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PASTORINHA DE KOSOVO – Ribeiro Couto

23 de nov. de 2021
1 min de leitura

[O poeta Ribeiro Couto, que atribui a cura de sua tuberculose a uma intercessão de Santa Terezinha de Lisieux, fez poucos poemas estritamente religiosos, à diferença de outros católicos de sua geração, como Tasso da Silveira, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Murilo Araújo, Augusto F. Schmidt. No soneto a seguir, escrito nos anos cinquenta e ambientado no Kosovo, então pertencente à antiga Iugoslávia, o poeta faz uma singela homenagem às aparições marianas, em especial àquelas em que os videntes eram pastores, como em La Salette e Fátima. O interessante em que o Kosovo fica muito perto da Bósnia, onde, na pequena cidade de Medjugorje, alguns pastores adolescentes afirmam terem visto Nossa Senhora em 1981].

A pequenina, tímida pastora Não ouve o meu galope, distraída, E em vez de parecer a protetora Parece das ovelhas protegida.

Numa ingênua atitude sonhadora, Não é da terra, mas do céu caída: Eu passaria rente, se não fora O receio de vê-la espavorida.

Nada perturba a paz da tarde clara E me afasto saudoso na certeza De que aqui um mistério se prepara.

Se um dia ler que a certa camponesa A Virgem de repente se mostrara, Saberei a quem coube essa surpresa.

 
 
 

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