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UMA EUROPA EXCLUDENTE E SUICIDA – Pe. Santiago Martín

3 de dez. de 2021
3 min de leitura

A Comissão Europeia, através da sua Comissão de Igualdade, elaborou recomendações dirigidas a todos os estados membros para aplicar o que entendem como “linguagem inclusiva”, neste caso referindo-se ao Natal. Para estas personagens, que vivem muito bem à custa dos impostos pagos por todos os europeus, incluindo os cristãos, não deveria haver qualquer referência religiosa nas mensagens que as entidades públicas emitem hoje em dia. Não mais “Feliz Natal”, mas “feriados felizes”; não mais “período de Natal”, mas “período de férias”. A sua desculpa era que chamar de Natal ao Natal poderia perturbar os não-cristãos.

Anos atrás, quando a campanha para retirar crucifixos das salas de aula das escolas começou na Espanha, o mesmo argumento foi usado. “As crianças que não são cristãs”, dizia-se, “são incomodadas por verem o sinal de outra religião nas suas salas de aula”. Mesmo assim, comentei que a solução para integrar toda a gente não vinha da subtração, mas sim da adição. “Não se retire o crucifixo”, disse eu, “coloque-se uma lua crescente com um fundo verde ao lado, se houver alunos muçulmanos; ou uma imagem de Buda, se houver crianças dessa religião; e, para os ateus, coloque-se uma moldura sem fundo através da qual a parede possa ser vista, porque eles também são crentes, embora o deus em que acreditam não seja nada. Ao remover o crucifixo, foram precisamente os ateus que ganharam, não os muçulmanos ou os budistas. No lugar do crucifixo não há nada; e esse é, precisamente, o seu deus.

Agora, os brilhantes intelectos da Comissão Europeia deram um passo na mesma direção, e com o mesmo argumento. Para evitar perturbar os muçulmanos, não se deve chamar o Natal pelo nome, dizem eles. Felizmente, a reação negativa tem sido tão grande, que eles tiveram de recuar. A propósito, o mesmo aconteceu na Inglaterra, embora neste país aquele que saiu em defesa da validade dos símbolos cristãos tenha sido, curiosamente, um deputado muçulmano.

Essa linguagem que eles chamam “inclusiva” é, na realidade, uma linguagem de exclusão, que procura uma Europa que também é de exclusão, na qual nós, cristãos, não temos lugar. Se quiserem incluir, que felicitem os judeus no Hanukkah — que, a propósito, termina na próxima segunda-feira — ou os muçulmanos no Ramadan, em abril próximo. Se quiserem incluir, deixem-nos acrescentar, em vez de subtrair.

Os burocratas da Comissão Europeia já sabem tudo isto, mas querem que as raízes cristãs do continente desapareçam, e usam qualquer desculpa para o fazer. Tudo isto me levou a pensar em São João Paulo II e, também, naquelas imagens dos trabalhadores do sindicato Solidariedade, ajoelhados na missa, enquanto estavam em greve nos estaleiros de Gdansk. Foram usadas a vitalidade e resistência dos católicos para pôr fim ao comunismo. E agora, quando pensam já não precisar de nós, querem implementar o que sempre foi o seu objetivo: uma nova ditadura sem Deus, onde apenas o dinheiro e o prazer sejam adorados. O seu fim, como São Paulo disse na sua carta aos Filipenses, é a perdição, porque o seu deus é a sua barriga e a sua glória é a sua vergonha.

Teremos de recomeçar a partir das ruínas que eles vão deixar. E já começaram com as suas políticas ateias: por exemplo, promovendo uma Europa sem filhos, com a mais baixa taxa de natalidade do mundo, longe da taxa de reposição da população. A sua política é suicida, mas estão avançando cheios de arrogância em direção ao abismo.

Tal como resistimos aos tiranos comunistas, vamos resistir e derrotar esses tiranos secularistas, embora, como aqueles, só deixem a destruição na sua esteira. O ódio dos secularistas ateus não será capaz de nos derrotar, tal como o ódio dos comunistas ateus não o conseguiu, embora eles nos façam sofrer muito.

Cristo venceu e continuará a vencer. É por isso que, mais do que nunca, vamos colocar símbolos religiosos em nossos alpendres neste ano; e que nenhum cristão diga “boas festas”. A única festa é que o Filho de Deus nasceu da Santíssima Virgem Maria.

E, apesar de ainda faltarem algumas semanas, Feliz Natal!

 
 
 

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