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- O CONVERTIDO BLAISE PASCAL – Corrado Gnerre
Blaise Pascal se converteu ao cristianismo em 23 de novembro de 1654, aos 31 anos. Catolicamente falando, o pensamento de Pascal não é todo ele “um mar de rosas”, como se costuma dizer. Existem alguns pontos muito positivos, mas existem outros que devem ser claramente corrigidos. No entanto, permanece o fato de que sua “voz” é interessante em uma época na qual estava sendo imposta uma visão da vida não racional (o que teria sido mais do que bom), mas racionalista. Para recordar este dia leiamos, sobretudo para os mais novos, algumas palavras suas retiradas dos seus «Pensamentos»; precisamente o pensamento n.409: “A grandeza do homem é tão visível, que se extrai mesmo de sua miséria. Na verdade, o que é natureza nos animais, no homem chamamos de miséria; assim, reconheçamos que, sendo hoje sua natureza semelhante à dos animais, ele caiu de uma natureza melhor, que antes era a sua. Quem, de fato, se sente infeliz por não ser um rei, senão um rei que foi deposto?” Em suma, Pascal descreve o homem em sua dimensão existencial e apresenta o cristianismo como a única resposta coerente e persuasiva ao enigma da vida humana. Segundo ele, a miséria e a grandeza são as características peculiares do homem, continuamente disputado pelo infinitamente pequeno e pelo infinitamente grande. http://itresentieri.it/la-bellezza-del-tempo-23novembre-conversione-al-cristianesimo-del-filosofo-e-matematico-blaise-pascal/
- O DEUS FEITO HOMEM
Como o Mistério da Encarnação fez do Cristianismo uma Religião da Imagem por excelência. A controvérsia iconoclasta foi o primeiro debate profundo na história da igreja sobre a natureza e função da arte religiosa e a possibilidade de uma estética cristã. Na verdade, como sugeriu o medievalista Gerhart B. Ladner, “𝘥𝘶𝘳𝘢𝘯𝘵𝘦 𝘵𝘰𝘥𝘢 𝘢 𝘐𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘔é𝘥𝘪𝘢 𝘯ã𝘰 𝘰𝘤𝘰𝘳𝘳𝘦𝘶 𝘯𝘰 𝘖𝘤𝘪𝘥𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘯𝘦𝘯𝘩𝘶𝘮𝘢 𝘥𝘪𝘴𝘤𝘶𝘴𝘴ã𝘰 𝘵𝘦ó𝘳𝘪𝘤𝘢 𝘥𝘢𝘴 𝘳𝘦𝘭𝘢çõ𝘦𝘴 𝘦𝘯𝘵𝘳𝘦 𝘳𝘦𝘭𝘪𝘨𝘪ã𝘰 𝘦 𝘢𝘳𝘵𝘦 𝘲𝘶𝘢𝘴𝘦 𝘵ã𝘰 𝘷𝘪𝘨𝘰𝘳𝘰𝘴𝘢 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘢 𝘢𝘱𝘳𝘦𝘴𝘦𝘯𝘵𝘢𝘥𝘢 𝘱𝘦𝘭𝘰𝘴 𝘵𝘦ó𝘭𝘰𝘨𝘰𝘴 𝘨𝘳𝘦𝘨𝘰𝘴”.¹ Essa caracterização é precisa em sua descrição da resposta ocidental à controvérsia bizantina.² Também se aplicaria a ambos os lados da controvérsia bizantina, tanto para os iconoclastas quanto para os iconódulas. Em contraste com a oposição às imagens baseadas numa suposta “espiritualidade da adoração, adesão à lei do Antigo Testamento e repulsa contra as práticas de culto das massas pagãs”, a posição iconoclasta do século VIII “𝘦𝘳𝘢 𝘣𝘢𝘴𝘦𝘢𝘥𝘢 𝘧𝘪𝘳𝘮𝘦𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘦𝘮 𝘢𝘳𝘨𝘶𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰𝘴 𝘥𝘰𝘶𝘵𝘳𝘪𝘯á𝘳𝘪𝘰𝘴”.³ E quer tenha havido ou não tanto desenvolvimento na posição dos Iconoclastas depois de 815 como alguns estudiosos sugeriram⁴, a firme confiança em argumentos doutrinários continuou a marcar tanto os Iconoclastas quanto os Iconódulas. Entre os últimos, “𝘵𝘢𝘭𝘷𝘦𝘻 𝘰 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘱𝘦𝘯𝘦𝘵𝘳𝘢𝘯𝘵𝘦”⁵ foi São Teodoro, o Estudita, que morreu em 826. Essa avaliação de Teodoro se mantém, apesar da caracterização de seu pensamento por Harnack (protestante) como “𝘶𝘮𝘢 𝘪𝘤𝘰𝘯𝘰𝘴𝘰𝘧𝘪𝘢 𝘤𝘰𝘮𝘱𝘰𝘴𝘵𝘢 𝘥𝘦 𝘴𝘶𝘱𝘦𝘳𝘴𝘵𝘪çã𝘰 𝘦 𝘦𝘴𝘤𝘰𝘭𝘢𝘴𝘵𝘪𝘤𝘪𝘴𝘮𝘰”.⁶ O mesmo Harnack também manifestou a profundidade de sua hostilidade não apenas à “iconosofia”, mas aos ícones como tais, quando descreveu seu desenvolvimento na arte e no culto cristão como uma prática idólatra que era praticada na Igreja Oriental “𝘢𝘴𝘴𝘪𝘮 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘵𝘪𝘯𝘩𝘢 𝘴𝘪𝘥𝘰 𝘯𝘰 𝘱𝘢𝘨𝘢𝘯𝘪𝘴𝘮𝘰, 𝘢𝘱𝘦𝘯𝘢𝘴 𝘰 𝘴𝘦𝘯𝘴𝘰 𝘥𝘦 𝘣𝘦𝘭𝘦𝘻𝘢 𝘩𝘢𝘷𝘪𝘢 𝘴𝘪𝘥𝘰 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘳𝘵𝘪𝘥𝘰”.⁷ A profundidade total dos argumentos doutrinários pode ser entendida apenas se examinarmos o que aconteceu quando a justificativa teórica dos ícones mudou dos argumentos sobre a Tradição para as provas sobre a base cristológica, e daí ao que tem sido chamado de método “escolástico” de argumentação.⁸ Nos estágios iniciais da contenda entre Iconoclastas e Iconódulas sobre a autoridade da Tradição, a massa de evidências explícitas dos primeiros séculos de pensamento e ensino cristão acerca de imagens parecia, sob uma leitura superficial, estar do lado dos Iconoclastas. As defesas patrísticas da fé cristã, primeiro aquelas dirigidas contra o judaísmo e depois as dirigidas ao helenismo, enfatizaram consistentemente a divergência fundamental entre a adoração cristã dada ao Deus invisível e toda forma de idolatria pagã a representações visíveis da divindade. Além disso, eles o fizeram de tal maneira que sua linguagem polêmica agora parecia, pelo menos em uma leitura leviana, aplicar-se ainda mais severamente a qualquer uso cristão da arte representativa no culto do que à prática pagã. Se esse gênero de literatura apologética patrística fosse tomado como a única evidência admissível do testemunho dos padres da igreja, os iconoclastas pareceriam ter razão ao afirmar que era sua postura inflexível contra as imagens, e não a “novidade alarmante” dos porta-vozes do culto de imagens – que fielmente representaram a voz contínua da Tradição cristã autêntica e Ortodoxa. Mas logo ficou óbvio para todas as partes que a controvérsia não poderia ser confinada a essa classe de evidência tradicional, porque os ataques apologéticos ao culto pagão de imagens não eram tudo o que havia na literatura cristã primitiva. Pois, como o historiador Georges Florovsky observa, “𝘢 𝘪𝘤𝘰𝘯𝘰𝘤𝘭𝘢𝘴𝘵𝘪𝘢 𝘯ã𝘰 𝘦𝘳𝘢 𝘢𝘱𝘦𝘯𝘢𝘴 𝘶𝘮𝘢 𝘳𝘦𝘫𝘦𝘪çã𝘰 𝘪𝘯𝘥𝘪𝘴𝘤𝘳𝘪𝘮𝘪𝘯𝘢𝘥𝘢 𝘥𝘦 𝘲𝘶𝘢𝘭𝘲𝘶𝘦𝘳 𝘢𝘳𝘵𝘦 – 𝘧𝘰𝘴𝘴𝘦 𝘦𝘭𝘢 𝘳𝘦𝘭𝘪𝘨𝘪𝘰𝘴𝘢 𝘰𝘶 𝘴𝘦𝘤𝘶𝘭𝘢𝘳 -. 𝘍𝘰𝘪 𝘢𝘯𝘵𝘦𝘴, 𝘶𝘮𝘢 𝘳𝘦𝘴𝘪𝘴𝘵ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘢 𝘶𝘮 𝘵𝘪𝘱𝘰 𝘦𝘴𝘱𝘦𝘤𝘪𝘢𝘭 𝘥𝘦 𝘢𝘳𝘵𝘦 𝘳𝘦𝘭𝘪𝘨𝘪𝘰𝘴𝘢, … 𝘦 𝘴𝘶𝘢 𝘮𝘢𝘳𝘤𝘢 𝘥𝘪𝘴𝘵𝘪𝘯𝘵𝘪𝘷𝘢 𝘧𝘰𝘪, 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘓𝘰𝘶𝘪𝘴 𝘉𝘳𝘦𝘩𝘪𝘦𝘳 𝘤𝘰𝘭𝘰𝘤𝘰𝘶 𝘳𝘦𝘤𝘦𝘯𝘵𝘦𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 (𝘦𝘮 ‘𝘭𝘢 𝘳𝘦𝘤𝘩𝘦𝘳𝘤𝘩𝘦 𝘯𝘢𝘪𝘷𝘦 𝘥𝘦 𝘭𝘢 𝘷𝘦𝘳𝘪𝘵𝘦 𝘩𝘪𝘴𝘵𝘰𝘳𝘪𝘲𝘶𝘦’), 𝘶𝘮𝘢 ê𝘯𝘧𝘢𝘴𝘦 𝘦𝘴𝘱𝘦𝘤𝘪𝘢𝘭 𝘯𝘢 𝘷𝘦𝘳𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘩𝘪𝘴𝘵ó𝘳𝘪𝘤𝘢 (especialmente no que se refere à pessoa de Cristo)”.⁹ Quando os pais da igreja estavam diferenciando tão nitidamente entre a adoração autêntica do Deus invisível verdadeiro e a adoração inautêntica dos falsos deuses visíveis, eles o faziam em nome de uma adoração que era dirigida também à pessoa de Jesus Cristo. Já nos séculos II e III, e depois ex professo a partir do século IV, a preocupação central do pensamento cristão era com a legitimidade dessa forma específica de culto. A questão fundamental era, como formulou Harnack: “𝘖 𝘋𝘪𝘷𝘪𝘯𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘢𝘱𝘢𝘳𝘦𝘤𝘦𝘶 𝘯𝘢 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢 𝘦 𝘳𝘦𝘶𝘯𝘪𝘶 𝘰 𝘩𝘰𝘮𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘮 𝘋𝘦𝘶𝘴 é 𝘪𝘥ê𝘯𝘵𝘪𝘤𝘰 𝘢𝘰 𝘋𝘪𝘷𝘪𝘯𝘰 𝘴𝘶𝘱𝘳𝘦𝘮𝘰, 𝘲𝘶𝘦 𝘨𝘰𝘷𝘦𝘳𝘯𝘢 𝘰 𝘤é𝘶 𝘦 𝘢 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢, 𝘰𝘶 é 𝘶𝘮 𝘴𝘦𝘮𝘪𝘥𝘦𝘶𝘴?”.¹⁰ Por fim, o desenvolvimento da arte cristã também passou a corresponder a esse desenvolvimento teológico. A própria Imagem da Virgem está subordinada à Imagem de Cristo; pois foi sobre a questão da legitimidade ou ilegitimidade da representação de Cristo como confinado e “circunscrito [perigraptos]” dentro de uma imagem, seja ele infantil ou adulto, que a questão na controvérsia iconoclástica foi percebida como dependente, inclusive para a importância da disputa sobre a justificativa para fazer imagens cristãs da própria Virgem Maria. Assim, diz São João Damasceno; «𝘙𝘦𝘢𝘭𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘩á𝘴-𝘥𝘦 𝘥𝘪𝘻𝘦𝘳-𝘮𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘰 𝘷𝘦𝘳𝘥𝘢𝘥𝘦𝘪𝘳𝘰 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰 𝘯ã𝘰 𝘱𝘰𝘥𝘦 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘦𝘷𝘦𝘳-𝘴𝘦, é 𝘮𝘢𝘪𝘰𝘳 𝘲𝘶𝘦 𝘰 𝘱𝘦𝘯𝘴𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰, 𝘪𝘮𝘱𝘢𝘴𝘴í𝘷𝘦𝘭 𝘦 𝘪𝘯𝘤𝘰𝘮𝘱𝘳𝘦𝘦𝘯𝘴í𝘷𝘦𝘭. 𝘌𝘶 𝘱𝘳ó𝘱𝘳𝘪𝘰 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 𝘢𝘧𝘪𝘳𝘮𝘰 𝘪𝘴𝘴𝘰. 𝘊𝘰𝘮 𝘦𝘧𝘦𝘪𝘵𝘰, 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 𝘦𝘶 𝘢𝘴𝘴𝘪𝘮 𝘤𝘰𝘯𝘧𝘦𝘴𝘴𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘢 𝘥𝘪𝘷𝘪𝘯𝘥𝘢𝘥𝘦 é 𝘪𝘯𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘪𝘵𝘢, 𝘮𝘢𝘪𝘰𝘳 𝘲𝘶𝘦 𝘰 𝘱𝘦𝘯𝘴𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰, 𝘪𝘮𝘱𝘢𝘴𝘴í𝘷𝘦𝘭. 𝘛𝘰𝘥𝘢𝘷𝘪𝘢 𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦 𝘱𝘰𝘥𝘦 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘦𝘷𝘦𝘳-𝘴𝘦, 𝘵𝘢𝘭 𝘲𝘶𝘢𝘭 𝘢𝘱𝘢𝘳𝘦𝘤𝘦𝘶 𝘯𝘢 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢, 𝘤𝘰𝘮 𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘢𝘴 𝘮𝘢𝘳𝘤𝘢𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘭𝘢 𝘴𝘰𝘧𝘳𝘦𝘶. 𝘔𝘢𝘴 𝘵𝘶 𝘥𝘪𝘳-𝘮𝘦-á𝘴 𝘥𝘦 𝘯𝘰𝘷𝘰: “𝘚𝘦𝘳á 𝘲𝘶𝘦 𝘢 𝘴𝘦𝘨𝘶𝘪𝘳 𝘫á 𝘷𝘢𝘪𝘴 𝘴𝘦𝘱𝘢𝘳𝘢𝘳 𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦 𝘥𝘢 𝘥𝘪𝘷𝘪𝘯𝘥𝘢𝘥𝘦?” 𝘋𝘦𝘶𝘴 𝘮𝘦 𝘭𝘪𝘷𝘳𝘦! 𝘕𝘶𝘯𝘤𝘢 𝘦𝘭𝘢𝘴 𝘧𝘰𝘳𝘢𝘮 𝘴𝘦𝘱𝘢𝘳𝘢𝘥𝘢𝘴 𝘶𝘮𝘢 𝘥𝘢 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘢, 𝘯𝘦𝘮 𝘯𝘰 𝘷𝘦𝘯𝘵𝘳𝘦 𝘮𝘢𝘵𝘦𝘳𝘯𝘰, 𝘯𝘦𝘮 𝘯𝘰 𝘣𝘢𝘱𝘵𝘪𝘴𝘮𝘰, 𝘯𝘦𝘮 𝘯𝘢 𝘤𝘳𝘶𝘻, 𝘯𝘦𝘮 𝘯𝘰𝘴 𝘪𝘯𝘧𝘦𝘳𝘯𝘰𝘴. 𝘌 𝘵𝘶 𝘱𝘦𝘳𝘨𝘶𝘯𝘵𝘢𝘳-𝘮𝘦-á𝘴: “𝘚𝘦 𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦 𝘦 𝘢 𝘥𝘪𝘷𝘪𝘯𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘯𝘶𝘯𝘤𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘢𝘮 𝘴𝘦𝘱𝘢𝘳𝘢𝘥𝘢𝘴, 𝘤𝘰𝘮𝘰 é 𝘲𝘶𝘦 𝘱𝘰𝘥𝘦𝘴 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘦𝘷𝘦𝘳 𝘴𝘰𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦?” 𝘚𝘶𝘣𝘮𝘦𝘵𝘰-𝘵𝘦 𝘢 𝘮𝘪𝘮, ó 𝘩𝘦𝘳𝘦𝘨𝘦. 𝘘𝘶𝘦𝘮 é 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘶𝘨𝘰𝘶 𝘰 𝘭𝘦𝘪𝘵𝘦 𝘥𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘢 𝘲𝘶𝘦 é 𝘔ã𝘦 𝘦 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮? 𝘕ã𝘰 𝘧𝘰𝘪 𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦? 𝘘𝘶𝘦𝘮 é 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘢𝘱𝘳𝘦𝘴𝘦𝘯𝘵𝘰𝘶 𝘯𝘶 𝘯𝘰 𝘑𝘰𝘳𝘥ã𝘰? 𝘕ã𝘰 𝘧𝘰𝘪 𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦? 𝘘𝘶𝘦𝘮 é 𝘲𝘶𝘦 𝘤𝘰𝘮𝘦𝘶? 𝘘𝘶𝘦𝘮 é 𝘲𝘶𝘦 𝘣𝘦𝘣𝘦𝘶? 𝘘𝘶𝘦𝘮 é 𝘲𝘶𝘦 𝘤𝘢𝘮𝘪𝘯𝘩𝘰𝘶? 𝘘𝘶𝘦𝘮 𝘦𝘴𝘵𝘦𝘯𝘥𝘦𝘶 𝘰𝘴 𝘣𝘳𝘢ç𝘰𝘴 𝘯𝘢 𝘤𝘳𝘶𝘻? 𝘘𝘶𝘦𝘮 é 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘤𝘰𝘭𝘰𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘯𝘰 𝘴𝘦𝘱𝘶𝘭𝘤𝘳𝘰? 𝘕ã𝘰 𝘧𝘰𝘪 𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦? 𝘛𝘰𝘥𝘢𝘴 𝘦𝘴𝘵𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘧𝘰𝘳𝘢𝘮 𝘳𝘦𝘢𝘭𝘪𝘻𝘢𝘥𝘢𝘴 𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦 𝘦, 𝘵𝘰𝘥𝘢𝘷𝘪𝘢, 𝘦𝘭𝘢 𝘯𝘶𝘯𝘤𝘢 𝘦𝘴𝘵𝘦𝘷𝘦 𝘴𝘦𝘱𝘢𝘳𝘢𝘥𝘢 𝘥𝘢 𝘥𝘪𝘷𝘪𝘯𝘥𝘢𝘥𝘦». – “Adv. Constantinum cabalinum.”, 4 (PG 95,317). Por mais importante que a doutrina Católica sobre a pessoa da Virgem Maria fosse para a apologia teológica dos ícones, essa doutrina, como todas as outras doutrinas Ortodoxas do Cristianismo, era em última análise um corolário dos dois dogmas fundamentais da Igreja, como estes haviam sido afirmados pela Tradição Católica e formulada pelos antigos Credos e Concílios da Igreja ecumênica: o Dogma da Trindade e o dogma intimamente relacionado da Encarnação. Quando se trata de uma decisão sobre ícones, portanto, parece, pelo menos em retrospectiva, ter sido inevitável que a Doutrina Ortodoxa da Encarnação teria que ser para os teólogos bizantinos em ambos os lados da questão o princípio básico do qual qualquer decisão desse tipo continuasse. A Encarnação do Logos divino e eterno na pessoa histórica de Jesus Cristo, que foi unanimemente tomada pelos teólogos e concílios da Igreja para exigir a união inseparável entre a natureza divina e a natureza humana nele, era, de acordo com a espiritualidade litúrgica e a arte litúrgica cristãs e, portanto, de acordo com a teologia erudita cristã – e, portanto, de acordo com a estética teológica e filosófica cristã – a manifestação dentro do esquema da realidade, incluindo toda a realidade cósmica, de nada menos que o Novo Ser, a Divindade feita humana. Vindo como veio depois de mais de meio milênio de discussão quase ininterrupta sobre os vários aspectos da doutrina da Encarnação como Novo Ser, a controvérsia Iconoclástica poderia ter sido esperada no mínimo para fazer uso de alguns dos refinamentos da teologia técnica e vocabulário filosófico que foi desenvolvido especialmente na seção oriental da igreja de língua grega durante essa discussão. Mas seu uso do desenvolvimento cristológico foi muito mais longe e mais profundo do que o mero vocabulário, pois cada um dos principais temas dogmáticos desse desenvolvimento foi uma contribuição decisiva para a apologia dos ícones: tanto a verdadeira divindade quanto a verdadeira humanidade Do Encarnado era indispensável não apenas para a compreensão do significado da salvação, mas especificamente para a defesa do uso de imagens no culto cristão Católico. Para entender a apologia, portanto, é essencial compreender historicamente as conclusões a que o dogma cristológico levou, e ver nessas conclusões as implicações que foram tiradas da doutrina do Novo Ser para todo o pensamento humano, e em particular para uma estética cristã. “𝘛𝘰𝘥𝘰 𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘴𝘵á 𝘦𝘮 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰”, escreveu o apóstolo Paulo aos coríntios, “é 𝘶𝘮𝘢 𝘯𝘰𝘷𝘢 𝘤𝘳𝘪𝘢𝘵𝘶𝘳𝘢 [καινὴ κτίσις, kainē Ktisis – “nova criação”]. “𝘗𝘢𝘴𝘴𝘰𝘶 𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘳𝘢 𝘷𝘦𝘭𝘩𝘰; 𝘦𝘪𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘵𝘶𝘥𝘰 𝘴𝘦 𝘧𝘦𝘻 𝘯𝘰𝘷𝘰!” (2Co 5,17). Essa nova ordem foi percebida como tendo afetado toda a vida e pensamento humano, também todos os ramos da metafísica, incluindo não apenas a ética, mas a estética. Comentando essas palavras de Paulo sobre a “nova ordem” da realidade, o padre Capadócio do século IV São Gregório de Nissa – que foi, como o Segundo Concílio de Nicéia declararia em sua reafirmação dos ícones, “𝘶𝘯𝘪𝘷𝘦𝘳𝘴𝘢𝘭𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘤𝘦𝘭𝘦𝘣𝘳𝘢𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘮𝘰 ‘𝘰 𝘱𝘢𝘥𝘳𝘦 𝘥𝘰𝘴 𝘱𝘢𝘥𝘳𝘦𝘴”¹¹ (universalmente celebrado, talvez deva ser acrescentado, pelos Iconoclastas não menos do que pelos lconódulas) – distinguiram uma dupla ordem de nossa natureza, a primeira pela qual fomos feitos [originalmente], a segunda que fomos feitos de novo por meio de Cristo. Como consequência da desobediência humana e do pecado, a primeira ordem envelheceu e desapareceu, e era necessário que houvesse uma nova ordem em Cristo. Era isso que o Novo Testamento queria dizer com a admoestação: “𝘙𝘦𝘯𝘶𝘯𝘤𝘪𝘢𝘪 à 𝘷𝘪𝘥𝘢 𝘱𝘢𝘴𝘴𝘢𝘥𝘢, 𝘥𝘦𝘴𝘱𝘰𝘫𝘢𝘪-𝘷𝘰𝘴 𝘥𝘰 𝘩𝘰𝘮𝘦𝘮 𝘷𝘦𝘭𝘩𝘰, 𝘤𝘰𝘳𝘳𝘰𝘮𝘱𝘪𝘥𝘰 𝘱𝘦𝘭𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘯𝘤𝘶𝘱𝘪𝘴𝘤ê𝘯𝘤𝘪𝘢𝘴 𝘦𝘯𝘨𝘢𝘯𝘢𝘥𝘰𝘳𝘢𝘴. 𝘙𝘦𝘯𝘰𝘷𝘢𝘪 𝘴𝘦𝘮 𝘤𝘦𝘴𝘴𝘢𝘳 𝘰 𝘴𝘦𝘯𝘵𝘪𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 𝘥𝘢 𝘷𝘰𝘴𝘴𝘢 𝘢𝘭𝘮𝘢, 𝘦 𝘳𝘦𝘷𝘦𝘴𝘵𝘪-𝘷𝘰𝘴 𝘥𝘰 𝘩𝘰𝘮𝘦𝘮 𝘯𝘰𝘷𝘰, 𝘤𝘳𝘪𝘢𝘥𝘰 à 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘥𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴, 𝘦𝘮 𝘷𝘦𝘳𝘥𝘢𝘥𝘦𝘪𝘳𝘢 𝘫𝘶𝘴𝘵𝘪ç𝘢 𝘦 𝘴𝘢𝘯𝘵𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦.” (Ef 4,22-24). Contra todo tipo de dualismo herético, seja marcionita, gnóstico ou maniqueísta, São Gregório de Nissa sempre insistiu que essas duas ordens de criação e de salvação eram as mesmas quanto à sua origem divina e que não haviam sido produzidas por duas divindades distintas.¹² Mas aqui ele estava insistindo não menos tenazmente no outro pólo da dialética, o ensino de que as duas ordens eram, no entanto, drasticamente diferentes quanto aos seus resultados metafísicos e estéticos: “𝘜𝘮 𝘴ó 𝘦 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘰 𝘢𝘶𝘵𝘰𝘳 𝘥𝘢 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 𝘩𝘶𝘮𝘢𝘯𝘢, 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘦𝘻 𝘯ã𝘰 𝘢𝘱𝘦𝘯𝘢𝘴 𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘧𝘦𝘪𝘵𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 𝘰 𝘪𝘯í𝘤𝘪𝘰, 𝘮𝘢𝘴 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘧𝘦𝘪𝘵𝘰 𝘥𝘦𝘱𝘰𝘪𝘴. 𝘕𝘰 𝘪𝘯í𝘤𝘪𝘰 𝘮𝘰𝘭𝘥𝘰𝘶 𝘰 𝘩𝘰𝘮𝘦𝘮 𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘪𝘳 𝘥𝘰 𝘱ó 𝘳𝘦𝘤𝘦𝘣𝘪𝘥𝘰; 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘵𝘢𝘳𝘥𝘦, 𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘪𝘳 𝘥𝘰 𝘱ó 𝘢𝘴𝘴𝘶𝘮𝘪𝘥𝘰 𝘥𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮, 𝘯ã𝘰 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘰𝘶 𝘴𝘪𝘮𝘱𝘭𝘦𝘴𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘶𝘮 𝘩𝘰𝘮𝘦𝘮, 𝘮𝘢𝘴 𝘮𝘰𝘭𝘥𝘰𝘶-𝘴𝘦 𝘢 𝘴𝘪 𝘱𝘳ó𝘱𝘳𝘪𝘰. 𝘕𝘰 𝘪𝘯í𝘤𝘪𝘰 𝘤𝘳𝘪𝘰𝘶, 𝘥𝘦𝘱𝘰𝘪𝘴 𝘧𝘰𝘪 𝘤𝘳𝘪𝘢𝘥𝘰. 𝘕𝘰 𝘪𝘯í𝘤𝘪𝘰 𝘰 𝘝𝘦𝘳𝘣𝘰 𝘧𝘦𝘻 𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦, 𝘥𝘦𝘱𝘰𝘪𝘴 𝘰 𝘝𝘦𝘳𝘣𝘰 𝘧𝘦𝘻-𝘴𝘦 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦, 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘵𝘳𝘢𝘯𝘴𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢𝘳 𝘢 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦 𝘦𝘮 𝘦𝘴𝘱í𝘳𝘪𝘵𝘰, 𝘱𝘰𝘳𝘲𝘶𝘦 𝘤𝘰𝘯𝘰𝘴𝘤𝘰 𝘴𝘦 𝘧𝘦𝘻 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘪𝘤𝘪𝘱𝘢𝘯𝘵𝘦 𝘥𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦 𝘦 𝘥𝘰 𝘴𝘢𝘯𝘨𝘶𝘦. 𝘚𝘦𝘯𝘥𝘰 𝘢𝘴𝘴𝘪𝘮, 𝘌𝘭𝘦 é 𝘤𝘩𝘢𝘮𝘢𝘥𝘰 𝘱𝘳𝘪𝘮𝘰𝘨é𝘯𝘪𝘵𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘵𝘢 𝘯𝘰𝘷𝘢 𝘤𝘳𝘪𝘢𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘦𝘮 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰, 𝘥𝘢 𝘲𝘶𝘢𝘭 𝘌𝘭𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘰 𝘤𝘩𝘦𝘧𝘦, 𝘵𝘰𝘳𝘯𝘢𝘥𝘰 𝘱𝘳𝘪𝘮í𝘤𝘪𝘢𝘴 𝘥𝘦 𝘵𝘰𝘥𝘰𝘴: 𝘯ã𝘰 𝘴ó 𝘥𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘴ã𝘰 𝘨𝘦𝘳𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘢 𝘷𝘪𝘥𝘢, 𝘮𝘢𝘴 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 𝘥𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘳𝘦𝘴𝘴𝘶𝘳𝘳𝘦𝘪çã𝘰 𝘱𝘢𝘴𝘴𝘢𝘮 𝘥𝘢 𝘮𝘰𝘳𝘵𝘦 à 𝘷𝘪𝘥𝘢, 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘥𝘰𝘮𝘪𝘯𝘢𝘳 𝘴𝘰𝘣𝘳𝘦 𝘰𝘴 𝘮𝘰𝘳𝘵𝘰𝘴 𝘦 𝘰𝘴 𝘷𝘪𝘷𝘰𝘴, 𝘦 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘴𝘢𝘯𝘵𝘪𝘧𝘪𝘤𝘢𝘳 𝘦𝘮 𝘴𝘪 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘰 𝘱𝘰𝘳 𝘮𝘦𝘪𝘰 𝘥𝘢𝘴 𝘱𝘳𝘪𝘮í𝘤𝘪𝘢𝘴 𝘵𝘰𝘥𝘢 𝘢 𝘮𝘢𝘴𝘴𝘢.” – São Gregório de Nissa, “Contra Eunomium”, livro IV, 3 (PG 45, 638). Não apenas porque essa nova ordem de criação era, como dizia o Novo Testamento, “à 𝘐𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮 [𝘬𝘢𝘵 ‘𝘦𝘪𝘬𝘰𝘯𝘢] 𝘥𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘰 𝘤𝘳𝘪𝘰𝘶 (Cristo)” (Cl 3,10), mas pela Encarnação ter simultaneamente figurado e realizado o Novo Ser, parece difícil imaginar que os Iconódulos na controvérsia poderiam por muito tempo ter ignorado sua influência sobre a estética teológica dos ícones. Curiosamente, no entanto, a introdução da doutrina da Encarnação na controvérsia parece ter sido inicialmente uma tática retórica e polêmica dos iconoclastas. Eles fizeram isso invocando uma ferramenta analítica conhecida na lógica clássica e na retórica clássica como o “silogismo disjuntivo [diazeuktikos]”. Para a questão das imagens, esse silogismo disjuntivo foi formulado já no século IV pelo “pai da história da igreja”, Eusébio de Cesaréia, que, portanto, de certa forma, tinha o direito de ser chamado de “o pai da iconoclastia” também. Em uma carta que já foi perdida, a irmã recém-convertida do imperador Constantino I, a rainha Constância, aparentemente escreveu a Eusébio pedindo um ícone de Cristo. A carta de resposta de Eusébio a Constância também não foi transmitida nos manuscritos de suas obras completas, mas foi preservada por séculos posteriores apenas por causa de seu uso pelos Iconoclastas na controvérsia do século VIII e por causa da refutação ortodoxa feita à ele.¹³ Nele, Eusébio formulou o silogismo disjuntivo. “𝘘𝘶𝘢𝘭 í𝘤𝘰𝘯𝘦 𝘥𝘦 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰 𝘷𝘰𝘤ê 𝘲𝘶𝘦𝘳 𝘥𝘪𝘻𝘦𝘳? 𝘈𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦 𝘲𝘶𝘦 é 𝘷𝘦𝘳𝘥𝘢𝘥𝘦𝘪𝘳𝘰 𝘦 𝘪𝘮𝘶𝘵á𝘷𝘦𝘭 𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘵𝘦𝘮 𝘢𝘴 𝘤𝘢𝘳𝘢𝘤𝘵𝘦𝘳í𝘴𝘵𝘪𝘤𝘢𝘴 𝘥𝘦 𝘴𝘶𝘢 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 [𝘥𝘪𝘷𝘪𝘯𝘢], 𝘰𝘶 𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘭𝘦 𝘢𝘴𝘴𝘶𝘮𝘪𝘶 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘯ó𝘴, 𝘢 𝘧𝘪𝘨𝘶𝘳𝘢, 𝘪𝘴𝘵𝘰 é, 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘭𝘦 𝘢𝘴𝘴𝘶𝘮𝘪𝘶 𝘦𝘮 ‘𝘤𝘰𝘯𝘥𝘪çã𝘰 𝘥𝘦 𝘦𝘴𝘤𝘳𝘢𝘷𝘰’ (𝘍𝘭 2,7)?”. Qualquer escolha que a rainha tivesse feito nessa disjunção entre possíveis imagens de Cristo estaria errada. O primeiro, um ícone da natureza divina de Cristo como o Logos, era obviamente impossível por qualquer definição, fosse do Judaísmo ou do Cristianismo ou, nesse caso, da filosofia grega pagã; pois essa natureza não era cognoscível à mente humana, muito menos suscetível de ser retratada em uma pintura feita por mãos humanas. Não pode ser iconizado. No entanto, se ela estava pedindo uma imagem da natureza humana de Jesus como um homem, ela teve que reconhecer que “até mesmo isso foi misturado com a glória da divindade”. Portanto, não era mais possível, por meio de “cores mortas e inanimadas [nekrois kai apsychois chromasi]” fazer justiça à natureza humana glorificada de Cristo, com suas “cintilações radiantes [apastraptousas marmarygas]”, do que era para iconizar sua natureza divina como tal. Como coloca Georges Florovsky, “𝘰 𝘱𝘰𝘯𝘵𝘰 𝘱𝘳𝘪𝘯𝘤𝘪𝘱𝘢𝘭 𝘥𝘦𝘴𝘴𝘦 𝘢𝘳𝘨𝘶𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 𝘦𝘶𝘴𝘦𝘣𝘪𝘢𝘯𝘰 é 𝘤𝘭𝘢𝘳𝘰 𝘦 ó𝘣𝘷𝘪𝘰. 𝘖𝘴 𝘤𝘳𝘪𝘴𝘵ã𝘰𝘴 𝘯ã𝘰 𝘱𝘳𝘦𝘤𝘪𝘴𝘢𝘮 𝘥𝘦 𝘯𝘦𝘯𝘩𝘶𝘮𝘢 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘢𝘳𝘵𝘪𝘧𝘪𝘤𝘪𝘢𝘭 𝘥𝘦 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰, [𝘱𝘰𝘪𝘴] 𝘢 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮 ‘𝘩𝘪𝘴𝘵ó𝘳𝘪𝘤𝘢’ 𝘥𝘦 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰, 𝘢 ‘𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢’ 𝘥𝘦 𝘴𝘶𝘢 𝘩𝘶𝘮𝘪𝘭𝘩𝘢çã𝘰, 𝘫á 𝘧𝘰𝘪 𝘴𝘶𝘣𝘴𝘵𝘪𝘵𝘶í𝘥𝘢 𝘱𝘰𝘳 𝘴𝘦𝘶 𝘦𝘴𝘱𝘭𝘦𝘯𝘥𝘰𝘳 𝘋𝘪𝘷𝘪𝘯𝘰, 𝘯𝘰 𝘲𝘶𝘢𝘭 𝘦𝘭𝘦 𝘢𝘨𝘰𝘳𝘢 𝘩𝘢𝘣𝘪𝘵𝘢”.¹⁴ Com base nas decisões intermediárias de dois concílios ecumênicos sucessivos do século V contra a heresia nestoriana, que foi condenada por separar a natureza humana da divina, os iconoclastas do século VIII sentiram-se em posição de refinar o silogismo disjuntivo do século IV ao acusar aqueles que iconizaram Cristo cometeram um duplo erro: ou estariam alegarando ter retratado a natureza divina pelo ícone (o que era impossível) ou não (o que era herético).¹⁵ O Concílio de Éfeso em 431 rotulou o Nestorianismo de heresia, tornando-se o quarto dos Anátemas de São Cirilo de Alexandria contra Nestório: “𝘚𝘦 𝘢𝘭𝘨𝘶é𝘮 𝘥𝘪𝘷𝘪𝘥𝘪𝘳 𝘦𝘯𝘵𝘳𝘦 𝘥𝘶𝘢𝘴 𝘱𝘦𝘴𝘴𝘰𝘢𝘴 𝘰𝘶 𝘴𝘶𝘣𝘴𝘪𝘴𝘵ê𝘯𝘤𝘪𝘢𝘴 [𝘱𝘳𝘰𝘴𝘰𝘱𝘰𝘪𝘴 𝘥𝘺𝘴𝘪𝘯 𝘦 𝘨𝘰𝘶𝘯 𝘩𝘺𝘱𝘰𝘴𝘵𝘢𝘴𝘦𝘴𝘪𝘯] 𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘢𝘴 𝘦𝘹𝘱𝘳𝘦𝘴𝘴õ𝘦𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘴𝘵ã𝘰 𝘤𝘰𝘯𝘵𝘪𝘥𝘢𝘴 𝘯𝘰𝘴 𝘌𝘷𝘢𝘯𝘨𝘦𝘭𝘩𝘰𝘴 𝘦 𝘌𝘱í𝘴𝘵𝘰𝘭𝘢𝘴, 𝘰𝘶 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘰𝘳𝘢𝘮 𝘥𝘪𝘵𝘢𝘴 𝘢 𝘳𝘦𝘴𝘱𝘦𝘪𝘵𝘰 𝘥𝘦 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰 𝘱𝘦𝘭𝘰𝘴 𝘴𝘢𝘯𝘵𝘰𝘴, 𝘰𝘶 𝘱𝘰𝘳 𝘦𝘭𝘦 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘰, 𝘦 𝘥𝘦𝘷𝘦-𝘴𝘦 𝘢𝘱𝘭𝘪𝘤𝘢𝘳 𝘢𝘭𝘨𝘶𝘮𝘢𝘴 𝘢 𝘦𝘭𝘦 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘶𝘮 𝘰 𝘩𝘰𝘮𝘦𝘮 𝘴𝘦𝘱𝘢𝘳𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘰 𝘓𝘰𝘨𝘰𝘴 𝘥𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴, 𝘦 𝘥𝘦𝘷𝘦 𝘢𝘱𝘭𝘪𝘤𝘢𝘳 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘰𝘴 𝘴𝘰𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘢𝘰 𝘓𝘰𝘨𝘰𝘴 𝘥𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴 𝘗𝘢𝘪 [𝘴𝘦𝘱𝘢𝘳𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘰 𝘩𝘰𝘮𝘦𝘮], 𝘤𝘰𝘮 𝘰 𝘧𝘶𝘯𝘥𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 𝘥𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘭𝘦𝘴 𝘴ã𝘰 𝘢𝘱𝘳𝘰𝘱𝘳𝘪𝘢𝘥𝘰𝘴 [𝘢𝘱𝘦𝘯𝘢𝘴] 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘴𝘦𝘳𝘦𝘮 𝘱𝘳𝘦𝘥𝘪𝘤𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘱𝘰𝘳 𝘋𝘦𝘶𝘴: 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘭𝘦 𝘴𝘦𝘫𝘢 𝘢𝘯á𝘵𝘦𝘮𝘢.” – Concílio de Éfeso (NPNF II,14,211). De acordo com o Concílio de Éfeso em 431, portanto, era um erro dogmático classificar os ditos do Novo Testamento e da Tradição posterior em aqueles que se aplicavam apenas à natureza divina e aqueles que se aplicavam apenas à natureza humana, pois se eles foram devidamente compreendidos, todos aqueles ditos aplicados à única e inteira pessoa divino-humana do Logos encarnado. Vinte anos depois, o Concílio de Calcedônia em 451 incorporou aquele anátema contra a separação do homem Jesus do Logos de Deus em uma fórmula abrangente e cuidadosamente equilibrada, que empregava quatro advérbios gregos (traduzidos aqui por frases adverbiais) para declarar que Cristo deveria ser 𝘳𝘦𝘤𝘰𝘯𝘩𝘦𝘤𝘪𝘥𝘰 𝘦𝘮 𝘥𝘶𝘢𝘴 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢𝘴 𝘴𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘯𝘧𝘶𝘴ã𝘰, 𝘴𝘦𝘮 𝘮𝘶𝘥𝘢𝘯ç𝘢, 𝘴𝘦𝘮 𝘥𝘪𝘷𝘪𝘴ã𝘰, 𝘴𝘦𝘮 𝘴𝘦𝘱𝘢𝘳𝘢çã𝘰 [isto é ‘en duo physesin asynchytos, atreptos, adiairetos, achoristos’]”.¹⁶ Os iconoclastas invocaram esta linguagem do Concílio de Calcedônia, insistindo que, porque uma imagem teve que ser derivada de algum protótipo, o dogma chamando Cristo de uma única pessoa divino-humana “𝘴𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘯𝘧𝘶𝘴ã𝘰 [asynchyton]” implicava que Ele era “𝘥𝘶𝘱𝘭𝘰 𝘦𝘮 𝘶𝘮 𝘱𝘦𝘴𝘴𝘰𝘢” e, portanto, não poderia ser iconizado com precisão.¹⁷ Mas porque Ele estava, também de acordo com o dogma calcedoniano, “𝘴𝘦𝘮 𝘴𝘦𝘱𝘢𝘳𝘢çã𝘰 [achoristos]”, isso necessariamente implicava também que Cristo não poderia ser representado em um ícone, uma vez que tal retrato, para ser ortodoxo, teria que ser um representação Dele simultaneamente em ambas as naturezas, distintamente e ainda unidas.¹⁸ Os defensores dos ícones, é claro, não estavam menos comprometidos com a cristologia dos concílios de Éfeso e Calcedônia do que os iconoclastas.¹⁹ Eles descobriram que a fórmula “𝘴𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘯𝘧𝘶𝘴ã𝘰 [asynchyton]” poderia ser voltada contra a posição iconoclasta por uma reductio ad absurdum: Se não for circunscrito, um atributo da natureza divina, agora aplicado também à natureza humana, como os Iconoclastas sustentaram, esse atributo de ser sem confusão se aplicaria também a cada natureza (o que era ridículo)?²⁰ Mas com base nos mesmos concílios, os iconoclastas agora estavam em posição de cobrar não só, como Eusébio havia afirmado e como todos haviam feito concordar que um ícone apenas da natureza divina seria impossível, mas também que um ícone apenas da natureza humana seria nestoriano e herético, porque equivaleria a uma separação das duas naturezas.²¹ A conclusão foi, portanto, que as imagens da pessoa de Jesus Cristo haviam de ser supérfluas e blasfemas; pois, nas palavras do imperador Constantino V, “𝘲𝘶𝘢𝘭𝘲𝘶𝘦𝘳 𝘶𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘢𝘻 𝘥𝘦 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰 𝘶𝘮 í𝘤𝘰𝘯𝘦 𝘯ã𝘰 𝘤𝘰𝘯𝘴𝘦𝘨𝘶𝘪𝘶 𝘱𝘦𝘯𝘦𝘵𝘳𝘢𝘳 𝘯𝘢𝘴 𝘱𝘳𝘰𝘧𝘶𝘯𝘥𝘦𝘻𝘢𝘴 𝘥𝘰 𝘥𝘰𝘨𝘮𝘢 𝘥𝘢 𝘶𝘯𝘪ã𝘰 𝘪𝘯𝘴𝘦𝘱𝘢𝘳á𝘷𝘦𝘭 𝘥𝘢𝘴 𝘥𝘶𝘢𝘴 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢𝘴 𝘥𝘦 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰”.²² Embora toda a igreja há muito considerasse Eusébio suspeito por causa da posição equívoca que ele havia assumido na controvérsia ariana²³ e embora os defensores dos ícones o condenassem também por sua posição em relação às imagens, eles provavelmente deveriam ter ficado gratos a Eusébio e a seus posteriores campeões por terem introduzido a questão cristológica no debate iconoclasta, e isso por várias razões. Isso lhes forneceu um poderoso argumento contra todo o caso dos Iconoclastas para serem capazes de se concentrar em Eusébio. O uso que os Iconoclastas fizeram da passagem de sua carta à Rainha Constança provou aos Iconódulos que, embora os oponentes dos ícones estivessem saqueando todos os restos literários dos séculos anteriores desde o Novo Testamento, o testemunho patrístico mais explícito que eles conseguiram apresentar, dirigido especificamente contra ícones cristãos, ao contrário do argumento apologético em curso contra o uso pagão de imagens, não pertencia à corrente principal da ortodoxia cristã, mas vinha de um teólogo que foi contaminado com heresia precisamente por motivos trinitário-cristológicos. Os Iconódulos poderiam lembrar seus oponentes que Eusébio havia sido culpado de heresia na própria doutrina da pessoa de Cristo e de sua relação com o Pai.²⁴ Zombando de seu nome, eles sugeriram que ele merecia ser chamado de “Dissébio [dissebes – irreligioso]” em vez de “Eusébio [eusebes – religioso]”.²⁵ Ele era de fato “𝘰 𝘤𝘰𝘳𝘪𝘧𝘦𝘶 𝘥𝘰 𝘢𝘵𝘦í𝘴𝘮𝘰”.²⁶ Mas antes que a controvérsia iconoclástica terminasse, eles tinham ido muito além de tais manobras de polêmica retórica, para arrancar esta nova arma da doutrina cristológica das mãos de seus oponentes e virá-la contra eles. Por sua própria ênfase na mensagem do Novo Testamento de que “uma nova ordem já começou” (2Co 5,17), o dogma ortodoxo da pessoa de Cristo se tornaria o coração doutrinário da Apologia bizantina para os ícones: havia uma “nova ordem” até e especialmente na atitude cristã em relação à arte representacional. Uma vantagem que era menos óbvia, pelo menos para eles, era que o dogma da pessoa de Cristo também era a questão doutrinária que tinha passado por uma história mais longa de desenvolvimento contínuo do que qualquer outro ensino cristão. Na época em que os iconoclastas o invocaram para provar a ilegitimidade dos ícones, havia mais de seis séculos de estudo, especulação e debate ininterruptos sobre a resposta doutrinária correta à pergunta do Evangelho: “𝘘𝘶𝘦 𝘱𝘦𝘯𝘴𝘢𝘪𝘴 𝘷ó𝘴 𝘥𝘦 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰?” (Mt 22,42). O Primeiro Concílio de Nicéia em 325²⁷, o Primeiro Concílio de Constantinopla em 381, o Concílio de Éfeso em 431, o Concílio de Calcedônia em 451, o Segundo Concílio de Constantinopla em 553 e o Terceiro Concílio de Constantinopla em 680/81 – cada um dos seis concílios ecumênicos da Igreja que haviam ocorrido até aquele momento foram obrigados a colocar uma ou outra versão dessa questão no topo de sua agenda teológica. E cada vez que um desses seis concílios ecumênicos respondeu à última controvérsia com uma formulação adicional sobre a relação da natureza divina em Cristo com a natureza divina no Pai (Nicéia I), ou sobre a relação da natureza divina em Cristo com a natureza divina no Espírito Santo (Constantinopla I), ou sobre a relação da natureza divina em Cristo com a natureza humana em Cristo (Éfeso, Calcedônia e Constantinopla II), ou sobre a relação da vontade divina em Cristo à vontade humana em Cristo (Constantinopla III), insistia nos termos mais inequívocos que nada acrescentava à doutrina que havia sido acreditada, ensinada e confessada pela Igreja Católica, como a célebre fórmula latina de São Vicente de Lerins colocou, “𝘲𝘶𝘰𝘥 𝘶𝘣𝘪𝘲𝘶𝘦, 𝘲𝘶𝘰𝘥 𝘴𝘦𝘮𝘱𝘳𝘦, 𝘲𝘶𝘰𝘥 𝘢𝘥 𝘰𝘮𝘯𝘪𝘣𝘶𝘴 𝘤𝘳𝘦𝘥𝘪𝘵𝘶𝘮 𝘦𝘴𝘵 [𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘵𝘦𝘮 𝘴𝘪𝘥𝘰 𝘢𝘤𝘳𝘦𝘥𝘪𝘵𝘢𝘥𝘰 𝘦𝘮 𝘵𝘰𝘥𝘰𝘴 𝘰𝘴 𝘭𝘶𝘨𝘢𝘳𝘦𝘴, 𝘴𝘦𝘮𝘱𝘳𝘦, 𝘱𝘰𝘳 𝘵𝘰𝘥𝘰𝘴]”.²⁸ Por exemplo, o quarto dos concílios ecumênicos, o Concílio de Calcedônia em 451, incorporou em seu próprio decreto os textos dos credos adotados pelos 318 padres do primeiro concílio ecumênico de Nicéia em 325 e pelos 150 santos padres do segundo concílio ecumênico em Constantinopla em 381. Tendo afirmado esses credos, passou a introduzir sua própria formulação de credo, não como se estivesse apresentando uma inovação, mas como “seguindo os santos padres [hepomenoi tois hagiois patrasin]”.²⁹ Procedendo por um método semelhante, o sexto dos concílios ecumênicos, o Terceiro Concílio de Constantinopla em 680/81, que foi o último concílio a ter sido realizado antes de estourar a controvérsia iconoclástica e que deveria figurar como uma autoridade durante a controvérsia iconoclasta³⁰, levou à sua promulgação dogmática ao recitar os credos de Nicéia de 325 e de Constantinopla de 381. Só então procedeu à introdução do seu próprio decreto, fazendo-o com a declaração: “𝘌𝘴𝘵𝘦 𝘴𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘤𝘰𝘯𝘤í𝘭𝘪𝘰 𝘦𝘤𝘶𝘮é𝘯𝘪𝘤𝘰, 𝘳𝘦𝘫𝘦𝘪𝘵𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘰 𝘦𝘳𝘳𝘰 𝘪𝘳𝘳𝘦𝘭𝘪𝘨𝘪𝘰𝘴𝘰 [𝘵𝘦𝘴 𝘥𝘺𝘴𝘴𝘦𝘣𝘦𝘪𝘢𝘴 𝘱𝘭𝘢𝘯𝘦𝘯] 𝘲𝘶𝘦 𝘩á 𝘵𝘦𝘮𝘱𝘰𝘴 𝘧𝘰𝘪 𝘱𝘳𝘰𝘱𝘰𝘴𝘵𝘰 𝘱𝘰𝘳 𝘢𝘭𝘨𝘶𝘯𝘴, 𝘦 𝘴𝘦𝘨𝘶𝘪𝘯𝘥𝘰 𝘴𝘦𝘮 𝘥𝘰𝘭𝘰 𝘰 𝘳𝘦𝘵𝘰 𝘤𝘢𝘮𝘪𝘯𝘩𝘰 𝘥𝘰𝘴 𝘚𝘢𝘯𝘵𝘰𝘴 𝘗𝘢𝘥𝘳𝘦𝘴 𝘰𝘳𝘵𝘰𝘥𝘰𝘹𝘰𝘴, 𝘦𝘴𝘵𝘦𝘷𝘦 𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘮𝘱𝘭𝘦𝘵𝘢 𝘩𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘢 [𝘴𝘪𝘯𝘦𝘧𝘰𝘯𝘦𝘴𝘢] 𝘤𝘰𝘮 𝘰𝘴 𝘤𝘪𝘯𝘤𝘰 𝘤𝘰𝘯𝘤í𝘭𝘪𝘰𝘴 𝘴𝘢𝘨𝘳𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘦 𝘦𝘤𝘶𝘮ê𝘯𝘪𝘤𝘰𝘴 (que o precederam)”. Seguia-se uma lista desses cinco concílios, com a heresia cristológica específica que havia sido condenada por cada um.³¹ No entanto, a metodologia empregada por cada um desses Concílios para afirmar sua continuidade com os anteriores tinha sido recitar seus decretos e depois extrapolar a partir desses decretos para enfrentar o novo desafio que agora enfrentava. Ou seja, invocando o paradoxo de São John Henry Newman sobre o processo de desenvolvimento da Doutrina: ” 𝘚𝘦𝘶 𝘦𝘭𝘦𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 𝘷𝘪𝘵𝘢𝘭 𝘱𝘳𝘦𝘤𝘪𝘴𝘢 𝘴𝘦𝘳 𝘥𝘦𝘴𝘷𝘪𝘯𝘤𝘶𝘭𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘰 𝘲𝘶𝘦 é 𝘦𝘴𝘵𝘳𝘢𝘯𝘩𝘰 𝘦 𝘵𝘦𝘮𝘱𝘰𝘳á𝘳𝘪𝘰, 𝘦 é 𝘦𝘮𝘱𝘳𝘦𝘨𝘢𝘥𝘰 𝘦𝘮 𝘦𝘴𝘧𝘰𝘳ç𝘰𝘴 𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘭𝘪𝘣𝘦𝘳𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘵𝘰𝘳𝘯𝘢𝘮 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘷𝘪𝘨𝘰𝘳𝘰𝘴𝘰𝘴 𝘦 𝘦𝘴𝘱𝘦𝘳𝘢𝘯ç𝘰𝘴𝘰𝘴 à 𝘮𝘦𝘥𝘪𝘥𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦𝘶𝘴 𝘢𝘯𝘰𝘴 𝘢𝘶𝘮𝘦𝘯𝘵𝘢𝘮. 𝘚𝘦𝘶𝘴 𝘱𝘳𝘪𝘮ó𝘳𝘥𝘪𝘰𝘴 𝘯ã𝘰 𝘴ã𝘰 𝘶𝘮𝘢 𝘮𝘦𝘥𝘪𝘥𝘢 𝘥𝘦 𝘴𝘶𝘢𝘴 𝘤𝘢𝘱𝘢𝘤𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦𝘴, 𝘯𝘦𝘮 𝘥𝘦 𝘴𝘦𝘶 𝘢𝘭𝘤𝘢𝘯𝘤𝘦. 𝘈 𝘱𝘳𝘪𝘯𝘤í𝘱𝘪𝘰 𝘯𝘪𝘯𝘨𝘶é𝘮 𝘴𝘢𝘣𝘦 𝘰 𝘲𝘶𝘦 é 𝘰𝘶 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘷𝘢𝘭𝘦. 𝘛𝘢𝘭𝘷𝘦𝘻 𝘱𝘦𝘳𝘮𝘢𝘯𝘦ç𝘢 𝘲𝘶𝘪𝘦𝘴𝘤𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘱𝘰𝘳 𝘶𝘮 𝘵𝘦𝘮𝘱𝘰; 𝘵𝘦𝘯𝘵𝘢, 𝘱𝘰𝘳 𝘢𝘴𝘴𝘪𝘮 𝘥𝘪𝘻𝘦𝘳, 𝘴𝘦𝘶𝘴 𝘮𝘦𝘮𝘣𝘳𝘰𝘴, 𝘱𝘳𝘰𝘷𝘢 𝘰 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘦𝘯𝘰 𝘴𝘰𝘣 𝘦𝘭𝘦 𝘦 𝘴𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘴𝘦𝘶 𝘤𝘢𝘮𝘪𝘯𝘩𝘰. 𝘋𝘦 𝘷𝘦𝘻 𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰, 𝘧𝘢𝘻 𝘦𝘯𝘴𝘢𝘪𝘰𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘳𝘢𝘤𝘢𝘴𝘴𝘢𝘮 𝘦, 𝘱𝘰𝘳 𝘤𝘰𝘯𝘴𝘦𝘨𝘶𝘪𝘯𝘵𝘦, 𝘴ã𝘰 𝘢𝘣𝘢𝘯𝘥𝘰𝘯𝘢𝘥𝘰𝘴. 𝘗𝘢𝘳𝘦𝘤𝘦 𝘦𝘮 𝘴𝘶𝘴𝘱𝘦𝘯𝘴𝘦 𝘲𝘶𝘢𝘭 𝘤𝘢𝘮𝘪𝘯𝘩𝘰 𝘴𝘦𝘨𝘶𝘪𝘳; 𝘦𝘭𝘢 𝘰𝘴𝘤𝘪𝘭𝘢 𝘦, 𝘱𝘰𝘳 𝘧𝘪𝘮, 𝘢𝘵𝘪𝘯𝘨𝘦 𝘶𝘮𝘢 𝘥𝘪𝘳𝘦çã𝘰 𝘥𝘦𝘧𝘪𝘯𝘪𝘥𝘢. 𝘊𝘰𝘮 𝘰 𝘵𝘦𝘮𝘱𝘰, 𝘦𝘭𝘢 𝘦𝘯𝘵𝘳𝘢 𝘦𝘮 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘪𝘵ó𝘳𝘪𝘰 𝘦𝘴𝘵𝘳𝘢𝘯𝘩𝘰; 𝘱𝘰𝘯𝘵𝘰𝘴 𝘥𝘦 𝘤𝘰𝘯𝘵𝘳𝘰𝘷é𝘳𝘴𝘪𝘢 𝘢𝘭𝘵𝘦𝘳𝘢𝘮 𝘴𝘦𝘶 𝘳𝘶𝘮𝘰; 𝘢𝘴 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘦𝘴 𝘴𝘰𝘣𝘦𝘮 𝘦 𝘥𝘦𝘴𝘤𝘦𝘮 𝘦𝘮 𝘵𝘰𝘳𝘯𝘰 𝘥𝘦𝘭𝘦; 𝘱𝘦𝘳𝘪𝘨𝘰𝘴 𝘦 𝘦𝘴𝘱𝘦𝘳𝘢𝘯ç𝘢𝘴 𝘢𝘱𝘢𝘳𝘦𝘤𝘦𝘮 𝘦𝘮 𝘯𝘰𝘷𝘢𝘴 𝘳𝘦𝘭𝘢çõ𝘦𝘴; 𝘦 𝘷𝘦𝘭𝘩𝘰𝘴 𝘱𝘳𝘪𝘯𝘤í𝘱𝘪𝘰𝘴 𝘳𝘦𝘢𝘱𝘢𝘳𝘦𝘤𝘦𝘮 𝘴𝘰𝘣 𝘯𝘰𝘷𝘢𝘴 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢𝘴. 𝘌𝘭𝘢 𝘮𝘶𝘥𝘢 𝘤𝘰𝘮 𝘦𝘭𝘦𝘴 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘱𝘦𝘳𝘮𝘢𝘯𝘦𝘤𝘦𝘳 𝘢 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘢. 𝘕𝘶𝘮 𝘮𝘶𝘯𝘥𝘰 𝘴𝘶𝘱𝘦𝘳𝘪𝘰𝘳 é 𝘥𝘪𝘧𝘦𝘳𝘦𝘯𝘵𝘦, 𝘮𝘢𝘴 𝘢𝘲𝘶𝘪 𝘦𝘮𝘣𝘢𝘪𝘹𝘰 𝘷𝘪𝘷𝘦𝘳 é 𝘮𝘶𝘥𝘢𝘳, 𝘦 𝘴𝘦𝘳 𝘱𝘦𝘳𝘧𝘦𝘪𝘵𝘰 é 𝘵𝘦𝘳 𝘮𝘶𝘥𝘢𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘮 𝘧𝘳𝘦𝘲üê𝘯𝘤𝘪𝘢. “.³² Essa qualidade de ter se desenvolvido, que de acordo com Newman tem sido característica de toda doutrina cristã, na verdade de toda “grande idéia” ao longo da história, fosse essa idéia cristã ou não, havia se manifestado da forma mais dramática de todas na história da doutrina da pessoa de Cristo; e agora a mesma qualidade tornaria essa doutrina idealmente adequada para o mais novo e, de muitas maneiras, o mais complexo desafio ao qual jamais seria abordada. Para a apologia bizantina em favor dos ícones, a figura de Jesus Cristo era a chave indispensável para o significado das Imagens, e isso em três aspectos fundamentais: em sua pessoa, em sua vida e em sua Paixão e Ressurreição. O dogma da pessoa de Jesus Cristo, conforme foi codificado pelos concílios ecumênicos e os credos, deveria fornecer a justificativa fundamental para os ícones cristãos na igreja. Ao mesmo tempo, a vida de Jesus Cristo, narrada e descrita nos Evangelhos, forneceu os temas mais importantes para os ícones cristãos na igreja. E a Paixão e Ressurreição de Jesus Cristo, celebrada na liturgia, forneceu a interpretação dos ícones cristãos na igreja, como emblemas de Cristo Vitorioso e Cristo Salvador. Assim, a Encarnação de Cristo como Divindade feita humana tornou possível para a teologia cristã afirmar a validade da estética e da arte religiosa representacional, mas no processo também transformou tanto a arte quanto a estética em algo que nunca haviam sido antes. Era uma pressuposição universal de todos os teólogos cristãos em todos os lados desta ou de qualquer outra questão que a natureza de Deus não poderia ser abrangida por nada espacial ou temporal; na palavra usada pelo filósofo neoplatônico pagão Proclo, do século V, era “não circunscrito [άπερίγραπτος – aperigraphos]”.³³ Essa palavra grega e seu cognato aperigraptos (απερίγραπτος) não só foram usados por filósofos pagãos como Proclo, mas se tornaram uma parte padrão do vocabulário teológico e filosófico dos pais da igreja grega, especificamente de São Gregório de Nazianzo e São Gregório de Nissa na segunda metade do século quarto, ao falar sobre a essência de Deus. “𝘘𝘶𝘦𝘮 𝘪𝘨𝘯𝘰𝘳𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴, 𝘲𝘶𝘦 𝘯𝘰𝘴 𝘧𝘰𝘪 𝘮𝘢𝘯𝘪𝘧𝘦𝘴𝘵𝘢𝘥𝘰 𝘯𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦, 𝘴𝘦𝘨𝘶𝘯𝘥𝘰 𝘢 𝘥𝘰𝘶𝘵𝘳𝘪𝘯𝘢 𝘥𝘢 𝘱𝘪𝘦𝘥𝘰𝘴𝘢 𝘵𝘳𝘢𝘥𝘪çã𝘰, 𝘴𝘦𝘮𝘱𝘳𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘦 é 𝘪𝘯𝘤𝘰𝘳𝘱ó𝘳𝘦𝘰, 𝘪𝘯𝘷𝘪𝘴í𝘷𝘦𝘭, 𝘴𝘪𝘮𝘱𝘭𝘦𝘴, 𝘪𝘯𝘧𝘪𝘯𝘪𝘵𝘰 𝘦 𝘯ã𝘰 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘪𝘵𝘰 (άπερίγραπτος), 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘴𝘵á 𝘦𝘮 𝘵𝘰𝘥𝘢 𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘦 𝘦 𝘪𝘯𝘷𝘢𝘥𝘦 𝘵𝘰𝘥𝘢𝘴 𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘤𝘳𝘪𝘢𝘥𝘢𝘴; 𝘯𝘰 𝘦𝘯𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰, 𝘴𝘦𝘨𝘶𝘯𝘥𝘰 𝘢𝘲𝘶𝘪𝘭𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘢𝘭𝘵𝘢𝘷𝘢 à 𝘷𝘪𝘴𝘵𝘢, 𝘱𝘰𝘥𝘪𝘢 𝘷𝘦𝘳-𝘴𝘦 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘪𝘵𝘰 𝘯𝘶𝘮 𝘤𝘰𝘳𝘱𝘰 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘰𝘴 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘰𝘴 𝘩𝘰𝘮𝘦𝘯𝘴? 𝘕𝘢 𝘳𝘦𝘢𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 é 𝘢𝘣𝘴𝘰𝘭𝘶𝘵𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘯𝘦𝘤𝘦𝘴𝘴á𝘳𝘪𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘵𝘰𝘥𝘰 𝘰 𝘤𝘰𝘳𝘱𝘰 𝘴𝘦𝘫𝘢 𝘳𝘦𝘴𝘵𝘳𝘪𝘯𝘨𝘪𝘥𝘰 𝘢 𝘶𝘮 𝘦𝘴𝘱𝘢ç𝘰 𝘥𝘦𝘵𝘦𝘳𝘮𝘪𝘯𝘢𝘥𝘰.” – São Gregório de Nazianzo, “Adversus Apollinarem”, XVIII (PG 45, 1160A) Ao falar sobre a pessoa de Cristo e suas duas naturezas, no entanto, eles usaram uma linguagem dialética, explicando, na fórmula de Gregório Nazianzo, que por causa da Encarnação o Logos era “𝘱𝘢𝘴𝘴í𝘷𝘦𝘭 𝘦𝘮 𝘴𝘶𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦, 𝘪𝘮𝘱𝘢𝘴𝘴í𝘷𝘦𝘭 𝘦𝘮 𝘴𝘶𝘢 𝘋𝘪𝘷𝘪𝘯𝘥𝘢𝘥𝘦; 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘪𝘵𝘰 𝘦𝘮 𝘰 𝘤𝘰𝘳𝘱𝘰, 𝘯ã𝘰 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘪𝘵𝘰 𝘯𝘰 𝘦𝘴𝘱í𝘳𝘪𝘵𝘰; 𝘢𝘰 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘰 𝘵𝘦𝘮𝘱𝘰 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘦𝘴𝘵𝘳𝘦 𝘦 𝘤𝘦𝘭𝘦𝘴𝘵𝘪𝘢𝘭, 𝘵𝘢𝘯𝘨í𝘷𝘦𝘭 𝘦 𝘪𝘯𝘵𝘢𝘯𝘨í𝘷𝘦𝘭, 𝘤𝘰𝘮𝘱𝘳𝘦𝘦𝘯𝘴í𝘷𝘦𝘭 𝘦 𝘪𝘯𝘤𝘰𝘮𝘱𝘳𝘦𝘦𝘯𝘴í𝘷𝘦𝘭”³⁴ – e, ele poderia facilmente ter adicionado, “visível e invisível” e, portanto, “circunscrito e não circunscrito”, portanto, também “retratável e indescritível”. Pelo menos como os Iconoclastas foram citados pelos Iconódulas – que é a única evidência que temos sobre eles – os Iconoclastas parecem ter enfatizado uma polaridade desta dialética da Encarnação em detrimento da outra: “𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰”, eles disseram, “é 𝘪𝘯𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘪𝘵𝘰, 𝘪𝘯𝘤𝘰𝘮𝘱𝘳𝘦𝘦𝘯𝘴í𝘷𝘦𝘭, 𝘪𝘯𝘵𝘳𝘢𝘯𝘴𝘱𝘰𝘯í𝘷𝘦𝘭 𝘦 𝘪𝘯𝘤𝘰𝘮𝘦𝘯𝘴𝘶𝘳á𝘷𝘦𝘭”.³⁵ Mais uma vez, o silogismo disjuntivo afirmou seu caso: “𝘑𝘶𝘯𝘵𝘰 𝘤𝘰𝘮 𝘢 𝘥𝘦𝘴𝘤𝘳𝘪çã𝘰 𝘥𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦 𝘤𝘳𝘪𝘢𝘥𝘢, [𝘰 𝘐𝘤𝘰𝘯ó𝘥𝘶𝘭𝘰] 𝘰𝘶 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘦𝘷𝘦𝘶 𝘰 𝘤𝘢𝘳á𝘵𝘦𝘳 𝘪𝘯𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘪𝘵í𝘷𝘦𝘭 𝘥𝘢 𝘋𝘪𝘷𝘪𝘯𝘥𝘢𝘥𝘦, 𝘥𝘦 𝘢𝘤𝘰𝘳𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘮 𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘱𝘢𝘳𝘦𝘤𝘪𝘢 𝘣𝘰𝘮 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘴𝘶𝘢 𝘱𝘳ó𝘱𝘳𝘪𝘢 𝘪𝘯𝘶𝘵𝘪𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦, 𝘰𝘶 𝘦𝘭𝘦 𝘤𝘰𝘯𝘧𝘶𝘯𝘥𝘪𝘶 𝘦𝘴𝘴𝘢 𝘶𝘯𝘪ã𝘰 𝘯ã𝘰 𝘤𝘰𝘯𝘧𝘶𝘴𝘢, 𝘤𝘢𝘪𝘯𝘥𝘰 𝘯𝘢 𝘪𝘯𝘪𝘲𝘶𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘢 𝘤𝘰𝘯𝘧𝘶𝘴ã𝘰”.³⁶ Se eles estivessem sendo citados com precisão por seus oponentes, os Iconoclastas não estavam interessados principalmente na “carne” de Cristo “como era vista na terra”, mas em sua transformação após a Ressurreição e Ascensão de Cristo, quando se tornou incorruptível e imortal.³⁷ Segundo eles, portanto, “o dogma da união inseparável das duas naturezas de Cristo”³⁸ implicava não só que a natureza divina de Cristo era incircunscrita e sempre permaneceria incircunscrita, como todos que aceitavam a fé ortodoxa eram obrigados a concordar que era e tinha sido de eternidade em eternidade, mas por meio de sua glorificação em união com a natureza divina, sua natureza humana também se tornou incircunscritível e, portanto, também não retratável.³⁹ Na tentativa de encontrar um terreno comum com os iconoclastas antes de irem atacá-los, os Iconódulos postularam um acordo entre eles em sua aceitação da confissão ortodoxa “a respeito da pessoa e da hipóstase” de Cristo.⁴⁰ Respondendo ao argumento dos Iconoclastas de que Cristo era “incircunscrito”, portanto, o iconódulo São João Damasceno teve que responder que quando se tratava da natureza divina, é claro “𝘌𝘶 𝘤𝘰𝘯𝘧𝘦𝘴𝘴𝘰 𝘰 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘰”; mas quanto à natureza humana, “𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘪𝘵𝘢, 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘦𝘳𝘢 𝘷𝘪𝘴𝘵𝘢 𝘯𝘢 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢” durante os anos da vida de Cristo na terra⁴¹ e, portanto, era legítimo iconizá-la agora. No entanto, quando isso foi feito e a natureza humana estava sendo iconizada, o que estava realmente sendo iconizado não era a natureza humana sozinha – uma vez que ela não está sozinha, nem nunca esteve sozinha, nem deve ser considerada sozinha mas a total pessoa divino-humana de Cristo. Para fazer essa afirmação, os lconódulos poderiam empregar uma série de fórmulas teológicas técnicas que haviam entrado em uso no curso do desenvolvimento das doutrinas da Trindade e da pessoa de Cristo. Portanto, é instrutivo examinar, em alguns detalhes históricos e teológicos, pelo menos duas dessas fórmulas cristológicas ortodoxas que agora poderiam ser utilizadas com o propósito de validar os ícones: a frase “em duas naturezas” e o atributo de “𝘵𝘦𝘳 𝘶𝘮𝘢 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘱𝘦𝘴𝘴𝘰𝘢 [enhypostatos]”.⁴² No texto do decreto dogmático do Concílio de Calcedônia de 451 havia uma variação antiga e conhecida entre sua versão grega e sua versão latina. O texto grego, conforme transmitido em manuscritos e citações e eventualmente publicado na edição padrão (ocidental) dos concílios da igreja do século XVIII pelo Pe. Giovanni Domenico Mansi, dizia que “𝘰 ú𝘯𝘪𝘤𝘰 𝘦 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘰 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰” 𝘥𝘦𝘷𝘦𝘳𝘪𝘢 𝘴𝘦𝘳 𝘳𝘦𝘤𝘰𝘯𝘩𝘦𝘤𝘪𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘥𝘦 𝘥𝘶𝘢𝘴 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢𝘴 [ek dyo physeon]”; mas o texto latino recebido, aparentemente refletindo uma tradução muito antiga do grego, lido in duabus naturis – “𝘦𝘮 𝘥𝘶𝘢𝘴 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢𝘴”, indicando que a leitura original em grego provavelmente teria sido “en dyo physesin”. Esta variante textual – en dyo physesi – é hoje geralmente reconhecida como a leitura correta e foi incorporada na nova edição crítica da Acta Conciliorum Oecumenicorum.⁴³ Esta é também a leitura que aparece nas edições atuais das duas coleções padrão dos decretos conciliares.⁴⁴ Cada uma das duas leituras é suscetível de uma interpretação correta; e embora todo o assunto pudesse ser descartado como meramente uma diferença entre duas preposições gregas – ou mesmo como pouco mais do que uma diferença entre duas consoantes gregas, trazendo à mente a observação de Gibbon sobre “𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘯𝘵𝘦𝘯𝘥𝘢𝘴 𝘧𝘶𝘳𝘪𝘰𝘴𝘢𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘢 𝘥𝘪𝘧𝘦𝘳𝘦𝘯ç𝘢 𝘥𝘦 𝘶𝘮 ú𝘯𝘪𝘤𝘰 𝘥𝘪𝘵𝘰𝘯𝘨𝘰 𝘱𝘳𝘰𝘷𝘰𝘤𝘢𝘷𝘢 𝘦𝘯𝘵𝘳𝘦 𝘰𝘴 𝘏𝘰𝘮𝘰𝘰𝘶𝘴𝘪𝘢𝘯𝘰𝘴 𝘦 𝘰𝘴 𝘏𝘰𝘮𝘰𝘪𝘰𝘶𝘴𝘪𝘢𝘯𝘰𝘴” depois do Primeiro Concílio de Nicéia⁴⁵ – a distinção poderia, se fosse pressionada, ter consequências de longo alcance para a teologia, e também para além da teologia. Quando foi aplicado à questão dos ícones, a leitura mais atestada significava que também após a Encarnação e mesmo após a Ressurreição, ainda permanecia correto falar de uma pessoa ou hipóstase de Jesus Cristo como continuando “em duas naturezas” ao invés de como composto ”de duas naturezas”. As duas naturezas do único Cristo não podiam ser separadas, mas também não tinham sido amalgamadas: como a fórmula calcedônica continuou a dizer depois de citar os quatro advérbios celebrados, “𝘢 𝘥𝘪𝘴𝘵𝘪𝘯çã𝘰 𝘦𝘯𝘵𝘳𝘦 𝘢𝘴 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢𝘴 𝘯ã𝘰 𝘧𝘰𝘪 𝘢𝘣𝘴𝘰𝘭𝘶𝘵𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘢𝘣𝘰𝘭𝘪𝘥𝘢, 𝘮𝘢𝘴 𝘴𝘪𝘮 𝘰 𝘱𝘳𝘰𝘱𝘳𝘪𝘦𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘱𝘦𝘤𝘶𝘭𝘪𝘢𝘳 𝘥𝘦 𝘤𝘢𝘥𝘢 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 𝘧𝘰𝘪 𝘱𝘳𝘦𝘴𝘦𝘳𝘷𝘢𝘥𝘢 [oudamou tes ton physeon diaphoras aneirmenes dia ten henosin, soizomenes de mallon tes idiotetos hekateras physeos]”.⁴⁶ Para os Iconódulas parecia seguir como uma conseqüência necessária, portanto, que a natureza humana poderia ser iconizada, mas que quando o foi, o ícone de Cristo que foi produzido era uma representação da pessoa divina-humana total de Cristo e não apenas da natureza humana isolada da pessoa total. Outro conceito cristológico técnico de grande relevância para a controvérsia iconoclástica foi o ensino de que a natureza humana de Cristo nunca possuiu uma personalidade separada ou preexistente [hipóstase] própria, mas que desde o momento de seu início foi inseparavelmente ligada à natureza divina do Logos, a eterna “𝘚𝘦𝘨𝘶𝘯𝘥𝘢 𝘗𝘦𝘴𝘴𝘰𝘢 [hipóstase]” da Trindade; a humanidade de Jesus Cristo foi, portanto e sempre, “𝘥𝘦𝘴𝘱𝘳𝘰𝘷𝘪𝘥𝘢 𝘥𝘦 𝘲𝘶𝘢𝘭𝘲𝘶𝘦𝘳 𝘱𝘦𝘳𝘴𝘰𝘯𝘢𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘪𝘯𝘥𝘪𝘷𝘪𝘥𝘶𝘢𝘭 𝘱𝘳ó𝘱𝘳𝘪𝘢 [anhypostatos]”.⁴⁷ Mas para a ortodoxia, isso tinha como contrapartida e corolário, com base na linguagem do Concílio de Calcedônia, uma fórmula que declarava: “𝘊𝘢𝘥𝘢 𝘶𝘮𝘢 𝘥𝘦 𝘴𝘶𝘢𝘴 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢𝘴 [ousiai] 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 𝘢 𝘌𝘯𝘤𝘢𝘳𝘯𝘢çã𝘰 é 𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘱𝘰𝘴𝘴𝘶𝘪 𝘱𝘦𝘳𝘴𝘰𝘯𝘢𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘯𝘢 [enhypostatos]” a única pessoa do Logos encarnado.⁴⁸ Por si só, o conceito da natureza humana de Cristo como possuidora da personalidade na pessoa de Cristo era algo que os iconoclastas também eram obrigados a aceitar.⁴⁹ Mas como uma implicação necessária decorrente desta fórmula e da definição do Concílio de Calcedônia de que a pessoa de Cristo ainda estava “em duas naturezas” após a Encarnação, os defensores dos ícones afirmaram a integridade contínua, também após a Encarnação, daquela natureza do único Cristo que era humano e, portanto, ao mesmo tempo circunscrito e circunscritível – e, portanto, ilustrável; “𝘋𝘪𝘻𝘦𝘮𝘰𝘴, 𝘱𝘰𝘳𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰, 𝘲𝘶𝘦 𝘢 𝘦𝘴𝘴ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘴𝘦 𝘷𝘦𝘳𝘪𝘧𝘪𝘤𝘢 𝘯𝘢𝘴 𝘩𝘪𝘱ó𝘴𝘵𝘢𝘴𝘦𝘴. 𝘗𝘰𝘳 𝘦𝘴𝘴𝘢 𝘳𝘢𝘻ã𝘰 𝘦𝘭𝘢 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 𝘴𝘶𝘣𝘴𝘪𝘴𝘵𝘦 𝘯𝘢 𝘩𝘪𝘱ó𝘴𝘵𝘢𝘴𝘦, 𝘮𝘢𝘴 𝘯ã𝘰 é 𝘩𝘪𝘱ó𝘴𝘵𝘢𝘴𝘦. 𝘗𝘰𝘳 𝘪𝘴𝘴𝘰 𝘯ã𝘰 é 𝘯𝘦𝘤𝘦𝘴𝘴á𝘳𝘪𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘢𝘲𝘶𝘪𝘭𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘶𝘣𝘴𝘪𝘴𝘵𝘦 𝘴𝘦 𝘤𝘩𝘢𝘮𝘦 𝘩𝘪𝘱ó𝘴𝘵𝘢𝘴𝘦. 𝘕𝘢 𝘳𝘦𝘢𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘦 𝘥𝘶𝘱𝘭𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢 𝘳𝘦𝘤𝘰𝘯𝘩𝘦𝘤𝘦-𝘴𝘦 𝘰𝘳𝘢 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘩𝘪𝘱ó𝘴𝘵𝘢𝘴𝘦, 𝘰𝘳𝘢 𝘤𝘰𝘮𝘰 ἐνυπόστατον (𝘦𝘯𝘺𝘱ó𝘴𝘵𝘢𝘵𝘰𝘯). 𝘊𝘰𝘮 𝘦𝘧𝘦𝘪𝘵𝘰, à𝘴 𝘷𝘦𝘻𝘦𝘴 𝘩𝘪𝘱ó𝘴𝘵𝘢𝘴𝘦 𝘴𝘪𝘨𝘯𝘪𝘧𝘪𝘤𝘢 𝘢 𝘴𝘪𝘮𝘱𝘭𝘦𝘴 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘦, 𝘯𝘦𝘴𝘵𝘦 𝘴𝘦𝘯𝘵𝘪𝘥𝘰, 𝘯ã𝘰 𝘴ó é 𝘤𝘩𝘢𝘮𝘢𝘥𝘢 𝘴𝘪𝘮𝘱𝘭𝘦𝘴𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘥𝘦 𝘦𝘴𝘴ê𝘯𝘤𝘪𝘢, 𝘮𝘢𝘴 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 𝘥𝘦𝘴𝘪𝘨𝘯𝘢 𝘰 𝘱𝘳ó𝘱𝘳𝘪𝘰 𝘢𝘤𝘪𝘥𝘦𝘯𝘵𝘦. À𝘴 𝘷𝘦𝘻𝘦𝘴 𝘯𝘢 𝘷𝘦𝘳𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘴𝘪𝘨𝘯𝘪𝘧𝘪𝘤𝘢 𝘶𝘮 𝘪𝘯𝘥𝘪𝘷í𝘥𝘶𝘰, 𝘰𝘶 𝘴𝘦𝘫𝘢, 𝘶𝘮𝘢 𝘱𝘦𝘴𝘴𝘰𝘢, 𝘢 𝘲𝘶𝘢𝘭 𝘤𝘰𝘯𝘴𝘪𝘥𝘦𝘳𝘢𝘥𝘢 𝘴𝘦𝘱𝘢𝘳𝘢𝘥𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘴𝘦 𝘤𝘩𝘢𝘮𝘢 𝘩𝘪𝘱ó𝘴𝘵𝘢𝘴𝘦, 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘗𝘦𝘥𝘳𝘰, 𝘗𝘢𝘶𝘭𝘰 (..) 𝘦 𝘴𝘦𝘮𝘦𝘭𝘩𝘢𝘯𝘵𝘦𝘴. Ἐνυπόστατον (𝘢𝘥𝘫𝘦𝘵𝘪𝘷𝘰 𝘨𝘳𝘦𝘨𝘰 𝘯𝘦𝘶𝘵𝘳𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘪𝘨𝘯𝘪𝘧𝘪𝘤𝘢 𝘴𝘶𝘣𝘴𝘵𝘢𝘯𝘤𝘪𝘢𝘭, 𝘮𝘢𝘴 𝘦𝘯𝘵𝘦𝘯𝘥𝘪𝘥𝘰 𝘢𝘲𝘶𝘪 𝘢𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘱𝘢𝘳𝘦𝘤𝘦 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘴𝘶𝘣𝘴𝘵𝘢𝘯𝘵𝘪𝘷𝘰 𝘦, 𝘱𝘰𝘳𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰, 𝘴𝘶𝘣𝘴𝘵â𝘯𝘤𝘪𝘢) à𝘴 𝘷𝘦𝘻𝘦𝘴 𝘴𝘪𝘨𝘯𝘪𝘧𝘪𝘤𝘢 𝘯𝘢 𝘷𝘦𝘳𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘦𝘴𝘴ê𝘯𝘤𝘪𝘢, 𝘤𝘰𝘯𝘧𝘰𝘳𝘮𝘦 𝘯𝘢 𝘩𝘪𝘱ó𝘴𝘵𝘢𝘴𝘦 𝘤𝘰𝘯𝘴𝘪𝘥𝘦𝘳𝘢𝘥𝘢, 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘱𝘰𝘳 𝘴𝘪 𝘱𝘳ó𝘱𝘳𝘪𝘢: 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘢𝘴 𝘷𝘦𝘻𝘦𝘴 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 𝘤𝘢𝘥𝘢 𝘶𝘮𝘢 𝘥𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘤𝘰𝘯𝘤𝘰𝘳𝘳𝘦𝘮 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘢 𝘤𝘰𝘮𝘱𝘰𝘴𝘪çã𝘰 𝘥𝘦 𝘲𝘶𝘢𝘭𝘲𝘶𝘦𝘳 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦𝘫𝘢 𝘢 𝘩𝘪𝘱ó𝘴𝘵𝘢𝘴𝘦 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘢𝘭𝘮𝘢 𝘦 𝘤𝘰𝘳𝘱𝘰. 𝘗𝘰𝘳𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰, 𝘢 𝘥𝘪𝘷𝘪𝘯𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘦 𝘢 𝘩𝘶𝘮𝘢𝘯𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘦 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰 𝘦𝘧𝘦𝘵𝘪𝘷𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘴𝘶𝘣𝘴𝘵â𝘯𝘤𝘪𝘢𝘴. 𝘜𝘮𝘢 𝘦 𝘢 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘢 𝘵𝘦𝘮 𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘮𝘶𝘮 𝘶𝘮𝘢 𝘴ó 𝘩𝘪𝘱ó𝘴𝘵𝘢𝘴𝘦 𝘳𝘦𝘴𝘶𝘭𝘵𝘢𝘯𝘵𝘦 𝘥𝘦𝘴𝘴𝘦𝘴. 𝘈 𝘥𝘪𝘷𝘪𝘯𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘦𝘷𝘪𝘥𝘦𝘯𝘵𝘦𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘢𝘯𝘵𝘦𝘳𝘪𝘰𝘳 𝘢 𝘵𝘰𝘥𝘰𝘴 𝘰𝘴 𝘵𝘦𝘮𝘱𝘰𝘴 𝘦 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 𝘵𝘰𝘥𝘢 𝘢 𝘦𝘵𝘦𝘳𝘯𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦; 𝘱𝘰𝘳 𝘴𝘶𝘢 𝘷𝘦𝘻 𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦 𝘢𝘯𝘪𝘮𝘢𝘥𝘢 𝘦 𝘪𝘯𝘵𝘦𝘭𝘪𝘨𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘢𝘴𝘴𝘶𝘮𝘪𝘥𝘢 𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 𝘥𝘪𝘷𝘪𝘯𝘢 𝘯𝘰𝘴 ú𝘭𝘵𝘪𝘮𝘰𝘴 𝘵𝘦𝘮𝘱𝘰𝘴 𝘦 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘯𝘦𝘴𝘴𝘢 (𝘯𝘢 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 𝘥𝘪𝘷𝘪𝘯𝘢), 𝘱𝘰𝘴𝘴𝘶𝘪 𝘢 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘢 𝘩𝘪𝘱ó𝘴𝘵𝘢𝘴𝘦.” – São João Damasceno, “De Natura Composita”, 6 (PG 95,120). É significativo que a fórmula que acabo de citar venha de um dos escritos de São João Damasceno que trata especificamente da doutrina ortodoxa da pessoa de Cristo; Pois também foi João Damasceno quem, em seus escritos contra os Iconoclastas, forneceu a primeira argumentação Iconódula substancial que procedeu da doutrina de Cristo para a doutrina dos ícones.⁵⁰ Retomando o uso do segundo mandamento pelos iconoclastas, que proibia a feitura não só de qualquer ídolo, mas também de qualquer “𝘴𝘦𝘮𝘦𝘭𝘩𝘢𝘯ç𝘢 [homoioma]” (Ex 20,4 – Septuaginta), declarou que Moisés, “𝘰 𝘭𝘦𝘨𝘪𝘴𝘭𝘢𝘥𝘰𝘳, 𝘪𝘯𝘵𝘦𝘳𝘱𝘳𝘦𝘵𝘢 𝘪𝘴𝘴𝘰 𝘦𝘭𝘦 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘰”.⁵¹ Moisés, o legislador, forneceu tal interpretação do segundo mandamento quando deu seu lembrete em outro lugar ao povo de Israel que “𝘕𝘰 𝘥𝘪𝘢 𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘰 𝘚𝘦𝘯𝘩𝘰𝘳, 𝘷𝘰𝘴𝘴𝘰 𝘋𝘦𝘶𝘴, 𝘷𝘰𝘴 𝘧𝘢𝘭𝘰𝘶 𝘥𝘰 𝘴𝘦𝘪𝘰 𝘥𝘰 𝘧𝘰𝘨𝘰 𝘦𝘮 𝘏𝘰𝘳𝘦𝘣, 𝘯ã𝘰 𝘷𝘪𝘴𝘵𝘦𝘴 𝘧𝘪𝘨𝘶𝘳𝘢 (homoioma – ὁμοίωμα) 𝘢𝘭𝘨𝘶𝘮𝘢” (Dt 4,15 – LXX). A diferença entre o verdadeiro Deus de Israel e os falsos deuses dos povos pagãos estava precisamente na ausência de qualquer “semelhança”, que havia sido proibida pela lei dada no Sinai. Mas essa lei, como toda lei de Moisés, tinha como objetivo, segundo a fórmula paulina, servir de “𝘱𝘦𝘥𝘢𝘨𝘰𝘨𝘰 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘯𝘰𝘴 𝘤𝘰𝘯𝘥𝘶𝘻𝘪𝘳 𝘢 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰” (Gl 3,24-25). Sua proibição de imagens falsas, conseqüentemente, era ao mesmo tempo um “𝘱𝘳𝘦𝘯ú𝘯𝘤𝘪𝘰 𝘥𝘢 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘳𝘦𝘢𝘭 [procharagma eikonos]” que estava por vir.⁵² Antes da Encarnação, um ícone do Logos seria estranho e perverso.⁵³ Mas Cristo, como o Logos eterno, havia se tornado encarnado em carne humana, e ele tinha assim apresentado a humanidade, pela primeira e única vez em toda a sua história, com uma genuína e precisa “similitude” de Deus, uma que poderia ser visto e, portanto, um que poderia ser iconizado.⁵⁴ No uso do apóstolo São Paulo, o termo “𝘴𝘦𝘮𝘦𝘭𝘩𝘢𝘯ç𝘢 [homoioma]”, apareceu cinco vezes ao todo em suas epístolas, quatro delas na epístola aos Romanos, geralmente se referia especificamente à humanidade de Cristo.⁵⁵ Como os Padres Capadócios haviam insistido, entretanto, naquele contexto, não conotava uma mera “𝘢𝘱𝘢𝘳ê𝘯𝘤𝘪𝘢” ou “𝘢𝘭𝘨𝘶𝘮 𝘧𝘢𝘯𝘵𝘢𝘴𝘮𝘢 𝘦 𝘢𝘱𝘢𝘳ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘪𝘭𝘶𝘴ó𝘳𝘪𝘢 [phantasia kai dokesis]”, mas sim uma realidade.⁵⁶ E uma vez que, tanto na linguagem do Novo Testamento (Fl 2,6-7) e na linguagem oficial da igreja, de forma mais sucinta talvez na definição do Concílio de Calcedônia, que Cristo era “𝘶𝘮 𝘦𝘮 𝘴𝘦𝘳 [𝘩𝘰𝘮𝘰𝘰𝘶𝘴𝘪𝘰𝘴] 𝘤𝘰𝘮 𝘰 𝘗𝘢𝘪 𝘥𝘦 𝘢𝘤𝘰𝘳𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘮 𝘴𝘶𝘢 𝘥𝘪𝘷𝘪𝘯𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘦 𝘶𝘮 𝘦𝘮 𝘦𝘴𝘵𝘢𝘳 𝘤𝘰𝘯𝘰𝘴𝘤𝘰 𝘴𝘦𝘨𝘶𝘯𝘥𝘰 𝘢 𝘴𝘶𝘢 𝘩𝘶𝘮𝘢𝘯𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦”⁵⁷ – havia um paralelismo entre a realidade desta “𝘴𝘦𝘮𝘦𝘭𝘩𝘢𝘯ç𝘢 [homoioma]” ou “𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢 [morphe]” da humanidade de Cristo e a realidade da “𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢” ou “𝘴𝘦𝘮𝘦𝘭𝘩𝘢𝘯ç𝘢” da divindade de Cristo, os capadócios insistiram também que se referia em ambos os casos às suas duas naturezas essenciais, aquela que ele compartilhava eternamente com o Pai e o Espírito Santo na Trindade e aquela que como consequência da Encarnação ele agora compartilhado com a raça humana. “𝘖𝘳𝘢, 𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘴𝘵á “𝘦𝘮 𝘥𝘦𝘴𝘢𝘤𝘰𝘳𝘥𝘰” é 𝘤𝘦𝘳𝘵𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘢𝘴𝘴𝘪𝘮 𝘤𝘰𝘯𝘤𝘦𝘣𝘪𝘥𝘰 𝘦 𝘥𝘦𝘯𝘰𝘮𝘪𝘯𝘢𝘥𝘰, 𝘦𝘮 𝘰𝘱𝘰𝘴𝘪çã𝘰 𝘢𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘴𝘵á “𝘦𝘮 𝘩𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘢”, 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘰 𝘧𝘪𝘰 𝘥𝘦 𝘱𝘳𝘶𝘮𝘰 𝘦𝘴𝘵á 𝘦𝘮 𝘩𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘢 𝘤𝘰𝘮 𝘢 𝘭𝘪𝘯𝘩𝘢 𝘳𝘦𝘵𝘢, 𝘦𝘯𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘰 𝘲𝘶𝘦 é 𝘵𝘰𝘳𝘵𝘰, 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘭𝘰𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘢𝘰 𝘭𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦 𝘲𝘶𝘦 é 𝘳𝘦𝘵𝘢, 𝘯ã𝘰 𝘴𝘦 𝘩𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘻𝘢 𝘤𝘰𝘮 𝘦𝘭𝘢. 𝘖𝘴 𝘮ú𝘴𝘪𝘤𝘰𝘴 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 𝘤𝘰𝘴𝘵𝘶𝘮𝘢𝘮 𝘤𝘩𝘢𝘮𝘢𝘳 𝘢 𝘤𝘰𝘯𝘤𝘰𝘳𝘥â𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘥𝘢𝘴 𝘯𝘰𝘵𝘢𝘴 𝘥𝘦 “𝘩𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘢” 𝘦 𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘴𝘵á 𝘥𝘦𝘴𝘢𝘧𝘪𝘯𝘢𝘥𝘰 𝘦 𝘥𝘪𝘴𝘤𝘰𝘳𝘥𝘢𝘯𝘵𝘦 𝘥𝘦 “𝘥𝘦𝘴𝘢𝘳𝘮ô𝘯𝘪𝘤𝘰”. 𝘌𝘯𝘵ã𝘰, 𝘧𝘢𝘭𝘢𝘳 𝘥𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘮𝘰 “𝘥𝘪𝘷𝘦𝘳𝘨𝘦𝘯𝘵𝘦𝘴” é 𝘰 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘢𝘭𝘢𝘳 𝘥𝘦𝘭𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘮𝘰 “𝘧𝘰𝘳𝘢 𝘥𝘦 𝘩𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘢”. 𝘚𝘦, 𝘱𝘰𝘳𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰, 𝘢 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 𝘥𝘰 𝘋𝘦𝘶𝘴 𝘜𝘯𝘪𝘨ê𝘯𝘪𝘵𝘰 𝘦𝘴𝘵á 𝘦𝘮 “𝘷𝘢𝘳𝘪𝘢çã𝘰”, 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘶𝘴𝘢𝘳 𝘢 𝘧𝘳𝘢𝘴𝘦 𝘩𝘦𝘳é𝘵𝘪𝘤𝘢, 𝘤𝘰𝘮 𝘢 𝘦𝘴𝘴ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘥𝘰 𝘗𝘢𝘪, 𝘤𝘦𝘳𝘵𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘯ã𝘰 𝘦𝘴𝘵á 𝘦𝘮 𝘩𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘢 𝘤𝘰𝘮 𝘦𝘭𝘢: 𝘦 𝘢 𝘥𝘦𝘴𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘢 𝘯ã𝘰 𝘱𝘰𝘥𝘦 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵𝘪𝘳 𝘰𝘯𝘥𝘦 𝘯ã𝘰 𝘩á 𝘱𝘰𝘴𝘴𝘪𝘣𝘪𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘦 𝘩𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘢. 𝘗𝘰𝘪𝘴 𝘰 𝘤𝘢𝘴𝘰 é 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰, 𝘢 𝘧𝘪𝘨𝘶𝘳𝘢 𝘯𝘢 𝘤𝘦𝘳𝘢 𝘦 𝘯𝘢 𝘨𝘳𝘢𝘷𝘶𝘳𝘢 𝘥𝘰 𝘴𝘦𝘭𝘰 𝘴𝘦𝘯𝘥𝘰 𝘶𝘮𝘢, 𝘢 𝘤𝘦𝘳𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘦𝘴𝘵𝘢𝘮𝘱𝘢𝘥𝘢 𝘱𝘦𝘭𝘰 𝘴𝘦𝘭𝘰, 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰 é 𝘦𝘯𝘤𝘢𝘪𝘹𝘢𝘥𝘢 𝘯𝘰𝘷𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘯𝘰 ú𝘭𝘵𝘪𝘮𝘰, 𝘧𝘢𝘻 𝘢 𝘪𝘮𝘱𝘳𝘦𝘴𝘴ã𝘰 𝘴𝘰𝘣𝘳𝘦 𝘴𝘪 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘢 𝘥𝘦 𝘢𝘤𝘰𝘳𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘮 𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘥𝘢-𝘰, 𝘱𝘳𝘦𝘦𝘯𝘤𝘩𝘦𝘯𝘥𝘰 𝘢𝘴 𝘤𝘢𝘷𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦𝘴 𝘦 𝘢𝘤𝘰𝘮𝘰𝘥𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘢𝘴 𝘱𝘳𝘰𝘫𝘦çõ𝘦𝘴 𝘥𝘢 𝘨𝘳𝘢𝘷𝘶𝘳𝘢 𝘤𝘰𝘮 𝘴𝘦𝘶𝘴 𝘱𝘳ó𝘱𝘳𝘪𝘰𝘴 𝘱𝘢𝘥𝘳õ𝘦𝘴: 𝘮𝘢𝘴 𝘴𝘦 𝘢𝘭𝘨𝘶𝘮 𝘱𝘢𝘥𝘳ã𝘰 𝘦𝘴𝘵𝘳𝘢𝘯𝘩𝘰 𝘦 𝘥𝘪𝘧𝘦𝘳𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘧𝘰𝘳 𝘦𝘯𝘤𝘢𝘪𝘹𝘢𝘥𝘰 𝘯𝘢 𝘨𝘳𝘢𝘷𝘶𝘳𝘢 𝘥𝘰 𝘴𝘦𝘭𝘰, 𝘦𝘭𝘦 𝘵𝘰𝘳𝘯𝘢 𝘴𝘶𝘢 𝘱𝘳ó𝘱𝘳𝘪𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢 á𝘴𝘱𝘦𝘳𝘢 𝘦 𝘤𝘰𝘯𝘧𝘶𝘴𝘢, 𝘦𝘴𝘧𝘳𝘦𝘨𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘴𝘶𝘢 𝘧𝘪𝘨𝘶𝘳𝘢 𝘦𝘮 𝘶𝘮𝘢 𝘴𝘶𝘱𝘦𝘳𝘧í𝘤𝘪𝘦 𝘨𝘳𝘢𝘷𝘢𝘥𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘯ã𝘰 𝘤𝘰𝘳𝘳𝘦𝘴𝘱𝘰𝘯𝘥𝘦 𝘢 𝘦𝘭𝘢. 𝘔𝘢𝘴 𝘈𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘴𝘵á “𝘯𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢 𝘥𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴” (𝘍𝘪𝘭 2,6) 𝘯ã𝘰 𝘧𝘰𝘪 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢𝘥𝘰 𝘱𝘰𝘳 𝘯𝘦𝘯𝘩𝘶𝘮𝘢 𝘪𝘮𝘱𝘳𝘦𝘴𝘴ã𝘰 𝘥𝘪𝘧𝘦𝘳𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘥𝘢 𝘥𝘰 𝘗𝘢𝘪, 𝘷𝘪𝘴𝘵𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘌𝘭𝘦 é “𝘢 𝘦𝘹𝘱𝘳𝘦𝘴𝘴𝘢 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮” 𝘥𝘢 𝘗𝘦𝘴𝘴𝘰𝘢 𝘥𝘰 𝘗𝘢𝘪, 𝘦𝘯𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘢 “𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢 𝘥𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴” é 𝘤𝘦𝘳𝘵𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘢 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘢 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘚𝘶𝘢 𝘦𝘴𝘴ê𝘯𝘤𝘪𝘢. 𝘗𝘰𝘪𝘴 𝘤𝘰𝘮𝘰, “𝘢𝘴𝘴𝘶𝘮𝘪𝘯𝘥𝘰 𝘢 𝘤𝘰𝘯𝘥𝘪çã𝘰 (forma – morphēn/ μορφὴν) 𝘥𝘦 𝘴𝘦𝘳𝘷𝘰” (𝘍𝘭 2,7), 𝘌𝘭𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢𝘥𝘰 𝘯𝘢 𝘦𝘴𝘴ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘥𝘦 𝘶𝘮 𝘴𝘦𝘳𝘷𝘰, 𝘯ã𝘰 𝘢𝘴𝘴𝘶𝘮𝘪𝘯𝘥𝘰 𝘢𝘱𝘦𝘯𝘢𝘴 𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢, à 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘦 𝘥𝘢 𝘦𝘴𝘴ê𝘯𝘤𝘪𝘢, 𝘮𝘢𝘴 𝘢 𝘦𝘴𝘴ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘦𝘴𝘵á 𝘦𝘯𝘷𝘰𝘭𝘷𝘪𝘥𝘢 𝘯𝘰 𝘴𝘦𝘯𝘵𝘪𝘥𝘰 𝘥𝘦 “𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢”, 𝘦𝘯𝘵ã𝘰, 𝘤𝘦𝘳𝘵𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦, 𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘥𝘪𝘻 𝘲𝘶𝘦 𝘌𝘭𝘦 𝘦𝘴𝘵á “𝘯𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢 𝘥𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴” 𝘴𝘪𝘨𝘯𝘪𝘧𝘪𝘤𝘢 𝘢 𝘦𝘴𝘴ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘱𝘰𝘳 “𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢”. 𝘚𝘦, 𝘱𝘰𝘳𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰, 𝘌𝘭𝘦 𝘦𝘴𝘵á “𝘯𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢 𝘥𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴”, 𝘦 𝘦𝘴𝘵𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘯𝘰 𝘗𝘢𝘪 𝘦𝘴𝘵á 𝘴𝘦𝘭𝘢𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘮 𝘢 𝘨𝘭ó𝘳𝘪𝘢 𝘥𝘰 𝘗𝘢𝘪, (𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘥𝘦𝘤𝘭𝘢𝘳𝘢 𝘢 𝘱𝘢𝘭𝘢𝘷𝘳𝘢 𝘥𝘰 𝘌𝘷𝘢𝘯𝘨𝘦𝘭𝘩𝘰, 𝘲𝘶𝘦 𝘥𝘪𝘻: “𝘋𝘦𝘶𝘴 𝘰 𝘗𝘢𝘪, 𝘮𝘢𝘳𝘤𝘰𝘶 𝘤𝘰𝘮 𝘴𝘦𝘶 𝘴𝘦𝘭𝘰” (𝘑𝘰 6,27), – 𝘥𝘦 𝘰𝘯𝘥𝘦 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 “𝘈𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘮𝘦 𝘷𝘪𝘶, 𝘷𝘪𝘶 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 𝘰 𝘗𝘢𝘪” (𝘑𝘰 14,9), 𝘦𝘯𝘵ã𝘰 “𝘢 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘥𝘰 𝘣𝘦𝘮” 𝘦 “𝘰 𝘳𝘦𝘴𝘱𝘭𝘦𝘯𝘥𝘰𝘳 𝘥𝘢 𝘨𝘭ó𝘳𝘪𝘢”, 𝘦 𝘵𝘰𝘥𝘰𝘴 𝘰𝘴 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘰𝘴 𝘵í𝘵𝘶𝘭𝘰𝘴 𝘴𝘦𝘮𝘦𝘭𝘩𝘢𝘯𝘵𝘦𝘴, 𝘵𝘦𝘴𝘵𝘪𝘧𝘪𝘤𝘢𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘢 𝘦𝘴𝘴ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘥𝘰 𝘍𝘪𝘭𝘩𝘰 𝘯ã𝘰 𝘱𝘳𝘰𝘷é𝘮 𝘥𝘢 𝘩𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘢 𝘤𝘰𝘮 𝘰 𝘗𝘢𝘪. 𝘈𝘴𝘴𝘪𝘮, 𝘱𝘦𝘭𝘰 𝘵𝘦𝘹𝘵𝘰 𝘤𝘪𝘵𝘢𝘥𝘰, 𝘧𝘪𝘤𝘢 𝘥𝘦𝘮𝘰𝘯𝘴𝘵𝘳𝘢𝘥𝘰 𝘰 𝘤𝘢𝘳á𝘵𝘦𝘳 𝘪𝘯𝘴𝘶𝘣𝘴𝘵𝘢𝘯𝘤𝘪𝘢𝘭 𝘥𝘢 𝘣𝘭𝘢𝘴𝘧ê𝘮𝘪𝘢 𝘥𝘰 𝘢𝘥𝘷𝘦𝘳𝘴á𝘳𝘪𝘰. 𝘗𝘰𝘪𝘴 𝘴𝘦 𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘦𝘮 “𝘥𝘪𝘷𝘦𝘳𝘨ê𝘯𝘤𝘪𝘢” 𝘯ã𝘰 𝘦𝘴𝘵ã𝘰 𝘦𝘮 𝘩𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘢, 𝘦 𝘈𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦 𝘲𝘶𝘦 é 𝘴𝘦𝘭𝘢𝘥𝘰 𝘱𝘦𝘭𝘰 𝘗𝘢𝘪 𝘦 𝘦𝘹𝘪𝘣𝘦 𝘰 𝘗𝘢𝘪 𝘦𝘮 𝘚𝘪 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘰, 𝘦𝘴𝘵𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘯𝘰 𝘗𝘢𝘪 𝘦 𝘵𝘦𝘯𝘥𝘰 𝘰 𝘗𝘢𝘪 𝘦𝘮 𝘚𝘪 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘰 (𝘑𝘰 14,10), 𝘮𝘰𝘴𝘵𝘳𝘢 𝘦𝘮 𝘵𝘰𝘥𝘰𝘴 𝘰𝘴 𝘱𝘰𝘯𝘵𝘰𝘴 𝘚𝘶𝘢 𝘦𝘴𝘵𝘳𝘦𝘪𝘵𝘢 𝘳𝘦𝘭𝘢çã𝘰 𝘦 𝘩𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘢, 𝘦𝘯𝘵ã𝘰 𝘰 𝘢𝘣𝘴𝘶𝘳𝘥𝘰 𝘥𝘰𝘴 𝘱𝘰𝘯𝘵𝘰𝘴 𝘥𝘦 𝘷𝘪𝘴𝘵𝘢 𝘰𝘱𝘰𝘴𝘵𝘰𝘴 é 𝘢𝘲𝘶𝘪 𝘮𝘰𝘴𝘵𝘳𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢 𝘦𝘴𝘮𝘢𝘨𝘢𝘥𝘰𝘳𝘢. 𝘗𝘰𝘪𝘴 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘢𝘲𝘶𝘪𝘭𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘴𝘵á 𝘦𝘮 “𝘷𝘢𝘳𝘪𝘢çã𝘰” 𝘮𝘰𝘴𝘵𝘳𝘰𝘶-𝘴𝘦 𝘧𝘰𝘳𝘢 𝘥𝘦 𝘩𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘢. 𝘈𝘴𝘴𝘪𝘮, 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘳𝘴𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦, 𝘢𝘲𝘶𝘪𝘭𝘰 𝘲𝘶𝘦 é 𝘩𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘰𝘴𝘰 é 𝘤𝘦𝘳𝘵𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘤𝘰𝘯𝘧𝘦𝘴𝘴𝘢𝘥𝘰, 𝘴𝘦𝘮 𝘥ú𝘷𝘪𝘥𝘢, 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘯ã𝘰 𝘦𝘴𝘵𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘦𝘮 “𝘷𝘢𝘳𝘪𝘢çã𝘰”. 𝘗𝘰𝘪𝘴 𝘢𝘴𝘴𝘪𝘮 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘴𝘵á 𝘦𝘮 “𝘷𝘢𝘳𝘪𝘢çã𝘰” 𝘯ã𝘰 é 𝘩𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘰𝘴𝘰, 𝘰 𝘩𝘢𝘳𝘮𝘰𝘯𝘪𝘰𝘴𝘰 𝘯ã𝘰 𝘦𝘴𝘵á 𝘦𝘮 “𝘷𝘢𝘳𝘪𝘢çã𝘰”. 𝘈𝘭é𝘮 𝘥𝘪𝘴𝘴𝘰, 𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘥𝘪𝘻 𝘲𝘶𝘦 𝘢 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 𝘥𝘰 𝘜𝘯𝘪𝘨ê𝘯𝘪𝘵𝘰 𝘦𝘴𝘵á 𝘦𝘮 “𝘷𝘢𝘳𝘪𝘢çã𝘰” 𝘤𝘰𝘮 𝘢 𝘦𝘴𝘴ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘣𝘰𝘢 𝘥𝘰 𝘗𝘢𝘪, 𝘤𝘭𝘢𝘳𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘵𝘦𝘮 𝘦𝘮 𝘷𝘪𝘴𝘵𝘢 𝘢 𝘷𝘢𝘳𝘪𝘢çã𝘰 𝘯𝘰 𝘱𝘳ó𝘱𝘳𝘪𝘰 𝘣𝘦𝘮, 𝘮𝘢𝘴 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘢𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘴𝘵á 𝘦𝘮 𝘥𝘦𝘴𝘢𝘤𝘰𝘳𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘮 𝘰 𝘣𝘦𝘮 – “Ó 𝘴𝘪𝘮𝘱𝘭𝘦𝘴”, 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘥𝘪𝘻 𝘰 𝘗𝘳𝘰𝘷é𝘳𝘣𝘪𝘰, “𝘢𝘱𝘳𝘦𝘯𝘥𝘦𝘪 𝘢 𝘱𝘳𝘶𝘥ê𝘯𝘤𝘪𝘢” (𝘗𝘳 8,5).” – São Gregório de Nissa “Contra Eunomium”, Lib. IV, 8 (PG 45,672). Com base na tradição patrística, João Damasceno sustentava que embora fosse um pecado, como sempre foi, presumir fazer uma imagem da natureza divina invisível e “𝘪𝘯𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳í𝘷𝘦𝘭 [aperigraptos]” da Santíssima Trindade (e, portanto, da natureza divina da Segunda Pessoa da Trindade, o Filho de Deus), ou para fazer imagens de seres humanos e chamá-los de deuses, uma “𝘯𝘰𝘷𝘢 𝘰𝘳𝘥𝘦𝘮” havia sido estabelecida também aqui: agora que o Deus invisível tornou-se humano através da Encarnação do Logos, ele também se tornou em Cristo “𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘪𝘵í𝘷𝘦𝘭 [perigraptos]” em um ícone.⁵⁸ Nesse sentido, o próprio Deus suspendeu seu próprio mandamento ao “violá-lo” – ou, para colocá-lo não apenas com mais reverência, mas também mais precisamente, ao cumpri-lo⁵⁹ quando forneceu um ícone genuíno de si mesmo na história de Cristo, um ícone de que agora era legítimo fazer um ícone por sua vez. Se Cristo tinha um corpo humano genuíno, o Patriarca São Nicéforo de Constantinopla continuou a argumentar cerca de meio século depois de João Damasceno, esse corpo ocupou espaço e tempo e, portanto, foi circunscrito.⁶⁰ “𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰, 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘰 𝘋𝘦𝘶𝘴, 𝘲𝘶𝘦 𝘵𝘰𝘮𝘰𝘶 𝘴𝘰𝘣𝘳𝘦 𝘴𝘪 𝘢 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘢 𝘱𝘰𝘣𝘳𝘦𝘻𝘢 … 𝘦 𝘰 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘰 𝘤𝘰𝘳𝘱𝘰 – 𝘱𝘰𝘳 𝘲𝘶𝘦 𝘯ã𝘰 𝘩𝘢𝘷𝘦𝘳𝘪𝘢 𝘥𝘦 𝘴𝘦𝘳 𝘳𝘦𝘵𝘳𝘢𝘵𝘢𝘥𝘰 𝘰𝘶 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘪𝘵𝘰?” perguntou Nicéforo.⁶¹ E levantando a questão da “posse da personalidade em alguma pessoa [enhypostasia]”, ele declarou ser inconcebível que uma natureza humana genuína, que verdadeiramente possuía a personalidade, mas apenas por ter sido “hipostasiada” na pessoa de Cristo, poderia não ser retratada.⁶² São Teodoro, abade do mosteiro de Studio e contemporâneo do patriarca Nicéforo, também abordou a questão da “𝘱𝘰𝘴𝘴𝘦 𝘥𝘢 𝘱𝘦𝘴𝘴𝘰𝘢”: ele entendeu que aquilo que Cristo assumiu na Encarnação era “𝘢 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 𝘵𝘰𝘵𝘢𝘭 𝘰𝘶 𝘶𝘯𝘪𝘷𝘦𝘳𝘴𝘢𝘭 [ten katholou physin]” da humanidade.⁶³ Como ensina o Novo Testamento, Cristo foi o Segundo Adão (Rm 5,15-21). “𝘖 𝘩𝘰𝘮𝘦𝘮”, concluiu Teodoro, “𝘯ã𝘰 𝘵𝘦𝘮 𝘯𝘦𝘯𝘩𝘶𝘮𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘢𝘤𝘵𝘦𝘳í𝘴𝘵𝘪𝘤𝘢 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘣á𝘴𝘪𝘤𝘢 𝘥𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘴𝘵𝘢, 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘭𝘦 𝘱𝘰𝘥𝘦 𝘴𝘦𝘳 𝘪𝘤𝘰𝘯𝘪𝘻𝘢𝘥𝘰; 𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘯ã𝘰 𝘱𝘰𝘥𝘦 𝘴𝘦𝘳 𝘪𝘤𝘰𝘯𝘪𝘻𝘢𝘥𝘰 𝘯ã𝘰 é 𝘶𝘮 𝘴𝘦𝘳 𝘩𝘶𝘮𝘢𝘯𝘰, 𝘮𝘢𝘴 𝘶𝘮 𝘢𝘣𝘰𝘳𝘵𝘰”.⁶⁴ O que estava em jogo na controvérsia iconoclasta, de acordo com esta apologia, era nada menos do que a verdadeira humanidade de Cristo como Segundo Adão descrita no credo da igreja e, portanto, a história genuína de Cristo descrita nos Evangelhos. Quando, na narrativa de Jesus aos doze anos no templo contada no segundo capítulo do Evangelho de Lucas, Ele foi descrito como tendo estado no templo de Jerusalém na Judéia, Ele estava verdadeiramente na Judéia e não ao mesmo tempo, “𝘧𝘪𝘴𝘪𝘤𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 [somatikos]” na Galiléia. Isso apesar do fato de que, como afirma o Novo Testamento, “𝘯𝘦𝘭𝘦 𝘩𝘢𝘣𝘪𝘵𝘢 𝘤𝘰𝘳𝘱𝘰𝘳𝘢𝘭𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 [somatikos] 𝘵𝘰𝘥𝘢 𝘢 𝘱𝘭𝘦𝘯𝘪𝘵𝘶𝘥𝘦 𝘥𝘢 𝘥𝘪𝘷𝘪𝘯𝘥𝘢𝘥𝘦.” (Col 2,9): como Filho de Deus, ele “𝘦𝘯𝘤𝘩𝘦𝘶 𝘵𝘰𝘥𝘢𝘴 𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴” no céu e assim por diante a terra, incluindo a Judéia e a Galiléia, era “𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘋𝘦𝘶𝘴 𝘢𝘤𝘪𝘮𝘢 𝘥𝘦 𝘵𝘰𝘥𝘢𝘴 𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴” e, portanto, permaneceu “𝘪𝘯𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘪𝘵𝘰 [aperigraptos]” em sua natureza divina.⁶⁵ Em um ícone dedicado a este incidente, conseqüentemente, seria apropriado representar a única pessoa divino-humana do Logos encarnado, em um determinado lugar geográfico e em um determinado momento histórico, como (nas palavras do Evangelho) “𝘴𝘦𝘯𝘵𝘢𝘥𝘰 𝘯𝘰 𝘮𝘦𝘪𝘰 𝘥𝘰𝘴 𝘥𝘰𝘶𝘵𝘰𝘳𝘦𝘴, 𝘰𝘶𝘷𝘪𝘯𝘥𝘰-𝘰𝘴 𝘦 𝘪𝘯𝘵𝘦𝘳𝘳𝘰𝘨𝘢𝘯𝘥𝘰-𝘰𝘴.” (Lc 2,46). O mesmo aconteceu com todas as cenas dos Evangelhos: elas realmente aconteceram em lugares e épocas particulares e, portanto, podiam (e deveriam) ser iconizadas. No decorrer de sua defesa do caso dos ícones de Cristo, João Damasceno enumerou algumas dessas cenas do Evangelho de eventos específicos da vida terrena de Cristo: “[𝘖 𝘍𝘪𝘭𝘩𝘰 𝘥𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴], 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵𝘪𝘢 ‘𝘯𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢 𝘥𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴’ (𝘍𝘭 2,6) 𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘴𝘶𝘱𝘦𝘳𝘪𝘰𝘳𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘦 𝘴𝘶𝘢 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 𝘵𝘳𝘢𝘯𝘴𝘤𝘦𝘯𝘥𝘪𝘢 𝘢 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦, 𝘢 𝘲𝘶𝘢𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘦 𝘰 𝘵𝘢𝘮𝘢𝘯𝘩𝘰, 𝘢𝘴𝘴𝘶𝘮𝘪𝘶 ‘𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢 𝘥𝘦 𝘴𝘦𝘳𝘷𝘰’, 𝘦 𝘱𝘰𝘳 𝘮𝘦𝘪𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘴𝘢 𝘢𝘱𝘳𝘰𝘹𝘪𝘮𝘢çã𝘰 [𝘵𝘢𝘶𝘵𝘦𝘪 𝘴𝘺𝘴𝘵𝘰𝘭𝘦𝘪] 𝘢𝘤𝘰𝘮𝘰𝘥𝘰𝘶-𝘴𝘦 à 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘦 à 𝘲𝘶𝘢𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘦 𝘢𝘴𝘴𝘶𝘮𝘪𝘶 𝘢 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘦𝘹𝘱𝘳𝘦𝘴𝘴𝘢 [𝘤𝘩𝘢𝘳𝘢𝘬𝘵𝘦𝘳] 𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘳𝘱𝘰. 𝘗𝘰𝘳𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰, 𝘷á 𝘦𝘮 𝘧𝘳𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘦 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘪𝘯𝘦-𝘰 [𝘤𝘩𝘢𝘳𝘢𝘵𝘵𝘦] 𝘦𝘮 í𝘤𝘰𝘯𝘦𝘴 𝘦 𝘢𝘱𝘳𝘦𝘴𝘦𝘯𝘵𝘦-𝘰 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘷𝘪𝘴𝘶𝘢𝘭𝘪𝘻𝘢çã𝘰, 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘢𝘭𝘨𝘶é𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘲𝘶𝘦𝘳𝘪𝘢 𝘴𝘦𝘳 𝘷𝘪𝘴𝘵𝘰: 𝘚𝘶𝘢 𝘪𝘯𝘦𝘧á𝘷𝘦𝘭 𝘌𝘯𝘤𝘢𝘳𝘯𝘢çã𝘰 𝘦 𝘥𝘦𝘴𝘤𝘪𝘥𝘢 à 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦 [𝘴𝘺𝘯𝘬𝘢𝘵𝘢𝘣𝘢𝘴𝘪𝘴]; 𝘴𝘶𝘢 𝘕𝘢𝘵𝘪𝘷𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮; 𝘴𝘦𝘶 𝘣𝘢𝘵𝘪𝘴𝘮𝘰 𝘯𝘰 𝘑𝘰𝘳𝘥ã𝘰; 𝘴𝘶𝘢 𝘛𝘳𝘢𝘯𝘴𝘧𝘪𝘨𝘶𝘳𝘢çã𝘰 𝘯𝘰 𝘔𝘰𝘯𝘵𝘦 𝘛𝘢𝘣𝘰𝘳; 𝘢 𝘱𝘢𝘪𝘹ã𝘰 𝘦 𝘰𝘴 𝘴𝘰𝘧𝘳𝘪𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘯𝘰𝘴 𝘪𝘴𝘦𝘯𝘵𝘢𝘳𝘢𝘮 𝘥𝘰 𝘴𝘰𝘧𝘳𝘪𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 [𝘵𝘦𝘴 𝘢𝘱𝘢𝘵𝘩𝘦𝘪𝘢𝘴 𝘱𝘳𝘰𝘹𝘦𝘯𝘢]; 𝘴𝘦𝘶𝘴 𝘮𝘪𝘭𝘢𝘨𝘳𝘦𝘴 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘴𝘪𝘯𝘢𝘪𝘴 [𝘴𝘪𝘮𝘣𝘰𝘭𝘢] 𝘥𝘦 𝘴𝘶𝘢 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 𝘦 𝘢𝘵𝘪𝘷𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘪𝘷𝘪𝘯𝘢𝘴 [𝘦𝘯𝘦𝘳𝘨𝘦𝘪𝘢], 𝘳𝘦𝘢𝘭𝘪𝘻𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘱𝘰𝘳 𝘮𝘦𝘪𝘰 𝘥𝘢 𝘢𝘵𝘪𝘷𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘦 𝘴𝘶𝘢 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦 𝘰 𝘴𝘦𝘱𝘶𝘭𝘵𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 𝘥𝘰 𝘚𝘢𝘭𝘷𝘢𝘥𝘰𝘳 𝘲𝘶𝘦 𝘵𝘳𝘢𝘻 𝘢 𝘴𝘢𝘭𝘷𝘢çã𝘰; 𝘴𝘶𝘢 𝘢𝘴𝘤𝘦𝘯𝘴ã𝘰 𝘢𝘰 𝘤é𝘶 – 𝘷á 𝘦𝘮 𝘧𝘳𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘦 𝘥𝘦𝘴𝘤𝘳𝘦𝘷𝘢 [𝘨𝘳𝘢𝘱𝘩𝘦] 𝘵𝘶𝘥𝘰 𝘪𝘴𝘴𝘰, 𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘦𝘮 𝘱𝘢𝘭𝘢𝘷𝘳𝘢𝘴 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘳𝘦𝘴, 𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘦𝘮 𝘭𝘪𝘷𝘳𝘰𝘴 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘦𝘮 𝘧𝘪𝘨𝘶𝘳𝘢𝘴!” – São João Damasceno, “De Imaginibus Oratio” IIl, 8 (PG 94,1328-1329). Da mesma forma, São Teodoro, o Estudita, listou cenas dos Evangelhos, principalmente do Evangelho de João: Cristo sentado à beira do poço, andando sobre as águas e visitando Cafarnaum.⁶⁶ E João de Jerusalém enumerou outras cenas, da Anunciação ao beijo de Judas.⁶⁷ Em vista dos repetidos paralelos que eles próprios traçaram entre os ícones e o texto dos Evangelhos⁶⁸, é tentador hipotetizar que, como esses defensores do os ícones relacionavam os incidentes dos Evangelhos, eles podem ter tido diante deles, ou pelo menos em sua mente, uma série de ícones específicos em que tais cenas do Evangelho foram retratadas. Outra explicação possível seria a existência de medalhões ou outras ilustrações desses eventos, adornando diretamente os textos manuscritos dos Evangelhos, aos quais João Damasceno, João de Jerusalém e Teodoro o Estudita poderiam estar se referindo. Essa é, no entanto, uma explicação difícil de provar ou refutar. André Grabar examinou, com sua característica meticulosidade de pesquisa e brilho de apresentação, as evidências prós e contras do que ele chama de “𝘪𝘭𝘶𝘴𝘵𝘳𝘢çõ𝘦𝘴 𝘯𝘢𝘳𝘳𝘢𝘵𝘪𝘷𝘢𝘴 𝘪𝘯𝘰𝘤𝘦𝘯𝘵𝘦𝘴 𝘥𝘦 𝘪𝘯𝘵𝘦𝘳𝘷𝘦𝘯çõ𝘦𝘴 𝘥𝘦 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘢𝘴 𝘧𝘰𝘯𝘵𝘦𝘴 𝘥𝘦 𝘪𝘯𝘴𝘱𝘪𝘳𝘢çã𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘯ã𝘰 𝘰𝘴 𝘵𝘦𝘹𝘵𝘰𝘴 𝘥𝘰𝘴 𝘦𝘷𝘢𝘯𝘨𝘦𝘭𝘪𝘴𝘵𝘢𝘴”, isto é, independentes em ícones e outras representações. Embora Grabar ache a evidência para tais ilustrações narrativas inconclusivas, ele prossegue sugerindo que só porque essas ilustrações narrativas não aparecem nos manuscritos sobreviventes dos Evangelhos, isso não deveria obscurecer o fato demonstrável de que “𝘰𝘴 𝘢𝘴𝘴𝘶𝘯𝘵𝘰𝘴 𝘥𝘰𝘴 𝘌𝘷𝘢𝘯𝘨𝘦𝘭𝘩𝘰𝘴 𝘧𝘰𝘳𝘢𝘮 𝘧𝘳𝘦𝘲ü𝘦𝘯𝘵𝘦𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘳𝘦𝘱𝘳𝘦𝘴𝘦𝘯𝘵𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘦𝘮 𝘮𝘰𝘴𝘢𝘪𝘤𝘰𝘴, 𝘮𝘢𝘳𝘧𝘪𝘯𝘴, 𝘵𝘦𝘤𝘪𝘥𝘰𝘴, 𝘰𝘶𝘳𝘪𝘷𝘦𝘴𝘢𝘳𝘪𝘢, í𝘤𝘰𝘯𝘦𝘴 𝘦𝘮 𝘮𝘢𝘥𝘦𝘪𝘳𝘢 𝘦 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘰𝘴 𝘵𝘪𝘱𝘰𝘴 𝘥𝘦 𝘰𝘣𝘫𝘦𝘵𝘰𝘴 𝘯𝘰 𝘴é𝘤𝘶𝘭𝘰 𝘝 𝘦 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘪𝘤𝘶𝘭𝘢𝘳𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘯𝘰 𝘴é𝘤𝘶𝘭𝘰 𝘝𝘐”⁶⁹, especialmente na arte litúrgica e devocional de Bizâncio. Se está pressionando ou não a linguagem das passagens apenas citadas longe demais para ver nas sequências descritas ali, os catálogos gregos de ícones reais dos séculos VIII e IX disponíveis para esses escritores, o mais antigo dos quais foi um escrito cristão de língua grega na Damasco islâmica, há evidências adicionais, tanto litúrgicas quanto iconográficas, para documentar a prática de preparar tais sequências. Embora a “semi-lendária” narração sobre Santa Sofia, que parece ter sido escrita no século VIII ou IX, descreva a prática das “Doze grande Festas litúrgicas do calendário bizantino” como uma que vigorava durante a época de Justiniano⁷⁰, provavelmente não era antes do décimo século, e possivelmente até mais tarde, que a igreja bizantina oficialmente adotou tal ciclo para o ano eclesiástico. Estes foram identificados de acordo com os eventos do Evangelho comemorados nesses feriados; Em uma das primeiras representações artísticas deste ciclo, as doze festas seguintes são representadas; A Anunciação [Euangelismos] do anjo Gabriel à Virgem Maria, registrada em Lucas 1,26-38 A Visitação da Virgem Maria a Isabel, mãe de João Batista, registrada em Lucas 1,39-56 A Natividade de Cristo, registrada em Lucas 2,1-20 A Apresentação do Menino Jesus no templo, registrada em Lucas 2,21-40 O Batismo de Jesus por João Batista, registrado em Lucas 3,21-22 (bem como em todos os três outros Evangelhos) A Transfiguração [Metamorfose] de Cristo, registrada em Lucas 9,28-36 (bem como em Mateus e Marcos) A entrada triunfal em Jerusalém, registrada em Lucas 19,29-40 (bem como em Mateus e Marcos) A crucificação, registrada em Lucas 23,33 (bem como em Mateus, Marcos e João) A Ressurreição de Cristo, registrada em Lucas 24,1-12 (e nos outros Evangelhos) A Teofania de Cristo a Maria e os discípulos reunidos após a Ressurreição, registrada em Lucas 24,33 Pentecostes, a vinda do Espírito Santo, registrada por Lucas em Atos 2,1-13 Esta série aparece neste díptico de marfim que os estudiosos datam de Constantinopla por volta do ano 1000: Diante do interesse de longa data, voltando à controvérsia com Marcião nos séculos II e III, nos elementos distintivos do Terceiro Evangelho⁷¹, é difícil atribuir ao mero acaso que cada uma dessas doze festas foi baseada em um acontecimento relatado pelo evangelista Lucas em seu Evangelho ou nos Atos dos Apóstolos (embora alguns dos eventos, com certeza, tenham aparecido também em um ou mais dos outros Evangelhos). Talvez com base em sua ordem cronológica, eles foram, além disso, retratados na mesma seqüência em que apareceram no Evangelho de Lucas e no Livro de Atos. Foi o evangelista Lucas quem também foi identificado como o primeiro iconógrafo cristão, tendo executado os primeiros ícones da Virgem Maria.⁷² O texto mais antigo sobre essa lenda é de Teodoro, leitor de Hagia Sophia (século VI) falando sobre o ícone no século V: “𝘌𝘶𝘥ó𝘤𝘪𝘢 (Esposa do Imperador Teodósio) 𝘦𝘯𝘷𝘪𝘰𝘶 𝘥𝘦 𝘑𝘦𝘳𝘶𝘴𝘢𝘭é𝘮 á 𝘗𝘶𝘭𝘲𝘶é𝘳𝘪𝘢 (Santa e Imperatriz bizantina entre 450-453) 𝘶𝘮𝘢 𝘐𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘥𝘢 𝘔ã𝘦 𝘥𝘦 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘰 𝘈𝘱ó𝘴𝘵𝘰𝘭𝘰 𝘓𝘶𝘤𝘢𝘴 𝘩𝘢𝘷𝘪𝘢 𝘱𝘪𝘯𝘵𝘢𝘥𝘰.” – Teodoro, o leitor, “Collectaneorum ex Historia Ecclesiastica”, lib. 1,1 (PG 86,167). Essas história pode ser entendida através de duas camadas; uma literal, e uma espiritual. A primeira é um tanto imprecisa pois a pintura original está perdida e hoje restam dela apenas reproduções; “𝘌𝘴𝘵𝘦 í𝘤𝘰𝘯𝘦 𝘱𝘢𝘴𝘴𝘰𝘶 𝘢 𝘴𝘦𝘳 𝘢𝘤𝘦𝘪𝘵𝘰 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘶𝘮 𝘳𝘦𝘵𝘳𝘢𝘵𝘰 𝘥𝘢 𝘷𝘪𝘥𝘢 𝘧𝘦𝘪𝘵𝘰 𝘱𝘰𝘳 𝘚ã𝘰 𝘓𝘶𝘤𝘢𝘴, 𝘦 𝘢 𝘥𝘦𝘴𝘪𝘨𝘯𝘢çã𝘰 𝘏𝘰𝘥𝘦𝘨𝘦𝘵𝘳𝘪𝘢 (“𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘢𝘱𝘰𝘯𝘵𝘢 𝘰 𝘤𝘢𝘮𝘪𝘯𝘩𝘰) 𝘱𝘢𝘳𝘢 í𝘤𝘰𝘯𝘦𝘴 𝘥𝘦𝘴𝘴𝘦 𝘵𝘪𝘱𝘰 𝘱𝘰𝘥𝘦 𝘵𝘦𝘳 𝘥𝘦𝘳𝘪𝘷𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘰 𝘯𝘰𝘮𝘦 𝘥𝘰 𝘦𝘥𝘪𝘧í𝘤𝘪𝘰 𝘦𝘮 𝘯𝘰 𝘲𝘶𝘢𝘭 𝘦𝘴𝘵𝘢𝘷𝘢 𝘢𝘭𝘰𝘫𝘢𝘥𝘰, 𝘰 𝘮𝘰𝘴𝘵𝘦𝘪𝘳𝘰 𝘥𝘦 𝘏𝘰𝘥𝘦𝘨𝘰𝘯. 𝘋𝘪𝘻-𝘴𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘰 í𝘤𝘰𝘯𝘦 𝘰𝘳𝘪𝘨𝘪𝘯𝘢𝘭 𝘧𝘰𝘪 𝘥𝘦𝘴𝘵𝘳𝘶í𝘥𝘰 𝘱𝘦𝘭𝘰𝘴 𝘵𝘶𝘳𝘤𝘰𝘴 𝘥𝘶𝘳𝘢𝘯𝘵𝘦 𝘢 𝘤𝘰𝘯𝘲𝘶𝘪𝘴𝘵𝘢 𝘥𝘦 𝘊𝘰𝘯𝘴𝘵𝘢𝘯𝘵𝘪𝘯𝘰𝘱𝘭𝘢 𝘦𝘮 1453; 𝘯𝘰 𝘦𝘯𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰, 𝘶𝘮𝘢 𝘵𝘳𝘢𝘥𝘪çã𝘰 𝘢𝘭𝘵𝘦𝘳𝘯𝘢𝘵𝘪𝘷𝘢 𝘢𝘧𝘪𝘳𝘮𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘴𝘵𝘢 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘦 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘢𝘴 𝘱𝘪𝘯𝘵𝘢𝘥𝘢𝘴 𝘱𝘰𝘳 𝘚ã𝘰 𝘓𝘶𝘤𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘯𝘢𝘭𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘦𝘯𝘤𝘰𝘯𝘵𝘳𝘢𝘳𝘢𝘮 𝘴𝘦𝘶 𝘤𝘢𝘮𝘪𝘯𝘩𝘰 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘰 𝘖𝘤𝘪𝘥𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘥𝘶𝘳𝘢𝘯𝘵𝘦 𝘢𝘴 𝘊𝘳𝘶𝘻𝘢𝘥𝘢𝘴. 𝘐𝘯𝘴𝘵𝘢𝘭𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘦𝘮 𝘪𝘨𝘳𝘦𝘫𝘢𝘴, 𝘦𝘴𝘴𝘦𝘴 í𝘤𝘰𝘯𝘦𝘴 𝘵𝘰𝘳𝘯𝘢𝘳𝘢𝘮-𝘴𝘦 𝘰𝘣𝘫𝘦𝘵𝘰𝘴 𝘥𝘦 𝘷𝘦𝘯𝘦𝘳𝘢çã𝘰, 𝘦𝘴𝘵í𝘮𝘶𝘭𝘰𝘴 𝘢𝘰 𝘤𝘳𝘦𝘴𝘤𝘪𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 𝘥𝘰 𝘤𝘶𝘭𝘵𝘰 𝘮𝘢𝘳𝘪𝘢𝘯𝘰. 𝘌𝘹𝘦𝘮𝘱𝘭𝘰𝘴 𝘧𝘰𝘳𝘢𝘮 𝘦𝘯𝘤𝘰𝘯𝘵𝘳𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘦𝘮 𝘈𝘢𝘤𝘩𝘦𝘯, 𝘝𝘦𝘯𝘦𝘻𝘢, 𝘉𝘰𝘭𝘰𝘯𝘩𝘢 𝘦 𝘙𝘰𝘮𝘢. 𝘖𝘶𝘵𝘳𝘢 𝘵𝘳𝘢𝘥𝘪çã𝘰 𝘳𝘦𝘭𝘢𝘵𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘚ã𝘰 𝘓𝘶𝘤𝘢𝘴 𝘱𝘳𝘰𝘥𝘶𝘻𝘪𝘶 𝘱𝘪𝘯𝘵𝘶𝘳𝘢𝘴 𝘥𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘦𝘴𝘵𝘢𝘷𝘢 𝘦𝘮 𝘙𝘰𝘮𝘢: 𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘮 𝘰 𝘔𝘦𝘯𝘪𝘯𝘰 𝘦𝘮 𝘔𝘢𝘳𝘪𝘢 𝘯𝘢 𝘝𝘪𝘢 𝘓𝘢𝘵𝘢, 𝘙𝘰𝘮𝘢, 𝘧𝘰𝘪 𝘴𝘶𝘱𝘰𝘴𝘵𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘦𝘴𝘤𝘢𝘷𝘢𝘥𝘢 𝘯𝘰 𝘭𝘰𝘤𝘢𝘭 𝘰𝘯𝘥𝘦 𝘚ã𝘰 𝘓𝘶𝘤𝘢𝘴 𝘱𝘳𝘦𝘨𝘰𝘶 𝘦 𝘤𝘰𝘮𝘱ô𝘴 𝘰𝘴 𝘈𝘵𝘰𝘴 𝘥𝘰𝘴 𝘈𝘱ó𝘴𝘵𝘰𝘭𝘰𝘴. 𝘌𝘴𝘴𝘦𝘴 í𝘤𝘰𝘯𝘦𝘴 𝘦𝘳𝘢𝘮 𝘷𝘢𝘭𝘰𝘳𝘪𝘻𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘱𝘰𝘳 𝘴𝘶𝘢 𝘪𝘮𝘱𝘰𝘳𝘵â𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘩𝘪𝘴𝘵ó𝘳𝘪𝘤𝘢 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘱𝘰𝘳 𝘴𝘶𝘢 𝘤𝘢𝘱𝘢𝘤𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘦 𝘧𝘢𝘻𝘦𝘳 𝘮𝘪𝘭𝘢𝘨𝘳𝘦𝘴. 𝘌𝘭𝘦𝘴 𝘦𝘳𝘢𝘮 𝘤𝘰𝘯𝘴𝘪𝘥𝘦𝘳𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘪𝘯𝘥𝘦𝘴𝘵𝘳𝘶𝘵í𝘷𝘦𝘪𝘴 𝘦 𝘦𝘧𝘪𝘤𝘢𝘻𝘦𝘴 𝘦𝘮 𝘵𝘦𝘮𝘱𝘰𝘴 𝘥𝘪𝘧í𝘤𝘦𝘪𝘴. 𝘏𝘪𝘴𝘵ó𝘳𝘪𝘢𝘴 𝘦𝘹𝘵𝘦𝘯𝘴𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘯𝘧𝘪𝘳𝘮𝘢𝘳𝘢𝘮 𝘴𝘶𝘢 𝘱𝘳𝘰𝘤𝘦𝘥ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘦 𝘱𝘰𝘥𝘦𝘳𝘦𝘴 𝘦𝘴𝘱𝘦𝘤𝘪𝘢𝘪𝘴. 𝘈𝘤𝘳𝘦𝘥𝘪𝘵𝘢-𝘴𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘢 𝘝𝘦𝘳𝘨𝘪𝘯𝘦 𝘥𝘦𝘭 𝘗𝘰𝘱𝘰𝘭𝘰 𝘵𝘦𝘯𝘩𝘢 𝘷𝘪𝘯𝘥𝘰 𝘥𝘦 𝘊𝘰𝘯𝘴𝘵𝘢𝘯𝘵𝘪𝘯𝘰𝘱𝘭𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘰 𝘚𝘢𝘯𝘤𝘵𝘢 𝘚𝘢𝘯𝘤𝘵𝘰𝘳𝘶𝘮 𝘦𝘮 𝘓𝘢𝘵𝘳ã𝘰, 𝘥𝘦 𝘰𝘯𝘥𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘵𝘳𝘢𝘯𝘴𝘧𝘦𝘳𝘪𝘥𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘚. 𝘔𝘢𝘳𝘪𝘢 𝘥𝘦𝘭 𝘗𝘰𝘱𝘰𝘭𝘰, 𝘙𝘰𝘮𝘢, 𝘱𝘰𝘳 𝘰𝘳𝘥𝘦𝘮 𝘥𝘦 𝘎𝘳𝘦𝘨ó𝘳𝘪𝘰 𝘐𝘟 (1227-41). 𝘋𝘶𝘳𝘢𝘯𝘵𝘦 𝘢 𝘙𝘦𝘯𝘢𝘴𝘤𝘦𝘯ç𝘢, 𝘵𝘰𝘳𝘯𝘰𝘶-𝘴𝘦 𝘰 𝘧𝘰𝘤𝘰 𝘥𝘦 𝘦𝘯𝘤𝘰𝘮𝘦𝘯𝘥𝘢𝘴 𝘢𝘳𝘵í𝘴𝘵𝘪𝘤𝘢𝘴 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘢 𝘪𝘨𝘳𝘦𝘫𝘢 𝘧𝘰𝘪 𝘳𝘦𝘤𝘰𝘯𝘴𝘵𝘳𝘶í𝘥𝘢 𝘦 𝘥𝘦𝘤𝘰𝘳𝘢𝘥𝘢 𝘱𝘰𝘳 𝘚𝘪𝘴𝘵𝘰 𝘐𝘝 𝘦 𝘯𝘰𝘷𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘱𝘰𝘳 𝘑ú𝘭𝘪𝘰 𝘐𝘐. 𝘔𝘶𝘪𝘵𝘰𝘴 𝘥𝘦𝘴𝘴𝘦𝘴 í𝘤𝘰𝘯𝘦𝘴 𝘢𝘵𝘳𝘪𝘣𝘶í𝘥𝘰𝘴 𝘢 𝘚ã𝘰 𝘓𝘶𝘤𝘢𝘴 𝘧𝘰𝘳𝘢𝘮 𝘤𝘰𝘱𝘪𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘱𝘰𝘳 𝘢𝘳𝘵𝘪𝘴𝘵𝘢𝘴 𝘥𝘰 𝘴é𝘤𝘶𝘭𝘰 15 𝘰𝘶 𝘱𝘪𝘯𝘵𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘦𝘮 𝘶𝘮 𝘦𝘴𝘧𝘰𝘳ç𝘰 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘳𝘦𝘴𝘵𝘢𝘶𝘳𝘢𝘳 𝘴𝘦𝘶 𝘣𝘳𝘪𝘭𝘩𝘰 𝘰𝘳𝘪𝘨𝘪𝘯𝘢𝘭. 𝘔𝘦𝘭𝘰𝘻𝘻𝘰 𝘥𝘢 𝘍𝘰𝘳𝘭𝘪 𝘳𝘦𝘱𝘳𝘰𝘥𝘶𝘻𝘪𝘶 𝘢 𝘝𝘦𝘳𝘨𝘪𝘯𝘦 𝘥𝘦𝘭 𝘗𝘰𝘱𝘰𝘭𝘰 (1461) 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘴𝘦𝘶 𝘱𝘢𝘵𝘳𝘰𝘯𝘰 𝘈𝘭𝘦𝘴𝘴𝘢𝘯𝘥𝘳𝘰 𝘚𝘧𝘰𝘳𝘻𝘢, 𝘦 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘰𝘴 𝘱𝘪𝘯𝘵𝘰𝘳𝘦𝘴 𝘥𝘢𝘴 𝘦𝘴𝘤𝘰𝘭𝘢𝘴 𝘳𝘰𝘮𝘢𝘯𝘢 𝘦 𝘥𝘢 Ú𝘮𝘣𝘳𝘪𝘢 𝘮𝘰𝘥𝘦𝘭𝘢𝘳𝘢𝘮 𝘴𝘶𝘢𝘴 𝘰𝘣𝘳𝘢𝘴 𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘪𝘳 𝘥𝘦𝘴𝘴𝘢 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘴𝘢𝘨𝘳𝘢𝘥𝘢. 𝘜𝘮 𝘣𝘦𝘭𝘰 𝘦𝘹𝘦𝘮𝘱𝘭𝘰 𝘢𝘵𝘳𝘪𝘣𝘶í𝘥𝘰 𝘢𝘰 𝘤í𝘳𝘤𝘶𝘭𝘰 𝘥𝘦 𝘈𝘯𝘵𝘰𝘯𝘪𝘢𝘻𝘻𝘰 𝘙𝘰𝘮𝘢𝘯𝘰 é 𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘮 𝘰 𝘔𝘦𝘯𝘪𝘯𝘰. 𝘈 𝘏𝘰𝘥𝘦𝘨𝘦𝘵𝘳𝘪𝘢 𝘱𝘢𝘴𝘴𝘰𝘶 𝘢 𝘴𝘦𝘳 𝘢𝘤𝘦𝘪𝘵𝘢 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘶𝘮𝘢 𝘥𝘢𝘴 𝘱𝘳𝘪𝘮𝘦𝘪𝘳𝘢𝘴 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘯𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘳𝘦𝘱𝘳𝘦𝘴𝘦𝘯𝘵𝘢𝘮 𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮 𝘦 𝘰 𝘔𝘦𝘯𝘪𝘯𝘰: 𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮, 𝘯𝘢 𝘢𝘭𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘥𝘰 𝘣𝘶𝘴𝘵𝘰 𝘦 𝘷𝘰𝘭𝘵𝘢𝘥𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘢 𝘧𝘳𝘦𝘯𝘵𝘦, 𝘴𝘦𝘨𝘶𝘳𝘢 𝘢 𝘤𝘳𝘪𝘢𝘯ç𝘢 𝘴𝘦𝘯𝘵𝘢𝘥𝘢 𝘥𝘦 𝘭𝘢𝘥𝘰, 𝘨𝘦𝘳𝘢𝘭𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘦𝘮𝘣𝘢𝘭𝘢𝘥𝘢 𝘤𝘰𝘯𝘵𝘳𝘢 𝘴𝘦𝘶 𝘣𝘳𝘢ç𝘰 𝘦𝘴𝘲𝘶𝘦𝘳𝘥𝘰. 𝘚𝘶𝘢 𝘮ã𝘰 𝘥𝘪𝘳𝘦𝘪𝘵𝘢 𝘥𝘪𝘳𝘦𝘤𝘪𝘰𝘯𝘢 𝘰𝘴 𝘧𝘪é𝘪𝘴 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘦𝘭𝘦, 𝘮𝘰𝘴𝘵𝘳𝘢𝘯𝘥𝘰-𝘭𝘩𝘦 𝘰 𝘤𝘢𝘮𝘪𝘯𝘩𝘰. 𝘈 𝘧𝘪𝘨𝘶𝘳𝘢 𝘵𝘰𝘵𝘢𝘭𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘷𝘦𝘴𝘵𝘪𝘥𝘢 𝘥𝘰 𝘮𝘦𝘯𝘪𝘯𝘰 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰 𝘱𝘰𝘥𝘦 𝘢𝘣𝘦𝘯ç𝘰𝘢𝘳 𝘰𝘴 𝘦𝘴𝘱𝘦𝘤𝘵𝘢𝘥𝘰𝘳𝘦𝘴 𝘤𝘰𝘮 𝘢 𝘮ã𝘰 𝘥𝘪𝘳𝘦𝘪𝘵𝘢 𝘦 𝘴𝘦𝘨𝘶𝘳𝘢𝘳 𝘶𝘮 𝘱𝘦𝘳𝘨𝘢𝘮𝘪𝘯𝘩𝘰 𝘤𝘰𝘮 𝘢 𝘦𝘴𝘲𝘶𝘦𝘳𝘥𝘢. 𝘖 í𝘤𝘰𝘯𝘦 𝘵𝘦𝘮 𝘶𝘮 𝘧𝘶𝘯𝘥𝘰 𝘥𝘰𝘶𝘳𝘢𝘥𝘰, 𝘮𝘶𝘪𝘵𝘢𝘴 𝘷𝘦𝘻𝘦𝘴 𝘤𝘰𝘮 𝘪𝘯𝘴𝘤𝘳𝘪çõ𝘦𝘴 𝘨𝘳𝘦𝘨𝘢𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘪𝘥𝘦𝘯𝘵𝘪𝘧𝘪𝘤𝘢𝘮 𝘢 𝘮ã𝘦 𝘦 𝘰 𝘧𝘪𝘭𝘩𝘰. 𝘈 𝘏𝘰𝘥𝘦𝘨𝘦𝘵𝘳𝘪𝘢 𝘧𝘰𝘪 𝘢𝘥𝘰𝘵𝘢𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘶𝘮𝘢 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘰𝘧𝘪𝘤𝘪𝘢𝘭 𝘥𝘦 𝘙𝘰𝘮𝘢 𝘯𝘰 𝘧𝘪𝘯𝘢𝘭 𝘥𝘢 𝘈𝘯𝘵𝘪𝘨𝘶𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦. 𝘈𝘤𝘳𝘦𝘥𝘪𝘵𝘢-𝘴𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘚ã𝘰 𝘓𝘶𝘤𝘢𝘴 𝘱𝘪𝘯𝘵𝘰𝘶 𝘰 í𝘤𝘰𝘯𝘦 𝘥𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘮 𝘰 𝘔𝘦𝘯𝘪𝘯𝘰 𝘦𝘮 𝘚. 𝘔𝘢𝘳𝘪𝘢 𝘔𝘢𝘨𝘨𝘪𝘰𝘳𝘦, 𝘳𝘢𝘻ã𝘰 𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘲𝘶𝘢𝘭 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵𝘦 𝘶𝘮 𝘰𝘳𝘢𝘵ó𝘳𝘪𝘰 𝘯𝘢 𝘪𝘨𝘳𝘦𝘫𝘢 𝘥𝘦𝘥𝘪𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘢𝘰 𝘴𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘊𝘰𝘮𝘱𝘢𝘯𝘩𝘪𝘢 𝘥𝘰𝘴 𝘗𝘪𝘯𝘵𝘰𝘳𝘦𝘴. 𝘗𝘰𝘳 𝘷𝘰𝘭𝘵𝘢 𝘥𝘦 1211, 𝘢 𝘱𝘪𝘯𝘵𝘶𝘳𝘢, 𝘲𝘶𝘦 𝘢𝘨𝘰𝘳𝘢 𝘴𝘦 𝘢𝘤𝘳𝘦𝘥𝘪𝘵𝘢 𝘥𝘢𝘵𝘢𝘳 𝘥𝘰 𝘧𝘪𝘯𝘢𝘭 𝘥𝘰 𝘴é𝘤𝘶𝘭𝘰 12 𝘰𝘶 𝘪𝘯í𝘤𝘪𝘰 𝘥𝘰 13, 𝘦𝘴𝘵𝘢𝘷𝘢 𝘢𝘭𝘰𝘫𝘢𝘥𝘢 𝘦𝘮 𝘶𝘮 𝘵𝘢𝘣𝘦𝘳𝘯á𝘤𝘶𝘭𝘰 𝘥𝘰𝘢𝘥𝘰 𝘱𝘦𝘭𝘰 𝘚𝘦𝘯𝘢𝘥𝘰 𝘦 𝘱𝘦𝘭𝘰 𝘱𝘰𝘷𝘰 𝘥𝘦 𝘙𝘰𝘮𝘢 𝘦 𝘳𝘦𝘤𝘦𝘣𝘦𝘶 𝘰 𝘵í𝘵𝘶𝘭𝘰 𝘱𝘰𝘱𝘶𝘭𝘢𝘳 𝘥𝘦 𝘚𝘢𝘭𝘶𝘴 𝘱𝘰𝘱𝘶𝘭𝘪 𝘙𝘰𝘮𝘢𝘯𝘪 (𝘖 𝘴𝘢𝘭𝘷𝘢𝘥𝘰𝘳 / 𝘱𝘳𝘰𝘴𝘱𝘦𝘳𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘰 𝘱𝘰𝘷𝘰 𝘳𝘰𝘮𝘢𝘯𝘰’). 𝘗𝘢𝘳𝘦𝘤𝘦 𝘵𝘦𝘳 𝘱𝘦𝘳𝘮𝘢𝘯𝘦𝘤𝘪𝘥𝘰 𝘴𝘰𝘣 𝘶𝘮 𝘤𝘪𝘣ó𝘳𝘪𝘰 à 𝘥𝘪𝘳𝘦𝘪𝘵𝘢 𝘥𝘢 𝘢𝘣𝘴𝘪𝘥𝘦, 𝘢𝘵é 𝘲𝘶𝘦 𝘧𝘰𝘪 𝘧𝘪𝘯𝘢𝘭𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘵𝘳𝘢𝘯𝘴𝘧𝘦𝘳𝘪𝘥𝘰 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘢 𝘊𝘢𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘗𝘢𝘶𝘭𝘪𝘯𝘢 𝘦𝘮 𝘶𝘮𝘢 𝘱𝘳𝘰𝘤𝘪𝘴𝘴ã𝘰 𝘴𝘢𝘨𝘳𝘢𝘥𝘢 𝘦𝘮 1613. 𝘎𝘪𝘰𝘷𝘢𝘯𝘯𝘪 𝘙𝘶𝘤𝘦𝘭𝘭𝘢𝘪 𝘮𝘦𝘯𝘤𝘪𝘰𝘯𝘰𝘶 𝘢 𝘱𝘪𝘯𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘱𝘰𝘳 𝘰𝘤𝘢𝘴𝘪ã𝘰 𝘥𝘦 𝘴𝘶𝘢 𝘱𝘦𝘳𝘦𝘨𝘳𝘪𝘯𝘢çã𝘰 𝘢 𝘙𝘰𝘮𝘢 𝘯𝘰 𝘈𝘯𝘰 𝘚𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘥𝘦 1450 𝘊ó𝘱𝘪𝘢𝘴 𝘧𝘦𝘪𝘵𝘢𝘴 𝘱𝘰𝘳 𝘈𝘯𝘵𝘰𝘯𝘪𝘢𝘻𝘻𝘰 𝘙𝘰𝘮𝘢𝘯𝘰 𝘦 𝘔𝘦𝘭𝘰𝘻𝘻𝘰 𝘥𝘢 𝘍𝘰𝘳𝘭𝘪 𝘢𝘫𝘶𝘥𝘢𝘳𝘢𝘮 𝘢 𝘨𝘢𝘳𝘢𝘯𝘵𝘪𝘳 𝘴𝘶𝘢 𝘧𝘢𝘮𝘢 𝘥𝘶𝘳𝘢𝘥𝘰𝘶𝘳𝘢. 𝘚ã𝘰 𝘯𝘶𝘮𝘦𝘳𝘰𝘴𝘰𝘴 𝘰𝘴 í𝘤𝘰𝘯𝘦𝘴 𝘢𝘵𝘳𝘪𝘣𝘶í𝘥𝘰𝘴 𝘢 𝘚ã𝘰 𝘓𝘶𝘤𝘢𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘤𝘰𝘯𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢𝘮 𝘤𝘰𝘮 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘰𝘴 𝘱𝘳𝘰𝘵ó𝘵𝘪𝘱𝘰𝘴 𝘣𝘪𝘻𝘢𝘯𝘵𝘪𝘯𝘰𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘯ã𝘰 𝘢 𝘏𝘰𝘥𝘦𝘨𝘦𝘵𝘳𝘪𝘢: 𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮 𝘎𝘭𝘺𝘬𝘰𝘱𝘩𝘪𝘭𝘰𝘶𝘴𝘴𝘢, 𝘰𝘯𝘥𝘦 𝘰 𝘔𝘦𝘯𝘪𝘯𝘰 𝘱𝘳𝘦𝘴𝘴𝘪𝘰𝘯𝘢 𝘰 𝘳𝘰𝘴𝘵𝘰 𝘤𝘰𝘯𝘵𝘳𝘢 𝘰 𝘥𝘦 𝘴𝘶𝘢 𝘮ã𝘦; 𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮 𝘎𝘢𝘭𝘢𝘤𝘵𝘰𝘵𝘳ó𝘧𝘰𝘯𝘢, 𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘢 𝘮ã𝘦 𝘢𝘮𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘢 𝘰 𝘔𝘦𝘯𝘪𝘯𝘰; 𝘦 𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮 𝘒𝘺𝘳𝘪𝘰𝘵𝘪𝘴𝘴𝘢, 𝘰𝘯𝘥𝘦 𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮 𝘥𝘦 𝘱é 𝘴𝘦𝘨𝘶𝘳𝘢 𝘰 𝘔𝘦𝘯𝘪𝘯𝘰 𝘤𝘰𝘯𝘵𝘳𝘢 𝘰 𝘱𝘦𝘪𝘵𝘰. 𝘛𝘰𝘥𝘰𝘴 𝘧𝘰𝘳𝘢𝘮 𝘪𝘥𝘦𝘯𝘵𝘪𝘧𝘪𝘤𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘳𝘦𝘵𝘳𝘢𝘵𝘰𝘴 𝘥𝘢 𝘮ã𝘰 𝘥𝘦 𝘚ã𝘰 𝘓𝘶𝘤𝘢𝘴. 𝘈 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮 𝘏𝘢𝘨𝘩𝘪𝘰𝘴𝘰𝘳𝘪𝘵𝘪𝘴𝘴𝘢, 𝘤𝘰𝘯𝘩𝘦𝘤𝘪𝘥𝘢 𝘦𝘮 𝘪𝘵𝘢𝘭𝘪𝘢𝘯𝘰 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘈𝘷𝘷𝘰𝘤𝘢𝘵𝘢, 𝘶𝘮𝘢 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘱𝘰𝘱𝘶𝘭𝘢𝘳 𝘥𝘶𝘳𝘢𝘯𝘵𝘦 𝘢 𝘐𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘔é𝘥𝘪𝘢 𝘦 𝘰 𝘙𝘦𝘯𝘢𝘴𝘤𝘪𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰, 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 𝘧𝘰𝘪 𝘤𝘰𝘯𝘴𝘪𝘥𝘦𝘳𝘢𝘥𝘢 𝘢 𝘪𝘯𝘷𝘦𝘯çã𝘰 𝘥𝘦 𝘚ã𝘰 𝘓𝘶𝘤𝘢𝘴; 𝘮𝘰𝘴𝘵𝘳𝘢 𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮 𝘴𝘰𝘭𝘪𝘵á𝘳𝘪𝘢 𝘷𝘪𝘳𝘢𝘥𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘰 𝘭𝘢𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘮 𝘰𝘴 𝘣𝘳𝘢ç𝘰𝘴 𝘦𝘳𝘨𝘶𝘪𝘥𝘰𝘴. 𝘖 𝘵𝘪𝘱𝘰 𝘪𝘤𝘰𝘯𝘰𝘨𝘳á𝘧𝘪𝘤𝘰 𝘭𝘦𝘮𝘣𝘳𝘢 𝘰 𝘵𝘦𝘮𝘢 𝘥𝘢 𝘋𝘦𝘦𝘴𝘪𝘴 (𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰 𝘭𝘢𝘥𝘦𝘢𝘥𝘰 𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮 𝘦 𝘱𝘰𝘳 𝘑𝘰ã𝘰 𝘉𝘢𝘵𝘪𝘴𝘵𝘢) 𝘦 𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘪𝘯𝘵𝘦𝘳𝘤𝘦𝘴𝘴𝘰𝘳𝘢. 𝘜𝘮𝘢 𝘥𝘪𝘮𝘪𝘯𝘶𝘵𝘢 𝘧𝘪𝘨𝘶𝘳𝘢 𝘥𝘦 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰 𝘱𝘰𝘥𝘦 𝘢𝘱𝘢𝘳𝘦𝘤𝘦𝘳 𝘯𝘰 𝘤𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘴𝘶𝘱𝘦𝘳𝘪𝘰𝘳 𝘥𝘦𝘴𝘴𝘢𝘴 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘯𝘴 𝘥𝘢 𝘈𝘷𝘷𝘰𝘤𝘢𝘵𝘢. 𝘈 𝘵𝘳𝘢𝘥𝘪çã𝘰 𝘢𝘴𝘴𝘰𝘤𝘪𝘢 𝘚ã𝘰 𝘓𝘶𝘤𝘢𝘴 à 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮 𝘈𝘳𝘷𝘰𝘤𝘢𝘵𝘢 𝘥𝘦 𝘚. 𝘔𝘢𝘳𝘪𝘢 𝘦𝘮 𝘈𝘳𝘢𝘤𝘰𝘦𝘭𝘪, 𝘙𝘰𝘮𝘢, 𝘶𝘮𝘢 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘮𝘪𝘭𝘢𝘨𝘳𝘰𝘴𝘢 𝘥𝘦 𝘨𝘳𝘢𝘯𝘥𝘦 𝘳𝘦𝘯𝘰𝘮𝘦. 𝘖 í𝘤𝘰𝘯𝘦 𝘳𝘦𝘱𝘳𝘦𝘴𝘦𝘯𝘵𝘢 𝘢 𝘧𝘪𝘨𝘶𝘳𝘢 𝘥𝘢 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘦𝘮 𝘯𝘢 𝘮𝘦𝘵𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘳𝘱𝘰, 𝘷𝘪𝘳𝘢𝘯𝘥𝘰-𝘴𝘦 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘢 𝘥𝘪𝘳𝘦𝘪𝘵𝘢 𝘦𝘯𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘴𝘦𝘶𝘴 𝘰𝘭𝘩𝘰𝘴 𝘴𝘦 𝘥𝘪𝘳𝘪𝘨𝘦𝘮 𝘢𝘰 𝘰𝘣𝘴𝘦𝘳𝘷𝘢𝘥𝘰𝘳. 𝘈 𝘩𝘪𝘴𝘵ó𝘳𝘪𝘢 𝘥𝘦𝘴𝘵𝘢 𝘱𝘪𝘯𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘳𝘦𝘮𝘰𝘯𝘵𝘢 𝘢𝘰 𝘴é𝘤𝘶𝘭𝘰 𝘝𝘐 𝘱𝘰𝘳 𝘤𝘳𝘰𝘯𝘪𝘴𝘵𝘢𝘴 𝘮𝘦𝘥𝘪𝘦𝘷𝘢𝘪𝘴 𝘦 𝘳𝘦𝘯𝘢𝘴𝘤𝘦𝘯𝘵𝘪𝘴𝘵𝘢𝘴, 𝘲𝘶𝘦 𝘰𝘤𝘢𝘴𝘪𝘰𝘯𝘢𝘭𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘢 𝘤𝘰𝘯𝘧𝘶𝘯𝘥𝘪𝘳𝘢𝘮 𝘤𝘰𝘮 𝘰 í𝘤𝘰𝘯𝘦 𝘥𝘦 𝘚 𝘔𝘢𝘳𝘪𝘢 𝘔𝘢𝘨𝘨𝘪𝘰𝘳𝘦.” – Eunice Howe, em “The dictionary of art”, Jane Turner, 1956-; Grove’s Dictionaries, 1996, New York: Grove’s Dictionaries, páginas 787-788. Aquele Ícone Original que era tão venerado (pelo menos, podemos dizer) desde o século V está perdido, e portanto não pode-se determinar se era ou não do século I. Não há nenhum icone conhecido ou autenticado que possa ser rastreado diretamente até a mão de São Lucas, mas eu, pelo menos, não tenho nenhum problema em considerar essa tradição uma possibilidade, vai de cada um crer nela como acontecimento histórico literal ou não. A segunda no entanto, fornece uma base concreta o suficiente para legitimar o título de padroeiro dos Iconógrafos dado à São Lucas. Na iconografia, o verbo “escrever” é usado ao invés de “pintar”, já que um ícone é considerado teologia visual. Nos primeiros versículos de seu Evangelho, Lucas estabelece que suas fontes foram algumas das mesmas pessoas que foram “testemunhas oculares e ministros da palavra”. Nossa Senhora falou sete vezes nas escrituras; Lc 1,34, Lc 1,38, Lc 1,46-55, Lc 2,28; Jo 2,3-5. Ou seja, destas sete vezes, cinco delas estão presentes no Evangelho de Lucas. Os momentos mais importantes da vida de Nossa Senhora são contados no Evangelho de São Lucas com uma perspectiva que só poderia ter sido dada pela própria Maria. Se não fosse o Evangelho de Lucas, a forma como a Encarnação aconteceu seria quase totalmente desconhecida, a propria Anunciação nunca teria sido estudada. O Magnificat cantado por Maria na visita à Santa Isabel também só é transmitido pelo Evangelho de Lucas. E Lucas também escreveu os Atos dos Apóstolos, onde ele menciona especificamente que Nossa Senhora estava presente com os apóstolos no dia em que o Espírito Santo desceu sobre eles no Pentecostes. É um ensino dogmático de nossa fé que Deus, como autor das escrituras, inspirou os autores sagrados da Bíblia a escrever tudo o que era necessário para nossa salvação e nada mais do que o que Ele queria que escrevessem. Portanto, é a vontade de Deus que tenhamos este conhecimento íntimo da vida de Nossa Senhora. Deus, como um bom Pai, deseja que conheçamos aquela que é nossa mãe. Tradicionalmente, São Lucas é conhecido como artista que pintou um retrato de Nossa Senhora enquanto ela ainda estava viva. Independentemente de saber se esta pintura se conservou até hoje, temos a obra-prima deste artista, seu Evangelho, que retrata a pessoa da Bem-aventurada Virgem Maria de forma viva. Meditando no seu Evangelho, podemos aprender não só daquelas poucas palavras preciosas de Nossa Senhora, mas também das suas obras. Lucas realiza, por meio de seu relato das Boas Novas, o que o iconógrafo busca fazer visualmente por meio da disciplina e habilidade de escrever um ícone. Lucas leva o leitor de seus escritos a um encontro direto com o Cristo vivo. Ícones não devem ser considerados “pinturas” em nossa compreensão ocidental moderna do termo. Os ícones não são uma representação separada e distinta da imagem original. Em vez disso, os ícones são um compartilhamento da (s) própria (s) pessoa (s) representada (s). Quando olho para um ícone, não estou apenas olhando para uma pintura de um santo, Maria ou o próprio Cristo; quando eu olho para um ícone Eu estou olhando para o Santo, Maria ou nosso Senhor. Melhor ainda, quando estou diante de um ícone, é o Santo, Maria ou nosso Senhor que está olhando para mim. Por isso, a perspectiva do horizonte é invertida na iconografia. (É por isso que os ícones podem, na superfície, parecer simplistas aos nossos olhos que foram treinados na noção ocidental clássica de perspectiva e horizonte nas pinturas. Mas os ícones são tudo menos simplistas e ingênuos). Na iconografia, a perspectiva do horizonte não é encontrada começando com o observador olhando para o ícone (como na arte ocidental clássica); em vez disso, começa a partir do ícone se movendo em direção ao visualizador. O ícone olha para nós. Aqui, há uma lição profunda para os discípulos sobre como devemos abordar os Evangelhos. A iconografia pode ajudar a treinar nossa visão espiritual na compreensão de que é de grande e importante benefício permitir que os Evangelhos nos contemplem e nos coloquem em sua perspectiva de horizonte, e não o contrário. Vez após vez, ao longo da história, vimos a tentação de ler os Evangelhos de nossa perspectiva e de nosso pequeno ponto de vista, em vez de deixar que os Evangelhos nos envolvam em sua profundidade e horizonte. É uma pena, e sempre acaba mal porque somos sempre “pobres” em comparação com a perspectiva do próprio Deus. Nos Evangelhos, encontramos o próprio rosto de Cristo olhando para nós: Cristo rabino e mestre, Cristo profeta, Cristo filho de Maria, Cristo que cura e faz milagres, Cristo compassivo e bom pastor, Cristo que julgará, o Cristo transfigurado, Cristo que dá a Eucaristia, Cristo o filho amado do Pai, Cristo que sofre e foi traído, Cristo que morreu na cruz e foi sepultado, e o Cristo ressuscitado na glória. A perspectiva de horizonte encontrada nos Evangelhos é a mesma expressa na iconografia. Na nossa leitura da Sagrada Escritura, a perspectiva começa com a Palavra e se dirige para nós. A Escritura olha para nós e nos envolve em seu horizonte e em suas possibilidades, se permitirmos e não tentarmos limitá-la à nossa perspectiva estreita. São Lucas é chamado de padroeiro dos pintores devido à tradição de sua escrita um ícone da Mãe Santíssima. Em seu Evangelho e em Atos, somos apresentados a um ícone verbal de Cristo e também de Cristo e sua Igreja. A sabedoria da perspectiva e do horizonte na iconografia pode nos ajudar a mergulhar profundamente em um encontro permanente com o Cristo vivo que nos foi dado por São Lucas, o evangelista e iconógrafo. Vários dos eventos iconizados do Evangelho listados por João Damasceno, Teodoro o Estudita e João de Jerusalém e celebrados nas Doze Grandes Festas foram particularmente relevantes para a apologia cristológica da arte representativa, por exemplo, a Teofania a Maria e os discípulos após o Ressurreição.⁷³ Tanto no relato de Lucas como no de João, este evento pretendia demonstrar aos discípulos (e, portanto, aos leitores posteriores) que “𝘶𝘮 𝘦𝘴𝘱í𝘳𝘪𝘵𝘰 𝘯ã𝘰 𝘵𝘦𝘮 𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦 𝘯𝘦𝘮 𝘰𝘴𝘴𝘰𝘴, 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘷𝘦𝘥𝘦𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘵𝘦𝘯𝘩𝘰”.” (Lc 24,39). Após a ressurreição, portanto, o corpo de Cristo, embora mudado de tal forma que pudesse passar por portas (Jo 20,19-26), ainda era um corpo real – um que poderia ser iconizado. Os apologistas dos Ícones poderiam argumentar que se fosse possível para o duvidoso Tomé colocar o dedo nas mãos perfuradas e enfiar a mão no lado ferido do Cristo ressuscitado, deveria ser possível retratar a cena entre Cristo e Tomé em um ícone. No entanto, um evento merece ser destacado acima dos outros, tanto por sua importância singular na história da piedade e da teologia, quanto por seu significado especial para a justificação doutrinária dos ícones: a Transfiguração de Cristo (conhecida em grego como 𝘩𝘦 𝘔𝘦𝘵𝘢𝘮𝘰𝘳𝘧𝘰𝘴𝘦). A representação mais antiga conhecida é um mosaico do século VI na Igreja de Santa Catarina no Monte Sinai (Figura usada no topo do texto). “𝘈 𝘢𝘶𝘳é𝘰𝘭𝘢 𝘥𝘦 𝘭𝘶𝘻”, diz André Grabar sobre este mosaico, “𝘦𝘯𝘷𝘰𝘭𝘷𝘦 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰, 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘵𝘳𝘢𝘯𝘴𝘧𝘪𝘨𝘶𝘳𝘢 𝘦, 𝘱𝘰𝘳𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰, 𝘮𝘢𝘯𝘪𝘧𝘦𝘴𝘵𝘢 𝘴𝘶𝘢 𝘥𝘪𝘷𝘪𝘯𝘥𝘢𝘥𝘦, 𝘦𝘯𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘰𝘴 𝘵𝘳ê𝘴 𝘢𝘱ó𝘴𝘵𝘰𝘭𝘰𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘴𝘵ã𝘰 𝘱𝘳𝘦𝘴𝘦𝘯𝘵𝘦𝘴 𝘯𝘦𝘴𝘵𝘢 𝘵𝘦𝘰𝘧𝘢𝘯𝘪𝘢 𝘴ã𝘰 𝘳𝘦𝘱𝘳𝘦𝘴𝘦𝘯𝘵𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘷𝘪𝘴𝘪𝘰𝘯á𝘳𝘪𝘰𝘴, 𝘤𝘢𝘪𝘯𝘥𝘰 𝘥𝘦 𝘫𝘰𝘦𝘭𝘩𝘰𝘴 𝘰𝘶 𝘫𝘰𝘨𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘵𝘳á𝘴 𝘱𝘦𝘭𝘰 𝘭𝘶𝘻 𝘮𝘪𝘴𝘵𝘦𝘳𝘪𝘰𝘴𝘢.”.⁷⁴ A mesma qualidade persistiu em ícones e mosaicos da Transfiguração produzidos em Constantinopla séculos depois. Não está claro se houve ou não tal ícone por trás da Homilia sobre a Transfiguração atribuída pelo ilustre dominicano francês “helenista” François Combefis⁷⁵ a João Damasceno. Mas na conclusão da homilia, Damasceno falou em “𝘭𝘦𝘷𝘢𝘳 𝘯𝘰 𝘤𝘰𝘳𝘢çã𝘰 𝘢 𝘣𝘦𝘭𝘦𝘻𝘢 [horaioteta] 𝘥𝘦𝘴𝘵𝘢 𝘳𝘦𝘢𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘪𝘷𝘪𝘯𝘢”, que poderia ser tomada como referência a um ícone.⁷⁶ Ele também enfatizou que a Transfiguração não foi uma mudança ontológica na pessoa de Cristo, mas uma revelação aos olhos dos discípulos do que estava lá o tempo todo.⁷⁷ Mas antes ele havia alertado sobre a impossibilidade de “𝘶𝘴𝘢𝘳 𝘶𝘮𝘢 𝘤𝘳𝘪𝘢𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘪𝘤𝘰𝘯𝘪𝘻𝘢𝘳 𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘯ã𝘰 𝘧𝘰𝘪 𝘤𝘳𝘪𝘢𝘥𝘰” e falou da Divindade como “𝘯ã𝘰 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘪𝘵𝘢”.⁷⁸ Ele também descreveu a criação do homem “à 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘦 𝘴𝘦𝘮𝘦𝘭𝘩𝘢𝘯ç𝘢” de Deus, e identificou a Encarnação do Logos como a assunção dessa “𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘮”. ⁷⁹ Embora possa parecer bastante improvável, então, que ele estivesse falando nesta homilia sobre um ícone específico da Transfiguração, ele claramente estava apresentando os principais componentes de sua defesa dos ícones. Entre todos os eventos do Evangelho enumerados por São João Damasceno e representados nas Doze Festas e seus dípticos, a Transfiguração foi eminentemente útil para essa defesa; pois seu significado teológico afirmava, contra o interesse dos Iconoclastas na forma pós-Ressurreição do corpo de Cristo, que o que os discípulos tinham visto no Monte Tabor como uma conseqüência da Transfiguração era uma manifestação circunscrita da realidade incircunscrita da natureza divina- o que os iconoclastas chamam de “𝘤𝘢𝘳𝘯𝘦” de Cristo “𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘦𝘳𝘢 𝘷𝘪𝘴𝘵𝘢 𝘯𝘢 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢”, não depois da ressurreição, mas mesmo antes da crucificação.⁸⁰ A Transfiguração provou que “𝘰 𝘪𝘯𝘷𝘪𝘴í𝘷𝘦𝘭 𝘵𝘪𝘯𝘩𝘢 𝘶𝘮𝘢 𝘢𝘱𝘢𝘳ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘰𝘶 𝘴𝘦𝘮𝘦𝘭𝘩𝘢𝘯ç𝘢, 𝘰 𝘴𝘦𝘮 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢 𝘵𝘪𝘯𝘩𝘢 𝘶𝘮𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢 𝘦 𝘰 𝘪𝘯𝘤𝘰𝘮𝘦𝘯𝘴𝘶𝘳á𝘷𝘦𝘭 𝘦𝘳𝘢 𝘦𝘯𝘷𝘰𝘭𝘵𝘰 𝘦𝘮 𝘶𝘮𝘢 𝘮𝘦𝘥𝘪𝘥𝘢”.⁸¹ Esta era a carne que era, e poderia ser, retratada em um ícone, não apenas em um ícone da Transfiguração, mas em qualquer ícone de qualquer evento em toda a vida de Cristo, conforme narrado nos Evangelhos. Outra Doutrina que, no entanto, era muito mais importante doutrinal e iconograficamente do que a doutrina da Transfiguração, era sobre a combinação da Paixão e Crucificação de Cristo como o evento pelo qual Deus em Cristo realizou a salvação. No Ocidente foi – e é – a combinação destes eventos que foi vista como tendo alcançado a reconciliação entre Deus e a humanidade decaída, com a Ressurreição vista como o testemunho divino de que a Expiação realizada na cruz foi aceita por Deus, o Pai, e que a justiça divina foi satisfeita. Iconograficamente, essa ênfase levou à distribuição quase universal do crucifixo na Igreja latina medieval como o símbolo distintivo da Expiação.⁸² Teologicamente, levou à formulação ocidental mais representativa da doutrina da Expiação, o tratado “𝘗𝘰𝘳 𝘲𝘶𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴 𝘴𝘦 𝘵𝘰𝘳𝘯𝘰𝘶 𝘩𝘰𝘮𝘦𝘮” [𝘊𝘶𝘳 𝘥𝘦𝘶𝘴 𝘩𝘰𝘮𝘰] de Santo Anselmo da Cantuária, no qual a Paixão e Crucificação de Cristo, o Deus-homem, foi vista como o meio por meio da qual foi prestada satisfação à violada justiça de Deus pelo único cuja morte poderia valer porque Ele era humano e poderia valer para todos porque Ele era divino. Expiação por satisfação vicária por meio da Paixão e Crucificação de Cristo era uma teoria que sobreviveria à Reforma e desfrutaria de pelo menos tanto apoio no Protestantismo quanto no Catolicismo medieval (embora muito do Protestantismo aboliu o uso do crucifixo, substituindo-o por um cruz nua). Este uso triplo da figura do Cristo encarnado – de sua pessoa como a justificativa fundamental para os ícones cristãos na igreja, dos acontecimentos de sua vida como os temas concretos mais importantes para os ícones cristãos na igreja e de sua obra de vitória e salvação como o conteúdo da celebração pela liturgia e os ícones cristãos na igreja – foi baseada em uma das mais básicas de todas as distinções no método de tratar a doutrina cristã: a distinção entre “𝘵𝘦𝘰𝘭𝘰𝘨𝘪𝘢”, como compreendendo as doutrinas, sobretudo a doutrina da Trindade, tratando da realidade de Deus como tal; e “𝘦𝘤𝘰𝘯𝘰𝘮𝘪𝘢”, como compreendendo as doutrinas, sobretudo a doutrina da Encarnação, tratando da dispensação de Deus na história em relação a toda a criação e, particularmente, em relação à raça humana e mais particularmente em relação à igreja. O que estava em jogo no conflito pelos ícones, segundo a apologia do Iconódulo, era igualmente a necessidade de manter “𝘵𝘦𝘰𝘭𝘰𝘨𝘪𝘢” e “𝘦𝘤𝘰𝘯𝘰𝘮𝘪𝘢” claras e distintas.⁸³ De acordo com a “𝘵𝘦𝘰𝘭𝘰𝘨𝘪𝘢”, não poderia haver nenhuma idéia de encontrar uma “𝘴𝘦𝘮𝘦𝘭𝘩𝘢𝘯ç𝘢 𝘰𝘶 𝘱𝘦𝘳𝘤𝘦𝘱çã𝘰 𝘥𝘦 𝘶𝘮𝘢 𝘴𝘦𝘮𝘦𝘭𝘩𝘢𝘯ç𝘢 [emphereia e katanoesis homoioseos]” apropriada de Deus, mas de acordo com a “𝘦𝘤𝘰𝘯𝘰𝘮𝘪𝘢” era exatamente isso que a Encarnação havia realizado.⁸⁴ Como Ladner resumiu todo o caso, portanto: “𝘊𝘰𝘮𝘰 𝘩𝘰𝘮𝘦𝘮 𝘱𝘦𝘳𝘧𝘦𝘪𝘵𝘰, 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰 𝘯ã𝘰 𝘴ó 𝘱𝘰𝘥𝘦, 𝘮𝘢𝘴 𝘥𝘦𝘷𝘦 𝘴𝘦𝘳 𝘳𝘦𝘱𝘳𝘦𝘴𝘦𝘯𝘵𝘢𝘥𝘰 𝘦 𝘤𝘶𝘭𝘵𝘶𝘢𝘥𝘰 𝘦𝘮 𝘪𝘮𝘢𝘨𝘦𝘯𝘴: 𝘲𝘶𝘦 𝘪𝘴𝘴𝘰 𝘴𝘦𝘫𝘢 𝘯𝘦𝘨𝘢𝘥𝘰, 𝘦 𝘢 𝘰𝘪𝘬𝘰𝘯𝘰𝘮𝘪𝘢 𝘥𝘦 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰 – 𝘢 𝘦𝘤𝘰𝘯𝘰𝘮𝘪𝘢 𝘥𝘢 𝘴𝘢𝘭𝘷𝘢çã𝘰 -, é 𝘷𝘪𝘳𝘵𝘶𝘢𝘭𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘥𝘦𝘴𝘵𝘳𝘶í𝘥𝘢”.⁸⁵ NOTAS [1]. Gerhart B. Ladner, “Der Bilderstreit und die Kunst-Lehren der byzantinischen und abendlandischen Theologie.” Zeitschriftfiir Kirchengeschichte” 50 (1931), página 14 [2]. Hubert Bastgen, “Das Capitulare Karls cl. Gr. i.iber die Bilder oder die sogenannten Libri Carolini.” Neues Archiv der Gesellschaftfur i:iltere deutsche Geschichtskunde 35 (19rr):631-66; 36 (1912):13-51, 453-533. Embora Bastgen deva ser revisado à luz de pesquisas mais recentes, ele permanece um resumo útil das reações ocidentais. [3]. Ernst Kitzinger, “The Cult of lmages before Iconoclasm”. Dumbarton Oak Papers 7 (1954), página 133. [4]. Ver a discussão em “Kirche und theologische Literatur im byzantinischen Reich. Munich”: C. H. Beck’sche Verlagsbuchhandlung”, 1959, de Hans-Georg Beck, página 303. [5]. Karl Krumbacher, “Geschichte der byzantinischen Litteratur van Justinian bis zum Ende des ostromischen Reiches” (527-1453). 2 ed. Edição de Albert Ehrhard e Heinrich Gelzer. Munich: C.H. Beck’sche Verlagsbuchhandlung, 1897. Página 150. [6]. Adolf von Harnack. “History of dogma”, volumes 4 e 5, 1961, New York, Dove Publications, página 329. [7]. Adolf von Harnack, “History of Dogma”, volume 4, 1898, Williams & Norgate, página 319. [8]. Alexander Alexandrovich Vasiliev, “History of the Byzantine Empire”, 324-1453, 2 vols 2 ed madison; university of wisconsin press, 1958, página 189. [9]. Georges Florovsky, “Collected Works”, vol 2, Belmont, Mass.: Nordland, 1972, página 115. [10]. Adolf von Harnack, “Dogmengeschichte”, 4 edição, Tübingen: J. C. B. Mohr (Paul Siebeck), 1905, página 192 [11]. Pe. Giovanni Domenico Mansi, ed. “Sacrorum conciliorum nova et amplissima collectio”. 57 vols. Florença: A. Zatta et al., 1759-1927, vol 13, página 293. [12]. “𝘔𝘢𝘴 𝘴𝘦 𝘢𝘭𝘨𝘶é𝘮, 𝘷𝘦𝘯𝘥𝘰 𝘰 𝘤𝘶𝘳𝘴𝘰 𝘢𝘵𝘶𝘢𝘭 𝘥𝘰 𝘮𝘶𝘯𝘥𝘰, 𝘱𝘦𝘭𝘰 𝘲𝘶𝘢𝘭 𝘰𝘴 𝘪𝘯𝘵𝘦𝘳𝘷𝘢𝘭𝘰𝘴 𝘥𝘦 𝘵𝘦𝘮𝘱𝘰 𝘴ã𝘰 𝘮𝘢𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰𝘴, 𝘪𝘯𝘥𝘰 𝘦𝘮 𝘶𝘮𝘢 𝘤𝘦𝘳𝘵𝘢 𝘰𝘳𝘥𝘦𝘮, 𝘥𝘪𝘴𝘴𝘦𝘳 𝘲𝘶𝘦 𝘯ã𝘰 é 𝘱𝘰𝘴𝘴í𝘷𝘦𝘭 𝘲𝘶𝘦 𝘰𝘤𝘰𝘳𝘳𝘢 𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘢𝘥𝘢 𝘱𝘳𝘦𝘷𝘪𝘴𝘵𝘢 𝘥𝘦𝘴𝘴𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘦𝘮 𝘮𝘰𝘷𝘪𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰, 𝘵𝘢𝘭 𝘩𝘰𝘮𝘦𝘮 𝘤𝘭𝘢𝘳𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 𝘯ã𝘰 𝘢𝘤𝘳𝘦𝘥𝘪𝘵𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘯𝘰 𝘱𝘳𝘪𝘯𝘤í𝘱𝘪𝘰 𝘰 𝘤é𝘶 𝘦 𝘢 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘢𝘮 𝘧𝘦𝘪𝘵𝘰𝘴 𝘱𝘰𝘳 𝘋𝘦𝘶𝘴; 𝘱𝘰𝘪𝘴 𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘢𝘥𝘮𝘪𝘵𝘦 𝘶𝘮 𝘤𝘰𝘮𝘦ç𝘰 𝘥𝘦 𝘮𝘰𝘷𝘪𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 𝘤𝘦𝘳𝘵𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘯ã𝘰 𝘥𝘶𝘷𝘪𝘥𝘢 𝘥𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘭𝘦 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 𝘵𝘦𝘯𝘩𝘢 𝘶𝘮 𝘧𝘪𝘮; 𝘦 𝘲𝘶𝘦𝘮 𝘯ã𝘰 𝘱𝘦𝘳𝘮𝘪𝘵𝘦 𝘰 𝘴𝘦𝘶 𝘧𝘪𝘮, 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 𝘯ã𝘰 𝘢𝘥𝘮𝘪𝘵𝘦 𝘰 𝘴𝘦𝘶 𝘪𝘯í𝘤𝘪𝘰; 𝘮𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘮𝘰 é 𝘱𝘰𝘳 𝘤𝘳𝘦𝘳 𝘲𝘶𝘦 “𝘦𝘯𝘵𝘦𝘯𝘥𝘦𝘮𝘰𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘰𝘴 𝘮𝘶𝘯𝘥𝘰𝘴 𝘧𝘰𝘳𝘢𝘮 𝘤𝘳𝘪𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘱𝘢𝘭𝘢𝘷𝘳𝘢 𝘥𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴”, 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘥𝘪𝘻 𝘰 𝘢𝘱ó𝘴𝘵𝘰𝘭𝘰, “𝘥𝘦 𝘮𝘰𝘥𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘷𝘦𝘦𝘮 𝘯ã𝘰 𝘧𝘰𝘳𝘢𝘮 𝘧𝘦𝘪𝘵𝘢𝘴 𝘥𝘢𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘢𝘱𝘢𝘳𝘦𝘤𝘦𝘮”, 𝘥𝘦𝘷𝘦𝘮𝘰𝘴 𝘶𝘴𝘢𝘳 𝘢 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘢 𝘧é 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 à 𝘱𝘢𝘭𝘢𝘷𝘳𝘢 𝘥𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘌𝘭𝘦 𝘱𝘳𝘦𝘥𝘪𝘻 𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘢𝘥𝘢 𝘯𝘦𝘤𝘦𝘴𝘴á𝘳𝘪𝘢 𝘥𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵𝘦𝘯𝘵𝘦𝘴. 𝘈 𝘲𝘶𝘦𝘴𝘵ã𝘰 𝘥𝘰 “𝘢𝘳𝘤𝘰” 𝘥𝘦𝘷𝘦, 𝘦𝘯𝘵𝘳𝘦𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰, 𝘴𝘦𝘳 𝘤𝘰𝘭𝘰𝘤𝘢𝘥𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘢 𝘥𝘰 𝘢𝘭𝘤𝘢𝘯𝘤𝘦 𝘥𝘦 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘢 𝘪𝘯𝘵𝘳𝘰𝘮𝘪𝘴𝘴ã𝘰; 𝘱𝘰𝘪𝘴 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘰 𝘯𝘰 𝘤𝘢𝘴𝘰 𝘮𝘦𝘯𝘤𝘪𝘰𝘯𝘢𝘥𝘰 𝘧𝘰𝘪 “𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘧é” 𝘲𝘶𝘦 𝘢𝘥𝘮𝘪𝘵𝘪𝘮𝘰𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘢 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢 𝘷𝘪𝘴𝘵𝘢 𝘧𝘰𝘪 𝘦𝘮𝘰𝘭𝘥𝘶𝘳𝘢𝘥𝘢 𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘪𝘳 𝘥𝘦 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘢𝘪𝘯𝘥𝘢 𝘯ã𝘰 𝘢𝘱𝘢𝘳𝘦𝘯𝘵𝘦𝘴, 𝘰𝘮𝘪𝘵𝘪𝘯𝘥𝘰 𝘢 𝘣𝘶𝘴𝘤𝘢 𝘱𝘰𝘳 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘢𝘭é𝘮 𝘥𝘦 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘰 𝘢𝘭𝘤𝘢𝘯𝘤𝘦. 𝘌, 𝘯𝘰 𝘦𝘯𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰, 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘢 𝘳𝘢𝘻ã𝘰 𝘴𝘶𝘨𝘦𝘳𝘦 𝘥𝘪𝘧𝘪𝘤𝘶𝘭𝘥𝘢𝘥𝘦𝘴 𝘦𝘮 𝘮𝘶𝘪𝘵𝘰𝘴 𝘱𝘰𝘯𝘵𝘰𝘴, 𝘰𝘧𝘦𝘳𝘦𝘤𝘦𝘯𝘥𝘰 𝘯ã𝘰 𝘱𝘦𝘲𝘶𝘦𝘯𝘢𝘴 𝘰𝘤𝘢𝘴𝘪õ𝘦𝘴 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘥ú𝘷𝘪𝘥𝘢𝘴 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 à𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘢𝘤𝘳𝘦𝘥𝘪𝘵𝘢𝘮𝘰𝘴. 𝘗𝘰𝘪𝘴, 𝘵𝘢𝘮𝘣é𝘮 𝘯𝘦𝘴𝘴𝘦 𝘤𝘢𝘴𝘰, 𝘰𝘴 𝘩𝘰𝘮𝘦𝘯𝘴 𝘢𝘳𝘨𝘶𝘮𝘦𝘯𝘵𝘢𝘵𝘪𝘷𝘰𝘴 𝘱𝘰𝘥𝘦𝘮, 𝘱𝘰𝘳 𝘳𝘢𝘤𝘪𝘰𝘤í𝘯𝘪𝘰 𝘱𝘭𝘢𝘶𝘴í𝘷𝘦𝘭, 𝘱𝘦𝘳𝘵𝘶𝘳𝘣𝘢𝘳 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘢 𝘧é, 𝘥𝘦 𝘮𝘰𝘥𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘯ã𝘰 𝘥𝘦𝘷𝘦𝘮𝘰𝘴 𝘱𝘦𝘯𝘴𝘢𝘳 𝘲𝘶𝘦 𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘢 𝘢𝘧𝘪𝘳𝘮𝘢çã𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘢 𝘚𝘢𝘨𝘳𝘢𝘥𝘢 𝘌𝘴𝘤𝘳𝘪𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘰𝘧𝘦𝘳𝘦𝘤𝘦 𝘢 𝘳𝘦𝘴𝘱𝘦𝘪𝘵𝘰 𝘥𝘢 𝘤𝘳𝘪𝘢çã𝘰 𝘮𝘢𝘵𝘦𝘳𝘪𝘢𝘭, 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘢𝘧𝘪𝘳𝘮𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘵𝘰𝘥𝘢𝘴 𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵𝘦𝘯𝘵𝘦𝘴 𝘵ê𝘮 𝘴𝘦𝘶 𝘱𝘳𝘪𝘯𝘤í𝘱𝘪𝘰 𝘥𝘦 𝘴𝘦𝘳 𝘥𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴. 𝘗𝘰𝘪𝘴 𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦𝘨𝘶𝘦𝘮 𝘢 𝘷𝘪𝘴ã𝘰 𝘤𝘰𝘯𝘵𝘳á𝘳𝘪𝘢 𝘴𝘶𝘴𝘵𝘦𝘯𝘵𝘢𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘢 𝘮𝘢𝘵é𝘳𝘪𝘢 é 𝘤𝘰-𝘦𝘵𝘦𝘳𝘯𝘢 𝘤𝘰𝘮 𝘋𝘦𝘶𝘴, 𝘦 𝘦𝘮𝘱𝘳𝘦𝘨𝘢𝘮 𝘦𝘮 𝘢𝘱𝘰𝘪𝘰 𝘥𝘦 𝘴𝘶𝘢 𝘱𝘳ó𝘱𝘳𝘪𝘢 𝘥𝘰𝘶𝘵𝘳𝘪𝘯𝘢 𝘢𝘭𝘨𝘶𝘯𝘴 𝘢𝘳𝘨𝘶𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰𝘴 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘦𝘴𝘵𝘦𝘴. 𝘚𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴 é 𝘦𝘮 𝘚𝘶𝘢 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 𝘴𝘪𝘮𝘱𝘭𝘦𝘴 𝘦 𝘪𝘮𝘢𝘵𝘦𝘳𝘪𝘢𝘭, 𝘴𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦, 𝘰𝘶 𝘵𝘢𝘮𝘢𝘯𝘩𝘰, 𝘰𝘶 𝘤𝘰𝘮𝘣𝘪𝘯𝘢çã𝘰, 𝘦 𝘳𝘦𝘮𝘰𝘷𝘪𝘥𝘰 𝘥𝘢 𝘪𝘥𝘦𝘪𝘢 𝘥𝘦 𝘤𝘪𝘳𝘤𝘶𝘯𝘴𝘤𝘳𝘪çã𝘰 𝘱𝘰𝘳 𝘮𝘦𝘪𝘰 𝘥𝘦 𝘧𝘪𝘨𝘶𝘳𝘢, 𝘦𝘯𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘵𝘰𝘥𝘢 𝘮𝘢𝘵é𝘳𝘪𝘢 é 𝘢𝘱𝘳𝘦𝘦𝘯𝘥𝘪𝘥𝘢 𝘦𝘮 𝘦𝘹𝘵𝘦𝘯𝘴ã𝘰 𝘮𝘦𝘥𝘪𝘥𝘢 𝘱𝘰𝘳 𝘪𝘯𝘵𝘦𝘳𝘷𝘢𝘭𝘰𝘴, 𝘦 𝘯ã𝘰 𝘦𝘴𝘤𝘢𝘱𝘢 𝘥𝘢 𝘢𝘱𝘳𝘦𝘦𝘯𝘴ã𝘰 𝘥𝘦 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘰 𝘴𝘦𝘯𝘵𝘪𝘥𝘰𝘴, 𝘮𝘢𝘴 𝘴𝘦 𝘵𝘰𝘳𝘯𝘢 𝘤𝘰𝘯𝘩𝘦𝘤𝘪𝘥𝘰 𝘱𝘰𝘳 𝘯ó𝘴 𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘳, 𝘧𝘪𝘨𝘶𝘳𝘢, 𝘷𝘰𝘭𝘶𝘮𝘦, 𝘵𝘢𝘮𝘢𝘯𝘩𝘰 𝘦 𝘳𝘦𝘴𝘪𝘴𝘵ê𝘯𝘤𝘪𝘢, 𝘦 𝘰𝘴 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘰𝘴 𝘢𝘵𝘳𝘪𝘣𝘶𝘵𝘰𝘴 𝘱𝘦𝘳𝘵𝘦𝘯𝘤𝘦𝘯𝘵𝘦𝘴 𝘢 𝘦𝘭𝘦, 𝘯𝘦𝘯𝘩𝘶𝘮 𝘥𝘰𝘴 𝘲𝘶𝘢𝘪𝘴 é 𝘱𝘰𝘴𝘴í𝘷𝘦𝘭 𝘤𝘰𝘯𝘤𝘦𝘣𝘦𝘳 𝘯𝘢 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 𝘋𝘪𝘷𝘪𝘯𝘢, – 𝘲𝘶𝘦 𝘮é𝘵𝘰𝘥𝘰 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵𝘦 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘢 𝘱𝘳𝘰𝘥𝘶çã𝘰 𝘥𝘦 𝘮𝘢𝘵é𝘳𝘪𝘢 𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘪𝘳 𝘥𝘰 𝘪𝘮𝘢𝘵𝘦𝘳𝘪𝘢𝘭, 𝘰𝘶 𝘥𝘢 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘵𝘦𝘮 𝘥𝘪𝘮𝘦𝘯𝘴õ𝘦𝘴 𝘥𝘢𝘲𝘶𝘪𝘭𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘯ã𝘰 𝘵𝘦𝘮 𝘦𝘹𝘵𝘦𝘯𝘴ã𝘰? 𝘗𝘰𝘪𝘴 𝘴𝘦 𝘴𝘦 𝘢𝘤𝘳𝘦𝘥𝘪𝘵𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘴𝘴𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘵ê𝘮 𝘴𝘶𝘢 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘪𝘳 𝘥𝘦𝘴𝘴𝘢 𝘧𝘰𝘯𝘵𝘦, 𝘦𝘭𝘢𝘴 𝘤𝘭𝘢𝘳𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘱𝘢𝘴𝘴𝘢𝘮 𝘢 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵𝘪𝘳 𝘥𝘦𝘱𝘰𝘪𝘴 𝘥𝘦 𝘦𝘴𝘵𝘢𝘳𝘦𝘮 𝘕𝘦𝘭𝘦 𝘥𝘦 »𝘢𝘭𝘨𝘶𝘮 𝘮𝘰𝘥𝘰 𝘮𝘪𝘴𝘵𝘦𝘳𝘪𝘰𝘴𝘰; 𝘮𝘢𝘴 𝘴𝘦 𝘢 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘮𝘢𝘵𝘦𝘳𝘪𝘢𝘭 𝘦𝘴𝘵𝘢𝘷𝘢 𝘕𝘦𝘭𝘦, 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘌𝘭𝘦 𝘱𝘰𝘥𝘦 𝘴𝘦𝘳 𝘪𝘮𝘢𝘵𝘦𝘳𝘪𝘢𝘭 𝘦𝘯𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘪𝘯𝘤𝘭𝘶𝘪 𝘢 𝘮𝘢𝘵é𝘳𝘪𝘢 𝘦𝘮 𝘚𝘪 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘰? 𝘦 𝘥𝘢 𝘮𝘦𝘴𝘮𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢 𝘤𝘰𝘮 𝘵𝘰𝘥𝘢𝘴 𝘢𝘴 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘢𝘴 𝘮𝘢𝘳𝘤𝘢𝘴 𝘱𝘦𝘭𝘢𝘴 𝘲𝘶𝘢𝘪𝘴 𝘢 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 𝘮𝘢𝘵𝘦𝘳𝘪𝘢𝘭 é 𝘥𝘪𝘧𝘦𝘳𝘦𝘯𝘤𝘪𝘢𝘥𝘢; 𝘴𝘦 𝘢 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵𝘦 𝘦𝘮 𝘋𝘦𝘶𝘴, 𝘤𝘰𝘮𝘰 é 𝘋𝘦𝘶𝘴 𝘴𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦? 𝘚𝘦 𝘢 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 𝘤𝘰𝘮𝘱𝘰𝘴𝘵𝘢 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵𝘦 𝘕𝘦𝘭𝘦, 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘌𝘭𝘦 é 𝘴𝘪𝘮𝘱𝘭𝘦𝘴, 𝘴𝘦𝘮 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘦𝘴 𝘦 𝘴𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘮𝘣𝘪𝘯𝘢çã𝘰? 𝘥𝘦 𝘮𝘰𝘥𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘰 𝘢𝘳𝘨𝘶𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 𝘯𝘰𝘴 𝘧𝘰𝘳ç𝘢 𝘢 𝘱𝘦𝘯𝘴𝘢𝘳 𝘲𝘶𝘦 𝘌𝘭𝘦 é 𝘮𝘢𝘵𝘦𝘳𝘪𝘢𝘭, 𝘱𝘰𝘳𝘲𝘶𝘦 𝘢 𝘮𝘢𝘵é𝘳𝘪𝘢 𝘵𝘦𝘮 𝘴𝘶𝘢 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘋𝘦𝘭𝘦 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘧𝘰𝘯𝘵𝘦; 𝘰𝘶, 𝘴𝘦 𝘦𝘷𝘪𝘵𝘢𝘮𝘰𝘴 𝘪𝘴𝘴𝘰, é 𝘯𝘦𝘤𝘦𝘴𝘴á𝘳𝘪𝘰 𝘴𝘶𝘱𝘰𝘳 𝘲𝘶𝘦 𝘢 𝘮𝘢𝘵é𝘳𝘪𝘢 𝘧𝘰𝘪 𝘪𝘮𝘱𝘰𝘳𝘵𝘢𝘥𝘢 𝘱𝘰𝘳 𝘌𝘭𝘦 𝘢𝘣 𝘦𝘹𝘵𝘳𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘢 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢çã𝘰 𝘥𝘰 𝘶𝘯𝘪𝘷𝘦𝘳𝘴𝘰. 𝘚𝘦, 𝘦𝘯𝘵ã𝘰, 𝘧𝘰𝘴𝘴𝘦 𝘦𝘹𝘵𝘦𝘳𝘯𝘰 𝘢 𝘋𝘦𝘶𝘴, 𝘢𝘭𝘨𝘰 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘤𝘦𝘳𝘵𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵𝘪𝘢 𝘢𝘭é𝘮 𝘥𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴, 𝘤𝘰𝘯𝘤𝘦𝘣𝘪𝘥𝘰, 𝘢 𝘳𝘦𝘴𝘱𝘦𝘪𝘵𝘰 𝘥𝘢 𝘦𝘵𝘦𝘳𝘯𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦, 𝘫𝘶𝘯𝘵𝘰 𝘤𝘰𝘮 𝘈𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵𝘦 𝘯ã𝘰 𝘨𝘦𝘯𝘦𝘳𝘰𝘴𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦; 𝘥𝘦 𝘮𝘢𝘯𝘦𝘪𝘳𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘰 𝘢𝘳𝘨𝘶𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 𝘱𝘳𝘦𝘴𝘴𝘶𝘱õ𝘦 𝘥𝘶𝘢𝘴 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵ê𝘯𝘤𝘪𝘢𝘴 𝘦𝘵𝘦𝘳𝘯𝘢𝘴 𝘦 𝘯ã𝘰 𝘨𝘦𝘳𝘢𝘥𝘢𝘴, 𝘩𝘢𝘷𝘦𝘯𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘪𝘯𝘤𝘪𝘥𝘦𝘯𝘵𝘦𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘶𝘮𝘢 𝘤𝘰𝘮 𝘢 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘢 𝘢 𝘥𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘰𝘱𝘦𝘳𝘢 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘢𝘳𝘵í𝘧𝘪𝘤𝘦 𝘦 𝘢 𝘥𝘢 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘢𝘥𝘮𝘪𝘵𝘦 𝘦𝘴𝘴𝘢 𝘰𝘱𝘦𝘳𝘢çã𝘰 𝘩𝘢𝘣𝘪𝘭𝘪𝘥𝘰𝘴𝘢; 𝘦 𝘴𝘦 𝘢𝘭𝘨𝘶é𝘮 𝘴𝘰𝘣 𝘱𝘳𝘦𝘴𝘴ã𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘵𝘦 𝘢𝘳𝘨𝘶𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 𝘢𝘴𝘴𝘶𝘮𝘪𝘳 𝘶𝘮 𝘴𝘶𝘣𝘴𝘵𝘳𝘢𝘵𝘰 𝘮𝘢𝘵𝘦𝘳𝘪𝘢𝘭 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘰 𝘊𝘳𝘪𝘢𝘥𝘰𝘳 𝘥𝘦 𝘵𝘰𝘥𝘢𝘴 𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴, 𝘲𝘶𝘦 𝘢𝘱𝘰𝘪𝘰 𝘦𝘯𝘤𝘰𝘯𝘵𝘳𝘢𝘳á 𝘰 𝘮𝘢𝘯𝘪𝘲𝘶𝘦𝘶 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘴𝘶𝘢 𝘥𝘰𝘶𝘵𝘳𝘪𝘯𝘢 𝘦𝘴𝘱𝘦𝘤𝘪𝘢𝘭, 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘰𝘱õ𝘦, 𝘦𝘮 𝘷𝘪𝘳𝘵𝘶𝘥𝘦 𝘥𝘢 𝘮𝘦𝘴𝘲𝘶𝘪𝘯𝘩𝘦𝘻, 𝘶𝘮𝘢 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘮𝘢𝘵𝘦𝘳𝘪𝘢𝘭 𝘢 𝘶𝘮 𝘚𝘦𝘳 𝘉𝘰𝘮. 𝘕𝘰 𝘦𝘯𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰, 𝘢𝘤𝘳𝘦𝘥𝘪𝘵𝘢𝘮𝘰𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘵𝘰𝘥𝘢𝘴 𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘴ã𝘰 𝘥𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴, 𝘤𝘰𝘯𝘧𝘰𝘳𝘮𝘦 𝘰𝘶𝘷𝘪𝘮𝘰𝘴 𝘢𝘴 𝘌𝘴𝘤𝘳𝘪𝘵𝘶𝘳𝘢𝘴 𝘥𝘪𝘻𝘦𝘳 𝘪𝘴𝘴𝘰; 𝘦 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 à 𝘲𝘶𝘦𝘴𝘵ã𝘰 𝘥𝘦 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘦𝘭𝘦𝘴 𝘦𝘴𝘵𝘢𝘷𝘢𝘮 𝘦𝘮 𝘋𝘦𝘶𝘴, 𝘶𝘮𝘢 𝘲𝘶𝘦𝘴𝘵ã𝘰 𝘢𝘭é𝘮 𝘥𝘢 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘢 𝘳𝘢𝘻ã𝘰, 𝘯ã𝘰 𝘱𝘳𝘰𝘤𝘶𝘳𝘢𝘮𝘰𝘴 𝘯𝘰𝘴 𝘪𝘯𝘵𝘳𝘰𝘮𝘦𝘵𝘦𝘳, 𝘢𝘤𝘳𝘦𝘥𝘪𝘵𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘵𝘰𝘥𝘢𝘴 𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘦𝘴𝘵ã𝘰 𝘥𝘦𝘯𝘵𝘳𝘰 𝘥𝘢 𝘤𝘢𝘱𝘢𝘤𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘰 𝘱𝘰𝘥𝘦𝘳 𝘥𝘦 𝘋𝘦𝘶𝘴 – 𝘵𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘥𝘢𝘳 𝘦𝘹𝘪𝘴𝘵ê𝘯𝘤𝘪𝘢 𝘢𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘯ã𝘰 é, 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘵𝘰 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘪𝘮𝘱𝘭𝘢𝘯𝘵𝘢𝘳 𝘲𝘶𝘢𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦𝘴 𝘦𝘮 𝘚𝘦𝘶 𝘱𝘳𝘢𝘻𝘦𝘳 𝘯𝘰 𝘲𝘶𝘦 é.” – São Gregório de Nissa, “De Hominis Opificio”, cap. XXIV (PG 44,212). [13]. Quasten 3, 345. [14]. Florovsky, ibid, vol 2, 108-109. [15]. Citado por São Nicéforo, em “Antirrheticus I Adv. Constantinum copr.” (PG 100,308). [16]. NPNF II, 14, 264-265. [17]. Constantino V citado por São Nicéforo, em “Antirrheticus I Adv. Constantinum copr.” (PG 100,216). [18]. Sínodo iconoclasta de constantinopla, citado no Segundo Concilio de Nicéia (Pe. Mansi, ibid, 13,257). [19]. Ver, por exemplo, a definição do Segundo Concílio de Nicéia (Mansi 13,377). [20]. Citado por São Nicéforo, em “Antirrheticus I Adv. Constantinum copr.” (PG 100,216). [21]. Citado por São Nicéforo, em “Antirrheticus I Adv. Constantinum copr.” (PG 100,308). [22]. Citado por São Nicéforo, em “Antirrheticus I Adv. Constantinum copr.” (PG 100,329). [23 (33)]. [24]. São Nicéforo de Constantinopla, em “Apologeticus Minor pro Sacris Imaginibus”, 11 (PG 100,848). [25]. São Nicéforo de Constantinopla, em “Apologeticus pro S.S. Imaginibus”, 12 (PG 100,561). [26]. São Nicéforo, em “Antirrheticus III Adv. Constantinum copr.”, 30 (PG 100,421). [27]. Para ver as razões que levaram Nicéia a ser palco do sétimo concílio, ver “Kaiser Konstantin VI: Die Legitimation einer fremden und der Versuch einer eigenen Herrschaft”, Munich: Wilhelm Fink, 1978, de Paul Speck, página 562. [28]. São Vicente de Lérins, “Commonitorium’, 2 (PL 50,640). [29]. Concílio de Calcedônia (NPNF II, 14, 262-264). [30]. São Nicéforo, em “Antirrheticus III Adv. Constantinum copr.”, (PG 100,377 e PG 100,421). [31]. Terceiro Concílio de Constantinopla (NPNF II, 14, 344-346). [32]. Cardeal São John Henry Newman, “An essay on the development of Christian doctrine”, sixth edition, University of Notre Dame Press, Notre Dame, indiana, página 53. [33]. Henry George Liddell; Robert Scott e Henry Stuart Jones “A Greek-English Lexicon.” 9th ed. Oxford: Clarendon Press, 1940, página 186. [34]. Epístola 101 (PG 37,177B). [35]. Citado por São João Damasceno em “Dissertatio Tertia, De epistola ad Caesarium monachum” (PG 94,317). [36]. Sínodo iconoclasta de constantinopla, citado no Segundo Concilio de Nicéia (Mansi, ibid, 13,252). [37]. Citado por São Nicéforo, em “Antirrheticus III Adv. Constantinum copr.” (PG 100,437). [38]. Constantino V citado por São Nicéforo, em “Antirrheticus II Adv. Constantinum copr.”, 1 (PG 100,329). [39]. Novamente citado por São Nicéforo, em “Antirrheticus III Adv. Constantinum copr.” (PG 100,437). [40]. São Nicéforo, em “Antirrheticus I Adv. Constantinum copr.” (PG 100,237). [41]. São João Damasceno ainda em “Dissertatio Tertia, De epistola ad Caesarium monachum” (PG 94,317). [42]. David Beecher Evans, em “Leontius of Byzantium: An Origenist Christology”, Washington D.C., Dumbarton Oaks, 1970, páginas 132-146. [43]. Ignacio Ortiz de Urbina em “Das Konzil von Chalkedon: Geschichte und Gegenwart”, 3 vols, wuzburg: echter-verlag, 1951-54, de Heinrich Bacht, vol 1, páginas 390-391. [44]. Pe. Heinrich Denzinger, “Enchiridion Symbolorum, Definitionum Et Declarationum de Rebus Fidei Et Morum” 36th ed. Barcelona, Freiburg, and Rome, Herder, 1976, página 302. [45]. Edward Gibbon, “The History of the Decline and Fall of the Roman Empire”, Edited by John Bagnell, Bury, 7 vols, London: Metuen and Company, 1896-1900, vol 2, página 352. [46]. Concílio de Calcedônia (NPNF II, 14, 265). [47]. Geoffrey W. H. Lampe, ed. “A Patristic Greek Lexicon”, Oxford: Clarendon Press, 1961, página 164. [48]. São João Damasceno, em “Contra Jacobitas”, 12 (PG 94,1441). [49]. Citado por São Teodoro, o Estudita em “Antirrheticus” III, 1,15 (PG 99,396). [50]. George Ostrogorsky, “Soedinenie voprosa o sv. ikonach s christologiceskoj dogmatikoj v socinenijach pravoslavnych apologetov rannjago perioda ikonoborcestva”, Seminarium Kondakovianum 1 (1927), páginas 35-48. [51]. São João Damasceno, “De Imaginibus Oratio” III, 7 (PG 94,1325). [52]. São João Damasceno, “De Imaginibus Oratio” I, 15 (PG 94,1245). [53]. São Teodoro, o Estudita, “Refutatio Poem. Iconomach” 13 (PG 99,457). [54]. São João Damasceno, “De Imaginibus Oratio” III, 8 (PG 94,1328). [55]. Rm 1,23/ 5,14/ 6,5/ 8,3. Fl 2,7 [56]. São Gregório de Nazianzo, Epístola 102 (PG 37,200). [57]. Concílio de Calcedônia (NPNF-II 14,264). [58]. São João Damasceno, “De Imaginibus Oratio” ll, 5 (PG 94,1288). [59]. São João Damasceno, “De Imaginibus Oratio” I, 15 (PG 94,1245). [60]. São Nicéforo, em “Antirrheticus I Adv. Constantinum copr.”, 20 (PG 100,241). [61]. São Nicéforo, em “Apologeticus pro Sacris Imaginibus.”, 71 (PG 100,781). [62]. São Nicéforo, em “Antirrheticus II Adv. Constantinum copr.”, 17 (PG 100,365). [63]. São Teodoro, o Estudita, em “Antirrheticus”, III, XVII (PG 99,397). [64]. São Teodoro, o Estudita, em “Refutatio Poem. Iconomach” 3 (PG 99,444-445). [65]. São Nicéforo, em “Antirrheticus II Adv. Constantinum copr.”, 18 (PG 100,367). [66]. São Teodoro, o Estudita, em “Refutatio Poem. Iconomach”, 1 (PG 99,441-444). [67]. São João Damasceno, “Adv. Constantinum Cabalinum”, 3 (PG 95,313-316). [68]. São Nicéforo, em “Antirrheticus I Adv. Constantinum copr.”, 37 (PG 100,292). [69]. André Grabar “Christian iconography; a study of its origins”, Princeton, N.J.] Princeton University Press, 1968, página 97. [70]. Narração sobre Santa Sophia, 23 – Preger, “Scriptores originum constantinopolitanarum”, Leipzig: B.G. Teubner, 1907, páginas 99-101.. [71]. Santo Irineu, “Contra as Heresias”, III, XIV, 3. [72]. Clément Henze, “Lukas der Muttergottesmaler”, Bibliotheca Alfonsiana, 1948. [73]. São Teodoro, o Estudita, em “Antirrheticus”, III, I, 16 (PG 99, 397). [74]. Grabar, 1968, página 117. [75]. “Dictionnaire de Théologie Catholique” 15 vols and indexes, Paris, Letouzey et Ané, 1909-1972, volume 3, páginas 385-387. [76]. São João Damasceno, “Homilia in Transfigurationem Domini”, 20 (PG 96,573). [77]. São João Damasceno, “Homilia in Transfigurationem Domini”, 12 (PG 96,564). [78]. São João Damasceno, “Homilia in Transfigurationem Domini”, 13 (PG 96,565). [79]. São João Damasceno, “Homilia in Transfigurationem Domini”, 4 (PG 96,552). [80]. São Nicéforo em “Antirrheticus III adv. Constantinum copr.”, 38 (PG 100,437). [81]. São Teodoro, o Estudita, “Antirrheticus”, III, I, 53 (PG 99,413). [82]. Paul Thoby, “Histoire du crucifix des origines au concile de Trente”, Nantes: Bellanger, 1959 [83]. São Teodoro, o Estudita, “Antirrheticus”, III, III, 15 (PG 99,428). [84]. São Teodoro, o Estudita, “Antirrheticus”, II, 4 (PG 99,253). [85]. Ladner, 1940, 145. #IdadeMédia #Bizâncio #IcelandSwedenDenmarkNorway #France #Apologética #desenvolvimentodoutrinal #imagensIconoclastas #Doctrinaldevelopment
- O QUE DEVEMOS FAZER? – Scott Hahnn medita sobre o 3º Domingo do Advento
No Evangelho deste domingo, o povo está “cheio de expectativa”, pois crê que João Batista poderia ser o Messias que estava esperando. Três vezes ouvimos a sua pergunta: “O que devemos fazer?” A vinda do Messias desafia cada pessoa a escolher entre arrepender-se ou não se arrepender. Esta é a mensagem de João e será a de Jesus (v. Lc 3,3; 5,32; 24,47). “Arrependimento” é a tradução da palavra grega metanoia (que significa, literalmente, “mudança de mentalidade”). Nas Escrituras, o arrependimento é apresentado como uma “viravolta ” que compreende dois aspectos (v. Ez 3,19; 18, 30): distanciar-se do pecado e aproximar-se de Deus (Si 17, 20-21; Os 6,1) . Essa “viravolta ” é mais do que um simples reajuste nas atitudes: implica uma mudança radical de vida. Requer “bons frutos” como evidência de arrependimento (v. Lc 3, 8). Por esta razão, João diz às multidões, aos soldados e aos publicanos que eles têm que demonstrar sua fé através de obras de caridade, honestidade e justiça social. Na liturgia de hoje, cada um de nós é chamado a ser parte dessa multidão que escuta a “boa notícia”, que é a exortação de João para o arrependimento. Devemos examinar nossas vidas, e perguntar, sinceramente, como eles perguntaram: “O que devemos fazer?” O nosso arrependimento deve brotar, não do medo da “ira iminente” (v. Lc 3,7-9), mas da alegre proximidade a nosso Deus salvador. O tema ressoa nas leituras de hoje. Na epístola lemos: “Alegrai-vos (…) o Senhor está próximo. Não se inquietem com coisa alguma”. O salmo também nos exorta a permanecermos alegres, sem temer a vinda do Senhor. Na primeira leitura de hoje, ouvimos ecos do anúncio do anjo a Maria. As palavras do profeta são muito semelhantes à saudação de Gabriel (v. Lc 1, 28-31). Maria é a filha de Sião, a favorita de Deus, instruída a não temer, mas a alegrar-se, pois o Senhor, que é “um Salvador poderoso”, está com ela. Ela é a causa da nossa alegria, pois é por meio dela que se aproxima de nós o Messias, aquele sobre quem João disse: “Virá aquele que é mais forte do que eu” (Lc 3,16). https://stpaulcenter.com/audio/sunday-bible-reflections/what-do-we-do-scott-hahn-reflects-on-the-third-sunday-of-advent/
- COMO SERÁ O PARAÍSO? – Padre P. Gnarocas
A palavra Paraíso, como costuma ser chamado o lugar da felicidade eterna, deriva da palavra grega paràdeisos (jardim, lugar de delícias). Felicidade, ou bem-aventurança, é o gozo total, absoluto e eterno. A felicidade do Paraíso é dividida em primária e secundária. A felicidade primária consiste em ver Deus como Ele é, em possuí-lo e amá-lo por toda a eternidade; a felicidade secundária consiste nos gozos sensíveis do universo criado, que deleitarão os bem-aventurados com seu corpo ressuscitado. Ao expor a doutrina do Paraíso, dois obstáculos devem ser evitados: 1) a de materializá-lo demasiadamente, tendo como modelo a felicidade terrena, não levando em conta que — como diz São Paulo — ali foi semeado um corpo animal, que ressurgirá como corpo espiritual; 2) o de espiritualizá-lo de tal maneira, que se elimine a participação viva e sensível do corpo. Tal paraíso não provoca entusiasmo no alcançá-lo e não nos dá forças suficientes para aceitar as inevitáveis cruzes terrenas e a morte. Depois de ter lido ou ouvido — como diz Santo Agostinho — alguns eruditos sermões sobre um paraíso excessivamente espiritualizado, os fiéis permanecem inquietos, com a preocupação de como irão poder suportar o eterno tédio de restar imóveis, a olhar para Deus e para Ele cantar, eternamente, “Amém, Aleluia”. A este respeito, o Evangelho nos fornece muita luz. Em suas aparições, Jesus ressuscitado fala, deixa-se tocar, come com os apóstolos, seu corpo vive, embora seja espiritualizado ao ponto de cruzar as paredes, aparecer e desaparecer. Seu corpo não permanece imóvel e em êxtase. Sua inserção no eterno não o impede de continuar, no tempo, de forma real e ativa. A Visão Beatífica de Deus também beatificará plenamente o nosso corpo, sem contudo imobilizá-lo numa condição em que a corporeidade material não tenha mais expansão e significado. Por isto, os Apóstolos, os Santos Padres e os Doutores da Igreja, depois de terem destacado a felicidade primária do Paraíso, descrevem as belezas e os gozos sensíveis do corpo ressuscitado; trata-se da felicidade secundária do Paraíso que, por estarmos imersos em nossa experiência terrena, nos atinge e nos atrai bastante. Assim, apesar de a felicidade essencial do Paraíso ser a primeira (ou seja, a visão beatífica de Deus), não devemos subestimar a secundária, exigida pelos sentidos do corpo ressuscitado; é o que fazem aqueles que, com certo desprezo disfarçado, mencionam o assunto só de passagem. No entanto, a felicidade corporal, além de ter a sua importância, é aquela que sempre tem mais efeito sobre a grande maioria das pessoas, pouco acostumadas às abstrações sublimes da Visão Beatífica; é aquela que melhor compreendemos e que mais nos atrai. Por isso, antes de falar sobre a Visão Beatífica, é preciso falar sobre a felicidade corporal que desfrutaremos, no Céu, com nosso corpo ressuscitado. Porém, para evitar as fantasias e exageros que poderiam fazer do Paraíso uma continuação de nossas festanças terrenas, ou que poderiam falsificar (e confundir) o verdadeiro Paraíso com o paraíso sensual de certas religiões, é recomendável frisar, por ora, que os corpos ressuscitados dos bem-aventurados não apresentarão mais a vida animal e vegetativa que tiveram nesta terra e, portanto, não haverá mais nenhuma luxúria carnal que satisfazer; não haverá mais fome e sede; as funções gerativa, nutricional e regenerativa estarão suspensas para sempre. As secreções internas e externas de nossas múltiplas glândulas, das quais deriva a maior parte dos estímulos animais, serão completamente eliminadas — como nos ensina Santo Tomás de Aquino —, razão pela qual será impossível qualquer paixão ou emoção com consequências orgânicas. Mas então — pode-se perguntar — o que restaria para usufruir, sensivelmente, com um corpo nessas condições? À primeira vista, pareceria que pouco ou mesmo nada. Em vez disso, a realidade é completamente diferente, porque o corpo ressuscitado será capaz de prazeres sensíveis imensamente maiores do que quando estava na terra. Na verdade, aqui embaixo o gozo natural é limitado, fugaz e sempre mesclado de tristezas por sua curta duração, pelo cansaço que causa, pelos sacrifícios exigidos em seu usufruto. No Paraíso, ao contrário, o gozo sobrenatural exclui todo sofrimento, contém toda alegria, satisfaz total e eternamente todas as nossas aspirações, todos os nossos desejos. É justo que, no Céu, não só a alma, mas também o corpo seja feliz, porque na terra o homem sofre com todo o seu ser, alma e corpo; por isto, é justo que, no Céu, o bem-aventurado desfrute com todo o seu ser: com seu corpo e com sua alma. Assim como na terra o corpo foi para a alma um meio de sofrimento, privação, mortificação etc., no Paraíso o corpo será para a alma um instrumento de alegria e gozo. Portanto, a felicidade do Paraíso, além da Visão Beatífica, pressupõe também o gozo sensível do corpo. De onde o Paraíso, para saciar plenamente o homem por inteiro (corpo e alma), também deva ser provido de todas as belezas, todos os esplendores e todas as alegrias possíveis. Até o dia do Juízo Final, o bem-aventurado, não tendo ainda corpo, terá no Paraíso apenas uma vida espiritual, à semelhança dos Anjos; mas, após a ressurreição dos corpos, o bem-aventurado também voltará a viver a vida corporal sensitiva. Os corpos ressuscitados, embora permaneçam substancialmente os mesmos que na terra, serão renovados e integrados em sua perfeição natural; estarão enriquecidos com dons preternaturais e serão fortalecidos, potencializados, pelo influência da glória celeste. A vida do Paraíso será de absoluta impecabilidade, de perfeita santidade, de total e eterna felicidade. Além disso, como já foi mencionado, no Paraíso a capacidade de fruição do corpo ressuscitado, tanto pela vivacidade das alegrias e prazeres sensíveis, quanto por sua intensidade, seu número e sua variedade inesgotável, será sem dúvida incomensuravelmente superior à capacidade de desfrute que possuía na terra. No plano de Deus, o homem e as coisas materiais são tão dependentes um do outro, e tão ordenados um ao outro, que é absurdo concebê-los separados, após a ressurreição final. Na verdade, se a felicidade eterna fosse inteiramente espiritual, não seria mais humana, porque o homem é essencialmente composto de espírito e matéria, alma e corpo. Portanto, todo o universo material está destinado a tornar-se eternamente, para o homem glorificado, o ambiente efetivo e real do Paraíso.
- LIBERDADE E FÉ – Pe. Santiago Martín
O Arcebispo de Valência, Cardeal Cañizares, em sua homilia na Missa celebrada na Universidade Católica de Valência, por ocasião da Solenidade da Imaculada Conceição, disse que nesta semana que nós, católicos, não temos qualquer problema em respeitar “aqueles que veem a vida de forma diferente”; e, por isto mesmo, “pedimos liberdade e respeito para viver de acordo com as nossas convicções, para propor livremente a nossa maneira de ver as coisas sem que ninguém seja ameaçado ou que a nossa presença seja interpretada como uma ofensa ou um perigo para a liberdade dos outros”. Trata-se do problema da intolerância secularista, cada vez mais violenta, que envenena a coexistência em todo o Ocidente. Quem não pensar como eles, age como eles e vota como eles querem, é insultado e até perseguido. Esta é a sociedade a que os secularistas chamam de livre e democrática: a sociedade do pensamento unívoco, que se alimentou da verdadeira tolerância cristã para eliminar aqueles que permitiram a sua existência. Uma prova disto, entre tantas que ocorrem todos os dias, foi a decapitação do Menino Jesus, no monumental presépio que, durante anos, foi instalado em San Lorenzo del Escorial, perto de Madrid. Apesar de ser um bem de notável interesse cultural, com boas repercussões econômicas para a cidade, um autoproclamado “amante da liberdade” destruiu-o. E isto é apenas uma gota, no balde do dilúvio que cai sobre nós todos os dias. Alguns podem pensar que estes ataques à liberdade e aos direitos dos cristãos são obra de radicais fanáticos. Seria o caso se, sempre que algo semelhante acontecesse, as pessoas do mesmo lado condenassem o que aconteceu. Mas não é isso que acontece. Pelo contrário: cada vez mais, vemos líderes políticos identificarem-se e até justificarem a violência utilizada contra a Igreja, quando não são eles próprios que a praticam. Os secularistas, com a sua agressão e ódio, demonstram que existe apenas uma democracia possível, uma democracia em que aqueles que acreditam em Deus sejam tratados como cidadãos iguais. Já a outra democracia, aquela que eles querem impor, é na realidade uma ditadura. A fé em Deus”, concluiu o Cardeal Cañizares em sua homilia, “não limita a liberdade, mas melhora-a. É o ódio a Deus e aos crentes que reduz a liberdade e acaba por destruí-la”. Hoje em dia, tendo em conta o que está acontecendo, deve ser dito claramente: quem ama a liberdade, deve abandonar o secularismo e tornar-se cristão.
- A REALIDADE NÃO É UM ESTADO DE ESPÍRITO
Nossa tendência é chamar o céu de bonito Quando ele está bastante azul Ou quando azul e nuvens se dosam Na imprevisível mistura das auroras e dos crepúsculos. O que fazer, então, daquele céu nublado Monotonamente estendido por todo o firmamento Significando chuva iminente, Chuva que dessedenta o chão, Chuva que faz crescer a planta? Um cinza semelhante também não será igualmente bonito? Por que o tom de cinza deverá ser sempre sinal de tédio? Há uma realidade luminosa e palpitante Oculta no cinzento genesíaco das chuvas. É só treinar os olhos para vê-la. Há uma espécie de cor cinza obrigatoriamente tão bela Quanto o azul mais límpido e radioso. A realidade não é um estado de espírito passageiro. A realidade é o que misteriosamente é .
- Oração do Papa São Pio X à Imaculada Conceição
Oração do Papa São Pio X à Imaculada Conceição Virgem Imaculada, olhai com bondade! Ó Virgem Santíssima, fostes tão agradável ao Senhor que vos tornastes sua Mãe. Virgem Imaculada, em vosso corpo e alma, em vossa fé e amor, olhai com bondade os infelizes que suplicam vossa poderosa proteção. A serpente infernal, contra a qual foi lançada a primeira maldição, continua combatendo e tentando os pobres filhos de Eva. Vós, ó bendita Mãe, nossa Rainha e Advogada, que esmagastes a cabeça do inimigo desde o primeiro instante de vossa conceição, unidos a vós num só coração, imploramos que apresenteis nossas súplicas ante o trono de Deus. Obtende que jamais sejamos envolvidos pelas armadilhas que o inimigo nos prepara, mas cheguemos ao porto da salvação. E que a Igreja e a sociedade cristã, vencendo tantos perigos, cantem novamente o hino de libertação, de vitória e paz. Assim seja. #OraçãodoPapaSãoPioXàImaculadaConceição
- Em Fontanelle um santuário dedicado a Maria Rosa Mística-Mãe da Igreja
O anúncio do bispo Pierantonio Tremolada fez ontem, em uma carta publicada no semanário A Voz do Povo : a diocese de Brescia a partir de 7 de dezembro terá um novo santuário dedicado a Maria Rosa Mística Mãe da Igreja de Fontanelle em Montichiari . A carta é sóbria, mas as implicações não são insignificantes. Fontanelle é de facto o lugar ligado às aparições – ainda presumidas – de que foi protagonista Pierina Gilli , nascida em Montichiari, no Baixo Brescia, em 1911 e aí morta em 1991. Filha de camponeses, a mulher tentou entrar no Servas da Caridade – Instituto religioso nascido em Brescia em meados do século XIX – mas teve que desistir devido a graves problemas de saúde que surgiram na época do postulante, incluindo meningite. Ela trabalhou como perpétua do pároco de Carpenedololo, depois como enfermeira em um hospital. Nunca se casou e teve uma vida mais do que normal, quase anônima, apesar dos fenômenos místicos dos quais teria sido a protagonista. A primeira data de 1944, justamente quando Gilli estava em coma devido à meningite: a então beata e hoje Santa Maria Crocifissa Di Rosa, fundadora das Servas da Caridade, teria antecipado sua recuperação e além de exames futuros. Então Gilli teria dois ciclos de aparições , com mensagens dirigidas ao mundo: o primeiro iniciado em 1947, com Nossa Senhora que seria presenteada com os títulos de Rosa Mystica e Mãe da Igreja , e terminou em 8 de dezembro do mesmo ano em uma Basílica de Montichiari repleta de paroquianos e devotos de fora do país. O segundo ciclo teria ocorrido em 1966 em Fontanelle, município do interior de Montichiari onde existem várias nascentes. Nossa Senhora teria indicado um em particular como um lugar de purificação e uma fonte de graça. Pierina Gilli foi interrogado em 1948 pelas autoridades eclesiásticas e a diocese imediatamente assumiu uma atitude distante, repetida várias vezes pelos bispos que se sucederam em Brescia. Distância e desconfiança iniciais que, segundo alguns, também levaram ao desinteresse pelo resto da história, numa história espiritual extremamente complexa e misteriosa. Nesse ínterim, no entanto, o fluxo de fiéis para Fontanelle não apenas nunca diminuiu, mas aumentou ao longo dos anos . A igrejinha ali erguida – um simples galpão em uma cavidade no solo, com dois prédios ao lado – tornou-se destino de peregrinos de todo o mundo. “A devoção a Maria Rosa Mystica ligada aos acontecimentos de Montichiari é hoje difundida na América Latina, do Brasil a El Salvador ao México, mas também nos Estados Unidos”, explica Dom Marco Alba, delegado do bispo de Brescia para a Fontanelle . «A devoção que então cruzou a antiga dos católicos do Sri Lanka pela Rosa Mística, tanto é que aqueles que vivem na Itália vêm aqui no segundo domingo de setembro para a sua peregrinação. Mas Fontanelle também é conhecido na Índia, China e vários países africanos ». Quem deu a conhecer em lugares tão distantes uma realidade que oficialmente não existia? Segundo Don Alba, “um padre alemão começou a espalhar a estátua de Maria Rosa Mystica com as três rosas no peito, vista por Pierina. Alguns missionários provavelmente trouxeram a imagem com eles. Certamente, tal propagação é surpreendente e ainda não foi totalmente compreendida ”. Com sua decisão, Tremolada deu um passo exigente do ponto de vista pastoral e também teológico . O prelado escreve na carta à diocese: «Este impressionante fenômeno de oração e veneração à Santa Mãe do Senhor – aqui invocada como Rosa Mística e Mãe da Igreja – não é secundário à experiência espiritual de Pierina Gilli (1911- 1991), experiência que ainda é objeto de uma renovada fase de estudo e discernimento por parte da autoridade eclesiástica, tanto em nível diocesano como pela Congregação para a Doutrina da Fé ”. Portanto, ainda não há reconhecimento das aparições , mas a posição anterior também é superada, aquela que desde 2001 permitia o culto em Fontanelle mas proibia qualquer referência “aperturista” a Pierina Gilli. Tremolada escreve sempre sobre a sua experiência, a fim de “compreender cada vez melhor se e como … pode favorecer e incrementar a vida cristã no presente, o sentido de pertença à Igreja e a partilha da sua missão evangelizadora, sob a protecção e inspiração da Santa Mãe do Senhor ”. Entretanto, acrescenta o bispo, com a solene celebração eucarística e o anúncio do próximo 7 de dezembro «pretende-se reconhecer a potencialidade missionária destes lugares sagrados também a nível canónico, para consolidar, fortalecer e aumentar os numerosos frutos espirituais germinados. aqui. com o tempo “. E sempre será o momento que ajudará a entender melhor o que falta entender. Bom saber: as três rosas Na aparição que Pierina Gilli teria tido em 13 de julho de 1947, Maria se apresentaria com três rosas em seu manto (branca, vermelha e dourada), que estão sempre presentes também na iconografia de Maria Rosa Mystica inspirada nos acontecimentos de Montichiari e Fontanelle. As três rosas, teria explicado a Virgem, simbolizam a oração, o sacrifício e a imolação, necessários para reparar as infidelidades e traições das almas consagradas. Os diários, o suposto milagre e o estudo do teólogo Na nova fase de investigação da experiência mística de Pierina Gilli, alguns livros publicados pelas edições de Ares também tiveram um papel importante . O primeiro, “Maria Rosa Mística-Mãe da Igreja”, editado por Rosanna Brichetti Messori e Riccardo Caniato, é o volume póstumo de Dom Enrico Galbiati, conceituado estudioso bíblico e orientalista, prefeito da Biblioteca Ambrosiana, que se manifestou a favor de as aparições. O segundo volume são os “Diários” de Pierina Gilli, também editados por Riccardo Caniato, que há muito tempo permanecem inéditos, um texto de quase 700 páginas. “Irmão Ettore e o milagre de Rosa Mystica”, de Andrea Tornielli, por outro lado, diz respeito à presumível cura milagrosa de uma mulher em Fontanelle estudada pelo camiliano Ettore Boschini, cuja causa de beatificação está em andamento. FONTE: https://www.avvenire.it/ #RosaMísticaeMãedaIgreja #Montichiari #Fontanelle #PierinaGilli #RosaMística #SantaMãedoSenhor
- Cardeal Müller: Restringir sacramentos por medo de covid-19 é pecado grave
O cardeal Gerhard Müller, ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, chama as restrições aos sacramentos relacionadas à covid-19 de “pecado grave”. Em entrevista ao jornal Natitonal Catholic Register, o cardeal alemão também alertou contra bispos e padres que “se oferecem como cortesãos aos governantes deste mundo e se fazem seus propagandistas”. Alguns políticos, a grande mídia e a Big Tech “exploraram implacavelmente” o covid-19 para promover o “pensamento totalitário” que levou até mesmo à divisão dentro das famílias, disse o cardeal Gerhard Müller. Para Müller, a reação de alguns bispos e padres para fechar igrejas ou negar os sacramentos é um “pecado grave” que vai contra sua “autoridade dada por Deus.” Uma pequena minoria de dioceses na Alemanha tem restringido o acesso às missas a quem tenha tomado vacina ou tenha tido covid-19 recentemente. Essa decisão, assim como o fechamento de algumas igrejas, é “uma prova chocante de quão longe a secularização e descristianização do pensamento já atingiu os pastores do rebanho de Cristo”, disse o cardeal alemão. A Igreja Católica e os governos, acrescentou ele, devem “trabalhar em prol da coesão social” e evitar a retórica divisionista que rotula alguns como “teóricos da conspiração” ou “pecadores contra a caridade”. Ele também disse que os bispos e padres “não devem se oferecer como cortesãos aos governantes deste mundo e se fazer seus propagandistas”. Os comentários do cardeal ocorrem no momento em que vários países impõem mandatos estritos de vacinação. O governo austríaco planeja multar quem não tomar vacinados em US$ 4 mil a partir de fevereiro e pode aumentar a quantia para quase US$ 10 mil. As autoridades gregas aplicam multas mensais de 100 euros a pessoas com mais de 60 anos até que tomem a vacina. Nos EUA, nesta semana, a justiça bloqueou tentativas do governo Biden de obrigar trabalhadores americanos a se vacinar. Eminência, qual é a sua reação a esses mandatos cada vez mais severos, principalmente na Europa e na Austrália? Cardeal Gerhard Müller: Apenas em emergências extremas uma autoridade legítima do Estado pode impor uma exigência geral de vacinação aos cidadãos. Em tais casos, o bem comum deve ser o fator determinante, que, em certas circunstâncias, pode restringir, senão abolir, a liberdade do indivíduo. A produção da vacina deve ser eticamente correta, e as consequências médicas, psicológicas, sociais e efeitos colaterais devem ser mensuráveis e permanecer proporcionais aos benefícios esperados. Infelizmente, muitos governos perderam a confiança do público por meio de medidas caóticas que têm uma lógica contraditória. Em alguns casos, as regulamentações foram comprometidas e contaminadas pelos interesses financeiros e políticos de lobbies ideológicos e gigantes farmacêuticos. Em vez de unir a sociedade na luta contra a pandemia, os poderes que estão na política, a grande mídia e a Big Tech exploraram implacavelmente a situação para promover a agenda da “Grande Reinicialização”, ou seja, o pensamento totalitário. Atpe dentro das famílias as pessoas estão umas contra as outras. Mas em uma crise, os líderes da Igreja e do Estado devem trabalhar em prol da coesão e evitar discriminar os dissidentes, chamando-os de “teóricos da conspiração”, “pecadores contra a caridade”. Caso contrário, são culpados da conduta indevida muito divisiva, da qual acusam publicamente os outros. Por que o senhor acha que a Santa Sé e os bispos, quase sem exceção, tendem a silenciar publicamente sobre essas políticas discriminatórias e, alguns diriam, totalitárias, especialmente quando a eficácia das vacinas na prevenção da transmissão permanece discutível (o número de casos de COVID está aumentando na Áustria , Alemanha e outros países, apesar da vacinação generalizada) e quando a Congregação para a Doutrina da Fé decidiu contra a vacinação obrigatória em dezembro de 2020? Cardeal Müller: Bispos e sacerdotes são ministros da reconciliação das pessoas com Deus (2 Coríntios 5:19) e da reconciliação das pessoas entre si (Lumen Gentium 1; 21; 28). Sua missão e autoridade vêm de Jesus Cristo, e eles são efetivados no Espírito Santo. Os servos de Cristo no ministério apostólico não devem se oferecer como cortesãos aos governantes deste mundo e fazer-se seus propagandistas. Segundo nossa fé católica, o papa, além de ser a primeira testemunha da revelação sobrenatural de Deus em Jesus Cristo, é também o guardião supremo da lei moral natural. O magistério da Igreja tem, portanto, o direito e a obrigação de apontar os limites do poder temporal, que termina na liberdade de fé e de consciência. Qual é a sua opinião sobre algumas dioceses, como Berlim, que está restringindo a missa apenas aos vacinados ou recentemente recuperados do COVID? Cardeal Müller: É, acima de tudo, contrário à lei divina se o acesso aos meios de graça da Igreja, ou seja, os sacramentos de Cristo, é prejudicado ou mesmo proibido pelas autoridades estatais. O fato de os bispos terem fechado suas igrejas ou negado os sacramentos a pessoas que buscam ajuda é um grave pecado contra a autoridade concedida por Deus. Essa é uma prova chocante de quão longe a secularização e descristianização do pensamento já atingiu os pastores do rebanho de Cristo. Nesta situação, nós bispos devemos lembrar o exemplo de São Carlos Borromeu e, acima de tudo, ser guiados pela palavra de Jesus: “Eu sou o Bom Pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (João 10:11). Pois os mercenários, como senhores, dispõem da graça de Deus como bem entendem. Os bispos, entretanto, como sucessores dos apóstolos, não são governantes segundo os caminhos do mundo, mas ministros da Palavra e ministros da graça de Cristo. A observância das regras razoáveis para prevenir a transmissão da doença é um pouco diferente, mas isso não pode ser usado para justificar a recusa dos sacramentos por princípio, pois a graça da vida eterna deve ter precedência sobre os bens temporais. Como o senhor acha que a Igreja deveria responder; o que seus líderes deveriam estar dizendo? Cardeal Müller: Em tempos de crise, os locais de culto e os corações das pessoas devem estar bem abertos para que as pessoas possam buscar refúgio em Deus, de quem vem toda a ajuda. Todas as vacinas têm um limite temporal. Nenhum medicamento ou invenção técnica pode nos salvar da morte temporal e eterna. O Pão que Jesus dá é a cura para a morte eterna e – sem prazo de validade – o alimento para a vida eterna. “Quem comer este pão viverá para sempre” (João 6:51). E é por isso que, no início do século II, o bispo mártir Inácio de Antioquia, em sua “Carta à Igreja de Éfeso” (20: 2), pôde chamar a Eucaristia de “remédio da imortalidade”. A tarefa dos bispos é administrar a Eucaristia aos fiéis, não mantê-los afastados dela. A devoção pessoal em casa e a co-celebração virtual nas telas não podem substituir a presença real e física na assembléia dos fiéis, pois somos seres corporais e sociais. Portanto, a graça e a verdade de Deus nos são comunicadas por meio da Encarnação de seu Filho e são compartilhadas conosco na comunidade da Igreja. É o seu corpo. Na Eucaristia, Cristo está escondido, mas realmente presente com sua divindade e sua humanidade – em carne e osso. Via ACI Digital #Coronavírus
- Cardeal Müller: Restringir sacramentos por medo de covid-19 é pecado grave
O cardeal Gerhard Müller, ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, chama as restrições aos sacramentos relacionadas à covid-19 de “pecado grave”. Em entrevista ao jornal Natitonal Catholic Register, o cardeal alemão também alertou contra bispos e padres que “se oferecem como cortesãos aos governantes deste mundo e se fazem seus propagandistas”. Alguns políticos, a grande mídia e a Big Tech “exploraram implacavelmente” o covid-19 para promover o “pensamento totalitário” que levou até mesmo à divisão dentro das famílias, disse o cardeal Gerhard Müller. Para Müller, a reação de alguns bispos e padres para fechar igrejas ou negar os sacramentos é um “pecado grave” que vai contra sua “autoridade dada por Deus.” Uma pequena minoria de dioceses na Alemanha tem restringido o acesso às missas a quem tenha tomado vacina ou tenha tido covid-19 recentemente. Essa decisão, assim como o fechamento de algumas igrejas, é “uma prova chocante de quão longe a secularização e descristianização do pensamento já atingiu os pastores do rebanho de Cristo”, disse o cardeal alemão. A Igreja Católica e os governos, acrescentou ele, devem “trabalhar em prol da coesão social” e evitar a retórica divisionista que rotula alguns como “teóricos da conspiração” ou “pecadores contra a caridade”. Ele também disse que os bispos e padres “não devem se oferecer como cortesãos aos governantes deste mundo e se fazer seus propagandistas”. Os comentários do cardeal ocorrem no momento em que vários países impõem mandatos estritos de vacinação. O governo austríaco planeja multar quem não tomar vacinados em US$ 4 mil a partir de fevereiro e pode aumentar a quantia para quase US$ 10 mil. As autoridades gregas aplicam multas mensais de 100 euros a pessoas com mais de 60 anos até que tomem a vacina. Nos EUA, nesta semana, a justiça bloqueou tentativas do governo Biden de obrigar trabalhadores americanos a se vacinar. Eminência, qual é a sua reação a esses mandatos cada vez mais severos, principalmente na Europa e na Austrália? Cardeal Gerhard Müller: Apenas em emergências extremas uma autoridade legítima do Estado pode impor uma exigência geral de vacinação aos cidadãos. Em tais casos, o bem comum deve ser o fator determinante, que, em certas circunstâncias, pode restringir, senão abolir, a liberdade do indivíduo. A produção da vacina deve ser eticamente correta, e as consequências médicas, psicológicas, sociais e efeitos colaterais devem ser mensuráveis e permanecer proporcionais aos benefícios esperados. Infelizmente, muitos governos perderam a confiança do público por meio de medidas caóticas que têm uma lógica contraditória. Em alguns casos, as regulamentações foram comprometidas e contaminadas pelos interesses financeiros e políticos de lobbies ideológicos e gigantes farmacêuticos. Em vez de unir a sociedade na luta contra a pandemia, os poderes que estão na política, a grande mídia e a Big Tech exploraram implacavelmente a situação para promover a agenda da “Grande Reinicialização”, ou seja, o pensamento totalitário. Atpe dentro das famílias as pessoas estão umas contra as outras. Mas em uma crise, os líderes da Igreja e do Estado devem trabalhar em prol da coesão e evitar discriminar os dissidentes, chamando-os de “teóricos da conspiração”, “pecadores contra a caridade”. Caso contrário, são culpados da conduta indevida muito divisiva, da qual acusam publicamente os outros. Por que o senhor acha que a Santa Sé e os bispos, quase sem exceção, tendem a silenciar publicamente sobre essas políticas discriminatórias e, alguns diriam, totalitárias, especialmente quando a eficácia das vacinas na prevenção da transmissão permanece discutível (o número de casos de COVID está aumentando na Áustria , Alemanha e outros países, apesar da vacinação generalizada) e quando a Congregação para a Doutrina da Fé decidiu contra a vacinação obrigatória em dezembro de 2020? Cardeal Müller: Bispos e sacerdotes são ministros da reconciliação das pessoas com Deus (2 Coríntios 5:19) e da reconciliação das pessoas entre si (Lumen Gentium 1; 21; 28). Sua missão e autoridade vêm de Jesus Cristo, e eles são efetivados no Espírito Santo. Os servos de Cristo no ministério apostólico não devem se oferecer como cortesãos aos governantes deste mundo e fazer-se seus propagandistas. Segundo nossa fé católica, o papa, além de ser a primeira testemunha da revelação sobrenatural de Deus em Jesus Cristo, é também o guardião supremo da lei moral natural. O magistério da Igreja tem, portanto, o direito e a obrigação de apontar os limites do poder temporal, que termina na liberdade de fé e de consciência. Qual é a sua opinião sobre algumas dioceses, como Berlim, que está restringindo a missa apenas aos vacinados ou recentemente recuperados do COVID? Cardeal Müller: É, acima de tudo, contrário à lei divina se o acesso aos meios de graça da Igreja, ou seja, os sacramentos de Cristo, é prejudicado ou mesmo proibido pelas autoridades estatais. O fato de os bispos terem fechado suas igrejas ou negado os sacramentos a pessoas que buscam ajuda é um grave pecado contra a autoridade concedida por Deus. Essa é uma prova chocante de quão longe a secularização e descristianização do pensamento já atingiu os pastores do rebanho de Cristo. Nesta situação, nós bispos devemos lembrar o exemplo de São Carlos Borromeu e, acima de tudo, ser guiados pela palavra de Jesus: “Eu sou o Bom Pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (João 10:11). Pois os mercenários, como senhores, dispõem da graça de Deus como bem entendem. Os bispos, entretanto, como sucessores dos apóstolos, não são governantes segundo os caminhos do mundo, mas ministros da Palavra e ministros da graça de Cristo. A observância das regras razoáveis para prevenir a transmissão da doença é um pouco diferente, mas isso não pode ser usado para justificar a recusa dos sacramentos por princípio, pois a graça da vida eterna deve ter precedência sobre os bens temporais. Como o senhor acha que a Igreja deveria responder; o que seus líderes deveriam estar dizendo? Cardeal Müller: Em tempos de crise, os locais de culto e os corações das pessoas devem estar bem abertos para que as pessoas possam buscar refúgio em Deus, de quem vem toda a ajuda. Todas as vacinas têm um limite temporal. Nenhum medicamento ou invenção técnica pode nos salvar da morte temporal e eterna. O Pão que Jesus dá é a cura para a morte eterna e – sem prazo de validade – o alimento para a vida eterna. “Quem comer este pão viverá para sempre” (João 6:51). E é por isso que, no início do século II, o bispo mártir Inácio de Antioquia, em sua “Carta à Igreja de Éfeso” (20: 2), pôde chamar a Eucaristia de “remédio da imortalidade”. A tarefa dos bispos é administrar a Eucaristia aos fiéis, não mantê-los afastados dela. A devoção pessoal em casa e a co-celebração virtual nas telas não podem substituir a presença real e física na assembléia dos fiéis, pois somos seres corporais e sociais. Portanto, a graça e a verdade de Deus nos são comunicadas por meio da Encarnação de seu Filho e são compartilhadas conosco na comunidade da Igreja. É o seu corpo. Na Eucaristia, Cristo está escondido, mas realmente presente com sua divindade e sua humanidade – em carne e osso. Via ACI Digital #Coronavírus
- Os movimentos populares e a ambígua teologia do povo
A questão dos “movimentos populares” é um aspecto confuso, periclitante e perigoso da Igreja de hoje. Francisco entrou neste caminho há já algum tempo. A 16 de Outubro, enviou uma longa mensagem em vídeo aos participantes do IV Encontro Mundial dos Movimentos Populares. A 12 de Abril de 2020, Domingo de Páscoa, enviara-lhes uma carta. Anteriormente, tinha-se encontrado com os movimentos populares, a 9 de Julho de 2015, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, durante uma das suas viagens apostólicas, e também naquela ocasião tinha proferido um longo discurso. Outros dois encontros foram realizados no Vaticano. No seguimento desta abordagem pastoral, nascem, na América Latina, escolas de formação para líderes católicos de movimentos populares. A Academia de Líderes Católicos – Latinoamérica tem as suas sedes no Chile, no México, no Uruguai, na Costa Rica, na Colômbia, no Brasil e em Espanha. A sua actividade formativa online estende-se também à Venezuela, ao Peru, à Argentina, ao Panamá, à Guatemala e à Europa Central. Os programas destas escolas também incluem algumas lições sobre a Doutrina Social da Igreja, mas colocada num novo contexto global e, por conseguinte, reinterpretada e, na minha opinião, deformada. A nova abordagem pastoral dos movimentos populares pressupõe algumas novas convicções doutrinárias que não nos deixam tranquilos. Uma primeira observação a fazer diz respeito à extrema variedade dos próprios movimentos populares, que podem incluir movimentos dos povos indígenas, movimentos socialistas e comunistas, movimentos revolucionários, movimentos ecologistas de várias orientações, comunidades cristã de base animadas pela Teologia da Libertação, movimentos feministas, movimentos para a igualdade de género alargados aos LGBT, movimentos para a “cancel culture” que demolem as estátuas de Cristóvão Colombo, movimentos ao estilo de “Black Lives Matter” com o seu ódio ideológico a tudo o que é “branco”. A expressão “movimentos populares” engloba, assim, uma galáxia heterogénea que, enquanto em alguns lugares persegue objectivos aceitáveis, noutros – ou melhor, em muitos outros – propõe-se a fins que contradizem as exigências da Doutrina Social da Igreja. Além disso, não se deve esquecer que muitos destes movimentos populares não são nada populares, mas são financiados e impulsionados por poderosas entidades políticas nacionais ou transnacionais. A nova abordagem de Francisco e da Academia de líderes populares quer que os católicos participem em movimentos populares enquanto populares, portanto, em “qualquer” movimento popular. Trata-se, então, de uma questão de participação “qualquer”, ou seja, não motivada por um ponto de vista totalmente conforme com a Doutrina Social da Igreja. Não é esta última a motivar ou a orientar a presença no movimento, mas será a presença no movimento a reler a Doutrina Social. Basta que o movimento seja popular para que nasça o empenho dos católicos se comprometam a participar nele. O facto de ser popular, contudo, não elimina do movimento a inaceitabilidade moral, política e religiosa de alguns dos seus objectivos, e, por isso, os católicos acabam por contribuir para resultados errados. Mesmo que em alguns pontos específicos estes resultados pudessem ser aceitáveis, o contexto geral prosseguido pelo movimento popular específico anula a sua positividade, instrumentalizando-o para objetivos errados. Desta forma, o católico que participa erra em duas frentes: colabora com o mal e renuncia a imprimir a sua própria visão católica ao movimento. É por isso que a expressão líderes católicos aplicada aos movimentos populares é contraditória: se o movimento é bom porque é popular, os católicos não deverão tornar-se seus líderes para o guiar catolicamente, mas apenas para desenvolver a sua “popularidade”. A ambiguidade desta operação pastoral reside na chamada “teologia do povo” que constitui a sua base, uma bomba destinada a explodir com muitos danos. O povo compreendido num sentido sociológico, histórico e cultural não é uma categoria fundadora, mas uma categoria fundada. O seu valor depende da medida em que encarna, declinando-os segundo uma cultura e uma história sedimentadas, os autênticos valores naturais e religiosos. Nem toda a tradição é válida, nem toda a cultura é verdadeira, nem todo o povo é autêntico. Também os povos precisam de uma salvação que não podem dar a si próprios. A reta razão e a verdadeira religião são indispensáveis para purificar os povos. A “teologia do povo”, por outro lado, sustenta que o povo é o lugar da sabedoria humana e cristã enquanto povo. E isto aplicar-se-ia a cada povo. Mas tal não é verdade. FONTA: DIES IRAE / Stefano Fontana Esmaltação em Gel estraga a unha? Watch this video on YouTube. #movimentosinodal #movimentospopulares #papafrancisco #Vaticano #Osmovimentospopulareseaambíguateologiadopovo
- Porquê sofrer pela Sagrada Tradição?
Porquê sofrer pela Sagrada Tradição? Novembro 24, 2021 Como católico tradicionalista, perguntam-me frequentemente porque é que me dou ao trabalho de continuar a ser tradicionalista. Por que saio da cidade para a Missa Tradicional, quando o Novus Ordo está muito mais perto? Por que acredito que o catolicismo é a única religião verdadeira, fora da qual ninguém será salvo? Por que jejuo de carne às sextas-feiras? Porque é que rejeito o Concílio Vaticano II? Porque é que sou tão rígido? Por que não fico com os tempos? Acompanhar os tempos seria uma cruz tão leve. Tenho amigos liberais e familiares que amam o Papa Francisco, assim como o Presidente pró-escolha Joe Biden, que é definitivamente o católico mais devoto que o Mundo alguma vez verá! Eu estaria tão perdido sem os lembretes amigáveis que, se discordar do Papa, então não é católico. Mas isso não me deve preocupar de todo, porque Francisco ainda diz que “o bom Deus salvará toda a gente”. Poderia ser muito mais feliz se apenas concordasse com ele. Se eu obedecesse a Traditionis Custodes e fosse ao Novus Ordo, não teria de procurar sacramentos de sacerdotes canonicamente irregulares. Pouparia dinheiro em missais em latim-inglês, uma vez que o sacerdote me diz a missa em inglês. Não há necessidade de ser rígido e reverente quando estamos apenas a ter uma refeição comunitária com os amigos. Não é que isto seja o Sacrifício do Calvário nem nada, certo? Por mais tentador que possa ser para mim calar-me, sei que há uma razão para eu resistir. Se o grande Santo Atanásio tivesse deixado os seus companheiros bispos empurrar a heresia ariana, eles nunca o teriam enviado para o exílio, mas Deus tê-lo-ia feito. A Tradição disse-lhe que Jesus Cristo é divino, mesmo que alguns na hierarquia dissessem o contrário. Foi por isso que escreveu: «Mesmo que os católicos fiéis à Tradição sejam reduzidos a um punhado, são eles que são a verdadeira Igreja de Jesus Cristo». Com isto em mente, os tradicionalistas devem lembrar-se que a essência da Tradição Católica é mais profunda do que a nostalgia litúrgica; é a própria Fé. Se as mudanças na igreja conciliar não ameaçam a Fé católica, estamos a desperdiçar o nosso tempo resistindo-lhes. São Paulo diz-nos: «Portanto, irmãos, estai firmes e conservai as tradições nas quais fostes instruídos por nós, por palavra ou por carta» (2 Ts 2, 15). O Segundo Concílio de Niceia dá-nos a mais severa advertência de que «se alguém rejeitar qualquer tradição eclesiástica, escrita ou não escrita, seja anátema». Por conseguinte, sofremos pela Sagrada Tradição porque as nossas almas sofreriam eternamente sem ela. Foi por Tradição que recebemos a Fé Católica e é por Tradição que a entregaremos aos nossos filhos. O Papa não está acima da Fé que lhe compete transmitir, especialmente se não a transmitir. Nas palavras do santo Arcebispo Marcel Lefebvre, «nenhuma autoridade, nem mesmo a mais alta da hierarquia, pode forçar-nos a abandonar ou a diminuir a nossa Fé Católica, tão claramente expressa e professada pelo Magistério da Igreja durante dezanove séculos». FONTE: DIES IRAE / Dean Barker Esmaltação em Gel estraga a unha? Watch this video on YouTube. #sagradatradição #católico #sagradasescrituras #sagradatradiçãoigrejacatolica #oqueéasagradatradição #sagradatradiçãoapostólica #tradiçãoapostólica #tradiçãonaigrejacatólica #sagradadoutrina #tradiçao #sagradatradiçãocatólica #sagradatradiçãonabíblia #sagrada #catolica #asagradatradição #tradiçãocatólica #DOUTRINACATÓLICA #sagradomagistério #fecatolica #sagradaescritura #igrejacatolica
- Objetivo internacional de Francisco: viajar para a Rússia
Durante o vôo de volta da Grécia, o Papa anuncia um encontro “não muito longe” com Kyrill, o chefe da Igreja Ortodoxa Russa O Papa está colocando toda a carne na grelha para viajar para a Rússia. Isto foi afirmado na conferência de imprensa a bordo do vôo da Grécia para Roma. “Em um horizonte não muito distante está um encontro com o Patriarca Kyrill “, disse Francisco sobre um futuro encontro com o atual chefe da Igreja Ortodoxa Russa. Na verdade, ele anunciou que nos próximos dias o metropolita russo Hilarion Alfeyev, chefe do Departamento de Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou, visitará o Vaticano. “O patriarca tem que viajar, talvez para a Finlândia, e estou sempre disposto a ir a Moscou, para conversar com um irmão”, disse Francisco à imprensa, que destacou que “não há protocolos para dialogar com um irmão, um ortodoxo irmão Que se chame Cirilo, Cristóstomo, Jerónimo ”. Trabalhar juntos “Quando nos encontramos, não dançamos o minueto, dizemos coisas na cara uns dos outros, mas como irmãos”, disse ele sobre as discussões abertas entre as confissões cristãs. “Devemos tentar ir juntos, trabalhar e caminhar em unidade e pela unidade”, desejou, convencido de que “não devemos ficar parados esperando que os teólogos concordem”. Nesse sentido, aproveitou a conversa de Atenágoras e Paulo VI. “Coloquemos todos os teólogos em uma ilha para discutir e ir juntos para outro lugar”, brincou o Papa sobre o trabalho necessário da teologia, que afirmava a necessidade de continuar “rezando juntos, fazendo caridade juntos”. O desejo não realizado de João Paulo II Desse modo, todo o aparato diplomático do Vaticano parece estar voltado para o acerto de arestas em questões políticas, além das pontes abertas pelas plataformas ecumênicas para reforçar as pontes com os ortodoxos. A verdade é que a Igreja Católica mal tem meio milhão de fiéis e sempre sob suspeita de proselitismo em um país que tem 144 milhões de habitantes. Se produzido, Francisco enfrentaria o desafio que nem João Paulo II nem Bento XVI poderiam alcançar. O Papa polonês que lutou pessoal e pastoralmente contra a ameaça do comunismo faleceu sem ver seu desejo realizado. Nem mesmo quando se encontrou com Vladimir Putin no Vaticano, em novembro de 2003, conseguiu arrancar dele um convite, além de elogios pelo melhor “entendimento” entre a Santa Sé e Moscou. Por sua vez, o Kremlin também apreciou muito os passos dados em termos de relações bilaterais por Bento XVI. Pedido de perdão No encontro com os jornalistas, o Papa também fez referência ao seu pedido de perdão aos gregos ortodoxos “por todas as divisões que existem entre os cristãos, mas sobretudo por aquelas que causamos: os católicos”. “É mais difícil pedir perdão a um irmão do que a Deus”, acrescentou ele posteriormente. Quanto à sinodalidade, lamentou que a Igreja Católica latina “se tenha esquecido”, embora tenha sido “São Paulo VI quem restabeleceu o caminho sinodal”: “Estamos fazendo um caminho para adquirir o hábito da sinodalidade, de caminhar juntos”. FONTE: Vida Nueva Digital Esmaltação em Gel estraga a unha? Watch this video on YouTube. #iglesiaortodoxagriega #cristiano #católico #papafranciscodurantesuviajeagrecia #elpapaviajaagrecia #apenasel1delapoblaciónprofesalareligióncatólica #noticierotelemundo #quienesprofesanlareligioncatolicaengrecia #llamanherejealpapafrancisco #noticiastelemundo #gobiernogriego #migrantesengrecia #papafrancisco #Igreja #llamanherejealpapaengrecia #Vaticano #sacerdoteortodoxo #santasé #irrespetanalpapafranciscoengrecia
- A Igreja Suíça também encomenda um relatório histórico sobre os abusos
Os bispos e religiosos do país da Europa Central abrirão seus arquivos a uma comissão liderada por dois pesquisadores da Universidade de Zurique Alemanha, França… E também Suíça. Esta Igreja da Europa Central decidiu aderir à iniciativa de outros países europeus e irá realizar uma auditoria retrospectiva dos abusos sexuais cometidos dentro da Igreja. O país tem cerca de 2,5 milhões de católicos, o que representa pouco menos de 40% da população total. É uma iniciativa conjunta promovida pela Conferência Episcopal Suíça (CES), a Conferência das Uniões das Ordens e Outras Comunidades de Vida Consagrada (KOVOS) e a Conferência Católica Romana Central da Suíça (RKZ). “Estamos determinados a fazer justiça às vítimas”, dizem eles em um comunicado conjunto, cientes de que “inúmeras pessoas passaram por um sofrimento profundo”. As três instituições decidiram apresentar este relatório de duas professoras de história da Universidade de Zurique, Monika Dommann e Marietta Maier. Embora já tivessem começado os trabalhos de investigação, o lançamento formal do projeto só será feito em março próximo. Abrir arquivos Do Episcopado Suíço confirmaram que abrirão amplamente os arquivos eclesiásticos para facilitar o trabalho de consulta e verificação dos dados. Aparentemente, esse olhar para o passado remontaria a meados do século 20 até os dias atuais. “Este mandato é um passo importante para o trabalho de memória sobre a questão do abuso sexual no contexto da Igreja Católica”, afirmam em comunicado bispos e religiosos que detalham que se trata de “um projeto piloto” que visa avaliar de uma forma Preliminar o estado da questão para depois aprofundar os aspectos que requerem mais atenção. O desejo dos católicos suíços de colocar o preto no branco é tal que haverá também um comitê científico nomeado pela Sociedade Histórica Suíça que “garantirá a qualidade científica e a independência do projeto”. FONTE: Vida Nueva Digital 6 coisas que você precisa fazer para permanecer católico na faculdade Esmaltação em Gel estraga a unha? Watch this video on YouTube. #abusos #igrejafrança #abusosexual #denúnciasabuso #abuso #papafranciscofalasobreabusossexuais #escândalosexual #abusodemenores #papafranciscoabusossexuaisfrança #papafranciscoabusosexual #papafranciscoigrejacatólica #abusossexuais #Igreja #catolica #sexuais #comissãoindependentesobreosabusossexuais #igrejacatólicanafrança #abusopadre #igrejacatolica
- A POESIA COMO ANTÍDOTO PARA O RELATIVISMO MODERNO – Matthew Anderson
[Matthew Anderson é o diretor da Chesterton Academy of St. George, um colégio clássico de tradição católica que vai abrir em Jackson, Michigan, no Outono de 2022. É licenciado em Teologia Sistemática pela Christendom College Graduate School of Theology e reside em Jackson, Michigan, com a sua mulher Elizabeth e os seus cinco filhos, de onde escreve sobre fé e cultura]. Se queremos transmitir melhor a fé às próximas gerações, então a poesia tem de ter um maior protagonismo na educação católica. Não é segredo nenhum que grande parte da formação religiosa, que se dá na Igreja Católica, está em crise. As nossas escolas e paróquias são servidas muitas vezes por pessoas bem-intencionadas, que querem educar rapazes e moças para amar e servir o Senhor, mas parece haver uma desconexão entre as suas intenções e os resultados. As mais recentes tendências revelam esta dinâmica. Apenas 39% dos católicos vão semanalmente à missa (isto antes da pandemia). Cerca de três quartos dos católicos acreditam que a Igreja devia mudar a sua posição sobre a contracepção (não obstante isto ser uma impossibilidade teológica). E ficou famosa a sondagem da Pew Research Center, em 2019, que revelou que 70% dos católicos não acreditam na Presença Real na Eucaristia, apesar de esta ser, nas palavras do Concílio Vaticano II, a “fonte e cume da vida cristã”. Por que é que esta desconexão afeta tantos católicos modernos? E como é que a poesia pode ajudar? Dito de forma simples, a poesia introduz os estudantes num mundo simbólico, o que é uma condição essencial para a crença nos sacramentos. Muitas vezes tentamos ensinar a fé a jovens que têm uma mundivisão moderna e relativista, mas essa é uma perspectiva que ataca na raiz a natureza intrínseca de elementos-chave do catolicismo, tais como os sacramentos. Em Uma era secular , Charles Taylor fala da diferença entre a mundivisão moderna e a mundivisão sacramental em termos da origem do significado das coisas. Na visão moderna “as coisas só têm sentido na medida em que despertam em nós certas respostas”. Na visão pré-moderna e secular, “os sentidos não se encontram apenas nas mentes, mas também nas coisas, ou em vários sujeitos extra-humanos, mas intra-cósmicos”. Atualmente, um jovem que esteja crescendo com uma mundivisão moderna tende a acreditar que o sentido das coisas é uma projeção da mente. As coisas não têm sentido em si; o único sentido que podem ter é aquele que lhes damos. Esta mentalidade está na raiz de assuntos tais como a redefinição do casamento e o fenómeno transgênero. Vendo os sacramentos dessa perspectiva, a Eucaristia é o Corpo de Cristo se assim quisermos, mas se não quisermos não é. Assim, os sacramentos tornam-se apenas símbolos, compostos apenas pelo sentido que lhes quisermos dar. Essa mentalidade é o sopro da morte para a fé. Se queremos que os nossos jovens passem a acreditar na fé transcendente, conformando-se a ideais mais altos, temos de os ensinar que o sentido pode encontrar-se na realidade exterior a si. É aqui que entra a poesia. Não creio que seja uma coincidência que, quanto mais dominante se torna a mundivisão da auto-invenção, menos importância se dá à poesia na educação, porque a poesia comunica precisamente através de sentidos inerentes à realidade. Tomemos, por exemplo, a primeira estrofe do poema “O tordo negro”. De Thomas Hardy: I leant upon a coppice gate When Frost was specter-gray, And Winter’s dregs made desolate The weakening eye of day. The tangled bine-stems scored the sky Like strings of broken lyres, And all mankind that haunted nigh Had sought their household fires. [Encostei-me ao portão de uma talhadia Quando a Geada era de um cinza espectral E os resquícios do Inverno punham desolado O olhar cansado do dia. Troncos entrelaçados rasgavam as alturas Como cordas de liras despedaçadas E os homens, que perturbavam as redondezas, Já tinham regressado às lareiras de suas casas]. Neste poema, Hardy recorre a imagens de espectros e de assombros, resquícios e troncos entrelaçados, para transmitir a imagem de uma paisagem desoladora, solitária e sem esperança. Usa também o som de palavras como “sky” e “nigh”, no original [“alturas” e “redondezas”, na tradução] para dar à cena alguma severidade. O efeito final é misterioso e sombrio, preparando assim a entrada em cena de um pequeno tordo que, mais adiante no poema, irá cantar uma melodia feliz no meio desta paisagem, como se estivesse preenchido de “alguma Esperança bendita, de que ele tinha conhecimento, mas eu ignorava”. Com esta utilização de imagens e de sons, o poema depende da existência de um sentido intrínseco das coisas materiais em si mesmas, preparando assim o palco para a discrepância da esperança do tordo. Por outras palavras, depende de uma visão sacramental da realidade. Se usássemos a mundivisão subjetiva, o poema simplesmente deixaria de fazer sentido. Se os resquícios do inverno são uma realidade gloriosa, porque acontece eu gostar do inverno; e os troncos, entrelaçados como cordas de liras despedaçadas, são apenas uma opção paisagística avant-garde ; então, o aparecimento do tordo e da esperança no meio da desolação já não tem qualquer significado. É precisamente o significado das coisas que conduz o leitor à compreensão da beleza da esperança. Quando confrontamos os jovens com a poesia, é ela própria, através da sua natureza, que lhes ensina que as coisas têm sentido. A poesia funciona como um antídoto ao relativismo da modernidade. Conduz ao mundo encantado de que falava Taylor, um mundo em que as folhas e as árvores, o pôr-do-sol e as tempestades têm sentido. Porém, mais que tudo isso, prepara-os para aceitar uma Fé em que, como disse o Venerável Fulton Sheen, “a maior história de amor de todos os tempos está contida numa pequena hóstia branca”. https://actualidadereligiosa.blogspot.com/2021/10/a-poesia-como-antidoto-para-o.html#.YaoRFNDMLIU
- O dia em que um herege apanhou do bom velhinho, São Nicolau
Neste dia 6 de dezembro, a Igreja celebra a memória de São Nicolau de Mira, bispo do Oriente que, célebre especialmente por sua generosidade, acabou dando origem à figura do “Papai Noel”, hoje bastante difundida durante os festejos natalinos. Nesta matéria queremos dar ênfase a uma passagem relativamente conhecida da vida de São Nicolau, dada durante a sua participação no primeiro Concílio da Igreja, em Niceia, no ano 325. Foi essa assembleia ecumênica — palavra que quer dizer, em grego, “universal” — que condenou a heresia do arianismo e reafirmou a fé católica na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. O historiador católico Daniel-Rops, autor da famosa coleção História da Igreja de Cristo, relata que, quando os bispos ali reunidos ouviram “alguns fragmentos” dos escritos de Ário, “os erros mostraram-se tão patentes que uma onda de indignação sacudiu todos aqueles homens fervorosos“. Um desses homens fervorosos foi justamente o “bom velhinho”, São Nicolau, cuja bondade, ao contrário do que se pode pensar, nada tinha de leniente. Já cansado da insolência de Ário e de ver desonradas, por sua boca, a pessoa divina de Jesus Cristo e a maternidade divina de Nossa Senhora, conta-se que o corajoso bispo confrontou fisicamente o heresiarca, esbofeteando-lhe a boca. Os prelados ao redor se assustaram e, mesmo discordando de Ário, viram-se obrigados a punir o “zelo excessivo” de Nicolau, trancafiando o bispo na prisão e confiscando o seu pálio e a cópia que ele possuía dos Evangelhos. É preciso “suportar com magnanimidade as ofensas dirigidas a nós, mas não tolerar sequer ouvir as injúrias feitas a Deus”. A resposta do Céu à ira de São Nicolau, no entanto, foi bem outra. Alguns dias depois do ocorrido, os próprios Jesus e Maria visitaram o bispo em sua cela. “Por que estás aqui?”, teria perguntado Nosso Senhor a Nicolau, ao que ele respondeu: “Porque vos amo, meu Deus e Senhor” [2]. Imediatamente, foram-lhe devolvidos os símbolos de sua dignidade episcopal. É por isso que, em muitos ícones do santo, é possível vê-lo ladeado de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, respectivamente com um livro e um pálio nas mãos. Destituído do ofício episcopal por seus irmãos, o bispo de Mira terminou o grande Concílio de Niceia readmitido diretamente pelo próprio Deus. Essa história ensina para nós o valor da “santa ira”, repetindo uma lição passada pelo próprio Senhor quando tentado no deserto. Ao ser incitado pelo demônio a transformar as pedras em pão, ou a demonstrar o seu poder, lançando-se de um despenhadeiro, Cristo não ficou perturbado nem repreendeu o diabo. Mas, quando este usurpou para si a honra devida a Deus, dizendo: “Tudo isto eu te darei se, prostrando-te, me adorares”, Cristo exasperou-se e o repeliu: “Vai-te, Satanás” (Mt 4, 9-10). Por que agiu assim Aquele que é “manso e humilde” de coração? “Para que aprendamos com seu exemplo”, responde Santo Tomás de Aquino, “a suportar com magnanimidade as ofensas dirigidas a nós, mas não tolerar sequer ouvir as injúrias feitas a Deus“. A verdadeira história do Papai Noel São Nicolau, cuja memória a Igreja celebra neste dia 6 de dezembro, tornou-se conhecido por seu costume, segundo uma antiga tradição, de entregar presentes secretos aos pobres e necessitados, o que lhe valeu ser a figura hoje tão conhecida do “Papai Noel”, bastante comum nos festejos de Natal. Em nossos dias, porém, o mítico sobreviveu ao místico: a lenda explorada com fins comerciais acabou ofuscando a verdadeira biografia deste grande homem. Qual é, então, a sua verdadeira história? Nicolau nasceu na antiga cidade de Pátara, território da atual Turquia, por volta do ano 270, sendo educado por uma família de pais nobres e muito virtuosos. Seu desejo de dedicar-se a Deus brotou na mais tenra idade, fazendo-o viver inteiramente devotado à Palavra de Deus, de tal maneira que, tendo herdado, com a morte dos pais, grande fortuna, fez-se apenas um administrador daqueles bens que se tornaram dos pobres. Ao mudar-se para a cidade de Mira, onde quis viver mais secretamente, Nicolau, já muito virtuoso e de uma piedade divina, foi aclamado bispo, e logo ficou famoso tanto pelos inúmeros milagres que por ele Deus realizava quanto por sua grande caridade, da qual procediam as esmolas e os presentes “secretos” aos necessitados. Ninguém confunda sua caridade, porém, com leniência ou complacência. Nesse sentido, um episódio marcante de sua vida ficou registrado nas atas do Concílio de Niceia, a primeira grande reunião de bispos da Igreja Católica, ocorrida em 325. Na ocasião, os cristãos deparavam com uma grande e perigosa heresia: o arianismo, que negava a divindade de Jesus. O historiador católico Daniel-Rops relata que, quando os bispos ali reunidos ouviram “alguns fragmentos” dos escritos de Ário, “os erros mostraram-se tão patentes que uma onda de indignação sacudiu todos aqueles homens fervorosos”. “São Nicolau de Bari”, óleo sobre tela, de Giovanni Gasparro. Um deles foi justamente o “bom velhinho”, São Nicolau: já cansado da insolência de Ário, conta-se que o corajoso bispo confrontou fisicamente o heresiarca, esbofeteando-lhe a boca. Os prelados ao redor se assustaram e, mesmo discordando de Ário, viram-se obrigados a punir o “zelo excessivo” de Nicolau, trancafiando o bispo na prisão e confiscando o seu pálio e a cópia que ele possuía dos Evangelhos. A resposta do Céu à ira de São Nicolau, no entanto, parece ter sido bem outra. Alguns dias depois do ocorrido, os próprios Jesus e Maria visitaram o bispo em sua cela. “Por que estás aqui?”, teria perguntado Nosso Senhor a Nicolau, ao que ele respondeu: “Porque vos amo, meu Deus e Senhor” [2]. Imediatamente, foram-lhe devolvidos os símbolos de sua dignidade episcopal. É por isso que, em muitos ícones do santo, é possível vê-lo ladeado de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, respectivamente com um livro e um pálio nas mãos. Destituído do ofício episcopal por seus irmãos, o bispo de Mira terminou o grande Concílio de Niceia readmitido diretamente pelo próprio Deus. Hoje, São Nicolau é muito venerado tanto no Oriente, onde nasceu e exerceu seu ministério episcopal, quanto no Ocidente. Foi da cidade italiana de Bari, afinal, onde se encontram suas relíquias, que a devoção ao “bom velhinho” se espalhou por todo o continente europeu. Santo Tomás de Aquino, por exemplo, foi um grande devoto de São Nicolau. Foi em um 6 de dezembro, a propósito, que o Doutor Angélico, celebrando Missa numa capela dedicada a São Nicolau, recebeu de Deus uma visão que o fez dizer, poucos meses antes de entregar sua alma a Deus: “Tudo que escrevi até hoje parece-me unicamente palha, em comparação com aquilo que vi e me foi revelado”. Sem sombra de dúvida, um presente extraordinário recebido pelas mãos de São Nicolau. Neste tempo de Advento, preparando a vinda do Senhor, peçamos a São Nicolau que obtenha também a nós este dom de Deus: o desapego deste mundo de palha e a posse inamissível do Cristo. São Nicolau de Mira e de Bari, rogai por nós! #Natal #PapaiNoel
- O dia em que um herege apanhou do bom velhinho, São Nicolau
Neste dia 6 de dezembro, a Igreja celebra a memória de São Nicolau de Mira, bispo do Oriente que, célebre especialmente por sua generosidade, acabou dando origem à figura do “Papai Noel”, hoje bastante difundida durante os festejos natalinos. Nesta matéria queremos dar ênfase a uma passagem relativamente conhecida da vida de São Nicolau, dada durante a sua participação no primeiro Concílio da Igreja, em Niceia, no ano 325. Foi essa assembleia ecumênica — palavra que quer dizer, em grego, “universal” — que condenou a heresia do arianismo e reafirmou a fé católica na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. O historiador católico Daniel-Rops, autor da famosa coleção História da Igreja de Cristo, relata que, quando os bispos ali reunidos ouviram “alguns fragmentos” dos escritos de Ário, “os erros mostraram-se tão patentes que uma onda de indignação sacudiu todos aqueles homens fervorosos“. Um desses homens fervorosos foi justamente o “bom velhinho”, São Nicolau, cuja bondade, ao contrário do que se pode pensar, nada tinha de leniente. Já cansado da insolência de Ário e de ver desonradas, por sua boca, a pessoa divina de Jesus Cristo e a maternidade divina de Nossa Senhora, conta-se que o corajoso bispo confrontou fisicamente o heresiarca, esbofeteando-lhe a boca. Os prelados ao redor se assustaram e, mesmo discordando de Ário, viram-se obrigados a punir o “zelo excessivo” de Nicolau, trancafiando o bispo na prisão e confiscando o seu pálio e a cópia que ele possuía dos Evangelhos. É preciso “suportar com magnanimidade as ofensas dirigidas a nós, mas não tolerar sequer ouvir as injúrias feitas a Deus”. A resposta do Céu à ira de São Nicolau, no entanto, foi bem outra. Alguns dias depois do ocorrido, os próprios Jesus e Maria visitaram o bispo em sua cela. “Por que estás aqui?”, teria perguntado Nosso Senhor a Nicolau, ao que ele respondeu: “Porque vos amo, meu Deus e Senhor” [2]. Imediatamente, foram-lhe devolvidos os símbolos de sua dignidade episcopal. É por isso que, em muitos ícones do santo, é possível vê-lo ladeado de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, respectivamente com um livro e um pálio nas mãos. Destituído do ofício episcopal por seus irmãos, o bispo de Mira terminou o grande Concílio de Niceia readmitido diretamente pelo próprio Deus. Essa história ensina para nós o valor da “santa ira”, repetindo uma lição passada pelo próprio Senhor quando tentado no deserto. Ao ser incitado pelo demônio a transformar as pedras em pão, ou a demonstrar o seu poder, lançando-se de um despenhadeiro, Cristo não ficou perturbado nem repreendeu o diabo. Mas, quando este usurpou para si a honra devida a Deus, dizendo: “Tudo isto eu te darei se, prostrando-te, me adorares”, Cristo exasperou-se e o repeliu: “Vai-te, Satanás” (Mt 4, 9-10). Por que agiu assim Aquele que é “manso e humilde” de coração? “Para que aprendamos com seu exemplo”, responde Santo Tomás de Aquino, “a suportar com magnanimidade as ofensas dirigidas a nós, mas não tolerar sequer ouvir as injúrias feitas a Deus“. A verdadeira história do Papai Noel São Nicolau, cuja memória a Igreja celebra neste dia 6 de dezembro, tornou-se conhecido por seu costume, segundo uma antiga tradição, de entregar presentes secretos aos pobres e necessitados, o que lhe valeu ser a figura hoje tão conhecida do “Papai Noel”, bastante comum nos festejos de Natal. Em nossos dias, porém, o mítico sobreviveu ao místico: a lenda explorada com fins comerciais acabou ofuscando a verdadeira biografia deste grande homem. Qual é, então, a sua verdadeira história? Nicolau nasceu na antiga cidade de Pátara, território da atual Turquia, por volta do ano 270, sendo educado por uma família de pais nobres e muito virtuosos. Seu desejo de dedicar-se a Deus brotou na mais tenra idade, fazendo-o viver inteiramente devotado à Palavra de Deus, de tal maneira que, tendo herdado, com a morte dos pais, grande fortuna, fez-se apenas um administrador daqueles bens que se tornaram dos pobres. Ao mudar-se para a cidade de Mira, onde quis viver mais secretamente, Nicolau, já muito virtuoso e de uma piedade divina, foi aclamado bispo, e logo ficou famoso tanto pelos inúmeros milagres que por ele Deus realizava quanto por sua grande caridade, da qual procediam as esmolas e os presentes “secretos” aos necessitados. Ninguém confunda sua caridade, porém, com leniência ou complacência. Nesse sentido, um episódio marcante de sua vida ficou registrado nas atas do Concílio de Niceia, a primeira grande reunião de bispos da Igreja Católica, ocorrida em 325. Na ocasião, os cristãos deparavam com uma grande e perigosa heresia: o arianismo, que negava a divindade de Jesus. O historiador católico Daniel-Rops relata que, quando os bispos ali reunidos ouviram “alguns fragmentos” dos escritos de Ário, “os erros mostraram-se tão patentes que uma onda de indignação sacudiu todos aqueles homens fervorosos”. “São Nicolau de Bari”, óleo sobre tela, de Giovanni Gasparro. Um deles foi justamente o “bom velhinho”, São Nicolau: já cansado da insolência de Ário, conta-se que o corajoso bispo confrontou fisicamente o heresiarca, esbofeteando-lhe a boca. Os prelados ao redor se assustaram e, mesmo discordando de Ário, viram-se obrigados a punir o “zelo excessivo” de Nicolau, trancafiando o bispo na prisão e confiscando o seu pálio e a cópia que ele possuía dos Evangelhos. A resposta do Céu à ira de São Nicolau, no entanto, parece ter sido bem outra. Alguns dias depois do ocorrido, os próprios Jesus e Maria visitaram o bispo em sua cela. “Por que estás aqui?”, teria perguntado Nosso Senhor a Nicolau, ao que ele respondeu: “Porque vos amo, meu Deus e Senhor” [2]. Imediatamente, foram-lhe devolvidos os símbolos de sua dignidade episcopal. É por isso que, em muitos ícones do santo, é possível vê-lo ladeado de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, respectivamente com um livro e um pálio nas mãos. Destituído do ofício episcopal por seus irmãos, o bispo de Mira terminou o grande Concílio de Niceia readmitido diretamente pelo próprio Deus. Hoje, São Nicolau é muito venerado tanto no Oriente, onde nasceu e exerceu seu ministério episcopal, quanto no Ocidente. Foi da cidade italiana de Bari, afinal, onde se encontram suas relíquias, que a devoção ao “bom velhinho” se espalhou por todo o continente europeu. Santo Tomás de Aquino, por exemplo, foi um grande devoto de São Nicolau. Foi em um 6 de dezembro, a propósito, que o Doutor Angélico, celebrando Missa numa capela dedicada a São Nicolau, recebeu de Deus uma visão que o fez dizer, poucos meses antes de entregar sua alma a Deus: “Tudo que escrevi até hoje parece-me unicamente palha, em comparação com aquilo que vi e me foi revelado”. Sem sombra de dúvida, um presente extraordinário recebido pelas mãos de São Nicolau. Neste tempo de Advento, preparando a vinda do Senhor, peçamos a São Nicolau que obtenha também a nós este dom de Deus: o desapego deste mundo de palha e a posse inamissível do Cristo. São Nicolau de Mira e de Bari, rogai por nós! #Natal #PapaiNoel
- RELIGIÃO DÁ LUGAR A CURSOS DE CIDADANIA
A decisão dos parlamentares da maioria belga foi tomada no fim de novembro, depois de meses de debate. A revolução está completa. Em quatro anos, na Bélgica, os cursos de cidadania e filosofia, que introduzem ideologia de gênero nas escolas, dobraram sua presença no currículo escolar (de uma para duas horas), enquanto os cursos de religião foram definidos como opcionais e, de fato, marginalizados. E isso sem nem levar em conta a opinião dos bispos , marginalizados também pela opinião pública, o que foi denunciado pelo bispo de Tournai, dom Guy Harpigny. Em uma proposta de resolução, eles recomendam que o governo da Federação Valônia-Bruxelas implemente, em consulta com as partes interessadas na educação, um curso semanal obrigatório de duas horas em filosofia e cidadania como parte do calendário. Os cursos não-confessionais de religião e ética serão opcionais. As escolas serão obrigadas a continuar a oferecê-los aos alunos que desejam segui-los “em condições que facilitem aos alunos o exercício do seu direito constitucional à educação moral ou religiosa”. Na resolução, os deputados pedem também ao governo que melhore as condições de organização do ensino da filosofia e da cidadania em termos confessionais livres e apoie a extensão do curso obrigatório de filosofia e cidadania com duas horas semanais nesta rede, com disposições que teriam por missão “promover a convivência, o desenvolvimento do pensamento autônomo e crítico”. Os Cursos de Filosofia e Cidadania (EPC, na sigla em francês) foram introduzidos na Bélgica por decreto em 7 de julho de 2016, após uma longa batalha que viu muitas organizações de professores entrarem em campo. Eram chamados de cours de rien , cursos de nada, em francês, mas em vez de desencorajar as crianças de participarem, eles os encorajavam. Assim iniciou-se a transição para ensinamentos “neutros”, desenvolvidos por professores considerados “neutros”, ou seja, sem nenhum tipo de formação religiosa. O problema é que a proposta de abolir os cursos de religião gratuitos e oficiais, violaria a Constituição. Os flamengos eram a favor do curso opcional, os franceses não. Foi alcançado um compromisso: curso obrigatório com possibilidade de isenção. A Comunidade Flamenga tem esta possibilidade de isenção, mas em 2010-2011 envolveu apenas 982 alunos do ensino primário e 1676 alunos do ensino secundário. Hoje, os líderes francófonos aproveitaram uma oportunidade política, dado o fato de que o acordo de 1988 é um acordo político, mas não foi traduzido legalmente. Isso significa que não há obrigação de os cursos de religião serem oferecidos na escola. O chamado cours de rien deveria ser neutro, mas tem sido utilizado para introduzir questões como a ideologia de gênero ou a educação sexual. Quando os cursos do EPC foram introduzidos, os bispos belgas simplesmente tomaram nota da decisão do governo, sem protestar. Agora, em um contexto difícil para o futuro dos cursos de religião, o site da Conferência Episcopal Belga, Cathobel, iniciou uma ofensiva talvez tardia, lembrando que já em 2015 uma autoridade havia sido estabelecida pela Conferência Episcopal Belga para supervisionar esses cursos, composta por delegados episcopais para a educação, desde o conselheiro emérito do ex-Ministro da Educação e o porta-voz da Conferência Episcopal, com as missões de pesquisar, comunicar a importância dos cursos de religião e participar nas estruturas de consulta relativas aos cursos de religião. Cathobel observa que “desde o seu início, a autoridade tem trabalhado ativamente para apoiar os professores de religião em várias redes educacionais e garantir que a relevância deste curso como é oferecido hoje seja discutida. Em boa sinergia com outros cultos reconhecidos na Bélgica, ele destaca os desafios essenciais de manter tal curso na formação de alunos”. O bispo Guy Harpigny de Tournai, delegado da Conferência Episcopal para os cursos de religião, observa que no novo texto de referência “Missão da Escola Cristã”, os cursos de religião (duas horas por semana) são “parte integrante do currículo dos alunos” na ‘educação católica gratuita, ao mesmo tempo que observa que “no que diz respeito às redes educacionais oficiais, o artigo 24 da Constituição é particularmente explícito no fato de que a escolha da educação em um as religiões reconhecidas ou a moral não-confessional devem ser oferecidas aos alunos que frequentam as escolas das redes oficiais de ensino, do início ao fim da escolaridade obrigatória”. O Bispo Harpigny observou como entre 80% e 90% dos pais continuam a escolher cursos de religião, um sinal de pelo menos um apego cultural ao assunto ou em qualquer caso de compartilhamento dos objetivos dos cursos, que eram trabalhar em questões de significado, para construir convivência, trabalhar o diálogo entre cultura e religião. Desde 2015, o curso de cidadania foi sendo introduzido gradativamente, ao ritmo de uma hora por semana e uma hora de religião ou moral. Os pais podiam pedir isenção da hora da religião, e isso levava a outra hora de ensino filosófico. “Há mais de 6 anos, os pais ou responsáveis de um aluno, bem como os alunos adultos, são consultados na educação oficial”, enfatiza Dom Haprigny. Agora, denuncia, “trazer o ensino da religião para a esfera privada não é isento de perigos”, e destaca que o trabalho dos grupos parlamentares está sendo feito a portas fechadas, sem que seja possível consultar a autoridade da Conferência Episcopal. «Apesar dos nossos repetidos pedidos, este grupo de trabalho parlamentar não deu seguimento ao nosso desejo de ser associado, pelo menos ouvido, a estas questões e reflexões que têm tanto impacto no futuro das classes religiosas», afirma Dom Harpigny. O bispo de Tournai é claro: “Essa recusa nos leva a questionar, desde já, a imparcialidade das conclusões que o grupo de trabalho parlamentar tirar”. E acusa a imprensa de que “não nos permite lançar luz sobre estas questões e temas… e não é por falta de tentativa de fazer ouvir a nossa voz! Mas não desistimos”. https://www.acidigital.com/noticias/religiao-da-lugar-a-cursos-de-cidadania-em-escolas-da-belgica-98719?fbclid=IwAR2XIrHCaqcflBzVzfe4RUPoIyhfaQK1871vH2QfBalFU9Ead-aqE4yikZs
- O RUMO DE CASA – Scott Hahn medita sobre o 2º Domingo do Advento
O Salmo de hoje descreve uma cena de sonho: uma estrada cheia de prisioneiros libertados, voltando para casa em Sião (Jerusalém), com os dentes cheios de risos e e as línguas cheias de alegria. É uma imagem gloriosa do passado de Israel, um “novo êxodo”, a libertação do exílio na Babilônia, recordado em um momento de flagrante incerteza e ansiedade. Mas o salmista não o faz por nostalgia. Lembrando que “o Senhor fez grandes coisas” no passado, ele está realizando um ato de fé e de esperança de que Deus virá a Israel auxiliá-lo em sua necessidade atual, e de que Ele fará coisas ainda maiores no futuro. É disto que tratam as leituras do Advento. Recordamos os feitos salvadores de Deus, tanto na história de Israel como na vinda de Jesus. A razão de ser da nossa lembrança é avivar a nossa fé, para nos encher com a confiança de que (como diz a epístola de hoje) “Aquele que começou uma boa obra em [nós], continuará a completá-la” até que Ele venha novamente em Sua glória. Cada um de nós – ensina a Liturgia – é como Israel em seu exílio, levados ao cativeiro por nossa pecaminosidade, necessitados de restauração e conversão pela Palavra do Santo (Baruch 5, 5). As lições da história da salvação devem nos ensinar que, como Deus libertou Israel mais de uma vez, em Sua misericórdia Ele também nos libertará de nossa sujeição ao pecado, se arrependidos nos voltarmos para Ele. Esta é a mensagem de João Batista, que é apresentado, no Evangelho de hoje, como o último dos grandes profetas (v. Jeremias 1, 1-4, 11). Mas João é maior do que os profetas (Lucas 7, 27). Ele está preparando o caminho, não apenas para uma nova redenção de Israel, mas para a salvação de “toda carne” (veja também Atos 28, 28). João cita Isaías (40, 3) para dizer que veio para construir o nosso caminho de volta a casa, uma saída do deserto do pecado e da alienação de Deus. É a estrada do seguimento de Jesus: caminhada que devemos fazer com alegria, como diz a primeira leitura de hoje, uma vez que somos alvos dos cuidados de Deus. https://stpaulcenter.com/the-road-home-scott-hahn-reflects-on-the-second-sunday-of-advent/
- DIANTE DO MUNDO DIGITAL, É PRECISO REENCONTRAR A ENCARNAÇÃO – Pe. Antoine Vidalin
[O padre francês Antoine Vidalin, que também é engenheiro civil, filósofo e doutor em teologia, sacerdote da diocese de Paris e professor da Faculdade Notre-Dame do Collège des Bernardins, acaba de publicar uma obra intitulada Personne! L’existence numérique ou la négation de la chair [Ninguém! Existência digital ou a negação da carne]. Ressaltando que nenhuma área da sociedade escapa ao uso da tecnologia digital e de suas demandas (educação, trabalho, medicina e até o culto), Padre Vidalin acredita que esse caráter abrangente levanta questões filosóficas, antropológicas e teológicas sem paralelo. Qual é o impacto da tecnologia digital em nossa sensibilidade? A que realidade ela pretende fornecer acesso? Nossos cinco sentidos parecem ser gradativamente remodelados e guiados nos “caminhos pré-traçados do mundo virtual”. Essa nova realidade chamada “virtual” abole o espaço e o tempo. À luz do livro do Apocalipse , Padre Vidalin nos coloca como homens criados à imagem de Deus e diante dos fundamentos de nossa existência]. Não se trata de se proteger das ferramentas digitais, mas de não ser mais escravo delas. Esse caminho passa por uma ascese, um verdadeiro “jejum da alma”. Coisa que exige não apenas abrir mão de parte do conteúdo digital, que vai entrando em nós para nos solicitar e habitar internamente, mas, sobretudo, abrir mão do poder que o digital fornece: velocidade, imediatismo, eficiência. Esta renúncia será antes de tudo pessoal, na medida de uma liberdade interior que só pode estar enraizada na fé. É um desafio e tanto. É preciso redescobrir a lentidão, aceitar a fragilidade da carne, admitir que não se pode fazer tudo. É preciso enfrentar o tédio e a solidão. São tantas atitudes, não só negativas, mas que se abrem para a redescoberta do próprio corpo como casa da alma: estar no próprio corpo, hic et nunc , é abrir-se Àquele que aí mora, uma vez que o Reino está dentro de nós (Lc 17:21). É recuperar uma interioridade perdida. Face au numérique, retrouver l’incarnation
- Quais carnes não devemos comer às sextas-feiras?
Todas as sextas-feiras do ano são penitenciais e em todas elas devemos, sob pena de pecado grave, u nir-nos à Paixão de Cristo, fazendo algum sacrifício por amor a Deus. A penitência padrão estabelecida pela Santa Igreja é a abstinência de carne. O que não podemos comer nos dias em que a Igreja preceitua que nos abstenhamos de carne? A resposta é simples e direta: nos dias de abstinência , que são todas as sextas-feiras do ano, além da Quarta-feira de Cinzas e da Sexta-feira Santa (nas quais temos de guardar também o jejum), devemos abster-nos de carne animal , tanto bovina e suína quanto de aves (animais de sangue quente), com exceção da carne de peixe e dos frutos do mar. Assista: Trata-se de um preceito eclesiástico , e não de uma lei divina, e apesar de obrigar gravemente, não é um mandamento promulgado de forma direta por Nosso Senhor. O que, sim, é de lei divina é a nossa obrigação, como católicos conscientes, de fazer penitência (cf. CDC, cân. 1249). Entretanto, Cristo deixou à Igreja a liberdade de determinar, segundo as circunstâncias e necessidades de cada tempo, os meios concretos de os batizados porem em prática o espírito de mortificação que nos deve animar a todos. E a Igreja, ao definir canonicamente sua disciplina penitencial, preferiu excluir do conceito “carne” tanto a carne de peixe quanto os frutos do mar, não por fazer uma distinção entre “carne vermelha” e “carne branca”, nem por algum motivo simbólico ou de ordem teológica, mas por uma questão eminentemente prática : ao contrário da carne de boi ou de porco, a de peixe é de mais fácil digestão e causa menor impressão de saciedade; por isso, é um alimento mais adequado para aqueles dias em que, de modo especial, somos chamados a unir-nos às dores de Nosso Senhor. Leia também: Toda sexta-feira é dia de abstinência de carne, entenda o por-quê. Vale lembrar ainda que, desde 1983, com a promulgação do atual Código de Direito Canônico , estão obrigados a guardar nos dias prescritos a devida abstinência de carne todos os fiéis que já completaram os 14 anos de idade (cf. CDC, cân. 1252), embora a Igreja recomende vivamente aos pais que desde cedo inspirem aos filhos o espírito de penitência e os eduquem, logo nos primeiros anos, a ver na escolha de uma alimentação mais pobre e simples, feita regularmente e em família, uma maneira de corresponder ao amor daquele que tanto nos amou. Leia também Devoção das nove primeiras sextas-feiras ao Sagrado Coração de Jesus Fonte: Padre Paulo Ricardo #Carne #Catequese #FormaçõesCatólicas #Sextafeira
- Quais carnes não devemos comer às sextas-feiras?
Todas as sextas-feiras do ano são penitenciais e em todas elas devemos, sob pena de pecado grave, u nir-nos à Paixão de Cristo, fazendo algum sacrifício por amor a Deus. A penitência padrão estabelecida pela Santa Igreja é a abstinência de carne. O que não podemos comer nos dias em que a Igreja preceitua que nos abstenhamos de carne? A resposta é simples e direta: nos dias de abstinência , que são todas as sextas-feiras do ano, além da Quarta-feira de Cinzas e da Sexta-feira Santa (nas quais temos de guardar também o jejum), devemos abster-nos de carne animal , tanto bovina e suína quanto de aves (animais de sangue quente), com exceção da carne de peixe e dos frutos do mar. Assista: Trata-se de um preceito eclesiástico , e não de uma lei divina, e apesar de obrigar gravemente, não é um mandamento promulgado de forma direta por Nosso Senhor. O que, sim, é de lei divina é a nossa obrigação, como católicos conscientes, de fazer penitência (cf. CDC, cân. 1249). Entretanto, Cristo deixou à Igreja a liberdade de determinar, segundo as circunstâncias e necessidades de cada tempo, os meios concretos de os batizados porem em prática o espírito de mortificação que nos deve animar a todos. E a Igreja, ao definir canonicamente sua disciplina penitencial, preferiu excluir do conceito “carne” tanto a carne de peixe quanto os frutos do mar, não por fazer uma distinção entre “carne vermelha” e “carne branca”, nem por algum motivo simbólico ou de ordem teológica, mas por uma questão eminentemente prática : ao contrário da carne de boi ou de porco, a de peixe é de mais fácil digestão e causa menor impressão de saciedade; por isso, é um alimento mais adequado para aqueles dias em que, de modo especial, somos chamados a unir-nos às dores de Nosso Senhor. Leia também: Toda sexta-feira é dia de abstinência de carne, entenda o por-quê. Vale lembrar ainda que, desde 1983, com a promulgação do atual Código de Direito Canônico , estão obrigados a guardar nos dias prescritos a devida abstinência de carne todos os fiéis que já completaram os 14 anos de idade (cf. CDC, cân. 1252), embora a Igreja recomende vivamente aos pais que desde cedo inspirem aos filhos o espírito de penitência e os eduquem, logo nos primeiros anos, a ver na escolha de uma alimentação mais pobre e simples, feita regularmente e em família, uma maneira de corresponder ao amor daquele que tanto nos amou. Leia também Devoção das nove primeiras sextas-feiras ao Sagrado Coração de Jesus Fonte: Padre Paulo Ricardo #Carne #Catequese #FormaçõesCatólicas #Sextafeira
- UMA EUROPA EXCLUDENTE E SUICIDA – Pe. Santiago Martín
A Comissão Europeia, através da sua Comissão de Igualdade, elaborou recomendações dirigidas a todos os estados membros para aplicar o que entendem como “linguagem inclusiva”, neste caso referindo-se ao Natal. Para estas personagens, que vivem muito bem à custa dos impostos pagos por todos os europeus, incluindo os cristãos, não deveria haver qualquer referência religiosa nas mensagens que as entidades públicas emitem hoje em dia. Não mais “Feliz Natal”, mas “feriados felizes”; não mais “período de Natal”, mas “período de férias”. A sua desculpa era que chamar de Natal ao Natal poderia perturbar os não-cristãos. Anos atrás, quando a campanha para retirar crucifixos das salas de aula das escolas começou na Espanha, o mesmo argumento foi usado. “As crianças que não são cristãs”, dizia-se, “são incomodadas por verem o sinal de outra religião nas suas salas de aula”. Mesmo assim, comentei que a solução para integrar toda a gente não vinha da subtração, mas sim da adição. “Não se retire o crucifixo”, disse eu, “coloque-se uma lua crescente com um fundo verde ao lado, se houver alunos muçulmanos; ou uma imagem de Buda, se houver crianças dessa religião; e, para os ateus, coloque-se uma moldura sem fundo através da qual a parede possa ser vista, porque eles também são crentes, embora o deus em que acreditam não seja nada. Ao remover o crucifixo, foram precisamente os ateus que ganharam, não os muçulmanos ou os budistas. No lugar do crucifixo não há nada; e esse é, precisamente, o seu deus. Agora, os brilhantes intelectos da Comissão Europeia deram um passo na mesma direção, e com o mesmo argumento. Para evitar perturbar os muçulmanos, não se deve chamar o Natal pelo nome, dizem eles. Felizmente, a reação negativa tem sido tão grande, que eles tiveram de recuar. A propósito, o mesmo aconteceu na Inglaterra, embora neste país aquele que saiu em defesa da validade dos símbolos cristãos tenha sido, curiosamente, um deputado muçulmano. Essa linguagem que eles chamam “inclusiva” é, na realidade, uma linguagem de exclusão, que procura uma Europa que também é de exclusão, na qual nós, cristãos, não temos lugar. Se quiserem incluir, que felicitem os judeus no Hanukkah — que, a propósito, termina na próxima segunda-feira — ou os muçulmanos no Ramadan, em abril próximo. Se quiserem incluir, deixem-nos acrescentar, em vez de subtrair. Os burocratas da Comissão Europeia já sabem tudo isto, mas querem que as raízes cristãs do continente desapareçam, e usam qualquer desculpa para o fazer. Tudo isto me levou a pensar em São João Paulo II e, também, naquelas imagens dos trabalhadores do sindicato Solidariedade, ajoelhados na missa, enquanto estavam em greve nos estaleiros de Gdansk. Foram usadas a vitalidade e resistência dos católicos para pôr fim ao comunismo. E agora, quando pensam já não precisar de nós, querem implementar o que sempre foi o seu objetivo: uma nova ditadura sem Deus, onde apenas o dinheiro e o prazer sejam adorados. O seu fim, como São Paulo disse na sua carta aos Filipenses, é a perdição, porque o seu deus é a sua barriga e a sua glória é a sua vergonha. Teremos de recomeçar a partir das ruínas que eles vão deixar. E já começaram com as suas políticas ateias: por exemplo, promovendo uma Europa sem filhos, com a mais baixa taxa de natalidade do mundo, longe da taxa de reposição da população. A sua política é suicida, mas estão avançando cheios de arrogância em direção ao abismo. Tal como resistimos aos tiranos comunistas, vamos resistir e derrotar esses tiranos secularistas, embora, como aqueles, só deixem a destruição na sua esteira. O ódio dos secularistas ateus não será capaz de nos derrotar, tal como o ódio dos comunistas ateus não o conseguiu, embora eles nos façam sofrer muito. Cristo venceu e continuará a vencer. É por isso que, mais do que nunca, vamos colocar símbolos religiosos em nossos alpendres neste ano; e que nenhum cristão diga “boas festas”. A única festa é que o Filho de Deus nasceu da Santíssima Virgem Maria. E, apesar de ainda faltarem algumas semanas, Feliz Natal!
- AMAR A IGREJA – Thomas G. Weinandy, OFM
Às vezes é difícil amar a Igreja Católica Romana. Os infindáveis escândalos de abusos sexuais não só nos desencorajam, como nos tornam cínicos sobre o estado atual da Igreja; ficamos zangados com a sua aparente incapacidade de se reformar. Mas há outras razões para nos preocuparmos. Muitos católicos, hoje, dão a impressão de que não amam a Igreja, não por causa dos seus membros pecaminosos, mas porque não gostam da Igreja no seu estado tradicional. Consideram as suas doutrinas antiquadas – dogmas mortos do passado, cuja presença sufocante impede a verdadeira renovação. Da mesma forma, consideram os seus ensinamentos morais tradicionais, em especial no que diz respeito ao casamento e à sexualidade, rígidos, impiedosos e inflexíveis, que não permitem às pessoas “ser quem verdadeiramente são”. Estas leis, acreditam eles, agrilhoam a liberdade dos homens e das mulheres e o seu direito inerente a escolher o que é melhor para si. Na sua opinião, os princípios morais da Igreja não fazem mais do que alimentar uma vida infeliz e de recheada de culpa. Uma Igreja assim não pode ser amada… Para ser amada, dizem, a Igreja deve mudar nos níveis mais profundos do seu ser. E os que estão vivos no Espírito, são chamados a usar o seu poder político e financeiro para garantir que essa mudança se realize. Quando rezava na igreja abandonada em São Damião, São Francisco de Assis ouviu o Jesus crucificado falar com ele: “Francisco, vai e restaura a minha casa que, como vês, está em ruínas”. Francisco, na sua simples inocência, começou a pegar em pedras para restaurar aquela capela e outras. Só mais tarde é que percebeu que era a própria Igreja, Corpo de Cristo, que precisava de ser restaurada. Então, o que é que Francisco fez? Saiu para mudar os ensinamentos doutrinais e morais, acabando por rejeitar a própria Igreja? Afinal de contas era isso que alguns dos “movimentos de reforma”, dentro da Igreja no seu tempo, estavam propondo. Não. Francisco, enquanto filho fiel da Igreja, sabia que ela só podia ser restaurada, se a verdade vivificante das suas doutrinas voltasse a ser as pedras sobre as quais ela se edifica. Assim, Francisco, tanto por palavras como por ações, devolveu vida aos mistérios da fé no seio da Igreja. A sua pregação centrava-se na doutrina da Encarnação. O Filho de Deus existiu realmente como homem no seio de Maria. Tornou-se pobre em nossa humanidade, para que nós nos tornássemos ricos em sua divindade. E que melhor maneira de manifestar esta enorme verdade, senão encenando-a? Foi isso que ele fez. Encenou a cena do presépio na vila de Greccio. Rodeado de ovelhas, vacas e burros, a Encarnação ganhou vida. E consta que o menino Jesus, filho de Maria e eterno Filho do Pai, apareceu nos braços de Francisco. As vidas das pessoas foram transformadas. Escutaram o chamado ao arrependimento do pecado e à fé no seu Salvador. Voltaram a tornar-se pedras vivas da Igreja de Cristo. Se a Encarnação foi fundamental no esforço de Francisco para reconstruir a sua Igreja, o seu amor por Jesus crucificado tornou-se o cume. Na Cruz, o pobre Jesus ofereceu a sua vida santa e impecável para remissão do pecado e, assim, fez por merecer a sua gloriosa ressurreição. Nesta cena dupla Jesus, pelo sangue e pela água que jorrou do seu lado trespassado, gerou a esposa santa e pura: a Igreja. Por essa mesma esposa, essa mesma Igreja, Francisco sacrificou a sua vida, para de novo a tornar santa. Os estigmas, as marcas físicas dos pregos e da lança, não são simplesmente um sinal de que Francisco era uma imagem viva de Cristo crucificado; foi mais, na medida em que ele, na imitação de Jesus, se ofereceu pela renovação da Igreja. Tal como Cristo é o esposo eterno, adorável e crucificado da Igreja, Francisco foi o esposo adorável e crucificado da Igreja do seu tempo. Enquanto os falsos defensores da renovação desprezavam os sacramentos da carne, Francisco gloriava-se na sua materialidade, porque a matéria manifestava a glória de Deus: Irmão sol e irmã lua, irmão fogo e irmã água. A Eucaristia, a mais material de todos os sacramentos, era a maior alegria de Francisco. O próprio pão e o vinho transformavam-se em carne e sangue ressuscitados do Jesus ressuscitado em corpo. Dessa forma, a pessoa entra em comunhão corporal com o próprio Jesus encarnado. A pobreza da nossa carne é enriquecida pela carne ressuscitada de Jesus – uma convivência mútua para a vida eterna. Para Francisco, a Eucaristia não era uma doutrina obsoleta, mas a fonte e o cume da vida da Igreja. No contexto destas doutrinas carregadas de verdade e de vida, Francisco exortaria os seus contemporâneos a arrepender-se dos seus pecados e viver vidas santas. Francisco não encarava os ensinamentos morais do seu tempo como decretos rígidos e impossíveis de cumprir. Pelo contrário, tal como experimentou em sua própria vida, Francisco sabia que a crença no Senhor Jesus e o cumprimento dos seus mandamentos, como professados pela Igreja, conduzem a uma liberdade, santidade e felicidade cheios do Espírito. Francisco reconheceu, à luz da sua insensatez juvenil, que defender a mudança dos ensinamentos morais da Igreja equivalia a oferecer ao mundo a morte: uma vida atormentada na terra e a agonia eterna no Inferno. Francisco, no seu amor sacrificial, queria restaurar a Igreja de Jesus e fazer dela um santuário de luz e de vida, num mundo escurecido pelo pecado e pela morte. É difícil amar uma Igreja neste estado. Porém, as palavras que Jesus crucificado proferiu a Francisco ecoam em nossos ouvidos. “Restaura a minha casa que, como vês, está em ruínas”. Francisco, e todos os santos, são os nossos exemplos. Não somos chamados a edificar uma “nova igreja” sobre as mentiras enganadoras de Satanás. Antes, devemos restaurar a Igreja antiga, mas perenemente nova de Jesus, um templo edificado com as pedras vivas da verdadeira doutrina apostólica, os mistérios da fé que alimentam a santidade na vida. Fazê-lo é amar a esposa de Cristo – a Igreja desposada por Jesus. https://actualidadereligiosa.blogspot.com/2021/11/amar-igreja.html#.YaoKmdDMLIU
- Como começar a rezar o Terço em Família durante o Advento
Para a nossa família o Terço diário começou um ano, durante o Advento. A Joy e eu sabíamos que deveríamos rezar o Terço em família todos os dias. Afinal de contas, Nossa Senhora de Fátima pediu se rezar o Terço todos os dias. Mais ainda, os Papas têm pedido repetidas vezes o Terço em família, concedendo mesmo uma indulgência plenária a quem o faz. Por isso nós queríamos rezá-lo, mas não sabíamos como começar. Sem sabermos, o Advento viria a tornar-se o modo para o Terço diário se tornar consagrado na nossa vida doméstica de cada dia. Aconteceu assim: Todos os anos a nossa família acende uma coroa de advento muito bonita, com velas altas e largas – não só nos Domingos do Advento mas em cada do dia do Avento (i.e. acendemos um vela roxa todas noites na primeira semana – duas velas na segunda semana, etc.). Normalmente eu lia um versículo da Sagrada Escritura, falávamos sobre isso e depois rezámos em família. Quando as crianças começaram a crescer faziam o que fosse preciso para acender as velas porque as crianças gostam mesmo do fogo. Se disserem a uma criança: “Podes acender as velas do Advento se comeres as ervilhas todas”, a criança vai comer todas as ervilhas. Isto também funciona na Missa. Já acalmei o meu filho de 3 anos a dizer baixinho: “Se queres acender uma vela no fundo da igreja, é melhor parares de andar às voltas!” Assim, o Advento foi a única altura consistente em que nos juntávamos como uma família à noite para rezar. Rezávamos com as crianças antes de dormir. As crianças gostavam das nossas noites de Advento porque podiam acender as velas e depois soprá-las quando acabava. Naturalmente, o Advento foi a altura ideal para inserir o Terço de família e foi isso que aconteceu. As crianças, dos 3 aos 7 de idade, vão tentar rezar e seguir as contas se puderem “brincar com o fogo”. As velas do Advento foram o meio de conseguir isto. Por isso, quando o Advento acabou, continuámos a rezar o Terço durante os 12 dias de Natal e continuámos a acender essas velas. Depois veio a Epifania e tínhamos de guardar as velas. Isto foi um problema porque as crianças queriam acender as velas! Mas nós não podíamos manter a Coroa de Advento o ano inteiro… Assim, fizemos um altar de família permanente, acrescentámos um crucifixo e…claro: velas. E o Terço em família simplesmente continuou e tem continuado sem interrupções até hoje. Mesmo com babysitters, as crianças vão rezar o Terço. É como lavar os dentes ou pôr desodorizante. Rezar o Terço é uma coisa que se faz todos os dias. Ainda estamos na primeira semana do Advento. Se não rezam o Terço em família não é tarde. Deixem os miúdos acender as velas e arranjem uma imagem bonita de Nossa Senhora ou um crucifixo para ter por perto. Quando o Advento acabar, tirem a coroa, e repitam o processo. Tenham um feliz e santo Advento e façam dele um tempo para crescer mais perto de Maria e Jesus – através do Santo Terço. Taylor Marshall #Advento
- Como começar a rezar o Terço em Família durante o Advento
Para a nossa família o Terço diário começou um ano, durante o Advento. A Joy e eu sabíamos que deveríamos rezar o Terço em família todos os dias. Afinal de contas, Nossa Senhora de Fátima pediu se rezar o Terço todos os dias. Mais ainda, os Papas têm pedido repetidas vezes o Terço em família, concedendo mesmo uma indulgência plenária a quem o faz. Por isso nós queríamos rezá-lo, mas não sabíamos como começar. Sem sabermos, o Advento viria a tornar-se o modo para o Terço diário se tornar consagrado na nossa vida doméstica de cada dia. Aconteceu assim: Todos os anos a nossa família acende uma coroa de advento muito bonita, com velas altas e largas – não só nos Domingos do Advento mas em cada do dia do Avento (i.e. acendemos um vela roxa todas noites na primeira semana – duas velas na segunda semana, etc.). Normalmente eu lia um versículo da Sagrada Escritura, falávamos sobre isso e depois rezámos em família. Quando as crianças começaram a crescer faziam o que fosse preciso para acender as velas porque as crianças gostam mesmo do fogo. Se disserem a uma criança: “Podes acender as velas do Advento se comeres as ervilhas todas”, a criança vai comer todas as ervilhas. Isto também funciona na Missa. Já acalmei o meu filho de 3 anos a dizer baixinho: “Se queres acender uma vela no fundo da igreja, é melhor parares de andar às voltas!” Assim, o Advento foi a única altura consistente em que nos juntávamos como uma família à noite para rezar. Rezávamos com as crianças antes de dormir. As crianças gostavam das nossas noites de Advento porque podiam acender as velas e depois soprá-las quando acabava. Naturalmente, o Advento foi a altura ideal para inserir o Terço de família e foi isso que aconteceu. As crianças, dos 3 aos 7 de idade, vão tentar rezar e seguir as contas se puderem “brincar com o fogo”. As velas do Advento foram o meio de conseguir isto. Por isso, quando o Advento acabou, continuámos a rezar o Terço durante os 12 dias de Natal e continuámos a acender essas velas. Depois veio a Epifania e tínhamos de guardar as velas. Isto foi um problema porque as crianças queriam acender as velas! Mas nós não podíamos manter a Coroa de Advento o ano inteiro… Assim, fizemos um altar de família permanente, acrescentámos um crucifixo e…claro: velas. E o Terço em família simplesmente continuou e tem continuado sem interrupções até hoje. Mesmo com babysitters, as crianças vão rezar o Terço. É como lavar os dentes ou pôr desodorizante. Rezar o Terço é uma coisa que se faz todos os dias. Ainda estamos na primeira semana do Advento. Se não rezam o Terço em família não é tarde. Deixem os miúdos acender as velas e arranjem uma imagem bonita de Nossa Senhora ou um crucifixo para ter por perto. Quando o Advento acabar, tirem a coroa, e repitam o processo. Tenham um feliz e santo Advento e façam dele um tempo para crescer mais perto de Maria e Jesus – através do Santo Terço. Taylor Marshall #Advento
- A IGREJA DEVE MEDITAR SOBRE A REALIDADE DO ‘ESTADO PROFUNDO’ – Stefano Fontana
Respira-se, hoje, um sentimento de que os chamados governos democráticos não são os verdadeiros governantes e que, sob as aparentes formas constitucionais, está sendo instalado, ou já foi instalado, um sistema paralelo que permanece nas sombras, mas que detém o poder efetivo dentro de cada Estado e, sobretudo, em organizações supranacionais e internacionais. Este é a problemática do Estado profundo [“deep State”]. Em 2016, Mike Lofgren publicou o livro The Deep State. The fall of the Constitution and the rise of a shadow Government [A queda da Constituição e a ascensão de um governo paralelo]. Lofgren havia trabalhado por trinta anos, em Washington, como consultor de orçamento de defesa, a serviço do Congresso e do Senado. Em seu livro, ele fala sobre a existência de um Estado profundo que vai muito além da concentração de poder do “complexo militar-industrial”, denunciado por Eisenhawer como o principal perigo para a democracia americana. Lofgren tenta mostrar que “Estado profundo” significa que o governo dos EUA se tornou um espetáculo de marionetes e dá detalhes do que isso significou para Clinton, George W. Bush e Obama. Lofgren explica assim a noção em questão: “A expressão Estado profundo foi inventada na Turquia e seria um sistema composto por elementos de alto nível dentro dos serviços de inteligência, do exército, da segurança, do sistema judiciário e do crime organizado. No último romance do escritor britânico John Le Carré, A delicate Truth [Uma verdade delicada], um personagem descreve o Estado profundo como ‘o círculo crescente de especialistas não governamentais, proveniente do mundo dos Bancos, da indústria e do comércio, que foram autorizados a acessar informações altamente confidenciais, não disponíveis, nesse nível, nem mesmo em Whitehall e Westminster’. Portanto, uso esta expressão [‘Estado profundo’] para indicar uma associação híbrida de elementos do governo e pessoas dos mais altos níveis da finança e da indústria, que são efetivamente capazes de governar os Estados Unidos sem relação com o consentimento dos governados, expresso por meio do processo político formal.” Por “Estado profundo”, portanto, queremos dizer duas coisas relacionadas entre si. A primeira caracteriza uma desordem funcional na administração pública: setores que se tornam autônomos, como acontece, por exemplo, com o judiciário na Itália; ministérios, polícias, estados-maiores do exército que freiam ou desviam as decisões do poder central; as redes maçônicas, a espionagem, a corrupção. O Estado profundo seria um complexo formado por responsáveis pela diplomacia armada, as grandes companhias industriais, os think thanks ou a mídia, através dos quais possam exercer sua influência, juntamente com a posse de imensos recursos financeiros. Da desordem funcional ao crime, o passo é curto; e esta é, precisamente, a segunda coisa que caracteriza o “Estado profundo”. Esses setores e conexões não reconhecidos formariam um Estado paralelo, gozariam de uma definição de objetivos diferentes daqueles que estão oficialmente estabelecidos, responderiam a outras regras éticas e de responsabilidades que não aquelas previstas pela lei comum. Seria uma hibridização de elementos legais e ilegais. O regime democrático moderno sempre conheceu um dualismo constitutivo: de um lado, a afirmação da soberania popular exercida por via eleitoral; de outro, o poder real de uma oligarquia que pretende obter periodicamente a confirmação do seu poder graças às eleições, mas é livre, no resto, para agir em prol de seus próprios e variados interesses. Até agora, entretanto, isso permaneceu dentro da estrutura do Estado-nação. Agora a situação mudou, como indica o permanente estado de emergência em que nos encontramos. Existem grandes semelhanças entre o que acontece nos vários países “democráticos” e em algumas organizações internacionais e supranacionais — ONU, OMS, União Europeia —, que experimentam o mesmo tipo de hibridação que se observa nos Estados-membros. Foi assim que nasceu uma superestrutura mundial, caracterizada pela absorção da política pela economia. Se esta é a noção de “Estado profundo”, torna-se interessante fazer algumas observações à parte. A primeira diz respeito à democracia que, já frágil por natureza, conhece no “Estado profundo” o seu próprio “de profundis”… Mesmo supondo que a noção de “poder popular” seja correta, o “Estado profundo” corrói esse conceito em suas raízes. O “Estado profundo” pilota a política, pilota as emergências (incluindo as sanitárias), pilota os governos. A segunda diz respeito ao conceito de governança global, caro também a alguns documentos da Doutrina Social da Igreja que, diante do “Estado profundo”, se mostram ingênuos. Diga-se “não” a um governo mundial, mas “sim” à governança global, dizem esses documentos. Mas o “Estado profundo” prova que pode desempenhar muito bem esse papel de governança global. Portanto, é melhor ter cuidado. Em terceiro lugar, pense-se na posição atual da Igreja Católica, que anda bastante inclinada a favor das instituições estatais, supra-estatais e globais, mas que não leva em conta a presença do “Estado profundo” sob as aparências apresentáveis de cada Estado nacional. https://lanuovabq.it/it/la-chiesa-mediti-sulla-realta-dello-stato-profondo
- CABEÇAS ERGUIDAS – Scott Hahn medita sobre o 1º Domingo do Advento
Em todo Advento, a Liturgia da Palavra reorienta o nosso sentido do tempo. Há uma tensão deliberada nas leituras das próximas quatro semanas — entre promessa e cumprimento, expectativa e libertação, entre olhar para frente e olhar para trás. Na primeira leitura de hoje, o profeta Jeremias dirige nosso olhar à promessa que Deus fez a Davi, cerca de mil anos antes de Cristo. Deus diz, através do profeta, que Ele cumprirá esta promessa elevando um “rebento justo”, um reto descendente de Davi, que governará Israel com justiça (II Samuel 7, 16; Jeremias 33, 17; Salmos 89, 4-5; 27-38). O Salmo de hoje também ressoa o tema da antiga expectativa de Israel: “Guia-me na tua verdade, e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação; por ti estou esperando todo o dia.” Nós olhamos para o desejo e a profecia de Israel, sabendo que Deus já cumpriu aquelas promessas, enviando Seu único Filho ao mundo. Jesus é o “rebento justo”, o Deus e Salvador por Quem Israel estava esperando. Saber que Ele é um Deus que cumpre suas promessas, imprime uma grave urgência às palavras de Jesus no Evangelho de hoje. Incitando-nos a vigiar pelo Seu retorno na glória, Ele recorre às imagens de caos e instabilidade do Velho Testamento — turbulência nos céus (Isaías 13, 11-13; Ezequiel 32, 7-8; Joel 2,10); mares rugindo (Isaías 5, 30; 17,12); conflitos entre as nações (Isaías 8, 22; 14, 25) e pessoas aterrorizadas (Isaías 13, 6-11). Ele evoca a imagem, que está no profeta Daniel, do Filho do Homem vindo em uma nuvem de glória, para descrever Seu retorno como uma “teofania”, uma manifestação de Deus (Daniel 7, 13-14). Muitos vão se esconder e ficar literalmente morrendo de medo. Mas Jesus diz que devemos saudar o fim dos tempos com as cabeças erguidas, confiantes em que Deus cumpre suas promessas, que nossa “redenção está próxima”, que “o reino de Deus está próximo” (Lucas 21, 31). https://stpaulcenter.com/heads-up-scott-hahn-reflects-on-the-first-sunday-of-advent/
- PADRE PIO E O MISTÉRIO DE SUA ESTIGMATIZAÇÃO
Setembro de 1918 foi um mês muito difícil para o Padre Pio. Tinha trinta e um anos. O papa reinante era Bento XV e a Primeira Grande Guerra chegava ao fim. Durante as primeiras semanas, passou lutando contra o vírus da gripe espanhola — a covid daquela época —, que naquele ano atingiria pelo menos quinhentos milhões de pessoas no planeta e um mínimo de cinquenta milhões de mortos. Embora ainda muito fraco, ele parecia já recuperado quando, na manhã do dia 20 — justamente uma sexta-feira —, depois de celebrar a Missa e procurar o coro da capela conventual para a ação de graças, sentiu um forte estremecimento no corpo. Ao voltar ao normal, teve uma visão mística do Cristo crucificado e, no final, depois de ouvi-Lo dizer “Associo-te à minha Paixão”, notou os estigmas que o acompanhariam pelo resto da vida. O próprio capuchinho conta como foi: “De repente, apoderou-se de mim um grande tremor; depois, veio a calma, e vi nosso Senhor em atitude de quem está numa cruz — mas não me apercebi de que houvesse cruz -, lamentando-se da ingratidão das pessoas, especialmente das consagradas a ele e por ele mais favorecidas. Via-se, por isso, que ele sorria e que desejava associar almas à sua Paixão. Convidava-me [a] compenetrar-me das suas dores e a meditá-las; ao mesmo tempo, a ocupar-me da salvação dos irmãos. Então, senti-me cheio de compaixão pelas dores do Senhor e perguntei-lhe o que podia fazer. Ouvi estas palavras: “Associo-te à minha Paixão’. Depois disso. a visão desapareceu, caí em mim e vi estes sinais, dos quais gotejava sangue. Antes eu não tinha nada.” (Francesco Castelli. Padre Pio sob investigação . Trad. São Paulo, Paulinas, 2012, p. 14) Apareceram, nos próximos dias, alguns indícios de que de essa associação com Cristo era real. Seus familiares, que viviam em Pietrelcina, contaminaram-se com o vírus. Já no domingo seguinte à estigmatização, perdeu o sobrinho Pellegrino, com apenas quatro anos de idade, e, três dias mais tarde, na quarta-feira, a sua muito querida irmã Felicità, mãe de Pellegrino, aos vinte o nove anos. Quase perdeu a mãe, que não mediu esforços no cuidado com a família. Paralelamente a essas grandes dores, Padre Pio teve uma recaída na gripe, que se foi arrastando até dezembro, inclusive com uma broncopneumonia provocada pelo vírus. Foram mais de dois meses com permanente indisposição e febres altas. Contudo, mesmo infectado, Padre Pio agiu como verdadeiro santo: combinou com Deus que rezaria só pelos outros, jamais por si mesmo, e se recuperaram várias pessoas por quem intercedeu.
- GASES VENENOSOS – Pe. Santiago Martín
No final dos anos 80, o filósofo judeu nascido na Polónia, Zygmunt Bauman, começou a desenvolver a tese de que a sociedade de hoje já não era sólida, mas líquida, devido às frequentes mudanças que ocorreram no seu interior, o que exigia uma adaptação contínua. Se foi isso que Bauman escreveu há 30 anos atrás, hoje o seu pensamento está ultrapassado e já não estamos numa sociedade líquida e flutuante, mas uma sociedade gasosa, sem qualquer ponto de apoio. Foi o que reconheceu o Papa, na audiência desta quarta-feira. Estamos permanentemente no ar. Além disso, os gases podem ser bons (como o ar que respiramos, quando não está poluído), mas podem ser venenosos (como a sociedade de hoje, incluindo parte da Igreja). Exemplo: um adolescente americano foi expulso da escola por ter ousado dizer, a um colega de escola, em conversa no ônibus escolar, que acreditava que o casamento era apenas a união de um homem e uma mulher. Foi denunciado por ter tal opinião numa conversa de ônibus e acabou por ser expulso. Esta sociedade, que afirma ser muito tolerante, não aceita de forma alguma que alguém possa discordar dos novos dogmas que ela própria criou. Outro exemplo, que faz fronteira com o ridículo. Na Alemanha, o presidente da Academia da Língua Alemã — o equivalente da Academia Real da Língua Espanhola — também foi expulso, mas desta vez da Igreja Católica. Perante as mudanças dos bispos, na liturgia, para acomodar as exigências LGBT, o maior especialista linguístico da Alemanha, de acordo com a sua perícia, disse que não eram tecnicamente corretas. Só por isso, foi-lhe dito que não podia pagar o imposto religioso, o que equivale a declará-lo automaticamente apóstata contra a sua vontade. Quando a vítima pediu para ser autorizada a pagar o imposto noutra diocese, para que pudesse permanecer católica, foi-lhe dito que não podia. Chegamos a este ponto de absurdidade. Mais um exemplo: a escritora J.K. Rowling, autora dos livros do Harry Potter, não foi autorizada a assistir à comemoração do 20º aniversário do lançamento do primeiro filme da saga, porque ousou dizer que era a biologia, e não o desejo, que determinava se se era homem ou mulher. Mas isto não é surpreendente, considerando que Shakespeare também está sob a lupa dos censores, porque o acusam de ser machista e racista. Trata-se do “cancelamento cultural”, que, tal como aqueles censores do século XVII que pintaram modestos véus sobre os nus de Miguel Ângelo, estão agora suprimindo qualquer vestígio de argumento politicamente incorreto, independentemente da sua origem. Graças a Deus, ainda há alguma sanidade em alguns lugares. Na França, por exemplo, o editor de uma revista católica foi processado por incluir um texto que nos recordava os ensinamentos da Igreja sobre o casamento. O tribunal absolveu-o, salientando que ainda não é crime pensar no casamento como a união de um homem com uma mulher. Ou na Colômbia, onde o Tribunal Constitucional teve de intervir contra a decisão de um tribunal que tinha proibido um vídeo, no youtube, em que se dizia que Deus criou o homem e a mulher para estarem um com o outro (embora, neste caso, a decisão se tenha baseado mais em argumentos processuais do que na proteção da liberdade de expressão). Lembro-me quando, há apenas alguns anos, nós católicos fomos acusados de ser intolerantes porque éramos contra o aborto, e foi-nos dito: se não o queres fazer, não o faças, mas permite que outros o façam, se o quiserem fazer. Agora, aqueles que nos chamaram de intolerantes porque defendemos a vida dos inocentes, nem sequer nos deixam dizer uma única palavra; e querem lançar um Shakespeare, e, com ele, todos aqueles que ousam expressar uma opinião diferente da sua, no meio da fogueira das suas vaidades. Uma sociedade, onde a liberdade de expressão é perseguida, torna-se verdadeiramente uma sociedade gasosa — mas de gases venenosos.
- Vaticano reconhece virtudes heroicas da menina carioca Odetinha
Avanço no processo de reconhecimento depende da comprovação de pelo menos dois milagres que, c aso comprovados pela Igreja Católica, podem a transformar na primeira santa carioca Serva de Deus Odette Vidal Cardoso, conhecida como Odetinha teve suas virutdes heroicas reconhecidas pela Santa Sé. O papa Francisco autorizou a promulgação do decreto que reconhece as virtudes heroicas da menina que nasceu no Rio de Janeiro, em 1931, e morreu aos oito anos, com fama de santidade. Segundo o arcebispo do Rio, cardeal Orani João Tempesta, ela se tornou agora “a primeira venerável dessa nossa arquidiocese, dessa nossa cidade”. “É uma alegria receber essa notícia” disse dom Orani a Vatican News. O arcebispo contou que Odetinha era “uma menina que rezava, cuidava dos pobres, tinha uma grande preocupação com os necessitados e que deixou belos exemplos”. Odette Vidal de Oliveira nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 18 de fevereiro de 1931, filha de portugueses emigrados ao Brasil. Sua mãe ficou viúva e se casou novamente com um rico comerciante, que adotou a pequena e a educou na fé católica. A menina ficou conhecida pelo seu amor à Eucaristia e pela caridade, sendo um testemunho de fé, simplicidade e humildade. Recebeu sua primeira comunhão em 15 de agosto de 1937, no Colégio São Marcelo, da Paróquia Imaculada Conceição, em Botafogo. Desde então, ao receber a comunhão, dizia: “Oh meu Jesus, vinde agora ao meu coração!”. Seu confessor atestou sua fé viva, confiança inabalável, intenso amor a Deus e ao próximo. Dedicada à caridade com os que mais precisavam, gostava de ajudar sua mãe, que fazia uma feijoada aos sábados para os pobres. A menina, então, colocava seu avental e servia a todos alegremente. Rezava o terço diariamente, revelando sua total confiança em Nossa Senhora. Também se queixava pelo fato de São José, que tanto trabalhou e sofreu por Jesus e Nossa Senhora, ser tão pouco honrado. Nos últimos quarenta e nove dias de sua vida sofreu dolorosa enfermidade, tifo, suportada com paciência cristã. Dizia: “Eu vos ofereço, ó meu Jesus, todos os meus sofrimentos pelas missões e pelas crianças pobres”. Em 25 de novembro de 1939, recebeu a Sagrada Comunhão de manhã e, em ação de graças, disse: “Meu Jesus, meu amor, minha vida, meu tudo”. Pouco depois, a menina morreu. Seu processo de beatificação começou em 2013. No início de 2015, foi encaminhada à Santa Sé a documentação reunida pelo Tribunal Eclesiástico da arquidiocese do Rio, que recebeu parecer favorável pela Congregação da Causa dos Santos, em 2016. “Pedimos a Deus para que, cada vez mais homens e mulheres, jovens e adultos, adolescentes, crianças e idosos possam se santificar nesta grande cidade. Odetinha é a primeira venerável dessa nossa arquidiocese, dessa nossa cidade. E nós bendizemos a Deus, que muitos outros sejam reconhecidos na sua caminhada de santidade nesta cidade”, disse dom Orani. Conheça mais sobre Odette Vidal de Oliveira, a “Odetinha” Odette Vidal de Oliveira nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 15 de setembro de 1930. Chamada carinhosamente pelos pais de “Odetinha”, lírio de pureza e caridade, dotada de um amor extraordinário a Jesus Eucarístico, ia à missa com sua mãe. Desde muito pequena, aos quatro anos, já possuía colóquios íntimos com o Senhor Sacramentado. Tendo se mudado para o bairro de Botafogo, na zona sul do Rio, fez a sua Primeira comunhão no Colégio São Marcelo, da Paróquia Imaculada Conceição, ao lado de sua casa, em 15 de agosto de 1937, aos sete anos de idade. Desde então, ao receber a comunhão, dizia: “Oh meu Jesus, vinde agora ao meu coração!”. Seu confessor atestou sua fé viva, confiança inabalável, intenso amor a Deus e ao próximo. Demonstrou profunda caridade para com os pobres e a busca da santidade de forma impressionante e extraordinária para uma criança tão nova. Inserida de fato na causa de promoção dos mais carentes, gostava muito de ajudá-los com obras concretas de misericórdia, e atividades caritativas semanais (sua mãe fazia uma feijoada aos sábados para os pobres a seu pedido e ela colocava seu avental e servia a todos alegremente). Irradiou e inspirou uma imensa obra social, assumida com seriedade pelos seus pais, tornando-os grandes apóstolos da caridade por toda sua vida. Estes colaboraram efetivamente com muitos Institutos de Vida Religiosa, salvando alguns da falência, além do trabalho com as meninas órfãs (um pedido de Odetinha), até hoje administrado por religiosas e voluntários. Sua piedade explica o segredo de todo o bem que realizou com máxima paciência, admirada por todos até o fim. A modéstia e o pudor foram um grande sinal de uma alma pura e boa, nos divertimentos mais inocentes de sua infância. Amava os lírios e rezava o terço diariamente, revelando, assim, sua confiança total em Nossa Senhora. Queixava-se, ainda, pelo fato de São José, que tanto trabalhou e sofreu por Jesus e Nossa Senhora, ser tão pouco honrado. Nos últimos quarenta e nove dias de sua vida sofreu dolorosa enfermidade – paratifo, suportada com paciência cristã. No leito de dor, dizia: “Eu vos ofereço, ó meu Jesus, todos os meus sofrimentos pelas missões e pelas crianças pobres (Cf. Ef. 5, 1-2)”. No dia de sua morte, ocorrida em 25 de novembro de 1939, Odetinha recebeu a Sagrada Comunhão às 7h30min e na ação de graças disse: “Meu Jesus, meu amor, minha vida, meu tudo”. Assim, serenamente, às 8h20min entregou sua alma inocente a Deus. Ele escolhe tantas vezes os pequeninos para tornar mais evidente as maravilhas de sua Graça. “Foi arrebatada para que a malícia não lhe mudasse o modo de pensar ou para que as aparências enganadoras não seduzissem a sua alma”. (Sb. 4,11). Seu túmulo situa-se na quadra 06, n.º. 850, no Cemitério São João Batista (Botafogo). Até hoje é um dos mais visitados, sobretudo aos sábados e domingos, por inúmeras pessoas que ali acorrem para agradecer benefícios espirituais e temporais que atribuem à sua intercessão junto a Deus. Sua biografia oficial, lançada no ano seguinte de sua morte pelo Padre Afonso Maria Germe, causou grande comoção na sociedade carioca. Eis como Odetinha rezava seu “Tercinho de amor”: nas contas pequenas – “Meu Jesus eu vos amo!”; nas contas grandes – “Quero passar meu céu fazendo bem à terra”; nas três últimas contas – “Meu Jesus, abençoai-me, santificai-me, enchei o meu coração de vosso amor”. Com informações de ACI Digital #Vaticano
- Vaticano reconhece virtudes heroicas da menina carioca Odetinha
Avanço no processo de reconhecimento depende da comprovação de pelo menos dois milagres que, c aso comprovados pela Igreja Católica, podem a transformar na primeira santa carioca Serva de Deus Odette Vidal Cardoso, conhecida como Odetinha teve suas virutdes heroicas reconhecidas pela Santa Sé. O papa Francisco autorizou a promulgação do decreto que reconhece as virtudes heroicas da menina que nasceu no Rio de Janeiro, em 1931, e morreu aos oito anos, com fama de santidade. Segundo o arcebispo do Rio, cardeal Orani João Tempesta, ela se tornou agora “a primeira venerável dessa nossa arquidiocese, dessa nossa cidade”. “É uma alegria receber essa notícia” disse dom Orani a Vatican News. O arcebispo contou que Odetinha era “uma menina que rezava, cuidava dos pobres, tinha uma grande preocupação com os necessitados e que deixou belos exemplos”. Odette Vidal de Oliveira nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 18 de fevereiro de 1931, filha de portugueses emigrados ao Brasil. Sua mãe ficou viúva e se casou novamente com um rico comerciante, que adotou a pequena e a educou na fé católica. A menina ficou conhecida pelo seu amor à Eucaristia e pela caridade, sendo um testemunho de fé, simplicidade e humildade. Recebeu sua primeira comunhão em 15 de agosto de 1937, no Colégio São Marcelo, da Paróquia Imaculada Conceição, em Botafogo. Desde então, ao receber a comunhão, dizia: “Oh meu Jesus, vinde agora ao meu coração!”. Seu confessor atestou sua fé viva, confiança inabalável, intenso amor a Deus e ao próximo. Dedicada à caridade com os que mais precisavam, gostava de ajudar sua mãe, que fazia uma feijoada aos sábados para os pobres. A menina, então, colocava seu avental e servia a todos alegremente. Rezava o terço diariamente, revelando sua total confiança em Nossa Senhora. Também se queixava pelo fato de São José, que tanto trabalhou e sofreu por Jesus e Nossa Senhora, ser tão pouco honrado. Nos últimos quarenta e nove dias de sua vida sofreu dolorosa enfermidade, tifo, suportada com paciência cristã. Dizia: “Eu vos ofereço, ó meu Jesus, todos os meus sofrimentos pelas missões e pelas crianças pobres”. Em 25 de novembro de 1939, recebeu a Sagrada Comunhão de manhã e, em ação de graças, disse: “Meu Jesus, meu amor, minha vida, meu tudo”. Pouco depois, a menina morreu. Seu processo de beatificação começou em 2013. No início de 2015, foi encaminhada à Santa Sé a documentação reunida pelo Tribunal Eclesiástico da arquidiocese do Rio, que recebeu parecer favorável pela Congregação da Causa dos Santos, em 2016. “Pedimos a Deus para que, cada vez mais homens e mulheres, jovens e adultos, adolescentes, crianças e idosos possam se santificar nesta grande cidade. Odetinha é a primeira venerável dessa nossa arquidiocese, dessa nossa cidade. E nós bendizemos a Deus, que muitos outros sejam reconhecidos na sua caminhada de santidade nesta cidade”, disse dom Orani. Conheça mais sobre Odette Vidal de Oliveira, a “Odetinha” Odette Vidal de Oliveira nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 15 de setembro de 1930. Chamada carinhosamente pelos pais de “Odetinha”, lírio de pureza e caridade, dotada de um amor extraordinário a Jesus Eucarístico, ia à missa com sua mãe. Desde muito pequena, aos quatro anos, já possuía colóquios íntimos com o Senhor Sacramentado. Tendo se mudado para o bairro de Botafogo, na zona sul do Rio, fez a sua Primeira comunhão no Colégio São Marcelo, da Paróquia Imaculada Conceição, ao lado de sua casa, em 15 de agosto de 1937, aos sete anos de idade. Desde então, ao receber a comunhão, dizia: “Oh meu Jesus, vinde agora ao meu coração!”. Seu confessor atestou sua fé viva, confiança inabalável, intenso amor a Deus e ao próximo. Demonstrou profunda caridade para com os pobres e a busca da santidade de forma impressionante e extraordinária para uma criança tão nova. Inserida de fato na causa de promoção dos mais carentes, gostava muito de ajudá-los com obras concretas de misericórdia, e atividades caritativas semanais (sua mãe fazia uma feijoada aos sábados para os pobres a seu pedido e ela colocava seu avental e servia a todos alegremente). Irradiou e inspirou uma imensa obra social, assumida com seriedade pelos seus pais, tornando-os grandes apóstolos da caridade por toda sua vida. Estes colaboraram efetivamente com muitos Institutos de Vida Religiosa, salvando alguns da falência, além do trabalho com as meninas órfãs (um pedido de Odetinha), até hoje administrado por religiosas e voluntários. Sua piedade explica o segredo de todo o bem que realizou com máxima paciência, admirada por todos até o fim. A modéstia e o pudor foram um grande sinal de uma alma pura e boa, nos divertimentos mais inocentes de sua infância. Amava os lírios e rezava o terço diariamente, revelando, assim, sua confiança total em Nossa Senhora. Queixava-se, ainda, pelo fato de São José, que tanto trabalhou e sofreu por Jesus e Nossa Senhora, ser tão pouco honrado. Nos últimos quarenta e nove dias de sua vida sofreu dolorosa enfermidade – paratifo, suportada com paciência cristã. No leito de dor, dizia: “Eu vos ofereço, ó meu Jesus, todos os meus sofrimentos pelas missões e pelas crianças pobres (Cf. Ef. 5, 1-2)”. No dia de sua morte, ocorrida em 25 de novembro de 1939, Odetinha recebeu a Sagrada Comunhão às 7h30min e na ação de graças disse: “Meu Jesus, meu amor, minha vida, meu tudo”. Assim, serenamente, às 8h20min entregou sua alma inocente a Deus. Ele escolhe tantas vezes os pequeninos para tornar mais evidente as maravilhas de sua Graça. “Foi arrebatada para que a malícia não lhe mudasse o modo de pensar ou para que as aparências enganadoras não seduzissem a sua alma”. (Sb. 4,11). Seu túmulo situa-se na quadra 06, n.º. 850, no Cemitério São João Batista (Botafogo). Até hoje é um dos mais visitados, sobretudo aos sábados e domingos, por inúmeras pessoas que ali acorrem para agradecer benefícios espirituais e temporais que atribuem à sua intercessão junto a Deus. Sua biografia oficial, lançada no ano seguinte de sua morte pelo Padre Afonso Maria Germe, causou grande comoção na sociedade carioca. Eis como Odetinha rezava seu “Tercinho de amor”: nas contas pequenas – “Meu Jesus eu vos amo!”; nas contas grandes – “Quero passar meu céu fazendo bem à terra”; nas três últimas contas – “Meu Jesus, abençoai-me, santificai-me, enchei o meu coração de vosso amor”. Com informações de ACI Digital #Vaticano
- O CALENDÁRIO IDEOLÓGICO DA REVOLUÇÃO FRANCESA – Conrado Gnerre
A Revolução Francesa foi o auge da modernidade, traduzindo em política os princípios fundamentais do Iluminismo. A Revolução Francesa, na sua verdadeira essência, ou seja, como um fenômeno que exprimia perfeitamente as exigências da modernidade, pretendia estabelecer-se como o início de um “novo mundo” e como uma forja para a criação de um “novo homem”. A introdução do Calendário Revolucionário (24 de novembro de 1793) atendeu a duas necessidades. A primeira, separar-se definitivamente do “velho mundo”, o natural e cristão; a segunda, abrir uma nova era em que aos direitos de Deus deveriam ter primazia os direitos do homem. Diz-se que, com a introdução da “década” [dez dias] para substituir “semana” [sete dias], até os bois de arado desabaram no chão de cansaço, porque foram privados de uma frequência de descanso que evidentemente encontrava suas razões não só na Revelação , mas também nas leis naturais. O que ocorreu com aqueles bois representou apenas um pequeno prenúncio do que logo viria pela frente: o homem reduzido a um instrumento de ideologias e com uma História que se apresentaria, cada vez mais, como palco de grandes massacres. Na verdade, a Revolução Francesa deu origem ao mundo “ideológico” e, precisamente a partir deste mundo, surgiriam o as guerras mundiais e todos os genocídios. http://itresentieri.it/24-novembre-anniversario-dellintroduzione-del-calendario-rivoluzionario-durante-la-rivoluzione-francese/
- “Vós sereis odiados por todos por causa do meu nome” – Padre José Augusto
Não sejamos cristãos medrosos! Acostumado com as perseguições, Padre José Augusto vem nos despertar uma realidade esquecida por muitos cristãos, de que a Igreja sempre foi perseguida, em alguns tempos com menos intensidade, mas sempre houve perseguição. Esta é uma realidade da qual não conseguiremos fugir se realmente quisermos ser seguidores de Jesus, e o próprio Jesus sempre nos alertou disso: “Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir.” Jo 15, 20 Como sempre aconteceu ao longo da história da Santa Igreja, vemos acontecer em nossa sociedade o mesmo que antes, homens que criam leis e perseguem aqueles que ensinam a Verdade que conduz à salvação. Hoje testemunhamos, infelizmente, a grande maioria de cristãos omitindo a verdade por medo dessas perseguições, pois esqueceram da promessa de Jesus: “Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.” Mt 10, 22 Assista o importante alerta do Padre José Augusto nesta breve homilia: Assista também: – “Quem comunga em pecado mortal, comunga sua própria condenação!” – Pe. José Augusto – Ou somos Católicos ou somos Espíritas – não podemos servir a dois senhores! – Pe. José Augusto – Nossa fé não pode ser um teatro; com ou sem coronavírus nós devemos ser santos! – Pe. José Augusto – CUIDADO: SUA ROUPA PODERÁ TE LEVAR AO INFERNO – Pe. José Augusto #FormaçõesCatólicas #PadreJoséAugusto
- “Vós sereis odiados por todos por causa do meu nome” – Padre José Augusto
Não sejamos cristãos medrosos! Acostumado com as perseguições, Padre José Augusto vem nos despertar uma realidade esquecida por muitos cristãos, de que a Igreja sempre foi perseguida, em alguns tempos com menos intensidade, mas sempre houve perseguição. Esta é uma realidade da qual não conseguiremos fugir se realmente quisermos ser seguidores de Jesus, e o próprio Jesus sempre nos alertou disso: “Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir.” Jo 15, 20 Como sempre aconteceu ao longo da história da Santa Igreja, vemos acontecer em nossa sociedade o mesmo que antes, homens que criam leis e perseguem aqueles que ensinam a Verdade que conduz à salvação. Hoje testemunhamos, infelizmente, a grande maioria de cristãos omitindo a verdade por medo dessas perseguições, pois esqueceram da promessa de Jesus: “Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.” Mt 10, 22 Assista o importante alerta do Padre José Augusto nesta breve homilia: Assista também: – “Quem comunga em pecado mortal, comunga sua própria condenação!” – Pe. José Augusto – Ou somos Católicos ou somos Espíritas – não podemos servir a dois senhores! – Pe. José Augusto – Nossa fé não pode ser um teatro; com ou sem coronavírus nós devemos ser santos! – Pe. José Augusto – CUIDADO: SUA ROUPA PODERÁ TE LEVAR AO INFERNO – Pe. José Augusto #FormaçõesCatólicas #PadreJoséAugusto
- Padre celebra “missa afro” apesar da proibição da Arquidiocese do Rio
Ao som de batucadas e muitas danças, o Pe. Wanderson Guedes celebrou, no dia da consciência negra, a missa afro na paróquia Sagrado Coração de Jesus, no Rio de Janeiro. O sacerdote ignorou a proibição da arquidiocese e as leis da Santa Igreja Católica e acabou de realizar uma nova rodada de sacrilégios. Entre os abusos frequentes neste tipo de missa é possível identificar a entrada de pessoas com vestes e turbantes, característicos de religiões africanas, fazendo danças, portando faixas em louvor a “Zumbi dos Palmares”, procissão de oferendas tipicamente de outras religiões, a ornamentação da igreja e às vezes até mesmo do próprio padre com cores fortes “não litúrgicas” além de músicas que destoam da cultura católica, com tambores e ritmos dançantes. Assista o vídeo com a denúncia do Centro Dom Bosco: Outra missa afro aconteceu recentemente no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. A 25ª Romaria das Comunidades Negras reuniu representantes de pastorais afro-brasileiras de várias dioceses do Brasil e, segundo o Santuário de Aparecida, marcou o início das comemorações do mês da Consciência Negra. A missa foi celebrada pelo arcebispo de Feira de Santana (BA) e bispo referencial da pastoral afro-brasileira, dom Zanoni Demettino Castro, e concelebrada pelo arcebispo de Aparecida, entre outros bispos e padres. Na celebração, foram utilizados elementos da cultura afro-brasileira como o ritmo das músicas, as vestimentas com estampas étnicas, no ofertório, foram levados ao altar cestos com frutas. “Pisotearam a liturgia até não sobrar mais nada… se isso aconteceu em Aparecida acontecerá em qualquer lugar, aliás alguns lugares já acontece”, comentou uma internauta na publicação feita no Instagram do Apostolado Santo Inácio de Loyola, de São Paulo (SP). “Meu Deus o que está acontecendo com a nossa Igreja, nossas tradições foram parar aonde?”, questionou outra. Leia também No Vaticano, Padre exorcista brasileiro denuncia o grande mal causado pelas “Missas Afro” e outros abusos litúrgicos Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida, participou de uma Missa “Afro” que colecionou abusos litúrgicos. Sobrou até para Nossa Senhora, chamada de “Soberana Quilombola”. Assista o vídeo com a denúncia do Centro Dom Bosco: Em carta de apresentação do motu proprio Traditionis custodes enviada aos bispos em julho deste ano, o papa Francisco lamenta e também reprova “que ‘em muitos lugares não se celebre de modo fiel às prescrições do novo Missal, antes estas são consideradas como autorização ou até mesmo obrigação à criatividade, o que tem levado frequentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável’”. Leia também: “Missa Afro”, a síntese de todos os abusos litúrgicos
- Padre celebra “missa afro” apesar da proibição da Arquidiocese do Rio
Ao som de batucadas e muitas danças, o Pe. Wanderson Guedes celebrou, no dia da consciência negra, a missa afro na paróquia Sagrado Coração de Jesus, no Rio de Janeiro. O sacerdote ignorou a proibição da arquidiocese e as leis da Santa Igreja Católica e acabou de realizar uma nova rodada de sacrilégios. Entre os abusos frequentes neste tipo de missa é possível identificar a entrada de pessoas com vestes e turbantes, característicos de religiões africanas, fazendo danças, portando faixas em louvor a “Zumbi dos Palmares”, procissão de oferendas tipicamente de outras religiões, a ornamentação da igreja e às vezes até mesmo do próprio padre com cores fortes “não litúrgicas” além de músicas que destoam da cultura católica, com tambores e ritmos dançantes. Assista o vídeo com a denúncia do Centro Dom Bosco: Outra missa afro aconteceu recentemente no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. A 25ª Romaria das Comunidades Negras reuniu representantes de pastorais afro-brasileiras de várias dioceses do Brasil e, segundo o Santuário de Aparecida, marcou o início das comemorações do mês da Consciência Negra. A missa foi celebrada pelo arcebispo de Feira de Santana (BA) e bispo referencial da pastoral afro-brasileira, dom Zanoni Demettino Castro, e concelebrada pelo arcebispo de Aparecida, entre outros bispos e padres. Na celebração, foram utilizados elementos da cultura afro-brasileira como o ritmo das músicas, as vestimentas com estampas étnicas, no ofertório, foram levados ao altar cestos com frutas. “Pisotearam a liturgia até não sobrar mais nada… se isso aconteceu em Aparecida acontecerá em qualquer lugar, aliás alguns lugares já acontece”, comentou uma internauta na publicação feita no Instagram do Apostolado Santo Inácio de Loyola, de São Paulo (SP). “Meu Deus o que está acontecendo com a nossa Igreja, nossas tradições foram parar aonde?”, questionou outra. Leia também No Vaticano, Padre exorcista brasileiro denuncia o grande mal causado pelas “Missas Afro” e outros abusos litúrgicos Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida, participou de uma Missa “Afro” que colecionou abusos litúrgicos. Sobrou até para Nossa Senhora, chamada de “Soberana Quilombola”. Assista o vídeo com a denúncia do Centro Dom Bosco: Em carta de apresentação do motu proprio Traditionis custodes enviada aos bispos em julho deste ano, o papa Francisco lamenta e também reprova “que ‘em muitos lugares não se celebre de modo fiel às prescrições do novo Missal, antes estas são consideradas como autorização ou até mesmo obrigação à criatividade, o que tem levado frequentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável’”. Leia também: “Missa Afro”, a síntese de todos os abusos litúrgicos
- ATEUS À PROCURA DE DEUS
Pascal Bruckner é um conhecido escritor e jornalista francês. Considera-se progressista, embora não se acanhe, aqui e ali, de ter posições mais conservadoras. Junto com outros treze escritores franceses, foi passar um retido de três dias e três noites na Abadia de Lagrasse, fundada por beneditinos no século VIII e dali expulsos, no século XVIII, pela Revolução Francesa. Ali vivem os Cônegos Regulares da Mãe de Deus, uma ordem religiosa que praticam as regras de Santo Agostinho. Do retiro desses intelectuais, alguns católicos, outros sem prática religiosa, saiu um livro, Trois jours et trois nuits (“Três dias e três noites”), que reúne os depoimento dos quatorze participantes. Sobre a experiência em Lagrasse, Pascal Bruckner escreveu essas misteriosas palavras, que revelam o poder de sedução do cristianismo, mesmo para quem, tocado pela graça, ainda resiste a dar o passo definitivo da fé: “Embora resistente à fé, o fato religioso me perturba […] Desta breve estada na abadia, lembro-me disto: a extrema juventude dos frades e sua equanimidade, ou melhor, seu bom humor, sua disponibilidade permanente.” “A Abadia de Lagrasse não reza, mas testemunha. Continuo cristão pela cultura, um cristão de memória e nunca negarei a religião da minha infância. Eu permaneço no limiar do mistério, sem nele entrar. O debate entre filosofia e teologia, entre dúvida e fé não deve cessar. Mesmo um ateu ainda acredita na não-existência de Deus, ele acredita firmemente que não acredita. […]. Deus precisa de Lagrasse. Nós também.” “Et penser à ces hommes agenouillés m’aide à tenir debout.” Moines dans la cour.
- Conheça o Catecismo de São Pio X
Muitas pessoas deixam de conhecer a Doutrina da Igreja pois consideram o Catecismo da Igreja Católica longo e com uma linguagem difícil. Porém a Igreja sempre buscou formas de facilitar o acesso à sua Doutrina, e uma dessas formas é o Catecismo de São Pio X O Catecismo de São Pio X é um pequeno e simples catecismo, escrito pelo Papa São Pio X em 1905, com o importante objetivo de popularizar o ensino do catecismo na Igreja Católica e tornar os católicos mais informados e conhecedores da sua fé e doutrina. Este catecismo tinha também a função de resumir o Catecismo Romano, que foi um produto importante do Concílio de Trento. O Catecismo de São Pio X é um excelente resumo do Catecismo Romano, mais adequado à formação dos jovens e adultos. Em linguagem clara e concisa, e com o formato de perguntas e respostas, ele ajuda a reter a essência da doutrina católica de todos os tempos. Em 2003, o então cardeal Joseph Ratzinger (mais tarde, Papa Bento XVI), afirmou que o Catecismo de São Pio X continua ainda válido, porque: “ A fé como tal é sempre idêntica. Portanto, o Catecismo de São Pio X conserva sempre o seu valor. O que pode mudar é a maneira de transmitir os conteúdos da fé. […] Mas isso não impede que possa haver pessoas ou grupos de pessoas que se sintam mais à vontade com o Catecismo de São Pio X. É preciso não esquecer que aquele Catecismo […] era fruto da experiência catequética pessoal de Giuseppe Sarto […]. Também por isso, o Catecismo de São Pio X poderá continuar a ter no futuro alguns amigos “. Ratzinger ressalvou também que o novo Catecismo da Igreja Católica e o seu Compêndio “ possam responder da melhor maneira às exigências de hoje “. Clique aqui para baixar o Catecismo Maior de São Pio X em PDF Esse livro também está disponível para venda nas melhores livrarias católicas. Com uma simples pesquisa no google é possível encontrar algumas edições disponíveis para venda. #Catequese #FormaçõesCatólicas
- Conheça o Catecismo de São Pio X
Muitas pessoas deixam de conhecer a Doutrina da Igreja pois consideram o Catecismo da Igreja Católica longo e com uma linguagem difícil. Porém a Igreja sempre buscou formas de facilitar o acesso à sua Doutrina, e uma dessas formas é o Catecismo de São Pio X O Catecismo de São Pio X é um pequeno e simples catecismo, escrito pelo Papa São Pio X em 1905, com o importante objetivo de popularizar o ensino do catecismo na Igreja Católica e tornar os católicos mais informados e conhecedores da sua fé e doutrina. Este catecismo tinha também a função de resumir o Catecismo Romano, que foi um produto importante do Concílio de Trento. O Catecismo de São Pio X é um excelente resumo do Catecismo Romano, mais adequado à formação dos jovens e adultos. Em linguagem clara e concisa, e com o formato de perguntas e respostas, ele ajuda a reter a essência da doutrina católica de todos os tempos. Em 2003, o então cardeal Joseph Ratzinger (mais tarde, Papa Bento XVI), afirmou que o Catecismo de São Pio X continua ainda válido, porque: “ A fé como tal é sempre idêntica. Portanto, o Catecismo de São Pio X conserva sempre o seu valor. O que pode mudar é a maneira de transmitir os conteúdos da fé. […] Mas isso não impede que possa haver pessoas ou grupos de pessoas que se sintam mais à vontade com o Catecismo de São Pio X. É preciso não esquecer que aquele Catecismo […] era fruto da experiência catequética pessoal de Giuseppe Sarto […]. Também por isso, o Catecismo de São Pio X poderá continuar a ter no futuro alguns amigos “. Ratzinger ressalvou também que o novo Catecismo da Igreja Católica e o seu Compêndio “ possam responder da melhor maneira às exigências de hoje “. Clique aqui para baixar o Catecismo Maior de São Pio X em PDF Esse livro também está disponível para venda nas melhores livrarias católicas. Com uma simples pesquisa no google é possível encontrar algumas edições disponíveis para venda. #Catequese #FormaçõesCatólicas
- Masculinidade Bíblica
Em tempos onde já se admite não haver nenhuma diferença entre os sexos, ainda faz sentido falar sobre o significado de ser homem? Ser homem ainda é um conceito importante? Vemos muitos exemplos distorcidos do conceito de masculinidade em nossa cultura. Muitos estereótipos são formados e acabam confundindo não somente o homem em relação ao seu papel, mas também as próprias mulheres sobre o que esperar de um homem de verdade. Uma pessoa confusa sobre sua identidade, terá dificuldades em nutrir quaisquer relacionamentos. Então é preciso lançar as bases, construir um fundamento sólido para responder à pergunta: O que é masculinidade? Mas antes de dizer o que é a masculinidade segundo a bíblia, vamos dizer primeiro o que ela não é. O que a masculinidade NÃO é: Muitos pensam que ser homem é imitar alguns artistas da moda, seu modo de se vestir, falar e se comportar. Outros, que ser homem é ser aquela pessoa bruta, sem sentimentos e vive falando coisas vulgares. Por muito tempo, o “ser homem” foi associado com a quantidade de mulheres que ele conseguia, com a forma agressiva de se comportar, ou com a quantidade de bebida alcoólica que alguém conseguisse ingerir. Quanta tolice! E como para cada ação temos uma reação, a resposta da modernidade foi desconstruir a chamada “masculinidade tóxica”, numa tentativa de emplacar uma nova forma de homem, o completo oposto; um homem fraco, emasculado, covarde e submisso, que chega ao seu absurdo existencial se desculpando pelo simples fato de ter ‘nascido homem’. Todas essas formas estão completamente erradas. Então, o que é ser homem? Mais uma vez, a Bíblia nos ajuda a responder essa questão, pois lá nos é revelado o que Deus espera do homem que Ele criou. A nossa base será fundamentada a partir de Gênesis 2, onde veremos o mandato de Adão de cultivar e guardar o jardim. A partir daí, analisaremos esse ponto sob 3 aspectos importantes, como o trabalho, a proteção e a função sacerdotal do homem. Vamos lançar nosso fundamento. O que é o conceito de Cultivar e Guardar? No livro Gênesis 2, aprendemos sobre esse conceito fundamental: E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o cultivar e o guardar. (Gênesis 2:15) Desde o princípio, o homem recebeu a atribuição de cultivar e guardar o Jardim que Deus havia criado. Adão foi chamado a trabalhar no jardim, plantar, colher, por nome nos animais e uma série de coisas que faziam parte do seu dia a dia. Ele não foi deixado ocioso, a sua vocação era servir exclusivamente a Deus através do cultivo e da guarda do Jardim. Esse mandato de Deus de cultivar e guardar se estende a todos os homens. A palavra cultivar está ligada a ideia de fazer as coisas crescerem, nutrir, cuidar e construir. Guardar está ligado a manter o progresso alcançado, garantindo a segurança, vigiando contra ameaças e assegurando proteção. Mantenham isso em mente, pois será um conceito chave daqui em diante. Após lançada essa base, vamos analisar nossos 3 pontos. O trabalho: O cultivo da terra envolve trabalho, e ele foi dado a Adão antes da queda. O trabalho não é uma maldição, mas está ligada a tarefa de provisão. O trabalho se tornou penoso devido ao pecado (Gênesis 3:17), mas ele continua sendo uma forma de benção, pois através dele o homem produz coisas úteis para o sustento de sua família e de sua comunidade, glorificando a Deus. Deixar de se preparar para o trabalho ou se esconder da sua responsabilidade em fazê-lo é desobedecer ao mandato de Deus. Isso demonstra imaturidade em assumir responsabilidades, e como formar uma família sem assumir responsabilidades? Então, o chamado do homem ao “cultivo”, envolve o chamado ao trabalho. Apenas uns parênteses: Em nenhum momento a Bíblia impede a mulher de trabalhar também, desde a mulher virtuosa de Provérbios 31 até Lídia, a mercadora de púrpura de Atos 16, as mulheres exerceram sua profissão. Porém, o peso da responsabilidade segundo a ordem de Deus não está sobre elas, mas sim sobre o homem. O chamado da mulher é outro, algo que somente elas no mundo inteiro podem fazer, dar à luz. Proteção: O mandato do homem também abarca outro aspecto importante, a proteção, e Adão falhou em sua missão. A serpente foi diretamente a Eva para corrompe-la. Temos o dever de proteger aqueles que Deus nos deu a responsabilidade de cuidar. Essa proteção não é apenas física, mas psicológica e espiritual. É fazer o que estiver ao nosso alcance para que nossa esposa, filhos e etc; não sejam agredidos de forma vil e injusta. Somos chamados a nos mostrar valorosos em nossa masculinidade. Como o apóstolo Paulo exorta; “sejam homens de coragem, sejam fortes.” (1 Coríntios 16:13) Ser homem não é mera exibição de força física, mas de coragem e temor a Deus. É cumprir o seu dever, assumir riscos, se sacrificar, proteger; Alguém imagina um homem mandando a mulher ir ao quintal conferir um barulho estranho no meio da noite? Esse pode parecer um exemplo bobo, mas demonstra muita coisa. O enfraquecimento do homem acabará por causar um embrutecimento da mulher, pois alguém precisará exercer o papel de líder no relacionamento, e quando o homem abre mão do seu chamado, outra pessoa assumirá. Seja a própria mulher, ou até mesmo outro homem. É dever do homem proteger o Jardim, mesmo que seja com a própria vida. Outro aspecto importante da proteção, também envolve proteger os outros de nós mesmos, do nosso próprio pecado. Se um estranho ofender nossa esposa/namorada, imediatamente saímos em sua defesa. Mas e quando o agressor é você, homem? E quando é você que a ofende com seu pecado? Quando você ao invés de protege-la, a leva a pecar pelos seus desejos lascivos e incontroláveis? Já parou para pensar nisso? Nos momentos em que você ao invés de protege-la do pecado, foi o meio de ação dele? E por último, o homem como sacerdote do seu lar. Em seu mandato masculino, o homem deve cultivar e guardar o coração da sua família. De modo especial de sua mulher e filhos. A principal liderança do homem é a liderança espiritual de sua casa. Um marido, cumpre dentro do seu lar a função de sacerdote, orando, ensinando a Palavra, intercedendo, sendo o lugar de refúgio e segurança espiritual. O cultivo espiritual requer dedicação e amor, essa terra fértil é uma das mais importantes do relacionamento e deve ser preservada de maneira saudável. Paulo ensina: “ o marido é o cabeça da esposa, assim como Cristo é o cabeça da Igreja.” (Efésios 5:23) A comparação não é por acaso, nem por acaso o relacionamento entre Cristo e a Igreja é o modelo do relacionamento conjugal. Como está escrito: “maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela.” (Efésios 5:25) O amor que Paulo se refere ao dizer ‘amem suas mulheres’ é o famoso amor ágape, o amor doador e sacrificial que Jesus nos ensina. Por isso, ele ordena que o amor do marido seja como o de Cristo pela Igreja. Os maridos devem amar suas esposas da mesma maneira que Cristo amou a sua Igreja, com o mesmo amor. E o que Cristo fez por amor pela Igreja? Amou-a até o fim, se sacrificou, suportou seus pecados, perdoou, teve misericórdia, redimiu, fez perseverar, cultivou e guardou. O papel sacerdotal do homem dentro de sua casa, é uma sombra do papel de Cristo e sua Igreja. Conclusão: Perguntamos no início, faz sentido falar sobre masculinidade nos dias de hoje? Faz, e muita. Os princípios ensinados pela cultura moderna e o que a Bíblia nos ensina são totalmente opostos. Se não olharmos para esse tema com a lente bíblica, seremos engolidos por padrões medíocres e distorcidos sobre o que é ser um homem. Nosso modelo de masculinidade não é o youtuber, o ator, o cantor, mas Jesus Cristo. Em Cristo vemos todas as grandes características de um verdadeiro homem. O amor sacrificial, a liderança pelo exemplo, a proteção do seu rebanho e o cultivo do coração de todos aqueles que o seguiam. Que a masculinidade não seja apenas um conceito vazio e cheio de clichés, mas uma imitação do homem perfeito, Jesus. Mulheres, não aceitem nada menos que isso. Valorizem a si mesmas como servas de Cristo, e não desperdicem o seu tempo com quem não está preocupado em imitar a Jesus. Homens, a quem vocês estão imitando? Qual tem sido a sua referência? Lembre-se do seu chamado e seja fiel a ele. “esforça-te, pois, e sê homem. E guarda a ordenança do Senhor teu Deus.” (1 Reis 2:2,3) Autor: Ramon Serrano #masculinidadebiblica
- PASTORINHA DE KOSOVO – Ribeiro Couto
[O poeta Ribeiro Couto, que atribui a cura de sua tuberculose a uma intercessão de Santa Terezinha de Lisieux, fez poucos poemas estritamente religiosos, à diferença de outros católicos de sua geração, como Tasso da Silveira, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Murilo Araújo, Augusto F. Schmidt. No soneto a seguir, escrito nos anos cinquenta e ambientado no Kosovo, então pertencente à antiga Iugoslávia, o poeta faz uma singela homenagem às aparições marianas, em especial àquelas em que os videntes eram pastores, como em La Salette e Fátima. O interessante em que o Kosovo fica muito perto da Bósnia, onde, na pequena cidade de Medjugorje, alguns pastores adolescentes afirmam terem visto Nossa Senhora em 1981]. A pequenina, tímida pastora Não ouve o meu galope, distraída, E em vez de parecer a protetora Parece das ovelhas protegida. Numa ingênua atitude sonhadora, Não é da terra, mas do céu caída: Eu passaria rente, se não fora O receio de vê-la espavorida. Nada perturba a paz da tarde clara E me afasto saudoso na certeza De que aqui um mistério se prepara. Se um dia ler que a certa camponesa A Virgem de repente se mostrara, Saberei a quem coube essa surpresa.
- O que é Advento e como se preparar para melhor vivê-lo?
O Advento é o tempo de preparação para celebrar o Natal e começa quatro domingos antes desta festa. Além disso, marca o início do novo Ano Litúrgico católico e em 2021 começará no domingo, 28 de novembro. Advento vem do latim “ad-venio”, que quer dizer “vir, chegar”. Começa com o domingo mais próximo da festa de Santo André (30 de novembro) e dura quatro semanas. O Advento está dividido em duas partes: as primeiras duas semanas servem para meditar sobre a vinda do Senhor quando ocorrer o fim do mundo; enquanto as duas seguintes servem para refletir concretamente sobre o nascimento de Jesus e sua irrupção na história do homem no Natal. Nos templos e casas são colocadas as coras do Advento e se acende uma vela a cada domingo. Do mesmo modo, os paramentos do sacerdote e as toalhas do altar são roxos, como símbolo de preparação e penitência. A exceção é o terceiro domingo, o Domingo Gaudete (da alegria), no qual pode se usar a cor rósea. A fim de fazer sensível esta dupla preparação de espera, durante o Advento, a Liturgia suprime alguns elementos festivos. Na Missa, não é proclamado o hino do Glória. O objetivo desses simbolismos é expressar de maneira tangível que, enquanto dura a peregrinação do homem, falta-lhe algo para seu gozo completo. Quando o Senhor se fizer presente no meio do seu povo, a Igreja terá chegado à sua festa completa, representada pela Solenidade do Natal. Muitos católicos sabem do Advento, mas talvez as preocupações no trabalho, as provas na escola, os ensaios com o coral ou teatro de Natal, a arrumação do presépio e a compra dos presentes fazem com que se esqueçam do verdadeiro sentido deste tempo. Por isso, é preciso recordar que a principal preparação neste período deve ser interior, na espera da vinda de Jesus. No tempo do Advento, faz-se um apelo aos cristãos, a fim de que vivam de maneira mais profunda algumas práticas específicas, como: a vigilância na fé, na oração, na busca de reconhecer o Cristo que vem nos acontecimentos e nos irmãos; a conversão, procurando consertar os próprios caminhos e andar nos caminhos do Senhor, para seguir Jesus em direção Reino do Pai; o testemunho da alegria que Jesus traz, através de uma caridade paciente e carinhosa para com os outros; a pobreza interior, de um coração disponível para Deus, como Maria, José, João Batista, Zacarias, Isabel; a alegria, na feliz expectativa do Cristo que vem e na invencível certeza de que Ele não falhará. 8 Dicas para bem viver o Advento . Estamos nos preparando para o Advento e resolvemos deixar 5 pontos que nos ajudarão a viver bem este tempo único de conversão e de graças. Existe uma ação de Deus toda especial que nos convida à conversão e ao retorno a vida sobre o senhorio de Jesus. O fato de estarmos esperando a vinda de Jesus nos enche de alegria e esperança, pois sabemos que não seremos decepcionados, Jesus virá e não tardará. Por isso preparemo-nos para recebê-lo em nossos corações. 1. Viver o Advento em família; Reze todos os dias o terço em família e medite os mistérios da vida de Jesus, além 2. Recordar o festejado (Jesus Cristo); Leia a bíblia, ao menos um capítulo por dia, principalmente os Evangelhos. 3. Montar o presépio; Monte um presépio, mesmo que seja dos mais simples, é muito útil especialmente para famílias com crianças. (na internet é possível encontrar modelos para imprimir) 4. Contemplar o mistério e preparar o coração para receber o Senhor; Faça um bom exame de consciência e busque se confessar com frequência, ao menos uma vez por mês, para melhor receber Jesus no Santíssimo Sacramento. 5. Seja missionário Convide seus familiares e amigos para rezar, para ir à igreja, fazer caridade e outras atividades que os atraiam para mais perto de Deus. 6. Ajude os pobres Quanto mais você dá, melhor se sente. Faça um acordo com os amigos e com os familiares e reduza os gastos natalinos para dar este dinheiro aos que mais necessitam. Pode apoiar iniciativas locais de sua cidade. 7. Não se esqueça dos sacerdotes Lembre-se de rezar e se puder um presente ao sacerdote da sua paróquia, mas o principal é sua oração diária. 8. Assista filmes católicos Assista filmes sobre a verdadeira história do Natal. Priorize aquelas que falam sobre o nascimento do Menino Jesus. Orientações e práticas para um bom Advento Inicia-se neste domingo o tempo do Advento, que é o período em que a Igreja se prepara, por meio da oração e da penitência, para a grande solenidade do Natal. Embora haja o costume de se referir a essa data como o “aniversário” de Jesus, o Natal é, na verdade, a celebração do mistério da Encarnação, motivo pelo qual, desde o século IV, a Igreja reserva um tempo específico da liturgia, dedicado à preparação dos fiéis, por meio do incentivo às práticas de piedade e ascese, a fim de que acolham o Verbo Encarnado de Deus, o Redentor do gênero humano, em seus corações. Deus, que habita em luz inacessível, está presente nas suas criaturas, especialmente no ser humano, por meio de seus vestígios, de modo que o homem pode intuir a sua existência. Com a Encarnação , porém, o Senhor revelou-se aos homens de uma maneira muito particular, manifestando-lhes a plenitude de seu amor , algo que seria impossível de se fazer somente pela criação. Daí a grandeza do Natal e o porquê de a Igreja, vestindo-se de roxo, dedicar um período da liturgia para a meditação desse acontecimento, ao longo de quatro semanas. O objetivo do Advento é capacitar os cristãos a reconhecerem a presença de Cristo em suas vidas . O Natal se refere a uma das vindas de Jesus. São Bernardo de Claraval ensina que existem três dessas vindas. A primeira ocorreu há dois mil anos, na humildade de uma manjedoura, em Belém. A terceira será a vinda definitiva, no Fim dos Tempos, quando Jesus se assentará no trono da glória para julgar os atos da humanidade. A segunda vinda, por sua vez, é uma vinda intermediária, que pode acontecer todos os dias, por meio dos sacramentos, sobretudo pela Confissão e pela Eucaristia. E é justamente essa a vinda para qual devemos nos preparar no tempo do Advento. De forma concreta, a pessoa que está em estado de graça deve ser capaz de perceber a presença de Deus em sua alma . Todos os batizados recebem um organismo espiritual que é alimentado pela presença da Santíssima Trindade, como prometeu Jesus durante a Última Ceia: “ Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada ” ( Jo 14, 23). Acontece que essa presença é, infelizmente, ignorada por muitos de nós, por conta de nossos apegos e paixões desordenadas. Assim como em uma cidade grande, onde as estrelas acabam ofuscadas pelas luzes artificiais, a presença de Nosso Senhor Jesus Cristo é escondida pelas centenas de distraçõezinhas da nossa alma, de sorte que, para encontrá-lO, precisamos retirar-nos para o campo, onde não existe a presença de outras luzes, senão a do próprio Céu. Esse retiro deve ser praticado de três maneiras, segundo o que ensina a nossa Madre Igreja: Por meio da oração íntima diante de Deus , em que você se entrega absolutamente ao Senhor e trata de amizade com Ele; Por meio da recepção frequente da Eucaristia ; (vídeo abaixo) Por meio da ação de graças após a Santa Comunhão . (vídeo abaixo) É claro que esses três passos dependem, em primeiro lugar, da pureza da alma. Por isso é imprescindível que a pessoa esteja em estado de graça para conseguir enxergar a presença de Cristo . De resto, a oração íntima com Deus é válida para todos os tipos de fiéis, pois, como ensina o Concílio Vaticano II, todos somos chamados à santidade, sejamos clérigos ou leigos. #Advento
- O que é Advento e como se preparar para melhor vivê-lo?
O Advento é o tempo de preparação para celebrar o Natal e começa quatro domingos antes desta festa. Além disso, marca o início do novo Ano Litúrgico católico e em 2021 começará no domingo, 28 de novembro. Advento vem do latim “ad-venio”, que quer dizer “vir, chegar”. Começa com o domingo mais próximo da festa de Santo André (30 de novembro) e dura quatro semanas. O Advento está dividido em duas partes: as primeiras duas semanas servem para meditar sobre a vinda do Senhor quando ocorrer o fim do mundo; enquanto as duas seguintes servem para refletir concretamente sobre o nascimento de Jesus e sua irrupção na história do homem no Natal. Nos templos e casas são colocadas as coras do Advento e se acende uma vela a cada domingo. Do mesmo modo, os paramentos do sacerdote e as toalhas do altar são roxos, como símbolo de preparação e penitência. A exceção é o terceiro domingo, o Domingo Gaudete (da alegria), no qual pode se usar a cor rósea. A fim de fazer sensível esta dupla preparação de espera, durante o Advento, a Liturgia suprime alguns elementos festivos. Na Missa, não é proclamado o hino do Glória. O objetivo desses simbolismos é expressar de maneira tangível que, enquanto dura a peregrinação do homem, falta-lhe algo para seu gozo completo. Quando o Senhor se fizer presente no meio do seu povo, a Igreja terá chegado à sua festa completa, representada pela Solenidade do Natal. Muitos católicos sabem do Advento, mas talvez as preocupações no trabalho, as provas na escola, os ensaios com o coral ou teatro de Natal, a arrumação do presépio e a compra dos presentes fazem com que se esqueçam do verdadeiro sentido deste tempo. Por isso, é preciso recordar que a principal preparação neste período deve ser interior, na espera da vinda de Jesus. No tempo do Advento, faz-se um apelo aos cristãos, a fim de que vivam de maneira mais profunda algumas práticas específicas, como: a vigilância na fé, na oração, na busca de reconhecer o Cristo que vem nos acontecimentos e nos irmãos; a conversão, procurando consertar os próprios caminhos e andar nos caminhos do Senhor, para seguir Jesus em direção Reino do Pai; o testemunho da alegria que Jesus traz, através de uma caridade paciente e carinhosa para com os outros; a pobreza interior, de um coração disponível para Deus, como Maria, José, João Batista, Zacarias, Isabel; a alegria, na feliz expectativa do Cristo que vem e na invencível certeza de que Ele não falhará. 8 Dicas para bem viver o Advento . Estamos nos preparando para o Advento e resolvemos deixar 5 pontos que nos ajudarão a viver bem este tempo único de conversão e de graças. Existe uma ação de Deus toda especial que nos convida à conversão e ao retorno a vida sobre o senhorio de Jesus. O fato de estarmos esperando a vinda de Jesus nos enche de alegria e esperança, pois sabemos que não seremos decepcionados, Jesus virá e não tardará. Por isso preparemo-nos para recebê-lo em nossos corações. 1. Viver o Advento em família; Reze todos os dias o terço em família e medite os mistérios da vida de Jesus, além 2. Recordar o festejado (Jesus Cristo); Leia a bíblia, ao menos um capítulo por dia, principalmente os Evangelhos. 3. Montar o presépio; Monte um presépio, mesmo que seja dos mais simples, é muito útil especialmente para famílias com crianças. (na internet é possível encontrar modelos para imprimir) 4. Contemplar o mistério e preparar o coração para receber o Senhor; Faça um bom exame de consciência e busque se confessar com frequência, ao menos uma vez por mês, para melhor receber Jesus no Santíssimo Sacramento. 5. Seja missionário Convide seus familiares e amigos para rezar, para ir à igreja, fazer caridade e outras atividades que os atraiam para mais perto de Deus. 6. Ajude os pobres Quanto mais você dá, melhor se sente. Faça um acordo com os amigos e com os familiares e reduza os gastos natalinos para dar este dinheiro aos que mais necessitam. Pode apoiar iniciativas locais de sua cidade. 7. Não se esqueça dos sacerdotes Lembre-se de rezar e se puder um presente ao sacerdote da sua paróquia, mas o principal é sua oração diária. 8. Assista filmes católicos Assista filmes sobre a verdadeira história do Natal. Priorize aquelas que falam sobre o nascimento do Menino Jesus. Orientações e práticas para um bom Advento Inicia-se neste domingo o tempo do Advento, que é o período em que a Igreja se prepara, por meio da oração e da penitência, para a grande solenidade do Natal. Embora haja o costume de se referir a essa data como o “aniversário” de Jesus, o Natal é, na verdade, a celebração do mistério da Encarnação, motivo pelo qual, desde o século IV, a Igreja reserva um tempo específico da liturgia, dedicado à preparação dos fiéis, por meio do incentivo às práticas de piedade e ascese, a fim de que acolham o Verbo Encarnado de Deus, o Redentor do gênero humano, em seus corações. Deus, que habita em luz inacessível, está presente nas suas criaturas, especialmente no ser humano, por meio de seus vestígios, de modo que o homem pode intuir a sua existência. Com a Encarnação , porém, o Senhor revelou-se aos homens de uma maneira muito particular, manifestando-lhes a plenitude de seu amor , algo que seria impossível de se fazer somente pela criação. Daí a grandeza do Natal e o porquê de a Igreja, vestindo-se de roxo, dedicar um período da liturgia para a meditação desse acontecimento, ao longo de quatro semanas. O objetivo do Advento é capacitar os cristãos a reconhecerem a presença de Cristo em suas vidas . O Natal se refere a uma das vindas de Jesus. São Bernardo de Claraval ensina que existem três dessas vindas. A primeira ocorreu há dois mil anos, na humildade de uma manjedoura, em Belém. A terceira será a vinda definitiva, no Fim dos Tempos, quando Jesus se assentará no trono da glória para julgar os atos da humanidade. A segunda vinda, por sua vez, é uma vinda intermediária, que pode acontecer todos os dias, por meio dos sacramentos, sobretudo pela Confissão e pela Eucaristia. E é justamente essa a vinda para qual devemos nos preparar no tempo do Advento. De forma concreta, a pessoa que está em estado de graça deve ser capaz de perceber a presença de Deus em sua alma . Todos os batizados recebem um organismo espiritual que é alimentado pela presença da Santíssima Trindade, como prometeu Jesus durante a Última Ceia: “ Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada ” ( Jo 14, 23). Acontece que essa presença é, infelizmente, ignorada por muitos de nós, por conta de nossos apegos e paixões desordenadas. Assim como em uma cidade grande, onde as estrelas acabam ofuscadas pelas luzes artificiais, a presença de Nosso Senhor Jesus Cristo é escondida pelas centenas de distraçõezinhas da nossa alma, de sorte que, para encontrá-lO, precisamos retirar-nos para o campo, onde não existe a presença de outras luzes, senão a do próprio Céu. Esse retiro deve ser praticado de três maneiras, segundo o que ensina a nossa Madre Igreja: Por meio da oração íntima diante de Deus , em que você se entrega absolutamente ao Senhor e trata de amizade com Ele; Por meio da recepção frequente da Eucaristia ; (vídeo abaixo) Por meio da ação de graças após a Santa Comunhão . (vídeo abaixo) É claro que esses três passos dependem, em primeiro lugar, da pureza da alma. Por isso é imprescindível que a pessoa esteja em estado de graça para conseguir enxergar a presença de Cristo . De resto, a oração íntima com Deus é válida para todos os tipos de fiéis, pois, como ensina o Concílio Vaticano II, todos somos chamados à santidade, sejamos clérigos ou leigos. #Advento
- A BELEZA SALVARÁ A FAMÍLIA – Michelle Legrais
A ordem é essencial para a estruturação da criança. A este respeito, parece-me muito importante refletir sobre o tempo. A vida deve ser regular, baseada em ritos familiares. A regra é simples: “As mesmas coisas nas mesmas horas”, que formam hábitos preciosos. Esses costumes regulares aliviam a autoridade dos pais, que, assim, não são mais obrigados a intervir com ordens frequentes e repreensões incessantes. Quando os filhos crescerem, estarão armados contra as tentações da preguiça. A criança ama a casa, que é o seu universo. Ela gosta de ter tempo para si mesma, para brincar sozinha enquanto vai se contando histórias; para sonhar; para deixar a sua imaginação correr livremente. Temos a tendência, com a melhor das intenções, de sobrecarregar seus horários. Não é o enriquecimento massivo que permite os melhores resultados. Nós próprios temos pouco tempo. Estamos sempre com pressa. Não temos tempo para rezar. Por que isto ocorre? Porque estamos perdendo nosso tempo! “…nosso trabalho é desordenado, não temos tempo para rezar, e, porque não rezamos, nosso trabalho se complica” (John Sênior). Se gastamos tempo com deslocamentos, eliminemos os deslocamentos desnecessários. Atividades de lazer? Frequentemente, são “complicadas e caras, estéreis e destrutivas” (Idem). Mas a grande perda de tempo é aquela que é consumida pelas telas: televisores, computadores, tablets e, principalmente, smartphones. Se era relativamente fácil controlar o uso dos televisores, com os aparelhos móveis ficou mais difícil! Para encontrar, no mundo de hoje, harmonia consigo mesmo e uma consciência clara do que se busca, é preciso muito esforço. Tenhamos coragem! Não digamos “Mas pra que tudo isto?” É sinal de velhice. Como dizia Charette [militar francês que participou da resistência católica na Vendeia], ralhando com seus homens: “Nós somos a juventude do mundo!” (Revista Sedes Sapientiæ n°153)
- UMA VERDADE SOBRE A REALEZA DE CRISTO – Scott Hahn medita sobre a Solenidade de Cristo Rei
Qual é a verdade da qual Jesus vem dar testemunho neste último Evangelho do tempo comum da Igreja? É a verdade que, em Jesus, Deus mantém a promessa que fez a Davi de um reino eterno, de um herdeiro que seria Seu Filho, “o primogênito, o maior de todos os reis da terra ”(II Samuel 7, 12–16; Salmo 89, 27–38). A segunda leitura de hoje, tirada do livro do Apocalipse, cita estas promessas e celebra Jesus como “a testemunha fiel”. A leitura recorda a profecia de Isaías de que o Messias “testemunharia aos povos” que Deus está renovando Sua “aliança eterna” com Davi (Isaías 55, 3–5). Mas como Jesus diz a Pilatos, seu Reino era muito mais do que a restauração de uma monarquia temporal. Na leitura do Apocalipse, Jesus chama a Si mesmo “o Alfa e o Ômega”, a primeira e a última letra do alfabeto grego. Ele está aplicando a si mesmo uma descrição que Deus usa para descrever a Si mesmo no Antigo Testamento — primeiro e o último, Aquele que convoca todas as gerações (Isaías 41, 4; 44, 6; 48,12). “Vós firmastes o universo inabalável”, canta o Salmo de hoje, e Seu domínio se estende sobre toda a criação (João 1, 3; Colossenses 1, 16-17). Na visão de Daniel, que ouvimos na primeira leitura de hoje, Ele vem “das nuvens do céu” — outro sinal de Sua divindade — para receber “glória e reinado” para sempre sobre todas as nações e povos. Cristo é o Rei, e Seu reino, embora não seja deste mundo, existe neste mundo através da Igreja. Nós somos súditos de um reino. Sabemos que fomos amados por Ele e libertados pelo Seu sangue e transformados em um “reino de sacerdotes” para o seu Deus e Pai (Êxodo 19, 6; 1 Pedro 2, 9). Como um povo sacerdotal, nós compartilhamos de Seu sacrifício e de Seu testemunho da aliança eterna de Deus. Pertencemos à Sua verdade e ouvimos a Sua voz, esperando que Ele volte novamente em meio às nuvens. https://stpaulcenter.com/a-royal-truth-scott-hahn-reflects-on-the-solemnity-of-christ-the-king/
- VIVER E COMUNGAR NA GRAÇA – Pe. Santiago Martín
Os bispos americanos, quase por unanimidade — 222 votos a favor, oito contra e quatro abstenções — aprovaram o documento há muito esperado sobre a Eucaristia. A decisão de abordar esta questão foi tomada principalmente devido à controvérsia causada pela comunhão de políticos do Partido Democrata, que eram abertamente a favor do aborto. Entre eles, mas não só, o próprio presidente do país, Joe Biden. Embora a maioria do episcopado fosse sempre a favor do documento, houve muitos que pediram que a sua resolução fosse deixada à iniciativa de cada bispo. Agora, finalmente, o documento foi publicado e o resultado da votação foi surpreendente, com quase todos os bispos a favor do mesmo. Este resultado diz-nos, logo desde o início, que se trata de um documento de consenso. Se um número significativo, embora minoritário, se opôs à discussão das condições para receber a comunhão e agora, praticamente, todos aprovaram o texto, isto significa que todos tiveram também de ceder alguma coisa nas suas posições. Os documentos de consenso podem não satisfazer plenamente a todos, mas têm o valor de mostrar aos fiéis a unidade da hierarquia católica. O importante, na sua avaliação, é ver se é dito o suficiente, mesmo que nem tudo seja dito. Além disso, tendo em conta que, no fim de tudo, caberia a cada bispo tomar as decisões para a sua diocese, a unanimidade alcançada obriga a todos eles. Será que o documento dos bispos norte-americanos reflete o essencial sobre a recepção da Eucaristia? Acredito que sim, e em abundância. Insiste em três pontos essenciais: a presença real do Senhor nela, a necessidade de estar na graça de Deus para a receber (porque, caso contrário, comete-se um sacrilégio), e a obrigação dos políticos de estarem em comunhão com os ensinamentos da Igreja — não só sobre a questão do aborto, mas também sobre isso — para poder receber o Corpo e Sangue de Cristo. A exigência de comungar na graça vai, além disso, contra a afirmação de que a comunhão não deve ser algo oferecido apenas a uns poucos privilegiados. Aqueles que defendem esta opinião parecem acreditar que estar em estado de graça é algo acessível apenas a uma elite da elite e que, portanto, é possível receber a comunhão em pecado mortal. Felizmente, os bispos dos Estados Unidos ignoraram isto e insistiram que aquele que comunga em pecado comete sacrilégio. Será que os políticos pró-aborto terão isto em conta e deixarão de comungar, depois destes avisos que apontam diretamente para eles, sem os nomear? Não penso assim, porque, infelizmente, comungar tornou-se uma questão política, como o Presidente Biden deixou claro quando, após a sua longa entrevista com o Papa, disse que o Papa lhe tinha dito que era um “bom católico” e que podia comungar; se lhe tinha dito, era seu dever não revelar o conteúdo de uma conversa privada; e, se ele falou sobre isso, foi precisamente por razões políticas. Mas há outra questão, a ela relacionada, que os bispos americanos devem abordar o mais rapidamente possível, porque é urgente. Na grande maioria das paróquias daquele país, o serviço de confissão aos fiéis está reduzido a uma hora nas tardes de sábado; na Quaresma, vários padres juntam-se para percorrer as paróquias num determinado dia para ouvir confissões, mas, no resto do ano, há apenas essa possibilidade mínima de acesso à confissão. Contudo, a quase maioria dos que vão à missa recebem a comunhão todos os domingos. Ou são santos, ou muitos deles estão recebendo comunhão em pecado mortal. É imperativo, portanto, que a consciência dos fiéis seja melhor formada sobre o que é bom e o que é mau, e que o acesso à confissão não seja um obstáculo quase intransponível. Os padres americanos precisam ficar mais horas no confessionário e os fiéis precisam de ser consciencializados de que não podem ir para a comunhão, como é óbvio, se não se estiverem na graça de Deus. Viver na graça e, como consequência, receber a comunhão na graça deve ser o objetivo de todos os católicos. Para isto, é necessário recorrer aos sacramentos, especialmente ao sacramento da confissão. Sem mais oportunidades de confissão, um documento como o aprovado pelos bispos americanos pode permanecer retórica pura, palavras que não levam a lugar nenhum.
- O PRINCIPAL MANDAMENTO DO DIABO
Ao comentar o Evangelho de um dos domingos de novembro, em que um mestre da Lei se aproxima de Jesus e lhe pergunta: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” — e Jesus lhe responde que é o amor a Deus —, um sacerdote espanhol, padre Santiago Martín, mostrou com clareza como o amor ao próximo, se desligado das motivações religiosas, se transforma em retórica vazia. Talvez se possa ir um pouco além e dizer que, se o amor a Deus não é prioritário, está aberto e pavimentado o caminho para a instrumentalização ideológica. Poderíamos, livremente, escolher quem é digno ou não da nossa caridade. Um exemplo dessa caridade seletiva ocorreu há poucos dias. No finados de 2021, um católico participava da Missa numa das principais cidades do país. No final da homilia, depois de referir-se aos mortos da covid e com toda justiça homenageá-los, ouviu do celebrante que desejava a morte do Presidente da República, desejo aliás fartamente expresso nas redes sociais por quem não aprecia o atual chefe de Estado brasileiro. Terminada a Missa, o fiel se encontrou com o padre e mostrou sua indignação com aquelas palavras, mas não mereceu nenhuma atenção; ao contrário, o sacerdote saiu reafirmando que o presidente devia mesmo “levar um tiro na cabeça”. Ninguém é obrigado a apreciar o presidente Bolsonaro, sendo possível aprovar ou não a forma como conduziu o país, durante os meses mais graves da pandemia. Há inúmeros e até misteriosos fatores por trás das opiniões humanas. Seja lá quem for o presidente — um genocida, um indeciso, um corajoso, um realista —, o cristão não tem o direito de escolher entre amá-lo ou odiá-lo. O mandamento de Jesus é bem claro: amai vossos inimigos. Se o padre é desses que creem que o Bolsonaro é de fato um genocida, seria mais católico, depois de expressa essa opinião (pois que não passa de opinião), pedir justiça nos tribunais competentes e orações pela sua conversão. A consequência dessa caridade voluntarista, produto da liberdade de escolher-se quem seja ou não digno de amor, é sempre desastrosa: elimina-se toda a possibilidade de diálogo civilizado com quem pensa ou age diferente de nós, ou seja, nossos adversários de ideias e atitudes. A atual “cultura do cancelamento” é expressão dessa errônea concepção do amor cristão, desse enlouquecimento da caridade, para falar à maneira de Chesterton, para quem as virtudes enlouquecem, se compreendidas e praticadas fora da Igreja Católica. É certo que o fechamento de canais, no youtube, com a vaga alegação de disseminarem fake news , tem sua raiz na guerra política do progressismo versus conservadorismo, mas acaba por condicionar as pessoas mais simples a se retraírem, de maneira até violenta, diante de tudo o que é contrário a seu modo de pensar. O inimigo cultural deixou de ser alguém que deve ser convencido da opinião oposta; ou alguém por quem se deve rezar e converter. Agora, não passa de um obstáculo a ser sumariamente eliminado. O amor ao próximo, se não for condicionado pelo amor a Deus, transforma-se facilmente em filantropia idolátrica, em antropolatria. Ou em cancelamento do próximo, se o próximo não rezar pela nossa cartilha. É o pleno cumprimento do principal mandamento do diabo: “Odiai-vos uns aos outros”.
- Conheça mais sobre a História da Igreja Católica
Para sermos bons católicos, precisamos conhecer a história da Santa Igreja. Sendo de Cristo, Igreja sempre foi perseguida e uma das formas que utilizam para atacá-la em nossos tempos é adulterar fatos históricos para que a Igreja pareça vilã, quando a verdade é totalmente o contrário. Apresentamos uma série de vídeos do historiador e professor Raphael Tonon, uma das maiores referências na história da Igreja no Brasil. Aqueles que tiverem interesse poderão conhecer mais sobre a história da igreja, inclusive temas polêmicos como as Cruzadas, a Santa Inquisição, a Igreja Moderna, fazendo um contraponto com as versões mentirosas criadas para atacar a Igreja nos tempos modernos. Primeira Palestra Segunda Palestra Terceira Palestra Quarta Palestra Raízes Católicas do Brasil Palestra Bônus 1 – História de Nossa Senhora Aparecida Palestra Bônus 2 – Princesa Isabel e Nossa Senhora Aparecida Palestra Bônus 3 – História da Igreja no Brasil #FormaçõesCatólicas
- Conheça mais sobre a História da Igreja Católica
Para sermos bons católicos, precisamos conhecer a história da Santa Igreja. Sendo de Cristo, Igreja sempre foi perseguida e uma das formas que utilizam para atacá-la em nossos tempos é adulterar fatos históricos para que a Igreja pareça vilã, quando a verdade é totalmente o contrário. Apresentamos uma série de vídeos do historiador e professor Raphael Tonon, uma das maiores referências na história da Igreja no Brasil. Aqueles que tiverem interesse poderão conhecer mais sobre a história da igreja, inclusive temas polêmicos como as Cruzadas, a Santa Inquisição, a Igreja Moderna, fazendo um contraponto com as versões mentirosas criadas para atacar a Igreja nos tempos modernos. Primeira Palestra Segunda Palestra Terceira Palestra Quarta Palestra Raízes Católicas do Brasil Palestra Bônus 1 – História de Nossa Senhora Aparecida Palestra Bônus 2 – Princesa Isabel e Nossa Senhora Aparecida Palestra Bônus 3 – História da Igreja no Brasil #FormaçõesCatólicas












































