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  • UMA NOVA MANHÃ – Domingo da Páscoa

    PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Atos dos Apóstolos 10, 34a.37-43) As testemunhas da ressurreição Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele. E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, pregando-o numa cruz. Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós, que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos. E Jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que Deus o constituiu Juiz dos vivos e dos mortos. Todos os profetas dão testemunho dele: ‘Todo aquele que crê em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados’”. SALMO 21 A pedra rejeitada tornou-se pedra angular (Antífona): Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos! Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!” A casa de Israel agora o diga: “Eterna é a sua misericórdia!” A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou. Não morrerei, mas, ao contrário, viverei para cantar as grandes obras do Senhor! A pedra que os pedreiros rejeitaram tornou-se agora a pedra angular. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: Que maravilhas ele fez a nossos olhos! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Colossenses 3, 1-4) Os ressuscitados com Cristo Irmãos: Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória. EVANGELHO (São João 20,1-9) Quando a morte foi derrotada No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”. Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou. De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos. UMA NOVA MANHà(Comentário de Scott Hahn) O túmulo estava vazio. Na escuridão do amanhecer, naquele primeiro domingo de Páscoa, a confusão reinava em Maria Madalena e nos discípulos. Mas à medida que o brilho do sol aumentava, eles puderam ver a aurora de uma nova criação. No início, eles não compreendiam o que as Escrituras diziam, de acordo com o Evangelho de hoje. Nós não sabemos exatamente quais Escrituras eles deviam compreender. Talvez fosse o sinal de Jonas, que saiu do ventre do peixe no terceiro dia (v. Jonas 1,17). Ou talvez a profecia de Oséias sobre a restauração de Israel depois do exílio (v. Oséias 6,2). Talvez tenha sido o salmista, que se alegrava por não ter sido abandonado por Deus na sepultura (Salmo 16, 9-10). Qualquer que fosse a Escritura, os discípulos viram e creram quando chegaram no sepulcro,. O que eles viram? As faixas de linho no chão e o túmulo vazio. A pedra removida da sepultura. Sete vezes, em nove versículos, ouvimos a palavra “sepulcro”. Em que acreditaram? Que Deus fez o que Jesus disse que ia fazer — ressuscitá-lo no terceiro dia (v. Marcos 9,31; 10,34). Deram testemunho do que viram e acreditaram, de acordo com a primeira leitura. O discurso de Pedro é uma síntese dos evangelhos – desde o batismo de Jesus no Jordão até terminar dependurado na cruz (Deuteronômio 21, 22-23); e, finalmente, a sua ressurreição dentre os mortos. Somos filhos dos apóstolos, cujo testemunho nos fez nascer para um mundo novo. Nossas vidas estão agora “escondidas com Cristo em Deus”, como nos diz a epístola de hoje. Como os apóstolos, nos reunimos na manhã do primeiro dia da semana para celebrar a Eucaristia, que é a festa do sepulcro vazio. Nós nos alegramos, pois também as pedras dos nossos sepulcros foram removidas. Cada um de nós pode exclamar como no Salmo: “Não morrerei, mas, ao contrário, viverei”. Os apóstolos viram e creram. Quanto a nós, aguardamos pelo dia prometido, quando “apareceremos também com ele, revestidos de glória “. https://stpaulcenter.com/nuevo-amanecer-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-domingo-de-pascua/ https://stpaulcenter.com/new-morning-scott-hahn-reflects-on-easter-sunday/

  • Mosaico primitivo que retrata Jesus como Deus será exposto.

    Um antigo mosaico que atribui a divindade a Jesus Cristo está programado para ser exposto pela primeira vez em Jerusalém. O mosaico de ‘Deus Jesus Cristo’ permanece como um dos testamentos mais antigos da antiga fé cristã na divindade de Cristo descoberto pela arqueologia. Foi encontrado em 2005 por meio de escavações realizadas pela Autoridade de Antiguidades de Israel e pela Universidade de Tel Aviv, explorando os antigos terrenos sob a prisão de Megiddo, construída pelos ingleses no norte de Israel. A escrita, datada do ano 230 dC, traz três inscrições gregas, uma das quais: “O temente a Deus Akeptous ofereceu a mesa ao Deus Jesus Cristo como um memorial”.Acredita-se que Akeptous seja uma mulher que contribuiu com sua mesa para as celebrações locais da Eucaristia, segundo o Haaretz. A pesquisa revelou o mosaico entre uma das mais antigas casas cristãs de culto, parte do que era a aldeia judaica e samaritana de Othnay. O Dr. Yotam Tepper, da Universidade de Haifa, que liderou a escavação original, disse que o mosaico provavelmente faz parte de uma sala de oração no lar cristão. Tais casas eram o centro da comunidade cristã antes que os edifícios da Igreja estabelecidos fossem introduzidos no século IV, após a conversão do imperador romano Constantino.Imagens de peixes – símbolos cristãos primitivos comuns – também estão presentes no mosaico. O “Icthys” (o nome grego para “peixe”) era um “trocadilho visual” imbuído da doutrina cristã primitiva. Como um acrônimo, formou as iniciais da frase grega: ‘Jesus Cristo, Filho de Deus, o Salvador’. Há outros exemplos semelhantes de casas na região que os estudiosos chamam de domus ecclesiae – casas que os arqueólogos acreditam ter áreas dedicadas à oração. Uma é a chamada Casa de Pedro na vizinha Cafarnaum, uma ruína encontrada debaixo de uma antiga igreja que parece ter sido reaproveitada como um local de reunião após o tempo da morte de Jesus. A estrutura do edifício Othnay era típica de uma casa do Oriente Médio da época, com pátios, diz Tepper. Ele também tinha, no entanto, um telhado de azulejos semelhante aos domicílios no acampamento romano ao lado, onde os arqueólogos encontraram azulejos marcados com o selo da Legião. As casas judaicas não tinham tetos tão altos, ele observa. Mais uma vez a arqueologia comprova os textos neo-testamentários e o testemunho dos antigos pais da igreja que relatavam a divindade de Cristo desde o cristianismo primitivo. Para os cristãos isso não é novidade, pois apenas confirma o que a história cristã já afirma há 2000 anos. Como sempre, a arqueologia tem sido uma pedra no sapato dos incrédulos, sempre trazendo confirmações sólidas e fortalecendo ainda mais a fé cristã em sua própria história. Essa descoberta é mais uma pá de cal na ideia absurda e errônea que muitos incrédulos ainda sustentam, que a divindade de Cristo foi uma invenção posterior, alguns dizem até criada no Concílio de Niceia, em 325 d.C, mas o que eles apenas demonstram é um total desconhecimento da história e das evidências. Mais uma vez as evidências demostram, a Bíblia tinha razão. Para mais informações: Ancient mosaic describing Jesus Christ as ‘God’ to be unveiled in Israel Curtam nossa página no Facebook: O Caminho

  • DISPOSTOS A PERDER TUDO, MENOS A EUCARISTIA – Gloria Riva

    É assim que a Igreja parece hoje: pequena, como aqueles poucos que permaneceram no Santo Sepulcro. Nesta hora de dor, multidões esperam pela multiplicação dos pães, sem nem mesmo a proteção de uma sombra; sem a sombra protetora dos setenta e dois discípulos, dos doze apóstolos, e daqueles primos que um dia voltaram a orgulhar-se do parentesco com o Senhor. Nosso artista quis colocar Pedro, de cabeça baixa, deprimido pela traição que acabara de consumar. Ele não tem mais a auréola, perdida na luta demoníaca que assolou a colina do Gólgota. Pensando bem, aos olhos dos discípulos tudo deve ter parecido um desfalecimento total. Ah se não tivesse sido a Mãe, dentro daquele silêncio! A Mãe e as outras Marias: Maria de Magdala, Maria de Cléofas, Salomé. Na hora do sepulcro, como no parto, são as mulheres que resistem. Neste Sábado Santo, me parece que devo rezar por elas, pelas mulheres deste século, por aquelas que têm de vencer a batalha contra a destruição da sua dignidade, contra a mercantilização do seu corpo, contra uma cultura que faz do seu útero de vida um lugar de morte. Se as mulheres não permanecerem firmes nesta hora, o que será desta humanidade cansada e desolada? É linda a miniatura de Simon Bening, que mostra Maria quando o seu véu azul começa a cair. O azul é o Mistério, e por isso pode, com certeza, significar a desolação da Mãe diante da divindade ultrajada de Cristo. Mas o azul é também a cor da noite, de um céu que se tornou escuro e não pode ver a Deus. De sua cabeça, brilha já a aurora da Páscoa, pois ela confia no Senhor. Ela se agarra a Aquele corpo como a uma tábua de salvação. O sepulcro está ali atrás, à espera, com suas mandíbulas abertas, enquanto no horizonte se destaca a cruz com a escada da deposição; tudo se refere à hora da dor, mas a Mãe beija o Filho como se tivesse acabado de sair de seu ventre, com a vida e a vivacidade de um recém-nascido. Surpreendo o olhar de José de Arimateia, maravilhado com aquele gesto maternal. Ele também ajuda a segurar o corpo do Salvador. Uma leitura da quinta semana da Quaresma, de São Gregorio Nazianzeno, pede que nos identifiquemos com um dos personagens presentes em cena durante a paixão. Gosto como ele apresenta José de Arimatéia: aquele que pede a Pilatos o Corpo de Jesus; é alguém que ousa. É aquele que vai ao poderoso de plantão e não se deixa intimidar. Ele vai e pede o que a Igreja tem de mais precioso: o Corpo do Salvador. Assim devemos ser nós: pessoas dispostas a perder tudo, mas não a Eucaristia. Devemos gastar os degraus da porta dos poderosos de plantão e exigirmos o Corpo de Jesus, a possibilidade de celebrar, de adorar, de transportar este corpo pelas ruas e praças da cidade. Sim, rezo pelas mulheres, minhas contemporâneas; mas também rezo pelos homens, por aqueles que, como José de Arimateia, ousam; e por aqueles que, como Nicodemos, não ousam. Este Corpo os encontra reunidos e irmãos. Este Corpo tem um apelo sem precedentes. Nós devemos nos apegar a ele. A Eucaristia é um silêncio perene, cheio de vida, na história da humanidade. Um santo sábado sem fim que atravessa as tempestades da história. Lembro-me do exemplo de Sátiro, irmão do grande Santo Ambrósio. Ainda catecúmeno, foi salvo de um terrível naufrágio segurando o Santissimo contra o peito; ele, que não sabia nadar, para salvar-se salvou primeiro o Santíssimo Sacramento. Eis-nos aqui: que nas tempestades da história, no Sábado Santo da nossa fé, possamos nos agarrar à Eucaristia, certos de sermos salvos. http://www.lanuovabq.it/it/disposti-a-perdere-tutto-ma-non-leucarestia

  • A DESCIDA DO SENHOR À MANSÃO DOS MORTOS (De Uma Antiga Homilia no Grande Sábado Santo)

    Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos. Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos. O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará. Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; e aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’ Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa. Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado. Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida. Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso. Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti. Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus. Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”. (De Uma Antiga Homilia no Grande Sábado Santo – PG 43,439.451.462-463 – Séc. IV). #Cristologia #Igreja

  • À MINHA MESA VOS CONVIDO (Santo Agostinho)

    À minha mesa vos convido. Nela ninguém morre, nela está a vida verdadeiramente feliz, nela o alimento  não se corrompe, mas refaz e não se acaba. Eis para onde vos convido, para a morada dos anjos, para a amizade do Pai e do Espírito Santo, para a ceia eterna, para a fraternidade comigo; enfim, a mim mesmo, à minha vida eu vos conclamo! Não quereis crer que vos darei a minha vida? Retende, como penhor a minha morte. (Santo Agostinho – Bispo de Hipona) (Imagem: Internet) #Cristologia #Eucaristia #Igreja

  • O VALOR DO SANGUE DE CRISTO (São João Crisóstomo, bispo)

    Queres conhecer o valor do Sangue de Cristo? Voltemos às figuras que o profetizaram e recordemos a narrativa do Antigo Testamento: Imolai, diz Moisés, um cordeiro de um ano e assinalai as portas com o seu sangue. Que dizes, Moisés? O sangue de um cordeiro tem poder para libertar o homem racional? Certamente, responde ele, não porque é sangue, mas porque prefigura o Sangue do Senhor. Se hoje o inimigo, em vez do sangue simbólico aspergido nos umbrais, vir resplandecer nos lábios dos fiéis, portas dos templos de Cristo, o sangue da nova realidade, fugirá ainda para mais longe. Queres compreender ainda mais profundamente o valor deste Sangue? Repara donde brotou e qual é a sua fonte. Começou a brotar da cruz, e a sua fonte foi o lado do Senhor. Estando já morto Jesus, diz o Evangelho, e ainda cravado na cruz, aproximou-se um soldado, trespassou-Lhe o lado com uma lança e logo saiu água e sangue: água como símbolo do Batismo, sangue como símbolo da Eucaristia. O soldado trespassou o lado, abriu uma brecha na parede do templo santo e eu achei um grande tesouro e alegro-me por ter encontrado riquezas admiráveis. Assim aconteceu com aquele cordeiro. Os judeus mataram um cordeiro e eu recebi o fruto do sacrifício. Do seu lado saiu sangue e água. Não quero, estimado ouvinte, que passes inadvertidamente por tão grande mistério. Falta-me ainda explicar-te outro significado místico. Disse que esta água e este sangue simbolizavam o Baptismo e a Eucaristia. Foi destes sacramentos que nasceu a Igreja, pelo banho de regeneração e pela renovação do Espírito Santo, isto é, pelo sacramento do Batismo e pela Eucaristia que brotaram do lado de Cristo. Foi do lado de Cristo, por conseguinte, que se formou a Igreja, como foi do lado de Adão que Eva foi formada. Por esta razão, a Escritura, falando do primeiro homem, usa a expressão carne da minha carne, osso dos meus ossos, que São Paulo refere, aludindo ao lado de Cristo. Pois assim como Deus, do lado de Adão formou a mulher, assim Cristo, do seu lado, nos deu a água e o sangue para formar a Igreja. E assim como Deus abriu o lado de Adão enquanto ele dormia, assim Cristo nos deu a água e o sangue durante o sono da sua morte. Vede como Cristo Se uniu à sua Esposa, vede com que alimento nos sacia. O mesmo alimento nos faz nascer e nos alimenta. Assim como a mulher se sente impulsionada pelo amor natural a alimentar com o próprio leite e o próprio sangue o filho que deu à luz, assim também Cristo alimenta sempre com o seu Sangue aqueles a quem deu o novo nascimento. (Das Catequeses de São João Crisóstomo, bispo – Cat. 3, 13-19: SC 50, 174-177 – Sec. IV). #Cristologia #Igreja

  • O legado do doutor Takashi Nagai : testemunhos da bomba atômica de Nagasaki. Parte 1

    Harano Jōji Às 11:02 h do dia 9 de agosto de 1945 a segunda bomba atômica explodiu no céu de Nagasaki, a 500 metros de altura sobre a Catedral de Urakami, erigida após abolir a perseguição do cristianismo no Japão e principal ponto de reunião da comunidade cristã da cidade. O sacerdote e algumas dezenas de fiéis que se achavam rezando na catedral morreram instantaneamente e o edifício ficou destruído. A vizinha Universidade de Medicina de Nagasaki também sofreu numerosas vitimas mortais. Para Takashi Nagai , um dos médicos do hospital universitário que ficou gravemente ferido por causa da bomba, esse episódio marcou o princípio de uma luta para deixar às gerações posteriores constância documental dos danos causados pela bomba. Nyoko-dō: uma casa batizada com o preceito “Ama a teu próximo como a ti mesmo” “Consolo, ânimo, soam os hinos de Nagasaki”. Assim reza Nagasaki no kane ( Os sinos de Nagasaki), uma Canção com letra de Satō Hachirō e música de Koseki Yūji interpretada por Fujiyama Aiichirō que foi um êxito de vendas no Japão em 1949, pouco depois da Segunda Guerra Mundial. Já se passaram 70 anos desde aquele 9 de agosto de 1945 em que Nagasaki sofreu a explosão da bomba atômica. E não poderíamos relatar esse ponto da história sem mencionar Takashi Nagai , un radiólogo que legou una extensa obra documental na qual destaca o livro Nagasaki no kane ( Os sinos de Nagasaki), que inspirou a Canção antes mencionada. A obra e a marca que deixou Nagai, que ofereceu assistência médica e socorro a numerosas vítimas da bomba atômica ainda que ele mesmo tenha ficado gravemente ferido, são testemunhos de primeiro nível do terrível legado da bomba, ao mesmo tempo que destilam o amor e o desejo de paz que professava como cristão. Na colina junto à Estátua da Paz, símbolo de Nagasaki, há uma casinha de madeira com pouco mais de três metros quadrados. Ali viveu Nagai estando enfermo de leucemia, e ali escreveu 17 livros em 4 anos e meio. Nagai batizou a casa como Nyoko-dō (casa de “como a ti mesmo”), inspirado pelo preceito cristão “Ama a teu próximo como a ti mesmo”, para viver guiado pelo amor aos demais e não esquecer às numerosas pessoas que faleceram ou ficaram feridas na zona de Urakami, epicentro da bomba atômica. Em nossa viagem a Nagasaki visitamos a casa Nyoko-dō de Takashi Nagai —cuja figura está muito esquecida entre os japoneses— e falamos com seu neto de 49 anos, Nagai Tokusaburō, que atualmente dirige o Museu Comemorativo de Takashi Nagai Dois meses antes da bomba lhe deram 3 anos de vida O doutor Takashi Nagai nasceu em 1908, em Matsue, prefeitura de Shimane. Após licenciar-se na Universidade de Medicina de Nagasaki (atual Faculdade de Medicina da Universidade de Nagasaki), se especializou na prática e na investigação da radiologia. Ao se envolver também no tratamento da tuberculose, a enfermidade mais grave da época, contraiu leucemia mielocítica crônica. Dois meses antes da explosão da bomba atômica os médicos prognosticaram que lhe restavam três anos de vida. Tinha 38 anos. Quando caiu a bomba Nagai se encontrava no hospital universitário e ficou gravemente ferido com um corte na artéria temporal direita. Sua amada esposa Midori ficou calcinada dentro de casa. Nos sinos de Nagasaki, Nagai descreve o panorama após a explosão da bomba com as palavras seguintes: “Era o inferno, o mesmo inferno. Tal como no mundo dos mortos, não havia ninguém que pudesse emitir nem um mero gemido”. Após a explosão atômica, o doutor Nagai se envolveu nas tarefas de primeiros auxílios e resgate das vítimas apesar de estar muito ferido. Posteriormente enterrou os restos de sua esposa e, a partir do dia 12 de agosto e durante 58 dias, constituiu um posto de socorro médico na zona de Mitsuyamamachi na qualidade de capitão do 11.º Corpo Médico e se dedicou a tratar as vitimas da bomba. Durante esse período a saúde de Nagai passou por um momento crítico da qual se recuperou milagrosamente. No ano seguinte, em 1946, Nagai se formou em professor da Universidade de Medicina de Nagasaki; mas num dia de julho do mesmo ano caiu enfermo na estação de Nagasaki e ficou prostrado na cama até o fim de seus dias. Deitado de bruços no estreito futon de sua casa, o doutor início seu vigoroso labor literário. Dois anos depois se transladou a Nyoko-dō, uma casinha de 3 metros quadrados que os vizinhos de Urakami construíram-lhe com madeiras que sobreviveram ao fogo da bomba. Os sinos de Nagasaki tardou mais de dois anos para ser publicado Nagai finalizou a redação de seu ensaio Os sinos de Nagasaki em agosto de 1946, mas não foi fácil para publicá-lo. Ainda que se tratasse de um registro dos danos causados pela bomba atômica desde o ponto de vista médico, ao ser a primeira obra do mundo escrita por uma vítima da bomba, se viu submetida à estrita censura do Comandante Supremo das Forças Aliadas. Demorou mais de dois anos para conseguir a permissão de publicação, que se outorgou com uma condição inegociável : a obra deveria ser editada em um mesmo volume junto com a tragédia de Manila, una série de arquivos do massacre cometido pelo exército japonês em Manila em fevereiro de 1945. Esses arquivos constavam de declarações juradas de religiosos, militares e civis sobre o massacre, editadas pelo governo de ocupação. O fato de que os sinos de Nagasaki tivesse 160 páginas e a tragédia de Manila tivesse 159 permite compreender o nivel de rigidez da censura. Nagai Seiichi, filho falecido do doutor Nagai, dá detalhada conta do processo de publicação do livro em sua obra Nagai Takashi (São Paulo). Finalmente os sinos de Nagasaki foi publicado en janeiro de 1949 e, apesar da escassez de papel da época, foi super vendas sem precedentes. Em julho do mesmo ano se lançou a canção de mesmo título composta por Satō Hachirō (letra) e Koseki Yūji (música), que também obteve um êxito arrasador. No ano seguinte o intérprete da peça, Fujiyama Aiichirō, agarrou o acordeão e foi visitar ao convalescente doutor Nagai na casa Nyoko-dō. Fujiyama também cantou Os sinos de Nagasaki com grande sentimento no 1.er Concurso de Canção Vermelho e Branco da NHK, que se emitiu no dia 3 de janeiro de 1951. Em 1950 a produtora Shōshiku reproduziu os sinos de Nagasaki na grande tela com a direção de Ōba Hideo e o roteiro de Shindō Kaneto, Mitsuhata Sekirō e Hashida Sugako. O filme contou com Wakahara Masao como protagonista e com as atrizes Tsukioka Yumeji e Tsushima Keiko em papéis secundários. Ao ser o primeiro filme que tratava o tema da bomba atômica, e com o controle do governo provisório estadunidense ainda vigente, não pôde mostrar de forma direta o dano causado pela bomba e se limitou a por a ênfase na esperança da recuperação. Está previsto que dentro de pouco tempo estreie o filme All That Remains: The Story of Takashi Nagai (Tudo o que fica: a história de Takashi Nagai), uma biografia do doutor Nagai produzida no Reino Unido que demorou quase quatro anos para filmar. A visita de Hellen Keller Segundo Nagai Tokusaburō, neto do doutor Nagai que dirige o Museo Comemorativo de Nagai Takashi, o museu recebe uns 150.000 visitantes ao ano. O edifício que hospeda o museu foi originalmente uma sala de leitura chamada Uchira no Honbako (Nossa Livraria) que o doutor Nagai financiou de seu bolso para os órfãos da guerra. Logo a sala se converteu em uma biblioteca graças aos donativos dos japoneses expatriados do Brasil e as subvenções municipais . Em 1969 recebeu seu nome atual e passou a expôr obras e fotografias do doutor. E no ano 2000 o edifício foi reformado por completo. Ainda que a exposição ocupe un espaço reduzido, segundo o diretor do centro “ há visitantes que passam até 30 ou 40 minutos observando – a em silêncio. Foram muitíssimas as pessoas que visitaram o doutor Nagai durante sua enfermidade, mas uma das visitas mais inesperadas foi a de Helen Keller, a célebre escritora surda cega que dedicou a vida a trabalhar pelo bem estar social e a paz mundial. Ainda que só durasse quinze minutos, essa visita de 8 de outubro de 1948 fez chorar de emoção ao professor Nagai. Segundo logo escreveu em Itoshigo eu ( menino querido): “Me agarrou as mãos! Por um instante senti que um doce sentimento de amor percorria todo meu corpo como se fosse um circuito elétrico. Além disso , no dia 27 de maio de 1949 Nagai teve um encontro com o imperador Shōwa, que visitou a zona bombardeada de Nagasaki para oferecer seu consolo. Três dias depois Nagai beijou a relíquia do braço de São Francisco Xavier, que havia sido transladada ao Centro Social de Urakami, e logo recebeu a visita do cardeal Gilroy, representante do papa de Roma. Em finais do mesmo ano Nagai se converteu na primeira pessoa a receber o título de Cidadão Ilustre da cidade de Nagasaki. as vitimas da bomba dizem não a guerra O professor Nagai não foi sempre cristão; costumava ser devoto do santuário xintoísta de Izumo Taisha. Mas o tangido dos sinos do ángelus da Catedral de Urakami, que escutava diariamente da universidade, e o descobrimento da obra Pensées(Pensamentos) de Blaise Pascal o aproximaram do catolicismo. Após regressar da guerra na Manchúria, em agosto de 1934 Nagai recebeu o batismo e se casou com Moriyama Midori. Midori procedia de uma estirpe de devotos cristãos que se haviam mantido na clandestinidade durante sete gerações. Nagai decidiu batizar- se com o nome de Paulo em honra a Paulo Miki, um dos 26 mártires do Japão que foram executados em 1597, durante o governo do shogun Toyotomi Hideyoshi. Segundo o diretor do museu Nagai, “ As pessoas diziam que Nagai Takashi era um santo, mas ele não gostava disso. Nagai dirigiu estas palavras às gerações futuras: ” Eu gostaria que compreendessem meu desejo de paz e meu desejo da paz duradora que surge do amor ao próximo, e que o aplicassem em suas vidas”. O doutor Nagai celebrou a aprovação da Constituição japonesa que entrou em vigor no dia 3 de maio de 1947. Como escreve em Heiwa no Tō ( A torre da paz): “Nunca até então havíamos estado todos tão decididos a não provocar mais guerras. E isso se deve exclusivamente à explosão das duas bombas atômicas. Agora que temos declarado que renunciamos à guerra mediante a Constituição, devemos eliminar de todo a guerra do fundo do coração das pessoas. Descanse em paz, doutor Nagai Os sinos de Nagasaki deve seu título aos sinos do angelus da Catedral de Urakami, que o doutor Nagai havia escutado desde sua época universitária e que sofreram os efeitos da bomba atômica. Um dos sinos se conservou inteiro , e no dia 24 de dezembro de 1946 os fiéis o recuperaram dentre os escombros. Posteriormente o suspenderam com troncos de madeira e o fizeram soar na Noite de natal . Nagai encontrou o título para sua obra ao escutar as badaladas da missa que se dedicou as vitimas da bomba. O diretor do museu Nagai comenta que frequentemente lhe perguntam que teria dito o doctor Nagai se tivesse sobrevivido ao acidente nuclear que ocorreu após o Grande Terremoto do leste do Japão. Ele lhes responde que a pergunta está fora de lugar, já que o doutor teria considerado necessário tomar as medidas adequadas entendendo a segurança e os perigos da energia atômica desde antes do acidente, e por conseguinte não teria emitido nenhum comentário destacável. O doutor Nagai faleceu na Universidade de Medicina de Nagasaki no dia 1 de maio de 1951. Tinha 43 anos. A autopsia revelou que seu baço era 35 vezes maior que o normal e seu fígado, 5 vezes. No dia 14 do mesmo mês celebrou- se um funeral oficial da cidade na Catedral de Urakami em que acudiram 20.000 pessoas para lhe dar o último adeus. Segundo Nagai Seiichi, filho mais velho do doutor, até o ator e cantor Maruyama Shingo (atualmente, Miwa Akihiro) assistiu ao funeral. Ao final da visita o diretor Nagai comenta: “Talvez algum dia as pessoas esqueçam que houve uma guerra e que se lançaram bombas nucleares. Ainda assim, espero que meu avô possa descansar em paz muito em breve ”. Não obstante, apesar disso em Nagasaki seguem tocando badaladas de réquiem, o legado de Nagai Takashi seguirá presente entre nós.

  • UM GRANDE ROMANCE CRISTÃO

    Talvez poucas pessoas, em Batatais-SP, saibam que ali nasceu um grande escritor, Antônio Olavo Pereira, autor de um romance, Marcoré, que se situa entre os mais bem realizados da literatura brasileira contemporânea. Antônio Olavo era irmão do editor José Olympio e nasceu em Batatais em 1913, morrendo em 1993 na capital paulista, onde viveu a maior parte da vida, quase toda ela dedicada à famosa editora do irmão (que, entre os anos 30 e 60, foi a maior editora brasileira). Na editora José Olympio, Antônio Olavo dirigia o departamento editorial, responsável pela seleção das obras lançadas e o difícil trabalho de editoração das mesmas. Antônio Olavo Pereira foi casado com uma neta de Monteiro Lobato, Gulnara Lobato de Morais Pereira, com quem teve um filho. Ao contrário da maioria dos escritores brasileiros, Antônio Olavo podia ter publicado quantos livros quisesse, mas era da família dos exageradamente econômicos e discretos. Não escreveu mais que três obras de ficção: a novela Contramão (1950) e os romances Marcoré (1957) e Fio de prumo (1965). Sua obra-prima, no consenso geral da crítica literária do período, é o romance Marcoré (há edição recente pela editora Arqueiro). Conta a história pungente de um oficial de cartório civil — desses que arrastam a sua vidinha simples em pequena cidade do interior (sem dúvida, inspirada em Batatais; mencionam-se na obra alguns toponímicos familiares aos moradores mais antigos da cidade, como o morro do Tomba-Carro, a Rua do Outro Mundo, inclusive nomes de pessoas, como padre Bento e doutor Leandro). O oficial, há nove anos casado com Sílvia, filha do tabelião, vivia na casa dos sogros e ainda não tinha filhos. Era a única sombra na vida daquele casal relativamente feliz, que até sabia contornar o temperamento complicado da sogra. Um dia, porém, para surpresa geral, a esposa engravidou. Nove meses mais tarde, após algumas turbulências de voo, um saudável bebê aterrissou na pequena família: o pequeno Marco Aurélio, Marcoré para os íntimos (assim apelidado pela língua simples da empregada doméstica). Veio de tão longe e tão alto com a estranha missão de provar os pais. É que Sílvia, quase desanimada da maternidade, tinha feito uma estranha promessa: se concebesse, viveria em castidade pelo resto da vida. Cumpriu a promessa que, como esposa católica, jamais poderia ter feito. Como consequência, na difícil condição de homem casado e ao mesmo tempo sem mulher, o marido acabou nos braços de uma amante, viúva desamparada que se deu ao desfrute. Sílvia morreu de complicações cardíacas, e o filho Marcoré nunca mais perdoaria o pai (a quem, por influência da avó, atribuiria a morte prematura da mãe). Trata-se de uma história bem urdida, narrada pelo próprio oficial de cartório. Nada é forçado, a começar pela linguagem correta e clássica, apimentada aqui e ali de saborosas expressões regionais. Tudo ocorre como poderia ocorrer na própria vida, com seus silêncios e desencontros, com suas efêmeras alegrias. Nenhuma janela para a esperança abria-se ao personagem narrador, que não conseguia pronunciar o nome de Deus. Enfim, e a seu modo, é um romance que beira a tragédia, dessa fugidia e cotidiana tragédia que sabe disfarçar-se sob os fatos mais comuns do dia a dia. As páginas finais do romance, de admirável e dolorida beleza, revelam a solidão de um homem que, pela soberba e dificuldade de perdoar, enterrava-se cada vez mais em si mesmo, apegado ao último ídolo que lhe restou, após o crepúsculo de todos os seus pequenos deuses particulares: o filho Marco Aurélio. Mas o jovem Marcoré, promissor discípulo do orgulho paterno, já estava experimentando por conta própria o estranho sabor de sentenciar e condenar; e, dócil aprendiz da intransigência, abandonou finalmente o intransigente pai. Ambientado no início do século XX, o romance Marcoré é um bom estudo psicológico e espiritual da vida de uma família cristã — com todas as dificuldades próprias do desafio cristão. [http://jczamboni.com.br/2018/03/20/um-grande-romance-brasileiro-marcore-2/]

  • O CORDEIRO IMOLADO LIBERTOU-NOS DA MORTE PARA A VIDA (Melitão de Sardes, bispo)

    Muitas coisas foram preditas pelos profetas sobre o mistério da Páscoa, que é Cristo, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém (Gl 1,5). Ele desceu dos céus à terra para curar a enfermidade do homem; revestiu-se da nossa natureza no seio da Virgem e se fez homem; tomou sobre si os sofrimentos do homem enfermo num corpo sujeito ao sofrimento, e destruiu as paixões da carne; seu espírito, que não pode morrer, matou a morte homicida. Foi levado como cordeiro e morto como ovelha; libertou-nos das seduções do mundo, como outrora tirou os israelitas do Egito; salvou-nos da escravidão do demônio, como outrora fez sair Israel das mãos do faraó; marcou nossas almas como sinal do seu Espírito e os nossos corpos com seu sangue. Foi ele que venceu a morte e confundiu o demônio, como outrora Moisés ao faraó. Foi ele que destruiu a iniquidade e condenou a injustiça à esterilidade, como Moisés ao Egito. Foi ele que nos fez passar da escravidão para a liberdade, das trevas para a luz, da morte para a vida, da tirania para o reino sem fim, e fez de nós um sacerdócio novo, um povo eleito para sempre. Ele é a Páscoa da nossa salvação. Foi ele que tomou sobre si os sofrimentos de muitos: foi morto em Abel; amarrado de pés e mãos em Isaac; exilado de sua terra em Jacó; vendido em José; exposto em Moisés; sacrificado no cordeiro pascal; perseguido em Davi e ultrajado nos profetas. Foi ele que se encarnou no seio da Virgem, foi suspenso na cruz, sepultado na terra e, ressuscitando dos mortos, subiu ao mais alto dos céus. Foi ele o cordeiro que não abriu a boca, o cordeiro imolado, nascido de Maria, a bela ovelhinha; retirado do rebanho, foi levado ao matadouro, imolado à tarde e sepultado à noite; ao ser crucificado, não lhe quebraram osso algum, e ao ser sepultado, não experimentou a corrupção; mas ressuscitando dos mortos, ressuscitou também a humanidade das profundezas do sepulcro. (Da Homilia sobre a Páscoa, de Melitão de Sardes, bispo – N. 65-71: SCh 123,94-100 – Séc. II). #Cristologia #históriadaigrejaprimitiva #Igreja

  • Jesus Cristo, a Ponte para o Céu – Santa Catarina de Sena

    Por não estar em Mim, o pecado não merece amor. Quem o faz, ofende toda criação e odeia-Me. O homem tem obrigações de Me querer bem. Sou imensamente bom, dei-lhe o ser, numa chama de caridade. Todavia, os maus fogem de Mim. Mas, por justiça ou misericórdia, ninguém escapa das Minhas Mãos. Eis Meu plano: criara o homem à Minha imagem e semelhança para que alcançasse a vida eterna, participasse do Meu Ser, experimentasse Minha suma, eterna e doce bondade. O pecado veio impedir-lhe de atingir essa meta. O homem deixava de realizar o Meu plano, pois a culpa lhe fechara o Céu e a porta da Minha misericórdia. O pecado fez germinar na humanidade espinhos e sofrimentos, tribulações numerosas, rebelião interna. Ao revoltar-se contra Mim o homem criava a rebelião dentro de si. Em conseqüência da perda do estado de inocência, a carne se revoltou contra o espírito… Imediatamente brotou um rio tempestuoso, cujas ondas continuam a açoitar a humanidade. São as misérias e males provenientes do próprio homem, do demônio e do mundo. Nele todos se afogavam; ninguém mais, graças a virtudes pessoais, atingia a vida eterna. Para remediar tantos males, construí a Ponte no Meu Filho, que permitiria a travessia do rio sem perigo de afogar-se. O rio é o tempestuoso  mar desta tenebrosa vida… Quero que contemples a Ponte de Meu Filho, que vejas sua grandiosidade. Ela se estende do céu à terra, pois nela a “terra” da vossa natureza humana está unida à divindade sublime, graças à encarnação que realizei no homem. Todos vós deveis passar por esta Ponte, louvando-Me através do trabalho pela salvação dos homens e tolerando muitas dificuldades, a exemplo do Meu doce e amoroso Verbo Encarnado. Não há outro modo de chegar até Mim. Cada pessoa tem uma vinha, a vinha da própria alma. Nela trabalha com a vontade pessoal, livre, durante o tempo desta vida. Acabado este tempo nenhum outro trabalho será realizado, seja para o bem, seja para o mal. Começareis por purificar-vos com a contrição interior, desapegando- vos e desejando a virtude. Sem esta predisposição, exigida na medida de vossas possibilidades como ramos unidos à Videira, que é Meu Filho (Jo 15,1). nada recebereis. Dizia Meu Filho: Éu sou a videira verdadeira e vós os ramos; Meu Pai é o agricultor (Jo 15,5). Sim, Eu Sou o agricultor, de Mim se originam todos os seres. Tenho um poder incalculável, pelo qual governo o universo; nada Me escapa. Fui Eu o agricultor que plantou a verdadeira vinha, Cristo, no chão da humanidade, para que vós, unidos a Ele, possais frutificar. Quem não produzir ações santas e boas, será cortado da videira; e secará. Separado, perderá a vida da graça e irá para o fogo eterno… Sabes que os mandamentos da Lei se reduzem a dois sem eles, nenhum outro é observado. São: amar-Me sobre todas as coisas e amar o próximo como a ti mesma. Eis o começo, o meio e o fim dos mandamentos da lei. Todavia esses “dois” não se “reúnem” em Mim sem os “três”, isto é, sem a unificação das três faculdades da alma: A memória a inteligência e a vontade. A memória há de recordar-se dos Meus beneficies e da Minha bondade; a inteligência pensará no amor inefável revelado em Cristo, pois Ele se oferece como objeto de reflexão, para manifestar a chama do Meu amor; a vontade unindo-se às faculdades anteriores, Me amará e desejará como seu fim. O coração humano, ao ser atraído pelo amor, leva consigo todas as faculdades da alma: Quando são harmonizadas e reunidas tais faculdades, todas as ações humanas – corporais ou espirituais – ficam-Me agradáveis, pois unem-se a Mim na caridade. Foi exatamente para isso que Meu Filho se elevou na cruz, trilhando o caminho do amor cruciante. Ao dizer, Quando Eu for elevado, atrairei a Mim todas as coisas, ele queria significar: quando o coração humano e as faculdades forem atraídas, todas as demais faculdades e suas ações o serão… É muita estreita a união dessas três faculdades. Quando uma delas Me ofende, as outras também o fazem. Como disse, uma apresenta à outra o bem ou o mal, conforme agrada ao livre arbítrio. O livre arbítrio, se acha na vontade e a move como quer, em conformidade ou não com a razão. Possuis a razão, sempre unida a Mim, a menos que o livre arbítrio a afaste mediante o amor desordenado, e tende em vós uma lei perversa, que luta contra o espírito. Ensinou o apostolo Paulo em sua carta (C1 3,5) a mortificar o corpo e a destruir a vontade própria, ou seja, refrear o corpo mortificando a carne, quando ela se opõe ao espírito. Tendes, então, duas partes em vós mesmos: a sensualidade e a razão. A sensualidade foi dada como servidora, a fim de que as virtudes sejam exercidas e provadas através do corpo. O homem é livre, já que Meu Filho o libertou com Seu Sangue. Ninguém pode dominar a pessoa humana quanto a vontade, pois ela possui o livre arbítrio. Este se identifica com a vontade, concorda com ela. Fica, pois, o livre arbítrio entre a sensualidade, e a razão, e inclina-se ora de um lado ora de outro, conforme preferir… Quando a pessoa tenta livremente reunir as três faculdades, memória, inteligência e vontade, em Mim, na maneira explicada, todas as atividades espirituais e corporais humanas ficam unificadas. O livre arbítrio se afasta da sensualidade, tende para o lado da razão. Ninguém pode vir a Mim, senão Por meio de Cristo. Esta a razão pela qual fiz d’Ele uma Ponte de três degraus. Esses três degraus representam os três estados espirituais do homem. O pavimento desta ponte é feito de pedras, a fim de que a chuva (da justiça divina) não retenha o caminhante. “Pedras” são as virtudes verdadeiras e reais. Antes da Paixão do Meu Filho, elas ainda não tinham sido assentadas, motivo pelo qual os antigos não atingiam o céu, mesmo que vivessem piedosamente. O Paraíso ainda não fora aberto com a chave do Sangue, e a chuva da justiça divina impedia a caminhada. Quando aquelas pedras foram assentadas no Corpo do Meu Filho – por Mim comparado a uma ponte – foram embebidas, amalgamadas e assentadas com sangue. Em outras palavras: o sangue (humano) foi misturado com a cal da divindade e fortemente queimado no calor da caridade. Tais pedras foram postas em Cristo por Mim, mas é n’Ele que toda virtude é comprovada e vivificada. Fora de Jesus ninguém possui a vida da graça. Ocorre estar n’Ele, trilhar suas estradas, viver Sua mensagem. Somente Ele faz crescer as virtudes, somente Ele as constrói como pedras vivas, cimentando-as com o próprio Sangue. Nele, todos os fiéis caminham na liberdade, sem o medo da justiça divina, pois vão cobertos pela misericórdia, descida do céu no dia da encarnação. Foi a chave do Sangue de Cristo que abriu o céu. Portanto, esta ponte é ladrilhada; e seu telhado é a misericórdia. Possui também uma despensa, constituída pela hierarquia da Santa Igreja, que conserva e distribui o Pão da Vida e o Sangue. Assim, Minhas criaturas, viandantes e peregrinas, não fraquejam de cansaço na viagem. Para isto ordenei que vos fosse dado o Corpo e o Sangue do Meu Filho, Homem Deus… Disse Jesus: Eu sou o caminho, a verdade, e a vida; quem vai por Mim não caminha nas trevas, mas na luz (Jo, 8,12)… Quem vai por tal caminho é filho da verdade, atravessa a ponte e chega até Mim, verdade eterna, oceano de paz. Quem não trilha esse caminho, vai pela estrada inferior, no rio do pecado. É uma estrada sem pedras, feita somente de água, inconsistente; por sobre ela ninguém vai sem afundar. É o caminho dos prazeres e das altas posições, daqueles cujo amor não repousa em Mim e nas virtudes, mas no apego desordenado ao que é humano e passageiro. Tais pessoas são como a água sempre a escorrer. À semelhança daquelas realidades, vão passando. Eles acham que são as coisas criadas, objeto de seu amor, que se vão; na realidade, também eles caminham continuamente em direção à morte. Bem que gostariam de deter-se, reter na vida as coisas que amam. Seriam felizes se as coisas não passassem. Perdem-nas todavia, seja por causa da morte, seja pelos acontecimentos com que faço, escapar-lhes das mão, os bens deste mundo… Com o retorno de Meu Filho ao céu, enviei o Mestre, o Espírito Santo. Ele veio no Meu poder, na sabedoria do Filho, e na própria clemência. É uma só coisa Comigo e o Filho. Por sua vinda fortaleceu o Caminho – Mensagem deixado no mundo por Jesus. O Espírito Santo é qual mãe a nutrir no Divino Amor. Ele liberta o homem, torna-o dono de si, isento da escravidão e do egoísmo. A chama da Minha caridade (o Espírito Santo) não sobrevive junto ao egoísmo…. Assim, todos os homens, recebem luzes para conhecer a verdade. Basta que cada um o queira, que não destrua a luz da razão, pelo egoísmo desordenado. A mensagem de Jesus é verdadeira e ficou no mundo qual pequena barca para retirar os pecadores do rio do pecado e conduzi-os ao porto da salvação. Primeiro, coloquei Meu Filho como Ponte – Pessoa, a conviver com os homens; após Sua morte, ficou a Ponte – Mensagem possuindo ela Meu poder, a sabedoria do Filho e o amor do Espírito. O poder fortifica os caminhantes, a sabedoria ilumina e ajuda a reconhecer a Verdade, o Espírito Santo infunde o amor que aperfeiçoa, que destrói o egoísmo e conserva no homem o apego ao bem… O Verbo encarnado, Meu Filho único e ponte de glória, deu aos homens vida e grandeza. Eram escravos do demônio e Ele os libertou. Para que cumprisse tal missão, tornei-O servo; para cobrir a desobediência de Adão exigi que obedecesse; para confundir o orgulho, humilhou-se até a morte na cruz. Por Sua morte, destruiu o pecado. No intuito de livrar a humanidade da morte eterna, fez do Seu Corpo uma bigorna. No entanto os pecadores desprezam Seu Sangue, pisoteiam-No com um amor desordenado. Esta é a injustiça, este o julgamento falso a respeito do qual o mundo é e será repreendido até o dia do juízo final. Tal repreensão começou quando enviei o Espírito Santo sobre os apóstolos. São três as repreensões: a voz da Igreja, o Juízo Particular e o Juízo Final… — Do Livro Revelações de Santa Catarina de Sena (século XIV)

  • Sigam o papai!

    Por Fabio Morais, É “PAPAI” mesmo. Não estou falando do Papa, não. Embora devessem segui-lo. Estou falando de Lutero. O Anderson Barcellos talvez mereça lhe dedique este post. Porque o Anderson é luterano. Lógico e natural, portanto, que concorde com Lutero. Que subscreva o que Lutero disse. Que, em suma, seja solidário a Lutero. Não sou o autor dos textos que seguem. O autor do primeiro deles, é Carlos Jeremias Klein. O segundo, é citação DE LUTERO feita por M. Basilea Schlink. Que, pelo que me consta, não é católica romana. E Klein ? Seria algum “romanista” ? Seria um ministro católico ? Não! É PRESBITERIANO! É PASTOR. Que, segundo https://www.escavador.com/sobre/385342/carlos-jeremias-klein —- “Possui graduação em Matemática pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Tupã (1972), graduação em Teologia – Seminário Teológico de Londrina (1991), graduação em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras Ministro Tarso Dutra (1976), mestrado em Educação Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1983), mestrado em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (1999) e doutorado em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (2004). Atualmente é professor titular do Centro Universitário Filadélfia. , atuando principalmente nos seguintes temas: maria, teologia, criação, protestantismo e escritos não bíblicos.” —- Parece ter um bom preparo. Tratando da Santíssima Virgem, Klein escreve, em obra cuja imagem podem ver abaixo (versais minhas): —- “A principal obra do reformador [Lutero] sobre Maria, porém, foi “O Magnificat”, tradução e comentário do Cântico de Maria, na qual LUTERO REFERE-SE A MARIA COMO MÃE DE DEUS MAIS DE DEZ VEZES e quase sempre com adjetivos como santa, virgem ou “doce Mãe de Deus”…Lutero MANTEVE A DOUTRINA DA VIRGINDADE PERPÉTUA DE MARIA, bem como a interpretação desenvolvida no Ocidente cristão de que os “irmãos de Jesus” referidos nos Evangelhos e em Atos 1,14 eram, na realidade, primos de Jesus. Gottfried Maron observa que, “Quanto à polêmica teológica em torno do tema da Imaculada Conceição, Lutero não se manifesta claramente. É CERTO, contudo, que no “Magnificat” Lutero afirma: “[…] Por meio do Espírito Santo, sem a concorrência de um homem, suscitou [Deus] para Abraão a descendência, um filho natural de uma de suas filhas, da IMACULADA Virgem Maria”. Em um sermão de Natal, Lutero refere-se a Maria como nossa “VERDADEIRA MÃE”, Cristo nosso irmão e Deus, nosso Pai…O reformador alemão, no comentário ao “Magnificat”, CONCORDA COM A INVOCAÇÃO DE MARIA E DOS SANTOS, BEM COMO COM A INTERCESSÃO DE MARIA: “DEVEMOS INVOCÁ-LA A FIM DE QUE POR AMOR DELA DEUS CONCEDA E FAÇA O QUE PEDIMOS. No mesmo sentido TAMBÉM SE DEVEM INVOCAR TODOS OS DEMAIS SANTOS, PARA QUE, EM TODOS OS CASOS, A OBRA SEJA SEMPRE EXCLUSIVA DE DEUS”. No final de seu comentário, Lutero ora: “rogamos a Deus por uma compreensão adequada deste Magnificat , para que não apenas fale, mas arda e viva em corpo e alma. Que Cristo no-lo conceda POR INTERCESSÃO E POR CAUSA DE SUA AMADA MÃE MARIA. Amém” (Maria na Teologia e na História da Igreja, Fonte Editorial, 2009, pp. 100-101) —- E então, Anderson, o que dirá do “grande” reformador ? Era um herege? Estava fora de si? Estava bêbado? O que raios deu na cabeça dele para falar justamente O CONTRÁRIO do que você e os outros protestantes falam hoje? Taí! Estou curioso! Mas se fosse só o Dr. Jeremias! Também M. Basilea Schlink cita Lutero (versais minhas): —- “O que são as servas, os servos, os senhores, as mulheres, os príncipes, os reis, os monarcas da terra, em comparação com a Virgem Maria, que, além de ter nascido de estirpe real, é também MÃE DE DEUS, a mulher mais importante da terra? No meio de toda a cristandade, ELA É A JÓIA MAIS PRECIOSA DEPOIS DE CRISTO, A QUAL NUNCA PODE SER SUFICIENTEMENTE EXALTADA…” (Maria, o caminho da Mãe do Senhor, 1982, p.127)” —- “Creatura Maria non potest satis laudari” “Todo louvor a Maria é pouco”. É a tradução livre, que eu mesmo faço, do latim do frade alemão, que acabo de citar. Sim! A Santíssima Virgem é tão sublime, que nem o patriarca do erro protestante ousou recusar-lhe as prerrogativas singulares, como fazem, infelizmente, os hereges deste grupo, que o veneram e até comemoram, em data específica, a sua rebelião contra a Igreja de Cristo, que é a Igreja Católica, Apostólica, Romana…

  • A OBLAÇÃO SEMPRE VIVA DO CORAÇÃO DO CRISTO

    Esta imolação sacramental é um sinal [3] da oblação interior de Jesus, à qual devemos nos unir; é também o memorial da imolação cruenta do Calvário. Apesar dela ser somente sacramental, esta imolação do Verbo de Deus feito carne, é mais expressiva do que a imolação cruenta do cordeiro pascal e de todas as vítimas do Antigo Testamento. Um sinal tira, com efeito, seu valor expressivo da grandeza da coisa significada; a bandeira que nos lembra a pátria, de tecido comum, tem maior preço a nossos olhos do que a flâmula de uma companhia ou do que a insígnia de um oficial. A imolação cruenta das vítimas do Antigo Testamento, figura longínqua do sacrifício da Cruz, exprimia somente os sentimentos interiores dos sacerdotes e dos fieis da antiga Lei; enquanto que a imolação sacramental do Salvador sobre nossos altares exprime, sobretudo, a oblação interior sempre viva do coração do “Cristo que não cessa de interceder por nós” (Hb. 7, 25). Ora, essa oblação que é como a alma do sacrifício da Missa, tem um valor infinito, que emana da pessoa divina do Verbo feito carne, sacerdote principal e vítima, cuja imolação continua sob uma forma sacramental. São João Crisóstomo escreveu: “Quando virem no altar o ministro sagrado elevando para o céu a santa hóstia, não creiam que este homem seja o verdadeiro padre (principal), mas, elevando o pensamento acima daquilo que atinge os sentidos, considerem a mão de Jesus Cristo invisivelmente estendida”[4]. O padre que vemos com nossos olhos de carne não pode penetrar em toda a profundeza desse mistério, mas acima dele está a inteligência e a vontade de Jesus sacerdote principal. Apesar do ministro não ser sempre o que deveria ser o sacerdote principal é infinitamente santo; o ministro, mesmo quando é bom, pode estar ligeiramente distraído ou ocupado com as cerimônias exteriores do sacrifício, sem penetrar no sentido íntimo, mas acima dele há alguém de um valor infinito, uma súplica e uma ação de graças sem limite de tamanho. Esta oblação interior sempre viva no coração do Cristo é, por assim dizer, a alma do sacrifício da Missa. É a continuação daquela pela qual Jesus se ofereceu como vítima entrando neste mundo e em todo o curso de sua existência terrestre, sobretudo na Cruz. Quando o Salvador estava sobre a terra, essa oblação era meritória; agora continua sem essa modalidade de mérito. Continua sob a forma de adoração reparadora e de súplica, para nos aplicar os méritos passados da Cruz. Mesmo quando a última Missa acabar no fim do mundo e que não houver mais sacrifício propriamente dito, mas sua consumação, a oblação interior do Cristo para seu Pai durará, não mais sob a forma de reparação e de súplica, mas sob a forma de adoração e de ação de graças. É o que nos faz prever o Sanctus, Sanctus, Sanctus, que dá uma idéia do culto dos bem-aventurados na eternidade. Se nos fosse dado a conhecer, imediatamente, o amor que inspira esta oblação interior, que dura sem cessar no coração do Cristo, “sempre vivo para interceder por nós”, qual não seria nossa admiração! A Bem-aventurada Ângela de Foligno nos diz [5]: “Não tenho um vago pensamento, mas a certeza absoluta que, se uma alma visse e contemplasse algum dos esplendores íntimos do sacramento do altar, incendiaria, pois veria o amor divino. Parece-me que aqueles que oferecem o sacrifício, ou que nele tomam parte, deveriam meditar profundamente sobre a verdade profunda do mistério três vezes santo, na contemplação do qual deveríamos permanecer imóveis e absorvidos”. OS EFEITOS DO SACRIFÍCIO DA MISSA E NOSSAS DISPOSIÇÕES INTERIORES. A oblação interior do Cristo Jesus, que é a Alma do sacrifício eucarístico, tem os mesmos fins e os mesmos efeitos que o sacrifício da Cruz, mas importa distinguir, entre esses efeitos, aqueles que são relativos a Deus e os que nos concernem. Os efeitos da Missa imediatamente relativos a Deus, como a adoração reparadora e a ação de graças, se produzem sempre infalivelmente e plenamente com seu valor infinito, mesmos sem nosso concurso, mesmo que a Missa seja celebrada por um ministro indigno, desde que seja válida. De cada Missa se eleva, então, para Deus uma adoração e uma ação de graças de um valor sem limites, em razão da dignidade do Sacerdote principal que oferece e do preço da vítima ofertada. Esta oblação “agrada mais a Deus do que todos os pecados reunidos lhe desgostam”; é isso que constitui a própria essência do mistério da Redenção por modo de satisfação [6]. Quanto aos efeitos da Missa, relativos a nós, só nos são dispensados na medida de nossas disposições interiores. É assim que a Missa, como sacrifício propiciatório, obtém ex opere operato, para os pecadores que não resistem à graça atual que os leva a se arrependerem e que os inspira a confessar suas faltas [7]. As palavras do Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, parce nobis Domine, produzem nesses pecadores que não põem obstáculos aos sentimentos de contrição, o que o sacrifício da Cruz produziu na alma do bom ladrão. Trata-se aqui, sobretudo, dos pecadores que assistem a Missa ou daqueles por quem ela é dita. O sacrifício da Missa, como satisfatório, apaga também, infalivelmente aos pecadores arrependidos, ao menos uma parte da pena temporal devida pelo pecado e isso em proporção às disposições mais ou menos perfeitas com as quais a assistem. É por isso que o Concílio de Trento diz que o sacrifício eucarístico pode ser oferecido também pelo sufrágio das almas do purgatório [8]. Enfim como sacrifício impetratório ou de Súplica, a Missa nos obtém ex opere operato todas as graças que temos necessidade para nos santificar. É a grande oração do Cristo sempre vivo que continua para nós, acompanhado da oração da Igreja, Esposa do Salvador. O efeito desta dupla oração é proporcionado ao nosso fervor e aquele que se uni o melhor que pode, está certo de obter para ele e para aqueles que lhes são caros, as mais abundantes graças. Segundo Santo Tomas e muitos teólogos, esses efeitos da Missa relativos a nós são limitados apenas pela medida de nosso fervor [9]. A razão é que a influência de uma causa universal só é limitada pela capacidade dos sujeitos que a recebem. Assim o sol clareia e aquece em um só lugar tanto mil pessoas como a uma só. Ora o sacrifício da Missa, sendo substancialmente o mesmo que o da Cruz é, por modo de reparação e de oração, uma causa universal de graças, de luz, de atração e de força. Sua influência sobre nós só é, pois, limitada pelas disposições ou pelo fervor daqueles que a recebem. Assim uma única missa será tão proveitosa para um grande número de pessoas como se fosse oferecida para uma só entre elas; assim como o sacrifício da Cruz rendeu ao bom ladrão tanto proveito quanto teria rendido se oferecido por ele só. Se o sol aquece, em um só lugar, mil pessoas como a uma, a influência desta fonte de calor espiritual que é a Missa não é menor em sua ordem. Quanto mais se assiste a Missa com fé, confiança, religião e amor, maiores serão os frutos que dela se retira. Tudo isso nos mostra porque os santos, à luz dos dons do Espírito Santo, sempre tanto apreciaram o Sacrifício da Missa. Alguns, ainda que enfermos e doentes, queriam se arrastar até a missa, porque ela vale mais do que todos os tesouros. Santa Joana d’Arc, indo para Chinon, importunava seus companheiros de armas e obtinha deles, a força de insistência, que assistissem a missa todos os dias. Santa Germana Cousin era fortemente atraída para a Igreja quando escutava o sino anunciar o santo sacrifício, deixava suas ovelhas na guarda dos anjos e corria para assistir a missa; seu rebanho era bem guardado. O santo Cura d’Ars falava do valor da Missa com tal convicção, que tinha obtido que todos ou quase todos os seus paroquianos a assistissem. Inúmeros outros santos derramavam lágrimas de amor ou caíam em êxtase durante o sacrifício eucarístico; alguns viram no lugar do celebrante o próprio Nosso Senhor, o Sacerdote principal. Outros, na elevação do cálice, viram o precioso sangue transbordar, escorrendo pelos braços do padre e pelo santuário e anjos virem recolhê-lo em taças de ouro como para levá-lo por toda parte onde houvesse homens para salvar. São Felipe de Néri recebeu graças desse gênero e se escondia para celebrar por causa dos arrebatamentos, que muitas vezes, era tomado no altar. COMO NOS UNIR AO SACRIFÍCIO EUCARÍSTICO? Pode-se aplicar a isso o que Santo Tomás [10] diz sobre a atenção na oração vocal: “A atenção pode estar ou bem nas palavras para bem pronunciá-las, ou no sentido das palavras, ou no fim da oração, quer dizer em Deus e naquilo pelo que se reza… Esta ultima atenção, que os mais humildes, sem cultura podem ter, é algumas vezes tão grande que é como se o espírito fosse elevado para Deus e se esquecesse de todo o resto”. Assim também para bem assistir a missa, com fé, confiança, verdadeira piedade e amor, podemos segui-la de maneiras diferentes. Podemos estar atentos às preces litúrgicas, geralmente tão belas e tão cheias de unção, de elevação e de simplicidade. Podemos lembrar a Paixão e a Morte do Salvador, cuja missa é o memorial e se considerar como estando ao pé da Cruz com Maria, João, as santas mulheres. Podemos ainda nos aplicar a render a Deus, em união com Jesus, os quatro deveres que são os fins do Sacrifício: adoração, reparação, pedido e ação de graças [11]. Desde que se reze, mesmo recitando piedosamente seu terço, assistimos com frutos à missa. Podemos também com grande proveito, como santa Joana de Chantal e muitos santos, continuar com a sua oração, sobre tudo se somos levados a um puro e intenso amor, um pouco como são João na Ceia repousando sobre o Coração de Jesus. Mas de qualquer maneira que se siga a Missa, é preciso insistir em uma coisa importante. É preciso sobretudo nos unirmos profundamente à oblação do Salvador, o sacerdote principal: com ele, é preciso oferecê-lo a seu Pai, nos lembrando que esta oblação agrada mais a Deus do que todos os pecados lhe desagradam. É preciso nos oferecer, cada dia, mais profundamente, oferecer particularmente as penas e contrariedades que costumamos ter e aquelas que se apresentarão durante o dia. É assim que no ofertório o padre diz: “In spiritu humilitatis et in animo contrito suscipiamur a te, Domine: É com espírito de humildade e coração contrito que vos pedimos Senhor, de nos receber”. O autor da Imitação, I. IV, cap. VIII, insiste com razão sobre este ponto: O Senhor diz: “ Como me ofereci voluntariamente a meu Pai por vossos pecados, na cruz…, assim deveis todos os dias, no sacrifício da Missa, vos oferecer a mim, como uma hóstia pura e santa, do mais profundo do vosso coração… É a vos que eu quero e não vossos dons… Se permanecerdes em vós mesmos, se não vos abandonardes sem reserva a minha vontade, vossa oblação não será completa e não estaremos unidos perfeitamente”. No capítulo seguinte, o fiel responde: “Na simplicidade de meu coração, eu me ofereço a vós meu Deus, para vos servir para sempre… Recebei-me com a oblação santa de vosso precioso Corpo… Ofereço-vos também tudo o que há de bom em mim, por mais imperfeito que seja, para que vós a torne mais digna de vós. Ofereço-vos ainda todos os piedosos desejos das almas fiéis, a oração por aqueles que me são queridos… A súplica por aqueles que me ofenderam ou entristeceram, por aqueles também que eu mesmo afligi, feri, escandalizei, sabendo ou não, afim de que nos perdoeis todas nossas ofensas mútuas… e fazei que sejamos dignos de gozar aqui na terra dos vossos dons e alcançar a vida eterna.” A missa assim compreendida é uma fonte fecunda de santificação, de graças sempre renovadas; por ela pode-se realizar cada vez melhor para nós a oração do Salvador: “Dei-lhes a luz que vós me destes, para que sejam um como nós somos um, Eu neles e vós em mim, afim de que eles sejam perfeitamente um e que o mundo saiba que vós me enviastes e que vós os amastes como vós me amais” (João, 17, 23). A visita ao Santíssimo Sacramento deve nos recordar a missa da manhã e devemos pensar que no Tabernáculo, se não há sacrifício propriamente dito, que cessa com a missa, no entanto Jesus realmente presente continua a adorar, orar e render graças. Deveríamos nos unir a essa oblação do Salvador a qualquer hora do dia. Como diz a oração do Coração Eucarístico: “Ele é paciente a nos esperar, apressado em nos atender; é a sede de todas as graças sempre renovadas, o refúgio da vida escondida, o mestre dos segredos da união divina”. Devemos junto ao Tabernáculo, “calar-nos para escutar, e abandonar-nos para nele nos perder” [12]. Originalmente publicado em “La Vie Spirituel” nº 187, 1.04.1935 Fonte:verafidei.blogspot.com

  • Santa Febe

    Por Sayaka Gomes. Na epistola de São Paulo aos Romanos no capitulo 16, 1 e 2, em suas recomendações, Paulo admoesta-os a receber a irmã Febe (Santa Febe) que exerce a função de diaconisa na igreja de Cêncris (porto da cidade de Corinto). Paulo adverte aos irmãos em Roma que “a recebam no Senhor, dum modo digno dos SANTOS, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós venha a precisar; porque ela tem AJUDADO a muitos e também a mim.” Esses dois versículos, apesar de sua simplicidade nos faz reconhecer a magnificência dessa serva de Cristo, para com os menos favorecidos e enfermos, promovendo assistência e provisão que de fato a sua função na igreja primitiva recomendava. A nós, cabe-nos seguir mais esse exemplo de devoção e entrega, no qual o Cristianismo no seu cerne carrega de forma Santa e Perfeita, o AMOR incondicional ao próximo. As Sagradas Escrituras através de seus Santos nos testificam a cada dia a forma de como devemos proporcionar as boas novas de Salvação para todos aqueles que ainda não encontraram o caminho que os levará aos pés do nosso Senhor. Prossigamos firmes e fortes na disseminação dessa verdade singular, no qual Deus nos incumbiu. Sejamos Luz, assim como Santa Febe! Amém! (Bíblia Ave Maria, Epístola de São Paulo aos Romanos, Cap 16: 1 e 2).

  • GLORIEMO-NOS TAMBÉM NÓS NA CRUZ DO SENHOR (Santo Agostinho)

    A Paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é para nós penhor de glória e exemplo de paciência. Haverá alguma coisa que não possam esperar da graça divina os corações dos fiéis, pelos quais o Filho unigênito de Deus, eterno como o Pai, não apenas quis nascer como homem entre os homens, mas quis também morrer pelas mãos dos homens que tinha criado? Grandes coisas o Senhor nos promete no futuro! Mas o que ele já fez por nós e agora celebramos é ainda muito maior. Onde estávamos ou quem éramos, quando Cristo morreu por nós pecadores? Quem pode duvidar que ele dará a vida aos seus fiéis, quando já lhes deu até a sua morte? Por que a fraqueza humana ainda hesita em acreditar que um dia os homens viverão em Deus? Muito mais incrível é o que já aconteceu: Deus morreu pelos homens. Quem é Cristo senão aquele que no princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus: e a Palavra era Deus? (Jo 1,1). Essa Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Se não tivesse tomado da nossa natureza a carne mortal, Cristo não teria possibilidade de morrer por nós. Mas deste modo o imortal pôde morrer e dar sua vida aos mortais. Fez-se participante de nossa morte para nos tornar participantes da sua vida. De fato, assim como os homens, pela sua natureza, não tinham possibilidade alguma de alcançar a vida, também ele, pela sua natureza, não tinha possibilidade alguma de sofrer a morte. Por isso entrou, de modo admirável, em comunhão conosco: de nós assumiu a mortalidade, o que lhe possibilitou morrer; e dele recebemos a vida. Portanto, de modo algum devemos envergonhar-nos da morte de nosso Deus e Senhor; pelo contrário, nela devemos confiar e gloriar-nos acima de tudo. Pois tomando sobre si a morte que em nós encontrou, garantiu com total fidelidade dar-nos a vida que não podíamos obter por nós mesmos. Se ele tanto nos amou, a ponto de, sem pecado, sofrer por nós pecadores, como não dará o que merecemos por justiça, fruto da sua justificação? Como não dará a recompensa aos justos, ele que é fiel em suas promessas e, sem pecado, suportou o castigo dos pecadores? Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho. O apóstolo Paulo compreendeu bem esse mistério e o proclamou como um título de glória. Ele,que teria muitas coisas grandiosas e divinas para recordar a respeito de Cristo, não disse que se gloriava dessas grandezas admiráveis – por exemplo, que sendo Cristo Deus como o Pai, criou o mundo; e, sendo homem como nós, manifestou o seu domínio sobre o mundo – mas afirmou: Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14). (Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo – Sermo Guelferbytanus 3: PLS 2,545-546 – Séc. V). #Cristologia #Igreja

  • HÁ UMA SÓ MORTE QUE RESGATA O MUNDO E UMA SÓ RESSURREIÇÃO DOS MORTOS (São Basílio Magno, bispo)

    O desígnio de nosso Deus e Salvador em relação ao homem consiste em levantá-lo de sua queda e fazê-lo voltar, do estado de inimizade ocasionado por sua desobediência, à intimidade divina. A vinda de Cristo na carne, os exemplos de sua vida apresentados pelo Evangelho, a paixão, a cruz, o sepultamento e a ressurreição não tiveram outro fim senão salvar o homem, para que, imitando a Cristo, ele recuperasse a primitiva adoção filial. Portanto, para atingir a perfeição, é necessário imitar a Cristo, não só nos exemplos de mansidão, humildade e paciência que ele nos deu durante a sua vida, mas também imitá-lo em sua morte, como diz São Paulo, o imitador de Cristo: Tornando-me semelhante a ele na sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos (Fl 3,10). Mas como poderemos assemelhar-nos a Cristo em sua morte? Sepultando-nos com ele por meio do batismo.Em que consiste este sepultamento e qual é o fruto dessa imitação? Em primeiro lugar, é preciso romper coma vida passada. Mas ninguém pode conseguir isto se não nascer de novo, conforme a palavra do Senhor, porque o renascimento, como a própria palavra indica, é o começo de uma vida nova. Por isso, antes de começar esta vida nova, é preciso pôr fim à antiga. Assim como, no estádio, os que chegam ao fim da primeira parte da corrida, costumam fazer uma pequena pausa e descansar um pouco, antes de iniciar o retorno, do mesmo modo, era necessário que nesta mudança de vida interviesse a morte, pondo fim ao passado para começar um novo caminho. E como imitar a Cristo na sua descida à mansão dos mortos? Imitando no batismo o seu sepultamento. Porque os corpos dos batizados ficam, de certo modo, sepultados nas águas. O batismo simboliza, pois, a deposição das obras da carne, segundo as palavras do Apóstolo: Vós também recebestes uma circuncisão, não feita por mão humana, mas uma circuncisão que é de Cristo, pela qual renunciais ao corpo perecível. Com Cristo fostes sepultados no batismo (Cl 2,11-12). Ora, o batismo, por assim dizer, lava a alma das manchas contraídas por causa das tendências carnais, conforme está escrito: Lavai-me e mais branco do que a neve ficarei (Sl 50,9). Por isso, reconhecemos um só batismo de salvação, já que é uma só a morte que resgata o mundo e uma só a ressurreição dos mortos, das quais o batismo é figura. (Do Livro sobre o Espírito Santo, de São Basílio Magno, bispo – Cap.15,35: PG32,127-130 – Séc.IV).

  • O “MAS” DOS ERUDITOS PROTESTANTES (uma opinião)

    Há, é inegável, bons patrologistas entre católicos e protestantes. Entre esses últimos, J.N.D Kelly destaca-se pela profundidade e clareza. Não sendo, entretanto, católico, é natural que se esforce para “enfraquecer” concepções comuns entre os especialistas vinculados diretamente à Igreja de Roma. E ele, de fato, algumas vezes, comete esse deslize. Assim, com relação ao reconhecimento do primado romano pela Igreja oriental, nos primeiros séculos, Kelly, depois de uma declaração (no meu modo de ver, contundente) vem com um “mas”, um “porém”, que ele NÃO DEMONSTRA senão com inferências pouco consistentes. Diz, por exemplo, que na Igreja oriental o primado da Igreja romana e do seu bispo era um “primado de honra”. Que “as igrejas orientais jamais trataram Roma como o centro constitucional e a cabeça da Igreja”. Ele, repito, não é católico. Mas, prestem bastante atenção no que, imediatamente ANTES desses “poréns”, diz Kelly, sob o tópico: “O ORIENTE E A SÉ ROMANA” (versais minhas): —- “Embora a questão diga respeito mais à história da Igreja do que à doutrina, a essa altura é mister que se diga algo sobre a atitude do Oriente em relação a ESTRUTURA CONSTITUCIONAL da Igreja. O quarto século e o quinto foram o período do surgimento AUTOCONSCIENTE dos grandes patriarcados; a posição de Roma, Alexandria e Antioquia foi reconhecida em Nicéia (325), enquanto Constantinopla e Jerusalém receberam mais tarde o título de patriarcados nos concílios de Constantinopla (381) e Calcedônia (451), respectivamente. EM TODOS OS LUGARES, TANTO NO ORIENTE QUANTO NO OCIDENTE, ROMA DESFRUTAVA UM PRESTÍGIO ESPECIAL, conforme se vê na precedência que lhe atribuiam SEM NENHUM QUESTIONAMENTO. A única rival possível era a nova sé de Constantinopla, que experimentava uma rápida expansão, mas a maior reivindicação que o segundo Concílio Ecumênico (381) podia fazer em seu favor (que mesmo assim foi ignorada por Alexandria e seria rejeitada pelos legados papais em Calcedônia e foi declarada nula pelo Papa Leão I) era que “o bispo de Constantinopla deve ocupar o primeiro lugar APÓS O BISPO DE ROMA, porque Constantinopla é a nova Roma”. Desse modo, A PREEMINÊNCIA DE ROMA MANTEVE-SE INCONTESTE NO PERÍODO PATRÍSTICO. Para encontrar as evidências, basta recordar A POSIÇÃO DE LIDERANÇA NATURALMENTE REIVINDICADAS PELOS PAPAS, E CONCEDIDA SEM RESERVAS A ELES, por ocasião dos concílios de Éfeso (431) e Calcedônia (451). Chegamos a encontrar os historiadores Sócrates e Sozômeno, que viveram no quinto século, concluindo, com base numa leitura errônea da famosa carta de Júlio I aos bispos orientais (340), protestando contra a deposição de Atanásio e Marcelo, que era inconstitucional realizar sínodos sem um convire ao pontífice romano ou tomar decisões sem sua participação. Recorde-se que, quando rompeu a controvérsia cristológica, tanto Nestório quanto Cirilo APRESARAM-SE EM LEVAR SEUS CASOS A ROMA, e este último DECLAROU QUE O ANTIGO COSTUME DAS IGREJAS CONSTRANGIA-O A COMUNICAR ASSUNTOS DESSA ENVERGADURA AO PAPA…Em um de seus sermões, ele chega a saudar Celestino como “O ARCEBISPO DO MUNDO INTEIRO” (pases tes oikoumenes archiepiskopos)” (Doutrinas Centrais da Fé Cristã – Origem e Desenvolvimento”, Editora Vida. 1994, p. 308) —- Convenhamos! Dizer que tudo isso implicava apenas um “primado de honra”, é exorbitar! A tentativa de Kelly de “amenizar” a eloquência dos fatos, POR ELE MESMO NARRADOS, é manifesta! Conforme o texto, “a LIDERANÇA [notem: LIDERANÇA!] NATURALMENTE REIVINDICADA” pelos papas foi CONCEDIDA SEM RESERVAS” a eles! Eram, portanto, LÍDERES! Conforme o texto, “A PREEMINÊNCIA DE ROMA MANTEVE-SE INCONTESTE NO PERÍODO PATRÍSTICO”! O Papa declarava nulos cânones conciliares. Sem a presença dele, do Papa, concílios não poderiam ser realizados, Assuntos graves, deveriam, porque era COSTUME ANTIGO, ser comunicados a ele. Foi chamado o “ARCEBISPO DO MUNDO INTEIRO” ! E J.N.D. Kelly quer fazer ver em tudo isso um simples “primado de honra”! Não! Kelly, levado pela fidelidfade à Igreja à qual pertencia, procurou, no mínimo, relativizar o valor de fatos, que os documentos históricos comprovam seu um pingo de dúvida. E se mostrou incoerente! Isso quanto ao Oriente. Quanto ao Ocidente, ele não titubeia (versais minhas): —- “Nos meados do quinto século, a igreja romana havia estabelecido uma posição de primazia no Ocidente, TANTO DE DIREITO COMO DE FATO, e as pretensões papais de supremacia sobre TODOS OS BISPOS DA CRISTANDADE haviam sido formuladas EM TERMOS PRECISOS” (Ibidem, p. 316) —- No século V!! Século de S. Agostinho, de S. Jerônimo… Roma vivia e governava. E Kelly o admite, com razão. Mas, o que pretendo com este post ? Desacreditar J.N.D. Kelly ? Não! Nunca! Quero dizer é que mesmo eruditos da envergadura dele se deixam levar, às vezes, por preconceitos partidários. Gosto de citar Kelly, quando este confirma a história, atestada indiscutivelmente em documentos e monumentos primitivos. Citei-o várias vezes quando corroborou o entendimento católico. E continuarei citando-o sempre que ele apresentar os seus textos livres de inclinações pessoais e com fundamentos sólidos. Citei-o aqui, demonstrando o primado efetivo de Roma NO ORIENTE E NO OCIDENTE. Conforme ELE MESMO ADMITIU, mas tentou “compensar” à admissão com retiradas estratégicas. Quanto ao Oriente, ele tentou se esquivar. Quanto ao Ocidente, viu que, tentar, seria demais. Mas gosto de Kelly. É um bom patrologista. Ótimo mesmo. Mas quando é coerente. E sempre que me servi dele, tive, antes, o cuidado de me certificar da linearidade do seu pensamento. Façam o mesmo… Crédito: Fábio Morais

  • CONTA E TEMPO (Frei António das Chagas)

    Deus pede estrita conta de meu tempo. E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta. Mas, como dar, sem tempo, tanta conta Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo? Para dar minha conta feita a tempo, O tempo me foi dado, e não fiz conta, Não quis, sobrando tempo, fazer conta, Hoje, quero acertar conta, e não há tempo. Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta, Não gasteis vosso tempo em passatempo. Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta! Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo, Quando o tempo chegar, de prestar conta Chorarão, como eu, o não ter tempo… (Frei António das Chagas, in ‘Antologia Poética’)

  • JESUS, SE SOIS RIQUEZA (Frei António das Chagas)

    Se sois riqueza, como estais despido? Se Omnipotente, como desprezado? Se rei, como de espinhos coroado? Se forte, como estais enfraquecido? Se luz, como a luz tendes perdida? Se sol divino, como eclipsado? Se Verbo, como é que estais calado? Se vida, como estais amortecido? Se Deus? estais como homem nessa Cruz? Se homem? como dais a um ladrão, Com tão grande poder, posse dos céus? Ah, que sois Deus e Homem, bom Jesus! Morrendo por Adão enquanto Adão, E redimindo Adão enquanto Deus. (Frei António das Chagas, in ‘Antologia Poética’) #Cristologia #Igreja

  • A PLENITUDE DO AMOR (Santo Agostinho, bispo)

    Irmãos caríssimos, o Senhor definiu a plenitude do amor com que devemos amar-nos uns aos outros, quando disse: Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos (Jo 15,13). Daqui se conclui o que o mesmo evangelista João diz em sua epístola: Jesus deu a sua vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida pelos irmãos (1Jo 3,16), amando-nos verdadeiramente uns aos outros, como ele nos amou até dar a sua vida por nós. É certamente a mesma coisa que se lê nos Provérbios de Salomão: Quando te sentares à mesa de um poderoso, olha com atenção o que te é oferecido; e estende a tua mão, sabendo que também deves preparar coisas semelhantes (cf. Pr 23,1-2 Vulg.). Ora, a mesa do poderoso é a mesa em que se recebe o corpo e o sangue daquele que deu a sua vida por nós. Sentar-se à mesa significa aproximar-se com humildade. Olhar com atenção o que é oferecido, é tomar consciência da grandeza desta graça. E estender a mão sabendo que também se devem preparar coisas semelhantes, significa o que já disse antes: assim como Cristo deu a sua vida por nós, também devemos dar a nossa vida pelos irmãos. É o que diz o apóstolo Pedro: Cristo sofreu por nós, deixando-nos um exemplo, a fim de que sigamos os seus passos (cf. 1Pd 2,21). Isto significa preparar coisas semelhantes. Foi o que fizeram, com ardente amor, os santos mártires. Se não quisermos celebrar inutilmente as suas memórias e nos sentarmos sem proveito à mesa do Senhor, no banquete onde eles se saciaram, é preciso que, como eles, preparemos coisas semelhantes. Por isso, quando nos aproximamos da mesa do Senhor, não recordamos os mártires do mesmo modo como aos outros que dormem o sono da paz, ou seja, não rezamos por eles, mas antes pedimos para que rezem por nós, a fim de seguirmos os seus passos. Pois já alcançaram a plenitude daquele amor acima do qual não pode haver outro maior, conforme disse o Senhor. Eles apresentaram a seus irmãos o mesmo que por sua vez receberam da mesa do Senhor. Não queremos dizer com isso que possamos nos igualar a Cristo Senhor, mesmo que, por sua causa, soframos o martírio até o derramamento de sangue. Ele teve o poder de dar a sua vida e depois retomá-la; nós, pelo contrário, não vivemos quanto queremos, e morremos mesmo contra a nossa vontade. Ele, morrendo, matou em si a morte; nós, por sua morte, somos libertados da morte. A sua carne não sofreu a corrupção; a nossa, só depois de passar pela corrupção, será por ele revestida de incorruptibilidade, no fim do mundo. Ele não precisou de nós para nos salvar; entretanto, sem ele nós não podemos fazer nada. Ele se apresentou a nós como a videira para os ramos; nós não podemos ter a vida se nos separarmos dele. Finalmente, ainda que os irmãos morram pelos irmãos, nenhum mártir derramou o seu sangue pela remissão dos pecados de seus irmãos, como ele fez por nós. Isto, porém, não para que o imitássemos, mas como um motivo para agradecermos. Portanto, na medida em que os mártires derramaram seu sangue pelos irmãos, prepararam o mesmo que tinham recebido da mesa do Senhor. Amemo-nos também a nós uns aos outros, como Cristo nos amou e se entregou por nós. (Do Tratado sobre o Evangelho de São João, de Santo Agostinho, bispo – Tract. 84,1-2: CCL 36,536-538 – Séc. V). #Cristologia #Igreja

  • A evolução espera que você não saiba química: o problema da quiralidade!

    Quando a manchete de jornal, “Life in a Test-tube”**, foi publicada em 1953, a comunidade evolucionista ficou muito excitada porque viram o trabalho de Stanley Miller e Harold Urey como prova científica de que a vida poderia ter sido formada de produtos químicos por processos naturais ao acaso. Naquele experimento clássico, Miller e Urey combinaram uma mistura de metano, amônia, hidrogênio e vapor de água, e fizeram passar essa mistura através de uma descarga elétrica simulando relâmpagos. Ao fim do experimento, encontraram produtos que continham uns poucos aminoácidos. Partindo de que os aminoácidos são os elos individuais de longas cadeias poliméricas denominadas proteínas, e proteínas são importantes em nossos corpos, os jornais rapidamente noticiaram haver evidências de laboratório que agora provavam que a vida surgira de produtos químicos. Como um Ph.D em Química Orgânica, eu tenho que admitir que a formação de aminoácidos sob essas condições é fascinante, mas há um problema maior. Nunca se formou vida naquele experimento. Os produtos foram aminoácidos, os quais são produtos químicos cotidianos que não constituem “vida”. Até mesmo hoje, não há processo conhecido que tenha convertido aminoácidos em uma forma de vida, mas este fato não impede os evolucionistas de reivindicar que este experimento é prova de que a vida se originou de produtos químicos. Os evolucionistas sabem que aminoácidos não constituem vida, mas invocam esta prova em qualquer caso porque dizem que os aminoácidos são os tijolos da vida. Essa reivindicação propõe que se tijolos suficientes estivessem presentes, isso resultaria em vida, mas essa conclusão é somente uma conjectura e nunca foi demonstrada. Aminoácidos podem ser os tijolos das proteínas, e proteínas são necessárias para a vida, mas isso não significa que aminoácidos são os tijolos da vida. Eu poderia ir a uma loja de autopeças e comprar todas as peças para construir um carro, mas isso não iria me fornecer um veículo motorizado em funcionamento. Assim como deve haver um mecânico para fazer um veículo motorizado a partir daquelas autopeças, deve haver um montador para fazer aqueles aminoácidos tornarem-se proteínas e assim a vida poderia existir em nossos organismos. Desde 1953, os cientistas têm questionado se a formação dos aminoácidos naqueles experimentos prova a reivindicação de que vida provém de produtos químicos. Muitos têm debatido se este experimento valida a evolução ou se a evidência aponta para um Criador Onipotente. Por 50 anos, cientistas têm investigado; por 50 anos, a investigação acaba em debate. Chame isso de curiosidade profissional, mas como um cientista, sempre tive a curiosidade de saber porque há mais debates sobre este problema que discussão sobre os fatos. Então eu percebi que a discussão dos fatos levaria inevitavelmente à discussão do tema da quiralidade. A quiralidade é provavelmente uma das melhores evidências que nós temos contra a evolução casual e ela destrói totalmente a reivindicação de que a vida provém de produtos químicos. Obviamente, este é um fato que eles nunca querem discutir. Quiralidade Quiralidade é um termo químico que significa semelhança. Conquanto duas moléculas químicas possam apresentar-se tendo os mesmos elementos e propriedades similares, eles ainda podem ter estruturas diferentes. Quando duas moléculas mostram-se idênticas e suas estruturas diferem apenas por serem imagens especulares de cada qual, diz-se que essas moléculas têm quiralidade. Suas mãos direita e esquerda são ilustrações de quiralidade. Elas podem parecer idênticas, mas na realidade, são apenas imagens especulares uma da outra. Por isso o termo “semelhança”. Por essa razão, isômeros podem existir como uma molécula destra (destrógira) ou canhota (levógira), e cada molécula individual é chamada de isômero óptico. Qual é o problema da quiralidade? Em nossos corpos, proteínas e DNA possuem uma configuração tridimensional única, e é por causa desta configuração que os processos bioquímicos em nossos organismos agem como agem. É a quiralidade que fornece a única configuração para as proteínas e o DNA e, sem ela, os processos bioquímicos em nosso organismo não funcionariam. Em nosso corpo, todos os aminoácidos de todas as proteínas são encontrados com a mesma quiralidade levógira. Embora Miller e Urey tenham formado aminoácidos em seus experimentos, todos os aminoácidos que se formaram tinham carência de quiralidade. É um fato da química aceito universalmente que a quiralidade não pode ser criada em moléculas químicas por um processo randômico. Quando uma reação química fortuita é usada para preparar moléculas possuidoras de quiralidade, há possibilidades iguais de preparar o isômero levógiro e o destrógiro. É um fato cientificamente verificável que um processo casual, que forma produtos quirais, só pode dar uma mistura 50/50 de dois isômeros ópticos. Não há exceções. A quiralidade é uma propriedade que somente uns poucos cientistas poderiam reconhecer como um problema. O fato de aqueles aminoácidos perderem quiralidade não é só um problema a ser debatido, ela aponta para um insucesso catastrófico de que “vida” não pode surgir de produtos químicos por processos naturais. Vejamos a quiralidade nas proteínas e no DNA. Proteínas são polímeros de aminoácidos e cada um dos aminoácidos que as compõe existe na forma de isômero óptico “L” ou levógiro. Mesmo pensando que os isômeros ópticos “D” ou destrógiros possam ser sintetizados em laboratório, esse isômero não existe em proteínas naturais. A molécula de DNA é feita de bilhões de moléculas químicas complexas denominadas nucleotídeos, e essas moléculas de nucleotídeo existem como isômeros ópticos “D” ou destrógiros. Os isômeros “L” de nucleotídeos podem ser preparados em laboratório, mas não existem no DNA natural. Não há meios pelos quais um processo aleatório pudesse ter formado essas proteínas e DNA com sua quiralidade impar. Se proteínas e DNA tivessem sido formados ao acaso, todos os componentes seriam uma mistura 50/50 dos dois isômeros ópticos. Isso não é o que observamos em proteínas naturais ou em DNA natural. Como pode um processo aleatório criar proteínas com milhares de moléculas “L”, e também criar DNA com bilhões de moléculas “D”? Isso soa como acaso ou como produto de um projeto? Mesmo se há um processo mágico para introduzir quiralidade, ele só criaria um isômero. Se tal processo existiu, nós não sabemos nada sobre ele e nem sobre sua atuação. Se ele existiu, como nunca foram formados compostos com a outra quiralidade? Ainda que haja dois processos mágicos, um para cada isômero, o que determinou qual processo foi usado e quando foi usado? Foi um processo aleatório natural? A idéia de dois processos requer um mecanismo controlador, e este tipo de controle não é possível em um processo aleatório natural. De qualquer modo, o problema com a quiralidade é mais profundo. Como moléculas de nucleotídeos vêm juntas para formar a estrutura do DNA, elas desenvolvem uma espiral que forma a estrutura de dupla hélice do DNA. O DNA desenvolve uma espiral na cadeia porque cada componente contém quiralidade ou semelhança. E essa semelhança dá à conformação em espiral do DNA a estrutura helicoidal. Se uma molécula na estrutura do DNA tivesse quiralidade imprópria, o DNA não existiria na forma de dupla hélice, e não exerceria corretamente sua função. Todo o processo de replicação seria arruinado como um trem sobre trilhos ruins. Para que a evolução do DNA ocorresse, bilhões de moléculas dentro do nosso organismo teriam que ser geradas na configuração “D” todas ao mesmo tempo, sem erro. Se é impossível para um nucleotídeo ser formado com quiralidade, quanto mais bilhões de nucleotídeos se formarem todos exatamente ao mesmo tempo, e todos eles serem formados com a mesma quiralidade? Se a evolução não proporciona um mecanismo que forma um produto com quiralidade, como ela pode explicar a formação de dois produtos de quiralidades diferentes? Este não é somente um problema de suma importância para a evolução. É um dilema. De acordo com a evolução, processos naturais podem todos ser explicados através de longos períodos de tempo. De qualquer modo, o processo que forma a quiralidade não pode ser explicado pela ciência natural em qualquer quantidade de tempo. Este é o dilema, ou os processos naturais não podem explicar tudo, ou a quiralidade não existe. Se você está em dúvida sobre qual é a opinião correta, você é um exemplo vivo de quiralidade. Sem quiralidade, proteínas e enzimas não fariam seu trabalho; o DNA também não poderia funcionar. Sem o funcionamento correto das proteínas e do DNA, não haveria vida na Terra. A realidade da quiralidade, mais que qualquer outra evidência, me convence da realidade de um Criador Todo-poderoso. Espero que faça o mesmo a você. Eu acho interessante que quando os criacionistas começam a falar sobre a criação sobrenatural de Deus, os evolucionistas usualmente contrariam-nos dizendo que tudo pode ser explicado pela ciência natural e intervenção divina não é ciência. Considero essa observação extremamente divertida. Quando nós lhes mostramos que as leis da ciência natural não podem explicar a existência da quiralidade, os evolucionistas dizem que o processo aconteceu há muito tempo atrás por meio de algum método desconhecido que eles não podem explicar. Agora quem está confiando em uma explicação sobrenatural? Embora eles nunca fossem chamar isso de intervenção divina, estão certamente confiando na fé e não nos fatos científicos. A Evolução simplesmente espera que você não saiba química. Há outro problema com o DNA e como ele funciona no organismo humano. Como parte do processo normal de replicação do DNA, uma enzima percorre todo o filamento de DNA e assim uma cópia deste filamento pode ser produzida. A enzima lê a seqüência de moléculas ao longo do filamento, e se um nucleotídeo incorreto é detectado nele, há um mecanismo que utiliza outras enzimas para cortar o nucleotídeo errado e inserir o correto, reparando assim o DNA. Vamos dar uma olhada no DNA e seu mecanismo reparador, se realmente eles foram formados de um processo natural ao acaso. Se o mecanismo reparador evoluiu primeiro, que utilidade tal mecanismo possui se o DNA ainda não evoluiu? Se o DNA evoluiu primeiro, como ele resistiria sem um mecanismo reparador? As moléculas podem pensar? O DNA não é uma molécula estável, e sem um mecanismo reparador, seria facilmente deteriorado por oxidações e outros processos. Não há mecanismos para explicar como o DNA pôde existir por milhões de anos enquanto o mecanismo reparador evoluía. O DNA simplesmente iria se decompor de volta em uma piscina de espuma antes de ocorrerem supostas bilhões de mutações casuais que não poderiam formar um mecanismo reparador. Uma vez que constatamos que o projeto não aconteceu ao acaso, então percebemos que o universo inteiro não é produto de um processo casual, aleatório; ele é o resultado de um onipotente Criador que criou tudo apenas pela Sua Palavra. Espero que você comece a enxergar o problema. A Evolução pode lhe dar uma teoria que parece evidentemente possível, mas quando a ciência verdadeira se envolve e os cientistas começam a fazer perguntas, os problemas e falsa lógica da teoria se tornam claros. É por isso que a evolução espera que você não saiba química. O Dr. Charles McCombs é Ph.D. em Química Orgânica, especialmente treinado em métodos de investigação científica, e um cientista com 20 patentes químicas. Este artigo foi publicado no boletim Acts & Facts, do Institute for Creation Research, em sua edição de maio de 2004, com o título “Evolution Hopes You Don’t Know Chemistry: The Problem with Quirality”. Tradução do texto de Daniel Ruy Pereira. Fonte –  [Impacto.org]

  • DE VOLTA À CIPRIANO 

    Por Fabio Morais Eu já disse aqui, em mais de um post, que a suposta oposição que Cipriano fez à Igreja romana enquanto Igreja líder (do ponto de vista jurisdicional) das demais igrejas, foi motivada pela disputa dele, S. Cipriano, com o Papa Estêvão. Os protestantes se agarram a isso como sanguessugas se agarram à carne humana. Muito bem. PARA EFEITO DE ARGUMENTAÇÃO, vou aceitar que é verdade. Que Cipriano contestou a autoridade jurisdicional do bispo de Roma sobre a Igreja inteira. Mas que fique bem claro, de uma vez por todas, QUE O MOTIVO QUE DETERMINOU A TAL POSTURA DE CIPRIANO DURANTE A CONTROVÉRSIA COM O BISPO DE ROMA, NÃO CORRESPONDE AO ENSINO DO BISPO DE CARTAGO ANTES DA REFERIDA DISPUTA. O Cipriano ANTERIOR ao conflito com o Papa, reconhecia-lhe o primado de jurisdição. Os protestantes usam muito a frase de Cipriano, onde ele diz que a todos os apóstolos foi dado “igual poder e autoridade”. Ora, embora rigorosamente, possa-se interpretar isso como uma alusão à DIGNIDADE APOSTÓLCA EM SI (na qual eram todos os apóstolos iguais) e não impugne, necessariamente, um primado de jurisdição exercido por Pedro, a questão merece ser considerada. Com efeito, já expus aqui (e muitos viram) que nos chegaram DUAS VERSÕES do tópico 4 da primeira parte do “Catholicae Ecclesiae Unitate”. E DEMONSTREI que AMBAS SAÍRAM DA PENA DO PRÓPRIO CIPRIANO. Ora, a versão que traz a expressão que, a princípio, parece igualar EM TUDO os apóstolos, de modo a excluir qualquer chefe efetivo entre eles, está na versão do texto escrita ANTES do desacordo com Estêvão, como nos diz J.N.D. Kelly (versais minhas): “Existe, porém, outra versão do texto…que: (a) fala do estabelecimento de “uma só cadeira” (unam cathedram) e da concessão da primazia a Pedro (primatus Petrus datur), e; (b) NÃO MENCIONA OS OUTROS APÓSTOLOS RECEBENDO A MESMA AUTORIDADE CONFERIDA A PEDRO. Parece provável que esse trecho também tenha surgido da pena de Cipriano, SENDO MAIS ANTIGO que o ‘textus receptus’, E REPRESENTA SUA ATITUDE ANTES da disputa acerca da necessidade de rebatizar hereges e cismáticos travada com o papa Estêvão” (Doutrinas Centrai da Fé Cristã, Editora Vida, 1994, p. 155). Há, portanto, por assim dizer, DOIS Ciprianos, como se percebe a partir do texto de Kelly. Um Cipriano anterior ao conflito com Estêvão e cônscio da supremacia papal, e outro durante o conflito, movido por ideias particulares das quais resolveu não abrir mão. Ora, é ao Cipriano anterior que nos devemos apegar. Porque o posterior, aferrado às suas convicções pessoais, desgarrou da verdadeira Tradição Católica. E, agindo assim, sob franca influência dos próprios conceitos que julgava inabaláveis, não merece (NO PONTO EM QUESTÃO) o nosso assentimento. Com muito acerto Joseph De Maistre: “Lorsque les adversaires de la monoarchie pontificale nous citent usque ad nauseam les vivacités de ce même S. Cyprien contre le Pape Etienne, ils nous peignent la pauvre humanité au lieu de nous peindre la saint tradition…Il faut de plus ne jamais perdre de vue cette grande règle…que le témoignage d’un homme ne saurait pas être reçu, quelque soit le mérite de celui qui le rend, dès que cet homme peut être seulemente soupçonné d’être sous influence de quelque passion capable de le tromper” (Du Pape, 1, I, c. 8, ed. 1919. pp. 68-70) Que eu próprio traduzo, diretamente do francês, que os protestantes deste grupo, certamente, ignoram (pois mal sabem português): “Quando os adversários da monarquia pontifícia nos citam, ad nauseam (1), a vivacidade de São Cipriano contra o Papa Estêvão, eles nos pintam afragilidade humana, em vez de nos pintar a tradição sagrada…Mas nunca devemos perder de vista esta grande regra … que o testemunho de um homem não pode ser recebido, qualquer que seja o mérito deste, quando tal homem possa estar sob a influência de alguma paixão capaz de enganá-lo”. De fato! O Cipriano que se opôs ao Papado enganou-se, equivoucou-se! E De Maistre nos disse o por que! E um Cipriano equivocado, JAMAIS será autoridade decisiva para um católico comprometido com a Sagrada Tradição EM SEU CONJUNTO. O Pe Leonel Franca, em livro que encomendei e prometi citar, é também muito claro, em debate com José Oiticica (versais minhas): “Efetivamente, a paixão turbara a tal ponto Firmiliano e Cipriano que os arrastara às mais visíveis contradições. QUEM LÊ CIPRIANO CALMO E TRANQUILO JÁ NÃO O RECONHECE NOS ESCRITOS DESTE PERÍODO [da controvérsia com Estêvão]. OS PRÓPRIOS CRÍTICOS PROTESTANTES e racionalistas revelam estas incoerências: “Quando Cipriano…tenta ainda conservar a unidade da Igreja, falta-lhe o solo sob os pés e as suas afirmações vacilam no ar. CONSOANTE O SEU CONCEITO, A UNIDADE CATÓLICA DEVERIA LOGICAMENTE ACHAR-SE ONDE SE ACHA O BISPO DE ROMA” (O. Ristchl, Cyprian von Karthago, Göttinge, 1885, p. 140). E Harnack: “INDUBITAVELMENTE no conflito com Estêvão PÔS-SE CIPRIANO EM CONTRADIÇÃO COM AS SUAS OPINIÕES ANTERIORES sobre a importância da Cátedra romana na Igreja” (Lehrbuch der Dogmengeschichte, I, Freiburg, 1909, p. 421). Calar, portanto, propositadamente quanto sobre o Papa ensinou o bispo de Cartago, sereno e tranquilo e respigar expressões veementes e despeitosas saídas num momento de irritação e de animosidade, é fechar voluntariamente os olhos à verdade, é deixar a limpidez diáfana de um dia primaveril para querer traçar um roteiro seguro entre os nevoeiros de uma noite revolta de tempestade. Polêmica que recorre a semelhantes processos históricos já está julgada” (Polêmicas, Agir, 1953, pp.417-418) Falou o verdadeiro terror dos hereges! E nem a Igreja Universal (com exceção dos dois concílios africanos promovidos pelo bispo de Cartago) DEIXOU DE ACATAR A DECISÃO DO PAPA ESTÊVÃO. Assim, quando os donatistas tentaram renovar o erro de Cipriano, o grande S. Agostinho os refutou com uma autoridade indiscutível: “Semelhante costume… não havia na Igreja primitiva e DEPOIS REPELIU-O TODO O ORBE CATÓLICO COM A MAIOR FIRMEZA DE AUTORIDADE” (De bapt., III, 2). “Catholicus orbis robustissima firmitate consesiones exclusit” Eis o que diz o maior luminar da Igreja primitiva. Estêvão prevaleceu! Porque era o Papa, o chefe, o líder de TODA A IGREJA. A tese equivocada de Cipriano, perdeu-se na noite dos tempos. Em que pese o prestígio e autoridade dele… Tais são os fatos. Cipriano, o dissemos, desgarrou da Tradição. Neste ponto, está sozinho. E não é, para nós, normativo. Embora tenha sido um CATÓLICO verdadeiro, martir e santo. Agora, senhores protestantes, parem com essa insistência ridícula sobre Cipriano em um momento infeliz de sua trajetória. E refute, Samuel Boaz, este post. Fique sabendo, rapaz: Em um hangout, eu faria picadinho de você… —— Por Maria, Fábio Morais. ——– (1) Argumentum ad nauseam (em português, “argumentação até provocar náusea”) é uma expressão latina que se refere à argumentação por repetição, que consiste em repetir insistentemente a mesma afirmação até o ponto de, metaforicamente, provocar náusea. Fonte: https://www.facebook.com/groups/oswpgrcia/permalink/1045404365609946/

  • Pelo fim da “Campanha da Fraternidade” da CNBB

    Desde a sua criação no início da década de 1960, a chamada “Campanha da Fraternidade” da CNBB tem sido utilizada para a propagação de agendas político-ideológicas, principalmente de cunho marxista/comunista, e causado enormes estragos na fé dos fiéis. Isso se deve principalmente ao fato de estas campanhas serem veiculadas em um período vital da vida dos fiéis que é o período da Quaresma. A Quaresma é o momento em que o católico deve analisar sua vida sob o prisma da contrição verdadeira, conversão, e obediência à vontade de Deus, mas a Campanha da Fraternidade, encabeçando temas polêmicos e heréticos tem influenciado a Igreja e prejudicado todos os aspectos espirituais que este período deveria proporcionar aos fiéis e a Igreja. Em virtude dos últimos acontecimentos relatados pelo senhor  Bernardo P Küster envolvendo a CNBB e sua conduta contrária aos ensinamentos da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, pedimos a ajuda do núncio apostólico do Brasil para que este ordene, em nome do Papa, o cancelamento de futuras Campanhas da Fraternidade, de modo que o povo católico possa, livre de qualquer influência política, retornar ao real sentido proposto pela Igreja para o período da Quaresma. Que seja possível então, colher novamente os tão necessários frutos espirituais que Deus nos proporciona quando nos aproximamos dele durante a Quaresma. Pedimos à todos os católicos que assinem esta petição e divulguem para seus amigos e parentes. A seguir os dados da Nunciatura Apostólica. Este é  o organismo que representa a Santa Sé no país. Também tem a função de embaixada do Estado do Vaticano. É dirigida pelo Núncio Apostólico. Endereço – SES – Av. das Nações, Quadra 801 – Lt. 01 CEP 70.401-900 – Brasília (DF) Caixa Postal: 153 – CEP 70.359-970 Fones: (61) 3223-0794 e 3223-0916 – Fax: (61) 3224-9365 E-mail: nunapost@solar.com.br #campanha #Fraternidade

  • O pastor seja discreto no silêncio, útil na palavra – São Gregório Magno.

    Seja o pastor discreto no silêncio, útil na fala, para não falar o que deve calar, nem calar o que deve dizer. Pois da mesma forma que uma palavra inconsiderada arrasta ao erro, o silêncio inoportuno deixa no erro aqueles a quem poderia instruir. Muitas vezes, pastores imprudentes, temendo perder as boas graças dos homens, têm medo de falar abertamente o que é reto. E segundo a palavra da Verdade, absolutamente não guardam o rebanho com solicitude de pastor, mas, por se esconderem no silêncio, agem como mercenários que fogem à vinda do lobo. O Senhor, pelo Profeta, repreende estes tais dizendo: Cães mudos que não conseguem ladrar (Is 56,10). De novo queixa-se: Não vos levantastes contra nem opusestes um muro de defesa da casa de Israel, de modo a entrardes em luta no dia do Senhor (Ez 13,5). Levantar-se contra é contradizer sem rebuços aos poderosos do mundo em defesa do rebanho. E entrar em luta no dia do Senhor quer dizer: por amor à justiça resistir aos que lutam pelo erro. Quando o pastor tem medo de dizer o que é reto, não é o mesmo que dar as costas, calando-se? É claro que se, pelo rebanho, se expõe, opõe um muro contra os inimigos em defesa da casa de Israel. Outra vez, se diz ao povo pecador: Teus profetas viram em teu favor coisas falsas e estultas; não revelavam tua iniqüidade a fim de provocar à penitência (Lm 2,14). Na Sagrada Escritura algumas vezes os profetas são chamados de doutores porque, enquanto mostram ser transitórias as coisas presentes, manifestam as que são futuras. A palavra divina censura aqueles que vêem falsidades, porque, por medo de corrigir as faltas, lisonjeiam os culpados com vãs promessas de segurança; não revelam de modo nenhuma iniqüidade dos pecadores porque calam a palavra de censura. Por conseguinte, a chave que abre é a palavra da correção porque, ao repreender, revela a falta a quem a cometeu, pois muitas vezes dela não tem consciência. Daí Paulo dizer: Que seja poderoso para exortar na sã doutrina e para convencer os contraditores (Tt 1,9). E Malaquias: Guardem os lábios do sacerdote a ciência; e esperem de sua boca a lei porque é um mensageiro do Senhor dos exércitos (Ml 2,7). Daí o Senhor admoestar por meio de Isaías: Clama, não cesses; qual trombeta ergue tua voz (Is 58,1). Quem quer que entre para o sacerdócio, recebe o ofício de arauto, porque caminha à frente, proclamando a vinda do rigoroso juiz, que se aproxima. Portanto, se o sacerdote não sabe pregar, que protesto elevará o arauto mudo? Daí se vê por que sobre os primeiros pastores o Espírito Santo pousou em forma de línguas; com efeito, imediatamente impele a falar sobre ele aqueles que inunda de luzes. — Da Regra Pastoral, de São Gregório Magno, papa (século VI)

  • Santo do Dia – 27 de Março – São Ruperto

    SANTO DO DIA – 27 DE MARÇO – SÃO RUPERTO, PRIMEIRO BISPO DE SALISBURGO Bispo (séculos VII e VII) Ruperto era um nobre descendente dos condes que dominavam a região do médio e do alto Reno, rio que percorre os Alpes europeus. Os Rupertinos eram parentes dos Carolíngios e o centro de suas atividades estava em Worms, onde Ruperto recebeu sua formação junto aos monges irlandeses. No ano 700, sua vocação de pregador se manifestou e ele dirigiu-se à Baviera, na Alemanha, com este intuito. Com o apoio do conde Téodo da Baviera, que era pagão e foi convertido por Ruperto, fundou uma igreja dedicada a São Pedro, perto do lago Waller, a dez quilômetros de Salzburgo. Mas, o local não condizia ainda com os objetivos de Ruperto, que conseguiu do conde outro terreno, próximo do rio Salzach, nos arredores da antiga cidade romana de Juvavum. Nesse terreno, o mosteiro que o bispo Ruperto construiu é o mais antigo da Áustria e veio a ser justamente o núcleo de formação da nova cidade de Salzburgo. Teve para isso o apoio de doze concidadãos, dois dos quais também se tornaram santos: Cunialdo e Gislero. Fundou, ao lado deste, um mosteiro feminino, que entregou a direção para sua sobrinha, a abadessa Erentrudes. Foi o responsável pela conversão total da Baviera e, é claro, de toda a Áustria. Morreu no dia 27 de março de 718, um domingo de Páscoa, depois de rezar a missa, no mosteiro de Juvavum. Antes, como percebera que a morte estava próxima, fez algumas recomendações e pedido de orações à sua sobrinha, e irmã espiritual, Erentrudes. Suas relíquias estão guardadas na belíssima catedral de Salzburgo, construída no século XVII. Ele é o padroeiro de seus habitantes e de suas minas de sal. São Ruperto, reconhecido como o fundador da bela cidade de Salzburgo, cujo significado é cidade do sal, aparece retratado com um saleiro na mão, tamanha sua ligação com a própria origem e desenvolvimento da cidade. Foi seu primeiro bispo e sua influência alastrou-se tanto, que é festejado nesse dia, não só nas regiões de língua alemã, como também na Irlanda, onde estudou, porque ali foi tomado como modelo pelos monges irlandeses. São Gontrão São Ruperto ou Roberto era da raça dos reis de França e bispo de Worms, no segundo ano de Childerico III, no ano de 696. Sua reputação chegou até Teodão, duque da Baviera. Este lhe enviou emissário para lhe rogar insistentemente que viesse ensinar na Província de Nórica. O santo bispo enviou, a princípio, alguns missionários, depois foi pessoalmente para lá. O duque, pleno de alegria, veio-lhe ao encontro, recebendo-o em Ratisbona, com grandes homenagens. São Ruperto ensinou tanto a moral como a fé católica, batizou-os juntamente com muitos súditos, tanto nobres como plebeus. É certo que, desde o tempo do rei Teodorico I, os bávaros haviam recebido a religião cristã, como consta de suas leis; mas vemos ao mesmo tempo, sobretudo pelo capitulário do Papa Gregório, que não havia nenhuma organização de bispados sob uma metrópole, nem, por conseguinte, nenhuma sucessão assegurada aos bispos. Concebe-se que, em tal estado de coisas, sobretudo em meio a resoluções políticas do reino da Austrásia, as gerações novas da Baviera, sem serem precisamente idólatras, nem sempre eram cristãs. Era a isso que o Papa Gregório procurava remediar, por seus legados. Convertendo-se o duque Teodão prometeu a São Ruperto escolher um lugar para estabelecer uma sede episcopal e construir igrejas e alojamentos para os eclesiásticos. O santo bispo embarcou no Danúbio e foi até as fronteiras da Panônia inferior, pregando a fé. Ao voltar, passou por Laureac, atualmente Lorch, antiga metrópole de Nórica onde curou vários doentes por suas orações e converteu inúmeras pessoas. Em seguida, sabendo que um lugar chamado Juvave havia existido quantidade apreciável de edifícios maravilhosos, mas, então, quase que em ruínas e cobertos de árvores, foi para lá e pediu esse lugar ao duque de Teodão. Esse lhe concedeu de boa vontade, com as terras dos arredores, em uma extensão de duas léguas. São Ruperto, estabeleceu sua sede episcopal, construiu uma igreja muito bonita em honra de São Pedro, com um claustro e alojamentos para os clérigos, para celebrarem o ofício todos os dias. Foi assim que, à voz do pontífice, a antiga Juvave saiu das ruínas para reviver séculos sob o nome de Salisburgo. Esse santo bispo tinha necessidade de operários que pregassem o Evangelho. Por isso voltou a seu país e trouxe consigo doze, com sua sobrinha Erentrude, que se havia consagrado a Deus. Fundou para ela um mosteiro em honra da santa Virgem sobre uma montanha vizinha, do qual ela foi a primeira abadessa. Ele continuou a visitar assiduamente todo o país, a construir igrejas e a ordenar clérigos. Enfim, após ter ordenando seu sucessor, morreu em 718, no dia da Páscoa, 27 de Março, dia em que a Igreja lhe honra a memória. #SantodoDia

  • ENTREVISTA COM SÃO PAULO APÓSTOLO – II

    R: Eu vos transmiti primeiramente o que eu mesmo havia recebido: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado, e ressurgiu ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas, e em seguida aos Doze. Depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, dos quais a maior parte ainda vive (e alguns já são mortos); depois apareceu a Tiago, em seguida a todos os apóstolos. E, por último de todos, apareceu também a mim, como a um abortivo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, e não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. Durante a viagem a Damasco, lá pelo meio-dia, nós já estávamos perto da cidade, quando de repente brilhou em torno de mim e dos meus companheiros uma forte e resplandecente luz, vinda do céu, mais fulgurante que o sol. Caímos todos nós por terra. Eu ouvi uma voz que me dizia em língua hebraica: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Os homens que me acompanhavam encheram-se de espanto, pois viram a luz, mas não ouviram a voz de quem falava. Eu disse: “Quem és tu, Senhor?” Respondeu ele: “Eu sou Jesus de Nazaré, a quem tu persegues. Duro te é obstinar-se contra o aguilhão.” Então, trêmulo e atônito, disse-lhe: “Senhor, que queres que eu faça?” Respondeu-me o Senhor:  “Levanta-te, vai a Damasco e lá te será dito tudo o que deves fazer.” Levantei-me do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada, por causa da intensidade daquela luz. Guiado pela mão dos meus companheiros, cheguei a Damasco, onde estive três dias sem ver, sem comer nem beber. [Fonte: Bíblia da Ave Maria. Com exceção das perguntas, que são do “entrevistador”, as respostas todas são do Apóstolo e foram extraídas dos “Atos dos Apóstolos” e das cartas de São Paulo]

  • PÁSCOA ESPLENDOROSA (Hino Católico)

    Páscoa esplendorosa, Páscoa do Senhor, Páscoa! Uma Páscoa puríssima  sobre nós brilhou! Páscoa! Com alegria abracemo-nos uns aos outros! Ó Páscoa, que destrói a tristeza! Dia da ressurreição! Resplandeçamos de alegria por esta festa, abracemo-nos uns aos outros, chamemos “irmãos” também aos inimigos, perdoemos tudo e todos pela ressurreição, e assim cantemos: Cristo ressuscitou dos mortos! (Hino católico, dos cristãos do século V-VI) #Cristologia #Igreja

  • BELO É DEUS (São Boaventura)

    Belo é Deus, o Verbo junto de Deus… É belo no céu, belo na terra; Belo no seio, Belo nos braços dos pais, Belo nos milagres,  Belo nos suplícios; Belo quando convida à vida, Belo quando não se preocupa com a morte; Belo ao deixar a vida e belo ao retomá-la; Belo na Cruz, Belo no sepulcro, Belo no céu! (São Boaventura) #Cristologia #Igreja

  • São Ludgero, Bispo – 26 de Março

    SANTO DO DIA – 26 DE MARÇO – SÃO LUDGERO Bispo (742-809) Ludgero nasceu no ano 742 em Zuilen, Friesland, atual Holanda, e foi um dos grandes evangelizadores do seu tempo. Era descendente de família nobre e, dedicado aos estudos religiosos desde pequeno. Ordenou-se sacerdote em 777, em Colônia, na Alemanha. Seu trabalho de apóstolo teve início em sua terra natal, pois começou a trabalhar justamente nas regiões pagãs da Holanda, Suécia, Dinamarca, ponto alto da missão de São Bonifácio, que teve como discípulos São Gregório e Alcuíno de York, dos quais foi seguidor também Ludgero. Mais tarde, foi chamado pelo imperador Carlos Magno para evangelizar as terras que dominava. Entretanto, este empregava métodos de conversão junto aos povos conquistados, não condizentes com os princípios do cristianismo. Logo de início, por exemplo, obrigava os soldados vencidos a se converterem pela força, sob pena de serem condenados à morte se não se batizassem. Como consequência, dessa atitude autoritária estourou a revolta de Widukindo e Ludgero teve que fugir, seguindo para Roma. Depois foi para Montecassino, onde aprimorou seus estudos sobre o catolicismo e vestiu o hábito de monge, sem contudo emitir os votos. A revolta de Widukindo foi a muito custo dominada em 784 e o próprio Carlos Magno foi a Montecassino pedir que Ludgero retornasse para seu trabalho evangelizador, que então produziu muitos frutos. Pregou o evangelho na Saxônia e em Vestfália. Carlos Magno ofereceu-lhe o bispado de Treves, mas ele recusou. Ludgero emitiu os votos tomando o hábito definitivo de monge e fundou um mosteiro, ao redor do qual cresceu a cidade de Muester, cujo significado, literalmente, é mosteiro, e da qual foi eleito o primeiro bispo. Ludgero não parou mais, fundou várias igrejas e escolas, criou novas paróquias e as entregou aos sacerdotes que ele mesmo formara. Ainda encontrou tempo para retomar a evangelização na Frísia, realizando o seu sonho de contribuir para a conversão de sua pátria, a Holanda, e fundar outro mosteiro, este beneditino, em Werden, antes de morrer, que ocorreu no dia 26 de março de 809. O corpo de Ludgero foi sepultado na capela do mosteiro de Werden. Os fiéis tornaram o local mais uma meta de peregrinação pedindo a sua intercessão para muitas graças e milagres, que passaram a ocorrer em abundância. O culto à São Ludgero, que ocorre neste dia é muito intenso especialmente na Holanda, Suécia, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Itália, países cujo solo pisou durante seu ministério. São Ludgero Ludigero, contemporâneo de Carlos Magno, era natural de Frisa, e descendia de família nobre. Seus pais eram cristãos. A mãe fora conservada por benefício singular da Providência. Tinha uma avó pagã, a qual, irritada pelo fato de seu filho ter apenas filhas, ordenou que a matassem antes de ser amamentada. Isso porque esses pagãos acreditavam ser permitido matar uma criança, uma vez que não houvesse tomado nenhum alimento. A criada encarregada da execução quis afundar a criança em um balde cheio de água, começando pela cabeça. Mas a pequena, estendendo os braços contra os bordos do balde, resistiu durante muito tempo, acabando por obter a compaixão de uma mulher vizinha, que a tomou, levou, para casa e lhe fez engolir imediatamente um pouco de mel. Após o que, desapareceu o perigo de morrer. Foi mãe de dois santos bispos, Ludigero e Hildegrimo, e de várias filhas, mães de inúmeros outros bispos. Desde a infância, São Ludigero, pedia aos pais que lhe dessem instrução por meio de algum homem de Deus. E eles o colocaram sob a direção de São Gregório de Utrecht, que vendo-o avançar na virtude, deu-lhe o hábito e o colocou em um mosteiro. Era uma escola de onde saíram inúmeros bispos e sacerdotes. Em seguida o enviou à Inglaterra com o inglês Aluberto, que viera trabalhar com ele na Frísia, o qual Gregório desejava fosse sagrado bispo. Ludigero lá passou um ano estudando, sob a direção de Alcuíno e foi ordenado diácono, sendo Aluberto bispo. Após o que, voltou para a Frísia para junto do abade Gregório. Mas algum tempo depois, obteve a permissão para retornar à Inglaterra, a fim de se instruir ainda com Alcuíno, que ensinava em York. Depois de três anos, estava de volta, trazendo grande quantidade de livros. Santo Alberico o ordenou sacerdote em Colônio, ao mesmo tempo em que foi sagrado bispo, e o encarregou da igreja de Dokem, onde São Bonifácio sofrera o martírio. Mas não deixava de governar o mosteiro de Utrecht, trimestralmente, com dois outros sacerdotes e o bispo Alberico, que o havia ordenado. São Ludigero trabalhou durante sete anos na Frísia, depois da morte de São Gregório, ou seja, de 776 a 783. E durante esse tempo, operou grande número de conversões, fundou várias igrejas e inúmeros mosteiros. As coisas estavam nesse pé, quando a invasão dos saxões o obrigou a deixar a Frísia. Distribuiu seus discípulos entre diversos lugares, em grande número, e levou dois consigo: Hildegrimo, seu irmão, e Gerberto, cognominado o Casto. Foi em Roma, seja com São Willehade, como dizem alguns, seja no ano seguinte, e passou pelo monte Cassino, onde se deteve, para aprender a regra de São Bento, porque desejava fundar um mosteiro em um terreno que lhe pertencia. Decorridos dois anos e meio, voltou a Frísia. Carlos Magno, que ouvira falar de Ludigero, encarregou-o da instrução dos frisões, dos cinco cantões a oriente do rio de Labec. A conselho do príncipe, passou para uma ilha, situada entre a Frísia e a Dinamarca, onde se adorava um deus chamado Sosise. Ele lhes derrubou os templo, construiu uma igreja, e, após converter os habitantes, batizou-os em uma fonte, onde São Willebrod, por superstição não bebiam a água, senão em silêncio. Entre os frisões que Ludigero teve a felicidade de converter, encontrava-se Landerico, filho do príncipe desses país. O santo missionário, que foi seu padrinho, instruiu-o com dedicação nas letras santas e, em seguida, o ordenou sacerdote. Landerico correspondeu a todas as esperanças. Foi, por longo tempo, chefe da escola dos frisões, e o mais firme sustentáculo dessa comunidade cristã, tanto pelo zelo como pelo crédito que lhe dava o nascimento. Deus autorizou por prodígios a pregação de Ludigero. Um dia, em que se encontrava à mesa com os discípulos em casa de uma senhora natural da Frísia, apresentaram-lhe um homem que ficava cego havia três anos, de nome Bernlef, conhecidíssimo e estimadíssimo em toda a região, porque sabia cantar com graça os combates dos antigos reis de sua nação. Essas canções, conservadas de cor, por tradição, eram os únicos monumentos da história entre a maior parte desses povos bárbaros. E Carlos Magno foi o primeiro que os fez escrevê-las. Ludigero, olhando para ele com ar jovial, perguntou-lhe senão queria confessar-se e receber a penitência. Bernlef, que não esperava pela pergunta, aceitou-a todavia. Ludigero, marcou-lhe, um encontro para o dia seguinte. O santo missionário montou a cavalo. Bernlef se fez onduzir sobre um cavalo até o lugar onde devia encontrar Ludigero. Esse tomou o cavalo Fo cego pelas rédeas e o levou a certa distância, onde ouviu o cego em confissão e lhe impôs uma penitência. Depois, fazendo-lhe o sinal da cruz sobre os olhos, colocou-lhe, diante, a mão, perguntando se estava vendo alguma coisa. Ele respondeu, cheio de alegria que estava vendo a mão. Continuando a caminho, aproximaram-se de uma vila chamada Werthem. Ludigero perguntou-lhe se reconhecia aquele lugar. Bernlef disse o nome do lugar e assegurou que distinguia as casas das árvores. Então o santo missionário o conduziu a um oratório vizinho e, após fazê-lo agradecer a Deus, lhe disse: ” Jura que, enquanto for vivo, não dirás a ninguém que fui eu que te curei.” Bernlef jurou e cumpriu a palavra. Durante algum tempo, fez-se ainda cego, para melhor esconder o autor da cura. E não contou o milagre senão depois da morte do santo. São Ludigero foi obrigado a deixar a Frísia durante uma segunda perseguição. Encarregou Bernlef, que sabia ser benquisto por toda a parte, de ir de casa em casa batizar, com o consentimento das mães, as crianças moribundas, por imersão ou por infusão. Batizou, assim, dezoito, que morreram logo após, exceto duas, às quais Ludigero, em seguida, deu a confirmação. O que aqui é dito do batismo por infusão prova somente que ele era usado para os doentes. Bernlef morreu santamente, em idade avançada. Sua esposa, vendo-o no leito de morte, afirmava que não poderia sobreviver-lhe, desfazendo-se em lágrimas. “Consola-te, disse-lhe ele, se tiver algum poder junto de Deus, tu me seguirás em breve”. Ela morreu com efeito, quinze dias depois. Quando a colheita se tornou mais abundante na Saxônia, Carlos Magno encarregou Ludigero de cultivar a parte ocidental dessa região. E isso deixar o cuidado da missão de Frísia. Para facilitar o progresso do Evangelho, propôs ordenar bispo um dos seus discípulos. Mas Hildebrando, bispo de Colônia, forçou-o a aceitar ele mesmo o episcopado. Respondeu com estas palavras do apóstolo: “Pobre de mim! Respondeu Hildebrando, essa regra serve bem para mim!” Mas, novamente insistiu com Ludigero, que, finalmente, se viu obrigado a ceder aos desejos do povo e à ordem do imperador. Foi sagrado em 801, primeiro bispo de Mimigardtfort, que mais tarde veio a se chamar Münster, por causa de um mosteiro de cônegos que o santo bispo lá fez construir. Alguns ano antes, mandara construir em terras de sua propriedade, o mosteiro de Werden, cuja fundação é dada como sendo de 796. Fez também ser construído um em Helmstat. Carlos Magno, que conhecia o santo costume que ele fazia dos bens da igreja, deu-lhe, com o bispado de Mimigardtfort, o mosteiro de Leuza em Brabante. Como Ludigero, não tivesse feito profissão de vida monástica, embora a praticasse, desde que fora sagrado bispo, passou a comer carne e abandonou a cogula. Mas não deixou de usar o cilício, que trazia escondido sob as roupas. Como bispo, curou mais um cego. Durante o tempo em que visitava a diocese, encontrando-se um dia à mesa em certa localidade da Saxônia, um cego veio gritar-lhe à porta. Enviou-lhe um diácono que cuidava dos pobres, para dar-lhe pão e carne. O cego não quis. O diácono procurou fazê-lo beber, o que ele também recusou, dizendo que desejava somente comparecer à presença do bispo, para que este o socorresse. O diácono que não compreendia o que ele desejava, deixou-o e o cego começou a gritar mais alto do que antes. Ludigero lhe enviou dinheiro que foi também recusado. O cego insistia somente em querer ser levado à presença do bispo. Foi, então, introduzido e Ludigero lhe disse: “Meu irmão que desejas de mim?” Respondeu o cego: “Fazei que eu veja por amor de Deus!” tornou Ludigero, espantando-se com o pedido. E, no mesmo instante, embora não tivesse repetido essas palavras senão para dar a entender o espanto, o cego recuperou a visão. E, colocando-se à mesa, bebeu e comeu com grande alegria. O santo bispo teve ardente desejo de ir pregar o Evangelho aos normandos, ou seja, dinamarqueses e outros povos do norte. Mas não conseguiu obter permissão de Carlos Magno, que o achava necessário para a Germânia. Em uma época em que não temia nada, o santo homem teve revelação das invasões que os normandos fariam um dia no império dos francos. Predisse-o à irmã Heriburga, chorando copiosamente. Ela exclamou: “Praza a Deus levar-me deste mundo antes que tais calamidades aconteçam!” Ludigero respondeu: “Não será assim. Essas infelicidades acontecerão enquanto fores viva. Eu, porém, não as verei no meu corpo.” E de fato, quando o bispo Alfrido, segundo sucessor de São Ludigero, escrevia esses pormenores, ditados por Heriburga, os normandos daquelas paragens, reduzindo os campos e os desertos. As grandes caridades que Ludigero praticava deram ocasião a alguns invejosos de o caluniarem. Pelo fato de distribuir com liberalidade, aos pobres todas as suas rendas, foi acusado junto de Carlos Magno de dissipar os bens da igreja. Foi chamado a prestas contas de suas administração. Dirigiu-se à corte e hospedou-se perto do palácio. Carlos Magno, ao saber de sua chegada, mandou chamá-lo logo pela manhã. Ludigero estava recintando o ofício. Respondeu que iria a audiência, quando tivesse feito suas orações. O imperador, impaciente por vê-lo, mandou por três vezes seus emissários apressarem o bispo. Mas não conseguiu que ele interrompesse as orações. Ao terminá-las, foi saudar o imperador, que lhe disse com um pouco de emoção: “Bispo, de onde vem essa consideração às minhas ordens e por que obrigar-me a enviar tantos recados?” “- Príncipe, respondeu Ludigero, é que eu creio dever preferir Deus a vós e aos homens todos, é o que vós mesmo me mandastes fazer, quando me destes meu bispado”. ” – Bispo, replicou imediatamente Carlos Magno, agradeço-vos por vos encontrar tal qual vos acreditava, Alguns interpretaram mal vossas boas obras. Mas eu vos prometo não escutá-los mais.” Hildegrimo, irmão de São Ludigero, distinguia-se de maneira apreciável pela piedade. Carlos magno lhe deu o bispado de Châlons-sobre o Marne. Mas, ao que parece, o deixou após a morte de São Ludigero, que aconteceu em 26 de Março de 809, dia em que é lembrado. Ludigero, embora enfermo no fim da vida, celebrava todos os dias a missa e no domingo da Paixão, que precedeu a noite em que morreu, pregou por duas vezes, a primeira na missa da manhã, e a segunda na que celebrou às nove horas. Seus discípulos quiseram enterrá-lo em Werden, segundo ele mesmo havia mandado. O povo, porém, se opôs a isso e deliberou-se deixar o corpo na igreja de Mimigardtfort, como em depósito. Durante esse tempo, Hildegrimo obteve ordem do imperador de fazer executar as últimas vontades de seu irmão. Sucedeu-lhe na direção do mosteiro de Werden, e Gefredo, seu sobrinho, na assembléia de Münster. A vida de São Ludigero, foi escrita por Altfrido, seu segundo sucessor, com base nas memórias que lhe foram fornecidas por Hildegrimo, irmão do santo, pela religiosa Heriburga, sua irmã e Gefredo, seu sobrinho. #SantodoDia

  • NAS TREVAS DO MEIO-DIA – Domingo da Paixão

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Isaías 50,4-7) Sei que não sairei humilhado O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. SALMO 21 Vinde ó Deus em meu auxílio (Antífona): Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? Riem de mim todos aqueles que me veem, torcem os lábios e sacodem a cabeça: Ao Senhor se confiou, ele o liberte E agora o salve, se é verdade que ele o ama! Cães numerosos me rodeiam furiosos e por um bando de malvados fui cercado. Transpassaram minhas mãos e os meus pés e eu posso contar todos os meus ossos. Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica. Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro! Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembleia hei de louvar-vos! Vós, que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, glorificai-o, descendentes de Jacó, e respeitai-o, toda a raça de Israel! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Carta aos Filipenses 2,6-11) A humilhação redentora Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai. EVANGELHO (São Marcos 15,1-39) Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo Logo pela manhã, os sumos sacerdotes, com os anciãos, os mestres da Lei e todo o Sinédrio, reuniram-se e tomaram uma decisão. Levaram Jesus amarrado e o entregaram a Pilatos. E Pilatos o interrogou: “Tu és o rei dos judeus?” Jesus respondeu: — “Tu o dizes”. E os sumos sacerdotes faziam muitas acusações contra Jesus. Pilatos o interrogou novamente: “Nada tens a responder? Vê de quanta coisa te acusam!” Mas Jesus não respondeu mais nada, de modo que Pilatos ficou admirado. Por ocasião da Páscoa, Pilatos soltava o prisioneiro que eles pedissem. Havia então um preso, chamado Barrabás, entre os bandidos, que, numa revolta, tinha cometido um assassinato. A multidão subiu a Pilatos e começou a pedir que ele fizesse como era costume. Pilatos perguntou: “Vós quereis que eu solte o rei dos judeus?” Ele bem sabia que os sumos sacerdotes haviam entregado Jesus por inveja. Porém, os sumos sacerdotes instigaram a multidão para que Pilatos lhes soltasse Barrabás. Pilatos perguntou de novo: “Que quereis então que eu faça com o rei dos judeus?” Mas eles tornaram a gritar: — Crucifica-o! Pilatos perguntou: “Mas, que mal ele fez?” Eles, porém, gritaram com mais força: — Crucifica-o! Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus e o entregou para ser crucificado. Então os soldados o levaram para dentro do palácio, isto é, o pretório, e convocaram toda a tropa. Vestiram Jesus com um manto vermelho, teceram uma coroa de espinhos e a puseram em sua cabeça. E começaram a saudá-lo: — “Salve, rei dos judeus!” Batiam-lhe na cabeça com uma vara. Cuspiam nele e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante dele. Depois de zombarem de Jesus, tiraram-lhe o manto vermelho, vestiram-no de novo com suas próprias roupas e o levaram para fora, a fim de crucificá-lo. Os soldados obrigaram um certo Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo, que voltava do campo, a carregar a cruz. Levaram Jesus para o lugar chamado Gólgota, que quer dizer “Calvário”. Deram-lhe vinho misturado com mirra, mas ele não o tomou. Então o crucificaram e repartiram as suas roupas, tirando a sorte, para ver que parte caberia a cada um. Eram nove horas da manhã quando o crucificaram. E ali estava uma inscrição com o motivo de sua condenação: “O Rei dos Judeus”. Com Jesus foram crucificados dois ladrões, um à direita e outro à esquerda. Os que por ali passavam o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: — “Ah! Tu, que destróis o Templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!” Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, com os mestres da Lei, zombavam entre si, dizendo: — “A outros salvou, a si mesmo não pode salvar! O Messias, o rei de Israel… que desça agora da cruz, para que vejamos e acreditemos!” Os que foram crucificados com ele também o insultavam. Quando chegou o meio-dia, houve escuridão sobre toda a terra, até as três horas da tarde. Pelas três da tarde, Jesus gritou com voz forte: — “Eloi, Eloi, lamá sabactâni?” Que quer dizer: — “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Alguns dos que estavam ali perto, ouvindo-o, disseram: — “Vejam, ele está chamando Elias!” Alguém correu e embebeu uma esponja em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e lhe deu de beber, dizendo: — “Deixai! Vamos ver se Elias vem tirá-lo da cruz”. Então Jesus deu um forte grito e expirou. Nesse momento, a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes. Quando o oficial do exército, que estava bem em frente dele, viu como Jesus havia expirado, disse: — “Na verdade, este homem era o Filho de Deus!” NAS TREVAS DO MEIO-DIA (Comentário de Scott Hahn) “Chegou ao seu cumprimento o que foi escrito sobre mim”, Jesus nos diz no Evangelho de hoje (v. Lucas 22, 37). De fato, chegamos ao clímax do ano litúrgico, o ponto mais alto da história da salvação, no qual se cumpre tudo aquilo que foi antecipado e prometido. Ao terminar o extenso Evangelho de hoje, a obra de nossa redenção estará completa. A nova aliança será escrita com o sangue do seu Corpo alquebrado e pendido da cruz, no lugar denominado “a Caveira”. Em sua Paixão, Jesus é “contado entre os malfeitores”, como Isaías o havia predito (v. Is 53,12). É revelado, definitivamente, como o Servo Sofredor anunciado pelo profeta; o Messias tão esperado, cujas palavras de fé e obediência se ouvem na primeira leitura e no salmo de hoje. As zombarias e tormentos que ouvimos nessas duas leituras ecoam no Evangelho de hoje — no qual Jesus é espancado e ridicularizado (v. Lc 22,63-65; 23,10.11.16); cujas mãos e pés são perfurados (v. . Lc 23,33), enquanto seus inimigos disputam as suas vestes (v. Lc 23,34) e é três vezes desafiado a livrar-se do sofrimento, provando assim a sua divindade (v. Lc 23,35.37.39). Seus inimigos nunca entenderam que seu reinado não era deste mundo (v. João 18,36). Nós não somos muito diferentes dos que torturaram Nosso Senhor. Quantas vezes não negamos a Sua realeza, recusando-nos a obedecer ao Seu mandamento de amor, nada Lhe oferecendo além do falso tributo de nossas mornas devoções? Mas Jesus permanece fiel à vontade de Deus até o fim; não recua diante de sua provação. Entrega-se livremente aos seus torturadores, confiando naquilo que a primeira leitura de hoje nos diz: “o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo”. Nós, filhos de Adão destinados ao pecado e à morte, fomos libertados para a santidade e a Vida através da obediência perfeita de Cristo à vontade do Pai (v. Rm 5,12-14.17.19; Ef 2,2; 5,6). Por essa razão, Deus o exaltou. Portanto, em seu Nome temos a salvação. Seguindo o seu exemplo de humilde obediência nas cruzes e provações de nossas vidas, sabemos que nunca seremos abandonados; e que um dia estaremos com Ele no paraíso (v. Lc 23, 42). No sombrio meio-dia do Calvário, o véu no templo de Jerusalém se rasgou. Foi um sinal de que, por Sua morte, Jesus destruiu para sempre a barreira que nos separava da presença de Deus. Jesus era Deus e se humilhou, tornando-se igual aos homens, como nos recorda a epístola de hoje. Apesar de nossas repetidas falhas e de nossa fragilidade, Jesus continua humilhando-se, oferecendo-nos Seu Corpo e Sangue na Eucaristia. No início dessa Semana Santa, decidamos dar-Lhe mais uma vez o comando de nossas vidas; tomemos a cruz que Ele dos dá; digamos com todo a nossa força, com todo o nosso coração e com todo o nosso entendimento que, verdadeiramente, Este é o Filho de Deus. https://stpaulcenter.com/la-pasion-de-cristo-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-domingo-de-ramos/ https://stpaulcenter.com/darkness-at-noon-scott-hahn-reflects-on-passion-sunday/

  • BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR, O REI DE ISRAEL (Santo André de Creta, bispo)

    Vinde, subamos juntos ao monte das Oliveiras e corramos ao encontro de Cristo, que hoje volta de Betânia e se encaminha voluntariamente para aquela venerável e santa Paixão, a fim de realizar o mistério de nossa salvação. Caminha o Senhor livremente para Jerusalém, ele que desceu do céu por nossa causa – prostrados que estávamos por terra – para elevar-nos consigo bem acima de toda autoridade, poder, potência e soberania ou qualquer título que se possa mencionar (Ef 1,21), como diz a Escritura. O Senhor vem, mas não rodeado de pompa, como se fosse conquistar a glória. Ele não discutirá, diz a Escritura, nem gritará, e ninguém ouvirá sua voz (Mt 12,19; cf. Is 42,2). Pelo contrário, será manso e humilde, e se apresentará com vestes pobres e aparência modesta. Acompanhemos o Senhor, que corre apressadamente para a sua Paixão e imitemos os que foram ao seu encontro. Não para estendermos à sua frente, no caminho, ramos de oliveira ou de palma, tapetes ou mantos, mas para nos prostrarmos a seus pés, com humildade e retidão de espírito, a fim de recebermos o Verbo de Deus que se aproxima, e acolhermos aquele Deus que lugar algum pode conter. Alegra-se Jesus Cristo, porque deste modo nos mostra a sua mansidão e humildade, e se eleva, por assim dizer, sobre o ocaso (cf. Sl 67,5) de nossa infinita pequenez; ele veio ao nosso encontro e conviveu conosco, tornando-se um de nós, para nos elevar e nos reconduzir a si. Diz um salmo que ele subiu pelo mais alto dos céus ao Oriente (cf. Sl 67,34), isto é, para a excelsa glória da sua divindade, como primícias e antecipação da nossa condição futura; mas nem por isso abandonou o gênero humano, porque o ama e quer elevar consigo a nossa natureza, erguendo-a do mais baixo da terra, de glória em glória, até torná-la participante da sua sublime divindade. Portanto, em vez de mantos ou ramos sem vida, em vez de folhagens que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu verdor, prostremo-nos aos pés de Cristo. Revestidos de sua graça, ou melhor, revestidos dele próprio, – vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl 3,27) – prostremo-nos a seus pés como mantos estendidos. Éramos antes como escarlate por causa dos nossos pecados, mas purificados pelo batismo da salvação, nos tornamos brancos como a lã. Por conseguinte, não ofereçamos mais ramos e palmas ao vencedor da morte, porém o prêmio da sua vitória. Agitando nossos ramos espirituais, o aclamemos todos os dias, juntamente com as crianças, dizendo estas santas palavras: “Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel”. (Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo – Oratio 9 in ramos palmarum: PG 97,990-994 – Séc. VI). #Cristologia #Igreja

  • UNIDADE E DIVERSIDADE, O DESENVOLVIMENTO DA DOUTRINA NA ERA APOSTÓLICA

    A admissão de pagãos no povo de Deus sem exigência de circuncisão foi o grande ponto de controvérsia não só entre grupos cristãos e sinagogas judaicas, mas também entre os próprios grupos cristãos. O Concílio apostólico em Jerusalém, por volta de 48 d.C., foi uma primeira tentativa no sentido de estabelecer um Fórum de diálogo supra-regional para discutir as opções divergentes, que haviam levado a práticas rituais de diversas. Quanto ao conteúdo, tratava-se do significado da marca de identidade, concretamente, da circuncisão para a autocompreensão Cristã. Aqui a situação das Fontes, excepcionalmente, é muito boa. Além do relato da testemunha ocular Paulo (Gálatas 2,11 – 10), dispomos ainda da narrativa de Lucas em Atos 15. Mesmo assim, há divergências objetivas que não podem ser harmonizadas. Elas devem ser creditadas a divergentes intenções redacionais. Segundo Paulo, a ocasião do Concílio Apostólico foi uma revelação Divina elas (Gálatas 2,2). No contexto da epístola aos Gálatas, Paulo pretende demonstrar sua autonomia, patrocinada por Deus, diante das autoridades de Jerusalém e apresentar com o segundo ato da história de sua vocação o Concílio, com o qual o próprio Deus dá impulso a missão junto aos pagãos. Mas ele se traia ao dizer que em Jerusalém ele expõe o seu evangelho para não correr inutilmente (Gálatas 2,2). tratava-se, portanto, realmente de um exame de sua prática missionária, com a finalidade de conseguir sua ratificação. Pelo visto, havia também uma forte oposição. Paulo os denomina falsos irmãos e os compara a espiões (Gálatas 2,4). Assim sendo, a apresentação de Lucas, historicamente, poderá ter preservado algo mais confiável, a visita de uma comissão de Jerusalém a Antioquia colocou em questão a prática missionária que lá se Executava. A própria comunidade de Antioquia que desejava uma esclarecimento em Jerusalém (atos 15,1). Quanto à composição do Concílio, Lucas oferece a grande Variante: a comunidade inteira, com os apóstolos e presbíteros, assim como Paulo e Barnabé, com uma comissão de Antioquia (Atos 15,4-22). Ele sonha, pelo visto, como um modelo de Solução de Conflitos que tem por princípio a base democrática, Como já havia narrado a respeito da arbitragem da questão das viúvas em Atos 6. Paulo, em contrapartida, descreve a variante menor: três representantes de Antioquia (Paulo, Barnabé e Tito) negociam com as três colunas Tiago, Pedro e João, em Jerusalém. No contexto da epístola aos Gálatas, Paulo pretende com isso demonstrar sua equiparação com as autoridades de Jerusalém. Mas se em (Gálatas 2, 4) ele acentua não ter cedido nem por um segundo aos falsos irmãos, então também a oposição deve ter estado na mesa de negociação. Como cenário histórico, deve-se supor uma discussão nos dois partidos conflitantes (os falsos irmãos, que também exigiam a circuncisão para os pagãos, que conhecemos como judaizantes, e a comissão de Antioquia que defendia sua prática) diante das autoridades de Jerusalém. O peculiar dessa composição do Conselho diz respeito a um outro ponto: a questão da circuncisão foi negociada na presença de alguém que pessoalmente seria atingido pela decisão a ser tomada: Tito, um incircunciso, mas Pagão batizado de Antioquia (Gálatas 2,1-3). O resultado do Concílio é, segundo Lucas, uma decisão conjunta, sobre quando da Torá deve ser imposto aos pagãos convertidos, O que foi consignado no assim chamado decreto apostólico (cláusulas de Tiago). Concretamente, trata-se de regras alimentares e de matrimônio (renúncia a carnes sacrificadas aos Ídolos, sangue e carnes sufocadas, a proibição de casamentos entre parentes). Na tradição de Levítico 17 trata-se das exigências mínimas (mandamentos/leis de Noé) que não judeus deverão Observar se quiserem conviver com judeus. Paulo conhecia esses mandamentos mas era contra (atos 16,4) nunca os aceitou. Caso contrário, poderia ter poupado a longa discussão em 1Coríntios 8 e 10. Também em Lucas atos 21,25 pressupõe que Tiago fala a Paulo, em sua última visita a Jerusalém, sobre o Decreto apostólico como uma nova resolução. Segundo Paulo, o único tema em discussão era a circuncisão para os pagãos, e segundo ele o resultado do Concílio se referia somente a isso: o anúncio do único Evangelho doravante leva em consideração os antecedentes culturais diversos do grupo visado. Pagãos incircuncisos não precisam ser circuncidados (Evangelho do prepúcio). Isso é da competência de Paulo e Barnabé judeus circuncidados continuarão a deixar circuncidar seus filhos. Para esse grupo é dirigido o apóstolo Pedro em Gálatas 2,7 – 9. Paulo Cita uma só imposição feita aos pagãos: a coleta a favor da comunidade de Jerusalém (Gálatas 2,10: Deviamos somente lembrar-nos dos pobres…). Essa imposição podia ser avaliada e interpretada de maneiras diversas. Na visão de Jerusalém, sob o aspecto ético: esmolas para os pobres de Israel podem ser vistas como expressão de sério desejo de conversão dos pagãos. Mas com isso eles permanecem no status de tementes a Deus, portanto em segundo plano. Paulo ao contrário, em 2Coríntios 8 (carta da coleta), assim como em romanos 15,25 – 27, acentua, com o conceito fundamental de koinonia o aspecto comunicativo da comunhão (Gálatas 2,9), dentro da qual ocorre o intercâmbio de bens de natureza diversa. Pelo visto, Paulo tinha clareza sobre essa ambivalência, pois quando nos fim da vida pretende trazer a Jerusalém à coleta pela qual se empenhou incansavelmente em suas comunidades (57 d. C). Ele teme os infiéis na Judeia, ou seja, os judeus nativos, e não tem certeza quanto à boa acolhida de sua oferta Por parte dos Santos, Isto é por parte da comunidade de Jerusalém (Romanos 15,30 – 32). Isso é compreensível nas crescentes tensões políticas imediatamente anteriores à guerra Judaica, pois o sinal para a exploração disso foi a rejeição de ofertas e sacrifícios dos não judeus no templo Flavio Josefo, Belkin Judaica II 409). Paulo vê suas comunidades inscritas nessa categoria – e não somente aos olhos dos infiéis mediante a acolhida da coleta, a comunidade de Jerusalém reconheceria os membros das Comunidades Paulinas como judeus, colocando-se assim contra a rota de marcha daqueles grupos que sempre adquiriam mais influência junto ao templo, ou seja, junto a política oficial. Separados nas refeições (separati epulis), essa era a marcante regra social de comportamento dos judeus. Por causa de suas diversas prescrições alimentares (Levítico 11), das quais a mais conhecida era a proibição da carne suína, eles evitavam sentar-se à mesa juntamente com não judeus. Esse comportamento podia chamar a atenção somente na diáspora, não na terra natal, pois lá os judeus estavam entre si, participavam da infraestrutura Judaica; estrangeiros no país tinham de se ater aos mandamentos/leis de Noé. Por essa razão ninguém julgou necessário citar que Tito, o Pagão, em Jerusalém, durante o Concílio, participava naturalmente das refeições com os judeus, mas por outro lado, causou grande agitação o fato de Pedro, o judeu, costumar tomar a refeição juntamente com (convertidos) pagãos (Gálatas 2,20). Isso constituía uma transgressão da Lei. Maus exatamente: a atitude foi reconhecida como transgressão apenas Quando apareceram as pessoas de Tiago, que com isso desencadearam o assim chamado incidente de Antioquia, que Paulo apresenta fragmentariamente em Gálatas 2,11 – 4. Segundo Paulo, Pedro, que costumava – assim como os outros judeus-cristãos – celebrar a ceia do senhor em casa de Pagãos, se retraiu daquele ambiente, como se os etno-cristãos fossem culturalmente impuros. Os demais judeus-cristãos inclusive Barnabé, seguiram seu exemplo. Causa admiração que somente a presença do pessoal de Tiago pudesse desencadear tal mudança de sentimento, embora não tenha ocorrido em disputa, nem acusação, e que Paulo tenha enfrentado Pedro e não o pessoal de Tiago (Gálatas 2,14). Pedro – e isso lhe ficou Claro com a presença do pessoal de Tiago – rompeu com as decisões do Concílio de Jerusalém. Como expoente da missão junto aos judeus, ele tinha possibilidade de garantir que ela a transcorresse segundo As convenções do Judaísmo. Mas ele se comportou como os destinatários da missão junto aos pagãos, aos quais haviam sido feitas concessões referentes a cultura pagã. Conforme o Concílio, judeus, mesmo sendo seguidores de Jesus, permaneciam judeus, e portanto comprometidos com suas tradições e Convenções, ou seja; separati epulis. Pedro, retraindo-se, seguiu esse princípio. Não causa admiração que também “os outros judeus” tenham abandonado a ceia integrada (Gálatas 2,13). Problemática deve ter sido a decisão para Barnabé. Como Paulo, também ele era expoente da missão, junto aos pagãos. apesar disso, separou-se das Mesas dos destinatários de sua missão. Pelo visto, por causa de sua própria identidade, pretendia permanecer no “lar judaico”. Paulo, ao contrário, identificava-se com seu mandato missionário e realmente se tornou pagão com os pagãos (1Coríntios 9, 21). Pode-se dar um passo adiante. O conflito tem também um relevante aspecto religioso-político: enquanto aos tementes a Deus não se colocava a circuncisão como condição para sua conversão ao evangelho, isso não apenas ficava restrita a linha do Concílio apostólico, mas também geralmente não causava problemas para rede de sinagogas. Somente quando, em consequência do vínculo de fé ao mesmo Evangelho, se transgrediram as delimitações judaicas, ou seja, quando se praticava comunhão de mesa entre judeus e pagãos, seguindo os usos Pagãos, então sim a auto-compreensão Judaica estava sendo publicamente colocada em questão. Talvez o pessoal de Tiago quisesse evitar semelhante repercussão, que necessariamente seria provocado pela transgressão de Barreiras culturais. Os judeus antioquenos, em todo caso, estabeleceram uma linha divisória em relação àqueles grupos que, em seu modo de ver, comprometiam a sua situação. Paulo, Segundo Gálatas 2, 14 enfrentou Pedro não porque este repentinamente rompeu a comunhão de mesa com os pagãos, mas porque ele queria obrigar os pagãos a adotar os costumes judaicos. Pedro tentou, portanto colocar fardo sobre os pagãos. Paulo reagiu radicalmente vendo nisso desvio da linha reta, um acordo portanto, que no concílio apostólico ainda havia sido editado. Pedro provavelmente propôs subjetivamente os rudimentos daquilo que Paulo mais tarde não aceitaria, precisamente as cláusulas do Decreto apostólico, pelo qual a convivência entre judeus e não-judeus foi possibilitado a partir das condições judaicas – com exigências mínimas para os não judeus. Havia em Antioquia, portanto, três posições: Paulo insistia na comunhão de mesa entre judeus e pagãos convertidos, sem nenhuma exigência adicional para os etno-cristãos. O pessoal de Tiago exigia a separação das mesas, para que os judeus, também como cristãos, pudessem Continuar a ser judeus. Pedro provavelmente arriscou um compromisso: a defesa da comunhão de mesa, mas condicionada às exigências mínimas para os etno-cristãos. Não sabemos Como terminou o debate. Se Paulo tivesse conseguido se impor, ele certamente teria registrado na epístola aos Gálatas essa vitória diante do apóstolo de Jerusalém. Ele se retirou de Antioquia e para lá nunca mais retornou. Pedro, ao contrário, indicou o caminho que para grande parte do cristianismo da Ásia menor se tornou o determinante. O decreto, contudo, foi decidido e promulgado em Jerusalém. Lucas parece ter aproveitado antigas tradições, pois a carta correspondente (atos 15, 22-29) não é apenas endereçada a comunidade de Antioquia, cujo conflito o Concílio apostólico tentava dirimir, mas é pensada como carta circular a todas as comunidades da Síria e da Cilícia, antigo Campo missionário de Paulo (Gálatas 1,21). Como remetente não é citada a toda a comunidade, que Lucas supõe responsável pela decisão do concílio, mas são citados “os apóstolos e os presbíteros”, Portanto o grupo que, após a saída de Pedro Jerusalém, assumiu a direção com Tiago (atos 21,28). Quanto ao conteúdo, o decreto apostólico constitui-se numa edição melhorada das conclusões do Concílio, em que se havia considerado as condições de admissão, mas não as condições de convivência entre judeus e pagãos. Do ponto de vista de políticas e eclesiásticas, Pedro conseguiu instrumentalizar as novas autoridades de Jerusalém no sentido de que um acordo negociado localmente em (Antioquia) fosse estendido a todo o campo missionário (até então) da Síria e da Ásia menor. A missão paulina deslocava-se para além dessas fronteiras. Uma vez que no Concílio apostólico se preservou a unidade das Comunidades cristãs, mediante o reconhecimento da diversidade Ritual e cultural, as cláusulas de Tiago representavam – como fruto do incidente de Antioquia – uma unificação Ritual em que pela recusa de Paulo a unidade de fato, por um momento se desfez. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Massacredoslatinos

  • Clemente, Bispo de Roma (35-101 d.C )

    Clemente, Bispo de Roma (90-101 d.C) Primeira Epístola aos Corítios. INTRODUÇÃO A Igreja de Deus estabelecida transitóriamente em Roma à Igreja de Deus estabelecida transitóriamente em Corinto, aos eleitos santificados na vontade de Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo: que a graça e a paz vos sejam dadas em plenitude da parte de Deus todo-poderoso, por Jesus Cristo. CAPÍTULO I 1Por causa das desgraças e calamidades que repentina e continuamente se abateram sobre nós, talvez estejamos a tratar tardiamente dos acontecimentos que se deram entre vós, meus caros, e daquele motim, não conveniente a eleitos de Deus, iniciado por algumas pessoas irrefletidas e audaciosas, de uma forma sórdida e ímpia, surgido de tal ponto de loucura, que o vosso nome, dantes estimado, acatado e celebrado por todos, fosse seriamente denigrido. 2Ora, quem é que esteve entre vós e não elogiou vossa fé extraordinária e firme? Quem não admirou vossa piedade consciente e suave em Cristo? Quem não louvou a tradição da vossa hospitalidade generosa? Ou quem não vos felicitou por vossa doutrina perfeita e segura? 3Fazíeis tudo sem distiguir as pessoas e andáveis dentro dos preceitos de Deus, sujeitando-vos aos vossos guias e respeitando devidamente os vossos anciãos. Aos jovens, transmitíeis conceitos prudentes e honrosos; às mulheres, recomendáveis para que cumprissem todos os seus deveres com consciência irrepreensível, de forma santa e pura, amando convenientemente seus maridos; e ainda as ensináveis a administrar a vida doméstica dentro das normas de obediência e da mais absoluta discrição. CAPÍTULO II 1Vós todos ainda possuíeis sentimentos de humildade, isentos de qualquer vaidade, mais dispostos a submeter-vos do que a submeter, dando com mais gosto do que esperando receber. Contentando-vos com o que Cristo vos dava como alimento e meditando sobre suas palavras, vós as guardáveis com tanto cuidado no coração mesmo enquanto tínheis sofrimentos pairando diante dos vossos olhos. 2Assim, uma paz profunda e abençoada comunicava-se a todos, e um desejo insaciável de praticar o bem, assim como a plena efusão do Espírito Santo, eram produzidos em todos. 3Repletos de uma santa vontade, em bom zelo, levantáveis as vossas mãos piedosamente para o Deus onipotente, suplicando-lhe sua misericórdia quando cometíeis involuntariamente alguma falta. 4Dia e noite, travava-se entre vós uma luta em favor da total fraternidade, para conseguir, pela misericórdia e conscienciosidade, a salvação de todos os seus eleitos. 5Autênticos e incorruptos vós éreis, não possuíeis malícia uns para com os outros. 6Toda revolta e todo cisma vos causavam horror. Ficáveis entristecidos ao ver as faltas dos outros; o que os outros cometiam, tínheis como vossas próprias faltas. 7Não havia por que vos arrepender de qualquer omissão de bondade, já que estáveis dispostos a toda boa ação. 8Ornados por uma conduta virtuosa e honrosa, cumpríeis todas as vossas ações em seu temor. Os mandamentos e as justas normas do Senhor estavam escritos sobre as fibras dos vossos corações. CAPÍTULO III 1Plena reputação e prosperidade vos foi concedida, cumprindo-se a palavra da Escritura: “O bem amado comeu e bebeu, engordou e encheu-se de comida, e tornou-se desobediente”. 2Daí nasceram o ciúme e a inveja, a discórdia e a revolta, a perseguição e a desordem, a guerra e o cativeiro. 3Desta forma, os desonrados levantaram-se contra os honrados, os desrespeitados contra os respeitados, os insensatos contra os sensatos, os jovens contra os anciãos. 4Por isso, afastou-se para longe a justiça e a paz no exato momento em que cada um abandonou o temor de Deus e obscureceu o olhar em sua fé, não andando conforme o que prescreve os seus mandamentos, não se conduzindo da maneira digna de Cristo. Ao invés, cada qual anda segundo os desejos de seu coração perverso, admitindo em si um ciúme injusto e ímpio, ciúme este que gerou a morte para o mundo. CAPÍTULO IV 1Porque assim está escrito: “E aconteceu, após alguns dias, que Caim oferecesse a Deus um sacrifício com os frutos da terra e também, por sua vez, Abel oferecesse das primícias dos rebanhos e de suas gorduras. 2E Deus olhou para Abel e seus dons, não reparando, porém, em Caim e seus sacrifícios. 3Então Caim se entristeceu muito e seu rosto se abateu. 4Então o Senhor falou a Caim: ‘Por que te tornaste sombrio e por que teu rosto anda abatido? Acaso não pecaste? Ora, embora tua oferenda seja correta, tua escolha não o foi. 5Acalma-te, pois a oferenda voltará a ti e poderás dispor dela’. 6Então Caim falou a Abel, seu irmão: ‘Vamos para a planície’. E ocorreu que, enquanto estavam na planície, Caim se levantou contra Abel, seu irmão, e o matou”. 7Vide, irmãos: foram o ciúme e a inveja que produziram o fratricídio. 8Por causa do ciúme, nosso pai Jacó teve que fugir da presença de Esaú, seu irmão. 9O ciúme fez com que José fosse perseguido à morte e acabasse preso. 10Foi o ciúme que obrigou Moisés a fugir da presença do faraó, rei do Egito, na hora de ouvir um de seus compatriotas: quem é que te constituiu árbitro e juiz sobre nós? Não queres matar-me, da mesma forma como ontem mataste o egípcio? 11Por causa do ciúme, Aarão e Maria foram expulsos do acampamento. 12O ciúme conduziu Datã e Abirão vivos para o Mundo dos Mortos, por se revoltarem contra Moisés, servo de Deus. 13Por ciúme, Davi não apenas obteve inveja da parte dos estrangeiros, como também foi perseguido por Saul, rei de Israel. CAPÍTULO V 1Agora, para colocarmos fim aos exemplos antigos, passemos aos atletas que nos tocam de perto; verifiquemos os nobres exemplos da nossa geração. 2Por ciúme e inveja foram perseguidos e lutaram até à morte as nossas colunas mais elevadas e retas. 3Fixemos nossos olhos sobre os valorosos apóstolos: 4Pedro, que por ciúme injusto não suportou apenas uma ou duas, mas numerosas provas e, depois de assim render testemunho, chegou ao merecido lugar da glória. 5Por ciúme e discórdia, Paulo ostentou o preço da paciência. 6Sete vezes acorrentado, exilado, apedrejado, missionário no Oriente e no Ocidente, recebeu a ilustre glória por sua fé. 7Ensinou a justiça no mundo todo e chegou até os confins do Ocidente, dando testemunho diante das autoridades. Assim, deixou o mundo e foi buscar o lugar santo, ele, que se tornou o mais ilustre exemplo da paciência. CAPÍTULO VI 1A esses homens de conduta santa, ajuntou-se grande multidão de eleitos que, por ciúme, suportaram muitos insultos e torturas, transformando-se no mais belo exemplo entre nós. 2Por ciúmes, mulheres foram perseguidas, como Danaídes e Dircês, e sofreram afrontas cruéis e sacrílegas, percorrendo a segura trajetória da fé e obtendo o nobre prêmio, elas, que eram fracas de corpo. 3Foi o ciúme que separou esposas e maridos, afrontando a palavra de nosso pai Adão: “Ela é osso dos meus ossos e carne da minha carne”. 4Ciúme e intriga destruíram grandes cidades e eliminaram nações poderosas. CAPÍTULO VII 1Caríssimos, ao vos escrever tais coisas, não apenas vos levamos à refletir, mas também advertimos a nós mesmos, já que nos encontramos no mesmo campo de batalha, nos esperando a mesma luta. 2Abandonemos, assim, as opiniões vazias e tolas, voltando-nos para a gloriosa e santa regra da tradição. 3Vejamos o que é belo, agradável e aceito aos olhos daquele que nos criou. 4Fixemos a vista no sangue de Cristo e compreendamos o quanto é precioso aos olhos do Pai pois, derramando-o por nossa salvação, ofereceu-o ao mundo inteiro pela conversão. 5Percorramos todas as gerações e aprendamos que de geração em geração o Senhor deu possibilidade de conversão àqueles que a Ele quiseram retornar. 6Noé anunciou a conversão e os que a aceitaram se salvaram. 7Jonas anunciou a ruína aos ninivitas; os que fizeram penitência de seus pecados, por suas súplicas, reconciliaram-se com Deus e alcançaram a salvação, ainda que fossem estranhos a Deus. CAPÍTULO VIII 1Sobre a conversão falaram os ministros da graça de Deus, sob inspiração do Espírito Santo. 2Sobre a conversão também falou o próprio Senhor de tudo, ao jurar: “Tão certo como vivo – diz o Senhor – não quero a morte do pecador, mas sua conversão”. E acrescentou: 3″Convertei-vos de vosso erro, casa de Israel! Dize aos filhos do meu povo: ‘ainda que os vossos pecados se amontoassem da terra até o céu, ainda que estes fossem mais vermelhos que a púrpura e mais negros que o saco, se vos voltardes para mim de todo coração e disserdes: ‘Pai!’, eu vos atenderei como se fosses um povo santo'”. 4Em outra parte, ainda fala: “Lavai e purificai-vos. Afastai dos meus olhos as maldades de vossas almas. Deixai vossas maldades e aprendei a praticar o bem; procurai a justiça, socorrei o oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a viúva, e então vinde para colocarmos as coisas em ordem – diz o Senhor. E se os vossos pecados forem como a púrpura, os tornarei brancos como a neve; se forem escarlate como a lã, os farei alvos. Se vos dispuserdes a me escutar, comereis os bens desta terra; porém, se não quiserdes me ouvir, a espada vos devorará – assim fala a boca do Senhor”. 5No desejo de levar a todos os seus amados a participarem da conversão, fortaleceu-vos por sua vontade toda-poderosa. CAPÍTULO IX 1Por isso, obedeçamos sua vontade excelsa e gloriosa. Supliquemos, prostrados, pela piedade e bondade. Recorramos à sua misericórdia. Abandonemos a vaidade, a discórdia e o ciúme que conduz à morte. 2Fixemos o olhar naqueles que serviram com perfeição a sua magnífica glória. 3Tomemos, por exemplo, Henoc, que, encontrado justo em sua submissão, foi arrebatado e não se encontrou indício de sua morte. 4Noé, reconhecido fiel, recebeu o encargo de anunciar o renascimento do mundo e o Senhor salvou, por ele, os seres que entraram em harmonia na sua arca. CAPÍTULO X 1Abraão, proclamado “o amigo”, se revelou fiel em sua submissão à palavra de Deus. 2Por obediência, ele saiu de sua terra, deixou seus parentes e a casa do pai, saindo de uma terra pequenina, parentes sem importância, uma casa modesta, para herdar as promessas de Deus. Pois é Ele quem lhe diz: 3″Deixa tua terra, teus parentes e a casa de teu pai, para te dirigires à terra que te mostrarei. Farei de ti um povo grande. Abençoar-te-ei e engrandecerei teu nome; serás abençoado. Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem. Em ti, todas as tribos da terra serão benditas”. 4Outra vez, ao se separar de Lot, falou-lhe Deus: “Levanta teus olhos e mede o espaço existente entre ti, entre o norte e o sul, leste e mar: pois toda essa terra vos darei e à tua descendência para sempre. 5Farei tua descendência como o pó da terra: se alguém conseguir contar o pó da terra então saberá também contar a tua descendência”. 6E ainda diz: “Conduziu Deus a Abraão para fora e lhe falou: ‘Levanta os olhos para o céu e conta os astros, se é que consegues contá-los. Assim será a tua descendência’. Abraão acreditou em Deus e isso lhe foi imputado como justificação”. 7Por causa da fé e da hospitalidade, foi-lhe dado um filho na velhice e, por obediência, ele o ofereceu como sacrifício a Deus sobre um dos montes que Ele lhe mostrou. CAPÍTULO XI 1Por causa da hospitalidade e piedade, Lot salvou-se de Sodoma, quando a terra em redor foi castigada com fogo e enxofre. Desta forma, Deus deixou claro que não abandona aqueles que esperam nele, mas que entrega os ímpios ao castigo e ao suplício. 2Sua mulher acompanhava-o na saída, no entanto, não compartilhava sua fé e crença, transformando-se num sinal disso, a ponto de reduzir-se a mera estátua de sal até os dias de hoje, para que todos, assim, possam se inteirar que Deus pune os desconfiados e os de alma dupla para escárnio de todas as gerações. CAPÍTULO XII 1Por causa da fé e hospitalidade, Raabe, a prostituta, se salvou. 2Pois quando Jesus, filho de Navé, mandou espiões para Jericó, o rei daquela nação ficou sabendo que haviam chegado homens para explorar a terra; então mandou homens para os prenderem e, após presos, matarem-nos. 3Raabe, a hospitaleira, recebeu-os e os ocultou sob a palha do linho no andar superior. 4Quando os emissários do rei se apresentaram e lhe falaram: “Aqui entraram os espiões que vieram reconhecer nosso território. O rei manda que os entregueis”, ela respondeu-lhes: “De fato, os homens que procurais entraram em minha casa, porém já se retiraram e continuam seu caminho”. E ela apontou-lhes em direção oposta. 5Então ela falou aos espiões: “Disto sei e me convenci: o Senhor vos entregou esta terra porque o medo e pânico se apossaram de seus habitantes. Quando a conquistardes, salvai a mim e a casa de meu pai”. 6Os espiões responderam: “Será como falaste! Quando nos vires aproximar, reúnam-se todos os teus parentes sob o teto da tua morada e todos serão salvos; porém, aqueles que estiverem do lado de fora perecerão”. 7Como outro sinal, propuseram-lhe ainda que dependurasse algo vermelho na casa, tornando evidente que, pelo sangue do Senhor, viria a redenção para todos aqueles que cressem e esperassem em Deus. 8Vede, amados: nesta mulher não houve apenas fé, mas também o dom da profecia. CAPÍTULO XIII 1Portanto, tornemo-nos humildes, irmãos, deixando de lado toda a ostentação, o orgulho, o excesso e a ira, e cumpramos o que está escrito. Pois assim diz o Espírito Santo: “Não se orgulhe o sábio em sua sabedoria, nem o forte em sua força, nem o rico em sua riqueza, mas aquele que se gloriar, glorie no Senhor, procurando-O e praticando o direito e a justiça”. Antes de mais nada, recordemos as palavras ditas por Jesus, mestre da equidade e grandiosidade. 2Pois foi ele que disse isto: “Sede misericordiosos para obterdes misericórdia. Perdoai para que sejais perdoados. Assim como fizerdes, assim vos será feito. Da forma como derdes, assim vos será dado. Do modo como julgardes, assim sereis julgados. Como fizerdes o bem, assim vos será feito. Com a medida que medirdes, também vos será medido em troca”. 3Com este mandamento e estes preceitos, fortaleçamo-nos, para que possamos andar humildes e submissos às suas santas palavras. Pois a sagrada palavra assim reza: 4″Para quem hei de olhar senão para o manso e pacífico e para aquele que respeita os meus oráculos?”. CAPÍTULO XIV 1É justo e santo, irmãos, tornarmo-nos submissos a Deus do que seguirmos aqueles que se deixam guiar pela arrogância e orgulho, aos promotores do ciúme. 2Estaremos nos expondo não a um prejuízo qualquer, mas a um grande perigo, se nos entregarmos aos caprichos dos homens, que buscam a discórdia e a revolta para nos separar da boa conduta. 3Sejamos bondosos uns para com os outros, seguindo a misericórdia e doçura do nosso Criador. 4Pois assim está escrito: “Os mansos habitarão a terra, os inocentes serão deixados sobre ela enquanto os pecadores serão exterminados dela”. 5E em outro ponto: “Vi o ímpio gabar-se orgulhoso como os cedros do Líbano; passei e ele não mais existia; então procurei seu lugar e não encontrei. Guarda a inocência e observa a justiça pois se consagra a memória do homem que guarda a paz”. CAPÍTULO XV 1Unamo-nos, pois, àqueles que mantêm a paz na santidade e não aos que defendem a paz por pura hipocrisia. 2Pois é dito em algum lugar: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim”. 3E novamente: “Abençoavam com a boca, mas amaldiçoavam com o coração”. 4E novamente: “Amavam-no com os lábios, mas mentiam-lhe com a língua; o coração não era sincero para com Ele, nem se mantinham fiéis à sua aliança. 5Por isso, tornem-se mudos os lábios ímpios que proferem maldades contra os justos”. E ainda: “Que o Senhor extermine todos os lábios ímpios, a língua arrogante e todos os que dizem: ‘Engrandecemos a nossa língua, em nossos lábios estão o poder! Quem é o nosso Senhor?’. 6Por causa da miséria dos pobres e dos gemidos dos desamparados, levantar-me-ei agora – diz o Senhor – e os colocarei a salvo. 7Julgarei seu caso com isenção”. CAPÍTULO XVI 1Porque Cristo pertence aos humildes e não aos se elevam acima da comunidade. 2O cetro da majestade de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, não veio com ares de arrogância e orgulho, muito embora assim pudesse ter feito, mas com humildade, como, sobre ele, o Espírito Santo anunciou. Pois disse: 3″Senhor, quem deu crédito à nossa palavra? A quem se revelou o braço do Senhor? Nós anunciamos na presença Dele: Ele é como o escravo, como a raiz numa terra sedenta! Não possui beleza, nem brilho. Nós o vimos: não tinha beleza, nem aparência agradável. Ao invés, sua beleza era desprezível e perdia para a beleza dos homens. Um homem açoitado, trabalhado e acostumado a sofrer fraquezas; menosprezado, afastou o rosto e não contou para nada. 4Ele carrega nossos pecados e sofre por nós. Vimos nele um homem atormentado, açoitado e humilhado. 5Foi coberto de chagas por causa de nossos pecados; tornou-se debilitado por causa de nossos crimes; o castigo que nos educa para a paz caiu sobre ele e nós fomos curados, graças às suas chagas. 6Todos, como ovelhas, andávamos desviados; o homem havia se desviado de sua rota. 7O Senhor o entregou em resgate por nossos pecados e ele não abriu a boca diante dos maus tratos. Como cordeiro, foi conduzido ao matadouro e, como ovelha, na frente do tosquiador permaneceu calado, sem abrir a boca. Na humilhação foi levantada sua condenação. 8Quem pregava sua geração já que sua vida será tirada da terra? 9Por causa das iniquidades do meu povo, ele será levado à morte. 10E Eu entregarei os ímpios como reféns de sua sepultura e os ricos em troca da sua morte, pois não cometeu mal algum, nem culpa foi encontrada em sua boca. Mas o Senhor quer purificá-lo de suas feridas. 11Se oferecerdes um sacrifício por vosso pecado, vossa alma verá descêndência pela longa vida. 12O Senhor quer arrancar o tormento de sua alma, mostrar-lhe a luz e formá-lo na consciência, justificando o justo que bem serviu a muitos; ele próprio tomará sobre si os pecados deles. 13Por isso terá multidões como herança e distribuirá os troféus dos poderosos pelo fato de sua alma ser entregue à morte e ele ter sido contado entre os ímpios. 14E ele próprio suportou os pecados de muitos e se entregou pelos pecados deles”. 15Ele próprio ainda diz: “Eu, porém, não sou mais que um verme, não sou homem, mas último entre os homens e escória do povo. 16Todos os que me viram, zombaram de mim, murmuraram com os lábios e moveram a cabeça em sinal de negação. Confiou no Senhor, que o livre; se o quiser bem, que o salve”. 17Vede, amados, que exemplo nos foi dado! Se o Senhor assim se humilhou, o que faremos nós que chegamos, por Ele, ao jugo de sua graça? CAPÍTULO XVII 1Tornemo-nos imitadores daqueles que em peles de carneiros e ovelhas percorriam a terra, anunciando a chegada de Cristo: pensemos em Elias e Eliseu, também em Ezequiel, nos profetas e, além destes, naqueles que receberam testemunho favorável. 2Abraão recebeu magnífico testemunho, sendo proclamado ‘amigo de Deus’. Mesmo assim, contemplando a glória de Deus, confessou em sua humildade: “Eu, por mim, sou terra e cinza”. 3Também sobre Jó se escreveu desta forma: “Jó, porém, era justo e irrepreensível; verdadeiro, temente a Deus e afastado de todo o mal”. 4Apesar disso, ele próprio se acusa, dizendo: “Ninguém é isento de impureza, mesmo que sua vida se resumisse a um só dia”. 5Moisés foi chamado de ‘fiel servidor em toda a casa de Deus’ e através de seu ministério, Deus castigou o Egito com pragas e sofrimentos. Contudo, mesmo sendo tão magnificamente exaltado, não se excedeu em palavras grandiloquentes, mas, ao revelar-lhe o oráculo da sarça, falou apenas: “Quem sou eu para me enviares? Tenho a voz fraca e dificuldade para falar”. 6E novamente assim fala: “Não passo de vapor que sai da panela quente”. CAPÍTULO XVIII 1O que dizer de Davi e seu testemunho? A ele, Deus falou: “Descobri um homem segundo o meu coração: Davi, filho de Jessé. Em eterna misericórdia eu o ungi”. 2Mas também ele falou para Deus: “Tende piedade de mim, ó Deus, segundo a tua grande piedade e, segundo a tua grande misericórdia, apaga o meu pecado. 3Lava-me sempre mais de minha iniquidade e purifica-me do meu pecado, pois reconheço a minha injustiça e o meu pecado está sempre diante de mim. 4Pequei somente contra ti e pratiquei o que é mau perante os Vossos olhos; para que estejas justificado em tuas palavras e venças, se te julgarem. 5Eis que fui concebido na iniquidade e no pecado minha mãe me carregou em seu seio. 6Eis que amaste a verdade e me revelaste os obscuros mistérios da tua sabedoria. 7Hás de me aspergir com hissopo e serei purificado; hás de me lavar e tornar-me-ei mais branco do que a neve. 8Hás de fazer-me ouvir o som da alegria e da festa e os ossos humilhados se rejubilarão. 9Afasta o rosto de meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades. 10Cria um coração puro em mim, ó Deus, e forma um espírito firme em meu peito. 11Não me afastes de tua presença e não retires de mim teu santo espírito. 12Restitui-me a alegria da tua salvação e confirma-me com um espírito magnâmico. 13Ensinarei teu caminho aos pecadores e os ímpios hão de converter-se para ti. 14Livra-me de ações sanguinárias, ó Deus, Deus de minha salvação. 15Minha língua exaltará a tua justiça. Senhor, hás de me abrir a boca e meus lábios proclamarão o teu louvor. 16Se tivesses desejado um sacrifício, te-lo-ia oferecido, porém, não te agradas com holocaustos. 17Para Deus, sacrifício é o espírito arrependido. Deus não desprezará um coração contrito e humilhado”. CAPÍTULO XIX 1A humildade e a modéstia de homens tão grandes e santos foram aprovados pela sua obediência. Os que receberam as palavras Dele em temor e verdade não só nos tornaram melhores como também as gerações que nos precederam. 2Assim, após participarmos de muitas grandes e gloriosas ações, corramos para a meta de paz que nos foi proposta desde o início. Fixemos o nosso olhar sobre o Pai e Criador de todo o mundo e agarremo-nos aos seus magníficos e excelsos dons de paz e benefícios. 3Olhemos para Ele em espírito e consideremos com os olhos da alma sua generosa vontade. Reconheçamos o quanto é indulgente para com toda a sua criação. CAPÍTULO XX 1Os céus movem-se por Sua disposição e lhe submetem na paz. 2O dia e a noite percorrem o caminho por Ele demarcado, sem jamais se impedirem mutuamente. 3Sol, lua e demais astros giram conforme Sua determinação, em harmonia e sem desvio algum pelas órbitas prescritas a cada um deles. 4A terra, submissa à Sua vontade, fecunda nas estações próprias e provém sustento aos homens, animais e todos os seres vivos, sem se rebelar nem se afastar da ordem por Ele desejada. 5As profundezas insondáveis dos abismos e os subterrâneos inexplorados se mantêm conforme as Suas leis. 6O mar imenso, encerrado dentro da bacia que o contém, não ultrapassa os limites a ele imposto mas, assim como lhe foi ordenado, o obedece. 7Pois foi Ele quem disse: “Até aqui chegarás e tuas ondas se quebrarão em ti mesmo”. 😯 oceano, intransponível aos homens, bem como os mundos atrás dele, ordenam-se pelas mesmas leis do Senhor. 9As estações da primavera, verão, outono e inverno se sucedem umas às outras em paz. 10A força dos ventos cumpre, por sua vez, o serviço dele sem se desfalecer; as fontes perenes, criadas para gôzo e saúde, oferecem os peitos – sem interrupção – para dar vida aos homens. Até os animais mais pequeninos fazem suas reuniões dentro da paz e harmonia. 11O grande Criador e Senhor de tudo ordenou todas essas coisas para que existissem em paz e concórdia, já que deseja o bem de todas as criaturas, mostrando-se generoso demais em relação a nós que nos refugiamos em sua misericórdia por nosso Senhor Jesus Cristo. 12A Ele glória e majestade pelos séculos dos séculos. Amém. CAPÍTULO XXI 1Amados, cuidai para que vossos benefícios tão numerosos não se transformem em condenação para nós, o que acontecerá se não formos dignos Dele e não realizarmos em concórdia o que é bom e agradável a Seus olhos, 2pois está dito em alguma parte: “O Espírito do Senhor é uma lanterna que penetra até o fundo do coração”. 3Consideremos o quanto está próximo, de forma que nada do que pensamos, nada do que calculamos permanece-Lhe oculto. 4Assim, é justo que não nos afastemos da Sua vontade. 5Devemos preferir chocar homens tolos e insensatos, exaltados e cheios da arrogância de seus discursos, do que a Deus. 6Reverenciemos o Senhor Jesus, cujo sangue foi derramado por nós. Respeitemos nossos chefes. Honremos os anciãos. Eduquemos os jovens a temerem a Deus. Guiemos nossas mulheres para o bem. 7Que elas manifestem o desejo da pureza, a pura intenção na suavidade. Que, pelo silêncio, demonstrem a moderação de sua linguagem. Que o amor não fique dependente das inclinações, mas que seja praticado de modo santo e igual entre todos aqueles que temem a Deus. 8Que nossos filhos participem da educação em Cristo, aprendendo o quanto pode a humildade perante Deus, o quanto o amor consegue perante Deus, o quanto o temor Dele é bom e excelso, salvando a todos os que nele vivem santamente em pura intenção. 9É Ele que investiga nossos pensamentos e desejos. É o sopro Dele que está presente em nós e que pode ser retirado por Ele quando quiser. CAPÍTULO XXII 1A fé em Cristo garante todas essas coisas, pois é Ele mesmo que assim nos convida, pelo Espírito Santo: “Filhos, vinde e escutai-me: hei de ensinar-vos a temer a Deus. 2Quem é o homem que quer vida e aprecia ver dias bons? 3Guarda tua língua do mal e teus lábios da traição. 4Afasta-te do mal e faze o bem. 5Procura e persegue a paz. 6Os olhos do Senhor estão voltados para os justos e seus ouvidos para as suas súplicas. Mas a face do Senhor se volta contra os que praticam o mal, destruindo a memória deles sobre a terra. 7O justo clama e o Senhor o atende, livrando-o de todas as tribulações. 8Muitos são os flagelos do pecador, já a misericórdia cerca os que esperam no Senhor. CAPÍTULO XXIII 1O Pai todo-poderoso e misericordioso tem entranhas para os que O temem e, assim, distribui de forma bondosa e amorosa Suas graças àqueles que se aproximam Dele com o coração simples. 2Não hesitemos por causa disso, nem se orgulhe nossa alma por causa dos Seus dons ricos e magníficos. 3Que nunca se aplique a nós a passagem da Escritura que diz: “Infelizes os que hesitam no coração e desconfiam na alma; aqueles que dizem: ‘Tais promessas já escutamos na época de nossos pais e eis que envelhecemos e nada disso aconteceu’. 4Ó insensatos, comparai-vos à uma árvore; reparai na videira que, primeiro perde as folhas e então brota, a seguir vêm a folha, então a flor e, depois disso, a uva verde é seguida da uva madura”. Considerai como, em pouco tempo, o fruto da árvore se torna maduro. 5É bem assim que a vontade de Deus se cumpre, em ritmo veloz e inesperado, como a própria Escritura nos atesta: “Virá logo e não tardará. Subitamente o Senhor entrará no seu santuário, o Santo a quem esperais”. CAPÍTULO XXIV 1Amados, observemos como o Senhor não cessa de dar-nos provas de que, no futuro, a ressurreição se concretizará. Deu-nos prova dela primeiramente ressuscitando Jesus Cristo dos mortos. 2Amados, vejamos como se dá a ressurreição a seu tempo. 3O dia e a noite nos manifestam a ressurreição: dorme a noite, ressuscita o dia; o dia se retira, chega a noite. 4Exemplifiquemos com os frutos da terra: como e de que modo faz-se a semeadura? 5O semeador sai e espalha, semente por semente, pela terra lavrada, que caem secas e nuas sobre a terra e aí se desfazem; desta decomposição, a grandiosa providência do Senhor as ressuscita, de forma que, de uma, aumentam para muitas e produzem fruto. CAPÍTULO XXV 1Consideremos o sinal prodigioso que ocorre na região oriental, isto é, nas terras próximas da Arábia. 2Aí existe um pássaro chamado fênix, único na espécie e que vive quinhentos anos. Quando está para morrer, ergue seu próprio sepulcro usando incenso, mirra e outras plantas aromáticas e, ao completar seu tempo, aí se introduz e morre. 3De sua carne em decomposição nasce uma larva que se alimenta da matéria putrefata do animal morto e cria asas; quando se torna forte, levanta o sepulcro onde se encontram os restos de seu ancestral e carrega-o, voando da terra da Arábia até a cidade do Egito chamada Heliópolis. 4E, em plena luz do dia, aos olhos de todos, transporta e depõe aqueles restos sobre o altar do sol; a seguir, retoma o vôo de volta. 6Então os sacerdotes examinam os calendários e percebem que ele chegou ao se completarem quinhentos anos. CAPÍTULO XXVI 1Devemos, então, considerar grandioso e estranho o fato de o Criador operar a ressurreição de todos aqueles que lhe serviram santamente na confiança de uma boa fé, se ele ilustra até por um pássaro a grandeza de sua promessa? 2Lê-se em alguma parte: “Hás de me ressuscitar e eu te louvarei”. E: “Deitei-me e adormeci; levantei-me porque tu estás comigo”. 3E Jó adverte novamente: “Ressuscitarás minha carne que suportou todo esse sofrimento”. CAPÍTULO XXVII 1Que nossas almas se apeguem por uma esperança assim Àquele que é fiel em Suas promessas e justo em Seus juízos. 2Aquele que proibiu a mentira, tampouco haverá de mentir, pois nada junto a Deus é impossível, exceto a mentira. 3Portanto, que se acenda novamente dentro de nós a fé Nele e reconheçamos que todas as coisas estão próximas Dele. 4Com apenas uma palavra de sua grandeza, estabeleceu tudo e, com uma só palavra, pode destruir tudo. 5Quem diria a Ele: “O que fizeste?”, e quem resistiria à força do seu poder? Fará tudo quando e como quiser. Nada das coisas que ordenou haverá de passar. 6Tudo está diante de Seus olhos, nada escapa de Sua determinação. 7Os céus anunciam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de Suas mãos. O dia comunica a façanha ao dia, a noite transmite seu conhecimento à noite. Não há palavras nem discursos em que suas vozes não são ouvidas. CAPÍTULO XXVIII 1Já que vê tudo e ouve tudo, temamos a Ele e abandonemos os maus desejos das ações desonestas, para nos pouparmos por Sua piedade dos futuros juízos. 2Para onde poderia algum de nós fugir de Sua mão forte? Qual mundo receberia alguém que desertou Dele? Pois, em algum lugar, diz a Escritura: 3Para onde fugirei e onde me esconderei de Tua face? Se subir ao céu, lá estás. Se me retiro para as extremidades da terra, lá está a tua direita. Se me atiro nos abismos, lá está o Teu Espírito. 4Portanto, para onde poderia alguém ir para escapar Daquele que tudo envolve? CAPÍTULO XXIX 1Logo, aproximemo-nos Dele com alma santa, levantando mãos puras e imaculadas para Ele, amando nosso Pai bondoso e misericordioso, que nos admitiu como herdeiros. 2Porque assim está escrito: “Quando o Altíssimo distribuiu a herança aos povos, na hora de disseminar os filhos de Adão, definiu territórios para os povos conforme a multidão dos anjos de Deus. Tornou-se herança do Senhor o povo de Jacó e sua partilha foi Israel”. 3E em outra parte se diz: “Eis que o Senhor toma para si um povo no meio dos povos, assim como um homem toma as primícias de sua eira, e deste povo há de proceder o Santo dos santos”. CAPÍTULO XXX 1Uma vez que formamos a porção santa, façamos tudo o que leva à santificação. Fujamos da maledicência, abraços impuros e impúdicos, bebedeiras, modismos temporários, cobiças abomináveis, adultério detestável e soberba hedionda. 2Pois Deus, como se lê, resiste aos soberbos, porém, concede graça aos humildes. 3Portanto, unamo-nos àqueles a quem Deus concede a graça. Revistamo-nos de concórdia, sejamos continentes humildes, mantendo-nos afastados de toda murmuração e calúnia, justificando-nos mais pelas obras do que pelas palavras. 4Pois assim se diz: “Quem muito fala, terá resposta. Qual homem eloqüênte imaginaria que isso fosse justo?” 5Bem-aventurado o homem, nascido de mulher, que vive pouco. Não te tornes pródigo em palavras. 6Venha nosso louvor de Deus e não de nós. Deus odeia aquele que louva a si próprio. 7O testemunho de nossas boas ações seja dado pelos outros, como assim também aconteceu com nossos pais, que foram justos. 8A arrogância, a presunção e a audácia se assentam sobre aqueles que foram malditos por Deus. A discrição, a humildade e a mansidão habitam junto daqueles que foram abençoados por Deus. CAPÍTULO XXXI 1Dessa forma, desejemos a bênção Dele e vejamos quais são os caminhos que levam à bênção. Voltemos aos acontecimentos desde o princípio. 2Por que nosso pai Abraão foi abençoado? Não seria porque ele praticou a justiça e a verdade pela fé? 3Isaac, conhecendo o porvir e cheio de confiança, deixou-se levar alegremente ao sacrifício. 4Jacó, humildemente, abandonou a terra por causa de seu irmão e foi para junto de Labão, vivendo ali como seu servo, recebendo os doze cetros de Israel. CAPÍTULO XXXII 1Se alguém refletir com sinceridade sobre cada uma dessas coisas, reconhecerá a magnificência dos dons de Deus a Jacó. 2É dele que procederão todos os sacerdotes e levitas que servirão ao altar de Deus. Dele [procede] o Senhor Jesus, segundo a carne. Dele [procede], através de Judas, os reis, príncipes e chefes. Por sua vez, os outros cetros de Jacó também gozarão de não pouca honra, uma vez que Deus anunciou: “Tua descendência será numerosa como as estrelas do céu”. 3Assim, todos atingiram à glória e à grandeza, não por si mesmos, nem por suas obras ou pela justiça praticada, mas por vontade Dele. 4Também igualmente entre nós, que fomos chamados por Sua vontade em Cristo Jesus, já que não nos justificamos a nós mesmos, nem por nossa sabedoria ou inteligência, ou pela piedade ou obras que tenhamos praticado na santidade do coração, mas através da fé, pela qual o Deus todo-poderoso justificou a todos desde sempre: a Ele, a glória pelos séculos dos séculos. Amém. CAPÍTULO XXXIII 1Então, o que faremos, irmãos? Deveríamos renunciar à prática do bem e desertar de Seu amor? Jamais permita o Senhor que isso aconteça conosco. Ao contrário, devemos nos esforçar para cumprir toda a obra boa com disponibilidade entusiástica, 2já que o próprio Criador e Senhor de tudo se regozija de suas obras. 3Foi Ele que firmou os céus com poder soberano e os ornamentou com inesgotável sabedoria. Separou, também, a terra da água que a cerca, assentando-a sobre a firmeza de Sua própria vontade. Aos animais que povoam [a terra], chamou-os à existência por sua ordem. Ele fez o mar e os seres que nele habitam, encerrando-os aí com seu poder. 4Além disso tudo, com Suas mãos santas e puras, Ele modelou a mais excelente, a maior de Suas obras: o homem. E imprimiu nele os traços de Sua própria imagem, 5pois assim falou Deus: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. E Deus criou o homem; varão e mulher os criou”. 6E, enfim, quando terminou todas essas obras, achou-as boas, abençoou-as e lhes disse: “Crescei e multiplicai-vos”. 7Reparemos que todos os justos ornamentaram-se de boas obras e também o próprio Senhor teve prazer em ornar-se com boas obras. 8Já que temos tal exemplo, submetemo-nos sem demora à sua vontade e, com todas as forças, pratiquemos as obras da justiça. CAPÍTULO XXXIV 1O bom trabalhador aceita, desinibidamente, o pão que ganhou com seu trabalho. Já o preguiçoso e negligente foge do olhar de seu senhor. 2Portanto, é necessário que estejamos dispostos a executar as boas obras, já que elas derivam Dele. 3E foi assim que nos preveniu: “Eis o Senhor! Sua recompensa está diante Dele, para retribuir a cada um conforme suas obras”. 4Assim nos exorta a confiarmos Nele de todo o coração, para que não sejamos preguiçosos nem indolentes para nenhuma boa obra. 5Nossa glória e segurança estão Nele! Submetamo-nos à sua vontade! Pensemos no grande número de anjos que estão prontos para servirem à Sua vontade. 6Assim diz a Escritura: “Milhares e milhares estavam diante dele e centenas de milhares o serviam e clamavam: ‘Santo, Santo, Santo é o Senhor dos exércitos. Toda a criação está cheia de sua glória'”. 7Também nós, reunidos harmoniosamente com a mesma finalidade, conscientes de nosso dever, clamamos a ele sem nos cansarmos, numa só voz, para nos tornarmos participantes das Suas grandiosas e magníficas promessas, 8pois é Ele quem diz: “Nenhum olho viu, nenhum ouvido escutou e nenhum coração humano penetrou o que Deus de grande preparou para os que Nele confiam.” CAPÍTULO XXXV 1Meus amados, como são ricos e admiráveis os presentes de Deus! 2Vida em imortalidade, esplendor em justiça, verdade em liberdade, fé em confiança, continência em santidade… e tudo isso chegou ao nosso conhecimento. 3Então, o que não há de estar preparado para os que nele aguardam? O Criador e Pai dos séculos, o próprio Santíssimo conhece a grandeza e a beleza de seus dons. 4Lutemos, assim, para sermos contados no número dos que Nele esperam, para nos tornarmos participantes de Seus dons prometidos. 5Porém, como dar-se-á isso, amados? Fixando nossa mente com confiança em Deus, procurando o que Lhe é agradável e aceito, cumprindo o que convém à Sua santa vontade, seguindo o caminho da verdade, afastando de nós toda injustiça, maldade, ambição, dissensões, malignidade, dolos, murmurações, difamações, recusas de Deus, soberba, jactância, vaidade e falta de hospitalidade. 6Os praticantes de tais obras são réus do ódio de Deus, [mas] não apenas os que as praticam, como também quem as aprovam. 7Assim diz a Escritura: “Porém Deus disse ao pecador: ‘Para que explicas os meus mandamentos e pronuncias sobre a minha aliança? 8Detestaste a disciplina e abandonaste minhas palavras. Quando vias um ladrão, corrias com ele; combináveis com os adúlteros. Tua boca estava cheia de malícia e tua língua provocava enganos. Tranqüilamente difamavas teu irmão e entregavas ao escândalo o filho de tua mãe. 9Era o que fazias enquanto Eu me calava. Impiamente supunhas que Sou semelhante a ti. 10Hei de confundir e obrigar-te a ver-te de frente. 11Compreendei, afinal, estas coisas, vós que esqueceis de Deus, para que não vos arrebate como um leão e já não se encontre quem vos liberte. 12Um sacrifício de louvor há de Me glorificar e aí está o caminho no qual lhe mostrarei a salvação de Deus'”. CAPÍTULO XXXVI 1Amados irmãos, este é o caminho no qual encontramos a nossa salvação: Jesus Cristo, o sumo-sacerdote de nossas oferendas, o protetor e auxílio em nossa fraqueza. 2Por ele, olhamos para o alto dos céus. Através dele, descobrimos a face imaculada e soberana de Deus. Através dele, abriram-se os olhos do nosso coração. Através dele, nossa inteligência obtusa e obscura se abre ao encontro da luz. Através dele, o Senhor quis que saboreássemos do conhecimento imortal. Sendo Ele o esplendor de Sua grandeza, é tanto maior que os anjos, tendo recebido em herança um nome superior ao deles. 3Pois assim está escrito: “Aquele que fez os ventos serem seus anjos e as chamas do fogo serem seus servos”. 4Assim falou o Senhor a respeito de seu Filho: “Meu Filho és tu. Hoje Eu te gerei: pede-Me e Eu te darei as nações como herança e os confins da terra como possessão”. 5E outra vez Lhe diz: “Senta-te à minha direita, até que ponha teus inimigos como escabelo de teus pés”. 6Quem seriam estes inimigos? [Certamente,] os maus e os que se opõem à Sua vontade. CAPÍTULO XXXVII 1Irmãos, militemos com todo entusiasmo sob Suas ordens indiscutíveis. 2Observemos nos soldados que servem sob as bandeiras dos nossos imperadores, como cumprem as ordens com disciplina, prontidão e submissão. 3Nem todos são comandantes, nem todos são chefes de mil, nem chefes de cem, nem chefes de cinqüenta e assim por diante, mas cada qual cumpre, em seu próprio posto, as ordens emanadas pelo chefe supremo e demais autoridades. 4Os grandes nada podem sem os pequenos e os pequenos nada podem sem os grandes. Em tudo existe alguma mistura e aí está a vantagem. 5Exemplifiquemos com o nosso corpo: a cabeça sem os pés nada é; nem, tampouco, os pés sem a cabeça. Até os menores membros do corpo são úteis e necessários ao resto do corpo. Todos convivem e atuam em submissão unânime para salvarem todo o corpo. CAPÍTULO XXXVIII 1Que se conserve, portanto, por inteiro o corpo que formamos em Jesus Cristo e cada um se submeta a seu próximo, conforme o carisma que lhe foi dado. 2O forte cuide do fraco e o fraco, por sua vez, respeite o forte. O rico preste serviço ao pobre e o pobre, por sua vez, renda graças a Deus, que lhe deu o suficiente para suprir sua falta. O sábio manifeste sua sabedoria não por palavras, mas por obras. O humilde não dê testemunho de si mesmo, mas permita que o outro o dê a seu favor. O casto em sua carne não se envaideça pois sabe que é Outro quem lhe dá a continência. 3Afinal, irmãos, analisemos de que matéria fomos feitos, como e quem fomos ao entrarmos no mundo, de que sepulcro e escuridão nosso oleiro e criador nos tirou para nos introduzir em Seu mundo, Ele que preparou para nós todos os Seus dons antes mesmo que nascêssemos. 4Já que temos tudo isso Dele, devemos render-Lhe graças por tudo. A Ele, a glória pelos séculos. Amém CAPÍTULO XXXIX 1Ignorantes e insensatos, loucos e incultos zombam e escarnecem de nós, querendo dar importância às suas idéias. 2O quanto pode um mortal, qual a força de alguém que nasceu da terra? 3Está escrito: “Não havia forma aos meus olhos, mas percebi um hálito e uma voz que dizia: 4’Como haveria de ser puro um mortal diante do Senhor ou irrepreensível um homem por causa de suas obras? Se nem Deus pode confiar em seus servos e se junto a seus anjos encontrou algo de errado?’ 5Nem o céu é puro diante Dele, como, então, poderiam ser [puros] os hóspedes dos ranchos de barro, aos quais pertencemos, sendo nós do mesmo barro? Esmagou-os como vermes e entre a manhã e a noite deixaram de existir. Pereceram porque não podem se ajudar por si próprios. 6Soprou sobre eles e morreram por não terem sabedoria. 7Grita! Talvez alguém te escute ou vejas algum dos santos anjos. Realmente a cólera consome o tolo e o ciúme mata aquele que se desviou. 8Tenho visto alguns tolos deitando raízes, mas logo são consumidos como alimento. 9Que seus filhos sejam mantidos longe da salvação, que sejam desprezados ao baterem à porta dos humildes e não se encontre quem os liberte. Aquilo que para eles estava preparado seja alimento dos justos, não encontrando eles saídas para seus males”. CAPÍTULO XL 1Sendo óbvias todas essas coisas e tendo nós sondado as profundezas do conhecimento de Deus, devemos fazer com ordem tudo aquilo que o Senhor nos mandou cumprir nos tempos determinados: 2Mandou-nos oferecer os sacrifícios e celebrar o culto, não ao acaso ou desordenadamente, mas com tempos e horas marcadas. 3Foi Ele quem fixou, por sua decisão altíssima, onde e quais ministros deverão fazê-los, para que tudo fosse feito de forma santa, sendo aceito por sua vontade. 4Aqueles que fazem suas oferendas dentro dos tempos determinados, são-Lhe agradáveis e abençoados, já que seguem as determinações do Senhor e não pecam. 5Pois ao sumo-sacerdote foram confiadas tarefas particulares, aos sacerdotes um lugar próprio, aos levitas certos serviços e o leigo liga-se pelas ordenações exclusivas dos leigos. CAPÍTULO XLI 1Irmãos, cada qual de nós agrade o Senhor em sua função, vivendo em boa consciência, não transgredindo as regras de seu ofício e exercendo-o com toda a dignidade. 2Irmãos, nem por toda parte são oferecidos sacrifícios perpétuos ou votivos, de expiação e remissão, mas apenas em Jerusalém. E lá mesmo não se oferece em qualquer parte, mas apenas na frente do santuário, sobre o altar, e só depois que o sumo-sacerdote e os seus auxiliares, acima mencionados, examinarem atenciosamente a oferenda. 3Aqueles que praticam algo contra aquilo que agrada Sua vontade recebem a morte como castigo. 4Irmãos, vede que, quanto maior o conhecimento com que somos distingüidos, maior o perigo a que nos expomos. CAPÍTULO XLII 1Os apóstolos receberam em nosso favor a boa-nova da parte do Senhor Jesus Cristo. E Jesus Cristo foi enviado por Deus. 2Portanto, Cristo vem de Deus e os apóstolos [vêm] de Cristo. Esta dupla missão realizou-se em perfeita ordem por vontade de Deus. 3Munidos de instruções e plenamente assegurados pela ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, confiantes na Palavra de Deus, saíram a evangelizar a próxima vinda do Reino de Deus na plenitude do Espírito Santo. 4Assim, proclamando a palavra nos campos e nas cidades, estabeleceram suas primícias, como bispos e diáconos, dos futuros fiéis, após prová-los pelo Espírito. 5E não se trata de inovação… há séculos que as Escrituras falam de bispos e diáconos, pois assim se lê em algum lugar: “Quero estabelecer os bispos deles na justiça e os seus diáconos na fé”. CAPÍTULO XLIII 1Por que estranhar que os apóstolos, a quem Cristo confiou, da parte de Deus, tal obra, tenham instituído os acima mencionados? Ora, até o bem-aventurado e servo fiel em toda casa, Moisés, assinalou tudo o que lhe fôra ordenado nos santos livros. Seguiram-no os demais profetas, juntando os seus testemunhos às leis por ele instituídas. 2No momento de irromper o ciúme a respeito do sacerdócio e de se disputarem as tribos, isto é, qual delas deveria ostentar esse título glorioso, ordenou ele aos doze chefes de tribo que lhe trouxessem bastões com o nome de cada tribo gravado. Tomando tais bastões, amarrou-os, assinalou-os com os anéis dos chefes e os depositou sobre a mesa de Deus na tenda do testemunho. 3Então fechou a tenda, selando as chaves da mesma forma que os bastões. 4Disse-lhes, então: “Irmãos, a tribo cujo bastão brotar será a escolhida por Deus para exercer o sacerdócio e ministrar seu culto”. 5Ao amanhecer, reuniu todo Israel, os seiscentos mil homens, mostrou os selos aos chefes, abriu a tenda do testemunho e retirou os bastões. E ocorreu que o bastão de Aarão não só germinara como também produzira fruto. 8Então, o que lhes parece, irmãos? Acaso Moisés não sabia, previamente, que era isso o que ocorreria? Sem dúvida sabia-o. Mas, para que não irrompesse uma revolta em Israel, agiu dessa maneira, para que fosse glorificado o nome do verdadeiro e único Deus. A Ele, a glória pelos séculos dos séculos. Amém. CAPÍTULO XLIV 1Também os apóstolos sabiam, por Nosso Senhor Jesus Cristo, que haveria contestações a respeito da dignidade episcopal. 2Por tal motivo e como tivessem pleno conhecimento do porvir, estabeleceram os acima mencionados e deram, além disso, instruções no sentido de que, após a morte deles, outros homens comprovados lhes sucedessem em seu ministério. 3Os que assim foram instituídos por eles ou, mais tarde, por outros eminentes homens com a aprovação de toda a Igreja, servindo de modo irrepreensível ao rebanho de Cristo, com humildade, pacífica e abnegadamente, recebendo o testemunho favorável por longo tempo e da parte de todos, não é justo, em nossa opinão, serem depostos de seus ministérios. 4E não será pequena a nossa falta se depusermos do episcopado aqueles que ofereceram, de maneira santa e irrepreensível, os sacrifícios. 5Bem-aventurados os presbíteros que nos precederam na caminhada e terminaram sua jornada carregados de frutos e perfeição. Não têm a temer que alguém os remova do lugar para eles preparado. 6Vemos que vós afastastes a alguns de boa índole de um ministério que eles honraram de forma digna. CAPÍTULO XLV 1Irmãos, cheios de zelo, disputai pelas coisas que levam à salvação. 2Vós vos aprofundastes nas verdadeiras Escrituras Sagradas, que nos vêm do Espírito Santo. 3Sabeis que elas não são injustas, nem contêm falsificação. Lá não encontrareis que homens justos foram depostos por homens santos. 4Ao contrário, os justos foram perseguidos por pecadores, foram encarcerados por ímpios, foram apedrejados por trasgressores da lei, foram assassinados por homens cheios de ciúmes abomináveis e criminosos. 5Tais sofrimentos eles suportam com glória. 6O que diríamos então, irmãos? Acaso Daniel foi lançado à cova por homens tementes a Deus? 7E quanto a Ananias, Azarias e Misael: foram eles lançados à fornalha ardente por homens que praticavam o culto excelso e glorioso do Altíssimo? De modo algum! Então, quem praticou tais coisas? Foram indivíduos odiosos, cheios de maldade e que nutriam tal fúria que mandavam à tortura todos aqueles que serviam a Deus com santa e irrepreensível intenção, esquecendo-se que o Altíssimo é defensor e escudo daqueles que servem a seu Santíssimo Nome com consciência pura. A Ele, a glória pelos séculos dos séculos. Amém. 8Os que perseveraram na paciência, receberam glória e honra como herança, foram exaltados e inscritos no livro da memória de Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém. CAPÍTULO XLVI 1Irmãos, temos que nos apegar a tais exemplos, 2pois está escrito: “Apegai-vos aos santos porque os que a eles se apegam serão santificados”. 3E, de novo, em outra parte, se diz: “Junto ao homem puro serás puro. Junto ao eleito serás eleito. Junto ao perverso serás perverso”. 4Apeguemo-nos, pois, aos puros e justos porque são esses os eleitos de Deus. 5Por que entre vós existem disputas, ódios, contendas, cismas e guerras? 6Acaso não temos um só Deus, um só Cristo e um só Espírito da graça derramado sobre nós e uma só vocação em Cristo? 7Por que insistimos em separar e despedaçar os membros de Cristo, nos revoltando contra o próprio corpo, chegando a uma loucura tal que nos esquecemos que somos membros uns dos outros? Lembrai-vos das palavras de Nosso Senhor Jesus, 8porque foi Ele quem disse: “Ai daquele homem! Melhor seria que não tivesse nascido do que escandalizar um dos meus eleitos. Mais lhe valeria amarrar uma pedra em seu pescoço e afundar no mar do que perverter um dos meus eleitos”. 9Vosso cisma perverteu a muitos, atirou muitos no desânimo, colocou muitos na dúvida, entristeceu-nos a todos. E vossa revolta se prolonga… CAPÍTULO XLVII 1Tornai a ler a epístola do bem-aventurado apóstolo Paulo. 2O que vos escreveu primeiro, no início do evangelho? 3Na verdade, estava ele inspirado pelo Espírito quando vos comunicou normas sobre si próprio, sobre Cefas e Apolo, pois já então formáveis partidos. 4Mas o partidarismo daquele tempo importou num pecado muito menor para vós já que vos agrupáveis em torno dos apóstolos e de um homem aprovado por eles. 5Refleti, porém: quem são os que vos pervertem neste momento e como enfraqueceram o renome da vossa caridade tão celebrada por todos. 6Uma vergonha, meus caros, uma vergonha muito grande e indigna de uma conduta em Cristo ouvir-se que a Igreja dos coríntios, tão inabalável e antiga, se rebele contra os presbíteros por causa de uma ou duas pessoas. 7E tal rumor não chegou apenas até nós, mas atingiu também a outros que possuem as mesmas convicções que nós, a ponto de se proferirem blasfêmias ao nome do Senhor por causa da vossa insensatez, por armar perigo para vós próprios. CAPÍTULO XLVIII 1Arranquemos esse mal o mais rápido possível. Lancemo-nos aos pés do Senhor e peçamos-lhe, entre lágrimas, que se compadeça de nós, reconciliando-se conosco, trazendo-nos de volta a uma prática santa e pura de nossa fraternidade. 2Porque é esta a porta da justiça aberta para a vida, conforme está escrito: “Abri-me as portas da justiça: por elas quero entrar e louvar o Senhor. 3É esta a porta do Senhor: por ela entrarão os justos”. 4Entre as muitas portas abertas, a porta da justiça é a porta de Cristo. Bem-aventurados todos aqueles que entram por ela e guiam seus passos na santidade e justiça, cumprindo todas as coisas impertubavelmente. 5Que alguém tenha fé, que seja capaz de expor o conhecimento, que seja sábio em discernir os discursos, que seja santo em suas ações. 6Quanto maior parecer, mais se deve ser humilde, procurando o proveito de todos e não o próprio. CAPÍTULO XLIX 1Quem possui a caridade em Cristo, cumpra os mandamentos de Cristo. 2Quem poderia descrever o vínculo da caridade de Deus? 3Quem seria capaz de exprimir a magnificência de sua beleza? 4É indescritível a altura a que nos leva o amor. 5O amor nos une a Deus, o amor cobre os pecados, o amor suporta tudo, o amor é grandioso em tudo. Nada há de mesquinho e soberbo na caridade. A caridade não conhece cisma, a caridade não se revolta, a caridade realiza tudo com harmonia, na caridade todos os eleitos de Deus atingiram a perfeição. Sem caridade, não há nada que agrade a Deus. 6Na caridade o Senhor nos acolheu. Pela caridade que teve conosco, Nosso Senhor Jesus Cristo deu Seu sangue por nós, segundo a vontade de Deus; sua carne por nossa carne, sua alma por nossas almas. CAPÍTULO L 1Amigos, vede como a caridade é grande e admirável e como não há como descrevê-la de forma perfeita. 2Quem seria capaz de chegar até ela a não ser aqueles a quem Deus os torna dignos. Peçamos e supliquemos por Sua misericórdia, para vivermos irrepreensíveis na caridade sem a parcialidade humana. 3Desde Adão, passaram todas as gerações até o dia de hoje. Mas os que foram perfeitos no amor segundo a graça de Deus tomaram posse da terra dos santos e hão de manifestar-se quando o Reino de Cristo estiver à vista. 4Pois está escrito: “Entrai nos aposentos por um instante, até que passe minha ira e meu furor. Então me lembrarei do dia favorável e hei de ressuscitar-vos de vossos túmulos”. 5Amigos, somos felizes quando cumprimos os mandamentos de Deus na harmonia da caridade, para que nossos pecados sejam perdoados pela caridade. 6Porque a Escritura diz: “Bem-aventurados aqueles que tiveram perdoadas suas iniqüidades e encobertos seus pecados. Bem-aventurado o homem a quem Deus não imputa pecado e em cuja boca não se encontra a fraude”. 7Estas bem-aventuranças dizem respeito aos que foram escolhidos por Deus, através de Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem se dê a glória pelos séculos dos séculos. Amém. CAPÍTULO LI 1Peçamos perdão de nossas quedas e faltas ocorridas pela sugestão do inimigo. Mas também devem considerar nossa comum esperança aqueles que se tornaram os líderes dessa revolta e cisão. 2Pois os que vivem no temor e na caridade preferem ver-se a si mesmos atormentados do que os seus irmãos. Preferem ser censurados do que ver censurada a concórdia que nos foi transmitida por tão bela e santa tradição. 3Mais vale ao homem confessar publicamente suas faltas do que endurecer o coração, da mesma forma como endureceu o coração daqueles que se revoltaram contra Moisés, servo de Deus, e que foram castigados mais tarde, 4pois desceram vivos para o inferno, onde a morte os apascentará. 5O faraó, seu exército, todos os chefes do Egito, os carros e os que neles estavam não foram lançados ao Mar Vermelho por outro motivo. Aí pereceram porque endureceram seus corações insensatos, após os sinais e milagres realizados por Moisés, servo de Deus, no Egito. CAPÍTULO LII 1Irmãos, o Senhor não necessita de absolutamente nada. Não precisa de nada de ninguém, exceto que o confessem. 2Pois assim diz Davi, Seu eleito: “Hei de exaltar o Senhor e isso Lhe agradará mais do que um novilho que possua chifres e patas. Que O vejam os pobres e se rejubilem”. 3E novamente: “Oferece a Deus um sacrifício de louvor. Cumpre teus votos ao Altíssimo. ‘Invoca-Me no dia da tua tribulação: Eu te livrarei e me renderás glórias’. 4Porque, para Deus, sacrifício é o espírito humilhado.” CAPÍTULO LIII 1Caríssimos, conheceis – e como conheceis bem – as Sagradas Escrituras: vos aprofundastes nos oráculos de Deus. Escrevemos isto para simplesmente vos recordar das coisas. 2Quando Moisés subiu a montanha e aí passou, humildemente, quarenta dias e quarenta noites fazendo jejum, Deus lhe falou: “Desce depressa porque teu povo pecou. Aqueles que conduziste para fora da terra do Egito pecaram e afastaram-se do caminho que prescreveste pois fizeram para si ídolos de metal”. 3E o Senhor ainda acrescentou: “‘Eu já te disse e volto a repetir: vi este povo e quão dura é sua cabeça. Deixa-me exterminá-lo, apagarei seu nome sob os céus e farei de ti uma nação grandiosa e admirável, muito mais numerosa do que esta’. 4Mas Moisés respondeu-lhe: ‘Senhor, não faças isso! Perdoa o pecado deste povo ou tira de mim o livro dos vivos'”. 5Ó grande caridade! Ó perfeição insuperável! O servo fala com liberdade com o seu Senhor: exige perdão para o povo ou implora que seja destruído junto com ele. CAPÍTULO LIV 1Quem, dentre vós, for nobre, compassivo e cheio de caridade, 2diga: “se é por minha causa que há revolta, discórdia e cisma, eu me retiro, parto para onde quiserdes e faço o que for pedido pela comunidade, desde que apenas o rebanho de Cristo viva em paz com os presbíteros constituídos”. 3Quem agir dessa maneira obterá grande glória em Cristo e será recebido em toda a parte, “pois do Senhor é a terra e sua plenitude”. 4É isso o que fizeram e ainda fazem os que trilham, sem remorsos, o caminho de Deus. CAPÍTULO LV 1Porém, tomemos também exemplos dentre os gentios: quando surge uma peste, muitos reis e príncipes se entregam à morte por inspiração de algum oráculo, para salvar o sangue de seus cidadãos. Muitos outros se retiram de suas cidades, para que a revolta não se estenda. 2Conhecemos muitos dentre os nossos que se entregaram à prisão para resgatarem outros. Muitos se entregaram à escravidão para sustentar os demais com o dinheiro pago. 3Muitas mulheres, fortalecidas pela graça de Deus, realizaram difíceis tarefas. 4A bem-aventurada Judite, durante o cêrco da cidade, pediu aos presbíteros a permissão para se ausentar do acampamento dos estrangeiros. 5Expondo-se ao perigo, saiu por amor à pátria e ao povo em cêrco. E o Senhor entregou Holofernes na mão de uma mulher. 6Perfeita na fé, Ester expôs a si mesma num perigo não menor, para salvar da proximidade da morte as doze tribos de Israel. Pelo jejum e humilhação, suplicou ao Senhor que tudo vê, o Deus dos séculos. E este, vendo a humildade de sua alma, salvou o povo em favor daquela que se expusera ao perigo. CAPÍTULO LVI 1Supliquemos também nós pelos que vivem no pecado, para que recebam doçura e humildade, para não cederem a nós, mas à vontade de Deus. Assim se tornará frutífera e perfeita a lembrança misericordiosa que deles tivemos diante de Deus e dos santos. 2Aceitemos a correção fraterna, a qual, amados, ninguém deve julgar mal. A exortação que damos uns aos outros é boa e muito útil, pois nos une à vontade de Deus. 3É isso que testemunha a santa Escritura: “Castigou e tornou a me castigar o Senhor, mas não me entregou à morte. 4A quem o Senhor ama, castiga e açoita como a seu filho.” 5O texto continua: “Há de me castigar, como justo em misericórdia, e há de me corrigir. E enquanto isso, que nenhum óleo dos pecadores unja a minha cabeça.” 6E novamente diz: “Bem-aventurado o homem que o Senhor corrigiu. Não recuses a repreensão do todo-poderoso, pois Ele faz sofrer e novamente restabelece. 7Bateu e suas mãos curaram. 8Seis vezes arrancar-te-á as dificuldades; na sétima, o mal não te atingirá. 9Na fome, preservar-te-á da morte. Na guerra, [preservar-te-á] do fio da espada. 10Proteger-te-á do açoite da língua, não temerás males vindouros. 11Rirás dos injustos e maus, e não temerás os animais selvagens. 12Até os animais selvagens viverão em paz contigo. 13Verás que tua casa gozará de paz e não faltará comida na tua tenda. 14Verás que tua descendência será grande e os teus filhos como a erva miúda do campo. 15Descerás ao túmulo como o trigo amadurecido, colhido no tempo certo, ou como feixe da eira, recolhido na hora exata” 16Caríssimos, vede quão grande é a proteção para aqueles que aceitam a correção do Senhor, pois Ele nos corrige como bom Pai, para encontrarmos misericórdia por sua santa correção. CAPÍTULO LVII 1Portanto, vós que originastes a revolta, submetei-vos aos presbíteros e deixai-vos corrigir até vos converterdes, dobrando os joelhos de vossos corações. 2Aprendei a submeter-vos, depondo a arrogante e orgulhosa jactância da vossa língua, pois é muito melhor para vós encontrar-vos no rebanho de Cristo, como pequenos e escolhidos, do que serdes super-estimados, mas excluídos da Sua esperança, 3pois é assim que se exprime a santíssima sabedoria: “Eis que anunciar-vos-ei a palavra do meu Espírito. Dar-vos-ei a conhecer o meu discurso. 4Já que chamei e não escutastes, me estendi e não destes atenção, ao contrário, negligenciastes os meus conselhos e fizestes pouco caso das minhas advertências, por isso também rirei da vossa perda, zombarei na hora em que chegar a tua ruína e quando o tumulto se abater sobre vós, catástrofe repentina como uma tempestade, ou quando vos visitar a tribulação e a angústia. 5Então me invocarás, porém, não vos escutarei. Pecadores me procurarão, mas não me encontrarão, pois detestaram a sabedoria e não estimaram, acima de tudo, o temor do Senhor, não deram atenção aos meus conselhos, zombaram das minhas advertências. 6Por isso, comerão os frutos dos seus erros e saciar-se-ão da sua própria impiedade. 7Serão mortos em troca do mal que provocaram aos humildes e o julgamento aniquilará os ímpios. Porém, aquele que Me escuta, habitará sua tenda e, confiando na esperança, viverá em paz sem temer qualquer mal.” CAPÍTULO LVIII 1Assim, obedeçamos a seu Nome, todo santo e glorioso. Fujamos das ameaças que a sabedoria incute contra os insubmissos, para que possamos fixar nossa tenda confiantes no Nome santíssimo de Sua Majestade. 2Acatai ao nosso conselho e não vos arrependereis, pois Deus é vivo, assim como vivo também são Jesus Cristo e o Espírito Santo, e vivas também são a fé e a esperança dos eleitos no sentido daqueles que praticam os mandamentos e preceitos de Deus com humildade, mansidão perseverante e sem hesitação, para serem relacionados e se enfileirarem no número dos que serão salvos por Jesus Cristo, pelo qual rendemos glória pelos séculos dos séculos. Amém. CAPÍTULO LIX 1Se, porém, alguns não obedecerem ao que foi dito por nós, saibam que se envolverão em pecado e perigo não pequeno. 2Contudo, nós seremos inocentes deste pecado e pediremos em súplica e oração constante para que o Criador de tudo conserve intacto o número dos que foram contados entre Seus escolhidos em todo o mundo, por seu Filho mui amado, Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual nos chamou das trevas para a luz, da ignorância para o conhecimento da glória de seu nome. 3Ele nos ensinou a esperar em Teu Nome, princípio de toda criatura. Tu que nos abriste os olhos do coração para Te conhecermos, ao único Altíssimo nas alturas, Santo que repousa entre os santos: Tu que rebaixas o orgulho dos soberbos, que desfazes as estratégias das nações, que exaltas os humildes e humilhas os que se exaltam, que distribuis a riqueza e a pobreza, que fazes morrer e levas à vida, que és o único benfeitor dos espíritos e Deus de toda carne, que vigias os abismos e controlas as obras dos homens, que és socorro nos perigos e Salvador no desespero, Criador e Bispo de todo espírito, tu que multiplicas as raças sobre a terra e, dentre todas, escolhes os que te amam, por Jesus Cristo, teu Filho amado, pelo qual nos ensinaste, santificaste e glorificaste. 4Mestre, nós te pedimos: torna-te nosso socorro e nosso protetor; salva os oprimidos entre nós; levanta os caídos; mostra-te aos que oram; cura os fracos; leva ao bom caminho aqueles do teu povo que erram; sacia os que têm fome; liberta nossos presos; consola os fracos; conheçam-Te todos os povos, porque Tu és o Deus único, e Jesus Cristo é Teu Filho, e nós o Teu povo e ovelhas do Teu rebanho. CAPÍTULO LX 1Pois Tu fizeste aparecer a harmonia eterna do universo através das forças que nele operam. Tu, Senhor, criaste a terra habitada. Tu te manténs fiel por todas as gerações, justo nos julgamentos, admirável no poder e na majestade, sábio ao criar e providente ao sustentar a criação, bom nos dons visíveis, benigno para com os que em Ti confiam. Misericordioso e compassivo, perdoas nossas iniqüidades, pecados, faltas e negligências. 2Não leves em conta todo pecado de teus servos e servas, purifica-nos, ao invés, com a purificação da tua verdade. Dirige nossos passos para andarmos na santidade do coração e para realizarmos o que é bom e agradável aos Teus olhos e aos olhos dos que nos governam. 3Sim, Mestre, mostra-nos a tua face para o bem na paz, para nos protegeres com Tua mão forte e nos preservares de todo pecado por teu braço excelso e nos livrares de todos quanto nos odeiam sem motivo 4Concede-nos harmonia e paz, a nós e a todos os habitantes da terra, assim como as concedestes a nossos pais quando Te invocaram santamente na fé e na verdade. Torna-nos submissos a Teu Nome todo-poderoso e todo santo, e aos que nos governam e dirigem sobre a terra. CAPÍTULO LXI 1Tu, Senhor, lhes deste o poder da autoridade por tua força magnífica e inefável, para que soubéssemos que por Ti lhes foi dada a glória e a honra, e a ele nos submetêssemos em nada contrariando a Tua vontade. Dai-lhes, portanto, Senhor, saúde, paz, concórdia e estabilidade a fim de que possam exercer sem obstáculos a soberania que lhes confiaste. 2Pois Tu, Senhor dos céus, Rei dos séculos, dás aos filhos do homem honra, glória e poder sobre o que existe na terra. Tu, Senhor, dirige sua vontade no sentido do que é bom e agradável a Teus olhos, em Tua presença, a fim de que exerçam a autoridade que lhes deste na paz e mansidão, e obtenham Tua graça! 3Só Tu podes realizar esses bens e outros maiores ainda entre nós. A Ti exaltamos pelo Sumo-Sacerdote e protetor de nossas almas, Jesus Cristo. Por Ele Te seja dada glória e magnificência, agora e de geração em geração, pelos séculos dos séculos. Amém. CAPÍTULO LXII 1Amados irmãos, escrevemo-vos o suficiente a respeito das decisões mais acertadas para nossa religião, como também a respeito da atitude mais favorável para as pessoas que querem levar uma vida santa na piedade e justiça. 2Citamos todos os aspectos que dizem respeito à fé, penitência, verdadeira caridade, continência, prudência e paciência, recordando que vos é necessário agradar santamente ao Deus poderoso em justiça, verdade e generosidade, mantendo a concórdia pelo esquecimento da injúria, no amor e na paz, com constante modéstia, como também nossos pais que, como mencionamos, Lhe agradaram, mantendo-se humildes na conduta para com o Pai, Deus e Criador, e para com todos os homens. 3Tivemos tanto mais gosto em recordá-lo quanto mais sabíamos estar escrevendo a homens de fé e consideração, que se aprofundaram nas máximas do ensinamento de Deus. CAPÍTULO LXIII 1É certo, assim, nos orientarmos por tais e tão grandes exemplos. Curvemos nossa cabeça e ocupemos o lugar da obediência, para acalmarmos a vã revolta e atingirmos com lisura a meta proposta dentro da verdade. 2Haveis de nos proporcionar alegria e prazer se vos submeterdes ao que escrevemos pelo Espírito Santo, cortando pela raiz a ira nascida do ciúme, conforme o pedido de paz e concórdia que vos fazemos por esta carta. 3Enviamo-vos homens de confiança e prudentes que, desde a juventude até a idade mais avançada, tiveram uma conduta irrepreensível entre nós, e que servirão de testemunhas entre vós e nós. 4Assim fizemos para que saibais que toda a nossa preocupação ia e continua indo no sentido de que se restabeleça imediatamente a paz entre vós. CAPÍTULO LXIV 1No restante, que Deus, que tudo enxerga, Senhor dos espíritos, Dono de toda carne e que escolheu o Senhor Jesus Cristo e a nós por Ele, conceda a toda alma que tiver invocado o Seu Nome magnífico e santo, fé, temor, paz, paciência, generosidade, continência, pureza e prudência para agradar ao Seu Nome pelo Sumo-Sacerdote e nosso chefe, Jesus Cristo, pelo qual Lhe seja rendida glória, majestade, poder e honra, agora e por todos os séculos dos séculos. Amém. CAPÍTULO LXV 1Aos nossos enviados, Cláudio Efebo e Valério Bito, junto com Fortunato, enviai-os rapidamente de volta na paz e com alegria, para que logo nos tragam notícias sobre a harmonia e paz, pela qual tanto rezamos e suplicamos e assim, mais depressa, nos alegremos da boa ordem entre vós. 2A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco e com todos os eleitos de Deus, através Dele por toda a parte. Por Jesus, seja dada a Deus glória, honra, poder e majestade, o trono eterno, desde todos os séculos e para todos os séculos dos séculos. Amém. Fonte: Patrística-do Livro Padres Apostólicos Ed. Paulus Leia mais: http://m.franciscocatolico.com.br/news/clemente-bispo-de-roma-35-101-d-c-/

  • INTOLERÂNCIA PROTESTANTE. JULGAMENTOS DOS REFORMADORES SOBRE SERVET.

    Os Reformadores herdaram a doutrina da perseguição da Igreja mãe Luterana e a praticaram na medida em que tinham o poder. Combateram intolerância com intolerância. Eles diferiram favoravelmente de seus oponentes no grau e extensão, mas não no princípio, de intolerância. Clamavam aos quatro ventos que tinham Derrubado a tirania do Papa e abriram o caminho para o desenvolvimento da liberdade religiosa; mas negaram aos outros a liberdade que eles exerceram. Os governos protestantes na Alemanha e na Suíça excluíram, dentro dos limites de sua jurisdição, os católicos romanos de todos os direitos religiosos e civis, e tomaram a posse exclusiva de suas igrejas, conventos e outros bens. Eles baniram, prenderam, afogaram, decapitaram, enforcaram e queimaram anabatistas, antitrinitarianos, e outros dissidentes. Na Saxônia, na Suécia, na Noruega e na Dinamarca, nenhuma religião e culto público foram permitidos, mas apenas o luterano. O Sínodo de Dort depôs e expatriou todos os ministros e professores da escola arminiana. O código penal da rainha Elizabeth e os sucessivos atos da Uniformidade visavam o extermínio completo de toda a dissidência, seja papal ou protestante, e tornou um crime para um inglês ser algo além de um episcopal. Os puritanos, quando assumiram o poder, expulsaram dois mil ministros de seus benefícios por não conformidade; e os episcopais os pagaram de volta na mesma moeda quando voltaram ao poder. “Os Reformadores”, diz Gibbon, com severidade sarcástica, “eram ambiciosos de suceder aos tiranos que tinham destronado. Eles impuseram com igual rigor seus credos e confissões; eles afirmaram o direito do magistrado para punir hereges com a morte. A perseguição protestante viola o princípio fundamental da Reforma. O protestantismo não tem direito de existir, exceto com base na liberdade de criar novas idéias e doutrinas. Como, então, podemos explicar essa inconsistência flagrante? Não Há uma razão para tudo. A perseguição protestante era necessária para se manter viva, era uma luta pela existência. Nunca houve tolerância . As igrejas nascentes não poderiam ter resistido sem a INTOLERÂNCIA e perseguicão. Essas Igrejas tiveram que se consolidar e fortificar em primeiro lugar contra os inimigos envolventes. A tolerância universal naquela época teria resultado em confusão universal e perturbaria a ordem da sociedade. Da anarquia ao despotismo absoluto é apenas um passo. A divisão do protestantismo em dois campos rivais, o luterano e o reformado, enfraqueceu-a; Outras divisões dentro desses campos a arruinariam e prepararam um triunfo fácil para uma Roma unida, o que se tornaria mais despótico do que nunca. Os Reformadores e os príncipes e magistrados protestantes foram essencialmente acordados nesta atitude intolerante, tanto para Roma quanto para os protestantes heréticos, pelo menos até o ponto de prisão, deposição e expatriação. Eles diferiram apenas quanto ao grau de gravidade.Todos acreditavam que o papado é anti-cristão e a massa idólatra; Essa heresia é um pecado contra Deus e a sociedade; que a negação da Trindade e a divindade de Cristo é a maior das heresias, que merece a morte de acordo com as leis do império e o castigo eterno de acordo com o Credo Atanasiano (com suas três cláusulas condenatórias); e que o governo civil é tão obrigado a proteger o primeiro como a segunda mesa do Decálogo, e reivindicar a honra de Deus contra a blasfêmia. Eles estavam ansiosos para demonstrar seu zelo pela ortodoxia por severidade contra heresia. Eles não tinham dúvidas de que eles próprios eram ortodoxos de acordo com o único padrão verdadeiro de ortodoxia – a Palavra de Deus nas Sagradas Escrituras. E, no que diz respeito aos dogmas da Trindade e da Encarnação, eles estavam totalmente de acordo com seus oponentes católicos, e igualmente opostos aos erros de Servetus, que negavam esses dogmas com ousadia e desprezo desconhecidos antes. Vamos verificar os sentimentos dos Reformadores líderes com especial referência ao caso de Servet. Eles formam uma justificativa completa de Calvino na medida em que tal justificativa é possível. Lutero. Lutero, o herói de Worms, o campeão dos direitos sagrados da consciência, era, em palavras, o mais violento, mas na prática, o menos intolerante, entre os Reformadores. Ele estava mais próximo do roma na condenação da heresia, mas mais próximo do gênio do protestantismo na defesa do estado laico. Ele estava profundamente enraizado na falsa piedade medieval, e ainda um poderoso heresiarca dos tempos modernos. Em seus primeiros anos, até 1529, ele expressou alguns sentimentos a favor do estado laico. “A crença é uma coisa livre”, disse ele, “o que não pode ser aplicado”. “Se os hereges fossem punidos com a morte, o preso seria o teólogo mais ortodoxo”. “A heresia é uma coisa espiritual que nenhum ferro pode abaixar, nenhuma queima de fogo, nenhuma água se afogar.Queimar os hereges é contrário à vontade do Espírito Santo. “Os falsos professores não devem ser mortos, é suficiente para expulsá-los”. Mas com os anos avançados tornou-se menos liberal e mais intolerante contra os católicos, os hereges e os judeus. Ele exortou os magistrados a proibir toda pregação de anabatistas, a quem denunciou sem discriminação como falsos profetas e mensageiros do diabo, e exortou a sua expulsão. Ele não criou protestos quando a Dieta de Speier, em 1529, passou pelo decreto cruel de que os anabatistas sejam executados pelo fogo e pela espada sem distinção de sexo, e mesmo sem uma audiência prévia perante os juízes espirituais. O eleitor da Saxônia considerou seu dever executar este decreto e colocar uma série de anabatistas na morte em seus domínios. Seu vizinho, Philip de Hesse, que tinha instintos mais liberais do que os príncipes contemporâneos da Alemanha, não conseguiu achar em sua consciência usar a espada contra as diferenças de crença. Mas os teólogos de Wittenberg, ao serem consultados pelo eleitor John Frederick cerca de 1540 ou 1541, deram seu julgamento a favor da morte dos anabatistas, de acordo com as leis do império. Lutero aprovou este julgamento sob seu próprio nome, acrescentando que era cruel puni-los pela espada, mas mais cruel que eles condenassem o ministério da Palavra e suprimissem a verdadeira doutrina e tentassem destruir os reinos do mundo. Se colocarmos uma construção estrita nesta frase, Lutero deve ser contado com os defensores da pena de morte por heresia. Mas ele fez uma distinção entre duas classes de anabatistas: aqueles que eram sediciosos ou revolucionários, e aqueles que eram meros fanáticos. O primeiro deveria ser morto, o último deveria ser banido. Em uma carta a Felipe de Hesse, datada de 20 de novembro de 1538, ele pediu urgentemente que expulse de seu território os anabatistas, a quem ele se caracteriza como filhos do diabo, mas não diz nada de usar a espada. Devemos dar-lhe, portanto, o benefício de uma construção liberal. Ao mesmo tempo, a distinção nem sempre foi estritamente observada, e os fanáticos foram facilmente transformados em criminosos, especialmente após os excessos de Münster, em 1535, que foram muito exagerados e fizeram o pretexto para punir inocentes homens e mulheres. Toda a história do movimento anabautista no século XVI deve ser reescrita e desentendida do odium theologicum. No que diz respeito a Servetus, Lutero conheceu apenas o seu primeiro trabalho contra a Trindade, e pronunciou-o, em sua Mesa Conversa (1532), um “livro extremamente ruim”. Felizmente para sua fama, ele não viveu para pronunciar um julgamento em favor de sua execução, e devemos dar-lhe o benefício do silêncio. Suas opiniões sobre o tratamento dos judeus mudaram para pior. Em 1523, protestou vigorosamente contra a cruel perseguição dos judeus, mas em 1543 aconselhou a expulsão de terras cristãs e a queima de seus livros, sinagogas e casas particulares em que eles blasfemam nosso Salvador e a Santíssima Virgem. Ele repetiu este conselho em seu último sermão, pregado em Eisleben alguns dias antes da morte dele. Melanchthon. O registro de Melanchthon sobre esse assunto doloroso é infelizmente pior do que o de Lutero. Isto é ainda mais significativo porque ele era o mais suave e mais gentil entre os Reformadores. Mas devemos lembrar que suas declarações sobre o assunto são de uma data posterior, vários anos após a morte de Lutero. Ele pensou que a lei mosaica contra a idolatria e a blasfêmia era tão vinculativa para os estados cristãos como o Decálogo, e também era aplicável às heresias. Ele justificou, de forma completa e repetida, o curso de Calvino e do Conselho de Genebra, e até mesmo os considerou como modelos de imitação! Em uma carta a Calvino, datada de 14 de outubro de 1554, quase um ano após a queima de Servet, ele escreveu: “Reverendo e querido Irmão: Eu li seu livro, no qual você claramente refutou as horríveis blasfêmias de Servet, e agradeço ao Filho de Deus, que era o brabeuthv” [o premiado da sua coroa de vitória] nesse seu combate. Para você, também a Igreja deve gratidão no momento presente e deve-se à última posteridade. Eu concordo perfeitamente com a sua opinião. Afirmo também que seus magistrados fizeram justamente punir, depois de um julgamento regular, esse homem blasfemo. Um ano depois, Melanchthon escreveu a Bullinger, 20 de agosto de 1555: “Reverendo e querido Irmão: li a sua resposta às blasfêmias de Servet e aprovo a sua piedade e opiniões. Julgo também que o Senado de Genebra foi perfeitamente correto, para acabar com esse obstinado, que nunca pode cessar blasfemar. E eu me pergunto para aqueles que desaprovam essa severidade “.1024 Três anos depois, 10 de abril de 1557, Melanchthon incidentalmente (na admoestação no caso de Theobald Thamer, que havia retornado à Igreja Romana) voltou a falar sobre a execução de Servet e chamou-o de exemplo piedoso e memorável para toda a posteridade . ” 1025 É um exemplo, de fato, mas certamente não para imitação. Esta aprovação desqualificada da pena de morte por heresia e a conivência na bigamia de Philip de Hesse são as duas manchas escuras sobre o nome justo deste grande e bom homem.Mas eles eram erros de julgamento. Calvin teve o maior conforto do endosso do chefe teológico da Igreja Luterana. 1026 Martin Bucer. Bucer, que ocupa o terceiro lugar entre os Reformadores da Alemanha, era de disposição suave e conciliadora, e absteve-se de perseguir os anabatistas em Strassburg. Ele conhecia pessoalmente Servet e tratou-o primeiro com bondade, mas depois da publicação de seu trabalho na Trindade, refute-o em suas palestras como um “livro mais pestilencial”. Ele declarou mesmo no púlpito ou na sala de aula que Servetus merecia ser desenterrado e despedaçado. A partir disso, podemos inferir quão completamente ele teria aprovado sua execução, se ele tivesse vivido até 1553. As Igrejas suíças. Os Reformadores suíços deveriam ter adiantado os da Alemanha sobre esse assunto, mas não o fizeram. Eles recomendaram ou aprovaram a exclusão dos católicos romanos dos cantões reformados e medidas violentas contra anabatistas e antitrinitarianos. Seis anabatistas foram, por uma ironia cruel, afogados no rio Limmat, em Zurique, por ordem do governo (entre 1527 e 1532). Outros cantões tomaram as mesmas medidas severas contra os anabatistas. Zwinglio o mais liberal entre os reformadores, não se opunha ao seu castigo e aconselhou a introdução forçada do protestantismo nos territórios neutros e nos Cantões da Floresta. Ochino foi expulso de Zürich e Basileia (1563). No que diz respeito ao caso de Servet, as igrejas e magistrados de Zürich, Schaffhausen, Basileia e Berna, ao serem consultados durante o julgamento, condenaram por unanimidade seus erros e aconselharam sua punição, mas sem comprometer-se com o modo de punição. Bullinger escreveu a Calvino que Deus deu ao Conselho de Genebra uma oportunidade muito favorável para reivindicar a verdade contra a poluição da heresia e a honra de Deus contra a blasfêmia. Em sua Segunda Confissão Helvética (capítulo XXX), ele ensina que é dever do magistrado usar a espada contra blasfemos.Schaffhausen concordou totalmente com Zürich.Mesmo as autoridades de Basileia, que era a sede dos italianos céticos e inimigos de Calvino, deram o conselho de que Servet, que seu próprio Oecolampadius havia declarado um homem mais perigoso, ficaria privado do poder de prejudicar a Igreja, se todos os esforços para convertê-lo deve falhar. Berna, que aconselhou a moderação no caso de Bolsec dois anos antes, julgou-se mais severamente no caso de Servet, porque ele “se reconheceu livre para pôr em causa todos os pontos essenciais de nossa religião” e expressou o desejo de que a O Conselho de Genebra pode ter prudência e força para entregar as Igrejas de “esta praga”.Treze anos após a morte de Servet, o Concílio de Berna executou Valentino Gentile pela espada (10 de setembro de 1566) por um erro semelhante, mas menos desagradável do que o de Servet, e dificilmente uma voz foi levantada em desaprovação da sentença. 1032 Os reformadores da Suíça francesa foram além dos da Suíça alemã. Farel defendeu a morte pelo fogo e temeu que Calvin, ao aconselhar um castigo mais ameno, fosse guiado pelos sentimentos de um amigo contra seu inimigo mais amargo. Beza escreveu um trabalho especial em defesa da execução de Servet, a quem ele caracterizou como “um composto monstruoso de mera impiedade e uma blasfêmia. Pedro Mártir chamou-o de “um filho genuíno do diabo”, cujas “doutrinas criminosas e detestáveis” e “blasfêmias intoleráveis” justificaram a severa sentença da magistratura. Cranmer. Os reformadores ingleses não estavam por trás do continente em matéria de intolerância. Vários anos antes da execução de Servet, o arcebispo Cranmer persuadiu o relutante jovem rei Eduardo VI.para assinar o mandado de morte de dois anabatistas: uma mulher, chamada Joan Becher de Kent, e outra estrangeira da Holanda, George Van Pare; O primeiro foi queimado em 2 de maio de 1550, o último, 6 de abril de 1551. Os únicos defensores da tolerância no século XVI eram anabatistas e antitrinitarianos, que eram eles próprios vítimas de perseguição. Triunfo gradual de tolerância e liberdade. O reinado da intolerância continuou até o final do século XVII. Foi gradualmente minado durante o século XVIII e demolido pelas influências combinadas dos dissidentes protestantes, como anabaptistas, socinianos, arminianos, quakers, presbiterianos, independentes, latitudinistas anglicanos e filósofos, como Bayle, Grotius, Locke, Leibnitz; nem devemos esquecer Voltaire e Frederico o Grande, que eram incrédulos, mas defensores sinceros e influentes da tolerância religiosa; nem Franklin, Jefferson e Madison na América. A Holanda protestante e a Inglaterra protestante assumiram a liderança no reconhecimento legal dos princípios da liberdade civil e religiosa, A mão em frente com o crescimento da tolerância foi o zelo para a reforma da prisão, a abolição da tortura e castigos cruéis, a revogação do tráfico de escravos, a servidão e a escravidão, a melhoria da condição dos pobres e miseráveis, e movimentos semelhantes de filantropia, que é o atraso, mas genuíno crescimento do espírito do cristianismo. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #Históriadaidademédia #Históriamoderna #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #HistóriadaInquisição

  • JOSEPH PEARCE FALA SOBRE O CATOLICISMO DE SHAKESPEARE – Thomas I. McDonald

    William Shakespeare permanece o mais controvertido e desafiante escritor da literatura inglesa, quatro séculos após sua morte. Muitos leitores e frequentadores de teatro ignoram as controvérsias e simplesmente se apaixonam por sua poesia, sua linguagem, seus personagens, suas peças. No mundo acadêmico, porém, Shakespeare se transformou numa espécie de espelho turvo no qual as pessoas veem o que querem, transformando-o num crítico social marxista, um protofeminista, um mulherengo ou um delicado  homossexual. Entretanto, a resposta mais óbvia, baseada no que sabemos da época e da família de Shakespeare, foi largamente ignorada: seu catolicismo. Graças a uma série de livros e artigos da última década, isto se tornou um dos aspectos mais controvertidos entre os mais recentes estudos shakespearianos. Joseph Pearce especializou-se na pesquisa sobre escritores católicos em várias obras, como Literary Converts, The Unmasking of Oscar Wilde, Tolkien: Man and Myth e outras. Ele é escritor-residente e professor de literatura na Universidade Ave Maria, na Florida, co-editor da St. Austin Review, editor da Ignatius Critical Editions, e editor-chefe da Ave Maria’s Sapientia Press. No último livro de Pearce, The Quest for Shakespeare: The Bard of Avon and the Church of Rome (Ignatius Press), ele põe na mira do microscópio o maior de todos os escritores, elaborando cuidadosa argumentação em defesa de um Shakespeare católico. (Thomas I. McDonald) Em seu novo livro, você expôs toda a evidência disponível e chegou à conclusão de que Shakespeare foi um fiel católico. O que lhe inspirou a avançar por esse caminho? Na verdade, comecei como um cético, descrente de que as evidências fossem suficientes para provar que Shakespeare tenha sido um católico. Achava que aqueles que afirmavam a sua catolicidade fossem vítimas de um simples pensamento desejável. Chegou um momento, porém, no qual as evidências foram se acumulando e me fizeram reconsiderar minha posição cética. Eram como peças perdidas de um quebra-cabeças. Chega um momento em que você tem peças suficientes para reconhecer a figura como um todo, mesmo se algumas peças ainda estejam extraviadas. Então me vi tão enredado nesta questão, que mergulhei num período de intensa pesquisa sobre o assunto. O meu livro é o fruto dessa pesquisa. Embora você apresente um “caso” impressionante, não há indícios de que um nome como o de Shakespeare esteja na lista dos suspeitos de catolicismo. Acha que esse “caso” contém elementos suficientes para convencer os mais céticos especialistas de Shakespeare? O ônus, quanto aos especialistas não católicos, é que eles podem — com base na abundância de evidências, muitas das quais documentadas e não meramente incidentais — apresentar outra conclusão possível. A documentação, as evidências circunstanciais e textuais, tomados em conjunto, transformam o catolicismo do Poeta num “caso” efetivamente inegável. Tais evidências seguramente sobrepujam quaisquer outras que insinuem ter sido Shakespeare protestante ou ateu. Coloquemos a coisa da seguinte maneira: se essas evidências são postas perante um júri de pessoas de bom senso, o “caso” poderia ser tido como já provado, além de qualquer dúvida razoável. Não podemos estar absolutamente certos, mas podemos estar certos o suficiente para chegar a uma conclusão definitiva. Por que a crítica acadêmica reluta em aceitar um Shakespeare católico? Se os críticos acadêmicos aceitassem o catolicismo de Shakespeare, seriam forçados a admitir que a interpretação que fizeram de suas obras está equivocada. Shakespeare não seria quem eles pensam que ele seja, ou dizem ser; e suas peças não diriam o que eles pensam que elas digam. Em suma, eles teriam de admitir que erraram. Os críticos acadêmicos honestos considerarão meticulosamente as provas e verão a verdade que se encontra nelas; no entanto, muita gente na universidade é escrava do relativismo e de outras ideologias, que os impedem de reexaminar seus preconceitos dogmáticos. Para dizer mais ou menos como Shakespeare, há algo de podre no reino acadêmico. Não se vê a verdade diante dos próprios olhos, porque não se quer ver. A moderna academia está cega por seus próprios preconceitos. Não obstante, as provas não podem ser negadas indefinidamente, e, enfim, um dia os fatos prevalecerão. Como a crítica católica de Shakespeare pode ser diferente da feminista, marxista ou a assim chamada “teoria queer”? O “texto” em si mesmo não está aberto a toda espécie de interpretações? Um texto não é uma coisa mágica, que reflete os preconceitos de todos aqueles que olham para ele, como um espelho narcisístico. É a encarnação da personalidade de um autor. Quanto mais compreendemos a pessoa que criou uma obra, tanto mais compreenderemos o caráter objetivo da verdade que emerge da obra em si mesma. Qualquer um pode ler uma obra subjetivamente, mas a verdadeira crítica procura ler de modo objetivo. Se Shakespeare é um católico, seria absurdo afirmar que é um militante dos direitos homossexuais avesso ao cristianismo, tanto como o seria afirmar que os romances de Virgínia Woof contêm ataques católicos ao feminismo e à homossexualidade. Tal crítica não deve ser levada a sério. Pode dar um exemplo de alguma peça, cujo sentido muda fundamentalmente quando considerada por uma lente particularmente cristã? Falando francamente, a concepção de um Shakespeare católico nos força a olhar para todas as suas peças a partir de uma perspectiva radicalmente diferente. Se o Bardo de Avon foi um audacioso católico, em época verdadeiramente anticatólica, tal fato desacredita muitas das interpretações modernas e pós-modernas de suas peças. Se Shakespeare é um católico, não pode nada daquilo que a moderna academia parece querer que ele seja. Não é um niilista pós-moderno, muito menos um lacista fanático, um ateísta, um iconoclasta anticristão, um protofeminista, um advogado do homossexualismo. Ao contrário, ele é um moralista cristão, que se deixava guiar pela tradição, cujas obras representam uma sublime resposta e retruque a esses vários erros modernos e pós-modernos. Se Shakespeare é um católico, como todas as evidências históricas sugerem que o seja, devemos esperar por expressões desse catolicismo em suas peças e ficar atentos a elas. Em meu próximo livro, a sequência de A quest for Shakespeare, vou tentar localizar no enredo de suas peças uma sólida e aterradora prova do catolicismo do Bardo. Já estudei peças com Hamlet, Rei Lear e O mercador de Veneza a partir desta perspectiva; estou verdadeiramente admirado pela abundância de filosofia e teologia católica que nelas aparecem. É difícil resumir essa dimensão católica em poucas palavras. Shakespeare resiste a ser reduzido a opiniões fortuitas. É suficiente dizer que vemos, em personagens como Cordélia, Hamlet e Portia, aspectos da verdade católica reveladas de maneira sublime; e vemos, nos dilemas enfrentados por esses personagens, um reflexo das dificuldades pelas quais passavam os católicos na Inglaterra elisabetana e jacobita. Como a obra de historiadores como Eamon Duffy, cuja investigação está mudando radicalmente nossa compreensão da Reforma Inglesa, repercute nos estudos shakespearianos? A obra dos historiadores é crucial para a compreensão das obras literárias. Precisamos conhecer em que as pessoas acreditaram, e a natureza das culturas nas quais viveram, para entender as obras que escreveram. Você não pode compreender Shakespeare objetivamente, sem compreender a Inglaterra elisabetana e jacobita. Por isso, quanto mais conhecemos acerca desse período, mais saberemos sobre as obras que surgiram nessa época turbulenta da história inglesa. E o que é verdadeiro para nosso conhecimento da história, é também verdadeiro em relação ao nosso conhecimento teológico e filosófico.  Se nada sabemos sobre as discussões teológicas e filosóficas que fizeram parte do pano de fundo intelectual da época de Shakespeare, nada saberemos sobre a teologia e filosofia que se manifestam na obra de Shakespeare. Ignorância em teologia e filosofia significa ignorância em Shakespeare. Em maio de 2009, a EWTN vai começar a mostrar The Quest for Shakespeare. Você poderia adiantar para nós alguma coisa sobre o programa? É uma série em 13 partes, baseada em meu livro. Estou realmente animado com isso. Acabamos de filmar; há algumas grandes atuações de Kevin O’Brien e dos atores do Theater of the Word Incorporated. Sou o narrador, o comentarista, por assim dizer, mas o ponto forte da série são as grandes performances desses atores. O que pode significar para os católicos, se Shakespeare for “um dos nossos”? Significa que um dos maiores escritores que já existiram, talvez o maior que já tenha existido, está exprimindo as eternas verdades cristãs para uma época muito necessitada delas, como a nossa. Shakespeare é ensinado e lido em todo o mundo. Se pudermos demonstrar que suas obras são católicas, podemos evangelizar o mundo através do poderoso testemunho do mais poderoso dramaturgo da história do cristianismo. (Trad. de J. C. Zamboni) [Em: http://www.ncregister.com/site/article/joseph_pearce_on_shakespeare_the_catholic]

  • O EXERCÍCIO DA MEDITAÇÃO – SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA  

    São Pedro de Alcântara AVISOS PARA O EXERCÍCIO DA MEDITAÇÃO 1. Introdução Tudo o que até aqui dissemos serviu para oferecer matéria de consideração para os que aprendem a meditar, o que é uma das principais partes deste tema. De fato, poucas pessoas possuem suficiente material para reflexão na meditação e, deste modo, por falta dele, não são poucos os que não conseguem dar-se a esta prática. Agora, porém, resta declarar abreviadamente a maneira e a forma pelas quais pode-se meditar. E. mesmo que nesta matéria o principal Mestre seja o Espírito Santo, todavia a experiência nos mostrou que são necessários alguns avisos, porque o caminho para ir a Deus é árduo e necessita de guia, sem o que muitos andam muito tempo perdidos e desencaminhados. 2. Primeiro Aviso Seja, pois, este o primeiro aviso: que quando nos pomos a considerar algumas das coisas que já mencionamos como matéria de meditação em seus devidos tempos e exercícios, não devemos estar tão presos a estas matérias que consideremos como serviço mal feito deixarmos uma para tomarmos outra, quando nisto encontrarmos maior gosto ou maior proveito, porque, como a finalidade de tudo é a devoção, o que mais servir para este fim, será isto que se deve considerar como sendo o melhor. Porém isto não se deve fazer por motivos levianos, mas com vantagem conhecida. Sendo assim, se em alguma passagem de sua oração sentirmos maior gosto ou devoção do que em outro, detenhamo-nos nele por todo o espaço de tempo em que dure este afeto, mesmo que todo o tempo do recolhimento se gaste nisto. Porque, como o fim de tudo isto é a devoção, conforme já o explicamos, seria um erro buscar em outra parte, com esperança duvidosa, o que já temos como certo em nossas mãos. 3. Segundo Aviso Seja o segundo aviso que trabalhe o homem para desculpar neste exercício a demasiada especulação do entendimento, e procure deixar este negócio mais com afetos e sentimentos da vontade que com discursos e especulações do entendimento. Porque sem dúvida não acertam este caminho aqueles que de tal maneira se põe na oração a meditar os Mistérios Divinos como se os estivessem estudando para pregar, o que seria mais derramar o espírito do que recolhê-lo e seria mais andar fora de si do que dentro de si. De onde nasce que, acabada a sua oração, ficam secos e sem suco de devoção, e tão fáceis e prontos para qualquer leviandade como o estavam antes. Porque a verdade é que tais pessoas de fato não oraram, mas falaram e estudaram, o que é coisa bem diversa da oração. Estes tais deveriam considerar que no exercício da oração mais nos aproximamos para escutar do que para falar. Para acertar, portanto, neste negócio, aproxime-se o homem com o coração de uma velhinha ignorante e humilde, e mais com a vontade disposta e aparelhada para sentir e afeiçoar-se às coisas de Deus do que com o entendimento esperto e atento para esquadrinhá-las, pois isto é próprio dos que estudam para saber, e não dos que oram e pensam em Deus para chorar. 4. Terceiro Aviso O aviso anterior nos ensina como devemos sossegar o entendimento e entregar todo este negócio à vontade; mas o presente põe também sua taxa e medida à própria vontade, para que não seja excessiva nem veemente em seu exercício, para o qual deve-se saber que a devoção que pretendemos alcanças não é coisa que se há de alcançar à força de braços, como alguns pensam, os quais, com demasiado afinco e tristezas forçadas e como que por encantamentos procuram alcançar lágrimas e compaixão quando pensam na Paixão do Salvador, porque isto costuma mais secar o coração e torná-lo mais inábil para a visitação do Senhor, conforme ensina Cassiano. E ademais estas coisas costumam causar dano à saúde corporal, e às vezes deixam a alma tão atemorizada com o sensabor que ali alcançou, que teme retomar outra vez ao exercício como a algo que experimentou ter-lhe dado muita pena. Contente-se, pois, o homem com fazer de boa vontade o que é de sua parte, que é encontrar-se presente ao que o Senhor padeceu, admirando com olhar simples e sossegado e com um coração terno e compassivo e aparelhado para qualquer sentimento que o Senhor lhe quiser conceder pelo que Ele padeceu, mais disposto para receber o efeito que sua misericórdia lhe conceder do que para expressá-lo à força de braços. E, feito isso, não se aflija pelo restante, quando não lhe for dado. 5. Quarto Aviso De tudo quanto foi dito podemos concluir qual é o modo da atenção que devemos ter na oração, porque aqui principalmente convém ter o coração não caído nem frouxo, mas vivo, atento e erguido para o alto. Mas assim como é necessário estar aqui com esta atenção regrada e moderada, para que não seja danosa à saúde nem impeça a devoção, porque há alguns que fatigam a cabeça com a demasiada força que empregam para estarem atentos ao que pensam, conforme já dissemos, assim também há outros que, para fugirem deste inconveniente, estão ali muito frouxos e remissos e muito fáceis de serem levados por todos os ventos. Para fugir destes extremos convém conduzir um meio termo que nem com a demasiada atenção fatiguemos a cabeça, nem com o muito descuido e frouxidão fiquemos vagando com o pensamento por onde ele bem entenda. De modo que, assim como costumamos dizer ao homem que caminha sobre uma besta maliciosa que mantenha as rédeas firmes, isto é, nem muito apertada nem muito frouxa, para que nem volte para trás, nem caminhe com perigo, assim devemos procurar que nossa atenção siga com moderação e não forçada, com cuidado mas não com fadiga e aflição. Mas particularmente convém avisar que no princípio da meditação não fatiguemos a atenção com demasiada atenção, porque quando isto se faz, mais adiante costumam faltar as forças, como faltam ao caminhante quando no princípio da jornada se entrega a uma demasiada pressa para caminhar. 6. Quinto Aviso Mas entre todos estes avisos o principal é que não desanime aquele que ora, nem desista de seu exercício quando não sente imediatamente aquela suavidade da devoção que ele deseja. É necessário que com longanimidade e perseverança esperar a vinda do Senhor, porque à glória de Sua Majestade e à baixeza de nossa condição e à grandeza do negócio que tratamos pertence que estejamos muitas vezes esperando e aguardando às portas de seu palácio sagrado. Pois quando desta maneira tenhas aguardado um pouco de tempo, se o Senhor vier, dá-lhe graças por sua vinda e, se te parecer que não vem, humilha-te diante dEle, e conhece que não mereces o que não te deram, e contenta-te com ter feito ali o sacrifício de ti mesmo e negado a tua própria vontade e crucificado o teu apetite e lutado com o demônio e contigo mesmo, e feito pelo menos o que era de tua parte. E se não adoraste o Senhor com a adoração sensível que desejavas, basta que o tenhas adorado em espírito e em verdade, como Ele quer ser adorado (Jo. 4, 23). E creia-me, com certeza, que este é o caso mais perigoso desta navegação e o lugar onde se provam os verdadeiros devotos, e que se dele te saires bem, em tudo o demais seguirás prosperamente. Finalmente, se mesmo assim te perecesse que fosse tempo perdido perseverar na oração e fatigar a cabeça sem proveito, neste caso não teria por inconveniente que, depois de ter feito o que está em ti, tomasses algum livro devoto e trocasses então a oração pela lição, contanto que a leitura não fosse corrida nem apressada mas pausada e com muito sentimento quanto ao que estivesses lendo, misturando muitas vezes em seus lugares a oração com a leitura, o qual é coisa muito proveitosa e muito fácil de fazer para todo gênero de pessoas, mesmo que sejam muito rudes e principalmente neste caminho. 7. Sexto Aviso Não é documento diverso do anterior, nem menos necessário avisar que o servo de Deus não se contente com qualquer gostozinho que encontre em sua oração (como fazem alguns que derramando uma lagrimazinha ou sentindo alguma ternura de coração, pensam que já cumpriram com o seu exercício). Isto não basta para o que aqui pretendemos. Porque assim como um pequeno filete de água não basta para que a terra frutifique, que não faz mais do que tirar a poeira e molhar a terra por fora, mas é necessária tanta água que desça até o íntimo da terra e a deixe encharcada de água para que possa frutificar, assim também aqui é necessária a abundância deste rio e desta água celestial para que possa dar fruto de boas obras. É por isto que com muita razão se aconselha que tomemos para este santo exercício o maior espaço de tempo que pudermos. E melhor seria um tempo longo do que dois tempos curtos, porque se o espaço é breve, todo ele será gasto em sossegar a imaginação e aquietar o coração, e depois de já quieto nos levantaremos do exercício quando o teríamos de começar. E descendo a maiores detalhes no que diz respeito a delimitar este tempo, parece-me que tudo o que for menos de uma hora e meia ou duas horas é um tempo muito curto para a oração, porque muitas vezes se passa mais do que meia hora em moderar o caminho e acalmar a imaginação e todo o restante do tempo é necessário para gozar do fruto da oração. É verdade que quando este exercício é feito depois de alguns outros santos exercícios, como depois do ofício das matinas ou depois de ter assistido ou celebrado missa ou depois de alguma leitura devota ou oração vocal, o coração se encontra mais disposto para este negócio e, assim como ocorre com a lenha seca, mais rapidamente se acende este fogo celestial. Também o tempo da madrugada costuma ser mais curto porque é o mais aparelhado que existe de todos quantos há para este ofício. Mas o que for pobre de tempo por causa de suas muitas ocupações, não deixe de oferecer seu quinhãozinho com a pobre viúva do Templo (Lc. 21, 2), porque se isto não ocorre por sua negligência, Aquele que provê a todas as suas criaturas conforme a sua necessidade e natureza, prove-lo-á também segundo a sua. 8. Sétimo Aviso Conforme a este documento se dá outro semelhante a ele, e é que quando a alma for visitada na oração, ou fora dela, com alguma visita particular do Senhor, que não a deixe passar em vão, mas que se aproveite daquela ocasião que se lhe oferece, porque é certo que com este vento navegarão homem mais em uma hora que sem Ele durante muitos dias. Assim se diz que o fazia São Francisco, de quem escreve São Boaventura em sua vida que era tão especial o cuidado que tinha nisto que se ao andar pelo caminho nosso Senhor o visitava com algum favor especial, fazia ir adiante todos os companheiros e permanecia quieto até acabar de ruminar e digerir aquele bocado que lhe vinha do céu. Os que assim não o fazem costumam comumente ser castigados com esta pena, a de que não encontram a Deus quando o buscarem, porque quando Ele os buscava não os encontrou. 9. Oitavo Aviso O último e mais principal aviso seja que procuremos neste santo exercício juntar em uma só coisa a meditação com a contemplação, fazendo da primeira a escada para subir até a segunda, para o que deve-se saber que o ofício da meditação consiste em considerar com estudo e atenção as coisas divinas discorrendo de umas para as outras para mover nosso coração a algum efeito e sentimento das mesmas, que é como quem fere uma pedra para arrancar dela alguma centelha. Mas a contemplação consiste em já ter arrancado esta centelha, quero dizer, já ter encontrado este efeito e sentimento que se buscava, e estar em repouso e silêncio em seu gozo, não com muitos discursos e especulações do entendimento, e sim com uma simples vista da verdade, por causa do que diz um santo doutor que a meditação discursa com trabalho e com fruto, mas a contemplação o faz sem trabalho e com fruto; a primeira busca, enquanto que a segunda encontra; a primeira rumina a comida, enquanto que a segunda a degusta; a primeira discorre e tece considerações, enquanto que a segunda se contenta com uma simples vista das coisas, porque já possui o amor e o gosto das mesmas; finalmente, a primeiro é como um meio, enquanto que a segundo é como um fim; a primeira é como caminho e movimento, enquanto que a segunda é como o término deste caminho e movimento. Daqui se conclui uma coisa muito comum, que é ensinada por todos os mestres da vida espiritual, ainda que pouco entendida por parte dos que a lêem, a saber, que assim como ao se alcançar um fim cessam os meios, assim como chegando ao porto cessa a navegação, assim também quando o homem, mediante o trabalho da meditação, chegar ao repouso e ao gosto da contemplação, deve então cessar daquela piedosa e trabalhosa investigação. E contente com uma simples vista e memória de Deus, como se o tivesse presente, tomar posse daquele afeto que se lhe é dado, seja ora de amor, ora de admiração ou de alegria ou coisa semelhante. A razão pela qual isto se aconselha está em que, como o fim de todo este negócio consiste mais no amor e nos afetos da vontade do que na especulação do entendimento, quando a vontade já está presa e tomada deste afeto, devemos dispensar todos os discursos e especulações do entendimento, na medida em que nos seja possível, para que nossa alma com todas as suas forças se empregue nisto sem derramar-se pelos atos de outra potência. E por isso aconselha um doutor que assim que o homem sentir-se inflamado do amor de Deus, deve logo deixar todos estes discursos e pensamentos, por mais altos que possam parecer, não porque sejam maus, mas porque neste caso se tornam impedimentos de outro bem maior, o que não é outra coisa mais do que cessar o movimento quando se chega ao seu término e deixar a meditação por amor da contemplação. Pode-se assinalar que isto pode ser feito no fim de todo o exercício, depois de se pedir o amor de Deus, de que antes já havíamos tratado, pelos seguintes dois motivos. Primeiro, porque pressupõe-se que neste momento o trabalho já feito no exercício terá dado à luz a algum efeito e sentimento de Deus, e, como diz o Sábio, mais vale o fim da oração do que o seu princípio (Eccles. 7,7). Segundo, porque depois do trabalho da meditação e da oração é razoável que o homem dê um pouco de folga ao entendimento e o deixe descansar nos braços da contemplação. Neste tempo, portanto, abandone o homem todas as imaginações que se lhe oferecerem, cale o entendimento, aquiete a memória e fixe-a em Nosso Senhor, considerando que está diante de sua presença e não especulando em particularidades das coisas divinas. Contente-se com o conhecimento que ele possui de Deus pela fé e aplique a sua vontade e amor, pois somente este o abraça e nele está o fruto de toda a meditação, pois o entendimento quase nada alcança do que se pode conhecer de Deus ao passo que a vontade pode amá-Lo muito. Encerre-se dentro de si mesmo no centro de sua alma onde está a imagem de Deus, e ali esteja atento a Ele, como quem escuta ao que fala a partir de alguma elevada torrem ou como quem o tivesse dentro de seu coração, e como se em toda a criação não houvesse mais nada senão somente ela ou somente ele. E mesmo de si mesma e do que faz deveria esquecer-se, porque, como dizia um daqueles Padres, a perfeita oração é aquela onde o que está orando não se recorda que está orando. E não somente no fim do exercício, como também no meio e em qualquer outra parte em que nos tomar este sonho espiritual, quando o entendimento está como que adormecido da vontade, devemos fazer esta pausa, gozar deste benefício e retornar ao nosso trabalho ao acabar de digerir e degustar aquele bocado. É assim que faz o jardineiro quando rega a sua terra a qual, depois de tê-la enchido de água, suspendo o jorro da corrente e deixa empapar e difundir-se pelas entranhas da terra seca o que esta recebeu e, uma vez feito isto, volta a soltar o jorro da fonte, para que receba mais e mais e fique melhor regada. Mas o que então a alma sente, o que goza da luz, da fartura, da caridade e da paz que recebe, não se pode explicar com palavras, pois aqui está a paz que excede todo o sentido e a felicidade que nesta vida se pode alcançar. Há alguns tão tomados pelo amor de Deus que tão logo tenham começado a pensar nEle a memória de seu doce nome lhes derrete as entranhas. Estes têm tão pouca necessidade de discursos e considerações para amá-Lo como a mãe ou a esposa para regalar-se com a memória de seu filho ou esposo quando lhe falam dele. Há outros também que não somente no exercício da oração, como também fora dele, andam tão abosortos e tão empapados de Deus, que de todas as coisas e de si mesmos se esquecem por causa dEle pois, se isto o pode muitas vezes o amor furioso de um perdido, quanto mais não o poderá o amor daquela infinita beleza, se não é menos poderosa a graça do que a natureza e do que a culpa? Pois quando a alma o sentir, em qualquer parte da oração em que o sinta, de nenhuma maneira o deve menosprezar, mesmo que todo o tempo do exercício se gastar nisso, sem rezar ou meditar nas outras coisas que lhe estavam determinadas, a não ser que estas lhes fossem obrigatórias, porque assim como diz Santo Agostinho que deve-se deixar a oração vocal quando esta em alguma circunstância fosse impedimento da devoção, assim também deve-se deixar a meditação quando fosse impedimento da contemplação. De onde que também deve-se muito notar que assim como nos convém deixar a meditação pelo afeto para subir do menos ao mais, assim também, pelo contrário, às vezes convirá deixar o afeto pela meditação, quando o afeto fosse tão veemente que se temesse perigo para a saúde perseverando nela, como muitas vezes acontece aos que, sem este aviso, se entregam a estes exercícios e os tomam sem discrição, atraídos pela força da divina suavidade. E em um caso como este, diz um doutor, é bom remédio entregar-se a algum afeto de compaixão, meditando um pouco na Paixão de Cristo, ou nos pecados e nas misérias do mundo, para aliviar e desafogar o coração.

  • Celebração da Eucaristia no século II

    Dai graças assim, primeiro sobre o cálice:“Nós te damos graças, Pai nosso, pela santa videira de Davi, teu servo, que nos deste a conhecer por Jesus, teu servo; a ti a glória pelos séculos”. Em seguida, sobre o pão partido:“Nós te damos graças, ó Pai nosso, pela vida e ciência que nos deste a conhecer por Jesus, teu servo; a ti a glória pelos séculos. Do mesmo modo como este pão estava espalhado pelos montes e, colhido, tornou-se uma só coisa, assim, desde os confins da terra, se reúne tua Igreja em teu reino; porque te pertencem a glória e o poder, por Jesus Cristo, nos séculos”. Ninguém coma ou beba da vossa eucaristia que não tenha sido batizado em nome do Senhor. De fato, sobre isto disse ele: Não jogueis aos cães as coisas santas. Refeitos, dai graças assim: “Nós te damos graças, Pai santo, por teu santo nome, cujo trono puseste em nossos corações, e pela ciência, pela fé e imortalidade, que nos manifestaste por Jesus, teu servo; a ti a glória pelos séculos”. Senhor onipotente, tu criaste tudo por causa de teu nome, deste aos homens o alimento e a bebida, a fim de te agradecerem; a nós, porém, concedeste o alimento e a bebida espirituais e a vida eterna, por teu servo. Antes de tudo te damos graças por seres poderoso; a ti a glória pelos séculos. Lembra-te, Senhor, de tua Igreja para defendê-la de todo mal e torná-la perfeita em tua caridade; reúne-a, santificada, dos quatro ventos em teu reino que lhe preparaste; porque teu é o poder e a glória pelos séculos. Venha a graça e passe este mundo! Hosana ao Deus de Davi! Quem é santo, aproxime-se; se não o for, faça penitência; Maranatha, amém. Congregados no dia do Senhor, parti o pão e dai graças, depois de terdes confessado vossos pecados, a fim de ser puro vosso sacrifício. Todo aquele, porém, que tiver uma desavença com seu companheiro, não se junte a vós antes de se terem reconciliado, para que não seja profanado vosso sacrifício. Pois foi o Senhor que disse: Em todo lugar e em todo tempo oferecer-me-eis um sacrifício puro, porque sou o grande rei, diz o Senhor, e é admirável o meu nome entre as nações. — Do antigo opúsculo “Doutrina dos doze Apóstolos” (século II)

  • Magnificat: Manifestou o poder do seu braço: desconcertou o coração dos soberbos – São João Eu

    Tendo a Bem-aventurada Virgem louvado e glorificado, no versículo precedente, os efeitos da divina Misericórdia, que se originam da Encarnação do Salvador, e se estendem de geração em geração sobre aqueles que temem a Deus, glorifica e exalta no presente versículo os prodígios do divina Poder, que refulgem de maneira admirável no mesmo mistério. O grande Deus, diz Ela, manifestou o poder de seu braço. Qual é este braço? Santo Agostinho, São Fulgêncio e São Boaventura dizem que é o Verbo encarnado, pois, assim como é pelo braço que o homem faz as suas ações, é também pelo seu Filho que Deus faz todas as coisas. Assim como o braço do homem, diz Alberto Magno, origina-se do corpo, e a mão do corpo e do braço: o Filho de Deus origina-Se do Pai, e o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. Mas que significam as palavras: manifestou o poder de seu braço? Significam que Deus operou poderosamente e produziu efeitos admiráveis de seu poder, por seu Filho único e seu Verbo encarnado, que é o seu braço. É por Ele que seu Pai criou todas as coisas; por Ele que remiu o mundo inteiro; por Ele que venceu o demônio; por Ele que triunfou do inferno; por Ele que nos ofereceu o céu; por Ele que fez uma infinidade de outros milagres. Nada faço de Mim mesmo, diz o Filho de Deus, mas é o meu Pai que, permanecendo em Mim, faz tudo quanto Eu faço. Quantas maravilhas opera a divina Providência nesse mistério da Encarnação! Que milagre ver o Verbo encarnado sair das sagradas entranhas de uma Virgem, sem afetar-Lhe a integridade! Quantos milagres na instituição do Santíssimo Sacramento do Altar! Que milagre, enfim, do divino Poder, ter elevado uma neta de Adão à dignidade infinita de Mãe de Deus, e havê-la estabelecido Rainha de todos os Anjos e de todo o universo! Eis ainda duas coisas extremamente consideráveis. A primeira é nada haver em que o divino Poder mais apareça do que na remissão e destruição do pecado, segundo as palavras da santa Igreja: O Deus, que manifestais a vossa onipotência em perdoar-nos os pecados e em fazer-nos misericórdia, mais que em qualquer outra coisa. A razão é que a injúria feita a Deus pelo pecado é tão grande que só o poder infinito de uma imensa bondade a pode perdoar; e que o pecado é um monstro tão horrendo que só o braço do Onipotente o pode esmagar. A segunda coisa na qual refulge maravilhosamente esse adorável Poder é a virtude e a força que dá aos santos Mártires e a todas pessoas que sofrem penas extraordinárias, a fim de suportá-las generosa e cristãmente pelo amor dAquele que sofreu os tormentos e a morte da cruz. Eis um pequeno resumo dos inúmeros milagres que o braço onipotente do Verbo encarnado operou e opera para glória de seu divino Pai, para honra de sua Mãe sacratíssima, para salvação e santificação dos homens e para os animar a servi-lO e amá-lO de todo o coração, assim como Ele os ama de todo o seu. Mas quais são os soberbos de que fala a Virgem Maria, ao dizer: Dispersou aqueles que se orgulhavam nos pensamentos de seu coração? Os santos Padres dão diversas explicações. Dizem alguns que esses soberbos são os anjos rebeldes que Deus expulsou do céu e precipitou no inferno por causa de seu orgulho. Santo Agostinho escreve que, por esses soberbos, podem entender-se os judeus que desprezaram o humilde advento de nosso Salvador, motivo pelo qual foram condenados. Mas, segundo o pensamento de vários autores, isso significa que não só Deus dissipa e aniquila os pensamentos malignos e perniciosos desígnios que os maus maquinam contra Ele e contra os seus amigos; mas age também de tal modo que todas as suas pretensões redundam em confusão própria, para glória de sua divina Majestade e para acréscimo da santidade e felicidade eterna daqueles que O servem. E o que é mais ainda é que os derrota com as suas próprias armas. Pois Ele faz com que as flechas despedidas por sua malícia contra Ele e os seus filhos, voltem-se contra eles próprios. Faz com que os desígnios deles sirvam para realização dos seus; faz com que as invenções malignas de sua impiedade redundem em perdição própria e proveito dos seus servos. Transforma os obstáculos que eles opõem às obras de sua glória em meios poderosíssimos de que se serve para dar-­lhes maior firmeza, maior perfeição e maior brilho. Não se voltou a malícia de Satanás contra o primeiro homem, contra ele mesmo para sua confusão, e para proveito não só daquele homem mas de toda a sua posteridade? Pois Deus tirou tantos e tão grandes bens do mal em que a tentação do demônio fez cair o primeiro homem, que a Igreja canta na noite de Páscoa: Ó feliz culpa, ó feliz culpa que conheceu tão grande Redentor. Não serviu a maldita inveja e a má vontade dos irmãos de José, como um meio da divina Providência para elevá-lo até à participação no trono real do Egito, e para dar-lhe o glorioso título de deus do Faraó? De que serviu ao sucessor desse mesmo Faraó a dureza e crueldade que exerceu contra o povo de Deus, senão para abismá-lo, com todo o seu exército, no fundo do Mar Vermelho, e para melhor manifestar a proteção de Deus sobre os seus? Enfim, pode dizer-se com verdade de todos quantos perseguem e afligem os servos de Deus o que Santo Agostinho disse do ímpio Herodes, quando mandou matar tantos Inocentes a fim de matar Aquele que viera para salvar todo o mundo: “Eis uma coisa maravilhosa, o ódio e crueldade desse ímpio inimigo de Deus e dos homens foram de muito maior proveito a essas bem-aventuradas crianças que toda a amizade que pudesse ter por elas e todos os favores que lhes pudesse ter feito”. É assim que o braço onipotente do Verbo encarnado derruba os empreendimentos dos soberbos pelo próprio pensamento de seus corações; e é à Virgem que cabe o papel de esmagar a cabeça da serpente, isto é, esmagar o orgulho e a soberba. Por isto, dEla se pode dizer com toda a razão: “Vós sois a glória de Jerusalém, vós sois a alegria de Israel, vós sois a honra do povo cristão, porque combatestes generosamente e gloriosamente vencestes os inimigos de sua salvação”. A primeira palavra é a voz dos anjos: Vós sois a glória de Jerusalém cujas ruínas foram reparadas por meio de Maria. A segunda é a voz dos homens: Vós sois a alegria de Israel cuja tristeza se transformou em alegria por seu intermédio. A terceira é a voz das mulheres: Vós sois a honra do povo cristão cuja infâmia foi apagada pelo fruto bendito de suas entranhas. A quarta é a voz das almas santas prisioneiras nos limbos, que foram libertadas do cativeiro pelo seu Filho bem-amado, o Redentor do mundo: Combatestes e gloriosamente vencestes. Chegando o tempo em que aprouve ao Pai das misericórdias cumprir o seu eterno desígnio de salvar o gênero humano, a sua divina Sabedoria quis empregar, para tal fim, meios aparentemente sem aptidão alguma e em nada conformes à elevação dessa grande obra. Quais são? Ei-los: envia seu Filho único a este mundo em um estado passível e mortal, e em tal abjeção e baixeza a que E!e mesmo diz: Sou um verme da terra e não homem; e traz por titulo de honra em suas Escrituras: o último de todos os homens. Esse Pai adorável quer que seu Filho, nascido desde toda a eternidade em seu seio, e que é Deus como Ele, tome nascimento de uma Mãe, santíssima na verdade, mas tão abjeta e pequenina aos próprios olhos e aos olhos do mundo, que se considera como a última de todas as criaturas. Além disso, esse Pai divino, querendo dar a seu Filho coadjutores e cooperadores para trabalharem com Ele na grande obra da redenção do universo, dá-Lhe doze pobres pescadores sem ciência, sem eloqüência e sem qualidades que os exaltem diante dos homens. Envia esses doze pescadores por toda a terra para destruir uma religião inteiramente conforme às inclinações humanas e enraizada desde muitos anos nos corações de todos os homens, e para estabelecer outra completamente nova, oposta à primeira e contrária a todos os sentimentos da natureza. Os doze pobres pescadores se vão por todo o mundo para pregar e estabelecer a nova religião, e para destruir a primeira. Mas como são recebidos? Todo o mundo se ergue contra eles, grandes e pequenos, ricos e pobres, homens e mulheres, sábios e ignorantes, filósofos, sacerdotes dos falsos deuses, reis e príncipes; todos empregam a sua habilidade para opor-se à pregação do Evangelho que os doze pescadores se esforçam por publicar. São capturados, lançados nas prisões, acorrentados de pés e mãos, tratados como celerados e feiticeiros, açoitados, esfolados vivos, queimados, lapidados, crucificados, em uma palavra, submetidos aos mais atrozes suplícios. E que acontece? Por fim alcançam a vitória, triunfam gloriosamente dos grandes, dos poderosos, dos sábios e de todos os monarcas da terra. Aniquilam a religião, ou antes, a irreligião e a abominável idolatria que o inferno estabelecera por toda a terra, e estabelecem por todo o mundo a fé e a religião cristãs. Enfim, permanecem senhores do universo e Deus lhes dá o principado da terra: Constitui-os principes sobre toda terra. O Senhor derruba os tronos dos reis e as cátedras dos filósofos; dá o primeiro império do mundo a um pobre pescador, elevando-o a tão alto grau de poder e glória, que os reis e os príncipes consideram uma grande honra beijar o pó de seu sepulcro e os pés de seus sucessores. Que é tudo isso, senão a realização da profecia da Bem-aventurada Virgem: Depôs do trono os poderosos, e elevou os humildes? Observai que, embora essas palavras, assim como as outras contidas nesse cântico, abrangem o passado, o presente e o futuro, porque são pronunciadas por espírito profético. E com efeito, a realização dessa profecia apareceu manifestamente nos séculos passados, e aparecerá cada vez mais nos séculos futuros, até o fim do mundo. — Da Explicação do Magnificat, de São João Eudes (século XVII)

  • Mostra-nos, Senhor, quem escolheste – São João Crisóstomo

    Naqueles dias, Pedro levantou-se no meio dos irmãos e disse (At 1,15). Pedro, a quem Cristo tinha confiado o rebanho, movido pelo fervor do seu zelo e porque era o primeiro do grupo apostólico, foi o primeiro a tomar a palavra: Irmãos, é preciso escolher dentre nós (cf. At 1,22). Ouve a opinião de todos, a fim de que o escolhido seja bem aceito, evitando a inveja que poderia surgir. Pois, estas coisas, com frequência, são origem de grandes males. Mas Pedro não tinha autoridade para escolher por si só? É claro que tinha.Mas absteve-se, para não demonstrar favoritismo. Além disso, ainda não tinha recebido o Espírito Santo. Então eles apresentaram dois homens: José, chamado Barsabás, que tinha o apelido de Justo, e Matias (At 1,23). Não foi Pedro que os apresentou, mas todos. O que ele fez foi aconselhar esta eleição, mostrando que a iniciativa não era sua, mas fora anteriormente anunciada pela profecia. Sua intervenção nesse caso foi interpretar a profecia e não impor um preceito. E continua: É preciso dentre os homens que nos acompanharam (cf. At 1,21-22). Repara como se empenha em que tenham sido testemunhas oculares; embora o Espírito Santo devesse ainda vir sobre eles, dá a isso grande importância. Dentre os homens que nos acompanharam durante todo o tempo em que o Senhor Jesus vivia no meio de nós, a começar pelo batismo de João (At 1,21-22). Refere-se àqueles que conviveram com Jesus, e não aos que eram apenas discípulos. De fato, eram muitos os que o seguiam desde o princípio. Vê como diz o evangelho: Era um dos dois que ouviram as palavras de João e seguiram Jesus (Jo 1,40). Durante todo o tempo em que o Senhor Jesus vivia no meio de nós, a começar pelo batismo de João. Com razão assinala este ponto de partida, já que ninguém conhecia por experiência o que antes se passara, mas foram ensinados pelo Espírito Santo. Até ao dia em que foi elevado ao céu. Agora, é preciso que um deles se junte a nós para ser testemunha da sua ressurreição (At 1,22). Não disse: “testemunha de tudo o mais”, porém, testemunha de sua ressurreição. Na verdade, seria mais digno de fé quem pudesse testemunhar: “Aquele que vimos comer e beber e que foi crucificado, foi esse que ressuscitou”. Não interessava ser testemunha do tempo anterior nem do seguinte nem dos milagres, mas simplesmente da ressurreição. Porque todos os outros fatos eram manifestos e públicos; só a ressurreição tinha acontecido secretamente e só eles a conheciam. E rezaram juntos, dizendo: Senhor, tu conheces o coração de todos. Mostra-nos (At 1,24). Tu, nós não. Com acerto o invocam como aquele que conhece os corações, pois a eleição deveria ser feita por ele e não por mais ninguém. Assim falavam com toda a confiança, porque a eleição era absolutamente necessária. Não disseram: “Escolhe”, mas: Mostra-nos quem escolheste (At 1,24). Bem sabiam que tudo está predestinado por Deus. Então tiraram a sorte entre os dois (At 1,26). Ainda não se julgavam dignos de fazer por si mesmos a eleição; por isso, desejaram ser esclarecidos por algum sinal. — Das Homilias sobre os Atos dos Apóstolos, de São João Crisóstomo, bispo (século IV)

  • ENTREVISTA COM SÃO PAULO APÓSTOLO – I

    R: Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade [Jerusalém], instruí-me aos pés de Gamaliel, em toda a observância da lei de nossos pais, partidário entusiasta da causa de Deus como todos vós também o sois no dia de hoje. Se há quem julgue ter motivos humanos para se gloriar, maiores os possuo eu: circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu e filho de hebreus. Quanto à lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível. Certamente ouvistes falar de como outrora eu vivia no judaísmo, com que excesso perseguia a Igreja de Deus e a assolava; avantajava-me no judaísmo a muitos dos meus companheiros de idade e nação, extremamente zeloso das tradições de meus pais. Também eu acreditei que devia fazer a maior oposição ao nome de Jesus de Nazaré. Persegui de morte a doutrina de Cristo, prendendo e metendo em cárceres homens e mulheres. Muitas vezes, perseguindo-os por todas as sinagogas, eu os maltratava para obrigá-los a blasfemar. Quando os sentenciavam à morte, eu dava a minha plena aprovação. Eu só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Enfurecendo-me mais e mais contra eles, eu os perseguia até no estrangeiro. O sumo sacerdote e todo o conselho dos anciãos me são testemunhas. E foi deles que também recebi cartas para os irmãos de Damasco, para onde me dirigi, com o fim de prender os que lá se achassem e trazê-los a Jerusalém, para que fossem castigados. Mas tudo isso, que para mim eram vantagens, considerei perda depois que conheci Cristo; quando aprouve àquele que me reservou, desde o seio de minha mãe, e me chamou, pela sua graça, para revelar seu Filho em minha pessoa, a fim de que eu o tornasse conhecido entre os gentios. [Fonte: Bíblia da Ave Maria. As respostas foram extraídas dos Atos dos Apóstolos e das cartas de São Paulo, sem nenhuma alteração de conteúdo.]

  • SÃO JOSÉ: GUARDA FIEL E PROVIDENTE (São Bernardino de Sena, presbítero)

    É esta a regra geral de todas as graças especiais concedidas a qualquer criatura racional: quando a providência divina escolhe alguém para uma graça particular ou estado superior, também dá à pessoa assim escolhida todos os carismas necessários para o exercício de sua missão. Isto verificou-se de forma eminente em São José, pai adotivo do Senhor Jesus Cristo e verdadeiro esposo da rainha do mundo e senhora dos anjos. Com efeito, ele foi escolhido pelo Pai eterno para ser o guarda fiel e providente dos seus maiores tesouros: o Filho de Deus e a Virgem Maria. E cumpriu com a máxima fidelidade sua missão. Eis por que o Senhor lhe disse: Servo bom e fiel! Vem participar da alegria do teu Senhor! (Mt 25,21). Consideremos São José diante de toda a Igreja de Cristo: acaso não é ele o homem especialmente escolhido, por quem e sob cuja proteção se realizou a entrada de Cristo no mundo de modo digno e honesto? Se, portanto, toda a santa Igreja tem uma dívida para com a Virgem Mãe, por ter recebido a Cristo por meio dela, assim também, depois dela, deve a São José uma singular graça e reverência. Ele encerra o Antigo Testamento; nele a dignidade dos patriarcas e dos profetas obtém o fruto prometido. Mas ele foi o único que realmente possuiu aquilo que a bondade divina lhes tinha prometido. E não duvidemos que a familiaridade, o respeito e a sublimíssima dignidade que Cristo lhe tributou, enquanto procedeu na terra como um filho para com seu pai, certamente também nada disso lhe negou no céu, mas antes, completou e aperfeiçoou. Por isso, não é sem razão que o Senhor lhe declara: Vem participar da alegria do teu Senhor! Embora a alegria da felicidade eterna penetre no coração do homem, o Senhor preferiu dizer: Vem participar da alegria. Quis assim insinuar misteriosamente que a alegria não está só dentro dele, mas o envolve de todos os lados e o absorve e submerge como um abismo sem fim. Lembrai-vos de nós, São José, e intercedei com vossas orações junto de vosso Filho adotivo; tornai-nos também propícia vossa Esposa, a santíssima Virgem, mãe daquele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos sem fim. Amém. (Dos Sermões de São Bernardino de Sena, presbítero – Sermo 2, de S. Ioseph: Opera 7,16.27-30 – Séc. XV).

  • JESUS CRISTO ORA POR NÓS, ORA EM NÓS, E RECEBE A NOSSA ORAÇÃO (Santo Agostinho, bispo)

    Deus não poderia conceder dom maior aos homens do que dar-lhes como Cabeça a sua Palavra, pela qual criou todas as coisas, e a ela uni-los como membros, para que o Filho de Deus fosse também filho do homem, um só Deus com o Pai, um só homem com os homens. Por conseguinte, quando dirigimos a Deus nossas súplicas, não separemos dele o Filho; e, quando o Corpo do Filho orar, não separe de si sua Cabeça. Deste modo, o único salvador de seu corpo, nosso Senhor Jesus Cristo, é o mesmo que ora por nós, ora em nós e recebe a nossa oração. Ele ora por nós como nosso sacerdote; ora em nós como nossa cabeça e recebe a nossa oração como nosso Deus. Reconheçamos nele a nossa voz, e em nós a sua voz. E quando se disser sobre o Senhor Jesus, sobretudo nos profetas, algo referente àquela humilhação aparentemente indigna de Deus, não hesitemos em lhe atribuir, já que ele não hesitou em fazer-se um de nós. É a ele que toda a criação serve, porque todo o universo é obra de suas mãos. Por isso, contemplamos sua divindade e majestade, quando ouvimos: No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. No princípio estava ela com Deus. Tudo foi feito por ela e sem ela nada se fez (Jo 1,1-3). Mas se nesta passagem contemplamos a divindade do Filho de Deus que supera as mais excelsas criaturas, ouvimos também em outras passagens da Escritura o mesmo Filho de Deus que geme, ora e louva. Hesitamos então em atribuir-lhe tais palavras, porque nosso pensamento reluta em passar da contemplação de sua divindade à sua humilhação, como se fosse uma injúria reconhecer como homem aquele a quem orávamos como a Deus; por isso, o nosso pensamento fica muitas vezes perplexo, e esforça-se por alterar o sentido das palavras. Porém, não encontramos na Escritura recurso algum para aplicar tais palavras senão ao Filho de Deus, sem jamais separá-las dele. Despertemos, pois, e estejamos vigilantes na fé. Consideremos aquele que assumiu a condição de servo, a quem há pouco contemplávamos na condição de Deus; tornando-se semelhante aos homens e sendo visto como homem, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte (cf. Fl 2,7-8). E quis tornar suas as palavras do salmo, ao dizer, pregado na cruz: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? (Sl 21,1). Ele ora na sua condição de servo, e recebe a nossa oração na sua condição de Deus; ali é criatura, aqui o Criador; sem sofrer mudança, assumiu a condição mutável da criatura, fazendo de nós, juntamente com ele, um só homem, cabeça e corpo. Nossa oração, pois, se dirige a ele, por ele e nele; oramos juntamente com ele e ele ora juntamente conosco. (Dos Comentários sobre os Salmos, de Santo Agostinho, bispo – Sl 85,1: CCL 39,1176-1177 – Séc. V). #Cristologia

  • A CRUZ DE CRISTO É FONTE DE TODAS AS BÊNÇÃOS E ORIGEM DE TODAS AS GRAÇAS (São Leão Magno, papa)

    Que a nossa inteligência, iluminada pelo Espírito da Verdade, acolha com o coração puro e liberto, a glória da cruz que se irradia pelo céu e a terra; e perscrute, com o olhar interior, o sentido destas palavras do Senhor, ao falar da iminência de sua paixão: Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado (Jo 12,23). E em seguida: Agora sinto-me angustiado. E que direi? “Pai, livra-me desta hora!”? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. Pai, glorifica o teu Filho! (Jo 12,27). E tendo vindo do céu a voz do Pai que dizia: Eu o glorifiquei e o glorificarei de novo! (Jo 12,28), Jesus continuou, dirigindo-se aos presentes: Esta voz que ouvistes não foi por causa de mim, mas por causa de vós. É agora o julgamento deste mundo. Agora o chefe deste mundo vai ser expulso, e eu, quando for elevado da terra, atrairei tudo a mim (Jo 12,30-32). Ó admirável poder da cruz! Ó inefável glória da Paixão! Nela se encontra o tribunal do Senhor, o julgamento do mundo, o poder do Crucificado! Atraístes tudo a vós, Senhor, para que o culto divino fosse celebrado, não mais em sombra e figura, mas num sacramento perfeito e solene, não mais no templo da Judéia, mas em toda parte e por todos os povos da terra. Agora, com efeito, é mais ilustre a ordem dos levitas, maior a dignidade dos sacerdotes e mais santa a unção dos pontífices. Porque vossa cruz é fonte de todas as bênçãos e origem de todas as graças. Por ela, os que creem recebem na sua fraqueza a força, na humilhação, a glória, na morte, a vida. Agora, abolida a multiplicidade dos sacrifícios antigos, toda a variedade das vítimas carnais é consumada na oferenda única do vosso corpo e do vosso sangue, porque sois o verdadeiro Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo (Jo 1,29). E assim realizais em vós todos os mistérios, para que todos os povos formem um só reino, assim como todas as vítimas são substituídas por um só sacrifício. Proclamemos, portanto, amados filhos, o que o santo doutor das nações, o apóstolo Paulo, proclamou solenemente: Segura e digna de ser acolhida por todos é esta palavra: Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores (1Tm1,15). E é ainda mais admirável a misericórdia de Deus para conosco porque Cristo não morreu pelos justos, nem pelos santos, mas pelos pecadores e pelos ímpios. E como a natureza divina não estava sujeita ao suplício da morte, ele assumiu, nascendo de nós, o que poderia oferecer por nós. Outrora ele ameaçava nossa morte como poder de sua morte, dizendo pelo profeta Oséias: Ó morte, eu serei a tua morte; inferno, eu serei a tua ruína (cf. Os 13,14). Na verdade, morrendo, ele se submeteu às leis do túmulo, mas destruiu-as, ressuscitando. Rompeu a perpetuidade da morte, transformando-a de eterna em temporal. Pois, como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão (1Cor 15,2). (Dos Sermões de São Leão Magno, papa – Sermo 8, De passione Domini, 6-8: PL 54,340-342 – Séc. V).

  • Conselhos espirituais de São João de Deus

    Cada um nós caminha na estrada preparada por Deus. Alguns são chamados a serem monges, outros clérigos, outros eremitas. Outros, ainda, são chamados ao matrimônio. Deus chamou-nos, podemos salvar nossas almas, se assim o desejarmos. A Deus devemos três coisas: amor, serviço e reverência. Devemos amá-lo como nosso Pai celestial acima de todas as coisas do mundo. Devemos servi-lo como nosso mestre, não pelo prêmio que nos promete, mas pela sua bondade. Devemos reverenciá-lo como nosso criador, nunca pronunciando seu santo nome, exceto para agradecê-lo e bendizê-lo. Cara duquesa, quando te sentires deprimida, reflete sobre a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e seus preciosos sofrimentos e, então, experimentarás grande consolação. Contemple a vida de Cristo. O que foi ela senão uma longa sequencia de afazeres e sofrimentos para nos dar o exemplo? Durante o dia, Ele pregava às multidões. Durante as noites, Ele rezava. Por que então, poderíamos nós, pobre pecadores que somos, procurar confortos e riquezas? Se somos mestres de todo mundo, não podemos estar em melhores condições. Se nós tivéssemos mais riquezas, não poderíamos estar mais contentes. Realmente feliz é quem, apesar de tudo, coloca seu coração em Jesus Cristo. Ele nos deu tudo, assim como desejas fazê-lo. Confesse que amas a Jesus Cristo mais que qualquer coisa no mundo. E nele e por ele, teus próximos. Então vais salvar tua alma. — De uma carta de São João de Deus à uma amiga, duquesa. (século XV). Tradução particular. Fonte:tesourosdaigrejacatolica

  • Nós sofremos com a agitação das ondas, mas é o Senhor que nos transporta

    Em tudo aquilo que faz, o Senhor nos ensina como viver aqui na terra. Não há ninguém neste mundo que não seja viajante, ainda que nem todos desejem voltar à pátria. Sofremos com as ondas e as tempestades que decorrem da viagem. Mas, pelo menos, permaneçamos na barca. Pois, se há perigo até dentro da barca, fora da barca a morte é inevitável!  Aquele que nada em alto mar pode ter braços muito possantes; contudo, cedo ou tarde, vencido pela imensidão das águas, é por elas tragado, e desaparece. Assim, é necessário permanecer na barca, isto é, ser transportado pelo lenho, para poder atravessar o mar. Esse lenho que transporta a nossa fraqueza é a cruz do Senhor, da qual trazemos o sinal, e que nos impede de ser tragado pelo mundo. Nós sofremos com a agitação das ondas, mas é o Senhor que nos transporta.A barca que transporta os discípulos, isto é, a Igreja atravessa as águas, e as tempestades das provações assaltam-na. O vento contrário, ou seja, o demônio que faz oposição à Igreja, não se acalma. Ele se esforça por impedi-la de chegar ao repouso. Mas grande é aquele que intercede por nós. Com efeito, na tumultuosa navegação em que pelejamos, ele transmite confiança, vem ao nosso encontro e nos reconforta, de medo que, abalados pela barca, nós nos deixemos abater e nos atiremos ao mar. Pois, mesmo se a barca é sacudida, é ainda assim, uma barca: só ela transporta os discípulos e recebe Cristo. Ela está em grande perigo sobre o mar, mas fora dela, logo pereceremos. Mantém-te firme na barca, e ora ao Senhor. Todos os conselhos podem faltar; o leme torna-se insuficiente; as velas estendidas, mais perigosas que úteis. Quando todos os socorros e as forças humanas falharem, só resta aos marinheiros o propósito de orar e erguer os corações para Deus. Por acaso, aquele que conduz os navegantes até o porto, irá abandonar a Igreja e não a conduzirá ao repouso? — Sermão 75, Santo Agostinho, bispo (século V)

  • João é a voz, Cristo a Palavra – Santo Agostinho

    João era a voz, mas o Senhor, no princípio, era a Palavra (Jo 1,1). João era a voz passageira, Cristo, a Palavra eterna desde o princípio. Suprimi a palavra, o que se torna a voz? Esvaziada de sentido, é apenas um ruído. A voz sem palavras ressoa ao ouvido, mas não alimenta o coração. Entretanto, mesmo quando se trata de alimentar nossos corações, vejamos a ordem das coisas. Se penso no que vou dizer, a palavra já está em meu coração. Se quero, porém, falar contigo, procuro o modo de fazer chegar ao teu coração o que já está no meu. Procurando então como fazer chegar a ti e penetrar em teu coração o que já está no meu, recorro à voz e por ela falo contigo. O som da voz te faz entender a palavra; e quando te fez entendê-la, esse som desaparece, mas a palavra que ele te transmitiu permanece em teu coração, sem haver deixado o meu. Não te parece que esse som, depois de haver transmitido minha palavra, está dizendo: É necessário que ele cresça e eu diminua? (Jo 3,30). A voz ressoou, cumprindo sua função, e desapareceu, como se dissesse: Esta é a minha alegria, e ela é completa (Jo 3,29). Guardemos a palavra; não percamos a palavra concebida em nosso íntimo. Queres ver como a voz passa e a palavra divina permanece? Que foi feito do batismo de João? Cumpriu sua missão e desapareceu; agora é o batismo de Cristo que está em vigor. Todos cremos em Cristo e esperamos dele a salvação: foi o que a voz anunciou. Justamente porque é difícil não confundir a voz com a palavra, julgaram que João era o Cristo. Confundiram a voz com a palavra. Mas a voz reconheceu o que era para não prejudicar a palavra. Eu não sou o Cristo (Jo 1,20), disse João, nem Elias nem o Profeta. Perguntaram-lhe então: Quem és tu? Eu sou, respondeu ele, a voz que grita no deserto: “Aplainai o caminho do SenhorÓ (Jo 1,19.23). É a voz do que grita no deserto, do que rompe o silêncio. Aplainai o caminho do Senhor, como se dissesse: “Sou a voz que se faz ouvir apenas para levar o Senhor aos vossos corações. Mas ele não se dignará vir aonde o quero levar, se não preparardes o caminho”. O que significa: Aplainai o caminho, senão: Orai como se deve orar? O que significa ainda: Aplainai o caminho, senão: Tende pensamentos humildes? Imitai o exemplo de João. Julgam que é o Cristo e ele diz não ser aquele que julgam; não se aproveita do erro alheio para uma afirmação pessoal. Se tivesse dito: “Eu sou o Cristo”, facilmente teriam acreditado nele, pois já era considerado como tal antes que o dissesse. Mas não disse; pelo contrário, reconheceu o que era, disse o que não era, foi humilde. Viu de onde lhe vinha a salvação; compreendeu que era uma lâmpada e temeu que o vento do orgulho pudesse apagá-la. — Dos Sermões de Santo Agostinho, Bispo (século V)

  • O outro lado do feminismo – Phyllis Schlafly

    Falar sobre o feminismo pode ser um terreno escorregadio, muitos ainda caem no erro de associar o feminismo com “lutar em favor das mulheres”, nada poderia estar mais longe da verdade. Phyllis Schlafly foi uma advogada norte-americana que lutou contra o avanço implacável do feminismo nos EUA. A autora percebeu o grande abismo que era o feminismo bem antes de isso se tornar notório a todo mundo. A autora demonstra de modo categórico a força que o movimento feminista tem, infiltrado na mídia, elas espalham sua ideologia de modo lento e gradual, usando jargões como “empoderamento feminino” e “luta pelos direitos da mulher” de modo a iludir e dar a impressão que o movimento representa todas as mulheres, quando de fato não. Olhando mais de perto, percebemos que o movimento feminista é somente uma elite intelectual altamente autoritária, que usa suas próprias frustrações como combustível para sua luta e pensa que toda mulher deve ser, agir e pensar como elas. Elas exteriorizam seus problemas pessoais e culpam a sociedade, o patriarcado ou qualquer outra coisa que não elas. Elas querem colocar toda mulher no papel de vítima oprimida, para que o feminismo seja o libertador das almas. Isso nada mais é que a velha luta de classes marxista versão moderna. O livro traz diversas pesquisas científicas, estatísticas e depoimentos mostrando que a medida que o ideal feminista cria raiz na sociedade, mais o caos e a angústia aumenta no mundo feminino. O movimento feminista nunca foi a favor de todas as mulheres, apenas das que seguem a pauta imposta por elas, se você é mulher, discorde delas sobre um tema crucial, como o aborto por exemplo, e verá a verdadeira face de uma radical enrustida. O livro mostra como as pautas feministas vão contra a natureza da mulher, ao desconsiderar as diferenças básicas entre os gêneros. Mostra o efeito perverso dessa ideologia dentro da família, alias, que é o inimigo número 1 das feministas. O incentivo ao aborto, ao divórcio, ao sexo casual, a promiscuidade, a delegação do estado para educar e formar os filhos, dentre tantos outros, são pautas feministas que vem deixando as mulheres confusas sobre si mesmas e causando uma tremenda destruição nos lares. Qualquer pessoas que estuda o assunto pode ver como o movimento feminista é apenas um braço político de ideais revolucionários, que segue exatamente uma pauta ideológica definida, mas se utilizam de uma retórica apolítica para ter mais legitimidade entre o público feminino. O feminismo na verdade é um atraso para o progresso da mulher, e vem dando diversas provas disso, como as estatísticas apresentadas no livro mostram. Não estou negando que a mulher não passou ou ainda passe por algum tipo de problema. Mas todas as causas justas em favor das mulheres, muitos homens, e principalmente a Igreja cristã (Veja aqui e aqui) foram os primeiros a defende-las. Mas hoje eles afirmam que o homem é o opressor e a Igreja cristã a criadora de toda a opressão patriarcal. As feministas de hoje querem manter a mulher numa coleira, adestrada aos seus ideias, impossibilitada de se defender, sempre precisando do “movimento” para se sentir completa na sua luta. Enfim, sem mais delongas, recomendo muito a leitura dessa livro por aqueles que querem entender mais sobre o outro lado do feminismo, o lado real que eles não te mostram na tv, o lado que as feministas não irão te contar. Para comprar o livro: http://amzn.to/2FyhQDD

  • Bem-aventurado Exarca Leonid Federov (1879-1935)

    Primeiros anos Leonid Ivanovich Feodorov nasceu em São Petersburgo em 4 de novembro de 1879, em uma família ortodoxa. Ele perdeu o pai quando era muito jovem, depois de uma grave reversão de sorte. Ele foi criado por sua mãe, Liubova Dimitrievna, que não poupou esforços para dar uma boa educação a Leonid. No outono de 1890, Leonid entrou no segundo ginásio imperial em São Petersburgo, e quando terminou seus estudos clássicos, ele se matriculou na Academia Eclesiástica Ortodoxa em 1901. Ele permaneceu apenas dois anos na Academia; sua inteligência animada levou-o a peneirar cada pergunta até as raízes. O estudo da história da igreja e de certos escritos dos Padres o inclinou cada vez mais para o monasticismo, para o sacerdócio e também para o catolicismo. Seus professores e colegas estavam perfeitamente cientes de suas inclinações católicas. De tempos em tempos, eles o viam assistindo aos sermões dados na Igreja Católica Romana de Santa Catarina, que era uma paróquia internacional. O pároco da época (1901-1905) Padre Jan Szyslawski, era muito simpático e tinha uma boa biblioteca que ele alegremente abria para todos os interessados. Leonid havia escolhido uma questão envolvendo o dogma católico para sua tese; ele foi ter com Szyslawski e se tornou um dos discípulos dedicados de Szyslawski. Esses contatos deram a Leonid o desejo de ir para o exterior para terminar sua educação e, ao mesmo tempo, suas dúvidas sobre a ortodoxia estavam ficando mais fortes. Quando pediu a permissão do reitor da Academia, Arquimandrita Teófano, o velho venerável respondeu: “Eu sei aonde você quer ir e por quê. Vá, e que Deus vá com você!” Teófano estava bastante convencido da verdade do catolicismo, mas, como muitos outros, não conseguiu dar o passo definitivo. No início do verão de 1902, Leonid partiu para Roma. Ele ficou oito dias em L’viv, como o convidado do Servo de Deus, o Metropolita Andrew Sheptytsky (1865-1944), e abriu seu coração para ele. O metropolita pôde apreciar os elevados sentimentos dessa juventude e a retidão de suas intenções; Ele arquitetou para encontrá-lo em Roma e deu-lhe cartas de recomendação. Leonid já era mais da metade católico; suas conversas com o Metropolita o convenceram. Um católico de rito russo, monge e confessor. Em 31 de julho de 1902, a festa de Santo Inácio de Loyola, ele se uniu à Igreja Católica no Gesu em Roma. O metropolita Sheptytsky apresentou-o ao Papa Leão XIII e ele foi admitido no Pontifício Colégio de Anagni. Leão XIII teve livre disposição de várias bolsas de estudo; Ele deu a Leonid uma e ele foi registrado sob o nome de Leonid Pierre, de modo a não despertar muita suspeita. Ele não conhecia uma palavra de italiano e não estava acostumado a se expressar em latim, mas depois de quatro anos dominou tanto a linguagem que pôde escrevê-la com a maior facilidade e até elegância. Em 9 de agosto de 1903, ele participou da coroação de São Pio X em São Pedro. Em 1905 ele se tornou Doutor em Filosofia e em 1907 Bacharel em Teologia. Em 12 de fevereiro de 1908 foi um dos acólitos da solene Liturgia Divina Pontifícia concelebrada na presença e com a participação do Papa São Pio X: os principais celebrantes foram o patriarca melquita Cirilo VIII de Antioquia e o Servo de Deus, Metropolita Andrew Sheptytsky. ; a cerimônia marcou o décimo quinto centenário da morte de São João Crisóstomo. Em vista do futuro apostolado de Leonid, Kyr Andrew achou melhor que ele não fosse ordenado por nenhum bispo ucraniano, e assim foi ordenado pelo bispo Michael Mirov, o bispo greco-católico búlgaro de Constantinopla que também representava a Bulgária na corte otomana. Kyr Michael ordenou Leonid diácono em 22 de março de 1911 e sacerdote em 25 de março do mesmo ano. Desde quando Leonid tinha quatorze anos, sentiu-se chamado à vida monástica. O Metroólita Sheptytsky enviou-o à Bósnia para começar seu noviciado em 20 de maio de 1912, sob a direção do starets ou do Encião Josafá. Em 12 de fevereiro de 1913, o Padre Josafá deu a Leonid a tonsura monástica e admitiu-o ao primeiro grau de monasticismo oriental, o grau de archairos rassophor, que é um estado preparatório para o “Pequeno Hábito” ou programa menor. Leonid levou o nome monástico do Padre Leontios. Os sérvios não gostavam da presença de um mosteiro católico, mesmo sendo tão humilde quanto este, e em dezembro de 1913 causaram tantos problemas que teve que ser abandonado. Leonid voltou ao Studion em L’viv. O assassinato em Sarajevo aconteceu em 28 de junho de 1914. Em julho, a paz era tão frágil que ele achou que seria melhor voltar para a Rússia, tanto para sua própria segurança quanto para seu futuro apostolado. Para evitar suspeitas, ele passou por Constantinopla. Mal chegara a São Petersburgo, foi preso como “secretário do Metropolita Sheptytsky” e mandado para o exílio em Tobolsk, além dos Montes Urais. Ele permaneceu lá por três anos, até março de 1917. O primeiro exarca católico russo. A Revolução Russa aconteceu em 12 de março de 1917. Em 29 de março, o Governo Provisório do Príncipe George Evgenievich Lvov proclamou uma anistia total para todos aqueles presos sob acusações políticas ou religiosas. Sem perder um momento, os seis padres em Petrogrado que constituíam todo o clero greco-católico russo reabriram sua igrejinha na rua Barmaleieva. Alguns dias depois, o Metropolita Andrew chegou de Yaroslavl. O metropolita já havia dito a seus padres que o padre Leonid seria nomeado Exarca. O sínodo greco-católico russo, presidido pelo Metropolita, foi aberto na segunda-feira, 29 de maio. Além do clero russo, os principais dignitários católicos romanos da capital estavam lá. O metropolita mostrou a todos a cópia autenticada do documento pontifício escrito pelo Papa São Pio X, que o autorizou a exercer sua jurisdição na Rússia. Ele anunciou a nomeação do Exarca com jurisdição episcopal. A nomeação foi imediatamente reconhecida pelo Governo Provisório. Presumivelmente, a consagração episcopal do Exarca foi feita em particular por razões que podem ser facilmente presumidas e um anúncio público de que o exarca Leonid era um bispo poderia facilmente tê-lo condenado à morte. Até então, a existência do rito russo da Igreja Católica era estritamente proibida pelo governo czarista. Parecia que uma nova era religiosa estava começando para a Rússia. Mas eles estavam prestes a ver a verdade das palavras que o exarca Leonid dissera dia após dia a um companheiro em Anagni: “A Rússia não se arrependerá sem viajar no Mar Vermelho do sangue de seus mártires e numerosos sofrimentos de seus apóstolos”. O golpe de Estado de 25 de outubro de 1917 foi o prelúdio. Cristo perseguido. Devidamente confirmado, o Exarca só pôde exercer seu apostolado por cinco anos, com dificuldades. Os bolcheviques haviam tomado o poder exclusivo em outubro de 1917; o decreto de separação de igreja e estado foi proclamado em 23 de janeiro de 1918, e a primeira constituição soviética de Lênin foi proclamada em 5 de fevereiro de 1918. A perseguição violenta começou em 1922. Os bolcheviques mal tomaram o poder quando começaram suas medidas contra a religião. As duas comunidades greco-católicas russas em Petrogrado e Moscou não puderam escapar de todas essas medidas. Os bolcheviques entenderam muito bem que a força mais forte de resistência estava na Igreja Católica. Os padres católicos permaneceram unidos em sua oposição às máximas do bolchevismo e continuaram a ensinar a doutrina cristã, embora fosse proibido fazê-lo a qualquer pessoa com menos de dezoito anos de idade. Em 5 de dezembro de 1922, todas as igrejas católicas em Petrogrado foram fechadas e em janeiro de 1923, Mons. Jan Cieplak, o Bispo Auxiliar de Mohiliov, foi preso junto com catorze padres, incluindo o Exarca Leonid. Na noite de 2 a 3 de março, eles foram informados de que estavam sendo transferidos para Moscou para julgamento. As sessões públicas foram de 21 a 25 de março no grande salão do que fora o clube para a nobreza. Foi preenchido com caibros por causa da qualidade do acusado. Para grande surpresa dos espectadores, entre as batinas romanas e a aparência característica dos bispos e sacerdotes poloneses, viram o Exarca Leonid, vestindo sua riasa russa. Isto em sí mesmo já era uma declaração: muitas pessoas perguntaram por que esse padre barbudo, evidentemente católico, não estava vestido como os outros; Assim, eles aprenderam sobre a existência do catolicismo de rito russo. A acusação foi muito longa. Todos eles foram acusados de se opor à Revolução e resistir às leis soviéticas. Em seu discurso no tribunal, o promotor público, Nicholas Vasilievich Krylenko, descreveu o Exarca como um fanático organizador de uma frente comum contra o comunismo. O veredicto foi a morte do Bispo Jan Cieplak e de Dom Constantino Budkiewicz, pároco da Santa Catarina em Petrogrado. O exarca foi condenado a dez anos de prisão; os outros padres foram condenados a dez anos ou três anos. Assim que a sentença foi dada, os diplomatas tentaram obter uma comutação para os condenados à morte, porque a execução estava marcada para 29 de março. As intervenções tiveram sucesso apenas para o bispo Cieplak; um ano depois, ele foi trocado por três notáveis bolcheviques e expulso da Rússia. Com medo de que essas intervenções também tivessem sucesso em favor de Monsenhor Budkiewicz, que já havia conseguido um adiamento da execução, os bolcheviques mais sanguinários o levaram para o subsolo da prisão durante a noite de 31 de março e mataram-no com seus revólveres. ele abençoou seus assassinos – foi a noite da Páscoa. Exílio. Em 1926, os sacerdotes poloneses foram trocados por um número igual de comunistas detidos na Polônia e em outros lugares. A ocasião foi tomada para pedir que o Exarca também fosse liberado. Após dois meses, a resposta foi que, em vez de completa liberdade, ele recebeu a categoria de “menos seis”, o que significava que ele não residiria nas seis principais cidades: Petrogrado, Moscou, Kiev, Kazan, Nizhni-Novgorod (também Varsóvia). antes da Revolução), ou qualquer cidade marítima. O Exarca decidiu viver em Kaluga, onde o padre da paróquia do rito romano, Padre Jan Pawlowicz, acolheu-o como um irmão. Aqui o Exarca poderia oferecer o rito russo sem perseguições. Um retorno a Mohiliov guardava um lugar profundo no coração do Exarca. Ele tinha sido muito bem recebido lá em 1922; a população católica russa não tinha sacerdote e eles apelaram a ele insistentemente. Essas boas pessoas da Bielorrússia eram originalmente greco-católicas. A apostasia de Semashko de 1839 forçou-os ao cisma, mas eles facilmente retornariam à sua antiga fé. Finalmente, o exarca Leonid se decidiu, mas cometeu o mesmo crime pelo qual havia sido condenado: espalhando a ideia de união das igrejas entre os ortodoxos. O exarca foi preso e deportado para a prisão central de Solovetsky para terminar sua sentença de dez anos Prisioneiros de Solovki pelo amor de Cristo e pela conversão da Rússia. Solovetsky era um grande mosteiro, muito famoso na história da Rússia, onde ainda havia um certo número de monges. Os edifícios são dignos de nota. Tornara-se uma imensa penitenciária, mas os bolcheviques não haviam ocupado todo o complexo. Perto do Kremlin ou da cidadela, no cemitério, havia uma igreja onde os monges podiam prestar seus serviços; cerca de cem eclesiásticos ortodoxos detidos participaram desta igreja. Os católicos usaram uma pequena capela a três quilômetros do mosteiro do Kremlin. O vinho era escasso, embora os parentes dos prisioneiros que ainda estavam em liberdade cuidassem de enviar vinho de tempos em tempos; os guardas costumavam beber. Então os católicos se lembravam de que o vinho do altar podia ser feito de passas secas, então eles tinham uvas passas enviadas. A missa era celebrada quase todos os dias às primeiras horas da manhã por causa do trabalho forçado do qual ninguém estava isento. O exarca Leonid apoiou fortemente esta missa matinal, dizendo que este poderia ser o único sacrifício oferecido naquele dia na Rússia pela Rússia. Pouco a pouco, com os pobres recursos que possuíam, consertaram a capela e a adornaram da melhor maneira possível. Eventualmente, eles tiveram quatro conjuntos completos de vestimentas. Eles obtiveram permissão para ter a Vigília (Vésperas, Matinas, Laudes e Primas) nas noites de sábado. Eles pregaram, é claro, e a ex-diretora de uma instituição de mulheres que havia sido deportada por causa de seu fervor religioso se tornou uma católica zelosa. Eles iam se confessar na estrada, ou em outro lugar, aparecendo aperentando manter uma conversa particular, sem dar qualquer sinal exterior de um ritual religioso. Durante o verão de 1926, chegou o primeiro sacerdote de rito romano, o padre Leon Baranowski, o decano de Vitebsk, que acabou morrendo no exílio em Narym, na Sibéria. Depois de muita hesitação, ele concordou em rezar a missa e, num curto espaço de tempo, conseguiram tudo o que era necessário para o rito romano, até para fazer ostensários adequados. Depois disso houve também uma missa de rito romano, e mesmo várias quando o número de padres deportados cresceu. Pouco a pouco vinte sacerdotes do rito romano vieram; eles começaram a proclamar a missa secretamente em seus quartos, bem cedo. Nos domingos alternados eles cantavam o rito russo ou a missa do rito romano, e havia um sermão em russo ou polonês. Em julho de 1928, o bispo Boleslas Sloskans chegou a Solovetsky. Já que ele era bispo, ele ordenou um seminarista russo para o diaconado e o sacerdócio em setembro. Então havia mais um padre greco-católico russo. Eventualmente, tudo isso chegou aos ouvidos da GPU de Solovetsky. Eles estavam com raiva de que os católicos permanecessem dignos, calmos e em plena posse de suas faculdades intelectuais, em vez de se deixarem ser quebrandos e brutalizados como tantos outros detidos. A ordenação de setembro serviu de pretexto; em novembro de 1928, o uso da capela foi interrompido. Agora havia apenas serviços secretos em várias salas, e para levar a Santa Comunhão às mulheres, mantidas em quartos separados, eles recorreram a estratagemas usados na Igreja primitiva durante violenta perseguição. Na noite de 19 de janeiro de 1929 (a Festa da Epifania) houve uma busca geral: muitos utensílios para a adoração foram confiscados pelas autoridades da prisão, mas eles conseguiram salvar as coisas mais necessárias. Os católicos foram então dispersos por diferentes salas, misturados com outros presos políticos e até com criminosos comuns. Não obstante, os sacerdotes continuaram a celebrar o Santo Sacrifício o melhor que puderam: um no museu onde ele era o vigia, depois de obter o serviço noturno; outro nas oficinas onde podia ir à noite desde que era eletricista; outro na carpintaria, ou na sala de desinfecção, num moinho, numa caverna, na floresta, usando uma pedra chata como um altar. O Exarca continuou dizendo que eles tinham que fazer até o impossível para que houvesse pelo menos uma Santa Missa todos os dias. No rito russo do domingo de Páscoa de 1929, uma vez que a GPU permitia que os ortodoxos e os judeus celebrassem seus dias de festa, eles não se atreveram a recusar os católicos russos, embora proibissem os católicos romanos desde que a Páscoa deles já houvesse passado. Foi a última vez que eles puderam ter uma Liturgia Divina pública. Um após o outro, os sacerdotes que haviam sido mantidos na penitenciária central foram enviados para a ilha de Anzer. No entanto, por mais dois anos eles não foram privados de suas secretas Santas Missas. Eles usavam apenas sete ou oito gotas de vinho e uma gota de água para o Santo Sacrifício. Eles foram autorizados a celebrar sem vestimentas. Os detentos haviam se tornado muito espertos em esconder tudo dos comissários soviéticos, que nunca conseguiram o objetivo supremo de deter a missa. Essa longa detenção de padres católicos de rito russo e romano, e a ajuda mútua que eles deram um ao outro tiveram o resultado de que na comunidade católica de Solovetsky, tudo era comum. Os outros detidos olhavam para os católicos como um modelo de organização, o que irritava muito as autoridades soviéticas que não conseguiam superá-lo; todos eles estavam unidos no mesmo vínculo de amor. Aqui citamos algumas reflexões do padre polaco padre Donat Novitski, que foi escrita em 1934 depois de ter sido libertado: “Eis como se pode considerar a mentalidade dos ritos russos antes do encarceramento em 1923 e durante os nove anos de sofrimento que se seguiram, de 1923 a 1932. Eles aceitaram a perseguição de seu trabalho missionário, bem como seus sofrimentos pessoais. de uma maneira estritamente objetiva e no mais puro espírito de fé, é evidente, dizem eles, que o poder soviético está se esforçando para impedir qualquer influência direta da Igreja Católica sobre o povo russo, mas Deus, ao contrário, está deixando não menos claro que Ele deseja o arrependimento da Rússia, segue-se, apesar da escravidão da Rússia pelos inimigos da Igreja, que é nosso dever trabalhar para o seu renascimento espiritual, os meios de trabalhar para Deus na Rússia são muito reduzidos. por enquanto, é impossível pensar em um trabalho direto de propaganda e menos ainda de luta, e é difícil prever quando chegará o momento em que essa propaganda direta poderá começar. Estou convencido de que, mesmo nas circunstâncias atuais, é seu dever permanecer firmemente em seu posto, sofrer e orar, mesmo que alguns digam, que Deus deseje fazer uso de todo esse sofrimento e de todos esses sacrifícios para outros povos do mundo. em vez de para os russos … Os sacerdotes do rito romano que tiveram a oportunidade de entrar em contato com os do rito russo durante estes anos de sofrimento são unânimes em reconhecer suas profundas convicções cristãs, sua coragem, sua energia inesgotável e sua prontidão para sofrer no espírito de sacrifício até a última extremidade. … ” O Exarca não tinha possibilidade de ir muito longe das ilhas Solovetsky, sob o círculo ártico. Na penitenciária, a taxa de mortalidade chegou a 60% dos detentos. Para fugir era necessário uma resistência especial e uma experiência de evasão. Embora ainda fosse jovem, o exarca não poderia ter conseguido; ele não tinha intenção de tentar. Brutalmente despojado de sua vestimenta clerical, vestido em farrapos, com comida grossa e insuficiente, trancado à noite em um quartel que normalmente podia ter 400 ou 500 homens, mas que às vezes mantinham 2.000, em contínuo contato com pessoas de todas as classes, incluindo as mais baixas e mais vulgares, ele tinha que passar seus dias trabalhando em trabalhos forçados muito cansativos: derrubando e carregando grandes árvores, cortando-as em pedaços, empurrando-as para a praia e transformando-as em balsas para que pudessem ser enviadas por água; ou trabalhar com vigas pesadas, mesmo na neve e no frio intenso. Todas as grandes realizações que os bem nomeados agentes do Intourist convidavam pessoas ingênuas que vieram em visitas à URSS para admirar foram feitas graças ao trabalho manual não pago de prisioneiros em sua maioria políticos e inocentes. Quando celebravam a Santa Missa durante a noite no sótão, todos tinham que se ajoelhar por toda parte, até o padre. Último Exílio e Morte pelo Amor de Cristo e a Conversão da Rússia. Em 6 de agosto de 1929, o Exarca Leonid foi transferido da penitenciária central de Solovetsky para uma pequena aldeia perto da cidade mercantil de Pinega, na mesma província de Arkhangelsk. Ele estava alojado numa izba, uma cabana de madeira onde já havia um padre ortodoxo detido, o padre Parthenios Kiuglikov. Ele não estava completamente isento de trabalho; ele tinha que trabalhar fazendo carvão a partir de madeira, mas ele tinha um pouco mais de liberdade para escrever cartas. Depois de entrar em contato com o padre ortodoxo de Pinega, ele pôde usar a pequena biblioteca daquele padre, ter uma pequena classe para meninos e um catecismo para os mais velhos. Todo esse zelo não agradou o padre Parthenios; ele disse que tais ocupações eram perigosas não apenas para os bolcheviques, mas também para a Igreja. Ele acrescentou que o próprio Exarca havia abalado suas convicções – mas ainda assim ele admirava o Exarca. Quando os bolcheviques notaram essa atividade, transferiram o Exarca, primeiro para Arkhangelsk, depois para Kotlas (uma pequena cidade na província de Vologda) e, finalmente, para uma aldeia chamada Poltava, a quinze quilômetros de Kotlas. A morte de Fedorov em Viatka. A última hora estava se aproximando. Desgastado de tanto sofrimento, a saúde robusta do Exarca estava arruinada. Ele já se sentiu doente em Pinega; ele tinha asma cardíaca, gastrite, tosse e dificuldade para falar. A GPU declarou-o inválido e isentou-o de trabalhos forçados não muito antes de sua sentença terminar em agosto de 1932. Ele pediu um certificado da GPU de que cumpriu sua sentença e a recebeu em novembro de 1933, mas seu exílio foi prolongado por três anos. na forma de “menos doze”, a proibição de residir nas doze principais cidades da URSS. Ele escolheu morar em Viatka, onde os exilados costumavam viver nos tempos czaristas. Ele esperava encontrar ajuda e encontrar alguns companheiros liberados lá. Ele se sentiu tão fraco que não conseguiu fazer nada. Ele morreu em 7 de março de 1935, em total miséria, sozinho, sem sequer um padre para ajudá-lo em seus últimos momentos. Ele tinha apenas cinquenta e cinco anos de idade! Alguns bons camponeses o enterraram. Sophia Likilariova, sua biógrafa a quem devemos muitos dos detalhes acima, diz que a localização de seu túmulo é conhecida. Tal foi o “adormecer” do primeiro exarca russo de rito greco-católico. Ele certamente ganhou um lugar entre os ispoviedniki ou “confessores” da Igreja Católica. Ele foi declarado Servo de Deus em novembro de 1997 e sua causa para a beatificação está aberta, com o Bispo Charnetsky, como um dos “Companheiros” do Metropolita Andrew Sheptytski.

  • Bispo preso, Bispo petista, Maçonaria e campanha do Lula

    O título já diz tudo! Prepare-se para o Domingo de Ramos e a Coleta da Campanha da Fraternidade 2018. SÉRIE COMPLETA SOBRE PT NA IGREJA 1. PT e a Igreja, a “nova” estratégia da esquerda: https://youtu.be/5-hnf-Z9vD8 2. Mais evidência e análise do PT na Igreja: https://youtu.be/qndau1if6CY 3. Dossiê Frei Betto: https://youtu.be/J5afKQlhI2Y 4. Fui injusto quanto ao PT na Igreja: https://youtu.be/4xlAcVQfEvQ 5. O que deveria ser a Campanha da Fraternidade 2018: https://youtu.be/k2_Jc-BOrg0 6. CNBB no banco dos réus: https://youtu.be/fsPy6erjHE8 7. Não desanimem! O bom combate está apenas começando: https://youtu.be/6CfoDJ8dSlY 8. Bispos, MST e dinheiro do PT: https://youtu.be/6y0Id_SHJLI 9. Considerações sobre as notas relacionadas à CNBB: https://youtu.be/pezZ0WkxZIw 10. Quem é o homem mais poderoso na CNBB: https://youtu.be/1kDRQic-Xps __________________________________________________ APOIA-SE: https://apoia.se/bernardokuster Facebook: https://www.facebook.com/bernardopkuster Twitter: @bernardopkuster Instagram: bernardo_kuster #onaria #petista #campanha #Bispo #preso

  • A visitação da Virgem Maria – Santo Ambrósio

    O Anjo anunciara à Virgem Maria coisas misteriosas. Para fortalecer sua fé com um exemplo, anunciou-lhe a maternidade de uma mulher idosa e estéril, como prova de que é possível a Deus tudo que ele quer. Logo ao ouvir a notícia, Maria dirigiu-se às montanhas, não por falta de fé na profecia ou falta de confiança na mensagem, nem por duvidar do exemplo dado, mas guiada pela felicidade de ver cumprida a promessa, levada pela vontade de prestar um serviço, movida pelo impulso interior de sua alegria. Já plena de Deus, aonde ir depressa senão às alturas? A graça do Espírito Santo ignora a lentidão. Manifestam-se imediatamente os benefícios da chegada de Maria e da presença do Senhor, pois quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança exultou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo (Lc 1,41). Notai como cada palavra está escolhida com perfeita precisão e propriedade: Isabel foi a primeira a ouvir a voz, mas João foi o primeiro a pressentir a graça; aquela ouviu segundo a ordem da natureza, este exultou em virtude do mistério. Ela percebeu a chegada de Maria, ele, a do Senhor; a mulher ouviu a voz da mulher, o menino sentiu a presença do Filho; elas proclamam a graça de Deus, eles realizam-na interiormente, iniciando no seio de suas mães o mistério de misericórdia; e, por um duplo milagre, as mães profetizam sob a inspiração de seus filhos. A criança exultou, a mãe ficou cheia do Espírito Santo. A mãe não se antecipou ao filho; mas estando o filho cheio do Espírito Santo, comunicou-o a sua mãe. João exultou; o espírito de Maria também exultou. A alegria de João se comunica a Isabel; quanto a Maria, porém, não nos é dito que recebesse então o Espírito, mas que seu espírito exultou. – Aquele que é incompreensível agia em sua mãe de modo incompreensível – Isabel recebe o Espírito Santo depois de conceber; Maria recebeu antes. Por isso, Isabel diz a Maria: Feliz és tu que acreditaste (cf. Lc 1,45). Felizes sois também vós, que ouvistes e acreditastes, pois toda alma que possui a fé concebe e dá à luz a Palavra de Deus e conhece suas obras. Esteja em cada um de vós a alma de Maria para engrandecer o Senhor: em cada um esteja o espírito de Maria para exultar em Deus. Embora segundo a natureza haja uma só Mãe do Cristo, segundo a fé o Cristo é o fruto de todos; pois toda alma recebe o Verbo de Deus desde que, sem mancha e libertada do pecado, guarda a castidade com inteira pureza. Toda alma que alcança esta perfeição, engrandece o Senhor como a alma de Maria o engrandeceu e seu espírito exultou em Deus, seu Salvador. Na verdade, o Senhor é engrandecido, como lemos noutro lugar: Comigo engrandecei ao Senhor Deus (Sl 33,4). Não que a palavra humana possa acrescentar algo ao Senhor, mas porque ele é engrandecido em nós: a imagem de Deus é o Cristo e assim, quando alguém age com piedade e justiça, engrandece essa imagem de Deus, a cuja semelhança foi criado; e, engrandecendo-a, participa cada vez mais da grandeza divina. — Da Exposição sobre o Evangelho de São Lucas, de Santo Ambrósio, bispo (século IV)

  • Pentecostes – uma orientação bíblica

    Como é descrito, o Pentecostes é evidentemente uma festa agrícola sem nenhum motivo histórico. É provável que seja de origem mais tardia que a Páscoa e não tenha tomado forma até os israelitas se tornaram uma comunidade primariamente agrícola em Canaã. A data da festa em sua celebração original, visto que o começo da colheita do trigo não pode ser fixado em dia determinado do calendário. O começo da colheita do trigo corresponde a festa dos Ázimos. Qunado a Páscoa e os Ázimos foram fundidas e fixadas no 14 de Nisã, a festa das semanas recebeu uma data regular no calendário, 7 semanas (50 dias) após a Páscoa. No judaísmo a festa recebeu um sentido histórico, tornando-se o aniversário da outorga da Lei a Moisés. Este motivo não aparece com certeza até antes do começo da era cristã. Os estudiosos suspeitam que o antigo calendário de festas israelitas continha uma festa que era uma renovação da aliança, e que o motivo judaico da outorga da lei tivesse suas raízes numa prática muito mais antiga. O Pentecostes é mencionado mais frequentemente no Novo Testamento que no Antigo; recebe sua importância na fé e na liturgia cristãs do evento relatado em At 2, a descida do Espírito Santo sobre os discípulos, o dom das línguas, o discurso de Pedro e a formação da primeira igreja cristã. São Lucas faz do Pentecostes “o nascimento da igreja universal”. O evento, como é descrito em Atos, é colocado numa interpretação teológica um tanto complexa; muitos críticos crêem que já estava incorporada no relato quando chegou a Lucas. Os antecedentes do dom das línguas no Pentecostes aparecem em passagens do AT como Números 11,25-29; 1o. Samuel 10,5-6.10-19; 1o. Samuel 19,20-24. Nesses episódios, os anciãos de Saul profetizaram, sob o impulso do espírito, o que, no contexto, parece significar discurso extático ininteligível, “uma língua estrangeira”. Sob o impulso do Espírito dado por Jesus, o mesmo carisma aparece na Igreja, mas numa forma superior. Mediante a efusão do Espírito, a Igreja recebe poderes para dirigir-se a todas as nações e ser compreendida por elas. O discurso a todas as nações, na respectiva língua delas, visto neste evento, foi realmente cumprido na missão do grupo apóstólico aos povos do mundo. Há, possivelmente, uma alusão implícita à história da torre de Babel, na qual a humanidade foi dividida pela diversidade das línguas. A unidade perdida é restaurada na Igreja, que fala todas as línguas, mas é uma única sociedade unificada. A efusão do espírito caracteriza a Igreja na pregação ao Evangelho. Lucas apresenta deliberadamente o contraste entre o grupo inativo e impreparado, reunido antes da descida do espírito e o ativo e eloquente orador que aparece no Pentecostes. Por meio do Espírito, a Igreja sente-se autorizada a cumprir a missão que lhe fora outorgada por Jesus. A narrativa conclui com a descrição da comunidade de Jerusalém, um grupo judeu-cristão, a primeira ekklesia, que é o fruto da manifestação do Pentecostes. O relato de Pentecostes foi efetivamente composto à luz da subsequente consciência da missão universal da Igreja e de sua extensão aos gentios. Portanto, o relato resume num único evento a obra da geração da Igreja, o Espírito que a inspirou e moveu e os fruots do Espírito operando na Igreja. Outras leituras bíblicas relacionadas: (AT – Históricos) Gênesis 11,1-9; Deuteronômio 32,5 (AT – Salmos) Salmos 104, 30; Salmos 33,6 ; Salmos 18, 6; Salmos 13,34-37; Salmos 16,8-11; Salmos 132, 11; (AT – Profetas)  Joel 3,1-5; Isaias 2,2; 2 Samuel 7,12; Ezequiel 36,27; Is 57,19 (NT – Evangelhos)  Mateus 2,23;  Mateus 9,27;  Mateus 3,2;  Mateus 17,17; Mateus 24,29; Lucas 1,12;  Lucas 3,10; Lucas 5,17; Lucas 9,41;  Lucas 24,19; Lucas 24, 53;  João 15,26; (NT – Atos e Cartas) Atos 1,4-5; Atos 6,1; Atos 10,38; Atos 11,27; Romanos 7,5; Romanos 10,9-13; 1o. Coríntios 14,24; Efésios 4,8-11; Filipenses 2,11-15; — do Dicionário Bíblico, de John Mackenzie (publicado pelas Edições Paulinas) Fonte:tesourosdaigrejacatolica

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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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