamos ao tema que é o verdadeiro número de condenados à morte pela Inquisição Espanhola e, que o documentário realizado pela BBC de Londres, que não sei porque é um documento pouquíssimo difundido – intitulado (o mito da inquisição espanhola). Vale ressaltar que, para uma surpresa de muitos, foi feita uma defesa da Inquisição espanhola. A surpresa, pois, veio de uma organização televisiva que era tradicionalmente hostil à Espanha e à Igreja católica. O documentário, com duração de 50 minutos, foi co-produzido pelo historiador e hispanista Nigel Towson. Foram vários meios de comunicação que reuniram esta notícia, entre eles o periódico espanhol El país, de Madrid (11/07/1994). Entre as séries mais procuradas, e destacadas como cifras de execução: 3.000 e 5.000 pessoas que foram executadas pelo Estado nas instâncias da inquisição espanhola. Isto soma-se, e confirma, o que foi afirmado por Charles Lea: Os Protestantes assassinaram 150 mil pessoas por suspeita de bruxaria. No final, conclui: “Mais pessoas foram assassinadas na revolução francesa do que a inquisição em todo o século XVI”. (Se uma das partes confessa …)> termo espanhol. • Stephen Haliczer: professor da universidade de illinois nos estados unidos, afirma que em 350 anos de história repressiva, e enquanto fala de milhões de assassinos, uma cifra real do socorro situa entre 5.000 e 7.000 pessoas. • Bernardino Llorca: “Vimos inclusive que em alguns tribunais, durante o século XVI, se conhecerá o apogeu da inquisição”. poder secular “. No entanto, é preciso esclarecê – lo no momento de escrever seu livro – o segundo terço do século XX – os arquivos em inquisitoriais ainda não foram completamente limpos completamente estudados. • Agostino barromeo: afirma este reconhecido historiador que “a inquisição espanhola – muito ativa, e que não foi abolida até 1834 – uma mil e uma pessoas atrás das 130 mil pessoas, das quais foram condenados à morte menos de dois por cento”. Inclusive, Que Entre os Séculos XVI e XVIII, de um número entre 45 mil ou 50 casos, apenas 1,8% dos acusados foram condenados à morte, e cerca de 1,7% dos processos terminaram com condenação em consequência (esta cifra). varia um pouco: os especialistas J. Contreras e G. Henningsen indicam que cerca de 19% foram condenados à fogueira). Você pode levar uma conta com os dados de início da Inquisição (1478) e da sua abolição (1834), com uma base de condenados à morte ainda maior: cerca de 1,2%. Embora não haja estatísticas importantes para uma inquisição romana, os escassos são elementos de que se dispõem, em vez disso, os tribunais foram incluídos em casos de pena de morte. Por exemplo, de casos apresentados ao tribunal de Aquileia-concórdia entre 1551 e 1647 apenas cerca de 0, 5% encontrado para a pena de morte. O número de execuções da inquisição portuguesa é de 13,255 processos, de 1540 a 1629, como condenações no caso de 5,7%. Sobre este dado, deve-se ter em conta duas coisas: as fontes não distinguem entre as condenações em vez da carne, por outro lado, e os casos de repressão em Portugal foram muito mais severas no início da sua instituição do que depois. A inquisição na Espanha é o tribunal mais conhecido. Celebrou, entre 1540 e 1700, 44.674 julgamentos. Os acusados foram condenados à morte em cerca de 1,8% e destes, 1,7% foram condenados em contumácia, • Henry Kamen: este historiador protestante britânico de origem judia, conhecido Historiador é estudioso da Inquisição espanhola, calculou um total de 2.000 vítimas ao longo de seus quase quatro séculos de existência. Kamen acrescenta que “é interessante comparar as estatísticas sobre as condenações à morte dos tribunais civis e Inquisitoriais entre os séculos XV e XVIII na Europa: por cada cem penas de morte decididas por tribunais ordinários, a Inquisição (católica) emitia uma”. Acrescenta: “se as cifras bastassem para classificar como intolerante uma instituição ou pessoa, poderia muito bem alegar que em atos simples de furor religioso no exterior, tal como a matança de são bartolomeu na frança, ou qualquer outras autoridades religiosas cometidos nos países baixos sou na Alemanha, eliminaram-se mais pessoas em uma única noite do que as que Inquisição espanhola executou em toda a sua história. Já vimos que só por bruxaria ouve vítimas na alemanha do que as que há intolerância causou na Espanha. • Ricardo Garcia Cárcel: crítico da inquisição estima que o total de processados por ela ao longo de toda a sua história foi de cerca de 150 mil. Aplicando a porcentagem de executados que aparece nas causas de 1560 a 1700, cerca de 2%, pode-se afirmar que, no pior dos casos a cifra de pessoas executadas aproxima-se 3.000. • Thomas Walsh: assinala, em seu personagem da inquisição, que durante todo o mandato de Torquemada como inquisidor (1483-1498) passaram 100.000 réus pelos tribunais da Espanha. Menos de 2% foi executado. Em Barcelona, entre 1488 e 1498, apenas um prisioneiro em cada 20 era executados sendo 23 no total. • Filipe wayne powell: segundo este professor, foram executadas pouco mais de 100 pessoas nos 250 anos que a inquisição funcionou na américa. • Ernest Schafer: reconhecido Historiador protestante, quem recorremos insistentemente durante toda a investigação, afirma que “o número de protestantes condenados à morte pela inquisição católica, desde 1520 até 1820, quando foi suprimida, ou seja, em 300, foi de 220; destes só 12 foram queimados. • Henningsen e Jaime Contreras: provavelmente dois dos maiores especialistas sobre o tribunal, afirmam que 2.000 pessoas foram executadas. “Se temos em conta, como se diz, que apenas na Alemanha foram muitas mais as que morreram por bruxaria no século XVII, esse dado relativiza a inquisição com respeito à outra situações”. As profundas pesquisas de ambos os historiadores dizem que em todo o território do Império espanhol, entre 1540 e 1700 sobre 44.674 causas iniciadas por suposta Heresia, apenas 1,8% dos réus foram condenados à pena capital. A respeito dos processos por bruxaria, durante o século XVI a XVIII, a inquisição espanhola condenou à fogueira 59 bruxas, a portuguesa 4, e a italiana 36. • Jean Dummont: dá as seguintes cifras: “dos 50 mil processados por inquisição entre 1560 e 1700, o número de condenados à última não chegou a 1 em 100”. Segundo as pesquisas do historiador francês, apenas 400 réus foram entregues ao poder secular em todo o reinado de Isabel a católica. • Jean Pierre Dedieu: referindo-se à inquisição medieval, assegura que durante o século XIII, por exemplo, no tribunal Inquisitorial de Toulouse, França, só foi condenado 1% à morte dos processados. • Stanley Payne: o reconhecido hipanista inglês afirma que a documentação existente permite dizer que não mais do que 3.000 pessoas foram executadas a instâncias de inquisição espanhola. • Jackson: historiador britânico, judeófilo e protestante: “E, por último, última petição para evitar petições melodramáticas, não foi um “holocausto”. Duas mil mortes na fogueira e vários milhares de confiscos de propriedade por crime de pensamentos constitui um histórico de extraordinário crueldade, mas não são equivalentes a seis milhões de assassinatos sem o menor pretexto de atividade criminosa, simplesmente morte por delito da ascendência judia. Antes e depois da criação da inquisição ouve uma elevada proporção de matrimônios entre conversos e cristãos velhos. Havia conversos entre os inquisidores (não é que se proponha isto como elogio), mas grande parte da comunidade conversa permaneceu intacta, literalmente, no que se referia às atividade da inquisição. • Benzion Netanyahu: historiador judeu, um dos mais a acirrados inimigos do tribunal, da igreja e Espanha, pai do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, diz em seu origens da inquisição: “A comunidade conversa estava, em geral, cristianizada”. De forma que “a verdade é que a inquisição queimou a cristãos e a muito pouco judeus. • William Cobbet: historiador protestantes do século XVIII, em sua história da reforma protestante afirma que Elizabeth I (protestante) causou mais mortes de católicos em um ano do que a inquisição espanhola em toda a sua história. • William Prescott: historiador protestantes anglo-americano, inimigo da Inquisição, assinala em sua história do reinado dos reis católicos: “por piores que tenham sidos os efeitos que a Inquisição tenha podido produzir na Espanha, o principio seguido no seu estabelecimento não foi pior que de outras medidas aprovadas sem sofrer tão forte censuras, e que se adotaram em tempos posteriores e mais civilizados”. “quase emprego as mesmas palavras de Mr.Hallam, o qual, falando das leis penais dadas contra os católicos no tempo de Elizabeth I na inglaterra, diz: “Estabeleceram uma perseguição que não foi em seu princípio em nada inferior aquela pela qual a inquisição tornar-se tão odiosa”. • César Cantú: observa que apenas em 11 anos (1641-1652) os protestantes ingleses mataram mais católicos do que os hereges que a inquisição executou em todo o mundo. • Sanches Martinez: este historiador e professor universitário espanhol aponta que a inquisição, em seus 356 anos de existência, executou cerca de 2 mil indivíduos (alguns arquivos se perderam), a maioria dos quais juadaizantes, e nos primeiros anos. Também foi executados (deixando de lado os queimados em efígie) cerca de 280 mouriscos,150 protestantes, 130 acusados de sodomia ou bestialismo e apenas umas 30 bruxas (superstição). • Antonio Domínguez Ortiz: este historiador espanhol conclui que a inquisição produziu – direta ou indiretamente – 10.000 vítimas mortais, “que são uma cifra terrível, mas muito distante das 100 mil bruxas queimadas na Europa – entenda-se protestante – nos séculos XVI e XVII, para não falar de outros holocaustos mais cruéis e recentes”. Não obstante, algum tempo depois, ele vai rever esses números da Inquisição Católica e calculará em 5 mil o número total de executados a instâncias do tribunal (mudança que com certeza deveu-se à análise da nova documentação disponível). Citando Klaus Wagner, calcula em menos de 400 o número de vítima durante o reinado de Isabel em toda a Espanha (24 anos). O historiador Azcona sugere cifras menores para este período. • Museu da Inquisição de Lima (Peru): pesquisadores deste museu nacional oferecem a seguinte informação (publicada em seu site oficial): “Em seus dois séculos e meio de existência (1569- 1820), o tribunal processou 1.447 pessoas em 1.526 julgamentos. O número de julgamentos é maior porque várias pessoas foram processadas em mais de uma oportunidade. O tribunal de Lima sentenciou à morte 32 pessoas, a metade delas queimadas vivas e outras tantas condenadas ao garrote. Dos condenados à morte, 23 (71,88%) foram por ser judaizantes (15 portugueses, 7 espanhóis – dos quais 4 eram filhos de portugueses); 6 (18,75%) por serem luteranos (3 ingleses, 2 flamencos e 1 francês); 2 (6,25%) por afirmar e defender publicamente proposições heréticas [um deles foi o limenho Juan bautista del castilho (1608). • Enciclopédia católica 1910: “quantas pessoas foram entregues ao poder civil é o que não pode ser declarado nem sequer de forma aproximada. Há, no entanto, uma valiosa informação acerca de alguns tribunais da inquisição, e suas estatísticas não são desprovida de interesse. em Palmiers, de 1318 a 1324, das 24 pessoas condenadas apenas cinco for entregues ao poder civil, e em Toulouse de 1308 a 1323, apenas 42 de 930 receberam a terrível nota ‘relictus culiae saeculari’. Assim, em Palmiers, um em cada treze e em Toulouse um em cada quarenta e dois parecem ter sido queimados por heresia, embora estes lugares eram sedes dos focos de heresia, e portanto sedes principais da inquisição. Também se pode acrescentar que este foi o período mais ativo da instituição. • Adriano Prosperi: leigo, italiano, docente de história moderna na universidade de pisa e grande estudioso da inquisição: “De acordo com os cálculos dos conhecidos estudiosos William Monter e Jonh Tedeschi (este último é um judeu, e não pode ser suspeitado como indulgente), as condenações à morte emanadas da inquisição são claramente mais raras do que aquelas prorrogadas porque o que é tribunal penal ordinário”. • James Hitchcock: este professor de história da universidade de Saint Louis, nos estados unidos, aponta que, com base na documentação disponível, apenas 2% do total de processados em cada região eram executados. Afirma por sua vez que, entre 1540 e 1700, menos de 2% dos processados foram executados. • Andrew Land: comenta este conhecido Historiador escocês protestante: por que tanto de rebuliço entre os protestantes acerca da inquisição, quando eles queimaram mais bruxas no século XVII em único país – Escócia ou Alemanha, escolham o que quiserem – do que os executados pela inquisição espanhola em 300 anos? • Thomas Madden: este grande Historiador americano, professor e catedrático da universidade de Saint Louis, Missouri, depois de mencionar as dezenas de milhares de mulheres queimadas vivas nas fogueiras protestantes por supostos delitos de bruxaria, conclui que nos 350 anos de existência do tribunal foram executadas não mais do que 4.000 pessoas na Espanha. • Ecandall Bonet: que foi junto de Pérez Villanueva o coordenador da obra mais importante que existe até hoje sobre o tribunal (História da Inquisição na Espanha e América), afirma que a porcentagem de condenados à morte foi de 1,2% sobre o total de julgados. • Joseph Pérez: autor pouco simpático ao tribunal, conclui que durante o reinado de Felipe II (justamente o rei considerado mas rigoroso) “morreu menos gente pela inquisição do que em qualquer outro país. • John Tedeschi: segundo seus meticulosos estudos processos, principalmente da inquisição romana, dos primeiros mil acusados que compareceram perante o tribunal inquisitorial de aquileia-concórdia, em Fruili, ao longo dos anos de 1551 e 1647, registram-se apenas 14 execuções, e em Roma, de 1555 a 1593, apenas 4. • Francisco Javier García rodrigo: este erudito apologista católico do século XIX aponta que não mais do que 400 pessoas foram executadas a instâncias da Inquisição em seus 350 anos de existência. • Com relação à inquisição portuguesa, quase idêntica à espanhola em sua organização, e que muitos consideraram bem mais rigorosa que esta, segundo os cálculos (sempre exagerados)de Cecil Roth, dos 40 mil processados por este tribunal, 10.000 foram absolvidos (ou as denúncias rejeitadas), e quase 30 mil foram punidos com penas leves. Somente 1.175 hereges receberam a pena capital; ou seja, só 2,9% do total de processados. • No sul da frança, o tribunal inquisitorial de Toulouse (região onde funcionou mais ativamente a Inquisição medieval), segundos cálculos de bernard Gui, entregou ao poder secular 41 a pessoas (dentre as quais 30 Cátaros) entre 1308 e 1323. • Sobre uma inquisição romana, uma cifra não é muito precisas, embora exista uma certeza de que as cidades de Roma, Veneza e Aquiléia-concórdia de total foram 128. • Na América, nos seus três tribunais, segundo os estudos dos Simpósio de 1988, as cifras são as seguintes: em Lima (1569 -1820) morreram 32 pessoas; na cidade do méxico (1571 -1820), 20 pessoas; em cartagena (1610 -1819) só 5 mortes. #Gnosticismo #HistóriadaInquisição #Igreja

  • Concílio de Éfeso (Parte II): a primeira sessão do santo sínodo ecumênico

    Ainda faltava um dos metropolitas superiores (patriarcas), a saber, João de Antioquia. Seus bispos, ele disse, não poderiam deixar suas dioceses antes do domingo da renovação (Dominica in Alhis), e portanto iria demorar 20 dias para eles viajarem a Antioquia, e de lá para Éfeso demoraria 39 dias, e portanto eles não poderiam chegar lá até alguns dias depois do Pentecostes. Finalmente (exatamente no Pentecostes) João entrou na vizinhança de Éfeso, e enviou a Cirilo uma carta, que ainda existe, cheio de simpatia, estabelecendo que o comprimento da jornada e a morte de vários dos seus cavalos atrasou a viagem, mas que, no entanto, ele estava por perto, e iriam aparecem em Éfeso em cinco ou seis dias. Apesar disso, eles esperaram dezesseis dias; e depois dois dos metropolitas do patriarcado de Antioquia, Alexandre de Apameia e Alexandre de Hierápolis, vieram e repetidamente declararam que “João tinha pedido que dissessem que não deviam mais adiar a abertura do Sínodo por sua conta, mas, caso seja necessário que ele demorasse mais tempo, eles deveriam fazer o que era para ser feito. ‘”A partir disso, inferiram que o Patriarca João estava pretendendo evitar estar pessoalmente presente na condenação de seu ex-padre e amigo Nestório. Cirilo e seus amigos agora decidiram, portanto, pela a abertura imediata do Sínodo, e reunidos para o efeito no dia 28 do mês egípcio Payni (22 de junho) de 431, na catedral de Éfeso, que, com grande adequação para aquela assembléia, foi dedicada à portadora de Deus, e nomeada em nome dela. No dia anterior, vários bispos receberam uma comissão para ir a Nestório e convidá-lo para a sessão, a fim de dar conta de suas declarações e doutrinas. No início ele respondeu: “Eu vou considerar isso.” Quando, no entanto, uma segunda delegação, enviado em 2 de junho pelo Sínodo, em seguida, até então abrindo, veio a ele, sua residência foi, por comando de Candidiano, cercada por tropas, que preveniram os bispos, por ameaças de golpes, de entrarem, e Nestório enviou eles a palavra que ” ele iria aparecer só quando os bispos estivessem reunidos”. O Sínodo agora, pela terceira vez, enviou alguns bispos para ele ; mas estes não receberam mais nenhuma resposta, e foram tratados com a insolência dos soldados em guarda ao redor da casa. Em um período anterior, sessenta e oito bispos asiáticos, entre os quais estavam, em particular, Teodoreto de Cirro e os dois metropolitas de Apameia e Hierapolis, acima mencionados, em uma carta para Cirilo e Juvenal, haviam solicitado que eles ficariam agradecidos se eles pudessem adiar a abertura do Sínodo até a chegada do bispos de Antioquia. Agora, porém, o comissário imperial, Candidiano, em pessoa, apareceu no lugar da assembléia, para que os decretos imperiais fossem lidos e para protestar contra a abertura imediata do Sínodo. Sua demanda que eles deveriam esperar quadro dias a mais, se manteve desconsiderada, e a primeira sessão solene começou sob a presidência de Cirilo, que, como é expressamente afirmado nas Atas, também representou o Papa. Nada menos do que 160 bispos estavam presentes no começo “, e quando (ainda na primeira sessão) o documento da deposição passou a ser subscrito, seu número aumentou para 198. Particularmente estavam lá vinte desses sessenta e oito bispos asiáticos que tinham ido para o lado do Sínodo, como fica claro pela comparação de seus nomes com as assinaturas das atas sinodais. A primeira coisa que foi feita no Sínodo foi a leitura da carta imperial de convocação a todos os metropolitas Que eles deveriam começar com isso tinha sido proposto pelo Presbítero Pedro de Alexandria, que atuou como notário sênior durante todo o Sínodo, e controlou externamente o arranjo dos assuntos. Daqui em diante o Bispo Memnon de Éfeso apontou que dezesseis dias haviam decorrido além do limite nomeado para a abertura; e Cirilo explicou que, mesmo em acordo com o comando expresso do Imperador, eles deveriam, sem demora, iniciar as operações respeitando a fé. Em seguida, foi feita referência ao primeiro convite enviado para Nestório no dia anterior, e logo depois a segunda e a terceira delegações, já referidas, foram enviadas a ele, e os relatórios dos bispos que tinham retornado foram recebidos. Como Nestório decentemente recusou aparecer, eles procederam, no movimento de Juvenal, a um exame do ponto de doutrina em questão, e começaram lendo o Credo Niceno. Em seguida, eles seguiram para o leitura da segunda carta que Cirilo, como vimos, tinha há muito tempo antes dirigido a Nestório, na qual ele tinha explicado a doutrina da união hipostática da Divindade e Humanidade em Cristo. Para a questão de Cirilo, se esta sua carta concordava com o conteúdo do Credo Niceno, todos os bispos presentes responderam, e entre eles 126 em discursos curtos ainda preservados (explicando seus votos), de maneira inteiramente afirmativa e consentida, e, na maior parte, cheia de elogios a Cirilo. Então chegou a vez de ler a carta que Nestório enviou em resposta à carta de Cirilo que acabamos de mencionar, e depois de trinta e quatro bispos, explicarem seus votos, declararam enfaticamente a sua não concordância com a Fé Nicena todos os bispos gritaram juntos: ” Se alguém não anatematiza Nestório, deixe-o ser anátema; a fé verdadeira o anatematiza, o Santo Sínodo anatematiza ele. Se alguém tem comunhão com Nestório, que ele seja anátema. Todos anatematizamos a carta e as doutrinas de Nestório. Todos anatematizamos o herético Nestório e seus adeptos a sua fé ímpia e sua doutrina ímpia. Nós todos anatematizamos o ímpio Nestório, “e assim por diante”. Posteriormente, houve dois outros documentos lidos, a saber: a carta de Celestino e o Sínodo Romano, e a de S. Cirilo e do Sínodo de Alexandrino a Nestório; e os quatro clérigos que Cirilo tinha enviado para entregar o documento para Nestório foram examinados quanto ao resultado de sua missão. Eles deram a informação, com a qual já estamos acostumado, que Nestório não havia dado resposta alguma. No entanto, para que ficasse bem claro quanto ao se ele ainda persistia em seu erro, dois bispos, Teódoto de Ancira e Acacio de Malatya, que eram amigos pessoais de Nestório, e durante os últimos três dias estiveram em comunicação habitual com ele e se esforçaram por converter ele de seu erro, foram questionados em juramento a respeito da matéria. Eles anunciaram que, infelizmente, todos os seus esforços com ele tinha sido em vão. Para, no entanto, submeter o ponto doutrinário em questão para uma investigação completa, e à luz do testemunho patrístico, por sugestão de Flaviano, bispo de Filipo, um número de passagens dos escritos dos Padres da Igreja agora foram lidas, em que a antiga fé respeitando a união da divindade e humanidade em Cristo foram expressas. Estas foram declarações das opiniões de Pedro, Bispo de Alexandria (t 311), de Atanásio, o papa Júlio I. (t 352), papa Felix i. (t 274), Teófilo, Arcebispo de Alexandria (t 412), de Cipriano, Ambrósio, Gregório de Nazianzo, Basílio, o Grande, Gregório de Nissa, Atico de Constantinopla e Anfilóquio de Icônio (t 394). Todas essas primeiras autoridades não sabiam nada da separação Nestorianada divindade e humanidade, mas, ao contrário, ensinaram a verdadeira encarnação do Logos. O venerável mártir Pedro, Bispo de Alexandria, disse: “Deus, o Logos foi feito carne, e nascido do ventre da Virgem “, mas Atanásio usou freqüentemente e sem hesitar a expressão Theotokos, contestada por Nestório, e diz: “Como a carne nasceu da Portadora de Deus, Maria, então dizemos que Ele (o Logos) era Ele mesmo nascido de Maria. “E em uma segunda passagem Atanásio fortemente culpa aqueles que (exatamente como Nestório) dizem que “o sofrimento de Cristo crucificado não é Deus o Logos; “quem distingue entre Cristo e o Logos, e não confessar, e não reconhecer, “que o Logos, na medida em que Ele assumiu um corpo de Maria, foi feito homem. “E em uma terceira passagem Atanásio ensina que “o Logos era na verdade, no sentido pleno da palavra, feito homem, caso contrário Ele não seria nosso Redentor “. De acordo com este o Papa Júlio disse: “Há não são dois filhos, um verdadeiro que assumiu o homem, e outro o homem que foi assumido por Deus, mas um Deus unigênito no céu, e um Deus unigênito na terra “. Felix I., que viveu mais de um século e meio antes de Nestório, rejeitou seu erro, quando escreveu: “Cremos em nosso Senhor Jesus Cristo, que nasceu da Virgem Maria, que Ele é o eterno Filho e Palavra de Deus, e não um homem assumido por Deus, distinto daquele (Verbo). Pois o filho de Deus não assumiu um homem, de modo que este fosse distinto Dele,  mas Ele, o Deus perfeito, era ao mesmo tempo homem perfeito, feito carne da Virgem. “Menos marcantes são as passagens de Cipriano e Ambrósio; mas Gregório de Nazianzo é novamente bastante explícito: “Nós não cortamos o homem da Deidade, mas declaramos que ambos são o mesmo que no começo não era homem, mas Deus, e o único Filho de Deus, antes de todos os  tempo e sem toda a corporeidade, mas que no final das eras assumiu o homem por causa da nossa salvação. Nós confessamos que Ele é um e o mesmo, divino e terrestre, visível e invisível, e assim por diante, ao mesmo tempo, para que através do homem inteiro, que é ao mesmo tempo Deus, o homem todo, que caiu no pecado, é criado novamente”. Os sete anátemas, que Gregório de Nazianzo acrescenta a essa passagem, são inteiramente anti-nestorianos, e o primeiro deles anatematiza aqueles que não chamam Maria de Theotokos, o quarto aqueles que sustentam que há dois filhos, o único eterno do Pai e um segundo de Maria. Além disso, a passagem selecionada de Basílio parecia como se tivesse sido escrita com referência a Nestório; porque diz: ”O imensurável e infinito Deus, sem ser capaz de sofrer (em si mesmo), ao assumir a carne pra combater a morte, por ordem própria sofreu para nos livrar da mentira e do sofrimento. ” Com o mesmo efeito, fala também Gregório de Nissa, Atico de Constantinopla, Anfilóquio de Icônio, e Teófilo de Antioquia “que Deus nasceu e morreu”. Em oposição a essas passagens patrísticas, foram lidas vinte passagens, algumas mais longas e algumas mais curtas, dos escritos de Nestório, em que seus pontos de vista fundamentais, que nós apresentamos acima conectadamente, foram expressas em partes separadas e in concreto O último documento que foi produzido nesta primeira sessão foi a carta de Capreolo, Arcebispo de Cartago, em que ele pede a eles, por conta da guerra na África (consequência da invasão dos vândalos), para desculparem sua própria incapacidade de estar presente, ou enviar qualquer um de seus bispos sufragâneos. Além disso, ele diz, a carta de convite do Imperador não o alcançou até a Páscoa de 431 e, portanto, tarde demais; e Agostinho, cuja presença o Imperador especialmente desejou, havia morrido algum tempo antes. Ele(o arcebispo), portanto, enviou apenas seu diácono Bessula, e rezou para o Sínodo não tolerar novidades em matéria de religião. ‘ Nisso ele não se refere expressamente a Nestório, mas ele claramente indica que ele avaliou suas doutrinas entre as novidades não autorizadas. O Sínodo deu sua aprovação a esta carta do bispo Africano, e prosseguiu mais uma vez (os discursos intermediários não são conhecidos por nós) à condenação de Nestório. A sentença a seguir: “Como, além de outras coisas, o ímpio Nestório não obedeceu à nossa citação e não recebeu os santos bispos que foram enviados por nós para ele, nós fomos compelidos a examinar suas doutrinas ímpias. Nós descobrimos que ele tinha realizado e publicado doutrinas impiedosas em suas cartas e tratados, bem como nos discursos que ele entregou nesta cidade, e que foram testemunhados.Instado pelos cônegos (c. 74, Apostol.), E de acordo com a carta do nosso mais sagrado pai e colega de serviço Celestino, o bispo de Roma, nós chegamos, com muitas lágrimas, a esta triste sentença contra ele, a saber, que nosso Senhor Jesus Cristo, a quem ele blasfemou, decreta pelo santo Sínodo que Nestório seja excluído da dignidade episcopal e de toda comunhão sacerdotal “. Como já observamos acima, este julgamento estava em primeiro lugar subscrito por 198 bispos que estavam presentes. Alguns outros depois tomaram o mesmo lado, de modo que juntaram mais de 200 inscritos. A sessão durou desde o início da manhã até a noite, e a população reunida de Éfeso esperou o dia inteiro para ouvir a decisão. Quando isso foi finalmente conhecido, surgiu uma alegria universal; eles elogiaram o Sínodo, e acompanharam solenemente os membros, particularmente Cirilo, com tochas e incensários para suas casas. A cidade também foi iluminada em muitos lugares. Isso é alegremente relatado por Cirilo em uma das três cartas que ele despachou naquele tempo aos membros de sua Igreja de Alexandria e aos monges do Egito. No dia seguinte, a sentença pronunciada foi enviada para o próprio Nestório em um decreto muito lacônico. No sobrescrito ele é chamado um novo Judas, e no texto é dito brevemente: “Ele deve saber que, por causa de suas ímpias doutrinas e sua desobediência aos cânones (porque ele não apareceu para responder as convocações), ele havia sido, no dia 22 de junho, de acordo com as leis eclesiásticas, deposto pelo Santo Sínodo, e expulso do corpo do clero. Em outras duas cartas igualmente curtas da mesma data, uma para o povo coletivo, e outro para o clero de Constantinopla, o Sínodo anunciou o que havia sido feito, e exigiu que esta última vigiasse cuidadosamente toda a propriedade da Igreja de Constantinopla, de modo a poder dar um aviso para quem deve, de acordo com a vontade de Deus e a indicação do Imperador, tornar-se bispo daquela cidade. Cirilo, como presidente do Sínodo, escreveu longamente a seus amigos e agentes em Constantinopla, o Arquimandrita Dalmácio e vários (certamente egípcios) bispos e sacerdotes, e relatou a eles todo o curso da sessão, da convocação de Nestório à deposição, com o pedido que eles cuidassem de que não houvesse rumores falsos sobre o assunto irem para o exterior. Foi reputado que Conde Candidiano já havia enviado essas informações falsas (para o Imperador); enquanto que o Sínodo ainda não tinha completado seu relatório completo (juntamente com as Atas) ao Imperador. VON HEFELE, Karl. A History of The Christian Councils, from the original documents (VOL III)

  • O INQUISIDOR QUE SE TORNOU PAPA (Números e procedimentos da Inquisição medieval)

    O INQUISIDOR QUE SE TORNOU PAPA (Números e procedimentos da Inquisição medieval) Para qualquer estudo histórico deve ou deveria começar por uma crítica das Fontes. Justamente para ter um estudo honesto e livre de críticas de é um estudo tendencioso. Primeiro, são indispensáveis algumas palavras para apresentar as fontes (que no caso é o autor, Jacks Fournier), sobre os números e as atitudes dos inquisidores. O nosso autor cujas Fontes estamos utilizando, que é Jacques fournier o autor…. Ou pelo menos, o personagem responsável pelas nossas Fontes documentais. Fournier nasceu, ao que tudo indica, durante a década de 1280, sem que se conheça a data precisa, em Saverdum, no norte do condado de Foix (Ariége atual). Era filho de camponês, de padeiro ou de moleiro!? as profissões deste Gênero que os seus biógrafos atribuírão a seu pai talvez não sejam mais do que o fruto de uma imaginação sugestionada pelo apelido Fournier. Uma certeza contudo, o nosso homem não é filho de príncipe, é de origem bastante humilde. a ponto de, tendo-se tornado Papa, mas consciente da mediocridade de sua linhagem, se recusa, a dar a sobrinha em casamento a um brilhante aristocrata que queria para esposa: esta sela, dirá ele em occitânico familiar, não é digna de tal cavalo. A família tem, no entanto, mesmo antes de Jacques Fournier, alguns Episódios marcantes de ascensão social: um dos tios, Arnaud Novel, é Abade do mosteiro cisterciense de Fontfroide. Encorajado por este modelo, o jovem Fournier torna-se também monge cisterciense. Durante algum tempo sobe até ao norte, encontramo-lo como estudante, depois Doutor, da Universidade de Paris. 1311 sucede ao seu parente: é escolhido para abate de frontfroid, em 1317 já conhecido pela sua erudição e todo seu rigor, e nomeado Bispo de Pamiers; distingue-se, nesta nova função, pelas suas investidas inquisitoriais contra os heréticos e outros espíritos divergentes. Na sua cidade episcopal, mantém relações cordiais com os Agentes do Conde Foix e do Rei da França (é, até esta altura da sua vida, pró-francês dentre os os Occítânicos). Em 1326, o Papa João XXII envia-lhe felicitações pelo êxito dos seus esforços na caça aos herdeiros, na região de Pamiers, acompanhadas por uma série de indulgências. Mas outros destinos esperavam o nosso futuro Papa. Em 1326, é nomeado Bispo de mirepoix, a leste de Pamiers. um biógrafo poderá perguntar-se se não estaremos perante um caso de desfavor. Jacques Fournier tornou-se, de fato, mal visto na sua diocese anterior, por causa das suas investidas contra todos os gêneros de suspeitos. Mas mirepoix possui número de paróquias maior do que Pamiers: mais do que um desfavor, trata-se, o que parece, de uma promoção relativamente brilhante. É seguida de algumas outras: em 1327, Jacques Fournier torna-se cardeal. Em 1334, eleito papa de avignon, sobre o nome de Bento XII. Elegeram um burro, teria ele dito com a sua modéstia habitual, aos grandes eleitores. No entanto, este homem Modesto, sob a tiara, mostra rapidamente as suas capacidades, que não são poucas. Reage contra o nepotismo. Monge ascético, tenta moralizar as abadias. Intelectual desajeitado e Rude, consegue pouco em política estrangeira. Mas no campo do dogma, sente-se à vontade. Retoma as questões teológicas do seu antecessor João XXII, relativas à visão beatífica após a morte. quanto à virgem, mostra-se hostil a teoria naquela época que hoje é o dogma da Imaculada Conceição de Maria. As suas variadas intervenções em matéria de Dogma coroam uma longa carreira intelectual: ao longo da existência, polemizou fortemente e não sem conformismo, contra os mais diversos pensadores, desde que lhe parecesse que se afastavam da ortodoxia Romana. Contra Joaquim de Fiore, contra Maître Eckart, contra Occam… Construtor, Jacques Fournier inaugura na capital do Condado Venaissin a construção do Palácio dos Papas; para a execução dos afrescos, convida o pintor Simone Martini. Mas vamos agora falar de tempos mais antigos. Na vida do Futuro Bento XII, é o período de Pamiers que no momento interessa. Mas precisamente, é atividade de Jacques fournier como líder Diocesano de um formidável tribunal da Inquisição. A própria existência desse tribunal, em 1318 e 1326, não é de modo algum um fato Evidente. É verdade que o Condado de foix, em cuja parte Meridional se Desenrola a ação deste período da história, tinha sido, durante mais de cem anos, “a terra prometida do erro”. Os heréticos Cátaros/albigenses fervilhavam por lá desde o século XIII. A inquisição já aí tinha feito sua ação, por volta de 1240 -1250, após a queda de Montségur, último bastião dos cátaros (1244), os inquisidores tinham-se de novo na região de foix por volta de 1265 e, depois, em 1272 – 1273. Na planície de Pamiers, a repressão tinha então enquadrinhado todos os Recantos, verificado todas as crenças e punido todas as defecções. Mais tarde, a heresia persiste em alguns pontos específicos: em 1295, o Papa Bonifácio VIII cria a diocese de Pamiers, que inclui o alto e o baixo Condado de foix (sul e Norte); esta criação administrativa Visa possibilitar um controle mais cómodo do desvio. Após uma relativa Calma (que Durava há um quarto de século), manifestavam-se duas novas ofensivas inquisitoriais em 1298-1301 e 1308-1309. Em 1308, geoffroy d’ Ablis, inquisidor de carcassonne, põe em estado de Detenção, na aldeia de Montaillou, toda a população, à exceção das crianças. Estas investidas anti-heréticas são da responsabilidade do tribunal dominicano de carcassonne, que não pertence à nova Diocese de Pamiers nem ao tradicional Condado de foix. Os bispos de Pamiers, por seu lado, apesar da missão que lhes é, em princípio, atribuída, persistem durante Largo tempo em manter-se sossegados; não dizem uma palavra contra a heresia das suas ovelhas: o prelado Pelforte de Rabastens (1312-1317) está muito ocupado em questionar com seus Cônegos; não tem tempo de velar pela ortodoxia de pensamento na sua diocese. Com Jacques Fournier, seu sucessor a partir de 1317, as coisas vão mudar. O novo Bispo tira partido de uma decisão do Concílio de Viena (1312). Esta estipula que doravante no tribunal da Inquisição, os poderes do disco local se unam, tendo em vista uma proveitosa colaboração, aos do responsável dominicano, que até então era o único a ocupar-se da atividade repressiva. Em 1318, Jacques Fournier pode, pois, constituir o seu próprio ofício da Inquisição: dirigir em Estreita Associação com Frei Gaillard de pomiès, designado por Jean de Beaune, responsável pela inquisição de Carcassonne. Tanto pomiès como Beaune são dominicanos. O novo tribunal de para Pamiers mostra-se muito ativo durante toda a vigência do Poder local de seu fundador. Quando, em 1326, Jacques Fournier foi nomeado para Sede Episcopal de Mirepoix, o Ofício de Pamiers desaparecer a logo. Mas, em virtude da máxima nada de zelo implicitamente preconizada pelos preguiçosos continuadores do nosso Bispo, a instituição repressiva perderá o fôlego no plano local. Doravante, ela deixará em comodidade As populações do Condado Foix. É só durante o psicopata de Fournier que o tribunal produz, para nós, as documentações mais palpáveis. Em que condições e sob que direção se processam essas meticulosas atuações? À cabeça do ofício está, evidentemente o próprio Jacques Fournier, inacessível quer às súplicas quer às gratificações. Hábil em fazer aparecer a verdade. Em fazer sair os Cordeiros, como dizem os seus réus. Capaz de distinguir em alguns minutos um herege de um católico correto. E obtém êxito, Graças essencialmente a habilidade tenaz que emprega nos seus interrogatórios; só muito raramente recorre as torturas. Assiste em pessoa a todas — ou quase todas — as sessões do seu tribunal. Quer fazer tudo Ou, pelo menos, ser ele o próprio a dirigir tudo. Recusa delegar as responsabilidades aos seus subordinados, nos seus escrivães ou nos seus notários, como o fazem, variadíssimas vezes, os outros inquisidores, demasiado negligente. Todo o registro da Inquisição de Pamiers levará, a marca ou a chancela da sua intervenção permanente. Daí entre outras razões, a extraordinária qualidade da documentação. Ao seu lado Frei Gaillard de pomiès, O.P., desempenha o papel de assistente, de Vigário ou de lugar-Tenente. É relegado para segundo plano, devido à proeminência local e à forte personalidade do bispo da região. Alguns inquisidores de alta categoria exteriores a diocese, como Bernard Gui, Jean de Beaune e o Normando Gean Duprat, vêm igualmente Honrar com a sua presença, uma vez por outra, as sessões mais pesadas do ofício de Pamiers. Encontra-se também, entre os assessores, com função hora decorativa hora ativa, todo um sortido local e regional: Cônegos, monges de todas as regras e hábitos, juízes e juristas radicados na sede da diocese. A nível inferior, encarregado de tarefas de redação (mas nunca das de decisão), agita-se o esquadrão dos notários e dos escrivães: cerca de uma quinzena de indivíduos. À sua cabeça, destaca-se o tabelião-cura Guillaume Barthe; e depois Jean Strabaud, e o senhor bataille de la pene; e vários escribas do Condado de foix Finalmente, no Escalão mais baixo, está o pessoal menor ajuramentado. Compreende entre servidores, mensageiros, carcereiros, acompanhados das suas esposas que desempenham o papel de carcereiras. As estatísticas relativas às atividades dos Ofício foram compilados e depois publicadas em 1910, numa obra de J. M. Vidal. Eis alguns elementos que nos elucidam sobre as condições em que foi elaborado o nosso processo. O tribunal inquisitorial de Pamiers trabalhou durante 370 dias, de 1318 a 1325. Estes 370 dias dão lugar a 573 interrogatórios. Estes desdobram-se em 418 comparências de acusados e 160 de testemunhas. Estas centenas de sessões referem-se ao todo a 98 causas ou processos. O recorde de trabalho registrou-se em 1320 (106 dias); comparando, verifica-se que houve 93 dias de trabalho em 1321, 55 e 1323, 43 em 13027, 42 e 1323, 42 e 124, 22 e 1325. Na maior parte do tempo teve a sua sede Pamiers; por vezes numa ou noutra localidade do Condado de Foix, de acordo com as deslocações do Bispo. Os 98 processos puseram em causa 114 pessoas, em cujo número predominam em maioria os heréticos, de tendência Cátara/ albigense. Entre estas 114 pessoas, 94 compareceram efetivamente. No conjunto do grupo contam-se alguns nobres, alguns sacerdotes, alguns notários e sobretudo, uma massa esmagadora de pessoas humildes, camponeses artífices, pequenos Comerciantes. Dentre os 114 indivíduos notificados contam-se 48 mulheres. A grande maioria homens ou mulheres, é originária da região alta de Foix, ou Sabarthès, trabalhada pela propaganda dos irmãos Authié (que foram missionários cátaros e cidadãos da pequena cidade de Ax- les- Thermes). Esta maioria de Sabarthès compõe-se de 92 pessoas, homens e mulheres. Entre elas a aldeia de Montaillou em Sabarthès fornece por si só 75 acusados. Delega, Além disso, algumas testemunhas a teia do tribunal! Acresce que três erguidos provém da Aldeia de prades, limítrofe da anterior. No total 28 pessoas, cada uma das quais forneceu um testemunho substancial e por vezes muito pormenorizado, são oriundas da minúscula região de aillon (Prades mais montaillou). O processo canônico contra este ou aquele arquido, de Montaillou ou de outro lugar é, em geral, provocado por uma ou várias denúncias. Estas são seguidas de uma intimação judicial Para comparecer ao tribunal de Pamiers, intimação que é comunicado o suspeito (no seu domicílio ou na homilia), pelo pároco do lugar de residência. No caso de o indivíduo assim convocado não se dirigir voluntariamente a Pamiers, o bailiio (oficial do Conde ou do Senhor) serve de braço secular. Persuade o arquido; escolta-o, se necessário, até à sede na diocese. A comparência diante do tribunal do bispo começa por um juramento, que o acusado faz sobre o livro dos Evangelhos. Prossegue sobre a forma de um interrogatório. Jacques fournier faz sucessivas perguntas e manda precisar este Ou aquele ponto ou pormenor. O acusado responde e fala de improviso. Um depoimento pode com facilidade ocupar 10 a 20 grandes folhas do nosso registro, ou mesmo mais. A questão segue os seus trâmites sem que o estado de prisão seja necessariamente duradouro para o acusado. Este pode ser encarcerado, entre os interrogatórios, numa das prisões episcopais de Pamiers. Mas pode também gozar, durante o mesmo intervalo de tempo de período mais ou menos longos de liberdade provisória, durante os quais é apenas obrigado a residir dentro dos limites da sua própria da sua Paróquia ou da sua diocese. Em caso contrário, os meios de pressão mais variados vêm, eventualmente, agravar a Detenção preventiva, quando ela existe: visam levar o acusado a confessar. Tais meios não se manifestam pela tortura mas sim pela excomunhão do acusado, pelo seu encarceramento em regime rigoroso ou muito rigoroso (cela estreita, grilhões nos pés, alimentação a pão escuro e água). Num único caso, que se refere ao processo falso que os agentes franceses o obrigarão a instaurar aos leprosos, Jacques Fournier mandará torturar as suas vítimas a fim de obter delas confissões delirante, absurdas: envenenamento das fontes com pó de sapo, etc. Em todos os outros casos que forneceram as substâncias para este texto o Bispo limita-se a procurar detectar o desvio real (e que, muitas vezes se revela o íntimo do nosso ponto de vista). As Confissões são apoiadas, suportadas, pelas descrições que os arguidos fazem sobre o seu modo de viver cotidiano e substancial. Corroboram-se mutuamente; quando se contradizem, Jacques Fournier esforçasse por reduzir tais diferenças; pede precisões aos diversos acusados. O que anima o nosso prelado é o ideal de uma procura da Verdade dos fatos. Trata-se de detectar os comportamentos faltosos; trata-se seguidamente, de salvar as almas. Para atingir estes objetivos diversos, o Bispo mostra-se meticuloso como um escolástico; não hesita em levar por diante intermináveis discussões. Gasta 15 dias do seu precioso tempo a Convencer O Judeu Baruch, apresentado em juízo perante o seu tribunal, do Mistério da Santíssima Trindade; 8 dias para lhe fazer admitir a dupla natureza de Cristo; quanto à vinda do Messias, requer 3 semanas de comentários, administrados a Baruch, que não precisava de tanto. No final dos processos são infligidas aos Réus diversas penas (prisão mais ou menos rigorosa, uso de Cruzes amarelas, peregrinações, confiscação dos bens). Apenas cinco acabam a sua vida na fogueira: entre eles 4 valdenses de Pamiers e o relapso albigense guillaume fort, de Montaillou. Os processos de interrogatórios de Jacques fournier assim realizados foram transcritos em vários volumes. Destes, dois estão atualmente perdidos; um deles continham as sentenças finais; por sorte conhecemos graças a compilação de Limborch. Subsiste, em contrapartida, um volumoso registro in-fólio, em pergaminho. Este documento, quando da sua confecção original, passou por três estágios, primeiro no próprio momento do interrogatório e do depoimento, um escrivão redigia à pressa o protocolo ou rascunho. Este escrivão era nem mais nem menos do quê guillaume Barthe, notário Episcopal, ocasionalmente substituído no caso de se encontrar ausente, por um dos seus colegas, guillaume Barthe, também se encarregavam em seguida de redigir, a partir daquelas notas rapidamente tomadas, num registro em papel, era apresentada ao acusado que podia modificar certos termos. Finalmente, vários escribas que copiavam com calma em pergaminho os textos assim minutados. O volume que se possuímos só foi inteiramente redigido, a limpo, após a nomeação de Jacques Fournier para Sede Episcopal de mirepoix em 1326, o que mostra até que ponto o prelado tinha a preocupação de conservar este testemunho sobre o seu trabalho de inquisição em Pamiers. Este registro acompanhou depois Jacques Fournier que se tornou Bento XII, até a sua residência em Avignon. Daí passou para a biblioteca vaticana, onde ainda permanece entre os manuscritos latinos com o número 4030. Desde há um século, vários eruditos ou historiadores tomaram conhecimento do grande documento de Pamiers. Entre eles, figuram o alemão Dollinger, que se tornou célebre pelos seus conflitos com o papado romano e pelos seus estudos sobre a heresia medieval, e também vários eruditos franceses, muitas vezes de origem Meridional; Charles molinier, Monsenhor Douais, J. M. Vidal, desde o início do século XX….; e muitos outros, em seguida. Os trabalhos mais eruditos é mais extenso sobre o manuscritos vêm de J. M. Vidal. A publicação integral do registro deve ser a Jean Duvernay (1965). Não deixa de ter os seus defeitos, vigorosamente denunciados pelo padre Dondaine, mas tem no entanto o imenso mérito de existir, não dispensando em todo o caso o recurso ao original. Bibliografia: Emanuel Le Roy Ladurie, Montaillou Cátaros e Católicos numa aldeia Occítâna- 1294-1324

  • BEATO FRA ANGELICO E A FORÇA DO ESPÍRITO – Margherita del Castillo

    Beato Angelico, Pentecoste, Firenze – Museo di San Marco “Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados“. (Atos, 2, 2) O Pentecostes judaico ou Festa das Sete Semanas (em referência ao tempo que a separava da Páscoa), marcava o início da colheita do trigo. Era a festa de ação de graças a Deus pelos frutos da terra, celebrada em memória do maior presente que o povo judeu, então liderado por Moisés, tinha recebido: as tábuas da lei no Monte Sinai. Nós, cristãos, lembramos a vinda do Espírito Santo; sendo uma das principais festividades da nossa fé, tem sido, evidentemente, muito representada nas artes. A terceira pessoa da Santíssima Trindade, nas artes plásticas, pode aparecer sob a forma de uma pomba, na iconografia do Batismo de Jesus; de nuvem luminosa, na Transfiguração; ou línguas de fogo, como no caso de que tratamos. Para sermos mais exatos, acrescentemos que o Evangelho de João também fala do Espírito Santo como de um sopro, e, quem sabe, talvez em outras pinturas nós o encontremos assim! O fogo, como a água, é símbolo de vida e, neste sentido, Beato Fra Angelico usa-o em sua interpretação do tema, tanto na versão do Tríptico da Galeria Corsini, em Roma, como naquela, mais ou menos contemporânea, do célebre Armadio degli Argenti, cujos painéis são agora conservados pelo Museu Nacional de San Marco, em Florença. Em meados do século XV, Piero de Médici encomendou a Guido di Pietro, que mais tarde se ordenaria com o nome de Fra Giovanni (tornando-se depois mais conhecido como Fra Angelico ou Beato Angelico), uma porta para a igreja de Nossa Senhora da Anunciação, em Florença. O projeto de Piero previa a criação de um oratório familiar entre o templo mariano e a biblioteca do convento: é aqui que o precioso armário seria conservado. Um de seus painéis, que conta as histórias de Cristo, desde a Infância até a Ressurreição, reproduz a descida do Paráclito e, como os demais, é uma têmpera sobre madeira. Enquanto estava por cumprir-se o dia de Pentecostes, eles estavam todos juntos no mesmo lugar. O lugar em questão é o Cenáculo, o “aposento de cima”, o mesmo da última ceia. Maria substituiu Jesus e aparece rezando, hierática, frontal, de pé no centro da cena. Os doze, entretanto, tornaram-se vinte e seis, distribuídos pelo pintor em uma posição simétrica em relação à Virgem, os halos incendiados pelo poder do Espírito. A Maria, no plano inferior, corresponde uma porta fechada, que se refere a Ela como “ianua coeli” (porta do Céu), em torno à qual se reúnem, curiosos, alguns homens cujas roupas, especialmente os chapéus, nos induzem a pensar que provenham de diferentes lugares. Eles são, na verdade, os partos, os medos, os elamitas, os habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília que, surpresos e perplexos, como está escrito nos Atos dos Apóstolos, dizem entre si: “Nós os ouvimos proclamar em nossas línguas as grandes obras de Deus. O que isso significa?” A graça, a elegância da pintura do Beato Fra Angelico enriquecem ainda mais a cena. Às suas cores brilhantes parecem aludir as mesmas cores que encontramos em “Pentecostes”, o último dos Hinos Sagrados compostos por Alessandro Manzoni: Come la luce rapida Piove di cosa in cosa, E i color vari suscita Dovunque si riposa; Tal risonò moltiplice La voce dello Spiro: L’Arabo, il Parto, il Siro In suo sermon l’udì. * (Como a luz que se desloca, Rápida, de coisa em coisa, Despertando as cores várias Em toda parte em que pousa, Da mesma forma ressou Em várias línguas o Espírito: Entenderam o seu sermão Árabes, partos e sírios.) Na pintura, como no poema, a ênfase é colocada na universalidade da mensagem cristã, que rompe o ambiente fechado em que se encontravam os primeiros apóstolos, para que se espalhassem por todo o mundo graças ao poder do fogo do Espírito. http://www.lanuovabq.it/it/beato-angelico-la-potenza-dello-spirito

  • A REVOLUÇÃO FRANCESA E A REFORMA PROTESTANTE, ERA DAS LUZES OU TREVAS? PARTE II

    • A REVOLUÇÃO FRANCESA E A REFORMA PROTESTANTE, ERA DAS LUZES OU TREVAS? • PARTE II • (A maçonaria e o terror) • Os maçons, apóstolos da grande revolução, conseguiram separar, na opinião pública, os três Imortais princípios de 1789 dos excessos do terror. Explicam, portanto, os massacres de 1792 como fatos reprováveis, devidos unicamente a um excesso de entusiasmo na aplicação dos referidos princípios (principalmente os da Fraternidade!). • Contudo, a Maçonaria, sociedade filantrópica e humanitária, teve a sua parte de responsabilidade na organização do terror. • Possuímos sobre este ponto testemunhos formais: o de Bertrand de Molleville, Ministro de Luís XVI, o do maçom Marmontel e também o de Duporte, o mais cruel e encarniçado de todos, o autor do plano revolucionário do terror e cujos crimes foram preparados, principalmente pela comissão de propaganda da loja dos “amigos reunidos”. • OS ESCRITOS DE MARMOTEL: • “O dinheiro e, mais do que tudo, a esperança da pilhagem são importantes entre este povo. Acabamos de verificar, no subúrbio de Santo Antônio, onde, com incalculável facilidade, o Duque D’ Orleans conseguiu que fosse saqueada a manufatura desse honrado revellion que, no mesmo subúrbio, provia a subsistência de 100 famílias. Mirabeau sustenta, zombeteiramente que, com um milhão de Luíses é possível armar uma boa sedição. • “Teremos de Recear a hostilidade da maioria da Nação que ignora os nossos projetos e Pode não estar disposta a prestar nos o seu concurso?” • “É claro que, nos seus lares, nos seus escritórios, nos seus gabinetes, nas suas oficinas, a maior parte desses pacato cidadão deve achar muito ousados esses planos destinados a perturbar-lhe o descanso e os divertimentos. Mas a sua desaprovação será tímida e discreta. Sabe porém, a nação o que quer? Faremos eles dizerem e querer o que nunca pensaram. E se duvidar, lhe Responderemos, como Crispim ao legatário: ‘ É a vossa letargia’. • “A nação é um grande rebanho, ocupado só em pastar e que, com o auxílio de bons cães, os pastores podem dirigir a seu bel-prazer. Afinal, é para seu bem o que se quer, à sua revelia. Nem o antigo regime, nem o culto, nenhum os costumes, nenhum dos seus antiquados preconceitos merecem consideração. Tudo isso causa pena e vergonha há um século como o nosso; e, para traçar o novo plano, é indispensável limpar o terreno. • “Para nos impormos à burguesia, teremos, se for necessário, essa classe que não tem nada a perder com a mudança e espera, pelo contrário, ter tudo a ganhar. • “Para amotiná-la, contamos com os móveis mais poderosos: a carestia, a fome, o dinheiro, os boatos de alarme e de terror e o Delírio de medo e de Cólera com que se impressionam os espíritos. • “A burguesia só produz oradores elegantes; todos eles nada são, comparados com esses Demóstenes a um escudo que, nas tabernas e nas praças públicas, nos Jardins e nos cais, anunciam estragos, incêndios, aldeias saqueadas e inundadas de sangue e conjurações para sitiar e esfomear Paris. • “Assim o requer o movimento social. Que se obteria do Povo, amordançando-o com os princípios de honradez e de Justiça? Os homens de bem são fracos e tímidos; só os velhacos são resolutos. A vantagem do Povo, nas Revoluções, é não ter moral. Quem pode resistir a homens, para quem todos os meios são lícitos? Nem uma só das antigas virtudes nos serviria. O povo não precisa delas ou as requer de outra têmpera. Tudo o que é necessário para a Revolução, tudo o que lhe é útil, é justo: eis o grande axioma”. • desde o princípio da revolução, para se proteger, a Maçonaria ordenará o fechamento de todas as lojas. Mas esta supressão aparente, simples medida de precaução, não lhe prejudicava a atividade, pois as lojas secretas continuavam a existir, como no passado, e as outras eram substituídas pelos clubes. Esta circunstância foi confirmada por um estudo de uma ação schaffer, publicado Em 1880, no boletim maçônico da loja simbólica escocesa. • Não esqueçamos, aliás, que o papel da Maçonaria propriamente dito é mais criar o Estado de Espírito revolucionário do que combater abertamente, a testa de um movimento. • A Maçonaria criar a esse estado de espírito e lançará os seus homens ao ataque. Estes, impregnados de princípios maçônicos, aplicaran-nos na Revolução, sem que fossem necessariamente dirigidos pela seita. • Podemos observar que Adriano Duport conseguiu que a constituinte adotasse a emancipação dos judeus; antes de obter Este resultado, fizera 14 tentativas e só na véspera do encerramento da Assembleia a lei foi votada, depois que Régnault de SaintJean d’angely disse: • “Requeiro que sejam chamados a ordem todos os que falarem contra essa proposta, pois estarão combatendo a própria Constituição”. • O que significava: combater o judeus é combater a revolução. Vejamos agora qual foi o papel da maçonaria na França de 1793 aos nossos dias. • Pela sua demasiada rapidez, a Maçonaria viu malograrem-se os seus fins. O problema foi o excesso do terror que provocou uma violenta reação no país. A Maçonaria Então fez o melhor que podia, reassumiu a sua atitude filosófica e observadora da Ordem Social. • Apoio, portanto, Napoleão que, Aliás a serviu, espalhando o espírito revolucionário pela Europa inteira; ele proclamava com razão: • “Consagrei a revolução; incorporei-a às leis”. • “Semeei copiosamente a liberdade, por toda parte onde implantei o meu código civil”. • Numa palavra, Napoleão foi, para a Europa, o que a Revolução havia sido para a França. • “Enquanto Bonaparte, General, foi o servidor da revolução, a Maçonaria francesa celebra-o unicamente como o Pacificador que, repelindo o estrangeiro, coloca-o na impossibilidade de prejudicar o desenvolvimento da República”. • Os dois pontos importantes para a Maçonaria era a separação da igreja e do Estado e a supressão da monarquia absoluta. O regime constitucional foi, pois, instaurado na França e, com ele, a Maçonaria continuava a dominar. • “Luiz XVIII, diz Bazot, secretário do Grande Oriente da França, concede A Carta; é o governo constitucional; este princípe protege-nos”. • Em 1861, deu-se a cisão definitiva, após a nota do Senado relativa a manutenção do poder temporal do Papa. Os desastres de 1870 precipitaram os acontecimentos: a Maçonaria foi impedida a uma ação rápida do que teria desejado. Repetindo a experiência de 1789, quis com a violência da comuna, retomar as rédeas do governo. A 26 de abril de 1871, 55 lojas, um ar de 10.000 maçons, chefiados pelos seus dignatários, ostentando as suas insígnias, percorreram em cortejo os baluartes, onde achar um 62 das suas Bandeiras. Saudando, no Paço Municipal, o poder revolucionário, o maçom Tiriforque dissera aos amotinados: • “A comuna é a maior das revoluções que o mundo pôde contemplar”. • Isto deveu-se com a licença do termo, “a um monarca leigo”, leigo porque ele levou a França no caminho da revolução, era um império que seguia como uma república legal, este homem foi Napoleão III, um monarca bem estranho. Os Monarcas procuravam fazer esquecer o passado, este se vangloriava de ter sido elevado ao trono para demolir as monarquias Inclusive a sua. • A Civilização Moderna • A necessidade de suprimir a Igreja para assegurar o triunfo da civilização moderna foi o que Waldeck-Rousseau tinha dado a entender no discurso de Toulouse. Foi o que Viviani disse brutalmente, em 15 de janeiro de 1901, do alto da tribuna. • “Estamos encarregados de preservar o patrimônio da Revolução de todo atentado… Apresentamo-nos aqui carregando em nossas mãos, além das tradições republicanas, essas tradições francesas atestadas por séculos de combate, nos quais, pouco a pouco, o espírito laico foi se insinuando nas fissuras da sociedade religiosa… Nós não estamos apenas frente à frente com as congregações, nós estamos frente à frente com a Igreja Católica… “Acima deste combate de um dia, não paira, mais uma vez, esse conflito formidável em que o poder espiritual e o poder temporal disputam prerrogativas soberanas, tentando, ao conquistarem as consciências, manter até ao fim a direção da humanidade? • “Como eu dizia no início, credes que esta lei nos leva à última batalha? Mas esta é apenas uma escaramuça em relação às batalhas do passado e do futuro! A verdade é que aqui se reencontram, segundo a bela expressão do Sr. de Mun, em 1878, a sociedade baseada na vontade do homem e a sociedade baseada na vontade de Deus. Trata-se de saber se, nessa batalha, uma lei sobre as Associações vai ser suficiente para nós. As Congregações e a Igreja não vos ameaçam apenas por suas intrigas, MAS PELA PROPAGAÇÃO DA FÉ… Não temais as batalhas que se vos oferecerão, ide; e se encontrardes diante de vós essa religião divina que torna poético o sofrimento mediante promessa de reparações futuras, oponde-lhe a religião da humanidade que, ela também, torna poético o sofrimento, oferecendo-lhe como recompensa a felicidade das gerações.” • Eis aí a questão claramente posta. • Ouvem-se nessas palavras menos os pensamentos pessoais de Viviani do que os da seita anticristã. Ela declara lutar há séculos contra a Igreja Católica: ela se vangloria de já ter obtido que o espírito laico se insinuasse pouco a pouco nas fissuras da sociedade religiosa; diz que, no esforço feito para destruir as congregações, ela empenha apenas uma escaramuça, e que, para garantir o triunfo definitivo, ela deverá aplicar-se a novas e numerosas batalhas. • Em seu nome, Viviani declara que na batalha atual trata-se de coisa muito diferente da “defesa republicana”, de um lado, e da aceitação da forma de governo, do outro. Eis do que se trata: “insinuar o espírito laico nas estreitezas da sociedade religiosa”, “tomar as rédeas da humanidade”, “e destruir a sociedade baseada na vontade de Deus, para construir uma sociedade nova, baseada na vontade do homem”. • Eis por que a guerra declarada contra as congregações é apenas um alistamento. A verdadeira campanha é aquela que põe frente a frente a Igreja Católica e o Templo maçônico, isto é, a Igreja de Deus e a Igreja de Satã, conflito formidável do qual depende a sorte da humanidade. Durante o tempo em que a Igreja estiver de pé, Ela propagará a fé, Ela colocará no coração dos que sofrem – e quem não sofre? – as esperanças eternas. É somente sobre suas ruínas, pois, que se poderá edificar “a religião da humanidade, que promete a felicidade sobre esta terra”. • A continuação da discussão, no Senado assim como na Câmara, apenas acentuou a importância dessas declarações. Algumas curtas citações mostrarão que o discurso de Waldeck-Rousseau e de Viviani têm exatamente o significado que acabamos de dar. • Jacques Piou: “Aquilo que os socialistas querem, Viviani disse-o outro dia, sem rebuços, é arrancar as consciências do poder espiritual e conquistar a direção da humanidade”. O orador é interrompido por um membro da esquerda que lhe grita: “Não são somente os socialistas que o querem, são todos os republicanos”. Piou não o contradiz. Ele lê um discurso em que Bourgeois afirmara: “Desde que o pensamento francês se liberalizou, desde que o espírito da Reforma, da Filosofia e da Revolução entrou nas instituições da França, o clericalismo é o inimigo”. Bourgeois interrompe; Viviani replica: “A citação que fiz é exata, e Bourgeois mantém-na por inteiro. Ele a mantém porque ela constitui o fundo de seu pensamento; ela explica seu ardor em sustentar a lei sobre as associações, porque a lei sobre as associações é a vitória do espírito da Revolução, da Filosofia e da Reforma sobre a afirmação católica”. • Na sessão de 22 de janeiro, Lasies repõe a questão em seu verdadeiro terreno, nestes termos: “Há duas frases, direi dois atos, que dominam todo este debate. A primeira frase foi pronunciada por nosso nobre colega Viviani. Ele disse: ‘Guerra ao catolicismo!’ Levantei-me e respondi-lhe: ‘Obrigado, eis o que é franqueza!’ Uma outra palavra foi pronunciada, é esta pelo digno Léon Bourgeois. A convite de Piou, Bourgeois afirmou novamente que o objetivo que ele persegue com seus amigos é substituir o espírito da Igreja, isto é, o espírito do catolicismo, pelo espírito da reforma, pelo espírito da Revolução e pelo espírito da razão. • Quais devem ser essas medidas? Para onde devem tender? Viviane disse: “substituir a religião católica pela religião da humanidade”, ou segundoa fórmula de Bourgeois, “dar ao espírito da revolução, da filosofia e da reforma, a vitória sobre a afirmação Católica”: a afirmação Católica que mostra o fim do homem além deste mundo e da vida presente, e o espírito da filosofia e da revolução, que limita o horizonte da humanidade à vida animal terrestre. À grande questão é que essas palavras não foram pronunciadas em uma loja maçônica, mas foram foram ditas no congresso Francês, esta é uma questão que realmente deve ser levada a sério. • Viviane ainda afirmou: ” Não estamos somente enfrentando o congresso, nós estamos face a face com a Igreja Católica”, para combatê-la, para dedicar-lhe uma guerra de EXTERMÍNIO. • Em junho de 1903, a Verité Francaise relatava que Robótica, numa conversa íntima, falará da mesma maneira: “sei o que se prepara; conheço os detalhes as malhas da vasta rede que esta estendida. Muito bem, se a Igreja Romana escapar desta vez na França, isto será um milagre, milagre tão deslumbrante a meus olhos que me farei Católico convosco”. • Nós vimos esse milagre no passado, e o veremos no futuro. Os jacobinos podiam crer-se muito seguros, mais seguros mesmo do sucesso do que nossos livre-pensadores; eles tiveram de reconhecer que se tinham enganado… e eles não se converteram. “Vi, disse Barruel em suas Mémoires, vi Cerutti acercar-se insolentemente do secretário do Núncio de Pio VI, e com uma alegria ímpia, com o sorriso da piedade, dizer-lhe: “Protegei bem vosso Papa; protegei bem este, e embalsamai-o bem após sua morte, porque eu vos anuncio, e podeis estar bem certo disto, não tereis outro”. Ele então não adivinhava, esse pretenso profeta, continua Barruel, que ele apareceria antes de Pio VI perante o Deus que, apesar das tempestades do jacobinismo, como apesar de tantas outras, nem por isso não estará menos com Pedro e Sua Igreja até o fim dos séculos”. • Viviani disse que se a maçonaria queria aniquilar a Igreja, o seu objetivo era poder substituir a religião de Cristo pela religião da humanidade. • Constituir uma nova religião, a “religião da humanidade”, é, com efeito, nós o veremos, o objetivo para o qual a franco-maçonaria direciona o movimento começado na Renascença: a libertação da humanidade. • Numa obra editada em Friburgo, sob o título A deificação da humanidade, ou o lado positivo da franco-maçonaria, o padre Patchtler bem demonstrou o significado que a maçonaria dá à palavra “humanidade” e o uso que dela faz. “Essa palavra, diz ele, é empregada por milhares de homens (iniciados ou ecos inconscientes dos iniciados), num sentido confuso, sem dúvida, mas sempre, entretanto, como o nome de guerra de um certo partido para uma certa finalidade, que é a oposição ao cristianismo positivo. Essa palavra, na boca deles, não significa somente o ser humano por oposição ao ser bestial… ela coloca, em tese, a independência absoluta do homem no domínio intelectual, religioso e político; ela nega todo fim sobrenatural do homem, e requer que a perfeição puramente natural da raça humana seja encaminhada pelas vias do progresso. A esses três erros correspondem três etapas na via do mal: a Humanidade sem Deus, a Humanidade que se faz de Deus, a Humanidade contra Deus. Tal é o edifício que a maçonaria pretende erguer no lugar da ordem divina que é Humanidade com Deus. • Quando a seita fala da religião do futuro, da religião da humanidade, é este edifício, este Templo que tem em mente. • Em 1870, por volta do fim de julho e começo de agosto, realizou-se em Metz um congresso do qual participaram as lojas de Strasbourg, Nancy, Vesoul, Metz, Châlons-sur-Marne, Reims, Mulhouse, Sarreguemines, numa palavra, todo o Leste. A questão do “Ser supremo” foi colocada, e as discussões que se seguiram propagaram-se de loja em loja. • Para resumir, o Monde Maçonnique, edições de janeiro e maio, fez a seguinte declaração: “A franco-maçonaria nos ensina que não há senão uma só religião verdadeira, e por conseguinte uma só natural, o culto da humanidade. Porque, meus irmãos, Deus, essa abstração que, erigida em sistema, serviu para formar todas as religiões, nada mais é do que o conjunto de todos nossos instintos mais elevados, aos quais demos um corpo, uma existência distinta; esse Deus é apenas o produto de uma concepção generosa, mas erroneamente, da humanidade, que se despojou em benefício de quimera”. Nada mais claro: a humanidade é Deus, os direitos do homem devem substituir os da Lei Divina, o culto dos instintos do homem deve tomar o lugar daquele rendido ao Criador, a procura do Progresso nas satisfações dadas aos sentidos deve substituir as aspirações da vida Futura. • A Maçonaria começa a abandonar o véu e, em toda parte, celebra o seu Triunfo. Já em setembro de 1893, o Martin, que é considerado o reflexo das ideias predominantes no seio do Grande Oriente, diz francamente não dos seus artigos: • “Pode-se afirmar, sem ousadia, que a maior parte das leis que estão subordinados os franceses — referimo-nos às grandes leis políticas — antes de aparecerem no officiel, foram estudadas pela maçonaria”. • Acrescentava: • “As leis sobre o ensino primário, sobre o divórcio e, entre outras, a lei sobre o serviço militar para os seminaristas alcançaram-se na rua Cadet (sede do Grande Oriente) para o palácio Bourbon: voltaram invioláveis e definitivas”. • E concluía com este brado de triunfo: • “Somos ainda onipotentes, mas com a condição de sintetizarmos as nossas aspirações numa fórmula. Durante 10 anos, avançamos, repetindo: ‘O clero é o inimigo!’ Temos, por toda parte, escolas leigas, os padres foram reduzidos ao silêncio, os seminaristas são soldados. Não é um resultado vulgar, para uma nação que se denomina a ‘filha predileta da igreja’. (Artigo do Marinheiro citado pela “maçonaria desmascarada; setembro 1893; Págs, 322-325). • Na convenção de 1894, foi adotado o voto seguinte, publicado pela coleção Maçônica, página 308: • “Todo profano admitido a receber a luz deverá antes Assumir o compromisso seguinte: seja qual for a situação política ou de qualquer outra Espécie a que possa chegar um dia, prometo pela minha honra, responder a toda convocação da Maçonaria e defender, por todos os meios ao meu alcance, todas as soluções dadas por ela às questões políticas e sociais”. • Essa intromissão da Maçonaria nos negócios do Parlamento e o domínio exercido sobre grande número de deputados e senadores afirmou-se ainda mais, no ministério Herriot, após as eleições de 1924, nas quais resultou a vitória do Cartel. • “Que é o Cartel? É, há mais de 30 anos e sob diferentes formas, a coalizão do partido socialista-radical e do partido coletivista S.F.I.O., aliança travada no seio da Maçonaria que é, desde 1871 a verdadeira Senhora da República. • “O ramo radical da Maçonaria, que durante muito tempo dominou quase sozinho a grande organização Secreta, especializou-se sempre em extirpar do país o cristianismo por meio do Iluminismo ireligioso. • Fizeram ouvir clamar que a escola leiga — aliás escola de livre pensamento — se tornou um viveiro de revoltados e fabrica, por séries, legiões de revolucionários; que a estirpação do cristianismo, por meio da escola leiga e das leis especiais contra as congregações religiosas, é a fonte da corrupção moral que penetra, gradualmente, em todas as camadas da nação e da assustadoras despovoação que nos reduziu, numéricamente, a uma nação de segunda ordem. • ” Nada o desvia da aplicação implacável das leis ireligiosa, ditas leigas. • “Quanto aos intuitos do partido coletivista S.F.I.O de Blum, segundo ramo da Maçonaria, com tendência a sobrepujar o ramo simplesmente socialista-radical, são bem conhecidos não é somente um partido anti-religioso, mas um partido de luta de classes, e de revolução social, que tem por objetivo a destruição do chamado regime capitalista, isto é, de propriedade individual, para substituí-lo por uma sociedade coletivista ou comunista, em que os bancos, as minas, as fábricas, os meios de transporte e as terras seriam exploradas pelo Estado proletário. • “Ora, esse partido S.F.I.O. enviou à Câmara atual, cem deputados que concentraram sobre seus nomes, nas eleições de 1928, mil e setecentos sufrágios, sem contar com partido comunista, momentaneamente divorciado do Cartel, e que por sua vez reuniu 1.100.000 votos. • “Eis o ponto a que chegamos. • “E cada ano que passa agrava o perigo. • “A cada ano que passa a escola leiga, entregue ao magistério cuja maioria professa as ideias da extrema-esquerda, prepara, para a vida pública, uma nova classe de jovens que vai engrossar as fileiras dos partidos revolucionários. • “A cada ano que trascorre, uma nova parte dos ambientes populares é contaminada por I’Humanité e outros jornais revolucionários que podem, impunemente — como nós mesmos fazíamos no tempo do nosso iluminismo subversivo — solapar os alicerces da autoridade e as bases da sociedade. • ” Finalmente, a cada ano que passa a natalidade diminui”. • G. Michel publicou o livro “A ditadura da maçonaria na França” analisando as resoluções tomadas nos diferentes congressos maçônicos e, simultaneamente, a sua realização oficial, durante o ministério Herriot. • 1ª)As lojas decretam a supressão da embaixada, junto Vaticano (boletim oficial da Grande Loja da França, Janeiro de 1923 página 39). • 2ª) as lojas requerem a aplicação da lei sobre as congregações. (boletim oficial da Grande Loja da França, convenção de 1922, página 220). • Primeira declaração ministerial Herriot, seguida de realização:17 de junho de 1924. • 3ª) As lojas querem o triunfo das ideias leigas. (convenção do Grande Oriente, 1923, página 220). • 4ª) As lojas reclamam Anistia plena e sem restrições para os condenados e os traidores, especialmente Marty, Caillaux, Malvy, Goldsky, etc., (Grande conferência na sede do Grande Oriente, Rua Cadet n°16, a 31 de janeiro de 1923 — boletim hebdomadário n°339 1923, página 13). • 5ª) As lojas protestam contra os decretos-leis. (Grande Loja da França, fevereiro-abril de 1924, páginas 209 e 210). • 6ª) As lojas querem o escrutínio dos distritos. (Grande loja da França, 1922, pág.287). • 7ª)As lojas decretam a introdução do regime leigo na Alsácia-Lorena, apesar das promessas contrárias. (Convenção do Grande Oriente da França, pág. 271, 1922). • 8ª)As lojas reclamam o estabelecimento da escola única e o monopólio do ensino. (Convenção do Grande Oriente da França, 1923, pág.265-266). • 9ª) As lojas querem a continuação das relações com os sovietes. (Boletim oficial da Grande Loja, outubro de 1922, pág. 286). • 10ª) As lojas querem instaurar um regime econômico, preparatório do socialismo. (Convenção do Grande Oriente da França, em 1922, pág. 246). • 11ª) As lojas adotam uma política Colonial leiga e emancipadora. (Convenção do Grande Oriente da França, 1923, pág. 247). • 12ª) As as lojas hostilizam o exército. (Convenção do Grande Oriente, 1922, pág. 142-143). • 13ª) As lojas são favoráveis à reconciliação com a Alemanha e à Liga das Nações, para torná-la a internacional dos povos e a Federação Mundial. (Grande Oriente da França, 1923, pág. 97). • Estas são etapas de um programa maçônico para o futuro que é: • A DESTRUIÇÃO DO CATOLICISMO E O SOCIALISMO UNIVERSAL. • Para finalizar este texto vamos mostrar as tendências atuais da maçonaria, segue um trecho de Albert Lantoine que nos mostra como ela as aplica e de que modo influencia a política francesa e mundial. • “A instituição existe, para preparar constantemente o futuro, pelo estudo do presente, e não para impor uma ideia, pelo prestígio efêmero e sua influência. • “Cabe às organizações profanas, mais aparelhadas do que a ordem Maçônica, a realização dessa ideia; e o seu evento ao insucesso não poderia atingir a Maçonaria, habilmente entrincheirada no seu papel especulativo. Os atos da vida pública nunca deveriam ser, para ela, um campo de ação, mas um campo de experiências, para a correção dos seus erros e o aperfeiçoamento de sua inteligência. Assim não haveria a política militante de que o Grande Oriente pretende, sem razão, se ocupar e pela qual a grande loja, contrariamente aos seus interesses bem compreendidos, tem às vezes, a fraqueza de se deixar influenciar. Haveria, apenas, política filosófica. Por este motivo, se devemos suprimir o artigo que interdiz, nas lojas, as discussões sobre a própria vida do país, devemos conservar zelosamente (Pois é a própria base da nossa instituição) o que só se preocupa com a sinceridade e a lealdade dos postulantes, sem averiguar as suas opiniões. Porque — note-se a desastrosa contradição — ousa-se escrever que se interdizem os assuntos políticos e, na prática, rejeita-se sistematicamente um Republicano demasiado tíbio ou um católico. Bibliografia: conjuração anticristã, Monsenhor Delassus. As forças secretas da revolução, Léon de poncis #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #maçonaria #humanismo #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Gnosticismo #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Revoluçãofrancesa #Igreja

  • A UNIDADE DA IGREJA FALA TODAS AS LÍNGUAS (Autor Africano Anônimo, do Século VI)

    Os apóstolos começaram a falar em todas as línguas. Aprouve a Deus, naquele momento, significar a presença do Espírito Santo, fazendo com que todo aquele que o tivesse recebido, falasse em todas as línguas. Devemos compreen­der, irmãos caríssimos, que se trata do mesmo Espírito Santo pelo qual o amor de Deus foi derramado em nossos corações. O amor haveria de reunir na Igreja de Deus todos os povos da terra. E como naquela ocasião um só homem, recebendo o Espírito Santo, podia falar em todas as línguas, também agora, uma só Igreja, reunida pelo Espírito Santo, se exprime em todas as línguas. Se por acaso alguém nos disser: “Recebeste o Espírito Santo; por que não falas em todas as línguas?” devemos responder: “Eu falo em todas as línguas. Porque sou membro do Corpo de Cristo, isto é, da sua Igreja, que se exprime em todas as línguas. Que outra coisa quis Deus significar pela presença do Espírito Santo, a não ser que sua Igreja haveria de falar em todas as lín­guas?” Deste modo, cumpriu-se o que o Senhor tinha prometi­do: Ninguém coloca vinho novo em odres velhos. Vinho novo deve ser colocado em odres novos. E assim ambos são preservados (cf. Lc 5,37-38). Por isso, quando ouviram os apóstolos falar em todas as línguas, diziam alguns com certa razão: Estão cheios de vinho (At 2,13). Na verdade, já se haviam transformado em odres novos, renovados pela graça da santidade, a fim de que, repletos do vinho novo, isto é, do Espírito Santo, parecessem ferver ao falar em todas as línguas. E com este milagre tão evidente prefiguravam a universalidade da futu­ra Igreja, que haveria de abranger as línguas de todos os povos. Celebrai, pois, este dia como membros do único Corpo de Cristo. E não o celebrareis em vão, se realmente sois aquilo que celebrais, isto é, se estais perfeitamente incorporados naquela Igreja que o Senhor enche do Espírito Santo e faz crescer progressivamente através do mundo inteiro. Esta Igreja ele reconhece como sua e é por ela reconhecida como seu Senhor. O esposo não abandonou sua esposa; por isso ninguém pode substituí-la por outra. É a vós, homens de todas as nações, que sois a Igreja de Cristo, os membros de Cristo, o corpo de Cristo, a esposa de Cristo, é a vós que o Apóstolo dirige estas palavras: Supor­tai-vos uns aos outros com paciência, no amor. Aplicai-vos em guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz (Ef 4,2-3). Reparai como, ao lembrar o preceito de nos suportarmos uns aos outros, falou-nos do amor, e quando se referiu à esperança da unidade, pôs em evidência o vínculo da paz. Esta é a casa de Deus, edificada com pedras vivas. Nela o Eterno Pai gosta de morar; nela seus olhos jamais devem ser ofendidos pelo triste espetáculo da divisão entre seus filhos. (Dos Sermões de um Autor africano anônimo, do século VI – Sermo 8,1-3: PL 65,743-744). #Igreja

  • POR QUE JESUS DOBROU O LENÇO QUE COBRIA A SUA FACE NO SEPULCRO? (Redação da Aleteia | Nov 09, 2017)

    Uma tradição judaica daquele tempo nos revelaria a mensagem arrepiante representada por esse gesto aparentemente insignificante O Evangelho segundo São João, no capítulo 20, nos fala de um lenço que tinha sido colocado sobre a Face de Jesus quando Ele foi sepultado, ao final da tarde da Sexta-Feira Santa. Ocorre que, após a Ressurreição, quando o sepulcro foi encontrado vazio, esse lenço não estava caído a um lado, como os lençóis que tinham envolvido o Corpo de Jesus. O Evangelho reserva um versículo inteiro para nos contar que o lenço fora dobrado cuidadosamente e colocado à cabeceira do túmulo de pedra. Mas por que Jesus dobrou o lenço que cobria a Sua cabeça no sepulcro depois de ressuscitar? Bem cedo pela manhã de domingo, Maria Madalena foi até o local e descobriu que a pesadíssima pedra que bloqueava a entrada do sepulcro tinha sido removida. Ela correu e encontrou Simão Pedro e outro discípulo, aquele a quem Jesus tanto amara – São João Evangelista – e lhes disse: “Retiraram o Corpo do Senhor e não sei para onde O levaram!” Pedro e o outro discípulo correram até o túmulo. João passou à frente de Pedro e chegou primeiro. Parou e observou os lençóis, mas não entrou. Então Simão Pedro chegou, entrou no sepulcro e notou os lençóis ali deixados, enquanto o lenço que havia coberto a Divina Face estava dobrado e colocado a um lado. Isto é importante? Definitivamente. Isto é significativo? Sim. Por quê? Para poder entender a significância do lenço dobrado, temos que entender um pouco a respeito da tradição hebraica da época. O lenço dobrado tem a ver com uma dinâmica diária entre o amo e o servo – e todo menino judeu conhecia bem essa dinâmica. O servo, quando preparava a mesa de jantar para o amo, procurava ter a certeza de fazê-lo exatamente da maneira desejada pelo seu senhor. Depois que a mesa era preparada, o servo ficava esperando fora da visão do amo até que ele terminasse a refeição. O servo não se atreveria jamais a tocar na mesa antes que o amo tivesse acabado. Ao terminar, o amo se levantaria, limparia os dedos, a boca e a barba, embolaria o lenço e o jogaria sobre a mesa. O lenço embolado queria dizer: “Eu terminei“. Agora, se o amo se levantasse e deixasse o lenço dobrado ao lado do prato, o servo não ousaria tocar ainda na mesa, porque aquele lenço dobrado queria dizer: “Eu voltarei!” ___________ (Adaptado de excerto do livro “Histórias e parábolas para a família“, do pe. Chrystian Shankar). #Igreja

  • Ciência e Fé. Amigas ou inimigas?

    Ciência e Fé. Amigas ou inimigas? Algumas pessoas veem conflito entre a ciência e a fé em Deus.  Mas o engraçado é que as pessoas que realmente mudaram os rumos da ciência não tiveram problemas em conciliar a ciência com sua fé. Newton, Pascal, Leibniz, Faraday, Galileu, Pasteur, Planck e tantos outros cientistas brilhantes, foram homens que transformaram a ciência e fizeram contribuições gigantescas em seus campos de atuação, eles viam a questão da crença em Deus não como algo fútil e contraditório, mas como a mais sublime manifestação do intelecto. A ordem, a inteligência, a complexidade e a majestosa beleza da natureza sempre intrigou os cientistas, e saber como Deus criou tudo isso os impulsionava a descobrir os mecanismos usado pelo Criador. Pois não haveria o menor interesse em se estudar algo que foi formado aleatoriamente, sem nenhum propósito ou processo inteligente por trás. Como afirma o prêmio Nobel de Física em 1981 Arthur Schawlow: “O mundo é tão maravilhoso que não posso imaginar que tenha sido por puro acaso.”[1] Pois se nosso próprio cérebro é formado por apenas moléculas em movimento, como podemos ter certeza que esse processo produz algo capaz de ser chamado de racionalidade? A ciência e a fé atuam em áreas diferentes, a ciência atua sobre o natural, com seus limites e métodos e a fé no campo espiritual, e elas não são mutuamente excludentes, como dizia Albert Einstein: “Quanto mais eu estudo ciência, mais eu acredito em Deus.“[2] “A Ciência sem religião é manca, religião sem ciência é cega.”[3] Negar a fé por se dizer em favor da ciência, não faz o menor sentido, pois a própria história mostra que essa escolha é baseada na ignorância do desconhecimento do que se trata a verdadeira fé, e do que se trata a ciência e seus limites. A própria história do “nascimento da ciência” não deixa a menor dúvida, o desenvolvimento da ciência foi enormemente impulsionado graças à cosmovisão cristã de como o mundo funciona e como Deus criou o universo. A ciência tentar explicar “como”, e a fé os “porquês”, e a conciliação entre os dois é capaz de abrir a mente e expandir o conhecimento além dos limites naturais, abrindo caminho para novas descobertas e moldando novos padrões. Como afirmou o papa João Paulo II em sua famosa encíclica Fides et Ratio (Fé e Razão): ” A fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio.”[4] A ciência não ocorre num vácuo asséptico conceitual quer seja religioso, quer filosófico, quer cultural. A nossa percepção e ação fundamentam-se em nossos pressupostos os quais sãos reforçados, transformados, lapidados ou abandonados em prol de outros, conforme a nossa percepção dos “fatos”. Por exemplo, a ciência pressupõe que a natureza é ordenada. De fato, para a natureza se tornar um objeto de estudo  ela precisa ser considerada um lugar onde os eventos que nela ocorrem possua certa estruturas regulares.  Sem a crença que nós vivemos em um universo ordenado, a ciência é impossível. Por isso, os primeiros brotos da ciência moderna surgiram da crença de que há uma racionalidade intrínseca ao universo físico, em virtude de sua criação pela própria fonte de toda razão [Deus].  Se a Razão permeia todo o universo, e nós fomos contemplados com uma participação nessa razão, podemos esperar compreender, ao menos de um modo limitado, como o universo funciona. O pano de fundo teísta deu resposta a duas importantes questões. Por que podemos assumir a regularidade dos processos físicos, sejam ou não eles totalmente determinados, e por que as nossas mentes são ajustadas para compreendê-los? O físico Eugene Wagner, prêmio Nobel de Física, confessa que a base matemática da natureza “é algo que beira o misterioso e não há explicação racional para isso… é um artigo de fé”. O renomado físico norte-americano Richard Feynman, ganhador do prêmio Nobel em Física, e ateu, confessa “O porquê a natureza é matemática é um mistério… O fato que afinal há regras é um tipo de milagre”. A ciência nada pode dizer sobre eventos sobrenaturais, pois isso foge ao seu escopo de análises, ela simplesmente os ignora e parte destes pressupostos para fazer seu trabalho, dando um salto de fé. Dizer que a ciência provou que Deus não existe, ou que milagres são impossíveis é simplesmente uma grande mentira e falta de conhecimento dos limites da ciência. Assim, a fé permeia a ciência, a religião e toda a vida humana, todas as pessoas possuem um conjunto de premissas sustentadas pela fé a respeito das coisas que creem. A fé está presente na vida de todos, mesmo você sendo um ateu. Pois grande parte das nossas convicções mais fundamentais sobre as coisas são crenças impossíveis de se justificar para os que dela não compartilham, e nem são provadas empiricamente, são baseadas na fé.  Num sentido mais amplo, a fé em alguma visão de mundo e da natureza humana está presente na vida de todos. Todo mundo age e vive a partir de uma identidade narrativa, quer seja elaborada e objeto de reflexão, quer não. O nascimento da ciência Porque que foi na Europa cristã medieval que a ciência surgiu e não em outros lugares? Analisando a história, percebe-se que as grandes civilizações como os gregos, os hindus, os árabes e os chineses desenvolveram conhecimentos e técnicas consideráveis. Dominavam a astronomia, as navegações, construíam edifícios, catapultas, armas e etc. No entanto, nenhum desses povos foi capaz de desenvolver a ciência como um movimento progressivo, como aconteceu na Europa Cristã no final da Idade Média. O conhecimento do mundo e as técnicas em posse de outras culturas não eram suficientes em si para manter em andamento a ciência como a conhecemos. O que faltava a esses povos era a estrutura certa que pudesse propiciar a confiança e a motivação necessárias para que o estudo científico florescesse. Stanley Jack, historiador da ciência, em seu livro “Science and creation”, diz: “A investigação científica só encontrou solo fértil depois que a fé num criador pessoal, racional, realmente impregnou toda uma cultura, a partir dos séculos da Idade Média Alta. Essa foi a fé que forneceu uma dose suficiente de crédito na racionalidade do universo confiança no progresso e valorização do método qualitativo – todos eles, ingredientes indispensáveis da investigação científica”[5] Assim como o historiador Christopher Dawson: “…as origens da ciência moderna, no período final da Idade Média, serão encontradas não entre os seguidores de Averróis em Pádua, mas com os discípulos de Roger Bacon e Guilherme de Ockham, que consideravam a fé religiosa a fonte suprema do verdadeiro conhecimento.”[6] O estudioso Rodney Stark também explica. O impulso científico foi um fruto do trabalho de estudiosos e cristãos devotos. É importante reconhecer que a ciência não é só tecnologia. Uma sociedade não tem ciência só porque consegue construir navios, fundir ferro, ou comer em pratos de porcelana.  A ciência é um método sistemático utilizado em esforços organizados que visam explicar a natureza, que está sempre pronta a ser modificada e corrigida através da observação sistemática. Em outras palavras, a ciência consiste de teoria e pesquisas. Porque foi na Europa cristã e não em outros lugares que a ciência cresceu e prosperou? A resposta tem a ver com a imagem de Deus no imaginário medieval. A China, os países muçulmanos, a Índia, e a Grécia e Roma antigas, tinham uma alquimia evoluída, mas foi só na Europa que essa alquimia se transformou em química.  Várias sociedades desenvolveram sofisticados sistemas de astrologia, mas foi só na Europa que astrologia virou astronomia. O filósofo e matemático Alfred Whitehead, durante palestra na universidade de Havard em 1925 explica: ” A maior contribuição da idade média para o movimento científico foi a certeza que existia um segredo,  um segredo que podia ser descoberto. Como essa certeza apareceu no imaginário medieval? Da insistência na racionalidade de Deus.”[7] Whitehead afirma que as imagens da divindade em outras religiões, principalmente na Ásia, são demasiado impessoais ou irracionais para gerar ciência.  Ele concluiu que a China fracassou em desenvolver a ciência porque muito da sua história não tinha uma convicção firme em um Criador todo-poderoso. Joseph Needham, historiador marxista que passou a vida investigando a ciência e a civilização chinesa, confirmou a opinião de Whitehead. Needham fez uma pesquisa tentando encontrar explicações materialistas para o fracasso da China. Finalmente, sua integridade venceu sua ideologia. Ele concluiu que não havia boas razões geográficas, raciais, políticas ou econômicas para explicar o fracasso da China para desenvolver ciência. Os chineses não desenvolveram a ciência porque nunca lhes ocorreu que esta fosse possível. Eles não tinham uma ciência porque ” a concepção de um legislador divino celestial impondo ordens a natureza não humana nunca se desenvolveu na China.”[8] E a maioria das religiões não cristãs, nem sequer acredita numa criação, para eles, o universo é eterno, e apesar de apresentar ciclos, não tem propósito. Ou ele é uma entidade completamente misteriosa, imprevisível, inconsistente e arbitrária. As antigas religiões animistas como os babilônios e egípcios, criam que cada parte do universo era divina, rios, árvores, animais e até mesmo pedras possuíam espírito. Nesse universo totalmente misterioso, imprevisível e incontrolável, era impossível de a ciência criar suas raízes. Para os que têm estas crenças, a meditação e as experiências místicas são o caminho para a sabedoria, não há ocasião para celebrar a razão. Durante séculos, os gregos antigos pareciam estar no limiar da descoberta da ciência. Interessavam-se em explicar o mundo natural mediante princípios abstratos e gerais. Entre eles, houve cuidadosos e resistentes observadores da natureza. Apesar de Sócrates considerar o empirismo, por exemplo as observações astronômicas como “perda de tempo”, e de Platão concordar, e aconselhar seus alunos a “deixarem paz os céus estrelados”. Eles produziram filosofias especulativas, mas nunca atravessaram a barreira da verdadeira ciência. Aristóteles por exemplo, nunca deixou que fecundasse sua teorização. Ensinou que a velocidade de objetos em queda livre era proporcional ao seu peso.  Bastaria uma excursão a qualquer falésia próxima para provar que a tese estava errada. Que a ideia de Demócrito sobre os átomos tenha sido, por acaso correta, é uma simples coincidência linguística. O seu palpite não tem mais importância que a “teoria” do seu amigo Empédocles, que afirmou que toda matéria é composta por fogo, ar, água ou terra. Nem o famoso filósofo islâmico Averrois e seus seguidores criaram uma visão favorável a ciência no século XII. Para ele e seus seguidores, que foram aristotélicos intransigentes, a física era completa e perfeita, e qualquer observação que fosse contrária às ideias de Aristóteles estavam erradas ou eram uma ilusão. No islã, por exemplo, pode-se pensar que o conceito de Deus seja parecido com o cristão, e isso poderia permitir o surgimento da ciência. Mesmo Alá sendo representado como o criador das leis naturais, ele é concebido como um deus extremamente ativo e interferente nessas leis. Essa visão levou a formação de um pensamento que qualquer esforço para formular leis naturais, iria contra a liberdade de ação de Alá, portanto, seria uma grande blasfêmia contra ele. No oriente por exemplo, apesar de terem desenvolvido tecnologias pioneiras e avançadas para sua época, eles não foram capazes de desenvolver ciência. A crença budista não prezava pela busca da verdade, mas o esvaziamento da mente de todo pensamento, desejo e vontade. O universo, segundo os filósofos chineses, sempre existiu. Não há razão para supor que ele funcionaria de acordo com certas regras racionais e que poderia sem compreendido em termos físico em vez de místicos. Portanto, nos últimos mil anos, os intelectuais chineses procuraram a iluminação mística em vez de explicações. Essa foi a conclusão do historiador da ciência chinesa Joseph Needham. O surgimento da ciência não foi uma evolução da sabedoria antiga. Foi à conclusão da doutrina cristã: a natureza existe porque foi criada por Deus. Para amar e honrar a Deus, é necessário compreender e apreciar as maravilhas de Sua obra. Porque Deus é perfeito, sua obra guia-se em princípios imutáveis. E através do poder da razão, que é um dom de Deus, e da observação, é possível desvendar seus princípios. A ordem, a inteligência, a complexidade e a majestosa beleza da natureza sempre intrigaram os cientistas, e saber como Deus havia criado tudo isso, os impulsionava na busca por respostas. Apenas para ilustrar como a visão de mundo influenciada pela religião pode fazer a diferença na investigação científica, o filósofo e teólogo Agostinho de Hipona, ainda no século IV, apenas pela reflexão baseado no livro de Gênesis, chegou a conclusão que a ciência moderna só chegaria no século XX. Que antes do universo não havia tempo, que o tempo só passou a existir após a criação do universo. Em suas palavras: ” Que tempo poderia existir, se não fosse estabelecido por ti? De fato, foste tu que criaste o próprio tempo…Mas se antes da criação do céu e da terra não havia tempo,  Não podia existir um “então” onde não havia tempo.”[9] Pois Agostinho sabia, baseado em Gênesis 1:1 “No princípio criou Deus o céu e a terra.”, que houvera uma criação, ou seja, o universo não é eterno e se houve criação, há um criador, e se há criador antes de existir o tempo, Ele deve ser eterno, fora da dimensão do tempo. Observe que Agostinho não estava envolvido em especulações teológicas vagas. Ele estava fazendo uma afirmação radicalmente contra intuitiva sobre a natureza da realidade física. São essas as ideias principais que explicam o porquê da ciência ter surgido na Europa cristã.[10] Infelizmente muitos não conseguem enxergar esses fatos, pois ainda existe um grande preconceito contra a Idade média hoje. Devido a sua relação estreita entre religião e Estado, os iluministas querendo dar destaque a sua época como época “das luzes e razão”, criaram o termo da idade das trevas, para dizer que aquele período medieval foi um grande retrocesso científico. Infelizmente isso virou um mito popular que se enraizou nos livros de história escolar. Mas graças ao trabalho de excelentes estudiosos estamos descobrindo as belezas da idade média e vendo suas contribuições fundamentais. O historiador Thomas Woods afirma: As contribuições científicas medievais foram enormes, por exemplo o sacerdote Nicolau Steno, considerado o pai da geologia, Athanasius Kircher, pai da egiptologia, Rogério Boscovich, considerado pai da teoria atômica moderna.  Os jesuítas que dominaram o estudo sobre os terremotos e as contribuições na astronomia, poucos conhecem esse fato, apesar de 35 crateras lunares terem sido descobertas por cientistas jesuítas. Roger Bacon, conhecido como Doutor admirável que introduziu a observação da natureza e a experimentação como fundamentos do conhecimento natural e William de Ockham, que ajudou a desenvolver o método científico. A ciência e religião naquela época não eram apenas compatíveis, eram amigas inseparáveis.[11] E especificamente sobre os jesuítas diz: ” Eles contribuíram para o desenvolvimento dos relógios de pêndulo, dos pantógrafos, dos barômetros, dos telescópios refletores e dos microscópios, e trabalharam em campos científicos tão variados como o magnetismo,  a ótica e a eletricidade. Observaram, em muitos casos antes de qualquer outro cientista, as faixas coloridas na superfície e Júpiter, a nebulosa de Andrômeda e os anéis de Saturno. Teorizaram acerca da circulação do sangue, sobre a possibilidade teórica de voar, sobre a maneira como a lua influi nas marés e sobre a natureza ondulatória da luz. Mapas estrelares do hemisférios Sul, lógica simbólica, medidas de controle de enchentes nos rios, introdução de sinais mais e menos na matemática italiana, tudo isso foram realizações de jesuítas, e cientistas influentes como Fermat, Huygens, Leibiniz e Newton não eram os únicos a ter jesuítas entre os seus correspondentes mais apreciados.”[12] Não foi a toa, que o surgimento das universidades se deu durante a idade média, como já abordamos no capítulo anterior. Elas deram todo o impulso necessário para que a ciência florescesse como nunca antes na história do mundo. Não tenciono a desmerecer outras culturas e toda sua história e avanços. Mas não podemos em nome do politicamente correto deixar de reconhecer os fatos. Nos últimos anos, praticamente todos os historiadores da ciência – entre eles Alistair C. Crombie, David Lindberg, Thomas Woods, Edward Grant, Stanley Jaki, James Hannam, Thomas Goldstein, John L. Heilbron, dentre tantos, outros chegaram à mesma conclusão, a ciência foi um processo que nasceu em berço cristão medieval, graças à visão cristã baseada na razão, a ciência encontrou um solo fértil ao seu desenvolvimento. Então colocar uma barreira entre ciência e fé é sempre impossível. De fato, o embate entre ciência e fé só veio a tona nos últimos anos com o crescimento do ateísmo militante, que são ateus fanáticos e dogmáticos, mas que ganharam muito espaço na mídia para espalhar todo seu ódio contra a religião, especialmente o cristianismo. Por ignorar o que de fato é a ciência, a fé e toda a história do seu desenvolvimento, eles criaram essa barreira, mas que como vimos, é absolutamente inexistente. O próprio cientista Werner Heisenberg, de ganhador do Nobel de Física de 1932 por suas contribuições a física quântica disse: “O primeiro gole do copo de ciências naturais vai te transformar em um ateu, mas no fundo do copo Deus está esperando por você.”[13] Como afirmei no início do capítulo, os maiores nomes da ciência que o mundo já viu eram pessoas de fé religiosa, em sua maioria cristã. E esse embate entre fé e razão só existe na mentalidade de quem não sabe o que é nenhum dos dois. Para confirmar, mais um prêmio Nobel de Química, Derek Barton, fala sobre o assunto: “Deus é a verdade. Não há incompatibilidade entre ciência e religião. Ambos estão buscando a mesma verdade. A ciência mostra que Deus existe.”[14] Alexis Carrel, Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia: “Jesus conhece nosso mundo. Ele não nos desdenha como o deus de Aristóteles. Nós podemos falar com Ele e Ele nos responde. Embora Ele seja uma pessoa como nós, Ele é Deus e transcende todas as coisas ”[15] Para encerrar, a própria Bíblia afirma um conceito fundamental: Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Salmos 19:1 Se existe algum conflito entre ciência e fé, é na mente de quem não sabe absolutamente nada sobre nenhum dos dois. Referências: [1] Schawlow 1998, Chapter I, Part 5 [2] Einstein, as cited in Holt 1997 [3] Jammer 2002; Einstein 1967, 30 [4] Encíclica Fides et ratio – João Paulo II [5] Science and creation, Stanley Jaki p. 8 [6] Chrsitopher Dawson, A criação do ocidente e a civilização medieval p.263 [7] Alfred Whitehead, A ciência e mundo moderno p.27 [8] VISHAL MANGALWADI, O livro que fez o seu mundo [9] Santo Agostinho, Confissões [10] Rodney Stark, A Vitória da Razão p.60-65 [11] Thomas Woods, Como a Igreja Católica criou a civilização ocidental p.10 [12] Ibid p.96 [13] Heisenberg, as cited in Hildebrand 1988, 10 [14] Barton, as cited in Margenau and Varghese 1997, 144 [15] Carrel, 1952, cap. 6, Part 7

  • JUDEUS, ATÉ DEUS PERDEU A PACIÊNCIA

    • ATÉ DEUS PERDEU A PACIÊNCIA COM OS JUDEUS • (JUDEUS, PACIÊNCIA TEM LIMITE!) • Pois até Deus perdeu a paciência com os judeus, como querem cobrar tolerância dos Reis católicos e da Igreja? Vejamos:( 2cronicas 36,“11.Sedecias tinha a idade de vinte e um anos quando foi elevado ao trono; reinou onze anos em Jerusalém. 12.Fez o mal aos olhos do Senhor, seu Deus, e não se humilhou diante do profeta Jeremias que lhe tinha vindo falar da parte do Senhor. 13.Revoltou-se contra o rei Nabucodonosor, que, contudo, lhe tinha feito prestar um juramento em nome de Deus. Endureceu a cerviz e tornou inflexível seu coração para não se converter ao Senhor, Deus de Israel. 14.Todos os chefes dos sacerdotes e o povo continuaram a multiplicar seus delitos, imitando as práticas abomináveis das nações pagãs e profanando o templo que o Senhor tinha consagrado para si em Jerusalém. 15.Em vão o Senhor, Deus de seus pais, lhes tinha enviado, por meio de seus mensageiros, avisos sobre avisos, pois tinha compaixão de seu povo e de sua própria habitação; 16.eles zombavam de seus enviados, desprezavam seus conselhos e riam de seus profetas, até que a ira de Deus se desencadeou sobre o seu povo, e não houve mais remédio.” • A Semana Santa de 1477 foi, de certa forma, a última gota que fez com que transbordasse o vaso. O caso é que se descobriram uma reunião de judeus congregados para blasfemar a Cristo, assunto que seria levado ao conhecimento da rainha pelo Prior Frei Alonso Hojeda. • Por causa desta Conjuração descoberta, e de outros crimes provados contra alguns conversos e judeus, temia-se que o povo se levantasse de maneira indiscriminada e selvagem Contra Eles, Como já havia acontecido entre as perseguições mais importantes em 1391. Comenta o historiador espanhol José Martinez Millán que ” a situação de crise social era especialmente tensa na Andaluzia, como os monarcas tiveram oportunidades de comprovar durante a primeira visita que fizeram a Sevilha, em 1477, onde se deram conta de que havia risco de uma revolta social. Admitir a implantação da instituição inquisitorial parecia o remédio mais útil e menos Custoso para eles”. É preciso acrescentar e destacar que este remédio foi, em primeiro lugar, sem dúvida, favorável aos próprios judeus e conversos, culpados ou inocentes, pois evitou-se um linchamento quase certo, já que a inquisição, aliada à coroa, castigada severamente os Perseguidores de judeus e conversos. Não seria exagerado afirmar que, se houvesse existido um tribunal da Inquisição naquele sangrento ano de 1391, e supondo que tivesse podido proceder contra os judeus, os massacres populares Jamais teriam ocorrido. Desta forma os judeus não teriam sequer sido processados, se se levam em conta as razões da maior parte dos historiadores, que afirmam que aquela revolta contra os judeus careceu de motivos e acusações legítimas. Isto é, não teria sido possível nem iniciar o processo, Pois para isto era necessário as denúncias de comprovada a probidade; portanto, era muito improvável que um povo fanatizado e difamador conseguisse provê-las. • Devemos destacar que, o tribunal da Inquisição já estivesse autorizado a proceder em 1478, mas apenas em 1481 foi que começou a trabalhar ativamente com a instauração do tribunal de Sevilha, Isto demonstra que em nenhum momento se procurou agilizar sua ação (Juan António Escudero traz um dado de muita importância. Conta que no início das revoltas de Toledo, João II pede em 1451 ao Papa Nicolau V a introdução de uma inquisição, pedido que seria acatado pelo pontífice. Mas de forma misteriosa — não se sabe as razões —, a medida foi deixada sem efeito. O mesmo sucedeu em 1462, quando Henrique IV requereu o estabelecimento do tribunal em Castela. A bula foi redigida, mas não publicada. Juan Antônio Escudero Crê que isto se deveu às gestões de vários conversos para impedir sua promulgação), mas justamente o contrário: preferiu-se conceder mais três anos de graça aos hereges para que cessassem em sua obstinação, mesmo apesar das constantes pressões que continuavam recebendo os Monarcas. É preciso mencionar, também, que os reis não se lançaram a estas medidas sem ter aconselhamento dos homens mais eruditos do reino, como Cardeal Mendonça, autor de um catecismo fundamental para conversos. Esta decisão teve o elogio efusivo de um dos homens mais cultos do seu tempo: Jerônimo Zurita, o qual, louvando o Tribunal do Santo Ofício e os reis católicos, afirmou: “como por inspiração divina foram iluminados aqueles Príncipes”, acrescentando que graças a esta instituição a Espanha não padeceu as guerras civis e religiosas que assolaram as regiões protestantes, onde os mortos contam-se dezenas de milhares. O padre Mariana acreditava que a inquisição “era um remédio dado pelo céu” embora llorente o ignore convenientemente. • É bastante importante e significativo, um dado trazido por Henry Kamen, que comenta com assombro o fato de que, em um tempo em que o povo tinha refrões para tudo (reis, ladrões, hereges, etc) para expressar sua gratidão ou descontentamento, não se registra nenhum que se expresse contra a inquisição. Foi sem dúvida, uma medida popular, exigida e respeitada por todas as camadas da sociedade. • Quando os rumores sobre o estabelecimento da Inquisição correu o reino, os judeus e conversos ofereceram 30 mil ducados de Ouro aos reis para suspender a inquisição. Esta oferta foi recusada pelos Reis, aconselhados por Frei torquemada. Esta negativa diante do Ouro judeu constituía, de alguma maneira, algo diferente, pois no passado tanto os judeus quanto os nobres corruptos haviam podido com frequência influir de forma notável na vontade de vários Reis, especialmente durante a regência de Pedro o cruel e Henrique IV. Com Isabel e Fernando a história será muito diferente: o zelo e a firmeza de suas convicções nas razões que os conduziam eram tão Profundas que nada poderia afastá-los do caminho proposto. • Será um erro supor o crer que os judeus e falsos conversos sempre adotaram uma posição passiva frente às perseguições lícitas ou ilícitas, por boa parte do Povo ou das leis que lhes desagradavam. O próprio Bodeslao Lewin trata de reconhecê-lo, dizendo que “alguns dos cristãos novos em posições mais elevadas participaram do complô para impedir o estabelecimento da Inquisição mediante o emprego da força ou o exercício do terror contra os inquisidores. • Quando os judeus e conversos convenceram-se de que nenhum ouro do mundo poderia influir na decisão dos Monarcas, optaram por semear o terror “lançando alguns mortos” na mesa de negociação. Sem dúvida, este constituiria seu maior erro e sua decisão menos inteligente, por suas ações homicidas não gerariam outra coisa senão um vigoroso impulso ao tribunal que pretendiam abolir. Em 1485 — assim Como haviam feitos os hereges na Idade Média, matando o inquisidor São Pedro de Verona —, Assassinariam de forma selvagem e Covarde O Inquisidor Pedro de Arbués de Saragoça, a alma do tribunal, enquanto rezava a sós em sua Capela. Entre os principais conspiradores encontrava-se o primo de Luiz Santangel, secretário do Rei. Assim comenta esse fato o historiador judeu Simon wiesenthal: “os marranos, desesperados, recorreram a medidas extremas. Sancho de Portnoy, principal tesoureiro de Aragão, O vice-chanceler Alfonso de la caballeria, que tinha lugar reservado a sinagoga de Saragoça, Juan Pedro Sanches, Pedro de Almazán, Pedro Montfort, Juan de la Abadia, Mateo Ram, García de Moros, Pedro de Vera, Gaspar de Santa Cruz e outros companheiros de infortúnio de saragoça, catalayud e Barbastro celebraram um pequeno Concílio na casa de Luis de santangel, tio do Futuro tesoureiro chefe de Aragão de mesmo nome. Concordaram em eliminar o inquisidor. Na noite de 15 de setembro de 1485, Pedro Arbués foi ferido por Juan Esperandeu e Vida Durango na igreja metropolitana de La Seo. 48 horas depois estava morto. • É de notar-se, como reconhece o crítico Gerrard Dufour, a nobre atitude do Arcebispo de Saragoça, Alfonso de Aragão, diante deste acontecimento, “impedindo uma verdadeira carnificina”, ao evitar que a multidão assassinasse a com versos e quando a notícia veio a público. • Este fato manifesta o fervor popular e o respeito que existia para com a Inquisição e sua natural aversão à heresia. O próprio Charles Lea conta que, quando ocorreu entre o povo a notícia de que Pedro de Arbués havia sido assassinado, “uma multidão foi empapar seu sangue em suas roupas e escapulários”. Em jaén, o condestável de Castela, partidário da tolerância, foi barbaramente assassinado pelos marranos quando estava ajoelhado diante do altar. E em 10 de Maio de 1484, os conversos de Aragão assassinaram — afirma-se que por envenenamento — o inquisidor Gaspar Julglar. Sobre este acontecimento em particular chama a atenção o reconhecimento sem meias palavras que faz o historiador judeu Cecil Roth, destacando as frequentes violência dos judeus conversos. Rechaçando a tese de envenenamento, diz: “um modo tão pouco aparatos de satisfazer seu desejo de Vingança não parece estar de acordo com Espírito belicoso dos conversos”. • Além das matanças de inquisidores, registram-se vários casos de judeus fanáticos organizando matanças contra os cristãos em geral. O historiador Thomas walsh transcreve as seguintes exortação feita pelo Milionário e judeu Diego de Susan a seus correligionários: “não somos nós os principais proprietários desta cidade, e bemquistos pelo povo? Juntemos a gente; e se nos prender, com a gente e o povo provocaremos um rebuliço; os mataremos e nos vingaremos de nossos inimigos”. • A violência dos judeus conversos contra os cristãos havia sido comum em muitas outras oportunidades onde não existia a inquisição, como, por exemplo, naquele ano de 1467, “quando organizaram-se, é um de seus chefes Fernando de La Torre, Homem violento e abastado, foi insensato o bastante para gabar-se de ter 4 mil guerreiros bem armados, seis vezes mais do que os antigos cristãos possuíam. Em 21 de julho, dirigiu suas tropas contra a Catedral Enquanto os cristãos participavam da missa”(Jaime Balmes) Provocando uma verdadeira Matança. Não fosse pela pronta intervenção do governador Cristão Cabrera, cuja ação mereceria o elogio do dia dos Reis católicos, se não fosse a intervenção um grande número de conversas e judeus teriam sido aniquilados pelo povo. • O ódio Manifesto de alguns judeus se vê claramente refletido no crime ritual ao Santo Menino de La Guardia, em 1490, Crendo aqueles ingenuamente que estas ações fariam com que os Reis e inquisidores desistiriam de uma vez por todas de sua empreitada. O este cruel assassinato, e temendo uma revolta do povo, os judeus pediram proteção aos Reis. Em outra notável mostra de benignidade, estes enviaram um salvo-conduto, proibindo a todos de causarem danos aos judeus ou as suas propriedades, sob penas distintas e escalonados, desde uma multa até a morte. Com relação aos homicidas, foi só depois de uma minuciosa investigação que o estado procedeu à castigá-los. Observa-se em acontecimentos como eles que, até mesmo nos casos de indícios mais graves de culpabilidade, o tribunal e os reis atuavam sempre com prudência. Todos deviam ter, acreditavam, a possibilidade de um julgamento justo. • Bibliografia: Agostino Barromeu, L’Inquisizione. • Cristian Iturrale, A Inquisição #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Gnosticismo #HistóriadasHeresias #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja #HistóriadaInquisição

  • O DOM DO PAI EM CRISTO (Santo Hilário, bispo)

    O Senhor mandou batizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, quer dizer, professando a fé no Criador, no Filho e no que é chamado Dom de Deus. Um só é o Criador de todas as coisas. Pois um só é Deus Pai, de quem tudo procede; um só é o Filho Unigênito, nosso Senhor Jesus Cristo, por quem tudo foi feito; e um só é o Espírito, que foi dado a todos nós. Todas as coisas são ordenadas segundo suas capacida­des e méritos: um só é o Poder, do qual tudo procede; um só é o Filho, por quem tudo começa; e um só é o Dom, que é penhor da esperança perfeita. Nada falta a tão grande per­feição. Tudo é perfeitíssimo na Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo: a infinidade no Eterno, o esplendor na Imagem, a atividade no Dom. Escutemos o que diz a palavra do Senhor sobre a ação do Espírito em nós: Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de compreendê-las agora (Jo 16,12), É bom para vós que eu parta: se eu me for, vos mandarei o Defensor (cf. Jo 16,7). Em outro lugar: Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará uni outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade (Jo 14,16-17). Ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anuncia­rá. Ele me glorificará porque receberá do que é meu (Jo 16,13-14). Estas palavras, entre muitas outras, foram ditas para nos dar a conhecer a vontade daquele que confere o Dom e a natureza e a perfeição do mesmo Dom. Por conseguinte, já que a nossa fraqueza não nos permite compreender nem o Pai nem o Filho, o Dom que é o Espírito Santo estabelece um certo contato entre nós e Deus, para iluminar a nossa fé nas dificuldades relativas à encarnação de Deus. Assim, o Espírito Santo é recebido para nos tornar capazes de compreender. Como o corpo natural do homem permaneceria inativo se lhe faltassem os estímulos necessá­rios para as suas funções – os olhos, se não há luz ou não é dia, nada podem fazer; os ouvidos, caso não haja vozes ou sons, não cumprem seu ofício; o olfato, se não sente nenhum odor, para nada serve; não porque percam a sua capacidade natural por falta de estímulo para agir – assim é a alma humana: se não recebe pela fé o Dom que é o Espírito, tem certamente uma natureza capaz de conhecer a Deus, mas falta-lhe a luz para chegar a esse conhecimento. Este Dom de Cristo está inteiramente à disposição de todos e encontra-se em toda parte; mas é dado na medida do desejo e dos méritos de cada um. Ele está conosco até o fim do mundo; ele é o consolador no tempo da nossa espera; ele, pela atividade dos seus dons, é o penhor da nossa esperança futura; ele é a luz do nosso espírito; ele é o esplendor das nossas almas. (O Tratado Sobre a Trindade, de Santo Hilário, bispo – Lib. 2,1.33.35: PL 10,50-51.73-75 – Séc. IV). #Igreja

  • A REVOLUÇÃO FRANCESA E A REFORMA PROTESTANTE, ERA DAS LUZES OU TREVAS? Parte I

    A REVOLUÇÃO FRANCESA E A REFORMA PROTESTANTE, ERA DAS LUZES OU TREVAS? “É preciso mentir como um demônio, escrevia Voltaire: não timidamente, nem só temporariamente,mas sempre e com audácia” (Carta a Theriot). Para entender melhor a relação entre reforma protestante, renascença e maçonaria eu indico ler um outro texto meu de título “A REFORMA PROTESTANTE FILHA DA RENASCENÇA”. O papel revolucionário da maçonaria consiste mais em criar o estado de ânimo revolucionário do que em agir diretamente. Vou citar, como prova, através deste texto bem resumido alguns textos maçônicos, e palestras dadas por alguns maçons, que foram registradas dentro da história: “À República francesa, filha da Maçonaria francesa, à república Universal do Futuro, filha da Maçonaria Universal…” >>( Brinde do presidente do Grande Oriente em 1923. Convenção do Grande Oriente 1923 página 403). “Quando consideramos o trabalho realizado, temos o direito de nos orgulharmos da nossa propaganda. Sabemos perfeitamente que a tarefa ainda está incompleta; mas que são dois séculos, na vida da humanidade?” “Dois séculos depois do seu aparecimento, o próprio cristianismo não parecia ter correspondido à esperança dos seus profetas e, contudo, acabou dominando o mundo ocidental”. “Dar-se-á o mesmo com a Maçonaria, porque, com o progresso constante da instrução e da ciência que matam os deuses e as superstições, ela aparecerá, cada vez mais, como a única religião Divina dois homens”. “Não temos o direito de desanimar, porque o nosso segredo continua sendo o que revelava um curioso livrinho, hoje esgotado, publicado em Bruxelas em 1744, A Maçonaria ou a revelação dos mistérios dos maçons por Mim, consiste em edificar, insensívelmente, uma república Universal e democrática que terá como rainha a razão e como Supremo conselho, uma assembleia de sábios…”>>( Albert Lantoine, Hiran aí jardim des Oliveira, pág.30-32, Paris, 1928). A MAÇONARIA E A REVOLUÇÃO DE 1789 De todos os historiadores clássicos que atuaram na Revolução, e deram continuidade às suas ideologias, nenhum deles menciona o papel que a Maçonaria desempenhou na revolução. É sabido que alguns, muito raros, souberam a verdade, e por termo ou por interesse, conservaram-se sob silêncio. Pouquíssimos falaram: foram considerados visionários. Muitos dentre eles — que destacamos como pessoas sinceras — perceberam que as manifestações revolucionárias de 1789 não eram inteiramente espontâneas. Presentiram um impulso secreto, sem poder descobrir a origem. Na época atual, a maçonaria reconhece abertamente a revolução francesa como obra sua. Na câmara dos deputados, na sessão de 1 de julho de 1904, o marquês de Rosanbo pronunciou as seguinte palavras: “A Maçonaria trabalhou em surdina, mas de uma maneira constante, para preparar a revolução”. Junel —”efetivamente orgulhamo-nos disto”. Alexandre Zévaès — “É o maior elogio que V.Sª Só pode fazer”. Henri Michel (Bocas do Ródano)—”Eis a razão pela qual vossa senhoria e os seus amigos a detestam”. Mas Rosanbo — “Estamos, pois, perfeitamente de acordo sobre este ponto: a Maçonaria foi a única autora da revolução e os aplausos que recebo da esquerda e aos quais estou pouco habituado, provam senhores, que reconheceis comigo que ela fez a revolução francesa”. Junel — “fazemos Mais Do Que reconhecê-lo: proclamamo-lo”. O plano maçônico foi o seguinte: É preciso destruir a civilização cristã no mundo. O ataque deve começar pela França que é a sua representante mais poderosa; é preciso aniquilar o que constitui a sua força: a monarquia e o catolicismo. Privada destas bases, a ordem social ficará indefesa e será possível abolir a Hierarquia, a disciplina, a família, a propriedade, a moral. Como a Maçonaria não pode entrar em luta aberta com a igreja, atacará os seus esteios naturais: a monarquia e a nobreza; Portanto o seu sentido e contigo não é só político, mas essencialmente social e religioso, desde que a civilização ocidental tem por base a doutrina e a disciplina Cristã. Abolição da monarquia por direito divino era a condição do êxito do plano inteiro. A revolução que aceleram ter sido feita pelo povo foi, na realidade, praticada contra ele. A monarquia e à nobreza não foram aniquiladas, porque oprimiam a França, mas, pelo contrário, porque a protegiam demais. Esse plano foi traçado minuciosamente e por escrito, pela mão de Weishaupt, chefe da seita maçonica dos iluminados, eram visíveis no arquivo de Munique. (Esses documentos foram reproduzidos, em parte, pelo Padre barruel, em seu livro Memoires pour servir a l’histoire du jacobinisme, 1798, e mais recentemente, na Conjuração anticristã de Monsenhor Delassus,1910. Veja também Le Forestier, Les iluminès de Bavière, 1914 e N. H webster, the world Revolution, 1922). Segundo Colorido d’ Herbois, o princípio geral é: “tudo é lícito para a Vitória da revolução”. Essa força misteriosa que dirigia o ataque espalhava algumas ideias belas e sublimes, Na aparência, mas que eram, na realidade, uma arma terrível de destruição. Além disto, teve a seu serviço o verdadeiro gênio da fórmula: o essencial é dizer as massas a frase exata, sonora e cheia de Belas promessas; pode ser depois fazer o contrário do que se promete, que não terá mas nenhuma importância. Sirvam de exemplos as três palavras de origem maçônica: liberdade, igualdade, fraternidade, que serviram para destruir a França. Resumindo: a revolução de 1789 não foi o movimento espontâneo de revolta contra a tirania do antigo regime, nem um impulso sincero e entusiástico a favor das ideias novas de liberdade, igualdade e fraternidade, como se desfazer acreditar. A Maçonaria foi a inspiradora do movimento. Se não criou completamente a nova doutrina, cuja origem provém da reforma, colaborou os princípios de 1789, difundidos nas massas e contribuiu ativamente para sua realização. Vamos fazer agora conhecer a preparação revolucionária dois enciclopedistas. O que se ignora é o papel preponderante que a maçonaria desempenhou em toda a revolução. Vamos ver o testemunho do maçom Bonet, orador da convenção do Grande Oriente da França em 1904: ” No século XVIII a gloriosa casta 2 enciclopedistas encontrou nos nossos tempos um auditório fervoroso que, o único naquela época, invocava a radiosa divisa, ainda desconhecida das multidões: “liberdade, igualdade e fraternidade”. A semente revolucionária germinou depressa nesse meio seleto. Os nossos ilustres irmãos d’Alembert, Diderot, Helvétius, d’Holbach, Voltaire, Condorctet relataram a evolução dos espíritos, prepararam a NOVA ERA. E, quando a Bastilha desmoronou, coube à Maçonaria a suprema honra de outorgar à humanidade a carta que, com tanto carinho elaborara. “Foi o nosso irmão de La Fayette quem primeiro apresentou ‘o projeto de uma declaração dos direitos naturais do homem e do cidadão vivendo em sociedade’, que forma o primeiro capítulo da Constituição. A 25 de agosto de 1789, a constituinte, que contava, entre seus membros, mais de 300 maçons, adotou definitivamente e quase palavra por palavra, tal como fora longamente estudado nas lojas, o texto da Imortal Declaração dos Direitos do Homem. Naquela hora decisiva para civilização, a Maçonaria francesa representou a consciência Universal e não cessou, depois, de contribuir com o resultado das lentas elaborações das suas lojas para as improvisações e as iniciativas dos constituintes”. Entre os documentos que atestam ação revolucionária da maçonaria, os mais completos são os dois iluminados. Observamos quê em circunstâncias diversas o governo da base área mandou apreender, em Munique, o arquivo da seita do Iluminismo, a 11 de outubro de 1786. O chefe Weishaupt conseguiu fugir. Da perseguição Uberaba que resultou o descobrimento de um minucioso plano de revolução Mundial. (Todos os documentos foram reunidos sob o título de escritos originais da ordem e da seita dos iluminados e publicados por A. François, tipografia da corte, em Munique, 1787. A alma da sociedade era o seu chefe, Weishaupt. Na sua histoire de la révolution, Louis Blanc, revolucionário bastante puro para que não seja possível duvidar das suas palavras, assim lhe caracterizou a ação: “Conseguir simplesmente pela atração do mistério, única força da sociedade, submeter a mesma vontade e animar com a mesma ideia milhares de homens, em várias regiões do mundo e principalmente na Alemanha e na França, transformar esses homens em seres inteiramente novos, por meio de uma educação lenta e gradual, tornando-se obediente até ao delírio e á morte a chefe invisíveis e ignoradas, influir secretamente com peso de semelhante Região sobre os corações, circundar os soberanos, dirigir, sem que percebam, os governos elevar a Europa inteira ao ponto de aniquilar toda superstição (leia-se religião cristã) de derrubar toda monarquia, de declarar injusto qualquer privilégio de nascença e de abolir o próprio direito de propriedade: tal foi o plano gigantesco do Iluminismo”. Para passar da preparação à atividade, trabalho de organização e de concentração maçônica. Para este fim, instalou-se em Wilhelmsbad, perto de Frankfurt, em 1784, congresso maçônico europeu no qual os iluminados tiveram um papel preponderante e em que foi posta em discussão A Marcha da obra e, segundo alguns autores, a morte de Luís XVI e de Gustavo III da Suécia. Temos sobre este ponto os testemunhos particulares de mirabeau, no conde de Haugwitz, do conde de Virieu, do Reverendo P. Abel, etc. No Congresso de Verona em 1822, o delegado da Prússia, Conde Haugwitz, leu um relatório em que confessava ter sido maçom e encarregado das reuniões maçônicas em diversos países. ( O escrito desse estadista foi publicado pela primeira vez em Berlim, no ano de 1840 na obra intitulada Dorrev’s Denkschiften und Briefe zur Charakteristik der welt Endereço Literatura, [vol.IV, pág. 211-221]. Eis um trecho do seu relatório: “Foi em 1777 que me incumbi da direção das lojas da Prússia, da Polônia, e da Rússia. Frequentando as adquire a firme convicção de que tudo quanto aconteceu na França desde 1788, Ou seja a revolução francesa, inclusive o assassinato do Rei com todos seus horrores, não só fora resolvido naquela época, mas fora preparado com reuniões, instruções, juramentos e indícios que não permitem a mínima dúvida, acerca da Inteligência que tudo preparou e dirigiu”. O Conde de virieu Fora delegado em Wilhelmsbad, como representante da loja maçônica dos cavaleiros benfeitores de Lião. Depois do seu regresso a Paris, atemorizado pelo que soubera, declarou: “Não vos direi os segredos de que sou portador, mas jogo podemos adiantar que se está tramando uma Conjuração tão bem urdida e tão profunda, que dificilmente a religião e o governo deixaram de sucumbir”. O Reverendo P. Abel, filho do ministro da Baviera, numa conferência em Viena, por ocasião da Quaresma de 1898, pronunciou estas palavras: pronunciou estas palavras: “Em 1784, houve, em Frankfurt, uma reunião extraordinária da Grande Loja eclética. Um dos membros por pois a votação da sentença de morte de Luiz XVI, rei de França, e de Gustavo III, rei da Suécia. Esse homem era meu avô”. Um jornal O Judeu a nova Imprensa Livre censurou o orador porque assim diz considerado a sua família na conferência seguinte o P. Abeu declarou: “Antes de morrer, meu pai determinou, como última vontade, queria aplicar-se em reparar o mal que ele e os nossos parentes tinham praticado. Se eu não tivesse de executar essa prescrição do testamento de meu pai, datado de 31 de julho de 1870, não diria essas palavras que pronunciei”. Copin Albancelli, na sua obra Le pouvoir occulte contre la France (o poder oculto contra a França),analisa, nestes termos, o estudo de Cochin e Charpentier: “Esses dois escritores estudaram os documentos dois arquivos municipais e nacionais de 1788 e 1789, Nos quais encontraram inúmeros vestígios da são maçônica. Para exemplificar, diremos que se aplicaram de maneira especial ao estudo Eleitoral de 1789 na Província de Borgonha, e aqui está transcrito o resultado desse estudo: Verificaram que as principais petições contidos nos cadernos desta província não tinham sido redigidos pelos Estados nem pelas corporações da região, mas por uma insignificante minoria, por um reduzido grupo composto de uma dúzia de membros, médicos, cirurgiões, procuradores e advogados. Esse grupo não só redigia as proposições, mas manobrava, para que fossem aceitas sucessivamente por todas as corporações; usava astúcias e subterfúgios, para atingir os seus fins; e, quando não os alcançava, chegava ao ponto de falsificar os votos adotados. “Não é tudo: verificaram mais que, os documentos provenientes desse grupo em ação na Borgonha, era empregada uma gíria que agora conhecemos perfeitamente a gíria maçônica. E, finalmente, para completarem a sua demonstração, os nossos dois autores, estendendo as suas pesquisas, encontraram processos análogos aplicados em outras províncias, as mesmas insignificantes minorias, formadas de elementos semelhantes, agindo em toda parte do mesmo modo, obedecendo, portanto, à mesma ordem, empregando essa mesma gíria tão especial e tão fácil de reconhecer e provando por conseguinte, que essa ordem emanava da maçonaria. De modo que — concluem Cochin e Charpentier — de 1787 a 1795 nenhum movimento — excedo o da Vendéia — foi propriamente popular, mas todos foram decididos, organizados, determinados em todos os seus detalhes pelos chefes de uma organização Secreta, agindo, em toda parte, ao mesmo tempo e com os mesmos métodos e fazendo executar, em todos os lugares, a mesma ordem”. A obra do maçom Gastão Martins fornece sobre o papel preparatório da revolução desempenhado pela maçonaria uma série clara e copiosa de documentos. Este autor acusa de marfim todos os adversários da maçonaria. Isto corta qualquer discussão. ” A Maçonaria não é subversiva, afirma ele; respeita o rei, a religião e as leis. Todavia, convém acrescentar que esse respeito não é passivo. As leis são respeitáveis, mas não são intangíveis” (pág.43). Como espíritos esclarecidos que se orgulham de ser, os Maçons reservam-se o direito de alterar as leis e efetivamente propagam princípios que tem por objeto a sua destruição. Tudo isto não passa de um jogo de palavras; restam os fatos, sobre os quais todas as opiniões coincidem. A Maçonaria proclama e difunde em grupo sistema de ideias políticas e religiosas que constituem uma civilização diferente e radicalmente opostas à antiga. Para a Maçonaria, ela é, por definição, superior; portanto a maçonaria é uma força construtora. Nós a julgamos, pelo contrário, perigosa e maléfica e como, para estabelecer essa nova civilização, é indispensável destruir primeiro a outra, temos o direito de afirmar que a Maçonaria é uma força destrutiva. G. Martin estuda a ação da maçonaria francesa no período preparatório da revolução. 1ª) A elaboração da doutrina revolucionária 2ª) A propagação da doutrina. 3ª) O papel ativo da maçonaria. Bibliografia: A conjuração anticristã, Monsenhor Delassus As forças secretas da revolução, Léon de poncis #maçonaria #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Gnosticismo #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Revoluçãofrancesa #Igreja

  • Concílio de Éfeso (Parte I): Convocação do Sínodo- Os Comissários papais e Imperiais

    Como nós já vimos, não demorou muito desde o ínicio da controvérsia Nestoriana para que fosse proposto um concílio ecumênico para resolvê-la, e isso foi expressamente demandado tanto pelos ortodoxos como por Nestório. Em sua terceira carta ao Papa Celestino, Nestório fala disso; e, de maneira similar a carta dos monges de Constantinopla ao Imperador, na qual eles reclamam do mau tratamento que eles receberam de Nestório, contém um desejo bem sonoro da aplicação do remédio eclesíastico. De fato, o Imperador Teodósio II, já no dia 19 de Novembro de 430, e portanto alguns dias antes dos anátemas emitidos por Cirilo chegarem em Constantinopla, emitiu uma carta circular, contendo o nome do seu colega no ocidente, Valentiniano III, dirigida a todos os metropólitas, na qual ele os convocava, para o pentecoste do próximo ano, para um concílio ecumênico em Eféso. Ele adicionou que que cada um deles deveria trazer com ele da sua província alguns bispos sufragênios disponíveis, e que quem quer que fosse que chegasse atrasado deveria ser severamente responsável diante de Deus e do Imperador. Teodósio estava visivelmente ansioso nisso para que ele não permitisse que a predisposição a Nestório, que ele já havia traído em diversas ocasiões, aparecesse nesse documento importante; e portanto esse sentimento se mostrou mais aberto em sua carta (Sacra Imperatoria), já mencionada, dirigida a Cirilo, na qual ele acusava ele de ter pertubado a paz, de ter emitido declarações precipitadas, de não ter agido abertamente e honradamente, de ter trazido tudo para a confusão. Particularmente ele o culpava de ter comunicado por escrito a Augusta (co-imperatriz) Pulquéria, e a consorte do Imperador, Eudócia, e por ter impropriamente forçado, por meio dessa carta, elaborar um projeto malicioso de semear a discórdia mesmo entre a família imperial. Mesmo assim ele o perdoaria pelo o que já era passado; e ele adicionou que no assunto das proposições doutrinais o futuro sínodo iria decidir, e que o que ele decidisse deveria ser universalmente aceito. Deveria ser dever especial de Cirilo aparecer no Concílio, pois o imperador não iria aturar que ninguém fosse apenas um governante, e não tomar conselho comum com os outros, nem se permitir ser ensinado por eles. A conclusão da carta contém remarcações rudes de um caráter similar. O imperador havia despachado uma carta peculiarmente respeitosa a Agostinho, por causa de sua grande celebridade, convidando-o para vir ao Sínodo em Éfeso, e havia expressamente confiado um funcionário de nome de Ebagnius para entregar a carta. Mas Agostinho já estava (22 de agosto [28], 430)morto, e, portanto, o portador da carta só poderia trazer de volta a Constantinopla a notícia de sua morte. Cirilo, de sua parte, agora achava necessário perguntar ao Papa Celestino se Nestório deveria poder aparecer no Sínodo proposto como membro, ou se a sentença de deposição pronunciada contra ele, após o período de tempo permitido para a retratação ter expirado deveria se manter de pé. Nós já não possuímos esta carta em si, mas nós temos a resposta do Papa, datada de 7 de maio de 431, que dá uma bela prova de sua disposição de paz amorosa, e na qual ele diz, Deus não deseja a morte do pecador, mas a sua conversão, e que Cirilo deveria fazer tudo para restaurar a paz da Igreja e para ganhar Nestório à verdade. Se este último for bastante determinado contra isso, então ele deve colher o que, com a ajuda do diabo, semeou. Uma segunda carta foi dirigida pelo Papa, 15 de maio de 431, ao Imperador Teodósio, dizendo que ele não poderia pessoalmente estar presente no Sínodo, mas que ele participaria através dos comissários. O Imperador não deveria permitir inovações, nem perturbações da paz da Igreja. Ele deveria até considerar os interesses da Fé como superiores aos do Estado, e os da paz da Igreja como mais importante que a paz das nações. Como seus legados no Sínodo, o Papa nomeou a dois bispos, Arcadio e Projectus, juntamente com o padre Filipo, e deu-lhes uma comissão para manter estritamente para Cirilo, mas ao mesmo tempo preservar a dignidade da Sé Apostólica. Eles deveriam participar das assembléias, mas não se misturem nas discussões (entre os nestorianos e seus adversários), mas para julgar as opiniões dos outros. Após o encerramento do Sínodo, uma consulta deveria ser instituída, requirendum est, qualiter fiisrint res fince. Se a antiga fé triunfasse, e Cirilo fosse para o imperador em Constantinopla, eles também deveriam ir para lá e entregar ao Príncipe os breves papais. Se, no entanto, nenhuma decisão pacífica fosse chegado, eles deveriam considerar com Cirilo o que deveria ser feito.’ A carta papal, que eles tiveram que colocar diante do Sínodo, datada de 8 de maio de 431, primeiro explica com muito eloqüência o dever dos bispos de preservar a verdadeira fé, e então, no final, continua: “Os legados devem estar presentes nas transacções do Sínodo, e darão efeito a aquilo que o Papa há muito tempo decidiu em relação a Nestório, pois ele não duvida que os bispos reunidos iriam concordar com isso. “ Como o papa, também nenhum dos dois imperadores aparecem pessoalmente em Éfeso e, portanto, Teodósio II., em seu próprio nome e no de seu colega Valentiniano III nomeou o Conde Candidiano (capitão dos guarda-costas imperiais) como o protetor do Concílio. No édito que ele se dirigiu ao Sínodo sobre este assunto, ele diz que Candidiano não deve tomar parte imediata nas discussões sobre pontos de fé contestados; pois não é permitido que aquele que não pertence ao número dos bispos deva misturar-se no exame e decisão de controvérsias teológicas. Pelo contrário, Candidiano foi para remover da cidade os monges e leigos que vieram ou deveriam vir depois a Éfeso por curiosidade, para que a desordem e confusão não devesse ser causada por aqueles que não estavam no caminho necessário para o exame das doutrinas sagradas. Ele foi, além disso, para evitar que as discussões entre os membros do próprio Sínodo devessem degenerar em disputas violentas e atrapalhar a investigação mais exata do mesmo; e, pelo contrário, garantir que toda afirmação devesse ser ouvida com atenção, e que cada um apresentasse sua opinião, ou suas objeções, sem deixar ou impedir, de modo que, finalmente, uma unânime decisão pudesse ser alcançada em paz pelo santo Sínodo. Mas acima de tudo, Candidiano deveria tomar cuidado para que nenhum membro do Sínodo devesse tentar, antes do fechamento das transações, ir para casa, ou para a corte, ou em outro lugar. Além disso, ele não deveria permitir que qualquer outro assunto de controvérsia fosse tomado em consideração antes que se resolvesse o ponto principal de doutrina perante o Concílio. Além disso, o imperador tinha ordem dada para que nenhuma acusação civil devesse ser interposta contra qualquer membro do Sínodo, seja antes do próprio Sínodo ou perante o tribunal de justiça em Éfeso; mas que, durante este tempo, apenas a suprema corte de Constantinopla devesse ser o tribunal competente para esses casos. Finalmente, um segundo conde imperial, Irineu deveria aparecer em Éfeso, mas ele deveria apenas acompanhar o seu amigo, o amado bispo Nestório, e portanto, não deveria tomar parte nas transações do Sínodo, nem na comissão de Candidiano. De acordo com o comando imperial, o Sínodo deveria começar no Pentecostes (7 de junho) no ano 431 / e Nestório, com seus dezesseis bispos, estavam entre os primeiros que chegaram a Éfeso Como se estivesse indo para a batalha, ele foi acompanhado por um grande número de homens de armadura. Pouco depois, quatro ou cinco dias antes do Pentecostes, Cirilo chegou, com cinquenta bispos, cerca de metade de seus sufragistas; e ainda possuímos duas cartas curtas dele para a sua Igreja, das quais uma era escrita na jornada em Rhodes, e o outra imediatamente depois da sua chegada a Éfeso. Na últimoa ele diz particularmente que ele aguarda com expectativa a abertura real do Sínodo. Alguns dias depois do Pentecostes, Juvenal de Jerusalém e Flaviano de Tessalônica apareceram com seus bispos; O arcebispo Memnon de Éfeso também se reuniu com quarenta dos seus sufragâneos e doze bispos da Panfília. Enquanto aguardavam a chegada dos outros, já houve uma boa parte da conversa preliminar sobre o ponto em questão, e particularmente Cirilo se esforçou para conduzir Nestório em um beco por argumentos agudos, e para ganhar amigos para a verdadeira doutrina. Foi então que Nestório permitiu-se escapar fazendo a exclamação: “Nunca Vou chamar uma criança de dois ou três meses de idade, Deus, e eu não vou ter mais comunicação com você” e ao mesmo tempo mostrou claramente a natureza de sua heresia, que, até esta vez, ele havia se esforçado de várias maneiras para disfarçar, e também sua obstinação, que não deixava esperança de sua submissão à decisão de um Sínodo. VON HEFELE, Karl. A History Of The Christian Councils, from the original documents (Vol III)

  • SURSUM CORDA: DEZ SUGESTÕES PARA REVITALIZAR A IMAGINAÇÃO LITERÁRIA – James Conley (Parte XII)

    Os noivos de Alessandro Manzoni Papa Francisco é espantosamente bem lido. Em entrevistas, ele confessou que lê os clássicos: o escritor Dostoiévski e o poeta Gerard Manley Hopkins – e faz frequentemente referências a romancistas e poetas modernos. Tem manifestado, em homilias e cartas, a importância da beleza literária. E um de seus livros favoritos, Os noivos, de Manzoni, publicado em 1825, é um dos que também muito aprecio. Eu vivi na Itália por dez anos. Enquanto estava lá, descobri que todo italiano de formação colegial tinha lido Os noivos. A obra é um rito de passagem; e é, verdadeiramente, o romance nacional da Itália. O livro pode, também, nos oferecer uma boa visão do coração e da mente do papa Francisco. No último ano [2014], em entrevista publicada nos EUA, papa Francisco disse: “Li três vezes Os noivos, de Manzoni, e o tenho agora em minha mesa, pois quero lê-lo de novo. Manzoni me ensinou muito. Quando era criança, minha avó me fez aprender de cor o início de Os noivos: ‘Esse braço do lago de Como, que se divide, para o sul, entre duas contínuas cadeias de montanhas…’” Como lembra o Santo Padre, Os noivos começam com uma bela descrição do campo ao redor do lago de Como, no  norte da Itália. É a história de um jovem casal, Renzo e Lucia, que vive nessa região no século XVII.  Renzo e Lucia querem se casar, mas um nobre local, que deseja Lucia, faz tudo o que pode para impedir o casamento: intimida o padre da aldeia; alia-se a um sombrio vilão; conspira para arruinar os bons amigos de Renzo e Lucia; sequestra Lucia e a esconde num castelo da montanha. Renzo, no entanto, é incapaz de resgatar Lucia. Exila-se, envolve-se num tumulto de rua e depois numa epidemia de peste. Termina verdadeiramente longe de Lucia, trabalhando sem esperanças numa fábrica, sem que seja capaz de resolver os seus problemas. Heroísmo algum, de nenhum personagem da história, consegue reunir novamente o jovem casal. Inesperadamente, eles foram salvos por um inequívoco ato da graça de Deus. Os noivos revelam o poder da misericórdia divina para transformar corações de maneira radical. A história nos mostra como Deus pode agir — e como nossas orações e sacrifícios podem, muitas vezes, interferir na vida das outras pessoas. Os noivos não é um romance muito popular nos Estados Unidos, mas bem que o poderia ser. Trata-se de uma extraordinária história para os nossos dias. É verdadeiramente tentador, para nós, enxergar como inimigos aqueles com quem não concordamos. Também é tentador acreditar que temos o poder de nos salvar a nós mesmos; e que, com habilidade e trabalho duro, podemos resolver todos os nossos problemas. Os noivos, com sua bela, aventurosa e muitas vezes divertida história, recorda-nos que o verdadeiro inimigo é Satanás e o único vitorioso é Jesus Cristo. (James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015)

  • NOVA DATAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO (Parte 2/11)

    NOVA DATAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO (Parte 2/11) Autor: Daniel Iglesias Grèzes Fonte: http://www.infocatolica.com/blog/razones.php Tradução: Carlos Martins Nabeto 2. DATAS E DADOS No início do Capítulo 1 (“Datas e Dados”), o autor explica que, tal como na Arqueologia, a cronologia do Novo Testamento (NT) é baseada numa combinação de datas absolutas e relativas. Há um número limitado de pontos mais ou menos fixos e os demais fenômenos são classificados conforme os supostos requerimentos de dependência, difusão e desenvolvimento. As novas datas absolutas obrigam a reconsiderar as datas relativas. Eventualmente, as antigas hipóteses sobre os padrões de dependência, difusão e desenvolvimento podem ser perturbadas ou, inclusive, radicalmente questionadas. Robinson mostra como isto ocorreu no caso do estudo da origem e do desenvolvimento da civilização na Europa: a partir de 1949 se criou a “revolução do radiocarbono”, que obrigou a estender de 500 a 1500 anos este período; e, em 1966, devido a dendrocronologia, se produziu uma “segunda revolução”: desta vez, não apenas foi necessário estender mais uma vez o período apreciado como ainda o padrão de relações entre os fenômenos foi profundamente alterado. Robinson afirma que: – “A cronologia do Novo Testamento depende mais de suposições do que de fatos. Não é que neste caso tenham surgido novos fatos, novas datas absolutas que não possam ser questionadas; elas ainda são extraordinariamente escassas. É que certos questionamentos obstinados simplesmente me levaram a questionar que base existe, na verdade, para certas hipóteses cujo questionamento pareceria ter se tornado arriscado ou, inclusive, impertinente, segundo o consenso predominante da ortodoxia crítica. No entanto, alguém toma coragem quando vê como, em seu próprio campo ou em outro qualquer, as posições estabelecidas de repente ou sutilmente passam a ser vistas como as precárias construções que são. As [posições] que pareciam ser datações firmes, baseadas na evidência científica, se revelam como deduções que se apoiam sobre outras deduções. O padrão é coerente, porém é circular. Se se questiona alguma das hipóteses construídas, todo o edifício parece bem menos seguro” (p.6). A seguir, o autor apresenta uma visão sintética da história da cronologia do NT, indicando as posições predominantes em intervados de 50 anos. Em geral, até 1800 se considerava que a composição do NT abraçava um período de 50 anos: do ano 50 ao ano 100. Até 1850 esse período tinha mais que duplicado, estendendo-se agora entre os anos 50 e 170. Até 1900, ainda que o período considerado continuasse sendo aproximadamente o mesmo, mudou-se a datação dos diversos livros do NT, restando como datações tardias apenas uns poucos, em geral algumas epístolas. Até 1950, a brecha entre as posições radicais e as conservadoras havia reduzido bastante, atingindo um notável grau de consenso: o período de composição se reduz a cerca de 60 anos (entre 50 e 110), exceto apenas para 2Pedro (cerca de 150). Robinson opina que: – “O que alguém procura em vão em grande parte dos estudos recentes é uma luta séria com a evidência interna ou externa para a datação dos livros individuais (…) mais que um padrão apriorístico do desenvolvimento teológico dentro do qual logo os faz enquadrar” (p.11). Para o autor, a peça-chave foi o Evangelho de João. Por várias razões, pouco a pouco Robinson se convenceu de que este Evangelho foi escrito na Palestina e antes do ano 70, o que contradiz a tese predominante de que foi escrito na Ásia Menor até o final do século I. Porém, esta redatação de João obriga necessariamente a se refazer toda a cronologia do NT. Explica Robinson: – “Foi neste ponto que simplesmente comecei a me perguntar: por que qualquer um dos livros do Novo Testamento deve ser datado após a queda de Jerusalém, no ano 70? Começando a considerá-los – e em particular a epístola aos Hebreus, os Atos e o Apocalipse – não era estranho que este cataclismo não fosse mencionado ou aludido nem uma só vez? Assim, como uma brincadeira teológica, pensei ver até onde alguém poderia chegar com a hipótese de todo o Novo Testamento ter sido escrito antes do ano 70 (…) Porém, o que começou como uma brincadeira, acabou se convertendo numa séria preocupação durante o processo” (p.12). A seguir, o autor enumera as limitações da sua obra: não se introduziu nas bases teóricas da cronologia em si mesma, nem em cálculos astronômicos, nem nas complexas relações entre os sistemas cronológicos antigos; tampouco ingressou na cronologia do nascimento, ministério e morte de Jesus, nem na história do cânon do NT, nem no vasto campo da literatura não-canônica, exceto nos casos em que esta é diretamente relevante para o tema analisado. Robinson conclui este capítulo dizendo: – “É provável que minha posição parecerá surpreendentemente conservadora, especialmente àqueles que me consideram radical em outros temas (…) Não reclamo nenhuma grande originalidade – quase cada conclusão individual, como se verá, foi previamente discutida por alguém, muitas vezes por homens renomados e esquecidos – ainda que eu pense que o padrão global seja novo e, assim espero, coerente. O que menos quero é encerrar qualquer discussão. Na verdade, me alegra antepor no meu trabalho as palavras com as quais, segundo dizem, Niels Bohr iniciava as suas conferências: ‘Cada frase que eu emita deve ser tomada por vós não como uma afirmação, mas como uma pergunta'” (p.14). #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja

  • A MISSÃO DO ESPÍRITO SANTO NA IGREJA (Concílio Vaticano II)

    Terminada na terra a obra que o Pai confiou ao Filho, O Espírito Santo foi enviado no dia de Pentecostes a fim de santificar continuamente a Igreja e, por Cristo, no único Espírito, terem os fiéis acesso junto ao Pai. Ele é o Espírito da vida, a fonte de água que jorra para a vida eterna. Por ele, o Pai dá vida aos homens mortos pelo pecado, até ressuscitar em Cristo seus corpos mortais. O Espírito habita na Igreja e nos corações dos fiéis como em um templo. Neles ora e dá testemunho da adoção de filhos. Conduz a Igreja ao conhecimento da verdade total, unifica-a na comunhão e nos ministérios, ilumina-a com diversos dons carismáticos e hierárquicos e enriquece-a com seus frutos. Pela força do evangelho, rejuvenesce a Igreja, renovando-a constantemente e a conduz à perfeita união com seu Esposo. Pois o Espírito e a Esposa dizem ao Senhor Jesus: “Vem!” Assim se apresenta a Igreja inteira como um povo reunido pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O conjunto dos fiéis, consagrado pela unção do Espírito Santo, não pode enganar-se na fé. Esta peculiaridade se exprime através do sentido sobrenatural da fé, quando na sua totalidade, a hierarquia e os fiéis leigos, manifestam um consenso universal em matéria de fé e costumes. Com este senso de fé, formado e sustentado pelo Espí­rito da verdade, o povo de Deus, guiado pelo sagrado ma­gistério a que obedece com fidelidade, acolhe não mais como palavras dos homens, mas, na realidade, a palavra de Deus, e adere sem esmorecimento à fé que, uma vez para sempre, foi transmitida aos santos (Jd 3). Nela penetra sempre mais profundamente, com reto julgamento, e cada vez mais plenamente a põe em prática em sua vida. Além disso, por meio dos sacramentos e ministérios, o Espírito Santo não apenas santifica e conduz o povo de Deus e o adorna com virtudes, mas ainda distribui a cada um seus dons conforme quer (1Cor 12,11), e concede também graças especiais aos fiéis de todas as condições. Torna-os assim aptos e disponíveis para assumir deveras obras ou funções, em vista de uma séria renovação e mais ampla edificação da Igreja, conforme foi dito: A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum (ICor 12,5). Estes carismas devem ser recebidos com ação de graças e consolação. Pois todos, desde os mais extraordinários aos mais simples e comuns, são perfeitamente apropriados e úteis às necessidades da Igreja. (Da Constituição dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja, do Concílio Vaticano II – N. 4.12 – Séc. XX). #Igreja

  • A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO (São Basílio Magno, bispo)

    Qual o homem que, ao ouvir os nomes com os quais é designado o Espírito Santo, não eleva seu ânimo e o seu pensamento para a natureza divina? É chamado Espírito de Deus, Espírito da Verdade que procede do Pai, Espírito de Retidão, Espírito Principal e, como nome próprio e peculiar, Espírito Santo. Volta-se para ele o olhar de todos os que buscam a santificação; para ele tende a aspiração de todos os que vivem segundo a virtude; é o seu sopro que os revigora e reanima para atingirem o fim natural e próprio para que foram feitos. Ele é fonte da santidade e luz da inteligência; é ele que dá, de si mesmo, uma certa iluminação à nossa razão natural para que encontre a verdade. Inacessível por sua natureza, torna-se acessível por sua bondade. Enche tudo com o seu poder, mas comunica-se apenas aos que são dignos; não a todos na mesma medida, mas distribuindo os seus dons em proporção da fé. Simples na essência, múltiplo nas manifestações do seu poder, está presente por inteiro em cada um, sem deixar de estar todo em todo lugar. Reparte-se e não sofre diminuição. Todos dele participam e permanece íntegro, à semelhança dos raios do sol que fazem sentir a cada um a sua luz benéfica como se fosse para ele só, e contudo iluminam a terra e o mar e se difundem pelo espaço. Assim é também o Espírito Santo: está presente em cada um dos que são capazes de recebê-lo, como se estivesse nele só, e, não obstante, dá a todos a totalidade da graça de que necessitam. Os que participam do Espírito recebem os seus dons na medida em que o permite a disposição de cada um, mas não na medida do poder do mesmo Espírito. Por ele, os corações são elevados ao alto, os fracos são conduzidos pela mão, os que progridem na virtude chegam à perfeição. Ele ilumina os que foram purificados de toda mancha e torna-os espirituais pela comunhão consigo. E como os corpos límpidos e transparentes, sob a ação da luz, se tornam também extraordinariamente brilhantes e irradiam um novo fulgor, da mesma forma também as almas que recebem o Espírito e são por ele iluminadas tornam-se espirituais e irradiam sobre os outros a graça que lhes foi dada. Dele procede a previsão do futuro, a inteligência dos mistérios, a compreensão das coisas ocultas, a distribuição dos carismas, a participação na vida do céu, a companhia dos coros dos anjos. Dele nos vem a alegria sem fim, a união constante e a semelhança com Deus; dele procede, enfim, o bem mais sublime que se pode desejar: o homem é divinizado. (Do Tratado Sobre o Espírito Santo, de São Basílio Magno, bispo – Cap. 9,22-23: PG 32,107-110 – Séc. IV). #Igreja

  • O primeiro japonês convertido ao cristianismo foi um assassino fugitivo

    Por Guillermo Carvajal A primeira conversão ao cristianismo no Japão da qual se tem documentação aconteceu em 1547, e não é a típica história milagrosa e beata. Pelo contrário, com umas poucas pinceladas aqui e ali poderia sair uma entretida película de aventuras nos mares do Sul. Os protagonistas, um samurai, três capitães de barco portugueses e São Francisco Xavier, o navarro co-fundador da Companhia de Jesus. Anjiro (ou Yajiro) era um samurai do domínio de Satsuma, um dos feudos mais poderosos e produtivos do Japão, situado na ilha de Kyushu, a terceira maior situada ao sul do arquipélago. Era de família nobre e possuía grandes riquezas, Mas cometeu um erro, assassinou um homem, por motivos que as fontes não explicam, e se converteu em fugitivo no ano 1546. Em sua fuga alcançou o porto de Kagoshima, (algumas fontes dizem que Anjiro era mercador no próprio porto) a capital do domínio, onde topou com o capitão de um barco português chamado Alvaro Vas. Anjiro lhe explicou seu problema e o outro assentiu em acolhê-lo oferecendo-lhe um trabalho entre a tripulação de seu navio, indicando- lhe que devia apresentar-se a bordo da nave ao dia seguinte. Mas se confundiu e, em lugar de apresentar-se a bordo do barco de Vas, o fez no de outro capitão português (provavelmente as naves devessem se parecer, com razão, muito similares), chamado Jorge Álvares. Deu a casualidade que este Álvares era um bom amigo de Francisco Xavier (que, evidentemente, ainda não era santo, mas já dirigia missões por aquelas latitudes). Uma vez inteirado das circunstâncias de Anjiro, Álvares o leva a Malaca, que naqueles momentos era um importante enclave comercial português na península da Malásia, com o objetivo de que se confesse com Francisco Xavier. Esta é, evidentemente, a versão oficial. Na realidade, segundo alguns historiadores, é que foi capturado pelos jesuítas na própria Malaca. Em qualquer caso Francisco Xavier havia partido para as Ilhas Molucas, pelo que Anjiro decide (ou é obrigado) a regressar ao Japão em outro barco. Pelo caminho lhes surpreende uma tormenta que lhes obriga a desviar-se da rota e refugiar-se na costa da China. Casualmente ali conhece outro capitão português (e já vão três), que lhe informa que Francisco Xavier havia regressado para Malaca e o leva de volta. Esta vez sim, Anjiro conhece por fim a Francisco Xavier em dezembro de 1547, com o qual consegue conversar utilizando as poucas palavras portuguesas aprendidas durante as travessias (provavelmente de vários meses cada uma). Em março do ano seguinte Francisco Xavier lhe envia ao Colégio de São Paulo em Goa, a capital da Índia portuguesa, onde aprende a ler, escrever e falar português, embora parece que não de maneira demasiado fluente , e dois meses mais tarde ali é batizado com o nome de Paulo de Santa Fé, convertendo-se no primeiro cristão japonês. Tinha 36 anos. Daí em diante Anjiro será para Francisco Xavier sua principal fonte de informação sobre o Japão, seus costumes e sua religião, e a principal motivação para que este quisesse se deslocar pessoalmente àquele país para evangelizá-lo. Inclusive lhe encarregou a Anjiro a tradução do catecismo ao japonês, tarefa na qual utilizou numerosos termos budistas para explicar conceitos cristãos que, de outro modo, teria sido difícil expressar. Em 25 de abril de 1549 Francisco Xavier parte para o Japão, acompanhado de outros seis missionários e levando a Anjiro como intérprete, a bordo de um baixel pirata chinês, que foi a única embarcação que puderam encontrar para que os levasse a Kagoshima. Desembarcam no porto japonês no dia 15 de agosto e a curiosidade pelos recém chegados faz que inclusive sejam convidados pelo daimio de Satsuma a uma audiência em sua corte. Se Anjiro seguia sendo um fugitivo da justiça, não parece que ninguém o recordasse, ou pelo menos nada dizem as fontes. O caloroso recebimento e a grande aceitação que tinham os missionários não deixava de surpreender Francisco Xavier e seus companheiros, que pregaram felizmente durante quase dois anos no país do sol nascente. Até que dois anos mais tarde se deram conta de seu grande erro. Resulta que os japoneses não se haviam apercebidos que o que pregavam os europeus era uma religião distinta ao budismo. Por duas razões, porque haviam chegado desde a Índia (Goa), e porque utilizavam os termos budistas que Anjiro havia traduzido. Assim que Francisco Xavier se deu conta do erro no verão de 1551 começou a utilizar em seu lugar termos latinos, e então as coisas começaram a ir mal. Tanto que para 1552, cansado e desanimado, decidiu dirigir-se e orientar seus esforços para a China. Anjiro ficou a cargo da missão de Kagoshima, mas a perseguição a que se começava a submeter os cristãos no Japão provocou que em apenas dois anos tudo viesse abaixo. Aguçado pela pobreza e a falta de recursos, e sem outro meio para subsistir, em outro giro completo em sua vida, se enrolou em um barco que se dedicava a saquear as costas chinesas e coreanas e, finalmente, morreu como pirata wako em uma de tantas incursões. _____ Bibliografia: Christianity in Early Modern Japan (Ikuo Higashibaba) / The Christian Century in Japan: 1549-1650(Charles Ralph Boxer) / A History of Christianity in Asia(Samuel Hugh Moffett) /Wikipedia ______ Fonte: https://www.labrujulaverde.com/2017/01/el-primer-japones-convertido-al-cristianismo-fue-un-asesino-fugitivo Tradução: David Nesta.

  • OS COMUNISTAS E SOCIALISTAS SE OPUSERAM A QUE O DR. CATÓLICO TAKASHI NAGAI FOSSE ACLAMADO HERÓI NACI

    Em setembro de 1949 , foi apresentado na Câmara dos Representantes do Parlamento japonês um projeto de lei um tanto Extraordinário. Ele visava honrar dois Japoneses que haviam contribuído muito para restabelecer a nação desmoralizada : o primeiro Prêmio Nobel do Japão , o físico Hideki Yakawa e o cientista e homem Santo de Nagasaki , Takashi Nagai. Os parlamentares comunistas e socialistas opuseram-se ao projeto. Aceitaram as credenciais de Yakawa, mas se opuseram totalmente a qualquer condecoração do Parlamento para o “sentimentalismo religioso” Nagai. A campanha virou difamação : afirmavam que Takashi nem sequer era vítima da bomba atômica e tampouco sofria da verdadeira doença da radiação ! Diziam que ele não escrevia os livros e artigos publicados em seu nome , mas sim valia- se de um Ghost-Writer, se aproveitando da solidariedade das pessoas para ganhar dinheiro fácil. Os políticos contrários a Takashi tinham acesso aos meios de comunicação , que foram usados inescrupulosamente para impedir que o cristão Takashi Nagai fosse aclamado herói nacional. Um certo Dr. Shimizu, por exemplo, escreveu um artigo para o jornal Nihon Dokusho, com argumento de que um homem nas condições físicas de Takashi , estaria completamente impossibilitado de produzir o material publicado em seu nome. Amigos de Takashi, entre eles o historiador Kataoka , ficaram furiosos e insistiram em que Takashi se defendesse das acusações públicas. Takashi Nagai negou- se por motivos incompreensíveis para eles. Tinha sido ofendido, sem dúvida nenhuma, porém dizia : “Deixem. Dizem que não escrevi os livros. Fundamentalmente,estão certos porque todas as ideias em meus livros e artigos são da Bíblia ou de outras pessoas. E de meu valor literário, não tenho ilusões. A graça de Deus é a fonte de toda a inspiração de meus escritos.” Mas o primeiro-ministro japonês, na ocasião, não tinha a paciência e a humildade de Takashi. Era Shigeru Yoshida , que se destacara como diplomata no exterior, antes da Guerra. Como embaixador na Grã-Bretanha, cujas tradições e sistema judiciário respeitava profundamente. Se opôs Inexoravelmente aos novos militaristas do Japão. Foi obrigado pelos militaristas a deixar seu posto, a não participar das negociações da guerra , já no Japão, e foi aprisionado em Tóquio antes do final do conflito. Depois da guerra, ocupou o cargo de primeiro-ministro por sete anos , mostrando-se declaradamente liberal e favorável ao Ocidente. Tinha aversão aos comunistas japoneses que , segundo ele, estavam dispostos a arruinar o Japão por causa de uma ideologia estrangeira. Suspeitava que os Comunistas atacavam Takashi apenas por sua fé cristã. Yoshida não era Cristão, mas tinha profunda estima pelas irmãs do Sagrado Coração de Jesus , que haviam educado sua filha e as filhas de inúmeros amigos diplomatas no Japão e no exterior. Yoshida nomeou uma comissão no Parlamento para investigar os ataques contra Takashi. O presidente da Comissão foi a Nagasaki e conversou com funcionários da cidade, o corpo docente da Universidade, médicos e editores de Nagasaki. Chegou a verificar manuscritos de livros escritos penosamente à mão por Takashi. Os editores de revistas apresentavam-se com artigos que Takashi fizera gratuitamente. Asanaga , Professor assistente da faculdade de Medicina de Nagasaki, documentou o caso clinico de leucemia de Takashi desde o tempo em que ele trabalhava como radiologista : Desde 1932 , por 12 meses, Takashi trabalhara entre os pioneiros do uso do aparelho de raio- X, que naquele tempo não oferecia proteção contra radiação. Entre 1934 e 1937, período em que os médicos ainda não tinham a certeza sobre a quantidade de radiação que podiam absorver sem perigo de leucemia, Takashi fazia radiografias durante oito horas, e até mais , por dia. De 1940 a 1945, Takashi foi pioneiro e responsável pela unidade de detecção de tuberculose do hospital , tirando um grande número de radiografias, pois a guerra reduzira drasticamente a equipe de radiologia. Além disso, havia um programa sobrecarregado de Raio X por conta dos pacientes do hospital e das aulas práticas dos estudantes de Medicina. Dr. Asanaga concluiu que a consequência normal de toda essa radiação deveria ser o câncer. Acrescentou um diagnóstico minucioso da leucemia crônica de Takashi, após sua exposição à radiação depois da explosão da bomba atômica. Pessoas simples, que tinham enviado cartas a Takashi lhe contando seus problemas começaram também a defendê-lo, revelando as comoventes respostas recebidas. Pacotes de tal correspondência ainda podem ser vistos no Museu da Nyokodo. Em 1985 , ao visitar um amigo doente no distrito oeste de Tóquio, encontrei-me com um dos correspondentes de Takashi. Encontrava-se em uma instituição para pacientes com hanseníase estabilizada. Enquanto estávamos conversando no quarto, a enfermeira-chefe Koseki entrou e perguntou o que eu estava fazendo em Tóquio. Quando lhe disse que estava recolhendo materiais a respeito do Dr. Nagai , ela reagiu imediatamente: ” Dr. Nagai ? Verdade? Espere Um Momento.” Ela saiu correndo, o deixando-me perplexo, mas logo regressou meneando uma carta : ” Olhe , Esta é a resposta do Dr. Nagai a uma carta que enviei a ele “, e contou a história. Em 1949, ela trabalhava como enfermeira em um leprosário do governo. Naquele tempo, frequentemente os pacientes hansenianos perdiam a visão, e o serviço de enfermagem incluía a leitura de algum livro para eles. De alguma forma, um livro de Takashi chegou às suas mãos. Leu- o para seus pacientes, depois escreveu ao autor transmitindo-lhe como fora comovedor ver lágrimas correrem daqueles olhos cegos.” A resposta de Takashi era a carta que ela segurava nas mãos. A carta continha um poema Waka, que podia ter causado profundo ressentimento, se tivesse vindo de outra pessoa. ” HITO NI TORITE TOTOKI MONO WA TAMASHI TO SHIRASHIMEN TAME NI RAI WA ARU NARI”. A lepra lhes fez conhecer que a propriedade mais valiosa do homem é seu espírito “. Hihara- San, meu amigo cego, bateu na mesa baixa à qual estávamos sentado sobre o tatame. “Está certo está certo”. Quando contraí lepra , eu era um homem jovem , com uma linda mulher e uma filha , mas eu não refletia sobre as coisas. A sociedade repudiou-me, isolou-me de minha mulher e minha filha e baniu-me para uma colônia de leprosos cercada por um fosso. Entrei em desespero e tentei o suicídio. E lá estava Takashi, que perdera tudo , moribundo , mas em paz consigo mesmo e com o mundo. A enfermeira-chefe continuou a ler os livros de Takashi , e ele começou a escrever para nós. Foi ele que me levou a Cristo e a fé que descobre que tudo na vida é um dom e uma graça. Há 50 anos contraí lepra, e posso dizer : agradeço a Deus pela lepra e agradeço a Deus por Takashi. ” No dia 23 de dezembro de 1949 , a comissão que investigava Takashi Nagai voltou a Tóquio, e o Parlamento japonês aprovou a condecoração de Takashi Nagai como herói Nacional. O ministro do Estado foi fazer a entrega na Nyokodo , onde também se reuniram o governador da Prefeitura de Nagasaki e o prefeito da cidade. Na ocasião, o Imperador enviou a Takashi três taças de prata para saquê, gesto que anteriormente fizera uma única vez. Hino a Nagasaki, Paul Glynn. Tradução : Pe. Lino Stahl, SJ. Edições Loyola. Pág.201 ,202 ,203 e 204

  • Os «Cristãos Ocultos» do Japão conseguiram transmitir a fé sem sacerdotes, apesar de séculos de pers

    (Tempi.it/InfoCatólica) « Não havia sacerdotes, tinham sido expulsos. A fé é transmitida assim, graças a alguns gestos como o «contatzu», o rosário, a oração constante que acompanhou a vida destas pessoas». Fala com tempi.it o padre Alfredo Scattolon, missionário do Pime durante trinta anos no Japão, primeiro em Yamanashi, ao norte do Monte Fuji, depois mais ao sul, em uma zona agrícola próxima de Fukuoka. Chegou àquelas terras séculos mais tarde das perseguições, mas os sinais da violência ainda se conservam hoje em dia, em igrejas e museus: «são ainda visíveis, em alguns santuários, os cartazes que estavam pendurados pelas ruas oferecendo distintas recompensas a quem denunciava um sacerdote ou um cristão ». As primeiras perseguições O catolicismo aqui chegou durante o século XVI, levado inicialmente por São Francisco Xavier e os jesuítas que lhe seguiram. Sua maneira de entrar em contato com a comunidade local era prudente: tratando de pôr-se em contato com os líderes em primeiro lugar, tentando respeitar a Tradição e a cultura local. Com a chegada de franciscanos e dominicanos, os primeiros grandes grupos de cristãos surgiram, em particular em Nagasaki, que em finais do século XVI contava já 300.000 fiéis. Mas uma série de fatores levaram à ruptura. O poder local temia este novo credo, considerado um braço do Ocidente para penetrar na história do Japão. E as perseguições começaram rápido: primeiro com o shogum Hideyoshi (os primeiros 26 mártires cristãos são de sua época, 1597), e, logo, vinte anos depois, sob os Tokugawa, que proibiram o cristianismo no Japão. Os cristãos ocultos E é então quando surgiram os kakure kirishitan, os «cristãos ocultos»: «muitos escaparam às numerosas ilhas que havia no sul do país. Mas as perseguições foram sistemáticas: por exemplo, todos estavam obrigados a inscrever-se nos cemitérios de um templo budista. Quando uma pessoa morria, seus entes queridos estavam obrigados a enterrá-lo ali, conta o padre Alfredo. «Com o fim de induzi-los a renegar de sua fé, se utilizou o sistema do «fumi-e» (pisotear-imagem): se colocava no chão uma imagem sagrada e quem era suspeito de ser cristão era convidado a pisá-la. Somente quem fazia salvava a vida». Em 2008, Bento XVI canonizou 188 mártires desse período. O regresso dos sacerdotes No entanto algum pequeno grupo se salvou, ocultando-se sobretudo nas perdidas ilhas do sul e camuflando o cristianismo sob símbolos aparentemente budistas, como a estatua da «deusa» Cannon, símbolo do Buda misericordioso, em substituição a da Virgem Maria. Por não ter sacerdotes, os sacramentos como o batismo e o matrimônio ou as orações como o «contatzu» (rosário) eram oficiadas pelo cabeça da família . Mais tarde, no século XIX, quando o Japão reabriu seus portos aos missionários, os fiéis se animaram e saíram à luz: se diz que em 1865 foram quase 10 mil os «kakure kirishitan» que para celebrar a Sexta- Feira Santa se apresentaram aos padres das Missões Estrangeiras de Paris chegados a Nagasaki, incrédulos ante o que viam seus olhos. «Mas é necessário frisar que alguns grupos desses crentes nunca aceitaram bem o regresso dos sacerdotes, e viveram sua fé sozinhos, até hoje, com crenças que se confundem com a magia». Continua a perseguição O sofrimento, no entanto, ainda não havia terminado: «A perseguição se prolongou até 1912 aproximadamente, porque o decreto nunca foi suspendido. É um aspecto que se recorda pouco do Japão: somente com a reforma constitucional depois da Segunda Guerra Mundial acabou a hostilidade contra o cristianismo». Hoje, alguns dos lugares onde se consumaram estas últimas perseguições se converteram em lugar de peregrinação, em particular Hagi e Tsuwano. Aqui se diz que a Virgem apareceu para consolar alguns desses cristãos exilados e mortos de fome. Perda da fé Histórias que ainda hoje o Japão leva consigo, em uma comunidade que está experimentando problemas de um tipo diferente. No século XVI, a fé em Deus se transmitia de pais para filhos, transmissão que agora, lamentavelmente, parece cada vez mais difícil: «a família segue cada vez menos o crescimento e a vida das crianças: desde certa idade é educado, quase em sua totalidade, pela escola». Assim se está perdendo todo o frescor que o catolicismo havia encontrado imediatamente depois da Segunda Guerra Mundial: o fim da exposição militarista do país fez perder na pessoa comum os pontos de referência e muitos aproximaram- se assim do cristianismo. Não é coincidência que, em poucas décadas, o Japão foi um dos países que teve proporcionalmente mais vocações no mundo. Um crescimento que agora é difícil voltar a ver. _____ Fonte: http://www.infocatolica.com/?t=noticia&cod=19742 Tradução: David & Marina Nesta.

  • CÁTAROS, GNOSE, FEITIÇARIA E INCESTO

    CÁTAROS, GNOSE, FEITIÇARIA E INCESTO Um Aviso, esse, e futuros textos são registros do Inquisidor Jacques Fournier (3 volumes), todas as notas entre parenteses são do registro, (por exemplo: I, 41; II, 52 etc.) Texto latino editado por Jean Duvernoy. Estas informações podem causar horror à algumas pessoas, mas é necessário para esclarecer os leitores sobre este assunto, muitos Protestantes que não conhecem a história tem defendido este movimento que causou graves problemas doutrinais e sociais nos séculos XI ao XII, como sempre acusam a Igreja de atacar pobres camponeses indefesos que não causavam mal algum, avalie você mesmo que tipo de mal esse movimento poderia causar à futuras gerações se não fosse contido. Em Montaillou, a casa tem o seu astro, a sua boa sorte, <> (1, 313-314). Salvaguarda-se este astro e esta sorte conservando em casa fragmentos de unhas e de cabelos do defunto chefe de família: na medida em que continuam a crescer depois da morte, os cabelos e as unhas são portadores de uma energia vital especialmente intensa. Graças à prática deste rito, a casa <> e é capaz de as transmitir, posteriormente, a outras pessoas da linhagem. Quando Pons Clergue, o pai do pároco Montaillou, morreu, conta-nos Alazais Azéma (1, 313-314), Mengarde Clergue, sua esposa, pediu-me a mim e a Brune Paurcel que cortássemos ao cadáver as madeixas de cabelo que tinha à volta da testa, assim como fragmentos de todas as unhas das mãos e dos pés; isto para que a sorte continuasse a proteger a casa do defunto, fechamos, pois, a porta da casa de Clergue onde jazia o corpo do morto, cortamos–lhes os cabelos e as unhas; e demo-las a Guillemette, a criada da casa, que por sua vez, os deu a Mengarde Clergue. Esta <> dos cabelos e das unhas foi realizada depois de termos deitado água sobre o rosto do morto (porque em Montaillou não se lava todo o cadáver). Uma outra mulher de Montaillou, Fabrisse Rives, dá, a respeito do mesmo episódio, alguns esclarecimentos suplementares: por ocasião do falecimento de Pons Clergue, pai do abade, vieram muitas pessoas da região de Aillon a casa deste. O cadáver foi posto naquela <>, que de chama <> (a cozinha); ainda não estava envolto num sudário; o abade mandou, então, sair toda a gente de casa, à excepção de Alazais Azéma e de Brune Paurcel, filha bastarda de Prades Tavernier; estas mulheres ficaram sozinhas com o morto e o pároco; as mulheres e o pároco tiraram as madeixas de cabelos e os fragmentos de unhas do cadáver… Mais tarde correu o boato de que o pároco fez o mesmo ao cadáver da mãe (1, 328). Estes relatos sublinham as precauções tomadas pelos herdeiros para que o morto não leve com ele a sorte da domus: expulsam-se os numerosos visitantes que vieram expressar os seus pêsames; fecha-se a porta; trancam-se na cozinha, que é a casa dentro da casa: não lavam o corpo, receando que se percam, devido à água da lavagem, algumas particularidades preciosas adstritas à pele e à sua sujidade. Estas precauções são comparáveis às mencionadas por Pierre Bourdieu, a propósito da casa cabila: aí também se tomam todas as medidas possíveis para que o morto, no momento da lavagem e, depois, à partida para o túmulo, não leve com ele a baraka (sorte) da casa. Pierre Clergue passa noites em branco, ele que deseja a intocabilidade do ostal, ao ponto de chegar, como vimos, a justificar o incesto: Olha, declara o padre à sua bela amante, num momento de abandono afetivo e de fermentação ideológica, nós somos quatro irmãos (1, 225). (Eu, sou padre, e não quero esposa.) Se os meus irmãos Guillemette e Bernard se tivessem casado com as nossas irmãs Esclarmonde e Guillemette, a nossa casa não teria ficado arruinada, por causa do capital (averium) que elas levaram como dote; o nosso ostal teria ficado absolutamente intacto e apenas teríamos de trazer uma mulher para o nosso irmão Bernard, teríamos bastante mulheres (sic) e o nosso ostal seria agora mais rico. Esta estranha apologia do incesto justifica igualmente, por extensão, o celibato (não casto) dos eclesiásticos, assim como o concubinato, frequente em Montaillou. Tem origem no medo que toda a Dinis consciente e organizada sente perante a ideia de perder as suas <> : entre as quais figuram não apenas os dotes levados pelas raparigas mas também a parte fraterna ou fratrisia devida ao filho que, por não ser o mais velho ou por qualquer outro motivo, não vem a ser chefe de casa; este encontra-se deserdado do essencial, exceto desta Fratrisia que lhe é concedida pela domus ou pelo chefe de domus a título de compensação: perdi a parte fraterna (Fratrisia) que tinha em Montaillou e tive medo (por causa da Inquisição) de voltar à aldeia para a recuperar, declara Pierre Maury, na Catalunha, numa conversa com Arnaud Sucre (II,30). Mais uma boa informação de época está relacionada a importância das casas, e a comparação do valor de uma residência com a bíblia, a domus distingue-se mais pelos investimentos reais ou afetivos que provoca, do que pelo seu valor monetário: uma casa de aldeia ou de pequeno burgo vale 40 libras tornesa, ou seja, apenas duas vezes o preço de uma bíblia completa. O uso de pedaços do corpo humano, a fim de preservar simultaneamente a continuidade da linhagem e a da casa, relaciona-se com outros ritos mágicos do mesmo tipo pertencentes ao folclore occitânico. Béatrice de Planissoles conserva o primeiro sangue menstrual da filha como filtro de amor destinado a enfeitiçar um futuro genro, e os cordões umbilicais dos netos, como talismãs para ganhar os seus processos. Em ambos os casos, os fragmentos orgânicos são dotados de fecundidade, tal como as unhas e os cabelos de Pons Clergue: destinam-se à manutenção da prosperidade de linhagem (amor do genro pela filha) e da prosperidade proprietária (ganhar os processos). Numa época ainda recente, as raparigas languedoquianas punham uma gota de sangue ou uma apara de unha num bolo ou numa bebida, a fim de fazer com que um rapaz se apaixonasse por elas. (…) pois, como ele diz, foi o diabo que a trouxe: desde que ela está naquela casa, é impossível receber perfeitos! Quanto a Bernard Rives, o velho pai de Pons, vive encolhido na casa em que sempre residiu mas que é agora governada pelo filho: um dia, a filha, Guillemette, mulher do outro Pierre Clergue (não confundir com o pároco) veio pedir-lhe uma mula emprestada para ir buscar trigo (de que precisava) a Tarascon. Bernard Rives só lhe pôde dizer: não posso fazer nada sem o consentimento do meu filho. Volta amanhã que ele empresta-te a mula. Quanto a Alazaïs Rives, mulher de Bernard e mãe de Pons, vive igualmente aterrorizada com a chefia do filho, verdadeiro tirano doméstico, mas resigna-se. A submissão ao chefe da casa – desde que este tenha uma personalidade suficientemente forte, atraente, e diabólica – pode tornar-se culto da personalidade, admiração e adoração. Na prisão, Bernard Clergue toma conhecimento da morte do irmão, o pároco, que se tinha convertido (desde antes do falecimento do velho Pons Clergue) no verdadeiro chefe da casa fraterna. Bernard, aniquilado, sucumbe, diante de quatro testemunhas, gemendo: morreu o meu Deus. Morreu o meu governador. Os traidores Pierre Azéma e Pierre de Gaillac mataram o meu Deus (II, 285). Pierre Clergue tinha, portanto, sido divinizado em vida pelo irmão. Bibliografia: Emanuel Le Roy Ladure, Montaillou Cátaros e Católicos numa aldeia occitana. #Históriadaidademédia #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Gnosticismo #HistóriadasHeresias #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja #HistóriadaInquisição

  • A “Divina Liturgia” no Rito Armênio

    Este Domingo passado tive oportunidade de participar na “Divina Liturgia” em Rito Armênio no Pontifício Colégio Armênio que se encontra na Via São Nicolau de Tolentino (perto da Piazza Barberini); celebrava o Vice- Reitor do mesmo e estavam presentes: Mons. Rafael Minassian, Arcebispo da Armênia e da Europa ocidental, o Reitor e os seminaristas do Pontifício Colégio e numerosos fiéis armênios. Por esta razão gostaria de apresentar- vos neste Post algumas das particularidades deste Rito, além de ir comentando a estrutura de sua “Divina Liturgia”. Em primeiro lugar quero dizê- los que uma das coisas que mais chama a atenção é a falta de um iconostásio. Em seu lugar há uma cortina que oculta o Altar em duas ocasiões: ofertório e comunhão do celebrante. Enquanto as Anáforas que usam, temos de saber que têm 11, entre elas: a.- três da Tradição bizantina: as de Atanásio, João Crisóstomo e Basílio; b.- outras de esquema antioqueno: as de São Tiago e Inácio; c.- outras com particularidades próprias: as de Gregório Nazianzeno, Isaac e Cirilo de Alexandria. A “Divina Liturgia” consta de três partes: I.- Rito de Entrada; II.- Synaxis ou Liturgia da Palavra; III.- Missa dos Fiéis ou Liturgia Eucarística; IV.- Rito de Conclusão. I.- Rito de Entrada: Nesta parte se preparam os dons que vão ser santificados, preparação mais simples que, por exemplo, no Rito Bizantino ou em outras Liturgias Orientais ; se usa pão ázimo e não se mescla água no cálice; e se canta o hino “Oh Profundo Mistério” (1) enquanto o Sacerdote se aproxima ao Altar. No Rito Penitencial se dão absolvições mútuas o Diácono e o Sacerdote e após a Salmodia (salmo 99) têm lugar as Intercessões. II.- Synaxis ou Liturgia da Palavra: começa com a Entrada e o Triságio (com incisos próprios: por exemplo, na Páscoa: Santo Deus, santo e forte, santo e imortal, que ressuscitou dentre os mortos, tem piedade de nós ). Seguidamente tem lugar as Litanias e, após estas, as Leituras, Salmos e o Evangelho; terminada a Homilia se recita o Símbolo (2) ao que lhe segue um anátema antiariano e uma glorificação trinitária; recitado este tem lugar a Despedida/Proibição (3). III.- Missa dos Fiéis ou Liturgia Eucarística: Após o Beijo da Paz tem lugar a parte mais importante de toda a celebração: a Anáfora, que consta de: o diálogo invitatorial (4), o Prefácio (5), o Santo, o Relato da Instituição (6) e a Anamnese. Lhe seguem a Epiclesis, a Litania (7), o Pai Nosso e a Elevação dos Santos Dons cantando: Sancta Sanctis, ao que aclama o povo : “Um somente é santo, um somente é Senhor, Jesus Cristo, na glória de Deus Pai. Amém “. Termina esta parte com a Comunhão, a qual precede uma monição do Diácono (8). IV.- Rito de Conclusão : Após a Ação de graças tem lugar a Benção e a Despedida: “Sede abençoados pela graça do Espirito Santo; ide em paz”; e nos dias festivos (9) se proclama o Prólogo de São João. *** Textos Litúrgicos 1- “!Oh profundo mistério, inalcançável, sem começo! Tu adornastes as potências do alto qual tálamo de luz inacessível e aos coros dos anjos da glória resplandecente. Oh Rei do céu, conserva firme a tua Igreja e guarda em tua paz aos que adoram teu santo nome”. 2- “Nós cremos em um só Deus. No Pai onipotente, criador do céu e da terra, das coisas visíveis e invisíveis. E em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho de Deus, nascido de Deus Pai, Unigênito, isto é , da mesma essência do Pai , Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não criado, da mesma natureza do Pai; por meio Dele foram criadas todas as coisas, no céu e na terra, visíveis e invisíveis. Por nós os homens e por nossa salvação desceu do céu, se encarnou, se fez homem, nasceu perfeitamente da santa Virgem Maria, por obra do Espírito Santo, tomou corpo, espírito e mente e tudo o que há no homem, verdadeiramente e não em aparência; padeceu, foi crucificado, sepultado, e ao terceiro dia ressuscitou, subiu ao céu com o mesmo corpo, se sentou à destra do Pai, virá com o mesmo corpo e na glória do Pai para julgar aos vivos e aos mortos, e seu reino não terá fim. Cremos no Espírito Santo, incriado e perfeito, que falou na Lei, nos Profetas e nos Evangelhos; que desceu do céu no Jordão, pregou por meio dos apóstolos e habitou nos santos. Cremos também em uma única Igreja católica e apostólica, em um só batismo, na penitência, na expiação e na remissão dos pecados, na ressurreição dos mortos, no juízo eterno dos espíritos e dos corpos; no reino dos céus e na vida eterna”. 3- “Nenhum dos catecúmenos, nenhum com pouca fé e nenhum dos penitentes e dos impuros se aproxime a este Divino Mistério”. 4- Diácono: ” As portas, as portas (vigiai) com toda prudência e atenção! Elevai ao alto a mente com temor de Deus”; ao que se reponde: ” A temos elevada para Ti, Senhor onipotente”. De novo o Diácono diz: “E dai graças ao Senhor com todo o coração “, “É coisa digna e justa”, responde a assembléia. 5- “E de criar melodias, com os Serafins e com os Querubins, cantando ao uníssono o Triságio e, bradam firmemente, exclamar junto a eles com grande voz, dizendo:” 6- ” Enquanto tomou o pão em suas santas, divinas e imaculadas e criadoras mãos, o abençoou [o coloca na palma de sua mão esquerda, e com a direita traça a bênção sobre ele], deu graças e o deu a seus eleitos, a seus santos, aos discípulos sentados com Ele à mesa, dizendo: Tomai e comei: Este é meu Corpo que é distribuído por vós e por muitos para a expiação e a remissão dos pecados”; “Bebei todos: Este é meu Sangue da nova Aliança, que é derramada por vós e por muitos para a expiação e a remissão dos pecados” (cf. Mt 26, 26-28; Mc 14, 22-24). 7- Súplica pelo Papa e o bispo, pelos vivos e defuntos, pelo pobre e os enfermos, os cativos,… E Comemoração da Virgem e todos os Santos. 8- “Com temor e fé aproxime- se e comungai com santidade. Dizei: pequei contra Deus. Creio no Pai Santo, Deus verdadeiro; creio no Filho Santo, Deus verdadeiro; creio no Espírito Santo, Deus verdadeiro. Confesso e creio que este é o verdadeiro Corpo e Sangue de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, que tira o pecado do mundo”. 9- Estes dias se usam além dos Exaptérigos: umas varas altas com um disco metálico na parte mais alta, com campainhas, que representam os querubins. Acompanham, enquanto se movem ligeiramente: a procissão de entrada, a do Evangelho e a dos Dons; e soam enquanto se recita o Triságio e o Credo. _____ Tradução: David Nesta Fonte do original: http://lexorandies.blogspot.com.br/2012/05/la-divina-liturgia-en-el-rito-armenio.html?m=1

  • A Anáfora de São Tiago, irmão do Senhor.

    A Anáfora de São Tiago se encontra em diversas versões lingüísticas mas especialmente em grego e siríaco, que por sua vez seria a tradução de um texto grego mais simples e arcaico que o atual. Em ambos os casos a atribuição à São Tiago, irmão do Senhor, é unânime. Também encontramos outras versões: georgiana, armênia e etíope, isto demonstra a importância que este texto teve, ao menos durante o primeiro milênio. Está claro que se trata de uma Liturgia que provém de Jerusalém, já que há numerosas menções a personagens veterotestamentários (Abel, Noé, Abraão, Zacarias), aos Santos Lugares, a Jerusalém celeste; com a entrada ao Sancta Sanctorum, a procissão do pequeno ingresso com o Evangeliário e a Cruz, as diversas orações (inspiradas no salmo 140) de bênção do incenso. No caso da datação há diversas hipóteses que a colocam entre finais do século III até o século VI-VII. Seguramente foi elaborado em diferentes etapas, mas já estava quase completa em finais do IV. A Anáfora de São Tiago é teologicamente muito diversa da de São João Crisóstomo ou São Basílio, e se trata claramente de uma Liturgia de tipo antioqueno. Na práxis constantinopolitana a anáfora não está em uso, agora somente se celebra em 23 de Outubro em Jerusalém, nas ilhas de Zante e Chipre, e em Roma, na Igreja de Santo Atanásio, um Domingo próximo a este dia. A estrutura da celebração é um pouco diversa da habitual na Tradição bizantina e prevê, ao menos , para a Liturgia dos Catecúmenos, que seja celebrada no Bema, isto é , no espaço que há no centro da nave da Igreja (nas igrejas siríacas é um espaço fechado por uma cancela) onde se coloca um ambão para o Evangeliário e uma mesa pequena para a Cruz; em torno do Evangeliário e a Cruz se dispõem o Sacerdote com o Diácono e os Sacerdotes Concelebrantes, e ali se desenvolve a Liturgia da Palavra. A Liturgia Eucarística, a seguir, será celebrada no Santuário. Na estrutura merece a pena destacar alguns elementos: antes de tudo, o Início da Liturgia, sem as três antífonas da Liturgia de São João Crisóstomo, fato que contêm esta Liturgia junto à tradição siríaca e que indica uma notável arcaicidade. Nas diversas litanias feitas pelo Diácono virado para o povo , na última petição ( Fazendo memória da Toda Santa, Imaculada) se acrescenta sempre: João Batista, os Profetas, Apóstolos, Mártires, e em uma delas também a Moisés, Arão, Elias, Eliseu, Samuel, Davi, Daniel. As Leituras se fazem no Bema, o lugar central onde é proclamada a Palavra e onde ela é comentada. O hino “ Emudeça toda carne humana” se canta em lugar do Hino Querubinico da Anáfora de São João Crisóstomo; este mesmo hino se canta no Sábado Santo na Liturgia de São Basílio. Por último, a troca da paz depois do Credo, que na Liturgia de São João Crisóstomo se mantêm somente entre o clero. A Anáfora de São Tiago se enquadrada, como outras Anáforas cristãs, entre dois grandes movimentos de louvor a Deus no início: “Verdadeiramente é coisa boa e justa, conveniente e dever, louvar, celebrar, adorar, glorificar e render-te graças a Ti, creador das coisas visíveis e invisíveis” ; e no final a conclusão do Sacerdote: “Pela graça, a misericórdia e o amor para os homens de teu Filho, com o qual sejas bendito e glorificado juntamente com teu bondoso e vivificante Espírito”. Isto é , o movimento que vai da obra da criação de Deus a sua obra de santificação, obrada por Cristo através do Espírito; da criação à redenção, à santificação. Na Anáfora de São Tiago não há , como em outras Anáforas, a enumeração de toda uma série de atributos apofáticos de Deus (invisível, incompreensível, incomensurável) mas na introdução encontramos uma de três títulos: “Creador de todas as coisas, tesouro dos bens, fonte de vida e imortalidade” , e um pouco mais adiante os chamados a esta glorificação: os céus, o sol, a lua, a terra, o mar, a Jerusalém celeste, a Igreja dos primogênitos, os justos, os profetas, os mártires, os apóstolos, os querubins, os serafins. Em outras palavras, é toda a Creação e toda a Igreja , as que são chamadas ao elogio de Deus. Antes da Narração da Instituição da Eucaristia e da Epiclesis, a Anáfora de São Tiago narra a Historia da Salvação; destacamos uma série de verbos que a marcam: “ tiveste compaixão, creaste o homem; ele caiu, mas não o desprezou, não o abandonou, mas corrigiu, chamou, guiou”. E ao final da Narração se proclama o mistério central da fé cristã: “Finalmente enviaste ao mundo a teu próprio Filho unigênito, nosso Senhor Jesus Cristo, para que Ele com sua vinda renovasse e ressuscitasse tua imagem”. A vinda de Cristo renova a imagem de Deus no homem; Nesta frase se encontra a doutrina sobre a salvação dos Padres da Igreja, de Inácio de Antioquia a Ireneu, de Orígenes a Atanásio e Ambrósio. É importante sublinhar esta centralidade do destino do homem na providência de Deus, na linha do mesmo Cirilo de Jerusalém em suas Catequeses: “Todas as criaturas são belas, mas somente há uma imagem de Deus e esta é o homem. O sol foi creado por uma ordem; o homem, no entanto, foi creado pelas mãos de Deus: façamos o homem a nossa imagem e semelhança”. A Anáfora de São Tiago evidencia um aspecto importante: a imagem de Deus maltratada pelo homem é renovada, isto é , recreada, por Cristo. Esta nova creação chega em sua Encarnação e na Anáfora diz que Cristo “desceu, se encarnou e viveu, tudo dispôs”. Na Epiclesis, o dom do Espírito é invocado para que desça sobre os fiéis e sobre os dons apresentados: “Manda sobre nós e sobre estes dons que te apresentamos teu Espírito Santíssimo”. O texto é uma formulação trinitária que parece conhecer já a fórmula do Concílio de Constantinopla do ano 381: “ Senhor e vivificante, consubstancial, comparte tua eternidade.” Além disso , mais adiante, a Anáfora menciona algumas passagens da Escritura da descida do Espírito Santo, relacionados com o ambiente jerosolimitano: “desceu em forma de Pomba no Jordão, sobre os santos Apóstolos na câmara alta da santa e gloriosa Sião”. Ademais a Epiclesis pede como fruto da santificação do Espírito que os dons cheguem a ser Corpo e Sangue de Cristo e que a Igreja seja santificada e permaneça estável sobre a rocha da fé. A ação do Espírito,nesta Anáfora, está estritamente unida a sua ação ao longo de toda a história da salvação; Ele “ falou na Lei, nos Profetas e na Nova Aliança”. Sendo o texto de origem jerosolimitano, é importante sublinhar o enlace entre o mesmo Espírito que fala na Antiga e Nova Aliança: aquele Espírito que fala na Lei, nos profetas, na Nova Aliança, desce sobre Cristo, sobre os Apóstolos, sobre os Santos Dons apresentados (poderíamos acrescentar todos os demais sacramentos: água batismal, santo crisma). A Epiclesis tem também uma clara dimensão eclesiológica, que se verá sublinhada de novo na grande súplica de intercessão ao final da Anáfora, a qual tem ainda acentos claramente jerosolimitanos: “para sustentar a tua Igreja católica e apostólica que estabeleceste sobre a rocha da fé. Te oferecemos este sacrifício por tua santa e gloriosa Jerusalém, mãe de todas as Igrejas . Lembra-te desta tua santa cidade. Lembra-te de todos os cristãos que foram ou se encontram nos lugares santos de Cristo”. Os frutos da descida do Espírito são, por conseguinte, a santificação dos dons e, por meio deles, a santificação da Igreja. A comunhão com o Corpo e o Sangue de Cristo leva à comunidade, à Igreja, a plenitude da força do Espírito. Este Espírito invocado sobre a comunidade lhe é dado através da comunhão dos Santos Dons; o Espírito constrói o corpo eclesial de Cristo por meio da santificação, da divinização daqueles que comungam. Já Santo Éfrem tem um belíssimo texto nesta mesma linha: “Em teu pão se esconde o Espírito que não pode ser consumido; em teu vinho está o fogo que não se pode beber. O Espírito em teu pão, o fogo em teu vinho; vede aqui uma maravilha acolhida por nossos lábios. Os serafins não podiam trazer as brasas com seus dedos,mas levaram-nas à sua boca. Nem dedos as haviam tocado, nem lábios provado; porém o Senhor nos tem concedido fazer as ambas as coisas. O fogo desce com ira para destruir os pecadores, mas o fogo da graça desce sobre o pão e permanece intacto. Em lugar do fogo que destrói ao homem, temos comido o fogo no pão e temos sido vivificados”. Durante a litania antes do Pai Nosso , o Sacerdote, em silêncio, faz uma oração na qual pede a purificação das almas e dos corpos e faz uma lista de vícios que devem ser purificados, que recorda muitíssimo àqueles que se encontram nos textos de origem monástica (regras, cartas e admoestações): “afasta de nós a inveja, a arrogância, a hipocrisia, a mentira, a astúcia, os desejos mundanos, a vanglória, a ira, a recordação das ofensas”. A Liturgia de São Tiago reflete, então, três aspectos importantes: a centralidade do louvor a Deus por parte de toda a creação e de toda a Igreja; a restauração (recreação) da imagem de Deus no homem por meio da obra de Cristo; a ação santificadora do Espírito na história da salvação, sobre os dons, sobre os crentes. Celebrar a Liturgia de São Tiago, ao menos uma vez ao ano, É simplesmente fazer arqueologia litúrgica? Ou, quiças é reivindicar o patrimônio litúrgico jerosolimitano frente ao influxo a nivel litúrgico que Constantinopla teve sobre os outros patriarcados? Não, não é somente celebrar a Anáfora de São Tiago, como todas as demais Anáforas cristãs, é celebrar o mistério da morte e ressurreição do Senhor; mas sobretudo, celebrar com uma Anáfora que põe em manifesto aspectos teológicos, eclesiológicos, litúrgicos e também arquitetônicos, um pouco diversos daqueles aos quais estamos habituados na Tradição bizantina, e sobretudo é celebrar com uma anáfora que faz presente a comunhão com a Igreja de Jerusalém, mãe de todas as Igrejas cristãs. “ Caminhando de potência em potência e celebrando a Divina Liturgia em teu templo, te rogamos, chegar a ser dignos do perfeito amor dos homens ( assim diz a oração de despedida da Anáfora de São Tiago). Endireita nosso caminho, fortalecidos com teu temor. Tem piedade de todos e faça-os dignos de teu Reino celeste por Cristo Jesus Senhor nosso”. (Autor do original: Padre Manuel Nin, OSB) Tradução: David Nesta Fonte: http://lexorandies.blogspot.com.br/2010/10/la-anafora-de-santiago-hermano-del.html?m=1

  • NOVA DATAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO (Parte 1/11)

    NOVA DATAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO (Parte 1/11) Autor: Daniel Iglesias Grèzes Fonte: http://www.infocatolica.com/blog/razones.php Tradução: Carlos Martins Nabeto Resenha do livro: John A. T. Robinson. “Redating the New Testament”. Editora Wipf & Stock Publishers: Eugene-Oregon, 2000, 369 pp.; publicado previamente pela Editora SCM Press, 1976. 1. INTRODUÇÃO Desde a Era Apostólica, a tradição eclesiástica sustenta que os Quatro Evangelhos foram escritos pouco depois da morte e ressurreição de Cristo, com base no testemunho das testemunhas oculares dos fatos ali narrados. Este é um dos principais motivos da multisecular confiança da Igreja Católica no valor histórico dos Evangelhos. Algo semelhante pode-se dizer sobre os demais livros do Novo Testamento (NT). A mais antiga tradição afirma que eles também foram redigidos não-tardiamente por diferentes Apóstolos, alguns dos quais (como Pedro e João) fizeram parte do grupo dos Doze que acompanharam Jesus durante sua vida pública. A partir do século XVIII, o estudo crítico da Bíblia desafiou estas convicções tradicionais, negando em muitos casos que os autores dos livros do NT fossem os Apóstolos a quem são atribuídos e assinalando aos referidos livros datas de redação tardias, em geral. Deste modo, durante o século XIX, muitos estudiosos de tendência racionalista sustentaram que os Evangelhos e os demais livros do NT tinham sido compostos no século II e, inclusive, na segunda metade desse século. Assim se colocou em dúvida a historicidade dos Evangelhos para sustentar diversas teses sobre a origem da fé cristã a partir de mitos, fraudes ou até mesmo da criatividade das comunidades cristãs primitivas. No século XX, o estudo histórico-crítico do NT descartou as críticas mais extremas e reverteu parcialmente a tendência anterior, regressando a datações menos tardias, mas (em geral) sem regressar totalmente à visão tradicional. De 1950 até hoje, a maioria dos especialistas situa a composição do Evangelho de Marcos em torno do ano 70, a dos Evangelhos de Mateus e Lucas no período de 80 a 90 e a do Evangelho de João por volta do ano 95. Este consenso majoritário atual enfraquece um pouco os argumentos apologéticos em favor da historicidade do NT, mas sem destruí-los totalmente. Nada obstante, nas últimas décadas diversos estudos exegéticos, filológicos e papirológicos, desenvolvidos independentemente uns dos outros, têm convergido num resultado inesperado para muitos: um forte questionamento do referido consenso e no sentido de um retorno total à tese da antiga tradição cristã. Talvez o primeiro passo desse processo tenha sido dado em 1976, com a publicação do livro “Redating the New Testament” (“Nova Datação do Novo Testamento”), do teólogo inglês John A. T. Robinson (1919-1983), ex-bispo anglicano de Woolwich, na Inglaterra. Neste livro, Robinson defendeu a tese de que todo o NT foi escrito antes do ano 70 d.C., ano da destruição de Jerusalém pelos romanos. O que acabou se tornando mais surpreendente nesta tese de Robinson foi que ele era um teólogo ultra-liberal, que tinha ficado famoso em 1963 por seu livro “Honest to God” (“Sincero para com Dios”), onde expôs uma teologia próxima ao secularismo: a rejeição da noção de um Deus transcendente, a proposta de um Cristianismo sem Igreja etc. Paradoxalmente, após a publicação de “Redating the New Testament”, muitos passaram a considerar Robinson como um teólogo ultra-conservador. O que destaco disso é que Robinson teve a honestidade e a coragem de superar os seus preconceitos no importante tema da datação do Novo Testamento e a lucidez de reutilizar as observações feitas por estudiosos anteriores a ele para compor um argumento novo e forte em favor da datação não-tardia. Me proponho a resumir e comentar aqui a obra “Redating the New Testament”. Quando eu citar textos desse livro, o farei segundo a minha tradução a partir do inglês e indicando os números de página da edição de 2000, indicada no início [desta postagem]. Para as citações bíblicas, usei a Bíblia de Navarra. O livro tem 11 capítulos; apresentarei um capítulo por vez. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja

  • A presença dos Livros Deuterocanônicos no Antigo Testamento da Bíblia

    A ACUSAÇÃO COMUM: “A Igreja Católica acrescentou diversos livros apócrifos (=deuterocanônicos) no Antigo Testamento da Bíblia durante o Concílio de Trento (século XVI d.C.), para combater e desmentir as doutrinas protestantes”. A VERDADE, CÁ: “Verifica-se que a própria Bíblia, da qual os cristãos depreendem as verdades da fé, não tem a mesma extensão ou o mesmo catálogo (cânon) entre católicos e protestantes. É notório que sete livros do Antigo Testamento (Tobias, Judite, Baruc, Eclesiástico ou Sirácida, Sabedoria, 1 e 2Macabeus), além de fragmentos de outros livros, se encontram na Bíblia dos católicos e não na dos protestantes. (…) Os cristãos, desde o início da sua história, usaram a edição grega dos LXX [Setenta]. Os Apóstolos mesmos, escrevendo os Evangelhos e as suas cartas, referem o Antigo Testamento não segundo o texto hebraico, mas recorrendo à versão dos LXX. Das 350 citações do Antigo Testamento que ocorrem no Novo, 300 são tiradas do texto alexandrino (mesmo quando este diverse acidentalmente do hebraico; cf. Hb 10,5-7; Mt 1,23). Ora, os Apóstolos eram os guardas do depósito da fé. Por conseguinte, se a edição bíblica dos LXX (que continha os deuterocanônicos de permeio aos protocanônicos) fosse infiel ou deturpada, os Apóstolos não a teriam utilizado. O procedimento abalizado dos Apóstolos foi adotado pelas seguintes gerações de cristãos; o catálogo dos LXX devia assim tornar-se o catálogo dos cristãos; (…) ele representa a linha autêntica da fé judaica. (…) Nos dois primeiros séculos [do Cristianismo], os deuterocanônicos eram considerados como ‘Escritura’ juntamente com os protocanônicos; não se encontra vestígio de dúvida a respeito de sua autoridade nem nas obras dos escritores cristãos nem nos monumento da arqueologia [Didaqué, Clemente de Roma, Epístola de Barnabé, Policarpo de Esmirna, Inácio de Antioquia, Justino de Roma, Atenágoras de Atenas, afrescos em catacumbas etc.]. (…) A unanimidade da Tradição cristã concernente aos deuterocanônicos nos dois primeiros séculos é particularmente digna de nota pelo fato de que a Igreja não tomara decisão oficial a respeito do cânon das Escrituras Sagradas. (…) A autoridade da Igreja proferiu definições oficiais do catálogo bíblico em concílios regionais realizados na África setentrional; assim, no de Hipona em 393, nos de Cartago III e IV, em 397 e 418. O Papa Inocêncio I, em uma carta dirigida a Exupério, bispo de Tolosa, em 450, apresentou também o cânon bíblico com seus livros deuterocanônicos todos. (…) Os cristãos orientais definiram seu catálogo bíblico, incluindo os deuterocanônicos no Concílio de Trulo em 692. (…) O Concílio de Florença, em 1441, professou solenemente o catálogo completo dos livros sagrados. O mesmo se deu com o Concílio de Trento aos 8 de abril de 1546. O Concílio do Vaticano I (1870) e o do Vaticano II (1965) reafirmaram a mesma definição, mantendo continuidade com os Apóstolos e os primeiros séculos do pensamento cristãos. Através destes dados históricos, verifica-se com clareza: não foi o Concílio de Trento que introduziu na Bíblia os livros deuterocanônicos. Eles já estavam em uso comum na Igreja, tanto que Lutero, quando traduziu a Bíblia para o alemão em 1534 (antes do Concílio de Trento), não se furtou a verter também aqueles escritos; verdade é que os colocou em apêndice à sua edição, com o título de ‘Apócrifos’, isto é, livros que não devem ser estimados como a Escritura Sagrada, mas que são bons e se podem ler com utilidade” (BETTENCOURT, Estêvão Tavares. “Diálogo Ecumênico: Temas Controvertidos”. Rio de Janeiro:Lumen Christi, 3ª ed., 1989, pp. 17-21). Isso explica o porquê de tais livros já se encontrarem, inclusive, na Bíblia de Gutemberg, impressa cerca de 100 anos antes da Reforma Protestante, como demonstram as imagens ao longo desta seção (a Bíblia de Gutemberg pode ser acessada e integralmente consultada na Biblioteca Britânica, neste LINK. AS SEMENTES DA VERDADE, LÁ: I. Martinho Lutero incluiu os deuterocanônicos em sua tradução da Bíblia para o alemão, publicada em 1534 (como demonstra a seguinte imagem, da Bíblia de Lutero, que apresenta o início do livro de Tobias): A Bíblia de Lutero não é “caso isolado”. As primeiras Bíblias protestantes em inglês também traziam os deuterocanônicos, como se vê a seguir: 1. A “Bíblia de Tyndale” (também conhecida como “Bíblia de Matthews”), de 1537 a 1551: 2. A “Grande Bíblia” de Coverdale (também conhecida como “Bíblia de Cromwell” ou “Bíblia de Cranmer”), de 1539 a 1541: 3. A “Bíblia de Geneva” (usada pelos Puritanos que vieram para a América e citada milhares de vezes por Shakespear), de 1560 a 1617: 4. A “Bíblia do Bispo” (publicada oficialmente pela Igreja Anglicana em resposta à “Bíblia de Geneva”), de 1568 a 1582: 5. A “King James Version”, de 1611 em diante (só a partir de 1824 é que algumas editoras protestantes passam a omitir os deuterocanônicos de suas Bíblias): II. “Na Igreja Primitiva as escrituras judaicas eram conhecidas, não em hebraico, mas numa tradução grega chamada ‘Septuaginta’, dos setenta (Septuaginta) anciãos que a tradição judaica ensina haver realizado a obra de tradução. (…) E a Bíblia grega não somente desordenou os livros da Bíblia hebraica; ela na realidade acrescentou outros livros não contidos na Bíblia hebraica, os chamados ‘Apócrifos’. (…) A grande Bíblia da Idade Média era a Vulgata, a tradução latina produzida por São Jerônimo quase no fim do quarto século (…) [A] ordem comum [dos livros] foi aquela finalmente fixada pela invenção da imprensa, pois o primeiro grande livro impresso foi a Bíblia latina de 42 linhas, produzida em Mainz por volta de 1456. Mas a Bíblia latina já havia sido traduzida em alemão, na Boêmia, no quarto século, e em inglês por Wyclif e seus auxiliares em 1382-1388. Ambas essas traduções seguiram a ordem latina, tendo os livros Apócrifos espalhados por todo o Velho Testamento. A nova tradução de Lutero para o alemão, terminada em 1534, foi baseada no hebraico e no grego. e quandpo ele havia terminado o Novo Testamento Grego (1522) e o Velho Testamento Hebraico, ainda permaneciam os livros das Bíblias antigas que se encontravam no Velho Testamento latino mas não no hebraico. Estes, Lutero traduziu por último, como os livros Apócrifos, agrupando-os pela primeira vez sob esse nome, e colocando-os no final do Velho Testamento. Esta foi uma excessiva reorganização dos livros do Velho Testamento – o maior passo jamais dado na reorganização da ordem dos livros da Bíblia, mas que nunca vingou. (…) Esses livros associaram-se no Egito aos livros do Velho Testamento já traduzidos e assim passaram a fazer parte do Velho Testamento grego, a chamada Versão dos Setenta. E, quando esta versão tornou-se a Bíblia da Igreja Primitiva, esses livros vieram com ela. Assim os livros Apócrifos, como costumeiramente são chamados, espalharam-se através da Bíblia grega da Igreja Primitiva, e daí passaram para a Bíblia latina antes e depois do trabalho de revisão de Jerônimo. Eles passaram naturalmente, como já vimos, para a primitiva tradução germânica da Bíblia latina, feita na Boêmia, no século catorze, e também para a tradução inglesa feita por Wyclif e seus auxiliares em 1382-88. (…) Há perigo em ficar-se com uma falsa apreciação da história religiosa cristã e judaica se tentarmos passar diretamente do Velho Testamento [hebraico] ao Novo omitindo os livros Apócrifos. Eles fizeram parte dos fundamentos literários do movimento cristão. Eles nos introduzem a personagens dramáticas do Novo Testamento – santos e pecadores, fariseus e saduceus, anjos e demônios. Sua influência se exerceu em cada livro do Novo Testamento. Talvez o que de mais instrutivo eles têm para nós é o contraste entre a atitude cristã e farisaica que eles mesmos fizeram possível” (GOODSPEED, Edgar J. [Metodista]. “Como nos Veio a Bíblia?”. São Paulo:Imprensa Metodista, 3ª ed., 1981). “A palavra ‘Apócrifo’ (…) se refere aos livros que em certa época foram cogitados para integrar o cânon do Velho Testamento. Embora nenhum deles tenha sido aceito na Palestina como parte do cânon hebraico das Escrituras, foram mantidos juntos dos rolos das Escrituras gregas da Septuaginta. Os primeiros cristãos encontraram esses livros quando adotaram a Septuaginta como sua Bíblia e os incluíram nela” (BATCHELOR, Mary [Protestante]. “A Bíblia em Foco: introdução passo a passo aos livros sagrados”.São Paulo:Melhoramentos, 1ª ed., 1995, p. 96). “A Septuaginta (LXX), tradução do Antigo Testamento em grego, feita entre 280 a.C. e 180 a.C., contém os Apócrifos. (…) [A Septuaginta] é, talvez, a mais importante das versões, por sua data antiga e influência sobre outras traduções. (…) ‘Septuaginta’ significa ‘setenta’. A abreviação desta versão é LXX. Ela é às vezes chamada de ‘Versão Alexandrina’, por ter sido traduzida na cidade de Alexandria, no Egito. (…) Além dos 39 livros do Antigo Testamento, ela contém todos, ou parte, dos 14 livros conhecidos como Apócrifos. A Septuaginta foi comumente utilizada nos dias do Novo Testamento e mostrou-se muito útil em traduções subseqüentes” (DUFFIELD, Guy P.; VAN CLEAVE, Nathaniel M. [Protestantes Pentecostais]. “Fundamentos da Teologia Pentecostal”, Volume 1. São Paulo:Marli de Souza, 1ª ed., 1991, pp. 11 e 44). “O vocabulário ‘Apócrifo’ (…) aplica-se genericamente a uma série de livros surgidos no período entre o Antigo e o Novo Testamento. Os livros apócrifos (…) chegaram até nós de certo modo unidos aos livros canônicos da Bíblia. (…) Os judeus da dispersão no Egito revelaram alta estima por esses escritos e os incluíram na tradução do Antigo Testamento para o grego, chamada ‘Septuaginta’. (…) Segundo o escritor Aristeas, a tradução grega [do Antigo Testamento hebraico] foi feita por setenta e dois sábios judeus (daí o seu nome ‘Septuaginta’), na cidade de Alexandria, a partir de 285 a.C., a pedido de Demétrio Falario, bibliotecário do rei Ptolomeu Filadelfo. Concluída 39 anos mais tarde, essa versão assinalou o começo de uma grande obra que, além de preparar o mundo para o advento de Cristo, deveria tornar conhecida de todos os povos a Palavra de Deus. Na Igreja Primitiva, era essa a versão conhecida de todos os crentes” (AUTORES VÁRIOS, “Bíblia de Referência Thompson” [Protestante]. São Paulo:Vida, 1ª ed., 1996, pp. 1375 e 1377). Fonte: Veritas Ipsa

  • SURSUM CORDA: DEZ SUGESTÕES PARA REVITALIZAR A IMAGINAÇÃO LITERÁRIA – James Conley (Parte XI)

    Um conto de duas cidades, de Charles Dickens Devo confessar que gosto muito de Charles Dickens. Tenho lido suas obras desde a faculdade, e espero continuar a ler. Seus romances são inteligentes, interessantes, frequentemente divertidos e comovedores. Dickens escreveu sobre as coisas que conheceu — conheceu a pobreza, conheceu as lutas, conheceu aqueles personagens. Escreveu para homens e mulheres comuns, que viveram vidas muito parecidas às de seus personagens, entre trabalho pesado, grandes esperanças e muito amor. Dickens escreveu a partir de sua experiência, de sua imaginação e de sua fé cristã. Foi um anglicano devoto (trabalhou por anos reescrevendo a história de Cristo). Com suas obras, esperava que as pessoas comuns pudessem ser vistas como de fato eram: filhos e filhas amados de Deus, dotados de uma inabalável dignidade. O conto de duas cidades está entre as suas melhores obras, assim como Grandes esperanças, David Copperfield e A casa soturna. Um conto de duas cidades, o primeiro livro que li desse autor, é um típico romance dickensiano. Um resumo do enredo não faria justiça à obra. A história acontece durante a Revolução Francesa, em Paris e Londres, com personagens,  bons e maus, que experimentam morte e vida, trevas e luz, e, por fim, redenção e ressurreição. Um conto de duas cidades não é a mais divertida nem a mais trágica das obras de Dickens. Certamente, contém humor e tragédia. Na verdade, é uma história muito humana, de pessoas reais, enfrentando situações difíceis,  algumas vezes dando o pior de si, noutras o melhor. É uma história de famílias e de amizade. É uma história sobre os nossos corações humanos, ansiosos e batalhadores; e também sobre a surpreendente graça divina. Antes de sua morte, escreveu Dickens: “Sempre me esforcei, em meus escritos, para exprimir a veneração que tenho pela vida e pelas lições de Nosso Salvador; pois é isto o que sinto.” A obra de Dickens pode ser pensada como uma espécie de “reflexão sócioliterária”. Ele dá rosto e nome às classes sociais que fazem parte do seu mundo. Mostrou ao pobre como era ser aristocrata, e à aristocracia  como era ser pobre. Revelou como o vício pode ter grandes consequências em nossas vidas, assim como a virtude. Sua obra é um apelo à consciência sobre os efeitos nocivos da sociedade sobre as pessoas de carne e osso, debilitando frequentemente a sua humanidade, de forma nem sempre intencional, mas com graves consequências. Muitos escritores de fé escreveram interessantes reflexões sobre o papel da sociedade na vida das pessoas. Dostoievski, que escreveu Os irmãos Karamazov, entre outras coisas, examinou o pecado, a graça e a redenção no contexto da vida familiar, da Igreja e do Estado. Sigrid Unset, uma norueguesa convertida que escreveu algumas décadas depois de Dickens, é autora de Kristin Lavransdatter, uma bela trilogia que mostra as maneiras pelas quais a cultura cristã conduz seus cidadãos à justiça e à santidade. Cada um desses romances revela a presença da injustiça na vida dos personagens, sem deixar de apontar o caminho que leva à fonte da justiça em Jesus Cristo. (James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015)

  • THOMAS MORUS – Alceu Amoroso Lima

    Escrevo estas linhas longe dos livros e perto das árvores, ouvindo apenas no clarear da madrugada, que parece sair lentamente de dentro das coisas, como um grande botão que desabrocha, os ruídos com que a natureza tece o seu silêncio — o grilo na grama, o bentevi no coqueiro, um galo ao longe, os sapos no brejo. O lirismo vulgar da roça brasileira. E, ao mesmo tempo, a universal sedução do homem da cidade pelo campo. Thomas Morus, cuja figura aqui tento esboçar, sentiu como poucos essa atração. E em plena mocidade, escrevendo a um amigo, queixava-se das cidades e exaltava a vida rural. “Que existe nesta cidade para levar um homem a bem viver?… Sim, as próprias casas me privam de uma parte da luz do céu, reduzindo nosso horizonte à altura dos seus tetos”. Ao passo que no campo — “por toda a parte em que se pousem vossos olhos, oferece-lhes a terra aspectos agradáveis, a doçura do ar refres- ca-vos os sentidos, a vista livre do céu vos encanta, não vedes senão os magníficos dons da natureza e os símbolos sagrados da inocência”. É preciso ler essas linhas do grande ex-chanceler da Inglaterra, do humanista, do embaixador, do conselheiro da coroa, do controversista, do amigo de Erasmo e de Holbein, do homem mais popular da sua terra e mesmo da Europa, em certo momento da história, e enfim do mártir e hoje santo canonizado pela Igreja, — é preciso lê-las no azul da madrugada campestre, com a figura de Morus presente à imaginação, para lhes sentir todo o trágico encanto e toda a verdade profunda. É-me grato, pois, que seja neste ambiente de absoluta paz e simplicidade primitiva que evoco, mais para mim que para o público, a imagem desse grande exemplar de humanidade, que quisera viver esquecido no silêncio estudioso de seus livros e suas coleções e cujo nome é hoje um símbolo que os séculos vão levando de continente em continente. Esse nome só lembra, a muitos, o de um fantasista que se divertiu em inventar uma sociedade imaginária, num livro que raros leram, mas que todo o mundo cita, pelo feliz neologismo que criou. E’ uma imagem um tanto sumária, de quem representou, na história não só de seu povo mas da Europa e não só da Europa mas do humanidade, podemos dizê-lo sem o mínimo exagero, um papel como muitos poucos homens têm representado, em seu tempo e em todos os tempos. E o fez com tanta naturalidade que nos sentimos à vontade junto dele, a despeito do número de coisas que dele nos separam, tempo, língua, situação, gênio, santidade, como à vontade se sentiu êle no seu tempo, entretanto, tão profundamente diverso do seu temperamento e do seu caráter. Thomas Morus viveu, entre 1478 e 1535, cinquenta e sete anos bem vividos, não tanto pelo número ou pela grandeza dos acontecimentos em que tomou parte, mas principalmente pelo sentido e pela repercussão que tiveram no curso da história. Henry Adams, confrontando o século XIII com o século XIX, escreveu que o mundo medieval vivia sob o signo da unidade e o mundo moderno sob o da diversidade. Entre os dois se coloca justamente o Renascimento, que fez a transição entre a unidade e a diversidade e de que Morus foi e não foi, conforme o ângulo do qual o encaremos, um dos tipos mais representativos. De um lado, foi Morus uma das figuras mais expressivas de sua grande época. Fez parte dessa pequena família de humanistas, que pairava sobre a Europa e trocava o espírito medieval pelo espírito da antiguidade Clássica. Desde os sete anos que seu pai, o grave e reputado jurista John More, o colocava sob a direção do latinista Holt, em Londres, de onde passou pouco mais tarde para a corte do cardeal Morton, então Lord Chanceler, também reputado latinista. Apenas atingia 14 anos, no ano mesmo em que Colombo descobria a América, passava-se o filho do jurista John More para a Universidade de Oxford, onde se ia colocar sob a direção do famoso helenista Grocyn. Ia então, por todas as cinquenta e tantas universidades do velho Continente, uma grande luta em favor ou contra o helenismo. Os dois partidos de gregos e troianos disputavam, violentamente por vezes, a supremacia, tanto entre mestres como entre alunos. Os gregos eram os inovadores, os troianos os conservadores. O jovem Morus (e é curioso que, por toda a vida, só foi conhecido e apelidado como “o jovem Morus”, tal a jovialidade incomparável do seu gênio), que aos 15 anos já revelava sua extraordinária capacidade de absorção cultural, inscreveu-se naturalmente entre os inovadores e em breve se tornava um dos mais eruditos humanistas do seu tempo. Data de então, ou mais precisamente de 1499, quando alcançava a maioridade, nas vésperas de nascer o Brasil para a civilização cristã, sua grande e fiel amizade por outro desses vultos que enchem a sua época e marcam o início dos tempos modernos, na história da humanidade ocidental — Erasmo. A amizade, que por todo o resto da vida de ambos uniu estreitamente esses dois grandes homens de espírito, é hoje um dos traços característicos e inesquecíveis da história do inteligência, sobre a terra. Representaram ambos, em seu tempo, o grau mais alto da cultura, da erudição e da inteligência. Poetas, introdutores do espírito platônico contra o espírito aristotélico da Idade Média, inimigos da escolástica decadente, comentadores de Luciano — o grego mais sutil e mais irônico de sua raça e do seu espírito — flageladores sarcásticos dos abusos e dos erros de sua época, conversadores eméritos, abridores de novos horizontes para a cultura e as letras — Morus e Erasmo foram certamente o que o Renascimento nos deixou de mais extraordinariamente típico em matéria de espírito e de obra. Foi em casa de Thomas Morus, em 1505 — no ano de seu primeiro casamento com Jane Colt, a “uxorcula Mori”,  minha mulherzinha, como 20 anos mais tarde ele graciosamente gravou no epitáfio que preparou para si, poucos anos antes de morrer, quando deixou as funções de Lord-Chanceler e pressentiu lucidamente que a sua atitude não conformista o arrastaria fatalmente à perseguição do Rei e do Corte —, foi em casa de Morus ainda moço, com os seus 27 anos irradiantes, que o errante Erasmo foi compor o seu Elogio da Loucura, que até hoje conservou a frescura e o amargor com que foi escrito. Dez anos mais tarde, ou mais precisamente onze, em 1516, estando em Flandres, como representante da City para discutir problemas ligados à exportação de tecidos britânicos para o continente, foi pensando no livro do seu amigo Erasmo, escrito em sua casa, que Thomas Morus teve a ideia e começou a escrever, como simples divertimento para encher as longas horas de ócio e de expectativa, sua obra mais famosa e conhecida, essa Utopia, de certo modo ligada à história do Brasil. Seja ou não exata a hipótese, levantada há pouco por Afonso Arinos de Melo Franco, de que a ilha visitada por Hythloday era Fernando de Noronha, o certo é que Morus teve ideia de escrever o seu livro, encontrando-se em Antuérpia, por acaso, com um dos 24 companheiros que Américo Vespúcio deixara em Cabo Frio. As cartas de Vespúcio, publicadas em 1507, haviam tido um êxito incomparável. A América ficou em moda, em poucos anos, e todas as classes sociais, desde os criminosos que nela iam encontrar a liberdade até os homens de maior espírito do seu tempo, como Montaigne, Rebelais, Morus e os homens públicos mais em foco como Carlos V ou Lourenço de Médicis, todos sem exceção voltaram os olhos para o novo continente, que foi para a Europa de então o que seria para o mundo de hoje a descoberta de habitantes em Marte. Se Erasmo fazia falar a Loucura, para fazer a sátira amarga do seu tempo, seu amigo fazia falar a Razão, tanto no descrever as desordens de sua época, como no imaginar o que poderia ser um mundo mais racional que a irracional civilização em que viviam. Thomas Morus escreveu seu livro, a princípio como simples passatempo e exercício de imaginação, suscitados pela conversa com o companheiro de Vespúcio e a leitura de seu livro. Um pouco também, como faria Cervantes criticando o espírito de cavalaria, como uma crítica ao espírito de cavalaria dos oceanos, que enchia o seu tempo. Voltando para a Inglaterra, mudou de propósito e passou a escrever uma outra parte, e essa a sério, fazendo não mais bordados sobre os indígenas brasileiros, mas a sátira direta aos abusos de seu tempo e de seu país. Essa parte, aliás, é a primeira do livro, se bem tenha sido escrita depois da segunda. O autor da Utopia, ou Em parte alguma, como etimologicamente significa o feliz neologismo, é pois um tipo bem representativo do seu tempo. Pelo amor da antiguidade, pelo seu humanismo requintado, pela intimidade com os homens de Universidade (de que frequentou ao menos Oxford, Louvain e Paris), por seu espírito satírico, pela sedução do Novo Mundo, por certa ilusão do “bom selvagem”, aliás nele muito temperada pelo seu realismo londrino, por tudo isso e ainda pela alegria de viver, pelo amor da beleza, da música, da pintura, da poesia, pela insaciável e universal curiosidade de espírito que fazia de sua casa de Chelsea um museu das coisas mais estranhas, desde macacos do novo continente até manuscritos antigos e veneráveis, — por tudo isso foi Thomas Morus um homem típico do Renascimento. Mas foi também muito mais do que isso e de certo modo um homem contra o seu tempo, por ter sido essencialmente um espírito embebido de eternidade e portanto um homem acima do tempo. E por isso mesmo é que hoje o sentimos tão próximo a nós. Pois a posteridade só se reconhece nos homens que não quiseram ser demais do seu tempo. Esse sentido da eternidade superou em Morus tudo mais e explica a posição que hoje ocupa nos altares da Igreja. Em moço, teve a suspeita veemente de que era mais chamado à vocação monástica que à vocação jurídica. Seu pai, quando viu sua paixão pelo helenismo em Oxford, temendo que ele se contentasse em ser um humanista, como seu mestre Grocyn, fê-lo estudar direito, na Faculdade de Londres, o que, aliás, decidiu da sua carreira profissional e dos episódios supremos de sua vida. Habitou durante esses estudos jurídicos num convento de monges cistercienses. E Erasmo, estando em Londres nesse tempo, em uma das muitas cartas em que faz a apologia do seu amigo (dizem que Thomas Morus foi o único homem de quem Erasmo nunca falou mal…), no-lo mostra em plena inquietação vocacional religiosa: “Ele se aplicava de corpo e alma a exercícios de piedade, meditando sobre a sua vocação monástica, em vigílias, jejuns, orações e outras práticas austeras”. Entre essas práticas austeras, referidas por Erasmo, já estava talvez uma por ele suspeitada, mas por Morus, que foi o mais discreto dos Santos, a todos ocultada, a não ser à sua amada filha Margarida, sua confidente — o uso do cilício. Esse homem sociável como nenhum outro, de quem Pace dizia parecer ser filho do Humor e da Alegria, que amava da vida os seus aspectos mais amáveis e delicados, e tinha a mais espirituosa das conversas, que gostava de fazer grandes brincadeiras, no meio das circunstâncias mais austeras, (como quando quis, em pleno tribunal, instigar um pick-pocket a filar a carteira de outro juiz, seu companheiro, que absolvia todos os ladrões de carteira, porque dizia que só os imbecis se deixavam roubar) — e reunia em sua casa deliciosa de Chelsea, de onde se via toda Londres e as curvas suaves do Tâmisa, a fina flor do humanismo britânico e continental, para fazer música  e epigramas, esse homem que recebia visitas do Rei em sua casa e dos homens mais poderosos da Corte, como o duque de Norfolk ou o astucioso, o intrigante Thomas Cromwell, esse homem que tudo pôde no Conselho do Rei e no Parlamento, que era ídolo da City, mas tudo trocava paro passar noites esquecidas em grandes troças de espírito, com o seu amigo Erasmo, esse homem que mor- reu sorrindo, usou a vida inteira um áspero cilício. E por esse aspecto capital de sua figura, aparentemente diverso do que o faz tão típico do espírito versátil do Renascimento, é que vemos em Thomas Morus uma das figuras mais acabadas do homem eterno, em seus traços mais simples e ao mesmo tempo mais sublimes. Nele se reuniam qualidades que dificilmente se encontram juntas num só homem. O insuspeito Erasmo dele nos diz o que basta para que uma figura humana atravesse os séculos. Escrevendo a Richard Whitford, assim se exprime sobre Morus: “A meu ver, nunca a natureza produziu espírito mais hábil e mais pronto, mais sutil e avisado, jamais realizou criatura mais bem dotada e de maior ressonância. Junte a isso uma facilidade de conversa que está à altura do seu extraordinário gênio, um modo de ser, revestido da mais franca liberdade, um espírito luminoso e ágil, mas que nunca deixa de ser amável”. Estamos vendo, nesse Morus que Erasmo e outros contemporâneos nos revelam, esse tipo de homem que nos reconcilia com a natureza humana, e que tudo pode receber da vida, em matéria de fortuna e posição como em matéria de adversidade e sofrimento, sem nunca perder o sorriso ou a paciência, o espírito ou o bom humor, e, como bom britânico que era, o mais delicioso humour que vem enriquecer com um traço inédito a galeria indefinida de tipos humanos que a Igreja tem canonizado, como representantes mais altos do que é capaz o homem em virtudes heróicas. São Thomas Morus é o santo do humour. E’ um exemplo, para toda a humanidade e todos os tempos, que a mais alta santidade nada tem de incompatível com a alegria mais franca, o espírito mais vivo e mordaz, a cultura intelectual mais vasta e variada, o espírito de invenção mais sagaz, os postos públicos mais elevados, as missões diplomáticas mais árduas, a ironia mais sutil. Esse homem, por exemplo, que combateu por fatos e por palavras o preconceito ainda dominante em seu tempo contra a educação das mulheres e fez de suas filhas sábias tão autênticas que uma delas descobriu as falhas do texto grego de São Cipriano, confirmadas depois pelos eruditos, e deram duas delas, perante o rei, a demonstração de um diálogo filosófico, — esse homem que foi amigo do seu lar como ninguém e dele fez um pequeno mundo, que era o modelo de toda a Inglaterra, — não perdia vasa de uma ponta de ironia com as mulheres. E quando lhe perguntavam porque se casara com uma mulher tão baixinha (como era Jane Colt, sua primeira esposa), respondia —”dos males o menor”. Ou, então, quando a segunda esposa, que era boa dona de casa, mas não tinha um caráter muito fácil, nem soube compreender o homem imenso que tinha por marido, quando ela certa vez disputava a outra dama a posse de um cachorrinho que encontrara, More, primeiro juiz da Inglaterra e que no momento se lembrou por certo do julgamento de Salomão, postou sua esposa e a outra nas duas paredes opostas de uma sala, e soltando o cãozinho no centro entregou-o a sua dona verdadeira, para quem o animal naturalmente correu quando se viu livre. Esse homem feliz, entretanto, nunca se deixou vencer pela felicidade. A imagem das coisas que ele amava na terra acima de tudo — sua Chelsea, um texto de Platão, de Luciano ou de Santo Agostinho, alguns amigos raros, suas coleções, — nada disso o desviava da sua silenciosa e inabalável confiança nas coisas divinas. Todos os dias ia à missa e frequentemente se aproximava dessa Eucaristia, de que em breve se ia tornar o defensor, em seus escritos, e o confessor, por seu sangue generoso derramado pela Fé. Tão pouco o perturbaram os sorrisos da Fortuna. E essa o lisonjeou toda a vida. Subiu sempre, desde menino, cuidadosamente educado por um Pai a quem tanto reverenciava que, mesmo homem feito, mesmo primeiro ministro do Rei, ao passar pela porta do tribunal onde se sentava o velho juiz, não deixava de entrar para ajoelhar-se e piedosamente tomar-lhe a bênção. Subiu sempre, desde moço, o primeiro entre os helenistas de Oxford, como o primeiro entre os juristas de Lincoln’s Inn, onde estudou direito. Continuou subindo quando os mercadores de Londres, essa poderosa City que até hoje é a maior força da velha cidade de Londres, o enviaram à Câmara dos Comuns, como seu deputado e onde estreou se opondo a certas pretensões do rei Henrique VII e do poderoso Cardeal Wolsey, a quem iria suceder na Chancelaria do Reino. Subiu ainda quando foi vitorioso nas negociações de Flandres, em que defendeu os interesses dos exportadores de lãs inglesas e, sobretudo, no Tratado de Cambrai ,em 1529, em que, por mais tempo talvez que Chamberlain, em circunstâncias análogas em nossos dias, trouxe a paz à Europa, único feito de que em vida se ufanou e o tornou o homem mais popular da Inglaterra. Subiu ainda quando o êxito de suas embaixadas o forçou a aceitar o serviço do Rei, que começou a distingui-lo com uma amizade  incomoda,  como são sempre as amizades dos poderosos, e no caso lhe seria  mesmo fatal. Subiu sempre, quando, de membro do Conselho Privado, em 1518, passou a speaker e presidente da Câmara dos Comuns em 1523, até que em outubro de 1529 lhe tocou a árdua e trágica sucessão de Wolsey. O velho Cardeal, ambicioso e matreiro, em cujo coração como no de quase todo o episcopado inglês, de então, a Fé cedeu à ambição, à intriga e ao servilismo, havia visto frustrado o seu intento e o seu ímpio compromisso de arrancar das mãos trêmulas de Clemente VII a falsa nulidade do casamento de Henrique VIII com Catarina de Aragão para lhe permitir a união ilegítima com a astuciosa Anne Boleyn. Resistindo o Papa e o Concílio às pretensões do Rei que há pouco merecera o título de “Defensor Fidei” pela sua atitude contra a invasão da Inglaterra pela heresia luterana e agora cedia aos encantos misteriosos da medíocre Ana Bolena, — a sorte de Wolsey estava traçada. Teve de abandonar o posto e para preenchê-lo era mister alguém que pelas suas qualidades pudesse impor-se dentro e fora da Inglaterra, junto ao povo da City como junto ao Papa, junto à Corte e às Câmaras como junto à opinião letrada do tempo e às Cortes estrangeiras. Um nome se impôs logo pela sua ciência e pela sua sabedoria, pela sua habilidade de diplomata como pela sua popularidade que o fazia desde 1520 objeto de exemplos num compêndio de retórica adotado em todas as escolas do Reino, onde se lia o seguinte exercício: “Exprimir em latim, de quatro modos diferentes, esta proposição: Morus é um homem de espírito angélico e de inigualável saber”. Foi a mais alta posição a que ia Thomas Morus subir em sua carreira terrena. Ascendia ao posto mais eminente a que podia qualquer pessoa aspirar na Inglaterra, ia merecer a confiança, mais do que isso, a secreta e pérfida esperança do Rei. Alguns anos antes, quando Henrique VIII frequentava a casa de Morus, com quem gostava de discutir teologia, seu genro Roger felicitara-o um dia à saída do Rei, pela familiaridade com que este o tratava. E Morus, que não era homem de ilusões, respondeu: “Se a minha cabeça pudesse valer-lhe um castelo em França, não pesaria muito tempo sobre os meus ombros”. Era, pois, sem ilusões também que o grande humanista recebia a árdua herança de Wolsey, compreendendo bem o que é que esperavam do seu prestígio e de sua habilidade. Morus, porém, não era um temperamento que pusesse obstáculos ao curso normal das coisas. Se a Providência o encaminhava para essa cruz, procuraria tirar dela os maiores serviços para sua pátria, para sua fé e para sua alma. E aceitou o encargo, com simplicidade, como tudo o que fez em vida e na morte. Tentou separar radicalmente o caso pessoal do divórcio do Rei, da invasão luterana que começava a operar-se. Prosseguiu na tarefa, pouco antes iniciada a pedido do próprio rei, de refutar a Tyndalo e outros heresiarcas. Henrique VIII, se pretendeu e impôs a supremacia do Rei sobre a Igreja, revoltando-se contra a autoridade do Papa e arrancando a Inglaterra da unidade católica, foi sempre rigorosamente antiluterano; escrevera pessoalmente um livro contra Lutero e incitou Morus a continuar sua tarefa de campeão da Fé contra a heresia. Morus se desempenhou como sempre, nobremente, da tarefa cometida, escrevendo vários volumes de controvérsia antiluterana, em meio às suas múltiplas ocupações no Conselho da Coroa e depois na Chancelaria. Em pouco sentiu, porém, que não conseguiria opor-se à onda que subia. O despeito do Rei contra o Papa atingia o auge, pois Ana Bolena habilmente manobrara a paixão real, e o Parlamento, com os olhos fitos nas riquezas dos conventos para haurir novas taxas, fiscais e distribuir os latifúndios entre os nobres, votava em pouco um ato proclamando a supremacia do Rei sobre a Igreja inglesa. Era o poder temporal aniquilando o poder espiritual, procurando colocá-lo a seu serviço, e dando início a esse espírito totalitário que hoje atinge a plenitude do seu monstruoso erro original. Thomas Morus alegou doença para se exonerar. O Rei, sentindo que o nobre Chanceler não poderia servir aos seus intentos, aceitou a demissão, sem romper logo com ele, tanto assim que pediu ao duque de Norfolk que lhe fizesse o elogio. Morus, porém, não tinha ilusões. Foi então, três anos antes de morrer, que traçou seu epitáfio. Saiu pobre de um posto em que todos os ocupantes acumulavam imensos haveres. Doente, envelhecido, não pôde mais manter a sua deliciosa residência de Chelsea, que foi um centro de humanismo famoso em toda a Europa, como pendant ao jardim do Cardeal Bembo, na Itália. Dispersou a família, que era o seu encanto. Nem por um minuto, porém, se lhe amargou o ânimo ou se deixou vencer pelo infortúnio. Pelo contrário. Foi então que começou a maior ascensão de sua vida. Um calvário de três anos, em que a Corte, os Nobres, o Rei, todos tentaram tudo para reduzir essa alma tão deliciosamente simples como indomável. O cerco começou de mansinho e foi crescendo pouco a pouco. Tentaram desmoralizá-lo na sua reputação de Juiz Supremo. O pai de Ana Bolena armou-lhe uma armadilha, intentando-lhe um processo para mostrar que recebera um copo de ouro de certa senhora a quem dera ganho de causa num processo. Morus, humorista como sempre, confessou que recebera o cálice de ouro. Levanta-se teatralmente o pai da favorita, já então Rainha da Inglaterra, para cantar vitória. Morus aguarda que cesse a declamação do sogro real e tranquilamente conta que realmente recebeu a taça de ouro das mãos da tal senhora, bebeu à sua saúde, e, devolvendo-lhe o objeto, pediu-lhe que bebesse à saúde do seu marido… Terminava mal, para seus adversários, a primeira escaramuça. Mas os inimigos do futuro mártir não desanimaram por tão pouco. Thomas Cromwell, o secretário do Rei, inventou nova acusação contra Morus. Este se prevalece de suas prerrogativas de ex-chanceler para pedir o comparecimento perante a Câmara dos Lordes. Temendo o seu prestígio e a sua eloquência, negam-Ihe o pedido. Organizam um tribunal de poucos membros. Sendo demasiado inepta a acusação, declaram-no ainda uma vez inocente, mas instam com ele para que aprove o divórcio do Rei e a sua política com relação à Igreja. Morus se esquiva. O duque de Norfolk, seu amigo, lembra-Ihe o perigo que corre e que a — indignatio príncipis, mors est. Morus se limita a responder: “É só isso, milord? Nesse caso só haverá uma diferença entre nós dois, é que eu morrerei hoje e Vossa Mercê amanhã”. Ao voltar da sessão, estava tão alegre que seu genro e mais tarde biógrafo o felicitou. “Estou contente, respondeu o grande homem, porque passei a perna ao demônio e já agora fui tão longe com esses Lordes que não poderei voltar atrás sem me desonrar”. Morus não procurava o martírio, mas não fugia a ele. Não desafiava a autoridade, mas não aceitaria nunca a desonra. Procurava a sombra, sem bravatas e sem preocupações. Mas o Rei sentia que todos podiam aprovar sua conduta, podia ter por si toda a plebe e toda a aristocracia, o Parlamento e o Episcopado, toda a Inglaterra, mas faltava-lhe o único apoio que o interessava, o único homem que ele realmente respeitava, o único caráter cuja aprovação podia apaziguar seus remorsos. Todos os Lordes, todos os Comuns, todo o Corpo universitário aprovara a conduta do Rei, com exceção de poucos e acima de todos desse extraordinário John Fisher, bispo de Rochester, que nunca cedeu, salvou sozinho a honra do infame e servil episcopado britânico de então, foi feito Cardeal quando prisioneiro e morreu como mártir pouco antes do próprio Morus. Henrique VIII, cansado de solicitar, por bem, a aprovação do sábio Morus, ia, sem querer, transformá-lo em santo. Nunca fora Morus um herói profissional, desses que usam a honra en écharpe, como dizem os franceses. Sempre foi um homem de estudo, amando a vida, a conversa, a Música, os epigramas gregos, as palavras de espírito, as coleções, os métodos, as ciências novas que Leonardo da Vinci pusera em moda, o convívio alegre e erudito de suas filhas, tão letradas quanto carinhosas, e de seus amigos fiéis, que de toda a Europa iam con-versar com êle sobre as últimas estátuas gregas desenterradas na Toscana, os epigramas de Gringoire contra Julio II, as sátiras de Marot ou as canções de Margarida de Navarra. No entanto, não falhou um só minuto durante esse longo martírio. O Rei, querendo lançar a luva definitivamente ao Papado, obrigara todos os súditos a jurarem o Ato de Supremacia da Coroa sobre o poder espiritual. Recusou Morus, naturalmente, sem ter a mínima dúvida sobre as consequências de sua recusa, — crime de alta traição, chumbo fundido pela garganta, evisceração ainda vivo e esquartejamento. Foi o martírio que sofreram vários monges cistercianos que Morus, já então prisioneiro na Torre de Londres, viu saírem da prisão, e passarem de propósito em frente à janela, em que se encontrava com sua filha Margaret, para que o ânimo do santo se dobrasse. Este, porém, resistiu a tudo. No julgamento solene a que foi submetido, em presença das mais altas autoridades do Reino, fez ele mesmo, como jurista consumado que era, sua defesa. Mostrou a inani-dade de todas as acusações levantadas contra ele. Deixou a nu a perfídia de seus acusadores e depois da sentença de morte, sem se abater um minuto, e valendo-se do direito que os acusados tinham de dar os motivos por que julgavam injusta a sentença, abriu então de par em par o seu coração. Mostrou o servilismo do Parlamento. Mostrou como o seu ato, proclamando a supremacia do Rei sobre a Igreja, era contrário à própria constituição da Cristandade. A uma objeção de que ele estava sozinho, a opor-se ao ato, quando todos o haviam aceito, respondeu: “Sozinho não, tenho comigo toda a Cristandade. Tenho comigo os mortos. Eis porque não posso ceder minha consciência aos conselhos de um reino contra o Conselho geral da Cristandade. Os santos bispos de que vos falei e que me apoiam, são mais de cem contra cada um dos vossos bispos; contra um de vossos conselhos e de vossos parlamentos e (Deus sabe o que eles valem), tenho por mim todos os concílios reunidos há mais de mil anos. E por este reino, que aqui está, tenho  todos os reinos cristãos”. E terminou sua justificação final, como sempre, com um sorriso, convocando seus juízes e acusadores a se reunirem em breve todos no céu. “Tenho confiança sincera e rezarei por isso com fervor que, embora Vossas Senhorias me hajam condenado à morte, ainda nos encontraremos todos no céu. E assim desejo que também suceda com Sua Majestade, que Deus defenda e preserve”. Na Torre de Londres, no cubículo úmido e escuro, passou mais de um ano, num regime dia a dia mais rigoroso, pois Thomas Cromwell sempre guardava a esperança de arrancar, pelas privações, a retratação desse homem amigo das belas e boas coisas da existência. Permitira-lhe a visita da esposa e das filhas, com a esperança de que o seu coração fosse vencido pelos rogos daquelas que ele amava acima de tudo na terra, e lhe imploravam por tudo que acedesse, como os outros. Morus, porém, não era como os outros, ou pelo menos como a maioria deles. Sorria, acariciava as cabeças amadas, dissuadia  com um epigrama os amigos e vasava o seu coração em páginas inesquecíveis, poemas, meditações, um Diálogo para o conforto nas tribulações, que foi como que seu diário, em cartas em que conta como tudo o que lhe sucedia foi maduramente previsto pelo seu espírito lúcido e realista. “Nas circunstâncias atuais”, escrevia êle à sua adorada Meg, “não me esqueci dos conselhos do Cristo no Evangelho, que antes de começar a construir esta fortaleza para salvaguarda de minha alma, era mister considerar com calma o que poderia suceder. Pesei tudo isso, Margaret, durante muitas noites de insônia; enquanto minha mulher dormia, julgando-me também adormecido, pesei bem o perigo que ia correr; calculei tudo de tão perto, que agora tenho a certeza de que nada de imprevisto pode suceder-me. E avaliando tudo isso, minha querida filha, eu tinha o coração bem pesado. Entretanto agradeço a Deus, pois, apesar de tudo, nunca pensei em voltar atrás e a última coisa que, por acaso, me possa suceder, é que o medo seja mais forte do que eu”. Não o foi. Caminhou para o suplício, com o sorriso nos lábios. Na prisão formulara, em uma prece sublime, o seu ato de sacrifício pelo puro Amor, antes de Santa Teresa, de São Francisco de Sales e de São João da Cruz: — “Dai-me, ó Senhor, o desejo de estar junto a Vós, não para me subtrair às calamidades deste mundo ou às punições do outro, nem mesmo para gozar das alegrias do céu, nem por qualquer espécie de interesse pessoal, mas única e exclusivamente por amor de Vós”. O sofrimento fizera do sábio um santo e o elevara às regiões da mais pura Mística. Nunca, porém, lhe tirou ou diminuiu os traços típicos de seu caráter, seu bom humor, sua alegria de viver e seu humour que tomava por vezes tonalidades rabelaisianas. Assim é que, no dia da execução, quando seu amigo Pope veio trazer-lhe a notícia que a clemência do Rei havia comutado o seu suplício de evisceração em decapitação, começou por dizer: “Deus preserve os meus da clemência do Rei”. E depois como Pope continuasse em lágrimas, resolveu fazer uma das suas, para despedir-se alegremente da vida e então (permiti-me que conte o fato em inglês, não só para não lhe tirar o sabor com que seu neto o refere na biografia que dele escreveu, mas ainda porque creio que o inglês, como o latim, brave 1’honnêreté: “And further, to put him out of his melancholie, sir Thomas More took his urinall in his hand, and, casting his water, said merrily: “I see no danger but this man may live longer if it had pleased the King”. (E, além disso, para tirá-lo de sua melancolia, o senhor Thomas Morus pegou seu urinol na mão e, lançando fora a água, disse alegremente: “Não vejo perigo; mas esse homem poderia viver mais se satisfizesse o Rei”.) Marchou para o suplício, depois de se depedir dos seus e enviar à sua filha Meg o seu cilício, com uma carta tão simples quanto patética. Ao chegar ao patíbulo, pediu a alguém que lhe ajudasse a subir os degraus em mau estado, dizendo-lhe: “Ajuda-me a subir. Para descer, eu me arranjarei sozinho”. De cima, dirigiu-se em poucas palavras ao povo, dizendo-lhe que morria na Igreja Católica e por ela, e acrescentou: “Morro leal a Deus e ao Rei, mas antes de tudo a Deus”. Depois de pronunciar o Miserere, amarrou ele mesmo a venda aos olhos, e ao deitar-se no tronco, dirigiu-se ao carrasco, a quem deu uma moeda de ouro “pelo serviço que ele ia prestar”, brincando com êle: “Coragem, rapaz, não tenhas medo de fazer o teu dever. Tenho o pescoço curto. Não vás bater de lado com o machado, para não te desonrar como bom profissional”. E ao deitar-se levantou ainda a cabeça para ajeitar a longa barba branca que deixara crescer na prisão, dizendo: “Ela não deve ser cortada, pois não cometeu traição alguma”. E ao som dessa suprema palavra de ironia e gracioso desafio ao Rei todo-poderoso, desceu o machado sobre a nobre cabeça do invencível Morus. Fora feliz, em vida, como ninguém. Tudo tivera da fortuna, saber, fama, posições, um lar sereno, uma coroa de parentes e amigos fiéis, uma filha que o compreendia e amava. Mas nunca a amizade dos poderosos ou a gratidão dos humildes, que ele hospedava em sua casa de Chelsea, nunca a glória das letras ou o amor dos seus íntimos, lhe fizeram perder nem o sentido de sua eternidade, nem o espírito de ironia para com as coisas terrenas e passageiras. Pôde assim morrer, sorrindo, com a bravura que anula toda bravata, e coroar a mais nobre das vidas com a mais perfeita das mortes. Por essa sua deliciosa simplicidade, por essa naturalidade extrema em seu modo de ser, por essa vida tão alta e por essa morte tão pura é que sentimos esse Santo tão próximo de nós, tão capaz de receber nossas confidências, e amparar nossas fragilidades. [Publicado originalmente na revista A Ordem, em janeiro de 1940]

  • SCRUPLES OF THE GOOD CONCERNING CONFESSION.

    There are some who are always tormented lest they should have omitted something in their confessions. They seem to fancy that if by any chance a considerable sin should entirely escape their memories and never come up again, it would remain unforgiven, and appear against them at the judgement. Just as if God, the Infinite Goodness, could ever condemn anyone for what was not his own fault. Such an idea is entirely absurd. No doubt, a good girl when she first begins to enter seriously into God’s service will do her best to have a clear conscience, and will not willingly allow any considerable sins to remain unconfessed. But one confession made with such intention is enough to put her in a state of grace, as everything that can hinder God’s grace is removed by a sincere and contrite confession. After such a confession it is God’s will that we should be free from all over-anxiety about our salvation, and it is contrary to His will, that we should worry, and fret, and be troubled in mind. If we have forgotten anything of importance, it does not make us lose God’s grace. We should remain in the utmost tranquillity until the next confession, when the forgotten sin can be declared : for although it is forgiven, it is necessary to confess it, if it has not been confessed already. Again : many give themselves much’ more anxiety about the examination of their consciences than is necessary. Of course, all grievous sins must be confessed, but a good girl will hate and abhor such sins so much that I suppose she will rarely, if ever, fall into them. I suppose, if she has unfortunately sinned in such a way, that she will immediately enter into herself and grieve over it, and be only too anxious to confess it. As soon as she begins to prepare for confession, it will be uppermost in her mind, and there will be no danger of her forgetting it. As to smaller sins, our examination of conscience need not be scrupulous and anxious : on the contrary, it ought to be entirely tranquil and  peaceful. Think over your sins and faults, and be as sorry for them as you please ; that is all very well ; but do not imagine that the chief good of confession is in being sure not to leave out anything. This is not the case. If you are sorry for everything that displeases God, and declare all your grievous sins, and such of the others as you deem most hurtful and injurious, you do well—and better than if your whole mind were set on a minute and particular declaration of every little matter. Sometimes, while the priest is speaking to of something very important to your soul, some danger you must avoid, or some ‘practice of piety he sees useful to you, he will be interrupted in the very middle of his advice by something like this : ” I neglected my morning prayers sometimes ;” or, ” I have been out of patience ;” or, ” I have been fretful.” This is making confession a matter of form, and forgetting the spirit of it ; like the Pharisees of old, who put everything in the most minute observance of the smallest ceremonies, while they paid little attention to really cleansing and purifying their hearts from attachment to sin. Your time is better employed in sorrow and regret for what is wrong and defective, in holy resolutions to amend your lives, and to give your hearts to God more perfectly, than in a scrupulous and over-anxious examination of conscience. In the same way, the desire to be constantly repeating over confessions that have been already well made, seems to me calculated to do no good, but rather to keep the mind in constant trouble and anxiety, when it ought to be putting a loving trust in God. It is making God ” a hard master,” exacting to the last farthing, when in truth He is a kind Father, and has long ago forgiven us. There is a secret pride about it, too, as if it were by our own force and strength that we were to look for forgiveness, and not in the loving mercy of God. Rev. George Deshon

  • MAÇONARIA: LIBERDADE FRATERNIDADE, IGUALDADE,  PARA OS CRISTÃOS A MORTE Parte II

    MAÇONARIA : LIBERDADE FRATERNIDADE, IGUALDADE, PARA OS CRISTÃOS A MORTE Parte II O termo “moderno” já era usado na Filosofia Medieval, mas o conceito de modernidade veio de duas noções fundamentais relacionadas – a ideia de progresso e a valorização do indivíduo, que são decorrentes de fatores históricos como: O Humanismo Renascentista (século XV); A Revolução Científica (século XVII); A Reforma Protestante (século XVI). O primeiro fator histórico que já falamos é o Humanismo Renascentista do século XV. O conceito de Renascimento abrange os séculos: XV e XVI, que foi o período histórico intermediário entre o medieval e o moderno. Podemos dizer que o traço mais característico desse período foi o humanismo. Um dos principais pontos de partida do humanismo foi o grande Concílio Ecumênico de Florença, em 1431. O humanismo teve também uma grande importância na política. As partes centrais do ideário humanista tratam da rejeição da tradição escolástica em favor de uma recuperação da natureza humana individual, ponto de partida de uma nova ordem. O principal pensador político mais original desse período foi sem dúvida Nicolau Maquiavel (autor de O Príncipe, publicado em 1532). PROTESTANTISMO No século seguinte, a Guerra dos Trinta Anos opõe católicos e protestantes por toda Europa. A ética protestante, principalmente calvinista, proporcionou grande desenvolvimento econômico da Europa, permitindo a acumulação do capital. Calvino em suas cartilhas orientava os protestantes que não parassem para beber nas tabernas, pois eles gastariam o dia de trabalho com cerveja, era melhor economizar e fazer uma poupança para poder gastar com as novidades da modernidade, daí que surge o conceito puritano de não poder beber, além de orientar aos trabalhadores que começassem à trabalhar antes do Sol surgir, isso para que seus credores Judeus ouvissem o barulho dos martelos bem cedo e tivessem certeza que seriam pagos, estes relatos você pode encontrar em “A ética Protestante e o espírito do capitalismo, Max Weber”. Revolução científica Além do Humanismo Renascentista e da Reforma Protestante, a Revolução Científica também contribuiu para o conceito de modernidade. A Revolução Cientifica moderna teve seu ponto de partida na obra de Nicolau Copérnico, através de cálculos dos movimentos por meio dos corpos celestes. paganismo modernista A civilização cristã procede de uma concepção de vida diversa da que deram origem a civilização pagã. Podemos afirmar que o paganismo foi um fator que levou o gênero humano há de cair na situação em que o pecado original colocará disse ao homem que ele estava sobre a terra Para fluir a vida e os bens deste mundo e oferece O Pagão não adiciona não buscava Nada Além disso e a sociedade pagam estava constituída para oferecer-lhe esses bens tão abundantes e esses Prazeres tão refinado ou também tão grosseiros quanto possam ser para aqueles que desejam a civilização antiga nasceu deste princípio todas as suas instituições dele decorriam sobretudo as duas principais a escravidão e a guerra. É bem áudio que podemos traçar um paralelo entre o paganismo a Igreja Católica destruiu e o novo paganismo que nasceu com a Renascença ganhou força com a reforma protestante e a Revolução Francesa deu um impulso sobre-humano e continua dando até os nossos dias trazendo o que eles chamam de uma nova humanidade uma nova ordem. O aparecimento do cristianismo fez o homem compreender que devia procurar em outra direção a felicidade por necessidade não acessa de ator No Natal ele destruiu a noção que O Pagão criar WhatsApp sem o Divino Salvador ensinou-nos por sua palavra que sua Dill nos por sua morte e ressurreição e a vida presente é uma vida ela não é A VIDA para Qual seu pai nos destinou. A vida presente não é senão a preparação da vida eterna. Aquela é o caminho que conduz a esta. Nós estamos in via, diziam os escolásticos, caminhando ad terminum, na estrada para o céu. Os sábios de hoje exprimiriam a mesma ideia, dizendo que a Terra é o laboratório no qual se formam as almas, no qual se recebem e se desenvolvem as faculdades Sobrenaturais que o Cristão, após a morte gozará na morada Celeste. Como a vida embrionária no seio materno: ela é também uma vida, mas uma vida em formação, na qual se elaboram os sentidos que deverão funcionar na estrada e terrestre: os olhos que contemplarão a natureza, o ouvido que recolher as suas harmonias, a voz que a isso misturará seus cantos etc. No céu veremos Deus Face a Face Esta é a grande promessa que nos foi feita toda a religião católica está baseada nela e no entanto nenhuma natureza criada É capaz dessa visão. Assim são as coisas. Eis o que Jesus fez a respeito do que Ele veio informar o gênero humano. Desde então a concepção da vida presente foi radicalmente alterada. O homem não estava mais sobre a terra para GOZAR e MORRER, mas para se preparar para a vida do alto e merecê-la. GOZAR E MERECER, são as duas palavras que caracterizam, que separam, que opõe as duas civilizações. Isto não significa que desde o momento em que o cristianismo foi pregado os homens não pensaram em mais nenhuma outra coisa que não fosse a sua Santificação. Eles continuaram a perseguir as finalidades secundárias da vida presente, e a cumprir, na família e na sociedade, as funções que elas requerem e os deveres que elas impõem. Ademais, a Santificação não se opera unicamente pelos exercícios espirituais, Mas pelo cumprimento de todo dever de estado, por todo ato feito com pureza de intenção. “Tudo quanto fizerdes, diz o apóstolo São Paulo, por palavras ou por obras, fazei-o em nome de nosso Senhor Jesus Cristo… trabalhai para agradar a Deus em todas as coisas, e dareis frutos em Toda boa obra” (Colossenses 1, 10 e 3, 17). A Renascença, ponto de partida da civilização moderna Na sua admirável introdução à Vida de Santa Elizabeth, Montalembert diz que o século XIII foi — pelo menos no que concerne ao passado — o apogeu da civilização cristã: “talvez jamais a esposa de Cristo tenha reinado com um império tão absoluto sobre o pensamento e sobre o coração dos povos… Então, mais do que em qualquer outro momento desse combate, o amor de seus filhos, sua dedicação Sem Limites, sua quantidade e sua coragem a cada dia crescentes, os santos que ela via eclodir diariamente entre eles, ofereciam a essa mãe imortal forças e consolações das quais ela não foi cruelmente privada senão depois de muito tempo. Graças a Inocêncio III, que continua a obra de Gregório VII, a cristandade é uma vasta unidade política, um reino sem fronteiras habitado por múltiplas raças. Os senhores e os reis tinham aceitado a supremacia pontifícia. Foi preciso que viesse o protestantismo para destruir essa obra. Mas, antes do protestantismo, um primeiro golpe foi dado na sociedade Cristã, a partir de 1308. O que constituía a força dessa sociedade era, como diz montalembert, a reconhecida e respeitada autoridade do soberano pontífice, o chefe da cristandade, o regularizador da civilização cristã. Essa autoridade foi contraditada, insultada e quebrada pela violência e astúcia do Rei Felipe IV, na perseguição que dirigiu contra o Papa Bonifácio VIII; ela também foi diminuída pela complacência de Clemente V em relação a esse mesmo Rei, que chegou até a mudar a sede do papado para Avignon não em 1305. Urbano VI só voltaria Roma em 1378. Durante esse longo exílio, os Papas perderam boa parte de sua independência e seu prestígio encontrou-se singularmente enfraquecido. Quando retornaram a Roma, após 70 anos de ausência, tudo estava pronto para o grande cisma do Ocidente, que iria durar até 1416, e que por um momento decapitou o Mundo Cristão. Desde então, a força começou a crescer sobre o direito, como antes de Jesus Cristo. As guerras retomaram o caráter pagão de conquista e perderam o caráter de libertação. A “filha primogênita” (França), que tinha esbofeteado sua mãe em Anagni, foi a primeira a sofrer as consequências de sua prevaricação: Guerra dos Cem Anos, Crécy, poitiers, azincourt. Em nossos dias, para não falar do que precedeu, a ocupação de Roma, a ampliação da Prússia às custas de seus vizinhos, a impassibilidade da Europa diante do massacre dos cristãos pelos turcos, e a imolação de um povo à cobiça do império britânico: tudo isso é muito pagão. A Renascença se produziu numa época de moleza, de decadência quase geral da vida religiosa, período lamentável cujas características são, a partir do século XIV, o enfraquecimento da autoridade dos papas, a invasão do espírito mundano no clube, a decadência da filosofia e da teologia escolástica, uma espantosa desordem na vida política em civil. Nessas circunstâncias se colocavam sob os olhos de uma geração intelectual e fisicamente sobre excitada, doentia sob todos os aspectos, as deploráveis lições contidas na literatura antiga. “Sob a influência de uma admiração excessiva, Poderíamos dizer doentia, pelos Encantos dos escritores clássicos, arvorava-se francamente o estandarte do paganismo; os seguidores dessa reforma pretendiam modelar tudo exatamente como na antiguidade, os costumes e as ideias, restabelecer a preponderância do Espírito Pagão e destruir radicalmente o estado de coisas existentes, considerado por eles como uma degenerescência. “A influência desastrosas exercida na moral pelo humanismo fez-se igualmente sentir cedo e de maneira assustadora no domínio da religião. Os seguidores da Renascença pagã consideravam sua filosofia antiga e a fé da igreja como dois mundos inteiramente dinstintos e sem nenhum ponto de contato”. Eles queriam que o homem tivesse a felicidade na terra, isso foi proposto pelo iluminismo, o comunismo, é hoje pela pós modernidade, sabemos exatamente onde isso nos leva, eles ensinam que todas as suas forças toda sua atividade fossem empregadas para buscar a felicidade temporal; dizendo que o dever da sociedade era o de se organizar de tal maneira que ela conseguisse chegar a oferecer a cada um o que pudesse satisfazer e volta todos os desejos em todos os sentidos. Nada de mais oposto à doutrina e a moral Cristã. Os antigos humanistas, diz Jean Jansen, não tinham menos entusiasmo pela herança grandiosa legada pelos povos da antiguidade do que tiveram mais tarde os seus sucessores. Antes destes, eles tinham visto no estudo da antiguidade um dos mais poderosos meios de Educar com sucesso a inteligência humana. Mas no seu pensamento os clássicos gregos e latinos não deveriam ser estudados com objetivo de alcançar, com eles e por eles, o fim de toda educação, eles entendiam dever colocá-los a serviço dos interesses cristãos; desejavam antes de tudo chegar, graças a eles, a uma compreensão mais profunda do cristianismo e à melhoria da vida moral. mas pelos mesmos motivos os padres da igreja tinham recomendado e encorajado o estudo das línguas antigas. A luta não começou e não se tornou necessária senão quando os jovens humanistas rejeitaram toda a antiga ciência teológica e filosófica por serem bárbaros, pretenderam que toda noção científica está contida unicamente nas obras dos antigos, entraram em luta aberta com a igreja e o cristianismo, e muito frequentemente lançando um desafio à moral. O mesmo aconteceu com os artistas. A igreja, diz o mesmo historiador, colocara a arte a serviço de Deus, chamando artistas para cooperarem na propagação do reino de Deus sobre a terra e convidando-os a anunciar o evangelho aos pobres. Os artistas, respondendo fielmente a esse apelo, não erguiam o Belo sobre um altar para dele fazer um ídolo, adorado por si mesmo, mas trabalhavam “para a glória de Deus”. Através de suas obras de arte eles desejavam despertar e aumentar nas almas o desejo e o amor dos bens celestes. Enquanto a arte conservou os princípios que a trouxeram à luz, manteve-se em constante progresso. Mas na medida em que se evanesceram a fidelidade e a solidez dos sentimentos religiosos, ela viu escapar-lhe a inspiração. Mas ela olhou para as divindades estrangeiras, mais ela quis ressuscitar e dar uma vida artificial ao paganismo, e mais também viu desaparecer sua força criadora, sua originalidade; ela caiu enfim numa secura e numa aridez completa. Sob a influência desses intelectuais, a vida moderna tomou uma direção inteiramente nova, que foi o oposto da verdadeira civilização. Porque, Como disse muito bem Lamartine: “Toda civilização que não vem da ideia de Deus é falsa. “Toda a civilização que não entende a ideia de Deus é curta. “Toda a civilização que não é penetrada da ideia de Deus é fria e vazia. “A Última expressão de uma civilização perfeita é Deus melhor visto, melhor adorado, melhor servido pelos homens”. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #maçonaria #humanismo #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Históriamoderna #Gnosticismo #HistóriadasHeresias #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Revoluçãofrancesa #Igreja

  • ASCENSÃO DO SENHOR – NINGUÉM SUBIU AO CÉU A NÃO SER AQUELE QUE DE LÁ DESCEU (Santo Agostinho,

    Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu; suba também com ele o nosso coração. Ouçamos as palavras do Apóstolo: Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres (Cl 3,1-2). E assim como ele subiu sem se afastar de nós, também nós subimos com ele, embora não se tenha ainda realizado em nosso corpo o que nos está prometido. Cristo já foi elevado ao mais alto dos céus; contudo, continua sofrendo na terra através das tribulações que nós experimentamos como seus membros. Deu testemunho desta verdade quando se fez ouvir lá do céu: Saulo, Saulo, por que me persegues (At 9,4). E ainda: Eu estava com fome e me destes de comer (Mt 25,35). Por que razão nós também não trabalhamos aqui na terra de tal modo que, pela fé, esperança e caridade que nos unem a nosso Salvador, já descansemos com ele no céu? Cristo está no céu, mas também está conosco; e nós, permanecendo na terra, estamos também com ele. Por sua divindade, por seu poder e por seu amor ele está conosco; nós, embora não possamos realizar isso pela divindade, como ele, ao menos podemos realizar pelo amor que temos para com ele. O Senhor Jesus Cristo não deixou o céu quando de lá desceu até nós; também não se afastou de nós quando subiu novamente ao céu. Ele mesmo afirma que se encontrava no céu quando vivia na terra, ao dizer: Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu (cf. Jo 3,13). Isto foi dito para significar a unidade que existe entre ele, nossa cabeça, e nós, seu corpo. E Ninguém senão ele podia realizar esta unidade que nos identifica com ele mesmo, pois tornou-se Filho do homem por nossa causa, e nós por meio dele nos tornamos filhos de Deus. Neste sentido diz o Apóstolo: Como o corpo é um só, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo (1Cor 12,12). Ele não diz: “assim é Cristo”, mas: assim também acontece com Cristo. Portanto, Cristo é um só, formado por muitos membros. Desceu do céu por sua misericórdia e ninguém mais subiu senão ele; mas nele, pela graça, também nós subimos. Portanto, ninguém mais desceu senão Cristo e ninguém mais subiu além de Cristo. Isto não quer dizer que a dignidade da cabeça se confunde com a do corpo, mas que a unidade do corpo não se separa da cabeça. (Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo – Sermo de Ascensione Domini, Mai 98,1-2: PLS 2,494-495 – Séc.V). #Igreja #SantoAgostinho

  • Espanha se torna católica no terceiro sínodo de Toledo. 589 D.C

    Depois do rei Recaredo abraçar a fé católica, ele convocou os bispos do seu reino (Espanha e Gália Narbonensis), em Maio de 589, para um concílio geral em Toledo (Toletana III).no qual as minúcias chegaram até nós com relativa completude. Antes das transações começarem, Recaredo pediu aos bispos para se prepararem, fazendo Jejum e orando, para a obra santa. Eles resolveram fazer jejum por 3 dias, e então se encontrarem, em 8 de Maio, para a primeira Sessão. O rei estava novamente presente, rogou ao sínodo para agradecer a Deus pelo retorno de tantos para a fé verdadeira, e então ordenou lerem uma declaração escrita por ele. Ela continha a confissão ortodoxa do Filho e do Espírito Santo, ensinava sua processão a Patre et a Fillio (cf. vol.III. sec.167), descrevia como a fé ortodoxa até então era oprimida na Espanha, e relata como ele, o rei, havia retornado à Igreja Católica, e convidava todo o seu povo a tomarem o mesmo passo. A famosa e nobre nação dos godos, ele diz, agora em concórdia total com ele, toma parte na comunhão da Igreja Católica, e também os Suevos , cuja ele subjugou, e quem havia sido mal guiados por outro (Leogevildo) à heresia, ele chamava novamente para a verdade. Era agora responsabilidade dos bispos instruírem esses povos, e ele chamou o sínodo em ordem de dar testemunho da sua ortodoxia diante dele. Anatemizando Ário e sua doutrina, e reconhecendo o sínodo de Nicéia, Constantinopla, Éfeso, e Calcedônia, com os concílios de todos os bispos ortodoxos que não se afastaram da fé dos sínodos nomeados. Ele adicionou as declarações de fé de Nicéia, Constantinopla, e Calcedônia verbalmente, a de Constantinopla com a fórmula ex Patre et Filio procedentem, e assinou esse documento com sua consorte, Badda. O sínodo respondeu com aclamações em honra a Deus e o rei, e requisitou aos recém-convertidos bispos, clérigos e nobres góticos do seu lado, a fazerem a confissão. Eles fizeram em 23 anátemas. 1- Se alguém ainda mantiver doutrina e comunhão com os arianos, seja ánatema. 2- Se alguém não confessar que o Filho de Deus, nosso senhor Jesus Cristo, é gerado da substância do Pai sem início, é igual e um em substância com paí, etc. 3- Se alguém dizer que não acredita que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, é coeterno e igual ao Pai e o Filho, etc. 4- Se alguém não distinguir as três pessoas da Trindade, etc. 5- Se alguém declara que o Filho e Espírito são inferiores ao Pai, etc. 6- Se alguém não acredita que o Pai, Filho e Espírito são um em substância, um em onipotência, e eternidade, etc 7- Se alguém mantém que o Filho é ignorante em qualquer coisa, etc. 8- Se alguém atribui um começo para o Filho ou Espírito, etc. 9- Se alguém mantém que o Filho, em Sua Divindade, era vísivel ou capaz de sofrer, etc. 10- Se alguém não mantém que o Espírito Santo é o verdadeiro Deus onipotente, como o Pai e Filho, etc. 11- Se alguém declara qualquer outra fé daquela de Nicéia, Constantinopla, Eféso, e Calcedônia a ser a fé católica, etc. 12-Se alguém separa o Pai, Filho e Espírito em relação a glória divindade, etc. 13- Se alguem acredita que o Filho e o Espírito não devem ser honrados junto com o Pai, etc. 14- Se alguém não diz: ”Gloria et honor Patri, et Filio, et Spiritui Santo”, etc. 15- Se alguém defende a prática do rebatismo, etc. 16- Se alguém tenha como bom o tratado abominável que nós compusemos, no vigésimo ano de Leogevildo, em ordem de desviarmos os romanos para heresia ariana, etc. 17- Se alguém não condenar o Concílio de Arinimum com todo o seu coração, etc. 18- Nós confessamos que fomos, com todo o nosso coração, etc., convertidos da heresia ariana para a igreja católica. A fé que nosso rei confessou diante do sínodo nós também confessamos e ensinamos em nossas congregações. Se alguém não manter essa fé, que seja Anátema Maranatha (I Cor. XVI. 22). 19 a 22- Se alguém rejeita fé dos 4 concílios ecumênicos, etc. 23- Essa condenação da heresia ariana nós assinalamos com nossas prórpias mãos. As definições desses sínodos de Nicéia, etc, nós assinalamos. Elas contém claramente a verdadeira doutrina sobre a trindade e encarnação. Se alguém falsificar essa santa doutrina, e se separar novamente da comunhão da igreja católica que nós agora obtivemos, ele é culpado diante de Deus e do mundo. Mais uma vez, os decretos da fé de Nicéia, Constantinopla, e Calcedônia foram adicionados literalmente como na declaração do rei, e todos foram subscrito por oito bispos, muitos outros clérigos e os líderes góticos presentes. O rei então propôs ao Sínodo ordenar que, no reino gótico ocidental, à maneira dos padres gregos, o credo sagrado devesse ser recitado antes da comunhão, a fim de confirmar a fé ortodoxa. Os bispos eram solicitado ainda na elaboração de prescrições disciplinares para a regulação da moral. Isso foi feito da seguinte maneira-: Capitulo 1. Os antigos cânones, as ordenanças dos Concílios e as cartas sinodais dos santos bispos de Roma tem validade. Ninguém deve doravante, em oposição a eles, atingir dignidades clericais. 2. De acordo com a proposta do rei, antes da Oração do Senhor, o Credo de Constantinopla será cantado com voz clara. 3. Nenhum bispo pode alienar a propriedade da Igreja. O que ele dá, sem inconvenientes à sua igreja, aos monges, ou igrejas em sua diocese, serão válidos. Ele também deve apoiar escravos, o clero e os pobres. 4. Com o consentimento do seu Sínodo, o bispo pode tornar uma de suas igrejas paroquiais em um mosteiro. 5. Aos bispos, sacerdotes e diáconos que saíram da heresia e ainda vivem parcialmente em matrimônio com a suas esposas, isso agora é proibido para eles. Quem faz isso deve ser considerado como um leitor. Quem tem mulheres escravas na sua morada, de modo a suscitar suspeitas, serão punidos, e essas mulheres serão vendidas pelo bispo. Os rendimentos da venda pertencem aos pobres. 6. Aqueles que são libertos da escravidão estão sob a proteção da Igreja. 7. Durante as refeições do clero, haverá leituras da Sagrada Escritura. 8. Clérigos, nascidos de famílias que pertencem ao erário, não devem ser exigidos por ninguém sob o pretexto de que o rei deu eles para ele. Eles só têm que pagar seu imposto comunitário, e permanecer na Igreja. O rei concorda com isso. 9. As igrejas, antigamente arianas e agora católicas, pertencem, com sua propriedade, àqueles bispados nos quais elas estão. 10. Se as viúvas não desejam se casar novamente, ninguém deve obrigá-las a fazê-lo. Se, no entanto, eles desejam se casar mais uma vez, eles têm a liberdade de casar com quem elas mesmas escolherem livremente. Assim também com donzelas; e elas não devem ser compelidas, contra a vontade própria ou de seus pais, a tomar qualquer um como marido. Se alguém impede uma viúva ou virgem de cumprir sua intenção de permanecer solteira, ele é excomungado. 11. Em algumas igrejas da Espanha, a desordem no ministério da penitência ganhou terreno, para que as pessoas pequem como quiserem, e de novo e de novo pedir a reconciliação do padre. Isso não deve mais acontecer; mas de acordo com os antigos cânones todo mundo que lamentar sua ofensa deve ser excluído primeiro da comunhão, e deve frequentemente apresentar-se como um penitente para a imposição das mãos quando terminar o tempo da penitência, então, se parece bom para o bispo, ele pode ser novamente recebido na comunhão; se, no entanto, durante seu tempo de penitência e depois. ele cair novamente no velho pecado, ele deve ser punido de acordo com o rigor dos velhos cânones 12. Se um homem quiser fazer penitência, seu cabelo deve ser primeiro ser cortado, mas uma mulher deve primeiro trocar sua roupa, isso porque acontece frequentemente que leigos, depois de penitência frouxa, retornam novamente às suas antigas ofensas, portanto penitências mais rigorosas devem ser introduzidas, com corte de cabelo, etc. (cf. sees. 222, 252, and Aguirre, Concil. Hispan. t. ii. pp. 280 and 363. Celection de Canones de la iglesa espanola, por Gonzalez, Madrid 1849, t. ii. p. 213 sqq.). 13. Um clérigo não pode trazer outro diante de um tribunal secular. 14. Nenhum judeu pode ter uma mulher cristã como esposa ou concubina; e se há filhos de tal união, eles devem ser batizado. Nem os judeus devem exercer qualquer cargo público sobre os cristãos com poder de punição. Eles não podem comprar para seu próprio uso, escravos cristãos; e se este último tiver sido por eles manchado com qualquer rito judaico eles devem se tornarem livre e sem resgate retornar ao cristianismo. É a vontade do rei que isso seja levado aos cânones. 15. Se os servos do Erário tiverem construído e dotado igrejas, o bispo pedirá ao rei que confirme tal coisa 16. Os juízes eclesiásticos e seculares devem trabalhar em comum, até o fim da idolatria que se espalhou amplamente na Espanha e na Gália para que possam novamente ser erradicadas. 17. Assim também devem eles em comum erradicar o crime horrível espalhado de pais matando seus filhos, para que eles não precisem ter a despesa de criá-los. 18. Desde que as igrejas da Espanha são tão pobres e tão longe removidas umas das outras, apenas um Sínodo provincial ( ao invés de dois) será realizado anualmente. De acordo com o comando do rei, dos juízes e oficiais do Erário devem se reunir no dia 1 de novembro, para aprenderem como as pessoas devem ser tratadas de maneira gentil e justa. Os bispos, também, pela vontade do rei, devem exercer a supervisão sobre a conduta dos juízes, e devem censurá-los se são culpados de comportamento insolente, ou informar o rei, ou excomungá-los, se eles não se alterarem. O bispo deve considerar, com dois anciões, o que uma província pode, sem prejuízo, pagar aos juízes.1 Antes do final de um Sínodo, o lugar e hora do próximo serão anunciados, de modo que não seja necessário mais escritos e convites para o metropólita. 19. Muitos que construíram uma igreja pedem a consagração da mesma sob a condição de que a propriedade feita por eles para a igreja não devam estar sujeitos à administração do bispo. Isso não pode ser permitido. 20. Muitos bispos sobrecarregam o seu clero com serviços feudais e impostos de maneira cruel. Nada incomum, no entanto, deve ser prestado a eles; e o clero sobrecarregado reclamará ao metropólita. 21. Juízes e funcionários não podem mais transformar os servos da Igreja e do clero aos serviços feudais para fins particulares ou públicos, sob pena de excomunhão. 22. Nos funerais só se cantam os salmos. As elegias especiais, e o costume de bater no peito, são proibidos. Sempre que possível, o bispo deve fazer cumprir isso com todos os fiéis e pelo menos com o clero. 2 23. Danças e canções impuras nos dias de festa são proibidas. O rei confirmou essas decisões em um decreto especial introduzido nas atas do Sínodo, exigiu a sua observância do clero e dos leigos, e ameaçou a transgressão deles com severas punições. Então ele assinou primeiro as atas, e depois dele sessenta e quatro bispos e sete representantes dos bispos. Entre os bispos vêm primeiro os Metropólitas Massona de Emerita, Eufêmio de Toledo, Leandro de Sevilha, Migetio de Narbona, e Pantardo de Braga na Galiza. O último assinou ao mesmo tempo para seu colega Nitigisio, o segundo metropólita da Galiza. Também os oito ex-bispos arianos, que vieram, assinaram. Finalmente Leandro de Sevilha prestou um discurso, a fim de expressar a alegria da igreja sobre a conversão dos Godos ocidentais. VON HEFELE, Karl. A History Of The Christian Councils, from the original documents (Vol III)

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