top of page

Buscar neste site

12408 resultados encontrados com uma busca vazia

  • Pecadinho e Pecadão

    Parece ser um pouco comum o pensamento de que todos os pecado são iguais perante Deus, muitas pessoas afirmam que não existe pecadinho e pecadão, apenas pecado. Contudo, a Bíblia parece mostrar uma complexidade maior sobre o assunto. Mas primeiro, o que é pecado? De uma forma bem simples, pecado é qualquer ato, sentimento ou pensamento que vai contra os padrões de Deus, tudo que de alguma maneira te afaste de Deus e de sua Vontade. Agora vamos analisar como que a Bíblia enxerga a questão dos graus de pecados. No Antigo Testamento, existe claramente uma classificação de pecados. Por exemplo, em Levítico 20, que reordena as ofensas sexuais do capítulo 18 conforme a severidade da ofensa/pena, com as ofensas sexuais mais graves agrupadas primeiro (20.10-16). Dentro do primeiro nível de ofensas sexuais (ao lado de adultério, as piores formas de incesto, e bestialidade) está a relação sexual com alguém do mesmo sexo. Obviamente, variadas penas para diferentes pecados se encontram por todo o material legal do Antigo Testamento. Em Ezequiel 8, o profeta é erguido por um anjo ‘nas visões de Deus’ e levado até Jerusalém, onde vê diferentes graus de idolatria ocorrendo nos arredores do Templo e o anjo declarando duas vezes a frase: ‘Verás abominações ainda maiores que estas’, mostrando que existiam graus piores que abominações. Jesus referiu-se ao ‘que há de mais importante na Lei’ (Mt 23.23), como justiça, misericórdia e fidelidade — era mais importante obedecer a estas coisas do que ao dízimo de especiarias, mesmo que não se devesse desprezar tais ofertas. Formulações deste tipo implicam que violações do que há de mais importante ou dos principais mandamentos (como não defraudar os pobres de seus recursos tendo em vista ganho pessoal) são mais graves do que violações de mandamentos menores ou ‘mais leves’ (por exemplo, dar o dízimo de pequenos alimentos, como especiarias), que, segundo Jesus, deveriam ser praticados sem deixar de lado as questões mais importantes. Jesus acrescenta a seguinte crítica: ‘Guias cegos! Coais um mosquito e engolis um camelo’ (23.24). Qual é a diferença entre um mosquito e um camelo, se todos os mandamentos e todas as violações são iguais? Outro caso óbvio de priorização de algumas ofensas como piores do que outras é a caracterização de Jesus sobre a ‘blasfêmia contra o Espírito Santo’, ‘pecado eterno’ do qual nunca se terá perdão — no contexto, refere-se aos fariseus terem atribuído os exorcismos de Jesus ao poder demoníaco (Mc 3.28-30). De acordo com João 19.11, Jesus disse a Pilatos: ‘Nenhuma autoridade terias sobre mim, se do alto não te fosse dada; por isso, aquele que me entregou a ti incorre em pecado maior’. A referência é a Judas (6.71; 13.2,26-30; 18.2-5) ou ao sumo sacerdote Caifás (18.24,28). ‘Pecado maior’ naturalmente implica que a ação de Pilatos é pecado menor. Analisando o texto de 1 Coríntios 3.10-17, Se todo pecado é igualmente grave para Deus, por que Paulo destacou a ofensa do homem incestuoso em na igreja em Corinto dentre todos os pecados dos coríntios como motivo para exclusão da comunidade? Por que tamanha expressão de choque e indignação da parte de Paulo? No texto de 1 João 5.16-17, o apóstolo diferencia entre ‘pecado que não é para morte’ (pelo qual a oração pode surtir efeito e salvar a vida do pecador) e ‘pecado para a morte’ (pecado mortal, pelo qual a oração não surtirá efeito). A Bíblia diz que devemos evitar pecados graves, como imoralidade sexual, idolatria, roubo, bebedeira, extorsão, assassinato e ocultismo. (1 Coríntios 6:9-11; Apocalipse 21:8) A Bíblia mostra que esses erros graves são diferentes de pecados não intencionais, como por exemplo ações ou palavras impensadas que magoam outros. (Provérbios 12:18; Efésios 4:31, 32). Mas a Bíblia também mostra que não devemos minimizar a seriedade de nenhum pecado. Fazer isso pode nos levar a cometer pecados mais graves. — Mateus 5:27, 28. Concluímos que a própria palavra de Deus nos da base suficiente para fazer a distinção de pecados. Existem de fato pecados mais graves que outros, que são considerados mais “abomináveis” que outros. Um cristão de verdade nunca pecaria propositalmente só por ser um “pecado leve”, somente o fato dele pensar isso, já mostra o quanto ele não entende sobre o sacrifício de Cristo na cruz. O fato de haver pecados mais e menos graves,em hipótese alguma minimiza o pecado em si. Somos pecadores por natureza, mas devemos sempre buscar a santidade e o perdão de Deus em Cristo. O pecado continua sendo um erro que nunca deveria ser cometido, o cristão é chamado para ser santo e não pecador! #pecado #teologia

  • A onisciência de Deus e o sacrifício de Abraão

    A onisciência de Deus e o sacrifício de Abraão Esses dias fazendo uma releitura de um dos livros de C.S Lewis, me deparei com o seguinte trecho,  que é bem pertinente e é sempre motivo de questionamento por parte de alguns ateus e até mesmo cristãos. “Se Deus é onisciente ele deveria ter sabido o que Abraão iria fazer, sem necessidade de qualquer experiência; por quê, então, esta tortura desnecessária?” Mas como salienta Sto. Agostinho, o que quer que Deus soubesse, Abraão de qualquer forma não sabia que sua obediência podia suportar tal ordem até que o acontecimento o ensinasse: e a obediência que não sabia  que iria escolher, não pode ser dito que escolhesse. A realidade da obediência de Abraão foi o ato em si; e o de que Deus tinha conhecimento sabendo que Abraão “obedeceria” foi a obediência real dele naquele monte, naquele momento.  Dizer que Deus “não precisaria ter realizado a experiência” é dizer que, pelo fato dele saber, a coisa conhecida  por Deus não precisaria existir.” O Problema do Sofrimento – C.S Lewis Percebam que as dúvidas não são novas, esse livro tem mais de 50 anos e pela citação das palavras de Santo Agostinho, essa dúvida remonta ao século IV ou V, portanto mais de 1500 anos atrás. Se você tem qualquer tipo de dúvida que esteja enfraquecendo sua fé, não se deixe abalar, procure alguém e peça alguma orientação. Mas acima de tudo, peça entendimento humildemente para Deus. E lembre-se, seja crítico com você mesmo, pergunte-se se essa dúvida é realmente um impedimento para a fé em Deus, ou você está usando-a como mera desculpa? A “provas” que você exige para crer no cristianismo, são as mesmas que você obteve para crer em qualquer outra coisa que você crê? O problema não são as dúvidas, mas sim um coração orgulhoso. #fé #onisciência

  • O que é o Fragmento Muratori?

    O que é o Fragmento Muratori? O Cânone Muratori, também conhecido por fragmento muratoriano, é uma cópia da lista mais antiga que se conhece dos livros do Novo Testamento. Escrito por volta do ano 150, indica o nome de Pio, bispo de Roma de 143 à 155, irmão de Hermas, autor de ´O Pastor´. É um manuscrito do séc. VIII, cópia do original, descoberta na Biblioteca Ambrosiana de Milão por Ludovico Antonio Muratori (1672 – 1750) e publicada em 1740. Na lista figuram os nomes dos livros que o autor desconhecido da lista considerava admissíveis, com alguns comentários. Os livros canónicos mencionados na lista são aproximadamente os mesmos que se consideram hoje como canónicos neo-testamentários, com algumas variações. O Cânone de Muraori aceita quatro evangelhos, dos quais dois são o Evangelho de Lucas e o Evangelho de João, não se conhecendo os outros dois, pois falta o princípio do manuscrito, onde estariam os nomes dos dois primeiros. A lista segue com os Atos dos Apóstolos e com 13 epístolas de Paulo (não menciona a Epístola aos Hebreus). Considera falsificações as epístolas supostamente escritas por Paulo aos laodicenses e a escrita aos alexandrinos. Nele só se mencionam duas epístolas de João, sem as descrever. Figura também no fragmento como canónico o Apocalipse de Pedro, ainda que com certas reservas (“o qual alguns dos nossos não permitem que seja lido na igreja”). O fragmento também tece comentários aos texto bíblicos, o que nos permite entender um pouco mais como os antigos cristãos enxergavam os textos e como os consideram em importância na comunidade. Mas esse fragmento também pode ser uma prova contra as acusações de adulteração dos textos bíblicos ao longo dos anos, principalmente na período medieval. Vemos que essa acusação não se sustenta pois temos muitas evidências, e o fragmento muratoria é mais uma delas, que comprovam quão antigos os textos são, e quão inalaterados eles permanceram até os dias de hoje. Para saber mais leia: “O Cânon das Escrituras” – F. F. Bruce. #históriadaigreja #teologia

  • Historicidade de Atos 18 e a relação do filósofo Sêneca com o apóstolo Paulo.

    Historicidade de Atos 18 e a relação do filósofo Sêneca com o apóstolo Paulo. “Mas, sendo Gálio procônsul da Acaia, levantaram-se os judeus concordemente contra Paulo, e o levaram ao tribunal.” Atos 18:12 Junius Gálio, foi procônsul da Acaia no ano de 52, sua historicidade é confirmada pela arqueologia e pelas cartas trocadas com seu irmão, o grande filósofo romano Sêneca. Em uma tese na Universidade de Paris, de 1905, Emile Bourget publicou quatro fragmentos de uma inscrição de Delfos. A inscrição menciona claramente Galio como procônsul (anthupatos) da Acaia e a 26º aclamação do César. Isso levanta a interessante possibilidade de datar o evento que Atos descreve. A 26ª aclamação do Caesar deveria ter ocorrido no primeiro semestre do ano 52. O procônsul normalmente servia apenas um ano e iniciava-se seu mandato na primavera. Portanto, esse fato coloca Atos 18 como uma fonte histórica sólida no ano de 52. Em um dos seus escritos, Sêneca escreve o seguinte: “A divindade está próxima de ti. Ela está contigo. Está em ti. Em nós, habita um espírito santo, observador e guarda do bem e do mal. Esse espírito nos estima na medida em que o tivermos tratado. Sem Deus, ninguém é um homem bom.” (Sêneca, Cartas a Lucílio). Como sabemos, Gálio, irmão de Sêneca, era governador na Grécia, na região da Acaia, e naquele momento Paulo pregava em Corinto a religião do Cristo. A comunidade judia tentou fazer interditar a atividade do apóstolo, mas Gálio, no ano de 52, decidiu o conflito em favor de Paulo. É bem possível que Sêneca, nas cartas de seu irmão, tenha tido conhecimento daqueles acontecimentos. Os dois irmãos estimavam-se e Sêneca dedicou a Gálio várias de suas obras. Tempos depois quando Paulo foi preso e levado a Roma, ele ficou sob a guarda de Burrus, chefe da guarda pretoriana e amigo pessoal de Sêneca. Como conselheiro de Nero, é bem provável que Sêneca também estivesse presente durante o julgamento de Paulo em Roma. Não se sabe ao certo se os dois chegaram a se conhecer pessoalmente, mas as concepções ideais de Sêneca estavam tão próximas das ideias cristãs que se pensou mais tarde que esse sábio era cristão e que trocara correspondência com Paulo. Fontes: http://users.wfu.edu/horton/r102/gallio.html Os Césares, Apogeu e Loucura – Ivar Lissner Heathen contact with christianity its first century and half – C.R Heines #história

  • Nota sobre a Inquisição

    A Inquisição não deixa de ser uma página negra na História da Igreja Católica, porém, o número de condenados à morte por ela,  e que foram executados, não atingiu 10 mil pessoas.[1] Isso durante aproximadamente 500 anos. Ora, a Revolução Francesa, em nome de Liberté Egalité,  Fraternité, nos poucos meses do Terror, guilhotinou entre 16 mil e 40 mil citoyens. De Mao-Tse Tung, Hitler, Stalin e Pol-Pot, não é necessário falar. E um olhar ao presente mostra Fidel Castro, ainda hoje herói das esquerdas e bajulado por governos, que mandou para o Paredón cerca de 17 mil pessoas, sem falar dos milhares que morreram afogados, ao tentarem fugir da ilha. [1]Estudos recentes de Rino Camillieri, La Vera Storia dell’ Inquisizione, Casale Monferrato, ed. PIemme 2001, p. 17 (cf.: http://www.ibs.it/code/9788838463433/cammilleri-rino/vera-storia-dell.html), mostram que houve cerca de 50 mil processos, em toda a história da Inquisição, mas apenas uma ínfima minoria acabou sendo levada à morte. Na Espanha, onde mais violenta foi a Inquisição, os condenados à morte foram cerca de 800, o que equivale a 1,8% dos indiciados. No mesmo site acima indicado, Agostino Borromeo, em uma entrevista, salienta que, na Espanha, as acusações contra bruxas levaram a 49 mortes, na Itália, foram 36 e, em Portugal, 4 (Agostino Borromeo foi o organizador do volume L’inquisizione: atti del Simposio internazionale: Città del Vaticano, 29-31 ottobre 1998, Città del Vaticano, Biblioteca Apostolica. Esse Simpósio, que reuniu inúmeros historiadores, realizou-se quando da abertura dos arquivos do Santo Ofício, por ordem do papa João Paulo II. Participaram do encontro, como conferencistas ou como especialistas, estudiosos vindos da Itália, França, Espanha, Portugal, Malta, Inglaterra, Suíça, Alemanha, Dinamarca, República Tcheca, Estados Unidos e Canadá. Sobre esse tema, em língua portuguesa, cf. também AQUINO, F. Para entender a Inquisição. 3. ed. Lorena: Cleofas, 2010; PERNOUD, R. A Idade Média: Que não nos ensinaram. São Paulo: Agir, 1964; ROPS, H. D. A Igreja das Catedrais e das Cruzadas. São Paulo: Quadrante, 1993, v.3. Extraído de: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732014000400135 Em breve farei um estudo mais aprofundado sobre o tema para desmistificar de vez essa questão.

  • Sobre a Idade Média

    SOBRE A IDADE MÉDIA Dizem que a Idade Média foi uma época de trevas e retrocesso científico pela combinação entre religião e Estado, mas nada poderia estar mais longe da verdade.Hoje os historiadores já derrubaram esse mito, e sabem que isso foi criado por intelectuais iluministas anti-cristãos, que tentaram difamar o cristianismo para enaltecer sua própria época. O cristianismo medieval foi o responsável por manter a Europa nos eixos após a queda do Império romano e o início das invasões bárbaras. A igreja era a única instituição da época que prezava pelo conhecimento, ordem e cultivo do saber, em meio a uma civilização que estava se desintegrando. Foi nessa época que em as universidades europeias e as grandes bibliotecas foram criadas pela Igreja, inúmeros avanços tecnológicos foram feitos nos mosteiros, como o desenvolvimento de técnicas agrícolas sofisticadas e técnicas pioneiras de metalurgia. Também nos mosteiros foram inventados os óculos, o champagne, o relógio, a bússola e inúmeras outras coisas… foram feitos grandes avanços com equipamentos hidráulicos desenvolvidos nos próprios mosteiros. A preservação de literatura greco-romana clássica, que nos permite hoje conhecer a as culturas antigas também se deu pelo zelo dos monges copistas, se conhecemos as obras de Platão, Sócrates, Aristóteles, e outros grandes filósofos antigos, agradeça aos monges copistas. Além dos serviços sociais que eles prestavam a comunidade, acolhendo pobres e estrangeiros para pernoite, construindo pontes, estradas e tratando de doentes, principalmente leprosos, que eram expulsos das cidades (sim, o que conhecemos como hospital hoje teve grande participação cristã.) A igreja deu mais igualdade e proteção as mulheres cristãs, proibindo o concubinato, o divórcio,o infanticídio de bebes do sexo feminino e santificando o matrimônio, permitindo a elas que dirigissem as próprias escolas, conventos, orfanatos e hospitais. As contribuições científicas medievais foram enormes, por exemplo o sacerdote Nicolau Steno, considerado o pai da geologia, Athanasius Kircher, pai da egiptologia, Rogério Boscovich, considerado pai da teoria atômica moderna. Os jesuítas que dominaram o estudo sobre os terremotos e as contribuições na astronomia, poucos conhecem esse fato, apesar de 35 crateras lunares terem sido descobertas por cientistas jesuítas. Roger Bacon, conhecido como Doutor admirável que introduziu a observação da natureza e a experimentação como fundamentos do conhecimento natural e William de Ockham, que ajudou a desenvolver o método científico. A ciência e religião naquela época não eram apenas compatíveis, eram amigas inseparáveis. Os sacerdotes filósofos, conheciam profundamente as obras e Platão, Aristóteles, Ovídio, Heráclito, Sêneca, Virgílio e outros grandes nomes da literatura greco-romana. Nomes como Alberto Magno, Tomás de Aquino, Agostinho de Hipona, Anselmo de Cantuária, e tantos outros eruditos medievais que moldaram a filosofia de sua época e influenciaram gerações. E sobre as artes medievais? Dante o autor da “Divina Comédia”, Boccacio, Petrarca, Froissart, as obras de Giotto, e Magdeburg. Sem falar da arquitetura, as grandes catedrais medievais e seus castelos que atraem milhões de turistas a Europa todos os anos… Se existe um período de trevas intelectual e moral, esse período é o pós-modernismo atual. Bibliografia: Regine Pernoud – O que não nos ensinaram sobre a idade média Rodney Stark – A vitória da razão Thomas Woods – Como a igreja católica construiu a civilização ocidental #cristianismo #idademédia

  • As invasões islâmicas nas sociedades cristãs medievais.

    AS INVASÕES ISLÂMICAS NAS SOCIEDADES CRISTÃS MEDIEVAIS. ” A varredura do Islã em grande parte da Ásia Ocidental e do Norte de África e na Europa foi facilitada pelo vácuo de poder que tinha sido criado pelas guerras crônicas entre o Império Romano e o Persa. Na véspera da invasão árabe, esses dois reinos passaram recentemente por um estágio de sua luta hereditária que esgotaria a ambos. O avanço árabe foi espetacular. Mohammed morreu em 632. Foi seguido em liderança dos muçulmanos por uma sucessão de homens que levaram o título de califa, significando, sucessor, (de Maomé). Sob os califas os árabes, rumaram para o império bizantino e depois para o território persa. Em 635 eles tomaram Damasco, em 636 conquistaram toda a Síria, e em 638, após um cerco de dois anos, eles capturaram Jerusalém. Em 641 ou 642 capturaram Alexandria e os árabes foram assim assegurados da posse de todo o Egito. Por volta de 650, a Mesopotâmia tinha tinha sido conquistada e o coração da Pérsia tinha sido invadido. Os árabes transformaram-se num poder naval assim como em terra, ocuparam o Chipre, capturaram a ilha de Rodes, e invadiram a Sicília e o sul da Itália. Na década de 670 eles repetidamente atacaram Constantinopla de uma base próxima. Em 697, Cartago, o centro do poder bizantino no norte da África caiu para os árabes. Por volta de 715, o estreito de Gibraltar tinha sido alcançado e o governo visigodo na Espanha havia sido derrubado, começando a invasão a península Ibérica. Em todo o lugar de domínio árabe, os cristãos foram proibidos de exibir sua fé através de procissões religiosas públicas ou tocar os sinos da igreja. Possivelmente seguindo o precedente dos Persas Zoroastrianos com as minorias religiosas, os árabes muçulmanos exigiam que os cristãos usassem um símbolo ou traje que os identificassem em público. Os cristãos não eram autorizados a servir nos exércitos, e lhes eram cobrados impostos altamente abusivos para os moradores cristãos de suas regiões.” . Uma história do cristianismo – K.S Latourrette Só para efeito de curiosidade, a primeira cruzada foi convocada em 1095, quase 400 anos depois das primeiras invasões islâmicas contra o cristianismo. O mundo cristão demorou tempo demais para reagir a barbárie islâmica. #históriadaigreja #islã

  • O Didaquê

    Didaquê: A doutrina dos apóstolos O que é o Didaquê? É um escrito do século I que trata do ensino cristão de instrução moral e práticas eclesiásticas. É constituído de dezesseis capítulos, e apesar de ser uma obra pequena, é de grande valor histórico e teológico. O título lembra a referência de «E perseveravam na doutrina dos apóstolos …» (Atos 2:42). Estudiosos estimam que são escritos anteriores a destruição do templo de Jerusalém, entre os anos 60 e 70 d.C, na região da Siria ou Egito. Esse documento é muito importante dentro da história cristã e é outra grande pedra no sapato dos críticos, pois demonstra que vários ensinos cristãos pautados no Novo Testamento, já eram praticados pelas comunidades cristãs desde o primeiro século. Demonstrando assim, que poucos anos após a morte de Jesus, os ensinos contidos nos evangelhos e das cartas de Paulo já circulavam pelas comunidades, instruindo os primeiros cristãos nas práticas corretas concernentes ao que foi ensinado por Jesus e pelos apóstolos. Nos escritos do Didaquê são reforçados o batismo no nome do Pai, Filho e Espírito Santo, a volta de Jesus, sua divindade, a oração do Pai Nosso, a eucaristia e algumas outras instruções morais sobre a ética cristã. Sendo assim, mais um documento que reforça o que já sabemos, a Bíblia trás de fato os ensinos de Cristo e esse é mais um dentro os outros tantos documentos históricos que comprovam que seus ensino não foram alterados propositalmente e que desde muito cedo no surgimento do cristianismo já se tratava Jesus como Deus. #históriadaigreja #teologia

  • A história de São Marcos no Egito

    Dizem que este Marcos foi o primeiro a ser enviado ao Egito, e que ali pregou o Evangelho que ele havia posto por escrito e fundou igrejas, começando pela de Alexandria. História Eclesiástica – Eusébio de Cesaréia Eusébio foi um historiador que escreveu sobre toda a história cristã até o século IV. Seus relatos são baseados inclusive em obras antigas como as de Flávio Josefo, Clemente e Filon. Que atestam a veracidade dos relatos bíblicos, colocando a bíblia dentro da história antiga. Uma descoberta recente, mais uma vez sustenta esses relatos. No início do ano, foi descoberto no Egito, o manuscrito mais antigo que se tem notícia dos evangelhos, um pedaço do evangelho de Marcos, datando de aproximadamente 80 d.C, foi encontrado dentro da máscara de uma múmia. É impressionante, menos de 50 anos após a morte e ressurreição de Cristo, já se tem evidências de cópias no NT circulando por onde a tradição dos historiadores antigos já afirmavam. Se uma cópia tem menos de 50 após o evento da morte de Cristo, a original com certeza foi escrita bem antes. Colocando os eventos reais, muito próximo do original, e dos primeiros manuscritos Cada vez mais as evidências atestam o Novo Testamento como o documento mais confiável da antiguidade. Fontes: http://www.livescience.com/49489-oldest-known-gospel-mummy-… Vídeo do Dr Craig Evans: #cristianismo #históriadaigreja

  • A escuridão durante a crucificação de Jesus

    A escuridão durante a crucificação de Jesus Nos nos 3 evangelhos, é relatado que houve uma grande escuridão durante a crucificação de Jesus (Mateus 27:45, Marcos 15:33, Lucas 23:44–45). E esse evento histórico também é confirmado por fontes extra-bíblicas como os historiadores Flegon, Talo e Julio Africano. Tanto o orador romano Júlio Africano e o teólogo cristão Orígenes se referem ao historiador grego Flégon como tendo escrito “a respeito do eclipse durante o tempo de Tibério, em cujo reinado Jesus parece ter sido crucificado, e aos grandes terremotos que ocorreram”[1]. Júlio Africano se refere ainda às obras do historiador Talo ao negar a possibilidade de um eclipse solar: “Esta escuridão que Talo, no terceiro livro de sua “História”, chama, para mim sem razão, de um eclipse solar. Pois os hebreus celebram a Páscoa no décimo-quarto dia de acordo com a lua e a Paixão de nosso Salvador cai no dia anterior à Páscoa; mas um eclipse do sol ocorre apenas quando a lua entra na frente do sol”[2] . Um eclipse solar ocorrendo juntamente com uma lua cheia é uma impossibilidade científica. O apologista cristão Tertuliano escreveu “Na mesma hora, também, a luz do dia foi retirada, quando o sol, na mesma hora, estava no seu fulgor meridiano. Os que não sabem que isto foi previsto sobre Cristo, sem dúvida acreditam que se tratou de um eclipse. Vocês próprios tem um relato do augúrio mundial em vossos arquivos”[3] . A escuridão foi reportada em lugares tão distantes quanto Heliópolis e, aparentemente, a ocorrência sobrenatural também foi citada por São Paulo ao converter Dionísio ao cristianismo.[4] Muitos céticos perguntam por que o Evangelho de João não menciona a escuridão na crucificação. Simon Greenleaf, da Harvard Law School, diz: “Há bastante discrepância de mostrar que não poderia ter havido nenhuma combinação anterior entre eles; e ao mesmo tempo tão substancial acordo quanto a mostrar que eles eram todos os narradores independentes do mesmo fato.Isso só contribui para a confiabilidade da narrativa.”[5] Muitos céticos também perguntam por que outros historiadores tais como Josefo, Tácito, Suetônio e Plínio, o Jovem deixam de mencionar a escuridão. Mas os céticos estão a cometer a falácia de argumentar a partir do silêncio. Não é razoável esperar que cada escritor contemporâneo pudesse e quisesse incluir cada evento que aconteceu e há boas razões para não esperar que esses autores específicos de mencionar a escuridão. O que temos é uma coleção de relatos, historicamente confiáveis e altamente respeitados de fontes para a escuridão durante a crucificação. Então não há motivos para se duvidar do relato bíblico, mais uma vez a Bíblia se mostra historicamente confiável e precisa. Fontes: [1] Maier, Paul. Pontius Pilate (Wheaton, Ill.: Tyndale House, 1968), p. 366. Phlegon’s citation is a fragment from Olympiades he Chronika 13, ed. Otto Keller, Rerum Naturalium Scriptores Graeci Minores, 1 (Leipzig Teurber, 1877), p. 101. [2] Donaldson, Coxe (1888). The ante-Nicene fathers 6 (New York: The Christian Literature Publishing Co.). p. 136 [3] “21”. Apologeticum – Tertuliano [4] Parker, John (1897). “Letter VII. Section II. To Polycarp–Hierarch. & Letter XI. Dionysius to Apollophanes, Philosopher.”. The Works of Dionysius the Arepagite (London: James Parker and Co.). [5] Greenleaf, Simon. The Testimony of the Evangelists, vii, Baker, Grand Rapids, MI, 1984. #cristianismo #história

  • BENTO XVI: “FRENTE AO RELATIVISMO E A MEDIOCRIDADE, SURGE A NECESSIDADE DA RADICALIDADE”

    Nos ensinou o Papa emérito, Bento XVI: “Frente ao relativismo e a mediocridade, surge a necessidade da radicalidade. A radicalidade evangélica é estar em Cristo, firmes na fé. No momento atual se vive um eclipse de Deus, uma certa amnésia e uma verdadeira rejeição do cristianismo , uma negação do tesouro da fé recebida, com o risco de se perder o que mais profundamente caracteriza os católicos” – (Fonte: Papa Bento XVI , na jornada mundial da juventude em Madri). O relativismo é uma linha de pensamento que nega que possa haver uma verdade absoluta e permanente, ficando por conta de cada um definir a “sua” verdade e aquilo que lhe parece ser o seu bem e o que lhe agrada. Nessa ótica tudo é relativo ao local, à época ou a outras circunstâncias. É o engano do historicismo. Para seus adeptos, “a pessoa se torna a medida de todas as coisas”, como dizia o filósofo grego Protágoras. Evidentemente, a Igreja rejeita o relativismo porque há verdades que são permanentes. As verdades da fé e da moral cristã são perenes porque foram dadas por Deus. Cristo afirmou solenemente: “Eu sou a Verdade” (Jo 14,6); “a verdade vos libertará” (Jo 8,32); e disse a Pilatos que veio ao mundo exatamente “para dar testemunho da verdade” (Jo 18,37). São Paulo relatou que “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4) e que “ a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15). Ora, se negarmos que existe a verdade objetiva e perene, o Cristianismo fica destruído desde a sua raiz. O Evangelho é o dicionário da Verdade. Segundo o relativismo, no campo moral não existe “o bem a fazer e o mal a evitar”, pois o bem e o mal são relativos. Isso destrói completamente a moral católica, a qual moldou o Ocidente, e a nossa civilização. Contudo, esse relativismo hoje está penetrando cada vez mais nas universidades, escolas, nas famílias, no trabalho e de maneira muito forte, na Igreja. Ele ignora a lei natural, que é a lei de Deus colocada na consciência de todo ser humano – desde que este dispõe do uso da razão. Por causa do relativismo moral os governantes propõem leis contra a Lei Natural que Deus colocou no coração de todos os homens. Dessa forma, a palavra do legislador humano vai superando a do Legislador Divino, a qual é a mesma para todos os homens. O papa Bento XVI falou insistentemente do perigo da “ditadura do relativismo”, que vai oprimindo quem não a aceita. Quem não estiver dentro do “politicamente correto” é anulado, desprezado, zombado com cinismo. Sobre essa mesma ditadura o Sumo Pontífice falou em 18 de abril de 2005 na homilia da Santa Missa preparatória do conclave que o elegeu: “Não vos deixeis sacudir por qualquer vento de doutrina” (Ef 4, 14). “Quantos ventos de doutrina viemos a conhecer nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantas modalidades de pensamento…! O pequeno barco do pensamento de não poucos cristãos foi frequentemente agitado por essas ondas, lançado de um extremo para o outro: do marxismo ao liberalismo ou mesmo libertinismo; do coletivismo ao individualismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo… Todos os dias nascem novas seitas e se realiza o que diz São Paulo sobre a falsidade dos homens, sobre a astúcia que tende a atrair para o erro (cf. Ef 4, 14). O ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é, muitas vezes, rotulado como fundamentalismo. Entrementes, o relativismo ou o deixar-se levar para cá e para lá por qualquer vento de doutrina aparece como orientação única à altura dos tempos atuais. Constitui-se assim uma ditadura do relativismo, que nada reconhece de definitivo e deixa como último critério o próprio eu e suas veleidades. O relativismo derruba as normas morais válidas para todos os homens; ele é ateu; vê na religião e na moral católicas um obstáculo e um adversário, pois Deus é visto como um escravizador do homem e a moral católica destinada a tornar o homem infeliz. O relativismo atual coloca a ciência como uma deusa que vai resolver todos os problemas do homem; a qual está acima da moral e da religião. Mas se esquece de dizer que o homem nunca foi tão infeliz como hoje; nunca houve tantos suicídios, nunca se usou tanto antidepressivo e remédios para os nervos; nunca se viu tanta decadência moral, destruição da família e da sociedade. O relativismo é embalado também pelo ceticismo e pelo utilitarismo, os quais só aceitam o que pode ajudar a viver num bem-estar hedonista, aqui e agora. Há uma verdadeira aversão ao sacrifício e à renúncia. Infelizmente, esse perigoso relativismo religioso, que tudo destrói, penetrou sorrateiramente também na Igreja, especialmente nos seminários e na teologia. Isso levou o Papa João Paulo II a alertar aos bispos na ENCÍCLICA “VERITATIS SPENDOR”, de 1992, sobre o perigo desse relativismo que anula a moral católica. No centro da crise, o saudoso Pontífice viu uma grave “contestação ao patrimônio moral da Igreja”. Diz São João Paulo II: “Não se trata de contestações parciais e ocasionais, mas de uma discussão global e sistemática do patrimônio moral… Rejeita-se, assim, a doutrina tradicional sobre a lei natural, sobre a universalidade e a permanente validade dos seus preceitos; consideram-se simplesmente inaceitáveis alguns ensinamentos morais da Igreja…” (Veritatis Spendor – n. 4). E o Papa chama a atenção para o fato grave de que “a discordância entre a resposta tradicional da Igreja e algumas posições teológicas está acontecendo mesmo nos Seminários e Faculdades eclesiásticas” (Veritatis Spendor – n. 4). No centro da crise moral, enfatizada por João Paulo II, ele revela qual é a sua causa: “o homem quer ocupar o lugar de Deus. A Revelação ensina que não pertence ao homem o poder de decidir o bem e o mal, mas somente a Deus” (cf. Gen 2,16-17). Não é lícito que cada cristão queira fazer a fé e a moral segundo o seu próprio juízo do bem e do mal. É por causa desse relativismo moral que encontramos com uma frequência assustadora, católicos que aceitam o divórcio e a comunhão de recasados, o aborto, a pílula do dia seguinte, a cotracepção, o casamento de homossexuais, a ordenação de mulheres, a eutanásia, a inseminação artificial, a manipulação de embriões, o feminismo… e outros erros que o Magistério da Igreja condena explicita e veementemente. Ensina São Tomás de Aquino: “Neste enorme e geral delírio de opiniões que vai grassando, o cuidado de proteger a verdade e de extirpar o erro dos entendimentos é a missão da Igreja, e missão de todo o tempo e de todo o empenho, posto que à sua tutela foram confiadas a honra de Deus e a salvação dos homens. Mas quando a necessidade é tanta, já não são somente os prelados que hão de velar pela integridade da Fé, senão ‘que cada um tem a obrigação de propalar a todos a sua Fé, já para instruir e animar os outros fiéis, já para reprimir a audácia dos que não o são” -(São Tomás, Suma Teológica, II-II, q. 10, a. 2, q. ad 2) Diz o Papa Leão XIII: “Recuar diante do inimigo, ou calar-se quando de toda parte se ergue tanto alarido contra a verdade, é próprio de homem covarde ou de quem vacila no fundamento de sua crença. Qualquer destas coisas é vergonhosa em si; é injuriosa a Deus; é incompatível com a salvação tanto dos indivíduos, como da sociedade, e só é vantajosa aos inimigos da Fé, porque nada estimula tanto a audácia dos maus, como a pusilanimidade dos bons”. – (Papa Leão XIII, Encíclica Sapientiae Christianae, de 10 de janeiro de 1890) Como muito bem disse alguém, vivemos hoje o tempo em que alguns chamam de amor o seu exato oposto. Tornaram a caridade cristã um sentimento ralo de respeito humano e simpatia afetada. Tiraram dela o seu rigor, a sua “violência” mesmo, a sua exclusividade e, portanto, a sua fidelidade. Devemos ser tolerantes, dizem, mas tratam com intolerância os que não partilham destes seus ideais anticatólicos. Ignoram que Jesus tenha trazido a espada e que, pela retidão da Fé, isto é,pela intransigência dogmática, Ele dividiria até mesmo os pais contra os filhos. Esta tensão está presente em todo o Evangelho e em toda a história cristã. Constantemente somos interpelados pela necessidade de escolher entre Deus e os homens. Se tivermos vergonha de Deus diante dos homens, Deus se envergonhará de nós. E, no entanto, há quem passe por estas coisas, simplesmente como se não existissem ou fossem isentas de sentido. E aprendem um cristianismo afetado, misturado com as sentimentalices e esquerdices, e escondem o tesouro que nunca encontraram. Aparecemos, então, como os ultrapassados. Quando se pede uma liturgia mais cuidada, são acusados ou de materialistas velados, ou de adoradores de panos e materiais preciosos, ou de medievais obscuros, sem falar nos olhares, caretas e climas que se criam à sua volta. Mas… bendito sejam quando sofrerem por causa do Cristo. Não transijamos, caríssimos. Os que ainda vêem tudo isso nublado, estudem, leiam, procurem boas pessoas, pessoas de confiança, conversem, rezem, tenham vida sacramental, confessem-se frequentemente, tenham um profundo amor a Nossa Senhora, participem se possível, diariamente do Santo Sacrifício da Missa, ponham a vossa Fé em todo os momentos do vosso dia, no que quer que façam. Abandonem estes falsos conceitos de um amor mole e que busca agradar a todo mundo; ninguém precisa levar este peso nem ficar encenando afeições. Sejamos verdadeiros. Muitos há que habitam os templos católicos mas sequer vislumbram a beleza que é ser Católico Apostólico Romano na sua integridade, sem modernismos, sem ceder ao discurso da hora. Deixemos disto! Cristo nos pede hoje para abandonar os mortos com os seus mortos, para pôr a mão no arado e não olhar para trás. E a coisa é urgente! Não há tempo sequer para se despedir dos pais nem para saudar as pessoas pelo caminho! Em todo este contexto, nós devemos encarar o desafio de manter a fidelidade à Igreja, de estudar a sua doutrina, de não querermos nos unir ao círculo dos zombadores que brincam com a liturgia e pervertem, nas catequeses, as almas das crianças, ensinando-lhes o erro e fazendo-as duvidar das verdades mais sublimes da Fé. E neste meio, se nos decidirmos pelo legítimo catolicismo, teremos de enfrentar as perseguições – por mais sutis ou dissimuladas que sejam – os olhares atravessados, e receberemos, por certo, diversos títulos nada honrosos, calúnias e julgamentos de intenção. Mas aí é que está, também, a aventura amorosa que Nosso Senhor nos concede passar. Os Apóstolos Pedro e João agradeciam a Deus por terem sido dignos de serem açoitados por amor do Seu nome. Aproveitemos, portanto, a ocasião, e ardamos de zelo pelo Senhor. Para tal, repito, estudemos. Há muitas pessoas que andam por aí desanimadas da Fé simplesmente porque foram enganadas e passaram a duvidar da autenticidade da Igreja. Estudemos e retomaremos o vigor! Conheçam esta beleza que é a Igreja. Aprofundemo-nos na sua doutrina, na sua filosofia, nos seus argumentos morais, e perceberão que não há razão para pusilanimidade, para vergonha, para constrangimento. Ao contrário! É preciso alastrar, de novo, o amor à Verdade, à luz, à bondade, à retidão. Chega de teorias desvairadas que tratam os homens como se fossem todos bestas covardes e lamacentas. Não! Amor à grandeza. Combatamos o bom combate e inflamemos os que estão ao nosso redor! Que percebam, pela integridade da suas vidas, as chispas daquele fogo a arder na alma e possam ter um vislumbre daqueles olhos que convidam: “vem, tu também, e segue-me”. O que a Igreja necessita urgentemente – e toda a criação geme em dores de parto por isso – é que os cristãos larguem essa capa de culpa sem fundamento, esse véu mentiroso de inferioridade, e barrem, em nome de Cristo e armados pela Sua Cruz, essa algazarra da iniquidade e essa zombaria com Deus e com as almas Dizia Nosso Senhor: “infeliz daquele para quem eu for pedra de escândalo e ai daquele sobre quem esta pedra cair”. No combate, a Verdade é invencível e todo aquele que contra ela se levanta, haverá de quebrar-se. Não pensemos, caríssimos, que tudo isto é palavreado e conversa de efeito. Cristo é a verdade e Ele, por Si mesmo, é belo e forte, e atrai, e converte. Dizia São Paulo que cuidava para não usar de artifícios humanos, para não desvirtuar a Cruz de Cristo. Basta que sejamos transparentes e límpidos como a água cristalina! Para tal, cuidemos da pureza das nossas almas e de estar alimentados com o pão do céu, “o pão seco dos fortes” como o chamou Santa Edith Stein, o maná que cai sobre o deserto do exílio, o alimento que permite vencer o mundo. Medo, dor, prazeres egoístas e providos de traições, apegos e desejos de honrarias, tudo isto abandona-se, despreza-se e, como diz São Paulo, tem-se a preço de nada diante de Cristo e do Seu conhecimento. Não cabem na porta estreita e impedem a verdadeira alegria, que somente surge na nudez e na gratuidade do amor. Se nos despirmos convenientemente dessas coisas, adquiriremos uma agilidade tal que, antes do primeiro movimento dos inimigos da verdade, já os teremos fulminado. Sigamos, caríssimos! Força! Ninguém combate sozinho. Os católicos vivem, já, na comunhão dos santos. São muitos os que lutam no seu anonimato e na ordinariedade de suas vidas. E nada disso é fantasia. Convençamo-nos de Cristo, entusiasmemo-nos por Ele, defendamos a Sua Igreja, e imitemos a disposição de Santo Atanásio: “Se o mundo for contra a verdade, Atanásio será contra o mundo”. E jamais esqueçamos Aquele que disse: “Coragem, eu venci o mundo”. É por Ele que lutamos. Rezemos muito e sejamos fiéis católicos íntegros, sem capitular em nenhum ponto da Fé. Isso é de absoluta importância. Ninguém pense ser forte sem Cristo. Sem Ele, nada podemos. Não basta encenar. A via é íngreme mesmo… Mas tudo podemos nAquele que nos fortalece. N’Ele, vencemos o mundo. É preciso se entusiasmar de novo por Nosso Senhor. O passado da Igreja é glorioso! Amemos o bem, a verdade, a beleza, a grandeza, a pureza! E o façamos em plena luz do dia! Equipe Padre Rodrigo Maria

  • BENTO XVI: “FRENTE AO RELATIVISMO E A MEDIOCRIDADE, SURGE A NECESSIDADE DA RADICALIDADE”

    Nos ensinou o Papa emérito, Bento XVI: “Frente ao relativismo e a mediocridade, surge a necessidade da radicalidade. A radicalidade evangélica é estar em Cristo, firmes na fé. No momento atual se vive um eclipse de Deus, uma certa amnésia e uma verdadeira rejeição do cristianismo , uma negação do tesouro da fé recebida, com o risco de se perder o que mais profundamente caracteriza os católicos” – (Fonte: Papa Bento XVI , na jornada mundial da juventude em Madri). O relativismo é uma linha de pensamento que nega que possa haver uma verdade absoluta e permanente, ficando por conta de cada um definir a “sua” verdade e aquilo que lhe parece ser o seu bem e o que lhe agrada. Nessa ótica tudo é relativo ao local, à época ou a outras circunstâncias. É o engano do historicismo. Para seus adeptos, “a pessoa se torna a medida de todas as coisas”, como dizia o filósofo grego Protágoras. Evidentemente, a Igreja rejeita o relativismo porque há verdades que são permanentes. As verdades da fé e da moral cristã são perenes porque foram dadas por Deus. Cristo afirmou solenemente: “Eu sou a Verdade” (Jo 14,6); “a verdade vos libertará” (Jo 8,32); e disse a Pilatos que veio ao mundo exatamente “para dar testemunho da verdade” (Jo 18,37). São Paulo relatou que “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4) e que “ a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15). Ora, se negarmos que existe a verdade objetiva e perene, o Cristianismo fica destruído desde a sua raiz. O Evangelho é o dicionário da Verdade. Segundo o relativismo, no campo moral não existe “o bem a fazer e o mal a evitar”, pois o bem e o mal são relativos. Isso destrói completamente a moral católica, a qual moldou o Ocidente, e a nossa civilização. Contudo, esse relativismo hoje está penetrando cada vez mais nas universidades, escolas, nas famílias, no trabalho e de maneira muito forte, na Igreja. Ele ignora a lei natural, que é a lei de Deus colocada na consciência de todo ser humano – desde que este dispõe do uso da razão. Por causa do relativismo moral os governantes propõem leis contra a Lei Natural que Deus colocou no coração de todos os homens. Dessa forma, a palavra do legislador humano vai superando a do Legislador Divino, a qual é a mesma para todos os homens. O papa Bento XVI falou insistentemente do perigo da “ditadura do relativismo”, que vai oprimindo quem não a aceita. Quem não estiver dentro do “politicamente correto” é anulado, desprezado, zombado com cinismo. Sobre essa mesma ditadura o Sumo Pontífice falou em 18 de abril de 2005 na homilia da Santa Missa preparatória do conclave que o elegeu: “Não vos deixeis sacudir por qualquer vento de doutrina” (Ef 4, 14). “Quantos ventos de doutrina viemos a conhecer nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantas modalidades de pensamento…! O pequeno barco do pensamento de não poucos cristãos foi frequentemente agitado por essas ondas, lançado de um extremo para o outro: do marxismo ao liberalismo ou mesmo libertinismo; do coletivismo ao individualismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo… Todos os dias nascem novas seitas e se realiza o que diz São Paulo sobre a falsidade dos homens, sobre a astúcia que tende a atrair para o erro (cf. Ef 4, 14). O ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é, muitas vezes, rotulado como fundamentalismo. Entrementes, o relativismo ou o deixar-se levar para cá e para lá por qualquer vento de doutrina aparece como orientação única à altura dos tempos atuais. Constitui-se assim uma ditadura do relativismo, que nada reconhece de definitivo e deixa como último critério o próprio eu e suas veleidades. O relativismo derruba as normas morais válidas para todos os homens; ele é ateu; vê na religião e na moral católicas um obstáculo e um adversário, pois Deus é visto como um escravizador do homem e a moral católica destinada a tornar o homem infeliz. O relativismo atual coloca a ciência como uma deusa que vai resolver todos os problemas do homem; a qual está acima da moral e da religião. Mas se esquece de dizer que o homem nunca foi tão infeliz como hoje; nunca houve tantos suicídios, nunca se usou tanto antidepressivo e remédios para os nervos; nunca se viu tanta decadência moral, destruição da família e da sociedade. O relativismo é embalado também pelo ceticismo e pelo utilitarismo, os quais só aceitam o que pode ajudar a viver num bem-estar hedonista, aqui e agora. Há uma verdadeira aversão ao sacrifício e à renúncia. Infelizmente, esse perigoso relativismo religioso, que tudo destrói, penetrou sorrateiramente também na Igreja, especialmente nos seminários e na teologia. Isso levou o Papa João Paulo II a alertar aos bispos na ENCÍCLICA “VERITATIS SPENDOR”, de 1992, sobre o perigo desse relativismo que anula a moral católica. No centro da crise, o saudoso Pontífice viu uma grave “contestação ao patrimônio moral da Igreja”. Diz São João Paulo II: “Não se trata de contestações parciais e ocasionais, mas de uma discussão global e sistemática do patrimônio moral… Rejeita-se, assim, a doutrina tradicional sobre a lei natural, sobre a universalidade e a permanente validade dos seus preceitos; consideram-se simplesmente inaceitáveis alguns ensinamentos morais da Igreja…” (Veritatis Spendor – n. 4). E o Papa chama a atenção para o fato grave de que “a discordância entre a resposta tradicional da Igreja e algumas posições teológicas está acontecendo mesmo nos Seminários e Faculdades eclesiásticas” (Veritatis Spendor – n. 4). No centro da crise moral, enfatizada por João Paulo II, ele revela qual é a sua causa: “o homem quer ocupar o lugar de Deus. A Revelação ensina que não pertence ao homem o poder de decidir o bem e o mal, mas somente a Deus” (cf. Gen 2,16-17). Não é lícito que cada cristão queira fazer a fé e a moral segundo o seu próprio juízo do bem e do mal. É por causa desse relativismo moral que encontramos com uma frequência assustadora, católicos que aceitam o divórcio e a comunhão de recasados, o aborto, a pílula do dia seguinte, a cotracepção, o casamento de homossexuais, a ordenação de mulheres, a eutanásia, a inseminação artificial, a manipulação de embriões, o feminismo… e outros erros que o Magistério da Igreja condena explicita e veementemente. Ensina São Tomás de Aquino: “Neste enorme e geral delírio de opiniões que vai grassando, o cuidado de proteger a verdade e de extirpar o erro dos entendimentos é a missão da Igreja, e missão de todo o tempo e de todo o empenho, posto que à sua tutela foram confiadas a honra de Deus e a salvação dos homens. Mas quando a necessidade é tanta, já não são somente os prelados que hão de velar pela integridade da Fé, senão ‘que cada um tem a obrigação de propalar a todos a sua Fé, já para instruir e animar os outros fiéis, já para reprimir a audácia dos que não o são” -(São Tomás, Suma Teológica, II-II, q. 10, a. 2, q. ad 2) Diz o Papa Leão XIII: “Recuar diante do inimigo, ou calar-se quando de toda parte se ergue tanto alarido contra a verdade, é próprio de homem covarde ou de quem vacila no fundamento de sua crença. Qualquer destas coisas é vergonhosa em si; é injuriosa a Deus; é incompatível com a salvação tanto dos indivíduos, como da sociedade, e só é vantajosa aos inimigos da Fé, porque nada estimula tanto a audácia dos maus, como a pusilanimidade dos bons”. – (Papa Leão XIII, Encíclica Sapientiae Christianae, de 10 de janeiro de 1890) Como muito bem disse alguém, vivemos hoje o tempo em que alguns chamam de amor o seu exato oposto. Tornaram a caridade cristã um sentimento ralo de respeito humano e simpatia afetada. Tiraram dela o seu rigor, a sua “violência” mesmo, a sua exclusividade e, portanto, a sua fidelidade. Devemos ser tolerantes, dizem, mas tratam com intolerância os que não partilham destes seus ideais anticatólicos. Ignoram que Jesus tenha trazido a espada e que, pela retidão da Fé, isto é,pela intransigência dogmática, Ele dividiria até mesmo os pais contra os filhos. Esta tensão está presente em todo o Evangelho e em toda a história cristã. Constantemente somos interpelados pela necessidade de escolher entre Deus e os homens. Se tivermos vergonha de Deus diante dos homens, Deus se envergonhará de nós. E, no entanto, há quem passe por estas coisas, simplesmente como se não existissem ou fossem isentas de sentido. E aprendem um cristianismo afetado, misturado com as sentimentalices e esquerdices, e escondem o tesouro que nunca encontraram. Aparecemos, então, como os ultrapassados. Quando se pede uma liturgia mais cuidada, são acusados ou de materialistas velados, ou de adoradores de panos e materiais preciosos, ou de medievais obscuros, sem falar nos olhares, caretas e climas que se criam à sua volta. Mas… bendito sejam quando sofrerem por causa do Cristo. Não transijamos, caríssimos. Os que ainda vêem tudo isso nublado, estudem, leiam, procurem boas pessoas, pessoas de confiança, conversem, rezem, tenham vida sacramental, confessem-se frequentemente, tenham um profundo amor a Nossa Senhora, participem se possível, diariamente do Santo Sacrifício da Missa, ponham a vossa Fé em todo os momentos do vosso dia, no que quer que façam. Abandonem estes falsos conceitos de um amor mole e que busca agradar a todo mundo; ninguém precisa levar este peso nem ficar encenando afeições. Sejamos verdadeiros. Muitos há que habitam os templos católicos mas sequer vislumbram a beleza que é ser Católico Apostólico Romano na sua integridade, sem modernismos, sem ceder ao discurso da hora. Deixemos disto! Cristo nos pede hoje para abandonar os mortos com os seus mortos, para pôr a mão no arado e não olhar para trás. E a coisa é urgente! Não há tempo sequer para se despedir dos pais nem para saudar as pessoas pelo caminho! Em todo este contexto, nós devemos encarar o desafio de manter a fidelidade à Igreja, de estudar a sua doutrina, de não querermos nos unir ao círculo dos zombadores que brincam com a liturgia e pervertem, nas catequeses, as almas das crianças, ensinando-lhes o erro e fazendo-as duvidar das verdades mais sublimes da Fé. E neste meio, se nos decidirmos pelo legítimo catolicismo, teremos de enfrentar as perseguições – por mais sutis ou dissimuladas que sejam – os olhares atravessados, e receberemos, por certo, diversos títulos nada honrosos, calúnias e julgamentos de intenção. Mas aí é que está, também, a aventura amorosa que Nosso Senhor nos concede passar. Os Apóstolos Pedro e João agradeciam a Deus por terem sido dignos de serem açoitados por amor do Seu nome. Aproveitemos, portanto, a ocasião, e ardamos de zelo pelo Senhor. Para tal, repito, estudemos. Há muitas pessoas que andam por aí desanimadas da Fé simplesmente porque foram enganadas e passaram a duvidar da autenticidade da Igreja. Estudemos e retomaremos o vigor! Conheçam esta beleza que é a Igreja. Aprofundemo-nos na sua doutrina, na sua filosofia, nos seus argumentos morais, e perceberão que não há razão para pusilanimidade, para vergonha, para constrangimento. Ao contrário! É preciso alastrar, de novo, o amor à Verdade, à luz, à bondade, à retidão. Chega de teorias desvairadas que tratam os homens como se fossem todos bestas covardes e lamacentas. Não! Amor à grandeza. Combatamos o bom combate e inflamemos os que estão ao nosso redor! Que percebam, pela integridade da suas vidas, as chispas daquele fogo a arder na alma e possam ter um vislumbre daqueles olhos que convidam: “vem, tu também, e segue-me”. O que a Igreja necessita urgentemente – e toda a criação geme em dores de parto por isso – é que os cristãos larguem essa capa de culpa sem fundamento, esse véu mentiroso de inferioridade, e barrem, em nome de Cristo e armados pela Sua Cruz, essa algazarra da iniquidade e essa zombaria com Deus e com as almas Dizia Nosso Senhor: “infeliz daquele para quem eu for pedra de escândalo e ai daquele sobre quem esta pedra cair”. No combate, a Verdade é invencível e todo aquele que contra ela se levanta, haverá de quebrar-se. Não pensemos, caríssimos, que tudo isto é palavreado e conversa de efeito. Cristo é a verdade e Ele, por Si mesmo, é belo e forte, e atrai, e converte. Dizia São Paulo que cuidava para não usar de artifícios humanos, para não desvirtuar a Cruz de Cristo. Basta que sejamos transparentes e límpidos como a água cristalina! Para tal, cuidemos da pureza das nossas almas e de estar alimentados com o pão do céu, “o pão seco dos fortes” como o chamou Santa Edith Stein, o maná que cai sobre o deserto do exílio, o alimento que permite vencer o mundo. Medo, dor, prazeres egoístas e providos de traições, apegos e desejos de honrarias, tudo isto abandona-se, despreza-se e, como diz São Paulo, tem-se a preço de nada diante de Cristo e do Seu conhecimento. Não cabem na porta estreita e impedem a verdadeira alegria, que somente surge na nudez e na gratuidade do amor. Se nos despirmos convenientemente dessas coisas, adquiriremos uma agilidade tal que, antes do primeiro movimento dos inimigos da verdade, já os teremos fulminado. Sigamos, caríssimos! Força! Ninguém combate sozinho. Os católicos vivem, já, na comunhão dos santos. São muitos os que lutam no seu anonimato e na ordinariedade de suas vidas. E nada disso é fantasia. Convençamo-nos de Cristo, entusiasmemo-nos por Ele, defendamos a Sua Igreja, e imitemos a disposição de Santo Atanásio: “Se o mundo for contra a verdade, Atanásio será contra o mundo”. E jamais esqueçamos Aquele que disse: “Coragem, eu venci o mundo”. É por Ele que lutamos. Rezemos muito e sejamos fiéis católicos íntegros, sem capitular em nenhum ponto da Fé. Isso é de absoluta importância. Ninguém pense ser forte sem Cristo. Sem Ele, nada podemos. Não basta encenar. A via é íngreme mesmo… Mas tudo podemos nAquele que nos fortalece. N’Ele, vencemos o mundo. É preciso se entusiasmar de novo por Nosso Senhor. O passado da Igreja é glorioso! Amemos o bem, a verdade, a beleza, a grandeza, a pureza! E o façamos em plena luz do dia! Equipe Padre Rodrigo Maria

  • Plenitude e Propósito

    Plenitude e Propósito A impaciência e a ansiedade do ser humano os fazem desejar que o tempo passe mais rápido. Chegamos ao trabalho desejando que o dia acabe logo. Começamos a segunda-feira esperando ansiosamente pela sexta. Iniciamos o mês, esperando logo pelo seu fim. E, sem perceber, desejamos acelerar o passo rumo ao fim da vida. Pois quanto mais rápido o tempo passa, mais rápido sua vida se vai e menos você a vive. E assim passamos pela vida sem vivê-la, sem contemplá-la, sem apreciá-la, apenas existindo, dia após dia, mês após mês, até que chegue o inevitável e fatídico fim. E esse fim chegará, cedo ou tarde, para todos, sem exceções. Por mais que nos preocupemos, não podemos adicionar um hora sequer a nossa vida. Jesus nos ensinava a olhar para os lírios do campo, que não trabalhavam, entretanto nem mesmo o rei Salomão em toda sua glória se vestira tão belamente quanto eles. Até os pássaros, que não plantam, nem colhem, mas Deus os alimenta. Então, para quê a pressa? As preocupações desse mundo destruíram nossa percepção do belo, das pequenas coisas, dos pequenos momentos, daquilo que realmente importa. Viver é muito mais que simplesmente existir, viver é algo raro e único. A vida já é curta demais para que a encurtemos mais ainda. Que ela seja vivida em sua plenitude e propósito. “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” Mateus 6:34 #ansiedade #reflexão

  • O paradoxo da felicidade

    O paradoxo da felicidade Nunca antes na história, a indústria do entretenimento foi tão grande. Hoje temos maravilhosos parques temáticos, inúmeros filmes sendo produzidos diariamente, grandes peças de teatro, novelas, séries, desenhos, documentários…Tudo que de alguma maneira possa tornar a vida do homem melhor e mais feliz. Mas nunca antes o ser humano foi tão triste, estressado, deprimido, ansioso e esgotado mentalmente. O consumo de antidepressivos e a procura por ajuda psicológica vem a cada dia aumentando, mostrando que o ser humano, por mais que tente esconder, é carente, frágil e necessitado de amor. Mas qual seria o motivo desse paradoxo? Uma sociedade que tem várias opções de “felicidade”,mas, o máximo que consegue são picos esporádicos dela. Creio que no fundo, todos sabem que a felicidade que esse mundo pode proporcionar, nunca será suficiente para satisfazer os desejos da alma. Existe um vazio existencial dentro de cada um que somente algo muito especial pode preencher. Esse “algo muito especial”, na verdade é alguém muito especial, que rompeu paradigmas e  derrubou barreiras emocionais. Seus amigos o amavam, e seus inimigos se admiravam dele. De pescadores a reis, de coletores de impostos a cientistas, de prostitutas a rainhas e princesas, todos encontraram Nele, paz, alívio e preenchimento para seus vazios existenciais. O maior “Eu te amo” que esse mundo já viu, veio do alto de uma cruz, com os braços abertos e rosto ensanguentado, mostrando ao mundo que aquele amor era o único e verdadeiro. O grande Autor da vida, saiu da glória dos céus, para ensinar aos homens que Ele, somente Ele, era a plenitude da satisfação existencial humana, que Nele, a alma encontraria paz duradoura, com a sublime contemplação da verdadeira felicidade. “Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.” João 10:10 #reflexão

  • Estudo das figuras históricas do NT

    Nesse estudo, irei mostrar as várias figuras históricas presentes no Novo Testamento que são atestadas pela arqueologia e aceita pelos historiadores. Demonstrando que o relato bíblico é muito bem validado pelas evidências e corresponde a fatos reais, com pessoas reais em lugares reais, derrubando a ideia de “histórias inventadas”. Múltiplas figuras históricas comprovadas no novo testamento. – Tibério César, imperador de Roma  (citado em Lucas 3:1), imperador de Roma entre 14-37 d.C, segundo historiadores, era sua face na moeda onde Jesus diz “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” (Mc 12:17).[1] Sua historicidade é inquestionável, é citado por vários historiadores romanos. – Pôncios Pilatos, governador da Judeia  (citado em Lucas 3:1 e outros), governador da Judéia indicado por Tibério em 26 d.C. É citado pelo historiador judeu do séc I Flávio Josefo e e grego Filón de Alexandria. Em 1961, na cidade de Cesareia marítima, onde viveu Pilatos, foi encontrada uma inscrição com seu nome, que dizia: “Tibério, Pilatos, governador da Judeia.”[2] – Herodes Antipas, tetrarca da Galileia (citado em Lucas 3:1 e outros), era tetrarca da Galileia ne época de Jesus, é citado por Flávio Josefo em suas obras, com a mesma crueldade com que a Bíblia o retrata. Em 2005 um piso de mármore foi encontrado durante escavações arqueológicas naquela região, onde de acordo com os especialistas, era um pavimento pertencente ao palácio de Herodes.[3] – Lisânias, tetrarca de Abilene (citado em Lucas 3:1), até pouco tempo atrás, acadêmicos colocaram em cheque a credibilidade de Lucas, porque Lisânias era governador de Cálcis e morreu 36 a.C. Mas descobertas recentes provaram mais uma vez que Lucas estava certo, uma inscrição encontrada próximo a Damasco, do tempo de Tibério César, continha o nome de Lisânias como tetrarca, exatamente como Lucas tinha descrito.[4] – Caifás, o Sumo Sacerdote. (citado em Lucas 3:2 e outros), Caifás tornou-se sumo sacerdote por volta do ano 18 d.C, nomeado por Valério Grato, e que foi deposto por Vitélio em torno do ano 36 d.C, conforme registro do historiador judeu do séc I, Flávio Josefo.[5] Descobertas arqueológicas recentes, localizaram ao sul de Jerusalém, um túmulo com os ossos de Caifás e sua família, que continha inscrições com os nomes de Caifás e outros integrantes da família.[6] – João Batista, profeta (citado Lucas 3:7 e outros), João Batista é citado pelo historiador Flávio Josefo como sendo homem justo, e que batizava além do Jordão e que foi morto a mando de Herodes, exatamente como a Bíblia o descreve.[7] Em 2010, o arqueologista Kazimir Popkonstantinov, em entrevista a CNN, afirmou tem encontrado o ossuário de João Batista, com inscrições em grego antigo que mencionavam seu nome. Segundo Dr Georges Kazan [do Instituto de Arqueologia de Oxford], essas relíquias foram preservadas por monges do séc IV e levadas a Constantinopla.[8][9] Dr Lachezar Savov, utilizando de scaners modernos, estudou o ossuário e afirma que os ossos pertenciam a um homem entre 30-40 anos e com práticas alimentares vegetarianas. Acadêmicos concordam que as evidências acumulativas mostram que o ossuário é de grande probabilidade de pertencer a João Batista. – Simão de Cirene (citado em Lucas 23:26 e outros), Simão foi o homem forçado pelos romanos a carregar a cruz com Jesus. Simão tinha dois filhos, chamado Alexandre e Rufo ( Marcos 15:21; Rom 16:13). Em 1941, arqueologista israelense Eleazar Sukenik, descobriu um túmulo a oeste de Jerusalém, com cerâmicas do séc I, contendo vários nomes.Alguns particularmente comuns em Cirene. Em uma delas continha a inscrição: “Alexandre, filho de Simão”.[10] – A família Barsabás (citado em Atos 1:23), José, chamado Barsabás, era um dos seguidores de Jesus, ele concorreu com Matias a vaga deixada por Judas Iscariotes, mas Matias acabou sendo escolhido. Também a referência a Judas Barsabás em Atos 15:22, um outro membro da família. Achados arqueológicos modernos feitos por peritos israelenses em 2010, encontraram no Vale de Kidron, ossuários do séc I com inscrições com nomes dos familiares e com símbolos de cruz. Professor Mazar diz: ” Essas descobertas são fascinantes, há evidências que o túmulo foi hermeticamente menos de uma década após a crucificação de Jesus, quando o Novo Testamento ainda nem tinha sido escrito, provando que a Bíblia é muito consistente com as evidências arqueológicas.”[11] – Túmulo de Filipe, o apóstolo. (citado em João 1:42 e outros), Em 2011 a Biblical Archaeological Society Press, anunciou ter encontrado o túmulo de Filipe, o apóstolo de Jesus, na cidade grega antiga de Hierápolis (atual Turquia).[12] – Ossuário de “Tiago, filho de José, irmão de Jesus”. (citado em Mt 13:55 e outros), Tiago, irmão de Jesus foi martirizado em 62 d.C, e seu ossuário encontrado em 2002, carrega a inscrição: “Tiago, filho de José, irmão de Jesus”. O historiador Paul L. Maier declara que:”Há muitas evidências fortes, no entanto não absolutas, que o ossuário e a inscrição são autênticos.”[13] De acordo com Hershel Shanks, editor chefe da Biblical Archaeological Review, diz:”Esse ossuário, é muito mais provável ser de fato de Tiago, irmão de Jesus, do que não ser.” – Erasto, administrador de Corinto. (citado em Romanos 16.23), Erasto é mencionado em três ocasiões, na Bíblia, Atos 16.21,Timóteo 4.20 e Romanos 16:23. Em 1929, entre as ruínas escavadas da Corinto antiga foi descoberta uma inscrição em um bloco de mármore usado para calçamento de uma praça, contendo uma inscrição em latim que declara ser ele [Erasto] o encarregado de obra pública. Está escrito “ERASTVS. PRO. AED. SP STRAVIT”, uma abreviatura de “Erasto PRO AEDILITATE SUA pecunia STRAVIT”. Traduzido: “Erasto, comissário de obras públicas, custeou as despesas dessa pavimentação”. Erasto teria doado fundos para projetos como a construção de prédios e ruas públicas. O termo grego usado por Paulo para administrador (oikonomos), é o termo apropriado para descrever o “aedile”, ou magistrado supervisor de obras públicas, fato feito corretamente por Paulo.[14] – Félix, governador da Judeia (citado em Atos 24:27), Sabemos que Paulo foi levado a Félix para ter sua causa julgada perante os judeus, o governador, após ouvir o depoimento do apóstolo, protelou a sua decisão prolongando o período de custódia, o que durou por dois anos até ser sucedido por Festo. Félix é citado pelo historiador judeu Flávio Josefo e pelos historiadores romanos Tácito e Suetônio, como sendo um homem corrupto e cruel, e tendo sido designado por César para ser governador daquela região.[15] – Pórcio Festo, governador da Judéia (citado em Atos 24:27), é mencionado na Bíblia durante o julgamento de Paulo, após ter substituido Felix por volta do ano 60 d.C. De acordo com o historiador judeu Flávio Josefo, Festo foi designado por Nero para comandar a judeia.[16] Festo apresentou o caso de Paulo ao rei Agripa II, mas Paulo como cidadão romano apelou para ser julgado em Roma. – Rei Agripa II e Berenice (citado em Atos 25:13), O rei Agripa II e sua irmã Berenice foram a Cesareia para ouvir e julgar o caso de Paulo. Filho de Agripa I, o mesmo em que Atos 12 descreve sua morte, Agripa II foi o último da família dos Herodianos a reinar em Jerusalém. Seu nome é bem atestato pela história. Tendo Agripa II inclusive trocado cartas com o historiador Flávio Josefo.[17] Inscrições em mármore encontrada em Beirute mencionam, “rainha Berenice, rei Agripa II e o rei Hedores”.[18]E moedas com seu nome e face também são conhecidas da arqueologia.[19] Conclusão: A arqueologia adiciona muitas evidências para a confiabilidade histórica do Novo Testamento, verificando empiricamente práticas culturais, costumes, crenças, lugares e pessoas. Temos inúmeras razões para confiar na narrativa bíblia, para quem acredita, é a Palavra de Deus, e mesmo para quem não acredita, tem que reconhecer sua autenticidade e confiabilidade. Não há nenhum livro pertencente a nenhuma religião do mundo com tamanho suporte de tantas evidências verificáveis, diante de tantas provas inegáveis, a Bíblia merece no mínimo o benefício da dúvida antes de ser criticada. “Porque não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando vos fizemos conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, pois fomos testemunhas oculares da sua majestade.” 2 Pedro 1:16 [CURTA E COMPARTILHE] [O CAMINHO] [1]Craig Blomberg, op. cit. [2]Roberts, op. cit., p.152. [3]Haaretz Daily Newspaper, Eli Ashkenazi, ‘Tiberias dig unearths very rare marble floor’ [4]BRUCE, F. F. “Archaeological Confirmation of the New Testament” [5]Antiquitates judaicae, 18.2.2 e 18.4.3 [6] Craig A. Evans, Jesus and His World: The Archaeological Evidence (London: SPCK, 2012) [7] Antiguidades judaicas 7.p,489. [8]Kazimir Popkonstantinov quoted by Simon Hooper, ‘Are these the bones of John the Baptist?’ (CNN). [9]Oxford University, ‘Dating evidence: Relics could be of John the Baptist [10]Tom Powers, in the July / August 2003 issue of Biblical Archaeology Review, [11]Jerusalem Christian Review (December 2000 online edition) [12] Cfwww.free-press-release.com/news-tomb-of-st-philip-one-of-the-twelve-apostles-discovered-in-turkey-1311961620.html. [13] Paul L. Maier, ‘The James Ossuary [14]John McRay, ‘Archaeological Evidence for the New Testament’ in John Ashton & Michael Westacott [15] Guerra Judaica, VI. 5. 3 / Tacitus Annals – Book 12/ Seutonius – Lives of the Twelve Caesars – Claudius 28 [16] Josephus – Antiquities of the Jews – Book 20 Chapter 8:9 [17] Josephus – Antiquities of the Jews Book 20.7 [18]Banias, The Story of Caesarea, Author John F Wilson. Note 70: Translation of the Beirut Inscription [19] < kcl.ac.uk/artshums/depts/trs/eventrecords/2016/Annual-AIASTRS-Bible-and-Archaeology-Lecture.aspx > < forumancientcoins.com/catalog/roman-and-greek-coins.asp?vpar=1172> Heines #ArqueologiaBíblia

  • 5 Fatos históricos sobre a ressurreição de Cristo

    Vamos falar sobre 5 Fatos históricos sobre a ressurreição de Cristo. Após análise das evidências poderemos concluir com muita confiança que a ressurreição de Jesus está muito bem fundamentada. Fato #1 Jesus foi morto por crucificação Mesmo teólogos liberais como Dominic Crossan afirmam: “ Que ele foi crucificado é tão certo quanto qualquer coisa histórica pode ser.”1 O cético James Tabor diz:” Acho que não podemos ter dúvidas dada a crucificação de Jesus pelos romanos, que ele [Jesus], estava verdadeiramente morto.”2 Ambos Gerd Ludermann, crítico ateu do Novo Testamento, e Ehrman, agnóstico, dizem que a crucificação é um fato indisputável. E por quê? Está escrito em todos os 4 evangelhos. E além dos quatro evangelhos, temos um número de fontes não-cristãs que corroboram a crucificação. Por exemplo, o historiador Tácito, diz que Jesus sofreu pena extrema durante o reinado de Tibério.”3 O historiador judeu Josefo, reporta que Pilatos “o condenou para ser crucificado.”4 Luciano de Samosata, que era um satirista grego menciona a crucificação, e Mara Bar-Serapião, escritor pagão, confirma que Jesus foi crucificado. Pelas evidências, temos completa segurança em crer na morte por crucificação de Jesus, inclusive contrariando a visão islâmica, que afirma o contrário. 1 John Dominic Crossan, Jesus: A Revolutionary Biography (San Francisco: HarperCollins, 1991), 145. 2  James D. Tabor, The Jesus Dynasty (New York: Simon & Schuster, 2006), 230 (emphasis in original). 3 Tacitus, Annals 15.44. 4 Josephus, Antiquities 18.64. Fato #2 Os discípulos de Jesus realmente acreditaram que ele ressusciou dos mortos Os discípulos de Jesus realmente acreditaram que ele ressuscitou dos mortos Os discípulos de fato acreditaram que Jesus ressuscitou e apareceu a eles. Existem três pontos de evidência para isso: O testemunho de Paulo sobre os apóstolos, tradições orais passadas pela igreja primitiva e as obras escritas pelos pais da igreja. Paulo é importante porque ele diz conhecer os apóstolos pessoalmente, incluindo Pedro, Tiago e João. Paulo conhecia os apóstolos e a afirmação que eles faziam, de que Jesus havia ressuscitado dos mortos. Então temos a tradição oral. Naquela época obviamente não havia gravadores, e poucos sabiam ler, então a fonte de transmissão mais confiável de informação era verbal. Estudiosos identificaram vários lugares em que a tradição oral foi copiada para o Novo Testamento em forma de hinos, credos e sermões, isso é extremamente significante, porque a tradição oral á existia antes dos escritos do Novo Testamento, então possibilitou os autores a incluírem nos escritos. Por exemplo, temos credos que remontam as doutrinas básicas do cristianismo e são facilmente memorizadas. Um dos mais antigos e mais importantes credos, está na carta aos Coríntios, escritos por volta de 55 d.C, que diz: ” Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo.” Muitos estudiosos acreditam que Paulo recebeu esse credo de Pedro e Tiago, enquanto esteve com eles em Jeruslém três anos após sua conversão, o que seria cinco anos após a cruificação de Cristo. Finalmente, nos temos as fontes escritas como Mateus, Marcos,Lucas e João. É amplamente aceito, mesmo entre estudiosos céticos que os evangelhos foram escritos no primeiro século. Mesmo alguns estudiosos liberais concordam que os evangelhos foram escritos até 70 anos após a morte de Jesus e todos reportam a ressurreição. Nós temos os escritos da geração pós-apostólica, pessoas que conheceram os apóstolos, ou eram próximas de quem conhecia. Há fortes possibilidades que seus escritos refletem a doutrina dos apóstolos. Eles claramente afirmam que os apóstolos foram dramaticamente impactados pela ressurreição de Jesus. Consideremos Policarpo por exemplo. Os escritos de Irineu relatam que Policarpo “ era instruído e versado com muitos que haviam visto a Cristo, incluindo João, e ele sempre ensinava o que tinha aprendido com os apóstolos.”1 Tertuliano confirma que João indicou Policarpo como bispo da igreja em Esmirna. Por volta de 110 d.C, Policarpo escreveu um carta aos Filipenses na qual ele menciona a ressurreição de Jesus não menos de cinco vezes. Ele estava se referindo a Paulo e outros apóstolos quando disse:”Eles não amaram a presente era, mas ele que morreu em nosso benefício e pelo nosso bem, foi ressuscitado por Deus.”2, Então, temos bastante evidências até agora, a conversão de Paulo, a tradição oral e os escritos antigos. Em todas, temos nove fontes múltiplas que refletem fontes muito antigas e testemunhos oculares dos apóstolos. A ressurreição era algo que eles acreditavam do fundo da alma. Lendo o livros de Atos, podemos ver os discípulos dispostos a morrer e sofrer para pregar a ressurreição, eles tinham convicção do fato. Os pais da igreja, Clemente, Policarpo, Inácio, Tertuliano e Orígenes, todos confirmam isso. De fato, temos pelo menos sete fontes antigas que testificam isso, e se incluirmos os martírios de Paulo e Tiago, irmão de Jesus, temos onze fontes que afirmam que todos eles estavam dispostos a morrer simplesmente para dizer que Jesus havia ressuscitado. Isso é diferente dos terroristas islâmicos por exemplo, eles [terroristas ], tem fé de que sua crença esteja certa, mas eles não tem como saber de certeza. Os discípulos no entanto, sabiam do que estavam falando, eles estavam lá, viveram naquela época, viram o que aconteceu, e por isso tinham tanta certeza do que viram, que preferiram morrer, do que negar o fato. Mesmo o ateu Gerd Ludermann conclui:” Pode ser tomado como historicamente certo que Pedro e os outros discípulos tiveram experiências depois da morte de Jesus, em que o Cristo apareceu a eles ressuscitado.”3 1 Irenaeus, Against Heresies, 3.3.4. 2 Polycarp’s letter to the Philippians 9:2. Translation by Gary Habermas and Michael Licona. 3 Gerd Lüdemann, What Really Happened to Jesus? trans. John Bowden (Louisville: Westminster John Knox, 1995), 80. Fato 3 # A conversão do perseguidor da igreja primitiva: Paulo Nós sabemos de múltiplas fontes que Paulo – antes conhecido como Saulo de Tarso – era um inimigo da igreja e perseguia os fiéis. Mas o próprio Paulo diz que ele se converteu de perseguidor a um seguidor de Jesus porque ele encontrou com o próprio Cristo ressuscitado. Então temos a ressurreição de Cristo atestada por seus amigos (como mostrado ontem) e inimigos, fato que é bem significante e um critério importante segundo historiadores na determinação da veracidade de fatos históricos. Além do mais, temos seis fonte antigas em adição a Paulo, como Lucas, Clemente de Roma, Policarpo, Tertuliano, Dionísio de Corinto e Orígenes, que reportam que Paulo estava disposto a sofrer e mesmo morrer pela sua crença. E como os historiadores sabem, mentirosos não servem para mártires. Então sabemos que Paulo não apenas disse que Jesus apareceu a ele, mas ele de fato acreditava com toda sua alma nesse fato. Paulo seria a pessoa mais improvável para a conversão, ele era totalmente oposto ao movimento cristão, ele era um judeu ortodoxo, estudioso e muito fiel as suas próprias convicções judaicas, sua transformação de perseguidor a missionário cristão exige uma explicação racional, e a melhor explicação é a do que o próprio Paulo diz, que Jesus apareceu a ele na estrada de Damasco. Paulo não tinha nada a ganhar ao inventar isso, muito pelo contrário. Foi rejeitado pelos seus amigos e família, perdeu sua reputação como mestre da lei, sofreu inúmeras tentativas de morte, agressão, prisões, naufrágios, apedrejamentos…Tudo isso pelo simples fato de dizer que tinha visto o Cristo ressuscitado e que agora ensinava sua doutrina. Até finalmente ser levado a Roma e ser decapitado durantes as perseguições de Nero. Quem morreria dessa forma por alguma mentira que ele mesmo tivesse inventado? Em troca de que? Fama? Poder? Mulheres? Dinheiro? Paulo morreu sem nada disso. Sua conversão só pode ser explicada a luz da ressurreição de Jesus, somente um fato dessa magnitude poderia transformar uma vida, e como os fatos mostram, foi exatamente isso que aconteceu. Fato 4 # A conversão do cético Tiago, meio-irmão de Jesus. Temos muitas evidências que Tiago não foi um seguidor de Jesus durante seu ministério. Marcos e João relatam que nenhum dos ‘irmãos’ de Jesus acreditavam nele. De fato, a passagem em João é interessante, pois sugere que os irmãos de Jesus tinham ouvido falar sobre os supostos milagres, mas não acreditaram, e estavam até mesmo duvidando que seu irmão poderia realizar tais atos. É tão notório que a família de Jesus não cria nele, que no evangelho de Marcos é relatado que seus parentes diziam que Jesus estava “fora de si”. Um exemplo mais claro, é que durante a crucificação de Jesus, ele encarrega os cuidados da sua mãe ao seu discípulo e amigo mais próximo, João, e não aos seus irmãos e parentes, como seria de se esperar. No entanto, algo crucial acontece, em 1 Corintios 5:7, diz que Jesus ressurrecto apareceu a Tiago. Outra vez, esse é um relato muito antigo, que tem todos os traços de confiabilidade histórica segundo os estudos sobre a epístola aos Coríntios. E como resultado desse encontro, Tiago não apenas passa ser um cristão, mas o líder da igreja de Jerusalém. Os relatos dos livros de Atos e Gálatas nos confirmam isso, e na verdade Tiago estava tão convencido que Jesus era o Messias, que ele morreu como um mártir, como as fontes cristãs e não-cristãs afirmam. 1 Como sabemos, mentirosos não são bons mártires, se Tiago estivesse mentindo sobre a ressurreição, porque morreria por ela? Então temos mais um caso de um cético que se converteu após um encontro pessoal com o Cristo ressurrecto, e estava disposto a morrer por suas convicções. De fato, o crítico e professor Reginald Fuller, diz que mesmo que não tivéssemos os relatos de 1 Coríntios 15 onde nos é relatada uma lista de testemunhas oculares das aparições de Jesus, nós teríamos que inventar, pois a ressurreição de Cristo é o único fato que explica a conversão de Tiago e sua subida ao pastorado da igreja de Jerusalém, que foi o centro do cristianismo primitivo.”2 Portanto, assim como a conversão de Paulo, a conversão de Tiago exige uma explicação lógica, e de acordo com o próprio Tiago e diversas outras evidências, a ressurreição de Jesus é a melhor explicação com certeza. * Sei que há divergências entre católicos e protestantes quanto a questão dos irmãos de Jesus, por isso usei entre aspas, já que não é esse o foco do estudo. 1 See Josephus (Antiquities 20:200); Hegesippus (quoted by Eusebius in EH 2:23); Clement of Alexandria (quoted by Eusebius in EH 2:1, 23). 2 Reginald Fuller, The Formation of the Resurrection Narratives (New York: Macmillan, 1971), 37. Fato 5 # O túmulo de Jesus estava vazio Basicamente, existem três partes de evidências para afirmar isso: O fator Jerusalém, a atestação do inimigo e o testemunho das mulheres. O fator Jerusalém se refere que Jesus foi publicamente executado e enterrado em Jerusalém , e sua ressurreição começou a ser proclamada nessa mesma cidade. De fato, muitas semanas após a crucificação, Pedro declara a uma multidão em Jerusalém, que “Deus ressuscitou Jesus, e todos nós fomos testemunhas desse fato.”1 Francamente, teria sido impossível para o cristianismo crescer nas terras de Jerusalém se o corpo de Jesus ainda estivesse no túmulo. As autoridades romanas e judias, teriam simplesmente ido ao túmulo e visto o corpo e todo esse fervor teria acabado na hora. Mas historicamente não há indícios de que isso tenha acontecido. Ao invés disso, nós temos a atestação do inimigo de que o túmulo estava de fato vazio. Em outras palavras, o que seus inimigos estavam dizendo? Que os discípulos roubaram o corpo. Isso não é somente reportado no evangelho de Mateus, mas os escritores Tertuliano e Justino Mártir também relatam a mesma coisa em seu tempo. Aqui está a questão: Porque eles diriam que alguém roubou o corpo se o corpo ainda estivesse lá? Isso é uma confissão explícita de que o túmulo estava vazio. Além do mais, a ideia de que os discípulos roubaram o corpo é uma explicação pobre. É sério que temos que acreditar que eles enfrentaram a guarda romana, removeram uma pedra pesada, roubaram o corpo e esconderam e estavam dispostos a sofrer e morrer voluntariamente por algo que eles sabiam que era mentira? Isso é um absurdo! É uma explicação que não se baseia nas evidências e os estudiosos de hoje a rejeitam por completo. Para reforçar o caso, temos os testemunho das mulheres de que o túmulo estava vazio. Não somente as mulheres foram as primeiras a descobrir o túmulo vazio, mas elas são mencionadas nos quatro evangelhos, e as testemunhas masculinas só aparecem depois e somente dois deles. E porque isso é importante? Porque no mundo Romano e Judaico do primeiro século, as mulheres não eram estimadas na sociedade, e seus testemunhos não eram muito aceitos.Eles eram considerados menos credíveis do que os dos homens. Por exemplo, o Talmud judaico diz:” Antes, deixe que as palavras da Lei seja queimada do que entregue por mulheres.”2 “E qualquer evidência que uma mulher der não é válida a oferecer.”3 O historiador judeu Flavio Josefo ainda diz: “Não deixe o testemunho de mulheres ser aceito.”4 O ponto é, se os apóstolos fossem inventar um história para enganar os outros, eles nunca colocariam mulheres para relatar o fato mais importante da história. Portanto, esse simples fato mostra como os escritores dos evangelhos estavam preocupados em relatar a verdade dos fatos, e não inventar uma história para convencer alguém. A melhor hipótese do porquê os apóstolos incluiriam testemunhos embaraçosos desse tipo, é porque realmente eles são verdadeiros. Então o que os fatos mostram? Tanto amigos e inimigos afirmaram que o túmulo estava vazio. Os inimigos dizem que o corpo foi roubado, o que não há evidência e não faz o menor sentido lógico diante dos fatos. Os amigos relataram que viram Jesus ressuscitado. Há diversos relatos históricos confiáveis, evidências muito fortes, testemunhas que deram a vida por isso, e a própria história da igreja cristã que começou devido a isso, no mesmo local, apesar de todas as adversidades. 1 Atos. 2:32. 2 Talmud, Sotah 19a. 3Talmud, Rosh Hashannah 1.8 4 Josephus, Antiquities 4.8.15. . Traduzido e adaptado do livro The Case for Real Jesus – Lee Strobel, em entrevista com o Dr Mike Licona. Tradução: Ramon Serrano # Conclusão Nós olhamos todas as fontes relevantes e aplicamos um método histórico responsável. Olhamos as evidências e análises histórica dos fatos e buscamos a melhor explicação de acordo com que as evidências apontam. A conclusão mais racional para mim é: Jesus ressuscitou dos mortos. Não somente eu, mas alguns estudiosos e especialistas no assunto também chegaram a mesma conclusão, como vemos: Thomas Arnold, ex-professor de História em Rugby e Oxford, e um dos maiores historiadores do mundo, fez a seguinte declaração sobre a evidência histórica para a ressurreição de Jesus Cristo: “Não sei de nenhum um fato na história da humanidade que é mais bem provado, ou tenha evidências mais plenas de qualquer espécie, para a compreensão de um inquiridor justo, do que o grande sinal que Deus nos tem dado que Cristo morreu e ressuscitou dentre os mortos”. 1 T. Wright, um eminente estudioso britânico, conclui, “Esta é a razão porque, como um historiador, eu não consigo explicar o surgimento do cristianismo primitivo a não ser por Jesus ressuscitando, deixando uma tumba vazia para trás.2 Luke Johnson, um estudioso do Novo Testamento na Emory University, comenta, “Alguma espécie de experiência poderosa e transformativa é necessária para gerar o tipo de movimento como o do cristianismo primitivo”3 O Dr. Paul L. Maier, conclui que: “o túmulo em que Jesus foi colocado, estava vazio na manhã da primeira Páscoa. E não foi descoberto nenhum vestígio de evidência… que refute essa declaração.Por várias razões, o Cristianismo deveria ter morrido na cruz quando os discípulos voltaram às suas vidas. Porém os apóstolos foram capazes de estabelecer um movimento Cristão crescente.” J.N. D. Anderson escreveu: “Pense no absurdo psicológico de imaginar um pequeno bando de covardes derrotados, num sótão, em um dia e, poucos dias depois, transformados numa companhia que nenhuma perseguição podia silenciar—e depois tente atribuir essa mudança dramática a uma mera farsa elaborada nada convincente. … Isso não faz nenhum sentido.”4 1 Thomas Arnold, Sermons on Christian Life (London, 1854), p. 324. 2 N. T. Wright, “The New Unimproved Jesus”, Christianity Today (September 13, 1993), p. 26. 3Luke Timothy Johnson, The Real Jesus (San Francisco: Harper San Francismo, 1996), p. 136. 4 J. N. D. Anderson, “The Resurrection of Jesus Christ,” Christianity Today, 12. April, 1968. Bem, após tudo isso, não podemos fechar os olhos, as evidências apontam firmemente para o mesmo fato, Cristo ressuscitou, e nossa fé é muito bem colocada. Muitas pessoas tem medo de aceitar esse fato, pois isso é algo que mudaria suas vidas para sempre, por isso vivem em negação inventado teorias mirabolantes. Mas a conclusão mais lógica baseada em evidências históricas, é que de fato Jesus ressuscitou. Então, assim como Paulo, Tiago e outros que foram transformados após a ressurreição, seja a sua vida também mudada após ter a certeza que Cristo ainda vive. #ressurreição #teologia

  • O Canon do Novo Testamento

    O Canon do Novo Testamento Infelizmente, por não quererem dar ouvidos a verdade, ou talvez até mesmo por preguiça e como uma forma de querer deturpar a história cristã sem provas, muitos céticos dizem que o Canon do Novo Testamento foi escolhido pelo imperador Constantino no concílio de Niceia (325 d.C), devido aos vários problemas que vinham sendo causados no império. Isso não passa de uma grande mentira que não pode ser provada. Para início de conversa, o concílio de Niceia se reuniu para tratar do arianismo, uma heresia que estava ameaçando a estabilidade da igreja na época. Vamos aos fatos históricos: Um herege Marcião (cerca de 140 A.D.), desenvolveu seu próprio cânon e começou a divulgá-lo. Ele estudou as escrituras e rejeitou os evangelhos e todo o Antigo Testamento, admitindo em seu Canon somente o evangelho de Lucas (ele eliminou toda a referência ao Antigo Testamento), e as cartas de Paulo, que ele também editou as referências ao AT. Muitas igrejas orientais estavam empregando nos cultos livros que eram claramente espúrios. Isso requeria uma decisão concernente ao cânon. A igreja precisava contrabalançar essa influência decidindo qual era o verdadeiro cânon das Escrituras do Novo Testamento. Isso mostra claramente que os documentos do NT já circulavam e as pessoas já tinham conhecimento disso já no século I e II, tanto que Marcião teve acesso a eles. O estabelecimento do Canon do NT foi apenas uma afirmação oficial da posição da igreja. Os fatos já nos dizem que, os documentos que viriam a fazer parte do que conhecemos como Novo Testamento, já circulavam pelas igrejas primitivas. – Existem diversos fragmentos dos manuscritos evangelhos e das cartas de Paulo que são datados do século I e II. – A epístola de Clemente de Roma aos Coríntios (95 d.C.) cita os Evangelhos, Atos, Romanos, 1 Coríntios, Efésios, Tito, Hebreus e 1 Pedro; as cartas de Inácio (115 d.C.) citam Mateus, João, Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, 1 e 2 Timóteo e Tito. – As epístolas de Clemente, Inácio e Policarpo, datadas de 95 a 110 (ou 115) d.C., citam 25 dos 27 livros do Novo Testamento. Somente Judas e 2 João não foram citados, mas já haviam sido escritas, pois Judas era familiar de Jesus e 3 João foi escrita depois de 2 João. – Em meados do século 2, Justino o Mártir (cujas obras abrangem o período de c. 145-163) menciona as “Memórias dos Apóstolos”, que os cristãos chamam “evangelhos”, e que eram considerados em pé de igualdade com o Antigo Testamento. – Tertuliano (160-220 A.D.) foi presbítero da igreja em Cartago, tendo citado mais de 7.000 vezes o Novo Testamento, das quais 3.800 são citações dos Evangelhos. – Hipólito (170-235 A.D.) faz mais de 1.300 referências ao Novo Testamento. – Orígenes (185 – 254 A.D.). Esse dinâmico escritor fez uma compilação a partir de mais de 6.000 obras. Ele apresenta mais de 18.000 citações do Novo Testamento. – Cipriano (falecido em 258 A.D.) foi bispo de Cartago. Ele usa aproximadamente 740 citações do Antigo Testamento e 1.030 do Novo Testamento. – Paulo considerou os escritos de Lucas tão cheios de autoridade quanto o Velho Testamento (I Timóteo 5:18; veja também Deuteronômio 25:4 e Lucas 10:7). Pedro reconheceu os escritos de Paulo como parte das Escrituras (II Pedro 3:15-16). Alguns dos livros do Novo Testamento circulavam entre as igrejas (Colossenses 4:16; I Tessalonicenses 5:27). – E finalmente, o Canon Muratoriano, que é o documento mais antigo que existe sobre o cânon bíblico do Novo Testamento, escrito por volta do ano 150 A.D. Os livros canônicos mencionados na lista são aproximadamente os mesmos que se consideram hoje como canônicos neo-testamentários, com algumas variações. O Cânone de Muratori aceita os quatro evangelhos, dos quais dois são o Evangelho de Lucas e o Evangelho de João, não se conhecendo os outros dois, pois falta o princípio do manuscrito, onde estariam os nomes dos dois primeiros. A lista segue com os Atos dos Apóstolos e com 13 epístolas de Paulo (não menciona a Epístola aos Hebreus). Segundo F. F. Bruce, “os livros do Novo Testamento não se tornaram escritos revestidos de autoridade para a Igreja porque foram formalmente incluídos em uma lista canônica; pelo contrário, a Igreja incluiu-os no cânon porque já os considerava divinamente inspirados, reconhecendo neles o valor inato e, em geral, a autoridade apostólica, direta ou indireta.” A verdade é que não foi nem no Concílio Niceno que os 27 livros do cânon Novo Testamento foram oficializados, mas no Concílio de Cartago, em 397 d.C., sem a tutela de Constantino. Só que isso não significa que já não havia uma discussão anterior sobre o assunto. A diferença é que nos primeiros concílios a Igreja não estava mais sendo perseguida, podendo reunir-se com tempo e em grupos numerosos de discussão, além disso, nesses concílios o que se fez foi apenas oficializar o conjunto dos livros neotestamentários, não significando que esses livros não tenham sido reconhecidos como canônicos separadamente antes desses grandes encontros. A maioria da confusão sobre o concílio de Niceia e Constantino foi causada pelos livros do Dan Brown e um “documentário” chamado Zeitgest. Ninguém coerente leva isso a sério, até mesmo muitos ateus rejeitam essas teorias por não possuirem nenhum respaldo histórico, mas infelizmente muitos ainda acreditam em qualquer coisa que veem por aí. Sempre busque as melhor fontes! Fontes: Evidência que Exige um Veredito Vol 1 – Josh McDowell Merece Confiança o Novo Testamento? F. F. Bruce Um História do Pensamento Cristão – Justo Gonzalez #Canon #NovoTestamento

  • Memento Mori – O tempo de nossas vidas

    Uma expressão que li tempos atrás e me levou a reflexão é Memento Mori, que é uma expressão latina utilizada pelos monges na idade média que significa algo como “Lembre-se de que você é mortal”, ao qual era respondida com “Carpe Diem”, que significava “aproveite a vida”, para recordar que a efemeridade da vida não deve ser preenchida com vaidades e que na vida tudo passa, inclusive a própria vida. Ninguém tem o poder de voltar o tempo que passou, de servos a reis, todos estão debaixo do mesmo jugo incansável do tempo. Uma vez iniciado, ele não se interrompe, não avisa sua velocidade, transcorre silenciosamente e nunca desvia o seu curso. O tempo é um dos bem mais preciosos que temos, mas nem sempre o damos o devido valor. As vezes trocamos nosso tempo por futilidades, ou o perdemos com sentimentos inúteis, tomamos o maior cuidado com coisas triviais, mas o quão mais cuidadosos não deveriamos ser com aquilo que não se pode saber quando acabará, e que quando se for, simplesmente significará o fim. E esse fim, é a única coisa que temos por certo em nossas vidas. E o homem ainda se diz sábio, vive como se não fosse morrer, e morre como nunca tendo de fato vivido. Dizem que o tempo é cruel, que ele não perdoa, e de fato, ele parece ser inimigo dos que não lhe dão a devida importância e valor. Não precisamos chegar ao fim da vida para perceber que ela é curta e o tempo passa rápido demais, para lembrar que nem todo o dinheiro do mundo fará o tempo voltar para trás, que todo o arrependimento de hoje poderia ter sido evitado, que bons momentos foram jogados fora, que nossa ansiedade tirou nosso sono a toa, e que gastamos boa parte da vida perseguindo coisasque no fim não representarão absolutamente nada. Deus criou o tempo para nos lembrar que somos apenas um sopro de vida, que temos de valorizar e ser grato a cada momento dado, para entendermos que apesar de achar que temos algum controle sobre ele, somente seu Criador sabe todos os seus segredos, e a nós, nos cabe usa-lo sabiamente, segundo sua vontade. E esse tempo apesar de ser curto, pode ecoar por toda eternidade, que ele seja então vivido plenamente, cheio de fé, esperança e amor. Ramon Serrano #reflexão

  • Estudos confirmam: cristianismo continua sendo a religião mais perseguida do planeta

    Em 2016, pelo menos 90.000 cristãos foram assassinados simplesmente por causa da sua fé Em 2016, aproximadamente 90.000 cristãos foram mortos em todo o planeta simplesmente por causa da sua fé, o que mantém o cristianismo como a religião mais perseguida do mundo. Este número, que equivale a 1 cristão assassinado a cada 6 minutos, ficou ligeiramente abaixo dos 105.000 que foram mortos em 2015 apenas por serem cristãos. Quase um terço das mortes em 2016 foram perpetradas por fanáticos extremistas como os do autodenominado Estado Islâmico, mas também houve assassinatos decorrentes de perseguição estatal. Massimo Introvigne, diretor do CESNUR (Centro Studi sulle Nuove Religioni, ou Centro de Estudos sobre as Novas Religiões, em italiano), declarou à Rádio Vaticano que aproximadamente 70% dos cristãos martirizados em 2016 moravam em áreas tribais da África: parte dessas mortes se deveu ao fato de os cristãos muitas vezes se negarem a pegar em armas durante os muitos conflitos locais. O Center for the Study of Global Christianity (Centro de Estudos sobre a Cristandade no Mundo) também monitora e estuda os dados sobre o martírio cristão histórico e contemporâneo. A entidade estima que entre 2005 e 2015 houve 900.000 mártires cristãos em todo o planeta, média de 90.000 por ano. Segundo este centro, devem ser levados em conta argumentos históricos, sociológicos e teológicos na quantificação do martírio cristão ao longo do tempo. Sua definição de mártir cristão é esta: “Crentes em Cristo que perderam a vida prematuramente, em situações de testemunho, em decorrência direta de hostilidade humana“. O número de cristãos martirizados em 2016, na realidade, é provavelmente superior a 90.000, já que os estudos não conseguiram incluir os dados da China e da Índia, justamente os dois países mais populosos do planeta e nos quais, por causa da perseguição, há grandes comunidades cristãs clandestinas. Nesse contexto, o número de cristãos martirizados é difícil de quantificar. Via: Aleteia

  • A vida dos doze Césares – Suetônio

    Contrariando o senso comum que afirma que o poder corrompe, ao ler sobre a vida dos Césares romanos, vemos que os homens já são corrompidos, uns mais outros menos, o poder apenas lhes permitiu extrapolar tudo que eles realmente eram. No trono dos senhores do mundo, o poder potencializou tudo de podre que já havia dentro deles, dando vazão a todo tipo de pecado, e confirmando o que afirma o apóstolo Paulo, “…o salário do pecado é a morte.” (Rm 6:23) Assassinatos, mentiras, complôs, intrigas, orgias, pedofilia, incesto, abuso de poder, perseguições, torturas, culto a personalidade…Tudo em nome do poder. E para que? Para ter mais poder, como um ciclo vicioso retro-alimentado pela mãe de todos os pecados, o orgulho. Lembrando da tentação de Cristo pelo diabo, quando lhe foi proposto adorá-lo em troca da glória de todos os reinos da terra, sua resposta foi enfática “Somente ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.” (Mt 4:10) Assim é a história humana, gasta-se muita energia erguendo impérios, buscando glórias passageiras e admiração dos homens, mas algo sempre dá errado. A máquina humana não funciona corretamente à base de si mesmo, Deus é o combustível da alma humana, e quando esse combustível é substituído, a máquina não funciona corretamente. #resenha

  • Destruindo os argumentos ateístas sobre Cristo utilizando os princípios de análise histórica.

    Destruindo os argumentos ateístas sobre Cristo utilizando os princípios de análise histórica. Alguns ateus mais desinformados ainda acreditam que Jesus não existiu, outros ainda dizem que apesar de ter existido ele era um homem comum e nunca realizou milagres e muito menos ressuscitou. Com base nas evidências e utilizando uma metodologia adequada, vamos analisar essas questões. Existem alguns princípios de análise histórica que ajudam a determinar a veracidade de uma narrativa, elas são usadas por historiadores para determinar se tal evento histórico ocorreu ou não. Elas também são usadas por investigadores para solucionar diversos crimes e se chegar o mais próximo possível dos fatos. Vamos aplicar essa análise na história de Jesus, e desmistificar os argumentos usados por alguns ateus. De forma breve e direta, tentarei demonstrar a veracidade do núcleo básico da fé cristã. Critério 1 – Múltiplas fontes independentes. Existem múltiplas fontes históricas independentes que falam sobre Jesus. Além dos 4 evangelhos e das cartas de Paulo e dos outros apóstolos, temos os escritos antigos dos pais da igreja, de historiadores romanos e judeus. Existe material histórico suficiente para provar que Jesus foi de fato uma pessoa real, que viveu e ensinou exatamente como a Bíblia relata. Negar isso é ir contra todo um consenso acadêmico. Critério 2 – Atestação pelo inimigo Os judeus, desde os tempos de Cristo afirmam que os apóstolos roubaram o corpo de Jesus após sua morte, confirmando que o túmulo de fato estava vazio. Eles também chegam a afirmar, que Jesus realizada milagres se utilizando o poder de satanás. Celso, filósofo pagão que viveu por volta de 175 d.C, e que foi vigorosamente combatido por Orígenes, escreveu um tratado contra a divindade de Jesus, que foi prontamente refutado por Orígenes em seu livro Contra Celso. Celso afirmava que Jesus aprendeu magia negra no Egito, durante o tempo que morou lá, por isso conseguia fazer todos aqueles sinais, que as feridas que Cristo sofreu na cruz não foram tão graves, que ele juntou aproximadamente 11 seguidores e os ensinou a mendigar e roubar e que ele era filho ilegítimo de Maria, uma mulher pobre que ganhava a vida como costureira. Apesar do caráter cínico de Celso e seu desprezo por Cristo, ele apresenta alguns detalhes sobre Jesus em conformidade com o que se conhece dele nos evangelhos, a fuga para o Egito quando criança fugindo de Herodes, os milagres e sinais que Jesus realizava, sua crucificação seus discípulos e sua mãe. Mesmo com base no depoimento dos inimigos de Jesus, podemos ver que eles afirmam o que os evangelhos já nos contam. Critério 3 – Critério do embaraço Muitas vezes os apóstolos são retratados como homens egoístas, intempestivos, tolos e diversas vezes levaram bronca de Jesus. Ou seja, pessoas normais, contando uma história real, não omitindo nem mesmo fatos que poderiam trazer vergonha a eles.Como por exemplo José, quando soube da gravidez de Maria, sua primeira reação foi de deixa-la, pois não sendo ele o pai, desconfiou de traição, só mudou de ideia após a aparição do anjo explicando tudo. Ou Tomé, que disse que só acreditaria que Jesus tinha ressuscitado se colocasse o dedo na ferida dele. Ou Maria, que quando chegou ao túmulo vazio de Jesus, confundiu o Jesus ressuscitado com o jardineiro e achou que o jardineiro tivesse levado o corpo de Jesus embora. Ou Pedro, que negou a Cristo 3x para evitar confusão.Vemos todo traço de uma narrativa real, retratando reações comuns, que seriam esperadas de qualquer um. O maior evento na história cristã foi a ressurreição, e esse evento foi retratado como tendo sido visto pela primeira vez pelas mulheres. Essas mesmas mulheres que foram as únicas a permanecer durante todo o evento da crucificação, enquanto os homens se esconderam com medo da perseguição. De acordo com a tradição da época, o depoimento de uma mulher não era válido. Então se a história da ressurreição tivesse sido inventada por algum motivo, com certeza eles teriam retratado os homens nesse papel principal e não mulheres. Esse é mais um indicativo de veracidade histórica. Critério 4 – Testemunhas oculares Todo o ministério de Jesus foi descrito com base no que testemunhas oculares presenciaram. Sua morte foi um evento público e sua ressurreição testemunhada por diversas pessoas. O meio-irmão de Jesus, Tiago, de completo descrente, passou a líder da igreja em Jerusalém, sua conversão se deu após ver Cristo ressurrecto. Assim como o apóstolo Paulo, que de grande e conhecido judeu perseguidor da igreja, se converteu após encontrar com Jesus ressuscitado. Paulo em 1 Corintios 15 traz uma lista de pessoas que foram testemunhas oculares da ressurreição e que muitas ainda viviam quando ele escreveu a carta. Essa mudança radical de vida requer uma explicação, e a única explicação que as evidências mostram é o testemunho da ressurreição Critério 5 – Testemunhos antigos Comparando o Novo Testamento com outros escritos antigos, o NT possui muito mais credibilidade e confiabilidade histórica, pois além de possuir maior número de cópias de manuscritos, possui as referências mais antigas. Segundo historiadores, a tradição oral que Paulo transmite acerca da ressurreição de Jesus foi formada menos de 5 anos após sua morte. As cartas de Paulo, menos de 15-20 anos após a morte de Jesus, já circulavam contando sobre o fato ocorrido. Os pais da igreja, ainda no século I, II e III, já escreviam por vários cantos do mundo sobre a morte e ressurreição de Jesus, citando diversas passagens bíblicas e corroborando o que os evangelhos já atestavam. Com base apenas nos fatos, comparando a história cristã e a secular, de longe o cristianismo possui as melhores evidências em favor de sua confiabilidade histórica. A única coisa que impede algumas pessoas de enxergarem isso, é puro preconceito religioso. Com base nesses critérios, podemos chegar a conclusão daquilo que forma a base da crença cristã. Jesus de fato existiu, pregou e ensinou, teve discípulos, fez muitos milagres, morreu e ressuscitou. As evidências são muito fortes e corroboram tudo o que a Bíblia já nos diz, podemos ter a nossa fé cada vez mais firme na palavra de Deus, pois cada diz que passa fica mais difícil negar a veracidade dos fatos. Ramon Serrano #Apologética #história

  • Arqueologia e Pôncio Pilatos

    Não muito tempo atrás, alguns estudiosos questionavam a existência de Pôncio Pilatos, e tentavam colocar em cheque a credibilidade histórica da Bíblia. Pôncio Pilatos foi o quinto governador da Judéia romana. Foi sob o governo de Pilatos que Jesus foi crucificado (Mt 27.2). Ele foi nomeado pelo imperador Tibério em 26 AD e “retirado do cargo” por Vitélio, governador romano da Síria, em 37 AD, após “abater” alguns samaritanos no Monte Gerizim. Existem diversas evidências da existência de Pilatos: – Pilatos é mencionado pelos historiadores Flavio Josefo, Filo e Tácitus; – Foram encontradas moedas cunhadas durante o seu governo; – Em 1961, foi encontrada, em escavações na Cesaréia, uma pedra dedicatória que confirma a existência de Pilatos. Vamos falar sobre essa última. Em junho de 1961 arqueólogos italianos liderados pelo Dr. Frova, estavam escavando um antigo anfiteatro romano perto de Cesareia Marítima e descobriram este interessante bloco de calcário. No rosto está uma inscrição monumental que faz parte de uma dedicação maior a Tibério César (imperador romano), que claramente diz que era de “Pôncio Pilatos, Prefeito da Judeia”. A pedra possui uma inscrição de três linhas: Tiberieum [Pon]tius Pilatus [Praef]ectus Iuda[eae] Em português: Tibério [o imperador romano do período] Pôncio Pilatos Prefeito da Judéia. A inscrição não somente confirma a historicidade de Pilatos, mas clarifica o título que ele possuía como governador. A pedra encontra-se em exposição no Museu de Israel em Jerusalém. Cada vez mais a arqueologia e a história trazem luz a verdade que já sabemos, a Bíblia é de fato confiável em seu conteúdo e as evidências cada vez mais provam isso. Fontes: Roberts, op. cit., p.152. http://www.bible-history.com/empires/pilate.html #ArqueologiaBíblia #cristianismo

  • A cristianização do império

    O império romano tentou civilizar o mundo bárbaro, impor seu valores, filosofias, e iluminar a escuridão daqueles que outrora andavam em trevas. Mas na verdade a força devastadora que foi a responsável pela completa revolução e fez dissipar todo traço de escuridão do mundo antigo foi o cristianismo. O cristianismo trouxe vida aonde putrefação moral era latente, uma sociedade em franca decadência se deparou com a força mais ávida e impetuosa que a história já tinha visto. Cristo e César se encontraram nas arenas do império, os imperadores munidos de toda a força bruta que o mundo antigo poderia proporcionar, os cristãos apenas com o fogo Santo que ardia em seus corações. A espada não prevaleceu contra o Verbo, o sangue dos mártires irrigou a semente que em breve iria cobrir todo o império e o mundo. Os ideais cristãos de igualdade, amor ao próximo e a história de redenção do homem em Jesus Cristo eram chocantes e ao mesmo tempo impressionantes. Conseguiu satisfazer as necessidades da alma humana como nenhum ritual pagão jamais foi capaz. Aos poucos, mesmo sob forte perseguição, o amor triunfaria e a sociedade romana seria substituída pelo povo da cruz. Uma cena que talvez ilustre o processo civilizatório cristão sobre Roma pode ser o imperador Teodósio, que após massacrar milhares de pessoas numa arena em Tessalônica, se veste de pano de saco, e de joelhos implora o perdão diante de Santo Ambrósio, o grande Bispo de Milão. Quem jamais imaginaria tal cena?! O tempo passa e a história humana sempre se repete, impérios tem seu auge e seu fim, muito poderosos que já reinaram sobre a terra hoje são esquecidos, mas o Reino dos céus permanece intacto, e o Reis do Reis está em seu sublime trono e esse império jamais terá fim. Ramon Serrano #cristianismo #história

  • O dia que “papai noel” bateu no herege Ario.

    O dia que “papai noel” bateu no herege Ario. No dia 6 de dezembro, a Igreja católica celebra a memória de São Nicolau de Mira, bispo do Oriente que, célebre especialmente por sua generosidade, acabou dando origem à figura do “Papai Noel”. Mas no ano de 325 d.C, um concílio foi convocado em Niceia, atual Turquia, para discutir as heresias que Ario, presbítero de Alexandria estava espalhando.  Ario negava a divindade de Cristo, a trindade e outras coisas. E suas heresias estavam causando uma grande confusão na cristandade antiga. Já cansado de tanto ouvir as heresias de Ario, e ver o estragado que elas vinham causando na ortodoxia da igreja cristã, o bom velhinho ao se encontrar com Ário lhe deu uma bofetada, provavelmente antes do início do concílio. São Nicolau foi preso pelos outros bispos e teve suas cópias das Escrituras e suas vestes episcopais confiscadas. Mas na mesma noite, conta a tradição católica, São Nicolau teve uma visão em que Jesus lhe entregava as Escrituras e Maria lhe devolvia as vestes. No dia seguinte, quando o carcereiro foi levar a sua comida no cárcere, encontrou Nicolau usando as suas vestes de  bispo e lendo as Escrituras. Quando soube do fato inexplicável, o imperador exigiu que o libertasse, remendo estar cometendo um grande erro contra um homem de Deus. No fim das contas, Ário foi banido durantes longos anos da comunhão da igreja pelas suas heresias e São Nicolau reintegrado ao seu cargo de bispo. São Nicolau era um bispo extremamente zeloso da tradição cristã e da ortodoxia, o que podemos chamar de “ira santa” foi externalizado num ato de violência contra Ario. É difícil ficarmos calados e tranquilos quando aquilo que mais amanos é atacado e destruído diante de nós. Até nosso Senhor Jesus se irou com os cambistas no templo, Pedro, Paulo e João também mostraram grande indignação contra aqueles que ofendiam a Deus. Se homens exemplos de santidade demonstraram zelo pelas coisas de Deus dessa maneira, o que então nós, meros pecadores podemos fazer. Essa história é baseada na tradição que se conta sobre o caso, infelizmente não temos como saber com 100% de certeza dos pormenores que ocorreram durante os vários dias de concílio, mas que aquela bofeta foi merecida isso foi…rs! Ramon Serrano #históriadaigreja

  • O que é a Verdade?

    O que é a verdade? Quando Pôncio Pilatos perguntou a Jesus se ele era um “rei”, sua resposta foi impactante: “Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.  Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.” (João 18:38) Pilatos então estonteado com a profunda sabedoria de Cristo, faz a pergunta que há séculos já movimentava as mentes mais brilhantes. O que é a verdade? ” Quid est Veritas”? Pilatos talvez não soubesse, mas estava diante daquele que disse: ” Eu Sou a Verdade”. Jesus como encarnação do Verbo divino era a própria origem da Verdade. Em seus lábios não havia engano, e sua sabedoria ultrapassava a todos os meros mortais de sua época. A palavra verdade, do grego aletheia, transmite a ideia de trazer a realidade, tornar conhecido, acessível. Assim como Jesus era a Luz que iluminava as trevas, a verdade é luz que ilumina a escuridão da ignorância. Hoje em dia virou moda relativizar a verdade, cada um tem sua própria verdade, dizem os relativistas. Dizem que o que é verdade para um não é para outro. Eles não se importam com a verdade, pois não a buscam,  talvez por preguiça ou mesmo o medo de encontra-la e ser confrontado por ela. A verdade não é eleita por maioria de votos, nem está sujeita a mudanças de acordo com a cultura, ela pode e vai te desagradar, pois afagar seu ego não é uma das suas funções. Talvez por isso o mundo moderno busque cada vez mais eliminar a ideia de uma verdade absoluta, ser confrontado com a realidade não é um coisa que essa geração mimada goste de enfrentar. Estamos diante de uma geração que vive em profunda contradição. Jesus nos ensinou que as nossas palavras devem não contraditórias e verdadeiras. Nossos pressupostos não podem ser irracionais e ilógicos. Mas mesmo negando a verdade absoluta, os relativistas precisam dela para viver. Por exemplo: Um ateu não pode ser relativista, pois seu argumento depende da falsidade do argumento de seu oponente cristão. Caso contrário, levaria a admissão da verdade de que há a possibilidade de Deus existir. As posições não são apenas diferentes, mas opostas entre si. Se é certo afirmar que dois mais dois é igual a quatro, então as demais respostas estão erradas. A verdade é importante e pode até mesmo te matar caso você a ignore. Não existe relativistas quando tem uma etiqueta de veneno colada num frasco. E se a verdade fosse relativa, seria relativa em relação a que? Deve existir algo que transcenda os padrões humanos para balizar a questão. Pois se a verdade não fosse importante, o próprio ato de nega-la seria uma contradição. Pois se não existe verdade, como o ato de se afirmar que “Não existe verdade”, seria verdadeiro? Então mais uma vez os relativistas caem em contradição e seu argumento não se sustenta. A verdade existe, uma vez pregaram ela numa cruz, mas ela retornou triunfante de onde veio, para a fonte de tudo aquilo que É. Ramon Serrano #Apologética #relativismo #Verdade

  • Homilia do 14º Domingo do Tempo Comum

    Leia o Evangelho e em seguida escute a homilia do 14º Domingo do Tempo Comum. Anúncio do Evangelho (Mt 11,25-30) — O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: 25“Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28Vinde a mim, todos vós, que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. — Palavra da Salvação — Glória a Vós Senhor

  • Homilia do 14º Domingo do Tempo Comum

    Leia o Evangelho e em seguida escute a homilia do 14º Domingo do Tempo Comum. Anúncio do Evangelho (Mt 11,25-30) — O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: 25“Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28Vinde a mim, todos vós, que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. — Palavra da Salvação — Glória a Vós Senhor

  • Erasto, procurador de Corinto – Arqueologia do Novo Testamento

    Erasto, procurador de Corinto. Erasto é mencionado em três ocasiões, na Bíblia: “E, enviando à Macedônia dois daqueles que o serviam, Timóteo e Erasto, ficou ele por algum tempo na Ásia” – Atos 16.21-22. “Erasto ficou em Corinto, e deixei Trófimo doente em Mileto” Timóteo 4.20. “Saúda-vos Gaio, meu hospedeiro, e de toda a igreja. Saúda-vos Erasto, administrador da cidade, e também o irmão Quarto” – Romanos 16.23. [Paulo escreveu a cartas aos Romanos enquanto estava em Corinto.] Em 1929, entre as ruínas escavadas da Corinto antiga foi descoberta uma inscrição em um bloco de mármore usado para calçamento de uma praça, contendo uma inscrição em latim que declara ser ele [Erasto] o encarregado de obra pública. Está escrito “ERASTVS. PRO. AED. SP STRAVIT”, uma abreviatura de “Erasto PRO AEDILITATE SUA pecunia STRAVIT”. Traduzido: “Erasto, comissário de obras públicas, custeou as despesas dessa pavimentação”. A pedra, doada por Erasto, possivelmente foi assentada com muitas outras nos anos da década de 50 do primeiro século. Erasto teria doado fundos para projetos como a construção de prédios e ruas públicas. O termo grego usado por Paulo para administrador (oikonomos), é o termo apropriado para descrever o “aedile”, ou magistrado supervisor de obras públicas.[1] Vemos que Paulo descreve corretamente a função que Erasto possuía em Corinto, fato que foi comprovado pela arqueologia, demonstrando a confiabilidade histórica do relato do apóstolo. E essa é mais uma, dentre as várias evidências de como a Bíblia, muito mais do que qualquer livro religioso do mundo, é sustentada também pelas evidências históricas e arqueológicas. [1] John McRay, ‘Archaeological Evidence for the New Testament’ in John Ashton & Michael Westacott Ramon Serrano #ArqueologiaBíblia #história

  • Evidências manuscritas do Novo Testamento

    As evidências demonstram claramente a grande superioridade em termos de confiabilidade histórica do Novo Testamento em relação a qualquer outra obra da antiguidade. Se a Bíblia não é confiável, então nenhum relato da historia antiga pode ser. Os ateus precisam ser coerentes em suas críticas e se basearem nos fatos, pois o que vejo são apenas críticas infundadas e sem base evidencial nenhuma. #Apologética #NovoTestamento

  • Os fatos mínimos da ressurreição de Cristo

    Os fatos mínimos da ressurreição de Cristo – Uma defesa apologética Apresentar evidências para a nossa fé (1 Pedro 3:15) constitui um componente importante para o evangelismo. Às vezes, dada a nossa cultura secular, temos que fornecer provas e argumentos para demonstrar que nossa fé é credível e digna de discussão. Aqui devemos nos concentrar na hipótese da ressurreição, a saber, que Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos. Evidências históricas e abordagem dos fatos mínimos.Quando os historiadores desejam aprender sobre Jesus, eles recorrem ao Novo Testamento. Isto, explica Bart Ehrman, “não é por razões religiosas ou teológicas … É por razões históricas, pura e simples” (Ehrman, 2000: 229). Quando olhamos para essa evidência, não assumimos que seja a palavra inspirada de Deus, mas simplesmente os abordamos como documentos históricos. O consenso acadêmico afirma quatro fatos sobre Jesus que precisamos rever. O exegeta Gary Habermas analisou mais de 3000 artigos acadêmicos e, assim, encontrou vários fatos que “são tão fortemente atestados historicamente que são concedidos por quase todos os estudiosos … mesmo os mais céticos” (Habermas & Licona, 2004: 44). Estes fatos são conhecidos como os Fatos Mínimos. São eles:• A crucificação de Jesus. • O enterro de Jesus. • Tumba vazia de Jesus. • Aparições post-mortem de Jesus.Sobre o Fato (1), explica o professor James Dunn, “é um consentimento quase universal” (Dunn, 2003: 339), enquanto, de acordo com o professor ateu Ludemann, a “crucificação é indiscutível” (Ludemann, 2004: 50). Mesmo teólogos extremamente liberais como Dominic Crossan afirmam: “ Que ele foi crucificado é tão certo quanto qualquer coisa histórica pode ser.” É comprovado em ao menos de 11 fontes históricas independentes. Quanto mais fontes temos sobre um evento histórico, mais provável é que tenha ocorrido. “Os historiadores geralmente ficam bastante felizes em ter duas fontes independentes para tais eventos” (Craig, 2009), imagina diversas delas? O fato (2) diz respeito ao enterro de Jesus, que é comprovado em fontes muito antigas (um credo em 1 Cor. 15 e a narrativa de Pre-Marcos). Além disso, é independente atestada em Mateus e Lucas, Atos e João. John Robi nson explica que o enterro é um dos “fatos mais antigos e melhor atestados sobre Jesus” (Robinson, 1973: 131). O fato (3) diz respeito ao túmulo vazio. Ao contrário desses outros fatos que comandam o consenso universal acadêmico (1, 2 e 4), o túmulo vazio é afirmado por 75% dos historiadores. No entanto, o sepultamento é atestado de forma independente em um credo pré-paulino (1 Cor. 15: 1-11), a Narrativa da Paixão em pre-Marcos e nos sinópticos (Marcos, Mateus, Lucas) e João. Habermas explica que “pelo menos três, se não quatro, dessas fontes evangélicas” atestam o túmulo vazio, por isso, porque é “levado tão a sério pelos estudiosos críticos contemporâneos” (Habermas, 2005). Além disso, nós temos a atestação do inimigo de que o túmulo estava de fato vazio. Em outras palavras, o que os judeus estavam dizendo? Que os discípulos roubaram o corpo. Isso não é somente reportado no evangelho de Mateus, mas os escritores Tertuliano e Justino Mártir também relatam isso como sendo uma acusação frequente por parte da comunidade judaica. Quanto ao fato (4), o consenso sustenta que Tiago, Paulo e os discípulos tiveram experiências da ressurreição de Jesus. O historiador James Crossley diz que essas aparências da ressurreição são “as mais fortes, e melhores evidências que temos” (Crossley, 2015). Nove fontes independentes atestam a aparição da ressurreição de Jesus para Paulo, Tiago e seus discípulos. Somente um evento desse porte poderia também explicar a mudança repentina de vida dos apóstolos. Tiago não cria em Jesus, de acaba virando bispo da igreja em Jerusalém. Pedro e os outros tinham fugido, e após ver Cristo ressurrecto, mudam completamente e passam a correr risco de vida para propagar essa mensagem. Paulo era um perseguidor da Igreja, e teve a vida transformada.A Hipótese da Ressurreição.Então, o que melhor explica os Fatos Mínimos (3) e (4)? Tradicionalmente, os críticos propuseram hipóteses, mas das quais são insuficientes. A hipótese de Swoon diz que Jesus nunca morreu, mas apenas desmaiou. Isso, no entanto, não explica o fato (4), como uma pessoa gravemente ferida, Jesus jamais convenceria os primeiros discípulos de sua ressurreição corporal. A hipótese da alucinação, a saber, que os discípulos alucinavam o Jesus ressuscitado, não explicam o fato (3), o túmulo vazio. Alternativamente, a hipótese de ressurreição explica adequadamente os fatos (3) e (4), e, portanto, é mais abrangente no escopo explicativo com sólida base histórica. Por fim, devemos considerar a probabilidade. Agora, considerando os fatos mínimos, é altamente improvável que tenhamos fatos (3) e (4) se Jesus nunca tivesse ressuscitado dos mortos. Em outras palavras, dados os fatos (3) e (4) é mais provável que Jesus ressuscitou do que ele não ressuscitou, o que certa mente dá credibilidade à hipótese da ressurreição. Conclusão:Mesmo numa análise superficial dos fatos históricos, podemos ver que as evidências apontam para a verdade da ressurreição. Numa análise fria dos dados, é muito mais coerente e provável crer que Jesus de fato ressuscitou corporalmente dos mortos, do que jogar fora toda a evidência histórica. As pessoas geralmente partem de pressuposições e preconceitos ao negar a ressurreição, e não se preocupam com o que dizem as evidências. Sem a ressurreição o cristianismo nunca teria sobrevivido, até mesmo o apóstolo Paulo diz: “Se Cristo não ressuscitou, em vã é a vossa fé.” Mas temos a fé, a história, a análise crítica e as evidências ao nosso favor.Traduzido e adaptado de Jamesbishopblog.com[ O CAMINHO ] #Apologética #história #ressurreição

  • SOBRE A NECESSIDADE DE FUGIR DAS OCASIÕES DE PECADO.

    Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade! Falando aqui da ocasião de pecado, temos em vista a ocasião próxima, pois deve-se distinguir entre ocasiões próximas e remotas. Ocasião remota é a que se nos depara em toda a parte e que raramente arrasta o homem ao pecado. Ocasião próxima é a que, por sua natureza, regularmente induz ao pecado. Por exemplo, achar-se-ia em ocasião próxima um jovem que muitas vezes e sem necessidade se entretêm com pessoas levianas de outro sexo. Ocasião próxima para uma certa pessoa é também aquela que já a arrastou muitas vezes ao pecado. Algumas ocasiões consideradas em si não são próximas, mas tornam-se tais, contudo, para uma determinada pessoa que, achando-se em semelhantes circunstâncias, já caiu muitas vezes em pecado em razão de suas más inclinações e hábitos. Portanto, o perigo não é igual nem o mesmo para todos. O Espírito Santo diz: ‘Quem ama o perigo nele perecerá’ (Ecli 3, 27). Segundo São Tomás de Aquino, a razão disso é que “Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos”. São Bernardino de Siena diz que “dentre todos os conselhos de Jesus Cristo, o mais importante e como que a base de toda a religião, é aquele pelo qual nos recomenda a fuga da ocasião de pecado”. Se fores, pois, tentado, e especialmente se te achares em ocasião próxima, acautela-te para não te deixares seduzir pelo tentador. O demônio deseja que se entretenha com a tentação, porque então torna-se-lhe fácil a vitória. Deves, porém, fugir sem demora, invocar os santos nomes de Jesus e Maria, sem prestar atenção, nem sequer por um instante, ao inimigo que te tenta. São Pedro nos afirma que o demônio rodeia cada alma para ver se a pode tragar: “Vosso adversário, o demônio, vos rodeia como um leão que ruge, procurando a quem devorar” (I Ped 5, 8). São Cipriano, explicando essas palavras, diz que “o demônio espreita uma porta por onde possa entrar na alma; logo que se oferece uma ocasião perigosa, diz consigo mesmo: ‘eis a porta pela qual poderei entrar’, e imediatamente sugere a tentação” Se então a alma se mostrar indolente para fugir da tentação, cairá seguramente, em especial em se tratando de um pecado impuro. É a razão por que ao demônio mais desagradam os propósitos de fugirmos das ocasiões de pecado, que as promessas de nunca mais ofendermos a Deus, porque as ocasiões não evitadas tornam-se como uma faixa que nos venda os olhos para não vermos as verdades eternas, as ilustrações divinas e as promessas feitas a Deus. Quem estiver, porém, enredado em pecado contra a castidade, deverá, para o futuro, evitar não só a ocasião próxima, mas também a remota, enquanto possível, porque em tal se sentirá muito fraco para resistir. Não nos deixemos enganar pelo pretexto da ocasião ser necessária, como dizem os teólogos, e que por isso não estamos obrigados a evitá-la, pois Jesus Cristo disse: “Se teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o de ti. É melhor entrar no céu com um só olho, do que com os dois, ser condenado ao inferno” (Mt 5, 29). Mesmo que seja teu olho direito deverás arrancá-lo e lançar fora de ti, para que não sejas condenado. Logo, deves fugir daquela ocasião, ainda que remota, já que, em razão de tua fraqueza, tornou-se ela uma ocasião próxima para ti. Antes de tudo devemos estar convencidos que nós, revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade; só Deus, em Sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto. É verdade que Deus atende a quem Lhe suplica, mas não poderá atender à oração daquele que conscientemente se expõe ao perigo e não o deixa, apesar de o conhecer, pois, como diz o Espírito Santo, quem ama o perigo perecerá nele. Ó Deus, quantos cristãos existem que, apesar de levarem uma vida piedosa, caem finalmente e obstinam-se no pecado, só porque não querem evitar a ocasião próxima do pecado impuro. Por isso nos aconselha São Paulo (Fil 2, 12): ‘Com temor e tremor operai a vossa salvação’. Quem não teme e ousa expor-se às ocasiões perigosas, principalmente quando se trata do pecado impuro, dificilmente se salvará. Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever fugir da ocasião do pecado Principalmente devemos abster-nos de contemplar pessoas que nos suscitam maus pensamentos. ‘Pelos olhos entra a seta do amor impuro e fere a alma’, diz São Bernardo, e essa seta, ferindo-a, tira-lhe a vida. O Espírito Santo dá-nos o conselho: ‘Desviai vossos olhos de uma mulher adornada’ (Ecli 9, 8). Para se livrar de tentações impuras, um antigo filósofo arrancou os olhos. Nós, cristãos, não podemos assim proceder, mas devemos cegar-nos espiritualmente, desviando os olhos de objetos que possam ocasionar-nos tentações. São Luís Gonzaga nunca olhava para uma mulher e, mesmo em conversa com sua própria mãe, tinha os olhos postos no chão. É claro que o mesmo perigo existe para mulheres que cravam seus olhares em homens Em segundo lugar, deve-se evitar todas as más companhias e as conversas e entretenimentos em que se divertem homens e mulheres. Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tornar-te-ás desonesto. “O homem toma os hábitos daqueles que convivem com ele”, diz São Tomás de Aquino. Se estiveres metido numa conversação perigosa, que não possas abandonar, segue o conselho do Espírito Santo: Cerca teus ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem neles entrada. Quando São Bernardino de Siena, ainda pequeno, ouvia uma palavra desonesta, sentia o rubor subir à sua face, e por isso seus companheiros tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E Santo Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos. Quando ouvires alguém conversando sobre coisas impuras, volta-lhe as costas e foge. Assim costumava proceder São Edmundo. Havendo uma vez abandonado seus companheiros por estarem conversando sobre coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo, que lhe disse: Deus te abençoe, caríssimo. Ao que o Santo perguntou, admirado: Quem és tu? Ele respondeu: Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor desapareceu e o Santo sentiu uma alegria celestial em seu coração. Achando-te em companhia de rapazes que conversam sobre coisas desonestas e, não podendo retirar-te, não lhes dês atenção, volta-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam. Deves também abster-te de considerar quadros menos decentes. São Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de família conservarem tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros, revistas e jornais, e não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais, como também dos que tratam de histórias insinuantes, como certos poetas e romancistas. Vós, pais de famílias, proibi a vossos filhos a leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. São Boaventura diz (De inst. nov., p. 1 , c. 14): “Leituras vãs produzem pensamentos vãos e destroem a devoção”. Dai a vossos filhos livros espirituais, como a história eclesiástica, ou vidas de santos e semelhantes. Proibi a vossos filhos representar um papel qualquer em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações imorais. ‘Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado’, diz São Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela, em estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado. Proibi também a vossos filhos a ida a certas festas, que são festas do demônio, nas quais há danças, namoros, canções impudicas, gracejos e divertimentos perigosos. “Onde há danças, celebra-se uma festa do demônio”, diz Santo Efrém. Mas que há de ruim quando se graceja? dirá alguém. “Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes”, responde São João Crisóstomo, “são graves ofensas contra Deus”. Um companheiro do padre João Vitellio, contra a vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para um tal divertimento em Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregou-se em seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio irmão. Conta-se que há uma espécie de ursos que caçam macacos: ao avistar o urso, fogem estes para as árvores. Mas que faz o urso? Deita-se debaixo da árvore e faz-se de morto. Descem os macacos com esse engano e então, de um salto, o urso captura-os e devora-os. É o que pratica o demônio: representa a tentação como morta, e assim que desceres, isto é, logo que te expuseres ao perigo, desperta-a de novo, e ela te tragará.Oh! Quantos cristãos, que se davam ao exercício da oração e da comunhão e, mesmo, levavam uma vida santa, não caíram nas garras do demônio, porque se expuseram ao perigo. A história eclesiástica narra que uma mulher mui piedosa se ocupava em obras de caridade e, em especial, em enterrar os corpos dos Santos Mártires. Encontrando uma vez o corpo de um mártir que ainda dava sinais de vida, levou-o para sua casa, curou-o e o mártir restabeleceu-se. Mas que aconteceu? Por causa da ocasião próxima, esses dois santos – pois esse nome mereciam – primeiramente perderam a graça de Deus e depois a Fé. Mas a visita àquela casa, a continuação daquela amizade, me traz proveitos, dizes. Sim, porém, se notares que ‘aquela casa é o caminho para o inferno’ (Provérbios 7, 27), nenhum proveito te trará, e tu a deves deixar se desejas ser feliz. Mesmo que fosse teu olho direito a causa da perdição, deverias arrancá-lo e lançá-lo longe de ti, diz o Senhor. Nota as palavras: lança-o de ti, não deves deixá-lo perto, mas repeli-lo para longe, isto é, deves evitar por completo a ocasião. – Mas daquela pessoa nada tenho a temer, pois ela é tão devota – dizes. A isso responde São Francisco de Assis: “O demônio tenta diferentemente os cristãos piedosos que se deram inteiramente a Deus e os que levam uma vida desregrada. Ele não procura prendê-los com uma corda já no princípio; contenta-se com um cabelo, servindo-se então de um fio e, finalmente, de uma corda, arrastando-os ao pecado” Quem quiser ser preservado deste perigo deve já no começo evitar todos os fios, todas as ocasiões, quer sejam saudações, quer presentes. Ainda uma observação importante: Um penitente que nunca evitou seriamente as ocasiões perigosas, nas quais tem regularmente caído em pecado mortal, apesar de todas as suas confissões, deverá fazer uma confissão geral, visto terem sido inválidas as confissões feitas em tal estado, em razão da falta de propósito de evitar a ocasião próxima. O mesmo se deve dizer a respeito dos que confessam seus pecados, mas nunca deram sinal de emenda, continuando logo depois da confissão a cometer os mesmos pecados, sem empregar nenhum meio contra a queda. Só uma confissão geral poderá trazer-lhes garantia e tranquilidade, servindo de base para uma verdadeira emenda; feita a confissão, poderão encetar uma vida nova e perfeita, pois os maiores pecadores, como acima provamos, poderão, com a graça de Deus, verdadeiramente arrependido, salcançar a perfeição” – (Fonte: Santo Afonso Maria de Ligório,livro “Escola da Perfeição Cristã”,Compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955, páginas 44 á 48) Equipe Padre Rodrigo Maria

  • SOBRE A NECESSIDADE DE FUGIR DAS OCASIÕES DE PECADO.

    Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade! Falando aqui da ocasião de pecado, temos em vista a ocasião próxima, pois deve-se distinguir entre ocasiões próximas e remotas. Ocasião remota é a que se nos depara em toda a parte e que raramente arrasta o homem ao pecado. Ocasião próxima é a que, por sua natureza, regularmente induz ao pecado. Por exemplo, achar-se-ia em ocasião próxima um jovem que muitas vezes e sem necessidade se entretêm com pessoas levianas de outro sexo. Ocasião próxima para uma certa pessoa é também aquela que já a arrastou muitas vezes ao pecado. Algumas ocasiões consideradas em si não são próximas, mas tornam-se tais, contudo, para uma determinada pessoa que, achando-se em semelhantes circunstâncias, já caiu muitas vezes em pecado em razão de suas más inclinações e hábitos. Portanto, o perigo não é igual nem o mesmo para todos. O Espírito Santo diz: ‘Quem ama o perigo nele perecerá’ (Ecli 3, 27). Segundo São Tomás de Aquino, a razão disso é que “Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos”. São Bernardino de Siena diz que “dentre todos os conselhos de Jesus Cristo, o mais importante e como que a base de toda a religião, é aquele pelo qual nos recomenda a fuga da ocasião de pecado”. Se fores, pois, tentado, e especialmente se te achares em ocasião próxima, acautela-te para não te deixares seduzir pelo tentador. O demônio deseja que se entretenha com a tentação, porque então torna-se-lhe fácil a vitória. Deves, porém, fugir sem demora, invocar os santos nomes de Jesus e Maria, sem prestar atenção, nem sequer por um instante, ao inimigo que te tenta. São Pedro nos afirma que o demônio rodeia cada alma para ver se a pode tragar: “Vosso adversário, o demônio, vos rodeia como um leão que ruge, procurando a quem devorar” (I Ped 5, 8). São Cipriano, explicando essas palavras, diz que “o demônio espreita uma porta por onde possa entrar na alma; logo que se oferece uma ocasião perigosa, diz consigo mesmo: ‘eis a porta pela qual poderei entrar’, e imediatamente sugere a tentação” Se então a alma se mostrar indolente para fugir da tentação, cairá seguramente, em especial em se tratando de um pecado impuro. É a razão por que ao demônio mais desagradam os propósitos de fugirmos das ocasiões de pecado, que as promessas de nunca mais ofendermos a Deus, porque as ocasiões não evitadas tornam-se como uma faixa que nos venda os olhos para não vermos as verdades eternas, as ilustrações divinas e as promessas feitas a Deus. Quem estiver, porém, enredado em pecado contra a castidade, deverá, para o futuro, evitar não só a ocasião próxima, mas também a remota, enquanto possível, porque em tal se sentirá muito fraco para resistir. Não nos deixemos enganar pelo pretexto da ocasião ser necessária, como dizem os teólogos, e que por isso não estamos obrigados a evitá-la, pois Jesus Cristo disse: “Se teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o de ti. É melhor entrar no céu com um só olho, do que com os dois, ser condenado ao inferno” (Mt 5, 29). Mesmo que seja teu olho direito deverás arrancá-lo e lançar fora de ti, para que não sejas condenado. Logo, deves fugir daquela ocasião, ainda que remota, já que, em razão de tua fraqueza, tornou-se ela uma ocasião próxima para ti. Antes de tudo devemos estar convencidos que nós, revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade; só Deus, em Sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto. É verdade que Deus atende a quem Lhe suplica, mas não poderá atender à oração daquele que conscientemente se expõe ao perigo e não o deixa, apesar de o conhecer, pois, como diz o Espírito Santo, quem ama o perigo perecerá nele. Ó Deus, quantos cristãos existem que, apesar de levarem uma vida piedosa, caem finalmente e obstinam-se no pecado, só porque não querem evitar a ocasião próxima do pecado impuro. Por isso nos aconselha São Paulo (Fil 2, 12): ‘Com temor e tremor operai a vossa salvação’. Quem não teme e ousa expor-se às ocasiões perigosas, principalmente quando se trata do pecado impuro, dificilmente se salvará. Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever fugir da ocasião do pecado Principalmente devemos abster-nos de contemplar pessoas que nos suscitam maus pensamentos. ‘Pelos olhos entra a seta do amor impuro e fere a alma’, diz São Bernardo, e essa seta, ferindo-a, tira-lhe a vida. O Espírito Santo dá-nos o conselho: ‘Desviai vossos olhos de uma mulher adornada’ (Ecli 9, 8). Para se livrar de tentações impuras, um antigo filósofo arrancou os olhos. Nós, cristãos, não podemos assim proceder, mas devemos cegar-nos espiritualmente, desviando os olhos de objetos que possam ocasionar-nos tentações. São Luís Gonzaga nunca olhava para uma mulher e, mesmo em conversa com sua própria mãe, tinha os olhos postos no chão. É claro que o mesmo perigo existe para mulheres que cravam seus olhares em homens Em segundo lugar, deve-se evitar todas as más companhias e as conversas e entretenimentos em que se divertem homens e mulheres. Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tornar-te-ás desonesto. “O homem toma os hábitos daqueles que convivem com ele”, diz São Tomás de Aquino. Se estiveres metido numa conversação perigosa, que não possas abandonar, segue o conselho do Espírito Santo: Cerca teus ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem neles entrada. Quando São Bernardino de Siena, ainda pequeno, ouvia uma palavra desonesta, sentia o rubor subir à sua face, e por isso seus companheiros tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E Santo Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos. Quando ouvires alguém conversando sobre coisas impuras, volta-lhe as costas e foge. Assim costumava proceder São Edmundo. Havendo uma vez abandonado seus companheiros por estarem conversando sobre coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo, que lhe disse: Deus te abençoe, caríssimo. Ao que o Santo perguntou, admirado: Quem és tu? Ele respondeu: Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor desapareceu e o Santo sentiu uma alegria celestial em seu coração. Achando-te em companhia de rapazes que conversam sobre coisas desonestas e, não podendo retirar-te, não lhes dês atenção, volta-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam. Deves também abster-te de considerar quadros menos decentes. São Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de família conservarem tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros, revistas e jornais, e não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais, como também dos que tratam de histórias insinuantes, como certos poetas e romancistas. Vós, pais de famílias, proibi a vossos filhos a leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. São Boaventura diz (De inst. nov., p. 1 , c. 14): “Leituras vãs produzem pensamentos vãos e destroem a devoção”. Dai a vossos filhos livros espirituais, como a história eclesiástica, ou vidas de santos e semelhantes. Proibi a vossos filhos representar um papel qualquer em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações imorais. ‘Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado’, diz São Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela, em estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado. Proibi também a vossos filhos a ida a certas festas, que são festas do demônio, nas quais há danças, namoros, canções impudicas, gracejos e divertimentos perigosos. “Onde há danças, celebra-se uma festa do demônio”, diz Santo Efrém. Mas que há de ruim quando se graceja? dirá alguém. “Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes”, responde São João Crisóstomo, “são graves ofensas contra Deus”. Um companheiro do padre João Vitellio, contra a vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para um tal divertimento em Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregou-se em seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio irmão. Conta-se que há uma espécie de ursos que caçam macacos: ao avistar o urso, fogem estes para as árvores. Mas que faz o urso? Deita-se debaixo da árvore e faz-se de morto. Descem os macacos com esse engano e então, de um salto, o urso captura-os e devora-os. É o que pratica o demônio: representa a tentação como morta, e assim que desceres, isto é, logo que te expuseres ao perigo, desperta-a de novo, e ela te tragará.Oh! Quantos cristãos, que se davam ao exercício da oração e da comunhão e, mesmo, levavam uma vida santa, não caíram nas garras do demônio, porque se expuseram ao perigo. A história eclesiástica narra que uma mulher mui piedosa se ocupava em obras de caridade e, em especial, em enterrar os corpos dos Santos Mártires. Encontrando uma vez o corpo de um mártir que ainda dava sinais de vida, levou-o para sua casa, curou-o e o mártir restabeleceu-se. Mas que aconteceu? Por causa da ocasião próxima, esses dois santos – pois esse nome mereciam – primeiramente perderam a graça de Deus e depois a Fé. Mas a visita àquela casa, a continuação daquela amizade, me traz proveitos, dizes. Sim, porém, se notares que ‘aquela casa é o caminho para o inferno’ (Provérbios 7, 27), nenhum proveito te trará, e tu a deves deixar se desejas ser feliz. Mesmo que fosse teu olho direito a causa da perdição, deverias arrancá-lo e lançá-lo longe de ti, diz o Senhor. Nota as palavras: lança-o de ti, não deves deixá-lo perto, mas repeli-lo para longe, isto é, deves evitar por completo a ocasião. – Mas daquela pessoa nada tenho a temer, pois ela é tão devota – dizes. A isso responde São Francisco de Assis: “O demônio tenta diferentemente os cristãos piedosos que se deram inteiramente a Deus e os que levam uma vida desregrada. Ele não procura prendê-los com uma corda já no princípio; contenta-se com um cabelo, servindo-se então de um fio e, finalmente, de uma corda, arrastando-os ao pecado” Quem quiser ser preservado deste perigo deve já no começo evitar todos os fios, todas as ocasiões, quer sejam saudações, quer presentes. Ainda uma observação importante: Um penitente que nunca evitou seriamente as ocasiões perigosas, nas quais tem regularmente caído em pecado mortal, apesar de todas as suas confissões, deverá fazer uma confissão geral, visto terem sido inválidas as confissões feitas em tal estado, em razão da falta de propósito de evitar a ocasião próxima. O mesmo se deve dizer a respeito dos que confessam seus pecados, mas nunca deram sinal de emenda, continuando logo depois da confissão a cometer os mesmos pecados, sem empregar nenhum meio contra a queda. Só uma confissão geral poderá trazer-lhes garantia e tranquilidade, servindo de base para uma verdadeira emenda; feita a confissão, poderão encetar uma vida nova e perfeita, pois os maiores pecadores, como acima provamos, poderão, com a graça de Deus, verdadeiramente arrependido, salcançar a perfeição” – (Fonte: Santo Afonso Maria de Ligório,livro “Escola da Perfeição Cristã”,Compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955, páginas 44 á 48) Equipe Padre Rodrigo Maria

  • A ILUSÃO DA MISERICÓRDIA SEM CONVERSÃO E SEM ARREPENDIMENTO.

    NÃO SABES QUE A BENIGNIDADE DE DEUS TE CONVIDA À PENITÊNCIA? (RM 2,4) Diz Santo Agostinho: “Se Deus espera com paciência, não espera sempre. Pois, se o Senhor sempre nos tolerasse, ninguém se condenaria; ora, é larga a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele. Quem ofende a Deus, fiado na esperança de ser perdoado, é um escarnecedor e não um penitente”. Diz ainda Santo Agostinho : “…o demônio seduz os homens por duas maneiras: Com desespero e com esperança. Depois que o pecador cometeu o delito, arrasta-o ao desespero pelo temor da justiça divina; mas, antes de pecar, excita-o a cair em tentação pela esperança na divina misericórdia”. É por isso que Santo Agostinho nos adverte, dizendo: “Depois do pecado tenha esperança na divina misericórdia; antes do pecado tema a justiça divina. E assim é, com efeito. Porque não merece a misericórdia de Deus aquele que se serve da mesma para ofendê-lo. A misericórdia é para quem teme a Deus e não para o que dela se serve com o propósito de ofende-Lo. Ai daquele que para pecar confia na esperança! A quantos essa vã ilusão tem enganado e levado à perdição”, finaliza o santo Nos ensina Santo Afonso Maria de Ligório, em seu livro “Preparação para a morte”: “Quem semeia pecados, não pode esperar outra coisa que não seja o eterno castigo no inferno (Gl 6,8). O laço com que o demônio arrasta quase todos os cristãos que se condenam é, sem dúvida, esse engano com que os seduz, dizendo-lhes:“Pecai livremente, porque, apesar de todos os pecados, haveis de salvar-vos”. O Senhor, porém, amaldiçoa aquele que peca consciente e livremente na esperança de perdão. A esperança depois do pecado, quando o pecador deveras se arrepende, é agradável a Deus, mas a dos obstinados lhe é abominável. Tal esperança provoca o castigo de Deus, assim como seria passível de punição o servo que ofendesse a seu patrão, precisamente porque ele é bondoso e amável. Certo autor indicava que o Inferno se povoa mais pela Misericórdia do que pela Justiça Divina. E assim é, porque, contando temerariamente com a Misericórdia, prosseguem pecando e acabam condenando-se. Deus é infinitamente Misericordioso, ninguém o nega. Mas, apesar disso, a quantos hoje em dia manda a misericórdia desvirtuada para o Inferno. Deus é Misericordioso, mas também é Justo, e por isso sente-se obrigado a castigar a quem O ofende” – (FONTE: Livro “Preparação para a morte” , de Santo Afonso Maria de Ligório , Bispo e doutor da Igreja) Diz São Basílio: “Não duvideis que DEUS é infinitamente Misericordioso, mas saibamos que Ele é também JUSTO, e estejamos bem atentos para não considerar apenas uma metade de DEUS. Uma vez que DEUS é JUSTO, é impossível que os ingratos escapem do castigo. Misericórdia!! Misericórdia sim, mas para aqueles que TEMEM E BUSCAM à DEUS, e não para aquele que abusa da paciência DIVINA” Algo me incomoda sobremaneira. O pensamento corrente em um “deus-amor” que se contrapõe ao Deus revelado nas páginas da Bíblia e por toda a amplitude da Revelação Divina. Ora, Deus, Criador do céu e da terra, não é também um Deus-Amor? Sim, EVIDENTE Deus é o Amor pleno e perfeito. Para sabermos sobre isto, basta lermos a I Carta do Apóstolo João, onde ele não somente explicita o Amor Divino como diz que quem não ama não é de Deus. Portanto, Deus é o amor perfeito, infinito!! Dito isto, e para tratarmos melhor esta questão, vamos então conhecer um pouco deste “deus-amor” recorrente em nosso tempo. Um dos maiores perigos, tanto pelo excesso quanto pelo desleixo é justamente querermos moldar um deus às nossas convêniencias, que seja compatível ao modo de pensar nas diversas épocas de nossa sociedade. O que acontece em nossa época? Acontece que há um esfriamento da Fé, um esquecimento muito grande do compromisso com a Fé e seus mínimos preceitos, um aniquilamento do modo geral de que Fé não é exatamente necessário para ser uma boa pessoa, o clima atual nos faz pensar que a Fé é apenas um ato bom e natural e que no fundo no fundo não leva ninguém a nada, a não ser confortá-las até o fim da vida. Já que há uma dormência do conhecimento de Deus, então alarga-se o campo das teorias religiosas de nossos tempos e que estas teorias, muitas delas bestiais, encontrem um grandioso campo fértil para a sua propagação e que acabam sendo acolhidas por muitos e muitos, grandes e pequenos, ricos e pobres, etc. A Santa Igreja ensina , que a presunção da salvação sem merecimento, ou seja, aquele pensamento de que vou me salvar sem arrependimento, sem conversão, e sem obedecer ás leis e os mandamentos de Deus, pois Deus é misericordioso, é um PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO, E PORTANTO, UM PECADO QUE NÃO TEM PERDÃO!! É muito fácil, muito bom e confortável acolhermos a imagem de um “deus-amor”, que concede a liberdade não para que O amemos, mas para que possamos fazer tudo o que se pode e queremos fazer. Este “deus-amor” é contrário a repressão dos sentimentos desordenados, pelo contrário, é a imagem de um deus que antes incentiva tais desordens, já que este deus é a pura misericórdia, tudo e todos estão salvos, então comamos, bebamos e morramos depois. Para propagar este deus-amor, muitas vezes as pessoas, já confortavelmente envolvidas com este deus, gostam de contrastar o deus-amor de hoje com o Deus de nossos pais, ou seja, o Deus de nossos pais, o Deus que os nossos pais tiveram a virtude de nos ensinar desde o nosso berço, é um Deus de castigo, um Deus de rosto fechado, bravo, pronto a nos dar cachimbadas pelos nossos erros, então claro, o deus de nossa época é muito melhor que o Deus de nossos pais, pois não castiga, não cobra respostas inteligíveis ao dom da Fé, não nos ameaça com a perdição eterna do inferno. Eu lhes afirmo: Este deus, é falso. Um deus praticamente hippie, que se possivel viria a terra para gandaiar conosco e conduzir a festa. Deus não muda, mesmo que as nossas conveniências nos insitem a querer isso. Dizer que o Deus de nossos pais é diferente do deus de nossos tempos é dizer que Deus somente existe pela nossa necessidade natural de crer e assim podemos então, ao invés de se abrir ao grande mistério divino, criar o nosso deus, seja ele deus-amor, deus-paz, deus-justiça, dos pobres, do homossexualismo, fraternal, um deus escondido, enfim, um deus irreconhecível. Deus não muda e este Deus eterno e soberano, Todo-Poderoso, Criador do Céu e da terra, é sim um Deus de Amor, do Amor único, pois fora Dele não há amor verdadeiro, não há vida, não há nada A Igreja , baseando-se nas palavras de Jesus Cristo , fala sobre a existência do inferno , e sobre o fato de que haverá condenados no juízo final. E todo aquele que negar isso, seja clérigo ou laico, incorre em heresia . Somos livres para tornar o olhar com nossa alma ao Salvador e, também somos livres para obstinar-nos na sua rejeição. A morte petrificará essa opção pela eternidade toda. A salvação não é um direito que se tem enquanto ser humano, mas é um prêmio que se recebe por responder positivamente ao plano de Deus para cada um, pois, Ele espera que cada um o reconheça como Deus, siga sua lei e se sirva dos meios de santificação que deixou. A misericórdia de Deus exige de nós mudança de vida. Não confie nessa misericórdia falsa, porque a que vem do Senhor causa em nós reação e conversão. A salvação de Deus é para todos. Não preguemos meias verdades, preguemos verdade inteira, renunciemos a vida velha e entremos pela porta estreita. Jesus quer que olhemos para o hoje, como estamos nos posicionando em relação a Jesus. Muitas vezes somos prepotentes, porque vamos nos enchendo de nós mesmos. Mas é preciso nascer hoje para a vida nova. Sejamos justos, porque Deus é justiça, misericórdia e amor. O nosso lugar é o céu e não vamos desistir diante da cruz do dia a dia. Porque lá no céu vai ser alegria e realização plena. Meus irmãos, coragem. Percorre-se longo caminho na empreitada em busca da salvação.Deus, efetivamente, quer que o homem realize a missão que lhe cabe, porquanto Ele sempre provê o necessário para tal, através de sua infinita bondade e misericórdia. Revela Santa Faustina, em seu Diário: “Ó infelizes, que não aproveitais esse milagre de misericórdia de Deus! Clamareis em vão, pois já será tarde demais. Vi duas estradas: Uma estrada larga, atapetada de areia e flores, cheia de alegria e de música e de vários prazeres. As pessoas caminhavam por essa estrada dançando e divertindo-se — estavam chegando ao fim, sem se aperceberem disso. E, no final dessa estrada, havia um enorme precipício, ou seja, o abismo do Inferno. Essas almas caíam às cegas na voragem desse abismo; à medida que iam chegando, assim tombavam. E seu número era tão grande que não era possível contá-las. E avistei uma outra estrada, ou antes uma vereda, porque era estreita e cheia de espinhos e de pedras, por onde as pessoas seguiam com lágrimas nos olhos e sofrendo dores diversas. Uns tropeçavam e caíam por cima dessas pedras, mas logo se levantavam e iam adiante. E no final da estrada havia um magnífico jardim, repleto de todos os tipos de felicidade e aí entravam todas essas almas. Já no primeiro momento, esqueciam de seus sofrimentos” (Fonte: DIÁRIO DE SANTA FAUSTINA, 1448 e 153) Quem não está convencido da plena seriedade da Eternidade, não convence ninguém, e só pregará um evangelho que não é o de Cristo. Muitos dizem-se tão misericordiosos, mas no fundo são deveras cruéis, pois ao não pregarem abertamente sobre as consequências do pecado, induzem o pecador em erro, levando-o a adiar a sua conversão, e dessa forma conduzem-no ao erro, pois este acumula pecados sobre pecados, obstinando-se no pecado, esperançado que um dia terá perdão mesmo sem o mínimo arrependimento. Só que, a muitos, a morte surpreende-os, sem terem tempo ou condições para se prepararem convenientemente. Já dizia NOSSO SENHOR JESUS CRISTO á Santa Catarina de Sena: «Por presunção, erroneamente, firmam-se na esperança de serem perdoados, mas continuam a ofender-Me, pensando mesmo assim poderem contar com a Minha misericórdia. Jamais ofereci ou ofereço a Minha misericórdia para que Me ofendam. A finalidade do Meu perdão é para que, pela Misericórdia, os pecadores se defendam do Demônio e da confusão de espírito. Mas agem diversamente. Ofendem-Me porque sou Bom!» (Fonte: SANTA CATARINA DE SENA, LIVRO: O Diálogo, 14) Diz São João Crisóstomo: “Essa misericórdia sobre a qual vós contais para poder pecar, dizei-me, quem vo-la prometeu? Não Deus, certamente, mas o demônio, obstinado em vos perder. Cuidado, de dar ouvidos a este monstro infernal que vos promete a misericórdia celeste…..’Deus é cheio de misericórdia, eu pecarei e em seguida confessar-me-ei’. Eis aí a ilusão, ou antes, a armadilha que o demônio usa para arrastar tantas almas ao inferno!” Busquemos pois, com urgência, o sacramento da confissão, verdadeiramente arrependidos, pois, afirma São Bernardo: “…que o coração, obstinado no mal durante a vida, se esforçará, no momento da morte, para sair do estado de condenação; mas não chegará a livrar-se dele, e, oprimido por sua própria malícia, terminará a sua vida no mesmo estado” Tendo amado o pecado, amava também o perigo da condenação. É por isso justamente que o Senhor permitirá que ele pereça nesse perigo, no qual quis viver até à morte. Santo Agostinho disse que: “…aquele que não abandona o pecado antes que o pecado abandone a ele, dificilmente poderá na hora da morte detestá-lo como é devido, pois tudo o que fizer nessa emergência, o fará obrigadamente, e não verdadeiramente arrependido”. O arrependimento, que é essencial à verdadeira conversão (cf. At 2,38; 17,30), envolve morte do pecado (cf. Rm 6). A Bíblia usa termos como “matar o velho homem e revestir-se com o novo”, e descreve com minúcias as mudanças exatas que precisam ser feitas (cf. Ef. 4,17-32; Cl 3). Maus hábitos como embriaguez, imoralidade sexual, ira, ganância e orgulho, precisam ser eliminados da própria vida, ao passo que devem ser acrescentados o amor, a verdade, a pureza, o perdão e a humildade. Este é o resultado do verdadeiro arrependimento. A tendência de muitas pessoas do Século XXI tem sido amenizar as exigências da conversão e inventar um plano mais fácil. Muitas pessoas tentam buscar a conversão e ajudar outras a se converterem sem arrependimento. Isso não é possível. Pois, elas ensinam um cristianismo indolor, que não exige sacrifício. Elas salientam as emoções, a felicidade e as bênçãos, porém pensam muito pouco sobre as mudanças reais que a conversão exige na vida diária da pessoa. Entendamos isto claramente: não há conversão sem arrependimento, e não há misericórdia sem arrependimento e conversão!! A urgência da conversão está expressa em nosso cotidiano da vida. Jesus Cristo é a manifestação radical e definitiva do amor de Deus por nós. Mas para que esse verdadeiro e incomparável amor de Deus se torne comunhão, temos de nos abrir diariamente a graça de Deus, desejá-lo no íntimo do nosso ser, mudar em nós aquelas atitudes que dificultam ou mesmo impedem a conversão. Vamos fazer um verdadeiro exame de consciência. Reexaminar nossas atitudes e buscar de coração aberto um verdadeiro arrependimento de nossos pecados. Reflitamos de forma demasiadamente simples sobre o amor. Amor é não querer que o mal aconteça a nós e a ninguém, para isso temos limites que muitas vezes só conseguimos suportar por Amor. Logo, este deus-amor não se encaixa em sua omissão, pois permite que as pessoas se atolem até o pescoço com essa liberdade que conduz à ruina da pessoa humana, confundindo a individualidade da pessoa humana com o egoísmo. Por isso eu digo que esse deus-amor bonzinho ao ponto de nos permitir afundar na nossa própria miséria e de nos deleitarmos nela, deve ser tido como nada. Abra-se sim ao Deus da Redenção, ao Deus que falou ao Povo de Israel, ao Deus que nos deixou por herança a sua própria obra que é a Santa Igreja, na qual se congrega todo o seu povo e que o conduz a presença deste Deus que é Amor, mas que também è JUSTIÇA , e corrige aqueles que ama e castiga aqueles que tem por seus filhos. Claro, ao dizerem sobre Deus Amor verifique se ele é o Deus que a Igreja ensina, pois ela foi fundada por Ele e enviada a anunciá-Lo sem enganos até o fim dos tempos , se é o Deus da Bíblia, o Deus da Divina Revelação Cristã, completa e imperecível. Deus é Pai, é Amor é Vida. O Deus Verdadeiro. Equipe Templário de Maria #Misericórdia #penitência

  • A ILUSÃO DA MISERICÓRDIA SEM CONVERSÃO E SEM ARREPENDIMENTO.

    NÃO SABES QUE A BENIGNIDADE DE DEUS TE CONVIDA À PENITÊNCIA? (RM 2,4) Diz Santo Agostinho: “Se Deus espera com paciência, não espera sempre. Pois, se o Senhor sempre nos tolerasse, ninguém se condenaria; ora, é larga a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele. Quem ofende a Deus, fiado na esperança de ser perdoado, é um escarnecedor e não um penitente”. Diz ainda Santo Agostinho : “…o demônio seduz os homens por duas maneiras: Com desespero e com esperança. Depois que o pecador cometeu o delito, arrasta-o ao desespero pelo temor da justiça divina; mas, antes de pecar, excita-o a cair em tentação pela esperança na divina misericórdia”. É por isso que Santo Agostinho nos adverte, dizendo: “Depois do pecado tenha esperança na divina misericórdia; antes do pecado tema a justiça divina. E assim é, com efeito. Porque não merece a misericórdia de Deus aquele que se serve da mesma para ofendê-lo. A misericórdia é para quem teme a Deus e não para o que dela se serve com o propósito de ofende-Lo. Ai daquele que para pecar confia na esperança! A quantos essa vã ilusão tem enganado e levado à perdição”, finaliza o santo Nos ensina Santo Afonso Maria de Ligório, em seu livro “Preparação para a morte”: “Quem semeia pecados, não pode esperar outra coisa que não seja o eterno castigo no inferno (Gl 6,8). O laço com que o demônio arrasta quase todos os cristãos que se condenam é, sem dúvida, esse engano com que os seduz, dizendo-lhes:“Pecai livremente, porque, apesar de todos os pecados, haveis de salvar-vos”. O Senhor, porém, amaldiçoa aquele que peca consciente e livremente na esperança de perdão. A esperança depois do pecado, quando o pecador deveras se arrepende, é agradável a Deus, mas a dos obstinados lhe é abominável. Tal esperança provoca o castigo de Deus, assim como seria passível de punição o servo que ofendesse a seu patrão, precisamente porque ele é bondoso e amável. Certo autor indicava que o Inferno se povoa mais pela Misericórdia do que pela Justiça Divina. E assim é, porque, contando temerariamente com a Misericórdia, prosseguem pecando e acabam condenando-se. Deus é infinitamente Misericordioso, ninguém o nega. Mas, apesar disso, a quantos hoje em dia manda a misericórdia desvirtuada para o Inferno. Deus é Misericordioso, mas também é Justo, e por isso sente-se obrigado a castigar a quem O ofende” – (FONTE: Livro “Preparação para a morte” , de Santo Afonso Maria de Ligório , Bispo e doutor da Igreja) Diz São Basílio: “Não duvideis que DEUS é infinitamente Misericordioso, mas saibamos que Ele é também JUSTO, e estejamos bem atentos para não considerar apenas uma metade de DEUS. Uma vez que DEUS é JUSTO, é impossível que os ingratos escapem do castigo. Misericórdia!! Misericórdia sim, mas para aqueles que TEMEM E BUSCAM à DEUS, e não para aquele que abusa da paciência DIVINA” Algo me incomoda sobremaneira. O pensamento corrente em um “deus-amor” que se contrapõe ao Deus revelado nas páginas da Bíblia e por toda a amplitude da Revelação Divina. Ora, Deus, Criador do céu e da terra, não é também um Deus-Amor? Sim, EVIDENTE Deus é o Amor pleno e perfeito. Para sabermos sobre isto, basta lermos a I Carta do Apóstolo João, onde ele não somente explicita o Amor Divino como diz que quem não ama não é de Deus. Portanto, Deus é o amor perfeito, infinito!! Dito isto, e para tratarmos melhor esta questão, vamos então conhecer um pouco deste “deus-amor” recorrente em nosso tempo. Um dos maiores perigos, tanto pelo excesso quanto pelo desleixo é justamente querermos moldar um deus às nossas convêniencias, que seja compatível ao modo de pensar nas diversas épocas de nossa sociedade. O que acontece em nossa época? Acontece que há um esfriamento da Fé, um esquecimento muito grande do compromisso com a Fé e seus mínimos preceitos, um aniquilamento do modo geral de que Fé não é exatamente necessário para ser uma boa pessoa, o clima atual nos faz pensar que a Fé é apenas um ato bom e natural e que no fundo no fundo não leva ninguém a nada, a não ser confortá-las até o fim da vida. Já que há uma dormência do conhecimento de Deus, então alarga-se o campo das teorias religiosas de nossos tempos e que estas teorias, muitas delas bestiais, encontrem um grandioso campo fértil para a sua propagação e que acabam sendo acolhidas por muitos e muitos, grandes e pequenos, ricos e pobres, etc. A Santa Igreja ensina , que a presunção da salvação sem merecimento, ou seja, aquele pensamento de que vou me salvar sem arrependimento, sem conversão, e sem obedecer ás leis e os mandamentos de Deus, pois Deus é misericordioso, é um PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO, E PORTANTO, UM PECADO QUE NÃO TEM PERDÃO!! É muito fácil, muito bom e confortável acolhermos a imagem de um “deus-amor”, que concede a liberdade não para que O amemos, mas para que possamos fazer tudo o que se pode e queremos fazer. Este “deus-amor” é contrário a repressão dos sentimentos desordenados, pelo contrário, é a imagem de um deus que antes incentiva tais desordens, já que este deus é a pura misericórdia, tudo e todos estão salvos, então comamos, bebamos e morramos depois. Para propagar este deus-amor, muitas vezes as pessoas, já confortavelmente envolvidas com este deus, gostam de contrastar o deus-amor de hoje com o Deus de nossos pais, ou seja, o Deus de nossos pais, o Deus que os nossos pais tiveram a virtude de nos ensinar desde o nosso berço, é um Deus de castigo, um Deus de rosto fechado, bravo, pronto a nos dar cachimbadas pelos nossos erros, então claro, o deus de nossa época é muito melhor que o Deus de nossos pais, pois não castiga, não cobra respostas inteligíveis ao dom da Fé, não nos ameaça com a perdição eterna do inferno. Eu lhes afirmo: Este deus, é falso. Um deus praticamente hippie, que se possivel viria a terra para gandaiar conosco e conduzir a festa. Deus não muda, mesmo que as nossas conveniências nos insitem a querer isso. Dizer que o Deus de nossos pais é diferente do deus de nossos tempos é dizer que Deus somente existe pela nossa necessidade natural de crer e assim podemos então, ao invés de se abrir ao grande mistério divino, criar o nosso deus, seja ele deus-amor, deus-paz, deus-justiça, dos pobres, do homossexualismo, fraternal, um deus escondido, enfim, um deus irreconhecível. Deus não muda e este Deus eterno e soberano, Todo-Poderoso, Criador do Céu e da terra, é sim um Deus de Amor, do Amor único, pois fora Dele não há amor verdadeiro, não há vida, não há nada A Igreja , baseando-se nas palavras de Jesus Cristo , fala sobre a existência do inferno , e sobre o fato de que haverá condenados no juízo final. E todo aquele que negar isso, seja clérigo ou laico, incorre em heresia . Somos livres para tornar o olhar com nossa alma ao Salvador e, também somos livres para obstinar-nos na sua rejeição. A morte petrificará essa opção pela eternidade toda. A salvação não é um direito que se tem enquanto ser humano, mas é um prêmio que se recebe por responder positivamente ao plano de Deus para cada um, pois, Ele espera que cada um o reconheça como Deus, siga sua lei e se sirva dos meios de santificação que deixou. A misericórdia de Deus exige de nós mudança de vida. Não confie nessa misericórdia falsa, porque a que vem do Senhor causa em nós reação e conversão. A salvação de Deus é para todos. Não preguemos meias verdades, preguemos verdade inteira, renunciemos a vida velha e entremos pela porta estreita. Jesus quer que olhemos para o hoje, como estamos nos posicionando em relação a Jesus. Muitas vezes somos prepotentes, porque vamos nos enchendo de nós mesmos. Mas é preciso nascer hoje para a vida nova. Sejamos justos, porque Deus é justiça, misericórdia e amor. O nosso lugar é o céu e não vamos desistir diante da cruz do dia a dia. Porque lá no céu vai ser alegria e realização plena. Meus irmãos, coragem. Percorre-se longo caminho na empreitada em busca da salvação.Deus, efetivamente, quer que o homem realize a missão que lhe cabe, porquanto Ele sempre provê o necessário para tal, através de sua infinita bondade e misericórdia. Revela Santa Faustina, em seu Diário: “Ó infelizes, que não aproveitais esse milagre de misericórdia de Deus! Clamareis em vão, pois já será tarde demais. Vi duas estradas: Uma estrada larga, atapetada de areia e flores, cheia de alegria e de música e de vários prazeres. As pessoas caminhavam por essa estrada dançando e divertindo-se — estavam chegando ao fim, sem se aperceberem disso. E, no final dessa estrada, havia um enorme precipício, ou seja, o abismo do Inferno. Essas almas caíam às cegas na voragem desse abismo; à medida que iam chegando, assim tombavam. E seu número era tão grande que não era possível contá-las. E avistei uma outra estrada, ou antes uma vereda, porque era estreita e cheia de espinhos e de pedras, por onde as pessoas seguiam com lágrimas nos olhos e sofrendo dores diversas. Uns tropeçavam e caíam por cima dessas pedras, mas logo se levantavam e iam adiante. E no final da estrada havia um magnífico jardim, repleto de todos os tipos de felicidade e aí entravam todas essas almas. Já no primeiro momento, esqueciam de seus sofrimentos” (Fonte: DIÁRIO DE SANTA FAUSTINA, 1448 e 153) Quem não está convencido da plena seriedade da Eternidade, não convence ninguém, e só pregará um evangelho que não é o de Cristo. Muitos dizem-se tão misericordiosos, mas no fundo são deveras cruéis, pois ao não pregarem abertamente sobre as consequências do pecado, induzem o pecador em erro, levando-o a adiar a sua conversão, e dessa forma conduzem-no ao erro, pois este acumula pecados sobre pecados, obstinando-se no pecado, esperançado que um dia terá perdão mesmo sem o mínimo arrependimento. Só que, a muitos, a morte surpreende-os, sem terem tempo ou condições para se prepararem convenientemente. Já dizia NOSSO SENHOR JESUS CRISTO á Santa Catarina de Sena: «Por presunção, erroneamente, firmam-se na esperança de serem perdoados, mas continuam a ofender-Me, pensando mesmo assim poderem contar com a Minha misericórdia. Jamais ofereci ou ofereço a Minha misericórdia para que Me ofendam. A finalidade do Meu perdão é para que, pela Misericórdia, os pecadores se defendam do Demônio e da confusão de espírito. Mas agem diversamente. Ofendem-Me porque sou Bom!» (Fonte: SANTA CATARINA DE SENA, LIVRO: O Diálogo, 14) Diz São João Crisóstomo: “Essa misericórdia sobre a qual vós contais para poder pecar, dizei-me, quem vo-la prometeu? Não Deus, certamente, mas o demônio, obstinado em vos perder. Cuidado, de dar ouvidos a este monstro infernal que vos promete a misericórdia celeste…..’Deus é cheio de misericórdia, eu pecarei e em seguida confessar-me-ei’. Eis aí a ilusão, ou antes, a armadilha que o demônio usa para arrastar tantas almas ao inferno!” Busquemos pois, com urgência, o sacramento da confissão, verdadeiramente arrependidos, pois, afirma São Bernardo: “…que o coração, obstinado no mal durante a vida, se esforçará, no momento da morte, para sair do estado de condenação; mas não chegará a livrar-se dele, e, oprimido por sua própria malícia, terminará a sua vida no mesmo estado” Tendo amado o pecado, amava também o perigo da condenação. É por isso justamente que o Senhor permitirá que ele pereça nesse perigo, no qual quis viver até à morte. Santo Agostinho disse que: “…aquele que não abandona o pecado antes que o pecado abandone a ele, dificilmente poderá na hora da morte detestá-lo como é devido, pois tudo o que fizer nessa emergência, o fará obrigadamente, e não verdadeiramente arrependido”. O arrependimento, que é essencial à verdadeira conversão (cf. At 2,38; 17,30), envolve morte do pecado (cf. Rm 6). A Bíblia usa termos como “matar o velho homem e revestir-se com o novo”, e descreve com minúcias as mudanças exatas que precisam ser feitas (cf. Ef. 4,17-32; Cl 3). Maus hábitos como embriaguez, imoralidade sexual, ira, ganância e orgulho, precisam ser eliminados da própria vida, ao passo que devem ser acrescentados o amor, a verdade, a pureza, o perdão e a humildade. Este é o resultado do verdadeiro arrependimento. A tendência de muitas pessoas do Século XXI tem sido amenizar as exigências da conversão e inventar um plano mais fácil. Muitas pessoas tentam buscar a conversão e ajudar outras a se converterem sem arrependimento. Isso não é possível. Pois, elas ensinam um cristianismo indolor, que não exige sacrifício. Elas salientam as emoções, a felicidade e as bênçãos, porém pensam muito pouco sobre as mudanças reais que a conversão exige na vida diária da pessoa. Entendamos isto claramente: não há conversão sem arrependimento, e não há misericórdia sem arrependimento e conversão!! A urgência da conversão está expressa em nosso cotidiano da vida. Jesus Cristo é a manifestação radical e definitiva do amor de Deus por nós. Mas para que esse verdadeiro e incomparável amor de Deus se torne comunhão, temos de nos abrir diariamente a graça de Deus, desejá-lo no íntimo do nosso ser, mudar em nós aquelas atitudes que dificultam ou mesmo impedem a conversão. Vamos fazer um verdadeiro exame de consciência. Reexaminar nossas atitudes e buscar de coração aberto um verdadeiro arrependimento de nossos pecados. Reflitamos de forma demasiadamente simples sobre o amor. Amor é não querer que o mal aconteça a nós e a ninguém, para isso temos limites que muitas vezes só conseguimos suportar por Amor. Logo, este deus-amor não se encaixa em sua omissão, pois permite que as pessoas se atolem até o pescoço com essa liberdade que conduz à ruina da pessoa humana, confundindo a individualidade da pessoa humana com o egoísmo. Por isso eu digo que esse deus-amor bonzinho ao ponto de nos permitir afundar na nossa própria miséria e de nos deleitarmos nela, deve ser tido como nada. Abra-se sim ao Deus da Redenção, ao Deus que falou ao Povo de Israel, ao Deus que nos deixou por herança a sua própria obra que é a Santa Igreja, na qual se congrega todo o seu povo e que o conduz a presença deste Deus que é Amor, mas que também è JUSTIÇA , e corrige aqueles que ama e castiga aqueles que tem por seus filhos. Claro, ao dizerem sobre Deus Amor verifique se ele é o Deus que a Igreja ensina, pois ela foi fundada por Ele e enviada a anunciá-Lo sem enganos até o fim dos tempos , se é o Deus da Bíblia, o Deus da Divina Revelação Cristã, completa e imperecível. Deus é Pai, é Amor é Vida. O Deus Verdadeiro. Equipe Templário de Maria #Misericórdia #penitência

  • Admivárel mundo novo – Aldous Huxley

    Um dos maiores clássicos literários de ficção é Admirável mundo novo, do Aldous Huxley. Nele o autor relata uma sociedade distópica, onde os bebês são produzidos em laboratórios e separados por castas, e cada casta é condicionada a determinados tipos de comportamentos e pensamentos. Nesse mundo não existem relações profundas entre os seres humanos. O conceito de família foi abolido, o culto a Deus foi substituído e as liberdades individuais trocadas pelo bem estar coletivo e ordem social. Ainda existe o Soma, que é uma droga fornecida pelo governo que deixa as pessoas mais felizes, inibindo qualquer sentimento de dúvida, tristeza, apatia ou outro qualquer que o governo julgue prejudicial. Na visão dos personagens era a sociedade perfeita. Todos felizes, condicionados a aceitar seu destino sem questionar, eles tinham tudo que desejavam e nunca desejavam o que não podiam ter. Apesar de ter sido escrito na década de 30, os paralelos com a sociedade moderna são assustadores. Hoje, as relações entre as pessoas estão sendo substituídas pela Tv e internet, o culto a Deus por qualquer prazer mundano ou coisa banal, as liberdades de pensamento sendo censuradas pela patrulha do politicamente correto, e um consumo cada vez maior de ansiolíticos e outras drogas, numa tentativa de fugir da realidade ou mascará-la, são apenas parte do problema das sociedades pós-modernas. A realidade imita a literatura. O grande escritor C.S Lewis já dizia que, assim como um carro funciona com determinado combustível, Deus era o combustível que deveria nos mover, e que toda história humana era uma tentativa fracassada de tentar descobrir a felicidade em outras coisas que não Deus. A verdade é que, sem o combustível correto, a máquina humana irá sempre emperrar, não importa o quanto se tente criar uma sociedade perfeita. Esse nosso mundo não é mais tão novo, e está cada vez menos admirável. Ramon Serrano #livro #resenha

  • SOBRE A MÚSICA CATÓLICA PRÓPRIA PARA SANTA MISSA.

    PAPA SÃO PIO X – MOTO PRÓPRIO TRA LE SOLLICITUDINE Sobre a Música Sacra: VI. Órgão e Instrumentos: 14. Posto que a música própria da Igreja é a música meramente vocal, contudo também se permite a música com acompanhamento de órgão. Nalgum caso particular, com as convenientes cautelas, poderão admitir-se outros instrumentos, conforme as prescrições do “Caeremoniale Episcoporum”; 15. Como o canto tem de ouvir-se sempre, o órgão e os instrumentos devem simplesmente sustentá-lo, e nunca encobri-lo; 16. Não é permitido antepor ao canto extensos prelúdios; 17. O som do órgão, nos acompanhamentos do canto, nos prelúdios, interlúdios e outras passagens semelhantes, não só deve ser de harmonia com a própria natureza de tal instrumento, isto é, grave, mas deve ainda participar de todas as qualidades que tem a verdadeira música sacra, acima mencionadas; 18. É proibido, na Igreja, o uso do piano bem como o de instrumentos fragorosos, o tambor, o bombo, os pratos, as campainhas e semelhantes; 19. É rigorosamente proibido que as bandas musicais toquem nas igrejas, e só em algum caso particular, com o consentimento do Ordinário, será permitida uma escolha limitada, judiciosa e proporcionada ao ambiente de instrumentos de sopro, contanto que a composição seja em estilo grave, conveniente e semelhante em tudo às do órgão; 20. Nas procissões, fora da igreja, pode o Ordinário permitir a banda musical, uma vez que não se executem composições profanas. Seria para desejar que a banda se restringisse a acompanhar algum cântico espiritual, em latim, proposto pelos cantores ou pias congregações que tomam parte na procissão”. Oras, será que os músicos dito católicos, realmente obedecem ao Papa, como costumam insistentemente propagar e dizer por aí? Muitos vão dizer, que estou citando um Papa “retrógrado”, “antigo” e “ultrapassado”, como o Papa São Pio X, por acharem que a Igreja foi concebida há 50 anos atrás. O que veio antes, por 1.950 anos, está morto, não serve mais!! Ok!! Mencionarei então, um Papa dito como “moderno” e “liberal”!! Vejamos o que diz São João Paulo II, em sua magistral Encíclica Ecclesia de Eucharistia. Na Encíclica Ecclesia de Eucharistia, o Papa São João Paulo II repete nove vezes que “a Missa é renovação incruenta do sacrifício da cruz”. Viva o Papa!! Desafiando todos os modernistas, declarou o Papa São João Paulo II que “o ponto de referência teologal para a Missa continua sendo o Concílio de Trento” – (João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, no 9). Declarar que Trento continua em vigor, depois de quatrocentos anos. Se a Santa Missa é a renovação do sacrifício do Calvário, fica impossível manter o rock, a cuíca, o pandeiro, o reco-reco, bateria, e ate ‘DJ’s na renovação do sacrifício da cruz. Toda a noção de missas baladas, missas shows, sertanejas, etc… desmorona. (E estão todas em vídeos na Internet, em grande variedade e fartura). Na encíclica Ecclesia de Eucharistia, o Papa São João Paulo II, condena uma série de abusos que foram introduzidos na Missa, hoje em dia. Entre esses abusos o Papa enumera em sua Encíclica, os seguintes: 1- O abandono do culto eucarístico; 2- A perda do sentido de sacrifício na Missa, transformada em encontro amistoso; 3- Perda da noção da necessidade do sacerdote; 4- Abusos ecumênicos; 5- A ideia de que o Padre, por sua criatividade, pode desrespeitar as rubricas impostas pela Igreja, quando quiser; 6- A ideia falsa de que, quem celebra a Missa é a comunidade, e não o sacerdote; 7- Abusos ao dar a comunhão a pecadores públicos, como, por exemplo a pessoas amasiadas, em segunda união 8- Abusos ao dar a comunhão a hereges 9- Abusos em matéria arquitetônica, construindo igrejas que mais parecem salões de festa do que um templo sagrado; 10- Abusos em matéria musical, adotando músicas profanas, impróprias para acompanhar as cerimônias sagradas. Neste campo, o Papa volta a recomendar que se volte a adotar a música gregoriana na Missa; 11- O abuso de ensinar que se pode dar a comunhão a quem sabe que está em pecado mortal, e sem ter se confessado; 12- O abuso de realizar concelebrações com hereges -(Cfr. João Paulo II, Ecclesai de Eucharistia, nos números 10 – 29 – 37 – 38 — 44- 47- 49 – 52-53). E então, aos ministérios de músicas de hoje: Será que vão continuar com suas bandas, com barulhentas músicas profanas, sentimentalistas e protestantes, para dar lugar ao Canto Oficial da Igreja Católica, O Gregoriano? E olhe que foi citado a Encíclica do Papa João Paulo II, e não de nenhum outro Papa já “antigo” e “ultrapassado”. Ou já estaria São João Paulo II ultrapassado também? PAPA PIO XI: A Carta do Papa Pio XI DIVINI CULTUS SANCTITATEM de 1928, adverte os organistas contra “a presunção da música moderna”. Indica a música Gregoriana como o ideal para a liturgia sob o ponto de vista da beleza. Apresenta-a ainda como o ideal para o canto da assembleia, com a lembrança de que em tempos anteriores, os fiéis a cantavam. “A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na ação litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar” – (Sacrosanctum Concilium, n. 116).“Chorei ouvindo os teus hinos e cânticos, profundamente emocionado pelas vozes de tua Igreja, que suavemente canta”! – (Santo Agostinho) PAPA BENTO XVI: “Para captar claramente a identidade e a missão, observou, “é oportuno recordar que o Papa São Pio X o fundou o Pontifício Instituto de Música Sacra , oito anos depois de ter emanado o Motu proprio “Tra le sollecitudini”, de 22 de novembro de 1903, com o qual levou a cabo uma profunda reforma no campo da música sacra, voltando à grande tradição da Igreja contra as influências exercidas pela música profana. Esta intervenção magisterial precisava, para a sua realização na Igreja universal, de um centro de estudo e ensino que pudesse transmitir de modo fiel e qualificado as linhas indicadas pelo Sumo Pontífice, segundo a autêntica e gloriosa tradição que remonta a São Gregório Magno. O sentido da oração, da dignidade e da beleza; a plena adesão aos textos e aos gestos litúrgicos; o envolvimento da assembleia, conservando ao mesmo tempo a universalidade da linguagem; a primazia do canto gregoriano, como modelo supremo de música sacra, e a sábia valorização das demais formas expressivas que fazem parte do patrimônio histórico-litúrgico da Igreja. Sobre a base destes sólidos e seguros elementos, aos quais se acrescenta uma experiência já secular, eu vos convido a levar adiante, com renovado ímpeto e compromisso, vosso serviço na formação profissional dos estudantes, para que adquiram uma séria e profunda competência nas diversas disciplinas da música sacra” – (Fonte: Sumo Pontífice , Papa Bento XVI , CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 1º de junho de 2011 (ZENIT.org) Instrução sobre a Música Sacra e a Sagrada Liturgia: “A ninguém escapa que, entre a Música Sacra e a Sagrada Liturgia há, por sua própria natureza, laços tão estreitos, que dificilmente se poderiam prescrever leis ou estabelecer normas para uma, deixando de lado a outra. E, na verdade, nos referidos documentos pontifícios e decretos da Sagrada Congregação dos Ritos, encontra-se associada a matéria da Música Sacra e da Sagrada Liturgia – (Fonte: Roma, sede da Sagrada Congregação dos Ritos, no dia da festa de São Pio X, 3 de setembro de 1958”). Muitas vezes (a esmagadora maioria), ouvimos canções com um altíssimo cunho sentimentalista, que não se coaduna com a Liturgia. Esses estilos não devem estar presentes na música litúrgica: a Liturgia não existe para agradar o gosto de todos. Foi o Papa Gregório I que se preocupou em organizar este gênero musical. “É preciso distinguir a diferença que existe entre música liturgia e música religiosa. Faz-se necessário considerar que uma música religiosa, por melhor que seja não serve para o uso litúrgico, mas foi composta para outra finalidade. São aquelas músicas que procuram expressar o sentimento religioso dos fiéis, mas não têm lugar na liturgia. Elas servem para encontros, exercícios de piedade, etc. Na música religiosa podemos encontrar cantos para encontros, para reuniões de grupos de rua, cantos para grupos de oração, etc. Porém, não podemos cair no erro de acharmos que temos o direito de colocá-las na liturgia só porque são bonitas e animadas e por conta disto desprezarmos a música litúrgica. Cada canto no seu lugar. Não temos o direito de ignorar as regras litúrgicas e as orientações do Magistério da Igreja – (Fonte: Instrução Geral sobre o Missal Romano) Que características deve ter a música litúrgica? Quanto à letra: as partes fixas da Missa que são cantadas (o chamado Ordinário da Missa: Kyrie, Glória, Credo, Santo, Cordeiro de Deus), assim como a Oração do Senhor (Pai Nosso), não podem ter a letra alterada (é particularmente absurdo trocar a letra de uma oração ensinada por Nosso Senhor por outra qualquer); as partes próprias de cada Missa (canto de entrada, salmo, aclamação ao Evangelho, canto de procissão das oferendas, canto de comunhão), deveriam seguir as antífonas do Missal Romano – (Instrução Geral do Missal Romano, números 46-90 e Instrução Musicam Sacram, n. 32). Estas determinações são quase sempre desobedecidas e, além disso, há outras coisas que foram inventadas. Por exemplo: não se diz em momento algum que deva haver um canto da paz, que muitas vezes acaba sendo um elemento de dispersão, ou que se deva cantar o Sinal da Cruz da maneira como se costuma fazer comumente. Neste último caso, temos dois problemas: a Saudação compete ao sacerdote, e nós devemos responder “Amém”; e a letra tem um conteúdo de heresia, pois ao dizer “em nome” de cada uma das Pessoas divinas, isso pode dar margem ao triteísmo, ou seja, à compreensão de que são três deuses – (Fonte: Catecismo da Igreja Católica, n. 233). Aqui nós temos um grande desafio: pesquisar e/ou compor cantos que respeitem o texto das orações e das antífonas com seus salmos, ou mesmo, porque não, aprender as melodias gregorianas mais fáceis, como as da Missa VIII (De Angelis), para não abandonarmos o grande tesouro espiritual contido no canto gregoriano, que segue sendo o canto “próprio” da liturgia romana – (Fonte: Sacrosantum Concilium, n. 116) Papa João Paulo II no Quirógrafo sobre a Música Litúrgica: Diz o Santo Padre no número 12 do referido Quirógrafo sobre a Música Sacra: 12. “No que diz respeito às composições musicais litúrgicas, faço minha a «regra geral» que São Pio X formulava com estes termos: Uma composição para a Igreja é tanto mais sacra e litúrgica quanto mais se aproximar, no andamento, na inspiração e no sabor, da melodia gregoriana, e tanto menos é digna do templo, quanto mais se reconhece disforme daquele modelo supremo». Não se trata, evidentemente, de copiar o canto gregoriano, mas muito mais de considerar que as novas composições sejam absorvidas pelo mesmo espírito que suscitou e, pouco a pouco, modelou aquele canto. Somente um artista profundamente mergulhado no sensus Ecclesiae pode procurar compreender e traduzir em melodia a verdade do Mistério que se celebra na Liturgia…”, finaliza o Papa São João Paulo II Sobretudo, deve ter as qualidades próprias da liturgia: a santidade e a bondade das formas, de onde nasce a universalidade. Deve ser santa, excluindo o que é profano. Deve ter arte verdadeira. Deve ser universal, ou seja, os fiéis de outra nação devem ter uma boa impressão ao ouvi-la. Estas qualidades se encontram de maneira máxima no canto gregoriano, que por isso continua sendo o modelo exemplar de música litúrgica; uma música será tanto mais litúrgica quanto se aproxime do espírito do canto gregoriano, respeito ao texto, capacidade de gerar silêncio, reverência. Bem, tendo feito estas considerações, em conformidade com os documentos que pautaram a reforma litúrgica, creio que podemos nos perguntar: estariam os rumos da Música Sacra seguindo os legítimos impulsos do Espírito Santo? Será que a “participação” popular preconizada pelo Concílio previa a música barulhenta e os “shows” que muitas vezes tomam conta de nossas celebrações? Não poderia esta música estar contribuindo para a perda do sentido do mistério celebrado? Afinal, que diferença há, atualmente, entre a música que escutamos fora de nossos templos e a que se executa dentro deles? Devemos deixar de lado a tradição dos corais, substituindo-os por “bandas”, sob o pretexto de que a polifonia dificulta a participação popular? O que é verdadeiramente o “canto religioso popular”? Será a música que cantamos hoje em dia na maioria das igrejas? Poderiam surgir outras questões. As respostas talvez não sejam evidentes, sobretudo em virtude do ambiente teológico tumultuado em que vivemos, no qual se perdeu de vista o autêntico significado da Eucaristia. E também há uma certa “instalação” na situação em que nos encontramos, tanto no que diz respeito à Música Sacra quanto à Liturgia em geral. Ocorre que a ignorância teológica somada à musical e cultural geram a ignorância espiritual e a mediocridade, a opção pelo que é mais cômodo e fácil . Gostaria de terminar este artigo convidando os que o leram a refletir a respeito, pois a Música Litúrgica tem um papel importantíssimo em nossas celebrações. Ainda que uma música barulhenta, feia ou inadequada não seja capaz de invalidar o Sacrifício do Senhor Jesus, certamente uma Música de maior qualidade (sobretudo espiritual) será a que trará maior proveito ao povo, para que este participe do Sacrifício com as disposições interiores e exteriores adequadas. Amém! Equipe Padre Rodrigo Maria

  • SOBRE A MÚSICA CATÓLICA PRÓPRIA PARA SANTA MISSA.

    PAPA SÃO PIO X – MOTO PRÓPRIO TRA LE SOLLICITUDINE Sobre a Música Sacra: VI. Órgão e Instrumentos: 14. Posto que a música própria da Igreja é a música meramente vocal, contudo também se permite a música com acompanhamento de órgão. Nalgum caso particular, com as convenientes cautelas, poderão admitir-se outros instrumentos, conforme as prescrições do “Caeremoniale Episcoporum”; 15. Como o canto tem de ouvir-se sempre, o órgão e os instrumentos devem simplesmente sustentá-lo, e nunca encobri-lo; 16. Não é permitido antepor ao canto extensos prelúdios; 17. O som do órgão, nos acompanhamentos do canto, nos prelúdios, interlúdios e outras passagens semelhantes, não só deve ser de harmonia com a própria natureza de tal instrumento, isto é, grave, mas deve ainda participar de todas as qualidades que tem a verdadeira música sacra, acima mencionadas; 18. É proibido, na Igreja, o uso do piano bem como o de instrumentos fragorosos, o tambor, o bombo, os pratos, as campainhas e semelhantes; 19. É rigorosamente proibido que as bandas musicais toquem nas igrejas, e só em algum caso particular, com o consentimento do Ordinário, será permitida uma escolha limitada, judiciosa e proporcionada ao ambiente de instrumentos de sopro, contanto que a composição seja em estilo grave, conveniente e semelhante em tudo às do órgão; 20. Nas procissões, fora da igreja, pode o Ordinário permitir a banda musical, uma vez que não se executem composições profanas. Seria para desejar que a banda se restringisse a acompanhar algum cântico espiritual, em latim, proposto pelos cantores ou pias congregações que tomam parte na procissão”. Oras, será que os músicos dito católicos, realmente obedecem ao Papa, como costumam insistentemente propagar e dizer por aí? Muitos vão dizer, que estou citando um Papa “retrógrado”, “antigo” e “ultrapassado”, como o Papa São Pio X, por acharem que a Igreja foi concebida há 50 anos atrás. O que veio antes, por 1.950 anos, está morto, não serve mais!! Ok!! Mencionarei então, um Papa dito como “moderno” e “liberal”!! Vejamos o que diz São João Paulo II, em sua magistral Encíclica Ecclesia de Eucharistia. Na Encíclica Ecclesia de Eucharistia, o Papa São João Paulo II repete nove vezes que “a Missa é renovação incruenta do sacrifício da cruz”. Viva o Papa!! Desafiando todos os modernistas, declarou o Papa São João Paulo II que “o ponto de referência teologal para a Missa continua sendo o Concílio de Trento” – (João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, no 9). Declarar que Trento continua em vigor, depois de quatrocentos anos. Se a Santa Missa é a renovação do sacrifício do Calvário, fica impossível manter o rock, a cuíca, o pandeiro, o reco-reco, bateria, e ate ‘DJ’s na renovação do sacrifício da cruz. Toda a noção de missas baladas, missas shows, sertanejas, etc… desmorona. (E estão todas em vídeos na Internet, em grande variedade e fartura). Na encíclica Ecclesia de Eucharistia, o Papa São João Paulo II, condena uma série de abusos que foram introduzidos na Missa, hoje em dia. Entre esses abusos o Papa enumera em sua Encíclica, os seguintes: 1- O abandono do culto eucarístico; 2- A perda do sentido de sacrifício na Missa, transformada em encontro amistoso; 3- Perda da noção da necessidade do sacerdote; 4- Abusos ecumênicos; 5- A ideia de que o Padre, por sua criatividade, pode desrespeitar as rubricas impostas pela Igreja, quando quiser; 6- A ideia falsa de que, quem celebra a Missa é a comunidade, e não o sacerdote; 7- Abusos ao dar a comunhão a pecadores públicos, como, por exemplo a pessoas amasiadas, em segunda união 8- Abusos ao dar a comunhão a hereges 9- Abusos em matéria arquitetônica, construindo igrejas que mais parecem salões de festa do que um templo sagrado; 10- Abusos em matéria musical, adotando músicas profanas, impróprias para acompanhar as cerimônias sagradas. Neste campo, o Papa volta a recomendar que se volte a adotar a música gregoriana na Missa; 11- O abuso de ensinar que se pode dar a comunhão a quem sabe que está em pecado mortal, e sem ter se confessado; 12- O abuso de realizar concelebrações com hereges -(Cfr. João Paulo II, Ecclesai de Eucharistia, nos números 10 – 29 – 37 – 38 — 44- 47- 49 – 52-53). E então, aos ministérios de músicas de hoje: Será que vão continuar com suas bandas, com barulhentas músicas profanas, sentimentalistas e protestantes, para dar lugar ao Canto Oficial da Igreja Católica, O Gregoriano? E olhe que foi citado a Encíclica do Papa João Paulo II, e não de nenhum outro Papa já “antigo” e “ultrapassado”. Ou já estaria São João Paulo II ultrapassado também? PAPA PIO XI: A Carta do Papa Pio XI DIVINI CULTUS SANCTITATEM de 1928, adverte os organistas contra “a presunção da música moderna”. Indica a música Gregoriana como o ideal para a liturgia sob o ponto de vista da beleza. Apresenta-a ainda como o ideal para o canto da assembleia, com a lembrança de que em tempos anteriores, os fiéis a cantavam. “A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na ação litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar” – (Sacrosanctum Concilium, n. 116).“Chorei ouvindo os teus hinos e cânticos, profundamente emocionado pelas vozes de tua Igreja, que suavemente canta”! – (Santo Agostinho) PAPA BENTO XVI: “Para captar claramente a identidade e a missão, observou, “é oportuno recordar que o Papa São Pio X o fundou o Pontifício Instituto de Música Sacra , oito anos depois de ter emanado o Motu proprio “Tra le sollecitudini”, de 22 de novembro de 1903, com o qual levou a cabo uma profunda reforma no campo da música sacra, voltando à grande tradição da Igreja contra as influências exercidas pela música profana. Esta intervenção magisterial precisava, para a sua realização na Igreja universal, de um centro de estudo e ensino que pudesse transmitir de modo fiel e qualificado as linhas indicadas pelo Sumo Pontífice, segundo a autêntica e gloriosa tradição que remonta a São Gregório Magno. O sentido da oração, da dignidade e da beleza; a plena adesão aos textos e aos gestos litúrgicos; o envolvimento da assembleia, conservando ao mesmo tempo a universalidade da linguagem; a primazia do canto gregoriano, como modelo supremo de música sacra, e a sábia valorização das demais formas expressivas que fazem parte do patrimônio histórico-litúrgico da Igreja. Sobre a base destes sólidos e seguros elementos, aos quais se acrescenta uma experiência já secular, eu vos convido a levar adiante, com renovado ímpeto e compromisso, vosso serviço na formação profissional dos estudantes, para que adquiram uma séria e profunda competência nas diversas disciplinas da música sacra” – (Fonte: Sumo Pontífice , Papa Bento XVI , CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 1º de junho de 2011 (ZENIT.org) Instrução sobre a Música Sacra e a Sagrada Liturgia: “A ninguém escapa que, entre a Música Sacra e a Sagrada Liturgia há, por sua própria natureza, laços tão estreitos, que dificilmente se poderiam prescrever leis ou estabelecer normas para uma, deixando de lado a outra. E, na verdade, nos referidos documentos pontifícios e decretos da Sagrada Congregação dos Ritos, encontra-se associada a matéria da Música Sacra e da Sagrada Liturgia – (Fonte: Roma, sede da Sagrada Congregação dos Ritos, no dia da festa de São Pio X, 3 de setembro de 1958”). Muitas vezes (a esmagadora maioria), ouvimos canções com um altíssimo cunho sentimentalista, que não se coaduna com a Liturgia. Esses estilos não devem estar presentes na música litúrgica: a Liturgia não existe para agradar o gosto de todos. Foi o Papa Gregório I que se preocupou em organizar este gênero musical. “É preciso distinguir a diferença que existe entre música liturgia e música religiosa. Faz-se necessário considerar que uma música religiosa, por melhor que seja não serve para o uso litúrgico, mas foi composta para outra finalidade. São aquelas músicas que procuram expressar o sentimento religioso dos fiéis, mas não têm lugar na liturgia. Elas servem para encontros, exercícios de piedade, etc. Na música religiosa podemos encontrar cantos para encontros, para reuniões de grupos de rua, cantos para grupos de oração, etc. Porém, não podemos cair no erro de acharmos que temos o direito de colocá-las na liturgia só porque são bonitas e animadas e por conta disto desprezarmos a música litúrgica. Cada canto no seu lugar. Não temos o direito de ignorar as regras litúrgicas e as orientações do Magistério da Igreja – (Fonte: Instrução Geral sobre o Missal Romano) Que características deve ter a música litúrgica? Quanto à letra: as partes fixas da Missa que são cantadas (o chamado Ordinário da Missa: Kyrie, Glória, Credo, Santo, Cordeiro de Deus), assim como a Oração do Senhor (Pai Nosso), não podem ter a letra alterada (é particularmente absurdo trocar a letra de uma oração ensinada por Nosso Senhor por outra qualquer); as partes próprias de cada Missa (canto de entrada, salmo, aclamação ao Evangelho, canto de procissão das oferendas, canto de comunhão), deveriam seguir as antífonas do Missal Romano – (Instrução Geral do Missal Romano, números 46-90 e Instrução Musicam Sacram, n. 32). Estas determinações são quase sempre desobedecidas e, além disso, há outras coisas que foram inventadas. Por exemplo: não se diz em momento algum que deva haver um canto da paz, que muitas vezes acaba sendo um elemento de dispersão, ou que se deva cantar o Sinal da Cruz da maneira como se costuma fazer comumente. Neste último caso, temos dois problemas: a Saudação compete ao sacerdote, e nós devemos responder “Amém”; e a letra tem um conteúdo de heresia, pois ao dizer “em nome” de cada uma das Pessoas divinas, isso pode dar margem ao triteísmo, ou seja, à compreensão de que são três deuses – (Fonte: Catecismo da Igreja Católica, n. 233). Aqui nós temos um grande desafio: pesquisar e/ou compor cantos que respeitem o texto das orações e das antífonas com seus salmos, ou mesmo, porque não, aprender as melodias gregorianas mais fáceis, como as da Missa VIII (De Angelis), para não abandonarmos o grande tesouro espiritual contido no canto gregoriano, que segue sendo o canto “próprio” da liturgia romana – (Fonte: Sacrosantum Concilium, n. 116) Papa João Paulo II no Quirógrafo sobre a Música Litúrgica: Diz o Santo Padre no número 12 do referido Quirógrafo sobre a Música Sacra: 12. “No que diz respeito às composições musicais litúrgicas, faço minha a «regra geral» que São Pio X formulava com estes termos: Uma composição para a Igreja é tanto mais sacra e litúrgica quanto mais se aproximar, no andamento, na inspiração e no sabor, da melodia gregoriana, e tanto menos é digna do templo, quanto mais se reconhece disforme daquele modelo supremo». Não se trata, evidentemente, de copiar o canto gregoriano, mas muito mais de considerar que as novas composições sejam absorvidas pelo mesmo espírito que suscitou e, pouco a pouco, modelou aquele canto. Somente um artista profundamente mergulhado no sensus Ecclesiae pode procurar compreender e traduzir em melodia a verdade do Mistério que se celebra na Liturgia…”, finaliza o Papa São João Paulo II Sobretudo, deve ter as qualidades próprias da liturgia: a santidade e a bondade das formas, de onde nasce a universalidade. Deve ser santa, excluindo o que é profano. Deve ter arte verdadeira. Deve ser universal, ou seja, os fiéis de outra nação devem ter uma boa impressão ao ouvi-la. Estas qualidades se encontram de maneira máxima no canto gregoriano, que por isso continua sendo o modelo exemplar de música litúrgica; uma música será tanto mais litúrgica quanto se aproxime do espírito do canto gregoriano, respeito ao texto, capacidade de gerar silêncio, reverência. Bem, tendo feito estas considerações, em conformidade com os documentos que pautaram a reforma litúrgica, creio que podemos nos perguntar: estariam os rumos da Música Sacra seguindo os legítimos impulsos do Espírito Santo? Será que a “participação” popular preconizada pelo Concílio previa a música barulhenta e os “shows” que muitas vezes tomam conta de nossas celebrações? Não poderia esta música estar contribuindo para a perda do sentido do mistério celebrado? Afinal, que diferença há, atualmente, entre a música que escutamos fora de nossos templos e a que se executa dentro deles? Devemos deixar de lado a tradição dos corais, substituindo-os por “bandas”, sob o pretexto de que a polifonia dificulta a participação popular? O que é verdadeiramente o “canto religioso popular”? Será a música que cantamos hoje em dia na maioria das igrejas? Poderiam surgir outras questões. As respostas talvez não sejam evidentes, sobretudo em virtude do ambiente teológico tumultuado em que vivemos, no qual se perdeu de vista o autêntico significado da Eucaristia. E também há uma certa “instalação” na situação em que nos encontramos, tanto no que diz respeito à Música Sacra quanto à Liturgia em geral. Ocorre que a ignorância teológica somada à musical e cultural geram a ignorância espiritual e a mediocridade, a opção pelo que é mais cômodo e fácil . Gostaria de terminar este artigo convidando os que o leram a refletir a respeito, pois a Música Litúrgica tem um papel importantíssimo em nossas celebrações. Ainda que uma música barulhenta, feia ou inadequada não seja capaz de invalidar o Sacrifício do Senhor Jesus, certamente uma Música de maior qualidade (sobretudo espiritual) será a que trará maior proveito ao povo, para que este participe do Sacrifício com as disposições interiores e exteriores adequadas. Amém! Equipe Padre Rodrigo Maria

  • A Vitória da Razão – Rodney Stark

    Nesse livro excepcional, Rodney Stark, um renomado sociólogo e professor de religião comparativa, aborda como o Cristianismo, destacando-se de outras religiões monoteístas e dos fundamentos filosóficos da cultura grega, gerou a liberdade, os direitos do homem, a procura sistemática da razão, a paixão pelo progresso e a confiança no futuro. Rebatendo teses marxistas e weberianas, o autor remete para a Idade Média a gênese do Capitalismo, primeiro desenvolvido na organização e função econômica dos conventos, depois nos bancos e mercadores das repúblicas italianas, que a levarão para as cidades da Flandres e de Inglaterra e depois para o Novo Mundo, sistema que levará ao milagre econômico e ao predomínio do Ocidente. Rodney Stark começa com uma constatação impressionante: no início do século XVI, os europeus quando comparados aos povos muçulmanos, chineses e indianos eram os únicos a possuírem universidades, óculos, bússolas confiáveis e relógios mecânicos. Como isso foi possível? A resposta está na confiança do cristianismo na razão e na crença de que fazer ciência era possível. Tudo isso baseado no livro do gênesis, que afirma que a criação é boa, no livro da Sabedoria, que diz que Deus criou tudo com medida número e peso, em Santo Agostinho e, principalmente, na filosofia escolástica. Stark demonstra uma coisa que sempre instigou os estudiosos: como a revolução científica do século XVII aconteceu? Foi uma combinação de dois fatores importantes: a fundação das universidades, instituição desconhecida dos povos não cristãos até o século XIX, e a crença cristã de que a ciência e o progresso eram possíveis. A verdadeira ciência nasceu na Europa medieval. Stark aborda a criação do sistema capitalista e a liberdade de mercado, a criação dos bancos na Itália depois se espalhando pelo norte da Europa. O capitalismo é uma invenção medieval por sua crença no comércio, no trabalho especializado, fé no progresso, crédito, um sistema bancário e ausência de escravidão. O principal motivo no entanto, foi a valorização do trabalho pela cultura monástica do ocidente.  Stark aponta também a justificação teológica da igualdade entre os homens, os direitos de propriedade e a limitação que havia na idade média dos poderes dos reis e dos estados como outros fatores para o surgimento do capitalismo. Um livro essencial para quem deseja derrubar mitos comumente tomados por verdadeiros. Apesar de ser um tema amplo, o livro é de linguagem fácil e concisa, cheio de referências e excelente material histórico. Vale a pena!!! #cristianismo #históriadaigreja #resenha

  • É REGRA QUE TODO AQUELE QUE SERVE A DEUS SEJA PERSEGUIDO!

    Quando uma pessoa se converte e começa a mudar os próprios hábitos e comportamentos para se conformar à vontade de Deus, o mundo começa a impor-lhe a conhecida pecha de “radical”. Experimente deixar de usar determinadas roupas, parar de fazer alguns comentários maldosos, afastar-se da turminha “descolada” do colégio ou começar a usar algum adereço externo que sinalize que você é católico. Imediatamente, o mundo começará a zombar de você. Ninguém pense que este é um sintoma exclusivo dos nossos tempos. Na época deSanto Afonso Maria de Ligório, ele alertava para a consequência inevitável de quem se decidia a amar a Deus e desapegar-se do mundo: seria escrachado e ridicularizado publicamente. Dizia Santo Afonso: “É um santo! Vede o santo! Dá-me um pedaço de teu hábito como relíquia! Seria melhor que fosses para o deserto! Por que não entras para um convento?”. Hoje, talvez, as palavras de zombaria sejam diferentes, mas o objetivo do mundo é sempre o mesmo: perseguir as almas dos que querem levar uma vida santa e fazer com que sintam vergonha de serem justos, como sentia Santo Agostinho, antes de sua conversão: “Pudet non esse impudentem – Eu me envergonhava de ser honesto”. Por que é assim?, alguém se pode perguntar. “Talvez digas: Não faço ninguém sofrer: procuro só a salvação de minha alma e por que então ser perseguida?”, ao que Santo Afonso responde: “Porque é regra que todo aquele que serve a Deus seja perseguido. (…) Os que levam uma vida perversa não podem ver que outros vivam santamente, porque a conduta destes é uma reprovação perene de seu perverso proceder”. Algumas palavras das Escrituras podem ajudar a entender esse fenômeno. Primeiro, uma profecia do próprio Senhor: “Recordai-vos daquilo que eu vos disse: ‘O servo não é maior do que o seu senhor’. Se me perseguiram, perseguirão a vós também” (Jo 15, 20) De fato, que fez Jesus àqueles que O perseguiam? Que mal praticou Nosso Senhor para que fosse tão desprezado pelos de Seu tempo, recebendo de Seus algozes bofetões, cusparadas, açoites e espinhos? Nenhum mal Ele fez, na verdade. “Ele jamais cometeu injustiça, mentira nunca esteve em sua boca” (Is 53, 9). Mesmo assim, foi incriminado, injustiçado e castigado como o pior dos criminosos. A Cruz de Cristo, além de sinal da nossa salvação, é a ilustração exata de como os bons são tratados neste mundo: como ladrões e miseráveis. E por que é assim? Porque, como adverte São Tiago, a amizade do mundo é inimizade de Deus (cf. Tg 4, 4). Os mundanos injuriam e espreitam os santos porque estes não amam o mundo como eles. Zombam e caçoam dos justos por não serem loucos e mundanos como eles são. A sua loucura, porém, acaba com a sua morte. Diante do tribunal de Deus, de nada valem os prazeres, as honras e as riquezas com que foram cumulados os homens nesta Terra, mas tão somente as suas almas. E então? Como será o seu julgamento? Como agirão na presença d’Aquele que tanto insultaram e desprezaram em vida? Perguntarão, certamente:“Senhor, quando foi que te vimos com fome ou com sede, forasteiro ou nu, doente ou preso, e não te servimos?” (Mt 25, 44) E Nosso Senhor lhes responderá : Todas as vezes que zombastes dos santos, caçoastes dos justos e humilhastes os pobres, “foi a mim que o fizestes”. Todas as vezes que matastes com a vossa língua os que queriam viver a castidade, todas as vezes que ristes de quem queria ir à Missa todos os dias e até os apelidastes maliciosamente de “papa-hóstias”, todas as vezes que tentastes arrefecer a piedade de quem rezava o Terço, todas as vezes que humilhastes os vossos filhos só porque eles queriam viver a virtude… Foi a mim, Jesus Cristo, que o fizestes. Então, cumprir-se-á a palavra do Evangelho: “Aquele que me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que está nos céus” (Mt 10, 33). Por isso, que ninguém tema ser odiado pelo mundo ou tachado de “radical”. À parte a conotação negativa que ganhou essa palavra, o seu real significado está ligado à ideia de raízes: quanto mais profundas, por assim dizer, as “raízes” de uma pessoa, mais radical ela será. Antes de elevar-se acima de todas as outras espécies de sua região, o cedro do Líbano lança fundo as suas raízes e, depois, cresce majestosamente. A sua estatura chega a ser comparada pelo Autor Sagrado ao progresso do homem virtuoso: “O justo crescerá como a palmeira, como o cedro do Líbano se elevará” (Sl 91, 13). É para isso que o homem foi colocado sobre a Terra. Quando chamou os Seus discípulos, Nosso Senhor não pretendia recrutar funcionários para uma empresa ou colaboradores para uma ONG piedosa. Ele queria homens que entregassem tudo o que tinham e, por fim, a própria vida. Assim fez São Pedro, no início de sua vocação (cf. Lc 5, 11), até a sua morte, quando foi crucificado em Roma. Seguindo os seus mesmos passos, também os outros Apóstolos viveram o Evangelho na radicalidade: levaram até o martírio o seu amor a Jesus. Assim, também nós, sejamos radicais no seguimento de Cristo. Alegremo-nos nas perseguições, pois diz o Senhor: “Felizes os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 10) Cresce a cada passo, a perseguição (por vezes velada) quando tentamos viver com alguma retidão, na conversão diária: ridicularização, zombaria; ser deixado de lado numa festa de família. Ser tachado de intolerante por falar que a religião católica é a única verdadeira, ou de inoportuno por fazer um simples convite para ir à missa… Aos poucos vou entendendo que isso é uma condição para o “povo da Cruz”, como nos rotula o Estado Islâmico. Eis uma grande angústia: tomo muito cuidado para não ferir a sensibilidade de alguém, mas me sinto na obrigação de dar a quem Nosso Senhor coloca em meu caminho , a razão da minha fé. Todos quantos recusam o infinito amor de Jesus verão o cristianismo como um elemento perturbador, pois a luz de Cristo dissipa as trevas que lhes cobrem os pecados, convidando-os a uma introspecção. A partir daí, corrigirem-se, advertindo que teriam de abrir mão de uma serie de interesses que lhes custariam certos esforços e renuncias; no entanto, não se dispõem a mudanças, preferindo manterem-se no materialismo. Já os que se submetem à influência do Espírito Santo investem-se contra as concupiscências pessoais e aceitam o convite de Jesus, enquanto os que se apegam ao pecado combatem contra a verdade e seus representantes, os desqualificam e os perseguem o quanto possam, chegando até à morte, como vemos hoje em dia em atentados contra pessoas e templos católicos. Como é difícil se manter fiel no mundo, se rejeitado e zombado tantas vezes. Mas, que alegria e que paz ao mesmo tempo! A fé cristã tem raiz em forma de cruz. Essa verdade apresenta-se ao longo de toda a história do cristianismo, sobretudo nos dois últimos séculos, nos quais se fizeram mais mártires que todos os demais. Uma vez que o próprio Cristo certificou os discípulos acerca do ódio do mundo, nota-se a repetição, de tempos em tempos, da perseguição que acompanha a peregrinação da Igreja na Terra, como presságio da derradeira provação e páscoa do Senhor. É a aparente derrota do cristianismo dada pela cruz que, ao final, se transmuta em vitória e juízo final do amor de Deus por sua criatura. Portanto, a única alternativa coerente à perseguição não é a do falso messianismo e da apostasia, mas o abraçar da cruz cotidiana, firme na promessa de Cristo que estará com seus seguidores até o fim dos tempos. Seja qual for a categoria do martírio, todos precisam recordar que “o sangue dos mártires é semente para novos cristãos”. Assim, mesmo que o rebanho se reduza a um pequeno grupo, a um resto, é neste grupo que Deus operará a graça para a proliferação do anúncio da Boa Nova pelos séculos dos séculos, “porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Cf. Mt 18, 20) Hoje, talvez não nos é pedida somente a entrega física dos primeiros mártires, que tiveram suas cabeças, braços e pernas decepados por causa de Cristo. Mas, sem dúvida, é-nos também pedida a fidelidade de cada dia, pela qual todo cristão é sempre um mártir: “Sendo muitas as perseguições, também são numerosos os martírios. Todos os dias és testemunha de Cristo. Foste tentado pelo espírito de fornicação; mas, por temor do futuro juízo de Cristo, julgaste que não devias manchar a pureza da alma e do corpo: és mártir de Cristo. Foste tentado pelo espírito de avareza para assaltar a propriedade do teu inferior ou para violar os direitos da viúva indefesa; todavia, meditando nos preceitos divinos, preferiste prestar ajuda a praticar injustiças: és testemunha de Cristo. (…) Foste tentado pelo espírito de soberba; mas, ao ver o pobre e o necessitado, compadeceste-te piedosamente e preferiste a humildade à arrogância: és testemunha de Cristo” “Como são numerosos todos os dias os mártires ocultos de Cristo, os que confessam o Senhor Jesus! O Apóstolo conheceu este martírio e este fiel testemunho, ao dizer: “É esta a nossa glória e o testemunho da nossa consciência”. Com os santos, aprendemos que “quem começa a servir verdadeiramente o Senhor, o mínimo que lhe pode oferecer é a própria vida”, como ensinava Santa Teresa de Ávila. Foto de Beato José Sanchez Del Rio, assassinado aos 14 anos Peçamos a intercessão dos santos, para que nos ajude a sermos testemunhas de Cristo onde for: senão no alto dos montes, nas arenas dos leões ou no madeiro das cruzes, que sejamos testemunhos em nossas casas, em nossas escolas e em nossos trabalhos. Muitos dos primeiros mártires iam para as fogueiras ou para as covas dos leões cantando hinos de glória, para arrepio dos pagãos que assistiam perplexos. Isso só é possível para aqueles cuja meta está em alcançar a Coroa da Justiça nos céus. Por isso muitos que experimentaram a honra do martírio, como o Beato José Sanchez Del Rio, tiveram nos lábios as palavras “Viva Cristo Rei”. Nestes tempos obscuros de materialismo e relativismo, a Igreja tem, mais uma vez, a missão de testemunhar até o martírio as Palavras Eternas: Viva Cristo Rei!

  • É REGRA QUE TODO AQUELE QUE SERVE A DEUS SEJA PERSEGUIDO!

    Quando uma pessoa se converte e começa a mudar os próprios hábitos e comportamentos para se conformar à vontade de Deus, o mundo começa a impor-lhe a conhecida pecha de “radical”. Experimente deixar de usar determinadas roupas, parar de fazer alguns comentários maldosos, afastar-se da turminha “descolada” do colégio ou começar a usar algum adereço externo que sinalize que você é católico. Imediatamente, o mundo começará a zombar de você. Ninguém pense que este é um sintoma exclusivo dos nossos tempos. Na época deSanto Afonso Maria de Ligório, ele alertava para a consequência inevitável de quem se decidia a amar a Deus e desapegar-se do mundo: seria escrachado e ridicularizado publicamente. Dizia Santo Afonso: “É um santo! Vede o santo! Dá-me um pedaço de teu hábito como relíquia! Seria melhor que fosses para o deserto! Por que não entras para um convento?”. Hoje, talvez, as palavras de zombaria sejam diferentes, mas o objetivo do mundo é sempre o mesmo: perseguir as almas dos que querem levar uma vida santa e fazer com que sintam vergonha de serem justos, como sentia Santo Agostinho, antes de sua conversão: “Pudet non esse impudentem – Eu me envergonhava de ser honesto”. Por que é assim?, alguém se pode perguntar. “Talvez digas: Não faço ninguém sofrer: procuro só a salvação de minha alma e por que então ser perseguida?”, ao que Santo Afonso responde: “Porque é regra que todo aquele que serve a Deus seja perseguido. (…) Os que levam uma vida perversa não podem ver que outros vivam santamente, porque a conduta destes é uma reprovação perene de seu perverso proceder”. Algumas palavras das Escrituras podem ajudar a entender esse fenômeno. Primeiro, uma profecia do próprio Senhor: “Recordai-vos daquilo que eu vos disse: ‘O servo não é maior do que o seu senhor’. Se me perseguiram, perseguirão a vós também” (Jo 15, 20) De fato, que fez Jesus àqueles que O perseguiam? Que mal praticou Nosso Senhor para que fosse tão desprezado pelos de Seu tempo, recebendo de Seus algozes bofetões, cusparadas, açoites e espinhos? Nenhum mal Ele fez, na verdade. “Ele jamais cometeu injustiça, mentira nunca esteve em sua boca” (Is 53, 9). Mesmo assim, foi incriminado, injustiçado e castigado como o pior dos criminosos. A Cruz de Cristo, além de sinal da nossa salvação, é a ilustração exata de como os bons são tratados neste mundo: como ladrões e miseráveis. E por que é assim? Porque, como adverte São Tiago, a amizade do mundo é inimizade de Deus (cf. Tg 4, 4). Os mundanos injuriam e espreitam os santos porque estes não amam o mundo como eles. Zombam e caçoam dos justos por não serem loucos e mundanos como eles são. A sua loucura, porém, acaba com a sua morte. Diante do tribunal de Deus, de nada valem os prazeres, as honras e as riquezas com que foram cumulados os homens nesta Terra, mas tão somente as suas almas. E então? Como será o seu julgamento? Como agirão na presença d’Aquele que tanto insultaram e desprezaram em vida? Perguntarão, certamente:“Senhor, quando foi que te vimos com fome ou com sede, forasteiro ou nu, doente ou preso, e não te servimos?” (Mt 25, 44) E Nosso Senhor lhes responderá : Todas as vezes que zombastes dos santos, caçoastes dos justos e humilhastes os pobres, “foi a mim que o fizestes”. Todas as vezes que matastes com a vossa língua os que queriam viver a castidade, todas as vezes que ristes de quem queria ir à Missa todos os dias e até os apelidastes maliciosamente de “papa-hóstias”, todas as vezes que tentastes arrefecer a piedade de quem rezava o Terço, todas as vezes que humilhastes os vossos filhos só porque eles queriam viver a virtude… Foi a mim, Jesus Cristo, que o fizestes. Então, cumprir-se-á a palavra do Evangelho: “Aquele que me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que está nos céus” (Mt 10, 33). Por isso, que ninguém tema ser odiado pelo mundo ou tachado de “radical”. À parte a conotação negativa que ganhou essa palavra, o seu real significado está ligado à ideia de raízes: quanto mais profundas, por assim dizer, as “raízes” de uma pessoa, mais radical ela será. Antes de elevar-se acima de todas as outras espécies de sua região, o cedro do Líbano lança fundo as suas raízes e, depois, cresce majestosamente. A sua estatura chega a ser comparada pelo Autor Sagrado ao progresso do homem virtuoso: “O justo crescerá como a palmeira, como o cedro do Líbano se elevará” (Sl 91, 13). É para isso que o homem foi colocado sobre a Terra. Quando chamou os Seus discípulos, Nosso Senhor não pretendia recrutar funcionários para uma empresa ou colaboradores para uma ONG piedosa. Ele queria homens que entregassem tudo o que tinham e, por fim, a própria vida. Assim fez São Pedro, no início de sua vocação (cf. Lc 5, 11), até a sua morte, quando foi crucificado em Roma. Seguindo os seus mesmos passos, também os outros Apóstolos viveram o Evangelho na radicalidade: levaram até o martírio o seu amor a Jesus. Assim, também nós, sejamos radicais no seguimento de Cristo. Alegremo-nos nas perseguições, pois diz o Senhor: “Felizes os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 10) Cresce a cada passo, a perseguição (por vezes velada) quando tentamos viver com alguma retidão, na conversão diária: ridicularização, zombaria; ser deixado de lado numa festa de família. Ser tachado de intolerante por falar que a religião católica é a única verdadeira, ou de inoportuno por fazer um simples convite para ir à missa… Aos poucos vou entendendo que isso é uma condição para o “povo da Cruz”, como nos rotula o Estado Islâmico. Eis uma grande angústia: tomo muito cuidado para não ferir a sensibilidade de alguém, mas me sinto na obrigação de dar a quem Nosso Senhor coloca em meu caminho , a razão da minha fé. Todos quantos recusam o infinito amor de Jesus verão o cristianismo como um elemento perturbador, pois a luz de Cristo dissipa as trevas que lhes cobrem os pecados, convidando-os a uma introspecção. A partir daí, corrigirem-se, advertindo que teriam de abrir mão de uma serie de interesses que lhes custariam certos esforços e renuncias; no entanto, não se dispõem a mudanças, preferindo manterem-se no materialismo. Já os que se submetem à influência do Espírito Santo investem-se contra as concupiscências pessoais e aceitam o convite de Jesus, enquanto os que se apegam ao pecado combatem contra a verdade e seus representantes, os desqualificam e os perseguem o quanto possam, chegando até à morte, como vemos hoje em dia em atentados contra pessoas e templos católicos. Como é difícil se manter fiel no mundo, se rejeitado e zombado tantas vezes. Mas, que alegria e que paz ao mesmo tempo! A fé cristã tem raiz em forma de cruz. Essa verdade apresenta-se ao longo de toda a história do cristianismo, sobretudo nos dois últimos séculos, nos quais se fizeram mais mártires que todos os demais. Uma vez que o próprio Cristo certificou os discípulos acerca do ódio do mundo, nota-se a repetição, de tempos em tempos, da perseguição que acompanha a peregrinação da Igreja na Terra, como presságio da derradeira provação e páscoa do Senhor. É a aparente derrota do cristianismo dada pela cruz que, ao final, se transmuta em vitória e juízo final do amor de Deus por sua criatura. Portanto, a única alternativa coerente à perseguição não é a do falso messianismo e da apostasia, mas o abraçar da cruz cotidiana, firme na promessa de Cristo que estará com seus seguidores até o fim dos tempos. Seja qual for a categoria do martírio, todos precisam recordar que “o sangue dos mártires é semente para novos cristãos”. Assim, mesmo que o rebanho se reduza a um pequeno grupo, a um resto, é neste grupo que Deus operará a graça para a proliferação do anúncio da Boa Nova pelos séculos dos séculos, “porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Cf. Mt 18, 20) Hoje, talvez não nos é pedida somente a entrega física dos primeiros mártires, que tiveram suas cabeças, braços e pernas decepados por causa de Cristo. Mas, sem dúvida, é-nos também pedida a fidelidade de cada dia, pela qual todo cristão é sempre um mártir: “Sendo muitas as perseguições, também são numerosos os martírios. Todos os dias és testemunha de Cristo. Foste tentado pelo espírito de fornicação; mas, por temor do futuro juízo de Cristo, julgaste que não devias manchar a pureza da alma e do corpo: és mártir de Cristo. Foste tentado pelo espírito de avareza para assaltar a propriedade do teu inferior ou para violar os direitos da viúva indefesa; todavia, meditando nos preceitos divinos, preferiste prestar ajuda a praticar injustiças: és testemunha de Cristo. (…) Foste tentado pelo espírito de soberba; mas, ao ver o pobre e o necessitado, compadeceste-te piedosamente e preferiste a humildade à arrogância: és testemunha de Cristo” “Como são numerosos todos os dias os mártires ocultos de Cristo, os que confessam o Senhor Jesus! O Apóstolo conheceu este martírio e este fiel testemunho, ao dizer: “É esta a nossa glória e o testemunho da nossa consciência”. Com os santos, aprendemos que “quem começa a servir verdadeiramente o Senhor, o mínimo que lhe pode oferecer é a própria vida”, como ensinava Santa Teresa de Ávila. Foto de Beato José Sanchez Del Rio, assassinado aos 14 anos Peçamos a intercessão dos santos, para que nos ajude a sermos testemunhas de Cristo onde for: senão no alto dos montes, nas arenas dos leões ou no madeiro das cruzes, que sejamos testemunhos em nossas casas, em nossas escolas e em nossos trabalhos. Muitos dos primeiros mártires iam para as fogueiras ou para as covas dos leões cantando hinos de glória, para arrepio dos pagãos que assistiam perplexos. Isso só é possível para aqueles cuja meta está em alcançar a Coroa da Justiça nos céus. Por isso muitos que experimentaram a honra do martírio, como o Beato José Sanchez Del Rio, tiveram nos lábios as palavras “Viva Cristo Rei”. Nestes tempos obscuros de materialismo e relativismo, a Igreja tem, mais uma vez, a missão de testemunhar até o martírio as Palavras Eternas: Viva Cristo Rei!

  • CONVERSÃO E SALVAÇÃO

    Em breve terás de ceder a outrem as tuas dignidades e riquezas. O túmulo será a morada do teu corpo até ao dia do juízo, e tua alma estará ou no céu, ou no inferno, para ali ficar eternamente. Então nada acharás senão o bem ou o mal que fizeste; tudo o mais terá acabado. É certa a morte. Ó céus! Sabem-no os cristãos, acreditam-no, vêem-no; como é, pois, que há tantos que vivem no esquecimento da morte, como se nunca tivessem de morrer? Se depois desta vida não houvesse nem inferno nem céu, poderiam pensar menos na morte do que atualmente pensam? E porque é que vivem tão mal como estão vivendo? Meu irmão, se queres viver bem, procura viver o resto de teus dias sem perder a morte de vista. O mors, bonum est iudicium tuum (1) – “Ó morte, quão boa é a tua sentença!” Quão bem aprecia as coisas e dirige as suas ações o que as aprecia e dirige tendo em vista a morte! – A lembrança da morte faz perder o amor às coisas deste mundo, diz São Lourenço Justiniano. Com efeito; todos os bens do mundo se reduzem, na palavra de São João (2), aos prazeres dos sentidos, às riquezas e as honras. Ora, tudo isto é bem desprezível aos olhos do que reflete em que dentro em breve se tornará pó e será sepultado para servir de pasto aos vermes. Foi efetivamente à vista da morte que os santos desprezaram todos os bens da vida presente. Que louco não seria o viajante que só pensasse em fazer figura no país que atravessa, e não se importasse que assim se reduz a viver depois vida miserável no país onde tem de ficar a vida toda? E não será igualmente insensato o que só procura ser feliz neste mundo, onde se fica apenas uns poucos dias, e se arrisca a ser desgraçado no outro, onde deverá viver eternamente? – Quem possui alguma coisa apenas por empréstimo, pouca afeição lhe tem, pensando que em breve a tem de restituir. Os bens da terra nos são dados todos de empréstimo; seria, pois, loucura ligar-se-lhes afeição, já que em breve os havemos de abandonar. A morte nos privará de tudo. Meu irmão, todas as posses, todas as fortunas deste mundo terminarão com um último suspiro, um préstito fúnebre, um baixar à cova. Em breve terás de ceder a outrem a casa que construíste; o túmulo será a morada de teu corpo até ao dia do juízo, e depois irá ou ao céu ou ao inferno, para onde a alma já o terá precedido. E então nada acharemos senão o pouco que tivermos feito por amor de Deus, tudo o mais estará acabado. Porque, pois, esperar, ó meu Senhor? Esperarei até que venha a morte e me encontre tão miserável e enlameado de pecados, como estou atualmente? Se tivesse de morrer agora, morreria bem inquieto e mal satisfeito com a vida que levei. Não, meu Jesus, não quero morrer tão descontente. Agradeço-Vos por me haverdes dado o tempo de chorar os meus pecados e de Vos amar. Quero começar, a partir de agora. Pesa-me sobre todos os males de Vos ter ofendido, ó bondade suprema, e amo-Vos mais que todas as coisas, mais que minha vida. Dou-me todo inteiro a Vós; ó meu Jesus, desde já Vos abraço, Vos aperto ao coração, e Vos entrego toda a minha alma: In manus tuas commendo spiritum meum(3). Para vô-la dar, não quero esperar até o momento em que o Proficiscere lhe intimará a ordem de partir deste mundo. Não quero esperar até então para Vos rogar que me salveis. Iesus, sis mihi Iesus – “Ó Jesus, sêde meu Salvador”. Salvai-me agora, perdoando-me e concedendo-me a graça de vosso santo amor. Quem sabe se a consideração que estou lendo agora, não será o último apelo, a última misericórdia que me fazeis? Estendei-me a vossa mão, ó meu amor, e fazei-me sair do lodaçal da tibieza. Dai-me fervor, fazei que Vos obedeça com grande amor em tudo que pedis de mim. – Ó Pai Eterno, pelo amor de Jesus Cristo, dai-me a santa perseverança e a graça de Vos amar, mas de Vos amar muito durante o resto de meus dias. Deus quer certamente que todos os homens se salvem, mas não à força. Por isso Deus põe diante de nós dois caminhos a seguir, deixando a escolha a cada um. Mas, como poderá chegar ao céu quem quiser seguir o caminho do inferno? Avivemos a nossa fé; examinemos atentamente aonde nos leva o caminho trilhado até hoje, e tomemos desde já as providências para nos assegurar a salvação eterna. Deixemos, se for necessário, o mundo: São pequenas todas as cautelas, quando corre risco a eternidade. Deus quer certamente que todos os homens se salvem, mas não quer que nos salvemos à força. Deus, diz o Eclesiástico, pôs diante de cada um a vida e a morte; ser-nos-á dado o que escolhermos. Jeremias diz igualmente que o Senhor pôs diante de nós dois caminhos a seguir, o do céu e o do inferno. Por isso está escrito: O homem irá para a casa de sua eternidade. Deus diz: ele irá, para significar que cada qual se dirigirá à morada que escolher; não será levado, mas irá por sua própria vontade. Mas como poderá chegar ao paraíso, o que quer seguir o caminho do inferno? Coisa estranha! todos os pecadores se querem salvar, e entretanto se condenam por si próprios ao inferno, dizendo sempre: Espero salvar-me. Quem seria tão louco, diz Santo Agostinho, que quisesse tomar veneno na esperança de se curar? No entanto, quantos cristãos, quantos insensatos se dão à morte pelo pecado, dizendo: Mais tarde pensarei no remédio. Ó funesta ilusão, que tantas almas tem arrastado ao inferno!… Não sejamos tão insensatos; e lembremo-nos de que se trata da eternidade. Quanto trabalho se não dão os homens para se construírem uma casa cômoda, bem arejada, num sítio salubre, pela lembrança que nela hão de passar toda a vida! Porque, pois, são tão descuidados, quando se trata da casa que lhes será morada eterna? «O negócio pelo qual trabalhamos», diz Santo Eucherio, «é a eternidade». Não se trata de uma casa mais ou menos cômoda, mais ou menos arejada: trata-se de habitar, ou num lugar cheio de delícias entre os amigos de Deus, ou no abismo de todos os tormentos entre a chusma infame de tantos celerados, hereges e idólatras. — E isto por quanto tempo? Não por vinte ou quarenta anos, mas por toda a eternidade. Não é negócio de somenos; é tudo para nós. Dizia a Venerável Madre Joana da Santíssima Trindade, religiosa carmelita, que na vida dos santos não existe o amanhã. Este só existe na vida dos pecadores, que sempre dizem: mais tarde, mais tarde, e assim se aproximam da morte. Meu irmão, se Deus nos convida hoje para praticar o bem, pratiquemo-lo hoje. Pode ser que amanhã não haja mais tempo, ou que Deus não nos faça mais ouvir o convite. Ó céus! exclama Santa Teresa, é a falta de fé a causa de tantos pecados e da condenação de tantos cristãos. Portanto, reanimemos, sempre a nossa fé, dizendo: Credo vitam aeternam: Creio que depois desta vida há outra que não acaba nunca. Tendo este pensamento sempre presente, tomemos as providências para nos assegurar a salvação eterna. Frequentemos os sacramentos; façamos meditações todos os dias, e pensemos na eternidade; evitemos também as ocasiões de pecado. Deixemos, se for necessário, o mundo, porque nenhuma cautela será excessiva quando se trata de pôr à salvo o grande negócio da salvação eterna. É pois verdade, meu Deus, que aqui não há meio termo: ou sempre feliz ou sempre desgraçado; ou num mar de alegrias, ou num oceano de tormentos; ou sempre convosco no paraíso, ou sempre separado e longe de Vós, no inferno. E este inferno, sei com certeza que inúmeras vezes o mereci; mas estou igualmente certo de que perdoais ao que se arrepende, e livrais do inferno o que espera em Vós. Eia, pois, Senhor, perdoai-me, já que me pesa sobre todas as coisas de Vos ter ofendido: livrai-me do inferno, porque Vos amo e confio em vossa infinita misericórdia. — Minha Rainha e minha Mãe, Maria, ajudai-me com as vossas orações; obtende-me antes mil mortes do que a desgraça de me separar do amor de vosso Filho. Ecclus. 41, 3; 2. 1 Io. 2, 16; 3. Ps. 30, 6 / (*II 65.) – [1] Jer. 21, 8; [2] São Bernardo – (FONTE: Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II e III– Santo Afonso Maria de Ligório) Equipe Padre Rodrigo Maria

  • CONVERSÃO E SALVAÇÃO

    Em breve terás de ceder a outrem as tuas dignidades e riquezas. O túmulo será a morada do teu corpo até ao dia do juízo, e tua alma estará ou no céu, ou no inferno, para ali ficar eternamente. Então nada acharás senão o bem ou o mal que fizeste; tudo o mais terá acabado. É certa a morte. Ó céus! Sabem-no os cristãos, acreditam-no, vêem-no; como é, pois, que há tantos que vivem no esquecimento da morte, como se nunca tivessem de morrer? Se depois desta vida não houvesse nem inferno nem céu, poderiam pensar menos na morte do que atualmente pensam? E porque é que vivem tão mal como estão vivendo? Meu irmão, se queres viver bem, procura viver o resto de teus dias sem perder a morte de vista. O mors, bonum est iudicium tuum (1) – “Ó morte, quão boa é a tua sentença!” Quão bem aprecia as coisas e dirige as suas ações o que as aprecia e dirige tendo em vista a morte! – A lembrança da morte faz perder o amor às coisas deste mundo, diz São Lourenço Justiniano. Com efeito; todos os bens do mundo se reduzem, na palavra de São João (2), aos prazeres dos sentidos, às riquezas e as honras. Ora, tudo isto é bem desprezível aos olhos do que reflete em que dentro em breve se tornará pó e será sepultado para servir de pasto aos vermes. Foi efetivamente à vista da morte que os santos desprezaram todos os bens da vida presente. Que louco não seria o viajante que só pensasse em fazer figura no país que atravessa, e não se importasse que assim se reduz a viver depois vida miserável no país onde tem de ficar a vida toda? E não será igualmente insensato o que só procura ser feliz neste mundo, onde se fica apenas uns poucos dias, e se arrisca a ser desgraçado no outro, onde deverá viver eternamente? – Quem possui alguma coisa apenas por empréstimo, pouca afeição lhe tem, pensando que em breve a tem de restituir. Os bens da terra nos são dados todos de empréstimo; seria, pois, loucura ligar-se-lhes afeição, já que em breve os havemos de abandonar. A morte nos privará de tudo. Meu irmão, todas as posses, todas as fortunas deste mundo terminarão com um último suspiro, um préstito fúnebre, um baixar à cova. Em breve terás de ceder a outrem a casa que construíste; o túmulo será a morada de teu corpo até ao dia do juízo, e depois irá ou ao céu ou ao inferno, para onde a alma já o terá precedido. E então nada acharemos senão o pouco que tivermos feito por amor de Deus, tudo o mais estará acabado. Porque, pois, esperar, ó meu Senhor? Esperarei até que venha a morte e me encontre tão miserável e enlameado de pecados, como estou atualmente? Se tivesse de morrer agora, morreria bem inquieto e mal satisfeito com a vida que levei. Não, meu Jesus, não quero morrer tão descontente. Agradeço-Vos por me haverdes dado o tempo de chorar os meus pecados e de Vos amar. Quero começar, a partir de agora. Pesa-me sobre todos os males de Vos ter ofendido, ó bondade suprema, e amo-Vos mais que todas as coisas, mais que minha vida. Dou-me todo inteiro a Vós; ó meu Jesus, desde já Vos abraço, Vos aperto ao coração, e Vos entrego toda a minha alma: In manus tuas commendo spiritum meum(3). Para vô-la dar, não quero esperar até o momento em que o Proficiscere lhe intimará a ordem de partir deste mundo. Não quero esperar até então para Vos rogar que me salveis. Iesus, sis mihi Iesus – “Ó Jesus, sêde meu Salvador”. Salvai-me agora, perdoando-me e concedendo-me a graça de vosso santo amor. Quem sabe se a consideração que estou lendo agora, não será o último apelo, a última misericórdia que me fazeis? Estendei-me a vossa mão, ó meu amor, e fazei-me sair do lodaçal da tibieza. Dai-me fervor, fazei que Vos obedeça com grande amor em tudo que pedis de mim. – Ó Pai Eterno, pelo amor de Jesus Cristo, dai-me a santa perseverança e a graça de Vos amar, mas de Vos amar muito durante o resto de meus dias. Deus quer certamente que todos os homens se salvem, mas não à força. Por isso Deus põe diante de nós dois caminhos a seguir, deixando a escolha a cada um. Mas, como poderá chegar ao céu quem quiser seguir o caminho do inferno? Avivemos a nossa fé; examinemos atentamente aonde nos leva o caminho trilhado até hoje, e tomemos desde já as providências para nos assegurar a salvação eterna. Deixemos, se for necessário, o mundo: São pequenas todas as cautelas, quando corre risco a eternidade. Deus quer certamente que todos os homens se salvem, mas não quer que nos salvemos à força. Deus, diz o Eclesiástico, pôs diante de cada um a vida e a morte; ser-nos-á dado o que escolhermos. Jeremias diz igualmente que o Senhor pôs diante de nós dois caminhos a seguir, o do céu e o do inferno. Por isso está escrito: O homem irá para a casa de sua eternidade. Deus diz: ele irá, para significar que cada qual se dirigirá à morada que escolher; não será levado, mas irá por sua própria vontade. Mas como poderá chegar ao paraíso, o que quer seguir o caminho do inferno? Coisa estranha! todos os pecadores se querem salvar, e entretanto se condenam por si próprios ao inferno, dizendo sempre: Espero salvar-me. Quem seria tão louco, diz Santo Agostinho, que quisesse tomar veneno na esperança de se curar? No entanto, quantos cristãos, quantos insensatos se dão à morte pelo pecado, dizendo: Mais tarde pensarei no remédio. Ó funesta ilusão, que tantas almas tem arrastado ao inferno!… Não sejamos tão insensatos; e lembremo-nos de que se trata da eternidade. Quanto trabalho se não dão os homens para se construírem uma casa cômoda, bem arejada, num sítio salubre, pela lembrança que nela hão de passar toda a vida! Porque, pois, são tão descuidados, quando se trata da casa que lhes será morada eterna? «O negócio pelo qual trabalhamos», diz Santo Eucherio, «é a eternidade». Não se trata de uma casa mais ou menos cômoda, mais ou menos arejada: trata-se de habitar, ou num lugar cheio de delícias entre os amigos de Deus, ou no abismo de todos os tormentos entre a chusma infame de tantos celerados, hereges e idólatras. — E isto por quanto tempo? Não por vinte ou quarenta anos, mas por toda a eternidade. Não é negócio de somenos; é tudo para nós. Dizia a Venerável Madre Joana da Santíssima Trindade, religiosa carmelita, que na vida dos santos não existe o amanhã. Este só existe na vida dos pecadores, que sempre dizem: mais tarde, mais tarde, e assim se aproximam da morte. Meu irmão, se Deus nos convida hoje para praticar o bem, pratiquemo-lo hoje. Pode ser que amanhã não haja mais tempo, ou que Deus não nos faça mais ouvir o convite. Ó céus! exclama Santa Teresa, é a falta de fé a causa de tantos pecados e da condenação de tantos cristãos. Portanto, reanimemos, sempre a nossa fé, dizendo: Credo vitam aeternam: Creio que depois desta vida há outra que não acaba nunca. Tendo este pensamento sempre presente, tomemos as providências para nos assegurar a salvação eterna. Frequentemos os sacramentos; façamos meditações todos os dias, e pensemos na eternidade; evitemos também as ocasiões de pecado. Deixemos, se for necessário, o mundo, porque nenhuma cautela será excessiva quando se trata de pôr à salvo o grande negócio da salvação eterna. É pois verdade, meu Deus, que aqui não há meio termo: ou sempre feliz ou sempre desgraçado; ou num mar de alegrias, ou num oceano de tormentos; ou sempre convosco no paraíso, ou sempre separado e longe de Vós, no inferno. E este inferno, sei com certeza que inúmeras vezes o mereci; mas estou igualmente certo de que perdoais ao que se arrepende, e livrais do inferno o que espera em Vós. Eia, pois, Senhor, perdoai-me, já que me pesa sobre todas as coisas de Vos ter ofendido: livrai-me do inferno, porque Vos amo e confio em vossa infinita misericórdia. — Minha Rainha e minha Mãe, Maria, ajudai-me com as vossas orações; obtende-me antes mil mortes do que a desgraça de me separar do amor de vosso Filho. Ecclus. 41, 3; 2. 1 Io. 2, 16; 3. Ps. 30, 6 / (*II 65.) – [1] Jer. 21, 8; [2] São Bernardo – (FONTE: Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II e III– Santo Afonso Maria de Ligório) Equipe Padre Rodrigo Maria

  • Do apego desordenado aos Parentes – Sto Afonso Maria de Ligório

    Aquele que se entrega a Deus já não se pertence. Deixa de existir aos seus próprios olhos, não vive em si mesmo, mas nAquele a quem se entregou, e não tem outros interesses a não ser os do Mestre. Esquecer-se de si próprio, por amor, eis a grande lei de toda a vida espiritual. Esquecer-se é excluir das ações, sofrimentos e orações todo o cálculo humano, toda a sombra se amor-próprio ou intenção egoísta. Partilharemos hoje, as fortes palavras de Santo Afonso Maria de Ligório, falando sobre o apego desregrado aos parentes. Texto muito profundo e duro, que a princípio pode nos chocar, mas temos que entendê-lo com muita maturidade, e levando sempre em mente e como prioridade, o 1º. Mandamento da Lei de Deus: Amar á Deus, sobre todas as coisas. Escreve este grande santo, às religiosas e religiosos, mas que possamos meditar esta leitura, aplicando também ela, a nossa realidade. Façamos nós também, o que Deus Pai, pediu à Santa Catarina de Sena, quando pediu à Santa dizendo: “Ama-me com todo teu coração, porque eu te amei e me entreguei a teus amigos, por minha própria e livre vontade, enquanto meus amigos e minha Mãe caiam em amarga dor e pranto. Portanto serias muito ingrata se, em correspondência a tanta caridade, não me amasses. Se minha cabeça foi perfurada e se inclinou na cruz por ti, também tua cabeça deveria inclinar-se até a humildade. Já que meus olhos estavam ensanguentados e cheios de lagrimas, teus olhos deveriam abster-se de visões agradáveis a teus olhos. Se meus ouvidos se cobriram de sangue e ouvi palavras de zombaria contra mim, teus ouvidos teriam que abster-se das conversas frívolas e inoportunas. Ao se ter dado bebida amarga à minha boca e negado uma doce, preserve a tua boca do mal e deixa que se abra para o bem. Posto que minhas mãos foram estendidas e cravadas, que as obras simbolizadas por tuas mãos se estendam aos pobres e aos meus mandamentos. Que teus pés, ou sejam, teus atos, com os quais deves caminhar até mim, sejam crucificados aos deleites de maneira que, da mesma forma que sofri em todos meus membros, também todos os teus membros estejam dispostos a obedecer-me. Peço mais serviços para ti do que para outros porque te dei uma maior graça”, finaliza Jesus à Santa Catarina São João Maria Vianney, disse em um sermão: “Não há nada, meus irmãos, de mais glorioso e de mais honrável para um cristão do que carregar o nome sublime de filho de Deus, de irmão de Jesus Cristo. Da mesma forma, não há nada de mais infame do que ter vergonha de manifestar isso todas as vezes que surge a ocasião. Não, meus irmãos, não nos admiremos ao ver os hipócritas demonstrarem o quanto podem um exterior de piedade para atrair sobre si a estima e os louvores do homem, enquanto que seus pobres corações são devorados pelo pecado mais infame. Estes cegos gostariam de gozar das honras que estão inseparáveis da virtude, sem ter o trabalho de praticá-las. Além do mais, não nos admiremos ainda menos ao ver bons cristãos esconder o tanto quanto podem suas boas obras aos olhos do mundo, temendo que a glória inútil se insinue em seu coração e que os vãos aplausos dos homens lhes façam perder o mérito e a recompensa delas. Entretanto, meus irmãos, onde encontraremos uma covardia mais criminosa e uma abominação mais detestável que, professando crer em Jesus Cristo…, na primeira ocasião violamos as promessas que lhe fizemos sobre as fontes sagradas do batismo? Ah! infelizmente, o que nos tornamos? Quem é Aquele que renegamos? Aí de mim!, abandonamos nosso Deus, nosso Salvador, para nos dispor entre os escravos do demônio, que nos engana e que busca apenas nossa perda e nossa infelicidade eterna. Ó! maldito respeito humano! Como tu arrastas almas para o inferno! Quem são, portanto, aqueles que se tornam culpáveis de respeito humano? Meus irmãos, escutem-me um instante, e ireis saber. Inicialmente, dir-lhes-ei com São Bernardo, que de qualquer lado que consideramos o respeito humano, que é a vergonha de cumprir seus deveres de religião por causa do mundo, todos nos mostram o desprezo e a cegueira. Digo, meus irmãos, que a vergonha de fazer o bem, o medo de ser desprezado ou de ser repreendido por alguns ímpios infelizes, ou alguns ignorantes, é um desprezo terrível que fazemos da presença do bom Deus, diante do qual estamos e que poderia no mesmo instante nos lançar no inferno” – (FONTE : Sermons du vénérable serviteur de Dieus, Jean-Baptiste-Marie Vianney, curé d’Ars. Tome Ie, Librarie Victor Lecoffre, Paris, 1883) Diz Santo Afonso, estas fortes palavras: “Nós lemos entre outros, no fim da vida do Padre Torres, o exemplo de Jerônima Sanfelice, religiosa do mosteiro de Alvino. Nos primeiros tempos, depois da sua profissão, era tão apegada aos parentes que sempre pensava neles, queria que viessem visitá-la amiúde e mandava todos os dias pedir notícias de seu pai. Ora, no mesmo convento, vivia uma sua irmã, chamada Maria Antônia, que era tão fervorosa que pediu a Deus a fizesse sofrer bastante. O Senhor ouviu suas preces e enviou-lhe uma úlcera que lhe roía as carnes e lhe causava convulsões mortais. No meio desses espasmos, exclamava: Mais, ainda mais, meu Esposo. Ora, estando esta irmã a morrer, disse à Jerônima que, se fosse para o paraíso, como esperava, lhe obteria a graça de se fazer santa. Com efeito depois da sua morte, Jerônima mudou de vida, e, entre outras resoluções, tomou a de não mais ver os parentes: tanto assim, que durante quarenta anos, não quis mais apresentar-se no locutório. Dois de seus sobrinhos vieram um dia para vê-la, mas ela mandou despedi-los, e foi para a grade da igreja visitar o Santíssimo Sacramento. Seus sobrinhos encontraram na igreja, para vê-la ao menos de longe, mas ela se retirou atrás da cortina.Entretanto, para isso, se fez tanta violência que desmaiou. Sem violência, ninguém chegará à santidade. Desde então, Jerônima fez tantos progressos no amor divino que viveu e morreu como uma santa. Depois de sua morte, tiraram o seu retrato e, abrindo-se o seu corpo, achou-se sobre o coração uma cruz formada de carne em sinal do seu ardente amor a Jesus crucificado. “É preciso fugir de todos os parentes, quem quiser unir-se deveras ao pai comum, que é Deus”, diz São Gregório — São Bernardo nota que, quando a Santíssima Virgem perdeu o Menino Jesus, o procurou durante três dias, porém inutilmente, entre os parentes; donde concluía que nunca encontraremos Jesus Cristo entre os parentes. Pedro de Blois vai mais longe e acrescenta que o amor do sangue nos priva logo do amor de Deus. Moisés, estando para morrer, nos deixou esta bela e magnífica sentença que convém especialmente às pessoas consagradas a Deus: Aquele que disse a seu pai e a sua mãe: Eu vos não conheço; e a seus irmãos: Eu não sei quem sois; eis o que guarda a vossa lei e se conserva fiel à vossa aliança. Os santos conhecendo o prazer que davam a Deus, desapegando-se dos parentes, tiveram o cuidado de fugir deles o mais longe possível — São Francisco Xavier, quando partiu para as Índias, teve de passar perto do seu país natal, não quis porém chegar para ver sua mãe e seus parentes, embora para isso fosse instado com suas importunas súplicas e soubesse que os não tornaria mais a ver — Tendo a irmã de São Pacomio vindo visitá-lo, o santo voltou-lhe as costas, e mandou dizer-lhe: “Já sabeis que ainda vivo, ide em paz” — Quantos nem quiseram ler as cartas dos parentes? Assim fez, por exemplo, o grande Santo Antão, como refere São João Clímaco. Tinha Santo Antão, passado já muitos anos no deserto, quando recebeu cartas dos parentes. Disse consigo: “que posso esperar da leitura destas cartas, senão inquietações e perda da paz de que gozo?” A este pensamento, as lançou no fogo, dizendo: “Afastai-vos de mim, lembranças da minha pátria, para que não torne eu ao que deixei. Cartas, sede queimadas, para que eu não seja por vós queimado”. Quanto a mim, dizia Santa Teresa de Jesus, não compreendo que consolação pode ter uma religiosa junto de seus parentes. Prescindindo do apego que desagrada a Deus, ela não pode gozar dos seus divertimentos e não pode deixar de tomar parte nos seus padecimentos — Ó minhas irmãs, como vos quadram bem estas reflexões! Quando vossos parentes vem ao locutório, não vos podem tornar participantes de seus prazeres mundanos, porque estais encerradas na clausura e não podeis ir com eles. Que vem fazer pois ao locutório? Só vem para vos referir seus embaraços, seus sofrimentos e sues precisões. E para que serve isso? Só serve para vos encher a cabeça e o espírito de inquietações, de distrações e de defeitos. De sorte que, de cada visita dos parentes, só lucrareis ficar distraídas e inquietas muitos dias na oração e nas comunhões, pensando em todas as coisas que vos disseram. Como, pois, tendo deixado o mundo para ser santas, desejais tanto, que vossos parentes venham visitar-vos com freqüência? Para que? Para que vos façam perder a vossa paz e vosso aproveitamento? E que loucura é essa pensar que não podeis viver alegres sem ver amiúde os vossos parentes? Oh! Se os abandonásseis de todo, muito melhor do que eles, Jesus Cristo vos consolaria e faria a vossa felicidade! Lamenta São Jerônimo o grande número de religiosos que se condenaram, por terem tido compaixão demasiadados parentes. Tremamos; porque o Senhor declara que todo aquele que se pôs ao seu serviço e olha ainda para as coisas do mundo, não é mais apto para o paraíso. Quando vossos parentes quiserem vos enredar nos negócios seculares, escusai-vos polidamente. Observai a advertência que Jesus Cristo deu ao moço que, sendo chamado para segui-lo, dizia que ia primeiro enterrar seu pai: Deixai os mortos sepultar os seus mortos — O mesmo vos digo eu, caríssimas irmãs: deixai que os mundanos, a quem o Senhor chama mortos, tratem os seus negócios lá do mundo; o vosso único negócio seja amar a Deus e cuidar da vossa santificação. Quando a Santíssima Virgem encontrou o Menino Jesus no templo, disse-lhe: Porque nos trataste assim, Filho? Eu e teu Pai te procurávamos cheios de dor — Jesus lhe respondeu: Não sabíeis que eu não me devo ocupar senão das coisas que interessam a glória de meu Pai? — Do mesmo modo, quando vossos parentes se lamentarem de vos recusardes ser-lhes úteis e vos acusarem de ingratas para com eles, de inimigas das vossas famílias, respondei-lhes com firmeza que morrestes para o mundo e deveis aplicar-vos unicamente ao serviço de Deus e do vosso convento. Termino com as palavras de São José Calasans: “Ainda não saiu do mundo a religiosa que se conserva apegada aos parentes” – (Fonte: Retirado do Livro: A Verdadeira Esposa de Jesus Cristo, escrito por Santo Afonso Maria de Ligório, doutor da Igreja) Ainda citando Santo Afonso Maria de Ligório, lemos em seu livro, Prática do Amor a Jesus Cristo, capítulo XI: “Para alguém chegar à perfeição com Deus, deve desapegar-se totalmente das criaturas, e, em particular, renunciar ao amor desregrado dos parentes. Disse Jesus Cristo: “Se alguém vem a mim, e não aborrece seu pai, mãe, mulher, filhos, irmãos e até a sua vida, não pode ser meu discípulo – (Lc 14,26). E por que esse desapego dos parentes? É porque muitas vezes, no referente ao bem da nossa alma, não temos inimigos maiores do que os nossos parentes:“Cada um” – diz ainda o Salvador – terá por inimigos os da sua própria casa” – (Mt 10,36). São Carlos Borromeu dizia que, sempre que ia à casa dos parentes, voltava mais frio de espírito. Quando perguntavam ao Padre Antônio Mendonza por que não visitava a casa dos parentes, respondeu: “Sei por experiência, que em nenhum lugar os religiosos perdem tanto a devoção, como na casa dos parentes”. Em se tratando da escolha de estado, é certo, como o ensina São Tomás, que não somos obrigados a obedecer aos nossos progenitores. Se os pais dum jovem chamado ao estado religioso se opõem à sua vocação, este deve preferir a vontade de Deus à deles; porque, segundo observa o mesmo doutor, os pais fazem muitas vezes obstáculos ao bem espiritual de seus filhos, visando fins pessoais e interesseiros. “Preferem vê-los condenarem-se com eles”, diz São Bernardo, “a permitir que se salvem longe deles”. É coisa estranha ver pais e mães, aliás tementes a Deus, deixarem-se cegar pela paixão ao ponto de tudo fazer e nada omitir para entravar a vocação dum filho que deseja entrar em religião; o que exceto algum caso raríssimo, não se pode escusar de culpa grave. Mas dirá alguém: “É então impossível salvar-se quem não se faz religioso? Então todos os que ficam no mundo se condenam? Respondo: Os que não são chamados por Deus ao estado religioso, salvar-se-ão no mundo, cumprindo os deveres de seu estado; quanto aos que a ele são chamados e não obedecem à voz de Deus, poderão, sim, salvar-se, porém dificilmente se salvarão por falta dos socorros especiais que o Senhor lhes prepara no estado religioso; privados desses meios, não chegarão ao salvar-se. Escreve o teólogo Habert que quem não obedece à vocação divina fica na Igreja como um membro fora do lugar, e assim não poderá, sem muitas dificuldades, cumprir os seus deveres e salvar-se. A escolha de estado é chamada pelo P. Luís de Granada a roda-mestra da vida; no relógio, gasta a roda-mestra, tudo se atrapalha; assim, quanto à vocação, errando-a, a vida inteira ficará em desordem. Quantos moços, por haverem perdido a vocação por culpa dos pais, tiveram mau fim e se tornaram a ruína da sua família! Um moço, chamado ao estado religioso, ficou no mundo para agradar a seu pai; mas depois, desavindo-se com ele, matou-o com a própria mão e morreu no cadafalso. Um outro, já no seminário, resistiu à voz de Deus que o convidava a deixar o mundo. Começou por abandonar os exercícios de piedade, a oração, a comunhão, depois entregou-se aos vícios; e, enfim, uma noite que saía duma casa de tolerância, foi assassinado por um rival. Vários sacerdotes acorreram para socorrê-lo, mas encontraram-no morto. Quantos exemplos semelhantes não poderia eu citar! Mas voltemos ao nosso assunto. São Tomás exorta os que são chamados a uma vida mais perfeita a não se aconselharem nesse ponto com seus pais, porque, nesse particular, eles se tornam nossos inimigos, segundo a palavra do Senhor: Cada um terá por inimigos os de sua própria casa. E se os filhos não são obrigados a se aconselharem com seus pais sobre a vocação a um estado mais perfeito, muito menos o são para esperar a sua permissão para segui-la, e nem a pedi-la sempre que possam temer seja-lhes ele injustamente negada e assim entravada a vocação. São Tomás de Aquino, São Pedro de Alcântara, São Francisco Xavier. São Luís Bertrand, e muitos outros entraram no convento sem os próprios pais o saberem”, finaliza Santo Afonso!

  • Do apego desordenado aos Parentes – Sto Afonso Maria de Ligório

    Aquele que se entrega a Deus já não se pertence. Deixa de existir aos seus próprios olhos, não vive em si mesmo, mas nAquele a quem se entregou, e não tem outros interesses a não ser os do Mestre. Esquecer-se de si próprio, por amor, eis a grande lei de toda a vida espiritual. Esquecer-se é excluir das ações, sofrimentos e orações todo o cálculo humano, toda a sombra se amor-próprio ou intenção egoísta. Partilharemos hoje, as fortes palavras de Santo Afonso Maria de Ligório, falando sobre o apego desregrado aos parentes. Texto muito profundo e duro, que a princípio pode nos chocar, mas temos que entendê-lo com muita maturidade, e levando sempre em mente e como prioridade, o 1º. Mandamento da Lei de Deus: Amar á Deus, sobre todas as coisas. Escreve este grande santo, às religiosas e religiosos, mas que possamos meditar esta leitura, aplicando também ela, a nossa realidade. Façamos nós também, o que Deus Pai, pediu à Santa Catarina de Sena, quando pediu à Santa dizendo: “Ama-me com todo teu coração, porque eu te amei e me entreguei a teus amigos, por minha própria e livre vontade, enquanto meus amigos e minha Mãe caiam em amarga dor e pranto. Portanto serias muito ingrata se, em correspondência a tanta caridade, não me amasses. Se minha cabeça foi perfurada e se inclinou na cruz por ti, também tua cabeça deveria inclinar-se até a humildade. Já que meus olhos estavam ensanguentados e cheios de lagrimas, teus olhos deveriam abster-se de visões agradáveis a teus olhos. Se meus ouvidos se cobriram de sangue e ouvi palavras de zombaria contra mim, teus ouvidos teriam que abster-se das conversas frívolas e inoportunas. Ao se ter dado bebida amarga à minha boca e negado uma doce, preserve a tua boca do mal e deixa que se abra para o bem. Posto que minhas mãos foram estendidas e cravadas, que as obras simbolizadas por tuas mãos se estendam aos pobres e aos meus mandamentos. Que teus pés, ou sejam, teus atos, com os quais deves caminhar até mim, sejam crucificados aos deleites de maneira que, da mesma forma que sofri em todos meus membros, também todos os teus membros estejam dispostos a obedecer-me. Peço mais serviços para ti do que para outros porque te dei uma maior graça”, finaliza Jesus à Santa Catarina São João Maria Vianney, disse em um sermão: “Não há nada, meus irmãos, de mais glorioso e de mais honrável para um cristão do que carregar o nome sublime de filho de Deus, de irmão de Jesus Cristo. Da mesma forma, não há nada de mais infame do que ter vergonha de manifestar isso todas as vezes que surge a ocasião. Não, meus irmãos, não nos admiremos ao ver os hipócritas demonstrarem o quanto podem um exterior de piedade para atrair sobre si a estima e os louvores do homem, enquanto que seus pobres corações são devorados pelo pecado mais infame. Estes cegos gostariam de gozar das honras que estão inseparáveis da virtude, sem ter o trabalho de praticá-las. Além do mais, não nos admiremos ainda menos ao ver bons cristãos esconder o tanto quanto podem suas boas obras aos olhos do mundo, temendo que a glória inútil se insinue em seu coração e que os vãos aplausos dos homens lhes façam perder o mérito e a recompensa delas. Entretanto, meus irmãos, onde encontraremos uma covardia mais criminosa e uma abominação mais detestável que, professando crer em Jesus Cristo…, na primeira ocasião violamos as promessas que lhe fizemos sobre as fontes sagradas do batismo? Ah! infelizmente, o que nos tornamos? Quem é Aquele que renegamos? Aí de mim!, abandonamos nosso Deus, nosso Salvador, para nos dispor entre os escravos do demônio, que nos engana e que busca apenas nossa perda e nossa infelicidade eterna. Ó! maldito respeito humano! Como tu arrastas almas para o inferno! Quem são, portanto, aqueles que se tornam culpáveis de respeito humano? Meus irmãos, escutem-me um instante, e ireis saber. Inicialmente, dir-lhes-ei com São Bernardo, que de qualquer lado que consideramos o respeito humano, que é a vergonha de cumprir seus deveres de religião por causa do mundo, todos nos mostram o desprezo e a cegueira. Digo, meus irmãos, que a vergonha de fazer o bem, o medo de ser desprezado ou de ser repreendido por alguns ímpios infelizes, ou alguns ignorantes, é um desprezo terrível que fazemos da presença do bom Deus, diante do qual estamos e que poderia no mesmo instante nos lançar no inferno” – (FONTE : Sermons du vénérable serviteur de Dieus, Jean-Baptiste-Marie Vianney, curé d’Ars. Tome Ie, Librarie Victor Lecoffre, Paris, 1883) Diz Santo Afonso, estas fortes palavras: “Nós lemos entre outros, no fim da vida do Padre Torres, o exemplo de Jerônima Sanfelice, religiosa do mosteiro de Alvino. Nos primeiros tempos, depois da sua profissão, era tão apegada aos parentes que sempre pensava neles, queria que viessem visitá-la amiúde e mandava todos os dias pedir notícias de seu pai. Ora, no mesmo convento, vivia uma sua irmã, chamada Maria Antônia, que era tão fervorosa que pediu a Deus a fizesse sofrer bastante. O Senhor ouviu suas preces e enviou-lhe uma úlcera que lhe roía as carnes e lhe causava convulsões mortais. No meio desses espasmos, exclamava: Mais, ainda mais, meu Esposo. Ora, estando esta irmã a morrer, disse à Jerônima que, se fosse para o paraíso, como esperava, lhe obteria a graça de se fazer santa. Com efeito depois da sua morte, Jerônima mudou de vida, e, entre outras resoluções, tomou a de não mais ver os parentes: tanto assim, que durante quarenta anos, não quis mais apresentar-se no locutório. Dois de seus sobrinhos vieram um dia para vê-la, mas ela mandou despedi-los, e foi para a grade da igreja visitar o Santíssimo Sacramento. Seus sobrinhos encontraram na igreja, para vê-la ao menos de longe, mas ela se retirou atrás da cortina.Entretanto, para isso, se fez tanta violência que desmaiou. Sem violência, ninguém chegará à santidade. Desde então, Jerônima fez tantos progressos no amor divino que viveu e morreu como uma santa. Depois de sua morte, tiraram o seu retrato e, abrindo-se o seu corpo, achou-se sobre o coração uma cruz formada de carne em sinal do seu ardente amor a Jesus crucificado. “É preciso fugir de todos os parentes, quem quiser unir-se deveras ao pai comum, que é Deus”, diz São Gregório — São Bernardo nota que, quando a Santíssima Virgem perdeu o Menino Jesus, o procurou durante três dias, porém inutilmente, entre os parentes; donde concluía que nunca encontraremos Jesus Cristo entre os parentes. Pedro de Blois vai mais longe e acrescenta que o amor do sangue nos priva logo do amor de Deus. Moisés, estando para morrer, nos deixou esta bela e magnífica sentença que convém especialmente às pessoas consagradas a Deus: Aquele que disse a seu pai e a sua mãe: Eu vos não conheço; e a seus irmãos: Eu não sei quem sois; eis o que guarda a vossa lei e se conserva fiel à vossa aliança. Os santos conhecendo o prazer que davam a Deus, desapegando-se dos parentes, tiveram o cuidado de fugir deles o mais longe possível — São Francisco Xavier, quando partiu para as Índias, teve de passar perto do seu país natal, não quis porém chegar para ver sua mãe e seus parentes, embora para isso fosse instado com suas importunas súplicas e soubesse que os não tornaria mais a ver — Tendo a irmã de São Pacomio vindo visitá-lo, o santo voltou-lhe as costas, e mandou dizer-lhe: “Já sabeis que ainda vivo, ide em paz” — Quantos nem quiseram ler as cartas dos parentes? Assim fez, por exemplo, o grande Santo Antão, como refere São João Clímaco. Tinha Santo Antão, passado já muitos anos no deserto, quando recebeu cartas dos parentes. Disse consigo: “que posso esperar da leitura destas cartas, senão inquietações e perda da paz de que gozo?” A este pensamento, as lançou no fogo, dizendo: “Afastai-vos de mim, lembranças da minha pátria, para que não torne eu ao que deixei. Cartas, sede queimadas, para que eu não seja por vós queimado”. Quanto a mim, dizia Santa Teresa de Jesus, não compreendo que consolação pode ter uma religiosa junto de seus parentes. Prescindindo do apego que desagrada a Deus, ela não pode gozar dos seus divertimentos e não pode deixar de tomar parte nos seus padecimentos — Ó minhas irmãs, como vos quadram bem estas reflexões! Quando vossos parentes vem ao locutório, não vos podem tornar participantes de seus prazeres mundanos, porque estais encerradas na clausura e não podeis ir com eles. Que vem fazer pois ao locutório? Só vem para vos referir seus embaraços, seus sofrimentos e sues precisões. E para que serve isso? Só serve para vos encher a cabeça e o espírito de inquietações, de distrações e de defeitos. De sorte que, de cada visita dos parentes, só lucrareis ficar distraídas e inquietas muitos dias na oração e nas comunhões, pensando em todas as coisas que vos disseram. Como, pois, tendo deixado o mundo para ser santas, desejais tanto, que vossos parentes venham visitar-vos com freqüência? Para que? Para que vos façam perder a vossa paz e vosso aproveitamento? E que loucura é essa pensar que não podeis viver alegres sem ver amiúde os vossos parentes? Oh! Se os abandonásseis de todo, muito melhor do que eles, Jesus Cristo vos consolaria e faria a vossa felicidade! Lamenta São Jerônimo o grande número de religiosos que se condenaram, por terem tido compaixão demasiadados parentes. Tremamos; porque o Senhor declara que todo aquele que se pôs ao seu serviço e olha ainda para as coisas do mundo, não é mais apto para o paraíso. Quando vossos parentes quiserem vos enredar nos negócios seculares, escusai-vos polidamente. Observai a advertência que Jesus Cristo deu ao moço que, sendo chamado para segui-lo, dizia que ia primeiro enterrar seu pai: Deixai os mortos sepultar os seus mortos — O mesmo vos digo eu, caríssimas irmãs: deixai que os mundanos, a quem o Senhor chama mortos, tratem os seus negócios lá do mundo; o vosso único negócio seja amar a Deus e cuidar da vossa santificação. Quando a Santíssima Virgem encontrou o Menino Jesus no templo, disse-lhe: Porque nos trataste assim, Filho? Eu e teu Pai te procurávamos cheios de dor — Jesus lhe respondeu: Não sabíeis que eu não me devo ocupar senão das coisas que interessam a glória de meu Pai? — Do mesmo modo, quando vossos parentes se lamentarem de vos recusardes ser-lhes úteis e vos acusarem de ingratas para com eles, de inimigas das vossas famílias, respondei-lhes com firmeza que morrestes para o mundo e deveis aplicar-vos unicamente ao serviço de Deus e do vosso convento. Termino com as palavras de São José Calasans: “Ainda não saiu do mundo a religiosa que se conserva apegada aos parentes” – (Fonte: Retirado do Livro: A Verdadeira Esposa de Jesus Cristo, escrito por Santo Afonso Maria de Ligório, doutor da Igreja) Ainda citando Santo Afonso Maria de Ligório, lemos em seu livro, Prática do Amor a Jesus Cristo, capítulo XI: “Para alguém chegar à perfeição com Deus, deve desapegar-se totalmente das criaturas, e, em particular, renunciar ao amor desregrado dos parentes. Disse Jesus Cristo: “Se alguém vem a mim, e não aborrece seu pai, mãe, mulher, filhos, irmãos e até a sua vida, não pode ser meu discípulo – (Lc 14,26). E por que esse desapego dos parentes? É porque muitas vezes, no referente ao bem da nossa alma, não temos inimigos maiores do que os nossos parentes:“Cada um” – diz ainda o Salvador – terá por inimigos os da sua própria casa” – (Mt 10,36). São Carlos Borromeu dizia que, sempre que ia à casa dos parentes, voltava mais frio de espírito. Quando perguntavam ao Padre Antônio Mendonza por que não visitava a casa dos parentes, respondeu: “Sei por experiência, que em nenhum lugar os religiosos perdem tanto a devoção, como na casa dos parentes”. Em se tratando da escolha de estado, é certo, como o ensina São Tomás, que não somos obrigados a obedecer aos nossos progenitores. Se os pais dum jovem chamado ao estado religioso se opõem à sua vocação, este deve preferir a vontade de Deus à deles; porque, segundo observa o mesmo doutor, os pais fazem muitas vezes obstáculos ao bem espiritual de seus filhos, visando fins pessoais e interesseiros. “Preferem vê-los condenarem-se com eles”, diz São Bernardo, “a permitir que se salvem longe deles”. É coisa estranha ver pais e mães, aliás tementes a Deus, deixarem-se cegar pela paixão ao ponto de tudo fazer e nada omitir para entravar a vocação dum filho que deseja entrar em religião; o que exceto algum caso raríssimo, não se pode escusar de culpa grave. Mas dirá alguém: “É então impossível salvar-se quem não se faz religioso? Então todos os que ficam no mundo se condenam? Respondo: Os que não são chamados por Deus ao estado religioso, salvar-se-ão no mundo, cumprindo os deveres de seu estado; quanto aos que a ele são chamados e não obedecem à voz de Deus, poderão, sim, salvar-se, porém dificilmente se salvarão por falta dos socorros especiais que o Senhor lhes prepara no estado religioso; privados desses meios, não chegarão ao salvar-se. Escreve o teólogo Habert que quem não obedece à vocação divina fica na Igreja como um membro fora do lugar, e assim não poderá, sem muitas dificuldades, cumprir os seus deveres e salvar-se. A escolha de estado é chamada pelo P. Luís de Granada a roda-mestra da vida; no relógio, gasta a roda-mestra, tudo se atrapalha; assim, quanto à vocação, errando-a, a vida inteira ficará em desordem. Quantos moços, por haverem perdido a vocação por culpa dos pais, tiveram mau fim e se tornaram a ruína da sua família! Um moço, chamado ao estado religioso, ficou no mundo para agradar a seu pai; mas depois, desavindo-se com ele, matou-o com a própria mão e morreu no cadafalso. Um outro, já no seminário, resistiu à voz de Deus que o convidava a deixar o mundo. Começou por abandonar os exercícios de piedade, a oração, a comunhão, depois entregou-se aos vícios; e, enfim, uma noite que saía duma casa de tolerância, foi assassinado por um rival. Vários sacerdotes acorreram para socorrê-lo, mas encontraram-no morto. Quantos exemplos semelhantes não poderia eu citar! Mas voltemos ao nosso assunto. São Tomás exorta os que são chamados a uma vida mais perfeita a não se aconselharem nesse ponto com seus pais, porque, nesse particular, eles se tornam nossos inimigos, segundo a palavra do Senhor: Cada um terá por inimigos os de sua própria casa. E se os filhos não são obrigados a se aconselharem com seus pais sobre a vocação a um estado mais perfeito, muito menos o são para esperar a sua permissão para segui-la, e nem a pedi-la sempre que possam temer seja-lhes ele injustamente negada e assim entravada a vocação. São Tomás de Aquino, São Pedro de Alcântara, São Francisco Xavier. São Luís Bertrand, e muitos outros entraram no convento sem os próprios pais o saberem”, finaliza Santo Afonso!

  • VACINA CONTRA AS SEITAS

    Uma seita (vem de sectário) é uma dissidência ou um grupo fechado que julga estar o mundo corrupto, e pretende ter a verdade como patrimônio seu e solução para todos os problemas da humanidade. Os membros das seitas são geralmente submetidos a um regime autoritário, imposto por um líder “iluminado”, que lhes dificulta o senso crítico. A multiplicação de seitas em nossos dias se explica, em grande parte, por duas causas: 1. o individualismo subjetivista e relativista da mentalidade moderna a partir de Martinho Lutero (século XVI); 2. a insegurança do homem contemporâneo, que sente angústia diante da crise da sociedade e se dá por feliz, quando alguém, em nome de um poder superior, o acolhe e lhe propõe certezas e garantias (ainda que fantasiosamente fundamentadas). Além disto, parece haver interesses políticos estrangeiros a fomentar o avanço das seitas (PR n. 417, 1997, p. 56). O Documento de Santo Domingo (CELAM,12/10/1992) se expressou sobre o perigo atual das seitas: “O problema das seitas adquiriu proporções dramáticas e chega a ser verdadeiramente preocupante sobretudo pelo crescente proselitismo. ” (n.139) “As seitas fundamentalistas são grupos religiosos que insistem que somente a fé em Jesus Cristo salva e que a única base da fé é a Sagrada Escritura, interpretada de modo pessoal e fundamentalista, com exclusão da Igreja, portanto, e insistência na iminência do fim do mundo e juízo próximo. Caracterizam-se por seu afã proselitista mediante insistentes visitas domiciliares, grande difusão de bíblias, revistas e livros; a presença e a ajuda oportunista em momentos críticos da vida das pessoas ou das famílias e uma grande capacidade técnica no uso dos meios de comunicação social. Contam com uma poderosa ajuda financeira proveniente do estrangeiro e do dízimo obrigatoriamente pago por todos os adeptos. Distinguem-se por um moralismo rigoroso, por reuniões de oração com um culto participativo e emotivo, baseado na Bíblia, e por sua agressividade contra a Igreja, valendo-se frequentemente da calúnia e do suborno. Ainda que o seu compromisso com o social seja débil, orientam-se para a participação política em vista à tomada do poder. A presença dessas seitas religiosas fundamentalistas na América Latina aumentou de maneira extraordinária de Puebla até os nossos dias. ” (N. 140) Cabe distinguir várias correntes ou tipos de fenômeno: a) Formas paracristãs ou semicristãs, como Testemunhas de Jeová e Mórmons. Cada um destes movimentos tem suas características, mas em comum manifestam um proselitismo, um milenarismo e traços organizativos empresariais; b) Formas esotéricas que buscam uma iluminação especial e compartilham conhecimentos secretos e um ocultismo religioso. Tal é o caso de correntes espíritas, rosa-cruz, gnósticos, teósofos, etc. c) Filosofias e cultos com facetas orientais, mas que rapidamente estão adequando-se ao nosso continente, tais como Hare Krishna, a Luz Divina, Ananda Marga e outros, que trazem um misticismo e uma experiência de comunhão; d) Grupos derivados das grandes religiões asiáticas, quer seja do budismo (seicho no iê, etc.) do hinduísmo (yoga, etc.) ou do islã (baha’i) que não só atingem migrantes da Ásia, mas também plantam raízes em setores de nossa sociedade; e) Empresas sociorreligiosas, como a seita Moon ou a Nova Acrópolis, que têm objetivos ideológicos e políticos bem precisos, junto com suas expressões religiosas, levadas a cabo mediante meios de comunicação e campanhas proselitistas, que contam com apoio ou inspiração do Primeiro Mundo, e que religiosamente insistem na conversão imediata e na cura, é onde estão as chamadas “igrejas eletrônicas”; f) Uma multidão de centros de “cura divina” ou atendimento aos mal-estares espirituais e físicos de gente com problemas e de pobres. Esses cultos terapêuticos atendem individualmente a seus clientes. Diante da multiplicidade de novos movimentos religiosos, com expressões muito diversas entre si, queremos centrar nossa atenção sobre as causas de seu crescimento e os desafios pastorais que levantam. São muitas e variadas as causas que explicam o interesse que despertam em alguns. Entre elas se devem assinalar: a) A permanente e progressiva crise social que suscita certa angústia coletiva, a perda de identidade e o desenraizamento das pessoas. b) A capacidade destes movimentos para adaptar-se às circunstâncias sociais e para satisfazer, momentaneamente, algumas necessidades da população. Em tudo isto não deixa de ter certa presença a curiosidade pelo inédito. c) O distanciamento da Igreja de setores – populares ou abastados – que buscam novos canais de expressão religiosa, nos quais não se deve descartar uma evasão dos compromissos da fé. Sua habilidade para oferecer aparente solução aos desejos de “cura” por parte dos atribulados. Nosso maior desafio está em avaliar a ação evangelizadora da Igreja e em determinar desse modo a quais ambientes humanos chega ou não essa ação. a) Como dar uma resposta adequada às perguntas que as pessoas se fazem sobre o sentido de sua vida, sobre o sentido da relação com Deus, em meio à permanente e progressiva crise social. b) Adquirir um maior conhecimento das identidades e culturas dos nossos povos. (n.141). Falando a um grupo de bispos do Brasil, em visita “ad limina apostolorum”, em 05/9/1995, em Roma, o Papa João Paulo II destacou o desafio que as seitas significam hoje para a Igreja na América Latina. Referindo-se às seitas, o papa disse que na América Latina deparamo-nos “com o grave problema das seitas, que se expandem, como uma mancha de óleo, ameaçando fazer ruir a estrutura de fé de tantas nações (…)”. O CELAM (Conferência do Episcopado Latino-Americano) apresentou, em 1990, um documento elaborado pelos protestantes, que mostra as estratégias para tornar o mundo inteiro protestante. É o projeto Amanhecer, sagaz e inteligente, com 48 páginas, publicado por Jim Montgomery, gerente-editor de Global Church Groth Bulletin e diretor da Overseas Crusades, com sede na Califórnia. O Amanhecer traz o subtítulo “Estratégias Evangélicas para a Tomada Missionária do Mundo e da América Latina”. Na época, o CELAM alertou os bispos dizendo: “É necessário que tomemos consciência da existência de uma estratégia evangélica bem arquitetada para a tomada missionária da América Latina, país por país (…). O que importa unicamente, é crescer em número de fiéis e templos. ” (Revista Pergunte e Responderemos, n. 333, 1990, pp.78-87). Portanto, o Papa não estava exagerando quando falou em “ameaça para a Igreja Católica”. Falando aos nossos bispos em Roma, ele apontou os pontos principais do ataque à fé católica: “É notória a intenção, por vezes virulenta, destas seitas de minar as bases da fé do povo, de modo especial no que diz respeito ao culto do Mistério Eucarístico e da Santíssima Virgem, à estrutura hierárquica da Igreja e ao primado de Pedro, que perdura no pastoreio universal do bispo de Roma, e às expressões da piedade popular. ” É notório que o Papa estava se referindo também às seitas protestantes que se multiplicam a cada dia. E ele questionou os bispos sobre as razões do crescimento delas: “A difusão das seitas não nos interroga se tem sido manifestado suficientemente o senso do sagrado? ”. O que o santo padre quis dizer com esta pergunta? Será que os fiéis católicos, não têm ido para as seitas, porque falta mais espiritualidade em nossas igrejas? Falta o senso do sagrado, que o povo tanto preza. Por faltar este “sagrado” em nossas igrejas, o povo foi buscá-lo nos templos protestantes. Sabemos que durante muitos anos, a Igreja no Brasil e na América, por causa da perigosa “teologia da libertação”, de cunho marxista, dirigiu-se muito mais ao social, desprezando o espiritual e deixando o povo à mingua da catequese. Agora paga um alto preço. O povo não conhece a fé católica e é enganado facilmente pelos falsos profetas. O Papa também falou sobre isso aos nossos bispos: “Ele [o povo católico] quer ver a Igreja com as suas características religiosas, (…) que despertam a piedade e levam à oração, ao recolhimento e à contemplação do mistério de Deus (…). ” “O ministério da Palavra (…) contenha sempre, do início ao fim, uma mensagem espiritual. É certo que muita gente não possui o suficiente para acalmar a própria fome, mas, ordinariamente, o povo tem mais fome de Deus do que do pão material, pois entende que “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). Ver a Igreja como Igreja, e não simples promotora da reforma social. ” Nesta mesma linha, ele falou aos padres: “Vosso povo, caríssimos irmãos no episcopado, quer ver os padres como verdadeiros Ministros de Deus, inclusive na sua veste e no seu modo externo de proceder. O que os homens querem, o que esperam, é que o sacerdote com o seu testemunho de vida e com sua palavra, lhes fale de Deus. ” Para enfrentar o “desafio” das seitas e do secularismo, o Papa propôs, então, a Nova Evangelização: “A evangelização a que a Igreja está sendo chamada neste final de milênio deve ser, como tantas vezes tenho repetido, nova em seu ardor, seus métodos e sua expressão. ” “Não estaria havendo uma certa acomodação deixando de ir em busca das ovelhas que estão afastadas? Ao contrário da parábola evangélica, não é uma e outra que está tresmalhada, mas é uma parte do rebanho. ” E o Papa dá o remédio para a Igreja ir buscar a “parte do rebanho” que foi embora para as seitas: “Isso mostra, caríssimos irmãos, que não basta chamar, convocar e esperar que as pessoas venham. Como diz outro lema da ação pastoral de uma das vossas Dioceses, deveis ser ‘uma Igreja que vai ao encontro do Povo! ’. Deveis ser uma igreja que procure as pessoas, que as convide não somente no chamado geral dos meios de comunicação, mas no convite pessoal, de casa em casa, de rua em rua, num trabalho permanente, respeitoso, mas sempre presente em todos os lugares e ambientes. ” Mas há também entre nós muitas seitas de origem oriental ou influenciadas pela Nova Era. Elas crescem, visivelmente, em cima da ignorância religiosa do nosso bom povo católico, facilmente influenciável por novos ventos de doutrina. Muitas razões facilitam o crescimento das seitas, especialmente os que gostaria de expor: 1. O relativismo religioso – que se vive hoje, onde as pessoas, por falta de formação catequética, pensam que podem viver a fé e a moral “a seu modo”, sem precisar do ensinamento da Igreja; 2. A difícil situação do mundo atual – leva as pessoas a buscarem desesperadamente a solução dos seus problemas no campo sobrenatural; o povo é levado a buscar a fé, mas, muitas vezes em caminhos errados. 3. Secularismo – em poucas palavras pode ser expresso no que dizia Leão XIII: “Deus foi expulso da vida pública”. Com isto o paganismo retorna à sociedade, e esta precisa ser recristianizada. 4. Materialismo reducionista – para muitos hoje o que interessa é apenas ganhar o pão, e vive-se, como disse o Papa João Paulo II, “como se Deus não existisse”. 5. Destruição das famílias – que sempre foi o natural e primeiro berço da fé católica. Os pais já não ensinam os filhos a rezar e não lhes ensinam a doutrina católica. 6. Exigências morais do catolicismo – muitos preferem seguir as seitas porque elas apresentam uma moral cômoda, não exigente quanto a da Igreja, especialmente no que se refere ao casamento, separação, divórcio, limitação da natalidade, etc. 7. Esvaziamento político da fé – a politização da fé, especialmente por parte da teologia da libertação, deixou o povo à mingua da catequese e dos valores espirituais: oração, adoração do Santíssimo, sacramentos, terço, etc. Sem o saudável misticismo o povo foi buscar Deus nas seitas. Além dessas causas, nota-se que há alguns fatores que dão origem às seitas, por parte do seu fundador. Muitas vezes são pessoas que se julgam “iluminadas”; movidas por um fundamentalismo bíblico que despreza a correta exegese (entendimento da Bíblia) e hermenêutica (interpretação da Bíblia); um certo messianismo (mania de salvador do mundo); autoritarismo, exibicionismo; forte emotividade e, às vezes, até chantagem. Em seguida, vamos apresentar de modo resumido as religiões e igrejas cristãs e não cristãs, seitas orientais e muitas outras crenças, superstições, etc., que não se coadunam com a fé católica. Nosso objetivo não é desrespeitar a fé e a liberdade religiosa das pessoas, mas apenas informar aqueles que são católicos para que vivam coerentemente a sua fé. Usamos como fonte de consulta o vasto material que Dom Estêvão Bettencourt, osb, publicou na revista Pergunte e Responderemos, ao longo de muitos anos, o qual sou muito agradecido por me autorizar a usar livremente os seus escritos. Retirado do livro: “Falsas Doutrinas – Seitas e Religiões”. #Protestantismo

  • VACINA CONTRA AS SEITAS

    Uma seita (vem de sectário) é uma dissidência ou um grupo fechado que julga estar o mundo corrupto, e pretende ter a verdade como patrimônio seu e solução para todos os problemas da humanidade. Os membros das seitas são geralmente submetidos a um regime autoritário, imposto por um líder “iluminado”, que lhes dificulta o senso crítico. A multiplicação de seitas em nossos dias se explica, em grande parte, por duas causas: 1. o individualismo subjetivista e relativista da mentalidade moderna a partir de Martinho Lutero (século XVI); 2. a insegurança do homem contemporâneo, que sente angústia diante da crise da sociedade e se dá por feliz, quando alguém, em nome de um poder superior, o acolhe e lhe propõe certezas e garantias (ainda que fantasiosamente fundamentadas). Além disto, parece haver interesses políticos estrangeiros a fomentar o avanço das seitas (PR n. 417, 1997, p. 56). O Documento de Santo Domingo (CELAM,12/10/1992) se expressou sobre o perigo atual das seitas: “O problema das seitas adquiriu proporções dramáticas e chega a ser verdadeiramente preocupante sobretudo pelo crescente proselitismo. ” (n.139) “As seitas fundamentalistas são grupos religiosos que insistem que somente a fé em Jesus Cristo salva e que a única base da fé é a Sagrada Escritura, interpretada de modo pessoal e fundamentalista, com exclusão da Igreja, portanto, e insistência na iminência do fim do mundo e juízo próximo. Caracterizam-se por seu afã proselitista mediante insistentes visitas domiciliares, grande difusão de bíblias, revistas e livros; a presença e a ajuda oportunista em momentos críticos da vida das pessoas ou das famílias e uma grande capacidade técnica no uso dos meios de comunicação social. Contam com uma poderosa ajuda financeira proveniente do estrangeiro e do dízimo obrigatoriamente pago por todos os adeptos. Distinguem-se por um moralismo rigoroso, por reuniões de oração com um culto participativo e emotivo, baseado na Bíblia, e por sua agressividade contra a Igreja, valendo-se frequentemente da calúnia e do suborno. Ainda que o seu compromisso com o social seja débil, orientam-se para a participação política em vista à tomada do poder. A presença dessas seitas religiosas fundamentalistas na América Latina aumentou de maneira extraordinária de Puebla até os nossos dias. ” (N. 140) Cabe distinguir várias correntes ou tipos de fenômeno: a) Formas paracristãs ou semicristãs, como Testemunhas de Jeová e Mórmons. Cada um destes movimentos tem suas características, mas em comum manifestam um proselitismo, um milenarismo e traços organizativos empresariais; b) Formas esotéricas que buscam uma iluminação especial e compartilham conhecimentos secretos e um ocultismo religioso. Tal é o caso de correntes espíritas, rosa-cruz, gnósticos, teósofos, etc. c) Filosofias e cultos com facetas orientais, mas que rapidamente estão adequando-se ao nosso continente, tais como Hare Krishna, a Luz Divina, Ananda Marga e outros, que trazem um misticismo e uma experiência de comunhão; d) Grupos derivados das grandes religiões asiáticas, quer seja do budismo (seicho no iê, etc.) do hinduísmo (yoga, etc.) ou do islã (baha’i) que não só atingem migrantes da Ásia, mas também plantam raízes em setores de nossa sociedade; e) Empresas sociorreligiosas, como a seita Moon ou a Nova Acrópolis, que têm objetivos ideológicos e políticos bem precisos, junto com suas expressões religiosas, levadas a cabo mediante meios de comunicação e campanhas proselitistas, que contam com apoio ou inspiração do Primeiro Mundo, e que religiosamente insistem na conversão imediata e na cura, é onde estão as chamadas “igrejas eletrônicas”; f) Uma multidão de centros de “cura divina” ou atendimento aos mal-estares espirituais e físicos de gente com problemas e de pobres. Esses cultos terapêuticos atendem individualmente a seus clientes. Diante da multiplicidade de novos movimentos religiosos, com expressões muito diversas entre si, queremos centrar nossa atenção sobre as causas de seu crescimento e os desafios pastorais que levantam. São muitas e variadas as causas que explicam o interesse que despertam em alguns. Entre elas se devem assinalar: a) A permanente e progressiva crise social que suscita certa angústia coletiva, a perda de identidade e o desenraizamento das pessoas. b) A capacidade destes movimentos para adaptar-se às circunstâncias sociais e para satisfazer, momentaneamente, algumas necessidades da população. Em tudo isto não deixa de ter certa presença a curiosidade pelo inédito. c) O distanciamento da Igreja de setores – populares ou abastados – que buscam novos canais de expressão religiosa, nos quais não se deve descartar uma evasão dos compromissos da fé. Sua habilidade para oferecer aparente solução aos desejos de “cura” por parte dos atribulados. Nosso maior desafio está em avaliar a ação evangelizadora da Igreja e em determinar desse modo a quais ambientes humanos chega ou não essa ação. a) Como dar uma resposta adequada às perguntas que as pessoas se fazem sobre o sentido de sua vida, sobre o sentido da relação com Deus, em meio à permanente e progressiva crise social. b) Adquirir um maior conhecimento das identidades e culturas dos nossos povos. (n.141). Falando a um grupo de bispos do Brasil, em visita “ad limina apostolorum”, em 05/9/1995, em Roma, o Papa João Paulo II destacou o desafio que as seitas significam hoje para a Igreja na América Latina. Referindo-se às seitas, o papa disse que na América Latina deparamo-nos “com o grave problema das seitas, que se expandem, como uma mancha de óleo, ameaçando fazer ruir a estrutura de fé de tantas nações (…)”. O CELAM (Conferência do Episcopado Latino-Americano) apresentou, em 1990, um documento elaborado pelos protestantes, que mostra as estratégias para tornar o mundo inteiro protestante. É o projeto Amanhecer, sagaz e inteligente, com 48 páginas, publicado por Jim Montgomery, gerente-editor de Global Church Groth Bulletin e diretor da Overseas Crusades, com sede na Califórnia. O Amanhecer traz o subtítulo “Estratégias Evangélicas para a Tomada Missionária do Mundo e da América Latina”. Na época, o CELAM alertou os bispos dizendo: “É necessário que tomemos consciência da existência de uma estratégia evangélica bem arquitetada para a tomada missionária da América Latina, país por país (…). O que importa unicamente, é crescer em número de fiéis e templos. ” (Revista Pergunte e Responderemos, n. 333, 1990, pp.78-87). Portanto, o Papa não estava exagerando quando falou em “ameaça para a Igreja Católica”. Falando aos nossos bispos em Roma, ele apontou os pontos principais do ataque à fé católica: “É notória a intenção, por vezes virulenta, destas seitas de minar as bases da fé do povo, de modo especial no que diz respeito ao culto do Mistério Eucarístico e da Santíssima Virgem, à estrutura hierárquica da Igreja e ao primado de Pedro, que perdura no pastoreio universal do bispo de Roma, e às expressões da piedade popular. ” É notório que o Papa estava se referindo também às seitas protestantes que se multiplicam a cada dia. E ele questionou os bispos sobre as razões do crescimento delas: “A difusão das seitas não nos interroga se tem sido manifestado suficientemente o senso do sagrado? ”. O que o santo padre quis dizer com esta pergunta? Será que os fiéis católicos, não têm ido para as seitas, porque falta mais espiritualidade em nossas igrejas? Falta o senso do sagrado, que o povo tanto preza. Por faltar este “sagrado” em nossas igrejas, o povo foi buscá-lo nos templos protestantes. Sabemos que durante muitos anos, a Igreja no Brasil e na América, por causa da perigosa “teologia da libertação”, de cunho marxista, dirigiu-se muito mais ao social, desprezando o espiritual e deixando o povo à mingua da catequese. Agora paga um alto preço. O povo não conhece a fé católica e é enganado facilmente pelos falsos profetas. O Papa também falou sobre isso aos nossos bispos: “Ele [o povo católico] quer ver a Igreja com as suas características religiosas, (…) que despertam a piedade e levam à oração, ao recolhimento e à contemplação do mistério de Deus (…). ” “O ministério da Palavra (…) contenha sempre, do início ao fim, uma mensagem espiritual. É certo que muita gente não possui o suficiente para acalmar a própria fome, mas, ordinariamente, o povo tem mais fome de Deus do que do pão material, pois entende que “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). Ver a Igreja como Igreja, e não simples promotora da reforma social. ” Nesta mesma linha, ele falou aos padres: “Vosso povo, caríssimos irmãos no episcopado, quer ver os padres como verdadeiros Ministros de Deus, inclusive na sua veste e no seu modo externo de proceder. O que os homens querem, o que esperam, é que o sacerdote com o seu testemunho de vida e com sua palavra, lhes fale de Deus. ” Para enfrentar o “desafio” das seitas e do secularismo, o Papa propôs, então, a Nova Evangelização: “A evangelização a que a Igreja está sendo chamada neste final de milênio deve ser, como tantas vezes tenho repetido, nova em seu ardor, seus métodos e sua expressão. ” “Não estaria havendo uma certa acomodação deixando de ir em busca das ovelhas que estão afastadas? Ao contrário da parábola evangélica, não é uma e outra que está tresmalhada, mas é uma parte do rebanho. ” E o Papa dá o remédio para a Igreja ir buscar a “parte do rebanho” que foi embora para as seitas: “Isso mostra, caríssimos irmãos, que não basta chamar, convocar e esperar que as pessoas venham. Como diz outro lema da ação pastoral de uma das vossas Dioceses, deveis ser ‘uma Igreja que vai ao encontro do Povo! ’. Deveis ser uma igreja que procure as pessoas, que as convide não somente no chamado geral dos meios de comunicação, mas no convite pessoal, de casa em casa, de rua em rua, num trabalho permanente, respeitoso, mas sempre presente em todos os lugares e ambientes. ” Mas há também entre nós muitas seitas de origem oriental ou influenciadas pela Nova Era. Elas crescem, visivelmente, em cima da ignorância religiosa do nosso bom povo católico, facilmente influenciável por novos ventos de doutrina. Muitas razões facilitam o crescimento das seitas, especialmente os que gostaria de expor: 1. O relativismo religioso – que se vive hoje, onde as pessoas, por falta de formação catequética, pensam que podem viver a fé e a moral “a seu modo”, sem precisar do ensinamento da Igreja; 2. A difícil situação do mundo atual – leva as pessoas a buscarem desesperadamente a solução dos seus problemas no campo sobrenatural; o povo é levado a buscar a fé, mas, muitas vezes em caminhos errados. 3. Secularismo – em poucas palavras pode ser expresso no que dizia Leão XIII: “Deus foi expulso da vida pública”. Com isto o paganismo retorna à sociedade, e esta precisa ser recristianizada. 4. Materialismo reducionista – para muitos hoje o que interessa é apenas ganhar o pão, e vive-se, como disse o Papa João Paulo II, “como se Deus não existisse”. 5. Destruição das famílias – que sempre foi o natural e primeiro berço da fé católica. Os pais já não ensinam os filhos a rezar e não lhes ensinam a doutrina católica. 6. Exigências morais do catolicismo – muitos preferem seguir as seitas porque elas apresentam uma moral cômoda, não exigente quanto a da Igreja, especialmente no que se refere ao casamento, separação, divórcio, limitação da natalidade, etc. 7. Esvaziamento político da fé – a politização da fé, especialmente por parte da teologia da libertação, deixou o povo à mingua da catequese e dos valores espirituais: oração, adoração do Santíssimo, sacramentos, terço, etc. Sem o saudável misticismo o povo foi buscar Deus nas seitas. Além dessas causas, nota-se que há alguns fatores que dão origem às seitas, por parte do seu fundador. Muitas vezes são pessoas que se julgam “iluminadas”; movidas por um fundamentalismo bíblico que despreza a correta exegese (entendimento da Bíblia) e hermenêutica (interpretação da Bíblia); um certo messianismo (mania de salvador do mundo); autoritarismo, exibicionismo; forte emotividade e, às vezes, até chantagem. Em seguida, vamos apresentar de modo resumido as religiões e igrejas cristãs e não cristãs, seitas orientais e muitas outras crenças, superstições, etc., que não se coadunam com a fé católica. Nosso objetivo não é desrespeitar a fé e a liberdade religiosa das pessoas, mas apenas informar aqueles que são católicos para que vivam coerentemente a sua fé. Usamos como fonte de consulta o vasto material que Dom Estêvão Bettencourt, osb, publicou na revista Pergunte e Responderemos, ao longo de muitos anos, o qual sou muito agradecido por me autorizar a usar livremente os seus escritos. Retirado do livro: “Falsas Doutrinas – Seitas e Religiões”. #Protestantismo

  • Cristianismo Puro e Simples – C.S Lewis

    Esse livro é um verdadeiro clássico e encabeça quase todas as listas de melhores livros cristãos. Não posso deixar de dizer que é um dos meus favoritos e já o li umas 3 vezes! A história é muito interessante! Durante a Segunda Guerra Mundial, a BBC convidou C. S. Lewis para fazer uma série de palestras pelo rádio. Foram programas que, ao final, deram um sentido novo à vida de milhares de adultos de todas as classes e profissões. O livro Cristianismo puro e simples, é essa coleção de preleções legendárias, que veio a ser considerado a mais popular e acessível de todas as obras de Lewis, lembrando-nos daquilo que é mais importante na vida e apontando-nos o caminho da alegria e do contentamento. Lewis aborda temas cristãos de maneira profunda e racional, sem perder a simplicidade. Ele que fora um ateu, sabe como poucos abordar o cristianismo de modo que qualquer pessoa possa entendê-lo. Separado em 4 partes, o livro apresenta tudo que é de mais essencial e profundo na cosmovisão cristã.  Passeia por temas complexos e importantes como moralidade, fé, racionalidade, existência de Deus, livre-arbítrio, o problema do mal, naturalismo…Mas os faz de modo único e espetacular, com a maestria que somente um gênio é capaz. Um livro para ser lido, relido e apreciado com carinho para que se possa extrair o máximo de sua sabedoria. Vou colocar aqui alguns trechos do livro só para dar um aperitivo. ” Meu argumento contra Deus era o de que o universo parecia injusto e cruel. No entanto, de onde eu tirara essa ideia de justo e injusto? Um homem não diz que uma linha é torta se não souber o que é uma linha reta. Com o que eu comparava o universo quando o chamava de injusto?” “Se o espetáculo inteiro era ruim do começo ao fim, como é que eu, fazendo parte dele, podia ter uma reação assim tão violenta? “ ” O que Satanás colocou na cabeça dos nossos remotos ancestrais foi a ideia de que poderiam “ser como deuses” – poderiam bastar-se a si mesmos como se fossem seus próprios criadores; poderiam ser senhores de si mesmos e inventar um tipo de felicidade fora e à parte de Deus. Dessa tentativa, que não pode dar certo, vem quase tudo o que chamamos de história humana: o dinheiro, a miséria, a ambição, a guerra, a prostituição, as classes, os impérios, a escravidão – a longa e terrível história da tentativa do homem de descobrir a felicidade em outra coisa que não Deus.” ” Mas não sei se as pessoas que pedem que Deus interfira aberta e diretamente em nosso mundo sabem exatamente o que estão pedindo. Quando ele fizer isso, será o fim do mundo. Quando o autor sobe ao palco, é porque a peça já terminou.” Clive Staples Lewis nasceu na Irlanda, em 1898. Em 1954, tornou-se professor de Literatura Medieval e Renascentista em Cambridge. Foi ateu durante muitos anos e se converteu em 1929. Essa experiência o ajudou a entender não somente a indiferença como também a indisposição de aceitar a religião. Suas obras são conhecidas por milhões de pessoas no mundo inteiro. A abolição do homem, Cartas de um diabo a seu aprendiz, Cristianismo puro e simples e Os quatro amores são apenas alguns de seus bestsellers. Escreveu também livros de ficção científica, de crítica literária e para crianças. Entre estes estão As Crônicas de Nárnia, sucesso mundial absoluto. C. S. Lewis morreu em 1963, em sua casa em Oxford. #livro #cristianismo #CSLewis #Apologética #resenha

  • Em Guarda – Willian Lane Craig

    Considerado um dos maiores nomes da apologética moderna,  Dr Willian Lane Craig é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em teologia pela Universidade de Munique, na Alemanha. Atualmente leciona filosofia na Talbot School of Theology, na Califórnia, Estados Unidos. É conferencista internacional e autor de dezenas de artigos e livros no campo da filosofia e da apologética. As vezes você fica preocupado quando alguém lhe faz uma pergunta sobre sua fé e você não sabe como responder e nem mesmo por onde começar? Já tentou estudar apologética, mas se viu perdido no meio dos jargões teológicos e filosóficos? O que fazer quando você mesmo enfrenta dúvidas relacionadas à sua fé? Você tem em suas mãos as respostas para essas e outras tantas perguntas que deixam qualquer pessoa insegura na hora de defender sua fé. Trata-se de um manual de treinamento conciso, escrito por William Lane Craig, um dos mais renomados defensores da fé cristã na atualidade. O livro é repleto de ilustrações, notas explicativas e esquemas para ajudar na memorização dos melhores argumentos para a defesa de sua fé com razão e precisão. Com um estilo envolvente, Craig oferece quatro argumentos plausíveis para a existência de Deus, defende a historicidade da ressurreição de Jesus e aborda o problema do sofrimento. Além disso, mostra porquê o relativismo religioso não consegue responder ao nosso desejo de compreender as questões últimas da vida. Provando que a defesa da fé não se faz apenas com palavras, o autor também compartilha sua própria história de vida, bem como o chamado de Deus para torná-lo um evangelista bem preparado e, ao mesmo tempo, relevante para a cultura contemporânea. Nesse livro, Dr Craig procura através de argumentos racionais demonstrar a lógica da fé cristã. Em Guarda pode ser instrutivo para cristãos que vivem dúvidas intelectuais honestas ou não têm a necessária maturidade para anunciar a mensagem da cruz com rigor intelectual e compaixão. É muito interessante a abordagem do Craig, que muitas vezes faz o papel de incrédulo diante das afirmações, e vai tecendo sua argumentação até demonstrar de maneira racional a veracidade por trás do cristianismo. É um livro muito útil na formação do pensamento cristão moderno, que diariamente enfrenta objeções à fé por parte de incrédulos. Precisamos nos cercar de materiais de qualidade, e definitivamente esse livro é um deles. Uma ferramenta poderosa para o cristão usar para defender sua fé e ajudar a espalhá-la. Em Guarda! E aos estudos! #Apologética #cristianismo #resenha

  • O Jesus que eu nunca conheci – Philip Yancey

    Philip Yancey escreve com emoção de quem persegue a verdade libertadora. Ele não tem medo de questionar, de expor suas dúvidas, seus anseios, suas ansiedades, sua dor e angustias que o acompanham nessa busca por Deus. Todos nós somos fracos e precisamos ser acolhidos e ter a nossa fé renovada, e olhando para Jesus, o autor encontra esse renovo espiritual, de um líder que foi além da mera sabedoria filosófica e mundana. Yancey apresenta uma perspectiva nova e diferenciada da vida e da obra de Cristo – seus ensinos, seus milagres, sua morte e ressurreição -, além de mostrar o mais importante: quem era e a que veio. Relacionando os acontecimentos do evangelho com o mundo em que hoje vivemos, O Jesus que eu nunca conheci fornece um retrato novo e comovente desse personagem que foi o marco central da história. Disposto a enfrentar perguntas difíceis, o escritor examina as palavras radicais do carpinteiro itinerante da Judeia e pergunta se o estamos levando suficientemente a sério em nossos dias. O livro ilumina detalhes que nos mostram um Jesus humano e ao mesmo tempo a imagem do Deus soberano, nos mostra que Jesus é a resposta para todos nossos questionamentos. Se você busca compreender um pouco mais da vida do humilde carpinteiro de Nazaré, e entender que Cristo está acima de qualquer sistema religioso, esse livro é uma ótima porta de entrada. ” Neste livro tento contar a história de Jesus, não a minha própria história. Inevitavelmente, entretanto, uma busca de Jesus acaba sendo a busca do próprio eu. Ninguém que encontre Jesus continua sendo o mesmo.” Philip Yancey Ramon Serrano #cristianismo #resenha

  • A Fé na era do Ceticismo – Timothy Keller

    Valendo-se da literatura, da filosofia, das conversas do cotidiano e de argumentação convincente, Tim Keller, pastor de uma grande igreja em Nova Iorque e um dos grandes nomes da apologética cristã da atualidade, explica como a fé no Deus cristão é na realidade, racional e justificável. Aos crentes verdadeiros, ele oferece uma plataforma sólida sobre a qual se apoiar contra os ataques à religião próprios da era do ceticismo. Aos céticos, ateístas e agnósticos, ele fornece um argumento desafiador para se lançarem em busca das razões da existência de Deus. “Por que Deus permite que haja sofrimento no mundo?” “Como um Deus de amor pode mandar alguém para o inferno?” “Por que o cristianismo não é mais inclusivo?” “Como pode haver uma só religião verdadeira?” “Por que tantas guerras foram travadas em nome de Deus?” Todas essas são perguntas frequentemente feitas por aqueles que se acham perdidos em meios as suas dúvidas. Ter fé em um mundo cada vez mais secularizado tem sido uma tarefa desafiadora, mas para todas as dúvidas existe uma resposta clara, lúcida e coerente. O que os céticos muitas vezes não fazem é questionar a validade das próprias dúvidas, não as tratam com o mesmo ceticismo com que tratam o cristianismo. Como o autor demostra no livro, isso nada mais é que um ceticismo hipócrita e seletivo. Apesar de sofrer constantes ataques, a fé cristã ainda sobrevive, e vem se fortalecendo cada vez mais. E é dever do cristão fornecer argumentos para a razão da sua crença, seguindo o mandamento do apóstolo Pedro em 1 Pe 3:15. Tenho certeza que esse livro irá fortalecer a fé daqueles que já creem, demonstrando que a fé cristã é sólida e bem diferente dos esteriótipos que alguns ateus dizem. E também irá desafiar as visões dos que ainda buscam seus caminhos, que tem dúvidas, mas estão buscando a verdade sem nenhum preconceito. Ramon Serrano #ceticismo #cristianismo #resenha

CONTATO
Avalie-nosRuimNão muito bomBomMuito bomÓtimoAvalie-nos

Agradecemos pelo envio !

© 2019 - 2023. INTERVENÇÃO DIVINA - Criado por Divino Design.

Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

bottom of page
ConveyThis