O problema do mal
Porque Deus permite o sofrimento e o mal?
Um dos argumentos mais utilizados dos ateus contra o cristianismo é o problema do mal. Antes de abordarmos a questão, ressalto que esse é um assunto delicado, pois toca na área onde argumentos lógicos podem ser irrelevantes. Ninguém após perder um ente querido quer ouvir sobre a lógica de Deus permitir isso ou aquilo, mas apenas querem ser confortados e amados num momento de aflição. Tomo como exemplo o grande apologista e escritor C.S Lewis, que escreveu dois livros sobre o assunto, O problema do sofrimento, oferecendo argumentos e defendendo que a presença da dor no mundo em nada implica com a existência de um Deus amoroso e soberano. E um dos seus mais profundos livros, A anatomia de uma dor, Um luto em observação, onde ele conta toda a dor e aflição que sentia após de ter perdido a esposa numa luta angustiante contra o câncer e como isso abalou sua fé. No primeiro ele faz da perspectiva lógica, o segundo, da emocional, de quem está sofrendo na pele aquela dor. Portanto, há duas formas de abordar esse problema, o modo intelectual e o emocional.
Livros inteiros são escritos para responder esse problema, mas vou tentar aborda-lo de forma breve. Se Deus é bom e poderoso, porque não acaba com o mal?
A presença do mal do mundo é consequência do pecado, para Deus criar um mundo sem pecado, Ele [Deus] deveria criar um mundo onde não existisse liberdade, mas onde não existe liberdade, não existe amor, mas sim escravidão. Ou seja, pedir a Deus que criasse o ser humano incapaz de pecar, é pedir que Deus criasse escravos incapaz de amar livremente. E se não podemos nem amar livremente, seríamos incapazes de praticar qualquer tipo de ação. Sabendo de tudo isso, Deus escolheu criar o ser humano dotado de liberdade, pois somente nesse cenário o bem, o amor, o nobre e o justo poderia sobressair e ter lugar. Do contrário, seríamos apenas bonecos pré determinados, sem responsabilidades nem escolhas. Somos livre dentro da soberania de Deus.
O mal é a ausência de bem. Assim como o frio é a ausência de calor, o silêncio é a ausência de som, o mal é a ausência do bem. Para sabermos que algo é mal, precisamos saber o que é bom, temos que ter algo padrão para comparar, por isso a presença do mal, longe de indicar que Deus não existe, indica sua existência, pois se Ele não existisse, não haveríamos de distinguir o mal do bem, esse conceito seria pessoal, um estupro poderia ser considerado algo ‘bom’, já que a definição seria individual. Sem Deus, qual seria o padrão do Bem? O próprio ser humano? Convenções sociais? Ao usar o mal como argumento contra Deus, o ateu entra em contradição. Pois ao dizer que algo é mal, ele automaticamente e inconscientemente afirma o que deveria ser bom. Não saberíamos o que seria uma linha torta, sem conhecer uma reta, já dizia o próprio C.S Lewis.
Portanto, a presença do mal é reflexo da nossa liberdade. Somos livres para pecar, mas também para amar . Mesmo num mundo caído cheio de sofrimento devido ao pecado, somente sendo livres poderíamos amar, fazer o bem e fazer superabundar a graça de Deus. Por sermos limitados na compreensão dos planos divinos, não sabemos quais exatamente são as intenções de Deus com tudo isso. Mas nem por isso Ele ficou alheio a nossa dor, mas sofreu na pele as próprias consequências do pecado e da nossa rebelião contra Ele, ao se fazer carne e sofrer em Cristo e ser crucificado pelos nossos pecados. Em nenhum momento Deus nos prometeu um paraíso nessa Terra, aqui teríamos aflições e dores, mas Ele prometeu que não seria para sempre. Haveria de chegar o tempo onde as velhas coisas passariam e tudo seria renovado, onde não haveria nem choro nem dor. A peça só termina quando o autor sobe ao palco para os aplausos finais. Todo cristão sabe que todo sofrimento é passageiro, que somos apenas peregrinos nessa terra, que o propósito da nossa vida não é viver na ausência de dor, mas na presença de Deus. Jesus, os apóstolos, os mártires e profetas nos dão total exemplo disso. O sofrimento, para o mal ou para o bem, faz parte da realidade humana, querer eliminar Deus por causa disso, é retirar a única esperança de alívio. Dias virão, onde toda lágrima será enxugada e todo pranto se converterá em alegria diante da presença do Deus Todo Poderoso.
” Este é o meu consolo no meu sofrimento: A tua promessa dá-me vida. ” Salmos 119:50
















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