O CALENDÁRIO IDEOLÓGICO DA REVOLUÇÃO FRANCESA – Conrado Gnerre

A Revolução Francesa foi o auge da modernidade, traduzindo em política os princípios fundamentais do Iluminismo.
A Revolução Francesa, na sua verdadeira essência, ou seja, como um fenômeno que exprimia perfeitamente as exigências da modernidade, pretendia estabelecer-se como o início de um “novo mundo” e como uma forja para a criação de um “novo homem”.
A introdução do Calendário Revolucionário (24 de novembro de 1793) atendeu a duas necessidades. A primeira, separar-se definitivamente do “velho mundo”, o natural e cristão; a segunda, abrir uma nova era em que aos direitos de Deus deveriam ter primazia os direitos do homem.
Diz-se que, com a introdução da “década” [dez dias] para substituir “semana” [sete dias], até os bois de arado desabaram no chão de cansaço, porque foram privados de uma frequência de descanso que evidentemente encontrava suas razões não só na Revelação , mas também nas leis naturais.
O que ocorreu com aqueles bois representou apenas um pequeno prenúncio do que logo viria pela frente: o homem reduzido a um instrumento de ideologias e com uma História que se apresentaria, cada vez mais, como palco de grandes massacres.
Na verdade, a Revolução Francesa deu origem ao mundo “ideológico” e, precisamente a partir deste mundo, surgiriam o as guerras mundiais e todos os genocídios.
















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