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- Para Paulo Escolástico [Epístolas de S. Gregório Magno: Livro I, Ep 3].
Para Paulo, Scholasticus. Gregório para Paulo, etc. No entanto estranhos sorriem para mim por causa da dignidade do meu ofício sacerdotal, isso eu não dou muita importância; mas não lamento nenhum pouco por você sorrir para mim nesse relato, pois sabe o que anseio e, no entanto, supõe que eu tenha recebido progresso. Para mim, teria sido o maior avanço, se o que eu desejasse pudesse ter sido cumprido; se eu pudesse ter realizado o meu desejo, com o qual você está há muito tempo familiarizado, no gozo do tão desejado descanso. No entanto, desde que eu estou agora detido na cidade de Roma, amarrado pelas correntes dessa dignidade, tenho algo em que posso até me alegrar em dirigir-me à sua Glória, visto que, quando o mais eminente senhor o ex-cônsul Leão vier, eu suspeito que você não permanecerá na Sicília; e quando você mesmo, amarrado por sua própria dignidade, vier a ser detido em Roma, você virá a saber que tristeza e amargura sofro. Mas quando o magnífico Senhor Maurêncio, o Cartulário, vier até você, peço-lhe que colabore com ele em relação ao presente estreito da cidade romana, já que fora somos esfaqueados sem cessar por espadas hostis. Mas ainda estamos mais fortemente pressionados pelo perigo por meio de uma sedição dos soldados. Além disso, recomendamos a sua Glória em todos os aspectos, a Pedro, nosso subdiácono, a quem enviamos para governar o patrimônio da Igreja. Tradução de James Barmby. De Nicene e Post-Nicene Fathers, segunda série, vol. 12. Editado por Philip Schaff e Henry Wace. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1895.) Revisado e editado para New Advent por Kevin Knight. <http://www.newadvent.org/fathers/360201003.htm>
- A Justino, Pretor da Sícilia [Epístolas de S. Gregório Magno: Livro I, Ep 2].
Para Justino, Pretor da Sicília. Gregório para Justino, Pretor da Sicília. O que minha língua fala, minha consciência aprova; já que antes mesmo de você se envolver nos empregos de qualquer cargo de dignidade, eu amei e respeitei muito você. Pois a própria modéstia de seu comportamento fazia certas afirmações incipientes sobre afeição, mesmo de alguém que tenha resistido. E, quando soube que você havia administrado a corte da Sicília, eu me regozijei muito. Mas, desde que descobri que um certo mal-estar se insinua entre você e os eclesiásticos, fiquei extremamente angustiado. Mas agora que você está ocupado com a tarefa de administração civil, e eu, com os cuidados desse governo eclesiástico, podemos amar uns aos outros em particular, na medida em que não causamos dano à comunidade em geral. Por isso, suplico-te pelo Todo-Poderoso Deus, diante de que tremendo julgamento devemos prestar contas de nossas ações, que sua Glória sempre tenha o temor Dele diante de seus olhos e nunca permita que nada venha pelo que até dissensão leve possa surgir entre nós. Que nenhum ganho o leve para a injustiça; não deixe que nem as ameaças nem os favores de alguém façam com que você se desvie do caminho da retidão. Veja como a vida é curta: pense, você que exerce autoridade judicial, diante do juiz em que você deve ir em algum momento. Portanto, é para ser diligentemente considerado que deixaremos todos os ganhos para trás aqui, e que os ganhos prejudiciais que levaremos conosco para o julgamento apenas os apelos que são contra nós por eles. Essas vantagens, então, devem ser buscadas por nós, que a morte não pode de maneira alguma levar embora, mas que o fim da vida presente pode mostrar como duradouro para sempre. Quanto ao que você escreve sobre o grão, o magnífico Citonato afirma, muito diferentemente, que o montante expedido atenderá à cota do indicativo passado para reabastecer o celeiro público, mas não mais. Dê atenção a esse assunto, pois, se o que é transmitido for totalmente defeituoso, será a morte não de uma única pessoa, mas de todas as pessoas juntas. Agora, para a administração do patrimônio da Sicília, eu enviei, como penso sob a direção de Deus, um homem com o qual você estará de acordo, se você é um amante do que é certo, como eu sei que você é. Além disso, quanto ao seu desejo de que eu me lembre de você gentilmente, confesso a verdade quando digo que, a menos que qualquer injustiça se infiltre nas ciladas do antigo inimigo, aprendi que a modéstia de sua Glória é tal que não devo corar por ser seu amigo. Tradução de James Barmby. De Nicene e Post-Nicene Fathers, segunda série, vol. 12. Editado por Philip Schaff e Henry Wace. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1895.) Revisado e editado para New Advent por Kevin Knight. <http://www.newadvent.org/fathers/360201003.htm>
- Aos Bispos da Sícilia: Sobre o Concílio Episcopal [Epístolas de São Gregório, o Grande: Livro I, Ep
A todos os bispos da Sicília. Gregório, servo dos servos de Deus, a todos os bispos constituídos em toda a Sicília. Temos visto claramente, assim como nossos predecessores, que devemos nos comprometer com uma e a mesma pessoa; e que nossa autoridade deve ser representada por meio dele a quem enviamos nossas instruções, onde não podemos estar presentes. E assim, com a ajuda de Deus, nomeamos Pedro, subdiácono de nossa Sé, nosso delegado na província da Sicília. Tampouco podemos duvidar da conduta daquele a quem, com a ajuda de Deus, somos conhecidos por termos cometido o encargo de todo o patrimônio de nossa igreja. Também vimos claramente que toda a vossa Fraternidade deve se reunir anualmente em Siracusa ou Catânia, recebendo, como lhe cobramos, a honra devida a vocês; até o fim que, junto com o supracitado Pedro, subdiácono de nossa Sé, vocês possam estabelecer com devida discreção as coisas pertinentes à vantagem das igrejas da província, ou ao alívio das necessidades dos pobres e oprimidos, ou a admoestação de todos e a correção daqueles cujas transgressões talvez possam ser provadas. De que concílio se afaste animosidades, que são o alimento dos crimes, e que os ressentimentos internos podem desaparecer, e essa discórdia de almas que é além da medida execrável. Deixe a concordância agradar a Deus e a caridade, aprovando-o como Seus sacerdotes. Conduza todas as coisas, portanto, com tanta deliberação e calma que possa ser dignamente chamada de Concílio Episcopal.
- Os ”Irmãos” de Jesus e a Virgindade Perpétua de Maria
Irmãos de Jesus de Mark J. Bonocore Nos últimos anos, fiquei impressionado com o número crescente de cristãos que renunciaram à crença tradicional na virgindade perpétua de Maria, citando como motivo os “irmãos” e “irmãs” do Senhor mencionados na Sagrada Escritura. Agora, enquanto muitos protestantes consideram a perpétua virgindade de Maria como uma singular “crença católica”, deve-se notar que os reformadores protestantes Lutero, Calvino e Zwinglio TODOS professaram essa crença também (para documentação, ver por exemplo Maria, Mãe de Todos os Cristãos por Max Thurian, escrito enquanto ele era um teólogo calvinista). Então, enquanto eu mesmo sou católico, apresento este argumento ecumenicamente usando apenas a Escritura, para provar que esses ‘irmãos’ e ‘irmãs’ NÃO são filhos de José e Maria, e que a crença na perpétua virgindade de Maria não é de modo algum refutada pelo Novo Testamento. Então, vamos começar em Mateus. Mateus 13:55 – Jesus em Nazaré – filho de carpinteiro – mãe chamada Maria – irmãos: Tiago, José, Simão e Judas – irmãs “conosco” Mateus 27:55 – A Crucificação Entre eles estavam Maria Madalena e MARIA A MÃE DE Tiago E JOSÉ, e a mãe dos filhos de Zebedeu. Esta ‘Maria’ é obviamente a mãe do mesmo Tiago e José mencionado em Mateus 13:55. Mateus 28: 1 – A ressurreição Depois do sábado, quando o primeiro dia da semana estava começando, Maria Madalena e A OUTRA MARIA vieram ver o túmulo. Esta ‘outra Maria’ certamente corresponde à mãe de Tiago e José, o companheiro de Maria Madalena em Mateus 27:55. No entanto, ela é apresentada como um personagem menor do evangelho que ela aparentemente não é a mãe de Jesus. É interessante notar que sempre que Mateus menciona a Virgem Maria, ele sempre a identifica como “mãe de Jesus”. (Veja: Mat 1:18, 2:11, 2:13, 2:14, 2:20, e 2:21, em que o autor quase bate-nos sobre a cabeça com a frase “Sua mãe”.) É é improvável, portanto, que Mateus esteja abandonando esse ponto, identificando-a mais tarde como mãe de Tiago e José: um personagem secundário, menos importante que Maria Madalena. Levando tudo isso em consideração, Maria, mãe de Tiago e José e a mãe de Jesus, são aparentemente duas mulheres diferentes. Mas primeiro, vamos nos voltar para Marcos. Marcos 6: 3 – Jesus em Nazaré (possivelmente a fonte original) – Ele não é o carpinteiro? (Jesus assumiu o negócio da família) – “O filho de Maria” (Muito incomum em um contexto judaico, em que um filho é o filho do pai, não da mãe) – irmãos Tiago,JOSÉ, Judas e Simão A mesma lista que em Mateus 13:55, com exceção de ‘Jose’ no lugar do José de Mateus – na verdade o mesmo nome em hebraico (Yoshef). – ‘irmãs estão aqui conosco’ Tanto no relato de Mateus, quanto mais claramente aqui no de Marcos, essa frase parece sugerir que esses “irmãos” particulares de Jesus viviam em outro lugar. (Eles poderiam estar viajando com Jesus como Seus seguidores?) Marcos 15:40 – A Crucificação Entre eles estavam Maria Madalena, MARIA A MÃE DO JOVEM TIAGO E DE JOSÉ, E SALOMÉ. Aqui, “Maria, mãe de Tiago e José”, de Mateus, reaparece como “a mãe de … Tiago e José”, correspondendo à referência de Marcos aos “irmãos” de Jesus, Tiago e José, em Nazaré, em 6: 3. Se compararmos os relatos de Mateus e Marcos de Jesus em Nazaré com os relatos da crucificação, torna-se claro que eles estão falando sobre os mesmos dois parentes de Jesus, cuja mãe – como Jesus – era chamada de Maria. : CRUCIFICAÇÃO DE NAZARÉ Mateus: Tiago e José Tiago e José Marcos: Tiago e Jose Tiago e Jose E assim, Marcos continua … Marcos 15:47 – o enterro de Jesus Maria Madalena e Maria, a mãe de José, observavam onde ele estava deitado. José corresponde ao mencionado em Marcos 6: 3 e 15:40. Marcos 16: 1 – A ressurreição ‘Quando o sábado acabou, Maria Madalena, MARIA A MÃE DE TIAGO e Salomé compraram especiarias para que pudessem ir e ungi-lo’. As mesmas três companheiras aparecem novamente. Aqui, Maria é chamada “a mãe de Tiago” (uma variante da “mãe de José” em 15:47). No entanto, ainda não há menção, ou mesmo uma implicação vaga, de que essa mulher também é a mãe de Jesus; mas apenas um personagem de fundo como Salomé. Lucas 24:10 – A ressurreição As mulheres eram Maria Madalena, Joana e MARIA A MÃE DE TIAGO; os outros que os acompanharam também … Mais uma vez, a “mãe de Tiago”, mas não a mãe de Jesus. E, como Mateus e Marcos (em 3:35), o autor de Lucas sempre se refere à Virgem Maria como mãe de Jesus (Veja: Lucas 1:43, 2: 33-34, 2:51, 8:19, Atos 1:14). ‘Outros’ (também conhecidos como Salomé e Suzana, etc.) João 19:25 – A Crucificação “Em pé junto à cruz de Jesus estavam Sua mãe e a IRMÃ da SUA MÃE, MARIA A ESPOSA DE CLEÓFAS e Maria Madalena.” Esta misteriosa ‘Maria’ aparece novamente; desta vez chamado “Maria, a esposa de Cleófas”. Se esta passagem fala sobre três mulheres, ao invés de quatro (como quase certamente é), a vírgula depois da “irmã de sua mãe” pode estar identificando a esposa de Cleófas como a irmã (ou “parente tribal”) da mãe de Jesus. Isso explicaria o uso da palavra grega ‘adelphos’ pelos escritores evangélicos (como uma tradução do hebraico ‘ah’), que poderia significar irmão (ou irmã no feminino), bem como primo, sobrinho, parente, etc. Se a esposa de Cleófas era a irmã (parente próxima e tribal) da mãe de Jesus, então os filhos de Cleófas, Tiago e José (Jose), poderiam muito bem ser chamados de “irmãos” de Jesus (isto é, parte de Sua extensa família tribal). Isso parece se encaixar, uma vez que nem Tiago e José / Jose (nem qualquer um dos “irmãos”) são chamados de filhos de José. Também é bem possível que, como o evangelho de João faz com tanta frequência, essa referência a Maria como ‘esposa de Cleófas’ seja uma intenção consciente de esclarecer quaisquer dúvidas sobre a ‘mãe de Tiago e José (Jose)’ nos Sinóticos – isto é, para distingui-la claramente da mãe de Jesus. CONCLUSÃO Então, com todas essas evidências em mente, eu mantenho isso: (1) “Maria, a esposa de Cleófas” de João é a mesma pessoa que os sinópticos chamam “Maria, a mãe de Tiago e José / José” (os relatos de Maria da Cruz / Túmulo). (2) Esta Maria é, por sua vez, a ‘irmã’ (ou seja, parente tribal próxima) da mãe de Jesus, Maria. (3) É assim que Jesus é ‘irmão’ com Tiago e José (José). (4) Seus outros ‘irmãos’ (Judas e Simão), assim como suas ‘irmãs’, e os ‘irmãos’ que não crêem Nele em João 7: 5 são de outros ramos de sua extensa família tribal. Mas, joguemos o advogado do diabo. Se Tiago, José (José), Simão e Judas são DE FATO irmãos fraternos de Jesus, então a “Maria da cruz / túmulo” dos Sinóticos (ou seja, a mãe de Tiago e José / José) também DEVE ser a mãe de Jesus. E, afinal, existem certos argumentos aparentemente lógicos para apoiar isso: – Tiago e José (José) são chamados irmãos de Jesus. – E a mãe deles é chamada Maria (a mesma que a de Jesus) – E, deve-se admitir, também é possível que a vírgula entre “a irmã de sua mãe” e “Maria a esposa de Cleófas” em João 19:25 possa estar distinguindo duas mulheres diferentes em vez de identificar a esposa de Cleófas como a irmã da Virgem Maria . Portanto, Maria, a esposa de Cleófas, NÃO pode ser parente, NEM é necessariamente a mesma mulher que “Maria mãe de Tiago e José / José” nos Sinópticos. Então, pode ‘Maria mãe de Tiago e José / José’ ser a mãe de Jesus também? Bem, se este for o caso, então (A) Por que ela nunca é chamada a mãe de Jesus nos relatos da cruz / túmulo? (Isso não seria mais fácil do que constantemente “alternar” entre Tiago/ José?) (B) Por que ela nunca é chamada de mãe dos outros irmãos, Simão e Judas? (C) Por que ela não é simplesmente chamada a esposa de José? (D) Por que ela está sempre listada em segundo lugar (e em Lucas, terceiro) depois de Maria Madalena? (E) Por que Mateus se refere a ela como meramente “a outra Maria” em 28: 1? (F) Por que João cita uma segunda Maria na cruz: Maria, esposa de Cleófas? (Um personagem que não aparece nos Sinóticos, a menos que ela seja a mãe de Tiago e José.) (G) Se João está chamando sua “Maria, a esposa de Cleófas”, a irmã da virgem Maria, como podem a palavra “adelphos” (ou “adelphe” no feminino) ser tomada literalmente? Duas irmãs, ambas chamadas Maria? Portanto, deve-se admitir que, se “Maria mãe de Tiago e José / José” e a mãe de Jesus são uma e a mesma, então – Os três Sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) estão INTENCIONALMENTE a deixar de chamá-la de mãe de Jesus em seus relatos da cruz /túmulo (como se ela não fosse mais a mãe de Jesus). – Os sinópticos também estão retratando INTENCIONALMENTE ela como um personagem menor, menos importante que Maria Madalena. E, no caso de Mateus, ela é reduzida a apenas ‘a outra Maria’ em 28: 1. Ainda praticando o advogado do diabo, posso imaginar apenas uma razão pela qual os sinóticos ‘rebaixariam’ a mãe de Jesus assim; já que todos os três se referem a ela como “sua mãe” no início de seus evangelhos. Talvez, como alguns argumentaram, os Sinóticos estão SALIENTANDO seus relatos em Mateus 12:46, Marcos 3:35 e Lucas 8: 19-21, em que Jesus se recusa a sair para encontrar Sua mãe e seus irmãos, mas diz a Seus discípulos ‘Quem faz a vontade de Deus é meu irmão, minha irmã e minha mãe’. Talvez eles estejam fazendo um “ponto teológico” chamando-a apenas “a mãe de Tiago e José / José” em seus relatos posteriores de cruz/ túmulo. Bem, apesar de bastante frágil para começar, essa possibilidade é totalmente destruída, quando se considera que em Atos 1:14 ela é novamente chamada de “a mãe de Jesus”. Uma vez que Atos é o volume companheiro de Lucas (produzido pelo mesmo autor), não faz muito sentido para Lucas chamá-la de “Maria mãe de Tiago” em 24:10, e então re-conceder o título de “mãe de Jesus em Atos 1:14 se ele está tentando fazer um “ponto teológico”. Portanto, toda a minha posição de “advogado do diabo” está desfeita, e está provado conclusivamente que “Maria, a mãe de Tiago e José / José” dos Sinóticos, NÃO é a mãe de Jesus. E, uma vez que esta Maria é certamente a mãe do mesmo Tiago e José / José, que também são chamados de “irmãos” de Jesus, então é igualmente provado que eles NÃO PODERÃO ter sido os irmãos do Senhor em um sentido fraternal. Então, quem são esses ‘irmãos’ de Jesus? Eu sustento que o termo ‘irmãos’ refere-se a todo o seu grupo tribal: os meninos com os quais Ele cresceu, e com quem Ele estava de alguma forma relacionado. Mas se esses homens eram “primos” ou “parentes de sangue”, argumentam alguns, por que não usar simplesmente a palavra “compatriota” ou “parente” como se encontra em Lucas 1:36? por exemplo, em que Isabel é descrita como “parente” de Maria. Eu respondo isso simplesmente. Em primeiro lugar, eu afirmo que Seus ‘irmãos’ e ‘irmãs’ eram membros de Sua extensa família COM QUEM FOI CRIADO. O filho de Isabel, João Batista, por outro lado, não teria sido referido neste sentido, porque Jesus não foi criado com ele, embora eles fossem do mesmo sangue. Além disso, eu argumento que o termo ‘irmão’ é usado nos Evangelhos porque esses homens em particular eram conhecidos POR ESSE TÍTULO na Igreja primitiva. Eu te dou: 1 Coríntios 9: 4-5, em que Paulo está defendendo seu direito de ser chamado apóstolo: ‘Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma mulher irmã, a exemplo dos outros apóstolos E DOS IRMÃOD DO SENHOR, e de Cefas?” Como Paulo está escrevendo para os Coríntios: cidadãos de uma cidade distante da Grécia, é óbvio que o distintivo TÍTULO de “irmão” era bem conhecido da Igreja universal, uma Igreja que também sabia muito bem o significado do título. Por outro lado, se tomarmos o termo ‘adelphos’ literalmente, isso significaria que José e Maria tinham um total de cinco filhos e pelo menos duas filhas. Isso faria um total de sete filhos: em essência, um “Brady Bunch bíblico”. 🙂 Agora considerando que a profissão de José era a de um carpinteiro; e não aquela de um pastor ou fazendeiro, em que grandes famílias são encorajadas a trabalhar a terra ou cuidar dos rebanhos, parece um tanto ridículo que ele pudesse ter apoiado uma família desse tamanho, morando em uma pequena e mais provável casa de tijolos de barro em um lugarzinho como Nazaré. Além disso, mesmo assumindo (como fizeram os primeiros escritores da Igreja, Clemente e Orígenes) que os “irmãos” de Jesus eram filhos de José por uma esposa anterior a Maria, Marcos 6: 3 claramente se refere a Jesus como “o carpinteiro”. Desde que a profissão da família foi passada de pai para filho, quantos carpinteiros poderiam uma pequena cidade como Nazaré sustentar? Certamente não cinco! No entanto, se o termo ‘irmãos’ se refere ao grupo de famílias tribais alargado de Jesus (como creio ter mostrado), ficamos com a imagem de cinco jovens rapazes (entre outros) brincando nas ruas de Nazaré. : JESUS: o filho de José e Maria TIAGO: e seu irmão JOSÉ (ou José): os filhos de Cleófas e Maria. JUDAS SIMÃO Esses foram os amigos de infância do Senhor, com quem Ele cresceu até a idade adulta; e dado o escopo da vida na vila do primeiro século, com quem ele estava quase certamente relacionado. Estou ansioso para quaisquer comentários ou objeções que você possa adicionar. Tradução: http://www.biblicalcatholic.com/apologetics/a27.htm
- MINHA CONVERSÃO – Paul Claudel
Tinha me esquecido completamente da religião, ignorando-a como um selvagem. O primeiro vislumbre de verdade me foi dado pelo encontro dos livros de um grande poeta — Arthur Rimbaud — a quem devo uma eterna gratidão, tendo na formação do meu pensamento um papel importante. A leitura das Iluminações, alguns meses depois de ter lido Uma temporada no inferno, foi para mim um acontecimento fundamental. Pela primeira vez, esses livros abriram uma fresta em minha prisão materialista, dando-me a impressão viva e quase física do sobrenatural. Contudo, meu estado habitual de asfixia e desespero permanecia o mesmo. Foi essa criança infeliz que, em 25 de dezembro de 1886 [com dezoito anos], entrou na Notre-Dame de Paris para acompanhar os ofícios religiosos de Natal. Eu estava começando a escrever e pareceu-me que nas cerimônias católicas, consideradas com um diletantismo superior, eu encontraria um bom excitante e a matéria-prima de que precisava para alguns exercícios poético-decadentistas. Foi com essas disposições interiores que, acotovelado e empurrado pela multidão, assisti, quase sem gosto, à Missa solene. Mais tarde, não tendo nada de melhor para fazer, voltei às Vésperas. Um coro de crianças, de roupas brancas, e os alunos do seminário menor de Saint-Nicolas-du-Chardonnet, que as assistiam, estavam cantando o que mais tarde soube ser o Magnificat. Eu estava de pé no meio da multidão, próximo ao segundo pilar, na entrada do coro, do lado direito da sacristia. E foi então que ocorreu o fato que dominou toda a minha vida. Num só instante, meu coração foi tocado e eu acreditei. Acreditei com tal força de adesão, com tal insurreição de todo o meu ser, com tão poderosa convicção, com uma certeza incapaz de deixar margem para qualquer tipo de dúvida, que, desde então, todos os livros, todos os raciocínios, todos os acontecimentos inesperados de uma vida agitada, não puderam abalar minha fé, nem mesmo de leve. Tive, de repente, a devastadora sensação da inocência, da eterna infância de Deus — uma revelação inefável. “Contacts et circonstances”, Œuvres en Prose, Gallimard, La Pléiade, pp.1009-1010.
- Refutação ao monge ortodoxo do Rito Ocidental sobre Mauro, Arcebispo de Ravena, e à suposta “i
Um certo Hieromonge Enoque (cujo status clerical eu não posso garantir) produziu um post no seu blog onde ele procura mostrar um testemunho inicial contra o ensino do papado como entendido pelos Concílios Católicos de Lyon (1274), Florença (1438-1444), Vaticano (1870) e reafirmado no Vaticano II (1962-1968). Aqui está a minha refutação a este artigo e que procura olhar para alguns dos fatos que cercam que irão bloquear completamente a força de seu post. Deixe-me primeiro descrever a situação histórica, e então a crítica prosseguirá a partir de então. O papa S. Vitaliano (venerado pelos Ortodoxos Orientais em 23 de julho) ordenou que o Metropolita de Ravenna, Mauro (no cargo de 642-671), viajasse a Roma a fim de verificar suas posições teológicas em um Sínodo, mas Mauro se recusou a obedecer a convocação. Vitaliano acabou excomungando Mauro, e Mauro tentou o mesmo para o papa. Mauro recorreu ao imperador em Constantinopla para a intervenção, e acabou sendo bem sucedido. Em 662, o Imperador Constante II, que estava particularmente interessado em libertar Ravena da supervisão romana, dado que o exarcado bizantino, então, residia em Ravena, concedeu autocefalia à Sé de Mauro e foi decretado que todas as futuras eleições para o ofício episcopal nesta Sé não seria necessário para ser conduzida por Roma, como foi o caso anteriormente, mas sim que o próprio imperador iria confirmar as eleições, juntamente com três sufragistas próximos. Está registrado que quando Mauro morreu em 671, suas últimas palavras em seu leito de morte foram para seus colegas não se submeterem à autoridade de Roma. Este evento realmente tem um cenário maior. Houve uma tensão anterior entre Roma e Ravena, mas isso está fora do alcance aqui. Tudo bem, então o que há de errado com o Artigo do pe.Enoque? Em primeiro lugar, Mauro procurava ser libertado da autoridade patriarcal da Sé Romana, não especificamente da autoridade papal universal. Ravena estava dentro da supervisão patriarcal de Roma desde que o papa Celestino (430) decretou que fosse assim com a aprovação do imperador Valentiniano III. E assim, para o papa emitir ordens, convocar o Metropolita de Ravena para participar de um Sínodo em Roma não era uma “usurpação”. Escusado será dizer que o apelo de Mauro foi para o braço secular do cesaro-papismo bizantino, e acabou sendo um mero recuo para Roma, já que essa autonomia mal-sucedida de Roma durou apenas 7 anos. O Metropolita Teodoro, segundo sucessor de Mauro após Reparato, foi, como seu antecessor Mauro, convocado a Roma pelo papa Santo Agatão I, terceiro sucessor depois do papa São Vitaliano, e, enquanto lá, as negociações foram conduzidas e a autonomia adquirida por Mauro foi rescindida. Este acordo foi constitucionalmente confirmado, e assim a autoridade patriarcal romana sobre Ravena restaurada, sob o pontificado do Papa São Leão II com a aprovação do novo imperador Constantino. Mais alguns dados que expõem A ideia do Pe. Enoque sobre o evento entre o papa S. Vitaliano e Mauro deve ser detalhados abaixo. (1) Como já foi dito, foi no ano 430 que Ravena foi elevada ao status de Metropole por um decreto do papa e com a aprovação do imperador Valentiniano III. Isso aconteceu quando um certo João foi ocupante da sé de Ravena. São Pedro Crisólogo, sucessor de João, também foi ordenado pelo bispo de Roma, foi um ardente defensor da supremacia petrina do Papa quando escreveu a Eutiques de Constantinopla dizendo: “Nós vos exortamos [Eutychios], honrável irmão, que ouça obedientemente o que foi escrito pelo bendito papa da cidade de Roma, pois o Bem-Aventurado Pedro, que vive e preside em sua própria Sé, oferece a verdade da fé àqueles que a procuram. Pois nós, no nosso zelo pela paz e fé, não podemos decidir questões de fé para além do consentimento do bispo de Roma .. (S. Pedro Crisólogo, Ad Eutychem, 449 dC). Em todo caso, pe. Enoque já começa com a premissa de que Mauro está legitimamente mantendo uma independência de Roma, como se fosse seu direito. Na verdade, não foi. (2) Cerca de 55 anos antes da separação de Ravena e Roma, durante o pontificado de São Gregório Magno (600 dC), havia uma carta de outro João, Metropolita de Ravena, e nesta carta João deixa claro que Roma era a fonte dos privilégios de Metropole de Ravena. Ele escreve: “E como eu deveria ser tão ousado a ponto de me opor a essa santa Sé, que transmite suas leis à Igreja universal, por manter a autoridade de quem, como Deus sabe, eu excitei seriamente a má vontade de muitos inimigos? contra mim mesmo? ”, e“ …… Portanto, ninguém se empenhe em insinuar qualquer coisa contra mim ao meu senhor, pois se alguém quiser fazê-lo, ele não pode provar que alguma novidade foi introduzida por mim. Pois de que maneira eu tenho obedecido aos seus mandamentos e servido aos seus interesses quando necessário, que o Deus Todo-Poderoso manifeste ao seu coração mais sincero: e atribuo aos meus pecados que depois de tantos trabalhos e dificuldades que suporto dentro e fora eu deveria merecer experimentar essa mudança. Mas, novamente, isto entre outras coisas me consola, que os santos padres algumas vezes castigam seus filhos apenas com o propósito de avançá-los, e que, depois desta devoção e satisfação, você não só conservará para a santa Igreja de Ravena seus antigos privilégios. , mas mesmo conferir maiores em seu próprio tempo. “, e” …… que tantas vezes como sacerdotes ou levitas da Igreja de Ravena vieram a Roma para a ordenação de bispos ou para negócios, todos eles passaram panos diante dos olhos de seus predecessores mais sagrados sem qualquer culpa. Portanto, também na época em que eu, pecador como sou, fui ordenado lá por seu antecessor, todos os meus presbíteros e diáconos usaram-nos enquanto estavam servindo ao Senhor papa. E desde que nosso Deus em Sua providência colocou todas as coisas em suas mãos e a mais pura consciência, eu te conjuro pela própria Sé Apostólica, a qual você anteriormente adornou por seu caráter, e agora governa com a devida dignidade, que você não diminui em nada conta dos meus merecimentos, os privilégios da Igreja de Ravena, que é intimamente sua; mas, mesmo de acordo com a voz da profecia, seja colocada sobre mim e sobre a casa de meu pai, de acordo com seu merecimento. Portanto, para sua maior satisfação, subjuguei todos os privilégios que foram concedidos por seus antecessores à Santa Igreja de Ravena, embora, no entanto, encontrem segurança em seus veneráveis arquivos em referência aos tempos da consagração de meus predecessores. Mas agora o que quer que seja, após averiguar a verdade, você pode ordenar que seja feito, está no poder de Deus e no seu; já que eu, desejando obedecer aos mandamentos do Apostolado de meu senhor, tomei cuidado, apesar do costume antigo, de me abster até receber novas ordens. E assim Mauro estaria combatendo prerrogativas e privilégios que os antigos Metropolitanos de Ravena, de bom grado, diziam pertencer a Roma. (3) Toda a disputa faria parecer que Mauro estava certo, e Vitaliano estava errado. No entanto, eu me pergunto Mauro pelo menos é um santo venerado pelo Oriente? O artigo Pe. Enoque parece dizer isso, mas não consigo encontrar nenhum material de origem para isso. Não tenho certeza. Curiosamente, é o papa S. Vitaliano que é venerado pelos ortodoxos de hoje. Então, se o padre Enoque queria ficar com a idéia de que este evento foi um ato de autoridade usurpadora de Roma, então ele estará acusando um Santo Ortodoxo Oriental de papalismo. Em segundo lugar, uma vez que, como vimos, a breve autonomia de Ravena, estabelecida pelo imperador, durou apenas 7 anos e a jurisdição romana foi restaurada sob os papas por Santo Agatãp e Leão II; Enoque teria que dizer que esses últimos dois santos, também venerados pelos ortodoxos modernos, eram culpados de papalismo, uma vez que procuravam restaurar o que perderam em Mauro. (3) Outros eventos na vida do papa S.Vitaliano indicam que ele era um fervoroso papalista. A Enciclopédia Católica descreve suas relações com as igrejas do Oriente: “Vitaliano também teve ocasião de reforçar sua autoridade como juiz supremo na Igreja Oriental. O bispo João de Lappa em Creta, deposto por um sínodo sob a presidência do Metropolita Paulo, apelou ao papa e foi preso por fazê-lo. Ele escapou, no entanto, e foi para Roma, onde Vitaliano realizou um sínodo em dezembro de 667, para investigar o assunto, baseando sua ação nos registros do Sínodo metropolitano de Creta, e pronunciou João sem culpa. Vitaliano escreveu ao Metropolita Paulo exigindo a restauração de João à sua diocese, e o retorno dos mosteiros que haviam sido injustamente retirados dele. Ao mesmo tempo, o papa ordenou ao metropolita que retirasse dois diáconos que haviam se casado após a consagração. Vitaliano também escreveu a respeito de João a um oficial imperial e ao bispo Jorge de Siracusa, que apoiara o bispo deposto. Algumas das cartas atribuídas a este papa são espúrias. Ele foi enterrado em São Pedro. ”Então aqui estou curioso para saber porque o padre Enoque, um clérigo ortodoxo, está procurando estabelecer provas em Mauro e no Imperador Constante II contra o papado quando são seus próprios santos que estavam do lado oposto? Como pode ser crível que a Igreja Ortodoxa venera todos os três papas que pe. Enoque insinua estarem “invadindo” sua autoridade papal sobre Ravena e depois se voltar para defender a lógica de Mauro em todo o processo em meados do século VII? Essas questões, acredito, indicam que isso seria um palpite bastante instintivo do que pode ter considerado um desafio significativo à autoridade papal. No entanto, no final, estava completamente fora do alcance, e tinha mais a ver com os direitos patriarcais de Roma sobre Ravena sendo suspenso pela força do imperador bizantino. FONTES (1) The Oxford Dictionary of Popes, J.N.D. Kelly (2) A formação da cristandade, Judith Herrin (3) Os papas e o papado no início da Idade Média (476-752), Jeffrey Richards (4) Escrito de Ravena: O Liber Pontificalis de Andreas Agnellus, Joaquín Martínez Pizarro (5) Igrejas da cristandade oriental, Beresford Kidd (6) História da Igreja vol. II, Johann Joseph Ignaz von Döllinger (7) Enciclopédia Católica, art. “Papa Vitaliano” Tradução: https://erickybarra.wordpress.com/2017/10/24/rebutal-to-western-rite-orthodox-monk-on-maurus-of-ravenna-rejector-of-roman-encroachment/
- Mais que um Patriarca
A seguinte carta escrita pelo Sr. James Likoudis ao editor da “Homiletic & Pastoral Review”, um periódico católico, procurando esclarecer alguns mal-entendidos sobre o título de “Patriarca da Igreja Ocidental” do Romano Pontífice, e publicado por aquela revista em sua emissão de março de 2001. Para o editor, Ir. John M. Samaha, S.M., escreveu um belo artigo (novembro de 2000) sobre as Igrejas Católicas Orientais e a necessidade ecumênica de salvaguardar e respeitar o patrimônio espiritual e cultural das antigas igrejas patriarcais orientais. No entanto, sua e outra distinção de teólogos recentes entre o papel do Papa como Sumo Pontífice com uma jurisdição universal sobre todo o episcopado da Igreja (Oriente e Ocidente) e seu papel como “Patriarca da Igreja Ocidental” é questionável. Em talvez o melhor estudo histórico e doutrinário da tese do Papa como patriarca da Igreja, “O Papa Patriarca d’Occidente ?: Studio storico dottrinale” (Collectio Antoniana, 1990), pe. Adriano Garuti observa que o título de “Patriarca” era de origem oriental (influenciado pela perspectiva dos imperadores bizantinos), amplamente honorífico, e no primeiro milênio nunca presumiu qualquer exercício jurídico ou canônico de jurisdição patriarcal sobre toda a Igreja Ocidental. De fato, quando o Papa interveio fora de seu próprio bispado em outras dioceses ocidentais, ele o fez não como patriarca, mas como pastor e primaz da Igreja Universal. A Igreja latina nunca foi um patriarcado. Até hoje, o Direito Canônico da Igreja Latina não reconhece o exercício de uma jurisdição patriarcal pelo Papa sobre a Igreja no Ocidente. A instituição eclesiástica e organização do patriarcado era peculiar à tradição oriental e, embora certamente reconhecida pela Sé Romana no primeiro milênio como uma modalidade de colegialidade, os Romanos Pontífices nunca aceitariam a redução de sua Primazia Universal a um mero “patriarcado” como mais tarde dissidentes bizantinos medievais que deviam considerar o papa como o “primeiro dos iguais” em uma Pentarquia que governava a Igreja. Sinceramente seu em Cristo – James Likoudis Montour Falls, N.Y.
- Apologética, o Papado e a Ortodoxia Oriental
Uma importante literatura religiosa em Apologética tem crescido nas últimas décadas, à medida que a Igreja Católica continua a ser atacada por protestantes (fundamentalistas, evangélicos e pertencentes a seitas menores) que permanecem influenciados pela polêmica Protestante mais antiga do período da Reforma desentendimentos das doutrinas católicas. Em uma era que em grande parte parece ter abandonado a razão, é desejável que os católicos restaurem o papel apropriado da razão e apelem para a razão para estabelecer a credibilidade do cristianismo e as reivindicações da Igreja Católica de serem a personificação visível neste mundo da igreja que Cristo mesmo fundou para ser o “pilar e fundamento da verdade” (1 Timóteo 3:15). Na opinião deste escritor, grande parte da força do debate doutrinário católico com os protestantes torna-se ineficaz a menos que uma premissa maior seja estabelecida primeiro – a saber, que a Igreja mencionada nas páginas do Novo Testamento é uma entidade visível, uma sociedade visível, corpo visível que pode ser claramente e sem dificuldade identificado como a verdadeira Igreja estabelecida pelo Salvador. No entanto, a maioria dos protestantes não tem, de fato, a “única Igreja e uma única Igreja” (Decreto do Vaticano II sobre o Ecumenismo, 1) para ser um corpo visível, mas para ser invisível por natureza – uma Igreja dos eleitos, ou dos predestinados, ou dos “salvos” que são conhecidos apenas por Deus, ou talvez – de acordo com alguns ecumenistas modernos – são compostos de todos os batizados que possuem uma espécie de unidade espiritual vaga suficiente para identificá-los todos como membros do Corpo Místico de Jesus Cristo. Consequentemente, a menos que a graça de Deus intervenha para fazer um protestante perceber que uma autoridade visível (na forma de uma Igreja autorizada) realmente existe neste mundo para ensinar infalivelmente e julgar e resolver disputas religiosas, não há como evitar o tipo da anarquia religiosa que vemos manifesta entre as 28.000 denominações protestantes listadas em enciclopédias religiosas. O protestantismo termina em subjetivismo religioso absoluto e na propagação trágica do indiferentismo religioso e do ceticismo. Os grandes Apologistas da Contra-Reforma Católica foram bastante perspicazes ao julgar que o Protestantismo logicamente levou à infidelidade ou incredulidade. O ensinamento do Concílio Vaticano II em relação à natureza da Igreja constitui a mais magnífica expressão magisterial da eclesiologia nos 2.000 anos do cristianismo católico. O documento central do Vaticano II, a sua “Constituição dogmática sobre a Igreja” (Lumen Gentium), apresentou o ensinamento católico sobre a natureza da Igreja Católica como um corpo social visível construído sobre a Rocha de Pedro, que era ao mesmo tempo o misterioso Corpo Místico de Jesus Cristo. Seu “Decreto sobre as Igrejas Orientais Católicas” observou que “A Santa Igreja Católica, que é o Corpo Místico de Cristo, é composta dos fiéis que estão organicamente unidos no Espírito Santo pela mesma fé, os mesmos sacramentos e os mesmos governo.” E “Lumen Gentium” tinha realmente muito a dizer sobre “a unidade do rebanho de Cristo, na medida em que é reunido sob uma cabeça (visível)” (L. G. 22) – ou seja, o Romano Pontífice, o Sucessor de Pedro. A respeito da “autoridade suprema” no Colégio dos Bispos, estabelecida pelo Cristo histórico para a sua “única Igreja”, Lumen Gentium observou: “O Espírito Santo preserva infalivelmente aquela forma de governo que foi estabelecida por Cristo Senhor em Sua Igreja “. (L.G. 27) O Primado da autoridade suprema e jurisdição universal do Pontífice Romano na Igreja e a autoridade dos outros Bispos que compõem o Colégio dos Bispos são, portanto, ambos elementos essenciais na constituição divina da Igreja, e este tem sido o veredicto da história eclesiástica durante os 2.000 anos da Igreja. O ensinamento sobre a unidade católica encontrado na Primeira Constituição Dogmática sobre a Igreja de Cristo, do Vaticano I, e a “Constituição dogmática sobre a Igreja”, do Vaticano II, dão amplo testemunho desse veredicto. Deve-se enfatizar que a posição das igrejas ortodoxas orientais (cuja chamada para a Unidade com a Igreja Católica é uma das maiores prioridades no pontificado do Papa João Paulo II) é bem diferente da da maioria dos protestantes. Eles acreditam que a Igreja é realmente visível e que sua comunhão é, de fato, a “Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica”, observada no Credo Niceno-Constantinopolitano. A Primazia do Papa, tal como definida pelos Concílios de Florença, Vaticano I e Vaticano II, é a “rocha da contradição” que agora claramente serve como o maior obstáculo à união das Igrejas, embora na Idade Média, curiosamente, foi a questão dogmática da Processão do Espírito Santo e do uso de pão ázimo na Eucaristia, que identificou para os dissidentes bizantinos o Papa e aqueles em comunhão com ele como “heréticos”. A incapacidade dos teólogos ortodoxos orientais e hierarcas de entender a relação apropriada entre Primazia e Colegialidade (ou Conciliaridade) está no cerne de sua resistência doutrinária ao Ministério Petrino do Papado. Como alguns deles disseram – em sintonia, curiosamente, com alguns protestantes – o único vigário de Cristo é o Espírito Santo. Nesta declaração está o profundo erro relativo ao visível governo da Igreja que resultou no que vemos entre as 16 ou mais igrejas autocéfalas (independentes) que compõem a comunhão ortodoxa oriental – ou seja, uma hierarquia truncada que não pode falar com uma voz em questões doutrinais. Um escritor católico alguns anos atrás escreveu maravilhosamente que “de Cristo os apóstolos receberam o Espírito Santo que os fez um”. Quanto ao episcopado na Igreja (ou seja, o corpo corporativo dos Bispos que governa a Igreja), ele observou ainda: “O Espírito de Cristo presente no corpo episcopal é a fonte de sua unidade. É Ele quem assiste o colégio em seu ensino e o impede de qualquer erro substancial em matéria de fé. Ele inspira, move e ajuda o colégio em seu único Espírito Santo unindo os muitos membros do corpo episcopal. O poder sobrenatural do Espírito é a posse comum do corpo episcopal, embora a cabeça e os membros não o compartilhem no mesmo grau. O Sucessor de Pedro possui isso de um modo que faz dele o princípio de unidade para muitos membros. Os membros o possuem de uma maneira que os torna capazes de agir de maneira corporativa quando a cabeça os convoca a fazê-lo. O Espírito de Cristo, diz Lumen Gentium, “fortalece a estrutura orgânica do colégio e sua harmonia”. O corpo, naturalmente, permanece um: um assunto teológico desse poder misterioso, do qual a manifestação prática ou legal é dupla – seja através de um ato do chefe do colégio dos bispos, seja pela ação de todo o colégio [como em um Concílio Ecumênico]. ” (Pe. Ladislas M. Orsy, S.J., “Colegialidade: Seu Significado” na América, 15 de maio de 1965) Esclarecendo ainda mais a relação entre o Papa e os Bispos da Igreja, ele observou: “Pedro continua a ser a rocha sobre a qual a Igreja é construída. Nesta Rocha repousa até mesmo o colégio de bispos – não como um corpo estranho a ele adicionado, mas como uma estrutura que Deus uniu à Rocha para ajudar a carregar o peso do todo edifício da Igreja Universal “. E que peso e fardo o Bispo de Roma, como Sucessor do Homem-Rocha, carrega em seu ofício petrino como primaz da Igreja universal. Isto foi notado por João de Salisbury no século 12, escrevendo em seu famoso tratado político “Policraticus” do Papa Adriano IV: “A Cátedra do Pontífice Romano é um leito de espinhos, seu manto, enfeitado com as pontas mais afiadas, é tão pesada que força para baixo, contusões e esmaga os ombros mais fortes, e a tiara com sua coroa pode parecer brilhante porque é feita de fogo “. (VI, 24) Embora o papa não use mais uma tiara, ele, como o principal bispo da Igreja, continua a imagem de seu Senhor crucificado na Via da Cruz, que constitui a peregrinação da Igreja através da história. G. Khesterton uma vez se referiu ao “halo de ódio que cerca a Igreja de Deus” naquela peregrinação. Nos séculos passados de violentas polêmicas protestantes e ortodoxas orientadas contra o papado como um “se não o anticristo”, podemos ver, de fato, que “halo de ódio” manifestou-se com maior clareza. Podemos recordar as palavras desse astuto pensador católico do Século XIX, José de Maistre, que observou que “o ódio de Roma é o único, mas universal, elo entre todas as Igrejas separadas”. (Du Pape, livro IV, capítulo I) Embora o diálogo ecumênico e os contatos tenham suavizado bastante a polêmica do passado em relação ao papel do Papa na Igreja – e Deus deve ser agradecido por isso -, ainda há sérias dificuldades em relação aos protestantes e ortodoxos orientais que estão chegando a um melhor entendimento e compreensão. apreciação do papel do Papa na Igreja. Além disso, com alguns católicos desertando para a comunhão ortodoxa oriental por causa dos distúrbios doutrinários e litúrgicos do período pós-conciliar, os apologistas católicos não podem ignorar a intransigência renovada de alguns ortodoxos orientais em relação à “heresia” do papado. Os ortodoxos orientais continuam a professar a crença antiga da “Igreja indivisa” de que o Episcopado continua a missão apostólica do colégio apostólico original. Eles não reconhecem, no entanto, a ilogicidade de rejeitar a comunhão do único bispo, que é o herdeiro do único Apóstolo escolhido por Cristo para ser o Fundador da Rocha, Titular das Chaves do Reino, Confirmador dos irmãos, e Pastor-chefe de todo o rebanho (cf. Mt 16.18ss; Lc 22.31; Jo 21.15-17), e assim foi dada a incrível responsabilidade de salvaguardar a unidade visível da única Igreja que Cristo fundara para o rebanho salvação de todos os homens. Como o Vaticano I e o Vaticano II insistiram: “Para que o próprio episcopado, no entanto, pudesse ser um e indiviso, Cristo colocou Pedro à frente dos outros Apóstolos, e nele Ele estabeleceu uma fonte e fundação duradouras e visíveis da unidade tanto da fé como da comunhão. ” (Lumen Gentium, 18) A tradição católica sempre viu claramente que, se os Portões do Inferno (heresias, cismas, perseguições, etc.) não prevalecerem contra a Igreja construída sobre a Rocha-fundação de Pedro, a liderança autoritária e invisível da Igreja em Cristo deve ser refletida em a ordem hierárquica da própria Igreja. É o Primado de Cristo (1 Colossenses 1:18) que se manifesta na Primazia do Sucessor de Pedro na hierarquia da Igreja. É a liderança de Cristo que se reflete no bispo de Roma sendo constituído o cabeça visível e centro indivisível de unidade para todas as igrejas locais (oriental e ocidental) que compõem a comunhão católica. Uma polêmica recente que vale a pena a atenção dos apologistas católicos é a do sr. Clark Carlton, um ex-ministro batista do sul que se converteu à ortodoxia oriental. Em sua “A verdade: o que todo católico romano deve saber sobre a Igreja Ortodoxa” (Regina Orthodox Press, 1999; 270 pp.), Ele pretende dar uma “análise teológica das diferenças entre Roma e a Ortodoxia, não uma crítica da reformas do Vaticano II “. Isso não o impede de alegar que “a Igreja Católica Romana tornou-se altamente protestante na esteira do Vaticano II” e de tentar dissuadir “protestantes evangélicos que estão considerando a conversão à Igreja Católica Romana” (páginas 8-9). Ele dedica um capítulo inteiro a criticar especialmente o católico convertido Scott Hahn por sua “ignorância terrível da história”, particularmente com relação à influência paralisante dos imperadores bizantinos gregos e russos que dominaram a vida das igrejas dissidentes greco-eslavas por séculos. Seguindo o exemplo do russo ortodoxo Jean Meyendorff, a tentativa de Clark de desconsiderar um “cesaropapismo que de fato não existe” não é convincente. Curiosamente, o Sr. Carlton obteve um mestrado em Estudos Cristãos Primitivos da Universidade Católica da América em Washington, DC Seu recente livro atacando a Igreja Católica e o Papado representa a triste revivificação do pior tipo de polêmica lançada pelos bizantinos dissidentes antes e depois do Concílio da Reunião de Florença (1439). Isto é evidenciado pela inclusão do autor de documentos expressivos da amargura e das violentas invectivas lançadas contra a “Roma herética”: o 1285 Tomo contra o “Filioque” do Concílio de Blachernae; a encíclica de resposta de 1848 dos patriarcas de Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém ao convite de Pio IX a eles para comparecerem ao Vaticano I; a carta de 1993 dos monges do Monte Athos questionando a tarefa do Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, por suas propostas ecumênicas para “o papa, o homem-deus e ídolo do humanismo ocidental”. O Sr. Carlton não fará parte dos esforços ecumênicos ortodoxos orientais. Para ele, o ecumenismo é simplesmente outra “heresia”. De fato, [ele afirma que:] “a Igreja Ortodoxa considera que a Igreja Católica Romana está na heresia” (página 9) … A doutrina do papado … é heresia “, representando um afastamento radical da eclesiologia da Igreja primitiva (página 18). “Os ortodoxos [rejeitaram] o ‘Filioque’ [isto é, as palavras” e o Filho “acrescentaram ao Credo Niceno-Constantinopolitano na Igreja Latina] porque era herética” (página 62). “Deve ser reconhecido como uma heresia e formalmente repudiada” (página 75). “Ortodoxia” rejeita as doutrinas católicas romanas como: “supremacia papal e infalibilidade”; “mudando o Credo (o ‘Filioque’)”; “preocupar-se em ir a um lugar inexistente (purgatório), pagar dinheiro para ficar fora do referido lugar inexistente (indulgências)”; e “a doutrina católica da Imaculada Conceição”. Esta última doutrina é acusada de “transformar a Virgem Maria em algum tipo de super-humano” (uma co-redentora imaculadamente concebida). Para Carlton, “Ortodoxia” também rejeita a doutrina católica da salvação baseada em conceitos de satisfação e mérito. “Para ser franco”, ele pontifica, a Ortodoxia Oriental “conhece um Cristo diferente daquele da Igreja Católica Romana” (página 187). “Nós simplesmente não confessamos a mesma fé”. O espaço não permite aqui lidar adequadamente com os muitos equívocos doutrinários, argumentos teológicos errôneos e distorções de fatos históricos encontrados nesta obra antiecumênica. Suas conhecidas acusações e alegações foram frequentemente refutadas por estudiosos católicos, e são muito similares em natureza e importância a outro livro recente publicado pela mesma editora (“Dois Caminhos: Monarquia Papal ou Colegialidade” de Michael Whelton), que é similarmente dirigido contra o ” “Papado herético”. Não surpreendentemente, ambos os livros evidenciam claramente os resultados do cisma da Sé de Pedro, a saber, variações doutrinárias e contradições entre os Ortodoxos Orientais e consequente confusão sobre o que (na ausência de qualquer Concílio Ecumênico desde o oitavo ano) constitui seu “ensino oficial”. Carlton diz que se converteu à Ortodoxia Oriental e não à Igreja Católica porque viu na teologia e na vida da primeira “uma testemunha pura” da religião da Igreja primitiva. No entanto, ele é forçado a reconhecer com os monges do Monte Athos são um “corpo de ortodoxia já desunido” – um repleto de heresia de “filetismo” (uma heresia condenada como tal em um Concílio de Constantinopla). O filetismo é definido como “a teoria de que a Igreja deveria ser organizada de acordo com a constituição étnica e não de acordo com as dioceses territoriais” – uma inovação bastante contrária aos antigos cânones. O triste resultado tem sido – nas palavras dos monges do Monte Athos- “caos que se seguiu”, agora manifestamente impressionantes em várias jurisdições ortodoxas, algumas das quais são declarados “não canônicas” por alguns e “cismáticas” ou “heréticas” por outros. Enquanto Carlton insiste que cada uma de suas “igrejas nacionais” professa “uma e a mesma fé ortodoxa”, ele falha em não ver as contradições flagrantes nas quais ele cai. A eclesiologia da Igreja, declara ele, “não está sujeita a mudanças”. No entanto, ele admite que as reivindicações de Roma a uma primazia da jurisdição universal já são encontradas no século V, quando as igrejas ortodoxas orientais estavam em plena comunhão com Roma. O ‘Filioque’, ele cobra ‘ad nauseam’ é “herético”, mas ele admite que a doutrina da Processão do Espírito Santo do Pai e do (ou através) do Filho já era difundida na Igreja Ocidental desde o século V (e quando as igrejas ortodoxas orientais estavam em plena comunhão com ela) Ao afirmar que os ortodoxos orientais professam “uma e a mesma fé ortodoxa”, ele ignora o fato bruto de que os teólogos (passados e presentes) são encontrados e acreditam que “Filioque” não era herético, que expressaram crença na Imaculada Conceição da Mãe de Deus tão venerada entre eles, que acreditaram em uma “purificação ou limpeza da alma” no pós-vida (com suas dores e tormentos) – um ensinamento praticamente indistinguível da nossa doutrina católica do purgatório e que acreditam que a supremacia papal tem profundas raízes históricas na Igreja primitiva sendo claramente admitida no Oriente muito antes do distanciamento do século 11 entre Roma e Constantinopla. Felizmente, o Sr. Carlton não fala por todos os bispos, teólogos e leigos ortodoxos orientais; alguns certamente acharão seus pontos de vista bastante extremistas e estridentes, e ficarão envergonhados com a denúncia do ecumenismo por seus colegas e fanáticos como “heresia”. Além disso, os leitores de seu livro podem achar bastante questionável elevar o controverso ensinamento do teólogo do século XIV Gregório Palamas sobre a essência e as energias de Deus ao status de dogma (e isso sem o benefício de um Concílio Ecumênico!). Nem seus pontos de vista sobre a natureza da Igreja encontram aprovação com um escritor da Igreja Ortodoxa Russa no Exterior. Analisando um livro anterior do Sr. Carlton (“A Fé: Compreendendo o Cristianismo Ortodoxo – Um Catecismo Ortodoxo”, 1997), o Padre Alexis Young (ele mesmo um ex-católico) observou: “O autor diz que:” a Igreja Ortodoxa tem fielmente mantido a fé apostólica uma vez entregue aos santos (Judas 3), nem acrescentando nem subtraindo dela. ‘ Uma bela declaração, mas que é, neste contexto, na melhor das hipóteses, uma generalização otimista, pois algumas jurisdições ortodoxas de fato se afastaram significativamente da fé “uma vez entregue aos santos”, como até mesmo um estudo superficial revelará. (“América Ortodoxa”, 1997) Também se deve dizer que Carlton vive em outro mundo teológico diferente do do falecido Panteleimon, Metropolita de Quíos, que observou há muitos anos (em palavras que foram repetidas por outros prelados ortodoxos orientais) que: “Entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica, é apenas o fanatismo, que enfatizou as diferenças insignificantes, as diferenças que nunca foram sérias, que existiam nos tempos antigos sem provocar um cisma.” (Le Monde, 26 de janeiro de 1952) Então, também, pode-se perceber que por trás de muitas das declarações errôneas do autor está um resíduo de séculos de velhos preconceitos protestantes e animus fanático contra o “Romanismo” e “Mariolatria”. Um certo número de teólogos ortodoxos orientais que ele cita (como o teólogo do século XIX, Khomjakov) foram inegavelmente influenciados pelas negações protestantes das doutrinas católicas. Em conclusão, o Sr. Carlton reformulou antigas queixas doutrinárias e queixas contra a Igreja Católica por dissidentes bizantinos que compreenderam e interpretaram erroneamente a Tradição de seus próprios Padres Orientais sobre aqueles assuntos dogmáticos onde eles escolhem se encontrar em desacordo com o ensino católico. Ironicamente, seu livro serviu para destacar as inconciliáveis divisões doutrinais, disputas e cismas atualmente encontradas nas cerca de 16 igrejas autocéfal (jurisdicionalmente independentes) que compõem a comunhão ortodoxa oriental. Embora pela graça de Deus, os Ortodoxos Orientais tenham mantido quase completamente a fé católica como definida nos primeiros sete Concílios Ecumênicos, eles se afastaram da plenitude dessa fé ao se separarem tristemente da comunhão da Rocha-fundação de Deus. a Igreja, Pedro e seus sucessores, os Romanos Pontífices. Os leitores recordarão o famoso aforismo do Cardeal Newman: “Aprofundar-se na história é deixar de ser um protestante”. Também é verdade que, para aqueles que buscam a ortodoxia integral, amam a unidade católica da Igreja e meditam seriamente sobre o papel do papado no primeiro milênio, “aprofundar-se na história é deixar de ser ortodoxo oriental”. Tradução: http://www.jameslikoudispage.com/Ecumenic/apologet.htm
- São as Indulgências Contrárias ao Espírito da Ortodoxia Oriental?
É bem sabido que as indulgências têm sido objeto de muita incompreensão e abuso polêmico por parte dos protestantes desde os dias de Martinho Lutero, que acumulou sobre elas todas as ferozes invectivas de que era mestre. Curiosamente, em seus primeiros dias como frade agostiniano, Lutero explicou corretamente em um sermão em julho de 1516 o uso e os benefícios das indulgências. Ele observou que uma indulgência é “a remissão, no todo ou em parte, da punição temporal devida ao pecado”, depois que o pecado foi perdoado no Sacramento da Penitência. Nenhum pecado foi perdoado por uma indulgência e as indulgências não foram uma permissão para cometer mais pecados; Além disso, as indulgências não deram perdão total pelo pecado em troca de dinheiro! Foi somente mais tarde, ao desenvolver seu ensino herético sobre a graça, a justificação e a negação do livre-arbítrio, que ele veio a rejeitar a punição temporal pelo pecado, o mérito das boas obras e o valor da expiação e reparação pela salvação das almas. Ele sabia muito bem que, na misericórdia de Deus, as indulgências emitidas pelo papa ou por um bispo podem encurtar o sofrimento do purgatório e beneficiar a religião verdadeira, pois nunca são concedidas a menos que se desculpe por seus pecados e esteja em graça ou amizade com Deus. Em sua rebelião, no ano de 1530, ele passou a negar a própria existência do Purgatório, que está tão ligado ao ensinamento tradicional da Igreja sobre as indulgências. Em 1967, o Papa Paulo VI fez uma exposição magistral da doutrina da Igreja sobre as indulgências em sua “Constituição Apostólica sobre a Revisão das Indulgências”: “A doutrina das indulgências e sua prática estão em vigor há muitos séculos na Igreja Católica. Elas parecem estar solidamente fundadas na revelação divina, transmitida” pelos Apóstolos “… Se quisermos entender exatamente a doutrina das indulgências e seus benefícios na prática, devemos lembrar as verdades que toda a Igreja, iluminada pela Palavra de Deus, sempre acreditou. Estas verdades foram ensinados pelos bispos, que são os sucessores dos Apóstolos, e pelos Romanos Pontífices, que, Como sucessores de São Pedro, são em primeiro lugar entre os bispos. Eles ensinaram essas verdades por meio de sua prática pastoral, bem como em documentos que estabelecem adoutrina. Eles fizeram isso ao longo dos séculos até hoje. ” (# 1) “A verdade foi divinamente revelada que os pecados são seguidos de punições. A santidade e a justiça de Deus os infligem. Pecados devem ser expiados. Isso deve ser feito nesta terra através das tristezas, misérias e provações desta vida e, acima de tudo, através da morte. Caso contrário, a expiação deve ser feita na próxima vida através de fogo e tormentos de punições purificadoras “. (# 2) [Deplorando o abuso de indulgências no passado], a Igreja “ensina e ordena que o uso de indulgências … deve ser mantido na Igreja; e condena com anátema aqueles que dizem que as indulgências são inúteis ou que a Igreja não tem o poder de concedê-las “. (# 8) “O uso de indulgências nos mostra quão intimamente nós [os fiéis na terra e os fiéis partiram] estamos unidos um ao outro em Cristo.” (# 9) “As indulgências também confirmam a preeminência da caridade na vida cristã” (# 11). Ortodoxia Oriental e Indulgências Infelizmente, desde o século XVII, as indulgências, bem como a doutrina da Igreja sobre o Purgatório, foram mal compreendidas e foram objeto de críticas e polêmicas ferozes por vários teólogos e escritores ortodoxos orientais. Expressando suas recentes reservas em relação ao Purgatório, o teólogo ortodoxo russo Laurent A. Cleenewerck admitiu que conceitos como: “ira de Deus, tormento, justiça, ofender um Deus do qual alguém tem que ser protegido, são solidamente bíblicos … É certamente possível concluir … que o fogo ardente do Purgatório é de fato, a presença do amor todo da Trindade incriada … Parece que uma declaração doutrinária aprovada [entre católicos e ortodoxos] seria muito mais fácil de produzir agora do que nunca ”. No entanto, resumindo sua opinião sobre as indulgências, pe. Cleenewerck concluiu que: “O conceito de purgatório – as indulgências formuladas nos concílios de Florença e Trento é difícil de conciliar com o espírito da ortodoxia oriental”. (“Seu corpo partido”, p. 362) Mas isso é verdade? Historicamente, as dificuldades dos ortodoxos orientais atuais com as indulgências foram fundamentadas em polêmicas ortodoxas medievais contra as “inovações” latinas combinadas com a negação de qualquer punição temporal pelo pecado, a rejeição de qualquer fogo purgatorial, objeção ao próprio substantivo “Purgatório” e até mesmo uma negação direta da própria existência do Purgatório, de modo que um Bispo Kallistos possa escrever em sua obra clássica “A Igreja Ortodoxa”: “Hoje, a maioria, se não todos os teólogos ortodoxos rejeitam a idéia do Purgatório, pelo menos nesta forma [de almas sofrendo sofrimento expiatório e prestando ‘satisfação’ por seus pecados]”. No entanto, ele não pode negar que os teólogos gregos e russos do passado admitiram uma punição temporal pelos pecados não consolidados, defenderam um estado intermediário do falecido onde há sofrimento e aprovaram a crença e prática generalizadas em suas igrejas de que orações, sufrágios, esmolas e a oferta da Divina Liturgia pelos defuntos constituiu uma prática apostólica de benefício espiritual para essas almas. O bispo Kallistos é obrigado a declarar que: “O ensino ortodoxo não é inteiramente claro, e variou um pouco em diferentes momentos. No século 17, vários escritores ortodoxos – mais notavelmente Pedro de Moghila e Dositeu em sua” Confissão “- defenderam a doutrina católica romana sobre o Purgatório, ou algo muito próximo disso. ” (Edição de 1993, p. 255) Os escritores ortodoxos também não podem ignorar que as indulgências estavam originalmente enraizadas no relaxamento da Igreja às severas penalidades canônicas impostas aos pecadores cujos pecados mortais tinham sido perdoados, mas precisavam fazer penitência. Suas penitências foram encurtadas por causa das orações dos mártires e confessores. As orações de sufrágio pelos fiéis que partiram e a oferta do Santo Sacrifício por eles foram supostamente purificadoras dos efeitos do pecado para que pudessem entrar plenamente no Reino celestial. Não é de surpreender, portanto, que em meio a séculos de contestação entre católicos e ortodoxos sobre o Purgatório, e a confusão e contradições entre os próprios ortodoxos sobre a vida após a morte (há negação da Visão Beatífica até depois da ressurreição dos mortos!) As indulgências também sofreriam ataques especiais. Isto é claramente visto na notória Encíclica do Patriarca Ântimo de Constantinopla de 1895 e no seu Santo Sínodo que repudia o apelo à Reunião das Igrejas pelo Papa Leão XIII. Em sua ladainha de “heresias” católicas, o Patriarca denunciou a “Igreja papal” de: “inventando e amontoando na pessoa do Papa, como um singularmente privilegiado, uma infinidade de inovações concernentes ao fogo purgatorial, uma superabundância das virtudes dos santos e sua distribuição àqueles que deles necessitam [uma referência às indulgências] e assim por diante, estabelecendo também uma recompensa completa pelos justos antes da ressurreição universal e julgamento. ” O Patriarca parece negar toda a punição pelas almas que não estão entre os eleitos ou condenados, enquanto em sentenças anteriores ele observa a Igreja: “andou de acordo com o ensinamento divinamente inspirado da Sagrada Escritura e a velha tradição apostólica, ora e invoca a misericórdia de Deus para o perdão e o descanso daqueles” que adormeceram no Senhor “.” Isto não é nada, se não uma clara admissão de que existe um estado intermediário onde há “perdão e descanso” para o falecido e onde tais almas passam por uma limpeza ou purificação. Ao contrário das alegações de alguns escritores ortodoxos gregos e russos, a natureza do “fogo purificador” observada pelos católicos não foi definida pela Igreja, e não foi definida como um “lugar”. O purgatório constitui um estado de “punições purgatoriais”. Lá, as almas são obrigadas a expiar o castigo temporal devido aos pecados cometidos após o batismo e para os quais a satisfação deve ser dada a Deus por tê-lo ofendido e por não haver expiado suficientemente os pecados cometidos durante a vida. Em outras palavras, se penitência suficiente não é feita nesta vida, há uma purificação penitencial no Purgatório. No famoso Concílio da Reunião de Florença (1439), é significativo que os gregos bizantinos (incluindo o obstinado Marcos de Éfeso) não considerassem o Purgatório um assunto sério o suficiente para impedir a Reunião. Se eles se opuseram a um fogo material ou físico, admitiram que as almas sofreram as “punições purgatoriais” do cativeiro, da escuridão, da ignorância e do remorso. É difícil acreditar que o patriarca Ântimo, que denunciou as indulgências em sua resposta ao Papa Leão XIII, pudesse ignorar o fato de que bispos e patriarcas ortodoxos haviam emitido indulgências que eram populares entre o povo dos séculos XVI a XIX. É irônico que, em 1846, ele mesmo tenha escrito uma carta de perdão [indulgência]: “em virtude do poder de ligar e desligar que foi passado dos apóstolos para nós por sucessão; nós absolvemos e soltamos de todo pecado a alma e o corpo do falecido servo de Deus Christodoulos remetendo todas as faltas e ofensas cometidas por ele contra Deus “. Estas cartas eram uma forma de indulgências denominadas “Certificados de absolvição” e entraram em uso comum nas igrejas ortodoxas gregas que sofrem sob o jugo otomano dos séculos XVI a XVIII. Isto foi, sem dúvida, devido ao aumento dos contatos com a teologia latina por estudiosos e teólogos gregos estudando em escolas ocidentais. Esses certificados que constituíam verdadeiras indulgências, além disso, podiam ser obtidos por uma soma específica em dinheiro! Na “Confissão de Fé” de 1722, emitida e assinada pelo patriarca de Constantinopla Paísio II, pelo patriarca Chrysanthus de Jerusalém, pelo patriarca Silvestre de Antioquia e por outros bispos, a prática de emitir indulgências recebeu uma confirmação formal: “O poder do perdão dos pecados, que é denominado pela Igreja Oriental de Cristo ‘Certificados de absolvição’ é dado à Santa Igreja de Cristo. Estes certificados de absolvição … são emitidos pelos quatro santíssimos patriarcas, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém “. Um concílio posterior de Constantinopla, em 1838, tratou do abuso escandaloso da venda de indulgências condenando a prática. No entanto, a validade teológica dos patriarcas que emitem indulgências não foi questionada. Curiosamente, “Certificados de absolvição” permaneceram populares na Grécia em meados do século XX. (Veja o notável artigo “Indulgências na História da Igreja Grega”, de Sergei Govorum, no qual ele fornece informações muito mais valiosas – http: //www/pravoslavie.ru/english/7185.htm). Em vista de tudo isso, é difícil sustentar que a prática das Indulgências é “contrária ao espírito da Ortodoxia Oriental”, quando os Patriarcas Orientais separados insistiram em seu poder eclesiástico para publicá-las. Sabe-se que o Patriarca Dositeu Notarios de Jerusalém, no século XVIII, justificava especificamente as indulgências como uma tradição venerável na Igreja. CONCLUSÃO Se a prática das indulgências é agora “contrária ao espírito da ortodoxia oriental”, não foi assim no passado. Em vista das contradições em seus ensinamentos passados sobre indulgências, parece não haver nenhuma doutrina oficial concernente a elas que impediria qualquer reunião futura com a Sé de Roma. No que diz respeito ao Purgatório e às Indulgências, apesar dos continuados mal-entendidos ortodoxos gregos e russos, não resta nenhuma diferença dogmática essencial entre a Igreja Católica e nossos irmãos separados. Tradução: http://www.jameslikoudispage.com/Ecumenic/indulgences.htm
- O Filioque, novamente
Recentemente, The Wanderer publicou um excelente artigo de Frank Morriss sobre o “Apocalipse da Verdade Gloriosa … O Ensino da Igreja sobre a Processão do Espírito Santo”. Justificava o ensinamento católico tradicional que defendia a Processão do Espírito Santo do Pai “e do Filho” (Filioque), conforme recitado no texto latino do Credo Niceno-Constantinopolitano. As discussões sobre essa “Verdade Gloriosa” resultaram não apenas no Diálogo Católico-Ortodoxo na América do Norte, emitindo uma “Declaração Comum” sobre o “Filioque” (cf. minha análise em “The Wanderer” 2/3/05), mas em Inúmeros artigos de teólogos católicos e ortodoxos orientais, como observado no periódico ecumênico francês Irenikon (Tomo LXXVII, 2004). É lamentável que, apesar das tentativas recentes de esclarecer o ensinamento católico sobre a Processão do Espírito Santo (incluindo O Catecismo dos ensinamentos da Igreja Católica n. 245-248), a confusão doutrinal continua a ser evidente mesmo por parte de alguns católicos de rito bizantino. Assim, um panfleto “O Credo e a Santíssima Trindade” compilado pelo Reverendíssimo Arcipreste Daniel L. Gurovich (copyright 2004, com um Imprimatur do Reverendíssimo Stefan Soroka, Arcebispo Metropolitano da Filadélfia para os Ucranianos) continuou a circular naquela arquidiocese, e merece um exame atento. Nesta brochura de 30 páginas Gurovich deseja explicar a decisão do Arcebispo Metropolitano de Filadefia para que os ucranianos retornem à autêntica tradição litúrgica da Igreja Bizantina Oriental, não mais recitando o Credo com a famosa cláusula “Filioque” [e do Filho] e “recitando” o Credo [com relação à processão do Espírito Santo] em todos os serviços divinos públicos em sua forma original “- (como estabelecido no Concílio Ecumênico de Constantinopla – 381 dC:” Eu creio no Espírito Santo, o Senhor, o Doador da vida, que procede do Pai “). Desde que o Concílio Vaticano II encorajou as Igrejas Católicas Orientais em comunhão com Roma a retornarem às suas autênticas tradições teológicas, espirituais e litúrgicas (facilitando assim a reunião das igrejas Ortodoxas Orientais separadas com a Igreja Católica), vários prelados católicos orientais agiram em não mais incluir o “Filioque” na recitação pública ou canto do Credo na Divina Liturgia. É a inclusão do “Filioque” no Credo, que tem servido como uma “causa célebre” entre os ortodoxos orientais, para acusar os católicos do Oriente da “heresia latina” e para impedir os esforços para a Reunião das Igrejas. Como o autor observa, Roma não insistiu que os ucranianos ou outros ritos católicos orientais incluíssem a formulação latina do “Filioque” no Credo e o próprio Papa em ocasiões ecumênicas “publicamente recitou o Credo sem o ‘Filioque'”. A Igreja Católica sempre distinguiu claramente a adesão ao dogma da processão eterna do Espírito Santo do Pai e (ou através) do Filho – que todos os católicos devem crer – e a questão de saber se a cláusula “Filioque” (sancionada pelo Papa Bento VIII em 1014 dC para a Liturgia Latina) deve ser incluído e recitado no Credo pelos católicos orientais. A Sé Apostólica de Pedro, “Cabeça de todas as Igrejas de Deus”, deixou claro que enquanto o dogma católico relativo à Processão Eterna do Espírito Santo do Pai e (ou através) do Filho é firmemente professada como um artigo da fé, os ritos orientais católicos não precisam (de acordo com sua tradição litúrgica) incluir a formulação latina do “Filioque” no Credo. Como o autor observa corretamente: “a inclusão ou exclusão da frase ‘E o Filho’ não é mais considerada uma questão de fé pela maioria dos teólogos hoje” e esse retorno à autêntica tradição litúrgica bizantina da Arceparquia ucraniana de Filadélfia é “sem prejuízo da fé católica” e é apropriada fazê-la neste momento “. Infelizmente, apesar de suas citações do “Catecismo da Igreja Católica” (páginas 25-29), que justificam plenamente o dogma da Processão Eterna do Espírito Santo do Pai e do Filho, como expresso na formulação “Filioque”, pe. Gurovich traz uma certa confusão na tentativa de explicar aos seus leitores a doutrina católica das processões na Santíssima Trindade (isto é, a do Filho e a do Espírito Santo). Como previamente observado, não é exato ter implicado que a inclusão verbal do “Filioque” no Credo por católicos do rito oriental (ou mesmo por ortodoxos orientais retornando à comunhão católica) tenha sido uma “questão de fé” insistida pelo Sé Apostólica de Roma. Ele comete alguns erros sérios adicionais: 1.Ao falar da “eterna geração (ou procissão) da Palavra de Deus”, pe. Gurovich afirma que a Palavra Eterna “nasceu … como uma pessoa verdadeiramente humana”. Essa fraseologia equivocada cheira à antiga heresia de Nestório, que afirmava que Cristo era uma pessoa humana, enquanto a Igreja Católica afirma que Cristo não era uma pessoa humana. A fé católica sustenta que Cristo era uma pessoa divina. 2.Ele corretamente observa que, independentemente de o “Filioque” estar incluído no Credo durante a Divina Liturgia (ou Missa) “tanto a Igreja Oriental quanto a Ocidental crêem a mesma coisa a respeito da processão do Espírito Santo. A teologia da Trindade é uma só nas duas Igrejas “. Isto é verdade, mas só é verdade das Igrejas orientais e ocidentais que compõem a comunhão católica. Não é verdade das Igrejas Ortodoxas Orientais autocéfalas separadas que tradicionalmente rejeitaram como “herética” tanto a doutrina representada pelo “Filioque” quanto sua adição litúrgica ao Credo. 3.É preocupante ver o pe. Gurovich justificando a “adequação de retornar à forma original do Credo” recorrendo a objeções ortodoxas orientais errôneas que, de fato, questionam a verdade dogmática incorporada na doutrina “Filioque”. Assim, ele argumenta: a.O “Filioque” não foi colocado no Credo por um Concílio Ecumênico. Sim, mas o Sucessor de Pedro como chefe visível da Igreja tinha a autoridade suprema para acrescentar ao texto latino do Credo a inclusão de uma frase que por séculos teve a sanção dos Padres latinos da Igreja e muitos concílios ocidentais locais. Além disso, o Concílio Ecumênico de Florença (1439), que viu a reunião das Igrejas Orientais separadas com Roma declarou especificamente: “Nós ainda definimos que era para o propósito de declarar a verdade e sob a necessidade no momento em que essas palavras” e o Filho ‘[Filioque] foram adicionadas ao Credo por meio de servir de explicação, tanto legalmente quanto com boa razão. ” Quanto a afirmação do Pe. Gurovich na página 3 de que os Concílios de Éfeso (431 dC) e Calcedônia (451 dC) “formalmente proibiam quaisquer outros credos” (uma objeção enfatizada pelos teólogos ortodoxos orientais), isso tem óbvia referência a qualquer acréscimo que falsifique uma verdade de fé, não uma que esclarecesse e explicasse mais. b.João 15:26 afirma: “O Espírito da verdade procede do Pai”. “Em outras palavras”, Pe. Gurovich afirma que “as Escrituras inspiradas formulam que o Espírito procede do Pai E NUNCA DO FILHO” (grifo do autor). Aqui, ele realmente dá credibilidade ao erro do patriarca do século 9 de Constantinopla Fócio que originalmente ensinou “O Espírito procede do Pai sozinho”. Mas João 15:26 não ensina que o Espírito Santo procede do Pai sozinho, mais do que Romanos 3:28 (“o homem é justificado pela fé”) provou a afirmação de Lutero de que o homem é salvo pela “fé somente”. Que o Espírito Santo procede do Pai não exclui a participação do Filho nessa processão. A distorção de Fócio do significado de João 15: 26 levou à sua negação (assim como a dos teólogos ortodoxos orientais que servilmente o seguiram) que o Filho Eterno está unido ao Pai ao espirar o Espírito Santo desde toda a eternidade. Pe. Gurovich não consegue entender que Fócio (a respeito de quem ele escreve com aprovação) se recusou a reconhecer que o Filho tinha qualquer parte na eterna processão do Espírito Santo. O ensino do século IX do patriarca bizantino Fócio representou um desvio acentuado da doutrina dos Padres da Igreja tanto latinos como gregos. Fócio estava de fato correto em afirmar que o Pai na Trindade é a fonte suprema e última do Espírito Santo (e esta ‘monarquia’ do Pai deve ser salvaguardada), mas ele negligenciou reconhecer a verdade reafirmada no Catecismo da Igreja Católica. que “Como Pai do Filho único, Ele é, com o Filho, o único princípio do qual o Espírito Santo procede” (# 248), e “Desde que o Pai, através da geração, deu ao Filho Unigênito tudo aquilo a que pertence o Pai, a menos que seja Pai, o Filho também tem eternamente do Pai, de quem Ele nasceu eternamente, que o Espírito Santo procede do Filho “(# 246). Como Santo Agostinho enfatizou, o Espírito Santo procede principalmente do Pai como a única fonte na Trindade. Como o Catecismo da Igreja Católica afirma ainda ao repetir o ensinamento de Santo Agostinho, “Ele não é chamado o Espírito do Pai sozinho … mas é o Espírito do Pai e do Filho” [CCC, # 245], pois Pai e Filho “são um” em espirar o Espírito desde toda a eternidade. Pode-se acrescentar aqui, a propósito, que os exegetas modernos confirmam (ao contrário de Fócio e Pe. Gurovich e outros) que João 15:26 não tem referência explícita à processão eterna do Espírito Santo, mas sim à sua missão temporal do Pai e o Filho (este último assunto sobre o qual católicos e ortodoxos permanecem de acordo). Deve-se notar ainda que Fócio também errou mal ao interpretar a expressão dos Padres Gregos de que o Espírito Santo procedia do Pai através do Filho, restringindo essa processão meramente à sua missão temporal. Ao ensinar a eterna processão do Espírito Santo do Pai através do Filho, os Padres Gregos estavam afirmando sem equívocos que o Espírito Santo recebeu Sua divindade e Sua própria existência do Filho. Nos escritos dos Padres Gregos, a preposição “através do Filho” tinha em vista a eterna origem do Espírito Santo, procedente tanto do Pai como do Filho, em uma eterna espiração do Amor. Afirmar, como pe. Gurovich diz que “As Igrejas Orientais expressam este mistério [da processão do Espírito] dizendo que, enquanto o Espírito Santo procede do Pai sozinho, Ele é ‘manifestado’ pelo Filho” (página 23), é reproduzir uma formulação ambígua da doutrina da processão do Espírito que encontrou favor com alguns teólogos ortodoxos orientais. A ambigüidade está em obscurecer o significado de “manifestação” porque o termo não necessariamente se iguala a uma eterna processão do Espírito do Filho e poderia ser tomada para se referir à manifestação de alguma “energia incriada” distinta da Pessoa do Espírito Santo (como ensinado pelos dissidentes bizantinos seguindo o novo ensinamento do Arcebispo de Tessalônica, do século XIV, Gregório Palamas). CONCLUSÃO A questão dogmática da Processão do Espírito Santo entre católicos e ortodoxos orientais não pode ser explicada como “apenas uma questão de lingüística” (página 25). Qualquer que seja a visão bem-vinda de alguns teólogos ortodoxos orientais modernos que insistem em que o “Filioque” não seja mais considerado “herético”, permanece o fato de que durante séculos houve uma rejeição “oficial” da verdade do ensino católico pelos patriarcas ortodoxos orientais e bispos que se desviaram da autêntica tradição oriental dos Padres na Processão do Espírito Santo para justificar sua separação da Sé de Pedro. O maior problema com a Brochura do Pe. Gurovich é a confusão gerada pela confusão da posição doutrinária autêntica dos Padres Orientais com os equívocos e erros de dissidentes bizantinos posteriores. Não foi necessário estabelecer um argumento bastante legítimo para os católicos ucranianos, retirarem as palavras entre colchetes do “Filioque” encontradas em seus livros litúrgicos desde 1692, usando os argumentos usados pelos dissidentes bizantinos que procuraram desacreditar não apenas a doutrina católica. encarnado na famosa frase “Filioque”, mas também sua recitação no Credo pelos católicos de rito romano. Tradução: http://www.jameslikoudispage.com/Ecumenic/filioque.htm
- Confrontando a Reivindicação da Ortodoxia Oriental como a Igreja Verdadeira: Compreendendo as reivin
Entre os lapsos da Igreja Católica no turbulento período pós-conciliar estão os católicos que ficaram tão desencantados com a desordem litúrgica e a agitação doutrinária evidente no catolicismo ocidental que se converteram à ortodoxia oriental. Eles se viram influenciados pela reivindicação ortodoxa oriental de preservar a herança doutrinal, sacramental e litúrgica da antiga Igreja e, de fato, ser a continuação histórica da verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Aqueles que desertaram da Igreja Católica encontraram a reconfortante Ortodoxia Oriental professando a doutrina dos primeiros sete Concílios Ecumênicos, sua posse dos sete sacramentos, e seu sistema sacramental e litúrgico girando em torno de uma esplêndida e bela celebração da Santa Divina Liturgia. O antigo tecido hierárquico da Igreja Ortodoxa Oriental dos patriarcas e bispos, e seus princípios da vida religiosa e monástica caracterizada pelo ascetismo antigo, parecia ser mais uma prova de sua identidade com a antiga Igreja do primeiro milênio. É angustiante que alguns bispos e padres católicos tenham manifestado pouca preocupação pelo fato de alguns de seus rebanhos terem abraçado o cisma, e até mesmo a heresia, ao desertarem da comunhão católica. Objetivamente falando, tanto o cisma quanto a heresia constituem pecados graves contra a Unidade da Igreja (cf. O Catecismo da Igreja Católica §817). Além disso, não tem sido incomum para alguns Ortodoxos Orientais (e até mesmo Protestantes), procurando tornar-se católicos, a serem aconselhados por alguns padres católicos para “ficar onde estão”, a fim de servir a causa do ecumenismo. Isto, seguramente, não é o que a Igreja quer dizer com a “Nova Evangelização” e revela pouco ou nenhum zelo pela salvação das almas. Parece que tais padres relutantes ou hesitantes pensam que “uma comunhão muito próxima em matéria de fé” entre a Igreja Católica e as Igrejas Orientais separadas, é suficiente para a salvação das almas. Será que eles achavam que católicos e ortodoxos já eram tão unidos na fé que não havia necessidade de expor e defender a plenitude da verdade revelada confiada à “Úna e Única Igreja de Jesus Cristo”, a Igreja Católica? (cf. Lumen Gentium do Vaticano II, §8 e 17) É necessário que os católicos, especialmente os sacerdotes, se empenhem em apologéticas convincentes quando confrontados por católicos tentados a se tornar ortodoxos orientais ou por membros das Igrejas Ortodoxas Orientais que pretendem representar a ortodoxia da Igreja antes do trágico cisma entre Oriente e Ocidente depois de 1054 DC Certamente, católicos bem informados são capazes de apresentar argumentos formidáveis extraídos das Escrituras, Padres e Concílios em favor da autoridade universal do Romano Pontífice na Igreja, a legitimidade da doutrina do Filioque, do Purgatório e da Imaculada Conceição, para não mencionar outras doutrinas questionadas ou negadas pelos Ortodoxos Orientais, que assumem que constituem a “Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica”, significada no Credo Niceno-Constantinopla de 381 dC, entregando-se à repetida afirmação feita aos católicos: “A ortodoxia é minha doxia; a heterodoxia é sua doxia”. Surge a pergunta: há uma solução fácil para as reivindicações conflitantes de católicos e ortodoxos? O leigo comum pode ficar perplexo com o estudo dos complexos argumentos e contra-argumentos extraídos do apelo à história e das diversas interpretações das Escrituras, dos Padres e dos Concílios apresentadas pelos escritores católicos e ortodoxos. Como um ortodoxo, buscando acabar com sua agonia intelectual, declarou: “Eu continuo indo e voltando de católico para ortodoxo e ortodoxo para católico, sentindo-me incapaz de resolver as questões dogmáticas. Eu não sei latim ou grego, ou muita história, quem está certo e quem está errado.” Deve haver um modo mais simples e mais fácil para a pessoa comum, que não é um estudioso da história da Igreja e da teologia patrística, e que é confrontada pelas reivindicações católicas e ortodoxas conflitantes – para resolver a questão de qual é a verdadeira Igreja. Deve-se notar que nesta questão entre católicos e ortodoxos, felizmente, há muito “terreno comum” para resolver a questão. Nesta questão, aqueles que buscam a única Igreja verdadeira, obviamente, sustentam que existem apenas dois candidatos plausíveis para ser a “Igreja Única, Santa, Católica e Apostólica”. Ambos sustentam que a propriedade da visibilidade é essencial para a verdadeira Igreja. Tanto católicos como ortodoxos concordam que a doutrina cristã é algo ensinado pela única Igreja visível, não algo que o indivíduo determina por si mesmo, de maneira protestante, e ensina a Igreja. Ambos concordam com um critério objetivo e visível que serviu no primeiro milênio para identificar a verdadeira Igreja, isto é, o governo necessário da Igreja pelos bispos, que são os legítimos sucessores dos apóstolos, e guiados pelo Espírito Santo, para interpretar corretamente as Sagradas Escrituras e Tradição Apostólica. O grande São Cipriano já havia notado no terceiro século que a Igreja é essencialmente construída sobre os bispos: “Ele se imagina estar com Cristo, agindo contra os bispos de Cristo?” (Sobre a Unidade da Igreja Católica, §17) A questão chave então se resume a isso: Que comunhão de bispos (católicos ou ortodoxos orientais) constitui aquela hierarquia da Igreja, fundada por Cristo para “fazer discípulos de todas as nações” (Mt 28:19)? A qual hierarquia, pretendendo representar a continuação dogmática do Colégio Apostólico dos Bispos durante os primeiros dez séculos, aplicam-se as palavras de Nosso Senhor? “Quem te ouve, ouve a mim; quem te despreza, despreza-me e despreza aquele que me enviou.” (Lucas 10: 16) A pergunta ardente feita ao buscador da verdade, portanto, é como identificar, com facilidade e sem esforço acadêmico, a comunhão eclesiástica de bispos com seus fiéis que verdadeiramente constituem o Corpo Místico de Cristo, e a única Virgem Maria de Jesus Cristo neste mundo caído: ” uma, porém, é a minha pomba, uma só a minha perfeita; ela é a única de sua mãe, a predileta daquela que a deu à luz.” (Cant. 6: 9) Portanto, tanto os católicos quanto os ortodoxos estão em acordo fundamental de que a Igreja visível de Nosso Senhor é governada por bispos que são essenciais para sua existência. Ambos afirmam constituir a “Igreja indivisa” do primeiro milênio. A menor familiaridade com a história da Igreja, no entanto, testemunha o fato de que a presença dos bispos não é um critério adequado para discernir a verdadeira Igreja da Sucessão Apostólica em meio a corpos episcopais conflitantes. Quem poderia ser ignorante da escandalosa realidade dos bispos em disputas dogmáticas entre si durante séculos? Bispos contra os bispos. Concílios contra os concílios. Quem não pode reconhecer prontamente que todo cisma e heresia ao longo da história tem sido promovido por bispos que invariavelmente afirmavam defender a Tradição e a ortodoxia? Isso é certamente verdadeiro para os bispos que seguiram os patriarcas de Constantinopla ao romper a comunhão com o “primeiro trono” da Igreja, o da “Velha Roma”. É, portanto, facilmente realizado pela pessoa comum que busca a “Igreja indivisível” fundada por Cristo que ter bispos como governantes e juízes da fé não pode ser, e nunca foi considerado, um critério suficiente para a preservação da doutrina apostólica pela Igreja. em sua plenitude (catolicidade). Como se explica uma “Igreja indivisível” que permanece indivisa diante da deserção dos bispos que marcam a atribulada peregrinação da Igreja na história? A verdade é que uma unidade indivisa que caracteriza a unidade hierárquica externa da Igreja terrestre é simplesmente ininteligível, a menos que haja um centro indefectível de unidade que proteja a unidade visível da Igreja. Uma mera união espiritual entre uma pluralidade de bispos não representa uma verdadeira unidade orgânica e visível. A comunhão eclesiástica de muitos chefes de igrejas particulares não pode identificar a única Igreja visível de Cristo, a menos que haja outro objetivo e critério visível, que qualquer um possa ver resultados na unidade corporativa e na solidariedade do único Episcopado da Igreja. Esse critério visível é a posse do Episcopado de uma cabeça visível que serve como centro de unidade imóvel e indivisível da Igreja hierárquica. Simplificando, a verdadeira Igreja na terra é identificada na história por sua adesão a uma cabeça visível, cuja autoridade suprema a marca e distingue de modo único como o único corpo apostólico de bispos encarregados de ensinar e salvaguardar a fé ortodoxa em toda a sua integridade. É óbvio que o único crível pretendente à liderança visível e autoridade suprema em toda a Igreja do Oriente e do Ocidente tem sido o Bispo de Roma, que ocupa a Cátedra de Pedro na Cidade Eterna. A reflexão acima mostra a profunda profundidade de significado contida no antigo axioma de Santo Ambrósio: “Onde está Pedro está a Igreja”, (Ennarr. In Ps. XL, 30). A verdadeira Igreja, que “Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja” do Credo, contra a qual as Portas do Inferno nunca podem prevalecer, é assim facilmente identificada tanto pelos não-instruídos como pelos instruídos, observando qual comunhão de bispos (Católicos ou Ortodoxos Orientais) aderem ao sucessor daquele Pedro, em quem toda a Igreja foi construída como uma rocha perdurável. Os próprios ortodoxos, lamentam sua fragmentação em igrejas étnico-nacionais, e podem falar muito sobre uma “Igreja não dividida”, mas o termo, como notado, não tem sentido na ausência de um centro visível indefectível da Unidade. É esse centro indispensável, indefectível e indivisível da Unidade na pessoa do Sucessor de Pedro que lhes falta. Como o Vaticano II declarou, resumindo o testemunho das Escrituras e da Tradição Apostólica: “Cristo quis que os sucessores dos Apóstolos, ou seja, os bispos, fossem os pastores em Sua Igreja até o fim do mundo. A fim de que o próprio episcopado, porém, pudesse ser Uno e indiviso, Ele colocou Pedro à frente de os outros Apóstolos, e nele Ele estabeleceu uma fonte e fundação duradoura e visível da Unidade da fé e da comunhão … o Pontífice Romano, como o sucessor de Pedro, é a fonte perpétua e visível e o fundamento da unidade tanto dos bispos e de toda a companhia dos fiéis “. (Lumen Gentium, §18,23) Para qualquer ortodoxo empenhado na busca da verdade, há uma consequência fatal para a negação de “Onde está Pedro, há a Igreja”. Ele não só fica sem uma marca objetiva e visível facilmente identificável, pela qual a Igreja verdadeira pode ser facilmente identificada, mas a própria visibilidade da Igreja se torna obscurecida. É a sua unidade católica que distingue a Igreja Católica de todos os outros corpos eclesiásticos, pois ela possui unicamente unidade e catolicidade, como marcas visíveis que caracterizam a sua presença em todo o mundo. A incapacidade dos teólogos ortodoxos de identificar a infalível autoridade docente da Igreja como instituição, externa ao indivíduo, coloca a Igreja em sério risco de se dissolver em um misticismo vago. O filósofo Vladimir Soloviev, aclamado como o “Newman Russo”, referiu-se aos seus compatriotas mais contrários à reunião, como os “Anti-Católicos Ortodoxos”. Na tentativa de justificar a rejeição das doutrinas católicas e a adesão ao infalível ofício petrino do bispo de Roma, inevitavelmente são vítimas de todos os caprichos do subjetivismo religioso e do iluminismo espiritual. Esta última questão é vista, também, no caso dos católicos que abandonaram a Barca de Pedro para aderir à Ortodoxia de Constantinopla e Moscou. Curiosamente, sua adesão a um cisma antigo será menos fundamentada na argumentação racional do que nos sentimentos estéticos, no amor ao ritual e à cerimônia litúrgicos e na orgulhosa pretensão de que a Ortodoxia dissidente possua uma espiritualidade superior à da Igreja Católica. Onde argumentos intelectuais são oferecidos, esses ex-católicos, como protestantes, são vistos engajados na interpretação privada das Escrituras (acrescentando também sua própria leitura da história e tradição da Igreja) para justificar sua deserção da unidade católica. Não é, no entanto, o papel apropriado do julgamento privado determinar o conteúdo das doutrinas do cristianismo. Antes, é necessário identificar a verdadeira Igreja, que, sozinha, possui a autoridade divina de Cristo para ser o mestre da verdade (ou seja, todas as doutrinas pertencentes ao depósito da fé). Como observado, a verdadeira Igreja deve pelo menos afirmar possuir o atributo de “infalibilidade”. O que deve ser enfatizado para qualquer católico tentado a saltar para a Ortodoxia é que a infalibilidade não pode ser a posse de um corpo eclesiástico que não tem uma autoridade identificável, visível e suprema, reconhecida por seus membros como um infalível professor de fé e moral. Os patriarcas de Constantinopla e Moscou, nem qualquer outro grupo de bispos ortodoxos, pretendem possuir o carisma da infalibilidade. Como alguém poderia ter certeza de que, ao aderir à sua comunhão eclesiástica, abraçou a plenitude da ortodoxia? A Igreja Católica é facilmente compreendida para ser a única professora infalível da doutrina cristã precisamente porque ela realmente possui uma cabeça suprema visível e um centro de unidade essencial à unidade indivisa do episcopado de ensino. O “mundo, a carne e o diabo” estão bem cientes do bispo de Roma e de sua reivindicação como sucessor de Pedro, chefe e chefe dos apóstolos, para exercer em todas as épocas um ofício petrino de autoridade universal, para alimentar todos os cordeiros e ovelhas de Cristo com sã doutrina. Aqueles, portanto, tentados a desertar da unidade católica devem ser encorajados a refletir sobre a verdade de que a unidade da Igreja deve se manifestar na estrutura hierárquica do próprio episcopado. Isto logicamente exige daqueles que seriam verdadeiramente ortodoxos a aceitação do Primado Petrino do Papa, que torna concreto o encabeçamento de Cristo, e sua autoridade suprema na Igreja. Se Cristo estiver em verdade, e não meramente verbalmente, a cabeça da Igreja, sua liderança da Igreja visível Militante, não pode ser um assunto puramente espiritual e invisível. Os buscadores da verdadeira Igreja devem ser levados a ver a impossibilidade de o corpo visível da Igreja ficar sem uma suprema cabeça visível, e que um corpo visível sem uma cabeça visível simplesmente não tenha sentido. A verdade é que a liderança de Cristo em toda a Igreja é revelada na autoridade suprema e universal concedida a Pedro e seus sucessores, os Bispos de Roma, considerados no primeiro milênio como o único herdeiro dos privilégios de Pedro como Rocha, portador de as chaves do Reino, confirmador dos irmãos, e pastor principal do rebanho, e, assim, tornado infalível no ensino de fé e moral para toda a Igreja. Por fim, aqueles que consideram deixar a Igreja Católica devem pensar seriamente na malícia do cisma, tantas vezes denunciada pelos Padres da Igreja: “Não há nada mais doloroso do que o sacrilégio do cisma … Começar um cisma da unidade de Cristo, ou estar em cisma, é um imenso mal”. (Santo Agostinho, Contra Cresconium, II.15) Deveria também haver meditação sobre as graves palavras do mais recente Concílio Ecumênico: “O Cristo Único é o Mediador e o Caminho da salvação. Ele próprio afirmou explicitamente a necessidade da fé e do batismo (cf. Mc 16, 16; Jo 3, 5), e assim afirmou, ao mesmo tempo, a necessidade da Igreja que homens entram como através de uma porta e, portanto, não poder ser salvo aquele que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada como necessária por Deus através de Cristo, se recusasse a entrar nela, ou permanecer dentro dela. (Lumen Gentium §14) Tradução: http://www.jameslikoudispage.com/Ecumenic/confront.htm
- Leon Tolstoy e a Igreja Católica
Nos atuais diálogos teológicos católico-ortodoxos, como parte da cena ecumênica contemporânea, o primado da autoridade suprema e da jurisdição universal do Bispo de Roma como Sucessor de Pedro é considerada indiscutivelmente como o maior obstáculo dogmático para a muito esperada reunião das igrejas. Entre os russos e outros ortodoxos eslavos, a eclesiologia “Sobornost” do filósofo e teólogo Alexei Stepanovich Khomiakov (1804-1860) tem sido encarada como uma arma poderosa para a refutação da doutrina católica sobre a infalibilidade do Papa e o papel da Igreja Católica. O papado como o centro de unidade visível da Igreja. No Ensaio clássico de Khomiakov “A Igreja é Una” (provavelmente escrito antes de 1850, mas publicado pela primeira vez em 1864, quatro anos após sua morte) ele tratou a questão da infalibilidade da Igreja de uma maneira original, e sua própria visão provocativa logo se tornaria influente as principais academias teológicas russas. O grande filósofo russo Vladimir Soloviev expôs graves defeitos na eclesiologia de Khomiakov em sua “Rússia e a Igreja Universal”, mas não foi o único gigante literário a fazê-lo. Outro crítico foi o incrédulo Leon Tolstoy. Poucos questionam que o maior romancista do mundo é Leon Tolstoi (1828-1910), conhecido por obras-primas clássicas como “Guerra e Paz”, “Anna Karenina” e “Ressurreição”. O grande compositor russo Tchaikovsky não hesitou em afirmar: “Tolstoi, na minha opinião, é o maior de todos os escritores que o mundo já conheceu”. Como filósofo moral, Tolstói é famoso por suas idéias sobre pacifismo, anarquismo e resistência não-violenta que foram especialmente expressas em seu trabalho “O Reino de Deus está dentro de você” (1893) – idéias que influenciariam tais líderes do século XX como o famoso advogado indiano Mahatma Gandhi, o ministro americano Martin Luther King e a católica Dorothy Day, que leu Tolstoi em sua juventude e foi atraída pelo “idealismo do anarquismo não-violento” (ver “O movimento operário católico: origens intelectuais e espirituais”) por Mark e Louise Zwick – Paulist Press, 2005). Curiosamente, uma característica triste da vida de Tolstoi (ele havia escrito muito sobre casamento e vida familiar, incluindo um trabalho sobre “Felicidade da Família”) foi seu próprio casamento. O escritor inglês A.N. Wilson declararia a vida de casada de Tolstói (ele havia se casado com Sonya Behrs, que lhe deu 13 filhos, seis dos quais morreram jovens) como um dos mais infelizes na história de grandes figuras literárias. Era inevitável que suas visões religiosas e sociais radicais, assim como os conflitos mundanos sobre sua vontade, propriedade e direitos autorais, causassem discórdia com sua esposa e filhos. Sua apostasia do cristianismo tradicional histórico pode ser traçada em uma série de obras: “Minha Confissão” (1879); “Crítica da Teologia Dogmática” (1880); sua própria tradução de 1881 dos Evangelhos, em que ele (como o americano Thomas Jefferson) eliminou todos os milagres de Cristo; “O que eu acredito” (1883-1884); e “O Reino de Deus está dentro de você” (1894). Quando foi excomungado pela Igreja Ortodoxa Russa em 1901, ele respondeu com seu “Apelo ao Clero” de 1902, censurando-os. Já em 1855 ele havia escrito em seu diário: “Uma conversa sobre a divindade me sugeriu uma grande idéia … a fundação de uma nova religião … a religião do cristianismo, mas expurgada da dogmática e do misticismo; uma religião prática que não promete a felicidade futura, mas dá felicidade na terra.” O adogmatismo de Tolstoi (rejeição de todos os dogmas cristãos a serem substituídos pelo humanismo naturalista) levou a um niilismo religioso que influenciaria um grande número de poetas, críticos, romancistas e filósofos russos constituindo uma nova “intelligentsia” que em sua condenação de todo sistema político e socioeconômico russo preparou o caminho para a Revolução Bolchevique radical de 1917. Escrevendo no início da Revolução, o teólogo católico italiano Aurelio Palmieri, versado na literatura teológica russa e no tolstoyismo, escreveu: “O conde Leon Tolstoy tornou-se o legislador, o portador da tocha, ou melhor, da irreligião do adogmatismo. Ele devotou os últimos anos de sua vida a uma guerra implacável contra o cristianismo. Por termos, esforçou-se para deformar o conteúdo e o ensino dos Evangelhos, zombar e repudiar as teses fundamentais da dogmática cristã, lançar a mais violenta invectiva contra o clero, anular ou negar a influência sobrenatural e moral dos sacramentos da vida cristã. A religião de Tolstoi apaga todos os traços característicos da revelação cristã. Sob a pena de Tolstói e seus discípulos, o Cristianismo foi despojado de seu brilho sobrenatural [dando expressão] às tendências anárquicas e místicas da alma russa, … o trabalho sacrílego de Tolstoi foi continuado por uma pequena legião de homens brilhantes que acreditavam que suas canetas fáceis lhes deram o direito de julgar, como censores e críticos, sobre a sabedoria divina do Senhor Crucificado … Tolstói e sua escola promoveu um socialismo radical com tendências anárquicas místicas e imbuído de ódio contra o cristianismo histórico ”. (“A Igreja e a Revolução Russa”, O mundo católico, agosto de 1917; p. 580). Foi seu rival literário Dostoiévski quem viu corretamente que Tolstoi estava promovendo, com efeito, um cristianismo sem Cristo. Além disso, o pensamento religioso de Tolstoi não é sem significação em nosso mundo pós-moderno, que está profundamente infeccionado com a visão da não-resistência ao mal. Desnecessário dizer que a Igreja Católica foi condenada igualmente às igrejas da ortodoxia grega e russa bizantina por suas superstições e “idolatria”. Excetuando a autoridade papal e a infalibilidade, ele observou: “O catolicismo prega algo diferente da Igreja Russa?” Ele considerou ambos como “instituições não apenas estranhas, mas diretamente hostis ao ensino de Cristo”. Para Tolstói, como para muitos protestantes e neo-modernistas hoje, Cristo … “certamente não poderia ter estabelecido a Igreja, isto é, a instituição que agora chamamos por esse nome, pois nada que se assemelhe à nossa concepção atual da Igreja – com seus sacramentos, sua hierarquia e especialmente a reivindicação da infalibilidade – pode ser encontrado nas palavras de Cristo ou nas concepções dos homens de seu tempo … A Trindade, a Mãe de Deus, os Sacramentos, a Graça e assim por diante … não têm significado para os homens de nossos dias … O Sermão sobre o Monte, ou os credos. É impossível acreditar em ambos. ” (em seu “O Reino de Deus está dentro de você”) No entanto, em sua polêmica racionalista contra a divindade de Cristo e em sua negação de que Cristo fundou uma “Igreja institucional” também pode ser encontrado um notável testemunho de Tolstói que realmente favoreceria a visão católica da Autoridade da Igreja contra os “novos teólogos”. que eram seguidores do famoso leigo-teólogo russo Alexei Khomiakov. Esses eslavófilos (o partido de fervorosos nacionalistas russos que eram anti-ocidentais e anti-latinos) eram inflexíveis em manter o que Vladimir Soloviev chamaria de sua “ortodoxia anticatólica”. Com a feroz rejeição da autoridade suprema e universal do Papa, seguiram Khomiakov em vão tentando salvaguardar a infalibilidade da Igreja, difundindo-a na “totalidade da Igreja”. A “definição da Igreja” de Khomiakov baseou-se em sua eclesiologia “Sobornost” enfatizando a Igreja como uma comunhão de amor baseada na conciliaridade (ou colegialidade) de todos os seus membros. Tolstoi percebeu que essa eclesiologia era nova, vaga, obscura e francamente incoerente, e pontuou Khomiakov e sua escola por seu acentuado desvio da compreensão tradicional da infalibilidade da Igreja, mantida tanto por católicos quanto por ortodoxos gregos e russos. “Surpreendentes são as tentativas dos novos teólogos … A fim de encontrar alguns novos suportes para a doutrina da Igreja, Khomiakov e seus discípulos baseiam a definição da Igreja não na hierarquia, mas na união de todos os crentes, na rebanho … A Igreja Católica reconhece como o chefe da hierarquia o Papa e seu desenvolvimento envolveu necessariamente a infalibilidade do Papa. A Igreja grega foi capaz de não reconhecer a infalibilidade do Papa, mas ela teve que reconhecer a infalibilidade da hierarquia em sí. Todas estas Igrejas se mantêm somente pela declaração da infalibilidade de sua hierarquia … É o único fundamento inexpugnável, e eis que esses novos teólogos que desejam destruir esse fundamento único, pensando em substituí-lo por um melhor. Os novos teólogos dizem que a verdade divina não está na infalibilidade da hierarquia, mas na união de todos os crentes, unidos pelo amor; que a verdade divina é acessível apenas aos homens unidos pelo amor, e que tal Igreja é definida apenas pela fé e união no amor e pelo acordo de seus membros. Esse raciocínio é excelente em si mesmo. Infelizmente, não se pode deduzir nenhum dos dogmas que a teologia professa. Esses teólogos esquecem que, para aceitar qualquer dogma, é necessário reconhecer a tradição sagrada que é claramente explicada nos decretos de uma hierarquia infalível. Se alguém renuncia à infalibilidade da hierarquia, não pode mais afirmar nenhum dogma e não resta uma única proposição que possa unir todos os crentes. A afirmação desses teólogos que pretendem reconhecer decretos que expressam a fé de todos os cristãos não divididos, mas negam os decretos de cristãos dissidentes – é bastante inexata, pois nunca houve a união completa de todos os cristãos … A união dos crentes no amor é uma concepção geral sobre a qual nenhuma crença ou dogma comum a todos os cristãos pode ser baseada. O resultado é que o trabalho dos “novos teólogos”, se são verdadeiramente lógicos, resulta na destruição do fundamento único e fundamental da Igreja, a infalibilidade da hierarquia. E em seu lugar resta apenas uma concepção mística da qual não pode nascer nenhuma crença, muito menos uma religião “. (“Crítica da Teologia Dogmática” edição francesa, 1909). Tolstoi percebeu que a revisão da doutrina da infalibilidade da Igreja pelos eslavófilos russos, que em suas polêmicas contra os católicos procuravam difundir a autoridade docente (e, portanto, a infalibilidade) da Igreja entre todos os crentes, apenas ridicularizava a própria autoridade da Igreja. Ele teve a percepção de observar que todo dogma cristão dependia, em última análise, da infalibilidade da Igreja, e que a unidade indivisa do Episcopado, aclamada pelos Padres da Igreja, era ininteligível sem o papado. Além disso, se Cristo tivesse de fato fundado uma Igreja infalível, essa Igreja deveria portar sinais externos identificando a única Igreja histórica que possuía a infalibilidade de seu Divino Fundador. Nas palavras de Tolstói: “A definição de Khomiakov da Igreja, que tem alguma voga entre os russos, não melhora as coisas, se reconhecermos com Khomiakov que os ortodoxos são a única Igreja verdadeira … Se admitirmos a idéia de uma Igreja no sentido de Khomiakov – isto é como assembléia de pessoas unidas em amor e verdade – então tudo que qualquer homem pode dizer desta assembléia é que é muito desejável ser um membro dela se existir, isto é, habitar em amor e em verdade; mas que não há sinais externos pelos quais alguém possa prestar contas a si mesmo ou a qualquer outra pessoa, membro ou excluído dessa assembléia sagrada, uma vez que nenhuma instituição externa pode corresponder a essa concepção “. (em seu “O Reino de Deus está dentro de você”) Tolstoy rejeitou o próprio conceito de uma Igreja visível infalível, mas aqueles ortodoxos que procuravam preservar a infalibilidade do episcopado da Igreja eram suficientemente perspicazes para apreciar a coerência orgânica e a consistência lógica da posição católica de que era a posse da Igreja do ministério petrino do papa que forneceu um sinal externo ou uma marca visível servindo para identificar claramente a hierarquia única dos bispos que transmitiam sem falhas através dos séculos a Fé ortodoxa pelo poder do Espírito Santo [o dom de infalibilidade do Espírito]. É irônico que Leon Tolstoi, um incrédulo racionalista, tenha notado o calcanhar de Aquiles da teologia protestante e democratista Sobornost de Khomiakhov, que invalidou a infalibilidade da Igreja ensinadora. Ao fazê-lo, ele repetiu o pensamento daqueles russos (como Vladimir Soloviev e a princesa Isabel Volkonskaya) e outros ortodoxos em busca de união com Roma que rapidamente perceberam que os elementos positivos de “Sobornost” (conciliaridade / colegialidade) não eram apenas conciliáveis com o papado mas de fato exigia a autoridade suprema do Papa para sua eficácia na vida da Igreja. Como o Concílio Vaticano II ensinaria com tanta clareza, não há colegialidade de bispos sem a união hierárquica deste último com o Romano Pontífice, a cabeça visível da Igreja estabelecida por Cristo (ver “Lumen gentium”, # 21- 23 e sua nota explicativa, nº 3). Tradução: http://www.jameslikoudispage.com/Ecumenic/ltolstoy.htm
- Resposta a um Católico Lapso, Agora Ortodoxo Oriental
Meu artigo “Apologética, o papado e a ortodoxia oriental” atraiu a ira do ex-católico Joseph Suaiden. O Sr. Suaiden é identificado em seu site como um católico hispânico que uma vez freqüentou igrejas católicas bizantinas e depois veio a acreditar de maneira tola que “o cristianismo no Ocidente deixou de existir”. 1.) Ele se declara ofendido pela “comparação da Ortodoxia Oriental ao Protestantismo”, encontrada em meu artigo. Isto é intrigante em vista do fato de que tanto o Protestantismo quanto a Ortodoxia Oriental têm sua origem na desobediência e discordância do ensino sobre o Primado Petrino (o Papado) que foi livremente reconhecido na Igreja por aqueles que seriam cristãos ortodoxos durante o Primeiro milênio (e antes do patriarcado de Constantinopla decidir separar-se da unidade visível da Igreja Católica). Também foi admitido na Igreja Ocidental por 1.500 anos antes de Martinho Lutero lançar seus versos contra o Papa como o Anticristo. O Sr. Suaiden observa orgulhosamente que o animus anti-romano de Marcos de Éfeso é anterior às teses de Martinho Lutero “por cerca de um século”, mas seu comentário apenas reforça meu argumento de que esses protestos foram apresentados pelo bispo de Éfeso que liderou o repúdio ao Concílio de Reunião de Florença (1439) ou por Martinho Lutero – apenas demonstra que o mesmo tipo de rebelião ocorreu contra a autoridade suprema da Igreja estabelecida por Cristo na Sé de Pedro. Protestantes são aqueles que protestam contra a supremacia papal instituída por Cristo. Ortodoxos orientais que se engajam na mesma contestação e negação de uma jurisdição universal pelo Papa sobre toda a Igreja traem o mesmo “complexo anti-romano” que está no cerne de todo cisma e heresia. Se os protestantes são “filhos desobedientes de Roma”, como o Sr. Suaiden admite, os dissidentes bizantinos das igrejas ortodoxas orientais que precederam Martinho Lutero por alguns séculos em sua rejeição à Primazia Romana, também devem ser vistos como “filhos desobedientes de Roma” por romper a comunhão com a Sé de Roma, que Santo Inácio de Antioquia, já no século II, declarou “presidir em amor”, isto é, sobre toda a Igreja. Aquele grande padre grego da Igreja, São Gregório Nazianzo, ecoou os mesmos sentimentos a respeito da Sé de Roma em sua “Carmen de Vita Sua” (382 dC), onde escreveu: “Com relação à fé que eles defendem, a antiga Roma manteve um curso reto desde a antiguidade, e ainda assim o faz, unindo todo o Ocidente pelo ensino sadio, como é justo, já que ela preside a todos e protege a harmonia divina universal.” 2.) O Sr. Suaiden declara-se “perplexo” com as acusações feitas por mim e por outros autores católicos de que houve e há tendências protestantes no pensamento ortodoxo oriental. O recente livro “O Papado é Heresia” do Arquimandrita Cyril Kostopoulos (Patras 1996 e publicado em uma tradução inglesa no Canadá) foi elogiado pelo atual Arcebispo de Atenas, Christodoulos. Sua visão da infalibilidade do papa como “demoníaca”, e do papado como “uma heresia e até mesmo a maior heresia” faria justiça às invectivas de um Martinho Lutero que similarmente via o ministério petrino do Sucessor de Pedro como “um invenção do diabo “e como o próprio anti-Cristo. No meu artigo eu citei o famoso Conde José de Maistre do séc XIX, que viveu como diplomata na Rússia por muitos anos e que foi atingido pelo espírito similar em evidência entre os mais fanáticos protestantes e dissidentes bizantinos, não importando as outras diferenças dogmáticas existentes entre eles. O Sr. Suaiden pode achar o fato desconfortável, mas em sua resistência histórica à Primazia Petrina, os dissidentes bizantinos e os hereges protestantes realmente provaram ser “primos” espirituais. Aqui eu dou a citação mais completa de De Maistre: “O russo está separado da Santa Sé; isso é suficiente para o protestante, que vê nele apenas um irmão – outro protestante; todos os dogmas são nulos, com exceção do ódio a Roma. Esse ódio é o único empate universal entre todas as Igrejas separadas “. (em seu celebrado trabalho “Du Pape”, Livro IV, Capítulo I). O Sr. Suaiden ficaria menos perplexo se estivesse mais familiarizado com a literatura abundante que demonstrava que a literatura polêmica protestante contra a Igreja Católica exercia uma importante influência sobre os teólogos gregos e russos, inflamando uma animosidade já existente em relação aos Papas de Roma. A rejeição em 1485 por um Concílio de Constantinopla do Concílio da Reunião de Florença testemunhou um violenta animus contra os papas e os odiados latinos. O próprio Lutero apelou para as igrejas orientais separadas em apoio à sua rejeição da supremacia papal. O erudito luterano Ernst Benz chegou a notar em seu livro “A Igreja Ortodoxa Oriental”, que a abolição do patriarcado de Moscou por Pedro, o Grande, estabeleceu uma nova constituição sinodal para a Igreja Russa segundo o modelo das igrejas territoriais protestantes alemãs havia sido sugerida pelo luterano alemão Samuel von Pufendorf. Ele também escreveu como “tanto as igrejas ortodoxas russas quanto as gregas se aproximaram particularmente do protestantismo alemão durante o auge do pietismo”. Depois da União de Brest-Litovsk (1596) que reconciliou milhões de ucranianos e rutenos com a Santa Sé, “numerosos jovens teólogos ortodoxos frequentaram universidades protestantes na Alemanha, Suíça e Inglaterra, já que não havia academias ortodoxas nos países ortodoxos sob o domínio turco. ” Outros autores notaram a influência da teologia calvinista no séc XVII. A “ortodoxia” grega é exemplificada nos escritos do herético patriarca calvinista de Constantinopla, Cirilo Lucaris. Tal calvinismo com seu espírito anti-romano militante persistiria após a condenação de Lucaris por um Sínodo de Constantinopla (1638), o Sínodo de Jassy (1642) e um Sínodo de Jerusalém (1672). Essa influência calvinista permaneceria entre os discípulos de Lucaris, Metrofánes Critopoulos, Zacárias Gerganos, Teófilos Corydalleus, Maximos Callipolita e João Carophyllos. Não é difícil traçar a origem da polêmica ortodoxa dirigida contra o ensino católico sobre o pecado original, pecado mortal e venial, graça, purgatório, indulgências e transubstanciação a tais influências. Infelizmente, tais influências continuaram até nossos dias, como assinalei com referência específica aos escritos de Clark Carlton, um pastor evangélico protestante que se tornou um ortodoxo oriental. Seja qual for a oposição doutrinal e pedagógica da Igreja Católica ao protestantismo e ao cisma greco-russo bizantino, a duradoura amargura e ódio conjunta registrada em relação ao papado e à Igreja Católica por seus inimigos declarados, isto é, os polemistas protestantes e ortodoxos mais intransigentes, permanece um fenómeno histórico absolutamente extraordinário. Justifica plenamente a observação de G. K. Chesterton (que eu havia citado) a respeito do “halo de ódio” único que cerca a Igreja Católica e serve para identificá-la como a verdadeira Igreja de Deus. Como seu Divino Mestre, a Igreja Católica é e sempre será um “Sinal de Contradição” para aqueles que seriam seus inimigos. O protesto do Sr. Suaiden que “a comparação entre a Ortodoxia Oriental e o Protestantismo tem pouco peso” foge do ódio comum a Roma e ao “romanismo”, que é muito prevalente nos escritos dos polemistas protestantes e ortodoxos orientais. Felizmente, essa atitude não é verdadeira entre os milhões de ortodoxos orientais que são simpáticos às esperanças ecumênicas da Reunião das Igrejas. Mas extremistas como o Sr. Suaiden continuam a denunciar a “heresia ecumênica” e se encontram em desacordo com os prelados ortodoxos engajados em diálogos ecumênicos. Em vista de sua atitude expressa em relação à “heresia ecumênica”, é legítimo perguntar como sua “posição ortodoxa” seria considerada pelas “cabeças das igrejas autocéfalas”. Quem são os verdadeiros “ortodoxos”? Aqueles que concordam com as opiniões doutrinárias do Sr. Suaiden como um “Vétero-Calendarista”, ou melhor, aqueles que declaram “Vétero-Calendaristas” cismáticos e heréticos? 3) Recebo críticas por “tentar provar alegações papais em uma estrutura ortodoxa”. – <<< eu sou culpado >>> – Quaisquer elementos positivos que existam na eclesiologia Ortodoxa Oriental levam diretamente a uma profissão católica de fé nas prerrogativas divinas do Sucessor de Pedro como cabeça visível da Igreja Militante e da Rocha de todo o Episcopado visível, que sucede ao lugar dos Apóstolos. Isto foi demonstrado para todos que leram em meus dois livros, “Acabando com o cisma grego bizantino” e “O Divino Primado do Bispo de Roma e a Ortodoxia Oriental Moderna: Cartas para um Ortodoxo Grego”. O Sr. Suaiden reclama que meu artigo “não dá Padres” para verificar meus comentários sobre a Primazia Papal. Encaminho ele e seus leitores aos meus dois livros que contêm os notáveis testemunhos de padres, doutores e santos aos Papas, exercendo uma Primazia da Jurisdição Universal sobre toda a Igreja, Oriental e Ocidental. O Sr. Suaiden pode não acreditar, mas os antigos Padres e Concílios acreditavam que a primazia papal era uma característica da antiga Igreja hierárquica e estava enraizada nas poderosas palavras do próprio Cristo ao chefe dos Apóstolos, Pedro. A Igreja Católica sempre reconheceu que as Igrejas Orientais separadas, pela Providência de Deus, retiveram quase toda a fé ortodoxa em sua integridade (quaisquer que sejam as negações de teólogos individuais ou Concílios e Sínodos locais), mas também professou que a plenitude da ortodoxia só pode ser encontrada onde a fé indefectível de Pedro é salvaguardada pela Sé de Pedro. Somente a Igreja Católica mantém a unidade visível da Igreja como entendida na antiga igreja patrística. Não pode haver plenitude da ortodoxia sem o Papa, e essa é a evidência de toda a história da Igreja durante o primeiro milênio, quando várias heresias foram sucessivamente apoiadas por centenas de bispos. Foi apenas comunhão com a Sé de Pedro que preservou a ortodoxia no Oriente quando patriarcas e bispos caíram em heresia. O Sr. Suaiden diverge muito da Tradição e do “consenso dos Padres”, mas escolhe ignorar totalmente o simples fato de que uma “Igreja indivisa” só faz sentido histórico onde o Episcopado da Igreja permanece “único e indiviso” (como São Cipriano ensinava)1 por causa de sua “solidez” com a Sé de Pedro, que preside a comunhão das Igrejas que compõem a Igreja Católica. Eu desafio o Sr. Suaiden a citar um Padre da Igreja que declarou que a quebra da união com a Sé de Roma era necessária para preservar a plenitude da fé ortodoxa! O Sr. Suaiden apela ao “consenso dos Padres” sobre o que é ortodoxo em relação à Primazia Romana. Vamos então nos referir aos Padres do século IV a respeito dela. Em 382 dC, um Concílio de Roma no pontificado do Papa Dâmaso escreveu o seguinte: “.. Embora todas as igrejas católicas difundidas em todo o mundo sejam apenas uma Câmara nupcial de Cristo, a Santa Igreja Romana foi colocada diante das demais por nenhum decreto conciliar, mas obteve a Primazia pela voz de Nosso Senhor e Salvador em o Evangelho: ‘Tu és Pedro e sobre esta Rocha … serás desligado nos céus.’ … A primeira Sé do Apóstolo Pedro é, portanto, a Igreja Romana, ‘não tendo mancha ou ruga ou qualquer coisa semelhante’. Mas a segunda Sé foi consagrada em Alexandria, em nome do abençoado Pedro, pelo seu discípulo Marcos, o evangelista … E a terceira Sé do mais abençoado Pedro está em Antioquia … ” Deixaremos o Sr. Suaiden resolver um ensino tão claro a respeito do estabelecimento do encabeçamento do Primado Petrino na Igreja por Nosso Senhor, com a negação da Ortodoxia Oriental de Sua Obra. 4.) O Sr. Suaiden afirma que “nenhum Padre da Igreja ensina claramente que São Pedro era o ‘pastor chefe de todo o rebanho'”. Encaminho-o ao testemunho de Astério, bispo de Amasea em Pontus como típico de muitos padres: “Homilia 8 sobre os principais apóstolos Pedro e Paulo”: “Para que Ele possa mostrar Seu poder, Deus não deu a nenhum de seus discípulos dons como Pedro. Mas, tendo-o criado com dons celestiais, Ele o colocou acima de tudo. E, como primeiro discípulo e maior entre os irmãos, ele Demonstrou, pelo teste das obras, o poder do Espírito … O Salvador confiou a esse homem, como uma especial confiança, toda a Igreja universal, depois de ter perguntado três vezes: “Tú me amas?” E ele recebeu o mundo no comando, como um rebanho e pastor, tendo ouvido: “Apascenta os meus cordeiros”, e o Senhor deu, bem perto de si, o mais fiel discípulo aos prosélitos como pai, pastor e instrutor. ” Pode-se dizer que o dito acima ecoa o ensinamento do mais famoso São João Crisóstomo: “Ele [Pedro] foi o escolhido dos apóstolos, a boca dos apóstolos, o líder do bando … Jesus colocou em suas mãos a autoridade principal entre os irmãos … Pois aquele quem não ousou questionar Jesus, mas concedeu o ofício a outro, foi até mesmo incumbido da autoridade principal sobre os irmãos, e não apenas não apenas autorizou para outro o que se relaciona consigo mesmo, mas ele próprio agora coloca uma pergunta ao seu Mestre a respeito do outro. João fica quieto, mas Pedro fala … porque Pedro amou João grandemente … Quando, portanto, Cristo predisse coisas grandes para ele, e entregou o mundo a ele, e falou de antemão de seu martírio, e testificou que seu amor era maior do que todos os outros. “(Hom. 88 em St. John). O Sr. Suaiden talvez preste atenção também às palavras de São Epifânio, escrevendo em “Contra as Heresias” (372 A.D.) e descreven São Pedro como: “os mais importantes [koryphaiotatos] dos apóstolos, que em um estágio negaou o Senhor, tornou-se para nós, na verdade, uma rocha sólida, sustentando o peso da fé do Senhor …” 5.) O Sr. Suaiden afirma precipitadamente que “a polêmica [ortodoxa oriental] contra o papado não é mais que uma história objetiva”. Não é mais “objetivo” do que a inútil polêmica de escritores como o arquimandrita Cyril Kostopoulos, que declara que a primazia de Pedro é um “mito”, a “teologia do papado é demonologia” e que os sacramentos católicos são “inválidos” como “desprovidos da graça divina”. (Veja seu livro “O Papado é Heresia”, páginas 2, 40, 80, etc.) Alguém se pergunta se o Sr. Suaiden se sente à vontade com seus companheiros religiosos declarando que “O Papado não é uma Igreja válida; não tem Sucessão Apostólica”. seus sacramentos são inválidos “. (Ibid., P. 2) Se ele está confortável com tais afirmações, ele claramente não compartilha a mesma fé que aqueles ortodoxos que veementemente negam tais conclusões extremas. 6.) Sr. Suaiden torce os fatos sobre São Cipriano e o Papa São Gregório Magno. Ambos são acusados de repudiar a idéia de supremacia papal, assim como o papa é “o único Bispo” da Igreja. São Cipriano nunca repudiou a primazia da Igreja Romana; ele até pediu ao papa que depusesse bispos hereges (um fato que refuta a idéia simplista de “a plena igualdade de todos os bispos”). Foi São Cipriano (3ª Séc.), além disso, que escreveu ao Papa Cornélio denunciando aqueles que “levam cartas de pessoas cismáticas e profanas à cátedra de Pedro, e à igreja principal [Roma] de onde a unidade do sacerdócio tomou sua ascensão “. (Epístola 59). Além disso, nenhum papa estava mais convencido de sua primazia da jurisdição universal na Igreja do que o papa Gregório, o Grande, que escreveu: “Quanto ao que eles dizem da Igreja de Constantinopla, quem duvida que ela esteja sujeita à Sé Apostólica? Esta é constantemente propriedade do mais piedoso Imperador e de nosso irmão e bispo daquela cidade.” (Lib. IX, Ep. 12) Em outra carta ele declarou: “Se alguma falha é encontrada entre os bispos, eu não conheço ninguém que não esteja sujeito a ela [a Sé Apostólica]; mas quando nenhuma falta exige o contrário, todos são iguais de acordo com a estimativa da humildade”. (Lib. IX, Ep. 59) Ambos os santos são acusados de repudiar o papa como “o único Bispo” da Igreja. Nenhum Santo ensinou tal absurdo, nem a Igreja Católica ensina hoje que o Papa é “o único Bispo” da Igreja. O papa é um bispo entre muitos na Igreja. Ele é o Bispo de Roma, mas como Sucessor de Pedro, ele também é o Bispo Principal e Primaz de toda a Igreja. Ele não é tem diferença nas ordens, mas sim na jurisdição. Sua jurisdição é universal como condizente com a cabeça visível da Igreja na Terra, enquanto a jurisdição de todos os outros bispos é limitada territorialmente. 7.) O Sr. Suaiden escreve que “a Ortodoxia não tira o Vicariato de Cristo de um bispo, mas o atribui a todos os Bispos”. É verdade, como lemos na “Confissão de Fé” (1640) do Metropolita Pedro Mohila, que todos os Bispos são representantes ou “vigários de Cristo”, mas o “Vicariato de Cristo” não pode consistir de todos os Bispos terem autoridade igual e exercer uma autoridade igual na Igreja, porque quando divisões dogmáticas ocorrem entre eles (como heresias surgem), torna-se impossível saber qual grupo de bispos pode ser determinado a permanecer como os legítimos professos apostólicos da Igreja, ainda aderindo à fé ortodoxa. . Deve haver uma autoridade suprema na Igreja que possa resolver conflitos doutrinais e controvérsias entre bispos e patriarcas. A história da Igreja nos primeiros mil anos mostra uma autoridade suprema funcionando na Igreja e reconhecida pelos bispos e Concílios como tal, e que tem sido a Primazia Romana exercida pelo Bispo de Roma que como “pastor de toda a Igreja” é preeminentemente intitulado ser chamado de Vigário de Cristo (como o Concílio Vaticano II faz em Lumen gentium, n. 22). Mais uma vez, é importante chamar a atenção para o fato (aludido por São Cipriano) de que a única maneira de ” provar que o episcopado é único e indiviso “é se há, de fato, um centro de unidade visível na Igreja para todos os Bispos aderirem na comunhão de uma fé. A história da Igreja não conhece outro centro de unidade para a Igreja do que a Sé de Roma e seu ocupante, o Sucessor de Pedro na primazia da autoridade conferida ao apóstolo chefe pelo Senhor. 8.) Levaria muito tempo para lidar adequadamente com os outros comentários do Sr. Suaiden. Deixe o seguinte, no entanto, bastar: a.Sua afirmação de que a doutrina do “Filioque” cheira à heresia “modalista” é errônea. Além disso, o Concílio de Florença não “atrapalhou a delicada distinção entre ‘do Filho’ e ‘através do Filho'”. Pelo contrário, ensinou claramente – de acordo com a tradição patrística – que a fórmula grega “através do Filho” tinha o mesmo significado que a fórmula latina “do Filho” – isto é, fazendo referência à processão eterna do Espírito Santo, não a missão temporal do Espírito Santo (como alegou erroneamente o patriarca Fócio). b.Sua afirmação de que “[os ortodoxos orientais] têm pouco mais em comum [com o catolicismo romano], exceto a adesão formal ao ritual”, é mera bobagem. c.Ele escreve que eu não expliquei “por que a acusação contra a ortodoxia do cesaropapismo é justificada”. Não havia necessidade de fazê-lo em um breve artigo. Ele só tem que ler os escritos dos principais teólogos ortodoxos: J. Meyendorff, A. Schmemann e o bispo Kallistos Ware para ver a justificativa do prejuízo causado às igrejas orientais pelo despotismo dos imperadores bizantinos, dos czares russos e da sujeição servil aos governantes temporais dos estados nacionais. Como observa o Bispo Kallistos, “a triste confusão entre a ortodoxia e o nacionalismo” continua até os dias atuais. d.Ele recorre à autoridade do arcebispo John Maximovitch (1966) para justificar a rejeição da doutrina católica da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. É o mesmo Arcebispo, no entanto, que negou “a completa ausência de pecado da Mãe de Deus” e “também o ensinamento de que Ela foi preservada pela graça de Deus do pecado pessoal”. Além disso, de acordo com o bispo russo, embora a Santíssima Virgem tenha sido declarada pelo Arcanjo “cheia de graça”, ela “não foi colocada no estado de ser incapaz de pecar” (ver o livreto “A Veneração Ortodoxa da Mãe de Deus”. “, 1978, páginas 44-45). Estes comentários merecem uma consideração mais completa, mas é suficiente aqui dizer que tais afirmações contradizem a antiga veneração da Abençoada Virgem Maria na piedade bizantina como a “Mãe Santíssima de Deus”. Além disso, elas não podem ser reconciliadas com as palavras da Liturgia Bizantina declarando que ela é “mais honrosa do que os Querubins e incomparavelmente mais gloriosa do que os Serafins, [e que] sem mancha de pecado, que gerou Deus, o Verbo; e, em verdade, a mãe de Deus, nós magnificamos “. Há muito na tradição bizantina para indicar que a Theotokos foi realmente santificada no momento em que sua alma foi criada por Deus. e.Meus comentários sobre o Purgatório não tinham nada a ver com a noção bizarra de “Casas de Pedágio” demoníacas (que tem apenas uma semelhança superficial com a noção católica do Purgatório). Defendida por escritores ortodoxos como Seraphim Rose, essa teoria do pós-vida sustenta que demônios em pedágios ou “locais de retenção” interrogam almas em seu progresso através do reino aéreo, e ao julgar aqueles que são dignos do inferno, os colocam no inferno. Os salvos são aqueles que sobrevivem a esse estranho julgamento de um exame demoníaco. Outros escritores ortodoxos declaram corretamente que essa teoria selvagem dos Pedágios é um remanescente da antiga heresia gnóstica, mas os escritores da Igreja Ortodoxa Russa consideram essa teoria como dogma constitutivo! Há confusão entre os teólogos ortodoxos orientais sobre a vida após a morte. Alguém pode se perguntar, por exemplo, se o Sr. Suaiden concorda com o Padre. Michael Azkoul, que escreveu: “nenhuma alma entra nem na Gehenna nem no céu até o Juízo Final”. Concluo com as observações de que o Sr. Suaiden caricatura as doutrinas católicas e que suas críticas ao meu artigo não têm mérito. Minha oração é que ele não tente mais defender o que é essencialmente uma “ortodoxia não histórica” e que ele retorne à Igreja Católica que Nosso Senhor fundou para a salvação de todos os homens, e cujo magistério autoritário é o único garantidor da ortodoxia em fé e moral.E que a intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe apresse seu retorno ao rebanho que Nosso Senhor confiou a Pedro e seus Sucessores. Tradução: http://www.jameslikoudispage.com/Ecumenic/eocritic.htm
- O primado do papa como vista na dissidente Bizâncio por Simeão de Tessalônica (1416/7 – 1429)
Reconhecer que a primazia do papa é o maior obstáculo dogmático para a reunião das Igrejas Católica e Ortodoxa, o estudioso grego-ortodoxo Demetrios Bathrellos chamou a atenção para a visão do dissidente arcebispo bizantino do século 14 em Tessalônica, que manteve essa sé por cerca de 20 anos. Isso ele faz em um artigo, “São Simeão de Tessalônica e a Questão do Primado do Papa”, que apareceu em Sobornost, vol. 30 (2008), e que merece ser levado à atenção dos ecumenistas católicos. Observando que Simeão foi canonizado pela Igreja da Grécia e pelo Patriarcado Ecumênico de Constantinopla em 1981, e recebeu fama por algumas obras impressionantes sobre a Liturgia Bizantina; Simeão também escreveu um valioso trabalho doutrinário, “Diálogo em Cristo contra todas as heresias” (ver Migne em Patrologia Graeca, 155-176). É nesse trabalho que ele trata a questão da primazia do papa. O professor Bathrellos observou que dois estudiosos católicos, o assuncionista Martin Jugie e o bizantino tcheco Francis Dvornik, haviam tratado anteriormente a visão de Simeão da primazia romana, notando uma certa convergência com a doutrina católica. Ao admitir francamente a “forte compreensão do primado do papa” por Simeão ele procura colocá-lo “adequadamente dentro do contexto da teologia ortodoxa bizantina, em geral, e dos outros escritos do santo”. O problema com essa abordagem é que o contexto da “teologia ortodoxa bizantina” ao qual ele apela é o dos desvios de doutrina pós-1054, ocorrendo entre os bizantinos, o que levou ao cisma formal com a Sé Apostólica de Roma, “chefe da todas as Igrejas de Deus “(profissão de fé do Imperador Justiniano que enviou ao papa João II em 533 dC). Bathrellos relata seis pontos que ele diz “apóiam a afirmação de que São Simeão tinha uma forte compreensão da primazia do papa”. Simeão: 1.”reconhece a primazia de Pedro entre os apóstolos … Pedro mostrou ser o cabeça dos apóstolos e foi ordenado pastor do rebanho de Cristo”; 2.”argumenta que Pedro foi um papa de Roma”; 3.”o papa é o sucessor (exclusivo) de Pedro … por exemplo, Clemente foi o sucessor de Pedro em Roma”; 4.”toma como certo que Roma tem precedência sobre Constantinopla. Roma ocupa o primeiro lugar, Constantinopla segundo … com referência aos cânones relevantes de Constantinopla e Calcedônia”; 5.”faz pouco uso da lenda segundo a qual o apóstolo André ordenou o primeiro bispo de Constantinopla … uma história usada por alguns bizantinos para argumentar que Constantinopla tem precedência sobre Roma”; 6.e “o Papa é o primeiro e chefe de todos os bispos”. Em seguida, segue esta fascinante citação, que havia sido previamente notada pelos estudiosos católicos: Quando os latinos dizem que o bispo de Roma é o primeiro, não há necessidade de contradizê-los, pois isso não pode prejudicar a Igreja. Eles devem apenas mostrar que ele tem a mesma fé que Pedro e seus sucessores … e que ele possui tudo o que veio de Pedro, então ele será o primeiro, o chefe e chefe de todos, o supremo sumo sacerdote … essas qualidades foram atribuídas aos patriarcas de Roma no passado. Diremos que sua Sé é apostólica, e quem a ocupa é dito ser o sucessor de Pedro, desde que professe a verdadeira fé. Ninguém que pensa e fala a verdade ousaria negar isso. Pois se o Bispo de Roma professasse apenas a fé de Silvestre, Agatão, Leão, Libério, Martinho e Gregório, nós o proclamaríamos primeiro entre todos os outros sumos sacerdotes, e nos submeteríamos a ele não simplesmente a Pedro, mas ao Salvador em pessoa. Mas se ele não é sucessor na fé desses santos, nem ele é o sucessor do trono. Não só ele não é apostólico, nem é o primeiro, nem o pai, mas é um adversário e devastador e inimigo dos apóstolos. (As palavras destacadas são deixadas de fora na citação do autor). É interessante que nosso erudito ortodoxo grego seja obrigado a admitir a “aceitação sincera da primazia do papa por parte de Simeão. Esse fato é, em si, bastante notável”. É duplamente assim, dada a ferrenha oposição de Simeão às “heresias” doutrinárias e litúrgicas latinas, especialmente ao filioque e ao uso do pão ázimo (sem fermento) para a Eucaristia. Bathrellos observa significativamente que: o que São Simeão diz não é de modo algum compartilhado por todos os teólogos bizantinos. Alguns contestaram que Pedro desfrutou de qualquer tipo de primazia entre os apóstolos. Outros distinguiam entre apóstolo e bispo, e argumentavam que Pedro, sendo um apóstolo, não poderia ter sido ao mesmo tempo um bispo de Roma. Outros negaram que o papa seja o sucessor exclusivo de Pedro. Outros ainda argumentaram que Constantinopla é superior a Roma, porque André, seu suposto fundador, foi o primeiro chamado discípulo. Argumentou-se ainda que o Cânon 28 de Calcedônia poderia ser interpretado como dando a Constantinopla, a Nova Roma, exatamente os mesmos privilégios que a Antiga. São Simeão não aceita nenhuma dessas afirmações … A meu ver, não há dúvida de que São Simeão aceita de todo o coração um certo tipo de primazia do papa, sendo mais positivo em relação a Roma do que muitos teólogos bizantinos e eclesiásticos da Igreja no segundo milênio. Isso é um eufemismo, dada a inumerável polêmica vitriólica escrita contra o papado desde que Simeão escreveu no século XV (antes do Concílio da Reunião de Ferrara-Florença, em 1439, e da queda de Constantinopla, em 1453, para os turcos otomanos). Os católicos recordam que a Encíclica do Patriarca Ântimo de 1895 e 12 do seu Sínodo em Constantinopla responderam ao nobre apelo do Papa Leão XIII pela reunião com uma série de queixas pueris e à alegação de que “a ação apostólica de Pedro em Roma é totalmente desconhecida da história” ” Bathrellos comenta que Simeão estava disposto a “conceder tanto quanto qualquer ortodoxo possivelmente pudesse à idéia latina de primazia papal. Esse santo mais humilde considerava o obstáculo da primazia como de modo algum insuperável”. Ele acrescenta que “muitos bizantinos do seu tempo deram como certo que o filioque era um problema muito maior do que a primazia papal”. Ele notou ainda que 10 anos após sua morte, as discussões no Concílio Florentino deixaram claro que o filioque era considerado um obstáculo dogmático mais importante do que a questão da primazia papal. É interessante que os pontos de vista de Simeão sobre a primazia papal pareçam ser substancialmente os dos teólogos ortodoxos mais ecumênicos de hoje que expressam disposição para aceitar uma forma de primazia papal. Tal primazia não seria de autoridade e jurisdição universal EX JURE DIVINO, mas sim de um papa restaurado em sua antiga primazia de honra. Ele funcionaria como primaz da Igreja, desempenhando um papel de coordenação e como um tribunal de última instância, regulado por cânones que expressam o consentimento conciliar das Igrejas orientais e ocidentais. Este também parece ser o impulso do documento de Ravenna produzido em outubro de 2007, pela Comissão Internacional Conjunta para o Diálogo Teológico entre as Igrejas Católica e Ortodoxa. O documento de Ravena, no entanto, foi rejeitado pela Igreja Ortodoxa Russa, cujo porta-voz (Arcebispo Metropolitano Hilarion Alfeyev, chefe do Departamento do Patriarcado de Relações Externas da Igreja de Moscou) observou que os ortodoxos “permanecem internamente divididos sobre a questão da primazia e sobre o que deveria ser o papel do ‘primeiro hierarca’ na Igreja. ” Por sua parte, os funcionários do Vaticano observaram que ainda existem “diferenças de entendimento em relação à maneira pela qual a primazia deve ser exercida, e também em relação aos seus fundamentos bíblicos e teológicos”. É claro que a eclesiologia ortodoxa, representada por Simeão de Tessalônica no século XV (ou pelos principais prelados e teólogos ortodoxos em nossos dias), carece de clareza, precisão e coerência em relação à autoridade na Igreja. Simeão é encontrado em óbvia contradição com as opiniões de outros ortodoxos, do passado e do presente, sobre a primazia romana. Mais seriamente, ele é encontrado por contradizer a importância da Escritura e Tradição em relação à primazia petrina estabelecida para a Sua Igreja por Cristo. Por exemplo, ao afirmar que a Rocha em Mateus 16:18 foi a confissão de Pedro na divindade de Cristo, e não a pessoa de Pedro, Simeão contradiz antigos Padres, Santos e Papas. A propósito, sua principal tese (derivada dos escritos de seu antecessor em Tessalônica, Neilos Cabasilas), de que a Velha Roma perdera toda a primazia que tinha quando se tornou herética por causa de inovações como ázimos e filioque, voa em face de o testemunho da “Igreja indivisa” do primeiro milênio, ou seja, que Cristo havia estabelecido a primazia petrina precisamente para preservar a unidade visível da Igreja. Agraciado pelo Espírito Santo com os dons de indefectibilidade e infalibilidade, a Sé Romana de Pedro não pode deixar de professar a fé ortodoxa da única Igreja Católica. As “Portas do Inferno” não podem prevalecer contra aquela Sé Apostólica, pois é a Sé do Homem-Rocha. Este é, aliás, o testemunho indiscutível sobre o alcance de sua primazia pelos próprios papas invocados por Simeão. Esse escopo excedeu, de longe, “uma certa primazia do papa” que foi totalmente aceita por um arcebispo grego bizantino de Tessalônica no século XV. Outro teólogo grego bizantino, um proeminente unionista do século 15, o dominicano Manuel Calecas (+1410), pode ser dito ter colocado a melhor causa para a reunião das Igrejas: “Sempre houve entre nós, homens de ensino superior, que condenaram nossa separação da Igreja de Roma como extremamente tola e em desacordo com a fé e o ensino de nossos ancestrais.” Tradução: http://www.jameslikoudispage.com/Ecumenic/symethessa.htm
- Testemunho da Primazia do Romano Pontífice por um Prelado Ortodoxo Russo do Séc. XVII
A revista ecumênica ISTINA publicada pelos dominicanos franceses publicou (em sua edição de janeiro – março de 1990) uma proposta notável para a união da Igreja Rutena (ucraniana) separada com Roma que foi feita pelo famoso Metropolita de Kiev, Pedro Mohila (1596). -1647). Mohila, como o dissidente metropolita ruteno de Kiev, tornou essa cidade um centro intelectual do mundo ortodoxo oriental com o estabelecimento da famosa Academia de Kiev baseada em um modelo escolástico latino-polonês (e jesuíta). O historiador Ihor Sevcenko comentou apropriadamente sobre: “Como o cristianismo oriental e ocidental, as tradições literárias latinas, gregas, eslavas, rutenas e polonesas; e as culturas romeno, ucranianas e polonesas se encontraram na pessoa do grande metropolita e na Kiev de sua época.” (Veja “Os Muitos Mundos de Pedro Mohila” [Harvard University: the Millennium Series, 1985].) Mohila foi descrito em 1629 pelo bispo católico ucraniano José Rutsky: “Mohila pode servir à causa da união não apenas em Kiev-Rus, mas também na Moldávia e na Valáquia; ele dá a impressão de ser favorável à Fé Católica. Ele é educado, lê latim e entende os Padres”. Em 1640, Mohila foi o autor ou co-autor de uma “Confissão Ortodoxa de Fé” que seria considerada por muitos como uma expressão fiel da fé das igrejas Ortodoxas Orientais, embora alguns Ortodoxos logo a descartassem como o trabalho de um “jesuíta polonês disfarçado”. “e uma manifestação de” cripto-romanismo “(apesar de seus desvios de várias doutrinas católicas – especialmente na versão” corrigida “da Confissão pelas mãos do teólogo grego Meletios Syriagos). O manuscrito original detalhando o projeto 1645 de Mohila para a união de todos os rutenos bizantinos (aqueles unidos com Roma desde o Concílio de Brest em 1596; e aqueles que se opunham à união e ofendido pelos esforços latinizantes da hierarquia polonesa) foi escrito em latim e intitulado “Projeto de um nobre polonês da religião grega”. Foi mantido nos arquivos da Congregação Romana para a Propagação da Fé e publicado pela primeira vez em uma obra de Ed. Smurlo (1928) e novamente por A. G. Welkyi em 1964. Uma tradução francesa da notável proposta de Pedro Mohila é agora fornecida por B. Dupuy em ISTINA (Jan-March 1990). Deve-se notar que o termo “ruteniano” refere-se ao rito bizantino ocidental ucraniano e Bielo-russo (russo branco) populações que vivem no antigo reino polaco-lituano e que seriam os povos ucranianos católicos e ortodoxos ucranianos de hoje. Nos séculos 16 e 17 houve conflitos ferozes e polêmicas religiosas envolvendo católicos latinos e bizantinos, protestantes luteranos e calvinistas, e fanáticos ortodoxos ucranianos sob a influência de Moscovy e do dissidente Patriarca de Constantinopla (este último sob domínio turco). Em 1623, os católicos rutenos viram o seu santo Arcebispo de Polotsk, São Josafá Kuntsevych, receber a coroa do martírio nas mãos dos opositores da união. Duas décadas depois, o Metropolita Ortodoxo de Kiev, Pedro Mohila, reconheceu claramente 1645 em seu “Projeto de União” sua própria aceitação da divina Primazia do Pontífice Romano, observando que os direitos legítimos dos patriarcas orientais deveriam ser respeitados pelo Ocidente. Este testemunho merece ser melhor conhecido. Vamos ouvir o testemunho de Pedro Mohila em suas próprias palavras: …A raiz de todos os nossos males é a divergência que existe entre os gregos e os romanos sobre o tema da primazia do Soberano Pontífice. Emanando deste princípio, alguns princípios errôneos foram emitidos, e deles alguns ainda mais perniciosos. É assim que os gregos transmitiram seus erros para nós rutenos que seguem os ritos dos gregos. Mas nós, que pretendemos restaurar a religião aos seus santos princípios, devemos deixar de lado tudo o que foi feito ou que está sendo feito em benefício da discórdia, e retornar àqueles sólidos princípios que estão na origem da verdadeira religião. Consequentemente, a fonte, origem e causa das discórdias antigas entre gregos e latinos (e hoje entre os diferentes grupos de rutenos) é considerada o reconhecimento da primazia na Igreja; é a esta questão (como sendo a cabeça de todas as outros) que devemos nos aplicar. Nós lemos no Concílio de Florença que, algumas controvérsias foram levantadas pelos gregos por causa da adição do “Filiogue” ao Símbolo [o Credo] – os gregos se opondo e os romanos respondendo – os gregos concentraram todas as suas energias no único ponto da primazia, sem ter sucesso em libertar-se. Os latinos procederam com sabedoria, demonstrando que havia controvérsia entre os gregos e latinos somente sobre a primazia [vendo que não haviam imposto aos gregos a inserção da cláusula a Filio [do Filho] no Símbolo [o Credo], e que esta cláusula [sendo admitida no plano teológico], os romanos solicitavam apenas sua declaração e não sua adição ao Credo. Não houve mais nenhuma contestação sobre a Eucaristia: os latinos admitiram que a liturgia bizantina era santa, baseada na instituição dos apóstolos e do Espírito Santo nos concílios ecumênicos. Eles insistiram em apenas um ponto: o reconhecimento pelos gregos da primazia que sempre foi a dotação dos sucessores do Príncipe dos Apóstolos; e concluíram tacitamente que se não houvesse acordo sobre isso, todos os esforços de união permaneceriam sem efeito; se fosse aprovado, tudo estava intacto. É essa mesma maneira de proceder que deve ser seguida neste empreendimento sagrado. Nós devemos seguir isto; é o caminho certo. É aconselhável proceder desta forma, e ainda mais agora do que naquele tempo quando as discussões ocorreram entre latinos e gregos. Em Florença de fato, muitas discussões afiadas aconteceram, e os debatedores pareceram longe de chegar a um acordo sobre a Eucaristia, bem como sobre a processão do Espírito Santo, sobre o purgatório e sobre o julgamento particular, etc …. Pelo contrário, hoje, nossos rutenos que são bem instruídos, têm a convicção de que qualquer um que negue a adoração devida ao Santíssimo Sacramento (seja na Igreja Romana ou na deles) ou que não reconheça a invocação dos santos e sua glória, o julgamento particular, orações e sufrágios pelos mortos e, conseqüentemente, o purgatório seria um herege e não um ruteno. No que diz respeito à processão do Espírito Santo, a questão não está dentro da capacidade de todos e não é compreendida pelos simples; ela encontrou um certo número de inimigos intransigentes, mas os instruídos percebem bem sua verdade e têm uma compreensão exata dela. Só ali permanece como matéria de reflexão o ponto-chave, ou seja, a questão da primazia. É por isso que um Sínodo é convocado pela graça de Deus e todas estas questões são reunidas novamente e propostas para discussão. Seria necessário declarar, em primeiro lugar, que a antiga Igreja Grega sempre professou piedosamente os pontos de doutrina supracitados e que professa-os hoje de maneira exata em suas orações diárias, seus hinos e em conformidade com os princípios estabelecidos. pelos santos Padres da Igreja. Hoje, os rutenos estão divididos entre si na primazia do Romano Pontífice (como os gregos e latinos da antiguidade), e é sobre esse assunto que a uniformidade, o consenso e a concordância são desejados. Mas para que tal acordo seja realizado, é necessário que qualquer um dos dois partidos se entregue ao outro ou que uma nova solução de compromisso seja sugerida pelo Espírito Santo. Parece impossível agora que uma das duas partes se renderia à outra, pois ambas se envolveram em posições extremas baseadas em argumentos extremos. Os rutenos unidos a Roma desejariam suprimir as estruturas sinodais diocesanas que limitam o poder dos bispos e o modo como administram suas dioceses – e isso num momento em que a bárbara Rússia moscovita está ansiosa para se libertar do Patriarca de Constantinopla. Mas o reconhecimento do primado não deve levar a uma revogação do que já foi decidido pelos Concílios. Pelo contrário, os rutenos não-unidos deixariam de lado a primazia do Pontífice Romano, desejando depender apenas do Patriarca de Constantinopla. Mas então o cisma se desenvolverá ainda mais rapidamente entre os rutenos do que com os gregos. É necessário, então, buscar uma solução intermediária e rejeitar essas duas posições extremas. A solução apropriada seria a seguinte: que todos reconheçam a primazia. A Sé Apostólica deve contentar-se com isso sem mudar ou abandonar nenhum de seus princípios e direitos básicos. É união real e não mera mudança que devemos buscar. Agora, a constituição e a natureza da união é unir duas realidades e salvaguardar cada integridade natural. Aquilo que existia anteriormente deveria existir hoje; aquilo que não existia anteriormente deveria ser suprimido. Aquilo que sempre existiu é o Soberano Pontífice considerado como o primeiro e supremo pastor na Igreja de Cristo, como o Vigário de Cristo, o Chefe. Que isso seja conservado hoje! Mas nunca lemos que um latino já tenha exercido uma jurisdição direta sobre o rito grego. Os gregos sempre reconheceram a primazia, mas eles mesmos sempre estiveram sob a jurisdição de um patriarca de seu próprio rito…. Confessamos abertamente, em virtude dos princípios e fundamentos básicos da Igreja de Deus, que o nosso próprio rito (bizantino) nos distingue do romano, mas que temos comunhão em uma e a mesma fé. Não podemos negar que o Bem-Aventurado Apóstolo Pedro foi, como professamos nos hinos da nossa Igreja, o Príncipe dos Apóstolos e que os seus sucessores, os Romanos Pontífices, detêm perpetuamente a autoridade suprema na Igreja de Deus. Conseqüentemente, sem nos distanciarmos de nosso pai, o patriarca [de Constantinopla], de quem nós rutenos recebemos a iniciação no santo batismo, e sem retardar a união da Igreja (na qual é dada a verdadeira salvação), cada um de nós – clérigos e leigos – (para escapar dos perigos das dissensões) aceitou a seguinte solução em nome de Nosso Senhor: viver em unidade sob uma única cabeça e um único pastor, o Vigário de Cristo, como o Símbolo da Fé [o Credo] prescreve para nós; professar uma única Igreja católica e apostólica e nela, um único sucessor soberano de Pedro, o Romano Pontífice; e permanecer fiel aos ritos de nossa sagrada religião grega conservou-se em sua integridade desde o princípio e até que o Deus mais clemente (por Seu poder do alto) dê liberdade ao povo grego (dos turcos) e ao nosso pastor, o Patriarca (de Constantinopla) que nos conduzirá àquela concórdia salutar que nós imploramos com um ardor sagrado, especialmente na Divina Liturgia. (tradução de J. L.) É notável que os comentários de Mohila sobre as pré-condições necessárias para a união da Igreja, a saber: a necessidade de respeitar a herança litúrgica das igrejas orientais; diminuindo a centralização romana sobre os ritos orientais; e restaurando as prerrogativas canônicas históricas dos patriarcas – antecipar por 3 séculos os sábios conselhos estabelecidos no Decreto sobre o Ecumenismo do Vaticano II, 14-18: “Desde os primeiros tempos as igrejas do Oriente seguiram suas próprias disciplinas, sancionadas pelos santos Padres, pelos Sínodos e até mesmo pelos Concílios Ecumênicos. Longe de ser um obstáculo para a Unidade da Igreja, tal diversidade de costumes e observâncias só aumenta a sua beleza e contribui grandemente para levar a cabo a sua missão … Para remover qualquer sombra de dúvida, este sínodo sagrado declara solenemente que as Igrejas do Oriente, tendo em mente a necessária unidade de toda a Igreja, têm o poder de governar-se de acordo com suas próprias disciplinas, pois são mais adequadas ao caráter de seus fiéis e melhor adaptadas para promover o bem das almas, e a perfeita observância deste princípio tradicional – que de fato nem sempre foi observado – é um pré-requisito para qualquer restauração da união “. Com o colapso do Comunismo do Bloco Oriental, uma nova oportunidade se apresentou para o restabelecimento da “união eclesial plena” entre os católicos ucranianos e os ortodoxos ucranianos. Com uma perspectiva ainda mais ampla, o papa João Paulo II declarou: “Em nosso tempo, o diálogo teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas como um corpo é dirigido para esse objetivo com um novo método e com uma forma e perspectiva diferentes, de acordo com os ensinamentos e diretrizes do Concílio Vaticano II. “(Carta aos Bispos da Europa, 11 de junho de 1991). A herança de conflitos e polêmicas religiosas do passado tem sido a alegação repetida por vários escritores ortodoxos e protestantes orientais de que a doutrina católica do primado papal é irreconciliável com a história da Igreja primitiva e com a concepção conciliar da autoridade da Igreja acalentada no Oriente. A proposta do século XVII de Pedro Mohila para a união das Igrejas refuta completamente essa noção. Um partidário convicto da união, o erudito Metropolita de Kiev não teve dificuldade em subscrever a primazia da Igreja Romana em matéria de doutrina. Para ele era suficiente que os hierarcas de todos os ritos reconhecessem formalmente a primazia romana em uma profissão comum de fé pronunciada nas três línguas: grego, latim e eslavo. O projeto bem-vindo de Mohila para a união da Igreja foi, de fato, recebido favoravelmente em Roma. Infelizmente, o famoso Metropolita de Kiev morreu prematuramente menos de dois anos depois, em 1º de janeiro de 1647, antes que ele pudesse prosseguir com seu grande projeto para a união de todos os rutenos com a Cátedra de Pedro. No entanto, ele deixou para trás um documento que constitui um “testamento moral e religioso” que – na Providência de Deus – anunciará a tão esperada reconciliação com a Sé Apostólica de Pedro, não só dos ortodoxos ucranianos, mas também das outras Igrejas ortodoxas em comunhão com os patriarcas de Moscou e Constantinopla. Tradução:http://www.jameslikoudispage.com/Ecumenic/pmohila.htm
- Papa S. Leão IX (1049-1054 D.C.)
(1049-54), b. em Egisheim, perto de Colmar, nas fronteiras da Alsácia, 21 de junho de 1002; d. 19 de abril de 1054. Ele pertencia a uma família nobre que dera ou deveria dar santos à Igreja e governantes do Império. Ele foi nomeado Bruno. Seu pai, Hugo, era primo do Imperador Conrado, e tanto Hugo quanto sua esposa Heilewide eram notáveis por sua piedade e aprendizado. Como um sinal da consciência tenra que logo começou a se manifestar na criança santa, nos é dito que, embora ele tenha dado provas abundantes de uma mente brilhante, em uma ocasião ele não pôde estudar de um livro excepcionalmente belo que sua mãe tinha comprado e dado a ele. Por fim, verificou-se que o livro havia sido roubado da abadia de Santo Huberto, nas Ardenas. Quando Heilewide restaurou o volume para seus legítimos proprietários, os estudos do pequeno Bruno prosseguiram sem controle. Quando tinha cinco anos de idade, ele estava comprometido com o cuidado do energético Berthold, bispo de Toul, que tinha uma escola para os filhos da nobreza. Inteligente, gracioso em corpo e gracioso em disposição, Bruno era o favorito de seus colegas de escola. Embora ainda jovem e em casa durante as suas férias, ele foi atacado quando dormia por algum animal, e tanto ferido que por algum tempo ficou entre a vida e a morte. Nessa condição, ele viu, como usou posteriormente para contar aos amigos, uma visão de São Bento, que o curou tocando suas feridas com uma cruz. Isso nos é dito pelo principal biógrafo de Leão, Wibert, que era seu amigo íntimo quando o santo era bispo de Toul. Bruno tornou-se um cônego de Santo Estevão em Toul (1017), e embora ainda bastante jovem exerceu uma influência calmante sobre Herimann, o colérico sucessor do Bispo Berthold. Quando, em 1024, Conrado, primo de Bruno, sucedeu ao imperador Henrique I, os parentes do santo o enviaram para a nova corte do rei “para servir em sua capela”. Sua virtude logo se fez sentir, e seus companheiros, para distingui-lo dos outros que tinham o mesmo nome, sempre falavam dele como “o bom Bruno”. Em 1026 Conrado partiu para a Itália para fazer com que sua autoridade fosse respeitada naquela porção de seus domínios, e como Herimann, bispo de Toul, era velho demais para liderar seu contingente na península, ele confiou o comando a Bruno, então diácono. Há razão para acreditar que essa nova ocupação não foi totalmente incompatível para ele, pois os soldados parecem terem sempre tido atração por ele. Enquanto ele estava assim no meio do exército, o bispo Herimann morreu e Bruno foi imediatamente eleito para sucedê-lo. Conrado, que o destinou para coisas superiores, relutou em permitir que ele aceitasse aquela insignificante Sé. Mas Bruno, que era totalmente dissimulado das coisas mais elevadas, e desejava viver no mais obscuro possível, induziu seu soberano a permitir que ele tomasse a sé. Consagrado em 1027, Bruno administrou a Diocese de Toul por mais de vinte anos, em uma temporada de estresse e problemas de todos os tipos. Ele teve que lutar não apenas com a fome, mas também com a guerra, a qual, como cidade fronteiriça, Toul estava muito exposta. Bruno, no entanto, era igual a sua posição. Ele sabia como fazer as pazes e, se necessário, empunhar a espada em autodefesa. Enviado por Conrado a Roberto, o piedoso ele estabeleceu uma paz tão firme entre a França e o império que não foi novamente quebrada, mesmo durante os reinados dos filhos de Conrado e Roberto. Por outro lado, ele manteve sua cidade episcopal contra Eudes, Conde de Blois, um rebelde contra Conrado, e “por sua sabedoria e esforços” acrescentou Borgonha ao império. Foi enquanto ele era bispo que ficou entristecido pela morte não apenas de seu pai e mãe, mas também de dois de seus irmãos. Em meio às suas provações, Bruno encontrou algum consolo na música, no qual se mostrou muito eficiente. O papa alemão Dâmaso II morreu em 1048, e os romanos enviaram para pedir a Henrique III, sucessor de Conrado, para deixá-los ter como novo papa Halinardo, arcebispo de Lyon, ou Bruno. Ambos eram favoravelmente conhecidos pelos romanos pelo que tinham visto quando chegaram a Roma em peregrinação. Henrique fixou-se imediatamente em Bruno, que fez tudo o que podia para evitar a honra que seu soberano queria impor a ele. Quando finalmente foi vencido pela insistência combinada do imperador, dos alemães e dos romanos, ele concordou em ir a Roma e aceitar o papado, se eleito livremente pelo povo romano. Ele queria, pelo menos, resgatar a Sé de Pedro de sua servidão aos imperadores alemães. Quando, em companhia de Hildebrando, ele chegou a Roma e se apresentou ao seu povo vestido de peregrino e descalço, mas ainda alto, e justo de se ver, gritaram com uma voz que ele e nenhum outro teriam como papa. Assumindo o nome de Leão, ele foi solenemente entronizado em 12 de fevereiro de 1049. Antes que Leão pudesse fazer qualquer coisa no que diz respeito à reforma da Igreja em que seu coração estava estabelecido, ele teve primeiro que reprimir outra tentativa por parte do ex. -Papa Bento IX para tomar o trono papal. Ele tinha então que cuidar de questões financeiras, pois as finanças papais estavam em uma condição deplorável. Para melhorá-las, ele as colocou nas mãos de Hildebrando, um homem capaz de melhorar qualquer coisa. Ele então começou o trabalho de reforma que deveria dar aos próximos cem anos um caráter próprio, e que seu grande sucessor Gregório VII deveria levar adiante. Em abril de 1049, ele realizou um sínodo em que condenou os dois notórios males do tempo, a simonia e a incontinência clerical. Então ele iniciou essas viagens por toda a Europa na causa de uma reforma de maneiras que lhe deu o direito preeminente de ser denominado Peregrino Apostólico. Deixando Roma em maio, ele realizou um Concílio de reforma em Pavia e seguiu pela Alemanha até Colônia, onde se juntou ao imperador Henrique III. Em união com ele, ele trouxe a paz em Lorena excomungando o rebelde Godfrey, o Barbudo. Apesar dos esforços invejosos do rei Henrique I para impedi-lo de vir para a França, Leão seguiu para Reims, onde teve um importante sínodo, no qual tanto bispos quanto abades da Inglaterra ajudaram. Lá também se reuniram na cidade para ver o famoso papa um enorme número de pessoas entusiastas, “espanhóis, bretões, francos, irlandeses e ingleses”. Além de excomungar o Arcebispo de Compostela (porque ele se aventurou a assumir o título de Apostolicus, reservado somente ao papa), e proibir o casamento entre Guilherme (depois chamado de Conquistador) e Matilda de Flandres, a assembléia emitiu muitos decretos de reforma. Em seu caminho de volta a Roma, Leão realizou outro sínodo em Mainz, em todos os lugares despertando a opinião pública contra os grandes males da época, ao longo do caminho, e em todos os lugares sendo recebido com entusiasmo ilimitado. É aparentemente em conexão com esta jornada de retorno que temos a primeira menção da Rosa de Ouro. A abadessa de Woffenheim, em troca de certos privilégios concedidos pelo papa, teve de enviar a Roma “uma rosa de ouro” antes do Domingo da Alegria, dia em que, diz Leão, os papas costumam carregá-la. Também antes de retornar a Roma, ele discutiu com Adalberto, arcebispo de Bremen, a formação de todos os países escandinavos, incluindo a Islândia e a Groenlândia, em um patriarcado, do qual a sé deveria ser Bremen. O esquema nunca foi cumprido, mas enquanto isso Leão autorizou a consagração de Adalberto do primeiro bispo nativo da Islândia. Em janeiro de 1050, Leão voltou a Roma, apenas para deixá-la quase imediatamente para o sul da Itália, para onde os sofrimentos de seu povo o chamavam. Eles estavam sendo fortemente oprimidos pelos normandos. Para as expostulações de Leão, os normandos astutos responderam com promessas, e quando o papa, depois de realizar um concílio em Spoleto, retornou a Roma, eles continuaram suas opressões como antes. No habitual sínodo pascal que Leão tinha o hábito de manter em Roma, a heresia de Berengário de Tours foi condenada – uma condenação repetida pelo papa alguns meses depois em Vercelli. Antes do final do ano 1050, Leão iniciara sua segunda jornada transalpina. Ele foi primeiro a Toul, a fim de transladar solenemente as relíquias de Gerardo, bispo daquela cidade, a quem acabara de canonizar, e depois à Alemanha entrevistar o imperador Henrique, o negro. Um dos resultados dessa reunião foi que Hunfrido, arcebispo de Ravena, foi obrigado pelo imperador a deixar de agir como se fosse o governante independente de Ravena e seu distrito, e submeter-se ao papa. Retornando a Roma, Leão realizou outro de seus sínodos pascais em abril de 1051, e em julho foi tomar posse de Benevento. Perseguidos por seus inimigos, os beneventos concluíram que sua única esperança de paz era submeter-se à autoridade do papa. Isso eles fizeram, e receberam Leão em sua cidade com a maior honra. Enquanto esta vizinhança, Leão novamente fez mais esforços para diminuir os excessos dos normandos, mas eles foram frustrados pelos lombardos nativos, que com tanta loucura como a maldade massacraram um certo número de normandos na Apúlia. Percebendo que nada poderia ser feito com os irados sobreviventes normandos, Leão retornou a Roma (1051). A questão normanda estava, a partir de então, sempre presente na mente do papa. Constantemente oprimidos pelos normandos, o povo do sul da Itália deixou de implorar ao papa que os ajudasse. Os gregos, temerosos de serem expulsos da península, pediram a Leãobque cooperasse com eles contra o inimigo comum. Assim solicitado, Leão procurou ajuda em todos os lados. Na falta de obtê-lo, ele novamente tentou o efeito da mediação pessoal (1052). Mas, novamente, o fracasso acompanhou seus esforços. Ele começou a ser convencido de que o recurso teria que ser feito para a espada. Nesse momento chegou uma embaixada dos húngaros, pedindo que viesse e fizesse a paz entre eles e o imperador. Novamente Leão cruzou os Alpes, mas, achando que tinha certeza do sucesso, Henrique não aceitaria os termos propostos pelo papa, com o resultado de que sua expedição contra os húngaros provou ser um fracasso. E embora a princípio tenha se comprometido a deixar que Leão tivesse uma força alemã para agir contra os normandos, ele depois retirou sua promessa, e o papa teve que retornar à Itália com apenas algumas tropas alemãs dadas por seus parentes (1053). Em março de 1053, Leão estava de volta a Roma. Encontrando o estado de coisas no sul da Itália pior do que nunca, ele levantou as forças que podia entre os príncipes italianos e, declarando guerra aos normandos, tentou efetuar uma junção com o general grego. Mas os normandos derrotaram primeiro os gregos e depois o papa em Civitella (junho de 1053). Após a batalha, Leão entregou-se aos seus conquistadores, que o trataram com o maior respeito e consideração, e se declararam seus soldados. Embora ele ganhasse mais pela derrota do que poderia ganhar com a vitória, Leão se entregou a Benevento, um homem de coração partido. Os mortos em Civitella estavam sempre diante dele, e ele estava profundamente perturbado com a atitude de Miguel Cerulário, patriarca de Constantinopla. Esse prelado ambicioso estava determinado, se possível, a não ter superior nem na Igreja nem no Estado. Já em 1042, ele havia retirado o nome do papa dos dípticos sagrados e logo prosseguiu, primeiro em particular e depois em público, para atacar a Igreja latina porque usava pão não fermentado (azímos) no Sacrifício da Missa e por isso também, de maneira muito bárbara, fechou as igrejas latinas em Constantinopla. Em resposta a essa violência, Leão dirigiu uma carta forte a Miguel (setembro de 1053) e começou a estudar grego para entender melhor as questões em disputa. No entanto, se Miguel aproveitou as dificuldades do papa com os normandos para impulsionar seus planos, o imperador grego, vendo que seu controle sobre o sul da Itália estava ameaçado pelo sucesso normando, pressionou o patriarca para torná-lo mais respeitoso com o papa. Pelas cartas conciliatórias que Constantino e Cerulário agora enviaram a Roma, Leão enviou respostas adequadas (janeiro de 1054), culpando a arrogância do patriarca. Suas cartas eram transmitidas por dois ilustres cardeais, Humberto e Frederico, mas ele partira essa vida antes que a importante ação de sua embaixada fosse conhecida em Roma. Em 16 de julho de 1054, os dois cardeais excomungaram Cerulário e o Oriente foi finalmente separado do corpo da Igreja. Os anais da Inglaterra mostram que Leão teve muitas relações com esse país e seu santo rei Eduardo. Ele dispensou o rei de uma promessa que fizera para fazer uma peregrinação a Roma, com a condição de que ele desse esmolas aos pobres e desse um mosteiro em honra de São Pedro. Leão também autorizou a transladação da Sé de Crediton para Exeter e proibiu a consagração do abade indigno de Abingdon (Spearhafor) como bispo de Londres. Ao longo dos problemas que Roberto de Jumièges, Arcebispo de Cantuária, teve com a família do Conde Godwin, ele recebeu o apoio do papa, que lhe enviou o pálio e condenou Stigand, o usurpador de sua sé (1053?). Acredita-se que o rei Macbeth, o suposto assassino de Duncan, a quem Shakespeare imortalizou, tenha visitado Roma durante o pontificado de Leão, e pode-se dizer que expôs as necessidades de sua alma àquele tenro pai. Após a batalha de Civitella, Leão nunca recuperou seu ânimo. Tomado por muito tempo com uma doença mortal, ele se levou para Roma (março de 1054), onde morreu a morte mais edificante. Ele foi enterrado em São Pedro, foi um operador de milagres, tanto na vida e na morte, e encontrou um lugar no Martirológio Romano. Mann, H. (1910). Pope St. Leo IX. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company. Retrieved August 19, 2018 from New Advent: http://www.newadvent.org/cathen/09160c.htm
- Papa Leão VIII (964-65 D.C.)
Data de nascimento desconhecida; d. entre 20 de fevereiro e 13 de abril de 965. Quando o Imperador Otão I ilegalmente fez a deposição do indigno Papa João XII (novembro de 963), ele igualmente ilegalmente fez com que fosse eleito, para preencher seu lugar, um leigo, “Leão , o venerável protonotário “. Leão era romano e filho de um João. Sua família era bem conhecida no Clivus Argentarii (agora Via di Marforio, entre o Corso e o Forum Romanum), e ele próprio deu seu nome a várias ruas nos arredores de sua casa. Papa escolhido em 4 de dezembro, ele foi consagrado Bispo de Roma em 6 de dezembro, todas as ordens menores que, em violação da lei canônica, foram concedidas a ele no mesmo tempo por Sico, Bispo de Ostia. Algumas semanas após a consagração de Leão, os romanos fizeram um esforço inútil para derrubar a autoridade do imperador. Eles foram severamente punidos por sua tentativa; mas, por intercessão de Leão, Otão restituiu a eles os reféns que recebera deles. No entanto, tão logo o imperador deixou Roma, o povo se levantou e expulsou seu candidato (fevereiro de 964). João XII retornou imediatamente à cidade, convocou um concílio, condenou Leão “um dos empregados de nossa cúria, que quebrou sua fé conosco”, e degradou os clérigos ordenados por ele. Logo depois disso, João morreu (14 de maio de 964), e os romanos, imprudentemente elegeram para sucedê-lo, o cardeal-diácono Bento. Indignado com a expulsão de Leão e com a eleição de Bento, Otão correu para Roma e logo ficou de posse tanto dela como do novo papa. Leão voltou com o imperador e imediatamente levou Bento a julgamento. Com o consentimento de todos os seus pretensos juízes, Bento foi rebaixado ao posto de diácono, o próprio Leão rasgou o pálio de seus ombros (julho de 964). Se é fato, como afirma um contemporâneo, que Bento concordou com sua deposição, e se, como parece certo, nenhum protesto adicional foi feito contra a posição de Leão, ele pode muito bem ser considerado como um verdadeiro papa a partir de julho de 964 até sua morte em 965, sobre o mês de março. Nenhum registro existente nos informa de quaisquer atos que Leão realizou durante o período em que ele pode ser seguramente considerado como um verdadeiro papa. É dito, de fato, que ele deu a Otão o direito de nomear qualquer um que ele escolhesse para ser papa ou bispo, e de ter restituído a Otão todas as terras que seus predecessores haviam concedido ao papado. É geralmente admitido, no entanto, que os documentos que fazem estas declarações sejam produções imperiais forjadas durante a disputa de investidura. Mann, H. (1910). Pope Leo VIII. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company. Retrieved August 19, 2018 from New Advent: http://www.newadvent.org/cathen/09160b.htm
- Papa Leão VII (936-39 D.C.)
Data de nascimento desconhecida; d. 13 de julho de 939. Romano e sacerdote de São Sisto, e provavelmente um monge beneditino, foi eleito papa em 3 de janeiro de 936. Ele parece ter sido colocado na cadeira de Pedro pelo poder de Alberico, príncipe e senador de os romanos. A autoridade de Alberico em Roma foi disputada por Hugo, que tinha o título de rei da Itália (Langobardia). A cidade estava sendo sitiada por Hugo quando o famoso Odo, Abade de Cluny, chegou a ele. Ele fora convocado por Leão, que conhecia sua grande influência tanto com Alberico quanto Hugo, para fazer a paz entre eles. Odo cumpriu os desejos do papa, e um casamento entre Alberico e a filha de Hugo, Alda, teve pelo menos um entendimento temporário entre os beligerantes. As bulas de Leão consistem em grande parte das concessões de privilégios a vários mosteiros, especialmente para Cluny. Uma delas, no entanto, é uma carta para Frederico, arcebispo de Mainz. Com o objetivo de cooperar no trabalho de reforma que estava sendo realizado na Alemanha por Henrique I (o Fowler) e seu filho Otão I, Leão nomeou Frederico seu vigário em toda a Alemanha, com poder para agir contra todos os clérigos errantes. No entanto, ele não permitiria que o arcebispo batizasse os judeus à força, embora autorizasse sua expulsão das cidades em sua recusa em abraçar o cristianismo. Mann, H. (1910). Pope Leo VII. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company. Retrieved August 19, 2018 from New Advent: http://www.newadvent.org/cathen/09160a.htm
- Papa Leão VI (928-29 D.C.)
As datas exatas da eleição e morte de Leão VI são incertas, mas é claro que ele foi papa durante a segunda metade de 928. Se, como alguns supõem, ele foi eleito em junho de 928, ele morreu em fevereiro de 929 já que reinou sete meses e cinco dias. Outros, no entanto, acreditam que ele se tornou papa antes do mês de junho. Ele era um romano, o filho do primicério, Cristóvão, que havia sido primeiro ministro de João VIII. Quando Leão se tornou papa, ele foi cardeal-sacerdote de Santa Susana. Seu predecessor imediato, João X, estava empenhado em resolver questões de jurisdição eclesiástica na Dalmácia; alguns deles foram decididos por Leão VI, e ainda existe uma Bula sua na qual ele declara que ele concedeu o pálio ao Arcebispo João de Spalato, ordenando a todos os bispos da Dalmácia que o obedeçam e que confinem suas operações dentro dos limites de suas próprias dioceses, e instrui o Bispo Gregório a se contentar com a Diocese de Scodra. O único outro item de informação sobre Leão que nos alcançou é que “de acordo com a maioria dos escritores ele foi enterrado em São Pedro”. Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia
- Papa Leão V (Julho de 903- Setembro de 903 D.C.)
Muito pouco se sabe dele. Não temos certeza de quando ele foi eleito ou de quanto tempo ele reinou. É altamente provável que ele tenha sido papa em agosto de 903. Ele era natural de Priapi, um pequeno lugar no distrito de Ardea. Quando ele foi escolhido, ele não era um dos cardeais-sacerdotes de Roma, mas estava ligado a alguma igreja fora da cidade. Assim, nos catálogos contemporâneos dos papas, ele é chamado de forensis presbiter. Auxilius, um escritor da época, diz que ele segurou “o leme da Santa Igreja Romana” por trinta dias, e que “ele era um homem de Deus e de louvável vida e santidade”. Exceto que ele emitiu uma Bula isentando os cônegos de Bolonha do pagamento de impostos, não sabemos de nada que ele fez como papa. As circunstâncias de sua morte são tão obscuras quanto as de sua vida. Após um pontificado de pouco mais de um mês, ele foi capturado por Cristóvão, cardeal-sacerdote de São Dâmaso, e lançado na prisão. O intruso prontamente sentou-se na cátedra de Pedro, mas logo foi desalojado por Sérgio III. De acordo com uma autoridade, Sérgio teve “pena” dos dois pontífices aprisionados e fez com que ambos fossem mortos. No entanto, parece mais provável que Leão tenha morrido naturalmente na prisão ou em um mosteiro. Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia
- Papa S. Leão IV (847-855 D.C.)
(Reinou 847-55) Um romano e o filho de Radoaldo, foi eleito por unanimidade para suceder a Sérgio II, e como o ataque alarmante dos sarracenos em Roma em 846 fez com que o povo temesse pela segurança da cidade, ele foi consagrado (10 de abril de 847) sem o consentimento do imperador. Leão recebeu sua educação inicial em Roma, no mosteiro de São Martinho, perto de São Pedro. Seu comportamento piedoso atraiu a atenção de Gregório IV, que fez dele um subdiácono; e ele foi feito Cardeal-Sacerdote da igreja do Quatuor Coronati por Sérgio II. Assim que Leão, muito contra sua vontade, tornou-se papa, ele começou a tomar precauções contra a repetição da incursão sarracena de 846. Ele colocou os muros da cidade em um completo estado de reparação, reconstruindo inteiramente quinze das grandes torres. Ele foi o primeiro a cercar a colina do Vaticano por uma parede. Para fazer isso, ele recebeu dinheiro do imperador e ajuda de todas as cidades e colônias agrícolas (domus cultae) do Ducado de Roma. O trabalho levou quatro anos para ser realizado, e a parte recém-fortificada foi chamada de Cidade Leonina, depois dele. Em 852 as fortificações foram completadas e foram abençoadas pelo papa com grande solenidade. Enquanto a obra de refortificação da cidade estava em andamento, uma grande frota de sarracenos navegou para Roma, aparentemente da Sardenha, mas foi completamente destruída por Ostia pelas frotas aliadas de Roma, Nápoles, Amalfi e Gaeta, e por uma tempestade (849). Quando a reconstrução das muralhas de Roma foi realizada, Leão reconstruiu Portus e entregou-o a um número de exilados da Córsega, a quem os sarracenos expulsaram de suas casas. Outras cidades também no ducado romano foram fortificadas, pelo próprio papa ou por suas exortações. Leão também se esforçou para reparar os danos que o ataque sarraceno de 846 havia feito às diferentes igrejas. São Pedro sofreu muito severamente e, embora no todo, nunca mais tenha atingido sua antiga magnificência, Leão conseguiu torná-la em partes pelo menos mais bonita do que antes. São Martinho, onde ele havia sido educado, o Quatuor Coronati, do qual ele havia sido o padre, o Palácio de Latrão, o Borgo anglo-saxão, Subiaco e muitos outros lugares tanto em Roma como fora dele, foram renovados pelo energético Leão. Foi por este papa que se construiu a igreja de Santa Maria Nova, para substituir Santa Maria Antiqua, que o decadente Palácio dos Césares ameaçou engolir, e de que as ruínas foram recentemente trazidas à luz. Em 850 Leão associou Lotário no império com seu filho Luís, impondo-lhe a coroa imperial. Três anos depois “ele sagrou o filho Alfredo a rei [diz um antigo historiador inglês] pela unção e, recebendo-o por seu próprio filho por adoção, deu-lhe confirmação e o enviou de volta [para a Inglaterra] com a bênção de São Pedro, o apóstolo “. No mesmo ano (853), ele realizou um importante sínodo em Roma, em que vários decretos foram aprovados para o avanço da disciplina eclesiástica e aprendizagem, e para a condenação do refratário Anastácio, Cardeal de São Marcelo, e por vezes bibliotecário da Igreja romana. Igualmente rebelde conduta por parte de João, arcebispo de Ravena, obrigou Leão a empreender uma viagem a essa cidade para inspirar João e seus cúmplices com respeito pela lei. Enquanto estava empenhado em inspirar outro arcebispo, Íncmaro de Reims, com essa mesma reverência, Leão morreu. Outro homem que, até a sua morte (851), desafiou a autoridade do papa foi Nomenoe, duque da Bretanha. Ansioso por ser independente da autoridade imperial, Nomenoe, desafiando tanto Leão quanto Carlos, o Calvo, não só depôs vários bispos, mas fez novos, e os submeteu a uma metrópole (Dol) de sua própria criação. Não foi até o século XIII que o arcebispo de Tours recuperou sua jurisdição sobre os bispos bretões. Por consagrar um bispo fora de sua própria diocese, São Metódio, Patriarca de Constantinopla, suspendeu Gregório Asbestas, bispo de Siracusa. Santo Inácio, que sucedeu a São Metódio, em conseqüência proibiu que Gregório estivesse presente em sua consagração. Isso levou Gregório a quebrar todos os limites. Santo Inácio fez com que ele fosse deposto e implorou ao papa que confirmasse a deposição. Isso, no entanto, Leão não faria, porque, como ele disse, Inácio tinha reunido bispos e deposto outros sem o seu conhecimento, enquanto que ele não deveria ter feito “na ausência de nossos legados ou de cartas a nós”. Apesar do fato de que Leão estava então em oposição ao Patriarca de Constantinopla, um de seus dependentes, Daniel, um magister militum, acusou-o ao imperador franco Luís de querer derrubar a dominação dos francos por uma aliança grega. Leão, no entanto, não teve dificuldade em convencer Luís de que a acusação era absolutamente infundada. Daniel foi condenado à morte e só escapou pela intercessão do imperador. Pouco depois disso, Leão morreu e foi sepultado em São Pedro (17 de julho de 855). Ele é creditado como sendo um operador de milagres tanto por seu biógrafo quanto pelo Patriarca Fócio. Seu nome é encontrado no Martirológio Romano. Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia
- Papa S. Leão III (795-816 D.C)
Data de nascimento desconhecida; morreu 816. Ele foi eleito no mesmo dia em que seu antecessor foi enterrado (26 de dezembro de 795) e consagrado no dia seguinte. É bem possível que essa pressa tenha sido devido a um desejo por parte dos romanos de antecipar qualquer interferência dos francos com sua liberdade de eleição. Leão era romano, filho de Atípio e Isabel. Na época de sua eleição, ele foi Cardeal-Sacerdote de Santa Susana, e aparentemente também vestiarius, ou chefe do tesouro pontifício, ou guarda-roupa. Com a carta informando a Carlos Magno que ele havia sido eleito por unanimidade papa, Leão enviou-lhe as chaves da confissão de São Pedro e o estandarte da cidade. Isso ele fez para mostrar que ele considerava o rei franco como o protetor da Santa Sé. Em troca, recebeu de Carlos Magno cartas de congratulação e grande parte do tesouro que o rei havia capturado dos ávaros. A aquisição dessa riqueza foi uma das causas que permitiram que Leão fosse um grande benfeitor para as igrejas e instituições de caridade de Roma. Impelido por inveja ou ambição, ou por sentimentos de ódio e vingança, vários parentes do papa Adriano formaram uma conspiração para tornar Leão incapaz de realizar seu ofício sagrado. Na ocasião da procissão das Litanias Maiores (25 de abril de 799), quando o papa estava indo em direção ao Portão Flaminiano, ele foi subitamente atacado por um grupo de homens armados. Ele foi jogado no chão, e um esforço foi feito para arrancar sua língua e arrancar seus olhos. Depois de ter ficado um tempo sangrando na rua, ele foi levado às pressas à noite para o mosteiro de Santo. Erasmo na Célia. Lá, no que parecia uma maneira milagrosa, ele recuperou o uso completo de seus olhos e língua. Escapando do mosteiro, ele se dirigiu a Carlos Magno, acompanhado por muitos romanos. Ele foi recebido pelo rei franco com a maior honra em Paderborn, embora seus inimigos tivessem enchido os ouvidos do rei de acusações maliciosas contra ele. Após alguns meses de permanência na Alemanha, o monarca franco fez com que ele fosse levado de volta a Roma, onde foi recebido com toda demonstração de alegria por toda a população, nativos e estrangeiros. Os inimigos do papa foram então julgados pelos enviados de Carlos Magno e, sendo incapazes de estabelecer a culpa de Leão ou sua própria inocência, foram enviados como prisioneiros para a França (Frankland). No ano seguinte (800), o próprio Carlos Magno veio a Roma, e o papa e seus acusadores foram colocados face a face. Os bispos reunidos declararam que não tinham o direito de julgar o papa; mas Leão de livre e espontânea vontade, como dissera, para dissipar qualquer suspeita na mente dos homens, declarou juramentado que ele era totalmente inocente das acusações que haviam sido feitas contra ele. A seu pedido especial, a sentença de morte que havia sido passada a seus principais inimigos foi comutada para uma sentença de exílio. Alguns dias depois, Leão e Carlos Magno se encontraram novamente. Foi no dia de Natal em São Pedro. Depois que o Evangelho foi cantado, o papa se aproximou de Carlos Magno, que estava ajoelhado diante da Confissão de São Pedro, e colocou uma coroa sobre sua cabeça. A multidão reunida ao mesmo tempo fez a basílica ressoar com o grito: “A Carlos, o mais piedoso Augusto, coroado por Deus, à nossa vida e à vitória do grande e pacífico imperador!” Por este ato foi reavivado o Império no Ocidente, e, em teoria, pelo menos, o mundo foi declarado pela Igreja sujeito a uma cabeça temporal, como Cristo havia submetido a uma cabeça espiritual. Entendia-se que o primeiro dever do novo imperador era ser o protetor da Igreja Romana e da Cristandade contra os pagãos. Com o objetivo de combinar o Oriente e o Ocidente sob o domínio efetivo de Carlos Magno, Leão esforçou-se para promover o projeto de um casamento entre ele e a imperatriz oriental Irene. Sua deposição, no entanto (801), impediu a realização deste excelente plano. Cerca de três anos após a partida de Carlos Magno de Roma (801), Leão novamente cruzou os Alpes para vê-lo (804). Segundo alguns ele foi discutir com o imperador a divisão de seus territórios entre seus filhos. De qualquer forma, dois anos depois, ele foi convidado a concordar com as provisões do imperador para a referida partição. Da mesma forma, enquanto agia em harmonia com o papa, Carlos Magno combateu a heresia do Adocionismo que havia surgido na Espanha; mas ele foi um pouco mais longe do que seu guia espiritual, quando ele desejou trazer a inserção geral do Filioque no Credo Niceno. Os dois estavam, no entanto, agindo juntos quando Salzburgo se tornou a cidade metropolitana da Baviera, e quando Fortunato de Grado foi compensado pela perda de sua Sé de Grado pelo Bispo de Pola. A ação conjunta do papa e do imperador foi sentida até na Inglaterra. Por meio dele, Eardulf of Nortúmbria recuperou seu reino e a disputa entre Embaldo, arcebispo de York, e Wulfred, arcebispo de Cantuária, foi regulamentada. Leão tinha, no entanto, muitas relações com a Inglaterra apenas por conta própria. Por seu comando, o sínodo de Beccanceld (ou Clovesho, 803) condenou a nomeação de leigos como superiores dos mosteiros. De acordo com os desejos de Ethelheard, Arcebispo de Cantuária, Leão excomungou Eadbert Praen por tomar o trono de Kent, e retirou o pálio que havia sido concedido a Litchfield, autorizando a restauração da jurisdição eclesiástica da Sé de Cantuária “assim como Santo Gregório, o apóstolo e mestre da nação dos ingleses, havia organizado “. Leão também foi chamado para intervir nas discussões entre o Arcebispo Wulfred e o Cenulfo, rei da Mércia. Muito pouco se sabe das verdadeiras causas dos mal-entendidos entre eles, mas, quem quer que seja o culpado, o arcebispo parece ter sofrido mais. O rei parece ter induzido o papa a suspendê-lo do exercício de suas funções episcopais e a manter o reino sob uma espécie de interdito por um período de seis anos. Até a hora de sua morte (822), a ganância de ouro fez com que Cenulfo continuasse sua perseguição ao arcebispo. Isso também o levou a perseguir o mosteiro de Abingdon, e não foi até que ele recebesse de seu abade uma grande soma de dinheiro que, agindo, como ele declarou, a pedido do “senhor Apostólico e mais glorioso Papa Leão”, ele decretou a inviolabilidade do mosteiro. Durante o pontificado de Leão, a Igreja de Constantinopla estava em estado de inquietação. Os monges, que nesse período estavam florescendo sob a orientação de homens como São Teodoro, o Studita, desconfiavam do que eles consideravam ser os princípios negligentes de seu patriarca Tarásio, e estavam em vigorosa oposição à má conduta de seu imperador Constantino VI. Para ser livre para se casar com Teodota, seu soberano se divorciara de sua esposa Maria. Embora Tarásio condenasse a conduta de Constantino, ainda assim, para evitar males maiores, ele se recusou, para o profundo desgosto dos monges, a excomungá-lo. Pela a condenação do novo casamento, Constantino puniu os monges com prisão e exílio. Em sua aflição, os monges procuraram ajuda para Leão, como fizeram quando foram maltratados por se oporem à arbitrária reintegração do padre que Tarásio havia degradado por casar Constantino com Teodota. O papa respondeu não apenas com palavras de elogio e encorajamento, mas também pelo envio de presentes ricos; e, depois que Miguel cheguou ao trono bizantino, ele ratificou o tratado entre ele e Carlos Magno, que era garantir a paz para o Oriente e o Ocidente. Não apenas na última transação mencionada, mas em todos os assuntos importantes, o papa e o imperador franco agiram em conjunto. Foi sob o conselho de Carlos Magno que, para afastar as incursões selvagens dos sarracenos, Leão manteve uma frota e fez com que sua linha costeira fosse regularmente patrulhada por seus navios de guerra. Mas como ele não se sentia competente para manter os piratas muçulmanos fora da Córsega, ele confiou a guarda ao imperador. Apoiado por Carlos Magno, ele conseguiu recuperar alguns dos patrimônios da Igreja Romana no bairro de Gaeta, e novamente administrá-los através de seus reitores. Mas quando o grande imperador morreu (28 de janeiro de 814), os maus tempos mais uma vez quebraram em Leão. Uma nova conspiração foi formada contra ele, mas nessa ocasião o papa foi informado sobre isso antes que chegasse à cabeça. Ele fez com que os principais conspiradores fossem capturados e executados. Assim que essa conspiração foi esmagada, vários nobres da Campagna se levantaram em armas e saquearam o país. Eles estavam se preparando para marchar sobre a própria Roma, quando foram dominados pelo duque de Spoleto, agindo sob as ordens do rei da Itália (Langobardia). As grandes somas de dinheiro que Carlos Magno dava ao tesouro papal permitiram que Leão se tornasse um eficiente ajudante dos pobres e um patrono da arte, e renovasse as igrejas, não apenas de Roma, mas até mesmo de Ravena. Ele empregou a arte imperecível do mosaico não apenas para retratar a relação política entre Carlos Magno e ele próprio, mas principalmente para decorar as igrejas, especialmente sua igreja titular de Santa Susana. Até o final do século XVI, uma figura de Leão em mosaico seria vista naquela antiga igreja. Leão III foi sepultado em São Pedro (12 de junho de 816), onde suas relíquias podem ser encontradas junto com as dos santos. Leão I, Leão II e Leão IV. Ele foi canonizado em 1673. O denário de prata de Leão III ainda existente leva o nome do imperador franco sobre eles, assim como o de Leão, mostrando assim o imperador como o protetor da Igreja e soberano da cidade de Roma. Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia
- Papa S. Leão II (682-83)
(682-83), data de nascimento desconhecida; d. 28 de junho de 683. Ele era siciliano e filho de um Paulo. Embora eleito papa alguns dias após a morte de Santo Agatão (10 de janeiro de 681), ele não foi consagrado até depois de um ano e sete meses (17 de agosto de 682). Sob o predecessor de Leão, Santo Agatão, foram abertas negociações entre a Santa Sé e o imperador Constantino Pogonatus sobre as relações da Corte Bizantino com as eleições papais. Constantino já havia prometido a Agatão abolir ou reduzir o imposto que por cerca de um século os papas tiveram que pagar ao tesouro imperial por ocasião de sua consagração, e sob o sucessor de Leão ele fez outras mudanças no que até então havia sido exigido da Igreja Romana na época de uma eleição papal. Com toda probabilidade, portanto, foi continuada a correspondência sobre esse assunto que causou o atraso da confirmação imperial da eleição de Leão e, portanto, o longo adiamento de sua consagração. O ato mais importante realizado por Leão em seu curto pontificado foi a confirmação das atas do Sexto Concílio Ecumênico (680-1). Este concílio foi realizado em Constantinopla contra os monotelistas, e foi presidido pelos legados do Papa Agatão. Depois que Leão notificou o imperador de que os decretos do Concílio haviam sido confirmados por ele, ele passou a informá-los às nações ocidentais. As cartas que ele enviou para este fim ao rei e aos bispos e nobres da Espanha chegaram até nós. Nelas, ele explicou o que o concílio havia efetuado e convocou os bispos a assinar seus decretos. Ao mesmo tempo, esforçou-se para deixar claro que, ao condenar seu predecessor Honório I, ele o fez, não porque desse ensino de heresia, mas porque não era suficientemente ativo para se opor a ela. De acordo com o mandato papal, um sínodo foi realizado em Toledo (684), no qual o Concílio de Constantinopla foi aceito. O fato de Ravena ter sido a residência dos imperadores ou de seus representantes, os exarcas, havia despertado a ambição de seus arcebispos. Eles aspiravam aos privilégios dos patriarcas e desejavam ser autocéfalos, isto é, livres da jurisdição direta do papa, considerado como seu primaz. Como eles não conseguiram induzir os papas a concordar com seus desejos, eles tentaram assegurar sua realização por meio de um decreto imperial, reconhecendo-os como autocéfalos. Mas isso não se mostrou suficiente para permitir que os arcebispos cumprissem seu propósito, e Leão obteve de Constantino Pogonatus a revogação do decreto de Constante. Do seu lado, entretanto, Leão aboliu o imposto que os arcebispos estavam acostumados a pagar quando recebiam o pálio. E embora ele insistisse que os arcebispos eleitos deveriam vir a Roma para serem consagrados, ele concordou com o acordo de que eles não deveriam ser obrigados a permanecer em Roma mais de oito dias no tempo de sua consagração, e que, embora não fossem obrigados a vir novamente a Roma para oferecer suas homenagens ao papa, todos os anos enviavam um delegado para fazê-lo em seu nome. Talvez por temer que os lombardos pudessem devastar novamente as catacumbas, Leão transferiu dali muitas das relíquias dos mártires para uma igreja que ele construiu para recebê-las. Este papa, que é chamado pelo seu biógrafo contemporâneo de justo e culto, é comemorado como um santo no Martirológio Romano em 28 de junho. [Nota: A festa de São Leão II foi anteriormente observada em 3 de julho com a classificação de uma semi-dupla.] Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia.
- A FÉ HUMILDE DE NOSSA SENHORA – Solenidade da Assunção de Maria Santíssima
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “A fé humilde de Nossa Senhora”, clicar AQUI. “Bem-aventurada aquela que acreditou”, diz Santa Isabel no Evangelho deste domingo, “porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. A humildade e a fé de Maria Santíssima seduziram o coração de Deus e a elevaram para a glória celeste, onde ela reina ao lado de seu filho Jesus. Nesta solenidade da Assunção de Maria, Padre Paulo Ricardo nos ensina como podemos adquirir essas duas virtudes de Nossa Senhora, a fim de um dia triunfarmos com ela no Céu. PRIMEIRA LEITURA DA MISSA ((Apocalipse 11,19a;12,1.3-6a.10ab) Mulher vestida de sol Abriu-se o Templo de Deus que está no céu e apareceu no Templo a Arca da Aliança. Então apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. Então apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete coroas. Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu, atirando-as sobre a terra. O Dragão parou diante da Mulher, que estava para dar à luz, pronto para devorar o seu Filho, logo que nascesse. E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o Filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. A mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. Ouvi então uma voz forte no céu, proclamando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo”. SALMO 44 A veste esplendente da Rainha (Antífona): À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir. As filhas de reis vêm ao vosso encontro, e à vossa direita se encontra a rainha com veste esplendente de ouro de Ofir. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: “Esquecei vosso povo e a casa paterna! Que o Rei se encante com vossa beleza! Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!” Entre cantos de festa e com grande alegria, ingressam, então, no palácio real. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1Coríntios 15, 20-27a) Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Irmãos: Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força. Pois é preciso que ele reine até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Com efeito, “Deus pôs tudo debaixo de seus pés”. EVANGELHO (São Lucas 1, 39-56) A Mãe do meu Senhor Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa. ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA (Homilia de D. Henrique Soares) Hoje celebramos a maior de todas as solenidades da Mãe de Deus: a sua Assunção gloriosa ao céu. A oração inicial da Missa hodierna pediu: “Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória”. A liturgia da Igreja, sempre tão sábia e tão sóbria, resumiu aqui o essencial desta solenidade santíssima. Com efeito, Deus elevou à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria! Ela, uma simples criatura, ela, tão pequena, tão humilde, foi eleva a Deus, ao céu, à plenitude em todo o seu ser, corpo e alma! Como isso é possível? Não é a morte o destino comum e final de tudo quanto vive? Isso dizem os pagãos, isso dizem os descrentes, os sábios segundo o mundo, que se conformam com a morte… Mas, nós, nós sabemos que não é assim! Nosso destino é a vida, nosso ponto final é a glória no coração de Deus: glória no corpo, glória na alma, glória em tudo que somos! Foi isso que Deus nos preparou – bendito seja ele para sempre! Mas, como isso é possível? A Palavra de Deus deste hoje no-lo afirma, de modo admirável. Escutai, irmãos, escutai, irmãs, consolai-vos todos vós: “Cristo ressuscitou dos mortos, primícia dos que morreram. Em Cristo todos reviverão, cada qual segundo uma ordem determinada; em primeiro lugar Cristo, como primícia!” Eis por que, eis como ressuscitaremos: Cristo ressuscitou! Jesus de Nazaré, caríssimos, é o Senhor! O nosso Jesus é Deus bendito e foi ressuscitado pela glória do Pai! O nosso Senhor Jesus venceu e no faz participantes da sua vitória, dando-nos o seu Espírito Santo! Credes nisso, meus caros? Neste mundo que só crê no que vê, que só leva a sério o que toca, que só dá valor ao que cai no âmbito dos sentidos, credes que Cristo está vivo e é Senhor, primícia, princípio de todos os que morrem unidos a ele? Pois bem, escutai: o Cristo que ressuscitou, que venceu, concedeu plenamente a sua vitória à sua Mãe, à Santíssima Virgem Maria, que esteve sempre unida a ele. Ela, totalmente imaculada, nunca afastou-se do filho: nem na longa espera do parto, nem na pobreza de Belém, nem na fuga para o Egito, nem no período de exílio, nem na angústia de procura-lo no Templo, nem nos anos obscuros de Nazaré, nem nos tempos dolorosos da pregação do Reino, nem no desastre da cruz, nem na solidão do sepulcro no Sábado Santo… nem mesmo após, nos dias da Igreja, quando discretamente, ela permanecia em oração com os irmãos do Senhor… Sempre imaculada, sempre perfeitamente unida ao Senhor. Assim, após a sua preciosa morte, ela foi elevada à glória do céu, isto é, à glória de Cristo que ressuscitou e é primícia da nossa ressurreição! A presente solenidade é, então, primeiramente, exaltação da glória do Cristo: nele está a vida e a ressurreição; nele, a esperança de libertação definitiva! Por isso, todo aquele que crê em Jesus e é batizado no seu Espírito Santo no sacramento do Batismo, morrerá com Cristo e com Cristo ressuscitará. Imediatamente após a morte, nossa alma será glorificada e estaremos para sempre com o Senhor. Quanto ao nosso corpo, será destruído e, no final dos tempos, quando Cristo nossa vida aparecer, será também ressuscitado em glória e unido à nossa alma. Será assim com todos nós. Mas, não foi assim com a Virgem Maria! Aquela que não teve pecado também não foi tocada pela corrupção da morte! Imediatamente após a sua passagem para Deus, ela foi ressuscitada, glorificada em corpo e alma, foi elevada ao céu! Podemos, portanto, exclamar como Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres! Bendito é o fruto do teu ventre! Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu!” Esta é, portanto, a festa de plenitude de Nossa Senhora, a sua chegada a glória, no seu destino pleno de criatura. Nela aparece claro a obra da salvação que Cristo realizou! Ela é aquela Mulher vestida do sol, que é Cristo, pisando a instabilidade deste mundo, representada pela lua inconstante, toda coroada de doze estrelas, número da Israel e da Igreja! A leitura do Apocalipse mostra-nos tudo isso; mas, termina afirmando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus e o poder do seu Cristo!” Eis: a plenitude da Virgem é realização da obra de Cristo, da vitória de Cristo nela! Caríssimos, quanto nos diz esta solenidade! A oração inicial, citada no início desta homilia, pedia a Deus: “Dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória”. Eis aqui qual deve ser o nosso modo de viver: atentos às coisas do alto, onde está Cristo, onde contemplamos a Virgem totalmente glorificada em Cristo. Caminhar neste mundo sem no prendermos a ele. Aqui somos estrangeiros, aqui estamos de passagem, aqui somos peregrinos; lá é que permaneceremos para sempre: nossa pátria é o céu, onde está Cristo, nossa vida! O grande mal do mundo atual é entreter-se com seu consumismo, com sua tecnologia, com seu bem-estar, com seu divertimento excessivo e esquecer de viver atento às coisas do alto. Mas, pior ainda, os cristãos também muitas vezes são infectados por essa doença! Nós, que deveríamos ser as testemunhas do mundo que há de vir, quantas vezes vivemos imersos, metidos somente nas ocupações deste mundo – muitos até com o pretexto de que estão trabalhando pelos irmãos e por uma sociedade melhor. Nada disso! Os pés devem estar na terra, mas o coração deve estar sempre voltado para o alto! Não esqueçamos: nosso destino é o céu, participando da glória de Cristo, da qual a Virgem Maria já participa plenamente! Aí, sim, poderemos cantar com ela e como ela: “A minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador: o poderoso fez em mim maravilhas!” Seja ele bendito agora e para sempre. Amém. http://www.presbiteros.org.br/homilia-do-d-henrique-soares-da-costa-assuncao-de-nossa-senhora-ano-b/
- Papa S. Leão I (440-461 D.C.)
(Reinou 440-61). Local e data de nascimento desconhecidos; Morreu em 10 de novembro de 461. O pontificado de Leão, ao lado de São Gregório I, é o mais significativo e importante na antiguidade cristã. Numa altura em que a Igreja estava a experimentar os maiores obstáculos ao seu progresso em consequência da acelerada desintegração do Império do Ocidente, enquanto o Oriente estava profundamente agitado por controvérsias dogmáticas, este grande papa, com perspicácia e mão poderosa, guiou o destino da Igreja Romana e Universal. De acordo com o “Liber Pontificalis” (ed. Mommsen, I, 101 sqq., Ed. Duchesne, I, 238 sqq.), Leão era um nativo da Toscana e o nome de seu pai era Quintiano. Nossa mais antiga informação histórica sobre Leão revela-o diácono da Igreja Romana sob o papa Celestino I (422-32). Mesmo durante este período, ele era conhecido fora de Roma e tinha algumas relações com a Gália, uma vez que Cassiano em 430 ou 431 escreveu por sugestão de Leão sua obra “De Incarnatione Domini contra Nestório” (Migne, PL, L, 9 sqq.) com uma carta de dedicação a Leão. Por volta dessa época, Cirilo de Alexandria apelou a Roma contra as pretensões do bispo Juvenal de Jerusalém. De uma afirmação de Leão em uma carta de data posterior (ep. Cxvi, ed. Ballerini, I, 1212; II, 1528), não está muito claro se Cirilo escreveu para ele na qualidade de diácono romano, ou para o papa Celestino . Durante o pontificado de Sisto III (422-40), Leão foi enviado à Gália pelo Imperador Valentiniano III para resolver uma disputa e trazer uma reconciliação entre Aécio, o comandante militar principal da província, e o magistrado-mor, Albino. Esta comissão é uma prova da grande confiança depositada no diácono inteligente e capaz pela Corte Imperial. Sisto III morreu em 19 de agosto de 440, enquanto Leão estava na Gália, e este último foi escolhido seu sucessor. Retornando a Roma, Leão foi consagrado em 29 de setembro do mesmo ano e governou a Igreja Romana pelos próximos vinte e um anos. O principal objetivo de Leão era sustentar a unidade da Igreja. Não muito depois de sua elevação à cátedra de Pedro, viu-se compelido a combater energicamente as heresias que ameaçavam seriamente a unidade da Igreja mesmo no Ocidente. Leão havia averiguado através do bispo Septimo de Altinum, que em Aquileia padres, diáconos e clérigos, que haviam sido partidários de Pelágio, foram admitidos à comunhão sem uma abjeção explícita de sua heresia. O papa censurou severamente este procedimento, e ordenou que um sínodo provincial fosse montado em Aquileia, no qual tais pessoas seriam obrigadas a renunciar publicamente ao pelagianismo e a subscrever uma confissão inequívoca de fé (ep. I e ii). Este pastor zeloso empreendeu uma guerra ainda mais vigorosa contra o maniqueísmo, na medida em que seus adeptos, que haviam sido expulsos da África pelos vândalos, se estabeleceram em Roma e conseguiram estabelecer uma comunidade secreta de maniqueísmo lá. O papa ordenou que os fiéis apontassem esses hereges para os sacerdotes e, em 443, juntamente com os senadores e presbíteros, realizou uma investigação, durante a qual os líderes da comunidade foram examinados. Em vários sermões, ele enfaticamente alertou os cristãos de Roma para estarem de guarda contra essa heresia repreensível, e repetidamente os encarregou de dar informações sobre seus seguidores, suas moradas, conhecidos e encontros (Sermo ix, 4, xvi, 4; xxiv, 4; xxxiv, 4 sq; xlii, 4 sq; lxxvi, 6). Vários maniqueus em Roma foram convertidos e admitidos à confissão; outros, que permaneciam obstinados, estavam em obediência aos decretos imperiais banidos de Roma pelos magistrados civis. Em 30 de janeiro de 444, o papa enviou uma carta a todos os bispos da Itália, à qual ele anexou os documentos que continham seus procedimentos contra os maniqueus em Roma, e advertiu-os a ficarem atentos e agir contra os seguidores da seita (ep. vii) Em 19 de junho de 445, o imperador Valentiniano III emitiu, sem dúvida por iniciativa do papa, um severo decreto no qual estabeleceu sete punições para os maniqueus (“Epist Leonis”, ed. Ballerini, I, 626; ep. Viii inter Leon). ep). Próspero da Aquitânia afirma em sua “Crônica” (ad an. 447; “Mon. Germ. Hist. Auct. Antiquissimi”, IX, I, 341 sqq.) Que, em conseqüência das medidas enérgicas de Leão, os Maniqueus também foram expulsos das províncias, e até os bispos orientais imitaram o exemplo do papa em relação a essa seita. Na Espanha, a heresia do Priscilianismo ainda sobreviveu e, por algum tempo, atraiu novos adeptos. O bispo Turíbio, de Astorga, tornou-se conhecedor disso e, por extensas viagens, coletou informações minuciosas sobre a condição das igrejas e a difusão do priscilianismo. Ele compilou os erros da heresia, escreveu uma refutação da mesma e enviou esses documentos a vários bispos africanos. Ele também enviou uma cópia ao papa, após o que este enviou uma longa carta a Turíbio (ep. Xv), refutando os erros dos Priscilianistas. Ao mesmo tempo, Leão ordenou que um concílio de bispos pertencentes às províncias vizinhas fosse convocado para instituir uma investigação rígida, com o objetivo de determinar se algum dos bispos se tornaram contaminado com o veneno dessa heresia. Se algum desses fosse descoberto, eles seriam excomungados sem hesitação. O papa também endereçou uma carta semelhante aos bispos das províncias espanholas, notificando-os de que um sínodo universal de todos os principais pastores deveria ser convocado; se isso for impossível, os bispos da Galiza, pelo menos, deveriam ser reunidos. Esses dois sínodos foram de fato realizados na Espanha para lidar com os pontos em questão (Hefele, “Konziliengesch.” II, 2a ed., Pp. 306 sqq.). A condição eclesiástica extremamente desorganizada de certos países, resultante das migrações nacionais, exigia laços mais estreitos entre o episcopado e Roma para uma melhor promoção da vida eclesiástica. Leão, com este objetivo em vista, decidiu fazer uso do vicariato papal dos bispos de Arles para a província da Gália para a criação de um centro para o episcopado galicano em união imediata com Roma. No começo, seus esforços foram muito prejudicados por seu conflito com Santo Hilário, então bispo de Arles. Ainda antes, surgiram conflitos relativos ao vicariato dos bispos de Arles e seus privilégios. Hilário fez uso excessivo de sua autoridade sobre outras províncias eclesiásticas, e afirmou que todos os bispos deveriam ser consagrados por ele, em vez de por seu próprio metropolita. Quando, por exemplo, a queixa foi levantada de que o bispo Celidônio de Besançon havia sido consagrado em violação dos cânones – alegava que ele, como leigo, casara-se com viúva e, como funcionário público, havia dado seu consentimento a uma sentença de morte – Hilário depôs-o e consagrou Importunus como seu sucessor. Celidônio então apelou para o papa e partiu em pessoa para Roma. Na mesma época, Hilário, como se a Sé em questão estivesse vaga, consagrou outro bispo a ocupar o lugar de um certo Bispo Projectus, que estava doente. Projectus se recuperou, no entanto, e ele também apresentou uma queixa em Roma sobre a ação do Bispo de Arles. Hilário então foi a Roma para justificar seus procedimentos. O papa reuniu um sínodo romano (cerca de 445) e, quando as queixas apresentadas contra Celidônio não puderam ser verificadas, restabeleceu-se o último em sua sé. Projectus também recebeu seu bispado novamente. Hilário retornou a Arles antes do fim do sínodo; o papa privou-o da jurisdição sobre as outras províncias gaulesas e dos direitos metropolitanos sobre a província de Vienne, permitindo-lhe apenas manter sua Diocese de Arles. Essas decisões foram divulgadas por Leão em uma carta aos bispos da província de Vienne (ep. X). Ao mesmo tempo, enviou-lhes um édito de Valentiniano III de 8 de julho de 445, no qual as medidas do papa em relação a Santo Hilário foram apoiadas, e a primazia do bispo de Roma sobre toda a Igreja reconhecida solenemente “Epist Leonis”. “ed. Ballerini, eu, 642). Em seu retorno ao bispado, Hilário buscou uma reconciliação com o papa. Depois disso, não surgiram mais dificuldades entre esses dois homens santos e, após sua morte em 449, Hilário foi declarado por Leão como “beatæ memoriæ”. Para o bispo Ravenio, sucessor de Santo Hilário na sé de Arles, e os bispos daquela província, Leão dirigiu as mais cordiais cartas em 449 sobre a eleição do novo metropolita (epp. Xl, xli). Quando Ravênio consagrou um pouco mais tarde um novo bispo para ocupar o lugar do falecido Bispo de Vaison, o arcebispo de Vienne, que estava então em Roma, se opôs a essa ação. Os bispos da província de Arles escreveram então uma carta conjunta ao papa, na qual imploravam a ele que restituísse a Ravênio os direitos dos quais seu predecessor Hilário havia sido privado (ep. Lxv inter. Leonis). Em sua resposta de 5 de maio de 450 (ep. Lxvi), Leão aceitou o pedido. O arcebispo de Vienne deveria manter apenas os bispados sufragênios de Valença, Tarentaise, Genebra e Grenoble; todas as outras sedes da província de Viena foram submetidas ao arcebispo de Arles, que também se tornou novamente o mediador entre a Santa Sé e todo o episcopado gaulês. Leão transmitindo a Ravênio (ep. Lxvii), para comunicação com os outros bispos Gallicanos, sua célebre carta a Flaviano de Constantinopla sobre a Encarnação. Ravenio convocou então um sínodo, no qual se reuniram quarenta e quatro pastores-chefes. Em sua carta sinodal de 451, eles afirmam que aceitam a carta do papa como um símbolo de fé (ep. Xxix inter ep. Leonis). Em sua resposta, Leão fala mais da condenação de Nestório (ep. Cii). O Vicariato de Arles reteve por muito tempo a posição que Leão lhe concedeu. Outro vicariato papal foi o dos bispos de Tessalônica, cuja jurisdição se estendia sobre a Ilíria. O dever especial deste vicariato era proteger os direitos da Santa Sé sobre o distrito da Ilíria Oriental, que pertencia ao Império do Oriente. Leão concedeu o vicariato ao bispo Anastácio de Tessalônica, exatamente como o papa Sirício o havia confiado anteriormente ao bispo Anísio. O vigário consistia em consagrar os metropolitanos, reunir em um sínodo todos os bispos da província da Ilíria Oriental, para supervisionar a administração de seu ofício; mas os assuntos mais importantes deveriam ser submetidos a Roma (ep. v, vi, xiii). Mas Anastácio de Tessalônica usou sua autoridade de maneira arbitrária e despótica, tanto que foi severamente reprovado por Leão, que lhe enviou direções mais completas para o exercício de seu ofício (ep. Xiv). Na concepção de Leão de seus deveres como pastor supremo, a manutenção da estrita disciplina eclesiástica ocupava um lugar de destaque. Isso era particularmente importante numa época em que a contínua destruição dos bárbaros estava introduzindo a desordem em todas as condições da vida, e as regras da moralidade estavam sendo seriamente violadas. Leão usou sua energia máxima para manter essa disciplina, insistiu na exata observância dos preceitos eclesiásticos e não hesitou em repreender quando necessário. Cartas (ep. Xvii) relativas a estes e outros assuntos foram enviadas para os diferentes bispos do Império do Ocidente – por exemplo, para os bispos das províncias italianas (epp. Iv, xix, clxvi, clxviii), e para os da Sicília, que tinham tolerado desvios da liturgia romana na administração do batismo (ep. xvi), e sobre outros assuntos (ep. xvii). Um decreto disciplinar muito importante foi enviado ao bispo Rústico de Narbonna (ep. Clxvii). Devido ao domínio dos vândalos no norte da África, a posição da Igreja havia se tornado extremamente sombria. Leão mandou o sacerdote romano Potencio para lá para informar-se sobre a condição exata e encaminhar um relatório a Roma. Ao receber este Leão, enviou uma carta de instruções detalhadas ao episcopado da província sobre o ajustamento de numerosas questões eclesiásticas e disciplinares (ep. Xii). Leão também enviou uma carta a Dioscoro de Alexandria em 21 de julho de 445, exortando-o à estrita observância dos cânones e disciplina da Igreja Romana (ep. Ix). A primazia da Igreja Romana manifestou-se assim sob este papa das maneiras mais variadas e distintas. Mas foi especialmente em sua interposição na confusão das brigas cristológicas, que então agitavam tão profundamente a cristandade oriental, que Leão se revelou de maneira mais brilhante o pastor sábio, instruído e energético da Igreja. De sua primeira carta sobre este assunto, escrita para Eutiques em 1 de junho de 448 (ep. Xx), até sua última carta escrita ao novo patriarca ortodoxo de Alexandria, Timóteo Salophaciolus, em 18 de agosto de 460 (ep. Clxxi), não podemos deixar de admirar a maneira clara, positiva e sistemática pela qual Leão, fortalecido pela primazia da Santa Sé, participou desse difícil entrelaçamento. Eutiques recorreu ao papa depois de ter sido excomungado por Flaviano, Patriarca de Constantinopla, por causa de suas visões monofisistas. O papa, após investigar a disputada questão, enviou sua sublime carta dogmática a Flaviano (ep. Xxviii), estabelecendo e confirmando concisamente a doutrina da Encarnação e a união das naturezas Divina e humana na única Pessoa de Cristo. Em 449, o concílio, que foi designado por Leão como o “Sínodo Latrocida”, foi realizado. Flaviano e outros prelados poderosos do Oriente apelaram ao papa. Os últimos enviaram cartas urgentes a Constantinopla, particularmente ao imperador Teodósio II e à Imperatriz Pulquéria, instando-os a convocar um Concílio geral para restaurar a paz na Igreja. Para o mesmo fim, ele usou sua influência com o imperador do Ocidente, Valentiniano III, e sua mãe Galla Placidia, especialmente durante a sua visita a Roma em 450. Este concílio geral foi realizado em Calcedônia em 451 sob Marciano, o sucessor de Teodósio. Ele solenemente aceitou a epístola dogmática de Leão a Flaviano como uma expressão da fé católica concernente à pessoa de Cristo. O papa confirmou os decretos do Concílio depois de eliminar o cânon, que elevou o Patriarcado de Constantinopla, enquanto diminuía os direitos dos antigos patriarcas orientais. Em 21 de março de 453, Leão publicou uma carta circular confirmando sua definição dogmática (ep. Cxiv). Mediante a mediação do bispo Juliano de Cos, que na época era o embaixador papal em Constantinopla, o papa tentou proteger os interesses eclesiásticos no Oriente. Ele persuadiu o novo imperador de Constantinopla, Leão I, a remover o patriarca herético e irregular, Timóteo Ailurus, da Sé de Alexandria. Um novo e ortodoxo patriarca, Timóteo Salophaciolus, foi escolhido para ocupar seu lugar e recebeu os parabéns do papa na última carta que Leão enviou ao Oriente. Em seu longo cuidado pastoral da Igreja Universal, no Ocidente e no Oriente, o papa nunca negligenciou os interesses domésticos da Igreja em Roma. Quando o norte da Itália foi devastado por Átila, Leão, por um encontro pessoal com o rei dos hunos, impediu-o de marchar sobre Roma. A pedido do imperador, Leão, acompanhado pelo Cônsul Avieno e pelo Prefeito Trigétio, viajou em 452 para a Alta Itália e encontrou Átila em Mincio, nas proximidades de Mântua, obtendo dele a promessa de que ele se retiraria da Itália e negociaria a paz com o Imperador. O papa também conseguiu obter outro grande favor para os habitantes de Roma. Quando em 455 a cidade foi capturada pelos vândalos sob Genserico, embora por uma quinzena a cidade tivesse sido saqueada, a intercessão de Leão obteve a promessa de que a cidade não deveria ser ferida e que as vidas dos habitantes deveriam ser poupadas. Esses incidentes mostram a alta autoridade moral desfrutada pelo papa, manifestada até mesmo em assuntos temporais. Leão sempre esteve em termos de intimidade com a Corte Imperial Ocidental. Em 450 o imperador Valentiniano III visitou Roma, acompanhado por sua esposa Eudoxia e sua mãe Galla Placidia. Na festa de Cathedra Petri (22 de fevereiro), a família imperial, com sua brilhante comitiva, participou dos cultos solenes de São Pedro, ocasião em que o papa proferiu um impressionante sermão. Leão também estava ativo na construção e restauração de igrejas. Ele construiu uma basílica sobre o túmulo do Papa Cornélio na Via Appia. O telhado de São Paulo sem as Paredes tendo sido destruído por um raio, ele o substituiu e realizou outras melhorias na basílica. Ele persuadiu a Imperatriz Gala Placídia, como visto na inscrição, a executar o grande mosaico do Arco do Triunfo, que sobreviveu até nossos dias. Leão também restaurou São Pedro no Vaticano. Durante seu pontificado, uma piedosa senhora romana, chamada Demétria, ergueu em sua propriedade na Via Appia uma basílica em homenagem a Santo Estêvão, cujas ruínas foram escavadas. Leão não foi menos ativo na elevação espiritual das congregações romanas, e seus sermões, dos quais noventa e seis exemplos genuínos foram preservados, são notáveis por sua profundidade, clareza de dicção e estilo elevado. Os primeiros cinco destes, que foram entregues nos aniversários da sua consagração, manifestam a sua elevada concepção da dignidade do seu ofício, bem como a sua profunda convicção da primazia do Bispo de Roma, manifestada em um pronunciamento de uma maneira tão sincera e decisiva por toda a sua atividade como pastor supremo. De suas cartas, que são de grande importância para a história da igreja, 143 chegaram até nós: também possuímos trinta que foram enviadas a ele. O chamado “Sacramentarium Leonianum” é uma coleção de orações e prefácios da Missa, preparados na segunda metade do século VI. Leão morreu em 10 de novembro de 461 e foi enterrado no vestíbulo de São Pedro, no Vaticano. Em 688, o papa Sérgio mandou transferir seus restos para a basílica, e um altar especial foi erguido sobre eles. Eles descansam hoje em São Pedro, sob o altar especialmente dedicado a São Leão. Em 1754, Bento XIV exaltou-o à dignidade do Doutor da Igreja (doctor ecclesiæ). Na Igreja latina, a festa do grande papa é realizada em 11 de abril, e na Igreja Oriental em 18 de fevereiro. Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia
- Maomé II, o Açoite da Cristandade e o Cisma Bizantino
Em 2003 apareceu um volume verdadeiramente notável “1453 Fall of Constantinople: Muhammad II Imposes the Orthodox Schism” (Edições Francois-Xavier de Guibert, Paris – entre em contato com http://www.fxdeguibert para ver se cópias em inglês ou francês ainda estão disponíveis). Lindamente impressa e contendo esplêndidas ilustrações, esta obra é de uma ilustre historiadora da arte libanesa ortodoxa grega e especialista em renascimento, Lina Murr Nehme, que leciona na Universidade Libanesa em Beirute. Recebendo um diploma da Beaux-Arts de Paris, esta historiadora, pintora, poeta e professora de Arte e Arquitetura, escreveu extensivamente sobre a natureza do Renascimento e concentrou-se neste volume sobre um importante fator histórico que contribui para a manutenção de o cisma grego bizantino – que não conseguiu receber atenção suficiente dos historiadores – a saber, o papel dos muçulmanos na oposição e prevenção da Reunião das Igrejas a partir de 1274, e que fomentou a colaboração traidora dos principais líderes bizantinos que preferiram a conquista islâmica da cidade à reunião da igreja bizantina com Roma. Ela se concentra especialmente no período do século 15 marcado pela realização do Concílio de Reunião de Florença (1439) e a trágica queda de Constantinopla em 1453 para os turcos otomanos liderados pelo sultão Maomé II. Durante esse período crítico, com imensas conseqüências para a cristandade ocidental e oriental, a professora Nehme apresenta outra versão muito necessária da queda de Constantinopla – uma não apenas de traição doentia por parte de governantes ocidentais covardes, mas também por cristãos bizantinos que entregariam a cidade imperial nas mãos de Maomé II e deixaram em torrentes de sangue. Após a queda da cidade, foi, segundo ela, a propaganda de anti-unionistas e colaboradores bizantinos que se mostrou eficaz em minimizar os verdadeiros sentimentos pró-União do imperador bizantino Constantino XI e do povo da cidade. Tal propaganda venenosa deixaria séculos de cristãos gregos, sírios e árabes no Oriente Médio com um triste legado de hostilidade religiosa à Igreja Católica. A escrita de seu livro foi influenciada pelas simpatias ecumênicas de Inácio IV Hazim, o patriarca ortodoxo grego de Antioquia: “Temos a sorte de ter um patriarca que deseja união e tem a coragem de dizer a verdade.” Foi ele quem declarou em Notre Dame, em Paris, em junho de 1983: “O desacordo entre ortodoxos e católicos não é dogmático … Somos capazes de nos unir a Roma porque somos teimosamente leais às nossas raízes”. Assim encorajado, nossa autora se envolveu em 7 anos de pesquisa. Ela também recebeu ajuda de um jornalista ortodoxo esperando que o livro promovesse a unidade da Igreja. Quando publicado em francês, inglês e árabe, ela ficou satisfeita com o fato de seu volume ter recebido comentários favoráveis de libaneses ortodoxos que por algum tempo foram simpáticos à União das Igrejas. A verdadeira versão da queda da capital imperial de Bizâncio, ela observa: “Não foi escrita [pelos habitantes da cidade] ou, se foi, não chegou até nós, porque os únicos patriarcas aceitos pelos otomanos eram aqueles que reprimiam a liberdade de expressão. Assim, a verdade do que as testemunhas oculares realmente sentiam, morreu com elas. E, por ignorância, nós, ortodoxos, repetimos ao longo dos séculos a versão que os sultões nos desejavam repetir: que o Ocidente católico era apóstata; que o Concílio de Florença não era válido porque os participantes bizantinos [no Concílio] haviam traído o dogma ortodoxo; que o Imperador João VIII agiu lá sob pressão, e, portanto, que a anulação do Decreto da União por Jorge Scholarios era legal ”. O objetivo do estudo detalhado de nosso autor é mostrar que o Concílio de Florença era, de fato, um verdadeiro Concílio Ecumênico e permanece válido, enquanto os líderes dos anti-unionistas se engajaram em uma colaboração vergonhosa com Maomé II e são responsáveis por uma ilegal e cisma inválido. Escolhido por opróbrio especial como um dos principais colaboradores com o inimigo muçulmano é o filósofo e teólogo bizantino Jorge Scholarios que foi recompensado pelo decreto vitorioso do Sultão Maomé II para se tornar o patriarca Genádio de Constantinopla. É irônico que ele tenha originalmente apoiado o fim do Cisma em discursos no Concílio de Florença, mas ao retornar para casa ele fez uma virada para substituir Marcos de Éfeso como o líder da oposição ao Concílio de Florença. Também entre aqueles que traíram o povo cristão estavam os principais políticos da capital imperial, Demétrio Paleologos, um “homem devasso, venal, impopular, um colaborador dos turcos, e quase completamente irreligioso”, e o grão-duque Lucas Notarios que financiou motins na cidade para criar uma atmosfera de violência para intimidar a população e se tornaria infame pelo o seu “Seria melhor ver o turbante dos turcos reinando no centro da cidade que a mitra latina”. Nossa autora argumentou convincentemente que: “chegou a hora de ver o que realmente aconteceu [em 1453] ao confrontar os números, os textos e os atos e reabilitar as vítimas de Constantinopla, expondo as verdadeiras faces de seus algozes e daqueles que os traíram.” Em uma entrevista em seu livro após a publicação, ela fez uma pergunta muito séria de seus colegas ortodoxos: “Ortodoxia pode ser representada pelos líderes da colaboração com o inimigo? Os principais colaboradores foram, portanto, aqueles que trabalharam para substituir a ortodoxia com o Islã. Por outro lado, os líderes do partido a favor da União também foram os líderes da defesa de Constantinopla. Eu mostro com fatos que geralmente não são notados, que os ortodoxos eram em sua maioria favoráveis à União na época, é o contrário do que geralmente se lê nos livros, mas que assim seja. Eu digo.” Ela observou um padrão persistente na escrita histórica: “Os traidores acusarão os outros de traição a fim de camuflarem sua própria traição. E suas acusações perduraram, porque a história é escrita pelos vencedores. Não é culpa dos ortodoxos de hoje se, por quatro séculos, eles foram impedidos de ver a verdade da traição que aconteceu ”. Ela mostra Maomé II obcecado em capturar a cidade. Ele era “uma perfeita encarnação do antigo ideal grego e da religião humanista da Renascença italiana”. Altamente culto, ele era um poeta, e também pederasta e pedófilo, incrivelmente egoísta e cruel, e “disposto a levar à morte centenas de milhares de tropas turcas ou aliadas, massacrar, humilhar, vender como escravo, torturar e estuprar. centenas de milhares de civis cristãos cujo único crime foi não ter se rendido sem lutar ”. Outros historiadores declararam que ele era talvez o inimigo mais perigoso que a cristandade já teve que enfrentar. Reunindo uma horda de mais de 300.000 soldados e com a ajuda de cristãos subornados, ele construiu os maiores canhões já vistos para atacar as muralhas da cidade habitada por uma população de 100.000 habitantes, e defendida pelo imperador Constantino XI com 7.000 soldados (sendo 2.000 estrangeiros). Catalães, venezianos, genoveses e alguns aliados muçulmanos liderados pelo príncipe Orkhan, a quem o sultão odiava e considerava “o homem mais perigoso do mundo, porque ele era o único que podia contestar sua legitimidade”. No meio da incrível luta que ocorreu, a grande massa do povo esqueceu-se do ódio e do rancor e preparou-se para morrer com seu heróico e amado Imperador que, quando os fanáticos janízaros romperam as defesas, se despojou da insígnia imperial com e espada na mão, lutou e morreu como um simples soldado. Assim terminou Nova Roma sob um imperador católico que receberia aclamação popular até hoje como um santo pelos católicos e ortodoxos. A professora Nehme descreve vividamente o massacre e o açougue após a queda da cidade. Outra escritora moderna, a famosa jornalista italiana, Oriana Fallaci (2006), deu um relato semelhante, um dirigido aos “hipócritas americanos e europeus que se tornaram apologistas pró-islâmicos” : “[Temos hoje] uma Europa que chora apenas pelos muçulmanos, nunca pelos cristãos, judeus, budistas ou hindus; Não seria politicamente correto conhecer os detalhes da queda de Constantinopla. Seus habitantes que, ao romper do dia, enquanto Maomé II estava bombardeando as muralhas de Teodósio, refugiaram-se na catedral de Santa Sofia e aqui começam a cantar salmos, para invocar a misericórdia divina. O patriarca que à luz de velas celebra sua última missa e para diminuir o pânico, troveja: “Não temam, meus irmãos e irmãs! Amanhã você estará no Reino do Céu e seus nomes sobreviverão até o fim dos tempos. As crianças que choram de terror, suas mães que lhes dão o coração repetindo: “Silêncio, amor, silêncio! Nós morremos pela nossa fé em Jesus Cristo! Morremos pelo nosso imperador Constantino XI, pela nossa pátria! As tropas otomanas que batiam seus tambores pisam sobre as brechas nas paredes caídas, dominam os defensores genoveses, venezianos e espanhóis, as matam com cimitarras, assim irrompem para a Catedral e decapitam até mesmo bebês recém-nascidos. Eles se divertem apagando as velas com suas pequenas cabeças cortadas … Isso durou desde o amanhecer até a tarde, aquele massacre. Só diminuiu quando o grão-vizir subiu ao púlpito de Santa Sofia e disse aos matadouros: “Descanse. Agora esse templo pertence a Alá ”. Enquanto isso, a cidade queima, os soldados crucificam, enforcam e empalam, os janízaros estupram e matam as freiras (quatro mil em poucas horas) ou acorrentam os sobreviventes para vendê-los no mercado de Ancara. E os servos preparam a Festa da Vitória, a Festa durante a qual (desafiando o Profeta) Maomé II se embriagou com os vinhos de Chipre e, tendo uma fraqueza por jovens garotos, mandou chamar o primogênito do Ortodoxo Grego Notaras : adolescente de quatorze anos conhecido por sua beleza. Na frente de todos, ele o estuprou, e depois do estupro, ele mandou chamar sua família – seus pais, avós, tios, tias e primos. Na frente do grão-duque, decapitou-os, um por um. Ele também teve todos os sinos derretidos, todas as igrejas transformadas em mesquitas ou bazares. Ah, sim, é assim que Constantinopla se tornou Istambul. Mas o senhor Doudou, da ONU, e os professores de nossas escolas não querem saber disso ”. (A Força da Razão, pp. 43-44) Pouco lembrado é que após a queda de Constantinopla, as forças de Maomé II invadiram a Itália com seus gritos de “Roma, Roma”: “O destino de Otranto foi particularmente terrível: de uma população de 22.000 pessoas, 12.000 morreram no cerco ou no assalto. Quando 800 homens foram arrastados e mandados a se tornar muçulmanos, todos recusaram. Eles foram todos mortos. O terror reinou em Roma … De repente, em 3 de maio de 1481. Maomé II morreu, salvando os europeus do destino que haviam condenado os cristãos do Oriente. A Itália só permaneceu cristã porque os otomanos nunca encontraram um gênio como Maomé II ”. Quaisquer que sejam as deficiências dos reis e príncipes e governantes ocidentais e sua desunião destacada no notável estudo da Professora Nehme, ela não deixa de notar o heroísmo daqueles guerreiros, bispos e papas, que se dedicaram a despertar a consciência da Europa para a maré islâmica de conquista. “Muito”, concluiu ela, “pode ser reprovado pelos Papas do Renascimento [mas] os Papas, que foram os soberanos mais difamados na Europa, também foram os únicos a não sucumbir ao crime de Scholarios ao colaborar com os sangrento Sultão. Bem ou mal, todos tiveram pena dos cristãos do Oriente e continuaram a financiar cruzadas caras para devolver a eles sua capital. ” É para o crédito dos Papas que eles tentaram desesperadamente convencer os príncipes míopes, gananciosos e Maquiavelianos a não abandonar seus irmãos cristãos orientais. Pode-se dizer que o seguinte comentário de nossa autora conclui esta breve revisão de um trabalho fascinante: “Somente os verdadeiros cristãos da Europa, aqueles que odiavam os antigos deuses, teriam arriscado a vida por Constantinopla, e especialmente se fossem amigos do papa. Todos os santos do Ocidente foram amigos tanto do papa como dos cristãos do Oriente, e aplicaram as palavras de Cristo: “Pelo amor que vocês têm uns pelos outros, os homens saberão que são meus discípulos.” Em um anônimo “Cântico de Lamentação pela Queda de Constantinopla em 1453” (traduzido por Richard Stoneman), lê-se: “A vontade de Deus tornou a nossa cidade agora em uma cidade turca. Mas mande uma mensagem para o ocidente e deixe que eles mandem três navios: O primeiro a tomar a cruz, o segundo para remover o Evangelho, O terceiro, o melhor, resgatará para nós nosso altar sagrado. Para que não seja tudo para aqueles cães, e eles o contaminam e desonram. A Virgem Santa estava angustiada, os próprios ícones choraram. Seja calma, amada Senhora, fique calma e não chore por eles. Embora anos, embora séculos passem, eles serão novamente seus Tradução: http://www.jameslikoudispage.com/Ecumenic/cons1453.htm
- UMA MULHER FORTE
UMA MULHER FORTE • Já foi mencionado que os primeiros cristãos procuraram nas Escrituras judaicas, especificamente nos primeiros Capítulos do Gênesis, as profecias que mais tarde se cumpririam nos Evangelhos. O mais notável exemplo — suficientemente extraordinário para acabar recebendo o nome de primeiro evangelho, ou proto-evangelho — foi a promessa de Deus após a queda de Adão e Eva, “porei hostilidade entre ti e a mulher, entre tua linhagem e a linhagem dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.” Ireneu de Lyon, nos seus escritos da segunda metade do século II, explicou detalhadamente esse texto para provar que Jesus era o filho de Deus e semente da mulher que, como segundo Adão, resistir à tentação do tentador, vencendo onde o primeiro Adão fora vencido, aqui na cruz Ele foi ferido pela serpente, mas que é esmagada no processo (Ireneu contra as Heresias V, XXI, 1-3), com base nos melhores manuscritos, há um consenso geral, entre os conhecedores modernos do texto da vulgata, de que Jerônimo, um dos poucos estudiosos dos primeiros séculos da história cristã que conhecia profundamente o hebraico, grego e latim, traduziu essa frase dando o mesmo sentido da versão recém citada. Mas em algum ponto na tradição Latina, talvez pelo sentimento religioso, o neutro ipsum foi substituído pelo feminino ipsa: o que é demonstrado nas artes em que a Santíssima virgem triunfa sobre o orgulhoso Satã. • De acordo com a apropriação da linguagem do velho testamento e no interesse de dar uma nova dimensão ao novo testamento, Maria passou a ser vista como a Divina resposta à questão do capítulo final do Livro dos Provérbios, “quem encontrará a mulher de valor? Ou em outras versões “mulher de coragem, quem encontrará?” — Isto é, como a mulher forte, engrandecimento expressão criada de Maria como a segunda Eva, que se alistara na batalha como a primeira, mas que, por ser forte, derrotar o demônio e conquistara o conquistador. Portanto, por extensão, ela merecia ser tornar a Padroeira da Vitória, suas bênçãos foram invocados pelos exércitos a caminho da Batalha, sobretudo na guerra contra os que eram considerados Inimigos da Fé, como os muçulmanos. Sua imagem foi impressa nas Bandeiras carregados pelos combatentes, tolstoi, em guerra e Paz, fez a princesa Maria Bolkonskaia (personagem inspirada na figura de sua mãe) escrever no final de uma carta que lamentava “esta infortunada guerra à qual somos induzidos, Deus sabe como e porquê”, e era endereçada a sua amiga Júlia: “Adeus, querida amiga. Poça nosso Divino Salvador e sua mais Sagrada mãe tomar lá em sua poderosa e Santa graça” (capítulo 22). Só para acrescentar uma informação de tempos recentes, na invasão alemã à Rússia, conhecida como operação Barbarrossa, os exércitos Russos foram ao campo de batalha com o Ícone da Virgem de Kazan, isto aconteceu sob as ordens de Stalin, depois da batalha o ícone desapareceu, e foi reencontrado em Portugal e devolvido aos russos por João Paulo II, nesses momentos vemos que até os ateus comunistas tem fé. E o nosso Divino Salvador e sua mais Sagrada A mãe também deveriam guardar os soldados em sua poderosa Santa Graças durante a batalha pois Cristo, como Christus Victor, é sua mãe, como mulier fortis, não poderiam ser apenas gentis e humildes, mas também deveriam se mostrar ferozes e vitoriosos. Mais uma vez, essa foi uma representação de Maria que, fundamentada nesse método de interpretação bíblica, embora mais Evidente no velho testamento, também podia ser encontrada no novo. Essa interpretação igualmente conseguia oferecer as mulheres da idade média certo vislumbre do que elas poderiam ser — e, por predestinação divina, no que poderiam ser transformar. A mais sensacional resposta medieval a questão sobre a mulher de coragem proposta em provérbios foi Joana D’Arc. • REGENTE DO CORO CELESTIAL • Além da utilização da figura de EVA e de outras personagens femininas nos escritos de Salomão, o mais Óbvio protótipo de Maria no velho testamento foi, sob muitos aspectos, Míriam, irmã de Moisés e Arão, em cuja homenagem, quase Com certeza, a Virgem recebeu o nome. Míriam, nome hebraico da irmã de Moisés, assumiu formas variadas e ligeiramente diferentes da língua grega: Maria, Mareia, Mariam, Mariame. As variantes Maria e Mariam aparecem no Novo Testamento, sendo que a primeira foi empregada inicialmente por Mateus, e a segunda foi usada por Lucas. Exceto pelo nome, seria vão examinar as páginas do novo testamento à procura de qualquer ligação entre a mãe de Jesus e a irmã de Moisés. Mas, quando se tornou legítimo e imperioso para os intérpretes cristãos empregar o que aqui tem sido denominado de metodologia de amplificação, Santo Agostinho intérprete criativo da Bíblia, foi atraído pelo texto histórico do livro do Êxodo que descreve a Vitória dos filhos de Israel sobre os exércitos do faraó no mar vermelho: “Maria, a profetisa, irmã de Aarão, tomou na mão um tamborim e todas as mulheres a seguiram com tamborins, formando coros de dança. E Maria leis entoava cantai a Iahweh, pois de Glória se vestiu; ele jogou ao mar cavalo e cavaleiro! (Êxodo 15,20-21). • SEMPRE VIRGEM • Os escritos do apóstolo Paulo e o mais antigo dos Evangelhos, o de Marcos, não fazem nenhuma alusão ao nascimento virginal de Jesus, porém o texto bíblico histórico das escrituras judaicas apresentam essa referência, Ou pelo menos o fazia na tradução grega dos judeus de Alexandria elaborada nos dois séculos anteriores à expansão do cristianismo, a septuaginta. Essa foi a fonte usada pelos Evangelistas Mateus e Lucas, sendo que Mateus até cita a transcrição grega da Profecia de Isaías:”Oi saber que o senhor mesmo lhe dará um sinal: Eis que a jovem está grávida e dará a luz um filho e da Arli o nome de Emanuel >[A Virgem = a jovem= parthenos na Septuaginta]. O grego parthenos ela tradução da palavra Hebraica que significava “jovem mulher”, e Não especificamente “virgem”, mas mas foi citada como tal no Novo Testamento grego. Maria perguntou ao anjo da Anunciação: “Maria, Porém, disse ao anjo: como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?”. Diferentemente de Lucas, os Evangelhos de Mateus, Marcos e João mencionam os “irmãos” de Cristo (Mateus 12, 46, 13,55: João 2:12, 7: 3-5; Marcos 3,31), a exemplo do apóstolo Paulo( I Coríntios 9, 5; Gálatas 1,19). Aparentemente, a dedução óbvia desse fato é que Maria e José tiveram outros filhos depois da Concepção Milagrosa de Jesus Pelo poder do Espírito Santo. • Mas essa não foi a conclusão da vasta maioria dos primeiros Mestres cristãos. Em vez disso, eles passaram a considerar Maria a Eterna Virgem, Aeiparthenos, Semper Virgo. Diante das referências da Bíblia aos “irmãos” de Jesus, eles foram obrigados a recorrer a alguns argumentos bíblicos bastante elaborados. No entanto, o suporte bíblico para denominar Maria a eterna virgem não foi encontrado no Novo Testamento, e sim no Cântico dos Cânticos:”és Jardim fechado, minha irmã, noiva minha, és Jardim fechado, uma fonte lacrada.” Depois de analisar uma série de textos do Cântico dos Cânticos, Jerônimo chegou a esse versículo que considerou uma referência a mãe do nosso Senhor, que era mãe e virgem. Por esta razão, ninguém antes ou após o nosso salvador foi sepultado em sua tumba, escavada em Rocha sólida” (Jerônimo contra Joviano). Esse foi um interessante e criativo processo de interpretação, pois, de acordo com os Evangelhos e no que concerne à história da vida terrena de Cristo, a tumba de Jesus era um sepulcro novo pertencente a José de Arimatéia, onde ninguém jamais fora sepultado(Mateus 27,60). Os Evangelhos nada contam sobre a história posterior do sepulcro depois da Ressurreição de Jesus, e igualmente não fazem menção ao túmulo de Maria. Mas pela força do “hortus conclusus” do Cântico dos Cânticos, Jerônimo, Talvez o maior estudioso bíblico da história da Igreja do ocidente, sentir-se à vontade para concluir que jamais outra pessoa seria sepultada na tumba de Cristo e que nunca outros filhos nasceriam da Virgem. #mariologia #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #históriadaigrejaprimitiva #Igreja
- O QUE PENSARIA JESUS DA NOSSA MÚSICA LITÚRGICA? – Peter Kwasniewski
Ao comentar o rito romano da Missa, Santo Tomás faz notar o seguinte: Neste sacramento [a Eucaristia], é necessária uma devoção maior do que nos outros sacramentos, uma vez que Cristo inteiro está nele contido, e também mais extensa, porque neste sacramento se requer a devoção não só de quem o recebe, como acontece nos outros sacramentos, mas de todo o povo pelo qual é oferecido o sacrifício. Por isso, diz Cipriano (Sobre a Oração do Senhor, XXXI): “O sacerdote, ao rezar o Prefácio, dispõe o espírito dos irmãos, dizendo: ‘Corações ao alto’, para que eles, quando responderem: ‘O nosso coração está em Deus’, possam recordar que não devem pensar em mais nada além de Deus”. Que texto memorável! O Doutor Angélico nos diz aqui que a liturgia da Missa deve suscitar em nós uma profunda e extensa devoção, conforme a grandeza de tamanho sacrifício, de modo que a nossa mente não pense em nada mais do que em Deus. Também a Divina Liturgia bizantina testemunha essa ideia: “Que nós, que representamos misticamente os querubins e entoamos o hino três vezes santo à vivificadora Trindade, deixemos agora de lado todos os cuidados terrenos”. Os cristãos nunca assumiram como um dever apropriar-se de elementos externos deste mundo decaído para introduzi-los nas igrejas. Nesta vida não podemos imitar perfeitamente os querubins, como se estivéssemos o tempo todo arrebatados, participando da liturgia celeste; estaremos sempre agarrados a alguns pensamentos e emoções terrenas. No entanto, a Igreja levantou a voz contra os músicos e compositores que pretendiam introduzir esses mesmos pensamentos e emoções em nossos templos, fazendo-os dominar a cena. Inspirados nos ensinamentos de Jesus e alimentados com seu Corpo e Sangue vivificantes, nós, como cristãos, estamos chamados a levar ao mundo a santidade do altar e, na medida do possível, a transformar o mundo, renovando-o e santificando-o pelo poder dos sagrados mistérios. Os cristãos nunca assumiram como um dever apropriar-se de elementos externos deste mundo decaído para introduzi-los nas igrejas, recriando a liturgia, a oração e as artes como “reflexos” deste mundo. Porque, ainda que sejam reflexos mais “suaves”, eles continuam tendo origem, não em Deus, mas no mundo, e levam consigo a marca da mundanidade. Não haverá talvez alguma relação entre, de um lado, as tentativas pós-conciliares de substituir a natureza hierárquica da Igreja por modelos democráticos tomados de empréstimo ao humanismo ilustrado e, de outro, o declínio da qualidade da música sacra e religiosa, que agora exalta o homem em vez de Deus e só tem êxito em mostrar a banalidade e a pobreza de um homem sem Deus? Se quisermos saber como devem ser cantados os Salmos ou outros textos das Sagradas Escrituras, temos de ouvir os “sucessores” dos israelitas cantando os “cantos de Sião”, ou seja, os monges e monjas fiéis que dedicaram a vida a “entoar um hino” (Sl 46, 8) ao Rei do universo. Um ouvido atento pode, de fato, captar as semelhanças entre as cantilenas judaicas e a salmodia cristã, quer latina ou bizantina. Se você ouvir alguma gravação dos monges de Le Barroux, Fontgombault, Norcia ou Silverstream, descobrirá como é que soa uma oração cantada: reverente, piedosa e contemplativa; as palavras sagradas são saboreadas como mel (cf. Sl 118, 103), com as paixões em paz e a mente elevada até ao céu e à Santíssima Trindade. Consumido de zelo (cf. Jo 2, 17), Jesus expulsou os vendilhões e cambistas do Templo, muito embora o que eles então faziam fosse até menos recriminável do que acontece hoje no coração de tantas igrejas católicas. Por que Nosso Senhor, sendo tão compreensivo com os pecadores, agiu daquela forma? Porque Cristo, mais do que qualquer fiel de qualquer tempo, sabe como é importante a pureza da oração, sabe da necessidade de manter separados o mundano e o sagrado. Só Ele sentia e sabia, no íntimo de seu ser incriado, o quão indignos de Deus eram os motivos, as maneiras e as mercadorias oferecidas por aqueles negociantes. Ao entrarmos numa igreja, deixamos do lado de fora os assuntos e prazeres do mundo e buscamos adorar a Deus com todo o nosso coração, com toda a nossa inteligência, com toda a nossa alma. Essa dedicação e devoção deve, em toda a sua integridade, sair do templo e ir ao encontro do mundo, de forma que quanto mais adorarmos a Deus, mais conformes serão nossas vidas aos mistérios que celebramos, tornando-nos, por assim dizer, uma prolongação “física” dos ritos litúrgicos, inclusive em meio às nossas atividades seculares. O objetivo não é secularizar o sagrado e fazê-lo mais “acessível” à mentalidade moderna (isso seria, na verdade, um sacrilégio), mas santificar as realidades seculares e fazê-las santas, tornando-as melhores. A igreja é o ambiente próprio do sagrado, e não o espaço de uma mundanidade adaptada e acomodada. A Igreja deveria conquistar nossas mentes e corações para o sagrado, a fim de que essa vitória permeie todos os aspectos de nossa vida no mundo. O “rock cristão”, ou até mesmo o estilo popular de algumas bandas católicas, não passa de uma vitória da mentalidade mundana, um subproduto da cultura imperante, uma contaminação do silêncio e dos cânticos que deveriam ressoar na casa de Deus, onde o espírito pode respirar livremente e as emoções são docemente acalmadas. Muitos livros e artigos já foram escritos sobre as orientações eclesiásticas a respeito da música litúrgica e sobre o nobre ideal de cantar a Missa — e não simplesmente naMissa —, e tudo isso em continuidade com a gloriosa herança musical que o Espírito do Senhor inspirou à Igreja no decorrer dos séculos. Como conclusão, eu gostaria apenas de sugerir um bom ponto de partida para um “exame de consciência musical”, que poderá, quem sabe, levar-nos a uma mudança de coração, a novos propósitos e iniciativas concretas. O Concílio de Trento, na 22.ª sessão, desafia-nos a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para tornar nossa participação na liturgia digna de sua natureza mais íntima: Quão grande cuidado se deve tomar para que o santo sacrifício da Missa se celebre com toda a devoção e reverência, qualquer um pode vê-lo facilmente se considerar que as Sagradas Escrituras chamam “maldito” àquele que faz com negligência a obra do Senhor (cf. Jr 48, 10). E dado que devemos confessar que nenhuma outra obra a ser realizada pelos fiéis é tão santa e divina como este grandiosíssimo mistério, no qual a Vítima doadora de vida, pela qual somos reconciliados com o Pai, é diariamente imolada no altar pelos sacerdotes, é também claro o bastante que todo empenho e atenção se hão de encaminhar a este fim, a saber: que a Missa seja celebrada com a maior pureza interior de coração possível e com as mostras mais evidentes de devoção e piedade. Essas palavras nos convidam a reformular e aprofundar nossas ideias sobre a qualidade e a adequação da nossa música litúrgica. Depois disso tudo, continua a ecoar aquela exortação de S. Paulo, que atravessa os séculos com os Santos Padres da Igreja, com o Concílio de Trento, com S. Pio X, com João Paulo II e Bento XVI: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito” (Rm 12, 2). Texto publicado originalmente no site Life Site News: https://www.lifesitenews.com/blogs/we-must-end-bad-church-music-for-the-same-reason-jesus-drove-money-changers A tradução, feita pela equipe do site Christo Nihil Praeponere, foi publicada em 8 de Agosto de 2018: https://padrepauloricardo.org/blog/o-que-pensaria-jesus-da-nossa-musica-liturgica “Música Litúrgica”. Aula do Padre Paulo Ricardo do dia 27 Nov 2014
- FILHA DE SIÃO E CUMPRIMENTO DA PROFECIA
• FILHA DE SIÃO E CUMPRIMENTO DA PROFECIA • Vamos fazer um pequeno estudo sobre a Virgem Maria e, utilizando a técnica dos antigos erutidos, que consideravam que o Novo Testamento se ocultava no antigo testamento e o Antigo Testamento no Novo. Podemos verificar que o leitor dos Evangelhos, antes de tudo, se surpreende por encontrar tão pouca informação acerca de Maria. Mas um pesquisador da Bíblia não poderia ler apenas os quatro Evangelhos ou o Novo Testamento, na íntegra, em busca de conhecimentos referentes a Maria. De fato, antes de haver os quatro Evangelhos, ou mesmo todo o Novo Testamento, já existiam as Escrituras, que os cristãos terminaram por denominar antigo testamento e que, pela importância tipológica e alegórica, pelas profecias e seu comprimento, somos obrigados a chamar “Escrituras cristãs”. A história do estudo sobre Maria dentro da igreja católica Romana diz respeito de como o papel de Maria foi anunciado em certas passagens do velho Testamento, fundamentado no princípio de que, enquanto Deus criava condições para seu filho assumir o papel que lhe fora destinado na história de Israel, também preparava o caminho para sua mãe. Assim, a história do desenvolvimento da interpretação bíblica nas primeiras igrejas igualmente evidencia que foram analisadas as predições sobre Maria no velho testamento, não só com relação ao culto de Maria na igreja católica, mas também na tradição patrística do oriente e do ocidente. Grande parte do que foi escrito sobre o testemunho do novo testamento e que já foi analisado no primeiro texto sobre o desenvolvimento da doutrina da virgindade Perpétua poderia facilmente ser considerado neste e, como naquele texto, a atenção requerida pelo material bíblico é bastante diversificada. • A importância das provas bíblicas são importantes não possui o contraste contradição subsequente, mas exatamente por sua anterioridade a essa tradição. Ou colocando de modo diferente e mais preciso, as evidências bíblicas tornam-se mais interessantes quando estudamos a luz de sua posterior utilização pela tradição. Análise racional das características das provas bíblicas pode ser iniciada com a frase do evangelho que descreve a Natividade: ” Da casa e família de Davi” (Lucas 2,4). Como está escrito no Evangelho, essa frase se refere a José, e não a Maria, cuja linhagem não foi traçada na genealogia dos Evangelhos de Mateus e de Lucas ( Mateus 1, 1-17; Lucas 3, 23-38). Mas foram esses dois Evangelhos que fizeram questão de enfatizar a concepção virginal de Jesus e, portanto, nos levaram à conclusão de que José era apenas o suposto pai de Jesus, “aquele que cuidava” ( Lucas 3,23), embora o posicionamento dos Evangelistas não esteja bem claro. Se, na linguagem dos Evangelhos, a expressão “da casa e da família de Davi” era uma forma de afirmar a continuidade da linhagem de Jesus Cristo quanto a Israel e a sequência de parentesco com seu celebrado ancestral, então sua descendência de Davi só poderia ser compreendida por meio de seu único progenitor humano, Maria, que nesse caso também deveria ser “da casa e família de Davi”. Esse raciocínio justificou o hábito de pesquisar as épocas posteriores e anteriores à do novo testamento, investigando as escrituras de Israel à procura de profecias, paralelos, tópicos de conexões que enriquecem o minúsculo Face de dados fornecidos pelos Evangelhos. Essas pesquisas abrangerão Míriam, irmã de Moisés, por causa de seu nome, a mãe Eva e também todas as personalidades femininas, Principalmente as encontradas nos escritos do Rei Salomão, sobretudo a figura da sabedoria do capítulo 8 do Livro dos Provérbios, além dos Livros deuterocanônicos. Além da figura da sabedoria descritq por Salomão (o substantivo sabedoria é feminino, como Chokmah em hebraico, Sophia em grego, Sapientia em latim e Premudrost em russo), foi analisada a noiva do Cântico dos Cânticos, o mais longo e generoso retrato de uma mulher em toda a Bíblia. O processo de apropriação desse material para justificar o culto a Maria e a doutrina Marista, que pode ser descrito como uma metodologia de amplificação, de certo modo foi parte de um processo muito mais amplo de interpretação alegórica e figurativa da Bíblia, ao qual devemos alguns dos mais belos e criativos comentários de toda a cultura medieval e bizantina, não apenas em palavras mas também imagens. Houve, por outro lado, quase contrariando a intenção dos estudiosos, uma poderosa firmação de que Maria, de acordo com o raciocínio resumido anteriormente, era da casa e da família de Davi e, portanto, representava um elo inquebrantável entre a história Judaica e o cristianismo, entre o primeiro pacto, dentro do qual ela nasceu, e o segundo pacto, pelo qual ela deu à luz, de modo que até os mais virulentos cristãos anti-semitas não poderiam negar que ela, a mais abençoada entre as mulheres, era uma judia. Sem nenhuma ligação explícita com a Virgem Maria, O Retrato de uma mulher grávida elevada aos céus, pintado por Marc Chagall, não consegue esconder essa lembrança. • A MADONA NEGRA • Um dos mais impressionantes resultados da interpretação sobre da mariologia do velho testamento que estamos expondo, foi a identificação DA exuberante imagem da noiva door Grant County Schools Chrome Maria [sou morena mas formosa, cânticos dos cânticos 1,5] foram praticamente suas primeiras palavras no Cântico dos Cânticos, e Delas nasceu a justificativa bíblica para muitos retratos de Maria que, afastando-se de sua representação convencional como italiana ou do norte da Europa, favoreciam a Madona Negra. Do modo como está escrito, esta afirmação parece evidenciar um difundido senso de impossibilidade de a negritude conviver com a beleza. Mas, podemos fazer um comentário conclusivo acerca do Cântico dos Cânticos, do ponto de vista linguístico podemos entender que a palavra morena também pode ser vista como Negra, e a frase “mas bela” podemos entender “e bela” — são conclusões de algumas linguistas, seria essa a tradução correta desse verso escrito em hebraico e também preservado em grego na Septuaginta: Melanina eimi Kai Kali. A conjunção gramatical, naturalmente, era menos importante que a conexão substantiva. Se, como estou expondo neste texto, a história da Interpretação da Bíblia não está restrita a tratamentos de sermões, mas também costuma ser assunto das Artes e da vida diária de milhares de pessoas, como a Madona Negra Czestochowa e Guadalupe (“Lá Moreira — A moreninha”)” demonstraram mais eloquente que quaisquer livros, a intuição exegética provou que, independentemente da tradução, a Virgem realmente era Negra e Bela. Isso também a tornou uma embaixatriz especial para vasta maioria da raça humana que não era branca. #mariologia #Maria #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte #Igreja
- O BOM PADRE E SEU MISTERIOSO CÃO CINZENTO
Era um padre corajoso e trabalhador. Tinha fundado, em Turim, um colégio para combater a ignorância e a miséria da juventude mais pobre, no qual, além de instrução escolar e religiosa, ensinava também os ofícios mais comuns. Queria formar cidadãos honestos e bons cristãos, que saíssem das ruas e pudessem, um dia, chegar ao Céu. Era o único caminho que desejava para os seus jovens alunos: a salvação eterna. O padre trabalhador estava, porém, ameaçado de morte pelas lideranças liberais da época (que incluía protestantes e maçons), pois era também, além de padre, um escritor muito ativo: não abria mão de defender publicamente a Igreja Católica, através de cadernos que ele mesmo escrevia e imprimia, na gráfica que montou a duras penas. Segundo ele, os católicos mais devotos, expostos às más leituras, em breve se transformariam em pessoas ímpias e revoltadas, perfeitos anticristãos. Era uma época difícil para o catolicismo, de aberta perseguição da Igreja da parte dos liberais (que de liberais só tinham o nome). Qual era o crime do padre? Alertava os católicos contra os inimigos da Igreja, utilizando os meios legítimos e universais da guerra cultural: com palavras e com idéias. Mas os liberais não queriam que ele fizesse isto, pois o padre tinha sucesso com seus artigos e pequenos cadernos, e buscavam impedi-lo — grandes liberais! — com a própria força física. Além de inúmeras calúnias, foram muitos os atentados que sofreu, entre 1852 e 1866, durante mais ou menos quinze anos, com armas de fogo, facas, bastões e tentativas de envenenamento. Mas o padre não estava sozinho. Durante essas perseguições, um estranho personagem esteve sempre ao seu lado: era um grande cachorro cinzento, com aspecto de lobo, de orelhas retesadas, que surgia inesperadamente, salvava o padre de seus inimigos e, súbito, desaparecia. Foi por volta de 1852 que começaram as ameaças. Embora aconselhado a não andar sem companhia, naquele escuro fim de tarde o padre voltava sozinho para o colégio, um tanto afastado da cidade. Ia cismado com os inimigos, quando de repente viu a seu lado um enorme cão que, de início, o assustou. Logo ficaram amigos e o cão o acompanhou até em casa. O fato se repetiria noutras vezes, sempre que o padre tinha de voltar sozinho. Como não lhe soubesse o nome, apelidou-o de Grigio (cinzento em italiano). Era uma amizade de rua e calçada, sempre ocasional, pois Grigio nunca tinha hora para aparecer. Nalgumas vezes, a sua aparição era realmente providencial, surgindo sempre no momento preciso, como se caísse do Céu: urrava como um urso, lançando-se com dentes e patas sobre os agressores do sacerdote. Com o tempo, os alunos do colégio foram se acostumando com aquela estranha amizade do padre. Como não estranhariam um cachorro que, à diferença de seus colegas de espécie, nunca aceitava comida? A última vez que o viu foi em 1866. O padre caminhava sozinho pela estrada, dirigindo-se à casa de um amigo que vivia fora da cidade. Como já era noite, ia ressabiado; e pensou que seria muito bom se o amigo Grigio aparecesse… Pensado e feito: naquele momento, o cão saiu do escuro e veio correndo em sua direção, acompanhando-o até o fim do percurso. Na casa do amigo, Grigio aguardou deitado a um canto da sala, enquanto todos jantavam. Terminada a refeição, o padre lembrou-se de alimentá-lo. No entanto, ele já não estava na sala. Nem na sala, nem em lugar algum. Vasculharam todos os cômodos do sobrado, e nem um sinal do grande cachorro cinzento. Como teria saído, se todas as portas e janelas da casa estavam fechadas? Por que os cães da propriedade não deram o alarme? Foi assim, envolta em mistério, a última vez em que viu o amigo Grigio, que tantas vezes lhe tinha salvado a vida. Curiosamente, a partir de então cessariam as perseguições ao padre, que, aliás, atendia pelo nome de João… O seu colégio para jovens se espalharia pela face da terra, junto com a congregação religiosa por ele fundada. Hoje, Padre João é um dos santos mais queridos da Igreja Católica: São João Bosco. Ou simplesmente Dom Bosco, como costuma ser tratado por seus milhões de devotos no mundo todo, inclusive no Brasil, onde foi publicada uma boa biografia do grande santo: Dom Bosco Místico, da jornalista e professora italiana Cristina Siccardi (editora Ecclesiae). O livro pode ser comprado aqui.
- Men and their Unbelief!
“If they hear not Moses and the Prophets, neither will they believe if one rise again from the dead.” (Luke 16:31) The history of the preaching of the Gospel, the whole history of Christianity, bears unanswerable testimony to the profound truth of the judgement which our Lord puts into the mouth of Abraham. People are apt to imagine that a striking miracle, performed under such circumstances as ought to banish doubt from any reasonable mind, must overcome opposition and silence contradiction. But this is a grave error which experience condemns. The majority of men who, knowing Jesus Christ and his Church, believe not, would not believe more readily though one went to them from the dead. The assertion admits of abundant proof. At the commencement of our Lord’s preaching St. John the Baptist sent two of his disciples to ask if he were the Messiah whom the world was looking for, and Jesus answered them: “Go and relate to John what you have heard and seen; the blind see, the lame walk, the lepers are cleansed, the deaf hear, the dead rise again, the poor have the Gospel preached to them. And blessed is he that shall not be scandalized in me.” (St. Matthew xi. 4-7) Such were the wonders daily performed by Jesus Christ; each of his steps was, so to speak, marked by a miracle; he exercised absolute sovereignty over all nature; nothing resisted his voice; he called forth the dead from the grave with the same ease with which he gave sight to the blind or calmed the angry waves. His doctrine, his life, his moral character were equal to his power. Never a man spoke as he did. His lessons infinitely surpassed those of all the wise men who had preceded him; and men asked in amazement whence came this sublime wisdom to a man who had not followed the teaching of any master. What a life was to be compared to his in dignity, in moral grandeur, in modesty, goodness, unselfishness, in devotion to duty! He presented the ideal of moral perfection to the eyes of all men. Such is Jesus Christ as the Gospel narrative shows him to us… And how was He received? What effect did this threefold and incomparable miracle of the power, the doctrine, and the life of Jesus produce upon the Jews? His contemporaries who saw and heard him were divided into two or three different categories with regard to him: some believed in him, others were indifferent and appeared to take no heed either of his works or his person; many pursued with implacable hatred. (N.J. Laforet; The Principal Causes of Infidelity) Kindly visit https://catholicmansite.wordpress.com/ for more.
- O valor do sinal da cruz
Se você soubesse a importância desta oração, garanto que você a colocaria mais em prática! *(†) Pelo sinal da Santa Cruz,* *(†) livrai-nos DEUS, nosso SENHOR,* *(†) dos nossos inimigos!* *(†) Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!* Quando você acorda, você faz sobre si o “sinal da Cruz”? E antes das refeições? E quando vai dormir? Ao menos alguma vez ao dia? Não?! Se você soubesse a importância desta oração, garanto que você a colocaria mais em prática! Muitas pessoas, não entendendo a importância dessa oração, a fazem de maneira displicente, ficando apenas no gesto, sem a efetiva invocação da Santíssima Trindade. *O “sinal da Cruz” não é um gesto ritualístico, mas sim, uma verdadeira e poderosa oração! É o sinal dos cristãos! Por meio dele muitos santos invocaram a proteção do Altíssimo, e através dele pedimos a Deus que, pelos méritos da Santa Cruz de Seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele nos livre dos nossos inimigos, e de todas as ciladas do mal, que atentam contra a nossa saúde física e espiritual.* *Mas você sabe fazer o “sinal da Cruz”?!* De forma solene, sem pressa, e com a maior devoção e respeito: *† Pelo sinal da Santa Cruz (na testa): pedimos a Deus que nos dê bons pensamentos, nobres e puros. E que Ele afaste de nós os pensamentos ruins, que só nos causam mal.* *† Livrai-nos Deus, Nosso Senhor (na boca): pedimos a Deus que de nossos lábios só saiam louvores. Que o nosso falar seja sempre para a edificação do Reino de Deus e para o bem estar do próximo.* *† Dos nossos inimigos (sobre o coração): para que em nosso coração só reine o amor e a lei do Senhor, afastando-nos, pois, de todos os maus sentimentos, como o ódio, a avareza, a luxúria… Fazendo-nos verdadeiros adoradores.* *† Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! – É o ato livramento e deve ser feito com a maior reverência, consciência, fé e amor, pois expressa nossa fé no Mistério da Santíssima Trindade, cerne de nossa fé cristã, Deus em si mesmo. Deve ser feito com a mão direita, levando-a da testa à barriga, e do ombro esquerdo ao direito.* Agora que você já sabe a importância do “sinal da Cruz”, *faça-o antes de sair de casa, antes de qualquer trabalho, nas horas difíceis e nas horas de alegria também.* *Faça-o sobre si, e, sempre que possível, na testa de seu filho, de seu marido, de sua esposa, de seu irmão, de seu sobrinho… Peça a Deus, sempre, para que Ele te livre e aos seus, de todos os males, afim de fazermos tudo, acordar, comer, estudar, trabalhar, dormir, viajar… Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo! Amém!* (Autor desconhecido. Via Juventude OA) #sinal #valor
- ARS ANTIQUA – Otto Maria Carpeaux
No século XIII, ars antiqua era nova; é a arte que pertence à chamada “Renascença do século XIII”, florescimento das cidades e construção das catedrais, vida nova nas universidades, tradução de Aristóteles e de escritos árabes para o latim e elaboração da grande síntese filosófica de santo Tomás de Aquino. Houve, dentro do coral gregoriano, o germe de uma evolução: a contradição entre a obrigação de acompanhar fielmente o texto litúrgico, à maneira de recitativo, e, por outro lado, a presença de tão rica matéria melódica, os “melismas” que se estendem longamente quase como coloraturas, sem consideração do valor da palavra. Essa contradição levaria à divisão das vozes: uma, recitando o texto; outra, ornando-o melodicamente. São essas as origens das primeiras tentativas de música polifônica, do Organum e do Discantus, detidamente estudados e descritos pelos historiadores; mas não nos preocuparão. Os primeiros textos da ars antiqua foram encontrados na biblioteca da igreja de Saint-Martial, em Limoges. Mas o desenvolvimento dessa nova arte realizou-se na Schola Cantorum da catedral de Notre-Dame de Paris. Registra-se a atividade de um magister Leoninus. Mas o grande nome da ars antiqua é seu discípulo e sucessor na direção daquela escola parisiense por volta de 1200, o magister PEROTINUS; na história da nossa música, é o primeiro compositor que sai da obscuridade do anonimato. Várias obras de Perotinus encontram-se no manuscrito H196 da biblioteca da Faculdade de Medicina de Montpellier e no Antiphonarium de Mediceum da Biblioteca Laurenziana em Florença. São obras de uma polifonia rudimentar, blocos sonoros rudes como as pedras nas fachadas românicas de catedrais que mais tardes foram continuadas em estilo gótico. A impressão pode ser descrita como “majestosamente oca”. A ligação rigorosa da segunda voz à melodia gregoriana não permite a diversidade rítmica. Algumas dessas peças curtas, Quis tibi, Christe e Sederunt principes, foram modernamente gravadas em discos. (Em: Otto Maria Carpeaux, Uma nova história da música)
- Um Bispo Oriental Pré-cisma Sobre a Verdadeira Igreja
A publicação de “Papas e Patriarcas” por um ex-católico britânico que agora vive no Canadá vem como uma repreensão negativa aos esforços ecumênicos contemporâneos para curar o antigo cisma entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais nacionais autocéfalas. O autor, Michael Whelton, também escreveu um livro anterior para justificar seu abandono da fé católica para se tornar ortodoxo oriental por um apelo à história em que ele reformulou muitas das objeções pueris feitas por polemistas protestantes anglicanos, teólogos ortodoxos orientais e católicos liberais dissidentes. à supremacia papal e à infalibilidade papal, os dois dogmas infalivelmente definidos pelo Vaticano I. Seu trabalho anterior eu havia tratado com grande detalhe em meu “O Divino Primado do Bispo de Roma e a Moderna Ortodoxia Oriental: Cartas a um ortodoxo grego sobre a Unidade de a Igreja “, e demonstrei a loucura de apelar à” história “contra o veredicto da Igreja, cuja história é. Os erros de historiadores preconceituosos e preconceituosos e teólogos que têm um amargo animus contra o papado repetido por Whelton não são calculados para inspirar confiança nos leitores ou para fazer qualquer argumento credível contra Cristo Nosso Senhor estabelecendo uma Primazia Petrina de autoridade universal na Igreja para salvaguardar sua unidade perpétua e catolicidade. Curiosamente, foram os distúrbios litúrgicos e doutrinários na Igreja Católica que desempenharam um papel importante no desaparecimento de Whelton da Fé Católica. A propagação dos erros de Teilhard de Chardin entre padres e leigos o incomodou especialmente. “Os trinta anos que se seguiram ao concílio (1965-1995)”, escreveu ele, “foram extremamente dolorosos para nós, como católicos tradicionais”. Lamentando os “25 milhões de católicos [que] deixaram a Igreja na América do Norte”, ao chegar ao Canadá, ele acrescentou a si mesmo e sua esposa a esse número. Em seu segundo livro “Patriarcas e Papas”, que mais uma vez tenta subverter os fundamentos teológicos do Ofício Petrino, ele acrescenta mais queixas, incluindo críticas injustas de Santo Agostinho e sua teologia, que se tornaram comuns entre alguns escritores ortodoxos orientais que desejavam separar o “Misticismo Ortodoxo”, tanto quanto possível do “Racionalismo Ocidental”. O principal objetivo de seu livro é afirmar que São Pedro e seus sucessores, os bispos de Roma: possuíam apenas uma “primazia de honra”, não possuíam autoridade universal ou jurisdição sobre outros bispos, que “em nenhum lugar dos cânones, credos ou concílios da Igreja primitiva existe algum reconhecimento da supremacia papal” (p. 130), e que as “reivindicações do papado”, tão vigorosamente reafirmadas pelo Vaticano I e pelo Vaticano II, são baseadas em distorções da história e das falsificações. Meu próprio livro sobre “A Divina Primazia …” amplamente rejeitou tais alegações falsas, e notou o testemunho notável da divina Primazia do Sucessor de Pedro de tais santos orientais como São Máximo o Confessor, Santo Teodoro Estudita, São Nicéforo de Constantinopla, o Apóstolo dos Eslavos São Metódio, Santo Inácio de Constantinopla, e até mesmo o do patriarca Fócio de Constantinopla, que originou a controvérsia sobre o “Filioque”. Com outros santos, todos testemunharam a realidade da autoridade e jurisdição papal sobre os patriarcados do Oriente muito antes da consumação do cisma grego bizantino com o repúdio do Concílio de Lyon no século XIII. Todas as falsas premissas, argumentos e alegações especiais encontradas nos dois livros de Whelton para defender a resistência ortodoxa oriental ao papado podem ser consideradas destruídas nas passagens seguintes das obras de Teodoro Abu Qurrah, um bispo católico sírio (falecido em 820 dC). ), um dos primeiros teólogos cristãos a escrever em árabe e também em grego, e que merece ser mais conhecido pelos apologistas católicos. Como o tradutor John C. Lamoreaux observa em seu livro “Theodore Abu Qurrah” (Biblioteca do Oriente Cristão, vol. I, Brigham Young University Press, Provo, UT 2005), “O coração da teologia de Teodoro estava na tentativa de discernir a verdadeira religião e a verdadeira Igreja “(p. xxv) em meio a reivindicações conflitantes de judeus e muçulmanos, e as divisões entre os cristãos no Oriente Médio. Em seu trabalho “Sobre os Concílios”, Teodoro refutou as afirmações de “nestorianos, jacobitas, julianistas, maronitas e outros hereges que reivindicam o cristianismo”: “Vocês devem entender que a cabeça dos apóstolos era São Pedro, a quem Cristo disse: ‘Tu és a rocha; e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não a vencerão’. Depois da sua ressurreição Ele também disse a ele três vezes, enquanto estava na margem do mar de Tibério: “Simão, você me ama? Alimente meus cordeiros, carneiros e ovelhas.” Em outra passagem, ele disse a ele: ‘Simão, Satanás pediu para peneirar você como trigo, e eu orei para que você não perca a sua fé, mas você, naquele momento, tenha compaixão de seus irmãos e os fortaleça. ”Vocês não vêem que São Pedro é o fundamento da igreja, selecionado para pastoreá-la, que aqueles que crêem em sua fé nunca perderão sua fé, e que ele foi ordenado a ter compaixão de seus irmãos e fortalecê-los? Quanto às palavras de Cristo, ‘eu orei por você, para que você não perca a sua fé, mas você, tem compaixão de seus irmãos, naquele tempo, e fortalecê-os ‘, não pensamos que ele quis dizer de Pedro em sí mesmo. Em vez disso, ele não queria dizer nada mais do que os detentores da sede de São Pedro, isto é, Roma. Assim como quando disse aos apóstolos: “Eu estou com você sempre, até o fim dos tempos”, ele não quis dizer apenas os próprios apóstolos, mas também aqueles que cuidariam de seus assentos e seus rebanhos; Da mesma forma, quando ele falou suas últimas palavras a São Pedro: “Tem compaixão, naquele tempo, e fortalecei vossos irmãos; e sua fé não será perdida ‘, ele quis dizer com isso nada mais do que os titulares de seu assento. Outra indicação disso é o fato de que entre os apóstolos foi somente São Pedro quem perdeu sua fé e negou a Cristo, o que Cristo pode ter permitido que acontecesse a Pedro, para nos ensinar que não era Pedro que ele queria dizer com essas palavras. Além disso, não conhecemos nenhum apóstolo que caiu e precisou de São Pedro para fortalecê-lo. Se alguém diz que Cristo quis dizer com essas palavras apenas o próprio São Pedro, essa pessoa faz com que a igreja não tenha alguém para fortalecê-la após a morte de São Pedro. Como isso pode acontecer, especialmente quando vemos toda a peneiração da igreja que veio de Satanás depois da morte dos apóstolos? Tudo isso indica que Cristo não quis dizer isso por essas palavras. De fato, todos sabem que os hereges atacaram a igreja somente após a morte dos apóstolos – Paulo de Samosata, Ário, Macedônio, Eunômio, Sabélio, Apolinário, Orígenes e outros. Se ele quis dizer com estas palavras no evangelho apenas São Pedro, a igreja teria sido privada de conforto e não teria ninguém para livrá-la daqueles hereges, cujas heresias são verdadeiramente ‘as portas do inferno’, que Cristo disse que não venceriam a igreja. Assim, não há dúvida de que ele quis dizer com estas palavras nada mais do que os detentores da sede de São Pedro, que têm continuamente fortalecido seus irmãos e não vão deixar de fazê-lo enquanto durar esta idade atual. “(Pp. 68-69) Em outro trecho, “Sobre a morte de Cristo”, nosso teólogo sírio transmite a tradição ortodoxa sobre a relação do Primado Petrino dos Papas com os seis primeiros Concílios Ecumênicos realizados no Primeiro Milênio da história da Igreja: “Para nós, através da graça do Espírito Santo, nosso único objetivo é nos edificar sobre os alicerces de São Pedro, aquele que dirigiu os seis santos concílios. Esses concílios foram reunidos por ordem do Bispo de Roma, a cidade do mundo. Quem quer que esteja no trono da cidade é autorizado por Cristo a ter compaixão das pessoas da igreja, convocando o Concílio Ecumênico e fortalecendo-as, como demonstramos em outros lugares. Nós pedimos a Cristo para nos confirmar para sempre, para que possamos herdar através dele o seu reino, em que nos unimos a ele o cumprimento de seus mandamentos, a ele seja louvores, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, para todo o sempre. (p. 128) O acima exposto constitui um testemunho extraordinário do lugar da Sé de Pedro na Igreja por um bispo oriental muito antes de os gregos bizantinos começarem a vacilar em sua lealdade ao Papa, que muitas vezes antes reconheciam ser o herdeiro da Primazia de Pedro na Igreja e como “chefe de todas as igrejas” da comunhão católica. Eles desmentem todos aqueles que afirmam que os teólogos orientais pré-cismáticos só admitiram uma vaga “primazia de honra” ao chefe visível da Igreja Militante. Tradução: http://www.jameslikoudispage.com/Ecumenic/theodore.htm
- 29 de maio de 1453 – A queda de Constantinoplae os católicos que lutaram para salvar a cidade
Em um artigo anterior, “O Flagelo da Cristandade e o Cisma Bizantino” (The Wanderer, 13/10/11), descrevi a terrível carnificina da população de Constantinopla nas mãos de seus conquistadores muçulmanos. O Autor Roger Crowley em seu excelente volume “1453: A Guerra Santa para Constantinopla e o Choque do Islã e do Ocidente” (NY Hyperion, 2005) observou que para Maomé II, o enclave de Constantinopla era “um osso na garganta de Alá. ” Robert Carver, ao revisar outra importante obra sobre Maomé II, escreveu que o precoce turco otomano da Renascença, que conhecia turco, persa, árabe, grego e um pouco de latim, era fascinado com o estudo da história, geografia e engenharia prática: “era sem dúvida o inimigo mais perigoso que a cristandade jamais teve de enfrentar … Seu modelo era Alexandre, o Grande, cujas proezas ele pretendia superar, mas ao contrário – isto é, conquistar o Ocidente a partir do Oriente. Mas ele era um inímigo implacável. Sua palavra não valia nada: aqueles que se renderam depois de terem sido prometidos ser poupados quase sempre foram executados.Ele torturava, empalava e decapitava à vontade.Os sacerdotes e bispos ele costumava ter preso entre duas tábuas e depois serrava pela metade através do meio. Seu exército matou crianças cristãs como cães, mulheres que estupraram e depois escravizaram, homens foram mortos ou escravizados.O terror que ele causou em toda a Europa foi a origem do ódio visceral que o Islã e os turcos ainda inspiram em muitos cristãos nos Bálcãs, Grécia e Levante. … Quando ele morreu, aos 49 anos, ele estava se preparando para levar um vasto exército para a Itália para capturar Roma. ” (The Tablet, julho de 2009) A carnificina que ocorreria na magnífica Igreja da Hagia Sophia, a igreja-mãe da cristandade oriental do imperador Justiniano, era horrenda. Desde a sua fundação, a Hagia Sophia foi a maravilha do mundo cristão, “Concebida como a réplica do céu, uma manifestação do triunfo de Cristo, e seu imperador considerado como vice-regente de Deus na terra”. O historiador Roger Crowley afirmou em seu notável volume que detalha os 50 dias de incríveis lutas que viram os defensores da cidade e os turcos “provocando e massacrando uns aos outros através das muralhas e executando prisioneiros à vista de seus compatriotas”. Os bizantinos perceberam muito bem que somente a ajuda militar efetiva do Ocidente poderia impedir a Queda da Cidade sitiada por terra e mar. No entanto, a Peste Negra, a Guerra dos Cem Anos entre a Inglaterra e a França, as disputas e divisões na Itália e o desprezível egoísmo dos Estados Mercantis italianos, juntamente com a constante falta de recursos e dificuldades financeiras do papa Eugênio IV, dificultaram montar ainda outra cruzada para salvar a cidade. Os papas Eugênio IV e Nicolau V fizeram o possível para reunir recursos para salvar a capital bizantina. Uma galé veneziana pôde ser reunida; O Cardeal Isidoro de Kiev (que desempenhou um papel fundamental na criação do Concílio de Reunião de 1439 em Florença) chegou à cidade com 200 soldados; setecentos homens em armadura de corpo inteiro (400 genoveses e 300 de Rodes) também chegaram liderados por um soldado profissional que era especialista em guerra, Giovanni Giustiniani. Como Crowley relata: “É difícil exagerar a importância de Giustiniani para a causa bizantina. A partir do momento em que ele pisou dramaticamente em quaryside em janeiro de 1453, com 700 combatentes habilidosos em armadura brilhante, Giustiniani era uma figura icônica na defesa da cidade. Ele tinha vindo voluntariamente e às suas próprias custas “para a vantagem da fé cristã e para a honra do mundo.” Ele sozinho tinha sido capaz de comandar a lealdade de ambos os gregos e venezianos – na medida em que eles foram forçados a fazer uma exceção ao ódio geral dos genoveses. ” (Crowley, p. 193) Foi Giustiniani quem repetidamente liderou suas tropas para derrotar os ataques muçulmanos nas muralhas. Um pequeno grupo de outros soldados ocidentais também foi trazido por três irmãos genoveses, e os catalães da Espanha forneceram um contingente adicional. Um engenheiro escocês João Grant provou ser inestimável na explosão das minas que os turcos perfuraram sob as poderosas muralhas teodosianas e manejar o fogo grego que foi lançado para queimar vivos invasores otomanos. A defesa da cidade pelo Imperador Constantino XI Dragases (ou Palaeólogo) foi complicada pela propaganda anti-unionista propagada pelo obstinado bispo Marcos de Éfeso, que se recusou a assinar o decreto de união religiosa que teve lugar no Concílio de Florença (1439 ). A hostilidade aberta por monges fanáticos que levaram à eclosão de tumultos em oposição à União, pressionou outros 22 signatários a recolherem suas assinaturas para acabar com o cisma. E assim, “O cisma iria lançar uma longa sombra sobre as tentativas de Constantino de defender a cidade”. (Crowley, p. 72) O erudito leigo Jorge Scholarius, que em Florença havia apoiado a União, reverteria o curso quando sucedesse Marcos de Éfeso como líder dos anti-unionistas. A posição dos anti-unionistas era clara: “Não queremos a ajuda latina ou a união latina, vamos nos livrar do culto dos sem fermento” [uma referência à Eucaristia com “pão ázimo” herética. (Crowley, p. 70) Vívido em memórias bizantinas foi o Saque da Cidade dos Cruzados em 1204, que deu origem a muito ânimo anti-latino. Para os italianos, suplicados para vir em auxílio dos bizantinos hostis, eles também tinham lembranças: o massacre de milhares de venezianos em Tessalônica em 1171; e o massacre de “quase todos os latinos em Constantinopla em 1183 – mulheres e crianças, os velhos e enfermos, até os doentes dos hospitais”. A política de Maomé II também era clara – aproveitar sempre a divisão religiosa entre latinos e gregos e consolidar ainda mais a divisão: “O medo da Unidade Cristã sempre foi um dos princípios orientadores da política externa otomana”. (Crowley, p. 72) Além disso, não é exagero dizer que, apesar da hostilidade dos anti-unionistas na cidade, “os principais adversários da União não eram os ortodoxos, mas os otomanos!” Assim, lamentou a historiadora de arte ortodoxa síria Lina Murr Nehme em sua “Queda de Constantinopla de 1453: Maomé II impõe o cisma ortodoxo” (François-Xavier de Guibert, Paris, 2003). Assim, o conquistador da cidade prontamente escolheu Scholarius (o monge Genádio) para ser o patriarca Genádio de Constantinopla. “1453” é também uma história de colaboração vergonhosa com o inimigo por traidores. Crowley comenta: “a ajuda que os otomanos receberam de seus súditos cristãos, mercenários, convertidos e especialistas técnicos (incluindo aqueles que ajudaram a construir os maiores canhões já vistos para bombardear as muralhas da cidade), bem como os vassalos dos turcos. Este era um tema de lamento repetido das Crônicas européias: “Posso testemunhar”, disse o arcebispo católico Leonardo de Chios, “que gregos, latinos, alemães, húngaros, boêmios e homens de todos os países cristãos estavam do lado dos turcos”. .. Oh, a maldade de negar a Cristo assim! ‘” (Crowley, p. 101) Curiosamente, o sultão Maomé II quis poupar a destruição e a pilhagem que se seguiriam à conquista da cidade. Ele apresentou argumentos ao imperador Constantino para se render: “Você está disposto a abandonar a cidade e partir para onde quiser, junto com seus nobres e suas propriedades, deixando para trás as pessoas comuns ilesas tanto por nós quanto por você. Ou você deseja que através de sua resistência … as pessoas comuns devam ser escravizadas pelos turcos e espalhadas por todo o mundo? ” Após a conquista, o sultão convocou para sua presença o grão-duque Lucas Notaras, famoso por sua resistência à União religiosa de Florença e secretamente financiando os anti-unionistas, e por sua declaração infame: “Eu preferiria ver em Constantinopla o turbante dos turcos do que a mitra latina”. O sultão perguntou-lhe por que ele não havia convencido o imperador a entregar a cidade, caso em que a cidade teria sido poupada das atrocidades que se seguiram. Notaras respondeu que ele e o imperador Constantino estavam prontos para se render. Na verdade, o imperador não havia exclamado desafiadoramente: Não está em meu poder, nem em qualquer cidadão, entregar a Cidade a você. É nossa determinação universal morrer em vez de ter nossas vidas poupadas. ”“ Não aceitamos nem o imposto, nem o Islã, nem a capitulação de nossa fortaleza. ” (Crowley, p. 107) Os italianos que formavam o núcleo duro da defesa recusaram absolutamente a rendição. Uma fonte otomana primitiva confirmou que os “infiéis francos” se sentiram ofendidos e protestaram: “Vamos defender a cidade; não vamos nos render aos muçulmanos”, e eles persistiram em continuar a luta. ” Se é verdade ou não que depois de sua captura o Grão-Duque se recusou a sacrificar seu filho e genro à luxúria do Sultão, Notaras e sua família e associados foram executados como Maomé II foi persuadido por seus conselheiros que Notaras não podia ser confiável e planejava traição e deserção. Como observado anteriormente, o Imperador, que lutaria heroicamente até a morte em defesa da Cidade, depois de repetidamente encorajar a moral dos defensores em meio a tiros e granadas, permaneceu inflexível na adesão à União declarada em Florença. Como historiador Crowley observou: “A maior parte de seu círculo imediato de nobres, oficiais e funcionários públicos apoiou a União. Apenas uma fração do clero e das pessoas o fizeram. A propaganda dos anti-unionistas mostrou-se eficaz demais. Eles acreditavam que a União havia sido forçada a eles pelos traiçoeiros Francos e suas almas imortais tinham sido ameaçadas por motivos básicos e materialistas, as pessoas eram profundamente antipapistas, estavam acostumadas a equiparar o papa com o anticristo, o lobo e o destruidor; “O Rum Papa” (Papa Romano) era uma escolha popular de nome para os cães da cidade. Os cidadãos formavam um proletariado volátil: empobrecido, supersticioso, facilmente influenciável por distúrbios e desordens”. (Crowley, p. 68) No entanto, como a desgraça da cidade parecia iminente com os turcos começando a romper as muralhas, o imperador após uma procissão com todos os sinos de Constantinopla soando, dramaticamente dirigiu seus comandantes e oficiais e seus aliados venezianos e genoveses: “Nunca seus oficiais o amavam tanto. Por quase dois meses, eles o viram se esforçando desinteressadamente. Ele infligiu em si mesmo jejuns severos para obter a salvação da cidade, e dormiu pouco. Ele acordava durante a noite para orar por horas com os monges e, em vez de ir para a cama novamente, subia as muralhas e passava o dia visitando, ouvindo, consolando, encorajando, fortalecendo seus soldados. A falta de sono, as tristezas e a maceração o enfraqueceram tanto que, recentemente, ele havia desmaiado na frente deles. No entanto, sua coragem e seu carisma permaneceram intactos ”. “Vocês sabem bem”, disse ele aos bizantinos, “que chegou a hora e que o inimigo de nossa fé deseja lançar um intenso ataque contra nós com todas as suas tropas e canhões por terra e mar … Por essa razão eu falo agora com vocês e suplico que vocês resistam bravamente e com corações nobres, como vocês sempre fizeram até agora, os inimigos de nossa fé. Em suas mãos eu dou a esta cidade mais ilustre e renomada, a rainha das cidades, sua terra natal. ” (Neem, p. 179) Agradecendo a seus aliados venezianos e genoveses, todos em lágrimas, bizantinos, venezianos e genoveses, abraçaram-se e perdoaram-se mutuamente, esquecendo-se de seu ódio e determinados a morrer juntos por sua fé cristã. “No momento final da necessidade, parece que os católicos e os ortodoxos adoravam juntos na cidade, e o cisma de 400 anos e a amargura das Cruzadas foram postos de lado num serviço final de intercessão.” (Crowley, p. 200) “Todos os homens, mulheres e crianças que em Constantinopla eram capazes de se movimentar, foram até a Basílica de Santa Sofia para orar. Até mesmo os bispos, os padres, os monges e as freiras que alegaram que Hagia Sophia havia sido sujada pelos União das Igrejas e anunciou que não mais entrariam nela até que fosse purificada de todo o latinismo, estiveram lá … Era noite, e a Basílica estava iluminada com um grande número de velas, cujo brilho saía de ao longe, as formas das imensas cúpulas e as faíscas douradas dos mosaicos mais próximos cintilavam, desvelando a imagem do majestoso Cristo no meio da cúpula central nesta atmosfera sombria e grandiosa, o Cardeal Isidoro de Kiev estava dizendo a divina Liturgia por trás do iconostasis, não de acordo com o rito latino, mas de acordo com o bizantino, e as vozes dos cantores se levantaram, insistentes e tristes em meio às lágrimas.A liturgia não terminou quando o imperador chegou. Ele virou-se para cada bispo presente, e pediu perdão por seus pecados, mesmo quando o bispo era seu inimigo. Então ele recebeu a comunhão com a multidão e partiu com eles … Quando as luzes foram apagadas, o imperador voltou sozinho para a Hagia Sophia. Acima de uma das portas, um antigo mosaico representava um imperador prostrado em súplica aos pés de Cristo, cercado pela Virgem e por São Miguel. Isso foi o que ele veio fazer, rezar pela Cidade adormecida. Ele entrou com pequenos passos e começou a suplicar a Deus pela Cidade no meio da escuridão que as luzes noturnas se acenderam, diante dos ícones que logo não existiriam mais. Foi a última vez que um imperador romano cristão se ajoelhou neste lugar “. (Nehme, pp. 182-183) Havia cerca de oito mil defensores da cidade protegendo um perímetro de 12 milhas. Eles enfrentaram uma horda de talvez 300.000 otomanos. Os combatentes bizantinos somavam 4.774, incluindo voluntários, monges e alguns residentes. Os outros eram estrangeiros, contando com 3 mil pessoas, incluindo venezianos e genoveses, catalães e cretenses, e alguns que vinham secretamente de Galata para ajudá-los. Havia também um contingente de aliados turcos liderados pelo príncipe Orhan, um pretendente ao trono otomano e maior inimigo de Maomé II. Sua cabeça decepada seria entregue ao sultão conquistador. Giustiniani, que tão galantemente liderou a resistência nas muralhas, sofreu uma ferida grave, com a armadura perfurada por um chumbo e, desgraçadamente, fugiu do campo de batalha para escapar em um pequeno navio. Ele morreu na ilha de Chios culpado pela queda da cidade. Com os turcos entrando na cidade por todos os lados, o imperador de 49 anos se despojou de sua insígnia imperial e como um soldado comum, espada na mão, mergulhou para lutar contra os janízaros que se aproximavam. Ele morreu em meio à pilha de corpos no Portão de São Romano, considerado como um mártir e cuja morte daria origem a muitas lendas duradouras refletidas em canções e lamentações. É duvidoso que sua cabeça tenha sido dada como troféu a Maomé II, já que ele não teria sido facilmente identificado entre os muitos cadáveres decapitados. Quase toda a população de 50.000 foi levada em cativeiro como escravos e pior .. “Havia 400 sobreviventes resgatados nas últimas horas caóticas, assim como um número surpreendente de nobres bizantinos que já haviam embarcado antes da queda da Cidade. Sete navios de Gênova fugiram, entre eles a galera carregando o ferido Giustiniani.” (Crowley, p.226) É digno de nota que Constantino XI Drageses, o último dos imperadores da Nova Roma, morreu católico. Ele continua sendo venerado como um santo pelos católicos ortodoxos e bizantinos. “Em 29 de maio, todos os anos, enquanto os turcos celebram a captura de Istambul com uma reencenação militar no Portão de Edirne, Constantino é lembrado nas pequenas igrejas abobadadas de Creta e nas grandes catedrais das cidades gregas.” (Crowley, p. 258) A União que ele apoiava continuaria em partes da Grécia e nas Ilhas sob domínio veneziano. Até o século XX, os cristãos da Ásia Menor, conscientes de serem herdeiros do Império Romano, referiam-se à sua terra como a Romania, e a eles mesmos como Romios, ou Romanos. O seguinte é uma das lamentações populares para a queda de Constantinopla: “Alack e Alas! Os turcos tomaram Constantinopla. Eles tomaram o trono do rei, os governantes são mudados. Igrejas choram, mosteiros choram e São João Crisóstomo chora e lamenta. ‘Não chore, São João, e não se lamente, a Romania é tomada, mas embora tenha desaparecido, a Romania florescerá novamente “.” Tradução: http://www.jameslikoudispage.com/Ecumenic/may-29-1453.htm
- COMUNISMO PARA CRIANÇAS – TENTANDO ALIENAR NOSSOS FILHOS
COMUNISMO PARA CRIANÇAS – TENTANDO ALIENAR NOSSOS FILHOS Foi lançado no Brasil, através da bienal do Livro em São Paulo, o livro “Comunismo para Crianças” da escritora alemã Bini Adamczak. Mesmo não sendo declaradamente um livro voltado para o público infantil, o simples fato de traduzir o comunismo para uma “linguagem simples” já o torna acessível ao público infantil. Além de ser as portas que inspiraram lançamentos como “O Capital para Crianças” e outras literaturas que visam a doutrinação de crianças, sem ao menos demonstrar os males causados pelo comunismo na história. Além de ser uma ferramenta de doutrinação ideológica, este tipo de conteúdo oferece enorme risco às crianças por retirar delas o sentido da vida moral e vida espiritual. Como antídoto para essa alienação, apresentamos o livro Total Consagração para Crianças. Através desta consagração, nossos filhos se entregam à Santíssima Virgem, colocando-os bem protegidos dentro da Escola Coração Imaculado de Maria para que aprendam o verdadeiro sentido da vida e as virtudes que fazem de nós verdadeiros cristãos e bons cidadãos. As formações possuem fundo catequético: do que é santidade, pecado original, morte, juízo, inferno e paraíso, vida dos santos, aparições da Santa Virgem às crianças e por fim o conteúdo do Tratado da Verdadeira Devoção de São Luís de Montfort e os temas de reflexão para os 30 dias de exercícios espirituais, juntamente com as orações que devem ser feitas. É possível adquiri-lo nas melhores livrarias católicas, ou por nossa Loja Virtual: http://loja.perodrigomaria.com.br Caso a livraria católica mais próxima de sua casa não possua este livro, e outros livros sobre a total consagração, peça para que entrem em contato através do telefone ou e-mail abaixo, e passaremos instruções para que possam revender este e outros livros que apresentam esta preciosa Consagração a Jesus pelas mãos de Maria. Encomendas para revenda: Telefone / Whats App: 19 99116-0947 Email : loja@perodrigomaria.com.br #EducaçãodosFilhos #Família #Filhos
- COMUNISMO PARA CRIANÇAS – TENTANDO ALIENAR NOSSOS FILHOS
COMUNISMO PARA CRIANÇAS – TENTANDO ALIENAR NOSSOS FILHOS Foi lançado no Brasil, através da bienal do Livro em São Paulo, o livro “Comunismo para Crianças” da escritora alemã Bini Adamczak. Mesmo não sendo declaradamente um livro voltado para o público infantil, o simples fato de traduzir o comunismo para uma “linguagem simples” já o torna acessível ao público infantil. Além de ser as portas que inspiraram lançamentos como “O Capital para Crianças” e outras literaturas que visam a doutrinação de crianças, sem ao menos demonstrar os males causados pelo comunismo na história. Além de ser uma ferramenta de doutrinação ideológica, este tipo de conteúdo oferece enorme risco às crianças por retirar delas o sentido da vida moral e vida espiritual. Como antídoto para essa alienação, apresentamos o livro Total Consagração para Crianças. Através desta consagração, nossos filhos se entregam à Santíssima Virgem, colocando-os bem protegidos dentro da Escola Coração Imaculado de Maria para que aprendam o verdadeiro sentido da vida e as virtudes que fazem de nós verdadeiros cristãos e bons cidadãos. As formações possuem fundo catequético: do que é santidade, pecado original, morte, juízo, inferno e paraíso, vida dos santos, aparições da Santa Virgem às crianças e por fim o conteúdo do Tratado da Verdadeira Devoção de São Luís de Montfort e os temas de reflexão para os 30 dias de exercícios espirituais, juntamente com as orações que devem ser feitas. É possível adquiri-lo nas melhores livrarias católicas, ou por nossa Loja Virtual: http://loja.perodrigomaria.com.br Caso a livraria católica mais próxima de sua casa não possua este livro, e outros livros sobre a total consagração, peça para que entrem em contato através do telefone ou e-mail abaixo, e passaremos instruções para que possam revender este e outros livros que apresentam esta preciosa Consagração a Jesus pelas mãos de Maria. Encomendas para revenda: Telefone / Whats App: 19 99116-0947 Email : loja@perodrigomaria.com.br #EducaçãodosFilhos #Família #Filhos
- História do Cisma Bizantino Greco-Eslavo
Alguns estudiosos do passado e a opinião popular sustentam que o cisma bizantino greco-eslavo (causando o surgimento da atual comunhão ortodoxa oriental) foi consumado nos dias do Patriarca Fócio de Constantinopla (858-886 d.C.). Outros ainda pensaram que o Cisma entre Roma e Bizâncio estava completo quando a Cidade Rainha do Bósforo viu os Cardeais Romanos e o Patriarca Miguel Cerulário se engajarem em excomunhões mútuas em 1054 d.C. Na verdade, foi no final do século XIII que a igreja grega bizantina (constituída pelos Patriarcas de Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém), juntamente com as suas igrejas eslavas nos Balcãs, encontravam-se separadas da plena comunhão da Sé de Pedro. Até hoje as Igrejas Ortodoxas Orientais (como são comumente conhecidas), consistindo de cerca de 16 igrejas nacionais, são herdeiras do cisma mais trágico a ocorrer na história da Igreja Católica. A contínua separação dessas igrejas orientais da unidade católica nunca deixou de ser deplorada pelos Romanos Pontífices, sempre conscientes da oração de Nosso Senhor a Seu Pai Celestial, de que todos os Seus professos seguidores fossem “Um em nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste “(Jo. 17:21). BREVE HISTÓRIA DAS DIVISÕES NO CRISTIANISMO ORIENTAL Do século IV ao século VIII, o cristianismo oriental foi cercado por vários cismas em grande escala causados pela disseminação de heresias como o arianismo, o nestorianismo, o monofisismo, o monotelismo e o iconoclasmo. Os primeiros 7 Concílios Ecumênicos (o primeiro foi Nicéia em 325 dC; o sétimo foi realizado em Constantinopla em 787 dC) lutaram para preservar a ortodoxia da crença cristã contra os ensinamentos heréticos que distorciam o Ensinamento Apostólico sobre a Trindade, a Pessoa de Cristo e as conseqüências salvíficas da Encarnação. O nestorianismo se espalhou entre os cristãos da Síria Oriental e da Pérsia (agora Irã e Iraque) e deveria se expandir até a Ásia Central, Índia e China. Se os nestorianos rejeitaram o Concílio de Éfeso (431 d.C.), os monofisitas rejeitariam o Concílio de Calcedônia (451 d.C.). O monofisismo se espalhou entre os sírios ocidentais (jacobitas), coptas egípcios, etíopes e armênios (estes últimos constituindo a primeira nação cristã!). É interessante observar que cada heresia de grande escala destruindo a unidade da Igreja no Oriente teve o apoio de algumas vezes centenas de bispos e seus concílios. Até hoje, os poucos nestorianos existentes ainda afirmam ser “ortodoxos”, assim como os monofisistas mais numerosos de hoje, que se dizem “ortodoxos orientais”. Não se deve esquecer que o arqui-herético Nestório era o bispo de Constantinopla. Sua condenação no Concílio de Éfeso (431 d.C.) infelizmente apenas serviu para espalhar sua heresia entre as igrejas sírias e persas. Mais tarde, a mesma Sé de Constantinopla, que buscava a supremacia no Oriente sobre os outros patriarcados, seria mantida por hereges monofisistas, monotelitas e patriarcas iconoclastas, apoiados pelos imperadores bizantinos, que perseguiram ferozmente os fiéis católicos. Como um autor calculou, dos 5 séculos que se estabeleceram entre a ascensão do Imperador Constantino, o Grande, ao trono imperial e ao 7º Concílio Ecumênico (787 dC), mais de duzentos anos foram passados pela Sé Imperial de Constantinopla em separação de Roma. Apesar dos grandes cismas que viram grandes grupos de cristãos orientais partirem da ortodoxia católica, foram os bispos orientais que permaneceram em comunhão com a Sé de Pedro, “cabeça de todas as Igrejas de Deus”, que representavam a existência continuada da “Una Igreja Santa, Católica e Apostólica “notada no Credo Niceno-Constantinopolitano, emitida pelo 2º Concílio Ecuménico em 381 dC. No primeiro milénio da história da Igreja, o critério da catolicidade e da ortodoxia na crença era sempre acordo dogmático com o Bispo de Roma. o Sucessor do Príncipe dos Apóstolos. É preciso recordar o padrão perturbador da interferência imperial nos assuntos internos da Igreja, com os imperadores bizantinos muitas vezes apoiando a heresia e procurando modificar ou comprometer a fé ortodoxa daquela grande comunhão de igrejas ocidentais e orientais chamada “A Igreja Católica”. A manutenção do controle do Imperador sobre a Igreja seria um fator constante em todas as negociações para a reunião das igrejas bizantinas greco-eslavas com Roma, que ocorreria no período medieval (séculos XI-XV). Uma ideologia oriental romana (greco-bizantina) desenvolveu-se cedo, onde o imperador era considerado “outro Cristo”, o primeiro personagem da cristandade, exaltado de fato acima de todos os patriarcas e concílios. Ele era o guardião e protetor do Império e da Fé Ortodoxa, nenhum dos quais poderia existir sem o outro. Como vários historiadores observaram, não se pode compreender a história do cisma bizantino greco-eslavo, a menos que ele entenda a tradição bizantina dos direitos e deveres do imperador em relação à Igreja e a profunda repugnância que seria sentida pelos bizantinos no surgimento da Igreja a ocidente de um império franco de latinos estrangeiros “bárbaros” que pareceriam cada vez mais agressivos. O papel desempenhado pelos imperadores bizantinos durante a famosa questão Fociana (século 9) é particularmente instrutivo, especialmente porque eles não têm escrúpulos em destituir à vontade tanto Patriarca Inácio quanto seu sucessor Patriarca Fócio. Com a grande heresia Iconoclasta tendo diminuído com o “Triunfo da Ortodoxia” em 843 e a união com Roma restaurada, a paz interna da Igreja Grega Bizantina seria novamente perturbada pelo conflito feroz entre os defensores do erudito Patriarca Fócio e os do o santo Patriarca Inácio. Na incrivelmente complexa questão da “Crise Focística” que começou em 858 DC quando Fócio substituiu Inácio no trono de Constantinopla (com o apoio do Imperador Miguel “o Bêbado”), os seguidores de Inácio apelaram a Roma declarando Fócio um usurpador e culpado de vários crimes contra Inácio e seus seguidores. Com missionários latinos e gregos discutindo se os búlgaros recém-convertidos estariam sob a jurisdição de Roma ou Constantinopla, o Patriarca Fócio desencadeou um amargo ataque aos missionários francos acusando-os de “impiedades” litúrgicas e disciplinares (por exemplo, jejum no sábado). , comendo laticínios na Quaresma, procurando impor o celibato clerical, não permitindo que os padres confirmassem, etc.) Pior ainda, “chegaram até os limites extremos do mal e falsificaram o Credo ao introduzir nele o Filioque”. Em outros escritos, ele denunciou a doutrina mantida por séculos no Ocidente de que o Espírito Santo também procedia “do Filho” (Filioque) como “heresia” e “blasfêmia”. Em 867 DC, Fócio chegou a ter um sínodo declarando o papa Nicolau I (um dos maiores romanos e um dos mais eloquentes defensores do primado romano) deposto e excomungado! Roma reagiu com o seu próprio sínodo condenando Fócio por ter ousado julgar um papa. Dois Concílios foram então realizados em Constantinopla (o 8º Concílio Ecumênico em 869 AD que condenou e deposto Fócio como Patriarca) e o Concílio de 879-880 dC que reabilitou Fócio com o consentimento do Papa João VIII que buscou restaurar a paz e unidade entre os Bizantinos. A pesquisa histórica moderna mostrou que Fócio (apesar de suas disputas litúrgicas e doutrinais com os francos latinos na Bulgária) morreu em comunhão com a Santa Sé. Apesar de sua briga pessoal com o papa Nicolau I (que ele considerava interferir desnecessariamente nos assuntos internos da Igreja bizantina), ele nunca rejeitou a primazia universal da jurisdição universal sobre toda a Igreja, Oriente e Ocidente – uma primazia tão vigorosamente estabelecida nas cartas dos Papas Nicolau I, Adriano II, Estêvão V e João VIII. Essa mesma primazia petrina de Roma na Igreja Universal foi similarmente reconhecida pelo imperador bizantino Basílio, que estava presente nos Concílios de 869 e 879-80 (por mais invejoso que fosse manter seu controle administrativo dos assuntos eclesiásticos no Oriente e no controle imperial sobre a Bulgária). Embora o cisma bizantino greco-eslavo não tenha finalizado com o patriarca Fócio ou mesmo com o patriarca Miguel Cerulário em 1054, os ataques de Fócio às práticas litúrgicas e disciplinas latinas e, mais grave, sua doutrina negando que o Espírito Santo procedia do Pai e o Filho deveria se espalhar entre os bizantinos. A “heresia latina” do Filioque constituiria a principal questão dogmática usada para justificar o crescente distanciamento entre latinos e gregos, [e conseqüentemente] as várias rupturas de comunhão, e depois o cisma formal com Roma que certamente se desenvolveu após o atroz saque de Constantinopla pelos venezianos em 1204 e a posterior rejeição violenta do Concílio de Reunião de Lyon em 1274. Antes, naquele século, o canonista Demétrio Chromantianos se opusera à opinião do renomado canonista Teodoro Balsamon, que afirmava que os latinos não podiam ser admitidos. a Eucaristia nas igrejas gregas. Chromatianos argumentou que os latinos nunca haviam sido proscritos por um Concílio, “nem como hereges expulsos da Igreja”. Mesmo quando um Concílio Bizantino em 1285 rejeitou formalmente a doutrina Filioque do Concílio de Reunião de Lyon, a posição daqueles prelados bizantinos que se recusaram a ter comunhão com os latinos permaneceu equívoca, uma vez que todos estavam cientes (e isto até nos séculos XIV e XV) que nenhum Concílio Ecumênico havia condenado os latinos como hereges ou cismáticos. Como observado acima, muitos historiadores do passado haviam considerado erroneamente o patriarca Fócio do século 9 ou os eventos de 1054 com excomunhões mútuas entre o Patriarca Miguel Cerulário e o Cardeal Humberto como causadores desse cisma formal com a Sé de Pedro que testemunhamos hoje. A verdade é muito mais complexa, como observaram os escritores modernos ao discutir os esforços unionistas dos imperadores e do patriarca João Beccus e outros prelados orientais que permaneceram em comunhão com os latinos durante o século XIII. No entanto, o Patriarca Miguel Cerulário contribuiu para o agravamento das relações entre Roma e Constantinopla, destacando ainda outra “heresia latina” – a de celebrar o Santo Sacrifício com pão ázimo (azímos)! Além disso, ele desprezaria as práticas litúrgicas latinas (os sacerdotes latinos raspavam as barbas, os latinos comiam carne às quartas-feiras, os bispos usavam anéis e lutavam em guerras a cavalo, os latinos rejeitavam o culto às relíquias etc.). Tudo isso era para excitar as paixões das massas indignadas contra os ímpios latinos. O patriarca bizantino originalmente causara problemas ao fechar igrejas latinas em Constantinopla, fazendo com que o papa Leão IX escrevesse uma carta indignada (com uma magistral exposição do primado romano) e enviasse três legados papais a Constantinopla para defender os direitos da sé romana. É suficiente dizer que o Cardeal Humberto não era o melhor diplomata para lidar com os bizantinos e (apesar das melhores intenções) errou gravemente ao cair no mesmo erro dos gregos atribuindo demasiada importância às questões de disciplina e liturgia e, lamentavelmente, trazendo o doutrina do ‘Filioque’ à frente em seu documento excomungando Cerulário e seu partido. Além disso, o documento continha algumas acusações errôneas contra os bizantinos, incluindo a omissão do Filioque no Credo! Tanto Humberto quanto Cerulário foram muito cuidadosos em não incluir suas respectivas Igrejas nas excomunhões essencialmente pessoais, mas por tudo isso ocorreu uma lamentável ruptura entre o Patriarcado de Constantinopla e a Igreja de Roma que só pioraria à medida que os outros Patriarcados Orientais seguissem Constantinopla liderando em denegrir as diferenças teológicas, disciplinares e litúrgicas que encontraram entre os latinos. Nos séculos seguintes, o Filioque e o uso de pão sem fermento para a Eucaristia seriam especialmente considerados pelos bizantinos como “heresias”, justificando assim a sua comunhão de ruptura com os latinos e, consequentemente, com a Sé de Pedro. Mas por um tempo após os tristes acontecimentos de 1054, como observou um historiador: “É claro que no final do século 11, nem em Roma nem em Constantinopla, os círculos responsáveis acreditavam que havia um cisma entre as igrejas ocidental e oriental”.As relações entre a maioria dos latinos e gregos bizantinos permaneceram amigáveis; não havia consciência de que a unidade da fé tivesse sido destruída pelas brigas teológicas que haviam ocorrido. É uma das grandes ironias da história que as Cruzadas destinadas a defender outros cristãos contra a agressão muçulmana tiveram o efeito de piorar as relações entre latinos e bizantinos, a ponto de consolidar as tendências cismáticas postas em movimento pelos acontecimentos de 1054. Cruzadas com seus grandes exércitos indisciplinados e saqueadores antagonizaram os bizantinos e quando a Quarta Cruzada saqueou a cidade de Constantinopla em 1204 dC (para o horror do papa Inocêncio III), deixaria uma impressão indelével nas mentalidades bizantinas que é sentida a este respeito mesmo em nossos dias entre aqueles monges do Monte Athos que se opuseram a qualquer proposta ecumênica aos católicos. Quando os cruzados estabeleceram seu patriarca escolhido para a Sé de Antioquia em 1100 dC, com Constantinopla e os gregos apoiando um patriarca rival no exílio, foi criado um cisma entre latinos e gregos que se espalharia à medida que as hierarquias rivais resultavam do estabelecimento de um Império Latino no Oriente. Como pe. Aidan Nichols, O.P., escreveu sobre os cruzados estabelecendo um Império Latino no Oriente: “O cisma entre Roma e o Oriente Ortodoxo era filho das Cruzadas. Embora nunca tenha sido ratificado por um Concílio, foi formalizado pelo surgimento de hierarcas latinos e gregos concorrentes em três de quatro das sedes patriarcais orientais. O evento-chave foi o saque de Constantinopla em 1204. Foi um golpe de corpo para toda a mística de Bizâncio como a cidade escolhida por Deus, uma mística essencial para a identidade cultural e religiosa do helenismo cristão “. Em 1254, o Papa Inocêncio IV anunciou sua preocupação com o “Cisma da Romania, isto é, da Igreja Grega, que em nossa época, há apenas alguns anos, separou-se arrogante e insensatamente e retirou-se do seio de sua Mãe”. O fracasso das negociações em um Concílio realizado no Nymphaeum em 1234 resultou no reconhecimento de que existia um cisma. Ao longo dos séculos XI-XV, no entanto, houve esforços para restaurar a plena comunhão entre Roma e Constantinopla e suas igrejas irmãs-eslavas, que foram atraídas para a separação do Patriarcado Bizantino de Roma. Um número de importantes teólogos bizantinos como o 13º c. Patriarca João Beco e o 14º c. O teólogo leigo DemétriobKydones (que era um grande admirador de Santo Tomás de Aquino e traduziu suas obras para o grego elegante) repudiou o cisma e trabalhou pela união das Igrejas. Tais unionistas prepararam o caminho para os Concílios de Reunião de Lyon (1274) e Florença (1439), que não conseguiram estabelecer uma união corporativa definitiva da Igreja Grega Bizantina com Roma, mas prepararam o caminho para a reunião de quase todas igrejas de rito bizantino que atualmente desfrutam da comunhão com a Santa Sé. Sempre houve aspectos irracionais e incoerentes sobre o cisma bizantino greco-eslavo com Roma. O estudioso dominicano pe. Aidan Nichols notou a importância da falta de rejeição consciente da doutrina católica por muitos ortodoxos orientais nos séculos passados: “Apesar do desenrolar da união de Florença no decorrer do final do século 15, não se deve presumir que uma parede de divisão separou as comunidades católica e ortodoxa no período subsequente. De 1600 a 1700 em particular, tanto os crentes educados como os crentes simples em números consideráveis agiam como se não houvesse cisma. ” (Veja a sua “Roma e as Igrejas Orientais”, página 240 -245; T & T Clark, Edimburgo, 1992) Muitos teólogos católicos enfatizaram igualmente o importante fato de que muitos ortodoxos orientais hoje não são “cismáticos formais ou hereges”, mas sim dissidentes de boa fé, e que desejam a reunião com a Sé Apostólica de Roma. A partir do século XII, havia entre os bizantinos espíritos moderados e nobres que desejavam o fim de toda atividade cismática e buscavam a purificação das memórias para preparar um “diálogo de caridade” que terminaria na celebração comum da Eucaristia pelo Papa e Patriarcas dando testemunho da oração de Cristo para que todos os Seus seguidores sejam “Um” na fé, adoração e governo. A eclesiologia do Concílio Vaticano II (1962-65), explicando o primado e a colegialidade de acordo com a tradição apostólica, fornece uma nova inspiração para o fim de um cisma verdadeiramente trágico que só serviu para continuar ferindo a unidade daquela “única Igreja”. Cristo, o Senhor, achou por bem estabelecer na Rocha de Pedro. Tradução:http://www.jameslikoudispage.com/Ecumenic/byschism.htm
- O CRUCIFIXO (A cabeça vista da esquerda) – Paul Claudel
Está escrito no livro da Gênese, nessa história cheia de um mistério infinito, Que José, quando se lê que encontrou os irmãos, depois de longa permanência no Egito, Fez sair toda a assistência, antes de lhes manifestar a face: (Egito, que em hebreu quer dizer trevas, é por excelência esta terra em que vivemos, escura e baixa), Pois não convinha que alguém estivesse presente naquele instante sagrado, Do irmão que se virou para nós e pediu para ser encarado. Assim quis o Cristo, porque era forte o coração deles, ou talvez num amor imenso esteja o segredo, A muitos santos e santas aqui embaixo só se mostrar do lado esquerdo. Tudo o que estes fazem, simula não ter reparado. Quando rezam, dir-se-ia que escuta outra coisa, e seu rosto permanece voltado. Mas eles sabem, sorriem, e nenhum se lastima, E voltam tranqüilamente para a semeadura e a vindima, Pois àquele que crê, a fé é suficiente. O que a eternidade nos reserva, não é preciso vê-lo nesta vida presente. Bons servidores, conheceis vosso dever, e é bastante. A necessária luz é convosco, e o caminho traçado de avante. E quando vosso Criador se volta para vós, com seu Olhar em que a cólera não mora, Ele não quer nem que os homens nem que os anjos sejam testemunhas dessa hora. (Trad. de Carlos Drummond de Andrade)
- Papa Lando (913-14)
(913-14). Um nativo da Sabina, e o filho de Taino, eleito papa aparentemente em julho ou agosto de 913; d. em fevereiro ou março de 914, após um reinado de pouco mais de seis meses. Nada mais se sabe sobre ele, exceto que ele era um homem digno e concedeu um privilégio a uma igreja em sua terra natal, Sabina. Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia.
- Papa Lúcio III (1181-85 D.C.)
(Ubaldo Allucingoli) Nascido em Lucca, data desconhecida; Morreu em Verona, 25 de dezembro de 1185. Inocêncio II o fez Cardeal-Sacerdote de Santa Prassede em 23 de fevereiro de 1141, e depois o enviou como legado para a França. Sob Eugênio III ele foi enviado como legado para a Sicília e em 1º de janeiro de 1159, tornou-se bispo de Ostia e Velletri. Em 1177 ele foi comissionado por Alexandre III para participar do famoso congresso de paz de Veneza, onde um acordo amigável foi alcançado entre Alexandre III e o imperador Frederico I. Nesse momento ele foi nomeado membro da corte de arbitragem que foi instituída para investigar o caso da validade da doação da Condessa Matilda, mas que não chegou a uma conclusão definitiva. Em 1 de setembro de 1181, um dia após a morte de Alexandre III, ele foi eleito papa em Velletri, onde também foi coroado no domingo seguinte, 6 de setembro. No início de novembro, ele chegou a Roma, mas lá o partido revolucionário logo ficou tão irado contra ele porque se recusou a conceder-lhes certos privilégios concedidos por seus antecessores, que foi obrigado a deixar Roma em meados de março de 1182. Ele foi para Velletri, onde recebeu os embaixadores que o rei Guilherme da Escócia tinha enviado para obter absolvição da proibição que ele havia incorrido sob Alexandre III. Ele libertou o rei de todas as censuras eclesiásticas e como um sinal de boa vontade enviou-lhe a Rosa de Ouro em 17 de março de 1183. De Velletri o papa procedeu a Segni onde em 5 de setembro de 1183 canonizou São Bruno, que havia sido bispo daquele lugar. Ele voltou a Roma novamente tentando acabar com as contínuas dissensões intestinas dos romanos, mas eles tornaram a vida tão insuportável para ele que ele deixou a cidade pela segunda vez. Depois de passar pouco tempo no sul da Itália, Lúcio III foi para Bolonha, onde consagrou a catedral em 8 de julho de 1184. O restante de seu pontificado passou em Verona, onde, com a cooperação do imperador Frederico I, convocou um sínodo de outubro até novembro de 1184, quando medidas severas foram tomadas contra as heresias prevalecentes daqueles dias, especialmente contra os cátaros, os valdenses e os arnaldistas. Nesse sínodo, o imperador prometeu fazer uma cruzada na Terra Santa. Embora as relações entre Lúcio III e o imperador Frederico I não fossem abertamente hostis, ainda assim elas estavam sempre tensas. Quando, após a morte do bispo Arnold de Trier, houve uma dupla eleição, o papa recusou-se firmemente a dar sua aprovação a Volkmar, o candidato da minoria, embora o imperador já o tivesse investido em Constança. Tampouco Lúcio III cedeu ao imperador que exigia que os bispos alemães, indevidamente nomeados pelos antipapas durante o pontificado de Alexandre III, fossem reconsagrados e conservassem suas sedes. Ele também se recusou a conceder o pedido de Frederico para coroar seu filho Henrique IV imperador. Por outro lado, Frederico não reconheceria a validade das doações Maltidianas à Santa Sé e não ajudara Lúcio contra os barões romanos. As cartas e decretos de Lúcio III estão impressos em P.L., CCI, 1071-1376. Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia
- Papa Lúcio II (1144-1145 D.C.)
Insira uma legenda (Gherardo Caccianemici dal Orso) Nascido em Bolonha, data desconhecida, morreu em Roma, em 15 de fevereiro de 1145. Antes de entrar na Cúria Romana, ele era regular em Bolonha. Em 1124, Honório II fez dele Cardeal-Sacerdote de Santa Croce in Gerusalemme. De 1125-1126 ele foi legado papal na Alemanha, onde participou da eleição do Rei Lotário III em 1125, foi fundamental para a nomeação de São Norberto como Bispo de Magdeburgo, em julho de 1126, e ajudou a resolver a disputa sobre o preenchimento da Sé de Wurzburgo, depois que o Bispo Gebhard foi deposto pela autoridade papal em 1126. Durante o pontificado de Inocêncio II (1130-43), o encontramos três vezes como legado na Alemanha, isto é, nos anos 1130-1, 1133 -4 e 1136. Em todas essas legações ele apoiou lealmente os interesses de Inocêncio II, e deve ser atribuído principalmente a seus esforços que Lotário III fez duas expedições à Itália com o propósito de proteger Inocêncio II contra o antipapa, Anacleto II. Perto do final do pontificado de Inocêncio II, ele foi nomeado chanceler e bibliotecário papal. Ele foi eleito e consagrado papa em Roma, em 12 de março de 1144, para suceder Celestino II, que reinou apenas cinco meses e doze dias. O novo papa adotou o nome de Lúcio II; pouco depois de sua ascensão, ele teve uma conferência com o rei Rogério da Sicília em Ceperano no início de junho de 1144, com o propósito de chegar a um entendimento com o rei a respeito de seus deveres como vassalo da Sé Apostólica. As exigências de Rogério, no entanto, eram tão extravagantes que Lúcio, seguindo o conselho de seus cardeais, as rejeitou. O rei agora recorreu às armas e Lúcio foi forçado a concluir uma trégua nos termos ditados por Rogério. Em Roma, os assuntos eram ainda menos promissores. Lúcio, de fato, conseguira dissolver o Senado que fora relutantemente estabelecido por Inocêncio II e que praticamente arrancara o poder temporal do papa, mas encorajado pelo sucesso do rei Rogério da Sicília, a facção republicana agora elegeu Pierleoni, um irmão do antipapa Anacleto, como senador e exigiu que o papa devesse abandonar todos os assuntos temporais em suas mãos. Depois de invocar em vão o Imperador Conrado para proteção, Lúcio II marchou sobre o Capitólio à frente de um pequeno exército, mas sofreu uma derrota. Se podemos acreditar na declaração de Godofredo de Viterbo em seu “Panteão” (Muratori, “Script. Rer. Ital.”, VII, 461; e PL, CXCVIII, 988) Lúcio II foi gravemente ferido por pedras que foram jogadas sobre ele nesta ocasião e morreu alguns dias depois. Em um sínodo realizado em Roma em maio de 1144, ele resolveu a disputa prolongada entre o Metropolita de Tours e o Bispo de Dol, tornando o último sufragâneo do primeiro. Ele pediu ao abade Pedro de Cluny que enviasse treze de seus monges a Roma e, ao chegarem, lhes deu o mosteiro de São Sabás no Aventino em 19 de janeiro de 1145. Ele fundou alguns outros mosteiros na Itália e na Alemanha e foi especialmente bem disposto em direção à recém-instituída Ordem dos Premonstratenses. Suas epístolas e privilégios estão impressos em P.L., CLXXIX, 823-936. Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia.
- Papa Inocêncio XIII (1721-24 D.C.)
(Michelangelo Dei Conti) Nascido em Roma, 13 de maio de 1655; morreu no mesmo lugar, 7 de março de 1724. Ele era o filho de Carlo II, Duque de Poli. Depois de estudar no Colégio Romano, foi introduzido na Cúria por Alexandre VIII, que em 1690 encarregou-o de levar o abençoado chapéu (beretona) e a espada (stocco) ao Doge Morosini de Veneza. Em 1695 foi nomeado arcebispo titular de Tarso e núncio em Lucerna e, em 1697, núncio em Lisboa. Clemente XI o fez Cardeal-Sacerdote de Santi Quirico e Giulitta em 17 de maio de 1706, conferiu-lhe a Diocese de Osimo em 1709, e a de Viterbo em 1712. A doença obrigou-o a renunciar à sua sé em 1719. Após a morte de Clemente Foi eleito papa em um tempestuoso conclave em 8 de maio de 1721. Em memória de Inocêncio III, a cuja linhagem pertencia, ele escolheu o nome de Inocêncio XIII. Logo após sua sucessão, ele investiu o Imperador Carlos VI com o Reino da Sicília e recebeu seu juramento de lealdade em 1722. Quando, um ano depois, o imperador investiu o príncipe espanhol Don Carlos, com Parma e Piacenza, o papa protestou alegando que esses dois ducados estavam sob suserania papal. Seus protestos, no entanto, permaneceram desatendidos. Como seu antecessor, ele deu uma pensão anual para o pretendente inglês, Tiago III, filho do destronado rei católico Tiago II, e até prometeu ajudá-lo com 100.000 ducados, caso uma oportunidade se oferecesse para recuperar a coroa inglesa pela força dos braços. Ele também ajudou os venezianos e especialmente a ilha de Malta em sua luta contra os turcos. Na disputa dos jesuítas com os dominicanos e outros, sobre a retenção de vários ritos chineses entre os convertidos católicos da China, Inocêncio XIII ficou do lado dos oponentes dos jesuítas. Quando em 1721 sete bispos franceses enviaram um documento a Roma contendo uma petição para suprimir a Constituição “Unigenitus” na qual Clemente XI havia condenado os erros de Quesnel, Inocêncio XIII não apenas condenou a redação dos bispos, mas também exigiu a submissão incondicional ao Constituição. Ele foi, no entanto, fraco o suficiente para ceder à pressão francesa e elevar o indigno primeiro-ministro Dubois ao cardeal. Ele, de fato, exortou o ministro a mudar sua vida perversa, mas suas exortações continuaram inúteis. (Para uma visão mais branda de Dubois, ver Bliard, “Dubois, cardeal et premier ministre”, Paris, 1901.) Em uma Bula de março de 1723, ele regulamentou inúmeros abusos na Espanha e foi auxiliado na execução desta bula pelo rei Filipe V da Espanha. Os medos que foram levantados no início de seu pontificado de que ele se renderia ao nepotismo eram totalmente infundados. Ele elevou seu irmão ao cardinalato, mas não permitiu que suas receitas excedessem 12.000 scudi, como havia sido estipulado pelo papa Inocêncio XII. Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia.
- Papa Inocêncio XII (1691-1700 D.C.)
(ANTONIO PIGNATELLI) Nascido em Spinazzolo perto de Nápoles, 13 de março de 1615; morreu em Roma, em 27 de setembro de 1700. Ele ingressou na Cúria Romana aos vinte anos e foi sucessivamente nomeado vice-legado em Urbino, inquisidor em Malta, e governador de Perugia. Sob Inocêncio X ele se tornou núncio na Toscana, e Alexandre VII o enviou como núncio na Polônia, onde ele regulamentou os assuntos eclesiásticos perturbados e uniu os armênios com Roma. Em 1668 ele se tornou núncio em Viena. Inocêncio XI o fez Cardeal-Sacerdote de San Pancrazio fuori le mura e Bispo de Faenza em 1 de setembro de 1682, Arcebispo de Nápoles em 1687. Após a morte de Alexandre VIII, os cardeais entraram no conclave em Roma em 11 de fevereiro de 1691, mas nem a facção francesa nem a espanhola dos Habsburgo entre os cardeais poderiam levar seu candidato. Um compromisso resultou na eleição do cardeal Pignatelli em 12 de julho de 1691. Em sua bula “Romanum decet Pontificem” (22 de junho de 1692), que foi subscrita e juramentada pelos cardeais, ele decretou que no futuro nenhum papa deveria ser permitido conceder o cardinalato a mais de um de seus parentes. Para os pobres, a quem ele chamava de sobrinhos, ele era extremamente caridoso; ele transformou parte do Laterano em um hospital para os necessitados, ergueu numerosas instituições de caridade e educação, e completou o grande tribunal “Curia Innocenziana”, que agora serve como a Casa dos Comuns da Itália (Camera dei Deputati). Em 1693, ele induziu o rei Luís XIV da França a revogar a “Declaração do clero francês”, que havia sido adotada em 1682. Os bispos que haviam participado da “Declaração” enviaram uma retratação por escrito a Roma, quando o papa enviou sua Bula de confirmação para os bispos de quem havia sido retido. Em 1696, ele repetiu a condenação do jansenismo de seu antecessor e, em seu breve “Cum alias” (12 de março de 1699), condenou vinte e três proposições semi-quietistas contidas nos “Maximes” de Fénelon. No final de seu pontificado, suas relações com o imperador Leopoldo tornaram-se um tanto tensas, especialmente devido ao conde Martinitz, o embaixador imperial em Roma, que ainda insistia no “direito de asilo”, que fora abolido por Inocêncio XI. Foi muito devido à arrogância de Martinitz que Inocêncio XII aconselhou o rei Carlos II da Espanha a fazer de um francês, o duque de Anjou, seu sucessor testamentário, um ato que levou à “Guerra da Sucessão Espanhola”. Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia.
- Papa Beato Inocêncio XI (1676-1689 D.C.)
(Benedetto Odescalchi) Nascido em Como, 16 de maio de 1611; Morreu em Roma, em 11 de agosto de 1689. Foi educado pelos jesuítas em Como e estudou jurisprudência em Roma e Nápoles. Urbano VIII nomeou-o sucessivamente protonotário, presidente da Câmara Apostólica, comissário em Ancona, administrador de Macerata e governador de Picena. Inocêncio X fez dele cardeal-diácono de Santi Cosme e Damião em 6 de março de 1645, e, um pouco mais tarde, cardeal-sacerdote de Sant ‘Onofrio. Como cardeal, ele era amado por todos por sua profunda devoção, caridade e devoção altruísta ao dever. Quando ele foi enviado como legado para Ferrara, a fim de ajudar as pessoas atingidas por uma fome severa, o papa apresentou-o ao povo de Ferrara como o “pai dos pobres”, “Mittimus patrem pauperum”. Em 1650 tornou-se bispo de Novara, em cuja capacidade ele gastou todas as receitas de sua sé para aliviar os pobres e doentes em sua diocese. Com a permissão do papa, renunciou ao cargo de bispo de Novara em favor de seu irmão Giulio em 1656 e foi para Roma, onde desempenhou um papel proeminente nas consultas das várias congregações das quais era membro. Ele foi um forte candidato ao papado após a morte de Clemente IX em 9 de dezembro de 1669, mas o governo francês o rejeitou. Após a morte de Clemente X, o rei Luís XIV da França pretendeu novamente usar sua influência real contra a eleição de Odescalchi, mas, vendo que os cardeais, assim como o povo romano, desejavam ter Odescalchi como seu papa , ele relutantemente instruiu os cardeais do partido francês a aceitar sua candidatura. Depois de um interregno de dois meses, Odescalchi foi eleito por unanimidade em 21 de setembro de 1676 e adotou o nome de Inocêncio XI. Imediatamente após a sua adesão, ele voltou todos os seus esforços para reduzir as despesas da Cúria. Ele aprovou ordenanças rígidas contra o nepotismo entre os cardeais. Ele viveu muito parcimoniosamente e exortou os cardeais a fazer o mesmo. Dessa maneira, ele não apenas superou o déficit anual que, em sua ascensão, alcançou a soma de 170.000 scudi, mas, em poucos anos, a renda papal superou os gastos. Todo o pontificado de Inocêncio XI é marcado por uma luta contínua com o absolutismo do rei Luís XIV da França. Já em 1673, o rei tinha por seu próprio poder estendido o direito de regália sobre as províncias de Languedoc, Guyenne, Provença e Dauphiné, onde anteriormente não tinha sido exercido, embora o Concílio de Lyon em 1274 tivesse proibido sob pena de excomunhão para estender a regália para além dos distritos onde estava então em vigor. Os bispos Pavillon de Alet e Caulet de Pamiers protestaram contra esta invasão real e em consequência foram perseguidos pelo rei. Todos os esforços de Inocêncio XI para induzir o rei Luís a respeitar os direitos da Igreja eram inúteis. Em 1682, Luís XIV convocou uma assembléia do clero francês que, em 19 de março, adotou os quatro artigos famosos, conhecidos como “Déclaration du clergé français”. Inocêncio anulou os quatro artigos em sua rescrito de 11 de abril de 1682 e recusou sua aprovação a todos os futuros candidatos episcopais que haviam participado da assembléia. Para apaziguar o papa, Luís XIV começou a posar como um fanático do catolicismo. Em 1685, ele revogou o Edito de Nantes e inaugurou uma cruel perseguição contra os protestantes. Inocêncio XI expressou seu descontentamento com essas medidas drásticas e continuou a negar sua aprovação aos candidatos episcopais, como fizera até então. Ele irritava ainda mais o rei ao abolir o muito abusivo “direito de asilo” em um decreto datado de 7 de maio de 1685. Por força desse direito, os embaixadores estrangeiros em Roma haviam sido capazes de abrigar em seus palácios e na vizinhança imediata qualquer criminoso que era procurado pelo tribunal papal de justiça. Inocêncio XI notificou o novo embaixador francês, Marquis de Lavardin, que ele não seria reconhecido como embaixador em Roma a menos que ele renunciasse a esse direito. Mas Luís XIV não desistiria disso. À frente de uma força armada de cerca de 800 homens, Lavardin entrou em Roma em novembro de 1687 e tomou posse forçada de seu palácio. Inocêncio XI o tratou como excomungado e colocou sob interdito a igreja de São Luís em Roma, onde ele atendia aos cultos em 24 de dezembro de 1687. A tensão entre o papa e o rei ainda era aumentada pelo procedimento do papa em preencher a vaga arquiepiscopal Sé de Colônia. Os dois candidatos à sé eram o cardeal Wilhelm Fürstenberg, então bispo de Estrasburgo, e José Clement, irmão de Max Emanuel, eleitor da Baviera. O primeiro era uma ferramenta disposta nas mãos de Luís XIV, e sua nomeação como arcebispo e eleitor de Colônia teria implicado preponderância francesa no noroeste da Alemanha. José Clement não era apenas o candidato do imperador Leopoldo I da Áustria, mas de todos os governantes europeus, com exceção do rei da França e seu defensor servil, o rei Tiago II da Inglaterra. Na eleição, que ocorreu em 19 de julho de 1688, nenhum dos candidatos recebeu o número necessário de votos. A decisão, portanto, recaiu sobre o papa, que designou José Clement como arcebispo e eleitor de Colônia. Luís XIV retaliou tomando posse do território papal de Avinhão, aprisionando o núncio papal e apelando para um concílio geral. Tampouco ocultou sua intenção de separar inteiramente a Igreja francesa de Roma. Mas o papa permaneceu firme. A queda subsequente de Tiago II da Inglaterra destruiu a preponderância francesa na Europa e logo após a morte de Inocêncio, a luta entre Luís XIV e o papado foi resolvida em favor da Igreja. Inocêncio XI não aprovou a maneira imprudente na qual Tiago II tentou restaurar o catolicismo na Inglaterra. Ele também repetidamente expressou seu descontentamento com o apoio que Tiago II deu ao rei autocrático Luís XIV em suas medidas hostis à Igreja. Não é, portanto, surpreendente que Inocêncio XI tenha pouca simpatia pelo rei católico da Inglaterra e que ele não o tenha ajudado em sua hora de julgamento. Não há, contudo, fundamento para a acusação de que Inocêncio XI foi informado sobre os projetos que Guilherme de Orange tinha sobre a Inglaterra, muito menos que ele o apoiou na derrubada de Tiago II. Foi devido às exortações sinceras e incessantes de Inocêncio que os estados alemães e o rei João Sobieski da Polônia em 1683 se apressaram para o alívio de Viena que estava sendo assediada pelos turcos. Depois que o cerco foi levantado, Inocêncio novamente não poupou esforços para induzir os príncipes cristãos a ajudarem na expulsão dos turcos da Hungria. Ele contribuiu com milhões de scudi para o fundo de guerra turco na Áustria e na Hungria e teve a satisfação de sobreviver à captura de Belgrado, em 6 de setembro de 1688. Inocêncio XI não estava menos preocupado em preservar a pureza da fé e da moral entre o clero e os fiéis. Ele insistiu em uma educação completa e uma vida exemplar do clero, reformou os mosteiros de Roma, aprovou regras rígidas sobre a modéstia do vestuário entre as damas romanas, pôs fim à paixão cada vez maior por jogos de azar, suprimindo as casas de apostas em Roma e por um decreto de 12 de fevereiro de 1679, encorajou a comunhão freqüente e até diária. Em sua bula “Sanctissimus Dominus”, emitida em 2 de março de 1679, ele condenou sessenta e cinco proposições que favoreceram o laxismo na teologia moral e, em um decreto datado de 26 de junho de 1680, defendeu o probabiliorismo de Tirso González, S.J. Este decreto (ver texto autêntico em “Etudes religieuses”, XCI, Paris, 1902, 847 sq.) Deu origem à controvérsia, se Inocêncio XI pretendia isso como uma condenação do probabilismo. O Redentorista Francis Ter Haar, em seu trabalho: “Ben. Innocentii PP. XI de probabilismo decreti historia” (Tournai, 1904), sustenta que o decreto se opõe ao probabilismo, enquanto August Lehmkuhl, SJ, em seu tratado: “Probabilismus vindicatus “(Freiburg, 1906), 78-111, defende a opinião oposta. Em um decreto de 28 de agosto de 1687, e na Constituição “Cœlestis Pastor” de 19 de novembro de 1687, Inocêncio XI condenou sessenta e oito proposições quietísticas de Miguel de Molinos. Rumo aos jansenistas Inocêncio XI foi indulgente, embora de modo algum defendesse suas doutrinas. O processo de sua beatificação foi introduzido por Bento XIV e continuado por Clemente XI e Clemente XII, mas a influência francesa e a acusação do jansenismo fizeram com que ela fosse abandonada. Sua “Epistolæ ad Principes” foi publicada por Berthier (2 vols., Roma, 1891-5), e sua “Epistolæ ad Pontifices”, por Bonamico (Roma, 1891). Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia
- Papa Inocêncio X (1644-1655 D.C.)
(Giambattista Pamfili) Nascido em Roma, 6 de maio de 1574; morreu ali, em 7 de janeiro de 1655. Seus pais eram Camillo Pamfili e Flaminia de Bubalis. Pamfili residia originalmente em Gubbio, na Úmbria, mas chegou a Roma durante o pontificado de Inocêncio VIII. O jovem estudou jurisprudência no Collegio Romano e formou-se como bacharel em leis aos vinte anos de idade. Pouco depois, Clemente VIII nomeou-o defensor e auditor consistorial da Rota. Gregório XV fez dele núncio em Nápoles. Urbano VIII mandou-o como datário com o cardeal Legado, Francesco Barberini, para a França e Espanha, em seguida, nomeou-o patriarca latino titular de Antioquia e núncio em Madri. Ele foi feito Cardeal-Sacerdote de Sant ‘Eusebio em 30 de agosto de 1626, embora não tenha assumido a púrpura até 19 de novembro de 1629. Ele era membro das congregações do Concílio de Trento, da Inquisição e da Jurisdição e Imunidade. Em 9 de agosto de 1644, um conclave foi realizado em Roma para a eleição do sucessor de Urbano VIII. O conclave foi tempestuoso. A facção francesa concordou em dar seu voto a nenhum candidato que fosse amigo da Espanha. O cardeal Firenzola, o candidato espanhol foi, portanto, rejeitado, sendo um inimigo conhecido do cardeal Mazarin, primeiro ministro da França. Temendo a eleição de um inimigo declarado da França, o partido francês finalmente concordou com o partido espanhol sobre Pamfili, embora sua simpatia pela Espanha fosse bem conhecida. Em 15 de setembro ele foi eleito e ascendeu ao trono papal como Inocêncio X. Logo após sua ascensão, Inocêncio achou necessário tomar medidas legais contra os Barberini por apropriação indébita de verbas públicas. Para escapar da punição Antonio e Francesco Barberini fugiram para Paris, onde encontraram um poderoso protetor em Mazarin. Inocêncio confiscou sua propriedade e, em 19 de fevereiro de 1646, publicou uma Bula ordenando que todos os cardeais que tivessem deixado ou deveriam deixar os Estados Eclesiásticos sem permissão papal e não retornassem dentro de seis meses, fossem privados de seus benefícios eclesiásticos e, eventualmente, do cardinalato em si. O parlamento francês declarou as ordenações papais nulas e sem efeito, mas o papa não se rendeu até que Mazarin se dispusesse a enviar tropas para a Itália para invadir os Estados eclesiásticos. A partir de então, a política papal em relação à França tornou-se mais amistosa e, um pouco mais tarde, os Barberini foram reabilitados. Mas quando em 1652 o cardeal Retz foi preso por Mazarin, Inocêncio protestou solenemente contra este ato de violência cometido contra um cardeal, e protegeu Retz após sua fuga em 1654. Na Itália, Inocêncio teve a oportunidade de afirmar sua autoridade como suserano sobre o duque Ranuccio II de Parma. que se recusou a resgatar os vínculos (monti) dos Farnesi dos credores romanos, como havia sido estipulado no Tratado de Veneza em 31 de março de 1644. O duque, além disso, se recusou a reconhecer Cristoforo Guarda, a quem o papa nomeou Bispo de Castro. Quando, portanto, o novo bispo foi assassinado enquanto estava a caminho de tomar posse de sua sé, Inocêncio responsabilizou Ranuccio pelo crime. O papa tomou posse de Castro, arrasou-o e transferiu a sé episcopal para Acquapendente. O duque foi forçado a demitir a administração de seu distrito ao papa, que se comprometeu a satisfazer os credores. As relações papais com Veneza, que tinham sido muito tensas durante o pontificado de Urbano VIII, tornaram-se muito amigáveis durante o reinado de Inocêncio. Inocêncio ajudou financeiramente os venezianos contra os turcos na luta por Candia, enquanto os venezianos, de sua parte, permitiram que Inocêncio tivesse livre escopo para preencher as vagas episcopais em seu território, um direito que eles haviam anteriormente reivindicado para si mesmos. Em Portugal, a insurreição popular de 1640 levou à secessão daquele país da Espanha e à eleição de João IV de Bragança como rei de Portugal. Tanto Urbano VIII quanto Inocêncio X, em deferência à Espanha, recusaram-se a reconhecer o novo rei e negaram sua aprovação dos bispos por ele indicados. Assim aconteceu que, no final do pontificado de Inocêncio, havia apenas um bispo em todo o país. Em 26 de novembro de 1648, Inocêncio emitiu a famosa bula “Zelo domus Dei”, na qual ele declara nula e sem efeito os artigos da Paz de Vestfália que eram prejudiciais à religião católica. Em sua Bula “Cum occasione”, emitida em 31 de maio de 1653, condenou cinco proposições retiradas do “Agostinho” de Jansênio, dando assim o impulso à grande controvérsia jansenista na França. Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia.
- Papa Inocêncio IX (29 de Outubro de 1591- 30 de Dezembro de 1591 D.C.)
(Giovanni Antonio Facchinetti) Nascido em Bolonha, em 22 de julho de 1519; eleito em 29 de outubro de 1591; Morreu em Roma, em 30 de dezembro de 1591. Após estudos bem-sucedidos em jurisprudência em sua cidade natal, formou-se doutor em direito em 1544 e seguiu para Roma, onde o cardeal Nicolò Ardinghelli o escolheu como secretário. Mais tarde, ele entrou para o serviço do cardeal Alessandro Farnese, que o nomeou seu representante eclesiástico à frente da Arquidiocese de Avinhão e, posteriormente, chamou-o para a gestão de seus negócios em Parma. Em 1560 foi nomeado bispo de Nicastro na Calábria e em 1562 esteve presente no Concílio de Trento. Enviado como núncio papal em Veneza por Pio V em 1566, ele promoveu grandemente a conclusão dessa aliança (Papa, Veneza, Espanha) contra os turcos, o que acabou resultando na vitória de Lepanto (1571). Em 1572 ele retornou a sua diocese, mas renunciando a sua Sé, ele se retirou para Roma. Em 1575, ele foi nomeado Patriarca de Jerusalém, e em 12 de dezembro de 1583, feito Cardeal-Sacerdote da Títular dos Quatro Mártires Coroados – onde a designação freqüente “Cardeal de Santiquattro”. Durante o reinado do doente Gregório XIV, o peso da administração papal recaiu sobre seus ombros e, na morte deste pontífice, o partido espanhol elevou Facchinetti à cátedra papal. Ciente da origem de seu sucesso, ele apoiou, durante os dois meses de seu pontificado, a causa de Filipe II de Espanha e da Liga contra Henrique IV da França. Ele proibiu a alienação da propriedade da igreja e, em um consistório realizado em 3 de novembro de 1591, informou os cardeais de sua intenção de constituir um fundo de reserva para cobrir despesas extraordinárias. A morte, no entanto, não permitiu a realização de seus vastos esquemas. Deixou numerosos, embora ainda inéditos, escritos sobre temas teológicos e filosóficos: “Moralia quædam theologica”, “Adversus Machiavellem”, “De recta gubernandi ratione”, etc. As suas Bulas estão impressas no “Bullarium Romanum”, ed. Cocquelines, V, pt. Eu (Roma, 1751), 324-32. Charles G. Harbermann. the Catholic Encyclopedia.
- Papa Inocêncio VIII (1484-1492 D.C.)
(Giovanni Battista Cibò) Nascido em Gênova, 1432; eleito em 29 de agosto de 1484; Morreu em Roma, em 25 de julho de 1492. Era filho do senador romano Aran Cibò e Teodorina de ‘Mari. Depois de uma juventude licenciosa, durante a qual teve dois filhos ilegítimos, Franceschetto e Teodorina, ele recebeu ordens e entrou para o serviço do cardeal Calandrini. Ele foi nomeado bispo de Savona em 1467, mas trocou esta Sé em 1472 para a de Molfetta no sudeste da Itália e foi elevado ao cardinalato no ano seguinte. No conclave de 1484, ele assinou, como todos os outros cardeais presentes, a capitulação eleitoral que deveria ligar o futuro papa. Seu principal objetivo era salvaguardar os interesses pessoais dos eleitores. A escolha recaiu sobre o próprio Cibò que, em homenagem ao seu conterrâneo, Inocêncio IV, assumiu o nome de Inocêncio VIII. Seu sucesso no conclave, assim como sua promoção ao cardinalato, deveu-se em grande parte a Giuliano della Rovere. A principal preocupação do novo papa, cuja bondade era universalmente elogiada, era a promoção da paz entre os príncipes cristãos, embora ele mesmo tenha se envolvido em dificuldades com o rei Ferrante de Nápoles. O prolongado conflito com Nápoles foi o principal obstáculo a uma cruzada contra os turcos; Inocêncio VIII diligentemente se esforçou para unir a cristandade contra o inimigo comum. As circunstâncias pareciam particularmente favoráveis, como o príncipe Djem, irmão do sultão e pretendente ao trono turco, foi mantido prisioneiro em Roma e prometeu cooperação na guerra e na retirada dos turcos da Europa em caso de sucesso. Um congresso de príncipes cristãos se reuniu em 1490 em Roma, mas não deu resultado. Por outro lado, o papa teve a satisfação de testemunhar a queda de Granada (1491), que coroou a reconquista da Espanha dos mouros e ganhou para o rei da Espanha o título de “Majestade Católica”. Na Inglaterra, ele proclamou o direito do rei Henrique VII e seus descendentes ao trono inglês e também concordou com algumas modificações que afetam o privilégio do “santuário”. A única canonização que ele proclamou foi a de Leopoldo III, da Áustria (6 de janeiro de 1485). Ele fez um apelo por uma cruzada contra os valdenses, opôs-se ativamente à heresia hussita na Boêmia e proibiu (dezembro de 1486), sob pena de excomunhão, a leitura das novecentas teses que o Pico della Mirandola publicara em Roma. Em 5 de dezembro de 1484, ele lançou sua Bula muito abusada contra feitiçaria, e em 31 de maio de 1492, ele solenemente recebeu em Roma a Lança Sagrada com o sultão que se rendeu aos cristãos. Constantemente confrontado com um tesouro exaurido, ele recorreu ao expediente objetável de criar novos ofícios e concedê-los aos maiores licitantes. A insegurança reinou em Roma durante o seu governo devido à punição insuficiente do crime. No entanto, ele lidou impiedosamente com um bando de funcionários inescrupulosos que forjaram e venderam Bulas papais; Foi aplicada a pena capital a dois dos culpados em 1489. Entre essas falsificações deve ser relegada a alegada permissão concedida aos noruegueses para celebrar a missa sem vinho. Ver “Bullarium Romanum”, III, iii (Roma, 1743), 190-225. Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia.
- Papa Inocêncio VII (1404-1406 D.C.)
(Cosimo de ‘Migliorati) Nascido de pais humildes em Sulmona, no Abruzzi, por volta de 1336; Morreu em 6 de novembro de 1406. Estudou em Perugia, Pádua e, finalmente, em Bolonha, onde se formou sob o famoso jurista Lignano. Depois de ensinar jurisprudência em Perugia e Pádua por algum tempo, ele acompanhou seu ex-professor, Lignano, para Roma, onde foi recebido na Cúria por Urbano VI (1378-89). Pouco depois de sua chegada a Roma, Urbano o enviou como colecionador papal para a Inglaterra, onde permaneceu por cerca de dez anos. Ao retornar a Roma, tornou-se bispo de Bolonha em 1386 e em 5 de dezembro de 1387, arcebispo de Ravena. Esta última sé ele manteve até 15 de setembro de 1400. Em 1389, Bonifácio IX o fez Cardeal-Sacerdote de Santa Croce in Gerusalemme, e enviou-o como legado para a Lombardia e Toscana em 1390. Ele foi universalmente estimado por sua piedade e aprendizado, e era um competente gerente de assuntos financeiros. Em 17 de outubro de 1404, ele foi eleito e adotou o nome de Inocêncio VII. Seu reinado caiu no tempo do cisma ocidental; o papa rival era Bento XIII (1394-1423). Antes de sua eleição, Inocêncio VII, como os outros cardeais, havia feito o juramento de não deixar nada por fazer, se fosse necessário colocar a tiara para acabar com o cisma. Pouco depois de sua ascensão ele tomou medidas para manter seu juramento proclamando um concílio, mas os distúrbios que ocorreram em Roma levaram as boas intenções do papa a nada. O elemento revolucionário entre os romanos levantou-se contra a autoridade temporal do papa, e o rei Ladislau de Nápoles apressou-se a Roma para ajudar o papa a reprimir a insurreição. Por seus serviços, o rei extorquiu várias concessões de Inocêncio, entre elas a promessa de que ele não faria qualquer acordo com o papa rival sem estipular que os direitos do rei sobre Nápoles permanecessem intactos. Não contente com estas concessões, que Inocêncio fez por causa da paz, Ladislau desejava estender seu domínio sobre Roma e o território eclesiástico. Para alcançar seu objetivo, ele ajudou a facção guibelina em Roma em suas tentativas revolucionárias em 1405. Inocêncio havia cometido o grande erro de elevar seu sobrinho indigno, Ludovico Migliorati, ao cardinalato. Esse ato de nepotismo é o único defeito no curto reinado do papa virtuoso. Mas isso lhe custou caro. O cardeal, irritado porque os romanos se rebelaram contra seu tio, enganou alguns dos mais influentes entre eles em seu retorno de uma conferência com o papa, e os levou à sua casa para matá-los. As pessoas ficaram muito enfurecidas com esse ato cruel, e o papa teve que fugir para salvar sua vida, embora ele não fosse de forma alguma responsável pelo crime do sobrinho. Tomou sua residência em Viterbo até que os romanos lhe pediram para retornar em 1406. Eles novamente reconheceram sua autoridade, mas um esquadrão de tropas que o rei Ladislau de Nápoles enviara para ajudar dos Colonna ainda ocupava o Castelo de Sant ‘Angelo e fazia frequentes investidas sobre Roma e o território vizinho. Somente depois que Ladislaus foi excomungado, ele cedeu às exigências do papa e retirou suas tropas. Em meio a esses distúrbios políticos, Inocêncio negligenciou o que era então essencial para o bem-estar da Igreja, a supressão do cisma. Seu rival, Bento XIII, fez parecer que o único obstáculo para o término do cisma era a indisposição de Inocêncio VII. As razões pelas quais Inocêncio não fez praticamente nada para a supressão do cisma foram: o conturbado estado de coisas em Roma, sua desconfiança na sinceridade de Bento XIII e a atitude hostil do rei Ladislau de Nápoles. Pouco antes de sua morte, ele planejou a restauração da Universidade Romana, mas sua morte paralisou o movimento. Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia.
- Papa Inocêncio VI (1352-1362)
(ETIENNE AUBERT) Nascido em Mont na Diocese de Limoges (França); eleito em Avignon, 18 de dezembro de 1352; morreu lá, 12 de setembro de 1362. Ele começou sua carreira como professor de direito civil em Toulouse, onde subiu para a mais alta posição judicial. Tendo entrado no estado eclesiástico, tornou-se sucessivamente bispo de Noyon (1338), de Clermont (1340), cardeal-sacerdote (1342), cardeal-bispo de Ostia e grão-penitenciário (1352). O conclave que o elegeu ao papado é notável pelo fato de que a primeira capitulação eleitoral certa foi emoldurada pelos cardeais presentes, cada um dos quais se obrigou a dividir, em caso de eleição, seu poder e receitas com o Colégio dos Cardeais. Aubert aceitou esse compromisso, mas com a restrição; “na medida em que não era contrário à lei da igreja”. Quando a escolha recaiu sobre ele, um de seus primeiros atos pontifícios declarou o pacto ilegal e nulo, porque continha uma limitação do poder papal conferido por Deus. O novo papa também deu provas imediatas do espírito completamente eclesiástico que deveria animar sua política. Pouco depois de sua coroação, os numerosos eclesiásticos que se reuniram em Avinhão em busca de nomeação receberam uma ordem peremptória para reparar, sob pena de excomunhão, seus respectivos locais de residência. Algumas nomeações para benefícios feitas por seu predecessor foram revogadas, numerosas reservas foram abolidas e as pluralidades reprovadas. O luxo foi banido da corte papal e a obrigação de seguir este exemplo estabelecido pelo papa impôs aos cardeais. Para os auditores da Rota, cujos serviços eram gratuitos, uma renda fixa era designada no interesse de uma administração de justiça mais imparcial. Como o território dos Estados Papais foi usurpado por pequenos príncipes, Inocêncio VI enviou o cardeal Gil de Albornoz (q.v.) para a Itália com poder ilimitado. O sucesso no campo de batalha e a habilidade diplomática permitiram a esse legado restaurar a autoridade papal nos Estados da Igreja. O papa Inocêncio via favoravelmente a coroação imperial do rei alemão, Carlos IV, em Roma, mas ao mesmo tempo exigia dele uma promessa solene de deixar Roma no mesmo dia em que a cerimônia seria realizada. Carlos foi coroado no domingo de Páscoa de 1355 pelo cardeal-bispo de Ostia e fielmente observou sua promessa. No ano seguinte, ele emitiu a célebre “Bula de Ouro”, contra o qual o papa protestou porque silenciosamente passou sobre as reivindicações papais para confirmar os reis alemães e administrar o império durante uma vaga. Também foi feita objeção em 1359 à resolução do imperador de empreender uma reforma do clero alemão independentemente do papa; Os planos reformatórios de Carlos, no entanto, receberam subseqüentemente aprovação eclesiástica. As disposições pacíficas mútuas impediram qualquer conflito de caráter sério. Inocêncio VI tentou terminar a guerra entre a França e a Inglaterra, e finalmente através de sua intervenção a Paz de Brétigny foi concluída em 1360. Para proteger a residência papal contra os bandos de francos que devastavam a França, Inocêncio aumentou as fortificações de Avinhão; mas antes que estas fossem concluídas, ele foi atacado e obrigado a comprar seus assaltantes por um enorme resgate. Ele usou com pouco sucesso as mais severas penalidades eclesiásticas contra Pedro I de Castela (1350-69), que havia repudiado e envenenado sua esposa e é merecidamente conhecido como “o Cruel”. Seus esforços para restaurar a paz entre Castela e Aragão foram infrutíferos, assim como seus planos para uma cruzada e para a reunião da Igreja Oriental com Roma. A pedido do Imperador Carlos IV, ele instituiu (1354) para a Alemanha e a Boêmia a festa da Sagrada Lança e dos Pregos (Lanceæ et Clavorum). Ele renovou os privilégios anteriores das ordens mendicantes, em seguida, em conflito com Ricardo Fitzralph, Arcebispo de Armagh. Embora contaminado com o nepotismo, ele está entre os melhores papas de Avinhão. Seu patrocínio de artes e sua integridade moral são geralmente reconhecidos. Charles G. Harbermann. The Catholic Encyclopedia.










































