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- QUAL O VALOR DE UM MILAGRE? VEJA ESSE CONTO E DESCUBRA!
Uma garotinha foi para o quarto e pegou um vidro de geléia cheio de moedas que estava escondido no armário e derramou todo o dinheiro no chão. Contou uma por uma, com muito cuidado, três vezes. Colocando as moedas de volta no vidro e tampando-o bem, saiu pela porta dos fundos em direção à farmácia. Esperou com paciência o farmacêutico lhe dirigir a palavra, mas ele estava ocupado demais. Estava telefonando. Por fim: – O que você quer? – Bem, eu queria falar com o senhor sobre o meu irmão. Ele está muito, muito doente mesmo, e eu quero comprar um milagre. – Desculpe, não entendi. – disse o farmacêutico. – O nome dele é Andrew. Tem um caroço muito ruim, crescendo dentro da cabeça dele e o meu pai diz que ele precisa de um milagre. Então eu queria saber quanto custa um milagre. – Menina, aqui nós não vendemos milagres. Sinto muito, mas não posso ajudá-la – explicou o farmacêutico num tom mais compreensivo. – Eu tenho dinheiro. Se não for suficiente vou buscar o resto. O senhor só precisa me dizer quanto custa. O irmão do farmacêutico, um senhor bem experiente, abaixou-se um pouco para perguntar à menininha de que tipo de milagre o irmão dela precisava. – Não sei. Só sei que ele está muito doente e a minha mãe disse que ele precisa de um milagre, mas o meu pai não tem condições de pagar; então eu queria usar o meu dinheiro. – Quanto você tem? – perguntou o senhor. – Um dólar e onze centavos – respondeu a garotinha bem baixinho. E não tenho mais nada. Mas posso arranjar mais, se for preciso. – Mas que coincidência! – disse o homem. – Um dólar e onze centavos! O preço exato de um milagre para irmãozinhos! Pegando o dinheiro com uma das mãos e, com a outra, segurando a mão da menina, ele disse: – Mostre-me onde você mora, porque quero ver o seu irmão e conhecer os seus pais. Vamos ver se tenho o tipo de milagre que você precisa… Aquele senhor era o Dr. Carlton Armstrong, um neurocirurgião. A cirurgia foi feita sem ônus para a família, e depois de pouco tempo Andrew teve alta e voltou para casa. Os pais estavam conversando alegremente sobre todos os acontecimentos que os levaram àquele ponto, quando a mãe disse em voz baixa: – Aquela operação foi um milagre. Quanto será que custaria? A garotinha sorriu, pois sabia exatamente o preço: um dólar e onze centavos – Mais a fé de uma criancinha inocente. (Fonte: Episódio contado por Rita Oliveira – Foto: Internet) #Igreja
- ENQUANTO AS PEDRAS CAÍAM
Quase todos tínhamos um carinho especial por aquela velhinha solteirona, dona Judite, titular de literatura portuguesa em nosso departamento. Beirava os setenta anos e possuía uma notável cultura geral; o pessoal a chamava de Margaret Thatcher, pelo cabelo armado e suas posições conservadoras. Podia ter pedido a aposentadoria há mais de uma década, mas amava o magistério e por isso continuava conosco. Católica de missa diária, sua mesa era a única com objetos sagrados: a Bíblia e uma imagem da Virgem de Guadalupe. Lembro-me bem de sua última participação em nosso conselho deliberativo, um pouco antes do Natal. Como membro titular, lá estava ela no lugar de sempre, pronta para ajudar o departamento a decidir sobre as questões administrativas e acadêmicas do mês. A pauta era longa, mas absolutamente irrelevante. Foi então que nossa colega teve uma primeira e inusitada ideia: aproveitou o tempo e, no verso de uma das folhas de sulfite que continham a pauta da reunião, passou a escrever algo que leria no momento das comunicações dos conselheiros. O texto redigido, e depois realmente ouvido por nós, era o seguinte: — “Prezados colegas! Gostaria de aproveitar a oportunidade desse nosso último encontro, depois de um ano com greve tão longa e desgastante, e desejar a todos um bom e santo Natal. Que não esqueçamos, já bem perto da data de comemorarmos a encarnação da Palavra divina — o Verbo de Deus que se fez carne —, não esqueçamos que Jesus, segunda pessoa da Trindade, é o logos de Deus. A Sua parte pensante e, para o nosso bem, parte falante. Não só para nós, cristãos, mas para todos os que viemos depois da encarnação do Verbo, tal materialização da Palavra divina foi o fato mais importante da história universal, dividindo-a em antes e depois, como pode atestar qualquer manual de introdução à história da humanidade. Como nosso curso de Letras deita suas raízes justamente na palavra, gostaria de aproveitar a ocasião do Natal para pedir algo ao Verbo divino: que nossa pobre linguagem humana não se corrompa ainda mais, pois, coitadinha dela, anda tão judiada pelos inimigos da gramática e do bom senso! E que a universidade, atravessando a mais grave crise desde a sua fundação pela Igreja, na Idade Média, atraída cada vez mais pelas forças do abismo, consiga escapar do imensurável buraco sem fundo que a ameaça. Afasta de nós este cálice, Senhor! Se não for possível, seja feita a Tua vontade!” Depois de lida tão inusual comunicação de conselheiro, a velha professora católica teve uma segunda idéia: pediu que o texto fosse incluído em ata, como costumam fazer alguns colegas em assuntos mais polêmicos. Quase todos concordamos; afinal, dona Judite era muito querida por todos, apesar da maioria considerar suas idéias um tanto ultrapassadas. E era fim de ano: a atmosfera natalina, junto com a perspectiva do merecido repouso, predispunha-nos à tolerância. O texto acabaria mesmo transcrito nas atas do conselho, não fosse a intervenção do nosso colega petista, que era da direção do sindicato de professores. Alegou o caráter laico da universidade pública e a inconveniência de manifestações de ordem religiosa, alheias ao estritamente acadêmico, num documento burocrático como era aquele livro de atas do departamento. Era favorável a que se fizesse referência à sua fala, mas era terminantemente contra a sua inclusão literal. Depois disso, nos dividimos e gastamos quase uma hora para decidir se o desabafo da velha professora seria ou não incluído no livro de atas. Durante essa hora, a professora decidiu ficar em silêncio, sem ousar defender a sua proposta. Parecia ouvir quase com indiferença as doutas ponderações dos colegas e algo que ela escutava muito mais do que nós: o ruído das enormes pedras que surdamente caíam, que continuariam a cair, desabadas desse edifício milenar chamado universidade, em seu caminho irreversível para o buraco sem fundo. Alguns dias depois, no início do ano seguinte, soubemos que aquela tinha sido a última participação de dona Judite no conselho e na própria universidade: solicitara a aposentadoria.
- QUANDO AINDA ERA NORMAL SER POETA OU ESCRITOR CATÓLICO – Dana Gioia
A explosão de obras católicas nos Estados Unidos, nas duas décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial, tem sido algumas vezes descrita como um renascimento ou renovação, mas esses termos atraentes são impróprios. Não houve, anteriormente, uma tradição literária católica americana que pudesse renascer. Até o período da guerra, a literatura americana foi, na maioria das vezes, uma coisa protestante temperada por esparsas vozes judaicas (com ambos os grupos tornando-se cada vez mais secularizados). Ainda que os católicos já se classificassem, desde 1890, como a maior denominação religiosa nacional, barreiras linguísticas, educacionais e culturais atrasaram o seu desenvolvimento literário. Apesar do sucesso de algumas poucas figuras populares, como Joyce Kilmer, quase não houve produção literária de significação duradoura. Foi necessário meio século de crescimento e progresso nas escolas, universidades, jornalismo e publicidade católicos, para tornar possível a realização ocorrida em só em meados do século XX. O período entre 1945 e 1964 representou o primeiro e pleno florescimento da criatividade católica americana — uma expansão poderosa da literatura nacional, que impressionava tanto pagãos como piedosos com a sua energia, sua profundidade, sua originalidade. Não foi uma renascença, mas um nascimento: era a sensibilidade de uma velha fé que se fazia ouvir, pela primeira vez, em um novo mundo. As pobres comunidades dos imigrantes, que remodelaram a população nativa dos EUA, agora ajudavam a reconfigurar as letras americanas. A década do pós-guerra não foi um período de predominância literária católica, nem isto seria, em meu modo de ver, um objetivo sedutor e desejável. Em vez disso, foi um momento em que as vozes católicas desempenharam, em toda a sua diversidade, um papel ativo na formulação desse dinâmico diálogo público que é a literatura americana. O catolicismo não era visto somente como uma cosmovisão consistente, com sua vocação artística ou literária. Rica em ritos, sinais e símbolos, a Igreja Romana era frequentemente considerada como a fé mais compatível com o temperamento artístico. Não era nada surpreendente ouvir que algum escritor se convertesse, fosse o jovem Robert Lowell ou Ernest Hemingway, de meia idade como Allen Tate ou Edith Sitwell, já mais velhos como Tennessee Williams ou Claude McKay, ou até moribundos como Wallace Stevens ou Jaime de Angulo. Enfim, como disse outro convertido no leito de morte, Oscar Wilde: “O catolicismo é a única religião para se morrer.” Sessenta anos atrás, era dado como certo que uma porção significativa dos escritores americanos era de católicos que procuravam equilibrar sua dupla natureza: a de artistas com a de fiéis. Esses escritores publicaram nos principais jornais e revistas da época, assim como em revistas e jornais especificamente católicos. Também receberam os maiores prêmios literários do país. Entre 1945 e 1965, romancistas e poetas católicos receberam onze Prêmios Pulitzer e cinco National Book Awards (seis NBA, se levarmos em conta a publicação póstuma, em 1972, das Histórias completas, de Flannery O’Connor). Os autores católicos foram resenhados e discutidos na imprensa em geral, enquanto também eram inteligentemente cobertos pela larga e variada imprensa católica. Thomas Merton publicou pela Harcourt Brace, New Directions e Farrar, Straus and Cudahy, como por editoras monásticas e eclesiásticas. Foi resenhado em Time, Life, Atlantic Monthly e Saturday Review, como em Commonweal, Ave Maria, Catholic World e Theology Digest. Os escritores também tinham a oportunidade, se o preferissem, de atingir o público católico pessoalmente, através de um amplo circuito de palestrantes ligados a associações e escolas religiosas. Mesmo mutilada pelo lúpus, Flannery O’Connor ajudou a pagar as contas da família com esses círculos de palestras. Visitou faculdades, ciclos de conferências, seminários e até um convento de freiras em clausura. Considerava cansativas as viagens, mas frequentemente se divertia com as pessoas que encontrava. “É relaxante supor que seu público possua as mesmas crenças que você”, costumava dizer. É interessante ver quão amplo e considerável era outrora o público literário católico, e quanto isso influiu na cobertura literária que a imprensa em geral dava aos escritores católicos. Ao ler as entrevistas publicadas de Flannery O’Connor, um estudioso de hoje poderia ficar surpreso ao verificar como boa parte delas apareceu em jornais católicos, uma situação hoje inconcebível para um jovem escritor sério. Igualmente inconcebível, os jornais seculares perguntavam-lhe elegante e respeitosamente sobre as relações de sua fé com sua arte. O escritor católico daquela época podia dirigir-se tanto ao leitor em geral como ao leitor católico, sabendo que ambos os públicos, mesmo com suas especificidades, também tinham algo em comum. Em: https://www.firstthings.com/article/2013/12/the-catholic-writer-today
- O MILÊNIO E O ARREBATAMENTO
• Você é pré, intermediário ou pós? Se você não sabe como responder a essa pergunta, você é provavelmente católico. A maioria dos fundamentalistas e evangélicos sabe que essas palavras são uma forma abreviada de pré-tribulação, meio da tribulação e pós-tribulação. Todos os termos se referem quando o arrebatamento deve ocorrer. • O milênio • Em Apocalipse 20: 1–3, 7–8, lemos: “1 Vi, então, descer do céu um anjo que tinha na mão a chave do abismo e uma grande algema. • 2 Ele apanhou o Dragão, a primitiva Serpente, que é o Demônio e Satanás, e o acorrentou por mil anos. 3 Atirou-o no abismo, que fechou e selou por cima, para que já não seduzisse as nações, até que se completassem mil anos. Depois disso, ele deve ser solto por um pouco de tempo. 7 Depois de se completarem mil anos, Satanás será solto da prisão. • 8 Sairá dela para seduzir as nações dos quatro cantos da terra (Gog e Magog) e reuni-las para o combate. Serão numerosas como a areia do mar. ” • O período de mil anos, segundo o escritor, é o reino de Cristo, e o período de mil anos é popularmente chamado de milênio. O milênio é um prenúncio do fim do mundo, e Apocalipse 20 é interpretado de três maneiras pelos protestantes conservadores. As três escolas de pensamento são chamadas de pós-milenismo, amilenismo e pré-milenismo. Vamos dar uma olhada neles. • O milênio • Em Apocalipse 20: 1–3, 7–8, lemos: “ “1 Vi, então, descer do céu um anjo que tinha na mão a chave do abismo e uma grande algema. • 2 Ele apanhou o Dragão, a primitiva Serpente, que é o Demônio e Satanás, e o acorrentou por mil anos. 3 Atirou-o no abismo, que fechou e selou por cima, para que já não seduzisse as nações, até que se completassem mil anos. Depois disso, ele deve ser solto por um pouco de tempo. 7 Depois de se completarem mil anos, Satanás será solto da prisão. • 8 Sairá dela para seduzir as nações dos quatro cantos da terra (Gog e Magog) e reuni-las para o combate. Serão numerosas como a areia do mar. ” . ” • O período de mil anos, segundo o escritor, é o reino de Cristo, e o período de mil anos é popularmente chamado de milênio. O milênio é um prenúncio do fim do mundo, e Apocalipse 20 é interpretado de três maneiras pelos protestantes conservadores. As três escolas de pensamento são chamadas de pós-milenismo, amilenismo e pré-milenismo. Vamos dar uma olhada neles. • Pós-milenismo • De acordo com Loraine Boettner em seu livro O Milênio (ele também escreveu o livro católico romano), o pós-milenismo é “aquela visão das últimas coisas que sustenta que o reino de Deus está sendo agora estendido no mundo através da pregação do evangelho e a obra salvadora do Espírito Santo, que o mundo deve ser cristianizado e que o retorno de Cristo ocorrerá no final de um longo período de retidão e paz, comumente chamado de milênio. ” • Essa visão era popular entre os protestantes do século XIX, quando era esperado progresso até mesmo na religião e antes dos horrores do século XX serem degustados. Hoje poucos se apegam a isso, exceto grupos como os cristãos reconstrucionistas, uma conseqüência do movimento conservador presbiteriano. • Comentaristas apontam que o pós-milenismo deve ser distinguido da visão de liberais teológicos e seculares que vislumbram melhoria social e até o reino de Deus vindo através de meios puramente naturais, ao invés de sobrenaturais. Pós-milenistas, no entanto, argumentam que o homem é incapaz de construir um paraíso para si mesmo; o paraíso só virá pela graça de Deus. • Os pós-milenistas também costumam dizer que o milênio mencionado em Apocalipse 20 deve ser entendido figurativamente e que a frase “mil anos” não se refere a um período fixo de dez séculos, mas a um tempo indefinidamente longo. Por exemplo, o Salmo 50:10 fala da soberania de Deus sobre tudo o que é e nos diz que Deus é dono do ” Porque meu é todo animal da selva, e o gado sobre milhares de montanhas. “. Isto não é para ser tomado literalmente. • No final do milênio virá a Segunda Vinda, a ressurreição geral dos mortos e o último julgamento. • O problema com o pós-milenismo é que a Escritura não descreve o mundo como experimentando um • período de cristianização completa (ou relativamente completa) antes da Segunda Vinda. Há numerosas passagens que falam da idade entre o Primeiro e o Segundo Dias como um tempo de grande tristeza e luta pelos cristãos. Uma passagem reveladora é a parábola do trigo e do joio (Mt 13: 24-30, 36-43). Nesta parábola, Cristo declara que tanto os justos como os ímpios serão plantados e crescerão lado a lado no campo de Deus (“o campo é o mundo”, Mateus 13:38) até o fim do mundo, quando eles serão separados, julgados e lançados no fogo do inferno ou herdarão o reino de Deus (Mt 13: 41-43). Não há evidência bíblica de que o mundo acabará se tornando totalmente (ou quase totalmente) cristão, mas sim que sempre haverá um desenvolvimento paralelo dos justos e dos ímpios até o julgamento final. • Amilenismo • A visão amilenária interpreta Apocalipse 20 simbolicamente e vê o milênio não como uma idade de ouro terrena na qual o mundo será totalmente cristianizado, mas como o período atual do governo de Cristo no céu e na terra através de sua Igreja. Essa era a visão dos reformadores protestantes e ainda é a visão mais comum entre os protestantes tradicionais, embora não entre a maioria dos novos grupos evangélicos e fundamentalistas. • Os amilenistas também acreditam na coexistência do bem e do mal na terra até o fim. A tensão que existe na Terra entre os justos e os maus será resolvida apenas pelo retorno de Cristo no final dos tempos. A idade de ouro do milênio é, em vez disso, o reino celestial de Cristo com os santos, no qual a Igreja na Terra participa em algum grau, embora não da maneira gloriosa como será na Segunda Vinda. • Amilenistas apontam que os tronos dos santos que reinarem com Cristo durante o milênio parecem estar no céu (Ap. 20: 4; cf. 4: 4, 11:16) e que o texto em nenhum lugar declara que Cristo está na Terra. durante este reinado com os santos. • Eles explicam que, embora o mundo nunca seja plenamente cristianizado até a Segunda Vinda, o milênio tem efeitos sobre a terra, pois Satanás está preso de tal maneira que não pode enganar as nações, dificultando a pregação do evangelho (Apoc. 20 : 3). Como pode alguém penetrar na casa de “um homem forte” e roubar-lhe os bens, sem ter primeiro amarrado este homem forte? Só então pode roubar sua casa. (Satanás), a fim de saquear sua casa, resgatando as pessoas de suas garras (Mt 12:29). Quando os discípulos retornaram de uma turnê de pregação do evangelho, regozijando-se com a forma como os demônios estavam sujeitos a eles, Jesus declarou: “Vi Satanás cair como um raio” (Lucas 10:18). Assim, para que o evangelho avance no mundo, é necessário que Satanás esteja preso em um sentido, mesmo que ele ainda esteja ativo em atacar os indivíduos (1 Pe 5: 8). • O milênio é uma idade de ouro, não quando comparada às glórias da era vindoura, mas em comparação a todas as eras anteriores da história humana, nas quais o mundo foi engolido pela escuridão pagã. Hoje, um terço da raça humana é cristã e até mais do que isso, repudiavam os ídolos pagãos e abraçavam o culto do Deus de Abraão. • Pré-milenismo • O terceiro da lista é o pré-milenismo, atualmente o mais popular entre os fundamentalistas e os evangélicos (embora um século atrás o amilenismo estivesse). A maioria dos livros escritos sobre o Fim dos Tempos, como O Grande Planeta Terra, de Hal Lindsey, são escritos a partir de uma perspectiva pré-milenista. • Como os pós-milenistas, os pré-milenistas acreditam que os mil anos são uma era de ouro terrena durante a qual o mundo será completamente cristianizado. Ao contrário dos pós-milenistas, eles acreditam que isso ocorrerá depois da Segunda Vinda, e não antes, de modo que Cristo reine fisicamente na Terra durante o milênio. Eles acreditam que o Julgamento Final ocorrerá somente após o final do milênio (que muitos interpretam como sendo exatamente um período de mil anos). • Mas as Escrituras não apóiam a idéia de um período de mil anos entre a Segunda Vinda e o Julgamento Final. Cristo declara: “Porque o Filho do homem virá com seus anjos na glória de seu Pai, e então retribuirá a cada um pelo que fez” (Mt 16:27), e “quando o Filho do homem vem em sua glória, e todos os anjos com ele, então ele se assentará em seu trono glorioso, diante dele serão reunidas todas as nações, e ele separará umas das outras como um pastor separa as ovelhas das cabras. (…) E eles [os bodes] irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna ”(Mt. 25: 31-32, 46). • O arrebatamento • Os pré-milenistas freqüentemente dão muita atenção à doutrina do arrebatamento. De acordo com esta doutrina, quando Cristo retornar, todos os eleitos que morreram serão ressuscitados e transformados em um estado glorioso, juntamente com os eleitos vivos, e então serão arrebatados para estarem com Cristo. O texto chave referente ao arrebatamento é 1 Tessalonicenses 4: 16-17, que declara: ” 16 Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. • 17 Depois nós, os vivos, os que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. • Os pré-milenistas sustentam, assim como virtualmente todos os cristãos (exceto certos pós-milenistas), que a Segunda Vinda será precedida por um tempo de grande dificuldade e perseguição ao povo de Deus (2Ts 2: 1-4). Este período é freqüentemente chamado de tribulação. Até o século XIX, todos os cristãos concordavam que o arrebatamento – embora não fosse chamado na época – ocorreria imediatamente antes da Segunda Vinda, no final do período de perseguição. Esta posição é hoje chamada de visão “pós-tribulacional” porque diz que o arrebatamento virá depois da tribulação. • Mas no século XIX, alguns começaram a alegar que o arrebatamento ocorreria antes do período de perseguição. Essa posição, agora conhecida como visão “pré-tribulacional”, também foi adotada por John Nelson Darby, um dos primeiros líderes de um movimento fundamentalista que ficou conhecido como Dispensacionalismo. A visão pré-tribulacional de Darby do arrebatamento foi então captada por um homem chamado C.I. Scofield, que ensinou a visão nas notas de rodapé de sua Bíblia de Referência Scofield, que foi amplamente distribuída na Inglaterra e na América. Muitos protestantes que lêem a Bíblia de Referência de Scofield aceitaram de forma incomum o que suas notas de rodapé diziam e adotaram a visão pré-tribulacional, embora nenhum cristão tenha ouvido falar dela nos 1800 anos anteriores da história da Igreja. • Eventualmente, uma terceira posição se desenvolveu, conhecida como visão “médio-tribulacionista”, que afirma que o arrebatamento ocorrerá durante o meio da tribulação. Finalmente, uma quarta visão desenvolvida afirma que não haverá um único arrebatamento onde todos os crentes estejam reunidos a Cristo, mas que haverá uma série de mini-arrebatamentos que ocorrem em diferentes momentos com relação à tribulação. • Essa confusão fez com que o movimento se dividisse em campos amargamente opostos. • O problema com todas as posições (exceto a visão histórica, pós-tribulacional, que foi aceita por todos os cristãos, incluindo os não-pré-milenistas) é que eles dividem a Segunda Vinda em eventos diferentes. No caso da visão pré-tribulacionista, acredita-se que Cristo tenha três vindas – uma quando ele nasceu em Belém, uma quando ele volta para o arrebatamento no início da tribulação e uma no final da tribulação, quando ele estabelece o milênio. Essa visão de três vindas é estranha à Escritura. • Problemas com a visão pré-tribulacional são destacados pelo teólogo Batista (e pré-milenista) Dale Moody, que escreveu: “A crença em um arrebatamento pré-tribulacional … contradiz todos os três capítulos do Novo Testamento que mencionam a tribulação e o arrebatamento juntos. Marcos 13: 24–27; Mat. 24: 26–31; 2 Tessalonicenses 2: 1–12)… A teoria é tão biblicamente falida que a defesa usual é feita usando três passagens que nem sequer mencionam uma tribulação. (João 14: 3; 1 Tessalonicenses 4:17; 1 Coríntios 15:52) Estas são passagens importantes, mas não tiveram uma palavra a dizer sobre um arrebatamento pré-tribulacional. A pontuação é de 3 a 0, três passagens para um arrebatamento pós-tribulacional e três que não dizem nada sobre o assunto. • . . . [O pré-tribulacionismo está biblicamente falido e desmascarado]. • Qual é a posição católica? • No que diz respeito ao milênio, tendemos a concordar com Santo Agostinho e, de forma derivada, com os amilenistas. A posição católica tem sido historicamente “amilenária” (como tem sido a maioria da posição cristã em geral, incluindo a dos reformadores protestantes), embora os católicos normalmente não usem esse termo. A Igreja rejeitou a posição pré-milenista, às vezes chamada de “milenarismo” (ver o Catecismo da Igreja Católica 676). Na década de 1940, o Santo Ofício julgou que o pré-milenarismo “não pode ser ensinado com segurança”, embora a Igreja não tenha definido dogmaticamente essa questão. • Com relação ao arrebatamento, os católicos certamente acreditam que o evento de nossa reunião para estar com Cristo ocorrerá, embora eles geralmente não usem a palavra “êxtase” para se referir a este evento (um tanto ironicamente, já que o termo “arrebatamento” é derivado do texto da Vulgata Latina de 1 Tessalonicenses 4: 17 – “seremos arrebatados” [Latin: rapiemur]). • Rodas giratórias? • Muitos passam muito tempo procurando sinais nos céus e nas manchetes. Isto é especialmente verdadeiro para os pré-milenistas, que aguardam ansiosamente a tribulação porque ela inaugurará o arrebatamento e o milênio. • Uma perspectiva mais equilibrada é dada por Pedro, que escreve: “8 Mas há uma coisa, caríssimos, de que não vos deveis esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos como, um dia. • 9 O Senhor não retarda o cumprimento de sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam. • 10 Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. • 11 Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade, • 12 enquanto esperais e apressais o dia de Deus, esse dia em que se hão de dissolver os céus inflamados e se hão de fundir os elementos abrasados! • 13 Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça. • 14 Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem mácula e irrepreensíveis na paz.”(2 Pedro 3: 8-14). #humanismo #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Bíblia #Igreja #SantoAgostinho
- Respostas curtas para refutar os argumentos abortistas
O movimento abortista conseguiu este ano apoderar-se da Irlanda, um país católico que outrora fora um estandarte da causa pró-vida. Com o intuito que não caiamos nessa mesma tentação, é importante que saibamos defender o nosso posicionamento em favor da vida. Segue algumas respostas para as objeções abortistas mais comuns: ARGUMENTOS BIOLÓGICOS “NÃO SE SABE QUANDO A VIDA COMEÇA” Errado. Podemos constatar empiricamente que a vida humana começa na concepção observando que é neste momento que surge uma nova individualidade orgânica da nossa espécie: O zigoto é – assim como todos nós – uma estrutura biológica autônoma, que, além de compartilhar do nosso patrimônio genético e epigenético, apresenta unidade orgânica e disposição ativa para se desenvolver coordenadamente. É um ser-humano completamente formado mas extremamente imaturo. Sua individualidade é marcada por seu desenvolvimento ser único, irrepetível e acontecer “em sua própria direção”[1]. Basta que lhe sejam condições básicas de sobrevivência (isto é, nutrição e ambiente adequado) para que ele, assim como um bebê, chegue a fase adulta. Deste fato nem mesmo o filósofo autríaco Peter Singer (que é o maior defensor do aborto no mundo acadêmico) ousou discordar: “Não há dúvidas de que desde o primeiro momento da sua existência, um embrião concebido de um espermatozóide e um óvulo é um ser humano” (Peter Singer, Practical Ethics, 2nd ed., p. 85-86). “O ZIGOTO É SÓ MAIS UMA CÉLULA IGUAL AO ESPERMATOZÓIDE” Errado. Este tipo de argumentação não considera que tanto o óvulo quanto o espermatozóide são desprovidos de unidade orgânica, característica que os torna partes de um organismo e não um organismo completo (como é o caso do zigoto humano). “O EMBRIÃO É APENAS UM CONJUNTO DE CÉLULAS” A menos que você seja um vírus, todo ser-humano é “um conjunto de células”. Sob uma perspectiva morfológica, a única coisa que diferencia um embrião e o leitor desse texto são fatores acidentais como o número de células. “MAS O ZIGOTO NEM SEMPRE CHEGA A IDADE ADULTA, PODENDO FORMAR TAMBÉM OVOS CEGOS E MOLAS HIDATIFORMES” A afirmação de que nem sempre um zigoto chegará a fase adulta é tão irrelevante quanto a afirmação de que nem sempre uma criança chegará a adolescência. Ovos cegos são um exemplo disso já que o pré-embrião (que é um ser-humano imaturo) não consegue progredir para o estágio embrionário, formando apenas a sua placenta. Tal erro acaba acarretando a morte do organismo que até então existia, já que, por si só, a placenta carece de unidade orgânica (que é uma característica necessária para configurar um organismo), e pode, portanto, ser comparada aos pedaços de unhas e cabelos que continuam a crescer mesmo depois da morte de um ser-humano adulto. O mesmo poderia ser dito das chamadas “molas hidatiformes” que, embora no início de suas vidas aparentemente gozem de certa autonomia, posteriormente perdem sua unidade orgânica e passam a passam a integrar o organismo materno como nos casos de mosaicismo (onde claramente as células ali presentes não configuram um organismo distinto). Tratar-se-iam, portanto, de tipos de aborto espontâneo, onde, analogamente à morte de um organismo adulto, mesmo após a perda da unidade orgânica, algumas de suas partes subsistem somaticamente vivas por determinado tempo. OBSERVAÇÃO: Há uma discussão entre os filósofos pró-vida (Finnis, George e Lee) se uma mola hidatiforme pode ser considerada – mesmo antes da perda da unidade orgânica – um ser-humano vivo. Sendo produtos de uma fertilização falida (já que seus zigotos são formados por dois núcleos paternos ao invés de um), as molas hidatiformes carecem do chamado patrimônio epigenético, responsável por coordenar o desenvolvimento humano para sua maturação. Tal característica priva estas entidades da chamada “disposição ativa para um desenvolvimento coordenado”, presente nos zigotos normais e coloca em dúvida a sua própria humanidade. De toda forma, ainda que tal entidade fosse considerada humana, a partir do momento em que perdesse a sua unidade orgânica e passasse a integrar o organismo materno, seria comparável a um coração que continua a bater após a morte encefálica de um adulto. “MAS O ZIGOTO TAMBÉM PODE FORMAR GÊMEOS” O fato de que um indivíduo pode gerar outro indivíduo não é um argumento contra a individualidade do pré-embrião, mas antes, um argumento a favor dela já que mostra que desde a concepção somos capazes de nos reproduzir (ainda que, neste caso, de forma assexuada). De acordo com Angelo Serra e Roberto Colombo (o primeiro, geneticista e filósofo italiano, e o último, professor de biologia e bioética na Universidade de Milão), todos os dados apontam para a ideia de que um dos gêmeos se origina na concepção e o outro se origina a partir dele, sendo suas respectivas individualidades evidenciadas não apenas por seus processos de desenvolvimento serem distintos, mas também na possibilidade de diferença no cariótipo. Em síntese, os eruditos deixam claro que nestes casos, “o primeiro indivíduo continua o seu próprio curso de desenvolvimento, enquanto o segundo começa o seu próprio ciclo vital assim que o novo plano se torna independente do primeiro”” (SERRA; COLOMBO, 2007, p. 199). “A VIDA COMEÇA QUANDO SE INICIA A ATIVIDADE ELÉTRICA NO CÉREBRO (12 SEMANAS)” Errado. O início da atividade cerebral não confere ao embrião a sua unidade orgânica. Tal unidade já está presente nele desde o momento em que foi concebido, motivo pelo qual ele continua a se desenvolver coordenadamente. Ademais, vale ressaltar que o mero início da atividade elétrica no cérebro não significa um córtex cerebral maturo a ponto de permitir o exercício das atividades intelectivas superiores que nos distinguem dos animais (tais como auto-consciência, racionalidade e juízo moral). Se o que nos torna humanos é a atividade elétrica do cérebro, deveremos também reconhecer a “humanidade” de todos os outros animais que também possuem um cérebro com atividade elétrica (isto é, ratos, macacos, vacas, etc). Criminalizaríamos dessa forma as churrascarias para poder legalizar o aborto. “SE PELO CRITÉRIO DE MORTE, SERES-HUMANOS SEM ENCÉFALO NÃO ESTÃO VIVOS, O MESMO DEVE SER APLICADO AO EMBRIÃO ANTES DA FORMAÇÃO DO ENCÉFALO” Errado. Seres-humanos deixam de viver quando perdem a sua unidade orgânica. Tal perda ocorre de maneira diferente antes e depois de formarmos um tronco encefálico – fenômeno que se dá por volta da 7ª à 8ª semana de gestação. Nas primeiras fases do nosso desenvolvimento, o embrião humano consegue conectar todas as partes que o compõem para agir complementarmente com o intuito de perpetuar o seu desenvolvimento (e consequentemente a sua vida), sem a necessidade – devido ao seu nível de maturação – de que tal propriedade seja controlada por um centro numa parte específica do corpo. Em termos acadêmicos, mesmo antes de o embrião formar seu encéfalo, “seus componentes já participam de uma dialética de implicação-polaridade, tensão que assegura sua organização e integridade” [2]. Já há, portanto, unidade orgânica. Quando o embrião humano matura-se a tal ponto de reunir em si os mais diferentes tipos de tecidos específicos e diferenciados, no entanto, a complexidade do organismo passa a exigir um centro de controle para manter a unidade das partes que compõem esse organismo – para isso, forma-se o tronco encefálico. Sem tal unidade, não é possível ao organismo continuar seu desenvolvimento, o que nos leva a concluir a morte de tal entidade. Como mostrado, no entanto, por o embrião humano possuir – diferentemente dos mortos encefálicos – unidade orgânica, as situações tornam-se completamente distintas. É bom ainda ressaltar que crianças anencéfalas possuem tronco encefálico funcionante. Eles carecem não do centro de unidade orgânica (tronco encefálico), mas sim das partes superiores do encéfalo – isto é, do córtex cerebral. Por isso podem viver de horas e até mesmo anos fora do útero e não podem de forma alguma serem considerados “natimortos”. ARGUMENTOS FILOSÓFICOS “BIOLOGICAMENTE, O FETO É HUMANO, MAS FILOSOFICAMENTE, NÃO É UMA PESSOA” Errado. De acordo com o conceito filosófico clássico proposto por Boécio e posteriormente desenvolvido pelos filósofos medievais como São Tomás de Aquino, uma pessoa é um “individuo subsistens in rationali natura”, isto é, “uma substância individual de natureza racional”. Ora, certamente o zigoto humano é uma “substância individual” no sentido em que apresenta – diferentemente das células somáticas e sexuais – individualidade orgânica. Também apresenta uma “natureza racional” no sentido que todo indivíduo da nossa espécie goza de uma natureza teleologicamente ordenada ao exercício da racionalidade (isto é, a natureza humana). Fatores acidentais como idade ou deficiência podem impedir a manifestação das habilidades para as quais o homem é ordenado mas não podem alterar a sua essência racional. Este é o motivo pelo qual consideramos recém-nascidos enquanto “pessoas” ainda que eles não sejam capazes –devido ao seu nível de maturação cerebral (fator acidental) – de exercer as atividades intelectivas superiores para as quais são ordenados. O mesmo se aplica ao feto, que, por sua humanidade, também é ontologicamente um tipo de entidade racional. “O FETO SÓ VIRA PESSOA QUANDO PASSA A SENTIR DOR (SENCIÊNCIA)” Errado. Se este critério fosse admitido, teríamos que incluir todos os animais capazes de sentir dor no conceito de personalidade. Isso os atribuiria uma Dignidade Inviolável, e os equipararia juridicamente à um ser-humano. Em nome da legalização do aborto, zoológicos, churrascarias e fazendas teriam que ser criminalizadas por violar a “Dignidade das Pessoas não-humanas”. Uma idosa que comeu feijoada com charque poderia ser presa já que os animais passariam a ser – como ela – sujeitos de direitos e iguais em Dignidade. Ao mesmo tempo, tal conceito excluiria vários membros da nossa espécie que por motivos acidentais como idade (no caso dos fetos) ou deficiência (no caso de portadores da Síndrome de Riley-Day – uma síndrome que faz com que as pessoas não sintam dor), não conseguem manifestar tais atributos que são próprios de sua espécie. Ora, uma vez que nenhum de nós considera que matar uma ratazana – animal que também sente dor – deva ser criminalizado, somos obrigados a concluir que o critério da dor não pode definir personalidade. “O FETO SÓ VIRA PESSOA QUANDO PASSA A EXERCER AS FUNÇÕES INTELECTIVAS SUPERIORES QUE NOS DIFERENCIAM DOS ANIMAIS COMO AUTO-CONSCIÊNCIA, JUÍZO MORAL E RACIOCÍNIO LÓGICO” Errado. A adoção de um critério tão arbitrário como esse nos levaria a excluir também do conceito de personalidade não só os nascituros, mas também os dementes e os recém-nascidos. Todos esses grupos de seres-humanos não são capazes de raciocinar, julgar ou ter consciência de sua própria existência: o primeiro por causa de uma enfermidade e o segundo por causa de uma questão de maturação (já que seu cérebro só desenvolverá tais habilidades com alguns meses a até anos após o nascimento). Na primeira situação, idosos com Alzheimer ou doença de Huntington em estado avançado, por exemplo, simplesmente não seriam mais considerados sujeitos de direito mas sim coisas ou objetos de outras pessoas (o que é, certamente, um absurdo). Para legalizar o aborto, permitiríamos também o infanticídio e a eugenia. De acordo com o filósofo britânico John Finnis, todo organismo humano vivo, em virtude do tipo de entidade que é, já possui radicalmente todas as capacidades próprias da sua espécie e irá exercê-las a menos que fatores acidentais o impeçam (sejam eles tamanho, idade ou deficiência)[3]. Todos nós – o que também inclui crianças anencéfalas, dementes, fetos saudáveis e recém nascidos – somos organismos únicos, teleologicamente ordenados ao exercício das atividades intelectivas próprias da nossa espécie. Esta característica é mais do que suficiente para que sejamos considerados seres racionais, e, portanto, pessoas de inviolável dignidade. “SE O FETO ESTÁ NO CORPO DELA, LOGO, ELA PODE DECIDIR TIRAR” Errado. Assim como uma mulher que deseja entregar seu filho para adoção tem a obrigação moral de entrega-lo a uma autoridade competente, a mulher que já está grávida e mesmo assim não quer criar seu filho, tem a obrigação moral de esperar até que possa entrega-lo a uma autoridade competente. Admitir que os interesses egoístas do mais forte se sobreponham aos direitos dos mais fracos, é uma prática desumana que não deve ter espaço numa sociedade sadia. ARGUMENTOS SOCIAIS “O ABORTO, LEGAL OU CLANDESTINO, SEMPRE VAI EXISTIR, LOGO DEVEMOS LEGALIZAR” Um crime constatado não o torna legalizável. Estupros, latrocínios, assaltos comuns, etc, sempre irão existir independentemente de haver ou não uma lei para criminaliza-los. Isso não significa, no entanto, que tais crimes possam ser legalizados ou pior, ser considerados como “direitos”. “MUITAS MULHERES MORREM ABORTANDO CLANDESTINAMENTE, LOGO DEVEMOS LEGALIZAR” Diante de tamanha falácia, até mesmo um escritor liberal reconhece: “O argumento de que um crime deva deixar de sê-lo pelo fato de ser praticado em grandes quantidades e de forma escamoteada é absurdo. Equivale a dizer que, se um crime é praticado rotineiramente, com risco para o criminoso, ele deve simplesmente deixar de ser considerado crime. Se a norma legal vem sendo descumprida e causando prejuízo aos criminosos, deveríamos simplesmente acabar com ela? Nesse caso, convenhamos, sobrariam no Brasil muito poucas leis. Trata-se de argumento legal, moral e filosoficamente inconsistente. É um contrassenso pretender legalizar uma prática com base nos índices de incidência ou no risco para os respectivos praticantes. Fosse isto razoável, deveríamos então pedir a descriminação do roubo ou do homicídio, crimes que também envolvem sérios riscos para os agentes e cuja ocorrência em nosso país é superior a do aborto”[4]. “200 MIL MULHERES MORREM EM CLÍNICAS CLANDESTINAS DE ABORTO TODOS OS ANOS” Errado. De acordo com o DATASUS, desde 1998 o número de mortes maternas relacionadas a aborto – o que inclui tanto o aborto clandestino quanto o aborto legal e o aborto espontâneo – não supera 100 mortes por ano[5]. O resto é especulação e manipulação de dados para sensibilizar a opinião pública. “NO BRASIL OCORREM 250 MIL INTERNAÇÕES POR ABORTO CLANDESTINO” Errado. De acordo com o DATASUS, o número de 250 mil internações por aborto é verdadeiro. No entanto, este número inclui também internações por aborto espontâneo (fenômeno muito comum no primeiro trimestre de gravidez). O número estimado de internações por aborto provado é muito menor, como nos mostra a Dra. Isabela Montovani, em uma de suas Audiências Públicas no Senado[6]. “NO BRASIL JÁ OCORREM 1 MILHÃO E MEIO DE ABORTOS CLANDESTINOS” Errado. Os dados apontam para o fato que no Brasil ocorre cerca de 100 mil abortos por ano[7]. Por se tratar de uma prática clandestina, no entanto, os ativistas do aborto se esforçam a inflar estes números com o intuito de sensibilizar a opinião pública. Tais “estatísticas” – que se disfarçam sob um viés cientifico – já foram denunciadas inúmeras vezes por estudiosos respeitadíssimos tais como a Dra. Isabela Montovani (cuja palestra no Senado está disponível no Youtube[8]) e o Prof. Felipe Neri[9]. “SE LEGALIZAR O ABORTO, VAI DIMINUIR O NÚMERO DE ABORTOS” Errado novamente. A lógica simples evidencia que quando se facilita o acesso à determinado produto ou serviço, sua procura tende a aumentar. Vide por exemplo nosso vizinho Uruguai: país onde o aborto foi legalizado em 2012, e, desde então, a prática só tem crescido[10]. O mesmo nos mostra a análise de Isabela Montovani sobre vários outros países como Espanha, Estados Unidos, Suécia, etc[11]. “O ABORTO LEGAL É SEGURO PARA A VIDA DA MULHER” Errado. Ao ceifar a vida do próprio filho, o aborto pode, a curto prazo, parecer seguro à vida da mulher. No entanto, quando suas consequências são observadas a longo prazo, percebemos facilmente que o aborto não apenas tira a vida de um ser-humano inocente, como também acarreta uma série de prejuízos à saúde da mãe. De acordo com o Instituto de Prevenção ao Câncer de Mama dos Estados Unidos (Breast Cancer Prevention Institute), das 73 pesquisas realizadas pelo National Cancer Institute sobre a existência de uma possível correlação entre o aborto provocado e o câncer de mama, 57 afirmaram positivamente. Em Abril de 2009, um estudo conduzido pela pesquisadora Jessica Dolle na prestigiosa revista epidemiológica de câncer intitulada “Cancer Epidemiology, Biomarkers and Prevention” reafirmou tais dados. Por fim, em 2014, um estudo coordenado por pesquisadores chineses ratificou que mulheres que já fizeram um aborto têm 44% mais chances de desenvolver câncer de mama do que aquelas que nunca passaram pelo procedimento. O risco cresce conforme o número de abortos realizados. Mulheres que fizeram dois abortos têm 76% mais chances de desenvolver a doença, e aquelas que já haviam realizado três abortos estavam 89% mais vulneráveis. Os dados foram coletados em 14 províncias do país. Chama a atenção o fato da pesquisa ter sido produzida na China, um país onde 8,2 milhões de mulheres abortam todos os anos, e onde a prática é usada para controle de natalidade. Esta última pesquisa pode ser encontrada no link: http://link.springer.com/article/10.1007/s10552-013-0325-7. Outro estudo coordenado pela pesquisadora americana Priscilla K. Coleman publicado em 2009 no jornal British Journal of Psychiatry,, acompanhou o perfil psicológico de 500 mulheres que realizaram aborto. Sua conclusão foi estarrecedora: “Os resultados indicam bastante consistente que o aborto está associado de moderada a altamente o aumento dos riscos de problemas psicológicos posteriores ao procedimento” (Cf. Priscilla K. Coleman, Abortion and mental health: quantitative synthesis and analysis of research published 1995 -2009; BJP 2011, 199:180-186). De acordo com ela, após o aborto, 34% das mulheres ficam mais suscetíveis a ansiedade, 37% a depressão, 110% ao alcoolismo, 220% ao uso de maconha, 81% a adquirir doenças mentais e 155% mais suscetível ao suicídio. Definitivamente, o aborto não empodera a mulher, mas antes, como dizia a famosa sufragista americana Alice Paul, o aborto provocado (seja ele legal ou ilegal) “é a exploração máxima da mulher”. “RICAS JÁ ABORTAM COM SEGURANÇA, LOGO DEVEMOS LEGALIZAR O ABORTO” Errado. Não é porque os ricos conseguem abortar clandestinamente seus filhos que o aborto torna-se um ato lícito e merece ser reconhecido como um “direito”. Afinal, se assim fosse, deveríamos lutar não só pela descriminalização do aborto, mas também dos demais crimes que os ricos já fazem e não são punidos como assassinato, corrupção, etc. Devemos lutar é para que os ricos que abortam vão para a cadeia junto de todos os outros que cometem esse tipo de violência. “SEM ÚTERO SEM OPINIÃO” Errado. O debate do aborto diz respeito tanto aos homens quanto as mulheres pois ambos serão igualmente desmembrados por uma máquina de sucção e terão seus restos mortais misturados ao lixo hospitalar, caso a prática venha a ser legalizada. Ora, uma vez que as crianças em estágio fetal não podem opinar, nós somos a voz delas. E este “nós” inclui tanto homens quanto mulheres. Dessa forma, o argumento feminista de “sem útero sem opinião” carece totalmente de sentido. “DEVEMOS LEGALIZAR O ABORTO PARA DIMINUIR A POBREZA” Errado. Não se diminui a pobreza matando o pobre. Tal visão higienista também permitiria que crianças, jovens e adultos tivessem suas vidas ceifadas arbitrariamente sob a justificativa de que o Governo estaria “diminuindo a pobreza”. “QUEM É CONTRA O ABORTO NÃO SE IMPORTA COM A CRIANÇA QUE PASSA FOME NA RUA” Inconsistente. A instituição que mais influencia o mundo contra a legalização do aborto é também a maior instituição de caridade do mundo: Trata-se da Igreja Católica. A Igreja mantém na Ásia: 1.076 hospitais; 3.400 dispensários; 330 leprosários; 1.685 asilos; 3.900 orfanatos; 2.960 jardins de infância. Na África: 964 hospitais; 5.000 dispensários; 260 leprosários; 650 asilos; 800 orfanatos; 2.000 jardins de infância. Na América: 1.900 hospitais; 5.400 dispensários; 50 leprosários; 3.700 asilos; 2.500 orfanatos; 4.200 jardins de infância. Na Oceania: 170 hospitais; 180 dispensários; 1 leprosário; 360 asilos;60 orfanatos; 90 jardins de infância. Na Europa: 1.230 hospitais; 2.450 dispensários; 4 Leprosários; 7.970 asilos; 2.370 jardins de infância. E o movimento feminista? O que ele faz pela mulher além de incentivá-la a abortar o próprio filho? “SER A FAVOR DA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO É DEFENDER OS DIREITOS DAS MULHERES” Errado. Defender a inviolabilidade do direito à vida desde a concepção é proteger os direitos de TODAS as mulheres sem excluir arbitrariamente aquelas que ainda não podem falar por si. Quem defende o suposto “direito ao aborto legal” não só inferioriza a figura da mulher que ainda não nasceu mas também chega ao absurdo de permitir que esta mesma mulher seja desmembrada numa máquina de sucção e tenha seus restos mortais misturados ao lixo hospitalar. Ademais, uma vez que o aborto traz consequências físicas e psicológicas devastadoras para a mãe, não é de se espantar a gigantesca oposição que as feministas que integravam no século XIX o movimento sufragista – tais como Susan B. Anthony, Elizabeth Cady Stanton, Matilda Joslyn Gage, Victoria Woodhull, Elizabeth Blackwell, e Alice Paul – faziam da ideia da legalização do aborto. Qualquer um que se atenha aos fatos, conclui facilmente que a verdadeira posição pró-mulher é a posição contrária a legalização do aborto, não a favorável. Pelo direito das mulheres, principalmente o de nascer, aborto NÃO! “SE HOMEM PODE ABANDONAR FILHO, MULHER PODE ABORTAR” Infanticídio não é comparável a abandono parental. Desmembrar uma criança em uma máquina de sucção e depois jogar seus restos mortais no meio do lixo hospitalar é uma atitude muito mais grave do que simplesmente abandonar uma criança ou entrega-la para adoção. Por fim, pode-se ainda dizer que a Constituição de 1988 já garante através do seu artigo 227 que todo o pai tem o dever de sustentar, cuidar e zelar por seu filho, sendo o abandono financeiro tipificado como crime com detenção de 1 a 4 anos pelo artigo 244 do Código Penal. Dessa forma, enterra-se mais uma das falácias feministas. ALGUNS DOS CASOS ESPECIAIS “ESTUPRO JUSTIFICA ABORTO” Errado. Independentemente da forma como foi concebido, todo ser-humano tem direito à vida. Aplicar a pena capital à um inocente que sequer está envolvido no crime de estupro é violar de maneira claríssima o princípio humanitário de que “A pena não pode passar da pessoa do delinqüente.” (Convenção Americana de Direitos Humanos, art. V, I). Ademais, uma cirurgia física como o aborto não resolverá os problemas psicológicos decorrentes do estupro, mas antes, pode agravá-los. Embora a mãe não seja obrigada a ficar com a criança, ela tem a obrigação moral de não desmembrá-la através de uma máquina de sucção e misturar os seus restos mortais ao lixo hospitalar. É função do Governo prover à gestante uma Assistência Social de qualidade, e, caso necessário, também um orfanato decente para a criança. “ANENCEFALIA JUSTIFICA ABORTO” Errado. Nada justifica tirar arbitrariamente a vida de um ser-humano inocente. Uma deficiência grave não torna o anencéfalo menos humano do que nós. Desmembrar pessoas sob a justificativa de serem defeituosas é a mais grotesca forma de eugenia. “PELA LEI, ANENCÉFALOS SÃO ‘NATIMORTOS CEREBRAIS’” Errado. A Lei nº 9434/1997 define que o Brasil utiliza o critério de morte encefálica para definir a cessação da vida de um indivíduo, não o de morte cortical. Uma vez que o anencéfalo possui tronco encefálico funcionante, ele não pode ser enquadrado no conceito de natimorto. Mesmo sem ajuda de nenhuma máquina, o bebê anencéfalo respira, se mexe, mama, grita, e responde à estímulos auditivos, vestibulares e dolorosos. Trata-se de um indivíduo vivo da nossa espécie que merece ser respeitado. Todos esses dados levaram inclusive o próprio Conselho Federal de Medicina a revogar a resolução de nº 1752/2004 que permitia a retirada de órgãos desses bebês ainda em vida (o chamado “infanticídio eugênico”), substituindo-a pela Resolução de nº 1949/2010. Infelizmente, ainda assim, 5 dos 8 ministros do Judiciário se basearam nesta resolução ultrapassada quando proferiram seus votos na desastrosa votação da ADPF 54. “ABORTO EM CASO DE ANENCEFALIA É UMA FORMA DE ABORTO TERAPÊUTICO” Errado. A legislação brasileira só considera aborto terapêutico, o aborto que ocorre “se não há outro meio de salvar a vida da gestante” (cf. Código Penal, art. 128, I). Ora, todas as possíveis complicações oriundas da gravidez de um anencéfalo (polidrâmnio, diabetes e pressão alta) tem tratamento e estão presentes também em gravidezes comuns. Dessa forma não se pode enquadrar o aborto dos anencéfalos enquanto “aborto terapêutico”, e as bases teóricas propostas pela ADPF 54 mostram-se frágeis e insustentáveis. “ANENCÉFALOS NÃO SÃO PESSOAS” Errado. De acordo com o conceito filosófico clássico proposto por Boécio e posteriormente desenvolvido pelos filósofos medievais como São Tomás de Aquino, uma pessoa é uma “substância individual de natureza racional”. Ora, sem dúvidas, o anencéfalo é uma “substância individual”, no sentido de que ele é um indivíduo vivo da nossa espécie. Ele também possui “natureza racional” pois possui uma natureza teleologicamente ordenada à racionalidade (isto é, a natureza humana). Fatores acidentais como idade ou deficiência, embora possam impedir o exercício das atividades para as quais o homem é ordenado, não desqualificam a personalidade do indivíduo já que ele essencialmente continua pertencendo à um tipo de coisa que é racional. Este é o motivo pelo qual, por exemplo, todo recém-nascido é considerado “pessoa” embora a sua idade (fator acidental) não o permita exercer a racionalidade. “MAS O BEBÊ VAI MORRER ASSIM QUE NASCER” Nenhuma vida é curta demais para ser insignificante. O Estado não pode permitir que terceiros decidam arbitrariamente até onde vai a vida de outro ser-humano. Se assim o fosse, nada impediria que ele legalizasse também o assassinato involuntário de pessoas em estágio terminal. Aos anencéfalo e sua família cabem cuidados paliativos, aborto não. “O SOFRIMENTO PSICOLÓGICO DA MÃE JUSTIFICA O ABORTO DO FILHO” Errado. Em virtude do seu status pessoal, o nascituro goza assim como a mãe de dignidade inviolável. Afirmar que nestes casos, a vontade do mais forte (isto é, a vontade do já nascido) pode suprimir os direitos do mais fraco (isto é, os direitos do não-nascido), significa aderir à uma tese filosoficamente insustentável. Sob a perspectiva ontológica, não há qualquer diferença entre uma mulher adulta e seu zigoto de apenas um dia que legitime essa sobreposição de direitos. Ambos devem ser tratados enquanto pessoas de igual valor e dignidade e não enquanto coisas ou objetos uns dos outros. Ademais, se admitíssemos que o sofrimento psicológico dos pais por si só justifica o filicídio, não haveria motivos para que limitássemos tal ato ao momento do nascimento da criança. Dessa forma não apenas o aborto, mas também o infanticídio – em nome do “sofrimento psíquico da mãe” – estaria legalizado. É dever do Estado promover às gestantes uma Assistência Social de qualidade que lhe garanta todo o acompanhamento psicológico necessário para levar a gravidez a termo. Tal Assistência vale especialmente para aquelas gravidezes onde traumas psicológicos usualmente estão envolvidos tais como quando a criança é fruto de estupro ou quando o bebê é portador de uma doença fatal. RECURSO ARGUMENTATIVO (FOTOS) 1. Zigoto Humano 2. Pré-embrião humano 3. Embrião 3-4 semanas 4. Feto 8-9 semanas 5. Feto 9-10 semanas 6. Feto 10-11 semanas 7. Feto 11-12 semanas NOTAS [1] Patrick Lee & Robert George, “The Wrong of Abortion”, p. 14. [2] Mário da Silva Ribeiro & Victor Sales Pinheiro, “A Dignidade da Pessoa humana e o direito à vida do nascituro: Fundamentos biológicos, filosóficos e jurídicos”, p. 149-150. [3] John Finnis, “The Philosophical Case against Euthanasia”, in “Euthanasia Examined: Ethical, Legal and Clinical Perspectives”, ed. John Keown (New York: Cambridge University Press, 1995), p. 68-70. [4] João Luiz Mauad, “Qual a posição dos liberais em relação ao aborto?”. [5] FONTE: rEsposta%20ao%20RIC%202500-2016%20-%20AUTOR%20DEP.%20%20Diego%20Garcia.pdf [6] https://www.youtube.com/watch?v=7QI5ZN9jQKI [7] https://www.youtube.com/watch?v=7QI5ZN9jQKI [8] https://www.youtube.com/watch?v=7QI5ZN9jQKI [9] https://www.youtube.com/watch?v=XdpLyXiJtik [10] https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/06/19/seis-anos-apos-legalizar-aborto-uruguai-ve-procedimento-crescer-37.htm [11] https://www.youtube.com/watch?v=7QI5ZN9jQKI Extraído de: http://apologistascatolicos.com.br/index.php/apologetica/ateismo/1010-respostas-curtas-para-refutar-os-argumentos-abortistas #Assassinato #Palestra #Aborto #Fotos #abortonoBrasil #ClínicadeAborto
- A VERDADEIRA HISTÓRIA DAS CRUZADAS E DA JIHADE ISLÂMICA
1. A VERDADEIRA HISTÓRIA DAS CRUZADAS E DA JIHADE ISLÂMICA 2. SALADINO ERA UM HOMEM BONDOSO, BARBAROSA FOI CRUEL? 3. Vamos falar de uma das figuras das Cruzadas que é o Sultão Saladino, chefe militar responsável por reunificar boa parte do mundo Muçulmano e infligir grandes danos aos cruzados. Na nossa era, Saladino virou O protótipo do guerreiro muçulmano tolerante e magnânimo, prova histórica da nobreza do islamismo de sua superioridade ao perverso cristianismo ocidental colonialista. As cruzadas vistas pelos olhos árabes, Amin Maalouf retrato os cruzados como semi-selvagens dados a devorar a carne daqueles que eles assassinavam. Já Saladino, este era sempre afável com as visitas — fazia questão de que dividir sem a mesa com ele e atende a todos os pedidos. Não suportando deixar quem de entrar pela porta sair desapontado, Já viu aqueles que não se embaraçavam em tirar proveito dessa qualidade. Um dia, durante uma trégua com os Francos, o senhor de Antioquia aparecer na espera da mente na barraca de Saladino e pediu-lhe que devolver se um distrito que o Sultão havia tomado 4 anos antes. Ele concordou! Um Sultão muito bom mesmo. Se pedissem, ele era capaz de entregar a terra santa inteira! 4. Não deixa de ser verdade isto: fala de Uno Partiu para conquistar Jerusalém em 1187 porque o cruzado Reinaldo de Chântillon e seus comandados, como que inspirados pelo Profeta Maomé, andavam assaltando caravanas, só que caravanas muçulmanas. Os governantes cristãos de Jerusalém, sabendo de que as atividades de Reinaldo punham em risco a própria sobrevivência do reino, ordenarm-lhe parar. Ele não obstante persistiu; e Saladino, que vinha procurando um motivo para entrar em guerra com os cristãos achou nas incursões de Reinaldo. 5. Ensinado que Saladino ao retomar Jerusalém para os muçulmanos em outubro de 1187, tratou os cristãos com magnanimidade — em acentuado contraste à truculência 2 cruzados em 1099. Só tem um problema o Saladino real não tem nada a ver com essa imagem que hoje se ensina, como se fosse um Martin Luther King na versão arcaica, É verdade este protocolo do multiculturalismo. Quando suas hoste debelaram os cruzados em Hattin a 4 de julho de 1187, Ele ordenou a execução em massa dos oponentes cristãos. Segundo seu Conselheiro Imãs ed-Din, sala de irmã do decapitados em conformidade com O Corão 47:4: “quando, no campo de batalha enfrentar os que descreem golpeai-os no pescoço” 6. O Sultão preferia tê-los mortos a aprisionados. Acompanhava-o toda uma agremiação de eruditos e sufis, mais uma porção de devotos e ascetas, e cada qual lhe implorava Permissão Para Matar Um deles, sacando da espada e arregaçando a manga. Do seu divã, Saladino sorria; os incrédulos tomavam-se de negro e desespero”. 7. Além do mais, ao entrar Saladino com seus homens em Jerusalém, no final daquele ano, a sua magnanimidade era antes pragmatismo. A princípio de planejar executar todos os cristãos de Jerusalém. No entanto, quando o comandante Cristão Balião de Ibelin ameaçou em troca destruir a cidade e matar todos os muçulmanos da cidade antes que os inimigos conseguisse entrar, Saladino recuou no seu plano — o que não o impediu de, uma vez dentro da cidade, escravizar muitos dos cristãos que não podiam bancar sua saída. 8. Voltando a falar de Bill Clinton no seu discurso, deu a entender que o saque a Jerusalém em 1098 foi a causa primeira dos atentados do 11 de setembro. Já o saque muçulmano a Constantinopla em 1453 não faz parte de nenhum discurso moderno do Politicamente correto; não foi apontado por nenhum Presidente como a causa raiz de qualquer atentado terrorista contemporâneo; chega hoje a ser menos conhecidos que um outro saque a Constantinopla: aquele cometido por cruzados mau orientados em 1204. 9. Esta é uma ilustração bem estranha de duplicidade moral mostrada por tantos tipos politicamente corretos ao avaliarem os comportamentos de ocidentais e de não ocidentais. Quantos sejam os massacres e atrocidades perpetradas por não acidentais, não brancos e não cristãos, tantos lhes são perdoados, mas as malfeitorias praticados por cristãos ocidentais ou mesmo por os cristãos ocidentais deixam feridas abertas da memória coletiva do mundo. Os escândalos da prisão de Abu ghraib receberam horrorizado atenção do mundo inteiro em 2004 e 2005, inclusive de muita gente que fez Vista grossa a barbaridade mais graves de Saddam Hussein, de Osama Bin Laden e do Hamas. Nessas avaliações vemos claramente o fato de que o establishment Politicamente correto nega com veemência em todos os demais casos: o cristianismo ensina princípios Morais mais elevados que o Islã, e por isso espera-se mais não só dos cristãos praticantes, como ainda do esquecer desses altos princípios ao viver nas sociedades moldadas por eles. 10. AS CRUZADAS CONTRA OS JUDEUS É VERDADEIRA? 11. Sim, é verdade, infelizmente, os judeus foram alvo de cruzados em múltiplas ocasiões. Alguns grupos de cruzados que permitiram extraviar-se da missão que o Papa Urbano lhes designará. Instigados por pregadores anti-semitas, um contingente de homens que seguiram o leste em nome da primeira cruzada ator seu caminho para ir aterrorizar os judeus da Europa, e massacrou muitos. O Conde de Emicho de Leiningen e seus seguidores lançaram pela Renânia, capinando e matando judeus em cinco cidades: Espira, Vormáncia, Mogúncia, Tréveris e Colônia. Alguns Bispos tomaram providências contra a matança, é enfim, quando o Conde Emicho tentava estender o seu poder sobre a Hungria, ele e seus acólitos pereceram. Mas a situação já estava incontrolável, as notícias desses tormentos chegaram ao Oriente Médio e levaram muitos judeus a aliar-se com os muçulmanos para combater os cruzados quando este chegassem. 15 anos depois, outro grupo de passagem pela Renânia, a caminho da segunda cruzada, retomou o massacre de judeus. 12. Tudo isso foi indesculpável, e foi também um incalculável erro de juízo. Muito mais sensato da parte dos cruzados queria ver os judeus, seus pares de Dima, como naturais variados na resistência a jihad islâmica. Os muçulmanos tratavam os judeus e os cristãos mais ou menos da mesma maneira, mal. Elas de modo que nenhum dos dois grupos tenham jamais enxergar o outro como um parceiro dois pagamentos de impostos e da submissão ao Islã e um companheiro de luta contra as opressões dela. Mas estudar verdade continua e sentimento continua até hoje depois da Última Cruzada se passaram 800 então acredito que não é justo cobrar dos cruzados. 13. Mas enfim ter um fio dos maus-tratos aos judeus um atributo fundamental para as cruzadas como um todo? Segundo a documentação histórica, não. A convocação do Papa Urbano II a primeira cruzada não mencionou judeus, e os eclesiásticos revelaram-se os mais temíveis oponentes de Emicho. De fato, o próprio Papa Urbano II condenou os ataques do anti semita. São Bernardo de Claraval, um dos idealizadores da segunda cruzada, foi a renânia e em pessoa que teve a perseguição aos judeus. Declarou: perguntar a qualquer conhecedor das escrituras sagradas o que nos somos se previsto os judeus. Lá está escrito: não é pela destruição deles que eu oro. Papas e bispos fizeram reiterados atheros para que se parecem com os ataques. 14. O fato é que, mesmo após o saque a Jerusalém e o massacre antissemita, durante o período cruzado os judeus no Oriente Médio em geral preferi viver nas áreas controladas pelos francos, malgrado a inegável hostilidade dos cristãos da Europa para com eles. Sabiam bem até demais que o quinze reservava para Elis nas relações humanas ela ainda pior. 15. Em relação a questão dos massacres dos cruzados em Jerusalém, já foi mostrado que Saladino e suas tropas também foram conquistadores, mas o senso comum diz que eles eram mais acolhedores e mais bem acolhidos pelos habitantes das terras tomadas por eles; mostravam-se justos e magnânimos com as minorias religiosas daquelas regiões. esta imagem do Politicamente correto passa que que os cruzados em contraste eram sanguinários. 16. Isso já foi totalmente desmascarado, foi mostrado que é totalmente falso esse senso comum, Saladino só parou de massacrar os cristãos de Jerusalém por razões pragmáticas, e os conquistadores muçulmanos igualaram e superaram a crueldade dos cruzados em Jerusalém numerosas vezes. Não eram bem-vindos em parte alguma: encontravam resistência e atacavam com brutalidade extrema. Quando chegavam ao poder decretavam severas medidas repressivas contra as minorias religiosas. 17. O ocidente contra Saladino 18. Jerusalém conquistada, os cristãos reduzidos às margens da Síria, de Tiro, de Antioquia e de trípoli, o porto de São João d’Acre interditado aos barcos de peregrinos… Era um século de esforços inutilizados. E um grande grito de tristeza e de Cólera ecoou Por toda a cristandade. 19. O primeiro que soltou O Grito em Altos brados foi o Marquês italiano Conrado de Montferrat, que, chegando por acaso a São João d’Acre no no momento em que saudade não acabava de tomar a cidade, surpreendido por não ter sido avisado pelo som dos Sinos, reconheceu de repente a bandeira do Islã tremulando no Alto das Torres. Refugiando-se em Tiro, inflamou os corações dos cristãos, preparou imediatamente uma contra-ofensiva e mandou mensageiros com pedido de que os cristãos viessem salvar a pátria de Cristo. O golpe desfechado pelo desastre atingiram em cheio o coração. Urbano terceiro soube da notícia em 18 de outubro, e morreu dois dias depois. O seu sucessor Gregório VIII, lançou um apelo veemente, mas morreu no dia 17 de dezembro, Clemente III assumiu a tarefa de pôr em marcha a nova cruzada, O que fez de modo admirável. Instituiu-se um imposto de 10%, o dízimo Saladino, sobre todos os rendimentos, incluídos os dois bens eclesiásticos, para financiar o empreendimento. E os maiores soberanos foram convidados pessoalmente alistar-se como cruzados. 20. Esse jejuaram então Frederico barba roxa, Felipe Augusto e Henrique II da Inglaterra, a quem pouco depois sucedeu o seu filho Ricardo. Os três responderam afirmativamente, mas por razões não exclusivamente religiosas. Como os reis da França e da Inglaterra levantavam contra a sua política autoritária muitos senhores feudais, Frederico barba roxa apressando a participar da cruzada, fazia figura de chefe da nobreza, o que estava bem na linha do seu grande desígnio. Quanto aos outros dois Reis, decidiram partir, de boa ou má vontade, para evitar que a aliança carolíngia entre o papa e o Imperador agrupar-se Contra Eles todas as forças do feudalismo. Três Coroas eram muito, ela demais. 21. Esta terceira cruzada — 1189 — foi a mais bem organizada De todas. Os três homens que a comandavam eram verdadeiros chefes de guerra. A mobilização dos corpos Expedicionários operou-se com métodos; os itinerários estratégicos foram estudados com antecedência. Os alemães, em particular, empregaram em preparar a Expedição todo senso de organização que caracteriza a sua raça. O Oriente — não apenas Saladino, mas todo o Império Bizantino — tremeu ante a ideia de vir aparecer essas enormes colunas blindadas. O Império Bizantino, depois dos 5 anos de dramas que havia cessado após a morte de Maniel Commeno, acaba de cair nas mãos de Isaac, o Anjo. Aparentemente, as suas relações com Frederico barba roxa eram boas, mas, no fundo desconfiava do homem que tinha casado o seu filho com a herdeira da sicília. Entendeu-se com Saladino não para expulsar os latinos de Constantinopla, em outras palavras Bizâncio caiu pela sua arrogância e pela sua traição, se os cristãos do ocidente e do oriente estivessem Unidos, jamais Saladino conseguiria sucesso, mas com um Traidor no Oriente essa união foi impossível, os Bizantinos abriram as portas aos muezzins que dificultaram o avanço dos cruzados. Em troca Os turcos prometiam-lhes bastante vagamente restituir os lugares Santos. Promessa que não foi cumprida pelos mulçumanos, Como já havíamos informado anteriormente, várias igrejas em Bizâncio foram transformadas em mesquitas Inclusive Hágia Sofia. Este maquiavelismo, foi imediatamente descoberto, e por pouco não desencadeou uma catástrofe: Frederico lançou contra bizâncio os sérvios e os valáquios, que se apoderaram de várias cidades gregas, e, quando soube que o basileu acabaram de lançar na prisão os seus embaixadores, falou em Tomar Constantinopla. Isaac cedeu, prometeu-lhe tudo quanto quis e entregou-lhe reféns. 22. A Cruzada 23. O avanço de barba roxa pelas terras da Ásia menor foi fulminante. Uma primavera de vitórias pareceu coroar de flores o invencível Imperador. Konyeh, a capital seljúcida, caiu em 5 dias. O Tauro foi atravessado sem obstáculos. Sala de irmã do abadejo Controlar as Praças que se preparava para abandonar. E escreveu: “outrora a Síria e o Egito pertenceram ao Islã, diz o cronista Ibn-al-Athi, porque o Alan se dignou mostrar a sua Clemência aos seus fiéis fazendo crescer o rei dos alemães”. Porque estupidamente no dia 10 de junho de 1190, quando se banhava nas águas geladas do Selef, o antigo Cidno, Frederico sofreu uma congestão e morreu afogado. Os seus homens recusaram-se durante muito tempo a admitir esse miserável fim; dizia-se que ele não morrerá, que estava escondido em uma caverna do Tauro, sentado diante de uma mesa, talvez a do Graal, que esperava o momento oportuno para empunhar de novo a espada e salvar o santo sepulcro, e que a sua bela barba leva três vezes a volta ao Planalto de pedra…. A realidade era menos poética. Morto Frederico, o seu exército desmembrou-se e alguns elementos juntaram-se em São João d’Acre a outros corpos Expedicionários. 24. Felipe Augusto e Ricardo — que ganharia no Oriente o merecido codinome de Coração de Leão — tinham, por sua vez preparado a sua cruzada. Tinham sido amigos, pois Filipe apoiara Ricardo contra seu pai Henrique II. Mas o jovem príncipe, uma vez Rei, mostrou-se tão Rude defensor dos interesses Ingleses como o seu predecessor, é a ruptura pintura do noivado com Alice de França acabou por indispô-lo contra o capeto. Foi portanto, como rivais e como Aliados que os dois Reis entraram em campanha. Reunidos em Julho de 1190 em Vézelay, os dois exércitos prepararam-se; depois voltaram a encontrar-se na sicília, onde passaram todo o inverno envolvidos em Intrigas confusas. Na primavera, deixando que Filipe atacasse sozinho São João d’Acre, Ricardo foi acertar umas contas pessoais com os bizantinos, tomando-lhes a ilha de Chipre com ajuda do Rei de Jerusalém, Guy de Lusignam, que Saladino tinha libertado. Só depois é que se ocupou da terra santa. 25. O cerco de São João d’ Acre arrastou-se durante meses. Os cristãos não eram suficientemente numerosos para se apoderarem da praça, nem mesmo para paralisar o seu e Abastecimento. Saladino, por sua vez, não se sentir com a vereadora para vencer aquela massa de Guerreiros de Aço. O Campo tornou-se uma feira, onde Mercadores e banqueiros negociavam, ao mesmo tempo que se multiplicavam as diversões, aqui os muçulmanos não assistir no intervalo entre dois combates. Por fim, em 12 de julho, Filipe e Ricardo, depois de terem estabelecido uma trégua relação às querelas, tomaram uma praça de assalto. A seguir, o Rei da França declarou que, tendo cumprido a sua promessa, regressava. 26. Ricardo Coração de Leão ficou, portanto, cortes modernos para conduzir a guerra à sua maneira, epicamente. Político medíocre, caráter exaltado, era, no combate, um verdadeiro super homem, com golpes de Audácia que fizeram dele um herói lendário. Nada mais incoerente do que o seu comportamento: tanto mangaba degolar barbaramente 3.000 cativos sarracenos, como se aproximava de Saladino e se tornava seu amigo. Entre os cristãos, uns admiravam-no, ao passo que outros o odiavam por causa da sua arrogância. Passavam pela cabeça ideias estranhas como agir sagrar Cavaleiro o irmão de Saladino, convidá-lo a receber o batismo, oferecer-lhe a mão da irmã e a coroa de Jerusalém. As suas Brilhantes Vitórias foram inúteis, mas as suas relações com o curdo eram tão cordiais que conseguiu dele um tratado que garantia a todos os cristãos livre acesso aos lugares Santos. Depois disso, partiu. O seu regresso foi assinalado por uma infeliz Aventura. Caiu em poder do duque Leopoldo da Áustria, a quem ofendera não havia muito tempo, e foi entregue ao Imperador Henrique VI que, contrariando o direito o manteve cativo durante 30 meses. 27. Assim, A Cruzada mais bem organizada De todas terminou, não foi um fiasco, mas com um fracasso em meio termo, pois como já vimos os europeus não eram colonizadores, ganhavam as batalhas, expulsavam os muçulmanos e logo em seguida retornavam aos seus países. Os francos voltaram a instalar-se ao longo de toda a costa da Síria e da Palestina. Aliás, a morte de Saladino, em 1192, levantara a mais pesada hipoteca que pesava sobre a Terra Santa. Mas Jerusalém não foi libertada e Ricardo Coração de Leão, que não venceu essa batalha, não teve a coragem de lá ir rezar. Continuaria vivo o espírito da cruzada? Sim, sem dúvida. Apesar de tantas desilusões, , grandes cristãos ou ambiciosos, e às vezes as duas coisas juntas, que queriam reanimar a chama. Na própria Palestina, esse espírito encarnado sino corajoso e Fábio Henrique da champagne. No ocidente, o jovem Henrique VI eu tornava as pretensões paterna e sonhava em fazer da sicília a plataforma de um assalto contra o Islã e contra bizâncio. Mas a desconfiança entre Germano-sicilianos e franceses da Síria não permitiu efetivar essa vontade comum; a morte prematura do Imperador pôs ponto final a esse plano. O acidente teria ainda um chefe capaz de retomar essa imensa tarefa? A resposta da história foi Inocêncio III. 28. Bibliografia utilizada: Daniel Rops, A Igreja das catedrais e das cruzadas; A história dos cavaleiros templários e do templo, Charles G. Addison; manual politicamente incorreto do Islã e das cruzadas; Steve Runciman, The Great Church in captivity; A verdadeira história da Inquisição, Rino Cammilieri. 29. #IdadeMédia #Bizâncio #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Cruzadas #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #SaquedeConstantinopla #Oriente #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja #HistóriadaInquisição
- ARREBATAMENTO SECRETO, A MENTIRA QUE LHE CONTARAM
ARREBATAMENTO SECRETO, A MENTIRA QUE LHE CONTARAM Segundo algumas igrejas evangélicas, antes da grande tribulação descrita no apocalipse, os cristãos da terra desaparecerão. Serão “arrebatados” por Cristo antes do julgamento final. Para ser mais exato é uma crença num arrebatamento “Pré-Tribulacionista”. Segundo eles isto ocorrerá um pouco antes do aparecimento do anti-cristo, e todos os chamados cristãos fiéis serão levados para o céu e não participarão da grande tribulação. As passagens comumente usadas como suporte a essa doutrina são as seguintes: “Visto que guardaste minha recomendação de perseverar, eu te guardarei na hora da prova, que virá sobre o mundo inteiro, para provar os habitantes da terra .” (Ap 3,10 ) “Eu vos digo: nessa noite estarão dois numa cama; um será arrebatado, o outro deixado; haverá duas mulheres moendo juntas, uma será arrebatada, a outra deixada.” (Lc 17,34-35 ) “Dois homens estarão num campo: um será levado e outro será deixado; duas mulheres estarão moendo, uma será levada e outra deixada.” (Mt 24,40-41 ) “Isto vo-lo dissemos apoiados na palavra do Senhor: nós, que ficarmos vivos até a vinda do Senhor, não precederemos os mortos; pois o próprio Senhor, ao soar uma ordem, à voz do arcanjo e ao toque da trombeta divina, descerá do céu; então ressuscitarão primeiro os cristãos mortos; depois nós, que estivermos vivos, seremos arrebatados com eles entre as nuvens no ar, ao encontro do Senhor; e assim estaremos sempre com o Senhor.” (1Ts 4,15-17) Será que estas passagens realmente dão suporte a esta doutrina? Analisaremos estas passagens mais adiante, primeiramente vamos mostrar a impossibilidade de um arrebatamento antes da Tribulação e da vinda de Cristo para o julgamento. O próprio texto de 1 Ts 4, 15-17, citado por que defende esta doutrina, já nos mostra que primeiro os mortos terão que ressuscitar e que somente após isso os que estão vivos irão ser levados por Cristo. João diz que: “Não estranheis isto: chega a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. Os que agiram bem ressuscitarão para viver, os que agiram mal ressuscitarão para ser julgados.” Jo 5,28-29 Ou seja os mortos terão que ressuscitar para poderem ser julgados e somente após o julgamento irão ao céu ou inferno, ora como podem os pré-tribulacionistas dizerem que seremos arrebatados antes do Julgamento Final se os vivos irão ao céu somente após os mortos que serão julgados? Continuando no Capítulo 5 de I Ts, veremos que Paulo está falando de um arrebatamento logo quando Cristo vir e não antes disso: “A respeito da época e do momento, não há necessidade, irmãos, de que vos escrevamos.Pois vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como um ladrão de noite. Quando os homens disserem: Paz e segurança!, então repentinamente lhes sobrevirá a destruição, como as dores à mulher grávida. E não escaparão. Mas vós, irmãos, não estais em trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão.” (I Tessalonicenses 5, 1-4) Ou seja veja Paulo dizendo que os Cristãos verão a tribulação, como assim afirma Jesus: “Rogai para que vossa fuga não seja no inverno, nem em dia de sábado; porque então a tribulação será tão grande como nunca foi vista, desde o começo do mundo até o presente, nem jamais será. Se aqueles dias não fossem abreviados, criatura alguma escaparia; mas por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados.” (Mateus 24, 20-22 ) Por causa dos escolhidos os dias datribulação serão diminuídos para que os escolhidos possam se salvar, Jesus não diz que antes da tribulação os escolhidos seriam salvos, mas que os dias seriam diminuídos para que após isso eles fossem salvos. Claro que Cristo não abandonará os seus e os manterá firmes e os apoiará e os salvará da tribulação. E Lucas completa: “Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas. Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade. Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação.” (Lucas 21, 26-28) Aqui Jesus virá depois da tribulação e exorta aos fiéis a levantar as cabeças, pois o alivio estará próximo, depois da provação e não antes. Portanto está claro que não existe nenhum arrebatamento da Igreja fiel antes da tribulação ou todos estes versículos seriam desconexos. Outro ponto importante de se tocar é que esta doutrina do arrebatamento pressupõe que haverão três “segundas vindas” de Jesus. Uma no arrebatamento (supostamente descrita em 1 Ts 4, 15-16), outra no início do reinado de mil anos e outra ainda no julgamento final. Porém, todas as evidências bíblicas apontam para apenas uma segunda vinda de Jesus. “Pois, como o relâmpago aparece no levante e brilha até o poente, assim será a chegada do Filho do Homem. Então aparecerá no céu o estandarte do Filho do Homem. Todas as raças do mundo farão luto e verão o Filho do Homem chegar nas nuvens do céu, com glória e poder.” (Mt 24,27.30) “Quando chegar o Filho do Homem com majestade, acompanhado de todos os seus anjos, sentará em seu trono de glória.” (Mt 25,31) “Visto que todos morrem por Adão, todos recuperarão a vida em Cristo. Cada um por usa vez: a primícia é Cristo; depois, quando ele voltar, os cristãos.” (1Cor 15,22-23) “Irmãos, pela vinda do Senhor nosso Jesus Cristo e nossa reunião com ele…Então se revelará o iníquo, que será destruído pelo Senhor Jesus com o sopro de sua boca eanulará com a manifestação de sua vinda.” (2 Ts 2,1.8) “Eu te recomendo que conserves o mandamento sem mancha nem repreensão, até que apareça o Senhor nosso Jesus Cristo.” (1Tm 6,14: ) “Esperando a promessa feliz e a manifestação da glória do nosso grande Deus e do nosso Salvador Jesus Cristo.” (Tt 2,13) “Irmãos, tende paciência até que venha o Senhor. Prestai atenção no lavrador, como espera com paciência até receber as primeiras chuvas e as tardias, com a esperança do valioso fruto da terra.” (Tg 5, 7) “O dia do Senhor chegará como um ladrão. Então o céu desaparecerá com estrondo, os elementos se desfarão em chamas, a terra com suas obras ficarão em chamas, a terra com suas obras ficará evidente.” (2 Pd 3, 10) “Assim, pois, vigiai, porque não sabeis o dia em que chegará o vosso Senhor.” (Mt 24,42) “Homens da Galiléia, que fazeis aí olhando o céu? Este Jesus que vos foi arrebatado para o céu, virá como o vistes partir para o céu.” ( At 1,1) Todas estas passagens tratam da vinda de Jesus apenas no singular, por estas passagens vemos que Jesus viráapenas uma vez. Alguns dizem que não se tratam de 3 segundas vindas e justificam dizendo que no arrebatamento Jesus virá e não tocará o chão, fundamentando se novamente em 1 Ts 4, e só depois da tribulação que seria a então esperada 2ª vinda para reinar mil anos e já estando aqui na terra no final dos mil anos julgaria os vivos e os mortos. Tão sem fundamento é esta doutrina que seus próprios adeptos não sabem explicá-la, ora onde se encontram nas sagradas escrituras estas duas vindas, uma sem tocar o chão e a outra tocando o chão, então seriam pelos menos 2 não? Paulo fala que Jesus virá para julgar os vivos e os mortos logo e não para reinar mil anos e depois julgar (cf. 2 Tm 4, 1). Outro ponto a se tratar é que esta doutrina também sugere que partes da humanidade serão ressuscitadas em momentos diferentes. Partes das pessoas ressuscitarão para serem arrebatadas antes da tribulação e outras ressuscitarão no ultimo dia. Vejamos por que segundo as escrituras isto é impossível: Vamos ler novamente 1Ts 4,15-17: “Isto vo-lo dissemos apoiados na palavra do Senhor: nós, queficarmos vivos até a vinda do Senhor, não precederemos os mortos;pois o próprio Senhor, ao soar uma ordem, à voz do arcanjo e ao toque da trombeta divina, descerá do céu; então ressuscitarão primeiro os cristãos mortos; depois nós, que estivermos vivos, seremos arrebatados com eles entre as nuvens no ar, ao encontro do Senhor; e assim estaremos sempre com o Senhor.” E agora João 6, 40 “Esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê, tenha a vida eterna;e eu o ressuscitarei no último dia.” Em João Jesus diz que ressuscitará o justo no último dia e não antes da tribulação, sendo 1 Ts 4, 15-17 uma prova do arrebatamento Pré-Tribulacionista, teríamos então 2 ressurreições ou então uma passagem entra em contradição com a outra, seja qual for a desculpa são erros que comprometem a lógica das escrituras. Jesus nunca disse “eu o ressuscitarei antes da tribulação ou antes ou após mil anos”. Não, Ele disse que nos ressuscitará no último dia. Alguns usam Ap 20, 5-6 para dizer que haverão 2 ressurreições, porém Santo Agostinho, no século 4, nos deu a correta interpretação desta primeira ressurreição, que se refere ao renascimento pelo batismo ou o “nascer de novo” como descreve Jesus em sua conversa com Nicodemos em Jo 3,1-8, e Paulo em Rm 6, 4: “Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristoressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova.” Vamos analisar agora as outras passagens que citamos no início da matéria que os defensores desta doutrina usam para justificá-la e ver que de modo algum elas se referem a estas doutrinas, primeiro vamos a Lc 17,34-35 que diz: “ Eu vos digo: nessa noite estarão dois numa cama; um será arrebatado, o outro deixado; haverá duas mulheres moendo juntas, uma será arrebatada, a outra deixada.” Este versículo seria uma grande prova de um arrebatamento Pré-Tribulacionista onde os eleitos iriam para o céu e os outros seriam deixados, porém olhando todo o contexto como diz a expressão “olhe o texto no contexto para não virar pretexto” veremos que este versículo nada mais fala do que a arrebatamento depois da vinda de Cristo sendo portanto um versículo que é contra um pré-arrebatamento, veja: “Também do mesmo modo como aconteceu nos dias de Lot. Os homens festejavam, compravam e vendiam, plantavam e edificavam. No dia em que Lot saiu de Sodoma, choveu fogo e enxofre do céu, que exterminou todos eles. Assim será no dia em que se manifestar o Filho do Homem….” … Lucas 17, 34-35“Eu vos digo: nessa noite estarão dois numa cama; um será arrebatado, o outro deixado; haverá duas mulheres moendo juntas, uma será arrebatada, a outra deixada.” (Lucas 17, 28-30 ) Veja o texto de Lucas nada mais fala do que o arrebatamento do dia da vinda de Jesus onde os Cristãos serão levados para o céu e os ímpios deixados, e não antes da grande tribulação. Também Mt 24,40-41 é entendida da mesma forma que Lucas 17, 34-3.5 E agora, Ap 3,10: “Visto que guardaste minha recomendação de perseverar, eu te guardarei na hora da prova, que virá sobre o mundo inteiro, para provar os habitantes da terra .” Este texto nada mais fala do que a mão de Deus protegendo os Cristãos durante a tribulação, Deus nos protegerá para que nenhuma das pragas nos atinja e que sobrevivamos à provação. CONCLUSÃO Esta doutrina do arrebatamento não consta das Escrituras, e foi inventada há pouco mais de duzentos anos, por um inglês chamado John Nelson Darby (1800-1882), e tornando-se febre entre os protestantes por causa dos comentários de rodapé da Bíblia de Scofield. Portanto, é a mais recente linha de interpretação da escatologia bíblica. Esta tal interpretação já havia sido formulada trezentos anos antes pelo jesuíta espanhol Franscisco Ribera (1537-1591). Por quase 3 séculos, ficou confinada na Igreja Católica, até que, em 1826, Samuel R. Maitland (1792-1866), que era bibliotecário de Canterbury, publicou um panfleto em que promovia a idéia do jesuita. Nada tem de bíblica nem tem base na tradição, portanto mais uma falácia criada por fundamentalismos. #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #HistóriadasHeresias #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Bíblia #Ressurreição
- Tribulations of the Working Woman – An Unexpected Consequence
The Feminist ideology dictates that women should take up full-time jobs in accordance to their doctrine of equality while despising the position of a housewife, who is seen as a “slave” to the husband. This, they believe, is one way to end the “injustices” or “sufferings” of women. It should be noted that a poor woman can work when no one supports her – or when, as a wife, the husband’s income is not enough to carry the family. In this case she is a helper to her husband as God ordained in the book of Genesis 2:18. This is quite different from the erroneous view of a housewife, being a slave to the husband. Hence, abandoning her natural position at home and taking up full-time jobs just like the man will be an “elevation” from a slave-girl to a Powerful Mistress – so they think. Proud women who often embrace this false idea are quite shocked – on the long run – at the responsibilities they have to bear. The working wife undergoes great stress in combining her duties at home and at work. This often leads to a physical and mental break down. Added to this problem is the exploitation of women by unscrupulous employers – a problem these feminists never foresaw. Exploitation of the working woman by unscrupulous employers is at a very high rate and it is almost inevitable considering the nature of a woman. Rev. L. McKenna S. J. gives an explanation: “Women are more at their employer’s mercy than men. They are more resigned to their misery than men. They have, wetness compared with men, little taste or talent for agitation and organization. They are more divided by class distinctions. They distrust each other more. More generous than men in every other respect, but in this they are more self-centred. They are more easily cowed by bullying, and more frightened by fear of the consequences of resistance. They have not the fighting spirit of men. Their very fidelity and family affection often increase their helplessness. If they have a little sister or brother, or aged parent or sick husband to support, they will suffer any privation, put up with any wretched pittance rather than jeopardise the interests of those dear to them. Besides, many of them looking on work as a temporary necessity from which they hope to be freed by marriage, do not go through any apprenticeship, or seriously qualify themselves by technical training in a skilled trade. For all these reasons they are almost quite unable to form Unions, the only efficacious defence of the labouring classes against exploitation. No wonder then that women’s work being left at the mercy of economic laws is wretchedly remunerated, and that the vast majority of the sweated industries are women’s industries.” According to Pope Leo XIII: “A woman is best suited for home work. This it is which is best adapted to preserve her modesty and secure the good upbringing of the children and the well being of the family.”
- A IGREJA SEGUE SEU ÚNICO ESPOSO (Concílio Vaticano II)
Desde os primórdios da Igreja, existiram homens e mulheres que pela prática dos conselhos evangélicos se propuseram seguir a Cristo com maior liberdade e imitá-lo mais de perto, levando, cada qual a seu modo, uma vida consagrada a Deus. Muitos dentre eles, movidos pelo Espírito Santo, ou passaram a vida na solidão ou fundaram famílias religiosas, que a Igreja de boa vontade acolheu e aprovou com sua autoridade. Assim surgiu, por desígnio de Deus, uma admirável variedade de comunidades religiosas, que muito contribuiu para que a Igreja não apenas esteja “qualificada para toda boa obra” (cf. 2Tm 3,17) e preparada para o exercício do seu ministério, “para edificar o Corpo de Cristo” (cf. Ef 4, 12), mas também, enriquecida com os vários dons de seus filhos, se apresente “qual esposa enfeitada para o seu marido” (Ap 21,1) e, através dela, se manifeste a “multiforme sabedoria de Deus” (Ef 3,10). Em tão grande variedade de dons, todos os que são chamados à prática dos conselhos evangélicos, e os professam com fidelidade, consagram-se de maneira especial ao Senhor, seguindo a Cristo que, sendo virgem e pobre, redimiu e santificou os homens pela obediência “até a morte de cruz” (cf. Fl 2,8). Movidos assim pela caridade que o Espírito Santo derramou em seus corações, vivem cada vez mais para Cristo e para “o seu corpo, isto é, a Igreja” (Cl 1,24). Por conseguinte, quanto mais fervorosamente se unem a Cristo, por essa doação de si mesmos que abrange a vida toda, tanto mais se enriquece a vida da Igreja e mais vigorosamente fecundo se torna seu apostolado. Os membros de cada instituto recordem antes de mais nada que, pela profissão dos conselhos evangélicos, responderam a um chamado divino, de forma que não apenas morrendo para o pecado, mas também renunciando ao mundo, vivam exclusivamente para Deus. Colocaram toda a sua vida ao serviço de Deus, o que constitui uma consagração especial, que está intimamente radicada na consagração do batismo e a exprime mais plenamente. Os que professamos conselhos evangélicos, acima de tudo, busquem e amem a Deus, que primeiro nos amou; e procurem em todas as circunstâncias cultivar a vida escondida com Cristo em Deus, da qual deriva e recebe estímulo o amor do próximo para a salvação do mundo e a edificação da Igreja. É também esta caridade que anima e dirige a própria prática dos conselhos evangélicos. A caridade que os religiosos professam “por causa do Reino dos Céus” (Mt 19,12) deve ser considerada como um precioso dom da graça. Liberta de modo singular o coração do homem para que se inflame mais na caridade para com Deus e para com todos os homens; por isso ela é um sinal peculiar dos bens celestes e um meio eficacíssimo para levar os religiosos a se dedicarem generosamente ao serviço de Deus e às obras de apostolado. Assim, eles dão testemunho, perante todos os fiéis cristãos, daquela admirável união estabelecida por Deus e que há de manifestar-se plenamente na vida futura, pela qual a Igreja tem a Cristo como seu único Esposo. (Do Decreto Perfectae Caritatis Sobre a Renovação da Vida Religiosa, do Concílio Vaticano II – N.1.5.6.12 – Séc. XX). #Igreja #VidaReligiosa
- DEUS-CONOSCO – JESUS EMANUEL (Liturgia Bizantina)
Deus está conosco, sabei-o até os confins da terra, Porque Deus está conosco! Escutai até os confins da terra, Porque Deus está conosco! Mesmo se sois fortes, sereis quebrantados, Porque Deus está conosco! De novo fortes, sereis de novo quebrantados, Porque Deus está conosco! E qualquer projeto que fizerdes o Senhor o quebrantará, Porque Deus está conosco! E qualquer plano que fizerdes ficará sem efeito, Porque Deus está conosco! O vosso terror não nos aterrorizará nem terá efeito sobre nós, Porque Deus está conosco! Nós consideramos como santo o Senhor Deus, e ele será para nós temor, Porque Deus está conosco! Se tenho fé n’Ele, ele me será de santificação, Porque Deus está conosco! Eis-me e os filhos que me deu o Senhor, Porque Deus está conosco! O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz, Porque Deus está conosco! A vós que habitais no lugar e na sombra da morte uma luz brilhará, Porque Deus está conosco! Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, Porque Deus está conosco! Sobre seus ombros repousa a realeza e à sua paz não haverá limite, Porque Deus está conosco! Ele se chamará Anjo do grande conselho, Conselheiro admirável Porque Deus está conosco! Deus poderoso, soberano, Príncipe da paz, Pai do século futuro, Porque Deus está conosco! (Texto grego in Horologion, Roma, 1937, pp. 247-249, Fonte: GHARIB, Georges, Os Ícones de Cristo, Ed. Paulus 1997) #Cristologia #Igreja
- O ESPÍRITO SANTO TUDO RENOVA (Atenágoras de Atenas)
Sem o Espírito Santo, Deus está distante, Cristo permanece no passado, o Evangelho uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, e a acção moral um agir de escravos. Mas no Espírito Santo o cosmos é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo ressuscitado faz-se presente, o Evangelho faz-se força do Reino, a Igreja realiza a comunhão trinitária, a autoridade transforma-se em serviço, a liturgia é memorial e antecipação, a acção humana torna-se divina. (Atenágoras de Atenas – século II) #Igreja #Pentecostes
- O GRANDE PERÍODO DA LITERATURA CATÓLICA NOS EUA – Dana Gioia
A identidade não se encontra na superfície. (Flannery O’Connor) Como o atual declínio do catolicismo nas letras americanas poderia ser adequadamente caracterizado? Com que critério seria melhor mensurado e julgado? Uma perspectiva útil é recuar até os meados do século passado e analisar as duas décadas posteriores ao final da Segunda Guerra, de 1945 à morte de Flannery O’Connor em 1964. A comparação entre o período de pós-guerra e os dias de hoje é esclarecedora, para não dizer chocante… Sessenta anos atrás, os católicos desempenhavam um proeminente, prestigioso e insubstituível papel na cultura literária americana. De fato, eles desempenhavam um papel tão significativo, que seria impossível discutir com seriedade as letras americanas de meados do século XX sem reconhecer um número considerável de autores católicos observantes e o impacto de sua convicção religiosa na obra que produziram. Eram escritores que se destacavam no mundo literário. Entre eles estavam alguns famosos ficcionistas — Flannery O’Connor, Katherine Anne Porter, Walker Percy, J. F. Powers, Ernest Hemingway, Paul Horgan, Jack Kerouac, Julien Green, Pietro di Donato, Hisaye Yamamoto, Edwin O’Connor, Henry Morton Robinson e Caroline Gordon. (O sociólogo Fr. Andrew Greeley haveria ainda de experimentar sua formidável mão na ficção.). Havia também ficção científica e literatura policial, como a praticada por Anthony Boucher, Donald Westlake, August Delerth e Walter Miller, Jr., cuja obra Um cântico para Leibowitz se tornou um clássico tanto de ficção científica como da literatura católica. Houve uma igualmente forte presença católica na poesia americana, com Allen Tate, Robert Lowell, Robert Fitzgerald, Kenneth Rexroth, John Berryman, Isabella Gardner, Phyllis McGinley, Claude McKay, Dunstan Thompson, John Frederick Nims, Irmão Antoninus (William Everson), Thomas Merton, Josephine Jacobsen, e os irmãos Berrigan, Philip and Daniel. Quase toda a estética da poesia americana estava representada por esses autores. Houve até representantes católicos do gênero haicai, notavelmente Raymond Roseliep e Nick Virgilio. Na mesma época os Estados Unidos desfrutaram da presença de um notável grupo de imigrantes católicos, como Jacques Maritain, Czesław Miłosz, Dietrich von Hildebrand, Henri Nouwen, René Girard, John Lukacs, Padraic e Mary Colum, José Garcia Villa, Alfred Döblin, Sigrid Undset e Marshall McLuhan. Alguns escritores chegavam aos EUA fugindo do comunismo ou do nazismo. (O filósofo jesuíta Teilhard de Chardin chegou aqui, em idade avançada, para escapar da hierarquia católica européia.) Esses escritores foram apoiados por respeitados e atuantes críticos e editores católicos, como Walter Kerr, Wallace Fowlie, Hugh Kenner, Clare Boothe Luce, Robert Giroux, William K. Wimsatt, Thurston Davis e Walter Ong. O mundo intelectual era, alem disso, enriquecido pelos “católicos culturais” cuja base intelectual e criativa tinha sido moldada por sua educação religiosa — escritores como Eugene O’Neill, John O’Hara, J. V. Cunningham, James T. Farrell, John Fante, Mary McCarthy e John Ciardi, assim como — já no fim desse período — John Kennedy Toole e Brian Moore, natural de Belfast. A proeminência cultural das letras católico-americanas de meados do século passado amplificava-se pelas tendências literárias internacionais. O renascimento católico inglês, liderado por escritores comoGraham Greene, Evelyn Waugh, J. R. R. Tolkien, Edith Sitwell, Ronald Knox, Hilaire Belloc, David Jones, Muriel Spark, Elizabeth Jennings and Anthony Burgess, fornece um bom exemplo contemporâneo de como rapidamente uma cultura literária protestante e secular poderia ser reanimada por novas vozes. (G. K. Chesterton morreu em 1936, mas continuou a exercer enorme influencia tanto sobre escritores ingleses como americanos.) Ao mesmo tempo, na França, surgia um semelhante renascimento católico, guiado pelos romancistas Georges Bernanos e François Mauriac, além dos poetas Paul Claudel e Pierre Reverdy, todos eles muito lidos nos EUA. Outro fator estimulante para os autores católicos americanos, grande número dos quais eram irlandeses-americanos, foi a ascensão da moderna literatura irlandesa. Por longo tempo sob o domínio dos protestantes, as letras irlandesas do século XX de repente começaram a falar com os sotaques católicos de escritores como James Joyce, Sean O’Casey, Frank O’Connor e Flann O’Brien. De forma nada surpreendente, os escritores católicos americanos viam a si mesmos como partes de um movimento internacional. Em: https://www.firstthings.com/article/2013/12/the-catholic-writer-today
- Lilith, uma mulher que teria sido criada antes de Eva
de Veritatis Splendor 18 de Março de 2007 22:51 Pergunta Bom dia, eu sou um navegador assíduo deste site, e como catequista, pego muitos subsidios para meus encontros de catequese, neste domingo, um catequisando me veio com uma duvida que eu não soube responder, se vcs puderem me ajudar eu agradeceria muitissimo. A duvida é sobre Lilith, a mulher criada antes de Eva, é que este aluno tem aulas com um professor judeu e ele andou falando sobre isso e citou Genesis e Isaias como fonte. Desde já eu agradeço Atenciosamente Resposta Prezado A., a Santa Paz! Obrigado pela confiança depositada em nosso trabalho. Sobre a lenda de Lilith De acordo com J. Gordon Melton, Lilith é “uma das mais famosas figuras do folclore hebreu, originou-se de um espírito maligno tempestuoso e mais tarde se tornou identificada com a noite” (1). A referência mais antiga à personagem está no épico babilônico de Gilgamesh (aprox.2000 a.C.). Também é citada em relatos do Talmude Babilônico (oriundo das tradições orais javistas), no Zohar ou livro do Esplendor (uma obra cabalística do século XIII que constitui o mais influente texto hassídico) e na Cabala. Em todas estas fontes os relatos sobre Lilith são diversos e até discordantes. Como o professor de seu catequizando é judeu, provavelmente ele esteja se referindo à versão que consta no Talmude Babilônico. O texto de referência deste Talmude é a edição hebraica e inglesa, intitulada “The Babylonian Talmud” organizada pelo rabino Epstein. Esta edição foi publicada pela Socino Press, de Londres, em 1978. “De acordo com a lenda hebraica, Lilith teria sido formada assim como o homem à partir do barro, logo após a formação deste. Por esse motivo ela não teria aceitado uma posição inferior em relação ao homem, pois sendo criada da mesma forma, exigia os mesmos direitos, não aceitou uma posição submissa e assim desentendeu-se com Adão. No primeiro ato sexual Lilith não aceitou ficar por baixo, agüentando o peso do corpo do companheiro e exigiu ter também o direito ao gozo e ao prazer sexual. Como não foi atendida em seus anseios ela se revolta e pronuncia o nome “inefável” que lhe deu asas por meio das quais fugiu do Jardim do Éden. Assim Lilith abandonou Adão com quem não se entendia e foi para as margens do Mar Vermelho. Adão ficou só e reclamando, tendo medo da escuridão opressora. Daí haver uma relação entre Lilith e a Lua Negra, a escuridão da noite, por isso a associação dela com a coruja, o pássaro noturno. Segundo a tradição talmúdica, Lilith é a “Rainha do Mal”, a “Mãe dos Demônios” e a “Lua Negra”. Deus vendo o desespero de Adão enviou três anjos, Semangelaf, Sanvi e Sansanvi, para trazê-la de volta ao Éden, mas ela recusou-se a aceitar tal proposta. Dessa forma a fuga converteu-se em expulsão. Para substituir Lilith é criada Eva, mulher submissa, feita não de barro, mas de uma costela de Adão. Lá às margens do Mar Vermelho habitavam os demônios e espíritos malignos, segundo a tradição hebraica, esse era um lugar maldito, o que prova que Lilith se afirmou como um demônio. Segundo essa mesma tradição é esse caráter demoníaco que levaria a mulher a contrariar o homem e a questionar seu poder” (2). A Tese do sumiço da lenda de Lilith da Bíblia Segundo Roberto Sicuteri autor do livro “Lilith A Lua Negra”, houve uma transposição da versão javista da Bíblia para a versão sacerdotal. Foi aí, que segundo ele, a lenda de Lilith teria sido eliminada da Bíblia, fazendo todos crerem que foi Eva a primeira mulher, mas em Isaías 34,14 ficara ainda um indício sobre Lilith. Depois desta longa, mas precisa exposição, vamos então à resposta que pediste. Perceba que o sr Roberto Sicuteri se fundamenta sua tese em outra tese. Ora, não há qualquer conclusão entre os especialistas de que uma tradição de origem sacerdotal suplantou uma anterior de origem javista. Nem mesmo um parecer consensual sobre a existência destas tradições existe. A crítica científica do Antigo Testamento (AT) identificou diferenças de estilo no relato das mensagens bíblicas. A estas diferenças chamaram de tradição javista, sacerdotal e ainda eloísta. Estas tradições não são realidades, mas hipóteses que facilitam o estudo do texto do AT. Dizer que uma suplantou a outra é ainda mais imprudente. Mas infelizmente é desta forma que a Mentira se transfigura em Verdade, aguçando a curiosidade humana, pois todo mundo gosta de se sentir um descobridor da Verdade. Devemos nos lembrar ainda que os textos do AT foram preservados por homens fiéis a Deus. Não é estranho que homens com tanta intimidade com Deus como os profetas, ficassem logrando o povo de Israel com um texto bíblico falso? Infelizmente o professor judeu do seu aluno dá melhor crédito aos mágicos da Babilônia do que os santos profetas. A tese da transposição dos textos bíblicos também é desfeita pelo fato de existirem inúmeros manuscritos do AT que chegaram ao nosso tempo. São mais de 56.000, segundo os estudiosos. Por que somente os supostos manuscritos javistas sumiram totalmente da face da Terra? Referência de figuras mitológicas na Sagrada Escritura Em Is 34,14 lemos: “Nela se encontrarão cães e gatos selvagens, e os sátiros chamarão uns pelos outros; espectro noturno freqüentará esses lugares e neles encontrará o seu repouso” (Is 34,14) (grifos meus) (Tradução Ave-Maria). O termo que no português foi traduzido como “espectro noturno” ou “animais noturnos” é “liyliyth“. Segundo o léxico hebraico (3) “liyliyth” signfica: “1. Deusa conhecida como um demônio da noite que assombra os lugares desolados de Edom. 2. Animal noturno que habita em lugares desolados”. Curiosamente Septuaginta traduziu o termo como “pardalis” ou seja pantera, ou fera negra. A Bíblia muita vezes se refere a agentes capazes de trazer o mal (demônios, feras selvagens e etc) através de figuras mitológicas. Um exemplo é Leviatã referido no AT em Jó 3,8; 40,20; Sl 73,14; 103,26. Será que também a Bíblia está endossando a existência do Dragão da mitologia fenícia? Claro que não! Como sabemos Israel era cercado por povos pagãos, teve contato com a cultura deles, logo sofreu alguma influência por conta deste convívio. A Sagrada Escritura embora seja divina se expressa não poucas vezes de forma humana, para se fazer entender. Portanto é natural que Deus na Sagrada Escritura se sirva de termos comuns que signifiquem o mal. O próprio profeta Isaías também utilizou a figura de Leviatã em Is 27,1. Se considerarmos verdadeira a existência de Lilith, temos que considerar como verdadeiro também o que se contra sobre ela. Ora, será que demônios podem ter relações sexuais com humanos? Será que os vampiros existem? Não é preciso ser nenhum gênio para saber essas coisas são fantasia pura e se existissem esse mundo já estaria bem pior do que está há séculos! Se nos lembrarmos do significado de “Lilith” no léxico hebraico, vamos entender melhor a razão do profeta Isaías ter usado este termo ao anunciar o castigo de Deus. Nos versículos anteriores ao versículo 14 do mesmo capítulo 34 encontramos: “A espada do Senhor está coberta de sangue, está impregnada de gordura, do sangue dos cordeiros e dos bodes, da gordura dos rins dos carneiros. Porque há um sacrifício ao Senhor em Bosra, uma grande carnificina na terra de Edom; em vez de búfalos, os povos aí tombarão, uma multidão de robustos guerreiros, em lugar de touros. Sua terra embeber-se-á de sangue, o chão impregnar-se-á de gordura” (Is 34,6-7). Edom é a terra dos descendentes de Esaú, inimigos de Israel. Aqui o Profeta está anunciando que Deus fará justiça por Israel “porque é para o Senhor um dia de vingança, um ano de desforra para o defensor de Sião” (v. 8). Sião é o monte santo localizado em Belém, na Cidade de David (cf. 2Sm 5,7); é uma referência ao Povo de Israel. Já que no folclore judaico Lilith é um demônio que aterroriza Edom, logo o profeta se utiliza desta figura para referir-se à desolação que se abaterá sobre os edomitas, tornando sua terra a morada do nada ou dos demônios (“liyliyth“). Ou será que depois do abate dos edomitas a “vampiresca chupa-cabra” foi fazer lá sua morada e ficou quietinha até os dias de hoje tirando umas férias? A existência de Lilith apresenta um outro problema teológico. Com o pecado original Deus amaldiçoou a terra (cf. Gn 3,17) por isso o gene em Adão e Eva ficou “defeituoso” (pois vieram da terra). Se Adão perdeu seus “super poderes” com a maldição da terra, logo Lilith, que segundo a lenda foi formada da mesma terra, deixaria de ser um demônio e conseqüentemente voltaria a ser uma simples mortal como nós. Como vemos, quanto mais mexemos no livro, mais a coisa fede (perdoem-me o termo). Não me impressiona que o Talmude babilônico tenha tanta influência pagã. Nos relatos do AT, o Senhor está sempre exortando e punindo Israel por causa de sua infidelidade às suas Leis e inclinação ao paganismo. Até mesmo os sacerdotes praticavam sua religião secreta profanando o Templo (cf. Ez 7,16-17) o que motivou Deus a entregar Israel ao domínio pagão. Nós cristãos devemos continuar mantendo nossa confiança em Deus que é fiel para conservar através dos tempos a Verdade. Espero tê-lo ajudado. Em Cristo Jesus, Alessandro Lima. Notas (1) J.Gordon Melton. O Livro dos Vampiros. M. Books: 2003. (2) Lilith. Disponível em http://www.beatrix.pro.br/cultobsc/lilith.htm. (3) Thayer’s Lexicon (translated, revised, and englarged) in 1880 from Grimm’s Lexicon of 1868. #mulher #antes #teria #lilith #criada
- UMA IGREJA DE PROFETAS DESPREZADOS – 14º Domingo do Tempo Comum
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “A virgindade de Maria e a fé da Igreja”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Ezequiel 2, 2-5) Um profeta para uma nação de rebeldes Naqueles dias, depois de me ter falado, entrou em mim um espírito que me pôs de pé. Então, eu ouvi aquele que me falava, o qual me disse: “Filho do homem, eu te envio aos israelitas, nação de rebeldes, que se afastaram de mim. Eles e seus pais se revoltaram contra mim até ao dia de hoje. A estes filhos de cabeça dura e coração de pedra, vou-te enviar, e tu lhes dirás: ‘Assim diz o Senhor Deus’. Quer te escutem, quer não — pois são um bando de rebeldes — ficarão sabendo que houve entre eles um profeta”. SALMO 122 Quando os profetas são desprezados (Antífona): Os nossos olhos estão fitos no Senhor: tende piedade, ó Senhor, tende piedade! — Eu levanto os meus olhos para vós, que habitais nos altos céus. Como os olhos dos escravos estão fitos nas mãos do seu senhor. — Como os olhos das escravas estão fitos nas mãos de sua senhora, assim os nossos olhos, no Senhor, até de nós ter piedade. — Tende piedade, ó Senhor, tende piedade; já é demais esse desprezo! Estamos fartos do escárnio dos ricaços e do desprezo dos soberbos! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (2Coríntios 12, 7-10) O espinho na carne dos profetas Irmãos: Para que a extraordinária grandeza das revelações não me ensoberbecesse, foi espetado na minha carne um espinho, que é como um anjo de Satanás a esbofetear-me, a fim de que eu não me exalte demais. A esse propósito, roguei três vezes ao Senhor que o afastasse de mim. Mas ele disse-me: “Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força se manifesta”. Por isso, de bom grado, eu me gloriarei das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim. Eis porque eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições e nas angústias sofridas por amor a Cristo. Pois, quando eu me sinto fraco, é então que sou forte. EVANGELHO (São Marcos 6, 1-6) Jesus, profeta desprezado Naquele tempo, Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?” E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”. E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados da redondeza, ensinando. O FILHO DE MARIA (Meditação de Scott Hahn) Nos Evangelhos dos últimos domingos, fomos testemunhas, juntamente com os apóstolos, do poder de Jesus, que é capaz de comandar o vento e o mar, e de levantar uma menina que estava morta. No entanto, parece que Ele não pode mostrar esse poder em Nazaré, seu lugar de origem. O Evangelho deste domingo diz claramente: “E ali não pôde fazer milagre algum.” (v. Mc 6,5). Por que não podia? Por causa da falta de fé do povo. Eles reconheceram a sabedoria de suas palavras e o poder manifesto em seus milagres. No entanto, eles se recusaram a reconhecê-lo como um profeta, como um mensageiro enviado por Deus. Só podiam ver como “aquele homem” era parecido com eles: um carpinteiro, o filho de sua vizinha, Maria, com irmãos e irmãs conhecidos. Obviamente, Maria sempre foi virgem e não tinha outros filhos. O evangelho se refere aos “irmãos de Jesus”, como São Paulo falava de todos os israelitas como seus irmãos, os filhos de Abraão (v. Rm 9, 3.7). Essa é também a mensagem do evangelho de hoje. Como o profeta Ezequiel da primeira leitura, Jesus foi enviado por Deus à casa rebelde de Israel, onde se encontrou com seus próprios irmãos e irmãs, fechados de coração e numa atitude de rebelião para com Deus. O servo não está acima de seu Senhor (v. Mt 10, 24). Como seus discípulos, também temos que enfrentar o escárnio e o desprezo de que nos fala o salmo de hoje. E não é — às vezes — mais difícil viver a fé em nossas próprias famílias, entre aqueles que pensam que realmente nos conhecem e nos identificam com o velho homem, que éramos antes de escolhermos a Cristo? Como São Paulo confessa na epístola de hoje, Deus nos ensina a confiar somente em sua graça, quando permite que insultos e provações caiam sobre nós. Jesus não fará grandes coisas em nossas vidas, se não nos abandonarmos a Ele pela fé. Bem-aventurados os que não encontram Nele motivo de escândalo (v. Lc 7, 23). Temos que olhar para Ele com olhos de servos, sabendo que o filho de Maria é também o Senhor que está sentado no trono do Céu. https://stpaulcenter.com/hijo-de-mara-14o-domingo-de-tiempo-ordinario/ https://stpaulcenter.com/son-of-mary-scott-hahn-reflects-on-the-fourteenth-sunday-in-ordinary-time/
- Papa São Dâmaso I (366-384 DC.)
Nascido por volta de 304; morreu em 11 de dezembro de 384. Seu pai, Antônio, provavelmente era espanhol; o nome de sua mãe, Laurência, não era conhecido até muito recentemente. Dâmaso parece ter nascido em Roma; É certo que ele cresceu lá a serviço da igreja do mártir St. Laurêncio. Ele foi eleito papa em 366, em outubro, por uma grande maioria, mas um número de adeptos excessivamente zelosos de Libério falecido o rejeitaram, escolheram o diácono Ursino (ou Ursicinus), tiveram este último irregularmente consagrado, e recorreram a muita violência e derramamento de sangue, a fim de acomodá-lo na cátedra de Pedro. Muitos detalhes deste conflito escandaloso estão relacionados no altamente preconceituoso “Libellus Precum” (PL, XIII, 83-107), uma petição à autoridade civil por parte de Faustino e Marcelino, dois presbíteros anti-Damasanos (cf. também Amiano Marcelino, Rer. Gest., XXVII, c. Iii). Valentiniano reconheceu Dâmaso e baniu (367) Ursino para Colónia, de onde foi depois autorizado a regressar a Milão, mas foi proibido de ir a Roma ou à sua vizinhança. O partido do antipapa (mais tarde, em Milão, um aderente dos arianos e até o fim, um pretendente contencioso) não cessou de perseguir Dâmaso. Uma acusação de adultério foi colocada contra ele (378) na corte imperial, mas ele foi exonerado pelo próprio Imperador Graciano (Mansi, Col. Conc., III, 628) e logo depois por um sínodo romano de quarenta e quatro bispos (Liber Pontificalis, ed. Duchesne, Mansi, op.cit, III, 419), que também excomungou seus acusadores. Dâmaso defendeu com vigor a fé católica em tempos de terríveis e variados perigos. Em dois sínodos romanos (368 e 369) ele condenou o apolinarianismo e o macedonianismo; Ele também enviou seus legados para o Concílio de Constantinopla (381), convocado contra as heresias acima mencionadas. No sínodo romano de 369 (ou 370) Auxêncio, o bispo ariano de Milão, foi excomungado; ele manteve a sé, no entanto, até sua morte, em 374, deu lugar a Santo Ambrósio. O herético Prisciliano, condenado pelo Concílio de Saragoça (380), apelou para Dâmaso, mas em vão. Foi Dâmaso quem induziu São Jerônimo a empreender sua famosa revisão das primeiras versões latinas da Bíblia. São Jerônimo também foi seu secretário confidencial por algum tempo (Ep. Cxxiii, n. 10). Um cânone importante do Novo Testamento foi proclamado por ele no sínodo romano de 374. A Igreja Oriental, na pessoa de São Basílio de Cesaréia, solicitou fervorosamente a ajuda e encorajamento de Dâmaso contra o arianismo triunfante; o papa, no entanto, nutria algum grau de suspeita contra o grande doutor da Capadócia. Na questão do cisma meleciano em Antioquia, Dâmaso, com Atanásio e Pedro de Alexandria, simpatizava com o partido de Paulino como representante mais sincero da ortodoxia nicena; com a morte de Melécio, ele buscou assegurar a sucessão de Paulino e excluir Flaviano (Sócrates, História da Igreja V.15). Ele sustentou o apelo dos senadores cristãos ao Imperador Graciano pela remoção do altar da Vitória da Casa do Senado (Ambrose, Ep. Xvii, n. 10), e viveu para receber o famoso édito de Teodósio I, “De fide Catholica “(27 de fevereiro de 380), que proclamou como religião do Estado romano a doutrina que São Pedro pregara aos romanos e da qual Dâmaso era chefe supremo (Cod. Theod., XVI, 1, 2). Quando, em 379, a Ilíria foi separada do Império do Ocidente, Dâmaso apressou-se em salvaguardar a autoridade da Igreja Romana pela nomeação de um vigário Apostólico na pessoa de Ascólio, bispo de Tessalônica; essa foi a origem do importante vicariato papal há muito ligado a essa Sé. O primado da Sé Apostólica, diferentemente favorecido no tempo de Dâmaso por atos e decretos imperiais, foi vigorosamente mantido por este papa; entre suas notáveis declarações sobre este assunto está a afirmação (Mansi, Coll. Conc., VIII, 158) de que a supremacia eclesiástica da Igreja Romana estava baseada, não nos decretos dos concílios, mas nas próprias palavras de Jesus Cristo (Mateus 16:18). O crescente prestígio dos primeiros decretos papais, habitualmente atribuídos ao reinado de Sirício (384-99), não é de modo algum improvável pertencente ao reinado de Dâmaso (“Canones Romanorum ad Gallos”; Babut, “La plus ancienne décrétale”, Paris, 1904). ). Esse desenvolvimento do ofício papal, especialmente no Ocidente, trouxe consigo um grande aumento da grandeza externa. Esse esplendor secular, porém, afetou desfavoravelmente muitos membros do clero romano, cujos objetivos e vida mundanos, repreendidos por São Jerônimo, provocaram (29 de julho de 370) um édito do imperador Valentiniano dirigido ao papa, proibindo eclesiásticos e monges ( mais tarde também bispos e freiras) perseguirem viúvas e órfãos, na esperança de obter deles dons e legados. O papa fez com que a lei fosse observada estritamente. Dâmaso restaurou a sua própria igreja (agora San Lorenzo in Damaso) e providenciou o alojamento adequado dos arquivos da Igreja Romana. Ele construiu na basílica de São Sebastião na Via Ápia o (ainda visível) o monumento de mármore conhecido como o “Platonia” (Platona, pavimento de mármore) em honra da transferência temporária para aquele lugar (258) dos corpos dos Santos Pedro e Paulo, e decorou com uma importante inscrição histórica (ver Northcote e Brownlow, Roma Sotterranea). Ele também construiu na Via Ardeatina, entre os cemitérios de Calisto e Domitilla, uma basilicula, ou pequena igreja, cujas ruínas foram descobertas em 1902 e 1903, e em que, segundo o “Liber Pontificalis”, o papa foi enterrado com sua mãe e irmã. Nessa ocasião, o descobridor, monsenhor Wilpert, encontrou também o epitáfio da mãe do papa, do qual se aprendeu não só que seu nome era Laurência, mas também que ela vivera os sessenta anos de sua viuvez no serviço especial de Deus, e morreu em seu octogésimo nono ano, tendo visto a quarta geração de seus descendentes. Dâmaso construiu no Vaticano um batistério em honra de São Pedro e instalou nela uma de suas inscrições artísticas (Carmen xxxvi), ainda preservada nas criptas do Vaticano. Esta região subterrânea foi drenada para que os corpos ali enterrados (Juxta sepulcrum beati Petri) não fossem afetados pela água estagnada ou transbordante. Sua extraordinária devoção aos mártires romanos é agora bem conhecida, particularmente devido aos trabalhos de Giovanni Battista De Rossi. Para uma boa conta de sua restauração arquitetônica das catacumbas e as características artísticas únicas (cartas de Damasco) em que seu amigo Furio Dionísio Filocalus executaram os epitáfios compostos por Dâmaso, ver Northcote e Brownlow, “Roma Sotterranea” (2 ed., Londres, 1878-79). O conteúdo dogmático dos epitáfios Damanos (tituli) são importantes (Northcote, Epitaphs of the Catacombs, Londres, 1878). Ele também compôs uma série de breves epigramas sobre vários mártires e santos e alguns hinos, ou Carminas, igualmente breves. São Jerônimo diz (Ep. Xxii, 22) que Dâmaso escreveu sobre a virgindade, tanto em prosa como em verso, mas tal trabalho não foi preservado. Para as poucas cartas de Dâmaso (algumas delas espúrias) que sobreviveram, veja P.L., XIII, 347-76, e Jaffé, “Reg. Rom. Pontif.” (Leipzig, 1885), nn. 232-254.
- Papa Anastácio IV (1153-1154 DC.)
Pontificado: 12 de julho de 1153 a 3 de dezembro de 1154; b. Conrado de Suburra, Roma. Como cardeal bispo de Sabina (nomeado provavelmente 1126), ele apoiou ativamente a eleição de Inocêncio II em 1130 e serviu como seu vigário em Roma quando aquele papa estava ausente na França. Já velho e experiente,ele foi eleito papa sem oposição no dia da morte de Eugênio III e consagrado em 12 de julho de 1153. Anastácio era caridoso para os romanos durante a fome,e ele construiu uma residência papal perto do Panteão. Durante seu pontificado, William Fitzhebert foi reestabelecido e a Suécia começou a pagar o Óbulo de Pedro. Quando seu legado da Alemanha não conseguiu resolver a questão de Frederico I Barbarossa da transladação de Wichmann de Naumburgo para a Sé Magdeburgo, um movimento já denunciado por Eugênio, Anastácio aceitou Wichmann e concedeu o pálio sobre ele em Roma. Ele foi criticado por sua excessivamente atitude complacente. New Catholic Encyclopedia (Vol I). p. 388.
- Papa Anastácio IIi (911-913)
ANASTÁCIO III (c. Junho 911-c. Ago.913). Um romano de nascimento, filho de Luciano, ele foi eleito e morreu em datas que não podem ser firmemente determinadas. Nada é conhecido de sua carreira anterior ou das circunstâncias de sua eleição. Neste momento conturbado Roma foidominado por Teofilacto (d. f.920), cônsul e senador, diretor financeiro da santo Sé, e sua esposa ambiciosa e enérgica Teodora a Velha (d. Depois de 916); o papado em si foi efetivamente controlado por essa família poderosa e inescrupulosa. Isto é provável que Anastácio também, a suavidade de cujo governo é elogiado pelo cronista Flodoardo (893 / 4-966), estava sujeita à sua influência e não exerceu muito, se exerceu iniciativa independente. Ele fez, no entanto, conceder o * pallium a Ragimberto, bispo de Vercelli, e a pedido de Berengário I, rei da Itália (888-924), concedeu certas honras ao bispo de Pavia; como ambas foram cidades importantes nos domínios de Berengário, estas ações sugerem que o rei valorizou boas relações com Roma, e foi considerado como uma luz amigável lá. Em 912 Anastácio recebeu uma longa, forçadamente expressa carta de Nicolau I Mysticus, agora restaurado como patriarca de Constantinopla (912-25), deplorando a atitude de Roma de aprovação do quarto casamento de Leão VI (886-912) em 906 e do comportamento dos enviados de Sérgio Ill e demandando reparação. Sua resposta não é conhecida, mas Nicolau não pode ter achado satisfatória ‘, porque ele começou a remover o nome do papa dos * dipticos, e um divisão entre Roma e Constantinopla. J.N.D Kelly, The Oxford Dictionary of Popes. p. 120.
- AS CRUZADAS E A JIHAD AS CRUZADAS, A VERDADE E A MENTIRA (PARTE III)
1. COMO CRUZADAS EA JIHAD 2. AS CRUZADAS, UMA VERDADE EA MENTIRA 3. (PARTE III) 4. Para separar o tema, entre as cruzadas e os muçulmanos, vamos verificar o que é verdade, e o que é mito, em outra oportunidade voltarei a falar de outra coisa? Que a mídia é atravessada pelos marcharam através da Europa rumo ao Oriente Médio. Lá, Willian Arão e os assassinatos e os homens – mulheres, mulheres e crianças indiscriminadamente -, e forçaram os Sobreviventes a converter-se ao cristianismo. Banhada por sangue, estabelecendo colônias sem glúten, indicando o modelo para legiões colonialistas posteriores. Eles montaram o cenário para os primeiros assassinatos em massa do mundo, e uma história da igreja católica, da Europa e da civilização ocidental. 5. Issto Tudo Que Foi Escrito Acima É verdade? Não é, praticamente, essas afirmações que eu acabei de descrever são falsas, mas é isto que é ensinado nas escolas e por muitos especialistas. 6. AS CRUZADAS MONTARAM COLÔNIAS NO ORIENTE MÉDIO? 7. No meio para o caminho directo a leste da convocação do Papa Urbano, os seus parceiros são cruzados encontravam-se com o Imperador Bizantino Aleixo Commeno. Este persuadiu each hum deles concorde that, second a bondade of Urbano, todas as terras conquistadas reverteriam ao Império Bizantino. Os cruzados mudaram de idéia após o cerco de Antioquia, em 1098. Os migraram pelo longo prazo e os exércitos muçulmanos chegaram ao norte de Jerusalém, foram curados a uma chegada do Imperador Bizantino com suas hostes. Mas, nisto, o Imperador teve uma notícia de uma situação em relação a Antioquia era insustentável, e mandou retroceder suas forças. Sentindo-se traídos, os cruzados ficaram furiosos. Depois de ultrapassar as montanhas e tomarem Antioquia, 8. Os gráficos cruzados não tinham configuração colonial. Ele simplesmente não é subordinado como colônias como conhecedoras como as índias orientais holandesas ou a virgínia em séculos mais recentes. Para quem não sabe uma colônia é uma terra governada por um poder longínquo. Os Estados Unidos não são controlados pela Europa ocidental, nem são transferidos para a Europa. Os cruzados estabeleceram seus estados para um futuro próximo aos da Terra Santa. 9. Os cruzados já não pensavam mais em si como europeus. Vejamos o que o cronista Fulquério de chartres escreveu: 10. Considerar e meditar como novos tempos, Deus transmudou o ocidente no Oriente. Porque nós éramos ocidentais passamos a orientais. Aquele que era Romano ou Franco ficou sendo, por aqui, Galileu ou palestino. Quem morava em Reims ou em Chartres tornou cidadão o Tiro de Antioquia. Esquecida nossa terra natal; não mais já conhecemos ou, seu tanto, não mais a mencionamos. Muitos e já possuem casas e servos adquiridos por herança. Diversos tipos de mulheres, que não foram europeus, mas sírias, Armênias ou mesmo sarracenas que receberam a graça do batismo. Alguns vivem rodeados do sogro, da nora, do genro, do enteado, do padrasto, do sem falar nos netos e dos bisnetos. Um cultiva como vinhas, outro os campos. Os dois idiomas são diferentes, usam palavras e expressões aprendidas com o outro. Línguas diferentes, já agora comuns, nome de ambos os povos; raças afastadas, agora Unidas pela confiança mútua que o cristianismo é capaz de conseguir. Pois está escrito: “o leão e o boi comeram juntos no mesmo cocho”. Hoje que eram Forasteiros tornaram-se nativos; quem antes era hóspede agora residente. 11. Uma outra característica do colonialismo, é um fluxo intenso e migratório da Metrópole, algo que não é materializado. Nenhuma afluência de colonos da Europa fixa-se nos Estados Unidos. 12. A TOMADA DE JERUSALÉM EA DESCONFIANÇA MUÇULMANA NO OCIDENTE 13. Depois de um 5 semanas, os 10 anos de um dia cruzado se completam em Jerusalém. 14. Um dos nossos cavaleiros, por nome de Letoldo, é um mural da cidade e, no que diz respeito a topo, os Defensores Todos Ao Longo do Mural e da Cidade Adentro. Os nossos homens seguiram atrás de um acossá-los até o Templo de Salomão, matando e enfiando uma espada, e uma chacina foi tamanha, que o sangue derramado chegou ao tornozelo dos nossos homens. 15. O emir no command da torre de Davi rendeu-se ao Conde de Saints Gilles e mandou-se a abrir o caminho que os peregrinos iam pagar ao seu tributo. Ao entrar na cidade, os nossos peregrinos perseguiram e mataram os sarracenos até o Templo de Salomão. Para refugiar os sarracenos, e resistir Ferrenhamente o dia todo, com o que é o templo veio inundar-se no sangue deles. Os pagãos foram vencidos, o nosso controle de muitos homens e mulheres no templo, matando-so ou deixando-os viver, conforme julgassem melhor. The big brother of pagãos of the sexos and a Tancredo and Gastion of the Béarn is the dictor of their interest. Os cruzados dispersaram-se pela cidade, apossando-se ouro e prata, de cavalos e mulas, de casas cheias dos mais sortidos bens. 16. Se trata de um relato de um anomalma, mas é claro que se trata de uma relação entre a nossa sociedade eo nosso massacre tão cruel, é uma mudança entre uma forma de pensar e agir da época das cruzadas e os de hoje. Em nota similar, três chefes cruzados – o arcebispo Dagoberto, Godofredo, o Duque de Bom; é Raimundo, Conde de Toulouse -, em setembro de 1099, foi gravada ao Papa Pascoal II da façanha alcançada em Jerusalém: “Se quis saber o que foi feito para o inimigo que existe, sabei que, nenhum Pórtico de Salomão e seu Os principais homens atravessavam um cavalo de sangue sarraceno nivelado com o joelho das montarias “. Significativamente o próprio Godofredo, um dos principais cruzados mais respeitados, não foi parte da carnificina; 17. Balderico, bispo e autor de uma história de Jerusalém, cálculo entre 20 e 30 mil. Ele é exagerado, mas os muçulmanos têm um número ainda mais alto. Apesar de ter havido fontes múltiplas, não incluíam Contagem exata, Ibn al-jawzi, Um ano após o evento, ʻEles foram inscritos “Mataram mais de 70 mil pessoas” em Jerusalém. Ibn al-Athir, contemporâneo de Saladino, o chefe militar Muçulmano que as vitórias de expressão sobre as patentes em finas do Século XII, oferece o número parecido. O Historiador Ibn Taghribirdi, no século XV, chegou ao número de 100 mil. O governo dos Estados Unidos, Bill Clinton, é uma narrativa em uma universidade católica de prestígio, em Georgetown. 18. Essa atrocidade, essa abominação foi – ouvimos sempre aqui e ali – “o ponto de partida da hostilidade milenar entre o Islã e o ocidente”. Será que talvez haja mais alguma coisa dizendo que foi lançado o Milênio de detração e propaganda contra o ocidente. O segredo dos mortos e a morte foi declarado defensor. Comtudo, pelos padrões da época, não foi nada fora do comum. Naqueles tempos, era o princípio bélico de aceitação geral que uma cidade sitiada resistisse a uma invasão de poder, e não se resistir e se receberia misericórdia. Dizem-se alguns relatos que são cruzados Prometeram a normalidade de se manter em paz, mas depois voltaram atrás; contam outros que permitiram muitos cidadãos e seus cidadãos deixarem a cidade em segurança. O conde Raimundo deu um garantia de segurança ao governo fatímida de jerusalém, Ifitkar al-Daulah. A cabeça de um cruzado, dar uma de presente implica que os remanescentes na cidade provavelmente se identifiquem com a força – cabendo-lhes assim a morte. 19. E aqueles rios de Sangue ao nível de tornozelos e joelhos? Era floreio retórico. Quando o cronista Cristão ou os chefes dos cruzados se gloriarvam disso, todo mundo teria captado aí um adorno de linguagem. Na verdade, tais rios não tinham a mais remota possibilidade de existir. Não havia gente bastante em Jerusalém para produzir todo esse sangue, ainda que a população local se tivesse inchado com refugiados das regiões circundantes. O fato de que o saqueio não fugiu à praxe bélica daqueles tempos explicará o laconismo dos primeiros relatos muçulmanos do eventos. Por volta de 1160 dois cronistas sírios, Al-Azimi e Ibn al-Qalanisi, escreveram a respeito. Nenhum ofereceu estimativa do total de mortos. Al-Azimi disse apenas que os cruzados “inflectiram para Jerusalém e tomaram-na das mãos dos egípcios. Godofredo conquistou a cidade. Queimaram a sinagoga dos judeus”. Ibn al-Qalanisi já deu mais detalhes: “Os Francos arremeteram pela cidade e dela se apossaram. Grande número de citadinos escaparam para o Santuário; morreu uma multidão. Os judeus aglomeravam-se na sinagoga, e os Francos tacaram fogo nela sobre as cabeças dos hebreus. Rendeu-se-lhes o templo sob garantia de segurança no dia 22 de xabã (14 de Julho), e eles destruíram os altares e o túmulo de Abraão”. Só mais tarde é que os Escritores muçulmanos foram descobrir o valor propagandístico de enfatizar, e inflar, os totais de mortos. 20. Como quer que seja, fartamente documentado é que os exércitos Muçulmanos, ao tomarem posse de uma cidade conquistada, não era raro adotarem a mesmíssima conduta. Aqui não se trata de escusar o comportamento dos cruzados apontando iniquidades semelhantes e daí deduzindo que todo mundo fazia da mesma maneira, como costumam justificar-se os apologistas islâmicos contemporâneos quando confrontados com as realidades do terrorismo jihadista moderno. Uma atrocidade não desculpa a outra. Mas serve para ilustrar como o procedimento dos cruzados em Jerusalém correspondia ao dos outros exércitos de então — visto que todos os estados subescreviam as mesmas concepções de cerco e resistência. 21. Efetivamente, em 1148, o comandante muçulmano Nur ed-Din não hesitou em mandar matar todos os cristãos em Aleppo. já é 1268, quando as forças jihadistas do sultão mameluco Baibars tomaram Antioquia dos Cruzados, Baibars Ficou irritado ao saber que o governante cruzado, o conde Boemundo VI, deixara cidade: ele queria que o conde soubesse de tudo o que os seus homens andavam fazendo em Antioquia. Escreveu-lhe então uma carta: 22. * 23. Terias vistos os teus Cavaleiros prostados sob os cascos dos Cavalos, os teus bens pesados em Quintais, as tuas mulheres vendidas em pacotes de quatro unidades ao preço de 1 dinar Largo do teu próprio dinheiro! Terias visto estraçalhadas as Cruzes das tuas igrejas, esparramadas as páginas dos teus falsos testamentos, tombados os túmulos dos patriarcas. Terias visto o teu inimigo muçulmano espezinhar o lugar onde se Celebra a missa, degolar monges, padres e diáconos sobre os Altares, trazer morte súbita aos patriarcas e escravidão aos Príncipes reais. Teria visto incêndios a lavragem nas tuas fazendas, os teus mortos a queimarem neste mundo antes de descerem para o fogo do outro, o teu Palácio irreconhecível, a igreja de São Paulo e a Catedral de São Pedro derrubadas e destruídas. Então terias dito: “quem dera eu fosse pó e nenhuma carta jamais me trouxesse tais notícias!. 24. Talvez o caso mais notório seja a entrada dos jihadistas em Constantinopla a 29 de maio de 1453, quando eles — assim como os cruzados em Jerusalém séculos antes — romperam prolongada resistência ao seu cerco. E aqui mais uma vez correram rios de sangue, conforme a observação do Historiador Steven Runciman. Os soldados muçulmanos “trucidaram toda a gente que iam encontramos pelas ruas — homens, mulheres e crianças, sem discriminação. Corriam rios de sangue ladeiras abaixo, desde os altos de petra até o corno de ouro. Mas logo o apetite por carnificina foi saciado. Perceberam os soldados que os cativos e os preciosos despojos lhes trariam grande Lucro. 25. Tal qual os cruzados, que violaram sinagoga e Mesquita, os muçulmanos atacaram monastérios e Conventos, esvaziando-os dos habitantes, e saíram a pilhar residências particulares. Adentraram a Hágia Sophia, que por mil anos foi a igreja mais imponente da cristandade. Entre suas paredes se haviam reunidos os fiéis para orarem durante a última agonia da cidade. Os Invasores interromperam o Ofício matinal, enquanto padres apanhavam os vasos sagrados sumiam através da parede Leste, que um dia atravessarão de volta para completar o serviço divino. Os muçulmanos mataram os idosos e os fracos e remeteram os demais a escravidão. 26. O fim do morticínio e da pilhagem, o sultão do sermão Mehmet II mandou um erudito Muçulmano subir ao alto púlpito da Haggia Sophia e declarar que não há outro deus de senão Alá e que Maomé é seu Profeta. Uma magnífica e antiga igreja foi convertida em Mesquita; o mesmo foi encontrado nas igrejas de Constantinopla e outras regiões da atualidade da Turquia, entre outros. Anatólia, milhões de cristãos entraram para uma classe de vida, outros foram escravizados e muitos outros martirizados. #IdadeMédia #Bizâncio #Históriadaidademédia #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Cruzadas #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Guerra
- EPITÁFIO DE ABÉRCIO, BISPO DE HIERÁPOLIS
EPITÁFIO DE ABÉRCIO, BISPO DE HIERÁPOLIS A inscrição a seguir é considerada, pelos estudiosos, como a mais importante da antiguidade cristã. Foi composta na Ásia Menor, no séc. II, por Abércio, bispo de Hierápolis, que relata, em forma figurada sua viagem a Roma e à Síria. Entre outras coisas, fala sobre a eucaristia ministrada sob as duas espécies de pão e vinho e pressupõe a prática da oração pelos mortos. A inscrição, gravada sobre pedra, foi descoberta em 1883 pelo arqueólogo protestante W.Ramsay, nas proximidades de Hierápolis (Frígia) e hoje se encontra no museu de Latrão. Cidadão de pátria ilustre, Construí este túmulo durante a vida, Para que meu corpo – num dia – pudesse repousar. Chamo-me Abércio: Sou discípulo de um Santo Pastor1, Que apascenta seu rebanho de ovelhas, Por entre montes e planícies. Ele tem enormes olhos que tudo enxergam, Ensinou-me as Escrituras da Verdade e da Vida E enviou-me até Roma para vislumbrar sua soberana majestade E ver a Rainha2 com vestes e sandálias de ouro: Lá conheci um povo marcado com um sinal resplandecente. Também fui à planície da Síria E vi cidades – como Nísibe – para lá do [rio] Eufrates. Por toda parte encontrei irmãos E tive Paulo por companheiro. Por toda parte a fé me guiou E ela me serviu de alimento Com um Peixe3 de fonte, grande e puro, Pescado por uma Santa Virgem, Que o entregava a seus amigos. Ela possui um vinho delicioso E o serve misturado com pão. Eu, Abércio, ditei este texto E o fiz gravar na minha presença Aos setenta e dois anos. O irmão que o ler por acaso Ore por Abércio. E ninguém erga outro túmulo sobre o meu, Sob pena de multa: Duas mil peças de ouro para o fisco romano E mil para Hierápolis, Minha pátria ilustre! ——– 1isto é, Jesus Cristo. 2ou seja, a Igreja. 3isto é, a eucaristia #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja
- JESUS CRISTO NUNCA NOS DEIXOU (Santo Agostinho)
Nossa vida desceu para esta terra e levou embora a morte, matou a morte com a abundância da vida: e Ele reclamou chamando-nos para voltar para Ele, para aquele local secreto do qual Ele viera direto para nós – primeiro no útero da Virgem, no qual a humanidade uniu-se a Ele, nossa carne mortal, nem sempre destinada a ser mortal. Ele não tardou, mas apressou-se, chamando-nos por sua morte e sua vida, por sua vinda e sua ascensão, para voltarmos a Ele. E Ele retirou-se de nossa visão para que pudéssemos voltar ao nosso próprio coração e encontrá-lo. Como Ele se afastou, ainda está próximo. Ele não está conosco e nunca nos deixou. (Santo Agostinho) #Cristologia #Igreja #SantoAgostinho
- RETRATO DE MARIA DE NAZARÉ – A VIRGEM MÃE DE JESUS – O VERBO ENCARNADO (São Dionísio Are
“És toda bela, minha amada, e não tens um só defeito!” (Cântico dos Cânticos 4,7). São Dionísio Areopagita escreve sobre uma visita feita à Virgem Maria. Ele fala sobre a beleza física de Nossa Senhora: “Confesso na verdade, que não pensava que fora de Deus fosse possível beleza tão sublime e celestial, como a que contemplei. Vi a Maria Santíssima! Pude ver e rever com meus próprios olhos a Mãe de Jesus Cristo! Confesso mais uma vez que, quando João me levou à presença deífica da Virgem altíssima, fiquei deslumbrado por um esplendor tão grande, que me desfaleceu o coração e faltou a respiração, oprimido como estava pela glória de tamanha majestade”. São Dionísio é mencionado no livro dos Atos dos Apóstolos juntamente com sua esposa Dâmaris, eles converteram-se ao cristianismo (Atos 17,34) através das pregações do Apóstolo São Paulo, quando este visitou Atenas na Grécia. (Atos 17, 16 – 34). #Igreja #Maria
- SACRIFÍCIO PARA DEUS, UM ESPÍRITO CONTRITO (Santo Agostinho, bispo)
Reconheço o meu pecado, diz Davi. Se eu o reconheço, perdoa-me, Senhor! Mesmo procurando viver bem, de modo algum tenhamos a presunção de ser sem pecado. Que demos valor à vida em que se pede perdão. Os homens sem esperança, quanto menos atentam para os próprios pecados, com tanto maior curiosidade espreitam os alheios. Procuram não o que corrigir, mas o que morder. Não podendo escusar-se, estão prontos a acusar. Não foi este o exemplo de rogar e de satisfazer a Deus que Davi nos deu, dizendo: Porque reconheço meu crime e meu pecado está sempre diante de mim. Davi não estava atento aos pecados alheios. Caía em si, não se desculpava, mas em si mesmo penetrava e descia cada vez mais profundamente. Não se poupava, e por isso podia confiadamente pedir para si o perdão. Queres reconciliar-te com Deus? Repara como procedes contigo, para que Deus te seja propício. Presta atenção ao salmo, onde lemos: “Porque se quisesses um sacrifício, eu o faria certamente; não te causam prazer os holocaustos [cf. Salmos, 51,16; 40,6].” Então ficarás sem sacrifício para oferecer? Nada oferecerás? Com nenhuma oblação tornarás Deus propício? Que disseste? Se quisesses um sacrifício, eu o faria certamente; não te causam prazer os holocaustos. Continua, escuta e dize: Sacrifício para Deus é o espírito contrito; o coração contrito e humilhado Deus não o despreza. Rejeitado aquilo que oferecias, encontraste o que oferecer. Como os antepassados, oferecias vítimas de animais, ditos sacrifícios: Se quisesses um sacrifício, eu o faria certamente. Não queres mais este gênero de sacrifícios, no entanto, procuras um sacrifício. Não te causam prazer os holocaustos. Se não tens prazer com os holocaustos, ficarás sem sacrifício? De modo algum. Sacrifício para Deus é o espírito contrito; o coração contrito e humilhado Deus não o despreza. Tens o que oferecer. Não examines o rebanho, não aprestes navios e não atravesses as mais longínquas regiões em busca de perfumes. Procura em teu coração aquilo de que Deus gosta. O coração deve ser esmagado. Por que temes que o esmagado pereça? Lê-se aqui: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro. Para que seja criado o coração puro, esmague-se o impuro [cf. Salmo 51,10].” Sintamos aborrecimento por nós mesmos quando pecamos, porque os pecados aborrecem a Deus. Já que não estamos sem pecado, ao menos nisto sejamos semelhantes a Deus: o que lhe desagrada, desagrade também a nós. Em parte tu te unes à vontade de Deus, por te desagradar em ti aquilo mesmo que odeia aquele que te fez. (Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo – Serm. 19,2-3:CCL 41,252-254 – Séc. V). #Igreja #SantoAgostinho
- CONFESSA NO TEMPO PROPÍCIO (São Cirilo, bispo de Jerusalém)
Se há aqui alguém escravo do pecado, prepare-se pela fé para o nobre renascimento de filhos por adoção. Rejeitada a péssima escravidão dos pecados e obtida a felicíssima servidão do Senhor, seja considerado digno de alcançar a herança do reino celeste. Portanto despi, pela confissão, o homem velho que se vai corrompendo ao sabor dos desejos maus, a fim de revestirdes o homem novo, que se renova pelo conhecimento daquele que o criou. Adquiri pela fé a segurança do Espírito Santo de serdes acolhidos nas mansões eternas. Aproximai-vos do místico sinal para que possais ser favoravelmente reconhecidos pelo Soberano. Juntai-vos ao santo e racional rebanho de Cristo. Postos um dia de parte à sua direita, entrareis assim na posse da vida preparada por herança para vós. Com a aspereza dos pecados aderentes como pêlos, estão à esquerda aqueles que não se achegam à graça de Deus concedida por Cristo no banho da regeneração. Refiro-me aqui não à regeneração dos corpos, mas ao novo nascimento espiritual da alma. Os corpos são gerados pelos pais visíveis; a alma é gerada de novo pela fé, porque “o Espírito sopra onde quer”. Então, se te tornares digno, poderás ouvir: “Muito bem, servo bom e fiel”, quando não se encontrar em ti qualquer impureza de fingimento na consciência. Se algum dos que aqui estão espera provocar a graça de Deus, engana-se e desconhece o valor das coisas. Tem, ó homem, alma sincera e livre de disfarce, por causa daquele que perscruta corações e rins. O tempo agora é tempo de confissão. Confessa o que cometeste por palavra, ou ação, de noite ou de dia. Confessa no tempo propício e recebe no dia da salvação o tesouro celeste. Limpa tua jarra para conter graça mais abundante, pois a remissão dos pecados é dada igualmente a todos, mas, a comunicação do Espírito Santo é concedida a cada um segundo a fé. Se trabalhares pouco, receberás pouco; se fizeres muito, grande será a recompensa. Corre em teu próprio proveito, vê o que te convém. Se tens algo contra outro, perdoa. Tu te aproximas para receber o perdão dos pecados; é necessário perdoar a quem te ofendeu. (Das Catequeses de São Cirilo, bispo de Jerusalém – Cat. 1,2-3.5-6: PG 33,371.375-378 – Séc. IV) #Igreja #Sacramentos
- ENTRAREI NO LUGAR DO ADMIRÁVEL TABERNÁCULO (São Jerônimo, presbítero)
“Como o cervo deseja as fontes das águas, assim minha alma te deseja, ó Deus”. Como aqueles cervos desejam as fontes das águas, assim os nossos servos que, afastando-se do Egito e do século, afogaram o faraó em suas águas e mataram todo o seu exército no batismo, depois da morte do diabo, desejam as fontes da Igreja, isto é, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Que o Pai seja dito fonte, encontramos em Jeremias: “Afastaram-me a Mim, fonte de água viva, e cavaram para si cisternas rachadas que não podem reter as águas”. Sobre o Filho, lemos em certo lugar: “Abandonaram a fonte da sabedoria”. E sobre o Espírito Santo: “Quem beber da água que eu lhe der, dele brotará uma fonte de água que jorra para a vida eterna”, que logo o Evangelista explica tratar-se do Espírito Santo nesta palavra do Salvador. Prova-se assim claramente que as três fontes da Igreja são o mistério da Trindade. A esta Trindade aspira o fiel, aspira o batizado que diz: “Minha alma tem sede de Deus, fonte viva”. Não quer ver a Deus apenas de leve, mas com todo o ardor, todo abrasado em sede. Com efeito, antes do Batismo, os futuros cristãos falavam entre si e diziam: “Quando irei e me apresentarei diante da face de Deus?” Agora obtiveram o que pediam: vieram e ficaram diante da face de Deus, apresentaram-se ante o altar, perante o mistério do Salvador. Admitidos no Corpo de Cristo e renascidos na fonte da vida, proclamam com confiança: “Entrarei no lugar do admirável tabernáculo, até a casa de Deus”. A casa de Deus é a Igreja, é ela o admirável tabernáculo, nele mora “a voz da exultação e do louvor, o ruído dos convivas”. Dizei, portanto, vós que agora, guiados por nós, vos revestistes de Cristo, fostes retirados pela palavra de Deus do mar deste mundo como um peixinho preso pelo anzol. Em nós, porém, a natureza se transformou, pois enquanto os peixes morrem, quando retirados das águas, a nós os apóstolos nos tiraram e pescaram do mar deste mundo para que de mortos passemos a vivos. Enquanto estávamos no século, com os olhos nas profundezas, nossa vida se passava no lodo. Depois de erguidos das ondas, começamos a ver o sol, começamos a olhar a verdadeira luz; e deslumbrados pela imensa alegria dizemos a nossa alma: “Espera em Deus porque o louvarei, a ele, salvação de minha face e meu Deus.” (Homilia aos neófitos sobre o Salmo 41, de São Jerônimo, presbítero – CCL 78,542-544 – Séc. V). #Cristologia #Igreja
- Papa Anastácio II (496- 498 DC.)
Pontificado: 24 de novembro de 496 a 19 de novembro de 498. Quando Gelásio I fui sucedido pelo conciliatório Anastácio II, esperanças foram levantadas de que o cismo acaciano poderia ser chegou ao fim. Legados papais foram despachados para Constantinopla para anunciar a eleição do papa e para soar o imperador Anastácio I. O papa foi preparado fazer uma concessão notável reconhecendo os batismos e ordenações realizadas por Acácio, mas exigia que o nome do Acácio fosse removido dos dípticos. Ele não fez menção de Pedro Mongos. O sucesso da missão foi comprometida pelo senador Fausto, o emissário do rei gótico Teodorico, que liderou o imperador acreditar que Roma poderia ser conquistada para aceitação do Henótico se o imperador reconhecesse o governo de Teodorico na Itália. Os esforços conciliatórios do papa em sua recepção amigável do diácono Fotino, enviado a Roma pelo arcebispo de Tessalônica, que havia sido um dos mais apoiantes determinados de Acácio, desagradou alguns dos Clero romano e eles renunciaram a comunhão com Anastácio II, criando assim um cisma dentro da própria Roma.O papa morreu nesta conjuntura, “fulminado pela vontade Divina ” de acordo com o Liber pontificalis. Esta afirmação perpetuou a lenda da “apostasia” do papa durante a idade média. Dante colocou-o entre os hereges no sexto círculo do inferno. Papa Anastácio II escreveu uma carta aos bispos da Gália condenando o traducianismo. Uma carta ao Rei Clóvis felicito-o por sua conversão é apócrifa, como Clóvis não foi batizado até depois da a morte do papa. Anastácio II foi enterrado no pórtico de São Pedro. Tradução: New Catholic Encyclopedia (Vol I). p. 387
- Papa Santo Anastácio I (399-401 DC.)
Pontificado: 27 de novembro de 399 a 19 de dezembro de 401. Anastácio era aparentemente romano. São Paulino de Nola, a quem ele recebeu em Roma e convidou a participar de seu aniversário em 400, elogiou sua caridade e zelo. Jerônimo também o considerava em alta estima, particularmente por favorecer o grupo anti-origenista dos amigos de Jerônimo em Roma. Depois que Rufino de Aquileia traduziu o Peri Arconte de Orígenes em 398, omitindo ou corrigindo doutrinas heterodoxas atribuídas a Orígenes, Jerônimo foi encorajado a fazer uma tradução literal, renovando assim a controvérsia sobre a ortodoxia de Orígenes, um teólogo sobre quem Anastácio sabia muito pouco. Rufino tinha desfrutado da confiança do papa Sirício, mas evidentemente os amigos de Jerônimo em Roma, particularmente Marcella, e Eusébio de Cremona alertaram Anastácio para os perigos percebidos dos ensinamentos de Orígenes. Quando recebeu uma carta de advertência de Teófilo de Alexandria, provavelmente instigada por Jerônimo, convocou um sínodo romano para condenar o origenismo e depois escreveu a Simpliciano, bispo de Milão, e a seu sucessor, Venério, proscrevendo heresias origenísticas. Rufino, sentindo-se implicado, escreveu uma Apologia dirigida a Anastácio, na qual ele dá uma explicação ortodoxa de sua fé e justifica suas traduções de Orígenes. Anastácio escreveu ainda para João de Jerusálem e, ao mencionar Rufino se declarou desinteressado no destino deste último, desde que não propagasse o origenismo. Anastácio também escreveu ao Concílio de Cartago, que se reuniu em 13 de setembro de 401, para exortar os bispos africanos a continuarem a batalha contra os donatistas (J. D. Mansi, Sacrorum Conciliorum nova et amplissima collectio 3: 1023; 4: 491). Os africanos ignoraram seu conselho, no entanto, e negociaram com os donatistas. Ele morreu em 19 de dezembro de 401 (Liber pontificalis, ed. L. Duchesne, 1: 219) e foi enterrado “ad ursum pileatum”. Tradução: New Catholic Encyclopedia (Vol I). pp 386-387.
- Papa Alexandre VIII (1689-1691 DC.)
Pietro Ottoboni, nascido em Veneza, em abril de 1610; eleito em 5 de outubro de 1689; Morreu em Roma, em 1º de fevereiro de 1691. Era filho de Marco Ottoboni, chanceler da República de Veneza, e descendente de uma nobre família daquela cidade. O futuro papa gostava que riqueza e posição social pudessem contribuir para uma educação perfeita. Seus primeiros estudos foram feitos com grande brilho na Universidade de Pádua, onde, em 1627, ele obteve o doutorado em direito civil e canônico. Ele foi para Roma, durante o pontificado de Urbano VIII (1623-44), e foi nomeado governador de Terni, Rieti e Spoleto. Por catorze anos ele serviu como auditor da Rota. A pedido da República, este filho favorecido foi nomeado Cardeal por Inocêncio X (19 de fevereiro de 1652), e mais tarde foi dado o Bispado de Brescia, em território veneziano? onde ele silenciosamente passou os melhores anos da meia-idade. Clemente IX fez dele Cardeal-Datário. Ele já era um octogenário quando eleito para o papado, e viveu apenas dezesseis meses, durante os quais pouco de importância foi feito. Luís XIV, da França, cuja situação política era agora crítica, aproveitou as disposições pacíficas do novo papa, restituiu-lhe Avinhão e renunciou ao há muito abusado direito de asilo da embaixada francesa. Mas o espírito conciliatório do rei não dissuadiu o resoluto Papa de declarar (4 de agosto de 1690) que a Declaração das Liberdades Galicanas, redigida em 1682, era nula e inválida. Ajudou sua Veneza natal com generosos subsídios na guerra contra os turcos e comprou para a biblioteca do Vaticano os livros e manuscritos de propriedade da rainha Cristina da Suécia. Ele condenou a doutrina de várias proposições errôneas, entre as quais (24 de agosto de 1690) a doutrina do “pecado filosófico” (ver pecado); cf. Denzinger, “Enchiridion Symb. Et Defin.” (9ª ed., Freiburg, 1900), 274-278; e vago “Dict. de théol. cath.” (Paris, 1903), I, 748-763. Alexandre era um homem justo, generoso, amante da paz e indulgente. Por compaixão pelos pobres da Itália quase empobrecida, ele procurou socorrê-los reduzindo os impostos. Mas essa mesma natureza generosa levou-o a outorgar em suas relações as riquezas que eles estavam ansiosos por acumular; em seu favor, e para o descrédito de seu pontificado, ele reviveu os escritórios da sinecura que haviam sido suprimidos por seu antecessor. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/01295a.htm
- Papa Alexandre VII (1655-1667 DC.)
Fabio Chigi, nascido em Sienna, 13 de fevereiro de 1599; eleito em 7 de abril de 1655; morreu em Roma, em 22 de maio de 1667. O Chigi de Sienna estava entre as mais ilustres e poderosas famílias italianas. Na Roma dos tempos da Renascença, um ancestral de Alexandre VII era conhecido como o “Magnífico”. O futuro pai do papa, Flavio Chigi, sobrinho do Papa Paulo V, embora não tão próspero quanto seus antepassados, deu a seu filho um treinamento adequado. Este último deveu muito também à sua mãe, uma mulher de singular poder e habilidade na formação da juventude. A juventude de Fábio foi marcada por um mal-estar contínuo, conseqüente a um ataque de apoplexia na infância. Incapaz de frequentar a escola, ele foi ensinado primeiro por sua mãe e, mais tarde, por tutores habilidosos, e mostrou notável precocidade e amor pela leitura. Em seu vigésimo sétimo ano, ele obteve os doutorados de filosofia, direito e teologia na Universidade de Sienna, e em dezembro de 1626, entrou em sua carreira eclesiástica em Roma. Em 1627 ele foi nomeado pelo Vice-Legado Urbano VIII de Ferrara, e ele serviu cinco anos sob os Cardeais Sacchetti e Pallotta, cujos elogios conquistaram para ele o importante cargo de Inquisidor de Malta, junto com a consagração episcopal. Em 1639 foi promovido à nunciatura de Colônia; e em 1644 foi feito enviado extraordinário de Inocêncio X à conferência de Münster, na que postou energicamente defensor dos interesses papais durante as negociações que conduziram, em 1648, à Paz de Vestfália. Inocêncio X o chamou para Roma em 1651 para ser seu secretário de Estado, e em fevereiro de 1652, fez dele cardeal. No conclave de 1655, famoso por sua duração de oitenta dias, e pelo choque de interesses nacionais e faccionais, o cardeal Chigi foi eleito por unanimidade papa. A escolha foi considerada providencial. Numa época em que os religiosos estavam sendo forçados a perceber as consequências deploráveis, morais e financeiras, do nepotismo, era necessário um papa que governaria sem a ajuda de parentes. Durante um ano, as esperanças da cristandade pareciam ser realizadas. Alexandre proibiu seus parentes de vir a Roma. Sua própria santidade de vida, severidade da moral e aversão ao luxo tornaram mais resplandecentes suas virtudes e talentos. Mas no consistório de 24 de abril de 1656, influenciado por aqueles que temiam a fraqueza de uma corte papal insustentada por laços de interesse da família, ele propôs trazer seu irmão e sobrinhos para ajudá-lo. Com o advento deles veio uma mudança marcante no modo de vida do pontífice. A administração foi dada em grande parte nas mãos de seus parentes, e abusos nepóticos vieram a pesar mais do que nunca sobre o papado. Os esforços dos Chigi para enriquecer a família foram considerados indulgentemente pelo papa; mas, sempre piedoso e devoto, ele estava longe de ter uma participação nos excessos de seus sobrinhos amantes do luxo. Seu fardo sendo assim aliviado, ele passou a maior parte de seu tempo em atividades literárias e na sociedade dos eruditos; mas os amigos a quem ele favorecia eram aqueles que poderiam ser mais confiáveis como conselheiros. O pontificado de Alexandre VII foi obscurecido por contínuas dificuldades com o jovem e mal aconselhado Luís XIV da França, cujos representantes eram uma constante fonte de aborrecimento para o papa. O primeiro-ministro francês, cardeal Mazarin, não perdoou o legado que se opôs resolutamente a ele nas conferências de Munster e Osnabrück, ou o secretário de Estado papal que ficou no caminho de sua política anti-romana. Durante o conclave, ele havia sido amargamente hostil a Chigi, mas no final foi obrigado a aceitar sua eleição como um compromisso. No entanto, ele impediu Luís XIV de enviar a habitual embaixada de obediência a Alexandre VII e, enquanto ele vivia, impediu a nomeação de um embaixador francês em Roma, enquanto os assuntos diplomáticos eram conduzidos por cardeais protetores, geralmente inimigos pessoais do papa. Em 1662, o igualmente hostil duque de Crequi tornou-se embaixador. Por seu abuso arbitrário do tradicional direito de asilo concedido aos distritos de embaixada em Roma, ele precipitou uma briga entre a França e o papado, que resultou na perda temporária do papa de Avinhão e sua aceitação forçada do humilhante tratado de Pisa em 1664. Encorajados por esses triunfos, os jansenistas franceses, que reconheceram em Alexandre um velho inimigo, tornaram-se insolentemente assertivos, afirmando que as proposições condenadas em 1653 não seriam encontradas no “Augustinus” de Cornélio Jansen. Alexandre VII, que como conselheiro de Inocêncio X defendeu vigorosamente a condenação, confirmou-a em 1665 pela Bula “Ad Sacram” declarando que se aplicava ao supracitado trabalho de Jansen e ao próprio significado pretendido por ele; Ele também enviou à França seu famoso “formulário”, a ser assinado por todo o clero como um meio de detectar e extirpar o jansenismo. Seu reinado é memorável nos anais da teologia moral para a condenação de várias proposições errôneas. O cardeal Hergenröther elogia (Kirchengesch. III, 414) sua moderação nas controvérsias dogmáticas acaloradas do período. Durante o seu reinado ocorreu a conversão da rainha Cristina da Suécia, que, após a sua abdicação, veio residir em Roma, onde no dia de Natal de 1655, foi confirmada pelo Papa, em quem encontrou um generoso amigo e benfeitor. Ajudou os venezianos a combater os turcos que haviam conquistado uma posição em Creta, e obteve em troca a restauração dos jesuítas, exilados de Veneza desde 1606. As relações inimigas entre Espanha e Portugal ocasionadas pela independência desta última (1640) foi uma fonte de julgamentos graves para Alexandre, como para outros papas antes e depois dele. Alexandre VII fez muito para embelezar Roma. Casas foram niveladas para dar lugar a ruas mais retas e amplas praças, o Collegio Romano. As decorações da igreja de Sta. Maria del Popolo, igreja titular de mais de um dos cardeais Chigi, a Scala Régia, a Cátedra de São Pedro na Basílica Vaticana e a grande colunata anterior ao edifício, fala tanto a genialidade de Bernini quanto a munificência de seu patrono papal. Ele também foi um patrono da aprendizagem, modernizou a Universidade Romana, conhecida como Sapienza, e enriqueceu-a com uma magnífica biblioteca. Ele também fez extensas adições à Biblioteca do Vaticano. Sua tumba de Bernini é um dos mais belos monumentos de São Pedro. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/01294a.htm
- Papa Alexandre VI (1492-1503 DC.)
Rodrigo Borgia, nascido em Xativa, perto de Valência, na Espanha, em 1º de janeiro de 1431; Morreu em Roma, em 18 de agosto de 1503. Seus pais eram Jofre Lançol e Isabella Borja, irmã do cardeal Afonso Borja, depois papa Calisto III. O jovem Rodrigo ainda não escolhera definitivamente sua profissão quando a elevação de seu tio ao papado (1455) abriu novas perspectivas para sua ambição. Ele foi adotado na família imediata de Calisto e era conhecido daqui em diante pelos italianos como Rodrigo Borgia. Como tantos outros cadetes principescos, ele ficou intrigado com a Igreja, a questão de uma vocação clerical sendo deixada completamente fora de consideração. Depois de conferir vários ricos benefícios nele, seu tio o mandou por um ano para estudar Direito na Universidade de Bolonha. Em 1456, aos vinte e cinco anos de idade, foi nomeado cardeal diácono de São Nicolau em Carcere e ocupou essa títular até 1471, quando se tornou cardeal-bispo de Albano; em 1476 foi nomeado cardeal-bispo de Porto e decano do Sacro Colégio (Eubel, Hierarchia Catholica, II, 12). Sua posição oficial na Cúria depois de 1457 foi a de vice-chanceler da Igreja Romana e, embora muitos o tenham invejado, este ofício lucrativo parece, em sua longa administração da Chancelaria Papal, ter dado satisfação geral. Até mesmo Guicciardini admite que “nele foram combinadas rara prudência e vigilância de madura reflexão, poder maravilhoso de persuasão, habilidade e capacidade para a condução dos assuntos mais difíceis”. Por outro lado, a lista de arcebispados, bispados, abades e outras dignidades por ele detidos, enumerados pelo Bispo de Modena em carta à Duquesa de Ferrara (Pastor, História dos Papas, V, 533, Port .) lê como o famoso catálogo de Leporello; e desde que, apesar da magnificência de sua casa e sua paixão por jogar cartas, ele era estritamente abstêmio em comer e beber, e um administrador cuidadoso, ele se tornou um dos homens mais ricos de sua época. Em seu vigésimo nono ano, ele tirou uma severa carta de repreensão do Papa Pio II por má conduta em Sienna, que tinha sido tão notória a ponto de chocar toda a cidade e a corte (Raynaldus Ann. Eccl. Ad. An. 1460, n. 31) . Mesmo depois de sua ordenação ao sacerdócio, em 1468, ele continuou seus maus caminhos. Seus contemporâneos elogiam sua figura bela e imponente, seu semblante alegre, modos persuasivos, conversa brilhante e domínio íntimo dos modos de sociedade educada. Dizem que o melhor retrato dele é pintado por Pinturicchio no Appartimento Borgia, no Vaticano; Yriarte (Autour des Borgia, 79) elogia seu ar geral de grandeza incontestável. Para 1470 começou suas relações com a senhora romana, Vanozza Catanei, a mãe de seus quatro filhos: Juan, César, Lucrécia e Jofre, nascidos, respectivamente, segundo Gregorovius (Lucrezia Borgia 13) em 1474, 1476, 1480 e 1482. Borgia, por uma maioria de dois terços assegurada por seu próprio voto, foi proclamado papa na manhã de 11 de agosto de 1492 e tomou o nome de Alexandre VI. [Para detalhes do conclave ver Pastor, “Hist. Dos Papas”, (ed. Alemã, Freiburg, 1895), III, 275-278; também Am. Cath. Quart. Review, April, 1900.] Que ele obteve o papado por meio de simonia foi a crença geral (Pastor, loc. Cit.) e não é improvável (Raynaldus, Ann. Eccl. Ad an. 1492, n. 26), embora fosse ser difícil prová-lo juridicamente, de qualquer forma, como a lei então entenedia que a eleição era válida. Não há evidência irresistível de que o Borgia pagou a alguém um ducado pelo seu voto; O conto de cargas de prata de Infessura há muito tempo foi desacreditado. A acusação de Pastor, em uma inspeção mais próxima, precisa de alguma revisão, pois ele declara (III, 277) que oito dos vinte e três eleitores, viz. della Rovere, Piccolomini, Medici, Caraffa, Costa, Basso, Zeno e Cibò, resistiram até o fim contra o Borgia. Se isso fosse verdade, Borgia não poderia ter obtido uma maioria de dois terços. Tudo o que podemos afirmar com certeza é que o fator determinante desta eleição foi a adesão a Borgia do voto e influência do Cardeal Ascanio Sforza, é quase igualmente certo que o curso de Sforza foi ditado não pela prata, mas pelo desejo de ser o futuro conselheiro chefe do Pontífice. A elevação ao papado de alguém que por trinta e cinco anos conduziu os negócios da chancelaria romana com rara capacidade e indústria, encontrou aprovação geral; não encontramos evidências do “alarme e horror” de que fala Guicciardini. Para os romanos, especialmente, que passaram a considerar Bórgia como um deles, e que previram um pontificado ao mesmo tempo esplêndido e enérgico, a escolha foi muito aceitável; e eles manifestaram sua alegria em fogueiras, procissões de tochas, guirlandas de flores e a ereção de arcos triunfais com inscrições extravagantes. Em sua coroação em São Pedro (26 de agosto), e durante seu progresso para São João de Latrão, ele foi recebido com uma ovação, “maior”, diz o diarista, “do que qualquer Pontífice jamais recebeu”. Ele procedeu imediatamente para justificar essa boa opinião dos romanos, pondo fim à iniqüidade que reinava na cidade, a extensão da qual podemos inferir, a partir da declaração de Infessura, que em poucos meses mais de duzentos e vinte assassinatos haviam ocorrido. Alexandre ordenou a realização de investigações, todos os culpados descobertos foram enforcados no local e sua casa foi arrasada. Ele dividiu a cidade em quatro distritos, colocando sobre cada um magistrado com plenos poderes para a manutenção da ordem; além disso, ele reservava a terça-feira de cada semana como um dia em que qualquer homem ou mulher poderia apresentar suas queixas diante de si pessoalmente; “e”, diz o cronista, “ele começou a distribuir a justiça de maneira admirável”. Esse método vigoroso de administrar a justiça logo mudou a face da cidade e foi atribuído pelo povo grato à “interposição de Deus”. Alexandre, em seguida, voltou sua atenção para a defesa e embelezamento da Cidade Eterna. Ele mudou o Mausoléu de Adriano em uma verdadeira fortaleza capaz de sustentar um cerco. Pela fortificação de Torre di Nona, ele garantiu a cidade de ataques navais. Ele merece ser chamado de fundador da cidade Leonina, que ele transformou no bairro mais elegante de Roma. Sua magnífica Via Alessandrina, agora chamada Borgo Nuovo, permanece até os dias atuais a grande aproximação de São Pedro. Sob sua direção, Pinturicchio adornou o Appartimento Borgia no Vaticano, apontando o caminho para seu imortal discípulo, Rafael. Além das estruturas erguidas por ele mesmo, sua memória está associada a muitas outras construídas por monarcas e cardeais por sua instigação. Durante o seu reinado, Bramante projetou para Fernando e Isabela aquela preciosidade arquitetônica requintada, o Tempietto, no local tradicional do martírio de São Pedro. Se não Bramante, outro grande arquiteto, igualmente atraído por Roma pelo relato da liberalidade do Papa, construiu para o cardeal Riario o magnífico palácio da Cancellaria. Em 1500, o embaixador do imperador Maximiliano lançou a pedra angular da bela igreja nacional dos alemães, Santa Maria dell ‘Anima. Para não ficar atrás, o cardeal francês Briçonnet ergueu a SS. Trinità dei Monti e os espanhóis Santa Maria di Monserrato. A Alexandre, devemos o belo teto de Santa Maria Maggiore, cuja decoração diz que ele empregou o primeiro ouro trazido da América por Colombo. Embora não tenha feito grande reivindicação de aprendizado, ele fomentou a literatura e a ciência. Como cardeal, ele escreveu dois tratados sobre temas canônicos e uma defesa da fé cristã. Ele reconstruiu a Universidade Romana e fez generosa provisão para o apoio dos professores. Ele cercou-se de homens eruditos e teve uma predileção especial por juristas. Seu gosto por performances teatrais incentivou o desenvolvimento do drama. Ele amava cerimônias pontifícias, para as quais sua majestosa figura emprestava graça e dignidade. Ele ouvia bons sermões com um ouvido crítico e admirava a boa música. Em 1497, Alexandre decretou que o “Praefectus Sacrarii Pontificii”, comumente chamado de “Sacristão do Papa”, mas praticamente pároco do Vaticano e guardião da consciência do Papa, deveria ser permanente e exclusivamente um prelado escolhido da Ordem Agostiniana, um arranjo que ainda perdura. Alexandre conquistou a inimizade da Espanha, a desonestidade de muitos contemporâneos de mente estreita e a gratidão da posteridade, por sua política tolerante em relação aos judeus, a quem ele não podia ser coagido a banir ou molestar. O concurso de peregrinos a Roma no ano jubilar de 1500 foi uma demonstração magnífica da profundidade e universalidade da fé popular. A capacidade da cidade para abrigar e alimentar tantos milhares de visitantes de todas as partes da Europa era taxada ao máximo, mas Alexandre não poupou gastos nem esforços para prover a segurança e o conforto de seus hóspedes. Manter a paz entre os cristãos e formar uma coalizão das potências européias contra os turcos era a política que ele herdara de seu tio. Um dos primeiros de seus atos públicos foi evitar uma colisão entre Espanha e Portugal sobre seus territórios recém-descobertos, traçando sua linha de demarcação, um ato de verdadeiramente pacífica importação, e não de usurpação e ambição [Civiltà Cattolica (1865)]. , Eu, 665-680]. Fez o que pôde para dissuadir Carlos VIII da França de sua projetada invasão da Itália; se ele não teve sucesso, a culpa não é pequena, devido ao curso antipatriótico do mesmo Giuliano della Rovere, que mais tarde, como Júlio II, fez esforços fúteis para expulsar os “bárbaros” que ele próprio havia convidado. Alexandre decretou um sábio decreto sobre a censura de livros e enviou os primeiros missionários ao Novo Mundo. Apesar dessas e de outras ações similares, que parecem lhe dar o direito de não ter lugar tão baixo nos anais do papado, Alexandre continuou como papa o modo de vida que desonrava seu cardinilato (Pastor, op. cit., III, p. 449 152). Um severo Nemesis perseguiu-o até a morte na forma de um forte afeto paternal por seus filhos. O relatório do embaixador da Ferrarese, que o novo papa havia resolvido mantê-los à distância de Roma, é bastante credível, pois todas as suas medidas anteriores para o seu avanço apontavam para a Espanha. Embora ainda cardeal, ele havia casado com uma filha, Girolama, com um nobre espanhol. Ele havia comprado para um filho, Pedro Luis, do monarca espanhol, o Ducado de Gandia, e quando Pedro morreu logo depois, ele o comprou para Juan, seu filho mais velho sobrevivente de Vanozza. Este jovem mal-sucedido era casado com uma prima do rei da Espanha e tornou-se avô de São Francisco Borgia, cujas virtudes eram uma ótima maneira de reparar os vícios de seus parentes. O pai afetuoso cometeu um grande erro ao escolher seu menino César como representante eclesiástico dos Bórgia. Em 1480, o Papa Inocêncio VIII tornou a criança elegível para Ordens, absolvendo-o da irregularidade eclesiástica que se seguiu ao seu nascimento de episcopo cardinali et conjugatâ, e lhe conferiu vários benefícios espanhóis, sendo o último o Bispado de Pampeluna, na vizinhança do qual por uma fatalidade estranha, ele finalmente encontrou sua morte. Uma semana depois da coroação de Alexandre, ele nomeou César, agora com dezoito anos, para o arcebispado de Valência; mas César não foi para a Espanha nem tomou ordens. O filho mais novo, Jôfre, também deveria ser infligido à Igreja da Espanha. Outra evidência de que o papa havia decidido manter seus filhos à distância da corte é que sua filha Lucrécia estava prometida a um cavalheiro espanhol, mas o casamento nunca aconteceu. Já havia se tornado a política estabelecida dos papas de ter um representante pessoal no Sacro Colégio, e assim Alexandre escolheu para esta posição confidencial o cardeal Giovanni Borgia, filho de sua irmã. O subseqüente abandono de suas boas resoluções a respeito de seus filhos pode ser seguramente atribuído aos maus conselhos de Ascanio Sforza, que Borgia havia recompensado com o vice-reitor, e que era virtualmente seu primeiro-ministro. O principal objetivo da residência de Ascanio na corte papal era promover os interesses de seu irmão, Lodovico il Moro, que havia sido regente de Milão por tantos anos, durante a menoridade de seu sobrinho Gian Galeazzo, que agora se recusava a entregar o rédeas do governo, embora o legítimo duque tivesse atingido sua maioria. Gian Galeazzo foi impotente para afirmar seus direitos; mas sua esposa mais enérgica era neta do rei Ferrante de Nápoles, e seus apelos incessantes à ajuda de sua família deixaram Lodovico em constante temor da invasão napolitana. Alexandre tinha muitas queixas reais contra Ferrante, a última das quais era a ajuda financeira que o rei tinha dado ao vassalo do Papa, Virginio Orsini, na compra de Cervetri e Anguillara, sem o consentimento de Alexandre. Além do desprezo pela autoridade papal envolvida na transação, essa adesão de força a uma família baronial já poderosa demais não podia deixar de ser altamente desagradável. Alexandre foi, portanto, facilmente induzido a entrar numa aliança defensiva com Milão e Veneza; a liga foi solenemente proclamada, 25 de abril de 1493. Foi cimentada pelo primeiro dos casamentos de Lucrécia. Seu primeiro marido era primo de Ascanio, Giovanni Sforza, senhor de Pesaro. O casamento foi celebrado no Vaticano na presença do Papa, dez cardeais e os principais nobres de Roma com suas damas, os festejos da ocasião, mesmo quando exageros e rumores são descartados, permanecem uma mancha no caráter de Alexandre. Ferrante falou de guerra, mas, através da mediação da Espanha, chegou a um acordo com o papa e, como penhor de reconciliação, deu sua neta, Sancia, em casamento ao filho mais novo de Alexandre, Jôfre, com o principado de Squillace como dote. César Bórgia foi feito Cardeal em 20 de setembro. A reconciliação de Ferrante com o Papa não chegou cedo demais. Alguns dias após a paz ter sido concluída, um enviado do rei Carlos VIII chegou a Roma para exigir a investidura de Nápoles para seu mestre. Alexandre retornou uma recusa positiva e, quando Ferrante morreu, em janeiro de 1494, negligenciando protestos e ameaças franceses, confirmou a sucessão do filho de Ferrante, Afonso II, e enviou seu sobrinho, o cardeal Giovanni Borgia, a Nápoles para coroá-lo. A política de Alexandre foi ditada não só por um desejo louvável de manter a paz da Itália, mas também porque ele estava ciente de que uma forte facção de seus cardeais, com a resoluta della Rovere à frente, estava promovendo a invasão de Carlos como um meio para depor ele sob a dupla acusação de simonia e imoralidade. Em setembro de 1494, os franceses cruzaram os Alpes; no último dia daquele ano eles fizeram sua entrada em Roma, não precisando de nenhuma outra arma em sua marcha através da península, como comentou humorosamente Alexandre (Commines vii, 15), do que o giz com o qual eles marcavam os alojamentos das tropas. Os barões do papa o abandonaram um após o outro. Colonna e Savelli foram traidores desde o início, mas ele sentiu mais intensamente a deserção de Virginio Orsini, o comandante de seu exército. Muitos papas mais santos do que Alexandre VI teriam cometido o erro fatal de render-se à força bruta e entregar-se incondicionalmente ao conquistador da Itália; o mais heróico dos papas não poderia ter sustentado a estabilidade da Santa Sé neste momento crucial com maior firmeza. Das muralhas em ruínas de St. Angelo, cujas defesas ainda estavam incompletas, ele olhou calmamente para a boca do canhão francês; com a mesma intrepidez, enfrentou a intriga dos cardeais de della Rovere, clamoroso por sua deposição. No final de uma quinzena, foi Carlos quem capitulou. Ele reconheceu Alexandre como o verdadeiro Papa, para grande desgosto de della Rovere, e “fez sua obediência filial”, diz Commines, “com toda a humildade imaginável”; mas ele não pôde extorquir do pontífice o reconhecimento de suas reivindicações a Nápoles. Carlos entrou em Nápoles, em 22 de fevereiro de 1495, sem golpear. Em sua abordagem o impopular Afonso abdicou em favor de seu filho Ferrantino, este último, não recebendo apoio, retirou-se para buscar a proteção da Espanha. Enquanto Carlos desperdiçou durante dois meses em infrutíferas tentativas de induzir o Papa por promessas e ameaças para sancionar sua usurpação, uma poderosa liga, consistindo de Veneza, Milão, o Império, a Espanha e a Santa Sé, foi formada contra ele. Finalmente, em 12 de maio, ele coroou a si mesmo, mas no mês de julho seguinte ele estava abrindo caminho para casa pelas fileiras dos italianos aliados. No final do ano, os franceses haviam cruzado a fronteira com a França. Ninguém desejava seu retorno, exceto o inquieto della Rovere e os partidários de Savonarola. A história do frade florentino estará relacionada em outro lugar, aqui é suficiente notar que o tratamento de Alexandre a ele foi marcado por extrema paciência e tolerância. A invasão francesa foi o ponto de virada na carreira política de Alexandre VI. Ensinara-lhe que, se estivesse em segurança em Roma e fosse realmente mestre nos Estados da Igreja, deveria refrear os barões insolentes e desleais que o haviam traído em sua hora de perigo. Infelizmente, esse propósito louvável tornou-se cada vez mais identificado em sua mente com esquemas para o engrandecimento de sua família. Não havia lugar em seu programa para uma reforma dos abusos. Pelo contrário; a fim de obter dinheiro para suas operações militares, ele se desfez de privilégios e ofícios civis e espirituais de maneira escandalosa. Ele resolveu começar com os Orsini, cuja traição, no momento mais crítico, o reduzira a um estado de desespero. O tempo parecia oportuno; pois Virginio, o chefe da casa, era um prisioneiro nas mãos de Ferrantino. Como comandante de suas tropas, ele selecionou seu jovem filho Juan, duque de Gandia. A luta se arrastou por meses. Os castelos menores dos Orsini se renderam, mas Bracciano, sua fortaleza principal, resistiu a todos os esforços das tropas pontifícias. Eles foram finalmente obrigados a levantar o cerco, e em 25 de janeiro de 1497, eles foram completamente encaminhados em Soriano. Ambos os lados estavam agora dispostos à paz. No pagamento de 50.000 florins de ouro, os Orsini receberam de volta todos os seus castelos, exceto Cervetri e Anguillara, que haviam sido a causa original de sua disputa com o papa. A fim de reduzir a forte fortaleza de Ostia, mantida por tropas francesas para o Cardeal della Rovere, Alexandre sabiamente invocou a ajuda de Gonsalvo de Cordova e seus veteranos espanhóis. Ele se rendeu ao “Grande Capitão” dentro de duas semanas. Não tendo êxito em obter para sua família as possessões dos Orsini, o papa exigiu agora o consentimento de seus cardeais para a construção de Benevento, Terracina e Pontecorvo em um ducado para o duque de Gandia. O cardeal Piccolomini foi o único membro que ousou protestar contra essa alienação indevida da propriedade da Igreja. Um protesto mais poderoso do que o do cardeal de Sienna reverberou pelo mundo uma semana depois, quando, no dia 16 de junho, o corpo do jovem duque foi retirado do Tibre, com a garganta cortada e muitas feridas abertas. Historiadores têm trabalhado em vão para descobrir quem perpetrou o ato sujo, mas que foi um aviso do Céu para se arrepender, ninguém sentiu mais agudamente que o próprio Papa. No primeiro paroxismo de pesar, ele falou em renunciar à tiara. Então, depois de três dias e noites sem comer ou dormir, ele apareceu em consistório e proclamou sua determinação em estabelecer aquela reforma da Igreja “na cabeça e nos membros” pela qual o mundo há muito tempo vinha clamando. Uma comissão de cardeais e canonistas começou diligentemente a ordenar as ordenanças que prenunciavam os decretos disciplinares de Trento. Mas eles nunca foram promulgados. O tempo gradualmente amenizou a tristeza e extinguiu a contrição de Alexandre. De agora em diante, a vontade de ferro de César era a lei suprema. O fato de ter mirado alto desde o início é evidente por sua determinação, inicialmente oposta pelo papa, em renunciar ao seu cardeal e outras dignidades eclesiásticas e em se tornar um príncipe secular. A condição de Nápoles era fascinante. O galante Ferrantino morreu sem filhos e foi sucedido por seu tio Federigo, cuja coroação foi uma das últimos de César, possivelmente também um de seus primeiros atos eclesiásticos. Ao garantir a mão da filha de Federigo, Carlotta, princesa de Tarento, ele se tornaria um dos barões mais poderosos do reino, com perspectivas ulteriores de usar a coroa. A repulsa de Carlotta, no entanto, não pôde ser superada. Mas no curso do processo, outro casamento foi concluído, o que deu muito escândalo. O casamento de Lucrezia com Sforza foi declarado nulo com base na impotência deste último, e ela foi dada como esposa a Afonso de Biseglia, filho ilegítimo de Afonso II. Enquanto isso, os negócios na França tomaram um rumo inesperado que modificou profundamente o curso da história italiana e a carreira dos Bórgia. Carlos VIII morreu em abril de 1498, precedido na tumba por seu único filho, e deixou o trono para seu primo, o duque de Orléans, rei Luís XII, que agora necessitava de dois favores papais. Em sua juventude, ele fora coagido a se casar com Jane de Valois, a santa, mas deformada filha de Luís XI. Além disso, para manter a Bretanha, era essencial que ele se casasse com a viúva de seu primo falecido, a rainha Ana. Nenhuma culpa atribui a Alexandre por emitir o decreto desejado anulando o casamento do rei ou por conceder-lhe uma dispensa do impedimento da afinidade. A comissão de investigação por ele nomeada estabeleceu os dois fatos fundamentais de que o casamento com Jane era inválido, por falta de consentimento, e que nunca havia sido consumado. Foi o uso político feito pelos Bórgias de sua oportunidade, e a aliança prospectiva da França e da Santa Sé, que agora levou vários dos Poderes da Europa à beira do cisma. Ameaças de um concílio e deposição não tinham terrores para Alexandre, cujo controle do Sacro Colégio era absoluto. Della Rovere era agora seu agente na França. Ascanio Sforza foi logo se aposentar permanentemente de Roma. Luís herdara de sua avó, Valentina Visconti, fortes reivindicações ao Ducado de Milão, usurpado pelos Sforza, e não fez segredo de sua intenção de aplicá-las. Alexandre não pode ser responsabilizado pela segunda invasão “bárbara” da Itália, mas ele rapidamente se aproveitou disso para consolidar seu poder temporal e o engrandecimento de sua família. Em 1º de outubro de 1498, César, não mais cardeal, mas designado duque de Valentinois e pares da França partiu de Roma para levar a dispensa papal ao rei Luís, um chapéu de cardeal a seu ministro D’Amboise, e descobrir por si mesmo uma esposa de alto grau. Ele ainda ansiava pela mão de Carlotta, que residia na França, mas desde que a princesa persistiu em sua recusa, ele recebeu em vez da mão de uma sobrinha do rei Luís, a irmã do rei de Navarra, Charlotte D’Albret. Em 8 de outubro de 1499, o rei Luís, acompanhado pelo duque César e pelo cardeal della Rovere, fez sua entrada triunfal em Milão. Foi o sinal para iniciar operações contra os pequenos tiranos que devastavam os Estados da Igreja. Alexandre mereceria grande crédito por esse trabalho tão necessário, se não o tivesse estragado, substituindo a própria família em seu lugar. Quais eram suas intenções últimas, não podemos imaginar. No entanto, os tiranos que foram expulsos nunca retornaram, enquanto a dinastia borgiana chegou a um fim rápido no pontificado de Júlio II. Nesse meio tempo, César havia continuado sua campanha com sucesso, que no ano de 1501 ele era dono de todo o território papal usurpado e foi nomeado Duque de Romagna pelo papa, cuja afeição pelo brilhante jovem general se manifestou de outras maneiras. Durante a guerra, no entanto, e no meio do Jubileu de 1500, ocorreu outro assassinato doméstico. Em 15 de julho daquele ano, o duque de Biseglia, o marido de Lucrécia foi atacado por cinco assassinos mascarados, que o feriram gravemente. Convencido de que César foi o instigador da ação, ele fez uma tentativa malsucedida, em sua recuperação, de matar seu suposto inimigo, e foi imediatamente despachado pela guarda pessoal de César. Este último, tendo concluído, em abril de 1501, a conquista da Romagna, aspirava agora à conquista da Toscana; mas ele logo foi chamado a Roma para participar de um empreendimento diferente. Em 27 de junho daquele ano, o papa depôs seu vassalo chefe, Federigo de Nápoles, a pedido de uma suposta aliança com os turcos em detrimento da cristandade, e aprovou o secreto Tratado de Granada, pelos termos do qual o Reino de Nápoles foi dividido entre Espanha e França. O motivo de Alexandre em reverter sua política anterior em relação à interferência estrangeira era patente. Os Colonna, os Savelli, os Gaetani e outros barões do Patrimônio sempre foram apoiados em sua oposição aos papas pelo favor da dinastia aragonesa, da qual se sentiam impotentes. Excomungados pelo Pontífice como rebeldes, ofereceram entregar as chaves de seus castelos ao Sacro Colégio, mas Alexandre os exigiu para si. Os Orsini, que poderiam saber que sua vez viria a seguir, eram tão míopes que ajudariam o papa na ruína de seus inimigos hereditários. Um após o outro, os castelos foram entregues. Em 27 de julho, Alexandre deixou Roma para avaliar sua conquista; ao mesmo tempo, deixou a viúva Lucrécia no Vaticano com autoridade para abrir sua correspondência e conduzir os negócios de rotina da Santa Sé. Ele também erigiu as posses confiscadas das famílias acima mencionadas em dois ducados, concedendo uma a Rodrigo, o filho pequeno de Lucrécia, a outra sobre Juan Borgia, que lhe nasceu pouco depois do assassinato de Gandia, e a quem foi dada o nome batismal do último (Pastor, op. cit., III 449). Lucrécia, agora em seu vigésimo terceiro ano, não ficou muito tempo viúva; seu pai a destinou para ser a noiva de outro Afonso, filho e herdeiro do duque Ercole de Ferrara. Embora tanto o pai quanto o filho tenham inicialmente rejeitado a idéia de uma aliança matrimonial entre a orgulhosa casa de Este e a filha ilegítima do papa, eles foram favoravelmente influenciados pelo rei da França. O terceiro casamento de Lucrécia, celebrado por procuração no Vaticano (30 de dezembro de 1501), excedia em muito o primeiro em esplendor e extravagância. Se seu pai a quisesse como um instrumento em sua nova posição para o avanço de suas combinações políticas, estava enganado. Ela é conhecida daqui em diante, e até sua morte em 1519, como esposa e princesa modelo, louvada por todos por sua amabilidade, sua virtude e sua caridade. Nada poderia ser mais diferente da diabólica Lucrécia Borgia do drama e da ópera do que da histórica duquesa de Ferrara. César, no entanto, continuou sua infame carreira de simonia, extorsão e traição, e no final de 1502 havia completado suas posses pela captura de Camerino e Sinigaglia. Em outubro daquele ano os Orsini conspiraram com seus generais para destruí-lo. Com frieza e habilidade, César enganou os conspiradores em seu poder e os matou. O papa seguiu o golpe procedendo contra os Orsini com maior sucesso do que antigamente. Cardeal Orsini, a alma da conspiração, foi cometido ao Castelo St. Angelo – doze dias depois, ele era um cadáver. Se ele morreu de morte natural ou foi executado privadamente, é incerto. Sem perder tempo, César voltou para Roma, e tão grande foi o terror que ele inspirou que os barões assustados fugiram antes dele, diz Villari (I, 356), “como a face de uma hidra “. Em abril, nada restava para os Orsini, exceto a fortaleza de Bracciano, e imploravam por um armistício. A humilhação da aristocracia romana foi completa; Pela primeira vez na história do papado, o papa foi, no sentido mais amplo, governante de seus Estados. Alexandre, ainda vigoroso e vigoroso em seu septuagésimo terceiro ano, e ansioso por muitos mais anos de reinado, procedeu ao fortalecimento de sua posição ao reabastecer seu tesouro de maneiras que eram mais que duvidosas. O Sagrado Colégio agora continha tantos de seus adeptos e compatriotas que ele não tinha nada a temer naquele bairro. Ele gostava e ria dos esguichos escandalosos que estavam em circulação, nos quais ele era acusado de crimes incríveis, e não dava passos para proteger sua reputação. A guerra estourou em Nápoles entre a França e a Espanha pela divisão dos espólios. Alexandre ainda estava em dúvida de qual lado ele poderia apoiar com mais vantagem, quando sua carreira chegou a um fim abrupto. Em 6 de agosto de 1503, o papa, com César e outros, jantou com o cardeal Adriano da Corneto em uma villa do cardeal e permaneceu muito imprudentemente ao ar livre após o anoitecer. Toda a empresa pagou a penalidade contraindo a perniciosa febre romana. Na décima segunda, o papa foi para a cama. No décimo oitavo dia, sua vida estava desesperada; ele fez sua confissão, recebeu os últimos sacramentos e expirou a noite. A rápida decomposição e a aparência inchada de seu cadáver deram origem à familiar suspeita de veneno. Mais tarde, o conto dizia que ele havia bebido por engano uma taça de vinho envenenada que ele preparara para seu anfitrião. Nada é mais certo do que o veneno que o matou ser o micróbio mortal da campagna romana [Pastor, op. cit., III, 469-472; Creighton, Hist. do papado (Londres 1887), IV, 44]. Seus restos descansam na igreja nacional espanhola de Santa Maria di Monserrato. Uma apreciação imparcial da carreira dessa pessoa extraordinária deve distinguir imediatamente entre o homem e o cargo. “Um cenário imperfeito”, diz o Dr. Pastor (op. Cit., III, 475), “não afeta o valor intrínseco da jóia, nem a moeda de ouro perde seu valor quando passa por mãos impuras. Até agora como o padre é um oficial público de uma Igreja sagrada, espera-se dele uma vida inocente, tanto porque ela é, por seu ofício, o modelo de virtude a quem os leigos procuram, e porque sua vida, quando virtuosa, inspira respeito aos observadores para a sociedade da qual ela é um ornamento, mas os tesouros da Igreja, seu caráter divino, sua santidade, revelação divina, a graça de Deus, autoridade espiritual, como é bem conhecida, não dependem do caráter moral dos agentes e oficiais da Igreja. O principal dos seus sacerdotes não pode diminuir por um iota o valor intrínseco dos tesouros espirituais confiados a ele. Sempre houve homens perversos nas fileiras eclesiásticas. Nosso Senhor predisse, como uma de suas mais severas provações, a presença em Sua Igreja não apenas de falsos irmãos, mas de governantes que ofenderiam, por várias formas de egoísmo, tanto os filhos da casa como “os que estão sem”. Similarmente, Ele comparou Sua amada esposa, a Igreja, a uma eira, sobre a qual caem palha e grãos até o tempo da separação. As acusações mais severas de Alexandre, em certo sentido oficiais, são as de seus contemporâneos católicos, o papa Júlio II (Gregorovius, VII, 494) e o cardeal e reformador agostiniano Aegídio de Viterbo, em seu manuscrito “História XX Saeculorum” preservadaoem Roma na Bibliotheca Angelica. O Oratoriano Raynaldus (d. 1677), que continuou os semi-oficiais Anais de Baronio, deu ao mundo em Roma (ad an. 1460, n. 41) a reprovação paterna, mas severa, acima mencionada do jovem Cardeal por Pio II e declarou em outro lugar (ad. 1495, n. 26) que era de seu tempo a opinião dos historiadores de que Alexandre havia obtido o papado em parte por meio de dinheiro e parcialmente por meio de promessas e persuasão de que ele não interferiria na vida de sua eleitores. Mansi, o acadêmico arcebispo de Lucca editor e anotador de Raynaldo, diz (XI, 4155) que é mais fácil manter silêncio do que escrever moderadamente sobre este papa. O severo julgamento do falecido Cardeal Hergenröther, em seu “Kirchengeschichte”, ou Manual de História da Igreja (4a. Ed., Freiburg, 1904, II, 982-983) é muito conhecido para precisar mais do que menção. Tão pouco os historiadores católicos o defenderam que, em meados do século XIX, Cesare Cantù poderia escrever que Alexandre VI foi o único papa que nunca encontrou um apologista. No entanto, desde aquela época, alguns escritores católicos, tanto em livros quanto em periódicos, tentaram defendê-lo das mais terríveis acusações de seus contemporâneos. Dois em particular podem ser mencionados: o dominicano Ollivier, “Le Pape Alexandre VI e les Borgia” (Paris, 1870), de cujo trabalho apenas um volume apareceu, tratando do cardinalato do papa; e Leonetti “Papa Alessandro VI secondo documenti e carteggi del tempo” (3 vols., Bolonha, 1880). Estas e outras obras foram ocasionadas, em parte por um desejo louvável de remover um estigma da boa reputação da Igreja Católica, e em parte pelos exageros grosseiros de Victor Hugo e outros que se permitiram toda a licença para lidar com um nome tão desamparado e detestado. Não se pode dizer, no entanto, que esses trabalhos tenham correspondido ao zelo de seus autores. O Dr. Pastor classifica todos eles como fracassos. Essa é a opinião de Henri de l’Epinois na “Revue des questions historiques” (1881), XXIX, 147, um estudo que mesmo Thuasne, o editor hostil ao Diário de Burchardo, chama de “o guia indispensável de todos os estudantes de História dos Borgia “. É também a opinião da Bollandist Matagne, na mesma revista de 1870 e 1872 (IX, 466-475; XI, 181-198), e de Von Reumont, o historiador católico da Roma medieval, em Bonn. O ol. Aceso. Blatt (1870), v. 686. O Dr. Pastor considera que a publicação dos documentos no suplemento ao terceiro volume da edição de Thuasne do Diário de Burchardo (Paris, 1883) torna “sempre impossível” qualquer tentativa de salvar a reputação de Alexandre VI. Há ainda menos razão, portanto, diz o Cardeal Hergenröther (op. Cit., II, 583), pelas acusações falsas que foram adicionadas à sua conta, por exemplo. sua tentativa de envenenar o cardeal Adriano de Corneto e suas relações de incesto com Lucrécia (Pastor, op. cit., III, 375, 450-451, 475). Outras acusações, diz o mesmo escritor, foram tratadas, não sem sucesso, por Roscoe em sua “Vida de Leão, o Décimo”; por Capefigue em seu “Église pingente les quatre derniers siècles” (I, 41-46), e por Chantrel, “Le Pape Alexandre VI” (Paris, 1864). Por outro lado, enquanto escritores imorais fizeram muito capital dos parágrafos espalhafatosos espalhados por Burchardo e Infessura, não há mais razão agora do que nos dias de Raynaldo e Mansi para esconder ou perverter os fatos da história. “Eu sou católico”, diz M. de l’Epinois (loc. Cit.), “E um discípulo do Deus que tem horror à mentira. Eu busco a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade apesar de nossos olhos fracos não enxergarem ao mesmo tempo os usos dela, ou melhor, vêem danos e perigos, devemos proclamar isso destemidamente “. O mesmo princípio bom é estabelecido por Leão XIII em sua Carta de 8 de setembro de 1889 aos Cardeais De Luca, Pitra e Hergenröther sobre o estudo da História da Igreja: “O historiador da Igreja tem o dever de dissimular nenhum dos julgamentos que a Igreja teve que sofrer as faltas de seus filhos, e mesmo às vezes de seus próprios ministros “. Há muito tempo, Leão, o Grande (440-461) declarou, em sua terceira homilia no dia de Natal, que “a dignidade de Pedro não sofre diminuição nem mesmo em um sucessor indigno” (cujus dignitas etiam em indigno haerede non deficit). A própria indignação que a vida perversa de um grande eclesiástico desperta em todos os tempos (nobremente expressa por Pio II na carta acima mencionada ao cardeal Rodrigo Borgia) é em si um tributo ao elevado ideal espiritual que por tanto tempo e em tão ampla escala que a Igreja apresentou ao mundo em tantos exemplos sagrados e, portanto, acostumou-a a exigir dos sacerdotes. “Estes últimos não são perdoados”, diz De Maistre em seu grande trabalho, “Du Pape”, “porque tudo é esperado deles, portanto os vícios levemente passados em um Luís XIV se tornaram mais ofensivos e escandalosos em um Alexandre VI” ( II, c. Xiv). Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/01289a.htm
- Papa Alexandre IV (1254-1261 DC.)
Papa de 1254-61 (Rinaldo Conti), da casa de Segni, que já havia dado dois filhos ilustres ao papado, Inocêncio III e Gregório IX, data de nascimento incerta; morreu em 25 de maio de 1261 em Viterbo. Ele foi feito cardeal-diácono, em 1227, por seu tio Gregório IX, e quatro anos depois cardeal-bispo de Ostia. Gregório também legou a ele sua solicitude pela Ordem Franciscana, da qual ele tinha 80 bons amigos. Com a morte de Inocêncio IV, em Nápoles, em 7 de dezembro de 1254, o cardeal idoso foi escolhido por unanimidade para sucedê-lo. Podemos muito bem acreditar em seu protesto de que ele se rendeu muito relutantemente às importunidades do Sacro Colégio. Mateus de Paris descreveu-o como “gentil e religioso, assíduo na oração e rigoroso na abstinência, mas facilmente levado pelo sussurro dos bajuladores e inclinado a ouvir as más sugestões de pessoas avarentas”. Os “bajuladores” e “pessoas avarentas” referidos eram aqueles que induziam o novo Pontífice a continuar a política de Inocêncio de uma guerra de extermínio contra a progênie de Frederico II. agora reduzida para o bebê Conradino na Alemanha e o formidável Manfredo na Apúlia. Muitos historiadores nos dias atuais concordam com o astuto cronista, que teria sido muito mais estadista e poderia ter evitado os desastres que estavam no destino da Igreja, do Império e da Itália, se Alexandre tivesse firmemente defendido a causa de Conradino. Intimidado pelo precedente do infante Frederico, a “víbora” que a Igreja romana nutrira para se tornar seu destruidor, e persuadido que a iniqüidade era hereditária em toda a ninhada dos Hohenstaufens, continuou a dúbia política de Inocêncio de chamar Belzebus franceses ou inglêses para expulsar os luciféricos alemães. Em 25 de março de 1255, ele fulminou uma excomunhão contra Manfredo e alguns dias depois concluiu um tratado com os enviados de Henrique III da Inglaterra, através do qual ele fez o reino vassalo das Duas Sicílias para Edmundo de Lancaster, o segundo filho de Henrique. Na disputa pela coroa alemã que seguiu a morte de Guilherme da Holanda (1256) o papa apoiou as reivindicações de Ricardo da Cornualha contra Afonso de Castela. A assistência pecuniária que essas medidas lhe trouxeram foi muito comprada pela amargura do clero e do povo ingleses contra as exações da sé romana. O poder de Manfredo cresceu dia a dia. Em agosto de 1258, em consequência de um rumor espalhado por ele mesmo, que Conradino havia morrido na Alemanha, o usurpador foi coroado rei em Palermo e tornou-se o chefe reconhecido do partido Gibelino na Itália. Alexandre viveu para ver o vencedor de Montaperti (1260) governante supremo da Europa Central e do Sul da Itália. No norte da Itália, ele teve mais sucesso, pois seus cruzados finalmente esmagaram o odioso tirano Ezzelino. Em Roma, que estava sob o domínio de magistrados hostis e em aliança com Manfredo, a autoridade papal foi praticamente esquecida. Enquanto isso, o papa estava fazendo esforços fúteis para unir os poderes do mundo cristão contra a invasão ameaçadora dos tártaros. O espírito da cruzada havia partido. A unidade da cristandade era uma coisa do passado. Se o resultado teria sido diferente se um grande estadista tivesse ocupado a cátedra papal durante esses sete anos críticos, só podemos supor. Alexandre IV governou os assuntos espirituais da Igreja com dignidade e prudência. Como Papa, ele continuou a mostrar grande favor aos filhos de São Francisco. Um de seus primeiros atos oficiais foi canonizar Santa Clara. Em um diploma, ele afirmou a verdade da impressão dos estigmas. São Boaventura nos informa que o Papa afirmou em um sermão que os viu. Nas violentas controvérsias provocadas na Universidade de Paris por Guilherme de Santo Amour, Alexandre IV levou os frades sob sua proteção. Ele morreu, profundamente afligido pela sensação de sua impotência para conter os males da época. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/01287b.htm
- Papa Alexandre III (1159-1181 DC.)
Papa de 1159 a 1181 (Orlando Bandinelli), nascido de uma ilustre família de Siena; morreu em 3 de agosto de 1181. Como professor em Bolonha, ele adquiriu uma grande reputação como canonista, o que ele aumentou com a publicação de seu comentário sobre o “Decretum” de Graciano, popularmente conhecido como “Summa Magistri Rolandi”. Chamado a Roma por Eugênio III no ano de 1150, seu avanço foi rápido. Ele foi feito Cardeal Diácono, depois Cardeal Sacerdote da títular de São Marcos e Chanceler Papal. Ele era o conselheiro de confiança de Adriano IV e foi considerado como a alma do partido de independência entre os cardeais, que procuravam escapar do jugo alemão pela aliança com os normandos de Nápoles. Afirmando abertamente diante de Barbarossa, na Dieta de Besançon (1157), que a dignidade imperial era um beneficiário papal (no sentido geral de favor, não feudal), ele provocou a ira dos príncipes alemães, e teria caído sobre ele no local sob o machado de batalha de seu adversário, Otão de Wittelsbach se não interviesse Frederico. Com o propósito de assegurar um pontífice submisso na vacância seguinte, o Imperador enviou para a Itália dois emissários capazes de trabalhar sobre as fraquezas e temores dos cardeais e dos romanos, do supracitado Otão e do Arcebispo eleito de Colônia, Rainald von. Dassel, cuja atitude anti-papal foi em grande parte devido ao fato de que a Santa Sé se recusou a confirmar sua nomeação. Os frutos de sua atividade tornaram-se patente após a morte do papa Adriano IV (1º de setembro de 1159). Dos vinte e dois cardeais reunidos, em 7 de setembro, para eleger um sucessor, todos, com exceção de três, votaram em Orlando. A alegação feita mais tarde, que os cardeais imperialistas numeraram nove, pode ser explicada pela suposição de que nas primeiras votações seis dos cardeais fiéis votaram em um candidato menos proeminente e detestável. Em oposição ao cardeal Orlando, que tomou o nome imortal de Alexandre III, os três membros imperialistas escolheram um deles, o cardeal Otaviano, que assumiu o título de Vitor IV. Uma multidão contratada pelo conde de Wittelsbach desmantelou o conclave. Alexandre recuou em direção ao sul normando e foi consagrado e coroado, em 20 de setembro, na pequena cidade de Nympha, em Volsci. A consagração de Otaviano ocorreu em 4 de outubro, no mosteiro de Farfa. O Imperador agora se interpunha para resolver uma perturbação inteiramente causada por seus próprios agentes, e convocou os dois pretendentes diante de uma assembléia lotada em Pavia. Ele traiu seu animus dirigindo-se a Otaviano como Vitor IV e ao verdadeiro papa como Cardeal Orlando. O Papa Alexandre recusou-se a submeter seu direito claro a esse tribunal iníquo, que, como foi previsto, foi declarado pelo usurpador (11 de fevereiro de 1160). Alexandre prontamente respondeu, da malfadada Anagni, solenemente excomungando o imperador e libertando seus súditos de seus juramentos de lealdade. O cisma que se seguiu, muito mais desastroso para o Império do que para o papado, durou dezessete anos e terminou após a batalha de Legnano (1176) com a rendição incondicional do arrogante Barbarossa em Veneza, 1177. A lenda de que o Papa colocou o pé no pescoço do Imperador prostrado serviu valentemente à tradição protestante desde os dias de Lutero. [Veja a dissertação de George Remus, Nuremberg, 1625; Lyons, 1728; e Gosselin, “O Poder do Papa durante a Idade Média” (tr. Londres, 1853) II, 133.] O exílio forçado de Alexandre (1162-65) na França contribuiu grandemente para aumentar a dignidade do papado, nunca tão popular quanto quando em perigo. Também o colocou em contato direto com o monarca mais poderoso do Ocidente, Henrique II da Inglaterra. A maneira cautelosa como defendia os direitos da Igreja durante a disputa entre os dois impetuosos normandos, o rei Henrique e o santo Thomas Becket, embora muitas vezes despertassem o descontentamento de ambos os concorrentes e, muitas vezes, denunciada como “astuta”, a estratégia de um comandante capaz que, por marchas e contra-ataques, consegue manter o campo contra adversidades esmagadoras. Não é um menosprezo do Mártir de Cantuária dizer que o papa o igualou em firmeza e o superou nas artes da diplomacia. Depois do assassinato de Becket, o papa conseguiu, sem recurso efetivo à proibição ou ao interdito, obter do monarca penitente todo direito pelo qual o mártir havia lutado e sangrado. Para coroar e selar o triunfo da religião, Alexandre convocou e presidiu o Terceiro Concílio de Latrão (Décimo Primeiro Ecumênico), em 1179. Cercado por mais de 300 bispos, o muito provado Pontífice emitiu muitos decretos salutares, notadamente o decreto que investiu o direito exclusivo das eleições papais em um voto de dois terços dos cardeais. Ao longo de todas as vicissitudes de sua carreira, Alexandre permaneceu um canonista. Um olhar sobre os Decretais mostra que, como legislador eclesiástico, ele não estava atrás de Inocêncio III. Desgastado por julgamentos, ele morreu em Civita Castellana. Quando nos é dito que “os romanos” perseguiram seus restos mortais com maldições e pedras, a lembrança de uma cena semelhante no enterro de Pio IX nos ensina que valor atribuir a tal demonstração. Na avaliação de Roma, Itália e Cristandade, o epitáfio de Alexandre III expressa a verdade, quando o chama de “a Luz do Clero, o Ornamento da Igreja, o Pai de sua Cidade e do Mundo”. Ele foi amigo do novo movimento acadêmico que levou ao estabelecimento das grandes universidades medievais. Sua própria reputação como professor e canonista foi grandemente aprimorada através da descoberta pelo padre Denifle na biblioteca pública de Nuremberg da “Sententiae Rolandi Bononiensis”, editada (Freiburg, 1891) pelo padre Ambrosius Gietl. A coleção de suas cartas (Jaffé, Regesta RR. Pontif., Nos. 10.584-14.424) foi enriquecida pela publicação de muitos até então desconhecidos por Löwenfeld (Epistolae Pontif. Rom. Ineditae, Leipzig, 1885). Até mesmo Voltaire o considera como o homem que na época medieval merecia melhor da raça humana, por abolir a escravidão, por superar a violência do imperador Barbarossa, por obrigar Henrique II da Inglaterra a pedir perdão pelo assassinato de Thomas Becket, por restaurar a homens seus direitos, e dando esplendor a muitas cidades. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/01287a.htm
- Papa Alexandre II (1061-1073 DC.)
Reinou 1061-1073 Como Anselmo de Lucca, ele foi reconhecido por vários anos como um dos líderes do partido reformista, especialmente no território milanês, onde nasceu em Baggio, de ascendência nobre. Juntamente com Hildebrando, ele absorveu em Cluny o zelo pela reforma. O primeiro teatro de sua atividade foi Milão, onde ele foi um dos fundadores da Pataria, e emprestou a essa grande agitação contra a incontinência de simonia e clerical o peso de sua eloqüência e nascimento nobre. O artifício de silencia-lo, planejado pelo arcebispo Guido e outros inimigos episcopais da reforma na Lombardia, viz. mandá-lo para a corte do imperador Henrique III teve o efeito contrário de permitir que ele divulgasse a propaganda na Alemanha. Em 1057, o imperador o nomeou para o bispado de Lucca. Com maior prestígio, ele reapareceu duas vezes em Milão como legado da Santa Sé, em 1057 na companhia de Hildebrando, e em 1059 com São Pedro Damião. Sob o genero competente deste santo triunvirato, as forças de reforma foram mantidas bem em mãos, em preparação para o inevitável conflito. O decreto de Nicolau II (1059), pelo qual o direito das eleições papais foi virtualmente investido no Colégio dos Cardeais, formou a questão a ser combatida e decidida na próxima vacância do Trono Apostólico. A morte do papa Nicolau, dois anos depois, encontrou ambas as partes em ordem de batalha. O candidato dos Hildebrandistas, endossado pelos cardeais, era o bispo de Lucca – o outro lado apresentou o nome de Cadalo, bispo de Parma, um protetor e exemplo dos vícios predominantes da época. Os cardeais reuniram-se em forma legal e elegeram Anselmo, que assumiu o nome de Alexandre II. Antes de prosseguir para sua entronização, o Colégio Sagrado notificou a corte alemã de sua ação. Os alemães foram considerados como tendo perdido o privilégio de confirmar a eleição reservado ao seu rei com imprecisão estudada no decreto de Nicolau II, quando desprezaram o embaixador dos cardeais sem audiência. Prevendo uma guerra civil, os cardeais concluíram em 30 de setembro a eleição pela cerimônia de entronização. Enquanto isso, uma delegação dos nobres romanos, que estavam enfurecidos com sua eliminação como um fator dominante nas eleições papais, unidos por deputados do episcopado não-reformados da Lombardia, tinham procedido à corte alemã com um pedido de sanção real a uma nova eleição. A Imperatriz Agnes, como regente do seu filho de dez anos, Henrique IV, convocou uma assembleia de magnatas leigos e clérigos em Basle; e aqui, sem nenhum direito legal, e sem a presença de um único cardeal, o bispo de Parma foi declarado papa e tomou o nome de Honório II (28 de outubro). Na disputa que se seguiu, o papa Alexandre foi apoiado pela consciência da santidade de sua causa, pela opinião pública clamando por reforma, pela ajuda dos normandos aliados do sul da Itália e pela benevolência de Beatrice e Matilde da Toscana. Mesmo na Alemanha, as coisas deram uma reviravolta favorável para ele, quando Anno de Colônia tomou a regência e a imperatriz arrependida se retirou para um convento. Em uma nova dieta, em Augsburgo (outubro de 1062), foi decidido que Burchardo, bispo de Halberstadt deveria prosseguir para Roma e, depois de investigar a eleição de Alexandre no local, fazer um relatório para uma assembléia posterior dos bispos de Alemanha e Itália. O relatório de Burchardo era inteiramente a favor de Alexandre. Este último defendeu sua causa com eloqüência e espírito em um concílio realizado em Mântua, no Pentecostes de 1064 (C. Wile, Benzos Panegyricus, Marburg, 1856), e foi formalmente reconhecido como Papa legítimo. Seu rival foi excomungado, mas manteve a disputa com perspectivas cada vez menores até sua morte em 1072. Durante as horas mais sombrias do cisma, Alexandre e seu chanceler, o cardeal Hildebrando, jamais relaxaram por um momento as rédeas do governo. Em flagrante contraste com o seu desamparo em meio às facções romanas está sua atitude elevada em relação aos potentados leigos e clericais da Europa. Sob bandeiras abençoadas por ele, Rogério avançou para a conquista da Sicília e Guilherme para a conquista da Inglaterra. Seu Regesta preencheu onze páginas de Jaffe (Regesta Rom. Pontif., 2d ed., 4, nos. 445, 4770). Ele era onipresente, através de seus legados, punindo bispos simoníacos e clérigos incontinentes. Ele não poupou nem mesmo seu protetor, Anno de Colônia, que ele duas vezes convocou para Roma, uma vez em 1068 para fazer penitência, descalço, por manter relações com o antipapa e novamente em 1070 para se livrar da acusação de simonia. Uma disciplina semelhante foi administrada a Sigfriedo de Mainz, Hermann de Bamberg e Werner de Strasburgo. Em seu nome, seu legado, São Pedro Damião, na Dieta de Frankfurt em 1069, sob ameaça de excomunhão e exclusão do trono imperial, dissuadiu Henrique IV do projeto de se divorciar de sua rainha, Berta de Turim, embora instigado por vários Bispos alemães. Seu triunfo mais completo foi o de obrigar o bispo Carlos de Constança e o abade Roberto de Reichenau a devolver ao rei os croziers e os anéis que obtiveram por meio de simonia. Uma séria discussão com Henrique foi deixada para ser decidida por seu sucessor. Em 1069, o papa havia rejeitado como simonista o subdiácono Godfrey, a quem Henrique nomeara arcebispo de Milão – Henrique não conseguiu aquiescer, o Papa confirmou Atto, a escolha do partido da reforma. Quando o rei ordenou que seu nomeado fosse consagrado, Alexandre fulminou um anátema contra os conselheiros reais. A morte do papa, em 21 de abril de 1073, deixou Hildebrando, seu fiel chanceler, herdeiro de seus triunfos e dificuldades. Alexandre quis o bem da Igreja Inglesa elevando seu antigo mestre, Lanfranc de Bec, para a Sé de Cantuária e nomeando-o Primaz da Inglaterra. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/01286a.htm
- Papa Santo Agatão (678-681 DC.)
Nascido no final do século VI na Sicília; Morreu em Roma, 681. Acredita-se geralmente que Agatão era originalmente um monge beneditino em St. Hermes em Palermo, e há uma boa autoridade de que ele tinha mais de 100 anos quando, em 678, ascendeu à cátedra papal como sucessor do Papa Dono.. Pouco depois de Agatão tornar-se papa, São Wilfredo, arcebispo de York, que tinha sido injustamente e não canonicamente deposto de sua Sé por Teodoro de Cantuária, chegou a Roma para invocar a autoridade da Santa Sé em seu favor. Em um sínodo que o papa Agatão convocou no Laterano para investigar o caso, Wilfredo foi restaurado à sua sé. O principal evento do pontificado de Agatão é, no entanto, o Sexto Concílio Ecumênico, realizado em Constantinopla em 680, no qual os legados papais presidiram e praticamente encerraram a heresia monotelelita. Antes que os decretos do concílio chegassem a Roma para a aprovação do papa, Agatão havia morrido. Ele foi enterrado em São Pedro, em 10 de janeiro de 681. O Papa Agatão foi notável por sua afabilidade e caridade. Por causa dos muitos milagres que ele realizou, ele foi denominado Taumaturgo, ou Obrador de Maravilhas. Sua memória é celebrada tanto pela latina quanto pela como pela igreja grega. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/01204c.htm
- Papa Agapito II (946-956 DC.)
Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/01203a.htm
- Papa Santo Agapito I (535-536 DC.)
Reinado 535-536. Data de nascimento incerta; morreu 22 de abril de 536. Ele era o filho de Gordiano, um sacerdote romano que havia sido morto durante os tumultos nos dias do Papa Símaco. Seu primeiro ato oficial foi queimar na presença do clero reunido o anátema que Bonifácio II havia pronunciado contra o rival de Dioscoro e ordenado a ser preservado nos arquivos romanos. Ele confirmou os decretos do concílio realizado em Cartago, após a libertação da África do jugo vândalo, segundo a qual os convertidos do arianismo foram declarados inelegíveis às Ordens Sagradas e aqueles que já foram ordenados foram meramente admitidos à comunhão leiga. Ele aceitou um apelo de Contumelioso, bispo de Riez, a quem um concílio em Marselha havia condenado por imoralidade, e ordenou a São Cesário de Arles que concedesse ao acusado um novo julgamento perante os delegados papais. Enquanto isso, Belisário, após a conquista muito fácil da Sicília, estava se preparando para uma invasão da Itália. O rei gótico, Teodato, como último recurso, implorou ao pontífice idoso que procurasse Constantinopla e trouxesse sua influência pessoal sobre o imperador Justiniano. Para arcar com os custos da embaixada, Agapeto foi obrigado a penhorar os vasos sagrados da Igreja de Roma. Ele partiu no meio do inverno com cinco bispos e um séquito imponente. Em fevereiro de 536, ele apareceu na capital do Oriente e foi recebido com todas as honras condizentes com o chefe da Igreja Católica. Como ele, sem dúvida, previra, o objeto ostensivo de sua visita estava condenado ao fracasso. Justiniano não poderia ser desviado de sua determinação de restabelecer os direitos do Império na Itália. Mas, do ponto de vista eclesiástico, a visita do papa em Constantinopla resultou em um triunfo não menos memorável do que as campanhas de Belisário. O então ocupante da Sé bizantina era um certo Ântimo, que sem a autoridade dos cânones deixara sua sede episcopal de Trezibonda para se juntar aos cripto-monofisitas que, em conjunto com a imperatriz Teodora, intrigavam minar a autoridade do Concílio de calcedônia. Contra os protestos dos ortodoxos, a imperatriz finalmente sentou Ântimo na cátedra patriarcal. Assim que o Papa chegou, o mais proeminente do clero entrou com acusações contra o novo patriarca como um intruso e um herege. Agapeto ordenou-lhe que fizesse uma profissão de fé escrita e voltasse para sua Sé abandonada; em sua recusa, ele se recusou a ter qualquer relação com ele. Isso irritou o imperador, que havia sido enganado por sua esposa quanto à ortodoxia de seu favorito, e ele chegou a ponto de ameaçar o papa com o banimento. Agapeto respondeu com espírito: “Com ansiedade venho contemplar o imperador mais cristão Justiniano. Em seu lugar, encontro um Diocleciano, cujas ameaças, no entanto, não me aterrorizam”. Essa intrépida linguagem fez Justiniano fazer uma pausa; e finalmente convencido de que Ântimo era infiel na fé, ele não fez objeção ao papa de exercer a plenitude de seus poderes em depor e suspender o intruso e, pela primeira vez na história da Igreja, pessoalmente consagrar seu sucessor legalmente eleito, Menas. Esse exercício memorável da prerrogativa papal não foi logo esquecido pelos orientais, que, junto com os latinos, o veneram como santo. Para livrar-se de toda suspeita de cumplicidade, Justiniano entregou ao papa uma confissão de fé escrita, que este aceitou com a justa ressalva de que “embora ele não pudesse admitir um leigo o direito de ensinar religião, ainda assim ele observou com prazer que o zelo do imperador estava em perfeita harmonia com as decisões dos Padres “. Pouco depois Agapeto adoeceu e morreu, após um glorioso reinado de dez meses. Seus restos foram trazidos em um caixão de chumbo para Roma e depositados em São Pedro. Sua memória é mantida em 20 de setembro, o dia de seu depositório. Os gregos comemoram-no no dia 22 de abril, o dia da sua morte. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/01202c.htm
- Papa Santo Adeodato II (672-676 DC.)
(Reinado 672-676). Um monge do claustro romano de St. Erasmo no Monte Coelian. Ele era ativo na perfeição da disciplina monástica e na repressão da heresia monotelista. Pouco mais se sabe dele. De sua correspondência, apenas as cartas para as abadias de São Pedro de Cantuária e São Martinho de Tours foram preservadas. Ele é às vezes chamado de Adeodato II, seu antecessor, Deusdedit, sendo ocasionalmente conhecido como Adeodato I.
- Papa Santo Adeodato (615-618 DC.)
(Adeodato I). Data de nascimento desconhecida; Papa consagrado, 19 de outubro (13 de novembro), 615; d. 8 de novembro (3 de dezembro), 618; distinguido por sua caridade e zelo. Ele encorajou e apoiou o clero, que estava empobrecido em consequência dos problemas políticos da época; e quando sua diocese foi visitada por um violento terremoto e o terrível flagelo da lepra, ele deu um exemplo heróico por seus esforços para aliviar o sofrimento. Os poucos decretos atribuídos a ele não são autenticados. Dizem que ele foi o primeiro papa a usar selos de chumbo para documentos pontifícios. Um que data de seu reinado ainda está preservado, o anverso do qual representa o Bom Pastor no meio de Suas ovelhas, com as letras Alfa e Ômega embaixo, enquanto o reverso traz a inscrição: Deusdedit Papæ. Sua festa ocorre em 8 de novembro. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/01141e.htm
- A GNOSE, DILACERAÇÃO DE CRISTO, DILACERAÇÃO DO HOMEM – Stefano Fontana
O filósofo católico italiano Stefano Fontana acaba de lançar o livro Igreja gnóstica e secularização – A antiga heresia e a desintegração da fé (Fede & Cultura, Verona 2018), do qual o jornal La Nuova Bussola Quotidiana publica um bom trecho da introdução, em http://lanuovabq.it/it/libro-sulla-gnosi-leresia-delle-eresie-nella-chiesa A gnose é uma heresia e as heresias são sempre uma dilaceração da realidade e da verdade de Cristo. A heresia é um fato dramático. É preocupante que, hoje, ela seja compreendida como uma contribuição ao debate teológico ou, de fato, como estímulo dialético útil para fazer progredir a vida da Igreja. Essa concepção de heresia como pólo dialético de um processo de desenvolvimento positivo — e, portanto, positiva em si mesmo em sua negatividade dialética — é uma visão gnóstica. Preocupa, também, que hoje a reflexão sobre heresia seja deslocada do conteúdo errôneo da doutrina herética para as “intenções” do heresiarca. Também deriva da Gnose esta separação entre conteúdo e forma, realidade e consciência, objeto e sujeito. A gnose é uma heresia que confunde as ideias sobre heresia; é uma heresia enganosa que influencia negativamente todo o processo de distinção/separação entre verdade e erro. É por isso que a Gnose tem sido vista como “a heresia de todas as heresias”, o mesmo que Pio X dizia do modernismo, que era e é uma heresia gnóstica. A gnose é camaleônica e multifacetada, apresenta-se de maneiras diferentes e, portanto, penetra mais profundamente, muitas vezes de forma inadvertida. Ao ocultar seu perigo, ela é aceita por aquilo que não é, tendo também conseguido fazer com que, na Igreja, não se fale mais de heresia. A gnose tentou atacar a fé cristã desde o início. É de origem oriental e sincrética, mas com Marcião e Pelágio tornou-se uma heresia cristã. Nega a criação, a encarnação e a salvação como uma obra da graça que purifica a natureza. Contra a Gnose maniqueísta lutaram Santo Irineu e Santo Agostinho. Contra a Gnose cátara lutaram os dominicanos, com santidade e pregação, enquanto os Cruzados de Simon de Montfort lutavam com a espada. Contra a Gnose do aristotelismo heterodoxo lutou São Tomás de Aquino, através da verdadeira filosofia e da verdadeira teologia. Contra a Gnose dos “espirituais” e de Joaquim de Fiore lutou São Boaventura. Contra a Gnose modernista lutaram Pio X e o Cardeal Merry del Val. Hoje, no entanto, quem está lutando contra ela? A gnose coloca a salvação do homem nas mãos do próprio homem, que se salvaria conhecendo algo ou fazendo alguma coisa. O pecado original é o arquétipo de todo o gnosticismo. Progressismo, positivismo, socialismo e marxismo são formas de Gnose, assim como a ideologia de gênero e o trans-humanismo. Onde quer que o homem afirme poder dar a si mesmo a salvação, eis aí o gnosticismo. É o pecado original que se renova. De acordo com a Gnose, existem duas divindades, uma boa e outra má. Marcião opunha ao Deus do Antigo Testamento o Deus do Novo; o primeiro, legislador e vingador; e o segundo, clemente e misericordioso. Quando se contrapõe a lei antiga à nova lei, o Decálogo às Bem-Aventuranças, é da Gnose que estamos falando. O mesmo ocorre quando o Cristo da história é oposto ao Cristo da fé. O protestantismo contém essa dilaceração no mais íntimo de seu pensamento. Tanto a desmitização, quanto a deselenização do cristianismo, ambas de origem protestante, são aspectos gnósticos. Desmitização significa negar o Cristo da história, considerando os relatos dos Evangelhos como mitos, até o ponto de não se considerar mais necessária para a fé a própria existência de Jesus. Deselenização significa a separação do cristianismo e a filosofia grega, ou seja, da razão que conhece o real por via natural. Também este é um efeito da doutrina das duas divindades: o Deus do mal falaria à razão, o bom Deus falaria ao coração. O primeiro seria o Logos e o segundo a Caritas. Entre os dois haveria uma incompatibilidade, sendo necessário libertar a fé da razão, e a caridade da verdade. Quando ouvimos falar sobre misericórdia sem justiça, ou de amor sem verdade, notamos aí os ecos dessas visões gnósticas. Quando alguns bispos afirmam que a fé não tem nada a dizer sobre a condiçao do embrião e do feto, porque seria uma questão filosófica; ou quando alguns outros sustentam que só a ciência, e não a fé, é que deveria dar um juízo sobre a pílula (abortiva) do dia seguinte, estamos claramente no âmbito gnóstico, com sua dilaceração da verdade e a realidade. Segundo a Gnose, a matéria é ruim. Portanto, a criação e a procriação humanas são também coisas más. A Gnose — especialmente na forma do catarismo medieval — celebra a sexualidade estéril e, portanto, a relação homossexual. Ainda hoje celebramos a sexualidade estéril, em homenagem à perene Gnose, enquanto a sexualidade fértil é penalizada e denegrida. A contracepção, o aborto, a fertilização artificial e o útero de aluguel dependem dessa concepção da matéria e, portanto, da natureza criada e do corpo como coisas instrumentais que nada significam para nós. Para o gnóstico, é possível administrar o corpo como um instrumento de prazer dissoluto e, ao mesmo tempo, salvar-se, pois a matéria nada tem a ver com o espírito, podendo este permanecer puro mesmo na imundície. A contenção da natalidade politicamente programada; o empenho conjunto de organizações internacionais para o crescimento zero ou abaixo de zero; a convergência dos grandes centros financeiros, das cortes internacionais de justiça e dos poderes políticos transnacionais para impor o aborto como um direito; a esterilização; a destruição de embriões humanos; o planejamento da substituição de povos inteiros por meio da imigração; o propósito de superar as religiões confessionais para chegar-se a uma única religião mundial sincrética ou genericamente humanística, de acordo com o projeto maçônico; a perseguição do cristianismo e, especialmente, do catolicismo, encurralado entre a afirmação da própria identidade e a submissão ao mundo: são aspectos macroscópicos e planetários da Gnose contemporânea, que observadores como Michel Schooyans, Marguerite Peeters, Gabriele Kuby e Riccardo Cascioli têm mostrado com clareza, e tudo isto muito bem documentado pelos Relatórios Anuais sobre a Doutrina Social da Igreja no mundo, do Observatório Cardeal Van Thuan (http://www.vanthuanobservatory.org/eng/). Esta é a Nova Desordem Mundial ou, como também é chamada, a Sociedade Aberta. A aceitação da homossexualidade, mesmo em círculos católicos; o fato de que o exercício da sexualidade fora do casamento seja visto com normalidade; ou o fato de que mais de 70 por cento dos católicos já não mais considerem a masturbação como um pecado, são efeitos da longa influência do Gnosticismo. Quem acredita poder ser salvo espiritualmente, contribuindo para a aprovação de leis e políticas contra o direito natural, está dissociando o Cristo criador do Cristo redentor: é o que pretende o Gnosticismo. O livro digital, no original italiano, pode ser adquirido no site brasileiro da Amazon:
- Santo Agostinho de Hipona – Processão do Espírito Santo através do Pai e do Filho
Depois de ler De Trinitate, de Santo Agostinho, assumi o compromisso de finalmente escrever um artigo completo sobre esse grande santo, venerado universalmente pelo Oriente e pelo Ocidente, e sua teologia da eterna processão do Espírito. No entanto, como esse trabalho exige muita reflexão, releitura e recapitulação de pensamentos e argumentos imensos em pensamentos menores, tenho sido continuamente atrasado por poder publicar isso mais cedo ou mais tarde. Se Deus quiser, isso será em breve. Mais duas semanas, suspeito. De qualquer forma, reservei um tempo para identificar todas as passagens importantes em que Agostinho fala sobre a questão da processão do Espírito, tanto do Pai quanto do Filho, junto com a participação na argumentação e nos detalhes do próprio Agostinho. Dessa forma, você pode estar familiarizado com alguns de seus pensamentos antes de eu me aprofundar na teologia e em seu argumento geral. Um ponto que farei aqui é este: é inconfundível que Agostinho tenha feito uma processão eterna (Ad Intra) ou uma inspiração do Espírito Santo tanto do Pai quanto do Filho a partir de um único princípio, como o Concílio Ecumênico de Florença tornou explícito, bem como o catecismo católico universal moderno. Há algumas poucas pessoas que tentam pensar que o que Agostinho diz aqui está inteiramente dentro da construção de uma “eterna manifestação” do Espírito através do Filho (cf. Gregório de Chipre II e Gregório Palamas), ou que ele fala apenas de um processão externa do Espírito através do Filho, mais popularmente referido como a “processão econômica” (Ad Extra). Não posso explicar por que isso é simplesmente errado, mas posso prever que você não conseguirá esse último sentido mesmo nas citações abaixo. Mas, por uma questão de meticulosidade, prometo lançar o artigo mais aprofundado assim que puder. E, por último, talvez você queira manter essa referência em seus próprios arquivos, pois não encontrei nenhum artigo ou site on-line que forneça um Florilegium tão extenso do livro de Agostinho sobre a Trindade em apoio à doutrina Filioque. Aprecie! “Portanto, assim como o Pai gerou e o Filho foi gerado, assim o Pai enviou e o Filho foi enviado. Assim como o que gerou e o que foi gerado são um, assim o que enviou e o que foi enviado são um (Jo 10,30). E o Espírito é um com eles, pois os três são um. Assim como o ter nascido é próprio do Filho e do Pai é próprio o existir, assim ser enviado é próprio do Filho e ser conhecido como o que procede do Pai. Do mesmo modo que para o Espírito Santo ser dom de Deus é proceder do Pai, assim ser enviado é ser conhecido como o que procede do Pai. Não podemos afirmar também que o Espírito Santo não proceda do Filho, pois não é em vão que se denomina Espírito do Pai e do Filho. Não vejo outro sentido nas palavras pronunciadas pelo Filho ao soprar sobre os discípulos: Recebei o Espírito Santo (Jo 20,22). Aquele sopro natural, originário do corpo com a intenção de atuar sobre o corpo, não foi a essência do Espírito Santo, mas um símbolo para demonstrar a procedência do Espírito Santo tanto do Pai como do Filho. Qual o insensato capaz de afirmar que um é o Espírito Santo que ele deu neste sopro e outro o que enviou depois da ascensão? (At 2,1-4). É um só Espírito de Deus, Espírito do Pai e do Filho, que realiza tudo em todos (1Cor 12,6). Mas como foi dado duas vezes, o fato não deixa de ter um significado singular, sobre o qual dissertaremos em outro lugar, se o Senhor o permitir. Tendo dito o Senhor: o Paráclito, que eu vos enviarei de junto do Pai (Jo 15,26), é evidente que é o Espírito do Pai e do Filho. Tendo dito também que o Pai enviará, acrescenta: em meu nome (ib.14,26). Não disse: “Que o Pai enviará de mim”, à semelhança do que disse antes: que eu vos enviarei de junto do Pai, indicando que o Pai é o princípio da divindade, melhor dizendo, da deidade. Portanto, o que procede do Pai e do Filho faz referência àquele do qual nasceu o Filho.“ (De Trinitate Livro IV, Cap XX) “Assim, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, como são um só Deus, e Deus é santo e espírito, a Trindade pode ser chamada de Espírito Santo. Mas o Espírito Santo, que não é a Trindade, mas está na Trindade, quando se há de fazer referência a ele, denominando-o propriamente Espírito Santo, a referência é dita de modo relativo, pois inclui o Pai e o Filho, porque o Espírito Santo é espírito do Pai e do Filho. Essa relação, porém, não aparece claramente nesse nome, mas sim sob o nome de “Dom de Deus” (At 8,20), pois é Dom do Pai e do Filho, visto que procede do Pai (Jo 15,26), como afirma o Senhor. E quando o Apóstolo diz: Quem não tem o Espírito de Cristo, não pertence a ele (Rm 8,9), está se referindo evidentemente ao Espírito Santo. Quando dizemos Dom do doador e Doador do dom, referimo-nos relativamente a ambos e mutuamente. Portanto, o Espírito Santo é como uma comunhão inefável do Pai e do Filho; e talvez seja assim chamado de Espírito, porque a mesma denominação pode aplicar-se ao Pai e ao Filho. Para o Espírito Santo, a denominação é própria, mas para as outras pessoas é comum, pois o Pai é espírito, o Filho é espírito; assim como o Pai é santo e o Filho é santo. E para significar a comunhão mútua por uma denominação que convenha aos dois, o Dom de ambos chama-se Espírito Santo. Esta Trindade é portanto um só Deus único, bom, grande, eterno, onipotente, e ele é a sua própria unidade, sua deidade, sua grandeza, sua bondade, sua eternidade e sua onipotência.” (De Trinitate Livro V, Cap XI) “Portanto, quando dizemos que o Pai é princípio e o Filho é princípio, não estamos afirmando dois princípios, pois o Pai e o Filho são, em relação às criaturas, um só princípio, assim como são um só Criador e um só Deus. Se, porém, tudo o que, permanecendo em si, gera ou faz algo é princípio do que gera ou faz, não podemos negar que o Espírito Santo possa chamar-se também Princípio, já que não o separamos do conceito de Criador, e está escrito que ele opera, permanecendo em si, ou seja, não se muda ou transforma naquilo que faz…Com respeito às relações mútuas na Trindade, se aquele que gerou é princípio do gerado, o Pai é princípio em referência ao Filho, porque o gerou. Entretanto não é uma investigação de pouca importância inquirir se o Pai é também princípio com relação ao Espírito Santo, pois está escrito: procede do Pai. Se assim for, é princípio não somente do que gera ou faz (o Filho), mas também da Pessoa que ele dá (o Espírito)…E se o que é dado tem como princípio aquele por quem é dado, pois não recebeu de outro o que dele procede, deve-se admitir que o Pai e o Filho são um só Princípio do Espírito Santo, e não dois princípios. Mas assim como o Pai e o Filho são um só Deus e em relação à criação um só Criador e um só Senhor, assim também de modo relativo quanto ao Espírito Santo são um só Princípio. E em relação à criação o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só Princípio, como são um só Criador e um só Senhor. (De Trinitate Livro V, Cap XIII-XIV) “E está provado por muitos outros testemunhos do Verbo Divino, que o Espírito, que é especialmente chamado na Trindade, o Espírito Santo, é do Pai e do Filho: de quem também o próprio Filho diz, a quem enviarei você do pai; e em outro lugar, a quem o Pai enviará em meu nome. E nós somos ensinados que Ele procede de ambos, porque o próprio Filho diz, Ele procede do Pai. E quando Ele ressuscitou dos mortos e apareceu aos Seus discípulos, Ele soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo, para mostrar que Ele também procedia de Si mesmo. E em si mesmo é aquele mesmo poder que saiu Dele, como lemos no Evangelho, e curou a todos eles…Acaso podemos nós investigar se o Espírito Santo procedeu do Pai quando o Filho nasceu, ou se ainda não procedera e, tendo o Filho nascido, prodeceu de ambos, quando se trata aí de uma realidade onde não existe o tempo? Podemos nós investigar essa questão, assim como pudemos averiguar no tempo, se a vontade é a primeira a proceder da alma humana, para buscar aquilo que é encontrado e se denomina “prole”, com a qual, uma vez dada à luz ou gerada, a vontade se aperfeiçoa, repousando em sua finalidade, convertendo o desejo de quem procura na vontade daquele de quem goza, amor que procede de ambos, isto é, da mente geradora e da noção gerada, tal como de um pai e de sua prole? Tais questões não podem ser investigadas na natureza da Trindade onde nada se inicia no tempo para se aperfeiçoar em tempo seguinte! Pelo que, quem puder compreender a geração do Filho pelo Pai prescindindo do tempo, entenda do mesmo modo a processão do Espírito Santo de ambos. Aquele que puder entender o que o Filho disse: Assim como o Pai tem a vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter a vida em si mesmo (Jo 5,26), não entenda que o Pai deu a vida ao Filho como a alguém já existente. Entenda, porém, que o gerou fora do tempo, de tal modo que a vida que o Pai deu ao Filho ao gerá-lo, é coeterna à vida do Pai que a deu. Entenda também que, assim como o Pai tem a vida em si mesmo, para que dele proceda o Espírito Santo, assim deu ao Filho para que dele também proceda o mesmo Espírito Santo; o qual procedeu de ambos, fora do tempo. E pelo fato de dizer-se que o Espírito Santo procede do Pai, deve-se entender que o Filho recebe-o do Pai, e então, o Espírito Santo procede também do Filho. Pois o que o Filho tem, recebe-o do Pai, e assim recebe do Pai para que dele proceda, o mesmo Espírito Santo. Não se imagine neste caso, qualquer coisa referente ao tempo, o qual tem um antes e um depois, visto que em Deus, o tempo não existe. Não seria o maior absurdo dizer-se que o Espírito Santo é filho de ambos? Pois assim como a geração pelo Pai, sem mudança alguma de natureza, proporciona ao Filho a essência, sem início de tempo, a processão de ambos sem mudança na natureza proporciona ao Espírito Santo a essência, sem qualquer início de tempo. Por esse motivo, embora não digamos que o Espírito Santo foi gera-do, não ousamos denominá-lo “ingênito”, para que ninguém suponha, devido a essa palavra, que haja dois pais na Trindade, ou duas Pessoas sem procedência. Somente o Pai não procede de ninguém. Por isso, é o único denominado ingênito, não nas Escrituras, mas no modo de falar dos tratadistas do assunto, os quais sobre tema tão profundo escolhem as palavras como lhes é possível. O Filho nasceu do Pai. E o Espírito Santo procede principalmente do Pai, pelo dom que o Pai fez ao Filho, sem qualquer intervalo de tempo; e conjutamente (communiter) procede de ambos. Poder-se-ia dizer que o Espírito Santo é filho do Pai e do Filho, se ambos o tivessem gerado, o que repugna ao bom senso. Portanto, o Espírito de ambos não foi gerado por nenhum dos dois, mas procede dos dois.(De Trinitate Livro XV, Cap XXVI) “Mas por ser extremamente difícil distinguir geração de processão, na coeterna, igual, incorpórea e inefavelmente imutável e indivisível Trindade, para aqueles que não podem adiantar mais na compreensão, basta-lhes o que dissemos sobre o tema, num sermão proferido para o povo cristão, o qual na ocasião foi consignado por escrito.Depois de ter ensinado pelos testemunhos das santas Escrituras que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, entre outras coisas eu disse aí: Se o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, por que teria o Filho afirmado: ‘O Espírito que procede do Pai’? (Jo 15,26). Senão porque costuma referir o que lhe é próprio àquele do qual é ele mesmo nascido? No mesmo estilo diz: Minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou (Jo 7,16). Se nesse texto se entende a respeito de sua doutrina, a qual diz não ser sua, mas do Pai, não se há de entender com tanto maior razão que o Espírito Santo também procede dele, isto é, do Filho, quando diz: o Espírito que procede do Pai, o que não significa: “Ele não procede de mim”. Daquele de quem o Filho recebe o fato de ser Deus, pois é Deus de Deus, recebe também o de ser princípio de quem procede o Espírito Santo. Conseqüentemente, o Filho recebe do mesmo Pai que o Espírito Santo dele procede. Assim, pode-se entender nessa passagem, de alguma maneira, como deve ser entendido por pes-soas fracas como nós, a razão pela qual não se diz que o Espírito Santo nasceu, mas sim, que procede. A razão é esta: porque se ele se denominasse também Filho, seria filho de ambos, isto é, das duas outras Pessoas, o que é sobremaneira absurdo. Ninguém pode ser filho de dois, se esses dois não forem o pai e a mãe. Longe, porém, de pensarmos em tal relacionamento entre o Pai e o Filho. Nem entre os filhos dos homens, o filho procede ao mesmo tempo do pai e da mãe. Pois, quando procede do pai pela concepção na mãe, então não procede da mãe; e quando vem à luz, nascendo da mãe, então não procede do pai. O Espírito Santo, porém, não procede do Pai através do Filho, procedendo do Filho para a santificação da criatura. Mas é ao mesmo tempo que ele procede de ambos, embora o Pai tenha comunicado ao Filho que dele possa proceder, tal como procede dele mesmo, isto é, do Pai. Não podemos dizer, com efeito, que o Espírito Santo não seja vida, pois o Pai é vida e o Filho é vida. Conseqüentemente, assim como o Pai tem a vida em si mesmo e concedeu ao Filho ter a vida em si mesmo, assim concedeu-lhe que a vida dele proceda, como do Pai procede. (In Ion. Evang., trat. 99,8.9). Transcrevi de um sermão essas palavras para este livro, mas dirigia-me ali aos fiéis, não aos incrédulos…Levanta agora os olhos para essa Luz, fixa-os nela, se és capaz. Assim, verás a diferença que há entre o nascimento do Verbo de Deus e a processão do Dom de Deus, e por qual razão o Filho unigênito disse que o Espírito Santo não foi gerado do Pai — pois nesse caso seria seu irmão —, mas que ele procede do Pai. Por isso, como o Espírito de ambos é fruto da comunhão consubstancial do Pai e do Filho, não é denominado filho de ambos, o que não se diga de forma alguma.” (De Trinitate Livro XV, Cap XXVII) Tradução:https://erickybarra.wordpress.com/2018/07/07/st-augustine-of-hippo-procession-of-the-holy-spirit-from-the-father-and-son/
- Sanctifying Your Sundays When You Have No Mass Available.
Sanctifying Your Sundays When You Have No Mass Available. As a general rule, attending Mass every Sunday (or even every day) is excellent. But in your particular circumstances right now, if there is no Mass you can attend without compromise, then it is God’s Will that you do not attend Mass. (A Mass involves compromise—among other ways—when it is said by a liberal fraternity or priest.) Attending a compromise Mass is a sin and harms your soul. Attending such a compromise Mass because “I need my Sacraments” is merely an excuse to take the easy path and not stand firm out of love for Christ the King. By you refusing a Mass involving compromise, God will bless you now through other means. He is not abandoning you. He is merely changing His means of sanctifying you to fit the circumstances into which He lovingly put you. Not only now but also at various other times in history God has sanctified souls without giving them regular access to the Sacraments. Sometimes, physical persecution caused the absence of good priests and the true Sacraments. God called Japanese Catholics to this type of life for almost 300 years (1587-1873). See, Catholic Encyclopedia, article: Japanese Martyrs. During that period, Japan was a forbidden land, and it seemed that for once persecution had been successful in crushing out Christianity. But from time to time there came strange rumors that the Japanese Christians, deprived as they were of altars, priests, and sacrifice, were still here and there holding fast to the faith that had been preached to their fathers by St. Francis Xavier. Victories of the Martyrs, by St. Alphonsus de Liguori, Benzinger Bros, 1887. At other times, it has been God’s Will that Catholics in some places have been without regular access to the true Sacraments because of travel difficulties and great distances to remote locations. For example: In one area of Ecuador which was sparsely served by priests, … Redemptorist priests went two-by-two on horseback, among a population which was completely hidden in the forests or on the crests of volcanoes. Many people, as soon as they heard [that a Catholic mission was planned], closed their cabins and walked as far as 30 miles to take part in the exercises. Where there was no church, they hastily built “green tents” made of tree branches, under which the instructions were given and enthusiastically received for fifteen days, concluded by everyone receiving the Sacraments and consecrating himself and his family to the protection of the Blessed Virgin. When the Redemptorist Fathers had to leave, the parting was often quite heartrending—the poor people imploring them with tears to remain among them. To those whom God Wills to be without the Sacraments for a time, He gives the incalculably precious gift of a great increase in Faith. We see that illustrated in the love and devotion of the faithful in the Ecuadorian wilderness, as recounted above. We also see this in the Catholics living during the Masonic French Revolution, as recounted by Bishop Bruté, who lived through that period in France. Here is how Bishop Bruté described this priceless increase in Faith among the French Catholics living without the Sacraments: How strong and imperishable was the Catholic Faith’s hold upon thousands of hearts; how fervently did every true Christian family pledge its love and life to our blessed Lord; how constantly did Christian mothers require of their offspring, that, no matter what happened, they would never forget their duty to God. With how much anxiety, and yet fidelity, did they endeavor, especially on Sundays, to supply the want of public exercises of Religion and sanctify the day in their family.
- O PRIMEIRO NATAL DO JAPÃO
O primeiro Natal, dizem os jesuítas de Yamaguchi, foi uma celebração do século XVI que teve lugar em um antigo templo budista, em meio a hinos noturnos. ======== Em uma carta enviada a seus irmãos portugueses, o missionário jesuíta Pedro de Alcacova escreve sobre uma Missa cantada que se ofereceu aos crentes japoneses em 1552: “Nossas vozes não eram boas”, afirma. “Ainda assim os cristãos ali presentes voltaram com alegria.” Foi uma Noite de natal em Yamaguchi, e a paciência, senão fé, dos conversos japoneses foi posta à prova quando após entoar cânticos surpreendentes , os missionários nanban (“bárbaros do sul” como chamavam os europeus) começaram a ler as escrituras em uma vigília que durou toda a noite e se prolongou até o amanhecer com o “canto do galo”. Esse é o primeiro Natal japonês da qual se têm testemunho, e na subtropical Yamaguchi, situada ao sul da ilha de Honshu, a celebração do parto da Virgem Maria foi em certo modo um encontro virginal também para os congregados: suscitou surpresa e agrado (segundo a crônica jesuítica) além de ser a primeira representação de música vocal ocidental no Japão. São Francisco Xavier – o jesuíta que levou o cristianismo à Asia – havia desembarcado no domínio de Satsuma tão somente três anos antes, ganhando o favor dos senhores daimyôs e sendo autorizado a pregar e fazer conversões. O Japão se encontrava ainda longe dos períodos de perseguição do cristianismo que décadas depois tiveram lugar sob o hermético regime Tokugawa – cenário temporal no qual se desenvolve o “Silêncio”, a grande novela de Shusaku Endô recentemente levada ao cinema por Martin Scorsese. A mútua fascinação – acompanhada de interesses comerciais e estratégicos – ainda era palpável. Os daimyôs locais abriram seus territórios aos missionários para aprender sobre o Ocidente ao mesmo tempo obtinham benefícios comerciais vantajosos com Portugal e Espanha, enquanto Xavier buscava aliados nas altas esferas que lhe ajudassem a fazer conversos nas camadas inferiores da sociedade. Foi um período de significativo e cordial intercâmbio cultural, apesar de que os pregadores jesuítas enfrentavam amiúde desprezos pelas pessoas comuns , sendo apedrejados e cuspidos na rua e objeto de todo tipo de piadas. Aquele Natal de 1552 não podia ser mais distinto do Natal que conhecemos hoje. A atual imagem natalina ocidental – as árvores de luzes, as renas, o azevinho e outros – não existia em nenhuma parte do mundo (e, obviamente, não tinha esse viéis comercial que impregna os festejos atuais). O local daquele Natal foi o abandonado templo budista Daido-ji, convertido no lugar de residência, culto e pregação dos jesuítas. Foi provavelmente dos primeiros nanban-dera, ou “templos dos bárbaros”, como se chamava às improvisadas Igrejas situadas dentro dos recintos budistas, com shôji (portas de papel) e engawa (terraço) e cujo único sinal de distinção era a cruz erigida sobre o telhado cerâmico do edifício. Na noite de natal, os crentes nipônicos eram convidados a pernoitar nas residências jesuítas, abarrotando os recintos ao começar uma noite de hinos, sermões, audição das Escrituras e Missas. Com os olhos de hoje, a crônica de Alcacova transmite a imagem daquela Missa de noite de natal como uma experiência extenuante, ainda que isso não signifique duvidar do testemunho dos missionários quando afirmavam que houve “grande júbilo” entre os convertidos japoneses. Desde o pôr-do-sol até o amanhecer, esses conversos escutaram sermões e leituras sobre “Deus” – a palavra portuguesa com a qual se chamava a Deus. A celebração completa incluía seis Missas. O Padre Juan Fernández, importante jesuíta que escreveu o primeiro dicionário bilíngue, abriu a sessão de Escrituras essa noite. Quando o cansaço aparecia, era relevado por “algum jovem japonês versado em nosso idioma”, escreve Alcacova. Com o amanhecer, Cosme de Torres – responsável da missão evangelizadora após a partida de Francisco Xavier à Índia – oficiou uma Missa, ajudado por outro sacerdote que lia passagens do Evangelho e das Epístolas. Após esta vigília de imersão cristã, os fiéis puderam voltar à casa, e trocavam a saudação de “Natala”- “nascimento” em português. Mas não acabou aí. Em breve os conversos nipônicos regressaram para assistir a uma nova Missa e escutar conversas sobre a Creação e o advento do Cristo. “Em um país onde amiúde nos chamavam demônios e outras coisas”, cita Alcacova, “dávamos as graças ao Senhor por encontrar tantos e tão bons cristãos.” Logo na comida – considerada por Alcacova como um assunto muito popular – houve tanta gente desejosa de participar que (diz em sua carta) “foi difícil albergar a todos dentro de nossa residência.” Os fiéis japoneses e os irmãos jesuítas – junto com uns poucos não-cristãos – se sentaram juntos a desfrutar do ágape de alimentos preparado pelos líderes da paróquia nipônica. A congregação então repartiu a comida entre os pobres, um método visualmente muito efetivo para ganhar novas almas. Esse Natal de 1552 se considera “o primeiro Natal do Japão”. Isso provavelmente não é exato. Com quase total segurança Francisco Xavier não deixaria passar a oportunidade de celebrar o Natal em solo japonês no período que mediou entre sua chegada a Satsuma (atualmente prefeitura de Kagoshima) em 1549 e sua partida em 1552, segundo os historiadores Klaus Kracht e Katsumi Tateno-Kracht. No entanto não há registro de tal acontecimento. A carta de Alcacova, escrita a seus irmãos estando já de volta em Portugal, é simplesmente o primeiro relato que existe de um Natal celebrado no Japão. Desgraçadamente, o relatório dos jesuítas não menciona o que se comeu no dia de Natal. Em contrapartida, em uma carta escrita pelo missionário Gaspar Vilela em 1557, há um suculento esboço da gastronomia nipônica nas primeiras festas cristãs. Este documento descreve uma Páscoa para a qual se trouxe uma vaca, e aquela carne junto com arroz foi repartida entre os fiéis (este menu é um provável precursor do atual prato de gyûdon). Tais iguarias podiam ter resultado exóticas para os conversos, porque naqueles tempos a carne de vaca não formava parte da dieta japonesa. Por conseguinte, a carta de Vilela diz que “todos comeram com grande alegria.” Os relatos jesuíticos dos natais japoneses nos anos subsequentes seguem aproximadamente o mesmo padrão. “Homens e mulheres de classe alta se juntavam em grande número na residência sacerdotal”, escreve o missionário Duarte da Silva em uma carta sobre o Natal japonês de 1553, também na cidade de Yamaguchi. “A partir de uma da manhã, se escutavam histórias da Bíblia – a criação do Céu e da terra e o pecado do homem, depois do dilúvio de Noé, a separação das línguas, o começo da adoração de ídolos, a destruição de Sodoma, a história de Nínive, a história do filho de José, de Jacó, o cativeiro da Babilônia, os dez mandamentos de Moisés e a fuga do Egito, depois do profeta Eliseu, Judite, a estátua de Nabucodonosor – e finalmente com a história de Daniel, nos davam a clareza do dia.” Tal instrução sobre o Antigo Testamento estava destinada a levar às casas nipônicas a ideia da necessidade do advento de Cristo – algo que os conversos japoneses aprendiam durante a segunda metade da noite de Natal. Houve, no entanto, dois novos aspectos que se foram incorporando aos Natais japoneses com a passagem dos anos. Em primeiro lugar, os crentes japoneses introduziram o costume de trocarem presentes no dia de Natal – e isso foi visto pelos missionários jesuítas como algo estranho a eles, uma tradição japonesa que nada tinha a ver com a sua. Por sua vez os jesuítas começaram a montar obras teatrais (Autos) de Natal para dar humanidade as histórias dos Evangelhos. Torres e seus irmãos pensavam que seriam mais fáceis de digerir que as longas sessões de leitura da Bíblia, e — por portanto uma ferramenta prometedora para difundir a fé. Tinham razão. As obras foram um sucesso tão grande que algumas crônicas afirmam que o Auto de Natal conseguia reunir até duas mil pessoas. Entre elas estavam os não-cristãos que buscavam um pouco de entretenimento e talvez um pouco de comida. Os jesuítas fomentaram estas representações como uma forma de expandir a missão. Mas às vezes havia tal inclinação a esses eventos que os missionários tinham que limitar a entrada e só permiti-la “às pessoas que houvessem sido introduzidas na fé cristã”. A primeira dessas obras de Natal se levou a cabo em Bungo – a atual Prefeitura de Oita – em 1560. As pessoas viajaram de cidades e povos longínquos para presenciar o evento. Promulgada por crentes japoneses, a obra contava a história de Adão e Eva, e para isso se colocou uma árvore decorada com maçãs de ouro no meio do cenário, segundo uma carta de Juan Fernández. O conjunto também incluía um estábulo e berço para simbolizar o nascimento de Cristo. Tal era o feitiço hipnótico da atuação que quando Lúcifer procedeu a tentar a Eva debaixo da macieira, que segundo se diz os espectadores – homens, mulheres e crianças igualmente– romperam a chorar. A angústia alcançou níveis febris quando um anjo apareceu e conduziu a Adão e a Eva para fora do Jardim do Éden. Para os espectadores, o consolo só chegou quando o anjo reapareceu diante do primeiro homem e da primeira mulher – vestido com a roupa que lhes havia dado Deus – e os consolou com notícias de um longínquo dia da salvação. Esta foi a época dourada do cristianismo no Japão. Um período que durou aproximadamente um século no qual se estima que os missionários jesuítas ganharam várias centenas de milhares de convertidos, e lhes foi concedida autoridade sobre Nagasaki por Omura Sumitada – o primeiro dos daimyôs convertidos ao cristianismo. A nova religião ganhou apoio durante o período bélico de Sengoku, no qual os jesuítas encontraram proteção nos poderosos daimyô à falta de uma autoridade centralizada. Alguns senhores feudais, como o formidável Otomo Sorin, senhor de Bungo em Kyushû, se converteram em católicos romanos, alguns deles na crença calculada de que isso melhoraria sua riqueza e poder. “Viam muito benefício em tudo o que reportavam os portugueses”, escreve Alessandro Valignano, um destacado jesuíta italiano. Inclusive Oda Nobunaga, primeiro dos grandes unificadores do Japão e nada simpatizante com o novo credo, deu audiências aos jesuítas e lhes concedeu uma licença para pregar em Kioto. Foi Ouchi Yoshitaka, o poderoso e cultivado daimyô do domínio Suo, quem concedeu o complexo do templo Daido-ji a Francisco Xavier no ano anterior ao primeiro Natal registrado no Japão. O presente foi ainda mais relevante porque o primeiro encontro entre Francisco Xavier e Ouchi não tinha sido positivo, de acordo com o historiador John Dougill, autor de “En busca de los cristianos ocultos del Japón”. Vestido com farrapos em sua primeira visita ao poderoso senhor, Xavier denunciou perante ele a sodomia como um dos três maiores pecados que afligiam o Japão, junto com o aborto e o infanticídio. Ouchi sofreu uma explosão de ira; ele não era alheio, diz os experts, às práticas homosexuais entre senhores feudais e seus jovens samurais. Para a seguinte visita, em contrapartida, Xavier se arrumou e se lavou, vestindo casaco de seda e levando presentes ocidentais tais como vidro talhado, faqueiro, vinho português, um binóculo e um telescópio, segundo o relato de Dougill; pouco depois os jesuítas obtiveram permissão para estabelecer sua primeira missão no Japão. A história se voltou contra os cristãos no Japão quando Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu completaram a unificação do país. Eles viam o cristianismo como uma ameaça a seu poder secular — em parte um legado das sublevações religiosas budistas anteriores – e por isso começaram as perseguições. Os cristãos foram torturados e forçados a apostatar por meio de um gesto que consistia em pisar uma estampa fumiê de Cristo; os que se negavam eram crucificados. A era cristã do Japão chegou ao seu fim definitivo em 1639 quando o shôgun Tokugawa Iemitsu emitiu o último sakoku – édito de fechamento do país – que proibia toda interação com países católicos. ======== Madonna do Bambu. Pintura pingente kakejiku chamada “de verão”. Se encontra no convento japonês das Carmelitas da Santa Trindade em Chofu-shi, Tokio. (Fonte: The Mary Page)
- SAKEBI NO HIROSHIMA, INORI NO NAGASAKI ( HIROSHIMA GRITA, NAGASAKI ORA)
É graças a Takashi Nagai, mais do que a qualquer outra pessoa, que no aniversário da bomba atômica em Nagasaki reina uma verdadeira atmosfera espiritual. Sua concepção de Hansai foi, no início, como uma bofetada no rosto dos sobreviventes histéricos. Uma bofetada no rosto pode fazer milagres em pessoas histéricas, porque é uma experiência da realidade nua e crua. E não são só aqueles que sofreram com a bomba atômica que precisam de um tratamento severo. Vêem-se muitos das gerações pós-bomba atômica que se tornaram histéricos e dão as costas à realidade. Assim é a geração dos desesperados. Muitos deles são pessoas que ficaram desmoralizadas ( literalmente) e aterrorizadas, fora de si, com a possibilidade de uma guerra nuclear. Tal desespero da alma é, sem dúvida, uma precipitação radioativa, pior que a radiação que matou o corpo de Takashi! Hino a Nagasaki, Paul Glynn. Tradução: Pe. Lino Stahl, SJ. Edições Loyola. Pág. 242.
- To Defeat the Devil, Invoke the Virgin!
Victories were gained in Judea by means of the ark. Thus Moses conquered his enemies. “When the ark was lifted up, Moses said, Arise, oh Lord, and let thy enemies be scattered!” Thus Jericho was conquered; thus were the Philistines conquered; “for the ark of God was there.” It is well known that this ark was the type of Mary. As the ark contained the manna, thus Mary contained Jesus, whom the manna also prefigured, and by means of this ark, victories were gained over the enemies of earth and over hell. Wherefore St. Bernardine of Sienna says that when Mary, the ark of the New Testament, was crowned queen of heaven, the power of hell over men was weakened and overthrown. “Oh, how the devils in hell,” says St. Bonaventure, “tremble at Mary and her great name!” The saint compares these enemies to those of whom Job makes mention and says: “He diggeth through houses in the dark …. If the morning suddenly appear, it is to them the shadow of death.” Thieves enter houses in the dark to rob them, but when the dawn comes they flee, as if the image of death appeared to them. In the same manner, as St. Bonaventure expresses it, the demons enter into the soul in times of darkness, that is, when the soul is obscured by ignorance; they dig through the houses of our minds in the darkness of ignorance; but then, he adds, as soon as the grace and the mercy of Mary enter the soul, this beautiful aurora dissipates the darkness, and the infernal enemies flee as at the approach of death. Oh, blessed is he who always, in his conflicts with hell, invokes the beautiful name of Mary! In confirmation of this it was revealed to St. Bridget that God has given Mary such power over all evil spirits, that whenever they assail any of her servants who implore her aid, at the slightest sign from her they flee far away in terror, preferring that their pains should be redoubled rather than that Mary should domineer over them in this manner. A Lapide remarks upon the words with which the divine spouse praises his beloved bride, when he calls her the lily, and says that as the lily is among thorns, so is his beloved among the other daughters ;* that, as the lily is a remedy against serpents and poisons, so the invocation of Mary is a special remedy for overcoming all temptations, particularly those of impurity, as they who have tried it have universally experienced. St. John of Damascus said, and every one may say the same who is so happy as to be devoted to this great queen : Oh, mother of God, if I trust in thee, I shall surely not be vanquished ; for, defended by thee, I will pursue my enemies, and opposing to them thy protection and thy powerful support as a shield, I shall surely conquer them. James the Monk, reputed a doctor among the Greek fathers, discoursing of Mary to our Lord, says : Thou, oh my Lord, hast given us this mother for a powerful defence against all our enemies. ( St. Alphonsus d’ Liguori, Glories of Mary)
- Papa Bonifácio IX (1389-1404 DC.)
Eleito em Roma, em 2 de novembro de 1389, como sucessor do papa romano Urbano VI; d. lá, 1 de outubro de 1404. Piero (Perino, Pietro) Tomacelli veio de uma família baronial antiga mas empobrecida de Nápoles. Faltava-lhe bom treinamento teológico e habilidade na condução dos negócios da Cúria, mas era por natureza tático e prudente. Seu caráter firme e maneiras brandas fizeram muito para restaurar o respeito pelo papado nos países de sua própria obediência (Alemanha, Inglaterra, Hungria, Polônia e a maior parte da Itália). O Papa de Avinhão, Clemente VII, havia acabado de coroar (1 de novembro de 1389) como rei de Nápoles o príncipe francês Luís de Anjou. Bonifácio assumiu a causa do jovem Ladislau, herdeiro de Carlos III de Nápoles e Margarida de Durazzo, mandou-o coroar o rei de Nápoles em Gaeta (29 de maio de 1390) e, durante a década seguinte, ajudou-o a expulsar eficazmente as forças angevinenses da Itália. No curso de seu reinado, Bonifácio extinguiu a independência municipal de Roma e estabeleceu a supremacia do papa. Ele garantiu a adesão final dos romanos (1398), fortalecendo novamente o Castelo de Sant ‘Angelo, as pontes e outros pontos de vantagem. Ele também assumiu o porto de Ostia de seu cardeal-bispo. Nos estados papais, Bonifácio gradualmente recuperou o controle das principais fortalezas e cidades, e é o verdadeiro fundador desses estados, como eles aparecem no século XV. Devido à falta de fé e violência dos romanos, ele residia frequentemente em Perugia, Assis e em outros lugares. Clemente VII, o Papa de Avinhão, faleceu em 16 de setembro de 1394. Bonifácio o havia excomungado logo após sua própria eleição e, por sua vez, havia sido excomungado por Clemente. Em 1392, Bonifácio tentou, mas em vão, estabelecer relações mais próximas com Clemente para o restabelecimento da unidade eclesiástica, após o que Bonifácio reafirmou com vigor sua própria legitimidade. Clemente foi sucedido em Avinhão, em 28 de setembro de 1394, pelo cardeal Pedro de Luna, como Bento XIII. Basta dizer aqui que Bonifácio sempre afirmou ser o verdadeiro papa, e em todos os tempos rejeitou a proposta de abdicar, mesmo quando foi apoiada pelos principais membros de sua própria obediência, por exemplo. Ricardo II da Inglaterra (1396), a Dieta de Frankfurt (1397) e o Rei Venceslau da Alemanha (Reims, 1398). Durante o reinado de Bonifácio, dois jubileus foram celebrados em Roma. O primeiro ocorreu em 1396, em conformidade com uma ordenança de seu antecessor, Urbano VI, e foi amplamente freqüentado pela Alemanha, Hungria, Polônia, Boêmia e Inglaterra. Várias cidades da Alemanha obtiveram os privilégios do jubileu, mas a pregação das indulgências deu origem a abusos e imposições por parte dos agentes não credenciados do papa, de modo que ele foi obrigado a proceder contra eles com severidade. O jubileu de 1400 atraiu para Roma grandes multidões de peregrinos, particularmente da França. Apesar de uma peste desastrosa, Bonifácio permaneceu em seu posto. Na última parte de 1399 bandas de penitentes, conhecidos como os Brancos, ou Albati (Penitentes Brancos), surgiram, especialmente na Provença e na Itália. Eles foram em procissão de cidade em cidade, vestindo roupas brancas, com os rostos encapuzados, apenas os olhos sendo descobertos e usando nas costas uma cruz vermelha. Por um tempo, o entusiasmo penitencial teve bons resultados. Depois que satisfizeram seu ardor espiritual em Roma, Bonifácio gradativamente desprestigiou essas multidões errantes, uma presa fácil de agitadores e conspiradores, e finalmente as dissolveu. Na Inglaterra, a virulência antipapal de Wycliff aumentou a oposição tanto da Coroa quanto do clero aos métodos de Bonifácio na concessão de tais benefícios ingleses à medida que vagavam na Cúria Romana através da morte ou promoção do ocupante. O Parlamento confirmou e ampliou mais de uma vez os estatutos de Provisores e Præmunire, de Eduardo III. Bonifácio protestou vigorosamente, particularmente em 1391, mas no final se viu incapaz de executar suas concessões sem o consentimento e sanção do rei. “Assim terminou”, diz Lingard (ad. An. 1393), “esta controvérsia longa e furiosa inteiramente em proveito da Coroa”. No entanto, no Sínodo de Londres (1396), a Igreja inglesa condenou os ensinamentos antipapais de Wyclif, e em 1398 a Universidade de Oxford, consultada por Ricardo II, emitiu em favor de Bonifácio um documento influente, enquanto em 1390 e novamente em 1393, os pares espirituais sustentaram o direito do papa de excomungar mesmo aqueles que obedeciam aos estatutos dos Provisores. Na Alemanha, os eleitores depuseram em Rhence (20 de agosto de 1400) o indigno Venceslau, rei dos romanos, e escolheram em seu lugar Rupert, duque da Baviera e o conde palatino renano. Em 1403 Bonifácio abandonou sua atitude incerta em relação a ambos, aprovou a deposição de Venceslau como feito pela autoridade papal e reconheceu a eleição de Rupert. Em 1398 e 1399, Bonifácio apelou à Europa cristã em favor do imperador Emmanuel, ameaçado em Constantinopla pelo sultão Bajazet. Santa Brígida da Suécia foi canonizada por Bonifácio, em 7 de outubro de 1391. As universidades de Ferrara (1391) e Fermo (1398) devem sua origem, e a de Erfurt sua confirmação (1392). Em 1404, Bento XIII enviou a última de suas embaixadas a Bonifácio, que recebeu os agentes de Bento em 29 de setembro, mas a entrevista terminou desfavoravelmente. O papa, altamente irritado, foi para a cama com um ataque de estresse e morreu depois de uma doença de dois dias. Cronistas contemporâneos e posteriores elogiam as virtudes políticas de Bonifácio, também a pureza de sua vida e a grandeza de seu espírito. Alguns, como Dietrich de Niem, acusam-no de um desordenado amor ao dinheiro, tráfico desonesto de benefícios, venda de dispensas etc. Mas Dietrich não é um escritor imparcial e é culpado por Reynaldo por ser amargo e injusto (acertus et iniquis). Em suas páginas de fofocas, falta uma apreciação adequada das dificuldades que cercaram Bonifácio – fontes locais de receita perdidas na longa ausência do papado de Roma, receita estrangeira diminuída pelo cisma, despesas extraordinárias para a restauração da Roma papal e a reconquista dos Estados Papais, as constantes guerras exigidas pela ambição francesa, a herança dos métodos financeiros de Avinhão e a obrigação de conciliar os apoiadores dentro e fora da Itália. Bonifácio não procurou nada para si e morreu pobre. Ele também é acusado de nepotismo e ele certamente forneceu generosamente para sua mãe, irmãos e sobrinhos. Pode-se dizer, no entanto, que nas condições semi-anárquicas da época o bom governo dependia de tal apoio pessoal que um governante temporal poderia reunir e reter, isto é, poderia recompensar, enquanto a fidelidade era melhor assegurada por estreitos laços domésticos. Bonifácio foi o primeiro papa a introduzir a forma de receita conhecida como annates perpetuæ, ou reserva de metade dos frutos do primeiro ano de cada benefício concedido no Tribunal Romano, isto além de outras despesas tradicionais. Deve ser lembrado que, nessa época, os cardeais reivindicavam grande parte dessas receitas, de modo que a Cúria foi talvez mais responsável do que o papa por novos métodos financeiros destinados no século seguinte a despertar sentimentos amargos contra Roma, particularmente na Alemanha. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/02670a.htm
- Papa Bonifácio VIII (1294-1303 DC.)
(BENEDETTO GAETANO) Nascido em Anagni por volta de 1235; Morreu em Roma, em 11 de outubro de 1303. Ele era filho de Loffredo, um descendente de uma família nobre originalmente espanhola, mas há muito estabelecida na Itália – primeiro em Gaeta e depois em Anagni. Através de sua mãe ele estava conectado com a casa de Segni, que já havia dado três filhos ilustres para a Igreja, Inocêncio III, Gregório IX e Alexandre IV. Benedetto tinha estudado em Todi e em Spoleto na Itália, talvez também em Paris, obtido o doutorado em direito civil e canônico, e foi cônego sucedido em Anagni, Todi, Paris, Lyon e Roma. Em 1265 ele acompanhou o Cardeal Ottobuono Fieschi à Inglaterra, para onde aquele prelado fora enviado para restaurar a harmonia entre Henrique III e os barões rebeldes. Não foi até cerca de 1276 que Gaetani ingressou em sua carreira na Cúria, onde esteve, por alguns anos, ativamente engajado como advogado consensual e notário apostólico, e logo adquiriu considerável influência. Sob Martinho IV, em 1281, ele foi feito Cardeal-Diácono da títular de S. Nicolò em Carcere Tulliano, e dez anos depois, sob Nicolau IV, cardeal-sacerdote da títular de SS. Silvestro e Martino ai Monti. Como legado papal, ele serviu com notável habilidade na França e na Sicília (H. Finke, Aus den Tagen Bonifaz VIII, Münster, 1902, 1 sqq., 9 sqq.). Em 13 de dezembro de 1294, o eremita, mas totalmente incompetente, eremita papa Celestino V, que cinco meses antes, como Pietro di Murrhone, havia sido levado de sua obscura caverna nas montanhas dos Abruzzos e elevado à mais alta dignidade na Cristandade, resignou a carga intolerável do papado. O ato foi sem precedentes e tem sido frequentemente atribuído à influência indevida e pressão do projeto do Cardeal Gaetani. Que a elevação do recluso inexperiente e simplista não se recomendou a um homem do selo de Gaetani, reputado como o maior jurista de sua época e bem qualificado em todas as artes da diplomacia da Cúria, é altamente provável. Mas o próprio Bonifácio declarou através de Ægidius Colonna, que a princípio dissuadira Celestino de dar o passo. E agora foi quase certamente estabelecido que a idéia de renunciar ao papado se originou pela primeira vez na mente do próprio Celestino, e que o papel desempenhado por Gaetani era no máximo o de um conselheiro, aconselhando fortemente o pontífice a emitir uma constituição, antes ou simultaneamente com sua abdicação, declarando a legalidade de uma renúncia papal e a competência do Colégio dos Cardeais para aceitá-la. [Veja especialmente H. Schulz, Peter von Murrhone – Papst Celestin V – em Zeitschrift für Kirchengeschichte, xvii (1897), 481 sqq .; também Finke, op. cit., 39 sqq .; e R. Scholz, Die Publizistik zur Zeit Philipps des Schönen e Bonifaz VIII, Estugarda, 1903, 3.] Dez dias depois de Celestino, os quinto gran rifuto dos cardeais entraram em conclave no Castel Nuovo em Nápoles, e no dia 24 de dezembro, 1294, por maioria de votos, elegeram o cardeal Benedetto Gaetani, que tomou o nome de Bonifácio VIII. (Para detalhes da eleição ver Finke, op. Cit., 44-54.) Com a aprovação dos cardeais, o novo papa imediatamente revogou (27 de dezembro de 1294) todos os extraordinários favores e privilégios que “na plenitude de sua simplicidade “Celestino V tinha distribuído com tal prodigalidade imprudente. Então, no início de janeiro do ano seguinte, apesar do rigor da estação, Bonifácio partiu para Roma, determinado a remover o papado o mais cedo possível da influência da corte napolitana. A cerimônia de sua consagração e coroação foi realizada em Roma, em 23 de janeiro de 1295, em meio a cenas de esplendor e magnificência incomparáveis. O rei Carlos II de Nápoles e seu filho Carlos Martel, rei titular e pretendente da Hungria, seguraram as rédeas de seu palafrém branco como a neve, e prosseguiram a caminho de São João de Latrão e, mais tarde, com suas coroas sobre suas cabeças, serviram ao papa com os primeiros pratos à mesa antes de tomar seus lugares entre os cardeais. No dia seguinte, o pontífice proferiu sua primeira carta encíclica, na qual, depois de anunciar a abdicação de Celestino e sua própria ascensão, descreveu nos termos mais brilhantes a natureza sublime e indefectível da Igreja. O passo incomum dado por Celestino V havia provocado muita oposição, especialmente entre os partidos religiosos na Itália. Nas mãos dos espirituais, ou Fraticelli, e os Celestinos – muitos dos quais não eram tão sinceros quanto o seu santo fundador – o ex-pontífice, se permitido ir livre, poderia revelar-se um instrumento perigoso para a promoção de um cisma na Igreja. Bonifácio VIII, portanto, antes de sair de Nápoles, ordenou que Celestino V fosse levado a Roma sob a custódia do Abade de Monte Cassino. No caminho, o santo escapou e retornou ao seu eremitério perto de Sulmona. Detido de novo, fugiu pela segunda vez e, depois de cansativas semanas de peregrinação pelos bosques de Apúlia, chegou ao mar e embarcou a bordo de um navio prestes a partir para a Dalmácia. Mas uma tempestade lançou o fugitivo em Vieste, em Capitanata, onde as autoridades o reconheceram e detiveram. Ele foi levado perante Bonifácio em seu palácio em Anagni, mantido sob custódia lá por algum tempo, e finalmente transferido para o forte Castelo de Fumone em Ferentino. Ali permaneceu até sua morte dez meses depois, em 19 de maio de 1296. A detenção de Celestino foi uma simples medida de prudência pela qual Bonifácio VIII não merece censura; mas o tratamento rigoroso ao qual o velho de oitenta anos foi submetido – quem quer que tenha sido responsável por ele – não será facilmente tolerado. Deste tratamento, agora não pode mais haver dúvidas. O lugar onde Celestino estava confinado era tão estreito “que o lugar onde o santo estava quando proferia a missa era o mesmo em que sua cabeça estava deitada quando ele se reclinava” (Québec tenebat pedes ille sanctus, om missam diceret, ibi tenebat caput, quiescebat), e seus dois companheiros eram freqüentemente obrigados a trocar de lugar porque a restrição e a estreiteza os deixavam doentes. (Nessa conexão, ver o artigo muito importante e valioso “S. Pierre Célestin et ses premiers Biographes” em “Analecta Bolland.”, XVI, 365-487; cf. Finke, op. Cit., 267.) Profundamente imbuído dos princípios de seus grandes e heróicos predecessores, Gregório VII e Inocêncio III, o sucessor de Celestino V entreteve noções mais exaltadas sobre o assunto da supremacia papal em assuntos eclesiásticos e civis, e sempre foi mais pronunciado na afirmação de suas reivindicações. Por seu profundo conhecimento dos cânones da Igreja, seus apurados instintos políticos, grande experiência prática de vida e alto talento para a condução dos negócios, Bonifácio VIII parecia excepcionalmente bem qualificado para manter invioláveis os direitos e privilégios do papado como eles tinham sido entregue a ele. Mas ele não conseguiu reconhecer o temperamento alterado dos tempos, ou para medir com precisão o poder das forças contra ele; e quando ele tentou exercer sua autoridade suprema em assuntos temporais como em espirituais, sobre príncipes e pessoas, ele encontrou quase todos os lugares com uma resistência determinada. Seus objetivos de paz universal e coalizão cristã contra os turcos não foram realizados; e durante os nove anos de seu conturbado reinado, ele quase nunca conseguiu um triunfo decisivo. Embora certamente um dos mais notáveis pontífices que já ocuparam o trono papal, Bonifácio VIII também foi um dos mais infelizes. Seu pontificado marca na história o declínio do poder e da glória medievais do papado. Bonifácio primeiro se esforçou para resolver as questões da Sicília, que estavam em uma condição muito distraída desde a época das Vésperas da Sicília (1282). Dois rivais reivindicaram a ilha, Carlos II, rei de Nápoles, em direito de seu pai Carlos de Anjou, que recebeu de Clemente IV, e Tiago II, rei de Aragão, que derivou suas reivindicações dos Hohenstaufen, através de sua mãe Constança filha de Manfredo. Tiago II tinha sido coroado rei da Sicília em Palermo em 1286, e por isso incorrera na sentença de excomunhão por ousar usurpar um feudo da Santa Sé. Em sua sucessão ao trono de Aragão, após a morte de seu irmão Afonso III, em 1291, Tiago concordou em entregar a Sicília a Carlos II, sob a condição de que recebesse em casamento a filha do último, Branca de Nápoles, junto com um dote de 70.000 libras de prata. Bonifácio VIII, como senhor da ilha, ratificou este acordo em 21 de junho de 1295, e procurou reconciliar os elementos conflitantes, restaurando Tiago II à paz com a Igreja, confirmando-o em posse de Aragão e concedendo-lhe as ilhas de Sardenha e Córsega, que eram feudos da Santa Sé, em compensação pela perda da Sicília. Por essas medidas, Bonifácio VIII apenas aderiu à política tradicional do papado ao lidar com os assuntos da Sicília; não há provas que mostrem que, antes ou logo após a sua eleição, ele se comprometeu, de alguma forma, a recuperar a Sicília para a Casa de Anjou. A Sicília não foi, no entanto, pacificada por este acordo entre o papa e os reis de Aragão e Nápoles. Ameaçados por uma renovação do domínio detestado dos franceses, os habitantes daquela ilha declararam sua independência e ofereceram a coroa a Frederico, o irmão mais novo de Tiago II. Em uma conversa com Frederico em Velletri, o papa tentou dissuadi-lo de aceitar o oferecimento, mantendo perspectivas de uma sucessão ao trono de Constantinopla e um casamento com a princesa Catarina de Courtenay, neta e herdeira de Balduíno II, o último imperador latino do Oriente. Mas o jovem príncipe não seria dissuadido. O legado papal foi expulso da ilha e, contra os protestos de Bonifácio VIII, Frederico foi coroado rei da Sicília em Palermo, em 25 de março de 1296. Ele foi imediatamente excomungado e a ilha foi colocada sob interdito. Nem o rei nem seu povo prestaram atenção às censuras. Por instigação do papa, uma guerra se seguiu, na qual Tiago de Aragão, como capitão-geral da Igreja, foi obrigado a tomar parte contra seu próprio irmão. A disputa foi encerrada (1302) através dos esforços do príncipe Carlos de Valois, a quem o papa chamara para ajudá-lo em 1301. Frederico deveria ser absolvido das censuras que havia contraído, para se casar com Eleanora, filha mais nova de Carlos II, e para manter a Sicília durante a sua vida. Após sua morte, a ilha deveria voltar ao rei de Nápoles. Embora frustrado em suas esperanças, Bonifácio VIII ratificou o tratado de 12 de junho de 1303 e concordou em reconhecer Frederico como vassalo da Santa Sé. Enquanto isso, Bonifácio VIII dirigira sua atenção também para o norte da Itália, onde, durante um período de quarenta anos, as duas repúblicas rivais de Veneza e Gênova vinham realizando uma amarga disputa por supremacia comercial no Levante. Uma cruzada era quase impossível sem a cooperação ativa desses dois poderes. O papa, portanto, comandou uma trégua até 24 de junho de 1296 e ordenou que ambos os competidores enviassem embaixadores a Roma com o objetivo de organizar os termos de paz. Os venezianos estavam inclinados a aceitar sua mediação; não era assim que os genoveses, que foram exaltados pelo seu sucesso. A guerra continuou até 1299, quando as duas repúblicas foram obrigadas finalmente a concluir a paz por pura exaustão, mas mesmo assim a intervenção do papa foi rejeitada. Os esforços feitos por Bonifácio VIII para restaurar a ordem em Florença e na Toscana revelaram-se igualmente fúteis. Durante os últimos anos do século XIII, a grande cidade Guelfa foi destruída pelas violentas dissensões dos Bianchi e dos Neri. Os Bianchi ou brancos, de tendências gibelinas, representavam o partido popular e continham alguns dos homens mais ilustres de Florença – Dante Alighieri, Guido Cavalcanti e Dino Compagni. Os Neri ou os Negros, professando os antigos princípios Guelfos, representavam os nobres ou a aristocracia da cidade. Cada partido, conforme ganhava a ascendência enviava seus adversários para o exílio. Depois de uma tentativa vã de reconciliar os líderes dos dois partidos, Vieri dei Cerchi e Corso Donati, o papa enviou o cardeal Matteo d’Acquasparta como legado papal para mediar e estabelecer a paz em Florença. O legado não teve sucesso e logo retornou a Roma deixando a cidade sob interdito. Para o final de 1300, Bonifácio VIII convocou a sua ajuda Carlos de Valois, irmão de Filipe, o belo. Nomeado Capitão-Geral da Igreja e investido com o governo da Toscana (em conseqüência da vacância do império), o príncipe francês recebeu plenos poderes para efetuar a pacificação da cidade. Valois chegou a Florença em 1 de novembro de 1301. Mas, em vez de agir como o pacificador oficial do papa, ele se comportou como um destruidor implacável. Após cinco meses de sua administração partidária, os Neri foram supremos e muitos dos Brancos exilados e arruinados – entre eles Dante Alighieri. Além de atrair para si e para o papa o amargo ódio do povo florentino, Carlos não havia conseguido nada. (Levi, Bonifazio VIII e le sue relazioni col commune di Firenze, in Archiv. Soc. Rom. Di Storia Patria, 1882, V, 365-474. Cf. Franchetti, Nuova Antologia, 1883, 23-38.) Pode ser notado aqui que muitos eruditos de renome questionam seriamente a famosa embaixada de Dante para Bonifácio VIII na última parte de 1301. A única evidência contemporânea para apoiar a missão do poeta é uma passagem em Dino Compagni, e mesmo isso é visto por alguns como uma interpolação posterior. Enquanto se esforçava para promover relações pacíficas entre vários estados do norte e do sul da Itália, Bonifácio envolvera-se numa luta desesperada em Roma com dois membros rebeldes do Sacro Colégio, Jacopo Colonna e seu sobrinho Pietro Colonna. Os cardeais de Colonna eram príncipes romanos da mais alta nobreza e pertenciam a uma poderosa família italiana que tinha numerosos palácios e fortalezas em Roma e na Campagna. O estranhamento que ocorreu entre eles e Bonifácio, no início de 1297, foi principalmente devido a duas causas. Jacopo Colonna, a quem foi conferida a administração das vastas posses da família Colonna, violou os direitos de seus irmãos, Matteo, Ottone e Landolfo, apropriando-se da propriedade que lhes pertencia e concedendo-a a seus sobrinhos. Para obter reparação, recorreram ao papa, que decidiu em favor deles e repetidamente advertiu o cardeal a lidar justamente com seus irmãos. Mas o cardeal e seus sobrinhos se ressentiram amargamente da intervenção do papa e obstinadamente recusaram-se a aceitar sua decisão. Além disso, os cardeais de Colonna haviam se comprometido seriamente mantendo relações altamente traiçoeiras com os inimigos políticos do papa – primeiro com Tiago II de Aragão e depois com Frederico III da Sicília. Advertências repetidas contra essa aliança não valeram nada, Bonifácio, no interesse de sua própria segurança, ordenou aos Colonna que recebessem guarnições papais em Palestrina – o lar ancestral da família – e em suas fortalezas Zagarolo e Colonna. Isso eles se recusaram a fazer e imediatamente romperam todas as relações com o papa. Em 4 de maio de 1297, Bonifácio convocou os cardeais para a sua presença, e quando, dois dias depois (6 de maio), eles apareceram, ele ordenou que fizessem três coisas: restaurar a remessa de ouro e prata que seu parente Stefano Colonna havia sequestrado e roubado do sobrinho do papa, Pietro Gaetani, enquanto o trazia de Anagni para Roma; entregar Stefano como prisioneiro do papa; e entregar Palestrina junto com as fortalezas Zagarolo e Colonna. Eles cumpriram a primeira dessas demandas, mas rejeitaram as outras duas. Então Bonifácio em 10 de maio de 1297, emitiu uma Bula “In excelso throno”, privando os cardeais rebeldes de suas dignidades, pronunciando sentença de excomunhão contra eles, e ordenando-os, dentro de um espaço de dez dias, a fazerem sua submissão sob penalidade de perder sua propriedade. Na manhã do mesmo dia (10 de maio) os Colonna tinham anexado às portas de várias igrejas romanas, e até mesmo colocado sobre o altar de São Pedro, um manifesto, no qual eles declararam a eleição de Bonifácio VIII inválida sob o fundamento de que a abdicação de Celestino V não era canônica, acusando Bonifácio de contornar o seu santo predecessor, e apelando a um concílio ecumênico de quaisquer passos que pudessem ser tomados contra eles pelo papa. Este protesto compilado em Longhezza, com a assistência de Fra Jacopone da Todi e de outros dois Espirituais, anteciparam um pouco a bula papal, em resposta a qual, entretanto, os Colonna emitiram o segundo manifesto (16 de maio) contendo inúmeras acusações contra Bonifácio e apelando novamente a um concílio ecumênico. O papa encarou esse procedimento corajoso com maior severidade. No dia 23 de maio de 1297, uma segunda bula, “Lapis abscissus”, confirmou a excomunhão anterior, e estendeu-a aos cinco sobrinhos de Jacopo com seus herdeiros, declarou-os cismáticos, desonrados, seus bens confiscados e ameaçados com o interdito todos os lugares que o recebessem. Bonifácio, ao mesmo tempo, apontou como os próprios cardeais de Colonna favoreceram sua eleição (no conclave eles votaram em Gaetani desde o início, como estiveram entre aqueles que aconselharam a abdicação de Celestino), o reconheceram publicamente como papa, compareceram a coroação dele, entreteve-o como convidado em Zagarolo, participaram de seus consistórios, assinaram com ele todos os documentos do estado e durante quase três anos foram seus ministros fiéis no altar. Os rebeldes responderam com um terceiro manifesto (15 de junho) e imediatamente começaram a preparar suas fortalezas para a defesa. Bonifácio agora se retirou de Roma para Orvieto, onde, em 4 de setembro de 1297, declarou guerra e confiou o comando das tropas pontifícias a Landolfo Colonna, irmão de Jacopo. Em dezembro do mesmo ano, ele até proclamou uma cruzada contra seus inimigos. As fortalezas e castelos dos Colonna foram tomadas sem muita dificuldade. Palestrina (Præneste), a melhor de suas fortalezas, sozinha resistiu por algum tempo, mas em setembro de 1298, também foi forçada a se render. Dante diz que foi obtido por traição por “longas promessas e apresentações curtas”, como aconselhou Guido de Montefeltro, mas a história do implacável gibelino já foi desacreditada há muito tempo. Vestidos de luto, com um cordão no pescoço, os dois cardeais, com outros membros da família rebelde, foram até Rieti para se lançar aos pés do pontífice e implorar seu perdão. Bonifácio recebeu os cativos em meio a todos os esplendores da corte papal, concedeu-lhes perdão e absolvição, mas recusou-se a restaurá-los às suas dignidades. Palestrina foi arrasada até o chão, o arado cravado e o sal espalhado sobre suas ruínas. Uma nova cidade – a Città Papale – mais tarde a substituiu. Quando pouco depois os Colonna organizaram outra revolta (que entretanto foi rapidamente reprimida), Bonifácio mais uma vez proscreveu e excomungou o clã turbulento. Suas propriedades foram confiscadas, e a maior parte delas foi concedida a nobres romanos, mais especificamente a Landolfo Colonna, os Orsini e aos parentes do papa. Os cardeais de Colonna e os principais membros da família agora se retiraram dos Estados da Igreja – alguns procurando abrigo na França, outros na Sicília. (Denifle, veja abaixo, e Petrine, Memorie Prænestine, Roma, 1795.) No início do reinado de Bonifácio, Eric VIII da Dinamarca aprisionou injustamente Jens Grand, arcebispo de Lund. Isarno, Arcipreste de Carcanossa, foi comissionado (1295) por Bonifácio para ameaçar o rei com penas espirituais, a menos que o arcebispo fosse libertado, aguardando a investigação do assunto em Roma, para onde o rei foi convidado a enviar representantes. Estes últimos foram realmente enviados, mas foram recebidos em Roma pelo Arcebispo Grand, que entretanto escapou. Bonifácio decidiu pelo arcebispo e, quando o rei se recusou a ceder, excomungou-o e colocou o reino sob interdito (1298). Em 1303, Eric cedeu, embora seu adversário tenha sido transferido para Riga e sua sé (1304) dada para o legado Isarnus. Na Hungria Chambert ou Canroberto de Nápoles reivindicaram a coroa vaga como descendente de Santo Estêvão no lado da roca, e foi apoiado pelo papa em sua qualidade de senhor e protetor tradicional da Hungria. Os nobres, no entanto, elegeram André III, e em sua morte precoce (1301) escolheram Ladislau, filho de Venceslau II da Boêmia. Eles não prestaram atenção ao interdito do legado papal, e a arbitragem de Bonifácio foi finalmente declinada pelos enviados de Venceslau. Este último havia aceitado dos nobres poloneses a Coroa da Polônia, vaga devido ao banimento (1300) de Ladislau I. A advertência solene do papa e seu protesto contra a violação de seu direito como soberano da Polônia foram ignorados por Venceslau, que Além disso, logo se aliou a Filipe, o belo. Na Alemanha, com a morte de Rodoldo de Habsburgo(1291), seu filho Alberto, duque da Áustria, declarou-se rei. Os eleitores, no entanto, escolheram (1292) o Conde Adolfo de Nassau, ao que Alberto se submeteu. O governo de Adolfo mostrou-se insatisfatório, três dos eleitores o depuseram em Mainz (23 de junho de 1298) e entronizaram Alberto. Os reis rivais apelaram para as armas; em Göllheim, perto de Worms, Adolfo perdeu (2 de julho de 1298) sua vida e sua coroa. Alberto foi reeleito rei pela Dieta de Frankfurt e coroado em Aachen (24 de agosto de 1298). Os eleitores haviam procurado regularmente de Bonifácio o reconhecimento de sua escolha e consagração imperial. Ele recusou ambas sob a razão das acusações de que Alberto era o assassino de seu suserano. Muito em breve Alberto estava em guerra com os três arcebispos-eleitores renanos, e em 1301 o papa o convocou a Roma para responder a várias acusações. Vitorioso em batalha (1302), Alberto enviou agentes a Bonifácio com cartas em que ele negou ter matado o rei Adolfo, nem tinha procurado a batalha voluntariamente, nem assumiu o título real enquanto Adolfo vivia, etc. Bonifácio eventualmente reconheceu sua eleição (30 de abril). 1303). Um pouco depois (17 de julho), Alberto renovou o juramento de fidelidade do pai à Igreja romana, reconheceu a autoridade papal na Alemanha, estabelecida por Bonifácio (maio de 1300), e prometeu não enviar nenhum vigário imperial à Toscana ou à Lombardia nos próximos cinco anos sem o consentimento do papa, e defender a Igreja Romana contra seus inimigos. Em sua tentativa de preservar a independência da Escócia, Bonifácio não teve sucesso. Após a derrubada e aprisionamento de João Baliol, e a derrota de Wallace (1298), o Conselho Escocês de Regência enviou enviados ao papa para protestar contra a superioridade feudal da Inglaterra. Bonifácio, disseram eles, era o único juiz cuja jurisdição se estendia sobre ambos os reinos. Seu reino pertencia ao direito da Sé romana e a nenhum outro. Bonifácio escreveu a Eduardo I (27 de junho de 1299) lembrando-o, diz Lingardo, “quase nas próprias palavras do memorial escocês”, que a Escócia pertencia desde a antiguidade e ainda pertencia à sé romana; o rei deveria cessar toda agressão injusta, libertar seus cativos e procurar na corte de Roma, dentro de seis meses, quaisquer direitos que ele reivindicasse para toda ou parte da Escócia. Esta carta chegou ao rei depois de muito atraso, pelas mãos de Roberto de Winchelsea, arcebispo de Cantuária, e foi colocada por Eduardo antes de um parlamento convocado para se reunir em Lincoln. Em sua resposta (27 de setembro de 1300), este último negou, sobre os nomes dos 104 senhores leigos, a alegação papal de suserania sobre a Escócia, e afirmou que um rei da Inglaterra nunca havia apelado a nenhum juiz, eclesiástico ou secular, seus direitos na Escócia ou quaisquer outros direitos temporais, nem lhes permitiriam fazê-lo, se assim ele estivesse inclinado (Lingard, II, cap. vii). O rei, no entanto (em 7 de maio de 1301), complementou esse ato com um livro de memórias em que expunha sua visão real das relações históricas da Escócia e da Inglaterra. Em sua resposta a este argumento, os representantes da Escócia reafirmam a imemorial suserania da Igreja Romana sobre a Escócia “a propriedade, o peculiar alódio da Santa Sé”; em todas as controvérsias, eles disseram, entre esses reinos iguais e independentes é para seu igual superior, a Igreja de Roma, que o recurso deveria ser tido. Este conflito um pouco acadêmico logo parecia impossível em Roma, devido à violência mútua e brigas do partido mais fraco (Bellesheim, “Hist. Da Cath. Igreja da Escócia”, Londres, 1887, II, 9-11), e é de menos importância do que as relações tensas entre Bonifácio e Eduardo, a propósito da tributação injusta do clero. Em 1294, de sua própria autoridade, Eduardo I sequestrou todo o dinheiro encontrado nos tesouros de todas as igrejas e mosteiros. Logo ele exigiu e obteve do clero metade de suas rendas, tanto de taxas fixas quanto de benefícios. No ano seguinte, ele pediu um terceiro ou quarto, mas eles se recusaram a pagar mais do que um décimo. Quando, na Convocação de Cantuária (novembro de 1296), o rei exigiu um quinto de sua renda, o arcebispo Robert de Winchelsea, em consonância com a nova legislação de Bonifácio, ofereceu consultar o papa, após o qual o rei tornou ilegal o clero, secular e regular, e apoderou-se de todas as suas taxas, bens e bens móveis. A província do norte de York rendeu-se; na Província de Cantuária muitos resistiram por um tempo, entre eles o corajoso arcebispo, que se retirou para uma paróquia rural. Eventualmente, ele foi reconciliado com o rei, e seus bens foram restaurados, mas como Eduardo logo depois exigiu por si só um terço de todas as receitas eclesiásticas, seu reconhecimento da Bula “Clericis laicos” foi evanescente. O memorável conflito com Filipe, o belo da França, começou no início do reinado do papa e não terminou nem mesmo com o trágico fim de seu pontificado. O objetivo principal do papa era uma paz européia geral, no interesse de uma cruzada que quebraria para sempre, no que parecia um momento favorável, o poder do Islã. O principal obstáculo imediato para tal paz estava na guerra entre a França e a Inglaterra, causada pela apreensão injusta de Filipe da Gasgonha (1294). Os principais combatentes continuaram a guerra às custas da Igreja, cujos representantes foram duramente sobrecarregados. Tal tributação foi freqüentemente permitida no passado pelos papas, mas apenas para o propósito (real ou alegado) de uma cruzada; agora foi aplicado em ordem para aumentar a receita dos eclesiásticos para a guerra puramente secular. Os legados enviados por Bonifácio a ambos os reis algumas semanas depois de sua elevação, realizaram pouco; esforços posteriores foram inúteis pela atitude teimosa de Filipe. Nesse meio tempo, numerosos protestos do clero francês levaram o papa à ação, e com a aprovação de seus cardeais ele publicou (24 de fevereiro de 1296) a Bula “Clericis laicos”, na qual ele proibia os leigos de exigirem ou receberem, e o clero a entregar, receitas eclesiásticas ou propriedades, sem permissão da Sé Apostólica; príncipes impondo tais exações e eclesiásticos que se submetem a eles foram declarados excomungados. Outros papas do século XIII e o Terceiro e Quarto Concílios de Latrão (1179, 1215) haviam legislado de forma semelhante contra os opressores do clero; além, portanto, da linha de abertura da Bula, que parecia ofensiva como reflexo dos leigos em geral (Clericis laicos infunde esse oppido tradit antiquitas, ie, “Toda a história mostra claramente a inimizade dos leigos em relação ao clero” – na realidade, um provério nas escolas e tomado de fontes anteriores), não havia nada em seus termos muito gerais para despertar particularmente a ira real. Filipe, no entanto, ficou indignado e logo retaliou por um decreto real (17 de agosto) proibindo a exportação de ouro ou prata, pedras preciosas, armas e alimentos de seu reino. Ele também proibiu os comerciantes estrangeiros de permanecer por mais tempo dentro de seus limites. Essas medidas afetaram imediatamente a Igreja Romana, pois atraiu grande parte de sua receita da França, inclusive do dinheiro das cruzadas, de onde os numerosos coletores papais foram doravante banidos. O rei também fez com que fosse preparado um anúncio (nunca promulgado) sobre a obrigação dos eclesiásticos de arcar com o fardo público e o caráter revogável das imunidades eclesiásticas. (Para as contribuições generosas do clero francês aos fardos nacionais, ver as estatísticas exaustivas de Bourgain em “Rev. des quest. Hist.”, 1890, XLVIII, 62.) Na bula “Ineffabilis Amor” (20 de setembro) Bonifácio protestou vigorosamente contra esses atos reais e explicou que ele nunca pretendia proibir os presentes voluntários do clero ou contribuições necessárias para a defesa do reino, dos quais o rei e seu conselho eram os juízes. Durante o ano de 1297 o papa buscou de várias maneiras apaziguar o amargamento real, notavelmente pela Bula “Etsi de Statu” (31 de julho), sobretudo pela canonização (11 de agosto de 1297) do avô do rei, Luís IX. O decreto real foi retirado e o incidente doloroso parecia fechado. Nesse ínterim, a trégua que, em 1296, Bonifácio tentara impor a Filipe e Eduardo, foi finalmente aceita pelos dois reis no início de 1298, por um espaço de dois anos. Os assuntos em disputa foram encaminhados a Bonifácio como árbitro, embora Filipe o aceitasse não como papa, mas como uma pessoa privada, como Benedetto Gaetano. O arbítro, favorável a Filipe, foi emitido (27 de junho) por Bonifácio em um consistório público. No Jubileu de 1300, o elevado espírito de Bonifácio poderia reconhecer uma compensação e um consolo para as humilhações anteriores. Esta celebração única, o apogeu do esplendor temporal do papado (Zaccaria, De anno Jubilæi, Roma, 1775), foi formalmente inaugurada pelo papa na festa dos Santos Pedro e Paulo (29 de junho). Giovanni Villani, uma testemunha ocular, relata em sua crônica florentina que cerca de 200.000 peregrinos estavam constantemente na cidade. Era necessário fazer uma abertura na parede da cidade Leonina, perto do Tibre, para que a multidão pudesse ter uma maior liberdade de movimento. Peregrinos vinham de todos os países da Europa e até da Ásia distante. Agourento o suficiente, para nós, exceto o filho mais velho do rei de Nápoles, nenhum dos reis ou príncipes da Europa vieram prestar seus respeitos ao Vigário de Cristo. A segunda coroa na tiara papal, indicativa do poder temporal, é dita que data do reinado de Bonifácio, e pode ter sido acrescentada neste momento. Nesse meio tempo, Filipe continuou de maneira impiedosa sua opressão fiscal da Igreja, e abusou mais do que nunca da chamada regalia, ou privilégio real de coletar as receitas de uma diocese durante sua vacância. Desde meados de 1297, os exilados Colonna encontrara refúgio e simpatia na corte de Filipe, de onde difundiram acusações caluniosas contra Bonifácio, e insistiram na convocação de um concílio geral para sua deposição. O absolutismo real foi agora incitado por sugestões de um domínio cristão universal sob a hegemonia da França. O novo estado deveria garantir, além da Terra Santa, uma paz universal. Ambos os impérios, o bizantino e o alemão, deveriam ser incorporados a ele, e o papado se tornaria um patriarcado puramente espiritual, suas temporalidades administradas pelo rei francês, que pagaria ao papa um salário anual correspondente ao seu cargo. Tal foi o novo Bizantinismo delineado em um trabalho sobre a recuperação da Terra Santa (“De recuperatione terræ sanctæ”, em Bongars, “Gesta Dei per Francos”, II, 316-61, ed. Langlois, Paris, 1891), e embora apenas o trabalho privado de Pierre Dubois, um funcionário público de Filipe, provavelmente refletiu algum plano fantástico do rei (Finke, Zur Charakteristik, 217-18). Na primeira metade de 1301, Bonifácio comissionou Bernardo de Saisset, bispo de Pamiers (Languedoc), como legado de Filipe. Ele deveria protestar contra a contínua opressão do clero e instar o rei a aplicar conscientemente a uma cruzada os dízimos eclesiásticos coletados pelos indultos papais. Por várias razões, De Saisset não era um enviado bem-vindo (Langlois, Hist. De France, org. Lavisse, III, 2, 143). Em seu retorno a Pamiers, ele foi acusado de discurso traiçoeiro e incitação à insurreição, foi trazido para Paris (12 de julho de 1301), daí para Senlis, onde foi considerado culpado em um julgamento dirigido por Pierre Flote e conhecido pelos historiadores modernos ( Von Reumont) como “modelo de injustiça e violência”. De Saisset, em vão, protestou pela sua inocência e negou a competência do tribunal civil; ele foi temporariamente entregue aos cuidados do Arcebispo de Narbonna, enquanto Pierre Flote e Guillaume de Nogaret foram a Roma para garantir de Bonifácio a degradação de seu legado e sua entrega à autoridade secular. Bonifácio agiu com decisão. Ele exigiu do rei a libertação imediata de De Saisset e escreveu ao arcebispo de Narbonna para não mais detê-lo. Pela bula “Salvator Mundi” retirou os indultos pelos quais o rei francês arrecadou canonicamente receitas eclesiásticas para a defesa do reino, isto é, restabeleceu em vigor o “Clericis laicos” e na famosa Bula “Ausculta Fili” ( O Filho, de 5 de dezembro de 1301, ele se destacou como o porta-voz do papado medieval e como o genuíno sucessor dos Gregorianos e dos Inocêncios. Nela ele apela ao rei para ouvir o Vigário de Cristo, que é colocado sobre reis e reinos (cf. Jeremias 1:10). Ele é o guardião das chaves, o juiz dos vivos e dos mortos, e senta-se no trono da justiça, com poder para extirpar toda a iniqüidade. Ele é o chefe da Igreja, que é uma e única, e não um monstro de muitas cabeças, e tem plena autoridade divina para arrancar e destruir, para construir e plantar. Não deixe o rei imaginar que ele não tenha superior, não esteja sujeito à mais alta autoridade da Igreja. O papa está preocupado com o bem-estar de todos os reis e príncipes, mas particularmente para a casa da França. Em seguida, ele relata suas muitas queixas contra o rei, a aplicação de bens eclesiásticos a usos seculares, procedimento despótico em arrastar eclesiásticos perante tribunais civis, impedimento da autoridade episcopal, desrespeito a provisões e benefícios papais e opressão do clero. Ele não será mais responsável pela proteção (custodia) da alma do monarca, mas decidiu, após consultar seus cardeais, chamar a Roma para 4 de novembro de 1302 bispos e doutores de teologia franceses, principais abades, etc. , para “dispor o que é adequado para a correção de abusos e para a reforma do rei e do reino”. Ele convida o rei a estar presente pessoalmente ou através de representantes, o adverte contra seus conselheiros malignos e, finalmente, lembra-o eloqüentemente da real negligência de uma cruzada. Um leitor imparcial, diz Von Reumont, verá que o documento é apenas uma repetição de declarações papais anteriores e retoma o ensinamento dos teólogos medievais mais estimados sobre a natureza e a extensão da autoridade papal. Foi apresentada ao rei (10 de fevereiro de 1302) por Jacques de Normans, arquidiácono de Narbonna. O conde d’Artois arrancou-o das mãos do arquidiácono e lançou-a no fogo; outra cópia destinada ao clero francês foi suprimida (Hefele, 2d ed., VI, 329). No lugar da “Ausculta Fili”, circulava imediatamente uma Bula forjado, “Deum time” (Deus do medo), muito provavelmente o trabalho de Pierre Flote, e com igual probabilidade aprovada pelo rei. Suas cinco ou seis breves linhas arrogantes foram realmente elaboradas para incluir a frase fatídica, Scire te volumnus quod em spiritualibus et temporalibus nobis subes (ou seja, desejamos que você saiba que vós sois nosso súdito tanto em assuntos espirituais quanto temporais). Também foi adicionado (uma coisa odiosa para o neto de São Luís) que quem negasse isso era um herege. Em vão o papa e os cardeais protestaram contra a falsificação; em vão o papa explicou, um pouco depois, que a sujeição mencionada na Bula era apenas ratione peccati, ou seja, que a moralidade de todo ato real, privado ou público, estava dentro da prerrogativa papal. O tom geral da “Ausculta Fili”, suas admoestações pessoais formuladas em linguagem escriturística severa, sua proposta de prover de Roma uma administração boa e próspera do Reino francês, não foram calculadas para acalmar nesta conjuntura as mentes dos franceses já agitados por os eventos dos anos precedentes. Também é improvável que Bonifácio fosse pessoalmente muito popular com o clero secular francês, cuja petição (1290) contra as invasões das ordens regulares que ele havia rejeitado em sua maneira áspera e sarcástica, quando legado em Paris (Finke em “Römische Quartalschrift”, 1895). IX Em sua resposta, Bonifácio flagelou os bispos por sua covardia, respeito humano e egoísmo; ao mesmo tempo, utilizou, à sua maneira, não poucas expressões ofensivas ao orgulho dos eclesiásticos franceses e derramou sarcasmo sobre a pessoa do poderoso Pierre Flote (Hefele). Finalmente, em um consistório público (agosto de 1302) em que os enviados do rei estavam presentes, o Cardeal-Bispo de Porto negou formalmente que o papa tivesse reivindicado alguma soberania temporal sobre a França e afirmou que a genuína Bula (Ausculta Fili) tinha sido bem pensada e foi um ato de amor, apesar da severidade paternal de certas expressões. Ele insistiu que o rei não era mais livre do que qualquer outro cristão da suprema jurisdição eclesiástica do papa e mantinha a unidade da autoridade eclesiástica. A Sé Apostólica, disse ele, não era território estrangeiro, nem seus nomeados poderiam ser chamados justamente de estrangeiros. Quanto ao resto, o papa tinha plena autoridade em questões temporais ratione peccati, isto é, no que diz respeito à moralidade dos atos humanos. Ele prosseguiu, no entanto, para dizer que na jurisdição temporal é preciso distinguir o direito (de jure) e seu uso e execução (usus et executio). O primeiro pertencia ao papa como vigário de Cristo e de Pedro; negar era negar um artigo de fé, isto é, que Cristo julga os vivos e os mortos. Esta afirmação, diz Hefele (2a ed., VI, 346), “deve ter aparecido para os franceses como bastante destrutiva da ratione peccati citada anteriormente. Gregório IX havia mantido (1232, 1236), em seu conflito com os gregos e com Frederico II, que Constantino, o Grande tinha dado poder temporal aos papas, e que os imperadores e reis eram apenas seus auxiliares, obrigados a usar a espada material em sua direção (Conciliengesch, 2ª ed., V, 102, 1044). A teoria, no entanto, nunca tinha sido oficialmente apresentada contra a França, e era mais provável que despertasse oposição naquela nação, já que agora não era uma questão de teoria, mas de uma situação prática, isto é, da investigação do governo de Filipe e a ameaça de sua deposição “. Ele se refere às palavras finais do discurso com as quais Bonifácio complementou a do Cardeal-Bispo do Porto, a saber, que seus predecessores haviam deposto três reis franceses e, embora desiguais com tais papas, ele, por mais doloroso que fosse, iria depor o rei Filipe, sicut unum garcionem (como um servo); ele acha que não é impossível (Hergenröther, Kirche und Staat, 229; Hefele, IV, 344) que a presente dura conclusão do discurso de Bonifácio seja uma das numerosas falsificações de Pierre Flote e Nogaret. Na primeira metade deste discurso, o papa insiste no grande desenvolvimento da França sob proteção papal, nas falsificações descaradas de Pierre Flote, na natureza eclesiástica exclusiva da concessão (collatio) dos benefícios e na preferência papal pelos doutores de teologia como contra o nepotismo leigo em matéria de benefícios. Ele está indignado com a afirmação de que ele reivindicou a França como um feudo papal. “Temos sido um doutor de ambas as leis (civil e canônica) nestes quarenta anos, e quem pode acreditar que essa loucura [fatuitas] tenha entrado em nossa cabeça?” Bonifácio também expressou sua disposição de aceitar a mediação do duque de Borgonha ou do duque da Bretanha; os esforços do primeiro, no entanto, não serviram, pois os cardeais insistiram na satisfação pela queima da Bula papal e pelos ataques caluniosos contra Bonifácio. O rei respondeu confiscando os bens dos eclesiásticos que partiram para o Concílio Romano, que se reuniu em 30 de outubro de 1302. Estavam presentes quatro arcebispos, trinta e cinco bispos, seis abades e vários doutores. Suas Atas desapareceram, provavelmente durante o processo contra a memória de Bonifácio (1309-11). Duas Bulas, no entanto, foram emitidas como resultado de suas deliberações. Uma deles excomungou quem impediu, aprisionou ou maltratou pessoas que viajavam ou retornavam de Roma. A outro (18 de novembro de 1302) é a famoso “Unam Sanctam”, provavelmente a composição de Egídio Colonna, arcebispo de Bourges e membro do concílio, e em grande parte composta por passagens de teólogos famosos como São Bernardo, Hugo de São Victor, São Tomás de Aquino e outros. Seus principais conceitos são os seguintes (Hergenröther-Kirsch, 4ª ed., II, 593): (1) Existe apenas uma Igreja verdadeira, fora da qual não há salvação; mas um corpo de Cristo com uma cabeça e não duas. (2) Essa cabeça é Cristo e Seu representante, o papa romano; quem recusa o cuidado pastoral de Pedro não pertence ao rebanho de Cristo. (3) Existem duas espadas (ou seja, poderes), a espiritual e o temporal; a primeira nascida pela Igreja, a segunda pela Igreja; a primeiro pela mão do padre, a segundo pelo rei, mas sob a direção do sacerdote (ad nutum et patientiam sacerdotis). (4) Como deve haver uma coordenação de membros do mais baixo ao mais alto, segue-se que o poder espiritual está acima do temporal e tem o direito de instruir (ou estabelecer – instituere) a última em relação ao seu objetivo mais elevado e julgar quando faz mal; quem resiste ao mais alto poder ordenado de Deus resiste ao próprio Deus. (5) É necessário para a salvação que todos os homens estejam sujeitos ao Romano Pontífice – “Porro subesse Romano Pontifici omni humanæ creaturæ declaramus, dicimus, definimus et pronunciation omnino esse de necessitate salutis”. Filipe teve uma refutação da Bula preparada pelo dominicano Jean Quidort (Joannes Parisiensis) em seu “Tractatus de potestate regiâ et papali” (Goldast, Monarchia). , ii, 108 sq.), e o conflito passou de uma vez do domínio de princípio para a pessoa de Bonifácio. O rei agora rejeitava o papa como árbitro em suas disputas com a Inglaterra e Flandres, e deu uma resposta cortês mas evasiva ao Legado, Jean Lemoine, que o papa enviou (fevereiro de 1303) em uma missão de paz, mas com insistência, entre outras condições, no reconhecimento dos direitos supracitados do papado. Lemoine foi mais uma vez encarregado de declarar a Filipe que, na falta de uma resposta mais satisfatória aos doze pontos da carta papal, o papa prosseguiria espiritualiter et temporaliter contra ele, isto é, iria excomungá-lo e depô-lo. Bonifácio também enviou a Lemoine (13 de abril de 1303) dois Breves, em um dos quais ele declarou o rei já excomungado, e no outro ordenou que todos os prelados franceses viessem a Roma dentro de três meses. Nesse meio-tempo, fermentava em Paris a tempestade em que o pontificado de Bonifácio estava tão desastrosamente encerrado. Filipe concluiu a paz com a Inglaterra, contemporizou com os flamengos e fez concessões a seus súditos. Bonifácio, por seu lado, reconheceu, como dissemos, a eleição de Alberto da Áustria, e pôs fim a seu conflito desesperado com o rei da Sicília aragonesa. Caso contrário, ele pareceria politicamente impotente e só podia confiar, como declarou publicamente, em seu senso de direito e dever. Eventos posteriores mostraram que em sua própria casa ele não podia contar com lealdade. Em uma extraordinária sessão do Conselho de Estado francês (12 de março de 1303), Guillaume de Nogaret apelou a Filipe para proteger a Santa Igreja contra o intruso e falso papa Bonifácio, um simonista, ladrão e herege, sustentando que o rei, além disso , deveria convocar uma assembléia de prelados e pares da França, através de cujos esforços um concílio geral poderia ser convocado, diante do qual ele provaria suas acusações. Tal assembléia foi convocada para 13 de junho e se reuniu no Louvre em Paris. O mensageiro papal com os referidos breves para o legado foi capturado em Troyes e aprisionado; O próprio Lemoine, depois de protestar contra essa violência, fugiu. Nesta assembléia, repleta de amigos ou criaturas de Filipe, o cavaleiro Guillaume de Plaisians (Du Plessis) apresentou uma acusação solene contra o papa em vinte e nove pontos, se ofereceu para provar a mesma, e implorou ao rei que providenciasse um concílio geral. O sColonna forneceram o material para essas acusações infames, há muito tempo julgadas caluniosas por historiadores graves (Hefele, Conciliengesch, 2ª ed., VI, 460-63; Giovanni Villani, um contemporâneo, diz que o Concílio de Vienne, em 1312, formalmente absolveu-o da acusação de heresia. Cf. Muratori, “SS. Rer. Ital.”, XIV, 454; Raynaldus, ad an. 1312, 15-16). Quase nenhum crime possível foi omitido – infidelidade, heresia, simonia, imoralidade grosseira e antinatural, idolatria, magia, perda da Terra Santa, morte de Celestino V, etc. O rei afirmou que era apenas para satisfazer sua consciência e proteger a honra da Santa Sé de que ele iria cooperar na convocação de um concílio geral, pediu a ajuda dos prelados, e apelou (contra qualquer possível ação de Bonifácio) para o futuro concílio, o futuro papa, e para todos a quem apelar pudesse ser feito. Cinco arcebispos, vinte e um bispos e alguns abades ficaram do lado do rei. As resoluções da assembléia foram lidas para o povo, e várias centenas de adesões foram obtidas de capítulos, mosteiros e cidades provinciais, principalmente por meio de violência e intimidação. O abade de Cîteaux, Jean de Pontoise, protestou, mas foi preso. Cartas reais foram enviadas aos príncipes da Europa, também aos cardeais e bispos, expondo o novo zelo do rei pelo bem-estar da Santa Igreja. Em um consistório público em Anagni (agosto de 1303) Bonifácio se declarou inocente em seu juramento solene sobre as acusações feitas contra ele em Paris e prosseguiu imediatamente para proteger a autoridade apostólica. As citações perante a Santa Sé foram declaradas válidas pelo simples fato de serem afixadas nas portas da igreja na sede da Cúria Romana, e ele excomungou todos os que impediam tais citações. Ele suspendeu o arcebispo Gerhard de Nicósia (Chipre), o primeiro signatário das resoluções cismáticas. Aguardando a satisfação do papa, a Universidade de Paris perdeu o direito de conferir graus em teologia e em direito civil e canônico. Ele suspendeu temporariamente para a França o direito de eleição em todos os corpos eclesiásticos, reservou à Santa Sé todos os benefícios franceses vagos, repeliu como blasfêmias as acusações caluniosas de de Plaisians, dizendo “Quem já ouviu falar que éramos hereges?” (Raynaldus, ad an. 1311, 40), e denunciou o apelo a um futuro concílio geral que poderia ser convocado por ninguém menos que ele próprio, o legítimo papa. Ele declarou que, a menos que o rei se arrependesse, ele infligiria as mais severas punições da Igreja. A bula “Super Petri solio” estava pronta para ser promulgada em 8 de setembro. Continha na forma tradicional a solene excomunhão do rei e a libertação de seus súditos de seu juramento de fidelidade. Filipe, no entanto, e seus conselheiros haviam tomado medidas para roubar esse passo de toda a força, ou melhor, para impedi-lo em um momento decisivo. Fazia muito tempo que o plano deles era de capturar a pessoa de Bonifácio e obrigá-lo a abdicar ou, no caso de sua recusa, levá-lo a um concílio geral na França para condenação e deposição. Desde abril, Nogaret e Sciarra Colonna estiveram ativos na Toscana para a formação, às custas de Filipe, de um bando de mercenários, uma força de 2.000, em cavalos ou a pé. Muito cedo na manhã de 7 de setembro, o bando apareceu de repente diante de Anagni, sob os lírios da França, gritando: “Viva o rei da França e os Colonna!” Companheiros-conspiradores na cidade os admitiram, e eles imediatamente atacaram os palácios do papa e seu sobrinho. Os cidadãos ingratos confraternizaram-se com os sitiantes do papa, que entretanto conseguiram uma trégua até as três da tarde, quando ele rejeitou as condições de Sciarra, a restauração dos Colonna, abdicação e entrega a Sciarra da pessoa do papa. Por volta das seis horas, no entanto, a fortaleza papal foi penetrada pela catedral adjacente. Os soldados, Sciarra à frente, com a espada na mão (pois jurara matar Bonifácio), imediatamente encheram o salão onde o papa os esperava com cinco de seus cardeais, entre eles seu amado sobrinho Francesco, os quais fugiram em breve; apenas um espanhol, o cardeal de Santa Sabina, permaneceu ao seu lado até o fim. Nesse meio tempo, o palácio papal foi totalmente saqueado; até os arquivos foram destruídos. Dino Compagni, o cronista florentino, relata que, quando Bonifácio viu que uma resistência ainda maior era inútil, exclamou: “Como sou traído como o Salvador, e meu fim está próximo, pelo menos morrerei como papa”. Então subiu ao trono, vestido com os ornamentos pontifícios, a tiara na cabeça, as chaves numa das mãos, a cruz na outra, junto ao peito. Assim, ele confrontou os bravos homens de armas. Dizem que Nogaret impediu Sciarra Colonna de matar o papa. O próprio Nogaret deu a conhecer a Bonifácio as resoluções de Paris e ameaçou acorrentá-lo a Lyon, onde deveria ser deposto. Bonifácio olhou para ele, alguns dizem sem dizer uma palavra, outros que ele respondeu: “Aqui está minha cabeça, aqui está o meu pescoço; eu suportarei pacientemente que eu, um pontífice legal e católico e vigário de Cristo, seja condenado e deposto pelos Paterini [hereges, em referência aos pais do Tolosano Nogaret], eu desejo morrer pela fé de Cristo e Sua Igreja. ” Von Reumont afirma que não há provas dos maus-tratos físicos do papa cometidos por Sciarra ou Nogaret. Dante (Purgatorio, XX, 86) coloca mais ênfase na violência moral, embora suas palavras transmitam facilmente a noção de destrato físico: “Eu vejo a flor-de-luce Anagni entrar, e Cristo em seu próprio vigário cativo feito; eu vejo ele ainda outra vez zombado; vejo renovado o vinagre e fel, e entre os ladrões vivos vejo-o morto. ” Bonifácio foi detido por três dias como um prisioneiro próximo no palácio papal saqueado. Ninguém se importava em trazer comida ou bebida, enquanto os bandidos brigavam por sua pessoa, como um bem valioso. No início da manhã de 9 de setembro, os burgueses de Anagni haviam mudado de idéia, talvez cansados da presença dos soldados, e com vergonha de que um papa, o homem da cidade, morresse dentro de suas muralhas às mãos do odiado Francesi. Expulsaram Nogaret e seu bando e confidenciaram Bonifácio aos cuidados dos dois cardeais de Orsini, vindos de Roma com quatrocentos cavaleiros; com eles, ele retornou a Roma. Antes de deixar Anagni, ele perdoou vários dos saqueadores capturados pelos habitantes da cidade, exceto os saqueadores da propriedade da Igreja, a menos que a devolvessem em três dias. Ele chegou a Roma em 13 de setembro, mas apenas para ficar sob a vigilância estrita dos Orsini. Ninguém se perguntará se seu espírito ousado agora cedia sob o peso da dor e da melancolia. Ele morreu de uma violenta febre, 11 de outubro, em plena posse de seus sentidos e na presença de oito cardeais e os principais membros da casa papal, depois de receber os sacramentos e fazer a profissão de fé habitual. Sua vida parecia destinada a fechar-se na penumbra, pois, por conta de uma tempestade excepcionalmente violenta, ele foi enterrado, diz um velho cronista, com menos decência do que se tornou papa. Seu corpo está na cripta de São Pedro, em um grande sarcófago de mármore, inscrito laconicamente BONIFACIUS PAPA VIII. Quando seu túmulo foi aberto (9 de outubro de 1605), o corpo foi encontrado intacto, especialmente as mãos bem torneadas, refutando assim outra calúnia, que ele tinha morrido em um frenesi, roendo as mãos, batendo o cérebro contra o parede e afins (Wiseman). Bonifácio era um patrono das belas artes, como Roma nunca tinha visto entre seus papas, porém, como Guiraud nos adverte (p. 6), não é fácil separar o que é devido à própria iniciativa do papa do que devemos seu sobrinho e biógrafo, o cardeal Stefaneschi, amante de arte. Os historiadores modernos da arte renascentista (Müntz, Guiraud) datam seu primeiro progresso eficiente dele. A acusação de “idolatria” dos Colonna vem das estátuas de mármore que cidades agradecidas, como Anagni e Perugia, criaram para ele em locais públicos, “onde outrora havia ídolos”, diz um libelo anti-Bonifaciano contemporâneo (Guiraud, 4 ). A estátua Anagni fica ainda na catedral daquela cidade, reparada por ele. Ele também consertou e fortificou o palácio Gaetani em Anagni, e melhorou de maneira similar nas cidades vizinhas. Em Roma, o Palácio do Senador foi ampliado, Castel Sant ‘Anagelo fortificado, e a Igreja de San Lorenzo em Panisperna construída de novo. Ele encorajou o trabalho na catedral de Perugia, enquanto que a gema ornamental gótica, a catedral de Orvieto (1290-1309), foi em grande parte concluída durante o seu pontificado. Para o grande Jubileu de 1300, ele teve as igrejas de Roma restauradas e decoradas, notavelmente São João de Latrão, São Pedro e Santa Maria Maior. Ele chamou Giotto para Roma e deu-lhe ocupação constante. Um retrato de Bonifácio de Giotto ainda pode ser visto em São João de Latrão; em nossos dias, M. Müntz restaurou o conceito original, e nele é vista a nobre sacada de Cassetta, de onde, durante o jubileu, o pontífice costumava conceder à vasta multidão a bênção do vigário de Cristo. No tempo de Bonifácio, os Cosimati continuaram e melhoraram seu trabalho e, sob a influência de Giotto, subiram, como Cavallini, a conceitos superiores de arte. Os delicados miniaturistas franceses logo foram igualados pelos escribas do papa no Vaticano; dois gloriosos missais de Oderisio da Gubbio, “honra de Agubbio”, ainda podem ser vistos no Vaticano, onde viveu e trabalhou seu discípulo, igualmente imortalizado por Dante (Purg., XI, 79), que fala de “folhas risonhas tocadas pelo o pincel de Franco Bolognese “. Finalmente, a escultura foi homenageada por Bonifácio na pessoa de Arnolfo di Cambio, que construiu para ele a “Capela do Presépio” em Santa Maria Maior, e executou (Müntz) o sarcófago no qual ele foi enterrado. Bonifácio também era amigo das ciências. Ele fundou (6 de junho de 1303) a Universidade de Roma, conhecida como Sapienza, e no mesmo ano a Universidade de Fermo. Finalmente, foi Bonifácio quem recomeçou a Biblioteca do Vaticano, cujos tesouros foram espalhados, juntamente com os arquivos papais, em 1227, quando o frangipani romano passou para o lado de Frederico II e levou consigo a turris chartularia, ou seja, o antigo repositório dos documentos da Santa Sé. Os trinta e três manuscritos gregos da Biblioteca do Vaticano, contidos em 1311, são pronunciados pelo pe. Ehrle, a mais antiga e conhecida coleção medieval de obras gregas no Ocidente. Bonifácio honrou com solenidade aumentada (1298) as festas dos quatro evangelistas, doze Apóstolos e quatro Doutores da Igreja (Ambrósio, Agostinho, Jerônimo, Gregório Magno, egrégios ipsius doctores Ecclesiae) elevando-os à categoria de “festas duplas”. “. Ele foi um dos mais distintos canonistas de sua época, e como papa enriqueceu a legislação eclesiástica geral pela promulgação (“Sacrosanctæ”, 1298) de um grande número de suas próprias constituições e de seus antecessores, desde 1234, quando Gregório IX promulgou seus cinco livros de Decretais. Em referência a isso, a coleção de Bonifácio foi intitulada “Liber Sextus”, ou seja, o Sexto Livro das Constituições Pontifícias (Laurin, Introd. Em Corp. Juris can., Freiburg, 1889), sendo construído nas mesmas linhas. Poucos papas suscitaram apreciações mais diversas e contraditórias. Historiadores protestantes, em geral, e até escritores católicos modernos, escreveram o cardeal Wiseman em 1844, classificaram-no entre os papas perversos, como um homem ambicioso, arrogante e implacável, também enganoso e traiçoeiro, todo o seu pontificado um registro do mal. Para dissipar essa visão grosseiramente exagerada e até mesmo caluniosa, é bom distinguir suas declarações e feitos como papa de seu caráter pessoal, que mesmo em sua vida pareciam para muitos antipáticos. Um exame cuidadoso das fontes de seus mais famosos pronunciamentos públicos mostrou que eles são em grande parte um mosaico de ensinamentos de teólogos anteriores, ou reforços solenes dos cânones da Igreja e bulas bem conhecidas de seus predecessores. Seus principais objetivos, a paz da Europa e a recuperação da Terra Santa, eram os de todos os papas anteriores. Ele não fez mais do que seu dever em defender a unidade da Igreja e a supremacia da autoridade eclesiástica quando ameaçado por Filipe, o Belo. Suas relações político-eclesiásticas com os reis da Europa serão naturalmente atribuídas aos erastianos e àqueles que ignoram, por um lado, a avidez de um Eduardo e a astúcia vingativa e obtuso egoísmo de um Filipe e, por outro, o supremo ofício paternal do papa medieval como o respeitado chefe de uma poderosa família de povos, cujas instituições civis estavam apenas se aglutinando lentamente em meio à decadência do feudalismo e da antiga barbárie (Gosselin, Von Reumont), e que estavam há muito conscientes de que no passado deviam somente à Igreja (isto é, ao papa) justiça segura e rápida, tribunais e procedimentos eqüitativos, e alívio de um absolutismo feudal justificado por nenhum serviço público proporcional. “A mais alta e verdadeira visão do caráter e da conduta dos papas tem sido negligenciada”, diz o Cardeal Wiseman (op. Cit.); “o instinto divino que os animava, o destino imortal que lhes foi atribuído, a causa celestial que lhes era confiada, a ajuda sobre-humana que os fortalecia não podia ser apreciada senão por uma mente católica, e geralmente excluídas dos historiadores protestantes ou transformadas em capacidades humanas correspondentes, ou políticas, ou energias, ou virtudes “. Ele prossegue dizendo que, depois de examinar várias afirmações populares que afetam a conduta moral e eclesiástica de Bonifácio, este papa apareceu a ele sob uma nova luz, “como um pontífice que iniciou seu reinado com a mais gloriosa promessa e fechou em meio a tristes calamidades; que dedicou, através de tudo, as energias de uma grande mente, cultivada por um profundo aprendizado e amadurecida pela longa experiência nos mais delicados assuntos eclesiásticos, para a obtenção de um fim verdadeiramente nobre e que, ao longo de sua carreira, exibiu muitos virtudes, e poderia pleitear na extinção de suas faltas o estado convulsionado de assuntos públicos, a rudeza de seu tempo, e o caráter infiel e violento de muitos dentre aqueles com quem ele tinha que lidar. Essas circunstâncias, trabalhando em uma mente naturalmente reta e inflexível, levou a uma severidade de maneiras e uma severidade de conduta, que quando visto através dos sentimentos dos tempos modernos, pode parecer extrema, e quase injustificável. Mas depois de pesquisar através das páginas em seus historiadores mais hostis, estamos satisfeitos que este é o único ponto em que até mesmo uma acusação plausível pode ser apresentada contra ele “. A memória de Bonifácio, curiosamente, sofreu mais de dois grandes poetas, porta-vozes de um catolicismo ultra-espiritual e impossível, Fra Jacopone da Todi e Dante. O primeiro era o “sublime tolo” do amor espiritual, autor do “Stabat Mater”, e cantor chefe dos “Espirituais”, ou franciscanos extremos, mantido na prisão por Bonifácio, a quem ele satirizava no vernáculo popular e musical da península. Este último era um gibelino, isto é, um antagonista político do papa Guelfo, a quem, além disso, atribuía todas as suas infelicidades pessoais e a quem, portanto, ridicularizava diante da ordem de sua própria justiça, mas em linhas trêmulas de invectivas imortais cuja malignidade a beleza sempre incomodará o julgamento do leitor. Historiadores católicos como Hergenröther-Kirsch (4ª ed., II, 597-98) elogiam a retidão dos motivos do papa e aquela coragem de suas convicções que quase na véspera de sua morte o fizeram contar como palha todos os governantes terrenos, se ele tinha verdade e justiça do seu lado (op. cit., II, 597, nota 4). Eles admitem, no entanto, a violência explosiva e a fraseologia ofensiva de alguns de seus documentos públicos, e a ocasional imprudência de suas medidas políticas; ele seguiu os passos de seus antecessores imediatos, mas os novos inimigos eram mais ferozes e lógicos do que os Hohenstaufen extirpados, e eram mais rápidos em perverter e utilizar a opinião pública de nacionalidades jovens e orgulhosas. Um contemporâneo e testemunha ocular, Giovanni Villani, deixou em sua crônica florentina (Muratori, XIII, 348 sqq.) Um retrato de Bonifácio que o judicioso Von Reumont parece considerar bastante confiável. Segundo Bonifácio, o mais inteligente canonista de sua época, era um homem generoso e generoso, amante da magnificência, mas também arrogante, orgulhoso e severo, mais temido do que amado, mundano demais por seu alto ofício e também gostava de dinheiro tanto para a Igreja quanto para sua família. Seu nepotismo estava aberto. Ele fundou a casa romana dos Gaetani e, no processo de exaltação de sua família, atraiu sobre si o ódio efetivo dos Colonna e de seus fortes membros do clã. Gröne, um historiador católico alemão dos papas, diz de Bonifácio (II, 164) que, enquanto seus enunciados equivalem em importância aos de Gregório VII e Inocêncio III, os últimos estavam sempre mais dispostos a agir, Bonifácio ao discurso; confiavam na força divina de seu ofício, Bonifácio na esperteza de suas deduções canônicas. Para o processo contra sua memória, ver Clemente V. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/02662a.htm
- Papa Bonifácio VI (Abril de 896- Abril de 896 DC.)
Um romano, eleito em 896 pela facção romana em um tumulto popular, para suceder Formoso. Ele havia sofrido duas vezes uma sentença de privação de ordens, como subdiácono e como padre. No Concílio de Roma, realizado por João IX em 898, sua eleição foi declarada nula. Depois de um pontificado de quinze dias, alguns dizem que ele morreu de gota, e outros foi expulso à força para dar lugar a Estêvão VI, o candidato do partido espoletano. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/02661b.htm
- Papa Bonifácio V (610-625 DC.)
Um napolitano que sucedeu a Deusdedit depois de uma vacância de mais de um ano; consagrado em 23 de dezembro de 619; d. 25 de outubro de 625. Antes de sua consagração, a Itália foi perturbada pela rebelião do eunuco Eleutério, o Exarca de Ravenna. O pretenso patrício avançou em direção a Roma, mas antes que pudesse chegar à cidade, foi morto por suas próprias tropas. O “Liber Pontificalis” registra que Bonifácio fez certas promulgações relativas aos direitos do santuário, e que ordenou aos notários eclesiásticos que obedecessem às leis do império sobre o tema das vontades. Ele também prescreveu que os acólitos não deveriam pretender transladar as relíquias dos mártires e que, na Basílica de Latrão, eles não deveriam tomar o lugar dos diáconos na administração do batismo. Bonifácio completou e consagrou o cemitério de São Nicomedes na Via Nomentana. Do Venerável Beda, ficamos sabendo da afetuosa preocupação do papa com a Igreja Inglesa. As “cartas de exortação” que ele diz ter dirigido a Melito, Arcebispo de Cantuária, e a Justo, bispo de Rochester, não existem mais, mas outras cartas suas foram preservadas. Uma delas é escrito para Justo, depois de ter sucedido Melito como Arcebispo de Cantuária (624), conferindo o pálio sobre ele e direcionando-o para “ordenar bispos como a ocasião deve exigir”. Segundo Beda, o papa Bonifácio também enviou cartas a Eduíno, rei da Nortúmbria (625), instando-o a abraçar a fé cristã e à princesa cristã Ethelberga, esposa de Eduíno, exortando-a a usar seus melhores esforços para a conversão de seu consorte. (Bede, HE, II, vii, viii, x, xi). No “Liber Pontificalis” Bonifácio é descrito como “o mais brando dos homens”, cuja principal distinção era seu grande amor pelo clero. Ele foi enterrado em São Pedro, 25 de outubro de 625. Seu epitáfio é encontrado em Duchesne. Tradução:http://www.newadvent.org/cathen/02661a.htm
- Papa São Bonifácio IV (608-615 DC.)
Filho de João, médico, marciano da província e cidade de Valeria; ele sucedeu Bonifácio III depois de uma vacância de mais de nove meses; consagrado em 25 de agosto de 608; d. 8 de maio de 615 (Duchesne); ou, 15 de setembro, 608-25 de maio de 615 (Jaffé). No tempo do Papa São Gregório, o Grande, ele era diácono da Igreja Romana e ocupava a posição de dispensador, ou seja, o primeiro oficial em conexão com a administração dos patrimônios. Bonifácio obteve licença do Imperador Focas para converter o Panteão em uma Igreja Cristã, e em 13 de maio de 609 (?) O templo erguido por Agripa para Júpiter, o Vingador, para Vênus, e para Marte foi consagrado pelo papa à Virgem Maria e todos os mártires. (Daí o título S. Maria Rotunda.) Foi a primeira instância em Roma da transformação de um templo pagão em lugar de culto cristão. Vinte e oito carroças de ossos sagrados teriam sido removidas das Catacumbas e colocadas em uma bacia de pórfiro sob o altar-mor. Durante o pontificado de Bonifácio, Melito, o primeiro bispo de Londres, foi a Roma “consultar o papa sobre questões importantes relativas à recém-criada Igreja inglesa” (Bede, H.E., II, iv). Enquanto em Roma, ele assistiu a um concílio, em seguida, realizado sobre certas questões sobre “a vida e a paz monástica dos monges”, e, em sua partida, levou com ele a Inglaterra o decreto do concílio juntamente com cartas do papa para Laurêncio, Arcebispo de Cantuária, e a todo o clero, ao rei Ethelberto, e a todo o povo inglês “sobre o que deveria ser observado pela Igreja da Inglaterra”. Os decretos do concílio agora existentes são espúrios. A carta a Ethelberto (em William de Malmesbury, De Gest. Pont., I, 1464, ed Migne) é considerada espúria por Hefele (Conciliengeschichte, III, 66), questionável por Haddan e Stubbs (Concílios, III, 65), e genuína por Jaffé [Regest. RR PP, 1988 (1548)]. Entre 612-615, São Columba, então morando em Bobbio, na Itália, foi persuadido por Agilulfo, rei dos lombardos, a dirigir uma carta sobre a condenação dos “Três Capítulos” a Bonifácio IV, que é notável por sua vez pelas expressões de deferência exagerada e seu tom de nitidez excessiva. Nela, ele diz ao papa que ele é acusado de heresia (por aceitar o Quinto Concílio, ou seja, Constantinopla, 553), e exorta-o a convocar um concílio e provar sua ortodoxia. Mas a carta do celta impetuoso, que não conseguiu compreender a importância do problema teológico envolvido nos “Três Capítulos”, parece não ter perturbado em nada sua relação com a Santa Sé, e seria errado supor que Columba considerava-se independente da autoridade do papa. Durante o pontificado de Bonifácio, houve muita angústia em Roma devido à fome, pestilência e inundações. O pontífice morreu em retiro monástico (ele havia convertido sua própria casa em um mosteiro) e foi enterrado no pórtico de São Pedro. Seus restos foram removidos três vezes – no décimo ou décimo primeiro século, no final do décimo terceiro sob Bonifácio VIII, e para o novo São Pedro, em 21 de outubro de 1603. Para a inscrição anterior em seu túmulo, ver Duchesne; para a posterior, Groisar, “Analecta Romana”, I, 193. Bonifácio IV é comemorado como um santo no Martirológio Romano em 25 de maio. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/02660c.htm
- Papa Bonífacio III (19 de Fevereiro de 607- 12 de Novembro de 607)
O papa Bonifácio III, de ascendência romana e filho de João Cataadioce, foi eleito para suceder Sabino depois de um interregno de quase um ano; ele foi consagrado em 19 de fevereiro de 607; d. 12 de novembro do mesmo ano. Ele havia sido ordenado diácono da Igreja Romana e, em 603, enviado por Gregório, o Grande, como apocrisiario, ou legado, à corte de Constantinopla, onde, por seu tato e prudência, parece ter obtido a consideração favorável do imperador Focas. Após sua ascensão à Sé de Roma, Bonifácio obteve um decreto de Focas, contra Ciriaco, bispo de Constantinopla, pelo qual foi ordenado que “a Sé do Bem-Aventuradp Pedro Apóstolo deveria ser a cabeça de todas as Igrejas”, e que o título de “Bispo Universal” pertencia exclusivamente ao Bispo de Roma – um reconhecimento um pouco semelhante ao feito por Justiniano oitenta anos antes (Novell., 131, c. ii, tit. xiv). Em Roma Bonifácio realizou um concílio, com a participação de setenta e dois bispos e todo o clero romano, onde ele promulgou um decreto proibindo qualquer um sob pena de excomunhão, durante a vida de um papa ou de um bispo, para tratar ou discutir a nomeação de seu sucessor, e estabelecendo que nenhuma medida deveria ser tomada para prover um sucessor até três dias após o enterro do falecido. As atas do concílio estão perdidos, e não se sabe qual pode ter sido a ocasião para o decreto. O papa Bonifácio era um homem “de fé e caráter experimentados” (São Gregório, Epístola XIII.41). Ele morreu dentro de um ano de sua elevação e foi enterrado em São Pedro. Seu epitáfio é encontrado nas obras de Duchesne e Mann. Tradução: http://www.newadvent.org/cathen/02660b.htm















































