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  • SANTA MARIA DO EGITO

    SANTA MARIA DO EGITO Santa Maria do Egito, chamada A pecadora, passou 47 anos no deserto em austera penitência, começada por volta do ano do senhor de 270, no tempo do imperador Cláudio. Certa vez, um Abade chamado Zózimo atravessou o Rio Jordão e percorria um grande deserto procurando um santo eremita, quando viu caminhando uma pessoa nua e de corpo enegrecido pelo sol. Era Maria Egipcíaca, que imediatamente fugiu, com Zózimo correndo atrás dela, por isso perguntou: “Abade Zózimo, por que me persegue? Desculpe-me, não posso mostrar meu rosto porque sou mulher e estou nua; dê-me seu manto para que eu possa olhá-lo sem me envergonhar”. Ouvindo ser chamado pelo nome, ele ficou surpreso e depois de dar seu manto prosternou-se a seus pés e pediu a ela que o abençoasse. Ela disse: “É você, Padre, que deve me abençoar, você que é ornado pela dignidade sacerdotal “. Ao perceber que ela sabia seu nome e sua condição, ficou ainda mais impressionado e insistiu para que o abençoasse. Mas ela disse: “Bendito seja Deus, Redentor de nossas almas”. Enquanto ela orava de mãos estendidas, Zózimo viu que ela tinha se erguido a um côvado do chão. Vendo aquilo, o ancião pôs-se a pensar se não era um espírito que estava fingindo rezar. Então ela disse: “Que Deus o perdoe por ter tomado uma mulher pecadora por um espírito imundo”. Zózimo conjurou-a em nome do Senhor a lhe contar sua vida. Ela respondeu: “perdoe-me, Padre, mas se contar minha história você fugirá apavorado, como se visse uma serpente. Seus ouvidos serão maculadas por minhas palavras e o ar contaminado por coisas sórdidas “. Mas diante de veemente insistência, ela contou: Nasci no Egito, irmão, e aos 12 anos de idade fui para Alexandria, onde durante 17 anos entreguei-me publicamente à libertinagem e nunca me recusei a quem quer que fosse. Quando alguns homens da região embarcaram para Jerusalém afim de adorar a Santa Cruz, pedi aos marinheiros que me levassem com eles. Como me pediram para pagar a passagem, respondi: “não tenho dinheiro irmãos, mas posso entregar meu corpo como pagamento”. Eles me levaram e usaram meu corpo. Chegando à Jerusalém, fui com as outras pessoas até igreja para adorar a cruz, mas imediatamente uma força invisível me repeliu e me impediu de entrar. Por várias vezes fui até a soleira da porta, e continuava a ser repelida, enquanto todo mundo entrava sem dificuldades e sem encontrar nenhum obstáculo. Pus-me a pensar e concluí que tudo aquilo tinha como causa a enormidade de meus pecados. Comecei a bater no peito com as mãos, a derramar lágrimas amargas, a dar profundos profundos suspiros do fundo do coração e, ao erguer a cabeça, vi uma imagem da bem-aventurada virgem Maria. Pedi então, com lágrimas, que ela obtivesse o perdão de meus pecados e me deixasse entrar para adorar a Santa Cruz, prometendo renunciar ao mundo e levar, dali em diante, uma vida casta. Após essa prece, confiando na bem-aventurada virgem, fui mais uma vez até a porta da igreja, pela qual passei sem o menor obstáculo. Quando terminei de adorar a Santa Cruz com grande devoção, alguém me deu três moedas com as quais comprei três pães, e ouvi uma voz que me dizia: “se atravessar o Jordão, estará salva”. Atravessei o Jordão e vim para este deserto, no qual fiquei 47 anos sem ter visto homem algum. Os três pães que levei comigo, embora com tempo tenham se tornando duros como pedras, bastaram para me alimentar por 47 anos, mas minhas roupas há muito tempo apodreceram. Durante os primeiros 17 anos passados neste deserto fui atormentada pelas tentações da carne, mas hoje já as venci, com a graça de Deus. Agora que contei toda minha história, peço que reze a Deus por mim. O ancião ajoelhou-se abençoou a escrava do Senhor. Ela lhe disse: “peço que no dia da ceia do Senhor você venha para a margem do Jordão e traga o corpo do Senhor. Eu irei encontrá-lo ali e receber de sua mão esse corpo Sagrado, porque desde o dia em que vim para cá não recebi a comunhão do senhor”. O ancião voltou para seu mosteiro e no ano seguinte, ao se aproximar o dia da ceia, pegou o corpo do senhor e foi até a margem do Jordão. Do outro lado estava de pé uma mulher que fez o sinal-da-cruz sobre as águas e veio ao encontro dele. Ao ver isso, tomado de surpresa, prosternou-se humildemente a seus pés. Disse ela: “não faça isso, pois você carrega os sacramentos do senhor e tem a dignidade sacerdotal. No entanto, padre, eu suplico que no próximo ano você se digne a me ver novamente no mesmo lugar em que nos encontramos pela primeira vez “. Depois de fazer o sinal da cruz, ela atravessou de volta as águas do Jordão para ganhar a solidão do seu deserto. Quanto ao ancião, retornou ao seu mosteiro e no ano seguinte foi ao lugar combinado, mas encontrou Maria morta. Pôs-se a chorar e não ousou tocá-la, mas disse consigo mesmo: “eu sepultaria de bom grado o corpo desta Santa, mas temo que isso a desagrade”. Enquanto pensava assim, viu as seguintes palavras gravadas na terra, perto da cabeça dela: “Zózimo, enterre o corpo de Maria, devolva a terra sua poeira e ore por mim ao senhor, por ordem do qual deixei este mundo no segundo dia de Abril”. Meditando sobre o fato, o ancião concluiu que ela terminara sua vida no deserto, no ano anterior, logo após ter recebido o sacramento do senhor. Ora, antes de ir para junto de Deus, Maria tinha ido em uma hora do Jordão ao deserto, distância que Zózimo com muita dificuldade levava 30 dias para percorrer. Vendo um leão que mansamente vinha em sua direção, o ancião disse-lhe: “esta Santa mulher mandou sepultar aqui seu corpo, mas não posso cavar a terra porque sou velho e não tenho ferramentas. Cave você a terra para que possamos sepultar santíssimo corpo”. O leão começou a cavar e a fazer uma cova adequada, depois foi embora manso como um Cordeiro, enquanto o ancião voltava para o seu mosteiro glorificando a Deus. De Varazze, Jacopo, Arcebispo de Gênova, 1229-1298, Legenda Áurea, tradução Hilário Franco Júnior — São Paulo: Companhia das Letras, 2003 #Fé #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Santos

  • São Máximo, o Confessor (580-662) – Supremacia Papal e Infalibilidade pelo Direito Divino

    Como muitos leitores sabem, a controvérsia monotelita ocupou a atenção da Igreja no século VII, e concluiu-se por uma firme condenação da crença de que em Cristo há apenas uma única vontade ou que seus atos eram de uma operação teândrica. Este mal que infligiu a Igreja foi em parte atribuível ao Papa Honório I, que as cartas a Sérgio, o Patriarca de Constantinopla, pareciam ter apoiado a ideia de que Cristo tinha duas naturezas, mas uma vontade. Logo após a recepção dessas cartas, o imperador do Oriente, Heráclito, sobre a composição do Patriarca, lançou um decreto chamado Ecthesis (εκθεσις, literalmente “declaração de fé”), em que é ensinado que Cristo tem uma vontade. Isso também foi aceito pelos Patriarcas de Alexandria, Antioquia e Jerusalém. É relatado que o sucessor de Honório, Severino, teve tempo antes de sua morte para rejeitá-lo. O sucessor de Severino, João IV, condenou-o claramente. Agora, no lado romano, ninguém leu Honório como um defensor dessa doutrina da uma vontade. Seus sucessores, até pelo menos São Leão II, negaram que tal fosse o significado de sua carta. No entanto, o Concílio de Constantinopla III, realizado em 681, condenou Honório por heresia (embora ele já estivesse morto há muito tempo) e colocou o anátema conciliar sobre ele e sua memória. Para nossa surpresa, pelo menos um santo oriental de renome, São Máximo, o Confessor, concordou com os sucessores imediatos de Honório e alegou que a intenção de Honório era ortodoxa. De qualquer forma, o objetivo aqui não é investigar se Honório era um herege ou não, mas sim se Máximo acreditava na origem divina da supremacia ou infalibilidade papal. Nos estudos de Máximo, alguns questionaram a autenticidade dos escritos mais papais de Máximo, muitos dos quais existem hoje apenas no latim. No entanto, a mais recente erudição ortodoxa não se aventurou a manter esse ceticismo. Por exemplo, estudiosos ortodoxos como o Dr. Jean-Claude Larchet, o Dr. A. Edward Sciecienski, Pe. Andrew Louth e Andrew J. Ekonomou tentaram interpretar os textos de Máximo que favorecem a primazia romana em seu contexto “próprio”. Não surpreendentemente, todos eles chegam a conclusões que não incluem Máximo como uma testemunha do dogma do Vaticano contemporâneo sobre a supremacia, nem a infalibilidade. No decorrer deste artigo, estarei interagindo com o Larchet e o Sciecienski, já que são suas avaliações que merecem mais atenção. No entanto, quão interessante é ver que, em contraste com os tempos antigos, os eruditos ortodoxos estão reconhecendo que, para Máximo, Roma é certamente a primaz universal que mesmo, por sua própria admissão, tinha até certo tipo de jurisdição universal quando devidamente qualificada e condicionada. Isso, em si e por si mesmo, está a um passo distante do igualitário pentarquismo ou igualitário episcopalismo com o qual o Oriente pode ter desprendido. Isso não quer dizer que haja um consenso sobre o significado de primazia na Igreja Ortodoxa, uma vez que sabemos que as maiores mentes sobre o assunto até hoje afirmaram fortemente o contrário. Mas é para dizer que tem havido uma atenção mais séria dada às fontes históricas que podem ter sido passadas como espúrias por historiadores ortodoxos anteriores. Na visão da primazia romana, Siecienski gravita para o fato de que quando Máximo foi submetido a julgamento em Constantinopla e contaram a ele que a sé romana tinha planos de se unir aos Patriarcas Monofisitas, o Santo respondeu dizendo: “O Espírito Santo anatematiza até os anjos, se eles nos mandar desistir da fé ”, insinuando claramente que, se Roma se engajasse nesses planos, o papa seria excomungado do corpo de Cristo. Isto, nos é dito, é uma evidência clara de que qualquer forte teoria papal que Máximo defendesse, era aquela que era confinada pelas mesmas condições colocadas sobre todas as igrejas para a sua comunhão com a verdadeira Igreja, e assim ele não serve para ser uma testemunha do dogma católico no mínimo. De fato, quando vista a esta luz, não se pode dizer que a Sé Romana possua algo intrinsecamente diferente, quando se trata de preservar o depósito apostólico da fé, do que qualquer outra igreja, já que a membresia de Roma na Igreja é tão contingente quanto mantendo a fé ortodoxa como membros de qualquer outra igreja dependem disso. Se isso for verdade, removeria a força de Máximo da lista de testemunhas históricas para a supremacia e infalibilidade papal divinas. Talvez uma forte primazia administrativa condicionada a uma fé verdadeira e ortodoxa, mas, para os ortodoxos, nenhuma proteção especial contra o erro é reivindicada por Máximo. Antes de entrar no comentário relevante sobre o que São Máximo tem a dizer sobre Roma, vou dar um rápido relato da sequência de eventos: (1) Depois que Sérgio de Constantinopla recebe as cartas do Papa Honório, ele compõe a Ectese, ensinando que Cristo tinha uma vontade e o Imperador Heráclio a publicou em todo o território de Bizâncio; (2) Após a morte de Honório, os enviados de Roma viajam para Constantinopla para obter a confirmação do Imperador de Severino para o cargo papal, mas o clero de Constantinopla não forneceria assistência na confirmação de Severino a menos que ele aceitasse a Ectese; (3) Severino ocupou o cargo por cerca de dois meses e foi sucedido por João IV, que convocou um Sínodo condenando a Ectese; (4) o Papa João IV escreveu uma carta ao Imperador Heráclio e à Igreja de Constantinopla, agora presidida por Pirro, que a Ectese e, portanto, o monotelismo, foi condenada; (5) Pirro, que manteve o apoio da Ectese, foi exilado para a África, onde ele finalmente debateu a questão de uma vs duas vontades em Cristo com São Máximo, o Confessor, e publicamente se retratou de manter a posição de uma vontade (apenas, como veremos, para depois voltar à sua posição herética mais uma vez); (6) O homem instalado como Patriarca de Constantinopla, sem uma legítima deposição de Pirro, foi nomeado Paulo, que foi excomungado pelo Papa Teodoro por manter a Ectese; (7) Em resposta a isto, Paulo e Constante, o sucessor de Heráclito, destruíram a Ectese, mas instalaram o Typus em seu lugar, o que proibia qualquer discussão sobre se Cristo tinha uma ou duas vontades, ou uma ou duas operações; (8) O Papa Teodoro convocou um Concílio na Basílica de Latrão, em 649, condenando a Ectese e o Typus juntos; (9) Teodoro morre, e o papa S. Martinho toma seu lugar, e ele e São Máximo sustentam o Dioteletismo (duas vontades e operações em Cristo) contra o Oriente; (10) Tanto São Martinho quanto Máximo são forçados ao cativeiro imperial, e sofrem o martírio por acreditarem que, em Cristo Jesus, há duas vontades e operações, ambas as quais pertencem às respectivas naturezas de Deus e da humanidade. Este artigo cobrirá principalmente os eventos em torno do cativeiro de Máximo e seu julgamento. Quando os enviados de Roma viajaram para Constantinopla para receber a confirmação da eleição de Severino para o cargo papal, mas foram informados de que nada aconteceria a menos que o recém-eleito papa aprovasse a Ectese, São Máximo registra a seguinte descrição deste evento como foi relatado a ele: “Tendo descoberto o teor do documento [Ecthesis], uma vez que recusando [assinar] eles [os legados] teriam feito a primeira e mãe das Igrejas e da cidade [ecclesiarum principem e matrem et urbem] permanecer por tanto tempo em viuvez [ie sem um bispo confirmado], eles responderam em voz baixa: “Não podemos agir com autoridade neste assunto, pois recebemos uma comissão para executar, não uma ordem para fazer uma profissão de fé. Mas asseguramos-lhe que relacionaremos tudo o que você apresentou, e mostraremos o documento para aquele que será consagrado, e se ele julgar correto, pediremos que ele anexe sua assinatura a ele. . Mas, portanto, não coloque nenhum obstáculo em nosso caminho agora e nos faça violência, atrasando-nos e mantendo-nos aqui. Pois ninguém tem o direito de usar violência, especialmente quando a fé está em questão. Pois até mesmo as ceras mais fracas são poderosas, e os mansos tornam-se guerreiros e consolam sua alma com a palavra divina, endurecendo contra os maiores ataques. Quanto mais no caso do clero e da Igreja dos Romanos, que desde a antiguidade até hoje, como a anciã de todas as Igrejas que estão sob o sol, preside a todos? Certamente tendo recebido isto canonicamente, assim como de concílios e apóstolos, como dos príncipes destes últimos [Pedro e Paulo], e sendo numerada em sua companhia, ela não está sujeita a nenhum escrito ou questão de documentos sinodais, por causa da eminência do seu pontificado, assim como em todas estas coisas todas estão igualmente sujeitas a ela de acordo com a lei sacerdotal ‘. E assim, quando, sem medo, mas com toda a confiança sagrada e devida, aqueles ministros da rocha verdadeiramente firme e imóvel que é da maior e mais apostólica igreja de Roma, aplicaram-se assim ao clero da cidade real [Constantinopla] Foi visto que os haviam conciliado e agido com prudência, para que os outros pudessem ser humildes e modestos, enquanto eles próprios davam a conhecer a ortodoxia e a pureza de sua própria fé desde o princípio. Mas os de Constantinopla, admirando sua piedade, pensavam que tal ato deveria ser recompensado com razão; e, deixando de lhes oferecer o documento, prometeram, por seus próprios cuidados, a questão da ordem do imperador em relação à eleição episcopal. Quando isto foi realizado, o apocrisiarii [representante de Roma em Constantinopla] querido a Deus felizmente voltou para casa ‘”(Ex Epistola Sancti Maximi Scripta e Abbatem Thaassium, PL 129.585-6, tirada de Chapman 5) Aqui, Máximo cita o que lhe disseram que foi a declaração feita pelos legados papais em sua carta a Talássio. Observe que os legados dizem que a Igreja dos Romanos:(1) Preside sobre todas as igrejas sob o sol (igreja global) (2) Recebido (1) de cânones, concílios e os príncipes dos apóstolos (Pedro e Paulo) (3) Por sua autoridade, não está sujeita a documentos sinodais (4) e mantém tudo em sujeição a ela de acordo com a lei sacerdotal Máximo não diminui nada disso, e parece concordar com isso referenciando Roma como a “rocha firme e imutável”. A mensagem básica dele é que o clero de Constantinopla nunca deveria ter dado a postura que fez em relação à Igreja de Roma, uma vez que aquela Igreja é a cabeça de todas as igrejas, não está sujeita a nenhuma medida autoritária de qualquer outra igreja ou concílio no mundo, e mantém tudo em sujeição à sua própria autoridade. Este texto só é preservado em latim, e assim seria um daqueles textos cuja autenticidade foi posta em dúvida. Quando Pirro retornou ao seu erro anterior, depois de ter publicamente retratado o monotelismo depois de debater com Máximo na África, este escreveu a um certo oficial oriental chamado Pedro, segundo o qual o duplamente herege, Pirro, poderia retornar à Igreja e encontrar perdão: “Se a Sé Romana reconhece que Pirro não é apenas um réprobo, mas um herege, certamente está claro que todos os que anatematizam aqueles que rejeitaram Pirro anatematizam a Sé de Roma, isto é, anatematiza a Igreja Católica. Eu dificilmente precisaria acrescentar que ele se excomunga também, se de fato ele está em comunhão com a Sé Romana e a Igreja Católica de Deus … Não é certo que alguém que tenha sido condenado e expulso pela Sé Apostólica da cidade de Roma pela suas opiniões erradas deve ser nomeado com qualquer tipo de honra, até que ele seja recebido por ela, tendo retornado a ela, e a nosso Senhor, por uma confissão piedosa e fé ortodoxa, pela qual ele possa receber santidade e o título de santo… Deixe ele [sc. Pirro] apressar-se diante de todas as coisas para satisfazer a Sé Romana, pois, se estiver satisfeita, todos concordarão em chamá-lo de piedoso e ortodoxo. [Pois] ele está apenas desperdiçando palavras se pensa que ele deve convencer ou atrair pessoas como eu, ao invés de satisfazer ou suplicar ele, o abençoado papa da mais sagrada Igreja Católica de Roma, isto é, o trono apostólico, que é do filho incanrado. Ele mesmo e que, de acordo com os sagrados cânones e as definições de fé, recebeu de todos os santos concílios universal o supremo domínio, autoridade e poder de ligar e desligar todas as igrejas santas de Deus que estão no mundo inteiro. Pois com isso o Verbo que está acima das potências celestes liga e desliga no céu também. Pois, se ele acha que deve satisfazer os outros e não implorar ao mais abençoado Papa Romano, ele está agindo como um homem que, quando acusado de assassinato ou de algum outro crime, não se apressa em provar sua inocência ao juiz nomeado por lei, mas apenas inutilmente e sem fins lucrativos, faz o possível para demonstrar sua inocência a particulares, que não têm poder para absolvê-lo da acusação. Portanto, meu abençoado Senhor, estenda ainda mais o preceito que se sabe que você fez bem e de acordo com a vontade de Deus, pelo qual Pirro não tem permissão para falar ou errar no que diz respeito ao dogma. Mas descubra claramente sua intenção por meio de uma investigação adicional, se ele concordará totalmente com a verdade. E se ele tiver o cuidado de fazer isso, exorte-o a fazer uma declaração ao Papa Romano, para que por sua ordem o assunto referente a Pirro seja canonicamente e adequadamente ordenado para a glória de Deus e o louvor de sua sublimidade … ”( Opuscula 12, Patrologia Graeca 91.141-146, extraído de Chapman 8 e The Oxford Handbook of Maximus the Confessor, página 553) É sem qualquer dúvida que Máximo entendeu que a Sé Romana era possuidora de supremacia universal por direito divino. Em particular, a comparação de satisfação e prova de inocência perante um juiz designado por lei divina e que tem poder para absolver a obrigação de Pirro de satisfazer a Sé Romana colocaria em suspenso qualquer objeção a isso. Mas observe os motivos pelos quais Máximo viu a primazia romana ter repousado. O “Deus Encarnado” ordenou a supremacia da Igreja Romana. Mesmo que, como Siecienski interpretou, Máximo não acreditasse na permanente e invencível infalibilidade da Sé Romana para sempre, ele certamente acreditava que a Sé Romana possuía jurisdição suprema sobre toda a Igreja universal * se ela fosse ortodoxa *, isso, não pelo desígnio humano, mas pelo de Deus. E se houvesse mais alguma dúvida, também se poderia ler a carta de Máximo de Roma para o Oriente, que diz: “Pois até os confins da terra e aqueles em todas as partes do mundo que pura e justamente confessam o Senhor, olham diretamente para a santíssima Igreja dos Romanos e sua confissão e fé como se fosse um sol de luz infalível, esperando dela, o esplendor iluminador dos Padres e dogmas sagrados … Pois desde que o Verbo Encarnado de Deus desceu até nós, todas as igrejas dos cristãos em toda parte mantiveram a maior Igreja lá para ser sua única base e fundação, pois de um lado não é de modo algum vencido pelas portas do Hades, de acordo com a própria promessa do Salvador, mas detém as chaves da confissão e fé ortodoxas nela e abre a única verdadeira e real religião àqueles que se aproximam com piedade, e por outro lado, fecha e cala toda boca herética que fala injustiça contra o Altíssimo ”. (Opuscula 11, PG 91.137-140; trans. Cooper 2005: 181; retirado do Oxford Handbook, 552) O patriarca São Sofrônio de Jerusalém havia encomendado a Santo Estevão de Dor, bispo no Patriarcado de Jerusalém, para apelar à Sé Romana a fim de obter a condenação dos monotelistas. Estevão, que viajou para Roma, descreve isso em voz alta no Concílio de Latrão 649, do qual Máximo participou. Este Concílio foi mantido como Ecumênico por Máximo, e assim esta declaração aberta no Concílio tem algum significado: “E por esta causa, às vezes pedimos água para a nossa cabeça e aos nossos olhos uma fonte de lágrimas, às vezes as asas de uma pomba, de acordo com o santo Davi, para que pudéssemos voar e anunciar essas coisas à cátedra que governa e preside sobre tudo, eu quero dizer para vós, a Cabeça e o mais Alto, para a cura de toda a ferida. Pois isso, habituou-se a fazer desde o início com poder pela sua autoridade canónica e apostólica, porque o verdadeiramente grande Pedro, chefe dos Apóstolos, foi claramente considerado digno não só de ser confiado com as chaves do céu, sozinho para além do resto, para abri-la dignamente para os crentes, ou para fechá-la justamente para aqueles que não crêem no evangelho da graça, mas porque ele também foi primeiro comissionado a alimentar as ovelhas de toda a Igreja Católica; para “Pedro”, ele disse: “Você me ama? Alimente minhas ovelhas e, novamente, porque ele tinha de uma maneira peculiar e especial, uma fé no Senhor mais forte do que todas e imutável, para ser convertido e para confirmar seus companheiros e irmãos espirituais quando abalados, como tendo sido adornado por Deus mesmo, encarnado por nós, com poder e autoridade sacerdotal (…) fui instigado pelos pedidos de quase todos os piedosos bispos do Oriente, em concordância com o falecido Sofrônio … Sem demora fiz esta viagem somente para esse fim; e desde então, três vezes, eu corri até vocês, Pés Apostólicos, pedindo e suplicando a oração de Sofrônio e de todos, isto é, que vocês ajudem a fé em perigo dos cristãos ”(Atas de Latrão, Sínodo 649, pg. 143-44) Pe. Andrew Louth, em seu The Ecclesiology of Saint Maximus, o Confessor, tenta minar o testemunho de Máximo ao ensino católico contemporâneo, dizendo que Máximo está se referindo à “igreja” de Roma, e não ao ofício papal. Eu achei isto um pouco estranho, já que até o Concílio Vaticano de 1870 fala das prerrogativas da “Sé” romana (aparece não menos que 8 vezes). Existe uma relação interna entre o bispado e a igreja da qual está comprometida, e assim as prerrogativas autorizadas da igreja seriam incluídas pelo bispado. Louth prossegue dizendo que Máximo estava dizendo isso tudo por gratidão, implicando assim que havia uma hipérbole fantasiosa, embora irrealista, sendo utilizada. No entanto, não pude deixar de lembrar que, quando Máximo poderia ter poupado sua vida diante de Teodósio e dos cônsules imperiais, simplesmente estando disposto a comungar com os Patriarcas Orientais sob a condição de terem revogado o Typus (que havia sido a fonte da contenda doutrinária), ele se recusou a cumprir a menos que tanto eles quanto os Patriarcas Orientais tivessem formalmente se submetido a Roma e aos decretos do Sínodo de Latrão de 649. Se tudo que ele tinha era um compromisso florido com a instituição papal, então por que colocar sua vida em risco ? Penso que a resposta é apresentada muito claramente nas palavras do próprio Máximo que, em suma, é que a comunhão (não apenas o acordo) com a Sé romana * é * comunhão com a Santa Igreja Católica. Sob essa premissa, pode-se entender que ele arrisca sua vida neste ponto crucial de seu julgamento. Isso me lembra o que Dom John Chapman escreve em sua Condenação do Papa Honório: “Quando São Jerônimo falou palavras tremendas sobre o papa [Dâmaso], somos convidados a acreditar que ele estava exagerando, ou até mesmo que ele era sarcástico. Quando o Concílio de Calcedônia escreveu com afeto a São Leão, somos [solicitados] a exprimir suas palavras como lisonja oriental vazia. O que quer que seja que se pense em tais comentários, eles não podem ser aplicados às palavras nas quais ouvimos São Máximo repetidamente estabelecer os privilégios de Roma. Os homens não derramam seu sangue para anemizar um sarcasmo ou para justificar um elogio [florido] ”(página 70-71). E finalmente, Louth menciona como Máximo negou obediência a um papa herético, que abordarei mais abaixo. Desejo concluir este artigo dedicando a última seção a responder aos estudos de Siecienski sobre a visão Maximiana da Primazia Romana. Em sua seção no Oxford Handbook on Maximus, the Confessor, Siecienski toma nota clara das declarações acima de Máximo sobre a autoridade do Papa. No entanto, ele tem algumas reservas antes de interpretar isso como um suporte para a doutrina contemporânea da supremacia papal. Ele escreve: “Após a promulgação da Pastor Aeternus (Concílio Vaticano I, 1870), os autores católicos usaram cada vez mais os escritos de Máximo para apoiar a afirmação de que a jurisdição universal do papa e a infalibilidade doutrinária foram reconhecidas no Oriente durante o primeiro milênio … Talvez o estudo mais detalhado sobre as visões de Máximo sobre o papado vêm de Jean-Claude Larchet, que examinou todos os textos em questão (Larchet, 1998). Larchet tentou contextualizar o entusiasmo de Máximo pelo papado à luz dos debates monotelitas, quando Roma era seu único aliado contra os hereges hierarcas do Oriente. Para Larchet e outros, a linguagem exaltada de Máximo sobre a Sé de Roma manifesta “o brilho de gratidão que ele deve ter sentido após o Sínodo de Latrão, pelo apoio que encontrou em Roma” e, além disso, foi “escrito sobre a Igreja de Roma, não o papado como tal ”(Louth 2004: 117). Isso não significa que Máximo estava sendo falso, mas simplesmente reconhece que esses textos foram escritos numa época em que apenas Roma mantinha a linha contra a heresia, e assim ganhara o tipo de elogio que Máximo a adulava”. (Oxford Handbook, 553-54). Ao considerar a questão de se Máximo entendeu a comunhão com a Sé Romana como absolutamente necessária para estar na Igreja, Siecienski toma nota do julgamento de Máximo, onde lhe foi dito que a Sé Romana estaria entrando em comunhão com os 4 Patriarcas Monotelitas do Oriente: “Máximo respondeu: ‘O Deus de todos declarou que a igreja católica era a correta e salvadora confissão da fé nele quando ele chamou Pedro abençoado por causa dos termos em que ele havia feito a confissão apropriada dele’ (Ep. Max., Allen-Neil 2002: 121) ” e Siecienski deduz: “… se a comunhão com a Sé de Roma fosse normativa, esse estado de coisas dependia inteiramente da ortodoxia contínua de Roma, que continuava sendo uma precondição necessária para todos os elogios e poderes que ela recebera … De fato, durante seu julgamento, Máximo aceitou pelo menos a possibilidade teórica de que ele pudesse ser forçado a romper a comunhão com Roma, caso ela também fosse vítima da loucura monotelita”(Oxford, p. 554-54). No entanto, no registro do julgamento, Máximo também diz o seguinte quando foi informado que Roma deveria entrar em comunhão com os patriarcas monotelitas: “Aqueles [legados papais] que vieram não vão prejudicar a Sé de Roma de forma alguma, mesmo se eles comunicaram porque não trouxeram uma carta ao Patriarca. E eu nunca estarei convencido de que os romanos estarão unidos com os bizantinos, a menos que eles [os bizantinos] confessem que nosso Senhor e Deus por natureza quer e trabalha nossa salvação de acordo com cada [das naturezas] da qual Ele é, e em que Ele é, assim como o que Ele é ”(ibid, pg. 63) Assim, vemos aqui, mesmo durante o meio deste julgamento, que Máximo não ficaria convencido de que Roma iria cometer heresia. Quando pressionado ainda mais que Roma tem certos planos para entrar em comunhão com os monotelitas, Máximo admite: “O Espírito Santo, através do apóstolo, condena até os anjos que inovam de alguma forma contrários ao que é pregado” (ibid pg. 555). Siecienski conclui: “..Máximo, ao que parece, não deu o salto lógico de ‘Roma não errou’ para ‘Roma não podia errar’, embora os próprios Papas já tivessem começado a pensar ao longo destas linhas.” (Ibid) Eu acho que Siecienski está errado que Máximo não confessou a supremacia e infalibilidade de Roma. Aqui está o porquê. Se você ler as citações acima, Máximo se refere a Roma como o sol da luz infalível e a única base e fundação que não pode ser superada pelas portas do Hades, de acordo com a promessa do Salvador. Literalmente, Roma ensina a fé apostólica e não pode deixar de fazê-lo em virtude da promessa de Deus. Eu entendo que há uma maneira de interpretá-lo como se ele estivesse apenas sendo hiperbólico ou excessivamente entusiasmado, vendo como Roma era a única igreja ortodoxa no oikumene na época. Além disso, Siecienski acha que essa interpretação não corre o risco de fazer Máximo insincero, mas eu discordo. Como você pode executar alegações de supremacia e infalibilidade doutrinária com base na intenção divina de Cristo (em cartas nem mesmo para Roma) como uma obra de arte entusiasmada apenas para reforçar o argumento de alguém? Se o argumento de Máximo depende da irrefutabilidade de seus argumentos dos padres da igreja, então seria redundante apelar para o status divino de Roma. No máximo, ao falsamente insinuar que Roma é infalível, Máximo corre o risco de se enfraquecer. Os próprios Papas eram hiperbólicos quando reivindicavam a infalibilidade da Sé Romana (Fórmula de Hormisdas, Carta de Agatão a Constantinopla III)? É muito mais provável que as afirmações de Máximo sobre Roma sejam tão genuínas quanto as feitas por outros, independentemente de ele estar errado ou certo sobre o assunto. Não vejo nenhuma razão convincente para lê-lo de outra maneira. Mas e as declarações dele durante o julgamento? Máximo não acabou de sair e dizer que Roma poderia cair em heresia? Bem, eu diria que há mais entre as linhas aqui. Assim como alguns intérpretes assumiriam as atribuições claras de supremacia e infalibilidade em Máximo e depois as falsificariam (ou seja, tornou-as meros exageros entusiásticos) à luz da disposição deste último em possivelmente suportar a separação de Roma se isso significasse ser fiel à verdade, um católico não está fazendo nada diferente quando interpreta as admissões claras de Máximo quando sob julgamento e as falsifica com base nas declarações claras de supremacia e infalibilidade em seus outros escritos. Em outras palavras, Máximo poderia ter respondido seus acusadores sob julgamento de tal maneira que ele estivesse disposto a admitir, por uma questão de possibilidade por uma questão de argumento, que Roma poderia cair no esquecimento, caso em que ele permaneceria fiel a verdade, mesmo que isso significasse que ele sozinho era o único cristão ortodoxo que restou no planeta, mas na verdade não acredita que isso possa se materializar. Nesse nível, ambas as interpretações são justas e quadradas. Mas tem mais. Como vimos, o registro de seu julgamento inclui um retrocesso de Máximo de que ele não estaria convencido da concessão de Roma à heresia. Quando ele foi pressionado sobre o que faria se Roma realmente comungasse com os monotelitas, é bem possível que Máximo pensasse, em sua cabeça, “tudo bem, permita-me admitir o que aconteceria se o impossível realmente acontecesse, hipoteticamente”. Isso pode soar como uma interpretação improvável que só revela meu próprio preconceito. No entanto, temos razões objetivas para interpretá-lo dessa maneira. Depois de seu julgamento, onde deu as respostas, Máximo escreveu a Anastácio, seu discípulo, informando-o de que lhe haviam dito que Roma estaria entrando em comunhão com os patriarcas monotelitas e pediu a seu discípulo. Anastácio e outros oraram pela santa mãe Igreja e enviarem sua carta para outros lerem. No final desta carta há um texto adicional que foi adicionado por um compilador como um conjunto de instruções dadas a ele tanto por Máximo quanto por Anastácio (alguns estudiosos dizem que foi o próprio Anastácio que a adicionou): “… Para que, quando vocês tiverem descoberto sobre o julgamento destes, todos vocês possam trazer uma oração comum ao Senhor em nome de nossa mãe comum, que é a Igreja Católica, e em nome de nós seus indignos servos, para fortalecer a todos e a nós também, perseverando contigo nela, de acordo com a fé ortodoxa corretamente pregada nela pelos santos padres. Porque há grande temor em todo o mundo, porque esta [igreja] suporta a perseguição de todos ao mesmo tempo, a menos que Ele [Deus] ofereça ajuda por sua graça costumeira, Aquele que sempre vem ajudar, deixando a semente da piedade pelo menos em Roma mais antiga, confirmando a promessa que fez ao príncipe dos Apóstolos, que não nos engana ”(Máximo o Confessor e Seus Companheiros, pág. 123) Acho espantoso que Siecienski não menciona essa afirmação de Máximo após o julgamento, em que ele entretém a possibilidade de uma Roma herética. Mesmo que esse schola latino adicional (pois não existe no grego) tenha sido acrescentado por Anastácio ou por um compilador contemporâneo, a pessoa está, sem dúvida, ligada ao mesmo espírito de Máximo, e a declaração dos compiladores sobre a promessa divina a Pedro e Roma certamente serve como prova corroborativa de que os contemporâneos de Máximo tinham exatamente a mesma visão sobre a Sé Romana. O compilador afirma que toda a igreja católica está ameaçada por este mal monstruoso do monotelismo, e não será preciso menos que o próprio Deus para vir e cumprir Sua própria promessa a São Pedro, que inclui, pelo menos, a preservação da “semente da piedade” à Sé Romana. Qual é a probabilidade de, depois de saberem que Roma estava prestes a beber heresia junto com os Patriarcas Orientais, para mais uma vez entreter o entusiasmo hiperbólico da indefectibilidade de Roma? E então, colocar isto em pé de igualdade com a preservação da própria Igreja Católica? Não é muito provável. Em uma carta do mesmo Anastácio aos monges de Cagliari, lemos o seguinte: “Portanto, porque os assuntos de quase toda a igreja de Deus, que foi estabelecida como católica e apostólica, estão em grande perigo por causa dessas coisas, nós oramos em favor dela e nós lhes pedimos, pessoas mais santas, que vocês não a desprezeis estando em perigo, mas que a ajudes enquanto ela estiver trabalhando nas tempestades, sabendo que o amor que está no Espírito Santo cresce no tempo da tribulação. E se for possível, [pedimos] que falem mais rapidamente, como por alguma outra razão, aos homens piedosos da Roma mais antiga, que são sólidos como uma rocha, que claramente sempre nos protegem como vocês, e são lutadores fervorosos pela verdade, suplicando-lhes com palavras e lágrimas de súplica em nome de todos os cristãos, a fim de que possam receber recompensa do Senhor, preservando para todos, como para si mesmos, a fé ortodoxa sem inovação recém-inventadas; tomando nada mais ou menos além dessas coisas, nem aprovando nada além daquilo que foi definido pelos santos padres e sínodos ”. (ibid, 124) Finalmente, mesmo que Máximo tivesse chegado a um ponto de dúvida onde ele pensava em desistir de sua crença na supremacia e infalibilidade da Sé de Pedro, isso não significa necessariamente que ele não acreditasse nisso o tempo todo. Ele poderia ter acreditado muito bem quando ele escreveu, mas depois mudou de idéia mais tarde. Hoje há católicos que vão de fervorosos papistas a se tornarem ortodoxos ou protestantes, e depois desistem de acreditar na infalibilidade papal. No entanto, pelas razões que dei, acho que a melhor interpretação é que Máximo admitiu a falibilidade de Roma em nome do argumento, junto com algum temor de que isso pudesse realmente ser verdade, caso em que ele escreveu sua sincera carta a Anastácio. . Agora, para que eu não seja o único que vê isso em Máximo, eu lhe dou uma citação de um estudioso luterano sobre Máximo, Dr. Lars Thuberg, e ele explica nossa visão de santos da primazia romana: “Numa carta um tanto fragmentária para Pedro, o Ilustre (de 643 ou 644), que é preservada apenas em uma versão latina, encontramos algumas expressões explícitas de uma teologia muito avançada sobre a posição do bispo de Roma. Máximo simplesmente identificou a sé de Roma com a Igreja Católica e falou de “a santa Igreja de Roma, a sé apostólica, que Deus a Palavra [Jesus] mesmo e igualmente todos os santos Sínodos, de acordo com os sagrados cânones e as sagradas definições, receberam, e que possui o poder em todas as coisas e para todos, sobre todos os santos que estão lá para toda a terra habitada, e também o poder de unir e dissolver … (Patr. Gr. 91, 144 C). Finalmente, numa carta escrita posteriormente em Roma, ele se tornou ainda mais claro na seguinte forma: “… ela [a Igreja de Roma] tem as chaves da fé e da confissão ortodoxa; quem quer que se aproxime dela humildemente, para ele é aberta a verdadeira e única piedade, mas ela fecha a boca a qualquer herege que fala contra a justiça [divina] ”(Patr. Gr. 91, 140). Isso nos convida a avaliar o que Máximo tinha a dizer sobre a primazia do papa. Como o P. Garrigues mostrou claramente (em um artigo em Istina, 1976), Máximo estava convencido de que Roma nunca cederia às pressões de Constantinopla. Mais uma vez forçado a considerar a possibilidade de que no caso do monotelismo os romanos pudessem aceitar uma união com os bizantinos, ele respondeu através das palavras paradoxais de São Paulo, e disse: ‘O Espírito Santo condena … até os anjos que proclamam qualquer coisa que é contrária ao Evangelho ‘. (Patr Gr 90, 121). Isso implica que ele não queria discutir uma hipótese improvável, mas preferia declarar que estava preparado para morrer pela verdade. Esta afirmação é um bom ponto de partida para um esclarecimento de sua própria atitude. Sua experiência pessoal da posição doutrinal de Roma confirmou sua convicção de que as promessas de nosso Senhor a Pedro eram aplicáveis à Igreja que preservava suas relíquias. Assim, para ele, a comunhão das Igrejas se expressava como “comunhão romana”, comunhão com o bispo de Roma. Deve-se lembrar que, para Máximo, existia apenas uma alternativa, representada pela política imperial com seu limite entre Igreja e Estado, e essa alternativa não podia gozar das mesmas promessas. Até mesmo os sinais sacramentais estavam faltando no último caso. ”(A Visão de São Máximo, o Confessor: O Homem e o Cosmos – Lars Thunberg, p. 25-26) Tradução St. Maximos the Confessor (580-662) – Papal Supremacy and Infallibility by Divine Right Disponível em: https://erickybarra.org/2017/02/28/st-maximos-the-confessor-580-662-divine-primacy-universal-jurisdiction-of-rome-from-jesus-christ/

  • Nascimento do milenarismo Rumo ao decreto de Gelásio

    Nascimento do milenarismo Rumo ao decreto de Gelásio Podemos verificar através de textos e documentos da Igreja primitiva que, as heresias e interpretações equivocadas do Apocalipse sempre estiveram presentes nas mentes fantasiosas de todas as épocas, em alguns momentos podemos trazer à memória imagens que lembram a revista sentinela dos testemunhas de Jeová, ou as pregações fantasiosas da senhora Ellen G. White que inspirou os adventistas do sétimo dia, com suas pregações apocalípticas com seu imediatismo a cada século, veremos através desse estudo que os erros que levam às heresias são cíclicos, sempre se repetem, mas a Igreja sempre tem sua resposta através do magistério da Igreja e do sumo pontífice. A tradição milenar manifesta-se ainda no século IV, e de maneira quase pedagógica, nas instituições divinas dos apologistas Lactâncio (260-325 ac), mestre de retórica pagão convertido ao cristianismo e preceptor do filho de Constantino. Suas instituições divinas são a primeira tentativa de exposição em latim do conjunto da religião cristã, e utilizam os oráculos sibilinos para validar perspectivas milenaristas. Lactâncio julga que o grande dia de Deus está próximo e que o termo 6 mil anos não está distante. Como todos os seus antecessores, ele se refere ao salmo 90: “diante de teus olhos, senhor, mil anos são como um dia “, e prossegue: Assim como Deus trabalhou durante 6 dias então grandes obras, assim também é necessário que ao fim do sexto milénio toda maldade desapareça da terra, que a justiça reine por mil anos e que haja tranquilidade e repouso dos trabalhos que o mundo já suporta a muito tempo. Todavia, anos terríveis precederão o reinado terrestre de Cristo, conforme as previsões do Apocalipse: as colheitas não amadureceram mais, os animais perecerão, as estrelas cairão do céu. A seguir, Jesus virá julgar o anticristo e os justos ressuscitarão. Será como o retorno aos Saturnia regna [reino de Saturno], a idade de ouro dos antigos. Então “tudo será calmo e Pacífico”. A sibila Eritréia posta em cena por Lactâncio pode anunciar, retomando os termos de Isaías: “Deus fez a cidade que ele desejou mais reluzente que os astros […]. Os lobos e os cordeiros comerão juntos nas montanhas, os leopardos pastarão com as cabras […], os dragões repousarão com as crianças pequenas”. Lactâncio defini ainda: Após a ressurreição, o filho de Deus reinará mil anos entre os homens e os governará por um governo muito justo. Os que então viverem não morrerão, mas durante mil anos engendrarão uma multidão incalculável; quanto aos ressuscitados, eles presidirão aos vivos como os juízes. Então o sol se tornará sete vezes mais quente do que agora. A terra manifestará sua fecundidade e produzirá espontaneamente colheitas abundantes. O mel emanará das montanhas. O vinho ocorrerá nos regatos. O mundo viverá enfim na alegria, livre do império do mal. Os animais não se alimentarão mais de sangue. Ei-nos aqui “em pleno messianismo temporal no interior do cristianismo” Lactâncio insiste: Deus dará então aos homens uma grande alegria, pois a terra, as árvores e os imensos rebanhos de ovelhas darão aos homens o verdadeiro fruto, o vinho, o mel mais doce, o leite mais branco e o melhor trigo que os mortais podem ter. […] A terra dos justos será Santa, produzirá todas as coisas em abundância, bebidas suaves manarão das rochas, e um leite de vida delas escorregar para todos os justos. Essa terra abençoada e sem mal ser assim uma terra de delícias. Em seu tempo, harmonizava-se ainda Lactâncio, quanto aos temas milenaristas, com a teologia oficial da igreja? No século III, Orígenes já havia condenado quiliasmo >( quiliasta ou quiliasta, é definida a uma doutrina ou crença religiosa própria e característica de um grupo de sectários ou heréticos chamado Chiliasts, que eram os seguidores, adeptos ou simpatizantes chamado milenarismo que Jesus Cristo voltará a reinar na Terra por mil anos. Em termos severos, atacando a inépcia e as concepções quiméricas de espírito simples que recusavam o trabalho intelectual e preferiam sonhar ao interpretar as escrituras. A tomada de posição de Orígenes suscitou um debate em Alexandria entre seu discípulo Dionísio e o chefe local dos milenaristas, Corakion.. Este, após uma discussão de três dias, admitiu sua derrota; “em presença de todos os padres que escutavam, ele prometeu e nos certificou que dali por diante não mais abraçaria essa opinião, que não mais a discutiria, […] Que havia sido convencido. Dionísio completou seu triunfo redigindo uma refutação em regra do milenarismo, o repromissionibus [das promessas], livro onde não hesitava em declarar apócrifo o apocalipse de São João. Na verdade, “o livro das revelações” foi mantido no cânone, mas não sem dificuldade e depois de rejeitada todas as leituras demasiadamente literais. O milenarismo estava em via de marginalização. No fim do século III e início do IV, Vitorino de Pettau, morto como Mártir sobre Diocleciano (em 303 ou 304), havia ainda manifestado tendências quiliastas, mas São Jerônimo remanejou suas conclusões no sentido oposto. Santo Agostinho (354–430), por sua vez, tomou posição contra o milenarismo. Num primeiro momento, porém, inclinara-se em favor do apocalíptico tradicional. Ele confessa, no fim da vida, em a cidade de Deus: “Nós também partilhamos outrora essa opinião”. De fato, no sermão 259 ele parecera esperar um milênio sabático. Dizia: O sétimo dia significa o repouso futuro dos Santos na terra. Pois o senhor reinará na terra com seus santos, como dizem as escrituras, e nela terá sua igreja, na qual nenhum mal penetrará, afastada e pura de toda mancha do mal. A Igreja se revelará então com grande clareza, dignidade e justiça. Então, não haverá prazer em enganar, em mentir, em ocultar o lobo sob a pele da ovelha. […] Estamos [agora] no sexto dia. […] Mas quando o sexto dia tiver passado, depois que tiver soprado o vento que separa, o repouso vira; e os santos e os justos de Deus terão o seu sábado […] [e] quando estiverem terminadas e consumadas as sete idades do mundo que passa, e voltaremos àquela idade imortalidade e àquela beatitude que o homem perdeu. Essas afirmações remetem claramente ao esquema milenarista clássico: seis dias de duro “trabalho” serão seguidos do “repouso” do sétimo dia em que Deus reinará na terra com seus santos. Depois virá o oitavo dia que não mais terá fim. Os eleitos serão então encaminhados para aquele além, do colegiado que nenhuma olho o viu e nenhum ouvido ouviu. Posteriormente, Agostinho abandona essa perspectiva e juntasse as posições de um outro africano, Ticônio (390), que interpreta o Apocalipse como significando a vitória de Cristo desde a encarnação. O milênio torna-se então o reinado da Igreja cristã. Ticônio escreve: “Os Santos reinarão mil anos, isto é, no século presente […] a Igreja está destinado a reinar mil anos neste século até o fim do mundo”. Uma das razões que afastam Agostinho do milenarismo é o frequente desvio deste para a exaltação dos prazeres terrestres — uma tentação te podemos verificar em A Cidade de Deus, o bispo de Hipona é muito claro a este respeito: Essa opinião [dos quiliastas] poderia de alguma maneira ser tolerada se admitisse que o Santos obtém nesse sabá, pela presença do senhor, algumas delícias espirituais. Pois nós também partilhamos outrora essa opinião. Mas, mando se ouve dizer que os que forem ressuscitados se entregarão aos festins carnais mais desmedidos, nos quais haverá tanta comida e bebida que, longe de guardar com moderação, irão mesmo além do que se poderia imaginar, então seguramente só pode haver homens carnais para acreditar em semelhantes coisas. Recusando-se a afiançar tais perspectivas de futuro, Agostinho adota num segundo momento uma posição próxima da de Ticônio. A Encarnação do Salvador, pensa, marcou o começo dos mil anos de seu reinado terrestre (mil, aliás, podendo significar um número perfeito). Esse reinado será seguido do juízo final e do advento da cidade Celeste que não terá fim. Hoje, os que seguem a lei de Cristo já ressuscitaram com ele. Eles buscam e desfrutam desde agora as coisas do alto. Todavia, desse reino do milênio que está ainda de “em estado de guerra” e nele se está “às voltas com o inimigo”; e será assim “até chegar-se àquele reino de toda paz onde reinar-se-á sem inimigo”. Não obstante, “desde agora a Igreja é o reino de Cristo”. Agostinho portando recusa doravante entender os mil anos mencionados pelo Apocalipse “num sentido carnal”. Observando que João, “à maneira dos profetas”, misturou sentido próprio e expressões figuradas, ele assegura que “um espírito atento e tranquilo” deve poder “chegar ao sentido espiritual por úteis e Salutares esforços”. O sentido literal só pode ser o quinhão da “preguiça carnal” e de “inteligências incultas e não exercitadas”. A posição final de santo Agostinho e sua rejeição do milenarismo durante os primeiros séculos da igreja só se compreende no interior de um debate mais vasto entre inspiração e instituição. Os que colocaram a primeira antes da segunda privilegiavam a profecia, a espera próxima do fim e do desprezo da existência presente. Ele se preparavam para o martírio, que em breve seria seguido pelo reinado dos santos numa terra regenerada. Os segundos, ao contrário — e sobretudo a partir da “paz da igreja “ de 313 que marcou o fim das perseguições, viam a instituição eclesiástica instalar-se no tempo e consolidar suas estruturas para adaptar-se à nova situação. A hierarquia, agora escorada pelo poder imperial, passou a suspeitar dos anúncios escatológicos dificilmente controláveis que só podiam desestabilizar os fiéis e debilitar a autoridade do magistério. Em 1874, Frédéric de Rougemonte, um teólogo suíço resolutamente milenarismo, escreverá em Les deux cités [as duas cidades]: Ao repudiar sua fé primeira no reinado de mil anos, Agostinho causou a igreja um mal incalculável. Ele sancionou com a imensa autoridade de seu nome um erro que a privava de seu ideal terrestre e que acabou por mergulhar as nações cristãs num desespero ao qual o socialismo que é arrancá-las à sua maneira. Deixemos a seu autor a responsabilidade dessa visão histórica. Mas é verdade que a partir de Agostinho o milenarismo é marginalizado na igreja. No concílio de Éfeso, em 431, fala-se das “divagações e dogmas fabulosos do infeliz Apolinário”, um quiliasta da época. Essa marginalização crescente não impede ao asceta Comodiano, originário de Gaza e instalado nas margens do Ródano por volta de 450, predizer que os godos vão destruir Roma e exterminar todos os ímpios para dar lugar a Cristo e às 10 tribos dispersas de Israel. Estas vivem agora escondidas no lugar secreto, mas reaparecerão para libertar a terra. Então, Retornará a paz e suprimidos os males, o rei justo e vitorioso submeterá os vivos e os mortos a um julgamento terrível e colocará todos os povos pagãos sob o jugo dos sobreviventes; aos justos falecidos ele concederá a paz eterna, reinará com eles nesta terra e fundará a cidade santa. E esse reinado dos justos durará mil anos. As estrelas brilharão com mais intensidade e a lua não conhecerá declínio. Então a chuva descerá sobre a terra dia e noite como uma benção, e a terra produzirá todos os seus frutos sem labor humano. Opondo-se a essa literatura profética, no final do século V, o célebre decreto de Gelásio, que distingue os escritos canônicos e os apócrifos, mantém o Apocalipse entre os livros canônicos mas lança a suspeita sobre os escritos milenaristas de Tertuliano, Lactâncio, Comodiano de Gaza e Vitorino de pettau, que haviam interpretado de forma literal o “livro das revelações”. A recusa pelas autoridades da Igreja de uma leitura literal do capítulo 20 do Apocalipse talvez explique porque a iconografia consagrada ao curso do tempo no “livro das revelações “omitiu na maioria das vezes a evocação dos mil anos do reinado terrestre de Cristo. Essa ausência é muito significativa. A Igreja oficial apagou o anúncio desse reinado. Delumeau, Jean, 1923 — Mil anos de felicidade: uma história do paraíso — São Paulo: companhia das Letras, 1997. #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Gelásio #desenvolvimentodoutrinal #HistóriadasHeresias #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Doctrinaldevelopment #Igreja

  • O CASAMENTO DE DEUS COM A HUMANIDADE – 2º Domingo do Tempo Comum

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “O Céu que se abre para nós”, clicar AQUI. O Evangelho deste domingo nos coloca no contexto das bodas de Caná, recordando-nos a grande promessa de Deus para os que forem fiéis à sua Palavra: a participação no banquete das núpcias do Cordeiro. Para que estejamos presentes nessas núpcias, Padre Paulo Ricardo mostra nesta homilia como são fundamentais a intercessão de Maria, a nossa disposição a mudar, bem como a entrega das águas do nosso vazio a Jesus. NAS BODAS DE CANÁ (Meditação de Scott Hahn) Procuremos ver essas primeiras semanas depois do Natal como uma época de “epifanias”. A liturgia está nos mostrando quem é Jesus e o que Ele revelou sobre nosso relacionamento com Deus. Na semana passada e na semana anterior, a imagem era real e filial – Jesus é o rei recém-nascido dos judeus que nos torna co-herdeiros da promessa de Israel, amados filhos de Deus. Na semana passada, na liturgia, fomos a um batismo. Esta semana estamos num casamento. Revela-se a nós agora uma outra dimensão do nosso relacionamento com Deus. Se somos filhos e filhas de Deus, é porque fomos incorporados à família divina por meio de uma boda. Alguma vez você já se perguntou por que a Bíblia começa e termina com um casamento – Adão e Eva no jardim e a ceia das bodas do Cordeiro (compare Gênesis 2, 23–24 e Apocalipse 19, 9; 21: 9; 22:17)? Em toda a Bíblia, o casamento é o símbolo do relacionamento de aliança que Deus deseja ter com o Seu povo escolhido. Ele é o noivo, e a humanidade a sua amada e procurada noiva. Nós vemos isso refletido maravilhosamente na primeira leitura de hoje. Quando Israel rompe a aliança, ela é comparada a uma esposa infiel (Jeremias 2, 20–36; 3, 1–13). Mas Deus promete trazê-la de volta e desposá-la para sempre numa aliança eterna (Os 2, 18-22). É por isso que, no evangelho de hoje, Jesus realiza seu primeiro “sinal” público numa festa de casamento. Jesus é o esposo divino (João 3, 29), chamando-nos para Sua boda real (Mateus 22, 1–14). Por Sua Nova Aliança, Ele se tornará “uma só carne” com toda a humanidade através da Igreja (Efésios 5, 21–33). Pelo nosso batismo, cada um de nós foi prometido a Cristo como noiva a um esposo (2 Coríntios 11, 2). O vinho novo que Jesus faz transbordar na festa de hoje é o dom do Espírito Santo dado à Sua noiva e Seu corpo, como diz a epístola de hoje. Esta é a “salvação” anunciada às “famílias das nações” no Salmo de hoje. https://stpaulcenter.com/in-the-wedding-scott-hahn-reflects-on-the-second-sunday-in-ordinary-time/ PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Isaías 62, 1-5) A promessa de casamento Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não descansarei, enquanto não surgir nela, como um luzeiro, a justiça e não se acender nela, como uma tocha, a salvação. As nações verão a tua justiça, todos os reis verão a tua glória; serás chamada com um nome novo, que a boca do Senhor há de designar. E serás uma coroa de glória na mão do Senhor, um diadema real nas mãos de teu Deus. Não mais te chamarão Abandonada, e tua terra não mais será chamada Deserta; teu nome será Minha Predileta e tua terra será a Bem-Casada, pois o Senhor agradou-se de ti e tua terra será desposada. Assim como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposam; e como a noiva é a alegria do noivo, assim também tu és a alegria de teu Deus. SALMO 95 A glorificação do Esposo (Antífona): Cantai ao Senhor Deus um canto novo, manifestai os seus prodígios entre os povos! — Cantai ao Senhor Deus um canto novo,/ cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira!/ Cantai e bendizei seu santo nome! — Dia após dia anunciai sua salvação,/ manifestai a sua glória entre as nações,/ e entre os povos do universo seus prodígios! — Ó família das nações, dai ao Senhor,/ ó nações, dai ao Senhor poder e glória,/ dai-lhe a glória que é devida ao seu nome!/ Oferecei um sacrifício nos seus átrios. — Adorai-o no esplendor da santidade,/ terra inteira, estremecei diante dele! / Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!”/ pois os povos ele julga com justiça. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1Coríntios 12, 4-11) As dádivas do Espírito à Sua noiva Irmãos: Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. A um é dada pelo Espírito a palavra da sabedoria. A outro, a palavra da ciência segundo o mesmo Espírito. A outro, a fé no mesmo Espírito. A outro, o dom de curas no mesmo Espírito. A outro, o poder de fazer milagres. A outro, profecia. A outro, discernimento de espíritos. A outro, falar línguas estranhas. A outro, interpretação de línguas. Todas estas coisas as realiza um e o mesmo Espírito, que distribui a cada um conforme quer. EVANGELHO (São Lucas 3, 15-16.21-22) O vinho das bodas do Cordeiro Naquele tempo, houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”. Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram. O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!” Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

  • Resposta a um vídeo tosco do Yago Martins

    QUEM CONHECER ESSE COITADO, MOSTRE-LHE ————- Refiro-me a um tal de  Yago Martins, Esse sujeito veio com um conto da carochinha relativo ao nascimento de Jesus, que só vocês escutando. Então ouçam. O link está abaixo. Cinco minutos de besteiras, mas dá pra suportar…. Depois vejam meus comentários. Mas, antes, ao texto pertinente de Lc 2 1-20: E aconteceu naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse (Este primeiro alistamento foi feito sendo Quirino presidente da Síria). E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. E subiu também José da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), A fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem. Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho. E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens. E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura. E, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita; E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam. Mas Maria guardava todas estas coisas, conferindo-as em seu coração. E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes havia sido dito.” Consideremos  o  texto com calma, bem como as bobagens do Yago. Ora, que não NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES [José e Maria] na hospedaria, está, no texto, indubitavelmente: “E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES NA HOSPEDARIA.” Mas aí vem o Yago com esta “beleza”: “NADA NO TEXTO DIZ QUE MARIA E JOSÉ FORAM PARA UM ESTÁBULO. O TEXTO NÃO DIZ ABSOLUTAMENTE NADA A RESPEITO DELES IREM A OUTRO LUGAR ALÉM DA HOSPEDARIA, ESTÁ NO TEXTO. DIZ APENAS QUE ELE FOI COLOCADO NUMA MANJEDOURA, MAS NÃO FALA NADA A RESPEITO  DE ESTÁBULO” Agora vejamos se tal raciocínio do Yago Martins é válido. De fato, nada, no texto,  diz que José e Maria se deslocaram DA HOSPEDARIA PARA UM ESTÁBULO. Correto. Mas também NADA diz que eles PERMANECERAM na hospedaria. A palavra grega “kä-tä’-lü-mä” significa  basicamente, segundo Strong: “…uma HOSPEDARIA, lugar de alojamento”.(https://www.blueletterbible.org/lang/lexicon/lexicon.cfm?t=kjv&strongs=g2646) E foi JUSTAMENTE NESTA HOSPEDARIA QUE NÃO HAVIA LUGAR PARA O CASAL DE NAZARÉ. E se não havia lugar para eles lá, porque ficariam lá ? O Yago erra feio, quando  afirma: “Ou seja enquanto no grego haviam palavras para se referir a hospedaria, palavra esta que é usada por lucas em outro momento “kä-tä’-lü-mä” fala de um quarto sobressalente ou superior em uma casa particular ou mesmo em uma vila, onde viajantes recebem hospitalidade, onde nenhum pagamento costuma ser esperado. É um alojamento privado, distinto de uma hospedaria pública…” Só que Strong, como vimos,  DESMANCHA essa interpretação do Yago, ao definir ” “kä-tä’-lü-mä” TAMBÉM POR “HOSPEDARIA”. No texto do capítulo 2, está evidente que José e Maria buscavam uma HOSPEDARIA,  na qual não havia vagas! E se não havia vagas, eles buscaram um outro lugar DISTINTO da hospedaria! Óbvio! Que lugar seria esse ? O Yago Martins  vem com este malabarismo ridículo: “… Stephen C. Carlson, argumenta que a frase muitas vezes traduzida como “não havia espaço para eles na hospedaria não deveria significar: NÃO HAVIA ESPAÇO PARA ELES, mas sim: “ELES NÃO TINHAM ESPAÇO”, ou seja, a melhor tradução seria que eles ficaram no “kä-tä’-lü-mä”, ou seja, naquele quarto e não naquela hospedaria, mas aquele quarto não era grande o suficiente para Maria dar à luz, e portanto ela haveria mudado para a sala principal, para o nascimento de Cristo, assistida por parentes” Que “quarto”, Yago ? Onde se fala de “quarto”, no texto ? Em momento algum a passagem  do texto do Evangelho fala de um “quarto”, de um “quarto sobressalente ou superior” . “kä-tä’-lü-mä” só aparece UMA VEZ em Lc 2 e com referência à “HOSPEDARIA” ONDE NÃO HAVIAM VAGAS!!! Você não sabe ler ? Não se refere a NADA, o texto, além dessa hospedaria em si mesma! Em parte alguma! Ora, o Yago “esqueceu” que a palavra para “MANJEDOURA” (“φάτνῃ = “fát-né”)  no v. 7 de Lc 2, deriva de “πατέομαι ” (“patéomai” =”comer”). Denota um “lugar de alimentação”!!! É termo (“φάτνῃ” = “fát-né”) que possivelmente também se pode aplicar à BAIA em que se recolhem animais. O Hebraico “‘e-vus” geralmente é entendido como significando “manjedoura” e foi traduzido “φάτνῃ”  (“fát-né” ) na Septuaginta, assim como o foram, na mesma Septuaginta, três outras palavras hebraicas, traduzidas “BAIAS” (2 Cr 32,28), “CURRAIS” (Hab 3,17) e “FORRAGEM” (Jó 6,5). Que  Maria e José foram realmente a um estábulo e que Jesus ali nasceu e foi posto numa manjedoura, parece indicar-nos o fato de que haviam pastores por perto, apascentando as suas ovelhas. Ainda digno de nota é que esse pastorzinho do Yago  fala tanto nos “solas” da “reforma”, que “esqueceu” o “sola scriptura”. Com efeito, em que parte do texto DA ESCRITURA (só para exemplificar) , é dito que Maria foi “ASSISTIDA POR PARENTES” ? Ele, o Yago,  diz: “…A Imagem de Maria e José, sozinhos, longe de todos, rodeados apenas de animais, dando luz a Cristo, é uma imagem errada. Maria estavam em UMA CASA DE FAMÍLIA, o quarto não  tinha espaço e por isso, o parto aconteceu na sala, provavelmente arrodeado de pessoas…” O interessante é um “soliscripturista” afirmar tudo isso baseado apenas em conjecturas sutis. Sem um pingo de prova! Com efeito, em que parte de Lc 2 o Yago foi buscar que José e Maria: 1) Estavam em um “quarto superior” 2) Em um quarto não suficientemente espaçoso, 3) Que Maria e José se mudaram para a “sala principal” 4) Que Maria deu à luz nessa sala. 5) Que, NESSA SALA puseram Jesus numa manjedoura (os “assistentes” não poderiam providenciar um lugar melhor não, Yago?) 5) Cercado de parentes e outras pessoas ????? Ora, o texto bíblico é claro! José, Maria e Jesus  estavam SOZINHOS! Conforme se depreende das palavras do  anjo aos pastores: “E foram apressadamente, e acharam MARIA, e JOSÉ, e o MENINO deitado na manjedoura.” (v.16). Onde os “parentes” ? Onde as “várias pessoas” que  “arrodeavam” e acompanhavam  o parto ? E, pior! O “reformado”  de meia-pataca NEGA DESCARADAMENTE A BÍBLIA! Primeiro endossando que não houve o decreto de Augusto: “Em primeiro lugar, não temos registro de nenhum censo romano exigindo que as pessoas retornem aos seu lar ancestral” Como não temos, Yago ? Temos a Bíblia! “E aconteceu naqueles dias que SAIU UM DECRETO DA PARTE DE CÉSAR AUGUSTO  , PARA QUE TODO O MUNDO ANTIGO (Este primeiro alistamento foi feito sendo Quirino presidente da Síria). E todos iam alistar-se, CADA UM À SUA PRÓPRIA CIDADE” (v. Portanto, Yago, se Lucas, inspirado por Deus, diz-nos que “SAIU UM DECRETO DA PARTE DE CÉSAR AUGUSTO  , para que todo o mundo se alistasse”, que esse decreto se deu quando Quirino presidia a Siria, PONTO! Também não temos, além da Bíblia, NENHUM registro mencionando a matança dos inocentes por Herodes. Negará, por isso, o fato  Yago ? Também o Yago e sua trupe  de “mestres” vêm com esta: “Belém NÃO ERA O LAR ANCESTRAL DE JOSÉ” Como  não ? O anjo diz claramente a José: “…José, FILHO DE DAVI, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo.” (Mt 1,20) Ora A cidade de Davi é BELÉM! A cidade ancestral de José, “FILHO DE DAVI”, pois, é Belém! A menos que o Yago pretenda que José nunca havia morado antes em Belém. Aí é outra conversa… Seja como for, essa sua tese inovadora é ridícula, Yago; sem base na Escritura e indigna de um “pastor” que pretende tomar esta  mesma Escritura  como  base para suas exposições. Católicos: Fiquem tranquilos e continuem fazendo e apreciando os tão significativos presépios. Esse cara tá “viajando”… Eis o  link do herege:  https://www.youtube.com/watch?v=ydPRtwzSXGs Vejam, repito, e leiam os meus comentários acima. Por: Renan Morais.

  • Hereges: Manes

    Mani (216-274) era um iraniano que viveu durante a transição do poder na Pérsia dos partas estrangeiros para a dinastia sassânida nativa – e desfrutou de favor entre os últimos, pelo menos por um tempo. Ele nasceu durante um período de grande fermentação religiosa no Oriente Próximo. A religião dominante na Pérsia era o zoroastrismo, que ensinava uma espécie de dualismo – a ideia de que existem dois deuses igualmente poderosos: o bom Ahura Mazda e o maléfico Ahriman. Havia muitas seitas gnósticas de orientação pagã, judaica e cristã – e outras comunidades cristãs heréticas e ortodoxas também. O pai de Mani era um Elkasaíta, uma seita cristã judaica. Entre os dias 12 e 24, Mani recebeu uma série de mensagens de seu “Gêmeo Celestial”. Com o tempo, ele desenvolveu seu próprio sistema religioso: com a matéria sendo a criação de um deus do mal – o demiurgo – e o espírito do deus bom, a alma humana estando em uma armadilha. A libertação é possível através da oração, ascetismo e devoção a Jesus, cujo papel é nos ajudar a escapar da prisão da carne. Essa crença é chamada de “maniqueísmo”, em homenagem a seu fundador. Embora Mani tenha morrido na prisão depois de perder o favor da corte, sua religião acabou se espalhando de Roma para a China, capturando dignitários como Santo Agostinho (por um tempo). Perseguições repetidas em todos os países em que foi encontrada a levaram à clandestinidade por algum tempo, apenas para que ela reaparecesse como Bogomilos, Paulicianos, Cátaros, Albigenses e muitos mais. Por que ela encontrou tamanha hostilidade? Por causa da oposição de seus seguidores à procriação (não desejando prender mais almas em carne), preferência por sexualidades que não resultariam em filhos e recusa de toda autoridade eclesiástica e temporal. Como um corpo organizado, em sua maior parte desapareceu; mas o ressurgimento de suas atitudes básicas coloca em risco a moralidade moderna. Tradução Heretic of the Week: Mani Disponível em: https://catholicherald.co.uk/magazine/heretic-of-the-week-mani/

  • Mulheres e santidade na antiguidade e na idade média

    Mulheres e santidade na antiguidade e na idade média As experiências religiosas das mulheres sempre alcançaram maior diversidade e, por extensão, maior destaque a partir da idade média central, desde a antiguidade dezenas de mulheres foram consideradas santas e dignas de veneração. Neste sentido, já no cristianismo primitivo surgiu a ideia de que as pessoas que haviam alcançado A Coroa do martírio > (Está expressão é usada em vários textos antigos e medievais para enfatizar a vitória do mártir, que morreu por manter a sua fé e, portanto, alcançou a salvação eterna), por sua proximidade com Deus, poderiam interceder pelos ainda vivos. Assim, passaram a circular, desde o século II, textos conhecidos como atas e paixões, que narravam o processo jurídico e a morte destes personagens vivos e foi desenvolvido o culto aos mártires dentre os quais havia muitas mulheres negras tais como Perpétua, Felicidade, Apolônia, Blandina, Eugenia, Águeda, Tecla, Eulália, Engrácia, Cecília etc. Além dos mártires, outras figuras que se destacaram por sua santidade, sobretudo com o fim das perseguições, também foram consideradas santas e dentre elas haviam mulheres. Desta forma, nos séculos IV e V começaram a ser alvo de devoção adjetivo a serem ditas e os pecadores arrependidos, traz com Genoveva, Marcelina, Brígida, Egipcíaca, Taís para citar alguns nomes. Vale sublinhar que a veneração a tais mulheres — mártires ou não — permaneceu por tudo medievo, como atestam os calendários litúrgicos, as igrejas dedicadas a tais personagens, e diversos escritos eclesiásticos que retomam suas experiências e agora como sermões hinos, hagiografias etc. Dentre estes muitos testemunhos, ressalta-se a emblemática Legenda Áurea, obra elaborada no século XII pelo dominicano jacopo de varazze, na qual diversos relatos sobre santo são reunidos seguindo o calendário litúrgico. As narrativas apresentadas referência em sua grande maioria a Santos que tiveram na antiguidade e, dentre esses, há diversas mulheres: Pelágia, Catarina de Alexandria, Inês, Teodora, Margarida, Sabina, Bárbara, além de muitas outras, como se encontra algumas das santas anteriormente mencionadas. Mt 19, 12 – “Não se casam por amor ao Reino de Deus”  At 21, 9 – “Filipe tinha quatro filhas virgens”  1 Cor 7, 1-40  Ap 14, 4 – “Eles são virgens Nos primeiros séculos do cristianismo, floresceu pelas comunidades cristãs, em toda parte, uma nova forma de vida consagrada a Deus. Inúmeras pessoas, mulheres e homens, adolescentes e jovens, por amor a Cristo e desejando imitá-lo, também nesse aspecto, decidiram abraçar a virgindade cristã. Não por desprezo ao Matrimônio. O que seria contrário à própria vida cristã. Mas pela inspiração de oferecer-se mais totalmente ao Senhor, que entregou tudo de Si para a nossa salvação. Escreveu S. Agostinho: “Esta será a alegria das virgens de Cristo, alegria por causa de Cristo, alegria em Cristo, alegria com Cristo, alegria do seguimento a Cristo, alegria por meio de Cristo”. Conservar a integridade corporal, e com radical decisão buscar dominar os desejos da carne, passou, desde cedo, a ser considerada uma especial vocação cristã. Além da história do martírio de várias mulheres, virgens consagradas que sofreram o martírio por causa de sua vocação cristã, há muitos escritos dos autores cristãos dos primeiros séculos, reconhecendo, exaltando, promovendo, dando as necessárias orientações a quem abraçava a virgindade consagrada. Exemplos de virgens e mártires são: S. Inês (+304), S. Cecília (+176), S. Luzia (+303). São exemplos de escritores: S. Clemente Romano (+100), S. Cipriano (+258), S. Agostinho (+430), S. Ambrósio de Milão (+397). Em sua obra “A Igreja dos Apóstolos e Mártires” Daniel rops nos traz um conceito de virgindade que era comparada ao martírio, as virgens eram separadas em congregações nos primeiros séculos da Igreja. Alguns historiadores questionam o número de santas comparando com o número Santos, partindo do pressuposto que os homens realizavam as pregações públicas, a evangelização, estavam à frente das Igrejas, sempre estavam mais expostos às prisões e por fim ao martírio, verificando a referência bibliográfica sobre a vida dos santos é fácil de entender o motivo de terem mais homens no martírio. Analisando como historiador, a perspectiva de santidade não seria essencial, nós devemos considerar que reconhecimento social de uma pessoa como santa não depende unicamente do reconhecimento social de uma pessoa eu considero que é fruto de uma trajetória de uma vida excepcional. Mesmo segundo a perspectiva historiográfica, não tendo um caráter radiográfico, mas sim biográfico, ainda assim veremos que a mulher tinha um papel fundamental excepcional na Igreja primitiva. As biografias das mulheres e a santidade em sua grande maioria se baseia ou nos textos produzidos no meio de. É importante destacar que está gelado os registro são muito chatos e dimensões a trajetória das personagens selecionadas, fatos que ficaram marcados na história chegaram até os nossos dias. O que estou expondo são conhecimentos elaborados a partir da tradição da igreja e rua dos testemunhos sobre o sentido pelas mulheres que foram reconhecidas como santas, e que foram perceptíveis e valorizadas pelos seus contemporâneos. Sobre os problemas do casamento e da vida sexual. É conhecida a gravidade que esses problemas se revestiam na sociedade romana. O divórcio e o celibato minam os alicerces da família, e a escravidão, pela facilidade com que põe à disposição dos senhores as mulheres, é por toda a parte um agente de desmoralização. A condição normal do cristão é ser casado. São Paulo estabelecerá já com justeza os princípios do casamento dos fiéis. A Igreja não só não rejeita o casamento, como se opõe tenazmente a todos os hereges que o condenam. “Mostremos, exclama Tertuliano, mostremos a felicidade do casamento, que a Igreja recebe, que a oblação confirma, e as benção sela, que os anjos reconhecem e que o pai aí fica”. Não foi o próprio Cristo que ordenou aos esposos que fossem “uma só carne” e que nunca se separassem? O divórcio é, pois, inadmissível segundo a ótica cristã, e o celibato só é compreensível se tiver em vista uma realização mais alta, de uma união Mística com a pureza absoluta. A concepção cristã da virgindade liga-se a esse mesmo ideal. Muito antes da aparição do monaquismo, na igreja homens e mulheres que renunciam ao casamento para se entregarem a Deus. Era um costume que já fora posto em prática em Israel pelos nazarenos e pelos essênios. No cristianismo primitivo, as mulheres virgens são mais numerosas que os homens, porque aqueles que queriam consagrar a sua existência ao senhor faziam-se e sacerdotes. Desde os primeiros tempos, como por exemplo em Antioquia na época de santo Inácio, as virgens formam um grupo à parte, muito venerado na igreja. São Cipriano denominá-las-á “a coroa da igreja”, e Orígenes exclamará: “um corpo imaculado, eis a hóstia viva agradável ao senhor! “. É, com efeito, sob o duplo aspecto de uma perfeição no ideal da pureza e de um matrimônio místico com Cristo que temos de conceber essa instituição especificamente cristã. Fala-se da virgindade como um verdadeiro substituto martírio, abundante em graças; e quando o concílio hispânico de Elvira, por volta do ano 300, declara excomungadas as virgens cristãos que tenham violado os seus votos, não faz senão homologar o uso corrente. É nesta concepção da virgindade, virtude superior e união com Cristo, que devemos ver a origem do celibato dos sacerdotes e das virgens consagradas, que os apóstolos e os primeiros discípulos não tinham posto em prática e que só veio a estabelecer-se lentamente ( nota de rodapé da página 223 em A Igreja dos Apóstolos e dos mártires, Daniel-Rops). Mártires, confessores e virgens: o culto aos santos no ocidente medieval/ Andreia Cristina Lopes Frazão da Silva, Leila Rodrigues da Silva, (organizadora), — Petrópolis, RJ: vozes 2016; Daniel-Rops, Henri, 1901-1965.A Igreja dos Apóstolos e mártires São Paulo: quadrante, 2014 https://wp.me/p9ACk2-1eD #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #VidaReligiosa #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Doctrinaldevelopment #Igreja #Concílio

  • 10 Atributos Divinos de Jesus Cristo

    Por Brian Chilton | Mark Lowry escreveu uma bela música chamada Mary, Did You Know. A música apresenta perguntas que Mark pediria a Mary se ele tivesse a chance. Uma das perguntas pergunta: “Mary, você sabia? … que quando você beijou seu bebêzinho, você beijou o rosto de Deus?“. Ao longo dos milênios, os cristãos reconheceram que Jesus é oFilho Incarnado de Deus. No entanto, pode ter procurado contestar o pedido, sustentando que Jesus era meramente um bom homem, mas não Deus. Grupos como Testemunhas de Jeová traduzem suas próprias versões da Escritura, tentando escrever as reivindicações divinas feitas sobre Cristo. No entanto, é impossível não ver os múltiplos atributos divinos de Jesus em todas as páginas da Escritura. Um exame completo das Escrituras indica que Jesus possui múltiplos atributos divinos normalmente atribuídos a Deus. Pelo menos dez atributos divinos messiânicos são encontrados na Escritura. 1. O Messias possui o atributo divino da  vida  (Jo 1,4; Jo 14,6) O atributo divino da vida descreve a capacidade de proporcionar vida, até a vida eterna. Esse tipo de vida só pode ser dado por alguém que é eterno. “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (Jo 1,4). “Jesus disse a ele:” Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai exceto por mim.  Se você me conhece, você também conhecerá meu Pai. De agora em diante você o conhece e o viu “(Jo 14,6). 2. O Messias possui o atributo divino da  existência própria  (Jo 5,26; Hb 7,16) Isso significa que Cristo é incriado e existe por si só, um atributo que só Deus poderia manter. “Pois, assim como o Pai tem a vida em si mesmo, também ele concedeu ao Filho ter vida em si mesmo” (Jo 5,26). “. . . que não se tornou um sacerdote baseado em uma regulamentação legal sobre descendência física, mas baseada no poder de uma vida indestrutível “(Hb 7,16). 3. O Messias possui o atributo divino da  imutabilidade  (Hb 13,8) A imutabilidade significa que ele é imutável. Enquanto os seres finitos podem e mudam, um ser infinito não. “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8). 4. O Messias possui o atributo divino da  verdade  (Jo 14,6; Apocalipse 3,7) Tito 1,2 observa que Deus não pode mentir. Não é que Deus escolhe não mentir, mas sim que ele não pode, porque isso vai contra sua natureza. Afirmar que Deus é verdade significa que a essência de Deus é pura verdade e não possui falsidade. A Escritura observa que Jesus possui esse atributo. “Jesus disse a ele:” Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai exceto por mim.  Se você me conhece, você também conhecerá meu Pai. De agora em diante você o conhece e o viu “( Jo 14,6 ). “Escreva ao anjo da igreja na Filadélfia: Assim diz o Santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre e ninguém se fechará, e que se fecha e ninguém abre” ( Apocalipse 3,7 ). 5. O Messias possui o atributo divino do  amor  (1 Jo. 3,16) Deus é entendido como omnipresente; isto é, todo amoroso. Em Deus, não há ódio se ele puder ser dito ser amor absoluto. Os teólogos entendem que a ira de Deus está enraizada no amor de Deus e na sua santidade. As Escrituras observam que Jesus possui o atributo divino do amor. “É assim que conhecemos o amor: Ele deu a vida por nós. Devemos também estabelecer nossas vidas para nossos irmãos e irmãs “( 1 Jo 3,16 ). Veja também João 3,16 . 6. O Messias possui o atributo divino da  santidade  (Lc 1,35, Jo 6,69; Hb 7,26) Deus é absolutamente sagrado. A santidade absoluta é uma pureza abrangente, na qual nenhum mal é possuído. Em outras palavras, Deus é o bem absoluto. As Escrituras afirmam que Jesus possui esse atributo divino de santidade que é necessário se ele é redimir a humanidade de seus pecados. “O anjo respondeu-lhe:” O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo irá ofuscar você. Portanto, o santo a nascer será chamado o Filho de Deus “( Lc 1,35 ). “Acabamos de acreditar e sabemos que você é o Santo de Deus” ( Jo 6,69 ). “Porque este é o tipo de sumo sacerdote que precisamos: santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e exaltado acima dos céus” ( Hb 7,26 ). 7. O Messias possui o atributo divino da  eternidade  visto nesta passagem e em Jo 1,1 Deus é entendido como eterno. Ele não tem começo nem fim. Diz-se que o Messias possui o mesmo atributo eterno. “Belém Ephrathah, você é pequeno entre os clãs de Judá; virá de você ser governante sobre Israel para mim. Sua origem é da antiguidade, dos tempos antigos “(Mic 5,2). “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus” (Jo 1,1). 8. O Messias possui o atributo divino da  onipresença  (Mt 28,20; Efésios 1,23) A omnipresença é a capacidade divina de Deus de estar em todos os lugares em todos os momentos. Enquanto Jesus se tornou monopresente durante seu tempo na terra, ele diz ter o atributo divino da onipresença em seu estado eterno. “E lembre-se, eu estou com você sempre, até o fim dos tempos” ( Mt 28,20 ). “E  submeteu tudo sob seus pés  e designou-o como a cabeça sobre tudo para a igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que preenche todas as coisas de todos os modos” ( Efésios 1,22-23 ). 9. O Messias possui o atributo divino da  onisciência  (Mt 9,4; Jo 2,24-25; Atos 1,24; 1 Cor 4,5; Col 2,3) A onisciência é o atributo divino de Deus para conhecer todas as coisas. Este é um conceito extremamente profundo, pois Deus conhece todas as coisas que podem ser por seu conhecimento natural, todas as coisas que serão por seu conhecimento livre e todas as coisas que seriam por seu conhecimento médio. Jesus é onisciente. “Percebendo seus pensamentos, Jesus disse:” Por que você está pensando nas coisas más em seus corações? “( Mt 9,4-5 ). “Jesus, no entanto, não se confia a eles, já que ele conhecia todos  e porque não precisava de ninguém para testemunhar sobre o homem; pois ele próprio sabia o que havia no homem “( Jo 2,24-25 ). “ Então eles oraram: “Você, Senhor, conhece os corações de todos; mostre qual destes dois você escolheu  tomar o lugar neste ministério apostólico que Judas deixou para ir onde ele pertence “( Atos 1,24-25 ). “ Portanto, não julgue nada antes, antes que o Senhor venha, quem vai trazer à luz o que está escondido na escuridão e revelar as intenções dos corações. E então o louvor virá a cada um de Deus “( 1 Cor 4,5 ). “Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” ( Colossenses 2,3 ). 10. O Messias possui o atributo divino da  onipotência  (Mt 28,18; Apocalipse 1,8) A onipotência é o atributo divino de Deus que indica o poder total de Deus. Deus tem autoridade completa e força máxima. Jesus possui o mesmo atributo. “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28, 18). “Eu sou o Alfa e o ômega”, diz o Senhor Deus, “aquele que é, quem era e quem virá, o Todo-Poderoso” ( Apocalipse 1,8 ). Como aprendi de vários professores da Universidade da Liberdade, a teologia bíblica deve moldar nossa teologia sistemática. Da Escritura, pode-se ver claramente que Jesus é Deus encarnado. É inquestionável. É por isso que considero que é preciso aceitar o aspecto divino de Jesus para realmente ser parte da fé cristã ortodoxa. #bibliasagrada #Deus #bíbliavivaonline #Atributosdivinos #Bíblia #NovoTestamento #Jesus

  • A REVOLUÇÃO DE MAQUIAVEL – Peter J. Kreeft

    Para todos os pensadores sociais anteriores a Maquiavel, o objetivo da vida política era a virtude. Uma boa sociedade era concebida como aquela em que as pessoas eram boas. Não havia um “duplo padrão” para a bondade individual e a social, até Maquiavel. Com ele, a política tornou-se não mais a arte do bem, mas a arte do possível. Sua influência nesse aspecto foi enorme. Todos os principais filósofos sociais e políticos (Hobbes, Locke, Rousseau, Mill, Kant, Hegel, Marx, Nietzsche, Dewey) rejeitaram posteriormente o objetivo da virtude, conforme Maquiavel tinha baixado o padrão, e quase todos começaram a saudar a bandeira recém erguida por ele. Segundo a argumentação de Maquiavel, a moralidade tradicional era como as estrelas; belas, mas distantes demais para lançar alguma luz útil em nosso caminho terreno. Em vez disso, precisamos de lanternas feitas pelo homem; em outras palavras, metas atingíveis. Devemos agir a partir da terra, não dos céus; pelo que os homens e as sociedades realmente fazem, não pelo que deveriam fazer. A essência da revolução de Maquiavel era julgar o ideal pelo real ao invés de julgar o real pelo ideal. Um ideal é bom, para ele, se for prático; dessa maneira, Maquiavel é o pai do pragmatismo. Não apenas “o fim justifica os meios” — seja qual for o meio que se utilize —, mas os meios também podem justificar o fim, no sentido de que só vale a pena perseguir um fim se houver meios práticos para atingi-lo. Em outras palavras, o novo summum bonum, ou bem maior, é o sucesso. (Maquiavel parece ser não apenas o primeiro pragmatista, mas o primeiro pragmatista americano!) Maquiavel não apenas reduziu os padrões morais; ele os aboliu. Mais do que um pragmatista, ele foi um anti-moralista. O único sentido que via na moralidade era ela poder ser útil ao sucesso de um empreendimento. Ele ensinou que era necessário a um príncipe bem-sucedido “aprender como não ser bom” (O Príncipe, cap. 15), como romper promessas, mentir, enganar e roubar (cap. 18). Por causa dessas concepções escandalosas, alguns dos contemporâneos de Maquiavel viram O Príncipe como um livro literalmente inspirado pelo diabo. Estudiosos modernos, no entanto, geralmente a vêem como obra científica. Defendem Maquiavel, afirmando que ele não negou a moralidade, mas simplesmente escreveu um livro sobre outro assunto: sobre aquilo que é, mais do que sobre o que deveria ser. Eles até o elogiam por sua ausência de hipocrisia, subentendendo que a vida moral é o mesmo que hipocrisia. https://www.thecatholicthing.org/2018/04/10/machiavellis-revolution/

  • 4 maneiras de manter o diabo longe de você

    Por Jeffrey Bruno Nos Evangelhos, lemos o caso de uma pessoa que foi exorcizada e depois voltou a ser atormentada por toda uma legião de demônios, que queriam possuí-la de forma ainda mais vigorosa (cf. Mt 12, 43-45). O rito de exorcismo, de fato, serve para expulsar o diabo: mas não é uma “garantia” de que o diabo nunca mais vai tentar voltar. Os exorcistas recomendam quatro maneiras de manter a alma em paz e nas mãos de Deus: 1. Recorrer com frequência aos sacramentos da Confissão e da Eucaristia O que permite mais facilmente a entrada do diabo na vida de alguém é o habitual estado de pecado mortal desse alguém. Mesmo o pecado venial enfraquece a nossa relação com Deus e nos expõe ao inimigo. A confissão dos pecados é a principal maneira de que dispomos a trilhar um novo caminho. Não por acaso, o diabo tentou implacavelmente impedir São João Maria Vianney de ouvir as confissões dos pecadores empedernidos. O santo sabia que um grande pecador estava chegando à cidade quando o diabo o assediava durante a noite. A confissão tem tanto poder e graça que o diabo teme as almas que recorrem com frequência a este sacramento. A Santa Eucaristia é ainda mais poderosa para afastar o diabo – afinal, a Eucaristia é nada menos que a presença real de Jesus Cristo, verdadeiro Deus, diante de quem os demônios não têm absolutamente nenhum poder. A Eucaristia recebida em estado de graça após a confissão é uma dupla muralha contra o diabo, como confirmou São Tomás de Aquino em sua Summa Theologiae: “[A Eucaristia] repele todos os assaltos do diabo”. 2. Vida de oração consistente A pessoa que recorre frequentemente aos sacramentos da confissão e da Eucaristia também tem de alimentar uma vida de oração diária e consistente, que a coloca em estado permanente de graça e relacionamento com Deus. A pessoa que conversa regularmente com Deus não precisa nunca ter medo do diabo. Os exorcistas sempre sugerem às pessoas que alimentem sólidos hábitos espirituais, como a leitura frequente das Escrituras, o rosário e as formas privadas de oração e reflexão cristã. 3. Jejum Este é um conselho que vem diretamente dos Evangelhos: “[Há demônios que] não podem ser expulsos senão com oração e jejum” (Mc 9,29). Cada um de nós deve discernir que tipo de jejum é chamado a praticar: como vivemos no mundo e temos tantas responsabilidades, em especial para com a nossa família, não podemos jejuar irresponsavelmente a ponto de negligenciar a nossa própria vocação e pôr a saúde em risco. Em contrapartida, se quisermos mesmo deixar o diabo longe, também precisamos nos desafiar a um jejum que vá além de renunciar a um mísero chocolatinho durante a Quaresma. As virtudes da temperança e da prudência nos ajudarão a definir uma modalidade de jejum que ao mesmo tempo seja sensata e nos exija um sacrifício real. 4. Sacramentais Os exorcistas não só usam os sacramentais (o próprio rito do exorcismo é um sacramental) como ainda aconselham as pessoas que sofreram possessão diabólica a usarem com frequência os sacramentais. Eles são uma arma poderosa na luta diária para afugentar o diabo. De que sacramentais estamos falando? Dos mais comuns e conhecidos pelas pessoas: água benta, sal abençoado, escapulário… Mantenha-os não só em casa, mas também no seu local de trabalho, no seu carro, junto a si mesmo quando for o caso (como é o do escapulário). Estas quatro grandes ajudas não só vão manter o diabo longe como também ajudarão você no caminho para a santidade – que nada mais é, afinal, do que viver sempre em união com Deus! #confissão #jejum #AdoraçãoEucarística #diabo #Eucaristia #oração #Sacramentais #SantíssimaEucaristia

  • Sobre à questão das imagens sacras Retornar aos gregos Parte I

    Sobre à questão das imagens sacras Retornar aos gregos Parte I Na própria época em que Rupert e São Bernardo escreviam, estava se esgotando uma redescoberta das tradições gregas relativas às imagens. Partindo desse período de abertura até o século 13, é possível observar que essa redescoberta seguiu por diversos caminhos: o da teologia Mística de um Suger, o da literatura canônica, o da teologia racional que se afirmou ao fim do século culminando na Escolástica do século 13, e enfim o da literatura litúrgica. O primeiro instrumento de reformulação teórica da questão 2 imagens no século 12 foi o neoplatonismo cristão, como tinha sido elaborado no século 5 nas obras do Pseudo-Dionísio, o Areopagita, a hierarquia Celeste, hierarquia terrestre e nomes de divinos. No oriente, essa doutrina teve um impacto decisivo sobre a teologia, em particular a do ícone; era desse modo reconhecida sua participação na emanação Divina por toda criação; afirmava-se uma relação entre a semelhança da imagem e seu protótipo divino; o papel da mediação do ícone — o transitus — entre os homens e Deus e o culto das imagens, era considerado possível e teologicamente fundamentado. No ocidente, existiu um platonismo difuso, que influenciou santo Agostinho e Boécio. as obras do Pseudo-Dionísio foram traduzidas e comentadas na época carolíngia por João Escoto Eurígena, e nos escritos de Adriano I reconhecemos vagamente alguma fórmula com características neoplatônica. Mas, até o século 12, pode-se dizer que o impacto dessa teologia permaneceu fraco no Ocidente. Se um Suger, Abade de Saint-Denis, redescobre a obra do Pseudo-Dionísio no princípio do século 12, é em parte por razões ideológicas: a mescla em um só Dionísio de diversas pessoas ilustres com este nome — o Areopagita convertido por São Paulo, o primeiro bispo e mártir de Paris no século 3, o teólogo do século 5 — dava um brilho considerável na abadia que se glorificava de possuir suas relíquias. mas a influência do Pseudo-Dionísio nessa época se estendia bem além dessa abadia e, também em Paris, ela marcou a teologia de Hugo de São Vitor (1141) e de sua escola teológica e Mística. Sobre a questão da imagem, essa doutrina representada uma verdadeira ruptura na tradição especulativa Ocidental, que, no essencial, permanecia fiel a Gregório Magno; ela permitiu no plano teórico, uma aproximação considerável entre essa tradição e as posições pro e cônicas bizantinas tão vigorosamente com batidas no passado. Que fatores tornaram possível essa reviravolta? Não me parece suficiente buscar as razões apenas na história intelectual — considerando-a de maneira autônoma. Os novos interesses da Cultura erudita e a redescoberta da teologia grega são indiscutíveis. Mas convém, sobretudo, ver o que permitiu a utilização do Pseudo-Dionísio, quer dizer, uma teorização a posteriori das práticas relativas às imagens cristãs como tinham sido implantadas no ocidente na virada do ano mil e se desenvolvido em seguida arriscando-se a cair numa idolatria que tanto os heréticos quanto os judeus, e inclusive os muçulmanos, tinham boas razões de denunciar a partir de suas interpretações particulares. A teoria erudita ganhou forma depois que práticas comuns, partilhados pela maior parte dos clérigos e laicos, é encontravam-se difundidas; ao menos aos olhos dos clérigos mais eruditos ou da maioria entre eles, ela deu a legitimidade que lhe ainda faltava. Contentar-me-ei aqui de evocar brevemente o testemunho de Suger, o mais rico de que dispomos. Este, com efeito, no momento em que reconstruia sua abadia de Saint-Denis, explicou as razões de sua iniciativa e descrever sua realização em 1144, por ocasião da consagração do novo edifício, depois entre 1145 e 1147, em suas memórias de 23 anos de administração da abadia. Nesta última obra, Suger lembra, em primeiro lugar, como reconstituir pacientemente os bens materiais e sua abadia, primeira etapa indispensável para poder promover a reconstrução da igreja e seu enriquecimento. Descreveu a seguir sua obra de construtor, edificando uma nova fachada ocidental com duas torres e três pórticos, depois de um novo Chevet que, com suas 16 vidraças historiadas, servirá de cofre ao túmulo, também inteiramente refeito, do mártir Dionísio e de seus dois companheiros Rústico e Eleutério. Depois ele fala dos ornamentos que realizou para sua igreja: a parte dianteira do altar em ouro, um gigantesco crucifixo do qual se sabe que media mais de 5 metros de altura, os vasos sagrados, e em toda parte o brilho do ouro, das Pedras preciosas, dos vidros translúcidos e multicoloridos, formas visíveis da emanação Divina. Suger não estabelece diferença entre a imago crucifixi e as demais imagens; nem mesmo entre elas todas e os demais objetos sacos: todos entram numa mesma e vasta categoria de ornatos, todos manifestam o poder radiante de Deus, todos são instrumentos de uma inteligência Mística: Quando foi tomado pelo amor da beleza da casa de Deus, o esplendor multicolorido das gemas por vezes me arrancava às preocupações exteriores, e a diversidade das santas virtudes parecia transportada das coisas materiais para as coisas imateriais por uma Nobre meditação, e era como se eu estivesse em algum lugar exterior ao orbe terrestre que não se encontraria nem na sujeira da terra nem inteiramente na pureza do céu: pelo dom de Deus, e de maneira anagógica fui transportado do espaço inferior à este espaço superior.( Lecoy de la merche, Oeuvres de Suger. Paris 1867 société de l’história de France página 98). Assim, o modo mais elevado da exegese, o que permite chegar ao quarto sentido das escrituras e o sentido místico, vem a ser o modelo de contemplação de uma obra de arte concebida como via de acesso a Deus. Com Suger, a cultura letrada ocidental aceita, enfim, assumir a imagem e, melhor ainda, ornatus inteiro. Mas a solução original que Suger propõe não é a de Rupert de Deutz e menos ainda a de São Bernardo, e disso ele tem ciência. Ele próprio responde a adversários aos quais não nomeia, mas cujas opiniões poderiam bem ser as de São Bernardo, seu contemporâneo: Aqueles que nos criticam objetam que para a celebração da Santa eucaristia bastaria uma alma Santa, um espírito puro, uma intenção de fé. Eu admito: é bem isto o que importa antes de tudo. Mas afirmo também que se deve servir pelos ornamentos exteriores dos vasos sagrados […] Mesmo se os tratados de Suger e de São Bernardo não sejam dirigidos diretamente um ao outro, seu desacordo é evidente, inclusive no plano da vocabulário; para Suger, o ornatus é a totalidade dos meios visíveis que levam à contemplação do invisível; para São Bernardo, não são mais do que ornamentos superficiais que desviam o monge das vias autênticas da salvação. A obra de Suger marca uma infleção decisiva na direção proposta pelos bizantinos, sobretudo após 787, que a igreja Franca rejeitará. Com Suger, pode-se dizer, o círculo fecha-se sobre si mesmo. No século 12, a cristandade latina voltou a se aproximar da cristandade grega naquilo que a levará a manter-se separada durante quatro séculos. Em todo caso, Suger reencontra o pensamento grego no plano de uma Mística da imagem cristã; restava percorrer o mesmo caminho em outros planos essenciais da cultura da Igreja. A segunda via é canônica, a mais importante na prática, porque é ela que determina o direito concernente às imagens, fixando sua legitimidade na disciplina eclesiástica. A evolução do direito canônico no que concerne as imagens é muito significativo das transformações já observadas em outros níveis. Em torno do ano mil, Buchard de Worms não cita mais do que dois cânones para o que poderia ser chamado de disciplina das imagens: o primeiro é o célebre Cânon Placuit, do Concílio de Elvira de 303 ou 309, muito hostil às imagens. O outro, do qual Buchard não ressalta a contradição em relação ao primeiro, é um extrato da carta de Gregório Magno ao bispo Serenus e é provável, embora ele não diga, que se filie a essa última posição moderada e tradicional em relação às imagens. (Buchard de Worms, Decretorum livro XX, II, XXXV-XXXVI, PL 140, 678-679) Aproximadamente um século mais tarde, Ivo de Chartres retomando exatamente os mesmos cânones, tanto em seu panormia quanto em seu Decreto. Neste último, dedica-se a defender a autenticidade dos principais concílios da história da Igreja; é assim levado a retomar por sua conta o 82° segundo Canon do Concílio in Trullo de 692, que proíbe a representação simbólica de Cristo sob a forma de Cordeiro, e a admitir em termos gerais as decisões de Nicéia II relativa às imagens. O Concílio, isso merece nota, é assim mencionado, mesmo se essa parte da coleção canônica não seja diretamente consagrada às imagens. (Yves de Chartres, panormia, II, LV-LV, De pictura eclesiarum, PL. 161; Decretam, IV, CXXII e CLIX, 194 e 302). Entretanto, uma verdadeira mudança intervém, em cerca de 1140, com Graciano. Em seu Decreto, ele começa por descartar um “Cânon discordante”, o Placuit, que se encontra pelo menos fora de propósito no século 12! Em compensação, conserva em primeiro lugar a carta de Gregório a Serenus, que constitui o texto de base de toda reflexão sobre as imagens na cristandade latina. Além disso, empresta de Ivo de Chartres o Cânon do Concílio In Trullo sobre a representação de Cristo como Cordeiro. Enfim, e sobretudo, acrescenta o Cânon Venerabilis da actio 6 do Concílio de Nicéia II. Assim, com Graciano, e pela primeira vez, Nicéia II entra numa coleção canônica do ocidente como parte integrante da disciplina eclesiástica das imagens. Para dizer a verdade, a parte o texto retirado de Nicéia II não ameaça provocar oposições, na medida em que o Cânon Venerabilis está em conformidade com a tradição gregoriana, pois não exprime uma posição abertamente iconódula. Mas o que importa aqui, sobretudo, é que os grandes canonistas latinos — em primeiro lugar Ivo de Chartres, e depois Graciano — referem-se novamente ao Concílio de 787 para fixar o direito concernente as imagens na igreja. Schimidt, Jean-Claude; o corpo das imagens, Bauru, São Paulo: EDUSC, 2007. #IdadeMédia #Bizâncio #Históriadaidademédia #France #ConcíliodeCalcedônia #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #imagenssacraseídolos #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Doctrinaldevelopment #Igreja #Concílio

  • QUANDO O CÉU SE ABRIU – Batismo do Senhor

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “O Céu que se abre para nós”, clicar AQUI. O Evangelho deste domingo, festa do Batismo do Senhor, mostra os céus se abrindo enquanto Jesus Cristo era batizado. Nesta meditação, Padre Paulo Ricardo comenta os significados desse acontecimento, lançando uma luz sobre o batismo que nós mesmos recebemos e exortando-nos a uma vida intensa de oração, sem a qual, mesmo batizados, não entraremos no Céu. PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Isaías 42, 1-4.6-7) A Luz das nações Assim fala o Senhor: “Eis o meu servo – eu o recebo; eis o meu eleito – nele se compraz minh’alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirares os cativos da prisão, livrares do cárcere os que vivem nas trevas”. SALMO 28 Eis a voz do Senhor sobre as águas (Antífona): Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo! — Filhos de Deus, tributai ao Senhor,/ tributai-lhe a glória e o poder!/ Dai-lhe a glória devida ao seu nome;/ adorai-o com santo ornamento! — Eis a voz do Senhor sobre as águas,/ sua voz sobre as águas imensas!/ Eis a voz do Senhor com poder!/ Eis a voz do Senhor majestosa. — Sua voz no trovão reboando!/ No seu templo os fiéis bradam: “Glória!”/ É o Senhor que domina os dilúvios,/ o Senhor reinará para sempre! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Atos dos Apostolos 10, 34-38) O Senhor de todos Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa-nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele”. EVANGELHO (São Lucas 3, 15-16.21-22) Quando o Céu se abriu Naquele tempo, o povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer”. O UNGIDO (Meditação de Scott Hahn) A Liturgia revelou na semana passada o mistério do plano de Deus: que em Jesus todos os povos, simbolizados pelos magos, foram feitos “co-herdeiros” das bênçãos prometidas a Israel. Nesta semana, nos é mostrado como podemos reivindicar nossa herança. Jesus não se submete ao batismo de João como pecador que precise de purificação. Ele humilha a Si mesmo, atravessando as águas do Jordão, a fim de comandar um novo “êxodo” — abrindo a terra prometida do céu para que todos os povos possam ouvir as palavras pronunciadas sobre Jesus hoje, palavras outrora reservadas apenas a Israel e seu rei; pois cada um de nós é um filho ou filha amados de Deus (Gênesis 22,  2; Êxodo 4, 22; Salmos 2, 7). Jesus é o servo escolhido que Isaías profetiza na Primeira Leitura de hoje, ungido com o Espírito para realizar as coisas certas e justas aqui na terra. Deus põe o Seu Espírito sobre Jesus para torná-lo “o centro da aliança do povo”, o libertador dos cativos, a luz das nações. Jesus, conforme a segunda leitura de hoje nos diz, é Aquele que há muito se esperava em Israel, ungido com o Espírito Santo e poder. A palavra messias significa “ser ungido” com o Espírito de Deus. O rei Davi foi “o ungido do Deus de Jacó” (II Samuel 23, 1–17; Salmo 18, 51; 132, 10, 17). Os profetas ensinaram Israel a esperar um rebento real de Davi, sobre quem o Espírito repousaria (Isaías 11, 1–2; Daniel 9, 25). É por isso que as multidões estão tão ansiosas, no início do Evangelho de hoje. Mas não é por João que eles procuram. Deus confirma, com Sua própria voz, o que o anjo disse a Maria: Jesus é o Filho do Altíssimo, vindo para reclamar o trono de Davi para sempre (Lucas 1, 32–33). No Batismo que Ele traz, a voz de Deus pairará sobre as águas como chama de fogo, conforme cantamos no Salmo de hoje. Ele santificou as águas, fazendo delas um caminho para a cura e a liberdade — fonte de um novo nascimento e a vida eterna. https://stpaulcenter.com/the-anointing-scott-hahn-reflects-on-the-feast-of-the-baptism-of-the-lord/

  • A ÚNICA FELICIDADE POSSÍVEL

    Os filósofos gregos antigos, preocupados com o destino do ser humano, sabiam que felicidade era algo que transcendia o mundo material. Heráclito de Éfeso, pensador pré-socrático, já dizia: “Se a felicidade consistisse nos prazeres do corpo, felizes seriam os bois quando possuem ervilhas para mastigar”. O homem feliz, para Aristóteles, era aquele que procurava conhecer o verdadeiro bem e praticá-lo. Para os pensadores estoicos, sábio e feliz era o homem que conseguia frear os impulsos e as paixões. A modernidade inverteu a coisa. Para o ateu Freud, por exemplo, felicidade não passava de suspensão da dor. No que foi contestado pelo seu conterrâneo austríaco Konrad Lorenz, médico e zoólogo. Lorenz afirmava que o homem feliz é o que atinge seu objetivo, geralmente com sacrifício. E dava, como exemplo, o alpinista que chegava ao topo da montanha todo ferido e alquebrado — mas feliz. Lorenz não perdoava nossa civilização farmacológica, que dispõe de remédios para todas as dores; e garantia que a ausência de sofrimento era o mais rápido caminho para o tédio, que chamou muito bem de “tepidez mortal”. No contexto cristão, que tem grandes afinidades com o melhor do pensamento grego, a felicidade também não consiste nos prazeres do corpo, mas na plena realização do espírito. Para os seguidores de Cristo, felicidade jamais será sinônimo de prazer material. “Quem não toma a sua cruz e não Me segue, não é digno de Mim”, avisou Jesus (São Mateus, X, 38). Só é verdadeiramente feliz quem aceita a própria cruz e O segue. Prova-o os grandes santos que, com todas as suas dores, eram pessoas misteriosamente felizes, pois sabiam estar a caminho da eternidade, “lugar” da felicidade perfeita. O homem, enquanto tomado pelos impulsos e pelas paixões, nunca terá paz, pois está sob o jugo da pior das ditaduras. A paz, a verdadeira paz interior, é produto de uma luta permanente contra os ídolos deste mundo, produzidos pela soberba, a inveja, a preguiça, a ira, a pornografia, o consumismo, a gula. Diz cheio de razão o velho ditado latino: “Se queres a paz, prepara-te para a guerra”. O cristão, que sabe ser dos violentos o Reino dos Céus, vai além e, para conquistar a paz, parte para a guerra mais terrível que existe: a guerra contra si mesmo, lutando para controlar os sentimentos e emoções desordenados que sitiam o seu coração. O poeta americano Wallace Stevens, que viveu como um materialista convicto, nos últimos dias de sua vida passou a ter, no hospital, um comportamento inusitado para os seus padrões habituais de austeridade: tratava as enfermeiras com bom humor e uma jovialidade que não era do seu feitio. Soube-se, depois, pelo padre que com ele esteve naqueles momentos, que o poeta havia se convertido ao catolicismo. Ser católico, não de aparência, mas de fato, tornou-o um homem melhor naquela hora decisiva da vida. Para o cristão, todas as horas são decisivas. Quem assimila verdadeiramente o Cristo (ou melhor, quem se deixa assimilar pelo Cristo), sabe que deve dominar as paixões, o que fará dele, inevitavelmente, um melhor cidadão. A vida, como a propõe Jesus, é muito mais decente e mais bela: amar a Deus irrestritamente, sobre todas as coisas, é a única saída para amar de verdade a si mesmo e ao próximo, sem o risco de transformar em ídolos a própria pessoa ou os outros.

  • S. Bernardo de Claraval sobre a Primazia Romana (1090-1153 dC)

    “Venha, perguntemos ainda mais diligentemente quem é, por um tempo, a pessoa que você sustenta na Igreja de Deus. Quem é Você? Um grande padre, o Sumo Pontífice. Você é o chefe dos Bispos, herdeiro dos Apóstolos, no primado Abel, no governo Noé, no Patriarcado Abraão, em ordem Melquisedeque, em dignidade Aarão, em autoridade Moisés, no juízo Samuel, no poder Pedro, em unção a Cristo. Você é aquele a quem as chaves são entregues, a quem as ovelhas são confiadas. Outros, de fato, existem, aqueles que guardam a porta do céu, e são pastores de rebanhos, mas vocês herdaram os dois nomes acima dos demais, como em um modo mais glorioso, de modo diferente. Cada um tem seus vários rebanhos atribuídos a eles, enquanto para você todos são confiados como um só rebanho. E não somente das ovelhas, mas de todos os pastores você é o único Pastor. Pergunte de onde provo isso? Pela palavra do Senhor. Para quem eu digo, não de bispos, mas mesmo de apóstolos, todas as ovelhas foram confiadas tão absolutamente e sem distinção? “Pedro, se me amas, alimenta as minhas ovelhas”. Quais ovelhas? As pessoas desta ou daquela cidade, ou região, ou império especificado? “Minhas ovelhas”, ele diz. Para quem não é claro que Ele não designou alguns, mas designou todos? Nada é excetuado, onde nada é diferenciado. E talvez o restante de seus discípulos estivessem presentes, quando, ao entregá-los a um, Ele recomendou unidade a todos em um só rebanho, e um pastor, de acordo com “Minha pomba, Minha linda, Minha perfeita é apenas uma”. Onde está a unidade, há perfeição. Os outros números não têm perfeição, mas divisão, ao afastar-se da unidade. Por isso é que os outros receberam cada um o seu próprio povo, conhecendo o sacramento. Finalmente, Tiago, que parecia ser um pilar da Igreja, foi confiado apenas com Jerusalém, entregando-se a Pedro como um todo. Mas bem, ele foi colocado lá para levantar sementes para seu irmão morto, quando aquele irmão foi morto. Pois ele foi chamado o irmão do Senhor. Além disso, quando o irmão do Senhor cede, que outro se intrometerá na prerrogativa de Pedro!Portanto, de acordo com seus cânones, outros foram chamados para uma parte de sua solicitude, mas para a plenitude do poder. O poder dos outros é conferido dentro de certos limites; o seu é estendido mesmo sobre aqueles que receberam poder sobre os outros. Você não pode, se existir uma justificativa, fechar o céu a um bispo, depô-lo do episcopado e entregá-lo a Satanás? Portanto, vosso privilégio vos é inabalável, assim como nas chaves que vos são dadas, como nas ovelhas que vos são confiadas. Ouça outra coisa que não menos lhe confirme sua prerrogativa. Os discípulos estavam no navio, e o Senhor apareceu na praia e, o que causou maior deleite, em Seu corpo ressuscitado. Pedro, sabendo que é o Senhor, lança-se ao mar e assim veio a ele enquanto o restante chegava a navio. O que significa isso? É um sinal do único sacerdócio de Pedro, pelo qual ele não recebeu apenas um navio, como o resto de cada um deles, mas o próprio mundo para seu governo. Porque o mar é o mundo, os navios são igrejas. Daí é, que, em outra ocasião, andando como o Senhor nas águas, ele se destacou como um único vigário de Cristo, que deveria governar, não em um só povo, mas em todos; já que as “muitas águas” são “muitos povos”. Assim, enquanto cada um dos demais tem seu próprio navio, a ti o maior navio é confiado; a própria Igreja Universal, feita de todas as igrejas, difundida por todo o mundo ”(S. Bernardo, de Consid. Lib. Ii. C. 8, tirado da Sé de São Pedro, a rocha da Igreja, a Fonte da Jurisdição e o Centro da Unidade de Thomas William Allies, página 219-221) São Bernardo também é famoso por sua rejeição da doutrina da Imaculada Conceição, como é evidenciado por sua carta aos Cônegos de Lyon. No entanto, o que não é amplamente conhecido é que nesta mesma carta, ele deixa o assunto acima de si para a autoridade da Igreja, que é principalmente liderada pela Igreja Romana. Quantas vezes é que esta carta de São Bernardo é atirada nos rostos dos católicos romanos contemporâneos como se o dogma da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria fosse uma novidade e heresia. O que não se costuma dizer, no entanto, é que São Bernardo não se arrogou o julgamento final sobre o assunto. Hoje, perdemos esse senso de obrigação religiosa para com o magistério doutrinário da Igreja como um poder para superar todas as nossas dificuldades e dúvidas. Ele escreve: “Portanto, não posso deixar de imaginar que deveria ter havido entre vós, nesta época, alguns que desejavam manchar essa esplêndida fama de sua Igreja, introduzindo uma nova festa, um rito que a Igreja nada sabe, e que razão não prova, nem tradição antiga nos entrega… Mas o que eu disse está em submissão ao julgamento de todo aquele que é mais sábio do que eu; e especialmente eu refiro o todo dele, como de todos os assuntos de um tipo semelhante, para a autoridade e decisão da Sé de Roma, e eu estou preparado para modificar minha opinião se em qualquer coisa eu pensar de outra maneira que não a dessa Sé. ”( Carta aos Cônegos de Lyon )De qualquer forma, não havia dúvida na mente de Bernardo sobre a doutrina da Igreja de que a Virgem nasceu sem pecado. Ele escreveu: “Aprendi na Igreja e na Igreja a considerar o nascimento da Virgem certamente um dia sagrado e digno de celebração. Com a Igreja, acredito firmemente que Maria recebeu no ventre de sua mãe a graça de nascer santa ”(ibid.) Assim, dada a deferência de São Bernardo à Sé Romana em todas as questões de doutrina, sua crença na jurisdição universal do Papa e seu entendimento inabalável de que a Igreja ensinava o nascimento sem pecado de Maria, não vejo a abordagem de São Bernardo como um depoimento para os órgãos eclesiais anglicanos ou reformados. Tradução St. Bernard on the Roman Primacy Disponível em: https://erickybarra.org/2019/01/05/st-bernard-on-roman-primacy-1090-1153-ad/

  • Resposta a Calvino: S. Pedro, Papado e a Igreja Primitiva

    Esta é uma parcela de uma série de respostas (veja a Introdução e a Lista Mestra) de grande parte do Livro IV (da Santa Igreja Católica) das Institutas da Religião Cristã, pelo antigo líder protestante João Calvino (1509-1564). Eu utilizo a tradução de domínio público de Henry Beveridge, datada de 1845, da edição de 1559 em latim; Disponível Online. As palavras de Calvino estarão em azul. Todas as citações bíblicas (em minhas partes) serão da RSV, salvo indicação em contrário. Livro IV CAPÍTULO 6 DO PRIMADO DA SÉ ROMANA * 15. O mesmo assunto continua. * Paulo é depois levado como prisioneiro para Roma. Lucas relata que ele foi recebido pelos irmãos, mas nada diz de Pedro. De Roma ele escreve para muitas igrejas. Ele até envia saudações de certos indivíduos, mas não índica com uma única palavra que Pedro estava lá. Quem, ora, acreditará que ele não teria dito nada dele se estivesse presente? Seja qual for a cronologia, em qualquer caso, o consenso de virtualmente todos os estudiosos e comentaristas bíblicos é que Pedro morreu em Roma, e provavelmente a maioria concorda que ele era bispo lá. As notas de rodapé desta seção afirmam que Calvino aceitou o fato de que Pedro morreu em Roma, mas não que ele era o bispo. Mais ainda, na Epístola aos Filipenses, depois de dizer que ele não tinha ninguém que se importasse com a obra do Senhor tão fielmente como Timóteo, ele reclama, que “todos buscam os seus próprios” (Fp 2:21). E a Timóteo ele faz a queixa mais grave, que nenhum homem estava presente em sua primeira defesa, que todos os homens o abandonaram (2Tm 4:16). Onde então estava Pedro? Se eles dizem que ele estava em Roma, quão vergonhoso é a acusação que Paulo faz contra ele de ser um desertor do Evangelho! Pois ele está falando dos crentes, visto que ele acrescenta: “O Senhor não lhes incumba a responsabilidade deles”. Em que tempo, portanto, e por quanto tempo, Pedro manteve essa Sé? A opinião uniforme dos autores é que ele governou aquela igreja até sua morte. Mas esses autores não concordam quanto a quem foi seu sucessor. Alguns dizem que Lino, outros Clemente. E eles relatam muitas fábulas absurdas sobre uma discussão entre ele e Simão Magus. Nem Agostinho, quando tratando de superstição, disfarça o fato de que, devido a uma opinião imprudentemente entretida, tornou-se habitual em Roma jejuar no dia em que Pedro expulsou a corrupção de Simão Magus (Agostinho. ad Januar. Ep. 2). Em suma, os assuntos desse período estão tão envolvidos na variedade de opiniões, que o crédito não deve ser dado precipitadamente a qualquer coisa que lemos a esse respeito. E, no entanto, a partir deste acordo de autores, eu não discuto que ele morreu lá, mas que ele era bispo, particularmente por um longo período, não posso acreditar. No entanto, não atribuo muita importância ao ponto, uma vez que Paulo testifica, que o apostolado de Pedro pertenceu especialmente aos judeus, mas o seu especialmente para nós. Portanto, para que aquele pacto que eles fizeram entre si, melhor, que o arranjo do Espírito Santo possa ser firmemente estabelecido entre nós, devemos prestar mais atenção ao apostolado de Paulo do que àquele de Pedro, visto que o Espírito Santo , distribuindo-lhes a diferentes províncias, destinou Pedro para os judeus e Paulo para nós. Que os romanistas, portanto, procurem sua primazia em algum outro lugar que não na palavra de Deus, o que não lhe dá o mínimo fundamento. Testemunhas antigas testemunham o contrário. Dionísio, escrevendo para o bispo de Roma por volta de 70 dC, declara: 5. Assim anunciando publicamente a si mesmo como o primeiro entre os principais inimigos de Deus, ele foi levado ao massacre dos apóstolos. É, portanto, registrado que Paulo foi decapitado em Roma, e que Pedro também foi crucificado sob Nero. Este relato de Pedro e Paulo é substanciado pelo fato de que seus nomes são preservados nos cemitérios daquele lugar até os dias atuais. . . . 8. E que ambos sofreram o martírio ao mesmo tempo, é declarado por Dionísio, bispo de Corinto, em sua epístola aos Romanos, nas seguintes palavras: “Assim, com tal admoestação, unimos a plantação de Pedro e de Paulo em Roma e Corinto. Pois ambos plantaram e também nos ensinaram em nossa Corinto. E eles ensinaram juntos da mesma maneira na Itália, e sofreram o martírio ao mesmo tempo. ” Citei estas coisas para que a verdade da história fosse ainda mais confirmada (Eusébio, História da Igreja, Livro II, 25: 5,8). F. F. Bruce, o renomado estudioso do Novo Testamento protestante, observou: Quanto à associação de Pedro com a igreja romana, essa não era apenas uma reivindicação feita desde os primeiros dias em Roma; foi concedida por clérigos de todo o mundo cristão. No Novo Testamento, é refletida nas saudações enviadas aos leitores de 1 Pedro da igreja (literalmente, de “ela”) “que está na Babilônia, eleita junto com vocês” (1 Pe 5:13) – se, como é mais provável, a Babilônia é uma palavra-código para Roma. (Peter, Stephen, James e John, Grand Rapids, Michigan: William B. Eerdmans Pub. Co., 1979, p. 44) A alegação de que Pedro e Paulo eram co-fundadores da igreja romana – atestada, como vimos, por Dionísio de Corinto – é mais antiga do que o rastreio da sucessão de bispos de Roma de volta a eles, que é primeiro atestada em Irineu, mas pode voltar para Hegésipo [Irineu, Contra as Heresias 3.3.1-3; para Hegésipo ver Eusébio, Hist. Eccl. 4.22.3]. Estritamente, Pedro não era mais fundador da igreja romana do que Paulo, mas em Roma, como em outros lugares, um apóstolo associado a uma igreja em seus primórdios era inevitavelmente declarado seu fundador. (Ibid., Pp. 46-47) O Dicionário Oxford da Igreja Cristã (editado por F. L. Cross e E. A. Livingstone, Oxford University Press, segunda edição, 1983, “Peter”, p. 1068) afirma: A tradição que liga São Pedro a Roma é precoce e incomparável. . . Rm. 15.20-22 pode apontar para a presença de outro apóstolo em Roma antes de São Paulo escrever, enquanto a identificação de “Babilônia” em 1 Pet. 5,13. . . com Roma parece altamente provável. São Clemente de Roma (1 Cl. 5) une Pedro e Paulo como os heróis da Fé e provavelmente implica que Pedro sofreu o martírio. Santo Inácio usa palavras (Rom. 4.2) que sugerem que Pedro e Paulo eram apóstolos de autoridade especial para a igreja romana e Santo Irineu (Adv. Haer., III. I. 2; III. Iii. 1) afirma definitivamente que fundaram essa Igreja e instituíram sua sucessão episcopal. Outros são Gaio de Roma e Dionísio de Corinto, ambos citados por Eusébio (H.E., II. Xxv. 5-8). 16. Argumento de que a unidade da Igreja não pode ser mantida sem uma cabeça suprema na terra. Resposta, afirmando três razões pelas quais grande respeito foi tributado nos primeiros tempos à Sé de Roma. Vamos agora para a Igreja Primitiva, Sim, vamos . . . Para que também possa parecer que os nossos oponentes se prendam ao seu apoio, não menos falsamente e sem exame do que no testemunho da palavra de Deus. Quando eles estabelecem isto como um axioma, que a unidade da Igreja não pode ser mantida a menos que haja uma cabeça suprema na terra a quem todos os membros devam obedecer; e que, consequentemente, nosso Senhor deu a primazia a Pedro, e depois, por direito de sucessão, à Sé de Roma, para permanecer até o fim, eles afirmam que isso sempre foi observado desde o princípio. De fato, foi. Mas como eles impropriamente tomam muitas passagens, eu primeiro diria que não nego que os primeiros cristãos uniformemente concedam alta honra à Igreja Romana, e falem disso com reverência. Bom. Isto, penso eu, é principalmente devido a três causas. A opinião que prevaleceu (não sei como) de que aquela Igreja foi fundada e constituída pelo ministério de Pedro teve grande efeito em obter influência e autoridade. Mostrei como, documentando os padres que afirmavam isso. Por isso, no Oriente, foi, como marca de honra, designada a Sé Apostólica. Em segundo lugar, como a sede do império estava lá, e foi por essa razão presumida, que os mais distintos por aprendizado, prudência, habilidade e experiência, estavam lá mais do que em outros lugares, foi justamente considerada a circunstância, fama da cidade, e os dons muito mais excelentes de Deus também, podem parecer desprezados. Na providência de Deus, o cristianismo deveria superar o Império Romano no devido tempo. Deus foi direto ao centro do poder secular. A estas foi acrescentada uma terceira causa, que quando as igrejas do Oriente, da Grécia e da África, foram mantidas em um constante tumulto por diferenças de opinião, a Igreja de Roma estava mais calma e menos perturbada. Pois isso era devido, que os bispos piedosos e santos, quando expulsos de suas sés, muitas vezes se apresentavam em Roma como um asilo ou refúgio. Pois, como os povos do Ocidente têm uma mentalidade menos aguda e versátil do que os da Ásia ou da África, eles são menos desejosos de inovações. O que é bom, onde a ortodoxia está envolvida. . . Foi acrescentado, portanto, grande autoridade à Igreja Romana, que naqueles tempos duvidosos não foi tão instável como as outras, e aderiu mais firmemente à doutrina, uma vez entregue, como será imediatamente melhor explicado. Roma sempre foi ortodoxa, e o que era ortodoxo acabou sendo sinônimo da doutrina romana. Para essas três causas, digo, ela não foi considerada em pouca estimação e recebeu muitos testemunhos ilustres de escritores antigos. Um bom começo, especialmente para um crítico tão grande quanto Calvino. . . 17. Opinião dos primeiros tempos sobre o tema da unidade da Igreja. Nenhuma primazia atribuída à Igreja de Roma. Só Cristo é considerado o Cabeça da Igreja Universal. * Mas desde que nossos oponentes criariam uma primazia e uma autoridade suprema sobre outras igrejas, eles, como eu disse, erraram muito. Calvino elevou sua autoridade e a de sua “igreja” sobre a da Igreja Católica universal, que tinha uma história ininterrupta de 1500 anos. Então, em quais fundamentos auto-consistentes (mesmo antes de as questões envolvidas serem debatidas) ele poderia até mesmo reclamar a esse respeito? Para que isso possa parecer melhor, mostrarei, em primeiro lugar, quais são os pontos de vista dos primeiros escritores quanto a essa unidade que eles tanto instam. Jerônimo, ao escrever para Nepôciano, depois de enumerar muitos exemplos de unidade, desce extensamente à hierarquia eclesiástica. Ele diz: “Todo bispo de uma igreja, todo arquipresbítero todo arquidiácono e toda a ordem eclesiástica depende de seus próprios governantes”. Aqui um presbítero romano fala e elogia a unidade em ordem eclesiástica. Por que ele não menciona que todas as igrejas estão unidas por uma só cabeça como um elo comum? Ele faz em outro lugar, como tenho documentado em uma parcela passada. É outro caso de Calvino exigindo que todos devem mencionar tudo o tempo todo. Isso não é razoável, e vimos a última vez que até mesmo a alegação de sola Scriptura não seria válida se seguíssemos essa demanda excessiva e irrealista. Não havia nada mais apropriado ao ponto em questão, e não se pode dizer que ele o omitiu por esquecimento; não havia nada que ele teria mais vontade de mencionar se o fato permitisse. A mesma falácia. . . é um argumento fraco do silêncio. Ele, portanto, indubitavelmente mantém, que o verdadeiro método de unidade é aquele que Cipriano descreve admiravelmente nestas palavras: “O episcopado é um, parte do qual é mantido inteiro por cada bispo, e a Igreja é uma, que, pelo aumento da fecundidade , estende-se mais amplamente em números. Como há muitos raios do sol e uma luz, muitos ramos de uma árvore e um tronco, sustentados por sua raiz tenaz, e como muitos fluxos fluem de uma fonte, e embora os números pareçam difundidos pela grandeza do suprimento transbordante, a unidade é preservada inteira na fonte, assim a Igreja, permeada com a luz do Senhor, envia seus raios sobre todo o globo, e ainda é uma luz, que é difundida em toda parte sem separar a unidade do corpo, estendendo seus ramos sobre todo o globo, e enviando fluxos fluentes; ainda a cabeça e a fonte são uma ”(Cipriano, de Simplie. Prælat.). Depois, ele diz: “A esposa de Cristo não pode ser uma adúltera: ela conhece uma casa, e com casta modéstia guarda a santidade de uma só cama”. Veja como ele torna universal o bispado de Cristo, como compreendendo sob ele toda a Igreja: Veja como ele diz que parte dela é mantida inteira por todos que executam o ofício episcopal sob essa cabeça. Onde está a primazia da Sé Romana, se todo o bispado reside em Cristo, e uma parte dele é mantida inteira por cada um? Eu já documentei a aceitação de São Cipriano do papado também. Mas mesmo que ele tenha discordado da autoridade do papado, como um padre ele não é infalível. Há muitos padres que aceitam sua autoridade (mesmo no Oriente, que acabou se separando e formando a Ortodoxia), formando um consenso. Meu objetivo nestas observações é, para mostrar ao leitor, de passagem, que o axioma da unidade de um tipo mundano na hierarquia, que os romanistas assumem como confessado e indubitável, era totalmente desconhecido para a antiga Igreja. Isso é falso, como foi mostrado repetidamente em capítulos passados (de modo que não tenho necessidade de me repetir aqui), e continuará a ser mostrado, pela documentação dos padres. Tradução Peter & The Papacy & The Early Church Disponível em: https://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2019/01/peter-the-papacy-the-early-church-vs-calvin-15.html

  • Resposta a Calvino: Papas e primeiros concílios ecumênicos

    Esta é uma parcela de uma série de respostas (veja a Introdução e a Lista Mestra) de grande parte do Livro IV (da Santa Igreja Católica) das Institutas da Religião Cristã, pelo antigo líder protestante João Calvino (1509-1564). Eu utilizo a tradução de domínio público de Henry Beveridge, datada de 1845, da edição de 1559 em latim; Disponível Online. As palavras de Calvino estarão em azul. Todas as citações bíblicas (em minhas partes) serão da RSV, salvo indicação em contrário. IV 7: 1-2 *** Livro IV CAPÍTULO 7 DO INÍCIO E AUMENTO DO PAPADO ROMANO, ATÉ QUE OBTEVE A ALTURA PELA QUAL A LIBERDADE DA IGREJA FOI DESTRUÍDA E TODA A VERDADEIRA REGRA AO LONGO DO TEMPO. 1. Primeira parte do capítulo, em que o início do papado é atribuído ao Concílio de Nicéia. Nos Concílios subsequentes, outros bispos presidiram. Nenhuma tentativa então feita para reivindicar o primeiro lugar. * Em relação à antiguidade da primazia da Sé Romana, nada há a favor de seu estabelecimento mais antigo que o decreto do Concílio de Nicéia, pelo qual o primeiro lugar entre os Patriarcas é atribuído ao Bispo de Roma, e ele É ordenado que cuide das igrejas suburbanas. Isso é falso. Eu já mencionei Santo Irineu. Ele morreu por volta de 202. Em seu trabalho Contra as Heresias, Livro III, Capítulo 3, Seção 2, ele escreve: 2. Já que, no entanto, seria muito tedioso, num volume como este, calcular as sucessões de todas as Igrejas, confundimos todos aqueles que, de qualquer maneira, por autocomplacência, por vanglória, ou por cegueira e opinião perversa, reunim-se em reuniões não autorizadas; [fazemos isso, digo], indicando que a tradição derivava dos apóstolos, da grande, da antiga e universalmente conhecida Igreja fundada e organizada em Roma pelos dois mais gloriosos apóstolos, Pedro e Paulo; como também [apontando] a fé pregada aos homens, que chega ao nosso tempo por meio das sucessões dos bispos. Pois é necessário que toda Igreja concorde com esta Igreja, por sua autoridade preeminente, ou seja, os fiéis em todos os lugares, na medida em que a tradição apostólica tem sido preservada continuamente por aqueles [homens fiéis] que existem em toda parte. São Clemente de Roma morreu por volta do ano 101. Ele foi um dos primeiros papas, e isso é indicado em sua carta, 1 Clemente (59: 1), escrita aos coríntios: Mas se alguns forem ser desobedientes às coisas por ele faladas através de nós, que eles saibam que eles se enredarão em não pequena transgressão e perigo, Calvino, para ser justo, provavelmente não sabia sobre 1 Clemente. Uma cópia completa do manuscrito não foi descoberta até 1873. Max Lackmann, um luterano, comentou sobre esta epístola: Clemente, como o porta-voz de todo o povo de Deus. . . admoesta a Igreja de Corinto em tom sério, autoritário e fraterno para corrigir os abusos internos de sua comunidade eclesiástica. Ele censura, exorta, adverte, evoca. . . O uso da expressão envia de volta na declaração: Envie de volta rapidamente para nós nossos mensageiros (1 Clemente 65,1), não é apenas um tipo especial de frase bíblica, mas também uma forma de comando imperial romano. O juiz romano em uma província do império enviava de volta um mensageiro ou um pacote de documentos para a capital imperial ou para a corte do imperador (Atos 25:21). Clemente de Roma, sem dúvida, também conhecia essa terminologia administrativa do governo imperial e a usava efetivamente. (Em Hans Asmussen e outros, The Unfinished Reformation, traduzido por Robert J. Olsen, Notre Dame, Indiana: Fides Publishers Association, 1961, 84-85) Enquanto o concílio, dividindo entre ele e os outros patriarcas, atribui os limites apropriados de cada um, certamente não o nomeia chefe de todos, mas apenas um dos chefes. Vito e Vincêncio participaram da parte de Júlio, que então governava a Igreja Romana, e a eles foram dado o quarto lugar. Eu pergunto, se Júlio foi reconhecido como o cabeça da Igreja, seus legados teriam sido enviados para o quarto lugar? Mais uma vez, damos a Calvino um desconto por ter informações históricas menos precisas do que temos agora. O papa Júlio reinou de 337 a 352, enquanto o Concílio de Nicéia ocorreu em 325, durante o reinado do papa Silvestre (314-335). A Enciclopédia Católica (“Concílios Gerais”) observa: Em Nicéia, Ósio, Vito e Vincêncio, como legados papais, assinaram antes de todos os outros membros do concílio. O direito de presidir e dirigir implica que o papa, se ele optar por fazer pleno uso de seus poderes, pode determinar o assunto a ser tratado pelo concílio, prescrever regras para conduzir os debates, e geralmente ordenar todo o negócio como parece melhor para ele. Por isso, nenhum decreto conciliar é legítimo se for realizado sob protesto – ou mesmo sem o consentimento positivo – do papa ou de seus legados. O consentimento dos legados, agindo sem uma ordem especial do papa, não é suficiente para tornar os decretos conciliares ao mesmo tempo perfeitos e operativos; o que é necessário é o próprio consentimento do papa. Por essa razão, nenhum decreto pode se tornar legítimo e nulo por causa da pressão exercida sobre a assembléia pelo papa presidente, ou por legados papais que agem sob suas ordens. Para muito mais sobre isso, veja meu artigo, o Papa Silvestre e o Concílio de Nicéia. Brian W. Harrison, em seu artigo “Autoridade Papal nos Concílios Mais Antigos” (This Rock, janeiro de 1991), escreveu: O historiador sacerdote oriental Gelásio de Cícico, que não tinha machado romano para moer, afirma que Ósio “ocupou o lugar de Silvestre de Roma, junto com os presbíteros romanos Vito e Vicêncio.” [Migne, Patrologia Graeca, 85: 1229; Gelásio escreveu por volta de 475 e afirmou basear sua história nas atas originais do Concílio, que agora estão perdidas.] Que Roma foi reconhecida como a primeira de todas as Sés é mostrado pelo fato de que as assinaturas de seus legados indiscutíveis, Vito e Vicêncio, vêm imediatamente após a de Ósio. É provável que Ósio, sendo um prelado ocidental e o principal defensor do anti-arianismo, tenha sido aceito por Silvestre como um representante ad hoc e presidido por acordo mútuo com Constantino. Atanásio teria presidido o concílio onde um representante da ordem hierárquica deveria ter sido mais conspícuo? Não, porque ele não era nem um bispo de Roma nem um legado de um. No Concílio de Éfeso, parece que Celestino (que era então o Romano Pontífice) usou um artifício astuto para assegurar a dignidade de sua Sé. Pois quando ele enviou seus deputados, ele fez Cirilo de Alexandria, que de outra forma teria presidido, seu substituto. Por que essa comissão, além de apenas que seu nome pudesse estar conectado com a primeira Sé? Seus legados sentam-se em um lugar inferior, recebem sua opinião juntamente com outros e se inscrevem em sua ordem, enquanto, ao mesmo tempo, seu nome é acoplado ao do Patriarca de Alexandria. Isso é impreciso, e os registros do concílio confirmam que é uma representação imprecisa do que aconteceu, e mostram que o papa era considerado o chefe do concílio e da Igreja: O concílio se reuniu em 22 de junho, e São Cirilo assumiu a presidência como Patriarca de Alexandria e “como preenchendo o lugar do mais sagrado e abençoado Arcebispo da Igreja Romana, Celestino”, a fim de cumprir sua comissão original, que ele considerou, na ausência de qualquer resposta de Roma, ainda em vigor. . . . * Finalmente, em 10 de julho, chegaram os enviados papais. A segunda sessão reuniu-se na residência episcopal. O legado Filipe abriu o processo dizendo que a antiga carta de São Celestino já havia sido lida, na qual ele decidira a presente questão; o papa havia agora enviado outra carta. Isso foi lido. Continha uma exortação geral ao concílio e concluia dizendo que os legados tinham instruções para executar o que o papa havia decidido anteriormente; sem dúvida, o concílio concordaria. Os pais então gritaram: Este é um julgamento justo. Á Celestino o novo Paulo! Ao novo Paulo Cirilo! Á Celestino, o guardião da fé! Á Celestino concordando com o Sínodo! O Sínodo agradece a Cirilo. Um Celestino, um Cirilo! O legado Projectus então diz que a carta ordena ao concílio, embora não precisem de instrução, para levar a efeito a sentença que o papa pronunciou. . . . Firmo, o Exarca de Cesaréia na Capadócia, responde que o papa, pela carta que enviou aos bispos de Alexandria, Jerusalém, Tessalônica, Constantinopla e Antioquia, há muito tempo dera sua sentença e decisão; e o sínodo – os dez dias que se passaram, e também um período muito mais longo – tendo esperado além do dia de abertura fixado pelo imperador, seguiram o curso indicado pelo papa e, como Nestório não aparecera, executara sobre ele a sentença papal, tendo infligido o julgamento canónico e apostólico sobre ele. Esta foi uma resposta a Projectus, declarando que o que o papa exigia havia sido feito, e é um relato preciso do trabalho da primeira sessão e da sentença; canônico se refere às palavras da sentença, “necessariamente obrigadas pelos cânones”, e apostólicas às palavras “e pela carta do bispo de Roma”. O legado Arcádio expressou seu pesar pela chegada tardia de seu partido, por causa das tempestades, e pediu para ver os decretos do concílio. Filipe, o legado pessoal do papa, agradeceu aos bispos por aderirem às suas aclamações como membros santos à sua santa cabeça – “Pois a sua bem-aventurança não ignora que o apóstolo Pedro é a cabeça da fé e dos apóstolos”. O metropólita de Ancira declarou que Deus havia mostrado a justiça da sentença do sínodo pela vinda da carta de São Celestino e dos legados. A sessão terminou com a leitura da carta do papa ao imperador. * No dia seguinte, 11 de julho, ocorreu a terceira sessão. Os legados haviam lido as Atas da primeira sessão e agora exigiam apenas que a condenação de Nestório fosse formalmente lida em sua presença. Quando isso foi feito, os três legados pronunciaram uma confirmação em nome do papa. O exórdio do discurso de Filipe é celebrado: É duvidoso para ninguém, não só também tem sido conhecido por todas as idades, que o santo e abençoado Pedro, o príncipe e chefe dos Apóstolos, a coluna da Fé, a fundação da Igreja Católica, recebeu de nosso Senhor Jesus Cristo, o Salvador e Redentor da raça humana, as chaves do Reino, e que para ele foi dado o poder de ligar e desligar pecados, que até hoje e para sempre vive e julga em seus sucessores. Seu sucessor em ordem e seu representante, nosso sagrado e abençoado Papa Celestino. . . Foi com palavras como essas diante de seus olhos que os padres e concílios gregos falaram do Concílio de Éfeso como celebrado “por Celestino e Cirilo”. Uma tradução desses discursos foi lida, pois Cirilo então se levantou e disse que o sínodo as tinha compreendido claramente; e agora as Atas das três sessões deveriam ser apresentadas aos legados para sua assinatura. Arcádio respondeu que eles estavam naturalmente dispostos. O sínodo ordenou que as Atas fossem colocadas diante deles e as assinaram. Uma carta foi enviada ao imperador, dizendo-lhe como S. Celestino havia realizado um sínodo em Roma e enviado seus legados, representando a si mesmo e a todo o Ocidente. (A Enciclopédia Católica, “Council of Ephesus”) O que direi do segundo Concílio de Éfeso, onde, enquanto os representantes de Leão estavam presentes, o Patriarca Alexandrino Dióscoro presidiu como em direito próprio? Eles objetarão que este não era um concílio ortodoxo, já que por ele o venerável Flaviano foi condenado, Eutiques absolvido, e sua heresia aprovada. No entanto, quando o concílio foi recebido, e os bispos distribuíram os lugares entre si, os representantes da Igreja Romana sentaram-se entre os outros, assim como em um Concílio sagrado e legítimo. Ainda assim, eles não disputam o primeiro lugar, mas cedem a outro: isso eles nunca teriam feito se tivessem pensado por si mesmos. Esta também é uma interpretação fantasiosa, uma vez que consultamos os procedimentos reais deste concílio ilegítimo: Não havia tempo para nenhum bispo ocidental comparecer, exceto um certo Júlio de uma desconhecida sé, que, junto com um padre romano, Renato (ele morreu a caminho), e o diácono Hilário, depois papa, representou São Leão. O Imperador Teodósio II deu a Dioscoro, Patriarca de Alexandria, a presidência – ten autenticas kai ta proteia. O legado Júlio é mencionado a seguir, mas quando esse nome foi lido em Calcedônia, os bispos gritaram: “Ele foi expulso. Ninguém representou a Leão. . . O resumo da convocação de Teodósio foi lido, e então os legados romanos explicaram que teria sido contrário ao costume que o papa estivesse presente pessoalmente, mas ele havia enviado uma carta por eles. Nessa carta, São Leão apelara para sua Epístola dogmática a Flaviano, que ele pretendia ser lida no concílio e aceita como regra de fé. Mas Dióscoro tomou cuidado para não ler, e ao invés disso, leu uma carta do imperador,. . . Dióscoro decidiu que as Atas do julgamento deveriam ter precedência, e assim a carta de São Leão nunca foi lida. . . . Flaviano e Eusébio haviam anteriormente interposto um apelo ao papa e a um concílio sob sua autoridade. Suas cartas formais de apelação foram publicadas recentemente por Amelli. . . . O legado papal Hilário pronunciou uma única palavra em latim, Contradicitur, anulando a sentença em nome do papa. Ele então escapou com dificuldade. Flaviano foi deportado para o exílio e morreu alguns dias depois na Lídia. . . . Na sessão seguinte, de acordo com as Atas Siríacas, 113 estavam presentes, incluindo Barsumas. Nove novos nomes aparecem. Os legados foram procurados, pois não apareciam, mas apenas o notário Dulcitius podia ser encontrado, e ele não estava bem. Os legados haviam sacudido a poeira de seus pés contra a assembléia. Foi uma acusação contra Dióscoro em Calcedônia que ele “tinha realizado um concílio (ecumênico) sem a Sé Apostólica, o que nunca foi permitido”. Isso se refere manifestamente a ele ter continuado no concílio após a partida dos legados. . . . Teodoreto tentou fazer amizade com Dióscoro, mas seus avanços foram rejeitados com desprezo. Um monge de Antioquia então apresentou um volume de extratos das obras de Teodoreto. Primeiro foi lida a bela carta de Teodoreto aos monges do Oriente (ver Mansi, V, 1023), depois alguns trechos de uma “Apologia por Diodoro e Teodoro” perdida – o próprio nome desse trabalho bastava aos olhos do concílio para um condenação a ser pronunciada. Dióscoro pronunciou a sentença de deposição e excomunhão. Quando Teodoreto, em sua remota diocese, ouviu falar dessa sentença absurda sobre um homem ausente, cuja reputação não era questionada, ele imediatamente apelou ao papa em uma carta famosa (Ep. Cxiii). Ele escreveu também para o legado Renato (Ep. Cxvi), não sabendo que ele estava morto. . . . Enquanto isso, São Leão recebera os apelos de Teodoreto e Flaviano (de cuja morte ele não sabia), e escrevera a eles e ao imperador e à imperatriz que todas as Atas do concílio eram nulas. Ele excomungou todos os que haviam participado e absolveu todos os que havia condenado, com exceção de Domno de Antioquia, que parece não ter tido nenhum desejo de retomar sua Sé e se retirou para a vida monástica que ele havia deixado muitos anos antes com pesar. (A Enciclopédia Católica, “Robber Council of Ephesus”) Pois os bispos romanos nunca se envergonharam de provocar a maior contenda na disputa de honrarias, e só por essa causa, perturbar e assediar a Igreja com muitas disputas perniciosas; mas porque Leão viu que seria muito extravagante pedir o primeiro lugar para seus legados, ele omitiu fazê-lo. Mais uma vez, o relato acima revela a opinião de Calvino de ser uma leitura altamente fictícia. 2. Embora o bispo romano tenha presidido o Concílio de Calcedônia, isso se deveu a circunstâncias especiais. O mesmo direito não dado a seus sucessores em outros Concílios. * Em seguida veio o Concílio de Calcedônia, no qual, por concessão do Imperador, os legados da Igreja Romana ocuparam o primeiro lugar. Mas o próprio Leão confessa que isso foi um privilégio extraordinário; pois quando ele a pergunta do imperador Marciano e Pulquéria Augusta, ele não sustenta que isso é devido a ele, mas apenas finge que os bispos orientais que presidiram no Concílio de Éfeso haviam confundido tudo e feito mau uso de seu poder. Portanto, vendo que havia necessidade de um moderador grave, e não era provável que aqueles que um dia foram tão volúveis e tumultuosos estivessem aptos para este propósito, ele pede que, por causa da falta e incapacidade de outros, o cargo de governar deva ser transferido para ele. Aquilo que é pedido como um privilégio especial, e fora da ordem usual, certamente não é devido por uma lei comum. Quando se pretende apenas que exista a necessidade de um novo presidente, porque os primeiros se comportaram de maneira imprópria, é claro que a coisa pedida não foi feita anteriormente, e não deve ser perpétua, sendo feita apenas em relação a um perigo presente. O Romano Pontífice, portanto, ocupa o primeiro lugar no Concílio de Calcedônia, não porque é devido a sua Sé, mas porque o concílio está em falta de um moderador grave e digno, enquanto aqueles que deveriam ter presidido se excluem por intemperança e paixão. Isso é profundamente falso, como pode ser prontamente verificado pela documentação acima, sozinha, e outros fatos relacionados, conforme descrito em meu artigo, Participação Papal (através de Legados) nos primeiros sete Concílios Ecumênicos. A carta do Papa São Leão Magno XCV a Santa Pulquéria Augusta, esposa do imperador Marciano Augusto (ver mais sobre ela), datada de 20 de julho de 451, não demonstra tal falta de autoridade papal, como Calvino sugere: EU . . . nomeei dois dos meus colegas bispos e companheiros presbíteros respectivamente para me representar, enviando também ao venerável sínodo uma missiva apropriada da qual a fraternidade ali reunida poderia aprender o padrão necessário para ser mantida em sua decisão, para que nenhuma imprudência deva prejudicar às regras da Fé, ou às provisões dos cânones, ou aos remédios requeridos pelo espírito de bondade amorosa. Sua famosa carta CIV ao Imperador (22 de maio de 452) revela a mesma autoconsciência da autoridade papal e da primazia romana: Pois embora a liberdade do Evangelho devesse ser defendida contra certos dissidentes no poder do Espírito Santo, e através da instrumentalidade da Sé Apostólica, a graça de Deus mostrou-se mais manifestamente (do que poderíamos ter esperado) ao se conceder ao mundo que na vitória da Verdade somente os autores da violação da Fé deveriam perecer e a Igreja restaurada à sua solidez. . . . Deixe a cidade de Constantinopla ter, como desejamos, seu alto posto e sob a proteção da mão direita de Deus, há muito tempo desfrute do governo de sua clemência. No entanto, as coisas seculares se baseiam em coisas diferentes das coisas divinas: e não pode haver construção segura a não ser aquela rocha que o Senhor estabeleceu para um alicerce. Aquele que cobiça o que não lhe é devido perde o que é seu. Que seja suficiente para Anatólio que, com a ajuda de sua piedade e por meu favor e aprovação, ele tenha obtido o bispado de uma cidade tão grande. Que ele não desdenhe uma cidade que é real, embora não possa torná-la uma Sé Apostólica; e não o deixe, em hipótese alguma, esperar que ele possa se levantar ferindo outras pessoas. Pois os privilégios das igrejas determinadas pelos cânones dos santos Padres, e fixados pelos decretos do Sínodo de Nicéia, não podem ser subvertidos por nenhum ato inescrupuloso, nem perturbados por qualquer inovação. E na fiel execução dessa tarefa, com a ajuda de Cristo, devo demonstrar uma devoção inabalável; pois é uma incumbência confiada a mim, e tende a minha condenação se as regras sancionadas pelos Padres e elaboradas sob a orientação do Espírito de Deus no Sínodo de Nicéia para o governo de toda a Igreja são violadas com a minha conivência (que Deus me livre), e se os desejos de um irmão sozinho tiverem mais peso comigo do que o bem comum da casa inteira do Senhor. E novamente Leão escreve para Santa Pulquéria Augusta (Carta CV, 22 de maio de 452): Pois ninguém deve se arriscar em nada em oposição à promulgação dos cânones dos Padres que muitos anos atrás, na cidade de Nicéia, foram fundados sobre os decretos do Espírito, de modo que qualquer um que deseje aprovar qualquer decreto diferente se prejudica do que os prejudica. E se todos os pontífices apenas os mantiverem invioláveis como deveriam, haverá perfeita paz e completa harmonia através de todas as igrejas: não haverá desentendimentos sobre posição, nenhuma disputa sobre ordenações, nenhuma controvérsia sobre privilégios, nenhuma luta sobre tomar aquilo que é de outro; . . . Porque se algumas vezes os governantes caem em erros por falta de moderação, ainda assim as igrejas de Cristo não perdem sua pureza. Mas as afirmações dos bispos, que se opõem aos regulamentos dos sagrados cânones compostos em Nicéia em conjunção com sua fiel Graça, nós não reconhecemos, e pela autoridade do abençoado Apóstolo Pedro, nós absolutamente anulamos em termos abrangentes, em todos os casos eclesiásticos obedecendo aquelas leis que o Espírito Santo estabeleceu pelos 318 bispos para a observância pacífica de todos os sacerdotes em tal tipo que mesmo se um número muito maior fosse passar um decreto diferente que o deles, o que quer que fosse contrário a sua constituição teria que ser mantido em nenhum respeito. Da opinião geral do papa São Leão, o Grande, sobre a autoridade suprema do papado, não há dúvida, já que ele escreveu algumas das afirmações mais explícitas a esse respeito, na história do papado. Veja: Papa Leão, o Grande (r. 440-61) e Supremacia Papal. Esta declaração o sucessor de Leão aprovou por seu procedimento. Pois quando enviou seus legados ao quinto concílio, o de Constantinopla [em 553], que foi realizado muito tempo depois, ele não brigou pelo primeiro assento, mas prontamente permitiu que Mennas, o patriarca de Constantinopla, presidisse. Mais mitos para desmantelar. . . Claramente, Calvino procura deliberadamente enfraquecer a autoridade papal a todo momento, e está (digamos assim?) “Modificando” sua interpretação dos fatos conhecidos, para esse fim. O papa Vigílio estava sendo mantido como prisioneiro e, devido a essa e a várias táticas coercitivas imperiais, nenhum legado papal estava presente. Não é um argumento contra a primazia romana e papal, se e quando um papa é mantido em servidão física: A partir de 25 de janeiro de 547, o papa Virgílio foi detido à força na cidade real; . . . Virgílio persuadira Justiniano. . . proclamar uma trégua em todos os lados até que um concílio geral pudesse ser chamado para decidir essas controvérsias. Tanto o imperador quanto os bispos gregos violaram essa promessa de neutralidade; . . Por seu protesto digno, Virgílio então sofreu várias indignidades pessoais nas mãos da autoridade civil e quase perdeu a vida; ele finalmente se retirou para Calcedônia, na própria igreja de Santa Eufêmia, onde o grande concílio havia sido realizado, de onde ele informou ao mundo cristão o estado das coisas. Logo os bispos orientais buscaram a reconciliação com ele, induziram-no a retornar à cidade e retiraram tudo o que até então havia sido feito contra os três capítulos; o novo patriarca, Eutiquio, sucessor de Mennas, cuja fraqueza e subserviência foram a causa imediata de toda essa violência e confusão, apresentou (6 de janeiro de 553) sua profissão de fé a Virgílio e, em união com outros bispos orientais, instou a formação de um concílio sobre a presidência do Papa. Virgílio estava disposto, mas propôs que fosse realizado na Itália ou na Sicília, a fim de assegurar a assistência dos bispos ocidentais, para o qual Justiniano não concordaria, mas propôs, ao contrário, , uma espécie de comissão composta de delegados de cada um dos grandes patriarcados, Virgílio sugeriu que um número igual fosse escolhido a partir do Oriente e do Ocidente, mas isso não era aceitável para o imperador, que então abriu o concílio por sua própria autoridade. Virgílio recusou-se a participar, não só por causa da esmagadora proporção de bispos orientais, mas também por medo da violência; além disso, nenhum de seus predecessores haviam participado pessoalmente em um concílio oriental. A essa decisão, ele foi fiel, embora tenha expressado sua disposição de dar um julgamento independente sobre os assuntos em questão. . . . As decisões do concílio foram executadas com violência, de acordo com a sua conduta, embora a ardente e esperada reconciliação dos monofisitas não tenha sido seguida. Virgílio, juntamente com outros oponentes da vontade imperial, como registrado pelos subservientes prelados da corte, parece ter sido banido (Hefele, II, 905), junto com os fiéis bispos e eclesiásticos de sua suíte, seja para o Alto Egito ou para uma ilha no Propontis. Já na sétima sessão do concílio, Justiniano fez com que o nome de Virgílio fosse eliminado dos dípticos, sem prejuízo, no entanto, dizia-se, com a comunhão com a Sé Apostólica. Logo o clero e as pessoas romanas, agora libertadas por Narses do jugo gótico, pediram ao imperador que permitisse o retorno do papa, que Justiniano concordou com a condição de que Virgílo reconhecesse o supramencionado concílio. Isso Virgílio finalmente concordou em fazer, e em dois documentos (uma carta para Eutiquio de Constantinopla, 8 de dezembro, 553, e uma segunda “Constitutum” de 23 de fevereiro de 554, provavelmente dirigida ao episcopado ocidental) condenou, finalmente, os três capítulos (Mansi, IX, 424-20, 457-88; cf. Hefele, II, 905-11), independentemente, porém, e sem menção do concílio. (A Enciclopédia Católica: “Second Council of Constantinople”, escrito por Thomas Shahan) De igual modo, no Concílio de Cartago, no qual Agostinho estava presente, percebemos que não os legados da sé romana, mas Aurélio, o arcebispo do lugar, presidia, embora houvesse então uma questão quanto à autoridade do Romano Pontífice Este não foi um concílio ecumênico, então é um ponto discutível. Em todo caso, o papa Inocêncio I concordou com e sancionou a decisão canônica do Concílio de Cartago em 397, em sua Carta a Exuspério, bispo de Toulouse (datada de 405). Além disso, mesmo na própria Itália, foi realizado um concílio universal (o de Aquileia), no qual o bispo romano não estava presente. E daí? Isso é irrelevante. Ambrósio, que era então a favor do Imperador, presidiu, e nenhuma menção é feita ao Romano Pontífice. Isso não é mais necessário do que para qualquer assembleia estadual do Senado dos Estados Unidos mencionar o presidente dos Estados Unidos toda vez que se reúne. Portanto, devido à dignidade de Ambrósio, a Sé de Milão era então mais ilustre que a de Roma. Já que nenhuma prova é dada, já que é uma afirmação subjetiva e ridícula. Eu devo passar comentando. Vimos que quando Calvino tenta confiar em fatos históricos (em vez de asserções subjetivas não substanciadas) para sustentar seu caso, ele pode ser facilmente refutado a cada passo. As institutas são convincentes apenas na superfície. Uma vez examinada e confrontada com informação contrafactual, rapidamente se torna infinitamente menos impressionante. Tradução Popes & Early Ecumenicals Councils (vs. Calvin #16) Disponível em: https://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2019/01/popes-early-ecumenical-councils-vs-calvin-16.html

  • Resposta a Calvino: Constantino/ Jurisdição Universal do Papado

    Esta é uma parcela de uma série de respostas (veja a Introdução e a Lista Mestra) de grande parte do Livro IV (da Santa Igreja Católica) das Institutas da Religião Cristã, pelo antigo líder protestante João Calvino (1509-1564). Eu utilizo a tradução de domínio público de Henry Beveridge, datada de 1845, da edição de 1559 em latim; Disponível Online. As palavras de Calvino estarão em azul. Todas as citações bíblicas (em minhas partes) serão da RSV, salvo indicação em contrário. IV, 7: 10-11 *** Livro IV CAPÍTULO 7 DO INÍCIO E AUMENTO DO PAPADO ROMANO, ATÉ QUE ELE CHEGOU À ALTURA NA QUAL A LIBERDADE DA IGREJA FOI DESTRUÍDA E TODA A VERDADEIRA REGRA AO LONGO DO TEMPO.* 10. Prova da história de que os romanos não tinham jurisdição sobre outras igrejas.* Mas (para terminar a questão de uma vez) Calvino prematuramente (e, penso eu, divertidamente) proclama a vitória antes que o leitor veja as evidências que ele apresentará. Desejar que algo seja verdade não o torna verdadeiro. O tipo de jurisdição que pertencia ao bispo romano, uma narrativa manifestará. Donato, da Casa Nigra, acusara Ceciliano o bispo de Cartago. Ceciliano foi condenado sem audiência: pois, tendo constatado que os bispos haviam entrado em uma conspiração contra ele, ele se recusou a comparecer. O caso foi levado perante o imperador Constantino, que, desejando que o assunto fosse encerrado por uma decisão eclesiástica; Deu a conhecer a Milcíades, o bispo romano, nomeando como seus colegas alguns bispos da Itália, França e Espanha. Se isso fazia parte da jurisdição ordinária da Sé romana para ouvir apelos em causas eclesiásticas, por que ele permitiu que outros se juntassem a ele a critério do imperador? Por que a cooperação com outros bispos é descartada em virtude de ter uma supremacia? Não é. Na verdade, isso é exatamente o que os fatos mostram: Em 313, os donatistas vieram a Constantino com um pedido para nomear bispos da Gália como juízes na controvérsia do episcopado africano em relação à consagração em Cartago dos dois bispos, Ceciliano e Majorino. Constantino escreveu a respeito disso a Milcíades e também a Marco, pedindo ao papa três bispos da Gália para que ouvissem em Roma, Ceciliano e seu oponente, e decidir o caso. Em 2 de outubro de 313, reuniu-se no Palácio de Latrão, sob a presidência de Milcíades, um sínodo de dezoito bispos da Gália e da Itália, que, depois de considerar cuidadosamente a controvérsia donatista por três dias, decidiu a favor de Ceciliano, cuja eleição e consagração como Bispo de Cartago foi declarada legítima. (Enciclopédia Católica, “Pope St. Miltiades”) Mais, por que ele se compromete a decidir mais do comando do imperador do que de seu próprio ofício? Mas vamos ouvir o que aconteceu depois (ver Agostinho. Ep. 162, et álibi). Ceciliano prevalece. Donato da Casa Nigra é jogado em sua ação caluniosa e apelos. Constantino devolve a decisão do apelo ao bispo de Arles, que se senta como juiz, para dar sentença após o Romano Pontífice. Se a Sé Romana tem poder supremo não sujeito a apelação, por que Milcíades se deixa tão insultado a ponto de preferir o bispo de Arles a ele? E quem é o imperador que faz isso? Constantino, com quem eles se orgulham, não apenas fazendo dele seu estudo constante, mas empregando todos os recursos do império para ampliar a dignidade daquela Sé. Vemos, portanto, até que ponto o Romano Pontífice estava longe de ter aquele supremo domínio, que ele afirma ter sido dado a ele por Cristo sobre todas as igrejas, e que ele falsamente alega que ele possuía em todas as eras, com o consentimento do mundo inteiro. Quem pode dizer que Constantino não estava possivelmente superando seus limites? O cesaropapismo foi uma tendência frequente dos imperadores bizantinos. Novamente, há mais de uma maneira de ver qualquer coisa. Calvino vê algumas das ações de Constantino e conclui que elas sugerem uma falta de supremacia do bispo de Roma. Mas elas poderiam facilmente sugerir que o imperador não está devidamente informado sobre o governo apropriado da Igreja. No entanto, a evidência histórica real indica que o imperador estava ciente da preeminência do papa, mesmo neste concílio, pois ele escreveu ao papa: [V]ossa reverência decidirá como o caso mencionado pode ser examinado com muito cuidado e justamente determinado. . . (Arnold Hugh Martin Jones, Constantino e a Conversão da Europa, University of Toronto Press, p. 94) Note que a decisão foi finalmente tomada pelo papa, não pela coleção de bispos. O professor Jones observa casualmente a respeito desse concílio: “para presidi-los, nomeou Milcíades, bispo de Roma” (p. 94). E ele observa: O tribunal . . . consistia não apenas dos quatro bispos de Roma, Colônia, Autun e Arles, a quem Constantino havia indicado, mas de outros quinze de várias sés italianas. O papa insistiu que a proposta comissão imperial de inquérito fosse transformada em um concílio da igreja. (Ibid., P. 95) Tecnicamente, uma vez que este não era um concílio ecumênico, outros concílios locais que lidam com o mesmo assunto não são incomuns, muito menos impensáveis. Se o papa tivesse ratificado as decisões de um concílio ecumênico, não haveria recurso. Assim, o argumento de Calvino não é nenhum pouco suficiente para derrubar a supremacia papal, como ele pensa que é. Embora o famoso imperador Constantino pareça erroneamente ter considerado o concílio de Roma como um corpo de comissários imperiais, ele ainda aceitou suas conclusões e repreendeu os donatistas por rejeitá-lo (ver Jones, p. 96). Por alguma razão (talvez novamente exibindo uma compreensão inadequada da eclesiologia católica), ele permitiu seu apelo ao Concílio de Arles. E os donatistas apelavam ao governante seculares e não à Igreja. De qualquer forma, o concílio de Arles concordou (unanimemente) em todos os aspectos com o concílio romano, e em nenhum sentido o substituiu ou julgou. Os donatistas foram novamente condenados. O mais revelador de tudo, porém, e um golpe fatal para o uso deste incidente por Calvino para sua polêmica “anti-romana”, é o fato de que Constantino também não aceitou o veredicto de Arles como (legalmente) conclusivo e concordou em ouvir outro apelo dos donatistas, ele mesmo: Constantino mais uma vez cedeu às demandas donatistas e concordou em ouvir o caso pessoalmente. Dispensando os bispos de Arles, ele ordenou a Ceciliano e seus acusadores a sua corte, onde eles assistiram ao seu prazer por quase um ano. (Constantino e os Bispos, Harold Allen Drake, Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2000, p. 220) Em outras palavras, Constantino foi além, não apenas da supremacia papal, mas até mesmo do conciliarismo, como os ortodoxos acreditam: direto para a noção de uma Igreja-Estado cesaropapista, como se vê no luteranismo, onde os príncipes substituíram os bispos. Assim, é demais apelar para o seu exemplo. O argumento de Calvino colapsa, uma vez que aceitamos esses fatos adicionais relevantes (que ele convenientemente omite de consideração). Se seguirmos o que Constantino fez, então seria um argumento para nenhum governo da Igreja (se os concílio legítimos da igreja não podem sequer decidir questões de heresia com finalidade). Ele derrotaria a eclesiologia de Calvino, bem como (supostamente) a posição católica. Constantino estava fora de sua jurisdição apropriada. Mas tal é o perigo do excesso de poder político, em última análise, não contido por qualquer outra pessoa. II. As epístolas decretais de nada valem em apoio a essa jurisdição usurpada.* Eu sei quantas epístolas existem, quantas rescritas e éditos em que não há nada que os pontífices não atribuam e confiantemente arrogam a si mesmos. Mas todos os homens de menor intelecto e aprendizado sabem que a maior parte delas são em si mesmos tão absurdas que é fácil, à primeira vista, detectar a farsa de onde vieram. Algum homem de bom senso e sobriedade acha que Anacleto é o autor daquela famosa interpretação dada em Graciano, sob o nome de Anacleto? que Cefas é a cabeça? (Dist. 22, cap. Sacrosancta.) Numerosas tolices do mesmo tipo que Graciano amontoou sem julgamento, os romanistas dos dias atuais empregam contra nós em defesa de sua sé. A fumaça, pela qual, nos primeiros dias da ignorância, eles impunham aos ignorantes, eles ainda vendem na luz presente. Não estou disposto a ter muita dificuldade em refutar as coisas que, pelo seu extremo absurdo, se refutam claramente. Católicos e protestantes e estudiosos seculares concordam que os notórios “falsos decretais” eram falsificações. O caso católico para o papado baseia-se em muito, muito mais do que isso, e, de fato, os católicos perceberam a falsidade dos textos antes de Calvino e Lutero nascerem: A Idade Média foi enganada por essa imensa falsificação, mas durante o renascimento homens eruditos e os canonistas geralmente começaram a reconhecer a fraude. Dois cardeais, João de Torquemada (1468) e Nicolau de Cusa (1464), declararam que os documentos anteriores eram falsificações, especialmente aquelas que supostamente eram de Clemente e Anacleto. Então a suspeita começou a crescer. Erasmo (falecido em 1536) e canonistas que haviam se juntado à Reforma, como Charles du Moulin (falecido em 1568), ou católicos canonistas como Antoine le Conte (falecido em 1586), e depois deles os Centuriatores de Magdeburgo, em 1559, colocaram a questão diretamente diante do mundo erudito. . . . Em 1628 o protestante Blondel publicou seu estudo decisivo, “Pseudo-Isidorus et Turrianus vapulantes”. Desde então, a natureza apócrifa dos decretos de Isidoro tem sido um fato histórico estabelecido. O último dos falsos decretos que haviam escapado da aguda crítica de Blondel foi apontado por dois padres católicos, os irmãos Ballerini, no século XVIII. (Enciclopédia Católica: “False Decretals”) Admito a existência de epístolas genuínas pelos antigos Pontífices, nas quais eles pronunciam magníficos elogios sobre a extensão de sua sé. Tais são algumas das epístolas de Leão. Bom. Pelo menos Calvino está ciente disso e reconhece isso. Pois como ele possuía aprendizado e eloqüência, ele estava excessivamente desejoso de glória e domínio; mas a verdadeira questão é se ou não, quando ele se exaltou, as igrejas deram crédito ao seu testemunho? A maioria fez isso; algumas não, como seria de esperar, porque a presença de uma verdade ou de um fato não faz automaticamente com que todos os homens o aceitem. Parece que muitos ficaram ofendidos com sua ambição e também resistiram à sua cupidez. Ele em um lugar nomeia o Bispo de Tessalônica seu vigário em toda a Grécia e outras regiões vizinhas (Leão, Ep. 85), e em outros lugares dá o mesmo cargo ao Bispo de Arles ou algum outro em toda a França (Ep. 83). De igual modo, ele nomeou Hormisdas, bispo de Hispala, seu vigário em toda a Espanha, mas ele uniformemente faz essa reserva, que ao dar tais comissões, os antigos privilégios dos Metropólitas deveriam permanecer seguros e inteiros. Estas nomeações, portanto, foram feitas sob a condição de que nenhum bispo fosse impedido em sua jurisdição ordinária, nenhum metropolita em tomar conhecimento dos apelos, nenhum concílio provincial na constituição de igrejas. Mas o que mais foi isso do que recusar toda a jurisdição e interpor-se apenas com o propósito de resolver a discórdia, na medida em que a lei e a natureza da comunhão eclesiástica admitem? Maçãs e laranjas. . . a jurisdição ordinária dos bispos em seu próprio domínio não aniquila a jurisdição universal do papa. Há também um senso de “autoridade delegada”. Assim, Leão, o Grande, escreveu para Anastácio, bispo de Tessalônica: Se com o raciocínio verdadeiro você percebeu tudo o que foi confiado a você, irmão, pela autoridade do abençoado apóstolo Pedro, e o que também lhe foi confiado por nosso favor, e o considera justo, poderíamos nos alegrar muito com o seu zeloso cumprimento da responsabilidade que lhe é imposta. Vendo que, como meus antecessores agiram em relação a vocês, eu também, seguindo seu exemplo, deleguei minha autoridade a você, amado: para que você, imitando nossa gentileza, possa nos auxiliar no cuidado que devemos principalmente a todas as igrejas por Instituição divina, e possa até certo ponto compensar a nossa presença pessoal em visitar as províncias que estão longe de nós: pois seria fácil para você pela inspecção regular e oportuna dizer o que e em que casos você poderia , por sua própria influência, resolver ou reservar para o nosso julgamento. Como sendo livre para você suspender as questões mais importantes e as questões mais difíceis enquanto aguardava nossa opinião, não haveria razão nem necessidade para você sair do seu caminho para decidir o que estava além de seus poderes. . . Portanto, de acordo com os cânones dos santos Padres, que são moldados pelo espírito de Deus e ecoados pela reverência de todo o mundo, nós decretamos que os bispos metropolitanos de cada província sobre a qual a seu cuidado, irmão, se estendidos por nossa delegação, permaneçam intocados os direitos de sua posição que lhes foram transmitidos desde os tempos antigos: mas com a condição de que não se desviem dos regulamentos existentes por qualquer descuido ou arrogância. . . . Concernente aos concílios dos bispos, não damos outras instruções além daquelas estabelecidas para a saúde da Igreja pelos santos Padres: a saber, que devem ser realizadas duas reuniões por ano, nas quais o julgamento deve ser passado a todas as queixas que costumam surgir entre as várias fileiras da Igreja. Mas se por acaso surgir entre os próprios governantes uma causa (que Deus não permita) referente a um dos pecados maiores, como não pode ser decidido por um julgamento provincial, o metropolita cuidará de informá-lo, irmão, sobre a natureza de toda a questão, e se, depois de ambas as partes terem vindo diante de você, a coisa não ficar em descanso nem mesmo por seu julgamento, seja o que for, seja transferido para nossa jurisdição. (Carta XIV) Assim, é mais um exemplo da mentalidade “ou / ou” tipicamente protestante e calvinista. Calvino vê a jurisdição local dos bispos e supõe, ilogicamente, que é uma espécie de refutação da jurisdição papal universal. Não é (nem logicamente nem historicamente). Mas, aparentemente, Calvino acha que, se repetir repetidas vezes a falsidade, isso se tornará verdade. Tradução Constantine / Universal Papal Jurisdiction (vs. Calvin #19) Disponível em:  https://www.patheos.com/blogs/davearmstrong/2019/01/constantine-universal-papal-jurisdiction-vs-calvin-19.html

  • O FILÓSOFO CATÓLICO QUE INFLUENCIOU BOLSONARO

    Analistas e palpiteiros políticos ainda estão buscando as causas da inesperada vitória eleitoral de Bolsonaro. Sejam quais forem as razões, uma coisa é certa: o filósofo católico Olavo de Carvalho fez o presidente ampliar a sua compreensão do pensamento conservador, levando-o a conhecer melhor os fatores mais profundos do jogo político e da atual cena internacional. Seu best-seller de 2013, O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota (com mais de 300 mil exemplares vendidos), é livro de cabeceira do atual chefe de Estado, que fez questão de mostrá-lo no dia da vitória. Dois ministros foram indicados pelo filósofo, além do novo diretor do Enem. Olavo de Carvalho tem, hoje, 71 anos e mora com a família em Richmond, estado norte-americano de Virgínia. Foi comunista na juventude, envolveu-se com esoterismo islâmico e mais tarde retornou à fé católica. Não teve formação acadêmica, embora tenha acompanhado na PUC paulistana cursos do filósofo e padre jesuíta polonês Estanislau Ladusãns (que veio para o Brasil em 1947). Também não se inclui no rol dos autodidatas, pois sabe que não há autodidatismo: sempre se aprende com alguém, seja na convivência das escolas, no silêncio das bibliotecas ou no contato pessoal com quem sabe mais. O primeiro livro de projeção do filósofo, O imbecil coletivo (1996), vai ficar na história da cultura brasileira como marco decisivo da inteligência, toque de alarme para acordar o país já à beira do abismo. Mas o país não ouviu e mergulhou — fundo, fundo, fundo — no enorme oceano fecal em que hoje se encontra. Muitos, hoje, falamos mal do politicamente correto, inclusive na universidade, seu centro gerador, mas não dá para esquecer que quem abriu caminho para melhor evidenciar a imbecilidade do pensamento esquerdista, quase solitariamente, foi Olavo de Carvalho, desde o início dos anos 90. Olavo de Carvalho foi fundamental para libertar a bibliografia brasileira do jugo marxista. Nosso país sempre se beneficiou com dois tipos de intelectuais: os estrangeiros que vinham para cá (entre os mais famosos, à época da 2º Guerra, estão Otto Maria Carpeaux, Paulo Rónai, Stefan Zweig), ou os brasileiros que saíam do país, para mandar ou trazer informações preciosas do exterior. Olavo de Carvalho, atualmente, é quem melhor representa a segunda modalidade. Lembro-me de um colega de universidade (o poeta Luís Antônio de Figueiredo) que em 1992 me passou um recorte de artigo do Olavo publicado pela Folha de São Paulo (sim, o Olavo já escreveu na Folha…), sintetizando por escrito tudo o que eu e meu colega de departamento já começávamos a murmurar pelos corredores da Unesp, mas ainda sem coragem de enfrentar o establishment acadêmico com aquelas ideias na contramão. Mais tarde, eu o procuraria sempre, de caderninho em punho, nos artigos e nos programas de rádio pela internet, para anotar as recomendações bibliográficas que, de outra maneira, não chegariam às nossas frágeis taperas acadêmicas. Dezenas de livros seus estão à venda nas livrarias, sem contar as centenas de vídeos em seu canal do youtube e os milhares de artigos disponíveis em seu site pessoal. Pensador agudíssimo, seus cursos de filosofia, pela internet, têm milhares de alunos, aos quais vai indicando os bons caminhos do pensamento e da cultura ocidental. (Muitos se alarmam com palavrões que o filósofo usa em seus vídeos mais populares, esquecidos de que cada época exige os seus próprios métodos didático-pedagógicos. A pedagogia do palavrão talvez seja a única que funcione para certo tipo de jovem de hoje, educado pela mentalidade esquerdista, mas já seduzido pela alta cultura). Creio que uma boa síntese do seu pensamento político esteja nas seguintes palavras: “O movimento revolucionário é, desde suas origens, um esforço para tomar o lugar do Cristo anunciado no Apocalipse e substituí-lo por um agente terrestre no papel de salvador da humanidade. [Cristo] é a fonte e o limite do nosso conhecimento. Ele é a medida, a régua e a balança. Ele é o alfa e o ômega.”

  • A sabedoria se deixa encontrar

    A sabedoria é radiante, não fenece, facilmente é contemplada por aqueles que a amam e se deixa encontrar por aqueles que a buscam. Ela mesma se dá a conhecer aos que a desejam. Quem por ela madruga não se cansa: encontra-a sentada à porta. Meditá-la é, com efeito, a perfeição da inteligência; quem vigia por ela logo se isenta de preocupações; ela mesma busca, em toda parte, o que a merecem; benigna, aborda-os pelos caminhos e a cada pensamento os precede. Seu princípio é o desejo autêntico de instrução, o afã da instrução é o amor. (Sabedoria de Salomão 6, 12-18)

  • Theotokos, Mãe de Deus Exclamou [Isabe]l em alta voz, […] de onde provém que me venha visitar

    Theotokos, Mãe de Deus Exclamou [Isabe]l em alta voz, […] de onde provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor? Lucas 1:42-43 Em toda a história, principalmente durante os séculos 4 e 5, o fundamento básico do pensamento sobre Maria foi paradoxal: virgem e Mãe, mãe humana de Deus, Theotokos. O mais compreensível vocabulário criado para designar Maria no cristianismo do oriente — e na opinião de muitos o mais problemático — certamente foi o título de Theotokos. Esse título não possuía o significado simples de mãe de Deus, como é traduzido usualmente nas línguas ocidentais (Mater Dei em latim e, portanto, em todas as línguas latinas; Mutter Gottes em alemão), mas o significado mais preciso e completo de “aquela que deu à luz” (portanto, Bogorodica em russo, nas línguas derivadas do Russo e outras línguas eslavas e, mas raramente porém de modo mais preciso, Deipara em latim). Apesar de a história linguística do título permanecer obscura, tudo leva a crer que esse foi um vocábulo cunhado pelo cristianismo e não, como se poderia supor os inimigos da igreja, a adaptação de um título original atribuído a uma deusa pagã para servir aos propósitos cristãos. Esse vocabulário aparece em alguns manuscritos de obras de Santo Atanásio. No entanto, as evidências textuais deixam dúvidas sobre a frequência com que Atanásio usava o título theotokos aplicado a Maria. De qualquer forma, ou emprego do termo recebeu corroboração negativa por causa dos ataques à igreja feitos pelo Imperador Juliano, o apóstata, durante a vida de Atanásio, criticando a superstição dos cristãos ao invocar a Theotokos. No século V, o temor de unir as naturezas divina e humana na pessoa de Cristo levou Nestório, patriarca de Constantinopla, a determinar que, por ser apenas humana a natureza de Maria, ela não poderia ser chamada Theotokos, pois isso daria a blasfema impressão de que ela dera á à luz a própria natureza Divina, e que essa designação soaria como um título atribuído às divindades-mães pagãs. Portanto, ela deveria ser chamada de Chrisatotokos, “aquela que deu à luz o Cristo”. Em 431, pouco mais de um século depois de a religião cristã geralmente ter se tornado um culto legalizado [religio lícita] por meio do Edito de Milão, um Concílio de bispos cristãos se reuniu em Éfeso — cidade que fo a centro da florescente devoção a deusa grega Ártemis, ou Diana. Foi em Éfeso, em uma cena descrita no livro dos Atos dos apóstolos, que seus devotos se revoltaram contra São Paulo e outros apóstolos cristãos, bradando grande é a Diana dos Efésios! . Ali, reunidos na grande igreja dupla de Maria, cujas ruínas ainda podem ser vistas, eles solenemente proclamaram ser um dever obrigatório a todos os crentes atribuir a Maria o título de Theotokos, tornando dogmaticamente oficial aquilo que a devoção Ortodoxa já afirmara. Nas palavras do primeiro anátema de Cirilo de Alexandria contra Nestório: “Se alguém não confessar que Emanuel é verdadeiramente Deus e que portanto a Santa Virgem é a mãe de Deus [Theotokos] — pois ele dela nasceu de modo carnal e como a palavra de Deus revestida de carne — que seja excomungado”. Além disso, foi em honra da proclamação de Maria como Theotokos pelo Concílio de Éfeso que, logo após esse sínodo, o Papa Sixto III construiu o mais importante santuário dedicado a Maria no ocidente, a basílica de Santa Maria maior, em Roma. Seus famosos mosaicos da anunciação e da manifestação Divina deram forma artística a essa definição. Alguns séculos depois, São João de Damasco iria sumarizar a ortodoxia desse título especial: “pois é com justiça e verdade que nós investimos a sagrada Maria com o título de Theotokos. Essa designação engloba todo o mistério do designo divino. Pois ela, que deu à luz o Cristo é a Theotokos, certamente ele, que dela nasceu, é Deus e também homem […] Na realidade, o vocábulo Theotokos indica a vida, as duas naturezas e os dois processos da geração de nosso Senhor Jesus Cristo “. De acordo com a argumentação de outro de seus escritos, ela foi representada nos ícones como a Theotokos e, portanto, substituta ortodoxa e agradável a Deus do culto pagão aos demônios. Ao mesmo tempo que eu guardo os defensores dos ícones insistiam que quando veneramos sua imagem, nós não a encaramos como uma deusa à maneira Pagã, mas sim como a Theotokos”. Esse pensamento percorreram um longo caminho desde que Maria fora considerada a segunda Eva ponto foi provavelmente o maior salto em toda a história da linguagem e do pensamento a respeito de Maria, e por isso o estamos analisando. Como e por que chegou ele tão longe, tão depressa? Os textos sugerem que há pelo menos três aspectos na resposta dessa questão histórica: o crescimento do título Theotokos; juntamente com o título e o aumento da observância litúrgica denominada “a comemoração de Maria” ; a profunda percepção da necessidade de identificar uma pessoa totalmente humana como a coroação da criação, por quanto fora declarada inadequada essa identificação com Jesus Cristo, pois ele era o eterno Filho de Deus e segunda pessoa da Trindade que rola explicação de certo modo de especulativo sobre o título e a festividade. Newman a firma que o título Theotokos, ou Mãe de Deus, era comum entre os cristãos dos primeiros tempos pronto o que fica bem claro é que os primeiros exemplos absolutamente autênticos do emprego dessa designação vieram de Alexandria, cidade de Santo Atanásio. Alexandre, patrono de Atanásio e seu predecessor imediato no bispado dessa cidade, referiu-se a Maria como Theotokos em sua encíclica sobre a heresia de ario, escrita por volta de 319 pontos por várias evidências, inclusive os já citados escárnios e Juliano, apóstata, contra o termo Theotokos, parece-nos razoável concluir que, poucas décadas depois, o título já gozava de grande aceitação entre os devotos e fiéis de Alexandria e outras cidades. A história não corrobora de modo direto as modernas teorias sobre as deusas mães do paganismo greco-romano e seu suposto significado no desenvolvimento do culto Cristão a Maria. Aparentemente, o termo Theotokos era uma criação originariamente Cristã, que nasceu na linguagem da devoção Cristã a Maria como mãe do Divino Salvador e que, finalmente recebeu justificativa teológica pelos esclarecimentos da igreja contidos nos testemunhos ortodoxos relacionados a esse assunto. Essa foi a justificativa de Atanásio, que passou toda a sua vida insistindo em que, para ser o mediador entre o criador e a criatura, Cristo, o filho de Deus, precisava ser Deus no total e inequívoco sentido da palavra: “ele pode ser conhecido apenas por meio de Deus”, como no refrão de muitos padres da Igreja Ortodoxa. Esse conceito realmente aparece “de modo incoativo” em sua breve declaração sobre “a finalidade e o caráter das sagradas escrituras ” que contém “uma dupla consideração sobre o salvador dos pontos ele sempre foi Deus e é o filho de Deus, Logos, esplendor e sabedoria do pai. E pela carne de uma virgem, Maria, a Theotokos, foi feito homem para nos salvar”. Mas a explicação teológica da dupla “apreciação” foi bem além dessa sumária declaração. A maior parte da recente controvérsia sobre a teologia de Atanásio aborda a questão concernente a atribuição de uma alma humana a Cristo ou a aceitação da ideia de sua encarnação como a soma do “Logos – mais – carne, que passou a ser considerada uma heresia apolinarista. no entanto, essa controvérsia algumas vezes obscureceu seu trabalho pioneiro na elaboração da “comunicação das propriedades”, princípio que postulava a ideia de que, como consequência da encarnação e da união da natureza divina com a natureza humana na pessoa de Jesus Cristo, seria legítimo proclamar as propriedades humanas do Logos e o caráter divino do homem Jesus; por exemplo, seria lícito falar do “sangue do filho de Deus” ou do “sangue do Senhor “, ou mesmo, de acordo com alguns manuscritos do novo testamento, do sangue de Deus. Santo Atanásio encara o Logos como o verdadeiro agente pessoal dos atos decisivos para redenção, paixão e morte de Cristo, além de expressões que descrevem a atividade redentora do Logus segundo as regras da communicatio idiomatum. Mas, em uma longa passagem da primeira das suas orações contra os arianos, Atanásio discute com detalhes a questão da capacidade de alterar e exaltar o Divino Logos, que não poderia sofrer mudanças nem tinha necessidade de ser exaltado. Sua resposta era uma paráfrase de linguagem do novo testamento sobre as tuas Cristo Jesus, que tendo a forma de Deus […] Tomou a forma de servo”; “pois ele, sendo Logos e existindo na forma de Deus, foi sempre adorado. E permanecendo o mesmo, apesar de ter se tornado homem, foi chamado Jesus e possuiu toda a criação sobre seus pés, criação que dobra os joelhos diante de seu nome Jesus lhe confessa que a encarnação do logos e sua morte carnal não se deram contra a glória de Deus, mas sim para a glória de Deus Pai “. #mariologia #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Cristologia #Concílio

  • A lógica da revelação

    Hoje é a Epifania, o ponto culminante dos Doze Dias do Natal. Celebra os Magos (ou “Homens Sábios”), trazendo ouro, incenso e mirra ao menino Jesus. Eu já escrevi antes sobre o significado dos presentes, mas hoje quero me concentrar em outra dimensão. Tradicionalmente, a Epifania na verdade celebrava três eventos distintos da vida de Cristo: a visita dos Magos, o Batismo no Jordão e o primeiro milagre de Jesus na festa de casamento de Caná. O que esses três eventos aparentemente não relacionados têm em comum? São Pedro Crisólogo (c. 380-450) explicou: No mistério da encarnação de nosso Senhor, havia indicações claras de sua divindade eterna. No entanto, os grandes eventos que celebramos hoje revelam e evidenciam de diferentes maneiras o fato de que o próprio Deus tomou um corpo humano. O homem mortal, envolto sempre na escuridão, não deve ser deixado na ignorância, e assim ser privado do que ele pode entender e reter apenas pela graça. Ao escolher nascer para nós, Deus escolheu ser conhecido por nós. Ele revela-se assim, para que este grande sacramento do seu amor não seja uma ocasião para nós de grande incompreensão. Com os dons dos Magos, recebemos um sinal claro de que a Criança é Deus, Rei e Sacrifício. No Baptismo no Jordão, ouvimos a voz do Pai do céu proclamando: “Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo” (Mt 3:17). E na festa de casamento de Caná, Jesus revela Seus poderes miraculosos publicamente pela primeira vez. Como São João diz: “Este, o primeiro de seus sinais, Jesus fez em Caná da Galiléia e manifestou sua glória; e seus discípulos acreditavam nele ”(João 2:11). Então, o que cada um desses três eventos tem em comum é que eles são os três primeiros grandes momentos da revelação, que é exatamente o que o nome Epifania significa. É um bom dia então, para focar no tópico da “revelação” e o que isso significa para o cristianismo. A lógica da revelação Cristo é, desde a sua infância, “uma luz para revelação aos gentios, e para glória ao teu povo Israel” (Lucas 2:32). E São Paulo pode falar de “como o mistério me foi revelado por revelação” (Efésios 3: 3), destacando um fascinante paradoxo dentro da fé: isso é simultaneamente uma religião do Mistério e do Apocalipse. É fácil considerar a ideia da revelação como garantida, mas não devemos. Para começar, a revelação é a resposta adequada ao relativismo. A maioria das afirmações relativistas tem como premissa a mesma idéia básica: ninguém tem o monopólio da verdade, todos nós estamos apenas fazendo nosso melhor palpite, então devemos reconhecer humildemente que nenhum de nós tem a verdade completa e estamos todos igualmente certos (ou errados). Isso está correlacionado à idéia de que todos estão igualmente qualificados para opinar sobre questões religiosas, que é como você obtém artigos como One More Way All Religions Could Be True How Spiritual Reality Really Works — My Best Guess , Enfim. Você praticamente nunca vê esses tipos de artigos tolos no contexto da ciência, porque eles são mais obviamente absurdos (e os autores deles são mais obviamente desqualificados para escrevê-los). Mas como tendemos a tratar a religião como “o melhor palpite de todos”, eles são tratados com menos desdém nos reinos religiosos. É também assim que você faz com que biólogos como Richard Dawkins escrevam livros inteiros contra a religião sem nunca estudarem o assunto (imagine o contrário, no qual um proeminente teólogo escreve um livro de biologia sem se preocupar em consultar a melhor literatura). Mas tudo isso pressupõe que a religião é o alcance ascendente do homem em relação a Deus ou sua tentativa de explicar o universo. E se tudo isso é religião, estamos certos em desconfiar: somos criaturas notoriamente falíveis. Afinal, “ninguém jamais viu a Deus” (1Jo 4:12), então quem pode dizer qual religião é verdadeira e qual é a falsa? Bem, há uma única exceção para isso: Jesus Cristo. Toda a sua afirmação é que Ele viu Deus, porque Ele vem de Deus. Ele diz isso em João 6:46: “Não que alguém tenha visto o Pai a não ser aquele que é de Deus; ele viu o Pai ”. Em outras palavras, se Deus escolheu se revelar, segue-se logicamente que essa religião seria confiável de uma forma que a religião meramente humana não é. (Obviamente, eu não estou dizendo que Jesus afirmando ser o Filho de Deus prova que Ele realmente é; apenas que, se a sua afirmação se mostrar crível, é razão para ouvi-lo sobre qualquer outra figura religiosa). O simples fato da revelação também nos diz algo sobre a natureza de Deus e nosso relacionamento com Ele. Todo ser humano tem um impulso religioso que consiste em (1) um anseio pela verdade última, e (2) uma fome de infinita bondade e significado final (e uma incapacidade de estar totalmente satisfeito com qualquer coisa menor). Nossos intelectos e nossas vontades são insaciáveis com qualquer coisa aqui na terra. (Andrew Sullivan apontou que esse senso religioso é encontrado até mesmo nos escritos de não-crentes famosos como John Stuart Mill e Bertrand Russell, e que é somente através da constante distração que podemos deixar de reconhecer esse senso religioso em nós mesmos). Este é, em última análise, um anseio por Deus, que sozinho pode colocar o título à infinita Verdade e Bondade. C.S. Lewis argumenta que: As criaturas não nascem com desejos, a menos que exista satisfação para esses desejos. Um bebê sente fome; Bem, existe algo como comida. Um patinho quer nadar; Bem, existe algo como a água. Os homens sentem desejo sexual; Bem, existe algo como sexo. Se eu encontrar em mim um desejo que nenhuma experiência neste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para outro mundo. Com a revelação, podemos dar um passo adiante. A escolha de Deus de se revelar livremente através de nós é a confirmação de que Ele também quer relacionamento conosco. Isso também significa que Ele quer que saibamos algo sobre ele. Isto é, Deus revela as coisas para nós conhecê-las. São Paulo fala da situação dos israelitas no Êxodo: “Ora, estas coisas aconteceram a eles como uma advertência, mas foram escritas para nossa instrução” (1Co 10:11). Um grande insight é creditado ao lendário técnico de basquete da UCLA (e ex-professor de inglês) John Wooden: “a tarefa mais crucial de ensinar era distinguir ‘eu ensinei’ de ‘eles aprenderam’”. Leve algo tão simples quanto “Deus é confiável”. Você pode entender isso em um nível particular como uma criança, mas sua compreensão da profundidade dessa verdade irá transcorrer todo o curso da sua vida. Também é o caso que até mesmo os melhores professores podem ter um punhado de alunos que (devido à sua própria apatia) não estão dispostos a aprender. Mas se você ensinar uma lição que ninguém na sua classe entende, você falhou como professor. Então, a revelação é um processo de mão dupla: o professor (neste caso, Deus) deve compartilhar algo, e deve ser entendido pelo público. Cristo descreve tudo isso na Última Ceia, prometendo enviar o Espírito Santo para que permaneça conosco para sempre, para nos manter em toda a verdade (João 14: 16-17, 25-26): E eu vou orar o Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro, para estar com vocês para sempre, mesmo o Espírito da verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; vocês o conhecem, porque ele mora com vocês e estará em vocês […] Estas coisas eu tenho falado com vocês, enquanto eu ainda estou com vocês. Mas o Conselheiro, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, ele ensinará a vocês todas as coisas, e fará com que vocês se lembrem de tudo o que eu disse a vocês. O próprio Cristo é a plenitude da revelação de Deus, “a imagem do Deus invisível” (Col. 1:15). Como Hebreus 1: 1-2 diz: “De muitas e várias maneiras, Deus falou antigamente a nossos pais pelos profetas; mas nestes últimos dias ele nos falou por um Filho, a quem ele designou o herdeiro de todas as coisas, por quem também criou o mundo ”. Algumas coisas seguem isso logicamente. Primeiro, significa que não existe uma Grande Apostasia (como os Mórmons e muitos Protestantes imaginam) quando o cristianismo ortodoxo desapareceu da Terra. Por exemplo, um trabalho anabatista do século XVI (reimpresso no Christianity Today) afirma que toda a Igreja se tornou anti-cristã na época de Constantino: A igreja de Deus e de Cristo tem sido obediente à palavra do Mestre e nunca teve o poder do governo dentro dela; nem convocou esse poder para colocar o carrasco ao lado deles, mas sempre sofreu perseguição até o reinado de Constantino. Ele foi batizado pelo papa Silvestre, o anticristo, o filho da perdição, cuja vinda aconteceu através do trabalho do terrível diabo. Portanto, ela recebeu o nome cristão falsamente. Pois a igreja cristã foi assim transformada na igreja anticristã. Esta apostasia foi predita por Paulo. Então o diabo, que até então havia sido amarrado pela igreja cristã, foi libertado de sua prisão e começou a liderar o pagão perdido nos quatro cantos da terra. Ou, como John MacArthur coloca, “o que nasceu com Constantino foi a cristandade em vez do cristianismo”. Pior ainda do que os graves erros históricos (o papa Silvestre não batizou Constantino) são os grosseiros teológicos: isso pressupõe que seja possível toda a Igreja a ser superada pelas forças do Inferno (em contradição direta com Mateus 16:18). Mas nesse caso, se toda a Igreja se tornasse apostaste e anticristã, então haveria um período (aparentemente tão longo quanto os 1200 anos entre Constantino e a Reforma) no qual nenhum dos destinatários da revelação de Cristo entendia o que Ele estava tentando ensinar. Algo semelhante pode ser dito para qualquer teologia que diz “ninguém sabia até 1517… ou 1845… ou 2018… a verdadeira mensagem do cristianismo”. Mas observe que isso vai contra toda a lógica da revelação. Se Cristo Se revelasse ao mundo e ninguém o entendesse por um milênio, Ele seria como a árvore proverbial que caiu na floresta sem que ninguém a ouvisse. Você não precisa ser um especialista em história da Igreja para ver o problema com isso: você só precisa entender que Deus escolheu revelar a si mesmo e que Ele quis dizer isso quando disse (Isaías 55: 10-11): Porque, assim como a chuva e a neve descem do céu, e não voltam para lá, mas regam a terra, fazendo-a produzir e germinar, dando semente ao semeador e pão ao comedor, assim será a minha palavra que sairá da minha boca ; não me retornará vazia, mas cumprirá o que eu proponho, e prosperará naquilo para que a enviei. Hoje, na festa da Epifania, celebremos a verdade da revelação: Deus se revelou plenamente por seu Filho (Hb 1: 2), e o fez de uma maneira que a Igreja entendeu corretamente por dois mil anos. Porque Ele quer relacionamento conosco ainda mais do que nós queremos relacionamento com ele. Tradução The logic of revelation Disponível em: http://shamelesspopery.com/the-logic-of-revelation/

  • AS TREVAS SE CURVAM DIANTE DA LUZ – Epifania do Senhor

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Como estrelas de Belém”, clicar AQUI. A solenidade da Epifania do Senhor é a celebração da manifestação de Deus aos homens. Jesus veio ao mundo tanto para aqueles que já O aguardavam como para os incrédulos e pagãos, a fim de salvar a todos com sua Paixão redentora. Na homilia deste domingo, Padre Paulo Ricardo nos mostra como devemos colaborar com essa vontade de Cristo, sendo outras estrelas de Belém que indicam o caminho até o Salvador. PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Isaías 60, 1-6) Uma Luz sobre as trevas Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor. SALMO 71 A Luz que brilhou para todas as nações (Antífona): As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor! — Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus,/ vossa justiça ao descendente da realeza!/ Com justiça ele governe o vosso povo,/ com equidade ele julgue os vossos pobres. — Nos seus dias a justiça florirá/ e grande paz, até que a lua perca o brilho!/ De mar a mar estenderá o seu domínio,/ e desde o rio até os confins de toda a terra! — Os reis de Társis e das ilhas hão de vir/ e oferecer-lhe seus presentes e seus dons;/ e também os reis de Seba e de Sabá/ hão de trazer-lhe oferendas e tributos./ Os reis de toda a terra hão de adorá-lo,/ e todas as nações hão de servi-lo. — Libertará o indigente que suplica,/ e o pobre ao qual ninguém quer ajudar./ Terá pena do indigente e do infeliz,/ e a vida dos humildes salvará. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Efésios 3, 2-3a.5-6) Os co-herdeiros da Luz Irmãos: Se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, e como, por revelação, tive conhecimento do mistério. Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho. EVANGELHO (São Lucas 2, 41-52) As trevas se curvam diante da Luz Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”. Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera. Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas. E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens. UM REI PARA CONTEMPLAR (Meditação de Scott Hahn) Uma epifania é uma aparição. Nas leituras de hoje, com suas estrelas em ascensão, luzes esplendorosas e mistérios revelados, aparece o rosto da criança nascida no dia de Natal. Herodes, no Evangelho de hoje, pergunta aos chefes dos sacerdotes e escribas onde o Messias deve nascer. A resposta que Mateus coloca em seus lábios diz muito mais, combinando duas vertentes da promessa do Antigo Testamento: uma revelando que o Messias é da linhagem de Davi (2 Samuel 2, 5), a outra prevendo “um soberano de Israel” que “apascentará  o seu rebanho” e cuja “grandeza chegará até os confins da terra” (Miquéias 5, 1-3). Essas promessas do rei de Israel, que governa as nações, ressoam também no Salmo de hoje. O salmo celebra Salomão, o filho de Davi. Seu reino, como nós cantamos, se estenderá “até os confins da terra”, e os reis do mundo lhe renderão homenagem. Essa é também a cena da primeira leitura de hoje, quando as nações descem do Oriente, carregando “ouro e incenso” para o rei de Israel. A peregrinação dos Magos, no Evangelho de hoje, marca o cumprimento das promessas de Deus. Os magos, provavelmente astrólogos persas, estão seguindo a estrela que, conforme Balaão tinha previsto, subiria junto com o bastão do soberano sobre a casa de Jacó (Números 24:17). Carregados de ouro e especiarias, sua jornada evoca aquelas feitas a Salomão pela Rainha de Sabá e os “reis da terra” (1Reis 10, 2, 25; 2Crônicas 9,24). Curiosamente, os únicos outros lugares, na Bíblia, em que o incenso e a mirra são mencionados juntamente, são os cânticos de Salomão (Cântico dos Cânticos 3, 6; 4, 6, 14). Alguém maior que Salomão está aqui (Lucas 11,31). Ele veio para revelar que todos os povos são “co-herdeiros” da família real de Israel, como ensina a epístola de hoje. Sua manifestação nos obriga a escolher: seguiremos os sinais que nos levam até Ele, como os sábios magos fizeram? Ou seremos como aqueles sacerdotes e escribas, que deixam as palavras da promessa divina se transformarem em letras mortas de um antigo pergaminho? https://stpaulcenter.com/a-king-to-behold-scott-hahn-reflects-on-the-solemnity-of-the-epiphany-of-the-lord/ https://stpaulcenter.com/un-rey-para-ser-contemplado-scott-hahn-reflexiona-sobre-epifania-del-senor/

  • O cristianismo e a luta contra a escravidão

    A escravidão é um tema polêmico, mas nem sempre foi visto dessa forma. Ela existe há milênios e já foi usada por diversas culturas pelo mundo. Na própria Bíblia vemos relatos da nação judaica e todas as outras ao redor se utilizarem dessa prática. Mas analisadas de modo imparcial e considerando os períodos históricos ao qual pertence, a escravidão do Antigo Testamento em comparação com as nações vizinhas era “mais humana” se assim podemos dizer. Um equivoco que os críticos fazem é associar a servidão do Antigo Testamento com a escravidão moderna. No antigo oriente a pessoa podia se vender como escravo para pagamento de uma dívida. Em Israel, se tornar um servo voluntário era uma medida comum de prevenção à fome; a pessoa não tinha nada a não ser ele mesmo, o que significava ou o serviço ou a morte. Enquanto a maiorias das pessoas trabalhavam nos negócios da família, os servos contribuiriam como trabalhadores domésticos. Contrário aos críticos, esta servidão não era muito diferente experimentalmente de um emprego pago em uma economia monetária como a nossa. A Bíblia também traz diversas leis sobre o tratamento desses servos, proibindo um tratamento desumano e prometendo a libertação após certo tempo. Então inegavelmente a servidão perpetua era proibida, a menos que alguém amasse o chefe da família e quisesse se unir a ele (Êxodo 21:5). Os servos – mesmo se eles não tivessem pago suas dívidas – eram garantidos a libertação a cada sete anos com todos os débitos perdoados (Deuteronômio 15). O status legal desses servos  era singular e eles eram melhores se comparados aos códigos legais no antigo Oriente próximo. Um estudioso escreve que “O Hebraico não tem nenhum vocabulário de escravidão, apenas de servidão.” [1] Então vemos que a escravidão era algo comum na antiguidade, mas de acordo com a cultura de cada povo, ela se tornava perversa ou não. Os gregos, os romanos, os persas, os indianos, os africanos, todas foram nações escravagistas, pois acreditavam que a história era um ciclo de dominação do forte sobre o fraco. Com o advento do cristianismo, com os ensinos de Jesus reforçando a dignidade da condição humana, e o estabelecimento de uma nova aliança de Deus com todo o povo, essa perspectiva começou a mudar. Jesus rompeu barreiras socioculturais e baseadas na sua autoridade divina e elevação moral dos seus ensinos, iniciou o que pode ser considerado o início do fim da escravidão. Conforme se espalhava pelo império romano, a crença cristã ia moldando a sociedade.  O ponto fundamental é que o Cristianismo, ao abraçar a máxima de amar ao próximo como a si mesmo, plantou no Ocidente as condições para que pudesse existir a igualdade jurídica entre as pessoas, numa palavra, a liberdade, o fundamento último de todo o sistema jurídico, político e econômico construído ao longo dos últimos dois mil anos. Sem a mensagem salvadora de Cristo ainda estaríamos vivendo formas imperiais e/ou tribais de organização social. De acordo com o estudioso sociólogo Rodney Stark, alguns fatores foram essenciais na luta contra a escravidão na Europa nos início da era cristã: “Todas as sociedades clássicas eram escravistas – tanto Platão quanto Aristóteles eram proprietários de escravos, assim como a maioria dos residentes livres da Grécia.  De fato, todas as sociedades conhecidas acima do nível primitivo eram sociedades escravistas – mesmo muitas das Tribos indígenas americanas tinham escravos muito antes da viagem de Colombo. Em meio a essa escravidão universal, apenas uma civilização rejeitou escravidão humana: a cristandade.  E isso foi alcançado por líderes da igreja inteligentes que primeiro estenderam os sacramentos a todos os escravos, reservando apenas ordenação ao sacerdócio. Inicialmente, as implicações da cristianização dos escravos passaram despercebidas, mas logo o clero começou a argumentar que nenhum verdadeiro cristão (ou judeu) deveria ser escravizado. Como os escravos eram cristãos, os padres começaram a pedir aos donos que libertassem seus escravos como um “ato infinitamente louvável” que ajudou a garantir sua própria salvação. Muitas alforrias foram registradas em sobreviventes. Logo houve outro fator de contribuição: o casamento inter-racial. O mais célebre desses acontecimentos teve lugar no ano de 649 quando Clovis II, rei dos francos, casou com sua escrava britânica Bathilda. Quando Clovis morreu em 657, Bathilda ficou como regente até que seu filho mais velho atingisse a maioridade. Batilda usou sua posição para montar uma campanha para deter o tráfico de escravos e resgatar aqueles na escravidão. Após a sua morte, a igreja reconheceu Bathilda como uma santa. No final do oitavo século Carlos Magno se opôs à escravidão, enquanto o papa e muitos outros clérigos poderosos e eficazes vozes ecoaram St. Bathilda. Quando o nono século amanheceu, o bispo Agobard de Lyons trovejou: “Todos os homens são irmãos, todos invocam o mesmo Pai, Deus: o escravo e o senhor, o pobre e o rico, os ignorantes e os eruditos, os fracos e os fortes,  nenhum foi criado acima do outro .[… ]não há  escravo ou livre, mas em todas as coisa sempre há somente Cristo. ” Logo, ninguém “duvidou que a escravidão em si era contra a lei divina”.  De fato, durante o século XI, tanto St. Wulfstan quanto St. Anselmo fizeram campanha com sucesso para remover os últimos vestígios da escravidão na cristandade europeia.” [2] Como o renomado historiador Christopher Dawson confirma: ” É revelador saber que o “infame” século V foi justamente o período que presenciou, no seio do que restara da cultura latino-cristã, o esmorecimento agudo da escravidão em massa, o fim dos combates de morte entre gladiadores e o banimento de infanticídios, ao passo que a “época de ouro” dos imperadores antoninos ostentara o pleno funcionamento dessas práticas.”[3] O cristianismo desde o seu início desencorajou a escravização dos irmãos cristãos. Lemos em uma das cartas de Paulo que o próprio Paulo intercedeu com um mestre chamado Filemon em nome de seu escravo fugitivo. “Talvez seja por isso que ele se separou de você por um tempo”, diz Paulo, “para que você possa tê-lo de volta para sempre, não mais como escravo, mas como irmão.” Como pode um escravo também ser um irmão? Os cristãos começaram a ver a situação como insustentável. A escravidão, a fundação da civilização grega e romana, secou em toda a cristandade medieval e foi substituída pela servidão, que não era a mesma coisa. Enquanto os escravos eram “ferramentas humanas”, os servos eram seres humanos que tinham direitos de casamento, contrato e propriedade que eram legalmente aplicáveis. O feudalismo medieval era baseado em um sistema hierárquico de direitos e deveres recíprocos entre senhores e servos. O claro ensinamento bíblico de que “não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.”[4] derrubou as barreiras antes existentes. Durantes as celebrações na igreja, servos e senhores sentavam-se lado a lado para adorar o mesmo Deus e recebiam a mesma comunhão e sacramentos. Durante as grandes navegações e a conquista do Novo Mundo, a escravidão voltou a mostrar sua face. Essa é a fase mais conhecida e muitas vezes usada como argumento de que a Igreja apoiava esse instrumento. Mas nada mais longe da verdade, o cristianismo foi a única força contra a escravidão. Como nos mostra Rodney Stark: “ Durante a década de 1430, os espanhóis colonizaram as Ilhas Canárias e começaram a escravizar a população nativa. Quando a palavra dessas ações chegou ao papa Eugenio IV (1431-1447), ele emitiu uma bula, Sicut dudum. Nela, o papa não mediu palavras. Com uma ameaça de excomunhão, o papa deu a todos envolvidos quinze dias a partir do recebimento da bula “para restaurar a  liberdade anterior a todas as pessoas de ambos os sexos que eram residentes da Ilhas Canárias…. Essas pessoas devem ser total e perpetuamente livres” . O Papa Pio II (1458-64) e o Papa Sixtus IV (1471-84) seguiram com bulas adicionais condenando a escravidão das ilhas Canárias, que, obviamente, continuaram. […] Em 22 de abril de 1639, o Papa Urbano VIII (1623-44), no pedido dos jesuítas do Paraguai, emitiu uma bula Commissum nobis reafirmando a regra de “nosso antecessor Paulo III” que aqueles que reduziram os outros à escravidão estavam sujeitos a excomunhão. Nada de ambíguo aqui. O problema não foi que a Igreja não conseguiu condenar a escravidão; foi que poucos ouviram e a maioria não deu bola. Nesta época, papas tiveram pouca ou nenhuma influência sobre o espanhóis ou os portugueses, porque neste tempo a Espanha governava boa parte da Itália, e em 1527, sob a liderança de Carlos V os espanhóis saquearam Roma. Se o papa tinha pouca influência na Espanha e em Portugal, ele teve quase nenhuma em suas colônias do Novo Mundo, exceto indiretamente através do trabalho das ordens religiosas. Na verdade, era ilegal até mesmo publicar decretos papais “nas possessões coloniais espanholas sem o consentimento real”, e o rei também nomeava todos os bispos. No entanto, a bula de Urbano VIII foi lida em público pelos jesuítas no Rio de Janeiro, com o resultado de que manifestantes atacaram o colégio jesuíta local e feriram os sacerdotes. Em Santos, uma turba atropelou o vigário-geral jesuíta quando ele tentou publicar uma bula, e os jesuítas foram expulsos de São Paulo quando disseminação de seu envolvimento na obtenção da mesma. Claramente, embora não tenha sido formalmente publicado no Novo Mundo, a bula de Urbano VIII não era um segredo. O que esses episódios exibem é a fraqueza da autoridade papal neste momento, não a indiferença da Igreja ao pecado da escravidão.[5]” Também em 1888, o Papa Leão XIII, na encíclica In Plurimis, dirigida aos bispos do Brasil, pediu-lhes apoio para o Imperador D. Pedro II e a sua filha a princesa D. Isabel, na luta que estavam a travar pela abolição definitiva da escravidão. Vários movimentos abolicionistas também surgiram na Grã-Bretanha do século XVIII, espalharam-se por outras partes da Europa, e depois reuniram força nos Estados Unidos, onde a economia do Sul era fortemente dependente do trabalho escravo. Na Inglaterra, o anglicano William Wilberforce encabeçou uma campanha que começou com quase nenhum apoio e foi impulsionada inteiramente por suas convicções cristãs. Eventualmente, Wilberforce triunfou e, em 1833, a escravidão foi proibida na Grã-Bretanha. Pressionada por grupos religiosos em casa, a Inglaterra assumiu a liderança na repressão ao tráfico de escravos no exterior. O debate sobre a escravidão na América foi essencialmente um debate religioso. Todos os lados reivindicaram a autoridade da Bíblia e da tradição cristã. Os proprietários de escravos invocaram Paulo e apontaram para o fato de que a escravidão existia nos países cristãos desde a época de Cristo. Negros livres que agitavam pela emancipação de seus companheiros negros invocavam a narrativa da libertação no Livro do Êxodo, na qual Moisés levava os israelitas cativos à liberdade. Os Quakers foram um dos primeiros grupos na América a se opor à escravidão, e os cristãos evangélicos logo a seguiram. Esses grupos deram uma interpretação política à noção bíblica de que todos são iguais aos olhos de Deus. A partir dessa verdade espiritual, eles derivaram uma proposição política: porque os seres humanos são iguais aos olhos de Deus, nenhum homem tem o direito de governar outro sem o seu consentimento. Essa doutrina é a raiz moral do abolicionismo e da democracia. Não foram os filósofos e intelectuais seculares que elaboraram a condenação moral da escravidão, mas homens e mulheres de intensa fé cristã, que viam a escravidão como um grave pecado, incompatível com os ensinos morais de Jesus. Em um mundo sem Deus, com uma relativização da moralidade, seria impossível condenar a escravidão como algo imoral, seria no máximo uma “discordância” de ideias, portanto, seria impossível proibir sua prática. Referências: [1] J. A. Motyer, The Message of Exodus (Downers Grove, IL: InterVarsity, 2005), 239. [2] Rodney Stark, The Rise of Christianity p.81 [3] Christopher Dawson, A Criação do Ocidente, a religião e a civilização medieval p.15 [4] Gálatas 3:28 [5] Bearing False Witness, Debunking Centuries of Anti-Catholic History, Rodney Stark p.159-161

  • HISTÓRIA DE SÃO NORBERTO – Augusto Frederico Schimidt

    São Norberto era um pregador humilde. Filho de nobres, ligado pelo berço à família dos imperadores, Vendeu um dia os seus bens e os distribuiu Pelos necessitados. Andava descalço mesmo no inverno. Quando o fizeram arcebispo de Magdeburgo, Gemeu e chorou longamente antes de obedecer. Sua tristeza foi imensa. Sentiu-se subitamente afastado da sua ambição, Que era a pobreza neste mundo. Sentiu-se coroado pelos espinhos de um grave poder. No entanto, intimado pelo Legado do Papa, obedeceu E veio de Anvers, onde estava, a Magdeburgo, Montado num burro e vestido como um mendigo, Com o seu burel esfarrapado. Veio vindo pelas estradas meditando. Pesava-lhe a honraria; o contato com os grandes do mundo o ofendia. Nunca desejara Norberto o comando da Igreja. Queria apenas transmitir a fama do Cristo Pela palavra e fundar conventos. Queria ser um dos últimos, o último, se possível, Na escala das grandezas. Sua sede de pobreza era inesgotável E o devorava. Quanto mais pobre, quanto mais nu dos bens do mundo, Mais próximo se sentia o Santo do Coração de Deus. Veio vindo na triste montaria, Carregando a cruz da sua investidura, Até avistar, de longe, a cidade. Então saltou e, como sempre, de pés nus, Continuou o resto da viagem E o seguiam o clero e o povo vindos ao seu encontro. E, depois de entrar, em mortificante triunfo, Em Magdeburgo, e depois de empossado como Bispo, Levaram Norberto com acompanhamento luzido Aonde devia viver. Aconteceu, porém, que o porteiro, não o conhecendo, o distinguiu entre todos, Proibindo-lhe que atravessasse os portais do Palácio, Porque não era aquela a hora dos pobres entrarem, Nem justo que um pobre incomodasse os Ricos e o Clero E com eles viesse misturado. Ao ouvirem tratar, assim, Norberto, os poderosos Clamaram contra o porteiro, em termos violentos, Avisando-o de que estava perdido, Pois o Pobre era o próprio Senhor. Ouvindo isto, fugiu o guardião, temeroso e turbado, E corria. E eis que Norberto o perseguia, sorrindo, E lhe ia dizendo: — Por que foges, irmão, se entre todos Foste o único a me reconhecer? (In Augusto Frederico Schmidt, A fonte invisível, 1949)

  • A Igreja sempre teve razão!

    O Papa Paulo VI, com sua Humanae Vitae, atuou como um verdadeiro profeta dos dias atuais ao admoestar o mundo sobre as conseqüências da contracepção desenfreada e é exatamente isto que é abordado neste breve artigo de autoria de Michael Brendan e Pascal-Emmanuel Gobry. *** É hora de admitir que a Igreja sempre esteve certa sobre a contracepção Michael Brendan Dougherty e Pascal-Emmanuel Gobry Retratar a Igreja Católica como “sem noção” é tão fácil quanto atirar em peixes em um barril. E nada torna isto tão fácil quanto a posição da Igreja contra a contracepção. Muitas pessoas, incluindo nosso editor, perguntam-se por que a Igreja Católica simplesmente não volta atrás neste ponto. Tais pessoas dizem que a maioria dos católicos o ignoram, e que isto é “retrógrado”. Ora! Estamos no século XXI! — eles dizem. Eles não vêem o quanto isto é ESTÚPIDO — gritam. Eis o que temos, na realidade: a Igreja Católica é a maior e mais antiga organização do mundo. Ela enterrou todos os grandes impérios conhecidos pelo homem, de Roma à União Soviética. Ela tem unidades espalhadas por todo o mundo, presente em todas as áreas da sociedade. Ela nos deu alguns dos maiores pensadores, de Santo Agostinho a René Girard. Quando ela toma alguma atitude, geralmente é por uma boa razão. Todos têm o direito de discordar dela, mas não é que ela seja formada por um bando de branquelos empacados na Idade Média. Então, o que é que há? A Igreja ensina que amor, casamento, sexo e procriação são coisas que estão ligadas. Simples assim. E isto é muito importante. E embora a Igreja ensine isto há 2000 anos, provavelmente isto jamais esteve tão em evidência quando hoje. As atuais restrições contra a contracepção artificial foram reafirmadas em um documento de 1969 escrito pelo Papa Paulo VI chamado Humanae Vitae. Ele alertou sobre quatro consqüências se o uso de contraceptivos fosse aceito: – Queda generalizada dos padrões morais – Um aumento na infidelidade e ilegitimidade – A redução das mulheres a objetos utilizados para satisfação dos homens – Coerção governamental em matérias envolvendo reprodução Algo disto soa familiar? Claramente isto soa como o que vem acontecendo nos últimos 40 anos. Como escreveu George Akerloff na revista Slate há uma década, “Ao fazer o nascimento da criança uma escolha física da mãe, a revolução sexual fez o casamento e a criação dos filhos uma escolha social por parte do pai.” Ao invés de um casal sendo responsável pela criança que eles conceberam, uma expectativa que foi sempre suportada por normas sociais e pela Lei, agora nós vamos acostumados a pensar que nenhum dos pais é fundamentalmente responsável por seus filhos. Os homens agora consideram que seus deveres como pais são preenchidos meramente pelo ato de pagar o que o lhes é ordenado pela Justiça. Isto é uma dramática redução nos padrões da “paternidade”. E como mais estamos indo desde a grande revolução sexual? O casamento de Kim Kardashian durou 72 dias. Ilegitimidade: lá no alto. Em 1960, 5.3% de todos os nascimentos nos EUA eram de mães solteiras.Em 2010, foi de 40.8%. Em 1960, famílias de cônjuges casados atingiam 3/4 do total de famílias; já pelo censo de 2010, elas são apenas 48%. A coabitação aumentou 10 vezes desde 1960. E se você não pensa que mulheres estão sendo reduzidas a meros objetos para satisfação do homem, bem-vindo à internet! Você está por aqui há quanto tempo? Coerção governamental: basta olhar para a China (ou mesmo para os EUA, onde uma legislação governamental sobre cobertura de contraceptivos é a razão porque estamos abordando este assunto atualmente). É tudo isto devido à pílula? Claro que não. Mas a idéia de que contracepção largamente disponível não levou a uma dramática mudança social, ou que esta mudança foi exclusivamente para melhor, é uma noção muito mais idiota do que qualquer ensinamento da Igreja Católica. Assim como é também ridícula a noção de que seja OBVIAMENTE IDIOTA alguém obter suas diretrizes morais de uma crença venerável (oposta a que? Britney Spears?). Mas vamos ver um outro aspecto deste assunto. A razão pela qual nosso editor pensa que os católicos não deveriam crescer e se multiplicar também não se sustenta. A população mundial — ele escreveu — está a caminho de um crescimento “insustentável”. O Centro de Estudos Populacionais do Departamente de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU mostra o índice de crescimento populacional diminuindo durante as próximas décadas e sendo estabilizada por volta de 9 bilhões em 2050… e permanecendo assim até 2300. (E note-se que a ONU, que promove controle de natalidade e abortos pelo mundo todo, não é bem uma entusiasta do “crescei e multiplicai-vos”). Ampliando a questão, a visão malthusiana de crescimento populacional tem se mostrado bem presente a despeito de já ter sido provada como errada e já ter causado muito sofrimento humano desnecessário. Por exemplo, a China caminha para uma crise demográfica e social devido à sua distorcida política de um filho por casal. Progresso humano é mais gente. Tudo que faz a vida melhor, da democracia à economia à internet à penicilina foi descoberto e construído por pessoas. Mais gente significa mais progresso. O inventor da cura para o câncer pode ser o quarto filho de alguém que tenha decidido não tê-lo. O resumo é este: É uma boa idéia para as pessoas crescerem e se multiplicarem; e a despeito de como você se sente sobre a posição da Igreja sobre o controle de natalidade, ela se mostrou bem profética. http://www.businessinsider.com/time-to-admit-it-the-church-has-always-been-right-on-birth-control-2012-2

  • Sacrifícios, o Cordeiro e a Santa Missa.

    Em geral, cordeiros não ocupam os primeiros lugares das listas de animais mais admirados. Não são particularmente fortes, nem espertos, sagazes ou graciosos. E outros animais parecem mais merecedores. Por exemplo: É fácil imaginarmos Jesus como o Leão de Judá (Ap 5,5). Os leões são majestosos, fortes e ágeis, ninguém mexe com o rei dos animais. Mas o Leão de Judá desempenha papel efêmero no livro do Apocalipse. Ao mesmo tempo, o Cordeiro prevalece e aparece nada menos que vinte e oito vezes.O Cordeiro governa e ocupa o trono de céu (Ap 22,3). É o Cordeiro quem lidera um exército de centenas de milhares de homens e anjos, e acende o medo nos corações dos ímpios (Ap 6, 15-16). Esta última imagem, do Cordeiro feroz e assustador, é quase absurda demais para imaginarmos sem sorrir! Para João, esse assunto do Cordeiro é sério! Os títulos “Cordeiro” e “Cordeiro de Deus” aplicam-se a Jesus quase exclusivamente nos livros do novo testamento atribuídos a João: o quarto evangelho e o Apocalipse. Embora outros livros neotestamentários (Ap 8,32-35; IPd 1,19) digam que Jesus é “como” um cordeiro em certos aspectos, só João ousa “chamar” Jesus “o Cordeiro” (Jo 1,36 e Ap todo). Precisamos saber o “que” o Cordeiro é e “por que” o chamamos “Cordeiro”. Para descobrir, temos de voltar no tempo, quase até o início… Para o antigo Israel, o cordeiro identificava-se com o sacrifício, que era uma das formas mais primitivas de adoração. Já na 2ª geração descrita no Gênesis, encontramos na história de Caim e Abel, o 1º exemplo registrado de uma oferenda sacrifical: “Caim trouxe ao Senhor uma oferenda de frutos da terra; também Abel trouxe primícias dos seus animais e a gordura deles” (Gn 4,3-4). No devido tempo, encontramos holocaustos semelhantes oferecidos: Por Noé (Gn 8,20-21) Abraão (Gn 15,8-10; 22,13) Jacó (Gn 46,1) e outros. No Genesis, os patriarcas estavam sempre construindo altares, e estes serviam primordialmente para sacrifícios. Entre os sacrifícios do Gênesis, dois merecem nossa atenção: – Melquisedec (Malki-Sédeq, Gn 14,18-20) – E o de Abraão e Isaac (Gn 22). Melquisedec surge como o 1º sacerdote mencionado na Bíblia e muitos cristãos (Hb 7,1-17) o consideram precursor de Jesus Cristo. *Melquisedec era sacerdote e rei, combinação estranha no AT, mas que, mais tarde, foi aplicada a Jesus. Ele é descrito como rei de Shalem, terra que depois seria “Jeru-salém” que significa “Cidade da Paz” (Sl 76,2). Um dia Jesus surgiria como rei da Jerusalém celeste e novamente como Melquisedec, “Príncipe da Paz”. Em conclusão, o sacrifício de Melquisedec foi extraordinário por “não envolver animal algum”. Ele ofereceu “Pão e Vinho”, como Jesus fez na Última Ceia, quando institui a Eucaristia. O sacrifício de Melquisedec terminou com uma bênção sobre Abraão. *Abraão revisitou Shalem, alguns anos mais tarde, quando Deus o chamou para fazer um sacrifício definitivo. Abraão viajou com Isaac, que carregou nos ombros a lenha para o sacrifício (Gn 22,6). Quando Isaac perguntou onde estava a vítima, Abraão respondeu: “Deus providenciará Ele mesmo uma ovelha para o holocausto, meu filho” (v8). No fim, o anjo Deus impediu que a mão de Abraão sacrificasse seu filho e forneceu um carneiro para ser sacrificado. Mais tarde os cristãos consideraram a narrativa de Abraão e Isaac uma profunda alegoria do sacrifício de Jesus na cruz. As semelhanças eram muitas: 1º-Jesus, como Isaac, era o filho único querido de um pai fiel. 2º-Também como Isaac, Jesus carregou morro acima a madeira para seu sacrifício, que foi consumado em uma colina de Jerusalém. De fato, o local onde Jesus morreu, o calvário, era um dos morros da cadeia de Moriá. Além disso, o primeiro versículo do NT identifica Jesus como Isaac, ao dizer que Ele é “filho de Abraão” (Mt 1,1). Para os leitores cristãos, até as palavras de Abraão se mostraram proféticas. Lembre-se de que não havia pontuação no original hebraico e pense em uma interpretação alternativa de Gn 22,8: “Deus se dá a si mesmo, o Cordeiro, para o holocausto”. O Cordeiro pronunciado era Jesus Cristo, o próprio Deus – “para que a bênção de Abraão alcance os pagãos em Jesus Cristo” (Gl 3,14 veja também Gn 22,16-18). Mais tarde quando Moisés faz um apelo a Faraó, sua exigência principal é o direito dos israelitas oferecerem sacrifícios a Deus (Ex 10,25). O que significam todas essas oferendas? O sacrifício animal significava muitas coisas para os antigos israelitas: -Era o “reconhecimento da soberania” de Deus sobre a criação: “Ao Senhor, a terra e sua riquezas” (Sl 24,1). Assim o sacrifício louvava a Deus, de quem fluem todas as bênçãos. -O sacrifício era um ato de “agradecimento”. A criação foi dada ao homem como dádiva. -Às vezes, o sacrifício servia para “ratificar solenemente uma acordo ou juramento, uma aliança diante de Deus” (Gn 21,22-23). -O sacrifício também era “ato de renúncia e tristeza pelos pecados”. O que oferecia o sacrifício reconhecia que seus pecados faziam-no merecer a morte; em lugar de sua vida, oferecia a do animal. Mas, na história de Israel, o sacrifício principal foi a “Páscoa”, que apressou a fuga dos Israelitas do Egito. Foi na Páscoa que Deus instruiu toda família israelita a tomar um “animal sem defeito, sem ossos quebrados, degolá-lo e passar seu sangue na ombreira da porta”. Os israelitas deveriam COMER O CORDEIRO naquela noite. Se o fizessem, seus primogênitos seriam poupados. Se não o fizessem, seus primogênitos morreriam durante a noite, juntamente com todos os primogênitos de seus rebanhos (Ex 12,1-23). O cordeiro sacrifical morreu como expiação, em lugar do primogênito da casa. A Páscoa então, foi um ato de redenção, um “resgate”. Contudo, Deus não apenas resgatou os primogênitos de Israel; também os consagrou como um “reino de sacerdotes e uma nação santa” (Ex 19,6) – uma nação que Ele chamou seu “filho primogênito” (Ex 4,22). O Senhor pediu, então, aos Israelitas para comemorarem a Páscoa todos os anos e até deu as palavras que deveriam usar para explicar o ritual às gerações futuras: “Quando vossos filhos vos perguntarem: ‘Que rito é esse que estais celebrando?’, direis: ‘É o sacrifício da Páscoa para o Senhor, que passou diante das casas dos filhos de Israel no Egito, quando golpeou o Egito e libertou nossas casas'” (Ex 12, 26-27). Sabemos que Jesus cumpria as leis judaicas referentes ao sacrifício. Ele celebrava a Páscoa todos os anos em Jerusalém afinal de contas, “isso não era facultativo”. CONSUMIR O CORDEIRO era o único jeito de o judeu fiel “renovar a aliança com Deus”, e Jesus era um judeu fiel. Jesus é o Cordeiro. Quando Jesus estava diante de Pilatos, João observa que “era o dia da preparação da Páscoa, por volta da sexta hora” (Jo 19,14). João sabia que era na sexta hora que os sacerdotes começavam a imolar os cordeiros pascais. Esse, então, é o momento do sacrifício do Cordeiro de Deus. Em seguida, João relata que nenhum dos ossos de Jesus foi quebrado na cruz, “para que se cumprisse a Escritura” (Jo 19,36). Que Escritura era essa? Êxodo 12, 46, que estipula que os ossos do Cordeiro da Páscoa não sejam quebrados. Vemos, então, que o Cordeiro de Deus, como o cordeiro da Páscoa, é oferenda condigna, realização perfeita. Na mesma passagem, João relata que fixaram uma esponja embebida em vinagre na ponta de um ramo de hissopo e a serviram a Jesus (Jo 19,29; Ex 12,22). Hissopo era o ramo preceituado pela lei para borrifar o sangue do cordeiro na Páscoa. Assim, essa ação simples marcou a realização da nova e perfeita redenção. E Jesus disse: “Tudo está consumado”. Jesus é sacerdote e também “vítima”. Isso se confirma nos relatos da Última Ceia contido nos três evangelhos, onde Jesus usa claramente a linguagem sacerdotal de sacrifício e libação, até quando descreve a si mesmo como a vítima. “Isto é o meu corpo dado por vós… Esta taça é a nova Aliança em meu sangue derramado por vós” (Lc 22,19-20). O sacrifício de Jesus realizou o que todo o sangue de milhões de ovelhas e touros e bodes jamais conseguiram. “Pois é impossível que o sangue de touros e de bodes elimine os pecados “(Hb 10,4). Nem o sangue de um quarto de milhão de cordeiros salvaria a nação de Israel, muito menos o mundo. Para expiar as ofensas contra um Deus que é bom, infinito e eterno, a humanidade precisava de um sacrifício perfeito: um sacrifício tão bom, puro e infinito quanto o próprio Deus. E esse era Jesus, o único que podia “abolir o pecado com seu próprio sacrifício” (Hb 9,26). “Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1,36). Por que Jesus tinha de ser um cordeiro e não um garanhão, um tigre ou um touro? Por que o Apocalipse retrata Jesus como “um cordeiro que parecia imolado” (Ap 5,6)? Por que a Missa precisa proclamá-lo como “Cordeiro de Deus”? Porque só um cordeiro sacrifical se encaixa no padrão divino de nossa salvação. Jesus era sacerdote além de vítima e como sacerdote fazia o que nenhum outro sacerdote fazia, pois este entrava “todos os anos no santuário com sangue estranho” (Hb 9,25) e mesmo então, só ficava pouco tempo antes que sua indignidade o obrigasse a sair. Mas Jesus entrou no Santo dos Santos – o céu – de uma vez por todas, para oferecer-se como nosso sacrifício. Além disso, pela nova Páscoa de Jesus, nós também nos tornamos um reino de sacerdotes e a Igreja do primogênito (Ap 1,6; Hb 12,23 e compare com Ex 4,22;19,6). E com Ele entramos no santuário do céu toda vez que vamos à Missa. Como devemos “celebrar” nossa Páscoa? São Paulo nos dá uma resposta: “Cristo, nossa Páscoa, foi imolado. Celebremos pois a festa… com pães sem fermento: na pureza e na verdade” (ICor 5,7-8). Nosso cordeiro pascal é, então, pão sem fermento. Nossa festa é a MISSA! (ICor 10,15-21;11,23-32). À luz clara da nova aliança, os sacrifícios da antiga aliança fazem sentido como preparação para o sacrifício único de Jesus Cristo, nosso sumo sacerdote régio no santuário celeste. E é esse sacrifício único que, na Missa, oferecemos com Jesus. A essa luz, vemos as orações da Missa com clareza: **Nós vos oferecemos o seu Corpo e Sangue, sacrifício do vosso agrado e salvação do mundo inteiro. Olhai com bondade o sacrifício que destes à vossa Igreja…..(Oração eucarística IV). …Vos oferecemos, ó Pai, dentre os bens que nos destes, o sacrifício perfeito e santo. …Recebei, ó Pai, esta oferenda, como recebeste a oferta de Abel, o sacrifício da Abraão e os dons de Melquisedec. Nós vos suplicamos que ela seja levada à vossa presença…* (Oração eucarísticaI). Não basta Cristo ter derramado seu sangue e morrido por nós. Agora também temos nosso papel a desempenhar. Como aconteceu com a antiga aliança, acontece com a nova. Quem quer expressar a aliança com Deus, ratificar a aliança com Deus, renovar a aliança com Deus ‘tem de comer o Cordeiro – o cordeiro pascal que é nosso pão sem fermento. Começa a soar familiar. “Aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna” (Jo 6,54). Retirado do livro O Banquete do Cordeiro. Do ex-pastor presbiteriano Scott Hanh.

  • QUE O ANO NOVO NOS DÊ UMA SANTA INTOLERÂNCIA – Silvana de Mari

    Boas festas e um feliz ano novo… As datas são convenções, mas têm seu próprio valor catártico são um bom momento para iniciar mudanças. Por onde começamos? Pelas dezenas de mortos cristãos, massacrados por vizinhos islâmicos no Iraque, na Síria e na Nigéria? Chovem justificativas: a situação econômica daqueles países, o ataque contra as organizações islâmicas mais radicais… Ou começamos pelas já incontáveis vítimas islâmicas do próprio terrorismo islâmico? Damasco.. Bagdá… O terrorismo islâmico desencadeou-se num padrão que parece irreversível: são todos contra todos. A aquiescência ocidental ao terrorismo contra alvos israelenses tornou-se, agora, tolerância para o terrorismo em geral, incluindo aquele contra vítimas cristãs, esmagadas como baratas à beira-mar em Nice, em loja de produtos natalinos em Strasburgo ou no Bataclan parisiense (além das próprias vítimas islâmicas, frequentemente esquecidas). Tolerância, na verdade, é uma palavra suave. A palavra correta é aprovação, ou até admiração. O terrorismo é visto como uma reação a alguma injustiça. Este duplo esquema — beatificação dos carrascos e criminalização da vítima — está levando o Ocidente a juntar-se àqueles que querem destruir inteiras populações, desenvolvendo sérias dúvidas sobre o seu próprio direito de estar vivo. Quanto mais um povo ama o terrorismo (com a desculpa de que sofreu injustiças), tanto mais toma o seu partido. Se assim não fosse, não se tornaria um povo de terroristas: é uma lógica irrefutável. Na realidade, o terrorismo decorre de uma cultura da morte. Não há terrorismo armênio; não há terrorismo tibetano; os judeus, ao deixarem os campos de extermínio, não saíram explodindo ônibus escolares em Berlim. Que o ano novo nos traga o dom da intolerância, uma intolerância saudável. De fato, uma santa intolerância: intolerância à brutalidade, intolerância ao terrorismo. E vamos começar pelas próprias palavras: terrorismo islâmico. Vamos começar com a coragem das palavras. Que o ano novo nos traga o dom da intolerância para com a mentira das crianças que têm dois pais ou duas mães. Que a mentira seja proibida e, acima de tudo, seja proibida a sua santificação burocrática: ninguém tem dois pais e ninguém tem duas mães. Cada uma dessas crianças tem o direito de usar luto pelo pai ou pela mãe dos quais foram privados: o prefeito sorridente que subscreve aquela mentira contribui para, em breve, transformar em tabu, em algo indizível, a dor desses filhos privados dos próprios pais. A raiva e o luto da criança serão “sufocados”: permanecerão “escondidos”. Algo proibido. Que o novo ano traga-nos o dom de uma santa intolerância à prática ignóbil e perigosa do útero de aluguel, como também para a venda de gametas: que as crianças vivam com o pai e a mãe, com “seu” pai e com “sua” mãe. São as crianças adotadas que nos ensinam: quando isso não acontece, há uma grande ferida, que nem mesmo os mais valentes pais adotivos conseguem preencher completamente. Que o ano novo nos traga uma santa intolerância à prática de vender seres humanos ou suas peças. Que o novo ano nos traga compaixão por todas as crianças que não verão a luz, que serão desmembradas vivas para terminar em pedaços no aspirador (aborto por sucção); que agonizarão por horas antes de conseguirem enfim morrer (aborto químico). Que os homens amem as mulheres, as mulheres amem os homens e todos amem os seus filhos. Que as crianças venham ao mundo, acolhidas pela mãe e pelo pai. Que Deus intervenha no mundo, porque somos incapazes e precisamos de Sua ajuda. Que Ele abençoe e ilumine aqueles que não O amam. Que Ele abençoe e ilumine aqueles que, em estranhas procissões de orgulho gay, O ofendem. Que Deus nos abençoe pelo novo ano, e também pelos próximos… http://lanuovabq.it/it/che-lanno-nuovo-ci-doni-una-santa-intolleranza

  • A PRIMEIRA REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DE JESUS, CONHEÇA O GRAFITE ALEXAMENOS.

    A PRIMEIRA REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DE JESUS, CONHEÇA O GRAFITE ALEXAMENOS. O grafite Alexamenos, ou grafite do palatino, como também é conhecido, tem sido considerado a primeira representação pictórica de Jesus Cristo. Encontrado em uma parede em Palatine, em Roma, atualmente está no museu Kirschner, na capital Italiana. Inicialmente, o consenso observou que o grafite remonta a alguns anos no terceiro século. No entanto, considerando o tempo de aquisição da casa para o palácio imperial e sua posterior conversão em Paedagogium, foi sugerido como uma data aproximada no ano 85-95 d.C, sob o imperador Domiciano, já que a casa teria permanecido selada depois. O grafite foi descoberto em 1857, quando o prédio chamado Domus Gelotiana foi descoberto na colina do Palatino. O imperador Calígula adquiriu a habitação para o palácio imperial, que após a morte do imperador tornou-se um Paedagogium ou internato para as pajens imperiais. Mas o que essa imagem tem a ver com Nosso Senhor? “A imagem representa um homem crucificado com a cabeça de um burro. À esquerda é outro homem que levanta a mão. Sob a cruz, há uma legenda escrita em grego. Αλεξαμενος ςεβετε θεον, ‘Alexámenos sébete theón’. No padrão grego ςεβετε é o imperativo do verbo «adorar», que daria como tradução «Alexámenos, adora a Deus!». No entanto, uma vez que Alexámenos é nominativo e não vocativo e que a escrita grega coloquial costumava levar a inúmeras inconsistências vocálicas, a maioria dos estudiosos concorda que ςεβετε é uma variante de σέβεται, que daria a tradução «Alexámenos adora [o seu] deus».” Notamos aqui que a imagem trata-se de uma zombaria aos cristãos, onde se coloca Cristo de forma jocosa com uma cabeça de Burro, e Alexamenos seria o jovem zombado pelos colegas. Tertuliano, que escreveu no final do segundo e início do terceiro século, ressalta que a acusação de ser adoradores de uma divindade de cabeça de burro que pesava sobre cristãos e judeus. Ele também menciona um apóstata judeu que usava uma caricatura de um cristão com orelhas e cascos de burro, intitulado <<>> ou “O Deus dos cristãos gerados por um burro”. Pensou-se também no asno da viagem a Belém e no do Domingo de Ramos, assim como se sugeriu uma aproximação com cena passagem escabrosa do “Asno de Ouro”, de Apuleio, em que o animal desempenha o papel de genitor. O poder de invenção do povo não conhece limites e exerce-se com gosto no âmbito do absurdo. Alguns estudiosos contemporâneos, como J. Magnaterra, acreditam que estamos diante de uma das evidências mais marcantes da existência de Jesus Cristo como líder religioso. A resposta de Alexamenos: Na sala ao lado, em outra inscrição de uma mão diferente, lê-se em latim Alexamenos fidelis, que significa “Alexámenos é fiel” ou “Alexámenos o fiel”. Isso foi interpretado como uma resposta do próprio Alexámenos ou de um terceiro, para a zombaria do grafite acima mencionado. Quando formos humilhados por nossa fé, principalmente em ambientes acadêmicos, sejamos Alexamenos, sejamos fiéis. Fontes: HENRI, Daniel-Rops. A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires. Página 167. 3° edição. Quadrante. São Paulo. 2014. #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja

  • A Conspiração para depor Henrique VIII

    Se um padre zeloso chamado Gregory Botolph tivesse guardado sua língua com mais cuidado na Semana Santa de 1540, a Inglaterra poderia ser ainda um país católico. Deixe-me explicar. Botolph era um capelão do governador de Calais, ainda uma posse inglesa. Como muitas cidades-guarnição, continha muita gente com muito tempo para brigar – e as disputas se agravaram com o aumento das tensões religiosas entre bons católicos como padre Botolph e um número crescente de colegas afetados por Lutero e o protestantismo mais radical de Estrasburgo e Suíça. *** Aconteceu que em 1539 o imperador do Sacro Império Romano-Germânico Carlos V não apenas concluiu uma paz “duradoura” com seu inimigo inveterado, Francisco I da França, mas, ainda mais surpreendentemente, aceitou um convite para viajar de sua terra natal, a Espanha, via Nice. , para o norte através da França para suas posses na Holanda. Por algum tempo, ele estaria na companhia do rei Francisco, em meio a muita pompa e demonstrações de amizade. O então papa Paulo III – nenhum santo, mas um dos mais importantes e subestimados sucessores de São Pedro – também foi a Nice para tentar reunir o imperador e o rei para se unirem a ele no combate a duas enormes ameaças à Igreja, a saber: Protestantismo aparentemente imparável e islamismo imparável. O último veio na forma dos turcos otomanos, que, tendo capturado Constantinopla, estavam agora empenhados em invadir a cristandade ocidental por terra e mar – e transformar São Pedro em uma mesquita, como haviam feito a Hagia Sophia. Mas Paulo foi efetivamente rejeitado. Carlos e Francisco se recusaram a sentar-se com ele e seguiram em direção ao norte. De volta a Roma, no entanto, Paulo decidiu tentar novamente, enviando o cardeal Alessandro Farnese (seu neto) com ordens para “invadir” a procissão imperial ao cruzar a França. Como se isso não bastasse, pouco depois Paulo enviou um segundo enviado, desta vez um núncio completo, seu secretário-chefe, Marcello Cervini (o futuro papa Marcelo II), para se juntar a Farnese. Ele o fez quase certamente graças ao ilustre Reginald Pole, que havia fugido de sua terra natal e era um amargo oponente de Henrique VIII e todos os seus feitos. Paulo fez de Pole um cardeal e confidente. Em vingança, Henrique começou a destruir a família de Pole e aprisionou seus irmãos e mãe, Margaret Pole, na Torre de Londres. O mandato de Cervini foi de tirar o fôlego. Como um núncio papal não teria permissão para entrar na Inglaterra cismática, ele teria de persuadir o imperador e o rei da França a enviá-lo à Inglaterra como seu enviado para oferecer a Henrique a seguinte barganha: Roma lhe concederia perdão total por suas ofensas contra a Santa Madre Igreja e permitiria que ele guardasse as posses das centenas de casas religiosas que ele havia tomado e os imensos impostos que ele impusera ao clero secular; mas somente se ele retornasse ao redil e permitisse que a autoridade papal fosse restaurada em sua terra. Esta seria sua última chance. Paulo estava, sem dúvida, certo de que Henrique rejeitaria esse extraordinariamente generoso ramo de oliveira, mas estava determinado que o devido processo deveria ser respeitado. Se Henrique rejeitasse essa oferta, ele seria excomungado – como Pole há muito insistia – e formalmente deposto. Como Carlos e Francisco desconfiavam do papa Paulo quase tanto quanto desconfiavam um do outro, quando Cervini conseguiu colocar esse plano para eles, ele encontrou uma resposta fria. Carlos efetivamente recusou. No entanto, o rei Francisco (que desconfiava de Henrique ainda mais do que ele desconfiava do papa ou do imperador) estava pronto para obedecer: sim, ele enviaria Cervini em seu próprio nome em uma missão para garantir a destruição de um monarca que ele sempre cultivou ódio. *** Enquanto isso, no início de 1540, o padre Botolph em Calais ficara tão alarmado com a maneira como as idéias heterodoxas estavam ganhando terreno em sua cidade (como em sua terra natal) que decidiu agir extraordinariamente. Ele ouviu que a grande caravana imperial e seus enviados papais, a caminho da Holanda, estavam passando a poucos quilômetros de Calais. Com o apoio de vários colegas de mentalidade semelhante (incluindo talvez até mesmo o governador de Calais, Arthur Lord Lisle, filho ilegítimo de Eduardo IV e nenhum amigo dos novatos Tudors), Botolph partiu e apresentou uma proposta aos legados papais. O plano de Botolph era este: se o papa oferecesse uma força-tarefa de mercenários, Botolph e seus amigos abririam os portões de Calais e os ajudariam a capturar o porto. De lá, eles poderiam comandar navios e velejar para a vizinha Inglaterra, procurar o rei então excomungado e capturá-lo ou matá-lo se ele resistisse à prisão, como certamente o faria. Eles também poderiam resgatar a mãe de Pole. Esses mercenários estavam prontamente disponíveis. Como o avô do papa Paulo tinha feito a fortuna da família como um condottiero, isto é, um capitão de soldados profissionais contratados, ele sabia tudo sobre eles. Eles teriam sido armados com mosquetes – armamento ainda pouco conhecido na Inglaterra – capaz de perfurar quase qualquer armadura a várias centenas de metros. Com apenas algumas espadas e talvez piques para defendê-lo, Henrique não teria tido uma chance. Botolph encontrou o caminho para os legados papais e colocou sua proposta para eles. Farnese achou que ele era louco e talvez até um espião. Mas Cervini acreditou nele e imediatamente lhe deu dinheiro, cavalos e um guia para levá-lo a Roma. Ele chegou à cidade rapidamente e procurou o cardeal Pole, que prontamente o levou para ver o papa – a quem ele convenceu de seu plano. De fato, Botolph mais tarde se gabou de que impressionara tanto o papa Paulo que, durante sua breve estada em Roma, pôde entrar e sair nos aposentos papais como quisesse. Não é por acaso que ele tem o apelido de “Lábios doces”. Paulo, Pole e Botolph concordaram com o seguinte: Cervini iria adiante com sua proposta de missão à Inglaterra sob a égide do rei da França. Uma vez que Henrique, como se esperava, recusasse a oferta generosa, ele seria excomungado e deposto. Em setembro daquele ano, um contingente papal de uns 300 mosqueteiros cumpriria sua missão e, no inevitável tiroteio, provavelmente mataria Henrique. Isso teria sido sem paralelo na história papal. Nunca antes ou depois um papa concordou com tal “ação direta” contra um monarca. *** Um exultante Botolph retornou a Calais no início da Semana Santa de 1540 e relatou as boas novas a seus companheiros conspiradores. Percebendo que Botolph não segurava a língua, Pole ordenou que ele “desaparecesse” para Louvain (posando como estudante em sua nova universidade) imediatamente após retornar a Calais e permanecer ali até chegar a hora do confronto. Mas “Lábios doces” estava excitado demais para obedecer completamente e logo começou a falar – na verdade, talvez ostentando – o suficiente sobre sua missão para ser ouvida por seus inimigos, que imediatamente o denunciaram ao rei. Henrique atacou imediatamente. Os co-conspiradores de Botolph, incluindo Lord Lisle, foram rapidamente encarcerados na Torre de Londres. A lei marcial foi imposta a Calais. Agentes reais foram novamente enviados para assassinar o polonês ou, melhor ainda, trazê-lo de volta para a Inglaterra “em um saco”. (Eventualmente, a mãe de Pole seria decapitada.) Enquanto isso, tentativas desesperadas foram feitas para capturar Botolph, que já estava em Louvain. A conspiração entrou em colapso completamente. *** Botolph, no entanto, sobreviveu. Louvain pertencia ao formidável arcebispo de Liège, um príncipe do Sacro Império Romano, e Botolph aparentemente conseguiu ganhar seu favor. De fato, o arcebispo o colocou duas vezes na prisão – não como punição, mas para protegê-lo contra as tentativas de Henrique de seqüestrá-lo. A prisão era o lugar mais seguro. Então Henrique nunca o pegou. *** E aí a história de Gregory Botolph termina. Ele simplesmente desaparece da história. Mas e se sua conspiração audaciosa tivesse conseguido – quanto bem poderia ter feito? A católica Maria Tudor teria subido ao trono da Inglaterra e talvez casado com Pole (que, apesar de cardeal, ainda era leigo e tinha muito sangue real nele). Quando Maria se casou (Filipe II da Espanha em 1554), seu casamento foi cruelmente sem filhos. Mas em 1540 ela teria apenas 25 anos e seria muito mais fértil. Portanto, não haveria Isabel I. Os arcebispos de Cantuária e York e seus colegas bispos ainda seriam indicados por Roma. A missa ainda seria dita em suas antigas catedrais e nas milhares de igrejas paroquiais medievais que ainda adornam nossa terra. O Império Britânico teria sido católico. Não haveria o Livro dos Mártires de Foxe – e nem Guy Fawkes, Edmund Campion ou Margaret Clitheroe, e presumivelmente nenhum John Henry Newman. E Gregory Botolph seria um dos nomes mais famosos da história inglesa. Tradução The plot to depose Henry VIII. Disponível em:  https://catholicherald.co.uk/magazine/the-plot-to-depose-henry-viii/

  • O problema com Jerônimo

    O problema com Jerônimo Uma das partes mais estranhas do protestantismo, a partir da perspectiva de alguém de fora, é a combinação da sola Scriptura (a crença de que todos os ensinos cristãos devem vir das Escrituras, um ensinamento mesmo que não está nas Escrituras) e a crença de que a Bíblia só tem 66 livros. Há duas razões para essa visão ser tão estranha: primeiro, porque, é claro, o ensino de que a Bíblia seja constituída de 66 livros não está nas Escrituras. Não existe um sumário inspirado, por assim dizer. A segunda excentricidade é que uma Bíblia de 66 livros nunca foi usada pelos primeiros cristãos, nem pela Igreja Católica, ou pela Igreja ortodoxa, ou pela Igreja copta, nem mesmo foi usada por Martinho Lutero ou João Calvino. A crença em uma Bíblia de 66 livros também contradiz o Concílio de Florença, um Concílio Ecumênico pré-Reforma Protestante, em que estiveram presentes Católicos, ortodoxos e coptas. É como se um grupo surgisse do nada amanhã e declarasse que todos os ensinos cristãos devem ser extraídos só do Evangelho de Lucas, sem conseguirem explicar porque todos os ensinos devem vir das Escrituras inteiras ou só dessa parte das Escrituras. Então por que alguém acreditaria no cânon de 66 livros? Nathan Busenitz no The Master’s Seminary fornece a resposta-padrão: Pois, aos que se impressionarem, perguntando “por que os protestantes não aceitam os apócrifos?”, a resposta principal a ser dada é que Jesus nunca os afirmou como sendo parte das Escrituras, nem os apóstolos. Muitos dos Pais da Igreja não consideravam os livros apócrifos como sendo canônicos também. Eles os consideraram úteis para a edificação da Igreja, mas eles não os viam como autorizados. Até mesmo o erudito Jerônimo (que traduziu a Vulgata Latina, que se tornou a versão Católica Romana oficial das idades médias) reconheceu que os livros apócrifos não deveriam ser considerados como autorizados ou canônicos. O primeiro desses argumentos é que os livros de Judite ou Sabedoria deveriam ser rejeitados porque Jesus nunca os citou ou afirmou que eles eram “parte das Escrituras”. Mas Jesus ou os Apóstolos nunca citaram Rute, Esdras, Neemias, Ester, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Juízes, etc. e ainda assim os protestantes incluem todos estes livros em suas Bíblias. Então essa “resposta principal” como argumento não faz sentido. Ou, na realidade, esse é só um padrão duplo descarado. Mas e quanto ao outro argumento, de que São Jerônimo endossava o mesmo Antigo Testamento que os protestantes agora afirmam aceitar? É verdade… pela metade. Há algumas coisas que você deveria saber. Primeiro, Jerônimo é freqüentemente usado de maneira desonesta. Ao dizer que “até mesmo” Jerônimo “reconheceu” esta visão, seria fácil ter a impressão de que a visão do cânon de Jerônimo era a regra no período. Isso é falso. Jerônimo e Rufino são os únicos entre os primeiros cristãos a defender o cânon de 66 livros e, mais impressionante, nenhum deles fez uso desse cânon. Como Busenitz observa, Jerônimo traduziu a maior parte da Vulgata Latina, a Bíblia padrão, usada por toda a Cristandade ocidental ao longo de um milênio, e essa Bíblia inclui as Escrituras mesmo que os protestantes acham que não deveriam estar presentes. Segundo, Jerônimo na verdade cita livros que estão além do cânon de 66 livros como Escritura inspirada. Por exemplo, em uma carta a Eustóquio, escrita após Jerônimo negar a canonicidade dos Deuterocanônicos, nós o encontramos citando um desses livros, Sirach, como Escritura: “pois não diz a Escritura “não ponhas sobre ti um fardo além da tua capacidade”?” Ignorar toda essa nuance para apresentá-lo como defendendo a visão protestante moderna é pior do que ser impreciso: é não dizer a verdade. Terceiro, o cânon da Escritura era uma questão ainda não decidida no período. Essa é em si mesma uma evidência gritante de que os primeiros cristãos não achavam que tudo deveria vir “só da Escritura”. Há uma grande diferença entre um Católico dizendo “este ensino não foi claramente definido ainda, mas eu acho que a resposta certa é X” e um que diz “este ensino já foi claramente definido, mas eu discordo e acho que é X mesmo assim”. Isso nos leva a… Quarto, Jerônimo é Católico Romano até o osso. Só para pegar um dos casos mais óbvios nos quais Jerônimo deixou claro que seu desejo mais profundo era o de acreditar na fé ortodoxa da Igreja Católica Romana, aqui ele contrasta o Catolicismo Romano como Origenismo, num argumento contra Rufino: “O leitor latino”, diz ele [Rufino], “não encontrará nada aqui que discorde de nossa fé”. Que fé é essa que ele chama sua? É a Fé pela qual a Igreja Romana é distinguida? Ou é a fé que está contida nas obras de Orígenes? Se ele responder que é a Romana, então nós somos Católicos, já que nós não adotamos nenhuns dos erros de Orígenes em nossas traduções. Mas se a é blasfêmia de Orígenes a sua fé, então, embora tente imputar-me a acusação de inconsistência, fica provado que ele é herético. E embora habitando no Oriente, Jerônimo escreve ao Papa para resolver a disputa teológica sobre as naturezas de Cristo. Ei-lo em suas próprias palavras: Já que o Oriente, despedaçado como está por feudos de longa data, subsistindo entre povos, está pouco a pouco rasgando em muitos retalhos a veste do Senhor, tecida de alto a baixo [João 19:23], já que as raposas estão destruindo a videira de Cristo [Cântico dos cânticos 2:15] e já que entre as cisternas quebradas que não contêm água é difícil de descobrir a fonte selada e o jardim fechado [Cântico dos cânticos 4:12], eu acho que é meu dever consultar a cátedra de Pedro e voltar-me para uma Igreja cuja fé foi louvada por Paulo. Eu suplico por alimento espiritual à Igreja já que eu recebi a vestimenta de Cristo. A ampla área de mar e terra que jaz entre nós não pode me deter de procurar a pérola de grande preço [Mateus 13:46]. Onde quer que o corpo esteja, ali as águias estarão unidas [Mateus 24:28]. Filhos maus dissiparam seu patrimônio; só vós mantendes vosso patrimônio intacto. O solo frutuoso de Roma, quando recebe a semente pura do Senhor produz fruto cem vezes; mas aqui o grão de semente é sufocado nos sulcos ao longo do caminho e nada cresce a não ser joio e cizânia [Mateus 13:22-23]. No Ocidente o Sol de justiça [Malaquias 4:2] está agora mesmo se levantando; no Oriente, Lúcifer, que caiu do céu [Lucas 10:18], mais uma vez assentou seu trono acima das estrelas [Isaías 14:12]. Sois a luz do Mundo [Mateus 5:14], sois o sal da Terra [Mateus 5:13], sois os utensílios de ouro e prata. Aqui, os utensílios de madeira e terra [2 Timóteo 2:20] que esperam pela vara de ferro [Revelação 2:27] e o fogo eterno. Ainda que vossa grandeza aterrorize-me, vossa amabilidade atrai-me. Do sacerdote eu peço a guarda da vítima; do pastor a proteção devida à ovelha. Que a majestade romana possa ficar longe de tudo que é arrogância. Minhas palavras são ditas para o Sucessor do Pescador, para o discípulo da Cruz. Como eu não sigo a nenhum cabeça a não ser Cristo, então eu não me comunico com ninguém a não ser V. Santidade, que está com a cátedra de Pedro. Pois esta, eu sei, é a pedra em que a Igreja foi construída [Mateus 16:18]. Esta é a casa onde só o cordeiro pascal pode ser corretamente consumido [Êxodo 12:22]. Esta é a Arca de Noé, e quem quer que não seja encontrado nela perecerá quando as torrentes cobrirem a Terra [Gênesis 7:23]. Mas já que por causa aos meus pecados eu me mudei para este deserto que jaz entre a Síria e o vazio incivilizado, eu não posso, devido à grande distância entre nós, pedir sempre à V. Santidade as sacras coisas do Senhor. Conseqüentemente eu sigo aqui os confessores egípcios que compartilham de tua Fé e ancoro minha frágil embarcação sob a sombra de teu grandioso navio. Eu nada sei de Vital; eu rejeito Melécio; eu nada tenho com Paulino. Aquele que não se une a vós, dispersa [Mateus 12:30]; aquele que não é de Cristo, é do Anticristo. Então se você realmente se importa com o que São Jerônimo tem para dizer, siga o exemplo dele de todas as formas possíveis. Passe a ter plena comunhão com o Bispo de Roma e acredite na Fé salvífica que a Igreja Católica Romana acredita. Se você não se importa com o que Jerônimo acredita, então por que trazê-lo para a discussão afinal de contas? Como eu afirmei acima, Jerônimo não estava dizendo “Eu rejeito a posição da Igreja Católica a respeito da lista de livros das Escrituras”. Ele prontamente afirmava os ensinos da Igreja, mas (é muito razoável), não estava muito certo de qual era o ensino da Igreja sobre o assunto. De Shameless Popery Curta nosso Facebook: Tradutores Cristãos Postado há 28th September 2016 por Fábio Caio #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Igreja #sãoJerônimo

  • A IGREJA COMO FAMÍLIA – Festa da Sagrada Família

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Perda e encontro do Menino Jesus no Templo”, clicar AQUI. Após a perda e o encontro do Menino Jesus no Templo, o Evangelho deste domingo narra que “Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas”. Por isso, a partir da submissão de Nosso Senhor e do recolhimento de Nossa Senhora, Padre Paulo Ricardo ensina nesta meditação como a obediência a Deus e a prática das virtudes são as únicas coisas capazes de gerar e manter unida uma família. PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Eclesiástico 3, 3-7.14-17a) Família como escada para o Céu Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe. Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração cotidiana. Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. Quem honra o seu pai, terá alegria com seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. Quem respeita o seu pai, terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe. Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida: a caridade feita ao teu pai não será esquecida, mas servirá para reparar os teus pecados e, na justiça, será para tua edificação. SALMO 127 A família temente a Deus (Antífona): Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos! — Feliz és tu, se temes o Senhor e trilhas seus caminhos!/ Do trabalho de tuas mãos hás de viver,/ serás feliz, tudo irá bem! — A tua esposa é uma videira bem fecunda no coração da tua casa;/ os teus filhos são rebentos de oliveira/ ao redor de tua mesa. — Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor./ O Senhor te abençoe de Sião,/ cada dia de tua vida. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Colossences  3,12-21) A caridade na vida familiar Irmãos: Vós sois amados por Deus, sois os seus santos eleitos. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também. Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição. Que a paz de Cristo reine em vossos corações, à qual fostes chamados como membros de um só corpo. E sede agradecidos. Que a palavra de Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria. Do fundo dos vossos corações, cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças. Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Por meio dele dai graças a Deus, o Pai. Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor. Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem. EVANGELHO (São Lucas 2, 41-52) A família da Igreja Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”. Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera. Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas. E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens. NOSSO VERDADEIRO LAR (Meditação de Scott Hahn) Por que Jesus escolheu se tornar um bebê nascido de mãe e pai e passar toda a vida, exceto os últimos anos, vivendo em uma família humana comum? Em parte, para revelar o plano de Deus de fazer todas as pessoas viverem como uma “santa família” em Sua Igreja (2 Coríntios 6, 16–18). Na Sagrada Família de Jesus, Maria e José, Deus revela nosso verdadeiro lar. Devemos viver como Seus filhos, “escolhidos, santos e amados”, como diz a Primeira Leitura. Os conselhos à família que ouvimos nas leituras de hoje — para mães, pais e filhos — são todos consistentes e práticos. Casas felizes são frutos de nossa fidelidade ao Senhor, como cantamos no Salmo de hoje. Mas a Liturgia está nos convidando a ver mais: ver como, através de nossas obrigações e relacionamentos familiares, nossas famílias se tornam arautos da família que Deus deseja criar na Terra. É o que Jesus nos mostra no Evangelho de hoje. Sua obediência aos pais terrenos procede diretamente de sua obediência à vontade de seu Pai celestial. José e Maria não são identificados pelo nome, mas três vezes são chamados de Seus “pais” e são mencionados separadamente como Sua “mãe” e “pai”. São bem enfatizados os seus laços familiares com Jesus. Mas esses laços se enfatizam apenas para que Jesus, nas primeiras palavras que pronuncia no Evangelho de Lucas, possa nos apontar, para além dessa relação terrena, a Paternidade de Deus. Naquilo que Jesus chama de “casa de Meu Pai”, cada família encontra o seu verdadeiro significado e propósito (Efésios 3, 15). O Templo, sobre o qual lemos hoje no Evangelho, é a casa de Deus, a Sua morada (Lucas 19, 46). Mas também é uma imagem da família de Deus, que é a Igreja (Efésios 2, 19–22; Hebreus 3, 3–6; 10, 21). Em nossas famílias, devemos construir esta casa, esta família, este templo vivo de Deus. Até que Ele revele sua nova morada entre nós e diga, de cada pessoa: “Eu serei seu Deus e ele será meu filho” (Apocalipse 21, 3, 7). https://stpaulcenter.com/our-true-home-scott-hahn-reflects-on-the-feast-of-the-holy-family/ https://stpaulcenter.com/nuestro-verdadero-hogar-scott-hahn-reflexiona-sobre-la-fiesta-de-la-sagrada-familia/

  • O ÚNICO MEDIADOR

    O ÚNICO MEDIADOR Aqui temos uma das grandes objeções dos Protestantes contra o culto à Santíssima Virgem, invocada pelos católicos, sob o título de medianeira. Logo eles nos apresentam o texto de São Paulo: “só há um Deus, e só há um mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo homem (1 Timóteo 2,5). Nós católicos aceitamos este texto e pretendemos observá-lo em todo o rigor da sua expressão, porém é preciso dar-lhe o valor que lhe é próprio e não atribuir-lhe uma significação que não tem, nem pode ter. CRISTO MEDIADOR Só há um Deus, diz São Paulo, é só há um mediador entre Deus e os homens. Esta verdade é repetida diversas vezes pelo Apóstolo ( Gálatas 3,20; Hebreus 8,6; 9,15; 12,24), esse mediador Jesus Cristo, homem (1Timóteo 2,5). Eis uma verdade básica, que católicos e protestantes aceitam integralmente e sem discussão. De onde vem a discordância? Unicamente pela tendência perversa dos protestantes em querer protestar, até nos pontos onde não há possibilidade de protesto, nem sombra de protesto. Nunca a Igreja Católica demitiu outro mediador entre Deus e os homens, senão Jesus Cristo; e isso pela razão admiravelmente resposta pelo apóstolo: Cristo nos deu um novo testamento, mas, onde há um Testamento, é necessário que intervenha a morte do testador; pois o testamento não se confirma se não quanto aos mortos (Hebreus 9, 16-27). Tudo isso é positivo, e claro. — Por que então discutir? Cristo ofereceu-se, morreu derramando seu sangue divino, e por isso é mediador do novo testamento (Hebreus 9,15). Por que os católicos invocam a Imaculada Mãe de Jesus, como medianeira das Graças? Eis que a palavra “medianeira”, aplicada a Virgem Maria, levanta e exalta a natural aversão ou agressão dos Protestantes a mãe de Deus. Não havia razão para isso, pois os católicos não perturbam em nada a ordem estabelecida e não pretendem, como julgam os amigos Protestantes, colocar outro mediador ao lado de Cristo. Qual a sessão da nota simplesmente uma ignorância muito grande, ou então, a resolução de querer protestar. MARIA SANTÍSSIMA MEDIANEIRA O único mediador entre Deus e os homens Jesus Cristo. Note bem, amigo protestante, pois é aqui a base do erro Protestantes. Os católicos colocam a Santíssima virgem não diretamente entre Deus e os homens, mas sim entre Cristo e os homens: essencialmente. A teologia católica diz: Mediatrix ad Christum mediator em, isto é: medianeira junto a Cristo mediador. Deste modo, Cristo é o único mediador entre Deus e os homens; e a Virgem Maria é uma medianeira junto a Cristo; em outros termos: o mediador principal e perfeito é Cristo; sendo Maria Santíssima uma medianeira ministerial e dispositiva. Nesse sentido todos os santos são intercessores, medianeiros junto a Cristo, sendo a virgem santa, pela sua qualidade de mãe de Deus, de um modo mais excelente e mais eficaz. Eis uma doutrina muito simples é muito lógica. Deus, o pai é senhor de tudo. Jesus Cristo, único mediador entre Deus e os homens. Maria Santíssima, medianeira entre Cristo e os homens, de um modo mais excelente, mas na mesma ordem que todos os santos. O NECESSÁRIO E ÚTIL Podíamos mostrar, com outros argumentos, a lógica e o fundamento desta mediação, dizendo que a mediação de Jesus Cristo é uma mediação necessária, e, a da virgem santa, uma mediação útil. Esta comparação de Carlos de Laet. Podemos dizer que sem água não podemos viver; a água é, pois, necessária: porém podemos ir buscar esta água ao longe, na fonte, como nos pode ser transmitida por encanamento, e chegar, deste modo, até dentro de casa, poupando-nos fadigas e tempo, para ir captá-la em cima dos montes. Tal encanamento não é necessário, porém útil. Imagine-se agora que um homem venha dizer-nos: “não vos é necessário para encanamento; urge, pois, destruí-lo, porque necessária é só nascente”. Que diria o meu amigo protestantes outro homem? Diria, por certo, o que o católico dirá:”É verdade que só a água me é necessária, porém o encanamento é de suma utilidade”. Eis o que ensina a Igreja Católica. Só a mediação de Cristo é necessária mas a da Virgem santa é sumamente útil, Cristo é a nascente, a fonte. Maria Santíssima é o canal, que ônibus transmite a água cristalina da Graça divina: “Aquaeductus gratiarum”, como dizem os teólogos e os santos padres. OUTRA COMPARAÇÃO Suponhamos, aos amigos Protestantes, que o Presidente da república governar-se sozinho a sua pátria, auxiliado apenas por um ministro de confiança, por cujas mãos passagem todas as nomeações de cargos inferiores. Então, tal ministro seria, deste modo, o único mediador entre o presidente e o povo. Suponhamos que tal ministro tenha junto de si sua mãe, a quem muito estima, sem que ela tome parte na direção dos negócios públicos. Um belo dia, eis que o protestante precisa de um emprego, de um favor qualquer. Que faria o amigo? Usaria de um pouco de diplomacia, podendo entrar em relação com a mãe do ministro, falaria com ela, para que intercedesse junto ao filho, a fim de alcançar o benefício almejado. Não seria isso lógico, natural? depois de ministro ficar ofendido por não ter o suplicante recorrido diretamente a ele? De certo modo não. Ao contrário, o pedido do amigo Protestante, apresentado ao ministro pela própria mãe, adquirira duplo valor: o do pedido e o da intercessão. Assim fazem os católicos. Reconhecem, que Deus é a fonte e o autor de todo o bem; reconhecem que Jesus é o único medianeiro necessário, mas reconheceem que, junto a ele, tem um valor extraordinário a sua santíssima Mãe, e recorrem a ela como medianeira secundária de grande utilidade, para que interceda por ele junto ao Divino Filho. CONCLUSÃO Podemos ver, e demonstrar aos Protestantes, que é inútil citar textos da Bíblia, para provar uma verdade que a Igreja Católica reconhece aceita. É Inútil refutar objeções, que só existem na cabeça daqueles que as fabricam sem indagar ou saber se o que eles questionam não existe, ou tem, pelo menos, qualquer razão de existir. De que serve o provar que o sol existe, quando ninguém nega sua existência? Por que atribuir à Igreja Católica erros que ela não possui, ou doutrinas que não professa? Peço, pois, reter bem esta conclusão, que o senhor protestantes quer provar sem que ninguém o negue: “Só há um Deus, só há um mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo homem” ( 1Timóteo 2,5). Os Santos, por ser amigos de Deus, são intercessores junto a Deus, porém secundariamente. Acima de todos os santos, elevada pela sua dignidade de Mãe de Deus, está a Virgem Santíssima; verdadeira medianeira entre Jesus e os homens, medianeira entre Deus e os homens, pois o seu filho é Deus; porém medianeira secundária, não absolutamente necessário, porém sumamente útil para nós homens. Eis Porque os católicos têm a duras penas apresentar-se a Jesus Cristo, acompanhados pela virgem santa, para, deste modo, darem mais valor às suas preces e serei melhor acolhidos pelo único mediador necessário, que é o Cristo, o filho de Maria. como Isto é lógico, suave, consolador e, sobretudo, esperançoso! #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Cristologia #Igreja #mariologia

  • O NATAL E A HUMILDADE DE DEUS

    Ouvi de um padre, certa vez, uma curiosa comparação. Para mostrar a seus ouvintes como foi grande a humilhação de Deus ao encarnar-se num corpo humano, lembrou-se de um famoso conto do escritor tcheco Franz Kafka, “A metamorfose”, em que o protagonista Gregor Samsa amanhece subitamente transformado num grande inseto. E o padre perguntava aos que o ouviam: “Como a alma de cada um de vocês reagiria, se de repente se visse dentro do corpo de um inseto?” Essa “metamorfose” deve ter sido pouco confortável ao pobre Gregor. De um modo que jamais conseguiremos avaliar, também não deve ter sido fácil a permanência de Deus no frágil corpo humano de Jesus, com todas as suas limitações e problemas, por trinta e três anos. Para que Ele realizasse o Seu talvez maior milagre — encarnar-se num corpo decaído como o nosso —, quis valer-se da mais humilde de todas as criaturas humanas: a Virgem Maria. Era a humildade de Deus associando-se misteriosamente à humildade de Maria de Nazaré. Mas, além da encarnação e do nascimento pobre de Deus numa manjedoura de Belém, Deus continuou humilhando-se por nós. Não bastasse a suprema humilhação de fazer-se homem, humilhou-se de modo ainda mais radical: entregou a própria vida na cruz, como prova insuperável de Seu amor pela humanidade dilacerada pelo pecado. Parece que as humilhações divinas terminariam por aí; no entanto, continuam. Era necessário que a humildade da encarnação e do sacrifício na cruz se prolongasse até o fim dos tempos, enquanto houvesse História (“estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”, Mateus 28, 20), através da presença real de Cristo no mistério da Eucaristia. É verdadeiramente espantosa essa terceira forma de humildade de Deus, na qual o onipotente, o onipresente e o onisciente Criador se sujeita a disfarçar-se de um pequeno pedaço de pão. Mais que isto: utiliza-se tão completamente desse pão, que o pão perde a natureza de pão e preserva do pão apenas a aparência. Jesus mesmo o garantiu, quando tomou o pão e, abençoando-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: “Tomai, comei; isto é o meu corpo” (Mateus 26, 26). E Deus está de fato ali — misteriosamente, milagrosamente —, naquela coisa tão insignificante como alimento material, mas carregado de infinita potência divina, de incalculável força sobrenatural. A aparente passividade de Jesus diante do governador Pôncio Pilatos, ou diante dos soldados que o açoitaram, é de certa forma a mesma passividade das hóstias consagradas, descansando em cálices nos sacrários; ou completamente dóceis nas mãos dos padres ou dos ministros de Eucaristia à hora da comunhão. Passividade que (ao menos na aparência) não se recusa à alma em estado de pecado grave que, mesmo assim, atreve-se a entrar na fila da comunhão. Passividade aparentemente imóvel do Santíssimo Sacramento no ostensório, esperando pela vinda de fiéis (cada vez mais raros) para a Sua adoração. Contudo, essa aparente “passividade” do Cristo eucarístico esconde a maior “atividade” imaginável no universo: uma atividade em estado puro, uma atividade eterna e espiritual, que age desde todo o sempre movida pelo Amor. E por isso — por ser movida por Amor — é a mais humilde de todas as atividades. É uma pena que as distrações consumistas e hedonistas ocultem o verdadeiro sentido da comemoração natalina, deixando os cristãos esquecidos de que um dia, há aproximadamente 2018 anos atrás, Deus humilhou-se infinitamente por nós, vindo revestir-se de nossa carne miserável.

  • A IGREJA ROMANA

    A IGREJA ROMANA Este é um artigo em que o Padre Júlio Maria de lombaerde responde a um pastor protestante do Estado do Espírito Santo, este pastor lançou um panfleto contra a Igreja Católica, um panfleto que ele julga irrefutável e um golpe fatal contra a Igreja romana. O tal folheto não passa, — como aliás todos os folhetos Protestantes — de um acervo ridículo de velhas objeções, vejamos a seguir as três objeções: “A Igreja Católica Romana não é verdadeira igreja fundada por Deus: 1.° Porque Cristo nunca esteve em Roma, mas fundou a sua igreja na Galileia e em seus arredores, em Jerusalém, donde se estendeu pelo mundo inteiro. 2.° porque entre a Igreja romana e a Igreja do evangelho que está posto um abismo intransponível, porque houve maus papas. 3.° Porque a Igreja romana só apareceu 350 anos depois de Jesus Cristo, com a conversão de Constantino”. E o pastor, que parece ter perdido a bússola do bom senso, conclui: ” A Igreja fundada por Deus e por Jesus Cristo é aquela que tem todas as suas práticas autorizadas pelas sagradas páginas do Evangelho”. A conclusão é ótima, embora as premissas sejam ridículas e falsas. Vamos examiná-las separadamente. CRISTO NÃO ESTEVE EM ROMA Cristo fundou a igreja em Jerusalém e daí ela se espalhou pelo mundo inteiro. De acordo, meu pastor. De fato assim foi. Pois bem, esta Igreja, Cristo fundou-a em Jerusalém, sobre São Pedro, dizendo: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra (Pedro) edificarei minha igreja (Mateus 16,18). esta Igreja é a Igreja católica, isto é, universal, por estar espalhada no mundo inteiro. Esta igreja, caro pastor, não foi fundada em Roma, mas chama-se Romana porque os seus chefes, desde Pedro, residem em Roma. O senhor não sabia disso ainda; pelo menos parece. A Igreja de Cristo não se limita a Roma, mas está espalhada no mundo inteiro. Aqui o bom pastor, como nós dias atuais, usam de anacronismo, e na sua ganância, condena a si mesmo. Diz que a Igreja foi fundada por Cristo em Jerusalém; ora, a igreja protestante foi fundada por Lutero, na Alemanha, 1.500 anos depois desta fundação, feita por Jesus Cristo; prova que o seu protestantismo é uma obra humana, e não uma obra divina. É obra da revolta contra a Igreja de Jesus Cristo; é obra da paixão, da libertinagem de Lutero. O seu primeiro argumento é, pois, a condenação do próprio protestantismo. O nome da nossa igreja é: “Igreja católica Romana” e não simplesmente: “Igreja romana”. É apenas Romana, no sentido de que o seu chefe reside em Roma, e não porque é originária de Roma ou se limita a Roma. O presidente do Brasil reside em Brasília; entretanto, ninguém pensa em limiitar o Brasil a Brasília, nem em chamar todos os brasileiros de “brasilienses”. IGREJA ROMANA E EVANGÉLICA Nova confusão, nova balbúrdia, ou melhor, nova ignorância. A Igreja Católica é a única evangélica, acaba de dizê-lo. Chama-se Igreja evangélica aquela que é fundada por Jesus Cristo. Ora, só a Igreja Católica fundada por Ele, sendo a igreja protestante fundada por Lutero. E que fazem aqui os maus Papas, meu pastor?… Isto aparece aqui como cabelo em sopa. Se o presidente da república brasileira fosse um perverso, viciado, deixaria por isso de vestir a república brasileira? Não está vendo que a república é dependente da vida e costumes de seu chefe? Assim é a igreja de Jesus Cristo. Os Papas que se tem sucedido, sem interrupção, desde São Pedro até o Papa atual, formam uma série admirável, em sua grande maioria, de homens de virtude, de ciência e de santidade. Ao todo são mais de 270 Papas, sendo 86 declarados Santos e 166 considerados homens de excepcional virtude; e os 12 restantes tem sido incriminados pelos Protestantes caluniadores, porém uma crítica judiciosa justifica que dentre eles três apenas foram culpados de certas faltas, que não atingem nem a fé, nem a instituição da Igreja. Que prova isto, meu pobre pastor? prova claramente que o papado é uma instituição divina, pois através de 20 séculos, numa série de mais de 270 papas, há apenas uns poucos que não souberam respeitar a sua alta dignidade. Qual é a classe de homens que, entre 270 membros, conta apenas com 4 ou 5 traidores? Não existe. Jesus Cristo escolheu doze apóstolos entre doze houve um traidor. A Igreja, com seus quase meio milhão de padres católicos, tem necessariamente uns traidores, porém fraquezas de uns membros indignos não altera em tudo a do conjunto, nem da instituição (Os dados mais recentes referentes a 2016 também indicam que o número de clérigos no mundo é igual a 466.634, com 5353 bispos, 414.969 sacerdotes e 46.312 diáconos permanentes). A instituição é independente dos homens que a dirigem. A república existe, qualquer que seja o valor do seu presidente. A Igreja de Jesus Cristo existe, qualquer que seja o valor de seu chefe. A conclusão é, pois, clara, meu caro pastor. Não pode haver abismo entre a Igreja Romana e a do Evangelho, entre a Igreja de Cristo e os seus chefes que são os sucessores de São Pedro, os bispos de Roma, porque esta Igreja é uma só e independente dos seus chefes. A APARIÇÃO DA IGREJA ROMANA Bom pastor! o senhor devia ter vergonha de dizer tais coisas. Onde foi plagiar isto? É o cúmulo da ignorância. Qual foi a igreja que Jesus Cristo fundou? — foi a protestante? — Esta, coitada! Nasceu em 1517, na Alemanha, fundada por um padre apóstata, chamado Lutero. O senhor tem o topete de dizer que a Igreja Católica nasceu 350 anos depois de Jesus Cristo! É muita cegueira… Muita hipocrisia…. E muita ignorância da história. Para mostrar a verdade, levar a luz sobre as trevas das mentiras e hipocrisias protestantes, mostremos que Jesus Cristo instituiu a igreja. E também uma só Igreja, que fundou sobre Pedro. Chamou esta Igreja: minha Igreja. É ainda certo! Não é a igreja de Lutero, é a dele! Tudo isto é provado pela palavra do Cristo, é claro é positivo: “tu és Pedro e sobre esta pedra (Pedro é pedra é um nome em aramaico: Kefas), edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do reino do céu”(Mateus 16, 18-19). E mais tarde ele completará dizendo: “Eis que estou convosco todos os dias até ao fim do mundo” (Mateus 28,20). A IGREJA DE JESUS CRISTO Jesus Cristo funda uma única Igreja, sobre Pedro, promete-lhe nunca ser vencida e estar com ela até ao fim do mundo. Isto é certo. Esta igreja deve, pois, existir, e nunca pode ter sido vencida. E qual é esta Igreja? Será a protestante? Que nasceu 1500 anos depois dessa promessa, e não foi fundada sobre Pedro mais sim Lutero. Qual será? Só pode ser a católica; pois podemos seguir o seu desenvolvimento até os nossos dias. É só ler os Atos dos apóstolos e as Epístolas de São Paulo, para ver como a igreja começa a funcionar e a espalhar-se desde o princípio (Atos 14, 22-20, 17). A Igreja cresceu rápida, veloz, ao ponto que São Paulo pôde compará-la com um edifício muito alto, tendo os apóstolos por alicerce e Cristo como pedra angular (Efésios 2,20) Passando dos apóstolos aos sucessores destes, verificamos que vai subsistindo, progredindo sempre ao ponto que, no século 2, Tertuliano se atrevia a escrever no seu apologético, dirigido ao imperador romano: “somos de ontem, e já enchemos as cidades, as ilhas, os castelos, os acampamentos, as aldeias e os campos; sou deixamos vazios os vossos de templos. Se nos retirássemos, império ficaria deserto”. A Igreja do Cristo vai crescendo e se espalhando, multitudo ingens, diz Tácito, falando do tempo de Nero (Anais 15,44), formando uma imensa multidão, até que, afinal, dominando e vencendo a tirania dos imperadores pagãos, que chega ao reconhecimento oficial, com o reinado de Constantino Magno, primeiro imperador cristão. OS PAPAS DE ROMA Durante este tempo, São Pedro, falecido em Roma, no ano de 67, teve por sucessores os seguintes Papas. Segue a lista desde São Pedro até o Papa na época de Constantino, a intenção é mostrar que a igreja fundada por Jesus Cristo nunca deixou de existir. São Pedro, 42-67 São Lino, 67-78 São Cleto, 78-91 São Clemente, 91-100 São Evaristo, 100-109 Santo Alexandre I, 109–129 São Sixto I, 119-128 São Telésforo, 128-139 São Higino, 139-142 São Pio I, 142-150 São Aniceto, 150-162 São Soter, 162-170 São Eleutério, 170-186 São Vitor, 186-197 São Zeferino, 197-217 São Calixto I, 217-222 Santo Urbano I, 222-230 São Ponciano, 230 -235 Santo Antero, 235 -236 São Fabiano, 236-251 São Cornélio, 251- 252 São Lúcio I, 252-254 Santo Estêvão I, 254- 257 São Sixto II, 257-259 São Dionísio, 259-269 São Félix, 269-275 São Eutiquiano, 275- 283 São Caio, 283 -295 São Marcelino, 295-304 São Marcelo, 304-310 São Eusébio, 310 -311 São Melcíades, 311-313 São Silvestre I, 313-336 A IGREJA CATÓLICA EM 336 Paremos aqui. Foi o Papa São Silvestre que batizou o Imperador Constantino Magno. Eis-nos nos desde Jesus Cristo, sem interrupção de papas, chegados ao tempo em que, no dizer do pastor, teria nascido o catolicismo. E entretanto, estamos vendo o catolicismo romano atravessando os primeiros séculos, em pleno triunfo apesar das perseguições, invadir o mundo e subir ao trono do maior império do mundo, na pessoa de Constantino Magno, primeiro imperador católico. Foi neste tempo, em 325, que se reuniu o primeiro concílio dos bispos católicos, em Nicéia, ao qual compareceram 318 bispos, sob a presidência de Ósio Bispo de Córdoba, assistindo de dois legados do Papa de Roma, São Silvestre. Esses fatos históricos, que na época do Padre Júlio Maria muitos negavam, como o pastor em que ele deu essa resposta, não mudou muita coisa, nos tempos de hoje ainda encontramos muitos mentirosos, muitos desinformados, que são incapazes de ouvir os fatos e nossas argumentações, a vaidade é o nome dessa postura entre os Protestantes, sabemos muito bem o primeiro vaidoso da História, seu nome era Satã. Essas pessoas, como esse pastor da época do Padre Júlio Maria, são apenas arrogantes, e não tem um mínimo de humildade, são capazes de afirmar que a Igreja Católica nasceu em 330 depois de Cristo, quando a história civil como religiosa, pagã como Cristã, fala desta primeira reunião dos bispos no Concílio de Nicéia, no ano em que o senhor faz nascer a igreja! Então a Igreja Católica, nascendo, contava já pelo menos 318 bispos? É como se alguém dissesse que o pastor nascendo já estava com 318 anos, ou começou a existir 318 anos depois de nascer! Podemos até imaginar alguém nascendo com 318 filhos, não faz sentido, humildade para reconhecer que estão errados, isso é o que falta para o protestante. RESUMINDO Há uma só igreja fundada por Jesus Cristo, é aquela fundada sobre a pedra que é São Pedro. Onde está o Pedro, aí está, pois, a igreja verdadeira, Como diz Santo Ambrósio: Ubi Petrus, Ibi Ecclesia! Pedro é o primeiro Papa, nomeado pelo próprio Cristo: “Pedro, apascenta os meus Cordeiros e apascenta as minhas ovelhas” (João 21,15 -17); “Uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lucas 22,32). Cristo, fundando uma sociedade religiosa visível, que devia durar até ao fim do mundo, devia necessariamente nomear um chefe, com sucessão, para perpetuar a mesma autoridade: “Quem vos escuta, escuta a mim” (Mateus 28, 18). Se assim não fosse, Cristo não teria podido dizer: “Eis que estou convosco todos os dias até ao fim do mundo” (Ibid 20); devia ter dito que estaria apenas com Pedro até ao fim da sua vida. Isso prova que a igreja fundada por Jesus Cristo é terna e indefectível, e que nunca as portas do inferno (Isto é, os erros e os vícios), aonde prevalecer contra ela (Mateus 16,18). Eis a igreja fundada sobre São Pedro, em pé, firme, inabalável, atravessando os séculos, as perseguições, os ódios e as heresias, dirigidas pelos sucessores de São Pedro, até chegar à época de Constantino onde ela sai das catacumbas, dos locais de execução pública, grande, Bela, imensa, poderosa, para subir ao trono na pessoa de Constantino. E nessa época de paz, para refutar os erros que vão nascendo nesse imenso e já Mundial rebanho, o Papa São Silvestre convoca o primeiro Concílio geral, em Nicéia, onde se reúnem, apesar das comunicações difíceis e longas, mais de 318 bispos, de diversos cantos do império e do mundo. Mas, os protestantes, tem a arrogância de dizer, que foi nessa época que nasceu o catolicismo! É risível! Mas onde estava então a igreja fundada por Cristo?… Onde estava ela, sábios protestantes?… Que foi feito dela? Cristo diz que sua igreja nunca havia de perecer — e eis que perece, desaparece, sem deixar vestígios. Essa igreja seria por acaso o seu perverso protestantismo? Não pode ser, pois nasceu 1500 anos depois, como produto de revolta e da devassidão de Lutero. Responda-me caros Protestantes, o Cristo mente escandalosamente ou vocês mentem descaradamente, qual das opções escolhem? Em quem devemos acreditar? Em Cristo Deus, — ou no pastor que abriu uma igrejinha há poucos dias, pois os dois estão completamente em contradição? É Jesus ou Barrabás! Os judeus preferiram Barrabás, os protestantes segundo as leis e os costumes judeus, continuam a preferir Barrabás. Nós, Católicos, preferimos Jesus, cantamos convictos e decididos: Queremos Deus, que é nosso rei, queremos Deus, que é nosso pai. LOMBAERD, Júlio Maria, ataques protestantes as verdades católicas. #France #Apologética #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Igreja

  • CATÓLICOS, ROMANCE DE BRIAN MOORE QUE PROFETIZOU A IGREJA DE HOJE – Rino Cammilleri

    Brian Moore nasceu em Belfast em 1921 e era católico. Dado o lugar de sua infância, seu catolicismo deve ter sido “um campo de batalha”. Depois da guerra, que o viu trabalhando para o governo britânico na África, França e Itália, ele se estabeleceu no Canadá, onde começou carreira no jornalismo. Dedicou-se então ao romance e roteiros do filme. Neste último campo, é seu o roteiro do filme A cortina rasgada (de Alfred Hitchcock, com Paul Newman e Julie Andrews, 1966). Morrendo em 1999 em Malibu, Califórnia, Moore teve vários de seus romances traduzidos para o italiano, incluindo A caça, em 1995, de onde saiu um filme estrelado por Michael Caine. Em 1972, ele escreveu um romance curioso, Católicos, publicado na Itália por Lindau (95 p., € 12). Interessa-nos aqui o assunto, que é em muitos aspectos singularmente profético. O autor imagina que, em um futuro não especificado, na esteira das atualizações desencadeadas pelo Concílio Vaticano II, a Igreja colocou o ecumenismo em primeiro lugar em sua escala de prioridades. Daí uma série de conseqüências, próprias do plano inclinado… A Igreja Católica se uniu a uma organização que reunia todas as confissões religiosas e estava baseada em Amsterdã. A Missa, para amenizar aquilo que para os outros credos era inaceitável, tornou-se um mero símbolo: ia-se à igreja só para celebrar o “Deus-nos-outros”, não mais a Paixão de Cristo. A comunhão não era mais a solene ingestão do Corpo de Cristo, mas uma refeição comunitária que selava a fraternidade entre os participantes do rito. A batina no clero foi abolida, assim como nos religiosos. Finalmente, o Vaticano  iniciou negociações para construir uma espécie de comunhão com o budismo, e os encontros para estabelecer o acordo já estavam em andamento, tanto na Ásia como em Roma. Enquanto isso, no entanto, algo estranho aconteceu: a BBC transmitiu um serviço religioso que causou sensação. Em uma pequena ilha, na costa norte da Irlanda, um mosteiro da ordem “albanesiana” celebrava uma Missa em latim (sim, aquela de São Pio V). O isolamento (os monges não tinham TV ou rádio) incentivava o fenômeno. Só que, após a transmissão da BBC, multidões de peregrinos de todo o mundo invadiram a ilha. Enfrentando inconvenientes consideráveis ​​(chuva, frio, lama), muitas pessoas fretavam vôos só para participar dessa Missa. Havia mais, porém. Se o sacramento da confissão era então considerado obsoleto, e a Igreja só convocava ritos coletivos de reconciliação comunitária, na ilhota irlandesa continuava-se a praticar a confissão auricular e individual. E longuíssimas filas de penitentes invadiam o mosteiro irlandês em busca de confessionários. Repita-se: Moore imaginou tudo isso em 1971, se não antes. E, outra vez, profeticamente, ele imaginou a reação da hierarquia do Vaticano ao fato, quando se viu a segunda transmissão da BBC, que documentava o sucesso inesperado das “velharias” sobreviventes na pequena ilha irlandesa. A primeira preocupação do Vaticano foi “normalizar” a situação anômala. Um inquisidor foi enviado ao lugar com plenos poderes. Levava uma carta imperativa do superior geral albanesiano ao abade irlandês: devia parar imediatamente com aquelas antiguidades e se adaptar às novas diretrizes em curso, sob pena da transferência forçada do abade e a dissolução do mosteiro. O enviado era um padre americano de origem propositalmente irlandesa, realmente surpreendido ao ver monges vestidos como monges, vivendo de acordo com os ritmos da regra antiga (os quais entendiam, perfeitamente, as razões de sua vinda). E um deles disse-lhe, com clareza: “Esta nova Missa não é um mistério, mas uma piada, um nhenhenhém; não se dirige a Deus, mas ao nosso próximo; é por isso que é em inglês, em alemão, em chinês e em todas as outras línguas que as pessoas falam na igreja. Eles dizem que é um símbolo, mas um símbolo de quê? É um show, eis o que é”. O final da história é pessimista: o abade, obtorto collo [constrangido], obedece à ordem. Moore, melhor para ele, morreu antes de ver a ascensão do clero “arco-íris”. http://lanuovabq.it/it/cattolici-il-romanzo-profetico-sulla-chiesa-di-oggi

  • POSSIBILIDADE DE SE RECEBER A SAGRADA COMUNHÃO NA MÃO

    POSSIBILIDADE DE SE RECEBER A SAGRADA COMUNHÃO NA MÃO “TOMAI E COMEI: ISTO É O MEU CORPO” (MATEUS 26 26). “A comunhão eucarística foi ministrada nas mãos dos comandantes até o século IX. Você, porém, abusos e irreverências, que levaram a igreja a preferir da a Eucaristia na boca dos fiéis. Em nossos dias a praxe mais antiga foi restaurada sob certas condições, que visam garantir o respeito ao Santíssimo Sacramento. Uma declaração da Santa Sé enfatiza o direito dos fiéis de receber a comunhão na boca desde que o desejem”.(Lumen Cristo). TERTULIANO DE CARTAGO “O zelo da fé falará em lágrimas neste ponto: é possível que um cristão venha dos Ídolos para a igreja, da Oficina do adversário para a casa de Deus? Que levante as mãos – mães dos Ídolos – a Deus pai? que ore com aquelas mãos que, do lado de fora, oram contra Deus? E que se aproximem do corpo do Senhor aquelas mãos que conduzem os corpos aos demônios?(…) Como estendeis o corpo do Senhor as mesmas mãos que haveis levado corpos [=carnes imoladas] aos demônios [=ídolos]?(…) Ó escândalo! Os judeus puseram suas mãos em Cristo uma só vez, mas esses desgarram seu corpo todos os dias, ó mãos dignas de amputação!(…) que mãos merecem ser amputadas com mais razão do que aquelas que ultrajam o corpo do Senhor (da idolatria 7). CIPRIANO DE CARTAGO “Amemos nossa mão direita com a espada espiritual, para que rejeite fortemente os funestos sacrifícios; para que, recordando-se da Eucaristia, [a mão direita] que recebe o corpo do Senhor o abrace pessoalmente, ela que em pouco tempo haverá de receber do Senhor o prêmio das coroas Celestiais (carta 58,9). “Mãos esclarecidas, que não foram feitas para outra coisa senão para a obra divina: resistiram aos sacrifícios sacrílegos; as bocas santificados pelos manjares Celestiais do corpo e sangue do Senhor rejeitaram o contágio com o profano e com o resto dos ídolos” (dos lapsos 2). “[Os traidores] retornando dos Altares do diabo, aproximaram o [corpo] santo do Senhor às suas mãos sórdidas e infectadas pelo fedor [dos sacrifícios pagãos]. Tendo praticamente arrotado os alimentos dos Ídolos, assaltam agora o corpo do Senhor, com faces que ainda exalam [o fedor] de Seu Crime e fedem funestos contágios” [dos lapsos 15]. FIRMINIANO DA CAPADÓCIA “Ademais que grande delito cometem aqueles que são admitidos ou admitem tocar o corpo e o sangue do senhor sem ter lavado suas manchas através do Batismo na igreja, ou não tendo deposto seus pecados, usurpando temerariamente a comunhão! Por isso, está escrito: quem quer que, indignamente, coma do pão ou beba do Cálice do Senhor, será réu do corpo e do sangue do Senhor” (carta 75,10 vírgula 21). CIRILO DE JERUSALÉM “Ao te aproximares, Não o faças com as mãos estendidas, nem com os dedos separados. Faze com a esquerda como um Trono no qual se assente a direita, que vai conter o Rei. E, no côncavo da Palma, recebe o corpo de Cristo, respondendo “Amém”. Com segurança, então, depois de santificados teus olhos pelo contato do Santo corpo, toma-o, cuidando para nada a perderdes, pois o que caísse por terra tu o perderias como se fossem teus próprios membros. Responde-me: se alguém te houvesse dado ouro em pó, não o faria com todo o dinheiro e não tomarias cuidado para que não te caísse das mãos e para que nada se perdesse? Sendo assim, não deves com Muito esmero cuidar de que não caia nem uma só migalha daquilo que é mais precioso do que o ouro e as pedras preciosas?(…) depois, aguardando a oração, dá Graças a Deus que te fez digno de tão grandes mistérios” (leituras catequéticas). JOÃO CRISÓSTOMO “Reflete, ó homem, de que sacrifício irás tocar, de que mesa irás se aproximar. Pensa que, embora seja terra e cinza, recebes o sangue e o corpo de Cristo” (homilia do natal do senhor 7). “Não nos concedeu apenas Ver-lhe, como também tocar-lhe, comer-lhe e fincar os dentes em sua carne, unindo-nos a ele de uma maneira mais íntima” (homilia sobre João 46,3). CONCÍLIO REGIONAL DE AUXERRE “Uma mulher não pode receber a Eucaristia com sua mão nua (Canon 38). Referência bibliográfica: a fé cristã primitiva #Sacramentos #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Doctrinaldevelopment #Igreja

  • DUAS LISTAS COM DEZ LIVROS (E UM POUCO MAIS) – James V. Schall S.J.

    Aqui estão duas listas de dez livros que ofereço ao leitor de The catholic thing. Os livros da primeira lista são mais breves; mas são também provocativos e profundos. A segunda lista contém livros de tamanho e alcance um pouco maiores. Tentei incluir livros com vários pontos de vista, focalizando diferentes aspectos da inteligência humana. Poderia montar facilmente outros conjuntos de dez livros com o mesmo propósito, mas o meu objetivo, aqui, é fornecer um guia, uma base que possa se sustentar por si mesma. Não são poucas as pessoas que já conhecerão esses livros, ou aqueles outros que poderiam ser incluídos na lista. O que ofereço é simplesmente aquilo que julguei digno de ser lido. Meu interesse, com isso, é auxiliar alguém que queira começar, mas não saiba para onde ir. Espero que tais livros, se lidos, possam constituir uma pequena, mas sólida “biblioteca“, por assim dizer. Suponho que a maioria deles também já esteja no formato de e-books e poderiam ser reunidos numa pasta de computador. Foram concebidos para deixar claro, a quem os ler, que a inteligência católica, apesar de (ou talvez por causa de) toda a sua própria turbulência, é aquilo que diz ser: uma busca universal, inteligente e coerente da verdade. O catolicismo é uma religião intelectual; entende que a revelação divina é dirigida para a razão e deve ser compreendida à sua luz, devendo, portanto, para ser fiel a si mesma, incluir não apenas o conhecimento que recebeu por revelação, mas o que vem pela experiência, pela reflexão filosófica e outras formas de aprendizado. Seguem as duas listas. PRIMEIRA LISTA 1) J. M. Bochenski, Philosophy – An Introduction (Filosofia – Uma Introdução) 2) G. K. Chesterton, Orthodoxy (Ortodoxia) 3) E. F. Schumacher, A Guide for the Perplexed (Um guia para os perplexos) 4) Robert Spitzer, New Cosmological Proofs for the Existence of God (Novas Provas Cosmológicas para a existência de Deus) 5) Joseph Pieper, An Anthology (Uma antologia) 6) Robert Sokolowski, The God of Faith and Reason (O Deus da fé e da razão) 7) Peter Kreeft, The Philosophy of Tolkien (A filosofia de Tolkien) 8) Mario d’Souza, Being in the World: A Quotable Maritain Reader (Ser no mundo: uma introdução a Maritain) 9) Robert Reilly, The Closing of the Muslim Mind (O retraimento da mentalidade muçulmana) 10) Pierre Manent, Seeing Things Politically (Vendo as coisas politicamente) SEGUNDA LISTA 1) Robert Royal, A Deeper Vision: The Catholic Intellectual Tradition in the Twentieth Century (Uma visão mais profunda: a tradição intelectual católica no século XX) 2) Robert Sokolowski, The Phenomenology of the Human Person (Fenomenologia da pessoa humana) 3) Bento XVI, , Jesus of Nazareth (Jesus de Nazaré) 4) John D. Mueller, Redeeming Economics (Redimindo a economia) 5) Etienne Gilson, The Unity of Philosophic Experience (A unidade da experiência filosófica) 6) Edward Feser, Scholastic Metaphysics: A Contemporary Introduction (Metafísica escolástica: uma introdução contemporânea) 7) David Schindler, A Robert Spaemann Reader (Introdução a Robert Spaemann) 8) Robert Reilly, Making Gay Okay (Ok ao mundo gay) 9) Michael Chaberek, Catholicism and Evolution (Catolicismo e evolução) 10) David Walsh, The Politics of the Person as the Politics of Being (Política da pessoa como política do ser) Tais são os livros, sobre vários assuntos, que eu recomendaria ao leitor. É óbvio que, ao final de tais listas curtas, vêm de imediato à lembrança outros livros que deveriam ter sido incluídos. Penso em Lenda da Idade Média, de Rémi Brague, A Tradição como Desafio, de Josef Pieper, O Outro Solzhenitsyn, de Daniel Mahoney e Do Big Bang ao Big Mystery: origens humanas à luz da criação e evolução, de Brendan Purcell. Há, também, toda uma lista de outros autores — John Finnis, Robert George, George Weigel, Alasdair MacIntyre, Charles Taylor, John Haldane, Peter Redpath, Yves Simon, Hilaire Belloc, Ronald Knox, Sigrid Undset, Bernard Lonergan, Stanley Jaki, Michael Novak, Mary Ann Glendon e uma série de outros. . . . Finalmente, há aqueles livros que todos deveríamos ler e reler, de autores como Platão e Aristóteles, Virgílio e Agostinho, Tomás de Aquino e Dante, Shakespeare e Samuel Johnson, John Henry Newman. Tudo bem. Mas o que espero é que essas listas logrem proporcionar, nas almas daqueles que as acolherem, um ponto de partida ou impulso intelectual, uma consciência de que o catolicismo faz sentido quando o vemos explicado por aqueles que sabem de que se trata (aqueles que, como se diz no beisebol, “sabem como anda placar”). Não é preciso ser crente para ver essa coerência expessa em seus próprios termos. Questões como a fé e a graça também estão dentro dessa tradição. Não estamos perdidos. A mente católica é realmente uma mente; vale a pena que nos custe um pouco conhecê-la em seus próprios termos. Espero que os livros sugeridos possam fornecer uma maneira e uma razão para compreendermos melhor aquilo que somos. (16/01/2018) https://www.thecatholicthing.org/2018/01/16/two-lists-of-ten-books-and-more/

  • O AMOR DE DEUS DOMINA OS OUTROS AMORES

    O AMOR DE DEUS DOMINA OS OUTROS AMORES A vontade governo todas as outras faculdades do espírito humano, Mas é governada pelo seu amor que a torna tal qual ele é. O amor de Deus é o primeiro entre todos os amores, e possui a tal ponto ou direito de dominar inseparavelmente unido e próprio a sua natureza, que se Ele não domina, deixa de existir e perece. Ismael não herdou com Isaac, seu irmão mais novo; Esaú foi destinado ao serviço de seu irmão, nascido depois dele; José foi venerado, não só por seus irmãos, mas também para o seu pai, e até por sua mãe, na pessoa de Benjamin, como o tinha previsto nos sonhos da sua adolescência. Não é sem mistério que os últimos entre estes irmãos tiram as vantagens que pertenciam aos primeiros. O amor divino é, na verdade, o último nascido entre todos os afetos do coração humano; Ah pois segundo diz o apóstolo (1 Coríntios 15, 46), aparece primeiro o que é animal e só depois o que é espiritual. Este último nascido herda toda a autoridade, e o amor próprio, como um outro Esaú, é destinado ao seu serviço; e não só todos os outros movimentos da alma, como seus irmãos, o adoram e lhe são sujeitos, mas até o entendimento e a vontade, que lhe fazem as vezes de pai e mãe. Tudo está sujeito a este celeste amor, que quer ser sempre o rei ou nada, não podendo viver sem reinar, nem reinar senão soberanamente. Isaac, Jacó e José, foram filhos sobrenaturais; porque suas mães, Sara, Rebeca e Raquel, sendo estéreis por natureza, os conceberam pela graça da bondade Celeste; eis a razão porque foram constituídos senhores de seus irmãos. Da mesma forma o amor sagrado é um filho milagroso, porque a vontade humana não pode concebê-lo, se o Espírito Santo o não comunica aos nossos corações; e, como sobrenatural, deve presidir e reinará sobre todos os outros afetos, inclusive o entendimento e a vontade. Mesmo que haja outros movimentos sobrenaturais na alma, como o temor, a piedade, a Fortaleza, a esperança, assim como Esaú e Benjamin foram filhos sobrenaturais de Raquel e de Rebeca, assim o divino amor é o Senhor, o herdeiro e o superior, como Filho da promessa (Gálatas 4, 28), visto que em atenção a ele é que o céu foi prometido ao homem. A salvação é revelada pela fé, prepara-se pela esperança, mas só é dada à caridade. A fé mostra o caminho da terra prometida, como uma coluna de nuvem e de fogo, isto é, claro-escura; a esperança sustentamos com a suavidade do seu maná; a caridade introduz-nos nela, como a arca da aliança que nos abre a passagem do Jordão, quer dizer do juízo final, e permanecerá no meio do povo, na pátria Celeste, prometida aos verdadeiros de israelitas, na qual nem a coluna da fé é já necessária para nos guiar, nem o maná da esperança para nos sustentar. O santo amor reside na mais alta e elevada a região do espírito, onde faz os seus sacrifícios e holocaustos a Divindade, como Abraão fez o seu (Gênesis 22,2), e como Nosso Senhor se imolou no Calvário, para um tão elevado como ser ouvido e obedecido pelo seu povo, isto é, por todas as faculdades e afeições da alma, que Ele governa com uma incomparável doçura. O amor não tem nem forçados nem escravos, antes submete todas as coisas a sua obediência com uma força tão deliciosa, que, assim como nada é mais forte do que o amor, nada é também tão amável como a sua força. As virtudes residem na alma para animar os seus movimentos, e a caridade, como a primeira de todas, as dirige e modera, não só porque, “em todas as coisas, o primeiro em cada espécie serve de regra de Norma a tudo o mais” (Aristóteles, física 1. 4 capítulo 14), mas também, porque Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, e quer que tudo no homem, como n’Ele próprio, seja ordenado pelo amor e para o amor. SALES, São Francisco de, 1567-1622, tratado do amor de Deus, 1° edição – São Caetano do sul, São Paulo: Santa Cruz editora e livraria, 2016 #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméeprincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalMacedôniabelarusRússiapaquistãoIrãCoreiaEgipto #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #SãoFranciscodeSales #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja

  • The Origin and Dishonest Use of Protestant Prejudice Against Catholics.

    The Origin of Protestant Prejudice It is an inherited notion with non-Catholics that Christianity, which was very pure in it’s beginnings, became very corrupt in the middle ages,and is again very pure now in orthodox Protestantism. There arose in the middle ages a tyrannical institution called the Church,that swallowed up Christianity and has not yet disgorged it’s prey.  All was dark and horrible, and worse than paganism; neither God or Christ were known; the Virgin, the Saints, the Pope,images and relics were worshipped instead. The Homilies of the Church of England,an authoritative document in that church at the present day, says that “In the pit of damnable idolatry all the work was,as it were, drowned, and so continued until our age(the sixteenth century), by the space of above eight hundred years,so that laity and clergy,learned and unlearned,all ages,sects and degrees,of men,women and children of whole Christendom —-a most horrible thing to think off – have been at once drowned in abominable idolatry. That was the time of apostasy,when the Pope was the man of sin and the Church the mother of abominations.” The point is this; I have said that there was in Protestant minds a prejudice about the middle ages,during which came in all the corruptions of the Church,lasting until this day; and you see how and where and when this traditional Protestant prejudice against the Church originated. We have arrived in those authoritative documents at the source of the prejudice,the first link of the chain,the first title deed on which the inheritance rests. At this point of our progress I have an important consideration to put before you, to which I invite your serious attention. Dishonest Use of Protestant Prejudice. Non-Catholics have been taught what they hold concerning us in the nursery,in the schoolroom,in the lecture class,from the pulpit,from the religious publication,often from the secular newspaper,in society. Private judgment in matters of religion is their principle;in practice they go by tradition;they take their views of the Church on hearsay. Now, tradition has it’s proper use as an initial means of gaining notions about historical or other facts;it is natural and necessary to trust it when it has the proper qualifications. But we ought not,on the score of mere hearsay,to keep our eyes and ears shut against every other evidence,every other means of proof;we ought not be so furiously certain and so energetically positive that we know all about the matter in question,when our only source of information is a partial and partisan tradition. There is not,in such an inherited tradition,sufficient reason to make us absolutely sure,much less to make us angry with those who take a different view of the matter. There was,among a section of the Jewish people,a tradition,not all of divine,but of human origin,that their Messiah was to be a great temporal ruler. On the strength of that tradition they reviled, rejected and crucified their true Messiah, who did not come to them in the guise of temporal greatness. I consider the chief merit of “Ben Hur” to be the bringing out of this contrast between a false tradition and the reality. The source of the anti-Catholic prejudice is the secession of the sixteenth century. Now,I’m not at present inquiring whether in the sixteenth century there were or were not good reasons for that secession,nor consequently whether the traditions then originated and since inherited, by which non-Catholics prejudge the Catholic Church,is or is not well founded. I simply state the fact that we are so prejudged; and, moreover, I assert that,since protestants recognize no teaching body authorized to instruct the in religion,no infallible voice to guide them,they have no rational right to assume their tradition to be sufficiently grounded so as to safely judge and condemn us on that evidence alone, but should make a personal examination of the value of such tradition,and test it in it’s first link,in it’s very source,or judge the Church only by their actual knowledge of it. How many have done this? Ask any Protestant out of the mass why he believes that our religion is untrue, dangerous, absurd;and he will not say, “I have had good actual proofs of it;I know catholic teaching too well to doubt it; I’m well read in history and can vouch for it.” He will most likely say,and,if he is honest,he can only say, “Why the thing is too notorious for proof; everyone knows it;everyone of our books asserts it;it as been so ruled long ago,and there’s an end of it… that they are not constantly plotting to destroy schools and exterminate education;that they would not, is only they had it in their power, bring the whole country under a foreign despotism!” Why, he is perfectly sure of it; it must be true,because all the ministers say so. It is preached in all their churches every Sunday! (Rev. Thomas O’Gorman, How Catholics Come to be Misunderstood)

  • VISITAÇÃO DE MARIA A ISABEL – 4º Domingo do Advento

    Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Maria, a verdadeira Arca da Aliança”, clicar AQUI. Diante da Arca da Aliança, no Antigo Testamento, um Davi cheio de temor pergunta: “Como entrará a arca do Senhor em minha casa?” De modo semelhante, ao receber em sua casa a Virgem Maria, no Evangelho deste domingo, Santa Isabel pergunta: “Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?” Nesta meditação Padre Paulo Ricardo explica como, em Nossa Senhora, cumprem-se todas as promessas feitas por Deus ao longo da história da salvação. A SAUDAÇÃO DA MÃE (Scott Hahn medita sobre a Liturgia da Palavra neste 4º Domingo do Advento) Neste último domingo antes do Natal, a Liturgia da Igreja revela a verdadeira identidade do nosso Redentor. Como diz a primeira leitura de hoje, Ele é o soberano cuja “origem vem de tempos remotos, desde os dias da eternidade”. Ele virá de Belém, onde Davi nasceu de Jessé de Éfrata e foi ungido rei (Rute 4, 11–17; 1 Samuel 16, 1–13; 17, 1; Mateus 2l 6). Deus prometeu que um herdeiro de Davi reinaria em seu trono para sempre (II Samuel 7, 12-13; Salmo 89; Salmo 132, 11-12). Jesus é esse herdeiro, Aquele que, segundo a promessa dos profetas, restauraria as tribos dispersas de Israel em um novo reino (Isaías 9, 5–6; Ezequiel 34, 23-25, 30; 37,35). Ele é “o pastor de Israel”, como se canta no salmo de hoje. De seu trono, no céu, Ele desceu para nos salvar. A epístola de hoje nos diz que Ele é tanto o Filho de Davi como o único Filho “gerado” de Deus, vindo “na carne” (Salmo 2, 7). Ele também é nosso “sumo sacerdote”, nos moldes do misterioso Melquisedeque, “sacerdote do Deus Altíssimo”, que abençoou a Abraão no alvorecer da história da salvação (Salmo 110, 4; Gênesis 14, 18-20). Tudo isso é reconhecido por João, quando salta de alegria no ventre de sua mãe. Isabel também está cheia de alegria e do Espírito Santo. Ela reconhece que, em Maria, a mãe do seu Senhor veio vê-la. Ouvimos em suas palavras outro eco do Salmo citado na epístola de hoje (Salmo 2, 7). Isabel abençoa Maria por sua fé em que a Palavra de Deus nela se cumpriria. Maria marca o cumprimento não só da promessa do anjo para com ela, mas de todas as promessas de Deus ao longo da história. Maria é aquela que eles esperavam na Primeira Leitura de hoje – a mãe que, chegado o tempo, iria dar à luz o Rei. Ela dará à luz esta semana, no Natal. E o fruto do seu ventre deve nos trazer alegria, pois ela é a mãe do nosso Senhor. https://stpaulcenter.com/a-mothers-greeting-scott-hahn-reflects-on-the-fourth-sunday-of-advent/ https://stpaulcenter.com/el-saludo-de-una-madre-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-4o-domingo-de-adviento/ LITURGIA DA PALAVRA PRIMEIRA LEITURA – Um Reino que será para sempre Assim diz o Senhor: Tu, Belém de Éfrata, pequenina entre os mil povoados de Judá, de ti há de sair aquele que dominará em Israel; sua origem vem de tempos remotos, desde os dias da eternidade. Deus deixará seu povo ao abandono, até o tempo em que uma mãe der à luz; e o resto de seus irmãos se voltará para os filhos de Israel. Ele não recuará, apascentará com a força do Senhor e com a majestade do nome do Senhor seu Deus; os homens viverão em paz, pois ele agora estenderá o poder até os confins da terra, e ele mesmo será a Paz. (Miquéias 5,1-4a) SALMO 79 – O pastor de Israel (Antífona): Iluminai a vossa face sobre nós, convertei-nos para que sejamos salvos! Ó Pastor de Israel, prestai ouvidos./ Vós que sobre os querubins vos assentais,/ aparecei cheio de glória e esplendor!/ Despertai vosso poder, ó nosso Deus/ e vinde logo nos trazer a salvação! Voltai-vos para nós, Deus do universo!/ Olhai dos altos céus e observai./ Visitai a vossa vinha e protegei-a!/ Foi a vossa mão direita que a plantou;/ protegei-a e ao rebento que firmastes! Pousai a mão por sobre o vosso Protegido,/ o filho do homem que escolhestes para vós!/ E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus!/ Dai-nos vida e louvaremos vosso nome! SEGUNDA LEITURA – O Rei que se ofereceu pelos súditos Irmãos: Ao entrar no mundo, Cristo afirma: “Tu não quiseste vítima nem oferenda, mas formaste-me um corpo. Não foram do teu agrado holocaustos nem sacrifícios pelo pecado. Por isso eu disse: ‘Eis que eu venho. No livro está escrito a meu respeito: Eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade’”. Depois de dizer: “Tu não quiseste nem te agradaram vítimas, oferendas, holocaustos, sacrifícios pelo pecado” – coisas oferecidas segundo a Lei – ele acrescenta: “Eu vim para fazer a tua vontade”. Com isso, suprime o primeiro sacrifício, para estabelecer o segundo. É graças a esta vontade que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas. (Carta aos Hebreus 10, 5-10) EVANGELHO – A verdadeira Arca da Aliança Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. (São Lucas 1, 39-45)

  • Debate sobre os dias santos e o natal com um TJ

    O seguinte diálogo surgiu na caixa de comentários no meu blog, abaixo do artigo, Árvores de Natal como Ídolos ?: Argumentos “Bíblicos” bobos. As palavras de R. Green (possivelmente uma Testemunha de Jeová: ele não disse) estarão em azul. A compreensão bíblica da idolatria, especialmente para as Testemunhas de Jeová, é muito mais profunda do que apenas “adorar a própria árvore como um ídolo”. Para um adorador de Deus (conforme encontrado nas Escrituras hebraicas e gregas), a verdadeira idolatria vem da substituição do tipo de adoração que Deus aprova – novamente, conforme descrito nas Escrituras – com as idéias de homens e demônios. As Testemunhas de Jeová olham para a Bíblia para “verdade na adoração”. A Bíblia não comanda qualquer celebração como o Natal. De fato, oferece apenas pistas vagas sobre a época do ano em que Jesus nasceu. Deus foi muito claro para os israelitas sobre os dias e as semanas que deveriam ser observados como “santos” (dias santos = feriados). Jesus também estava claro sobre as observâncias sagradas. Ele disse a seus seguidores que comemorassem o dia em que ele deu a vida com um pedaço simbólico de pão e um copo de vinho. Este foi um mandamento para um Santo Memorial – “Faça isso em memória de mim”. Dessa perspectiva, portanto, qualquer coisa que seja instituída pelo homem como um “dia santo” torna-se idolatria – especialmente quando é derivada de religiões e cultos não-bíblicos. É bem conhecido que o Natal foi instituído pela Igreja Católica como um apaziguamento para os “pagãos convertidos” (sendo pagão um termo comum e variável, embora não seja verdadeiramente uma maneira precisa de classificar os muitos tipos de crenças não-judaico-cristãs encontradas na Europa e nas áreas circuncidantes). A árvore de Natal, assim como muitas outras representações icônicas das observâncias de feriados, podem ser corretamente vistas como ídolos. É a simbologia religiosa trazida para o cristianismo a partir desses grupos “pagãos” pela Igreja Católica. Pode-se optar por não ver árvores de natal, visco, toras de yule, etc … como ícones religiosos, mas realmente não se pode argumentar que eles não derivam da idolatria. Pelo contrário, a Bíblia dá muita indicação dos dias santos e da celebração deles. Também escrevi sobre as origens do costume da árvore de Natal. Eu lidei com essa questão entre muitas outras, em minha extensa refutação às Testemunhas de Jeová em 1987:} 4. Feriados Gálatas 4: 8-11 é interpretado pelas Testemunhas de Jeová como proibindo a realização de feriados. Mas o que Paulo está realmente condenando aqui, no contexto, é uma observância escrupulosa dos dias sagrados dos judeus, a fim de obter a salvação. Paulo instruiu os gálatas a abandonarem o legalismo e desfrutarem da liberdade que tinham em Cristo (Gl 3:12). O Natal é considerado pela Torre de Vigia como um feriado pagão, pois, segundo eles, é na data da antiga festa romana Saturnalia. Mesmo além disso, O Natal não tem nada a ver com Cristo. Está saturado de demonismo. (WT [A Sentinela], 15 de dezembro de 1978, p. 5) As Testemunhas de Jeová também consideraram o Natal como o aniversário de Nimrod. . . . A Torre de Vigia cita Jeremias 10: 3-4 para “provar” que os cristãos não deveriam colocar árvores de Natal. No contexto, no entanto (esp. 10: 8, 14-15), vemos que a passagem não tem nada a ver com decorações, mas sim com a fabricação de ídolos de madeira, a impotência de ídolos e o pecado e a loucura da idolatria. Para que a objeção da Torre de Vigia ter alguma força, eles teriam que estabelecer o fato de que as pessoas de fato adoram suas árvores de Natal (ver WT, 15 de dezembro de 1976, 766); claramente um cenário absurdo. Charles Taze Russell, o fundador das Testemunhas de Jeová, achava que a celebração do Natal era importante e apropriada: Nos dias do Pastor Russell, o Natal era celebrado na antiga Casa Bíblica em Allegheny, na Pensilvânia. . . a celebração do Natal com uma árvore de Natal na sala de jantar do Bethel. . . (Anuário das Testemunhas de Jeová de 1975, 1974, p. 147) O Natal foi proibido em 1928 pela Torre de Vigia. O Dia de Ação de Graças, a Páscoa e a Sexta-Feira Santa são igualmente proibidos, sob a ameaça de desassociação. Os aniversários não são comemorados, uma vez que: . . . eles exaltam a criatura, fazendo dela o centro das atenções e não o Criador. (A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, 1968, 146) Este nem sempre foi o caso: Naqueles dias anteriores, cristãos dedicados comemoravam aniversários. . . comemorações de aniversário e Dia das Mães foram descartadas – mais adoração de criaturas. (Anuário das Testemunhas de Jeová de 1975, 1974, p. 147) Da mesma forma, envolvimento em casamentos cristãos, funerais, batismos, etc. são considerados impróprios para as Testemunhas de Jeová. Feriados em geral são ditos: . . . honrar e exaltar nações ou instituições mundanas. O costume errado aqui é dar crédito a essas organizações por benefícios que realmente deveriam ser creditados a Deus. (A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, 1968, 146) A refutação desse tipo de legalismo farisaico pode ser encontrada na Sagrada Escritura: Romanos 14: 5-6 (KJV) Um homem estima um dia acima de outro: outro estima igualmente todos os dias. Que todo homem seja totalmente persuadido em sua própria mente. Aquele que considera o dia o considera para o Senhor. . . Os cristãos são ordenados por Deus a “honrar” suas mães e pais (Efésios 6: 2), viúvas (1 Timóteo 5: 3), mestres cristãos (1 Timóteo 5:17), esposas (1 Pedro 3: 7), irmãos cristãos (1 Coríntios 12: 12-26) e autoridades governamentais (Romanos 13: 7, 1 Pedro 2:17). Um espírito de honrar aqueles que são dignos de honra tipífica o cristão (Romanos 12:10, 1 Pedro 2:17). Muito obrigado pela sua resposta … Se entendi sua introdução corretamente, concordamos nesse ponto. Visto que a Bíblia DÁ ‘muita indicação’, e NÃO DÁ qualquer descrição de uma celebração de Natal – nem qualquer um dos simbolismos comumente usados em torno de tal ‘feriado’, então fica claro que o Natal – especialmente como uma observância religiosa – vem da mente dos homens (e até mesmo das práticas da adoração demoníaca). Quanto às escrituras pertinentes usadas pelas Testemunhas de Jeová em relação à mistura de ritos pagãos, observâncias e celebrações que se originam – não da Bíblia – mas dos pagãos, o mais comum é de 1 Coríntios. Cap. 10: 1 Porque não quero que sejais inconscientes, irmãos, que nossos pais estavam todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar, 2 e todos foram batizados em Moisés na nuvem e no mar, 3 e todos comeram da mesma maneira a comida espiritual, 4 e todos bebiam a mesma bebida espiritual. Pois eles bebiam da Rocha espiritual que os seguia, e a Rocha era Cristo. No entanto, com a maioria deles Deus não ficou satisfeito, pois foram derrubados no deserto. 6 Ora, estas coisas aconteceram como exemplos para nós, para que não pudéssemos desejar o mal como eles fizeram. 7 Não seja idólatra como alguns deles foram; como está escrito: “O povo sentou-se para comer e beber e levantou-se para brincar” .8 Não devemos nos entregar à imoralidade sexual como alguns deles fizeram, e vinte e três mil caíram em um único dia. 9 Não devemos colocar Cristo à prova, como alguns deles fizeram e foram destruídos por serpentes, 10 nem resmungar, como alguns deles fizeram e foram destruídos pelo Destruidor. 11 Ora, estas coisas lhes sucederam como exemplo, mas foram escritas para a nossa instrução, sobre quem é chegado o fim dos séculos. 12 Portanto, todo aquele que pensam estar de pé, tenha cuidado para não cair. 13 Nenhuma tentação vos tomou, o que não é comum ao homem. Deus é fiel, e ele não permitirá que vocês sejam tentados além de sua capacidade, mas com a tentação ele também fornecerá o caminho da fuga, para que vocês possam suportá-la. 14 Portanto, meus amados, fujam da idolatria. 15 Eu falo a pessoas sensatas; julgue por si mesmo o que eu digo. 16 O cálice da bênção que nós abençoamos, não é uma participação no sangue de Cristo? O pão que nós quebramos, não é uma participação no corpo de Cristo? 17 Porque há um só pão, nós, os que somos muitos, somos um só corpo, porque todos participamos do único pão. 18 Considere o povo de Israel: não são aqueles que comem os sacrifícios participantes no altar? 19 O que eu digo então? Que comida oferecida aos ídolos é alguma coisa, ou que um ídolo é alguma coisa? 20 Não, eu insisto que o que os pagãos sacrificam eles oferecem aos demônios e não a Deus. Eu não quero que você seja um participante com demônios. 21 Você não pode beber o cálice do Senhor e o cálice de demônios. Você não pode participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. 22 Vamos provocar o Senhor ao ciúme? Somos mais fortes que ele? Um dos melhores exemplos mencionados nessa passagem é tirado de quando Moisés estava na Montanha (a primeira vez) recebendo os 10 Mandamentos. Os israelitas haviam estabelecido sua própria cerimônia a Deus usando a simbologia pagã (o bezerro de ouro). Deus disse a Moisés que os israelitas estavam pecando por “ter se desviado rapidamente do caminho que lhes ordenei”. Durante aquela provação, Arão disse … “Amanhã será um banquete para Jeová.” O Tetragrama (o nome de Deus como transliterado em muitas versões da Bíblia como “SENHOR”) é usado até mesmo por ele para mostrar que os israelitas estavam usando modos de adoração pagãos, mas fazendo isso em nome do Deus “que os tirou do Egito”! Essa mistura da adoração verdadeira com o paganismo não só foi declarada pecadora na época por Deus, mas também demonstrada por Paulo em 1 Coríntios como inaceitável. No entanto, é óbvio que provavelmente não concordamos, por isso deixarei o meu caso como está. Onde na Bíblia diz que só podemos fazer ou acreditar em coisas ou adorar de acordo com o que a Bíblia explicitamente estabelece? E se você não consegue achar isso, por que você mantém a noção? Bem, eu vou te dizer: você faz porque é uma mera tradição de homens. O que eu argumento é que existe um dia sagrado na Bíblia, que é permissível, louvável e piedoso. Portanto, pode-se celebrar tal dia, mesmo que um em particular não seja expressamente ordenado, desde que não seja uma celebração injusta e tenha sido ensinada e comissionado pela Igreja Cristã, estabelecida por Cristo, e seja completamente harmoniosa com as Escrituras. Celebrar o nascimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que é Deus, certamente não é idólatra de qualquer forma ou maneira, porque está adorando a Deus e comemorando Sua encarnação: a mesma coisa que torna a salvação disponível e possível para nós. TJs, por outro lado, negam blasfemamente que Jesus é Deus. Agora, esse é um erro terrível e condenável, porque é contrário à tradição dos cristãos desde o início e centenas e centenas de provas bíblicas sobre a divindade de Jesus e a Santíssima Trindade: que assunto eu também debati longamente com uma Testemunha de Jeová mais velho. Adorar um bezerro como Deus é claramente idolatria ( eu já escrevi sobre isso). Adorar a Jesus e seu Pai no Natal não é. Tradução: Jehovah’s Witnesses: A Biblical & Historical Critique (Pt. II) | Dave Armstrong

  • Arvores de natal como ídolos?: argumentos ”bíblicos” estúpidos

    Esses “argumentos” tolos ostensivamente extraídos da Sagrada Escritura aparecem de vez em quando. Os puritanos e grandes setores da tradição Protestante Reformada (calvinista) historicamente raciocinaram dessa maneira. Estas são as mesmas pessoas que diriam que um órgão em uma igreja ou mesmo uma cruz ou estátua de Jesus Cristo é um ídolo – como João Calvino e alguns outros líderes protestantes argumentaram. As Testemunhas de Jeová aprenderam o mesmo raciocínio no século XIX (o fundador, Charles Taze Russell, foi criado como presbiteriano). Aqui estão duas passagens da Bíblia alistadas para esta opinião: Jeremias 10: 1-6 (RSV) “Escutai, casa de Israel, a palavra que o Senhor vos dirige! Não imiteis o procedimento dos pagãos; nem temais os sinais celestes, como os temem os pagãos, porquanto os deuses desses povos são apenas vaidade. São cepos abatidos na floresta, obra trabalhada pelo cinzel do artesão, decorada com prata e ouro. A golpes de martelo são-lhes fixados os pregos e postos em seus lugares para que não se movam. Assemelham-se esses deuses a uma estaca em campo de pepinos, que devem ser levados, pois não caminham. Não os temais, pois que vos não podem fazer mal, nem têm o poder de fazer o bem”. Nenhum se assemelha a vós, Senhor, que sois grande. E por causa de vosso poder, grande é também vosso nome.” Eu não acho que eu já tenha conhecido alguém que adore uma árvore de Natal e a considere como um deus ou um substituto para o verdadeiro Deus. Isso é o que está sendo discutido. É um pensamento completamente equivocado e negligencia a ideia subjacente que está sendo condenada. A idolatria vem do coração. Está substituindo Deus por alguma coisa meramente criada. Aqui está outra passagem que é usada: Deuteronômio 16: 21-22 Não plantarás árvore alguma como Ashe’rah ao lado do altar do Senhor teu Deus, o qual fareis. [22] E não porás uma coluna que o Senhor teu Deus odeia. Ashe’rah era uma deusa-mãe cananéia, associada a Baal e adorada como um ídolo, por meio de uma imagem de algum tipo (veja muitas referências do Antigo Testamento). O pilar é também quase certamente uma referência a um ídolo. Uma referência a um pilar como um ídolo é vista, por exemplo, em Deuteronômio 7: 5: Mas assim vocês devem lidar com eles: vocês devem quebrar seus altares, e arrancar em pedaços suas colunas, e derrubar seu Ashe’rim, e queimar suas imagens de escultura com fogo (cf. 12: 3) A menos que alguém esteja adorando uma árvore de Natal como um deus ou uma deusa (e duvido muito que qualquer um dentro de qualquer tipo de tradição cristã esteja fazendo isso), nenhuma passagem tem qualquer relevância para o costume inofensivo e prazeroso que eu possa ver. Tradução: Christmas Trees as Idols?: Silly “Biblical” Arguments | Dave Armstrong

  • A Modernist “Pope” and the Existence of Hell

    “Those who repent obtain God’s forgiveness and go among the ranks of those who contemplate him, but those who do not repent and cannot be forgiven, disappear. There is no hell – there is the disappearance of sinful souls.” – Anti-Pope Francis quote in the Repubblica piece. To such men Fr. Francis P. Harvey (1864 – 1945) wrote: “We wonder that men professing to be Christians can discard the belief in hell, when the doctrine is so manifest in the New Testament. Christ himself mentions it fifteen times … Plain as this is, unbelief is widespread. The parable refers to the strength of it. ‘If they hear not Moses and the Prophets, neither will hey believe if one rise again from the dead.’ The fact of the matter is that there are multitudes who do not wish to believe in an eternal hell, and who banish it from their minds as a pure man banishes a bad thought.” As the saying goes: “If kings have prisons, God must have hell.” This is so true that the denial of hell cannot be seen as anything other than an attack on the  Justice of God, who rewards us all according our deeds. How can one believe in Heaven if he denies the existence of hell? Denying the very existence of God comes next, once we follow this tread of thought. This is simply a short path to Atheism( a brother to Modernism). Poor souls embracing this error often run far away from the life of virtue, since , according to them, the sinner at the end his earthly journey is not punished. Hate and sensuous pleasures becomes a great companion. Such a soul deserves great pity, for their hell has already begun on earth. In truth, we should not be surprised hearing such words from a modernist, for while the atheist claims there is no God; the modernist – calling himself Christian – hold beliefs that, often indirectly, attacks the very doctrine of Christianity. He is ready to believe anything, so long as it is unorthodox. The fastest way of going to hell, is to deny its existence. Kyrie Eleison.

  • Indulgências: os católicos tentam comprar seu caminho para a salvação?

    Nós recebemos um email: “Eu quero dizer realmente quem pensou que era uma boa idéia deixar as pessoas pagarem seus pecados – saia daqui!” Este bem-intencionado evangélico tinha ouvido falar sobre a doutrina católica das indulgências, talvez durante um sermão evangélico delineando os “erros” da Igreja Católica. Na verdade, a frase acima “as pessoas podem pagar seus pecados” é um pouco fora da doutrina católica. A doutrina católica sempre ensinou que é um pecado vender coisas espirituais, incluindo indulgências, apesar de algumas ações erradas dos sacerdotes há 500 anos. Este artigo apresenta coisas como Penitência, Castigo, Sofrimento, Confissão, Reconciliação e, claro, … Indulgências. Nós convidamos você a colocar sua “mente aberta” e se juntar a nós. Nós dividimos este artigo em 2 partes. (1) O escândalo das indulgências dos anos 1500 e (2) a explicação real do que são as indulgências. Começaremos com os escândalos, porque é disso que a maioria das pessoas nos envia e-mails. Todo mundo adora uma boa teoria da conspiração. Parte 1 – O escândalo de vender indulgências nos anos 1500 Se você viu “Lutero, o Filme”, provavelmente pensa em coisas terríveis sobre o catolicismo. A maioria dos historiadores seculares concordaria com Donald J. Levit, que escreve para Reeltalk Movie Reviews. Ele disse: Em ‘Lutero’, a realidade de Martinho Lutero na complexidade temporal e espiritual do século XVI é estupidificada além do reconhecimento. Alguns pastores evangélicos “vendem bênçãos” como sacerdotes corruptos dos anos 1500 “vendiam indulgências” Surpreendentemente, alguns dos mais fortes críticos evangélicos do escândalo das indulgências estão se aproximando de suas congregações com linguagem muito semelhante aos sacerdotes corruptos dos anos 1500, que criticou Martinho Lutero. Ao falar sobre seus ministérios, eles dizem algo como: “Agora, cave profundamente esses bolsos para este ministério que vale a pena, será uma bênção para você e sua família!” Era errado os sacerdotes corruptos venderem coisas espirituais nos anos 1500 e é errado os pregadores evangélicos fazerem agora. Existe uma linha tênue entre o ensino legítimo e blasfemo na área do dinheiro. Por um lado, é perfeitamente legítimo dizer que Deus olha com favor um coração generoso (Marcos 12:42) Por outro lado, há uma tendência muito humana de ganância e manipulação, e às vezes os motivos são misturados e não inteiramente sem mérito. (isto é, construindo uma bela igreja católica medieval ou evangélicos que querem construir uma enorme mega igreja) Reforma de Martinho Lutero As indulgências foram a principal faísca que alimentou a reforma. Martinho Lutero estava certo quando disse que havia abuso de indulgências. O Compêndio ao Catecismo diz: … Infelizmente, a prática de indulgências foi, de vez em quando, aplicada indevidamente. Isto tem sido através de indulgências “intempestivas” e supérfluas que humilharam o poder das chaves e a fraqueza da satisfação penitencial ou através da coleta de “lucros ilícitos” que blasfemamente tirando o bom nome das indulgências … (Indulgentiarum Doctrina, 8) O que aconteceu no escândalo das indulgências? Um dos inconvenientes de ser uma denominação de 2000 anos é que há muita bagagem. O escândalo das indulgências foi uma cena ruim. Dr. Art Sippo diz: Havia um programa para arrecadar dinheiro para a construção da Basílica de São Pedro e uma indulgência plenária era oferecida. Uma doação foi pedida proporcionalmente aos ganhos, mas era possível obter a mesma indulgência plenária pelas orações pelo projeto e pelas condições usuais (confissão e comunhão) … ALGUMAS das pessoas enviadas para oferecer a indulgência à camponeses usaram slogans, exemplos simplificados e outras técnicas para falar às multidões para atraí-las para fazer uma doação. O padre encarregado da supervisão geral da oferta na Alemanha foi pe. Tetzel. Lutero atacou-o nas 95 teses e esse foi o começo da revolta. O papa iniciou uma investigação. Foi uma espécie de fiasco, que exonerou pe. Tetzel. Sim, foi uma bagunça! John Pacheco diz isso: O Papa (ou os bispos da Alemanha) não aprovaram a “venda de indulgências” … houve abusos que os padres e bispos não corrigiram nem verificaram. Contudo, a Igreja nunca ensinou que o dinheiro remete à punição temporal pelo pecado. Este incidente de 500 anos tornou-se um tema que alguns pastores evangélicos têm repetidamente pregado às suas congregações sobre católicos. Isso causou muito desdém pela Igreja Católica em alguns círculos evangélicos, mesmo aqueles com seu próprio escândalo financeiro, incluindo alguns evangelistas de TV. A Igreja é para santos e pecadores e não é surpreendente que algumas pessoas da Igreja tenham feito coisas pecaminosas. “Aquele que é sem pecado atire a primeira pedra.” (Jo 8: 7) “Todos pecaram e ficaram aquém da glória de Deus” (Rm 3:23). Parte 2 – O que são indulgências? De onde vieram as indulgências? Nos primeiros dias da Igreja, cometer um pecado mortal merecia a excomunhão formal e automática da Igreja. Depois de 217 dC, com o relaxamento papal desta disciplina apostólica original e a introdução do princípio das indulgências (literalmente, o Corpo sem pecado de Cristo tolerando / ” sendo indulgente” com os membros que não eram santos, que ainda lutavam para vencer os repetidos pecados), desenvolveu-se uma distinção entre a adesão verdadeira ou essencial à Igreja (ou seja, viver em estado de graça e / ou lealdade persistente às doutrinas católicas) e a participação formal ou institucional na Igreja. Muitos evangélicos acreditam que o que você faz com dinheiro (e outras ações) na terra afetará a qualidade da sua eternidade no Céu. Vamos examinar o que muitas denominações evangélicas (embora não todas) acreditam sobre dinheiro e océu. O famoso Instituto Evangélico Moody, em Chicago, ensina que existem diferentes tamanhos de “casas” no céu, dependendo de como reagimos à nossa fé. O pastor evangélico Rick Warren, em seu best-seller “The Purpose Driven Life”, diz: Um dia você estará diante de Deus, e ele fará uma auditoria de sua vida, um exame final, antes de você entrar na eternidade … ele vai perguntar … ‘O que você fez com o que eu te dei’ … vai determinar o que você faz na eternidade … (The Purpose Driven Life, pg. 34) No final da sua vida na terra, você será avaliado e recompensado de acordo com o quão bem você lidou com o que Deus lhe confiou. Isso significa que tudo o que você faz … tem conseqüências eternas … você receberá uma promoção e receberá maior responsabilidade na eternidade … “(The Purpose Driven Life, pg. 45) Dois parágrafos depois Rick Warren diz: … A Bíblia diz: “Se você é indigno de confiança sobre as riquezas do mundo, quem confiará em você com as verdadeiras riquezas do céu?” … Deus diz que há uma relação direta entre como eu uso meu dinheiro (“riqueza mundana”) e a qualidade de minha vida espiritual (“riquezas verdadeiras”). Como eu mango meu dinheiro determina quanto Deus pode confiar em mim com bênçãos espirituais. (The Purpose Driven Life, pg. 46) Se combinarmos isso com sua discussão sobre o dízimo, o famoso pastor evangélico Rick Warren está basicamente dizendo que, se você der dízimos, receberá bênçãos espirituais nesta vida e depois de morrer e ir para o céu. Ele está dizendo que parte dessa recompensa será que você ganhará “maior responsabilidade no céu”. Na rádio cristã, uma música do Gospel Evangélico tocou: Eu tenho feito o que você quer que eu faça Eu tenho dito o que você quer que eu diga Eu tenho vivido do jeito que você quer que eu viva Qualquer maneira que você me abençoar está bem para mim, Apenas continue me abençoando. Essa música não me incomoda nem um pouco. Na doutrina católica, uma indulgência tem muito pouco a ver com o dinheiro, é um presente que Deus dá. É muito parecido com o que um evangélico chamaria de “uma bênção”. Mais sobre isso abaixo. Quando a comunidade evangélica fala sobre “bênçãos” e “sofrimentos”, está tocando em conceitos bastante similares a penitência e indulgências (embora eles não os chamem assim). Todos os humanos lutam com o sofrimento. Os proponentes evangélicos do “Evangelho da Prosperidade” diriam que o sofrimento existe na vida das pessoas porque elas não se renderam completamente a Deus. No entanto, o apóstolo Paulo, que foi um dos maiores cristãos, suportou tremendo sofrimento mesmo tendo grande fé (2Cor 24-30). Nós dificilmente pensamos em Paulo como alguém de fé superficial. Se assim for, estamos todos em grande dificuldade. O sofrimento é um mistério. Além disso, discutimos o sofrimento aqui. Para muitos evangélicos, uma “bênção” é um tipo de alívio (uma remessa) de algum tipo de sofrimento – espiritual ou material sobre a natureza. Por exemplo, se um evangélico é abençoado espiritualmente, o sofrimento de se sentir separado de Deus é reduzido. Se o evangélico é abençoado financeiramente (como Jabez foi), o sofrimento da pobreza é reduzido. Se o evangélico é abençoado com saúde, então o sofrimento da doença é reduzido. Embora esses exemplos não sejam correlações diretas com o conceito católico de “indulgências”, eles ajudam a lançar alguma luz (e talvez alguma compaixão) no conceito de indulgências. Antes de explicar o que é uma indulgência, vamos examinar a fonte da grande controvérsia sobre as indulgências. Não é possível vender coisas espirituais: vender indulgências estava errado O Catecismo Católico é claro que é um pecado comprar e vender coisas espirituais, incluindo indulgências. A simonia é definida como a compra ou venda de coisas espirituais.53 Para Simão, o mago, que queria comprar o poder espiritual que ele via nos apóstolos, São Pedro respondeu: “Sua prata perecerá com você, porque você pensou que você poderia obter o presente de Deus com dinheiro! “54 Pedro manteve assim as palavras de Jesus:” Você recebeu sem pagar, dará sem pagar. “55 É impossível se apropriar de bens espirituais e se comportar em direção a eles como seu dono ou mestre, pois eles têm sua fonte em Deus. Só se pode recebê-los dele sem pagamento. O ministro não deve pedir nada pela administração dos sacramentos além das ofertas definidas pela autoridade competente, sempre tendo o cuidado de que os necessitados não sejam privados da ajuda dos sacramentos por causa de sua pobreza. “56 A autoridade competente determina essas” ofertas ” de acordo com o princípio de que o povo cristão deve contribuir para o apoio dos ministros da Igreja: “O trabalhador merece a sua comida” 57 (Catecismo, 2121, 2122). OK, então no que os católicos acreditam sobre a punição? A punição é um conceito muito impopular na cultura de hoje. A punição corporal não é favorecida em nossa sociedade e nossa juventude tem muito pouca disciplina como resultado. Os católicos acreditam que Deus é um “Deus amoroso”, mas ele também é um “Deus justo” – um Deus maravilhoso. Os católicos acreditam que há uma dupla consequência ao pecado: O pecado venial (as coisas não tão sérias) implica apegos prejudiciais às criaturas que devem ser purificados aqui na terra ou depois que morrermos. (Os evangélicos podem chamar isso de “Backsliding”) Isso resulta em punição temporal. Todo cristão peca todos os dias. Sepultura ou pecado mortal (as coisas ruins) nos priva da comunhão com Deus. Isso resulta em punição eterna – inferno. (2 Ts 1: 9) Uma vez perdoado, o castigo eterno é removido, mas pode haver alguma punição temporal que permanece. Alguns leitores agora estão dizendo: “Veja bem, os católicos têm um Deus que pune!” Nós dizemos “yup … as vezes”. Nós amamos nosso Pai celestial e nos regozijamos em sua disciplina justa porque sabemos que ele se importa o suficiente sobre nós para querer mudar para melhor. Qualquer pai com um adolescente malcriado vai entender. Às vezes somos aquele adolescente malcriado com Deus e precisamos de um bom chute rápido nas calças. (Ef 6: 4) No Salmo 50, lemos: “Por que você odeia a disciplina e lança minhas palavras para trás de você”. Parece que Deus é a favor da disciplina. É a origem da palavra “discípulo”. Punição “temporal” – não é sobre “dívida” Um evangélico nos mandou um email e disse: “Jesus usou a palavra grega TETELESTAI para “está terminado”, que é traduzido como” pago integralmente “. Foi usada em seu tempo em documentos que libertaram prisioneiros da prisão depois que seus parentes pagaram a fiança.” TETELESTAI traduz literalmente como “está terminado”. “Tetelestai” pode ser associado à conotação “pago integralmente” somente a partir de seu contexto cultural. Foi carimbada em dívidas que foram pagas. O significado primário de “está terminado” é que Jesus estava significando a conclusão da refeição da Páscoa. Também não temos problema com a outra interpretação de “pago integralmente”. Jesus sempre fala em muitos níveis. Na antiga tradição judaica, a cada refeição da Páscoa havia quatro taças de vinho. A última ceia terminava com apenas o terceiro copo sendo consumido. Cristo consumiu a quarta taça na cruz. “Quando ele recebeu a bebida, Jesus disse: ‘Está consumado'” (TETELESTAI). (Jo 19: 29-30) Isso significava que a refeição da Páscoa havia sido completada, sendo Jesus o cordeiro pascal (essa pesquisa foi conduzida por Scott Hahn). Os católicos concordam que Ele pagou o preço pelos nossos pecados, que é condenação “eterna”. Talvez possamos olhar dessa maneira. Se você tivesse 10 anos de idade e tivesse problemas com valentões e eles estivessem pensando em esfaquear até a morte porque você roubou algo deles, seu pai viria e pagaria aqueles valentões para que você não fosse morto (danação eterna). Seu pai teria “pago integralmente” a dívida que você deve. Você não deve nada. Mas quando você chegasse em casa, seu pai provavelmente lhe daria algumas conseqüências, não porque ele odiava você ou porque você lhe devia uma dívida, mas porque ele amava você. Não se trata mais de “dívida”, trata-se de “disciplina”. Há uma diferença. Alguns podem dizer que o Filho Pródigo não teve consequências nem punição. O filho pródigo passou toda a sua herança e isso se foi para sempre. Com certeza ele teve uma ótima refeição e uma festa em casa bem-vinda, mas até mesmo o Filho Pródigo experimentou conseqüências por sua devassidão. Meu filho, não leve em conta a disciplina do Senhor, nem desanime quando for punido por ele; porque o Senhor disciplina quem ele ama e castiga cada criança a quem ele aceita. Suportar julgamentos por uma questão de disciplina. Deus está tratando você como crianças; porque qual filho há quem um pai não disciplina? Se você não tem a disciplina em que todas as crianças compartilham, então você é ilegítimo e não seus filhos; Além disso, tínhamos pais humanos para nos disciplinar e os respeitamos. Não deveríamos estar ainda mais dispostos a sermos sujeitos ao Pai dos espíritos e? vida? Pois eles nos disciplinaram por um curto período de tempo como lhes pareceu melhor, mas ele nos disciplina para o nosso bem, a fim de podermos compartilhar sua santidade. Agora, a disciplina sempre parece mais dolorosa do que agradável na época, mas depois produz o fruto pacífico da justiça (Hb 12: 5). Algumas denominações disseram que nunca há punição do Senhor, especialmente depois que nos rendemos a ele. A passagem acima estava falando com cristãos que já haviam entregado suas vidas a Cristo. Eles foram salvos da condenação (castigo eterno) e entraram na família de Cristo. No entanto, há punição às vezes. O apóstolo Paulo entregou sua vida a Jesus autenticamente. Embora Jesus tenha restaurado sua visão depois que ele foi atingido na estrada para Damasco, Paulo teve um número muito doloroso de anos. (2 Cor 24-30). Ele disse: “Agora estou regozijando-me com meus sofrimentos por causa de você, e em minha carne estou completando o que está faltando nas aflições de Cristo por causa de seu corpo que é a igreja” (Cl 1:24). Evangélicos acreditam que Jesus nos lava em “um movimento arrebatador” para nunca mais ficar sujos. Os católicos acreditam que há “um movimento radical”, mas depois o processo de “ser lavados” continua para o resto de nossas vidas e devemos “perseverar até o fim”. (Mc 13:13, Tiago 1: 2, Mt 10:22, Mt 24:13) O ladrão na cruz ao lado de Jesus recebeu a liberdade da “punição eterna”, que é o inferno. Jesus disse-lhe: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:43). No entanto, o ladrão ainda experimentou “punição temporal”. Depois que ele entregou sua vida a Jesus, ele continuou pendurado na cruz, o que provavelmente foi muito doloroso, mesmo que tenha sido por apenas algumas horas e suas pernas foram arrebentadas – ai! (Jo 19:32) Jesus poderia facilmente tê-lo tirado da cruz, mas ele não o fez. Há consequências para o pecado, mesmo depois do perdão. O castigo temporal não é uma retribuição “vingativa” de Deus. Deus não é o grande mata-moscas do universo. As punições resultam da própria natureza do próprio pecado. Uma das grandes queixas contra a prática católica da confissão é que ela permite que as pessoas corram de volta ao sacerdote a cada semana, mas vivem mal no resto do tempo. (Católicos de domingo de manhã) É aqui que entra a punição temporal. Jesus, através do sacerdote, fornece a absolvição (perdão) e concede liberdade da punição eterna do inferno. Jesus perdoará “setenta vezes sete” (Mateus 18:22). No entanto, nem todas as punições temporais são removidas por meio de absolvição. Assim, os católicos que não vivem sua fé durante toda a semana não estão se dando muito com isso. Na minha experiência, os únicos católicos que se confessam hoje em dia são aqueles que levam a sério sua fé. Talvez a melhor maneira de demonstrar “castigo temporal” seja descrever uma situação em minha vida. Em 1984, eu (Hugh) estava envolvido em um aborto com minha namorada (na época) porque estávamos perseguindo nossas carreiras na Broadway e nos filmes. Deus há muito me perdoou, mas em oração ele deixou claro que eu nunca me tornarei uma pessoa famosa. Moisés nunca entrou na terra prometida porque ele matou um de seu próprio povo (embora Deus o tenha perdoado). Da mesma forma, não acredito que o Senhor permita que eu experimente a fama que procurava quando fiz o aborto. Isso é “punição temporal”. Eu aceito a punição. Agora eu tento ajudar o movimento pró-vida sempre que possível. Eu não faço isso para ganhar “pontos Brownie” no céu. Eu faço isso porque amo o Senhor e ele colocou no meu coração para fazer isso. Ele pode usar o meu pecado passado para educar os outros. Alguém poderia chamar isso de “penitência”. (Minha história do aborto está aqui ) Punição Eterna Está em voga na sociedade secular de hoje acreditar que não há inferno. Uma das maiores vitórias do diabo sobre a era moderna é que ele as fez pensar que ele não existe. Felizmente católicos e evangélicos entendem que existe um inferno e que o mal e o diabo são reais. Aqueles que persistentemente e obstinadamente persistem no pecado depois de receberem o conhecimento da verdade, não se sairão bem na vida após a morte. (Hb 10:26) O inferno é real e está esperando por todos aqueles que se afastam do Senhor Jesus Cristo. Felizmente há Reconciliação Jesus perdoa “setenta vezes sete” (Mateus 18:22) e levará qualquer um de volta ao redil que sinceramente o busca. Para os católicos, esse é um processo de confissão, reconciliação e penitência. Penitência O Catecismo diz isso sobre a penitência: A absolvição [perdão] tira o pecado, mas não remedia todas as desordens que o pecado causou. Criado a partir do pecado, o pecador ainda deve recuperar sua saúde espiritual completa fazendo algo mais para compensar o pecado: ele deve “satisfazer” ou “expiar” seus pecados. Essa satisfação também é chamada de “penitência”. Catecismo 1459A penitência consiste em três coisas interrelacionadas: 1. Confissão (manifestação sincera da minha consciência em que falhei com Deus e com o meu próximo) 2. Contrição (genuína tristeza pela tristeza porque ofendi o Deus todo bom) 3. Satisfação que inclui emendas (uma tentativa de reparar os efeitos do pecado) “Reparação” Depois que confessarmos nossos pecados e formos perdoados por Deus, devemos fazer o que pudermos para reparar nossas ações erradas. Jesus nos perdoa. Ele é um “Deus que perdoa”, mas ele também é um “Deus justo”. Por exemplo, se eu roubar um equipamento de US $ 4.000 de um estúdio de gravação e pedir a Deus que me perdoe, ele me perdoará se eu tiver um coração humilde e contrito. No entanto, ele provavelmente também quer que eu pague de volta os US $ 4.000, se possível (isso é chamado de satisfação). “Faça satisfação” Eu também devo avançar em sua luz com um coração transformado, procurando por todas as oportunidades de serviço. A sociedade moderna chamaria isso de “reparação viva”, mas tudo faz parte da penitência. No artigo 1460 do Catecismo, descobrimos que a penitência pode assumir várias formas, tais como: … oração, uma oferenda, obras de misericórdia, serviço ao próximo, abnegação voluntária, sacrifícios e paciente aceitação de quaisquer cruzes que tenhamos de suportar na vida. Essas penitências nos ajudam a nos configurar para Cristo, o único que pode expiar nossos pecados de uma vez por todas. Permitem que nos tornemos co-herdeiros com o Cristo ressuscitado, “desde que soframos com ele” (Rm 8,17; Rm 3:25; 1Jo 2: 1-2). No final da minha vida, ficarei diante de Deus. Se eu fiz e entreguei autênticamente a Jesus, acreditamos que não irei para o inferno. Eu vou direto para o céu ou vou parar no Purgatório. Acreditamos que Jesus vai ver o que eu fiz com a fé que ele me deu. Como eu respondi à ligação? Se eu tiver respondido bem e se meu personagem é o melhor que poderia ser em sua luz, acreditamos que vou desfrutar de um passe direto para o céu. Se, no entanto, eu não tiver respondido de todo o coração e tiver tido alguma rebelião, então acreditamos que todas as partes da minha alma que não foram limpas aqui na terra serão limpas no Purgatório depois que eu morrer. Comparando o conceito evangélico de “bênção” com o conceito de “indulgências” Vamos ver o que temos em comum uns com os outros. Eu gostaria de ver como a experiência do “Nascer de Novo” de um evangélico é semelhante a uma experiência de “Conversão de Coração” que é ensinada no Catecismo. Isso nos ajudará a ver como o conceito de “bênção” evangélica é semelhante ao conceito de “indulgência” católico. Embora diferentes denominações evangélicas possam ter diferentes variações dessas etapas, o processo é frequentemente descrito da seguinte forma: PassosEvangélicosCatólicos 1. PecadoUma pessoa é separada de Deus e uma escrava do pecado. O pecado pessoal e a ignorância de Jesus os condenaram.Uma pessoa é separada de Deus e uma escrava para pecados graves (graves) e / ou pecados veniais (não tão sérios). Talvez eles tenham sido batizados no nascimento, mas perderam a graça desse sacramento por meio de rebelião, complacência ou descrença.2. Despertar Acontece alguma coisa que permite que ele / ela veja o erro de seus caminhos (um movimento do Espírito)Acontece alguma coisa que permite que ele / ela veja o erro de seus caminhos (um movimento do Espírito).3. ArrependimentoO pecador se arrepende diante de Deus e pede a Jesus que entre em sua vida (nasce de novo). É um encontro pessoal com Jesus. Os evangélicos diriam que ele é “salvo” da condenação final.Há uma “aflição de espírito” e “arrependimento de coração”. É a conversão do coração. Uma “segunda conversão” que é um encontro pessoal com Jesus. (Catecismo 1428, veja também Atos 2:37, 2 Coríntios 7: 9)4. ConfissãoO pecador fala ao seu pastor e ora com ele. Ele fica ativo em sua Igreja novamenteO pecador confessa seus pecados diante de Deus e do homem (um sacerdote) e pede perdão que é concedido por Deus. Ele / ela tem uma reconciliação com Deus e Igreja (liberta da “punição eterna” do inferno e é restaurada à Graça recebida no batismo)5. ReparaçãoReparações são feitas sempre que possível (isso tenta reparar danos causados aos vizinhos), ou seja, devolver bens roubados, desculpando-se pelos danos causados.Reparações são feitas sempre que possível (isso tenta reparar os danos causados aos vizinhos). isto é, devolver bens roubados, desculpando-se pelos danos causados. Isso é chamado de restituição ou “satisfação”) (Catecismo, 1459)6. PenitênciaEle / ela tenta viver uma vida útil de serviço, (incluindo o dízimo e ofertas especiais para a Igreja), muitas vezes voluntários na Igreja ou em outras missões e serviços comunitários.Penitência. Isso ajuda a restaurar os danos que o pecado trouxe ao pecador. Ele / ela tenta viver uma vida útil de serviço (incluindo caridade, dízimo, ofertas especiais, obras de misericórdia, etc.)7. Bençãos/ IndulgênciasEste cristão freqüentemente recebe bênçãos concedidas por Deus, o que muitas vezes reduz o sofrimento. Não é uma “recompensa” por doar, é simplesmente um presente de Deus em resposta à vida “verticalmente orientada” dessa pessoa. É um consolo. Muitas vezes resulta em saúde restaurada e bênçãos em outras áreas da vida.Este cristão freqüentemente recebe bênçãos e indulgências concedidas por Deus que reduzem o sofrimento e a “punição temporal”. Não é uma “recompensa” por doar, é simplesmente um presente de Deus em resposta à vida “verticalmente orientada” dessa pessoa. Muitas vezes resulta em saúde restaurada e é uma bênção em muitas áreas da vida. Para os católicos, a indulgência também pode se aplicar a uma remessa de punição no Purgatório. (O Purgatório é um lugar de limpeza antes do céu) É claro que a cura espiritual nem sempre acontece assim e as bênçãos ocorrem durante todo o processo, mas isso descreve o processo. Certamente, cada passo na tabela acima é um movimento de Jesus na vida do pecador, seja ele católico ou evangélico. Como podemos ver, os católicos que têm uma conversão do coração (também chamada de “segunda conversão”) passam por um processo similar aos evangélicos que têm a experiência do “nascer de novo”. Os católicos também atribuem um significado “sacramental” a cada passo, o que significa que estes passos (arrependimento, confissão, perdão, reconciliação, penitência, etc …) não são apenas um dom do Espírito Santo (e um reflexo do movimento do Espírito Santo), mas os próprios passos são uma Graça, e também ajudam a causar o movimento do Espírito Santo. (através da intercessão da Igreja) As indulgências não são uma recompensa pelos pecados: eis o que são e o que não são Podemos ver no lado católico da mesa que as indulgências são a última etapa (passo 7) depois que alguém foi perdoado e foi reconciliado com Deus. Não é uma tentativa de pagar os pecados. Uma indulgência é um dom gratuito de Deus através da Igreja para um servo fiel que tenha um coração penitente e que já esteja indo para o céu. Remove parte de todo o castigo temporal devido a pecados cuja culpa já foi perdoada. (Catecismo 1471). Não é um cartão “saia do inferno”. Eu discuto Punição Temporal aqui O Apóstolo Tiago diz: “Você deve saber que quem quer que resgate um pecador, salvará da morte os pecadores e cobrirá uma multidão de pecados” (Tiago 5:20). Estes não são pontos de brownie. É simplesmente Deus olhando para o coração de alguém e abençoando-o. Tesouro da Igreja O tesouro da Igreja Católica na verdade não tem nada a ver com dinheiro. É uma doutrina que diz que a Igreja tem um tesouro de tesouros no céu. (Mateus 6:19) A Igreja acredita que todo o sangue dos mártires e orações dos fiéis cristãos (e orações dos santos) ao longo dos séculos agradou ao Senhor. A Igreja acredita que recebeu o poder de devolver essas graças às pessoas necessitadas. (Mateus 18:18) Essa é a base de uma indulgência. Uma indulgência é uma dádiva desse tesouro. O testemunho de Hugh de receber uma indulgência Talvez a melhor maneira de descrever uma indulgência seja falar da minha própria experiência. Eu fui cristão por sete anos antes de me comprometer oficialmente com a Igreja Católica. Eu tinha sido um bom cristão, orando e entrando na Bíblia, e entregando minha vida a Jesus com o melhor de minha capacidade. No entanto, eu ainda tinha áreas de pecado no meu pensamento que eu não estava livre. A maioria das pessoas que tem um relacionamento íntimo com Cristo ainda tem áreas com as quais eles lutam. É uma coisa muito humana. Isso foi assim para mim. Um grande problema para mim foi pensamentos sobre compulsão. Eu havia me recuperado da bulimia, mas ainda pensava em compulsão alimentar. Foi um verdadeiro teste para mim. Mesmo que eu não estivesse fazendo isso, eu estava sonhando com isso o tempo todo. Eu não estava totalmente livre ainda, embora eu tivesse entregado minha vida a Jesus. Quando me tornei católico em 1995, as comportas do céu se derramaram sobre mim e fui imediatamente libertado desses padrões de pensamento que dominaram minha vida por muitos anos. Eu não sonhei com compulsão alimentar e nunca tive uma compulsão para comer demais desde então. Foi um ano inacreditável como católico. Fantástico. Nós acreditamos que esta graça foi uma indulgência. Não foi concedida porque dei dinheiro à Igreja. Não foi um “pagamento”. Foi simplesmente Deus alcançando seu tesouro de riquezas espirituais que foram conquistadas por fiéis católicos ao longo de 2000 anos. Ele me deu uma graça (uma indulgência) por ser obediente ao chamado que senti em meu coração para me unir à Igreja Católica. As riquezas da Igreja Católica foram derramadas sobre mim. A indulgência não assegurou que eu entraria no céu. Eu já estava indo para o céu quando entreguei minha vida a Jesus. A indulgência era simplesmente uma dádiva gratuita que Deus me deu através da Igreja, no momento em que me juntei. Uma benção. Ah, e a propósito, é bom dar à igreja. Ministros evangélicos estão certos quando dizem que os cristãos devem cavar fundo. “Será uma bênção para você.” O dízimo é uma coisa boa. Minha avó, que foi à Igreja Unida, tinha uma placa na parede que dizia: “O Senhor ama um Doador Alegre”. Isso também transmite o conceito de uma indulgência. Certamente o Senhor ama todas as pessoas, mas ele também olha com benevolência para o coração contrito. Tradução: Indulgences: Do Catholics try to buy their way to Heaven?

  • Como você reagiria se neste Natal recebesse esta Carta do Menino Jesus?

    (ACI).- O Natal está próximo e com ele os presentes, a ceia natalina, as atividades na paróquia, as viagens etc. Uma série de atividades que poderiam fazer esquecer o verdadeiro honrado. Por isso, compartilhamos esta história sobre o verdadeiro sentido do Natal intitulada “Carta de Jesus”. Querido Amigo: Olá, eu te amo muito. Como você sabe, já se aproxima novamente a data na qual celebram o meu nascimento. No ano passado fizeram uma grande festa para mim e tenho a impressão de que este ano ocorrerá o mesmo. A final de contas, há alguns meses estão fazendo compras para esta ocasião e quase todos os dias anunciam e avisam que faltam poucos dias para esta celebração. Na verdade, passam dos limites, mas é agradável saber que pelo menos em um dia do ano pensam em mim. Há muito tempo, compreendiam e agradeciam de coração tudo o que eu fiz por toda a humanidade. Mas hoje em dia, tenho a impressão de que a maioria das pessoas quase não sabe por que celebra o meu aniversário. Por outra parte, gosto que as pessoas se reúnam e fiquem felizes e me alegra, sobretudo, que as crianças se divirtam tanto; mas ainda assim, acredito que a maioria das pessoas não sabe bem do que se trata. Você não acha? Como aconteceu, por exemplo, no ano passado. Ao chegar o dia do meu aniversário, fizeram uma grande festa, mas pode acreditar que nem sequer me convidaram? Imagina! Eu era o convidado de honra! Mas esqueceram-se completamente de mim! Estavam preparando as festas durante dois meses e, quando chegou o grande dia, me deixaram fora da celebração. Já aconteceu isso comigo tantas vezes que, na verdade, não me surpreendi. Embora não tenham me convidado, tive a ideia de entrar na festa sem fazer barulho. Entrei e fiquei em um cantinho. Imagina que ninguém notou a minha presença? Nem perceberam que eu estava ali. Todos estavam bebendo, rindo e aproveitando bastante, quando de repente chegou um homem gordo, vestido de vermelho, com uma barba postiça branca, gritando: “Ho, ho, ho!”. Parecia que tinha bebido muito e, depois de muito esforço, chegou ao lugar onde estavam os presentes, enquanto todos o felicitavam. Quando se sentou em uma grande poltrona, todas as crianças, emocionadíssimas, se aproximaram dele correndo e dizendo: “Papai Noel!” Como se ele fosse o homenageado e toda a festa fosse em sua honra. Aguentei aquela “festa” até onde pude, mas ao final fui embora. Caminhando pela rua me senti solitário e triste. O que mais me assombra de como a maioria das pessoas comemora o dia do meu aniversário é que em vez de me dar presentes, presenteiam uns aos outros e isto é um absurdo, pois quase sempre são objetos que nem sequer precisam ganhar. Vou te fazer uma pergunta: Você não acharia estranho que ao chegar seu aniversário todos os seus amigos decidissem comemorar dando presentes uns aos outros e não dessem nada para você? Pois isto é o que acontece comigo a cada ano! Uma vez alguém me disse: “É que você não é como outros, nunca te vemos; como é que vamos presenteá-lo?”. Já imaginará o que eu lhe respondi. Eu sempre digo: “Você pode dar de presente comida e roupa aos pobres, ajudar a quem necessita. Pode visitar os órfãos, doentes e aqueles que estão na prisão. Tudo o que você der aos seus semelhantes para aliviar os seus sofrimentos, considerarei como se tivesse me entregado pessoalmente” (Mateus 25,34-40). Nesta época, muitas pessoas, em vez de pensar em dar presentes, fazem bazares ou vendas na sua garagem, onde vendem qualquer coisa a fim de arrecadar até o último centavo para suas novas compras de Natal. E em pensar no bem e felicidade que poderiam levar aos bairros marginalizados, aos orfanatos, aos asilos, às prisões ou aos familiares dos detentos! Infelizmente, a cada ano que passa é pior. Chega o dia do meu aniversário e só pensam nas compras, nas festas e nas férias e eu de jeito nenhum apareço em tudo isto. Além disso, a cada ano os presentes de Natal, pinheiros e enfeites são mais sofisticados e mais caros, as pessoas gastam verdadeiras fortunas tentando impressionar os seus amigos. Isto acontece inclusive nos templos. E só de pensar que eu nasci em uma manjedoura, rodeado de animais porque não tinha outro lugar. Ficaria muito mais feliz de nascer todos os dias no coração dos meus amigos e que me permitissem morar aí para ajudá-los a cada dia em todas assuas dificuldades, para que possam experimentar o grande amor que sinto por todos; porque não sei se você saiba, mas há mais de 2 mil anos entreguei a minha vida para te salvar da morte e mostrar o grande amor que sinto por você. Por isso, peço que me deixe entrar no seu coração. Durante vários anos estou tentando entrar, mas até hoje não me deixaste. “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos”. Confie em mim, abandone-se em mim. Este será o melhor presente que poderá me dar. Obrigado. Seu amigo,Jesus. #Carta #Menino #recebesse #reagiria #neste #Natal #Jesus

  • A Imaculada Conceição e a Doutrina de Maria como Coredentora na Ortodoxia Oriental

    JAMES LIKOUDIS Escrevendo em 1986, o professor George S. Bebis, professor de patrística da Escola Ortodoxa Grega de Teologia em Brookline, Massachusetts, expressou a doutrina básica da comunhão ortodoxa oriental sobre o lugar da Bem-Aventurada Virgem Maria na economia cristã da salvação: “Não há dúvida de que a Igreja Ortodoxa mantém a Virgem Maria na posição de maior honra. Mas isso é feito sempre em associação com a Cristologia. Em outras palavras, aTheotókos não podem existir e não podem ser venerada fora do contexto da doutrina da Encarnação. Além disso, deve-se acrescentar que a Igreja Ortodoxa aceita a santidade pessoal da Virgem Maria e a coloca no lugar mais alto depois da Santíssima Trindade. A Virgem Maria tem uma mensagem escatológica para nós porque Ela já vive no escathon; Ela desfruta dos deliciosos frutos da igreja celestial da qual devemos nos tornar membros através de sua intercessão. Ela não é uma deusa – isso teria sido uma blasfêmia – mas através de Sua participação ativa e voluntária no plano divino de salvação Ela é nossa mãe amorosa e intercede por todos nós, é por isso que os monges da Montanha Sagrada (Monte Athos, que é dedicado à Virgem Maria e é chamado de “Jardim daTheotókos”), enquanto rezam a Oração de Jesus, oram também com todo o coração à Santíssima Mãe de Deus pela salvação de suas almas. Teólogos ortodoxos hoje, seguindo as Escrituras e os Padres da Igreja, falam sobre o grande mistério da Encarnação e sobre o grande mistério da Virgem Maria porque além e acima da bela e poética linguagem dos hinos eclesiásticos, além dos esplêndidos esquemas retóricos das homilias, o mistério da Encarnação só foi experimentado pela própria Virgem Maria. É por causa deste grande mistério, incompreensível para a mente humana, a teologia ortodoxa fica admirada diante do ícone da Virgem Maria. Todos nós devemos orar para que possamos nos tornar imitadores de Sua pureza, humildade, obediência e seu amor por Jesus Cristo, o Filho de Deus, de quem é nossa regeneração, ressurreição e deificação que se torna realmente uma realidade abençoada ”. (1) Esta foi a crença em que fui criado em uma família ortodoxa grega e aceitei como refletindo a tradição dos Padres e Concílios da antiga Igreja. Esta crença eu considerei idêntica à doutrina da Igreja Católica sobre a Mãe de Deus, que é saudada 16 vezes na bela Liturgia de São João Crisóstomo, e cinco vezes como a “Santíssima, Imaculada, mais altamente abençoada, nossa gloriosa Senhora, a Mãe de Deus e Sempre Virgem Maria “- seus maiores títulos. Ao ler e estudar literatura católica antes de minha conversão à Unidade Católica em 1952, descobri a exposição da doutrina mariana em escritores como o Abade de Anger, como estando em total conformidade e harmonia com o que eu já acreditava a respeito da “Mãe Santíssima de Deus.” Eu não estava de acordo com a declaração adicional do Dr. Bebis de que “A Igreja é cuidadosa em observar que a Mãe de Deus estava sujeita ao pecado original, e tinha uma inclinação para o pecado; no entanto, na Anunciação ela foi completamente purificada e limpa. “(2). Era impensável para mim que a “Segunda Eva” e a “Nova Criação”, moldadas pelo próprio Deus para dar ao Filho de Deus uma natureza humana, ela própria teria o menor vestígio de pecado ou seria sujada pela mancha original. Em minha opinião, como um jovem estudante universitário, o Abade Raiva, em seu clássico e magnífico trabalho sobre o “Corpo Místico de Cristo” (originalmente escrito em 1910), havia resumido belamente a relação entre Cristo e Sua Mãe. Eu não poderia concordar mais com o Abade Anger, observando que: Cristo, o Filho de Deus, tornou-se homem que, pela sua vida, paixão e morte, poderia merecer, no mais estrito e rigoroso sentido da palavra, em si mesmo todo bem celestial; para que se possa dizer que na justiça Ele colocou Deus em dívida com ele. Maria, a Mãe de Cristo, Sua associada, a nova Eva, a co-redentora, mereceu todos esses mesmos bens por um mérito de aptidão, cuja adequação se deveu à bondade e generosidade divinas … Toda a cooperação por parte de Maria extrai seu valor da obra de Jesus Cristo. Maria, co-redentora em relação a todos os outros da humanidade, é ela mesma a primeira dos redimidos pelo Redentor, seu Filho. Ela é o maior triunfo da Redenção. Mas Cristo, Quem sozinho pode ser o único Redentor, o único Mediador, o único Sacerdote, desejou que Maria fosse, com Ele mesmo, Co-redentora, Medianeira e Vítima. Cristo Jesus se uniu a Maria consigo mesmo em toda a sua obra. Ele -uniu-a a si mesmo na obra comum de reparação e de santificação. Trabalhando em sua própria esfera, secundária, dependente e exigindo a obra de Cristo, como uma causa verdadeira, secundária, subordinada, derivada de Cristo, Maria dá a sí própria neste trabalho comum tanto a Cristo Jesus quanto a si mesma. Cristo Jesus quis que ela desse um valor adicional, embora acidental, à Redenção … Maria é essa medianeira predestinada sem igual. Ela cumpriu … e sempre cumprirá com perfeição única, aquele ofício. Sozinha, e excluindo todos os outros santos, Ela cooperou na Redenção: na conquista de graças para a salvação. Essa cooperação única assegura a ela um trabalho único, também na distribuição de favores divinos (3). Assim, antes da minha própria reconciliação com a Igreja Católica, pareceu-me eminentemente claro e verdadeiro que: a Theotókos tinha sido concebidos imaculadamente, que Ela era a Mãe Todo-Sagrada e Imaculada do Senhor para ser venerada como Medianeira e Intercessora pelo povo cristão, e de fato intitulada para ser anunciado como co-redentora da raça humana. Tal ensino doutrinal concernente à Santíssima Virgem Maria parecia-me em conformidade com o testemunho das Escrituras, o sentimento geral dos Padres da Igreja, e o testemunho da Liturgia e dos Serviços Bizantinos – todos os quais estavam cheios dos mais piedade devota para com a Mãe de Deus como especialmente predestinada e consagrada à Santíssima Trindade desde o início de sua existência pessoal. Eu estava ciente das reservas expressas por vários teólogos e prelados e da contestação polêmica envolvida por alguns Ortodoxos Orientais contra a doutrina da Imaculada Conceição, definida pelo Beato Pio IX em 1854, mas tais críticas só me pareceram desvirtuar severamente o louvor e honra devido a Mãe de Deus expressa na Liturgia da Igreja Bizantina e na piedade popular do povo grego em relação à “Panaghia” que (na minha opinião) foi certamente sempre “cheia de graça” – e isso desde o início de sua existência. A teoria de alguns escritores ortodoxos orientais de que a Theotókos havia sido purificada do pecado original em Seu nascimento ou na Anunciação não era satisfatória. Não era crível que a Mãe Santíssima de Deus pudesse ter sido sequer por um instante sob o poder do diabo, se no início de Sua existência neste mundo Sua alma tivesse sido sujada com a mancha do pecado original. Tampouco as críticas de que Sua Imaculada Conceição isentava a Mãe de Deus de ser humana são mais convincentes: Não tinha ela sido absolutamente sem pecado e sem defeito moral em Sua vida (pela graça de Deus)? Se Nossa Senhora está livre do pecado real (que os ortodoxos orientais geralmente acreditam) não “fez dela uma exceção à raça humana” e destruiu Sua “solidariedade essencial com o resto da humanidade”, por que Sua Imaculada Conceição o fez? Ela não era a “segunda Eva” e a mais alta das criaturas da Trindade? E a “primeira Eva” não passou a existir sem o “pecado ancestral”? Será que a Santíssima Virgem (“a Segunda Eva” louvada pelos Padres da Igreja) veio ao mundo concebida em pecado e, portanto, inferior em santidade à “primeira Eva”? A encíclica de 1895 do Patriarca Ântimo de Constantinopla e seu Sínodo de 12 bispos, que respondeu à abertura do Papa Leão XIII para a Reunião das Igrejas, afirmando (entre outros comentários ofensivos) que a Imaculada Conceição era um “novo dogma … desconhecido pela a antiga Igreja “pareceu-me imprecisa e excessiva, ignorando alguns testemunhos positivos entre os Padres, assim como os teólogos bizantinos medievais que apoiavam a doutrina, e negando um desenvolvimento doutrinário legítimo que tivesse lugar na Igreja patrística e medieval. Foi angustiante ver que o Patriarca e seus bispos haviam entendido mal o significado do dogma, pensando que isso significava a concepção virginal de Maria! Então, também, houve o exemplo do grande russo São Dimitri de Rostov e outros gregos e russos nos séculos XVII e XVIII que expressaram crença explícita na Imaculada Conceição. Consequentemente, a crença na doutrina não poderia ser sumariamente descartada como uma “inovação” inédita. Essas eram algumas das considerações, como ortodoxo grego, que haviam estimulado minha adesão pessoal ao dogma da Imaculada Conceição. A atual posição doutrinal das igrejas ortodoxas orientais em relação à Imaculada Conceição tem sido bastante apresentada pelo bispo Kallistos Ware, que pertence ao patriarcado de Constantinopla. Ele revela que os ortodoxos orientais estão, de fato, seriamente divididos quanto à verdade da doutrina: ”A Igreja Ortodoxa nunca de fato fez qualquer pronunciamento formal e definitivo sobre o assunto. No passado, os ortodoxos individuais fizeram declarações que, se não definitivamente afirmando a doutrina da Imaculada Conceição, aproximam-se de qualquer maneira, mas desde 1854 a grande maioria dos ortodoxos rejeitou a doutrina, por várias razões: Eles acham que é desnecessário; eles sentem que, pelo menos como definido pela Igreja Católica Romana, implica uma falsa compreensão do pecado original; eles suspeitam da doutrina porque parece separar Maria do resto dos descendentes de Adão, colocando-a em uma classe completamente diferente de todos os outros homens e mulheres justos do Antigo Testamento. Do ponto de vista ortodoxo, no entanto, toda a questão pertence ao domínio da opinião teológica; e se um indivíduo ortodoxo hoje se sentisse impelido a acreditar na Imaculada Conceição, ele ou ela não poderia ser chamado de herege por fazer isso. “(4) É gratificante notar que a encíclica de 1895 do Patriarca Ântimo e seu Sínodo (e algumas outras Declarações similares dos patriarcas orientais) com suas críticas à doutrina da Imaculada Conceição estão sem autoridade dogmática. No entanto, a visão de que a doutrina da Imaculada Conceição constitui uma inovação essencialmente herética é repetida “ad nauseam” entre os escritores ortodoxos orientais mais opostos à restauração da unidade com a Sé de Pedro. Entre os detratores recentes da Imaculada Conceição (que não evitam sérios equívocos do ensino católico e / ou se engajam na incoerência direta do pensamento) estão escritores como: 1. Michael Pomazansky (5) Para o pe. Pomazansky, a Igreja Ortodoxa não aceita o sistema latino de argumentos relativos ao pecado original … “A Santíssima Virgem nasceu como sujeita ao pecado de Adão junto com toda a humanidade, e com ele compartilhou a necessidade de redenção … A Igreja Ortodoxa … não viu e não vê nenhum fundamento para o estabelecimento do dogma da Imaculada Conceição no sentido da interpretação católica romana, embora venere a concepção da Mãe de Deus, como também faz a concepção do sagrado Profeta e Precursor João “. (6) 2. Arcebispo John Maximovich (7) O arcebispo que tinha certa reputação de santidade e considerado como um moderno “louco por Cristo” infelizmente se afasta tragicamente da Tradição comum tanto do Oriente quanto do Ocidente sobre a Santidade de Nossa Senhora. Ele erroneamente acreditou que nenhum dos antigos santos Padres dizem que Deus, de maneira miraculosa, purificou a Virgem Maria enquanto ainda no útero … “O ensinamento de que a Mãe de Deus foi preservada do pecado original, assim como o ensinamento de que Ela foi preservada pela graça de Deus do pecado pessoal, torna Deus impiedoso e injusto, porque se Deus pudesse preservar Maria do pecado e purificá-la antes de seu nascimento, então por que Ele não purifica outros homens antes do nascimento, mas os deixa em pecado? Deus salva os homens à parte da sua vontade, predeterminando certos antes do nascimento para a salvação … O ensino da completa ausência de pecado da Mãe de Deus não corresponde à Sagrada Escritura. “ Não só para o Arcebispo é a doutrina da Imaculada Conceição falsa, mas também deve ser rejeitados todos os outros ensinamentos que vieram dela ou são semelhantes a ela … “O esforço para exaltar a Santíssima Virgem a uma igualdade com Cristo Atribuir às Suas torturas maternas na Cruz um significado igual aos sofrimentos de Cristo, de modo que o Redentor e a “Co-Redentora” sofreram igualmente, de acordo com o ensinamento dos Papistas … é um engano vão e uma sedução da filosofia. “ Desnecessário dizer que os argumentos do Arcebispo se baseiam em pressuposições errôneas, não têm um mérito sério e, além disso, distorcem o ensino de teólogos católicos sobre Nossa Senhora como co-redentora. 3. Pe. Michael Azkoul (8) Curiosamente, Pe. Azkoul criticou o teólogo ortodoxo russo Vladimir Lossky por apoiar a noção de pecado original de Santo Agostinho, e rejeitou a opinião do bispo Kallistos Ware de “suspender o julgamento sobre o assunto” da Imaculada Conceição. A visão do Pe. Azkoul é intransigente (assim como errônea): “Na verdade, não há pecado original como herança da culpa de Adão e, portanto, a Imaculada Conceição é apenas mais um episódio de uma comédia de erros latinos. É um dogma significando nada “. Deve-se salientar que o Pe. Azkoul também rejeita o conceito de desenvolvimento dogmático na Igreja como proposto por eminentes teólogos como o cardeal John Henry Newman e aceito pela Igreja Católica. 4. Carl Carlton (9) Este recente calvinista americano convertido à Ortodoxia Oriental retém o resíduo de velhos preconceitos protestantes contra “Romanismo” e “Mariolatria” e segue o Arcebispo Maximovich em objetar a doutrina da Imaculada Conceição, alegando que ela naturalmente leva “à exaltação da Mãe e Deus em pé de igualdade com a do próprio Deus. ” Não surpreendentemente, em sua oposição fanática a muitas doutrinas católicas, ele declara: “Chamar Maria Co-redentora não é simplesmente errado, é blasfêmico e herético”. 5. Pe. Georges Florovsky (10) Esse decano dos teólogos ortodoxos russos no Ocidente (e que influenciaria teólogos russos mais ecumênicos como o padre John Meyendorff) pode ter adotado uma linha mais branda em relação à Imaculada Conceição, mas rejeitou de forma semelhante o dogma católico. “O dogma católico romano da Imaculada Conceição da Virgem Maria é uma tentativa nobre de sugerir uma solução (sobre como conciliar a doutrina da Imaculada Conceição de Maria com a universalidade do pecado original). Mas esta solução é válida apenas no contexto de uma doutrina particular e altamente inadequada do pecado original e não se mantém fora desse cenário particular. Estritamente falando, esse “dogma” é uma complicação desnecessária, e uma terminologia infeliz que apenas obscurece a verdade indiscutível da crença católica: os “privilégios” do Maternidade divina não dependem de uma libertação do pecado original “. 6. John Meyendorff (11) Em seu trabalho seminário sobre um dos mais importantes teólogos bizantinos do século XIV, pe. Meyendorff observou que muitas passagens nos escritos de Palamas concernentes à Mãe da santidade e pureza de Deus deveriam levar alguns autores a supor que Palamas sustentava a doutrina da Imaculada Conceição. “A humanidade de Cristo é uma humanidade sem mancha, e Aquela que deu a Ele esta humanidade” se assemelhou a Ele em todas as coisas “, como diz Palamas, isto é, Ela possui graça especial. É realmente provável que a piedade marcante de Palamas no que diz respeito à Virgem, teria levado-o a aceitar essa doutrina, se ele tivesse compartilhado a concepção ocidental do pecado original. No entanto … a visão de Palamas sobre o pecado de Adão e a maneira em que foi transmitida, não pode ser reconciliada com a doutrina da Imaculada Conceição como definida por Roma … (Para ele) o pecado original era acima de tudo uma mortalidade hereditária, levando os indivíduos da raça humana a cometer pecados, mas não implicando qualquer culpa pelo pecado real do Primeiro Pai. ” (12) 7. Panagiotis N. Trembelas A última testemunha apresentada aqui para demonstrar o desvio da ortodoxia oriental moderna de suas próprias melhores tradições concernentes à Santa Conceição da Mãe de Deus é um dos principais teólogos dogmáticos da Igreja Grega. Panagiotis N. Trembelas escreveu em 1959 um excelente trabalho sobre a teologia dogmática, considerado digno de tradução para o francês pelo estudioso beneditino Pierre Dumont em 1967 (13). No segundo de seus três volumes, Trembelas escreveu que não havia “apoio nas Escrituras ou na Tradição” para a doutrina da Imaculada Conceição. “Na Igreja Católica, antes do século 12, nenhuma menção séria foi feita à Imaculada Conceição.” A opinião da Igreja grega ele declarou ser que “a Theotókos tem sido tão culpado da falha original e ancestral como todos os outros homens, e que os santos Padres, quando interpretaram as palavras do anjo para a Virgem”, o Espírito Santo virá sobre você, “observam que Ele havia descido sobre Ela anteriormente, a fim de purificá-la e preparara-la um tabernáculo digno da morada da Palavra. De fato, ela tinha necessidade de ser purificada”. (14) Curiosamente, o erudito professor se embasa sobre os escritos e autoridade do patriarca de Alexandria Metrophanes Kritopoulos (1639) do século 17 que estudou na Inglaterra (em Oxford), Alemanha e Suíça, era simpático ao protestantismo e, especialmente, encorajou a oposição à doutrina da Imaculada Conceição entre os gregos. Ele espalhou a opinião de que a Theotókos foi purificada do pecado original na Anunciação. De todo o exposto, é evidente que: Apesar das muitas evidências que demonstram séculos de apoio à verdade da doutrina da Imaculada Conceição entre os bizantinos até o século XIX, a oposição à doutrina católica caracteriza tristemente a escrita teológica moderna entre teólogos ortodoxos orientais, prelados e escritores populares. Críticas à doutrina aumentaram particularmente após a definição papal de 1854. Ataques polêmicos à doutrina são geralmente baseados em entendimento errôneo da doutrina que é baseada em tais suposições equivocadas como: a. a Santíssima Virgem não precisou da Redenção; b. a Santíssima Virgem foi assim separada arbitrariamente do resto da humanidade caída sujeita ao pecado; c. a concepção da Santíssima Virgem era virginal (sem semente humana); d. Sua Imaculada Conceição a isentaria da morte; e. A Santíssima Virgem foi feita pelos “latinos” uma contraparte feminina de Cristo, e até mesmo elevada ao status de uma redentora que é igual a Cristo. Deve-se notar que grande parte da dificuldade encontrada pelos ortodoxos orientais em relação à doutrina católica da Imaculada Conceição resulta reconhecidamente de uma compreensão inadequada e restritiva da natureza do pecado original. Seus teólogos e escritores enfatizam os efeitos do pecado original: concupiscência, ignorância, dor, sofrimento, morte e corrupção do corpo. Eles tendem, no entanto, a ignorar o que constitui a essência do pecado original. Como vimos, os principais teólogos como Georges Florovsky e John Meyendorff viam o pecado original como “acima de tudo uma mortalidade hereditária, levando os indivíduos da raça humana a cometer pecados, mas não implicando qualquer culpa pelo pecado real do Primeiro Pai ( Adão).” Nessa visão, o pecado pessoal e a culpa pessoal de Adão eram apropriados apenas a Adão. Nenhum descendente de Adão herda por um “pecado da natureza”, a culpa de Adão. A Theotókos, portanto, dificilmente poderia ser preservado de algo que ela não herdou. No entanto, é empobrecer radicalmente o significado do “pecado ancestral” como entendido pela Tradição reduzi-lo a uma mortalidade hereditária com sua conseqüente concupiscência (inclinação ao pecado). Na doutrina católica, a essência do pecado original reside antes na privação da justiça original, cuja principal parte era a graça deificante (ou santificante); não deve ser confundido com os efeitos acima mencionados. Felizmente, há teólogos dissidentes que podem ser prontamente citados como em acordo básico com a doutrina católica de que a perda da graça por Adão envolveu a perda e transmissão daquela santidade original e justiça na qual Deus criou o homem e que é essa morte espiritual do homem que foi transmitida com a natureza humana ferida a toda a humanidade (fazendo homens e mulheres caídos filhos da ira, Efésios 2: 3). Assim, todos descendentes de Adão (com dogma católicos excetuando a Bem-Aventurada Virgem Maria, que recebeu a graça especial de uma redenção preservativa), são concebidos em estado de pecado, necessitando, portanto, de redenção pelo Deus-homem. O teólogo anglicano Dr. Frank Gavin observou que o teólogo grego Androutsos, do século 19, acreditava que “a punição do pecado pelo fato de ter uma natureza deficiente pressupõe a existência do pecado e da culpa herdados”. (15) Similarmente, em seu “Our Orthodox Christian Faith” publicado pela Irmandade dos Teólogos (“O Sotir”) em 1985, Athanasius S. Frangopoulos escreveu que o aspecto mais triste e mais feio do pecado original é sua transmissão do primeiro homem para seus descendentes de geração em geração para toda a raça humana: uma transmissão hereditária como estado e doença da natureza humana e como uma culpa pessoal de todo homem. Ou seja, não apenas Adão pecou, mas em sua pessoa todos os seus descendentes, todos os homens descendentes de Adão. Isso significa que Adão não pecou apenas como indivíduo, mas como progenitor e representante da raça humana. Por esta razão Deus imputou a todos os homens o pecado de um … “Portanto”, diz o apóstolo divinamente inspirado, “como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, e assim a morte passou a todos os homens, por isso todos pecaram “(Rom. 5:12); isto é, na pessoa de Adão todos os seus descendentes foram incluídos e todos herdaram o pecado de Adão e os resultados desse pecado que são culpa, corrupção e depravação de nossa natureza, a tendência e inclinação para o mal e finalmente a morte. (16) As designações de “corrupção” e “depravação” não devem, é claro, ser entendidas como totais (como no sentido calvinista). O que está claro, entretanto, desta exposição da crença ortodoxa é o claro reconhecimento por alguns ortodoxos orientais (por exemplo, Androutsos e Frangopoulos) de que a Queda de Adão realmente resultou na perda da graça (e a perda da amizade com Deus) para todos descendentes dele e que esse trágico estado pecaminoso foi remediado pela “restauração”, “remodelação” e “recriação” do homem caído, realizado pelo Salvador na carne (17). A “morte” infligida a Adão e seus descendentes era “principalmente e primariamente morte espiritual, isto é, separação de Deus, completa alienação de Deus e afastamento de Deus – do conhecimento Dele e do Seu amor … Primeiro veio a morte espiritual e depois morte física: a separação da alma do corpo e a deterioração e dissolução do corpo “. (18) O veredicto de Hilda Graef, escrito há alguns anos, permanece significativo: Se a Igreja Ortodoxa tivesse as mesmas opiniões sobre o pecado original que a Igreja latina, dificilmente se poderia duvidar que seus teólogos ficariam tão ansiosos para isentá-la dele como os defensores da Imaculada Conceição no Ocidente. Pois é difícil ver como eles poderiam considerá-la mais pura do que os anjos, uma expressão que ocorre repetidas vezes em seus escritos. A divergência de pontos de vista entre Oriente e Ocidente nessa questão, como em alguns outros pontos, parece mais aos sistemas subjacentes da teologia do que a uma diferença real de fé. Se essas divergências de pensamento fossem esclarecidas, provavelmente seria descoberto que os ortodoxos e católicos eram um em sua definição da pureza da Theotókos (19). No relato precedente das negações de vários teólogos ortodoxos orientais, só podemos nos impressionar com os mal-entendidos expressos na doutrina católica, a puerilidade de suas objeções teológicas e a obstinada ignorância de evidências de sua própria tradição bizantina de abertura para e até mesmo favor explícito para a Theotókos sendo criada sem pecado porque Ela tinha sido predestinada desde toda a eternidade para a Sua dignidade única como a Mãe de Deus. Os teólogos bizantinos que trataram diretamente a Conceição da Theotókos no ventre de Sua mãe Santa Ana, como George Scholarios (depois patriarca anti-unita ade Constantinopla que rejeitou o Concílio de Florença) e Elias Meniates, do século XV (+1714 ), autor de uma famosa obra polêmica contra o papado (Pedra de escândlo), estão entre os dissidentes teólogos bizantinos que expressamente ensinaram que a Theotókos havia sido preservada da mancha do pecado original. Scholarios com uma precisão teológica superior à dos primeiros teólogos latinos e gregos declarou que: “como a futura Mãe do Mais Puro, Ela teve que ser pura desde o primeiro instante de Sua Conceição … A graça de Deus a libertou completamente do pecado original … Porque Ela foi completamente liberta da culpabilidade original e punição, um privilégio Dela apenas, entre os homens, recebeu, (Ela) se tornou em corpo e alma o Santuário de Deus “. Meniates expressou seu desacordo com aqueles que afirmavam que a Theotókos havia sido libertada do pecado original na Anunciação: “Pode-se duvidar que uma virgem tão pura, santa e irrepreensível tenha ficado isenta de toda contaminação, mesmo do pecado original? Maria foi certamente concebida e nasceu sem a mancha do pecado. É inadmissível, como outros dizem, que ela foi concebida com o pecado original e depois purificada pela graça divina (na Anunciação) para nascer assim inocente e imaculada. “ Era vergonhoso que passagens-chave em seus Sermões expressando crença na Imaculada Conceição devessem ter sofrido supressão por um editor posterior em 1849 com o consentimento do patriarca de Constantinopla Ântimo IV (20). Aproveitando-se da pesquisa erudita de Pere Jugie na teologia bizantina, pe. Stephen C. Gulovich notaria: Uma pesquisa de estudiosos e hierarcas bizantinos mostrará que, como a Santa Sé gradualmente favoreceu os defensores do privilégio mariano, a oposição entre os dissidentes aumentou e se tornou mais intransigente. Finalmente, quando Pio IX proclamou o dogma … um coro unânime dos dissidentes denunciou o Papa como inovador. No entanto, continua a ser verdade para todos aqueles que oram e trabalham pela reconciliação doutrinal dos católicos e ortodoxos orientais que não existe uma definição dogmática que obrigue todos os Ortodoxos a declarar o dogma da Imaculada Conceição falso e alheio à Sagrada Escritura e à Tradição Apostólica (21). Assim, nestes dias ecumênicos, abre-se o caminho para que a incoerência doutrinária do moderno pensamento ortodoxo oriental seja superada por um retorno bem-vindo à mais autêntica tradição bizantina, que afirmava que a Theotókos era divinizada pela graça de Deus e santificada muito antes de seu nascimento e até mesmo desde o primeiro momento de sua existência como pessoa. Certamente, a opinião de teólogos ortodoxos dissidentes de que a Santíssima Virgem foi concebida no pecado original não pode ser considerada como satisfazendo os critérios do famoso Cônego Vicentino (que eles freqüentemente invocam) de “ter sido acreditado em todos os lugares, sempre e por todos”(Quod ubique, quod sempre, quod ab omnibus traditum est). Maria como medianeira Deve-se notar como teólogos ortodoxos orientais e escritores espirituais estão fartos de seu louvor a Nossa Senhora como medianeira em seu clássico “Minha Vida em Cristo”, John de Kronstadt que é considerado um santo por muitos russos muitas vezes declara a “imaculada de nossos Deus, a mais alta de todas as criaturas, a medianeira de toda as raças da humanidade “(22). Em muitas das belas e ardentes orações encontradas nesta obra (que também sugerem a crença na Imaculada Conceição), ele invoca Nossa Senhora como “Rainha de todos os anjos e homens”, “Primeira Origem da renovação espiritual”, “Senhora Soberana”. Toda misericordiosa Mãe do todo-misericordioso Rei “, declarando-lhe:” Tu és o mais brilhante Sol, Tu és a Mais Pura, Mais Misericordiosa, e rápida para socorrer; É natural que você nos purifique, poluídos pelos pecados, como uma mãe purifica seus filhos, se clamarmos a você humildemente por ajuda; É natural que nos elevemos, caiamos continuamente, interceda por nós. “Ele pergunta:” Quem, depois do Senhor, é como Nossa Senhora, nossa Misericórdia toda misericordiosa, socorro e veloz? “” A Virgem Maria “, escreve ele,” é a mais misericordiosa soberana de todos os filhos e filhas dos homens, como a Filha de Deus Pai, que é amor, a Mãe de Deus, a Palavra, do nosso amor, noiva escolhida do Espírito Santo, que é o amor consubstancial do Pai e da Palavra. Como podemos fazer outra coisa senão apelar para tal soberana e esperar receber todas as suas bênçãos espirituais? “(23) Ele repetidamente chama Maria como Medianeira e Intercessora para proteger o cristão crentes de todo o mal. Nas orações de João de Kronstadt ouvimos o eco dos muitos ofícios e serviços que honram a nossa Senhora como Medianeira, que distribui as graças de Deus àqueles que a invocam. Assim, lemos nos ofícios: “Theotokos vem entre nós, medianeira da salvação.” “Theotokos está diante de nós, a medianeira da salvação.” “Salve, ó Joaquim e Ana! É alegria que a medianeira da alegria e salvação, até mesmo a Virgem, nasceu para nós hoje de uma estéril.” “Salve, tu medianeira da bem-aventurança antiga para a raça dos homens.” (Mesmo antes da Anunciação) a Virgem Maria foi saudada como “já toda santa e imaculada” e como “theotókos, a medianeira e a ajuda de todos”. Seria redundante aqui multiplicar o testemunho dos teólogos e escritores espirituais bizantinos através dos séculos, proclamando Maria como Medianeira (ou medianeira) de todas as graças conquistadas por Nosso Salvador no Calvário. Pode-se dizer que eles só repetem com São Tomás de Aquino: “Maria tem à sua disposição uma abundância de graças que não só ela é” cheia de graça “, mas pode dar a toda a humanidade”. A boa pegada. Michael O’Carroll, CSSp., Sobre a mediação universal de Maria “Mary, Corredemptress, Mediatress, Advocate: Instrument of Catholic-Orthodox Unity” no volume “Mary: Coredemptrix, Mediatrix, Advocate: Theological Foundations” (25) da doutrina da mediação materna universal de Maria na tradição bizantina. Maria como Coredentora na tradição bizantina Embora o termo preciso “Coredentora” não seja encontrado entre os teólogos ortodoxos orientais e escritores espirituais (eu li que o título “co-redentora”, curiosamente, pode ser visto na coleção de hinos armênios chamada “Sharakan” ). a essência desta doutrina continua a ser proclamada na hinologia dos Of´cios e Serviços da Igreja Bizantina, nas homilias dos mais renomados teólogos bizantinos medievais, e nos escritos daqueles que reconhecem a associação de Cristo com a Santíssima Theotokos no trabalho da nossa redenção. O fato de que ela realmente cooperou e colaborou e participou de maneira secundária, subordinada e dependente na Redenção por Seu Divino Filho é expressa na bela linguagem poética dos hinos e preces bizantinos, observando sua cooperação em todas as fases da Redenção. Assim, ouvimos cantar nas várias festas da Igreja Bizantina: “Ò Panaghia, Theotókos, salve-nos” “Ó Virgem, que deu o Doador da Vida, tu livraste Adão do pecado, e a Eva trouxe alegria no lugar da tristeza.” “Theotókos, salvação do homem” “A Virgem, descendência de Joaquim e Ana, apareceu aos homens, libertando todos os laços do pecado.” “A Santíssima Virgem, tendo quebrado os laços da nudez de Ana, foi revelada aos homens, concedendo a remissão (dos pecados)”. “… Hoje nasce da semente de Davi, a Mãe da Vida, que destrói as trevas. Ela é a restauração de Adão e a a nova Eva, a fonte da incorrupção e a liberação da corrupção; através dela, fomos feitos divinos e libertados da morte “. “Tu renovaste a nossa natureza pela Tua Criança, ó Maria. Libertaste Eva da maldição ancestral … Tu libertaste a humanidade da condenação ancestral.” “Tu és nossa libertadora das severas punições do passado, a restauração de nossa mãe Eva, a causa da reconciliação de nossa espécie com Deus, a ponte que nos leva ao Criador; Ti, então, Teotókos, nós magnificamos.””Ela (Theotókos) é a salvação do mundo, ó Santo Lugar de Deus Nós clamamos a Ti … Levante a trombeta cristã e salve nossas almas … Você é a única esperança que temos.” “Nós Te conhecemos, Ó Pura, que Tu és o Santo Tabernáculo, e a Arca, e a Lei da graça: pois através de Ti foi a redenção dada àqueles que são justificados pelo Sangue daquele que foi feito carne através do teu ventre, Ó Toda imaculada. “Meus pecados são sem número, ó Theotókos, então para Ti eu venho para salvação, ó Senhora Mais pura!” “Através de Ti, ó Sempre-Virgem Theotókos, nós compartilhamos a natureza divina.” “Inefavelmente Tu carregaste a Deus na carne por nós e pelo Teu Parto redimiste a nossa natureza mortal daquela corrupção em que envelhecera.” É evidente a partir destes e breves trechos de louvor anteriores de festas e ofícios litúrgicos bizantinos que não só a Theotókos Sempre-Virgem foi fortemente indicada como “Cheia de Graça” desde o início da sua existência (iniciando assim a “nova criação” da Santíssima Trindade da humanidade), mas que ela também foi considerada em solidariedade íntima com seu Filho Divino na realização da própria redenção da humanidade. Com Cristo, o Segundo Adão, Maria, a segunda Eva, foi associada e cooperou ativamente com o Seu Divino Filho em Sua obra de salvação da raça humana – na medida que Ele desejou. Unida a Ele e com Ele, a Theotókos através de Seu constante amor e compaixão (especialmente no Calvário) esteve especialmente envolvida nos mistérios de Cristo e mereceu por nós a graça, auxiliando assim na salvação da humanidade. O título “Coredentora” pode não ter sido mencionado na magnífica Lumen Gentium do Vaticano II, o documento sobre a Igreja e Maria, mas seu significado é certamente encontrado no artigo 56: Comprometendo-se de todo o coração e impedida por nenhum pecado à vontade salvífica de Deus, Ela se dedicou totalmente, como uma serva do Senhor, à Pessoa e Obra de Seu Filho, sob e com Ele, servindo ao mistério da Redenção, pela graça do Deus Todo-Poderoso. Portanto, com razão, os Padres veem Maria não apenas como passivamente engajada por Deus, mas cooperando livremente na obra da salvação do homem através da fé e obediência … Esta união da Mãe com o Filho na obra da salvação é manifestada a partir do tempo da concepção virginal de Cristo até a sua morte (26). No “Catecismo da Igreja Católica” lemos a respeito do sacrifício redentor de Cristo que Sua Mãe “se entregou inteiramente à Pessoa e à Obra de seu Filho … para servir ao mistério da Redenção com Ele e com o Filho dependente”. Nele “…” foi associada mais intimamente do que qualquer outra pessoa no mistério do seu sofrimento redentor “(27). Assim, redimida por Cristo-Deus em uma redenção perfeita (não sendo purificada do pecado original, mas sendo preservada dele!), A Santíssima Theotókos foi autorizada a concorrer em nossa salvação pela graça que vem dos méritos infinitos de Cristo. As palavras de Santo Atanásio ao herético Ário e outros que se opõem ao uso do termo “consubstancial” também podem ser consideradas aplicáveis àqueles que se ofenderiam com o título “Coredentora” sendo aplicado à Mãe do Redentor: ” A novidade da palavra o ofende ou é que você igualmente rejeita a verdade do assunto que é dado este nome? É realmente uma verdade antiga que recebeu um novo nome, e não algo que nós aceitamos como verdadeiro por causa do nome.” Em conclusão: como foi notado, o triste legado do trágico cisma bizantino greco-eslavo é visto naqueles ortodoxos orientais modernos que só dão mais expressão ao seu “complexo anti-romano” ao se opor à doutrina da Imaculada Conceição de Nossa Senhora denunciando seu título e missão como “Coredentora”. As acusações As acusações que os católicos se esforçam “de exaltar a Santíssima Virgem a uma igualdade com Cristo atribuindo às suas torturas maternas na Cruz um significado igual aos sofrimentos de Cristo” (Arcebispo John Maximovich) constituem simplesmente outra distorção do ensino católico e servem para colocar mais um obstáculo ao anseio de muitos orientais por Unidade, amantes de Deus, com a Sé de Pedro. Que a Nossa Senhora, Mãe da Igreja e Mãe da Unidade, apresse o dia em que antigos preconceitos e dificuldades doutrinárias sejam eliminados e os católicos e ortodoxos, pela graça do Espírito Santo, sejam “um” na “única Igreja”. “estabelecida pelo nosso Salvador sobre a imperecível Rocha de Pedro. Doxa soi, Christos o Theos, doxa soi! Glória a Ti, ó Cristo nosso Deus, glória a Ti!

  • EDUQUE SEUS AMIGOS, NESTE NATAL, A RESPEITO DE EDUCAÇÃO ELEVADA – Joseph Pearce

    O advento está apenas começando, mas muitos de nós já estão pensando no Natal. Em certo sentido, isso é bastante justo. O Advento é um tempo de preparação para nossa celebração do nascimento de Cristo e é apropriado que estejamos aguardando ansiosamente a vinda de Nosso Senhor. Em outro sentido, no entanto, as armadilhas do período pré-natal podem ser uma distração da preparação santa e saudável que o advento deve proporcionar. Preocupações com os presentes que precisamos comprar, a árvore que precisamos escolher, a festa do escritório a que vamos comparecer, o dinheiro que gastaremos e o orçamento que precisamos equilibrar servem para nos manter longe do verdadeiro espírito da Estação. Sem querer aumentar essas distrações, eu gostaria de sugerir um livro que todos os defensores da educação católica autêntica poderiam presentear a amigos e parentes neste Natal. O livro em questão é A Morte da Alma: Ensaios Críticos sobre a Universidade de Thomas S. Martin (Chisokudo Publications, 2017). O professor Martin é professor de Filosofia em uma grande universidade estatal, mas não devemos deixar que esse fato lamentável nos afaste da leitura do livro. De fato, apesar dessas credenciais pouco promissoras, ele é um pensador em que se pode confiar. Lemos, na breve biografia da contracapa, que o professor Martin e seus colegas no departamento de filosofia da Universidade de Nebraska, em Kearney, “se dedicam ao estudo das Grandes Obras”. As que professor Martin ensina incluem trabalhos de Platão, Aristóteles, Dostoiévski, Kierkegaard e G.K. Chesterton, bem como as obras daqueles que não conseguiram ver as coisas tão claramente, como Locke, Hume, Descartes, Nietzsche, Freud e Sartre. O professor Martin também leciona regularmente sobre as obras de Solzhenitsyn, um fato que seria suficiente, por si só, para lhe conceder confiabilidade. Como se o precedente não fosse suficiente para acalmar nossos temores, professor Martin é um ousado católico praticante, cuja presença imponente (possui uns 15 centímetros acima do normal) pode ser vista anualmente na Conferência GK Chesterton, na qual freqüentemente dá palestras temperadas com o tipo de inteligência e sabedoria de que o próprio Chesterton era mestre indubitável. Não é de surpreender, portanto, que uma longa passagem de Chesterton sobre o valor da tradição sirva de epígrafe a este volume de ensaios. Esse espírito de inteligência e sabedoria, temperado com sátira mordaz, está presente em todos os ensaios do livro do professor Martin. Em sua introdução, o Professor Martin localiza o objetivo da universidade em princípios estabelecidos por Aristóteles em sua Metafísica e na sua Ética a Nicômaco. “O homem tem dois olhos”, escreve professor Martin. “Possui um olho externo, o olho quantificável, o olho científico, que mede tudo pelo tamanho, forma, cor, velocidade e quantidade. E um segundo olho, o olho interno, o olho qualitativo. Este é o olho da memória e do auto-exame, que é sustentado por uma consciência e o juízo moral necessários para distinguir entre o que é justo e injusto, o bem e o mal, a fumaça e os espelhos.” O veículo do olho externo são as ciências naturais, enquanto o olho interno vê através das lentes da história, da literatura, da filosofia, das artes e, claro, das Escrituras. “Prive um aluno de um desses olhos dele e se será um Ciclope”, escreve o professor Martin, “com a visão míope das mentes limitadas”. Em toda essa coleção de ensaios, o professor Martin julga a academia moderna com os dois olhos bem abertos. Muito frequentemente, ele não gosta do que vê. Seu julgamento é freqüentemente contundente e expresso numa concisão epigramática. Assim, no ensaio de abertura, “Pós-modernismo, ou a Era da Decrepitude”, ele afirma que “a televisão é para aqueles que não têm imaginação”. E em seguida vem a sátira. Num ensaio intitulado “Pessoas altas em Instituições Predominantemente Baixas” ele convoca sua própria universidade, a Universidade de Nebraska, “com um ato de boa fé”, para “elevar os batentes das portas a dois metros e meio, colocar um mictório e um vaso sanitário para pessoas altas em banheiros, bem como oferecer várias mesas e cadeiras mais altas em cada sala de aula.” “É compreensível”, conclui ele, “que os verticalmente prejudicados tenham algumas queixas contra as instituições que estão praticando a discriminação de altura…” Contra essas liberdades menores, expressas como “direitos”, que o professor Martin satiriza, ele defende a liberdade suprema, a liberdade da vontade em conformidade com a justa razão. Tomando sua sugestão mais uma vez de Aristóteles, lembra-nos de que um homem verdadeiramente livre “usa a própria alma para governar o corpo”: Se o corpo dominar a alma, o corruptível estará guiando o incorruptível, e isso simplesmente não é uma boa idéia… A escravidão é a condição do corpo governando a alma, a barriga e/ou a virilha tomando decisões, por assim dizer, ao invés da alma concentrar-se em princípios e viver de suas convicções. Um escravo é uma pessoa que não pode conter-se diante dos apetites do corpo e do desejo excessivo de posses externas. Há um velho ditado que diz: quem não pode se controlar, será controlado. De acordo com essa verdadeira compreensão da liberdade, os estudantes das modernas universidades seculares são educados para ser escravos; mais que isto, educados para abraçar a escravidão em nome de liberdades superficiais e falsas. Tal é a loucura da academia moderna, que o Professor Martin rejeita, despreza e, muitas vezes, satiriza nesse volume deliciosamente incisivo e perspicaz. Aqueles que desejam, neste Natal, dar presentes instigantes e verdadeiramente esclarecedores, não precisam procurar mais nada. https://theimaginativeconservative.org/2018/12/death-of-the-soul-thomas-s-martin-joseph-pearce.html

  • O dia em que Padre Pio segurou o Menino Jesus nos braços

    Testemunhas confirmam as visões que ele tinha na época do Natal Padre Pio adorava o Natal. Desde criança, ele tinha uma devoção muito especial ao Menino Jesus. De acordo com o padre capuchinho Joseph Mary Elder, “Na casa dele em Pietrelcina, o próprio [Padre Pio] preparava a manjedoura. Ele costumava começar a trabalhar já em outubro… Quando visitava a família, procurava pelas pequenas imagens de pastores, ovelhas e magos. Ele criava o presépio, fazendo e refazendo-o continuamente até que ele achasse que estava certo.” Essa devoção permaneceu com ele durante toda a vida. Em uma carta a uma filha espiritual, ele escreveu: “Quando começou a Santa Novena em honra ao Menino Jesus, senti como se meu espírito estivesse nascendo de novo para uma nova vida. Senti como se meu coração fosse pequeno demais para abraçar todas as nossas bênçãos celestes.” A Missa da Meia-Noite em particular era uma celebração alegre para o Padre Pio, que ele repetia todos os anos. Durante a Missa, a alma dele era elevada a Deus com grande alegria, uma alegria que os outros podiam ver facilmente. Além disso, testemunhas relataram que viram Padre Pio segurando o Menino Jesus. Não era uma estátua de porcelana, mas o próprio Menino Jesus em uma visão milagrosa. Renzo Allegri conta a seguinte história. “Estávamos rezando o rosário enquanto esperávamos a Missa. Padre Pio estava rezando conosco. De repente, em uma aura de luz, vi o Menino Jesus aparecer nos braços dele. Padre Pio ficou transfigurado, seus olhos fitavam a criança brilhante em seus braços, seu rosto foi tomado por um sorriso atônito. Quando a visão desapareceu, o Padre Pio percebeu o jeito que eu estava olhando para ele e concluiu que eu tinha visto tudo. Mas ele se aproximou de mim e me disse para não contar para ninguém.” Uma história semelhante foi contada pelo Pe. Raffaele da Sant’Elia, que morou ao lado do Padre Pio por muitos anos: “Em 1924, eu me levantei para ir à igreja para a Missa da meia-noite. O corredor era enorme e escuro, e a única iluminação era a chama de uma pequena lamparina a óleo. Através das sombras, pude ver que Padre Pio também estava indo para a igreja. Ele havia saído do quarto e caminhava devagar pelo corredor. Eu percebi que ele estava envolto em um feixe de luz. Eu dei uma olhada melhor e vi que ele tinha o Menino Jesus em seus braços. Eu apenas fiquei parado, paralisado, na porta do meu quarto, e caí de joelhos. Padre Pio passou, todo radiante. Ele nem percebeu que eu estava lá.” Esses acontecimentos sobrenaturais destacam o profundo e eterno amor de Padre Pio por Deus. Um amor marcado pela simplicidade e humildade, com o coração aberto para receber qualquer coisa que Deus tivesse planejado para ele. Que possamos também abrir nossos corações para receber o Menino Jesus no dia de Natal e deixar que o amor insondável de Deus nos supere com alegria cristã.Leia também:Quando Jesus conversou sobre o fim do mundo com o Padre Pio #Jesus #Natal #PadrePio

  • A TRANSFORMAÇÃO DAS IMAGENS E DAS ATITUDES PERANTE AS IMAGENS NO OCIDENTE

    • A TRANSFORMAÇÃO DAS IMAGENS E DAS ATITUDES PERANTE AS IMAGENS NO OCIDENTE • As imagens dos Santos e o crucifixo • No princípio do século 11, o desenvolvimento e as inovações da arte e do culto Cristão, no Ocidente, ocorreram paralelamente a aparição das “heresias populares”que, desde sua origem, denunciaram todas as formas de mediação entre os homens e Deus instituído pela Igreja: os heréticos voltaram-se contra as cruzes, os crucifixos, as imagens e seu culto, as prerrogativas sacramentais do clero, ou ao culto dos santos e das relíquias. A rejeição da cruz é explícita desde o ano mil junto ao primeiro herege mencionado, Leutard de Vertus, depois por volta de 1017-1018 junto aos heréticos da Aquitânia que Adhemar de Chabannes denunciou, em 1028 em Monteforte, no Piemonte, segundo o testemunho de Landolfo Senior, ou após 1105 com Pedro de Bruys, contra o qual o Abade de Cluny Pedro, o venerável, refutou os argumentos. Na maior parte das vezes, a rejeição da Cruz pelos heréticos vai paralela à rejeição das imagens, como ocorre entre os cátaros e os valdenses. • A contestação herética, sem dúvida, provocou por reação na Igreja as posições mais favoráveis ao culto e ao desenvolvimento das imagens religiosas, das quais se conhece aliás uma floração artística a partir do século 12. Ela também encorajou os clérigos a dar uma base teórica ao novo culto das imagens para conferir-lhe legitimidade. • Um dos casos mais esclarecedores é o dos heréticos condenados no Sínodo de Arras em 1025, sob o episcopado de Geraldo de Cambrai. Esses heréticos contestavam a legitimidade da eucaristia e de outros sacramentos, como a penitência e o casamento, e queriam abolir as ordens eclesiásticas. O Bispo refuta seus argumentos ponto a ponto, em particular para justificar a veneração da Cruz, a imagem do crucificado e as demais imagens religiosas. Lembra que a cruz é o signum, o vexilum do Salvador: é ela que se evoca, mas é Ele que se adora. O exemplo vem de Santo André que, na hora do martírio na cruz, cantou em louvor deste instrumento de suplício que viria a ser completamente associado a Cristo: Salve crux, quae in corpore Christi dedicata est. (salve, ó Cruz, que foste santificada pelo corpo de Cristo). Emprestado à liturgia, O hino é aqui retomado como argumento contra os heréticos: de maneira significativa, ele se vale de um vocabulário do desejo amoroso O Bona cruz)[…] diu desiderata, solicite amata, sine intermissione quaesita (Ó boa Cruz (…) por tanto tempo desejada, solicitante amada, ininterruptamente procurada) que lembra a carta do pseudo-Gregório no século 8 a propósito das imagens. • Como, Geraldo de Cambrai distingue a cruz do crucifixo — que leva a imagem do crucificado. E apresenta o que nomeia de ratio (razão): o crucifixo já tinha sido anunciado desde o antigo testamento na forma da serpente de bronze (números 21,8), que, já para João 3, 14, devia ser interpretada como uma prefiguração de Cristo os crucificado. A seguir o Bispo dá uma alia ratio (outra razão: a imagem do crucificado permite a edificação dos illiterate (iletrados), que, vendo pintada a paixão de Cristo, adorarão Cristo. Essa razão é simplesmente a mesma que Gregório dava para as imagens. Mas aqui, é para o crucifixo, Geraldo de Cambrai vai mais longe. Assim como Santo André ligou seus propósitos membros na madeira da Cruz para identificar-se completamente com Cristo, a vista da “imagem visível” do Salvador crucificado fará mais do que apenas instruir o povo, pois ” excitará o espírito interior do homem” e virá mesmo “inscrever-se no coração, de tal sorte que cada um reconhecerá em si mesmo sua dívida para com o Redentor. • * • O Bispo Geraldo acrescenta, enfim: “pode-se ter o mesmo raciocínio a propósito das imagens e dos Santos que estão na santa Igreja” (similiter de imaginibus sanctorum ratiocinari licet, quase ideo in sancta ecclesia fiunt), e também em relação às da virgem, dos anjos, dos apóstolos e mártires, dos confessores e das virgens e dos demais santos: não são elas que adoramos, elas nos “excitam interiormente” à contemplação da Graça Divina, e as ações dos santos nos ensinam a virtude. Mas notemos a diferença que o Bispo estabelece entre elas e o crucifixo: mesmo se essas imagens, como a do Crucificado, suscitam a emoção da alma, não se inscreve no coração a exemplo desta última. Não haveria aí duas “razões” diferentes, a do crucifixo e a das demais Imagens? Parece que a introdução do crucifixo na categoria das imagens e, ao mesmo tempo, a distinção estabelecida entre as funções religiosas, conferidas respectivamente a esses dois tipos de imagens, são traços importantes da reflexão sobre as imagens elaboradas nos séculos 11 e 12. • Entretanto, a reflexão não se desenvolveu somente como uma reação ao argumento contrário dos heréticos. No século 12, também se intensificou o debate teológico entre judeus e cristãos e a questão das imagens aí teve um lugar de destaque. Essa questão certamente não era o ponto central, e sim a recusa dos judeus em reconhecer o Messias, do qual decorrem todos os outros pontos de desacordo: o papel da virgem, a legitimidade da Igreja, a maneira de interpretar o antigo testamento. Do lado judeu, os tratados de polêmicas anticristãos aparecem na primeira metade do século 12. Quando concedem algum espaço para denúncia das imagens religiosas, lembram a interdição enunciada em êxodo 20,4 e acusam os cristãos de idolatria. A tradição polêmica é muito mais antiga do lado Cristão: remonta São Paulo e aos padres da igreja, e já tinha florescido na época carolíngia, mas intensificou-se consideravelmente no século 12, em que se identifica cerca de uma dúzia de tratados contra judeus. Pelo menos três, tudo de origem o monástica, dedicam-se a refutar, entre outros, os argumentos judaicos contra as imagens, o que aparece como um tema novo na controvérsia entre as duas confissões. Antes do século 12, só Agobardo (840) em seu tratado de judaicis superstitionibus (supertições judaicas), tinha sentido necessidade de refutar a acusação de idolatria pronunciada pelos judeus contra os cristãos ( podemos ainda acrescentar um texto breve do século 8 de Adammanus, Bispo de Iona, concernente ao ato sacrílego de um judeu em relação a imagem de madeira da virgem; mas, significativamente, o fato é apresentado como se tivesse passado em Constantinopla; Adammanus, De locis Sanctis, III, 5, PL 88,722 ET seq). O fato é de resto mais extraordinário porque ele próprio, como já se viu, tinha uma atitude de reserva com respeito às imagens cristãos: não estaria defendendo a ortodoxia e sua posição ao se distinguir dos judeus, mais radicais que ele? Por aí se vê a que ponto a questão da imagem desempenhou um papel sutil de identificação entre as religiões e, no interior da igreja, entre suas diversas correntes de pensamento. • Dos três tratados antijudaicos do século 12 que evocam a questão das imagens, um é inglês, pouco anterior à primeira cruzada: a Disputatio Judei et com, de Gilberto Crispim de Westminster (1117); o segundo é francês o Tratactus de incarnatione contra judaeos, de Gilbert de Nogent (1124) e o terceiro é alemão: o Dialogus inter cristianum et judaeum, de Rupert de Deutz (1130). • Este último, que refuta mais longamente a acusação de idolatria que os judeus imputavam aos cristão, deve ser posto em relação com outra obra contemporânea muito singular, a autobiografia de Hermann o Judeu, de Mayence, convertido ao cristianismo que depois veio a integrar a ordem de Prémontré. Com efeito, o problema da imagem e também a influência de Rupert de Deutz desempenham papel central nessa narrativa de conversão escrita por volta de 1150: quando Hermann sentia-se envolvido pela fé cristã, seu ímpeto foi afetado no dia em que, entrando pela primeira vez numa igreja cristã, deparou-se aí com uma imagem muito grande, que era um crucifixo. ele vai disputar com o abade Rupert de Deutz, que lhe expõe em detalhe a justificação Cristã das imagens e termina por convencê-lo de que não se tratava de idolatria. Então, Hermann não mais hesita em se converter. • dessa maneira, dispomos de dois escritos de Rupert de Deutz, ou concernente a ele, a respeito da posição cristã perante os judeus e das imagens cristãs, que testemunham diferentemente suas concepções na matéria: um testemunho direto, em seu tratado, e um indireto, nas palavras que Hermann lhe atribui na autobiografia. Mesmo não sendo possível entrar aqui em todos os detalhes, o fato suficientemente raro de dispormos deslocamentos faz merecer algum exame. • Nos dois casos, o debate tem a forma de disputa erudita, pois trata-se de diálogos referentes a autoridade das escrituras, exclusivamente veterotestamentárias, o debate se desenvolvendo a partir de uma base textual comum aos judeus e aos cristãos. Mas suas respectivas atitudes se mostram opostas, e se os judeus defendem uma interpretação literal, que leva a seguir à risca a interdição de fazer e de venerar as imagens, quanto à Rupert, com é normal, defende uma interpretação tipológica e cristológica do antigo Testamento. Essa interpretação me parece ser melhor, por ter um fundamento no próprio antigo testamento que não ignorou completamente as “imagens”, citando por seu lado, em conformidade como uma já muito longa tradição, os querubins da arca da aliança e a serpente de bronze. • O mais interessante talvez seja a distinção que ele estabelece entre dois tipos de imagens como antes dele já tinha sido feito, mas com menos nitidez, o Bispo Geraldo de Cambrai. De um lado estão as imagens comuns dos santos, para as quais enuncia, diz ele, a ratio generalis, na tradição gregoriana, e que tem por função “ornar” o templo e lembrar (recordatio) a história sacra. De outro lado, distingue a imago crucifixi(imagen do Crucificado), que permite a quem a venera se identificar com Cristo sofredor. Essa imagem do Salvador, e só ela, tem uma função quase sacramental, e para descrever essa identificação Rubert utiliza o termo muito forte, adoptio, que, no latim dos cristãos, aplica-se ao batismo. • No princípio do século 12, com Rupert de Deutz, chega-se seguramente a uma verdadeira teoria da imagem ligada sempre à concepção “mediana” de Gregório Magno, contudo somente para as imagens dos Santos: ela integrou a noção de transitus, mas aplicando-a unicamente à imagem de Cristo na cruz. A teoria de Rupert ilustra uma notável racionalização da imagem — o termo é do próprio Rupert —, mas equivaleu também a conter as funções da imagem em limites estritos. • Exatamente na mesma época, o extraordinário desenvolvimento da iconografia cristã era, por sua vez, denunciado no próprio interior do clero, por aquele que foi senão o verdadeiro fundador da ordem cisterciense ou pelo menos seu principal inspirador, São Bernardo de Claraval. A Apologia a Guilherme de Saint-Thierry, crítica severa do modo de vida, da riqueza e também da arte de cluny, é bem conhecida. Interessa somente compará-la com os outros textos já analisados. O primeiro ponto a ser observado é que, uma vez mais, a questão das imagens é evocada num contexto e num tom polêmicos. Entretanto, aqui o adversário não é mais nem herege nem judeu, mas outros monges. O texto de São Bernardo impressiona, em segundo lugar, pelos limites sociológicos de seu campo de aplicação: se nas categorias do século e do claustro, identificadas respectivamente aos valores do corporal e do espiritual, reencontram-se os iletrados e letrados de Gregório Magno, apenas estes últimos interessam aos cistercienses. Proibidas nas igrejas e nos claustros, as imagens podiam ser toleradas para os clérigos seculares ou para os simples laicos, mas a Apologia não tinha a intenção de dizê-lo. Enquanto Gregório Magno, e também o beneditino de obediência tradicional Rupert de Deutz — da mesma época de São Bernardo — e Sugerir quando edificou a nova fachada de saint-Denis, aberta ao mundo laico, preocupavam-se com a religião dos laicos e reconheciam a utilidade que as imagens podiam ter para eles, disso o Abade cisterciense não diz uma palavra. • Esse ponto de vista exclusivamente monástico explica em parte que o julgamento de São Bernardo a respeito das imagens pareça tão radical: é que ele não é compensado pelas observações habituais sobre as funções positivas das imagens destinadas aos iletrados. Sem negar a originalidade de São Bernardo, ela parece menos forte ao se considerar seu propósito porque, mesmo exclusivamente para o mosteiro, um Rupert de Deutz continua a assinalar a ligação privilegiada do monge e do Abade com a imagem por excelência que se oferece à sua contemplação: a do crucifixo. A vita prima de São Bernardo exaltará da mesma maneira, pelo viés do maravilhoso cristão, a devoção do Santo pela imagem do crucifixo. (cum devotissime adorabat […] Separats bracchis a cornibus crucis videbatur eumdem Dei famulum amplectantem ac astringere sibi (Enquanto adorava com grande devoção, desprendendo os braços da trave da cruz, parecia abraçar e estreitar contra si o (seu) servo […] (como o Santos encontrava-se prosternado diante do altar o crucifixo apareceu no solo diante dele o santo fosse a adorá-lo e o cobriu de beijos então Cristo soltando seus braços da Cruz passou em torno de seu pescoço),. • SCHMITT, jean-claude, o corpo das imagens, São Paulo, EDUSC, 2007 #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #imagenssacraseídolos #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja

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