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  • POLÊMICA CARPEAUX-CORÇÃO – 3ª parte

    CARTA ABERTA AO SR. GUSTAVO CORÇÃO – Otto Maria Carpeaux Ilustríssimo Sr. Gustavo Corção, O artigo que o senhor publicou, nesta revista, para defender, contra mim, a inteligência cristã, terminou com as palavras: “…entrego essas páginas à reflexão do sr. Oto Maria Carpeaux”. Tem esta carta o fim de explicar ao senhor porque não estou em condições de aceitar o seu convite. Como o senhor sabe, não respondi à campanha, levada contra mim, e que o senhor mesmo carateriza de “injusta”, “mesquinha”, “injuriosa”, obra de “má companhia”. Não é possível discutir com “má companhia”, e lamento que o seu artigo não modificou sensivelmente a situação: francamente, em expressões suas como “ventríloco”, “truismo”, “doente”, “detestável”, não posso descobrir a nobreza; e a escolha do momento para juntar o seu ataque aos precedentes, foi mais oportuna do que corajosa. O senhor fez até questão de solidarizar-se com o sr. Bernanos. Justamente com respeito a um libelo “injusto”, “mesquinho” e “injurioso” dele, de que o próprio sr. Bernanos se arrependeu. Eis o motivo que me impede de aceitar qualquer convite seu em geral, e o seu convite a reflexão em particular. O senhor também não refletiu bastante quando advertiu: “O sr. Otto Maria Carpeaux errou com uma abundância…”, expressão que volta diversas vezes no seu artigo. O seu leitor desprevenido espera então a retificação daqueles erros abundantes: fatos errados, citações erradas, erros em alegações verificáveis. Mas o senhor não dá nada disso. Para o senhor, a palavra “erro” tem sentido diferente: quer dizer opiniões erradas. E quais as opiniões erradas? As que diferem das suas. O senhor, como sei, não gosta das minhas citações, e tampouco gostara da seguinte que o carateriza perfeitamente: “Orthodoxy, mylord, is my doxy. Heterodoxy is another man’s doxy”. Quando a minha opinião difere da sua, a minha está “errada”, evidentemente. Essa descoberta semasiológica levou-me a meditar, não sobre os meus pecados literários, e sim sobre o seu conceito de crítica literária. O senhor não está gostando do método dialético; não compreende como pude, no mesmo artigo, elogiar a técnica novelística perfeita de Mauriac e censurar a atitude literária vacilante do mesmo. Os seus gracejos sobre a dialética não me importam; não sou defensor oficial do método venerável que nos veio de Sócrates e Platão e encontrou em Hegel apenas a forma mais perfeita; lembro-me que as acusações dos séculos XI e XII contra a filosofia escolástica, que o senhor tem em alto apreço, se serviram também da palavra “dialética”, em sentido pejorativo; e no século XIII, a mesma palavra serviu bem contra a filosofia aristotélica, fundamento da filosofia tomista. Quanto ao emprego do método dialético na crítica literária, para estudar as intenções e atitudes dos autores e distingui-las claramente das realizações, não vejo inconveniente algum nisso; nenhum outro método presta os mesmos serviços. Deu-me o senhor no seu artigo “Indicações”, acompanhadas dum “eu lhe direi…”, em tom pedagógico, e uma vez a sua modéstia chegou até a frase: “…quero comunicar ao sr. Otto Maria Carpeaux algumas condições tecnicamente necessárias em um ensaio”. Agora, eu lhe direi que grande parte da crítica literária moderna se serve do método dialético, rejeitando o método de Sainte-Beuve, método que presume a concordância fatal entre a obra e a vida, e que consequentemente se perde em investigações biográficas e intimidades pouco delicadas. Por isso, distingui claramente entre a pessoa particular de Mauriac, que não conheço e da qual sei pouco, e a personagem literária Mauriac, apresentada nas obras dele, único objeto do meu estudo. O senhor não compreendeu essa distinção, gritou até “contradição”, o que foi uma conclusão precipitada. Depois, quero comunicar ao senhor algumas condições tecnicamente necessárias em um estudo literário, p.e. a condição de não desfigurar a opinião do autor estudado; o sr., porém, não disse aos seus leitores que eu explicara as qualidades técnicas do romancista Mauriac pela tradição novelística francesa e os seus defeitos pela atitude pessoal do romancista que pretende ser católico sem renunciar às qualidades não-católicas daquela tradição; e esta distinção, o senhor censurou-a como contradição. Quero comunicar ao senhor também outra condição tecnicamente necessária no estudo sobre um ensaio: ter-se lido o ensaio. O senhor, porém, me recomendou a leitura do estudo de Du Bos sobre Mauriac, sem reparar que o estudo de Du Bos está citado no meu ensaio. Tudo isso leva-me a crer que o senhor não pretendeu fazer crítica literária e sim imitar as atitudes polémicas dum Chesterton ou Bloy.  Ora, Bloy, que era um mendigo sem casa, não teria dado tanta importância à “casa” como o senhor fez — voltarei mais tarde a esse ponto: acho, ao contrario, que a falta de casa é condição tecnicamente necessária para desempenhar o papel dum Bloy. E o lugar de Chesterton já esta ocupado. Para dar ao seu artigo polémico a aparência dum estudo de crítica literária, o senhor invocou a autoridade de autênticos críticos literários. Cita Du Bos, e recomemda-me, naquele tom que me lembra “os meus oito anos” na escola, a leitura dos cinco volumes de “Estudos” de Tristão de Athayde. Agradeço-lhe muito o fato de me ter lembrado o nome do dr. Alceu Amoroso Lima que me convidou, da maneira mais gentil, a colaborar nesta revista sem eu ter feito antes concurso na Escola Literária Gustavo Corção. Na verdade, já lí aqueles cinco volumes sem esperar pela sua indicação; e o respeito devido à autoridade cristã do sr. Alceu Amoroso Lima não me pode impedir de manter, ocasionalmente, uma opinião literária diferente da opinião dele, e mesmo quando diferente da opinião de outras muitas autoridades literárias. Aceito  o  risco  de estar sozinho no mundo com a minha opinião; embora, como escreveu o senhor, ser eu um escritor que “tentou agradar a todos os lados” — opinião sua com a qual o senhor por sua vez está sozinho no Brasil. Talvez viesse daí o seu afã de identificar a sua própria opinião com a opinião literária do Brasil inteiro. Escreve o senhor: “A obra de Mauriac já era conhecida entre nós antes da chegada do sr. Otto Maria Carpeaux e teria sido prudente da parte desse crítico, antes de iniciar seu estudo, procurar nos livros de autores brasileiros a confirmação de nosso nível de cultura”. Quer dizer, não satisfeito com um “Leia!” imperioso, o senhor  acrescenta um “Leia, e adote a mesma opinião!”. Se, por falta de “prudência”, não obedeço, a advertência pessoal torna-se pública, denunciando o meu desprezo ao nível da cultura no Brasil. Conheço essa linguagem jacobina. O jacobinismo cultural transforma-se, às vezes, em jacobinismo gramatical: o senhor censura a qualidade do meu português, e pede aos leitores perdão pela sintaxe e regências dum estrangeiro. Com muito bom senso chestertoniano, o senhor chega ao ponto de censurar evidentes erros de impressão como se fossem erros de ignorância, não reparando o senhor que, neste caso, a abundância de erros de impressão no seu próprio artigo seria sinal alarmante do seu estado de espirito. Os meus erros de português, aliás, o senhor encontrou-os num texto que foi cuidadosamente revisto por um dos maiores conhecedores da língua no Brasil. Conforme um provérbio, muito em uso entre os povos católicos da Europa, o senhor é “mais papal do que o próprio Papa”. Essa sua atitude revela-se particularmente quando o senhor entra no terreno das discussões teológicas. Disse eu que a Congregatio de auxiliis gratiae tinha sido dissolvida sem ter resolvido o problema da Graça; a Igreja não se definiu,   e   a   consequência disso foi a querela Jansenista. A sociologia histórica dá muita importância a esse fato. Um estudioso católico, o sr. August M. Knoll, dedicou um livro à relação entre as querelas sobre a Graça e as querelas sobre a proibição canónica dos juros, o fato de ter sido essa publicação autorizada pela censura eclesiástica não é desvalorizado pelo fato de que o senhor não parece conhecer os estudos dessa espécie.  E não se trata duma inovação audaciosa, porque a sociologia da religião já entrou, há multo tempo, no terreno dos estudos da história literária.  Estou, desde há muitos anos, familiarizado com esses estudos, de modo que, para citá-los, não precisava “consultar enciclopédias”, como o senhor  escreveu,   transcrevendo uma expressão da “má companhia”. Sabemos todos, sem consultar enciclopédias, que a literatura francesa moderna se criou no ambiente da querela Jansenista; a famosa psicologia literária dos franceses é, em grande parte, herança daquelas discussões teológicas; fato que se pode descobrir até nas obras de Gide e Mauriac. Contra esses fatos da história literária e espiritual da França, o senhor arremete fortemente; indica-me, para eu me informar com respeito às auxiliis gratiae, citações de S. Tomás. Creio que os padres reunidos na Congregatio de auxiliis gratiae  conheceram os textos de S. Tomás tão bem como o senhor, ou talvez melhor; e não adiantou isso, porque nem tudo pode ou deve ser definido filosoficamente. Ao lado dos axiomas, há os mistérios, e ao lado dos dogmas definidos, há as opiniões discutíveis, e ao lado da filosofia, há a literatura cujos fatos históricos não se refutam por meio de citações teológicas. Em vez de ficar satisfeito com a atitude dum escritor que reconhece e ressalta a importância dos fatores religiosos na história literária, o senhor interpreta as minhas explicações como heresias ou blasfêmias. Descrevi a atitude vacilante da personagem literária Mauriac em face do sacramento da penitência, e o senhor censura isso como se eu zombasse daquele sacramento. Não satisfeito com esse sofisma, o senhor me lança o seu “protesto contra o infeliz trabalho que pretende solapar os alicerces da casa cristã”. Declaração formidável que me lembro vagamente ter lido já em documentos policiais e libelos de promotor público. Como se explica esse excesso de zelo? Parece-me ter encontrado, naquela palavra “casa”, o centro íntimo das suas preocupações. O romance de Mauriac, como o romance francês em geral, gira em torno dos problemas da família. Consequentemente, falei muito, no meu estudo, sobre questões da família, da “casa”. O senhor, porém, interpretou a palavra no sentido de “casa cristã”, e até de “Igreja”. A sua susceptibilidade nesse ponto é tão grande que nem suporta a discussão literária das qualidades sociológicas e psicológicas da arquitetura. Na verificação do fato de alguma coisa não estar em ordem na “casa” — nem sequer na realidade social e sim em certos romances — o senhor encontra um ataque à ordem sagrada da Sociedade e até da Igreja. E o senhor dá uma descrição tão pormenorizada da “casa”, mencionando a fachada etc, que a identificação da Igreja e da Casa com as casas materiais e com a sua casa particular se torna manifesta. O que existe no fundo desse equívoco religioso? Se o senhor está preocupado com o destino das casas materiais, no sentido mais amplo da palavra, e da sua casa particular, porque identifica o senhor essa preocupação sociológica sua com a sua ortodoxia teológica? Evidentemente, o senhor confunde o Evangelho e o Mercado Imobiliário. Permita-me desgostá-lo, outra vez, com uma citação: “Vulpes foveas habent et volucres cæli tabernacula filius autem hominis non habet ubi caput reclinet”. (Matth. VIII, 20). Como o senhor vê, Ele que disse isso não tinha “casa”. Por isso, pouco me importa o fato de eu também não ter casa. E quando o senhor explicou a minha atitude, aludindo ao meu destino dum exilado que não tem casa — ma- neira de dizer pouco delicada, para não empregar outro adjetivo mais conveniente — então resolvi seguir o exemplo d’Aquele que também não tinha casa: vou esquecer todo o seu artigo. Nisso incluo também as suas lições, dadas em tom tão altivo, porque felizmente não sou seu aluno. Apenas, peço-lhe não censurar-me teologicamente nem excomungar-me literariamente, porque o senhor não é meu confessor nem confessor de ninguém, nem padre nem bispo nem Papa. Excedendo-se dessa maneira, o senhor perdeu até o direito de convidar-me à reflexão. À sua “defesa da inteligência cristã”, prefiro a meditação sobre o amor cristão dos cristãos; se o senhor quizesse me acompanhar nessa meditação, o senhor está, por sua vez, convidado. Subscrevo-me, Ilustríssimo senhor Gustavo Corção, com toda estima e consideração. Otto Maria Carpeaux – Rio de Janeiro, 14 de Julho de 1944 (In Revista A Ordem, agosto de 1944, p. 171-175)

  • É o ”desenvolvimente doutrinal” uma categoria válida ?

    E quanto aos ortodoxos orientais? O Sacerdote estudioso Pe. Andrew Louth escreveu um ensaio intitulado “O desenvolvimento da doutrina é uma categoria válida?”, Que é coletado em “Ortodoxia e cultura ocidental”, e aqui ele diz o seguinte: “Não esperamos superar os padres em nossa compreenssão do mistério de Cristo; Em vez disso, procuramos por eles para nos ajudar a chegar em uma compreensão mais profunda. Nós não nos colocamos contra os Padres; Nós vamos a eles para aprender com eles. Isso implica que, se o desenvolvimento significa que há um avanço histórico na doutrina cristã, tornando nossa compreensão de fé mais melhor ou profunda do que a dos Padres, pelo menos em princípio, então tal noção de desenvolvimento não pode ser aceita como uma categoria de Teologia da ortodoxia “(pg. 55). Esta foi uma conclusão bastante estranha, especialmente desde que páragrafos antes ele escreveu o seguinte: “Parece óbvio para um historiador que nem a doutrina do século VIII da necessidade de fazer e venerar ícones nem a distinção palamita do século XIV entre essência e energia pode ser realmente encontrada nos Padres do século IV … “(pág. 47). Mas mesmo assim, acho que há uma incoerência prática nesta declaração. Por um lado, o Pe. Louth diz que podemos obter uma “compreensão mais profunda” dos Padres da Igreja, e, por outro lado, não podemos produzir definições mais avançadas baseadas nessa reflexão. Além disso, pressupõe que os apóstolos foram confrontados com cada questão doutrinal e desvio. Os Apóstolos e os Padres não entregaram um livro com todos os problemas potenciais, questões e heresias mortais (embora sejam apenas tons da diferença da ortodoxia por uma única carta!), dos quais simplesmente recebemos respostas passivamente. Pergunta-se como diabos o Pe. Louth conceberia que a veneração das imagens, na teologia precisa de Nicéia 787, e a distinção entre a essência de Deus, como uma, e as energias de Deus, como outra, foram completamente e suficientemente explicadas pelos santos padres nos primeiros 5 séculos da cristandade ? Aqui é onde James Cardinal Gibbons ajuda, mostrando como a finalidade e singularidade da revelação divina se encaixa junto com o aprofundamento progressivo da compreensão da Igreja desse corpo único e final de Ensino. O que eu achei valioso aqui, além de fazer eco do ensaio do Beato Newman sobre o mesmo assunto, foi a sua citação de dois santos ocidentais bem conhecidos, Santo Agostinho de Hipona e São Vicente de Lérins. Estes eram homens do século V que viveram durante um grande debate doutrinário e sabiam o que era viver como cristão na Igreja Católica, onde questões de revelação divina costumavam surgir e provocar querelas entre os homens. Minha única reserva é que o Commonitorium de São Vicente era conceitualmente incompleto, e isso eu digo aqui, mas vou defender em outro post. Tome nota, no entanto, de que a idéia ou o conceito de “desenvolvimento da doutrina” já estava nas grandes mentes dos padres, como estes dois, ao contrário das reivindicações do Dr. White e do Pe. Louth. Se eles já tinham concebido esse conceito, quem somos nós pra negarmos ? O Cardeal escreve: “Nenhum dogma novo, desconhecido aos apóstolos, não contido na revelação cristã primitiva, pode ser admitido. Pois os apóstolos receberam todo o depósito da palavra de Deus, de acordo com a promessa de nosso Senhor: “Quando Ele vir, o Espírito da verdade, Ele te ensinará toda a verdade”. E assim a Igreja propõe as doutrinas da fé, como as que vieram dos lábios de Cristo, e como o Espírito Santo as ensinou aos Apóstolos no nascimento da lei cristã – doutrinas que não conhecem variação nem decadência.Assim, sempre que se definiu que qualquer ponto de doutrina pertencia à fé católica, sempre se entendeu que isso era equivalente à declaração de que a doutrina em questão tinha sido revelada aos apóstolos e nos chegou por eles, seja pela Escritura ou pela Tradição. E, como as atas de todos os Concílios, e a história de toda definição de fé mostram evidentemente, nunca foi afirmado que uma nova revelação havia sido feita, mas cada consulta era direcionada a esse único ponto – se a doutrina em questão estava contida nas Sagradas Escrituras ou nas tradições apostólicas.Uma verdade revelada freqüentemente tem um alcance muito extenso e é dirigida contra o erro sob suas muitas formas em mudança. Também não é necessário que aqueles que receberam esta revelação em primeira instância devam estar explicitamente familiarizados com a sua plena importância ou conhecimento de todos os seus rumos. A verdade nunca muda; É a mesma agora, ontem e para sempre, em si mesma; mas a nossa relação com a verdade pode ser casual , pois o que está escondido de nós hoje pode ser conhecido de nós amanhã. “Muitas vezes acontece”, diz Santo Agostinho, “que quando se torna necessário defender certos pontos da doutrina católica contra os ataques insidiosos dos hereges, eles são mais cuidadosamente estudados, eles se tornam mais claramente compreendidos, são mais inculcados com entusiasmo; e assim as próprias questões levantadas pelos hereges dão ocasião a um conhecimento mais aprofundado sobre o assunto em questão “(Cidade de Deus, livro 16, cap. 2)Vamos ilustrar isso. Na revelação e pregação apostólica, algumas verdades poderiam ter sido contidas implicitamente, por exemplo, na doutrina de que a graça é necessária para toda obra salutar [isto é, uma obra que é dirigida para a salvação], é implicitamente afirmado que a assistência da graça é necessária para opríncipio de toda obra boa e salutar. Isso foi negado pelos semi-pelagianos, e seu erro foi condenado por uma definição explícita. E, portanto, em outros assuntos, como as controvérsias crescentes ou os novos erros deram ocasião para isso, houve declarações mais explícitas do que antigamente era acreditado de forma implícita. Na doutrina do poder supremo de Pedro, como fundamento visível da Igreja, temos a afirmação implícita de muitos direitos e deveres que pertencem ao centro da unidade. Na revelação da dignidade e da pureza da bem-aventurança da Santíssima Virgem, implícita sua isenção do pecado original, etc.Assim, também, no início, muitas verdades poderiam ter sido propostas de forma um tanto obscuras ou menos claras; elas poderiam ter sido menos insistidas urgentemente, porque não havia heresia, nenhum ensinamento contrário para tornar necessária uma declaração mais explícita. Agora, uma doutrina que é, de forma implícita, menos clara, não tão fervorosamente proposta, pode ser negligenciada, incompreendida, questionada; conseqüentemente, pode acontecer que alguns artigos agora sejam universalmente acreditados na Igreja, em relação aos quais existiam dúvidas e controvérsias em séculos anteriores, mesmo no seio da Igreja. “Aqueles que erram na crença de fato servem para trazer mais claramente a solidez daqueles que acreditam corretamente. Pois, há muitas coisas escondidas nas Escrituras, e quando os hereges foram cortados, irritaram a Igreja de Deus com disputas; então as coisas escondidas foram levadas à luz e a vontade de Deus foi conhecida “(Santo Agostinho, Salmo 54, nº 22).Esse tipo de progresso na fé nós podemos e admitmos; mas a verdade não é alterada desse modo. Alberto Magno diz: “Seria mais correto modelar esse progresso do crente na fé do que da fé no crente“.Para mostrar que esse tipo de progresso deve ser admitido, apenas duas coisas devem ser comprovadas: (1) Que alguma verdade divinamente revelada deva ser contida no ensino apostólico de forma implícita, menos explicada, menos urgentemente pressionada. E isso só pode ser negado por aqueles que sustentam que a Bíblia é a única regra de Fé, que é clara em todas as partes e pode ser prontamente entendida por todos desde o início. Este ponto, eu considerarei mais adiante neste trabalho. (2) Que a Igreja pode, em processo de tempo, quando surgirem ocasiões, declarar, explicar, exortar. Isso é provado não apenas nas Escrituras e nos Padres, mas mesmo da própria conduta dos próprios protestantes, que muitas vezes se vangloriam do cuidado e da assiduidade com que eles “buscam as Escrituras”, e estudam o seu significado, mesmo que tantos Comentários sobre o texto sagrado foram publicados. E porque? Para obter mais luz; para entender melhor o que é revelado. Pareceria disto que a única questão que poderia surgir sobre este ponto não é sobre a possibilidade de chegar gradualmente a uma compreensão mais clara do sentido verdadeiro da revelação, como as circunstâncias podem exigir desenvolvimentos sucessivos, mas sobre a autoridade da Igreja para propor e determinar nesse sentido. Então, afinal, somos trazidos de volta ao único ponto real de divisão e disputa entre aqueles que não são católicos e nós mesmos, a saber, a autoridade da Igreja, da qual eu vou ter mais a dizer a seguir. Não posso concluir melhor do que citando as palavras de São Vicente de Lérins: “Cuidemos que seja conosco em matéria de religião, que afeta nossas almas, como é com os corpos materiais, que, com o passar do tempo, passam por fases sucessivas de crescimento e desenvolvimento e multiplicam seus anos, mas ainda permanecem sempre os mesmos corpos individuais de que eram no início…Segue muito bem a natureza das coisas que, com um perfeito acordo e consistência entre os primórdios e os resultados finais, quando colhemos a colheita da verdade dogmática que surgiu das sementes da doutrina semeadas na primavera da existência da Igreja, não devemos encontrar diferença substancial entre o grão que foi plantado pela primeira vez e o que agora reunimos. Pois,  apesar dos germes da fé primitiva, tenham sido evoluídos em alguns aspectos no decorrer do tempo e ainda recebam nutrição e cultivo, ainda que nada que seja substancial possa sofrer mudanças. A Igreja de Cristo é um guardião fiel e sempre vigilante dos dogmas que foram colocados a seu cargo. Neste depósito sagrado ela não muda nada, ela não tira nada dele, ela não acrescenta nada “(Commonitorium – Ch. 23) – The Faith of our Fathers by James Cardinal Gibbons, Archbishop of Baltimore (Chapter 1, The Unity of the Church) Traduzido de: https://erickybarra.wordpress.com/2018/03/02/is-development-of-doctrine-a-valid-category/ #Maria #Patrística #Apologética #Dogmas #desenvolvimentodoutrinal #Doctrinaldevelopment

  • DE JERUSALÉM AO VATICANO: A PEREGRINAÇÃO DO  PAPADO Parte II

    Continuando o estudo sobre o desenvolvimento da igreja podemos ver claramente que a igreja não é organismo estático, é pulsante em cada época, e determina a levar a boa nova de uma forma sempre ortodoxa, mas com respostas aos problemas da humanidade em seu tempo e lugar, nunca esquecendo que a resposta está em Jesus Cristo. Vamos recapitular esses primeiros passos daquilo que a igreja se tornará. Falamos de alguns acontecimentos entre os anos 39-50, no primeiro texto, os resultados dessa primeira pregação, que foram localizados dentro da comunidade de Jerusalém e que avançou um pouco em direção a Galileia, Damasco, Gaza e Antióquia. Algumas centenas de quilômetros no máximo. Mas no entanto, esse avanço meio que desordenado acaba trazendo muitas lições. A transmissão da mensagem efetua-se primeiro nas comunidades judaicas. São judeus que falam para judeus. Os pagãos pouco se interessam. Tudo se passa como se os judeus cristãos quisessem ser reconhecidos e admitidos pelos judeus ortodoxos. Quando os cristãos das origens pregam, é quase sempre nas sinagogas. Em seguida, o eixo da pregação se modifica, ou os cristãos devem adaptar seu o discurso ao público que eles não esperavam: pagãos desconhecidos, em todo caso, homens e mulheres que se expressam em grego. Ou então alguns apóstolos privilegiavam esses desconhecidos. É o segundo passo que a igreja vai atravessar, conscientemente ou não, ela passa do aramaico ao grego, dos judeus aos não judeus; de Jerusalém a Antióquia, do centro inicial à periferia. Trata-se de uma evolução que era previsível; o anúncio da Ressurreição de Jesus segue a inclinação natural. Já que as comunidades judaicas estão implantadas nas cidades Gregas, passa-se das primeiras às segundas. A consequência será lógica: ou os convertidos devem aceitar os ritos rabínicos ou podem pular essa etapa. Depois de se apoiarem nas sinagogas, alguns dos Apóstolos procuram se afastar das Sinagogas. O que provoca um áspero debate no seio da igreja e marca profundamente a mentalidade dos cristãos dos primeiros séculos. Vai-se, em parte, apagar a raiz comum ou insistir na irredutível novidade da Encarnação. A igreja precisará de tempo para transpor esse obstáculo decisivo. Os judeus não são totalmente inocentes nessa ruptura: nas vésperas da Insurreição geral contra Roma, alguns judeus tentarão, através da Fidelidade aos ritos, convencer os Cristão a aderirem à revolta. É nesse momento da história que o papel de Paulo torna-se importante. Ao contrário do que dizem os falsos sábios, não foi ele que fez o cristianismo. Paulo não existe Sem Jesus, a condenação à morte e a ressurreição. O primeiro não tem sentido sem o segundo. Mas é o primeiro que faz a pequena igreja quase desconhecida passar para o imenso Império Romano. Não foi por acaso que Pedro e Paulo foram morrer em Roma. A seta disparada do Gólgota irá gravar no coração da capital do império. Aos poucos, Roma vai se tornar a cidade eterna. A EVOLUÇÃO DA DOUTRINA APOSTÓLICA: Falamos de uma revolução na igreja, podemos nos perguntar; teria realmente Jesus dado o seu consentimento a toda a evolução tal como ocorreu após sua morte? Teria ele aprovado que uma parte de seus seguidores logo abandonassem o sinal sagrado de Israel, a circuncisão, que suas comunidades se distanciassem das comunidades da Sinagoga para seguir caminhos separados, que surgissem estruturas de governo com superiores e subordinados? Em outros termos: a evolução até o surgimento da Igreja ocorreu o segundo os propósitos de Jesus? Respondendo as questões acima.Não há nenhuma dúvida que o próprio Reino de Deus de forma visível é a igreja. Podemos entender que o ponto inicial da entrada de Jesus em cena no mundo terreno dos homens foi o senhorio de Deus, que era esse o tema central de suas palavras, e da configuração Geral de suas ações. Mas vamos observar dentro do Horizonte do Judaísmo primitivo, o senhorio de Deus equivale a uma cifra que se refere a um projeto sóciopolítico, entendido como realização terrena do axioma teológico: Deus domina Como Rei. trata-se, portanto da concreta convicção de Israel, que reivindica a visibilidade material da dominação real de Deus nas estruturas terrenas. Os judeus em grande maioria não suportavam as palavras de Jesus, ele mandava amar seus inimigos, não conseguiram compreender que o reino de Deus não é deste mundo. Vistas esta linha de tradição, as grandezas senhorio de Deus igreja estão no mesmo nível, não são contraditórias, não estão contrapostos, como uma alternativa que uma exclui a outra, mas se completam porque Deus se fez visível, e deixou-nos uma igreja visível a questão decisiva não é se Jesus quis a igreja, mas até que ponto as tentativas eclesiais de realização aparecem em consonância com a visão de Jesus, estamos falando dos Apóstolos ainda vivos. Esta questão do senhorio de Deus ou podemos dizer a continuidade da vontade de Deus, que podemos afirmar que a vontade de Deus na história da humanidade através da Igreja, esta foi a questão que sempre trouxe grandes conflitos entre os judeus ortodoxos e cristãos.Quando os convertidos começaram a vir mais das fileiras pagãs que das judaicas, o rigor foi abrandando e o lado de observação da questão ficou mais marcante. Para os judeus cristãos, a questão da continuidade era a questão de sua relação com sua mãe; para os cristãos gentios, era a questão de sua relação com a sogra. O que, aos olhos dos gentios, era ofensivo no cristianismo, era o que tinha herdado do judaísmo. Celso e outros críticos pagãos ridicularizaram a declaração de que Deus, de todos os lugares existentes, fez uma aparição em “algum canto da judéia” (apologia de Orígenes contra Celso 6.78[GCS 3:149]; Orígenes contra Celso 5.50[GCS, 3:55]); e imperador Juliano registrou o conceito judaico e cristão de Deus como “essencialmente a divindade de um povo primitivo e inviabilizado” (Cochrane[1944], embora ele tenha repreendido os “galileus” por terem abandonado o judaísmo. Não só os críticos gentios do cristianismo, mas também os gentios convertidos ao Cristianismo uma decisão sobre quanto da tradição eles eram obrigados a seguir. A atitude de Marcião foi um exemplo herético do que, antes, pode ter sido um ressentimento disseminado também entre os crentes ortodoxos; pois a epístola de Barnabé ( pg. 95-97 adiante), embora não chegue ao mesmo ponto que Marcião chegou em sua rejeição do antigo testamento, afirmou que as tábuas originais da aliança do senhor foram quebradas no Sinai e que Israel nunca teve uma aliança autêntica com Deus (Barnabé 14. 3-4). A declaração de Tertuliano, em oposição à Marcião, de que “hoje” havia mais pessoas que aceitavam a autoridade do antigo testamento do que a rejeitavam levantou a questão de se o número de pessoas que a rejeitavam, em algum momento, chegou a ser considerável (Tertuliano contra Marcião 5.20.2[ CCSL 1: 724]). Há de se considerar a pré-historia através do Judaísmo para entender a mensagem de Jesus. Em Israel sempre hoje a pontuação Acerca das tentativas de concretização do senhorio de Deus. Antes de tudo, tratava-se da questão de quem seria, para o povo de Israel, o soberano do senhorio de Deus sobre a terra: deveria ser um Rei em analogia ao rei Davi, como havia sido divulgado pelas forças monarquistas de Israel, ou um grupo aristocrático, com os sumos sacerdotes como representante, conforme o modelo que se estabeleceu após o exílio e que, na virada das eras, foi principalmente defendido pelos saduceus? outra questão controversa se referia seu trato com os inimigos de Israel, ou seja, com os ocupantes das terras: deveriam eles ser expulsos do país mediante a força militar ou se deveria lutar pela autonomia de Israel, como havia sido realizado com sucesso pelos hasmoneus, ou se deveria seguir a bandeira dos Saduceus, e mais tarde também dos herodianos,e entrar em acordo com o Roma, a potência de ocupação? uma vez que na realidade do dia a dia somente um modelo podia ser praticado, os diferentes grupos sociais em Israel não apenas discutiam de modo geral sobre a concepção do senhorio de Deus, mas lutavam sempre para impor sua própria opção. Os hasmoneus tornaram-se militarmente ativos, os saduceus e os herodianos faziam manobras políticas para concretizar seu modelo político. O ENGANO DO DISPENSACIONALISMO O outro grupo, os Apocalípticos, não apostavam na política e nem nos exércitos, mais tão somente na iniciativa de Deus: seria Ele próprio que com uma catástrofe acabaria com os inimigos de Israel, para fazer surgir um Israel novo, livre dos inimigos. Observe-se: os Apocalípticos esperavam tudo isso para o futuro. O Senhorio de Deus haveria somente no novo éon, após a ruptura da história que estava se encaminhando para o fim. Sabemos que houve uma ruptura da história a história antes de Cristo e a história depois de Cristo, com isso eles refutavam categoricamente a legitimidade dos modelos do senhorio praticados na época. De qualquer maneira, nessa opção fundamental comum, permaneciam ainda totalmente abertas as precisas estruturas constitucionais segundo Daniel 7, O “filho do homem”, a quem por Deus foram concedidos toda a força e todo poder, representa Israel com um todo; segundo Daniel 12, somente os mestres de Israel, que educaram para o agir correto, serão assinalados; conforme os oráculos sibilinos, os profetas exerceram o cargo de justo Juiz e soberanos (Oráculo III 781) bem parecido com alguns princípios que vemos hoje em dia com os Adventistas é os novos juadaizantes. O conceito acerca do senhorio de Deus deve ser localizado principalmente nesta onda apocalíptica. Mas, segundo Jesus, o senhorio de Deus, esperado para o futuro, de fato já se iniciou com a pregação em Israel. Jesus espulsava os demônios, a derrota do antigo príncipe deste mundo começa tão logo o anjo anuncia o seu nascimento, mas com o início do seu ministério que veremos os indícios disso, Satanás como real maquinador por trás das ameaças provindas dos Inimigos de Israel, já está derrotado (Lucas 10,18; 11,20). Jesus não pensava de forma nacionalista, mas de forma totalmente espiritual e que é abrangente a todos os povos o senhorio de Deus começa em meio a este mundo não se expulsa os inimigos do país, mas as pessoas são libertadas do Poder demoníaco; o senhorio de Deus não se inicia universalmente, em um evento Universal num só golpe pontualmente, ele cresce e se desenvolve constantemente; de assunto de política externa (senhorio de Israel sobre os pagãos) ele passa a ser um tema político interno (pessoas que se abrem às possibilidades oferecidas por Deus). Soberanas do senhorio de Deus, como Jesus imagina, são as doze tribos de Israel. O ato simbólico da Escolha dos Doze está em função disso. Com esse símbolo real Jesus recorreu ao modelo constitucional pré-estatal: Israel, como Deus o queria no início (Josefo antiguidades 11, 107). Com essa concepção Jesus superou, por um lado, o jogo das intrigas políticas internas entre os grupos de maior influência e, por outro, as tentativas de políticas internas de rechaço dos samaritanos, por exemplo, embora estes se considerassem descendentes das duas tribos de Jacó Efraim e Manassés (Josefo antiguidades 11,341). Com referência a ideia profética do restabelecimento de Israel no fim dos tempos (Isaías 11,12; Miqueias 2,12), Jesus via no senhorio de Deus e reagrupamento dos perdidos de Israel: tanto os grupos que ao longo da história ficaram perdidos (os samaritanos, os espalhados na diáspora), como os indivíduos que, por sua história Pessoal, ficaram perdidos e, por essa razão, ficaram excluídos (os enfermos, os coletores de impostos, que trabalhavam em colaboração com Os herodianos dispostos a qualquer acordo). O conceito do senhorio de Deus como Jesus ensinou podia ser percebido em seu comportamento. Ele culminou em refeições festivas, nas quais não só as vivenciava a refeição do fim dos tempos (Isaías 25,6-8), Mas também se reunia todo o Israel, quando ao lado de Galileus, participavam pescadores e coletores de impostos, e ao lado de pessoas sadias participavam enfermos. Com parábolas e imagens Jesus defende a sua visão das coisas – bem como sua práxis. Era ele próprio o ator principal, é ele mesmo o senhorio de Deus, o grande mediador na sua forma humana e futuramente em sua glorificação ao lado do Pai. JESUS FUNDOU UMA IGREJA? Vamos responder a questão sobre a fundação da Igreja, muitos perguntam, Jesus fundou a igreja? Se alguns não aceitam a fundação de uma igreja qual opção teremos de um projeto social do senhorio de Deus? Ele deu Uma Carta Magna que consolidou com sua própria vida. Ele não deu qualquer orientação a favor nem contra os pagãos. Mas, nas reduzidas circunstâncias da Galileia, fez a integração de judeus supostamente renegados. Temos várias opções na ação em relação com o povo de Deus, os discípulos de Jesus jamais podem ser desligados de Israel, tem podem reinvindicar exclusivamente para si esse título de honra. Mais ainda: como um projeto social o “senhorio de Deus”, a criação de estruturas de governo sempre estará submetida a decisão do Povo de Deus, como verdadeiro soberano não a outra instituição que podemos entender que esteja comprometida nesse sentido e sempre disposta a concretizar este senhorio de Deus dentro da história da humanidade que não seja a igreja, ela é completa em todos os requisitos, ela é a manifestação do senhorio de Deus através dos, é a promessa da nova aliança, não cabe nessa história o dispensacionalismo, a Igreja é quem foi dada a autoridade de dar ou reter a graça do senhorio de Deus. Pois, dentro do quadro referencial de Jesus, de sempre voltar a valer a maneira nova de palco e Ação aberto por Deus, então pode-se dizer com toda a seriedade ela leva adiante a intenção de Jesus, portanto, é a igreja fundada por Jesus. Essa visão é confirmada por Mateus 16, 18 – nos deparamos com uma concretização ou talvez do ajustamento da Comunidade Cristã com a promessa em Mateus. eu te darei as chaves do Reino dos Céus tudo que ligares na terra será ligado nos céus e tudo que desligares na terra será desligado nos céus, concede-se a Pedro um poder impressionante: a última instância de decisão referente a todas as novas decisões a serem tomadas Acerca das prescrições religiosas. Lida na dinâmica de todo o evangelho só vamos confirmar a chefia do príncipe dos apóstolos, não um argumento relativizado, a confissão tu és o cristo o filho do Deus vivo (Mateus 16-16). A verdadeira base, Pedro retoma da Comunidade dos discípulos, à qual é concedida a ocasião de proclamar essa confissão, quando vivenciou a salvação de Pedro que se afundava em meio à tempestade e, diante de sua salvação aclama: “verdadeiramente és filho de Deus” (Mateus 14,33). A soberania da igreja entra em Ação quando em 18:18 lhe é concedido o mesmo poder que é concedido a Pedro em 16,19, especificando as medidas disciplinares. Quanto ao conteúdo, o poder da chave de Pedro é guiado pelo contraste de (Mateus 23, 13), em contraposição aos fariseus cabeças dirigentes do judaísmo na época de Mateus, Pedro (mediante suas decisões) deve abrir o reino de Deus para as pessoas e deixá-las entrar -portanto em sentido mais amplo, estabelece as bases legais para a integração. Justamente em Mateus 16,18, numa antiga tradição, portanto, que atribui amplos poderes a Pedro. Pode-se ver exemplarmente o processo de como concentrações unilaterais de poder, são corrigidas e reconduzidos para as intenções originais, esse processo de luta pela concepção a cada nova condição social ultrapassa a totalidade da história do cristianismo primitivo. As mais acaloradas discussões referem-se Justamente a pontos acerca dos quais Jesus não disse nada que são (circuncisão/ pagãos) ou disse apenas algo enigmático (questão da Pureza ritual) Marcos 7,15 ou ambivalente (templo Mateus 5 23). A CHEGADA DE PAULO NA IGREJA Sobre Paulo, um dos grandes personagens na história da igreja primitiva, temos muitas informações, graças as cartas que ele dirigia as diversas comunidades que chegaram Até nós. Mas, sobre o homem propriamente dito não temos muitas informações. Provavelmente teria nascido como vimos, em Tarso, capital da cilícia, por volta do ano 10 ou 12. Sem dúvida foi em Jischala (na Galácia) que seus avós teriam vivido. Por que Paulo era romano? Talvez porque seu avô tenha comprado – ou ganhado – esse título ao lutar do lado do exército romano. Talvez quando Pompeu conquista e ocupa a região, antes de ir morrer em Alexandria. Foi em 63 AC. Em todo caso, o recém-nascido recebe a educação tradicional dos fariseus. Não será portanto um moderado. A formação que ele recebe fortalece seu caráter. Encontraremos sinais disso no Tom e no texto das epístolas. Ele tem 20 anos. Seu pai queria que ele fosse Rabino. Paulo naturalmente não respondeu Nem sim nem não. Enquanto isso, aprende o Ofício de tapeceiro, que exercerá quando tiver tempo. A vida inteira. Terá ele estudado, feito cursos? Não é certo. No entanto, Tarso era na época um importante centro intelectual. Talvez o mais famoso no Oriente Médio. Ali podia-se aprender retórica, frequentar institutos científicos. Os especialistas estimam que Tarso era então uma cidade mais culta que Atenas ou Alexandria. Portanto, é provável que Paulo não tenha estudado. Captou alguns rudimentos esparsos e com eles fará as bases de sua cultura. O procedimento poderia ter sido desastroso, mas acabou sendo de uma eficácia espantosa. Paulo falava grego, naturalmente. Mas era uma língua curiosa, recheada de Latim, hebraico e aramaico. Um grego Popular e local que a maioria dos judeus, dos mercados e do Povo compreendia bem. Era essa língua que ele escrevia; ou, mais exatamente ditava . Quase não há citações clássicas gregas nas epístolas. Mas háa um estilo, um tom, uma vibração, um equilíbrio das frases, um misto de violência e ternura que são só dele. Se os Evangelhos transmitem o essencial da mensagem cristã, Paulo consegue o incrível Casamento entre uma reflexão Religiosa e uma linguagem que domina Mediterrâneo oriental há mais de seis séculos. recordemos alguns de seus textos (I Coríntios, 13, 1-7): Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; Mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos Pobres, e entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade isso nada me aproveita. A caridade é paciente, a caridade é benigna, a caridade Não é invejosa, não se ufana, não se ensoberbece. A caridade nada faz de inconveniente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal. Não se alegra com a injustiça, não se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A questão central Talvez seja a seguinte: Em que momento o Paulo compreendi que os não-judeus estão para se tornar os interlocutores privilegiados dos Apóstolos? Sem dúvida em Konya e em Listra. Nestas duas cidades, os judeus tentanram levantar o povo contra Paulo e Barnabé. No entanto, os dois homens haviam conseguido se fazer ouvir. Eles assistem ao nascimento de pequenas comunidades cristãs sem nenhum ponto em comum com as sinagogas. Isso sem dúvida é uma demonstração de que a igreja não Manteve laços com a Sinagoga, é uma questão que dá um basta final nas ponderações dois judaizantes daquela época, de hoje dia também, foi uma surpresa na época, quase um constrangimento para os dois apóstolos. Eles não procuraram provocar essa mutação de sua platéia. Mas aconteceu sobe suas vistas. Será necessário então administrar essa situação nova e imprevista. Isto será quase uma regra na igreja: administram-se, como se pode, usar conselho acontecimentos inesperados. Continuaremos a falar das experiências de São Paulo no próximo estudo e tratar da questão da Igreja no mundo pagão, e entraremos na importância de Antióquia e chegaremos até Roma, e sua primazia final nas questões da Igreja. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #históriadaigrejaprimitiva

  • As 15 orações de Santa Brígida

    Estas poderosas orações foram reveladas por Jesus a Santa Brígida e aprovadas pelo Papa Pio IX como autênticas e de grande proveito para as almas Revelação de Jesus a Santa Brígida na Igreja de São Paulo, em Roma. Estas orações foram aprovadas pelo Papa Pio IX em 31/05/1862, que as reconheceu como autênticas e de grande proveito para as almas. VEJA AS PROMESSAS DE JESUS Como já há muito tempo Santa Brígida desejasse saber o número de golpes que Jesus levara durante a Paixão, certo dia Ele lhe apareceu dizendo: “Recebi em todo o Meu Corpo 5.480 golpes. Se desejais honras as chagas que eles ME produziram, mediante uma veneração particular, deveis recitar 15 Pai Nossos e 15 Ave-Marias, acrescentando as seguintes orações, durante um ano inteiro; quando o ano terminar, tereis prestado homenagem a cada uma das Minhas Chagas. Quem recitar estas oração durante um ano inteiro conseguirá livrar do Purgatório 15 almas de sua família, 15 justos também de sua linhagem serão conservados em graça e 15 pecadores de sua família serão convertidos. A pessoa que as recitar será elevada ao mais eminente grau de perfeição e 15 dias antes da sua morte Eu lhe darei meu Precioso Corpo, para que ela seja livre da fome eterna. Eu lhe darei também de beber o Meu Precioso Sangue, a fim de que não padeça sede eternamente e 15 dias antes da morte ela experimentará uma profunda contrição de todos os seus pecados e um perfeito conhecimento deles. Diante dela colocarei o sinal da Minha Cruz vitoriosa como socorro e defesa contra os embustes dos seus inimigos. Antes da sua morte, Eu virei em companhia de Minha muito cara e bem amada Mãe, para receber a sua alma e conduzi-la às alegrias eternas. E tendo-a levado até lá, Eu lhe darei a beber um trago singular da fonte da Minha Divindade, o que não farei, absolutamente, a outros que não tenham recitado as Minhas Orações. Aquele que disser estas Orações pode estar seguro de ser associado ao supremo coro dos Anjos e todo aquele que as ensinar a alguém, terá assegurado para sempre sua felicidade e seus méritos. Sim, eles serão estáveis e durarão perpetuamente. No lugar onde se encontrarem e onde forem recitadas essas Orações, Deus estará também presente com as Suas Graças.” Todos esses privilégios foram prometidos a Santa Brígida por Nosso Senhor Crucificado com a condição de que as orações fossem recitadas diariamente. São, igualmente, prometidas a todos os que as recitarem, devotamente, durante um ano inteiro. PERGUNTA : É necessário recitá-las sem interrupção? RESPOSTA : Faltar o menos possível. Todavia devemos recuperá-las, se por força maior não as pudermos rezar em um dia. Devemos recitá-las 365 vezes dentro de um ano, com devoção, esforçando-nos para penetrar no sentido profundo das palavras que vamos pronunciando. OBS: 1. É bom rezar sempre a intenção antes de cada oração: 2. Não precisa ler este cabeçalho com as promessas de Jesus todos os dias; 3. É preciso rezar todas as orações a cada dia, durante um ano inteiro. 4. Se a pessoa vier a falecer durante este período, o mérito lhe será conferido; 5. Nunca tenha medo que algo lhe acontecerá de mal se você as rezar; 6. As intenções indicadas antes de cada uma das orações são de Nossa Senhora. REZE ASSIM: Comece, sempre, com o Sinal da Cruz! +Pelo sinal da Santa Cruz +Livrai-nos Deus Nosso Senhor + Dos nossos inimigos. Em Nome do PAI, do FILHO e do ESPÍRITO SANTO. Amém. Faça uma oração inicial ao Espírito Santo e depois diga: 1ª ORAÇÃO: Pelos Sacerdotes, freiras e religiosos militantes! Reze agora um Pai Nosso… E depois uma Ave Maria… (E a seguir…) Ó JESUS CRISTO, doçura eterna para aqueles que vos amam, alegria que ultrapassa toda a alegria e todo o desejo, esperança de salvação dos pecadores, que declarastes não terdes maior contentamento do que estar entre os homens, até o ponto de assumir a nossa natureza, na plenitude dos tempos, por amor deles. Lembrai-Vos dos sofrimentos, desde o primeiro instante da Vossa Conceição e sobretudo durante a Vossa Santa Paixão, assim como havia sido decretado e estabelecido desde toda a eternidade na mente divina. Lembrai-Vos Senhor, que, celebrando a Ceia com os Vossos discípulos, depois de lhes haverdes lavado os pés, deste-lhes o Vosso Sagrado Corpo e precioso Sangue e, consolando-os docemente lhes predissestes a Vossa Paixão iminente. Lembrai-Vos da tristeza e da amargura que experimentastes em Vossa Alma como o testemunhastes Vós mesmo por estas palavras: “a Minha Alma está triste até a morte”. Lembrai-Vos, Senhor, dos temores, angustias e dores que suportastes em Vosso Corpo delicado, antes do suplício da Cruz, quando, depois de ter rezado por três vezes, derramado um suor de Sangue, fostes traído por Judas Vosso discípulo, preso pela nação que escolhestes, acusado por testemunhas falsas, injustamente julgado por três juízes, na flor da Vossa juventude e no tempo solene da Páscoa. Lembrai-Vos que fostes despojado de Vossas vestes e revestido com as vestes da irrisão, que Vos velaram os olhos e a face, que Vos deram bofetadas, que Vos coroaram de espinhos, que Vos puseram uma cana na mão e que, atado a uma coluna, fostes despedaçado por golpes e acabrunhado de afrontas e ultrajes. Em memória destas penas e dores que suportastes antes da Vossa Paixão sobre a Cruz, concedei-me, antes da morte, uma verdadeira contrição, a oportunidade de me confessar com pureza de intenção e sinceridade absoluta, uma adequada satisfação e a remissão de todos os meus pecados. Assim seja! 2ª ORAÇÃO: Pelos trabalhadores em Geral Pai Nosso… Ave Maria… Ó JESUS CRISTO, verdadeira liberdade dos Anjos, paraíso de delícias, lembrai-Vos do peso acabrunhador de tristezas que suportastes, quando Vossos inimigos, quais leões furiosos, Vos cercaram e, por meio de mil injúrias, escarros, bofetadas, arranhões e outros inauditos suplícios Vos atormentaram a porfia. Em consideração destes insultos e destes tormentos, eu Vos suplico, ó meu Salvador, que Vos digneis libertar-me dos meus inimigos, visíveis e invisíveis e fazer-me chegar, com o Vosso auxílio a perfeição da salvação eterna. Assim seja! 3ª ORAÇÃO: Pelos presos Pai Nosso… Ave Maria… Ó JESUS CRISTO, Criador do Céu e da terra, a quem coisa alguma pode conter ou limitar, Vós que tudo abarcais e tendes tudo sob o Vosso poder, lembrai-Vos da dor, repleta de amargura, que experimentastes quando os soldados, pregando na Cruz Vossas Sagradas mãos e Vossos pés tão delicados, trespassaram-nos com grandes e rombudos cravos e não Vos encontrando no estado em que teriam desejado, para dar largas a sua cólera, dilataram as Vossas Chagas, exacerbando assim as Vossas dores. Depois, por uma crueldade inaudita, Vos estenderam sobre a Cruz e Vos viraram de todos os lados, deslocando, assim, os Vossos membros. Eu vos suplico, pela lembrança desta dor que suportastes na Cruz, com tanta santidade e mansidão, que Vos digneis conceder-me o Vosso Temor e o Vosso Amor. Assim seja! 4ª ORAÇÃO: Pelos doentes Pai Nosso… Ave Maria… Ó JESUS CRISTO, médico celeste, que fostes elevado na Cruz a fim de curar as nossas chagas por meio das Vossas, lembrai-Vos do abatimento em que Vos encontrastes e das contusões que Vos infligiram em Vossos Sagrados membros, dos quais nenhum permaneceu em seu lugar, de tal modo que dor alguma poderia ser comparada a Vossa. Da planta dos pés até o alto da cabeça, nenhuma parte do Vosso Corpo esteve isenta de tormentos e, entretanto, esquecido dos Vossos sofrimentos, não Vos cansastes de suplicar a Vosso PAI, pelos inimigos que Vos cercavam, dizendo-LHE: “PAI, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”. Por esta grande misericórdia e em memória desta dor, fazei com que a lembrança da Vossa Paixão, tão impregnada de amargura, opere em mim uma perfeita contrição e a remissão de todos os meus pecados. Assim seja! 5ª ORAÇÃO: Pelos funcionários dos hospitais Pai Nosso… Ave Maria… Ó JESUS CRISTO, espelho do esplendor eterno. Lembrai-Vos da tristeza que sentistes, quando, contemplando a luz da Vossa Divindade a predestinação daqueles que deveriam ser salvos pelos méritos da Vossa santa paixão, contemplastes, ao mesmo tempo, a multidão dos réprobos, que deveriam ser condenados por causa dos seus pecados e lastimastes, amargamente, a sorte destes infelizes pecadores, perdidos e desesperados. Por este abismo de compaixão e de piedade e, principalmente, pela bondade que manifestastes ao bom ladrão dizendo-lhe: “Hoje mesmo estarás Comigo no Paraíso”, eu Vos suplico ó Doce Jesus, que na hora da minha morte useis de misericórdia para comigo. Assim seja! 6ª ORAÇÃO: Pelas famílias Pai Nosso… Ave Maria… Ó JESUS CRISTO, Rei amável e de todo desejável, lembrai-vos da dor que experimentastes quando, nu e como um miserável, pregado e levantado na Cruz, fostes abandonado por todos os vossos parentes e amigos, com excepção de Vossa mãe bem amada, que permaneceu, em companhia de São João, muito fielmente junto de Vós na agonia, lembrai-Vos que os entregastes um ao outro dizendo: “Mulher eis ai o teu filho”! e a João: “Eis ai a tua Mãe!”Eu vos suplico, ó meu Salvador, pela espada de dor que então trespassou a alma de Vossa Santa Mãe, que tenhais compaixão de mim, em todas as minhas angustias e tribulações, tanto corporais como espirituais e que Vos digneis assistir-me nas provações que me sobrevierem, sobretudo na hora da minha morte. Assim seja! 7ª ORAÇÃO: Contra a luxúria Pai Nosso… Ave Maria… Ó JESUS CRISTO, fonte inexaurível de piedade, que por uma profunda ternura de amor, dissestes sobre a Cruz: “Tenho sede!”, mas sede de salvação do gênero humano. Eu Vos suplico, ó meu Salvador, que Vos digneis estimular o desejo que meu coração experimenta de tender a perfeição em todas as minhas obras e extinguir, por completo, em mim, a concupiscência carnal e o ardor dos desejos mundanos. Assim seja! 8ª ORAÇÃO: Pelas crianças e jovens Pai Nosso… Ave Maria… Ó JESUS CRISTO, doçura dos corações, suavidade dos espíritos, pelo amargo sabor do fel e do vinagre que provastes sobre a Cruz por amor de todos nós, concedei-me a graça de receber dignamente o Vosso Corpo e Vosso Preciosíssimo Sangue, durante toda a minha vida e, na hora da minha morte a fim de que sirvam de remédio e de consolo para minha alma. Assim seja! 9ª ORAÇÃO: Pelos agonizantes espirituais Pai Nosso… Ave Maria… Ó JESUS CRISTO, virtude real, alegria do espírito, lembrai-Vos da dor que suportastes, quando, mergulhado na amargura, ao sentir aproximar-se a morte, insultado e ultrajado pelos homens, julgastes haver sido abandonado por Vosso PAI dizendo: “Meu DEUS, Meu DEUS, porque Me abandonastes?” Por esta angustia eu Vos suplico ó meu Salvador, que não me abandoneis nas aflições e nas dores da morte. Assim seja! 10ª ORAÇÃO: Pelos sofredores em geral Pai Nosso… Ave Maria…Ó JESUS CRISTO, que sois em todas as coisas começo e fim, vida e virtude, lembrai-Vos de que por nós fostes mergulhado num abismo de dores, da planta dos pés até o alto da cabeça. Em consideração da extensão das Vossas Chagas, ensinai-me a guardar os Vossos Mandamentos, mediante uma sincera caridade, mandamentos estes que são caminhos espaçoso e agradável para aqueles que Vos amam. Assim seja! 11ª ORAÇÃO: Pelos pecadores de todo o mundo Pai Nosso… Ave Maria… Ó JESUS CRISTO, profundíssimo abismo de misericórdia, suplico-Vos, em memória de Vossas Chagas, que penetraram até a medula dos vossos ossos e atingiram até as vossas entranhas, que vos digneis afastar esse(a) pobre pecador(a) do lodaçal de ofensas em que está submerso(a) conduzindo- o(a) para longe do pecado. Suplico-Vos também, esconder-me de Vossa Face irritada, ocultando-me dentro de Vossas Chagas, até que a Vossa cólera e a Vossa justa indignação tenham passado. Assim seja! 12ª ORAÇÃO: Por todas as Igrejas Pai Nosso… Ave Maria… Ó JESUS CRISTO, espelho de verdade, sinal de unidade, laço de caridade, lembrai-Vos dos inumeráveis ferimentos que recebestes, desde a cabeça até os pés, ao ponto de ficardes dilacerado e coberto pela purpura do Vosso Sangue adorável. Ó quão grande e universal foi a dor que sofrestes em Vossa Carne virginal por nosso amor! Ó Dulcíssimo JESUS, que poderíeis fazer por nós que não o houvésseis feito? Eu vos suplico, ó meu Salvador, que vos digneis imprimir, com o Vosso Precioso Sangue, todas as Vossas chagas em meu coração, a fim de que eu relembre, sem cessar, as Vossas Dores e o Vosso Amor. Que pela fiel lembrança da Vossa Paixão, o fruto dos Vossos Sofrimentos seja renovado em mim, cada dia mais, até que eu me encontre, finalmente, Convosco, que sois o tesouro de todos os bens e a fonte de todas as alegrias. Ó Dulcíssimo JESUS, concedei-me poder gozar de semelhante ventura na vida eterna. Assim seja! 13ª ORAÇÃO: Pelos profetas atuais Pai Nosso… Ave Maria… Ó JESUS CRISTO, fortíssimo Leão, Rei imortal e invencível, lembrai-Vos da dor que vos acabrunhou quando sentistes esgotadas todas as vossas forças, tanto do Coração como do Corpo e inclinastes a cabeça dizendo: “Tudo está consumado!”Por esta angústia e por esta dor, eu Vos suplico, Senhor JESUS, que tenhais piedade de mim, quando soar a minha última hora e minha alma estiver amargurada e o meu espírito cheio de aflição. Assim seja! 14ª ORAÇÃO: Pelos políticos e pelos governantes Pai Nosso… Ave Maria… Ó JESUS CRISTO, Filho Único do PAI, esplendor e imagem da sua substância, lembrai-Vos da humilde recomendação que LHE dirigistes dizendo: “Meu PAI, em Vossas Mãos entrego o Meu Espírito!” Depois expirastes, estando Vosso Corpo despedaçado, Vosso Coração trespassado e as entranhas da Vossa Misericórdia abertas para nos resgatar. Por esta preciosa morte eu Vos suplico, ó Rei dos Santos, que me deis força e me socorrais, para resistir ao demônio, a carne a ao sangue, a fim de que, estando morto(a) para o mundo, eu possa viver somente para Vós. Na hora da morte, recebei, eu Vos peço, minha alma peregrina e exilada que retorna para Vós. Assim seja! 15ª ORAÇÃO: Pelo Papa Pai Nosso… Ave Maria… Ó JESUS CRISTO, verdadeira e fecunda videira, lembrai-Vos da abundante efusão de Sangue, que tão generosamente derramastes de Vosso Sagrado Corpo, assim como a uva é triturada no lagar. Do Vosso lado aberto pela lança de um dos soldados, jorraram Sangue e água, de tal modo que não retivestes uma gota sequer. E, enfim, como um ramalhete de mirra elevado na Cruz, Vossa Carne delicada se aniquilou, feneceu o humor de Vossas entranhas e secou a medula dos Vossos ossos. Por esta tão amarga Paixão e pela efusão de Vosso precioso Sangue, eu vos suplico, ó Bom JESUS, que recebais minha alma quando eu estiver na agonia. Assim seja! ORAÇÃO FINAL: Ó doce JESUS, vulnerai o meu coração, a fim de que lágrimas de arrependimento, de compunção e de amor, noite e dia me sirvam de alimento. Convertei-me inteiramente a Vós. Que o meu coração Vos sirva de perpétua habitação; Que a minha conduta vos seja agradável e que o fim da minha vida seja de tal modo edificante que eu possa ser admitido no Vosso Paraíso, onde, com os vossos Santos, hei de vos louvar para sempre. Assim seja! CONSAGRAÇÃO DIÁRIA A NOSSA SENHORA: Ó Santa Mãe Dolorosa de DEUS, ó Virgem Dulcíssima, eu Vos ofereço o meu coração a fim de que o conserveis intacto como o Vosso Coração Imaculado. Eu Vos ofereço a minha inteligência, para que ela conceba apenas pensamentos de paz e de bondade, de pureza e verdade. Eu Vos ofereço a minha vontade, para que ela se mantenha viva e generosa ao serviço de DEUS. Eu vos ofereço meu trabalho, minhas dores, meus sofrimentos, minhas angústias, minhas tribulações e minhas lágrimas, no meu presente e meu futuro, para serem apresentadas por Vós ao Vosso Divino FILHO, para purificação da minha vida. Mãe Compassiva, eu me refugio em Vosso Coração Imaculado, para acalmar as dolorosas palpitações de minhas tentações, da minha aridez, da minha indiferença e das minhas negligências. Escutai-me ó Mãe, guiai-me, sustentai-me e defendei-me, contra todos os perigos da alma e do corpo, agora e por toda a eternidade. Assim seja. (via Canção Nova)

  • A SENHORA MISTERIOSA

    Foi em três de Novembro de 1888. Um sacerdote de Londres, depois de um dia de muito trabalho, entrava em casa com a intenção de dizer suas orações e ir logo deitar-se. Apenas chegara a seu quarto, porém, batem à porta. Acompanhado de um estudante, o Padre foi ver quem era. Uma senhora, vestida de preto, vinha pedir-lhe o favor de ir à rua tal, número tal, porque lá havia um jovem que precisava urgentemente de assistência religiosa. O vigário, muito boa pessoa, falou-lhe: –          Pode ir sossegada, minha senhora; dentro de vinte minutos estarei lá. Escreveu o endereço e saiu em companhia do seminarista. Era noite escura e triste. Chegados ao endereço indicado bateram. Uma velha criada veio abrir-lhe. –          Mora aqui um jovem gravemente enfermo? –          Não, senhor; aqui todos estão bons, graças a Deus. O senhor certamente se enganou no número da casa. –          Não; pois a senhora que foi procurar-me deu-me este endereço. –          Repito-lhe que nesta casa não há ninguém doente. Mora aqui um moço, mas, que eu saiba, não quer morrer tão já. O Pároco já estava para regressar a casa, quando apareceu o moço que ouvia toda aquela conversa. –          Como vê, senhor Padre, estou bem de saúde. Mas entre, e descanse um pouco. Enquanto ia entrando, o Sacerdote perguntou se o jovem era Católico. –          Sim, respondeu ele, ou, melhor, devia eu sê-lo. Mas nada faço daquilo que os Católicos fazem. Fui batizado, e depois deixei correr tudo. Mantiveram os dois conversa amigável. O rapaz, de fato, abandonara toda prática da religião. A única coisa, que ainda fazia, era rezar uma Ave-Maria, todas as noites, para cumprir uma promessa que fizera à mãe antes de ela falecer. O Padre soube falar-lhe tão bem ao coração que o moço chegou ao ponto de dizer-lhe: –          Padre, uma vez que o senhor veio até aqui, não quero que perca o seu tempo. Eu bem poderia confessar-me. E, com efeito, fez excelente confissão. –          Amanhã, disse o sacerdote ao despedir-se, o senhor pode ir à igreja para receber a Santa Comunhão. Na manhã seguinte o Padre Vigário esperava o rapaz, quando chegou, toda aflita, a velha criada que o recebera na noite anterior. Entre lágrimas e soluços, exclamou: –          Oh! Padre, que desgraça! O rapaz, que o Senhor confessou ontem, morreu esta noite de um ataque. –          Morreu?! Bradou o Pároco impressionadíssimo. Chamou o estudante e juntos se dirigiram à casa do falecido. No caminho, o Vigário ia dizendo: –  Feliz dele! Confessou-se tão bem! Como Deus é bom! Entraram no quarto e fitaram comovidos aquele rosto que horas antes irradiava saúde. De repente, o olhar do Padre cai sobre um quadro emoldurado na parede. Levou como que um susto. –          Conheceu você esta senhora? Perguntou ao seminarista. –          Sim, senhor; é a mesma senhora que foi chamá-lo ontem à noite. Perguntou a um dos presentes quem era aquela senhora. –          É a mãe do rapaz, disseram em coro. –          Vive ainda? –          Não, senhor; morreu há três anos. –          O senhor afirma que morreu!! Mas se ele, ela mesma, reconheço-a, foi chamar-me ontem para que eu viesse aqui! Comovidíssimos, todos os assistentes choraram. Pela Ave-Maria, que ele rezava diariamente, a mãe celestial enviou a mãe terrestre (Já no Céu) chamar o Padre para converter o filho e salva-lo.

  • SANTO AMBRÓSIO E O IMPERADOR TEODÓSIO

    Santo Ambrósio e o Imperador Teodósio. Teodósio I, o Grande, ascendeu ao trono imperial em 379. No ano seguinte, declarou o Cristianismo religião do Estado e proibiu os cultos pagãos. Entretanto, embora muito amigos, não deixou de haver certas divergências entre o Bispo e o Imperador, um propugnando pela inteira independência da Igreja, outro, pela do Estado. Durante uma rebelião no ano 390, foi assassinado em Tessalônica o comandante militar local. Por excitação de um camareiro intrigante, Teodósio decretou terrível vingança contra os habitantes dessa cidade. Sem distinguir inocentes de culpados, sem mesmo tomar em consideração idade e sexo, as tropas imperiais massacraram sete mil pessoas. Um clamor de indignação ressoou por todo o Império. Não podendo calar- se ante essa atrocidade criminosa, o Bispo – com solicitude de amigo e respeito de súdito, mas também com firmeza de representante de Deus – admoestou o Soberano de que nenhum sacerdote de sua Diocese lhe daria a absolvição. E, recordando-lhe o exemplo do Rei Davi, o exortou a fazer sincera penitência. Como para mostrar que ninguém tinha direito de vituperar-lhe o procedimento, o Imperador se dirigiu à igreja com grande aparato, segundo o costume. À porta do recinto sagrado, Ambrósio barrou-lhe a entrada: “Vejo que por desgraça, ó Imperador, não medes a gravidade do fato sanguinário ordenado por ti (…) Não acrescentes um novo crime ao que já te pesa. Retira-te e submete-te à penitência que Deus te impõe. Já que imitaste David no crime, imita-o também na penitência!” Com lágrimas nos olhos, o Imperador retirou-se. Oito meses se passaram sem ele se apresentar na igreja, nem o Bispo no palácio. Por fim, porém, a Fé triunfou sobre o orgulho. Na manhã do dia de Natal, banhado em lágrimas, o Imperador disse a seu camareiro: “Não sentes minha desdita? A Igreja de Deus está aberta até para os escravos e mendigos; porém, para o Imperador está fechada e com ela a porta do Céu, pois Cristo disse: ‘O que atares na terra será atado no Céu'”. Decidido a obter o perdão de Deus, dirigiu-se à igreja, onde o esperava Santo Ambrósio, de pé no alto da escadaria. – Aqui estou, livra-me do meu pecado – rogou. – Onde está tua penitência? – perguntou o Santo. – Suplico-te que me livres desta pena, em consideração da clemência de nossa Mãe a Igreja. Não me feches a porta, dize-me o que hei de fazer. A decisão de Ambrósio mostra o incansável esforço da Santa Igreja para abrandar os costumes pagãos. Exigiu de Teodósio a promulgação de uma lei determinando que as sentenças de morte e de confisco não seriam executadas antes de 30 dias, e deveriam ser reapresentadas ao Imperador para sua confirmação. Teodósio fez escrever e assinou imediatamente o decreto. Ato contínuo, recebeu a absolvição. “Agradavam-lhe mais as repreensões que as adulações” Despojando-se dos ornamentos imperiais, Teodósio entrou na igreja e, prostrado no chão, recitou o salmo de Davi: “Minha alma está atada à terra; dai-me, Senhor, a vida, segundo a vossa palavra!” Assim orando, arrancava os cabelos, inundava de lágrimas o pavimento e implorava, cheio de dor: “Misericórdia, ó Senhor, misericórdia!” A cena não podia ser mais grandiosa. Diante de tanta humildade, o povo suplicava e chorava com o Imperador. Cinco anos depois, chegado o momento de comparecer perante o Tribunal de Deus, Teodósio clamou pela presença de seu amigo Ambrósio, de cujas mãos recebeu os últimos Sacramentos antes de falecer. Em sua célebre oração fúnebre, testemunhou o santo Bispo a respeito dele: “Eu amava este varão, porque lhe agradavam mais as repreensões que as adulações. Como Imperador, não se envergonhou da penitência pública, e depois chorou seu pecado todos os dias que lhe restaram”. http://www.ricardocosta.com/artigo/genese-da-monarquia-no-ocidente

  • SÃO DOMINGO DE GUSMÃO

    São Domingos de Gusmão nasceu em Caleruega, em Castela, a Velha (Espanha), em 24 de junho de 1170. Seus pais, de ilustre nascimento, foram Félix de Gusmão e Joana de Aza, que deram origem a uma família de santos. Além de Domingos, os dois outros filhos do casal morreram em odor de santidade. O primeiro foi Antônio de Gusmão, sacerdote que, distribuindo todos seus bens aos pobres, retirou-se a um hospital para servir Nosso Senhor Jesus Cristo em seus membros sofredores. Manes, o segundo, entrou depois para a Ordem dominicana, tornando-se grande pregador e exemplar religioso. Foi beatificado, juntamente com sua mãe, por Gregório XVI. Não admira que, numa tal família, o menino Domingos se sentisse atraído para a virtude desde o berço. Conta a tradição que, antes de ele nascer, sua mãe fez uma novena no santuário de São Domingos de Silos, e que no sétimo dia, o santo abade apareceu-lhe rodeado de glória, para anunciar-lhe que o filho que trazia no ventre seria a luz do mundo e a consolação de toda a Igreja. Pouco depois ela viu em sonhos que dava à luz um pequeno que tinha uma tocha na boca e com ela começou a incendiar o mundo. Maturidade precoce, exemplo de virtude. Diz-se que o pequeno Domingos, tão sério e maduro, era já dotado da sabedoria dos anciãos. Ele foi sempre modesto, recolhido, humilde, devoto, temperante e obediente. Aos sete anos foi aprender as primeiras letras com seu tio, arcipreste em Gumiel d’Yzan, e aos catorze ingressou na universidade de Castela, em Palência. Durante 10 anos brilhou nos bancos escolares e deu exemplo de virtude. “As verdades que compreendia graças à facilidade de seu espírito — diz seu primeiro biógrafo — regava-as com o orvalho dos afetos piedosos, a fim de que germinassem os frutos da salvação. Sua memória se enchia, como um silo, da abundância das riquezas divinas, e suas ações exprimiam no exterior o tesouro sagrado que enchia seu peito”.(1) Os pobres, órfãos e viúvas encontravam nele um amparo e auxílio. Os sacerdotes que tinham dificuldades sobre a teologia, casos de consciência ou dúvida sobre pontos da Escritura acorriam às suas luzes. Nessa época ele dava lições públicas de Sagrada Escritura na Universidade de Palência. Dedicação heróica à salvação das almas O bispo de Osma, tendo conseguido reformar sua diocese, induziu os cônegos da catedral a viverem em comunidade, observando a regra de Santo Agostinho. Obteve que Domingos fosse para aquela cidade e vestisse o hábito de cônego regular. Pouco depois ele foi nomeado vice-prior dos cônegos, que era o mais alto posto, visto que o de prior o bispo acumulava com seu cargo episcopal. Domingos passou nove anos numa vida de contemplação e de união com Deus como cônego regular, dificilmente ultrapassando os limites da casa canonical. Entretanto, ele estremecia ao saber que tantos se perdiam por falta de pregadores e implorava a Nosso Senhor Jesus Cristo que lhe proporcionasse um meio de consagrar-se por inteiro à salvação das almas. Eis que ele é ouvido inopinadamente. “Tinha já trinta e três anos. Sua formação física, intelectual e moral estava terminada. Sem dar-se conta, Deus tinha ido temperando sua natureza heróica com um caráter essencialmente combativo. Tem uma ampla educação eclesiástica e universitária; a cátedra deu solidez a seus conhecimentos; a vida regular do cabido o iniciou nas vias da perfeição religiosa, e seu cargo à frente dos cônegos abriu-lhe as perspectivas da administração temporal e do regime das almas”. Estava ele pronto para a grande odisséia espiritual de sua vida. A heresia albigense incentivou seu zelo apostólico Nossa Senhora guia São Domingos à vitória contra os albigenses . No ano 1203 o Rei de Castela, Afonso VIII, pediu ao novo bispo de Osma, D. Diego de Acevedo, que fosse à corte da Dinamarca para negociar o casamento de um dos filhos do rei com uma princesa daquela terra, cuja formosura tinha sido celebrada na corte pelos trovadores. Com ele iria Domingos de Gusmão. Era um longo caminho. Tinham que atravessar os Pireneus e entrar no sul da França. Passaram por Toulouse, que era a capital dos hereges cátaros, uma seita maniqueísta que estava fazendo muitos prosélitos, inclusive atraindo os condes de Toulouse. A vista dessa região devastada pela heresia impressionou sensivelmente os dois viajantes. Como diz um dos biógrafos de Domingos, ele sentia o cheiro dos inimigos da Fé, como Santa Catarina de Siena sentia o dos pecadores. Foi aí que Domingos deu-se conta da necessidade de uma congregação de pregadores apostólicos para se opor às heresias. Continuaram sua viagem, mas foi esta do ponto de vista humano infrutífera, pois a princesa de quem iam pedir a mão falecera pouco antes. Os dois apóstolos ouviram falar então de umas tribos selvagens na Alemanha, que até então ninguém tinha conseguido evangelizar. Tomaram a resolução de ir a Roma pedir ao Sumo Pontífice permissão para ir evangelizar aqueles povos, o que incluía a resignação de D. Acevedo ao episcopado. Mas Inocêncio III, que conhecia os méritos do bispo, e que julgava muito mais importante para a Igreja, no momento, combater a seita dos cátaros, não aceitou a resignação e apenas permitiu ao bispo que dedicasse dois anos à conversão dos cátaros antes de voltar à sua diocese. Juntaram-se eles a alguns monges de Cister, que já estavam pregando entre os hereges, e se entregaram à difícil tarefa de reconduzir a Deus almas extraviadas pela perniciosa heresia. Durante a pregação, estupendos milagres Muitos milagres marcaram a evangelização de São Domingos de Gusmão entre os cátaros. Um dos mais famosos ocorreu em Fangeux, na diocese de Carcassona. Os líderes cátaros apareceram em grande número, trazendo o livro que continha todas suas heresias. São Domingos levava um caderno no qual havia refutado a maioria desses erros. Como não chegavam a nenhum acordo, decidiram apelar para a prova do fogo. O escrito que permanecesse incólume numa fogueira seria o verdadeiro. Fizeram uma grande fogueira e nela jogaram o livro dos cátaros. Pouco depois estava este reduzido a cinzas. Lançaram então ao fogo o escrito de Domingos. Este voou ao ar sem se queimar e foi pousar numa viga do teto, onde deixou uma marca de fogo. Por três vezes os hereges repetiram o ato, com o mesmo resultado. Mas nem mesmo esse milagre converteu aqueles corações empedernidos. Santo Rosário: antídoto eficaz contra a heresia Em 1207, em Prouille, São Domingos preocupou-se com a sorte de várias donzelas que seus pais não podiam sustentar, por causa da carestia que assolava a região, e reuniu-as no primeiro mosteiro dominicano da Ordem Segunda, a das monjas. Narram alguns dos biógrafos do Santo que foi na capela desse convento que Nossa Senhora apareceu a São Domingos e lhe disse que, “como a saudação angélica tinha sido o princípio da redenção do mundo, era necessário também que essa saudação fosse o princípio da conversão dos hereges; que assim, pregando o Rosário que contém cento e cinqüenta Ave Marias, ele veria um sucesso maravilhoso em seus trabalhos e os mais empedernidos sectários se converterem aos milhares”.(3) A santidade de Domingos, seu rigoroso ascetismo, seu zelo inflamado, sua inalterável doçura, sua convincente eloqüência, começaram a produzir frutos esplêndidos. Muitas conversões se operaram, e em torno dele foi se juntando um grupo de jovens para receber sua direção e imitar seu exemplo. Esse foi o núcleo inicial do que seria depois a Ordem dos Predicadores ou Dominicanos. Ordem dominicana: pregadores-cavaleiros de Cristo São Domingos tinha 45 anos, em 1215, quando reuniu os seis primeiros discípulos em uma casa de Toulouse e lhes deu o hábito branco com a capa e capuz de lã negra dos cônegos regulares de Osma, que ele continuava vestindo. Entre estes seis primeiros estava seu irmão, o Beato Manes. Deviam formar eles um corpo de homens sábios, pobres e austeros, sendo que a ciência e a piedade deveriam ser os traços essenciais desses cavaleiros de Cristo. O trabalho manual ficava suprimido, o estudo prolongado, a oração litúrgica diminuída e os exercícios de penitência subordinados às exigências da pregação. São Domingos queria que seus discípulos fundassem casas nas principais cidades universitárias da Europa, a fim de atrair a juventude acadêmica para suas fileiras. Inocêncio III concedeu sua primeira aprovação à Ordem nascente em 1215 e propôs no Concílio de Latrão, a todas as igrejas, aquele programa de renovação cristã e vida apostólica. Seu sucessor, Honório III, foi um protetor e amigo de Domingos e seus discípulos. Encontro de dois santos exponenciais Numa das viagens de Domingos a Roma, encontrou-se por acaso com Francisco de Assis, que para lá tinha ido a fim de obter a aprovação de sua obra. Sem se conhecerem anteriormente, eles dirigiram-se um ao outro e abraçaram-se, enquanto dizia Domingos: “Somos companheiros e criados de um mesmo Senhor; os mesmos negócios tratamos; os mesmos são nossos intentos; caminhemos como se fôssemos um só, e não haverá força infernal que nos desbarate”. São Domingos de Gusmão faleceu aos 51 anos de idade, em 1221, e foi canonizado por Gregório IX em 1234.

  • SANTO ANTÔNIO E A MULA DO HEREGE

    Santo Antonio e a mula do Herege. Em todos os lugares por onde passava, Santo Antônio de Pádua era o flagelo dos hereges, em virtude do maravilhoso dom que possuía de refutar suas objeções e desmascarar suas calúnias contra a Fé Católica. Encontrando-se ele certo dia em Toulouse (França) para combater os erros dos inimigos da Santa Igreja, viu-se em luta contra um dos mais tenazes albigenses. A longa discussão acabou recaindo sobre o tema do augusto Sacramento da Eucaristia. Após grandes dificuldades, o defensor do erro ficou reduzido ao silêncio. Por fim, derrotado, mas não convertido, ele recorreu a um argumento extremo, desafiando o Santo: – Deixemos de palavras e vamos aos fatos. Se, por algum milagre, podeis provar diante de todo o povo que o corpo de Cristo está de fato presente na Hóstia consagrada, eu abjuro a heresia e me submeto ao jugo da Fé. – Aceito o desafio – replicou logo Santo Antonio, cheio de confiança na onipotência e na misericórdia do Divino Mestre. – Eis, pois, o que proponho: tenho em minha casa uma mula; depois de deixá-la fechada durante três dias sem qualquer alimento, eu a trarei para esta praça. Então, em presença de todos, oferecerei a ela uma abundante quantidade de aveia para comer. E vós lhe apresentareis isso que dizeis ser o corpo de Jesus Cristo. Se o animal faminto abandonar a comida a fim de correr para esse Deus que, segundo vossa doutrina, deve ser adorado por todas as criaturas, eu crerei de todo coração no ensinamento da Igreja Católica. No dia marcado, acorreu gente de todas as partes, enchendo a praça onde se realizaria a grande prova. Católicos e hereges, todos estavam numa expectativa fácil de imaginar. Perto dali, numa capela, Frei Antônio celebrava a Santa Missa com um fervor angelical. Chega então o albigense, puxando sua mula, enquanto um comparsa traz o alimento preferido do animal. Uma multidão de hereges o escolta, pressagiando sua vitória. – “Em nome e pelo poder de teu Criador, o qual, apesar de minha indignidade, aqui seguro realmente presente em minhas mãos, eu te ordeno, pobre animal: vem sem demora inclinar- te com humildade diante d’Ele. Devem os hereges reconhecer que toda criatura presta submissão a Jesus Cristo, Deus Criador, que o padre católico tem a honra de fazer descer sobre o altar!” Ao mesmo tempo, o albigense põe o monte de aveia debaixo da boca da mula esfomeada, incitando-a a comer. Oh, prodígio! Sem prestar qualquer atenção no alimento que lhe é oferecido, não escutando senão a voz de Frei Antônio, o animal se inclina ao ouvir o nome de Jesus Cristo e depois se prostra de joelhos diante do Sacramento de Vida, como para adorá-lo. À vista disto, os católicos explodem em manifestações de entusiasmo, enquanto os albigenses ficam esmagados de estupor e confusão. O dono da mula, porém, mantendo a palavra de honra dada a Santo Antônio, abjura a heresia e torna-se um fiel filho da Igreja. (P. Eugéne Couet, Miracles Historiques du Saint Sacrément, 3ª ed., pp. 170-172)

  • POLÊMICA CARPEAUX-CORÇÃO – 2ª parte

    MAURIAC E SEUS CRÍTICOS – Gustavo Corção Há alguns meses Otto Maria Carpeaux publicou no livro “Origens e Fins” um ensaio intitulado “Mauriac?”. O presente estudo pretende responder àquela interrogativa, procurando, ao mesmo tempo, organizar e arrumar o que o ensaísta deixou em erro e desordem ao longo de 13 páginas. Devo notar que nesse meio tempo esse autor tem sido atacado de um modo quase sempre injusto e mesquinho. De todos os desvãos literários surgiram libelos, ironias, sarcasmos e injúrias contra o mesmo Carpeaux que poucos meses atrás desfrutava confortavelmente as inalações dos incensos em que nossa crítica é por vezes desperdiçada. Agora tornou-se alvo dos pequeninos dardos de papel com que alguns publicistas cruzam nossos ares intelectuais. Geralmente esses ataques simultâneos têm lugar quando aparece algum autor que desagrade a todos com bravura; mas no caso presente eu penso que se passou justamente o contrário e que o sr. Otto Maria Carpeaux é atacado por todos os lados porque tentou agradar a todos os lados. E esse é o maior risco que corre um homem de letras. Na verdade, depois de ter lido com atenção o seu estudo sobre Mauriac, eu conclui que o mais feroz adversário de Otto Maria Carpeaux é o próprio Otto Maria Carpeaux. Ele mesmo começou a desintegração de sua própria substância, com um método que chama dialético, e não admira que apareçam mil indivíduos dispostos a ajudá-lo nessa tarefa. Devo declarar enfaticamente que nada tenho a ver com essa campanha e que não me apetece o fígado do infeliz ensaísta. O momento é mal escolhido para esse artigo, dado o risco da má companhia em que, por equívoco, me possam imaginar, com ressalva feita da companhia de Bernanos que considero altamente honrosa. O único problema que me interessa aqui é a “defesa da inteligência cristã”, servindo-me do título de um ótimo artigo publicado em número anterior desta revista por Alfredo Lage. Interessa-me defender um certo número de autores, não porque precisem de meu depoimento para aumento de renome, mas porque julgo sinceramente que nós precisamos do depoimento deles. O leitor permitir-me-á, espero, uma certa solenidade de tom para declarar que sou obrigado a essa atitude por um sentimento de responsabilidade. Essa é uma palavra bastante gasta; funciona freqüentemente sem que ocorra à mente que ela deriva de responder. Para nós esse verbo é extremamente grave porque sabemos perfeitamente que teremos que responder por cada artigo escrito e por cada palavra de cada artigo, não diante da história, vago personagem drapeado em pedra, mas diante de um Juiz. Nossa posição, por isso, não é muito cômoda, nem é grande o desembaraço de quem sabe que a palavra é a própria vida do espírito e partícula do Verbo eterno. A razão principal que hoje me obriga a analisar o trabalho do sr. Otto Maria Carpeaux está no fato de ser esse autor católico, se bem entendi sua declaração formulada de passagem nesse mesmo ensaio de Mauriac. Fossem outras as circunstâncias, outro o crítico, outro o criticado, não estivesse em jogo a nossa cultura, a nossa tradição, viesse aquele ensaio de outras penas irresponsáveis, pode crer o leitor d’ “A Ordem” que eu não perderia meu tempo e não tomaria o seu. * * * O sr. Otto Maria Carpeaux errou com uma abundância que dificulta materialmente a crítica. Hesitei se me demoraria sobre a obra de Mauriac; se me estenderia sobre o estranho juízo formulado sobre a casa e a família; se exigiria explicações sobre o que o autor entende por burguês; se pediria contas da idéia que faz do romance; se denunciaria o mal entendido que lançou sobre o Congregatio de Auxiliis Gratiae ou finalmente se advertiria esse escritor católico que não é bom fazer ironias com o sacramento da penitência. Cada um desses assuntos poderia se estender por muitas páginas; procurei não ser excessivo mas espero que a inevitável extensão deste estudo seja recebida pelo leitor como uma preocupação de acertar, e pelo sr. Otto Maria Carpeaux como uma homenagem. * * * Logo nas primeiras páginas do ensaio, depois de um gracejo que fere a unidade e, a meu ver, o bom gosto, pelo tom alto de indivíduo bem informado que tem pena de um “pobre amigo”, sai logo, incisivo e ditatorial, o primeiro decreto-lei do sr. Otto Maria Carpeaux sobre o grande romancista francês: “Mauriac é fascinante. Todos se sentem fascinados por ele, todos os leitores de romances, e sobretudo as senhoras que constituem entre eles, a maioria”. Mais adiante admite que Mauriac “é superior às construções mecanicamente regulares de Paul Bourget, para não falar nas misérias literárias de um H. Bordeaux”. Mas em seguida: “Mauriac é inquietante. É o romancista da inquietação. Inquieta ao mundo burguês dos seus romances e dos seus leitores…” E na penúltima página do malogrado estudo Mauriac é desprezivelmente chamado “sub-Bourget”. Aí temos uma contradição, banal sem dúvida, porque de altitude tirada de uma métrica literária por demais infantil, mas em todo o caso uma contradição. Entre fascinante e inquietante, se os adjetivos ainda valem alguma coisa, também existe incompatibilidade. Penso que o sr. Carpeaux descobriu, na sua freqüentação de idéias hegelianas, uma espécie de lógica baseada na contradição, e está convencido que é esse o único elemento capaz de pôr a pena de um ensaísta em movimento. Ele escreve como quem anda, mantendo entre os pés a estimulante rivalidade que parece contraditória. De fato alguém só pode andar se o seu pé direito ora se atrasa ora se adianta sobre o esquerdo. Se o pé direito é Bourget e o esquerdo é Mauriac compreende-se, pela dialética de caminhar, que em cada ocasião seja um deles mais avançado que o outro. Para quem anda, porém, a coisa mais importante é chegar. A marcha atinge a perfeição quando o caminhante chega: em casa por exemplo. Nos ensaios do sr. Otto Maria Carpeaux posso dizer sem injustiça que ele anda de um lado para outro, deleitando-se com esse exercício, e não tendo onde parar; e sobretudo não querendo voltar para casa. O sr. Otto Maria Carpeaux professa uma singular aversão por essa instituição antiga — a casa — e pretender incriminar Mauriac, o romancista, o francês, o católico, pelo vício de possuir uma casa de pedras. Das páginas 174 e 175 extraio a seguinte citação que esclarece o tom geral do estudo. Depois de uma distinção entre “lecteur” e “liseuse” tirada do Thibaudet, e usada meia dúzia de vezes a seguir para manter o tom alto de autoridade e suficiência, o sr. Otto Maria Carpeaux diz: “Mas eu não sou uma liseuse, sou um lecteur, e permitindo-me perguntar: Romancista católico? Romancista como Balzac, ou romancista como Bourget? Católico como Bloy, ou católico como Bordeaux? Romancista católico como o mendigo Bloy, como o exilado Bernanos? E já sei que Mauriac não é mendigo, é mais acadêmico; que não está exilado e sim na França onde, como ele escreveu recentemente “le fleuve français continue a courrir”, isto é a vida burguesa de Mauriac continua. Perguntando implacavelmente: — “Qual é a atitude do escritor?” — a atitude que define o valor — recebemos a resposta: “Mauriac é um bem-pensante”. “Mas é impossível! Como podem coexistir a inquietação e a atitude burguesa? A casa burguesa de Mauriac, onde rumoreja a inquietação jansenista, é a casa tradicional do romance francês: muito bem construída, com as pedras regulares da matemática cartesiana, como um quebra-cabeças que convidasse a desarmá-lo, a analisar a construção analítica (a) procura de um plano do edifício, isto é, da atitude do autor”. Ora, aí está. Temos aí nesse trecho uma singular desordem. Dir-se-ia um amontoado de erros que nem sequer estão inteiros, de erros em cacos. Peço ao leitor que não se detenha na qualidade do português, na redação canhestra e obscura. Otto Maria Carpeaux é estrangeiro: sejamos hospitaleiros em sintaxe, regência e estilo. Mas não podemos estender nossa complacência à falta de verdade e à agressão pessoal que parece ter raízes no ressentimento. Não fossem as razões já alegadas atrás, essa página seria suficiente para afastar o livro com enfado e reservar a crítica para melhor objeto. Prosseguindo, porém, devemos em primeiro lugar averiguar se o ensaísta quer tratar da obra de Mauriac ou de seus atos e de sua vida íntima; se quer fazer crítica literária ou julgamento moral. Começou falando do autor e agora fala numa “atitude que define o valor”. O que quer isso dizer? Se julga que a apreciação literária do valor dos romances precisa de uma polícia rigorosa dos passos do romancista, Otto Maria Carpeaux está se revelando moralista e recusando a objetividade da obra de arte. Se quer porém investigar sobre a vida de Mauriac procurando a proporção com a sua obra (o que só é legítimo dentro de uma extrema prudência) então deveria chamar testemunhas, deveria ouvir Charles Du Bos, por exemplo, em vez de ir passear diante da casa de família medindo-lhe a fachada e contando-lhe as pedras. “… perguntando implacavelmente: qual é a atitude do autor?” O sr. Otto Maria Carpeaux pergunta implacavelmente. Não sei se essa frase em outro idioma tem algum remoto equivalente de bom gosto. Por mim acho-a ridícula, mas reconheço que de certo modo harmoniza com aquela outra timpanosa tirada: “Sou um lecteur“. Está de acordo com o tom alto em que o artigo inteiro foi pendurado. Mas o que não harmoniza com coisa alguma é a misteriosa solução: “Recebemos a resposta”. De quem? Como? A quem perguntou e quem respondeu? De que lado? Com que vento veio essa enigmática mensagem? O leitor de Origens e Fins é intimado a crer, sob palavra, que a resposta veio, clara, definitiva, condenatória. Ora, eu creio que na verdade o sr. Otto Maria Carpeaux perguntou-se a si mesmo, e ouviu-se a si mesmo: se assim foi protesto contra a excessiva simplicidade desse tribunal. Ou então perguntou às paredes — da casa de família — e nesse caso certamente ouviu o eco da própria voz porque é desse modo elementar que as pedras costumam responder. Em uma análise superficial dos escritos de Otto Maria Carpeaux, parecera-me que havia excesso de citações, sobrecarga de documentações; um estudo mais atento entretanto revelou-me, ao contrário, que ele é extremamente econômico nessa matéria. Cita com abundância, é verdade, mas quase sempre lateralmente, de um modo divergente e profuso. Cita para criar diversões, para puxar uma linha sinuosa e envolvente, de modo a deixar o núcleo do assunto coberto de vegetações parasitárias. Sua documentação é centrifuga e vertiginosa. Vem o nome de Thibaudet para gerar uma frase; vem Maritain, vem Gide, para pequenos comentários reticentes e truncados; vem uma referência, com data, à Congregatio de Auxiliis Gratiae para uma extrapolação que daria um outro estudo mais gravemente errado que o atual, e desse desvio sai outro desvio, outro sub-comentário envolvendo Bernard Groethuysen. Fala em Kierkegaard, em Maurras, em Maurois e em Péguy (comparando este último ao “disciple de Bourget”!). Invoca céus e terra, a Igreja e o Demônio. Busca um aforisma em La Rochefoulcauld, lembra Racine, Pascal e arranca um parágrafo de Yves Goudon. Correndo as linhas por alto, encontro ainda aqui e ali Oscar Wilde, Sinclair Lewis, Balzac, Bloy e Bernanos. Pois bem leitor, esse autor tão nutrido de informações, no momento único de seu trabalho em que era indispensável perguntar e ouvir, contentou-se com a dialética dos ventríloquos. Perguntou-se e ouviu-se no ponto preciso em que tocava a pessoa de Maurriac, em que pretendeu julgar a posição moral do romancista francês. Se perguntasse, por exemplo, a Charles Du Bos, teria outra resposta porque esse admirável crítico consagrou um livro inteiro com páginas substanciais, honestas e profundas, a esse romancista que para o sr. Otto Maria Carpeaux é um mero sub-Bourget e um ridículo “bem-pensante”. Charles Du Bos conheceu Mauriac, e sobretudo leu-o; e creio poder afirmar que Du Bos não é também uma “liseuse”. Passemos a palavra a Du Bos, em “François Mauriac ou le problème du romancier catholique”, pg. 31 e seguintes: “Mais parler de Mauriac, c’est ipso facto, même quand on ne peut aborder le detail, parler de son oeuvre: entre les deux le lien est le plus etroi qui se puisse concevoir, etroit jusqu’à l’indissociable — fonction d’une sincerité dont en France, depuis de la mort de Rivière, je ne vois nulle part l’analogue. De Rivière, j’écrivais il y douze ans qu’il etait tout ensemble atteint et doué de sincerité, et la formule s’applique à Mauriac, et peut-être même devantage encontre, car il y a chez Mauriac cette sincerité qu’a propos de Byron j’ai denommée la plus radicale et la plus redoutable de toutes: la sincerité des humeurs. Toutes les formes de sincerité lui sont inées: la sincerité facile — mais d’une facilité qui chez lui ne fait qu’un avec la naturel même et qui par là desarme — et la sincerité difficile, côuteuse, méritoire, tributaire, elle, d’une lucidité sans cesse en eveil et poussée à la limite (…). Chez Mauriac la vertu de sincerité, ainsi que nos venons de la definir, et dans son acception la plus moderne, la plus contemporaine, coexiste avec la foi, une foi aussi sincère, aussi inée, aussi involontaire que la sincerité elle même, une foi qui, selon les periodes, et même, au sein dune même periode selon les jour, s’inscrit sur le thermomètre psychique aux degrès de temperature les plus variables, mais qui à travers tout, et, à certaines phases, en depit des souhaits de Mauriac lui-même, a toujours persisté; — et, au tornant que j’ai dejá appelé le tournant decisif, irreversible de son trajet, en un texte que est un chef-d’oeuvre d’acuité introspective, Mauriac nous dit: “C’est parce que vous y êtes né… Voilá mon drame. J’y suis né; je ne l’ai pas choisie; cette religio m’a été imposée dès ma naissance. Bien d’autres y sont nés aussi qui ont vite fait de s’en evader. Mais c’est que cette foi qui leur fût inoculée n’a pas pris sur eux. Por moi, j’appartiens à la race de ceux qui, nés dans le catholicisme, ont compris, à peine l’âge d’homme atteint, qu’ils ne porraient jamais plus s’en evader, qu’il ne leur appartenait pas d’en sortir, d’y rentrer.Ils etaient dedans, ils y sont, ils y demeureront à jamais. Ils sont inondés de lumière; ils savent que c’est vrai.” Estou certo que o leitor me será grato por essa longa citação que transborda o fim colimado de neutralizar as insinuações feitas contra Mauriac. Vale a pena contar o número de vezes que Du Bos emprega a palavra sinceridade, e vale a pena ler nessa mesma citação o que o próprio Mauriac escreveu naqueles dias difíceis (Dieu et Mammon) em que iria se converter “ao que já sabia”. Aí está um depoimento sobre a atitude de um escritor que o sr. Otto Maria Carpeaux levianamente tentou apresentar ao público fácil, como uma “bem-pensante”. Agora vejamos a “casa” onde “rumoreja (?) a inquietação jansenista” e que tem pedras regulares. O próprio Mauriac em Journal escreveu um artigo sobre essa casa, Malagar. E em Commencement d’un vie nos conta: “Ils ont été vivants, unis par cette tendresse, dans la triste maison dont le plus jeune de leur petit-fils a osé se servir pour y loger les personages de Genitrix”. E isso porque o romancista precisamente absolutamente para seus personagens de uma situação concreta, de ligações plásticas, mesmo nas páginas onde o cenário não fosse descrito. Precisava, para agüentar a tensão imaginativa, das paredes de Malagar, e desse fato (que menciona em Le Romancier et ses Personages) tira o sensibilizado escrúpulo em relação às sombras de seus mortos. Otto Maria Carpeaux, menos escrupuloso, vê através da fachada de pedras a inquietação jansenista, o burguesismo e o farisaísmo do “bem pensante”. E porque “casa burguesa”? Se é pelas pedras, lembrarei que a casa de Deus também repousa sobre uma pedra angular; se é pela abundância do pão e do vinho, então aquela casa de Caná tornou-se burguesa pela intercessão da Virgem Santíssima e pelo primeiro milagre de seu Filho. Permita-me o senhor Otto Maria Carpeaux neste tópico um bom conselho, que lhe dou num tom de autêntica superioridade porque não vem de mim esse direito, mas de coisas antigas como o senso comum, como a casa, como o pão e o vinho, para não falar enfaticamente em nome de um outro que justificará minha advertência: não torne a empenhar a casa e consequentemente o bolso e a mesa, nos seus ensaios e críticas literárias, para não acontecer que seja também julgado e que facilmente lhe perguntem que mal lhe fez Malagar, a casa hereditária, a pedra que o filho recebeu de seus pais; ou desconfiem que essa estabilidade e essa tradição lhe molestem algum ressentimento. E porque “burguesa”? O sr. Otto Maria Carpeaux abusa desse termo e acrescenta sua pequenina vergastada pouco convincente nesse Judas de convenção. Páginas adiante em seu trabalho larga de passagem esse truísmo indemonstrado: “o romance é um gênero bem burguês”. Que quer dizer isto? Nesse ponto me embaraço diante de um alternativa: ou me demoro no exame do conceito, ou faço uma exploração lateral sobre o direito de afirmar sem provas nas páginas de um ensaio. Como decididamente resolvi abrir mão do repouso, entrando na análise crítica de um ensaio que se oferece fácil e frouxo — a ponto de produzir uma diminuição do meu tônus e de me dar a impressão penosa de estar ralhando com um doente — irei até o fim, até onde, ao menos, julgue estar sendo útil ao leitor e ao próprio Otto Maria Carpeaux. Quanto ao direito de afirmar quero comunicar ao sr. Otto Maria Carpeaux algumas condições tecnicamente necessárias em um ensaio. A rigor a palavra puramente afirmativa só pode vir de Deus, ser por Ele revelada ou inspirada. Os apotegmas espirituais dos Santos Padres, nesse sentido, tinham uma vida própria e autêntica. Na fórmula simples e incisiva uma verdade inteira vivia germinalmente, pronta a fecundar almas e gerar vida. O “logion” apostólico era assim esse pólen pneumático que emprenhava pelos ouvidos uma geração de santos. Fora disso, as palavras humanas, para serem portadoras de vida nas inteligências precisam ter uma lógica que as nutra, que as reduza a coisas já sabidas, que às prendam ao chão do senso comum ou à linha da tradição. Cientificamente demonstra-se, filosoficamente raciocina-se; literariamente, explica-se, descreve-se, desenvolve-se, liga-se, justifica-se. Ou então, ainda, literariamente, no caso do poeta ou do humorista, valem também seus apotegmas desde que tenham poesia e humorismo, porque nesses casos a lógica, a verdade da coisa, está interiorizada, está dentro das palavras, estuante, esplendendo na superfície como beleza poética ou humorística. Chesterton ou Baudelaire poderão dizer uma frase sem que se tenha o direito de exigir desenvolvimento porque esse desenvolvimento já nos é dado de uma forma enovelada, tensa, em mola, sob as espécies do rio poético ou humorístico. O ensaísta (como o próprio Chesterton) freqüentemente passa da lógica para a superlógica poética ou humorística, e é nessa possibilidade riquíssima que se inscreve o valor de um ensaio. Se porém o autor não tem jeito para uma coisa ou outra, e se solta uma frase clara e simples, como um teorema sobre triângulos retângulos, então está obrigado a exibir seus documentos. Essa, creio-o firmemente, é uma das regras da arte. E como Otto Maria Carpeaux não demonstrou suas razões, fico pensando que ignora a regra ou então que escreveu aquela frase para o paladar especializado de dois ou três amigos iniciados em suas obscuridades. Afinal porque será o romance um gênero bem burguês? Se é porque procura testemunhar a vida humana tomada na sua singularidade, no personagem concreto considerado um por um, a censura do sr. Otto Maria Carpeaux cabe nos moldes desses publicitas que andaram a exigir de Lucio Cardoso um romance social. E se o sr. Otto Maria Carpeaux quiser apreciar a que medíocres conseqüências pode chegar seu infeliz truísmo esforce-se por ler até o fim algum artigo assinado por Clovis Ramalhete. Aí, se é na verdade um lecteur atento, o sr. Otto Maria Carpeaux verá que laminada chatice pode atingir um polígrafo infeliz a cavalo num sistema. E terá uma idéia aproximada dos seus próprios riscos. Se porém a classificação de Otto Maria Carpeaux é baseada em razões tiradas do historicismo, vista a concordância no tempo entre o desenvolvimento do romance e o triunfo da famosa classe detestada, então eu diria, com o mesmo rigor histórico, que o submarino é um veículo excessivamente burguês: Aliás eu  creio que já é tempo de deixarmos o burguês em paz: “Cet mot, qui sent l’argot d’atelier d’une lieu, devrait être supprimé du dictionnaire de la critique. Il n’y a plus de bourgeois, depuis que le bourgeouis (…) se sert lui-même de cette injure. En second lieu le bourgeois — puisque bourgeouis il y a — est forte respectable; car il faut plaire à ceux aux frais de qui l’on veut vivre”. Essas palavras são de Baudelaire e completaram um centenário inútil, porque o mesmo “argot d’atelier” continua a funcionar nas críticas como se fosse uma novidade de ontem. Eu mesmo devo me penitenciar a esse respeito, mas procurei sempre definir o burguês num sentido diferente da dialética marxista ou nietzchiana, como o tipo que tem uma filosofia da vida tirada das “pompas do mundo”. Mas de modo algum significa classe ou mentalidade avessa às belas artes. De modo algum, como católico, poderei dizer que alguém é burguês porque mora em casa de pedras cartesianas (aliás, porque cartesianas?) ou porque seja acadêmico. Mas estarei pronto, dentro de minha definição, a atirar o impropério em cima do antiburguês que para mim é apenas o burguês irritado contra seus iguais que atingiram sucesso e prestígio. * * * Antes de deixar esse assunto da casa de pedra quero assinalar a presença de um curioso leit motiv no malogrado estudo de Otto Maria Carpeaux. Chamá-lo-ia o motivo da “volta para casa”. Seria de esperar, sob a pena de um escritor católico, que esse motivo tivesse a largueza de um hino e a festividade de um aleluia, com repicar festivo de sinos em dias de festa. Mauriac, justamente Mauriac, não conheceu a alegria da conversão e nunca pôde cantar por sua própria conta o “felix culpa” do filho pródigo. Em página de grande beleza ele mesmo nos diz: “Il ne m’appartenait pas de perdre la foi (de la perdre pour la retrouver, comme c’ettait mon voeu secret). Je savais dejà que je ne sortirai jamais du catholicisme; il etait au dedans de moi. Où que je fusse, il y serrait aussi. Au lieu d’accepter cette grâce, comme une grace, de quel oeil d’envie je me souviens d’avoir contemplé, un matin, à la chapelle des Bénédictines, Ernest Psichari! Maritain, Psichari, élus pour qui le christianisme avait été un choix, qui l’avaient contemplé du dehors, qui en avaient fait le tour et mesuré les proportions exactes, et repéré la place par rapport aux autres religions. Pour moi quin’en etais jamais sorti, sans cesse je passais d’un extrême à l’autre; tantôt m’imaginant que le christianisme etait l’unique préocupation du monde et tantôt persuadé que je vivais prisionnier d’une petite secte méditerranéene”. Mauriac não conheceu aquela alegria: “Quando ele ainda estava longe, seu pai o viu; e tocado de compaixão, correu ao seu encontro, atirou-se ao seu pescoço, e cobriu-o de beijos”. (Lc 15,20). Mauriac estava nos campos, e quando voltou “ouviu a música e os coros” e ficou com ciúmes do irmão (de Psichari, de Maritain) para quem o pai misericordioso matava o bezerro gordo! Pois bem, leitor, justamente essa alegria, que Mauriac não conheceu, porque sua conversão foi como a obediência do filho mais velho, a participação na festa para o pródigo, é tomada no malogrado estudo de Otto Maria Carpeaux, no plano da vida de família, como um desprezível reacionarismo. A “volta para casa”, cujo eminente exemplo é a conversão, é em Otto Maria Carpeaux um leit-motiv de escárnios. Em vez de hinos ou repiques festivos, a volta “au sein de la famille” é feita com pizzicati, com síncopes, num ricanement indisfarçado. O leitor poderá se certificar, se quiser, no próprio livro do sr. Otto Maria Carpeaux, porque não tenho gosto de transcrever essas linhas. Bem sei que o sr. Carpeaux é um exilado e até ouvi dizer que pertence à raça peregrina de onde veio a Salvação. Imagino comovido que deve ser difícil para ele ver as fachadas das casas, as fachadas tranqüilas, as casas onde moram os gentios, a raça adotada, que não tem nas veias o mesmo sangue da Virgem Mãe, mas mereceu o Sangue de seu Filho. Contudo, não posso deixar de lhe atirar, publicamente e veementemente, o meu protesto contra seu infeliz trabalho que pretende solapar os alicerces já tão castigados da casa cristã, da casa em si mesma; da casa-casa; da casa de pedra; da casa antiga que veio de nossos pais. Mauriac não conheceu a alegria do convertido, mas conheceu a outra, essa de ter morado sempre na mesma casa e na mesma fé, essa alegria que não canta muito alta mas inunda todas as horas, a alegria que nós mesmos — muitos de nós nesses tempos em que todos têm medo de ser burgueses ou reacionários — perdemos há muitos anos. O mundo inteiro hoje foge de casa e produz “ricanements” literários, científicos, e filosóficos, sobre o senso comum, sobre a fé comum, sobre a tradição comum. E nesse sentido eu posso dizer de Otto Maria Carpeaux o que ele disse mal, sem jeito e sem verdade de Mauriac. É ele o adolescente mental, o fixado na idade ingrata, a quem repugnam a casa e o “sein de la famille”. * * * Relativamente à obra de Mauriac, Otto Maria Carpeaux faz reflexões que me levam a crer (reportando-me ao gracejo com que se empurrou para dentro do malogrado ensaio) que é ele quem confunde Mauriac com outros escritores. Diz por exemplo: “O moralista Mauriac escreve romances, e estes são mais divertis do que aqueles (refere-se, embora sem concordância, às cartas pastorais). Misturam agradavelmente a mística e a sexualidade, chegam a atribuir importância exagerada, quase exclusiva, à sexualidade, o que excita os aplausos dos interessados nesse exagero: as liseuses. Mas eu não sou uma liseuse, sou um lecteur“. E a seguir, como é uso em chicana, tira longas conseqüências para que o leitor, esmagado por elas, aceite as premissas. Mas essas são falsas e as conseqüências, como mostrarei a seguir, são duplamente falsas. Não corresponde a nenhuma realidade objetiva, na obra de Mauriac, e principalmente nos romances depois de Le Noeud de Vipères, aquela “excessiva sexualidade”. Quanto às liseuses devo dizer que não conheço uma só liseuse de Mauriac. Acontece que tentei introduzir Mauriac três ou quatro vezes entre leitoras de Pearl Buck e Sommerset Maughan, mas fui mal sucedido porque todas repeliram o autor de Le mystère Frontenac. Daria lugar a equívoco a leitura de Fleuve de Feu por exemplo, mas acho singular alguém escrever sobre um autor depois de ler um romance de mocidade, sabendo que depois daquele “tournant irreversible” a que se refere Du Bos estão Le Noeud de Vipères, Le Mystère de Frontenac, Les anges noirs, La fin de la nuit. E nessas obras duvido que um crítico tenha a coragem de subscrever as observações de Otto Maria Carpeaux. Já não quero me referir à conivência com o pecado de que tão bem fala Maritain e de que Mauriac, a partir de Ce qui était perdu, se liberta, tendo procedido aquela “purification de la source”; mas em particular à presença objetiva e excessiva da sexualidade nesses romances maiores de François Mauriac. Acontece, com esta ou aquela explicação, por tal ou qual motivo, que o pecado da carne está singularmente e extraordinariamente ausente nesses romances. Um crítica mais aguda, e sobretudo mais verdadeira do que a do sr. Otto Maria Carpeaux, poderia reclamar essa ausência e exigir um pouco menos de angelismo nos personagens de Mauriac. Veja-se por exemplo em Les anges noirs (e o nome do romance de certo modo explica e justifica) a anômala isenção do personagem principal, Gabriel Gradère, quer no fundo dos abismos, na maior degradação, guarda uma espécie de castidade inquietante. Nos maiores romances de Mauriac os personagens envelhecem, quase bruscamente, e o autor parece ter pressa de “ranger” as dificuldades dos espessos conflitos da carne, para se demorar nos problemas do espírito. Como em Le Noeud de Vipères e Le mystère Frontenac, o motor de Les anges noirs é o patrimônio da família, o apego à posse, o misterioso apego à sucessão do patrimônio que é mais do que concupiscência porque pretende vencer a própria morte. É até digno de nota que numa cena entre moços em Les anges noirs o autor não resiste e instala um prematuro par de óculos envelhecedores na pobre Catarina — que decididamente tinha pouca idade para vista cansada. “Ela parecia uma velha…” Os personagens excelentes, preferidos de Mauriac, são velhos. Sofreram a simplificação na carne, às vezes prematura, para que os conflitos sutis pudessem aparecer inteiramente desabrochados. Isso constitui quase uma especialidade em Mauriac, e um crítico, com um pouco de má vontade, diria que isso constitui um defeito. Mas somente quem não leu esses romances com mediana atenção se arriscaria a dizer o que o sr. Otto Maria Carpeaux disse em seu malogrado ensaio. A obra de Mauriac já era conhecida entre nós antes da chegada do sr. Otto Maria Carpeaux e teria sido prudente da parte desse crítico, antes de iniciar seu estudo, procurar nos livros de autores brasileiros a confirmação de nosso nível de cultura. Saberia que Alceu Amoroso Lima (O Espírito e o Mundo) já nos disse, anos atrás, quem era François Mauriac. Nessas páginas, Alceu Amoroso Lima, embora sem o conhecimento pessoal do autor (suponho-o) apostou na sua sinceridade, empenhado nesse ato seu fino instinto de autêntico “lecteur”: “Mauriac (…) escreve um romance, não como tantos romancistas o fazem, por diletantismo, por amor ao êxito, por exploração do público, por facilidade de escrever ou para descrever tais e tais situações. Ele escreve um romance com a gravidade de um celebrante do oficio divino (…) É o tipo do romancista responsável que sente comprometido o seu próprio destino em tudo o que escreve (…) Mauriac é um só homem quando vive, como quando escreve”. Essas linhas foram escritas por Alceu Amoroso Lima antes da publicação do livro de Du Bos; é notável a perfeita coincidência, e mais notável ainda a acuidade do crítico brasileiro que, somente pela disciplina do espírito e pelo faro de grande “lecteur” viu levantar-se diante de si, viva e integra, a figura do proprietário de Malagar, desse Mauriac que anos depois um europeu nos quereria apresentar como um “bem pensante”. Recomendo ao sr. Otto Maria Carpeaux a leitura d’O Espírito e o Mundo, bem como dos cinco volumes de estudos de Tristão de Athayde, para ao menos ficar prevenido das coisas e dos autores que já conhecemos aqui no Brasil. É ainda em Alceu Amoroso Lima que encontramos a chave dos romances de Mauriac: “O sentido trágico de sua obra está justamente no eterno conflito entre as paixões efêmeras e os princípios imortais”. Essa é a chave de Mauriac, e o próprio romancista, no fim de Les anges noirs, deixa-a visível, mas é preciso ter olhos de verdadeiro crítico para ver o que está efetivamente escrito. Diz assim a referida passagem: “Elle oisait enfin contempler ce qui s’etait accompli de terrifiant, au long d’un demi-siècle, dans ce coin du monde, entre ces créatures éphémères, sous le regard éternel”. Os romances de Mauriac são isso, reduzidos ao seu último e mais nuclear elemento: um confronto do efêmero com o eterno, ou a dupla pressão desses dois polos sobre a pessoa humana. Nesse sentido pode-se dizer que o caráter de sua obra é eminentemente escatológico. O romance, cuja matéria é a pessoa humana, tem duas grandes alternativas quanto à tonalidade que escolhe: ou insiste na substância da pessoa humana, descendo do espírito à matéria, dos conflitos ao sensível, da alma ao rosto, à roupa, aos gestos, e afirmando ontologicamente a singularidade e a unicidade de cada personagem; ou insiste no caráter peregrinal e fugitivo da vida e no confronto quotidiano com o destino, com as últimas coisas. O romance não pode fazer abstração da carne humana para ficar somente com o campo de forças escatológicas, porque nesse caso as tormentas magnéticas desse campo não teriam nenhum sentido para nós que cremos na ressurreição da carne, e para todos os homens em geral que nas profundezas da alma não desejam outra coisa. Também não pode ficar com a carne como um sistema fechado onde todos os conflitos vêm de dentro segundo uma mecânica visceral. Em qualquer dessas amputações o romance falha porque trata de um objeto que não existe, ou pelo menos trata de uma abstração. Mas cada autor, segundo seus dons, prefere insistir em um ou outro aspecto do problema, e enquanto Balzac, por exemplo, é um romancista da substância humana, Mauriac o é do destino, mas no sentido cristão, isto é, da presença das últimas coisas nos quotidiano, na interpenetração do efêmero e do eterno. Por isso seus romances são nervosos, breves, arquejantes, taquicardíacos. Os personagens correm diante do tempo. Mauriac tem pressa, e agora compreendemos que tenha pressa de “ranger” o sexto mandamento para que o caráter escatológico de seus personagens tenha melhor transparência. Arrisca-se cair no angelismo, mas defende-se com maestria, e por descarnados que sejam seus personagens não são desencarnados. Vivem, palpitam, são figuras humanas um pouco crepusculares, mas nem por isso menos humanas. O efêmero e o eterno. Esse confronto toma freqüêntemente o aspecto de simbolismo e o autor chega a chamar de “ephemères” as figuras que entram e saem, que dançam num bar, diante do personagem que está esmagado por seu destino. Leia-se essa página em Desert de l’Amour: “C’était l’heure oú dejà le flot se retire: mais les habitués du petit bar demeuraient qui, en même temps que leur vestiaire, s’etaient débarrassés de leur douleur quotidienne. Cette femme en rouge tournoyait de joie, le bras étendue comme des ailes, et l’homme la tenait par les hanches: qu’ils etait heureux, ces deux éphémères unis en plein vol! Su ses epoules énormes, un Americain avait une tête rase de petit garçon: attentif aux directions d’un diu interieur, il improvisait seul des pas, obscènes peut-être; et comme on applaudissait, il salua gauchement avec un sourire d’enfant heureux”. O “éphémère” para Mauriac é também quase sempre o personagem de Paris, da rua, do bar; o eterno é Malagar. O eterno ele o encontra na casa, na província; na casa da província. A importância da “casa de pedras” na obra de Mauriac pode ser comparada à importância de Combray na outra de Proust, que, segundo E. Curtius, é o próprio centro de gravidade d’À la recherche du temps perdu. Malagar e Combray, ambos, são a eternidade enraizada na infância. E num certo sentido, ao menos, acima da realização puramente artística, a obra de Mauriac é maior porque afirma essa suprema realidade que é a presença quotidiana desse elemento de infância, da esperança, enquanto o genial Proust se esfalfa em procurar no sensível, no segredo, no mistério ocluso, na anamnese das coisas — flores, torres, cascas de árvores — a lembrança de um Combray perdido, de uma promessa que ouvira, que era o próprio Reino de Deus. E por isso eu direi que Mauriac, esse sombrio romancista de personagens taciturnos que deslizam num crepúsculo fugaz, esse romancista pouco amável que as senhoras rejeitam, pode perfeitamente teologalmente merecer o título de romancista da Esperança. * * * Esse é Mauriac. Já o sr. Otto Maria Carpeaux está em condições de informa aquele seu “pobre amigo”, infeliz Ekerman que se presta complacente às suas lições. Mande-lhe dizer isto; recomende-lhe Du Bos; Ramon Fernandes; Maritain. E até, para que esse amigo fique sabendo um pouco do Brasil, transcreva-lhe o capítulo inteiro de Alceu Amoroso Lima. Porque, em verdade, creio que esse pobre amigo, depois de ter ouvido o sr. Otto Maria Carpeaux saberá menos do que nunca quem é François Mauriac. * * * Conforme disse atrás, Otto Maria Carpeaux tem afeição pelo método divergente. Gosta de desviar, de meter-se em pequenas explorações laterais. Sai do assunto a cada instante para pequenas digressões truncadas. Assim, depois de declarar que Mauriac sofre de obsessão sexual, continua: “Quero saber como ele resolveu literariamente o problema de pecado e graça. Literariamente, não teologicamente. Solução teológica não existe; em 1598, a discussão sobre a graça entre jesuítas e dominicanos foi proibida pelo Papa Clemente VIII, e a Congregatio de Auxiliis Gratiae, instituída para resolver o problema, foi dissolvida em 1607, sem haver pronunciado decisão. A conseqüência dessa indecisão foi o jansenismo, que passou aos olhos ortodoxos, por obra do demônio. E Mauriac…” O sr. Otto Maria Carpeux com essa citação deve produzir em certos meios uma impressão forte: lá estão datas, nome de Papa, e o título de uma instituição em latim. A verdade, porém, é que ele interpretou de modo lamentável o problema, e forte no erro, eriçado de equívocos e de confusões, investe novamente contra Mauriac. Ora, vale a pena analisar um pouco o que Otto Maria Carpeaux chama problema do pecado e da graça. Há muito mais problemas e muito mais dificuldades do que aquele autor imagina. o caso a que se refere é o da controvérsia em torno das teses apresentadas por Molina, e se a Igreja não se pronunciou de modo definitivo naquela controvérsia só se pode concluir que as teorias do teólogo espanhol não estavam em contradição evidente e próxima com as verdades dogmáticas de que a Igreja tem o depósito, relativas à questão de “auxiliis gratiae”. O assunto foi entregue à ciência teológica que se estende às conclusões mais ou menos remotas que a razão, iluminada pela fé, pode tirar da verdade revelada. É um erro colossal dizer que a abstenção de condenação significa ausência de uma solução dogmática sobre graça e pecado. Pode existir perfeitamente, num ponto avançado da ciência teológica, uma controvérsia que o estado dessa mesma ciência ainda seja incapaz de resolver, mas essa própria incapacidade se exprime em função da existência de uma solução dogmática e todo esforço científico consiste em procurar qual das teorias se opõe ao dogma. Nós mesmo, o sr. Carpeaux e eu, poderemos inventar duas proposições contrárias sem que os doutores da Igreja possam resolver cabalmente a disputa. Em Astronomia, por exemplo, eu poderia afirmar que Marte não tem habitantes e o sr. Carpeaux garantir que os tem. Se os institutos do mundo inteiro declararem que não podem no momento resolver o assunto, acho imprudente concluir que a Astronomia oficial nos autoriza a crer que Martes talvez não exista. A respeito do pecado e da graça os molinistas e tomistas só discutiram porque não duvidaram do depósito dogmático, isto é, porque ambos sabiam perfeitamente o que era o pecado e o que era a graça. Sabiam o essencial e o principal, o que não os impedia de procurarem desenvolvimentos científicos porque à inteligência humana apetece o crescimento. A prova da perfeita clareza dogmática foi dada pela Igreja nesse mesmo problema, quando condenou Pelágio, os Massilienses, chamados semi-Pelagianos, os Protestantes, e esses mesmos jansenistas de que tanto fala o articulista. O papa proibiu a disputa quando alguns tomistas classificaram o Molinismo de semi-pelagianismo não podendo provar essa afirmação de modo convincente. A questão entretanto não foi encerrada (como julga Otto Maria Carpeaux) mas entregue à ciência. Em trabalhos muitos atuais Garrigou-Lagrange (Dieu, son existence, et sa nature) trata desse assunto e não se sente absolutamente proibido de apontar os erros de Molina. Quando se conseguir uma evidência de que Molina está em contradição com o dogma, então a Igreja condenará oficialmente as suas teses, mas enquanto essa evidência não for razoavelmente atingida a controvérsia pode continuar, cientificamente, embora desde já a Igreja tenha dado todos os sinais de predileção pelas doutrinas de Santo Tomás. O que o autor de Origens e Fins chamou de indecisão da Igreja é na realidade a afirmação da liberdade da inteligência e essa liberdade, de fato, só existe porque existem os dogmas. A ausência total de uma dogmática verdadeira ou inventada, não daria nenhuma liberdade, admitida um momento a hipótese de sua possibilidade na vida humana, mas sim a indeterminação que consiste justamente na pulverização das capacidades humanas e na disseminação atomizada de nossa substância. Há muita gente que não sabe mais distinguir entre os dois conceitos e julga que eu me tornarei mais livre se deixar de ser, de um modo qualquer, eu mesmo. Nesse sentido, e a título de exemplo, eu poderia dizer que o casamento aumenta a liberdade e que o divórcio aumenta a indeterminação e por isso fere a própria unidade da pessoa. A mulher divorciada não o está somente do homem que não pôde suportar (ou que não a pôde suportar) mas principalmente divorciada de si mesma, com a sua unidade em crise, com a sua pessoa cortada, com a sua substância dividida. Nesse mesmo sentido a clausura monástica é também uma alta afirmação de liberdade com raízes fincadas na unidade do espírito. Se o sr. Carpeaux gosta de situações tensas eu lhe direi que a nossa fé é rica em paradoxos, mas honestamente devo advertir que ela não tolera a contradição. Nossos paradoxos não são nossos (como por exemplo os paradoxos de Chesterton são os de seus adversários) mas resultam da consciência que temos da ambivalência do mundo. E o maior paradoxo, (tomando o sentido moderno do termo) nós o realizamos, dentro de nossas fracas medidas, carregando a cruz com alegria. Realmente, insistindo na questão da liberdade, ela repousa sobre a unidade e a integralidade do objeto que se quer livre, e isso, para as filosofias de emergências é às vezes apontado como uma coerção. Assim eu diria segundo uma dessas filosofias que meu esqueleto exerce uma insuportável tirania sobre a coletividade de vísceras porque, de certo modo, se opõe ao divórcio dessas vísceras. A Igreja também é apontada como mãe sufocante (e o próprio Otto Maria Carpeaux atribui a Mauriac esse pensamento no infeliz comentário que fez de Genitrix) porque deseja que realizemos o esplendor do nosso Modelo, isto é, que sejamos inteiros e livres. A esse respeito convém lembrar que mais de uma vez as Sagradas Escrituras mostram esse problema da dupla maternidade que disputa o homem. As duas mulheres diante de Salomão reclamavam o mesmo filho, mas a mãe verdadeira consentia na separação mas não na divisão. A maternidade devorante, que repete no útero as forças telúricas, não consente na separação e por isso acho bastante divertida a classificação de “excesso de amor” atribuída a essas psicoses pelo sr. Otto Maria Carpeaux. Como se nós pudéssemos de algum modo exceder o amor! Voltando ao assunto do pecado e da graça, se o sr. Carpeaux se interessa realmente por ele e não o considerou apenas como um adorno de erudição (aliás negativo), deixo-lhe aqui algumas indicações: Suma Teológica, Ia. q.q. 23-24 sobre a predestinação. Sobre a eficácia da graça e liberdade humana, Suma Teológica, Ia-IIae, q. 109-114, sobre a ciência de Deus, q. 14-15 especialmente q. 14 art. 13 (ciência dos problemas contingentes). Para a questão molinista pode ver Garrigou-Lagrange no trabalho acima citado. Quanto à solução do problema que o sr. Otto Maria Carpeaux reclama, é preciso investigar o que entende ele com isso. Temos dogmas a respeito, sabemos pela fé e pela confiança na palavra de Deus o que é o pecado e o que é a Graça. Evidentemente qualquer pessoa é livre de se rir de nós, porque sofremos da incapacidade de resolver problemas do espírito com fórmulas tiradas da biologia ou da astronomia. Mas uma coisa vemos claramente a respeito daquela solução: onde ir buscá-la praticamente e vitalmente. O mais simples dos fiéis, sem consultar enciclopédias como o sr. Otto Maria Carpeaux e mesmo sem estudar Suma Teológica como lhe recomendei, sabe como resolver esse problema e sabendo-o, estará em condições de aconselhar melhor do que fiz. A solução está justamente naquele confessionário que tanto parece intrigar o autor de Origens e Fins. Ele se refere à essa solução, o sacramento da penitência, com um tom deveras singular para um católico. Parece estar piscando o olho cada vez que fala no confessionário. Julga talvez que se passam coisas escabrosas e excitantes quando o pobre sujeito encabulado vai por nas mãos de Deus a infeliz e cinzenta monotonia de seus pecados. O sr. Carpeaux parece zombar dessa monotonia quando entra, sem cerimônia, nos pecados que atribui a Mauriac: “Mas quando o adolescente François voltou, de mãos postas, do banco de comunhão, viu já no primeiro assento da Igreja, a jovem, inacessível e inviolável como todas da sua burguesia provinciana; sonhou com elas, os sonhos mais solitários e mais perversos de um adolescente, e fugiu, enfim, para os braços das belas pecadoras, que são tão misericordiosas e tornam necessária outra confissão contrita, para se conseguir, outra vez, a graça no banco da comunhão. E assim in infinitum”. Mais adiante diz: “A inquietação dos seus romances é fruto das horas inquietas do adolescente no confessionário”. E depois: “Continuou filho fiel do seu confessor, tornou-se, enfim, o próprio confessor das suas leitoras…” E ainda: “Desejou, com o ardor mais febril dos adolescentes tentados, a estabilidade no seio da sociedade burguesa, no seio da família burguesa, onde ao filho pródigo está sempre assegurado o perdão da mãe e, após ligeiras dificuldades, o perdão do confessor”. Por essas amostras o leitor já vê o que pensa esse contraditório escritor sobre o sacramento da penitência. Não me compete avaliar a gravidade de sua imprudência, mais insisto num ponto: o autor numa página diz que a Igreja não achou a solução e na página seguinte dá a entender que não gosta da aplicação prática e sacramental, isto é, que não gosta da solução da Igreja. * * * Ignoro como Otto Maria Carpeaux receberá esse estudo que ofereço aos leitores d’ A Ordem e a ele próprio. Mas é fácil prever como ele responderia a acusação de ter caluniado e diminuído Mauriac, porque na página 180 diz por exemplo: “A sinceridade humana e a sinceridade literária de Mauriac, ambos fora de dúvida… E adiante: “Contudo, Mauriac é um excelente romancista”. O método contraditório que o sr. Carpeaux enfeita com o nome de dialética, presta-se a tudo. Fica o dito por não dito, mas escreveu-se um capítulo. Como porém a natureza humana, por vezes, guarda melhor as censuras que as lisonjas (quando se trata do próximo) acho esse método perfeitamente detestável e profundamente contrário ao testemunho da verdade. E por isso entrego aqui essas páginas à reflexão do sr. Otto Maria Carpeaux. (In Revista A Ordem, abril-maio de 1944)

  • Jesus, o maior filósofo que já existiu – Peter Kreeft

    Jesus, um filósofo? Claro, porque não? Se filosofia é o amor pela sabedoria, consequentemente pela verdade, e sendo Cristo é a própria verdade, quem melhor do que ele para nos elucidar as maiores questões que a humanidade já se perguntou? Falar de Jesus como filósofo pode parecer estranho, sabemos que ele fez milagres, ensinou aos seus discípulos, anunciou a salvação a judeus e gentios. Mas filosofia? O que será que Jesus pode nos falar sobre metafísica, epistemologia, ética e lógica? Nesse curto porém envolvente livro, o autor Peter Kreeft aborda os grandes assuntos da filosofia pela ótica cristocêntrica. Com um texto leve, mas sem perder a maestria, o livro nos conduz por questões cruciais sobre a existência, o conhecimento da realidade, valores morais e éticos. Jesus nos oferece respostas as grandes questões de uma maneira simples e direta, sem prescindir de um raciocínio rigoroso e bem fundamentado. Em Jesus, o maior filósofo que já existiu, Peter Kreeft nos faz perceber que a figura mais importante da humanidade não somente contribuiu para a filosofia, mas também realizou a maior revolução já vista na história do pensamento, dando-nos respostas seguras às questões mais importantes de nossas vidas. Aproveite a promoção da Amazon e adquira o seu: http://amzn.to/2GAIYmx Ramon Serrano [ O CAMINHO ]

  • Surpreendido pelo sentido – Alister McGrath

    Numa era turbulenta, onde as pessoas são engolidas por uma avalanche de informações, onde a correria do cotidiano impede a boa reflexão e a contemplação da verdade, ficamos cada vez mais cegos e perdemos o contato com o verdadeiro sentido da vida. Nesse livro, um dos melhores escritores cristãos da atualidade, o teólogo e cientista Alister McGrath escreve um sucinto guia  em linguagem acessível e agradável ao leigo para ajudar os cristãos a fazer sentido das coisas conforme elas contemplam o lugar da ciência e da religião no mundo. Ele te levará a enxergar o quadro completo, fugindo da superficialidade materialista, mostrando que inclusive a ciência aponta para uma causa transcendental. O anseio do coração humano por “algo a mais”, é explicado como nosso desejo que se conectar com o divino, com nosso criador. McGrath rechaça as explicações ateístas e demonstra que a visão de mundo cristã é a única que consegue perfeitamente explicar a realidade e os anseios do homem. Se você se pergunta, como fazer sentido do mundo que nos rodeia? A crença na ciência e na fé cristã são compatíveis? A estrutura do universo aponta para a existência de Deus? McGrath ajuda os leitores a ver que a ciência não é um anátema para a fé nem suplanta a fé. Tanto a ciência quanto a fé ajudam a dominar o desejo humano de fazer sentido das coisas. A fé é complexa. Ela não é um salto cego no escuro, mas uma jubilosa descoberta de uma imagem mais abrangente das coisas maravilhosas das quais todos nós fazemos parte. Vale lembrar, que o Alister McGrath é um grande cientista formado em Oxford e grande estudioso do pensamento de C.S Lewis, então quem gosta do diálogo entre ciência e fé e uma boa dose de citações de C.S Lewis, irá gostar muito desse livro. Compre o livro aqui: http://amzn.to/2gXpErJ Ramon Serrano [ O CAMINHO ]

  • A deslealdade suprema para com Deus é a heresia

    É o pecado dos pecados, a mais repugnante das coisas que Deus reprova neste mundo enfermo. No entanto, quão pouco entendemos de sua odiosidade excessiva! É a poluição da verdade de Deus, o que é a pior de todas as impurezas.  Porém, como somos quase indiferentes a ela! Nós a fitamos e permanecemos calmos. Encostamos nela e não trememos. Misturamo-nos com seus fautores e não temos medo. Nós a vemos tocar as coisas santas e não percebemos o sacrilégio. Inalamos seu odor e não mostramos qualquer sinal de detestação ou desgosto. Alguns de nós afetamos ter sua amizade; e alguns até buscam atenuar as culpas dela. Nós não amamos a Deus o bastante para termos raiva pela glória d’Ele.  Não amamos os homens o bastante para sermos caridosamente sinceros pelas almas deles. Tendo perdido o tato, o paladar, a visão e todos os sentidos das coisas celestiais, somos capazes de armar tenda no meio dessa praga odienta, em tranqüilidade imperturbável, reconciliados com sua repulsividade, e não sem declarações em que nos gabamos de admiração liberal, talvez até com uma demonstração solícita de simpatias tolerantes [por seus fautores]. Por que estamos tão, tão abaixo dos santos antigos, e mesmo dos apóstolos modernos destes últimos tempos, na abundância de nossas conversões? Porque não temos a antiga firmeza! Falta-nos o velho espírito da Igreja, o velho gênio eclesiástico.  Nossa caridade é insincera, pois não é severa; e não é persuasiva, pois é insincera. Carecemos de devoção pela verdade como verdade, como verdade de Deus. Nosso zelo pelas almas é débil, pois não temos zelo pela honra de Deus. Agimos como se Deus ficasse lisonjeado com conversões, ao invés de serem almas que tremem, resgatadas por um excesso de misericórdia. Dizemos aos homens meia-verdade, a metade que calha melhor à nossa própria pusilanimidade e aos preconceitos deles; e depois nos admiramos de tão poucos se converterem, e que, desses poucos, tantos apostatem. Somos tão fracos a ponto de nos surpreendermos de que nossa meia-verdade não teve tanto sucesso quanto a verdade inteira de Deus. Onde não há ódio à heresia, não há santidade.  Um homem, que poderia ser um apóstolo, torna-se uma úlcera na Igreja por falta de justa indignação.” (Pe. Frederick William FABER [1814-1863], The Precious Blood, or: The Price of Our Salvation [O Preciosíssimo Sangue, ou: o Preço de Nossa Salvação], 1860, pp. 314-316, tradução de Felipe Coelho).

  • A água benta

    Antes era muito comum o uso de água benta entre os católicos, depois a água benta ficou restrita apenas a alguns ambientes. Normalmente encontramos uma pia de água benta na porta das Igrejas, onde o fiel molha a ponta dos dedos e se benze fazendo o sinal da cruz. Também há o uso de água benta em algumas cerimônias da Igreja, como no início da Missa Tradicional: o padre anda na Igreja aspergindo água benta nos fieis, antes de começar a Santa Missa. Mas há fiéis que levam num vidrinho pequeno, água benta consigo. Aspergem-na discretamente no ambiente de trabalho, na escola, na faculdade, no carro novo que comprou, e até em si mesmos antes de fazerem algum exame, diante de uma provação, diante de uma dificuldade. É muito útil levar água benta consigo. No início do Cristianismo Santo Alexandre mandou usar o sal na bênção da água. Na lei de Moisés, aspergia-se o povo com água misturada com a cinza do bezerrinho vermelho que imolavam. Chama-se lustral esta água, que limpava o povo das imundícies. O que as cinzas eram na Lei de Moisés é o sal no Novo Testamento. O sal simboliza a sabedoria e a amargura da penitência. Antes de benzer a água, benze-se o sal. A água simboliza o batismo. Benzendo-se a água, o padre vai misturando o sal já bento e assim resulta-se na água benta. Efeitos espirituais da água benta: 1 – Afugenta todo o poder do demônio no lugar em que se joga a água benta; 2 – Nos dá forças contra os pecados mortais e veniais; 3 – Afugenta toda sombra, fantasia e astúcia diabólica; 4 – Tira as distrações na oração; 5 – Dispõe a alma, com a graça do Espírito Santo, à maior devoção. Efeitos corporais da água benta: 1 – Abundância nos bens temporais; 2 – Afasta as enfermidades; 3 – Afugenta os gafanhotos, ratos e outros animais daninhos e ares pestíferos. Fonte: Almas Castelos

  • Motu Proprio Praestantia Scripturae de Sua Santidade São Pio X  

    MOTU PROPRIO  DE NOSSO SANTÍSSIMO PADRE, PELA DIVINA PROVIDÊNCIA, PAPA PIO X, TRATANDO DAS DECISÕES DA COMISSÃO PONTIFÍCIA ENCARREGADA DO DESENVOLVIMENTO DOS ESTUDOS BÍBLICOS, ASSIM COMO DAS CENSURAS E PENAS DECRETADAS CONTRA OS TRANSGREDIREM AS PRESCRIÇÕES PUBLICADAS CONTRA OS ERROS DOS MODERNISTAS Nosso Predecessor, de imortal memória, Leão XIII, em sua encíclica Providentissimus Deus, publicada em 18 de Novembro de 1893, depois de ter mostrado a importância da Sagrada Escritura e de ter recomendado seu estudo, fixou as regras que deviam presidir um estudo sabiamente conduzido dos Livros sagrados. Ele proclamou a sua origem divina contra os erros e as calúnias dos racionalistas e ao mesmo tempo defendeu os livros divinos contra as opiniões desta falsa ciência, conhecida sob o nome de “alta crítica”: opiniões que, como escrevia muito sabiamente o mesmo Pontífice, não são manifestamente senão invenções do racionalismo penosamente retiradas da filologia e de ciências similares. Para conjurar o perigo que a difusão das idéias temerárias e errôneas tornava cada dia mais ameaçador, esse Nosso mesmo predecessor, pela Carta Apostólica Vigilantiæ studiique memores, de 30 de Outubro de 1902, instituiu um Conselho pontifício ou Comissão bíblica, composta por um certo número de Cardeais da Santa Igreja Romana, ilustres por sua  doutrina e por sua prudência, aos quais foram associados, a título de consultores, um grande número de eclesiásticos escolhidos entre os sábios teólogos e biblistas de diferentes países e representando os métodos e opiniões exegéticas de diversos matizes. Com efeito, o Pontífice tinha em vista uma vantagem muito científica e apropriada ao tempo presente: ele queria que na Comissão se pudesse propor,explicar e discutir com toda liberdade as opiniões as mais diversas. Nos próprios termos desta Carta, os cardeais não se pronunciariam antes de tomado me consideração e pesado os argumentos pró e contra. Nada deveria ser negligenciado do que poderia colocar em plena luz o estado exato e verdadeiro das questões bíblicas propostas. Só depois destas várias etapas que de deveria submeter as conclusões à aprovação do Soberano Pontífice e em seguida publicá-las. Denzinger 2113 – Após longas deliberações sobre as matérias e após consultas diligentíssimas, a Pontifícia Comissão Bíblica emitiu felizmente algumas sentenças sumamente úteis para promover genuinamente os estudos bíblicos e dirigí-los por uma norma certa. Porém, vimos que não faltam, de modo algum, pessoas  que, levados além da medida em direção a opiniões e métodos manchados por  novidades perniciosas, e arrastados pelo cuidado exagerado de uma assim chamada liberdade – que, na realidade, não é senão uma licença sem freio muito prejudicial às ciências sagradas e cheias de graves perigos para a pureza da Fé,– não receberam e nem recebem com a devida obediência tais decisões supracitadas, por mais que tenham sido aprovadas pelo Sumo Pontífice. Por isso vemos que é preciso declararemandar, como com o presente o declaramos e expressamente mandamos, que todos, absolutamente,estão obrigados por dever de consciência asubmeter-se às setenças da Pontifícia Comissão Bíblica, quer as que já foram emitidas, quer as que doravente serão emitidas, do mesmo modo que aos Decretos das Sagradas Congregações referentes às questões doutrinárias e aprovadas pelo Sumo Pontífice; e não podem evitar a nota de desobediência e temeridade e, portanto, não estão livres de culpa grave todos aqueles que, por palavras ou por escrito, impugnem estas sentenças; isto à parte do escândalo com que desedificam, e tudo mais de que podem ser culpados diante de Deus, pelo que, sobre estas matérias, como costuma acontecer digam temerária e errôneamente. Denzinger 2214 – Além disso, com o fim de reprimir os espíritos cada vez mais audazes dos modernistas  que, com sofismas e artifícios de todo gênero, se empenham em tirar força e eficácia não só do decreto Lamentabili sane exitu  publicado, por Nossa ordem, no dia 08 de Julho do corrente ano, pela Santa  Romana e Universal Inquisição, como também a Nossa Carta EncíclicaPascendi Dominici gregis, datada de 8 de Setembro desse mesmo ano, – por Nossa Autoridade Apostólica, Nós reiteramos e confirmamos,  tanto o Decreto da Congregação da Sagrada Suprema Inquisição, como da dita Nossa Encíclica, acrescentando a pena de excomunhão contra os contraditores, e Nós declaramos e decretamos que, se alguém – o que Deus não permita – chegar a tanta audácia,  que defendesse qualquer das proposições, opiniões e doutrinas reprovadas em um ou outro dos documentos acima mencionados, fica, ipso facto, ferido pela censura decretada pelo capítulo Docentes, da Constituição Apostolicæ Sedis, que é a primeira das excomunhões latæ sententiæreservadassimplesmente ao Pontífice Romano. Esta excomunhão deve ser entendida como, sem suprimir as penas em que possam incorrer aqueles que faltem contra os citados documentos, como propagadores e defensores de heresias, se alguma vez suas proposições, opiniões ou doutrinas são heréticas, coisa que acontece mais de uma vez com os inimigos desses dois documentos e, sobretudo, quando propugnam os erros dos modernistas, isto é, a reunião de todas as heresias. (Denziger, Nº 2113-14) Tomadas estas decisões, Nós recomendamos de novo com as mais vivas instâncias aos Ordinários das Dioceses e aos Superiores das Congregações Religiosas de exercerem a maior vigilância com relação aos professores, sobretudo em seus Seminários. Se encontrarem professores imbuídos dos erros modernistas, ávidos de novidades malsãs ou poucos dóceis às prescrições da Sé Apostólica, qualquer forme que elas tenham, que os proíbam de todo magistério, e que lhes recusem o próprio acesso às Ordens Sagradas aos jovens que forem objeto da menor suspeita de apego às doutrinas condenadas e às novidades perniciosas. Nós os exortamos ao mesmo tempo que vigiem sem descanso e com zelo os livros e outros escritos – cujo número crescem desmedidamente – que contém opiniões e tendências da mesma natureza do que aquelas que foram condenadas pela Encíclicas e pelo Decreto acima citados. Que eles vigiem para quelivros desapareçam das livrarias católicas, e, com muito maior razão, que eles os afastem das mãos dos estudantes e do clero. Se cumprirem com cuidado este dever, favorecerão a verdadeira e sólida formação dos espíritos, obra que deve ser o principal objeto da solicitude dos Superiores Religiosos. Queremos e ordenamos que todas estas prescrições sejam tidas como ratificadas e confirmadas por Nossa autoridade, não obstante todas determinações contrárias. Dado em Roma, junto a São Pedro, em 18 de Novembro do ano de 1907, o quinto de Nosso Pontificado. Pio X, Papa.

  • Os Concílios de Lyon

    O Primeiro Concílio. O Papa INOCÊNCIO IV convocou um Concílio Geral para se reunir em Lyon em junho de 1245. Inocêncio fugiu do Imperador FREDERICO II, que como Barbarossa estava empenhado em afirmar a supremacia imperial e tinha tomou muito do território papal, para não mencionar 100 prelados que foram capturados no caminho para um concílio romano em 1241. O imperador foi ordenado a aparecer em Lyon para poder defender-se da acusação de heresia. O Concílio abriu em 26 de junho e teve três sessões: 28 de junho, 5 de julho e 17 de julho de 1245. Na primeira sessão pública Inocente dirigiu-se a uma assembléia de três patriarcas, 140 bispos e vários religiosos e seculares, incluindo Balduíno II, o imperador latino de Constantinopla. O Papa falou sobre as “cinco chagas” da Igreja: os pecados do clero, a perda de Jerusalém, a ameaça grega ao IMPÉRIO LATINO DE CONSTANTINOPLA, os MONGÓIS (Tártaros) da Hungria, e especialmente a perseguição de Frederico (evidente pelo fato de que poucos bispos alemães ou sicilianos ousaram participar). Em 5 de julho, o embaixador de Frederico, Tadeu de Suëssa defendia habilmente o seu senhor, pedindo que ninguém seja condenado por heresia sem ser ouvido. Tadeu mal conseguiu refutar, no entanto, a acusação de violência de Frederico contra os bispos. Um recesso de 12 dias (até 17 de julho) foi permitido para Tadeu consultar o imperador. Inocêncio passou o intervalo entrevistando os bispos, permitindo mais tempo para a defesa do imperador. Quando Frederico não apareceu em 17 de julho, o papa revisou o caso e pronunciou a sentença de excomunhão e deposição; a maioria dos prelados assinaram o documento. MATEUS DE PARIS afirmou que os eleitores foram deixados livres para escolher um sucessor para Frederico, mas que o papa organizaria para a Sicília (da qual ele era suserano). Foram feitos planos para estarem prontos para os tártaros; impostos foram votados para ajudar a Terra Santa, bem como o Império Latino.Algumas das 22 constituições trataram da reforma judicial (aquelas contra usura e uso muito freqüente da excomunhão). O apelo de Tadeu a um futuro Concílio geral reuniu-se com uma repreensão do Papa Inocêncio.De fato, o Primeiro Concílio de Lyon foi aceito como ecumênico apenas na época de BELARMINO (1542-1621). O Segundo Concílio. O Papa GREGÓRIO X chamou o Segundo concílio de Lyon em 1274. Conflitos consideráveis acompanharam da extinção da linhagem dos Hohenstaufen, quando CARLOS de ANJOU tornou-se rei da Sicília. Quando o papa CLEMENTE IV morreu em 1268, os cardeais permitiram quaseTrês anos passarem antes que pudessem concordar com as eleiçõesde Teobaldo Visconti, que estava fora em uma cruzada em Acre. Ele retornou a Roma para ser ordenado e coroado,e manifestou grande zelo por uma cruzada, reunião e reforma. O Imperador MIGUEL VIII PALEÓLOGO, que retomou Constantinopla em 1261, saudou calorosamente os legados de Gregório X. Carlos de Anjou, no entanto, estava inclinado a uma restauração do Império Latino no Oriente. Parecia para Michael, que só o papa poderia controlar Carlos e que a união dos gregos com Roma era, portanto, vital para a segurança do Império grego. Ele escreveu submissamente para Gregório, mas, ao mesmo tempo, minimizou a questão da Reunião lidando com seus próprios clérigos. Em 7 de maio de 1274, Gregório escreveu a cerca de 200 prelados sobre os problemas da Terra Santa, da união com os gregos e as reformas, mas os gregos não chegaram até 24 de junho devido a um naufrágio. GERMÂNO II, o antigo patriarca de Constantinopla, o arcebispo de Nicéia, o chanceler e outros vieram no nome do imperador. Eles trouxeram uma carta dele dando suas opiniões e pretendendo representar a de 50 arcebispos e centenas de bispos. Na quarta sessão (6 de julho) a reunião foi formalmente efetuada, os representantes gregos não levantaram objeção ao FILIOQUE (definido na último sessão), PRIMAZIA papal, PURGATÓRIO, e os sete Sacramentos (ver H. Denzinger, Enchiridion symbolorum, ed. A. Schönmetzer [32d ed. Freiburg 1963] 850-61).  A carta de Miguel foi lida publicamente nesta sessão declarando a sua pleno aceitação da fé romana, primado e o resto, mas pediu que “a igreja grega seja autorizada a manter seu símbolo (credo) e seus próprios ritos. ” A atitude tolerante de Gregório foi apreciada pelo imperador, que estava convencido que ele poderia gradualmente superar a aversão de seu clero ao povo de Roma. O cardeal franciscano St. BOAVENTURA, líder em lidar com os gregos, morreu em 15 de julho. Cerca de quatro meses antes TOMÁS DE AQUINO tinha morrido no caminho para o concílio. Gregório esforçou-se poderosamente para financiar a cruzada por um imposto de dez por cento sobre rendimentos clericais. Lidando individualmente com os bispos ele evitou um protesto conjunto. O problema da reforma clerical envolveu disputas e brigas entre os frades e os bispos, e exigiu uma manipulação minuciosa. A proibição de 1215 contra novas fundações religiosas foram negligenciadas e restrições foram colocados em determinadas ordens, com uma exceção feita para os FRANCISCANOS e DOMINICANOS, ” conhecidos por seus ótimos serviço à igreja “. Outra fase de reforma Emanando do concílio o foi a famosa regra do conclave, destinada a evitar atrasos na eleição após a morte do papa. Decidiu-se que dez dias após a morte do Papa, os cardeais devem se reunir para escolher um sucessor. Se, após três dias, não tiverem tomado uma decisão, sua alimentação deveria ser reduzida. Com algumas modificações, os regulamentos básicos de Gregório X ainda são seguidos. O grande khan dos mongóis enviou legados para pedir ajuda contra o Egito. Foram feitos esforços para a disseminação da  fé no Extremo Oriente através de missionários como JOÃO DE MONTE CORVINO. Três bispos foram detidos por indignidade. A união de gregos e latinos provou-se impopular no oriente, e durou até a morte do imperador Miguel em 1282. Uma mudança de caráter pessoal em Roma e Constantinopla efetuou uma mudança de coração; e os esforços de cruzadas se mostraram ineficazes. Os 31 decretos geralmente atribuídos a Lyon II foram na verdade publicados vários meses depois (1 de novembro de 1274). H. Finke descobriu (1891) que três decretos (13, 14,e 18) foram adicionados por Gregório X após o concílio ter terminado. Ele também encontrou e editou a constituição há muito perdida, Zelus fidei, uma série de decretos relativos à cruzada proposta por Gregório. O texto da constituição foi ainda mais emendado pelas descobertas de S. Kuttner

  • Infant Baptism: A Response to Objections

    The  objections against infant baptism by Protestants are as follows 1.)Christ never taught infant baptism 2.) Infants should not be baptized until they can speak for themselves. To Objection 1 Christ NEVER condemned infant baptism in the Bible. He loved children so dearly and always loved them around him. To the parents He said “Let the children come to me, do not hinder them.” If Our Lord would like children to come to Him, will infant baptism be odious in his sight? For through infant baptism, the child is “led to God”.  He stressed the necessity of baptism when he said “Unless one is born of water and fire, he cannot enter the kingdom of God”(John 3:5). Since baptism is NECESSARY FOR ALL MEN, there is no need to be specific about infant baptism – only if it is wrong. Those who hold the erroneous view about infant baptism will have no choice but to object to the baptism of Lydia’s household(c. Acts 6:15) – for the term “household” does not exclude infants. Their fingers – in objection –   will also point to the baptism Steph’annas household(c. 1 cor. 16) and the Jailer’s family(c. Acts 6:33). Besides, if we all hold that infants shouldn’t be baptized, we will end up with the conclusion (according to the protestant theology) that children who die at such tender age will go to hell – or where else would a protestant designate the souls of infant who die without baptism? To Objection 2 St. Hippolytus of Rome in 215 AD wrote: Baptize first the Children and if they can speak for themselves, let them do so. Otherwise let their parents or other relatives them speak for them  (c. The Apostolic Tradition 21). In the old testament God said to Abraham; “He that is eight days old among you shall be circumcised”( Gen. 17:12) – clearly God didn’t ask Abraham to wait for the child’s opinion before being circumcised. If baptism replaces circumcision (according to Col. 2:11-12), why should we wait for the infant’s choice at the expense of his soul (in view of the necessity of baptism). If we train up a child in the way he should go (prov. 22:6), he will be quite glad that he is baptized. If a baptized child grows despise his baptism, the case of Julian the Apostate might be instructive: Baronius relates that after Julian the Apostate’s infamous apostasy, he conceived such great hatred against Holy Baptism that day and night, he sought a way in which he might erase his own. To that purpose he had a bath of goat’s blood prepared and placed himself in it, wanting this impure blood of a victim consecrated to Venus to erase the sacred character of Baptism from his soul. Kyrie Eleison

  • O INÍCIO DA DEFINIÇÃO DO NOVO TESTAMENTO

    O INÍCIO DA DEFINIÇÃO DO NOVO TESTAMENTO Podemos afirmar que um hereditario foi chamado para liderar a comunidade de igreja em formar um cristão, para variar, esse herege criou e reduziu um novo teste, segundo o que ele acreditava ser válido. A história do ensino da doutrina tem sido publicada em edições textuais de modo a incorporar os temas teológicos da forma como ele faz a lei do evangelho. Os cânones de Marcinha estavam de alguma forma na escritura, ela foi uma primeira escritura distintivamente cristã e, portanto Marcião é fundamentalmente responsável pela ideia do novo testamento. Ele parece ter a sua própria escritura do senhor e o do apóstolo (como dez epístolas autênticas de Paulo). Há uma tendência cada vez maior de citar escritos apostólicos como autoritativos, e tudo parece estar no centro das atenções de hoje (2: 3,16). A diferença entre as tendências, a percepção de antiguidade entre o antigo testamento e o evangelho puro e sua acusação de apostasia de todos os apóstolos, menos Paulo. A busca de um cânone cristão foi uma resposta da igreja ao movimento de Marcião, onde se iniciou uma coletânea de cartas e todos os escritos dos apóstolos para definir uma nova era do novo testamento. O herege Marcião não é fundou uma escola, mas uma igreja. Durante uma segunda metade do século II, uma igreja Marcione era uma rival do cristianismo católico digno de atenção, pelo menos em áreas erradicadas. Justino, escrevendo durante a vida de Marcião, O CÓNON VICENTINO Vicente Lerinense, Commonitorium (434) (Ed. Moxon, textos patrísticos de Cambridge) II. (1) Eis that dediquei, constant, meus maiores desvelos e minhas diligencies a investigar, entre o maior número possível de homens eminentes em saber se é santidade, uma maneira de achar uma norma de princípios fixos e, se possível, gerais e orientadores , para discernir a verdadeira fé católica das degradantes corruptelas da heresia. A resposta invariável que recebe é retomada: querendo e querendo descobrir como as fraudes dos hereges, prevenir e permanecer firme e firme na fé, devo com uma ajuda do SENHOR, fortalecendo a fé de duas formas: primeiro, A autoridade da lei é, em segundo lugar, perseverando na tradição da igreja católica. (2) Aqui, talvez de uma pergunta: o livro de músicas completo e completo em si mesmo, que você tem que ver com a interpretação da igreja? A resposta é essa: Como as profundas, as escritas, as que não se aplicam a todos os homens. As proposições de um escritor são comentadas de forma diversa, já que um ponto de vista é muito diferente. Novaciano¹ comenta dessa forma, Sabéliojada, Donato de outra, e de outra Ário, Eumônio e Macedônio; Fotino, Apolinário e Prisciliano são explicitamente de um jeito diferente, Joviano, Pelágio e Celestio e acabaram com um modo diferente de todos os citados. Sendo assim, tão intricado e multiforme do erro, é importante estabelecer uma regra de interpretação da igreja católica. (3) Ora, na própria igreja Católica tomar-se o máximo cuidado por conversar AQUILO QUE FOI TIDO E CRIDO, EM TODO LUGAR, EM TODO O TEMPO E POR TODO CAMPO. É genuíno e propriamente católico, como declara o sentido do termo, aquilo que compreende tudo universalmente [ isto é, ecumenicidade],  antiguidade e concordância. Universalidade, reconhecimento de uma única fé é aquele que toda a igreja professa em todo o mundo. Antiguidade, não nos separando das interpretações manifestamente aceitas pelos nossos antepassados. Concordância, including credit fiel, including in the treatment of antiguity, attures and review from some or almost everything to bispos and doutores. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #históriadaigrejaprimitiva

  • SIMÃO DE MONTFORT – Campeão da ortodoxia contra a heresia.

    Simão IV, conde de Montfort, foi o segundo filho de Simão III e de Amícia, filha de Roberto de Beaumont, conde de Leicester, na Inglaterra. Nasceu aproximadamente em 1150. Tendo sucedido a seu pai como barão de Montfort em 1181, casou-se em 1190 com Alice de Montmorency, de quem teve três filhos. Em 1198 partiu para a Palestina com uma tropa de cavaleiros franceses, mas obtiveram poucos êxitos. Em 1202 participou da IV Cruzada. Mas vendo que seus companheiros se desviavam do fim piedoso que os tinha movido, e tomaram de assalto Constantinopla, separou-se deles e foi para a Terra Santa, onde se cobriu de glória. Alguns anos mais tarde, em 1209, aderiu à cruzada convocada pelo Papa Inocêncio III contra os albigenses, no sul da França. Quem eram os albigenses Tomando o seu nome da cidade de Albi, ao sul da França, centro da heresia, essa seita panteísta e maniqueísta pregava a existência de dois princípios (ou deuses) opostos, um bom e outro mau. O bom era o criador do mundo espiritual, e o mau o do material. Eram considerados males — frutos do princípio mau — os fenômenos naturais, como o crescimento dos homens, animais e plantas, e mesmo os fenômenos extraordinários, como terremotos; esse princípio mau era também responsável pelas desordens sociais, como a guerra. Fora ele quem criara o corpo humano, e, sendo responsável pela matéria, era o autor do pecado, o qual teria sua origem nela, e não do espírito. Por isso a procriação era também um mal, porque perpetuava a matéria. Foram eles precursores dos atuais inimigos da vida, utilizando preservativos e práticas anti-natalistas. Daí tiravam como conseqüência os maiores absurdos. O ideal para os mais perfeitos era aniquilar o corpo até atingir uma espécie de nirvana budista. Para livrar-se da matéria pecaminosa, alguns chegavam a tais excessos, que procuravam a morte pela abstenção da comida e da bebida (endura), por sangramentos ou veneno, ou ainda fazendo-se degolar para não voltar a cair na classe dos impuros. Segundo essa doutrina, Cristo, como era perfeito, só tinha espírito. Seu corpo material era apenas uma aparência. Com isso, conseqüentemente, negava-se sua paixão e morte real; negavam também a maternidade divina de Nossa Senhora e os Sacramentos. Evidentemente, os albigenses eram contra a Igreja enquanto instituição e contra sua Hierarquia, e visavam sua extinção, como também a do Estado. Constituíam uma seita “socialista, ou seja, anarquista”, contrária ao casamento e à propriedade privada, e mesmo contra a raça humana, ao pregar o suicídio. Desejavam extinguir a Igreja e instalar um Estado onde só houvesse puros. O Papa Inocêncio III dizia que os albigenses eram piores que os sarracenos. Quando os albigenses adquiriram força suficiente, com o auxílio de vários senhores da região, aos poucos começaram a atacar igrejas e mosteiros, a expulsar bispos de suas cidades e a ameaçar os fiéis. A situação chegou a tal estado de calamidade, que uma testemunha ocular declara: “Vi igrejas incendiadas e destruídas até os alicerces, e vi os mosteiros transformados em habitação dos animais do campo”. O grande São Bernardo, visitando aquela região, registra que encontrou “as igrejas sem povo, o povo sem sacerdotes, os cristãos sem Cristo”. Tal seita teve um grande defensor no conde Raimundo VI, de Toulouse, que “levava uma vida licenciosa, havia-se casado cinco vezes e voltara a se separar de suas mulheres ao seu capricho; atribuíam-se a ele os lances mais licenciosos”. Outros senhores da região, que levavam vida igualmente licenciosa, favoreceram também a heresia. Papa Inocêncio III procurou antes ganhar os hereges pela persuasão, enviando entre eles monges cartuxos como missionários. Mas os hereges não lhes deram ouvidos e continuaram em sua impiedade. O Pontífice incitou então o conde de Toulouse a perseguir seus súditos hereges. Raimundo VI fez jogo duplo, expulsando alguns deles, mas concorrendo para o assassinato do legado papal, Pedro de Castelnau (1208). Inocêncio III então o excomungou, desligando seus súditos do juramento de fidelidade, e pregou uma cruzada contra os albigenses. Entretanto, o rei da França, Felipe Augusto, suserano de Raimundo VI, e por isso mais diretamente responsável pela cruzada, não acorreu ao chamado do Papa por estar em guerra contra João Sem-Terra, da Inglaterra. Mas liberou seus vassalos para esse fim. Uma multidão deles atendeu ao apelo pontifício, entre os quais o conde Simão de Montfort, que logo foi eleito capitão general da empresa. Foi ele o homem talhado para tal, pois; “era da madeira de que se fazem os fundadores de Estados. Se bem que já com 60 anos de idade, era ainda um homem formoso, hábil, prudente, intrépido, de heróico valor, incansável, eloqüente, afável; soube inspirar em seus súditos uma fervorosa adesão, e exercia sobre seus inimigos uma forma de fascínio que os paralisava”. “Levanta-te e cinge-te da espada” O Papa, temendo o desaparecimento da Igreja naquelas paragens, incentivou Simão a combater tenazmente os hereges: “Eia, paladino de Cristo, o sangue dos justos clama a ti para que ponhas diante da Igreja o escudo da fé contra seus inimigos! levanta-te e cinge-te da espada”. Acusa-se de excessos a Simão de Montfort em sua campanha, mas tem-se que levar em conta os usos bárbaros que ainda persistiam de algum modo naquele século. Sobretudo é necessário ressaltar que a crueldade dos albigenses em seus ataques às igrejas e mosteiros, seu ódio à Religião católica e seu fanatismo religioso causavam justa indignação no ânimo de seus adversários católicos. Ademais, aquela guerra adquirira ainda o caráter de uma guerra de civilizações; “pelo ódio que dividia então as duas raças – os franceses do norte e os franceses do sul – tão diferentes pela sua língua, costumes e grau de civilização”. Se não fosse o valor e a energia de Simão de Montfort, provavelmente a heresia albigense teria dominado não só o sul da França, mas teria se estabelecido na Itália e outros países europeus. Em 1213 Simão derrotou o Rei Pedro de Aragão, genro de Raimundo, na batalha de Muret. Os albigenses foram então esmagados, mas Simão continuou a guerra como uma guerra de conquista, sendo indicado, pelo Conselho de Montpellier, senhor de todos os recém- conquistados territórios, como Conde de Toulouse e Duque de Narbonne (1215). O Papa confirmou essa indicação, entendendo que ele efetivamente completaria a supressão da heresia. Mas não era o fim da guerra. Em 1218 Raimundo voltou da Espanha, para onde fugira. Com a ajuda de seu sobrinho Jaime I, de Aragão, formara poderoso exército, e com ele cercou Toulouse. Simão de Montfort estava assistindo à Missa quando lhe foram dar a notícia. Era antes da Consagração. Respondeu ele: “Não vou enquanto não tiver visto meu Salvador”. E quando o sacerdote elevava a Hóstia, ele estendeu as mãos ao céu e exclamou: “Senhor, deixa que teu servo morra em paz, se é tua vontade”. Logo montou a cavalo e correu para o lugar da luta, quando viu seu irmão Guido de Montfort caindo do cavalo, ferido por uma seta. Nesse momento uma pedra, atirada por uma máquina de guerra, lhe rompeu a cabeça. Ele morreu recomendando sua alma a Deus. Foi enterrado no mosteiro de Haute-Bruyère. À morte do intrépido comandante, os cruzados retiraram-se para um acampamento fortificado, enquanto na cidade os rebeldes, de alegria, fizeram tocar a repique os sinos de todas as igrejas. Dos três filhos do heróico comandante, o mais velho, Amaury, herdou suas possessões francesas; e o caçula, com o mesmo nome que o pai, sucedeu-o como barão de Leicester, desempenhando um importante papel na história da Inglaterra. Amaury, filho de Simão, estava longe de ter o valor do pai. Tanto ele quanto Raimundo VII, que também sucedera ao pai, cederam seus direitos sobre o território ao rei da França. O Concílio de Toulouse, em 1229, confiou a vigilância religiosa do território à Inquisição. Mais tarde, em 1233, esta passou aos dominicanos. Mas a perniciosa heresia só iria desaparecer no fim do século XIV. Entretanto, Simão de Montfort lhe havia dado o golpe mortal. Fonte: http://heroismedievais.blogspot.com.br/2008/08/simo-de-montfort-campeo-da-ortodoxia.html

  • QUAL SERÁ O GOZO DOS BEM-AVENTURADOS NO PARAÍSO – SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

    Qual será o gozo dos Bem-aventurados no Paraíso. Videmus nunc per speculum in aenigmale; tunc autem facie ad faciem “Vemos agora (a Deus) como por um espelho, em enigma; porém então face a face”  (I Cor. 13, 12). Sumário. O bem-aventurado, conhecendo no céu a amabilidade infinita de Deus, e vendo todas as disposições admiráveis para sua salvação, amá-Lo-á de todo o coração, regozijar-se-á pela felicidade de Deus mais do que pela sua própria, e não terá outro desejo senão o de amá-Lo e de ser amado por Ele. É nisto que consistirá a sua eterna beatitude. Portanto, se nós amarmos a Deus, sem termos tanto em vista o nosso interesse como a satisfação pela felicidade de Deus, desde a vida presente começaríamos a gozar da beatitude do reino celestial. I. Quando a alma entrar na pátria bem-aventurada e for corrido o reposteiro que lhe impedia a vista, verá a descoberto e sem véu a beleza infinita do seu Deus, e é nisto que consistirá o gozo do bem-aventurado. Todas as coisas que ele contemplará em Deus, enche-lo-ão de alegria. Verá a retidão dos juízos divinos, a harmonia nas suas disposições relativas a cada alma e todas ordenadas para a glória de Deus e o bem de si mesmo. Com relação a si própria, a alma verá o amor imenso que Deus lhe mostrou em fazer-se homem e em sacrificar por amor dela a vida na Cruz. Conhecerá o excesso de amor encerrado no mistério da Cruz: ver um Deus feito servo e morto supliciado num infame patíbulo! Conhecerá o amor excessivo encerrado no mistério da Eucaristia: ver um Deus posto presente sob a espécie de pão e feito alimento de suas criaturas! Verá distintamente todas as graças que Deus lhe dispensou e que até então lhe estiveram ocultas. Verá toda a misericórdia de que Deus usou para com ela, esperando-a e perdoando-lhe todas as ingratidões. Verá os muitos convites, as luzes e os auxílios que tão abundantemente lhe foram prodigalizados. Verá que as tribulações, as doenças, a perda de bens ou de parentes, que chamara castigos, não foram castigos, senão manifestações da bondade divina para atrair a alma ao seu amor perfeito. Numa palavra, tudo o que ela vir, lhe fará conhecer a bondade infinita de seu Deus, e o amor infinito que merece. Donde provém que logo que chegada for ao céu, não terá mais outro desejo senão o de vê-Lo feliz e contente. Compreendendo ao mesmo tempo, que a felicidade de Deus é suprema, infinita e eterna, sentirá uma satisfação, já não digo infinita, visto que a criatura não é susceptível de cousas infinitas, mas uma satisfação imensa e plena, que a encherá de gozo, e do mesmo gozo que é próprio a Deus. Assim se verificará nela a palavra de Jesus: Intra in gaudium Domini tui (1) — “Entra no gozo de teu Senhor”. II. O bem-aventurado é feliz, não tanto pelo gozo que experimenta em si próprio, como pela felicidade de que Deus goza, porque ama a Deus imensamente mais do que a si mesmo. O amor que tem a Deus, faz com que ache imensamente mais satisfação na bem-aventurança divina do que na sua própria. O amor a faz esquecida de si mesma, e o que ela almeja, será unicamente agradar ao Bem-Amado. — É esta a santa e desejável embriaguez pela qual os bem-aventurados se esquecerão completamente de si, e só pensarão em louvar e amar o querido objeto de todo o seu amor, isso é, Deus. Inebriabuntur ab ubertate domus tuae (2) — “Embriagar-se-ão da abundância da tua casa”. Perfeitamente-felizes desde o primeiro instante da sua entrada no céu, ficam como que perdidos, ou, por assim dizer, submergidos no mar infinito da bondade divina. Daí é que o bem-aventurado perderá todo e qualquer desejo, só lhe restando o de amar a Deus e ser amado por Ele. A segurança de sempre amá-Lo e de sempre ser amado, será a beatitude do escolhido, a qual o encherá de alegria e de contentamento eterno, de maneira que nada mais desejará. Em resumo: o paraíso dos bem-aventurados é gozar do gozo de Deus. Quem, portanto, na vida presente se compraz na beatitude de que Deus goza e gozará eternamente, pode dizer que desde agora entra no gozo de Deus e começa a gozar o paraíso. Entretanto, ó meu doce Salvador e Amor de minha alma, vejo-me ainda desterrado neste vale de lágrimas, cercado de inimigos que me querem separar de Vós. Meu amado Senhor, não permitais que Vos perca; fazei com que Vos ame sempre nesta vida e na outra e depois disponde de mim segundo o vosso agrado. — Ó Rainha do paraíso, se rogardes por mim, certamente estarei toda a eternidade em vossa companhia, a louvar-vos no paraíso. (II 299.) ———- 1. Matth. 25, 23. 2. Ps. 35, 9. (LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 198 – 201.)

  • EU VENHO EM NOME DE DEUS – O PURGATÓRIO SERMÃO DE SÃO JOÃO MARIA VIANNEY

    “Por que será que eu me encontro de pé hoje nesse púlpito, meus caros irmãos? O que será que eu venho dizer para vocês? Ah! Eu venho em nome do próprio Deus. Eu venho em nome de seus pobres pais, para despertar em vocês aquele amor e gratidão que vocês lhes devem. Eu venho pra refrescar nas suas memórias novamente, toda a ternura e todo o amor que eles deram a vocês enquanto eles ainda estavam sobre essa terra. Eu venho pra dizer a vocês que eles sofrem no Purgatório, que eles choram e reclamam com urgentes gritos o auxílio de suas orações e boas-obras. Eu os tenho visto gritando das profundezas daquelas chamas que os devoram: –“Digam aos nossos amigos, aos nossos filhos, aos nossos parentes, como é grande o mal que eles estão nos fazendo sofrer. Nós nos atiramos aos seus pés para implorar o auxílio de suas orações! Ah! Diga-lhes que desde que nós fomos separados deles, nós temos estado queimando em chamas! Oh! Quem poderia permanecer tão indiferente diante dos sofrimentos que estamos enfrentando!” Você vê, meu caro irmão, você escuta aquela terna mãe, aquele pai devotado e todos aqueles parentes que lhe ajudaram e fizeram parte de sua vida? Meus amigos, eles gritam: – “Livrai-nos dessa dor, você pode!” Considerem então meus caros amigos: 1°- A magnitude desses sofrimentos pelos quais passam as almas do purgatório e 2°- os meios dos quais dispomos para mitigar esses sofrimentos: nossas boas obras, nossas orações e acima de tudo, o santo sacrifício da Missa. Eu não quero parar neste estágio para provar a existência do Purgatório, pois isso seria uma per-da de tempo. Espero que nenhum de vocês tenha a menor dúvida a este respeito. A Igreja, à qual Jesus Cristo prometeu a guia do Espírito Santo e a qual, conseqüentemente, não pode se enganar nem nos enganar, ensina-nos sobre o Purgatório de um modo bem claro e positivo. Isto é uma certeza mais que cer-ta, de que lá é um lugar onde as almas dos justos completam a expiação por seus pecados, antes de serem finalmente admitidas na glória do Paraíso, o qual, diga-se de passagem, já está assegurado a elas. Sim meus caros irmãos, isto é um artigo de Fé: Se nós não tivermos feito penitência proporcional à gravidade de nossos pecados, ainda que tenhamos sido absolvidos no Sagrado Tribunal da Confissão, nós seremos obrigados a expiar por eles. Nas Sagradas Escrituras há muitos textos que mostram claramente, que embora nossos pecados possam ser perdoados, Deus ainda impõe-nos a obrigação de sofrer neste mundo duros trabalhos tempo-rais ou no próximo através das chamas do Purgatório. Veja o que aconteceu com Adão: Porque ele se arrependeu logo depois de ter cometido o pecado original, Deus garantiu a ele que o havia perdoado, mas ainda assim Ele o condenou a passar nove sécu-los sobre esta terra fazendo penitência. Penitências que ultrapassam qualquer coisa que possamos imagi-nar: “maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de sua vida. Ela te produzirá espinhos e tu comerás a erva da terra. Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que fostes tirado; porque és pó, e em pó te hás de tornar…” (Gênesis III, 17). Veja novamente: Davi ordenou, contrariando a vontade de Deus, que se fizesse o recenseamento de Israel: Atingido pelo remorso de consciência, ele reconheceu o seu pecado, atirou-se ao chão suplicando ao Senhor que o perdoasse. Conseqüentemente, Deus tocado pelo seu arrependimento, o perdoou. Mas apesar disso, ele enviou Gad para dizer a Davi que ele teria que escolher entre 3 tipos de punições que Ele havia preparado para Davi reparar pelo seu pecado: a peste,a fome ou a guerra. Davi então respondeu: “Ah! Caia eu nas mãos do Senhor, porque imensa é a sua misericórdia; mas que eu não caia nas mãos do homem…” (I Crônicas 21). Ele escolheu a peste e esta durou apenas 3 dias, mas matou 7 mil pessoas de seu povo. Se o Se-nhor não tivesse detido a mão do Anjo que estava estendida sobre Israel, Jerusalém inteira teria ficado despovoada! Davi ao ver todo o mal causado pelo seu pecado, implorou a graça de Deus pedindo que Deus punisse apenas ele mesmo, mas que poupasse o seu povo que era inocente. Vejam também as penitências de Santa Maria Madalena! Quem sabe não sirvam para amolecer um pouco seus corações? Meus caros irmãos, o que serão então, o número de anos que nós teremos que sofrer no Purgatório, nós que cometemos tantos pecados e que sob o pretexto de já o termos confessado, não fazemos penitências e nem choramos por eles? Quantos anos de sofrimento nos esperam na próxima vida? Como poderia eu pintar um quadro dos sofrimentos que essas pobres almas suportam, quando os santos padres da Igreja dizem-nos que os tormentos que elas sofrem são comparáveis ao que passou Nosso Senhor Jesus Cristo durante sua dolorosa paixão? Uma coisa é certa, se o menor sofrimento que Nosso Senhor suportou tivesse sido compartilhado por toda a humanidade, todos estariam mortos devi-do à violência de seus sofrimentos. O fogo do Purgatório é o mesmo que o fogo do Inferno. A diferença entre eles é que o fogo do Purgatório não é eterno. Oh! Se Deus permitisse que uma daquelas pobres almas que está mergulhada nas chamas, apare-cesse agora neste lugar, toda envolvida pelas chamas que a consome e desse ela mesma um recital dos sofrimentos que ela está suportando! Toda essa Igreja, meus caros irmãos, seria sacudida pelo eco de seus gritos e soluços e talvez quem sabe isso amoleceria os seus corações? Esta pobre alma nos diria – “Como nós sofremos! Ó irmãos, livrai-nos desses tormentos! Ah, se vocês pudessem experimentar o que é viver separado de Deus!… Cruel separação! Queimar no fogo aceso pela justiça de Deus!. Sofrer dores incompreensíveis para a mente humana!… Ser devorado pelo remorso, sabendo que poderíamos facilmente ter evitado esses tormentos!… Oh! Meus filhos!- gritam os pais e as mães- como podem vocês nos abandonar nessas horas, nós que tanto os amamos quando estávamos sobre essa terra! Como vocês podem ir dormir tranqüilamente em suas camas, enquanto nós queimamos em uma cama de fogo? Como vocês têm coragem de se entregar aos prazeres e alegrias, enquanto nós sofremos e choramos dia e noite? Vocês herdaram nossos bens, nossas propriedades, vocês se divertem com o fruto de nossos trabalhos, enquanto nós sofremos males tão indescritíveis e por tantos anos!… E não são capa-zes de oferecer uma pequena oração em nossa intenção, nem uma simples Missa que tanto ajudaria para nos livrar dessas chamas!… Vocês podem aliviar nosso sofrimento, vocês podem abrir nossas prisões e vocês simplesmente nos abandonam. Oh! Quão cruel são estes sofrimentos!…” Sim meus irmãos, as pessoas julgam de um modo muito diferente, o que é estar nas chamas do Purgatório por todas essas culpas leves. Se é que é possível chamar de “leve” algo que nos faz suportar punição tão rigorosa! Que espanto seria para o homem, grita o profeta real, se mesmo o mais justo dos homens fosse julgado por Deus sem nenhuma misericórdia! Se Deus achou manchas até no sol e malícia nos anjos, o que será então do homem pecador? E para nós que cometemos tantos pecados mortais e praticamente não fazemos nada para satisfazer a justi-ça de Deus. Quantos anos de Purgatório! Meu Deus! – disse Santa Tereza de Ávila: “que alma seria suficientemente pura para entrar di-retamente no Céu sem ter que passar pelas chamas da justiça?” Em sua última doença, ela de repente gritou: “Oh Justiça e Poder do meu Deus, quão terrível sois!” Durante sua agonia, Deus permitiu que ela contemplasse por alguns segundos a Sua Santidade, assim como os anjos e os santos do Céu O contemplam. E isso causou nela um pavor tão grande, que ela se pôs a tremer e ficou agitada de um modo tão extraordinário que as irmãs perguntaram-lhe chorando: -“Ah! Madre, o que está se passando? Certamente que a senhora não teme a morte depois de tantos anos de penitência e lágrimas amargas!” – Não, minhas filhas, eu não temo a morte, muito pelo contrário, eu a desejo porque só assim estarei unida eternamente a Deus. – Oh! Madre, seriam os teus pecados então, que ainda te aterrorizam depois de tantas mortificações? – Sim minhas filhas- respondeu Tereza- eu te-mo pelos meus pecados, mas temo por algo ainda maior! – Seria então, o julgamento? – Sim, eu temo pela formidável conta que terei que prestar diante de Deus. Principalmente porque nesse momento se-remos julgados pela justiça e não pela misericórdia. Mas tem algo que ainda me faz morrer de terror. As pobres irmãs já estavam profundamente angustiadas. – Madre, seria por acaso o Inferno? -Não -respondeu ela – O inferno, Graças a Deus não é pra mim. Oh! Minhas filhas, é a Santidade de Deus. Meus Deus, tende misericórdia de mim! Minha vida será confrontada face a face com o próprio Cristo! Ai de mim se eu tiver a menor mancha ou falha! Ai de mim, se eu tiver a menor sombra de pecado! – Ai de nós! – gritaram as pobres irmãs – O que será então no dia das nossas mortes? O que será então de nós, meus caros irmãos? Nós que talvez em todas as nossas penitências e boas obras, talvez nunca tenhamos conseguido satisfazer por um único pecado perdoado no tribunal da Confissão? Ah! Quantos anos e séculos de tormento para nos punir?… Vamos pagar muito caro por todas essas “pequenas falhas” que nós vemos como algo que não tem a menor importância, como aquelas “pequenas mentirinhas” que nós falamos para evitar problemas para nós mesmos, aqueles pequenos escândalos, o desprezo pelas graças que Deus nos concede a cada momento, aquelas pequenas murmurações nas dificuldades que Ele nos envia! Não, meus caros irmãos, nós não teríamos nunca a coragem de cometer o menor pecado, se pudéssemos entender o quanto isto ultraja a Deus e o quão merecemos ser rigorosamente punidos, já ainda nesse mundo. Meus irmãos, Deus é justo em tudo que Ele faz. Quando Ele recompensanos até pela menor boa ação que fazemos, Ele nos dá muito mais do que qualquer um de nós merecemos. Um bom pensamento, uma boa ação, um bom desejo, ou seja, o desejo de fazer uma boa obra, mesmo quando não somos capazes de fazê-la, Ele nunca nos deixa sem uma recompensa. Mas também, quando se trata de uma matéria de punição, isto é feito com o maior rigor e ainda que tenhamos a menor falta seremos enviados para o Purgatório. Isto é verdade absoluta e nós comprovamos isto pela vida dos santos. Muitos deles não chegaram ao Céu, sem antes terem passado pelas chamas do Purgatório. São Pedro Damião conta-nos que sua irmã permaneceu vários anos no Purgatório porque ela ouviu com prazer certos tipos de músicas. Conta-se também que dois religiosos fizeram um pacto um com o outro, acertando que quem morresse primeiro viria contar ao sobrevivente em que estado ele se encon-trava. Deus permitiu que isso acontecesse e quando um deles morreu, apareceu ao seu amigo. Ele contou ao seu amigo que tinha permanecido 15 anos no Purgatório por seu orgulho de sempre querer fazer as coisas a seu modo. Então seu amigo o cumprimentou por ter permanecido lá por tão pouco tempo! O morto então respondeu: – Eu teria preferido ser queimado vivo por 10 mil anos ininterruptos nessa terra, pois esse sofrimento nem poderia ser comparado com o que eu sofri 15 anos naquelas chamas! Um sacerdote contou a um de seus amigos que Deus o havia condenado a permanecer no Purgatório por vários meses, por ter segurado a execução de uma boa-obra que era Vontade de Deus que fosse feita. Coitados de nós, meus irmãos! Quantos de nós não temos faltas semelhantes? Quantos de nós recebemos a tarefa de nossos parentes e amigos de mandarmos celebrar Missas e dar esmolas e simplesmente fazemo-nos de esquecidos! Quantos de nós evitamos fazer boas-obras apenas por respeito humano? E todas essas almas presas nas chamas, porque não temos coragem de satisfazer seus desejos! Pobres pais e pobres mães, vocês agora estão sendo sacrificados pela felicidade de seus filhos e parentes! Vocês talvez tenham negligenciado sua própria salvação para construírem suas fortunas. E agora vocês estão sendo traídos pelas boas-obras que vocês deixaram de fazer enquanto ainda estavam vivos! Pobres pais! Quanta cegueira é esquecer de nossa própria salvação! Você talvez me dirá: – Nossos pais eram pessoas boas e honestas. Eles não fizeram nada de tão grave para merecerem essas chamas! Ah! Se vocês soubessem que eles precisavam de muito menos do que eles fizeram para cair nessas chamas! Vejam o que disse a esse respeito, Alberto, o Grande, um homem cujas virtudes brilharam de modo extraordinário! Ele revelou a um de seus amigos, que Deus o havia levado ao Purgatório por ter se orgulhado de um pensamento sobre seu próprio conhecimento. A coisa mais surpreendente foi que ali haviam verdadeiros santos, muitos que inclusive já tinham sido canonizados pela Igreja e que estavam passando pelas chamas do Purgatório. São Severino, Arcebispo de Colônia, apareceu a um de seus amigos muito tempo depois de sua morte e disse-lhe que ele havia passado um longo tempo no Purgatório por ter adiado pra de noite, as orações do breviário que ele devia ter recitado pela manhã. Oh! Quantos anos de Purgatório não passarão aqueles cristãos que não tem o menor escrúpulo em adiar suas orações para uma outra hora, apenas pela desculpa de terem algo mais importante a fazer! Se nós realmente desejássemos a felicidade de possuir a visão beatífica de Deus, nós evitaríamos tanto os pecados mortais como os veniais, uma vez que a separação de Deus constitui-se um tormento tão terrível para essas almas! Fonte:verafidei.blogspot.com.br

  • POLÊMICA CARPEAUX-CORÇÃO – 1ª parte

    MAURIAC? – Otto Maria Carpeaux Tive um amigo — há muitos anos saudosos —, grande entusiasta das letras francesas, cuja clareza cartesiana não tinha conseguido aclarar as confusões terríveis da sua fraca memória. “Estou tresnoitado”, disse, encostando a cabeça na mesa do pequeno café literário. “Li durante toda a noite, e estou ainda fascinado. Que romancista, este Mauriac! Reúne nos seus romances a curiosidade psicológica das suas engraçadas biografias romanceadas e a severidade clássica das suas doutrinas políticas! Mauriac! Estou fascinado!” Mauriac? E eu compreendi que o meu pobre amigo, fascinado por Mauriac, não sabia quem é Mauriac: confundiu-o com Maurois et Maurras. Mauriac é fascinante. Todos se sentem fascinados por ele, todos os leitores de romances, e sobretudo as senhoras, que constituem entre eles a maioria. Mauriac é fascinante. Chega a perturbar de tal modo as cabeças, que não se sabe, enfim, quem é Mauriac. Quem é Mauriac? A resposta parece fácil: um grande romancista católico. O romance francês possui uma maravilhosa tradição; na França, até os estreantes já dispõem de certas qualidades de psicólogo profundo e de construtor admirável. O romance francês, em geral, é psicologicamente agudo e classicamente construído. François Mauriac representa, dentro dessa tradição, a atitude católica. Como os clássicos do século de Luís XIV, reúne à abundância de vida emotiva o rigor da moral cristão. Neste sentido, o romancista católico François Mauriac é um clássico. É um clássico ainda em outro sentido, mais barato: excede pelo valor literário todos os seus correligionários precedentes. Mauriac, cheio de vida existencial, é superior às construções mecanicamente regulares de Paul Bourget, para não falar das misérias literárias dum Henry Bordeaux. Em que consiste essa superioridade? Mauriac reconheceu a realidade do pecado. Nos romances de Bourdeaux, o pecado é uma espécie de espantalho para crianças adultas, produzindo as complicações dos Malheurs de Sophie católicas. Em Bourget, snob de aristocracias imaginárias, o pecado é uma tentação mundana, produzindo os Malheurs de Comtesse Sophie. Em Mauriac, o pecado é algo mais: caminho da morte e da vida. Ele lembra, ao mesmo tempo, Oscar Wilde, que sabia que “o pecado é o último fio de cor, no tecido cinzento da vida moderna”, e Sinclair Lewis, em cujo Main Street “a pequena cidade americana tem apenas uma saída para o mistério: a missa católica”. Mauriac toma a sério a vida e a missa, ao mesmo tempo; o pecado é para ele uma realidade. Se o pecado não é um prazer nem um espantalho, é uma coisa inquietante. E Mauriac é inquietante. É o romancista da inquietação. Inquieta ao mundo burguês dos seus romances e dos seus leitores, como os burgueses do jansenismo se inquietavam com a flama escura das paixões de Racine e se tranqüilizavam com a sua conversão edificante. Na verdade, Mauriac possui algo da arte de Racine. Não é por acaso que Asmodée o revelou como dramaturgo. Todos os seus romances têm força dramática: a do teatro e, às vezes, da ópera. O teatro é essencialmente uma arte de fascinação, e a ópera o é por todos os meios. Mauriac é fascinante. Mas isto não representa uma definição de valores literários. É possível que o prazer da fascinação satisfaça plenamente aos leitores. Mas há leitores e leitores. Albert Thibaudet distinguiu o “liseur” e o “lecteur” de romances, observando que entre os “liseurs” prevalecem as “liseuses”. Foram as “liseuses” que fizeram o êxito enorme de Mauriac. Mas eu não sou uma “liseuse”. Sou um “lecteur”, e permito-me perguntar: romancista católico? Romancista como Balzac, ou romancista como Bourget? Católico como Bloy, ou católico como Bordeaux? Romancista católico como o mendigo Bloy, como o exilado Bernanos? E já sei que François Mauriac não é mendigo, e sim acadêmico; que não está exilado, e sim na França, onde, como ele escreveu recentemente, “le fleuve français continue a courir”. Isto é, a vida burguesa de Mauriac continua. Perguntando implacavelmente: “Qual é a atitude do escritor?” – a atitude que define o valor – recebemos a resposta: “Mauriac é um bem-pensante.” Mas é impossível! Como podem coexistir a inquietação e a atitude burguesa? A casa burguesa de Mauriac, onde rumoreja a inquietação jansenista, é a casa tradicional do romance francês: muito bem construída com as pedras regulares da matemática cartesiana, como um quebra-cabeças que convidasse a desarmá-lo, a analisar a construção analítica precisa do plano do edifício: isto é, da atitude do escritor. Todo o romance tradicional francês, essa maravilha de construção psicológica, gira em torno da mesma palavra, que é também a palavra-chave de Mauriac: o pecado. O elemento pessoal em Mauriac é a união virtuosa da inquietação romântica e da estilização clássica, e o meio dessa estilização é o seu estilo. É o seu estilo, sobretudo o seu estilo, pelo qual a sua curiosidade psicológica e o seu rigor tradicionalista se distinguem da famosa “curiosidade das almas femininas” de Maurois e do rigoroso classicismo de Maurras, com os quais aquele coitadinho o confundiu. O segredo de Mauriac, da sua inquietação burguesa ou da sua burguesia inquieta, está no seu estilo. Felizmente possuímos uma excelente análise do estilo mauriaquiano, de autoria do Sr. Yves Gandom: o estilo de Mauriac, muito romântico, caracteriza-se pelo uso freqüente do pronome demonstrativo para designar coisas ainda desconhecidas, o que gera a impressão do déjà vu, da “realidade do sonho”; pelas mudanças perpétuas do tempo, o que produz a vivacidade; pelas apóstrofes do autor ao herói, o que facilita a identificação psicológica do herói com o leitor, este também apostrofado pelo romancista; pela inserção das análises psicológicas nas descrições exatas de coisas exteriores, o que cria a atmosfera de pesadelo pelos freqüentes parênteses, pelos “sim” e “não” entremeados nas meditações interiores das personagens. Sabemos, agora, bastante. Esta é a linguagem do monólogo. O romance de Mauriac é composto de árias, como uma ópera, o que ocasiona os efeitos dramáticos. São monólogos: autocontemplação ao espelho, monólogos narcísicos. Ora, o narcisismo é o modo de viver específico da puberdade, da puberdade que representa para nós todos um déjà vu. A atmosfera de pesadelo nos romances de Mauriac é própria dos “sonhos diurnos” dos adolescentes, que confundem continuamente o seu mundo interior de amanhecer sexual com a realidade, apenas pressentida, do mundo exterior; e as freqüentes mudanças do tempo ligam aquele passado, do qual todos nós nos lembramos um pouco vagamente, ao presente da leitura. Aludem a coisas que para o adolescente são ainda coisas desconhecidas, mas que ele reconhece logo quando designadas pelo pronome demonstrativo. A sensação primordial de Mauriac é a primeira experiência sexual, a puberdade. A vida literária de Mauriac é uma puberdade prolongada. Ele exprime sempre, em formas ligeiramente variadas, as sensações da primeira queda pecadora e da primeira graça da comunhão. Mas quando o adolescente François voltou, de mãos postas, do banco de comunhão, viu já, no primeiro assento da igreja, a jovem, inacessível e inviolável como todas as jovens da sua burguesia provinciana; sonhou, com elas, os sonhos mais solitários e mais perversos de um adolescente, e fugiu, enfim, para os braços das belas pecadoras, que são tão misericordiosas e tornam necessária outra confissão contrita, para se conseguir, outra vez, a graça no banco da comunhão. E assim in infinitum. A obra de Mauriac é cheia de recidivas. O seu “fleuve français continue à courir”. Repete-se sempre. Continua o prisioneiro das suas Madalenas esse Madaleno, mesmo quando em torno dele o rio da vida francesa ameaça secar. Lembra a obsessão sexual de certos padres que perguntam, no confessionário, apenas pela vida sexual, negligenciando todo o resto. Lembra certas altas autoridades eclesiásticas, que, em meio ao incêndio da civilização cristã e à difamação do nome cristão por povos cristãos, se ocupam dos maiôs na praia. Mauriac, porém, não escreve cartas pastorais. O moralista Mauriac escreve romances, e estes são mais divertidos do que aquelas. Misturam agradavelmente a mística e a sexualidade, chegam a atribuir importância exagerada, quase exclusiva, à sexualidade, o que excita os aplausos dos interessados nesse exagero: as “liseuses”. Mas eu não sou uma “liseuse”. Sou um “lecteur”. Não quero ficar divertido nem fascinado. Quero saber se a atitude de Mauriac é coerente, fato de que depende a consistência literária da sua obra: flama escura ou fogo de artifício. Quero saber como ele resolveu literariamente o problema de pecado e graça. Literariamente, não teologicamente. Solução teológica não existe; em 1598, a discussão sobre a graça entre os jesuítas e os dominicanos foi proibida pelo papa Clemente VIII, e a Congregatio de auxiliis gratiae, instituída para resolver o problema, foi dissolvida em 1607, sem haver pronunciado decisão. A conseqüência dessa irresolução foi o jansenismo, que passou, aos olhos dos ortodoxos, por obra do demônio. E Mauriac precisava, para resolver o seu problema, da ajuda do demônio. Mauriac é filho do Sul da França, da região clássica dos rebeldes católicos. Tem em si o espírito que era a última inquietação do bem-pensante Bourget e que lhe deu o título do seu último romance: Le démon du midi. Certos moralistas católicos afirmam que a dúvida nasce quase sempre das resistências ao sexto mandamento. Não acredito. No caso Mauriac, porém, está quase certo que o “démon du midi” foi despertado pela curiosidade de puberdade do bom filho-família, educado pelos padres marianitas para continuar bom filho-família. O primeiro romance do jovem Mauriac chamou-se L’enfant chargé de chaînes. Descobriu a realidade do pecado, e descobriu-a “au sein de sa famille”: na vida matrimonial do Fleuve de feu – um “fleuve qui continuera a courir” -, no Baiser au lépreux, até em Génitrix, no amor materno. O romancista torna-se especialista no pecado: Le désert de l’amour, Thérèse Desqueyroux. Escreve, enfim, o romance do pecado especificamente católico, do endurecimento do coração, petrificado num catolicismo de fórmulas vazias: Destins. Então a verdadeira significação de Génitrix se manifestou: o desafio ao amor materno, exagerado e sufocador, é um desafio à mãe Igreja. Na obra de Mauriac, esse romance tem significação análoga à do Disciple na obra de Bourget; é um ponto crítico. Mas Génitrix é um Disciple inverso: o discípulo dos padres marianitas, candidato a eterno bom filho-família, foge dos padres e da família. Enfim, o mundo está aberto diante do filho pródigo. O guia para esse mundo chama-se André Gide. O puritano apóstata Gide justificou ao católico ameaçado Mauriac o romance do pecado; deu ao estilista romântico a boa consciência da construção clássica do romance. Mauriac, porém, não apostatou. O seu olhar de moralista era aguçado pela sabedoria moral multissecular dos confessionários, e quando Gide lhe propunha a sentença de Blake — “Nenhuma grande obra de arte nasce sem a colaboração do Demônio” —, Mauriac reconheceu no Demônio de Gide o próprio “démon du midi”, no Diabo de Gide o Deus dos jansenistas. Foi o próprio Gide que o converteu. Uma conversão jansenista, porém, tem conseqüências literárias, ou, antes, antiliterárias. Assim como o convertido jansenista Pascal renunciou à ciência, assim como o convertido jansenista Racine renunciou ao teatro, assim o convertido jansenista Mauriac deveria renunciar ao romance. Um católico de rigor — e um jansenista é um católico de rigor potenciado — deve tornar-se um santo; mas um santo não escreve romances. Desse dilema salvou-se o romancista católico Mauriac pela autoridade de Maritain, o qual lhe demonstrou que santidade e vida não se contradizem. A própria vida, assunto do romance, é o caminho da santidade; e o gideano Mauriac pode calmamente continuar a escrever romances: romances verdadeiramente católicos. Continua a escrever romances, romances católicos e gideano-demoníacos ao mesmo tempo. Romances católicos, com Deus como centro invisível, e nos quais, embora nem sempre obras-primas, o Demônio colabora. E, no fundo, o Diabo de Gide e o Deus de Mauriac é uma e a mesma pessoa. O equilíbrio está, assim, conseguido. Charles Du Bos censurara a Mauriac o possuir este mais sensibilidade católica do que inteligência católica. Agora, a sensibilidade de Gide está nele assegurada pela inteligência de Maritain: o que faz o romancista católico. Pode calmamente voltar à família, escrever, no Noeud de vipères, o romance, realmente magistral, da conversão pela família. O “démon du midi”, enfim lavado e penteado como filho-família bem criado, filho da Génitrix e dos padres marianitas, enfim digno dos salões e mesmo do supremo salão: François Mauriac, de l’Académie Française. Agora, está tranqüilo. Mas eu não estou tranqüilizado. Não sou uma “liseuse”. Sou um “lecteur”. Mauriac, o grande romancista católico, inquietou-me tão profundamente que não dormirei antes de saber o que é isto: romancista católico. Chamam-lhe “romancista católico” porque, como católico, reconheceu a realidade do pecado, e como romancista, descreveu-a, ou, melhor: transfigurou-a. Mas parecem intenções contraditórias. Quem reconheceu a realidade do pecado, dificilmente pode transfigurá-lo, e a transfiguração se faz em detrimento da realidade. A sinceridade humana e a sinceridade literária de Mauriac, ambas fora de dúvida, contradizem-se. A sinceridade de Mauriac impede que lhe apliquemos a frase de La Rochefoucauld: “L’hypocrisie est un hommage que le vice rend à la vertu.” Mas aplica-se-lhe a frase inversa, indicando o assunto de toda a sua obra: “La franchise est un hommage que la vertu rend au vice.” Manifesta-se o abastardamento do conjunto Gide-Maritain: longe de mim lançar ao próprio Mauriac a frase que Bourget lançou, com pouco amor cristão, a um católico; mas vou aplicá-la a todas as personagens do romancista católico: “bâtards d’un prêtre et d’une danseuse”. Assim, as qualidades católicas de Mauriac prejudicam o romancista, e as suas qualidades literárias prejudicam o católico. Balzac podia aliar as mesmas convicções católicas à plenitude de vida romanceada, porque o seu gênio ingênuo desconheceu os remorsos do moralista; ficando firmemente do lado da vida, não teria nunca imaginado expiar as aventuras de belas pecadoras por meditações sobre a quinta-feira santa. Em Mauriac, o romancista é o dupe do católico, o católico é o dupe do romancista. Tenta ocultar a sua fraqueza sob o véu do misticismo, dum misticismo que não passa de mistura de incenso e perfume. Fascina com isso os “liseurs” e sobretudo as “liseuses”. Mas eu não sou uma “liseuse”. Como católico, não desejo ser tentado; como leitor, não desejo ser convertido. Quando preciso de um confessor, não me dirijo ao romancista; quando preciso de um romancista, não me dirijo ao confessor. E não sei como chamar a Mauriac: se romancista confessado ou confessor romancista confessado ou confessor romanceado. Mauriac tornou-se romancista quando a realidade do pecado lhe foi revelada no confessionário. Não esqueceu nunca essa origem da sua arte. A inquietação dos seus romances é fruto das horas inquietas do adolescente no confessionário. Continuou filho fiel do seu confessor, tornou-se, enfim, o próprio confessor das suas leitoras, assegurando-lhes um fim edificante às suas aventuras. É um compromisso, como foi compromisso a dissolução da Congregatio de auxiliis gratiae, medida que gerou, consecutivamente, o laxismo dos jesuítas, a resistência dos jansenistas e a descristianização da França aburguesada; Bernard Groethuysen, nas Origines de l’esprit bourgeois en France, bem o descreveu. Agora, estamos num mundo descristianizado, burguês, onde os católicos constituem irremediavelmente uma minoria. Mas o católico Mauriac é, ao mesmo tempo, o filho fiel da família, da burguesia francesa. A sua qualidade de “romancista católico” — o romance é um gênero bem burguês — significa nova tentativa de mediação, em vez de resolução, novo laxismo em favor dos burgueses católicos, e sobretudo em favor das burguesas. Homem muito gentil — gentileza dos salões e da Academia —, facilitou um pouco a relação entre o pecado e a graça. Kierkegaard, porém, o inimigo mortal de toda “mediação”, tê-lo-ia amaldiçoado por esse “pouco”, que resolveu um problema pessoal e falsificou uma atitude. O problema pessoal de Mauriac consistiu em reunir a inteligência de Maritain e a sensibilidade de Gide. Com efeito, a dialética engenhosa de Maritain parecia destinada a incorporar o inferno gideano — e todo o inferno —  ao mundo católico de Mauriac. Precisava para isso duma verdadeira dialética, dum movimento como o representam os três estádios — estético, ético, religioso — de Kierkegaard. Toda dialética, porém, é movimento; e Mauriac não suporta o movimento. O movimento febril dos seus romances mal oculta a sede de tranqüilização que encobrirá o romântico nas dobras sublimes do classicista. O classicismo à Luís XIV de Mauriac é mero subterfúgio, como o monarquismo tradicionalista de Maurras é mero subterfúgio, disfarce do burguês bem-pensante em marquês cavalheiresco, para salvar, com a espada richelieuiana do acadêmico, a sociedade burguesa. É uma atitude febril, mas antidialética. E se Kierkegaard nos ensinou que o cristianismo e a burguesia se contradizem essencialmente, está comprovado que o cristão François Mauriac é muito bom burguês. O produto do abastardamento chama-se: bem-pensante. Não gosta de nenhuma dialética. Não gosta de movimento algum. Gosta só de tranqüilidade, de estabilidade. Desfigura o seu cristianismo em moralismo, para libertar-se dos instintos românticos da puberdade, para poder voltar “au sein de sa famille”. Desejou, com o ardor mais febril dos adolescentes tentados, a estabilidade no seio da sociedade burguesa, no seio da família burguesa, onde ao filho pródigo está sempre assegurado o perdão da mãe e, após ligeiras dificuldades, o perdão do confessor. Conseguiu. O discípulo de Gide e de Maritain é o filho recuperado da Génitrix, dos padres marianitas e de todas as “liseuses”. Está, com isso, muito bem. Bloy morreu como mendigo; Bernanos está no exílio; e para Mauriac, “le fleuve français continue à courir”. E se o meu amigo saudoso fosse ainda vivo, eu pedir-lhe-ia perdão, confessando: — “Você teve razão. Mauriac é um gênio universal. Reúne a famosa curiosidade das almas femininas de Maurois ao classicismo burguês de Maurras. Mais ainda: é mais profundo do que Maurois e é mais cristão do que Maurras. Mas isto não é grande coisa.” Contudo, Mauriac é um excelente romancista. As suas qualidades, porém, são qualidades da grande tradição novelística francesa, qualidades de composição acertada e de psicologia penetrante num sentido, aliás, que parece — em face das últimas experiências novelísticas — já bastante antiquado. É uma tradição clássica, e nesse sentido Mauriac é um clássico, como era clássico daquela tradição um Paul Bourget. A diferença entre eles é mais de ordem moral do que de ordem literária. O Disciple, de Bourget, que foi um acontecimento, gerou uma corrente de idealismo, uma sede espiritual; — não o esqueçamos — foi o “discípulo” católico Péguy quem morreu nas campinas do Marne. A obra de Mauriac forjou uma boa consciência — esse travesseiro do diabo — a muitos jovens católicos, os colaboracionistas de hoje. Para eles, a vida continua. “Le fleuve français continue à courir.” Mauriac, ele também, continua. Continua a escrever romances, sempre os mesmos. No meio dos “Malheurs de la France”, continua os “Malheurs de Sophie”, sempre recidiva; exatamente como o velho Bourget, entre as tormentas de inflação e revolução social, continuara as aventuras edificantes das suas comtesses. Não esqueçamos que Bourget era também um grande nome em seus dias: chamaram-no escritor clássico, psicólogo penetrante, romancista de êxito mundial, e católico intrépido. Havia, em tudo isso, uma parcela de verdade. A posteridade, porém… a posteridade será mais misericordiosa com o sub-Bourget dos nossos dias? (Em Otto Maria Carpeaux, Origens e fins)

  • O Pai Nosso das almas do purgatório

    O Pai Nosso das almas do purgatório Pedido por Jesus a Santa Mechtilde – século XIII Um dia em que Santa Mechtilde havia acabado de comungar e oferecer a Deus a Hóstia Preciosíssima, a fim de que Ela servisse para a libertação das almas do Purgatório, com a remissão de seus pecados e a reparação de suas negligências, ouviu o Senhor dizer-lhe: “Reze por elas um Pai Nosso em união com a intenção que eu tive, ao tirá-lo do Meu Coração, a fim de ensiná-lo aos homens”. Ao mesmo tempo, a inspiração Divina desvendou à Santa as intenções (cuja fórmula sucinta está neste folheto). E quando Santa Mechtilde acabou de rezar o Pai Nosso nessas intenções, ela viu uma grande multidão de almas, rendendo graças a Deus pela sua libertação do Purgatório, numa alegria extrema. A cada vez que a Santa rezava essa oração, via uma legião de almas subindo para o Céu. Socorramos as pobres almas do Purgatório, que nada podem para si mesmas, a não ser sofrer, esperando pelos nossos sufrágios, rezar por nós e serem gratas. O PAI NOSSO: PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU… Eu vo-lo peço, ó Pai Eterno, que perdoeis às almas do Purgatório por não Vos terem amado, nem rendido toda a honra que Vos é devida a Vós, seu Senhor e Pai, que só por pura graça as adotastes como filhas. E elas, no entanto, por causa de seus peca-dos, Vos expulsaram de seu coração onde desejáveis sempre habitar. Em reparação desses pecados por elas cometidos, eu Vos ofereço todo o amor e toda a veneração que o Vosso Filho feito Homem Vos teste-munhou ao longo de toda a Sua vida ter-restre, e eu Vos ofereço todas as ações de penitência e de satisfação pelas quais Ele apagou e expiou os pecados dos homens. SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME… Eu Vos suplico, ó Eterno PAI, que perdoeis às almas do Purgatório, por não terem honrado dignamente o Vosso Santo Nome, por terem-No pronunciado freqüentemente em vão e terem-se torna-do, pela sua vida de pecado, indignas do nome de cristão. Em reparação desses pe-cados por elas cometidos, eu Vos ofereço toda a honra que o Vosso Filho bem-amado rendeu ao Vosso Nome, por Suas palavras e obras, ao longo de toda a Sua vida terrestre. VENHA A NÓS O VOSSO REINO… Eu Vos rogo, ó Eterno PAI, perdoar as almas do Purgatório, por não terem sempre pro-curado nem desejado o Vosso Reino com bastante zelo, este Reino que é o único lugar onde reinam o verdadeiro repouso e a eterna PAZ. Em reparação desta indife-rença em praticar o bem, eu Vos ofereço o Santíssimo desejo com o qual o Vosso Filho desejou que, também elas, fossem as herdeiras do Seu REINO. SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU… Eu Vos rogo, ó Eterno PAI, que perdoeis às almas do Purgatório por não terem submetido a sua vontade própria à Vossa, nem terem procurado fazer a Vossa Von-tade acima de todas as coisas. Em repara-ção dessa desobediência, eu Vos ofereço a perfeita conformidade do Coração pleno de Amor do Vosso Divino Filho, com a Vossa Santa Vontade, e a submissão que Vos testemunhou, obedecendo-Vos até à morte de cruz. O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE… Eu Vos rogo ó Eterno PAI, perdoar às almas do Purgatório por não terem recebido a SAGRADA COMUNHÃO com bastante desejo, por terem-Na freqüentemente recebido sem recolhimento e sem amor, até mesmo in-dignamente, e ainda terem negligenciado em recebê-La. Em reparação de todos es-ses pecados, eu Vos ofereço a iminente Santidade e o grande Recolhimento de Nosso Senhor JESUS CRISTO, assim como o ardente AMOR com que Ele nos fez este incomparável Dom. (Eu Vos rogo ainda por aquelas almas que comungaram sem fé, sem gesto de adoração, não cui-dando das migalhas da Hóstia, com roupas indecentes ou até provocadoras, sem terem se confessado, com pecados mortais. Eu Vos rogo, igualmente, pelas almas dos protestantes que rejeitaram este Augusto Sacramento, e agora o lamentam no meio das chamas. Compadecei-Vos delas, suscitando em mim, em seu lugar, a Fome Eucarística.) PERDOAI AS NOSSAS DÍVIDAS, ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A NOSSOS DEVEDORES… Eu Vos rogo, ó Eterno Pai, perdoar às almas do Purgatório, de terem se tornado culpa-das, sucumbindo aos pecados mortais e por não terem querido nem amar nem perdoar a seus inimigos. Em reparação desses pe-cados, eu Vos ofereço a oração cheia de amor que, na cruz, o Vosso Divino Filho Vos dirigiu em favor de Seus inimigos. NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO… Eu Vos rogo, ó Eterno Pai, perdoar as almas do Purgatório, por não terem freqüentemente resistido às tentações e às paixões e seguido o inimigo de todo o Bem, e de terem-se abandonado àsconcupiscências da carne. Em reparação de todos estes pecados em suas múltiplas formas dos quais se tornaram culpadas, eu Vos ofereço a gloriosa Vitória que Nosso Senhor Jesus Cristo obteve sobre o mundo, assim como a Sua Santíssima Vida, Seu trabalho e Suas penas, Seu sofrimento e morte crudelíssima. MAS LIVRAI-NOS DO MAL e de todos os castigos, em virtude dos méritos de Vosso Filho bem-amado, e conduzi-nos, assim como as almas do Purgatório, ao Vosso Reino de Glória que sois Vós mesmo. AMÉM! Edson Roque

  • Aceitar a Cruz

    NUNCA SE QUEIXE DAS CRIATURAS Nunca se queixe de qualquer pessoa ou coisa que Deus possa usar para afligi-lo. Há três tipos de queixas que nós podemos fazer em tempos de sofrimento. A primeira é a natural e espontânea, como quando o corpo geme e reclama, verte lágrimas e lamentos. Não há falha nisso, desde que, como eu disse, o coração esteja resignado ao desejo de Deus. O segundo tipo de queixa é aquele da mente, como quando nós reconhecemos nossas maldades a alguém que pode nos dar algum alívio, tal como um doutor ou um superior. Poderia haver alguma imperfeição nisso se nós estivéssemos também ávidos para contar nossos problemas, mas não há pecado nisso. O terceiro tipo é pecaminoso: quer dizer, quando nós criticamos nosso semelhante tanto para livrar-se de um mal que nos aflige ou nos vingarmos dele; ou quando nós nos queixamos deliberadamente do que nós sofremos com impaciência e resmungos. ACEITE A CRUZ UNICAMENTE COM GRATIDÃO Não importa quando você receber qualquer cruz, receba sempre com humildade e prazer. E quando Deus lhe favorece com uma cruz de alguma importância, mostre sua gratidão de um modo especial, peça a outros que façam o mesmo. Siga o exemplo da mulher pobre que havendo perdido tudo que ela tinha em um pleito injusto – com a única moeda que restava ofereceu para ter uma Missa em ação de graças pela boa fortuna. CARREGAR ALGUMAS CRUZES VOLUNTÁRIAS Se você quer se tornar merecedor dos melhores tipos de cruzes, isto é, aquelas que vêm até você sem escolher, então sob a direção de um diretor prudente, tome algumas delas por seu próprio consentimento. Por exemplo, suponha que você tenha uma peça de mobiliário que você seja apreciador, mas que não é de qualquer uso pra você. Você poderia distribuir a alguém que precisasse disso, dizendo para si, “Por que eu deveria ter coisas que não preciso quando Jesus é tão pobre?” Ou se você tiver um desgosto por um certo tipo de comida, uma aversão a uma prática de alguma virtude particular, ou um desgosto por algum odor desagradável, poderia pegar a comida, praticar a virtude, aceitar o odor, e assim conquistar a si mesmo. Ou novamente, sua ternura por uma certa pessoa ou coisa talvez seja repugnante. Por que não vê menos essa pessoa ou se mantém distante dessas coisas que lhes seduzem? Se você tiver uma inclinação natural nunca se perca. Vocês têm uma aversão natural a certas pessoas ou coisas? Então as evite e as domine. Se em verdade sois verdadeiros Amigos da Cruz, o amor, que é sempre engenhoso, fará vocês encontrarem milhares de pequenas cruzes para enriquecê-los. E vocês não precisarão ter qualquer medo de vanglória, que tão frequentemente corrompe a paciência que as pessoas exibem sobre cruzes espetaculares. E porque vocês têm sido fiéis nas coisas pequenas, o Senhor lhes estabelecerá um fardo maior, de acordo com Sua promessa. Isso quer dizer, fardos de maiores graças que Ele lhes proverá, das maiores cruzes que Ele lhes enviará, das maiores glórias que Ele lhes preparará. (São Luís Maria de Montfort) Fonte: Diário de um Católico

  • Não desanimem! O bom combate está apenas começando.

    Muitas autoridades da Igreja têm ensinado o erro e estes são tempos difíceis. Isto, porém, não é motivo para desanimar. O bom combate só está começando. Vamos à luta! Baixar livro COMONITORIO: https://goo.gl/m41nH8 __________________________________________________ APOIA-SE: https://apoia.se/bernardokuster Facebook: https://www.facebook.com/bernardopkuster Twitter: @bernardopkuster Instagram: bernardo_kuster #CNBB #Combate #demônio #Igreja

  • O ANTICRISTO SERÁ PACIFISTA, ECOLOGISTA E FILANTROPO

    A guerra – é dito nos diálogos de soloviev – é certamente um mal, mas devemos lembrar que tanto na vida das pessoas como na vida das Nações, por vezes, há situações que não se pode responder com conselhos ou boas palavras à violência má. Biffi Diz que, segundo Soloviev, enquanto os ideais de paz e fraternidade são valores cristãos indiscutíveis e vinculantes, o pacifismo ou a não violência não são a mesma coisa, pois acabam por se tornarem, muitas vezes, uma capitulação social a prevaricação é um abandono dos pequenos e dos fracos sem defesa, a mercê dos iníquos e prepotentes. O Cardeal continua dizendo que o anticristo será uma ecologista, Lembrando que este é um termo moderno que o autor Russo obviamente não utiliza, mas sua descrição é muito clara: “o novo Senhor do mundo, diz soloviev, era acima de tudo filantropo, cheio de compreensão, não só amigo dos homens, mas também dos animais. pessoalmente ele era vegetariano, proibiu a vivissecção, as sociedades protetoras dos animais foram fomentadas de todas as formas”. O anticristo, finalmente, se mostrará como perfeito é ecumenista, capaz de dialogar com “palavras doces, sabedoria e eloquência”. convocará todas as religiões cristãs para um Concílio ecumênico sob sua presidência. Promoverá a união com a dádiva, buscará a o Consenso por meio de concessões e dos favores mais apreciados, “demonstrando a todos o mesmo amor, a mesma solicitude para satisfazer a verdadeira aspiração de cada um”. É um ecumenismo, diz o cardeal Biffi, exterior e quantitativo que vai funcionar quase perfeitamente: as massas de cristãos entrarão em seu jogo. o cardeal conclui seu resumo da obra de soloviev: apenas um pequeno grupo de católicos com a liderança do papa Pedro II, um pequeno número de ortodoxos é alguns protestantes resistirão ao fascínio do anticristo. Eles chegarão a um ecumenismo da verdade, reunindo-se na única igreja e reconhecendo o primado de Pedro. Mas será um ecumenismo escatológico, que se realize quando a história estiver chegando ao seu fim. O cardeal pergunta-se então: qual é a advertência profética que chega até nós dessa espécie de parábola do grande filósofo russo? Chegará o tempo, diz o pregador dos exércicios espirituais do papa do ano 2007, quando na cristandade se tenderá a resolver o mistério da salvação em uma série de valores de sucesso fácil nos mercados mundanos. ” devemos nos guardar desse perigo. Mesmo quando um cristianismo que falasse de valores largamente nos fizesse infinitamente mais aceitável nos salões, nos grupos sociais e políticos, nas transmissões de TV, não poderíamos e nem deveríamos renunciar ao cristianismo de Jesus Cristo, o cristianismo que está centrado no escândalo da cruz e na realidade pungente da ressurreição do senhor”. O filho de Deus, crucificado e ressuscitado, único salvador do homem, não pode ser traduzido em uma série de bons projetos e de boas inspirações homologáveis com a mentalidade mundana dominante. É uma pedra, como ele disse claramente de si-como raramente temos a coragem de repetir, sobre esta pedra se constrói confiante ou, opondo-se a ela, acaba-se em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará esmagado (MT, 21,44)”. Não há dúvida de que o cristianismo é antes de tudo um advento, mas também é indubitável que este advento propõe é defende valores inalienáveis. Não se pode, por amor ao diálogo, dissolver o fato cristão em uma série de valores compartilhados pela maioria; não se podem menosprezar os verdadeiros valores como sendo algo descartável. Um discernimento, afirma o cardeal, se faz necessário. Existem valores absolutos, transcendentais – continua com a verdade , o bem, a beleza. Aqueles que os percebem, os honram e os amam, percebem, honram e amam Jesus Cristo, ainda que o não saibam e até mesmo se vejam como ateus, porque no ser profundo das coisas Cristo é a verdade, a justiça e a beleza. Há também outros valores relativos (categoriais) como o culto à solidariedade, o amor pela paz, o respeito pela natureza, a atitude do diálogo etc. Eles merecem um juízo mais flexível que preserve a reflexão de qualquer AMBIGUIDADE. Solidariedade, paz, natureza e diálogo podem se tornar para os não-cristãos ocasiões concretas de aproximação inicial e informal com Cristo e seu mistério. Mas, se para observá-los torna-se absolutos até se separar totalmente de sua raiz objetiva, ou, pior ainda, até se contrapor ao anúncio do fato salvífico, tornan-se incitamento à idolatria e obstáculos no caminho da salvação”. ” Do mesmo modo, no cristão, esses mesmos valores – solidariedade, paz, natureza, diálogo – podem fornecer impulsos valiosos para o aprofundamento de um verdadeiro amor a Jesus Cristo, senhor do universo é da história. Mas se o cristão, por amor ao diálogo e as boas relações de vizinhança para com todos, quase sem perceber, deixa de lado o fato salvífico na exaltação e realização desses fins secundários, e com isso impede a conexão pessoal com o filho de Deus crucificado e ressuscitado, vai pouco a pouco consumando o pecado da apostasia até se colocar ao lado do anticristo”, concluí o Cardeal Biffi. Creio que esses parágrafos pregados ao santo padre, em seus exercícios espirituais de 2007, constituem bons elementos de discernimento diante da atual desordem de idéias e atitudes dentro e fora da igreja. Fica por nossa conta, com o auxílio da graça de Deus, despojar-nos de critérios mundanos para avaliar de modo cristão a realidade, sabendo que na hora de tomar nossas próprias decisões pessoais, sobretudo aquelas que comprometem a fidelidade às exigências de Jesus Cristo, o critério mundano nos levará a optar pelo que não nos traga complicações, o que agrada aos outros, o que é tido pelo mundo como POLITICAMENTE CORRETO. Será sempre covardia – e as vezes apostasia – nas decisões de consciência preferir a boa fama, ou a segurança do trabalho estável, ou o ganho político, ao invés de dar o testemunho de Cristo. Converter-se significa, dizia o cardeal Ratzinger, não viver como todos, não se justificar com atitudes duvidosas, ambíguas, más, pelo fato de que outros fazem o mesmo; começar a ver a própria vida com os olhos Deus; buscar, portanto o bem, ainda quando seja incômodo; não fazê-lo pensando no julgamento da maioria, dos homens, mas no juízo de Deus. Por outras palavras: buscar um novo estilo de vida, uma vida nova, que necessariamente repercutirá nas estruturas temporais. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja

  • Porque que foi na Europa cristã que a universidade surgiu e não em outros lugares?

    A criação das universidades Talvez em deferência ao politicamente correto de nossos tempos, ou talvez devido a uma inteira ignorância histórica, tem havido muitos esforços recentes para colocar a criação das primeiras Universidades na China, na Índia ou na Pérsia. Uma tentativa clara de tentar desqualificar o cristianismo como uma religião de fundamental importância para a construção do mundo ocidental. Claro, desde os tempos antigos e em muitos dos antigos impérios, havia escolas dedicadas ao ensino religioso, cultura, bem como instituições que abrigavam aqueles dedicados à contemplação e meditação, como havia também no Ocidente. Mas o professor Charles Haskins, especialista em período medieval afirma: “As universidades, assim como as catedrais e os parlamentos, são um produto da Idade Média.” [1]“ Mas precisamos entender certos aspectos históricos e como as coisas se desenrolaram, o cristianismo medieval foi o responsável por manter a Europa nos eixos após a queda do Império romano e o início das invasões bárbaras. A igreja era a única instituição da época que prezava pelo conhecimento, a ordem e o cultivo do saber, em meio a uma civilização em colapso que estava se desintegrando. Devido a uma série de fatores, como perseguições religiosas e a busca por uma vida isolada para elevação espiritual, a vida monástica começou a surgir no ocidente. E foi posteriormente nos mosteiros onde se deu boa parte do progresso intelectual e tecnológico daquele tempo antigo. Os monges desenvolveram técnicas pioneiras de agricultura e metalurgia, bem como a cópia de textos da literatura clássica greco-romana, como também de manuscritos bíblicos. Não podemos nos esquecer de que o mais antigo exemplar da Bíblia, o Codex Sinaiticus, datando do século IV foi encontrado em um mosteiro próximo ao Monte Sinai. Como afirma o historiador e professor Dr. Mauricio Righi, no prefácio do livro A criação do ocidente: ” Os povos germânicos que invadiram e conquistaram o mundo romano a partir do século V, embora dominassem a metalurgia, encontravam- se, em termos culturais, sociais e econômicos, muito próximos às culturas neolíticas (sem escrita, sem vida urbana e sem Estado organizado). O retrocesso cultural foi simplesmente brutal, e é possível assegurar que a civilização quase desapareceu. Todavia, três séculos mais tarde, o Império Carolíngio era formado, o que propiciou um renascimento das letras e do conhecimento; mais quatro séculos e surgiram as grandes catedrais góticas, as universidades e o pleno desenvolvimento da vida urbana; mais três séculos e meio, navegação ultramarina, capitalismo e ciência apareciam para fundar um novo mundo.”[2] Para falar especificamente sobre as universidades, elas foram uma evolução das escolas monacais e do renascimento carolíngio, que foi movimento de revitalização cultural na literatura, cultura e arte. Como explica a historiadora francesa Regine Pernoud: ” Estas Universidades são criações eclesiásticas, o prolongamento, de algum modo, das escolas episcopais, das quais diferem no fato de dependerem diretamente do papa e não do bispo do lugar. A bula Parens scientiarum de Gregório IX pode ser considerada como a carta de fundação da Universidade medieval, com os regulamentos promulgados em 1215 pelo cardeal-núncio Roberto de Courçon, agindo em nome de Inocêncio III, e que reconheciam explicitamente aos professores e aos alunos o direito de associação. Criada pelo papado, a Universidade tem um carácter inteiramente eclesiástico: os professores pertencem todos à Igreja, e as duas grandes ordens que ilustram, no século XIII, Franciscana e Dominicana, vão lá, em breve, cobrir-se de glória, com um S. Boaventura e um S. Tomás de Aquino; os alunos, mesmo aqueles que não se destinam ao sacerdócio, são chamados clérigos, e alguns deles usam a tonsura — o que não quer dizer que aí apenas se ensine a teologia, uma vez que o seu programa comporta todas as grandes disciplinas científicas e filosóficas, da gramática à dialética, passando pela música e pela geometria.”[3] As duas primeiras universidades foram fundadas, em Paris e Bolonha respectivamente, em meados do séc. XII. As universidades de Oxford e Cambridge foram fundadas por volta de 1200, seguidas por uma onda de novas instituições no séc. XIII: Toulouse, Orleans, Nápoles, Salamanca, Sevilha, Lisboa, Grenoble, Pádua, Roma, Perúgia, Pisa, Modena, Florença, Praga, Cracóvia, Viena, Heidelberg, Colónia, Ofen, Erfurt, Leipzig, e Rostock. Há o preconceito que não se tratavam de verdadeiras universidades, tendo apenas três ou quatro professores e algumas dezenas de alunos. Na realidade, em meados de séc. XIII, Paris, Bolonha, Oxford e Toulouse tinham entre mil e mil e quinhentos alunos cada, e quinhentos novos alunos entravam anualmente para a Universidade de Paris. Quanto à qualidade, foi nestas mesmas universidades que nasceu a ciência. Recorde-se que eram instituições intensamente cristãs: todos os professores eram ordenados pela Igreja, constituindo a maioria dos primeiros cientistas famosos.[4] E engana-se quem pensa que só se estudava teologia, como a historiadora francesa já demonstrou, a vida intelectual naqueles lugares era efervescente e radiante,  e a busca para compreender os mistérios da criação era intensa, como o historiador Thomas Woods explica:  “Contrariando a impressão geral de que as pesquisas estavam impregnadas de pressupostos teológicos, os estudiosos medievais tinham um grande respeito pela autonomia de tudo quanto se referisse à filosofia natural, um ramo que se ocupava de estudar o funcionamento do mundo físico, particularmente as mudanças e o movimento nesse mundo. Procurando explicações naturais para os fenômenos da natureza, esses pesquisadores mantinham os seus estudos à margem da teologia.” [5] Regine Pernoud explica melhor como era o currículo medieval: “O ensino é dado em latim; divide-se em dois ramos, o trivium, ou as artes liberais: Gramática, Retórica e Lógica, e o quadrivium, quer dizer, as ciências: Aritmética, Geometria, Música e Astronomia; o que, com as três Faculdades de Teologia, Direito e Medicina, forma o ciclo dos conhecimentos. Como método, utiliza-se sobretudo o comentário: lê-se em texto, as Etymologies [Etimologias], de Isidoro de Sevilha, as Sentences [Sentenças’], de Pedro, o Lombardo, um tratado de Aristóteles ou de Séneca, segundo a matéria ensinada, e glosava-se o texto, fazendo todas as observações às quais ele pode dar lugar, do ponto de vista gramatical, jurídico, filosófico, linguístico, etc. Este ensino é, portanto, sobretudo oral; dá um lugar importante à discussão; as Questiones disputate, questões na ordem do dia, tratadas e discutidas pelos candidatos na licenciatura, perante um auditório de professores e alunos, deram, por vezes, lugar a tratados completos de filosofia ou de teologia, e algumas glosas célebres, passadas a escrito, eram elas próprias comentadas e explicadas, na continuação dos cursos.” [6] Bem diferente do pensamento moderno sobre o período medieval, “As Universidades foram centros de intensa vida intelectual , onde os maiores espíritos se enfrentavam em discussões apaixonadas , onde influências complexas provocavam ações e reações , e onde não se hesitava em abordar frontalmente os grandes problemas , lançando mão dos meios de que então se dispunha. A fé, bem longe de ser esterilizante , era o fermento que atuava na massa, obrigando-a a crescer.” [7] Bem diferente do espírito que domina as universidades modernas, onde há notória tendência a um viés ideológico, que é extremamente prejudicial ao debate acadêmico e a produção do saber. As universidades medievais foram essenciais na criação do espírito do ocidente e principalmente para todo o desenvolvimento científico que conhecemos. E o ensinamento cristão de que o universo tinha um criador, que era ordenado e o homem era racional e podia conhecer aqueles segredos, deram a base para a construção de toda fundação da ciência medieval. Alguns exemplos dos conhecimentos nascidos nas universidades medievais: Jean Buridan (1300-58), reitor da Universidade de Paris, antecipou a primeira lei de movimento, de Newton. Copérnico: afirmou que a terra gira sobre o seu próprio eixo. Outro reitor da Universidade de Paris, Nicolau d’Oresme foi (1125-82) com grandes contribuições em mecânica e astronomia. O sacerdote Nicolau Steno, considerado o pai da geologia, Athanasius Kircher, pai da egiptologia, Rogério Boscovich, considerado pai da teoria atômica moderna, Robert Grosseteste, precursor do método científico, Alberto Magno, com grandes contribuições no campo da botânica e teologia, Roger Bacon, que aperfeiçoou as teses de Grosseteste e criou o método científico, William Ockham, Mondino de’Luzzi (1270-1326), que realizou uma dissecção humana em frente de uma audiência de estudantes e professores da Universidade de Bolonha, um fato notório até então, impulsionando os estudos na área da medicina. Dentre tantos outros nomes impossíveis de adicionar, dizem o quanto o cristianismo contribuiu com a ciência e foi essencial no desenvolvimento do pensamento ocidental. Não foi a toa que o papa Inocêncio IV (1243 -1254) descreveu as universidades como “rios de ciência cuja água fertiliza o solo da Igreja universal’’, e o papa Alexandre IV (1254-1261) chamou-as “lâmpadas que iluminam a casa de Deus”. Sabemos que “até o final da Idade Média, pelo menos oitenta universidades foram fundadas em diferentes partes da Europa” [8] E se analisarmos os Estados Unidos, que recebeu grande parte dos imigrantes após o fim da idade média e início das grandes navegações vindos de toda parte da Europa, vemos que a influência do cristianismo os levou a continuar a buscar altos padrões de educação. Tanto que instituições de renome internacional como Harvard, Yale, Darthmouth, Columbia e outras, foram fundadas por movimentos cristãos, em sua maioria protestantes. Como afirma um grande historiador especialista em ciência medieval: A criação das Universidades, o compromisso com a razão e com a argumentação racional e o abrangente espirito de pesquisa que caracterizou a vida intelectual medieval representaram “um dom da Idade Média latina ao mundo moderno […]. ainda que nunca se venha a reconhecê-lo. Talvez esse dom conserve para sempre a condição de segredo mais bem guardado que a civilização ocidental teve durante os quatro séculos passados”. [9] A criação das universidades é apenas uma das inúmeras contribuições cristãs para a civilização ocidental. É impossível negar que a cosmovisão cristã foi essencial nesse processo, não se pode separar o homem das suas crenças mais fundamentais, como o mundo secularizado de hoje tentar fazer. Hoje cientistas em renomadas universidades estudam desde os confins do universo até o interior da célula, escalaram o topo da montanha do progresso, e encontram la uma cruz, fincada por cristãos devotos que estiveram lá muitos séculos antes. Procure obter sabedoria; use tudo o que você possui para adquirir entendimento. Dedique alta estima à sabedoria, e ela o exaltará; abrace-a, e ela o honrará. Provérbios 4 7:8 Referências: [1] Charles Homer Haskins, A Ascensão das Universidades  p.11 [2] Christopher Dawson, A criação do ocidente e a civilização medieval p.25 [3] Regine Pernoud, Luz sobre a Idade Média p.49 [4] Rodney Stark, A Vitória da Razão p.100 [5] Thomas Woods, Como a igreja Católica construiu a civilização ocidental p.55 [6] Regine Pernoud, Luz sobre a Idade Média p.51 [7] Henri Daniel-Rops, História da Igreja de Cristo Vol 3 p.362 [8] Charles Homer Haskins,  A Ascensão das Universidades  p.18 [9] Edward Grant, God and Reason in lhe Middle Ages p.356

  • RELIGIÃO E OBJETIVOS DO MILÊNIO PARA O DESENVOLVIMENTO

    Pra quem não esta entendo os rumos da sociedade e parte do clero, separei este trecho do Monsenhor Juan Sanahuja, você poderá entender que o desenvolvimento está ficando claro,a Igreja e a anti-Igreja, uma sociedade paltada na ética e moral cristã, está se tornando gradativamente pagã, Deus e o anti-Deus, Cristo e o anti-cristo, ou qualquer nome ou termo que você quiser dar, mas é tempo de alinhamento, tome a decisão certa. Foi realizada em nova Iorque, em agosto de 2009, no âmbito da iniciativa do Cairo +15, uma mesa redonda com as instituições religiosas, organizada pelo fundo de população das nações unidas. O motivo foi apresentado pela diretora executiva do fundo, Thoraya Ahmed Obaid, segundo o banco MUNDIAL e a organização mundial de saúde, disse obaid, entre 30% e 60% dos serviços de saúde do mundo são prestados por instituições religiosas; portanto, a colaboração destas é fundamental para se alcançar as metas ou objetivo do milênio para o desenvolvimento, especialmente aqueles que se referem ao HIV-AIDS, ao empoderamento da mulher, a saúde materna, às migrações, à ajuda humanitária, à saúde reprodutiva dos jovens e a violência dos gêneros, ou seja, todos os assuntos aos quais a ONU está determinada a impôr sua ideologia contrária à ordem natural. A diretora do fundo fez referência aos esforços conjuntos deste com a UNESCO, UNICEF e UNAIDS, para comprometer as organizações religiosas através da promoção da cultura da morte. Entre os envolvidos Obaid cita o parlamento das religiões do mundo, sisters in islam (irmãs do islã) e a women’s initiative for spirituality (iniciativa das mulheres pela espiritualidade), na região da Ásia e do pacífico; na América latina destaca a influência do programa do centro berkley em religião e desenvolvimento global, da universidade de Georgetown, e também o trabalho de uma subdivisão do fundo de população chamada Genders, human rights and culturr branhc,( subdivisão de gênero, direitos humanos e culturais, que apóia a global interfaith network. A pressão sobre as religiões é múltipla, por exemplo no ano de 2011, o ex- presidente dos EUA, Jimmy Carter, deixou a convenção Batista do sul, após passar 60 anos como seu membro, porque essa denominação não permite que as mulheres exerçam ministérios sagrados. Carter anunciou que iria lutar junto com Kofi annam, o bispo anglicano desmond tutu, Fernando Henrique Cardoso, e outros nove membros do grupo chamado (the eldesrs) os anciãos para que as religiões não discriminem as mulheres. The Eldesrs presidido por Nelson Mandela, se apresenta como um grupo de 12 líderes mundiais idosos que, entre outras coisas, propõe o acesso das mulheres ao sagrado ministério das denominações cristãs. Pertence ao grupo Mary Robinson, ex presidente da Irlanda e ex alto comissário dos direitos humanos da ONU; é ela porta- voz do pseudo-direito ao aborto, representante do lobby gay internacional e alma mater dos princípios yogyakarta; além disso, preside o ethnical globalization initiative ( iniciativa de globalização étnica). Também membro do the Eldesrs GTO brundtland, ex primeira ministra da Noruega, organizadora da comissão de meio ambiente e desenvolvimento da ONU, ex diretora geral da organização mundial da saúde (OMS) e fundadora da comissão sobre governança global, é abortista e pró gay, the Eldesrs compartilha cargos de direção e é financiada Opem Society ( sociedade aberta) de Gerge soros ” eu não sei se esse homem é um ser humano mesmo ou o próprio capeta disfarçado de judeu bilionário”. Para colocar as religiões a serviço da nova ordem mundial não são poupados meios, pressionando- as externamente e internamente para que mudem seus princípios morais e sua disciplina, os funcionários da nova ordem pouco se importam com as crenças religiosas; são apenas um instrumento para impor uma nova ética ou religião universal que consista, por um lado, no relativismo moral e, por outro, na idolatria da lei positiva- a lei civil-, o que é fruto dos consensos parlamentares ou políticos que vão mudando ao longo do tempo para servir aos interesses de quem esteja no poder, obviamente o grande inimigo desse programa é a doutrina imutável de Jesus Cristo anunciada aos homens pela igreja católica. Daí o assédio contínuo por ela sofrido. A aliança das civilizações e o apoio maçônico explícito Outra confusão que a carta da terra promove é a aliança das civilizações, que por sua vez está relacionada com religiões para a paz ( world conference of religiins for peace- wcrp). Em 22 de abril de 2006, Federico mayor Zaragoza, presidente da fundation cultura de paz, sendo co-presidente da aliança das civilizações, reconheceu que está promove a carta da terra. Em 2004, o primeiro ministro espanhol, o abortista e pró-homosexual José Luiz Rodrigues zapatero, lançou a iniciativa Aliança de civilizações como uma contribuição para a iniciativa da ONU chamada diálogo das civilizações como uma contribuição para iniciativa da onu chamada diálogo das civilizações. A aliança, que tem como objetivo o diálogo para superar as diferenças culturais e religiosas entre os povos, concretamente com os islâmicos, é, na prática, uma estratégia para integrar a Turquia a união européia, e dar mais um golpe nas raízes cristãs na Europa. O primeiro ministro turco Erdorgan disse que ” não deveria ser permitido fazer da Europa um clube cristão “. A aliança é presidida pelo chefe de estado turco- inicialmente recep Erdogan tayyp e agora mehmet Aydin- e pelo espanhol Federico mayor Zaragoza. Em 2007, o secretário geral das nações unidas, ban ki- moon nomeou o socialista português Jorge Sampaio alto representante da ONU para aliança das civilizações. Membro do grupo de alto nível da aliança, Karen Armstrong, ex-freira católica que abandonou a fé, para se tornar, segundo ela, uma ” monotopista freelance”. É uma das representantes da Europa. Ela promove um culto sincrético tomando aspectos do Cristianismo, judaísmo e islamismo. Outro representante europeu é o francês Hubert vedrine, ex- ministro do governo socialista de Lionel jospin, participante dos chamados diálogos de Lion, nos quais buscou um amplo consenso para a carta da terra. Também faz parte do grupo nafis sadik, atual assessora especial do secretário geral da ONU, ex diretora executiva do fundo de população da ONU e organizadora de conferência do Cairo, como defensora do reconhecimento dos “direitos” sexuais e reprodutivos como direitos humanos, foi membro da comissão que criou protocolo facultativo da cedaw. Hoje é uma das diretoras do centro de política e legislação reprodutiva(crlp), uma ONG que pressiona os governos pelo reconhecimento pleno de Tais direitos. Outro membro do grupo é o bispo anglicano, abortista e pro-homosexual Desmond tutu, pela América latina estão Henrique Iglesias, Candido Mendes,e pelo oriente médio, o histórico ex-presidente iraniano, o aiatolá Mohamed khatami. Em 2008, Mayor Zaragoza declarou que o fórum mundial de redes da sociedade civil (Ubuntu), do qual ele mesmo é membro importante, apóia a carta da terra. Fazem parte deste fórum mundial, por exemplo, Advogacy for women in África (ONG abortista); anistia internacional( seus objetivos gerais prioritários para 2007 incluíram o reconhecimento do direito ao aborto e o reconhecimento legal das uniões homosexuais; care internacional(promove o aborto); clube de Roma; fundacional arias para lá paz y el progreso humano( costa rica, ONG que promove o aborto e o homosexualismo, Green gross international, human rights watch, entre muitas outras organizações e ONGs espalhadas pelo mundo. Alguns personagens importantes que promovem o fórum mundial(Ubuntu) são Hans Küng, kofi annan, Leonardo Boff, Mikhail Gorbachev, Isabel Allende, Jaques felors, Nian Chomsky, Gabriel Garcia Marquez, Candido Mendes, Adolfo Perez Esquivel, shridarth Ramphal, José Saramago, Mário Soares, Muhammad yunus, etc. Desde a sua criação, a iniciativa carta da terra, assim como outros projetos éticos da nova ordem, tinha um ar marcante Maçon. Para dissipar as dúvidas ingênuas, em 27 de março de 2006 a própria maçonaria reconheu seu apoio a carta da terra: o então grão mestre da grande loja da argentina de livres e aceitos maçons, Hector Sérgio Nunes, dirigiu aos seus confrates a chamada carta Antártida da maçonaria argentina, na seção carta da terra e o desenvolvimento sustentável, afirma: A carta da terra é influenciada pela nova visão científica mundial, incluindo as descobertas da moderna cosmologia, da biologia evolutiva, da física e da ecologia. Ela é baseada na sabedoria das religiões do mundo e das tradições filosóficas ancestrais, também reflete o pensamento de grupos e organizações ligadas a defesa dos direitos humanos, da igualdade de gênero, da sociedade civil, do desarmamento e da paz, é por isso que nossa ordem assinou o tratado, concluí a carta Antártida da maçonaria argentina, fazendo assim referência a sua adesão a carta da terra #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #humanismo #Históriamoderna #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja

  • O COMBATE AS TENTAÇÕES – CONSELHOS SALUTARES

    Os Santos foram tentados e não se queixavam. Resistiam. Se, após algumas escaramuças, vos declarais fatigada, achando a luta dura demais e demasiado longa, é que nunca compreendestes esta palavra tão enérgica do apóstolo: “Na vossa luta contra o pecado ainda não resististes até o sangue!” Sob a dentada das tentações, sabeis o que faziam os santos? Flagelavam-se, dilaceravam-se com cilícios e pontas de ferro, mergulhavam-se em tanques gelados, rolavam-se nos espinhos ou em carvões ardentes! Eis aí, consoante a história, a que grau de heroísmo levavam eles a luta contra tentações terríveis. Deus não pede mortificações semelhantes. Pelo menos podeis reconhecer que o que Ele reclama da vossa fidelidade é bem pouca coisa em face de tais combates. Sucede, ainda, que esse pouco não se deve regateá-lo, e que o perigo aí está sempre para exigi-lo. Se importa não aumentá-loexagerando-o, também não se deve desconhecê-lo ao ponto de descurar os meios de vencê-lo. O inimigo aí está; ronda incessantemente para empolgar a presa que ele cobiça. O esforço humano é insuficiente para triunfar dele sozinho, a vitória só de Deus pode vir. Quais são, pois, nessa luta, os meios a que devereis recorrer e que, como auxílio divino sempre oferecido, assegurarão a derrota do inimigo? a) Pedir a Deus Sem o amparo especial da sua graça não se pode conservar a pureza. Esta virtude, mais ainda do que outras, está acima das puras forças humanas. Por isso é preciso pedi-la Àquele em quem tudo podemos quando Ele nos vem fortificar. Durante a tentação, esquecer-se de rezar é parecer-se com o soldado que vai para o combate sem armas. Quanto mais tentada vos sentirdes, tanto mais deveis rezar. Se a criança cai, é porque recusa a mão do pai; se o cristão sucumbe, é porque não rezou. Ninguém é jamais vencido senão por sua culpa. “Minha graça te basta”, dizia Deus a São Paulo, e esta palavra Ele a repete a todos os que são tentados. E, no entanto, muitas almas, ao invés de recorrerem instintivamente a essa arma soberana, deixam-na cair por causa da sua perturbação! b) Vigiar os próprios olhares Como Jeremias falando das horrendas calamidades da sua nação, a respeito dos males que a vista ocasiona, tem-se repetido muitas vezes que “a morte entrou pelas janelas”. Esta figura é muito expressiva, mas Santo Agostinho nos assinala o mesmo perigo de maneira mais direta. Escreve ele: “Aquele que não guardar os olhos não poderá guardar o coração. O olhar produz o pensamento, que pode provocar o desejo, o consentimento, o hábito, a necessidade e a morte”. Isto ajuda a compreender a reflexão de um homem que tinha ficado cego: “Perdi meus dois maiores inimigos!”. A beleza atrai antes de emocionar, solicita os olhos. Holofernes foi preso pelos olhos em contemplando a beleza de Judite, David foi perdido por um olhar…Mas para que invocar testemunhos? Interrogai a vossa consciência… Acaso a maior parte das vossas tentações não foram provocadas por um olhar imprudente? c) Conservar uma grande calma Quando sentirdes vir o ataque, ficai bem na posse de vós mesma e nada exagereis. Sobretudo, não vos perturbeis! Lembrai-vos, então, de que Deus vos vê e vos protege, de que Ele não permitirá que sejais tentada acima das vossas forças, e, com rápido movimento do coração, recorrei a Ele com confiança, a fim de lhe atrairdes o socorro. Ele é o Deus da paz; então, sobretudo, ficai bem em paz, pensando em que Ele a isto vos convida por este doce incentivo: “Eu estou contigo, sou eu, fica sem receio!” d) Mudar de ocupação De lugar se possível, sair, distrair-se, criar uma diversão qualquer, ou então fixar com mais intensidade a atenção na ocupação presente. Será essa uma forma de resistência. E São Tiago disse: “Resisti ao demônio, e vê-lo-eis fugir”. e) Fugir da ocasião A única força humana, na circunstância, é ter medo de si. À beira do precipício, recuar é avançar. Escutai São Francisco de Assis: “Eu sei o que deveria fazer, mas não sei o que faria, se estivesse exposto à ocasião!…” E haveríeis de ir, vós, deliberadamente lá onde sabeis que o perigo vos espera, vos ameaça? f) Não brinqueis com a tentação Não se brinca com o fogo. Não podeis ficar indiferente ante o aparecimento da imaginação que acarretaria a idéia maléfica. Ceder um pouco é enfraquecer-se a si mesma, não é enfraquecer a tentação. Mister se faz, pois, sem se perturbar, enxotar o mau pensamento assim que se apresenta. Se o deixarmos penetrar sem reagirmos suficientemente, aos poucos ele desce ao coração, opera no organismo, causando nele uma moleza deprimente; é, se, mormente por causa de faltas precedentes, ele aí achar terreno propício, pode então ser preciso um rude trabalho para expulsá-lo! Diz o Pe. Antonino Eymieu: “É mais fácil afastar o primeiro pensamento do que lhe suprimir as conseqüências. É mais fácil não semear a glande do que arrancar o carvalho. A idéia é o desfiladeiro por onde passa tudo o que entra na nossa consciência; é, pois, aí que cumpre estabelecer o controle e, se preciso, oferecer batalha. É o ponto estratégico a ocupar para ficar senhor de si”. O inimigo pede-vos apenas um segundo de atenção, insinua que tem só uma palavra a vos dizer; mas essa palavra seria a faísca numa fogueira, quiçá numa pólvora. Atenção! E sede intratável para com ele desde o início… …Vigilância, pois! Que não penetre em vós “a água impura!” há tarefas cuja última marca e cuja influência funesta sobre a vida nunca se podem suprimir, mesmo quando foram apagadas pela misericórdia divina! g) A humildade A tentação é uma humilhação. Aceitemo-la de bom grado, ela nos fará bem. A este respeito, eis os graciosos conselhos de Santa Teresa do Menino Jesus: “A cada nova ocasião de combate comporto-me como brava: sabendo que é uma covardia o bater-se em duelo, viro as costas ao meu adversário sem nunca o olhar de frente. Porque procurardes colocar-vos acima da tentação? Passai por baixo, mui simplesmente. É bom para as grandes almas voar acima das nuvens, quando ronca a tempestade; quanto a nós, temos apenas que suportar pacientemente os aguaceiros. Tanto melhor se ficarmos um pouco molhados, enxugar-nos-emos em seguida ao sol do amor”. Desde que o demônio enganou nossos primeiros pais por estas palavras: “Sereis como deuses”, um orgulho instintivo faz o fundo de toda natureza humana. “Nós crescemos numa adoração inconsciente de nós mesmos, e fazemos fumegar diante do nosso próprio ídolo um incenso que nos cega. Por isso, aos poucos Deus se retira… depois se vinga entregando-nos às enfermidades da nossa própria carne. A impureza é o castigo providencial do orgulho, como, contrariamente, a pureza é a flor natural da humildade. Pode-se, pois, estabelecer uma inegável correlação entre a humildade e a pureza”. (Tissier) Há uma vaidade tola, um desejo de agradar, uma necessidade de aparecer e de se fazer notar, que podem arrastar a donzela a certas leviandades, e mesmo mais longe… Menina, sede bem humilde, e permanecereis sempre bem pura. Em compensação, se sentirdes em vós o orgulho, tremei!… Alguém perguntava ao demônio, que falava pela boca de um possesso, por que era que ele nunca tentava uma alma de virtude exemplar. E ele respondeu: “Ela é orgulhosa demais da sua pureza para que eu lhe perturbe o orgulho!…” h) A alegria Oh sim! A alegria, porque um caráter alegre, ou que procura sê-lo por virtude, é mais apto que outro para a luta. Os tristes são e serão sempre uns tristes santos. A tristeza habitual oferece um campo incrível à tentação. Se essa tristeza, qualquer que lhe seja a causa, não for combatida, se for alimentada, se for cultivada, a alma não tem mais impulsos, um nada pode fazê-la soçobrar. Tende, pois, e alimentai em vós a todo transe essa santa alegria de que falaremos mais adiante. Ela é uma força, um dever; “nascida, um dia, do sorriso de Deus”, ela enflora a vida e facilmente se torna um poder incrível. i) Conservar a confiança Apesar de tudo, mesmo se a tentação devesse ser longa e dolorosa! Porque: 1º – Deus circunscreve o terreno da luta. A vossa liberdade permanecerá sempre inviolável e inviolada. Pode o demônio bater à porta de uma alma, só penetra nela se ela o deixar entrar. 2º – Deus fiscaliza as operações; como assegura o apóstolo, podeis estar firmemente convencida de que Deus não vos deixará tentar além das vossas forças, e a sua graça corresponderá sempre ao grau da tentação. 3º – Ele vos protege pelos seus anjos e especialmente pela Rainha dos anjos, e finalmente Ele próprio intervém. Lembrai-vos sempre de que, atacando-vos, o demônio tem mais em vista Deus. É a obra da Redenção que ele quer destruir atraindo-vos ao pecado. Deus deve, pois, a si mesmo defender-vos. j) Desprezar a tentação Um teólogo dá o conselho seguinte: “Por que não opor mui simplesmente às provocações dessas moscas importunas a indiferença do asco e do desdém? Eis aí um bom remédio: a indiferença, o desprezo. Deixai passar, sem atentar nela, a onda de escuma lodosa que a corrente da vida arrasta. Nada vale tanto como esta atitude. O demônio é todo orgulho. O seu maior suplício será a humilhação pela qual uma criatura humana o esmagará com seu desprezo. Quando uma gota de água vos salta na roupa ou uma mosca vos vem ao rosto, não tendes essas cóleras, esses desesperos, essas angústias que acompanham às vezes a resistência às tentações. Enxugais a água com um reverso de mão, enxotais tranqüilamente a mosca, e está acabado.” São Francisco de Sales dá o mesmo conselho: “Combater um inimigo é sinal de que se faz caso dos seus ataques e da sua força; mas, quando o desdenhamos, sinal é de que o temos por vencido. Para o diabo, nada o enxota tanto como o desprezo, pois o seu orgulho não pode sofrer ser desprezo, pois o seu orgulho não pode sofrer ser desprezado. Ele persegue os que o temem e foge dos que o desprezam”. Fazei grande caso deste conselho, que pode ser dos mais úteis quando a tentação for facilmente superável. É esse um meio muito prático, quer de fazer cessar o ataque, quer de não vos expordes a lhe agravar a intensidade. Porque, se a gente se ocupa da tentação e, sobretudo, se com ela se preocupa de maneira excessiva, ela redobra, ao passo que o vigor da resistência se enfraquece. Aplicai-vos, entretanto, a só empregar esse meio seriamente e com oportunidade. É mister precatar-se de confundi-lo com uma espécie de apatia, de indiferença ou de displicência, que produziriam como que fatalmente uma triste derrota, ou que já poderiam constituir o consentimento culposo, por falta de resistência positiva no caso de perigo sério. Além disso, cumpre notar que as tentações impuras podem às vezes apresentar um caráter de violência que as formam bem penosas em certas horas, nas quais a alma fica como que afogada num oceano de trevas; ela sente, por assim dizer, a lama subir a tal ponto, que só a extrema ponta da alma sobrenada, podendo dar asilo à vontade que resiste a que não quer ser vencida. “A vossa liberdade diz Mons. Gay, está nesse ponto. Esse cimo tem a saliência requerida para que o doure o sol divino, tem a extensão suficiente para que Jesus ponha nele o pé”. Nesse caso, a tentação já não é mais a mosca importuna que um gesto pode enxotar, é uma verdadeira tempestade. Só Jesus poderá reconduzir a calma à vossa alma. Caí, pois, de joelhos aos pés desse divino Salvador, orai-lhe com fé, com essa confiança que o toca mais do que tudo, e logo sentireis a pobre barquinha da vossa alma flutuar na calma e na tranqüilidade. A formação da Donzela – Pe. José Baeteman

  • A FUGA DO PECADO – SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

    I. Da obrigação de evitar as ocasiões perigosas Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade! Falando aqui da ocasião de pecado, temos em vista a ocasião próxima, pois deve-se distinguir entre ocasiões próximas e remotas. Ocasião remota é a que se nos depara em toda a parte e que raramente arrasta o homem ao pecado. Ocasião próxima é a que, por sua natureza, regularmente induz ao pecado. Por exemplo, achar-se-ia em ocasião próxima um jovem que muitas vezes e sem necessidade se entretêm com pessoas levianas de outro sexo. Ocasião próxima para uma certa pessoa é também aquela que já a arrastou muitas vezes ao pecado. Algumas ocasiões consideradas em si não são próximas, mas tornam-se tais, contudo, para uma determinada pessoa que, achando-se em semelhantes circunstâncias, já caiu muitas vezes em pecado em razão de suas más inclinações e hábitos. Portanto, o perigo não é igual nem o mesmo para todos. O Espírito Santo diz: “Quem ama o perigo nele perecerá” (Ecli 3, 27). Segundo S. Tomás, a razão disso é que Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos. São Bernardino de Sena diz que dentre todos os conselhos de Jesus Cristo, o mais importante e como que a base de toda a religião, é aquele pelo qual nos recomenda a fuga da ocasião de pecado. Se fores, pois, tentado, e especialmente se te achares em ocasião próxima, acautela-te para não te deixares seduzir pelo tentador. O demônio deseja que se se entretenha com a tentação, porque então torna-se-lhe fácil a vitória. Deves, porém, fugir sem demora, invocar os santos nomes de Jesus e Maria, sem prestar atenção, nem sequer por um instante, ao inimigo que te tenta. S. Pedro nos afirma que o demônio rodeia cada alma para ver se a pode tragar: “Vosso adversário, o demônio, vos rodeia como um leão que ruge, procurando a quem devorar” (I Ped 5, 8). São Cipriano, explicando essas palavras, diz que o demônio espreita uma porta por onde possa entrar na alma; logo que se oferece uma ocasião perigosa, diz consigo mesmo: ‘eis a porta pela qual poderei entrar’, e imediatamente sugere a tentação. Se então a alma se mostrar indolente para fugir da tentação, cairá seguramente, em especial se se tratar de um pecado impuro. É a razão por que ao demônio mais desagradam os propósitos de fugirmos das ocasiões de pecado, que as promessas de nunca mais ofendermos a Deus, porque as ocasiões não evitadas tornam-se como uma faixa que nos venda os olhos para não vermos as verdades eternas, as ilustrações divinas e as promessas feitas a Deus. Quem estiver, porém, enredado em pecado contra a castidade, deverá, para o futuro, evitar não só a ocasião próxima, mas também a remota, enquanto possível, porque em tal se sentirá muito fraco para resistir. Não nos deixemos enganar pelo pretexto da ocasião ser necessária, como dizem os teólogos, e que por isso não estamos obrigados a evitá-la, pois Jesus Cristo disse: “Se teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o de ti” (Mt 5, 29). Mesmo que seja teu olho direito deverás arrancá-lo e lançar fora de ti, para que não sejas condenado. Logo, deves fugir daquela ocasião, ainda que remota, já que, em razão de tua fraqueza, tornou-se ela uma ocasião próxima para ti. Antes de tudo devemos estar convencidos que nós, revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade; só Deus, em Sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto. É verdade que Deus atende a quem Lhe suplica, mas não poderá atender à oração daquele que conscientemente se expõe ao perigo e não o deixa, apesar de o conhecer, pois, como diz o Espírito Santo, quem ama o perigo perecerá nele. Ó Deus, quantos cristãos existem que, apesar de levarem uma vida piedosa, caem finalmente e obstinam-se no pecado, só porque não querem evitar a ocasião próxima do pecado impuro. Por isso nos aconselha S. Paulo (Fil 2, 12): “Com temor e tremor operai a vossa salvação”. Quem não teme e ousa expor-se às ocasiões perigosas, principalmente quando se trata do pecado impuro, dificilmente se salvará. II. De algumas ocasiões que devemos evitar cuidadosamente Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever fugir da ocasião do pecado. Principalmente devemos abster-nos de contemplar pessoas que nos suscitam maus pensamentos. “Pelos olhos entra a seta do amor impuro e fere a alma”, diz S. Bernardo (De modo bene viv., c. 23), e essa seta, ferindo-a, tira-lhe a vida. O Espírito Santo dá-nos o conselho: “Desviai vossos olhos de uma mulher adornada” (Ecli 9, 8). Para se livrar de tentações impuras, um antigo filósofo arrancou os olhos. Nós, cristãos, não podemos assim proceder, mas devemos cegar-nos espiritualmente, desviando os olhos de objetos que possam ocasionar-nos tentações. São Luís Gonzaga nunca olhava para uma mulher e, mesmo em conversa com sua própria mãe, tinha os olhos postos no chão. É claro que o mesmo perigo existe para mulheres que cravam seus olhares em homens. Em segundo lugar, deve-se evitar todas as más companhias e as conversas e entretenimentos em que se divertem homens e mulheres. Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tornar-te-ás desonesto. O homem toma os hábitos daqueles que convivem com ele, diz São Tomás de Aquino. Se estiveres metido numa conversação perigosa, que não possas abandonar, segue o conselho do Espírito Santo: Cerca teus ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem neles entrada. Quando São Bernardino de Sena, ainda pequeno, ouvia uma palavra desonesta, sentia o rubor subir à sua face, e por isso seus companheiros tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E Santo Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos. Quando ouvires alguém conversando sobre coisas impuras, volta-lhe as costas e foge. Assim costumava proceder São Edmundo. Havendo uma vez abandonado seus companheiros por estarem conversando sobre coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo, que lhe disse: Deus te abençoe, caríssimo. Ao que o Santo perguntou, admirado: Quem és tu? Ele respondeu: Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor desapareceu e o Santo sentiu uma alegria celestial em seu coração. Achando-te em companhia de rapazes que conversam sobre coisas desonestas e, não podendo retirar-te, não lhes dês atenção, volta-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam. Deves também abster-te de considerar quadros menos decentes. São Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de família conservarem tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros, revistas e jornais, e não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais, como também dos que tratam de histórias insinuantes, como certos poetas e romancistas. Vós, pais de famílias, proibi a vossos filhos a leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. São Boaventura diz (De inst. nov., p. 1 , c. 14): “Leituras vãs produzem pensamentos vãos e destroem a devoção”. Dai a vossos filhos livros espirituais, como a história eclesiástica, ou vidas de santos e semelhantes. Proibi a vossos filhos representar um papel qualquer em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações imorais. “Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado”, diz São Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela, em estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado. Proibi também a vossos filhos a ida a certas festas, que são festas do demônio, nas quais há danças, namoros, canções impudicas, gracejos e divertimentos perigosos. Onde há danças, celebra-se uma festa do demônio, diz Santo Efrém. Mas que há de ruim quando se graceja?, dirá alguém. Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes, responde São João Crisóstomo, são graves ofensas contra Deus. Um companheiro do padre João Vitellio, contra a vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para um tal divertimento em Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregou-se em seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio irmão. Poderás aqui perguntar-me se é pecado mortal namorar. Responderei a essa pergunta na segunda parte, c. 6, § IV. Aqui só direi que tais namoros tornam-se ocasião próxima do pecado. A experiência ensina que em tais casos só poucos deixam de pecar. Se não pecam já no começo, caem no decorrer do tempo. No princípio se entretêm só por mútua inclinação; esta torna-se, porém, em breve, paixão, e a paixão, uma vez arraigada, cega o espírito e arrasta a muitos pecados de pensamentos, palavras e obras. III. Fúteis objeções contra as sobreditas verdades Objetar-me-ás: Mudei duma vez de vida; não tenho nenhuma má intenção, nem mesmo uma tentação quando vou visitar fulana ou sicrana. Respondo: Conta-se que há uma espécie de ursos que caçam macacos: ao avistar o urso, fogem estes para as árvores. Mas que faz o urso? Deita-se debaixo da árvore e faz-se de morto. Descem os macacos com esse engano e então, de um salto, captura-os e devora-os. É o que pratica o demônio: representa a tentação como morta, e assim que desceres, isto é, logo que te expuseres ao perigo, desperta-a de novo, e ela te tragará. Oh! Quantos cristãos, que se davam ao exercício da oração e da comunhão e, mesmo, levavam uma vida santa, não caíram nas garras do demônio, porque se expuseram ao perigo. A história eclesiástica narra que uma mulher mui piedosa se ocupava em obras de caridade e, em especial, em enterrar os corpos dos Santos Mártires. Encontrando uma vez o corpo de um mártir que ainda dava sinais de vida, levou-o para sua casa, curou-o e o mártir restabeleceu-se. Mas que aconteceu? Por causa da ocasião próxima, esses dois santos – pois esse nome mereciam – primeiramente perderam a graça de Deus e depois a Fé. Mas a visita àquela casa, a continuação daquela amizade, me traz proveitos, dizes. Sim, porém, se notares que “aquela casa é o caminho para o inferno” (Prov 7, 27), nenhum proveito te trará, e tu a deves deixar se desejas ser feliz. Mesmo que fosse teu olho direito a causa da perdição, deverias arrancá-lo e lançá-lo longe de ti, diz o Senhor. Nota as palavras: lança-o de ti, não deves deixá-lo perto, mas repeli-lo para longe, isto é, deves evitar por completo a ocasião. – Mas daquela pessoa nada tenho a temer, pois ela é tão devota – dizes. A isso responde São Francisco de Assis: O demônio tenta diferentemente os cristãos piedosos que se deram inteiramente a Deus e os que levam uma vida desregrada. Ele não procura prendê-los com uma corda já no princípio; contenta-se com um cabelo, servindo-se então de um fio e, finalmente, de uma corda, arrastando-os ao pecado. Quem quiser ser preservado deste perigo deve já no começo evitar todos os fios, todas as ocasiões, quer sejam saudações, quer presentes. Ainda uma observação importante: Um penitente que nunca evitou seriamente as ocasiões perigosas, nas quais tem regularmente caído em pecado mortal, apesar de todas as suas confissões, deverá fazer uma confissão geral, visto terem sido inválidas as confissões feitas em tal estado, em razão da falta de propósito de evitar a ocasião próxima. O mesmo se deve dizer a respeito dos que confessam seus pecados, mas nunca deram sinal de emenda, continuando logo depois da confissão a cometer os mesmos pecados, sem empregar nenhum meio contra a queda. Só uma confissão geral poderá trazer-lhes garantia e tranqüilidade, servindo de base para uma verdadeira emenda; feita a confissão, poderão encetar uma vida nova e perfeita, pois os maiores pecadores, como acima provamos, poderão, com a graça de Deus, alcançar a perfeição.” (Santo Afonso Maria de Ligório, Escola da Perfeição Cristã, Compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955, páginas 44-48) You might also like:

  • UM MONGE E A SUA CURIOSIDADE

    Vivia um monge no silêncio de seu mosteiro. Era sábio e santo. Permitiu Deus que uma curiosidade perturbasse a paz de sua alma: “Qual será atualmente no mundo – perguntava-se – das almas a mais santa?” “E a mais sábia e mais feliz, qual será?” Estava no coro, às primeiras horas da manhã, orava e dirigia a Deus a mesma pergunta: “Senhor, das almas que vivem agora neste mundo, qual será a mais santa, mais sábia e mais feliz?” Ouviu uma voz que lhe dizia: “Vai ao pórtico da igreja e ali te dirão qual é”. O monge pôs o capuz na cabeça, meteu as mãos nas largas mangas do hábito e atravessou os claustros silenciosos. Chegou ao pórtico. Um pobre ali estava. Passara a noite estendido num banco de pedra e naquele momento espreguiçava-se, benzia-se. – Bom dia, irmão disse-lhe o monge. – Bom dia, respondeu o mendigo com rosto alegre e em tom de entusiasmo. – Irmão, replicou o monge, pelo que vejo estás contente. – Sempre estou contente. – Sempre? Então és um homem feliz? – Muito feliz respondeu o humilde mendigo. – Feliz?… não creio. Dize-me: Quando tens fome e pedes esmola e não recebes… és feliz? – Sim, padre, sou feliz, porque penso que Deus, meu Pai, quer que eu passe um pouco de fome. Ele também passou. Mas Deus é muito bom para mim; nunca me falta um pedaço de pão. – Dize-me – prosseguiu o monge – quando está nevando no inverno e tu, tremendo de frio, vais de porta em porta, como um passarinho que salta de um galho para outro, és feliz? – Sim, padre, muito feliz, porque penso: é Deus, meu Pai, que quer que passe um pouco de frio, pois também ele passou frio. Aliás, nunca me falta um palheiro, onde passar a noite. Estava o monge admirado… contemplando-o de alto a baixo, disse: – Tu me enganas… não és pobre. Sorriu o mendigo e respondeu: Não, Padre, eu não sou um pobre. – Logo vi. . . Então, quem és? – Padre, disse o outro, sou um rei que viajo incógnito por este mundo. – Um rei?… Um rei?… E qual é o teu reino? – Meu reino é o meu coração, onde mando sobre minhas paixões! Tenho, porém, um reino muito maior. Vê o senhor esse céu imenso, tem visto o sol, as estrelas, o firmamento? Tudo isso é de Deus, meu Pai. Todos os dias ponho-me de joelhos muitas vezes e digo: “Pai nosso que estais nos céus, como sois grande, como sois sábio, como sois poderoso! Não vos esqueçais deste pobre filho que anda por este mundo. Creia-me: Quando chegar a morte, despirei estes andrajos e voarei para o céu, onde verei a Deus, meu Pai, e com Ele reinarei pelos séculos dos séculos”. O monge não perguntou mais. Baixou a cabeça e voltou ao coro; estava convencido de ter encontrado o homem mais santo, mais sábio e mais feliz neste mundo. Do livro Tesouro de Exemplos

  • São Tomás responde: É lícito julgar?

    Parece que não é lícito julgar: 1. Com efeito, só se inflige castigo a uma ação ilícita. Ora, os que julgam são ameaçados de um castigo, de que está isento quem não julga, como diz o Evangelho: “Não julgueis, se não quereis ser julgados” (Mt 72, 1). Logo, julgar é ilícito. 2. Além disso, diz também a Escritura: “Quem és tu para julgar o servo alheio? Só depende de seu senhor que ele caia ou fique de pé” (Rm 14, 4). Ora, o Senhor de todos é Deus Logo, a nenhum homem é lícito julgar. 3. Ademais, ninguém é sem pecado: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos”, diz João (I Jo 1, 8). Ora, não é permitido ao pecador julgar, segundo o testemunho da Carta aos Romanos: “Quem quer que sejas, és inescusável, ó homem que julgas. Pois, naquilo que julgas os outros a ti mesmo te condenas, praticando aquilo que julgas” (2, 1). Logo, a ninguém é lícito julgar. EM SENTIDO CONTRÁRIO, está escrito no Deuteronômio: “Estabelecerás juízes e magistrados em todas as tuas portas, para que julguem o povo com justiça” (16, 18). O julgamento é lícito na medida em que é um ato de justiça. Ora, como já se explicou, para que o julgamento seja um ato de justiça, se requerem três condições: 1º que proceda de uma inclinação vindo da justiça; 2º que emane da autoridade competente; 3º que seja proferido segundo a reta norma da prudência. A falta de qualquer desses requisitos torna o juízo vicioso e ilícito. Assim, em primeiro lugar, se vai contra a retidão da justiça, é perverso e injusto. Em seguida, se alguém julga sem autoridade, o juízo será usurpado. Enfim, se carece da certeza, quando, por exemplo, se julga de coisas duvidosas e obscuras, apoiando-se em simples conjecturas, o juízo será qualificado de suspeito e temerário. Quanto às objeções iniciais, portanto, deve-se dizer que: 1. No lugar citado, o Senhor proíbe o juízo temerário, tendo por objeto as intenções secretas do coração ou outros domínios incertos, como diz Agostinho. Ou então, interdiz que se julgue das coisas divinas, pois estando acima de nós, não as devemos julgar mas crer nelas simplesmente, assim o explica Hilário. Ou condena todo julgamento inspirado não pela benevolência, mas pelo ressentimento amargo. Tal é a interpretação de Crisóstomo. 2. O juiz é constituído ministro de Deus. Por isso, diz a Escritura: “Julgai segundo a justiça” (Dt 1, 6). E acrescenta: “Tal é o juízo de Deus”. 3. Os que estão em pecados graves não devem julgar os culpados das mesmas altas ou de faltas menores, como explica Crisóstomo. Mas, sobretudo, se os pecados são públicos, pois isso provocaria o escândalo nos corações dos outros. Se não são públicos, mas ocultos, e a necessidade do ofício exija que se julgue com urgência, pode-se argüir ou julgar, fazendo-o com humildade e temor. Daí a exortação de Agostinho: “Se nos encontrarmos no mesmo vício, havemos e gemer juntos, incitando-nos reciprocamente aos mesmos esforços”. Contudo, nem por isso o homem que julga se condena a si mesmo, incorrendo em uma nova condenação, a não ser que, condenando os outros, ele se mostre merecedor de condenação semelhante por estar no mesmo pecado ou em pecado semelhante. Suma Teológica II-II, q.60, a.2

  • Pela Devoção a Maria Salvaram-se os Bem-aventurados

    Os servos de Maria têm um belíssimo sinal de predestinação. Para confortá-los, a Santa Igreja aplica à Mãe de Deus o texto do Eclesiástico: Em todos estes busquei o descanso e assentarei a minha morada na herança do Senhor (24, 14). O Cardeal Hugo comenta: Feliz daquele em cuja morada a Santíssima Virgem encontra o lugar de seu repouso. Maria ama a todos os homens e quereria ver sua devoção reinar no coração de todos os fiéis. Muitos ou não a recebem ou não a conservam. Feliz de quem a recebe e conserva fielmente. “Assentarei a minha morada na herança do Senhor”, isto é, — segundo Pacciucchelli — a devoção à Santíssima Virgem ostenta-se em todos os que no céu formam a herança do Senhor e lá eternamente o louvam. E mais adiante lemos: Aquele que me criou descansou no meu tabernáculo e me disse: Habita em Jacó e possui a tua herança em Israel, e lança raízes nos escolhidos (Eclo 24, 12 e 13). Isto quer dizer: Meu Criador dignou-se vir repousar em meu seio, e quis que eu habitasse no coração de seus eleitos (dos quais Jacó foi figura), que são minha herança. Determinou que deitassem profundas raízes em todos os predestinados a devoção e a confiança para comigo. Oh! quantos não estariam agora no céu, se Maria, com a sua poderosa intercessão, para ali não os tivesse conduzido. “Eu fiz com que nascesse no céu uma luz que nunca falta” (Eclo 24, 6). O Cardeal Hugo, aplicando esse texto à Santíssima Virgem, fá-la dizer: Faço brilhar no céu tantos luzeiros eternos, quantos são os meus devotos. Por isso ele acrescenta: Muitos santos acham-se no céu pela intercessão de Maria sem ela jamais lá estariam. Garante S. Boaventura que as portas do céu se abrem para receber a quantos confiam no patrocínio de Maria. S. Efrém diz por isso ser esta devoção a abertura do paraíso. E Blósio assim se dirige à Virgem Maria: Senhora, a vós estão confiadas as chaves e os tesouros do reino celestial. Portanto, continuamente lhe devemos pedir com S. Ambrósio: Abri-nos, ó Maria, a porta do paraíso, já que dele tendes as chaves e sois a porta, como vos chama a Santa Igreja. O nome de Estrela do Mar também é dado a Maria pela Santa Igreja. Porque assim como os navegantes, diz S. Tomás, são dirigidos ao porto por meio da estrela, também assim os cristãos são guiados para o paraíso por meio de Maria. Igualmente chama-a o Pseudo-Fulgêncio de escada do céu. Isso porque por meio dela desceu o Senhor do céu à terra, para que por ela os homens merecessem subir da terra ao céu. E a este propósito lhe diz S. Atanásio Sinaíta: Senhora, sois cheia de graça para serdes o caminho de nossa salvação e a subida para a pátria celeste. Para S. Bernardo é ela o carro que nos leva ao céu. João, o Geômetra, a saúda como carro resplandecente por meio do qual os seus servos entram no céu. Daí, pois, a exclamação de S. Boaventura: Bem-aventurados os que vos conhecem, ó Mãe de Deus, porquanto conhecer-vos é a estrada da vida imortal, e celebrar vossas virtudes é o caminho para a salvação. Pergunta Dionísio, o Cartuxo: Quem se salvará? quem conseguirá reinar no paraíso? E responde: Aqueles, sem dúvida, por quem tiver rogado a Mãe de misericórdia. É o que ela mesma afirma com as palavras: Por mim reinam os reis (Pr 8, 15). Por minha intercessão as almas reinarão, primeiramente sobre suas paixões na vida mortal e depois no céu, onde todos são reis, na frase de S. Agostinho. Maria é, em suma, a Senhora do céu, pois que ali manda como quer e nele introduz quem quer. Assim conclui Ricardo de S. Lourenço, que à Virgem aplica por isso as palavras do Eclesiástico. É em Jerusalém o meu poder (24, 15). (Glórias de Maria – Santo Afonso Maria de Ligório)

  • TORTURA NA INQUISIÇÃO: A VERDADE E A MENTIRA.

    OS MITOS Vamos falar do que foi usado pela Inquisição e do que não foi usado, você leitor já deve ter visto muitas vezes pessoas de má fé utilizar essas informações e imagens abaixo, e dizer que foram feitas e praticadas pela Inquisição, vamos então começar à falar do que nunca foi usado em nenhum momento pela Inquisição espanhola, medieval ou espiscopal, logo em seguida vamos mostrar sem nenhum receio o que realmente o Tribunal da Inquisição usou, presamos pela honestidade dos fatos históricos, e deixo um apelo aos anticatólicos que façam o mesmo, sei que um apelo em vão, pois, sabemos que deste a reforma Protestante e a revolução francesa, vemos de tudo, menos honestidade intelectual. A DAMA DE FERRO A Dama de Ferro é provavelmente o mais famoso instrumento de tortura da história. A Dama de Ferro não é nem medieval ou da inquisição e nem um instrumento de tortura. Não existe nenhum registro histórico de uma “Dama de Ferro” até 1793. A PERA A pera da angústia é mais um instrumento que nunca foi utilizado na inquisição. Não existi nenhum registro histórico sobre a utilização desse instrumento na Inquisição, não há referência a ela antes do século XVII, o que se sabe é que alguns ladrões holandeses usavam para torturar seus inimigos. Outra conversa fiada é que esse instrumento seria utilizado para “rasgar” o ânus ou órgãos genitais das pessoas, isto é mentira, os ladrões holandeses utilizavam apenas para abrir a boca das pessoas. A CADEIRA ESPANHOLA Outra fonte da maldade imaginativa, ou diabólica dos anti-Católicos, é a “Cadeira espanhola” ou “Cadeira das Bruxas”. Não há absolutamente nenhum registro dessa cadeira com pregos ou varas pontiagudas que furavam todo o corpo da pessoa,ela só foi aparecer em um museu em 1800. Como diz o Padre espanhol, isto no ecxiste mais uma farsa. BERÇO DE JUDAS inventado no século XVII, é falsamente atribuído a Ippolito Marsili, justamente o professor de Direito Canônico e Penal que viveu entre os século XV e XVI. Foi usado na Prússia, não-católica, pra disciplinar soldados. E não existe nenhum registro de seu uso pela inquisição, há não ser a panfletagem que os calvinistas juntos com Judeus faziam. Nesta prática o condenado era levantado para cima da pirâmide e era jogado de forma violenta e puxado para baixo, os carrascos tinham que ser muito bons de mira, pois o objetivo era seu ânus e ou vagina. A SERRA Essa é fácil de ver pra que servia, mas, remonta à Pérsia Antiga, no Império Aquemênida, no reinado da Ásia menor em 330 – 410 a.C, na qual, por exemplo, São Simão de Zelotes, um mártir católico, havia sido serrado ao meio. Os difamadores não estudaram direito a história da Inquisição, não se usava nada na Inquisição que causasse derramamento de sangue. Sabemos de um caso em que um mouro sendo serrado por esse instrumento dentro do território da península Ibérica em 1568, mas ocorreu por uma revolta popular e não pelo Tribunal de Inquisição. GUILHOTINA A guilhotina só surge após inquisição, lembrando que uma das regras da Inquisição era não derramar sangue. Em 1789 que o parlamento Francês seguindo o conselho do Dr. Guillotine, fez a recomendação para que não se usassem mais o machado e a espada, talvez motivado por uma bondade maçônica (sarcasmo) evitaria-se o sofrimento do réu com mais de um golpe de machado ou espada. ESMAGA-JOELHOS: era uma tortura aplicada na Ásia, principalmente no Império Sião, até o século XIX. Era utilizada contra ladrões e estelionatários. Nada a ver com a Santa Inquisição. ASNO ESPANHOL: usado durante o Império de Nero, durante os jogos Circensianos, o asno ‘espanhol’ foi instituído para a perseguição em massa aos cristãos, por volta de 65 d.C. [ GAIOLA SUSPENSA: punição comum na Inglaterra, regulamentada pelo Murder Act de 1751, quase 100 anos após a Revolução Gloriosa, a qual destituiu o catolicismo como religião oficial no país. Vamos agora entender e descobrir o que realmente aconteceu nesse período tão deturpado por muitos, acima mostramos alguns instrumentos que nunca tiveram parte com a Inquisição, existem até outros que não foram criados aqui pra não preencher muito espaço, mas que são igualmente mentirosos, e agora vamos verificar o tipo de torturas e instrumentos que verdadeiramente fizeram parte do Tribunal da Inquisição. Com frequência se atribui à inquisição espanhola a criação de novos requintes de crueldade; na verdade, parece ter sido muito conservadora em seu proceder[…]. Utilizavam unicamente os métodos mais correntes dentre a grande variedade dos praticados nos tribunais civis[…]. Os mais comuns eram o tormento da garrucha e o da água. -Tuberville Essa impressão popular de que a câmara de tortura inquisitorial era cenário de um excepcional Requinte de crueldade, de modo especialmente engenhosos para imflingir agonia, e da particular persistência em arrancar confissões, é um erro devido aos escritores sensacionalistas que exploraram a credulidade alheia […]. O sistema era mau, porém a Inquisição espanhola não foi responsável por sua introdução e, em geral foi menos Cruel que os tribunais seculares ao aplicá-lo, limitando-se estritamente a uns poucos métodos já conhecidos conhecidos. -Charles Lea Historiadores respeitados como os citados acima, reconhecem que a inquisição espanhola limitou-se a empregar os métodos de tortura tradicionais na época, e que com o tempo serão diminuídas notavelmente, chegando-se a proibir vários deles antes do resto da Europa. Assim havia expressado Eymeric em uma de suas instruções: “se não se avança desta forma, e as promessas foram ineficazes, executa-se a sentença e tortura-se o acusado da forma tradicional, sem inventar suplícios novos ou mais refinados. Mesmo assim, é verdade que alguns tribunais civis – observa Jean Dumont – aplicavam alguns métodos de tortura não tradicionais, geralmente mais cruéis, como o dos arpões ou fogo; ou os protestantes, que mesmo em crimes menores, aplicavam a suspeitos e culpados, na tétrica torre de Londres, o aparelho triturador de dedos, a mutilação e amputação de membros (Thomas Walsh, em Seu Felippe II. Os tipos de instrumentos empregados pela inquisição espanhola foram os tradicionais: 1-A Garrucha, uma polia por onde passava uma corda que por sua vez era amarrada os pulsos dos acusados; por meio dela, o acusado era erguido a certa altura, para ser solto e segurado bruscamente, de uma vez ou em paradas sucessivas (sem tocar o solo), o que inflingia intensa dor sobre os ombros. Embora este tormento fosse de uso frequente na época ( a garrucha foi aplicada poucas vezes em alguns casos no Tribunal de Valencia), apenas raramente foi utilizado pela inquisição ( Henry Kamen afirma que foram esses três os castigos habitualmente aplicados pela inquisição). 2- O potro, uma cama que possuía alguns postes ou agulhas metálicas, onde se amarraram os membros do acusado com cordas. O torturador tencionava as cordas e pouco a pouco essas agulhas enterravam-se na carne do acusado. Era na época o instrumento de tortura mais utilizado no mundo. como indica Llorca, em algumas ocasiões era combinado com o tormento da água. 3- A touca, também chamada “castigo da água”, um funil de tecido que permitia jogar água no estômago do acusado até levá-lo a ponto de sufocar. Em resumo: A tortura foi utilizada como último recurso de prova. Nunca foi utilizada como castigo como era frequente nos tribunais civis, que além do “tormento prévio”, recorriam ao “definitivo” quer dizer, depois de concluído o processo. Só podia ser solicitada [na inquisição] quando o exame verbal era insuficiente e não era possível estabelecer nem a culpa nem a inocência do réu, ou quando este entrava em contradições em suas declarações, etc. Ou seja, se o Delito estava completamente provado. No capítulo 5 de seu manual do inquisidor, Eymeric determina “não se deve ordenar a tortura até que tenham sidos apurados sem frutos todos os demais meios de averiguar a verdade, porque muitas vezes são suficientes para que o Réu Confesse: os bons modos, a esperteza, suas próprias reflexões, as exortações de sujeitos bem intencionados e ao incomodos da prisão. E a tortura, além disso não é um meio infalível de apurar a verdade. Há homens fracos que a primeira dor confessam até delitos que não cometeram, e outros Valente e fortes que aguentam os tormentos mais cruéis. As instruções de 1561 dizem o seguinte: “a consciência e arbítrio dos juízes deve regular-se, segundo o direito, pela razão e boa consciência. Os inquisidores devem cuidar muito para que a sentença de tortura seja justificada, e precedida de legítimos indícios”. Outra normativa ordena: “não procedam à sentença de tortura nem à sua execução até depois de concluída a causa é havendo-se recebido a defesa do réu”. A instrução nº 49 de Valdés manda que: “o réu seja advertido particularmente das coisas sobre as quais é posto sobre tormentos”. Reconhece-o o próprio Schafer, grande Historiador protestante: “jamais, por exemplo empregava-se a tortura antes da acusação, com objetivo de arrancar confissões, como dão a entender algumas expressões de Llorente. Este evitou fazer um relato ordenado sobre o procedimento da tortura, e em seu lugar contentou-se com algumas considerações, provavelmente para não ver-se obrigado, por uma descrição fria e ordenada, a tirar a impressão de crueldade. Pois, na realidade a execução da Tortura era muito menos cruel e arbitrária do que estamos acostumados a imaginar. Mesmo assim como observam Escandell Bonet e o protestante Hoffmann Nickerson, muitas vezes se optava, em lugar da Tortura, pela vexatio, Isto é, o encarceramento (mais ou menos longo), às vezes acompanhado de privação de alimentos. o tormento era aplicado por um carrasco contratado pelo tribunal, que às vezes era o mesmo usado pelos tribunais civis. Era obrigatório, como reconhecem as próprias Cortes de Cádiz 1812, que estivessem presentes na sessão de tortura os inquisidores, um representante do bispo e um secretário para registrar tudo fielmente. Havia presente também um médico, e em algumas ocasiões dois, para controlar e cuidar que não se submete-se o réu há um tormento maior do que pudesse suportar, e que o carrasco não abusasse dele. Se o réu enfraquecesse muito, ou se sua vida corresse perigo, a tortura era imediatamente suspensa. “Um médico -comenta Alfonso Juncos – presenciava a tortura para que se moderasse conforme a resistência física do réu, o qual era conduzido a sua cama, atendido e curado”. O inquisidor Valdéz, em sua instrução nº 48, diz: A tortura (…), devido à diversidade das forças corporais e ânimos dos homens, não pode ter uma regra fixa, mas deve ser deixada a consciência e árbitro dos juízes, que a regularão segundo o direito, a razão e a boa consciência”. Aqueles que não fossem aprovados no exame médico prévio à tortura não podiam ser expostos a esse meio de prova. A inquisição foi o último tribunal a aplicar a tortura e o primeiro a acabar com esse prática. Em 1816, o Papa proibiu formalmente seu uso em todas as inquisições sujeitas a Santa Sé (embora fizesse um século que já não se utilizava). Estavam isentos de tortura as crianças, idosos, mulheres grávidas ou amamentando; os fracos, loucos, e todos aqueles que tivessem uma incapacidade física. É interessante constatar uma vez mais, o cuidado e as considerações com que Frei Tomás de torquemada obrigava a proceder, especialmente na questão da Tortura. A este respeito, diz o artigo 9 de suas instruções de 1484: que os menores de idade, “de até 20 anos completos”, não são responsáveis; se se apresentam expirado o prazo [de graça], pode-ser-lher impor alguma pena ligeira e menos grave. tem a desculpa da idade e de serem a criança de seus pais”. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #HistóriadaInquisição

  • SANTO INÁCIO DE LOYOLA E OS EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS

    Ano 1548. O jovem Duque de Gandìa (Espanha), faz chegar ao Pontífice Paulo III um particular pedido: a aprovação pontifícia do livreto dos Exercícios Espirituais, escrito por Inácio de Loyola, superior e fundador da Companhia de Jesus, que o mesmo Papa tinha aprovado oito anos antes. Inácio e seus Companheiros já davam estes Exercícios, com excelentes frutos espirituais. Mas, por causa deles, Inácio já tinha ficado preso duas vezes em Alcalà e Salamanca, vítima das suspeitas da Inquisição, que no tempo da Reforma Protestante olhava com desconfiança qualquer novo movimento espiritual. A resposta do Papa chegou no dia 31 de julho de 1548: “Feito examinar tais Exercícios e ouvidas também testemunhas e relatórios favoráveis […] constatamos que ditos Exercícios estão cheios de piedade e santidade, e são e serão muito úteis para o progresso espiritual dos fiéis. Ademais é nosso dever reconhecer que Inácio e a Companhia por ele fundada vão recolhendo frutos abundantes de bem em toda a Igreja; e de tudo isso muito mérito é dos Exercícios Espirituais. Por isso […] exortamos os fiéis de ambos os sexos, em qualquer lugar do mundo, para usufruir dos benefícios destes Exercícios e se deixar educar por eles.” Durante os séculos, outras seguiram a esta primeira solene aprovação de Paulo III. Em nosso século, os maiores elogios vieram particularmente de Pio XI, Pio XII e Paulo VI. O papa Pio XI, em 1922, declarou santo Inácio de Loyola Padroeiro de todos os Exercícios Espirituais, e na Encíclica Mens nostra de 1929 trata de modo magistral os Exercícios inacianos, evidenciando a profundidade da doutrina e a segurança do método ascético. Paulo VI, aluno dos jesuítas, assim escrevia em 1965: “Sabemos que a pregação mais eficaz é mesmo aquela dos Exercícios Espirituais.” E precisava: “Ai de nós se os Exercícios espirituais, por terem aquele paradigma maravilhoso e magistral que S. Inácio deixou, se tornassem uma repetição formal e, diria, preguiçosa deste esquema […] Temos que ampliar esta fonte de salvação e de energia espiritual, precisamos torná-la possível a todas as categorias”. O pensamento de S. Inácio Assim – de Veneza – escrevia o santo ao seu amigo e confessor Emanuele Miona (16 de novembro de 1536): “Não conheço nesta minha vida outro meio para pagar uma parte de minha dívida convosco senão aquele de vos fazer praticar os Exercícios Espirituais de um mês. […]OS Exercícios são, sem dúvida, quanto de melhor eu possa conceber, conhecer e compreender nesta vida, seja pelo progresso pessoal de um homem, seja pelos frutos, a ajuda e o proveito que ele pode causar a muitos outros”. Santo Inácio considerava os Exercícios não como “sua obra”, mas como um dom de Deus para toda a Igreja. Os Exercícios não foram estudados e feitos na mesinha, mas experimentados em seu ermo de Manresa onde passou um ano inteiro como asceta e penitente, e onde – como ele escreve em sua Autobiografia – “Deus se comportava com ele como um professor de escola com uma criança: o instruía” (Autob. 27). Isso o levava a precisar que os Exercícios fossem “feitos” e não lidos. Não queria então que o livrinho dos Exercícios estivesse na mão de todos, porque pouco se ganha com a simples leitura. Nem queria demoradas explicações por parte daquele que dava os Exercícios. Os pontos de meditação deviam ser breves, porque vale mais o que a alma descobre por si mesma, do que uma longa explicação didática. Como se desenrolam os Exercícios Inacianos. Lembramos antes de tudo que os Exercícios Espirituais não são um tempo de estudo o uma simples concentração e oração. São busca: ” Como o passear, o caminhar, o correr são exercícios físicos, assim se chamam Exercícios Espirituais todo modo de preparar e dispor a alma em tirar todos os afetos desordenados e, após tê-los tirados, procurar e achar a vontade de Deus na disposição de própria vida, para a salvação da própria alma” (Es. Sp.Ann.1). Casa de Exercícios dos Jesuítas em Altavilla Milícia (Palermo) A finalidade fica clara: esforçar-se ordenar sua vida segundo o projeto de Deus. Eis o modo de proceder. S. Inácio recomenda antes de mais nada, fazer os Exercícios Espirituais num lugar diferente do próprio ambiente costumeiro. Por isso os jesuítas deram vida às chamadas “Casas de Exercícios“, organizadas em modo de permitir aquela concentração, aquele “deserto” também exterior, aquele “silêncio” que facilite a ação da Graça em nós. Começa-se com u ma consideração fundamental (S. Inácio chama de “Princípio e fundamento“): para que finalidade Deus nos criou? A razão. Iluminada pela fé, dá a resposta: o homem foi criado por Deus e para Deus. Todo bem foi colocado a disposição do homem para que o auxilie a conseguir esta finalidade. Por isso, precisa o homem fazer disso um uso razoável. Precisamos assim adquirir liberdade de espírito e um perfeito controle de nossos instintos, por meio daquela que Inácio chama de “indiferença”, que não é apatia, mas autocontrole e equilíbrio espiritual. Feito isso, Inácio passa aos Exercícios verdadeiros, que ele divide em quatro semanas, entendidos come assuntos a tratar e não segundo o número dos dias. São assim 4 etapas, que podemos lembrar com quatro tradicionais palavras latinas, cada qual expressa a finalidade. Iª Semana (etapa): “Deformata reformare”, eliminar da alma as deformações causadas pelo pecado. E? um modo de se conhecer a nós mesmos e a grave desordem criada pelo pecado em nossa vida, além do perigo de danação ao que fomos expostos! Para não cair na desconfiança, Inácio nos faz contemplar a imagem do Salvador Crucificado, morto para nos salvar da morte eterna. IIª Semana (etapa): “Reformata conformare”. Somos convidados a nos revestir do Cristo e de sua armadura. O homem “reformado” deve “se conformar” ao Cristo: pobre como ele; ardente de amor para o Pai e os irmãos. É o tempo da “reforma” ou da opção do estado de vida: como eu, na prática, preciso seguir Cristo? IIIª Semana (etapa): “Conformata confirmare”. Isto é, fortalecer os propósitos de adesão a Cristo,por meio da contemplação de Aquele que foi obediente até a morte na cruz. O grito do Filho: “Pai, se for possível, afasta de mim este cálice”, precisa continuamente nos relembrar a segunda parte desta súplica: “Mas não a minha, e sim a tua vontade seja feita”. Nesta etapa nos confirmamos nas decisões tomadas. IVª Semana (etapa): “Confirmata transformare”. “Eu não morro: entro na vida”, escreveu S. Teresa de Lisieux ouço antes de morrer. E, de fato, a Igreja canta: “Vita mutatir, non tollitur”, isto é, “a vida não é tirada com a morte, e sim transformada”. A morte de Jesus na cruz coincidiu com o começo do Cristianismo. “Quem perde sua vida por causa de mim, a encontrará”, diz Jesus no Evangelho. E a vida do Ressuscitado é a esperança de quem faz os Exercícios nesta etapa final. No fim dos Exercícios, S. Inácio propõe uma maravilhosa contemplação para alcançar o Amor puro de Deus (chamada “contemplatio ad amorem”). Com o pensamento se volta à Criação e à Redenção, para descobrir como e quanto Deus nos ame! E a lama fica com um único desejo que se expressa na oração: “Oh Senhor, dá-me teu amor e tua graça: isto me basta! Atualidade dos Exercícios Espirituais Hoje o mundo gosta de barulho, não do silêncio e do recolhimento; quer estar livre de leis e disciplinas. Podemos ainda falar de “busca da vontade de Deus na disposição de nossa vida?” Em 1967 os Bispos do Triveneto escreveram uma carta sobre “Validade dos Exercícios Espirituais”, e recomendaram ” em perseverar neste apostolado que se revela cada dia mais precioso”. Sem excluir o empenho de experimentar formas que se adaptam aos nossos dias, insistimos “sobre a clássica estrutura dos Exercícios inacianos, tão válida e providencial em seu clima de reflexão e de profundo silêncio” (Pietro Schiavone s.j., Il Progetto Del Padre, pp.12-13). Os Exercícios são um “carisma”: um dom de Deus à Igreja,para sua edificação e renovação, e a experiência de inúmeras pessoas que também hoje se beneficiam é a prova que o Espírito Santo continua iluminando as almas através dos Exercícios. Concluímos com estas palavras de Paulo VI, “A prática dos Exercícios constitui não somente uma pausa tonificante e revigorante para o espírito, no meio das dissipações da barulhenta vida moderna, mas também uma escola ainda hoje insubstituível para introduzir as almas numa maior intimidade com Deus, no amor à virtude e à ciência verdadeira da vida, como dom de Deus e como resposta ao seu chamado”. Fonte:veritatis

  • 365 frases de santos

    Que tal alimentar sua alma com uma frase por dia? 1. Não sei verdadeiramente como se pode pensar na Rainha dos Anjos, no tempo em que passou com o Menino Jesus, sem dar graças a São José, pelo auxílio que lhes prestou. (Santa Teresa de Jesus) 2. Aprenda no coração de sua Mãe como se ama a Jesus.(Beata Maria Maravilhas de Jesus) 3. Que possamos voltar o olhar à Mãe de Deus, Maria, nas bodas de Caná O seu olhar silencioso e perscrutador observa tudo e repara onde falta alguma coisa. E antes que alguém perceba e ocorra algum embaraço,ela já prestou a sua ajuda. Encontra meios e modos, dá as indicações necessárias, e isso tudo em silêncio, sem deixar perceber nada. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 4. Não te iludas: precisas de amparo. E esse amparo é a humilde Virgem Maria, posta por Deus para ser esteio de nossa fragilidade, como outrora para sustento, defesa e guarda da infância do Verbo Encarnado. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 5. Tenho encontrado a esta Virgem soberana, sempre que me tenho encomendado a Ela. (Santa Teresa de Jesus) 6. Pede a SS. Virgem que seja teu guia, que seja a estrela, o farol que brilhe no meio das trevas de tua vida. (Santa Teresa dos Andes) 7. É tão suave nossa Mãe, tão compassiva e boa, que nem se pode chamar sofrimento o que se padece sob seu materno olhar, no agasalho de seu coração. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 8. Se não se pode pensar na Paixão, por ser penoso, quem nos impede de estar com Ele depois de ressuscitado, pois tão perto O temos no Sacramento, onde já está glorificado? (Santa Teresa de Jesus) 9. É a Virgem Maria, esse ser luminoso, todo puro da pureza de Deus, que me tomará pela mão para me introduzir no céu. (Beata Elizabete da Trindade) 10. Bendito seja o nosso Deus que nos deu a sua Mãe por nossa Mãe. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 11. Muito grande é o agrado de Nosso Senhor por qualquer serviço que se presta a sua Mãe e a Sua misericórdia não tem limites. (Santa Teresa de Jesus) 12. Sabemos muito bem que a Virgem Santíssima é a rainha do céu e da terra, mas ela é mais mãe do que rainha. (Santa Teresinha do Menino Jesus)13. O regaço de Maria seja o teu paraíso. Os olhos de Maria sejam a tua esperança. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 14. “ Meu espelho há de ser Maria. Visto que sou sua filha devo parecer-me com Ela e assim parecerei com Jesus”. (Santa Teresa dos Andes)15. Quão verdadeira foi em sua humildade! (A Virgem Maria ) (Beata Elizabete da Trindade) 16. Não deixe de pedir sempre à nossa Mãe dulcíssima que faça de ti o que Ela quiser. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 17. A SS. Virgem foi minha companheira inseparável. Ela foi a confidente íntima desde os tenros anos de minha vida. (Santa Teresa dos Andes) 18. A Virgem Nossa Senhora, quando em sua grande sabedoria perguntou ao Anjo: “Como se fará isto?” (Lc 1,34) E tendo ouvido a resposta: “O Espírito Santo sobrevirá em ti, e a virtude do Altíssimo te fará sombra”, não tratou mais de perguntar. Quanto temos a aprender da humildade da Virgem Sacratíssima! (Santa Teresa de Jesus) 19. Esta Rainha das Virgens é também a Rainha dos Mártires; e é no seu coração que “a espada traspassou”, porque Nela tudo se passa no íntimo…. (Beata Elizabete da Trindade) 20. Com tal intercessora, quem não terá amorosa confiança? Com Jesus e Maria, tudo é possível. .(Beata Maria Maravilhas de Jesus) 21. Não se atemorizem diante da nova vida que se apresenta, pois sendo filhas de Maria a Virgem as cobrirá com seu manto. (Santa Teresa dos Andes) 22. É tão transparente, tão luminosa, que julgaríamos ser ela ( a Virgem Maria) a própria luz. No entanto, é apenas o “espelho do Sol de Justiça”. (Beata Elizabete da Trindade) 23. Quem nos poderá separar de Cristo, se vivermos unidos a Maria? (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 24. Honra muito a Maria. É tua mãe tão boa e carinhosa, que jamais deixará de velar por ti. (Santa Teresa dos Andes) 25. Pareçamo-nos nalguma coisa com a grande humildade da Virgem Sacratíssima. Por muito que nos pareça que nos humilhamos, ficamos bem longe de ser filhos de tal Mãe. (Santa Teresa de Jesus)26. Será ainda Ela, a Porta do Céu, que me introduzirá nos átrios eternos. (Beata Elizabete da Trindade)27. Aprenda no Coração de Maria como amar a Jesus. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 28. Quem nos leva a Deus é Jesus. E quem nos leva a Jesus é Maria. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 29. “A Virgem conservava estas coisas em seu coração”. Toda a sua história pode resumir-se nestas poucas palavras; foi no coração que viveu e em tal profundidade que nenhum olhar consegue segui-la. (Beata Elizabete da Trindade) 30. Vimos sempre que os mais chegados a Cristo, Nosso Senhor, foram os que passaram pelos maiores sofrimentos. Consideremos quanto sofreu sua gloriosa Mãe. (Santa Teresa de Jesus) 31. Primeiramente aqui na terra, e depois na eternidade, Maria quer cantar em ti e contigo o seu Magnificat. Sê o eco de Maria. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 32. Como te atreves a folgar tão sem temor, pois hás de comparecer diante de Deus e prestar conta da menor palavra e pensamento? (São João da Cruz) 33. Considera como a morte é o fim de tudo e o princípio de tudo: o fim de tudo aquilo que passa e o princípio do que é eterno. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 34. Tenha sempre uma fé inquebrantável no amor. Se tens que sofrer, prova é de que o Senhor te ama com predileção. (Beata Elizabete da Trindade ) 35. Dar espaço a Deus na alma, significa empreender uma luta sem medida contra a própria natureza, é abraçar a própria cruz e abandonar-se à crucifixão (Santa Teresa Benedita da Cruz) 36. Que me importa estar no purgatório até o dia do juízo, se com as minhas orações pudesse ser salva mesmo uma única alma? (Santa Teresa de Jesus) 37. Que consolação é viver de fé neste mundo e, nos braços da fé , morrer. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 38. Todos temos de morrer. Tudo passa e nós também. Cada dia nos aproximamos da eternidade. Para que apegarmo-nos a coisas que morrem? (Santa Teresa dos Andes)39. A casa de nosso Pai, o céu, está no centro de nossa alma. (Beata Elizabete da Trindade)40. Desapeguemo-nos da terra, voemos para a montanha do amor. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 41. Vida é viver de modo a não temer a morte nem outra conseqüência, no mundo. (Santa Teresa de Jesus) 42. A alma necessita de silêncio para concentrar-se na adoração. (Beata Elizabete da Trindade) 43. Que bom deve ser sofrer, quando Quem prova é Aquele que tanto fez para que sejamos eternamente felizes. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 44. Se não dermos ouvidos ao Senhor quando nos chama, pode acontecer que não logremos encontrá-lo quando o quisermos. (Santa Teresa de Jesus) 45. Tenho sofrido muito ao ver o esquecimento em que os homens vivem para com Deus. Vivem em desenfreada alegria, ofendendo-o, sem pensar que cada ano aproximam-se mais da morte. (Santa Teresa dos Andes) 46. Ao entardecer desta vida examinar-te-ão no amor. (São João da Cruz) 47. Vivamos de amor, para morrer de amor e glorificar ao Senhor que é todo amor. (Beata Elizabete da Trindade) 48. O Senhor nos ama mais do que nós mesmos nos amamos.(Santa Teresa de Jesus) 49. Invoca teu Deus, cujo amor é tão terno, confia-lhe o futuro! (Santa Teresinha do Menino Jesus) 50. Cristo faz dom de sua vida para abrir aos homens a entrada para a vida eterna. Portanto, para conquistar a vida eterna, também os homens devem sacrificar a vida terrena. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 51. Quando menos se pensa chega a morte. Então tudo desaparece e só o bem se leva consigo. (Santa Teresa dos Andes) 52. Como é bom o Senhor ! Parece que se regozija em manifestar o seu poder, enaltecendo e enriquecendo com grandes favores almas tão mesquinhas como as nossas. (Santa Teresa de Jesus) 53. Esta vida tão curta temos que aproveitar com alegria oferecendo, com gozo tudo o que suceder pois tudo o que acontece é para fazer-nos crescer no amor.(Beata Maria Maravilhas de Jesus)54. Pois que minha alma é um céu, é preciso que o céu cante a glória do Eterno, nada mais que a glória do Eterno. (Beata Elizabete da Trindade)55. É uma grande coisa procurar em tudo a honra e a glória de Deus. Como seríamos felizes se por isso Ele nos permitisse morrer, até mil vezes. (Santa Teresa de Jesus) 56. Para uma carmelita a morte não tem nada de espantoso. Vai viver a vida verdadeira. Vai cair nos braços de quem amou aqui na terra sobre todas as coisas. Vai submergir eternamente no amor. (Santa Teresa dos Andes) 57. Tenha sempre na memória a vida eterna, e que serão os mais abatidos e pobres, os que em menos conta se têm, que gozarão do mais alto senhorio e glória em Deus. (São João da Cruz) 58. Sem humildade não pode haver virtude alguma. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 59. O Deus de bondade e de misericórdia recompensará, magnificamente, não somente as ações brilhantes realizadas por ele, mas ainda o simples desejo de servi-lo e de amá-lo, pois ele vê tudo, seu olho penetra o fundo dos corações, os mais secretos pensamentos não lhe são escondidos… (Santa Teresinha do Menino Jesus) 60. Como a morte chega de surpresa quando não se pensa que há uma eternidade depois dela!… O melhor é viver em paz com Nosso Senhor , de modo que, se a morte chegar de repente, não nos surpreenda e aterrorize.(Santa Teresa dos Andes) 61. A fé no grande amor de Deus, dispõe a alma a ser cheia de toda a plenitude de Deus. (Beata Elizabete da Trindade) 62. Sobe, bem alto, e, à luz de Deus, vê as coisas como as verás um dia, na eternidade. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 63. Viver de amor é navegar sem cessar, semeando a paz, a alegria em todos os corações. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 64. O Senhor tem imenso desejo de que as almas lhe permitam derramar nelas o seu amor e suas graças. (Beata Maria Maravilhas de Jesus)65. A verdadeira amizade consiste em aperfeiçoar-se mutuamente e em aproximar-se mais de Deus. (Santa Teresa dos Andes)66. Ó Senhor, Deus meu! Quem te buscará com amor puro e singelo que deixe de imaginar muito a seu gosto e vontade, pois que és tu o primeiro a mostrar- te e sais ao encontro daqueles que te desejam? (São João da Cruz) 67. Se caio a cada instante, na fé confiante farei com que Ele me levante. (Beata Elizabete da Trindade) 68. Na solidão fala Deus ao coração! (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 69. Como o corpo terreno tem necessidade do pão cotidiano, assim, a vida divina em nós pede contínuo alimento. “Este é o pão da vida, descido do céu.” E em nós quem o faz tornar-se seu pão cotidiano, a cada dia se realiza o mistério do Natal, a encarnação do Verbo. (Santa Teresa Benedita da Cruz ) 70. O amor é a força que ajuda a fazer aquelas coisas pelas quais se sente mais repugnância. (Santa Teresa dos Andes) 71. Invoca teu Deus, cujo amor é tão terno, confia-lhe o futuro! (Santa Teresinha do Menino Jesus) 72. A alma virtuosa, mas, sozinha e sem mestre, é como o carvão aceso que está isolado: antes se vai esfriando que acendendo. (São João da Cruz) 73. O melhor da vida é poder sofrer com Jesus e por Jesus. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 74. Quem não busca a cruz de Cristo não busca a glória de Cristo. (São João da Cruz) 75. Na união com Deus acha-se força para tudo, e a alma fica tão cativa da divina formosura, que se desprende quase involuntariamente das misérias que antes lhe detinham os passos. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 76. O fruto do sofrimento é estar cada dia mais perto de Deus. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 77. Os corações dos homens amam um dia e, no outro, são indiferentes. Só Deus não muda. (Santa Teresa dos Andes) 78. É toda a Trindade que habita na alma que o ama realmente, isto é, que guarda a sua palavra. (Beata Elizabete da Trindade)79. Deus prefere em ti o menor grau de pureza de consciência a quantas obras puderes fazer. (São João da Cruz)80. Vejo em meios das trevas, com grande clareza, o quanto é vão tudo o que não é Deus. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 81. Quanto mais uma pessoa vive recolhida no íntimo da sua alma, mais forte é a irradiação que parte dela e atrai os outros ao seu redor. (Santa Teresa Benedita da Cruz ) 82. As coisas criadas trazem todas o selo divino de seu Autor: são degraus pelos quais hei de subir a Deus. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 83. Jesus não olha tanto a grandeza das ações, nem mesmo as suas dificuldades, quanto o amor com que as fazemos. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 84. Quando se ama tudo é alegria, a cruz não pesa, o martírio não se sente, vive-se mais no céu que na terra. (Santa Teresa dos Andes) 85. A bendita Cruz é dolorosa, por isso é tão santificadora. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 86. Mais se granjeia nos bens de Deus em uma hora, que nos nossos em toda a vida. (São João da Cruz) 87. Ó meu Deus, pacificai minha alma, fazei dela vosso céu. (Beata Elizabete da Trindade) 88. Aja por amor dEle. Não busque agradar as criaturas. Erram tanto em seus juízos…! No entanto, Deus te penetra em cada instante como se fosses a única criatura existente. (Santa Teresa dos Andes) 89. O amor do Senhor não tem limites. Que não o tenha tampouco o nosso. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 90. Que nossa vida se esgote Nele… Façamo-nos silenciosas para ouvir aquele que tem tanto a nos dizer… (Beata Elizabete da Trindade) 91. O demônio teme a alma unida a Deus como ao próprio Deus. (São João da Cruz) 92. Para conseguir ver atendidos os pedidos que temos no coração, não existe meio melhor do que aquele de colocar a eficácia de nossa oração no pedir a Deus aquilo que lhe causa mais prazer. ( Santa Teresa Benedita da Cruz ) 93. Nenhuma coisa agradará ao Senhor se não tiver por base a retidão de consciência. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus)94. Como o bom Deus é bom!…Como Ele proporciona as provações às forças que nos dá. (Santa Teresinha do Menino Jesus)95. A essência mais íntima do amor é a doação. Deus que é amor, dá-se à criatura que ele mesmo criou por amor. ( Santa Teresa Benedita da Cruz ) 96. Seja sua alma uma hóstia de louvor e uma hóstia de amor que se sacrifique perpetuamente pela glória da SS. Trindade e para fazer conhecer o amor e misericórdia infinitos do Deus-Amor. (Santa Teresa dos Andes) 97. Mais estima Deus em ti o inclinares-te à secura e a padeceres por seu amor, que todas as consolações, visões espirituais e meditações que possas ter. (São João da Cruz) 98. Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma, para fixar-me em Vós, imóvel e calma, como se minha alma estivesse já na eternidade. (Beata Elizabete da Trindade) 99. Cada um deve conhecer a si mesmo para saber onde e como poderá encontrar a serenidade e a paz. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 100. Não olhes para ti. Olha para o céu, para Jesus, para Maria, para o sacrário. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 101. A ciência mais íntima do amor é a doação. Deus que é Amor, doa-se nas criaturas que Ele criou para o amor. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 102. A oração mental não é senão uma íntima relação de amizade, um freqüente entretenimento a sós com Aquele que sabemos nos amar. (Santa Teresa de Jesus) 103. Não pertençamos mais que a nosso Dono soberano. Só Ele é capaz de nos saciar. Seu amor é infinito. Não tem limites. (Santa Teresa dos Andes) 104. Jamais creiais que adquiristes uma virtude, enquanto não a tiverdes provado com aquilo que lhe é contrário. (Santa Teresa de Jesus) 105. Nada do que é feito por amor é pequeno. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 106. Uma coisa é certa, que vivamos no momento e no lugar presentes para alcançar a nossa salvação e a daqueles que nos foram confiados. (Santa Teresa Benedita da Cruz)107. Nega os teus desejos e encontrarás o que deseja o teu coração. Como sabes se teu apetite é conforme a Deus? (São João da Cruz)108. A oração é uma escada de Jacó, pela qual o homem eleva sua alma a Deus e a graça de Deus desce ao homem. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 109. A oração não é senão um fato de amor, e é insensato pensar que só se faz oração quando se dispõe de tempo e de solidão. (Santa Teresa de Jesus) 110. Deus não exige nada do homem, sem oferecer-lhe ao mesmo tempo, a força para isso. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 111. Amemo-lo. Sejamos generosos. Não olhemos o que fazemos, mas o muito que nos falta para corresponder a seu amor. (Santa Teresa dos Andes) 112. Ó Verbo eterno, palavra de meu Deus, quero passar a vida a ouvir-vos, quero ser duma docilidade absoluta para tudo aprender de Vós. (Beata Elizabete da Trindade) 113. Aqueles que entendem o que é a cruz de Cristo, devem carregá-la em nome de todos. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 114. Olhar somente a Ele, receber como vindo diretamente de seu amor tanto a alegria como a dor; isso estabelece a alma nas alturas serenas. (Beata Elizabete da Trindade) 115. A maior necessidade que temos para progredir é calar, diante deste grande Deus, o apetite e a língua, pois a linguagem que Ele mais ouve é a do amor silente. (São João da Cruz) 116. Não é possível separar alguém por distância de espaço, quando estamos unidos a Deus. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 117. O que não se deixa levar pelos apetites, voa ligeiro segundo o espírito, tal como a ave a que não faltam penas. (São João da Cruz) 118. A perfeição consiste em fazer a vontade de Deus, em ser o que Ele quer que sejamos. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 119. A virtude é uma força que supera o mal. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 120. O caminho para a vida interior é Cristo. (Santa Teresa Benedita da Cruz)121. Sejam devotos de São José que pode muito. (Santa Teresa de Jesus)122. Deus só é a resposta a tudo, o único consolo, o único conforto. Confia em sua misericórdia. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 123. Seja mais interior – ocupe-se mais com Jesus, até no meio dos trabalhos, por mais duros e penosos que sejam. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 124. Se faço pedido não muito razoável, São José o endireita para maior bem meu. (Santa Teresa de Jesus) 125. Vivamos na cruz. A cruz é a abnegação de nossa vontade. Na cruz está o céu porque ali está Jesus. (Santa Teresa dos Andes) 126. Mude-se tudo em boa hora, Senhor Deus, para que encontremos assento em ti. (São João da Cruz) 127. Só peço por amor de Deus, que o prove quem me não crer, e verá por experiência o grande bem que é encomendar-se a este excelso Patriarca e ter-Lhe amor. (Santa Teresa de Jesus) 128. A eucaristia é a luz, o sol, o amor, a bem-aventurança para quem ama a Jesus, porque aí o mostra e mitiga a sede de vê-lo no céu. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 129. Tudo passa, tudo morre. Logo, para que apegar-me a coisas transitórias que não me levam a Deus, que é o meu fim? (Santa Teresa dos Andes) 130. A outros Santos parece ter dado o Senhor graça para socorrer numa determinada necessidade. Ao glorioso São José tenho experiência de que socorre em todas. (Santa Teresa de Jesus) 131. Senhor, Deus meu, não és um estranho para quem não for esquivo contigo: como dizem que tu te ausentas? (São João da Cruz) 132. Quem não encontrar mestre que lhe ensine oração, tome este glorioso Santo (São José) por mestre e não errará o caminho. (Santa Teresa de Jesus) 133. Eleve sua alma acima de tudo o que passa, isto é, acima de todas as coisas do mundo. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 134. Se eu fora pessoa com autoridade para escrever, gostaria de me alargar, narrando muito por miúdo as graças que este bendito Santo (São José) tem feito a mim e a outros. (Santa Teresa de Jesus)135. Só fales quando tuas palavras forem mais proveitosas que teu silêncio. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus)136. Quer o Senhor dar a entender que assim como lhe foi sujeito na terra ,– pois São José na qualidade de pai, embora adotivo, o podia mandar – assim no céu atende a todos os seus pedidos. (Santa Teresa de Jesus) 137. Tu, Senhor, voltas com alegria e amor a levantar o que te ofende, e eu não torno a reabilitar e a honrar quem me irrita? (São João da Cruz) 138. A oração da Igreja é a oração de Cristo que continua vivo. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 139. Não conheço pessoa que deveras Lhe seja devota (de São José) e Lhe renda particulares obséquios que não a veja crescer em virtude, porque muitíssimo ajuda Ele às almas que se encomendam ao seu patrocínio. (Santa Teresa de Jesus) 140. A doação a Deus sem limites, a divina oferta, a plena e duradoura união, é a maior elevação do coração, alcançável por nós; é o maior grau de oração. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 141. Deus se revela e se descobre cada vez mais à alma que o busca sinceramente e que deseja conhecê-lo para amá-lo. (Santa Teresa dos Andes) 142. O mesmo, por experiência, viram outras pessoas a quem eu aconselhava encomendar-se a Ele,(São José) e hoje há muitas que lhe são devotas e experimentam cada dia esta verdade. (Santa Teresa de Jesus) 143. Não recuse coisa alguma que tenha, mesmo que dela necessite. (São João da Cruz) 144. Ainda que escolha a muitos santos por advogados, tenha sempre particular devoção a São José, que muito alcança de Deus. (Santa Teresa de Jesus) 145. Maria nos gerou segundo a vida da graça, dando-se totalmente, de corpo e alma, para ser a Mãe de Deus. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 146. Para ser perfeito, não é preciso fazer grandes coisas, o nosso amor basta. (Santa Teresinha do Menino Jesus)147. As honras, as riquezas não dão a felicidade. Os aplausos, o carinho se apagam e se extinguem por qualquer desengano. Só Deus pode nos satisfazer. Ele é a verdade e o bem imutável. Ele é o amor eterno. (Santa Teresa dos Andes)148. Quem começa a servir verdadeiramente ao Senhor, o mínimo que lhe pode oferecer é a vida. (Santa Teresa de Jesus) 149. Não é a atividade humana que pode salvar-nos, mas só a Paixão de Cristo. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 150. Desdobra tuas asas e voa bem alto, até perder de vista as misérias da terra.Voa à região onde reina a serenidade dos que já estão vizinhos do céu. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 151. A todos quisera persuadir que fossem devotos deste glorioso Santo,(São José) pela grande experiência que tenho de quantos bens alcança de Deus. (Santa Teresa de Jesus) 152. Demos a Jesus, com alegria, tudo o que Ele nos pede, sem guardar nada. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 153. Não tenhamos outro desejo senão glorificar a Deus cumprindo em todo momento sua divina vontade… e fazê-lo por amor. (Santa Teresa dos Andes) 154. É no cumprimento de nossos deveres que encontraremos Jesus, e não no que nos agrada, ainda que seja muito santo e espiritual. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 155. Indo eu, Deus meu, para onde quer que seja contigo, por toda a parte será para mim como eu quero por ti. (São João da Cruz) 156. Só o Senhor pode tocar os corações e a oração sempre é atendida. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 157. Quem procura a verdade, consciente ou não, procura Deus. (Santa Teresa Benedita da Cruz ) 158. Tudo no Carmelo se faz com alegria, porque em todas as partes temos a nosso Jesus que é nosso gozo infinito…(Santa Teresa dos Andes ) 159. O Pai Celestial vendo a vontade de seu querido Filho de continuar conosco aqui na terra (no SS. Sacramento), não Lhe quer estorvar obra tão excelente, em que tão bem mostra o amor que Lhe tem. (Santa Teresa de Jesus)160. Ainda que o caminho seja plano e suave para os homens de boa vontade, o caminhante avançará pouco e custosamente se não tiver boas pernas e ânimo, e nisso mesmo com animosa porfia. (São João da Cruz )161. Quão imenso é o amor de nosso Deus, que, de pobres criaturas faz tantas maravilhas, contanto que lhe permitam. (Beata Maria Maravilhas de Jesus ) 162. Ó dulcíssimo amor de Deus, mal conhecido! Quem te encontrou a fonte, repousou. (São João da Cruz) 163. Pergunto-me muitas vezes como não nos tornamos loucos de amor por Nosso Senhor. (Santa Teresa dos Andes) 164. Na tribulação recorre logo a Deus confiantemente, e serás animado, esclarecido e ensinado. (São João da Cruz) 165. Tudo se faz doce, estando Ele contente! (Beata Maria Maravilhas de Jesus ) 166. A cruz é o caminho que conduz da terra ao céu. Quem a abraça com fé, amor, esperança, é levado para o alto, até o seio da Trindade. (Santa Teresa Benedita da Cruz ) 167. O céu na terra não é viver com Deus? (Santa Teresa dos Andes ) 168. Diante da Sabedoria infinita, mais vale um breve desejo de humildade com algum ato da mesma, do que toda a ciência do mundo. (Santa Teresa de Jesus) 169. Sacrifiquemo-nos por Aquele que amamos mais que a nós mesmos; então nada custa, tudo fica fácil, especialmente quando esse amigo é Jesus. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 170. Tudo passa, só o eterno tem valor verdadeiro! (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 171. Recomendo sobretudo que nunca se abandone a oração, porque com ela conhecemos o nosso estado, arrependemo-nos da ofensa feita a Deus e adquirimos força para poder soerguer-nos. (Santa Teresa de Jesus) 172. Nos gozos e gostos recorre logo a Deus com temor e verdade, e não serás enganado nem envolvido em vaidade. (São João da Cruz) 173. A alma que tem sua esperança posta em Deus não tem de temer, porque Ele vence todos os obstáculos, as dificuldades. (Santa Teresa dos Andes )174. Não devemos deter-nos diante da cruz para olhá-la em si mesma, mas, recolhendo-se sob as luzes da fé, é preciso subir mais alto. (Beata Elizabete da Trindade )175. Jamais me cansei em falar ou em ouvir falar de Deus: e isto desde que comecei a prática da oração. (Santa Teresa de Jesus) 176. Viva o momento presente pois é o único que temos para oferecer ao Senhor. (Beata Maria Maravilhas de Jesus ) 177. A vontade de Deus é um alimento espiritual que fortifica a alma que se entrega contente a Ele. (Santa Teresa dos Andes ) 178. Precisamos dos momentos, em que escutando em silêncio, deixamos agir em nós a Palavra divina, até que ela nos leve no sacrifício de louvor e no sacrifício da ação, a dar frutos. (Santa Teresa Benedita da Cruz ) 179. Saiba que aos olhos de Deus nada é pequeno se tudo o que fizermos for feito por amor. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 180. Tudo o que vejo leva-me para Deus. O mar em sua imensidão faz-me pensar em Deus, em sua infinita grandeza. Sinto então sede do infinito. (Santa Teresa dos Andes) 181. Faze cada coisa como se houvesses de morrer depois de havê-la feito. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 182. Se alguém vier lhe pedir um serviço faça tudo o que depender de você para fazê-lo mesmo que lhe custe muito, mas nunca diga não. Se visse Deus em cada um de seus irmãos, nunca recusaria nada, pelo contrário, procuraria adivinhar antes de pedirem, eis a verdadeira caridade. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 183. Oh! Se soubesses as ternuras que encerra seu adorável Coração! Como não amá-lo até o delírio, como não desprezar tudo perante o espetáculo de seus encantos e belezas infinitas? (Santa Teresa dos Andes) 184. A oração consola, fortalece, anima, levanta para o céu, faz conhecer a Deus, ensina-nos a nos conhecer. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 185. Toma a Deus por esposo e amigo com quem andes constantemente e não pecarás, e saberás amar, e as coisas necessárias sucederão prosperamente para ti. (São João da Cruz)186. Ele é um Deus de amor. Nós não podemos compreender até onde chega seu amor particularmente quando nos prova. (Beata Elizabete da Trindade )187. Não há melhor meio para descobrir as insídias do demônio e obrigá-lo a dar-se a conhecer, do que o da oração. (Santa Teresa de Jesus) 188. Ó, Coração de Jesus, tesouro de ternura, és tu minha felicidade, minha única esperança. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 189. Companheiro nosso no SS. Sacramento, que parece não estava na sua mão, apartar-se de nós, um só momento! Com tão bom Amigo presente, tudo se pode sofrer. É ajuda e dá força; nunca falta. (Santa Teresa de Jesus) 190. Para poder nos dar a Deus com amor devemos reconhecê-lo como Aquele que ama. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 191. Vejo o Senhor carregado de tesouros do seu amor procurando almas vazias onde possa depositá-las. (Beata Maria Maravilhas de Jesus ) 192. Na oração, a grande lei é a da liberdade interior. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 193. Quisera que visses em Jesus, no Verbo, o amor que nos demonstrou. Olhemos nEle somente seu amor, já que Deus é amor. O amor é sua essência, no amor se encontram todas as suas perfeições infinitas. (Santa Teresa dos Andes) 194. O amor sabe tirar proveito de tudo; do bem e do mal que encontra em nós. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 195. Viver submergidos em humildade é viver submergidos em Deus, porque Deus é o fundo desse abismo. (Beata Elizabete da Trindade ) 196. Que te aproveita dar a Deus uma coisa se Ele te pede outra? Considera o que Deus quer e faze-o, que assim satisfarás melhor o teu coração do que com aquilo a que te inclinas. (São João da Cruz) 197. “Ama o teu próximo como a ti mesmo”, é o tomado sem reservas nem reduções. O meu próximo não é aquele que me é simpático, mas é aquele que está junto de mim, sem exceção alguma. (Santa Teresa Benedita da Cruz )198. Como havemos de tratar com o Senhor e que delicadezas de amor Lhe devemos já que, “amor com amor se paga!” (Beata Maria Maravilhas de Jesus )199. Cada dia que passa compreendo melhor que “só Deus basta”. Esta é a máxima que tenho sobre minha cruz. Que seja também a tua. Busca a Ele e encontrarás tudo…(Santa Teresa dos Andes ) 200. Que boa escola de humildade e desprendimento é a oração. Faz-nos caminhar em plena paz no meio da tempestade. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 201. Aconteça o que acontecer, permaneçamos abraçados à cruz, que é sempre um grande evento. (Santa Teresa de Jesus) 202. É preciso que o amor de Deus seja tão grande que chegue a extinguir por completo nosso amor próprio. (Beata Elizabete da Trindade ) 203. Jesus vive já em meu coração. Procuro unir-me, assemelhar-me e confundir-me nEle. Sou uma gota d’água que hei de perder-me no Oceano Infinito. (Santa Teresa dos Andes) 204. Também tenho muitas distrações durante a oração, mas logo que me dou conta, rezo pelas pessoas que ocupam minha imaginação e assim elas aproveitam das minhas distrações. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 205. Se na hora da conta te hás de lamentar por não teres empregado este tempo no serviço de Deus, por que não o ordenas e empregas agora como o quererás tê-lo feito quando estiveres morrendo? (São João da Cruz) 206. Um bom meio para orar continuamente é amar e ter a convicção e a lembrança sempre atual de que se é amado. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 207. Quantas coisas passaram, mas Cristo não passa. (Beata Maria Maravilhas de Jesus ) 208. Deus tem cuidado dos nossos interesses muito mais do que nós mesmos, sabendo o que convém. (Santa Teresa de Jesus) 209. Quanto mais se resiste no silêncio, menos se sente o mal. (Santa Teresa Benedita da Cruz )210. A pureza de intenção, a simplicidade, nos dará a herança que o Senhor nos preparou na eternidade. (Beata Elizabete da Trindade )211. A oração é a linguagem do amor, é a vida do amor. Ama muito e estarás sempre em oração. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 212. A SS. Virgem é o modelo mais perfeito de nosso sexo. Não viveu Ela sempre em uma contínua oração, no silêncio, no esquecimento do que era da terra? (Santa Teresa dos Andes) 213. No recolhimento e no silêncio se realiza a obra da salvação. No diálogo silencioso do coração com Deus, são preparadas as pedras vivas pelas quais se constrói o reino de Deus… (Santa Teresa Benedita da Cruz) 214. Ninguém penetrou tanto a profundidade do Mistério de Cristo como a Virgem Maria. (Beata Elizabete da Trindade ) 215. Maria conhece todas as nossas necessidades, mágoas, tristezas, misérias e esperanças. Interessa-se por cada um de seus filhos, roga por cada um com tanto ardor como se não tivera outro. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 216. Deus mesmo nos educa a caminharmos com a mão na sua mão, isto por meio da liturgia da Igreja. (Santa Teresa Benedita da Cruz ) 217. Rezamos nestes quinze dias antes da Assunção as quinze dezenas do Rosário. Asseguro-lhe que enche a alma de felicidade essa devoção à SS. Virgem. (Santa Teresa dos Andes) 218. Ajudar Cristo a carregar a cruz proporciona uma alegria forte e pura e aqueles que podem e a levam, os construtores do Reino, são os autênticos filhos de Deus. …(Santa Teresa Benedita da Cruz) 219. Cada vez que comungar, peça a Deus algum dom pela grande misericórdia com que veio à sua pobre alma. (Santa Teresa de Jesus) 220. Tomei a Virgem Santíssima por mãe e Ela encarregou-se de preparar-me, cobrindo-me (com o seu manto) e amparando-me sempre. Como é boa nossa dulcíssima Mãe! (Beata Maria Maravilhas de Jesus ) 221. Por esse tempo (aos meus sete anos), começa minha devoção à Virgem Maria. Meu irmão Lucho deu-me essa devoção, com a qual estive e estarei, assim o espero, até a minha morte. (Santa Teresa dos Andes)222. A cada homem que vem a este mundo, Jesus repete: “Esta é a minha Mãe. Por ela vencerás.” (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus)223. Se Deus está em nós , e se Deus é amor, é inevitável que nós sejamos irmãos: por isso o nosso amor pelo próximo está na medida do nosso amor por Deus. (Santa Teresa Benedita da Cruz ) 224. Fala a SS. Virgem de coração a coração. Quando te sentes só olha para Ela e verás que sorrindo te diz: “Tua mãe jamais te deixa só.” (Santa Teresa dos Andes) 225. Temos por modelo a Virgem Santíssima. Permaneçamos com Ela ao pé da cruz com viva fé e perfeito amor. (Beata Maria Maravilhas de Jesus ) 226. Maria foi tão singela em sua humildade porque viveu sempre esquecida de si mesma, despercebida a seus próprios olhos, desapegada de si própria. (Beata Elizabete da Trindade ) 227. Quando morreu minha mãe, fui aflita a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei-lhe que fosse minha mãe. (Santa Teresa de Jesus) 228. Se cada criatura soubesse quantos bens lhe alcançou Maria e de quantos males a defendeu, todos morreriam de amor por ela. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 229. Cumprir a amorosíssima vontade de nosso Deus, é unicamente o que importa na vida; e nisto está a paz, a felicidade e, sobre tudo, a santificação. ( Beata Maria Maravilhas de Jesus ) 230. Calar quando somos acusados injustamente é um grande ato de humildade, e imitamos mais intimamente Nosso Senhor que arcou com todos os nossos pecados. (Santa Teresa de Jesus) 231. Eu quisera corresponder ao Senhor passando sobre a terra como a SS. Virgem, “guardando todas estas coisas em meu coração”. (Beata Elizabete da Trindade ) 232. Tudo é silêncio, harmonia, unidade em Deus . E para viver nele é necessário simplificar-se, ter apenas um pensamento e atividade:louvor. (Santa Teresa dos Andes ) 233. Quando é Deus que fala, a alma se vê imediatamente instruída, entendendo coisas que pareceriam levar um mês para serem coordenadas, sem depois dizer que alguma delas é tão elevada a ponto de causar admiração à própria alma e ao próprio intelecto. (Santa Teresa de Jesus )234. Quando sofrer, olhe sua Mãe Dolorosa com Jesus morto entre seus braços. Compare sua dor. Nada há que se assemelhe. (Santa Teresa dos Andes)235. Maria é a saúde na enfermidade, a consolação nos trabalhos, a paz nas tentações, a luz na escuridão, enfim, a Medianeira de todos os bens. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 236. Meu Deus, como é verdade que sois um amigo poderoso e generoso que podeis tudo o que quereis, não deixando de amar quem vos ama! (Santa Teresa de Jesus ) 237. Só O Senhor pode tocar os corações; e a oração nunca deixa de ser ouvida. (Beata Maria Maravilhas de Jesus ) 238. É necessário viver constantemente contemplando a Deus, sobretudo a Jesus Cristo, pois a Humanidade é a porta a ser franqueada para entrar na Divindade. (Santa Teresa dos Andes ) 239. Queres, ó alma sequiosa e faminta, achar teu Deus, que tão ansiosamente procuras? Busca-o em Maria e por Maria, e o acharás. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 240. Ó meu Deus , que pode fazer uma alma se não se consumar-se por Vós? (Santa Teresa de Jesus ) 241. Só a oração nos pode salvar, além de nossa perfeita fidelidade. (Beata Maria Maravilhas de Jesus ) 242. A Virgem que guardava no seu coração cada palavra que Deus lhe dirigia, é o modelo das almas atentas nas quais é revivida a oração de Jesus sumo Sacerdote. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 243. Desejemos e pratiquemos a oração não a fim de nos satisfazer, mas termos força no serviço de Deus. (Santa Teresa de Jesus) 244. Deus está sedento do amor de suas criaturas. O próprio Deus mendiga por nós. Demo-nos a Ele. Não sejamos mesquinhos, porque Deus é todo bondade e generosidade para conosco. (Santa Teresa dos Andes) 245. O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em ter uma grande desnudez e em padecer pelo Amado (Jesus). (São João da Cruz)246. Trabalhemos juntas pela salvação das almas. Poderia fazer muito pouco ou antes, absolutamente nada, se estivesse sozinha; o que me consola é pensar que a seu lado (do irmão padre) posso servir para alguma coisa: realmente, o zero, por si mesmo, não tem valor, mas colocado perto da unidade torna-se poderoso, desde que se ponha do lado certo, depois e não antes!… Foi aí que Jesus me colocou e espero ficar sempre ali, seguindo-o de longe, pela oração e pelo sacrifício. (Santa Teresinha do Menino Jesus)247. Para as suas grandes obras, Deus escolhe os instrumentos mais humildes. (Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus) 248. Ó Cristo, meu amado crucificado por amor, quisera ser uma esposa para vosso coração, quisera cobrir-vos de glória, amar-vos…até morrer de amor. (Beata Elizabete da Trindade) 249. Quem se entrega ao Senhor sem reservas, Ele o escolhe como instrumento, para construir o seu reino. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 250. Ele tudo suporta na Eucaristia e está disposto a fazê-lo a troco de achar uma só alma que O acolha com amor e O conserve dentro de si. Seja essa alma a nossa! Sim, porque se nenhuma houvesse, com razão o Eterno Pai não Lhe consentiria permanecer conosco. (Santa Teresa de Jesus) 251. Estás diante do Senhor que pende da Cruz com o coração despedaçado; Ele derramou o sangue de seu coração para conquistar o teu coração. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 252. Para enamorar-se Deus de uma alma, não olha a sua grandeza, mas a grandeza de sua humildade. (São João da Cruz) 253. Tenho a certeza de que Deus jamais deixará de favorecer as almas firmemente decididas a ser Dele. (Santa Teresa de Jesus) 254. A única coisa que te deve preocupar é conhecer a Jesus para amá-lo, pois se conseguires enamorar-te dEle saberás mais tarde segui-lo onde sua vontade divina te indicar. (Santa Teresa dos Andes) 255. Tenha firmeza de coração contra todas as coisas que a (o) moverem ao que não é de Deus, e seja amiga (o) de padecer por Cristo. (São João da Cruz )256. Essa intimidade com Jesus, no íntimo da alma, é que foi o belo sol a iluminar minha vida. (Beata Elizabete da Trindade )257. No dia da Assunção da Rainha dos Anjos e Senhora nossa, quis o Senhor fazer-me esta graça: numa visão representou-me a sua subida ao Céu, a alegria e solenidade com que foi recebida e lugar onde está. Dizer como foi isto, eu não o saberia. Foi grandíssimo o deleite que o meu espírito teve de ver tanta glória. Causou isto em mim grandes efeitos e tirei de proveito ficar com mais e maiores desejos de passar grandes trabalhos e de servir a esta Senhora pois tanto mereceu. (Santa Teresa de Jesus) 258. Jesus ama os corações alegres, ama uma alma sempre sorridente. Quando, então, saberá esconder-Lhe suas tristezas ou dizer-lhe, cantando, que está feliz de sofrer por Ele? (Santa Teresinha do Menino Jesus) 259. A alma deu-se a Deus e deve dar-se inteiramente, pois o amor não deixa nada para si. Tudo consome para que dessas cinzas levante-se uma pessoa só: Cristo. A criatura consumiu-se na divindade. (Santa Teresa dos Andes) 260. A alma desejosa de que Deus lhe entregue totalmente, há de se entregar toda, sem reservar nada para si. (São João da Cruz) 261. Que bom e verdadeiro amor o de quem é capaz de fazer bem a todos, sacrificando-se pelos outros. Progride muito, assim, em todas as virtudes. (Santa Teresa de Jesus) 262. Ó meu Deus Trindade, apaziguai-me a alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada preferida, o lugar de vosso repouso. (Beata Elizabete da Trindade) 263. Estar diante da face do Deus Vivo, esta é a nossa vocação. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 264. A quantos tudo abandonam por amor de Deus, Ele se entrega totalmente. (Santa Teresa de Jesus) 265. Nunca tomes um homem por exemplo no que tiveres a fazer, por santo que seja, porque o demônio porá diante de ti as suas imperfeições; mas imita a Cristo que é sumamente perfeito e sumamente santo e jamais errarás. (São João da Cruz)266. Ó meu Deus, que pode fazer uma alma se não consumar-se por Vós? (Santa Teresa de Jesus)267. Consinta em tropeçar a cada passo, até em cair, em levar suas cruzes sem forças, ame sua impotência; sua alma tirará mais proveito do que se, levada pela graça, você praticasse com entusiasmo atos heróicos que encheriam sua alma de satisfação pessoal e de orgulho. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 268. Oh! grande coisa é quando o Senhor dá luz para entender o muito que se ganha em padecer por Ele. (Santa Teresa de Jesus) 269. Em sua bondade o Senhor está sempre inclinado para vós, para vos arrebatar e vos estabelecer nele. (Beata Elizabete da Trindade ) 270. Não consiste o amor de Deus em ter lágrimas; nem gostos e ternuras, mas sim em servi-lo com justiça, fortaleza de ânimo e humildade. (Santa Teresa de Jesus) 271. Quando uma alma cresce no amor a Deus, Ele, por sua vez, em amor transborda também. (Beata Maria Maravilhas de Jesus ) 272. Quem pôs em minha alma a semente da vocação foi a SS. Virgem. Esta terna Mãe jamais foi invocada em vão por seus filhos. Ela amou-me e, não encontrando outro tesouro maior para me dar em prova de sua singular proteção, deu-me o fruto bendito de suas entranhas, seu Divino Filho. Que mais poderia me dar? (Santa Teresa dos Andes) 273. Tenho por certíssimo: Deus dá muito maiores cruzes aos que verdadeiramente O amam. Quem O amar verá que pode fazer muito por Ele. (Santa Teresa de Jesus) 274. Ah, a adoração! Palavra de céu. Eu creio que se poderia definir: o êxtase de amor. (Beata Elizabete da Trindade ) 275. Na forja da dor lavram-se as almas. Jesus envia este presente às almas que mais ama. (Santa Teresa dos Andes) 276. Alegre-se sempre em Deus que é a sua saúde, considerando um bem sofrer, de qualquer maneira, por Aquele que é bom. (São João da Cruz)277. Não somos santas que choramos nossos pecados: alegramo-nos pois eles servem para glorificar a misericórdia de Deus. (Santa Teresinha do Menino Jesus)278. Lançai vossa alma nas ondas da confiança e do abandono. (Beata Elizabete da Trindade) 279. A santidade é muito simples, é entregar-se confiante e amorosamente nos braços de Deus, querendo e fazendo o que cremos que Ele quer. (Beata Maria Maravilhas de Jesus ) 280. A sabedoria entra pelo amor, silêncio e mortificação. Grande sabedoria é saber calar e não reparar no que dizem ou fazem, nem nas vidas alheias. (São João da Cruz ) 281. Nunca deixei de fazer fundação (de Carmelo) por medo de sofrimento. Tudo me parecia pouco vendo que era em serviço de Deus, e considerando que naquela casa o Senhor seria louvado e residiria no SS. Sacramento. (Santa Teresa de Jesus) 282. Entra nesse pequeno reino de tua alma e adora a esse grande Senhor que nele mora como em seu próprio palácio. Te ama tanto! (Beata Elizabete da Trindade ) 283. O sofrimento não me é desconhecido. Nele encontro minha alegria, pois na cruz se encontra Jesus e Ele é amor. E o que importa sofrer quando se ama? (Santa Teresa dos Andes ) 284. Como Cristo, sejamos mansos, humildes, obedientes, cheios de verdadeira caridade, tão primorosa que lhe arrebate o Coração. (Beata Maria Maravilhas de Jesus ) 285. Deus não conduz todas as almas pela mesma via; pode acontecer que, a seus olhos, aquele que se julga mais atrás se encontre, ao invés, mais na frente. (Santa Teresa de Jesus ) 286. Quanto mais te apartas das coisas de terrenas, mais te aproximas das celestiais e mais te achas em Deus . (São João da Cruz ) 287. Na Paixão e morte de Cristo, os nossos pecados foram apagados. Se acolhermos com fé essa verdade, aceitando fielmente, e sem reservas, o Cristo por inteiro, de modo a escolher e trilhar o caminho da imitação de Cristo, Ele, através de sua Paixão e morte nos conduzirá à glória da ressurreição. (Santa Teresa Benedita da Cruz )288. Maria , hoje permaneci contigo sob a cruz e jamais sentira tão claramente que foi sob a cruz que te tornaste nossa Mãe. (Santa Teresa Benedita da Cruz )289. Compreendo que por meio dos sofrimentos hei de me assemelhar a Jesus crucificado, eis aqui meu único ideal. (Santa Teresa dos Andes) 290. Tenha fortaleza no coração contra tudo que a (o) mover ao que não é de Deus e seja amiga (o) da Paixão de Cristo. (São João da Cruz) 291. A maior felicidade da terra, que nada nos pode tirar, consiste em unir-se a Deus e cumprir sua vontade amando-lhe e servindo-lhe. (Beata Maria Maravilhas de Jesus ) 292. Nunca se tem confiança demais em Deus, tão poderoso e misericordioso! Obtemos dEle na medida de nossa esperança! (Santa Teresinha do Menino Jesus) 293. O que Deus quer, como Deus quer, quando Deus quer. (Beata Maria Maravilhas de Jesus ) 294. O caminho da cruz é o que Deus reserva aos seus escolhidos: quanto mais os ama, mais os sobrecarrega de tribulações. (Santa Teresa de Jesus ) 295. Um cristão deve ser outro Cristo. (Santa Teresa dos Andes) 296. Quanto mais escuridão se faz ao nosso redor, mais devemos abrir o coração à luz que vem do alto. (Santa Teresa Benedita da Cruz ) 297. Devemos medir os trabalhos por nós e não nos medirmos pelos trabalhos. (São João da Cruz ) 298. O Senhor gosta muito da alma disciplinada, pois só nela trabalha quando a vê desembaraçada e totalmente perdida nele. (Santa Teresa de Jesus ) 299. É preciso alimentar a vida espiritual, especialmente quando se deve dar muito aos outros. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 300. A alma que caminha no amor não cansa nem se cansa. (São João da Cruz) 301. Tudo está em confiar totalmente no Coração de Jesus e abandonar-se amorosamente em suas mãos. (Beata Maria Maravilhas de Jesus )302. A Trindade Santíssima, eis a nossa morada, a nossa “casa”, a casa paterna, da qual nunca devemos sair. (Beata Elizabete da Trindade)303. Oh, como sou feliz por me ver imperfeita e ter tanta necessidade da misericórdia do bom Deus no momento da morte. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 304. A vida é curta, a eternidade é sem fim…Façamos de nossa vida um sacrifício contínuo. Que todos os instantes de nossa vida sejam para Ele só… (Santa Teresinha do Menino Jesus) 305. Ao pobre que está despido vestir-se-á; à alma que se despe de seus apetites, quereres e não quereres, vesti-la-á Deus com a sua pureza, gosto e vontade. (São João da Cruz) 306. Confie tudo à SS. Virgem. Reze-lhe sempre o Terço para que Ela guarde não só sua alma mas também seus assuntos. (Santa Teresa dos Andes) 307. Ó Cristo, que minha vida seja uma irradiação de vossa vida. (Beata Elizabete da Trindade) 308. O que Deus busca, é a solidão do coração e esta, podemos ter mesmo no meio do mundo. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 309. Ó Mãe, que grande segredo de perfeição e de santidade é a vida sob teu olhar e junto de teu coração. (Serva de Deus Madre Maria José de Jesus) 310. Quando criança, minha mãe tinha o costume de nos fazer rezar e de nos ensinar a ser devotos de Nossa Senhora. (Santa Teresa de Jesus) 311. Vosso Divino Filho nada deixou por fazer. Concedeu aos pecadores tão grande benefício como este da Eucaristia. (Santa Teresa de Jesus) 312. O fruto do sofrimento é estar cada dia mais perto de Deus. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 313. Esta Mãe da divina graça vai preparar minha alma para que sua filhinha seja uma imagem viva, admirável, de seu Primogênito, o Filho do Eterno. (Beata Elizabete da Trindade) 314. Só se adquire a ciência da cruz, carregando-a nos ombros. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 315. Que formosa é a devoção do Rosário! O mais eficaz, tanto para a conversão como para o maior fervor da vida, é a recitação do santo Rosário. Ele dará a sua Mãe tudo quanto lhe pedires. (Beata Maria Maravilhas de Jesus)316. Sente-se uma grande paz, quando se é absolutamente pobre, quando só se conta com o bom Deus. (Santa Teresinha do Menino Jesus)317. É preciso morrer a si mesmo para viver escondido em Cristo. (Santa Teresa dos Andes) 318. Nada te perturbe – Nada te espante – Tudo passa – Deus não muda – A paciência tudo alcança – Quem a Deus tem – Nada lhe falta – Só Deus basta. (Santa Teresa de Jesus) 319. O Senhor não envia a dor, senão para maior bem das almas. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 320. Tenho para mim que o sacrifício não é mais que: o amor posto em ação. (Beata Elizabete da Trindade) 321. A cruz serve de bastão para acelerar a marcha para o cume. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 322. Não tema amar demais a SS. Virgem, jamais você amará bastante, e Jesus ficará contente, pois a SS. Virgem é Sua Mãe. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 323. Ele está sempre vivo, sempre operando em nossa alma. Deixemo-nos edificar por Ele. (Beata Elizabete da Trindade) 324. Sacratíssima Rainha dos anjos e dos santos, faça-nos viver na terra de modo a ganhar o céu. (Serva de Deus Madre Maria José de Jesus) 325. Quem se encontra mais no alto, tem que recear mais e confiar menos em si próprio. (Santa Teresa de Jesus) 326. O bom Deus, que conhece as recompensas que Ele reserva a seus amigos, gosta, muitas vezes, de fazê-los ganhar seus tesouros por meio de sacrifícios. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 327. Uma alma unida e identificada com Jesus pode tudo. E parece-me que só pela oração se pode alcançar isso. (Santa Teresa dos Andes) 328. Como é grande o poder desta Majestade que em tão breve tempo sabe enriquecer as almas com tesouros inenarráveis, imprimindo nelas verdades tão sublimes! (Santa Teresa de Jesus) 315. Que formosa é a devoção do Rosário! O mais eficaz, tanto para a conversão como para o maior fervor da vida, é a recitação do santo Rosário. Ele dará a sua Mãe tudo quanto lhe pedires. (Beata Maria Maravilhas de Jesus)316. Sente-se uma grande paz, quando se é absolutamente pobre, quando só se conta com o bom Deus. (Santa Teresinha do Menino Jesus)317. É preciso morrer a si mesmo para viver escondido em Cristo. (Santa Teresa dos Andes) 318. Nada te perturbe – Nada te espante – Tudo passa – Deus não muda – A paciência tudo alcança – Quem a Deus tem – Nada lhe falta – Só Deus basta. (Santa Teresa de Jesus) 319. O Senhor não envia a dor, senão para maior bem das almas. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 320. Tenho para mim que o sacrifício não é mais que: o amor posto em ação. (Beata Elizabete da Trindade) 321. A cruz serve de bastão para acelerar a marcha para o cume. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 322. Não tema amar demais a SS. Virgem, jamais você amará bastante, e Jesus ficará contente, pois a SS. Virgem é Sua Mãe. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 323. Ele está sempre vivo, sempre operando em nossa alma. Deixemo-nos edificar por Ele. (Beata Elizabete da Trindade) 324. Sacratíssima Rainha dos anjos e dos santos, faça-nos viver na terra de modo a ganhar o céu. (Serva de Deus Madre Maria José de Jesus) 325. Quem se encontra mais no alto, tem que recear mais e confiar menos em si próprio. (Santa Teresa de Jesus) 326. O bom Deus, que conhece as recompensas que Ele reserva a seus amigos, gosta, muitas vezes, de fazê-los ganhar seus tesouros por meio de sacrifícios. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 327. Uma alma unida e identificada com Jesus pode tudo. E parece-me que só pela oração se pode alcançar isso. (Santa Teresa dos Andes) 328. Como é grande o poder desta Majestade que em tão breve tempo sabe enriquecer as almas com tesouros inenarráveis, imprimindo nelas verdades tão sublimes! (Santa Teresa de Jesus) 342. A comunhão é um céu na terra para a alma que se compenetra bem do ato que faz…Tiremos Jesus de sua fria prisão e abriguemo-lo em nosso coração, tão pobre, mas cheio de amor. (Santa Teresa dos Andes)343. A vida divina acesa na alma é a luz vinda nas trevas, é o milagre da noite santa. (Santa Teresa Benedita da Cruz)344. Repare o método para dar brilho nos metais. Esfrega-se com lama, com matérias que os sujam e os tornam foscos; depois dessa operação, resplandecem como o ouro. Pois bem ! As tentações são como esta lama para a alma: servem apenas para fazer brilhar nelas as virtudes opostas a estas mesmas tentações. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 345. Jesus permanece no sacrário para que O amemos e O imitemos e, para ser nosso consolo e fortaleza. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 346. Quando é o coração que reza, Ele sem dúvida nos atende. (Santa Teresa de Jesus) 347. Nosso Senhor tem sede de nosso amor. Sofreu desde Belém até o Calvário e forjou cadeias para viver no tabernáculo junto de nós. Não teremos um pouquinho de amor por este Divino mendigo? (Santa Teresa dos Andes) 348. Quanto mais te apartas das coisas terrenas, mais te aproximas das celestiais e mais te achas em Deus . (São João da Cruz) 349. Jamais chegaremos a conhecer-nos, se juntos não procurarmos conhecer a Deus. (Santa Teresa de Jesus) 350. Une a tua vontade à de Deus e serás feliz. (Serva de Deus Madre Maria José de Jesus) 351. Pode haver mais doce ocupação na terra do que procurar o amor de nosso Deus ? Emprega nisso tua alma inteira, neste único momento que é a vida. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 352. Quanto mais elevado é o grau de união amorosa ao qual Deus destina a alma, tanto mais profunda e persistente deverá ser a sua purificação. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 353. Nosso Senhor vê com tanta boa vontade quando o amamos e procuramos a sua companhia, que, de vez em quando, nos chama para que a Ele nos dirijamos. (Santa Teresa de Jesus) 354. Na comunhão está a vida de nossa alma. É o momento de céu em nosso desterro. Suspiremos por ela. (Santa Teresa dos Andes)355. Eis tudo o que Jesus reclama de nós: Ele não tem nenhuma necessidade de nossas obras, mas somente de nosso amor. (Santa Teresinha do Menino Jesus)356. Considerando que Deus se fez homem por nosso amor, não sei como não ficamos todos, loucos de amor por Ele. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 357. Devemos guardar-nos em querer entender as coisas de Deus e procurar quais são as suas razões. (Santa Teresa de Jesus) 358. Deus é o teu fim. Fazendo-se Homem, tornou-se teu caminho; para que não desfalecesses na jornada, fez-se teu alimento, teu viático para o céu. (Serva de Deus Madre Maria José de Jesus) 359. A virtude do Espírito Santo cobriu a Virgem Maria enquanto esta, sozinha, rezava e realizou a Encarnação do Redentor. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 360. Tudo nos pode faltar. Todos os outros amores, um dia nos faltarão, mas o amor do Coração Divino jamais nos faltará. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) 361. Se Deus está na tua alma, que deves fazer senão amá-Lo de todo teu coração? (Serva de Deus Madre Maria José de Jesus) 362. Conserve sempre sua confiança. É impossível que Deus não corresponda, pois ele mede sempre seus dons pela nossa confiança. (Santa Teresinha do Menino Jesus) 363. A coragem em sofrer muito ou sofrer pouco está sempre na proporção do amor. (Santa Teresa de Jesus) 364. Somente no momento em que a alma, por amor a Deus , se despojar de tudo o que não é Deus , e o amor é isso, poderá ser iluminada e transfigurada em Deus. (Santa Teresa Benedita da Cruz) 365. É mister procurar o quanto possível a união com o Senhor . Esta vida de intimidade com Ele é que sustenta o exercício das virtudes que tanto agradam a Quem, com infinito amor, habita em nós. (Beata Maria Maravilhas de Jesus) (via A fé explicada)

  • Os dons de Deus

    Um dia, um homem entrou numa loja e, estupefato, viu um anjo atrás do balcão. Maravilhado com aquela visão, perguntou: “- Anjo, o que vendes?” O anjo respondeu: “- Todos os dons de Deus.” O homem voltou a perguntar: “- E custam caro?” E a resposta do anjo foi: “- Não. É de graça .. é só escolher.” O homem, todo feliz, olhou para toda a loja e viu jarras de vidro de fé, pacotes de sabedoria, caixas de felicidade … Não estava acreditando que poderia adquirir tudo aquilo. “- Por favor, embrulhe para mim, muito amor de Deus, bastante felicidade, abundante perdão d’Ele, amor ao próximo, paciência, tolerância…” O anjo anotou o pedido e foi separar os produtos. Ao retornar, entregou-lhe vários pacotinhos, que cabiam na palma da mão do homem. Espantado, ele indagou: “- Como pode você me dar apenas esses pacotinhos?! Eu quero levar uma grande quantidade dos dons de Deus.” O anjo respondeu: “- Querido amigo, na loja de Deus nós não vendemos frutos. Apenas sementes.”

  • Doutrina Católica sobre Capitalismo, Propriedade Privada e “Justiça Social”

    DOUTRINA CATÓLICA X DOUTRINA DA CNBB – CAPITALISMO, PROPRIEDADE PRIVADA E “JUSTIÇA SOCIAL” A CNBB (e os partidos de esquerda) ensina que: O capitalismo é mal pois gera “injustiça social”, exclusão, e faz acumular as riquezas nas mãos de poucos em detrimento de uma maioria explorada; que a propriedade privada é um obstáculo à “justiça social”, a qual basicamente consistiria em tirar de quem tem mais para dar a quem tem menos… Por isso são contra a Economia de Livre Mercado e o Agro Negócio, olhando os empresários com desconfiança, em geral, como pessoas injustas, pois se prosperaram foi às custas da exploração do trabalhador, etc, etc, etc… A DOUTRINA CATÓLICA ensina que: – A propriedade privada é sagrada e decorrente do direito natural (Papas Leão XIII, Pio XI, Pio XII, João XXIII e outros); – O Capitalismo, enquanto economia de mercado não é algo mal, mas pode proporcionar a sadia geração de riquezas que a todos beneficia. – Que, o que é condenável, caso venha a existir, é a exploração injusta ou a instrumentalização do ser humano, o consumismo e o amor desordenado ao dinheiro; – Que o empreendimento e o enriquecimento são coisas boas, desde de que de modo lícito. Jesus era pobre e sempre viveu de maneira pobre, por própria opção, mas jamais condenou alguém por ser rico ou possuir bens materiais. Ele condenou o apego que leva a avareza e o egoísmo. A Igreja NUNCA pregou o “igualitarismo”, pois sabe que a desigualdade (referente a bens materiais e acidentais) é algo natural, porém condena a injustiça, a ganância e a exploração e fomenta a caridade e a solidariedade, especialmente para com os mais necessitados. A Igreja sabe que o empreendimento leva a geração de empregos e torna mais acessível os alimentos, bens de consumo e os serviços necessários para uma vida digna. A maior “exclusão social” é o desemprego, pois priva os indivíduos e famílias do acesso aos bens necessários para uma vida digna. São os empresários que geram empregos, de modo que quanto mais se facilitar o empreendimento, mais empregos serão criados, gerando bens que a todos poderão beneficiar. Os católicos irão seguir a doutrina da Igreja ou o socialismo da CNBB? Equipe Templário de Maria

  • Doutrina Católica sobre Capitalismo, Propriedade Privada e “Justiça Social”

    DOUTRINA CATÓLICA X DOUTRINA DA CNBB – CAPITALISMO, PROPRIEDADE PRIVADA E “JUSTIÇA SOCIAL” A CNBB (e os partidos de esquerda) ensina que: O capitalismo é mal pois gera “injustiça social”, exclusão, e faz acumular as riquezas nas mãos de poucos em detrimento de uma maioria explorada; que a propriedade privada é um obstáculo à “justiça social”, a qual basicamente consistiria em tirar de quem tem mais para dar a quem tem menos… Por isso são contra a Economia de Livre Mercado e o Agro Negócio, olhando os empresários com desconfiança, em geral, como pessoas injustas, pois se prosperaram foi às custas da exploração do trabalhador, etc, etc, etc… A DOUTRINA CATÓLICA ensina que: – A propriedade privada é sagrada e decorrente do direito natural (Papas Leão XIII, Pio XI, Pio XII, João XXIII e outros); – O Capitalismo, enquanto economia de mercado não é algo mal, mas pode proporcionar a sadia geração de riquezas que a todos beneficia. – Que, o que é condenável, caso venha a existir, é a exploração injusta ou a instrumentalização do ser humano, o consumismo e o amor desordenado ao dinheiro; – Que o empreendimento e o enriquecimento são coisas boas, desde de que de modo lícito. Jesus era pobre e sempre viveu de maneira pobre, por própria opção, mas jamais condenou alguém por ser rico ou possuir bens materiais. Ele condenou o apego que leva a avareza e o egoísmo. A Igreja NUNCA pregou o “igualitarismo”, pois sabe que a desigualdade (referente a bens materiais e acidentais) é algo natural, porém condena a injustiça, a ganância e a exploração e fomenta a caridade e a solidariedade, especialmente para com os mais necessitados. A Igreja sabe que o empreendimento leva a geração de empregos e torna mais acessível os alimentos, bens de consumo e os serviços necessários para uma vida digna. A maior “exclusão social” é o desemprego, pois priva os indivíduos e famílias do acesso aos bens necessários para uma vida digna. São os empresários que geram empregos, de modo que quanto mais se facilitar o empreendimento, mais empregos serão criados, gerando bens que a todos poderão beneficiar. Os católicos irão seguir a doutrina da Igreja ou o socialismo da CNBB? Equipe Templário de Maria

  • A ESTRATÉGIA DO ANTICRISTO:RESPOSTA AO INDIFERENTISMO E AO SINCRETISMO RELIGIOSO

    João Paulo II foi muito claro quando se dirigiu a assembléia plenária da congregação para a doutrina da fé: “para por remédio a esta mentalidade relativista, é preciso reiterar, sobretudo, o caráter definitivo e íntegro da revelação de cristo, por conseguinte, é contrária à fé da igreja a tese acerca do caráter limitado da revelação de Cristo, que encontraria seu complemento nas outras religiões, efetivamente, é errôneo considerar a igreja como um caminho de salvação ao lado daqueles constituídos por outras religiões, que seriam complementares a igreja e convergentes com esta rumo ao reino escatológico de Deus, portanto, deve- se excluir uma certa mentalidade de indiferentismo ” caracterizada por um relativismo religioso, que considera que uma religião vale por outra( Redemptoris missio,36). Em 5 de setembro de 2000, a congregação para a doutrina da fé apresentou a declaração dominus Iesus sobre a unicidade e universalidade salvífica de Jesus Cristo e da igreja. A relação da declaração com a avalanche de novos paradigmas éticos e, especialmente com a imposição do sincretismo e indiferentismo religioso é mais do que clara. O Cardeal Ratzinger, assinalando as diferenças da fé cristã para esclarecer a confusão do igualitarismo, do indiferentismo, e sincretismo religioso, afirma: Cristo é totalmente diferente de todos os fundadores das outras religiões e não pode ser reduzido a um Buda ou a Sócrates ou Confúcio. É realmente a ponte entre o céu e a terra, a luz da verdade que apareceu para nós. SINCRETISMO RELIGIOSO A SERVIÇO DO PODER O binômio relativismo-positivismo jurídico é uma clara manifestação da aliança da democracia com o relativismo ético, que remove da convivência civil qualquer ponto seguro de referência moral, despojando-a radicalmente do reconhecimento da verdade, como nós advertiu João Paulo II. Está aliança “converte-se facilmente num totalitarismo aberto ou dissimulado”. No caso específico da religião, o relativismo, além de combater qualquer verdade imutável, promove o indiferentismo religioso: não importa no que se acredita, o importante é acreditar em alguma coisa”; no pior dos casos, fomenta o sincretismo, a diferença de diferentes tradições religiosas. Muito antes da criação de redes inter-religiosas que apóiem seus objetivos, todas as reuniões internacionais das nações unidas são acompanhadas por fóruns e reuniões menores com líderes religiosos, os participantes podem ser menos ou mais relacionados com a burocracia da ONU. Entre as aparentes alheias à estrutura da ONU, mas trabalhando lado a lado com ela,é importante ter em conta a organização religiosa Global faith-based organization forum on multi-religious coperation for humanitarian relief, development and peace, fórum da organização global baseado na fé sobre a cooperação multi religiosa para à ajuda humanitária o desenvolvimento e a paz, que depende da organização religião Para a paz, cujo presidente emérito, agora moderador internacional, é o príncipe El Hassan bin talal da Jordânia, que foi presidente do clube de Roma e membro da iniciativa carta da terra. A organização religiões Para a paz apoio na ONU a criação da nova religião universal para uma nova era, a idade de ouro da harmonia e prosperidade, da paz e da justiça. O texto mistura passagens bíblicas de Isaías, as profecias de Zoroastro, as promessas do alcorão, a visão sikh, a doutrina jain, e as teorias de Confúcio e do budismo; o taoísmo, o bhagavad-gita, o xintoísmo, o bahá’í e religião Sioux: é a consagração internacional do sincretismo religioso. Entre os 42 co-presidentes do conselho mundial de religiões para a paz , chama especialmente atenção a presença de três cardeais da igreja católica e alguns bispos, além de outras personalidades católicas, como Karen m. Hurley, presidente da world Union of catholic women’s organization[ união mundial das organizações de mulheres católicas]. Outro cardeal aparece entre os moderadores de religiões pela paz. A organização religiões pela paz recebe financiamento, por exemplo, de catholic relief services; Latin American and Caribbean regional offices ; maryknol fhaters and brothers; un mileniun campaig, usaid;UNESCO; Unicef; unifem; PNUD. Em novembro de 2009 houve um encontro singular no castelo de Windsor. Os organizadores foram aliança das religiões e conservação, uma organização presidida pelo príncipe de Edimburgo, e o secretário geral das nações unidas Ban ki-moon. Participaram representantes de todas as crenças religiosas que assinaram o primeiro grande compromisso internacional pela conservação do meio ambiente – no qual todas as religiões estão envolvidas – que visa moldar o comportamento e as atitudes dos fiéis, a fim de proteger a natureza para as gerações futuras. Este grande compromisso pretende ser contributo das religiões para a XV conferência internacional sobre climática em Copenhagen, organizada pela ONU, de 07 a 18 de dezembro de 2009. Os compromissos de Windsor, the Windsor commitments, ocupam um volume de quase 200 páginas intitulado many heavens, one hearth: faith commitments to protect the living planeta[ muitos céus. Uma terra: compromissos da fé para proteger o planeta vivo]. Basta o título da publicação para facilmente se perceber como seus signatários estão tomados de um sincretismo panteísta, ainda que tentem esconder- já que cada um dos signatários se compromete a implantar em suas comunidades um plano de ação pretensamente compatível com a sua própria doutrina. Os não cristãos que estão envolvidos no compromisso são os seguintes: a religião bahá’í, budismo, taoísmo, hinduísmo, islamismo, judaísmo, xintoísmo, deita sikh e os grupos sincretistas Greenfaith [fé verde], operation noah [ operação Noé ] e regeneration project( interfaith power and light), projeto regeneração, ( poder e luz interconfessional. Entre os cristãos não católicos estão a igreja da Inglaterra, igreja apóstolica Armênia, igreja autocéfala da Polônia, igreja da Noruega, os quakers do reino unido, e várias denominações da Ásia e da África. Instituições católicas também estão envolvidas: conferência episcopal CATÓLICA australiana, conferência episcopal CATÓLICA da Inglaterra e Gales, Família Franciscana, jesuítas, coalisão católica americana ao longo do rio-eua, ordem beneditinos de monges e monjas católicas; coalisão católica norte- americana em mudança climática. Está última reúne 13 instituições, incluindo dois departamentos da conferência episcopal dos EUA. Em alguns desses programas é muito fácil distinguir a fé católica do culto da TERRA; por exemplo, na jornada de oração pelo dia da terra, que algumas escolas CATÓLICAS na Grã-Bretanha celebram. Em outros casos, tal como o texto expressa, parecia que os modelos ecológicos de construção das escolas, igrejas e capelas, ou Green programs [programas verdes] aplicado ao ensino católico, à formação das vocações religiosas ou a salvação do rio Hudson, fazem parte da fé e da moral da igreja. Os the Windsor commitments foram adotados pelo programa das nações unidas para o desenvolvimento (PNUD) e apoiado pelo banco mundial e worldWilde fund for nature e outras instituições ecológicas. Cf: João Paulo II, enc. veritates splendor, n° 101, 06 de agosto de 1993. Referência: Poder Global e Religião Universal, do Monsenhor Claudio Sanahuja #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Igreja

  • Participação Papal nos sete primeiros concílios ecumênicos

    A seguir evidências documentais sobre a presença papal (pessoalmente ou através de legados) nos primeiros sete concílios: 1) Nicéia, 325 [legados papais; possivelmente incluindo Ósio ou Ossius, que presidiu] A recomendação para um concílio geral ou ecumênico. . . provavelmente já havia sido feita para Constantino por Ossius [também conhecido como Ósio], e muito provavelmente para o Papa Silvestre também. . . Ossius presidiu as suas deliberações; provavelemte ele, e dois sacerdotes de Roma certamente, vieram como representantes do Papa. (Dr. Warren Carroll, The Building of Christendom, Christendom College Press, 1987, 11) Para muito mais sobre isso, veja o artigo de Brian Harrison, citado abaixo em # 2 e meu artigo, o Papa Silvestre e o Concílio de Nicéia, e o artigo muito mais profundo, o Concílio de Nicéia: Resposta a James White: Seu Relacionamento com o Papa Silvestre, visão de Atanásio e a Preeminência Única da Autoridade Católica. 2) Constantinopla, 381 [sem papa e sem legados] Nenhum bispo do ocidente estava presente, nem o Papa representado. Portanto, este não era realmente um concílio ecumênico, embora devido à confusão histórica posterior e à aceitação entusiástica de toda a Igreja de seu credo fortemente ortodoxo, incluindo uma confissão explícita da total divindade do Espírito Santo, passou a ser considerado e numerada assim sendo. (Dr. Warren Carroll, The Building of Christendom, Christendom College Press, 1987, p. 62) Com o Primeiro Concílio de Constantinopla (381) estamos lidando com outro caso em que não existem atas extensivas. Este concílio também foi convocado por um imperador, Teodósio I. [Ibid.] A linguagem de seu decreto sugere que ele via a Sé romana como um critério da ortodoxia cristã. Ele ordena a todos os seus súditos a praticarem a religião que Pedro apóstolo transmitiu aos romanos. Ao chamar o Concílio, Teodósio não imaginava que os bispos reunidos debatessem a doutrina romana como achavam que era uma questão aberta. O fato de que Melécio de Antioquia presidiu a Constantinopla I, e a ausência de legados romanos, podem parecer evidências contra o primado romano. Deve-se lembrar que o Concílio não era originalmente destinado a ser ecumênico no mesmo sentido que Nicéia. Incluía, afinal, apenas 150 bispos da Trácia, Ásia Menor e do Egito e foi convocado para lidar com certos problemas orientais [New Catholic Encyclopedia, s.v. ”Constantinople, First Council of.”] Na verdade, não foi reconhecido como ecumênico pelo Concílio de Éfeso meio século depois, e foi deixado ao papa Gregório Magno elevá-lo a esse status. (“Papal Authority at the Earliest Councils,”, Brian W. Harrison, This Rock, janeiro de 1991) 3) Eféso, 431 [legados papais Arcadio, Projectus e Filipe] O Papa . . . enviou dois bispos, Arcadio e Projectus, para representar a si próprio e seu conselho romano, e o padre romano, Filipe, como seu representante pessoal. Filipe, portanto, toma o primeiro lugar, no entanto, não sendo bispo, ele não podia presidir. Provavelmente era uma questão de lógica que o Patriarca de Alexandria deveria ser presidente. Os legados foram instruídos a não participar das discussões, mas para julgar essas pessoas. Parece que Calcedônia, vinte anos depois, estabeleceu o precedente de que os legados papais deveriam sempre ser tecnicamente presidentes em um concílio ecumênico, e isso foi, doravante, considerado natural, e os historiadores gregos assumiram que deveria ter sido esse o caso em Nicéia. (Enciclopédia Católica: “Conscílio de Éfeso”, escrito por John Chapman) 4) Calcedônia, 451 [legado papal Paschasinus, que presidiu] A honra de presidir esta venerável assembléia foi reservada a Paschasinus, bispo de Lilibeia, o primeiro dos legados papais, de acordo com a intenção do Papa Leão I, expressou em sua carta ao imperador Marciano (24 de junho de 451). Pouco depois do concílio, escrevendo aos bispos da Gália, ele menciona que seus legados presidiram em seu lugar um sínodo oriental. Além disso, Paschasinus proclamou abertamente na presença do concílio que ele estava presidindo em nome e no lugar do papa Leão. Os membros do concílio reconheceram esta prerrogativa dos legados papais. Ao escrever ao papa professaram que, através de seus representantes, presidiu-os no concílio. No interesse da ordem e um procedimento regular, o imperador Marciano nomeou uma série de comissários, homens de alto escalão, que receberam o lugar de honra no concílio. A jurisdição deles, no entanto, não abrangia as questões eclesiásticas ou religiosas em discussão. Os comissários simplesmente dirigiam a ordem dos negócios durante as sessões; eles abriram as reuniões, colocaram diante do concílio os assuntos a serem discutidos, exigiram os votos dos bispos sobre os diversos assuntos e fecharam as sessões. Além disso, havia presentes vários membros do Senado, que compartilharam o lugar de honra com os comissários imperiais. No início da primeira sessão, os legados papais, Paschasinus em sua cabeça, protestou contra a presença de Dioscoro de Alexandria. As acusações formais de heresia e de ações injustas cometidas no concílio dos ladrões de Éfeso (Latrocínio de Éfeso) foram proferidas contra ele por Eusébio de Doriléia; e, por sugestão dos comissários imperiais, ele foi retirado do seu lugar entre os bispos e privado de seu voto…. Quando a famosa epístola do papa foi lida, os membros do concílio exclamaram que a fé nele contida era a fé dos padres e dos apóstolos; que através de Leão, Pedro falou. . . . Ao encerrar as sessões, o concílio escreveu uma carta ao Papa Leão I, na qual os Padres o informaram sobre o que foi feito; agraderam-lhe he pela exposição da fé cristã contida em sua epístola dogmática; falou de seus legados como tendo presidido sobre eles em seu nome; e pediu a ratificação dos assuntos disciplinares promulgados, em particular o cânon 28. Esta carta foi entregue aos legados papais, que partiram para Roma logo após a última sessão do concílio. Cartas semelhantes foram escritas ao papa Leão em dezembro pelo imperador Marciano e Anatólio de Constantinopla. Em resposta, o Papa Leão protestou de forma mais enérgica contra o cânon xxviii e declarou-o nulo e anulado como sendo contra as prerrogativas dos Bispos de Alexandria e Antioquia e contra os decretos do Concílio de Nicéia. Protestos similares estavam contidos nas cartas escritas em 22 de maio de 452, ao imperador Marciano, a imperatriz Pulquéria e a Anatólio de Constantinopla. Diferentemente, o Papa ratificou os Atos do Concílio de Calcedônia, mas apenas na medida em que se referiam a questões de fé. Esta aprovação foi contida em cartas escritas em 21 de março de 453 aos bispos que participaram do concílio; daí o Concílio de Calcedônia, pelo menos quanto às seis primeiras sessões, tornou-se um sínodo ecumênico, e foi considerado como tal por todos os cristãos, tanto na época de Papa Leão I quanto depois dele. (Enciclopédia católica: “Concílio de Calcedônia”, escrito por Francis Schaefer) 5) Constantinopla, 553 [sem papa e sem legados, devido a táticas brutas imperiais e prisão do Papa Virgílio] A partir de 25 de janeiro de 547, o papa Vírgilio foi detido à força na cidade real; . . . Virgílio persuadiu Justiniano. . .a proclamar uma trégua em todos os lados até que um concílio geral pudesse ser chamado para decidir essas controvérsias. Tanto o imperador como os bispos gregos violaram essa promessa de neutralidade ;. . . Por seu protesto digno, Vírgilio sofreu várias indignidades pessoais nas mãos da autoridade civil e quase perdeu a vida; Ele descansou finalmente em Calcedônia, na própria igreja de São Eufêmia, onde o grande concílio havia sido feito, de onde informou o mundo cristão da situação. Logo os bispos orientais buscaram reconciliação com ele, induziram-no a voltar para a cidade e retiraram tudo o que até então havia sido feito contra os Três Capítulos; O novo patriarca, Eutiquio, sucessor de Mennas, cuja fraqueza e subserviência foram a causa imediata de toda essa violência e confusão, apresentou (6 de janeiro de 553 o seu professor de fé a Vigilius e, em união com outros bispos orientais, exortou a chamada de um concílio geral sob a presidência do papa. Virgílio estava disposto, mas propôs que ele fosse realizado na Itália ou na Sicília, a fim de assegurar o comparecimento dos bispos ocidentais. A isto Justiniano não concordava, mas propôs, em vez disso, uma espécie de comissão composta de delegados de cada um dos grandes patriarcados; Vírgilio sugeriu que um número igual fosse escolhido entre o Oriente e o Ocidente; mas isso não foi aceitável para o imperador, que então abriu o concílio por sua própria autoridade na data e na maneira mencionadas acima. Vírgilio recusou-se a participar, não só por causa da proporção esmagadora dos bispos orientais, mas também pelo medo da violência; Além disso, nenhum de seus predecessores jamais participaram pessoalmente de um concílio oriental. Para esta decisão, ele era fiel, embora ele expressasse sua vontade de dar um julgamento independente sobre os assuntos em questão. . . . As decisões do concílio foram executadas com uma violência em consonância com sua conduta, embora a reconciliação ardentemente esperada dos monofisitas não se seguisse (Os três capítulos eram vinculados a autores que os monofosistas odiavam particularmente como inimigos, Justiniano tentava assim uma reconciliação). Virgílio, juntamente com outros opositores da vontade imperial, como registrado pelos prelados subalternos da corte, parece ter sido banido (Hefele, II, 905), juntamente com os bispos fiéis e eclesiásticos de seu séquito, seja para o Alto Egito ou para uma ilha no Propontis (Mármara). Já na sétima sessão do concílio, Justiniano fez com que o nome de Virgílio fosse retirado dos dípticos, sem prejuízo, dizia ele, à comunhão com a Sé Apostólica. Logo o clero e as povo romano, agora libertados por Narses do jugo gótico, pediram ao imperador que permitisse o retorno do papa, o que Justiniano concordou com a condição de que Vírgilio reconhecesse o último concílio. Este Virgílio finalmente concordou em fazer, e em dois documentos (uma carta a Eutiquio de Constantinopla, 8 de dezembro de 553, e uma segunda “Constitutum” de 23 de fevereiro de 554, provavelmente dirigido ao episcopado ocidental) condenou, finalmente, Os Três Capítulos (Mansi, IX, 424-20, 457-88, ver Hefele, II, 905-11), independentemente, entretanto, e sem menção ao concíilio. (Enciclopédia Católica: “Segundo Concílio de Constantinopla”, escrito por Thomas Shahan) 6) Constantinopla II, 681 [legados papais] Devido ao desejo do papa Ágato de obter a adesão de seus irmãos ocidentais, os legados papais não chegaram a Constantinopla até o final de 680. O concílio, acolheu no início 100 bispos, mais tarde 174, foi aberto 7 de novembro, 680, em um salão abobadado (trullus) do palácio imperial e presidido pelos (três) legados papais que levaram ao concílio uma longa carta dogmática do papa Ágato e outra de importância similar de um sínodo romano na primavera de 680. Foram lidas na segunda sessão. Ambas as cartas, em especial o Papa, insistem na fé da Sé Apostólica como a tradição viva e inativa dos Apóstolos de Cristo, assegurada pelas promessas de Cristo, testemunhadas por todos os papas na sua capacidade de sucessores do privilégio petrino de confirmar os irmãos e, portanto, finalmente autoritativa para a Igreja Universal. . . . A maior parte das duzentas sessões foi dedicada ao exame das passagens bíblicas e patrísticas sobre a questão de uma ou duas vontades, uma ou duas operações, em Cristo. Jorge, Patriarca de Constantinopla, logo cedeu à evidência do ensino ortodoxo sobre as duas vontades e duas operações em Cristo, mas Macário de Antioquia, “quase o único representante certo do monotelismo desde as nove proposições de Ciro de Alexandria” (Chapman) , resistiu até o fim e, finalmente, foi anatematizado e deposto por “não consentir no teor das cartas ortodoxas enviadas por Ágato, o mais sagrado papa de Roma”. . . A carta do concílio ao Papa Leão, perguntando, de maneira tradicional, a confirmação de seus Atos, ao mesmo tempo que incluiu o nome de Honório entre os monotelistas condenados, colocou um estresse notável no ofício magisterial da Igreja Romana, pois, em geral, os documentos do Sexto Concílio Geral favorecem fortemente a inerrância da Sé de Pedro. “O Concílio”, diz Dom Chapman, “aceita a carta em que o Papa definiu a fé. Ele depõe aqueles que se recusaram a aceitá-ls. Solicita [o papa] para confirmar suas decisões. Os Bispos e Imperadores declaram ter visto a cartacontendo a doutrina dos Padres. Ágato fala com a voz do próprio Pedro; De Roma, a lei havia saído de Sião; Pedro manteve a fé inalterada. “O papa Ágato morreu durante o Concílio e foi sucedido por Leão II, que confirmou (683) os decretos contra o monotelismo e se expressou ainda mais duramente do que o concílio em direção à memória de Honório (Hefele, Chapman) , no entanto, ele colocou o estresse principalmente sobre a negligência desse papa para estabelecer o ensino tradicional da Sé Apostólica, cuja fé impecável ele tentou traidoramente derrubar (ou, como o grego possa ser traduzido, permitiu ser derrubada). (Enciclopédia católica: “Terceiro concílio de Constantinopla”, escrito por Thomas Shahan) 7) Nicéia II, 787 [Legados papais Pedro e abade Pedro] As cartas do papa para a imperatriz e para o patriarca revelam superabundantemente que a Santa Sé aprovou a convocação do Concílio. O papa depois escreveu a Carlos Magno: “Et sic synodum istam, secundum nostram ordinationem, fecerunt” (Assim, eles mantiveram o sínodo de acordo com nossas direções). A imperatriz-regente e seu filho não ajudaram pessoalmente nas sessões, mas foram representados lá por dois altos funcionários: o patrício e ex-cônsul, Petrônio, o camareiro imperial e logotéta João, com quem foi associado como secretário o primeiro patriarca, Nicéforo. As Atas representam constantemente a cabeça dos membros eclesiásticos os dois legados romanos, o arcebispo Pedro e o abade Pedro; Depois deles, Tarásio, Patriarca de Constantinopla, e depois dois monges e sacerdotes orientais, João e Tomás, representantes dos Patriarcas de Alexandria, Antioquia e Jerusalém. As operações do concílio mostram que Tarásio, propriamente falando, conduziu as sessões. (Enciclopédia Católica: “O Segundo Concílio de Nicaea”, escrito por Henri Leclercq) Conclusão: os papas não estavam presentes pessoalmente nos primeiros sete concílios. O costume naqueles dias era enviar legados papais. Estes estavam presentes em cinco dos sete concílios. Eles não estavam em Constantinopla em 381 porque nenhum dos bispos ocidentais estava presente; portanto, não era considerado um conselho ecumênico no início, porque era de natureza exclusivamente oriental e não representativo da igreja universal (Foi convocado pra resolver o problema que o imperador oriental ariano fanático Valente suscitou) . Mas foi ortodoxo, e depois foi declarado ecumênico. E eles não estavam presentes em Constantinopla em 553 porque o papa estava preso e o Imperador não queria que o catolicismo ocidental fosse representado proporcionalmente. O Papa Vírgilio recusou-se a participar (ou seja, através dos legados) por causa da desproporção, e devido aos temores de uma maior violência. Mais tarde, foi considerado um concílio ecumênico por Roma, pois também era ortodoxo no resultado (pela graça de Deus, como sempre). Traduzido de: http://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2018/02/papal-participation-in-the-first-seven-ecumenical-councils.html

  • PRIMEIRAS ORAÇÕES E FORMAS QUE O CRISTÃO DEVE SABER DE CÓR.  

    Conforme um catecismo de 1926, aprovado por São Pio X e recomendado por este. “Medita estas coisas, ocupa-te nelas; afim de que o teu aproveitamento  seja manifesto a todos.” Ep. 1º TIMOT. IV, 15 1º Sinal da Cruz. 2º Credo ou símbolo dos Apóstolos. 3º Pater noster, ou Oração Dominical. 4º Glória Patri. 5º Ave Maria, ou Saudação Angélica. 6º Salve Regina ou Salve Rainha. 7º Angele Dei ou Santo Anjo. 8º Requiem Aeternam, pelos defuntos. Dai-lhes Senhor o eterno descanso; entre os resplendores da luz perpetua. Descansem em paz. Amem. 9º Ato de Fé. Eu creio firmemente que há um só Deus em três pessoas realmente distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Que dá o céu aos bons e o inferno aos maus para sempre. Creio que o filho de Deus se fez homem, padeceu e morreu na Cruz para nos salvar. Creio tudo o mais que crê e ensina a santa igreja católica apostólica Romana, porque Deus Verdade infalível lhe revelou e nesta verdade quero viver e morrer. 10º Ato de Esperança. Eu espero meu Deus com firme que confiança que pelos merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo me dareis a salvação eterna e as graças necessárias consegui-la, porque Vós sumamente bom e poderoso o haveis prometido a quem observar fielmente os Vossos mandamentos como eu proponho fazer com vosso auxilio. 11ºAto de Caridade. Eu vos amo meu Deus de todo o meu coração e sobre todas as coisas, porque sois infinitamente bom e amável e antes quero perder tudo que vos ofender. Por amor de vos amor meu próximo como a mim mesmo. 12ºAto de Contrição. Senhor meu, Jesus Cristo, verdadeiro Deus e homem, Criador e Redentor meu, por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, pesa-me Senhor, de todo meu coração de vos ter ofendido, pesa-me também por ter perdido o céu e merecido o inferno, e proponho firmemente com o auxilio da vossa graça de me emendar e nunca mais vos tornar a ofender, e espero alcançar o perdão das minhas culpas pela vossa infinita misericórdia. Amem. 13º Os dois mistérios principais da nossa Fé. 1.      Unidade e Trindade de Deus. 2.      Encarnação, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. 14º Os dois Mandamentos da Caridade. 1.      Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua mente. 2.      Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. 15º Os Dez Mandamentos da Lei Deus ou o Decálogo. Amar a Deus sobre todas as coisas. Não jurar seu Santo Nome em vão. Guardar os domingos e dias Santos de Guarda. Honrar pai e mãe. Não matar. Guardar castidade. Não furtar. Não levantar falso testemunho. Não desejar a mulher do próximo. Não cobiçar as coisas alheias. 16º Os cinco Mandamentos da Santa Madre Igreja. Ouvir Missa inteira nos domingos e dias santos de guarda. Confessar-se ao menos uma vez ao ano. Comungar na Páscoa da Ressurreição. Jejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Madre Igreja. Pagar dízimos segundo o costume. 17º Os Sete Sacramentos. 1.      Batismo. 2.      Crisma. 3.      Comunhão. 4.      Penitencia ou Confissão. 5.      Unção dos Enfermos 6.      Ordem. 7.      Matrimônio. 18º Os sete Dons do Espírito Santo. 1.      Sabedoria. 2.      Inteligência ou entendimento. 3.      Conselho. 4.      Fortaleza. 5.      Ciência. 6.      Piedade. 7.      Temor de Deus. 19º As três virtudes Teologais. 1.      Fé. 2.      Esperança. 3.      Caridade. 20º As quatro virtudes Cardeais. 1.      Prudência. 2.      Justiça. 3.      Fortaleza. 4.      Temperança. 21º As sete obras de Misericórdia Corporais. Dar de comer a quem tem fome. Dar de beber a quem tem sede. Vestir os nus. Visitar os doentes e enfermos. Dar abrigo aos peregrinos e viajantes. Remir os cativos. Enterrar os mortos. 22º As sete obras de Misericórdia Espirituais. Dar bom conselho. Ensinar os ignorantes. Consolar os aflitos. Corrigir os que erram. Perdoar as injúrias. Suportar com paciência as faltas alheias. Rezar pelos vivos e mortos. 23º Os Sete pecados mortais. 1.      Soberba. 2.      Avareza. 3.      Luxuria. 4.      Ira. 5.      Gula. 6.      Inveja. 7.      Preguiça. 24º Os seis pecados contra o Espírito Santo. 1.      Desesperação da salvação. 2.      Presunção de se salvar sem merecimentos. 3.      Contradizer a verdade conhecida como tal. 4.      Ter inveja das mercês que Deus faz a outrem. 5.      Obstinação no pecado. 6.      Impenitência final. 25º Os quatro pecados que bradam ao Céu. 1.      Homicídio voluntário. 2.      O pecado sensual contra a natureza. 3.      Opressão dos pobres, principalmente órfãos e viúvas. 4.      Não pagar o justo salário aos que trabalham. 26º Os quatro Novíssimos. 1.      Morte 2.      Juizo 3.      Inferno 4.      Paraiso A causa principal da perda das almas é a ignorância religiosa, o desconhecimento das verdades da Fé. São Pio X.

  • OS TRÊS VINHOS – SANTO TOMÁS DE AQUINO

    « Não tem vinho » (São João II, 3) Antes da Encarnação de Cristo, três vinhos faltavam aos homens: o vinho da justiça, o da sabedoria e o da caridade ou graça. 1. — O vinho mordica o paladar e, por causa disso, diz-se que a justiça é um vinho. O Samaritano lançou azeite e vinho nas feridas do homem que jazia no caminho (São Lucas X, 34), isto é, a severidade da justiça com a doçura da misericórdia. « deste-nos a beber o vinho da compunção » (Sl LIX, 5). O vinho também alegra o coração, conforme diz o salmista, « o vinho alegra o coração do homem » (Sl 103, 15). Por causa disso, diz-se que a sabedoria é um vinho, pois a meditação da sabedoria alegra imensamente. « sua conversação não tem nada de desagradável » (Sb VIII, 16). O vinho também inebria. « bebei, amigos, e embriagai-vos, caríssimos » (Ct V, 1). Por isso diz-se que a caridade é um vinho. « Bebi o meu vinho com o meu leite » (Ct V, 1). E também se diz que a caridade é um vinho por causa do seu fervor. « o vinho que gera virgens » (Zc IX, 17) 2. — O vinho da justiça certamente faltava na velha lei, na qual a justiça era imperfeita. Mas Cristo tornou-a perfeita. « Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e a dos fariseus, não entrareis no reino dos céus » (São Mateus V, 20). Também faltava o vinho da sabedoria, que estava oculta e em figura. « todas estas coisas lhes aconteciam em figura » (I Cor X, 11). Mas Cristo a manifestou. « porque os ensinava, como quem tinha autoridade » (São Mateus VII, 29). Mas também faltava o vinho da caridade, pois apenas receberam o espírito da servidão no temor. Mas Cristo transformou a água do temor no vinho da caridade quando deu o « espírito de adoção de filhos, mercê do qual clamamos, dizendo: Abba pai » (Rm VIII, 15) e quando « a caridade de Deus foi derramada em nossos corações » (Rm V, 5) In Joan., II (P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

  • A Excomunhão Segundo o Código de Direito Canônico

    EXCOMUNHÃO CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO 1364 § 1. O apóstata da fé, o herege ou o cismático incorre em excomunhão latae sententiae, salva a prescrição do cân. 194, § 1, n. 2; além disso, o clérigo pode ser punido com as penas mencionadas no cân. 1336, § 1, n. 1, 2 e 3. 1367 – Quem joga fora as espécies consagradas ou as subtrai ou conserva para fim sacrílego incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica; além disso, o clérigo pode ser punido com outra pena, não excluída a demissão do estado clerical. 1370 § 1. Quem usa de violência física contra o Romano Pontífice incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica, e, se for clérigo, conforme a gravidade do delito, a essa pode-se acrescentar outra pena, não excluída a demissão do estado clerical. § 2. Quem assim age contra pessoas revestida de caráter episcopal incorre em interdito latae sententiae e, se for clérigo, também em suspensão latae sententiae. § 3. Quem usa de violência física contra clérigo ou religioso por desprezo à fé, à Igreja, ao poder eclesiástico ou ao ministério seja punido com censura. 1378 § 1. O sacerdote que age contra a prescrição do cân. 977 incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica. 977- Exceto em perigo de morte, é inválida a absolvição do cúmplice em pecado contra o sexto mandamento do Decálogo. 1382 O Bispo que, sem o mandato pontifício, confere a alguém a consagração episcopal e, igualmente, quem dele recebe a consagração incorrem em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica. 1388§ 1. O confessor que viola diretamente o sigilo sacramental incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica; quem o faz só indiretamente seja punido conforme a gravidade do delito. §2. O intérprete e os outros mencionados no cân. 983, § 2, que violam o segredo, sejam punidos com justa pena, não excluída a excomunhão. 1398 – Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae. EXCOMUNHÃO DA IGREJA 1318-§1  O legislador não comine penas latae sententiae, a não ser eventualmente para determinados delitos dolosos que, ou possam ser causa de escândalo mais grave, ou não se possam punir eficazmente com penas ferendae sententiae; não estabeleça porém, censuras, e principalmente excomunhão, a não ser com máxima moderação e só para delitos mais graves. Nota: Conforme declarava o Código de 1917, a pena é “latae sententiae” (ou automática) se vai unida, de tal forma, à lei ou ao preceito, que se incorre nela pelo próprio fato de se ter cometido o delito; “ferendae sententiae”, se é necessário que o juiz ou o Superior a aplique. No mesmo Código, definia-se o “dolo”, em matéria penal, como a vontade manifesta de violar a lei. Essas definições continuam sendo válidas atualmente. “Delito doloso” será, pois, o delito cometido à ciência e consciência de que se está transgredindo um preceito legal. Os conceitos de censura e excomunhão estão explicados no comentário ao cân. 1331. 1331 § 1. Ao excomungado proíbe-se: 1° – ter qualquer participação ministerial na celebração do sacrifício da Eucaristia ou em quaisquer outras cerimônias de culto; 2° – celebrar sacramentos ou sacramentais e receber os sacramentos; 3° – exercer quaisquer ofícios, ministérios ou encargos eclesiásticos ou praticar atos de regime;   Nota: As “censuras” são penas medicinais, ou seja, privações de bens, impostas ao delinqüente com a finalidade de que desista de sua vontade delituosa. Por isso, devem ser absolvidas desde o momento em que cessa essa vontade de violar a lei. Como é lógico, a Igreja só pode privar daqueles bens que ela administra (sacramentos, exercício de ofícios e ministérios eclesiásticos etc.). Não pode privar da graça de Deus, que se perde pelo pecado, o qual se encontra na base do delito, também  não por uma disposição eclesiástica; nem muito menos da salvação. A excomunhão é a censura mais forte. Como o seu nome indica, o seu efeito fundamental é colocar alguém fora da comunhão “visível” da Igreja; por isso, suspende os direitos inerentes a essa comunhão. Os efeitos que se assinalam neste cânon para a excomunhão são inseparáveis, quer dizer, todos eles se aplicam a todos os excomungados, com a única distinção estabelecida entre os §§ 1 e 2. No primeiro, trata-se da excomunhão “latae sententiae”, ou automática, antes de ser declarada pela autoridade competente. No segundo, estamos no caso da excomunhão “ferendae sententiae” (quer dizer, a ser aplicada em cada caso concreto pela autoridade) ou no da “latae sententiae”, após a sentença ou declaração autoritativa. Advirta-se que o único caso de invalidade dos atos do excomungado é o da ação contra o prescrito no parágrafo  1, 3.º, após a sentença ou declaração. Mas aí estão também compreendidos o exercício do ministério da confissão (exceto no caso do cân. 976) e a assistência aos matrimônios em nome da Igreja (cf. cân. 1109). Na nova legislação não se conserva a distinção entre excomungados “vitandos” e “não-vitandos”.  1357 § 1. Salvas as prescrições dos cân. 508 e 976, o confessor pode remitir, no foro interno sacramental, a censura latae sententiae, não-declarada, de excomunhão ou de interdito, se for duro para o penitente permanecer em estado de pecado grave pelo tempo necessário para que o Superior competente tome providências. Nota: Já não existe a faculdade que o antigo cânon 2253 dava aos confessores de absolver, fora do perigo de morte e do caso urgente, das censuras não reservadas. Neste sentido, a nova legislação é mais dura do que a anterior, pois impõe, em qualquer caso, o recurso ao superior competente ou a um sacerdote dotado de faculdades especiais. 508 § 1. O cônego penitenciário, tanto da igreja catedral como da igreja colegiada, em virtude de seu ofício, tem faculdade ordinária, não delegável a outros, de absolver, no foro sacramental, das censuras latae sententiae, não declaradas e não reservadas a Sé Apostólica; na diocese, mesmo aos estranhos; e aos diocesanos, mesmo fora do território da diocese. 976 Qualquer sacerdote, mesmo que não tenha faculdade de ouvir confissões, absolve válida e licitamente de qualquer censura e de qualquer pecado qualquer penitente em perigo de morte, mesmo que esteja presente um sacerdote aprovado. Nota: O perigo de morte pode provir de diversas causas: desastres naturais, ações bélicas, doença etc. Já não há nenhuma limitação neste caso, nem sequer quando se trata de absolver o próprio cúmplice. O texto do cânon é bem claro: no perigo de morte, o ministério da confissão se exercita “sempre” válida e licitamente. § 2. Ao conceder a remissão, o confessor imponha ao penitente a obrigação de recorrer, dentro de um mês, sob pena de reincidência, ao Superior competente ou a um sacerdote munido de faculdade, e de submeter-se a suas determinações; nesse interím, imponha uma penitência adequada e, se urgir, também a reparação do escândalo e do dano. O recurso porém pode ser feito também por meio do confessor, sem menção do nome. § 3. Têm a mesma obrigação de recorrer, depois de sarar, os que de acordo com o cân. 976 foram absolvidos de uma censura infligida, declarada ou reservada à Sé Apostólica. 1364 § 1. O apóstata da fé, o herege ou o cismático incorre em excomunhão latae sententiae, salva a prescrição do cân. 194, § 1, n. 2; além disso, o clérigo pode ser punido com as penas mencionadas no cân. 1336, § 1, n. 1, 2 e 3. Nota: Para os conceitos de apostasia, heresia e cisma, cf. cân. 751. Para que esses erros sejam “delito”, devem manifestar-se externamente por fatos ou palavras. 751 Chama-se heresia a negação pertinaz, após a recepção do batismo, de qualquer verdade que se deva crer com fé divina e católica, ou a dúvida pertinaz a respeito dela; apostasia, o repúdio total da fé cristã; cisma, ar ecusa de sujeição ao Sumo Pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos. 1367 Quem joga fora as espécies consagradas ou as subtrai ou conserva para fim sacrílego incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica; além disso, o clérigo pode ser punido com outra pena, não excluída a demissão do estado clerical. Nota: Há três figuras de delito penadas neste cânon: 1) lançar fora, com desprezo, as espécies consagradas. Não cometeria o delito aqui punido o ladrão que, para roubar o cibório, o esvaziasse das hóstias, mas deixando estas dentro do sacrário ou em cima do altar. 2) subtrair a Eucaristia, levando-a com uma finalidade ruim, como, por exemplo, para usos supersticiosos. 3) reter a Eucaristia que se recebe legitimamente, com finalidade ruim. 1370 § 1. Quem usa de violência física contra o Romano Pontífice incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica, e, se for clérigo, conforme a gravidade do delito, a essa pode-se acrescentar outra pena, não excluída a demissão do estado clerical. § 2. Quem assim age contra pessoas revestida de caráter episcopal incorre em interdito latae sententiae e, se for clérigo, também em suspensão latae sententiae. § 3. Quem usa de violência física contra clérigo ou religioso por desprezo à fé, à Igreja, ao poder eclesiástico ou ao ministério seja punido com censura. Nota: Não cometeria o delito descrito no § 2 quem empregasse a força física contra um Bispo eleito, mas ainda não ordenado; nem o do § 3 se o atacado fosse apenas noviço, pois religioso, no sentido estrito, é só quem emitiu pelo menos a profissão temporária. Há uma diferença significativa entre os §§ 1 e 2, de uma parte, e o § 3, da outra. Nos dois primeiros, pune-se o simples fato de empregar a força física contra as pessoas citadas. No § 3, é necessário que, além da violência, haja desprezo da fé, da Igreja, do poder eclesiástico ou do ministério sagrado. 1371 Seja punido com justa pena: 1º o. quem, fora do caso previsto no cân. 1364 § 1, ensinar uma doutrina condenada pelo Romano Pontífice ou pelo Concílio Ecuménico, ou rejeitar com pertinácia a doutrina referida no cân. 750 § 2 ou no cân. 752, e, admoestado pela Sé Apostólica ou pelo Ordinário, não se retratar; 2º. quem, por outra forma, não obedecer à Sé Apostólica, ao Ordinário ou ao Superior quando legitimamente mandam ou proíbem alguma coisa, e, depois de avisado, persistir na desobediência. 1387 O sacerdote que, no ato da confissão, por ocasião de confissão ou com pretexto de confissão, solicita o penitente para um pecado contra o sexto mandamento do Decálogo seja punido, conforme a gravidade do delito, com suspensão, proibições, privações e, nos casos mais graves, seja demitido do estado clerical. 1373 Quem excita publicamente aversão ou ódio dos súditos contra a Sé Apostólica ou contra o Ordinário, em razão de algum ato de poder ou ministério eclesiástico, ou incita os súditos à desobediência a eles, seja punido com interdito ou com outras justas penas. 1378 § 1. O sacerdote que age contra a prescrição do cân. 977 incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica. 977 Exceto em perigo de morte, é inválida a absolvição do cúmplice em pecado contra o sexto mandamento do Decálogo. Nota: Cumplicidade é a colaboração de duas ou mais pessoas numa ação. Para que se possa falar de cumplicidade, no sentido visado por este cânon é necessário que a colaboração na comissão do pecado contra o sexto mandamento seja: 1) “formal”, quer dizer, que se trate de colaboração no mesmo pecado grave da parte do confessor e do penitente; 2) “externa”, mesmo se não se chega ao ato consumado; 3) “imediata”, ou seja, a cumplicidade deve dar-se na própria ação pecaminosa, não só antes ou depois. O objeto da cumplicidade é qualquer pecado contra o sexto mandamento (o nono não entra em questão, pois visa os atos internos), contanto que seja “certo” e “grave”. Sujeito da cumplicidade é qualquer pessoa com capacidade de pecar gravemente, independentemente de idade, sexo ou condição. A privação da faculdade de confessar se refere unicamente ao pecado de cumplicidade. Por isso, se o penitente já o confessou com um outro confessor e foi assim perdoado, pode confessar-se de outros pecados que porventura vier a cometer com o confessor que foi o seu cúmplice. Até parece que poderia acusar, como matéria livre, o pecado de cumplicidade já anteriormente confessado. Deve-se, porém, desaconselhar sempre esse modo de proceder. O sacerdote que transgredir o prescrito neste cânon incorre em excomunhão automática (“latae sententiae”) reservada à Santa Sé (cf. cân. 1378 § 1). 1382 O Bispo que, sem o mandato pontifício, confere a alguém a consagração episcopal e, igualmente, quem dele recebe a consagração incorrem em excomunhão latae sententiaereservada à Sé Apostólica. Nota: O mandato pontifício para a sagração episcopal é expedido pela Sagrada Congregação para os Bispos (normalmente, junto com o decreto de provisão da diocese). Incorre-se na pena prevista neste cânon tanto se o consagrado não tiver sido nomeado ou confirmado bispo pelo Papa, quanto se o consagrante não tiver recebido o mandato pontifício para a sagração. Já não incorrem na excomunhão os bispos consagrantes. 1388 § 1. O confessor que viola diretamente o sigilo sacramental incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica; quem o faz só indiretamente seja punido conforme a gravidade do delito. Nota: § 2. O intérprete e os outros mencionados no cân. 983, § 2, que violam o segredo, sejam punidos com justa pena, não excluída a excomunhão. Nota: A noção de “sigilo sacramental” o conteúdo do mesmo se encontram no comentário ao cân. 983. A violação é “direta”, quando se revela o pecado ouvido em confissão e a pessoa do penitente, quer indicando o nome, quer manifestando tais pormenores que qualquer um poderia deduzir de quem se trata. É “indireta”, se não se revela tão claramente a pessoa do penitente, mas o modo de agir ou de falar do confessor é tal que origina o perigo de que alguém chegue a conhecê-la. Não é exatamente violação do sigilo, mas está igualmente proibido (embora não tenha como conseqüência as penas aqui mencionadas) o uso indevido da ciência obtida na confissão, com ônus para o penitente, de forma a poder tornar odioso o sacramento. “Sigilo sacramental” é a obrigação que o confessor tem de não revelar, de nenhum modo, nada daquilo que o penitente lhe manifestou “em ordem a receber a absolvição”. Essa obrigação é sempre grave e não admite nenhuma exceção, a não ser a licença expressa, dada livremente pelo próprio penitente. Caem, portanto, sob o sigilo: a) todos e cada um dos pecados graves confessados, mesmo que sejam públicos, a não ser que o confessor os conheça por uma outra via. Mas, mesmo neste último caso, poderia haver falta de prudência, se o confessor falasse a respeito deles; b) os pecados veniais, especificamente considerados. Não havia, porém, lesão do sigilo se o confessor dissesse genericamente que alguém confessou pecados veniais, porque se alguém se confessa supõe-se que tem, pelo menos, pecados veniais. Mas também aqui se deveria evitar qualquer expressão que pudesse tornar odiosa a confissão; c) tudo aquilo que é manifestado na confissão, para que o confessor compreenda a acusação, como as circunstâncias do pecado, a cumplicidade etc.; d) tudo aquilo que aconteceu na confissão ou que se veio a saber por meio dela, sempre que guardar relação direta com a absolvição sacramental, como a penitência imposta, a absolvição denegada etc. Sobre os modos de lesar o sigilo sacramental e sobre as penas contra os que o violam, cf. cân. 1388. 1390 § 1. Quem denuncia falsamente um confessor de delito mencionado no cân. 1387, junto ao Superior eclesiástico, incorre em interdito latae sententiae e, se for clérigo, também em suspensão. 1395 § 1. O clérigo concubinário, exceto o caso mencionado no cân. 1394, e o clérigo que persiste no escândalo em outro pecado externo contra o sexto mandamento do Decálogo sejam punidos com suspensão. Se persiste o delito depois de advertências, podem-se acrescentar gradativamente outras penas, até a demissão do estado clerical. 1398 Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae. Nota: “Aborto” é a expulsão provocada do feto imaturo do seio materno. Distingue-se da aceleração do parto, em que, por motivos justos, se provoca o parto prematuro, quando o feto já tem a maturidade suficiente para poder sobreviver fora do seio materno. De acordo com os conhecimentos atuais da ciência médica, considera-se que há grandes probabilidades de sobrevivência após 180 dias de gestação. Inclusive, tem-se conseguido, em alguns casos, fazer sobreviver fetos com apenas cinco meses de gestação. Parece-nos, com Wernz-Vidal e Coronata, que também se deve qualificar de aborto a craniotomia e outras operações cirúrgicas em que se dá morte ao feto antes de extraí-lo do seio materno. Pelo contrário, não existe aborto delituoso no caso do chamado ”aborto indireto”, ou seja, a ação, em si boa (p. ex., a extirpação de um tumor canceroso), da qual se segue o aborto. Advirta-se que o cânon não faz nenhuma exceção quanto aos motivos do aborto. A excomunhão atinge, portanto, também os que realizam o aborto no caso de estupro da mulher, de deformidades do feto, ou de perigo de vida da mãe. E atinge por igual a todos os que, a ciência e consciência, intervêm no processo abortivo, quer com a cooperação material (médicos, enfermeiras, parteiras etc.), quer com a cooperação moral verdadeiramente eficaz  (como o marido, o amante ou o pai que ameaçam a mulher, obrigando-a a submeter-se ao procedimento abortivo). A mulher, não raramente, não incorrerá na excomunhão, por encontrar-se dentro das circunstâncias atenuantes do cân. 1324 § 1, 3.º e 5.º. Fonte: Site do Vaticano

  • São Gregório Nazianzeno (329-390) e o desenvolvimento doutrinal

    Da próxima vez que você encontrar alguém que suprime qualquer idéia do desenvolvimento da doutrina, leve-os a este Doutor Capadócio da Igreja e à sua 31ª Oração. “Veja as luzes se fragmentando-se sobre nós, gradualmente; E a ordem da teologia, que é melhor para nós manter, nem proclamando as coisas subitamente, nem mantendo-as escondidas até o fim. Pois o caminho anterior não seria científico, o último ateísta; E o primeiro assustaria os estrangeiros, o último alienaria nosso próprio povo. Vou acrescentar outro ponto ao que eu disse; Um que pode ter entrado na mente de alguns outros, mas que eu acho que seja um fruto do meu próprio pensamento. Nosso Salvador teve algumas coisas que, segundo ele, não poderiam ser suportadas naquele tempo por seus discípulos (embora estivessem preenchidos com muitos ensinamentos), talvez pelas razões que mencionei; E, portanto, elas estavam escondidas. E novamente Ele disse que todas as coisas deveriam ser ensinadas pelo Espírito quando viesse habitar entre nós. Destas coisas, uma, eu entendi que, era a própria Divindade do Espírito, deixando claro posteriormente que tal conhecimento deveria ser razoavel e capaz de ser recebido após a restauração do nosso Salvador, quando não seria mais recebido com incredulidade por causa de sua maravilhosa pessoa. De fato, qualquer coisa maior que isso ou Ele ensinou, ou Espírito ensina. Se de fato qualquer coisa seja considerada grande e digna da majestade de Deus, ou foi prometida ou foi ensinada. “(Parágrafo XXVII)

  • Padre Joãozinho, SCJ, e a polêmica sobre Bernardo Pires Küster

    Padre Joãozinho, SCJ, replicando um texto do padre Zezinho (não é dupla sertaneja, embora ambos sejam profissionais do entretenimento musical), e vou aqui supor que um inho concorde com outro inho, afirma que o malvado Bernardo Pires Küster e a geração de católicos que nele se reconhecem não aceitam os mornos. Tá lá: “Não aceitam nem mesmo os moderados. Para eles, ou o católico é quente ou frio. Nunca morno!” Padre, padre… Não é o Bernardo que não aceita os mornos. É o próprio Cristo! É a própria Igreja. Se o senhor pegar a sua Bíblia – imagino que tenha uma empoeirada aí na estante, ali atrás do livro do Bauman – e abrir em Apocalipse 3, 15-16, vai ler o Anjo do Senhor dizendo “Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te”. Esse é o problema, padre. Vocês, velhos mornos, incapazes de compreender o que se passa com essa geração, procuram as respostas fora da Igreja, nessas porcarias mundanas como Zygmunt Bauman, fórmula para não compreender coisa alguma. Se olhasse para a Igreja, encontraria um Santo Agostinho angustiado dizendo “Fecisti nos ad Te et inquietum est cor nostrum donec requiescat in Te” e ali também nos encontraria. Não somos uma geração de fundamentalistas intolerantes que procedeu a uma geração de cínicos relativistas, a sua, no caso. Não! Somos a geração de feridos pelo século! Todos os experimentos que a sua geração e a dos seus professores fizeram dentro da Igreja, com suas consequências para o mundo, abriu em nós grandes feridas. E vocês nos roubaram, o maior roubo que a minha geração poderia sofrer. Vocês nos roubaram A IGREJA. Vocês nos roubaram os tesouros da Tradição Católica, vocês nos roubaram as devoções populares, vocês nos roubaram a liturgia, vocês nos roubaram a fé integral, vocês nos roubaram a Carne e Sangue de Cristo Crucificado. Na verdade, vocês nos roubaram a Cruz! E em seu lugar, nos deram essa aguinha de batata morna que, como o Anjo da Igreja da Laodicéia, nós rejeitamos e vomitamos. O senhor está completamente equivocado. Não somos uma geração cheia de certezas em busca de respostas definitivas, fixas, absolutas. Somos a geração dos maltrapilhos, dos que não sabem se comportar a mesa, dos que batem na porta com as feridas a mostra. Não queremos respostas, nem certezas! Queremos que nossas chagas, nossas feridas purulentas sejam tratadas e limpas e curadas. Para nós a Igreja não é uma agremiação ideológica, como o senhor tenta fazer crer. Para nós, a Igreja é um hospital de Campanha em meio a uma guerra. Nós somos os mutilados. E vocês, essa geração morna, essa geração com essa cara de pamonha, com essas musiquinhas alegrinhas e meladas, com esse “sentir-se bem consigo mesmo em primeiro lugar”, com essas campanhas politizadas idiotas, com essas palminhas e dancinhas, com toda essa coisa afeminada e paumolenga dentro da Igreja, com essas vozes e atitudes que não correspondem ao heroísmo e à virilidade dos Santos e Mártires, aqueles que realmente falam conosco através dos séculos, essa sua geração quer nos tirar o Hospital de Campanha que procuramos e transforma-lo numa sala de espera de um consultório de dentista. Vocês acham que temos apenas uma dor-de-dentes, quando o nosso problema verdadeiro é que, embora amemos Cristo como loucos e ao nossa modo inconveniente, vislumbramos a grande probabilidade de passarmos o resto da eternidade no inferno – um inferno no qual estamos convictos vocês nem acreditam mais. Sim! Somos quentes! Coléricos! Estamos fervilhando! Não de ódio, como o senhor supõe, e sim porque temos o cor inquietum de que padecia Santo Agostinho. Procuramos o silêncio da Igreja para um encontro pessoal com Cristo, a fim de aplacar esse coração inquieto, mas ao transpor o vestíbulo tudo que encontramos é alguém gritando num megafone ou um sujeito tocando um violãozinho. Entendeu? Vocês nos oferecem ou o megafone ou o violão, mas a gente só quer rezar em paz! Esse é o problema que o atual clero é incapaz de compreender. Vocês procuram suas respostas para a inquietação de uma geração de católicos em Bauman, Karnal e seja lá qual for o intelectual pagão da moda na mídia, e nós, essa geração de fracassados espirituais, procuramos em Santo Agostinho, Santo Tomás, em Santa Teresinha do Menino Jesus, em São Damião de Molokai, em São João Paulo II, no Sangue escorrendo de Cristo na Cruz, que nos humilha por instantaneamente entendermos que aquele Sangue foi derrubado por cada um de nós, por mim, por compreendermos que essa é a maior sacanagem do mundo, Deus enviar seu Filho para morrer por um bosta como eu, que não vale uma gota daquele precioso Sangue, e que provavelmente não se emendará senão por obra desse mesmo amor não correspondível! Nós procuramos na Igreja um Santo que nos oriente, não um cara bonzinho que faz selfie com mensagem motivacional no Instagram. Esse é o tamanho do buraco. Nós somos o lumpen-catolicismo e chegamos para ficar. Silvio Grimaldo Acompanhe a polêmica suscitada pelo leigo Bernardo Pires Kuster nos posts abaixo: Dossiê Frei Betto – O “Papa” das CEBs Bernardo P Küster: “Fui injusto quanto ao PT na Igreja” CNBB NO BANCO DOS RÉUS: grana, poder e heresia #BernardoPiresKuster #CNBB #FreiBetto #PadreJoãozinho

  • DOUTRINA CATÓLICA X DOUTRINA DA CNBB – REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

    DOUTRINA CATÓLICA X DOUTRINA DA CNBB – REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL A CNBB (e os partidos de esquerda) diz que: A redução da maioridade penal não resolve o problema da violência; a prisão não os reeduca; que devemos lutar pelo DESENCARCERAMENTO;… Ademais esses menores infratores são crianças pobres da periferia reagindo contra uma sociedade excludente que lhes nega uma vida digna, etc… A DOUTRINA CATÓLICA ensina: 01- Que é possível que um jovem (a partir de 16 anos) e uma jovem (a partir de 14 anos) constituam e assumam a responsabilidade de formar uma família; 02- Que “Defender o bem comum implica colocar o agressor injusto na impossibilidade de fazer o mal (Catecismo 2265); 03- Que a prisão de criminosos, independentemente da idade, é antes de tudo para proteger a sociedade e para imputar uma justa punição ao agressor; 04- Que, se um(a) jovem é moralmente capaz de assumir a responsabilidade de uma família, também é capaz de responder judicialmente pelos seus atos, especialmente se comete crimes como assassinato, estrupo, sequestro, tráfico de drogas e outros; Além disso é preciso afirmar com base nos princípios da moral católica a luz da lógica elementar que: 01- O aprisionamento de criminosos, mesmo com 16 ou 17 anos, visa em primeiro lugar a proteção da sociedade e punição do infrator, praticando justiça para com os agredidos e para com a sociedade; 02- Que a não punição (ou a insuficiente punição) dos crimes praticados por menores, consolida a impunidade e por conseguinte incentiva o cometimento de novos crimes aumentando a violência; 03- Que creditar o cometimento de crimes por partes menores de periferia à sua condição de pobreza é uma escandalosa injustiça para com a maioria pobre da sociedade que ganha a vida com trabalho honesto sem precisar recorrer a prática de crimes; 04- Que, com certeza, o que NÃO resolve o problema da violência é a impunidade; 05- Que as vítimas dos criminosos, bem como as famílias que são diretamente afetadas pela agressão dos criminosos, merecem mais respeito e cuidados do que aqueles dispensados aos agressores. O que os católicos irão seguir: A Doutrina da Igreja ou o ensinamento da CNBB? Equipe Templário de Maria Leia também: CNBB: CADA VEZ MAIS PERTO DO PT…CADA VEZ MAIS LONGE DO POVO DE DEUS #CNBB

  • DOUTRINA CATÓLICA X DOUTRINA DA CNBB – REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

    DOUTRINA CATÓLICA X DOUTRINA DA CNBB – REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL A CNBB (e os partidos de esquerda) diz que: A redução da maioridade penal não resolve o problema da violência; a prisão não os reeduca; que devemos lutar pelo DESENCARCERAMENTO;… Ademais esses menores infratores são crianças pobres da periferia reagindo contra uma sociedade excludente que lhes nega uma vida digna, etc… A DOUTRINA CATÓLICA ensina: 01- Que é possível que um jovem (a partir de 16 anos) e uma jovem (a partir de 14 anos) constituam e assumam a responsabilidade de formar uma família; 02- Que “Defender o bem comum implica colocar o agressor injusto na impossibilidade de fazer o mal (Catecismo 2265); 03- Que a prisão de criminosos, independentemente da idade, é antes de tudo para proteger a sociedade e para imputar uma justa punição ao agressor; 04- Que, se um(a) jovem é moralmente capaz de assumir a responsabilidade de uma família, também é capaz de responder judicialmente pelos seus atos, especialmente se comete crimes como assassinato, estrupo, sequestro, tráfico de drogas e outros; Além disso é preciso afirmar com base nos princípios da moral católica a luz da lógica elementar que: 01- O aprisionamento de criminosos, mesmo com 16 ou 17 anos, visa em primeiro lugar a proteção da sociedade e punição do infrator, praticando justiça para com os agredidos e para com a sociedade; 02- Que a não punição (ou a insuficiente punição) dos crimes praticados por menores, consolida a impunidade e por conseguinte incentiva o cometimento de novos crimes aumentando a violência; 03- Que creditar o cometimento de crimes por partes menores de periferia à sua condição de pobreza é uma escandalosa injustiça para com a maioria pobre da sociedade que ganha a vida com trabalho honesto sem precisar recorrer a prática de crimes; 04- Que, com certeza, o que NÃO resolve o problema da violência é a impunidade; 05- Que as vítimas dos criminosos, bem como as famílias que são diretamente afetadas pela agressão dos criminosos, merecem mais respeito e cuidados do que aqueles dispensados aos agressores. O que os católicos irão seguir: A Doutrina da Igreja ou o ensinamento da CNBB? Equipe Templário de Maria Leia também: CNBB: CADA VEZ MAIS PERTO DO PT…CADA VEZ MAIS LONGE DO POVO DE DEUS #CNBB

  • A Interpretação das Escrituras segundo a Igreja

    A Interpretação das Escrituras segundo a Igreja O que se segue é uma série de interpretações autoritativas que a Igreja faz da Escritura, retiradas da obra de Heinrich Denzinger, Fontes do Dogma Católico, nºs 789, 858, 874, 913, 926, 949, 1822. Deve-se ter em mente que a palavra “anátema” não quer dizer “condenado ao inferno”, e sim “formalmente excomungado”, e é usada em afirmações explícitas do que a Igreja rejeita mais veementemente. Deve-se também lembrar que as interpretações autoritativas dessas passagens não excluem a possibilidade de interpretações adicionais e não-contraditórias. Significa somente que os trechos em referência certamente carregam os significados definidos. Alguns perguntam, também, porque a Igreja não define formalmente o significado e interpretação de cada linha da Escritura. A Igreja ensina o necessário para que compreendamos– ela diz o que precisa ser dito, nem uma palavra a mais do que o necessário. Da mesma forma que é necessária uma eternidade para perscrutar os profundos mistérios de Deus, também seria preciso uma eternidade para perscrutar os mistérios de Sua Palavra. Essas passagens foram definidas contra heresias perniciosas. Toda heresia é originada em uma interpretação errônea de alguma dessas passagens ou de combinação delas. Rom 5,12 – Concílio de Trento, 17 de junho de 1546, “Decreto sobre o Pecado Original”, seção 2 Se alguém afirmar que o pecado de Adão prejudicou apenas a ele mesmo e não à sua descendência; que a santidade e justiça, recebidas de Deus, que ele perdeu, as perdeu para si mesmo e não também para nós; ou que, tendo sido marcado com a culpa de sua desobediência, apenas repassou a morte e penas corporais a todo gênero humano e não o pecado, que é a morte da alma, que seja anátema, pois contradiz ao Apóstolo que disse: Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram [Rom 5,12] Jo 3,5 – Concílio de Trento, 3 de março de 1547, “Cânones sobre o Sacramento do Batismo”, cânon 2 Se alguém disser que a água verdadeira e natural não é necessária para o sacramento do Batismo, e por este motivo distorcer em algum sentido metafórico aquelas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo: “quem não renascer pela água e pelo Espírito Santo” [Jo 3,5], seja anátema. Mt 26,26ss; Mc 14,22, Lc 22,19ss; 1Cor 11,23ss – Concílio de Trento, 11 de outubro de 1551, “A Real Presença de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia”, capítulo 1 Em primeiro lugar, ensina o Santo Concílio, claramente, e sinceramente confessa que depois da consagração do pão e do vinho, fica contido no saudável sacramento da Santa Eucaristia, verdadeira, real e substancialmente nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e Homem, sob as espécies daqueles materiais sensíveis, pois não existe com efeito, incompatibilidade que o mesmo Cristo nosso Salvador esteja sempre sentado, no Céu, à direita do Pai, segundo o modo natural de existir e que ao mesmo tempo nos assista sacramentalmente com Sua presença, e em sua própria substância em outros lugares, com existência que ainda que apenas o possamos expressar com palavras, poderemos, não obstante, alcançar com nosso pensamento ilustrado pela fé, que é possível a Deus, e devemos firmemente acreditar. Assim pois, professaram clarissimamente todos os nossos antepassados que viveram a verdadeira Igreja de Cristo, e trataram deste santíssimo e admirável Sacramento, a saber: que nosso Redentor o instituiu na última ceia, quando depois de ter benzido o pão e o vinho, atestou a seus Apóstolos, com claras e enérgicas palavras que lhes dava Seu próprio Corpo e Seu próprio Sangue. E sendo fato consumado que as ditas palavras mencionadas pelos mesmos Santos Evangelistas [Mt. 26, 26 ss; Mc. 14, 22 ss; Lc. 22, 19 s] e repetidas depois pelo Apóstolo São Paulo [1 Cor. 11, 23 ss], incluem em si mesmas aquele próprio e patentíssimo significado, segundo as entenderam os santos Padres, é sem dúvida execrável a maldade com que certos homens pretensiosos e corruptos as distorcem, violentam e tentam explicar em sentido figurado, fictício ou imaginário, negando a realidade da Carne e Sangue de Jesus Cristo contra a inteligência unânime da Igreja, que sendo coluna e apoio da Verdade[1 Tim. 3, 15], sempre detestou por serem diabólicas estas ficções expressas por homens ímpios e sempre conservou indelével a memória e gratidão deste tão sobressalente benefício que nos fez Jesus Cristo. Jo 20,22ss – Concílio de Trento, 25 de outubro de 1551, “Cânones sobre o Sacramento da Penitência” – Cânon 3 Se alguém disser que aquelas palavras de nosso Senhor e Salvador: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos “[Jo 20,22ss], não devem entender-se como poder de perdoar ou não perdoar os pecados no Sacramento da Penitência, como o é entendido desde o princípio pela Igreja Católica, e em vez disso as distorça e as entenda (contra a instituição deste Sacramento), simplesmente como uma autoridade de pregar o Evangelho, seja anátema. Tiago 5,14 – Concílio de Trento, 25 de outubro de 1551, “Cânones sobre a Unção dos Enfermos”, Cânon 1 Se alguém disser que a Unção dos Enfermos não é verdadeira e propriamente um sacramento instituído por Cristo Nosso Senhor [cf Mc 6,13], e promulgado pelo bem-aventurado apóstolo São Tiago [Tg 5,14], senão que apenas é uma cerimônia feita pelos Padres, ou uma ficção dos homens, seja anátema. Lc 22,19, 1Cor 11,24 – Concílio de Trento, 17 de Setembro de 1562, “Cânones sobre o Sacratíssimo Sacrifício da Missa”, Cânon 2 Se alguém disser que naquelas palavras: “Fazei isto em memória de Mim”[Lc 22,19; 1Cor 11,24], Cristo não instituiu como sacerdotes os Apóstolos, ou que não lhes ordenou e aos demais sacerdotes que oferecessem Seu Corpo e Sangue, seja anátema. Mt 16,16; Jo 21,15ss – Concílio Vaticano I, 18 de julho de 1870, “A Instituição do Primado Apostólico em S. Pedro”, capítulo 1 [contra hereges e cismáticos]. Ensinamos, pois, e declaramos, segundo o testemunho do Evangelho, que Jesus Cristo prometeu e conferiu imediata e diretamente o primado de jurisdição sobre toda a Igreja ao Apóstolo S. Pedro. Com efeito, só a Simão Pedro, a quem antes dissera: Chamar-te-ás Cefas [Jo 1,42], depois de ter ele feito a sua profissão com as palavras: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo, foi que o Senhor se dirigiu com estas solenes palavras: Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque nem a carne nem o sangue to revelaram, mas sim meu Pai que está nos céus. E eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E dar-te-ei as chaves do reino dos céus. E tudo o que ligares sobre a terra será ligado também nos céus; e tudo o que desligares sobre a terra será desligado também nos céus [Mt 16,16 ss]. E somente a Simão Pedro conferiu Jesus, após a sua ressurreição, a jurisdição de pastor e chefe supremo de todo o seu rebanho, dizendo: Apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas [Jo 21,15 ss.]. A esta doutrina tão clara das Sagradas Escrituras, tal como sempre foi entendida pela Igreja Católica, opõe-se abertamente as sentenças perversas daqueles que, desnaturando a forma de governo estabelecida na Igreja por Cristo Nosso Senhor, negam que só Pedro foi agraciado com o verdadeiro e próprio primado de jurisdição, com exclusão dos demais Apóstolos, quer tomados singularmente, quer em conjunto. Igualmente se opõem a esta doutrina os que afirmam que o mesmo primado não foi imediata e diretamente confiado a S. Pedro mesmo, mas à Igreja, e por meio desta a ele, como ministro dela. Fonte: http://www.pjpiisoe.org. Tradução de Maria Thereza Tosta Camilo. Fonte:m.franciscocatolico.com.br

  • 5 dicas para REZAR sempre o TERÇO

    Você tem preguiça de rezar o terço? Esquece sempre e depois não dá mais tempo? Aqui vão dicas imperdíveis para não deixar de rezar o terço, essa devoção tão querida dos cristãos. #oração #Rosário #Terço

  • DE JERUSALÉM AO VATICANO: A PEREGRINAÇÃO DO PAPADO Parte I

    PRIMÓRDIOS Houve, sem dúvida, alguns dias angustiantes. Os discípulos também poderiam estar se sentindo abandonados. Eles viram o Cristo ressuscitado, é certo. Mas não tinham mais as aparições do Senhor Jesus com frequência, a presença do Mestre fazia falta, tudo se passava como se Jesus lhes tivesse segurado a mão por algum tempo depois tivesse optado por deixá-los agir sozinhos. Já não tinham com quem tirar as dúvidas e essa solidão devia os apavorar. O que fazer? o que dizer? para quem falar? os discípulos não sabiam. Podiam contar a vida pública do profeta crucificado, Recordar seus milagres, tentar reconstituir suas palavras, sobretudo anunciar sua ressurreição. Quem teria fé nessa história incrível? quem levaria a sério as palavras têm um vencido? Desses dias de incerteza, pouco sabemos. São os “Atos dos Apóstolos” que nos servem de guia. Quem pretende reconstruir a história do cristianismo primitivo defronta-se com três problemas: a situação das Fontes é tudo, menos abundante. A mais antiga história do cristianismo primitivo, que vem de Lucas pelo Atos dos Apóstolos, é a única fonte que dispomos para caminhada inicial até o Concílio apostólico, é ela própria declaradamente uma tentativa de reconstrução narrativa( Lucas 1,1-4) de tal forma que com essa apresentação do início fossem colocados os fundamentos normativos para as comunidades no tempo de Lucas, lembrando que, historicamente, esse documento (atos dos apóstolos) não é suficiente. Seria desejável que houvesse algumas informações complementares, sobretudo provas, se necessário, para o rigor dos indícios que corroboram esse relato. Seria o ideal, mas se não tivéssemos esse texto redigido por Lucas, não teríamos nada. Logo, precisamos nos contentar com ele, admitindo a possibilidade de confirmar Certos detalhes a partir de outras fontes. Os atos contam com precisão os primeiros dias do que ainda não é a igreja constituída com seu prédio e missões, a igreja iria se iniciar naquela manhã, os apóstolos, isto é, aqueles que viram Cristo ressuscitado – reuniram-se numa casa em Jerusalém. É o último dia das festas das semanas, no ano 30. “A festa das semanas”, no calendário judaico, ocorre 50 dias após a Páscoa. Para os cristãos, 50 dias após a ressurreição – de onde a palavra Pentecostes – penta significa 50. Por que esta reunião? Os atos não explicam. Talvez porque para Lucas houvesse muito mistério. Os doze discípulos dispersados talvez estivessem habituados a ir a Jerusalém na época da páscoa judaica. Todos são fiéis ao Deus de seu povo. Guardando este fato, ele nos dá uma indicação preciosa. Após a morte e ressurreição e ascensão de Jesus, os discípulos frequentam o templo, (a igreja ainda não estava constituída), participam das preces. Não procuram ser singularizar. Não desejam ser apontados. Ao contrário, são os zelosos servidores da lei. De repente, o céu – ou quase – desaba sobre suas cabeças. Vamos deixar de lado a línguas de fogo; não era fácil para Lucas de escrever, ou apenas mostrar o impulso elétrico, que entra no corpo desses homens comuns; as línguas eram Sem dúvida um processo. Na verdade, é o espírito santo que os Invade no segundo. Em um segundo estão livres do medo; eles já não se perguntam mais o que devem fazer. A missãoão de que foram incumbidos lhes parece clara. Vão pregar o Cristo Jesus, o homem-Deus ressuscitado. o que lhes Parecia Impossível tornar-se luminoso. Que houve um fenômeno estranho, é evidente. O Milagre das línguas não é bem Um Milagre para os Judeus. O acontecimento pertence à tradição rabínica logo a seguir a revelação do Sinai (os dez mandamentos dados por Deus a Moisés). Lucas parece ainda mais constrangido pelo detalhe das línguas de fogo; e Ele, sem dúvida, para transmitir o lado extravagante da história, que introduz a noção do prulinguístimo. Afinal, a glossolália, ou seja, o dom das línguas, a capacidade de se expressar numa língua antes ignorada, pertence ao velho testamento. De repente, qualquer um consegue se expressar numa língua antes desconhecidas. Mas isto não é o mais importante. O essencial são os efeitos da passagem (efusão) do Espírito Santo. Como Se Tudo se esclarecesse. Pedro será o primeiro a testemunhar. Nada deixa pressentir ao longo dos Evangelhos que o pescador do lago seja um orador. Se as palavras de modo um, descrevem vultos, o de Pedro parece quadrado, meio pesado. Ele sabe laçar a linha, puxar a rede, mas fala pouco. Quando o faz, diz em algumas palavras o que ele parece importante. Quer se trate de reconhecer em Jesus o filho de Deus ou de jurar nunca ter conhecido esse homem. Ele não se sente à vontade com a nuanças. Já Paulo parece uma cepa de vinho; Tiago tem silhueta de um velho Rabino empedernido. Pedro é uma estátua de mármore colocada no Pórtico de uma igreja que ainda não existe. Mas diante de um discurso, Pedro proclama solenemente com uma certeza. Quando se fez necessário. Era o momento da eleição de um novo apóstolo, era hora de substituir um dos membros no colégio Apostólico, que dirigia a pequena comunidade de Jerusalém – Judas enforcara-se, desesperado pela sua traição – insistiu-se expressamente em que o substituto devia ser “uma testemunha da Ressurreição” (Atos 1,22). Mais tarde, o maior Mensageiro da Nova fé, São Paulo, escrevendo a um grupo de fiéis, havia de exclamar: “se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, vã é a nossa fé (1 Coríntios 15, 14). Pedro se levantou encarou a multidão. Já não tinha medo; o galo que cantara quando tinha negado o mestre não voltaria a cantar. Foi então que, pela primeira vez, nos termos que já lemos,gritou sua fé inquebrantável em Jesus Messias. Começou nesse instante a história Cristã, com esta primeira declaração apologética que era também uma declaração de Guerra ao Mundo ( Daniel Rops, a igreja dos apóstolos e mártires). Esse discurso fundador, essa primeira homilia, é simples e direta. O apóstolo diz o essencial. Mas as imagens que utiliza nos desorientam. Ele liga a revelação do Cenáculo à do Sinai; a mesma aproximação a propósito dos Ventos violentos. mais para os ouvintes as fórmulas utilizadas por Pedro lembram parágrafo por parágrafo, o que já ouviram mil vezes quando se tratou do encontro de Moisés com o senhor. É a segunda indicação precisa que o relato de Lucas nos oferece. Ela confirma a primeira. A pregação de Pedro dirige-se aos judeus, não verdadeiramente a nós. A quem se deve revelar primeiro a Boa Nova? Perguntavam-se os apóstolos. Dessa vez, uma resposta eles é dada: eles pertencem ao povo de Israel – é ele que deve ser o primeiro a descobrir as palavras da salvação. Obviamente, esse discurso fundador de Pedro tem um segundo significado: Pedro fala primeiro porque Jesus lhe confiou a incumbência oficial da futura igreja. Os apóstolos estão a essa altura convencidos de que nada dizem. Constatam apenas que Pedro usa os poderes que Jesus lhe concedeu. cumpre e lembrar que, nos dias imediatamente subsequentes a essa vinda do espírito Santo, Pedro falará ainda duas vezes: primeiro no templo, depois diante da Assembléia dos chefes do Povo (que detém uma autoridade política). Dessa vez, não cabe dúvida. A aventura Começa por um debate fechado no interior da Comunidade Judaica. A PRIMEIRA ESTRATÉGIA ESTRATÉGIA DOS APÓSTOLOS E FONTES DO PERÍODO DO CRISTIANISMO PRIMITIVO O próprio Jesus, tinha transmitido as estruturas e organização aos Apóstolos do que viria a ser a Igreja visível: lendo os evangelhos, um dos principais aspectos sua atividade sobre a terra é o esforço prático de organização e de instrução que realizou, e cujos efeitos estão presentes até os dias atuais. Tudo nos prova que Jesus, Deus feito homem, sabia perfeitamente que, para lhe sobreviver, a sua obra teria necessidade de instituições humanas. É verdade que temos poucas e muitas vezes acidentais notícias dos autores pagãos, estamos totalmente à mercê de fontes intracristãs para a história do cristianismo primitivo. contudo, o quadro é bem mais amplo do que os 27 de textos reunidos no cânon. Entre os escritos extracanônicos contam-se a didaqué/ ensinamento dos Apóstolos (110 – 120 DC), bem como a epístola de Barnabé (130 DC), entre os assim chamados “padres apostólicos” a primeira epístola de Clemente (96 DC) e as epístolas de Inácio (110 – 117 DC), assim como o primeiro escrito de influência gnóstica, ou seja, o evangelho de Tomé (110 DC). isso para citar apenas os mais importantes. Esses textos não foram acolhidos no Cânon, mas não surgiram mais tarde do que o mais recente escrito canônico: IIPedro (130 DC). Deve-se levar em conta também que tanto a localização temporal como a geográfica desses escritos dependem unicamente de indícios internos. Entre os escritos canônicos, as cartas São Paulo dirigidas à comunidade citam explicitamente lugar em que vivem essas comunidades destinatárias. Podemos colocar esses escritos, essas Fontes, em categorias, que é ligada há uma periodização do cristianismo primitivo, temos uma primeira fase que, podem ser caracterizados os escritos como literatura usual e são representados pelas epístolas (autênticas) de Paulo, as quais tratam de problemas comunitários Concretos e se substituem a comunicação oral. Os escritos da segunda fase podem ser entendidos como literatura de memória. Eles se recordam da herança de Jesus (Evangelhos) ou dos grandes dos Apóstolos (epístolas), principalmente de Paulo. De forma anônima (deuteropaulinas) ou pseudônima (epístolas pastorais), acontecem uma recepção e uma evolução escrita de Paulo. Também sob o nome de outros Apóstolos começam a circular epístolas (epístolas católicas). Uma vez que Paulo havia escrito em seu nome próprio escrito epístolas a determinadas comunidades, com intuito de enfrentar problemas concretos, os autores da literatura de memória utilizam a autoridade de Jesus ou de um dos grandes Apóstolos para elaborar grandes linhas diretivas teológicas, assim como estruturas da organização. As comunidades são alinhadas à determinada a tradição personalizada, que por sua vez é o produto de uma consciente formulação teológica: os Evangelistas sondam e dão contornos novos à tradição de Jesus que chegou até eles, enquanto a escola de Paulo interpreta seu mestre de maneira especulativa (Efésios /Colossenses) ou pragmática (pastorais); nas epístolas católicas, enfim, criam-se tratados em nome de apóstolos. A censura para a literatura de memória coincide mais ou menos com a morte dos grandes Apóstolos (Tiago: 62 DC.; Paulo e Pedro provavelmente durante a perseguição de Nero: 64 DC). Do ponto de vista antropológico cultural, o processo de escritura na herança praticamente equivale ao espaço de tempo de 40 anos em que as testemunhas oculares morrem e a lembrança, por isso mesmo, necessita passar da memória comunicativa para a cultural. Historicamente, o ano 70 foi decisivo para o cristianismo primitivo: com a destruição de Jerusalém, por um lado, o símbolo de Identidade do Judaísmo caiu por terra em pó e cinza; por outro lado, a Profecia da maldição proferida por Jesus contra o templo, e que lhe mereceu a morte, realizou-se de forma humilhante para o povo judeu. Todos os que invocavam o judeu Jesus tinha que colocar a questão de postura diante das próprias raízes judaicas e de como trabalhar teologicamente essa catástrofe. Enquanto essa censura se delineia com clareza, a segunda censura, que indica o final da era Cristã primitiva, é bem mais difícil de distinguir. Quanto ao seu conteúdo o melhor que se consegue estabelecer é que escritores cristãos – agora de novo claramente identificáveis – conscientemente se dirigem para fora, vão se tornar os apologistas da fé cristã levando uma compreensão para sua convicção religiosa ou mesmo defendendo-a. De qualquer modo, procuram o diálogo com a população pagã como se pode ter nos escritos dos apologistas, a começar com Justino a partir de 150 DC. É difícil captar a estratégia dos Apóstolos – o termo nada tem de chocante – sem se fazer um inventário do mundo judaico na época. Antes de mais nada, os que imediatamente travarão o combate contra os discípulos de Jesus (eles ainda não tem nome). São poucos, mas poderosos. São os sumos sacerdotes e os saduceus. Os primeiros formam um grupo político Desde o ano 6 DC. Os segundos são apenas religiosos conservadores: mais precisamente um grupo aristocrático, político-religioso, colaborando com o ocupante romano para conservar o controle do sacerdócio ligado ao serviço do Templo de Jerusalém. Ambos tiveram um papel importante na condenação de Jesus. vão continuar a luta: na verdade, pressentem que esse grupo estranho corre o risco de perturbar a paisagem intelectual e religiosa da Comunidade Judaica. A curto prazo, eles em enganam: os zelotes é que vão preparar e deflagrar a guerra. Os Atos mencionam três manifestações hostis contra os cristãos (o termo Cristão ainda não existe). Para começar, Pedro e João são presos pelo comandante do templo, porque estão pregando ali. São conduzidos ao Sanedrin (autoridade suprema do povo Judeu, composta de 71 membros, dentre eles o sumo sacerdote), que decide soltá-los. Mais uma informação apenas formulada: se a mais alta comunidade autoridade judaica libera os pregadores, isto significa que ela os julga inocentes. Portanto, sumos sacerdotes e saduceus não mandam nessa autoridade. O que é é confirmado pelo segundo surto de perseguição: a Detenção de todos os Apóstolos. eles são encontrados juntos, julgados e finalmente soltos. Aliás, Lucas transmite o discurso de Há, um homem importante. Ninguém sabe se ele realmente disse as palavras que o evangelista põe sua boca. Mas gamaliel de fato existiu. Ele se tornará, afirma-se, um dos Mestres espirituais do mundo judaico. Saulo teria sido um de seus alunos. Ele teria tentado ensinar-lhe a moderação, sem ter tido verdadeiramente sucesso. Seja como for, Lucas usa gamaliel para resumir a posição dos fariseus. Eles não podem se opor aos apóstolos, Pois também acreditam na vinda do Messias. Gamaliel é habilidoso: “Os que se levantaram diante de vós nos últimos anos fracassaram e seus discípulos desapareceram. Portanto, se este Jesus é um fantasma, uma ilusão ou um enviado do diabo, desaparecerá como as que a precederam. Mas se os apóstolos pregam a vontade de Deus, eles levarão a melhor. Não lanceis nosso povo numa batalha contra o todo poderoso”. O terceiro surto de violência contra os cristãos será a morte de Estêvão. Ele será apedrejado, certamente em 36. Ana e seu clã se responsabilizarão por isso. E Paulo, presente aprovará. Estêvão será sem dúvida a primeira vítima depois de Jesus. Portanto, segundo Lucas, três ataques sucessivos. Na verdade, eles reforçam a autoridade dos Apóstolos. Muitos judeus se convertem. Os discursos cristãos articulam-se em torno de algumas ideias simples. Primeiro, o testemunho dos próprios Apóstolos: eles viram Cristo ressuscitado, Ele falou com eles. As aparições de Cristo após a sua morte assumem então todo o seu sentido: ele devia cimentar a fé dos discípulos. Aqueles que o viram e nele tocaram constituem o colégio dos Apóstolos. E, porque afirmará ter visto o Cristo Vivo, Paulo vai se tornar, por sua vez, um dos membros do Colégio. Em seguida, “os milagres” que esses homens vão fazer. Lucas conta a cura do paralítico que mendigava à porta do Templo. Chegada a hora, ele irá perante o Sanedrin testemunhar em favor daqueles que o curaram. Os apóstolos discordam: não tiveram qualquer participação nesse milagre. Foi Jesus que, através de suas preces, que curou o paralítico. Para os Judeus, isso é uma indicação: os apóstolos detêm uma parte da força do Cristo ressuscitado. Finalmente, o tema principal dessa primeira pregação: Jesus é o messias. Ora, é a Pedra Angular do cristianismo Nascente. Para os Judeus, trata-se de uma afirmação incrível. O resto não os espanta: eles crêem em Deus e na lei, estão acostumados com a existência dos Profetas. Mas a identificação de Jesus como Messias é diferente. Todo o esforço dos Apóstolos apoia-se nesse ponto. É sobre ele que se desenvolve a conversão dos judeus. É a partir daí que as comunidades cristãs Nascentes escandalizarão uma parte do povo Judeu. A ruptura ocorrerá essencialmente aí. Seja como for, hoje é impossível duvidar disto: é às comunidades judaicas que os apóstolos se dirigirão. Em Jerusalém, para começar, e logo na Galileia. Mais tarde, Antióquia é que será a cidade onde as estradas se cruzam. Aliás, foi de lá que mais tarde Barnabé e Paulo partiram para conquistar o mediterrâneo nessa época as primeiras comunidades cristãs começaram a sair do mundo judaico. A IGREJA DE JERUSALÉM: ASCENSÃO E QUEDA Já era uma igreja? sim, sem dúvida nenhuma. Só que a palavra ainda não existe propriamente. Igreja. “ecclesia” (em grego: ekklesia), significa “Assembléia”. O sentido atual não vai demorar aparecer: será utilizado para designar cada uma das Comunidades cristãs. Haverá as igrejas de Jerusalém, da Galileia, de Antioquia etc. Mas todos os cristãos terão, desde os primeiros anos, a sensação de pertencer a uma só igreja. Não há melhor prova que as epístolas de Paulo: elas se dirigem a esta ou àquela comunidade; levam em conta os problemas que estas enfrentam. Mas são válidas para todos os cristãos. Os primeiros cristãos eram judeus e encontraram na nova fé uma continuidade com a antiga fé. Eles se lembravam que seu senhor mesmo tinha dito que seu propósito era cumprir a lei e os profetas, não aboli-los; e era inútil os heréticos negarem esse dito (Ireneu contra Heresias 4. 34.2 [ Harvey 2:270]; Mt 5. 17; Tertuliano contra Marcião 4.7. 4; 4 .9.15;4.12.14; Tertulialno contra Marcião 5.14.14. Desde os primeiros capítulos do livro de atos dos apóstolos obtemos uma imagem um tanto idealizada de uma comunidade cristã que continuou a seguir as escrituras, a adoração e as obervâncias da vida religiosa judaica. Os membros da igreja de Jerusalém, que Irineu chamou de “a igreja da qual toda igreja se originou, a capital dos cidadãos da nova aliança” ( Ireneu contra Heresias 3.12.5[Harvey,2: 58]), seguido de Tiago que, como “irmão do senhor”(Gl 1.19) era um tipo de “califa” (staufer[1952], recusou-se a seguir uma divisão fundamental entre sua vida anterior e sua nova condição. Eles, claramente, reconheciam que chegava algo novo – não algo inteiramente novo, mas alguma coisa recém-restaurada e cumprida. Mesmo depois da queda de Jerusalém, em 70 d.c, esses “nazarenos” mantinham a continuidade com o judaísmo; eles ” queriam observar as ordenanças dadas por Moisés, contudo, escolheram viver com os cristãos e os fiéis” ( Just. Dial.47.2). Mas as tensões no pensamento judaico, especialmente no período anterior a 70 d.c., se refletiram também no começo da teologia cristã. O grupo chefiado por Tiago manifestou relevante analogias com o judaísmo palestino, embora o grupo missionário que, no fim, veio a se identificar com Paulo, bem como os apologéticos do século II refletiam determinadas afinidades com o pensamento judaico da diáspora helenista. Como acabamos de ver, a igreja de Jerusalém, de certa maneira, será a Matriz do que a igreja se tornará. Sem dúvida, por volta de 35-37, ela se compõe essencialmente de judeus convertidos. Primeiro, porque são eles que ouvem Os Sermões dos primeiros Apóstolos. Depois, porque Tiago é o chefe dessa comunidade. Ele não tocava em bebidas alcoólicas, recusava-se a se barbear. Aliás, comia muito pouco e quase não saía do Templo. Era ali que recebia os cristãos, e também os judeus. Tanto aqueles quanto estes, por mais espantoso que possa parecer, respeitavam-no. Tudo indica que houve, durante os primeiros anos, uma pré-Igreja judaico-cristã da qual Tiago foi o chefe. Isso não dura muito, essencialmente porque o grupo vai se desagregando. De um lado, os judeus – fariseus na maioria – que não pretendem questionar novamente suas práticas religiosas. Do outro os convertidos ao cristianismo Nascente eles querem permanecer com às práticas de judeus. São fiéis às regras aprendidas desde a infância; tentam conciliar a antiga fé com a nova. Esse esforço não tem a mínima chance de dar certo: se Jesus é o filho de Deus, se é o Messias, se ressuscitou, a fratura com o judaísmo é inelutável. Enfim, há os helenistas: são judeus da diáspora, que falam grego ou já evoluem na cultura pagã grego-latina. É a primeira vez que os encontramos. Ees terão um papel decisivo, mas não tem consciência disso. Quem são os helenistas? mulheres e homens que falam grego. Uns conhecem o aramaico, mas normalmente não se expressam na língua que foi a de Jesus. Entre eles, há judeus e não-judeus. Estes são os primeiros não-judeus a aderir ao que será o cristianismo. Eles não estão muito à vontade na comunidade de Jerusalém. Terão sido expulsos, escolhido uma espécie de exílio próximo? Nunca se saberá. Na maioria, voltarão a ser encontrados em Antióquia, que será o primeiro ponto de fusão do cristianismo das origens. Sem dúvida, outros homens participam dessa comunidade em Jerusalém. Essênios, provavelmente. Até hoje, eles são um enigma para nós. Os essênios são uma Comunidade Judaica ascética, rompida com o partido dos saduceus – julgado corrompido pelos hábitos século – e com o ocupante romano. Essa comunidade se refugiou no deserto da Judéia, perto do Mar Morto. Desapareceu na época da guerra contra Roma, em 70 DC. Era contemporânea dos cristãos, com quem vivia lado a lado; porém parece que as duas comunidades se ignoravam. Os essênios nunca são citados, nem nos Evangelhos nem nos Atos. Esperava-se que os famosos manuscritos do Mar Morto esclarecessem o mistério. Pois aumentaram obviamente. Alguns historiadores ligam Jesus e seus discípulos muitas vezes com às idéias ou julgamentos que se encontram com as inspirações essênias, penso que, sem dúvida houve contatos, mas não creio em inspirações dos essênios, até porque tinham uma vida religiosa exotérica, João Batista, entre outros, sabia da existência dos essênios. Ele pregava e batizava a alguns quilômetros do local onde eles viviam: Qumran. Mas até aqui não sabemos mais sobre isso, o que vai além dessas informações é mera especulação. Não se pode negar que os helenistas, que abandonaram Jerusalém, deixaram vestígios por toda parte. Alguns devem ter ingressado na comunidade de Galileia; mas desaparecerá na época da guerra. Outros se instalam em Damasco onde vivem, desde 37, são cristãos que os acolhem. Eles logo terão uma certa importância. É em Damasco que saulo, em 38, vem perseguir os cristãos. É nesse mesmo ano que ele se converte. Finalmente, foi na sinagoga de Damasco que Paulo pregou pela primeira vez. Outros ainda tentam sempre implantar nas cidades das da Costa: Cesaréia, Jaffa, são mencionadas nos Atos. Estes se afastam da zona aramaico – aramaico é uma língua Popular, derivada do antigo hebraico, que se torna progressivamente uma língua religiosa. Eles pregam em grego nas cidades onde se fala essa língua. A propósito da conversão de Cornélio, Centurião Romano, Pedro intervém: “Não se pode recusar o batismo a um homem que se converteu sinceramente a fé de JESUS”. este episódio faz cair por terra a idéia de que Pedro era apóstolo somente dos Judeus. “Atos 10,34. Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas, 35.mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo. 36.Deus enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a boa nova da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos.“Já está aí colocado, em duas linhas, o problema que vai dividir a pequena igreja das origens. (Há mais detalhes em texto de minha própria autoria o “A Igreja e o primeiro conflito doutrinário: helenista e judaizantes”). Antióquia, enfim. Antióquia vai se tornar o centro do cristianismo grego. É uma cidade importante onde se misturam judeus, gregos, Cipriotas, romanos. no porto, trocam-se mercadorias, idéias, deuses. A comunidade cristã tem importância suficiente para que os apóstolos enviem Barnabé a fim de entrar em contato com esse grupo distante e a princípio meio exótico. É na mesma época que Pedro faz uma viagem a Samaria. Portanto, desde então, os principais Apóstolos viajam. Estamos em 42 DC. Nesse ano, há dois acontecimentos. O primeiro: surge o termo cristão. Designa os partidários de Christos. Para as autoridades romanas, trata-se de uma qualificação política, Christos designa para eles os membros de um grupo messiânico, talvez distinto dos judeus, e que assume certa importância na região, estamos no reino de Cláudio (41-54), sucessor de Calígula. O segundo acontecimento é a aliança entre Barnabé e Paulo. Barnabé é um personagem respeitado na igreja. Paulo é apenas um judeu de nascimento gozando da Cidadania Romana. Passou três anos, sobre os quais pouco se sabe, numa aldeia perto de Damasco. Em 41, ele foi a Jerusalém, viu Pedro e o outro Tiago. quase não lhe dão ouvidos. Desconfiam dele. Paulo não insiste e vai para Tarso, sua cidade natal. O lance genial de Barnabé é ir procurá-lo. Conhece-o um pouco; sem dúvida pressentiu sua inteligência. Ouviu falar muito de nesse judeu Romanos singular que se converteu. Foi aliás Barnabé que o apresentou aos outros Apóstolos. A amizade deles será profunda, mais um dia será interrompida, veremos por quê. O que eles conversaram, nunca saberemos. Seja como for, Paulo aceita seguir Barnabé. Morarão um ano juntos em Antióquia. Esta cidade se torna a partir de então, o verdadeiro centro do cristianismo. Em 44 DC, os dois voltam a Jerusalém. É sem dúvida nessa data que obtém de Pedro a autorização de ir para a Ásia menor, depois de embarcar para chipre, a primeira escala em direção ao mundo do ocidente. João Marcos irá acompanhá-los. Ele é discípulo de Pedro; é uma indicação. desconfia-se um pouco desse Paulo que diz, também, ter visto Cristo. Será para ter o direito de participar do Colégio dos Apóstolos? Barnabé aceita essa afirmação? Sim: a melhor prova é que ele acompanhará Paulo durante anos; mas um dia abandonará o amigo. Paulo é um tanto incômodo mas é ele que vai acelerar o movimento. Continua Referência bibliográfica: Daniel Rops, a igreja dos Apóstolos e mártires. Jaroslav pelikan, tradição cristã volume I. Thomas Kaufman, Raymund Kottje, Bernard Moeller, Hubert Wolff, História ecumênica da Igreja. Georges Suffert, Tu és Pedro #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja

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