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  • A VOLTA DO EXÍLIO – 4º Domingo da Quaresma

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Salvos pela fé no amor de Deus”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Segundo Livro das Crônicas 36,14-16.19-23) A misericórdia de Deus com o povo exilado Naqueles dias, todos os chefes dos sacerdotes e o povo multiplicaram suas infidelidades, imitando as práticas abomináveis das nações pagãs, e profanaram o templo que o Senhor tinha santificado em Jerusalém. Ora, o Senhor Deus de seus pais dirigia-lhes frequentemente a palavra por meio de seus mensageiros, admoestando-os com solicitude todos os dias, porque tinha compaixão do seu povo e da sua própria casa. Mas eles zombavam dos enviados de Deus, desprezavam as suas palavras, até que o furor do Senhor se levantou contra o seu povo e não houve mais remédio. Os inimigos incendiaram a casa de Deus e deitaram abaixo os muros de Jerusalém, atearam fogo a todas as construções fortificadas e destruíram tudo o que havia de precioso. Nabucodonosor levou cativos, para a Babilônia, todos os que escaparam à espada, e eles tornaram-se escravos do rei e de seus filhos, até que o império passou para o rei dos persas. Assim se cumpriu a palavra do Senhor pronunciada pela boca de Jeremias: “Até que a terra tenha desfrutado de seus sábados, ela repousará durante todos os dias da desolação, até que se completem setenta anos”. No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor pronunciada pela boca de Jeremias, o Senhor moveu o espírito de Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação: “Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do céu, deu-me todos os reinos da terra, e encarregou-me de lhe construir um templo em Jerusalém, que está no país de Judá. Quem dentre vós todos pertence ao seu povo? Que o Senhor, seu Deus, esteja com ele, e que se ponha a caminho”. SALMO 136 Lamentos do exílio (Antífona): Que se prenda a minha língua ao céu da boca, se de ti, Jerusalém, eu me esquecer! Junto aos rios da Babilônia nos sentávamos chorando, com saudades de Sião. Nos salgueiros, por ali, penduramos nossas harpas. Pois foi lá que os opressores nos pediram nossos cânticos; nossos guardas exigiam alegria na tristeza: “Cantai hoje para nós algum canto de Sião!” Como havemos de cantar os cantares do Senhor numa terra estrangeira? Se de ti, Jerusalém, algum dia eu me esquecer, que resseque a minha mão! Que se cole a minha língua e se prenda ao céu da boca, se de ti não me lembrar! Se não for Jerusalém minha grande alegria! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Carta de São Paulo aos Efésios 2,4-10) Com o sacríficio de Cristo saímos do exílio do pecado Irmãos: Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo. É por graça que vós sois salvos! Deus nos ressuscitou com Cristo e nos fez sentar nos céus, em virtude de nossa união com Jesus Cristo. Assim, pela bondade que nos demonstrou em Jesus Cristo, Deus quis mostrar, através dos séculos futuros, a incomparável riqueza de sua graça. Com efeito, é pela graça que sois salvos, mediante a fé. E isso não vem de vós; é dom de Deus! Não vem das obras, para que ninguém se orgulhe. Pois é ele quem nos fez; nós fomos criados em Jesus Cristo para as obras boas, que Deus preparou de antemão, para que nós as praticássemos. EVANGELHO (São João 3,14-21) Das trevas do exílio para a luz da Verdade Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: “Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.” De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito. Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas, quem age conforme a verdade, aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus. VIVER SOB A LUZ DA VERDADE (Comentário de Scott Hahn) As leituras dominicais do tempo da Quaresma nos mostraram os momentos fundamentais da história da salvação: a aliança de Deus com a criação na época de Noé; a promessa que fez a Abraão; a Lei que Ele deu a Israel no Sinai. A primeira leitura deste domingo fala da destruição do reino estabelecido na última aliança do Antigo Testamento, a de Deus com o Rei Davi (v. 2Sam 7; Sal 89,3). O povo escolhido por Deus abandonou a Lei que Ele lhe havia dado. Por seus pecados, o Templo de Salomão foi destruído e o povo foi para o exílio na Babilônia. Ouvimos sua tristeza e seu arrependimento no lamento sobre o exílio, que cantamos no salmo. Mas ouvimos como Deus, em Sua misericórdia, reúne seu povo novamente, unge um rei pagão para pastoreá-lo e reconstruir o Templo (v. Is 44,28-45,1.4). Sim, Deus é rico em misericórdia, como ensina a epístola aos Efésios. Ele prometeu que o reino de Davi duraria para sempre, que o filho de Davi seria seu Filho e governaria as nações (v. 2 Sam 7,14-15; Sal 2, 7-9). Em Jesus, Deus cumpriu essa promessa (v. Ap 22,16). Moisés levantou uma serpente como sinal de salvação (v. Sb 16,6-7; Nm 21,9). Hoje, Jesus é levantado na cruz para atrair todos a Si (Jo 12,32). Aqueles que se recusam a acreditar neste sinal do amor do Pai se condenam a si próprios, assim como aconteceu aos israelitas em sua infidelidade. Mas Deus não deixou Israel no exílio e não quer deixar que nenhum de nós morra em seus pecados. Nós somos a obra de suas mãos e fomos salvos para viver na luz de sua verdade. Quando chegamos ao meio deste caminho de arrependimento quaresmal, olhemos “ao que foi trespassado” (Jo 19,37) e dediquemo-nos de novo a viver as boas obras que o Senhor nos chamou para fazer. https://stpaulcenter.com/vivir-en-la-luz-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-4o-domingo-de-cuaresma/ https://stpaulcenter.com/living-in-the-light-scott-hahn-reflects-on-the-fourth-sunday-of-lent/

  • Documentos Pontifícios sobre a devoção à Santíssima Virgem

    Leia aqui os principais Documentos Pontifícios acerca da devoção à Santíssima Virgem Carta Encíclica Redemptoris Mater Papa João Paulo II – Sobre a Bem-aventurada Virgem Maria na vida da Igreja que está a caminho Leia Agora Concílio Vaticano II Lumen Gentium Cap. VIII – A Bem-aventurada Virgem Maria Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja Leia Agora Exortação Apostólica Signum Magnum Papa Paulo VI – Consagrada ao culto da Virgem Maria, Mãe da Igreja e modelo de todas as virtudes Leia Agora Exortação apostólica Marialis Cultus Papa Paulo VI – Para a reta ordenação e desenvolvimento do culto à bem-aventurada Virgem Maria Leia Agora Carta Encíclica Ad Caeli Reginae Papa Pio XII – Sobre a realeza de Maria e a instituição da sua festa Leia Agora Carta Encíclica Fulgens Corona Papa Pio XII – Indicação do Ano Mariano Leia Agora Constituição Apostólica Munificentissimus Deus Papa Pio XII – Definição do dogma da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao céu Leia Agora Carta Encíclica Augustissimae Virginis Mariae Papa Leão XIII – Sobre o Rosário de Nossa Senhora Leia Agora Carta Encíclica Iucunda Semper Expectatione Papa Leão XIII – Sobre o Rosário de Nossa Senhora Leia Agora Carta Encíclica Magnae Dei Matris Papa Leão XIII – Sobre o Rosário de Nossa Senhora Leia Agora Carta Encíclica Supremi Apostolatus Officio Papa Leão XIII – Sobre o Rosário de Nossa Senhora Leia Agora #NossaSenhora #Vaticano

  • Documentos Pontifícios sobre a devoção à Santíssima Virgem

    Leia aqui os principais Documentos Pontifícios acerca da devoção à Santíssima Virgem Carta Encíclica Redemptoris Mater Papa João Paulo II – Sobre a Bem-aventurada Virgem Maria na vida da Igreja que está a caminho Leia Agora Concílio Vaticano II Lumen Gentium Cap. VIII – A Bem-aventurada Virgem Maria Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja Leia Agora Exortação Apostólica Signum Magnum Papa Paulo VI – Consagrada ao culto da Virgem Maria, Mãe da Igreja e modelo de todas as virtudes Leia Agora Exortação apostólica Marialis Cultus Papa Paulo VI – Para a reta ordenação e desenvolvimento do culto à bem-aventurada Virgem Maria Leia Agora Carta Encíclica Ad Caeli Reginae Papa Pio XII – Sobre a realeza de Maria e a instituição da sua festa Leia Agora Carta Encíclica Fulgens Corona Papa Pio XII – Indicação do Ano Mariano Leia Agora Constituição Apostólica Munificentissimus Deus Papa Pio XII – Definição do dogma da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao céu Leia Agora Carta Encíclica Augustissimae Virginis Mariae Papa Leão XIII – Sobre o Rosário de Nossa Senhora Leia Agora Carta Encíclica Iucunda Semper Expectatione Papa Leão XIII – Sobre o Rosário de Nossa Senhora Leia Agora Carta Encíclica Magnae Dei Matris Papa Leão XIII – Sobre o Rosário de Nossa Senhora Leia Agora Carta Encíclica Supremi Apostolatus Officio Papa Leão XIII – Sobre o Rosário de Nossa Senhora Leia Agora #NossaSenhora #Vaticano

  • A VERDADE IMUTÁVEL DA SALVAÇÃO Parte III (A encarnação do logos de Deus)

    A união com Deus e sua preliminar, a purificação, portanto, estavam intimamente ligadas ao conhecimento. Máximo, comentando sobre uma passagem Gregório de Nazianzo, afirmou que era fundamental uma “mistagogia por intermédio do conhecimento” para Purificação da mente por meio do Espírito Santo, embora esse dom só tivesse garantido aos que já tinham o dom da santidade (Máximo o livro das ambiguidades 19). A fé tinha de ser definida como “a fundação sustentando as obras de Piedade, que dão garantia de Deus é e de que as coisas divinas são reais” (Máximo epístolas 2). Como tal, era a base tanto da Esperança quanto do amor, nenhum deles poderia ser firme sem ela. O reino de Deus, que afetou a união com o senhor, era a “Fé em Ação” (máximo questões para Talássio sobre as escrituras 33). Essa fé era bem específica em seu conteúdo e objeto. Era a fé da igreja […] por meio da qual somos guiados à herança do bem”( Máximo questões para Talássio sobre as escrituras). A fé estava ligada aos dogmas ortodoxos da Igreja, o que tornou possível tanta a esperança quanto o amor. Sem fé era impossível obter a salvação. Os cristãos foram ensinados que a disciplina para obtenção da vida eterna não era nada menos que essa fé (Máximo epístolas 12); a crença Ortodoxa era necessária para salvação. E também a advertência do apóstolo Paulo contra “aqueles que causam divisões e colocam obstáculos ao ensino que vocês têm recebido” (Romanos 16. 17) foi tomada com um ataque “àqueles que não aceita os dogmas religiosos salvíficos da igreja” Maximo Epístolas 12). Esses dogmas religiosos e salvíficos da igreja eram a verdade divinamente revelada e, como tal, eram imutáveis. Quando um teólogo, por exemplo, veio a definir “a condição Suprema da oração” Máximo quatrocentos capítulos sobre a caridade 2.61)), a decisão foi introduzida com a fórmula: “Eles dizem”, porque os manuais de oração e práticas ascética, como outro compêndio da doutrina da igreja, não reivindicavam de maneira alguma ser originais. De acordo com Teodoro de Estudida, o Legado mais rico que alguém pode deixar para a posteridade era a fé Ortodoxa da igreja junto com a regra monástica (Teodoro estudita orações 11.7.43). Esse mesmo teólogo, citando Máximo, identificou como “o Dogma da Verdade” falado pelos pais do cristianismo da antiguidade; seus oponentes concordaram com ele quanto o princípio formal, discordando só quanto ao conteúdo material dessa tradição (Teodoro Estudita refutações anti-heréticas aos iconoclastas). Todos nos dois lados de cada uma das controvérsias com as quais estaremos lidando aceitavam o princípio de uma verdade imutável. os monotelitas e os diotelitas, os iconoclastas e os iconodulitas, gregos e latinos – todos reivindicavam Esse princípio e insistem que detém essa verdade imutável. “a palavra de verdade” é tal”, qualquer um deles pode dizer, “que é uniforme e inabalável por sua própria natureza e não pode ser sujeito a diferença de pontos de vistas ou de mudanças temporais. Ela é sempre a mesma, ensinando e defendendo a mesma coisa, porque ela transcende todas as adições ou subtrações”. Em contrapartida, era característico da falsidade ser dividida e muitas partes e muitas teorias, mudando repentinamente de uma coisa para outra. Em um momento ela sustentava isso, no seguinte, ensinava exatamente o oposto; e nunca permanecia firme no mesmo lugar, pois está sujeita a mudanças e exigências da Mutação (Teodoro estudita refutações anti-heréticas aos iconoclastas).por isso, quando um Concílio ecumênico, sob a liderança do Espírito Santo,promulgou uma doutrina, Esta ficou conhecida com a “antiga e originalmente tradição autoritativa da igreja […] e em nenhum sentido uma inovação” nicéforo Apologia menor para as imagens santas 5). Subjacente a essa definição da Verdade divina como imutável estavam a definição de Divino mesmo como imutável e absoluto. Porque Deus transcendia a mudança, a verdade sobre ele também teve de fazer isso. É característico da natureza de Deus ser impassível e indestrutível (Máximo comentário sobre as epístolas de Dionisio o areopagita 9.1). Deus conforme Hebreus 13. 8 também Deixa claro, “é tanto antigo quanto novo” (Máximo comentário sobre os nomes divinos de Dionísio o Areopagita 10.2). Era impossível atribuir alguma mudança de Deus ou atribuir algum movimento da mente ou da vontade a ele (Máximo Questões para Talássio sobre as escrituras 60). Quando Os relatos bíblicos, sobretudo os do Antigo Testamento, atribuem “arrependimento” a Deus, isso não deve ser entendido no sentido literal como algum tipo de antropopatismo, mas, de acordo com o caráter da linguagem bíblica, como uma acomodação às maneiras humanas de falar (Máximo questões e dúvidas 32). A escritura fala de uma maneira que não é literalmente exata a fim de capacitar seus leitores a aprender o que transcende a exatidão literal (Máximo comentário sobre a hierarquia celestial de Dionísio o Areopagita 2.2). Assim, só Deus é imutável por sua própria natureza; contudo, outros podem receber o dom de ser “firmes” como algum tipo de hábito (Máximo comentário sobre a hierarquia celestial de Dionísio o Areopagita 7.2). Deus é por natureza “bom é impossível” e “ama todas as suas criaturas da mesma maneira” (Máximo quatrocentos capítulos sobre Caridade 1. 25). Parte do processo de salvação como deificação é assimilação gradual da mente de Deus pela mente do homem. Por meio da Graça da oração a mente se junta a Deus e aprende a se associar só a Deus, tornando-se ainda vez mais semelhante a Ele e afastando-se cada vez mais do domínio desta vida mortal (Máximo o livro ascético 24). O julgamento de Deus não prossegue “de acordo com o tempo e o corpo” e, assim, a alma que transcende o tempo e o corpo, é assimilada a essa qualidade Divina (Máximo questões e dúvidas 60). O uso do mesmo vocabulário em especial do termo-chave “imutável”, tanto para a natureza de Deus quanto para o caráter distintivo da verdade sobre Deus, parece indicar uma conexão entre os dois. O contraste entre a verdade ortodoxo sobre Deus e suas distorções hereges tinha de ser encontrada especificamente nesse caráter distintivo. Pois uma marca dos hereges era que eles apresentavam a “Inovação” daqueles que estão tornando o evangelho inútil (Máximo Epístolas 13). O herege podia ser postulado de “descobridor desses novos dogmas” (Nicéforo refutações anti-heréticas 1.23 ). O movimento Montanista dos séculos II e III. Que já foram estudados em um texto anterior, identifique como “montanistas”, com a sua ligação de uma nova profecia foi rejeitado como um produto não espírito santo de Deus, mas do espírito maligno e demoníaco (Máximo o livro das ambiguidades 68). A teoria de Orígenes da pré-existência da alma e também as teorias da pré-existência do corpo negavam a “maneira real” da antiga tradição patrística, que ensinava que a alma e o corpo vieram a existir simultaneamente (Máximo o livro das ambiguidades 42). Em contrapartida a essa tradição, que era modesta em suas reivindicações de conhecer a respeito de Deus, hereges Como Eunômio, tinham presumido “conhecer a Deus também tão bem quanto ele mesmo se conhecesse” (Máximo o livro das ambiguidade 18), o que era loucura e blasfêmia. “Inovação” e “blasfêmia” eram quase sinônimos, pois, ambos eram opostos à verdade Divina, como mostrou a heresia Ariana (Máximo o livro das ambiguidades 24). Essa hostilidade em relação à inovação teológica surgiu com pelo menos igual vigor na defesa de posições que no fim vieram a ser reconhecidas como hereges. Assim, uma posição cristológica contra o que Máximo escreveu seria fundamentada na pressuposição de que “toda a fórmula e termo que não é encontrado nos pais é uma inovação” e aqueles que ensinavam como Máximo o fazia estavam inventando sua própria doutrina em Oposição à fórmula dos Pais (Teodoro, diácono de Constantinopla. questões para Máximo 2). Outro de seus oponentes insistia que seria suficiente se ater a linguagem dos primeiros Concílios e não dizer nada mais do que eles disseram, embora tivessem surgido novas questões (Pirro de Constantinoplair apologia a discussão com Pirro). Todos concordavam que a heresia era simplesmente “uma nova fé”, uma fé que ensinava “um Deus estranho” (Nicéforo refutações anti-heréticas 1.20); portanto, ela tinha de ser rejeitada. Ela contradizia não só a verdade antiga e tradicional, mas também suas próprias declarações (Nicéforo refutações anti-heréticas 1.43). Portanto, a verdade imutável da salvação não estava sujeita a negociação. Quando alguém pedia perdão com base em sua ignorância da doutrina Ortodoxa, era essencial distinguir entre o perdão estendido à pessoa por suas faltas (o que era exigido pelo evangelho) e o perdão estendido a falsos dogmas (o que era proibido pelo mesmo evangelho) Máximo discussão com Pirro). A controvérsia doutrinal não era uma diferença em relação ao vocabulário, mas quanto ao próprio conteúdo da fé cristã; isso não podia ser descartado como logomaquia ( Máximo opúsculos 16). Às vezes sugeriam que os dois lados de controvérsia sobre as vontades de Cristo não diferiam de modo algum excesso em meras fórmulas (Pirro de Constantinopla, Máximo discussão com Pirro), mas essa sugestão foi repudiada como uma traição a verdadeira fé. Para os que eram fiéis, não podia haver distinção na tradição entre as coisas que eram essenciais e as que eram secundárias; entre o que tinha de ser mais respeitado e o que tinha de ser menos respeitado; pois a doutrina tinha vindo dos pais e tinha de ser respeitada(Nicéforo refutações anti-heréticas 3.34). Essa era a fé antiga e imutável da igreja. Os que aceitavam eram “os que comiam na pura e divina pastagem da doutrina da igreja”( Máximo Epístolas 12). A igreja era “pura e incorrupta, Imaculada e não adulterada”( Máximo questões para Talássio 12) e, em sua mensagem, não havia nada estranho ou confuso. A verdade do Evangelho estava presente na igreja como estivera no início, era agora, e sempre seria, mundial e sem fim. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Cristologia

  • Pequeno exorcismo do Papa Leão XIII

    ‘‘O pecado dá, por seu lado, ocasião à intervenção ativa, em nós e no nosso mundo, de um agente obscuro e inimigo, o demônio. O mal não é só uma deficiência, mas também uma força ativa, é ação de um ser vivo espiritual, pervertido e perversor. Terrível, misteriosa e inquietante realidade!’’ (Papa Paulo VI em 15/11/1972) ORAÇÃO DE EXORCISMO O pequeno exorcismo de S. Santidade Leão XIII é, diferentemente, uma oração para uso privado, que o Papa quis colocar ao alcance de todo bom católico nas dificuldades da vida. Ele é por isso uma maravilhosa arma para o combate espiritual, quando receitado com fé viva, muita firmeza e prudência, e um grande amor a Deus. Esta atitude do fiel é uma atitude de combate espiritual. A oração pode ser recitada todos os dias pelos próprios fiéis: homens, mulheres, tanto na Igreja como em casa. Pode-se rezar em particular ou, o que é preferível, ou em família em grupos de 2 ou 3 pessoas. ORAÇÃO INICIAL Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém O Deus, Pai todo-poderoso, que quer salvar todo ser humano, esteja conosco. Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo. Senhor, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós. SALMO 91 (90) Você que habita ao amparo do Altíssimo, e vive à sombra do Onipotente, diga a Javé: «Meu refúgio, minha fortaleza, meu Deus, eu confio em ti!» Ele livrará você do laço do caçador, e da peste destruidora. Ele o cobrirá com suas penas, e debaixo de suas asas você se refugiará. O braço dele é escudo e armadura. Você não temerá o terror da noite, nem a flecha que voa de dia, nem a epidemia que caminha nas trevas, nem a peste que devasta ao meio-dia. Caiam mil ao seu lado e dez mil à sua direita, a você nada atingirá. Basta que você olhe com seus próprios olhos, para ver o salário dos injustos, porque você fez de Javé o seu refúgio e tomou o Altíssimo como defensor. A desgraça jamais o atingirá, e praga nenhuma vai chegar à sua tenda, pois ele ordenou aos seus anjos que guardem você em seus caminhos. Eles o levarão nas mãos, para que seu pé não tropece numa pedra. Você caminhará sobre cobras e víboras, e pisará leões e dragões. «Eu o livrarei, porque a mim se apegou. Eu o protegerei, pois conhece o meu nome. Ele me invocará, e eu responderei. Na angústia estarei com ele. Eu o livrarei e glorificarei. Vou saciá-lo de longos dias e lhe farei ver a minha salvação». LADAINHA DE TODOS OS SANTOS Senhor, tende piedade de nós. Jesus Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós. São Miguel, Santos Anjos de Deus Santo Elias profeta São João Batista, São José, São Pedro e São Paulo, Santo André, São Tiago, São João, São Tomé, São Filipe, São Bartolomeu, São Mateus, São Simão, São Tadeu, São Matias, Santa Maria Madalena, Santo Estevão e São Lourenço, Santa Perpétua e Felicidade, Santa Inês, São Gregório, Santo Agostinho, Santo Atanásio, São Basílio, São Martinho, São Bento, São Francisco de Assis, Santo Antônio de Pádua, São Domingos, Santo Tomás de Aquino, São Bernardo, Santa Catarina de Sena, Santa Teresa de Jesus, São João da Cruz, São João Maria Vianney, São Vicente de Paulo, São João Bosco, São Geraldo Magela, São Pio de Pietrelcina, Santa Paulina, Santo Antonio Galvão, Beato João XXIII, Beata Teresa de Calcutá, Beata Irmã Dulce Beato Padre Eustáquio, Beato João Paulo II, Todos os Santos e Santas de Deus Sede-nos propício, livrai-nos, Senhor De todo mal, De todo pecado, Das insídias do demônio, Da morte eterna, Pela Vossa encarnação, Pelo vosso santo jejum, Pela vossa cruz e paixão, Pela vossa morte e sepultura, Pela vossa santa ressurreição, Pela vossa ascensão, Pela efusão do Espírito Santo, Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos. Ó Deus, sempre pronto a compadecer-vos e a perdoar, atende à nossa súplica, abençoai e libertai a mim, a minha família, e essa casa, na vossa bondade de Pai, de toda espécie de mal. Por Cristo, nosso Senhor. Amém. PEQUENO EXORCISMO DE S.S. LEÃO XIII (Publicado por sua ordem em 1884, para uso público e privado, por parte de sacerdotes) + Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. (Segurar um crucifixo até o fim do exorcismo) ORAÇÃO A S. MIGUEL ARCANJO Gloriosíssimo Príncipe dos Exércitos celestes, S. Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate contra os principados e as potestades, contra os chefes deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares (Ef. VI, 10-12). Vinde em auxílio dos homens que Deus fez à Sua imagem e semelhança, e resgatou com grande preço da tirania do Demônio (Sab. II, 23-24; I Cor. VI, 20). É a vós que a Santa Igreja venera como seu guardião e patrono, vós a quem o Senhor confiou as almas resgatadas para as introduzir na felicidade celeste. Suplicai, pois, ao Deus da Paz, que esmague Satanás sob os nossos pés a fim de lhe tirar o poder para prejudicar a igreja. Apresentai ao Altíssimo as nossas orações para que depressa desçam sobre nós as misericórdias do Senhor. E sujeitai a antiga serpente –que não é outro senão o Diabo ou Satanás –para o precipitar encadeado nos Abismos, de modo que não possa, nunca mais, seduzir as nações. (Apoc. 20,1-3). EXORCISMO Em nome de Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor, com a intercessão da Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, de S. Miguel Arcanjo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, e de todos os santos, apoiados na autoridade sagrada: da Santa Igreja Católica nós empreendemos, com confiança, a batalha para afastar os ataques e as emboscadas do Demônio. SALMO 68(67) Levanta-se o Senhor e sejam dispersos os seus inimigos! Fujam diante d’Ele aqueles que O odeiam! Desvaneçam como se desvanece o fumo. E como se derrete a cera ao fogo, assim pereçam os pecadores diante da face de Deus. Eis a Cruz do Senhor, fugi potências inimigas! Venceu o leão da tribo de Judá, o descendente de Davi. Venha a nós, Senhor, a Vossa misericórdia! Pois, em Vós, nós esperamos. Nós te exorcizamos, espírito imundo, potência satânica, invasão do inimigo infernal, legião, reunião ou seita diabólica. Em nome e pela virtude de Nosso Senhor Jesus Cristo +, sejas expulso da Igreja de Deus, das almas criadas à imagem de Deus e resgatadas pelo precioso Sangue do Divino Cordeiro + . Desde este momento, não te atrevas mais, pérfida serpente, a enganar o gênero humano, perseguir + a Igreja de Deus e sacudir e joeirar como o trigo os eleitos de Deus +. Manda-te o Deus Altíssimo +, ao qual, na tua grande soberba, presumes ainda ser semelhante. Ele “que deseja que todos os homens se salvem e conheçam a verdade”. (I Tim.2, 4). Manda-te Deus Pai + Manda-te Deus Filho + Manda-te Deus Espírito Santo + Manda-te o Cristo, Verbo Eterno de Deus feito carne +. Ele que para salvação da nossa progênie perdida por tua inveja, se humilhou e “tornou obediente até a morte” (Fil. 2, 8) Ele que edificou a Sua Igreja sobre pedra firme e prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam jamais contra Ela, querendo permanecer com Ela “todos os dias até o fim do mundo” (Mat. 28, 20). Manda-te o sinal sagrado da Cruz +, e a virtude de todos os mistérios da nossa Fé Cristã +. Manda-te a poderosa Mãe de Deus, a Virgem Maria +, que desde o primeiro instante da sua Imaculada Conceição, pela sua humildade esmagou a tua cabeça orgulhosa. Manda-te a fé dos santos Apóstolos Pedro e Paulo, e dos outros apóstolos +. Manda-te o sangue dos mártires e a piedosa intercessão de todos os Santos e Santas +. Então, dragão amaldiçoado e toda a legião diabólica, nós te esconjuramos: Pelo Deus + Vivo, pelo Deus + Verdadeiro, pelo Deus + Santo, pelo Deus que tanto amou o mundo que lhe deu Seu único Filho, para que quem creia n’Ele não pereça mas tenha a Vida Eterna (Jo, 3, 14 e 15). CESSA de enganar as criaturas humanas e de derramar sobre elas o veneno da condenação eterna: CESSA de danificar a Igreja e de armar laços à sua liberdade. VAI-TE Satanás, inventor e mestre de enganos, inimigo da salvação dos homens. CEDE o lugar a Cristo, em Quem não encontraste nada das tuas obras; CEDE o lugar à Igreja, Una, Santa, católica e Apostólica, que o próprio Cristo adquiriu com o Seu Sangue. HUMILHA-TE sob a poderosa Mão de Deus; treme e foge à invocação, feita por nós, do Santo e terrível nome de Jesus que faz tremer o inferno; a Quem as Virtudes dos Céus, as Potestades e as Dominações estão submissas; e que os Querubins e os Serafins louvam sem cessar dizendo: “Santo, Santo, é o Senhor o Deus dos Exércitos”. Senhor ouvi a minha oração. E chegue a Vós o meu clamor. “Santo, Santo, é o Senhor o Deus do universo, os céus e a terra proclamam a Vossa glória. Hosana, nas alturas. Bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas. BREVE BÊNÇÃO DE SANTO ANTÔNIO Eis a Cruz do Senhor; fugi potências inimigas! Venceu o Leão da tribo de Judá, o Filho de Davi! O Senhor Jesus Cristo esteja junto de nós para nos defender; dentro de nós, para nos conservar; à frente de nós, para nos guiar; atrás nós, para nos guardar; sobre nós para nos abençoar, Ele que, como o Pai e o Espírito Santo, vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém. ORAÇÃO FINAL Deus do Céu, Deus da Terra, Deus dos Anjos, Deus dos Arcanjos. Deus dos Patriarcas, Deus dos Profetas, Deus dos Apóstolos. Deus dos Mártires, Deus dos confessores, Deus das virgens. Deus que tendes o poder de dar a vida depois da morte, o repouso depois do trabalho; Porque não há outro Deus senão Vós; e não pode haver outro a não ser Vós; o Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, cujo Reino não terá fim; Com humildade suplicamos que a Vossa Gloriosa Majestade se digne livrar-nos poderosamente, e guardar-nos sãos e salvos de todo o poder, laço, mentira e malvadez dos espíritos infernais. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém. Das emboscadas do Demônio, livra-nos Senhor. Dignai-vos conceder à vossa Igreja a segurança e a liberdade para Vos servir. Nós Vos suplicamos, ouvi-nos Senhor. Dignai-vos humilhar os inimigos da Santa Igreja. Nós Vos suplicamos, escutai-nos Senhor. (Aspergir com água benta as pessoas e o lugar). Rezar: Lc 1, 46 – 55 ou Lc 1, 67 – 79 – Pai-Nosso INVOCAÇÃO DA BÊNÇÃO DE DEUS Visitai, Senhor, esta morada e afastai dela as ciladas do inimigo; habitem nela os vossos Santos Anjos e nos guardem em paz; e a vossa bênção esteja sempre conosco. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.+ Amém. (Rezar: Ave Maria) Aconteceu então uma batalha no céu: Miguel e seus Anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão batalhou juntamente com os seus Anjos, mas foi derrotado, e no céu não houve mais lugar para eles. Esse grande Dragão é a antiga Serpente, é o chamado Diabo ou Satanás. É aquele que seduz todos os habitantes da terra. O Dragão foi expulso para a terra, e os Anjos do Dragão foram expulsos com ele. Ouvi, então, uma voz forte no céu, proclamando: ‘‘Agora realizou-se a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo.’’ (Ap 12, 7-10

  • CARTA ENCÍCLICA – OCTOBRI MENSE – PAPA LEÃO XIII

    CARTA ENCÍCLICA OCTOBRI MENSE DE SUA SANTIDADE PAPA LEÃO XIII A TODOS OS NOSSOS VENERÁVEIS IRMÃOS, OS PATRIARCAS, PRIMAZES, ARCEBISPOS E BISPOS DO ORBE CATÓLICO, EM GRAÇA E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA SOBRE O ROSÁRIO DE NOSSA SENHORA Veneráveis Irmãos, Saúde e Bênção Apostólica. Convite ao Rosário 1. Ao aproximar-se o mês de Outubro, já agora consagrado à beatíssima Virgem, é para Nós coisa sumamente grata relembrar as solícitas recomendações que, nos anos precedentes, vos dirigimos, ó Veneráveis Irmãos, a fim de que em toda parte os fiéis, impelidos pelo vosso zelo autorizado, se volvessem, com reavivada piedade, para a grande Mãe de Deus, para a poderosa auxiliadora do povo cristão; a ela recorrendo suplicantes, durante o mês inteiro, com o rito do santo Rosário: Rosário que a Igreja habitualmente usou e divulgou, sobretudo nos tempos mais tempestuosos; e sempre com o desejado êxito. 2. Temos a peito manifestar-vos, também este ano, o mesmo desejo, e renovar-vos a mesma exortação. Impele-nos a isto urgentemente, e a isso nos estimula, o Nosso amor à Igreja, cujas angústias, antes que se aligeirarem, crescem cada dia mais em número e em aspereza. Males que afligem a Igreja 3. A todos são conhecidos os males que Nós deploramos: a luta desapiedada contra os sagrados e intangíveis dogmas, que a Igreja guarda e transmite; a zombaria da integridade da virtude cristã, que a Igreja defende; a trama de calúnias de mil modos urdidas; o ódio fomentado contra a sagrada ordem dos bispos, e principalmente contra o Romano Pontífice; os ataques dirigidos, com a mais impudente audácia e a criminosa impiedade, contra a própria divindade de Cristo, no intuito de extirpar pelas raízes e de destruir a obra divina da Redenção, que força alguma poderá jamais destruir nem cancelar. 4. Estes ataques não são, certamente, uma novidade para a Igreja militante. Porquanto, depois do aviso dado por Cristo aos Apóstolos, ela sabe que, para instruir os homens no caminho da verdade e guiá-los à salvação eterna, ela deve todo dia descer a campo e travar combate. E, na realidade, nos séculos ela sempre lutou intrepidamente até ao martírio, considerando como sua precípua alegria e glória o poder unir o seu sangue ao do seu Fundador: no qual está depositada a segura esperança da prometida vitória. 5. Por outra parte, entretanto, não podemos ocultar nos o profundo senso de tristeza que penetra os melhores, ante esta contínua tensão de batalha. De fato, é motivo de imensa tristeza ver o grande número dos que, pela perversidade dos erros e por esta insolente atitude contra Deus, são arrastados para longe e impelidos para o abismo; o grande número dos que, pondo num mesmo plano todas as formas de religião, pode-se dizer que já estão na iminência de abandonar a fé divina; o número notável dos que são cristãos só de nome, e não cumprem os deveres da sua fé. E ainda mais nos aflige e nos atormenta o ânimo o considerarmos que a causa principal de tais ruinosos tais ruinosos e deploráveis males está na exclusão completa da Igreja das ordenações sociais, enquanto de propósito se hostiliza a sua salutar influencia. E nisto é de reconhecer um grande e merecido castigo de Deus, o qual cega miseravelmente as nações que se afastam d’Ele. A necessidade da oração 6. Este estado de coisas mostra, com evidência sempre maior, o quanto é necessário que os católicos orem e supliquem a Deus com fervor e perseverança “sem nunca cessar” (1Tim 5, 17); e não somente em particular, porém ainda mais em público. Reunidos nos sagrados templos, conjurem Deus a se dignar, na sua infinita bondade, de livrar a sua Igreja “dos homens insolentes e malvados” (2 Tim 3, 2), e a reconduzir os povos ao caminho da salvação e da razão, na luz e no amor de Cristo. 7. Espetáculo incrível e maravilhoso! Enquanto o mundo percorre o seu caminho tormentoso, fiado nas suas riquezas, na sua força, nas suas armas e no seu engenho, a Igreja, com passo veloz e seguro, atravessa os séculos, depositando a sua confiança somente em Deus, a quem, de dia e de noite, ergue o olhar e estende as mãos súplices. Porque, embora na sua prudência não desdenhe os socorros humanos que, pela bondade divina, os tempos lhe oferecem, todavia não é nestes meios que ela deposita a sua principal esperança; mas sim na oração, coletiva e insistente, elevada ao seu Deus. Nesta fonte ela alimenta e fortifica a sua vida; porque, elevando-se, mediante a oração assídua, acima das vicissitudes humanas, e mantendo-se constantemente unida a Deus, é-lhe dado viver, plácida e tranqüila, da própria vida de Cristo. E nisto ela é fiel imagem de Cristo, a quem o horror dos tormentos, sofridos pelo nosso bem, nada diminuiu nem tirou da beatíssima luz e da felicidade que lhe são próprias. Exemplos de oração na Sagrada Escritura 8. Este grande ensinamento do cristianismo sempre foi escrupulosamente praticado pelos cristãos dignos deste nome. Quando à Igreja ou a quem lhe regia os supremos destinos estava iminente algum perigo, mercê da perfídia e da violência de homens perversos, então com maior insistência e freqüência elevavam os cristãos suas preces a Deus. 9. De tal costume achamos luminoso exemplo nos fiéis da Igreja nascente, exemplo digno de ser proposto à imitação de todos os pósteros. Pedro, Vigário de Cristo, Pontífice supremo de toda a Igreja, por ordem do ímpio Herodes fora lançado no cárcere, e destinado a segura morte. Ninguém estava em condições de lhe levar auxílio para o subtrair àquele perigo. Mas não faltava esse auxílio único que a devota oração sabe obter de Deus. Como nos testemunha a Sagrada Escritura, a .Igreja elevava a Deus fervorosíssimas preces por ele: “Mas a Igreja fazia a Deus contínuas preces por ele” (At 12, 5). E tanto mais ardente se tornava o empenho da sua oração, quanto mais grave era a angústia que eles experimentavam por aquela desventura. Todos sabem que essas preces foram atendidas. Antes, todos os anos o povo cristão celebra sempre com agradecida alegria a lembrança da miraculosa libertação de S. Pedro. 10. Outro exemplo, ainda mais luminoso, antes divino, dá-no-lo o próprio Cristo, que se propusera encaminhar e formar na perfeição a sua Igreja não só com os novos preceitos, mas também com a sua vida. Durante e curso de toda a sua vida Ele se dedicara mui freqüente e longamente à oração. Mas, nas suas horas supremas, quando, no horto de Getsêmani, a sua alma foi invadida de uma angústia imensa e oprimida por uma tristeza mortal, Ele não somente orava, porém “orava mais intensamente” (Lc 22, 43). E isto Ele fez não para si mesmo, pois, como Deus, nada podia temer e de nada precisava; mas fê-lo para nossa vantagem, e para vantagem da sua Igreja, cujas futuras orações e futuras lágrimas desde então Ele generosamente fazia suas, tornando fecundas umas e outras com a sua graça. Maria mediadora de todas as graças 11. Mas, depois que, por virtude do mistério da Cruz, foi realizar a salvação do gênero humano, e depois que, com o triunfo de Cristo, a Igreja foi plenamente constituída dispensadora da sua salvação, desde então a Providência preparou e estabeleceu para este novo povo uma ordem nova. 12. As disposições da divina Sabedoria devem ser olhadas com profunda veneração. O Filho eterno de Deus, querendo assumir a natureza humana para redimi-la e nobilitá-la, e portanto para contrair um místico consórcio com o gênero humano, não deu cumprimento a este seu desígnio senão depois de obter o livre consentimento daquela que fora designada para sua Mãe, e que, em certo sentido, representava todo o gênero humano; segundo a célebre e veracíssima sentença do Aquinate: “Por meio da Anunciação aguardava-se o consentimento da Virgem, em nome e em representação de toda a natureza humana” (S. Tomás, 3, q. 30, a. 1). Por conseqüência, pode-se com toda verdade e rigor afirmar que, por divina disposição, nada nos pode ser comunicado, do imenso tesouro da graça de Cristo – sabe-se que “a glória e a verdade vieram de Jesus Cristo” (Jo 1, 17), – senão por meio de Maria. De modo que, assim como ninguém pode achegar-se ao Pai Supremo senão por meio do Filho, assim também, ordinariamente, ninguém pode achegar-se a Cristo senão por meio de sua Mãe. 13. Quanta sabedoria e misericórdia resplandece nesta disposição da Divina Providência! Que compreensão da debilidade e fragilidade humana! De fato, nós cremos na infinita bondade de Cristo, e por ela lhe rendemos louvor; mas também cremos na sua infinita justiça, e desta temos temor. Sentimos uma profunda gratidão pelo amor do Salvador, que por nós deu generosamente o seu Sangue e a sua vida; mas, ao mesmo tempo, tememo-lo no seu caráter de juiz inexorável. Apreensivos pela consciência dos nossos pecados, precisamos, por isto, de um intercessor e de um patrono que, de um lado, goze em alto grau do favor divino, e, de outro, seja de ânimo tão benévolo que a ninguém recuse o seu patrocínio, nem mesmo aos mais desesperados, e ao mesmo tempo infunda confiança na divina clemência àqueles que, abatidos, jazem no desconforto. Mãe de Deus e Mãe dos homens 14. Pois bem: essa eminentíssima criatura é justamente Maria: certamente Ela é poderosa, porque é Mãe de Deus onipotente, porém – o que é mais consolador -é amorosa, de uma extrema benevolência, de uma indulgência sem limites. Tal no-la deu o próprio Deus, que, havendo-a escolhido para Mãe de seu Unigênito, infundiu-lhe, por isso mesmo, sentimentos requintadamente maternos, capazes somente de bondade e de perdão. Tal no-la mostrou Jesus, quer quando consentiu em ser sujeito e obedecer a Maria, como um filho a sua mãe, quer quando, do alto da Cruz, confiou às suas amorosas solicitudes todo o gênero humano, na pessoa do discípulo João. Tal, enfim, se mostrou ela mesma quando, acolhendo generosamente a pesada herança que lhe deixava seu Filho moribundo, desde aquele momento começou a cumprir, para com todos, os seus deveres de Mãe. O recurso a Maria na tradição cristã 15. Este plano de terna misericórdia executado por Deus em Maria e ratificado por Cristo com a sua última vontade, foi desde o início compreendido com imensa alegria pelos santos Apóstolos e pelos primeiros fiéis; foi compreendido e ensinado pelos venerandos Padres da Igreja; foi concordemente compreendido, em todos os tempos, pelo povo cristão. E mesmo quando a tradição e a literatura se calassem, esta verdade seria igualmente atestada com grandíssima eloquência pela voz que irrompe do coração de cada cristão. Sem uma fé divina não se explicaria o imperioso impulso que nos impele e docemente nos arrasta para Maria; o vivo desejo, ou, melhor, a necessidade que sentimos de procurar refúgio na proteção e no auxílio daquela a quem podemos confiar plenamente os nossos projetos e as nossas ações, a nossa inocência e o nosso pensamento, os nossos tormentos e as nossas alegrias, as nossas preces e os nossos votos, em suma todas as nossas coisas; a doce esperança e a confiança, por nós nutridas, de que aquilo que seria menos aceito a Deus, porque apresentado por nós, indignos pecadores, poderá tornar-se-lhe agradabilíssimo se o confiarmos a sua Mãe Santíssima. Quanto mais a alma se alegra com a verdade e suavidade destes pensamentos, outro tanto se entristece por causa daqueles que, privados da fé divina, não honram Maria: antes, não a consideram nem mesmo como Mãe. E ainda mais se contrista o Nosso coração por causa daqueles que, embora participantes da santa fé, ousam acusar os bons de excessivo e exagerado culto para com Maria, ofendendo com isto grandemente a piedade filial. 16. Portanto, no meio da tempestade de males que tão duramente atormentam a Igreja, todos os devotos filhos desta mesma Igreja vêem claramente que urgente dever têm de orar insistentemente a Deus onipotente, e, sobretudo, de que modo devem aplicar-se a isso para que as suas preces tenham máxima eficácia. Seguindo o exemplo de nossos piedosíssimos pais e antepassados, recorramos a Maria, nossa santa Rainha; e, concordemente, supliquemos a Maria, Mãe de Jesus Cristo e Mãe nossa: “Mostra-te nossa Mãe, e por meio de ti acolha nossas preces Aquele que, nascido para nós, quis ser teu Filho” (Da sagrada liturgia). Excelência do Rosário 17. Ora, como quer que, entre a diversas formas e maneiras de honrar a divina Mãe, são de preferir aquelas que por si mesmas são julgadas mais excelentes e a ela mais agradáveis, apraz-nos expressamente apontar e vivamente recomendar o santo Rosário. A este modo de orar foi dado, na linguagem comum, o nome de “coroa”, porque ela também recorda, num feliz enredo, os grandes mistérios de Jesus e de Maria: as suas alegrias, as suas dores e os seus triunfos. Se os fiéis meditarem e contemplarem devotamente, na ordem, devida, estes augustos mistérios, haurirão deles um admirável auxílio, quer em alimentar a sua fé e em preservá-la da ignorância e do contágio dos erros, quer em elevar e fortalecer o vigor do seu espírito. De feito, por esse modo o pensamento e a memória de quem reza são, à luz da fé, atraídos com suavíssimo ardor para estes mistérios. Neles concentrados e imersos, nunca se cansarão de admirar a obra inenarrável da Redenção humana, levada a efeito a tão caro preço e com uma sucessão de tão grandes acontecimentos. E, diante destas provas da divina caridade, a alma se inflamará de amor e de gratidão, consolidará e aumentará a sua esperança, e avidamente visará à recompensa celeste, preparada por Cristo para aqueles que se Lhe houverem unido pela imitação dos seus exemplos e pela participação das suas dores. E, enquanto isso, com os lábios se pronunciam as orações ensinadas pelo próprio Cristo, pelo Arcanjo Gabriel e pela Igreja. Orações tão cheias de louvores e de salutares aspirações não poderão ser repetidas e continuadas, na sua vária e determinada ordem, sem produzirem sempre novos e suaves frutos de piedade. Origem e glórias do Rosário 18. Que, pois, a própria Rainha do Céu haja ligado a esta oração uma grande eficácia, demonstra-o o fato de haver ela sido instituída e propagada pelo ínclito S. Domingos, por impulso e inspiração dela, em tempos especialmente tristes para a causa católica, e bem pouco diferentes dos nossos, e instituída como um instrumento de guerra eficacíssimo para combater os inimigos da fé. 19. Com efeito, a seita herética dos Albigenses, ora sorrateira, ora abertamente, invadira numerosas regiões; espantosa descendência dos Maniqueus, repetia ela os monstruosos erros destes, e renovava as suas hostilidades, as suas violências e o seu ódio profundo contra a Igreja. Contra essa turba tão perniciosa e arrogante, já agora pouco ou nada se podia contar com os auxílios humanos, quando o socorro veio manifestamente de Deus, por meio do Rosário de Maria. Assim, graças à Virgem, gloriosa e debeladora de todas as heresias, as forças dos ímpios foram abatidas e quebradas, e a fé de muitíssimos ficou salva e intacta. E pede-se dizer que semelhantes fatos se verificaram no seio de todos os povos. Quantos perigos conjurados! Quantos benefícios alcançados! A história antiga e moderna aí está para o demonstrar com os mais luminosos testemunhos. Difusão e vitalidade do Rosário 20. Porém outra prova evidente também nos é fornecida pelo fato de, apenas instituída a oração do Rosário, haver-se a sua prática em brevíssimo tempo propagado por toda parte, entre toda classe de pessoas. E, de feito, se é verdade que o povo cristão tem achado diversas formas e títulos insignes para honrar a Mãe de Deus, que sozinha se eleva, entre todas as criaturas, por tantas excelsas prerrogativas, todavia é inegável que os fiéis sempre amaram de modo todo particular o título do Rosário: isto é, essa maneira de orar que é considerada como a senha da nossa fé e o compêndio do culto a ela devido. E têm-na praticado particularmente e em público, no interior das casas e no seio das famílias; instituindo confrarias, consagrando altares, promovendo solenes procissões; convencidos de que de nenhum outro modo poderiam melhor honrar as suas festas e merecer o seu patrocínio e as suas graças. 21. Nem passe em silêncio um fato que focaliza uma particular providência de Nossa Senhora acerca do Rosário. E é este. Quando, com o correr do tempo, no seio de algum povo pareceu enfraquecer-se o gosto pela piedade, e relaxar-se também a prática desta oração, mal se desenhou, pelo lado do Estado, algum gravíssimo perigo, ou se apresentou qualquer necessidade pública, por voto unânime foi a prática do Rosário, de preferência a outras manifestações religiosas, que foi como que por encanto revocada a uso e recolocada no seu lugar de honra, com geral benefício. E desta asserção não se faz mister ir buscar as provas no passado, porque temos ao alcance da mão uma insigne nos nossos dias. Como dissemos desde o princípio, estes nossos tempos são cheios de amargura para a Igreja de Deus, e ainda mais para Nós, chamado pela Providência Divina a governá-la. Ora, justamente nestes tempos é que nos é dado notar e admirar, em toda parte do orbe católico, um fervoroso despertar na prática e na devoção do Rosário. E, visto que este fato, antes que à diligência humana, se deve efetivamente atribuir a Deus, que dirige e conduz os homens, isto consola, e levanta o Nosso ânimo, enchendo-o de grande confiança em que, pela intercessão de Maria, a Igreja poderá alcançar novos e mais extensos triunfos. Como se deve orar 22. Há alguns que crêem as coisas que havemos relembrado; mas, depois, vendo não haver sido ainda alcançado nada daquilo que se esperava – e em primeiro lugar a paz e a tranqüilidade da Igreja, antes, vendo a situação tornar-se sempre mais ameaçadora, como que cansados e desconfiados diminuem a assiduidade e o ardor da sua oração. Mas estes deveriam, em primeiro lugar, refletir, e fazer com que as orações por eles dirigidas a Deus sejam dotadas dos requisitos que, segundo o preceito de Cristo Senhor Nosso, são necessários. E, depois, se as suas orações fossem realmente tais, deveriam eles além disso considerar que é coisa indigna e culposa o querer fixar a Deus o momento e o modo de vir em nosso socorro, a Deus que não nos deve nada; tanto que, quando Ele atende a quem lhe ora, e quando “coroa os nossos méritos, na realidade não coroa outra coisa senão os seus próprios dons” (S. Agostinho, Epistola 194 al. 105 ad Sixtum, c. 5, n. 19); e, quando não secunda os nossos desejos, comporta-se providencialmente como um bom pai para com seus filhos, o qual tem piedade da estultícia destes, e olha sempre à sua verdadeira utilidade. A oração pela Igreja e a oração da Igreja 23. Mas Deus acolhe benignamente e atende as orações que amparadas pela intercessão dos Santos, devotamente lhe erguemos para torná-lo propício à sua Igreja; seja quando para a sua Igreja pedimos os bens mais altos e eternos, seja quando pedimos bens importantes e temporais, mas, em todo caso, úteis àqueles. Com efeito, a tais orações adita valor e imensa eficácia, com suas orações e seus méritos, Nosso Senhor Jesus Cristo, que “amou a Igreja e deu-se a si mesmo por ela, com o fim de santificá-la… para fazer aparecer diante de Si mesmo, gloriosa, a Igreja” (Ef 5, 25-27); Ele que lhe é o Pontífice supremo, santo, inocente, “sempre estando vivo, para poder interceder por nós”; Ele que, nas suas orações e súplicas – cremo-lo por fé divina – sempre consegue o seu intento. 24. Portanto, no que diz respeito aos interesses da Igreja, é sabido que as mais das vezes ela deve lutar com adversários formidáveis por ódio e poder; e sobejas vezes deve ela doer-se de que pelos seus inimigos lhe sejam arrancados os seus bens, limitada e oprimida a sua liberdade, atacada e desprezada a sua autoridade, e, em suma, infligidos danos e violências de todo gênero. E, se nos perguntarem por que razão a maldade destes não chega ao cúmulo de injustiça que eles se propõem e se esforçam por atingir, e, de outra parte, por que razão a Igreja, mesmo no meio de tantas vicissitudes, refulge sempre, conquanto de modos diversos, da mesma grandeza e da mesma glória, e continua a progredir, justo é atribuir à verdadeira causa de um e de outro fato ao poder da oração unânime da Igreja; não podendo humanamente explicar-se como a iniquidade, mesmo tão descarada, seja contida dentro de limites tão estreitos ao passo que a Igreja, embora mantida em opressão, alcança sem embargo, tão esplêndidos triunfos. E isto aparece ainda mais evidente no campo desses bens de que a Igreja se serve para conduzir os homens à posse do bem supremo. Visto haver ela nascido justamente para esta missão, a sua oração deve ter uma grande eficácia em obter que se cumpra perfeitamente sobre os homens o desígnio da providência e misericórdia de Deus; de modo que, quando os homens oram com a Igreja e por meio da Igreja, em definitivo impetram e obtêm aquilo que “desde a eternidade Deus onipotente dispusera conceder” (S. Tomás, II-II, q. 83, a. 2: de S. Greg. Magno). Os milagres da oração 25. Neste mundo a mente humana falha em face dos excelsos planos da Divina Providência; mas dia virá em que o próprio Deus, na sua grande bondade, nos manifestará as causas e o enredo dos acontecimentos; e então aparecerá claramente que poderosa eficácia de impetração teve nesta ordem de coisas o dever da oração. Então ver-se-á que foi justamente por virtude da oração que muitos, mesmo em meio à grande corrupção do mundo depravado, se conservaram puros e isentos “de toda contaminação de carne e de espírito, realizando a santificação no temor de Deus” (2 Cor, 7, 1); que outros, quando estavam a ponto de ceder ao mal, não somente se contiveram, mas do perigo e da tentação tiraram um acréscimo de virtude; que outros, já derrubados, por um estímulo interior foram impelidos a levantar-se e a lançar-se no amplexo de Deus misericordioso. 26. Por isto Nós conjuramos todos a quererem meditar atentamente estas verdades; a não se deixarem seduzir pelos ardis do antigo inimigo; a nunca abandonarem, por motivo algum, a prática da oração; antes os exortamos a perseverarem nela, sem nunca se cansarem. E, em primeiro lugar, lembrem-se de implorar o mais alto de todos os bens: a salvação eterna de todos, e a incolumidade da Igreja. Depois disto poderão invocar de Deus os outros bens que concernem à prosperidade temporal; contanto que sejam resignados à sua justíssima vontade, e que, atendidos ou não nas suas orações, saibam render-Lhe graças como ao mais benfazejo dos pais. Por último, recomendamo-lhes orarem com esse espírito de religião e de piedade que sempre convém quando se trata com Deus: como costumavam fazer os Santos, e como fazia o nosso próprio Redentor e Mestre, “com fortes gritos e lágrimas” (Heb 5, 7). Com a oração, a mortificação 27. A esta altura, a dor e o afeto de Pai impele-nos a implorar de Deus, dador de todos os bens, para todos os filhos da Igreja, não somente o espírito da oração, mas também o da mortificação. Isto fazendo de todo coração, Nós exortamos todos, com a mesma solicitude, a praticarem esta virtude, tão estreitamente unida à outra. Porquanto, se a oração conforta a alma, robustece-a e eleva-a às coisas celestes, a mortificação habitua-nos a dominar-nos a nós mesmos, e especialmente o corpo, que, por motivo de antiga culpa, é o mais perigoso inimigo da razão e da lei evangélica. Há entre estas virtudes – como é evidente um nexo indissolúvel. Elas se ajudam reciprocamente, e juntas tendem ao mesmo fim, que é o de desapegar o homem, nascido para o Céu, das coisas caducas deste mundo, para elevá-lo quase a uma celeste intimidade com Deus. Ao contrário, aquele que tem o ânimo aceso pelas paixões e amolecido pelos prazeres tem náusea das alegrias celestes, que nunca experimentou. A sua oração não passa de uma voz fria e lânguida, certamente indigna de ser escutada por Deus. O exemplo dos santos 28. Temos sob os olhos os exemplos de mortificação a nós deixados pelos Santos. Pois bem: era justamente esse espírito de mortificação que tornava aceitas a Deus as suas orações; tanto que, como nos atesta a história sagrada, eles tiveram até mesmo o poder de operar milagres. Esses Santos eram assíduos em regular e refrear a mente, o coração e as paixões; submetiam-se sempre com grande docilidade e humildade à doutrina de Cristo, aos ensinamentos e aos preceitos da sua Igreja; nada queriam, nada recusavam, sem antes haver sondado a vontade de Deus; nas suas ações não se propunham outro escopo senão a maior glória de Deus; continham e reprimiam energicamente os apetites da carne; tratavam o próprio corpo duramente e sem piedade; e, por amor da virtude, abstinham-se até mesmo das coisas por si mesmas lícitas. Assim podiam com razão aplicar a si mesmos as palavras que o Apóstolo Paulo dizia de si: “já que a nossa cidadania é nos céus” (Filip 3, 20); e, pela mesma razão, as suas orações eram tão eficazes em lhe tornar Deus propício e benigno. Necessidades da penitência 29. Certamente, nem a todos é dada a possibilidade, nem todos têm a obrigação de fazer o mesmo; mas cada um é obrigado, segundo o seu poder, a mortificar a sua vida e os seus costumes. Exige-o a justiça divina, à qual é dada estrita satisfação das culpas cometidas; e é preferível dar essa satisfação enquanto se está em vida, com penitências voluntárias, porque assim também se tem o mérito da virtude. Além disto, já que nós todos estamos unidos e vivemos no corpo místico de Cristo, que é a Igreja, daí se segue, consoante S. Paulo, que, tal como os gozos, assim também as dores de um membro são comuns a todos os outros membros: quer dizer que os irmãos cristãos devem vir voluntariamente em auxílio dos outros irmãos nas suas enfermidades espirituais ou corporais, e, na medida em que estiver em seu poder, cuidar da cura deles; “os membros tenham a mesma solicitude uns com os outros; e, se um membro sofre, sofrem com ele todos os membros; ou, se tem glória um membro, todos os membros se regozijam com ele. Ora, vós sois corpo de Cristo, e particularmente sois membros deste” (1 Cor 12,25-27). Nesta prova que a caridade nos pede, de expiarmos as culpas de outrem, a exemplo de Jesus Cristo, que com imenso amor deu a sua vida para redimir todos do pecado, está esse grande vínculo de perfeição que une estreitamente os fiéis entre si, com os Santos e com Deus. 30. Em suma, o espírito da santa mortificação é tão vário, industrioso e extenso, que qualquer um desde que animado de piedade e de boa vontade pode praticá-lo com muita freqüência e sem esforço excessivo. Exortações e esperanças 31. Depois do que até aqui expusemos, não nos resta, Veneráveis Irmãos, senão esperar dos Nossos avisos e das Nossas exortações o êxito mais consolador. E de fato o esperamos da vossa singular e profunda piedade para com a augusta Mãe de Deus, da vossa solicitude e do vosso zelo pelo rebanho a vós confiado. E já a nossa alma se alegra em prever frutos felizes e abundantes, como aqueles que os católicos souberam colher da sua notável piedade para com Maria. Que, pois, graças aos vossos convites, às vossas recomendações e ao vosso exemplo, os fiéis, especialmente no próximo mês, acorram e se reúnam em torno dos altares, solenemente ornados, da augusta Rainha, da benigníssima Mãe; e com coração filial lhe entreteçam e lhe ofereçam místicas coroas com a recitação, a ela tão grata, do Rosário. De Nossa parte, confirmamos e ratificamos não só as prescrições já outras vezes dadas a propósito, mas também as sagradas Indulgências já concedidas (Encíclica “Supremi Apostolatus”, 1 Set. 1883. Encíclica “Superiore Anno”, 30 Ag. 1884; Decreto S. R. C. “Inter Plurimos”, 20 Ag. 1885; Encíclica “Quanquam Pluries”, 15 Ag. 1889). Oh! como será belo e vantajoso o espetáculo de milhões de fiéis que, em todo o orbe católico – nas cidades, nas aldeias, nos campos, em terra e no mar, – fundindo juntos os seus louvores e as suas preces, os seus pensamentos e as suas vozes, saudarem a todas as horas do dia Maria, invocarem Maria, e tudo esperarem de Maria! Roguem-lhe todos, com confiança, queira Ela obter de seu Filho que as nações transviadas voltem às instituições e aos princípios cristãos, nos quais assenta a base do bem-estar público, e da qual jorram os benefícios da desejada paz e da verdadeira felicidade. Porém ainda mais insistentemente lhe peçam aquilo que deve estar no ápice dos desejos de todos os bons, ou seja a liberdade da Igreja e a pacífica posse dessa liberdade, de que ela não se serve senão para proporcionar aos homens o bem supremo. Desta liberdade, nem indivíduos nem Estados sofreram jamais dano algum; antes, dela hauriram sempre inúmeros e inestimáveis benefícios. 32. Finalmente, Veneráveis Irmãos, que pela intercessão da Rainha do Rosário Deus vos conceda os favores e as graças celestes, das quais possais haurir, em sempre maior abundância, auxílio e força para cumprirdes santamente os deveres do vosso ministério pastoral. E delas seja penhor e auspício a Bênção Apostólica que de coração concedemos a vós, ao vosso clero e ao povo confiado aos vossos cuidados. Dado em Roma, junto a S. Pedro, a 22 de Setembro de 1891, décimo quarto ano do Nosso Pontificado. LEÃO PP. XIII

  • CARTA ENCÍCLICA – SUPERIORE ANNO – PAPA LEÃO XIII

    CARTA ENCÍCLICA SUPERIORE ANNO DE SUA SANTIDADE PAPA LEÃO XIII A TODOS OS NOSSOS VENERÁVEIS IRMÃOS, OS PATRIARCAS, PRIMAZES, ARCEBISPOS E BISPOS DO ORBE CATÓLICO, EM GRAÇA E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA SOBRE O ROSÁRIO DE NOSSA SENHORA Veneráveis Irmãos, Saúde e Bênção Apostólica. Correspondência ao convite do ano passado 1. O ano passado, como todos sabem, com uma Encíclica Nossa dispusemos que durante todo o mês de Outubro, em toda parte do orbe católico, se honrasse por meio do santo Rosário a grande Mãe de Deus, para obter dela um eficaz socorro nas angústias de que a Igreja estava oprimida. Com isso secundamos uma inspiração Nossa, e seguimos o exemplo dos Nossos Predecessores, os quais, nos tempos mais difíceis para a Igreja, tiveram o costume de, com aumentado ardor de piedade, recorrer à Virgem augusta, e de com fervorosa prece invocar-lhe o auxílio. 2. A solicitude e o consenso em secundar a Nossa vontade foram tais por toda parte, que se tornou evidente o quanto é intenso no povo cristão o espírito da religião e da piedade, e o quanto é viva a confiança de todos no celeste auxílio de Maria Santíssima. Este fervor em professar a própria piedade e a própria fé trouxe, certamente, um grande conforto ao Nosso coração, oprimido por tantas preocupações graves e por tantos males; antes, deu-nos força para suportar, se Deus assim quiser, males ainda piores. De feito, enquanto o espírito de oração se derramar sobre a casa de David e sobre os habitantes de Jerusalém, nutrimos segura esperança de que, um dia, Deus se nos mostrará aplacado, e de que, movido a compaixão pela sorte da sua Igreja, atenderá às orações elevadas pelos fiéis por meio daquela que Ele quis administradora das graças celestes. Cumpre preservar na oração 3. Portanto, visto ainda subsistirem as causas que, como já dissemos, nos impeliram, o ano passado, a estimular a piedade dos fiéis, julgamos nosso dever, Veneráveis Irmãos, exortar de novo, este ano, o povo cristão a perseverar na devoção do santo Rosário, para merecer a eficaz proteção da grande Mãe de Deus. Com efeito, se são tão obstinados os propósitos dos inimigos do cristianismo, necessário se torna que não menor seja a constância dos seus defensores; tanto mais quanto o auxilio celeste e os benefícios de Deus freqüentemente são fruto da nossa perseverança. E aqui torna-se oportuno evocar o exemplo daquela ilustre heroína em quem era figurada a Virgem Maria: Judite, que conteve a impaciência dos judeus, os quais, na sua estultícia, queriam a seu arbítrio fixar a Deus o tempo para socorrer a cidade. Assim também deve ter-se presente o exemplo dos Apóstolos, que esperaram o prometido dom supremo do Espírito Santo unidos em perseverante e unânime oração, com Maria Mãe de Jesus. Motivos para recorrer a Maria 4. Efetivamente, agora também se trata de um negócio bastante árduo e importante: isto é, de abater o poder do antigo e astutíssimo inimigo, arrogante na sua força; de reivindicar a liberdade para a Igreja e para o seu Chefe; de conservar e defender os fundamentos sobre os quais deve apoiar-se a segurança e o bem-estar da sociedade. Grande deve, por isto, ser, nestes tempos tão lacrimosos para a Igreja, a solicitude de manter com piedosa diligência o santo costume do Rosário; sobretudo porque esta oração é composta de modo a evocar sucessivamente todos os mistérios da nossa salvação, e portanto particularmente adequada para fomentar a piedade. 5. Depois, pelo que se refere à Itália, há, neste momento, uma particular, uma extrema necessidade de implorar o eficacíssimo socorro da Virgem, dado que não só está iminente, mas já sobreveio uma inesperada calamidade. Queremos aludir à peste asiática que, transpondo, por vontade de Deus os confins que a natureza parecia haver-lhe fixado, invadiu os portos mais freqüentados da costa francesa e, dali, as zonas limítrofes da Itália. 6. Devemos, pois, buscar refúgio em Maria, naquela a quem com razão a .Igreja chama Virgem salutífera, auxiliadora, libertadora; para que ela queira trazer-nos benevolamente o socorro invocado mediante a mais agradável das orações, e afastar de nós o impuro contágio. Disposições e indulgências para a recitação do Rosário 7. Por tal motivo, aproximando-se o mês de Outubro, em que o orbe católico celebra a festa de Nossa Senhora do Rosário, deliberamos renovar este ano todas as prescrições do ano passado. 8. Portanto, decretamos e ordenamos que, a partir de primeiro de Outubro até 2 de Novembro seguinte, em todas as igrejas paroquiais e nos oratórios públicos dedicados à Mãe de Deus, ou mesmo nos outros, a juízo do Ordinário, sejam diariamente recitadas ao menos cinco dezenas do Rosário, com as ladainhas. E, se o Rosário se recitar pela manhã, celebre-se ao mesmo tempo a santa Missa; se, em vez disso, se recitar de tarde, exponha-se o SS. Sacramento à adoração dos fiéis, e portanto dê-se aos presentes a bênção. Além disso, é nosso desejo que, onde a isso se não opuserem as leis civis, para incremento da piedade pública as Confrarias do santo Rosário saiam pelas ruas em procissão solene. 9. Depois, a fim de que os celestes tesouros da Igreja fiquem à disposição da piedade cristã, renovamos as simples Indulgências já concedidas o ano passado. Isto é, a todos os fiéis que, nos dias estabelecidos, participarem da pública recitação do Rosário e orarem segundo a Nossa intenção, como também àqueles que, por legítimo impedimento, o recitarem em particular, concedemos, para cada vez, a Indulgência de sete anos e de sete quarentenas. Além disto, concedemos a Indulgência plenária aos que, em dito período, confessados e comungados, recitarem, ao menos por dez dias, o Rosário do modo supra indicado, na igreja ou, por justo motivo, em casa. Em terceiro lugar, concedemos também esse pleníssimo perdão das culpas e remissão das penas a todos os que, no dia da festa do Rosário, ou na oitava, com a alma purificada participarem do divino Banquete, orando, em alguma igreja, a Deus e a sua Mãe Santíssima, segundo a Nossa intenção. 10. Querendo, enfim, atender àqueles que vivem no campo e que, durante o mês de Outubro, estão particularmente empenhados no trabalho dos campos, consentimos que, a juízo dos Ordinários, eles adiem para os meses seguintes, de Novembro e Dezembro, as piedosas práticas supra estabelecidas, e que possam igualmente lucrar as Indulgências anexas ao mês de Outubro. As esperanças do Papa 11. Não duvidamos, Veneráveis Irmãos, de que os Nossos cuidados não estejam em via de ser coroados de frutos abundantes e opimos, mormente se Deus, com o dom das suas graças, fizer crescer o que Nós plantamos e vós regastes. Por outro lado, estamos certo de que o povo cristão prestará ouvido à autoridade Apostólica com o mesmo fervor de fé e de piedade de que deu esplêndido testemunho no ano passado. Assim, fazemos votos para que a celeste Padroeira, invocada mediante a oração do Rosário, nos seja propícia e nos obtenha que, eliminadas as divergências de opiniões, e estendida a religião de Cristo a todas as partes da terra, a Igreja alcance a suspirada tranqüilidade. Como penhor deste benefício, de todo coração concedemos a Bênção Apostólica a vós, ao vosso clero e ao povo confiado ao vosso ministério. Dado em Roma, junto a S. Pedro, a 30 de Agosto de 1884, sétimo ano do Nosso Pontificado. LEÃO PP. XIII

  • CARTA ENCÍCLICA – SUPREMI APOSTOLATUS OFFICIO – PAPA LEÃO XIII

    CARTA ENCÍCLICA SUPREMI APOSTOLATUS OFFICIO DE SUA SANTIDADE PAPA LEÃO XIII A TODOS OS NOSSOS VENERÁVEIS IRMÃOS, OS PATRIARCAS, PRIMAZES, ARCEBISPOS E BISPOS DO ORBE CATÓLICO, EM GRAÇA E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA SOBRE O ROSÁRIO DE NOSSA SENHORA Veneráveis Irmãos, Saúde e Bênção Apostólica. O auxílio de Maria nos males presentes da Igreja 1. O ofício do Sumo Pontificado, que Nós exercemos, e a dificílima condição dos tempos presentes, cada dia mais nos induzem e como que nos impelem a prover com tanto maior solicitude à tutela e à incolumidade da Igreja, quanto mais graves são as suas provações. Por isto, enquanto, com todas as forças, nos aplicamos a salvaguardar por todos os modos os direitos da Igreja, e a prevenir e afastar os perigos que ou estão iminentes ou já a rondam, sem trégua nos aplicamos a invocar os celestes auxílios, persuadidos de que só com estes a Nossa obra è as Nossas solicitudes poderão conseguir o êxito desejado. 2. Para este fim, nada consideramos mais eficaz e mais poderoso do que tornar-nos propícia, pela devoção e pela piedade, a grande Mãe de Deus, a Virgem Maria. De fato, mediadora, junto a Deus, da nossa paz, e dispensadora das graças celestes, ela está sentada no Céu no mais alto trono de poder e de glória, para conceder o auxílio do seu patrocínio aos homens, que, entre tantas penas e tantas lutas, fadigosamente caminham para a eterna pátria. Portanto, estando já agora próxima a anual solenidade destinada a receber os inúmeros e assinalados benefícios concedidos ao povo cristão por meio do santo Rosário de Maria, queremos que, este ano, todo o orbe católico com particular devoção dirija à Virgem Maria a mesma piedosa oração, a fim de que, pela sua intercessão, possamos ter a alegria de ver seu Filho aplacado e movido a compaixão das nossas misérias. Por tal motivo, julgamos bem, ó Veneráveis Irmãos, dirigir-vos esta Carta, para que, conhecidas as Nossas intenções, possais, com a vossa autoridade e com o vosso zelo, estimular a piedade dos fiéis a corresponder-vos diligentemente. Poder e bondade de Maria 3. Nos momentos de apreensão e de incerteza, foi sempre o primeiro e sagrado pensamento dos católicos o de recorrerem a Maria, e de se refugiarem na sua maternal bondade. E isto demonstra a firmíssima esperança, antes a plena confiança, que a Igreja Católica com toda razão sempre depositou na Mãe de Deus. De fato, a Virgem Imaculada, escolhida para ser Mãe de Deus, e por isto mesmo feita Co-Redentora do gênero humano, goza junto a seu Filho de um poder e de uma graça tão grande, que nenhuma criatura, nem humana nem angélica, jamais pôde nem jamais poderá atingir uma maior. E, visto como a alegria mais grata para ela é a de ajudar e consolar todo fiel em particular que invoque o seu socorro, não pode haver dúvida de que ela muito mais prazeirosamente deseje acolher, antes, que exulte em acolher, os votos da Igreja toda. Intervenções de Maria na história de Igreja 4. Mas esta ardente e confiante piedade para com a augusta Rainha do Céu foi posta em mais clara luz quando a violência dos erros largamente difundidos, ou a transbordante corrupção dos costumes, ou o assalto de inimigos poderosos, pareceram pôr em perigo a Igreja militante de Deus. 5. As memórias antigas e modernas e os sagrados fastos da Igreja relembram, de uma parte, as súplicas públicas e particulares e os votos elevados à divina Mãe, e, de outra parte, os auxílios por meio dela obtidos, e a tranqüilidade e a paz pelo Céu concedidas. Daí tiveram origem esses títulos insignes com que os povos católicos a saudaram: Auxiliadora dos cristãos, Socorredora e Consoladora, Dominadora das guerras, Senhora das vitórias, Pacificadora. Entre os quais é principalmente digno de menção o titulo, tão solene, do Rosário, que consagra à imortalidade os seus assinalados benefícios em favor da inteira Família cristã. 6. Nenhum de vós, ó Veneráveis Irmãos, ignora quantas dores e quantas lágrimas, no fim do século XII, proporcionaram à santa Igreja de Deus os hereges Albigenses, que, nascidos da seita dos últimos Maniqueus, haviam infectado de perniciosos erros a França meridional e outras regiões do mundo latino. Espalhando em torno de si o terror das armas, eles tramavam estender o seu domínio pelos morticínios e pelas ruínas. Contra esses péssimos inimigos Deus misericordioso suscitou, como vos é bem conhecido, um homem virtuosíssimo: o ínclito padre fundador da Ordem dominicana. Insigne pela integridade da doutrina, por exemplos de virtude e pelos seus labores apostólicos, ele se preparou com intrépida coragem para travar as batalhas da Igreja Católica, confiando não na força das armas, mas sobretudo na daquela oração que ele, por primeiro, introduziu sob o nome do santo Rosário, e que, ou diretamente ou por meio dos seus discípulos, depois divulgou por toda parte. Visto como, por inspiração ou por impulso divino, ele bem sabia que, com o auxílio desta oração, poderoso instrumento de guerra, os fiéis poderiam vencer e desbaratar os inimigos, e forçá-los a cessar a sua ímpia e estulta audácia. E é sabido que os acontecimentos deram razão à previsão. De feito, desde quando tal forma de oração ensinada por S. Domingos, foi abraçada e devidamente praticada pelo povo cristão, de um lado começaram a revigorar-se a piedade, a fé e a concórdia, e, de outro, foram por toda parte quebradas as manobras e as insídias dos hereges. Além disto, muitíssimos errantes foram reconduzidos à trilha da salvação, e a loucura dos ímpios foi esmagada por aquelas armas que os católicos haviam empunhado para reprimir a violência. 7. A eficácia e o poder da mesma oração foi, depois experimentada também no século XVI, quando as imponentes forças dos Turcos ameaçavam impor a quase toda a Europa o jugo da superstição da barbárie. Nessa circunstância, o Pontífice S. Pio V, depois de estimular os soberanos cristãos à defesa de uma causa que era a causa de todos, dirigiu todo o seu zelo a obter que a poderosíssima Mãe de Deus, invocada por meio do santo Rosário, viesse em auxílio do povo cristão. E a resposta foi o maravilhoso espetáculo então oferecido ao Céu e à terra; espetáculo que empolgou as mentes e os corações de todos! Com efeito, de um lado os fiéis, prontos a dar a vida e a derramar o sangue pela incolumidade da religião e da pátria, junto ao golfo de Corinto esperavam impávidos o inimigo; de outro lado, homens inermes, com piedosa e suplicante falange, invocavam Maria, e com a fórmula do santo Rosário repetidamente a saudavam, a fim de que assistisse os combatentes até à vitória. E Nossa Senhora, movida por aquelas preces, os assistiu: porquanto, havendo a frota dos cristãos travado batalha perto de Lepanto, sem graves perdas dos seus desbaratou e matou os inimigos, e alcançou uma esplêndida vitória. Por este motivo o santo Pontífice, para perpetuar a lembrança da graça obtida, decretou que o dia aniversário daquela grande batalha fosse considerado festivo com honra da Virgem das Vitórias; festa que depois Gregório XIII consagrou sob o título do Rosário. 8. Igualmente são conhecidas as vitórias alcançadas sobre as forças dos Turcos, durante o século passado, primeiramente perto de Timisoara, na Rumania, depois perto da ilha de Corfu: com dois dias dedicados à grande Virgem, e após muitas preces a ela elevadas sob a forma do Rosário. Esta foi a razão que levou o Nosso Predecessor Clemente XI a estabelecer que, com prova de gratidão, a Igreja toda celebrasse cada ano a solenidade do santo Rosário. Louvores do Rosário 9. Portanto, visto que os fatos demonstram o quanto esta oração é agradável à Virgem, e o quanto é eficaz na defesa da Igreja e do povo cristão, em alcançar os divinos favores para os simples indivíduos e para a sociedade inteira, não há-de causar nenhuma admiração que também outros Nossos Predecessores, com palavras de fervoroso encômio, se hajam aplicado a incrementá-la. Assim Urbano IV afirmou que “cada dia o povo cristão recebe novas graças por meio do Rosário”; Sixto IV proclamou que esta forma de oração “é oportuna, não só para promover a honra de Deus e da Virgem, mas também para afastar os perigos que o mundo nos prepara”; Leão X disse-a “instituída contra os heresiarcas e contra o serpear das heresias”; e Júlio III chamou-lhe “ornamento da Igreja de Roma”. Igualmente Pio V, falando desta oração, disse que, “ao difundir-se ela, os fiéis, inflamados por aquelas meditações e afervorados por aquelas preces, começaram de repente a transformar-se com outros homens; as trevas das heresias começaram dissipar-se, e mais clara começou a manifestar-se a luz da fé católica”. Finalmente, Gregório XIII declarou que “o Rosário foi instituído por S. Domingos para aplacar a ira de Deus e para obter a intercessão da bem-aventurada Virgem”. O Rosário e os males dos tempos presentes 10. Movido por estas considerações e pelos exemplos dos Nossos Predecessores, julgamos assaz oportuno, nas presentes circunstâncias, ordenar solenes preces a fim de que a Virgem augusta, invocada por meio do santo Rosário, nos impetre de Jesus Cristo, seu Filho, auxílios iguais às necessidades. 11. Bem vedes, ó Veneráveis Irmãos, as incessantes e graves lutas que trabalham a Igreja. Vedes que a moralidade pública e a própria fé – o maior dos bens e o fundamento de todas as outras virtudes estão expostas a perigos sempre mais graves. Assim também vós não só conheceis a Nossa difícil situação e as Nossas múltiplas angústias, mas, pela caridade que a Nós tão estreitamente vos une, as sofreis juntamente conosco. Porém o fato mais doloroso e mais triste de todos é que tantas almas, remidas pelo sangue de Cristo, como que arrebatadas pelo turbilhão desta época transviada, vão-se precipitando numa conduta sempre mais depravada, e se abismam na eterna ruína; por isto a necessidade do divino auxílio certamente não é menor hoje do que a que era sentida quando o grande Domingos, para curar as feridas da sociedade, introduziu a prática do Rosário mariano. Iluminado do alto, ele viu claramente que para os males do seu tempo não havia remédio mais eficaz do que reconduzir os homens a Cristo, que é “caminho, verdade e vida”, mediante a freqüente meditação da Redenção por Ele operada; e interpor junto a Deus a intercessão dessa Virgem a quem foi concedido “aniquilar todas as heresias”. Por este motivo ele dispôs a prática do Rosário de modo que fossem sucessivamente recordados os mistérios da nossa salvação, e a este dever da meditação se entremeasse como que uma mística coroa de saudações angélicas, intercaladas pela oração a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nós, pois, que andamos procurando um igual remédio para não diversos males, não duvidamos de que a mesma oração, pelo santo Patriarca introduzida com tão notável vantagem para o mundo católico, tornar-se-á eficacíssima para aliviar também as calamidades dos nossos tempos. 12. Portanto, em consideração destas razões, não somente exortamos calorosamente todos os cristãos a praticarem, sem se cansar, o piedoso exercício do Rosário, publicamente, ou em particular, nas suas casas e famílias, mas também queremos que todo o mês de Outubro do ano em curso seja consagrado e dedicado à celeste Rainha do Rosário. Prescrições e privilégios para o mês de outubro 13. Estabelecemos, pois, e ordenamos que, em todo o mundo católico, a solenidade de Nossa Senhora do Rosário seja este ano celebrada com particular devoção e com esplendor de culto. Ordenamos, além disso, que, do dia primeiro de Outubro ao dia dois do seguinte mês de Novembro, em todas as igrejas paroquiais, e, se os Ordinários o julgarem vantajoso e conveniente, também nas outras igrejas e nas capelas dedicadas à Mãe de Deus, se recitem devotamente ao menos cinco dezenas do Rosário, com o acréscimo das Ladainhas Lauretanas. Depois, desejamos que, quando o povo se reunir para tais orações, ou se ofereça o santo Sacrifício da Missa, ou se exponha solenemente o SS. Sacramento, e no fim se dê aos presentes a Bênção com a Hóstia sacrossanta. 14. Vivamente aprovamos que as Confrarias do Rosário, seguindo uma antiga tradição, façam solenes procissões pelas ruas da cidade, em pública demonstração da sua fé. Mas onde, pela adversidade dos tempos, isto não for possível, não duvidamos de que tudo quanto por este lado for subtraído ao culto público será compensado por uma concorrência mais numerosa nas igrejas; e que o fervor da piedade se manifestará por uma prática mais diligente das virtudes cristãs. Em favor, pois, daqueles que executarem tudo quanto mais acima dispusemos, abrimos de bom grado os celestes tesouros da Igreja, a fim de que achem neles o estímulo e ao mesmo tempo o prêmio da devoção. Por isto, àqueles que, dentro do tempo estabelecido, participarem da pública recitação do Rosário com as Ladainhas, e orarem segundo a Nossa intenção, concedemos, para cada vez, a Indulgência de sete anos e de sete quarentenas: Queremos, igualmente, que de tal benefício possam fruir aqueles que, impedidos por legítima causa de praticar em público o piedoso exercício, o praticarem em particular, e orarem também segundo a Nossa intenção. 15. Depois, àqueles que, dentro do sobredito tempo, ao menos por dez vezes cumprirem a mesma prática, ou em público nas igrejas ou, por justos motivos, nas suas casas, concedemos a Indulgência plenária, desde que à piedosa prática juntem a Confissão e a Comunhão. 16. Esta Indulgência plenária das suas culpas concedemo-la também a todos os que, na mesma solenidade da bem-aventurada Virgem do Rosário ou num dos oito dias seguintes, igualmente se aproximarem do tribunal da Penitência e da Mesa do Senhor, e em alguma igreja rezarem, segundo a Nossa intenção, pelas necessidades da santa Igreja. Esperanças do Sumo Pontífice 17. Eia, pois, Veneráveis Irmãos: pelo zelo que tendes da honra de Maria e da salvação da sociedade humana, esforçai-vos por alimentar a devoção e por aumentar a confiança do povo para com a grande Virgem. Nós pensamos seja de atribuir-se a divino favor o fato de, mesmo em momentos tão procelosos para a Igreja como estes, haver-se mantido sólida e florescente, na maior parte do povo cristão, a antiga veneração e piedade para com a Virgem augusta. Mas agora esperamos que, incitados por estas Nossas exortações e inflamados pelas vossas palavras, os fiéis se hão de colocar com sempre mais ardente entusiasmo sob a proteção e assistência de Maria, e continuarão a amar com crescente fervor a prática do Rosário, que nossos pais costumavam considerar não só como um poderoso auxílio nas calamidades, mas também como um distintivo honorifico da piedade cristã. A celeste Padroeira do gênero humano acolherá benigna as humildes e unânimes preces que lhe dirigirmos, e, complacente, obter-nos-á que os bons se revigorem na prática da virtude; que os desviados caiam em si e se emendem; e que Deus, justo vingador das culpas, dobrando a misericordiosa clemência, afaste os perigos, e restitua ao povo cristão e à sociedade a tão desejada tranqüilidade. 18. Confortados por esta esperança, com os mais ardentes votos do Nosso coração rogamos vivamente a Deus, pela intercessão d’Aquela em quem Ele depositou a plenitude de todos os bens, que vos conceda a vós, Veneráveis Irmãos, as mais escolhidas e mais abundantes graças celestes, das quais é auspício e penhor a Bênção Apostólica, que de coração concedemos a vós, ao vosso clero e aos povos confiados aos vossos cuidados. Dado em Roma, junto de S. Pedro, a 1 de Setembro de 1883, sexto ano do Nosso Pontificado. LEÃO PP. XIII

  • Maria, a Rainha dos Céus e o Livro de Jeremias (Jer 7,18; 44,7-19; 44,25.)

    “Um sinal grandioso apareceu no céu, uma mulher vestida de sol, com a lua sob os pés, e com uma coroa de doze estrelas na cabeça.” (Ap. 12,1-2) Que espécie de mulher usa coroa? As rainhas usam coroas, mas essa mulher parece estar coroada das ‘mais altas jóias’ da criação, as estrelas, tendo o próprio sol como traje real. “Enfurecido com a mulher, o dragão foi guerrear contra o resto dos seus descendentes, os que observam os mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus.” (Ap. 12,17) Satã não pôde vencer a mulher [Gen 3,16) então passou a combater seus filhos espirituais, os cristãos, gente que dá testemunho de Jesus Cristo. Até Martinho Lutero pregou, após a ruptura com Roma, na Festa da Visitação (2 de Julho de 1532) — “Ela, a Dama acima do céu e da terra, devia ter um coração tão humilde que não se envergonhava de lavar a roupa de baixo ou de preparar um banho para São João Batista, como uma moça servente. Que humildade! Com certeza teria sido mais justo ter preparado para ela uma carruagem de ouro, puxada por 4.000 cavalos, e bradar e proclamar enquanto a carruagem andasse: ‘Aqui vai a mulher que está MUITO ACIMA de todas as mulheres e, com certeza, acima de TODA a raça humana.'” Cinco anos depois, ao pregar na mesma festa, disse Lutero — “Ela não estava cheia de orgulho por esse elogio, por este imenso elogio: ‘Nenhuma mulher é como você! Você é mais que uma IMPERATRIZ ou que uma RAINHA… abençoada acima de toda nobreza, de toda sabedoria ou de toda santidade!'” (LUTHER’S WORKS 36:208; 45:107 citado em REFUTING THE ATTACK ON MARY de Fr. Mateo, disponível em Catholic Answers) ——————————————————————————– MARIA COMO A MÃE DE CRISTO: Mateus 1:18; 2:11; 2:13; 2:14; 2:20; 2:21; 12:46; 12:47; 13:55; Marcos 3:31; 3:32; Lucas 1:15; 2:33; 2:34; 2:43; 2:48; 2:51; 8:20 João 2:1; 2:3; 2:5; 2:12; 6:42; 19:25; 19:26 Atos 1:14 ——————————————————————————– DEUS RESSALTOU IMENSAMENTE (MAIS DE 25 VEZES) A RAINHA MÃE NA LINHAGEM DOS REIS DAVíDICOS: 1 Reis 2:19 Betsabéia foi, pois, à presença do rei Salomão, para lhe falar de Adonias. E o rei se ergueu para ir ao seu encontro e se prostrou diante dela, e se sentou no trono e mandou colocar um assento para a mãe do rei e ela se sentou à sua direita. 1 Reis 2:20 “Disse ela: Tenho um pequeno pedido a te fazer, não mo negues. E o rei lhe disse: Pede, minha mãe, que não to negarei.” (note-se a intercessão da rainha mãe junto ao rei) Vide também: I Reis 14:21, 31; 15:2,10,13; 22:42; II Reis 8:26; 12:1;14:2; 15:2, 33; 18:2; 21:1, 19; 22:1; 23:31, 36; 24:8, 12, 15, 18 2 Crônicas 12:13; 13:2; 20:31; 22:2 Há muitas passagens nas Escrituras em que Deus reconhece a mãe de cada um dos reis da linhagem de Davi, após mostrar que a rainha mãe se assenta à direita do rei. FONTE: Pe. Miguel Ángel Fuentes, I.V.E., Exsurge Domini: Maria, a Rainha dos Céus e o Livro de Jeremias (Jer 7,18; 44,7-19; 44,25.). Disponível em : <http://www.exsurge.com.br/apologeticas/maria/textosmaria/mariaarainhadosceuseolivrodejeremias.htm>. Acesso em: 23/11/2012. Tradução: Rogério SacroSancttus

  • O MILAGRE DE OURIQUE

    Rei dom Afonso Henriques – Fundador de Portugal “Real ! Real ! Por Afonso, alto rei de Portugal!” (Camões, Lusíadas, III, 46). O MILAGRE DE OURIQUE A Batalha de Ourique é um episódio simbólico para a monarquia portuguesa. Conta-se que nesse dia, D. Afonso Henriques foi pela primeira vez aclamado rei de Portugal,.Tudo aconteceu no dia 25 de Julho de 1139, no campo de Ourique . D. Afonso, com sua pequena hoste de lusitanos, teve que enfrentar de uma só vez cinco príncipes árabes, à frente de uma tropa muito maior que a sua. Antes da batalha, na madrugada de Portugal, o Conde se retirou do acampamento para pedir ao Deus dos combates a força e a vitória. Enquanto rezava, aconteceu o milagre: Cristo lhe apareceu no céu, pendente da Cruz, com as cinco chagas brilhando. E do peito de D. Afonso saiu então o grito sublime: “Não a mim! Não a mim, Senhor! Aos infiéis, aos infiéis, Senhor, e não a mim que creio o que podeis! ” . “Não a mim, Senhor, não a mim, esta misericórdia. Aos árabes, a graça desta visão, para que se convertam”. Emocionado, D. Afonso Henriques ajoelhou-se perante o Senhor que nesse instante lhe prometeu a vitória naquela e em outras batalhas. Ao povo português reservava grandes desígnios e tarefas. Por intermédio do rei e dos seus descendentes, Deus fundaria um império através do qual o Seu Nome seria levado às nações mais estranhas. D. Afonso ainda a pensar no que lhe tinha acontecido regressou cheio de confiança ao acampamento . No dia seguinte,os portugueses, em menor número mas contagiados pelo entusiasmo do seu rei, puseram os os mouros em fuga. perseguindo-os e matando-os. Após tão milagrosa vitória, D. Afonso Henriques decidiu que a bandeira portuguesa passaria a ostentar a Cruz de Cristo marcada pelas cinco quinas. Cinco, porque esse fora o número dos reis vencidos. Cinco quinas, também e principalmente, porque lembram as cinco brilhantes chagas de Cristo, que aparecera e falara a D. Afonso. Mas, em cada uma das cinco quinas, D. Afonso mandou marcar cinco moedas, perfazendo o total de trinta, pois se contavam duas vezes as cinco moedas da quina central da Cruz. Trinta moedas da traição de Judas. Um escudo com a Cruz da fidelidade e com as trinta moedas da traição, a fim de lembrar aos portugueses que sua história devia ser ou de fidelidade à Cruz, ou de traição mesquinha, tilintando no fundo da algibeira as moedas da apostasia. Fonte: verafidei.blogspot.com.br

  • Afinal nós católicos somos adoradores de imagens??

    A mais decorrente acusação feita a nós católicos e também a mais simplória de todas as argumentações protestante; ; Seria que nós adoramos imagens e por isso seriamos idólatras, acho que assim como eu todos os católicos já estão de saco cheio destas acusações sem fundamento teológico, apenas contendo um ego inflado de um protestante tentando a toda custa dar razão a sua contrariedade com a fé católica, então neste artigo quero dar minha resposta final para este tema, do qual sinceramente já me cansei de tento responder a mesma objeção. A principal objeção Bíblica utilizada pelos protestantes seria que em êxodo Capitulo 20 há uma proibição expressa da confecção de imagens, “Não farás para ti imagem esculpida do que há em cima no céu, e do que há embaixo na terra, nem do que há nas águas debaixo da terra”(Ex 20,4), ou, “não vos perverteis, fazendo para vós uma imagem esculpida em forma de homem ou mulher, figura de algum animal terrestre, de algum pássaro que voa no céu, de algum réptil que rasteja sobre o solo, ou figura de algum peixe que há nas águas que estão sob a terra.” (Deuteronomio 4, 15-18). por isso então nós católicos estaríamos em pecado desobedecendo a Deus ao confeccionarmos imagens e ainda prestarmos culto, porém antes de qualquer coisa quero apontar algumas contradições já através destas afirmações, essa passagem esta em Êxodo ou seja, na antiga aliança, a maioria dos pastores do qual já eu conversei eles afirmam que a antiga lei e suas regras e costumes estão anulados, pois foi aperfeiçoada pela nova aliança, aqui não se trata de concordarmos ou não, mas se isto for verdade não deveria eles se preocuparem tanto assim com uma proibição de costumes do antigo testamento, se assim for terá eles, de se tornarem rabinos ao invés de pastores diante das tamanhas prescrições que há no culto da antiga aliança. Antes de entrarmos no mérito das Imagens em si temos de entender o que é Adoração, veneração e idolatria, vejamos: Adoração: É reconhecer alguém como sendo supremo e eterno, estando acima de todas as coisas criadas, tendo tudo em si próprio quanto às características de Deus. Veneração: É reconhecer alguém como digna de ser imitada e seguida, pelas suas virtudes e santidade. Idolatria: É colocar algo ou alguém no lugar de Deus, prestando a este algo/alguém culto de ADORAÇÃO, atribuindo a ele as características de Deus. Depois desta breve explicação vamos ao que interessa, dividiremos a explicação em 4 Partes, Contexto Histórico, contexto Bíblico, Imagens no cristianismo primitivo e lógica. Contexto Histórico: Se lermos a história do povo Hebreu desde o inicio, veremos que este povo passou por muito tempo sendo escravo do povo Egípcio, essa nação Hebraica era o povo do qual Deus tinha feito sua aliança desde Abraão, trazendo então a tradição do culto ao único Deus criador, porém o povo egípcio era uma nação politeísta, ou seja, cultuavam vários deuses, tanto que quando Deus levantou Moisés e a primeira missão dele foi tentar converter o líder egípcio através dos sinais divinos de Yahweh, porém como vimos isto não aconteceu, por conta da escravidão, era proibido ao povo hebreu adorar a Deus, sendo assim por muitos hebreus acabaram até por abraçar o politeísmo, este povo era um povo muito frágil na sua fé, por conta da exploração que sofriam, até pelo suposto “abandono” de Deus. Então depois da libertação dos hebreus dos egípcios houve grande provações ainda para os hebreus, o deserto, e ali no deserto vemos que a cultura politeísta havia sido colocada Contexto Bíblico: Ter uma Imagem não necessariamente é ser idolatra ou ter um Ídolo, como eu posso afirmar isso? Simples, Deus manda que se façam imagens. Lemos na Bíblia que no deserto o povo escolhido passa por poucas e boas, e um dos males são as picadas de serpentes e como sinal de ação divina Deus manda que se faça uma serpente de Bronze em uma haste para que todos que uma contradição, porém devemos analisar o contexto aqui exposto, Deus tinha muitos motivos para proibir a Idolatria, seu povo tinha acabado de ser liberto de uma nação pagã politeísta que tinha muitos deuses representado por imagens, e como vimos sua fé não era das mais fortes, porém isto quer dizer que Deus proibiu as imagens? Claro que não, se assim fosse Deus depois de alguns capítulos teria se contradito (Deus proíbe imagens: Ex 20,4), Deus manda fazer imagens: Êxodo 25.10-22) ora, esta óbvio que o que Deus proíbe é a IDOLATRIA das imagens e não as imagens em si, pois se Deus proibiu as imagens realmente ele seria contraditório, e contradição é erro, se Deus erra logo não é perfeito e não poderia ser Deus, então diante destas constatações os protestantes ficam em uma posição realmente incomoda, Porém eles são astutos e tentam colocar a confusão em nossa cabeça como por exemplo os textos por eles citados como argumentos (Ex 20,4, Deut 4, 15-18). Vamos fazer uma breve Exegese bíblica aqui para entendermos a confusão que os protestantes colocam em nossas cabeças, começando pelo texto de (Ex 20,4) onde lemos: “Não farás para ti imagem esculpida do que há em cima no céu, e do que há embaixo na terra, nem do que há nas águas debaixo da terra” a Tradução literal deste texto originalmente escrita em hebraico no lugar de “imagem esculpida” estaria a Palavra “ídolos” na passagem em Hebraico se Le em caracteres em hebraico o seguinte:  “פֶסֶל֙ ” Transliterado para nossos caracteres fica assim: (fessel ou pecel) que significa literalmente Ídolo, o Texto estaria assim originalmente trocando as palavras traduzidas para as palavra originais: “Não farás para ti “פֶסֶל֙ ” (fessel ou pecel= Idolo) do que há em cima no céu, e do que há embaixo na terra, nem do que há nas águas debaixo da terra” Êxodo 20, 4, a palavra Imagem em Hebraico é: “צלם”  bem diferente da palavra ídolo transliterado fica: (tselem –imagem). Podemos constatar de tudo isso a clara intenção de Deus proibir os ídolos não as Imagens em si, pois se não como já foi dito a cima Deus seria contraditório pois ele mesmo ordena a confecção de imagens, é bem verdade que as traduções bíblicas trazem em sua maioria inclusive as católicas a palavra “Imagem, ou Imagem esculpida” mas isto se faz necessário pois vimos que os deuses antigos era representados através de esculturas e imagens realmente, porem é fácil entender que o problema não esta na imagem, mas no povo que fabrica os ídolos e na sua fraqueza de fé, não é por que a faca pode ser usado como arma, que todos que possuem uma faca ira usa-la como um armamento, não esta o problema na imagem mas sim na forma que você a usa, para a imagem se tornar um ídolo tem de se seguir o modelo de adoração acima citado, tem de se reconhecer que alguma Imagem, esta acima de todas as coisas criadas,(como foi citada em: Êxodo 32, 7) e dar-lhe atributos de Deus, tirando essa forma de conceber imagem como ídolo acaba desconfigurando um ato de idolatria. No texto de: “Não farás para ti imagem esculpida do que há em cima no céu, e do que há embaixo na terra, nem do que há nas águas debaixo da terra”(Êxodo 20,4) percebemos uma preocupação de Deus com a confecção de imagens, porem há um por que, perceba que para cada especificação, de animais há um Deus pagão ao qual Deus se refere indiretamente. O que estava no céu, eram os deuses dos ares do Egito: “…embaixo na terra…”. (Êxodo 20, 4) O que estava na terra eram os deuses e animais terrestres do Egito: “…ou nas águas debaixo da terra.”. (Êxodo 20, 4) Por fim o que estava nas águas eram justamente os deuses animais que ficavam nas águas e que eram adorados no Egito: Para encerrarmos este tópico em (Col 3,5) Paulo alerta que não há somente idolatria através de imagem, citando que por exemplo a Avareza é um tipo de idolatria. Obs: existem mais passagens se referindo a imagens, mas estas bastam para desmascarar o argumento protestante. Imagens e os Primeiros Cristãos: Os primeiros cristãos já desde cedo entenderam a importância das imagens como uma forma de lembrança dos mártires e santos Católicos, as representações em grutas do primeiro século deixa isso muito mais que evidente. Acho que como o ditado diz, apesar de eu não concordar, “uma imagem fala mais que mil palavras” vamos mostrar com imagens estas verdades Imagem que retrata a história dos 3 jovens na fornalha cantada pelo livro de Daniel, nas paredes da Catacumba de Priscila em Roma Retratação de Jonas sendo vomitado pela baleia – Catacumba de São Marcelino e Pedro em Roma. Noé na Arca – Catacumba de São Marcelino e Pedro em Roma. Maria e o Profeta – Catacumba de Priscila em Roma (Século III) O bom pastor – Catacumba de Priscila em Roma (Século III) Catacumba dos Santos Marcelino ePedro na Via Labicana .Cristo entre Pedro e Paulo. Para os lados são os mártires Gorgonius, Pedro Marcelino , Tiburtius. Este cemitério está no terceiro marco na Via Labicana, perto de uma vila imperial pertencente a Constantino.Século IV Pyxis Retratando mulheres no sepulcro de Cristo (Século IV) Todas essas fotos datadas do século II ao século IV, tirada das catacumbas de mártires e santos cristãos confirmando duas coisas a crença na validade das imagens e a intercessão dos santos, visto a foto que Cristo esta entre Paulo e Pedro no terceiro marco da Via Labicana. Alem disso os primeiros Cristãos do século II já viam a imagem como algo divino, citando: S. Clemente de Alexandria († antes de 215) dizia que: “O próprio homem é a imagem viva de Deus” “O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente” (Panegírico de S. Teodoro, PG 94, 1248c). S.João Damasceno, doutor da Igreja, grande defensor das imagens no Concilio de Nicéia II, disse:“O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados” (De imaginibus I 17 PG, 1248c). “A beleza e a cor das imagens estimula minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo dos campos estimula o meu coração para dar glória a Deus” (CIC, 1162). Não é difícil notar o obvio, a Igreja primitiva sempre acolheu as imagens como veneráveis e uteis a oração e meditação do sagrado, e nunca ensinou ou propagou que deveríamos adora-la. Lógica: Deixei a lógica por ultimo, não por ser menos importante, mas por ser a mais obvia tudo o que vemos através de nossos olhos é uma imagem, se você estiver na frente de seu PC agora e fechar os olhos não estará vendo, mas sua mente poderá imaginar a cena que acabou de ver antes de fechar os olhos, a cena que vera será representada por seu cérebro através de imagens captadas e registradas, ora Deus proibiria o obvio? Ele mesmo utiliza da expressão “imagem” para declarar que somos a sua imagem e semelhança (ler: Gênesis 1, 26), ou seja, nós somos imagens, ignorar esta realidade seria ignorar a criação, pois tudo que é visível, e tem matéria certamente terá uma imagem, é lógica. Considerações: Depois deste texto, espero que tenha ficado claro tudo sobre esta questão, não se trata de heresia católica, mas falta de sinceridade protestante de aceitar tal realidade, o culto de veneração que damos ao santo, nos é avivado quando vemos a imagem dela representada, assim como uma mãe acolhe com saudades uma foto de um filho que já morreu ou que esta longe, se ela chora, ou até mesmo beija aquela foto, não significa que ela o adore, apenas que aquela imagem lhe trás saudades e bons motivos para ter ela em sua casa, sejamos sinceros, chega de falta intelectualidade e ignorâncias teológicas aceitem aquilo que é obvio, pois negar o incontestável beira a loucura. Autor: Pedro Henrique Alves Citações de consultas e bibliografias: RODRIGUES,Rafael.http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/apologetica/imagens/524-deus-proibiu-a-fabricacao-de-imagens. Acessado :01/11/2013 http://www.exsurge.com.br/apologeticas/idolatria/textos%20idolatria/adorarimagens.htm. Acessado :01/11/2013 http://www.exsurge.com.br/apologeticas/idolatria/textos%20idolatria/idoloseimagenssagradasColocandoascoisasemordem.htmAcessado :01/11/2013 http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_commissions/archeo/inglese/documents/rc_com_archeo_doc_20011010_cataccrist_en.html#OriginiAcessado :01/11/2013 http://www.catacombe.roma.it/en/catacombe.phpAcessado :01/11/2013 RODRIGUES,Rafael.http://apologistascatolicos.com/index.php/apologetica/imagens/541-o-uso-das-imagens-no-cristianismo-primitivoAcessado :01/11/2013 http://www.exsurge.com.br/apologeticas/idolatria/textos%20idolatria/asimagensnatradicaodaigreja. htm Acessado: 01/11/2013 Bíblia Usada: Bíblia de Jerusalém, Editora: Paulus CONSIDERAÇÕES Este blog tem a missão de divulgar notícias e opiniões católicas, seja de sites ou blogs católicos. Sempre citaremos a fonte ao fim do texto; quando se tratar de artigos nossos, ao final do artigo constará o nome do autor. Neste último caso, o artigo estará livre para propagação por quaisquer meios de comunicação, porém, pedimos que citem a fonte do nosso site.

  • A supremacia dos papas, pelo Cardeal James Gibbon:

    A Seguir um trecho da obra do Cardeal James Gibbon dissertando sobre a supremacia papal ao longo da história e alguns argumentos para a sustênta-la: ”A Igreja não morreu com Pedro. Estava destinado a continuar até o fim dos tempos; consequentemente, quaisquer prerrogativas oficiais que foram conferidas a Pedro não cessaram com a sua morte, mas deveriam ser transmitidas a seus sucessores de geração em geração. A Igreja está em todas as idades tanto na necessidade de um Governante Supremo como foi nos dias dos Apóstolos. Não, mais; como a Igreja é agora mais amplamente difundida do que era, e é governado por homens frágeis, mais do que nunca precisa de um poder central para preservar a unidade da fé e a uniformidade da disciplina. Quaisquer privilégios, portanto, conferidos a Pedro, que pode ser considerado essencial para o governo da Igreja são herdados pelos Bispos de Roma, como sucessores da Príncipe dos Apóstolos; assim como os poderes constitucionais conferidos a George Washington se transferiram para o atual titular da cadeira presidencial. Pedro, é verdade, além das prerrogativas inerentes ao seu ofício, possuía também o dom da inspiração e o poder de operar milagres. Estes dois presentes não são reivindicados pelo Papa, como eles eram pessoais a Pedro e de forma alguma essencial para o governo da Igreja. Deus age em direção a Sua Igreja como nós lidamos com uma frágil muda. Quando plantamos pela primeira vez, molhamos ela e suavizamos a argila sobre suas raízes. Mas quando as raízes se tornam profundas, nós deixamos o cuidado para as leis da natureza. Da mesma forma, quando Cristo primeiro plantou sua igreja. Ele nutriu sua infância por agência de milagres; mas quando ela cresceu para ser uma árvore de proporções razoáveis, ele deixou ela a ser governada pelas leis gerais de Sua Providência .Pelo que eu disse, você pode facilmente inferir que os argumentos em favor da Primazia de Pedro têm igual peso na demonstração a supremacia dos papas. Mas a questão atual, no entanto, é um assunto de grande importância, devo me esforçar para mostrar, de incontestável evidência histórica, que os Papas sempre tiveram, desde os dias dos apóstolos, continuamente a exercer a suprema jurisdição não só na Igreja Ocidental até a Reforma, mas também através das Igrejas Orientais até o grande cisma do século IX. Primeiro: leve a questão dos apelos. Nunca foi feito um apelo de um tribunal superior a um inferior, nem mesmo de um tribunal para outro de jurisdição coordenada. Não apelamos de Washington para Richmond, mas de Richmond para Washington. Agora, se encontrarmos a Sé de Roma a partir da fundação de Cristianismo interessada e decidindo casos de apelos das Igrejas orientais; se acharmos que a decisão dela foi definitiva e irrevogável, devemos concluir que a supremacia de Roma sobre todas as igrejas são um fato inegável. Deixe-me dar-lhe algumas ilustrações: Para começar com Papa São Clemente, que foi o terceiro sucessorde São Pedro, e quem é louvadamente mencionado por São Paulo em uma de suas Epístolas. Algumas dissensões e escândalos ocorreram na igreja de Corinto, o assunto é levado ao conhecimento do Papa Clemente. Ele imediatamente exerce sua autoridade suprema escrevendo cartas de queixa e admoestação aos coríntios. E tão grande foi a reverência prestadas por estas epístolas pelos fiéis de Corinto, que, durante um século depois, era costumeiro que eles lêssem publicamente nas suas igrejas. Por que os coríntios apelam para Roma, longe no Ocidente, e não para Éfeso, tão perto de casa no Oriente, onde o apóstolo São João ainda vivia? Evidentemente, porque a jurisdição de Éfeso era local, enquanto a de Roma era universal. Por volta do ano 190 uma questão sobre o dia adequado para celebrar a Páscoa foi agitada no Oriente, e se referiu ao papa São Vitor I. A Igreja Oriental geralmente comemava a Páscoa no dia em que os judeus mantinham a Páscoa, enquanto no Ocidente observava-se então, como é agora, no primeiro domingo após a lua cheia do equinócio primaveril. São Vitor I se dirige às igrejas orientais, por uma questão de uniformidade, para se adequar à prática do Ocidente, e suas instruções são universalmente seguidas. São Cipriano, bispo de Cartago, foi martirizado em 258. Dos seus apelos ao Papa São Cornélio e ao Papa Santo Estevão, especialmente sobre o tema do batismo, de seus escritos e correspondência, bem como de todo o teor de sua administração, é bastante evidente que Cipriano, bem como o Episcopado africano, confirmou a supremacia do bispo de Roma. Dionísio, bispo de Roma, no meio do terceiro século, tendo ouvido falar de que o Patriarca de Alexandria errou em alguns pontos de fé, exige uma explicação do suspeito Prelado, que, em obediência ao seu superior, prontamente vindica sua própria ortodoxia. Santo Atanásio, o grande patriarca de Alexandria, apela no quarto século para o papa Júlio I. de uma decisão injusta representada contra ele pelos Bispos orientais e o Papa inverte a sentença do Concílio Oriental. São Basílio, arcebispo de Césaréia, no mesmo século tem recurso em suas aflições à proteção do papa Dâmaso. São João Crisóstomo, Patriarca de Constantinopla, apela no o início do século V para o Papa Inocêncio I. para uma correção das queixas infligidas por vários Prelados orientais, e pela imperatriz Eudoxia de Constantinopla. São Cirilo apela ao papa Celestino contra Nestório; Nestório, também, apela ao mesmo Pontífice, que toma o lado de Cirilo. Em um Sínodo realizado em 444, Santo Hilário, Arcebispo de Arles, na Gália, depõe Celidônio, bispo de Besançon, no terreno de um suposto impedimento canônico de sua consagração. O bispo apelou para a Santa Sé, e tanto ele quanto o Metropolitano pessoalmente dirigiram-se à Roma, para enviar sua causa ao julgamento do Papa Leão Magno. Após uma investigação cuidadosa, o Pontífice declarou inválida a sentença do Sínodo, revogou a censura, e restaurou o Prelado deposto para a sua Sé. O mesmo Pontífice também repreendeu Hilário por ter irregularmente deposto Projectus de sua Sé. A autoridade judicial do Papa é enfatizada a partir da circunstância de que Hilário não era um clérigo arrogante ou rebelde, mas um prelado edificante e zeloso. Ele é reverenciado por toda a Igreja como um Santo canonizado, e depois da morte dele, Leão se refere a ele como Hilário de feliz memória. Teodoreto, o ilustre historiador e bispo de Cirro, é condenado pelo pseudo concílio de Éfeso em 449, e apela para o Papa Leão na seguinte linguagem tocante: “Aguardo a decisão da sua Sé Apostólica, e suplico a vossa Santidade para me socorrer, que invoque seu tribunal correto e justo; e me ordena a me apressar para você e explicar-lhe o meu ensino, que segue os passos dos apóstolos … Eu suplico a você para não desprezar minha aplicação. Não desfaça de meus cabelos grisalhos … Acima de tudo, eu imploro que você me ensine se essa deposição foi injusta o não; pois aguardo sua sentença. Se você me pedir para aceitar o que foi determinado contra mim, eu vou aceitar, e não irei incomodar ninguém mais. Eu procurarei o juízo justo de nosso Deus e Salvador. Para mim, como Deus Todo-Poderoso é meu Juiz, honra e glória não é meu objetivo, mas apenas o escândalo causado causado por isso; para muitos dos tipos mais simples, especialmente aqueles que eu tenho resgatado de diversas heresias, considerando que a Sé que me condenou, suspeite que talvez eu realmente seja um herege, mesmo sendo incapazes eles mesmos de distinguir a precisão da doutrina. Leão declarou a deposição invalida e Teodoreto foi restaurado para sua sé. João, abade de Constantinopla, apela da decisão do Patriarca daquela cidade ao papa São Gregório I., que inverte a sentença do Patriarca. Em 859, Fócio dirigiu uma carta ao Papa Nicolau I.,pedindo ao Pontífice que confirme sua eleição para o Patriarcado de Constantinopla. Em conseqüência da consciente recusa do Papa Fócio interrompeu a comunhão das igrejas católicas e tornou-se o autor do cisma grego. Aqui estão alguns exemplos tirados aleatoriamente da história da igreja. Vemos Prelados mais eminentes por sua santidade e conhecimento a ocupar a posição mais elevada na Igreja Oriental, e conseqüentemente longe das influências locais de Roma, apelando em todos os períodos da Igreja primitiva das decisões de seus próprios bispos e seus concílios para a arbitragem suprema da Santa Sé. Se isso não constituir uma jurisdição superior, ainda tenho que aprender o que significa autoridade superior. Segundo: Cristãos de todas denominações admitem a ortodoxia dos Padres dos primeiros cinco séculos da Igreja.Ninguém jamais questionou a fé de homens como Basílio,Crisóstomo, Cipriano, Agostinho, Jerônimo, Ambrósio e Leão. Eles eram os guardiões reconhecidos da doutrina pura, e os representantes vivos “da fé, uma vez entregue aos santos”.Eles foram para a Igreja em sua geração o que Pedro e Paulo e Tiago foram para a Igreja em sua infância. Nós instintivamente consultamos eles sobre a fé daqueles tempos; pois, a quem devemos ir para as Palavras da vida eterna, se não para eles ? Agora, os Padres da Igreja, com uma só voz, prestam homenagem para os Bispos de Roma como seus superiores. O espaço limitado que eu me permiti neste pequeno volume não me permitirá a dar qualquer extrato de seus escritos. O leitor que pode não conhecer a língua original dos padres, ou que não tem seus escritos à mão, é recomendado um trabalho intitulado,”Fé dos católicos”, onde ele encontrará, em uma tradução inglesa, extratos copiosos de seus escritos vindicando a Primazia dos papas Terceiro: Os concílios ecumênicos proporcionam outro eloqüente reivindicação da supremacia papal. Um concílio ecumênico ou geral é uma assembléia de Prelados que representam o todo da Igreja Católica. Um Concílio Geral é para a Igreja o que os órgãos executivos e legislativos em Washington são para os E.U.A. Até o presente momento, dezenove Concílios Ecumênicos foram convocados, incluindo o Concílio do Vaticano I. Os últimos 11 foram realizados no Ocidente e os primeiros oito no Oriente. Eu devo passar sobre os concílios ocidentais, já que ninguém nega que eles estavam sujeitos à autoridade do Papa. Falarei brevemente sobre a influência importante que a Santa Sé exercitou nos oito concílios orientais. O primeiro Concílio Geral foi realizado em Nicéia, em 325; o segundo, em Constantinopla, 381; o terceiro, em Éfeso, em 431; o quarto, em Calcedônia, em 451; o quinto, em Constantinopla, em 553;o sexto na mesma cidade, em 680; o sétimo, em Nicéia, em 787,e o oitavo, em Constantinopla, em 869. Os Bispos de Roma convocaram essas assembléias, ou pelo menos concordaram com a convocação; eles presidiram pelos seus legados sobre todos eles, exceto o primeiro e segundo concílios de Constantinopla, e eles confirmaram todos estes oito por sua autoridade. Antes de se tornar uma lei, as Atas dos concílios exigiam a assinatura do papa, assim como os procedimentos de nosso congresso exigem a assinatura do presidente antes de adquirirem a força da lei Não é esta uma ilustração marcante da Primazia ? O Papa convoca, governa e sanciona os Sínodos, não por cortesia, mas por direito. Um dignitário que convoca uma assembléia, que preside sobre suas deliberações, cuja assinatura é essencial para confirmar suas Atas certamente são uma autoridade superior à dos outros membros Quarta – devo referir-me a mais um ponto histórico de apoio à jurisdição do Papa sobre toda a Igreja. É um fato notável que todas as nações até então se converteram do Paganismo ao cristianismo desde os dias dos apóstolos, receberam a luz da fé dos missionários que estavam ou especialmente comissionados pela Sé de Roma, ou enviado pelos Bispos em comunhão aberta com essa Sé Este fato histórico admite nenhuma exceção. Deixe-me particularizar. O apóstolo da Irlanda é São Patrique. Quem o comissionou? O Papa São Celestino, no século V. São Paládio é o apóstolo da Escócia. Quem o enviou? o mesmo Pontífice, Celestino. Os anglo-saxões receberam a fé de Santo Agostinho, um monge beneditino, como todos os historiadores, católicos e não-católicos, testemunham. Quem capacitou Agostinho para pregar? Papa Gregório I., no final do século VI. São Remígio estabeleceu a fé na França, no final do Quinto século. Ele estava em comunhão ativa com a Sé de Pedro. A Flandres recebeu o Evangelho no sétimo século de Santo Elígio, que reconheceu a supremacia do Papa reinante. Alemanha e Baviera veneram como seu apóstolo São Bonifácio, Que é popularmente conhecido em sua Inglaterra natal por seu nome de batismo de Winfrid. Foi comissionado pelo Papa Gregório II., no início do século VIII e foi consagrado bispo pelo mesmo Pontífice. No século IX, dois irmãos santos, Cirilo e Metódio, evangelizaram a Rússia, Esclavônia, Morávia e outras partes do Norte da Europa. Eles reconheceram a autoridade suprema do papa Nicolau I. e de seus sucessores, Adriano II. e João VIII. No século XI, a Noruega foi convertida pelos missionários introduzido da Inglaterra pelo rei norueguês, St. Olavo. A conversão da Suécia foi consumada no mesmo século pelos apóstolos britânicos Saintos Ulfride e Eskill. Ambas nações imediatamente após a conversão começaram a pagar Romescot, ou um pequeno tributo anual à Santa Sé – uma evidência clara de que estavam em comunhão com a Cátedra de Pedro. Todas as outras nações da Europa, tendo sido convertidas antes da Reforma, receberam também a luz da fé de missionários católicos romanos, porque a Europa então reconheceu apenas um Chefe cristão. Passando da Europa para a Ásia e a América, é inegável que São Francisco Xavier e os outros Evangelistas que, no século XVI, estenderam o Reino de Jesus Cristo através da Índia e Japão, estavam em comunhão com a Santa Sé; e que aqueles apóstolos que, nos séculos XVI e XVII, converteram as tribos aborígenes da América do Sul e do México receberam sua comissão da Cátedra de Pedro. Mas você vai dizer: Os povos dos Estados Unidos professam ser uma nação cristã. Você também os reivindica? Certamente; pois, mesmo aqueles cristãos americanos que são infelizmente separados da Igreja Católica estão em dívida pelo seu conhecimento do Evangelho aos missionários em comunhão com a Santa Sé. As raças brancas da América do Norte são descendentes da Inglaterra, Irlanda, Escócia e as nações da Europa continental. Essas nações européias foram convertidas por missionários sujeitos à Santa Sé, segue-se que, a partir de qualquer parte da Europa que você descenda, seja lá qual for seu credo particular, você está em dívida com a Igreja de Roma pelo seu conhecimento do cristianismo.Esses fatos não demonstram a Primazia do Papa?  Os apóstolos da Europa e de outros países receberam sua autoridade de Roma. Não é o poder que envia um embaixador maior do que aquele que é enviado? Assim, vemos que o nome do Papa está indelevelmente marcado em todas as páginas da história eclesiástica. O Soberano Pontífice de todos os tempos está diante de nós como comandante supremo no grande exército da Igreja. Os bispos do Oriente sentem-se prejudicados em casa por seus Patriarcas ou governantes civis? Eles procuram apelar para Roma, como a estrela de sua esperança. São os Padres e Doutores da Igreja primitiva consultados? Com uma voz, todos prestam homenagem ao bispo de Roma enquanto seu príncipe espiritual. Um concílio ecumênico é convocado no Oriente ou no Ocidente? O papa é o espírito principal. Há novas nações para serem convertidas na fé? Alí está o Santo Padre cobrindo os missionários com autoridade, e dando sua benção ao trabalho. Há novos erros a serem condenados em qualquer parte do globo? Todos os olhos se voltam para o oráculo de Roma para aguardar seu anátema, e seu juízo solene reverbera ao longo do comprimento e folêgo do mundo Cristão. Você também pode fechar a luz do dia e o ar do céu de seus passeios diários excluindo o papa de sua esfera legítima na hierarquia da Igreja. A história dos Estados Unidos com os Presidentes deixados de fora seria mais inteligível do que a história da Igreja, com a exclusão do Vigário de Cristo. Como, pergunto, essa autoridade poderia durar tanto tempo se fosse uma usurpação? Mas você vai me dizer: “A supremacia do Papa foi disputada em muitas eras “. Assim como a autoridade de Deus foi questionada – Não, sua própria existência foi negada; pois, ”O néscio diz em seu coração que não há Deus “171 Essa negação destrói a existência e o domínio de Deus? A autoridade parental não foi impugnada desde o início? Mas por quem?  Por crianças rebeldes. Davi não era mais rei porque Absalão disse isso? É assim também com os Papas. Sua influência parental foi apenas foi oposta por seus filhos infiéis que ficaram impacientes com o Jugo do evangelho. Fócio, o líder do cisma grego, era um filho obediente do papa até Nicolau se recusar a reconhecer a sua autoridade usurpada, Henrique VIII foi um forte defensor da supremacia papal até Clemente VII recusar-se a legalizar seu adultério, Lutero professou uma submissão muito abjeta ao papa até Leão X condena-lo. Você não pode, meu querido leitor, ser um cidadão leal dos Estados Unidos enquanto nega a autoridade constitucional do Presidente. Você viu que o Bispo de Roma é nomeado não pelo homem,mas por Jesus Cristo, presidente da comunidade cristã. Você não pode, portanto, ser um verdadeiro cidadão da República da Igreja, se você desprezar a supremacia legítima do chefe divinamente constituído. “Quem não é comigo, é contra mim”, diz o nosso Senhor, e ”Aquele que não se junta comigo, espalha “Como você pode estar com Cristo, se você for contra o seu Vigário? O grande mal do nosso tempo é a divisão infeliz existente entre os professores do cristianismo e de milhares de corações desejam um grito de anseio para a unidade de fé e união das igrejas. Era, sem dúvida, com essa louvável visão de que a aliança evangélica se reuniu em Nova York no outono de 1873. Os representantes de diferentes comunhões religiosas esperavam realizar uma reunião. Mas eles, de forma significativa e lamentável, falharam. Na verdade, o único resultado que se seguiu da aliança foi a criação de uma nova seita sob os auspícios do Dr. Cummins. Esse reverendo cavalheiro, com a característica modéstia de todos reformadores religiosos, estava decidido a melhorar o trabalho de Jesus Cristo; e, como os outros reformadores, ele disse,como aqueles que construíram a torre de Babel: “Façamos nosso nome famoso cantes” nosso pó é espalhado pelo o vento. A Aliança falhou, porque seus membros não tinham uma comum plataforma para se manter em pé. Não havia voz nessa assembléia que poderia dizer com autoridade: “Assim diz o Senhor”. Congratulo-me com essa oração pela unidade cristã, e com prazeriria entregaria a minha vida por tal consumação. Mas eu digo a você que Jesus Cristo apontou o único meio pelo qual esta unidade pode ser mantida, a saber: o reconhecimento de Pedro e seu sucessores como chefes da igreja. Construa sobre este fundamente e você não vai erguer uma torre de Babel, nem construir sobre a areia. Se todas as seitas cristãs se unissem ao centro da unidade, então os anfitriões dispersos da cristandade formariam um exército que o ateísmo e a infidelidade não aguentariam por muito tempo. Então, de fato, todos poderiam exclamar com Balaão: “Quão lindos são os teus tabernáculos,Ó jacó, e as tuas tendas, ó Israel! Rezemos para que esse dia seja apressado quando dissenções religiosas cessarem; quando todos os cristãos avançarem com uma só frente unida, sob um líder comum, para plantar a cruz em todas as regiões e conquistar novos reinos para Jesus Cristo.” – GIBBON, James. The Faith of Our Fathers. Cap X- The supremacy of the Popes. pp 116-119.

  • O Assassinato de Deus ( parte 2) (The murder of God 2)

    Em um post anterior denominado “O assassinato de Deus” argumentei que a pseudo religião do mundo moderno, a religião dos assassinos de Deus, exige que Deus esteja morto para colocar no seu lugar o próprio homem que simplesmente brotou do chão. A matéria evolui e produz a vida cujo espécime mais evoluído é o homem que deve se livrar de todas as crenças transcendentes em nome da sua liberdade absoluta, a única qualidade que justifica a miserabilidade deste mundo. O homem é absolutamente livre, sua conduta não deve ter condicionantes que firam essa liberdade. Liberdade para agir conforme os instintos mais primitivos, travestidos na forma de egoísmo narcisístico, de liberdade absoluta para o uso e abuso do corpo (sexo livre, liberação das drogas, autodefinição do gênero, ressignificação da família e do casamento, nulificação da arte, banalização da vida, aborto, violência, etc), valorização de todas as qualidades que caracterizam os moradores do inferno, conforme a clássica descrição de Dante Alighieri. Neste mundo moderno e pós moderno liquefeito no mal, moradia de Lucifer, não há lugar para Deus que é então assassinado diariamente em todo o lugar. Terminei aquele post indagando: Como os cristãos e principalmente os católicos devem lidar com o assassinato diário de Deus? Pois vamos lá, tenho algumas idéias. Em primeiro lugar, aquilo que acho fundamental, é olhar o mundo como ele realmente é; procurar ver no mundo a verdade e não se deixar enganar pelas aparências. Vivo e conheço o mundo por meio dos meus sentidos externos e internos. Com um pouco de atenção, vou perceber claramente que o mundo não é apenas matéria. Percebo coisas que não são absolutamente materiais: a beleza, o amor, a solidariedade, o altruísmo, a compaixão, o desejo de encontrar um significado para a vida. Vejo ainda que as coisas deste mundo obedecem uma ordem: as pétalas de uma rosa, o olho de um animal, a asa de uma borboleta, por exemplo, tem sempre a mesma forma geral e são criações magníficas, de uma complexidade tal que ninguém é capaz de produzir, nem o mais genial dos cientistas. A matéria não pode criar por si esta coisas. Somente uma inteligência, uma consciência maior do que a nossa é capaz de criar estas coisas. Por um motivo simples:não se concebe que o menor, o subalterno (neste caso a matéria) possa criar o maior, o principal. Podemos ter uma pilha de tijolos disponível, mas somente teremos a casa quando aparecer um construtor, um projetista, um pedreiro. O mesmo de dá no mundo. A matéria é apenas uma pilha de tijolos; ela por si não é capaz de criar o mundo como ele se apresenta aos nossos sentidos. É preciso que haja um construtor, um arquiteto que planejou e construiu tudo o que é belo neste mundo, incluindo a vida e o próprio ser humano. Esta inteligência maior, da qual todo o resto deriva, somente pode ser Deus, o Deus onipotente que tudo sabe, cheio de amor e de beleza infinitas. Esta é a primeira e única verdade que o mundo nos revela, basta olharmos com atenção. Esta é a primeira lição que todo cristão, principalmente os católicos devem aprender:defender a sua crença pela força da verdade presente no mundo e jamais esmorecer nesta luta. A ignorância do ateu, do maligno se revela facilmente e aqueles que tem fé devem proclamar em voz alta e altiva:Deus está vivo, Ele está no meio de nós. Em um post futuro, abordarei a segunda lição para combater os assassinos de Deus.

  • A ESCADA DE SÃO JOSÉ

    “A inexplicável distração de um arquiteto do século XIX criou um problema “insolúvel”,  do qual resultou uma admirável obra de arte que encanta as almas abertas para o maravilhoso e até hoje deixa perplexos os mais competentes especialistas Na prodigiosa escada cujas fotos o leitor pode apreciar nesta página, tudo é harmônico e deslumbrante. Ocupando um mínimo de espaço, ela eleva-se elegantemente em caracol, fazendo duas voltas de 360 graus.” A ESCADA DE SÃO JOSÉ Sua história, tão surpreendente quanto encantadora, justifica por inteiro o nome que lhe foi dado pela devoção popular: Escada Milagrosa. Em 1853, as “Irmãs de Loreto” fundaram na cidade de Santa Fé, Estados Unidos, a Escola de Nossa Senhora da Luz (Loreto), para educação de meninas. O estabelecimento prosperou e, anos depois, as freiras decidiram construir uma capela dedicada à sua Padroeira. E optaram pelo estilo gótico, à imitação da famosa Sainte Chapelle, de Paris. Somente quando estava concluída a obra, em 1878, as boas religiosas deram-se conta de um monumental descuido do arquiteto: não havia escada de acesso ao coro, situado a cerca de dez metros de altura!… E a construção de uma escada comum, não apenas deformaria o estilo, mas reduziria de modo inaceitável o espaço útil do pequeno templo. Como resolver o problema? Foram consultados arquitetos, carpinteiros e outros profissionais. Todos afirmaram categoricamente que a única “solução” era usar uma escada portátil. Mas as freiras queriam uma igreja bela, digna da Rainha de todas as belezas. E se a técnica humana era incapaz de resolver o problema, “para Deus nada é impossível”, como nos ensina o Divino Mestre. Cheias de fé, iniciaram uma novena a São José. Afinal de contas – argumentavam elas – ele é um carpinteiro inigualável e deve empenhar-se para que uma igreja dedicada à sua Esposa santíssima seja em tudo perfeita como Ela! Justamente no último dia da novena, apresentou-se um carpinteiro à procura de trabalho. Chegou montado num jumento, trazendo na mão sua caixa de ferramentas. Foi logo contratado para executar a obra considerada impossível. Trabalhou com diligência e discrição durante cerca de seis meses. Certo dia as freiras verificaram, deslumbradas, que estava construída uma esplêndida escada em forma de caracol. Para resolver um mero problema funcional, o discreto e eficiente artífice havia adornado a pequena capela com uma autêntica jóia de madeira. Onde estava ele? Ninguém sabia. Havia desaparecido sem se despedir de pessoa alguma. Não recebeu pagamento nem sequer um simples agradecimento pelo serviço prestado. Procuraram-no inutilmente, inclusive por meio de um anúncio publicado no jornal da cidade. Por exemplo, ela faz duas voltas completas de 360 graus sem nenhum apoio colateral e é toda feita de encaixes, sem utilização de um único prego. Algumas de suas peças são de um tipo de madeira inexistente na região. Em vista das circunstâncias em que foi feita a novena a São José, a inexplicável perfeição da obra, sob o ponto de vista humano, e o misterioso desaparecimento do artista, as freiras não tiveram dúvida em tirar a conclusão: o próprio esposo castíssimo da Virgem Maria viera realizar, em homenagem a Ela, aquilo que a técnica humana considerava impossível. E lá está até hoje, maravilhando todas as almas capazes de ver e amar a beleza, a Escada Milagrosa da capela de Nossa Senhora de Loreto, na cidade norte-americana de Santa Fé. Texto: Arautos

  • O PURGATÓRIO POR SÃO JOÃO BOSCO

    Ontem à noite, meus caros filhos, havia-me deitado e, não conseguindo adormecer logo, estava pensando na natureza e no modo de existir da alma; como ela era feita; de que modo poderia encontrar-se e falar na outra vida, estando separada do corpo; como faria para trasladar-se de um lugar a outro; como nos poderemos conhecer uns aos outros depois de mortos, não sendo senão puros espíritos. E quanto mais pensava nessas coisas, mais obscuro me parecia tal mistério. Enquanto divagava por essas idéias e outras semelhantes, adormeci, e me pareceu que estava na estrada que conduz a … (e nomeou a cidade) e que caminhava naquela direção. Andei durante algum tempo, atravessei lugares para mim desconhecidos, até que, em certo momento, ouvi que alguém chamava pelo nome. Era a voz de uma pessoa parada na estrada. – Vem comigo – disse – e poderás ver logo o que desejas! Obedeci imediatamente. Mas a tal pessoa andava com a rapidez do pensamento, e eu no mesmo passo que meu guia. Andávamos de maneira tal que nossos pés nem tocavam o solo. Chegados por fim a uma certa região que eu desconhecia, o guia parou. Erguia-se sobre uma preeminência do terreno um magnífico palácio de construção admirável. Não sabia onde estava, nem sobre que montanha; nem me recordo mais se estava realmente sobre uma montanha ou se estava no ar, sobre nuvens. Era inacessível e não se via caminho algum para poder chegar até ele. Suas portas eram de considerável altura. – Sobe a esse palácio – me disse o guia. – Como vou fazer? – observei eu – como fazer para subir? Aqui por baixo não há entrada, e não tenho asas. – Entra! – replicou ele com autoridade. E, vendo que eu não me movia, disse: – Faz como eu: levanta os braços com boa vontade e subirás. Vem comigo. E assim dizendo, levantou ao alto as mãos, dirigindo-as para o céu. Eu também abri os braços, e me senti num só instante alçado pelos ares como uma nuvenzinha. Eis que chego aos umbrais do palácio. O guia me acompanhara até lá. – Que há aqui dentro? – perguntei. – Entra, visita-o e verás. No fundo, num salão, encontrarás quem te ensinará. E desapareceu, ficando eu só, como guia de mim mesmo. Entrei no pórtico, subi as escadas e cheguei a um salão verdadeiramente régio. Percorri salas espaçosas, aposentos riquíssimos de ornamentos e longos corredores. Caminhava com velocidade acima da natural. Cada sala brilhava com magnificência de tesouros espantosos, e naquela velocidade percorri tantos aposentos que me foi impossível contá-los. Mas uma coisa era mais admirável: para correr com a rapidez do vento, eu não movia os pés; suspenso no ar com as pernas juntas, deslizava sem esforço como sobre um cristal, mas sem tocar o pavimento. Passando assim de um aposento a outro, vi finalmente no fundo de um corredor uma porta. Entrei e me encontrei num salão grande, que superava em magnificência a todos os demais. No fundo dele, sobre uma cadeira de espaldar alto, avistei um Bispo, majestosamente sentado, em posição de quem se prepara para dar audiência. Aproximei-me com respeito e fiquei admiradíssimo por reconhecer naquele prelado um íntimo amigo meu, Era Dom … (e disse o nome), Bispo de …, falecido havia dois anos. Parecia nada sofrer. Seu aspecto era radiante, afetuoso e de tão grande beleza que nem sequer poderia exprimir. – Oh! Senhor Bispo, vós por aqui? – perguntei, com grande alegria. – Não me vê? – respondeu o Bispo. – Mas, como isso? Ainda estais vivo? Não morrestes? – Sim, morri. – Se morrestes, como é que estais sentado aqui tão radiante e satisfeito? Se ainda estais vivo, por caridade, esclarecei-me: na diocese de … há já um outro Bispo, Dom …, em vosso lugar. Como é que se esclarece essa confusão? – Esteja tranqüilo; não se preocupe que já estou morto… – Ainda bem que já está um outro em vosso lugar. – Sei disso. E o Sr., Dom Bosco, está vivo ou está morto? – Eu estou vivo. Não vedes que estou aqui em corpo e alma? – Aqui não se pode vir com o corpo. – Mas, sem embargo, aqui estou. – É o que lhe parece; mas não é assim… Eu me apressava em falar-lhe, fazendo perguntas e mais perguntas, sem receber resposta alguma. – Como pode ser que eu, que estou vivo, esteja aqui convosco, Senhor Bispo, que já morrestes? Tinha medo de que o Bispo desaparecesse, pelo que lhe roguei: – Senhor Bispo, por caridade, não me deixeis. Necessito saber muitas coisas. Dizei-me, Senhor Bispo, salvastes vossa alma? O Bispo, vendo-me tão ansioso, disse: – Não se aflija tanto e fique calmo, que não fugirei. Pode falar. – Dizei-me, Senhor Bispo, estais salvo? – Olhe-me; observe como estou robusto, cheio de louçania e brilho. Seu aspecto me dava realmente a certeza de que estava salvo; mas, não me contentando com essa impressão, repliquei: – Dizei-me se estais salvo, sim ou não. – Sim, estou em lugar de salvação. – Mas já estais no Paraíso, gozando do Senhor? ou no Purgatório? – Estou em lugar de salvação, mas ainda não vi a Deus e ainda necessito de que reze por mim. – E quanto tempo ainda devereis estar no Purgatório? – Olhe aqui e leia! – disse, apresentando-me uma folha de papel. Tomei na mão o papel; observei atentamente, mas, nada vendo escrito, disse-lhe: – Nada vejo! – Veja bem o que nele está escrito e leia! – Já olhei com atenção e estou olhando novamente, mas nada posso ler porque nada há escrito aqui. – Veja com mais atenção! – Vejo um papel com floreados vermelhos, azuis, verdes, cor de violeta, mas não encontro letra alguma. – São algarismos. – Não vejo letras nem números. O Bispo olhou o papel que eu tinha nas mãos e disse: – Já sei porque o Sr. não vê nada; vire o papel ao contrário. Examinei a folha com maior atenção, virei-a de to dos os lados; mas nem de um lado nem do outro nada consegui ler. Somente me pareceu ver, entre uma infinidade de traços e desenhos, o número 2. – O Sr., Dom Bosco, sabe por que é necessário ler ao contrário? – continuou o Bispo – É porque os juízos do Senhor são completamente distintos dos do mundo. O que os homens julgam sabedoria é tolice aos olhos de Deus. Não tive coragem de insistir para que explicasse mais claramente, e disse: – Senhor Bispo, não vos afasteis; quero perguntar-vos mais coisas. – Pois pergunte, que lhe escuto. – Eu me salvarei? – Deve ter esperança nisso. – Não me façais sofrer; dizei-me logo se me sal varei. – Não sei. – Pelo menos dizei-me se estou na graça de Deus. – Não sei. – E meus meninos, salvar-se-ão? – Não sei. – Mas, por favor, dizei-me, estou implorando. – O Sr. estudou Teologia e portanto pode saber, pode dar-se a esposta a si mesmo. – Mas, como? Estais em lugar de salvação e ignorais essas coisas? – O Senhor as dá a conhecer a quem quer; e quando quer que elas sejam comunicadas, dá ordem e permissão para tal. A não ser assim, ninguém pode comunicá-lo aos que ainda vivem. Eu me achava nervoso, na impaciência de fazer mais perguntas, e as fazia apressadamente, com temor de que o Senhor Bispo se retirasse. – Dizei-me algo para transmitir de vossa parte aos meus meninos. – O Sr. sabe tanto quanto eu o que devem fazer. Tendes a Igreja, o Evangelho e as outras Escrituras que tudo vos dizem. Diga-lhes que salvem suas almas, pois tudo o mais de nada serve. – Já sabemos que devemos salvar a alma. Mas, que devemos fazer para salvá-la? Dê-me alguma recomendação especial para poder salvá-la, e que nos faça recordar de vós. Eu o repetirei aos meus rapazes em vosso nome. – Diga-lhes que sejam bons e sejam obedientes. – Quem é que não sabe essas coisas? – Diga-lhes que sejam puros e que rezem. – Mas, explicai-vos em termos mais concretos. – Diga-lhes que se confessem com freqüência e façam boas confissões. – Alguma outra coisa ainda mais concreta… – Direi, já que quer. Diga-lhes que têm diante dos olhos uma neblina, e que quando alguém chega a vê-la já está muito adiantada. Que afastem essa neblina, como se lê nos Salmos: Nubem dissipa. – Que neblina é essa? – São todas as coisas mundanas, que impedem de ver as coisas celestiais como de fato são. – E que devem fazer para afastar essa neblina? – Considerem o mundo exatamente como ele é: Mundus totus in maligno positus est [mundo está todo posto no maligno]; e então salvarão a alma. Que não se deixem enganar pelas aparências do mundo. Os jovens crêem que os prazeres, as alegrias, as amizades do mundo, podem fazê-los felizes e, portanto, não esperam se não o momento de poder gozar desses prazeres. Mas recordem-se de que tudo é vaidade e aflição de espírito, e tomem o hábito de ver as coisas do mundo não como elas parecem, mas como realmente são. – E essa neblina, como é principalmente produzida? – Assim como a virtude que mais brilha no paraíso é a pureza, assim a obscuridade e a neblina são produzidas principalmente pelo pecado de imodéstia e impureza. É como uma negra nuvem densíssima que tolda a visão e impede os jovens de verem o precipício rumo ao qual caminham. Diga-lhes, portanto, que conservem zelosamente a virtude da pureza, porque os que a possuem florebunt sicut lilium in civitate Dei [florescerão como o lírio na cidade de Deus]. – E que se requer para conservar a pureza? Dizei-me, e o direi aos meus caros jovens de vossa parte. – Recolhimento, obediência, fuga do ócio e oração. – E que mais? – Oração, fuga do ócio, obediência e recolhimento. – Nada mais? – Obediência, recolhimento, oração e fuga do ócio. Recomende-lhes estas coisas, que elas são suficientes. Teria querido perguntar-lhe muitas coisas mais, porém não me vinham à lembrança. Assim é que, mal o Bispo terminou de falar, impaciente para vos transmitir aqueles avisos deixei apressadamente o salão e corri para o Oratório. Voava com a rapidez do vento, e num instante encontrei-me na porta de casa. Mas, ao chegar, parei e pensei: – Por que não permaneci mais tempo com o Senhor Bispo de… Teria conseguido ainda melhores esclarecimentos. Fiz mal em deixar escapar uma ocasião tão boa. Teria aprendido muitas coisas interessantes. E imediatamente voltei atrás com a mesma rapidez com que tinha vindo, temeroso de não mais encontrar o Senhor Bispo. Entrei novamente no palácio e no salão. Mas, que mudança se havia operado em poucos instantes! O Bispo, pálido como cera, estava estendido sobre um leito e parecia um cadáver; em seus olhos brilhavam ainda suas últimas lágrimas; estava em agonia. Só pelo ligeiro movimento do peito, produzido pelos últimos alentos, se deduzia que ainda estava vivo. Aproximei-me com grande preocupação e perguntei: – Senhor Bispo, que vos aconteceu? – Deixe-me! – respondeu com um gemido. – Teria ainda muitas coisas que vos perguntar. – Deixe-me só! Sofro imensamente. – Que posso fazer por vós? – Reze e deixe-me ir embora! – Para onde? – Para onde me conduz a mão onipotente de Deus. – Mas, Senhor Bispo, rogo-vos que me digais o local. – Sofro imensamente, deixe-me. Eu repetia: – Mas ao menos dizei-me: que posso fazer por vós? -Reze por mim. -Uma só palavra: tendes algum encargo que eu possa fazer-vos no mundo? Não quereis dizer nada para vosso sucessor? -Vá ao atual Bispo de… e diga-lhe, de minha par te, tal e tal coisa… As coisas que me disse não vos interessam, queridos jovens, e por isso as omito. O Bispo acrescentou: – Diga também a tais e tais pessoas, tais e tais coisas secretas… (Também sobre esses recados Dom Bosco se calou. Mas tanto as primeiras quanto as segundas, parece que se referem a avisos e remédios com respeito à sua antiga diocese.) -Nada mais? – Diga a seus jovens que eu sempre os quis muito bem, e que enquanto vivi sempre rezei por eles; ainda agora me recordo deles. Que rezem eles por mim. -Tende certeza, Senhor Bispo, de que assim o direi. E começaremos imediatamente a oferecer sufrágios por vossa alma. Mas quando o Senhor Bispo estiver no Paraíso, lembre-se de nós. O Bispo tinha tomado um aspecto ainda mais sofre- dor. Era um tormento vê-lo. Sofria muitíssimo. Era uma agonia das mais angustiosas. – Deixe-me – repetiu – deixe-me que vá para onde o Senhor me chama. – Senhor Bispo! Senhor Bispo! – repetia eu cheio de indizível compaixão. – Deixe-me! Deixe-me! Parecia que expirava. Uma força invisível o arrastou dali para habitações mais interiores, de modo que desapareceu. Eu, com tanto sofrer, assustado e comovido, quis voltar atrás; mas, tendo batido com o joelho num objeto qualquer daquelas salas, acordei e me encontrei de repente deitado no meu quarto. Como vedes,jovens, este é um sonho como todos os outros sonhos; e no que se refere a vós, não tendes necessidade de explicações, porque todos o entendestes bem. E Dom Bosco Concluiu a narração dizendo: Neste sonho aprendi tantas coisas a respeito da alma e do Purgatório como antes jamais havia chegado a compreender; e as vi tão claramente que jamais as esquecerei. Assim termina a narração de nossos apontamentos. Parece que em dois quadros distintos o Venerável Dom Bosco quis expor o estado de graça das almas do Purgatório e seus sofrimentos expiatórios. Nenhum comentário fez acerca do estado daquele bom Bispo. Sabe-se, aliás, por revelações digníssimas de fé e pelo testemunho dos Santos Padres, que pessoas de santidade consumada, lírios de virginal pureza, carregados de méritos, fazedores de milagres que nós hoje veneramos nos altares, por defeitos ligeiríssimos deve ram permanecer um tempo até prolongado no Purgatório. A Justiça Divina quer que, antes de entrar no Céu, cada um pague até a última parcela de suas dívidas. Nós que escrevemos isto, tendo perguntado algum tempo depois a Dom Bosco se havia executado os encargos recebidos daquele Prelado, com a confiança com que nos honrava, respondeu-nos: Sim, executei fielmente o que me recomendou. Observaremos também que a pessoa que transcreveu o sonho omitiu uma circunstância que nós recordamos, talvez porque então não entendia seu sentido e importância. Dom Bosco havia perguntado a certa altura quanto tempo ainda viveria, e o Bispo lhe havia apresenta do um papel cheio de rabiscos entrecruzados parecidos com o número 8, mas sem dar explicação alguma desse mistério.. Indicaria o ano de 1888?16 São João Bosco começou por chamar Oratório, ou Oratório festivo, às reuniões que fazia para os jovens nos domingos e dias de festa. Nessas reuniões rezava com os rapazes, dava catequese, ministrava os Sacramentos e proporcionava sadia recreação. Com o passar do tempo, por extensão, Oratório passou a designar o local de Turim em que o Santo estabeleceu sua obra. Na Itália, o tratamento respeitoso de Don (de Dominus, isto é, senhor) é dado habitualmente aos sacerdotes seculares. No Oratório, chamava-se “Boa Noite” a alocução, geralmente breve, que São João Bosco costumava fazer no término do dia. Tal costume permanece até hoje nas casas salesianas. Da narrativa de São João Bosco pode-se talvez depreender que, neste caso concreto, não se tratou de sonho, mas de uma visão sobrenatural. Em sua humildade, o Santo teria procurado, com as frases que acabamos de ler. ocultar o verdadeiro caráter da revelação recebida. Giovanni Cagliero nasceu em Casteinuovo d’Asti, em 1838. Foi um dos primeiros discípulos de São João Bosco. Chefiou a primeira missão apostólica salesiana na Argentina (1875). Foi feito Bispo em 1884, Arcebispo em 1909 e por fim, em 1915, Cardeal. Faleceu em Roma, em 1926. Tinha notável talento musical e chegou a com por várias peças sacras de valor. São Domingos Sávio, aluno de São João Bosco, nascido em Riva di Chieri, em 1842, faleceu com 15 anos incompletos, em 1857, deixando fama de eminente santidade. Foi beatificado em 1950 e canonizado em 1954. O Padre Vittorio Alasonatti (1812-1865) já era sacerdote quando ingressou no Oratório. Até sua entrada, em 1854, Dom Bosco era o único sacerdote da casa. Auxiliou Dom Bosco, especialmente na área administrativa, tendo sido o primeiro Ecônomo e Prefeito do Oratório. Faleceu deixando fama de grande virtude. O Padre Giovanni Battista Lernoyne (1839-1916) foi secretário e biógrafo de São João Bosco. Planejou e em grande parte executou as monumentais Memorie Biografiche di Don Giovanni Bosco, em 19 volumes. Em nota ao pé de página o compilador das Memórias Biográficas explica melhor esse parágrafo: “Em outros termos, [Dom Bosco] quer dizer: Quando, por vontade divina, uma alma separada do carpa aparece diante de vós, ela se apresenta a assoa olhos com a forma exterior do corpo que foi por ela informado, e por essa razão é que te parece que eu tenha mãos, pés, cabeça etc.” As Memórias Biográficas registram seus nomes: os jovens Giovanni Briatore, Vinorio Strolengo, Stefano Mazzoglio, Natale Garota, Antonio Bognati e Luigi Boggiatto, e os clérigos Michele Giovannetti e Carlo Becchio (este falecido no último dia do ano). Alguns fenômenos místicos extraordinários por vezes produzem, nas almas escolhidas que os recebem, sensações dessas. Fica, entre tanto, claro pelo desenrolar da narrativa, que esse personagem, apesar dos efeitos desagradáveis ligados à sua presença, é um verdadeiro amigo de São João Bosco, possivelmente seu Anjo da Guarda. O Beato Michele Rua, nascido em Turim, em 1837 e falecido na mesma cidade, em 1910, foi o primeiro sucessor de São João fosco, cuja obra ampliou e propagou por muitos países. De tal forma Dom Rua se identificou com o espírito de seu fundador que – diziam os contemporâneos – era “un altro Don Bosco”. Foi beatificado em 1972. O Padre Giovanni Battista Francesia (1838-1930) foi dos mais antigos e mais ativos discípulos de São João Bosco. Eminente latinista, lecionou nos primeiros seminários salesianos. Foi o último dos salesianos da primeira geração a falecer. Possível alusão a algum episódio de outro sonho, ou talvez alusão ao Evangelho de São João: “Como a vara não pode por si mesma dar fruto se não permanecer na videira, assim também vós se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira e vós as varas, O que permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer Se alguém não permanecer em Mim será lançado fora com a vara, e secará, e enfeixá-lo-âo, e o lançarão no fogo, e arderá” (15,4-8). Essas palavras do Padre Lemoyne não se referem somente ao sonho de sobre o Inferno, mas também a outros relatos que São João Bosco fizera em 1869, e que foram objeto dos capítulos anteriores do mesmo volume das Memórias Biográficos. 1888 foi o ano do falecimento de São João Bosco.

  • Beato Vladimir Ghika- príncipe, padre e mártir

    Ele recebeu os sacramentos do Batismo e da Confirmação na Igreja Ortodoxa, da qual seus pais eram membros. Depois de concluir estudos brilhantes em Paris, Vladimir foi atingido em 1895 com angina pectoris, e ele teve que desistir de uma carreira como diplomata. Em 1898, ele se juntou ao seu irmão Demétrio, chamado embaixador da Romênia na Itália. Ele entendeu que a unidade cristã não é possível, a menos que esteja sob a autoridade do Papa, o sucessor de São Pedro. Em 13 de abril de 1902, foi oficialmente recebido na Igreja Católica pelo cardeal Mathieu, arcebispo de Toulouse, que estava passando por Roma. No entanto, os jornais romenos condenaram esse passo, acusando o príncipe Ghika de traição. Mais tarde, para um monge ortodoxo que lhe perguntou por que ele se tornou católico, ele simplesmente respondeu: “Para ser mais ortodoxo”! Em Salonica, em 1904, Vladimir conheceu a Irmã Pucci, uma extraordinária Irmã de São Vicente de Paulo de nascimento italiano, que o levou ao apostolado entre os doentes e os moribundos. Logo, de sua riqueza pessoal, ele fundou um dispensário em Bucareste, “Bethleem Mariae”, dirigido pelas “Filhas da Caridade”, das quais a Irmã Pucci seria a primeira superiora. Em 1913, o Príncipe Ghika, com Irmã Pucci, organizou o “Hospital São Vicente”, um Lazaretto para as vítimas da cólera. Ele participou da vida social, política e diplomática da Romênia durante a Primeira Guerra Mundial, agindo para a reunificação do país, como delegado do Conselho Nacional Romeno a Paris, Roma e Vaticano. Após a Primeira Guerra Mundial, Vladimir se instalou em Paris, onde seu irmão foi nomeado embaixador da Romênia. Depois de 1923, quando se tornou sacerdote (ordenado sacerdote pelo arcebispo de Paris em 7 de outubro de 1923), Vladimir Ghika recebeu o privilégio de celebrar de acordo com os dois ritos, latino e bizantino. Ele foi enviado pela Igreja Católica a Sidney, Budapeste, Dublin e Buenos Aires, para participar de congressos eucarísticos internacionais. Realizou missões apostólicas no Japão, na China e no Ceilão. Ele costumava realizar bênçãos com um espinho da coroa de Jesus Cristo, e realizou uma série de milagres, inclusive curando certas pessoas e facilitando o nascimento do príncipe herdeiro do Japão. O Papa Pio XI o descreveu brincando como, “o grande vagabundo apostólico do século XX”. Entretanto, ele se dedicou a um novo projeto: viver como missionário no subúrbio parisiense mais desfavorecido, onde a “ausência de Deus” era a mais trágica. Em 1927, ele encontrou um pedaço de terra em Villejuif, em uma favela povoada por catadores de lixo. Em 1931, Pio XI deu ao padre Ghika o título de protonotário apostólico; O sacerdote humilde se tornou, apesar de si mesmo, Monsenhor Ghika. Ele prosseguiu um apostolado que o levou até o Japão e a Argentina, segundo o chamado da Divina Providência. Em setembro de 1939, ele obteve autorização do arcebispo de Paris para se mudar para a Romênia. Em Bucareste, durante a Segunda Guerra Mundial, realizou um ministério incansável para os refugiados, os doentes, os prisioneiros, as vítimas de bombardeios. Incapaz de remediar todos os sofrimentos, ele se esforçou para ajudar os outros a entender que “o sofrimento é, para o cristão, acima de tudo, uma visita de Deus, uma visita segura”. O exército soviético entrou na Romênia em agosto de 1944 e, pouco a pouco, foi estabelecido um regime comunista. Vladimir Ghika foi preso em 1952 e foi acusado de espionagem pelo Vaticano. No decorrer de mais de oitenta interrogatórios noturnos, ele foi esbofetado , espancado e torturado até a perda temporária de audição e visão. Após um julgamento vergonhoso, ele foi condenado em 1953 a três anos de prisão. Ele morreu em uma prisão comunista na Romênia em 1954, seguindo as torturas às quais ele havia sido submetido pelo Securitate. Vladimir Ghika foi proposto à beatificação pela diocese católica de Bucareste e o processo de beatificação está em progresso.

  • Dr Gary Habermas confirma: Testes recentes em fragmento de Marcos podem fornecer o manuscrito mais a

    Em uma recente Conferência na Engage, Albuquerque, Novo México, orador principal e professor da Universidade da Liberty, Dr. Gary Habermas, afirmou que um especialista em paleologia (especialista em antiguidades) datou um fragmento do Evangelho de Marcos entre 80-110 DC. O Dr. Habermas disse que um amigo dele – um Ph.D. em semiótica (o estudo da linguagem) – confirmou que o teste foi concluído e a data apresentada pelo paleógrafo foi confirmada. Se esta data se mantiver (e o Dr. Habermas fez uma advertência para não avançar em conclusões firmes antes que mais pesquisas fossem conduzidas), seria o mais antigo fragmento do evangelho de Marcos por mais de cem anos. Como observou o especialista em manuscritos e erudito em grego Dr. Daniel Wallace: “Antes da descoberta desse fragmento, o manuscrito mais antigo que se tinha de Marcos era o P45, do início do século III (c. 200-250). Este novo fragmento seria anterior a isso em 100 a 150 anos “ Por que esse anúncio é importante? Se a data se mantiver, demonstraria que o Evangelho de Marcos circulou no século I, encurtando o tempo entre a morte de Jesus e a evidência escrita. Em suma, seria uma evidência histórica fornecendo testemunhas oculares antigas sobre a vida, a morte e a ressurreição de Jesus. E embora muitos cristãos afirmem que os Evangelhos estão diretamente ligados aos relatos de testemunhas oculares, muitos estudiosos ainda não chegaram à mesma conclusão porque alguns deles pensavam que o intervalo de tempo era muito grande entre as primeiras evidências manuscritas e a vida de Jesus. Mas com o recente histórico de anúncios isso pode precisar ser reescrito. Nós vimos fenômenos semelhantes a essa descoberta com um fragmento do Evangelho de João. O Dr. Daniel Wallace explica que, antes da descoberta de P52 (Um fragmento do Evangelho de João na Biblioteca Ryland), muitos argumentaram que o Evangelho de João era datado não antes do século III – uma visão tardia. Mas com a descoberta de P52 (datado de 100-175 dC), tivemos que reescrever nossa compreensão sobre o Evangelho de João. A descoberta ajudou a revolucionar a visão de João como uma fonte escrita antiga. E uma vez que uma cópia vem após o original, João provavelmente era a testemunha ocular do primeiro século estabelecida no texto. Meu ponto: uma descoberta deu peso ao fato de que os Evangelhos são documentos muito antigos. E agora temos uma situação semelhante com Marcos. Com o anúncio do Dr. Gary Habermas de que uma possível data de 80-110 D.C pode ser atribuída a um fragmento, temos evidências crescentes para a autoria antiga dos Evangelhos. A descoberta desse manuscrito revoluciona nossa datação do texto. E, como mencionado, uma cópia significa que havia documentos anteriores dos quais copiar, levando a um autor do primeiro século que provavelmente usasse o apóstolo Pedro como sua fonte de testemunho oculares, como historiador e bispo primitivo, Papias de Hierápolis, afirma em suas cartas. O que uma data antiga afirma sobre a confiabilidade histórica? A data antiga de Marcos (e os outros livros do NT) está mais próxima dos eventos reais descritos no texto. O que significa que a informação dada a Marcos foi informação que foi recolhida de relatos de testemunhas oculares, pessoas que viveram, viram e caminharam com Jesus. Portanto, datas mais próximas significam informações mais confiáveis. E deixe-me salientar que essa pequena lacuna entre os eventos reais da vida de Jesus e o documento escrito (80-110 AD) é muito, muito menor do que outras obras da antiguidade. Como exemplo, o Dr. Habermas apontou a diferença entre Alexandre o Grande e os textos sobre ele, eles são tão amplos quanto 300 anos. E aqui com Marcos, temos cópias de menos de 80 anos. Meu ponto: os manuscritos mais próximos dos eventos tornam as contas credíveis e confiáveis quando comparadas às demais obras na antiguidade; Os documentos do Novo Testamento são fontes confiáveis de informação. Portanto, buscar evidências antigas dos manuscritos fornecem suporte para o que a Igreja sempre ensinou: os Evangelhos são relatos confiáveis sobre a vida, a morte e a ressurreição de Jesus. Precisamos de mais biblio-arqueólogos – pessoas que procuram cópias iniciais dos Evangelhos, e quem sabe um dia até encontrar  os originais. Como sempre, as evidências vão se acumulando em favor da confiabilidade histórica dos evangelhos. Como já dito por diversos pesquisadores do assunto, comparado a qualquer outro relato histórico antigo, o Novo Testamento possui muito mais e melhores evidências de sua confiabilidade. Se quiserem ver outros artigos sobre o assunto: Porque o Novo testamento é historicamente confiável O Canon do Novo Testamento 5 Fatos históricos sobre a ressurreição de Cristo. Vídeo sobre a confiabilidade histórica da Bíblia Os fatos mínimos da ressurreição de Cristo **Dr Gary Habermas é  Professor de Apologética e Filosofia e presidente do departamento de filosofia e teologia da Liberty University em Lynchburg, Virgínia. Ele possui um doutorado (1976) da Universidade Estadual de Michigan em história e filosofia da religião e um mestrado (1973) da Universidade de Detroit em teologia filosófica. Ele se especializou em catalogar e comunicar tendências entre estudiosos no campo de estudos históricos de Jesus e do Novo Testamento. Texto traduzido e adaptado do site: Assist News Service, por Brian Nixon

  • O Fogo de Purgação na obra ‘De anima et resurrectione’ de São Gregório de Nissa

    1. O FOGO DE PURGAÇÃO A morte de Basílio, o Grande [6] (330- 379/380 d.C), o irmão mais velho de Gregório de Nissa, ocasionou ao irmão mais novo compor sua famosa De anima et resurrectione. É um diálogo entre a sua irmã mais velha, Macrina [7] (331 d.C- 379/380 dC), o domador de cavalos [8], e ele próprio, o perturbado. Ele apresenta neste tratado teológico seus ensinamentos sobre a imortalidade, natureza da alma, ἀποκατάστασις [9] ou “restauração”a um Estado original perfeito”[10], e a ressurreição do corpo. Embora essa restauração seja universal [11], de acordo com o bispo de Nissa, que só é concedida para aqueles que são purificados do mal, por Deus, que é bom por natureza, e não admite qualquer mal para si mesmo. A purificação do mal pode ser conseguida tanto antes da alma da pessoa estar separada do corpo quanto depois. Após a sua morte, os Santos serão imediatamente ligados ao céu, pois eles viveram uma vida virtuosa domando sua raiva e desejo (paixões [12]), viz., Rejeitando o mal. No entanto, nem todos os seres humanos são santos. Alguns, por meio de “erro de julgamento quanto à verdadeira beleza” e “o crescimento da ilusão”, exercerão o seu livre arbítrio para escolher os vícios ao invés de virtudes, contaminando, assim, as suas almas com o mal. A alma de tal ser humano torna-se misturada com o mal, que não é da essência da alma. A morte separa a alma criada e imortal do corpo com a qual ela foi criada, mas não separá-a de seu cativeiro das paixões. Portanto, uma purificação [13] é necessária para que a alma seja restaurada para o bem. Como o fogo testa e refina o ouro assim também será acionado para limpar a alma de qualquer mal que se apegue a ela e “limpá-la dos restos que são pertecentes a esta união com a carne” [14] e só então pode “o seu curso em direção ao bem se tornará leve e livre, uma vez que nenhuma dor corpórea a arrastará mais em direção a si mesma.”[15] De acordo com Gregório, o fogo livra a alma do mal acumulado ao longo da vida da pessoa. O mal é o resultado do pecado, do mau uso do livre arbítrio e da razão, os quais Deus deu a todos os seres racionais. O livre arbítrio e a faculdade da razão separa os seres humanos dos brutos a quem “as paixões pertencem por natureza.” Infelizmente, sempre que uma pessoa, a quem Deus criou à sua imagem e semelhança, sucumbe às paixões, a essência da alma da pessoa torna-se contaminada por que não pertence a ele. Pelo exercício do livre-arbítrio, que a pessoa escolhe ser reduzida ao estado de um bruto, um estado menor do que Deus tinha em mente. Além disso, a morte não separa a alma de sua escravidão às paixões e esta vida. Macrina, relutantemente aceita a ideia de que fantasmas sombrios dos mortos permanecem perto de seus restos mortais, diz: “Se este evento se verifica verdadeiramente, é um sinal de um apego da alma à vida carnal que ultrapassa a justa medida. Esta alma não deseja, portanto, purificar-se e voar nem mesmo quando se vê arrancada da carne, e não consente sua total transformação em uma forma invisível: ao contrário, permanece na forma corpórea mesmo depois de sua dissolução. Mesmo estando fora do corpo, vítima do desejo que experimenta por ele, continua a vagar e a errar nos lugares em que reside a matéria” (Da Alma e a Ressurreição III) Mesmo depois que o corpo morre e a alma se afasta, ela permanece nas cadeias da escravidão. Um êxodo da terra da escravidão para a Jerusalém Celeste, é necessário. As correntes da escravidão, no entanto, pesam sobre a alma e devem ser cortadas para que ela seja livre. A libertação da alma, de acordo com o Macrina, exige uma “segunda morte”. Esta “segunda morte” é o estado de purificação que a alma pecadora tem que passar, a fim de que ela seja liberada desta escravidão das paixões. A purgação é o meio pelo qual a: “alma torna-se livre de qualquer ligação emocional com a criação bruta, não haverá nada para impedir a sua contemplação do Belo” (Da Alma e Ressurreição [17]) Enquanto existe na alma de uma faisca de desejo, ela é privada de ser verdadeiramente livre. Portanto, o papel da purgação é aniquilar todos os desejos da alma, purificando-a, assim, de todo o mal. Como é que esse processo ocorre? Macrina trabalha sobre a sua ideia utilizando duas metáforas para explicar o modo de funcionamento: 1) da refinação de ouro e 2) uma corda que passa através de um pequeno orifício. Nesta última metáfora nenhum fogo está envolvido, mas o significado da metáfora permanece inalterarda: a aniquilação exaustiva do mal. A primeiro a metáfora é a seguinte: “Assim como aqueles que refinam o ouro das impurezas que contém, não só colocam esta liga base para derreter no fogo, mas são obrigados a fundir o ouro puro, juntamente com a liga, e em seguida, enquanto este último está sendo consumido, o ouro continua a existir…” [18] Refinar ouro significa por definição, remover quaisquer impurezas que não estão presentes no ouro, mas junto com o ouro. Estas impurezas não têm a mesma essência do ouro e nunca podem ser confundidas com ele. Além disso, a essência do ouro não é produzir as impurezas que ficam cimentadas nele. Para separar os dois, uma fundição utiliza fogo num cadinho. O fogo é o principal agente de fundição e é amplamente poderoso para remover toda e qualquer impureza misturada com o ouro. Para que este processo ocorra, o ouro é fundido juntamente com as impurezas que ele contém. No entanto, derreter o ouro nunca foi a intenção de quem está refinando; é necessário, mas não é o objetivo. Uma vez que a liga não desejada é completamente removida um pedaço sólido de caldo de ouro permanece. Como é que esta metáfora corresponde a purgação da alma? Macrina continua: “… assim, quando o mal está sendo consumido no fogo purificador, a alma que é soldada a este mal tem que estar inevitavelmente no fogo também, até que a liga de material espúrio é consumida e aniquilada por este fogo” [19] O ouro corresponde à alma e a impureza ao mal que está ligado a ela. Como o ouro era refinado, assim analogamente a alma vai ser libertada de suas correntes da escravidão ao mal. A conseqüência da aniquilação do mal, significa o derretimento de ambos da alma e do mal, que está ligado a ela, trazendo sofrimento. Nem todas as almas precisam ser purificadas, as almas dos santos não passam por este processo de purgação; Moisés é um exemplo disso. Além disso, nem todas as almas humanas terão que sofrer na mesma quantidade. Sofrer corresponde à quantidade de mal cimentado a cada alma individual: “A agonia será medida pela quantidade de mal que há em cada individuo.” [20] Macrina explica: “Pois não seria razoável pensar que o homem que permaneceu tanto tempo como temos suposto no mal conhecido como sendo proibido, e o homem que caiu só em pecados moderados, seremtorturados na mesma intensidade no julgamento de seus hábitos viciosos; mas de acordo com a intensidade material será um mais longo e outro mais curto que aquela chama agonizante estará queimando; isto é, enquanto houver combustível para alimentar-la.” [21] Além disso, ela afirma: “No caso de o homem, que adquiriu uma carga pesada de mal, o fogo consumidor deve necessariamente ser muito profundo; mas onde aquilo que o fogo tem que alimentar disseminou-se menos agora, lá a ferocidade penetrante da punição é atenuada, tanto quanto o próprio sujeito, no valor de seu mal, é diminuído. Em todo e qualquer caso o mal deve ser extinto, de modo que, como dissemos acima, o absolutamente inexistente deve deixar de existir completamente.” [22] Enquanto o mal persiste na alma, o fogo de purgação continua a purificá-la, mantê-la em agonia até que o fogo elimine todos os vestígios do mal. O sofrimento [23] da alma não é o objetivo, ao passo que a aniquilação do mal é, porque o mal e o bem não podem coexistir. Deus, o único bom por natureza, atrai a alma para Si mesmo. No entanto, ela não pode ir com ele, uma vez que o mal existe nela. Portanto, a purificação é necessária: “…Nós podemos descobrir a nós mesmos a luta agonizante dessa alma que envolveu-se em paixões terrenas materiais, quando Deus está chamando-a, Ele próprio, a si mesmo, e a matéria estranha, que de alguma forma cresceu em sua substância, tem que ser raspada dela pela força, e assim ocasiona a ela aquele afiada angústia intolerável.” [24] A esperança cristã subjacente ao tratado De anima et resurrectione é que Deus: “Fim é um, e apenas um; é este: quando o conjunto completo de nossa raça for aperfeiçoada desde o primeiro homem até o último … para oferecer a cada um de nós a participação nas bênçãos que estão nele … Mas isso não é outra coisa … mas que estejamos em Deus” [25] Para Gregório a agonia da alma não é eterna, mas dura enquanto o mal persiste. “De acordo com o montante da maldade enraizada em cada um será computado o tempo de sua cura.” [26] Gregório não prever quem irá permanecer nesta fase de purgação para sempre. Ao descrever a ressurreição final, Macrina atesta, “todas as almas em seu número inteiro vão sair de sua condição invisível e espalhados em tangibilidade e luz.” [28] A punição, portanto, não é o único e principal objetivo de Deus, o Juiz mais justo por excelência. É uma conseqüência de estar no estado de purgação, em vez do veredicto do Tribunal Celestial para punir a alma. O fogo de purgação é o medicamento que cura e cura a alma de forma permanente. “Esta cura consiste na limpeza de sua alma, e que não pode ser alcançada sem uma condição excruciante”[29] Portanto, purgação: “não é uma punição, primeiramente  e principalmente, que a Divindade, como Juiz, aflige os pecadores; mas Ele opera… somente para separar o bem do mal e para atraí-lo para a comunhão de bem-aventurança.” [30] 2. A BASE BÍBLICA Gregório foi educado a maneira dos gregos. Como cristão, ele, no entanto, não aceitou a filosofia grega e o raciocínio cegamente [31]; sua dialética filosófica não funciona sem provas. Ao contrário, elas submetidos às Sagradas Escrituras que são, para ele, “…a regra e a medida de cada postulado; nós necessariamente fixamos nossos olhos sobre isto, e aprovamos somente aquilo que se harmoniza com a intenção dos Escritos” [32] Além disso, a Palavra de Deus é o guia da razão e é mais confiável do que conclusões artificiais. Além disso, as conclusões dialéticas devem harmonizar-se com a palavra inspirada, ou seja, a Bíblia. Além disso, quem “poderia negar que a verdade pode ser encontrada apenas em que em que o selo do testemunho bíblico está definido?”. [33] O bispo de Nissa baseou-se nas Escrituras e herdou, assim como a seguinte exposição vai mostrar, a imagem do fogo, que ele usou para elucidar sua escatologia. A primeira vez que Gregório usa o fogo em conexão com purgação e ἀποκατάστασις [34] ou “restauração a um estado original perfeito”[35] em seu tratado De Anima et resurrectione é quando Macrina evoca a parábola bíblica do Trigo e Jóio [36]. Gregório interrompe sua irmã que estava no meio da exposição a noção de paixões e pede a ela para mostrar a harmonia de seus ensinamentos com as Escrituras Sagradas. Ela responde: “Então, se é necessário que algo dos Evangelhos seja apresentado em apoio a nosso ponto de vista, um estudo da parábola do joio e do trigo aqui não estará fora de lugar.” [37] O “inimigo” semeia o inútil com o alimento útil. O Superintendente sábio proíbe recolher-se da cultura inútil para que os bons morram com o mau e pacientemente aguarda na expectativa para a terra “por seu poder inerente e nativo… murchar o crescimento e tornar o outro fecundo e abundante.” [38] na época da colheita, ele finalmente “comissiona o fogo para marcar a distinção na lavoura” [39] se o joio persiste. Uma mestre da interpretação alegórica, a virgem argumenta que a função do incêndio na parábola é purgar paixões incontroláveis da alma humana. Ela chega a essa conclusão por interpretar a boa semente correspondendo aos “os impulsos da alma”, e ao joio o “erro de julgamento sobre a verdadeira beleza.” Através da razão e do exercício do livre-arbítrio, os seres humanos têm a capacidade de cultivar esses impulsos da alma para produzir virtudes neles. “Suponhamos, então, que a nossa razão, que faz parte da nossa natureza mais escolhida, tem domínio sobre essas emoções importadas… nenhuma delas estará ativa no ministério do mal; o medo só vai gerar dentro de nós obediência, e a raiva fortalecimento, e a covardia cautela; e o instinto do desejo produzirá em nós a alegria que é divina e perfeita;” [40]. Assim como o joio é estranho a terra, assim também são essas emoções externas à alma. O dono da casa semeia a boa semente (o trigo), e o “inimigo” as más (o joio). O dono da casa é uma metáfora para Deus, o semeador do julgamento virtuoso na alma, e não de paixões. De acordo com Macrina, o Bom não implanta o desejo e a raiva na alma humana. Na verdade, aqueles que guiam ao mal, em vez de virtude são acréscimos de fora, não consubstanciais com a alma, e não são de sua essência. Porque eles não são inerentes à alma quando Deus a criou à sua imagem e semelhança e porque eles são coisas diferentes adiquiridas por ela depois, “há uma batalha da razão com eles [o desejo e a raiva] e uma luta para livrar o alma deles”. [41] Os seres humanos não estão condenados a perder esta batalha, pois há aqueles “em que essa luta terminou com sucesso; Foi assim com Moisés…” [42] Esta capacidade de vencer a batalha é referida na interpretação alegórica da parábola do joio e do trigo, como a capacidade da terra de murchar o crescimento de um e tornar o outro abundantes em frutos. Neste contexto, Gregório identifica explicitamente a terra com o coração humano e o poder nativo da terra como a faculdade da razão que reside no ser humano. O objetivo, portanto, é para livrar a alma humana deste objeto estranho indesejável que ficou misturado com ela. Este livramento pode ser feito de duas maneiras diferentes: 1) Domando as paixões e direcionando-os para a virtude, ou 2) através do fogo que consome todas as imperfeições. “Se, então, seja por premeditação aqui, ou por purgação daqui por diante, a nossa alma torna-se livre de qualquer ligação emocional com a criação bruta, não haverá nada para impedir a sua contemplação do belo; pois esta última é essencialmente capaz de atrair de certa forma todos os seres que olham para ele.”. [43] A conexão entre o fogo que incinera o joio, como elucidado na parábola do joio e do trigo, e o fogo que purifica a alma de suas paixões torna-se mais evidente à medida que Gregório e Macrina continuam seu diálogo Sobre a Alma e a Ressurreição. Eles vão identificar essas paixões descontroladas com o mal que ficou misturado com a alma. O bom não pode permitir que uma alma contaminada com o mal estar unido com ele. Consequentemente, o fogo purifica a alma e aniquila o mal que cimentou dentro dela, análoga à que separa o trigo do joio, queimando a colheita indesejada, antes que ela possa sudir a Deus. Lucas 16, 19-31 oferece outro trampolim bíblico para Gregório propor a sua posição sobre o papel do fogo na purgação. Em primeiro lugar, ele argumenta que a parábola do homem rico e Lázaro não pode ser entendida literalmente, já que ambos os corpos estão no túmulo, e suas almas desencarnadas. Macrina, diz, “é impossível fazer a estrutura da narrativa correspondendo com a verdade, se entendermos ela literalmente.” [44] Por exemplo, o abismo ou fosso existente entre o homem rico e Lázaro não é um abismo físico na Terra, porque “poderia ser atravessado sem dificuldades por uma inteligência desencarnada; pois a inteligência não pode, em momento algum, estar onde quer que esteja.” [45] Continuando sua dialética, ela favorece a exegese alegórica, “nós podemos fazer isso apenas por traduzir cada detalhe em um equivalente no mundo de ideias.” [46] Interpretações do abismo entre o homem rico e Lázaro, no seio de Abraão, e fogo e chama segue. O abismo não é físico, mas sim “aquilo que separa as ideias que não podem ser confundidas de correr lado a lado”. [47] “Este é o ‘abismo’; que não é feito pela divisão da terra, mas por aquelas decisões nesta vida que resultam em uma separação de caracteres opostos”. [48] Os personagens opostos que Macrina está aludindo são os “bons” e os “maus”. O Bem e o Mal não podem coexistir na vida após a morte e, portanto, devem permanecer separados. Lázaro é uma metáfora para o “Bem”, pois ele é livremente desfrutando do paraíso e é separado do homem rico, “mal”, cujo destino era diferente. O homem rico trouxe sofrimento a si mesmo, “agindo livremente por um impulso voluntário, abandonou o destino que estava sem mistura com o mal, chamou para si uma mistura do oposto.” [49] Além disso: “O homem que uma vez escolheu o prazer nesta vida, e não curou a sua desconsideração pelo arrependimento, coloca a terra do bem além de seu próprio alcance; pois ele cavou contra si mesmo o abismo intransponível escancarado de uma necessidade que nada pode romper.” [50] A terra além do alcance do homem rico é o seio de Abraão, o lugar onde o mal não existe e onde a alma é continuamente atraída para a beleza infinita. É onde a alma goza de bênçãos imensuráveis, e “um lugar em que todos os viajantes virtuosos desta vida estão, quando eles partem daqui, indo ancorar no porto sem ondas desse abismo de bençãos.” [51] O fogo do inferno está em oposição direta ao seio de Abraão. Enquanto o pobre homem está intensivamente desfrutando de bênçãos imensuráveis, o homem rico está em agonia absoluta das chamas que queimam sua alma e infligem-lhe uma profunda sede de uma única gota do oceano da benção [52]. O fogo que purifica a alma é um prelúdio para a analogia do teste de ouro que Macrina vai empregar mais tarde, em De anima et resurrectione como uma imagem vívida, como mostrado acima, para descrever a purgação da alma do mal. O Inferno, na mente de Gregório de Nissa, é “uma determinada situação invisível e imaterial em que reside alma”. [53] Uma das principais diferenças entre o homem rico e Lázaro [54] em Lucas 16, 19-31 foi o seu apego a esta vida. O homem rico, de acordo com Macrina, “ainda não foi liberto deste sentimento carnal”, ao qual a parábola aludiu quando ele suplicou “que sua tribo podesse ser dispensada de seu sofrimento” [55] A consequência deste apego desordenado é um tormento. “Quando a alteração é feita no impalpável invisível, nem mesmo assim será possível para os amantes da carne evitarem ser arrastados com eles em qualquer circunstância, alguma impureza carnal; e, assim, seus tormentos serão intensificadas, a sua alma tendo sido materializada por tal ambiente.” [56] A alma traz sobre si esse estado agonizante de limpeza: “Porque, se alguém torna-se total e completamente carnal no pensamento, tal pessoa [sic], com cada movimento e energia da alma absorvida em desejos carnais, não está separado de tais acessórios, mesmo no estado desencarnado.” [57] A terceira referência bíblica para o papel do fogo na purificação da alma é a imagem intensa de refino de ouro. Zacarias faz uso dela: “Mas farei passar este terço pelo fogo; purificá-lo-ei como se purifica a prata, prová-lo-ei como se prova o ouro. Então ele invocará o meu nome, eu o ouvirei, e direi: Este é o meu povo; e ele responderá: O Senhor é o meu Deus.” (Zacarias 13, 9). Embora nem Gregório nem Macrina refiram-se a esta passagem bíblica de forma explícita, a conexão entre purgar a alma e a imagem de purificar o ouro é aparente. Isaías emprega imagens semelhantes: “Voltarei minha mão contra ti, e te purificarei no crisol, e eliminarei de ti todo o chumbo.” (Isaías 1, 25), e “Passei-te no cadinho como a prata, provei-te ao crisol da tribulação.” (Isaías 48, 10). Estas imagens bíblicas e outras [60] corroboram a forma de Gergório de Nissa em apresentar sua noção de purgação; “Enquanto o mal está sendo consumido no fogo purificador, a alma que é soldada a este mal tem de estar inevitavelmente no fogo também, até que a liga de material espúrio seja consumida e aniquilada por este fogo.” [61] Ações jurídicas de Deus e os tormentos que a alma permanece, como ilustrados por Macrina, também têm fundamento bíblico. Macrina invoca Lucas 7, 41-43, sem citá-lo para argumentar que “o juízo de Deus chega para todos” [62] e que cada pessoa deve pagar ao devedor de acordo com o tamanho da dívida. Cada um vai para o Tribunal Celestial. A sentença do tormento que cada alma tem de suportar corresponde ao mal ligado a ela. Macrina também invoca Mateus 18, 21-35 para demonstrar que a alma deve sofrer, uma vez que o mal está ligado a ela. “O homem endividado foi entregue aos verdugos, até que pagasse toda a dívida.” [63] Gregório, utilizando sua irmã Macrina como sua bússola teológica, engenhosamente se baseia em textos bíblicos para descrever O fogo de purgação. As parábolas do Novo Testamento sobre o trigo e o joio, do homem rico e Lázaro e as imagens do Antigo Testamento que ele empregou do ponto de teste de ouro para a mesma explicação: o mal, o produto do livre arbítrio, deve ser aniquilados da alma a qual ele é cimentado antes do ser humano ser restaurado de corpo e alma ao seu estado original perfeito preparado para essa pessoa antes da fundação do mundo. CONCLUSÃO Em seu De anima et resurrectione, Gregório de Nissa enfrentou a realidade da morte, o maior inimigo dos seres humanos. A escatologia foi o seu foco pois é natural querer saber o que espera a alma de seus entes queridos, uma vez que não estão mais vivos. Por um lado, os Santos vão desfrutar da bem-aventurança eterna, pois suas almas vão subir livres e desimpedidas para o céu. Por outro lado, um fogo purificador aguarda as almas pecadoras pois elas estão viciadoas com o mal. O uso do fogo purificador na exposição de Gregório é biblicamente fundada. Além disso, ao contrário do fogo que consome tudo o que vem no caminho, O Fogo de purgação cura e recupera a alma do mal que se misturou com ela. O Médico Celestial administra a cura exigida e necessária para a alma malfeitora. Merecedora como ela pode ser, Deus, não infligir punição sobre esta alma pecadora. Em vez disso, ela mesma é a autora de sua dor excruciante por sua ligação contínua a esta vida física. A intensidade e a “duração” do sofrimento depende da ligação da alma ao mal. Como é que a verdadeira cura ocorre? O leitor de De anima e resurrectione fica se perguntando. NOTAS [1] Edward Fudge, The Fire That Consumes: A Biblical and Historical Study of the Doctrine of Final Punishment, (Eugene, OR: Cascade Books, 2011). [2] Catecismo da Igreja Católica Parágrafos 1033-1037, 292-293. [3] Catecismo da Igreja católica Parágrafos 1030-1032, 291. [4] A. Mouhanna lista Orígenes, Gregório, o Grande, Gregório de Nazianzo, São Jerônimo, Santo Efrém, Gregório de Nissa como teólogos que adotaram o ensino de salvação universal. Veja A. Mouhanna, “La Conception du Salut Universel Selon Saint Gregoire de Nysse”, em Weg em Die Zukunft: Festschrift Für Prof. DDr. Anton Antweiler Zu seinem 75. Geburtstag, ed. Adel-Theodor Khoury e Margot Wiegels, estudos em história das religiões, suplementos para Numen v 32. (Leiden: Brill, 1975), 135-136. [5] Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” em Nicene and Post-Nicene Fathers – Gregório de Nissa: Dogmatic Treatises, Etc., ed. Philip Schaff and Henry Wace, vol. v, Second Series (Peabody, MA: Hendrickson Publishers, 1995), 430-648. [6] Sobre Basílio o Grande, ver Philip Rousseau, Basil of Caesarea (Berkley and Los Angeles, CA: University of California Press, 1998). [7] Gregório escreveu uma carta dirigida ao monge Olympius que tinha estado com ele no Concílio de Antioquia (341 d.C). Nesta carta, ele escreve sobre a vida de sua irmã Macrina. Para ler sobre essa mulher influente, veja The Life of St. Macrina, trans. WK Lowther Clarke, clássicos da Igreja primitiva (Londres: Sociedade para promover o conhecimento cristão, 1916). [8] Ver J. Warren Smith, “Macrina, Tamer of Horses and Healer of Souls: Grief and the Therapy of Hope in Gregório de Nissa’s De anima et resurrectione,” The Journal of Theological Studies 52, no. 1 (2001): 37 -60. [9] Para um breve levantamento do uso da palavra grega ἀποκατάστασις ver Morwenna Ludlow, Universal Salvation: Escatologia no Pensamento de Gregório de Nissa e Karl Rahner, monografias teológicas Oxford (Oxford [Inglaterra]; New York: Oxford University Press, 2000), 38-44. 10 Para o conceito de restauração de Gregório de Nissa a um estado perfeito ver Ludlow, Universal Salvation, 45-76. 11 Será que Gregório de Nissa compromete-se totalmente à salvação universal? A. Mouhanna citando Jean Daniélou escreve: “Nonobstant les nombreux témoignages en faveur d’un salut universel, Daniélou pense néanmoins trouver quelques hesitações chez Grégoire. ‘Sa pensée l’à-dessus, dit-il, est flottante. D’une parte il affirme éternel un enfer, de l’autre il lui semble difficile que le mal dure toujours “. Quelques lignes mais loin Daniélou affirme that Grégoire» colocam la possibilité d’une distinção between une éternité heureuse et une éternité malheureuse, et d’une restauração de l’humanité à sa condição première that n’entraîne pas la béatitude de tous les hommes ‘. …” Ver A. Mouhanna, “La Conception du Salut Universel Selon Saint Gregoire de Nysse”, em Weg em Die Zukunft: Festschrift Für Prof. DDr. Anton Antweiler Zu seinem 75. Geburtstag, ed. Adel Théodore Khoury e Margot Wiegels, estudos em história das religiões, suplementos para Numen v 32. (Leiden: Brill, 1975), 141. Mouhanna não concorda com a avaliação de Daniélou e refuta os argumentos ponto por ponto. Jean Daniélou, “L’apocatastase Chez Saint Gregoire de Nysse,” Recherches de Ciência Religieuse 30, não. 3 (Juillet 1940). 12 Sobre a Natureza das Paixões nos ensinamento de Gregório ver J. Warren Smith, Passion and Paradise: Human and Divine Emotion in the Thought of Gregório de Nissa (New York: Crossroad Pub. Co, 2004), 75-103. 13 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 448. 14 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 448. 15 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 448. 16 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 448-449. 17 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 449. 18 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 451. 19 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 451. 20 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 451. 21 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 451. 22 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 451. 23 “O forte liame existente entre a alma e o mal leva à seguinte consequência: a incisão da verruga causa uma sensação dolorosa na pele, porque o que se inseriu na natureza contra a própria natureza adere à substância por uma espécie de simpatia, e se produz uma mistura inesperada do elemento estranho com o nosso próprio ser, de modo que a separação do que é contra a natureza produz uma aguda sensação de dor; pois assim também, quando a alma se extenua e se consome entre as repreensões que merece seu pecado, como se expressa uma passagem da profecia, por causa da união profunda que a une ao mal, necessariamente se acompanham de sofrimentos indizíveis e inexprimíveis, cuja descrição é tão impossível como a da natureza dos bens que esperamos..” (Gregório de Nissa, A Grade Catequese, VIII, 12) 24 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 451. 25 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 465. 26 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 465. 27 1 Coríntios 15, 28. 28 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 459. 29 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 465. 30 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 451. 31 Sobre a Influência da Filosofia Grega sobre Gregório ver Michel René Barnes, “Eunomius of Cyzicus and Gregório de Nissa: Two Traditions of Transcendent Causality,” Vigiliae Christianae 52, no. 1 (1998): 59-87; Ilaria L. E. Ramelli, “Christian Soteriology and Christian Platonism: Origen, Gregório de Nissa, and the Biblical and Philosophical Basis of the Doctrine of Apokatastasis,” Vigiliae Christianae 61, no. 3 (2007): 313-356. 32 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 439. 33 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 442. 34 Sobre o fundamento bíblico deἀποκατάστασις em Gregório de Nissa ver Ilaria L. E. Ramelli, “Christian Soteriology  and Christian Platonism,” 314-338. 35 Para o conceito de restauração a um estado perfeito de Gregório de Nissa concept ver Ludlow, Universal Salvation, 45-76. 36 Mateus 13, 24-30; Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 442-443. 37 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 442. 38 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 443. 39 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 443. 40 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 442. 41 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 440. 42 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 440. 43 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 450. 44 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 447. 45 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 447. 46 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 447. 47 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 447. 48 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 447. 49 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 447. 50 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 447. 51 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 447. 52 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 447. 53 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 448. 54 Ver Abaixo. 55 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 448. 56 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 448. 57 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 448. 58 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 448. 59 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 448. 60 Malaquias 3, 2; Jeremias 6, 29. 61 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 451. 62 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 452. 63 Gregório de Nissa, “Sobre a Alma e a Ressurreição,” 452. BIBLIOGRAFIA 1. Barnes, Michel René. “Eunomius of Cyzicus and Gregório de Nissa: Two Traditions of Transcendent Causality.” Vigiliae Christianae 52, no. 1 (1998): 59-87. 2. Daniélou, Jean. “L’apocatastase Chez Saint Grégoire de Nysse.” Recherches de Science Religieuse 30 (1940). 3. Daniélou, Jean. L’être et le temps chez Grégoire de Nysse. Leiden: Brill, 1970. 4. Fudge, Edward. The Fire That Consumes: A Biblical and Historical Study of the Doctrine of Final Punishment. Eugene, OR: Cascade Books, 2011. 5. Gregório de Nissa. The Life of St. Macrina. Translated by W. K. Lowther Clarke. Early church classics. London: Society for Promoting Christian Knowledge, 1916. 6. Gregório de Nissa. “Contra Eunomio.” In Nicene and Post-Nicene Fathers – Gregório de Nissa: Dogmatic Treatises, Etc., edited by Philip Schaff and Henry Wace, v:33-248. Second Series. Peabody, MA: Hendrickson Publishers, 1995. 7. Gregório de Nissa. “Sobre a Alma e a Ressurreição.” In Nicene and Post-Nicene Fathers – Gregório de Nissa: Dogmatic Treatises, Etc., edited by Philip Schaff and Henry Wace, v:430-648. Second Series. Peabody, MA: Hendrickson Publishers, 1995. 8. Gregório de Nissa. “On Infants’ Early Deaths.” In Nicene and Post-Nicene Fathers – Gregório de Nissa: Dogmatic Treatises, Etc., edited by Philip Schaff and Henry Wace, v:372-381. Second Series. Peabody, MA: Hendrickson Publishers, 1995. 9. Gregório de Nissa. “The Great Catechism.” In Nicene and Post-Nicene Fathers – Gregório de Nissa: Dogmatic Treatises, Etc., edited by Philip Schaff and Henry Wace, v:473-509. Second Series. Peabody, MA: Hendrickson Publishers, 1995. 10. Harmon, Steven R. “The Subjection of All Things in Christ: The Christocentric Universalism of Gregório de Nissa.” In “All Shall Be Well”: Explorations in Universalism and Christian Theology from Origen to Moltmann, edited by Gregory MacDonald, 47-65. Eugene, OR: Cascade Books, 2011. 11. Mouhanna, A. “La Conception du Salut Universel Selon Saint Grégoire de Nysse.” In Weg in Die Zukunft: Festschrift Für Prof. DDr. Anton Antweiler Zu Seinem 75. Geburtstag, edited by Adel Théodore Khoury and Margot Wiegels, 135-154. Studies in the history of religions, supplements to Numen v. 32. Leiden: Brill, 1975. 12. Ludlow, Morwenna. Universal Salvation: Eschatology in the Thought of Gregório de Nissa and Karl Rahner. Oxford theological monographs. Oxford [England] ; New York: Oxford University Press, 2000. 13. Church, Catholic. Catechism of the Catholic Church: Second Edition. Random House Digital, Inc., 2003. 14. Ramelli, Ilaria L. E. “Christian Soteriology and Christian Platonism: Origen, Gregório de Nissa, and the Biblical and Philosophical Basis of the Doctrine of Apokatastasis.” Vigiliae Christianae 61, no. 3 (2007): 313-356. 15. Rousseau, Philip. Basil of Caesarea. Berkley and Los Angeles, CA: University of California Press, 1998. 16. Smith, J. Warren. “Macrina, Tamer of Horses and Healer of Souls: Grief and the Therapy of Hope in Gregório de Nissa’s De anima et resurrectione,” The Journal of Theological Studies 52, no. 1 (2001): 37 -60. 17. Smith, J. Warren. Passion and Paradise: Human and Divine Emotion in the Thought of Gregório de Nissa. New York: Crossroad Pub. Co, 2004. 18. Wessel, Susan. “Memory and Individuality in Gregório de Nissa’s Dialogus de anima et resurrectione.”  Journal of Early Christian Studies 18, no. 3 (2010): 369-392. PARA CITAR FEGHALI, Fr. Paul. O Fogo de Purgação na obra ‘De anima et resurrectione’ de São Gregório de Nissa. Tradução: Rafael Rodrigues.

  • Expor os erros da CNBB não significa atacar a Igreja – o silêncio não é a resposta

    QUANDO O SILÊNCIO NÃO É A RESPOSTA Em meio as discussões e disputas ocasionadas pelas denúncias de graves erros doutrinários, abusos litúrgicos e instrumentalização da Igreja para a promoção de uma agenda esquerdista por parte da CNBB, surgem muitos sofismas e ideias equivocadas, especialmente por quem se esforçava para defender o indefensável ou silenciar os denunciantes. Algumas verdades precisam ficar bem claras: 01 – AS GRAVES DENÚNCIAS FORAM FEITAS COM BASE EM FATOS E PODEM SER COMPROVADAS COM FARTA DOCUMENTAÇÃO Muitos tentaram desqualificar as denúncias dizendo que se tratavam de fofocas, mal-entendidos, meias verdades ou mesmo mentiras, quando na realidade se tratam de fatos que podem ser demostrados de maneira clara e inequívoca. 02 – EXPOR OS ERROS DA CNBB NÃO SIGNIFICA ATACAR A IGREJA Não se pode simplesmente identificar a Igreja com a CNBB, do contrário teríamos que aceitar que a Igreja Católica mudou sua doutrina, ou, o que é pior, que está fadada ao erro no tocante ao seu ensinamento de fé e moral; pois há uma clara discrepância entre a doutrina da Igreja Católica e o que ensina a CNBB. Podemos usar o exemplo dos temas amplamente abordados na Campanha da Fraternidade de 2018: – A Igreja Católica ensina que a legítima defesa é um direito e até mesmo um dever, podendo-se fazer uso das armas para repelir o agressor; mas a CNBB é contra o direito do cidadão de bem possuir armas e está militando pelo desarmamento; – A moral católica ensina que os criminosos devem ser impedidos de continuar atuando e serem separados do convívio social; enquanto as cartilhas da CNBB ensinam que prisão não resolve, defendendo uma política de desencarceramento; – A Igreja Católica condena o socialismo, mostrando ser este incompatível com a fé cristã; enquanto a CNBB pauta boa parte de sua visão de sociedade em uma perspectiva socialista; Leia também LGBTQI+ no texto-base da Campanha da Fraternidade 2021? Assista a denúncia. – A Igreja Católica defende a propriedade privada e condena a invasão das mesmas; enquanto a CNBB incentiva a invasão de terras e financia o MST e outros movimentos revolucionários que promovem invasões e depredações; – A Igreja Católica na defesa da família combate vigorosamente a ideologia de gênero; enquanto a CNBB em suas cartilhas utiliza a terminologia dos ideólogos de gênero. Por essas e muitas outras é que não se pode de modo simplista identificar a Igreja Católica com a CNBB, a doutrina católica e o ensinamento da CNBB. 03 – A IGREJA CATÓLICA É NOSSA MÃE E MESTRA E NÃO A CNBB Embora sejam estruturas legais e previstas no Direito Canônico, as Conferências Episcopais não fazem parte da hierarquia da Igreja Católica, de modo que suas iniciativas, doutrinas ou declarações não obrigam nem o clero nem os fiéis, salvo naquilo que é previsto pelo próprio direito ou determinado pela Santa Sé. Portanto, não se pode dar à Conferência Episcopal o mesmo status e função que tem a Igreja mesma. Neste sentido podemos afirmar que somos filhos da Igreja e não da CNBB. Leia também Omissão criminosa e indignação superficial 04 – A EXPOSIÇÃO DAS GRAVES MAZELAS PROTAGONIZADAS PELA CNBB, PRECISAVAM SER PÚBLICAS, UMA VEZ QUE FORAM FEITAS PUBLICAMENTE E INDUZIRAM AO ERRO E A CONFUSÃO MUITÍSSIMOS FIÉIS Alguns levados por um entendimento equivocado de prudência e caridade, afirmaram que mesmo que houvessem erros, estes deveriam ser tratados de modo privado com as autoridades e não veiculados publicamente nas redes sociais, para que não se expusesse e escandalizasse a Igreja… Desta forma, os cometedores dos abusos e mesmo as graves faltas não ficariam expostas (como tem acontecido a décadas) e o povo continuaria sendo enganado, levado a pensar que a Igreja estava “mudando”, propondo uma nova doutrina aos fiéis que permaneciam a mercê da heterodoxia de muitos de seus pastores. Quem é que pode explicar essa loucura??? Será possível que tais pessoas não compreendem que o que está em questão é a credibilidade da verdadeira Igreja e o bem e a salvação de muitas almas? O erro publicamente feito deve ser publicamente corrigido quando põe em risco a compreensão e a vivência da verdadeira doutrina e a fé dos fiéis, especialmente dos mais simples. 05 – DIANTE DO GRAVE ATAQUE A FÉ E DA INSTRUMENTALIZAÇÃO DA IGREJA PARA FINS ALHEIOS A SUA NATUREZA, O SILÊNCIO NÃO APENAS DEIXA DE SER VIRTUOSO, MAS SE TORNA DANOSO A proposição do silêncio para não se faltar o respeito as autoridades constituídas ou mesmo para preservar o recolhimento quaresmal, não é oportuno na presente circunstância de deturpação da fé e do ensinamento da Igreja. É preciso expor o erro para que aqueles que querem seguir a doutrina da Igreja tenham consciência que muitos ensinamentos da CNBB não corresponde ao que a Igreja sempre ensinou e assim sejam cobradas as devidas respostas das competentes autoridades. Leia também SOBRE A QUEDA DOS CATÓLICOS NO BRASIL Podemos fazer silêncio de nossas vontades próprias, murmurações ou daquilo que se refere a nossa vida pessoal, mas não é conforme a caridade silenciarmos quando a fé de tantos está em jogo. Todos os fiéis, incluindo sacerdotes e bispos, têm o dever de defender a fé diante das ameaças e de cobrar providências das autoridades. O voto de obediência que fazem os clérigos não implica em fazer silêncio diante de graves desvios doutrinários e abusos que se cometam contra a fé e que podem levar à confusão os fiéis. Expor erros, ainda que cometidos pelos superiores hierárquicos, não é faltar-lhes o respeito, do contrário São Paulo não teria corrigido publicamente seu superior, e muitos santos não teriam feito o mesmo no decorrer da longa história da Igreja. Deve-se supor que agiram motivados por verdadeiro zelo e caridade. Quem poderia dizer o contrário? Às vezes é necessária mais humildade para suportar as incompreensões e injustas acusações do que para silenciar-se diante de determinados problemas e assim não ser alvo das represálias das autoridades que se sentem atingidas. 06 – OS QUE EXPUSERAM AS GRAVES DENÚNCIAS NÃO O FIZERAM PARA “VER O CIRCO PEGANDO FOGO”, MAS POR AMOR A IGREJA E POR ZÊLO PARA COM A VERDADE É temeraria e injusta a acusação de que os que fizeram as graves denúncias sejam agitadores, rebeldes e insolentes, que não têm respeito as autoridades e querem promover divisão na Igreja. Se trata de pessoas sérias, que amam a Santa Igreja de Deus e estão desejosas de que os católicos sejam formados na sã doutrina e vejam celebrados com dignidade e respeito os Sagrados Mistérios de nossa fé. São jovens e adultos, pais e mães, leigos e sacerdotes que simplesmente desejam ver o rebanho de Deus ser conduzido na verdade e na santidade em meio a este mundo conturbado, até alcançar a Pátria Eterna. Não se quer faltar a reverência, ao respeito e muito menos à obediência devidos a legítima autoridade. Nem se quer que as autoridades faltem o respeito com os fiéis negando-lhes as justas explicações e a realização das devidas correções. Leia também PT E CRISTIANISMO: CASAMENTO IMPOSSÍVEL Tudo o que se deseja é que os erros sejam efetivamente corrigidos, e as ovelhas caminhem na verdade com seus pastores. Devemos sim rezar muito para que tudo se conduza conforme a vontade de Deus e para que não se falte com a verdade nem com a caridade. Para que o profetismo não seja sufocado pelo silêncio inoportuno e por fim tudo concorra para o crescimento de todos, para a glória de Deus e o bem e salvação das almas. Equipe Templário de Maria Leia também BISPO CATÓLICO EXPLICANDO QUE CARNAVAL NÃO É DE DEUS E QUE “HOMENAGEM” A NOSSA SENHORA FOI UMA PROFANAÇÃO #CNBB #SínododaAmazônia #AbusosLitúrgicos #Liturgia #Crisenaigreja #IgrejaCatólica

  • Expor os erros da CNBB não significa atacar a Igreja – o silêncio não é a resposta

    QUANDO O SILÊNCIO NÃO É A RESPOSTA Em meio as discussões e disputas ocasionadas pelas denúncias de graves erros doutrinários, abusos litúrgicos e instrumentalização da Igreja para a promoção de uma agenda esquerdista por parte da CNBB, surgem muitos sofismas e ideias equivocadas, especialmente por quem se esforçava para defender o indefensável ou silenciar os denunciantes. Algumas verdades precisam ficar bem claras: 01 – AS GRAVES DENÚNCIAS FORAM FEITAS COM BASE EM FATOS E PODEM SER COMPROVADAS COM FARTA DOCUMENTAÇÃO Muitos tentaram desqualificar as denúncias dizendo que se tratavam de fofocas, mal-entendidos, meias verdades ou mesmo mentiras, quando na realidade se tratam de fatos que podem ser demostrados de maneira clara e inequívoca. 02 – EXPOR OS ERROS DA CNBB NÃO SIGNIFICA ATACAR A IGREJA Não se pode simplesmente identificar a Igreja com a CNBB, do contrário teríamos que aceitar que a Igreja Católica mudou sua doutrina, ou, o que é pior, que está fadada ao erro no tocante ao seu ensinamento de fé e moral; pois há uma clara discrepância entre a doutrina da Igreja Católica e o que ensina a CNBB. Podemos usar o exemplo dos temas amplamente abordados na Campanha da Fraternidade de 2018: – A Igreja Católica ensina que a legítima defesa é um direito e até mesmo um dever, podendo-se fazer uso das armas para repelir o agressor; mas a CNBB é contra o direito do cidadão de bem possuir armas e está militando pelo desarmamento; – A moral católica ensina que os criminosos devem ser impedidos de continuar atuando e serem separados do convívio social; enquanto as cartilhas da CNBB ensinam que prisão não resolve, defendendo uma política de desencarceramento; – A Igreja Católica condena o socialismo, mostrando ser este incompatível com a fé cristã; enquanto a CNBB pauta boa parte de sua visão de sociedade em uma perspectiva socialista; Leia também LGBTQI+ no texto-base da Campanha da Fraternidade 2021? Assista a denúncia. – A Igreja Católica defende a propriedade privada e condena a invasão das mesmas; enquanto a CNBB incentiva a invasão de terras e financia o MST e outros movimentos revolucionários que promovem invasões e depredações; – A Igreja Católica na defesa da família combate vigorosamente a ideologia de gênero; enquanto a CNBB em suas cartilhas utiliza a terminologia dos ideólogos de gênero. Por essas e muitas outras é que não se pode de modo simplista identificar a Igreja Católica com a CNBB, a doutrina católica e o ensinamento da CNBB. 03 – A IGREJA CATÓLICA É NOSSA MÃE E MESTRA E NÃO A CNBB Embora sejam estruturas legais e previstas no Direito Canônico, as Conferências Episcopais não fazem parte da hierarquia da Igreja Católica, de modo que suas iniciativas, doutrinas ou declarações não obrigam nem o clero nem os fiéis, salvo naquilo que é previsto pelo próprio direito ou determinado pela Santa Sé. Portanto, não se pode dar à Conferência Episcopal o mesmo status e função que tem a Igreja mesma. Neste sentido podemos afirmar que somos filhos da Igreja e não da CNBB. Leia também Omissão criminosa e indignação superficial 04 – A EXPOSIÇÃO DAS GRAVES MAZELAS PROTAGONIZADAS PELA CNBB, PRECISAVAM SER PÚBLICAS, UMA VEZ QUE FORAM FEITAS PUBLICAMENTE E INDUZIRAM AO ERRO E A CONFUSÃO MUITÍSSIMOS FIÉIS Alguns levados por um entendimento equivocado de prudência e caridade, afirmaram que mesmo que houvessem erros, estes deveriam ser tratados de modo privado com as autoridades e não veiculados publicamente nas redes sociais, para que não se expusesse e escandalizasse a Igreja… Desta forma, os cometedores dos abusos e mesmo as graves faltas não ficariam expostas (como tem acontecido a décadas) e o povo continuaria sendo enganado, levado a pensar que a Igreja estava “mudando”, propondo uma nova doutrina aos fiéis que permaneciam a mercê da heterodoxia de muitos de seus pastores. Quem é que pode explicar essa loucura??? Será possível que tais pessoas não compreendem que o que está em questão é a credibilidade da verdadeira Igreja e o bem e a salvação de muitas almas? O erro publicamente feito deve ser publicamente corrigido quando põe em risco a compreensão e a vivência da verdadeira doutrina e a fé dos fiéis, especialmente dos mais simples. 05 – DIANTE DO GRAVE ATAQUE A FÉ E DA INSTRUMENTALIZAÇÃO DA IGREJA PARA FINS ALHEIOS A SUA NATUREZA, O SILÊNCIO NÃO APENAS DEIXA DE SER VIRTUOSO, MAS SE TORNA DANOSO A proposição do silêncio para não se faltar o respeito as autoridades constituídas ou mesmo para preservar o recolhimento quaresmal, não é oportuno na presente circunstância de deturpação da fé e do ensinamento da Igreja. É preciso expor o erro para que aqueles que querem seguir a doutrina da Igreja tenham consciência que muitos ensinamentos da CNBB não corresponde ao que a Igreja sempre ensinou e assim sejam cobradas as devidas respostas das competentes autoridades. Leia também SOBRE A QUEDA DOS CATÓLICOS NO BRASIL Podemos fazer silêncio de nossas vontades próprias, murmurações ou daquilo que se refere a nossa vida pessoal, mas não é conforme a caridade silenciarmos quando a fé de tantos está em jogo. Todos os fiéis, incluindo sacerdotes e bispos, têm o dever de defender a fé diante das ameaças e de cobrar providências das autoridades. O voto de obediência que fazem os clérigos não implica em fazer silêncio diante de graves desvios doutrinários e abusos que se cometam contra a fé e que podem levar à confusão os fiéis. Expor erros, ainda que cometidos pelos superiores hierárquicos, não é faltar-lhes o respeito, do contrário São Paulo não teria corrigido publicamente seu superior, e muitos santos não teriam feito o mesmo no decorrer da longa história da Igreja. Deve-se supor que agiram motivados por verdadeiro zelo e caridade. Quem poderia dizer o contrário? Às vezes é necessária mais humildade para suportar as incompreensões e injustas acusações do que para silenciar-se diante de determinados problemas e assim não ser alvo das represálias das autoridades que se sentem atingidas. 06 – OS QUE EXPUSERAM AS GRAVES DENÚNCIAS NÃO O FIZERAM PARA “VER O CIRCO PEGANDO FOGO”, MAS POR AMOR A IGREJA E POR ZÊLO PARA COM A VERDADE É temeraria e injusta a acusação de que os que fizeram as graves denúncias sejam agitadores, rebeldes e insolentes, que não têm respeito as autoridades e querem promover divisão na Igreja. Se trata de pessoas sérias, que amam a Santa Igreja de Deus e estão desejosas de que os católicos sejam formados na sã doutrina e vejam celebrados com dignidade e respeito os Sagrados Mistérios de nossa fé. São jovens e adultos, pais e mães, leigos e sacerdotes que simplesmente desejam ver o rebanho de Deus ser conduzido na verdade e na santidade em meio a este mundo conturbado, até alcançar a Pátria Eterna. Não se quer faltar a reverência, ao respeito e muito menos à obediência devidos a legítima autoridade. Nem se quer que as autoridades faltem o respeito com os fiéis negando-lhes as justas explicações e a realização das devidas correções. Leia também PT E CRISTIANISMO: CASAMENTO IMPOSSÍVEL Tudo o que se deseja é que os erros sejam efetivamente corrigidos, e as ovelhas caminhem na verdade com seus pastores. Devemos sim rezar muito para que tudo se conduza conforme a vontade de Deus e para que não se falte com a verdade nem com a caridade. Para que o profetismo não seja sufocado pelo silêncio inoportuno e por fim tudo concorra para o crescimento de todos, para a glória de Deus e o bem e salvação das almas. Equipe Templário de Maria Leia também BISPO CATÓLICO EXPLICANDO QUE CARNAVAL NÃO É DE DEUS E QUE “HOMENAGEM” A NOSSA SENHORA FOI UMA PROFANAÇÃO #CNBB #SínododaAmazônia #AbusosLitúrgicos #Liturgia #Crisenaigreja #IgrejaCatólica

  • A Carta em resposta de São Jerônimo a um inimigo das relíquias dos santos

    A resposta de Jerônimo a Vigilâncio – condensada em uma de suas epístolas [3] – é dura e incisiva, e pode até mesmo chocar os ouvidos mais frágeis. Poucos textos, porém, são tão claros e contundentes na exposição da doutrina católica a respeito da veneração aos santos. Carta 109 (53) “Acceptis primum”,a Ripário, presbítero de Aquitânia, c. ano 404  Informado de que Vigilâncio condenava tanto a veneração às relíquias dos mártires quanto as vigílias feitas diante de seus sepulcros, São Jerônimo como que trava combate nesta carta e se declara disposto a refutar estes erros, caso Ripário, seu destinatário, lhe envie os escritos de Vigilâncio. 1. Tendo recebido tuas cartas, <ó Ripário>, julgo que não as responder seria arrogância; e respondê-las, ao contrário, seria temeridade. Com efeito, as coisas que me perguntas não podem nem ouvir-se nem contar-se sem sacrilégio. Dizes, pois, que este tal Vigilâncio, a quem eu, com mais propriedade, chamaria Dormitâncio [4], voltou a abrir a boca suja para exalar contra as relíquias dos santos mártires o seu terrível mau cheiro: julgando-nos adoradores de ossos, ele nos chama cinerários [5] e idólatras. Oh! homem infeliz e digno de pena, que, ao dizer tais coisas, não percebe ser mais um samaritano e judeu, os quais, preferindo a letra que mata ao Espírito, que dá vida (cf. 2Cor 3, 6), consideram impuros não só os cadáveres, mas inclusive a mobília de suas casas. Nós, ao contrário, recusamo-nos a adorar, não digo nem as relíquias dos mártires, mas nem sequer o sol, a lua ou os anjos, sejam arcanjos, querubins ou serafins, nem nenhum nome que possa haver quer neste mundo, quer no futuro (cf. Ef 1, 21), pois não podemos servir mais às criaturas do que ao Criador, que é bendito pelos séculos (cf. Rm 1, 25). Veneramos, todavia, as relíquias dos mártires, a fim de adorarmos Aquele de quem eles são mártires; honramos, sim, os servos, para que a honra prestada a eles recaia sobre o seu Senhor, que diz: “Quem vos recebe, a Mim recebe” (Mt 10, 40). São, portanto, impuras as relíquias de Pedro e Paulo? Quer dizer então que o corpo de Moisés, sepultado, como lemos, pelo próprio Senhor (cf. Dt 34, 6), não passa de imundície? Sendo assim, todas as vezes que entramos nas basílicas dos apóstolos e profetas, como também nas de todos os mártires, são ídolos o que ali veneramos? As velas acesas diante de seus túmulos são, enfim, sinais de idolatria? Farei uma só pergunta mais, que há de ou curar ou ensandecer de vez a cabeça insana deste autor, a fim de que as almas simples não se percam por causa de tamanhos sacrilégios. Acaso era imundo também o corpo do Senhor enquanto esteve no sepulcro? Os anjos, portanto, com vestes resplandecentes, vigiavam aquele cadáver “sórdido” para que, séculos mais tardes, o delirante Dormitâncio vomitasse esta porquice e, assim como o perseguidor Juliano, destruísse nossas igrejas, ou mesmo as convertesse em templos ? 2. Surpreende-me que o santo bispo em cuja paróquia, pelo que dizem, é presbítero, concorde com esta loucura e nem com disciplina apostólica nem com disciplina férrea corrija esse vaso inútil “para a mortificação do seu corpo, a fim de que a sua alma seja salva” (1Cor 5, 5). Ele deveria lembrar-se do que dizem os Salmos: “Se vês um ladrão, te ajuntas a ele, e com adúlteros te associas” (Sl 49, 18); e noutra passagem: “Todos os dias extirparei da terra os ímpios, banindo da cidade do Senhor os que praticam o mal” (Sl 100, 8). E ainda: “Pois não hei de odiar, Senhor, os que vos odeiam? Os que se levantam contra vós, não hei de abominá-los? Eu os odeio com ódio mortal” (Sl 138, 21-22). Ora, se não se devem honrar as relíquias dos mártires, como então lemos: “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos” (Sl 115, 6 [15])? Se, pois, os ossos tornam impuros os que os tocam, como o cadáver de Eliseu, que, segundo Vigilâncio, jazia imundo na sepultura, pôde trazer à vida outro corpo morto (cf. 2Rs 13, 21)? Logo, foram impuros todos os arraiais do exército de Israel e o próprio povo de Deus, já que, levando consigo pelo deserto os corpos de José e dos patriarcas, trouxeram à Terra Santa as cinzas dos mortos? Também José, deste modo, foi profanado, ele que, com grande pompa e cortejo, partira com a ossada de Jacó em direção a Hebron, unicamente para reunir os restos imundos de seus parentes, juntando um morto aos outros? Oh! deveriam os médicos cortar esta língua e pôr sob tratamento esta insanidade. Se ele [sc. Vigilâncio] não sabe falar, que aprenda ao menos a calar-se. Eu mesmo já tive ocasião de ver outrora este monstro e, servindo-me dos textos da Escritura como das amarras de Hipócrates, tentei conter o seu furor; mas ele, tomando o seu partido, preferiu fugir e refugiar-se entre as vagas do Adriático e os Alpes do rei Cócio [i. e. Alpes Cócios], donde pôde desfazer-se em injúrias contra nós. De fato, tudo quanto um tolo diz não é senão vociferação e barulho. 3. Tu talvez me repreendas em teu íntimo por haver-me dirigido nestes termos a quem não está presente para defender-se. Devo, contudo, confessar-te a minha dor. Não posso ouvir pacientemente tal sacrilégio. Eu li, pois, sobre a lança de Finéias (cf. Nm 25, 7); sobre a austeridade de Elias (cf. 1Rs 18, 40); sobre o zelo de Simão Cananeu; sobre a severidade de Pedro, a Ananias e Safira (cf. At 5, 5); sobre, enfim, a constância de Paulo, punindo com cegueira perpétua a Elimás, o Mago, que se opunha às vias do Senhor (cf. At 13, 8-11). Não há crueldade no ser temente a Deus. De fato, na própria Lei se diz: “Se o teu irmão, ou um teu amigo, ou a tua esposa te quiserem desviar da verdade, esteja a tua mão sobre eles, e tu lhes derramará o sangue, e tirarás o mal de Israel” (cf. Dt13, 6-9). Pois bem, <ó Vigilâncio>, são imundas as relíquias dos mártires? Por que então trataram os Apóstolos de enterrar com grande dignidade o corpo “imundo” de Estevão? Por que fizeram a seu respeito um grande pranto (cf. At 8, 2), a fim de que a sua lamentação se tornasse a nossa alegria? Ora, não fosse isso o bastante, tu [sc. Ripário] também me dizes que ele despreza as vigílias. E vai nisto contra o próprio nome, como se Vigilâncio quisesse antes dormir do que ouvir o Senhor, que diz: “Então não pudestes vigiar uma hora comigo… Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26, 40-41). E noutra passagem canta o profeta: “Em meio à noite levanto-me para vos louvar pelos vossos decretos cheios de justiça” (Sl 118, 62). Lemos também no Evangelho que o Senhor passava as noites orando a Deus (cf. Lc 6, 12) e que os Apóstolos, quando eram mantidos sob custódia, costumavam vigiar e entoar salmos a noite inteira, para que a terra estremecesse, o carcereiro se convertesse, o magistrado e a cidade se enchessem de horror (cf. At 16, 25-38). Paulo diz: “Sede perseverantes, sede vigilantes na oração” (Col 4, 2) e, noutro lugar, em “vigílias repetidas” (2Cor 11, 27). Que Vigilâncio durma, então, se assim lhe aprouver, e seja sufocado com os egípcios pelo exterminador do Egito (cf. Ex 11, 4-6). Nós, porém, digamos com Davi: “Não, não há de dormir, não há de adormecer o guarda de Israel” (Sl 120, 4), para que venha a nós o Santo Velador (cf. Dn 4, 10) [6]. Mas se porventura, devido aos nossos pecados, Ele adormecer, enquanto nossa barca se enche d’água, despertêmo-lO: “Levanta-Te, Senhor, como dormes?” e clamemos: “Senhor, salva-nos, nós perecemos” (Mt 8, 25). 4. Quisera eu poder escrever-te mais coisas, <ó Ripário>; os limites de uma simples carta, porém, impõe-nos a modéstia do silêncio. De resto, tivesses tu nos enviado os livros de suas cantilenas, saberíamos em detalhe a que objeções poderíamos responder. Por ora, apenas golpeamos o ar (cf. 1Cor 9, 26) e demos a conhecer não tanto a infidelidade dele, que é manifesta a todos, quanto a nossa própria fé. Mas se desejares que discorramos com mais vagar a este respeito, envia-nos as suas lamúrias e tolices, para que afinal dê ouvidos à pregação de João Batista: “O machado já está posto à raiz das árvores: toda árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo” (Mt 3, 10). Referências Cf. Catecismo de S. Pio X, n. 3: “Verdadeiro cristão é aquele que é batizado, crê e professa a doutrina cristã e obedece aos legítimos Pastores da Igreja.” De Martyrio Sancti Polycarpi, 18 (PG 5, 1043). O original dessa epístola de São Jerônimo a Ripário está no volume 22 da Patrologia Latina, 906-909. Um sarcástico jogo de palavras: Vigilâncio (Vigilantius), isto é, “aquele que está desperto”; Dormitâncio (Dormitantius), ou “o que dorme”. Assim eram pejorativamente chamados os cristãos dos primeiros séculos, por venerarem as cinzas e as relíquias de santos e mártires. No original, lê-se: “[…] ut ad nos veniat et air, qui interpretatur vigil.” Pode tratar-se de uma referência ao Espírito Santo. Os trechos precedente e seguinte, no entanto, dão a entender que é realmente de Nosso Senhor Jesus Cristo que São Jerônimo fala. Por: padrepauloricardo.org Fonte:m.franciscocatolico.com.br

  • Padres Apostólicos – Papias

    Pápias I-Vida Estamos frente a “uma das personagens mais misteriosa da antiguidade cristã. Pouquíssimo sabemos sobre ele, e as poucas notícias que temos dão lugar, por parte dos historiadores, à discussões intermináveis”. Pápias viveu, aproximadamente, entre os anos 70 a 140 d.C. Segundo os testemunhos que se têm, era bispo de Hierápolis, na Frígia, atual Pambukcallesi turca. Foi contemporâneo e amigo de Inácio de Antioquia e de Policarpo de Esmirna. Segundo Ireneu de Lião, teria sido discípulo do apóstolo João. Conforme Eusébio de Cesaréia, Pápias fora discípulo do “outro João”, o “presbítero” e não do apóstolo João (HE, III, 39,15ss). Ainda conforme Eusébio, Pápias era um pensador apenas medíocre, fraco e sustentava idéias judeu-cristãs e o qualifica de “homem de inteligência em extremo escassa, como o demonstram seus livros”. De fato, alguns dos fragmentos que restam de sua obra confirmam a pouca inteligência do autor. Afirmações exageradas atribuídas a Jesus muito próximas dos evangelhos apócrifos, sobre a fertilidade da terra, sobre o milênio do reino de Jesus, depois que a criação for renovada e libertada e a lendas referentes à morte de Judas. Seus fragmentos falam somente dos evangelhos de Mateus e Marcos. Nada dizem dos evangelhos de Lucas, das cartas de Paulo e do próprio Evangelho de João. INTRODUÇÃO Jerônimo, no De viris Illustribus 18, diz que “Pápias, discípulo de João, bispo de Herápolis, na Ásia”, não escreveu senão cinco volumes, que intitulou Explicações dos discursos do Senhor. Afirma, no prefácio, que não segue variedade de opiniões, mas procura a verdade na tradição oral vinda dos apóstolos e discípulos do Senhor, preferindo-a aos livros, pois é “palavra viva e permanente. II- Obras Pápias escreve, por volta do ano 130, uma obra me cinco volumes, intitulada: Explicações das sentenças do Senhor (Logion Kuriakôn Ecsegéseis). Baseado, principalmente, na tradição oral dos discípulos e apóstolos, Pápias apresenta uma coleção de ditos, sentenças e feitos de Jesus e de seus discípulos. Trata ainda da origem dos evangelhos de Mateus e de Marcos. Entre estas testemunhas, Pápias menciona Aristão, o “ancião” João e as filhas de Filipe. Destes cincos volumes, restam apenas 13 pequenos fragmentos, conservados nas obras de Ireneu de Lião e de Eusébio de Cesaréia. Mas, em vez de tradição genuína, Pápias parece ter, segundo Altaner, ‘apenas compilado, prevalentemente, escritos lendários e trechos de apocalipse judaico, tardios, oriundos do ambiente dos presbíteros da Ásia Menor”. Ao lado da defesa do milenarismo, esta ausência de sentido crítico na seleção e  interpretação das fontes, parece ter sido a razão do juízo severo de Eusébio sobre Pápias. Apesar destes pontos fracos, os fragmentos que restaram são de inestimável valor porque põem o leitor atual em contato com o ensino oral dos discípulos dos apóstolos.  Além disso, trata-se da primeira obra de exegese do Novo Testamento. Pápias foi o primeiro a aplicar a palavra clássica exegese (ecségesis), que já há muito tempo significava interpretação ou comentário. É ele também quem nos fornece as mais antigas informações sobre a composição dos evangelhos de Mateus e Marcos, textos sempre procurados por quantos se ocupam da questão das origens e autenticidade dos evangelhos. Seu nome torna-se obrigatório em toda introdução ao Novo Testamento. Segundo ele, pois, Mateus compôs seu evangelho no “dialeto hebraico”, afirmação que suscitou muita discussão entre os estudiosos. O evangelho de Marcos não é outra coisa que a interpretação da pregação de Pedro adaptada às várias circunstâncias. A duplicidade dos nomes João, serve de fundamento para longas discussões. Assim, alguns dizem que o Apocalipse teria por autor João, “ancião”, e o Evangelho, João, o Apóstolo. Para se ter uma ideia de sua obra, convém ler o prefácio que o próprio Pápias escreveu e que foi conservado por Eusébio, na HE, III, 39, 3-4: “Para ti eu não hesitarei em acrescentar às minhas explicações o que outrora ouvi muito bem dos presbíteros, e cuja lembrança guardei muito bem, pois estou seguro de sua verdade. De fato eu não me comprazia, como faz a maioria, com os que falam muito, mas com os que ensinam a verdade; eu também não me comprazia com que recordam mandamentos alheios, mas com os que recordam os mandamentos  dados pelo Senhor à fé e nascidos da própria verdade. Se acontecia, por acaso, vir algum dos que tinham seguido os presbíteros, eu me informava a respeito da palavra dos presbíteros: o que haviam dito André, Pedro, Filipe, Tomé, Tiago, João, Mateus ou qualquer outro dos discípulos do Senhor. E também o que dizem Aristão e o presbítero João, discípulo do  Senhor. Eu não pensava que as coisas conhecidas pelos livros não me ajudassem tanto quanto as coisas ouvidas, através da palavra viva e permanente”. III- O milenarismo Uma das críticas que Eusébio dirige a Pápias é o foto de ele ter-se inclinado com muita fé para o milenarismo. Esta fé teria nascido de uma interpretação muito literal de Ap 20, 4, onde se lê: “… Vi também as vidas daqueles que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, e dos que não tinham adorado a Besta, nem sua Imagem, e nem recebido a marca sobre a fronte ou a mão: eles voltaram à vida e reinaram com Cristo durante mil anos”. Nota a Bíblia de Jerusalém, sobre este versículo: “Esta ressurreição dos mártires (…) é simbólica: é a renovação da Igreja depois do término da perseguição romana, com a mesma duração que o cativeiro do Dragão. (…) O “reino de mil anos” é, portanto, a fase terrestre do reino de Deus, desde a queda de Roma, até à vida de Cristo. Para santo Agostinho e muitos outros, os “mil anos” se iniciam com a ressurreição de Cristo; “a primeira ressurreição” seria então o batismo (…) – Desde a Igreja antiga, uma corrente da Tradição interpretou literalmente este versículo: após uma primeira ressurreição real, a dos mártires, Cristo voltaria sobre a terra para um reino feliz de mil anos, em companhia de seus fiéis”. PÁPIAS DE HIERÁPOLIS A prosperidade no Dia do Senhor Quando também a ação, renovada e liberta, frutificar profusamente todo tipo de comida, graças ao orvalho do céu e à fertilidade da terra, do modo como recordam os anciãos que viram João, discípulo do Senhor, ouvindo-o da maneira como o Senhor ensinava a respeito desses tempos: “Haverá dias em que nascerão vinhas, que terão cada uma dez mil videiras; cada videira terá dez ml ramos, e cada ramo terá mil ramos; cada ramo terá dez mil cachos, e cada cachoa terá dez mil grãos, e cada bago espremido dará vinte e cinco metretas de vinho. Quando um dos santos pegar um cacho, o outro gritará: “Pega-me, porque eu sou melhor, e por meio de mim bendize ao Senhor.” Do mesmo modo, um  grão de trigo dará dez mil espigas, e cada espiga terá dez mil grãos; cada grão dará dez libras de farinha branca limpa. Também os outros frutos, semente e ervas produzirão nessa mesma proporção. Todos os animais que se nutrem desses alimentos, que recebem da terra, se tornarão pacíficos e viverão harmoniosamente entre si. Eles se submeterão aos homens sem qualquer relutância.” Isso também atestou por escrito no seu quarto livro, Pápias, homem antigo, discípulo de João e companheiro de Policarpo. De fato, ele escreveu cinco livros. E acrescentou: “Essas coisas merecem fé para os que acreditam. E como diz Judas, o traidor, que não acreditava e perguntou: “Então como serão realizadas pelo Senhor tais produções?” O Senhor respondeu: “Os que chegarem a esses tempos o verão.” (Apud Ireneum, Adv. Haer, V,33,1-5). A obra de Pápias São cinco o número dos escritos que levam o nome de Pápias, intitulados: “Explicação de sentenças do Senhor”. Ireneu também menciona esses como os únicos escritos de Pápias, dizendo o seguinte: “Isso também atestou por escrito Pápias, discípulo de João e companheiro de Policarpo, homem antigo, no seu quarto livro, porque ele compôs cinco livros.” Este é o testemunho de Ireneu. Na verdade, o próprio Pápias, na introdução de seus discursos, não afirma de modo nenhum ter sido ouvinte dos santos apóstolos, nem de tê-lo conhecido pessoalmente. Ele ensina, porém, com as mesmas expressões que usa, ter recebido o que se refere à fé daqueles que foram familiares dos próprios apóstolos: “Para ti eu não hesitarei em acrescentar às minhas explicações o que outrora ouvir muito bem dos presbíteros, e cuja lembrança guardei muito bem, pois estou seguro de sua verdade. De fato, eu não me comprazia, como faz a maioria, com os que falam muito, mas com os que ensinam a verdade; eu também não me comprazia com os que recordam mandamentos alheios, mas com os que recordam os mandamentos dados pelo Senhor à fé e nascido da própria verdade. Se, por acaso, acontecia de chegar algum dos que tinham seguido os presbíteros, eu me informava sobre a palavra dos presbíteros, isto é, o que tinham dito André, Pedro, Filipe, Tomé, Tiago, João, Mateus ou outro discípulo do Senhor. E também o que falam Aristão e João, o presbítero, discípulos do Senhor. Eu não achava que as coisas conhecidas pelos livros pudessem me auxiliar tanto quanto as coisas ouvidas através da palavra viva e permanente” (Eusébio de Cesaréia, HE, III,39,1-4). Comentário de Eusébio Vale a pena observar que Papias menciona duas vezes o nome de João. Primeiramente, relaciona-o juntamente com Pedro, Tiago, Mateus e os demais apóstolos, indicando claramente o evangelista. Porém, o segundo João – após cortar a frase – é colocado à parte, alheio ao número dos apóstolos, antepondo a este Aristão, e lhe dá, claramente, o título de presbítero. Dessa forma, também por esse testemunho, se comprova a realidade histórica dos que contam que houve na Ásia duas pessoas com o nome de João e que, em Éfeso, havia duas sepulturas que, ainda hoje, são atribuídas a João. É preciso se atentar para esses fatos, pois é verossímil que o segundo – se este não for o primeiro – foi aquele que viu a revelação transmitida sob o nome de João. Papias , de quem já falamos, reconhece ter recebido as palavras dos apóstolos diretamente daqueles que os seguiram; por outro lado, diz ter sido ouvinte pessoal de Aristão e João, o presbítero. De fato, ele frequentemente os menciona pelos nomes em seus escritos, transmitindo a tradição deles. (Eusébio de Cesaréia, HE, III,39,5-7). Outros relatos de Pápias Não é inútil dizer tais coisas. Vale a pena acrescentar outros relatos às já citadas palavras de Papias , onde narra outros casos extraordinários, informando que chegaram até ele pela tradição. “Já falamos anteriormente sobre a estada do apóstolo Filipe em Hierápolis, juntamente com suas filhas. Notemos, agora, como Papias , que viveu nessa época, cita ter recebido das filhas de Filipe o relato de uma história maravilhosa. Conta ele que, em seu tempo, ocorreu a ressurreição de um morto. Além disso, outro prodígio aconteceu com Justo, cognominado Barsabás: conta-se que teria bebido veneno mortífero e, por graça do Senhor, nada sofreu. Conta-se, segundo o livro dos Atos, que essa mesma pessoa foi colocada pelos santos apóstolos junto com Matias, depois da ascensão do Salvador, quando [os apóstolos] oraram para que a sorte completasse o número deles, substituindo Judas, o traidor: ‘E eles colocaram dois homens, José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias; e oraram dizendo…’”. O próprio Papias acrescenta outras coisas que teriam chegado até ele através da tradição oral, além de certas parábolas e ensinamentos estranhos do Salvador, além de outras coisas de natureza mais fabulosa. (Eusébio de Cesaréia, HE, III, 39,8-11). O milenarismo Entre essas coisas, diz que um milênio se estabelecerá após a ressurreição dos mortos e, a seguir, o reino de Cristo se fixará fisicamente na nossa terra. Creio que essa sua opinião é fruto de uma má interpretação dos ensinamentos dos apóstolos, de forma que ele não compreendeu as coisas que diziam de maneira figurada e simbólica. A verdade é que, pelo que se pode deduzir de seus próprios discursos, Papias parece ser homem de inteligência curta. Assim, ele é o culpado de vários escritores da Igreja que lhe sucederam terem adotado sua opinião, por confiarem em sua antiguidade. Foi isso que aconteceu com Ireneu e outros que pensavam igual a ele. Papias também transmite em sua obra outras explicações para os discursos do Senhor, segundo o que ouviu do citado Aristão e das tradições de João, o presbítero. Remetemos à essas obras todos aqueles que têm interesse em conhecê-las. (Eusébio de Cesaréia, HE, III,39,12-14ª). Os dois primeiros Evangelhos Contudo, achamos necessário acrescentar ao que já dissemos sobre Papias , o que a tradição expõe sobre Marcos, que escreveu o evangelho. Assim se expressou: “O presbítero também dizia o seguinte: ‘Marcos, intérprete de Pedro, fielmente escreveu – embora de forma desordenada – tudo o que recordava sobre as palavras e atos do Senhor. De fato, ele não tinha escutado o Senhor, nem o seguido. Mas, como já dissemos, mais tarde seguiu a Pedro, que o instruía conforme o necessário, mas não compondo um relato ordenado das sentenças do Senhor. Portanto, Marcos em momento algum errou ao escrever as coisas conforme recordava. Sua preocupação era apenas uma: não omitir nada do que havia ouvido, nem falsificar o que transmitia’”. Esse é o relato de Papias sobre Marcos. Sobre Mateus, diz o seguinte: “Mateus reuniu, de forma ordenada, na língua hebraica, as sentenças [de Jesus] e cada um as interpretava conforme sua capacidade”. Papias também testemunha a primeira epístola de João e, igualmente, a de Pedro. Fora isso, conta outra história a respeito de uma mulher acusada de muitos pecados na frente do Senhor, história essa contida no Evangelho segundo os Hebreus. É preciso que acrescentemos isso ao que já foi dito. (Eusébio de Cesaréia, HE, III, 39,14-17). Fonte:m.franciscocatolico.com.br

  • Carta primitiva nos conta como viviam os primeiros cristãos Durante muitos e longos séculos

    Maior jóia da literatura cristã primitiva, a Carta a Diogneto nos conta como viviam os primeiros cristãos. Durante muitos e longos séculos, um elegante manuscrito composto em grego permaneceu ignorado no mais abissal dos silêncios. O texto, de origens até hoje misteriosas, só foi encontrado, e por acaso, no longínquo ano de 1436, em Constantinopla, junto com vários outros manuscritos endereçados a um certo “Diogneto”. Se não há certeza sobre o seu autor, sabe-se que o destinatário do escrito era um pagão culto, interessado em saber mais sobre o cristianismo, aquela nova religião que se espalhava com força e vigor pelo Império Romano e que chamava a atenção do mundo pela coragem com que os seus seguidores enfrentavam os suplícios de uma vida de perseguições e pelo amor intenso com que amavam a Deus e uns aos outros. O documento que passou para a posteridade como “a Carta a Diogneto” descreve quem eram e como viviam os cristãos dos primeiros séculos. Trata-se, para grande parte dos estudiosos, da “joia mais preciosa da literatura cristã primitiva”. Confira a seguir  o trecho mais célebre deste tesouro da história cristã: Carta: “Os cristãos não se distinguem dos outros homens nem por sua terra, nem por sua língua, nem por seus costumes. Eles não moram em cidades separadas, nem falam línguas estranhas, nem têm qualquer modo especial de viver. Sua doutrina não foi inventada por eles, nem se deve ao talento e à especulação de homens curiosos; eles não professam, como outros, nenhum ensinamento humano. Pelo contrário: mesmo vivendo em cidades gregas e bárbaras, conforme a sorte de cada um, e adaptando-se aos costumes de cada lugar quanto à roupa, ao alimento e a todo o resto, eles testemunham um modo de vida admirável e, sem dúvida, paradoxal. Vivem na sua pátria, mas como se fossem forasteiros; participam de tudo como cristãos, e suportam tudo como estrangeiros. Toda pátria estrangeira é sua pátria, e cada pátria é para eles estrangeira. Casam-se como todos e geram filhos, mas não abandonam os recém-nascidos. Compartilham a mesa, mas não o leito; vivem na carne, mas não vivem segundo a carne; moram na terra, mas têm a sua cidadania no céu; obedecem às leis estabelecidas, mas, com a sua vida, superam todas as leis; amam a todos e são perseguidos por todos; são desconhecidos e, ainda assim, condenados; são assassinados, e, deste modo, recebem a vida; são pobres, mas enriquecem a muitos; carecem de tudo, mas têm abundância de tudo; são desprezados e, no desprezo, recebem a glória; são amaldiçoados, mas, depois, proclamados justos; são injuriados e, no entanto, bendizem; são maltratados e, apesar disso, prestam tributo; fazem o bem e são punidos como malfeitores; são condenados, mas se alegram como se recebessem a vida. Os judeus os combatem como estrangeiros; os gregos os perseguem; e quem os odeia não sabe dizer o motivo desse ódio. Assim como a alma está no corpo, assim os cristãos estão no mundo. A alma está espalhada por todas as partes do corpo; os cristãos, por todas as partes do mundo. A alma habita no corpo, mas não procede do corpo; os cristãos habitam no mundo, mas não pertencem ao mundo. A alma invisível está contida num corpo visível; os cristãos são visíveis no mundo, mas a sua religião é invisível. A carne odeia e combate a alma, mesmo não tendo recebido dela nenhuma ofensa, porque a alma a impede de gozar dos prazeres mundanos; embora não tenha recebido injustiça por parte dos cristãos, o mundo os odeia, porque eles se opõem aos seus prazeres desordenados. A alma ama a carne e os membros que a odeiam; os cristãos também amam aqueles que os odeiam. A alma está contida no corpo, mas é ela que sustenta o corpo; os cristãos estão no mundo, como numa prisão, mas são eles que sustentam o mundo. A alma imortal habita em uma tenda mortal; os cristãos também habitam, como estrangeiros, em moradas que se corrompem, esperando a incorruptibilidade nos céus. Maltratada no comer e no beber, a alma se aprimora; também os cristãos, maltratados, se multiplicam mais a cada dia. Esta é a posição que Deus lhes determinou; e a eles não é lícito rejeitá-la”. Fonte:aleteia

  • A curiosa resposta do patriarca João II de Constantinopla à fórmula de Hormisda(519 D.C)

    Eu estava em discussão com um anglo-católico recentemente que, em resposta à minha menção às 2500 assinaturas da Fórmula de Hormisdas, declarou que o Patriarca de Constantinopla, João II, declarou que a Sé da Velha e Nova Roma eram “uma só Sé” “, E assim estabelecendo uma igualdade de autoridade e de ser. Abaixo estão minhas respostas a isso. (1) Se você lê a Fórmula, não há nada odeclarado ali pelo qual João poderia encontrar transferível à Sé Constantinopolitana. O que Hormisdas reivindica? Que Cristo prometeu uma fé indefectível no abençoado Pedro e que isso provou-se pelo fato de que a Sé Romana, desde o início, estava no lado correto da disputa doutrinária. Hormisdas então diz que todos os cristãos do mundo, se quiserem permanecer unidos à verdadeira fé, devem unir-se à Sé Apostólica, onde é o fundamento da solidez da Igreja. Constantinopla teve em várias ocasiões em 520, envolvida em uma heresia ou outra. Começando com seu Patriarca Acácio em 484, C’pla removeu os nomes do Papa Leão e os seguintes Papas da lista de nomes e destronou Calcedônia da lista de Concílios Ecumênicos. Assim, sabemos que as afirmações papais na FdH (Fórmula de Hormisdas) nunca poderiam se aplicar a Constantinopla, e seria bastante difícil pensar que João pensou assim. A única alternativa razoável, como eu vejo, seria que João simplesmente queria combater as reivindicações papais ao dizer que a Sé de C’pla era igual em autoridade com Roma. Apesar de isso também ser bastante difícil, isso significaria que João era um homem fraco e desonesto (novamente, eu não tomo essa posição). Isso também significaria que ele entrou voluntariamente em comunhão com o Hormisdas, papista-herético, juntamente com todo o Oriente. Então, seria como se João, representando o Oriente, deixasse a heresia de Eutíquiana para se associar à heresia papal. O que mais poderia ser? (2) Notei que sua tradução do que João II escreveu foi apenas uma parte. De que fonte você recebeu? Eu tenho o latim que se segue da seguinte maneira: “Ecclesias, id est superioris vestrae et novelae istius Romae, unam accipio; illam sedem Apostoli Petri, et istius augustae civitatis unam esse definio “Em português: “Pois eu mantenho que as igrejas mais sagradas da sua velha e da nossa nova Roma a serem uma só Igreja. Eu defino que a Sé do apóstolo Pedro e essa da cidade imperial serem uma só Sé “ A hipérbole é óbvia. Falando seriamente, há apenas um bispo na igreja de Deus (local). Não é como se João aqui estivesse dizendo que 2 bispos, João e Hormisdas, governam uma única Igreja. É óbvio que Roma e C’pla são duas cidades-igrejas diferentes. Monsenhor Batiffol (um historiador católico crítico, lembre-se) comenta sobre isso: “Isto significa dizer que o bispo de Roma e o bispo de Constantinopla estão de acordo, não que ele” identifique sua própria Sé com a Sé romana “- uma frase que não tem significado, compare a carta ”Quando Deus” do mesmo João ao mesmo Hormisdas que mais uma vez usa os mesmos termos – e a resposta de Hormisdas a João, ”consideranti myhi”. Coll. Avellan. 161 e 169 (pp. 612, 624) “- A reply to Bishop Gore in ” Catholicism and Papacy: Anglican and Russian Difficulties “na página 123. Então, aqui você tem uma instância em que o próprio Hormisdas diz que a Sé de Cpla e a Sé de Roma são “uma só Sé”. Agora, eu não conheço um único historiador que lhe diria que Hormisdas acreditava de repente que C’pla possuía a supremacia petrina que ambas o próprio Hormisdas reivindicava, bem como todos os seus antecessores, incluindo o Papa São Gelásio, que era bastante enfático sobre a autoridade inferior de C’pla. Da mesma forma, outra carta no século 6 mostra que esta conversa sobre “uma Sé e uma igreja” não significa a igualdade de autoridade é a famosa carta do Papa São Gregório Magno ao Patriarca Eulógio de Alexandria. Isso vem do Livro 7, Epístola 40. Esta carta é citada por muitos para minar a teoria papal, uma vez que Gregório parece dizer que a Sé de Pedro é igualmente igual em Roma, Alexandria e Antioquia. Gregório escreve: “… no entanto, no que diz respeito ao principado, a Sé do príncipe dos apóstolos sozinha cresceu forte em autoridade, já que em três lugares é a SÉ DE UM. Pois ele mesmo exaltou a Sé em que ele dignou até o resto e acabar e fim de sua vida presente. Ele mesmo adornou a Sé à qual ele enviou seu discípulo como evangelista. Ele próprio estabeleceu a Sé em que, embora ele fosse deixá-la, ele se sentou por sete anos. Desde então, é a SÉ DE UM, e UMA SÉ, sobre a qual, pela autoridade divina, três bispos presidem agora, tudo de bom que eu souber de você, isso imputo para mim mesmo “. Então você vê aqui que o Papa Gregório usa a mesma frase “unam esse” para falar de Roma, Alexandria e Antioquia. Mas que Gregório não diz que elas agora são iguais em autoridade, o que é claro a partir de muitas outras declarações que Gregório fez, o que mostra claramente que ele acreditava que todas as igrejas estavam sujeitas à Sé Apostólica de Roma. Se você estiver interessado em fontes acadêmicas sobre isso, com prazer vou lhe dar Jaroslav Pelikan e JND Kelly, ambos historiadores não-católicos de grande respeito. Por agora, vou dar-lhe dois exemplos de como Gregório pensou que Roma era a mais alta Sé, implicando, assim, algum tipo de desigualdade com Alexandria e Antioquia:“Se, no entanto, é declarado em oposição a isso, que ele não tem nem metropolitano nem patriarca, também deve ser dito que o caso deve então ser ouvido e resolvido pela Senhora Apostólica, que é a cabeça de todas as igrejas”. (Livro 13, Epístola 50)Em uma carta a João de Siracusa, Gregório fala de um primaz Bizaceno: “quanto a sua afirmação de que ele está sujeito à Sé Apostólica, se alguma culpa é encontrada nos bispos, não sei o qual o bispo não está sujeito a ela”. Livro 9, Carta 59).No mesmo livro das epístolas, carta 12, Gregório escreve: “Quanto aos que dizem sobre a Igreja de Constantinopla, quem pode duvidar de que está sujeita à Sé Apostólica, se tanto o mais piedoso senhor, o imperador e nosso irmão, o o bispo dessa cidade reconhecem continuamente? “. Mesmo o historiador de Oxford, membro da Igreja da Inglaterra, J.N.D. Kelly, disse que, para São Gregório, “A comissão de São Pedro criou todas as igrejas, incluindo Constantinopla, sujeitas a Roma “(Oxford Dictionary of Pope, p. 67) E então, acho melhor que se veja a declaração de João de Romae C’pla sendo “uma igreja” e “uma sé” como uma forma de simbolizar a fundação de um novo retorno à unidade da fé e nada mais. Quero dizer, apenas dizendo “Sé de Pedro” e “Cidade Imperial”, ele reconhece a diferença. (3) E, finalmente, há outro texto interessante desta controvérsia em torno da re-união de Oriente e Ocidente via Justiniano & Hormisdas, que fala da aceitação do Oriente para com as reivindicações do Papa. Qualquer um que esteja familiarizado com o cisma acaciano e como os três grandes patriarcas do Oriente capitularam rejeitando Calcedônia é consciente de que grande parte dos movimentos eram políticos. Havia sobre o clero, tanto Bispos quanto presbíteros, bem como monásticos, que se rebelaram. Uma carta famosa escrita pelo clero bizantino ao antecessor de Hormisdas, o papa St. Símaco, no ano 512, afirma precisamente o que os católicos acreditam hoje. Eu acho que isso estabelece uma boa evidência de que a teoria papal não era apenas a agenda de alguns Papas orgulhosos, cuja memória simplesmente é venerada pela Igreja universal que se seguiu, mas também o creme da cultura bizantina. Depois de descrever as parábolas da ovelha perdida e da moeda perdida, esses clérigos escrevem: “… mas para a salvação preciosa, não só do Oriente, mas de três partes quase do mundo habitado [Cpla, Alex, Antioquia], redimidos, não com ouro ou prata corruptíveis, mas com o precioso sangue do Cordeiro de Deus, de acordo com a doutrina do bendito Príncipe dos gloriosos Apóstolos, cuja Sé Cristo, o Bom Pastor, confiou a sua benção. Seguindo seu exemplo, mais santo pai, apresse-se a nos ajudar, assim como o bem-aventurado Paulo, seu doutor, informado em uma visão que os macedônios estavam em perigo, apressou-se a ajudá-los em ação. Ó pai, cheio de ternura para os seus filhos, uma vez que não está em visão, mas na realidade que, nos olhos da sua mente, você nos vê perecendo com a prevaricação de nosso Pai Acácio, não demore, ou melhor, falando com o profeta , não adormeça, mas apressa-se a nos ajudar. Vocês não só recebeu o poder de ligar, mas também o de desligar, de acordo com o exemplo do Mestre, aqueles que há muito estiveram em laços, não apenas tem o poder de desarraigar e destruir, mas também o de plantar e construir , como Jeremias, ou melhor como Jesus Cristo, de quem Jeremias era do tipo; nem apenas a de entregar a Satanás para a destruição da carne, mas também a de restaurar pelo amor, aqueles rejeitados a muito, para que (que Deus não permita) Satanás, que vem nos mergulhar na maior angústia, possa parecer ganhar vantagem sobre você. Você não é ignorante dessa malícia, você, a quem Pedro, seu doutor abençoado, ensina sempre a pastorear, não por violência, mas por uma autoridade plenamente aceita, as ovelhas de Cristo que lhe são confiadas em todo o mundo habitável. Pedimos sinceramente a você que destrua esse novo obstáculo que pesa sobre nós, como Jesus Cristo, nosso Salvador e nosso líder, destruíu o antigo na cruz … Se Acácio foi excomungado por causa de sua amizade com os Alexandrinos ou melhor para os Eutíquianos, que foi anatemanizado Leão e o Concílio de Calcedônia, por que somos considerados hereges e sujeitos ao anátema, nós que nos separamos unicamente da carta de Leão que foi lida no Concílio, que somos atacados todos os dias e condenados como hereges pelos eutíquianos porque pregamos sua doutrina ortodoxa? Não nos despreze para nos socorrer e não nos odeie porque estamos em comunhão com os nossos inimigos. Entre aqueles que só cuidavam de um pequeno número de almas, muitos se separaram de sua comunhão, os outros responsáveis por um numeroso rebanho submeteram-se à necessidade de não abandonar, como o mercenário, a ovelha ao lobo. Não é pelo amor da vida, mas apenas pela salvação das almas que um grande número de sacerdotes agem assim … Todos nós, tanto os que parecem se comunicar com os adversários quanto os que se abstêm disso, esperam, depois de Deus, a luz da sua visita e da sua assistência. Apresse-se então para ajudar o Oriente, de onde o Salvador enviou você grandiosos raios solares iluminar toda a terra; Faça-o o que ele lhe enviou, ilumine com a luz da verdadeira fé, como Ele iluminou você com a luz do conhecimento divino … Assim como o Senhor disse a Paulo sobre Corinto, “fale e não fique em silêncio, porque eu tenho uma grande multidão nesta cidade “, então Ele diz a você hoje:” Apresente-se sem demora na ajuda do Oriente, pois não é uma multidão de cento e vinte mil homens como em Nínive, mas uma multidão muito mais numerosa que aguarda , depois de Deus, ser curada por você “(Mansi 8.221) Traduzido de: https://erickybarra.wordpress.com/2017/11/18/the-curious-reply-of-patriarch-john-ii-of-constantinple-to-formula-of-hormisas-519-ad/ #JustinoI #Leãoi #Símaco #ConcíliodeCalcedônia #Gelásio #CismaAcaciano #AnastácioII #JoãoIIdeConstantinopla #FórmuladeHormisdas #FélixIII #Monofisismo #Símplicio

  • Mensagem

    Os seres humanos, criaturas frágeis e infantis, precisam se irmanar com a natureza e nela encontrar a beleza da obra divina. Os homens precisam se irmanar uns com os outros e encontrar a alegria do convívio fraterno e amoroso entre iguais. A vida somente se realiza quando vivida em comunhão. Comunhão com a natureza, comunhão com nossos irmãos, com nossos antepassados; comunhão irrigada pela luz divina da caridade e do amor.

  • Considerações sobre as notas relacionadas à CNBB

    “Havendo perigo próximo para a fé, os prelados devem ser arguidos, até mesmo publicamente, pelos súditos. Assim, São Paulo, que era súdito de São Pedro, arguiu-o publicamente, em razão de um perigo iminente de escândalo em matéria de Fé. E, como diz a Glosa de Santo Agostinho, “o próprio São Pedro deu o exemplo aos que governam, a fim de que estes afastando-se alguma vez do bom caminho, não recusassem como indigna uma correção vinda mesmo de seus súditos” (ad Gal 2, 14)” (Santo Tomás de Aquino, “Suma Theol.”, II-II, 33, 4, 2). Nos últimos dias acompanhamos muitas manifestações e notas públicas a respeito das atitudes envolvendo CNBB, como as notas de Dom Rifan e Padre Paulo Ricardo. Eis aqui meu posicionamento acerca do assunto. CNBB: (61) 2103-8300 Baixar livro COMONITORIO: https://goo.gl/m41nH8 __________________________________________________ APOIA-SE: https://apoia.se/bernardokuster Facebook: https://www.facebook.com/bernardopkuster Twitter: @bernardopkuster Instagram: bernardo_kuster #considera #notas #relacionadas #sobre

  • St Thomas Aquinas, Champion of Mary’s of Immaculate Conception

    We now approach the testimony of another illustrious Doctor and Saint of the Church of God, who flourished in the thirteenth age—St. Thomas Aquinas, and who, from his learning, eloquence, sanctity, and zeal, has been beautifully endowed with the title of Angelic Doctor. St. Thomas was an advocate of Mary in the doctrine of the Immaculate Conception. The following passages amply vindicate this privilege of the Blessed Virgin, and the honor of this illustrious champion of her prerogatives. ” The Supreme Artificer, in the plenitude of His power, hath made an image (mirror) clearer and more faultless than the brightest Seraph ; so that, God except, it is not possible to imagine anything more pure than the person of the most glorious Virgin ; concerning whom Anselm says, ‘ It behooved that the conception of Him should be made of the most pure Mary ; of that purity, than which, next to God, nothing could be esteemed greater.’ “  ( Fecit Summus Artifex, in ostensionem pleniorem artis suae, speculum, unum clarissimo clarius, Seraphim tersius, ut purius intelligi non possit, nisi Deus esset, personam, scilicet, gloriosissimae Virginis, de qua Anselmus; ‘decebat illius Conceptio hominis de Maria purissima fieret, ea puritate, qua major sub Deo nequit intelligi.” — Opus, vi, De Dilect. Dei el prox.) What words could more clearly affirm the Immaculate Conception ? The Blessed Virgin is here declared to be clearer and more faultless than the brightest Seraph ; most glorious, and, God alone except, purer than anything which could be imagined. The word speculum, which occurs in the passage, is peculiarly forcible. It signifies a mirror ; and hence, an image of one’s self. In this case, therefore, the Blessed Virgin is called an image of her Creator. So was Adam called, when created in the image of God ; immaculate, from immaculate earth. This could not be said of the Holy Virgin, if the deadly blur of original sin obscured the mirror God had made. In the following, also, the Immaculate Conception is positively affirmed : ” It is therefore possible, that some creature may be found, than who nothing can be more pure among created things, provided it is not infected (or sullied) by the contagion of sin ; such was the purity of the Blessed Virgin, who has been exempt from original and actual sin.” ( “Ideo potest aliquid creatum reperiri, quo nihil purius esse possit in rebus creatis, si nulla contagione peccati infectum (vel inquinatum) sit, et talis fuit puritas B. Virginis quae a peccato originali, et actuali immunis fuit.” — Sentent. Distinc, 44, Lib. i, quaest. 1, art. 3.) Cardinal Lambruschini remarks, upon this passage, that the Angelic Doctor has not limited himself by saying, ” omni peccato originali caruisse;” for this was verified in Jeremiah, in John the Baptist, and in every child upon the reception of Baptism. But he says : ” a peccato originali et actuali immunis FUIT.” Now, if Mary was thus, according to St. Thomas, exempt from original sin, she could never have contracted it ; for if she had contracted it, even for an instant, it could not have been said of her, that she was immunis — exempt. There is no ambiguity of speech in this passage ; and it cannot be denied, that St. Thomas has thus recorded his positive belief in the Immaculate Conception. There is yet another passage, in this connection, in which he institutes a comparison between the Immaculate purity of God and that of the Blessed Virgin. He says : “Neither God, nor the Most Blessed Virgin, has had any sin ; this being the difference, God is exempt from sin by nature, the Blessed Virgin is exempt by special privilege.” The following passage occurs in all the old editions of St. Thomas’ works. Why it does not appear in some more recent editions, those who have tampered with their integrity must explain. In commenting upon the Epistle to the Galatians, chap. iii, he says : ” Of all, no woman hath been found exempt, at least from original or venial sin, except the most pure and most renowned Virgin Mary, who was exempt from every sin, original and venial.” (“Mulierem ex omnibus non inveni, quas a peccato omnino immunis esset ad minus originis, vel veniali, excipitur purissima, et omni laude dignissima Virgo Maria, quae omnino immunis fuit a peccato originali et veniali.” This passage may be found in the Venetian edition of St. Thomas, A. d. 1593, and in that of Paris, A. D. 1542.) Bishop Wielmo, in his work Pro Defensione Sancti Thomae, says : ” Execrabilius est, quod nequam et scelesti homines quidam, vol ad Thomae auctoritatem enervandam, vel, ut ego quidem arbitror, ad suam aliquam opinionem, quse in controversiam, vertebatur, tanti viri testimoniis fulciendani et comprobandam egerunt.” Gilles of Homo, who was the devoted disciple of St. Thomas, some years after the death of the saint, wrote a work entitled, Castigatorium in Corruptorem Librorum Thomae Aquinatis. Richard Klapoel, Hervy Noel, William Messelech, John of Paris, William Bollionio, Nicholas Madense, Durandelle and Archbishop Hugues, members of the Order of St. Dominic, have all written with vigor against those who have altered the writings of St. Thomas. And another Dominican, John Nicolai, in the Preface of his edition of St. Thomas’ works, published at Paris, 16G3, attests that this edition has been, with much care and study, purged of those typographical and other errors, by which the legitimate sense, and historical sincerity and truth, have been perverted. The following is given on the authority of Bromiardo, a Dominican, who, in explaining the true sentiment of St. Thomas, expressed in the Summa, part 3, quest. 27, art. 2, says, ” St. Thomas places the excellence of her sanctification as to priority of time in this : that she was sanctified in her animation ; that is, in the conjunction of the soul with the body, in the womb of her mother.”( Sanctus Thomas ponit ejus sanctificationis excellentiatiam, quantum ad temporis prioritatem, in hoc, quod sanctificata fuit in sui animatione; id est, in conjunctione animae cum corpore in utero matris suae.)  This evidently affirms the Immaculate Conception in its passive sense, wherein the soul of the Blessed Virgin, being prevented by sanctifying grace, was rendered exempt from original sin. In another passage, St. Thomas, speaking of the Blessed Virgin, says, ” The Blessed Virgin is said to have merited to bear the Lord of all, not because she hath of herself merited the incarnation of the Word ; but because, on account of the grace given unto her, she hath merited that degree of purity and sanctity that she might be rendered worthy to be the Mother of God.” (B. Virgo dicitur meruisse portare Dominum omnium, non quia meruit ipsum incarnari, sed quia meruit ex gratia sibi data ilium puritatis et sanctitatis gradum ut congrue posset esse Mater Dei.”—Summa, part 3, ques.2) What that degree of purity and sanctity was, of which the Saint speaks, we learn in his fourth Opusculum de Salutatione Angelica; where he says, ” The Blessed Virgin was most pure, with respect to every fault ; since she hath not incurred any sin, either original or venial.”(B. Virgo Maria purissima fuit quantum ad omnem culpam, quia nec originale, nec veniale peccatum aliquando incurrit.”) That the Angelic Doctor believed and taught the Immaculate Conception, is conclusively proved by the passages here adduced. But the doctrine can, with no less force and certainty, be deduced from many of his general propositions. The following will serve as specimens of this : he says, “ Non posse festum celebrari nisi de sancto.”—”No festival can be celebrated except of what is holy.” But the Church celebrates the Immaculate Conception of Mary ; therefore, her Conception was holy. Again : ” Dubitari non posse Beatissimam Virginem sine peccato originali natam esse, quia Ecclesia ejus Nativitatem celebrat.“—”It cannot be doubted that the Most Blessed Virgin was born without original sin ; because the Church celebrates her Nativity.” But the Church also celebrates the Festival of the Conception of Mary; therefore, according to St. Thomas, she was, without doubt, conceived without original sin. To contradict himself was never a failing of so profoundly philosophic a scholar as the Angel of the Schools. His works all strictly harmonize with each other ; his sequences logically flow from his propositions ; and unless it could be supposed that St. Thomas wished to place himself in opposition with his own principles, it must be admitted that he as firmly believed as he eloquently expressed and resolutely maintained the Immaculate Conception of the Most Blessed Mother of God. Other grave and weighty questions occupied attention at the period in which ho flourished ; but had this one then assumed the prominence which it has since, or had he lived at the present epoch, doubtless he would not only have maintained the belief of the Immaculate Conception, but he would have brought the whole energy and force of his profound genius to bear upon this prerogative of the Blessed Mary ; and he would have stood foremost among those who have solicited its solemn definition as a Dogma. This conclusion is not drawn from a mere consideration of how he might be supposed to act in a given case ; but it is derived from the Saint’s own solemn declaration, made to the minister of religion from whose hands he was about to receive the Viaticum. St. Thomas then said, “I have taught many things concerning the most sacred body of our Lord Jesus Christ and concerning the other sacraments;I have written many things in the faith of Jesus Christ and of the Holy Roman Church. I subject all things to its correction ; I submit all things.” ( J. D. Bryant, M. D.; Immaculate Conception of the Blessed Virgin Mary. Published in 1855 A.D)

  • Mais de 4 bilhões de horas foram gastas com pornografia em 2015

    4.392.486.580 é o número de horas que foram gastas com pornografia no ano de 2015. Isto significa que em um ano, internautas do mundo todo passaram 501.425 anos assistindo a pornografia em algum site pornô. Em apenas um site, os acessos chegaram a escandalosos 87.849.731.608 — ou seja, para cada uma pessoa no planeta, 12 vídeos pornôs foram vistos. Os dados são do LifeSiteNews.com. O fascínio pelo sexo explícito é antigo. Mesmo para algumas religiões de rígida moral, o paraíso é descrito como um lugar de sortilégio. Os muçulmanos, por exemplo, creem em um Céu cheio de virgens para eles. Na antiga Grécia, o sexo era venerado como um deus: estátuas fálicas decoravam as casas e partes da grande Atenas, onde surgiu a palavra “pornografia” para definir os escritos sobre prostitutas da época. Com o tempo, o termo passou a designar “tudo o que descrevia as relações sexuais sem amor”, como explica o historiador francês Sarane Alexandrian. Na Idade Média, a influência do cristianismo ordenou a sexualidade para a vida conjugal, sacralizando-a no matrimônio. Isto desenvolveu uma nova visão acerca do corpo humano. Ele deixou de ser idolatrado como um objeto de prazer para converter-se no templo do Espírito Santo. Com a purificação da sexualidade, não mais governada pela concupiscência, homem e mulher passaram a tratar-se como uma só carne, dois indivíduos unidos definitivamente pelos laços matrimoniais. Foi apenas com o Renascimento que a sexualidade voltou a ser banalizada como nos tempos da Grécia e de Roma. A nossa era assiste a uma onda pornográfica inigualável. O que antes estava restrito às salas discretas das locadoras e das bancas de jornais, tornou-se agora acessível a todos os públicos pela democratização da internet. Desde a mais tenra idade, os jovens já são expostos à pornografia. Embora haja quem considere isso um progresso, inúmeros estudos têm classificado a pornografia como uma nova espécie de droga, tendo como um de seus efeitos mais malignos o aumento da agressividade. Eis o que nos diz este estudo publicado no Journal of Communication: […] 22 estudos de sete diferentes países foram analisados. O consumo (de pornografia) foi associado com agressão sexual nos Estados Unidos e internacionalmente, entre homens e mulheres […] Associações foram mais fortes para agressões sexuais verbais do que para físicas, apesar de ambas serem significantes. Sejamos francos: esses resultados não são nenhuma novidade. Quando se cresce em uma cultura que não valoriza a sexualidade em todas as suas dimensões, mas, ao contrário, defende a ideia de que o corpo humano seja apenas um instrumento do qual se pode obter prazer incontrolável, não deveríamos nos assustar com o aumento de estupros, gravidezes indesejadas, violência doméstica etc. Na verdade, essas coisas nada mais são do que a consequência mais grave de uma mentalidade que, como dizia Bento XVI na encíclica Deus Caritas Est, ensina o homem a considerar “o corpo e a sexualidade como a parte meramente material de si mesmo a usar e explorar com proveito”. O ser humano se torna uma mercadoria, “uma ‘coisa’ que se pode comprar e vender” (n. 5). A crítica que geralmente fazemos aos movimentos feministas deve-se justamente ao que expusemos acima. A “cultura do estupro”, como dizem, não é gerada pelo patriarcalismo cristão e europeu. Sociólogos não religiosos, como Rodney Stark, admitem a contribuição imprescindível do cristianismo, em especial, da Igreja Católica, para a emancipação feminina (Veja Aqui, aqui e aqui). A “cultura do estupro” tem a ver como uma noção deturpada a respeito do homem e da mulher, que encontrou eco na chamada Revolução Sexual e se propaga por meio da pornografia. Trata-se de uma noção que reduz a intimidade do casal a apenas uma noite de prazer e nada mais. E as feministas que defendem esse tipo de mentalidade alimentam o monstro que pretendem combater. O machismo nunca será vencido com “Marchas de Vadias”. Embora não queiram aceitar, a melhor maneira de domar a fera dentro do homem é ensinando-o a viver a continência pré-matrimonial. A castidade não é simplesmente não fazer sexo, como pensam as mentes vulgares desta época, mas enxergar a pessoa humana como uma criatura amada por Deus. Os pais têm o dever de inculcar isso na mente dos filhos para que a sedução do sexo fácil não os escravize. Os pais precisam tornar-se amigos de seus filhos, companheiros de jornada, agindo com paciência, compreensão, sem medo de perguntas embaraçosas, para que os jovens não busquem na pornografia aquilo que eles poderiam aprender corretamente em casa. Este é o caminho: educar para o Céu. Texto extraído do site: Padre Paulo Ricardo

  • A CRUCIFICAÇÃO E O FIM DOS ÍDOLOS

    Naquele dia – oráculo do Senhor, – exterminarei da terra até os nomes dos ídolos: não se falará mais deles; expulsarei os falsos profetas e todo espírito impuro. Zacarias 13,2. IDOLATRIA é formada por duas palavras grega: “eidolon” (ídolos) e “latreia” (adoração). Que significa “ADORAÇÃO AOS ÍDOLOS” Desse modo o ÍDOLO passa a ser adorado. Num sentindo mais amplo, indica que algo acabou ocupando o lugar de Deus em nosso CORAÇÃO. Os SANTOS NÃO TEM nada a ver com ídolos. – SANTOS são obras de Deus: Ex 31,13: “EU SOU o Senhor que VOS SANTIFICO.” – IDOLOS ”eidolon” são deuses, (Sl 135:15) Todo católicos distinguem claramente entre culto de ADORAÇÃO, que prestamos somente a DEUS, nosso Criador e Redentor. E VENERAÇÃO, que implica apenas: respeito, admiração, imitação, amor, AOS SANTOS. Adoração É DIFERENTE de veneração ADORAÇÃO do grego “LATRIA” exige AMOR EXTREMO, EXCESSIVO, é o CULTO prestado somente a uma DIVINDADE. Mt 4,10:”[…]ADORARÁS O SENHOR TEU DEUS, e só a ele servirás (Dt 6,13).” do latim “adorabis” Já VENERAÇÃO do grego “Dulia” SIGNIFICA, HONRA, amor, reverencia e RESPEITO. É a honra que PRESTAMOS aos santos de Deus. Rm 2,10: “GLÓRIA, HONRA E PAZ para todo aquele que pratica o bem” Ef 1,15 “desde que soube da vossa fé no Senhor Jesus e do (VOSSO AMOR PARA COM TODOS OS SANTOS)” #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Cristologia #Igreja

  • SOU EU, JESUS, VENHO TE VISITAR.

    Paul está sentado nas pedras frias da escadaria da Igreja de São Tiago, numa pequena cidade da Baviera (Alemanha). Como sempre, encontra-se ali pedindo esmolas. Antes das Missas, abre a porta da igreja para os fiéis e lhes sorri amavelmente, deixando ver uma boca já praticamente sem dentes. Ele tem 50 anos e faz parte daqueles mendigos sem teto que lutam para sobreviver. Seu corpo está consumido não somente pelo frio e pela fome, mas também pelo excesso de álcool. Parece muito mais velho do que é na realidade. Se ao menos tivesse forças para lutar contra este vício, pensa ele continuamente… E faz o firme propósito de parar de beber. Mas quando a noite chega e com ela a lembrança de sua família, perdida num trágico acidente, ele não resiste e recorre ao consolo da garrafa. O álcool amortece então o vazio em sua alma, pelo menos por um curto espaço de tempo. A garrafa de vinho é sua fiel companheira e a cirrose do fígado e outras doenças vão paulatinamente consumindo seu corpo. A cor de sua face levanta suspeitas nada boas. Paul tornou-se parte integrante da escadaria da igreja na ótica dos habitantes do bairro, mais ou menos como se fosse uma estátua. E desta forma eles o tratam. A maior parte mal lhe presta atenção. E os que ainda se dão conta dele se perguntam até quando resistirá. O pároco e a ajudante de pastoral ainda se preocupam com ele. Mas, sobretudo, a Irmã Petra, uma missionária jovem que vem todos os dias visitá-lo. Ele se alegra com a visita da freira, que sempre lhe traz algo para comer. Porém até mesmo esta religiosa não consegue tirar Paul da rua. Nem sequer na casa paroquial ele entra, seja para comer, seja para se lavar. * * * Todas as noites, quando escurece e ninguém mais o vê, Paul esgueira-se na igreja vazia e de luzes apagadas. Senta-se então no primeiro banco, bem diante do Tabernáculo. E aí fica em silencio, quase sem se mover, por cerca de uma hora. Depois se levanta e sai arrastando os pés pelo corredor do centro, passa pela porta principal e desaparece na escuridão da noite. Para onde? Ninguém o sabe. No dia seguinte, porém, lá está ele sentado novamente na escadaria, diante do portal da igreja. E assim passavam os dias. Certa vez a Irmã Petra lhe perguntou: “Paul, vejo que você entra na igreja todas as noites. O que você faz aí tarde da noite? Você reza por ocaso?” “Não rezo”, respondeu Paul. “Como é que poderia rezar? Já não rezo desde o tempo em que era menino e ia às aulas de religião; esqueci todas as orações. Não me lembro mais de nenhuma. O que faço na igreja? É muito simples. Vou até o Tabernáculo, onde Jesus está sozinho em seu pequeno sacrário, e Lhe digo: ‘Jesus, sou eu, o Paul. Vim Te visitar’. E fico um pouquinho, a fim de que pelo menos alguém Lhe faça companhia”. Na manhã do dia de Natal, o lugar que Paul ocupou durante anos a fio está vazio. Preocupada, a Irmã Petra começa logo a procurá-lo. E acaba por encontrá-lo no hospital que fica perto da igreja. Nas primeiras horas da madrugada alguns passantes o haviam encontrado sem sentidos sob uma ponte e chamado a ambulância. Paul está agora no leito de doentes. Ao vê-lo a missionária tem um choque. Paul está ligado a vários tubos, sua respiração é fraca. Sua face tem a cor amarelada típica dos moribundos. “A senhora é parente dele?” A voz do médico arranca a Irmã Petra de seus pensamentos. — “Não, mas vou cuidar dele”, responde ela espontaneamente. — “Infelizmente não há muito que fazer, ele está morrendo”. O médico meneia apenas a cabeça e sai. A Irmã Petra senta-se perto de Paul, toma sua mão e reza longamente. Depois, tristonha, retorna à casa paroquial. No dia seguinte volta novamente ao Hospital, já preparada para receber a má notícia da morte de Paul… — “Não, o que é isso?” Ela não crê no que seus olhos vêem. Paul está sentado, ereto em sua cama, com a barba feita. Com olhos bem abertos e vivos, ele vê com alegria a freira que se aproxima. Uma expressão de inefável alegria cintila de sua face radiante. Petra mal acredita no que está vendo e pensa: — “É este realmente o homem que ainda ontem lutava contra a morte?” — “Paul, é incrível o que se passou. Você está praticamente ressuscitado. Você está irreconhecível. O que aconteceu com você?”. — “É, foi ontem à noite, pouco depois que você foi embora. Eu não estava nada bem. Porém, de repente, vi alguém de pé junto à minha cama. Belo, indescritivelmente esplendoroso… Você não pode nem imaginar! Ele sorriu para mim e me disse: ´Paul, sou eu, Jesus. Venho te visitar´”. * * * A partir desse dia Paul não tomou mais sequer uma gota de álcool. A Irmã Petra lhe conseguiu um quartinho na casa paroquial e um emprego de jardineiro. A sua vida transformou-se inteiramente desde aquele Natal. Paul encontrou novos amigos na paróquia. E, sempre que pode, ajuda a Irmã Petra em seus afazeres. Uma coisa, porém, permaneceu a mesma: Quando anoitece, Paul esgueira-se na Igreja, assenta-se diante do Tabernáculo e diz: “Jesus, sou eu, o Paul. Vim Te visitar”. Autor: Jürgen Wetzel. Conto publicado in Wöchentliche Depesche christlicher Nachrichten, RU 50/2010.

  • O DIVINO MESTRE NA CIÊNCIA DA CRUZ

    O Divino Mestre na ciência da Cruz. 1º Lição: Não devemos escolher as cruzes, devemos aceitar as que Deus nos dá. No dom da minha Cruz não queiras escolher; Eu sei melhor que tu quanto podes sofrer. 2º Lição: Não devemos arrastar a cruz, mas leva-la aos ombros. Não devemos envergonharmos dela, mas gloriar-nos. A minha santa Cruz, se pesada te for, não busques outra coisa, é por falta de amor. 3º Lição: Não devemos levar a cruz com ostentação, mas humildemente. Da minha Cruz abate o teu querer, sofrendo o peso seu sem te ensoberbecer. 4º Lição: Não devemos ir adiante, mas atrás. Ao alto do Calvário em vão te elevarás, se sobes lá sem Mim, tu não me agradarás. 5º Lição: Para levar a cruz como cumpre, é necessário não perder Jesus de vista. Se queres não temer agruras da jornada, vem, segue o teu modelo à Divina morada. 6º Lição: Devemos levar a cruz todos os dias, sem nunca a largarmos. Na jornada da dor caminha sem cessar, que todo o teu sofrer Eu sei-o avaliar. 7º Lição: Não devemos diminuir nem cortar nada à cruz. Em vão tentas, em vão, teus males abrandar; a Mim é que pertence as penas mitigar. 8º Lição: Devemos animar-nos com o pensamento dos fins últimos. Aprende a recordar o fim que os males tem, e tomarás a Cruz por teu único bem. 9º Lição: Devemos animar-nos com o pensar no céu. Feliz o que escolheu sofrer por teu Jesus, a coroa é prometida aos amantes da Cruz. 10º Lição: A alma, que é toda de Deus, ama a sua cruz. Sofrer por Deus, amado, encerra tal doçura, que o próprio sofrimento é perfeita doçura. Retirado do Manual de piedade Christã, para uso dos fieis e pessoas devotas

  • DO AMOR À SOLIDÃO – SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

    Ducam eam in solitudinem, et loquar ad cor eius “Eu a levarei à solidão e lhe falarei ao coração” (Os. 2, 14). Sumário. Deus não costuma geralmente falar-nos no meio dos tumultos e negócios mundanos, pelo receio de não ser entendido. Quando quer elevar uma alma a um grau eminente de perfeição, excita-a a que se retire para algum lugar solitário, longe da conversação com as criaturas. Ali é que lhes fala ao coração, as ilumina e abrasa em seu amor divino. Se quisermos, pois, ouvir a voz de Deus, amemos a solidão e procuremos, o mais possível, ter vida retirada afim de tratarmos a sós com Deus. I. Deus não se deixa achar nos tumultos do mundo, pelo que os santos procuravam os desertos mais horrendos, as espeluncas mais ocultas, afim de se subtraírem à sociedade dos homens e conversarem a sós com Deus. São Hilarion mudou repetidas vezes de um deserto para outro, sempre em busca do mais solitário, onde não encontrasse pessoa alguma com quem conversar e finalmente morreu num deserto de Chipre, depois de ter vivido ali cinco anos. Quando São Bruno foi chamado pelo Senhor a deixar o mundo, foi, com seus companheiros, ter com São Hugo, bispo de Grenoble, afim de que lhes assinasse em sua diocese um lugar deserto; e São Hugo indicou-lhes a Cartucha, que pela sua atrocidade antes era própria para antro de feras do que para morada de homens. Certo dia, disse o Senhor à Santa Teresa: “Eu quisera falar a muitas almas; mas o mundo faz tanto tumulto em seu coração, que minha voz não pode ser ouvida.” Deus não fala no meio dos rumores e negócios do mundo, cuidando que, se falasse, não seria ouvido. A voz de Deus são as inspirações santas, as luzes e os convites, com que ilumina os santos e os inflama no amor divino; mas quem não ama a solidão, fica privado desta voz divina. Deus diz: “Eu a levarei à solidão e lhe falarei ao coração.” Quando Deus quer elevar uma alma a um grau eminente de perfeição, inspira-lhe a idéia de se retirar para algum lugar solitário, e ali, longe das conversações com as criaturas, fala-lhe aos ouvidos, não do corpo, mas do coração, e assim a ilumina e a abrasa em seu divino amor. Pelo que São Bernardo dizia que tinha aprendido a amar a Deus muito mais nos bosques, entre os carvalhos e as faias, do que nos livros e no trato com os servos de Deus. — E São Jerônimo, que deixou as delícias de Roma para se encerrar na Gruta de Belém, exclamava: “Ó solidão bem aventurada, na qual o Senhor trata familiarmente com as almas suas diletas e lhes faz ouvir essas palavras que liquefazem os corações no santo amor!” II. Ensina a experiência que o trato com o mundo e o empenho para aquisição dos bens temporais nos fazem esquecidos de Deus. Mas o que nos restará na hora de morte de todos os trabalhos e de todo o tempo gasto nas coisas da terra, senão remorsos de consciência? Na morte acharemos somente o pouco que tivermos feito ou padecido por Deus. E porque então não nos afastamos do mundo, antes que o mundo se afaste de nós? Sedebit solitarius, et tacebit (1) — “Sentar-se-á o solitário, e ficará em silêncio”. O solitário não está em movimento contínuo, como outrora entre os negócios do mundo, mas sentar-se-á — ficará em repouso. Ele ficará em silêncio; para ser feliz não irá buscando os bens materiais; porquanto, elevado acima de si mesmo e acima de todas as coisas criadas, achará em Deus todo o bem e toda a sua felicidade. — É com razão que Davi desejava ter as asas da pomba, afim de deixar a terra e não lhe tocar nem sequer com os pés e assim achar repouso para sua alma (2). Mas já que, enquanto estivermos com vida, não nos é dado deixar a terra, procuremos ao menos amar o recolhimento o mais possível, tratando a sós com Deus, afim de termos força para evitar as faltas, quando tenhamos de tratar com o mundo. É o que fazia o mesmo Profeta Real até no meio das ocupações do governo de seu reino: Ecce elongavi fugiens, et mansi in solitudine (3) — “Eis aqui, me afastei fugindo e permaneci na solidão”. Ó Deus de minha alma, tomara que sempre tivesse pensado em Vós e não nos bens desta terra! Amaldiçôo os dias em que, buscando as satisfações terrestres, Vos ofendi, ó meu soberano Bem. Oh! Tivesse Vos amado sempre! Tivesse antes morrido e nunca Vos tivesse ofendido! Ai de mim! Já a morte se aproxima e ainda me vejo apegado ao mundo. Meu Jesus, tomo hoje a resolução de abandonar tudo e de ser todo vosso. Vós sois Todo-Poderoso, Vós me deveis dar força para Vos ser fiel. — Ó Maria, Mãe de Deus, rogai a Jesus por mim. (II 295.) Thren. 3, 28. 2. Ps. 54, 7. 3. Ps. 54, 8. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III – Santo Afonso Maria de Ligório

  • Santo Ambrósio- Epístola XVII (Protesto contra a reedificação do altar da deusa vitória no senado)

    ”Esta Epístola foi escrita quando Símaco enviou seu memorial a Valentiniano II. Santo Ambrósio pressiona o imperador na consideração de que é seu dever defender a religião e não a superstição. O memorial foi enviado sem a adesão dos senadores cristãos e, portanto, não representou esse corpo. Ele adverte Valentiniano que, se ele aderir ao pedido, incorrerá nas censuras da Igreja, além de agir de forma depreciativa para a memória de seu pai e irmão. Ambrósio, bispo, ao mais abençoado príncipe e imperador da maioria dos Cristãos Imperador Valentiniano. 1-Como todo homem que vive sob a influência romana ingressa no serviço militar sob vós, os imperadores e os príncipes do mundo, vocês também devem o serviço ao Deus Todo-Poderoso e a nossa fé santa. Pois a salvação, não é certa, a menos que todos adorem na verdade o verdadeiro Deus, que é o Deus dos cristãos, sob o controle de todas as coisas; pois Ele é o Deus verdadeiro, que deve ser adorado do fundo do coração; pois “os deuses dos pagãos”, como diz a Escritura, “são demônios”. 2-Atualmente todo mundo um soldado desse Deus verdadeiro, e aquele que o recebe e o adora no seu espírito mais íntimo, não traz ao Seu serviço a dissimulação, ou pretensão, mas fé e devoção. E, se bem, ele não alcança isso, pelo menos ele não deve dar nenhum semblante ao culto de ídolos e às cerimônias profanas. Porque ninguém engana a Deus, a quem todas as coisas, mesmo as coisas escondidas do coração, são manifestas. 3-Uma vez que, então, ó mais cristão dos imperadores, é exigido de você ao Deus verdadeiro fé e zelo, cuidado e devoção pela fé. Pergunto-me como a esperança se elevou a alguns, que você sentiria que era um dever restaurar por seu comando altares aos deuses dos pagãos e fornecer os fundos necessários para sacrifícios profanos; Por tudo o que tem sido reivindicado pelo tesouro imperial ou da cidade, você parecerá dar, em vez disso, de seus próprios fundos, do que restaurar o que é dele. 4-E eles estão reclamando de suas perdas, que nunca pouparam nosso sangue, que destruíram os próprios edifícios das igrejas. E eles pedem que lhes conceda privilégios, que, na última lei juliana, nos negaram o direito comum de falar e ensinar, e os privilégios pelos quais os cristãos também foram muitas vezes enganados; pois por esses privilégios eles tentaram atrapalhar alguns, em parte por inadvertência, em parte para escapar do ônus das consultas públicas; e, já que todos não se mostram corajosos, mesmo sob os príncipes cristãos, muitos apostataram. 5-Se essas coisas não fossem abolidas, eu poderia provar que elas deveriam ser eliminadas por sua autoridade; mas desde que elas foram proibidas e proibidas por muitos príncipes em quase todo o mundo e foram abolidas em Roma por Graciano de augusta memória, o irmão de sua Clemência, em consideração à verdadeira fé, e anulado por um rescrito; não faça, eu rogo a você, arrancar o que foi estabelecido de acordo com a fé, nem rescinda os preceitos do seu irmão. Em questões civis, se ele estabeleceu algo, ninguém pensa que deve ser tratado de forma leve, enquanto um preceito sobre a religião é pisado debaixo do pé. 6-Que ninguém se aproveite a sua juventude; Se é um pagão que exige isso, não é certo que ele vincule sua mente com os laços de sua própria superstição; Mas, pelo seu zelo, ele deve ensinar e admoestar você como ser zeloso pela verdadeira fé, pois ele defende coisas vãs com toda a paixão da verdade. Eu mesmo aconselho você a submeter-se aos méritos de homens ilustres, mas, sem dúvida, Deus deve ser preferido sobre todos. 7-Se tivermos que fazermos uma consulta sobre assuntos militares, a opinião de um homem experiente em guerra deve ser esperada e seu conselho seja seguido; Quando a questão diz respeito à religião, pense em Deus. Ninguém está ferido porque Deus está diante dele. Ele mantém sua própria opinião. Você não obriga um homem contra sua vontade a adorar o que ele não gosta. Deixe que a mesma liberdade seja dada a você, ó imperador, e deixe cada um suportá-la com paciência,ele não poderia extorquir do imperador o que o faria se sentir mal se o imperador extorquisse ele. Um espírito de discórdia é desagradável para os próprios pagãos, pois todos devem defender e manter livremente a fé e o propósito de sua própria mente. 8-Mas, se houver, cristãos em nome, que pensem que tal decreto deve ser feito, não deixe as palavras nuas induzir sua mente em erro, não esqueçam palavras que o enganam. Quem aconselha isso, e quem o decretar, seja sacrificado. Mas é mais tolerável que um seja sacrificado do que vários. Neste momento o senado dos cristãos está em perigo. 9-Se hoje algum imperador pagão construir um altar que Deus não permita, aos ídolos, e obriga os cristãos a se juntarem ali para estar entre os que estavam sacrificando, de modo que a fumaça e as cinzas do altar, as faíscas do sacrilégio, a fumaça da queima poça sufocar a respiração e a garganta dos fiéis; e deve julgar nesse tribunal onde os membros foram obrigados a votar depois de jurar no altar de um ídolo (porque eles explicam que um altar está tão colocado para esse propósito, que toda assembléia deve deliberar sob sua sanção, como eles supõem, embora o Senado esteja formado por uma maioria de cristãos), um cristão obrigado a uma escolha como essa e vir ao Senado, consideraria que seria uma perseguição, o que muitas vezes acontece, pois eles são obrigados a se unir, mesmo pela violência . Esses cristãos, quando você é imperador, são obrigados a jurar em um altar pagão? O que é um juramento, além de uma confissão do poder divino daquele a quem você invoca como observador por sua boa fé? Quando você é Imperador, isso é procurado e exigido, que você deve ordenar um altar a ser construído e bancar o custo dos sacrifícios profanos a serem concedidos. 10-Mas isso não pode ser decretado sem sacrilégio, pelo que imploro que você não decrete ou ordene, nem se inscreva em nenhum decreto desse tipo. Eu, como sacerdote de Cristo, invoco sua fé, todos nós, bispos, nos juntaríamos para convocá-la, se não fosse um relatório tão repentino e incrível, que qualquer coisa sugerida no seu conselho, ou solicitada pelo senado. Mas longe do Senado ter solicitado isso, alguns pagãos estão fazendo uso do nome comum. Pois, há quase dois anos, quando a mesma tentativa foi feita, Santo Dâmaso, Bispo da Igreja Romana, eleito pelo julgamento de Deus, enviou-me um memorial, que os senadores cristãos em grande número apresentaram, protestando que eles não haviam dado nenhuma autoridade, que não concordaram com tais pedidos dos pagãos, nem consentiram neles, e declararam, publicamente e em particular, que não viriam ao Senado, se tal coisa fosse decretada. É aceitável a dignidade dos vossos, isto é, os tempos cristãos, que os senadores cristãos deveriam ser privados da sua dignidade, para que se dê efeito à vontade profana dos pagãos? Este memorial que enviei ao seu irmão de Clemência, deixou claro que o Senado não havia emitido nenhuma ordem sobre as despesas de superstição. 11-Mas talvez seja dito, por que eles não estavam presentes no Senado quando essas petições foram feitas? Ao não estarem presentes, eles dizem suficientemente o que eles desejam, eles disseram o suficiente no que eles disseram ao Imperador. E nos perguntamos se essas pessoas privam as pessoas em Roma da liberdade de resistir, que não querem que você seja livre para não comandar o que não aprova ou para manter sua própria opinião? 12-E, lembrando-me da legação que me foi confiada, invoco novamente a sua fé. Eu invoco seus sentimentos para não determinar responder de acordo com esta petição dos pagãos, nem contribuir com o sacrilégio com sua inscrição. Consulte o pai da sua piedade, o Imperador Teodósio, que você costumava consultar em quase todos os assuntos de maior importância. Nada é maior do que a religião, nada mais exaltado do que a fé. 13-Se fosse uma causa civil, o direito de resposta seria reservado à parte contrária; É uma causa religiosa, e eu o bispo faço uma reivindicação. Deixe uma cópia do memorial que foi enviado me seja dada, para que eu possa responder mais completamente e, em seguida, deixe o seu pai de Clemência ser consultado sobre todo o assunto e dar uma resposta. Certamente, se qualquer outra coisa for decretada, nós, bispos, não podemos sofrer silenciosamente e não sermos afetados; você pode de fato vir para a igreja, mas não encontrará nenhum padre lá, ou alguém que resistirá a você. 14-O que você vai responder a um sacerdote que lhe diz: “A igreja não busca seus dons, porque você adornou os templos pagãos com presentes. O Altar de Cristo rejeita seus dons, porque você fez um altar para ídolos, pois a voz é sua, a mão é sua, a subscrição é sua, a ação é sua. O Senhor Jesus recusa e rejeita seu serviço, porque você serviu os ídolos, pois Ele disse: “Você não pode servir dois senhores”. Mateus 6:24 As virgens consagradas a Deus não têm privilégios de você, e as virgens vestais os reivindicam? Por que você pede aos sacerdotes de Deus, se você preferiu as petições profanas dos pagãos? Não podemos fazer parte dos erros dos outros “. 15-O que você responderá a estas palavras? Que vocês caiu porque é apenas um menino? Toda idade é perfeita em Cristo, toda idade está cheia de Deus. Nenhuma infância é permitida na fé, pois mesmo as crianças confessaram Cristo contra seus perseguidores com boca destemida. 16-O que você vai responder ao seu irmão? ele não lhe dirá: “Eu não senti que fui superado, porque eu deixei você como Imperador, não me aflijei de morrer, porque eu tive você como meu herdeiro, não deplorei em deixar meu comando imperial porque Eu acreditava que os meus mandamentos, especialmente os que dizem respeito à religião divina, durariam por todas as idades. Eu tinha montado esses memoriais de piedade e virtude, ofereci esses despojos obtidos do mundo, esses troféus de vitória sobre o diabo, estes que eu ofereci como ganhado do inimigo de todos, e neles há a vitória eterna. O que mais meu inimigo poderia tirar de mim? Você revogou meus decretos, que até agora ele que tomou as armas contra mim não fez. Agora eu recebo uma ferida mais terrível em que meus decretos são condenados por meu irmão. Minha melhor parte está em perigo por você, isso além de ser apenas a morte do meu corpo, é da minha reputação. Agora meu poder é anulado e o que é mais difícil, anulado por minha própria família, e é anulado, aquilo que até mesmo meus inimigos falaram bem em mim. Se você consentir por sua própria vontade, você condenou a fé que era minha; Se você ceder de forma involuntária, você traiu a sí próprio. Então, também, o que é mais grave, estou em perigo por sua pessoa”. 17-O que você vai responder ao seu pai também? Quem, com maior dor, irá dirigir-se a você, dizendo: “Você me julgou muito mau, meu filho, quando você supôs que eu poderia ter engendrado com os pagãos. Ninguém nunca me disse que havia um altar na Casa do Senado Romano, eu nunca acreditariam em tal maldade, que os pagãos sacrificassem na assembléia comum de cristãos e pagãos, isto é dizer que os gentios deveriam insultar os cristãos que estavam presentes e que os cristãos deveriam ser obrigados contra sua vontade a estar presentes nos sacrifícios. e vários crimes foram cometidos enquanto eu era Imperador. Puni conforme eram detectados, se alguém escapou, deve-se dizer que eu aprovei o que ninguém me informou? Você me julgou muito mau, se uma superstição estrangeira e não a minha própria fé preservou o império “. 18-Portanto, ó Imperador, já que você vê que, se você decretar qualquer coisa desse tipo, será feita uma lesão, primeiro a Deus e, em seguida, a seu pai e seu irmão, imploro que você faça o que você sabe ser rentável para sua salvação diante de Deus.”

  • VIRGINDADE PERPÉTUA DE NOSSA SENHORA E OS IRMÃOS DE JESUS

    Virgindade perpétua de Nossa Senhora e os “irmãos” de Jesus. Jesus Cristo é o Verbo de Deus, isto é, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Filho de Deus. O Filho Unigênito de Deus se encarnou, no tempo, no seio da Virgem Maria, por obra do Espírito Santo. Era extremamente conveniente que Cristo fosse concebido de modo virginal, porque, ele devia nascer como qualquer homem, se não se negaria a sua humanidade. Mas Ele devia ser concebido miraculosamente, para que se compreendesse que Ele era Deus. Cristo nasceu de uma mulher, para provar que era homem. Nasceu de uma Virgem, para ficar claro que Ele era Deus Por isso é que o Profeta Isaías, séculos antes, anunciou que “Pois por isso, o mesmo Senhor vos dará este sinal: uma Virgem conceberá e dará à luz a um filho, e o seu nome será Emanuel” (Is. VII , 14). Que Nossa Senhora concebeu a Jesus virginalmente, vejo que você compreende, aceita e crê, pois que isso está revelado no Evangelho de São Lucas ,onde se lê: “Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galiléia, chamada Nazareth, a uma virgem desposada com um varão, chamado José, da casa de Davi. E o nome da Virgem era Maria” (Luc.I, 26-27). Que Nossa Senhora permanecesse Virgem depois do parto de Jesus, era também muitíssimo conveniente, porque: 1* Porque sendo Jesus, o Filho unigênito de Deus Pai — o Verbo ou Sabedoria de Deus — convinha que também na terra Ele fosse unigênito. 2* Porque, se Ele tivesse tido irmãos carnais, pensar-se -ia que esses irmãos também seriam deuses, causando o politeísmo e heresia. 3* Porque Deus fez um paraíso para Adão apenas. Fez um Paraíso para os homens no céu. E fez um Paraíso só para si, que foi Maria. É o que diz São Luis de Montfort. 4* Porque convém absolutamente — mais — é necessário que Deus só tenha uma esposa, assim como é necessário que Ele tenha uma só Igreja. Por isso, assim também a esposa só pode ter um esposo. E Maria só devia ter um esposo real: o próprio Deus, e manter-se virgem por toda a vida. 5* Porque era muito necessário, para nós, que fosse assim, para compreendermos o alto valor da Virgindade, pois que a Virgem mais fecunda, aquela que gerou em seu seio o próprio Deus encarnado, quis se manter Virgem, como deveremos nós prezar a virgindade e a pureza, nós que geramos filhos, sem valor, se comparados com o dela? 6* Sempre existe semelhança entre mãe e filho. Também entre Nossa Senhora e Jesus deve haver semelhança maior do que a normal. Maria foi feita por Deus o quanto possível semelhante e proporcionada a seu Filho santíssimo. Como Jesus se manteve virgem sempre, convinha imensamente que Maria, também nisto, fosse proporcionada a Cristo, e permanecesse perpetuamente virgem. 7* O matrimônio é monogâmico. Ora, se Maria tivesse tido filhos de outrem que não o Espírito Santo, seu Divino esposo, isso seria uma aberração, semelhante ao adultério. Esposa do Divino Espírito Santo uma vez, Maria devia se conservar sua esposa fiel sempre. O PROBLEMA DOS “IRMÃOS” DE JESUS Muitos hereges, no passado, ousaram, de modo blasfemo, duvidar da virgindade perpétua de Nossa Senhora. Para sofimar sobre isto, eles alegavam os textos dos evangelhos que falam dos “Irmãos” de Jesus. Nos tempos modernos, os protestantes repetiram essa blasfêmia contra a Mãe do Senhor. E, explorando a ignorância das massas, eles espalham sua heresia no meio do povo mais simples. Com efeito os evangelistas falam, em várias passagens desses “irmãos” de Jesus. Se Jesus teve irmãos, argumentam esses hereges, Maria não foi sempre virgem. Como responder a esse problema? Permita-me passar-lhe cópia da resposta a essa questão feita pelo autor de um livro muito útil: Lúcio Navarro, Legítima Interpretação da Bíblia, Campanha de Instrução religiosa, Brasil-Portugal, Recife, 1958 n º 400, pp.590 a 592 inclusive. “400. Diante da frase de S. Mateus vista no número anterior, o leitor ainda poderá compreender como se tenham equivocado os protestantes, iludindo-se com as aparências. Mas agora vai pasmar ao ver a malícia, a precipitação com que esses enfatuados intérpretes da Bíblia que a lêem continuamente e procuram aprendê-la de cor, ainda vão tirar da expressão IRMÃOS DE JESUS uma conclusão. contra a virgindade perpétua do Maria Santíssima. Senão, vejamos. Sabemos que a Escritura não somente designa com o nome de Irmãos aquêles que são filhos do mesmo pai ou da mesma mãe, como eram Caim .Abel, Esaú e Jacó, S. Tiago Maior e S. João Evangelista (que eram filhos de Zebedeu) etc.; mas também aqueles que são parentes próximos, como tios e primos. – A Escritura está cheia destes exemplos. Abraão chama de Irmão a Lot: “Peço-te que não haja rinhas entre mim e ti, nem entre os meus pastores e os teus, porque somos IRMÃOS (Gênesis, XIII-8). Mais adiante a própria Bíblia o chama assim: “Abraão, tendo ouvido que Lot, seu IRMÃO, ficara prisioneiro… (Gênesis XIV-14). Pois bem, “Lot era apenas sobrinho de Abraão, pois já antes disto se lê no Gênesis: “Tinha Abraão setenta e cinco anos, quando saiu de Harã. E ele levou consigo a Sarai, sua mulher, a Lot, FILHO DE SEU IRMÃO, E todos os bens que possuíam (Gênesis XII-4 e 5). Labão, diz a Jacó: “Acaso, porque tu és meu IRMÃO, deves tu servir-me de graça ? (Gênesis XXIX-15). E no entanto Jacó era SOBRINHO de Labão:Isaac chamou a Jacó e o abençoou e lhe pôs pôr preceito dizendo: “Não tomes mulher da geração de Canaã; mas vai e parte para a Mesopotimia … e desposa-te com uma das filhas de Labão, TEU TIO”” (Gênesis, XXVIII -l e 2). Realmente Jacó era filho de Isaac com Rebeca (Gênesis XXV, 21 a 25) e Rebeca era irmã de Labão: “Rebeca, porém, tinha um irmão chamado Labão (Gênesis, XXIV-29). E, no entanto, não só como vimos acima, seu tio o chama IRMÃO, mas também quando Jacó se encontra com Raquel, que é filha de Labão (Gênesis XXIX-5 e 6), diz à moça que é IRMÃO de Labão: “E lhe manifestou que era IRMÃO de seu pai, filho de Rebeca (Gênesis XXIX-12). Lê-se no Levítico que Nadab e Abiu, FILHOS de ARÃO (Levítico X-1) são mortos pôr castigo, pôr terem oferecido um fogo estranho nos seus turíbulos. Moisés chama os primos dos que faleceram: Misael e Elisafan, FILHOS de Oziel, TIO DE ARÃO (Levítico X-4) e lhes diz: ide, tirai vossos IRMÃOS de diante do santuário e levai-os para fora do campo (Levítico X-4). Lê-se no livro de Paralipômenos que Eleazar e Cis são filhos de Moholi: “FILHOS DE MOHOLI: Eleasar e Cis”(I Paralipômenos XXIII-21), portanto Irmãos no verdadeiro sentido da palavra. Eleazar só teve filhas e não filhos; as filhas dele se casaram com os filhos de Cis. Espera-se que a Escritura diga: casaram-se com os filhos de Cis, que eram seus primos; mas ela diz: com os filhos de Cis, seus IRMÃOS: “E SEUS IRMÃOS (I PARALIPÔMENOS, XXIII-22). Eleazar morreu e não teve filhos, senão filhas; e casaram com os filhos de Cis, É dentro deste costume hebreu de designar com o nome de IRMÃOS, não só os que têm os mesmos pais, senão também os parentes próximos como tios, primos e sobrinhos, pois o hebraico não possuía palavras próprias para designar esses parentescos, que o Novo Testamento fala em IRMÃOS DE JESUS E É O próprio Novo Testamento QUE SE ENCARREGA DE. DEMONSTRÄ-LO. Querem ter a PROVA nossos amigos protestantes? Dá alguma vez o Evangelho os nomes desses irmãos de Jesus, para que possamos identificá-los? Sim, dá. Sabe-se dos nomes, pelo menos de 4: Tiago, José, Judas e Simão: “Não é este o oficial, filho de Maria, IRMÃO de TIAGO, de José, de JUDAS E de SIMAO? N(MARCOS, I-3). “PORVENTURA NÃO É ESTE O FILHO DO OFICIAL ? NÃO SE CHAMA SUA MÃE MARIA, E SEUS IRMÃOS TIAGO, JOSÉ, SIMAO E JUDAS? E SUAS IRMÃS NÃO VIVEM ELAS TODAS ENTRE NÓS? (MATEUS, XIII-55 E 56).ão vivem aqui entre nos também suas irmãs ? Pois bem, este TIAGO que encabeça a lista é um Apóstolo, pois diz S. Paulo na Epístola aos Gálatas: “E dos outros APÓSTOLOS não vi a nenhum, senão a TIAGO, IRMÃO DO SENHOR (Gálatas, 1-19). Quer dizer então que, segundo a opinião desses protestantes, este Tiago Apóstolo era filho de Maria, mãe de Jesus; e de Maria e de José, porque, como os próprios protestantes reconhecem, Maria nunca teve filhos antes de seu casamento com José. E não se casou com outro depois da morte de José, pois na hora da morte de Cristo, ela está sozinha, sem marido e Cristo a entrega a S. João Evangelista; além disto se Maria tivesse casado outra vez, seus filhos estariam pequenos, não estariam em idade de ser Apóstolos. ” Temos 2 Apóstolos com o nome de Tiago: Tiago Maior, e Tiago Menor. Vamos ver se algum deles era filho de José com Maria. S. Tiago Maior era irmão de S. João Evangelista, e ambos FILHOS DE ZEBEDEU: “Da mesma sorte havia deixado atônitos a TIAGO e a. JOÃO, FILHOS DB ZEBEDEU (Lucas V-IO). S. Tiago Menor, que era irmão de Judas, era filho de ALFEU. Entre os Apóstolos, que são enumerados pôr S. Mateus, estão: Tiago FILHO DE ZEBEDEU, e Tiago FILHO DE ALFEU (Mateus X-3). Que tem a ver Maria Santíssima com este Alfeu ou com este Zebedeu? Logo, este Tiago, IRMÃO DO SENHOR, não é seu filho. Além disto, comparando-se os Evangelhos, se vê claramente que este Tiago « este José que encabeçam a lista são PRIMOS de Jesus», e o Tiago é o Apóstolo Tiago Menor. Enumerando as mulheres que estavam juntamente com Maria ao pé da cruz, Mateus, Marcos e João as identificam da seguinte maneira: Mateus XXVII- 56 Marcos XV – 40 João XIX – 25 Maria, mãe de Tiago e de José; Maria, mãe de Tiago Menor e de José; a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cleofas Maria Madalena; Maria Madalena Maria Madalena a mãe dos filhos de Zebedeu. Salomé Por aí se vê que a mesma Maria que é apresentada por São João como tia de Jesus (Irmã de sua mãe) é apresentada por São Mateus e S. Marcos como mãe de TIAGO MENOR E de José. E é claro que não se trata de Maria Salomé, que é a mãe dos filhos de Zebedeu e, portanto, é mãe de Tiago Maior. Tiago Menor e José são, portanto, PRIMOS de Jesus e são os primeiros que. encabeçam aquela lista: TIAGO, JOSÉ, JUDAS E SIMÃO E de fato o Apóstolo S. Judas Tadeu era irmão de S. Tiago Menor, pois ele diz no começo de sua Epístola: “Judas, servo de Jesus Cristo e IRMÃO de Tiago (vers. l.). Tanto o Evangelho de S. Lucas (VI-16) como os Atos dos Apóstolos (1-13) para diferenciarem Judas Tadeu de Judas Iscariotes, chamam a Judas Tadeu: Judas, irmão de Tiago. E assim cai pôr terra fragorosamente a alegação dos protestantes de que Maria teve outros filhos além do Divino Salvador, alegação baseada em que o Evangelho fala em IRMÃOS DE JESUS. Não só provamos que entre os hebreus se chamavam IRMÃOS os parentes próximos, mas também mostramos que a lista dos nomes apresentados como sendo destes IRMÃOS é logo encabeçada pôr DOIS PRIMOS, Filhos da irmã da mãe de Jesus. Logo, não tem nenhum valor a alegação. A única dificuldade, esta agora já sem importância, que pode fazer o protestante é que Tiago Menor é filho de ALFEU, e sua mãe é apresentada COMO MULHER DE CLEOFAS. Sem precisar recorrer a nenhum argumento de tradição (porque talvez os protestantes não gostem disto) temos que observar o seguinte: l.0 — o texto original não diz MULHER DE CLEOFAS, mas diz simplesmente: a irmã de sua mãe, Miaria, a do Cleofas (texto grego de João XIX-25); podia chamar-se Maria, a do Cleofas, pôr causa do pai ou pôr outro qualquer motivo; 20 — não repugna que a mesma Maria se tenha casado com Alfeu e dele tenha tido S. Tiago Menor, e depois se tenha casado com Cleofas e tido outros filhos ou mesmo deixado de ter. Tiago é o único que é apontado nos Evangelhos como filho deste Alfeu, pois o Alfeu, pai de S. Mateus (Marcos 11-14) já deve ser outro; 3.° — não repugna que o próprio Alfeu seja o mesmo Cleofas. É muito comum nas Escrituras uma pessoa ser conhecida pôr 2 nomes diversos: O sogro de Moisés é chamado Raguel (Êxodo 11-18 a 21) e logo depois é chamado Jetro (Êxodo, III – l). Gedeão, depois de ter derribado o altar de Baal é chamado também Jerobaal (Juizes, VI-32). Osias, rei de Judá, é chamado também Azarias (4 Reis, XV-32; I Paralipômenos, III-12). E no Novo Testamento o mesmo Mateus é chamado Levi: “Viu um homem, que estava assentado no telônio, chamado Mateus (Mateus, IX-9) . “Viu a Levi, filho de Alfeu, assentado no telônio (Marcos, 11-14). O mesmo que é chamado José é chamado Barsabas (Atos, I, 23). Ainda hoje mesmo, entre nós, nas nossas localidades do interior principalmente, é multo comum esta duplicidade de nomes. Seja Alfeu o mesmo Cleofas ou não seja. Isto pouco importa. 0 que é fato é que Maria de Cleofas é Irmã de Maria, mãe.de Jesus e é ao mesmo tempo mãe de Tiago e de José, que são chamados IRMÃOS do Senhor” (Lúcio Navarro, Legítima Interpretação da Bíblia, Campanha de Instrução religiosa, Brasil- Portugal, Recife, 1958 n0 400, pp.590 a 592 inclusive). Fizemos questão de copiar essa brilhante exposição de Lúcio Navarro, porque ela não deixa margem a dúvida: Irmãos de Jesus eram primos dEle, e não Irmãos de sangue. Logo, Maria Santíssima só teve um Filho gerado nela por obra do Espírito Santo: Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem. Maria Santíssima foi sempre Virgem. A IGREJA SEMPRE ACREDITOU NA VIRGINDADE PERPÉTUA DA MÃE DE DEUS Respondida assim, e de modo brilhante, a mentira sacrílega dos protestantes, vejamos como toda a Tradição da Igreja sempre acreditou na Virgindade perpétua de Maria Santíssima. Os Padres da Igreja sempre defenderam a Virgindade perpétua de Nossa Senhora São Jerônimo, combatendo o herege Helvídio, que negava blasfemamente a virgindade perpétua de Nossa Senhora, afirmou que a unanimidade dos Santos Padres defendeu a virgindade perpétua da Virgem Maria. (Santos Padres são os grandes santos e doutores, discípulos dos Apóstolos, e os grandes Santos e Doutores dos primeiros séculos do Cristianismo). Santo Ambrósio escreveu: “Hove quem negasse que Maria tivesse permanecido virgem. Desde muito temos preferido não falar sobre este tão grande sacrilégio. Maria (…) que é mestra da virgindade, (…) não podia acontecer que aquela que em si tinha trazido Deus , resolvesse andar às voltas com um homem. Nem José, varão justo, cairia nessa loucura de querer misturar-se com a mãe do Senhor, em relação carnal”.( De Inst. Virg. I , 3). Santo Hilario de poitiers defende a virgindade perpétua de Maria Santíssima, e acusa os que dizem o contrário, de serem irreligiosos. Santo Epifânio diz; “De onde vem esta perversidade? De onde é que irrompeu tamanha audácia? Porventura o próprio nome não é suficiente atestado? Quem jamais houve, em tempo algum, que ousasse proferir o nome de Maria e espontaneamente não lhe acrescentasse a palavra virgem? O nome de Virgem foi dado a Santa Maria, nem se mudará nunca, ela sempre permaneceu ilibada (Panarion, Contra os hereges). São Jerônimo disse contra o herege Helvídio que citamos, que assim como um homem havia queimado o templo da deusa Diana em Éfeso só para ser conhecido assim fizera Helvídio com a Virgindade de Maria Santíssima: “Tu incendiaste o templo do corpo do Senhor. Contaminaste o santuário do Espírito Santo do qual pretendes ter saído uma quadra de irmãos e um montão de irmãs. Argumentas com o que dizem os judeus: “Por ventura não é este o filho do carpinteiro? Não se chama Maria a sua mãe e seus irmãos Tiago e José, e Simão, e Judas? E suas irmãs, não vivem elas todas entre nos? (Mt. XIII, 55-56). “Todas”, só se diz de uma multidão. Pergunto: quem te ensinou semelhante blasfêmia? Quem é que te levava em conta? Mas agora conseguiste o que tu querias: tu te tronaste famoso no crime. “( Adverssus helvidius). E Santo Efrém escreveu: “Ó Virgem Senhora, Imaculada deípara (geradora de Deus), senhora minha gloriosíssima, mais sublime que os céus, muito mais pura que os esplendores, raios e fulgores solares… Vara de Aarão que germina, pareceste como verdadeira vara e a flor foi o teu Filho verdadeiro, nosso Cristo Deus e Criador meu. Tu, segundo a carne, geraste Aquele que é Deus e Verbo, conservando a virgindade antes do parto, virgem depois do parto, e fomos reconciliados com Deus teu filho”. Santo Agostinho, por sua vez exclamou: “Virgem que concebe, virgem que dá à luz, virgem grávida, virgem que traz o feto, Virgem perpétua”(Santo Agostinho, Sermones, CLXXXVI, 1, 1). Já no Credo, ou Símbolo da Fé, de santo Epifânio, que é do século IV, se proclama a virgindade perpétua de Maria Santísima, dizendo esse Credo que Cristo “foi gerado por Maria sempre virgem”( Cfr. Denziger, 17). A mesma fé é repetida pelo Concílio de Toledo, no ano 400. ( Cfr. Denziger, 20). São Sirício, Papa entre os anos 384 e 398, escreveu uma carta a Anisio, Bispo de Tessalônica, dizendo: “Em verdade, não podemos negar haver sido com justiça repreendido aquele que fala dos filhos de Maria, e com razão sentiu horror vossa santidade de que do mesmo ventre virginal do qual nasceu, segundo a carne, Cristo, pudesse ter saído outro parto. Porque não teria escolhido o Senhor Jesus nascer de uma Virgem, se tivesse julgado que esta teria de ser tão incontinente que, com sêmen de união humana, haveria de manchar o seio onde se formou o corpo do Senhor, aquele seio, palácio do rei eterno. Porque aquele que afirma isto, não afirma outra coisa do que a perfídia judaica daqueles que dizem que não pode nascer de uma Virgem. Porque, aceitando a autoridade dos sacerdotes, porém sem deixar de opinar que Maria teve muitos partos, com mais empenho pretendem combater a verdade da Fé”( S. Sirício, Papa, Carta a Anísio, Bispo de Tessalônica, em 392. Denzinger, 91). E o Concílio de Éfeso ao condenar o herege Nestório que negava a maternidade divina de Nossa Senhora declarou: “Canon 1: Se alguém não confessa que Deus é conforme a verdade o Emanuel, e que por isso a Santa Virgem é a mãe de Deus (pois deu à luz carnalmente ao Verbo de Deus feito carne) seja anátema.( Concílio de Éfeso, Anatematismos e e capitulo de Cirilo contra Nestório, em 431. Denzinger 113). São Leão Magno, Papa entre 440 -461, condenando o herege Eutiques, chefe dos monofisitas, escreveu de modo tão elevado sobre esse tema, que não tememos alongar nosso texto com a longa citação dele, pois que a beleza do estilo alivia a leitura, e a verdade afirmada da Virgindade de Nossa Senhora nos confirma na Fé: “Entra, pois, nestas fraquezas do mundo o Filho de Deus, baixando de seu trono celeste, porém não se afastando da glória do Pai, gerado por nova ordem, por novo nascimento. “Por nova ordem: porque invisível no que é seu, , se tornou visível no nosso, incompreensível, quis ser compreendido; permanecendo antes do tempo, começou a ser no tempo; Senhor do universo, tomou a forma de escravo, obscurecida a imensidade de sua majestade;Deus impassível, não desdenhou de ser homem passível, e imortal, submeter-se à lei da morte. E por novo nascimento gerado: porque a virgindade inviolada ignorou a concupiscência, e subministrou a matéria da carne. Tomada foi da mãe do Senhor a natureza, mas não a culpa; e no Senhor Jesus Cristo, gerado no seio da Virgem, não por ser o nascimento maravilhoso, é a sua natureza distinta da nossa” ( São Leão Magno, Papa, Carta Dogmática Lectis dilectionis tuae– Tomo a Flaviano – Contra Eutiques, em 449. Denzinger, 144). O II Concílio de Constantinopla de 523, V Concílio Ecumênico, decidiu em seus anatematismos sobre os chamados “três capítulos”: “Canon 9 : Se alguém não confessa que há dois nascimentos de Deus Verbo, um, do Pai, antes de todos os séculos, sem tempo e incorporalmente; outro nos últimos dias , quando o mesmo, quando Ele mesmo baixou dos céus, e se encarnou da santa gloriosa mãe de Deus e sempre Virgem Maria, e nasceu dela ; esse tal seja anátema. ( II Concílio de Constantinopla, V ecumênico, canon 9. Denzinger, 214). Repare , prezada Rosângela como, desde os primeiros tempos da Igreja, se cultuava a Nossa Senhora, coisa que os protestantes negam estes documentos servem para mostrar como os autointitulados evangélicos estão errados sobre o culto à sempre Virgem Maria. No Concílio de Latrão de 649*, se voltou a excomungar quem não confessasse que Cristo não nasceu da sempre Virgem Maria: “Canon 2 : Se alguém não confessa, de acordo com os santos padres, propriamente e conforme à verdade que o mesmo Deus Verbo, uno da santa, consubstancial, e veneranda Trindade, desceu do céu e se encarnou por obra do Espírito Santo e de Maria sempre virgem, e se fez homem, (…) seja condenado” (Concílio de Latrão — 649 *, cânon 2. Denzinger, 255). E o cânon 3 desse mesmo Concílio assim reza: “Se alguém não confessa , de acordo com os Santos Padres, propriamente e conforme a verdade por mãe de Deus a santa e sempre Virgem Maria como queira que concebeu nos últimos tempos sem sêmen por obra do espírito Santo ao mesmo Deus Verbo própria e verdadeiramente, que antes de todos os séculos nasceu de Deus Pai, e incorruptivelmente o gerou, permanecendo ela, mesmo depois do parto, em sua virgindade insissolúvel, seja condenado” (Concílio de Latrão — 649, cânon 3. Denzinger , 255). A mesma coisa foi ensinada pelo Concílio de Toledo, em 675, e pelo III Concílio de Constantinopla, em 680-681. O Concílio de roam de 993, aprovado pelo Papa João IV proclamou, mais um avez , que Cristo se encarnou por obra do Espírito Santo e “nasceu de Maria sempre Virgem” ( cfr. Denzinger , 344). Em 1215, o IV Concílio de Latrão, XII Concílio Ecumênico, convocado para condenara Gnose dos cátaros repete a mesma lição: Cristo nasceu da “sempre Virgem Maria” (Cfr. Denzinger, 429). No II Concílio de Lyon, Manuel Paleólogo foi obrigado a professar que “o Filho de Deus, Verbo de Deus, eternamente nascido do pai, consubstancial.coonipotente e igual em tudo ao Paina divindade, nasceu temporalmente so Espírito Santo e de Maria sempre Virgem”( Cfr. Denzinger, 462). A mesma doutrina foi ensinada , mais uma vez, na Bula Cantate Domino de 1441 contra os jacobitas (Cfr. Demzinger, 708). Sixto IV, em 1483 condenou aqueles que negavam a Imaculada Conceição de Maria Virgem ( Cfr. Denzinger, 735). Pio IV condenou energicamente os erros dos Unitários pela Constituição apóstolica Cum Quorundam, de 1556. Entre os erros condenados estava a negação de que Cristo não foi concebido pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, mas que teria sido concebido nela por José. (Cfr. Denzinger, 993). Todos esse documentos da Igreja demonstram que sempre se acreditou entre os católicos que Nossa Senhora foi sempre Virgem. Por: Orlando Fedeli. Publicado originalmente em: http://www.montfort.org.br/old/action.php?secao=cartas&subsecao=doutrina&artigo=20040729214346&lang=bra&action=print

  • O que disseram os santos padres com relação ao purgatório ?

    São Clemente de Alexandria (150- + 215) – “Assim, o crente, através de uma grande disciplina, se despojando das paixões, passa para a mansão que é melhor do que a anterior, a saber, ao maior tormento, levando consigo A característica do arrependimento dos pecados que cometeu após o batismo. Ele é torturado e ainda mais – ainda não alcançando o que ele vê que os outros adquiriram. Além disso, ele também tem vergonha de suas transgressões. Os maiores tormentos, de fato, são atribuídos ao crente. Pois a justiça de Deus é boa e Sua bondade é justa. E, embora as penas cessem no decorrer da conclusão da expiação e purificação de cada um, contudo, aqueles têm um sofrimento muito grande e permanente por causa dos que foram dignos da outra dobra, por não estar junto com aqueles que foram glorificados através de justiça. “(Stromata 6.14) São Cirilo de Jerusalém (315- + 386)- em sua 23ª leitura catequética descreve as várias orações oferecidas durante a sagrada liturgia. Ele comenta sobre aquela que é destinada aos mortos: ”Depois de consumado o sacrifício espiritual, o culto incruento, rogamos a Deus, sobre aquela hóstia de propiciação, em favor da paz geral das igrejas, da estabilidade do mundo, dos reis, dos exércitos e seus aliados, pelos enfermos, pelos oprimidos e em geral por todos os necessitados, pelos quais suplicamos e oferecemos este sacrifício. Em seguida, mencionamos os que já dormiram: primeiro os patriarcas, profetas, apóstolos, mártires, para que Deus em virtude’ de suas preces e intercessões, receba nossa oração. Depois, rezamos pelos nossos santos padres e bispos falecidos, e em geral por todos os que já dormiram antes de nós. Acreditamos que esta oração aproveitará sumamente às almas pelas quais é feita, enquanto repousa sobre o altar a santa e temível vítima. Quero, neste ponto, convencer-vos por um exemplo. Sei que muitos dizem: “Que aproveita à alma que passou deste mundo, em pecado ou sem ele, se a recordo na oferenda?” Se um rei porventura, banir cidadãos subversivos, mas depois os súditos fiéis tecem uma coroa e a oferecem ao rei pelos que estão cumprindo pena, não é certo que lhes concederá o perdão do castigo? Da mesma forma, nós, oferecendo a Deus preces pelos mortos, sejam ou não pecadores, oferecemos, não coroa tecida por nossas mãos, mas Cristo santificado por nossos pecados; assim, tornamos propício o Deus amigo dos homens aos pecados nossos e deles.” (Leitura Catequética nº 23) São João Crisóstomo (349- + 407) – “Não em vão foi decretado pelos apóstolos que, na maravilha dos mistérios deveriam lembrar-se dos falecidos. Eles sabiam que aqui havia muito ganho para eles, muito benefício. Pois quando o povo inteiro está com as mãos erguidas, uma assembléia sacerdotal, e essa incrível vítima de sacrifício está disposta, como, quando estamos chamando Deus, não devemos ter sucesso em sua defesa? Mas isso é feito para aqueles que se afastaram na fé, enquanto que até mesmo os catecúmenos não são considerados dignos desse consolo, mas são privados de todos os meios de assistência, exceto um. E o qual é ? Podemos dar esmola aos pobres em seu nome “(Homilia # 4 Filipenses – Patrologia Graeca 66.295 ou New Advent) São Serapião, bispo de Tmuis, Egito (+370) – Em um manuscrito do século XI encontrado no Monte Athos Laura por um certo A. Dimitrijewsky que aparentemente era pra ser um Euchologion (Missal) e cuja autoria é atribuída a Serapion of Tmuis. Consiste em 30 orações únicas, que remontam a 350 D.C. A Liturgia do Serviço Divino se assemelha à chamada Liturgia de São Marcos. F.E. Brightman colocou as orações na sequência apropriada em um texto publicado para o Journal de Estudos Teológicos, Vol. 1 (1900), pp. 880113 e 247-277. O texto padrão, no entanto, é F.X. Funl’s Didascalia Et Constitutiones Apostolorum, Vol. 2, e pode ser acessado aqui em grego e em latim. Vou citar uma tradução em inglês encontrada em William Jurgens Vol. II, página 132: “Completo também é este Sacrifício, com sua força e sua comunhão; Para você, oferecemos este sacrifício vivo, essa oblação não sangrenta … nós também o suplicamos em nome de todos os falecidos, de quem também fazem parte dessa comemoração – depois da menção de seus nomes – Santifique essas almas, pois você conhece todas elas; santifique todos os que dormiram no Senhor e conte todos eles entre as fileiras dos Seus santos e dê-lhes um lugar e morar no Seu Reino. “(Anáfora do Sacrifício Eucarístico) São Epifânio de Salamis (310- + 403) – “Além disso, quanto a mencionar os nomes dos mortos, como há algo útil nisso? O que é mais oportuno ou mais excelente do que aqueles que ainda estão aqui acreditarem que os falecidos vivem, e que eles não se retiraram para o nada, mas que eles existem e estão vivos com o Mestre? E para que esta proclamação mais augusta possa ser contada na íntegra, como eles têm esperança, que estão orando pelos irmãos como se estivessem apenas morando em uma terra estrangeira? Útil também é a oração feita em seu favor, mesmo que não refute todas as acusações culpadas que lhes foram impostas. E é útil também, porque neste mundo, muitas vezes tropeçamos voluntariamente ou involuntariamente, e, portanto, é um lembrete para melhorar. Pois fazemos a celebração para os justos e os pecadores; dos pecadores, implorando a piedade de Deus por eles; dos justos e dos Padres e Patriarcas e Profetas e Apóstolos e Evangelistas e mártires e confessores, e dos bispos e solitários … “(Panarion 75.8) Santo Agostinho de Hipona (354- + 430) – “Existe uma disciplina eclesiástica, como os fiéis sabem, quando os nomes dos mártires são lidos em voz alta nesse lugar no Altar de Deus, onde a oração não é oferecida para eles.A Oração, no entanto, é oferecida para outros mortos que são lembrados. Pois é errado orar por um mártir, de quem a oração nós devemos ser agraciados “(Sermo 159.1) “Mas, pelas orações da Santa Igreja e pelo sacrifício salvífico e pelas esmolas que são dadas para seus espíritos, não há dúvida de que os mortos são auxiliados, para que o Senhor possa lidar com mais misericórdia com eles do que seus pecados. merecem. Pois toda a Igreja observa esta prática que foi proferida pelos padres: que ora por aqueles que morreram na comunhão do corpo e do sangue de Cristo, quando são celebrados em seu próprio lugar no próprio sacrifício; e o sacrifício é oferecido também em memória deles, em seu nome. Se, então, as obras de misericórdia são celebradas por causa daqueles que estão sendo lembrados, quem hesitaria em recomendá-los, em nome de quem as orações a Deus não são oferecidas em vão? Não se deve duvidar que tais orações sejam benéficas para os mortos; mas apenas para aqueles que viveram antes da morte de uma maneira que permita que essas coisas sejam úteis para eles após a morte “(Sermo 172.2) “Nós lemos no livro de Macabeus que o sacrifício foi oferecido para os mortos. Mas, mesmo que não fosse encontrado em nenhum dos escritos do Antigo Testamento, a autoridade da Igreja universal, que é clara sobre este ponto, não é de pouco peso, onde nas orações do sacerdote derramou ao Senhor Deus em Seu altar, a oração dos mortos têm seu lugar “(The Care to be had for the Dead) “Os castigos temporais são sofridos por alguns apenas nesta vida, por alguns após a morte, por alguns aqui e a seguir; mas todos eles antes desse último e mais severo julgamento. Mas nem todos os que sofrem punições temporais após a morte chegarão a castigos eternos, que devem seguir após esse julgamento. “(Cidade de Deus, Livro 21 – Ch. 13) “Para alguns dos mortos, de fato, a oração da Igreja ou de indivíduos piedosos é ouvida; Mas é para aqueles que, tendo sido regenerados em Cristo, não passaram a vida com tanta maldade que podem ser julgados indignos de tal compaixão, nem tão bem que podem ser considerados como não precisando disso. Como também, após a ressurreição, haverá alguns dos mortos para quem, depois de terem sofrido as dores próprias dos espíritos dos mortos, a graça será concedida e a absolvição do castigo do fogo eterno. Pois, há aqueles que embora tivessem alguns cujos pecados, embora não fossem remetidos nesta vida, serão remidos naquilo que está por vir, não pode ser verdadeiramente dito: Não serão perdoados, nem neste mundo, nem naquile que está por vir “(Cidade de Deus, Livro 21 – Ch. 24/2) “Durante o tempo, além disso, que intervém entre a morte de um homem e a ressurreição final, a alma habita em um retiro escondido, onde goza de descanso ou sofre aflição apenas em proporção ao mérito que ganhou pela vida que levou na Terra . Nem se pode negar que as almas dos mortos se beneficiem da piedade de seus amigos vivos, que oferecem o sacrifício do Mediador, ou dão esmola na igreja em seu nome. Mas esses serviços são vantajosos apenas para aqueles que durante suas vidas ganharam tal mérito, que serviços desse tipo podem ajudá-los. Pois existe um modo de vida que não é tão bom para que não seja necessário esses serviços após a morte, nem tão ruim que tais serviços não sejam úteis após a morte; há, por outro lado, uma espécie de vida tão boa que não os torna necessários; e novamente, um tão ruim que, quando a vida acabou, eles não ajudam. Portanto, é nesta vida que todo o mérito ou demérito é adquirido, que pode aliviar ou agravar os sofrimentos de um homem após essa vida. Ninguém, então, deve ter esperança de que depois de morto, ele deve obter mérito para com Deus, que ele negligenciou de garantir aqui. E, consequentemente, é claro que os serviços que a igreja celebra pelos mortos não se opõem de modo algum às palavras do apóstolo: “Porque todos devemos comparecer diante do tribunal de Cristo; para que cada um receba as coisas feitas em seu corpo, de acordo com o que ele fez, seja bom ou ruim “;Pois o mérito que se presta serviços como eu chamo de lucrativo para um homem, é ganho enquanto ele mora no corpo. Não é a todos que esses serviços são lucrativos. E por que eles não são lucrativos para todos, exceto pelos diferentes tipos de vidas que os homens vivem no corpo? Quando, então, os sacrifícios do altar ou das esmolas são oferecidos em nome de todos os mortos batizados, são ofertas de agradecimento para o bem, são ofertas propiciatórias para os que não são muito ruins e, no caso dos demais , mesmo que não ajudem os mortos, são uma espécie de consolo para os vivos. E onde eles são lucrativos, o benefício deles consiste em obter uma remissão total dos pecados, ou pelo menos em tornar a condenação mais tolerável. “(The Enchiridion on Faith, Hope and Love – # 109-110) São Cesário de Arles (470- + 543) – “” Embora o Apóstolo tenha mencionado muitos pecados invejosos, no entanto, para que não parecemos promover o desespero, indicaremos brevemente o que são. Sacrilégio, assassinato, adultério, falso testemunho, furto, roubo, orgulho, inveja, avareza e, se for de longa data, a raiva, a embriaguez, se for persistente e a calúnia são contadas em seu número. Pois, se alguém souber que algum desses pecados o domina, se ele não faz a penitência dignamente e por um longo tempo, se esse tempo lhe for dado, e se ele não dá abundância de esmolas e se abstenha desses mesmos pecados, ele não pode ser purgado nesse fogo transitório do qual o Apóstolo falou [1 Cor 3], mas as chamas eternas o torturará sem qualquer remédio. Mas, como os pecados menores são, é claro, conhecidos de todos, e demorará muito para mencionar todos, será necessário que nos mencionemos apenas alguns deles. Tão frequentemente quanto alguém toma mais do que é necessário em comida ou bebida, ele sabe que isso pertence aos pecados menores. Tão frequentemente quanto ele diz mais do que ele deve ou está em silêncio mais do que é apropriado; tantas vezes quanto exagera grosseiramente um pobre mendigo; tantas vezes quanto ele quer comer quando outros estão em jejum, embora ele tenha uma boa saúde física e se levante muito tarde para a igreja porque se entregou para dormir; tantas vezes quanto ele copula com sua esposa sem o desejo de ter filhos … sem dúvida ele comete pecado. Não há dúvida de que estas e outras ações semelhantes pertencem aos pecados menores que, como eu disse antes, dificilmente podem ser contados e dos quais não só todos os cristãos, mas nem todos os santos, não podem nem sempre ser livres. Nós, naturalmente, não acreditamos que a alma seja morta por esses pecados; mas ainda assim ficam feios, cobrindo-o como se estivesse com algum tipo de pústulas e, por assim dizer, com horríveis crostas, que permitem que a alma venha apenas com dificuldade ao abraço da esposa celestial, de quem está escrito: “Ele preparou para si uma igreja sem mancha nem defeito” … Se não agradecermos a Deus em tribulações nem redimir nossos próprios pecados por boas obras devemos permanecer nesse fogo purgaotrial, enquanto que seja necessário que os pecados menores acima mencionados sejam consumidos como madeira e palha e feno. Mas alguém está dizendo: “Não importa para mim quanto tempo eu permaneço lá, desde que eu vá finalmente à vida eterna”. Que ninguém diga isso, irmãos queridos, porque esse próprio fogo purgatório será mais difícil do que qualquer castigo que possa ser visto ou imaginado ou sentido nesta vida “(Sermão 179) São Gregório Magno (+604) – “Pedro:” Desejo que eu seja informado, se devemos acreditar que após a morte há fogo do Purgatório “. Gregório: ” ainda devemos acreditar que, antes do dia do juízo, há um fogo do Purgatório por certos pecados pequenos: porque o nosso Salvador disse: aquele que fala blasfêmia contra o Espírito Santo, para que não lhe seja perdoado, nem nesse mundo, nem no mundo vindouro. De qual oração aprendemos, que alguns pecados são perdoados neste mundo, e outros podem ser perdoados no próximo: porque o que é negado em relação a um pecado, conseqüentemente, é entendido como sendo concedido no tocante a outro. Mas, ainda assim, como eu disse, não devemos acreditar que valha para tudo, mas apenas no que concerne em pequenos pecados, como, por exemplo, conversas diárias inativas, risada imoderada, negligência no cuidado de nossa família (tipo de ofensa escasso que pode se evitar , e que sabem que o pecado deve ser evitado), erros ignorantes em questões de grandeza: todos os pecados sejam punidos após a morte, se os homens não obtiveram perdão e remissão por eles na vida deles; pois quando São Paulo diz: que Cristo é o fundamento: e acrescenta: E se alguém construir sobre este fundamento ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, restolho: a obra de cada um, de qualquer tipo que seja, o fogo tentará. Se o trabalho de qualquer um respeitar o que ele construiu sobre ele, ele receberá recompensa; Se o trabalho de algum homem queimar, ele sofrerá prejuízo, mas ele mesmo será salvo, assim como o fogo. Pois, embora essas palavras possam ser entendidas sobre o fogo da tribulação, que os homens sofrem neste mundo; mesmo assim, se algum deles os interpretar como o fogo do Purgatório, que deve estar na próxima vida: então ele deve considerar cuidadosamente, que o Apóstolo disse que não pode ser salvo pelo fogo, que edifica sobre este fundamento ferro, bronze ou chumbo, isto é, o maior tipo dos pecados e, portanto, mais difíceis e, conseqüentemente, não são remissíveis nesse lugar: mas madeira, feno, talho, isto é, pecados pequenos e muito leves, que o fogo facilmente consome. No entanto, devemos considerar que nenhum pode ser purgado, não, para os menores pecados, a menos que em sua vida ele mereça obras virtuosas para encontrar esse favor nesse lugar. “(Diálogos – Livro 4, Ch 39) São Maximo, o Confessor (+662)- em suas Perguntas e Dúvidas (PG 90, 792-3), responde uma série de perguntas ou “dubia” que lhe são escritas, seguidas de suas próprias respostas. Na décima questão, lemos: “O que se pretende dizer com a afirmação de St. Diadochos” na próxima vida, alguns serão julgados e purgados pelo fogo? “. Máximo responde: “Aqueles que partem desta vida não totalmente perfeita devem expiar o que é ruim no equilíbrio do bem e do mal, como se fosse pelo fogo” Traduzido de: https://erickybarra.wordpress.com/2017/11/12/purgatory-what-saith-the-holy-fathers/

  • São Germano de Constantinopla (634-744 D.C)- Deixe a morte passar por você, ó mais imaculada senhora

    Dos 9 sermões atribuídos a São Germano I de Constantinopla, aqui abaixo está uma das homilias da Dormição. “Deixe a morte passar por você, ó Mãe de Deus, porque você trouxe a vida aos homens. Deixe o túmulo passar por você, porque você foi feita a pedra fundamental de inexplicável sublimidade. Deixe a poeira passar por você; pois você é um novo tipo de formação, para que você possa ser senhora sobre aqueles que foram corrompidos do mesmo material de suas argilas de oleiro…. Por mais doloroso que seja a alma se afastando do corpo, ó mais Senhora Imaculada, é muito mais doloroso ser privado de você! “(Patrologia Graeca 98. 357) Traduzido de: https://erickybarra.wordpress.com/2017/10/11/st-germain-i-of-constantinople-634-744-a-d-let-death-pass-you-by-o-most-immaculate-lady/

  • São Cipriano sobre a Sé Romana: : Ecclesia Principalis Unde Unitas Sacerdotalis Exorta Est

    Posso já ter 2 ou mais artigos neste blog  sobre a eclesiologia de São Cipriano, e assim os leitores saberão da minha compreensão particular sobre isso. Aqueles que leram também sabem que eu sou da opinião de que Cipriano teve um conflito interno em sua eclesiologia, pois, por um lado, ele colocou a idéia de a unidade da Igreja ser garantida pela unidade dos Bispos, que a unidade dos Bispos dependiam da singular cátedra de Pedro (entendida como uma realidade universal à qual todos os Bispos aderem), que, de alguma forma, o Episcopado de Roma ocupa uma posição especial como sucessor e titular da cátedra de Pedro e, por outro lado, , que não existe um “bispo dos bispos”, ou que seja de liderança universal e, portanto, jurisdição governamental em toda a rede de bispos. De fato, a manutenção dessa unidade, na mente de Cipriano, era a “cola da concórdia” ou o “acordo entre bispos”. Enquanto essa cola ou acordo fosse sustentado, havia o princípio da unidade e da paz. O problema com isso, é claro, é que essa cola e o acordo não seriam garantidas de forma permanente, de modo que nenhuma divisão fosse possível, pelo menos em alguma proporção que obrigasse a discriminar entre grupos, concílios e regiões dos Bispos versus outros . É sobre esse fator que alguns dos contemporâneos de Cipriano pressionaram por implicações lógicas que transgrediram sua própria zona de conforto, como veremos. O século terceiro, no qual Cipriano vivia, teve seu número de divisões episcopais; Afinal de contas, você tinha o episcopado Novacianista que Cipriano condenou, e até creditou ao Bispo de Roma um contributo especial para sua condenação. Mas Cipriano certamente não viveu o tempo suficiente para ver a escala da controvérsia que ficaria em reservada para o cisma Donatista que nasceria em seu próprio continente natal – a África. Na verdade, foi contra este cisma Donatista que fez com que os apologistas da Igreja verdadeira discriminasse  um único Bispo que constituía a suprema “Cathedra Petri” (Cátedra de Pedro), sugerindo que todos os que permaneciam unidos à Sé de Roma eram incorporado na realidade única de ecclesia e ninguém mais. Eu aqui me refiro a São Optato de Milevi e Santo Agostinho, já que ambos escreveram extensivamente nesta linha. Ainda assim, Cipriano viveu muito antes da investida dos cismas do século IV causados pelos especuladores arianos, cujo espírito de divisão também foi apoiado pelo Império de então. Foi neste século que vemos um Sínodo depois do outro, competindo um com o outro. A deposição de Santo Atanásio por seus semelhantes hierarquicos orientais reunidos no Concílio foi revogada por aquele que muitos fãs anti-papais de Cipriano do século III chamam de “Bispo tirânico”, aquele prelado da Sé romana. A comitiva de Eusébio teria, sem dúvida, concordado com tal sentimento. Que ironia, portanto, é comprovada quando, nos Concílios do século 5 de Éfeso (431) e de Calcedônia (451), os africanos e os bizantinistas recebiam o Bispo de Roma como (a) sucessor de São Pedro, (b) único ocupante de seu trono, (c) chefe da Igreja Universal, e (d) árbitro final sobre questões de fé e disciplina? Em todo caso, isso não é tanto sobre o desenvolvimento da sé papal como é Cipriano e sua eclesiologia. Então, cada bispo é sucessor de São Pedro, eh? Os papistas admitiram até hoje que Cipriano, sem dúvida, tinha em mente este conceito. Mesmo o bom e velho Abade da Abadia de Downside, Patriciano Pe. John Chapman, admitiu que “São Pedro é comummente chamado pelos Padres como sendo o tipo de monoepiscopado “e que” Pedro era o antigo tipo de poder centralizado “(Studies in Early Papacy, p. 83). Tal é uma informação antiga para apologistas papais bem versados. Mas o que não pode ser uma informação antiga é que um certo não-católico tomou nota do problema cipriânico que eu descrevi acima. Surgindo da Rússia, ex-professor de História Ortodoxa Oriental no Instituto St. Sergius em Paris, Pe. Nicolas Afanasssieff, descreve maravilhosamente o ovo contraditório em Cipriano que chocou na teologia: “… de acordo com sua doutrina, deveria ter havido realmente um único bispo à frente da Igreja Universal. Ele não estava disposto a colocar o bispo de Roma fora dos concurs numerositas dos bispos, e, no entanto, o lugar que ele conferia à Igreja romana aumentou acima da “multidão harmoniosa”. O “trono de Pedro” ideal ocupado por todo o episcopado tornou-se confuso na mente de Cipriano com o trono real ocupado pelo bispo de Roma. Segundo Cipriano, todo Bispo ocupa o trono de Pedro (o bispo de Roma entre outros), mas a Sé de Pedro é o trono de Pedro por excelência. O bispo de Roma é o herdeiro direto de Pedro, enquanto os outros são herdeiros apenas indiretamente, e às vezes só pela mediação de Roma. Daí a insistência de Cipriano de que a Igreja de Roma é a raiz e matriz da Igreja Católica. O assunto é tratado em tantas das passagens de Cipriano que não há dúvida; Para ele, a Sé de Roma era ecclesia principalis unde unitas sacerdotalis exorta est. Mas ele não tira conclusões de sua doutrina sobre a Sé de Roma. Cipriano não podia negar que a Sé de Roma ocupava uma posição preponderante: mas ele estava intuitivamente em ligação com tendências em toda a Igreja, o que não lhe permitiu fazer o Bispo de Roma o cabeça do episcopado. O bispo de Roma se comprometeu a revivê-lo e tirou as próprias conclusões necessárias. Logicamente, foi inevitável … Não é de admirar que o sistema de Cipriano tenha sido um fracasso histórico! Em seus anos em declínio, Cipriano viu seu sistema bater diante de seus próprios olhos. Ele viu que os concis numerositas (concórdia dos bispos) eram apenas um ideal; na vida real, certamente há numerositas, mas não concórdia, uma vez que os números não podem funcionar sem uma Cabeça. “(from ”The Church Which Presides in Love” pp .98-99, in ”Primacy of Peter” edited by Fr. John) O “Bispo de Roma” que levou à conclusão da eclesiologia de Cipriano foi nada menos do que o Papa Santo Estevão I. Agora, um ponto de esclarecimento. Não acredito que Estevão tenha aprendido isso com Cipriano. Estamos falando conceitualmente, e não cronologicamente. Era certo que antes de Estevão os Bispos de Roma tivessem essa conclusão. De qualquer forma, levaria muito espaço para descrever a famosa controvérsia entre Roma e a África do Norte durante esse período, e então falarei brevemente que o Papa escreveu um Edito sobre o assunto do batismo, que exigia que as igrejas africanas e outros recebessem convertidos heréticos que já haviam sido batizados no nome trinitário sem re-batizá-los e, em vez disso, recebê-los com a imposição de mãos. Seu Edito afirmou ter autoridade para comandar e excomungar fora da diocese de Roma e baseou-se na prerrogativa de ser sucessor do trono de Pedro. Uma das primeiras vezes que isso ocorre na história papal, o Papa São Callisto I talvez seja um exemplo anterior. O que é ainda mais interessante é que a Igreja Católica pós-3º século olharia para trás e diria que Cipriano era, de fato, errado. São Vicente Lérins, ao dar um exemplo do Papa respeitando a antiguidade em vez da novidade, descreveu Santo Estêvão como segue: “Papa Estêvão de memória abençoada, Prelado da Sé Apostólica, em conjunto com seus colegas, mas mesmo assim o principal , resistiu, achando certo, não duvido que, ao ultrapassar todos os outros na autoridade do seu lugar, ele também deveria na devoção de sua fé “. Então, muito ao contrário do que muitos poderiam pensar, não foi a tirania que ficou como memória de Santo Estêvão. Deixo com uma descrição que o historiador anglicano J.N.D. Kelly dá deste Papa e como isso mostra que Estevão I certamente chegou à conclusão de que Cipriano não: “Esses incidentes lançam luz sobre o crescente reconhecimento, no meio do terceiro século, da posição preeminente de Roma, como um tribunal de recurso, em qualquer caso, para a Gália e a Espanha, e como é apropriado que essa seja a sé que as outras sés devam estar em comunhão. Estevão emerge como um prelado imperioso e intransigente, plenamente consciente de sua prerrogativa; seus Bispos rivais não hesitaram em colocar a culpa da divisão da igreja sobre ele. É interessante que ele tenha sido acusado de “se gloriar em sua posição de bispo e de reivindicar a sucessão de Pedro, sobre quem os fundamentos da igreja foram colocados”. Ele foi, de fato, o primeiro Papa, até onde se sabe, a encontrar uma base formal para o primado romano no comando do Senhor ao apóstolo Pedro citado em Mateus 16:18. “(Oxford Dictionary of Papes, p.22) Traduzido de: https://erickybarra.wordpress.com/2017/11/14/st-cyprian-on-the-roman-see-ecclesia-principalis-unde-unitas-sacerdotalis-exorta-est/

  • Quarta Cruzada

    Com relutância, tristeza e arrependimento, os católicos devem abordar diretamente a questão do saque de Constantinopla, a capital do Império Bizantino (daí o centro da Ortodoxia), em 1204 pelos Cruzados Latinos. Idealmente, os inúmeros pecados históricos que os membros de ambos os lados se comprometeram – dado o reconhecimento mútuo de erros – devem ser deixados, por causa da unidade e da boa vontade, para os historiadores refletirem. No entanto, esse incidente foi tão trágico e já foi lembrado com tanta dor e raiva entre os ortodoxos (e, portanto, usado como um “argumento” contra a Igreja Católica) que simplesmente não pode ser ignorado mesmo no contexto da discussão ecumênica amigável. Comentários do bispo Kallistos Ware: ”A cristandade oriental nunca esqueceu esses três dias terríveis de pilhagem. . . O que chocou os gregos mais do que qualquer coisa foi o sacrilégio desprevenido e sistemático dos cruzados. Como os homens que se dedicaram especialmente ao serviço de Deus tratam as coisas de Deus desse jeito? Enquanto os bizantinos observavam os cruzados rasgarem a tela do altar e do ícone na Igreja de Santa Sofia e colocavam prostitutas no trono do Patriarca, eles deveriam ter sentido que aqueles que faziam tais coisas não eram cristãos no mesmo sentido que eles mesmos….’Podemos nos perguntar se os gregos depois de 1204 também olharam para os latinos como profanos ? Os cristãos no oeste ainda não percebem quão profundo é o desgosto e a duração do horror com que os ortodoxos consideram ações como o saque de Constantinopla pelos cruzados.’’(The Orthodox Church, New York: Penguin Books, revised 1980 edition, 69) Seria difícil encontrar um historiador católico (ou qualquer católico que conheça os detalhes) que defenderia o que aconteceu nesta catástrofe abominável e repreensível. Warren Carroll, um dos melhores historiadores católicos ortodoxos de nosso tempo, admite com franqueza em sua grande série de volumes, A History of Christendom: ”O saque que se seguiu foi um dos piores de toda a história. . . Nenhum homem, mulher ou criança estava a salvo dos saqueadores. O roubo e a violação eram quase universais, a destruição sem sentido era generalizada. Ocidentais. . . mataram indiscriminadamente, sem piedade nem restrição. . . Que isso tenha sido feito por cruzados – homens que realmente usavam a Cruz de Cristo – era uma desgraça tremenda. . . Os gregos nunca esqueceram o saque de Constantinopla em 1204; Sua memória, mais do que qualquer outra coisa, impediu a cura do cisma grego desde então, apesar de vários esforços importantes na reunião.”(A Glory of Christendom, Front Royal, Virgínia: Christendom Press, 1993, 157-158) Portanto, a primeira coisa a notar é que este evento horrível é moralmente indefensável, e que os católicos sabem e aceitam isso. Em segundo lugar, e o mais importante, o papa na época, o Papa Inocêncio III, nem sabia nem sancionava no mínimo este massacre e saque sacrílego. Na verdade, ele proibiu os cruzados, sob pena de excomunhão, atacarem Bizâncio, instruindo o líder, Bonifácio de Montferrat, que: “A cruzada não deve atacar os cristãos, mas deve prosseguir o mais rápido possível para a Terra Santa”. Ele só descobriu o horror total do que aconteceu mais de oito meses depois e escreveu ao cardeal Pedro Capuano, denunciando o saque em termos inequívocos: ”Esses “soldados de Cristo” que deveriam ter virado as espadas contra o infiel mergulharam no sangue cristão, sem poupar nem religião, nem idade, nem sexo. . . Eles despojaram os altares de prata, violaram os santuários, roubaram ícones e cruzes e relíquias. . . Os latinos deram exemplo apenas de perversidade e obras de escuridão. Não admira que os gregos os chamem de cães! “(cited in Carroll, ibid., p. 158, de Mann, Popes of the middle ages, vol 12,266-267) No entanto, houve muitas atrocidades escandalosas semelhantes ou incidentes desagradáveis e traições que ocorreram antes do saque, por parte dos bizantinos, que não receberam a devida atenção. Por uma questão de equidade e objetividade histórica (não polêmica e controvérsia), analisaremos algumas delas. Notas de Warren Carroll: ”Horrível e totalmente indefensável como o saque era, seria justo ser lembrado que não era totalmente improvocado; mais de uma vez (como no massacre de 1182), os gregos de Constantinopla haviam tratado os latinos lá como estavam sendo tratados agora. . . Historiadores que se mostram eloquentes e indignados – com uma razão considerável – sobre o saque de Constantinopla…raramente se é que mencionam o massacre dos ocidentais em Constantinopla em 1182. . . um massacre horrível de milhares [cerca de 2000 gregos foram mortos em Constantinopla em 1204, de acordo com o historiador secular Will Durant: The Age of Faith, New York: Simon & Schuster, 1950, p. 605],. . . em que os massacres não pouparam nem mulheres nem filhos, nem velhos nem doentes, nem sacerdote nem monge. O cardeal John, o representante do Papa, foi decapitado e sua cabeça foi arrastada pelas ruas na cauda de um cachorro; Os filhos foram cortados do útero de sua mãe; Corpos de ocidentais mortos foram exumados e abusados; Cerca de 4.000 pessoas que escaparam da morte foram vendidas como escravas aos turcos.”(Carroll, ibid., 157, 131) O bispo Ware também escreve honrosamente sobre a parte ortodoxa da culpa nesses massacres: ‘’Cada qual . . . deve olhar para o passado com tristeza e arrependimento. Ambos os lados devem, com honestidade, reconhecer que poderiam e deveriam ter feito mais para evitar o cisma. Ambos os lados foram culpados de erros no nível humano. Os ortodoxos, por exemplo, devem se culpar pelo orgulho e desprezo com que, durante o período bizantino, eles consideravam o oeste; eles devem se culpar por incidentes como o tumulto de 1182, quando muitos moradores latinos em Constantinopla foram massacrados pela população bizantina. (Ware, ibid., 70)’’ O historiador católico Warren Carroll lembra dois outros lamentáveis incidentes bizantinos: ”Em 1171, sobre as ordens ou, pelo menos, com a aprovação tácita do governo bizantino, milhares de venezianos no império oriental foram mortos, mutilados ou presos e detidos por anos na prisão.”(Carroll, ibid., 150)”[Em 1188] Frederico Barbarossa. . . solicitou a permissão do imperador oriental, Isaac II Angelus, para a passagem de seu exército através de dominios bizantinos no caminho para a Terra Santa e para o direito de comprar comida para suas tropas dentro deles. Isaac disse que concordou… mas, de fato, Isaque estava resolvido a opor-se à passagem dos cruzados e fez contato com Saladino [o comandante muçulmano] para maquinar planos “para atrasar e destruir o exército alemão”. Sobre essa “traição bizantina”, não há dúvida; Mesmo os muitos historiadores ocidentais modernos simpatizantes de Bizâncio e hostis às Cruzadas devem admiti-lo [por exemplo, o imperador Isaac, em 1187, escreveu Saladino para felicitá-lo por sua grande conquista de retomar Jerusalém dos cruzados latinos]. . .[Os enviados de Frederico, presos por um tempo] voltaram para Frederico. . . com relatórios exasperantes (e precisos) da aliança bizantina com Saladino, planos para destruir o exército de cruzados enquanto atravessavam os Dardanelos e a violenta atitude anti-ocidental do Patriarca Dositheus de Constantinopla, que havia oferecido absolvição incondicional a qualquer grego que matasse um ocidental . Frederico transmitiu essa informação ao filho Henrique,. . . para pedir a aprovação do Papa para uma cruzada contra o Império Oriental por causa de sua traição e tratos com o inimigo. Nenhuma aprovação papal foi dada e Frederico logo pensou melhor na idéia. . . Embora uma guerra contra os cristãos fosse indubitavelmente uma perversão do ideal cruzado, os atos do imperador Isaac contra os cruzados tinham sido claramente atos de guerra…””Tudo o que a Quarta Cruzada mais tarde fez para o descrédito da Cristandade, Frederico Barbarossa se recusou a fazer, embora ele tenha sido provocado diretamente como os líderes da Quarta Cruzada nunca foram. A extensão da provocação bizantina da Terceira Cruzada é óbvia a partir da sequência de eventos. Passaria um longo tempo antes de alguém no Ocidente confiar neles novamente. ”(Carroll, ibid., 130, 132-133) Em conclusão, é de se esperar que certos adeptos (reais ou supostos) de ambas as partes em qualquer disputa maciça e duradoura, como aquela entre o cristianismo oriental e ocidental, serão culpados de sérios pecados. Constatou-se que o idefensável saque de Constantinopla não aconteceu sem eventos precipitantes anteriores por parte dos bizantinos, não menos imorais. Assim, o argumento “pecado” ou “corrupção” (como acontece com o catolicismo e o protestantismo) vale para os dois (como é sempre o caso). Como tal, deve ser descartado, e as discussões ecumênicas se restringem lucrativamente a questões de teologia, liturgia, eclesiologia e teologia moral. Em qualquer caso, o saque de Constantinopla, de forma alguma, refuta as reivindicações teológicas ou eclesiológicas católicas, especialmente à luz do fato de que o papa na época, Inocêncio III, proibia tais travestias militares contra outros cristãos sob pena de excomunhão e repreendia os perpetradores por suas abominações. Esses “cruzados” renegados simplesmente não agiam como católicos, nem no sentido do ensino moral católico, nem em termos de qualquer sanção da autoridade papal. Para desenhar uma analogia moderna, se alguns soldados ortodoxos da Sérvia tenham massacrado ou estuprado os muçulmanos da Bósnia (como de fato aconteceu), não seria absolutamente justo que os católicos dissessem que isto se refletia sobre a ortodoxia per se. * * * * * O que precede não é uma tentativa de “reduzir o tom” dos eventos em 1204 (se é isso que os ortodoxos estão pensando). Pelo contrário. Tudo o que estou fazendo é mostrar que os ortodoxos fizeram o mesmo tipo de coisas; na verdade, pode-se dizer que eles foram uma grande causa precipitante de 1204. Isso não quer dizer que os tristes acontecimentos de 1204 eram excusáveis de qualquer maneira ou forma, . . mas também há causas para as coisas. O saque de 1204 era abominável; Indizivelmente horrível e maligno. Alguns ortodoxos que se opõem à apresentação acima devem distinguir entre “minimizar” e “explicar o fundo de”. São coisas diferentes. Eu nunca diria que esses eventos não tiveram um efeito extremamente negativo sobre a consciência cristã oriental. Fazer isso seria pura estupidez. Muitos ortodoxos, por outro lado, parecem pensar que o seu lado nunca ou raramente cometeu atrocidades contra os cristãos ocidentais, o que é manifestamente falso. Atacar o catolicismo é muito à moda: secularistas, protestantes e ortodoxos se entregam com impunidade. Eu acho que é hora de “o outro lado” (o nosso) ser ouvido pra variar. Há um pecado abundante para apontar para onde se olhe. Eu digo que não tem nada a ver com as questões do ponto de partida de qual partido mais verdadeiramente representa e encarna a Igreja apostólica. Isso não refuta a instituição do papado, nem derruba provas bíblicas para o mesmo, nem resolve a questão filioque, ou a relação de fé e razão, ou os outros ossos da disputa. Basicamente, estou argumentando uma “equivalência imoral” (todos os homens estão sobrecarregados pelo pecado original), não que os ortodoxos tenham sido piores. Isso não é o mesmo que dizer que o saque de Constantinopla era melhor ou pior do que qualquer outra coisa. Mesmo que fosse o pior pecado já cometido por um chamado exército cristão na história (o que não me surpreenderia), isso – em minha mente – não tem nada a ver com as reivindicações relativas da ortodoxia e do catolicismo. Nem provaria que os católicos são “bandidos” e os ortodoxos “bons”. Essa conversa é de um nível de pensamento moral do jardim de infância. Eu argumento da mesma forma em relação aos eventos do século 16, ou no que concerno os protestantes protestantes, ou a respeito dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, ou do Norte na Guerra Civil. Esta é a minha abordagem padrão. Muitos ortodoxos, por outro lado, assumem casualmente que o Ocidente era pior historicamente. Dito isto, devo ressaltar que não gosto muito das Cruzadas em geral. Foi uma nobre idéia na teoria que se tornou radical e trágicamente errada na prática (com poucas exceções notáveis). É verdade, no entanto, que a história das Cruzadas foi distorcida e abusada, como praticamente toda a história envolvendo a Igreja Católica (veja, por exemplo, a Guerra Civil Espanhola, onde mais de 3.000 clérigos foram massacrados pelos chamados chamados “republicanos”, ou relatos seculares de Colombo, ou a “Lenda negra” de Espanha). Estou feliz em reconhecer os pecados católicos. Nossa Igreja fez várias declarações. O recente sobre o Holocausto vem à mente. Muitos judeus também esquecem todos os mártires católicos e protestantes e ortodoxos aos nazistas e continuam a caluniar o papa Pio XII, que salvou (por estimativas judaicas) 800 mil vidas judias. Por que os ortodoxos muitas vezes relutam em reconhecer pecados ortodoxos semelhantes? Para repetir: este material é oferecido como uma tentativa de “equilibrar as escalas”. Este é um daqueles eventos que são habitualmente apresentados de forma unilateral: todos contra a Igreja Católica e nenhuma palavra sobre os pecados ortodoxos. Mas os acontecimentos não acontecem em um vácuo histórico. Tal como acontece com os meus materiais sobre “Intolerância Protestante e Perseguição”, procuro mostrar que muitas vezes não há “os caras bons” para serem encontrados quando estamos considerando os trágicos acontecimentos da história. Uma visão que sustenta que os ortodoxos ou protestantes eram e são significativamente moralmente superiores aos católicos (pessoalmente ou institucionalmente) é absurdo e parcial, e considero isso evidente. Como Solzhenitsyn (o ortodoxo – embora nominal – que eu admiro mais) disse, a linha entre o bem e o mal corre pelo coração de cada indivíduo. Por que as perpétuas demonstrações unilaterais? Eu suspeito que seja porque eles são porrete conveniente para nos bater na cabeça. Esta é uma tática antiga: ignore o que a Igreja e os fatos da história dizem sobre algum escândalo ou atrocidade, e também ignore os esqueletos semelhantes em um armário próprio. Minha visão – novamente – é simplesmente dizer que o pecado é universal e que não prova nada de um jeito nem de outro quanto a quem possui verdadeira doutrina e teologia. É quando o pecado é institucionalmente sancionado que eu, pessoalmente, traço a linha e faço a minha escolha quanto a que o corpo preserva a moral cristã apostólica e tradicional. Vale ressaltar a este respeito que os massacres dos venezianos em 1171 foram perpetrados, segundo Carroll, “nas ordens ou, pelo menos, com a aprovação tácita do governo bizantino”. A traição de 1188 contra Frederico Barbarossa e os cruzados pelo imperador do oriente Isaac II, obviamente (por definição) de uma posição de alta autoridade também (Já que o Imperador Bizantino era, por natureza, também um líder na Igreja Ortodoxa). Frederico pediu ao papa a aprovação para uma cruzada contra Isaque, mas foi recusado pelo papa e logo pensou melhor nisso. Do mesmo modo, o patriarca Dositheus de Constantinopla ofereceu a absolvição incondicional a qualquer grego que matasse um ocidental. Em outras palavras, os pecados ortodoxos desse período contra os latinos eram talvez mais sérios, já que eram autorizados pela autoridade suprema – portanto institucionalizada, enquanto que o papa de nenhuma maneira, ou forma sancionava o saque de 1204. Trata-se do mesma falha trágica do caesaro-papismo – precisamente onde o papado difere da perspectiva oriental, uma vez que transcende todos os governos humanos, ao invés de ser cooptado e comprado – por assim dizer – por eles. Mas quando tudo é dito e feito, não vejo nenhum motivo para juntar corpos para ambos os lados. O ponto é que há pecado suficiente para dar uma volta, e o todo deve ser descartado, na minha opinião, por causa da unidade. Ambos os lados reconheceram erros e é hora de avançar. Não podemos mudar o passado. Eu me recuso a ver o horrível evento de 1204 em isolamento, porque esse é o método verdadeiramente tendencioso e desequilibrado (chegando a ser quase infantil) da leitura do histórico e mitiga a aprendizagem de suas lições. É uma mentalidade fundamentalmente liberal que nunca olha para a história para aprender (e especular) por que as coisas aconteceram do jeito que elas aconteceram – por que estamos no barco em que estamos. O fato é que 1204 não foi sancionado desde o topo, enquanto os massacres e traições do leste em 1171, 1182 e 1188 foram. Para mim, esse é o ponto convincente de toda essa troca de histórias de horror, porque ilustra a diferença na integridade e princípio de autoridade entre os dois campos nos níveis mais altos. Pergunto-me por que esse incidente é sempre trazido entre os ortodoxos? Qual o propósito disso? Para provar que a Igreja Católica é má? Eu acho que isso é ridículo. Se não é pra provar a natureza malvada da Igreja ocidental, então qual o motivo para falar constantemente sobre isso, quando ninguém com sua mente sã (conhecendo os fatos) a defende? Eu nunca teria escrito sobre atrocidades ortodoxas ou protestantes e incidentes desagradáveis (já que eu prefiro a abordagem pró-ativa e positiva) se meus irmãos separados não tivessem vendado os “pecados históricos” católicos com grande desdém (e muitas vezes, satisfação). Uma vez que isso é feito, então eu devo “equilibrar o registro histórico”, assim como (para usar uma analogia da política) Rush Limbaugh dá o antídoto ao viés de esquerda penetrante na mídia. É sempre uma batalha árdua para nós católicos, porque trabalhamos sob essa avalanche de desinformação e hostilidade emocional. O fato triste é que o saque de 1204 é trazido com muita frequência, e não acho que isso seja propício aos objetivos desejados de unidade e ecumenismo (especialmente quando todos os fatos sobre isso e suas causas precipitantes são entendidos). Se podemos manter um rancor de 795 anos de idade, por que não ir mais longe? Vamos manter um rancor contra os egípcios por escravizar Moisés e os hebreus de volta em 1400 aC ou assim. vamos odiar a Itália porque os romanos derrubaram Jerusalém em 70 dC. Vamos ficar bravos com a Grécia (Macedônia?) Pelas muitas conquistas de Alexandre o Grande. Se o tempo não tem influência sobre o pecado, então por que não fazer isso? Os Servios se lembram da batalha de 1389 como ontem, nos dizem, então, por que não 1204 também? Mesmo a sociedade secular é melhor no esquecimento do que isso. Olhe a nossa atitude amigável para com os alemães e os japoneses, por exemplo – apenas 50 anos depois de serem nossos inimigos mortais na maior guerra da história mundial. A Igreja não pode fazer um pouco melhor do que isso? * * * * * Meu amigo William Klimon, especialista em ortodoxia (que se tornou um “católico grego” em 20 de maio de 1998) acrescenta alguns pensamentos relevantes: [nome] escreveu na mensagem. . . Não consigo pensar em nenhum incidente na história em que os ortodoxos invadiram os territórios católicos romanos e fizeram qualquer coisa, até remotamente, como as atrocidades cometidas pelos católicos romanos no Oriente durante as cruzadas. Oh, eu posso. Em maio de 536, o exército bizantino de Belisario sitiou, capturou e saqueou Nápoles: Belisario advertiu os napolitanos no começo do cerco de que, se colocassem alguma resistência, ele seria incapaz de conter seu exército – o que, lembrou ele, era em grande parte composto de bárbaros semi-selvagens – do assassinato, rapina e pilhagem que eles considerariam sua justa recompensa após a captura da cidade. Mas o aviso tinha sido ignorado, e os cidadãos miseráveis agora pagavam o preço de seu heroísmo. Muitas horas antes de Belisário conseguir persuadir suas heterogêneas hordas de Alamanos e Isaurianos, Herulios e Hunos – estes últimos, o mais aterrorizante de todos os tempos, sendo pagãos, não tinham hesitação em queimar as igrejas nas quais as vítimas pretendidas haviam procurado Asilo – para colocar suas espadas e lanças e voltar para seus vários campos.(J. J. Norwich, Byzantium: The Early Centuries [1989], p.221) (1) Eu estava respondendo a uma afirmação específica de que em nenhum lugar havia ortodoxos perseguindo católicos. Não apenas mostrei esse exemplo, forneci provas específicas que, francamente, são tão raras na Internet. (2) A Igreja Católica está perseguindo ortodoxos na Rússia ou nos Balcãs hoje? É o contrário. A nova lei da Federação Russa sobre organizações religiosas é altamente desfavorável à Igreja Católica. E as atrocidades sérvias nos Balcãs estão bem documentadas – embora o Patriarca Pavle, por exemplo, tenha sido uma voz de paz e reconciliação. (3) Um “milênio de malícia” é um pouco vago. Sem dúvida, houve crimes cometidos contra os cristãos orientais pelos latinos – o saque de Constantinopla (1204), em 16 / c da Polônia, os Balcãs durante a Segunda Guerra Mundial. Da mesma forma, os orientais perseguiram os católicos em todo o Império russo a partir do 18 / c – início de 20 / c, seguido da liquidação forçada e da sangrenta perseguição das igrejas gregas da Rússia, Ucrânia, Tchecoslováquia e Romênia pelos comunistas com quem os ortodoxos colaboraram, bem como as intrigas contínuas (em aliança com os turcos) contra os católicos no Oriente Médio e séculos de ação anti-católica nos Balcãs (nesta última história pouco contada, veja Ivo Omrcanin, forced convertions to the serbian faith in history – Paper Presented to the III World Congress for Soviet and East European Studies, Washington, D.C., 1985). Nada do que eu disse excusa ações anti-orientais. Eu me aproximo do Oriente em um espírito de penitência e perdão. Eu só espero por alguma reciprocidade – o que, eu temo, que seja muito pouco factual. (4) Existem milhões de católicos romanos e descendentes de católicos romanos em toda a Rússia (por exemplo, os alemães do Volga, um grupo esquecido das vítimas de Stalin), que não têm pastores e um bom apoio eclesiástico. Eles também precisam de medicina espiritual. Certamente você não nega a Igreja Católica o direito de pastorear essas almas? (5) As autoridades romanas se inclinaram para trás para acomodar Moscou em relação à Ucrânia. Os católicos ucranianos, no entanto, têm queixas legítimas que nem sequer começaram a ser abordadas. Quando ortodoxos, que até mesmo não se distanciaram da colaboração com Stalin, muito menos se desculparam por isso, queixam-se de que os católicos ucranianos usassem auto-ajuda para recuperar seus bens, não é de se admirar que essas queixas caíssem em surdos. (6) Você também pode desconhecer os muitos projetos de ajuda que os católicos patrocinaram precisamente para a assistência das igrejas ortodoxas russas (e outras). Auxílio à Igreja necessitada, por exemplo, propôs um programa de ajuda direta ao clero da Rússia, na verdade, uma pensão mensal suplementar. A Asociação Católica de Bem-Estar do Oriente Médio tem, creio eu, fornecido fundos para a renovação de igrejas e outros projetos. A Caritas fez de forma semelhante. Até agora, os únicos agradecimentos que eu vi por tais iniciativas são suspeitas continuadas. (7) É interessante ler que os servios originais eram do rito latino e dentro da jurisdição romana. A pompa bizantina tirou-os disso, no entanto. Os crimes dos sérvios contra os croatas precedem em muito o contrário. (8) As cruzadas foram lançadas, em parte, em um esforço para libertar e defender cristãos orientais dos infiéis. É muito pouco observado sobre como o ideal cruzado, com a ideia de defender os lugares sagrados e os cristãos orientais, moldou a tradição ocidental, realmente até o 19 / c. (9) Eu também observo que ninguém respondeu ao fato de eu apontar, a saber, que a primeira agressão Oriente-Ocidente foi a dos bizantinos durante a reconquista de Justiniano na Itália. Eu realmente não espero que alguém se desculpe por isso. Mas é bom entender nossa história. Traduzido de: http://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2017/01/reflections-sack-constantinople-1204-lesser-known-byzantine-atrocities.html#d5LuefYs6lohzT8v.99 #IdadeMédia #Bizâncio #Cruzadas #SaquedeConstantinopla #EnricoDandolo #Massacredoslatinos

  • HISTÓRIA DA IGREJA PRIMITIVA, (SUCESSÃO APOSTÓLICA)

    Hegésipo(175), em Eusébio, H. E. IV.XXII.2 A igreja de Corinto perseverou na doutrina correta certamente até o episcopado de primo nesta igreja, com o qual conversei quando navegávamos para Roma, confortando-nos na sã doutrina. Chegado a Roma, permaneci na cidade até os dias de Aniceto, que tinha por Diácono a Eleutério. Morto Aniceto, sucedeu-lhe Sóter, que foi seguido por Eleutério. Em toda a sucessão e em toda cidade, as coisas se dão em conformidade com o ensino da lei, dos profetas e do Senhor. IRENEU: A tradição e a sucessão Adv: Haer.III II.1. Quando são refutados [os Hereges] como contrários às escrituras, eles começam a se justificar acusando a própria escritura, como se houvesse nelas algumas coisas erradas, não possuindo elas autoridade, pois dizem que as Escrituras contém diversos modos de falar e o significado verdadeiro apenas pode ser encontrado por aqueles que conhecem a tradição, visto que, afirmam eles, as Escrituras foram transmitidas mediante viva voz e não por escrito, razão pela qual Paulo disse: “falamos a sabedoria entre os perfeitos, sabedoria não deste mundo”. Essa sabedoria cada um deles reinvidica para si, porque a tem achado em si mesmo, ou seja, porque é coisa de sua investigação…… 2. Mas quando, contra eles, apelamos para esta mesma tradição vinda dos apóstolos e conservada nas igrejas mediante a sucessão dos presbíteros, eles se tornam adversários dela pretendendo serem não somente mais sábios do que os presbíteros, mais ainda mais do que os próprios apóstolos, e serem os descobridores da verdade inviolada…. Assim, nem aceitam as escrituras nem a tradição… Tais são, irmãos, os adversários que temos nesta batalha, gente semelhante à cobra escorregadia que procura escapar de todo caminho…. III.1. quem quiser discernir a verdade, observe a verdade Apostólica em todas as igrejas do mundo. É-nos possível enumerar aqueles que os apóstolos deixaram como bispos nas igrejas e seus sucessores até hoje: eles nunca acreditaram e nem ensinaram coisas absurdas como as imaginadas por essa gente. Se os apóstolos tivessem conhecido mistérios ocultos que, privada e secretamente, quisessem confiar aos perfeitos, eles o teriam transmitido preferentemente aqueles que deixaram no governo das igrejas. Pois desejavam que fossem perfeitos e sem censura os varões deixados como seus sucessores, a quem concederam o ministério da autoridade. Entretanto, como num livro deste tipo seria fastidioso enumerar as sucessões das diversas igrejas, contentamo-nos , pois, em reprovar a todos que, de um outro modo, celebram concílios desautorizados, levados por ambição, por vaidade, por cegueira ou por malícia. Assim o fazemos apoiados na tradição Apostólica e na fé anunciada e legada aos homens através da sucessão de bispos; particularmente na tradição e na fé maior e da mais antiga igreja, a igreja universalmente conhecida, fundada e organizada em Roma pelos dois apóstolos Pedro e Paulo. Em virtude de sua condição de é autoridade e guia, esta igreja deve ser aceita por qualquer outra igreja, isto é, pelos fiéis do mundo inteiro, porquanto nela a tradição Apostólica foi sempre preservada por fiéis vindos de todo mundo. 2. Os bem aventurados apóstolos, após fundarem e erigirem a igreja, deixaram o ministério episcopal a Lino do qual Paulo faz menção nas suas cartas a Timóteo (2Tm 4.21). A Lino sucedeu Anacleto, depois de quem, terceiro na sucessão apostólica, Clemente foi eleito para o episcopado. Esse não somente viu os bem aventurados apóstolos, mas também conversou com eles, guardando sua pregação viva nos ouvidos e sua tradição diante dos olhos. Nisso não foi ele o único. Muitos dos que tinham ouvido o ensino dos apóstolos ainda sobreviviam. Ocorreu, durante seu episcopado, uma dissensão bastante aguda entre os irmãos de Corinto. A igreja Romana enviou aos coríntios uma carta de muita ponderação, constrangendo-os a se reconciliarem, renovando-lhes a fé, relatando-lhes mais uma vez a tradição que tinha recebido recentemente dos apóstolos…. 3. Evaristo sucedeu a Clemente; Alexandre seguiu a Evaristo, e, sexto após os apóstolos, Sisto entrou na sucessão.Teve por sucessor a Telésforo, que padeceu glorioso martírio. Logo vieram Higino, Pio, Aniceto e Sóter. Atualmente, duodécimo na sucessão apostólica, Eleutério ocupa a sede. Também, na mesma ordem e sucessão, foram legadas até hoje à tradição apostólica e a pregação da verdade…. 4. Policarpo, institruído pelos apóstolos e informado por muitos outros que tinha visto o senhor, foi designado pelos apóstolos para a Ásia, como bispo da igreja em Esmirna. Na minha mocidade, cheguei a vê-lo, pois viveu conosco durante muitos anos, sofrendo em idade bem avançada um martírio gloriososíssimo e clelebérrimo, entregando a vida após ter ensinarado em todo momento as coisas aprendidas dos apóstolos e que a igreja continua ensinando, por serem unicamente elas a verdade. Delas dão testemunho todas as igrejas asiáticas; todos os sucessores de Policarpo até o dia de hoje testemunham a favor da verdade, bem mais fidedignos e credenciados do que Valentiniano e Marcião é outros desencaminhados. Policarpo, estando em Roma sob o pontificado de Aniceto, converteu muitos hereges só em declarar que tinha recebido dos próprios apóstolos a verdade única e exclusiva, a mesma que tem sido transmitida pela igreja. Vivem ainda irmãos que ouviram relatar como João, o discípulo do Senhor entrando nas termas de Éfeso e aí vendo a Cerinto, se precipitou para fora sem banhar, dizendo: “fujamos antes que se desmoronem as termas, pois ali está Cerinto, o inimigo da verdade”….. IV.1. Rodeados de tanta evidência, não mais necessitamos procurar entre estranhos a verdade que tão facilmente podemos conseguir na igreja. Pois nessa igreja, como num rico banco, depositaram os apóstolos, sem nada Reservar, tudo quanto é verdade. Dela pode retirar as águas da vida qualquer que desejar. Ela é a autêntica porta para a vida; os demais são salteadores e ladrões…. Adv. Haer. IV.XXXVI.2 Portanto, só devemos obedecer aos presbíteros que estão na igreja em posse de sua sucessão apostólica, como temos visto, e que, juntamente com a sucessão, têm recebido o autêntico dom da verdade de acordo com o beneplácito do pai. Os demais, que carecem da sucessão primitiva e que em qualquer lugar congregam qualquer grei, devem ser olhados com desconfiança, quer como hereges ou maldosos, quer cismáticos, enfatuados e complacentes, que como hipócritas levados pela cobiça do lucro ou da vanglória. Todos eles decaíram da verdade. Apoio de Constantino à igreja Restituição dos bens eclesiásticos Uma pergunta que não é nunca respondida por Protestantes; como Constantino poderia restituir os bens para uma igreja que ele mesmo criou? Bem, podemos ver por diversos documentos da igreja primitiva, que sempre houve um governo eclesiástico, é óbvio que houve um desenvolvimento em relação aos dogmas, e até em relação ao entendimento da primazia de Roma, mas, nunca negar que após os apóstolos deixarem Jerusalém e saírem em uma missão evangelizadora muitas coisas mudaram, podemos ver que até o pentecoste os apóstolos se mantinham em Jerusalém e indo ao templo, o podemos ver é uma modelo de Igreja se formando, Thiago o líder daquela comunidade, exercendo uma autoridade parecida como de um califado. Mas esse tema veremos em outras publicações, no momento se puderem respondam a questão colocada no início do texto, e leiam um dos documentos que derrubam as acusações Protestantes de que a igreja católica é invenção de Constantino. Constantino à Anulino, procônsul da África (313) Eusébio, H.E. X.V15-17 Salve, estimadíssimo Anulino. É costume de nossa Benevolência exigir que as coisas pertencentes ao direito alheio não só sejam respeitadas, mas também restituídas….16. Portanto, mandamos que, ao receber esta carta, faça com que sejam restituídas imediatamente às igrejas cristãs as propriedades que estejam sob poder de qualquer pessoa em qualquer cidade ou lugar. É nossa vontade que voltem a seus proprietários legais o que as referidas igrejas possuíram outrora. 17. Toda vez que vossa fidelidade souber ser verdadeira esta nossa injunção, ponha mãos à obra para que, quanto antes, lhes sejam devolvidos os jardins, as casas e qualquer outra propriedade que legalmente lhes tenham pertencido, de modo que conste que obedeceu ao nosso preceito, Adeus, amado e estimado Anulino. #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva

  • História da igreja primitiva

    via História da igreja primitiva

  • Em defesa da CNBB

    Dom Fernando Rifan Tem havido ultimamente muitas críticas e mesmo ofensas e insultos à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que requerem esclarecimentos, pois desorientam os católicos. AOS CARÍSSIMOS IRMÃOS LEIGOS, em cujo ano estamos – ano do laicato -, lembro-lhes paternalmente que a Igreja como mãe os ama, quer o seu bem e deseja escutá-los também. Sinceramente lhes digo que esses insultos à Conferência Episcopal me atingem também de certa maneira, pois dela faço parte por ser Bispo católico, pela graça de Deus, em plena comunhão com a Santa Igreja. Aos que pensam que a CNBB é apenas um escritório central, uma agência ou “quase um sindicato dos Bispos”, ensino-lhes que a CNBB é o conjunto dos Bispos do Brasil que, exercem conjuntamente certas funções pastorais em favor dos fiéis do seu território (CIC cân. 447). Conforme explicou São João Paulo II na Carta Apostólica Apostolos suos, é “muito conveniente que, em todo o mundo, os Bispos da mesma nação ou região se reúnam periodicamente em assembleia, para que, da comunicação de pareceres e experiências, e da troca de opiniões, resulte uma santa colaboração de esforços para bem comum das Igrejas”. Ensina ele que “a união colegial do Episcopado manifesta a natureza da Igreja… Assim como a Igreja é una e universal, assim também o Episcopado é uno e indiviso, sendo tão extenso como a comunidade visível da Igreja e constituindo a expressão da sua rica variedade. Princípio e fundamento visível dessa unidade é o Romano Pontífice, cabeça do corpo episcopal”. “O Espírito Santo vos constituiu Bispos para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue” (At 20, 28). Mas vale ressaltar que a Conferência Episcopal, instituição eclesiástica, não existe para anular o poder dos Bispos, instituição divina. O Papa emérito Bento XVI, quando Cardeal, falou sobre um dos “efeitos paradoxais do pós-concílio”: “A decidida retomada (no Concílio) do papel do Bispo, na realidade, enfraqueceu-se um pouco, ou corre até mesmo o risco de ser sufocada pela inserção dos prelados em conferências episcopais sempre mais organizadas, com estruturas burocráticas frequentemente pesadas. No entanto, não devemos esquecer que as conferências episcopais… não fazem parte da estrutura indispensável da Igreja, assim como querida por Cristo: têm somente uma função prática, concreta”. É, aliás, continua, o que confirma o Direito Canônico, que fixa os âmbitos de autoridade das Conferências, que “não podem agir validamente em nome de todos os bispos, a menos que todos e cada um dos bispos tenham dado o seu consentimento”, e quando não se trate de “matérias sobre as quais haja disposto o direito universal ou o estabeleça um especial mandato da Sé Apostólica”. E recorda o Código e o Concílio: “o Bispo é o autêntico doutor e mestre da Fé para os fiéis confiados aos seus cuidados”. “Nenhuma Conferência Episcopal tem, enquanto tal, uma missão de ensino: seus documentos não têm valor específico, mas o valor do consenso que lhes é atribuído pelos bispos individualmente” (Ratzinger, A Fé em crise, pag. 40 e 41). Isso posto, recordamos que o espírito de fé e o respeito que o católico deve à hierarquia da Igreja impedem-no de tratar a Igreja como uma sociedade qualquer. Se a chamamos “a santa Madre Igreja”, é porque a consideramos nossa mãe, merecedora de todo o nosso respeito e amor. E não se expõem os defeitos da mãe em público, sobretudo em redes sociais. Mas já que o fizeram, faço aqui alguns esclarecimentos. Na Igreja, divina na sua fundação, graça, sacramentos e doutrina, mas humana, nos membros que a compõem, tem, por isso mesmo, fraquezas e pecados nos seus membros. “Cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica… Ela é santa, apesar de incluir pecadores no seu seio… É por isso que ela sofre e faz penitência por esses pecados, tendo o poder de livrar deles a seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo” (Credo do Povo de Deus). “A Igreja, que reúne em seu seio os pecadores, é ao mesmo tempo santa, e sempre necessitada de purificação… continua o seu peregrinar entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus” (Lumen Gentium, 8). Nosso Senhor comparou o seu Reino a uma rede cheia de peixes, bons e maus (Mt 13, 47-50). A separação será no fim dos tempos. Quem quiser agora uma Igreja só de santos deveria morrer e ir para o céu, onde lá só estão os bons. Por isso, não percamos a fé, ao vermos os erros da parte humana da Igreja. No conjunto do episcopado brasileiro, há muitos bispos sábios e santos. Mas há também bispos como eu. Nem por isso somos menos dignos de respeito. Ao combater os erros que existem na parte humana da Igreja, não podemos perder o respeito às pessoas, sobretudo às autoridades da Igreja, e muito menos desprestigiá-las, para alegria dos seus inimigos, com ofensas, exageros, meias verdades e até mentiras, caindo em outro erro. A meia verdade pode ser pior do que a mentira deslavada. Qualquer pessoa não católica que lesse certos sites e postagens de alguns católicos críticos, injuriando os Bispos e autoridades da Igreja, certamente iria raciocinar: “é impossível que tais pessoas sejam católicas, pois não se fala assim da própria família!”. Por outro lado, AOS CARÍSSIMOS IRMÃOS NO EPISCOPADO lembro humildemente que, mesmo exagerando e passando dos limites, os clamores dos fiéis leigos podem estar refletindo o “sensus fidelium”, que devemos escutar. Está na hora de recuperarmos o bom nome da nossa Conferência Episcopal. Não podemos tolerar pacificamente tantos abusos doutrinários e litúrgicos que vemos por aí, em nossas Igrejas, e que fazem tanto sofrer nossos fiéis. Será que eles não estão explodindo de tanto aguentar certas invencionices litúrgicas e aberrações doutrinárias? Não estaria ocorrendo o que São João Paulo II descreveu na sua Encíclica Ecclesia de Eucharistia: “Num contexto eclesial ou outro, existem abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento. Às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrifical, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e valor de um encontro fraterno ao redor da mesa… (n. 10). “Temos a lamentar, infelizmente, que sobretudo a partir dos anos da reforma litúrgica pós-conciliar, por um ambíguo sentido de criatividade e adaptação, não faltaram abusos, que foram motivo de sofrimento para muitos…” (n. 52). “O mistério eucarístico – sacrifício, presença, banquete – não permite reduções nem instrumentalizações…” (n. 61)? Não sentem nossos leigos vontade de exclamar como os hebreus: “Senhor, invadiram tua herança, profanaram o teu santo templo…” (Sl 79, 1)? É claro que os nossos fiéis ficam escandalizados vendo ministras não católicas no altar “concelebrando” a Santa Missa junto com os nossos Bispos. Para que permitirmos em nossos textos a terminologia de “gênero”, que veicula uma ideologia não ortodoxa? Todos são convidados e bem-vindos aos nossos encontros. Mas por que deixarmos pessoas de mentalidade socialista e mesmo comunista, membros de partidos políticos de “esquerda” serem protagonistas em nossos encontros eclesiais e nos instruírem em análises de conjuntura? Combatemos com razão os desmandos do capitalismo selvagem, do consumismo e do espírito mercantilista. Mas não podemos nos esquecer dos ensinamentos do Magistério sobre o socialismo: “O socialismo, quer se considere como doutrina, quer como fato histórico, ou como ‘ação’, se é verdadeiro socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça, não pode conciliar-se com a doutrina católica, pois concebe a sociedade de modo completamente avesso à verdade cristã… E, se esse erro, como todos os mais, encerra algo de verdade, o que os Sumos Pontífices nunca negaram, funda-se, contudo, numa concepção da sociedade humana diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista” (Pio XI, Encíclica Quadragesimo Anno, n. 116 e 119 – 15/5/1931). Devemos deixar bem claro que somos fiéis à doutrina social da Igreja e, por isso, nos ocupamos das questões sociais e da política, como sendo “uma prudente solicitude pelo bem comum” (João Paulo II, Laborem exercens, 20). A Igreja está ao serviço do Reino de Deus, anunciando o Evangelho e seus valores, mas “não se confunde com a comunidade política nem está ligada a nenhum sistema político” (Gaudium et Spes, 76). Principalmente “a Igreja não pode estimular, inspirar ou apoiar as iniciativas ou movimentos de ocupação de terras, quer por invasões pelo uso da força, quer pela penetração sorrateira das propriedades agrícolas” (Discurso aos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, na sua visita “ad limina”, março de 1996). Além disso, é preciso que tenhamos clareza na prestação de contas das coletas da Campanha da Fraternidade. Diante da suspeita levantada de que as doações dos fiéis estão indiretamente indo para entidades que patrocinam o aborto e movimentos revolucionários, devemos ser claros na explicação ao nosso povo: se por acaso desviaram suas doações, o que pode acontecer com qualquer esmola que damos, devemos de agora em diante sermos mais exigentes na aplicação desses valores e não permitir tais desvios. Há tantas entidades beneficentes católicas que poderiam receber essas doações! Que Deus nos abençoe, que Maria, Mãe da Igreja, nos proteja e São José, patrono da Igreja católica, nos defenda do mal. *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, membro do Regional Leste 1 da CNBB. #defesa

  • O pecado da omissão

    Padre Antônio Vieira, jesuíta, missionário no Brasil, onde morreu em 1697. A omissão é o pecado que com mais facilidade se comete e com mais dificuldade se conhece; e o que facilmente se comete e dificultosamente se conhece, raramente se emenda. A omissão é um pecado que se faz não fazendo; e pecado que nunca é má obra, e algumas vezes pode ser obra boa, ainda os muito escrupulosos vivem muito arriscados em este pecado. Estava o Profeta Elias em um deserto metido em uma cova, aparece-lhe Deus e diz-lhe: « E bem Elias, vós aqui? » — Aqui, Senhor! Pois aonde estou eu? Não estou metido em uma cova? Não estou retirado do Mundo? Não estou sepultado em vida? E que faço eu? Não me estou disciplinando, não estou jejuando, não estou contemplando e orando a Deus?—Assim era. Pois se Elias estava fazendo penitência em uma cova, como o repreende Deus e lho estranha tanto? Porque ainda que eram boas obras as que fazia, eram melhores as que deixava de fazer. O que fazia era devoção, o que deixava de fazer era obrigação. Tinha Deus feito a Elias profeta do povo de Israel, tinha-lhe dado ofício público; e estar Elias no deserto quando havia de andar na corte; estar metido em uma cova, quando havia de aparecer na praça; estar contemplando no Céu, quando havia de estar emendando a terra, era muito grande culpa. A razão é fácil, porque no que fazia Elias salvava a sua alma; no que deixava de fazer perdiam-se muitas. Não digo bem: no que fazia Elias, parecia que salvava a sua alma; no que deixava de fazer, perdia a sua e as dos outros: as dos outros, porque faltava à doutrina; a sua, porque faltava à obrigação. É muito bom exemplo este para a corte e para os presbíteros que tomam a ocupação por escusa da salvação. Dizem que não tratam de suas almas, porque se não podem retirar. Retirado estava Elias e perdia se; mandam-no vir para a corte para que se salve. Não deixe o presbítero de fazer o que tem de obrigação, e pode ser que se salve melhor em um conselho, que em um deserto. Tome por disciplina a diligência, tome por cilício o zelo, tome por contemplação o cuidado e tome por abstinência o não tomar, e ele se salvará. Mas porque se perdem tantos? Os menos maus perdem-se pelo que fazem, que estes são os menos maus; os piores perdem-se pelo que deixam de fazer, que estes são os piores: por omissões, por negligências, por descuidos, por desatenções, por divertimentos, por vagares, por dilações, por eternidades. Eis aqui um pecado de que não fazem escrúpulo os presbíteros, e um pecado por que se perdem muitos. Mas percam-se eles embora, já que assim o querem; o mal é que se perdem a si e perdem a todos, mas de todos hão-de dar conta a Deus. — Do Sermão do Primeiro Domingo do Advento, Padre Antônio Vieira, pregado no ano de 1650 (século XVII)

  • O RAMO SECO FLORIDO

    O ramo seco florido Há muito tempo, numa cidadezinha do antigo Reino da Baviera vivia o Conde Guilherme, nobre de corpo e de alma, possuidor de grande fortuna. Católico exemplar, tudo fazia para louvar a Deus: não faltava à Missa um dia sequer, cumpria todos os Mandamentos, dava esmolas aos pobres e protegia os desamparados. Sobretudo, queria ter sempre sua alma branca como a neve e por isso confessava com verdadeiro arrependimento todas as suas faltas, por menores que parecessem. Certo dia, passeando pelo seu vasto trigal, alegrou-se muito ao ver como estava crescido. As belas espigas ondulavam ao sopro da brisa e brilhavam como milhões de pedacinhos de ouro cobrindo todo o campo. Entretanto, divisou ele no fundo daquele imenso tapete dourado uma larga mancha escura. Que seria aquilo? Logo constatou tratar-se de um monte de troncos e galhos secos esmagando parte de sua plantação. Quem o teria posto aí? Seu vizinho? Sim, só poderia ter sido ele, concluiu o conde, um tanto apressadamente. Sem pensar duas vezes, chamou alguns empregados e mandou que jogassem no trigal do vizinho todos aqueles troncos e ramos. Isto feito, voltou para seu castelo e esqueceu-se do caso. Chegado o tempo, a colheita foi excelente: os celeiros do conde se abarrotaram de trigo. Um peso de consciência, porém, lhe turvava a alegria: o pequeno trigal do vizinho, pensava ele, com certeza tinha produzido menos do que poderia, por causa do monte de lenha seca ali jogado por sua ordem. Como pudera ele, dono de imensas plantações, fazer essa maldade com o vizinho pobre? Sinceramente arrependido por essa falta, decidiu ir sem demora confessar- se, para obter o perdão de Deus. Numa gruta próxima morava um anacoreta famoso por sua vida santa: dormia sobre a pedra dura, alimentava-se apenas de raízes e frutas da floresta e passava todo o tempo em oração. Lá se apresentou, como humilde penitente, o rico e poderoso Conde Guilherme. O santo ermitão o recebeu com bondade e ouviu atentamente sua confissão. Admirou-se por encontrar um homem com tanta retidão de consciência. E tomou muito a sério a confissão, pois qualquer pecado, por menor que seja, constitui uma ofensa a Deus. Deu-lhe alguns bons conselhos e acrescentou: – Meu filho, como penitência, traga-me, no prazo de um ano, um ramo seco florido. Por fim, traçando um grande sinal da cruz, deu-lhe a absolvição de todos os pecados de sua vida. O conde, que tinha chegado triste e aflito, saiu com a leveza da alma purificada, disposto a cumprir a penitência, embora esta lhe parecesse muito estranha: trazer um ramo seco florido… Não seria mais razoável, pensava ele, o ermitão mandar-me retribuir ao vizinho cem vezes, ou mais, o valor do prejuízo que lhe causei? Na verdade, essa procura me parece insensata e inútil, mas, se o confessor mandou, é porque dela Deus quer tirar algum fruto. Qual será, não sei por enquanto. Assim, retornando a seu castelo, trocou as faustosas vestimentas por uma túnica de rústico tecido, pegou um cajado e saiu à procura do ramo seco florido. Andou, andou por meses… Atravessou florestas, bosques, vales, montes, aldeias e cidades. Por toda parte encontrou galhos secos; floridos, porém, absolutamente nenhum! Aqui e ali perguntava a um transeunte: – Diga-me, já viu um ramo seco florido? Os passantes olhavam-no com surpresa e se afastavam rindo, julgando tratar-se de um louco. Ele aceitava essas humilhações e as oferecia a Nossa Senhora para encontrar mais rapidamente o ramo seco florido. Um dia em que descansava sentado num bosque, viu-se cercado por um bando de assaltantes. Homem forte e valente, o conde pôs-se imediatamente de pé, disposto a enfrentar a quadrilha inteira. Mas… não tinha arma alguma, lá estava como simples pecador cumprindo penitência. Quando notaram que sua presa não passava, na aparência, de um mendigo, os bandidos puseram-se e rir e fazer chacotas. – Por que você se fantasiou de espantalho? – Sou um penitente. – Ah, um penitente… Certamente você incendiou aldeias, matou crianças e velhos… Diga-nos, afinal, que crimes você cometeu? – Joguei um monte de árvores secas na plantação de meu vizinho, prejudicando assim sua colheita. E o confessor mandou-me, por penitência, levar-lhe um ramo seco florido no prazo de um ano. Dando uma grande gargalhada, os bandidos se afastaram, à procura de presa mais lucrativa. Um deles, porém, em vez de rir, saiu muito preocupado com o seguinte pensamento: “Por uma pequena falta, este homem recebeu dura penitência! E eu, o que mereço pelos meus roubos, assassinatos e tantos outros crimes? Quanto à justa punição nesta terra, não é difícil escapar, mas… e os castigos eternos do inferno?” Movido por esse bom sentimento, o salteador voltou e fez ao penitente maltrapilho um breve relato de sua criminosa vida. No final, suplicou-lhe: – Não quero morrer sem me reconciliar com Deus. Tenha pena de mim, ajude-me! Comovido e contente por ver a graça atuando naquele miserável, o conde conduziu-o ao santo anacoreta. Este os acolheu com paternal bondade. O ladrão arrependido chorava sem cessar. E o nosso penitente, também em lágrimas, disse: – Reverendo Padre, aqui está um pobre homem morto, pois perdeu a vida da graça; no entanto, deseja recuperá- la, recebendo de vós a absolvição. Quanto a mim, não consigo cumprir minha penitência: depois de um ano de procura, nada encontrei que se pareça a um ramo seco florido. O ermitão olhou-o com doçura e disse: – Meu filho, este criminoso é um ramo seco pelo pecado, no qual nasceu a belíssima flor do arrependimento. E você foi o instrumento escolhido por Deus para plantar nele essa flor. Veja, aqui está um ramo seco florido, trazido por você! O Conde exultou ao ouvir essas palavras, pois compreendeu, num relance, que Nosso Senhor havia guiado todos os seus passos durante aquele ano inteiro de caminhada incessante. E que aquela procura de um ramo seco florido – aparentemente inútil e insensata – tinha um alto objetivo: encontrar uma alma morta pelo pecado e levá-la até a fonte da vida. Autora: Maria Teresa Ribeiro Matos

  • ORAÇÕES PELAS SANTAS ALMAS DO PURGATÓRIO

    ORAÇÕES BREVES EM BENEFÍCIO DAS SANTAS ALMAS DO PURGATÓRIO Oração dos meninos pelos meninos no purgatório. Dulcíssimo Redentor Jesus Cristo que durante a vossa vida, mostrastes tanto amor pelos meninos, eis nos aqui na Vossa Divina presença. Somos meninos como aqueles e também abençoados por Vós. Nós Vos pedimos instantemente, que abrais as portas do céu aos nossos irmãos e irmãs que estão gemendo no lugar de sofrimentos e de expiação. Concedei-nos, que eles depois nos protejam também a nós, aos nossos pais e ao nosso Pai comum, o Santo Padre em Roma. Ó Santa Virgem, nossa boa Mãe, rogai por nós e pelos meninos que sofrem no purgatório. Ave Maria…  (100 dias de indulgência). DAS PROFUNDEZAS – Salmo 129 Do profundo abismo em que me acho, clamo a Vós, Senhor! Senhor, ouve a minha voz. Sejam vossos ouvidos atentos a voz de minha súplica. Se olhardes, Senhor, para as nossas iniqüidades, quem poderá, Senhor, subsistir em Vossa presença? Porém Vós sois cheio de misericórdia, e eu espero em Vós, Senhor, por causa da vossa lei. Espera a minha alma no Senhor, em vossa palavra tem a minha alma confiança. Espera assim todo Israel no Senhor, desde a aurora até a noite. Porque o Senhor é cheio de misericórdia, e nEle se encontra copiosa redenção. E Ele mesmo há de remir Israel de todas as iniquidadades. V. O descanso eterno concedei-lhes, Senhor! R. E a luz perpetua as ilumine. Amém. (100 dias de indulgência). SÚPLICA  PELAS ALMAS DOS FIÉIS DEFUNTOS (do P.Martinho de Cochem.) Ó Pai de toda a misericórdia, tende piedade das almas benditas do purgatório. Ó piedosíssimo Redentor do mundo, Jesus Cristo, livrai as almas do purgatório de seus tormentos. Espírito Santo, Deus de todo o amor, livrai as almas dos fiéis defuntos de suas grandes penas. Virgem Maria, cheia de graça, Mãe de misericórdia, alcançai às almas perdão e misericórdia. Todos os Anjos, visitai-as e consolai-as no seu cárcere! Todos os Santos e Bem-aventurados no céu, rogai pelas almas do purgatório que tanto sofrem. Prostrai-vos todos diante do trono de Deus, pedindo perdão e misericórdia por elas. Ó Deus, atendei às súplicas dos vossos Santos, e livrai as almas que tanto sofrem no fogo do Eu clamo juntamente com eles a Vós, Senhor, olhai propício para o purgatório, e lembrai-Vos da vossa piedade e misericórdia. Ó! Quanto são terríveis as chamas do purgatório, quão cruéis as dores que lá as almas sofrem! Pela paixão e morte de Jesus Cristo, tende piedade delas, ó Pai de misericórdia, ó Deus de toda consolação. Eu Vos ofereço para purificação das almas dos fiéis defuntos as lágrimas de Jesus, e para alívio de suas penas e dores Vos ofereço o preciosíssimo Sangue do vosso divino Filho. Eu Vos ofereço para expiação de suas culpas os tormentos que Jesus sofreu na cruz, e para perdão dos seus pecados todos os horrores que o mesmo Jesus padeceu na sua agonia. Eu Vos ofereço para seu livramento todas as Santas Missas e o sagrado Corpo e o precioso Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo que está presente sobre os nossos altares. Ó meu Deus, Pai de misericórdia, aceitai propício este oferecimento, e salvai as almas do purgatório pelo amor de Maria Santíssima, e sobretudo pelo amor de Jesus Cristo, vosso divino Filho, Nosso Senhor. Amém. V. Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno, R. Entre os resplendores da luz perpétua. (300 dias de Indulgências, cada vez). Ladainha das Almas do Purgatório Adorável Jesus, pelo mistério da Santíssima Trindade, tende misericórdia das almas do purgatório Adorável Jesus, pelo mistério de Vossa Santa Encarnação, … Adorável Jesus, pela Vossa Santa Natividade, … Adorável Jesus, pela Vossa Santa Infância, … Adorável Jesus, pelo Vossos trabalhos e cansaços, … Adorável Jesus, pela Vossas pregações e milagres, … Adorável Jesus, pela Vossa instituição do Santíssimo Sacramento, … Adorável Jesus, pela Vossa agonia no Jardim das Oliveiras, … Adorável Jesus, pela Vossa prisão e injustos julgamentos, … Adorável Jesus, pelas Vossas humilhações e torturas, … Adorável Jesus, pela Vossa sangrenta flagelação, … Adorável Jesus, pela Vossa cruel coroação de espinhos, … Adorável Jesus, pela Vossa condenação à morte, … Adorável Jesus, pelo Vosso carregamento da Cruz, … Adorável Jesus, pela Chaga de Vosso Ombro, … Adorável Jesus, pela Vossa dolorosíssima crucificação, … Adorável Jesus, pelos tormentos de Vossa agonia, … Adorável Jesus, pelo Vosso Sangue Preciosíssimo, … Adorável Jesus, pelas Vossas Sagradas Chagas, … Adorável Jesus, pelo misterioso abandono que experimentastes na Cruz, … Adorável Jesus, por Vossa Santíssima Morte na Cruz, … Adorável Jesus, pelo Sangue e Água que brotaram de Vosso lado traspassado, … Adorável Jesus, por Vosso sepultamento, … Adorável Jesus, pela Vossa gloriosa Ressurreição, … Adorável Jesus, pela Vossa triunfal Ascensão, … Adorável Jesus, pelo mistério de Pentecostes, … Adorável Jesus, pela Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana, Vossa Esposa Imaculada, fora da qual não há salvação, … Adorável Jesus, pela Vossa instituição dos sete Santos Sacramentos, … Adorável Jesus, pela renovação de Vosso Santo Sacrifício em todas as Santas Missas de todos Adorável Jesus, pelo Vosso Corpo, Sangue, Alma e Divindade, presentes em nossos Altares, … Adorável Jesus, pelo Vosso Sacratíssimo Coração, … Adorável Jesus, por Vossa Mãe, a Santíssima Virgem Maria, … Adorável Jesus, pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, … Adorável Jesus, pela Maternidade Divina da Virgem Maria para conVosco, Deus e Homem, … Adorável Jesus, pela perfeita e perpétua Virgindade de Vossa Mãe Santíssima, … Adorável Jesus, por todas as dores e lágrimas de Vossa Mãe Santíssima, sobretudo durante o mistério de Vossa Paixão, … Adorável Jesus, pela Assunção de Vossa Mãe Imaculada aos Céus, em corpo e alma, … Adorável Jesus, por todos os méritos de Vossa Mãe Santíssima, Co-redentora do gênero Adorável Jesus, pelas preces de Vossa Mãe Santíssima, Medianeira de todas as graças, … Adorável Jesus, por Vosso pai adotivo, o glorioso São José, … Adorável Jesus, por São Miguel Arcanjo, defensor de Vossa Santa Igreja, … Adorável Jesus, por todos os Vossos Anjos e Santos, … Adorável Jesus, por Vossa infinita Misericórdia, … Adorável Jesus, por todo o Tesouro Espiritual de Vossa Santa e Única Igreja, … V: Senhor, ouvi as nossas preces. R: E chegue até Vós o nosso clamor. Padre Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.

  • PADRE PIO E AS ALMAS DO PURGATÓRIO

    Numa tarde o padre Pio estava em um quarto, localizado na parte baixa do convento, destinado para casa de hóspedes. Ele estava só e descansando sobre o sofá, quando de repente, apareceu um homem envolto em uma capa preta. O padre Pio, surpreso, ergueu-se e perguntou para o homem quem ele era e o que ele queria. O estranho respondeu que era uma alma do Purgatório. “Eu sou Pietro Di Mauro”. Disse-lhe então: “eu morri em um incêndio neste convento, em 18 de setembro de 1908. Na realidade esse convento, depois da desapropriação dos bens eclesiásticos, tinha sido transformado em uma casa de repouso para anciões. Eu morri entre as chamas quando eu estava dormindo, em meu colchão feito de palha, exatamente neste quarto. Eu venho do Purgatório: O bom Deus, deixou-me vir até aqui e lhe pedir que celebre para mim a santa missa de amanhã de manhã para o meu descanso eterno. Graças a esta Missa eu poderei entrar no Paraíso”. Padre Pio falou para o homem que ele teria a missa santa para a sua alma.. o Padre Pio contou: “Eu, queria leva-lo até a porta do convento para me despedir quando repentinamente para minha surpresa ele desapareceu. Eu seguramente percebi que havia falado com uma pessoa morta, na realidade, tenho que admitir que eu reentrei no convento bastante amedrontado. O Padre Superior do convento, Monsenhor Paolino de Casacalenda, notou meu nervosismo, e então contei-lhe o que havia acontecido . Ai então lhe pedí a permissão para celebrar a Santa Missa da manhã seguinte em voto daquela alma necessitada. Alguns dias depois, Padre Paolino, despertado pela curiosidade foi até o escritório de registro de óbitos da comunidade de St. Giovanni Rotondo, e pediu a permissão para consultar o livro de registro de óbitos do ano de 1908. Após a consulta ele pode então verificar que a história do Santo Padre Pío era verdadeira, pois no registro relacionado às mortes do mês de setembro, Padre Paolino achou o nome, o apelido e a razão da morte: No dia 18 de setembro de 1908, no incêndio da casa de repouso morreu o Sr. Pietro Di Mauro. Celebrando a Santa Missa Padre Pio contou a seguinte história a Padre Anastasio: “Uma tarde, enquanto eu estava rezando só, eu ouvi o sussurro de um terno e eu vi um monge jovem que se mexeu próximo ao altar. Parecia que ele estava espanando os candelabros e regando os vasos das flores. Eu pensei que ele era o Padre Leone, que estava reestruturando o altar, e como era a hora do jantar, eu fui próximo a ele e lhe falei: Padre Leone, vá jantar, não está na hora de espanar e consertar o altar”. Mas uma voz que não era a voz do padre Leone me respondeu: Eu não sou o Padre Leone. Então perguntei: quem é você? A voz então respondeu – “Eu sou um irmão seu que fez o noviciado aqui. Minha missão era limpar o altar durante o ano do noviciado. Desgraçadamente, durante todo esse tempo eu não reverenciei a Jesus Sacramentado Deus todo Poderoso, em nenhuma das vezes em que passava em frente ao altar. Causei grande aflição ao sacramento santo por causa da minha irreverência. Por esse descuido sério eu ainda estou no Purgatório. Agora, Deus, com a sua bondade infinita, enviou-me aqui para que você estabeleça o dia em que eu passarei a desfrutar o Paraíso. É para você cuidar de mim.. Padre Pio nos conta: “Eu creio ter sido generoso com aquela alma de sofrimento e assim exclamei: ‘você estará amanhã pela manhã no Paraíso, quando eu celebrar a Santa Missa.’ ” “Aquela alma chorou e disse: ‘Cruel de mim, que malvado eu fui’. Então chorou e desapareceu. Aquela exclamação me produziu uma ferida no coração, que eu senti e sentirei a vida inteira. Na realidade eu teria podido enviar aquela alma imediatamente ao Céu, mas eu o condenei a permanecer outra noite nas chamas do Purgatório.”

  • Paulo deu autoridade aos judeus para definirem o cânon em Romanos 3,1-2. ?

    Alegação protestante:  Romanos 3, 1 – 2. Qual é logo a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas. Portanto, a palavra de Deus foi confiada inicialmente aos judeus. Designada como a custódia da palavra inspirada de Deus, eles sabiam quais eram os livros canônicos, e quais não eram, e eles sabiam isso antes da Igreja Católica aparecer. Resposta: 1º) Sobre o quê, precisamente, São Paulo está tratando aqui? Sobre o cânon bíblico? Não! O versículo se insere numa longa discussão sobre a necessidade ou não de os cristãos observarem costumes judaicos (como, p.ex., a circuncisão, bem pontuada no versículo acima citado). Como expressa o protestante Gerhara Hörster: “A carta [aos Romanos] nos mostra em todas as partes que Paulo — o apóstolo aos gentios, como ele mesmo se denomina — está em constante debate com os judeus fiéis à lei. Seja no assunto da necessidade da salvação, ou na discussão da salvação em si, seja na libertação do pecado para uma nova vida ou no assunto da eleição de Deus e da vida moldada pela fé, ele sempre fala aos dois grupos: judeus e gentios. O leitor tem a impressão de que Paulo está constantemente conversando com um judeu fiel à lei sobre o conteúdo do evangelho. Isso significa que a igreja de Roma era constituída principalmente de cristãos-judeus, aos quais Paulo presta contas do seu evangelho aos gentios? Isso é pouco provável, pois Paulo tinha clareza de que era o apóstolo aos gentios e intencionalmente tinha deixado a responsabilidade de cuidar dos judeus a Pedro (Gl 2.7ss). Por isso mesmo ele se apresenta aos Romanos explicitamente como apóstolo aos gentios (1.5; 1.13; 15.15ss). Mas acima de tudo ele se dirige aos seus leitores como a cristãos-gentios (11.13,17-24! cf 9.3ss; 10.1s). Está claro: Paulo está falando a não-judeus sobre o povo judeu (11.23,28,31). […] Nisso cabe bem a ênfase que Paulo dá à responsabilidade dos judeus e dos gentios diante de Deus (1.16; 2.9ss; 3.29; 10.12). O estilo da carta em forma de diálogo, principalmente os capítulos 9 a 11, também prova a existência desse grupo [de cristãos-judeus] na igreja de Roma” (Introdução e Síntese do Novo Testamento, ed. Esperança, 1996 – grifos nossos). Com efeito, quando o Apóstolo afirma que “as palavras de Deus” (observe-se o plural!) foram confiadas aos judeus, ele não está querendo se referir, nem de longe, ao cânon bíblico, mas às ordens expressas por oráculo divino ao povo judeu, isto é, seus mandamentos, disciplinas e costumes particulares, mediante Moisés e os Profetas. Daí as duas perguntas de Paulo: “Qual é logo a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão?”. Por isso, o próprio Apóstolo esclarece um pouco mais adiante: “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas” (Romanos 3,21), desconsiderando assim aquela parte da Bíblia que os judeus chamam de “Escritos” (ou sejam: Salmos, Jó, Provérbios, Rute, Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, Lamentações de Jeremias, Ester, Daniel, Esdras/Neemias e Crônicas). Em suma: Está claro que Paulo, aqui, não confere um significado determinado e integral à expressão “as palavras de Deus” (Lei + Profetas + Escritos = Bíblia), mas apenas significado acidental e parcial (Lei + Profetas = Obras da Lei). Como se vê, Paulo não apenas “esquece” os Escritos, como também os livros (e trechos) que dentro da Lei e dos Profetas não guardam uma relação direta com o assunto que ele está tratando: a conveniência ou não das obras da lei pelos cristãos-gentios naquela exata forma que exigem certos cristãos-judeus. Em nenhum momento nesta Carta, nem de leve, passa pela cabeça de Paulo quantos ou quais livros especificamente  formam o Antigo Testamento: 22, 24, 39, 46 ou qualquer outro número que pudesse – ou ainda possa ser – aventado… Por outro lado, o que faz o artigo-resposta? Entende particularmente a expressão de Paulo, isto é, em sentido integral e determinado e, assim, do plural “as palavras de Deus” – ou “os oráculos de Deus”, como também traduzem algumas versões, inclusive protestantes como a Almeida Revista e Atualizada e a do Rei Tiago [King James Version] -, passa para o singular “a palavra de Deus”, entendendo – erroneamente – que aí Paulo se referiria a todos e apenas aqueles livros que formam o cânon sagrado do Antigo Testamento (coincidentemente, só aqueles 39 que o artigo protestante admite!!!). A propósito, esse erro que artigo comete aqui é muitíssimo semelhante àquele outro que muitos irmãos-separados cometem quando tentam justificar a doutrina da “Sola Scriptura” (=apenas e unicamente a Bíblia é norma de fé para o cristão) fazendo uso de João 5,39, Atos 17,11 e 2Timóteo 3,15-16, que se limitam exclusivamente ao Antigo Testamento (de modo que um judeu poderia muito bem contrapor que o Novo Testamento não possui a mesma autoridade) e que, ainda assim, só serviriam para demonstrar que as Escrituras Sagradas têm autoridade (como sempre afirmou a Mãe da Bíblia, isto é, a Igreja Católica), NÃO que ela seja A autoridade única e exclusiva para o cristão (v. 1Timóteo 3,15), como alegam os seguidores da Reforma. 2º) Ainda no que tange a São Paulo, sabemos muito bem que ele, embora pregasse aos gentios, era judeu de nascimento, discípulo do rabi Gamaliel, instruído em todo o rigor da Lei Mosaica e, antes de se converter ao Cristianismo, zeloso defensor da causa judaica (cf. Atos 22,3). Não há dúvidas, portanto, de que bem conhecia as Escrituras… Mas qual cânon ele pessoalmente adotava? O mais curto (palestinense) ou o mais longo (alexandrino)? Embora o cânon judaico só tenha sido estabelecido, em Jâmnia, no final do século I DEPOIS DE CRISTO (ou seja, já depois da morte de São Paulo), é de conhecimento exegético que Paulo adotava a LXX/Septuaginta (=cânon alexandrino). Com efeito, aqui mesmo na Epístola aos Romanos, encontramos o Apóstolo citar muitas vezes o Antigo Testamento conforme a Septuaginta, mesmo quando ele difere do texto hebraico (portanto, não acidentalmente). Eis alguns exemplos, conforme apontados pela “Bíblia na Linguagem de Hoje”, publicada por uma editora reconhecidamente protestante: Romanos 2,24 = Isaías 52,5 (LXX); Romanos 3,4 = Salmo 51,4 (LXX); Romanos 3,10-12 = Salmos 14,1-3; 53,1-3 (LXX); Romanos 3,13a = Salmo 5,9 (LXX); Romanos 3,14 = Salmo 10,7 (LXX); Romanos 9,16 = Êxodo 9,16 (LXX); Romanos 9,27-28 = Isaías 1,9 (LXX); Romanos 9,33 = Isaías 28,16 (LXX); Romanos 10,11 = Isaías 28,16 (LXX); Romanos 10,16 = Isaías 53,1 (LXX); Romanos 10,18 = Salmo 19,4 (LXX); Romanos 10,20 = Isaías 65,1 (LXX); Romanos 10,21 = Isaías 65,2 (LXX); Romanos 11,9-10 = Salmo 69,22-23 (LXX); Romanos 11,26 = Isaías 59,20-21 (LXX); Romanos 11,27 = Isaías 27,9 (LXX); Romanos 11,34 = Isaías 40,13 (LXX); Romanos 12,20 = Provérbios 25,21-22 (LXX); Romanos 14,11 = Isaías 45,23 (LXX); Romanos 15,12 = Isaías 11,10 (LXX); Romanos 15,21 = Isaías 52,15 (LXX). Tal “fenômeno”, por não ser acidental, ocorre ainda em outras epístolas de Paulo (1Coríntios, 2Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses etc.), inclusive em Hebreus(admitindo-se que tenha sido escrita pelo Apóstolo ou, como querem outros, por algum discípulo direto), a qual é uma Epístola especialmente dirigida a cristãos de origem judaica e que, como ex-judeus praticantes, também conheciam muito bem as Escrituras de modo que não aceitariam “deturpações escriturísticas” quanto ao Antigo Testamento!!! Eis alguns exemplos, retirados da mesma fonte apontada acima: Hebreus 1,6 = Deuteronômio 32,43 (LXX); Hebreus 1,7 = Salmo 104,4 (LXX); Hebreus 1,10-12 = Salmo 102,25-27 (LXX); Hebreus 2,13a = Isaías 8,17 (LXX); Hebreus 3,7-11 = Salmo 95,7-8 (LXX); Hebreus 4,7 = Salmo 95,7-8 (LXX); Hebreus 8,8-12 = Jeremias 31,31-34 (LXX); Hebreus 10,5-7 = Salmo 40,6-8 (LXX); Hebreus 10,27 = Isaías 26,11 (LXX); Hebreus 10,37-38 = Habacuque 2,3-4 (LXX); Hebreus 11,21b = Gênesis 47,31 (LXX); Hebreus 12,5-6 = Provérbios 3,11-12 (LXX); Hebreus 12,12 = Isaías 35,3 (LXX); Hebreus 12,13 = Provérbios 4,26 (LXX); Hebreus 12,26 = Ageu 2,6 (LXX); Hebreus 13,6 = Salmo 118,6 (LXX). E, para que não restem quaisquer dúvidas, a Sociedade Bíblica do Brasil, esclarece em sua introdução ao Novo Testamento (da Bíblia na Linguagem de Hoje): “Nas referências de rodapé aparece às vezes, entre parênteses, “LXX” (ver Mateus 3,3). Isso quer dizer que a passagem do Antigo Testamento citada nesse versículo não segue o texto hebraico, mas a antiga versão grega chamada de Septuaginta (LXX)” (grifo nosso). Reconhece, por sua vez, a Bíblia de Referência Thompson (também protestante; ed. Vida, 1996): “Na Igreja Primitiva, era essa [ou seja: a Septuaginta] a versão conhecida de todos os crentes” (p.1377). E isto ocorria, inclusive, em Jerusalém onde existiam diversas sinagogas edificadas por judeus de fala grega e helenistas (e que, evidentemente, adotavam a Septuaginta), permitindo que os judeus de cada nação pudesse vir cultuar o Senhor Javé no centro religioso do Judaísmo!!! O melhor exemplo disso encontramos em Atos 6,9: “Mas alguns da sinagoga chamada ‘dos Libertos’, cirenenses,alexandrinos e os da Cilícia e da Ásia se levantaram para discutir com Estevão”. E o uso que faziam da Septuaginta era muito bem aceito pelas autoridades religiosas da Terra Santa, como também testemunha Atos 7,14: aqui vemos Estêvão (diácono instituído para os cristãos de língua grega, cf. Atos 6,1-6), discursar diante do Sumo Sacerdote (suprema autoridade religiosa palestinense) e afirmar claramente que “José mandou buscar Jacó, seu pai, e todos os parentes, 75 ao todo”, tal como declara textualmente a Septuaginta e não  o texto hebraico de Gênesis 46,27, que diz “70 ao todo”. Em nenhum momento o sumo sacerdote corrige o número… No tocante aos deuterocanônicos, a mesma Bíblia de Referência Thompson (p. 1375) observa: “Os judeus da dispersão no Egito revelaram alta estima por esses escritos [=deuterocanônicos] e os incluíram na tradução do Antigo Testamento para o grego, chamada Septuaginta, mas esses mesmos escritos foram eliminados do cânon hebraico pelos judeus da Palestina [=ou seja, no Concílio de Jâmnia, no século I d.C.]” (grifo nosso). Outra fonte de referência protestante, o “Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento” (ed. Vida Nova, 1ª ed., 1981, p. 77), faz o mesmo, reconhecendo: “Septuaginta (lat. septuaginta, setenta) – A tradução gr[ega] do AT e da maioria dos apócrifos [=deuterocanônicos] que, segundo a lenda judaica, foi feita por setenta (ou setenta e dois) estudiosos judeus da Diáspora em Alexandria no século III a.C. (cf. Carta de Aristéias). Daí, é comumente designada pelo número romano LXX. Na realidade, o AT foi vertido para o gr[ego] por vários tradutores no decurso de um certo período de tempo, começando com o Pentateuco nos séculos III e II a.C. O propósito era ajudar judeus da dispersão a ler as Escrituras numa língua familiar. Ocorreram numerosas alterações e mudanças de sentido em comparação com o heb[raico]. Mas, quanto ao tempo, a LXX é mais antiga que o Texto Massorético heb[raico] e, às vezes, as suas leituras são preferíveis. Na igreja primitiva, a LXX era a forma normativa do AT” (grifos nossos). E conclui a autora protestante Mary Batchelor (“A Bíblia em Foco”, Melhoramentos, 1995, p. 96): “Os primeiros cristãos encontraram esses livros [=deuterocanônicos]quando adotaram a Septuaginta como sua Bíblia e os incluíram nela” (grifos nossos). Não é, pois, à toa que os primeiros autores pós-apostólicos (Didaqué, Clemente de Roma, Policarpo de Esmirna, Inácio de Antioquia, Justino de Roma, Atenágoras de Atenas etc.) também considerassem seguramente inspirados os deuterocanônicos! 3º) Aliás, constitui caso especialmente interessante – e de muito valor aqui – o que lemos em Hebreus 11,35: “Mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos. Uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançar superior ressurreição”. Quem seriam essas pessoas? “Normalmente os irmãos separados indicam a viúva de Sarepta, cujo filho ressuscitou por intermédio do profeta Elias (1Reis 17,17-23) e a sunanita, cujo filho foi ressuscitado pela intercessão de Eliseu (2Reis 4,8-37)” (Alessandro Ricardo Lima, “O Cânon Bíblico”, Ed. ComDeus, 2007). Mas onde estaria a tortura e a perseguição em ambos os casos? Inexistem… Estaria Paulo (ou seu discípulo direto) fazendo referência a algum evento extrabíblico? Não! A solução encontra-se evidenciada na Septuaginta, em 2Macabeus 7,1-40: trata-se dos irmãos macabeus que foram torturados e martirizados por não quererem renegar a sua fé, certos de que Deus lhes daria a graça da ressurreição! Com efeito, os judeus-cristãos, destinatários da Epístola aos Hebreus, compreenderam muito bem a clara referência feita a estes mártires da fé judaica; porém, se o cânon curto fosse o correto, jamais saberíamos a quem se referia o Autor Sagrado e, para manter também o erro da “Sola Scriptura”, teríamos que “passar uma borracha” sobre a perseguição e a violência indicados no versículo de Hebreus para apontarmos “sem erro” 1Reis 17,17-23 e 2Reis 4,8-37! No mesmíssimo sentido, reconhece o autor protestante Edgar J. Goodspeed categoricamente: “A história terrível dos mártires macabeus (II Macabeus 7), reflete-se em Hebreus 11.35-38” (obra citada). 4º) Por outro lado, o fato de não haver citações explícitas aos Deuterocanônicos no Novo Testamento não depõe contra eles, pois se esse critério fosse realmente válido para estabelecer os livros do Antigo Testamento, deveriam certamente ficar de fora alguns protocanônicos que nunca foram citados (alguns nem mesmo implicitamente!): Abdias, Naum, Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, Ester, Esdras, Neemias e Rute. Fora que esse critério exigiria também a inclusão de outras obras, como as poesias de Epimênides de Cnossos (+séc. IV a.C.; cf. Tito 1,12s) e Arato de Sicília (+séc.III a.C; v. Atos 17,28), e os apócrifos judaicos “Assunção de Moisés” (v. Judas 1,9) e “Apocalipse de Henoc” (v. Judas 14), além de vários outros escritos que o Antigo Testamento cita nominalmente mas que não estão no cânon (cerca de 30!). 5º) Devemos ainda considerar o “cânon hebraico”, a que faz referência do artigo. Embora existam irmãos que apontem Esdras (~400 a.C.) como “responsável” pela determinação do “cânon judaico”, tal assertiva não tem respaldo escriturístico suficiente (no máximo, ele foi responsável pela compilação final do Pentateuco!) e, muito menos, histórico. Se tal fosse verdade, pelo menos o livro de Daniel (para não citar outros) teria ficado de fora, pois escrito muito depois, entre 175 e 150 d.C. Com relação a isso, reconhece o professor protestante J. Albert Soggin, da Faculdade Valdense de Teologia de Roma: “Um elemento desconcertante [do livro de Daniel] é dado pelo fato de que os acontecimentos conectados com o Exílio da Babilônia são extremamente vagos e imprecisos, enquanto os dados são extremamente exatos à medida que se aproximam da época dos macabeus, na primeira metade do século II a.C.: para a época mais antiga as dúvidas surgem especialmente em torno à cronologia, em torno à imprecisão dos personagens descritos (por exemplo: Daniel teria sido deportado aproximadamente no ano 607 a.C.; em 5,11 Baltazar é apresentado como filho de Nabucodonosor; em 7.1 como rei de Babilônia, mas não foi nem uma coisa nem outra; em 6,1 aparece um ‘Dario o Medo’ que não podemos identificar com nenhum personagem conhecido: se foi o rei Dario I Histaspes, e este subiu ao trono no ano 522, quantos anos teria então Daniel? etc) e em torno à língua que é o hebraico da época posterior ao exílio, e o aramaico, não presente na Palestina antes do exílio. As conclusões mais lógicas são pois que o livro foi composto, sobre a base de tradições antigas e imprecisas, durante o século II a.C., um fato já notado por alguns adversários do Cristianismo no século III d.C.” (Introdução aos Livros Proféticos, in Bíblia Sagrada Mirador Edição Ecumênica 1980; grifos nossos). Quando e como teria surgido o cânon do Antigo Testamento? Citemos novamente Mary Batchelor (recordando que ele, como protestante, está apenas se referindo aos livros protocanônicos; mas importa aqui apenas afastar a ideia “romântica” de que o “cânon hebraico” já estivesse totalmente definido, pronto e acabado, no tempo de Cristo como faz supor o autor do artigo): “A LEI – Os primeiros cinco livros da Bíblia, conhecidos como Lei ou Torá, desde muito cedo foram reconhecidos como escrituras sagradas. Ao tempo de Esdras, o sacerdote, cerca de 400 a.C., eles já tinham sua forma atual e eram aceitos como escritos santos. OS PROFETAS – Os livros dos profetas, redigidos durante a vida deles ou pouco tempo depois, foram todos aceitos como escrituras pouco depois de 200 a.C. OS ESCRITOS – A terceira divisão das escrituras judaicas, a mistura de livros conhecida como Escritos ou Hagiógrafos, apresentava um problema mais delicado. Eles foram os últimos a serem ‘canonizados’. Alguns foram sendo aceitos sem questionamentos. Os Salmos já haviam ganho um lugar especial no coração de todos, devido ao seu uso na liturgia e na adoração do Templo. Os demais livros, todavia, não eram tão convincentes. Que dizer de Ester e Eclesiastes, em que o nome de Deus não é mencionado? E o Cântico dos Cânticos, de Salomão, um poema de amor sem meias palavras? As pessoas não tinham certeza se tais livros deveriam ser incorporados às Escrituras. Havia ainda vários outros livros – aventuras, histórias e livros de sabedoria – que haviam brotado da mesma tradição. Será que eles deveriam ser incluídos no cânon? Alguns acham que os judeus helenizados que moravam em Alexandria, no Egito, nos séculos I e II a.C., eram mais propensos a aceitar esses livros e a incluí-los no cânon, ao passo que o mesmo não se dava com os judeus da Palestina. O CÂNON JUDAICO DAS ESCRITURAS – No princípio da era cristã, ainda havia algumas dúvidas sobre determinados livros. Quando Roma tomou Jerusalém, em 70 d.C., os eruditos judeus estavam envolvidos com a resolução dessas questões e com a confirmação da lista do cânon. O Templo havia sido destruído. O antigo centro de fé judaica não mais existia. Era, portanto, mais do que necessário que os judeus espalhados por toda parte tivessem uma lista das Escrituras que fosse consensual. A ESCOLA DE JÂMNIA – Nessa época, havia uma academia na costa da Palestina em Yavneh (Jâmnia) que havia sido fundada por um rabino fugitivo do cerco a Jerusalém. Alguns dos mais conceituados estudiosos judeus da época tinham afluído para lá, transformando a cidade num grande centro de aprendizado judeu. As discussões acerca do cânon ocorreram ali em 90 d.C. e a decisão final data dessa época. Não houve uma decisão oficial impositiva. Esse parecer, tornou-se universalmente aceito, em parte devido à alta reputação da escola de Jâmnia, e também porque estava de acordo com a opinião geral.” E, de forma secundária, se o cânon hebraico já estivesse estabelecido na época de Jesus, o Sumo Sacerdote – ainda que por “simples ironia” que a situação vista no 2º ponto acima “requeria” – teria corrigido as declarações de Estêvão (Atos 7,14), instando-o a citar as Escrituras conforme o texto hebraico e não segundo a Septuaginta. 6º) Ainda quanto ao cânon, há registros de discussões entre judeus os no século II d.C. quanto aos livros de Ezequiel (o qual, descrevendo a nova cidade santa com seu Templo parecia derrogar a Lei de Moisés); Cântico dos Cânticos (por se assemelhar mais a uma composição de amor profano); Ester (seu conteúdo contrário aos estrangeiros provocava ódio dos pagãos contra os judeus); e Eclesiastes e Provérbios (por haver aparentes contradições internas). Por outra mão, a “exclusão” dos deuterocanônicos em Jâmnia não impediu que os mesmos continuassem a ser empregados oficialmente, como inspirados, quer pelos judeus (Baruc era lido publicamente no Dia da Expiação até o séc. IV; foram encontrados alguns exemplares entre os essênios de Qumran e os judeus de Massada; Eclesiástico é estimado pelo Talmud [Erubin 65a; Baba Kama 92b] e foi citado pelos rabinos até o séc. X; 1Macabeus era integralmente lido na Festa da Dedicação do Templo [cf. Talmud, Hanuka]; há diversas midraxes sobre Tobias e Judite da pena de judeus; e mesmo hoje os deuterocanônicos são estimados pelos judeus etíopes!), quer especialmente pelos cristãos (não apenas foram considerados inspirados pelos cristãos pós-apostólicos, como definitivamente ‘canonizados’ pela Igreja nos concílios de Hipona [393], Cartago III [397] e Cartago IV [418], e confirmado pelo Papa Inocêncio I [450]). 7º) Não há dúvidas de que os judeus teriam alguma autoridade para definir “de uma vez por todas” o cânon bíblico se o tivessem feito até a vinda do Senhor Jesus (e, ainda assim, Este teria muito mais autoridade para alterá-lo), quando ainda viviam sob a égide do Antigo Testamento. Não o fazendo, e sendo naturalmente os cristãos o Novo Povo Eleito de Deus, coube legitimamente à Igreja – com a suprema autoridade confiada por Cristo (Mateus 16,18; 18,18; 1 Timóteo 3,15) – fazê-lo! E a Igreja, nesses mesmos Concílios, não apenas definiu o cânon do Antigo Testamento, como ainda o do Novo Testamento (fato que os protestantes parecem que fazem questão de não mencionar!). Curiosamente, os protestantes não aceitam os deuterocanônicos do Antigo Testamento (e repita-se: definidos como canônicos pela legítima autoridade competente do Novo Testamento [consequentemente, sob Era Cristã, a autoridade judaica de Jâmnia era absolutamente incompetente para definir qualquer cânon, inclusive do Antigo Testamento]), mas contraditoriamente aceitam os deuterocanônicos do Novo Testamento (a saber: Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 João, 3 João, Judas e Apocalipse), definidos, nas mesmas oportunidades, pela mesmíssima autoridade da Igreja Católica (apesar da tentativa frustrada de Lutero em também desprezar os deuterocanônicos do Novo Testamento). Com isso parece concordar a protestante Mary Batchelor: “Mas como foi que [os 27 livros do Novo Testamento] vieram a ser reconhecidos como uma coleção unificada e portadora do selo da autoridade divina? […] A igreja primitiva teve dúvidas, durante algum tempo, acerca de alguns livros que hoje fazem parte do Novo Testamento. No princípio do século IV, Eusébio [de Cesaréia] compôs três listas: a primeira delas contendo os livros considerados parte do cânon; a segunda, com livros definitivamente reconhecidos como estranhos ao cânon; e uma terceira com os livros sobre os quais ainda havia disputas se deveriam ou não pertencer ao cânon […] A primeira lista conhecida em que aparecem os vinte e sete livros conforme os temos hoje data de 367 d.C. Em 397, o Sínodo de Cartago declarou essa mesma lista como Escritura, embora a igreja já a tivesse considerado canônica há muito tempo”. (obra citada, p. 171; grifos nossos). Fonte:Apologistas

  • Bispos, MST, e dinheiro do PT

    Bispos ligados ao MST, eventos da Igreja pagos por políticos petistas e outras religiões impedindo missas em seminários católicos. Esta Quaresma está sendo um tempo para nos apegarmos ainda mais à verdadeira fé de Cristo e de Sua Igreja. Baixar livro COMONITORIO: https://goo.gl/m41nH8 __________________________________________________ APOIA-SE: https://apoia.se/bernardokuster Facebook: https://www.facebook.com/bernardopkuster Twitter: @bernardopkuster Instagram: bernardo_kuster #bispos #dinheiro

  • “Todos pecaram” versus uma Maria Imaculada sem pecado ?

    A chave é entender o idioma bíblico corretamente no contexto. Dave Armstrong Romanos 3:23 (RSV) “desde que todos pecaram, ficaram aquém da glória de Deus”. A palavra “todos” aqui, em grego (pas) pode de fato ter significados diferentes: como acontece no inglês. Não importa se isso significa literalmente “todos” em alguns lugares, se isso poder significar algo menos do que “absolutamente todos” em qualquer outro lugar da Escritura. Uma vez que isso for admitido, então a exceção católica para Maria não pode ser dita linguisticamente ou exegeticamente impossível, do mesmo jeito do que adelphos (“irmão”) que significando “parente” em um lugar exclui o significado de “primo” ou outro não-parente em outro lugar. Encontramos exemplos de uma intenção não-literal em outros lugares em Romanos. No versículo 1:29 a KJV tem a frase: “estar cheio de toda injustiça”, enquanto a RSV adota o significado mais particular e específico, “toda a forma de maldade”. Como outro exemplo no mesmo livro, Paulo escreve que “todo Israel será salvo “(11:26), mas sabemos que muitos não serão salvos. E em 15:14, Paulo descreve os membros da igreja romana como “cheios de todo conhecimento” (1 Cor 1: 5 na KJV), que claramente não pode ser tomado literalmente. Os exemplos podem ser multiplicados indefinidamente, e são tão acessíveis quanto a Concordância Strong mais próxima. O que seria contrário a uma Maria sem pecado / imaculado seria um versículo que diria algo como: “absolutamente todo ser humano que já viveu – sem exceções – pecou”. Isso incluíria Jesus desde que Ele é um homem, mas Ele também é Deus (uma Pessoa Divina) e Maria. Mas Romanos 3:23 não implica esse enigma lógico. Pode-se também dizer que Maria foi incluída no “todos” no sentido de que ela certamente teria sido sujeita ao pecado original como o resto de nós, exceto pelo o ato preventivo especial da graça de Deus – um “ataque preventivo”, por assim dizer . É por isso que ela pode dizer com razão que Deus também foi seu Salvador (Lc 1, 47). Eu não acho que isso seja forçar, considerando que o idioma hebraico não era de todo “científico”, “filosófico” nem excessivamente particularista quanto a significados literais, como o inglês em nossa cultura parece ser hoje. Esta explicação da “exceção / pecado original / idioma hebraico” é, eu admito, a mais plausível. Ela permite que alguém tome “todos” aqui em seu sentido mais direto e de senso comum, mas com a ressalva de que Maria foi poupada do pecado inevitável por meio de uma intervenção direta e extraordinária de Deus, e também está de acordo com o pensamento de Lucas 1:47, conforme interpretado pela teologia católica, à luz da aceitação da Imaculada Conceição. Dito isto, vou agora para trabalhos de referência linguística. O Dicionário teológico de Kittel do Novo Testamento (Abridged Ed.) Afirma: Pas pode ter diferentes significados de acordo com seus diferentes usos. . . em muitos versículos, o pas é usado no NT simplesmente para denotar um grande número, por exemplo, “toda Jerusalém” em Mt 2: 3 e “todos os doentes” em 4:24. (pp. 796-797) Veja também Mateus 3: 5; 21:10; 27:25; Marcos 2:13; 9:15; etc., especialmente na KJV. Da mesma forma, o léxico grego-inglês de Thayer do Novo Testamento dá “de todo tipo” como um possível significado em alguns contextos (p. 491, Strong word # 3956). E o Dicionário Expositório de Vine de Palavras do Novo Testamento nos diz que pode significar “todo tipo ou variedade” (vol. 1, p.46, under ”All”). No entanto, estou inclinado a seguir a interpretação de “exceção” que descrevi acima. Meu ponto aqui é simplesmente ilustrar que o pas não precisa necessariamente significar “nenhuma exceção”, de modo que a falta de pecado de Maria não é uma impossibilidade lógica baseada no significado de pas sozinho. Vemos o idioma judaico e a hipérbole em passagens de significado semelhante. Jesus diz: “Ninguém é bom senão só Deus” (Lc 18:19, cf. Mt 19:17). No entanto, ele também disse: “A pessoa boa traz coisas boas de um bom tesouro” (Mt 12:35, 5:45; 7: 17-20; 22:10). Além disso, em cada caso em Mateus e Lucas acima do “bom” inglês, a palavra grega é a mesma: agatho. Isso é uma contradição? Claro que não. Jesus está apenas fazendo um contraste entre nossa justiça e a de Deus, mas Ele não nega que possamos ser “bons” em menor sentido. Observamos a mesma dinâmica nos Salmos: Salmos 14: 2-3 O Senhor olha para baixo do céu sobre os filhos dos homens, para ver se há algum que aja com sabedoria, que buscam Deus. [3] Todos se desviaram, todos são corruptos; não há nenhum que faça o bem, [Hebraico, tob] não, nenhum. (ver 53: 1-3, Paulo cita isto em Rom 3: 10-12) No entanto, no Salmo imediatamente anterior, Davi proclama: “Confiei no teu amor firme” (13: 5), que certamente está “procurando” por Deus! E no próximo ele se refere a “Aquele que anda irrepreensível e faz o que é certo” (15: 2). Até dois versiculos depois (14: 5) ele escreve que “Deus está com a geração dos justos”. Então, obviamente, o lamento em 14: 2-3 é uma hipérbole indignada e não pretendida como uma expressão literal. Essas observações são comuns ao idioma poético hebraico. O salmista anônimo em 112: 5-6 refere-se ao “justo” (Heb. Tob), como faz o livro de Provérbios repetidamente: usando as palavras “justos” ou “bons” (11:23; 12: 2; 13: 22; 14:14, 19), usando a mesma palavra, Tob, que aparece no Salmo 14: 2-3. As referências aos homens justos são inumeráveis (por exemplo, Jó 17: 9; 22:19; Salmos 5:12; 32:11; 34:15; 37:16, 32; Mt 9:13; 13:17; 25:37, 46; Rom 5:19; Heb 11: 4; Js 5:16; 1 Pet 3:12; 4:18, etc.). Pode-se também notar em 1 Coríntios 15:22: “Porque como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados”. No que diz respeito à morte física (o contexto de 1 Cor 15), não “todas” as pessoas morreram (por exemplo, Enoque: Gênesis 5:24, cf. Hb 11: 5; Elias: 2 Reis 2:11). Da mesma forma, “todos” não serão espiritualmente vivos por Cristo, pois alguns escolherão sofrer a morte espiritual eterna no inferno. A chave em tudo isso é entender o idioma bíblico corretamente no contexto. Nem sempre é literal. Traduzido de: http://www.ncregister.com/blog/darmstrong/all-have-sinned-vs.-a-sinless-immaculate-mary

  • Jim Caviezel revela como o terço o ajudou a interpretar São Lucas

    (ACI).- O ator Jim Caviezel revelou que a oração do terço o ajudou a interpretar o personagem de São Lucas no novo filme “Paulo, Apóstolo de Cristo”, que será lançado em 23 de março. Em declarações à CNA – agência em inglês do Grupo ACI –, Caviezel recordou que o evangelista São Lucas “menciona a Virgem Maria mais do que qualquer outro escritor” e, por isso, usou o terço “para se concentrar, para rezar”. O personagem de Caviezel, São Lucas, arrisca a sua vida para visitar o Apostolo São Paulo, que está preso e esperando a sua sentença de morte, e os cristãos em Roma estavam sendo perseguidos por Nero. Nesse sentido, Caviezel – que também interpretou Jesus de Nazaré no filme de Mel Gibson “A Paixão do Cristo” – disse à CNA que ficou impressionado com a figura de São Paulo na fase final de sua vida, porque é “um idoso cansado que está na prisão esperando a sua execução. Como esse homem pode ser uma luz para o mundo?”. “Mas, muitas vezes, é através das nossas lutas, provações e tragédias que vem a vitória”, expressou o ator que se declara católico. Por outro lado, Jim Caviezel explicou que o longa-metragem também destaca temas como a conversão e o perdão. “A grande controvérsia deste filme é perdoar a qualquer custo e isso não significa fraqueza ou aceitação do mal. Isso significa encontrar o mal cara a cara… isso é algo difícil”, indicou. “Alguns dos diálogos mais importantes se centram em torno da verdadeira coragem. A coragem é um amor ardente. O amor provoca uma mudança ao acender uma paixão em cada um de nós”, continuou. O ator contou que vai “à Missa todos os dias e a Eucaristia é Cristo em mim. Tudo o que eu faço sempre é com a ajuda do céu. Isso marca o meu caminho e me guia. Foi assim que consegui o meu talento. É o que eu devolvo a Deus pelo que Ele me deu… Ele simplesmente multiplica e abençoa de uma forma que eu nunca pensei que fosse possível”. Além disso, afirmou que tem “uma grande devoção ao padroeiro dos atores, São Genésio”. O ator que interpreta São Paulo, James Faulkner – que atuou nas séries “Game of Thrones” e “Downton Abbey” – disse à CNA: “Estou feliz em admitir que Jim é mais devoto ao cristianismo do que eu e que me nutri da sua fé sempre que foi possível”. Faulkner, que foi criado na Igreja da Inglaterra, comentou que mudou depois de “ler e reler as cartas de Paulo” enquanto se preparava para interpretar o santo no filme. “Sou mais humilde? Sim. Tenho mais amor pelo meu próximo? Sim. Há uma possibilidade de redenção para mim? Sim, há”, refletiu. Também assinalou que, ao contrário da sua participação em “Game of Thrones”, na filmagem de “Paulo, Apóstolo de Cristo” – escrito e dirigido por Andrew Hyatt –, viveu “uma experiência extraordinária ao estar em um ambiente mais simples, me senti totalmente apoiado e amado por todos aqueles que estão ao meu redor”. Um filme dedicado aos cristãos perseguidos Eric Groth, produtor executivo do filme, afirmou que o filme é dedicado aos cristãos perseguidos no mundo. “Estávamos escrevendo o roteiro durante a época intensa do Estado Islâmico (ISIS) e dos problemas na Síria e no Oriente Médio”, disse à CNA. Groth acrescentou que para orientar os atores do filme, a sua equipe de trabalho refletiu sobre “os mártires que entregaram suas vidas ao longo dos séculos”. #SãoLucas #SãoPaulo

  • NOSSOS SACRIFÍCIOS ESPIRITUAIS – 3º Domingo da Quaresma

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “A purificação do Templo”, clicar AQUI PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Livro do Êxodo 20,1-17) O sacrifício da obediência a Deus Naqueles dias, Deus pronunciou todas estas palavras: ‘Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que existe em cima, nos céus, ou embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante destes deuses nem lhes prestarás culto, pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento. Castigo a culpa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração dos que me odeiam, mas uso da misericórdia por mil gerações com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não deixará sem castigo quem pronunciar seu nome em vão. Lembra-te de santificar o dia de sábado. Trabalharás durante seis dias e farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu gado, nem o estrangeiro que vive em tuas cidades. Porque o Senhor fez em seis dias o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou. Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará. Não matarás. Não cometerás adultério. Não furtarás. Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença’. SALMO 18 São palavras de vida eterna (Antífona): Senhor, tens palavras de vida eterna. A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes. Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz. É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente. Mais desejáveis do que o ouro são eles, do que o ouro refinado. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1Cor 1,22-25) A sabedoria de Deus é o Cristo crucificado Irmãos: Os judeus pedem sinais milagrosos, os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos. Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, esse Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus. Pois o que é dito insensatez de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é dito fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. EVANGELHO (São João 2,13-25) O Templo, lugar de sacrifícios espirituais Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”. Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” Ele respondeu: “Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei”. Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?” Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele. Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa. Vendo os sinais que realizava, muitos creram no seu nome. Mas Jesus não lhes dava crédito, pois ele conhecia a todos; e não precisava do testemunho de ninguém acerca do ser humano, porque ele conhecia o homem por dentro. NOSSOS SACRIFÍCIOS ESPIRITUAIS (Comentário de Scott Hahn) Jesus não vem para destruir a tradição que o Templo representa, mas para “dar-lhe cumprimento” (v. Mt 5,17); isto é, revelar seu verdadeiro significado dentro do plano de salvação de Deus. Ele é o Senhor de quem os profetas disseram que viria para purificar o Templo, expulsando os mercadores e tornando-o “uma casa de oração para todos os povos” (v. Za 14,21; Ml 3,1-5; Is 56, 7). O Deus que fez os céus e a terra, que tirou Israel da escravidão do Egito, “não habita em casas feitas por mãos humanas” (v. Atos 7,48; 2Sam 7,6). Nem precisa de sacrifícios de novilhos, ovelhas ou pombas (v. Sal 50, 7-13). Na primeira leitura deste domingo, é importante notar que, em primeiro lugar, Deus não pedia sacrifícios de animais, mas somente que Israel obedecesse seus mandamentos (Jr 7,21-23; Am 5, 25). Sua lei foi um dom da sabedoria divina, como cantamos no salmo. É uma Lei de Amor (v. Mt 22, 36-40), perfeitamente expressa no dom que o Cristo de si mesmo na cruz (Jo 15,13). Este é o “sinal” que Jesus oferece no Evangelho: um sinal que foi “escândalo” para os líderes dos judeus, como diz São Paulo na epístola. O corpo de Jesus, destruído na cruz e ressuscitado três dias depois, é o Novo e Verdadeiro Santuário. Do templo do seu corpo brotam rios de água viva, o Espírito de graça que faz de cada um de nós um templo (v. 1Co 3,16) e nos torna morada de Deus (v. Ef 2, 22). Nós, na Eucaristia, participamos do oferecimento de seu Corpo e Sangue. Este é o culto “em espírito e verdade” que o Pai deseja (v. Jo 4, 23-24). O louvor é o nosso melhor sacrifício (v. Sal 50,14.23). Isto consiste em imitar o Cristo, “oferecendo nossos corpos”; ou seja, todas as nossas intenções e ações por amor a Deus e ao próximo (Heb 10,5-7, Rom 12,1; 1P 2,5). https://stpaulcenter.com/sacrificios-espirituales-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-3o-domingo-de-cuaresma/# https://stpaulcenter.com/spiritual-sacrifice-scott-hahn-reflects-on-the-third-sunday-of-lent/

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