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- A REVOLTA CONTRA O POLITICAMENTE CORRETO – Matthew Continetti
Em 15 de maio de 1939, o filósofo John Dewey fez uma declaração à imprensa anunciando a formação do Comitê para a Liberdade Cultural. Junto, seguiam a declaração de princípios do comitê e o nome dos 96 signatários. No dia seguinte, em reunião na Universidade de Colúmbia, o comitê redigia o seu manifesto oficial. “Nunca antes, em nossa época”, começava o documento, “a integridade dos escritores, artistas, cientistas e professores universitários foi tão seriamente ameaçada”. O comitê incluía antropólogos, filósofos, jornalistas, dramaturgos, advogados, educadores e historiadores. Politicamente, eles iam de democratas socialistas a liberais do New Deal e a liberais do século 19, que abraçavam o mercado sem as devidas qualificações. O que os unificava era o compromisso “de propagar corajosamente o ideal da liberdade intelectual”. “O critério fundamental para avaliar toda filosofia social hoje em dia”, segundo o manifesto, é verificar “se ele permite ao pensador ou artista agir independentemente de dogmas políticos, religiosos ou raciais”. A base da aliança entre pessoas tão diferentes (prosseguem eles) é “o mínimo denominador comum da cultura civilizada — a defesa da liberdade de criar e de pensar.” O que motivou a ação do principal organizador do comitê, Sidney Hook, foi a existência de grupos da Frente Popular [coligação de partidos de esquerda] que seguiam a linha stalinista em ciência, literatura, pensamento social e artes. “Pareceu-me que era necessário desafiar esse fenômeno massivo que estava corrompendo as fontes do pensamento liberal e, de fato, escarnecendo do senso comum”, escreveu Hook em sua autobiografia, Out of Step (1987). “Decidi lançar um novo movimento, baseado em princípios gerais, cuja validade seria independente das fronteiras geográficas ou nacionais e da participação racial ou de classe”. O comitê de Hook foi o precursor do Congresso Internacional pela Liberdade Cultural, reunido em Berlim em junho de 1950, e o Comitê Americano para a Liberdade Cultural, organizado em 1951. Naquele primeiro encontro em Berlim, Arthur Koestler leu de um palanque o “Manifesto da Liberdade”, no qual considerou “tão óbvio” que “a liberdade intelectual seja um dos direitos inalienáveis do homem”, e que tal liberdade “é definida, em primeiro lugar, pelo seu direito de manter e expressar suas próprias opiniões, e particularmente opiniões que diferem daquelas de seus governantes. Privado de seu direito de dizer “não”, o homem se torna um escravo. A América de 2018, desnecessário dizê-lo, era muito diferente da América de 1939 e 1951. A Alemanha nazista tinha desaparecido há muito tempo, extinta em uma guerra que matou 60 milhões de almas. A União Soviética desaparecera há 27 anos, após uma Guerra Fria que durou cerca de cinco décadas. A mídia impressa entrou em colapso e foi substituída por mídias digitais e sociais que limitam o poder dos editores jornalísticos e ampliam o alcance dos pontos de vista minoritários. Se o final da década de 1930 e o início da década de 1950 são a base de tudo, o mundo de 2018 é muito mais livre. Mas as ameaças permanecem. Os sistemas totalitários na Rússia, China e seus antigos satélites marxistas-leninistas se transformaram, com a exceção da Coréia do Norte, em sistemas de controle autoritário que permitem alguma liberdade econômica, enquanto mantêm a soberania do Estado sobre a política, a sociedade e a cultura. Os governos autoritários usam o “poder sutil” para interferir nas eleições democráticas, intimidar e explorar as corporações e universidades ocidentais, e influenciar o discurso público através da guerra de informação. Um marxismo renascente concorre com a ideologia do multiculturalismo e sua política assistencialista (em grande medida, foi por ela absorvido). É essa ideologia e política que capturou as instituições intelectuais, culturais e de mídia mais prestigiosas da América. A universidade, o Vale do Silício, Hollywood e plataformas cada vez mais “neutras” e “objetivas”, como o New York Times e o The Atlantic, estão sob a influência de dogmas e atitudes raciais e sexuais que não admitem discordância. A participação nessas instituições, que desempenham um papel crucial na formação de opinião das elites e nas redes sociais em que estão inseridas, depende da concordância ou do silêncio sobre certas idéias de “privilégio branco”, “opressão patriarcal”, “islamofobia”. e “fluidez de gênero”. Discordar dessas idéias — exercer o direito de dizer não — convida não só à anatematização da sociedade educada, mas também à perda do emprego e, em alguns casos, às ameaças físicas. A ferocidade com que os desafios à ideologia são recebidos não significa poder, mas fraqueza. Tudo o que é preciso para acabar com a hegemonia do politicamente correto é combatê-la — ou ignorar sua vontade de intimidar. E isso está acontecendo. Assim como aconteceu no século 20, um grupo inesperado de compatriotas surgiu para resistir a esse desafio contemporâneo à liberdade cultural. Lendo o recente artigo de Bari Weiss sobre a “dark web” intelectual [sites e blogs politicamente incorretos], não podemos deixar de nos impressionar com a diversidade de opinião entre pensadores à margem que desafiam a correção política e sua estigmatização de argumentos que caminham na contramão de seus axiomas de identidade de grupo, conflitos raciais e transgenerismo. O politicamente correto, ao gerar uma atmosfera intelectual estupidificante, na qual as respostas emocionais e subjetivas desses grupos de vítimas prevalecem sobre o estilo, o argumento e a evidência empírica, acaba por criar alianças inesperadas. Quem teria pensado que Kanye West [rapper americano] se tornaria, no espaço de alguns tweets, o mais famoso e reconhecido defensor do pensamento livre e individual no mundo de hoje? Quem poderia ter previsto que o novo ateu Sam Harris se encontraria em uma frente unida com Jordan Peterson [psicólogo conservador, autor do best-seller 12 Regras Para a Vida. Um Antídoto Para o Caos], que instrui seus milhões de acólitos sobre a contínua relevância das histórias bíblicas? Os novos defensores da liberdade cultural são diferentes de seus antepassados. Eles são étnica e sexualmente mais diversificados. Todos, praticamente, operam fora da academia, nem são conscientemente organizados num movimento. Até certo ponto, é claro, essa falta de institucionalização está relacionada às condições históricas presentes. A metade do século XX foi uma era de grandeza, de vastos departamentos, de corporações hierárquicas em que a vida política, especialmente à esquerda, era dividida e subdividida em partidos, comitês e células. Já o início do século 21 é muito fraturado, desagregado e anárquico para uma construção e coordenação mais precisas. Vivemos uma época de relacionamentos fracos e afiliações frouxas. As pessoas entram e saem dos movimentos ao apertar o botão de “curtir”, “tweetar” ou “enviar”. Como nossa mídia é desmembrada e os múltiplos meios de expressão pessoal são acessíveis como nunca antes, nenhuma autoridade tem poder de monopólio para distinguir os dissidentes razoáveis dos mais excêntricos. Isto cria uma boa oportunidade para os executores da correção política, que são rápidos em associar os inimigos, que injustamente ridicularizam como racistas, aos genuinamente racistas. O que surgiu não é uma comissão ou um simpósio, mas uma coalizão para a liberdade cultural. Essa ampla assembléia de críticos opostos ao consenso dominante nos altos comandos da cultura, do entretenimento e da mídia, não é centralizada nem unificada, nem precisamente delineada ou filosoficamente consistente. Mas todos acreditam no que Gaetano Mosca [cientista político italiano] chamou de “defesa jurídica”, pluralismo de opiniões e instituições para se proteger contra a submissão e a repressão. E o fato de que a heresia de Kanye West e a reportagem de Weiss foram recebidas com insulto, escárnio, indignação e aflição, é evidência da força do seu homogeneísmo, da sua vontade de repressão. O politicamente correto reina em San Francisco, Hollywood e Berkeley, e está fazendo incursões em Nova York e no governo burocrático permanente em Washington, DC, mas sua posição é insegura e instável. A ferocidade com que os desafios à ideologia são tratados não significa poder, mas debilidade. Tudo o que é preciso para acabar com a hegemonia do politicamente correto é combater ou ignorar sua vontade de intimidar. E isso está acontecendo. A verdade simples é que as pessoas não gostam de ser reduzidas à sua cor de pele; detestam ser rotuladas de racistas. Sua tendência é abandonar as figuras e organizações que os vêem como nada mais do que idiotas preconceituosos, machistas e fanáticos pertencentes a um grupo de pessoas deploráveis. Por medo do ostracismo social, podem até não expressar sua opinião a um pesquisador; revelam, porém, suas preferências através da ação. Hillary Clinton pode dizer o quanto isso é verdade. O mesmo acontece com a ESPN, a NFL e os estúdios de Hollywood, cujas obras-primas de justiça social são premiadas no Oscar, mas não dão bilheterias. Google e Facebook também sentiram a reação ao censurar vozes não amoldadas. Por outro lado, o sucesso da americana Sniper, Donald Trump, Jordan Peterson e Roseanne revelou a dimensão do público disposto a abandonar as posturas de correção política, agindo com mais autenticidade e espírito de ruptura. “A defesa da liberdade intelectual impõe, atualmente, uma obrigação positiva: oferecer respostas novas e construtivas aos problemas do nosso tempo”, escreveram os autores do Freedom Manifesto. “Nós dirigimos este manifesto a todos os homens que estão determinados a recuperar as liberdades que perderam e a preservar e disseminar aquelas que mais apreciam”. Essas categorias de pessoas incluíam Sidney Hook e Arthur Koestler. Hoje, eles se juntaram a Jordan Peterson, Charles Murray, Christina Hoff Sommers e, inclusive, Kanye West. https://www.nationalreview.com/2018/05/jordan-peterson-kanye-west-challenge-political-correctness/
- Introdução geral à Bíblia Sagrada
História dos hebreus Há pouco menos de quatro mil anos, vários povos viviam às margens do Mediterrâneo, na Ásia e na África. Havia duas grandes potências: Caldeia e Egito. Entre esses dois vastos reinos, achavam-se pequenos países, como a Síria e Canaã (esta também chamada Palestina). Diversas tribos viviam aí da cultura agrícola e de produtos de seus rebanhos, entre as quais se achava a dos hebreus, que provinham do patriarca Abraão. Este homem e sua família eram oriundos de Ur, da Caldeia, de onde tinham emigrado para a Palestina no décimo nono século antes de nossa era. Com a vinda de Abraão e de seus descendentes, começa a História Santa que a Bíblia nos conservou. As seguintes notas servem apenas para situar esses acontecimentos no curso da história geral do mundo antigo. ABRAÃO emigrou para a Palestina na época em que reinava na Caldeia o grande rei Hamurábi. Antes de Abraão é-nos impossível fixar uma data para os acontecimentos mencionados nas Escrituras. A vida nômade e agrícola das tribos provenientes dessa emigração durou cerca de quatrocentos anos. Em seguida, os hebreus, chamados o povo de Israel, de acordo com o sobrenome dado por Deus ao patriarca Jacó, retiraram-se para o EGITO, ocupando, sem dúvida, a região do delta do Nilo, que era a mais rica e produtiva de todo aquele país. Tornaram-se então objeto de exploração por parte dos egípcios que deles se assenhorearam. Pelo ano 1250 a.C., Deus suscitou-lhes um libertador, na pessoa de MOISÉS. Sob sua guia, os hebreus atravessaram o mar Vermelho para se dirigirem à terra de Canaã. Depois de se deterem por quarenta anos no deserto, os israelitas empreenderam a conquista da PALESTINA pela tomada de Jericó (pelo ano 1200). A terra ocupada foi distribuída em doze territórios de acordo com as doze tribos, as quais progressivamente se foram estabelecendo nas montanhas e vales de Canaã. Seguiu-se um período difícil de caracterizar. Os israelitas viviam em lutas contínuas com os antigos moradores dessas regiões. Esse período, chamado dos JUÍZES, durou cerca de 200 anos. O pequeno povo dos hebreus foi-se desenvolvendo aos poucos, até que conseguiu organizar-se como um reino no meio de seus vizinhos. O último juiz, Samuel, que era também um profeta, terminou, depois de não pequena hesitação, por conceder ao povo a constituição de um REINO. Saul foi sagrado rei pelo ano 1000. Saul nunca passou de um pequeno rei local, sendo seu reino apenas um prelúdio. Estava reservado a Davi, seu sucessor, firmar o poder real, primeiro sobre a tribo de Judá, e em seguida sobre o conjunto de todas as tribos israelitas. A Davi sucede, em 970, Salomão, que organiza o reino de Israel, faz aliança com o Egito e com Tiro e constrói o Templo de Jerusalém. Pouco depois de sua morte, sob o reinado de Roboão, em 930, há entre as tribos uma dissensão que termina com um CISMA: as dez tribos do Norte separam-se das de Judá e de Benjamim para constituírem um reino independente. Esse reino do Norte durará cerca de dois séculos, tendo por capital a cidade de Samaria, conquistada em 722 por Sargon II, rei da Assíria. O reino de Judá escapou a essa catástrofe e continuou a existir sob a forma de um estado-tampão entre as duas potências rivais: o Egito e a Assíria (bem depressa subjugada pela Babilônia). O rei Josias, em 622, empreende uma vasta reforma religiosa e social, cujos efeitos foram de breve duração. O reino de Judá foi declinando aos poucos até a expedição de NABUCODONOSOR que, em 598, se apodera de Jerusalém. O conquistador transforma a Judeia em estado vassalo, deporta para a Babilônia uma parte da população e estabelece um vice-rei: Sedecias. Mas como este se revolta, Nabucodonosor toma uma segunda vez a cidade de Jerusalém e a incendeia em 589. A quase totalidade da população é então deportada para a Mesopotâmia, ficando o país conquistado sob a administração de um governo caldaico. O exílio dos israelitas durou até que Ciro, rei da Média, autoriza a VOLTA DOS DEPORTADOS sob a direção de Zorobabel em 538 (ano em que se apodera da Babilônia). Os israelitas, privados de seus reis, procuram organizar-se em uma comunidade religiosa. Em 331, a Palestina inteira é conquistada por ALEXANDRE MAGNO. A partir de 323, a Judeia passa sucessivamente ao domínio da dinastia dos generais de Alexandre que dividem entre si o grande império grego. Pouco depois, entre 175 e 163 antes de nossa era, os judeus atravessam um período de grandes tribulações e perseguições por parte do rei da Síria, ANTÍOCO EPÍFANES. É a época da revolta e da guerra santa de libertação, empreendida por Judas Macabeu. A Judeia conhece então uma independência que se estende por cerca de um século; sua administração estava nas mãos de um príncipe da família dos ASMONEUS, descendentes dos Macabeus. No ano 63 a.C., Pompeu, o Grande, à frente do exército romano, invade a Palestina, reduzindo-a a uma PROVÍNCIA ROMANA. Pouco depois, César entrega o governo da Palestina a Herodes Magno, um príncipe idumeu. Após a morte deste, o imperador romano divide a Judeia em quatro partes (tetrarquia). O governo da Galileia cabe a Herodes Antipas, filho de Herodes Magno. No ano 7 da nossa era, o governo da Judeia é confiado a um procurador romano. Mas foi-se delineando um novo movimento de independência, que provocou afinal a represália romana, uma guerra civil e o último sítio de Jerusalém, onde o imperador romano Tito entrou, no ano 70 da nossa era. Com a DESTRUIÇÃO DA CIDADE SANTA, termina a história dos antigos israelitas. Foi sem dúvida no ano 5 antes da nossa era que Jesus nasceu em Belém, sendo César Augusto imperador romano. Jesus morreu na cruz, provavelmente no ano 30 sob Tibério. O apóstolo São Paulo converteu-se aproximadamente em 36. São Pedro sofreu o martírio em Roma conjuntamente com São Paulo entre 60 e 70 de nossa era. São João, o apóstolo, morreu na Ásia pelo ano 100. A Bíblia em geral Foi no seio do povo hebreu que nasceu a Bíblia. A Bíblia é a coleção dos livros (considerados pela Igreja como escritos sob a inspiração do Espírito Santo) que contêm a palavra de Deus. A Bíblia é uma mensagem que Deus dirigiu e continua a dirigir aos homens. O termo grego de onde provém a palavra Bíblia significava originariamente: os livros. Em latim, esse termo transformou-se num singular e passou a designar exclusivamente a coleção dos textos que formam a Sagrada Escritura. A Bíblia completa contém 73 escritos (71, 72 — segundo outras maneiras de contar), obras de numerosos autores, tendo cada um deles características próprias. Os títulos desses livros lembram por vezes o nome dos seus autores, outras vezes o nome dos seus destinatários, ou ainda os assuntos que neles são tratados. É-nos desconhecido o nome de muitos desses autores; alguns escritos são produto de uma colaboração, ou constituem uma coleção de textos antigos compilados posteriormente. Os autores bíblicos viveram em lugares e em ambientes muito diversos: cada um deles imprimiu na sua obra traços muito característicos de sua personalidade. Mas, como todos eles escreveram sob a inspiração do Espírito Santo, é Deus mesmo quem deve ser tido como o autor primário de toda a Bíblia. Divide-se a Bíblia em duas grandes partes, chamadas respectivamente ANTIGO e NOVO TESTAMENTO. O termo testamento substitui atualmente um antigo termo grego que significa pacto ou aliança. Com efeito, em toda a Bíblia trata-se da aliança feita por Deus com os homens, primeiramente por intermédio de Moisés e em seguida pelo ministério de Jesus Cristo. É sumamente útil lembrar como foi feita cada uma dessas coleções. A coleção dos livros do Antigo Testamento originou-se no seio da comunidade dos judeus que a foram ajuntando no decorrer de sua história. Dividiram-na em três partes: 1. A Lei (Torá), que contém cinco livros (chamados mais tarde de o Pentateuco, que significa os cinco volumes), forma o núcleo fundamental da Bíblia. Esses cinco livros são: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. 2. Os Profetas. Os judeus abrangiam sob esse título não somente os livros que hoje são denominados Profetas, mas também a maioria dos escritos que hoje costumamos chamar de Livros Históricos. 3. Os Escritos. Os judeus designavam por esse nome os seguintes livros: Salmos, Provérbios, Jó, Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Esdras e Neemias e as Crônicas. É a essa divisão que se refere o divino Mestre quando mais de uma vez (p. ex. Mt 22,40) falou da “Lei e os Profetas”. Essa coleção já estava terminada no segundo século antes da nossa era. Nessa mesma época os judeus já estavam, em parte, dispersos pelo mundo. Uma importante colônia judaica vivia então no Egito, nomeadamente em Alexandria, onde se falava muito a língua grega. A Bíblia foi então traduzida para o grego. Alguns escritos recentes foram-lhe acrescentados sem que os judeus de Jerusalém os reconhecessem como inspirados. São os seguintes livros: Tobias e Judite, alguns suplementos dos livros de Daniel e de Ester, os livros da Sabedoria e do Eclesiástico, Baruc e a Carta de Jeremias, que se lê hoje no último capítulo de Baruc. A Igreja Cristã admitiu-os como inspirados da mesma forma que os outros livros. No tempo da Reforma, os protestantes, depois de terem hesitado por algum tempo, decidiram não mais admiti-los nas suas Bíblias, pelo simples fato de não fazerem parte da Bíblia hebraica primitiva. Daí a diferença que há ainda hoje entre as edições protestantes e as edições católicas da Bíblia. Quanto ao Novo Testamento não há diferença alguma. A Bíblia católica divide os 46 livros do Antigo Testamento do seguinte modo (alguns contam 44 livros, unindo Jeremias-Lamentações-Baruc): 1. O Pentateuco (isto é, a Lei). 2. Os Livros Históricos: Josué, Juízes, Rute, os dois livros de Samuel, os dois livros dos Reis, os dois livros das Crônicas ou Paralipômenos, os livros de Esdras e Neemias, os três livros de Tobias, Judite e Ester, e por fim os dois livros dos Macabeus. 3. Os Livros Sapienciais: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Livro da Sabedoria e Eclesiástico. 4. Os Livros Proféticos, designados pelo nome dos Profetas: Isaías, Jeremias (ao qual se acrescentam Lamentações e Baruc), Ezequiel, Daniel, Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. A coleção dos livros do Novo Testamento começou a formar-se na segunda metade do primeiro século da nossa era. Seus 27 livros são assim distribuídos: 1. Cinco Livros Históricos: quatro Evangelhos segundo S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. João, e Atos dos Apóstolos. 2. Vinte e uma cartas dos Apóstolos. São Paulo escreveu 13 cartas: 1 aos Romanos, 2 aos Coríntios, 1 aos Gálatas, 1 aos Efésios, 1 aos Filipenses, 1 aos Colossenses, 2 aos Tessalonicenses, 2 a Timóteo, 1 a Tito e 1 a Filêmon. As outras cartas são as seguintes: 1 aos Hebreus, 1 de São Tiago, 2 de São Pedro, 3 de São João e 1 de São Judas. 3. Um Livro Profético: o Apocalipse de São João. As duas coleções que formam a Bíblia foram sendo traduzidas do grego para o latim desde o segundo século da nossa era. Mas a tradução latina mais divulgada é a que fez S. Jerônimo à base dos textos originais hebraico e grego, no fim do quarto século, denominada ‘‘Vulgata’’ (‘‘vulgarizada’’). Os livros da Bíblia apresentam um CONTEÚDO de extraordinária variedade. Acham-se aí por exemplo:fragmentos de epopeia;textos legislativos;narrações propriamente históricas;poemas e orações;listas genealógicas;ensaios filosóficos;narrações episódicas ou romanceadas;um canto de amor;oráculos proféticos e sermões;cartas. Todos esses documentos são testemunhos da evolução da religião do verdadeiro Deus, ao longo da história do povo hebreu. Diante de tamanha diversidade de assuntos, mormente se não perdermos de vista a redação desses mesmos documentos, que se estende por um período de cerca de mil anos, facilmente se pode compreender que eles não podem ser lidos e interpretados uniformemente. Os antigos hebreus não escreviam como os nossos historiadores modernos. Os onze primeiros capítulos do Gênesis, por exemplo, não foram escritos como um curso sobre as origens da humanidade, muito menos ainda como tantas lições de astronomia ou de história natural. Esses capítulos ‘‘relatam numa linguagem simples e figurada – adaptada às inteligências de uma humanidade pouco desenvolvida –, as verdades fundamentais necessárias ao conhecimento da mensagem da salvação, bem como a descrição popular das origens do gênero humano e do povo eleito’’ (Carta do secretário da Comissão Bíblica ao Cardeal Suhard). Todos sabem que um poeta não escreve como um cientista e que toma muitas liberdades de linguagem (imagens, comparações, amplificações), as quais um historiador atual não se permitiria. Ninguém ignora igualmente que as tradições populares, em geral imprecisas, sempre embelezaram os heróis e ensombrearam os inimigos. Esse processo literário encontra-se nos mais antigos textos da Bíblia. Sabe-se como a mentalidade popular gosta de fixar em cantos a lembrança dos seus heróis; desses cantos a Bíblia nos conserva numerosos exemplos, como o hino sobre a vitória de Josué. Por fim é bem notório como a parábola, a comparação, a anedota, a própria fábula são sugestivas e apropriadas para ajudar a compreensão de verdades profundas ou abstratas. Os autores inspirados – Jesus em primeiro lugar – não desdenharam utilizar-se desses processos (por exemplo, na história do patriarca Jó, na de Jonas, de Tobias, de Judite, de Ester); dessa forma, procuraram inculcar mais facilmente no espírito do leitor um ensinamento de caráter religioso. INTRODUÇÃO PARTICULAR AOS LIVROS DO ANTIGO TESTAMENTO O PENTATEUCO Chama-se Pentateuco a coleção de cinco livros que formam por assim dizer o cerne da Bíblia. Os antigos judeus deram-lhe o nome de Torá (que significa a Instrução, a Lei) porque em sua parte principal esses livros continham textos legislativos inseridos numa moldura histórica. Os cinco livros do Pentateuco são: o Gênesis (livro das origens), o Êxodo (cujo assunto principal é a saída do Egito), o Levítico (coleção de prescrições rituais relativas ao culto público e privado), os Números (narrações da permanência dos hebreus no deserto), e o Deuteronômio (coleção de discursos e de exortações à fidelidade para com Deus pela observância dos seus mandamentos). Antiquíssima tradição considera Moisés como o autor do Pentateuco, sem afirmar, entretanto, que ele o tenha composto inteiramente. No estado atual da Ciência Bíblica, admite-se comumente que o fundo antigo de origem mosaica recebeu no decurso dos séculos da história dos hebreus diversos acréscimos e modificações, particularmente nos textos legislativos do Levítico e do Deuteronômio. Gênesis O livro Gênesis, ou o livro das origens (é a palavra pela qual começa o texto sacro), contém tradições da mais remota Antiguidade. Utilizou-se seu redator de fontes de origem diversa, as quais, por vezes, apresentam algumas divergências. Não se trata de um verdadeiro livro de história (ao menos no sentido em que entendemos hoje história), nem tampouco de um manual de história natural com a finalidade de expor as origens do mundo e da humanidade. Seu autor teve em vista apresentar um ensinamento religioso que determina as relações entre o homem e seu Criador. Divide-se em duas partes: as origens propriamente ditas (caps. 1 a 11), e em seguida a história dos três grandes patriarcas do povo de Deus. Na primeira parte, os três primeiros capítulos são de particular importância. O ensinamento, por mais imaginativo e popular que seja, é denso e profundo: Deus é o Criador do mundo e é distinto do universo. O mundo é bom. A finalidade da Criação é a paz de Deus, figurada no repouso do sétimo dia. O homem foi criado da terra, mas animado de um sopro de vida. Destina-se ele a viver na amizade com Deus, que lhe concedeu o dom da liberdade. Ora, a harmonia primitiva da criatura foi destruída. O homem, seduzido pelo poder da mentira, expõe-se a desobedecer Deus, na vã esperança de tornar-se igual a ele. Toma então consciência de si mesmo no sofrimento e na vergonha. Dessa forma, o pecado entrou no mundo. O homem foi excluído das delícias do paraíso. Foi-lhe contudo permitido alimentar a esperança de uma libertação, na qual podemos antever o germe da doutrina de nossa redenção por Jesus Cristo. Depois da primeira queda, o homem, entregue a si mesmo, é dominado pelo pecado. O primeiro crime é causado pela inveja. O mal generaliza-se numa corrupção que parece irremediável. Sobrevém o dilúvio. Depois do dilúvio, entra em vigor a primeira aliança entre Deus e os homens. A humanidade salva das águas deve demonstrar sua fidelidade a Deus pela observância dos mandamentos divinos (Gn 9,1-7). A narração da torre de Babel e a confusão das línguas é a divina resposta à negligência humana em observar as cláusulas da aliança. O homem quase que volta ao caos primitivo. A segunda parte do Gênesis (caps. 12 a 50) ensina, pela história dos patriarcas, como Deus colocou em Abraão os primeiros alicerces da verdadeira aliança, não mais com a humanidade inteira, mas com um povo eleito, do qual Abraão seria o pai. Essa aliança será proclamada por Moisés 500 anos mais tarde. Vamo-nos aproximando do ano 2000 a.C. Abraão, pagão de origem, guiado por Deus, deixa a sua terra natal e vem estabelecer-se na Palestina. Aí ele recebe as promessas divinas: será o pai de um povo numeroso e abençoado. A aliança consistirá na fidelidade que o povo saído de Abraão deverá guardar para com Deus. Como sinal dessa aliança, foi instituído o rito da circuncisão para sempre. Por outro lado, Abraão é chamado a testemunhar sua fé numa prova de excepcional importância: o sacrifício do filho único, no qual repousava a promessa divina. Abraão, depositário das promessas da aliança, viveu pela sua virtude sob o signo das bênçãos do Senhor e merecerá ser chamado o Pai dos crentes. Isaac e Jacó aparecem em seguida. É principalmente neste que se fixa a livre escolha de Deus. Jacó, homem cheio de defeitos, é entretanto o elo que levará às gerações futuras a bênção divina. Ele recebe um novo nome – Israel – e torna-se um homem novo. Entre seus filhos, José, apesar de suas vicissitudes, torna-se o titular da eleição e da bênção divina, que se realiza fora da lógica dos planos humanos. A segunda parte do Gênesis propõe, portanto, um ensinamento relativo à missão do povo eleito. Este deve voltar ao seu Deus pela esperança de uma libertação futura, consoante à promessa divina, e pela fidelidade aos seus mandamentos. Êxodo A libertação do povo de Deus da servidão do Egito constitui o assunto do Êxodo (Êxodo significa saída). Os hebreus, estabelecidos no delta do Nilo, depois da morte de José, tiveram que suportar o jugo dos egípcios. Em toda a Bíblia, o Egito vai se tornar o símbolo do adversário-tipo do povo eleito, o poder terreno que procura contrariar os planos divinos. Deus chama Moisés para uma grandiosa missão e revela-se a ele primeiro na sarça ardente. Moisés torna-se o chefe do povo oprimido e combate, sob a guia divina, os poderes do mundo. A passagem do anjo, que extermina os filhos dos egípcios, testemunha que o povo eleito, libertado, terá que viver, daí em diante, no temor de Deus e reconhecido ao seu grande benfeitor. A primeira festa de Páscoa foi cruenta: foi uma figura da grande e solene Páscoa, durante a qual, pela imolação de Cristo, o Cordeiro de Deus, toda a humanidade, espiritualmente falando, foi libertada do jugo do pecado e do demônio. Depois de ter libertado seu povo, Deus o conduziu através das águas e através do deserto. No monte Sinai, ele quis intervir solenemente e proclamar a aliança com seu povo: “Se obedecerdes à minha voz e guardardes a minha aliança, sereis, entre todos os povos, o meu povo todo particular… sereis uma nação consagrada” (Ex 19,5-6). O Decálogo será a carta desse contrato, o Direito imposto por Deus ao seu povo libertado do Egito. O Decálogo é seguido de um texto legislativo, fragmento antiquíssimo (caps. 20 a 23), primeiro esboço de uma legislação social e religiosa, completada mais tarde, e de leis rituais (caps. 25 a 30) redigidas posteriormente. Um grande sacrifício (cap. 14) estabeleceu a solene conclusão dessa aliança. Entretanto, o pacto, apenas concluído, foi violado. O povo cede à antiga tentação de materializar o seu Deus para torná-lo visível, construindo um ídolo, como símbolo de sua força e de sua fecundidade. Esse modo de manifestar ao ídolo o seu culto parece-lhe mais fácil do que adorar em espírito um Deus invisível. Deus irrita-se e castiga o seu povo, mas por fim mostra-se magnânimo. A aliança é renovada: a fidelidade dos hebreus, tanto às prescrições cultuais como aos mandamentos do Decálogo, deverá servir, para o futuro, de testemunho de seu reconhecimento para com os benefícios divinos. O sinal visível do pacto entre Deus e o seu povo serão as tábuas da Lei, guardadas na arca da aliança. Essa arca tem o valor simbólico do trono de Deus: ela testemunha que Deus habita no meio do seu povo, como penhor da fidelidade de suas promessas. Levítico Para os fiéis atuais, a maioria das prescrições rituais do culto mosaico apresenta apenas um interesse documentário. Com efeito, os descendentes de Levi foram colocados à testa do culto em Israel: recrutavam-se entre eles os sacerdotes e os servidores do templo. O Levítico é um manual redigido para eles, de acordo com usos já muito antigos. Esse manual passou por muitas transformações e recebeu adições depois da construção do templo de Salomão (século X a.C.) Os antigos hebreus conheciam quatro espécies de sacrifício: os holocaustos, nos quais a vítima oferecida era totalmente consumida pelo fogo; as oblações, ou ofertas de frutos, de farinha e de outros produtos da agricultura e da criação que acompanhavam o holocausto cotidiano; o sacrifício pacífico, ou de ação de graças; e os sacrifícios de expiação, destinados a reparar os pecados e as faltas involuntárias contra as leis cerimoniais. A importância das prescrições concernentes aos sacerdotes explica-se pelo fato de ocuparem as funções sacerdotais na vida dos hebreus um lugar da mais relevante importância. Essas funções foram confiadas exclusivamente aos membros de uma única tribo, a de Levi (daí o nome Levitas). Ainda no tempo de Jesus Cristo existia essa atribuição, embora menos exclusiva. As muitas prescrições concernentes ao estado de ‘‘pureza legal’’ não admirarão àquele que compreende algo do respeito com que o povo hebreu – como aliás muitos outros povos da Antiguidade – cercava tudo aquilo que, na vida cotidiana, podia ser encarado numa relação particular com Deus ou com o seu culto. Enfim, se encontrará no Levítico um esboço de código civil e de leis morais que, embora imperfeitas, testemunham como se tinha aperfeiçoado a inclinação do povo eleito pela verdadeira moral. Não será inútil observar que a lei de Talião: ‘‘olho por olho e dente por dente’’ (Lv 24,17-20 e Ex 21,24), abolida por Jesus Cristo (Mt 5,38-42), constitui a seu modo um verdadeiro progresso, se considerarmos os costumes existentes então, segundo os quais costumavam, habitualmente, vingar sete vezes as injúrias e as injustiças recebidas. Números O nome do livro dos Números provém das importantes listas de números e de nomes contidos nos seus primeiros capítulos. No mais, este livro é uma continuação normal do Êxodo. O livro dos Números supõe que o povo hebreu já estava dividido em doze tribos ou clãs, e que estas viviam uma existência mais ou menos autônoma, apenas com uma vaga coesão por participarem das mesmas crenças, do mesmo culto, da mesma legislação e da fidelidade à mesma aliança religiosa. As leis aí contidas se referem à permanência dos hebreus no deserto, mas foram retocadas e adaptadas à vida de comunidade desse mesmo povo. A história dos hebreus no deserto não é, realmente, muito edificante. Formavam um povo de dura cerviz que reclamava uma vida fácil, murmurava contra Deus e chegou mesmo ao ponto de contestar a legitimidade da autoridade de Moisés (12,2). Todavia, apesar de suas inconstâncias, o povo eleito permanece sempre o objeto de particular misericórdia e de benévola atenção da parte de Deus. O fim do livro dos Números narra as lutas dos hebreus com as povoações vizinhas à Palestina que se opuseram à sua passagem no decorrer dessa lenta imigração. Percebem-se nessas relações os perigos morais, aos quais os hebreus foram expostos: a pureza de sua religião tradicional sofreria graves ameaças. Essas mesmas narrações explicam também como as instituições sociais e religiosas do povo eleito se baseavam na fé no Deus com o qual tinham feito aliança. Deuteronômio O quinto livro do Pentateuco é essencialmente religioso e jurídico. Deuteronômio significa segunda lei. (Com efeito, os capítulos 12 a 26 constituem uma repetição e um complemento dos capítulos 20 a 23 do Êxodo). Devemos considerar a sua redação final como posterior às demais relações e documentos do Pentateuco. O seu texto deve ter permanecido ignorado por muito tempo. Descoberto sob o reinado de Josias, em 622 a.C., num ádito do Templo de Jerusalém, tornou-se a base de uma importante reforma religiosa e moral, depois de uma era de decadência e de idolatria. A doutrina do Deuteronômio é apresentada numa íntima ligação com a legislação anterior a Moisés, de onde se seguem uma verdadeira continuidade e uma íntima coerência no desenvolvimento da revelação em Israel. Antes de tudo, sob a forma de introdução, leem-se duas magníficas exortações à obediência, relativamente a Deus e à fidelidade às antigas leis da aliança. Seguem-se três capítulos (4, 5 e 6) de capital importância. Tornaram-se como que o verdadeiro catecismo israelita, que trata das questões da adoração e do amor a Deus bem como da caridade para com o próximo. Em seguida, surge-nos o texto da segunda legislação religiosa relativa ao culto, às instituições administrativas, à vida social fundamentada na convicção de que o povo, libertado por Deus da servidão do Egito, devia levar uma vida digna de tão excepcional benefício. Enfim, o livro termina com dois maravilhosos discursos, que descrevem as bênçãos divinas sobre os israelitas fiéis e as maldições que atingirão os pecadores. Num apêndice pode-se ler ainda a breve notícia da morte de Moisés, à qual é acrescentado um poema de encômios ao grande legislador. O Deuteronômio é que nos transmite a pura religião de Israel. Ao lê-lo, encontramo-nos ante uma espécie de testamento espiritual desse homem cuja figura domina toda a história do povo hebreu. Aparece-nos ele aí todo impregnado do espírito dos profetas posteriores, continuadores tanto do seu livro como de sua obra. Com esse livro fecha-se a coleção do Pentateuco, esse conjunto de narrações, de exortações e de textos legais, que urge considerar, antes de tudo, como o testemunho da fé em um Deus que quer reinar sobre a humanidade inteira, mas especialmente sobre o povo por ele escolhido, ao qual, como recompensa à sua fidelidade, promete a maior abundância de bênçãos. A ideia central do Pentateuco é, portanto, a da aliança. Quem diz aliança exprime o acordo existente entre duas partes que mutuamente se ligam por contrato. Fazendo Deus uma aliança com o homem, este é ligado por condições fixadas pelo Criador. Mas também o Criador se compromete de seu lado, em face do homem, a cumprir as suas promessas. Os elementos do contrato, no qual se baseia a aliança entre Deus e o homem, estão contidos no Decálogo (Ex 20,2-17). Esse texto fundamental foi ampliado aos poucos até constituir o verdadeiro Direito, o código de lei: leis morais, leis disciplinares, leis rituais. Nesse Direito é que consiste o fundo de todo o Pentateuco. Não se poderia compreender bem o Pentateuco se se perdesse de vista que narrações e leis não podem ser consideradas separadamente, sendo que as primeiras formam a moldura das segundas e que umas e outras são destinadas a fazer valer a aliança que Deus deliberou concluir com os homens. O livro do Gênesis deve ser lido por extenso. Contém as mais veneráveis e as mais solenes páginas de toda a Bíblia. Apenas os capítulos 9,11,36 e 46 (genealogias) é que poderiam ser deixados à parte. Há no Êxodo diversas passagens legislativas cuja leitura apresenta menos interesse. Mas os capítulos seguintes são de essencial importância: 1 a 19, vida e missão de Moisés; 20, o Decálogo; 32 a 34, o bezerro de ouro e as manifestações divinas a Moisés. Para aquele que toma contato com a Bíblia, o Levítico, com suas leis rituais e suas prescrições cultuais, causa decepção. Todavia, não será sem proveito que o leitor leia os capítulos 19 e 25 que contêm leis sociais, bem como o capítulo 26, no qual são enumeradas as bênçãos e as maldições prometidas aos fiéis ou aos pecadores. Nos Números, impõe-se à leitura a bela fórmula de bênção (6,22-27), em seguida a relação das peregrinações dos hebreus (caps. 10, 14, 16 e 17), e por fim a narração dos episódios da água que saiu do rochedo, da serpente de bronze, da guerra contra Moab e do adivinho Balaão (20 a 25). O Deuteronômio apresenta capítulos de excepcional importância: 4 a 6, exortação à obediência e recapitulação do Decálogo; 7 a 11, o que Deus fez pelo seu povo, e o que dele exige; 27, 28 e 30, bênçãos prometidas por Deus ao povo fiel. LIVROS HISTÓRICOS Josué Deve este livro seu nome ao general e sucessor de Moisés, cuja missão é aí relatada. Seu autor permanece desconhecido. A redação final deve ter sido feita na época dos reis, mediante documentos antiquíssimos, que, em parte, podem remontar até os próprios tempos de Josué. Os acontecimentos que este livro nos narra parecem datar do fim do século XIII a.C. Trata-se da lenta instalação dos israelitas na terra de Canaã. Apesar das derrotas, das privações e dos muitos obstáculos, o povo de Deus conserva inalterável esperança no cumprimento das promessas divinas. As passagens principais são o episódio de Raab, a prostituta, recompensada por Deus pela assistência dada aos israelitas (cap. 2), a passagem do Jordão, assinalada por um prodígio comparável ao da travessia do mar Vermelho (cap. 3), a tomada de Jericó, relação que atribui ao poder divino a vitória dos homens (cap. 6), a derrota diante de Hai, atribuída ao crime de Acã, e a consequente tomada dessa cidade (caps. 7 e 8). A vitória de Josué em Gabaon merece particular menção por causa da célebre narração da parada do sol. Parece que devemos interpretar esse texto — que é, aliás, uma citação tirada de uma antiga coleção de cânticos guerreiros — como uma espécie de figura de estilo poético, para exprimir o fervor da oração de Josué e, ao mesmo tempo, a imediata graça, concedida por Deus, de alcançar a vitória antes do pôr do sol (cap. 10). As narrações de Josué não se esforçam por silenciar ou por encobrir os costumes cruéis e brutais dos povos antigos, mas timbram principalmente em enaltecer o poder divino, mais forte do que o dos inimigos. Em numerosas passagens lemos menções à fidelidade a Deus. O povo de Deus, atualmente, tão bem como nos tempos de Josué, não pode subtrair-se às condições de existência que lhe foram traçadas. Ainda hoje guerras e lutas são inevitáveis para que os homens possam atingir sua verdadeira pátria, que é o reino dos céus. As palavras de despedida de Josué, já envelhecido (caps. 23 e 24), encerram um belo ensinamento de fidelidade, de gratidão e de confiança nas promessas divinas: “Apegai-vos, diz ele, ao Senhor que depôs em vosso proveito povos numerosos e poderosos… Se acaso vos desagrada servir ao Senhor, escolhei neste dia a quem quereis servir. Mas eu e minha casa serviremos ao Senhor”. A esta declaração, o povo responde: “Nós serviremos ao Senhor, nosso Deus e obedeceremos à sua voz”. O livro dos Juízes demonstra quanto o povo foi infiel a esses compromissos e como a misericórdia divina não lhe faltou toda vez que esse mesmo povo se arrependia de seus desmandos. Juízes O livro dos Juízes, cujo autor é desconhecido, delineia a história do povo hebreu durante um período de cerca de 200 anos, desde a morte de Josué até meados do séc. XI antes de nossa era. Temos aí uma espécie de coleção de narrações épicas inspiradas nas ações heroicas de homens, chamados Juízes. Esses homens foram, antes de tudo, chefes militares em épocas perigosas. Surgiram no meio de diversas tribos que haviam libertado, ao menos provisoriamente. É um período de decadência política e religiosa. As tribos israelitas ainda não têm força bastante para impor-se no meio das populações cananeias e para resistir à pressão dos filisteus. Por outro lado, o povo se vai deixando seduzir pela vida fácil das nações vizinhas, cujos costumes grosseiros e práticas idolátricas vai adotando. Cada uma dessas pequenas epopeias é-nos descrita em planos semelhantes entre si, nos quais se descobre um movimento em quatro tempos: ‘‘Os israelitas fizeram o mal diante dos olhos do Senhor. A ira do Senhor inflamou-se contra eles e entregou-os às mãos dos seus inimigos, pelos quais foram escravizados. Mas eles gritaram, recorrendo ao Senhor, que lhes suscitou um libertador para livrá-los’’ (3,7-9). Poder-se-ia dizer que a história é considerada aqui como uma verdadeira pedagogia divina: as desgraças são consideradas como um castigo, a libertação, como um perdão. Deus é o único Senhor e o único guia de seu povo. Eis aqui algumas passagens mais notáveis: cap. 2, em que se expõe a interpretação que se deve dar aos acontecimentos que em seguida se vão ler; cap. 3, história de Otoniel e de Aod; cap. 4, história de Débora, a profetisa e juíza; caps. 6 a 8, história de Gedeão; cap. 9, o usurpador Abimelec; cap. 11, a história decepcionante de Jefté, que nos demonstra que os heróis do povo de Deus, afinal de contas, não passam de simples homens e que este povo, embora escolhido por Deus, estava ainda inteiramente eivado de costumes bárbaros das nações vizinhas; caps. 13 a 16, a história de Sansão, um homem eleito, mas desobediente, que enfrenta a paciência divina; ele não deixa de cumprir a missão à qual a graça o destinara e, em virtude dessa mesma eleição, obtém que o castigo divino seja atenuado e que em último lugar triunfe a misericórdia. O livro dos Juízes encerra, em apêndice, duas relações particularmente violentas e cruéis. Difícil nos é hoje situá-las com exatidão. A primeira parece ser posterior à época dos Juízes: é a história da fundação de um pequeno santuário idolátrico, uma espécie de igreja dissidente. Esse episódio, assim como o seguinte – a violação do direito de hospitalidade por pessoas da tribo de Benjamim —, dá lugar a sangrentas represálias, que não deixam de causar estranheza a um leitor pouco avisado. Trata-se de uma época em que ainda reinava a lei de Talião, na qual as tribos se insurgiam para vingar as injúrias feitas a indivíduos e na qual unicamente a crueldade servia para reprimir os abusos ou as infrações ao direito comum. Urge notar, entretanto, que a relação não termina por um castigo nem por uma exterminação, mas pela reintegração de Benjamim na federação das tribos de Israel, sinal de magnanimidade e de perdão. A leitura do livro dos Juízes prende o interesse dos leitores, apesar dos atos de barbarismo aí relatados por diversas vezes, testemunhando uma civilização ainda primitiva e um senso moral ainda em via de ser aperfeiçoado. Rute A história de Rute ocorreu no tempo dos Juízes. Não conhecemos o autor dessa encantadora narrativa, nem a data exata de sua composição, provavelmente posterior ao exílio. Trata-se de uma mulher estrangeira, viúva de um judeu. Veio ela fixar-se em Israel para permanecer fiel ao afeto que tinha à sua sogra, Noemi. Aí desposou, depois de ter abraçado a fé israelita, Booz, que, de acordo com a Lei mosaica, estava obrigado a tomar por mulher a viúva de seu parente mais próximo sem filhos. Assim Rute, embora estrangeira, entra para a comunidade de Israel. Pelo seu casamento com Booz, torna-se uma antepassada do rei Davi, e figura como uma das quatro mulheres mencionadas na genealogia de Jesus (Mt 1,5). Rute deve ser citada como um modelo de piedade filial e de fidelidade. ‘‘Para onde tu fores, disse ela, também eu irei; onde tu te detiveres, aí eu me deterei. Teu povo será o meu povo, teu Deus será o meu Deus’’ (1,16). Por outro lado, o fato de Deus tê-la elegido demonstra que a escolha do povo eleito não é tão exclusiva que Deus se desinteresse das outras nações. Ao contrário, temos aqui um sinal da universalidade da salvação. Os dois livros de Samuel Os dois livros de Samuel formavam, primitivamente, uma única obra. Ignora-se quem foi seu autor. A redação final deve ser posterior ao ano 622 a.C. O autor serviu-se, sem dúvida, de tradições orais que se estenderam desde o fim da época dos Juízes até a do segundo rei dos israelitas: Davi; portanto, por cerca de 100 anos. O assunto dessa narração histórica pode ser assim resumido: a crise da realeza em Israel; o estabelecimento e o caráter sacro da dinastia de Davi. Essas narrações são dominadas por dois grandes cultos brilhantes, apesar de seus lados sombrios: Samuel e Davi. Num segundo plano, aparece a fisionomia pálida e indecisa de Saul, que fracassou na execução de uma grave missão e foi reprovado formalmente por sua desobediência. Samuel, eleito pelo povo durante um período de decadência política e religiosa, juiz e profeta ao mesmo tempo, representava o antigo conceito de Deus, único chefe e guia de seu povo. É o que se chama teocracia. Só depois de penosa hesitação e de longa resistência é que ele se resignou a conceder ao povo um rei. Esse primeiro reinado não foi feliz. A autoridade de Saul começou bem depressa a vacilar. Sua débil saúde e sua neurastenia tornaram-no impopular e, no final de sua vida, uma dissensão entre o rei e o profeta-conselheiro tornou-o ainda mais desprezado diante do povo. Mas o jovem Davi, pelos seus feitos guerreiros, foi conquistando sempre maior celebridade e o favor do povo. Consagrado rei em lugar de Saul, reinou primeiro sete anos em Hebron, sobre a tribo de Judá, e mais tarde em Jerusalém, sobre as doze tribos, fazendo de Israel um verdadeiro reino. Seus últimos anos foram entenebrecidos por revoltas e guerras civis. Entretanto, esse rei, apesar de suas faltas, fiel à observância da vontade divina, tornou-se o condutor de seu povo conforme o coração de Deus, um predecessor do Messias Jesus, o qual foi, de um modo único, o guia, o rei e o salvador da humanidade. Pode-se hesitar em fazer uma escolha entre as magníficas narrativas dos livros de Samuel, talvez as mais tocantes de toda a Bíblia. Encontramos aí trechos lindíssimos sobre a obediência a Deus por parte de Samuel e Heli (caps. 1 a 4), sobre a desobediência de Saul (caps. 13 a 15), sobre os começos do ministério profético (3 a 12), sobre a admirável amizade que unia Davi e Jônatas (2Sm cap. 1), sobre a queda e o arrependimento de Davi (2Sm caps. 11 e 12). Lemos aí as célebres narrações do combate de Davi com o gigante Golias, a proscrição de Davi por Saul, o reino de Davi, o crime e o arrependimento desse rei, e por fim as revoltas de Absalão e de Seba. Os dois livros dos Reis Formando primitivamente uma só obra, esses dois livros traçam-nos a história dos israelitas, desde a morte de Davi, que devemos situar no ano 970, até a destruição de Jerusalém, com a deportação do povo por Nabucodonosor em 587 a.C. Os autores dessa compilação de fontes, de origem e de épocas diversas, são-nos desconhecidos. A maior parte certamente já estava redigida no final do século VII. As fontes dessa compilação são mencionadas com frequência: a mais importante é a Crônica dos Reis de Israel e de Judá, composta, sem dúvida, de acordo com os arquivos dos dois reinos. Com a morte de Salomão, em 931, o reino foi dividido em consequência da separação das dez tribos do Norte, que se constituíram num reino independente, o qual, em 722, foi conquistado e deportado por Sargon II, rei da Assíria. O autor permite-se um julgamento sobre cada um dos reis, comparando-os com Davi, que ele considera um rei íntegro e fiel. O número dos reis julgados maus é muito superior ao número dos bons. Só Salomão, Asa, Josafá, Joás, Ozias, Joatão, Ezequias e Josias escapam ao julgamento de reprovação, sendo os dois últimos considerados, aliás, como verdadeiros modelos. Urge notar que o critério desse juízo se baseia quase que exclusivamente na fidelidade ao verdadeiro culto, de acordo com o espírito do Deuteronômio, colocando-se o autor num ponto de vista totalmente religioso. Os livros dos Reis contêm, em conjunto com notícias mais ou menos desenvolvidas com respeito aos reinos sucessivos em Israel e em Judá, dois trechos particularmente notáveis, concernentes aos profetas Elias e Eliseu (1Rs caps. 17 a 19; 2Rs caps. 1 a 8). Esses dois homens figuram entre as personalidades mais impressionantes de todo o Antigo Testamento, como grandes profetas, título esse já conferido ao próprio Samuel. Profeta não significa o homem que prediz o futuro, embora ocasionalmente o faça. Profeta significa o homem que fala em nome de Deus. É, antes de tudo, um pregador que exorta o povo a ser fiel ao seu Deus. No começo do livro de Samuel, o profeta chamava-se ainda vidente. Os profetas, portanto, falavam e agiam em nome de Deus, lembrando ao povo o seu destino e eram como que conselheiros privados dos Juízes e Reis; recordam-lhes os deveres, censuram-lhes as falhas e encorajam-nos às generosas iniciativas. Desde Moisés até João Batista, os profetas foram as testemunhas do verdadeiro Deus e trabalharam em prol do mais perfeito monoteísmo. Investiam contra a injustiça dos grandes e dos ricos, contra a inércia das massas populares. Viviam habitualmente como os seus contemporâneos e exerciam uma profissão particular. Havia, entretanto, vários agrupamentos de profetas, análogos a comunidades religiosas, vivendo os discípulos em torno de um mestre e levando uma existência frugal e apartada do convívio dos homens. Nas narrações sobre Elias e Eliseu, faz-se menção a essas corporações que, em todo o caso, se limitam a um ministério meramente oral. Só do oitavo século em diante é que alguns profetas começaram a redigir as suas mensagens. Aliás, essa redação foi simplesmente acessória: faziam-se compreender, o que era o principal. Nos livros de Isaías, de Jeremias e de Ezequiel são narradas estranhas ações, às quais os profetas recorriam com o fim de chamar a atenção: o porte de um jugo, o vaso quebrado, posições e gestos insólitos etc. Essas ações são simbólicas e, muitas vezes, os próprios profetas as comentam numa linguagem inteligível aos espectadores. Esses homens de Deus eram notáveis reivindicadores. Têm a consciência despertada de não pregarem doutrina nova; sua missão consistia em lembrar ao povo os termos do contrato da aliança que os ligava a Deus. Mas pretendiam revelar aos seus ouvintes o verdadeiro sentido dos acontecimentos que os envolviam, sentido esse que aparece em sua perspectiva de eternidade: esses acontecimentos eram outros tantos sinais; cada derrota, cada revés é um castigo e um apelo; cada libertação é uma demonstração da graça e da fidelidade de Deus. Outros profetas são ainda mencionados nos livros dos Reis: Aías, de Silo (1Rs 11), um profeta anônimo (cap. 13), Semeías (cap. 12), Jeú (cap. 16), Miqueias, homônimo do profeta-escritor (cap. 22), Isaías, o grande profeta cujos oráculos lemos na Bíblia (2Rs 19) e a profetisa Holda (cap. 22). Lendo as narrações contidas nos livros dos Reis, pode surgir a ideia de que os governos não poderão subsistir com uma verdadeira estabilidade, se aqueles que detêm o poder não forem e não permanecerem fiéis à palavra de Deus. A missão dos profetas consistiria então principalmente em lembrar-lhes essa obrigação e em velar pela sua observância. Fora das duas secções que dizem respeito a Elias e a Eliseu, os livros dos Reis encerram ainda notáveis passagens: o reino de Salomão (1 Rs 1-5; 9-11); a dedicação do templo (cap. 8); a divisão do reino (12-14); a história de Acab (20-22); a história de Atalia (2 Rs 11); a origem dos samaritanos (cap. 17); a invasão dos assírios (18-20); a descoberta do Deuteronômio e a reforma de Josias (22-23); o fim de Jerusalém (24-25). Crônicas Os dois livros das Crônicas, chamados também Paralipômenos, constituíram primitivamente uma só obra com os livros de Neemias e de Esdras. Percebe-se ainda o traço dessa unidade na coincidência do final das Crônicas com o começo de Esdras. O cronista, que escreveu sem dúvida aí pelo começo do século III a.C., utilizou-se de grande número de fontes que ele cita com exatidão: os livros do vidente Samuel, do profeta Natã, os oráculos de Aías de Silo, as memórias de Jeú. Outras fontes eram os Anais dos Reis de Israel e de Judá; por fim, certos trechos dos livros de Samuel e dos Reis são reproduzidos textualmente. O autor, certamente membro de uma família sacerdotal, coloca-se num ponto de vista particularmente religioso. Antes de tudo, quer pôr em evidência como Deus se utiliza do governo de reis fiéis para a realização de seus desígnios, nomeadamente para a conservação integral da aliança. Tenciona ele igualmente demonstrar que a verdadeira vocação do povo eleito consiste em dedicar-se ao culto divino no templo, que assim se deve tornar o centro de toda a nação. Justificava-se esse ponto de vista na época em que o livro foi exarado. Os judeus deportados foram então reintegrados na Palestina pelo decreto de Ciro, em 536, depois de terem permanecido cerca de 70 anos na Babilônia. Já não existia, então, nenhuma autonomia nacional. Só a religião e o culto é que ainda podiam servir para fortalecer a alma da comunidade judia restaurada. A explicação dessa transformação de uma nação politicamente autônoma numa comunidade religiosa constitui a finalidade do autor das Crônicas. Essa obra parece ser uma reivindicação, cheia de convicção, do primado do culto, da religião e da fidelidade à aliança divina sobre todos os valores políticos e terrestres. Em vários lugares ela testemunha a mais viva fé na retribuição divina numa intervenção direta de Deus no curso dos acontecimentos históricos. Dessa forma, é sua intenção inculcar no leitor uma sólida esperança na vinda de uma realeza espiritual e um digno sentimento de soberania exclusiva de Deus sobre o mundo. Três passagens dos livros das Crônicas merecem ser assinaladas de modo particular: as duas orações de Davi (1Cr 17 e 29); a oração de Salomão suplicando a Sabedoria (2Cr 1); a dedicação do templo (2Cr 6-7). Esdras – Neemias Essas duas obras, primitivamente unidas, devem ser certamente atribuídas ao autor das Crônicas, das quais formam a sequência natural. Esses livros contêm diversos textos de arquivos, listas de recenseamento e documentos oficiais em aramaico e as memórias pessoais de Esdras e de Neemias. Um estudo aprofundado do texto revela que a ordem cronológica nem sempre foi seguida à risca, e que necessário se torna inserir o livro de Neemias depois de Esdras 6,22. O autor relata-nos a restauração religiosa ocorrida quando Ciro, rei dos persas, autorizou, em 538, os judeus deportados a voltarem novamente à Judeia. Esses judeus, assim que se foram estabelecendo em Jerusalém, começaram a reconstruir o templo. Mas a oposição dos vizinhos hostis impediu-os de restaurar as fortificações da cidade. Foi então nomeado e empossado, em 445, um governador leigo, que muito teve de esforçar-se para restaurar uma sociedade eivada de abusos religiosos (mormente muitos casamentos entre judeus e pagãos) que constituíam grande perigo para a estabilidade da religião. Foi nesse momento que interveio o sacerdote Esdras, personalidade cuja influência foi crescendo sempre mais. Por sua atividade ele conseguiu que a Lei mosaica fosse novamente observada e que o culto fosse regulamentado e praticado, nomeadamente quanto à questão dos casamentos mistos. Pelo fim do período descrito nos livros de Esdras e de Neemias (cerca de 400), a comunidade judaica de Jerusalém parece ter conquistado certa estabilidade: a aliança divina aparece então como restabelecida, e os judeus, privados como então estavam da independência política, unem-se numa verdadeira comunidade religiosa. Portanto, de uma nação política, o povo eleito torna-se uma igreja, isso pelo efeito todo particular da escolha de Deus e em função da aliança sempre existente. Notava-se, então, um verdadeiro despertar espiritual e moral. A partir dessa época, a classe sacerdotal vai adquirindo uma influência sempre maior: o templo aos poucos centralizava a nação toda, o culto alcançou um lugar mais e mais preponderante na vida popular. Assim foi que, pouco a pouco, o judaísmo foi apresentando aquela fisionomia toda particular, qual o conhecemos pelas narrações evangélicas. Os judeus insistiam na necessidade de um culto exterior e de uma observância rigorosa da Lei, criando assim aquele deplorável formalismo, repassado de hipocrisia religiosa, que nos é conhecido pelo nome de farisaísmo. Os fariseus eram homens que se tinham em conta de justos e de santos, unicamente pela observância literal dos ritos cultuais e das regras exteriores da Lei. O capítulo 9 de Esdras, bem como a bela oração de Neemias (cap. 1) são trechos encantadores que merecem ser lidos e meditados. Igualmente, a narração da reconstrução do templo (Es 4-6) e a oração de confissão dos pecados (Ne 9-10) são admiráveis. Tobias – Judite – Ester Esses três livros apresentam um aspecto comum que deve ser caracterizado antes de passarmos a uma análise particular de cada um. Não são obras meramente históricas. A intenção de seus autores é manifesta: quiseram servir-se de elementos históricos, conhecidos, como uma moldura, na qual inseriram, sob uma forma concreta, ensinamentos religiosos. Os fatos verdadeiros ou mais ou menos fictícios, embelezados, poetizados, são, portanto, apenas um modo de apresentar uma ideia. Nesses livros, lemos o que se pode chamar de “narrações episódicas ou literatura edificante”. O livro de Tobias foi certamente escrito em aramaico na metade do século II a.C. O texto primitivo só nos foi conservado em versões gregas e latinas que por vezes discordam entre si, como indicam as variantes nas notas do texto. A história de Tobias tem uma grande importância religiosa. Avantaja-se pela comovente evocação do ideal religioso de uma família de israelitas que primava pela fé. Apresenta-se a história como transcorrida em Nínive, no tempo do exílio. Apreciamos nessas páginas a virtude, a piedade e a fidelidade do velho Tobit, postas à prova pela Providência divina; e, em seguida, admiramos como essa mesma Providência divina tudo encaminha para o seu bem verdadeiro, atendendo às duas orações, feitas simultaneamente pelo ancião cego e pela jovem Sara, infeliz, como era, em seus sucessivos casamentos: é-lhes enviado o anjo Rafael que conduz o jovem Tobias durante a viagem; ele o faz encontrar o remédio para a vista de seu pai, ao mesmo tempo que lhe consegue a esposa que o fará feliz. Em torno desse assunto central, vão-se inserindo belíssimas notas de profunda riqueza religiosa quanto ao amor de Deus, à piedade filial, à perseverança nas provações, à misericórdia, à esmola, à santidade do casamento. O livro de Tobias é um verdadeiro espelho de um judeu justo, espelho esse que se pode aplicar a um cristão quase sem nenhuma transposição. O livro de Judite não nos foi conservado em seu texto hebraico. Resta-nos apenas a sua tradução grega. O autor é ignorado. Pela descrição de uma situação concreta, a libertação de Betúlia, sitiada por Holofernes, general de Nabucodonosor, o autor quer demonstrar que a confiança em Deus, manifestada por fiel dedicação a seu serviço, acaba triunfando de todas as potências terrestres, por mais temíveis que sejam. Ao poder incomensurável de um senhor deste mundo, é oposta a fraqueza de uma mulher; mas essa mulher é uma judia digna dessa raça que pratica fielmente a Lei, crê na força da oração e confia em seu Deus. O espírito da vingança e do fanatismo nacional, que em prol do triunfo justifica o emprego de todos os meios, mesmo do assassínio, estava tão profundamente arraigado na alma judia que, como no caso presente, parece poder subsistir ao lado dos mais elevados sentimentos. O livro de Judite leva os leitores espontaneamente a pensar nas lutas que os judeus tiveram que sustentar pela sua fé, lutas essas que se tornaram particularmente agudas dois séculos antes da era cristã. Será certamente por essa época que o livro de Judite foi composto. O livro de Ester, cuja parte principal subsiste ainda em hebraico, contém uma série de suplementos escritos num grego assaz tardio. Para explicarmos de onde devem ter procedido esses suplementos, podemos pensar numa tradução independente do texto primitivo ou numa adição de data mais recente. São Jerônimo, quando traduziu a Bíblia para o latim (fim do século IV da nossa era), colocou esses suplementos num apêndice. A nossa tradução reproduz fielmente essa disposição, explicada nas notas que acompanham o texto. O autor é desconhecido. Podemos supor que ele tenha vivido no fim do século IV a.C. O livro retrata a época persa, durante a qual os judeus eram dominados e oprimidos por estrangeiros. Lemos aí o célebre episódio do decretado morticínio dos judeus, frustrado pela intercessão da rainha Ester, ao qual se seguiu a tremenda vingança, cruel e violenta, por parte dos judeus. São deparados também nesse livro esse misto de espírito de vingança e de grande elevação mental. O autor parece ter querido inculcar no leitor, de um lado, a ideia de que Deus salva seu povo por meios inesperados e irrisórios; de outro lado, o intenso sentimento de patriotismo e de orgulho nacional. Poder-se-ia pensar mesmo numa verdadeira volta àquele nacionalismo fanático que se foi formando outrora com o crescente poderio político dos dois reinos de Israel e de Judá. Na primeira parte do livro não ocorre nem uma única vez o nome de Deus; no suplemento, ao contrário, essa ausência do nome divino é como que corrigida. Entretanto, a ação da Providência divina faz-se sentir a cada passo na sucessão dos acontecimentos sempre favoráveis ao povo eleito e que deram lugar à instituição da festa nacional do Purim. Trata-se, ainda aqui, da vingança, da violência e do orgulho nacional. O povo de Deus provou que tinha necessidade de uma redenção para aprender a colocar sua esperança em coisas mais altas. O livro de Tobias pode ser lido e relido sem excetuar-se trecho algum. No livro de Judite é particularmente notável a magnífica oração do capítulo 9, no meio da cativante narrativa da libertação de Betúlia. No livro de Ester podemos ler com proveito as duas orações, de Mardoqueu e de Ester (caps. 13-14), e em seguida a intervenção de Ester junto ao rei Assuero (caps. 5-7). Os dois livros dos Macabeus Os dois livros dos Macabeus eram, originariamente, dois escritos distintos um do outro. Provém-lhes o nome do sobrenome dado a Judas, filho de Matatias, por ocasião da terrível derrota que infligiu aos inimigos. Esse sobrenome tornou-se hereditário em toda a sua família. O Primeiro livro dos Macabeus estende-se por um período de quarenta anos, do ano 175 até 135. Foi redigido na Palestina, no começo do século I antes da nossa era, em hebraico ou aramaico, tendo-se perdido esse texto primitivo. Possuímos hoje apenas um texto grego. Coloca-se o autor sob um ponto de vista religioso, salientando a predileção divina por Israel, a reação dos judeus que permaneceram fiéis contra o poder sírio que ocupava o seu território, e a sua luta contra o paganismo grego que ameaçava invadir a comunidade israelita. Aconteceu isso, na época iniciada logo após a morte de Alexandre Magno, em 323. O seu império, por falta de um herdeiro de seu próprio sangue, foi dividido entre os seus generais, passando a Palestina, juntamente com a Síria, a ser dominada pela dinastia dos seleucos. Um dos seus sucessores, Antíoco Epífanes (175-163), esforçou-se por todos os meios para iniciar os judeus no espírito helênico. Eclodiu entre os judeus uma revolta, denominada macabaica, primeiro só de caráter religioso, e em seguida transformada numa guerra santa de independência, a qual se prolongou por um século, sob a chefia dos descendentes dos macabeus, terminando com uma verdadeira autonomia nacional. Foram os romanos, sob Pompeu, no ano 63 a.C., que reduziram definitivamente essa independência e sujeitaram os judeus. Dominados pela força, os judeus alimentavam implacável ódio contra os usurpadores de sua terra e viviam em perene expectativa de uma insurreição. Compreende-se que as esperanças messiânicas se foram tornando ainda mais generalizadas e vivas. O espírito judaico da época caracterizava-se por um misto de legalismo e nacionalismo. Semelhante era o ambiente por ocasião do aparecimento de Jesus Cristo. Nesse livro salienta-se particularmente os sentimentos de fé: uma fé ardente, acompanhada de um sentido quase exagerado da infinidade de um único Deus, de uma inviolável fidelidade à Lei e de um apego fanático à cidade santa de Jerusalém. O Segundo livro dos Macabeus, muito diferente do primeiro quanto ao fundo e quanto à forma, narra alguns episódios da primeira parte da luta, descrita no livro precedente. A obra foi redigida em grego, mais ou menos no ano 100 a.C., por um judeu que, cuidadosamente, resumiu um escrito não inspirado, composto por Jasão, de Cirene, no ano 160. O escopo dessa obra é, antes de tudo, a edificação religiosa. Desse modo, temos ante os olhos narrações mais episódicas do que históricas. São-nos apresentados heróis e ações heroicas que testemunham uma fé ardente e viva, que não arrefece nem mesmo perante o martírio. A sua finalidade imediata é avivar o sentimento patriótico dos judeus que residiam em Alexandria. Acha-se, nesse Segundo livro dos Macabeus, o testemunho de uma crença até certo ponto nova nos ensinamentos religiosos dos judeus: a fé na imortalidade da alma. É só nesse livro e no livro da Sabedoria que se manifesta esse desenvolvimento na revelação, sendo ele o último a ser escrito antes do Evangelho. A leitura dos livros dos Macabeus apresenta menos riqueza em conteúdo religioso do que o resto dos livros históricos. Entretanto, algumas célebres passagens merecem toda a atenção. No primeiro livro são notáveis: o retrato de Judas Macabeu (cap. 3); a morte de Antíoco Epífanes (cap. 6); a aliança com os romanos (cap. 8); o governo de Simão (cap. 14). No segundo livro recomendam-se: o prefácio (cap. 2); o episódio de Heliodoro (cap. 3); o martírio de Eleazar e dos sete irmãos (caps. 6 e 7). LIVROS SAPIENCIAIS Jó O livro de Jó é uma composição literária estreitamente aparentada com o gênero dramático, cuja ação nos é apresentada numa introdução e numa conclusão em prosa que enquadram um longo poema dialogado. O autor, aliás desconhecido, situa a sua composição no século V a.C., em lugares e em situações assaz imprecisas. O personagem de Jó era, para os antigos israelitas, uma figura-tipo do justo sofredor. O assunto do poema é o problema do sofrimento. Três amigos (aos quais mais tarde se ajunta um quarto) apresentam-se a Jó para consolá-lo em suas desgraças: – inopinadamente ele se vira privado de todos os seus bens e de seus próprios filhos, ao mesmo tempo que atingido em sua própria saúde. Os amigos de Jó representam as ideias correntes em Israel: o sofrimento é um castigo; todo homem é pecador; apenas, porém, com uma ideia nova, a da missão educativa e purificadora do sofrimento. O problema, embora ventilado de todos os lados, permanece sem solução. Às piedosas e inofensivas consolações que os amigos propõem ao patriarca em seus sofrimentos, Jó responde com uma afirmação de sua inocência e com um apelo incessante a Deus, do qual sabe perfeitamente que procedem as suas provações. Então, Deus mesmo entra em cena: responde a Jó, reconhecendo que ele é um justo, mas que não procedeu com bastante retidão, pretendendo perscrutar os desígnios de Deus. Enviando provações aos homens, o Senhor é ao mesmo tempo justiça e bondade. Ao homem toca humilhar-se com paciência e esperança na sua presença, sem querer desvendar os planos misteriosos do Criador. Portanto, o problema do sofrimento não é resolvido totalmente. Cumpria ao homem esperar a satisfatória solução que lhe seria dada pela voluntária paixão e morte de Jesus Cristo; só então é que a mente humana poderia descobrir o sentido divino e eterno do sofrimento e tirar dele não só a conformidade com os decretos divinos, mas ainda a verdadeira paz e as consolações celestiais. Esse poema, composto num estilo totalmente oriental, estende-se longamente em discursos extenuantes. Entretanto, alguns capítulos podem ser enumerados entre as composições mais belas de toda a Bíblia. Tais são: o prólogo (caps. 1-2); a primeira queixa de Jó (cap. 3); as lamentações do justo (vários capítulos); o apelo a Deus (caps. 12-14); as obras de Deus e seu governo (caps. 36-37); as palavras de Deus sobre as maravilhas da Criação (caps. 38-42). Salmos O Saltério era o livro de oração dos antigos judeus. Também para os cristãos ele tornou-se o livro dos enlevos espirituais, depois de tê-lo sido para o próprio Jesus Cristo. A palavra salmo (psalmus) é a tradução do termo hebraico que quer dizer louvores. Entretanto, esse termo exprime apenas um aspecto do conteúdo desse livro, no qual se encontram lamentações, cânticos de penitência e de reconhecimento, poemas didáticos e súplicas ardentes. Os salmos eram cânticos destinados principalmente ao uso litúrgico do Templo de Jerusalém, mas neles percebe-se muitas vezes o eco de sentimentos religiosos inteiramente pessoais. Já em remota Antiguidade, muitos desses cânticos tinham sido reunidos em coleções, das quais encontramos alguns traços na divisão atual em cinco livros. Foram certamente os autores dessas coleções que lhes inseriram as conclusões ainda hoje existentes. Parece averiguado que essas coleções foram sendo feitas independentemente umas das outras; daí não nos podermos admirar se encontrarmos algumas repetições. Foram esses mesmos redatores que, por vezes, ajuntaram dois salmos num só e que escreveram os títulos que ainda hoje lemos em muitas dessas composições. Em todo caso, essas inscrições são antiquíssimas. Conservaram-nos elas o nome do provável autor e várias circunstâncias da composição dos salmos, e apresentando expressões assaz obscuras a respeito da sua execução musical e do seu emprego litúrgico. Quando os Salmos foram traduzidos para o grego, a significação exata dessas inscrições era duvidosa; hoje muitas vezes podemos apenas conjeturar o que elas significavam. O mesmo se deve dizer da palavra sela que aparece no fim de numerosas estrofes. Essa palavra, em vista de seu sentido obscuro, foi omitida na presente tradução. Ignora-se quando e quem reuniu a última coleção dos cinco livros em uma única, a que nos foi conservada. As inscrições do texto original atribuem 74 salmos a Davi, 10 aos filhos de Coré, 8 a Asaf, 2 a Salomão, e 1 respectivamente a Hemão, a Etão e a Moisés.É difícil averiguar o valor histórico exato desses dados. Entretanto, não há motivo para duvidar de que numerosos salmos provenham do rei Davi. Sejam quais forem os seus autores humanos, a inspiração divina revestiu a sua beleza natural de um profundo sentido religioso, que fez deles, para sempre, uma inexaurível fonte de vida religiosa e de piedade. Na literatura da Antiguidade, o caráter religioso dos salmos salienta-se pela sua incomparável profundidade. Todas as cordas do sentimento religioso são neles dedilhadas: respeito à majestade divina, gratidão pela misericórdia infinita e pelo perdão de Deus, absoluta confiança na Providência, penitência e contrição ante os próprios pecados, tristeza e temor dos perigos que nos cercam, paz, consolação, coragem, obediência, alegria e esperança. Por outro lado, os poemas messiânicos e as numerosas alusões ao Filho de Davi tornam os salmos ainda mais familiares às nossas almas cristãs. Não admira, pois, o lugar todo particular que o saltério assumiu na liturgia da Igreja. Essas composições dirigiram-se, em primeiro lugar, aos judeus. Daí serem impregnadas do espírito judaico, que ainda não tinha atingido a plenitude da caridade cristã. Como em outras passagens do Antigo Testamento, a justiça divina é descrita nos salmos de um modo rude e forte. Muitas vezes, o ruído das armas perturba a calma da oração. Entretanto, urge considerar: primeiro, a mentalidade própria dos hebreus, segundo a qual só Deus era o rei do povo e que os levava a considerar como inimigos de Deus os inimigos do povo eleito; assim, estes deviam ser julgados severamente. Em seguida, o crente sabia que o poder do inimigo devia ser destruído no futuro, porque assim o exigia a santidade de Deus. Dessa forma, a vingança, expressa com tanta violência, era atribuída ao próprio Deus; daí, a sua misericórdia acompanhar a sua justiça. Não nos afastaremos, portanto, do verdadeiro espírito dos salmos, procurando penetrar no cerne espiritual que está por debaixo da casca dura, e aplicá-lo às nossas lutas interiores, como outros tantos apelos veementes ao auxílio divino. Muitas vezes o homem vê-se inclinado para as coisas terrenas e mal consegue rezar. “Não sabemos o que devemos pedir, nem rezar como convém”, dizia São Paulo (Rm 8,26). Nos salmos são-nos apresentados maravilhosos formulários de oração que nos ensinam como devemos nos dirigir a Deus. Em seu sentido verdadeiro e profundo, os salmos só poderão ser devidamente interpretados por aquele que crê em Jesus Cristo. Isso é evidente quanto aos salmos messiânicos. Mas a mensagem de outros salmos, como de inumeráveis textos bíblicos, só encontra sentido verdadeiro à luz da vida do Senhor Jesus. Os sofrimentos do justo, por exemplo, são, nos salmos, uma clara imagem dos tormentos suportados por Jesus na sua paixão. O saltério é, em verdade, o livro de oração da Igreja e da alma cristã. Eis uma relação dos mais belos salmos, agrupados de acordo com seu sentido geral: Salmos de confiança: 22, 26, 120, 130; Ensinamentos da sabedoria: 1, 31, 36, 118; Meditações: 8, 9, 11, 35, 38, 48; Louvores: 7, 18, 28, 46, 92, 95, 96, 97, 145; Salmos reais ou messiânicos: 2, 18, 19, 20, 21, 44, 68, 71, 109, 144; Lamentações e orações intensas: 24, 31, 32, 43; Ações de graças: 33, 65, 102, 135. O texto hebraico original muito sofreu no decurso dos séculos. Daí as numerosas divergências, principalmente nas duas primeiras coleções, entre o texto original e a versão latina, sendo esta apenas uma tradução imperfeita do texto grego. Na numeração dos salmos, existe uma divergência entre o texto hebraico e a versão latina da Vulgata. Essa divergência provém no texto hebraico da divisão imprópria do salmo 9, restituída em sua unidade pelas antigas versões. A numeração do texto latino, adotada no breviário e no missal romanos, é conservada na presente tradução. Portanto, os leitores que desejarem saber qual é a numeração do texto hebraico deverão aumentar de uma unidade o número dos salmos desde o salmo 10 até o salmo 147. Provérbios Por uma ficção literária, o livro dos Provérbios é atribuído a Salomão. Menciona, com efeito, o Primeiro livro dos Reis (4,29-34) que Salomão produziu numerosíssimos provérbios de sabedoria. Na realidade, o livro dos Provérbios é uma coleção composta de oito partes: 1. A primeira é formada por seis exortações, entrecortadas de evocações poéticas, nas quais a sabedoria personificada entra em cena e pronuncia os seus discursos. 2. A grande coleção salomônica de provérbios que tratam dos vários estados da vida. 3. e 4. Duas pequenas coleções, atribuídas aos “sábios”. 5. Provérbios salomônicos recolhidos “pela gente do rei Ezequias”. 6. Um fragmento atribuído a Agur, filho de Jaque, autor aliás desconhecido. 7. Uma coleção de conselhos de uma rainha-mãe ao seu filho. 8. Enfim, um poema acróstico de acordo com as letras do alfabeto, que faz o elogio da mulher forte. Entre as sentenças contidas nesse livro, grande número é de origem popular, como os rifões. Importante fragmento (caps. 10-22 e caps. 25-29) é atribuído a Salomão, sem que se possa saber com exatidão qual seja a parte que esse rei possa ter tido na sua redação. Os provérbios atribuídos aos sábios, aliás desconhecidos, devem ter sido compostos antes do exílio, embora os capítulos 30 e 31 pareçam posteriores a ele. A primeira parte (caps. 1-18) é considerada atualmente como uma composição feita depois do exílio. Ignora-se a data da constituição definitiva desse livro sob a sua forma atual; apenas devemos supor que ela tenha sido feita depois que apareceu o Eclesiástico (no começo do século II a.C.), porque esse livro é aí mencionado. Acham-se no livro dos Provérbios numerosas passagens nas quais se pode descobrir frisante parentesco com textos anteriores egípcios e orientais. Não sabemos em que medida o autor inspirado se utilizou de predecessores estrangeiros, mas é certo que também os hebreus sofreram a influência dessas grandes civilizações. Por influência não entendemos uma dependência completa. A moral dos Provérbios, fundada na crença e na revelação de um único Deus, mostra-se superior à de todos os produtos pagãos da mesma espécie. Ressalta no livro dos Provérbios um conceito puríssimo de Deus, de um Deus insondável, justo, benevolente, misericordioso e criador. Do ponto de vista moral, a humanidade é dividida em duas categorias: os sábios e os insipientes. Por sábio deve-se entender todo aquele que é inteligente, bem avisado, virtuoso e íntegro. Entre os insipientes devem ser enumerados os maus, os mentirosos, os negadores, os ladrões, os malfeitores, os perjuros. O autor insiste particularmente nas virtudes da caridade, da justiça, da prudência, da moderação e da discrição. Por outro lado, ele investe contra os vícios da embriaguez, da gula, da luxúria e da preguiça. De modo especial acentua a piedade filial e a educação das crianças. Igualmente se pode reconstituir um verdadeiro código de direito régio e de equidade judicial, reunindo-se os fragmentos dispersos que tratam dessas questões. Em todo o livro se manifesta viva fé numa retribuição, recompensa ou castigo. Mas não existe ainda a ideia de uma vida eterna. A região dos mortos aparece sempre (como também em Jó e nos Salmos) como um lugar de tristeza, no qual as sombras se detêm num estado mais de morte do que de vida. A moral, tal como a lemos neste livro, poderá parecer, a uma consideração superficial, muito primitiva. De fato, os autores dos Provérbios limitaram seu interesse a normas de caráter prático. Entretanto, os sábios israelitas sabiam proclamar que a verdadeira sabedoria ultrapassava infinitamente a simples virtude da prudência. Assim é que aí se nos depara a célebre máxima: ‘‘O temor do Senhor é o começo da sabedoria’’ (1,7 e 9,10). Essa Sabedoria só pode provir de Deus mesmo (8,22); é ela que nos faz compreender algo da justiça e dos juízos de Deus (2,5-9), como é ela também que produz a verdadeira humildade (15,33). No livro dos Provérbios, urge saber-se espigar: haverá sempre alguma espiga a ajuntar-se. Entretanto, devemos separar cuidadosamente um feixe do outro: assim as seis exortações do sábio ao seu filho (caps. 1 – 20); as curiosas máximas numéricas do capítulo 30 e o poema sobre a mulher forte do capítulo 31. O Eclesiastes Esse livro apresenta-se como uma série de meditações sobre a instabilidade da vida humana, entrecortadas várias vezes por uma sorte de estribilho que indica a linha diretriz que o autor tinha em mente: “Fugacidade das fugacidades! Tudo é fugaz!” Desconhecemos o autor, que coloca suas reflexões na boca do ‘‘Eclesiastes’’. Nesse personagem vê-se uma alusão ao rei Salomão, que a tradição judaica considerava como a personificação da sabedoria. O último redator do livro, que lhe deu a forma atual, deve ter vivido no terceiro século a.C. Para o autor, como para seus contemporâneos, todos os homens vão, depois da morte, para um único e mesmo lugar, o sheol, ou a região dos mortos. A existência nesse lugar é descrita como uma existência sem consolações, nas trevas, sem felicidade alguma, onde nenhuma relação mais se tem com o que acontece na terra. Essas ideias sombrias a respeito da vida e da morte formam a base do pessimismo que se depreende desse escrito. Compreende-se a conclusão que ele tira desse seu modo de ver: se a perspectiva do céu é tão duvidosa, se a experiência da vida aponta tantas preocupações e desilusões, nada melhor se pode aconselhar do que fruir dos bens que Deus nos dá nesta vida e agradecer-lhe por tudo isso. Mas mesmo assim, as alegrias terrenas aparecem como incapazes de estancar a sede da felicidade de que sofre o coração do homem. Entretanto, o autor alia a esse pessimismo um espírito de profunda religiosidade. Ele insiste na disposição sempre sábia, embora impenetrável, da Providência divina. Tudo o que há de bom na vida é dom de Deus. Um dia, o homem deverá prestar contas ao seu Criador de todos os atos praticados na terra. Essas considerações conservam seu valor para todos os tempos. A piedade é o principal meio de alcançarmos nosso destino. Toda a moral do livro resume-se nos seus últimos versículos: ‘‘Como conclusão geral, teme a Deus e observa os seus preceitos; eis aí o homem todo’’. O Cântico dos Cânticos Denomina-se Cântico dos Cânticos (expressão esta que significa: o mais belo dos cânticos) uma coleção de poemas que, originariamente, devem ter sido destinados às solenidades nupciais. O amor humano – por mais estranho que isso possa parecer – foi escolhido como tema para esses poemas inspirados. O amor que une o homem e a mulher no casamento foi querido por Deus no plano da Criação: ele é em si uma coisa boa e digna de ser enaltecida. Por outro lado, as festas nupciais eram para os antigos judeus uma ocasião propícia para a manifestação de sua fé nos destinos da nação escolhida, que era considerada a esposa do Senhor. Na união dos novos nubentes viam com religiosa alegria como a aliança divina se ia perpetuando. O amor humano tornava-se a eles, portanto, em um verdadeiro símbolo da aliança de Deus com seu povo. O Cântico foi considerado e lido pelos judeus, desde a sua origem, como um cântico de amor de Deus para com seu povo. Uma comunidade que não duvida interpretar dessa forma esses poemas compreende perfeitamente que esse amor divino, assim expresso, solicita por sua vez a resposta do amor humano. O Cântico prega a fidelidade. A Igreja cristã, estendendo ainda mais o simbolismo desses hinos, nunca cessou de ver neles uma figura do amor de Cristo para com sua Igreja, considerada sua esposa. O cântico celebra então a satisfação única e perfeita que a alma cristã encontra no seu Bem-amado. Convém por fim mencionar a liturgia da Igreja que se utiliza das palavras do cântico para celebrar o amor da Virgem Santíssima para com seu Filho. A Sabedoria O conteúdo desse livro é um louvor à sabedoria divina. Na primeira parte, o autor mostra a sabedoria nas obras da vida de cada homem, sendo recompensada pela vida eterna. Na segunda parte, expõe o papel que a sabedoria representou na vida do rei Salomão. Ainda numa terceira parte, apresenta a sabedoria em ação: na Criação, na história da humanidade e, em particular, na história do povo de Deus. Ao tratar do reino de Salomão, a sabedoria é descrita como uma irradiação do Deus Altíssimo. A finalidade do autor, que se dirige aos judeus moradores no Egito, é acautelá-los contra um duplo perigo, a saber: serem desencaminhados pela filosofia grega, e serem tentados a abandonar o culto de um Deus único. Ele quer mostrar que o conceito judaico da vida nada tem a invejar da sabedoria profana do paganismo. Ao contrário, é ela que proporciona ao homem a imortalidade. Só essa sabedoria, que tira sua origem de Deus, é um guia seguro para a nossa vida religiosa e moral, como uma salvaguarda contra a idolatria, iluminando a história de Israel e os terríveis castigos que o culto aos deuses falsos arrasta após si. A descrição da sabedoria, tal como ela é em Deus, atinge, na segunda parte do livro, uma culminância que debalde procuraríamos em algum outro livro do Antigo Testamento. O autor refere-se à Sabedoria, envolvendo-a num atributo divino personificado; uma pessoa que pensa, que fala e que age. É ela que criou o mundo e que, como conselheira de Deus, dirige, providencialmente, o universo inteiro. Mui provavelmente o livro da Sabedoria foi escrito em grego. Todavia, o estilo de sua primeira parte faz pensar na poesia hebraica; no restante do livro o estilo é mais livre e aproxima-se da língua grega. O desconhecido autor apresenta-se, por vezes, falando na pessoa de Salomão, circunstância essa que levou outrora muitas pessoas a atribuírem toda a obra ao grande rei de Israel. Mas trata-se de uma ficção literária, como no livro do Eclesiastes. O autor deve ter escrito para os judeus que falavam o grego e que viviam fora da Palestina, provavelmente no Egito. Não nos é possível determinar com exatidão a data da sua composição, provavelmente durante o último século que precedeu a nossa era. A convicção profundamente religiosa que emana de todas essas páginas já muito se aproxima da revelação do Novo Testamento. Esse livro não é citado nos Evangelhos, nem em São Paulo; mas numerosas passagens, principalmente na Epístola aos Hebreus, fazem alusões evidentes a certos trechos da Sabedoria. Esse livro do Antigo Testamento contém as primeiras revelações sobre imortalidade da alma e o seu destino eterno, e estabelece, portanto, uma digna transição entre a Antiga Aliança e a plena revelação evangélica. O Eclesiástico Esse livro leva, no texto grego, o título de Sabedoria de Jesus, filho de Sirac. Na Igreja latina, foi-lhe dado o título de Eclesiástico, ou livro da Igreja, porque era utilizado com grande frequência na Igreja, para instrução dos fiéis. A concepção da vida, tal como aparece nessas páginas, baseia-se inteiramente nos mandamentos de Deus contidos na Lei mosaica e aplicados a todas as manifestações da vida cotidiana. O livro divide-se em duas grandes partes, com um epílogo e um duplo apêndice. A primeira parte divide-se, por sua vez, em sete séries de sentenças, começando todas elas por um elogio à sabedoria. A segunda parte subdivide-se em duas seções, contendo a primeira um cântico de louvor à sabedoria divina, que resplandece em todas as suas obras, e descrevendo a segunda parte a sábia providência do mesmo Deus, tal como aparece nas grandes figuras da história de Israel. Trata o autor de todos os aspectos da vida humana: exortações aos maridos, às mulheres, aos pais, aos filhos, aos senhores, aos homens da lei, aos anciãos. Aí são deparados a nós pequenos tratados sobre a riqueza e sobre a pobreza, sobre o comércio e sobre a educação, sobre o modo de proceder em geral e em particular e sobre a hospitalidade. Ao lado de problemas importantes e profundos como o da retribuição do mal, lemos aí regras de boas maneiras e conselhos sobre o modo de assentar à mesa de um banquete. Todos esses assuntos são considerados sob um ponto de vista religioso. Tudo procede da lei e dirige-se para a lei. O Eclesiástico apresenta, portanto, grandes semelhanças com o capítulo 6 dos Provérbios. Particularmente notáveis são os dois trechos líricos dos capítulos 24 e 42. Apresenta-se o autor com o nome de Jesus, filho de Eleazar, filho de Sirac. Era um escriba originário de Jerusalém. Por essa razão, o livro do Eclesiástico muitas vezes é designado simplesmente pelo nome de Sirac. Esse livro deve ter sido escrito no ano 200 a.C. Decorria então um período agitadíssimo, devido às disputas da Palestina por parte dos reis da Síria e do Egito. Por essa época, numerosos israelitas aderiam à cultura grega. Bem se pode comparar o primeiro capítulo do Primeiro livro dos Macabeus com a introdução desse livro. O Sirácida defende o modo de viver conforme a lei nas múltiplas formas da vida social, religiosa e particular. Torna-se ele então um apelo vivo à fidelidade para com as tradições judaicas e um cântico de louvor à história de Israel, de acordo com os planos divinos. O autor considera sua obra como uma irradiação da sabedoria tradicional que a Providência suscitou em Israel. Manifesta a convicção de que alhures, pelo mundo além, não se pode encontrar uma sabedoria semelhante à do povo eleito, porque é entre esse povo que, por ordem de Deus, a sabedoria veio estabelecer-se. O conjunto das exortações que aí lemos baseia-se nas normas da lei, no que elas contêm de eterno. Para todos os tempos conserva o seu imenso valor a descrição da criação divina, da sabedoria de Deus, de sua providência na direção dos povos e dos homens em geral. A estima da sabedoria, que excede todos os valores criados, não se liga a nenhum lugar, nem a tempo algum. A recomendação da virtude e a fuga do pecado, sob todas as suas formas, conserva pleno valor atual. Portanto, esse livro, depois de ter servido de espelho da vida de um israelita fiel, pode ser considerado como um manual do homem bem-educado, formado na escola do Evangelho. O livro do Eclesiástico, tal como a Igreja cristã o encontrou na tradução grega em uso no tempo dos apóstolos, só foi incorporado muito mais tarde na coleção dos escritos inspirados; por essa razão, os judeus e os protestantes não reconhecem a sua canonicidade. O texto do Eclesiástico passou por várias alterações no decorrer dos séculos. Perdeu-se o texto hebraico original. Entretanto, foram encontrados no fim do século XIX importantes fragmentos. O texto grego que possuímos é uma tradução feita pelo neto do autor, para pô-lo à disposição dos judeus egípcios, os quais na época em que ele escreveu, já não conheciam o hebraico e o aramaico. O latim da Vulgata muito se aproxima da versão grega e apresenta numerosas liberdades de tradução, diferindo, portanto, em muitos passos, do texto hebraico. Parece mesmo averiguado que o texto latino foi por vezes modificado num sentido cristão; muitas vezes foi ele glosado, sendo-lhe intercalados versículos inteiros. Nesta nossa tradução, pareceu-nos preferível ater-nos ao texto convencional latino que, em regra geral, é mais amplo que outras versões, sendo assim mais fácil tornar visíveis as tradições do tradutor latino, imprimindo-as em itálico (grifo). OS PROFETAS Isaías Isaías é considerado, em geral, como o maior dos profetas de Israel. Nascido por volta do ano 760, de uma família nobre do reino de Judá, foi chamado por Deus no ano 740 ao ministério profético, que exerceu por cerca de 50 anos. O livro de Isaías compõe-se de duas partes muito distintas. Os 39 primeiros capítulos, que contêm frequentes alusões a Isaías e ao seu tempo, são perfeitamente inteligíveis no ambiente dos acontecimentos dos reinados de Osias, de Joatão, de Acaz e de Ezequias (2Rs 15-20). Os capítulos 40 a 66, ao contrário, supõem uma época muito diferente e posterior. Então, o profeta se dirigiria aos israelitas deportados, ou já reintegrados na sua pátria, como se ele vivesse no meio deles. Tal é a opinião que presentemente prevalece entre os católicos. Entretanto, cumpre notar que a maioria dos exegetas, que se manifestaram até há poucos anos, opinavam que também esses últimos capítulos deviam ser atribuídos ao próprio Isaías. Seja qual for a solução do problema, urge que o leitor, que quer compreender com exatidão a segunda parte do livro, a leia à luz dos acontecimentos do exílio e da restauração de Israel. Podemos considerar Isaías como o profeta da justiça. Insurge-se ele contra a idolatria e os abusos sociais que se alastravam no seu tempo; ele ameaça os ricos e os poderosos e eleva sua voz contra os hipócritas e todos aqueles que levavam vida frívola. Com grande veemência ele chama o povo ao arrependimento e à fé. Um terrível julgamento divino vai desencadear-se sobre Israel: as nações pagãs serão as executoras desse julgamento, mas também elas, por sua vez, serão castigadas e destruídas. Quanto a Israel, um ‘‘resto’’ será salvo. Todos esses oráculos estão impregnados da mais firme esperança num rei glorioso que há de vir e restaurar a ordem no mundo: o Messias, ‘‘o Príncipe da Paz’’. Na segunda parte do livro, Isaías apresenta-se como o profeta da consolação e da esperança. Aí se nos depara um conceito majestoso de Deus, o criador e soberano Senhor, vencedor do mundo, e salvador do seu povo. É principalmente notável a série de misteriosos poemas que se referem ao ‘‘servo do Senhor’’. Não sabemos ao certo que figura daquele tempo é mencionada por esse enigmático personagem. Pensaram alguns em Ciro, rei dos persas, que reintegrou os israelitas à sua pátria; pretenderam outros interpretar esse passo como uma figura de escol do povo, esse ‘‘pequeno resto’’, ao qual o profeta tantas vezes se refere. Mas a tradição cristã sempre descobriu nesses trechos uma belíssima imagem de Jesus Cristo: porque o ‘‘servo do Senhor’’ não é apenas um chefe dedicado e amante, um mediador, um salvador, mas é chamado também de o homem das dores, título aplicado por excelência a Jesus, que salvou seu povo pelos seus próprios sofrimentos. O capítulo 53 de Isaías pode ser considerado como o auge da profecia: aí Deus se manifesta como jamais o tinha feito. Só mesmo o Evangelho pode ser comparado a essa mensagem. Quanto às profecias contra as nações pagãs, devemos notar: era uma ideia comum entre todos os profetas que os crimes do povo eleito seriam punidos por Deus. Senhor da História, Deus serve-se dos acontecimentos para dar uma lição aos homens. Assim é que os assírios, depois os caldeus, os egípcios e os pequenos povos vizinhos da Palestina aparecem como os instrumentos da vingança divina. Entretanto, essas nações conquistadoras serão castigadas por Deus a seu tempo e cairão sob os golpes de outras mais poderosas que elas. Serão totalmente destruídas quando aparecer o Messias. A Igreja cristã interpreta esses passos em relação à conquista das nações, que só será realizada plenamente no fim dos tempos, por ocasião da volta gloriosa de Jesus Cristo. Entre as passagens mais célebres de Isaías notemos as seguintes: censuras a Jerusalém (caps. 1 a 5); vocação do profeta (cap. 6); o reino do Messias (caps. 9 e 11); cânticos dos resgatados (cap. 26); felicidade dos tempos messiânicos (cap. 36); anúncio da libertação (cap. 40); o servo do Senhor (caps. 42 a 49 e 55); a glória da nova Jerusalém (caps. 60 e 61); orações no tempo da angústia (caps. 62 a 64). Jeremias A pessoa do profeta Jeremias é atraente de um modo todo particular. Ao passo que os oráculos dos outros profetas pouco ou nada nos revelam sobre as pessoas dos seus autores, o livro de Jeremias, ao contrário, é cheio de episódios e de poemas que se relacionam com a própria pessoa do profeta, e nos conservam vários acontecimentos de sua carreira, bem como os seus sentimentos, suas lutas interiores, seus sofrimentos. Nasceu Jeremias de uma família sacerdotal em Anatot, aldeia da Judeia, por volta de 650 a.C. O tempo de sua profecia estendeu-se por cerca de 40 anos, tomando ele a palavra pela primeira vez sob Josias, em 622, na época em que foi descoberto no Templo de Jerusalém um exemplar do livro da lei, identificado como Deuteronômio. Ele sustenta com toda a sua personalidade a reforma religiosa dessa época. Entretanto, essa mesma reforma foi de pouca duração, continuando o povo a queixar-se de Deus e do Templo do Senhor e já não praticando a justiça de acordo com a lei. A tarefa do profeta era austera: temperamento tímido e hesitante, coração ardente e sensível, Jeremias viu-se obrigado a ser, contudo, o ‘‘profeta das desgraças’’. Essa sua missão tornou-o o objeto da ira daqueles cujos abusos e pecados ele não cessava de combater. Foi caluniado, preso e correu o risco de perder a vida. Acusavam-no de derrotismo, porque ele aconselhava aos que tinham escapado do primeiro sítio da cidade a não se revoltarem contra os caldeus, procurando asilo no Egito, o que traria consigo terrível repressão da parte dos vencedores. Ele predissera aos deportados um longo exílio de 70 anos. O rei destruiu o volume no qual estavam consignados esses oráculos. Prendem o profeta numa cisterna com o fundo cheio de lodo, de onde ele é libertado por um escravo do rei. Jeremias, sempre destemido, apesar de seu caráter tímido, continua a prever a queda de Jerusalém, mas anuncia que haveria ainda uma esperança no porvir. Quando esse desastre sobreveio, em 586, o profeta assistiu às deportações, ficando, porém, com alguns pobres agricultores autorizados a permanecer na Palestina. Alguns deles, tomados de pânico, fogem para o Egito, levando-o consigo à força. Jeremias anuncia ainda a invasão do Egito e entrevê e prediz o fim do exílio. Morreu em Táfnis, no Egito, sem dúvida por volta do ano 586. O sentido geral do livro de Jeremias consiste na interpretação providencial da catástrofe nacional que ele anunciou e viveu: Deus, implacável juiz, serve-se da ruína do seu povo para levá-lo, de acordo com um plano preestabelecido, ao perdão e à renovação da aliança, fruto da misericórdia e da graça. A pessoa de Jeremias, símbolo do justo sofredor, reveste-se de excepcional importância. Tornou-se ele um prenúncio de Jesus Cristo, ‘‘o homem das dores, habituado ao sofrimento por causa dos pecados do seu povo’’. São as queixas diante das injustiças, de que ele foi vítima, que servem ainda hoje, nos ofícios religiosos da Semana Santa, para exprimir a dor e os sofrimentos internos do divino Salvador. Eis aqui algumas passagens de relevante importância: a vocação do profeta (cap. 1); os oráculos contra os juízes infiéis (caps. 2 a 7); contra a idolatria (cap. 10); os sofrimentos e queixas do profeta (caps. 15 e 18 a 20); as ações simbólicas (caps. 19 e 24); as promessas da restauração (caps. 30 e 33); o episódio da vida do profeta (caps. 36 a 44). Lamentações Compõe-se esse escrito de cinco poemas ou lamentações fúnebres. Os quatro primeiros são exarados, como alguns salmos e o elogio da mulher forte (Pr 32), em forma de acróstico, começando cada estrofe por uma letra do alfabeto. O quinto é uma oração. Foram compostos durante os anos que se seguiram à destruição de Jerusalém, em 586. Não podemos afirmar com absoluta certeza se foi Jeremias seu autor, todavia não é impossível que o tenha sido. Esse livro era lido todos os anos na comunidade judaica, no dia do aniversário da destruição do templo, e era destinado a levar seus ouvintes a reconhecer as próprias faltas e a excitá-los a uma nova confiança na misericórdia de Deus que, apesar de tantos castigos infligidos ao seu povo, permanecia sempre fiel às promessas e à aliança eterna. Baruc Os historiadores contemporâneos estão de acordo em não reconhecer em Baruc o mesmo personagem que serviu de secretário a Jeremias, embora lhe seja homônimo; deve ter sido um profeta posterior à restauração. A primeira parte foi possivelmente composta em hebraico, mas só possuímos hoje o texto da tradução grega; consiste numa magnífica exortação à penitência. A segunda parte, provavelmente escrita em grego, abrange, além de um majestoso poema à sabedoria, como único meio de chegar-se a Deus, um veemente apelo à coragem, à resignação e à esperança. Uma Carta de Jeremias aos cativos foi acrescentada, em época desconhecida, ao livro de Baruc. Parece ter sido uma paráfrase do cap. 10 de Jeremias contra a idolatria. Ezequiel Quando Jerusalém foi tomada pela primeira vez por Nabucodonosor, em 599, o rei, as autoridades do reino, os altos comerciantes e sete mil guerreiros foram deportados para a Babilônia. Não se tratava propriamente de um cativeiro, mas de um exílio. Receberam os deportados autorização para se estabelecerem onde quisessem, para cultivar terras, comerciar e dedicarem-se às indústrias e, por fim, para se organizarem em comunidades. O que mais lhes causava pesar não era propriamente o cativeiro, mas as saudades da pátria e da vida religiosa nacional, bem como a decepção de se verem misturados com povos pagãos. Israel conheceu nesse momento uma época de sombrio desespero (Salmo 136). Infelizmente, sob a influência dos pagãos, o povo eleito foi-se deixando corromper e foi adotando os ritos da idolatria e os costumes depravados dos vencedores. Foi então que surgiu Ezequiel, em 593. Enviado por Deus aos deportados, cuja vida manifestava que não tinham compreendido a lição do castigo, Ezequiel exercia no exílio a mesma missão de Jeremias, relativamente aos israelitas que permaneceram na Palestina. Ao povo, que ainda guardava falsas esperanças, anunciou a destruição de Jerusalém. Realizou-se esta, e uma nova deportação veio aumentar o número dos exilados. Interpreta-a o profeta como um castigo divino pela infidelidade, principalmente dos chefes, que em geral deram ao povo o exemplo da corrupção. É esse o assunto dos 33 primeiros capítulos desse livro. Mas a mensagem do profeta daí em diante muda de caráter. Ei-lo que exalta o novo Pastor do povo de Deus, anunciando a ressurreição de Israel, a restauração do templo e o restabelecimento de uma ordem de coisas na qual, sob a direção divina, reinará a justiça. Entre os profetas, Ezequiel é conhecido pela linguagem intrépida e pelo estilo imaginativo. A visão na qual Deus lhe revela sua missão tornou-se célebre (caps. 1 a 5). Foi-lhe dado contemplar a glória divina. Apesar da detalhada descrição que aí lemos, mal podemos representar com exatidão essa aparição divina. Com efeito, Deus não pode ser descrito. É impossível à inteligência humana compreender a divindade. Ante a glória divina toca ao homem humilhar-se sem discutir. Celebrizou-se Ezequiel também pelas estranhas ações simbólicas, narradas nos capítulos 4, 5 e 12; são uma espécie de “histórias sem palavras”, cujo sentido é claro para os expectadores e que, aliás, o próprio profeta por vezes explica. Terá encontrado em Ezequiel, expresso pela primeira vez, o ensinamento da responsabilidade individual. Acreditava-se então — e isso servia de escusa — que era por causa dos pecados dos antepassados que sofriam toda espécie de castigos, como o próprio cativeiro. O profeta expõe categoricamente o princípio da responsabilidade e do merecimento pessoal (14 e 18). São deparados particularmente três trechos que podem causar espanto pelas suas expressões ousadas: os capítulos 16, 20 e 23. Para compreendê-los devidamente, urge lembrarmo-nos de que o profeta compara a união do povo eleito com seu Deus, à união de um esposo com sua esposa. Ele chama de adultério toda infidelidade para com Deus e de prostituição todo ato de idolatria. Os capítulos 34 a 36, que se referem à restauração, devem ser lidos cautelosamente, bem como o capítulo 37, que, pela famosa visão dos ossos ressequidos, anuncia a renovação que Deus sabe operar nas almas desesperadas. Nos capítulos 40 a 48, lemos a visão do novo templo e do novo estado judaico: devemos interpretá-los mais como um sermão do que como um plano verdadeiro. O sentido dessa descrição consiste em salientar que o santuário e o culto divino centralizarão toda a vida nova. Daniel Daniel é um israelita levado à Babilônia entre os deportados por Nabucodonosor. Jovem, era possuidor de uma fé ardente e de um patriotismo violento. Ele deve ser tido não tanto como autor do livro que traz seu nome, mas como seu herói principal. Com efeito, esse escrito foi redigido em três línguas: hebraico, grego e aramaico; ora, os dois últimos idiomas não eram ainda utilizados no tempo em que o livro coloca o profeta. Seu redator, que escreveu certamente no século II a.C., serviu-se de documentos anteriores, que podem remontar até a própria época de Daniel. O livro de Daniel salienta-se como um dos mais curiosos entre os livros proféticos da Bíblia: primeiro abrange diversas narrações relativas ao profeta no meio dos habitantes da Babilônia. Vem em seguida uma série de estranhas descrições, imaginativas e solenes, de misteriosas visões atribuídas ao mesmo profeta. Serve-se o autor do processo, chamado estilo apocalíptico, para delinear aos seus leitores, sem pretender manifestá-los, sob imagens veladas e ao mesmo tempo transparentes, os acontecimentos de que são testemunhas, nos quais poderão descobrir perspectivas de um futuro que constitui a finalidade de sua mensagem. Por fim, o livro de Daniel abrange, em apêndice, três narrações: a de Suzana, a de Bel e a do dragão, que São Jerônimo considerava como contos destinados à edificação moral. De uma extremidade à outra dessa profecia, predomina a ideia da expectativa pelo Reino de Deus; mas urge descobri-la, porque é expressa quase sempre veladamente. Já as narrações do começo do livro apresentam Daniel e seus companheiros como homens cuja inflexível fidelidade se torna um símbolo da resistência dos crentes ao poder dos perseguidores. As páginas obscuras que aí lemos são por vezes explicadas pelo próprio livro que, como nos capítulos 2 a 8, nos ensina a ver nas grandes visões descritas (o colosso de pés de argila, os quatro animais, o bode…) um modo velado de representar os grandes impérios que se sucederam no Oriente, desde os tempos do exílio até a época em que o autor vivia. Portanto, esse livro devia servir de consolação e de animação aos israelitas que sofriam a opressão por parte de Antíoco Epífanes (176-163), apresentando-lhes esse último reino terrestre como prelúdio de um ‘‘Reino que jamais será destruído’’ (2,44). Lança o profeta os seus olhares sobre perspectivas eternas, revelando, sucessivamente, a preparação do Reino de Deus pela restauração religiosa do povo eleito, e a própria realização desse Reino, bem como sua consumação no fim dos tempos. Essas três fases são descritas sem que ele atenda à sucessão cronológica, tanto assim que, à primeira vista, poder-se-ia confundir a restauração imediata, que o profeta anuncia para o fim das perseguições de Antíoco, com aquela que todos os homens esperam para o fim dos tempos, ou com aquela que o Messias devia realizar na terra. O profeta deixa os leitores, propositalmente, na incerteza quanto ao tempo. Seu escopo é excitar neles o desejo e as esperanças da promessa com uma viva confiança na certeza de sua realização. Esse Reino, o Reino de Deus anunciado pelos profetas, é o que será proclamado e realizado por Jesus Cristo. Não pode haver dúvida, entretanto: além de anunciar a vinda do Reino de Deus, Daniel subentendeu também a segunda vinda do Senhor no fim dos tempos. Jesus cita expressamente uma passagem de Daniel 9,27 e também em Ezequiel 39,11-29 no discurso sobre a destruição de Jerusalém e o fim do mundo (Mt 24,15). Guarda, portanto, ainda hoje a profecia de Daniel toda a sua atualidade para os leitores modernos: os fiéis devem contar com toda espécie de provações e, no meio delas, devem alimentar absoluta confiança na vinda do seu divino Salvador. Notáveis e interessantes são as seguintes passagens: o sonho da estátua (cap. 2); o festim de Baltazar (cap. 5); a fossa dos leões (cap. 6); a oração de Daniel (cap. 9); os tempos messiânicos (cap. 12); a história de Suzana (cap. 13). Oseias O profeta Oseias era oriundo do reino do Norte. Seu ministério parece ter começado no fim do reino de Jeroboão II (787 a 746). Exerceu ele esse mesmo ministério profético até o reinado de Manaém (745 a 735). Toda a sua profecia é uma descrição das infidelidades de Israel para com seu Deus; pela primeira vez na Bíblia, a união de Deus com seu povo é comparada por ele com o noivado. Essa imagem será empregada de novo por quase todos os profetas que o seguirão. Oseias insiste no caráter moral dos castigos que ele anuncia, e põe um acento particular sobre o amor de Deus para com seu povo. Joel O profeta Joel só nos é conhecido por seu poema. Sabe-se que ele profetizou no reino de Judá, e sobretudo em Jerusalém, de onde era originário. Ele mostra o conhecimento do culto, o amor do povo e a cultura religiosa que se espera encontrar num membro da classe sacerdotal. Por falta de indicações cronológicas e de indícios decisivos, os autores discordam quanto ao tempo em que ele viveu; mas, segundo o parecer de muitos, terá ele vivido depois do exílio. Muitas circunstâncias levam a pensar que ele conheceu o livro de Amós. Amós Amós era pastor em Técua, localidade vizinha de Belém. Camponês de alma religiosa, no meio da prosperidade do reino de Jeroboão I, ele só prega ameaças e anuncia castigos. Insurge-se contra as injustiças sociais que devastam a Samaria: opressão dos pobres e corrupção dos juízes. Insiste no castigo do reino do Norte, mas dá a entender que também o reino de Judá será punido por sua idolatria. A perspectiva messiânica é descrita por ele sob a imagem de uma extraordinária prosperidade agrícola. Abdias Parece que a composição do oráculo desse profeta, em parte desconhecido, deve ser fixada na época do exílio. O oráculo é dirigido contra Edom, que é censurada por alegrar-se com a ruína de Jerusalém: a vingança de Deus vai atingi-la da mesma forma que aos outros pagãos. Jonas O livro de Jonas é colocado entre os profetas, porque conta as aventuras de um profeta que tem esse nome. No Segundo livro dos Reis (14,25), fala-se de um profeta Jonas contemporâneo de Oseias e de Amós, mas não foi este quem escreveu o livro de Jonas. O livro em apreço foi redigido depois do exílio da Babilônia. Muitos perguntam a si mesmos se é preciso tomar à letra a narrativa maravilhosa de Jonas. Com São Gregório Nazianzeno, cremos que é preciso ver aí um ensinamento religioso velado sob as formas de uma parábola. Esse ensinamento é muito importante: o envio de Jonas a Nínive significa que Deus chama ao perdão não somente os judeus, mas também os pagãos. A recusa de Jonas em ir até lá significa que os judeus são ciosos de seus privilégios. Isso é claramente expresso no último capítulo, quando Deus mostra a Jonas que, se ele se preocupa com uma árvore que o sol secou, não é de estranhar que Deus se preocupe com todo um povo que deseja converter-se. Miqueias O profeta Miqueias era judeu originário de Moreset, aldeia vizinha de Hebron. Foi contemporâneo de Isaías. Profetizou a ruína de Samaria, sobrevinda em 722, e anunciou ao reino de Judá um castigo semelhante. Sabe-se, por uma passagem de Jeremias (26,18-19), que sua pregação causou profunda impressão em Jerusalém. É possível que os oráculos dos capítulos 4 e 5 contenham um quadro da restauração messiânica, relacionando-se com a época da reforma religiosa de Ezequias. Naum A vida desse profeta é desconhecida. Ignora-se onde se situava a aldeia de Escosh, de onde ele era originário. O oráculo que nos é conservado a esse respeito descreve, antes de tudo, o julgamento divino que se exerce no mundo e, em seguida, manifesta uma alegria transbordante com a ruína de Nínive (608). Sofonias Sofonias exerceu seu ministério sob o reinado de Josias, por volta do ano de 625. É um profeta justiceiro que anuncia o dia do Senhor sob a figura de um sacrifício ritual, em que todos serão castigados, salvo os que praticam a justiça, a humildade e a obediência à Lei de Deus. Ao anúncio do castigo sucede uma perspectiva messiânica: o nome de Deus será glorificado entre os pagãos, e Israel, purificado pela prova, será restaurado na amizade divina. Habacuc Este oráculo parece pertencer à época que se seguiu à batalha de Carquêmis, em 605. Anuncia a invasão iminente dos caldeus. Habacuc é um profeta filósofo que parece ter sido um dos primeiros israelitas a pensar no problema do mal. A solução que ele propõe é que Deus, no final, salvará o justo, punindo o invasor. Então, a terra inteira ficará cheia do conhecimento de Deus. Ageu Ageu é mencionado em Esdras 5,1 e 6,14. O livro que traz seu nome foi provavelmente redigido por um discípulo, que a ele juntou fragmentos em que Ageu é nomeado na terceira pessoa. Este exerceu seu ministério em Jerusalém, por volta do ano 520, quando se reconstruía o templo. Zacarias Contemporâneo de Ageu, esse profeta estende seu olhar sobre um horizonte mais vasto. Sua linguagem é tenebrosa e simbólica: um anjo transmite-lhe os oráculos divinos. Ele prega uma reforma moral, ao mesmo tempo que exorta o povo a reconstruir o templo. Vê em Zorobabel o eleito de Deus, dando-lhe o título messiânico de Germe. O escrito contém uma importante descrição do reino pacífico do Messias, e uma espécie de apocalipse, anunciando a ruína dos inimigos de Jerusalém e a conversão das nações. A segunda parte do livro (caps. 9 a 14) representa uma situação histórica diferente, que parece referir-se às últimas décadas do século IV a.C. Malaquias É comumente admitido que os oráculos de Malaquias tenham sido pronunciados nos anos que precederam imediatamente a vinda de Neemias (444). Esse profeta fala do amor de Deus por seu povo, do qual é uma prova o recente castigo de Edom. Mas explica também por que Deus não é mais generoso em bênçãos: negligências no ministério sacerdotal, no respeito à santidade do matrimônio (casamentos mistos e divórcios), no pagamento dos dízimos. A pregação de Malaquias preparou a grande reforma de Neemias. INTRODUÇÃO PARTICULAR AOS LIVROS DO NOVO TESTAMENTO Os Evangelhos A palavra Evangelho é de origem grega e significa a Boa-nova. Os Evangelhos são escritos que contam a boa-nova da vinda entre os homens daquele que se fez “filho do homem”, a fim de que nos possamos tornar “filhos de Deus”. Mas antes de ser um livro, o Evangelho foi uma palavra pregada: antes de ser lido, ele foi ouvido. Como o Senhor Jesus tinha falado, assim falaram os apóstolos depois de sua morte. Mas eles não se contentaram em transmitir sua doutrina; acrescentaram-lhe um testemunho sobre sua vida e suas ações: “o que ele fez, o que ele ensinou”, como diz o livro dos Atos dos Apóstolos. O ensinamento dos apóstolos se inseria no quadro seguinte: 1. a pregação de João Batista; 2. a missão de Jesus na Galileia; 3. a missão de Jesus na Judeia e em Jerusalém; 4. sua paixão, sua morte e sua ressurreição. Esse ensinamento foi em breve consignado parcialmente por escrito, para que fosse conservado com fidelidade. É esse o quadro em que se amolda a narrativa dos três primeiros evangelistas. Mateus, Marcos e Lucas, dos quais um somente era apóstolo de Jesus. É certo que essas três redações não são as únicas que foram compostas. Mas são as únicas que nos foram conservadas. Lucas faz expressamente alusão aos documentos dos quais ele se serviu para redigir o seu texto. É verossímil que tenham existido, desde os primeiros anos que se seguiram à morte de Jesus, várias coleções de palavras do Salvador (como o Discurso sobre o monte, caps. 5, 6 e 7 de Mateus), ou narrações propriamente ditas (como a da Paixão). Esses três primeiros relatos, feitos num mesmo plano, foram chamados Evangelhos sinóticos, porque seu conteúdo pode ser abraçado de um só olhar, distribuindo-o em três colunas paralelas. Se os Evangelhos sinóticos se assemelham a ponto de apresentarem às vezes uma reprodução textual de certas narrativas, nem por isso deixam de ter entre si grandes diferenças, que destacam a originalidade dos seus autores. Mateus, cujo verdadeiro nome é Levi, coletor de impostos antes de ter sido chamado pelo Senhor para fazer parte do colégio apostólico, redigiu seu Evangelho em aramaico (dialeto do hebraico), segundo uma antiquíssima tradição, no ano 60. Esse texto, não conservado, foi depressa traduzido para o grego. O tradutor, em certos lugares, parece que se serviu do texto de Marcos. Marcos é o sobrenome de João, primo de Barnabé, do qual se fala no livro dos Atos dos Apóstolos 12,12. É um discípulo de Pedro e companheiro de Paulo em sua primeira viagem missionária. Seu Evangelho representa um apanhado dos ensinamentos de Pedro em Roma, pouco antes de 64. As minúcias de alguns detalhes nos garantem que há nele um testemunho direto da vida e da atividade de Jesus. Lucas é de origem grega. É também um companheiro das missões de Paulo. Lucas escreveu também os Atos dos Apóstolos pouco antes de 68. Seu Evangelho é, pois, anterior a essa data. Embora não tenha ele sido testemunha ocular dos acontecimentos, seu livro é digno de crédito por causa do cuidado que teve o autor em documentá-lo. Ele utilizou certamente o texto de Marcos e o de Mateus. O Evangelho de João deve ser apresentado à parte. Seu autor é o apóstolo João, irmão de Tiago, filho de Zebedeu. Ele foi um dos mais íntimos discípulos de Jesus, a quem o Salvador confiou o cuidado de sua mãe no momento de sua morte. Por várias vezes ele designa discretamente a si mesmo pelas palavras: “o discípulo que Jesus amava”. João compôs seu Evangelho, seja em Antioquia, seja em Éfeso, nos últimos anos do primeiro século, mais de trinta anos após a redação dos três primeiros. Ele não escreve para os pagãos, mas para os cristãos, que têm ouvido já numerosas objeções, e lutado para defender a fé contra doutrinas estranhas. Com uma narrativa original, completando a de seus predecessores, ele quer mostrar a divindade manifestando-se aos homens na pessoa de Jesus. Nele, ele quer mostrar o Filho de Deus, sofredor e glorificado. Apresenta-o como “a água da vida eterna”, “o pão vivo descido do céu”, “a luz do mundo”, “o bom pastor”, “o caminho, a verdade e a vida”, “a vida eterna”. Ele quer mostrar que Jesus, que era a “Luz”, não foi recebido pelos judeus, ficando desconhecido mesmo dos seus; e que, morto por aqueles que o rejeitavam, ele se tornou, em sua ressurreição, a manifestação gloriosa de Deus. A vida de Jesus é um dom que Deus faz aos homens, os quais poderão aceitá-lo ou rejeitá-lo. João conta não somente fatos, gestos e discursos de Jesus, mas fala-nos também de sua experiência pessoal junto ao Mestre: ele diz-nos o que Jesus é para o crente. Os Evangelhos constituem, pois, um documento inestimável sobre a vida e o ensinamento de Jesus. Tem-se muitas vezes objetado que eles não são perfeitamente concordantes. A resposta a dar a essa objeção é que as diferenças só se referem a elementos acessórios e a detalhes. Essas diferenças, por outra parte, são devidas ao fato de que os evangelistas não pretendem fazer da vida do Senhor uma narrativa propriamente histórica. Os Evangelhos são escritos religiosos, doutrinais, destinados a alimentar a fé e a comunicá-la, fazendo conhecer a pessoa de Jesus. Cada autor, ao escrever, tinha seu ponto de vista particular. Mateus escreve na Palestina para leitores judeus; seu texto se particulariza pela abundância de citações do Antigo Testamento. Marcos quer apresentar Jesus aos pagãos, fazendo notar sobretudo o que havia de extraordinário e de valor probatório de sua missão nos milagres por ele operados. Lucas, escrevendo também para os pagãos, tem a visível preocupação de apresentar Jesus sob um aspecto mais atraente e comovedor, fazendo notar, antes de tudo, a bondade e a misericórdia do Salvador. João procura mostrar aos seus leitores a divindade de Jesus e revelar-lhes um pouco de sua realidade invisível, mas conservando o cuidado de apresentá-lo como um homem no concreto de seus atos e de seus discursos. Malgrado todas essas diferenças, a Igreja tem sempre o vivo sentimento de que não houve jamais senão um Evangelho, uma só Boa-Nova de salvação, mas apresentada sob quatro formas: segundo Mateus, segundo Marcos, segundo Lucas e segundo João. Os Atos dos Apóstolos Os Atos dos Apóstolos formam a sequência do terceiro Evangelho, e foram escritos pelo mesmo autor, Lucas, que, para redigi-los, utilizou tradições escritas e orais e escreveu, numa parte importante de sua narrativa, suas próprias memórias. Os Atos contam os acontecimentos que marcaram o nascimento da Igreja primitiva: a ascensão de Jesus, o Pentecostes, a primeira pregação em Jerusalém e na Palestina; em seguida, a conversão de Paulo e suas viagens missionárias através da Ásia Menor e da Grécia, sua prisão, seu processo e sua transferência para Roma. A narrativa termina bruscamente, sem falar da libertação do apóstolo e de suas viagens antes do martírio. O livro dos Atos, em sua primeira parte, insiste antes de tudo na influência do Espírito Santo sobre o desenvolvimento das primeiras comunidades cristãs. Na segunda parte, ele se restringe a mostrar como Paulo, seguindo nisso o exemplo de Pedro, é o grande realizador da entrada em massa dos pagãos na Igreja. A leitura dos Atos dos Apóstolos – aliás fácil e atraente – é indispensável para uma boa inteligência das Epístolas de São Paulo. As Epístolas de São Paulo Para bem compreender as cartas de São Paulo, é preciso colocá-las em sua ordem cronológica e situá-las na narrativa dos Atos dos Apóstolos. As duas aos Tessalonicenses são as mais antigas. Elas devem ter sido escritas por volta do ano 50 depois de Cristo. Na primeira, o apóstolo lembra aos fiéis de Tessalônica com que desinteresse ele lhes pregou o Evangelho (caps. 1 e 2): fala-lhes da alegria que lhe causa o pensamento da fidelidade deles e da esperança que tem ele de vê-los progredir sempre mais (cap. 3). Convida-os a se mostrarem firmes e encoraja-os a viverem na esperança, falando-lhes da ressurreição dos mortos (caps. 4 e 5). Na segunda, ele previne seus leitores contra as falsas ideias relativas ao retorno glorioso do Senhor, que então se figurava muito próximo (caps. 1 e 2). Convida os fiéis a porem toda sua confiança em Deus, para que se fortaleçam e sejam preservados do demônio, e procura ajudá-los a evitar a ociosidade (cap. 3). O motivo da Epístola aos Gálatas foi o seguinte: alguns judeus cristãos queriam obrigar os pagãos neoconvertidos a se conformarem à antiga lei religiosa judaica. O apóstolo protesta contra esse particularismo. Nessa epístola (cuja data é controvertida, colocando-a alguns em 48 e outros mais ou menos em 56), ele conta como foi chamado ao apostolado pelo próprio Jesus, e afirma que só há um Evangelho autêntico, aquele que foi anunciado com unanimidade por todos os outros apóstolos (caps. 1 e 2). Mostra em seguida a conformidade de sua doutrina com as promessas do Deus de Abraão, que foi “justificado pela fé” (caps. 3 e 4). Finalmente, expõe o que é a liberdade cristã e a vida do fiel sob a conduta do Espírito de Deus (caps. 5 e 6). A Epístola aos Romanos (que se pensa geralmente ter sido escrita no ano 57) desenvolve ainda esse ponto de vista num magnífico comentário doutrinal, cujas ideias principais são: caps. 1 a 3: o estado de pecado em que se encontram os homens e a impossibilidade de se salvarem com seu próprio mérito; caps. 4 a 6: a salvação que Deus tinha dado pela fé a Abraão ele a concede agora a todos os homens pela fé em Jesus Cristo; caps. 7 e 8: a transformação operada por Deus no fiel pelo poder do Espírito Santo, e o dom inestimável que Deus dá aos homens por amor; caps. 9 a 11: exame da missão do povo hebreu, depositário das promessas, infiel à sua vocação, mas chamado a uma conversão futura. Numa segunda parte, caps. 12 a 15, o apóstolo expõe os fundamentos de uma vida moral verdadeiramente cristã, na qual descreve os deveres dos cristãos para com seus adversários, as autoridades; recomenda a tolerância e a condescendência mútua na caridade. A Primeira aos Coríntios é dirigida aos fiéis de uma comunidade em que já reinavam disputas e abusos. Ela é escrita de Éfeso, por volta do ano 55. O apóstolo começa por pregar a união, dando como motivo de sua atitude a bela doutrina sobre a humildade que nos ensina a cruz de Jesus (caps. 1 a 3); lembra seus direitos à afeição dos fiéis de Corinto (cap. 4); protesta contra os escândalos sobrevindos na comunidade: processos judiciais entre os fiéis, imoralidade; e aproveita a ocasião para expressar sua opinião sobre o casamento e a virgindade (caps. 5 a 7); examina o que se deve fazer com as carnes provenientes dos sacrifícios pagãos aos ídolos (caps. 8 a 10); trata do traje das mulheres na Igreja e da celebração da comunhão (cap. 11); dá conselhos a respeito dos dons espirituais, escrevendo então uma célebre passagem sobre a caridade (caps. 12 a 14); fala da ressurreição dos mortos (cap. 15); e, enfim, apela para a generosidade de seus leitores em favor da comunidade de Jerusalém. Depois dessa epístola deve-se colocar uma carta aos mesmos destinatários, atualmente perdida, à qual alude aquela que chamamos de Segunda aos Coríntios. Nesta, o apóstolo defende-se de seus contraditores, primeiro de um modo geral, defendendo os direitos dos apóstolos, e em seguida justificando-se pessoalmente de todas as acusações de que ele fora objeto por parte dos fiéis de Corinto. As epístolas aos Efésios, aos Filipenses e aos Colossenses são chamadas “epístolas do cativeiro” porque foram escritas durante uma detenção que sofreu o apóstolo em Éfeso e em Roma, em 60-62. Nessas epístolas (sobretudo nas epístolas aos Efésios e aos Colossenses, que têm o mesmo plano), São Paulo trata do “mistério do Cristo na Igreja”, e junta, em uma segunda parte, uma série de conselhos morais dirigidos aos fiéis que vivem a nova vida de Jesus Cristo. A Epístola aos Filipenses, que tem um caráter mais pessoal, é notável pelas múltiplas expressões de alegria que contém. Quanto à Epístola a Filêmon, é mais um bilhete que uma carta, e dirige-se a um rico cristão de Colossos, cujo escravo fugitivo viera buscar proteção junto ao apóstolo. Este implora do senhor irritado o perdão para o escravo arrependido. As epístolas chamadas “pastorais” – duas a Timóteo, uma a Tito – foram escritas fora do quadro que nos oferece a narração dos Atos dos Apóstolos. Elas devem ser situadas durante as últimas viagens que fez o apóstolo, depois de sua provável libertação, em 62. TIMÓTEO, oriundo de Listra, na Lacaônia, é filho de pai grego e de mãe judia. É discípulo de Paulo e seu companheiro de viagem. A seguir é colocado à frente da comunidade de Éfeso. A Primeira a Timóteo é uma carta que visa a lembrar conselhos já recebidos e propor um programa de vida concernente aos homens, às mulheres, aos bispos e aos diáconos (é o primeiro índice histórico que temos de uma hierarquia na Igreja). Depois de ter combatido uma falsa concepção de mortificação, ele dá enfim conselhos sobre o procedimento a ser mantido com as diversas categorias de fiéis: as viúvas, os anciãos e os escravos. TITO é também um grego, colaborador de Paulo. Este lhe escreve para lhe dar conselhos sobre a organização das comunidades da ilha de Creta. Esses conselhos são semelhantes aos da Primeira Epístola a Timóteo. Enfim, a Segunda a Timóteo é uma carta em que o apóstolo, novamente prisioneiro e pressentindo já o martírio, dá aos seus discípulos suas últimas recomendações. É quase um adeus; tudo respira uma profunda emoção nessa carta. A Epístola aos Hebreus deve ser mencionada à parte. Embora reflita as ideias mestras de São Paulo, ela não parece, entretanto, ter sido escrita por sua mão, tão diferente é o seu estilo das outras. A carta é dirigida a uma parte dos judeus convertidos que sofriam por terem de abandonar o culto do templo e da sinagoga, ao se tornarem cristãos. A Epístola aos Hebreus estabelece, mediante uma sólida argumentação, partindo da Lei de Moisés, que o Evangelho não somente contém toda a substância do culto israelita, mas que também é a realização efetiva daquilo que esse culto só possuía em imagem: 1. Jesus é Filho na casa de Deus, onde Moisés não passava de servo (caps. 1 a 4); 2. Jesus foi um sacerdote maior que Aarão (cap. 5); 3. Jesus é maior que Melquisedec (caps. 6 e 7); 4. o céu em que Jesus nos introduz é incomparável ao templo do antigo culto (cap. 8); 5. Jesus, oferecendo-se a Deus em seu sacrifício sangrento, torna inúteis todos os sacrifícios do culto mosaico (caps. 9 e 10; 6. Os heróis do Antigo Testamento não obtiveram de Deus o cumprimento de todas as promessas (cap. 11); nós é que seremos os verdadeiros beneficiários dessas promessas, contanto que sigamos as pisadas de Jesus (cap. 12). As Epístolas Católicas Tal é o nome que se dá aos sete escritos que se apresentam sob a forma de cartas, dirigidas não a uma comunidade particular, mas a um conjunto de Igrejas. A Epístola de Tiago é de fato obra de Tiago, “irmão do Senhor”, do qual São Paulo fala na Epístola aos Gálatas (2,6-12) e que presidia, como bispo de Jerusalém, a importante reunião dos apóstolos em Jerusalém, no ano 49. Sua carta é toda penetrada do espírito do Sermão da Montanha: ela só contém conselhos para a vida moral: piedade, justiça e caridade. É um verdadeiro guia de virtudes para o cristão fervoroso. A Primeira de Pedro é uma carta escrita em estilo tão semelhante ao de São Paulo, que se supõe redigida por Silvano, discípulo de Paulo, que se tornara colaborador de Pedro, e que é mencionado nessa carta, no cap. 5,12. Essa carta é notável pelo seu ensinamento sobre a alegria do cristão batizado e a união dos cristãos em Jesus Cristo (caps. 1 e 2). Dirigida a cristãos que sofrem por sua fé, a carta lembra-lhes o exemplo da Paixão de Cristo (cap. 3), exortando-os à santidade e à prática de todas as virtudes correspondentes aos seus estados. A Segunda de Pedro, que parece ter sido redigida por outro secretário do apóstolo aproxima-se muito estreitamente da Epístola de Judas. Esses dois escritos têm por principal objeto a refutação de falsas doutrinas que alguns falsos profetas de vida dissoluta começavam a semear. São um encorajamento premente à fidelidade e ao amor de Deus. Restam as três de João, que datam do fim do primeiro século, e têm por autor o apóstolo que Jesus amava. A ideia central da primeira é: Deus é amor e luz. Em consequência, o cristão deve conduzir-se como filho da luz: fugir da concupiscência, guardar os mandamentos, sobretudo o da caridade, e arrepender-se sinceramente, se lhe acontecer cair em pecado. As duas outras cartas (antes, bilhetes) são dirigidas: a primeira, a uma comunidade da Ásia (velada sob o nome misterioso de Kyria, “a eleita”); e a outra, a Gaio; tratam ambas de questões mais particulares. O Apocalipse O Apocalipse (palavra grega que significa revelação) é obra do apóstolo João, que o escreveu no fim de sua vida, mais ou menos no ano 100, sob a forma de uma carta dirigida às Igrejas da Ásia Menor. Esse livro é considerado pela maioria dos leitores como o mais difícil de compreender e o mais misterioso de toda a Bíblia. Ele é, com efeito, bastante enigmático, mas sua interpretação pode tornar-se mais clara, se se levar em conta, de um lado, o gênero literário utilizado pelo autor e, de outro, a circunstância em que a obra foi escrita. A situação dos cristãos da Ásia era, naquela época, das mais críticas. As perseguições já tinham começado. Por outro lado, muitos cristãos, que esperavam uma próxima libertação pelo retorno glorioso do Cristo, verificavam com tristeza que esse retorno demorava e que seu termo era quase indefinidamente adiado. Tomados de angústia, começavam a perder a esperança de encontrar um dia a independência religiosa. O apóstolo João, fazendo de seu livro uma mensagem de reconforto e de encorajamento e, ao mesmo tempo, um manifesto contra o paganismo reinante, quer anunciar aos seus leitores a inevitável oposição do mal e do bem sobre a terra, e predizer a vitória de Deus, decisiva e certa, embora realizada no sofrimento e na morte. Para esse fim, ele lança mão de um recurso literário muito usado entre os judeus desde há dois séculos aproximadamente, do qual se pode ver um exemplo no livro de Daniel. Esse gênero literário foi chamado gênero apocalíptico, porque apresenta aos olhos do leitor uma série de visões, ou revelações muito simbólicas, tendo um sentido oculto. Não se trata de dar uma descrição antecipada de acontecimentos futuros, mas de apresentar uma mesma realidade sob vários símbolos diferentes. Essas visões se supõem outorgadas a um personagem que, dessa maneira, recebe comunicação das intenções divinas sobre os destinos do mundo. Tudo isso é feito numa linguagem intencionalmente figurada e misteriosa, para provocar uma atenção mais viva no leitor. Sua leitura será menos desconcertante, se desde o começo for indicado o simbolismo de várias dessas imagens empregadas, por exemplo: O cordeiro simboliza o Cristo; a mulher, a Igreja cristã; o dragão, as forças hostis ao Reino de Deus; as duas feras (cap. 13), o império romano e o culto imperial; a fera (cap. 17) simboliza Nero; a Babilônia, a Roma pagã; as vestes brancas, a vitória; o número 31/2, coisa nefasta ou caduca. Entretanto, esses símbolos não são exclusivos: o Cristo é às vezes mostrado como o “Filho do Homem” ou um “cavaleiro”. O Apocalipse não deve, portanto, ser tomado como uma história contemporânea escrita no “tempo futuro” (verbo); ele não é tampouco uma revelação clara e definitiva do futuro: é uma mensagem sobrenatural (velada em símbolos, representando tanto o passado, como o presente e o futuro), concernente a um período indefinido que separa a ascensão de Jesus de sua volta gloriosa. Ele anuncia aos fiéis a impossibilidade de escapar à luta e ao sofrimento, às perseguições e ao fracasso aparente no plano terrestre, à realidade da salvação que lhe será concedida no meio de suas obrigações, e à vitória final, obra de Cristo ressuscitado que venceu a morte. Conclusão A revelação de Deus na Bíblia não envolve uma garantia científica de tudo o que nela se encontra. É inútil pedir à Bíblia uma explicação dos seis dias da Criação ou da maneira como podiam falar os animais, como por exemplo no caso da jumenta de Balaão. Esses dados não são em si revelações, mas tradições que as contêm. A história mesma, tal como é contida na Bíblia, não é tampouco uma revelação. Mesmo aquele que aprendeu de sua leitura a sucessão dos reinos em Israel, os costumes dos antigos judeus, e até mesmo o cumprimento das profecias do Antigo Testamento no Novo, pode ainda passar ao lado da verdadeira mensagem bíblica. A escolha que se pode fazer de certas passagens favoritas, edificantes ou comoventes, não constitui tampouco uma verdadeira leitura da Bíblia. Essa verdadeira leitura deverá sempre ter em vista a finalidade primária de toda a Escritura Sagrada que é anunciar Jesus Cristo e dar testemunho de sua pessoa. Para aqueles que viviam no Antigo Testamento só se tratava ainda de um Salvador desconhecido, que viria. Para nós trata-se de um Salvador que “habitou entre nós”, e cuja presença espiritual vai se perpetuar até o fim dos tempos, isto é, até o seu retorno glorioso. A Bíblia não entrou, pois, em caducidade. Ela diz-nos respeito hoje como para além dos séculos. Entramos em contato com aquele mesmo Senhor que tinha escolhido Abraão, que havia eleito o povo de Israel, livrado os hebreus do Egito, e santificado os homens pela morte de Jesus Cristo. Como Deus não tem mudado em seu modo de proceder, podemos concluir que somos todos nós, tanto individualmente como na Igreja, escolhidos, eleitos, libertados e santificados pelo nome desse mesmo Jesus Cristo, que os dois Testamentos apontam: o Antigo, como sua esperança; o Novo, como seu modelo; ambos, como seu centro. #Sagrada #Geral #bíbliavivaonline #Bíblia #introdu
- O MAL DA IGREJA HOJE SE CHAMA NEO-MODERNISMO – Hanna-Barbara Gerl-Falkovitz
Professora Hanna-Barbara Gerl-Falkovitz Hanna-Barbara Gerl-Falkovitz é professora emérita de Filosofia das Religiões e Ciências Religiosas Comparadas na Universidade de Dresden. A estudiosa alemã receberá na sexta-feira, 9 de novembro, em Bassano del Grappa (Itália), o Prêmio Internacional Medalha de Ouro ao Mérito da Cultura Católica de 2018, por propor “à cultura da Europa a katholische Weltanschauung (visão de mundo católica) como critério de vida pessoal e coletiva”. (Entrevista realizada por Paolo Facciotto para La Nuova Bussola Quotidiana) Qual é o aspecto de maior relevância no pensamento de Guardini? Guardini é um educador da verdade. Seu pensamento de que verdade e amor são intensamente unidos — já está nos primeiros anos e se estende por todas as suas obras — é muito oportuno. Soa-nos bem familiar. Mas, em sua primeira obra-prima, O Espírito da Liturgia (1918) — em que há capítulo intitulado “A primazia do logos sobre o ethos” —, Guardini mostra que na ordem da vida a verdade, de forma absoluta, é o primeiro passo: “A verdade é a verdade, independentemente do nosso consentimento ou não”. Hoje há uma presença esmagadora do amor e da misericórdia, tanto na esfera religiosa quanto na esfera social. Mas sem a verdade — a análise verdadeira da situação — o amor torna-se desdentado e sentimental. A primeira orientação de Guardini é para as “coisas” e os “fatos”, para a realidade (contra sonhos romanescos e utópicos), tanto na ética como na religião. Isto é ainda mais importante, porque os seres humanos são colaboradores na salvação do mundo e devem abri-lo para a “nova terra e o novo céu” finais. Colaboradores de Deus, primeiro na verdade, depois no amor. Alterar essa seqüência interna significa trazer apenas desordem e desilusão. Guardini é um professor de (auto) educação: antes de agir vem o conhecimento da verdade, da realidade e até dos compromissos do amor. Caso contrário, criam-se ilusões utópicas e o caos aumenta. Você estudou em particular o século XIX e o XX: o que pode “salvar” da filosofia contemporânea? Ou, em outras palavras: é possível unir o tomismo e a filosofia contemporânea? Pode um cristão católico pensar de maneira católica usando as categorias da filosofia contemporânea? A filosofia contemporânea é multiforme. É o mainstream do relativismo, incluindo o relativismo cultural, a aceitação do subjetivismo ético, a crença na liberdade do eu pós-moderno, a construção e desconstrução do próprio corpo ou do próprio sexo na teoria de gênero, sem esquecer o niilismo: a “morte” de Deus. Estes são os cumes de uma auto-invenção aparentemente ilimitada da auto-entronização do ser humano, agora também tendendo a uma espécie de imortalidade técnica e digital. Os pais desta hipertrófica auto-invenção são conhecidos: Nietzsche (um tanto ambíguo), Wolfgang Abendroth (relativismo), Richard Dawkins (Novo Ateísmo “científico”), Judith Butler (gênero)… Mas é igualmente certo que há conceitos filosóficos sérios, orientados para a realidade objetiva. Antes de tudo a fenomenologia (por exemplo, Edith Stein) que analisou os fenômenos de forma metodicamente sóbria, tendo como resultado uma abordagem objetiva dos conceitos medievais de realidade (Tomás de Aquino, Duns Scotus). Muitos estudantes treinados com Husserl, nesse tipo de “abertura dos olhos”, se converteram a uma fé viva em Deus. O ramo mais jovem da fenomenologia alemã e, especialmente, francesa (Waldenfels, Marion, Henry) também tem dado excelentes resultados: a razão e a revelação se iluminam reciprocamente, pois razão e fé derivam da mesma fonte. Na Alemanha, Josef Pieper recuperou Tomás de Aquino para criticar a filosofia existencial e agnóstica contemporânea. E Pieper inspirou profundamente o Papa Bento XVI. O tomismo clássico, como acesso à realidade, pode ser integrado à fenomenologia. Na sua opinião, a Igreja hoje deveria travar uma batalha cultural contra o neo-modernismo, ou o risco de cair nas heresias modernistas não existe e, portanto, não há nada que combater? O risco da Igreja é o desejo de abraçar a cultura neo-moderna. Este risco é legítimo (sem risco não há sucesso), mas o perigo é evidente: cair em uma pacificação. O sucesso é duvidoso. Estamos muito profundamente envolvidos para saber qual será a parte vencedora. Muito problemático é o fato de que a teologia científica está criticando termos clássicos, até mesmo dogmáticos, como “personalidade” (de Deus), “transcendência”, “ontologia”, sem substituí-los por melhores expressões.Para o meu olhar (filosófico), acreditar também é uma questão de pensamento. O intelecto é uma dádiva de Deus. A Igreja poderia promover mais a educação filosófica dos sacerdotes e dos leigos. Eu trabalhei por 19 anos em uma sociedade 80 % agnóstica (Dresden), ensinando filosofia da religião — e só os estudantes mais inteligentes participaram das lições. Nos últimos anos, você examinou criticamente as teorias de gênero. Ha algumas semanas em seu país, a Alemanha, foi reconhecido o chamado “terceiro sexo “, um tema que também apareceu num seu artigo crítico de 2006. O que teria dizer sobre isso? Não há terceiro sexo. Nem de um modo biológico nem de um modo psíquico. O Estado alemão criou uma categoria relacionada apenas ao sentimento, à subjetividade, à fantasia. Por que não setenta ou sete mil sexos? O Estado, com sua legislação, não deve responder a uma emoção individual ou psíquica; a realidade física dos dois sexos é que deve ser objeto das leis. Não é tarefa do Estado regular ou satisfazer desejos individuais, indo contra os fatos. Nos últimos anos, muitos países europeus, inclusive a Itália, aprovaram leis para casamentos ou uniões entre pessoas do mesmo sexo, legislação não admitida pelo magistério da Igreja Católica: qual é a sua opinião? Judith Butler, a promotora do “gênero”, tem observado — contra sua intenção — que a homossexualidade só pode atuar, no ato sexual, imitando o ato heterossexual. Na natureza só existe o modelo chave/fechadura. Duas chaves nada abrem, duas fechaduras não fecham nada. O fenômeno sexual requer dois sexos diferentes; ou, então, necessita de uma imitação artificial da dualidade normal. Minha resposta não argumenta em sentido moral, mas antropológico: a dualidade dos sexos não pode ser anulada. Mesmo na homossexualidade há uma obediência latente à realidade heterossexual. Saber como a legislação responde à homossexualidade é outra questão. Mas a primeira questão, antropológica, é a observação da realidade. Você falou da necessidade de uma política do sobrenatural: o que isto significa no contexto atual, por exemplo, em países europeus? A citação é da filósofa francesa Simone Weil (1909-1943). Weil era fascinada pela idéia de que o Estado deve ser governada não pelo direito positivo, mas pela justiça sobrenatural, como Platão escreve no “Politeia” (República). Esse pensamento é correto, mas deve ser limitado. Hoje entendemos “justiça sobrenatural” como lei natural ou direitos humanos: eles não são negociáveis. Mas o Estado também atua, mesmo predominantemente, com o direito positivo, isto é, com as leis que resultaram de compromissos e negociações. Deve-se distinguir entre direitos absolutos, como, por exemplo, o direito à vida (ninguém tem permissão para matar), e direitos de exigência relativa, por exemplo, o direito à educação, trabalho, lazer (direitos que dependem das capacidades do Estado, especialmente da situação financeira). Em relação à Europa, os direitos humanos absolutos ainda são válidos (foram “desenvolvidos” na Europa pelo espírito do Evangelho); o direito de não ser assassinado vale em qualquer circunstância: tanto para o nascituro como para aqueles prestes a morrer. O aborto e a eutanásia são evidentes violações da justiça “sobrenatural” no sentido de Simone Weil. Em relação aos migrantes: também para eles os direitos humanos absolutos são válidos, mas a exigência de moradia, de trabalho, de educação só pode ser satisfeita em relação à capacidade do Estado, ou seja, de maneira relativa. http://lanuovabq.it/it/il-male-della-chiesa-oggi-si-chiama-neo-modernismo
- A SEGUNDA EVA E A CERTEZA DA VERDADEIRA HUMANIDADE DE CRISTO • Parte III
• A SEGUNDA EVA E A CERTEZA DA VERDADEIRA HUMANIDADE DE CRISTO • Parte III • Voltamos a falar de Marco Aurélio Irineu que são praticamente contemporâneos no século II, o tema central do pensamento de Irineu representava, de acordo com o Marco Aurélio, uma orientação Divina que pode ser misericordiosa e que já havia provado ser clemente, abordando a questão [anakephalaiosis] da história humana, em que cada estágio sucessivo do pecado do homem foram restaurados por sucessivos estágios da atividade Salvadora de Deus em Cristo. Mas a imagem histórica dessa orientação Divina que pode ser misericordiosa frequentemente parecia trazer consigo outros matizes determinísticos [ananke heimarmene] e se livrar espontaneamente da problemática. Essa espécie de necessidade determinística não era de forma alguma, incompatível com a visão profunda da motivação e da Psicologia humanas, como ficou Evidente não apenas em Marco Aurélio mas, principalmente em Tolstoi. Em seu famoso epilogo de Guerra e Paz, Tolstoi atacou as modernas filosofias históricas por causa de seu insistente apego a um inatingível posicionamento favorável ao livre-arbítrio, concluindo com um conhecido axioma: “É necessário renunciar à liberdade que não existe e reconhecer uma dependência [Isto é, um determinismo] da qual não temos consciência(Tolstoi, Guerra e Paz, segundo epílogo, Capítulo 12). • o tema de Maria como a segunda Eva também representava uma crítica e uma alternativa a outro tópico vastamente aceito na antiguidade e na antiguidade tardia: a teoria cíclica da história, à qual, segundo o filósofo Porfírio, podia se aplicar a metáfora da roda. Me acordo com a análise the Charles N. Cochrane, discípulo de Heródoto, Essa era uma criança na repetição sem fins de situações típicas que, a exemplo da Cidade de Deus de Santo Agostinho, queria provocar a fé dos cristãos em que a história humana, contrariando todas as aparências, não consiste de uma série infindável de padrões repetitivos, mas segue um seguro porém nem sempre regular avanço em direção a uma meta final. Como tal, ela possui começo, meio e fim, exortur, processus et finis. Segundo Santo Agostinho, a teoria cíclica estava correta ao discernir os padrões repetitivos, mas estes não impediam que acontecimentos e pessoas que não se repetissem, que seriam únicos e que aconteceriam uma única vez: adão e eva não continuariam a ser criados indefinidamente, não sucumbiriam repetidamente à tentação e não seriam expulsos do Jardim do Éden infinitamente. Mas, pelo processo de recapitulação, como o denominou Irineu, um segundo Adão realmente apareceu na figura de Jesus Cristo para, de uma vez por todas, reparar o dano feito pelo primeiro Adão, é uma segunda erva verdadeiramente surgiu na pessoa de Maria, para que uma virgem, tornando-se advogada da primeira, pudesse resgatar a virginal transgressão ela virginal obediência — não uma repetição, mas sim uma recapitulação. • Mas as palavras de 1 Coríntios já citadas nos textos anteriores — “o primeiro homem, Centro da Terra, é terreno, o segundo homem é o senhor do céu” (1 Coríntios 15. 45-7) — identificavam um outro conceito da antiguidade tardia para o Qual a figura de Maria fornecia a resposta. Essa resposta que consistia na noção de homem Divino que, quando aplicada ao modo que os cristãos consideravam a figura de Jesus Cristo, levava Inexoravelmente ao perigo de que “o segundo homem, por ser o Senhor do céu” é julgado mais que humano, passasse a ser considerado como menos que totalmente humano. o conceito Expresso pelas palavras de Louis Ginzberg citadas anteriormente — “assim como a pérola é o resultado de uma irritação na concha de um Molusco, também uma linda pode surgir de um estímulo na escrita” — já se fazia presente nos primeiros estágios do pensamento Cristão a respeito de Jesus Cristo e de Maria. A mais importante evidência dessa tendência foi o evangelho apócrifo — o proto evangelho de Tiago. apesar de apócrifo e não aceito oficialmente como parte dos livros canônicos do novo testamento, ele teve papel preponderante no desenvolvimento da doutrina sobre Maria, algumas questões sobre a Virgem contidas no proto-evangelho de Tiago mencionavam a inviolada virgindade de Maria, não apenas na concepção mas também no Nascimento de seu filho, assim como a ideia correlata de que ela deu à luz sem sofrer as dores do parto, explicando que os irmãos de Jesus dos quais falam os Evangelhos provavelmente eram Filhos de José, viúvo de seu primeiro casamento proto-evangelho de Tiago 19.3- 20, 17. 20,9.2. a despeito de não estar Claro, motivos para ser isso porque algumas dessas questões sobre a Virgem Maria podem, de modo implícito, ter também representado uma certa hesitação em atribuir uma total humanidade a seu Divino filho, pois essa dúvida já começava a ser Expressa em outras fontes praticamente contemporâneas ao proto-evangelho de Tiago. Ireneu, a quem se deve a primeira exposição em larga escala do paralelo entre Eva e Maria, Talvez seja um dos autores em que podemos perceber que essa hesitação dos discípulos do professor gnóstico Valentino os levara a afirmar que Jesus não nascera da Virgem Maria no sentido comum, mas que “passara através de Maria como a água corre através de um cano”, não só Sem sofrimento das Dores do parto como também sem o envolvimento da mãe, é certo em um sentido puramente passivo (Irineu contra as heresias I, VII). A arte cristã por vezes contraria essa tendência ao representar Maria grávida. é possível que Irineu tenha elaborado esse papel decisivo para a viagem por causa da ameaça gnóstica à verdadeira humanidade de Jesus, assim como é defesa da posição singular não apenas de Jesus Mas também de Maria na história da salvação. • O mais importante conflito intelectual dos primeiros cinco séculos da história cristã — na verdade a mais importante contenda de toda a história da cristandade — debateu a questão da divindade de Jesus Cristo: seria ele idêntico a Deus, o criador? A resposta a esse desafio também inclui a Maria, agora definida como Theotokos, Mãe de Deus. não obstante a dúvida sobre a Total divindade do filho de Deus está presente desde os primeiros tempos do movimento cristão, pela repetição da frase do tentador — “se tu és filho de Deus”( Mateus 4. 3-6) — por outros céticos, Ficou claro que o principal obstáculo, nos séculos II e III, vinha de uma direção oposta e questionava se o homem Divino era na verdade um “homem” no total sentido da palavra ou se, de uma ou outra maneira, ele precisava ser protegido de todas as implicações de uma autêntica humanidade. Muitos movimentos do culto e pensamentos cristãos dos séculos II e III que acabaram por se agrupar e foram tachados de gnósticos compartilhavam desse ponto de vista que passou a ser chamado de “docetismo” (do verbo grego dokein [parecer]), expressando a crença de que a humanidade de Cristo era “meramente aparente”. Ao contrário, os primeiros pensadores considerados “ortodoxos” foram os que se opuseram a essas tendências “docéticas” e “gnósticas” defendendo a Total dimensão humana da vida e da pessoa de Jesus. #mariologia #Maria #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Cristologia
- O CATÓLICO NUNCA ESTÁ SOZINHO – 31º Domingo do Tempo Comum – Solenidade de todos os Santos
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “O Céu é nosso amigo!”, clicar AQUI. O Céu é nosso amigo! Com tantos santos e santas querendo a nossa salvação e rezando por nós junto de Deus, nenhum católico pode reclamar de solidão. Nesta homilia, a partir de sua devoção ao Padre Pio e a Santa Teresinha do Menino Jesus, Padre Paulo Ricardo mostra como todos os bem-aventurados “passam o seu Céu fazendo o bem sobre a terra” e ensina-nos a tirar o máximo proveito deste tesouro que é a comunhão dos santos! PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Apocalipse 7, 2-4.9-14) Os que vieram da grande tribulação Eu, João, vi um outro anjo, que subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo e gritava, em alta voz, aos quatro anjos que tinham recebido o poder de danificar a terra e o mar, dizendo-lhes: “Não façais mal à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus”. Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: eram cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. Todos proclamavam com voz forte: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro”. Todos os anjos estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos, e dos quatro Seres vivos, e prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus, dizendo: “Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém”. E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: “Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?” Eu respondi: “Tu é que sabes, meu senhor”. E então ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro”. SALMO 23 Os que subiram o monte do Senhor (Antífona): É assim a geração dos que procuram o Senhor! Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra,/ o mundo inteiro com os seres que o povoam;/ porque ele a tornou firme sobre os mares,/ e sobre as águas a mantém inabalável. “Quem subirá até o monte do Senhor,/ quem ficará em sua santa habitação?”/ “Quem tem mãos puras e inocente o coração,/ quem não dirige sua mente para o crime. Sobre este desce a bênção do Senhor/ e a recompensa de seu Deus e Salvador”./ “É assim a geração dos que o procuram,/ e do Deus de Israel buscam a face”. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1João 3, 1-3) Os filhos de Deus Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. Todo o que espera nele purifica-se a si mesmo, como também ele é puro. EVANGELHO (São Mateus 5, 1-12a) Os bem-aventurados Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”. O CÉU É NOSSO AMIGO! (Meditação do Padre Paulo Ricardo) 1. A Solenidade de Todos os Santos nos faz lembrar que quem crê, nunca está sozinho. Pela graça batismal, unimo-nos não somente à pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, do qual provém a salvação para o gênero humano, mas também a todos aqueles que tornam-se membros do Seu Corpo Místico. Essa união se estende até os santos, homens e mulheres que, após uma vida digna do Evangelho, hoje gozam no Céu da visão beatífica e podem nos acompanhar com as suas preces e favores. Por isso, os católicos amamos os santos e dedicamo-lhes toda sorte de homenagens e agradecimentos neste mundo. Jesus é, de fato, o único mediador entre o Céu e a terra. Todavia, Ele mesmo quis servir-se de outros instrumentos para realizar a redenção do mundo, escolhendo, para isso, um grupo de Apóstolos que, em seu nome, cumprisse a missão de pregar a Palavra e batizar os pagãos. Esses instrumentos, por sua vez, não excluem aqueles que, morrendo em odor de santidade, já se encontram na presença do Pai eterno. Ao contrário, os grandes santos do passado (sacerdotes, religiosos e leigos) podem agora, do Céu, servir muito mais para a nossa salvação. 2. Exemplos não faltam, na história da Igreja, de grandes homens e mulheres que se santificaram e, agora, intercedem junto a Deus pela humanidade. Pensemos um momento na vida de Padre Pio. Esse sacerdote capuchinho exerceu um ministério tão exemplar, que Deus não economizou graças na hora de exaltá-lo sobre toda a humanidade. Diante de um mundo cada vez mais incrédulo, os milagres de Padre Pio (curas, ressurreições, profecias, estigmas etc.) serviram para mostrar que a presença de Deus no meio de Seus filhos não é uma coisa do passado, uma invenção própria de pessoas medievais, mas uma realidade que permanece ativa ainda hoje. Jesus vive na Igreja e vive nos santos. O milagre maior de Deus na vida de um santo é o Amor. O seu desejo é, afinal, transformar-nos pela graça até nos tornarmos capazes de amar. Trata-se daquilo que Santa Teresinha experimentou na noite do Natal de 1886, quando Jesus a converteu definitivamente, fazendo-a sair da infância para torná-la uma adulta na fé. “Nessa noite em que Ele se fez fraco e sofredor por meu amor”, narra Teresinha em sua autobiografia, “fez-me forte e corajosa, vestiu-me com suas armas e desde essa noite bendita, não fui vencida em nenhum combate” (Manuscrito A, 45r). A menininha mimada, que tanto chorava pelos próprios caprichos, passou a dar passos de gigante, pois havia sentido a caridade entrar no seu coração. 3. Nós também podemos experimentar essa ação divina que Padre Pio, Teresinha e tantos outros experimentaram. Cristo deseja profundamente a nossa santidade, pelo que não se cansa de favorecer-nos com graças atuais, inspirações divinas que nos levam a praticar o bem. Precisamos apenas permitir que Ele acesse a nossa alma e transforme o nosso coração. Para chegar à perfeita santidade, contamos ainda com a ajuda desses grandes amigos de Deus, que são os santos. Às vezes, podem ser até membros já falecidos de nossa família que já estão na presença do Senhor. Façamos, pois, o esforço de conhecê-los, amá-los, a fim de que sejam nosso auxílio precioso na jornada para o Céu. Oração. — Senhor Jesus, tornai-nos dignos do vosso amor e da vossa amizade, favorecendo-nos com a mesma graça com que tornastes Teresa de Lisieux, naquela noite de natal de 1886, uma grande santa, cheia da virtude da caridade. Assim seja! Propósito. — Rezar pelas almas do Purgatório. https://padrepauloricardo.org/episodios/o-ceu-e-nosso-amigo
- The Necessity of Religion by Ernest Hull S.J.
THENECESSITYOFRELIGION. OWING to the confusion introduced by false theories about God and the universe, modern thinkers have puzzled themselves and others as well by inventing at least forty different definitions of religion some of the true but narrow and inadequate, others false in proportion to the amount of falsity which exists in their system. With all these variations we need not concern ourselves here. In the foregoing articles we have maintained and proved that god exists as a personal being, , creator and ruler of the world . It follows from this, first,that God is in himself a wonderful being, worthy of all admiration and respect; secondly, that he is the author of our existence that we are the work of His hand,and therefore we belong to him in a far deeper sense than a picture belongs to the artist who has painted it. Thirdly,since we are not mere things but persons, He stands to us as our lord and master,to whom we owe acknowledgment and service. Fourthly,God has conveyed his will to us through the voice of conscience, and therefore our service must consist in obedience to the dictates of conscience. Fifthly, since it is unthinkable that God should publish this law and yet be indifferent whether we observe it or not, we recognise that God must be our judge, the rewarder of the just and punisher of the wicked if not in this life,at least after this life has come to an end. It is this groundwork of thought which gives rise to religion not only as a logical outcome of it in the mind,but also as a practical outcome of it in conduct. RELIGIOUSWORSHIP In all the ordinary affairs of life it is understood that practical effect sought to follow on intellectual convictions. if we believe that George V is our king,we do not rest in a mere abstract acknowledgment of the fact,but proceed to pay him our allegiance and, where occasion offers,our respect,honour and obedience. If we acknowledge the law of the land we do not ignore it,but conform our conduct there to; otherwise we are bad citizens. If we are under a master we do not only acknowledge his title, but also show him respect and carryout his will. If any person has conferred on us a signal benefit, we don’t take it coldly as a matter of course, but always entertain feelings of gratitude, and try to show our gratitude in anyway we are able. If we come across a great and noble and cleverman, we don’t remain unaffected, but take occasion to show our appreciation of his qualities, to drink in his teaching and to imitate his example. This kind of practical response, which pervades all relations without fellow beings,is just as natural and ought to be just as instinctive when we pass from man to God. As an infinitely perfect being He commands our admiration, respect and reverence far more than any merely human being. As the source of our very existence, the author of all we are and all we have, He is supremely our benefactor, and therefore commands our highest gratitude. It is therefore not only the most natural thing in the world, but also the most imperatively proper thing in the world,that we should cherish these sentiments of admiration, praise, reverence and gratitude towards God;and these sentiments, when put into expression, constitute that part of religion which is called worship. Kyrie Eleison!
- Deus existe? O argumento do ajuste-fino.
Continuando nossa série sobre a existência de Deus. Se perdeu a primeira clique aqui. O argumento do ajuste-fino “Pois os seus atributos invisíveis, seu eterno poder e divindade, são vistos claramente desde a criação do mundo e percebidos mediante as coisas criadas.” Rm 1:20 O argumento do ajuste-fino é um argumento que se baseia na criação do universo e seu propósito. O argumento procura mostrar que o universo foi finamente ajustado para suportar a vida na Terra, e que são tantas as “coincidências”, que levou ate mesmo o ateu Richard Dawkins admitir que o universo “tem aparência de ter sido projetado”.[1] A vida na Terra é um verdadeiro milagre, pois foram necessárias uma cadeia enorme de eventos altamente improváveis, e alguns até mesmo matematicamente impossíveis, tivessem acontecido para que a vida pudesse prosperar aqui na Terra. E não foram eventos isolados, a maioria era interdependente, como um castelo de cartas, se houvesse uma única falha, tudo iria por água abaixo. Desde a antiguidade os filósofos sempre se impressionaram com a ordem do universo, eles dedicavam boa parte de seu tempo à observação e contemplação dos cosmos. Platão usou esse entendimento para concluir que deveria haver uma “alma superior” que transformou todo o caos em ordem. Aristóteles levando o argumento adiante, concluiu que deveria haver a “causa primeira” de tudo aquilo, como vimos no argumento cosmológico. “Essa ordem impressionou o famoso cientista Isaac Newton, que disse: “Este belíssimo sistema no qual estão o Sol, os planetas e os cometas somente poderia proceder do desígnio e do poder absoluto de um Ser inteligente e poderoso”.[2] Mas o que quer dizer ajuste fino? As leis físicas da natureza, ao receber expressão matemática, contêm várias constantes ou quantidades — como a constante gravitacional ou a densidade do universo — , cujos valores não são determinados pelas leis em si; o universo governado por tais leis deve ser caracterizado por qualquer valor de uma ampla variedade possível dessas variáveis. O que se quer dizer ao usar a expressão “ajuste fino” é que os valores reais presumidos pelas constantes e quantidades em questão são tais que pequenos desvios neles tornariam o universo inapto para a vida. Vários exemplos de ajuste fino cósmico podem ser citados. Veremos alguns deles, no livro: “Não tenho fé suficiente para ser ateu”, Norman Geisler e Frank Turek expõem algumas dessas constantes. Constante antrópica 1 – Nível de oxigênio. Aqui na Terra, o oxigênio responde por 21 % da atmosfera. Esse número preciso é uma constante antrópica que torna possível a vida no planeta. Se o oxigênio estivesse numa concentração de 25%, poderia haver incêndios espontâneos; se fosse de 15%, os seres humanos ficariam sufocados. Constante antrópica 2 – O grau de transparência da atmosfera é uma constante antrópica. Se a atmosfera fosse menos transparente, não haveria radiação solar suficiente sobre a superfície da Terra. Se fosse mais transparente, seríamos bombardeados com muito mais radiação solar aqui embaixo (além da transparência atmosférica, a composição da atmosfera, com níveis precisos de nitrogênio, oxigênio, dióxido de carbono e ozônio, é, por si só, uma constante antrópica). Constante antrópica 3 – Interação gravitacional entre a Terra e a Lua. Essa constante está relacionada à interação gravitacional que a Terra tem com a Lua. Se essa interação fosse maior do que é atualmente, os efeitos sobre as marés dos oceanos, sobre a atmosfera e sobre o tempo de rotação seriam bastante severos. Se fosse menor, as mudanças orbitais provocariam instabilidades no clima. Em qualquer das situações, a vida na Terra seria impossível. Constante antrópica 4 – Nível de dióxido de carbono. Se o nível de CO2 fosse mais alto do que é agora, teríamos o desenvolvimento de um enorme efeito estufa (todos nós seríamos queimados). Se o nível fosse menor, as plantas não seriam capazes de manter uma fotossíntese eficiente (todos nós ficaríamos sufocados. Constante antrópica 5 – Gravidade. Se a força gravitacional fosse alterada em 0,00000000000000000000000000000000000001 por cento, nosso Sol não existiria e, portanto, nós também não. Isso é que é precisão. Constante antrópica 6 – Se a força centrífuga do movimento planetário não equilibrasse precisamente as forças gravitacionais, nada poderia ser mantido numa órbita ao redor do Sol. Constante Antrópica 7 – A Terra é imensa – seu diâmetro equatorial é cerca de 12.700 quilômetros, e sua massa é de 6,6 x10 21 toneladas. Se a Terra se movimentasse com maior velocidade ao redor do Sol, em sua órbita de cerca de 952 milhões de quilômetros de comprimento, a inércia a impeliria para longe do Sol, e se ela se deslocasse para muito longe, toda a vida cessaria de existir. Se a Terra se movimentasse com uma velocidade pouco menor, ela se aproximaria do Sol em sua trajetória, e se chegasse muito perto, de igual maneira toda a vida pereceria. Constante Antrópica 8 – Equilíbrio do ciclos Geoquímicos. O equilíbrio é necessário não só para os ganhos e perdas de energia, mas também para os numerosos ciclos geoquímicos. São bem conhecidos os ciclos do Carbono e da água, e mais pelo menos 50 outros ciclos minerais são igualmente importantes para toda a vida sobre a Terra. Se não fosse o intemperismo constante atuando sobre as rochas, muito Fósforo (que é um elemento mineral crítico tanto para plantas como para animais, como parte do sistema ATP de transferência de energia) ficaria incorporado às rochas química ou fisicamente, sendo assim removido do ciclo respectivo. Esse ciclos são primordiais para a vida na Terra. Constante Antrópica 9 – A chamada força fraca, uma das quatro forças fundamentais da natureza, que opera dentro do núcleo de um átomo, é algo tão precisamente ajustado que uma alteração em seu valor que fosse de uma parte em 10100 teria impedido a existência de vida no universo! De modo semelhante, uma alteração na chamada constante cosmológica, que dirige a aceleração da expansão do universo, que fosse de uma parte em 10120 teria resultado em um universo onde a vida não seria possível. O astrofísico Hugh Ross calculou a probabilidade de que essas e outras constantes — 122 ao todo — pudessem existir hoje em qualquer outro planeta no Universo por acaso (i.e., sem um projeto divino). Partindo da ideia de que existem 1022 planetas no Universo (um número bastante grande, ou seja, o número 1 seguido de 22 zeros), sua resposta é chocante: uma chance em 10138 — isto é, uma chance em 1 seguido de 138 zeros![3] Existem apenas 1070 átomos em todo o Universo. Com efeito, existe uma chance zero de que qualquer planeta no Universo possa ter condições favoráveis à vida que temos, a não ser que exista um Projetista inteligente por trás de tudo. O ganhador do Prêmio Nobel Arno Penzias, um dos descobridores da radiação posterior ao Big Bang, expõe as coisas da seguinte maneira: “A astronomia nos leva a um acontecimento único, um Universo que foi criado do nada e cuidadosamente equilibrado para prover com exatidão as condições requeridas para a existência da vida. Na ausência de um acidente absurdamente improvável, as observações da ciência moderna parecem sugerir um plano por trás de tudo ou, como alguém poderia dizer, algo sobrenatural.”[4] O professor e físico Paul Davies escreveu na revista New Scientist uma matéria sobre outra constante antrópica, sobre a força dos núcleos: “Poucos são os cientistas que não se impressionam com a quase inconcebível simplicidade e elegância dessas leis… Até mesmo mínimas variações nos valores de algumas delas alterariam drasticamente a aparência do Universo. Por exemplo, Freeman Dyson enfatizou que, se a força entre os núcleos (prótons e nêutrons) fosse apenas alguns por cento mais forte, o Universo ficaria sem hidrogênio. Estrelas, como o sol – para não mencionar a água – talvez não existissem. A vida, como a conhecemos, seria impossível. Brandon Carter mostrou que mudanças muitíssimo menores na constante ‘G’ transformariam todas as estrelas em gigantes azuis ou anãs vermelhas, com consequências igualmente funestas sobre a vida”. Diante desses e de outros milhares exemplos espetaculares semelhantes de sintonia fina, Paul Davies conclui: “Tem-se a impressão de que alguém sintonizou muito bem os números da natureza para criar o Universo […]. A impressão de um projeto é avassaladora.” [5] “Dentre todos os lugares possíveis no Universo, a Terra desfruta de condições que não só a tornam habitável, mas ao mesmo tempo são extremamente adequadas para produzir uma assombrosa diversidade de medidas, desde a cosmologia e astronomia galáctica até a geofísica e a astrofísica estelar.”. Essa é a opinião dos cientistas Gonzales e Richards exposta na obra “O planeta privilegiado“. O astrônomo Allan Sandage comenta: “Acho muito improvável que essa ordem seja proveniente do caos. Deve haver algum princípio organizador. Para mim Deus é um mistério, mas é a explicação para o milagre da existência – por que existe alguma coisa em vez do nada“. Em seu livro ”Um ateu garante: Deus existe” Antony Flew, que foi um dos maiores ateus do século XX diz: ”Se aceitamos o fato de que há leis que governam o Universo, então temos de aceitar que existe alguma coisa que impõe essa regularidade no universo”. Assim, a questão que enfrentamos é esta: Qual é a melhor explicação para o ajuste preciso do universo? Muitos acreditam que o motivo de o universo ser precisamente ajustado para a vida está no fato de ele ter sido desenhado ou projetado por um designer inteligente de modo a permitir a existência de vida, outros preferem acreditar que tudo não passa de mero acaso, mesmo com as estatísticas sendo extremamente cruéis. Muitos ateus postulam explicações para se esquivar da conclusão óbvia, mas são apenas especulações infundadas. Para reforçar ainda mais o argumento, vamos supor um cenário. Você vai para uma ilha deserta, foi falado que nunca nenhum ser humano pisou lá antes, durante uma volta pela ilha, você encontra uma placa escrita “Cuidado, propriedade particular.” Você nunca iria pensar que aquele placa simplesmente apareceu ali, sem nenhuma explicação ou causa. Obviamente a primeira coisa que lhe passaria pela cabeça seria, “Alguém já esteve aqui e escreveu a placa.” Nenhuma mente racional acharia que o acaso produziu aquilo ou que isso não possui nenhuma explicação. O universo foi intencionalmente projetado, e todo projeto requer um projetista, e o projetista e criador do universo é Deus. Não perca o próximo argumento a ser abordado, o argumento moral. Referências: [1] Richard Dawkins, The Blind Watchmaker. [2] General Scholium”, in: Mathematical Principles of Natural Philosophy (1687). [3] Hugh Ross, Why I Believe in Divine Creation”, 138-41. [4] Apud Walter BRADLEY, ”The ‘Just-so’ Universe: The Fine-Tuning of Constants and Conditions in the Cosmos [5] The Cosmic Blueprint, p.203
- CRESCIMENTO DA MISSA TRIDENTINA
O jornal católico italiano, La nuova bussola quotidiana, publicou ontem artigo sobre o VII Simpósio Summorum Pontificum, que se realizou no dia 26 de outubro em Roma. Um dos objetivos, entre outros, é agradecer ao Papa Bento XVI por ter restituído ao Missal de 1962 plena liberdade na Igreja. O dia foi dedicado à reflexão sobre a realidade atual da “Summorum Pontificum” e sua difusão, com números surpreendentes sobre o crescimento da Missa antiga na Itália. Teve a participação do Cardeal Burke. A matéria está nesse link: http://lanuovabq.it/it/in-aumento-le-messe-tridentine-e-la-riscoperta-del-sacro
- A SEGUNDA EVA E A CERTEZA DA VERDADEIRA HUMANIDADE DE CRISTO Parte II
• A SEGUNDA EVA E A CERTEZA DA VERDADEIRA HUMANIDADE DE CRISTO • Parte II • Na verdade, no início do cristianismo parecia ser habitual interpretar os três primeiros Capítulos do Gênesis como uma antecipação da vinda de Cristo. Portanto, os primeiros cristãos podem ter criado o episódio da Tentação de Cristo pelo demônio como uma espécie de simulacro do episódio da Tentação de Adão e Eva. O tentador disse a Eva; “no dia em que comer desse fruto […] sereis como Deus” (Gênesis 3,5). E o tentador disse a Cristo que, “depois de jejuar por 40 dias e 40 noites, teve fome”. “Se tu és o filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães” (Mateus 4. 2-3). Na epístola aos romanos, o apóstolo Paulo e seu seguinte paralelo: “pelo que, como por um homem [Adão] entrou o pecado no mundo, assim também a morte passou a todos os homens porque pecaram […] Muito mais pela graça de Deus, e o dom pela graça. Que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou para muitos (Romanos 5.12,15). Em 1Coríntios, o apóstolo desenvolveu esse paralelo contrastante com maiores detalhes: “assim também está escrito: o primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente; o último Adão, espírito vivificante […] O primeiro homem, sendo da Terra, é terreno, o segundo o homem, o senhor, é dos céus” (1Coríntios 15.47). Mas, com a história examinada sob a perspectiva terrena, registrando as ações autenticamente humanas pelas quais os homens seriam responsabilizados, esse contraste entre o primeiro Adão, “como da terra, terreno”, e o segundo Adão, Cristo, como “o senhor do céu” que se tornou tão importante na história das ideias, também levantou sérios problemas, alguns dos quais veremos mais adiante. • A comparação de Eva com Maria permitiu uma visão profunda e uma importante correção para muitos desses problemas. Assim, Irineu, Bispo de Lyon que provavelmente nasceu na Ásia menor por volta de 130 D.C. e morreu mais ou menos em 200 D.C., formulou um notável paralelo em dois escritos de sua autoria que chegaram até nós: em uma passagem do seu tratado contra as heresias (escrito em grego, mas em grande parte preservado em uma versão Latina) e em uma outra obra por muito tempo considerada perdida, mas que foi encontrada no século XX, também traduzida, mas desta vez para o armênio — Epideixis, Isto é, prova da pregação Apostólica. Comparando vários elementos do Gênesis com os Evangelhos, como o Jardim do Éden com o Jardim do Getsêmani e a árvore do conhecimento do bem e do mal com a árvore da cruz, Irineu chegou ao mais inovador e empolgante dos paralelos: • Foi precisamente por meio de uma virgem transgressora [Eva] que a humanidade foi ferida e tombou, mas foi por outra Virgem [Maria] que, por ter obedecido à palavra de Deus, a humanidade ressuscitada recebeu a vida. Porque o senhor [Cristo] veio para recuperar suas ovelhas perdidas, e estas eram a humanidade que estava perdida; e Ele não assumiu outro aspecto, mas a exemplo dela [Isto é, Maria] também era descendente de Adão e preferiu preservar a semelhança de seu aspecto, porque Adão precisava necessariamente ser restaurado em Cristo para que a mortalidade fosse ab sua vida pela imortalidade. E Eva foi [restaurada] em Maria porque uma virgem, tornando-se advogada de outra virgem, deveria resgatar original transgressão por meio da virginal Obediência (Ireneu, prior of The apostolic preaching, página 33). • Aqui não havia apenas uma comparação entre o primeiro Adão “da terra, terreno” e o segundo Adão, Cristo, “o senhor do céu” — o terreno e o divino — mas uma comparação entre a calamitosa desobediência de quem era apenas humana, Eva, e a obediência Salvadora de outra mulher que também era simplesmente humana, que não era “do céu” e sim “da terra”, Maria como a segunda Eva. Era absolutamente essencial para a integridade das duas narrativas que tanto a transgressão de Eva como a obediência de Maria fossem vistas como atos de livre-arbítrio e não como coação, por parte do demônio, no caso de Eva, ou por parte de Deus no caso de Maria. • Quando se afirmou que, em uma passagem como essa e para o desenvolvimento da doutrina de Maria, escritores cristãos, como Irineu, foram testemunhas importantes da tradição no século ou até mesmo antes disso, levantou-se uma interessante questão: estaria Irineu inventando o conceito de Maria como a segunda Eva ou seria ele o depositário de uma tradição nascida anteriormente? lendo seu livro (contra as heresias) e principalmente (a prova da pregação apostólica), fica difícil evitar a impressão de que ela citara o paralelismo entre Eva e Maria de modo tão natural, sem sentir necessidade de discutir ou defender seu ponto de vista, Por que ele tomará por certo que seus leitores aceitariam sem questionar, ou mesmo por já conhecê-lo. A razão para assim se comportar diante desse assunto e de vários outros temas é que Irineu se considerava O Guardião e o propagador da crença que chegara a ele através de gerações anteriores, dos próprios apóstolos. Um leitor moderno não precisa considerar ou mesmo admitir a possibilidade de que, fazendo esse julgamento de si mesmo, Irineu talvez estivesse certo e que, portanto, na segunda metade do século II, era natural encarar juntas Eva, a “mãe de todos os seres viventes” (Génesis 3.20), e Maria, mãe de Cristo, compreendendo e interpretando as duas mulheres mais importantes da história da humanidade com base uma na outra. • Depois de introduzida no vocabulário, essa dialética de Eva e Maria adquiriu vida própria. Como em latim o nome Eva escrito ao contrário se transforma em ave, saudação do anjo a Maria na vulgata repetida por milhares de almas na oração da ave Maria, parecia haver um significado Místico nesse nome. Analisadas de modo menos jocoso e mais profundo, as considerações sobre a transgressão de Eva e a obediência de Maria produziram extensas comparações psicológicas entre as duas mulheres. Nessas comparações, a interpretação negativa da Mulher personificada em Eva — vulnerável, irracional, emocional, erótica, vivendo pela experiência dos sentidos e não pela mente e pela razão, por isso presa fácil para o astuto tentador — propagou os tão familiares estereótipos de difamação misógina que se arraigaram profundamente no pensamento e na linguagem de tantas Nações, não apenas as ocidentais. Muitos autores modernos e polêmicos examinaram cuidadosamente as obras dos pensadores patrísticos medievais à procura desses esteriótipos que conseguiram reunir um enorme catálogo, e agora é passado de um livro para o outro, de um artigo para outro. Não pretendendo defender os estereótipos, mas por uma questão de correção histórica necessária, salientando que as obras dos pensadores patrísticos medievais apresentam uma compreensão para esses estereótipos em suas mais extensas interpretações da mulher personificada por Maria, a “Mulher de coragem” [mulier fortis] que, como descendente e vingadora da primeira Eva, esmagou a cabeça da serpente e venceu demônio (mulher de coragem, quem a achará provérbios 31. 10). A justiça histórica exige que ambos os polos dessa dialética sejam incluídos. No paraíso perdido de John Milton, um autor totalmente anticatólico e contra à veneração de Maria (Jonh Milton, paraíso perdido, página 385-7), a despeito de suas convicções religiosas, descreveu como ao saudar Maria, • […] o Anjo lhe deu a saudação Sagrada com que se apresentou, passadas eras, a ditosa Maria, Eva Segunda […] • citando a saudação Angélica “Ave Maria” e com ela evocando o antigo paralelo que é o tema deste texto. Porém ele o fez como puritano e protestante, em um contexto literário e teológico no qual o equilíbrio do retrato católico de Maria já havia se perdido. Não obstante, Milton fez Adão, falando após a queda, dirigir uma ave maria a Virgem em uma linguagem que deixou bem clara para Eva, e também para Maria, sua posição no esquema da história da humanidade: • Ave, Mas Virgem, puro amor do Eterno • Terás origens nas entranhas minhas • Desta maneira • Este lento e doloroso diagnóstico post-mortem da psicologia da queda de Eva é um estudo que merecidamente celebra seu imperfeito mais brilhante caráter. Mas quando essa autópsia da tentação é analisada no contexto da história do pensamento patrístico e medieval sobre a primeira e a segunda Eva, que conduziu a Milton, fica bastante claro que o paraíso perdido enfatizou muito mais um lado da dialética que o outro. E o mesmo se aplica a muitos escritores menos importantes posteriores a Milton. #mariologia #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal
- São Luís era um Blasfemo Mariólatra?
Tradução: Was St. Louis de Montfort a Blasphemous Mariolater? | Dave Armstrong A mariologia de S. Luís de Montfort é muitas vezes mal interpretada, assim como, infelizmente, muitos, se não a maioria dos livros sobre devoção a Maria, são mal compreendidos por não-católicos, e também por alguns católicos também. Protestantes anticatólicos (uma ala pequena e marginal do protestantismo) muitas vezes se apegam a essas obras e citam as coisas fora do contexto, fazendo parecer que os católicos praticamente elevaram Maria à Divindade. Todas as coisas devem ser consideradas no contexto: na obra de onde são tiradas e no contexto geral da teologia e da espiritualidade católicas. A verdadeira devoção à Santíssima Virgem está disponível on-line, para qualquer um ler e estudar, sem nenhum custo. Isso permite que qualquer pessoa examine o contexto de todo o trabalho. Quando examinamos atentamente essa obra particular do grande santo francês (1673-1716), em resposta às acusações exageradas, encontramos muitas passagens centradas em Jesus, que os críticos nunca parecem mencionar (ou, se for o caso, apenas de passagem). O ensino católico é sempre equilibrado; nunca vai aos extremos. No capítulo dois – “Em que devoção a Maria consiste” – encontramos o esboço básico da posição do santo sobre todo o assunto. Estas são as premissas com as quais ele inicia seu tratamento da devoção mariana. Qualquer crítica não pode prosseguir sem ter em mente estes pressupostos: Princípios básicos de devoção a Maria 60. Tendo falado brevemente da necessidade da devoção à Santíssima Virgem, devo agora explicar em que consiste esta devoção. Isto farei com a ajuda de Deus depois de ter estabelecido certas verdades básicas que esclarecem a notável e sã devoção que Eu me proponho a desdobrar. Primeiro princípio: Cristo deve ser o fim supremo de todas as devoções 61. Jesus, nosso Salvador, verdadeiro Deus e verdadeiro homem deve ser o fim último de todas as nossas outras devoções; caso contrário, seriam falsas e enganosas. Ele é o Alfa e o Ômega, o começo e o fim de tudo. “Nós trabalhamos”, diz São Paulo, “apenas para tornar todos os homens perfeitos em Jesus Cristo”. Pois só nele habita toda a plenitude da divindade e a completa plenitude da graça, virtude e perfeição. Somente nele fomos abençoados com todas as bênçãos espirituais; ele é o único mestre de quem devemos aprender; o único Senhor de quem devemos depender; a única Cabeça a quem devemos estar unidos e o único modelo que devemos imitar. Ele é o único médico que pode nos curar; o único pastor que pode nos alimentar; o único caminho que pode nos levar; a única verdade em que podemos acreditar; a única vida que pode nos animar. Só Ele é tudo para nós e só Ele pode satisfazer todos os nossos desejos. Não nos é dado nenhum outro nome debaixo do céu pelo qual possamos ser salvos. Deus não estabeleceu outro fundamento para nossa salvação, perfeição e glória além de Jesus. Todo edifício que não é construído sobre aquela rocha firme é fundado sobre areias movediças e certamente cairá mais cedo ou mais tarde. Cada um dos fiéis que não estão unidos a ele é como um ramo quebrado do tronco da videira. Ela cai e murcha e só serve para ser queimada. Se vivemos em Jesus e Jesus vive em nós, não precisamos temer a condenação. Nem anjos no céu nem homens na terra, nem demônios no inferno, nenhuma criatura nos pode prejudicar, pois nenhuma criatura pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Através Dele, com Ele e Nele, podemos fazer todas as coisas e render toda honra e glória ao Pai na unidade do Espírito Santo; podemos nos tornar perfeitos e ser para nosso próximo uma fragrância da vida eterna. 62. Se, então, estamos estabelecendo uma devoção sã à nossa Senhora, é somente para estabelecer a devoção ao nosso Senhor mais perfeitamente, proporcionando um modo suave mas certo de alcançar Jesus Cristo. Se a devoção a nossa Senhora nos distraísse de nosso Senhor, teríamos que rejeitá-la como uma ilusão do diabo. Mas isso está longe de ser o caso. Como já mostrei e mostrarei novamente mais tarde, essa devoção é necessária, de forma simples e única, porque é uma maneira de alcançar Jesus perfeitamente, amá-lo com ternura e servi-lo fielmente. Um protestante evangélico não deve (e, suspeito, na maioria dos casos, não faria) ter o menor problema com o que está escrito acima sobre nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo; de fato, nas porções que não mencionam diretamente Maria, a maioria dos protestantes evangélicos provavelmente presumiria que nem sequer foram escritas por um católico. Não podemos citar uma coisa sem levar em consideração a outra. Críticos da Igreja se apegarão a sentenças únicas de fragmentos de sentenças sobre Maria (e ignorarão material como o acima) e falsamente presumirão que isso significa que Jesus está sendo denegrido ou “rebaixado” – quando, na verdade, esse não é o caso. A perspectiva católica é “ambos / e”. O fato de que Jesus é o fim último de todas as nossas devoções e aspirações espirituais não descarta a noção de mediação humana (embebida na graça de Deus e somente por essa graça) para nos ajudar a se aproximar de Jesus. Mas longe de ensinar que nenhum cristão pode orar diretamente a Jesus, ele mesmo o faz na próxima seção: 63. Aqui, me volto a Você por um momento, querido Jesus, queixando-me amorosamente à sua Divina Majestade que a maioria dos cristãos, e mesmo alguns dos mais instruídos entre eles, não reconhecem o vínculo necessário que une você e sua Mãe Santíssima. . Senhor, você está sempre com Maria e Maria está sempre com você. Ela nunca pode ficar sem você porque então ela deixaria de ser o que é. Ela é tão completamente transformada em você pela graça que ela não mais vive, ela não existe mais, porque só você, querido Jesus, vive e reina nela mais perfeitamente do que em todos os anjos e santos. Se nós soubéssemos a glória e o amor dado a você por esta criatura maravilhosa, nossos sentimentos por você e por ela seriam muito diferentes daqueles que temos agora. Tão intimamente ela está unida a você que seria mais fácil separar a luz do sol e o calor do fogo. Eu vou mais longe, seria até mais fácil separar todos os anjos e santos de você do que Maria; pois ela te ama ardentemente e te glorifica mais perfeitamente do que todas as outras criaturas juntas. 64. Em vista disso, meu querido Mestre, não é espantoso e lamentável ver a ignorância e a falta de visão dos homens em relação à sua santa Mãe? Eu não estou falando tanto de idólatras e pagãos que não te conhecem e consequentemente não têm conhecimento dela. Eu não estou nem falando de hereges e cismáticos que deixaram você e sua santa Igreja e, portanto, não estão interessados em sua santa Mãe. Estou falando de católicos e até de católicos instruídos, que professam ensinar a fé a outros, mas não conhecem você ou sua mãe, exceto especulativamente, de maneira seca, fria e estéril. Essas pessoas raramente falam de sua mãe ou devoção a ela. Eles dizem que temem que a devoção a ela seja abusada e que você se ofenda com a honra excessiva que lhe é prestada. Eles protestam em voz alta quando vêem ou ouvem um servo devoto de Maria falar freqüentemente com sentimento, convicção e vigor de devoção a ela. Quando ele fala de devoção a ela como um meio seguro de encontrar e amar você sem medo ou ilusão, ou quando ele diz que essa devoção é uma estrada curta livre do perigo, ou um caminho imaculado livre da imperfeição, ou um maravilhoso segredo de encontrar você eles colocam diante dele mil razões especiosas para mostrar a ele como ele está errado em falar tanto de Maria. Há, dizem eles, grandes abusos nesta devoção que devemos tentar eliminar e devemos nos referir a você em vez de exortá-los a ter devoção à sua Mãe, a quem eles já amam adequadamente. Se às vezes eles são ouvidos falando de devoção à sua mãe, não é com o propósito de promovê-la ou convencê-la, mas apenas para destruir os abusos cometidos por ela. No entanto, o tempo todo essas pessoas são desprovidas de piedade ou genuína devoção a Você, pois elas não têm devoção a Maria. Eles consideram o Rosário e o Escapulário como devoções adequadas apenas para mulheres simples ou pessoas ignorantes. Afinal, dizem eles, não precisamos deles para serem salvos. Se eles encontrarem alguém que ame Nossa Senhora, que recite o rosário ou mostre alguma devoção por ela, eles logo o levarão a uma mudança de mente e coração. Eles o aconselham a dizer os sete salmos penitenciais em vez do Rosário, e mostrar devoção a Jesus em vez de a Maria. Querido Jesus, essas pessoas possuem seu espírito? Eles te agradam agindo assim? Será que agradaria se não fizéssemos nenhum esforço para dar prazer a sua mãe porque temos medo de ofendê-lo? A devoção à sua santa mãe impede a devoção a você? Maria guarda para si mesma qualquer honra que lhe pagamos? Ela é uma rival sua? Ela é uma estranha sem parentesco com você? Será que agradá-la implica te desagradar? O dom de si para ela constitui uma privação para você? O amor por ela é uma diminuição do nosso amor por você? 65. No entanto, meu querido Mestre, a maioria dos eruditos não poderia estar mais longe da devoção à sua mãe, ou mostrar mais indiferença a ela, mesmo que tudo o que acabei de dizer fosse verdade. Mantenha-me longe de seu modo de pensar e agir e deixe-me compartilhar seus sentimentos de gratidão, estima, respeito e amor pela sua santa Mãe. Posso então amar e glorificar ainda mais você, porque vou estar imitando e seguindo você mais de perto. 66. Como se eu não tivesse dito nada até agora para promover sua honra, conceda-me agora a graça de louvá-la mais dignamente, apesar de todos os seus inimigos que também são seus. Posso então dizer-lhes corajosamente com os santos: “Ninguém presuma esperar da misericórdia de Deus, ofendendo a sua santa Mãe”. 67. Para que eu possa obter de sua misericórdia uma genuína devoção à sua abençoada Mãe e espalhá-la por todo o mundo, ajude-me a amá-lo de todo o coração e, com essa intenção, aceite a sincera oração que ofereço com Santo Agostinho e a todos que verdadeiramente vos amam. Então ele cita uma “Oração de Santo Agostinho” a Jesus, que prossegue por mais três parágrafos. Ele continua na próxima seção: 68. Pelo que Jesus Cristo é em relação a nós, devemos concluir, como diz São Paulo, que não pertencemos a nós mesmos, mas inteiramente a ele como seus membros e seus escravos, pois ele nos comprou por um preço infinito – o derramamento de seu precioso sangue. Antes do batismo, nós pertencíamos ao diabo como escravos, mas o batismo nos tornou escravos da verdade em Jesus. Devemos, portanto, viver, trabalhar e morrer com o único propósito de produzir frutos para ele, glorificando-o em nosso corpo e deixando-o reinar em nossa alma. Nós somos sua conquista, as pessoas que ele ganhou, sua herança. É por esta razão que o Espírito Santo nos compara: 1) às árvores que são plantadas ao longo das águas da graça no campo da Igreja e que devem dar seus frutos quando chegar a hora; 2) a ramos da videira da qual Jesus é o caule, que deve produzir boas uvas; 3) a um rebanho de ovelhas das quais Jesus é o pastor, que deve aumentar e dar leite; 4) a um bom solo cultivado por Deus, onde a semente se espalhará e produzirá colheitas de até trinta, sessenta ou cem vezes. Nosso Senhor amaldiçoou a figueira estéril e condenou o servo preguiçoso que desperdiçou seu talento. Tudo isso prova que ele deseja receber alguns frutos de nossos eus miseráveis, a saber, nossas boas obras, que por direito pertencem somente a ele, “criados em Jesus Cristo para boas obras”. Estas palavras do Espírito Santo mostram que Jesus é a única fonte e deve ser o único fim de todas as nossas boas obras, e que devemos servi-lo não apenas como servos pagos, mas como escravos do amor. Ele deixa claro nas seções 72 e 73, logo depois, que Maria está muito abaixo de Jesus: 72. . . Nossa Senhora nos deu o mesmo exemplo quando se chamava serva ou escrava do Senhor. O apóstolo considerou uma honra ser chamado de “escravo de Cristo”. Várias vezes na Sagrada Escritura, os cristãos são referidos como “escravos de Cristo”. A palavra latina “servus” em um tempo significava apenas um escravo porque os servos como os conhecemos não existiam. Os mestres eram servidos por escravos ou por libertos. O Catecismo do Concílio de Trento não deixa dúvidas de que somos escravos de Jesus Cristo, usando o termo inequívoco “Mancipia Christi”, que claramente significa: escravos de Cristo. 73. Dito isto, digo que devemos pertencer a Jesus e servi-lo não apenas como empregados contratados, mas como escravos dispostos que, movidos pelo amor generoso, se comprometem a servir à maneira dos escravos pela honra de pertencer a Ele. Antes de sermos batizados, éramos escravos do diabo, mas o batismo nos tornou escravos de Jesus. Os cristãos só podem ser escravos do diabo ou escravos de Cristo. Agora, ele vai dizer muitas coisas sobre Maria que soarão escandalosas aos ouvidos protestantes e até mesmo aos ouvidos católicos daqueles que precisam receber mais educação sobre a Mariologia Católica e como tudo se encaixa no quadro geral. Mas observe como o santo qualifica, a fim de tornar clara a distinção entre Maria e Cristo: 74. O que eu digo em um sentido absoluto de nosso Senhor, eu digo em um sentido relativo de nossa Senhora Santíssima. . . . 75. Seguindo, portanto, o ensinamento dos santos e de muitos grandes homens, podemos nos chamar de escravos amorosos de nossa Senhora Santíssima para nos tornarmos escravos mais perfeitos de Jesus. Maria é o meio que nosso Senhor escolheu para vir a nós e ela também é o meio que devemos escolher para ir até ele. . . A inclinação mais forte de Maria é nos unir a Jesus, seu Filho, e o desejo mais forte de seu Filho é que cheguemos até ele através de sua Mãe Santíssima. . . . A mediação de Maria é uma doutrina amplamente mal compreendida da Igreja. Isso horroriza muitos católicos, assim como praticamente todos os protestantes que ouvem falar sobre isso. Mas se for entendido contra o pano de fundo bíblico de coisas como a mediação de Paulo (ver capítulos 18 e 19), não é de modo algum a coisa terrível e supostamente grosseiramente “não-bíblica” que muitas vezes parece ser. Um problema comum com muitas pessoas que se opõem às doutrinas católicas de Maria (isto é, a “Maria Católica”) é que elas não estão familiarizadas com os esboços básicos da teologia mariana histórica (remontando à Igreja primitiva e à própria Bíblia). . No entanto, eles vão pular direto para São Luís ou Santo Afonso de Ligório: livros que apresentam uma Mariologia muito avançada e com nuances. É claro que isso não será entendido a princípio, porque a pessoa não aprendeu sobre as premissas subjacentes nas quais está baseada. Mas, como vimos acima, e no meu tratamento similar de Santo Afonso no próximo capítulo, a negligência do próprio contexto é um dos grandes problemas metodológicos em questão. Uma citação do livro que é particularmente censurável aos protestantes é a seguinte, onde Stão Luís estava discutindo o papel secundário de Maria: 83. É mais perfeito porque supõe maior humildade se aproximar de Deus através de um mediador e não diretamente por nós mesmos. Nossa natureza humana, como acabei de mostrar, é tão mimada que, se confiarmos em nosso próprio trabalho, esforço e prontidão para alcançar Deus e agradá-lo, é certo que nossas boas obras serão maculadas e terão pouco peso com ele. Elas não o induzirão a se unir a nós ou a responder nossas orações. No contexto antes e depois, São Luís está preocupado com o mais efetivo e mais elevado nível de abordagem de Jesus que um cristão pode ter, e ele acredita que é através de Maria, a mãe de nosso Senhor. Existem níveis cada vez mais profundos da espiritualidade católica. Ele está escrevendo sobre o mais alto nível, mas reconhece que a maioria dos cristãos nunca entenderá isso, muito menos o praticará, afirmando na seção anterior: 82. Em terceiro lugar, devemos escolher entre todas as devoções à Santíssima Virgem a que nos levará mais seguramente a esta morte para si mesmo. Essa devoção será a melhor e mais santificante para nós. Pois não devemos acreditar que tudo o que reluz é ouro, tudo que é doce é mel, ou tudo o que é fácil de fazer e é feito pela maioria das pessoas é o mais santificador. Assim como na natureza existem segredos que nos permitem fazer certas coisas naturais com rapidez, facilidade e pouco custo, assim, na vida espiritual há segredos que nos permitem realizar trabalhos de maneira rápida, suave e com facilidade. Tais obras estão, por exemplo, esvaziar-se do amor-próprio, enchendo-se de Deus e alcançando a perfeição. A devoção que proponho explicar é um desses segredos da graça, pois é desconhecida para a maioria dos cristãos. Apenas algumas pessoas devotas sabem disso e é praticada e apreciada por menos ainda. Note os qualificadores: não é “senão/ ou” (como se ninguém pudesse orar a Jesus, como o próprio autor fez, não muito antes no livro), mas “bom, melhor e perfeito”, espiritualmente falando. Assim, ele usa uma linguagem comparativa: “o melhor e o mais santificador”, “assim, na vida espiritual há segredos”, “um desses segredos da graça”, etc. Logo após a seção infratora, ele escreveu: Deus tinha suas razões para nos dar mediadores com ele. Ele viu nossa indignidade e desamparo e teve pena de nós. Para nos dar acesso às suas misericórdias, ele nos forneceu defensores poderosos, de modo que negligenciar esses mediadores e abordar sua infinita santidade diretamente e sem a ajuda de qualquer um deles, é estar carente de humildade e respeito a Deus, que é tão grande e santo. Isso significaria que temos menos estima pelo Rei dos reis do que por um rei ou governante terreno, pois não ousaríamos nos aproximar de um rei terreno sem que um amigo falasse por nós. Na próxima seção, ele volta à ênfase cristocêntrica: 84. Nosso Senhor é nosso Advogado e nosso Mediador da redenção com Deus o Pai. É através dele que devemos rezar com toda a Igreja, triunfante e militante. É através dele que temos acesso a Deus o Pai. Nunca devemos aparecer diante de Deus, nosso Pai, a menos que sejamos amparados pelos méritos de seu Filho e, por assim dizer, vestidos neles, como o jovem Jacó estava vestido na pele dos bodes jovens, quando ele apareceu diante de seu pai Isaque para receber sua bênção. Ele continua ensinando sobre ter um mediador para alcançar Cristo também, que é nosso advogado junto ao Pai. Isso é algo herético ou anti-bíblico? Não é de todo. De fato, a própria oração é uma mediação. Nós rotineiramente vamos aos outros e pedimos a eles que orem por nós. Nós tendemos a ir a pessoas que consideramos particularmente pessoas espirituais ou justas, para fazê-lo (e os protestantes fazem o mesmo). Os anciãos da igreja servem como intermediários. A oração é uma força intermediária e um meio de perdão. Confessamos um ao outro e oramos uns pelos outros e isso leva à cura. O homem justo orou e foi mais poderoso do que as orações de outros: ele poderia até parar a chuva por mais de três anos, e começar novamente. As pessoas ajudam os outros, trazendo de volta os pecadores, e diz-se que eles “salvarão a sua alma da morte e cobrirão uma multidão de pecados” (Tiago 5:20). Isso é tudo mediação. Se uma pessoa justa tem uma oração mais eficaz, faz sentido eminente ir para a criatura mais justa que já viveu, a Maria Imaculada. Ela ainda existe; ela está mais viva do que nunca, e está ciente dos eventos terrenos, assim como Hebreus 12: 1 fala sobre a “nuvem de testemunhas” nos observando do céu, e assim como vemos as almas sob o altar no céu orando (Apocalipse 6: 9-10), e “os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos” (Apocalipse 5: 8) e os anjos (Apocalipse 8: 3-4) oferecendo a Deus “as orações dos santos”. É tudo perfeitamente, explicitamente bíblico. Pode-se continuar procurando por “Jesus” ou “Cristo” no trabalho e encontrar muito mais declarações de prioridades e ênfase adequadas. Para citar apenas mais uma: 120. Como toda perfeição consiste em sermos conformados, unidos e consagrados a Jesus, segue-se naturalmente que a mais perfeita de todas as devoções é aquela que conforma, une e nos consagra mais completamente a Jesus. Agora, de todas as criaturas de Deus, Maria é a mais conformada com Jesus. Segue-se daí que, de todas as devoções, a devoção a ela contribui para a mais eficaz consagração e conformidade a ele. Quanto mais se consagra a Maria, mais se consagra a Jesus. Se há algo que São Luís não está fazendo, ele não está colocando Maria contra Jesus, muito menos sobre Ele. O fim de toda a sua devoção mariana é “ser conformado, unido e consagrado a Jesus” – algo que nenhum protestante jamais poderia objetar. Os protestantes podem não gostar dos meios, mas os fins estão além de qualquer disputa. Além disso, é claramente um princípio que nos ajudamos mutuamente no Corpo de Cristo, não apenas através da oração, mas através de outras obras de penitência. Se observarmos o apóstolo Paulo a esse respeito, vemos isso claramente: 2 Coríntios 1: 5-7 Porque, assim como nós compartilhamos abundantemente dos sofrimentos de Cristo, assim também por meio de Cristo compartilhamos abundantemente o conforto. Se estamos aflitos, é para o seu conforto e salvação; e, se formos consolados, é para o seu conforto, que vocês experimentam quando suportam pacientemente os mesmos sofrimentos que sofremos. Nossa esperança por vocês é inabalável; pois sabemos que, ao compartilhar nossos sofrimentos, vocês também compartilharão nosso conforto. Gálatas 6:17 De agora em diante, ninguém me perturbe; porque eu carrego no meu corpo as marcas de Jesus. Colossenses 1:24 Agora me regozijo em meus sofrimentos por amor de vós, e em minha carne completo o que falta nas aflições de Cristo por causa de seu corpo, isto é, a igreja, 2 Timóteo 4: 6 Pois já estou a ponto de ser sacrificado; a hora da minha partida chegou. (cf. Filipenses 2:17; 3:10) Portanto, se os sofrimentos de Paulo ajudarem a vida espiritual de outros cristãos, até mesmo para a salvação (2 Coríntios 1: 5-7) certamente a oração intercessora e amor da Santíssima Virgem Maria, que nunca pecou, e que levou nosso Senhor e Salvador e que cuidou d’Ele como uma criança, tem efeitos poderosos também. Se as penitências de Paulo e seu próprio uso como canal de graça e salvação são legítimas (ver capítulo 18), assim também são as orações de Maria e o trabalho mediador, da mesma forma. Se o dela é inválido; assim também São Paulo. É tudo bíblico, e parece-me que todas essas coisas são perfeitamente consistentes umas com as outras.
- SALVO PELA ORAÇÃO PERSISTENTE – 30º Domingo do Tempo Comum
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “A oração de um mendigo cego”, clicar AQUI. Assim como Bartimeu, curado por Nosso Senhor no Evangelho deste domingo, também nós somos cegos e mendigos: cegos porque, depois da queda de Adão, deixamos de ver a Verdade; e mendigos porque miseráveis e necessitados da graça divina. E, no entanto, se Deus já conhece nossa condição, por que precisamos pedir-lhe as coisas através da oração? Ouça esta meditação do Padre Paulo Ricardo e saiba o que tem a nos ensinar mais esse episódio bíblico de cura pela fé. PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Jeremias 31, 7-9) A salvação do resto de Israel Isto diz o Senhor: “Exultai de alegria por Jacó, aclamai a primeira das nações; tocai, cantai e dizei: ‘Salva, Senhor, teu povo, o resto de Israel’. Eis que eu os trarei do país do Norte e os reunirei desde as extremidades da terra; entre eles há cegos e aleijados, mulheres grávidas e parturientes: são uma grande multidão os que retornam. Eles chegarão entre lágrimas e eu os receberei entre preces; eu os conduzirei por torrentes d’água, por um caminho reto onde não tropeçarão, pois tornei-me um pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito”. SALMO 125 A volta dos cativos (Antífona): Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria! — Quando o Senhor reconduziu nossos cativos,/ parecíamos sonhar;/ encheu-se de sorriso nossa boca,/ nossos lábios, de canções. — Entre os gentios se dizia: “Maravilhas/ fez com eles o Senhor!”/ Sim, maravilhas fez conosco o Senhor,/ exultemos de alegria! — Mudai a nossa sorte, ó Senhor,/ como torrentes no deserto./ Os que lançam as sementes entre lágrimas,/ ceifarão com alegria. — Chorando de tristeza sairão,/ espalhando suas sementes;/ cantando de alegria voltarão,/ carregando os seus feixes! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Hebreus 5, 1-6) O único Salvador Todo sumo-sacerdote é tirado do meio dos homens e instituído em favor dos homens nas coisas que se referem a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Sabe ter compaixão dos que estão na ignorância e no erro, porque ele mesmo está cercado de fraqueza. Por isso, deve oferecer sacrifícios tanto pelos pecados do povo, quanto pelos seus próprios. Ninguém deve atribuir-se esta honra, senão o que foi chamado por Deus, como Aarão. Deste modo, também Cristo não se atribuiu a si mesmo a honra de ser sumo-sacerdote, mas foi aquele que lhe disse: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei”. Como diz em outra passagem: “Tu és sacerdote para sempre, na ordem de Melquisedec”. EVANGELHO (São Marcos 10, 46-52) Salvo pela oração persistente Naquele tempo, Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho. Quando ouviu dizer que Jesus, o Nazareno, estava passando, começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” Muitos o repreendiam para que se calasse. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” Então Jesus parou e disse: “Chamai-o”. Eles o chamaram e disseram: “Coragem, levanta-te, Jesus te chama!” O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. Então Jesus lhe perguntou: “O que queres que eu te faça?” O cego respondeu: “Mestre, que eu veja!” Jesus disse: “Vai, a tua fé te curou”. No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho. DE OLHO NO FILHO DE DAVI (Comentário de Scott Hahn) O evangelho de hoje é irônico. Um cego, Bartimeu, é o primeiro a reconhecer Jesus como o Messias (além dos apóstolos). Sua cura é o último milagre que Cristo faz antes de entrar na cidade santa de Jerusalém, na última semana de sua vida na terra. A cena, no caminho para Jerusalém, evoca a alegre procissão profetizada por Jeremias na primeira leitura de hoje. A profecia é cumprida em Cristo. Deus, através de seu Messias, liberta seu povo do exílio, trazendo-o dos confins da terra, com os cegos e coxos caminhando entre os demais. Jesus, como proclama Bartimeu, é o Filho tão esperado prometido a Davi (2S 7, 12-16; Is 11, 1; Jr 23, 5). Quando ele entrar triunfalmente em Jerusalém, todos reconhecerão que o reino eterno de Davi já chegou (Mc 11, 9-10). Como ouvimos na epístola de hoje, era esperado que o Filho de Davi fosse o Filho de Deus ( Sl 2, 7). Ele estava destinado a ser um sacerdote-rei, como Melquisedeque (Sl 110, 4), que ofereceu pão e vinho ao Deus Altíssimo no alvorecer da história da salvação (Gn 14, 18-20). Bartimeu é um símbolo do seu povo, o povo cativo de Sião, assunto do salmo que cantamos de hoje. Seu Deus fez grandes coisas por ele. Em toda a sua existência semeou entre lágrimas e pranto; agora, colhe uma vida nova. Bartimeu também deveria ser um sinal para nós. Quantas vezes Cristo passa diante de nós na pessoa dos pobres, ou disfarçado de um membro problemático da nossa família, ou como um companheiro difícil (Mt 25, 31-46), e nós não O vemos! Cristo continua a nos chamar através de sua Igreja, como ele chamou Bartimeu através de seus apóstolos. Contudo, nos encontra tantas vezes dando ouvidos à multidão e não aos ensinamentos da sua Igreja! Hoje, ele nos pergunta como fez a Bartimeu: “O que queres que eu te faça?” Com alegria, vamos também perguntar a Cristo: “O que queres que façamos por Ti, em gratidão por tudo o que fizeste por nós?” https://stpaulcenter.com/mirando-al-hijo-de-david-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-30o-domingo-de-tiempo-ordinario/ https://stpaulcenter.com/seeing-the-son-of-david-scott-hahn-reflects-on-the-thirtieth-in-sunday-ordinary-time/
- ENCÍCLICA “SATIS COGNITUM” PAPA Leão XIII 29 de junho de 1896 A UNIDADE DA IGREJA COMO
ENCÍCLICA “SATIS COGNITUM” PAPA Leão XIII 29 de junho de 1896 A UNIDADE DA IGREJA COMO CORPO MÍSTICO DE CRISTO A igreja, se consideram o fim último que se propõe e as causas próximas que nela produzem a santidade, certamente é espiritual; mas se se contemplam os membros de que se compõe e os meios que conduzem aos dons espirituais, é exterior e necessariamente visível… Por todas estas razões, as Sagradas Escrituras chamam a Igreja tão frequentemente ora “corpo”, ora “corpo de Cristo”: “Vós Sois o corpo de Cristo” [1 Coríntios 12,27]. Por ser um corpo, a igreja é visível aos olhos; por ser de Cristo, o corpo é atuante e viçoso, porque [Cristo] cuida dela e a sustenta… assim como nos seres animados o princípio Vital é o culto e totalmente invisível, mas denunciado e manifestado pelo corrimento e ação dos membros, assim o princípio da vida sobrenatural na igreja se manifesta visivelmente naquilo que por eles é realizado. segue-se daí que andam em grande e pernicioso erro aqueles que imaginam uma Igreja acerto e a representam como oculta e de nenhum modo visível; igualmente, os que a consideram uma instituição humana com algum regime disciplinar e ritos externos, mas sem a perene comunicação dos dons da Graça divina, Fernanda que demonstre por uma manifestação diária e evidente a vida Sobrenatural haurida em Deus. Na verdade, a Igreja recusa que qualquer uma das duas possa ser a Igreja de Cristo tanto quanto um ser humano constituído tão somente do corpo ou da alma. o conjunto a união destas duas partes são absolutamente necessários para a verdadeira igreja, Mas ou menos como a enzima união de alma e corpo para a natureza humana. A igreja não é uma espécie de cadáver morto, mas o corpo de Cristo animado por sua vida Sobrenatural. O próprio Cristo, cabeça e modelo, não está inteiro se nele se considerar só a natureza humana visível… ou só a natureza Divina invisível,… mas é Uno a partir de ambas e em ambas as naturezas, tanto a visível com a invisível; assim seu corpo Místico não é a verdadeira igreja, a não ser com esta condição, que suas partes visíveis recebam força e vida dos dons Sobrenaturais e outros elementos invisíveis, dos quais nasci a essência e natureza que lhe é própria. …. Quando se trata de determinar e estabelecer a natureza dessa unidade, variados error desvia muitos do caminho. Não somente a origem, mas toda a Constituição da igreja pertence ao gênero das coisas que procedem da livre vontade; por isso, toda a questão deve se voltar para o que de fato foi feito, não é preciso inquirir de que modo a igreja pode ser una, mas de que modo aquele que afundou quis que fosse Una. Pois bem, Quando se considera o que aconteceu, Jesus Cristo não conseguiu nem formou a Igreja de modo que compreendesse uma pluralidade de comunidades semelhantes em seu gênero, porém distintas e não ligadas por esses vínculos que tornaram a igreja indivisível eu única, como claramente professamos no símbolo da Fé “creio na igreja Una”… Assim, quando Jesus Cristo fala deste Edifício místico, somente recorda uma única igreja, à qual chama a sua: “edificarei a minha igreja” [Mateus 16, 18]. Qualquer outra que se imagine fora desta, como não foi fundada por Jesus Cristo, não pode ser a verdadeira Igreja de Cristo. …. Assim, portanto, a salvação que Jesus Cristo adquiriu e, juntamente, todos os benefícios que dela procedem, a igreja deve difundidos é amplamente e os propagar para todas as idades. Por isso, segundo a vontade de seu autor, é necessário que ela seja única para a terra toda em toda adoração do tempo…. A isso acresce que o filho de Deus decretou o que a igreja fosse seu corpo místico, ao qual ele se unirá como cabeça, à Semelhança do corpo humano que ele assumiu. … Pois como ele assumiu um corpo mortal único, que entregou ao sofrimento e à morte para pagar o preço da libertação da humanidade, assim ele tem igualmente o único corpo místico, no qual e por meio do qual ele faz os homens participar da Santidade e da salvação eterna: “(Deus) constituiu-o (Cristo) cabeça de toda a igreja, que é o seu corpo” [Efésios 1. 22]. Membros dispersos e separados não podem unir-se a uma mesma cabeça para formar ao mesmo tempo um só corpo. Ora, Paulo diz: “todos os membros do corpo, embora sejam muitos, são contudo um só corpo: assim também Cristo” [1Coríntios 12.12]. Por isso, diz ele, este corpo Místico é “Unido e articulado”: “Cristo é a cabeça, e a partir dele todo o corpo é Unido e articulado por todas as junturas de multa o serviço, segundo a operação proporcionada a cada um dos membros” [Efésios 4,15]. Por esta razão, se alguns membros se afastam dos outros membros, não podem estar Unidos à única e mesma cabeça. … A Igreja de Cristo é, portanto, única e perene: quem se separa dela aparta-se da vontade e do preceito do Cristo senhor e, deixando o caminho da salvação, caminha para a perdição. #Dogmas #France #EncíclicasPapais
- Deus existe? O argumento cosmológico.
Iremos começar por uns dos principais questionamentos de todos, a existência de Deus. A existência de Deus é objeto de questionamento há séculos, por milhares de anos o homem se pergunta se existe um Deus, ou deuses, e se de fato existem, qual o papel deles na vida humana. Esse é um questionamento fundamental a todo ser humano, pois a existência de Deus é a chave de como enxergamos e vivemos toda nossa vida. Pretendo utilizar 3 argumentos conhecidos para abordar a questão, o argumento cosmológico ou da causa primeira, o argumento do ajuste-fino e o argumento moral. Irei explicar o que é cada um deles e como podemos a partir dessa argumentação demonstrar a existência de Deus. Os outros dois serão postados em breve. O argumento cosmológico ou da causa primeira O Argumento Cosmológico ou Argumento da Primeira Causa é um argumento filosófico para a existência de Deus que visa a buscar uma causa primeira para o Universo. Esse argumento tem suas raízes nos filósofos gregos Platão e Aristóteles e foi desenvolvido por pensadores muçulmanos, judeus e cristãos da idade média. Dentro do cristianismo, este argumento foi mais bem elaborado por Tomás de Aquino na Suma Teológica. Filosoficamente falando, é errado dizer que Deus existe. A etimologia da palavra existir, significa “provir de”. Pois tudo que existe procede de algo que não a si mesmo. O objeto não pode ser sua própria causa. Então nesse sentido, Deus não existe, pois tudo aquilo que existe, veio a ser, é temporal, finito, causado por alguma coisa. Ou seja, nada disso descreve a um Deus eterno do qual cremos. Deus não existe, Deus É! Pois Ele é a própria essência do ser e de toda existência. O próprio Deus disse a Moisés na sarça quando Moisés o perguntou quem Ele era, e Deus respondeu: “EU SOU.” Pois tudo aquilo que É, não possui causa, é eterno, assim como nosso Criador. Deus é o motor imóvel, a causa primeira, como dizia São Tomás de Aquino. Então existir, é parte da essência de Deus, pois Ele é o ser. Nós meros humanos, não somos o Ser, mas o recebemos como dádiva do Criador e o deixamos de ser quando morremos. Somos finitos, mortais, meras criaturas. Por isso a pergunta frequente dos ateus “quem criou Deus?” não possui lógica alguma. É como dizer 1+1= sapato. Não faz sentido. Pois algo eterno não pode ser criado. Então temos o argumento: Tudo que veio a existência teve uma causa. O próprio universo veio à existência, portanto, teve uma causa. Se o objeto não pode ser sua própria causa, ‘algo’ externo ao universo o causou. Para ser externo ao universo, é necessário ser eterno e imaterial. Então a lógica nos conduz a concluir que Deus é o criador universo. Essa é uma referência a chamada primeira via de São Tomás de Aquino para demonstrar a existência de Deus. Mas vamos falar mais sobre a versão do argumento chamado “kalam“, essa palavra deriva da língua árabe e quer dizer discurso. Seu objetivo é demonstrar que o universo teve um princípio num momento determinado no passado, com uma causa transcendente e com todas as características que apontam para Deus. Ele segue princípios filosóficos de Tomás de Aquino, com a diferença de que ele é também confirmado pela ciência moderna. A Bíblia nos diz, desde o primeiro versículo, que Deus criou o universo; “No princípio, criou Deus os céus e a terra…”[1] E por causa disso, desde sempre, judeus e posteriormente cristãos sempre creram que o universo não era eterno, mas teve um início, ao contrário da grande maioria das tradições religiosas que sempre afirmaram que o universo era eterno. Sendo eterno, não haveria a necessidade de um Criador, então é de suma importância essa diferença. A partir dessa contradição entre a tradição judaico-cristã e as outras religiões, veremos como o argumento cosmológico nos mostra que de fato o universo teve um começo e que Deus foi necessariamente sua causa. O argumento é o seguinte: 1- Tudo que veio a existir, teve uma causa. 2 – O universo veio a existir. Conclusão: O universo teve uma causa. As linhas 1 e 2 são chamadas premissas, e se as premissa estiverem certas, a conclusão também estará. Vamos analisa-las. Tudo que veio a existir teve uma causa. Essa parece meio óbvia, tudo que veio a existir é finito e possui um causa da sua existência. As coisas não aparecem simplesmente do nada sem nenhuma causa e sem nenhuma explicação. A própria etimologia da palavra existir significa “provir de”. Achar que as coisas aparecem do nada, é acreditar em mágica. As evidências científicas e nossa própria experiência nos garantem que isso é falso. Se assim fosse, veríamos a todo tempo coisas aparecendo e desaparecendo diante de nós. Então, uma vez que reconhecemos que nosso universo é constituído de matéria e energia, temos que encarar a realidade de que elas devem ter vindo de algum lugar, elas não são eternas e não vieram do nada. Então fica claro que as coisas possuem uma causa da sua existência. 2 – O universo veio a existir Como expliquei acima, na crença judaico-cristã, há mais de 2000 anos se acredita que o universo foi criado por Deus, que ele não era eterno como se acreditavam em muitas outras religiões. A eternidade do universo é impossível, pois se o passado é infinito, o presente nunca chegaria, pois só existe o dia de hoje, porque o de ontem terminou. Se houvesse uma regressão infinita, o dia de hoje nunca chegaria. A moderna Teoria do Big Bang tenta explicar o início do universo, ela é apoiada por uma séria de descobertas científicas que demonstram isso, o universo teve um início determinado no passado. Segunda lei da Termodinâmica – Afirma que o universo está ficando sem energia utilizável, caso o universo fosse eterno e estivesse aqui desde sempre, esse tempo já teria chegado. Ou seja, a segunda lei da termodinâmica nos diz que o universo não pode ser eterno, mas que teve um início. O Universo em expansão – Em 1929, o telescópio espacial Hubble fez uma descoberta fantástica. Um desvio para o vermelho na luz de galáxias distantes mostrou que o Universo está expandindo-se. Mas de que maneira isso prova que o Universo teve um início? Se ele está se expandindo hoje, é porque ele não é eterno, ele não existe desde sempre – se assim fosse, ele seria estático – mas teve um começo. Radiação do Big Bang – Em 1965, Arno Penzias e Robert Wilson detectaram uma estranha radiação na antena do Laboratório Bell, em Holmdel, nos Estados Unidos. Por mais que eles mudassem a direção da antena, aquela radiação permanecia. Primeiramente eles acharam que aquilo era resultado de dejetos de pombos, mas aquilo permanecia mesmo após a antena ser limpa, e vinha de todas as direções. Depois de muito trabalho, eles descobriram aquilo que seria uma das maiores descobertas científicas do século XX, que chegou a ganhar o Prêmio Nobel: eles tinham descoberto o brilho vermelho da explosão da bola de fogo do Big Bang. Geisler e Frank Turek discorreram sobre essa descoberta nas seguintes palavras: “Tecnicamente conhecida como radiação cósmica de fundo, esse brilho é realmente luz e calor emanados da explosão inicial. A luz não é mais visível porque o seu comprimento de onda foi esticado pela expansão do Universo para um tamanho pouco menor do que aquele que é produzido por um forno de micro-ondas. Mas o calor ainda pode ser detectado. Voltando a 1948, três cientistas predisseram que, se o Big Bang realmente tivesse acontecido, essa radiação estaria em algum lugar. Mas, por alguma razão, ninguém havia tentado detectá-la antes de Penzias e Wilson terem tropeçado nela por acaso há cerca de 30 anos. Ao ser confirmado, essa descoberta lançou por terra qualquer sugestão de que o Universo esteja num estado eterno de passividade.”[2] Como o cientista Robert Jastrow declara: “ Qual é a última conclusão a respeito da origem do Universo? As respostas oferecidas pelos astrônomos são desconcertantes e notáveis. E o mais notável de tudo é o fato de que na ciência, como na Bíblia, o mundo começa como um ato de criação.” [3] A teoria da relatividade de Einstein – A teoria da relatividade de Einstein implica em um início absoluto do tempo, espaço e matéria, que são correlacionados, o que significa que você nunca pode ter um sem os outros. Isso significa apenas duas coisas: ou o nada criou a matéria e tudo aquilo que existe hoje, ou alguém a criou. Como o nada não é nada e nem pode criar nada, é evidente que o Universo teve um Criador. Até agora demostramos que o universo de fato teve um início, que foi criado, que é impossível que o universo tenha sido sua própria causa, pois como ele seria sua própria causa antes de existir? Então algo o causou, mas o que poderia ter causado o universo? Sabemos que essa causa do universo deve ser: Atemporal e Eterna – Não está limitada ao tempo e ao espaço do nosso universo, pois como a teoria do Big Bang e a teoria da relatividade de Einstein afirmam, a própria dimensão do tempo passou a existir após o Big Bang, então antes do Big Bang, o que quer que tenha existido, não poderia estar preso ao tempo, precisaria ser eterno para que pudesse o causar, pois, somente algo eterno pode ser “a causa das causas não causada”, isto é, a Causa primeira, a causa de si mesmo. Auto-existente – Uma implicação lógica do fato de ser a causa de si mesmo. Imaterial – Por ser externa ao Universo físico, não poderia ser matéria, já que a matéria não é eterna e também está condicionada com o espaço-tempo. Onipotente – Para criar todo o Universo a partir do nada é preciso imenso poder. Pessoal – a personalidade da causa do universo é implicada por sua eternidade e imaterialidade, pois as únicas entidades conhecidas possuidoras dessas propriedades são mentes ou coisas abstratas, e coisas abstratas não existem em relações causais. Portanto, a causa transcendente da origem do universo deve ser da ordem da mente. O que é eterno, atemporal, pessoal, imaterial e onipotente? Isso mesmo, Deus. Todas as evidências da causa do universo apontam para Deus, o Deus que nós conhecemos como o Criador dos céus e da terra. Então resumindo: “ a causa do universo deve ser uma causa transcendente que esteja além do universo. Essa causa tem de ser ela mesma não causada, pois já vimos que uma cadeia de causas infinitas é algo impossível. Ela é, portanto, a causa primeira não causada. Deve transcender o tempo e o espaço, uma vez que foi ela quem criou a ambos. Logo, deve ser imaterial e não física. E deve ser inimaginavelmente poderosa, uma vez que criou toda matéria e energia.”[4] Mas o ateu pode dizer “Se o universo tem um causa, então o que causou Deus, quem criou Deus”? Isso demonstra a completa falta de entendimento do que Deus é e de tudo que falamos até aqui. Foi logicamente demonstrado que Deus é eterno, ou seja, não-causado, perguntar a causa de algo não-causado é como pedir o nome de casado de uma pessoa solteira. O universo teve uma causa, e a causa do universo é necessariamente não-causada. Falar sobre “deuses criados” é falar sobre o que no cristianismo chamamos de ídolos, que são os deuses feitos à imagem e semelhança do homem. Conclusão: Esse é o argumento cosmológico, ou pelo menos uma das formas de apresentá-lo, ele busca mostrar que Deus é a causa do universo através de argumentação lógica e da utilização de algumas evidências científicas. O universo possui uma causa e essa causa é Deus. [1] Gênesis 1:1 [2] TUREK, Frank; GEISLER, Norman. Não tenho fé suficiente para ser ateu. [3] Citado por Wiester em The Genesis Connection p.24 [4] Em Guarda – William Lance Craig, p. 108. Ramon Serrano
- A SEGUNDA EVA E A CERTEZA DA VERDADEIRA HUMANIDADE DE CRISTO Parte I
• A SEGUNDA EVA E A CERTEZA DA VERDADEIRA HUMANIDADE DE CRISTO • Parte I • pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação, assim por um só ato de Justiça veio a Graça sobre todos os homens. Romanos 5: 19 • Nos séculos II e III depois de Cristo, durante os expressivos momentos da transição cultural e da Revolta espírito -intelectual que os intelectuais denominam antiguidade tardia, Mais ou menos entre os períodos Bizantino e medieval, o paralelo entre Maria e Eva foi o foco principal de dois aspectos importantes da vida e do pensamento que ainda são preocupações permanentes em nossa era: o sentido do tempo (se é que há algum) e a história da humanidade, abrangendo a definição do que significa pertencer à raça humana. • a principal contribuição da Fé de Israel para o desenvolvimento do pensamento ocidental foi o registro de sua história. Com isso não queremos dizer que a questão do sentido da história humana estivesse ausente em outras culturas, como, por exemplo, na cultura clássica grega. O tema recebeu atenção especial sobretudo por parte de Platão no livro IV de suas leis. essa obra contém uma profunda análise do Poder das várias forças da história: “Deus governa todas as coisas mas o acaso [tyche] Ilhas oportunidade [kairos] com Ele couberam em seu governo dos negócios humanos. No entanto, a um terceiro ponto menos extremista, o de que a arte [techne] também deve ser considerada”. Como Constantino Despotopoulos salientou, Profundas reflexões sobre a inter-relação dessas três forças poderiam se tornar a fundação para uma abrangente filosofia da história. Esse também é o caso dois historiadores da antiga Atenas, principalmente tucídides — em sua oração fúnebre Péricles — e Heródoto, pois ambos analisaram seriamente esse assunto em suas ponderações sobre a história grega. • Entretanto, a difusão da Fé de Israel e das realizações dos hebreus bíblicos por todo o mundo grego-romano — que se deu em primeiro lugar pela tradução de escritos para o grego realizada pelos judeus helenisticos e depois, mas maciça e decisivamente, pela missão e expansão do cristianismo em todo o mundo Mediterrâneo — desafiou e acabou por transformar as opiniões predominantes sobre a natureza e o propósito do processo histórico. A repetição de uma das leis de Platão — “Deus tudo governa” — passou a ter um sentido radicalmente diferente quando a oportunidade [kairos] histórico em questão tratava do êxodo dos filhos de Israel do Egito, durante o qual Moisés recebeu a lei de Deus no Monte Sinai, ou a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. De certo modo, a crença de que “Deus tudo governa” era intensificada quando a palavra Deus não se referirem aos deuses do Monte Olimpo nem ao Uno da filosofia platônica, mas ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó ou ao Pai, Filho e Espírito Santo. Apesar de suas diferenças Profundas e fundamentalmente irreconciliáveis, o Judaísmo e o cristianismo consideravam a história humana como um processo no qual o governo Divino era uma questão de iniciativa Divina. Moisés não usou o seu próprio talento para se encontrar com Deus encontro cuidava dos rebanhos de jetro nas planícies de Midiã; ao contrário, Foi Deus Quem escolheu, o procurou e com ele falou do meio da sarça ardente, impondo-lhe a tarefa de dizer ao faraó: “liberta meu povo” (Êxodo 3). De modo semelhante, o novo testamento não era um relato de como a tendência evolutiva da história humana finalmente atingirá o nível da divindade e como a carne se tornará a palavra de Deus; ao contrário, “No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus. E o verbo se fez carne e habitou entre nós”. (João 1. 1-14). Portanto, em um sentido mais radical e transformador, a história Era vista do alto, como o registro dos atos de um Deus vivo. Como o Novo Testamento afirma, “toda boa dádiva e todo Dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das Luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação”. (Tiago 1.17). • Mas isso é apenas parte da história, pois as tradições judaicas e cristãs não deixavam de contar essa mesma história sob uma perspectiva terrena, como um registro de ações autenticamente humanas, nas quais os homens, por serem dotados de livre arbítrio, deve assumir todas as responsabilidades Morais. Em meio às mudanças e insurreições do mundo Mediterrâneo dos séculos II e III, os espíritos sensíveis da antiguidade tardia se perguntavam se haveria um significado perceptível na história da humanidade. Um dos mais nobres dentre esses espíritos sensíveis, Marco Aurélio, morto em 180, aborda esse assunto no livro XII de suas meditações, escrevendo em grego em vez de latim, apesar de ser Imperador de Roma: “Há em julgamento de uma lei inexoráveis, uma orientação Divina que pode ser misericordiosa, Olá em caos inútil e desgovernado? Se não se pode resistir ao destino, Por que tentar lutar contra ele? se existe uma orientação Divina que procura ser misericordiosa, é necessário nos esforçarmos por merecer a compaixão de Deus. Se apenas o carro descontrolado, precisamos agradecer por, dentro de nós, haver uma mente no leme, em meio a esses Mares tempestuosos”. examinando as alternativas propostas pelo filósofo-Imperador Marco Aurélio, vemos que o Judaísmo e o cristianismo contribuíram com uma visão histórica que se assemelha a uma arena onde estavam em Ação tanto “a orientação Divina que pode ser misericordiosa” como a atividade humana que pode ser responsabilizada, de modo que nenhuma delas poderia ser considerada isoladamente. Este foi o mais profundo significado da palavra hebraica berith, pacto, no qual ambas as partes se obrigavam a certos compromissos, mesmo que uma delas fosse o criador dos céus e da terra e a outra uma simples criatura humana. Na versão Cristã desse aspecto autenticamente humano da história dialética, Eva e Maria eram as personagens-chave. #mariologia #Maria #France #EUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoArabiasauditaEmiradosÁrabesunidosEtiópiaNigériaChinaIraqueZimbabuéÁfric #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #Dogmas #UzbequistãoLaosMauritâniaIêmemAfeganistãoMaldivasSomáliaArábiaSauditaIrãCoréiadoNorte
- O CRISTÃO NÃO PODE VOTAR EM QUALQUER CANDIDATO
A INDISPONIBILIDADE DO ABORTO. O filósofo italiano Stefano Fontana, em sua recente obra Igreja gnóstica e secularização – a antiga heresia e a desintegração da fé (Fede & Cultura, Verona, 2018, ainda sem tradução para o português), afirma que há certas coisas que nunca estarão “disponíveis” para a manipulação humana. Uma dessas coisas é a vida humana, que é sagrada: o homem não pode interrompê-la em nenhum momento, desde o nascimento até a morte natural. Por isso, tanto o aborto como a eutanásia estão “indisponíveis”. E essa “indisponibilidade” deve ser garantida, se não quisermos deixar o futuro da espécie humana nas mãos de um novo Stalin ou um novo Hitler. Não é necessário que um candidato à presidência da República seja um santo de virtudes inatacáveis; mas é preciso que defenda, em alto e bom som, esses dois mandamentos morais básicos, de origem divina, que estão no alicerce de nossa civilização: “honrar pai e mãe” (a defesa da família formada por pai, mãe e filhos) e “não matar” (a começar por inocentes no ventre materno). 50 MILHÕES DE ABORTOS POR ANO. Mais de 50 milhões de abortos são praticados por ano, em todo o mundo. Ou seja: mais de 50 milhões de assassinatos. Pior: assassinatos de filhos pelas próprias mães. No primeiro turno das eleições de 2018, vários candidatos afirmaram, sobre aborto, que a decisão de assassinar ou não o bebê era da mulher grávida. Portanto, como presidentes, institucionalizariam definitivamente essa covarde modalidade de homicídio. Matar bandidos, se em defesa pessoal, é uma atitude moralmente defensável; no entanto, matar ou concordar com o assassinato de inocentes indefesos é um ato da maior e mais indigna imoralidade. Políticos favoráveis ao aborto serão os primeiros a criarem programas de redução de natalidade entre os mais pobres, com farta distribuição de anticoncepcionais abortivos, sobretudo a “pílula do dia seguinte”, e a utilização da rede pública de saúde para abortos gratuitos (que a linguagem politicamente correta prefere chamar, eufemisticamente, de “interrupção de gravidez”). Esses candidatos, certamente, jamais pensaram na possibilidade de terem sido abortados por suas mães. CONSEQUÊNCIAS MORAIS DO ABORTO. O Estado não tem o direito de institucionalizar o assassinato de seres inocentes e indefesos. A pessoa que começa por apoiar o assassinato de bebês intra-uterinos já está a um passo de concordar com a eliminação massiva de adversários políticos, como fizeram tantos líderes socialistas contemporâneos, provocando 100 milhões de mortes no século XX: China (65 milhões de mortos); União Soviética (20 milhões); Coréia do Norte (2 milhões); Camboja (2 milhões); África (1,7 milhão, distribuído entre Etiópia, Angola e Moçambique); Afeganistão (1,5 milhão); Vietnã (1 milhão); Leste Europeu (1 milhão); América Latina (150 mil entre Cuba, Nicarágua e Peru). Esses números aparecem, bem documentados, em obra lançada na França há mais de vinte anos: em 1997, saía O livro negro do comunismo, resultado de trabalho dirigido pelo professor Stéphane Courtois, diretor de pesquisas do Centro Nacional de Pesquisa Científica, da Universidade de Paris.
- O Martírio dos Santos Mártires Justino, Caritão, Carites, Peônio e Liberiano, que sofreram em Roma
CAPÍTULO. I. – EXAME DE JUSTINO PELO PREFEITO. No tempo dos partidários da idolatria sem lei, foram decretados decretos iníquos contra os piedosos cristãos na cidade e no campo, para forçá-los a oferecer libações a ídolos vãos; e consequentemente os homens santos, tendo sido apreendidos, foram levados perante o prefeito de Roma, Rústico por nome. E quando eles foram trazidos diante de seu tribunal, Rústico, o prefeito, disse a Justino: “Obedeça aos deuses imediatamente, e submeta-se aos reis”. Justino disse: “Obedecer aos mandamentos de nosso Salvador Jesus Cristo não é digno de culpa nem de condenação”. Rústico, o prefeito, disse: “Que tipo de doutrina você professa?” Justino disse: “Eu me esforcei para aprender todas as doutrinas, mas finalmente concordei nas doutrinas verdadeiras, isto é, sobre os cristãos, mesmo que eles não agradem aqueles que têm opiniões falsas.” Rústico, o prefeito, disse: “São essas as doutrinas que agradam a você, você é um homem totalmente desgraçado?” Justino disse: “Sim, desde que eu adira a elas como o dogma certo.” Rústico, o prefeito, disse: “Qual é o dogma?” Justino disse: “Aquele segundo o qual adoramos o Deus dos cristãos, a quem consideramos ser Um desde o princípio, o criador e formador de toda a criação, visível e invisível; e o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, que também havia sido pregados de antemão pelos profetas como prestes a estar presentes com a raça dos homens, o arauto da salvação e professor de bons discípulos. E eu, sendo um homem, acho que o que eu posso dizer é insignificante em comparação com a sua ilimitada divindade, reconhecendo um certo poder profético, uma vez que foi profetizado a respeito dAquele de quem agora eu digo que Ele é o Filho de Deus. Porque eu sei que antigamente os profetas predisseram Sua aparência entre os homens “. CAPÍTULO. II. EXAME DE JUSTÍNO (CONTINUAÇÃO) Rustíco, o prefeito, disse: “Onde vocês sê reúnem?” Justíno disse: “Onde cada um escolhe e pode: pois você imagina que todos nós nos encontramos no mesmo lugar? Não é assim, porque o Deus dos cristãos não é circunscrito por lugar; mas sendo invisível, preenche o céu e a terra, e em todo lugar é adorado e glorificado pelos fiéis “. Rustíco, o prefeito, disse: “Diga-me onde vocês se reúnem ou em que lugar você coleciona seus seguidores?” Justíno disse: “Eu vivo acima de um Martino, no Banho Timiotiniano; e durante todo o tempo (e agora estou morando em Roma pela segunda vez) não tenho conhecimento de nenhum outro encontro além do dele. E se alguém quisesse vir para mim, eu comumicaria a ele as doutrinas da verdade “. Rústico disse: “Você não é, então, um cristão?” Justíno disse: “Sim, eu sou cristão”. CAPÍTULO. III. – EXAME DE CARITÃO E OUTROS. Então disse o prefeito Rústico a Caritão: “Diga-me mais, Caritão, você também é cristão?” Caritão disse: “Eu sou cristão pelo mandamento de Deus”. Rustíco, o prefeito, perguntou à mulher Carites: “O que você diz, Carites?” Carites disse: “Eu sou cristã pela graça de Deus”. Rústico disse a Euelpistos: “E o que você é?” Euelpistos, um servo de César, respondeu: “Eu também sou cristão, tendo sido libertado por Cristo; e pela graça de Cristo participo da mesma esperança”. Rústico, o prefeito, disse a Hierax: “E você, você é cristão?” Hierax disse: “Sim, eu sou cristão, porque eu reverencio e adoro o mesmo Deus”. Rústico, o prefeito, disse: “Justíno fez de você cristão?” Hierax disse: “Eu era cristão e seria cristão”. E Peônio se levantou e disse: “Eu também sou cristão”. Rústico o prefeito disse: “Quem te ensinou?” Peônio disse: “De nossos pais recebemos essa boa confissão”. Euelpistos disse: “Eu ouvi de bom grado as palavras de Justíno. Mas dos meus pais também aprendi a ser cristão”. Rústico, o prefeito, disse: “Onde estão seus pais?” Euelpistos disse: “Na Capadócia”. Rústico disse a Hierax: “Onde estão seus pais?” E ele respondeu e disse:”Cristo é o nosso verdadeiro pai, e a fé Nele é nossa mãe; e meus pais terrestres morreram; e eu, quando fui expulso de Icônio na Frígia, vim para cá”. Rústico, o prefeito, disse a Liberiano: “E o que você diz? Você é cristão e não quer adorar [os deuses]?” Liberiano disse: “Eu também sou cristão, porque adoro e reverencio o único Deus verdadeiro”. CAPÍTULO. IV. — RÚSTICO AMEAÇA OS CRISTÃOS COM MORTE. O prefeito disse a Justino: “Ouça, você, que é chamado de instruído, e pensa que conhece as doutrinas verdadeiras; se você for açoitado e decapitado, acredita que subirá ao céu?” Justíno disse: “Espero que, se eu suportar estas coisas, eu tenha os Seus dons. Pois eu sei que, para todos os que assim viveram, permanece o favor divino até a conclusão de todo o mundo”. Rústico, o prefeito, disse: “Você supõe, então, que subirá ao céu para receber alguma recompensa?” Justíno disse: “Eu não suponho, mas eu sei e estou totalmente convencido disso.” Rústico, o prefeito, disse: “Vamos, então, agora chegar ao assunto em questão, e que pressiona. Tendo se reunido, ofereça sacrifício em comum aos deuses”. Justíno disse: “Nenhuma pessoa de pensamento correto cai da piedade para a impiedade”. Rústico, o prefeito, disse: “A menos que se obedeça, serás impiedosamente castigado”. Justíno disse: “Por meio da oração, podemos ser salvos por causa de nosso Senhor Jesus Cristo, mesmo quando somos punidos, porque isso se tornará para nós salvação e confiança no mais temeroso e universal tribunal de nosso Senhor e Salvador.” Assim também disseram os outros mártires: “Façam o que quiserem, pois somos cristãos e não sacrificaremos a ídolos”. CAPÍTULO. V. – SENTENÇA PRONUNCIADA E EXECUTADA. Rústico, o prefeito pronunciando a sentença, disse: “Que aqueles que se recusarem a sacrificar aos deuses e ceder ao comando do imperador sejam flagelados, e levados para sofrer a punição da decapitação, de acordo com as leis.” Os santos mártires, tendo glorificado a Deus e tendo ido ao lugar habitado, foram decapitados e aperfeiçoaram seu testemunho na confissão do Salvador. E alguns dos fiéis, tendo secretamente removido seus corpos, colocaram-nos em um lugar adequado, a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, tendo habitado com eles, a quem seja dada a glória para todo o sempre. Amém. Extraído de “Os Padres da Igreja Primitiva e Outras Obras” originalmente publicado por Wm. B. Eerdmans Pub. Co. em inglês em Edimburgo, na Escócia, a partir de 1867. (ANF 1, Roberts e Donaldson.) A versão digital é da The Electronic Bible Society, P.O. Caixa 701356, Dallas, TX 75370, 214-407-WORD.
- O QUE É O CONSERVADORISMO? – Lee Edwards
No centenário de nascimento do filósofo americano Russell Kirk (1918-2018) O conservadorismo é uma filosofia, não uma ideologia O National Review Institute, liderado pela temível Lindsay Craig, tem se empenhado em um projeto louvável nos últimos cinco anos, patrocinando um “exame rigoroso” de princípios conservadores, para profissionais no meio da carreira que querem uma compreensão mais profunda do conservadorismo. Liderando as discussões, ao longo de oito seminários com jantares, estão conservadores como Victor Davis Hanson, Jonah Goldberg, Richard Brookhiser, Dan Mahoney e Kathryn Jean Lopez. Tive o privilégio de lançar a série em Nova York, Washington, DC, Dallas, São Francisco e Filadélfia, com um perfil do fundador polímata da National Review, William F. Buckley Jr. Na seção de perguntas e respostas que segue à palestra, duas perguntas são invariavelmente feitas por advogados, educadores, funcionários públicos, médicos, empresários e até mesmo pastores que participam do encontro. A primeira pergunta geralmente vem em meio à discussão: “Existe hoje por aí alguém que poderia ser o próximo Bill Buckley?” Eu me recuso a ficar preso a um nome, mas mencionaria jovens e dinâmicos palestristas, como Ben Shapiro e Matthew Continetti, e editores perspicazes, como Yuval Levin e Dan McCarthy. Quando pressionado, respondo que Bill Buckley era sui generis e é improvável que o veremos novamente. Mas, acrescento rapidamente, que há um bom número de conservadores com menos de 40 anos, cujos talentos, no conjunto, são iguais aos do homem que, mais do que ninguém, fez o movimento conservador moderno. A segunda questão geralmente chega ao final do jantar: “O que é conservadorismo?” A maioria dos membros do Instituto da National Review vive em um mundo liberal hostil, no qual eles são desafiados a justificar suas posições filosoficamente. Eles não buscam um tweet rápido, mas uma explicação detalhada do conservadorismo, sobre a qual poderiam fundamentar-se e basear sua posição nos assuntos urgentes do dia. Minha resposta se baseia em quatro fontes: (1) A Declaração de Sharon, elaborada por M. Stanton Evans e adotada pelo Young Americans for Freedom em sua reunião de fundação em setembro de 1960. (2) A mentalidade conservadora, de Russell Kirk, segundo o qual a essência do conservadorismo se resume a seis cânones. (3) A Consciência de um Conservador, de Barry Goldwater, que discorre sobre os dois aspectos do homem: o material e o espiritual. (4) A partir do liberalismo, de Buckley. Começo com os principais pontos da Declaração de Sharon, reconhecidos pelo The New York Times como um “documento seminal” do movimento conservador, e aceito por muitos conservadores como a melhor síntese de ideais conservadores. Nós, como jovens conservadores, acreditamos: Que o principal entre os valores transcendentes é o uso que o indivíduo faz do livre-arbítrio dado por Deus, de onde deriva seu direito de defender-se das restrições das forças arbitrárias; Que a liberdade é indivisível, e essa liberdade política não pode existir por muito tempo sem liberdade econômica; Que o objetivo do governo é proteger essas liberdades por meio da preservação da ordem interna, da manutenção da defesa nacional e da administração da justiça; Que a Constituição dos Estados Unidos é o melhor contrato já concebido para capacitar o governo a cumprir adequadamente o seu papel, ao mesmo tempo em que o preserva da concentração e do abuso de poder; Que a economia de mercado, alocando recursos pelo livre jogo da oferta e demanda, é o único sistema econômico compatível com as exigências da liberdade pessoal e do governo constitucional, sendo, ao mesmo tempo, o mais produtivo atenuador das necessidades humanas; Que a política externa americana deve ser julgada por este critério: ela atende aos justos interesses dos Estados Unidos? Em seguida, ofereço meu resumo dos seis cânones conservadores de Russell Kirk: (1) Tanto uma intenção divina, como a consciência pessoal, governam a sociedade. (2) A vida tradicional é cheia de variedade e mistério, enquanto a maioria dos sistemas radicais é caracterizada por uma estreita limitação. (3) A sociedade civilizada requer ordem e hierarquia. (4) Propriedade e liberdade estão inseparavelmente conectadas. (5) O homem deve controlar sua vontade e seu apetite, sabendo que ele é governado mais pela emoção do que pela razão. (6) A sociedade deve mudar, mas lentamente. Depois, passo para Barry Goldwater, que com L. Brent Bozell escreveu A Consciência de um Conservador. Goldwater foi o primeiro candidato à presidência a fazer campanha como um fusionista, baseando-se tanto em linhas tradicionais como libertárias do pensamento conservador para seu programa político e suas posições. Os conservadores levam em consideração o homem como um todo, escreve Goldwater, tanto no aspecto material como espiritual; enquanto os liberais tendem a olhar apenas para o lado material da natureza humana, o conservadorismo considera o aprimoramento da natureza espiritual do homem como a principal preocupação da filosofia política. Com essa visão da natureza humana, diz Goldwater, é compreensível que “o conservador considere a política como a arte de alcançar a máxima liberdade para os indivíduos, compatível com a manutenção da ordem social”. O conservador é o primeiro a entender que “a prática da liberdade requer o estabelecimento da ordem”. É impossível que um homem seja livre, enquanto haja outro capaz de negar-lhe o exercício de sua liberdade. Mas o conservador também reconhece que o poder político, sobre o qual a ordem se fundamenta, é uma força de autocrescimento; que seu apetite aumenta à medida que se alimenta. “Ele sabe”, diz Goldwater, “que a maior vigilância e cuidado possíveis são necessários para manter o poder político dentro de seus limites”. Eu termino minha definição de conservadorismo com um trecho do livro de Buckley, Up from Liberalism, em que ele faz um elogio da alternativa conservadora fundado “na liberdade, na individualidade, no sentido de comunidade, na santidade da família, na supremacia da consciência, na visão espiritual da vida.” Em poucas palavras, Buckley fornece um resumo claro dos princípios conservadores. O conservadorismo é uma filosofia, não uma ideologia. É a sabedoria coletiva de conservadores como Evans, Kirk, Goldwater, Buckley e Abraham Lincoln, o qual, quando perguntado sobre o que é o conservadorismo, respondeu: “Não é a adesão ao velho e já experimentado, contra a novidade inexperiente?” O conservadorismo está na rocha sólida da fundação dos EUA e da civilização ocidental. Seu princípio primordial é a “liberdade ordenada”, que o Instituto da National Review, junto com os conservadores em todos os lugares, estão determinados a preservar e proteger para esta geração e as gerações vindouras. Tenho orgulho de fazer parte deste nobre projeto; e espero você também venha se juntar a mim e ao Instituto da National Review nesse empreendimento. https://www.nationalreview.com/2018/10/conservatism-definition-philosophy-not-ideology/
- A FACE QUE MAIS SE ASSEMELHA À DE CRISTO
• FACE QUE MAIS SE ASSEMELHA À DE CRISTO Na linguagem linguagem linguagem linguagem novo novo novo novo novo novo novo novo novo novo novo novo novo novo novo Face Face Face Face Face Esse termo já aparece na história da criação, em que, de acordo com a tradução grega. “Formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou na cara [prosopon] o fólego da vida, e o homem tornou-se alma vivente” (Gênesis 2,7). Em linguagem e linguagem, o mesmo nas linguagens modernas, “face a face”, “Atanásio, orações contra os Arianos”. a benção que Arão foi instruída para pronunciar o povo de Israel em seu idioma: “o Senhor te abençoe e te guarde. O senhor faz resplandecer sua face sobre ti, e tenha misericórdia de ti. O senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê uma paz ”. Mas o Deus de Israel, ao contrário de todos os Ídolos pagãos, não é um rosto para resplandecer sobre ninguém, é uma questão antropomórfica de uma cara ou um rosto que se refere à relação especial consolidada pelo pacto entre os povos e o povo de Israel. Quando o Novo Testamento é capaz de fazer isso, ao mesmo tempo que o faz para além do Israel, ele é relata como “Deus, que disse das Trevas” de Deus, na cara de Jesus Cristo ”. Portanto, um rosto de Jesus Cristo era encaracolado como uma divina resposta à oração do Salmo “Quando disseste:“ Salmo 27/28, 8). Assim, a media media of media • VISÕES DA VIRGEM MARIA O suporte bíblico para as aparições da Virgem Maria nos tempos antigos e modernos foi derivado da proeminência nas visões religiosas e revelações pessoais descritas no velho testamento. Foi pelo meio de Visões e revelações do Altíssimo que o Abraão recebeu a promessa, aterrorizante, a ordem para o sacrifício do seu filho e, finalmente, o comando: “não estendas a mão contra o menino!”. A visão da sarça ardente que não consome é o cenário para o arrebatamento da auto-revelação de Deus e sou aquele que é ”(Êxodo 3, 2-14). De modo semelhante ao Isaías: “No ano em que faleceu, o Rei Uzias, o Senhor assentado sobre um Trono alto e alto” (Isaías 6,1), uma visão sinistra foi-me revelada (Isaías 21, 2). outros profetas de Israel também experimentaram o início de suas carreiras proféticas (Amós 1,1; Obadias 1; Neemias 1,1). Com Ezequiel e Daniel, como aparições, assim como suas interpretações, comunicaram o povo ou seus governantes, tornaram-se os principais temas e decisões de apocalípticas (Ezequiel 11, 24; 12, 27; 37 2, 47, 1; Daniel 8 1). Poder-se-ia esperar que isso terminasse com o Novo Testamento, pois este era um propósito e a singularidade da revelação de Jesus Cristo, o qualificava o prefeito repetido pelos profetas: “E veio a palavra do senhor”, frase construída por João Batista em que a verdade não se torna mais séria porque a palavra do senhor se refere a “todos os profetas e a Lei profetizaram até João” (Lucas 3,2; João 1, 14; Mateus 11,13). Inglês, Francês, Inglês, Alemão, Inglês, Inglês, Inglês, Inglês, Alemão, Inglês, Inglês, Inglês, Alemão, Inglês, Inglês, Inglês, Inglês De fato, o apóstolo Pedro aparece no Livro dos Atos citando uma profecia de Joel como sendo alcançado como um dia de vida, em sua geração: “suceder nos últimos dias, dizer Deus, libertar o coração em toda a carne, vossos filhos e vossas filhas profetizarão Vossos jovens têm visões e vossos velhos sonharão. Confira Joel 2,8. No mesmo livro, o Novo Testamento, como é necessário para uma visão de alimentos e proibidos para o Curar de sua subserviência e como leis kosher (Atos 10, 9-16). Na estrada que levava a Damasco, Paulo, colega apostolado e algumas vezes adversário de Pedro, teve uma visão de Jesus Cristo que o filmado ao chão, o que estava à caminho do caminho A caminho dos cristãos, quem era a perseguição, uma visão que era a seguinte de outras pessoas por ele acatadas; seg as suas palavras, • Segundo os Evangelhos, o próprio Jesus Cristo teve sua visão e satanás, (Lucas 10, 18). Durante sua jornada no Jardim do Getsêmani, apareceu um momento de confiança por causa da paixão e da morte (Lucas 22, 43). As visões da Virgem Maria sobre o Nascimento de Jesus Cristo são as que possuem maior relevância para nós. A maior importância foi a anunciação, no entanto, como outras também apresentam grande interesse. Foi por uma visão em um sonho que José foi dissuadido de retirar-lhe o segredo quando ela estava grávida do Menino Jesus; por outra visão ele era do plano de Herodes contra uma criança que havia nascido para ser Rei dos Judeus e decidiu-se com a mãe para o Egito; foi ainda por outra visão que ele recebeu o aviso de que era seguro voltar ao Egito com Jesus e Maria, e dirigiu-se para Nazaré Mateus 1, 20; 2, 12- 19). • Porém, o mais abrangente conjunto de visões do novo teste é, de longe, o que não aparece no livro, com o qual o último pode ser escrito, o livro do apocalipse. O apocalipse de João, atribuído ao Evangelista João. After the complete the panorama of the visions, O Profeta Do Apocalipse, The best of the city of the child of Apocalipse 1, 13, the best and the city celestials, all marchando on dramática procession. eu arrebatado olhar. O que há de novo, sobre um meio caminho de suas visões, é a aparência de um paraíso, com uma mulher vestida com o sol, (Apocalipse 12, 1 ). Concordando ou não em se referir a Virgem Maria, A visão também concordou com o modo de pensar e falar sobre a Maria, o princípio da igreja e da vida média – não foi apenas o Oriente como também não ocidente – que ficou claro como a versão poderia ser mais saboroso para os propósitos da interpretação sobre Maria, pois simbolizava a Woman that the Mother of Messias, uma vez that o interest by culto with Maria, that is only. Finalmente, quando o livro Apocalipse foi considerado o quarto evangelho, junto com o Evangelho de Lucas, as imagens da Virgem como uma mulher ao pé da cruz e o amor à luz do Messias foram reforçadas mutuamente. É interessante lembrar que alguns dias mais tarde, por processo semelhante, #mariologia #Maria #France #Batismo #Apologética #MacauGoaAngolaMoçambiqueCaboverdeGuinéBissauGuinéEquatorialSãotoméePrincipeEUAfrançaparisgeorgiaportugalmacedoniabelarusrussiapaquistãoIrãnCoreiaEgiptoAr #desenvolvimentodoutrinal
- CRITÉRIOS PARA O VOTO CRISTÃO
SEU PARTIDO OU CANDIDATO SÃO ABORTISTAS? Para o cristão a defesa da vida é inegociável. Cada existência humana é única, e deve ser preservada desde a fecundação, sem aborto, até a morte natural, sem eutanásia. Mesmo um embrião produzido por estupro não pode ser descartado, pois já é uma vida humana (que, se não for interrompida pelo aborto, estará um dia votando como qualquer um de nós). Se o partido ou candidato que você escolheu defendem o aborto, você não pode votar nele, sob pena de ofender gravemente o Cristo que morreu na cruz por você. SEU PARTIDO OU CANDIDATO SÃO PRÓ-LGBT? Para o cristão, a família nasce da relação sexual de um homem e uma mulher. O sentido da família é gerar futuros cidadãos do Céu. Uma “família” composta por pessoas do mesmo sexo não produz filhos e, portanto, não é desejada por Deus. Nem é desejada por Deus a “prática” homossexual. A Igreja, fundamentada nas Escrituras Sagradas, ensina que uma pessoa não tem culpa por “sentir” atração por outra do mesmo sexo; mas ensina, também, que ela não pode “consentir” nessa atração. Se o partido ou candidato que você escolheu defendem o casamento gay, mudança de sexo ou programas escolares que estimulem crianças e adolescentes a definirem a própria “orientação sexual”, você não pode votar nele, sob pena de ofender gravemente o Cristo que morreu na cruz por você. SEU PARTIDO OU CANDIDATO INCENTIVAM CONFLITOS SOCIAIS? Há partidos que, para chegar ao poder, se especializam em semear conflitos entre as pessoas, classes sociais ou categorias étnicas. Procuram jogar pobres contra ricos, mulheres contra homens, gays contra não-gays, negros contra brancos, jovens contra velhos etc. Para o cristão, conflito não é algo que se busca, mas que se resolve. Tem consciência de que divisão não agrada a Deus, mas ao demônio. A palavra diabo (do grego “diábolos”) significa justamente isto: o que divide, o que atira um contra o outro. O cristão sabe que a economia deve estar a serviço da pessoa e do bem comum, fundada nos princípios básicos da justiça social, mas recusará o socialismo estatizante, que foi, é e será sempre uma ameaça à propriedade privada e à livre iniciativa, as quais, se fundadas na caridade, serão sempre lícitas. Se o partido ou candidato que você escolheu defendem o conflito como instrumento de conquista do poder, você não pode votar nele, sob pena de ofender gravemente o Cristo que morreu na cruz por você. OS RISCOS DO VOTO EQUIVOCADO. É preciso muito cuidado na escolha dos candidatos, pois um chefe de estado anticristão levará obrigatoriamente a sociedade ao caos. Olhemos para a vizinha Venezuela, que acreditou em políticos pretensamente defensores dos pobres, que se diziam “socialistas”, e hoje vive a pior crise de sua história. Creiamos mais nas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo do que em discursos eleitoreiros.
- O CÁLICE QUE JESUS BEBEU – 29º Domingo do Tempo Comum
Agonia no Horto, Pietro Perugino (1483-1493) Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Deus, o verdadeiro soberano da história”, clicar AQUI. A salvação não é uma “graça barata”, mas custa o preço do sangue de Cristo na cruz. No Evangelho deste domingo, Jesus fala de novo de sua paixão e, mais uma vez, os discípulos parecem não entender o que diz o Senhor, chegando ao ponto de disputar um lugar privilegiado no Céu. Nesta meditação, Padre Paulo mostra como essa “ignorância” dos Apóstolos também está presente em nossos corações, e indica-nos o caminho para Jesus ser o verdadeiro soberano de nossas almas. PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Isaías 53, 10-11) O sofrimento redentor O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos. Oferecendo sua vida em expiação, ele terá descendência duradoura e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor. Por esta vida de sofrimento, alcançará luz e uma ciência perfeita. Meu Servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas. SALMO 32 O que nos libertou da morte (Antífona): Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, pois, em vós, nós esperamos! — Pois reta é a palavra do Senhor,/ e tudo o que ele faz merece fé./ Deus ama o direito e a justiça,/ transborda em toda a terra a sua graça. — Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem,/ e que confiam esperando em seu amor,/ para da morte libertar as suas vidas/ e alimentá-los quando é tempo de penúria. — No Senhor nós esperamos confiantes,/ porque ele é nosso auxílio e proteção!/ Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,/ da mesma forma que em vós nós esperamos! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Hebreus 4, 14-16) Ele foi provado em tudo como nós Irmãos: Temos um sumo-sacerdote eminente, que entrou no céu, Jesus, o Filho de Deus. Por isso, permaneçamos firmes na fé que professamos. Com efeito, temos um sumo-sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado. Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno. EVANGELHO (São Marcos 10, 35-45) O servo soberano Naquele tempo, Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: “Mestre, queremos que faças por nós o que vamos pedir”. Ele perguntou: “O que quereis que eu vos faça?” Eles responderam: “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!” Jesus então lhes disse: “Vós não sabeis o que pedis. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?” Eles responderam: “Podemos”. E ele lhes disse: “Vós bebereis o cálice que eu devo beber, e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado. Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. É para aqueles a quem foi reservado”. Quando os outros dez discípulos ouviram isso, indignaram-se com Tiago e João. Jesus os chamou e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim; quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”. O CÁLICE DA SALVAÇÃO (Comentário de Scott Hahn) No evangelho que nos é apresentado hoje, os filhos de Zebedeu não sabem o que estão pedindo. Seu modo de pensar evoca o modo como os gentios governam, com privilégios reais e honras. Mas o caminho para o reino de Cristo é através da sua cruz. Para compartilhar sua glória, devemos estar dispostos a beber da taça da qual ele bebe. A taça (ou “cálice”) é uma imagem que, no Antigo Testamento, se refere ao julgamento de Deus. Os maus teriam que dela beber em punição por seus pecados (v. Sl 75, 9; Jr 25, 15.28; Is 51, 17). Mas Jesus veio para tomar este cálice em nome de toda a humanidade. Ele veio para ser batizado, isto é, mergulhar ou submergir-se nos sofrimentos que merecemos pelos nossos pecados (v. Lc 12, 50). Desta forma, ele cumprirá a missão prefigurada pelo Servo Sofredor de Isaías, sobre quem lemos na primeira leitura deste domingo. Como o Servo de Isaías, o Filho do Homem dará a sua vida em oferecimento pelo pecado, assim como os sacerdotes de Israel ofereciam sacrifícios pelos pecados do povo (Lv 5, 17-19). Jesus é o Sumo Sacerdote celestial de toda a humanidade, como se diz na epístola deste domingo. Os Sumos Sacerdotes de Israel ofereciam o sangue de bodes e bezerros no santuário do Templo. Mas Jesus entrou no santuário do céu com seu próprio sangue (v. Heb 9, 12). E ao carregar nossa culpa e oferecer sua vida para cumprir a vontade de Deus, Jesus resgatou “muitos”, pagando o preço da redenção da humanidade, libertando-a da escravidão espiritual do pecado e da morte. Ele nos libertou da morte, como dizemos com alegria no salmo de hoje. Devemos permanecer firmes na profissão de nossa fé, como a Epístola desta Missa nos exorta. Precisamos ver nossas provações e sofrimentos como a parte que nos toca do cálice que Cristo prometeu àqueles que Nele crêem (v. Cl 1,24). Devemos lembrar que fomos batizados em sua Paixão e Morte (v. Rm 6, 3). https://stpaulcenter.com/el-caliz-de-la-salvacion-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-29o-domingo-de-tiempo-ordinario/ https://stpaulcenter.com/cup-of-salvation-scott-hahn-reflects-on-the-twenty-ninth-sunday-in-ordinary-time/
- De Onde Veio Toda Essa Moleza?
Tradução: Where Did All The Nice Come From? – Catholic Tractarian Como eu estou trabalhando através dos muitos escritos preservados da Igreja antiga e primitiva sobre várias disputas teológicas e disciplinares, tais como o debate sobre a controvérsia Nestoriana, a controvérsia Monofísita, ou até mesmo a disputa inicial sobre qual data para celebrar a Páscoa. Não pude deixar de ficar impressionado ao assistir a esta breve entrevista do Bispo Robert Barron, pela grande diferença de linguagem desses antigos Santos e Doutores e dos intelectuais modernos da Igreja quando se trata da diversidade na Igreja. Os homens de antigamente tinham uma linguagem forte, vívida e que parece excessivamente presunçosa que chama os outros a condenar-se. Hoje, estamos mais preocupados em não pisar no pé de ninguém. Até mesmo voltar ao Novo Testamento é esclarecedor neste ponto. Se você acabou de pegar a Epístola de S. Judas, você pode ver que não há vergonha em adicionar linguagem chique para descrever pessoas dissidentes que se escondem dentro do corpo de Cristo: “Caríssimos, estando eu muito preocupado em vos escrever a respeito da nossa comum salvação, senti a necessidade de dirigir-vos esta carta para exortar-vos a pelejar pela fé, confiada de uma vez para sempre aos santos. Pois certos homens ímpios se introduziram furtivamente entre nós, os quais desde muito tempo estão destinados para este julgamento; eles transformam em dissolução a graça de nosso Deus e negam Jesus Cristo, nosso único Mestre e Senhor. Quisera trazer-vos à memória, embora saibais todas estas coisas: o Senhor, depois de ter salvo o povo da terra do Egito, fez em seguida perecer os incrédulos. Os anjos que não tinham guardado a dignidade de sua classe, mas abandonado os seus tronos, ele os guardou com laços eternos nas trevas para o julgamento do Grande Dia. Da mesma forma Sodoma, Gomorra e as cidades circunvizinhas, que praticaram as mesmas impurezas e se entregaram a vícios contra a natureza, jazem lá como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno. Assim também estes homens, em seu louco desvario, contaminam igualmente a carne, desprezam a soberania e maldizem as glórias. Ora, quando o arcanjo Miguel discutia com o demônio e lhe disputava o corpo de Moisés, não ousou fulminar contra ele uma sentença de execração, mas disse somente: Que o próprio Senhor te repreenda! Estes, porém, falam mal do que ignoram. Encontram eles a sua perdição naquilo que não conhecem, senão de um modo natural, à maneira dos animais destituídos de razão. Ai deles, porque andaram pelo caminho de Caim, e por amor do lucro caíram no erro de Balaão e pereceram na revolta de Coré. Esses fazem escândalos nos vossos ágapes. Banqueteiam-se convosco despudoradamente e se saciam a si mesmos. São nuvens sem água, que os ventos levam! Árvores de fim de outono, sem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas! Ondas furiosas do mar, que arrojam as espumas da sua torpeza! Estrelas errantes, para as quais está reservada a escuridão das trevas para toda a eternidade! Também Henoc, que foi o oitavo patriarca depois de Adão, profetizou a respeito deles, dizendo: Eis que veio o Senhor entre milhares de seus santos” (Judas 1-14) Eu arriscaria dizer que, para um teólogo contemporâneo que deseja manter seus cuidados meticulosos e não ameaçadores à teologia, essa passagem pode demorar semanas para parar em cada ponto do caminho para esclarecer que não existe tal coisa como punição. Pelo contrário, nós nos condenamos. Etc etc. Aqueles de vocês que mantêm o dedo no pulso da teologia histórica sabem do que estou falando. E, no entanto, esse escritor inspirado simplesmente explodiu. Por que não vemos isso hoje? Pelo menos, aqueles que falam assim são frequentemente caracterizados como “fundamentalistas” ou “uber-tradicionalistas”. Eh, da última vez que chequei, Judas não era um protestante do século XIX que tentava defender uma reconstrução literal do Templo, nem parece ser um comerciante que está tentando ressuscitar o catolicismo barroco do século XVII. Ele é um apóstolo do Senhor e viveu como irmão do Senhor Jesus. Ele conhecia a Palavra de Deus. Foi isso. Outra peça que me chamou a atenção neste vídeo, além da descrição excessivamente polida de concordância e discordância, é a afirmação de que discordância dentro de um contexto tão delicado quanto o Sínodo, que inclui tentativas de introduzir novas práticas sobre como lidar com os LGBT, Pessoas de gênero e homossexuais que desejam ingressar no sacerdócio constituem um sinal de nossa boa saúde. Isto poderia ser considerado como a necessidade de divisão (1Cor 9-11) em prol do crescimento do Corpo. Sem dúvida, deve-se presumir que é isso que significa. Mas eu ouso dizer que em questões relativas à fé, bem como disciplina, temos estado muito relaxados em como lidar com esses assuntos em nossa Igreja. Eu nunca vi um único vídeo, palestra, discurso, livro ou artigo escrito por um estudioso católico ou bispo de hoje que pode ser comparado a um S. Judas. Nem mesmo perto. Terminarei com outro exemplo da linguagem mais antiga (que hoje seria caracterizada como excessivamente presunçosa) sobre pessoas que têm crenças diferentes dentro da Igreja. Em vez de ser um sinal de nossa saúde, São Pedro escreve: “Assim como houve entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas. Eles, renegando assim o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão nas suas desordens e serão deste modo a causa de o caminho da verdade ser caluniado. Movidos por cobiça, eles vos hão de explorar por palavras cheias de astúcia. Há muito tempo a condenação os ameaça, e a sua ruína não dorme. Pois se Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os precipitou nos abismos tenebrosos do inferno onde os reserva para o julgamento; se não poupou o mundo antigo, e só preservou oito pessoas, dentre as quais Noé, esse pregador da justiça, quando desencadeou o dilúvio sobre um mundo de ímpios; se condenou à destruição e reduziu à cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra para servir de exemplo para os ímpios do porvir; se, enfim, livrou o justo Lot, revoltado com a vida dissoluta daquela gente perversa (esse justo que habitava no meio deles sentia cada dia atormentada sua alma virtuosa, pelo que via e ouvia dos seus procedimentos infames), é porque o Senhor sabe livrar das provações os homens piedosos e reservar os ímpios para serem castigados no dia do juízo, principalmente aqueles que correm com desejos impuros atrás dos prazeres da carne e desprezam a autoridade. Audaciosos, arrogantes, não temem falar injuriosamente das glórias, embora os anjos, superiores em força e poder, não pronunciem contra elas, aos olhos do Senhor, o julgamento injurioso. Mas estes, quais brutos destinados pela lei natural para a presa e para a perdição, injuriam o que ignoram, e assim da mesma forma perecerão. Este será o salário de sua iniqüidade. Encontram as suas delícias em se entregar em pleno dia às suas libertinagens. Homens pervertidos e imundos, sentem prazer em enganar, enquanto se banqueteiam convosco.”
- A Correspondência Entre S. João Crisóstomo e Santo Inocêncio I – Ela Mostra Uma Negação à Prim
Tradução: The Correspondence between St. John Chrysostom and St. Innocent I – Does It Show A Denial of Roman Primacy (A Response to Geoffrey D Dunn) – Credo Ut Intelligam: Apologetics For The Catholic Faith Geoffrey D Dunn, professor de História na Universidade de Pretória, especializado em Patrística e Línguas / Culturas Antigas, escreveu um pequeno ensaio sobre o assunto da correspondência entre São João Crisóstomo e o Papa Santo Inocêncio I (ver link abaixo). O pano de fundo é a deposição de João pelo Sínodo do Carvalho, que foi principalmente influenciado por um certo Teófilo de Alexandria. Além de observar como João escreveu cartas de apelo a Aquileia, Milão e Roma, insinuando que João não tinha noção da primazia romana, conclui seu ensaio com o seguinte: Um exame da correspondência entre os bispos João Crisóstomo de Constantinopla e Inocêncio I de Roma, no contexto da interpretação de Paládio dos eventos que cercam o exílio de João em 404, revela que a política imperial deve ser levada em conta. Enquanto Honório [Imperador Ocidental] descreveu Roma como “a maior igreja”, foi ele, não o bispo de Roma, quem teve a autoridade de iniciar o processo para resolver uma disputa eclesial inter-provincial convocando um sínodo interprovincial. Os bispos da época reconheceram isso e nem João, ao apelar a Inocêncio por ajuda, nem Inocêncio, ao responder ao apelo de João, utilizou a noção de primazia romana … foi somente por ter um imperador como árbitro efetivo da Igreja difundida que tais questões poderiam ser resolvidas ” Acho que esse tipo de interpretação prevalece entre historiadores, até mesmo católicos. Deixa-me intrigado, pois há outra maneira de interpretar esses tipos de eventos que se alinham de maneira muito mais nítida ao enigma geral da primazia romana no final do século IV e no quinto século. (1) Em primeiro lugar, Dunn parece esquecer que o papa São Júlio havia invertido as sentenças dos Sínodos de Tiro e Jerusalém (realizadas em meados da década de 330) com base no apelo ao “costume” da Igreja que baseou-se ainda nas “constituições” e na “tradição” dos apóstolos Pedro e Paulo. Isso foi em 341-341 dC, quase 60 anos antes dos eventos de João Crisóstomo. (2) Em segundo, Dunn parece esquecer que um Sínodo foi realizado pelo poder de ambos os imperadores (do Oriente e do Ocidente) na convocação de Sardica (343). Lá, também foi defendido que a Sé de Roma, por causa de sua herança de São Pedro, tinha o direito de ouvir apelos de qualquer bispo deposto de qualquer lugar da Igreja universal. (3) Em terceiro lugar, Dunn parece esquecer que, em vez de uma falta de autoridade eclesiástica bruta, a autoridade dos Papas não é pelo uso arbitrário e inadequado dos caprichos dos Papas. Eu chamo o Papa São Leão para a tribuna, que nenhum historiador, protestante ou ortodoxo, nega ter considerado o fundamento divino da jurisdição universal. Por exemplo, depois que Eutiques de Constantinopla apelou ao Leão queixando-se de sua injusta deposição por um Sínodo em Constantinopla (448) realizado sob a presidência do bispo Flaviano, Leão achou impossível transmitir o veredicto imediatamente sobre a situação. Mas qual é a razão? Ele escreve a Flaviano em uma carta subsequente: “Mas, tendo em conta a importância do assunto, desejamos saber o motivo de sua ação [depor Eutiques] e ter a coisa toda trazida ao nosso conhecimento: pois nós, que desejamos o julgamentos dos sacerdotes do Senhor para serem deliberados, não podemos, sem informação, decidir de uma maneira ou de outra, até que tenhamos todos os procedimentos precisamente diante de nós ”(Epístola XXIII). Isso de repente significa que Leão nega sua própria jurisdição para anular sínodos estrangeiros sobre bispos condenados? Absolutamente não, pois temos outra indicação clara, tanto de Leão quanto de outros no Oriente, de que ele era capaz disso. Mas vemos que o santo Papa também sabia que governar as Igrejas não era uma questão que não pudesse ter a virtude da prudência e da justiça. Então, sim, o papa está limitado pela justiça e virtude ao poder de exercício sem objetivo em assuntos sobre os quais não é competente. E ser ignorante do lado do acusado ou do acusador constituiria tal incompetência. Isso dificilmente equivale a uma negação da primazia romana. Dunn aqui parece estar comprometido com uma hermenêutica tola, segundo a qual, a menos que os papas sintam que podem se comprometer com qualquer decreto oficial, independentemente de sabedoria, justiça, prudência, caridade e desejo de unidade, eles estão admitindo que não tem mais autoridade do que qualquer bispo no mundo. (4) Em quarto lugar, Dunn parece pensar que, apelando aos imperadores, isso significaria que tanto Inocêncio quanto os bispos associados tinham a impressão de que o braço secular é o verdadeiro sujeito que possui jurisdição interprovincial na Igreja universal. Isso é um absurdo abjeto. A razão de apelar para os imperadores foi também um passo prudente para coagir ainda mais os bispos, cuja humilde obediência à lei eclesiástica já se mostrava nula e sem efeito. Teófilo já havia transgredido os cânones de Nicéia ao se intrometer nos assuntos da Sé de Constantinopla no Egito. Ao ganhar a autoridade do Estado, esperava-se que os bispos do Oriente estivessem sob maior pressão para cumprir a justiça, antes que qualquer excomunhão indesejada resultasse. Este é um movimento sob os ditames da prudência e da misericórdia. Os bispos de Roma, mesmo que possuam a autoridade que o Vaticano definiu séculos depois, não poderiam fazer com que os bispos desobedientes fizessem algo com um estalar de dedos. Sabendo que este poderia ser o caso, Inocêncio, bem como o clero da Sé de Constantinopla e Itália, apelou ao imperador ocidental Honório, para que ele pudesse contatar o imperador do Oriente Arcádio, a fim de convocar um Sínodo pela autoridade do Estado para examinar o caso de Crisóstomo. Simplificando, foi uma medida secundária a ser tomada antes de explodir com aspereza espiritual indesejada sobre os bispos orientais, bem como outra tentativa de obter testemunhas de ambos os lados para confirmar a história completa por trás da deposição de João. (5) Por fim, Dunn parece também ignorar que o papa Santo Inocêncio tomou medidas em suas próprias mãos quando percebeu que o Oriente não iria cumprir (porque o Sínodo agendado não ocorreu). Inocêncio removeu os nomes dos Dípticos de Alexandria, Constantinopla e Antioquia, e insistiu que a condição mínima de ser incluído de novo no rebanho de Cristo seria adicionar o nome de Crisóstomo ao memorial (dípticos). Eventualmente, isso aconteceu antes do próximo Concílio (Efésios 431), já que nessa época se vê a concordância entre as Igrejas, e o nome de João de fato foi colocado de volta no memorial, graças a Deus. E é por essa razão que hoje os bizantinos desfrutam de sua veneração.
- SOBRE A PACIÊNCIA NAS PROVAÇÕES (Fragmentos) – James V. Schall, S. J.
Deus é frequentemente culpado por permitir o mal no mundo. Alega-se que essa permissividade é uma prova de que Ele não é Deus, ou até que provoca o mal por não impedi-lo. Agostinho é famoso por afirmar que Deus permitiria o mal num mundo bom, somente se, permitindo-o, resultasse num grande bem. O mal, portanto, pode ser ocasião de algo bom. * Não saberíamos, por exemplo, o que é misericórdia, se não perdoamos e não somos misericordiosos. Não vamos, porém, praticar o mal, para que disto possa resultar algo bom. Contudo, se praticamos o mal, o Senhor pode extrair alguma coisa boa de nossas ações e do bem que permanece em nós, apesar dos nossos pecados. * “Há homens que querem levar uma vida virtuosa e já decidiram colocá-la em prática”, continua Santo Agostinho, “mas não são capazes de suportar sofrimentos, mesmo que já estejam decididos a fazer o bem. Faz parte da fortaleza cristã não somente realizar boas obras, como também suportar o mal”. * Algumas dessas compreensões do mal já estavam em Platão. Seus princípios fundamentais eram os seguintes: 1) “Nunca é certo fazer o que é errado.” 2) “A morte não é o pior dos males.” 3) “Nenhum mal poderia prejudicar o homem bom”. 4) “É preferível sofrer o mal do que praticá-lo”. * Em 1977, Josef Ratzinger escreveu que o pensamento moderno quer “redimir o sofrimento removendo-o: não a redenção através do sofrimento, mas a redenção do sofrimento”. O homem não espera “a assistência divina, mas a humanização do homem pelo homem” (“Co-herdeiros da verdade”, 123) * O homem ocupa o lugar de Deus. Quer remover o sofrimento por seus próprios meios. Os caminhos de Deus, através da paciência e do sofrimento, são rejeitados. Resta-nos o que podemos fazer de nós mesmos, aqui neste mundo. Apegados a uma causa nobre, como frequentemente acontece, pioramos as coisas se seguimos as nossas próprias regras. * O Senhor nos deu um mundo imperfeito para ver o que faríamos nele. Nosso testemunho é nossa história. Devemos tornar esse mundo, que já é bom, mais habitável. Mas nós podemos fazer disso (e muitas vezes o fazemos) um inferno na terra. Temos de suportar os pecados dos outros. E eles têm de suportar os nossos. * Alguns odeiam a Deus por nos colocar na situação de ter que escolher o bem e suportar o mal. Outros percebem que esse mundo caído é o único no qual podemos existir. (…) até mesmo o nosso “sofrimento” pode ser “bom”, se nós o suportarmos. https://www.thecatholicthing.org/2018/10/09/on-the-enduring-of-evil/
- A CRISE CATÓLICA EM PERSPECTIVA – George Weigel
Nina-Sophie Heereman A perspectiva é importante tanto para compreender os sinais dos tempos como para pintar uma paisagem. E assim, neste outono de nosso descontentamento católico, fiquei particularmente grato por ouvir uma velha amiga, Nina-Sophie Heereman, que ofereceu uma perspectiva fundamental para a compreensão da atual circunstância católica nos Estados Unidos. Encontrei pela primeira vez Nina Heereman em Roma, há uns dez anos, quando ela estudava na Universidade de São Tomás, junto com outras mulheres que, na Cidade Eterna, participavam dos estudos católicos avançados do programa de Don Briel. Sua história foi tão marcante, que a contei brevemente no The End and the Beginning (O fim e o começo, segundo volume da minha biografia de João Paulo II), para ilustrar o impacto transformador do falecido papa sobre homens e mulheres de várias origens. E a origem de Nina era certamente intrigante. Baronesa alemã de nascimento, ela cresceu naquilo que descreveu como um “catolicismo vazio, uma carapaça sem pecado grave e, portanto, sem estado de graça e nenhum encontro com Cristo”. Então, depois de uma poderosa experiência do Cristo eucarístico na Jornada Mundial da Juventude-1997, em Paris, e depois de refletir sobre o próprio discernimento vocacional de João Paulo II, após vê-lo em Roma em 1998, Nina Heereman tornou-se uma discípula missionária comprometida, fazendo votos como leiga consagrada numa dedicação radical à Nova Evangelização. Depois de receber um dos mais difíceis doutorados do mundo em Sagrada Escritura, ela é agora professora assistente de teologia no Seminario e Universidade de St. Patrick, Califórnia, e foi de lá que ela recentemente me escreveu: Contra a página sombria de tantas manchetes negativas, que nos assombram por mais de três meses, estou contente em compartilhar a boa notícia de que para mim — uma alemã — mudar para a arquidiocese de São Francisco foi como ter fuçado nos casacos de peles de mamãe e me encontrar na Nárnia católica! Não tenho palavras para descrever minha alegria em servir um bispo verdadeiramente católico, com uma visão tão clara da renovação da Igreja. Honestamente, eu não tinha ideia daquilo em que estava me metendo. Sempre soube que a Igreja americana estava em muito melhor forma do que qualquer Igreja da Europa, mas eu não tinha a menor idéia de que estava muito mais viva. Era como se eu tivesse caido inconscientemente num reduto particularmente católico do país, mas isso não é verdade, pois eu estou no coração do Vale do Silício, que não é famoso por sua devoção à doutrina católica… Nunca antes — e até agora passei por seis importantes instituições católicas — encontrei uma faculdade que, na sua totalidade, abraça os ensinamentos da Igreja Católica e está totalmente empenhada em ensiná-los. No meu primeiro dia, o reitor do seminário, padre George Schutlze, disse: “Estamos celebrando a Humanae Vitae”; e, em seguida, propôs uma reflexão sobre isso para nosso retiro da faculdade. O arcebispo Cordileone dirigiu-se à faculdade com as mesmas palavras, acrescentando que a conexão entre a dissidência da Humanae Vitae e a atual crise era evidente. Eu era quase incapaz de acreditar em meus próprios ouvidos, que ouviam um pastor da Igreja falar na verdade da Humanae Vitae. “Eu devo estar em Nárnia e Aslan está de volta”, foi o meu único pensamento. Como você sabe, sendo europeia, eu nunca ouvi palavras tão claras, corajosas e proféticas da boca de um bispo local. Em resumo, agradeço ao Senhor por me haver trazido até aqui. (…) É muito libertador viver minha fé “a céu aberto”. Apesar de tudo o que os jornais dizem, o futuro da Igreja [de rito latino] pertence aos EUA! Baronesa Doutora Heereman não é ingênua. Multilíngüe, experiente nos caminhos do mundo e ansiosa para ajudar a convertê-lo, uma adulta resgatada do secularismo europeu pela amizade pessoal com Jesus Cristo e, agora, com um dos graus acadêmicos mais distintos do catolicismo, vale muito a pena ouvir Nina. Especialmente quando ela pede aos desanimados pela crise católica de hoje que não temam o futuro, e continuem vivendo a Grande Missão de Mateus 28:19. Isso não significa desistir de reformas essenciais e dolorosas no catolicismo americano. De modo nenhum. Significa projetar e implementar essas reformas com intenção evangélica. https://www.firstthings.com/web-exclusives/2018/10/the-catholic-crisis-in-perspective
- The Latin Mass – Desecration and Destruction
The efficacy of the Mass – the Latin rite or Tridentine mass , has not only been attested by Saints but also by satanists and demons. Over the centuries, there have always been attempts to abolish this sacred rite from the face of the earth, for the testimony to this are the words of Martin Luther; “Tolle Missam, Tolle Ecclesiam“ – Destroy the Mass and you destroy the Church. The Devil, being who he is , will never stop at the destruction of the Mass but will also erase the very idea of Catholicism, an intention clearly seen in the changes made after the Vatican II council. Prior to this council, the aforementioned objective of the Devil had always been carried out through wars, revolutions or some public outrage orchestrated by the devil. Through these means, we’ve seen our Churches being pulled down, sacred images destroyed, vestments worn by mobs in mockery of our holy religion, the desecration of the dead( which includes Saints) consecrated by Catholic rites – as an example is the destruction of tombs in the basilica of St. Denis in 1793 during the French revolution. Bearing these painful episodes in mind, it doesn’t come as a surprise when some penitent confesses to the desecration of the Holy Eucharist in the medieval times – a period infested with witchcraft especially amongst peasants who undertook this odious task in order to gain that which their heart desires. We are not unaware of the story of the Lady of Alatri( Italy) in 1228 and that of Ricciarella, the unhappy woman of Offida who tried to use a consecrated host as a love portion, at the instruction of some foul agent of the devil, so as to win the love of either husband or lover. There have been many confessions pointing to the fact that the Devil through his agents require these things in order to grant their needs. When these souls are not required to get a consecrated host, they are told to murmur some offensive word (as an insult to our good Lord) or just spitting on the ground, during the elevation of the Sacred Host. In February 1869, Hélène, who was both obsessed and possessed for a certain period , gave extraordinary details concerning the activities of some bands of Satanists. Amongst other things, she said: “In order to gain admission, it is necessary to bring one or more consecrated Hosts, and to deliver these to the deliver these to the Devil, who in a materialized form visibly presides over the assembly. The neophyte is obliged to profane the Sacred species in a most humble manner, to worship the Devil with humblest adoration, and to perform with him and the other persons present the most bestial acts of unbridled obscenity, the foulest copulations. Three towns Paris, Rome and Tours are the headquarters of the Satanic bands.” The details concerning these abominations were unhappily too true. Catholics today should not be at all surprised to see the true Mass suppressed with the new mass of Paul VI, a phony mass and a concoction of six protestant ministers. Neither should traditional Catholics get discouraged when they see the hand of the Devil trying to quench the light of the true mass. He is ready to give world in order blot out the light of faith from souls. He is also ever ready to exert the severest persecutions to all who are against him. How else do we hope to become saints without these persecutions. Those who hold true faith handed down to us should embrace it to their hearts. Those who enjoy the traditional Catholic sacraments should also do all they can, by supporting the Priests, to see that these precious gifts don’t depart. “…you will have much to suffer. But the grace of God will be your comfort. Say the rosary to obtain the peace of the world…” – Our Lady of Fatima
- SANTIDADE OU RIQUEZAS? – 28º Domingo do Tempo Comum
“Cristo e o jovem rico”, de Heinrich Hoffman, 1889 Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “A tristeza de não querer ser santo”, clicar AQUI. Jesus Cristo deseja profundamente a minha santidade. Sou eu que fico “abatido” com o seu chamado e, “cheio de tristeza”, viro-lhe as costas, a exemplo daquele jovem rico de que fala o Evangelho. Nesta meditação dominical, Padre Paulo Ricardo fala sobre o pecado da acídia, de quem não deseja amar com generosidade, e ensina-nos o meio para combater essa preguiça: ter o coração humilde como o de uma criança. PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Sabedoria 7, 7-11) O esplendor eterno da Sabedoria “Orei, e foi-me dada a prudência; supliquei, e veio a mim o espírito da sabedoria. Preferi a Sabedoria aos cetros e tronos e, em comparação com ela, julguei sem valor a riqueza; a ela não igualei nenhuma pedra preciosa, pois, a seu lado, todo o ouro do mundo é um punhado de areia e, diante dela, a prata será como a lama. Amei-a mais que a saúde e a beleza, e quis possuí-la mais que a luz, pois o esplendor que dela irradia não se apaga. Todos os bens me vieram com ela, pois uma riqueza incalculável está em suas mãos”. SALMO 89 A Sabedoria é a riqueza do coração (Antífona): Saciai-nos, ó Senhor, com vosso amor, e exultaremos de alegria! — Ensinai-nos a contar os nossos dias,/ e dai ao nosso coração sabedoria!/ Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis?/ Tende piedade e compaixão de vossos servos! — Saciai-nos de manhã com vosso amor,/ e exultaremos de alegria todo o dia!/ Alegrai-nos pelos dias que sofremos,/ pelos anos que passamos na desgraça! — Manifestai a vossa obra a vossos servos,/ e a seus filhos revelai a vossa glória!/ Que a bondade do Senhor e nosso Deus/ repouse sobre nós e nos conduza!/ Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Hebreus 4, 12-13) O poder da Sabedoria A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes. Penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas. Ela julga os pensamentos e as intenções do coração. E não há criatura que possa ocultar-se diante dela. Tudo está nu e descoberto aos seus olhos, e é a ela que devemos prestar contas. EVANGELHO (São Marcos 9, 30-37) O caminho difícil da Sabedoria Naquele tempo, quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?” Jesus disse: “Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém. Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe”. Ele respondeu: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”. Jesus olhou para ele com amor, e disse: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” Mas quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. Jesus então olhou ao redor e disse aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” Os discípulos se admiravam com estas palavras, mas ele disse de novo: “Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!” Eles ficaram muito espantados ao ouvirem isso, e perguntavam uns aos outros: “Então, quem pode ser salvo?” Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível”. Pedro então começou a dizer-lhe: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna. SABEDORIA VERSUS RIQUEZAS (Comentário de Scott Hahn) O jovem rico do Evangelho deste domingo quis saber o que todos nós queremos saber: como viver aqui e agora para que possamos alcançar a vida eterna no mundo que está por vir. Estava procurando o que o salmo de hoje chama de “sabedoria do coração”. No entanto, ele aprende que a sabedoria que procura não se limita a um conjunto de trabalhos que devem ser feitos ou comportamentos que devem ser evitados. Como Jesus lhe diz, a obediência aos mandamentos é essencial no caminho da salvação, mas não nos leva além de um certo ponto. A sabedoria de Deus não é uma coleção de preceitos, mas uma pessoa: Jesus Cristo. Jesus é a Sabedoria, cujo espírito foi dado a Salomão na primeira leitura de hoje. Ele é a Palavra de Deus mencionada na epístola que ouvimos. E Ele, como revela ao jovem rico, é Deus. Em Jesus, encontramos a Sabedoria, a Palavra de Deus viva e eficaz. Como faz com o jovem rico de hoje, Ele olha para nós com amor. Esse olhar de amor, essa contemplação amorosa, é um convite pessoal para deixarmos tudo e segui-Lo. Nada pode esconder-se do Seu olhar, como ouvimos na epístola. Em seus olhos ardentes, os pensamentos de nossos corações permanecem expostos, e cada um de nós terá que Lhe prestar contas de sua vida (v. Ap 1, 14). Precisamos ter a atitude de Salomão, que preferiu a Sabedoria a todo o resto; devemos amar a Cristo mais do que a própria vida. Essa preferência e esse amor requerem um salto de fé. Teremos que sofrer por essa fé (conforme Jesus diz hoje aos seus discípulos), mas podemos confiar em sua promessa de que, em sua companhia, todas as coisas boas virão a nós. Então, quais seriam esses “muitos bens” que nos impedem de nos entregarmos totalmente a Deus? A que estamos apegados — coisas materiais, confortos, amizades? O que seria necessário para vivermos completamente por Cristo e seu Evangelho? Peçamos em oração a sabedoria que nos fará entrar no Reino de Deus. Como o salmista, digamos a Deus: “Ensinai-nos”. https://stpaulcenter.com/sabiduria-y-riquezas-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-28o-domingo-de-tiempo-ordinario/ https://stpaulcenter.com/wisdom-and-riches-scott-hahn-reflects-on-the-twenty-eighth-sunday-in-ordinary-time/
- Child Discipline by Condé Pallen
You cannot discipline a child as you would a soldier. Childhood has no understanding of the reason of things; it does not foresee ends, and has no just apprehension of means. Too much and too rigid discipline cripples this natural environment, and so clouds and blights the freshness of the soul, and the joy of innocence. The iron of Puritanism sunk into the soul in childhood sours and hardens it, and often leads to revolt in maturer years. I suppose that you have observed that boys brought up in the strait-jacket of puritanical discipline, when they get a chance to relish the first taste of freedom from the odious restraint of their younger years, frequently rush headlong into excess. It is this observation I suppose, that has led to the common notion that clergymen’s sons usually turn out badly. Protestantism used to be very rigid in the imposition of its observances upon the young, and this doubly so in the instance of the families of ministers. With the recent decay, the puritanical regime of Protestantism has proportionately relaxed, so that the old saying about clergymen’s sons is somewhat obsolete. I do not believe in exacting too much from children. In essential things the parent should make an absolute demand upon their obedience, letting it be understood in such cases that the rule is inflexible; this of course, in all matters of religious and moral requirements. But where there is no other question of these, we should “temper the wind to the shorn lamb.” A course so stern makes a child an enemy, thrusting back upon itself that natural flow of love which gushes so bountifully out of the child’s heart for the parent, forcing the little soul into tricks of deceit to hide its shortcomings, and hardening it into moods of resentment against the mistaken harshness of parent, who errs, indeed, only through love, yet none the less thwarts his own purpose while losing the affection of the child. On the other hand we may sin by the other extreme: by overlooking too much, by shirking, out of sheer disinclination to take the trouble or through excessive affection, the enforcement of necessary discipline, and neglecting to administer, at the required time, that chastisement which is a tonic to the wayward soul. A child brought up without regimen, needless to say, is systematically spoiled and grows into a lawless and unruly spirit. A wayward child is nearly always an evidence of negligent parents. A flower soon withers with too much sunshine or too much shade. One child is not as another, and while we lay down a general principle for all, it is not always applicable in the same way. One child differs from another in irascibility, for instance; and our method in dealing with this one or that must discreetly vary according to disposition and the exigence of time and place. (Condé Pallen, Education of Boys)
- A Arqueologia desprovou o Exôdo?
Tradução: Seidensticker Folly #5: Has Archaeology Disproven the Exodus? | Dave Armstrong Em seu post, “O Argumento Ridículo de Nomes Precisos” (6-12-18; atualização do original, datado de 9-22-14), Bob declarou: “A arqueologia diz que o Êxodo não aconteceu.” Muitos arqueólogos dizem há pouca ou nenhuma evidência arqueológica, é verdade. Há muitos céticos bíblicos (não apenas ateus) e aqueles que erroneamente pensam que a Bíblia é um documento não confiável para fins historiográficos. Mas é difícil fazer uma afirmação absoluta como essa em arqueologia e outras ciências. Mesmo se alguém disser: “ainda não encontramos nenhuma evidência arqueológica para o Êxodo”, isso não é logicamente o mesmo que afirmar que “o Êxodo não aconteceu”. A última é uma afirmação muito mais forte e muito mais cética. Seidensticker (um homem inteligente e instruído) deveria saber melhor do que isso, mas seu forte viés anticristão impede o cuidado e a precisão em suas alegações grandiosas. Eu submeto que há pelo menos alguma evidência de história e arqueologia. Não está totalmente ausente. É claro que a maioria, se não todas as evidências, são apenas para partes da história bíblica: verificando, etc. Mas, se for consistente com a história, é algum tipo de evidência corroboradora. Eu irei apresentar agora um pouco disso para sua consideração (links com algumas citações): 1) Israel no Egito: A Evidência para a Autênticidade do Exôdo (James K. Hoffmeier, da Oxford University Press, edição revisada: 18 de março de 1999). Resumo: Estudiosos da Bíblia Hebraica na última década começaram a questionar a precisão histórica da permanência israelita no Egito, conforme descrita no livro de Êxodo. A razão para a rejeição da tradição do êxodo é a falta de evidências históricas e arqueológicas no Egito. Aqueles que avançam essas afirmações, no entanto, não são especialistas no estudo da história, cultura e arqueologia egípcias. Este livro examina as evidências egiptológicas mais atuais e argumenta que apóia o registro bíblico sobre Israel no Egito. Comentários: “Esta é a pesquisa histórica no seu melhor, com atenção constante às fontes primárias… [Hoffmeier] retém uma perspectiva ampla e não deixa pedra sobre pedra em sua busca para que a evidência epigráfica e arqueológica ilumine o registro bíblico da estada de Israel em e o êxodo do Egito. ”- Gary Rendsburg, Universidade de Cornell “Israel no Egito é uma daquelas obras raras que ninguém pode ler sem tomar notas em quase todas as páginas. Para os estudiosos da Bíblia, que estão seriamente interessados no Êxodo e nas questões que giram em torno da historicidade da Bíblia, especialmente em relação às origens de Israel, Israel no Egito não poderia ser mais altamente recomendado. ”- Boletim da Sociedade Arqueológica do Oriente Próximo “Este volume é uma tentativa ousada e importante para infundir o debate atual com uma avaliação fundamentada de evidências bíblicas, arqueológicas e filológicas. Hoffmeier é singularmente qualificado para fazer tal tentativa, porque ele é um dos poucos estudiosos que podem lidar tanto com a evidência egípcia quanto com os materiais bíblicos. ”- Asbury Theological Journal “Este volume se tornará um texto clássico para uma avaliação positiva e conservadora das evidências literárias e arqueológicas da ‘historicidade’ dos israelitas no Egito.” – Walter D. Zorn, Faculdade Lincoln Lincoln e Seminário “Esse caso bem apresentado transborda com o tipo de conhecimento que a maioria nunca se incomoda em obter.” – J. Julius Scott, Wheaton College “A melhor e mais bem-humorada defesa até agora da posição conservadora que toma as narrativas bíblicas do ”Êxodo-Conquista” literalmente como história.” – William G. Dever, Universidade do Arizona “O estudo de Hoffmeier representa o fruto de muitos anos de estudo em egiptologia e no Antigo Testamento. O trabalho é uma contribuição substancial para a discussão em curso sobre o tema da presença de Israel no Egito e representa uma visão que está em harmonia com uma apreciação da Bíblia como uma fonte histórica valiosa … Este é um volume excelente para apresentar o assunto que abrange . ”- Jornal de Denver “O livro de Hoffmeier é uma contribuição importante para o estudo da experiência hebraica no Egito. Seus dois principais pontos fortes são a poderosa refutação do autor de visões hipercríticas sobre a narrativa e sua apresentação dos últimos dados egiptológicos. ”- Journal of the Evangelical Theological Society James K. Hoffmeier (PhD, Universidade de Toronto), leciona nos níveis de graduação e pós-graduação há mais de trinta anos e é professor de arqueologia do Antigo Testamento e do Oriente Próximo na Trinity International University. Ele nasceu e cresceu no Egito. 2) “A Controvérsia do Exôdo” (Associates for Biblical Research, 2002) Limites da Arqueologia Muitos críticos que duvidam da historicidade do Êxodo compartilham um problema: a excessiva confiança no que a arqueologia pode provar. A arqueologia é, de fato, uma área de estudo limitada e imperfeita, na qual a interpretação das descobertas, como os arqueólogos admitem prontamente, é mais uma arte que uma ciência dura. O arqueólogo Edwin Yamauchi aponta os limites dessa ciência quando explica: (1) pouco do que foi feito ou escrito na antiguidade sobrevive até hoje; (2) poucos dos locais antigos foram pesquisados e um número sequer foi encontrado; (3) provavelmente menos de 2% dos locais conhecidos foram significativamente escavados; (4) poucos destes foram mais do que arranhados; e (5) apenas uma fração da fração escavada foi publicada e os dados foram disponibilizados para o mundo acadêmico (1972: capítulo 4). Considerando não apenas os limites, mas também o lado positivo da arqueologia, é notável quantao relatos bíblicos foram esclarecidas e confirmados pelo número relativamente pequeno de locais escavados e descobertos até o momento. Embora, lamentavelmente, alguns profissionais se esforcem para apresentar uma imagem distorcida do que a arqueologia revela, ela fornece algumas das evidências mais fortes para a confiabilidade da Bíblia como uma história confiável e precisa. . . . 3) “O Exôdo Não é Ficção: Uma Entrevista com Richard Elliot Friedman ” (ReformJudaism.org): Richard Elliott Friedman, doutor em Harvard, é o professor de Estudos Judaícos de Ann e Jay Davis na Universidade da Geórgia e Katzin de Estudos Judaicos na Universidade da Geórgia e Katzin Professor de Civilização Judaica Emérito da Universidade da Califórnia, em San Diego, e foi bolsista visitante. em Cambridge e Oxford e um membro sênior das Escolas Americanas de Pesquisa Oriental em Jerusalém. Ele é o autor de sete livros, incluindo o best-seller ”Quem escreveu a Bíblia?” e ”Comentário sobre a Torá”. . . . Nossos leitores podem ter concluído que a erudição mostra que o Êxodo é fictício, quando, na verdade, isso não é verdade. Há evidências arqueológicas e evidências especialmente textuais para o Êxodo. . . . Em uma recente conferência internacional intitulada “Fora do Egito” sobre a questão da historicidade do Êxodo, creio eu, entre a maioria dos 45 estudiosos participantes, estava o fato de que os povos semitas, ou asiáticos ocidentais, estavam vivendo no Egito e estavam viajando de e para lá por séculos. E as evidências indicam que o grupo menor entre eles, que estavam conectados com o Êxodo, eram Levitas. Os Levitas eram membros do grupo associado aos eventos de Moisés, Êxodo e Sinai descritos na Bíblia. Na Torá, Moisés é identificado como um Levita. Além disso, de todos os israelitas, apenas os levitas tinham nomes egípcios: Moisés, Finéias, Hofni e Hur são todos nomes egípcios. . . . A arquitetura do Tabernáculo e seu pátio ao redor coincide com a da tenda de batalha do faraó Ramsés II, para a qual temos evidências arqueológicas, como foi demonstrado pelo professor Michael Homan em uma combinação brilhante de arqueologia e texto (Para Suas Barracas, Ó Israel, 2005). O professor Sperling havia enfatizado no artigo de RJ que, arqueologicamente, não há elementos egípcios na cultura material de Israel. Mas no Tabernáculo nós temos esses elementos egípcios. . . . Existem evidências reais de que o Êxodo é histórico, com o texto e a arqueologia se apoiando mutuamente. O que vem depois para nós é dar a devida consideração a essa evidência e refiná-la ainda mais em nosso trabalho. 4) “O Exôdo: Fato ou Ficção? Evidência do Exôdo de Israel do Egito” (Biblical Archaeology Society Staff, 3-28-18): Embora estudiosos da Bíblia e arqueólogos discutam sobre vários aspectos do Êxodo de Israel do Egito, muitos deles concordam que o Êxodo ocorreu de uma forma ou de outra. A pergunta “O Êxodo aconteceu?” Então se torna “Quando o Êxodo aconteceu?” Esta é outra questão acirrada. Embora haja muito debate, a maioria das pessoas se instala em dois campos: eles defendem tanto XV aC ou XII aC como sendo data do Êxodo de Israel do Egito. . . . A casa de um trabalhador do oeste de Tebas também parece apoiar um Êxodo do século XIII. Na década de 1930, arqueólogos da Universidade de Chicago estavam escavando o templo funerário de Aya e Horemheb, os dois últimos faraós da 18ª Dinastia do Egito, no oeste de Tebas. O templo foi construído pela primeira vez por Aya no século XIV aC, mas Horemheb usurpou e expandiu o templo quando se tornou faraó. (Ele governou a partir do final do século 14 até o início do século 13 aC) Horemheb esculpiu todos os lugares onde o nome de Aya havia sido posto e os substituiu pelo seu. Mais tarde, durante o reinado de Ramsés IV (século XII aC), o Templo de Aya e Horemheb foi demolido. Durante suas escavações, a Universidade de Chicago descobriu uma casa e parte de outra casa pertencente aos trabalhadores que receberam a tarefa de demolir o templo. O plano da casa completa é o mesmo da casa de quatro cômodos característica das habitações israelitas durante a Idade do Ferro. No entanto, ao contrário dos modelos israelitas que eram geralmente construídos em pedra, a casa Tebana era feita de pau-a-pique. É significativo que esta casa tenha sido construída no Egito ao mesmo tempo em que os israelitas estavam construindo casas de quatro cômodos em Canaã. As semelhanças entre os dois fizeram alguns especularem que os construtores da casa Tebana eram ou proto-israelitas ou um grupo intimamente relacionado com os israelitas. Uma terceira peça de evidência para o Êxodo é o Instruçãi de Amenope. A Instrução de Amenope é uma lista de palavras categorizadas do Terceiro Período Intermediário do Egito. Escrito em hierarquia, o papiro inclui o nome do lugar semítico b-r-k.t, que se refere aos lagos de Pitom. Mesmo em fontes egípcias, o nome semítico para os lagos de Pitom era usado em vez do nome egípcio original. É provável que uma população de língua semítica tenha vivido na região por tempo suficiente para que seu nome suplantasse o original. Além disso, tenho feito muita pesquisa sobre um achado arqueológico sobre Josué: “Altar de Josué no Monte Ebal: Achadaos da Arqueologia Recente” (7-22-14: três meses antes de eu visitar Israel). O Dr. Adam Zertal, Professor do Departamento de Arqueologia da Universidade de Haifa, descobriu o altar de Josué, descrito na Bíblia, em abril de 1980. Vários datações do local o colocam logo após a proposta do tempo “tardio” do Êxodo (séculos XIII-XII aC). Muitos arqueólogos tinham o hábito de negar totalmente a conquista de Canaã por Josué e os israelitas. Esta evidência contradiz expressamente eles.O Dr. Zertal escreveu em novembro de 2004: O local do culto no Monte Ebal satisfaz os três critérios necessários para identificar um sítio bíblico: cronológicamente (início do povoamento israelita), geograficamente e a natureza do sítio (um centro de culto com um altar de holocausto). Em vista dessa análise, dificilmente se pode duvidar da identidade da história bíblica e deste local como o primeiro centro intertribal das tribos israelitas. Esta é a primeira vez que um centro de culto israelita completo, incluindo um altar para oferendas queimadas, está disponível para estudo. . . . O altar no Monte Ebal não é apenas o altar mais antigo e completo, mas também o protótipo do altar da oferenda israelita dos períodos do Primeiro e Segundo Templo. A influência arquitetônica mesopotâmica na estrutura do altar também é muito interessante, tanto em sua construção escalonada quanto na orientação de seus cantos ao norte, sul, leste e oeste. * . . . As variedades de ossos de animais descobertos são evidência de que as leis do sacrifício foram seguidas desde os primórdios da religião israelita. Apesar da presença de javalis na região, nem um único osso deste animal, não apto para sacrifício, foi encontrado no Monte Ebal. Visitei a cidade-fortaleza de Khirbet Qeiyafa durante nossa visita a Israel (e até coletei vários artefatos dela. Ela foi datada da época do rei Davi (cerca de 1000 aC) e foi descoberta em 2007. Também visitamos a Cidade de Davi, ao sul do Monte do Templo em Jerusalém. Eilat Mazar, um arqueólogo israelense, anunciou em agosto de 2005 que havia encontrado o palácio do rei Davi.Enquanto isso, há evidências arqueológicas do Rei Davi (cuja existência e / ou reinado também questionada): A Estela de Tel Dan [descoberta em 1993-1994], uma pedra inscrita erguida por um rei de Damasco no final do século IX / início do século VIII aC para comemorar sua vitória sobre dois reis inimigos, contém a frase ביתדוד, bytdwd, que a maioria dos estudiosos traduziz como “Casa de Davi”. . . . É provável que esta seja uma referência a uma dinastia do Reino de Judá que traçou sua ancestralidade para um fundador chamado Davi. A Estela Mesha [descoberta em agosto de 1868] de Moabe, datando aproximadamente do mesmo período, também pode conter o nome Davi em dois lugares, embora isso seja menos certo do que a menção na inscrição de Tel Dan. (Wikipedia: “David”) Por fim, gostaria de responder a um dos argumentos falhos de Seidensticker sobre a precisão bíblica: Se você quer apenas dizer que a Bíblia faz algumas afirmações históricas verificadas, outras afirmações naturais ainda não verificadas também devem ser consideradas seriamente, tudo bem. Mas certamente esses cristãos querem ir mais longe. Certamente eles querem que isso apóie as alegações sobrenaturais da Bíblia. Fico feliz em afirmar que a Bíblia faz muitas referências históricas precisas, mas ter nomes precisos de pessoas e lugares simplesmente leva você ao ponto de partida. É o mínimo que exigimos de um documento histórico. Você não tem apoiado as alegações sobrenaturais; você simplesmente evitou ser cortado da lista de participantes em consideração. . . . Os apologistas cristãos nos dizem: “A Bíblia não é imprecisa em algumas de suas alegações testáveis!”. Isso é considerado uma desculpa que diz muito sobre o que é um argumento convincente em alguns círculos cristãos. Eu tenho feito apologética Cristã por 37 anos, e tenho sido um apologista profissional integral, publicando há 16 (com dez livros “oficialmente” publicados em meu nome). Posso testemunhar que nenhum apologista reputável e credenciado faria um argumento tão tolo e insubstancial. É claro que sempre é possível encontrar qualquer Tom, Dick ou Harry on-line, fingindo ser um “apologista” e fazendo isso, mas o ponto é que essas são exceções à regra e exemplos ruins. A metodologia constante de Seidensticker em seu incessante ataque cristão é apresentar o argumento pobre como o usual, ou normativo nos círculos cristãos. Ele raramente diferencia entre os argumentos dos estudiosos e dos leigos menos instruídos. Isso é o que é chamado na lógica, ”a falácia do Espantalho.” O argumento legítimo da exatidão bíblica estabelecida não é que isso “prova” tanto a inspiração bíblica quanto os eventos sobrenaturais registrados na Bíblia, mas que simplesmente exclui uma objeção comum (uma afirmação bem menos ambiciosa). Se a Bíblia se mostrasse massivamente e sistematicamente imprecisa em detalhes, então este seria um forte argumento contra sua inspiração de Deus. Nossa verdadeira alegação, então, é a seguinte: 1) A Bíblia tem se mostrado acurada repetidas vezes pela pesquisa arqueológica e histórica. 2) Tal precisão é consistente com (embora não seja a prova de) sua inspiração bíblica. Em outras palavras, se a Bíblia for de fato inspirada, esperaríamos que ela também fosse precisa em detalhes. 3) Portanto, o argumento contra a inspiração da Bíblia baseado em sua alegada imprecisão histórica é derrotado.
- Descoberta traz menção mais antiga sobre Jerusalém da história.
Os especialistas da Autoridade de Arqueologia de Israel (AAI) revelaram uma descoberta que contraria os argumentos sobre ausência de registros sobre Jerusalém fora da Bíblia. Trata-se de um bloco de pedra com uma inscrição de 2 mil anos de idade onde se lê “Jerusalém” em hebraico. Ela foi achada em uma escavação embaixo do Centro de Convenções de Jerusalém (Binyanei Ha’Uma) durante a reforma de uma estrada. A peça arqueológica passará a ser exibida ao público no Museu de Israel, em Jerusalém. Bloco de pedra de Jerusalém. (Foto: EFE/ Atef Safadi) O breve texto, que diz “Hananiah, filho de Dódalos de Jerusalém”, é o mais antigo em hebraico com o nome da cidade de forma completa e como se pronuncia hoje. Isso mostra, mais uma vez, que tratava-se de uma cidade judaica. A pedra de 80 centímetros de altura fazia parte de uma coluna de um edifício romano. A inscrição aramaica utiliza letras do hebraico caraterístico da época do Segundo Templo. Especialistas afirmam que pertence ao período do reinado de Herodes, o Grande. “As inscrições da época do Primeiro e Segundo Templo mencionando Jerusalém são escassas. E mais raro ainda é que esteja escrita completamente da forma como fazemos hoje, já que, normalmente (o nome da cidade), aparece abreviado”, ressaltam o arqueólogo Yuval Baruch, da AAI, e Ronny Reich, professor da Universidade de Haifa. Até agora, o único registro do nome da cidade no mesmo período era de uma moeda da “Grande Revolta” contra os romanos, entre 66 e 77 depois de Cristo. Via:Gospel Prime Mais informações: Haaretz
- DOZE MANEIRAS DE CONHECER A DEUS – Peter Kreeft
Jesus define a vida eterna como um conhecimento de Deus (João, 17, 3). Quais são os meios? Por quantos diferentes modos podemos conhecer a Deus, e assim conhecer a vida eterna? Quando faço um inventário, encontro doze. Obviamente, a maneira final, completa e definitiva é o Cristo, Ele próprio Deus encarnado como homem. Sua Igreja é seu corpo; assim, conhecemos Deus também através da Igreja. As Escrituras são o livro da Igreja. Esse livro, como o próprio Cristo, é chamado “A palavra de Deus ”. As Escrituras também afirmam que se pode conhecer Deus na natureza (v. Romanos 1). Trata-se de um conhecimento inato, espontâneo, natural. Não creio que alguém que viva perto do mar ou de um pequeno rio, possa ser ateu. A arte também revela Deus. Conheço três ex-ateus que dizem: “Se existe a música de Bach, deve haver um Deus”. A consciência é a voz de Deus. Ela fala de maneira absoluta, não com “se”, “e” e “porém”. É também imediata. (Os últimos três modos de conhecer a Deus, de 4 a 6, são naturais, enquanto os três primeiros são sobrenaturais. Os últimos três revelam três atributos de Deus, as três coisas que o espírito humano mais deseja: verdade, beleza e bondade. Deus completou sua Criação com essas três coisas. A seguir, relacionam-se mais seis maneiras pelas quais podemos e de fato conhecemos a Deus). A razão, refletindo sobre a natureza, as artes ou a consciência, pode conhecer a Deus com sólidos argumentos filosóficos. A experiência, a vida e a história de cada um também podem revelar Deus. Pode-se perceber a mão da Providência ali. A experiência coletiva da raça, encarnada na história e na tradição, expressa na literatura, também revela Deus. Pode-se conhecer a Deus pela história de outras pessoas, através da grande literatura. Os santos revelam Deus. São anúncios, espelhos, pequenos Cristos. Eles são talvez a mais efetiva de todas as formas de convencer e converter as pessoas. Nossa experiência ordinária, no dia a dia, de fazer a vontade de Deus, pode revelar Deus. Deus torna a visão mais clara quando o olho do coração está purificado: “Bem aventurados os puros de coração, pois eles verão a Deus”. A oração encontra Deus – a oração comum. Aprende-se mais sobre Deus com alguns minutos de arrependimento orante do que através de uma vida inteira em uma biblioteca. Infelizmente, os cristãos às vezes têm brigas de família sobre esses modos, tratando-os como “ou” em vez de “e”. Todos eles se sustentam mutuamente, e nada poderia ser mais tolo do que tratá-los como rivais — por exemplo, encontrar Deus na igreja versus encontrar Deus na natureza, ou razão versus experiência, ou Cristo versus arte. Se foram negligenciadas qualquer uma dessas maneiras, seria uma excelente ideia explorá-las. Por exemplo, rezar usando boa música. Ou tirar uma hora para rever a própria vida em algum momento do passado e nele reconhecer o papel de Deus. Ler um bom livro para melhor encontrar, conhecer e glorificar a Deus (antes, porém, rezar por essa intenção). Aumente-se esta lista, se possível. Há mais maneiras de encontrar e conhecer a Deus do que qualquer ensaio poderia conter. Ou mesmo o mundo inteiro. http://www.peterkreeft.com/topics/12-ways.htm
- Como Jesus Morre na Santa Missa?
Alegoria da Missa com o Papa S. Pio V (Séc XVI) Para nós, católicos, somos dogmáticos de que a Santa Missa envolve a presença real do Corpo e do Preciosíssimo Sangue do nosso Senhor, e que um verdadeiro sacrifício propiciatório ocorre na celebração da Eucaristia. Mas qual é a natureza do sacrifício? Cristo passa por uma nova transição de ser um corpo humano e alma pulsante, para perder todo o oxigênio em seu coração e pulmões através de asfixia, de novo e de novo quando celebramos a Última Ceia? Embora eu duvide que alguém afirme isso abertamente, e embora o título deste artigo tenha sido concebido para chamar atenção, alguns de nós ainda têm dificuldade em explicar como a Missa traz ao momento presente a verdadeira morte de nosso Senhor. Mentes curiosas se importam em saber! Eu sei que há muitos livros escritos sobre esse assunto que merecem ser explorados, talvez nenhum melhor do que o livro do ex-beneditino Abade Anscar Vonier, Uma Chave para a Doutrina da Eucaristia, mas me deparei com uma explicação curta e maravilhosa para o assunto enquanto eu estava lendo a segunda carta do Oxfordiano Edward B. Pusey ao seu parceiro contemporâneo no diálogo do Cardeal John Henry Newman intitulado “A Reunião Saudável é Impossível?”. Nesta carta, que é bastante extendida para 354 páginas em minha própria cópia impressa, Pusey cobre a disputa entre anglicanos e luteranos com relação ao Sacrifício da Sagrada Eucaristia. Em particular, ele detalha as trocas de cartas entre o teólogo luterano e o abade de Loccum, Gerhard Wolter Molanus (1633-1722), e um contemporâneo bispo franco-católico e teólogo, Jacques-Bénigne Lignel Bossuet (1627-1704). Surpreendentemente, houve muitos esclarecimentos de ambos os lados sobre vários assuntos. Tenho certeza que você poderia obter parte do material francês original de Bossuet em seu volume de Ousvres Completos de Bossuet, evèque de Meaux, com o material sobre Reunion com os Protestantes “Projects De Reunion De Protestants” começando na página 772 (que o último link traz você diretamente). Infelizmente, eu não tenho acesso aos escritos de Molanus, exceto pelo que está inserido na carta de Pusey. Agora, eu não falo ou leio francês, então estou confiando apenas nas traduções de Pusey; seja se ele traduziu por sí si mesmo ou se ele pediu de outra pessoa, eu simplesmente não sei. Suas anotações indicam que ele mesmo traduziu. Eu só estarei citando o que parece ser uma resposta de Bossuet a Molanus. Aqui Bossuet avança para a a bateria de artilharia e explica muito bem o que é uma teologia da morte no Santo Sacrifício da Missa, e como a sua explicação, não menos importante, é também verdadeira, deve resolver algumas das tensões que o nosso anglicano e luterano interlocutores tiveram no passado sobre os dogmas Tridentinos relativos ao Santíssimo Sacramento da Sagrada Eucaristia. Ele começa: “A essência do sacrifício da Eucaristia consiste precisamente na consagração [da Missa], pela qual, em virtude das palavras de Jesus Cristo, Seu corpo e precioso sangue são colocados realmente na sagrada mesa, misticamente separados sob as espécies de Pão e vinho. Por esta ação tomada precisamente [i.e. a separação de corpo e sangue], e sem qualquer coisa acrescentada pelo Sacerdote, Jesus Cristo é realmente oferecido ao Seu Pai, na medida em que Seu corpo e Seu sangue são colocados diante Dele, realmente vestidos com os sinais [ou símbolos] representando Sua morte . Como esta consagração é feita no Nome, na Pessoa e através das palavras de Jesus Cristo, é Ele na verdade quem tanto consagra como oferece, e os sacerdotes são apenas simples ministros. A oração que acompanha a consagração, pela qual a Igreja declara que oferece Jesus Cristo a Deus por meio dessas palavras “offerimus” e coisas semelhantes, não pertence à essência do Sacrifício, que pode subsistir sem a oração. A Igreja só explica, através desta oração, que se une a Jesus Cristo, que continua a oferecer-se por ela, e que ela se oferece a Deus, com Ele; e aqui o sacerdote não faz nada de especial, o que todo o povo não faz conjuntamente; com esta única diferença, que o Sacerdote o faz como ministro público e em nome de toda a Igreja. Sendo bem entendido, parece que esta real oblação do Corpo e Sangue de Jesus Cristo é uma consequência da doutrina da Real Presença [la realite], e que a Igreja não deve ser solicitada a produzir qualquer outra comissão para ‘ ofertar ‘do que aquilo que lhe é dado consagrar, já que a oblação, em sua essência, consiste na própria consagração. Não falo mais da relação dessa oblação com a da Cruz, porque acho que expliquei o suficiente em meus escritos anteriores. Só é necessário evitar qualquer ambiguidade quanto à palavra “oferta”, como se observou, e ter a certeza de que não se pode afastar mais da intenção da Igreja do que crer que ela busca no sacrifício da Eucaristia qualquer coisa para suplementar qualquer defeito no Sacrifício da Cruz, que ela sabe ser de um infinito mérito, perfeição e virtude, de modo que tudo o que é feito posteriormente tende apenas a aplicá-lo a nós. “Quando a Igreja Católica usa estas palavras, ‘nós oferecemos’, e assim por diante, em sua liturgia, e por estas palavras oferece Jesus Cristo, presente na mesa santa, a Seu Pai, ela não quer dizer com esta oblação para apresentar a Deus, ou para fazer-lhe um novo pagamento do preço de sua salvação, mas apenas para empregar os méritos e intercessão de Jesus Cristo com Ele, e o preço que ele pagou por nós na cruz … “Acreditamos que, pelas palavras“ Isto é o meu corpo; Isto é o Meu sangue ‘não apenas Jesus Cristo se coloca realmente na mesa sagrada, mas que Ele se coloca, vestido com sinais representativos de Sua morte. Isso nos mostra que Sua intenção era colocar-se lá como morto; e é neste terreno que dizemos que esta mesa é também um altar. Acreditamos que esta ação, pela qual o Filho de Deus é colocado sobre a Santa Mesa sob signos representativos de Sua morte, a consagração, leva consigo o reconhecimento da alta soberania de Deus, em que Jesus Cristo, presente, renova neles a memória de sua obediência até a morte da cruz, e de certo modo a perpetua. “Acreditamos também que esta mesma ação torna Deus propício a nós, porque coloca diante de seus olhos a morte voluntária de seu Filho pelos pecadores, ou Pai, Seu Filho, vestido, como foi dito, com os sinais representativos daquela Morte pela qual Ele foi apaziguado. “Neste terreno, dizemos que Jesus Cristo ainda se oferece na Eucaristia; por ter uma vez dado a Si mesmo para nós para ser nossa vítima, ele não deixa de se apresentar ao Pai, como o apóstolo diz que “Ele aparece diante de Deus por nós”. “Não deve haver disputa sobre a palavra. Se por “oferta” se entende a oblação feita através da morte da vítima, é verdade que Jesus Cristo não se oferece mais. Mas Ele se oferece em que Ele aparece por nós, se apresenta a nós para Deus, coloca diante de Seus olhos Sua morte e obediência, como é explicado aqui. “Acreditamos, então, que Sua presença no altar sagrado, nesta figura [ou símbolo] de Sua morte, é uma oblação contínua que Ele faz de si mesmo, de sua morte e de seus méritos, para a raça humana. Nós nos unimos a Ele nesta condição, e oferecemos a Ele como Ele Se oferece, protestando que não temos nada para apresentar a Deus senão o Seu Filho e os Seus méritos. De modo que, vendo-o pela fé presente no altar, nós O apresentamos a Deus como nossa única propiciação através do Seu sangue; e ao mesmo tempo nos oferecemos com Ele, como sacrifícios vivos, à Divina Majestade. Não é bom raciocinar para dizer que a oblação da Cruz não é suficiente, supondo que Jesus Cristo ainda se oferece na Eucaristia, mais do que seria dizer que, porque Ele continua a interceder por nós no céu, A intercessão na cruz era imperfeita e insuficiente para nossa salvação. “Tudo isso, então, não impede que seja verdade, que Jesus Cristo Se ofereceu uma única vez; porque, embora como diz o Apóstolo, quando Ele veio ao mundo, Ele se ofereceu para ser um sacrifício por nós, embora acreditemos que Ele não deixa de se apresentar por nós a Deus, não apenas no céu, mas também não na mesa santa, ainda tudo se referindo àquela grande oblação, pela qual Ele Se ofereceu uma vez na cruz, para ser colocado em nosso lugar, e sofrer a morte que nos era devida. E sabemos que todo o mérito da nossa redenção está de tal modo ligado a este grande sacrifício da Cruz, que nada nos resta fazer na Eucaristia, do que celebrar a sua memória e aplicar-nos a sua virtude. . “Além disso, não pensemos que a Vítima, que apresentamos na Eucaristia, esteja ali de fato destruída de novo; porque o Filho de Deus uma vez cumpriu abundantemente esta obrigação pelo sacrifício da Cruz, como o Apóstolo Paulo prova divinamente em sua Epístola aos Hebreus. De tal modo que, sendo o sacrifício da Eucaristia estabelecido em comemoração, devemos procurar apenas uma morte e destruição místicas, em que a morte efetiva, que o Filho de Deus uma vez sofreu por nós, é representada. Tal é o sacrifício da Igreja, um sacrifício espiritual, onde o sangue é derramado apenas em mistério, onde a morte só interfere no mistério; ainda um sacrifício muito verdadeiro, em que Jesus Cristo, que é a vítima, está realmente contido sob essa figura da morte; mas um sacrifício comemorativo, que subsiste apenas por sua relação com o sacrifício da cruz, e deriva toda a sua virtude ” (Is Healthful Reunion Impossible? Page 44-48)
- Pedro falou ”Filioque” através de Leão!
Tradução: Peter Has Spoken “Filioque” Through Leo! – Credo Ut Intelligam: Apologetics For The Catholic Faith Em uma homilia para o Pentecostes, (Homilia LXXV) São Leão Magno, diz o seguinte: “E enquanto na propriedade de cada Pessoa o Pai é um, o Filho é outro, e o Espírito Santo é outro, ainda que a Divindade não seja distinta e diferente; pois enquanto o Filho é o Unigênito do Pai, o Espírito Santo do Pai e Filho, não do modo que toda criatura é a criatura do Pai e do Filho, mas como viva e tendo poder com ambos, e eternamente subsistente daquilo que é o Pai e o Filho. E, portanto, quando o Senhor, antes do dia da sua Paixão, prometeu a vinda do Espírito Santo aos seus discípulos, disse: “Ainda tenho muitas coisas para lhe dizer, mas vocês não podem suportá-las agora. Mas quando Ele, o Espírito da Verdade, vier, Ele os guiará a toda a verdade. Porque Ele não falará de si mesmo, mas o que ele ouvir, falará e anunciará coisas para vir a vós. Todas as coisas que o Pai tem são minhas; por isso, disse que Ele as tomará, e as anunciará a você ‘. Por conseguinte, não há algumas coisas que são do Pai, e as do Filho e outras do Espírito Santo: mas todas as coisas que o Pai tem, o Filho também tem, e o Espírito Santo também: nem nunca houve tempo quando esta comunhão não existia, porque Eles terem todas as coisas é sempre existir. ” O Filioque está claramente implícito nessa afirmação. Deixe-me explicar. Ele começa notando (1) as propriedades distintivas das 3 Pessoas, e então (2) afirmando sua igualdade absoluta como a Divindade (substância). Então, ele diz “pois enquanto o Filho é apenas gerado” (Etc, etc), o que significa que ele está descrevendo as propriedades distintas novamente. Destas propriedades distintas, diz-se que o Espírito Santo, sozinho, é “do Pai e do Filho”. Ponto final. O que se entende por isto “do Pai e do Filho”? Como é precisamente no meio de uma lista de propriedades distintas, não pode significar comunidade consubstancial. Mas então, se não é a substância do Espírito que está sendo descrita por “do Pai e do Filho”, então é uma propriedade pessoal, como todos os bons Trinitaristas saberiam (se os leitores não estiverem familiarizados neste momento, vá através de todas as 12 lições curtas gratuitas na International Catholic University para fazer um tour ligeiro da doutrina católica da trindade). Assim, ouvimos nesta homilia de São Leão Magno, um claro ensinamento de que a propriedade pessoal do Espírito Santo se relaciona com o Pai e o Filho. Essa relação é dita como um relacionamento “de”. Eu argumento que esse “de” significa “originação”. Por que eu digo argumento assim? Porque Leão continua depois de dizer “do Pai e do Filho” com “não da maneira que toda criatura é a criatura do Pai e do Filho”. Agora, por que ele precisaria negar a origem finita depois de dizer que o Espírito é “do Pai e do Filho”? É porque “de” significa originação. No entanto, Leão prevê o possível erro de tomar “do Pai e do Filho” como origem finita (ou seja, criação), e tão rapidamente nega sua comparabilidade com a forma como as criaturas vêm de Deus. Assim, toda a criação é “de Deus” porque eles são criados por Deus e vêm de Deus de uma maneira finita no tempo. Mas o Espírito Santo é do “Pai e Filho”, da mesma forma vindo do Pai e do Filho, mas uma diferença notável é que o Espírito é, não obstante, igual em substância com o Pai e o Filho. Agora, e se alguém dissesse que ser “do Pai e do Filho”, mesmo como uma particularidade hipostática, não significa necessariamente a preposição “de”. A hesitação é justificada? Não tenho tanta certeza de que podemos ser tão hesitantes. Logo depois de dizer que não há diversidade na Divindade, ele prossegue listando o que verdadeiramente é diverso, e a primeira coisa que ele nota é a geração do Filho do Pai (genetiva), e então passa a falar de outro genetivo para o Espírito do Filho e Pai. É muito claro que o genetivo é uma propriedade diversa do Espírito. Agora, quando ele comenta as diversas propriedades do Filho, o latim diz: “Siquidem cum et DE Patre se senta Filius unigenitus”, ou seja, enquanto o pai gerou o Filho. Assim, o Filho tem uma propriedade diversa e genetiva que é “do” Pai. A próxima coisa que disse em latim é “et Spiritus Sanctus Patris Filiique sit spiritus”, ou seja, e Espírito Santo do Pai e do Filho. Assim, o Espírito possui uma propriedade diversa e genetiva que é “do” Pai e Filho. É um estender selvagemente que o que Leão tem em mente aqui ao comentar sobre as diversas propriedades do Filho e do Espírito é uma propriedade diversificada de origem? Eu acho que não há nenhuma estensão em tudo. O Filho é originado por ser gerado. O Espírito também se origina do Pai e do Filho. A única coisa que falta aqui é a palavra “procede”, mas se o texto de Leão para Turibus é confiável, então temos ainda mais certeza de que Leão teria entendido dessa maneira. Por fim, há uma preposição “de” no texto logo depois de dizer que o Espírito é “do Pai e do Filho”. Lê-se: “Spirtus non sicut quaecumque creatura quae et patris et filii est, sed sicut cum utroque vivens et potens, et sempiterne EX EO quod est Pater Filiusque subsistens, Ou seja Espírito não como qualquer criatura do Pai e do Filho, mas como vivo e poderoso com cada um, subsistindo eternamente DO que é o subsistente Pai e Filho Então eu acho que a proposição “de” deve ser lida no genetivo anterior, e assim nós temos um genetivo (ou de) do Espírito como aquele que sai do Pai e do Filho eternamente e sem admitir começo como todas as outras criaturas.
- NÃO SE SEPARA O QUE DEUS UNIU – 27º Domingo do Tempo Comum
Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Por que as pessoas não querem mais casar?”, clicar AQUI. “Não é bom que o homem esteja só”, diz o livro do Gênesis. Hoje em dia, porém, tanto homens quanto mulheres parecem ter perdido completamente o sentido de família; todos preferem a “solteirice”. Como isso foi acontecer? Qual a razão de as pessoas não mais quererem casar e ter filhos? Por que o casamento se transformou, para os de fora, em um projeto inviável, e para os de dentro, em um projeto egoísta — ou até mesmo de divórcio? PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Gênesis 2, 18-24) Eles serão uma só carne O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele”.Então o Senhor Deus formou da terra todos os animais selvagens e todas as aves do céu, e trouxe-os a Adão para ver como os chamaria; todo o ser vivo teria o nome que Adão lhe desse. E Adão deu nome a todos os animais domésticos, a todas as aves do céu e a todos os animais selvagens; mas Adão não encontrou uma auxiliar semelhante a ele. Então o Senhor Deus fez cair um sono profundo sobre Adão. Quando este adormeceu, tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com carne. Depois, da costela tirada de Adão, o Senhor Deus formou a mulher e conduziu-a a Adão. E Adão exclamou: “Desta vez, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada ‘mulher’ porque foi tirada do homem”. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne. SALMO 127 A família humana: pai, mãe e filhos (Antífona): O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida. — Feliz és tu se temes o Senhor/ e trilhas seus caminhos!/ Do trabalho de tuas mãos hás de viver,/ serás feliz, tudo irá bem! — A tua esposa é uma videira bem fecunda/ no coração da tua casa;/ os teus filhos são rebentos de oliveira/ ao redor de tua mesa. — Será assim abençoado todo homem/ que teme o Senhor./ O Senhor te abençoe de Sião,/ cada dia de tua vida. — Para que vejas prosperar Jerusalém,/ e os filhos dos teus filhos./ Ó Senhor, que venha a paz a Israel,/ que venha a paz ao vosso povo! SEGUNDA LEITURA DA MISSA (Hebreus 2, 9-11) Marido unido à esposa como Cristo à Igreja Irmãos: Jesus, a quem Deus fez pouco menor do que os anjos, nós o vemos coroado de glória e honra, por ter sofrido a morte. Sim, pela graça de Deus em favor de todos, ele provou a morte. Convinha de fato que aquele, por quem e para quem todas as coisas existem, e que desejou conduzir muitos filhos à glória, levasse o iniciador da salvação deles à consumação, por meio de sofrimentos. Pois tanto Jesus, o Santificador, quanto os santificados, são descendentes do mesmo ancestral; por esta razão, ele não se envergonha de os chamar irmãos. EVANGELHO (São Marcos 9, 30-37) A finalidade do matrimônio é a família Naquele tempo, Jesus e seus discípulos atravessavam a Galileia. Ele não queria que ninguém soubesse disso, pois estava ensinando a seus discípulos. E dizia-lhes: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará”. Os discípulos, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar. Eles chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: “O que discutíeis pelo caminho?” Eles, porém, ficaram calados, pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior. Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, disse: “Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas àquele que me enviou”. O QUE DEUS UNIU (Comentário de Scott Hahn) No evangelho deste domingo, os fariseus tentam surpreender Jesus com uma pergunta enganosa. A “legalidade” do divórcio em Israel nunca foi questionada. Moisés o havia permitido (v. Dt 24,1-4). Apesar disso, Jesus faz voltar os seus antagonistas a um momento antes de Moisés: “o princípio”, e lhes dá sua interpretação do texto que ouvimos na primeira leitura. O divórcio, nos diz o Cristo, viola a ordem da criação. Moisés o permitiu como uma concessão à dureza do coração do povo – isto é, à sua incapacidade de ser fiel à Aliança, à Lei de Deus. Mas Jesus veio para cumprir a Lei e revelar seu verdadeiro significado e propósito; e dar ao povo a graça de guardar os mandamentos de Deus. Cristo nos revela que o casamento é um sacramento, um sinal divino e vivificante. Através da união do homem e da mulher, Deus quis derramar suas bênçãos sobre a família humana, tornando-a fecunda e multiplicando-a até que enchesse a terra (v. Gn 1, 28). É por isso que o Evangelho de hoje passa tão facilmente do debate sobre o casamento à bênção de algumas crianças por Jesus. As crianças são as bênçãos que o Pai concede aos casais que seguem seu caminho, como cantamos no salmo de hoje. O casamento é também um sinal da Nova Aliança com Deus. Como a epístola de hoje dseixa entrever, Jesus é o Novo Adão – feito um pouco inferior aos anjos, nascido de uma família humana (v. Rm 5, 14; Sl 8, 5-7). A Igreja é a nova Eva, a “mulher” nascida do lado trespassado de Cristo, durante o sono da sua morte na cruz (v. Jo 19, 34; Ap 12, 1-17). Por meio da união de Cristo e da Igreja como “uma só carne”, o plano de Deus para o mundo foi cumprido (v. Ef 5, 21-32). Eva era “a mãe de todos os viventes” (v. 3, 20). Por outro lado, no batismo somos feitos filhos da Igreja, filhos do Pai, herdeiros da glória eterna que Ele destinou à família humana desde o princípio. O desafio para nós é viver como filhos do reino e crescer firmemente em nossa fidelidade, amor e devoção a Cristo e aos ensinamentos de sua Igreja. https://stpaulcenter.com/lo-que-dios-ha-unido-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-27o-domingo-de-tiempo-ordinario/ https://stpaulcenter.com/what-god-has-joined-scott-hahn-reflects-on-the-twenty-seventh-sunday-in-ordinary-time/
- Ignorance: Culpable and Inculpable.
Now, such errors of conscience are either culpable or inculpable. They are culpable, if they spring from voluntary ignorance, and they are inculpable, if they spring from involuntary ignorance. Ignorance is voluntary or vincible, when one in doing something has certain doubts about the moral goodness or badness of his action, and about the obligation of examining whether his action is really good or bad, and, nevertheless, does not take the necessary means to find out whether what he is about to do is right or wrong. It is, for instance, a law to profess the true religion in order to be saved. Now, suppose there is a non-Catholic. A sermon on the true religion, which he heard, or a book which he read, or a conversation which he had with a friend on this subject, or the conversion of a wealthy or learned man from Protestantism to the Catholic faith, or any other good reason whatever, makes him doubt about the truth of his religion. Such a one is obliged in conscience to seek for light and instruction, if he can. If he cannot do so immediately, he must firmly purpose to procure information, as soon as he can, from those who can give it in a satisfactory manner, and must be determined to renounce his error, if he finds out that he is living in a false religion. Meanwhile, he must beg of God to enlighten him and enable him to do what seems best to him in the present circumstances. If he, however, neglects to seek instruction when he can and ought to do so; if he continues not to heed his religious scruples about his salvation in Protestantism; if he is even afraid of learning the truth, or, if he knows it, contradicts it against his conscience and obscures it every day by unnatural crimes, — ah! then the signs are not hard to read! Such a Protestant sins against his conscience, against the Holy Ghost. He is a tree, black and dead in the middle of summer. He is fit only for the fire. If he is lost, he is lost through his own fault. Ignorance is involuntary, or invincible, if one, in doing something, has not the least reasonable doubt about the goodness of the action. To illustrate: an heir enters upon an estate which formerly was acquired unjustly by his ancestors; but at the time when he took possession of it, he had not the least doubt about the just and lawful acquisition of the estate. In this he is in error, but the error is involuntary, and, therefore, not culpable. After some years, however, he discovers the flaw in his title, and still continues in the possession of the estate. From that time, his conscience becomes voluntarily and criminally erroneous, contrary to good faith and the dictates of a good conscience. “If your error is voluntary,” says St. Thomas Aquinas, “and you do not do all you can to find out the truth, you are answerable for your conduct in following a false conscience.” Such was the conscience of the persecutors of the Church, of whom Jesus Christ says: “Yea, the hour cometh, that whosoever killeth you, will think that he doth a service to God.” (John, xvi. 2. ) When, in arguing about something, one of the premises is false, the conclusion must necessarily be false. In like manner, all the acts of a conscience, whose error is voluntary or vincible, are bad and partake in the evil result of voluntary ignorance. If you are willfully ignorant of what you are bound in conscience to know, you are responsible for all your actions. Such is the conscience of many sinners, who wish to be ignorant of their duties in order to live without restraint. They say to God, says Job, “depart from us, we do not desire the knowledge of thy ways.” (Job, xxi. 14.) A conscience continuing thus is to act in a known voluntary error, becomes quite criminal in the sight of God. This is the most lamentable and most unhappy state into which a soul can fall; for this kind of conscience drives the sinner into all kinds of crimes, disorders, and excesses, and becomes to him the source of blindness of the understanding, of hardness of heart, and finally, of eternal reprobation, if he perseveres in this state to the end of his life. Witness the writer of the infidel Press. With him it has become fashionable to get rid of religion and conscience. A man who wishes to gratify his evil desires, without shame, without remorse, says: “There is no God; there is no hell; there is no hereafter; there is only this present life, and all in it is good.” He looks upon conscience as a creation of man. He calls its dictates an imagination. He says that the notion of guiltiness, which that dictate enforces, is simply irrational. When he advocates the rights of conscience, he, of course, in no sense means the rights of the Creator, nor the duty to him, in thought and deed, of the creature; he means only the right of thinking, speaking, writing, and eating according to his judgment or his humor, without any thought of God at all. He does not even pretend to go by any moral rule, but he demands what he thinks is an American’s prerogative, to be his own master in all things, and to profess what he pleases, asking no one’s leave, and accounting any one unutterably impertinent who dares to say a word against his going to perdition, if he likes it, in his own way. With such a man the right of conscience means the very right and freedom of conscience to dispense with conscience, to ignore a Law-giver and Judge, to be independent of unseen obligations; to be free to take up any or no religion, to take up this or that, and let it go again, to boast of being above all religions, and to be an impartial critic of each of them; in a word, conscience is, with that man, nothing else than the right of self-will. Such is the idea which the men of the infidel Press have of conscience. Their rule and measure of right and wrong is utility, or expedience, or the happiness of thegreatest number, or State convenience, or fitness, order, a long-sighted selfishness, a desire to be consistent with one’s self. But all these false conceptions of conscience will be no excuse before God for not having known better. The idea that there is no law or rule over our thoughts, desires, words and actions, and that, without sin or error, we may think, desire, say, and do what we please, especially in matters of religion is a downright absurdity. “When God gave to man a free will,” says St. Thomas, “he intended that man should freely choose what is good and reject what is evil, in order thus to gain merit — a privilege which is denied to beasts, for they blindly follow their instincts. Who can be foolish enough to think that God, in giving man a freewill dispensed him from the observance of his laws? God is infinite goodness, justice, wisdom, mercy, and purity, and he impressed on man the notion of goodness, justice, mercy, purity, in order that, as he himself hates all wickedness, injustice, errors, and impurity, so man also should do the same. Hence it is impossible that God can concede to man a license to commit acts utterly repugnant to the divine nature, and also repugnant to the nature of man, who is made in the likeness and image of God. Our use of liberty, therefore, must be consistent with reason; it must be based upon a hatred of all that is evil, unjust, unkind, false, or impure; and upon a strong desire to attain to all that is good, true, and perfect. Who, then, are the worst enemies of the liberty of man? First, that ignorance and error which prevent him from distinguishing clearly that which is just and right from that which is evil and false. Secondly, his passions, which keep him from embracing the good which he knows and sees, and induce him to desire that which he knows to be bad. Thirdly, any powers or authorities external to man, which prevent him from doing that which he knows to be good and which he desires to do, or force him to do that which he sees to be unlawful, and which he shrinks from doing. Fourthly, all those who deny and pervert religious and moral truths. What wickedness, what impiety to sneer at what is good, in the present and in the future, for the intellect and will of man! How detestable are they who entangle men in the subtle webs of sophisms, and expel religion and morality from the hearts of men, who instil doubts and disputes about social truth, which is the only stable foundation on which nations and empires can tranquilly repose! Most execrable men, those who assume the right to insult the Lord and to destroy man.” After the devil has used these men for his own diabolical purposes, he will cast the vile wretches, like worn-out brooms, into the fire of hell. The privilege that bad men have in evil, Is that they go unpunished to the devil.” The hell of the wicked begins even in this world, and it continues throughout all eternity in the next. Hence St. Paul says: “Tribulation and anguish upon every soul of man that worketh evil.” (Rom. ii. 9.) “By what things,” says Holy Scripture, “a man sinneth, by the same he is also tormented.” (Wisd. xi. 17.) He who speaks (against his conscience) whatever he pleases, wilt hear in his heart what he does not like to hear,” says Comicus. He that hides a dark soul and foul thoughts, Benighted walks under the midday-sun, Himself is his own dungeon.” In order to avoid such great evils, we must rectify our conscience when it is vincibly erroneous — that is, when we are confused with doubts and suspicions about the lawfulness or unlawfulness of an action which we are about to perform; we must try, by examination, consultation, and employing the ordinary means, to find out whether we are right or wrong in what we are about to undertake. But as long as a man’s conscience is invincibly erroneous, he must follow it. “His will is then not in fault,” says St. Thomas. No doubt, a person who, from an invincibly erroneous conscience, believes that charity obliges him to tell a lie, if thereby he can save the life of his neighbor, performs a meritorious act, and he would sin against charity if he did not tell the lie. (Catholic Dogma by Michael Muller).
- Padre Pio: Um “Segundo S. Francisco” para nossos tempos conturbados
O século passado foi, em muitos aspectos, um ponto de virada para o curso da história. As sociedades ocidentais foram destruídas pelas duas guerras mundiais que as engoliram. Os erros comunistas alcançaram o status de “superpotências” na União Soviética e se espalharam pelo mundo. Uma revolução social e moral aconteceu e importantes instituições sociais, como a religião, o casamento e a família, foram questionadas, alteradas e, em muitos casos, completamente rejeitadas. No meio desse tumulto, quando o mundo começou a esfriar em direção ao seu Salvador Crucificado, Deus renovou as feridas sangrentas visíveis da Paixão de Cristo nas mãos, pés e lados de um simples sacerdote. O padre era São Pio de Pietrelcina, carinhosamente conhecido como Padre Pio. Como este mês marca o centésimo aniversário de sua recepção dos estigmas, em 20 de setembro de 1918, e o 50º aniversário de sua morte, 23 de setembro de 1968, abordagens, faríamos bem em refletir sobre o significado do Padre Pio para nossos tempos. Ele nasceu Francesco Forgione na pequena cidade de Pietrelcina, no sul da Itália, em 25 de maio de 1887. Ele se tornaria renomado como o maior místico de nossos tempos. Suas qualidades especiais começaram a se manifestar desde a infância; ele tinha visões celestes e opressões diabólicas desde os cinco anos de idade. Ele era capaz de ver e falar muitas vezes com Jesus, Maria e seu anjo da guarda. Apesar da saúde terrivelmente pobre, o jovem Francesco era forte em espírito e oferecia esses sofrimentos para estar em união com o Salvador Sofredor. Quando atingiu a maioridade, recebeu o hábito dos franciscanos capuchinhos e adotou o nome de Pio, iniciando assim sua vida religiosa. Ele se tornaria um eminente digno seguidor de São Francisco de Assis; na verdade, ele viria a ser chamado de “Segundo São Francisco”. Em 10 de agosto de 1910, ele foi ordenado sacerdote. Em 1916, ele foi transferido para o convento isolado e inacessível de San Giovanni Rotondo – uma cidade sem interesse na época, mas um lugar de peregrinação entusiasmada agora. Lá, Padre Pio abraçaria a cruz de uma maneira que teria sido diferente de qualquer santo desde Francisco de Assis, o primeiro a receber os estigmas. Para as pessoas da remota aldeia e os incontáveis peregrinos que vieram a ela, o Padre Pio era uma alma vitimada. Sua resistência física e espiritual foi além do que poderia ser considerado natural. Sua devoção à oração, jejum e penitência era sobre-humana. A vida do convento e a igreja de Nossa Senhora da Graça em San Giovanni Rotondo vieram a girar inteiramente em torno do ministério de Padre Pio. Em 1959, uma nova igreja foi construída para acomodar as grandes multidões que esperariam a noite toda para assistir às costumeiras Missas às 5 da manhã. A pequena cidade foi inundada de peregrinos de todas as classes sociais – camponeses, médicos, advogados e jornalistas. – que teriam que dormir ao ar livre nos campos e esperar até duas semanas para se confessarem no Padre. O santo passava até 16 horas por dia ouvindo confissões. Sua capacidade miraculosa de “ler almas”, isto é, identificar os pecados não confessados de seus penitentes, foi amplamente divulgada. Além deste trabalho pastoral para os muitos peregrinos, ele também levantou fundos para a construção de sua querida Casa Sollievo della Sofferenza, um hospital gratuita para os pobres em San Giovanni Rotondo, inaugurada em 1956. Suas noites foram gastas horas respondendo à correspondência que, no final de sua vida, contava 5.000 cartas por mês. Foi dito que os anjos pareciam traduzir as cartas que ele recebeu em línguas estrangeiras. Ele não se retiraria até a 1h da manhã e só dormiria por uma média de duas a três horas. Não só dormiu pouco, mas comeu pouco. Em 1945, a quantidade de comida e bebida que o Padre Pio consumia diariamente era de três onças (35 onças equivale a 1 kg) e meio por dia, o que não teria sustentado a vida de um bebê, e ainda pesava mais de 70 quilos. O Padre era famoso por sua santidade e as inúmeras almas que ele converteu. Seus colegas frades frequentemente ouviam os sons dos ataques do diabo que emanavam de sua cela à noite e as contusões seriam evidentes em seu corpo pela manhã. Isso não impediu Padre Pio de seu trabalho em salvar almas; um trabalho que misticamente se estendeu a diversas partes do mundo. Tornou-se renomado por sua capacidade de bilocação, isto é, estar em dois lugares ao mesmo tempo, muitas vezes visitando pessoas em grandes distâncias que precisavam de um padre. Mas a maior glória do Padre Pio também foi seu maior sofrimento e humilhação – os estigmas. Vamos refletir sobre o significado desse fenômeno em seu 100º aniversário. Os estigmas confirmariam a santidade do Padre Pio e sua união com a Cruz de Cristo como alma vítima para o bem do mundo. As marcas sangrentas e terrivelmente dolorosas das feridas da Paixão do Senhor em suas mãos, pés e lado revelam um exemplo da mais sublime união entre um homem e seu Salvador. Como São Francisco antes dele, o Padre Pio foi favorecido com os estigmas porque submergiu seu eu individual em Cristo, de modo a tornar-se verdadeiramente um alter Christus, isto é, “outro Cristo”. Padre Pio suportou os estigmas por 50 anos, até sua morte em 23 de setembro de 1968. Seus estigmas foram amplamente testemunhados; Mesmo um dos médicos enviados para examinar o Padre pela Santa Sé, Amico Nignami, que era um ateu sincero, chegou a reconhecer seus estigmas como autênticos e um dom de Deus. O que é particularmente notável é como tudo isso aconteceu na vida de um homem que viveu em nossos tempos modernos. Como observa C. Bernard Ruffin, o Padre Pio foi contemporâneo de Rudolf Bultmann (1884-1976), um teólogo luterano alemão que procurou “desmitificar” os Evangelhos retirando uma bagagem tão desconfortável quanto os milagres para fazer as verdades essenciais do cristianismo mais palatáveis para a cosmovisão do século XX. Bultmann escreve em Kerigma e Mito: “É impossível usar as luzes elétricas e a rede sem fio e aproveitar as descobertas médicas e cirúrgicas modernas e, ao mesmo tempo, acreditar no mundo de demônios e espíritos do Novo Testamento.” A abordagem crítica histórica de Bultmann coloriu muito do pensamento teológico do século XX, que é claro nos escritos de figuras como Paul Tillich (1886-1965), Karl Barth (1886-1968), Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955) e Albert Schweitzer (1875-1965). Enquanto esses teólogos estavam ensinando uma geração de estudantes que a “parafernália mitológica” dos Evangelhos pode ser ignorada, Padre Pio convenceu milhares de peregrinos que ele podia ler almas, expulsar demônios e bilocalizar-se. C. Bernard Ruffin escreve sobre o Padre Pio: Aqui estava um homem que vivia na época de viagens aéreas e astronautas, de imagens em movimento e comunicação em massa, de computadores e satélites de comunicações, que vivia a vida de um profeta bíblico ou apóstolo e é reputado por pessoas racionais que realizou milagres semelhantes àqueles realizado através de Moisés, Elias, Pedro, Paulo e João. Aqui estava um homem em quem, se centenas de testemunhos podem ser acreditados, estas palavras do Senhor parecem ter sido cumpridas: “Aquele que crê em mim, as obras que eu faço, ele fará também” (João 14:12). Centenas de homens e mulheres saudáveis, bem-educados e imparciais testemunharam do Padre Pio que, como Moisés, “O Senhor falou-lhe face a face, como um homem fala a seu amigo” (Êxodo 33:11). (Ruffin, Padre Pio: A Verdadeira História, 5) No meio de uma era incrédula, um santo, um profeta, um trabalhador milagroso e um “Crucifixo vivo” foram levantados por Deus para nos levar de volta ao caminho certo que leva ao céu. Ele é o maior santo dos nossos tempos. Tradução: https://www.catholicworldreport.com/2018/09/19/padre-pio-a-second-st-francis-for-our-troubled-times/
- IMAGINANDO O BRASIL SOB O REGIME COMUNISTA (12) – Bispo Fulton J. Scheen
Suponhamos por exemplo que no Brasil houvesse somente um partido; que esse partido se mantivesse no poder por meio da Polícia, do Exército e da Marinha; e que cada senador ou deputado que criticasse esse partido fosse exilado ou morto; suponhamos que o Presidente estabelecesse uma censura tal como existe na Rússia, e que todo livro que fosse publicado e todo jornal que fosse impresso e todo programa de teatro que fosse distribuído tivesse de glorificar o partido e de trazer o Imprimatur deste; suponhamos, além disso, que o Presidente controlasse toda estação de rádio e toda agência de informações, e não permitisse entrarem no Brasil livros ou revistas estrangeiras que criticassem o seu partido; e suponhamos que qualquer suspeita de falta de simpatia expusesse a pessoa à perda do seu emprego, e o fato de haver pertencido a um partido oposicionista condenasse a pessoa ao exílio; suponhamos que a polícia pudesse punir alguém sem processo; suponhamos que todas as nossas casas, fábricas, fazendas e terras fossem postas nas mãos do partido, para este fazer delas o que bem entendesse, e que as nossas igrejas fossem convertidas em celeiros e museus — suponhamos todas estas coisas como acontecendo aqui no Brasil e teremos uma pintura do que sucedeu na Rússia. E, se eu vos perguntasse o que deveria acontecer-vos antes de renderdes a vossa atual liberdade e independência — vós diríeis que primeiramente teríeis de ser prostrados inconscientes. Foi isso justamente o que o Comunismo fez na Rússia com a sua propaganda — prostrou-os na inconsciência. Que é o ópio? É uma droga que amortece as potências intelectuais do homem, mas deixa continuarem as suas funções animais e vegetativas. Um homem sob a influência dele não pode pensar, mas pode digerir; não pode querer, mas ainda pode respirar. Por outras palavras, é como um animal e não como um homem. Ora, qual dos dois merece ser chamado ópio — a religião ou o Comunismo? A religião pede intelecto; começa pedindo ao homem usar a sua razão para descobrir o grande Legislador por trás da lei, o grande Pensador por trás de todo pensamento, a Beleza Perfeita por trás de toda poesia. Feito isto, pede à razão estabelecer critérios científicos para julgar a possibilidade de haver-se Deus alguma vez revelado a nós de qualquer outro modo que não pela sua atividade criadora; e, uma vez estabelecidos estes critérios, aplica-os Àquele que apareceu na terra e pretendeu ser o Criador do mundo. Só depois que esse Pretendente provou a sua Divindade por coisas divinas, racionalmente reconhecíveis, é que o intelecto opera a sua submissão à verdade d’Ele. Depois, pegando do telescópio da fé, que não destrói a razão como o telescópio material não destrói o olho, ele entra em comunicação com outros mundos com que a razão nunca sonhou. Isso é a religião — e uma religião assim pede que o homem conserve bem viva a sua razão. Porém o Comunismo adormece a razão; diz ao homem que não procure uma causa para este mundo, que não se admire de que a gente tenha medo de morrer, que não pergunte por que é que uma ação má enche de remorso a consciência, e uma ação boa a enche de paz. Diz ao homem que tudo o de que ele precisa para ser um cidadão no Estado Comunista é ter um estômago e duas mãos; por outras palavras, é ser um animal econômico a amontoar riqueza para o Estado, e depois morrer, como uma besta, mesmo sem ter um Zinoviev para o mumificar. Todo regime que faz isto a seres humanos está-lhes negando aquilo que os diferencia dos animais, e está criando uma nova escravidão em que a mente e a vontade são atadas com grilhões — escravidão mil vezes mais amarga do que a escravidão do corpo. Os governos do mundo estão gradualmente fechando o cerco àqueles que traficam em narcóticos e drogas; e muito breve os povos inteligentes do mundo atentarão sobre o mal feito pelo ópio que vem da Rússia e da propaganda comunista. Esse ópio já arruinou milhões de pessoas na Rússia, mas não se deve permitir que arruíne o mundo. (Em: Bispo Fulton J. Scheen. Comunismo: ópio do povo. Petrópolis, Vozes, 1952).
- São Pedro em Roma (algumas citações patrísticas e de eruditos protestantes)
Tradução: Corunum Catholic Apologetic Web Page Alguns relatos dos Padres da Igreja do 1° ao 5° Séc São Clemente de Roma (35-97 d.C) “Por inveja e ciúmes, os maiores e mais justos pilares [da Igreja] foram perseguidos e mortos. Coloquemos diante de nossos olhos os ilustres apóstolos. Pedro, por iníqua inveja, não suportou um ou dois, mas numerosos trabalhos e quando ele finalmente sofreu o martírio, partiu para o lugar de glória devido a ele “. Clemente de Roma, A Primeira Epístola de Clemente, 5 (96 DC), em ANF, I: 6 Santo Inácio de Antioquia (35-108 d.C) “Eu não, como Pedro e Paulo, emiti mandamentos para você.” Inácio de Antioquia, Epístola aos Romanos, 4 (ca. 110), em ANF, I: 75 São Dionísio de Corinto (final do 1° séc- 171 d.C) ‘Você tem, assim, por tal admoestação unida os fundamentos de Pedro e Paulo em Roma e Corinto. “ Dionísio de Corinto, Epístola ao Papa Soter, fragmento em História da Igreja de Eusébio, II: 25 (178 DC), em NPNF2, I: 130 Santo Irineu de Lião (130-202 d.C) “Mateus também publicou um evangelho escrito entre os hebreus em seu próprio dialeto, enquanto Pedro e Paulo estavam pregando em Roma e lançando os alicerces da Igreja.” Irineu, Contra as Heresias, 3: 1: 1 (c. AD. 180), em ANF, I: 414 Clemente de Alexandria (150-215 d.C) “Como Pedro pregou a Palavra publicamente em Roma e declarou o Evangelho pelo Espírito, muitos dos que estavam presentes pediram que Marcos, que o havia seguido por muito tempo e lembrado de suas declarações, pudesse escrevê-las.” Clemente de Alexandria, fragmento em História da Igreja de Eusébio, VI: 14,6 (190 DC), em NPNF2, I: 261 Tertuliano (160-220 d.C) “Nós lemos as vidas dos Césares: em Roma, Nero foi o primeiro a manchar com sangue o sangue crescente. Então é Pedro cingido por outro (uma alusão a João 21:18), quando ele é sacrificado para a cruz “. Tertuliano, Escorpião, 15: 3 (221 DC), em ANF, III: 648 “Que palavras que os romanos também dão, tão próxima (aos apóstolos), a quem Pedro e Paulo transmitiram conjuntamente o evangelho selado com seu próprio sangue.” Tertuliano, Contra Marcião 4: 5 (inter 207-212 DC), em ANF, III: 350 Caio (3° Séc d.C) “É, portanto, registrado que Paulo foi decapitado em Roma, e que Pedro também foi crucificado sob Nero. Este relato de Pedro e Paulo é substanciado pelo fato de que seus nomes são preservados nos cemitérios daquele lugar até o presente. É confirmado também por Caio, membro da Igreja, que surgiu sob Zeferino, bispo de Roma.Ele, em uma disputa publicada com Proclo, o líder da heresia frígia, fala da seguinte forma sobre os lugares onde os cadáveres sagrados dos apóstolos acima mencionados: “Mas eu posso mostrar os troféus dos apóstolos. Pois se você for ao Vaticano ou ao caminho de Ostia, encontrará os troféus daqueles que lançaram as fundações desta igreja”. “ Caio, fragmento em História da Igreja de Eusébio, 2: 25 (198 DC), em NPNF2, I: 129-130 Orígenes (184-253 d.C) “Pedro … finalmente, tendo vindo a Roma, foi crucificado de cabeça para baixo; porque ele havia pedido para que ele pudesse sofrer dessa maneira.” Orígenes, terceiro comentário sobre Génesis, (232 DC) fragmento em Eusébio 3: 1: 1, em NPNF2, X: 132 São Pedro de Alexandria (final do 2° séc- 311 d.C) “Assim, Pedro, o primeiro dos apóstolos, tendo sido muitas vezes detido, e jogado na prisão, e tratado com ignomínia, foi finalmente crucificado em Roma.” Pedro de Alexandria, A Epístola Canônica, Canon 9 (306 DC), em ANF, VI: 273 Lactâncio (240-320 d.C) “[Que] Pedro e Paulo pregaram em Roma …” Lactâncio, Instituições Divinas, 4: 21 (310 DC), em ANF, VII: 123 Eusébio de Cesaréia (263-330 d.C) “Pedro … vindo para a cidade de Roma, pela poderosa cooperação daquele poder que estava esperando aí …” Eusébio, História Eclesiástica, II: 14,5 (325 DC), em NPNF2, X: 115 São Cirilo de Jerusalém (313-386 d.C) “Este homem [Simão, o Mago], depois de ter sido expulso pelos Apóstolos, veio a Roma … Pedro e Paulo, nobre par, governantes-chefes da Igreja, chegaram e corrigiram os erros … Pois Pedro estava lá, a quem carrega as chaves do céu … “ Cirilo de Jerusalém, Sermões Catequéticos, 6: 14-15 (350 DC), em NPNF2, VII: 37-38 Santo Atanásio de Alexandria (296-373 d.C) “E Pedro, que havia se escondido por temor dos judeus, e o apóstolo Paulo, que foi descido numa cesta, e fugiu, quando lhes foi dito: ‘Deves dar testemunho em Roma’, não adiaram a jornada; sim, em vez disso, eles se regozijaram … “ Atanásio, Defesa de sua Fuga, 18 (357 DC), em NPNF2, IV: 261 São Jerónimo (347-420 d.C) “Acho que é meu dever consultar a cátedra de Pedro e recorrer a uma igreja cuja fé tem sido louvada por Paulo … Minhas palavras são ditas ao sucessor do pescador, ao discípulo da cruz.” Jerónimo, ao papa Dâmaso, epístola 15 (377 d.C.), no NPNF2, VI: 18 São João Crisóstomo (349-407 d.C) “Onde os querubins cantam a glória, onde os Serafins estão voando, lá nós veremos Paulo, com Pedro, e como chefe e líder do coro dos santos, e desfrutarmos do seu amor generoso. Pois se aqui ele amou homens então, quando ele teve a escolha de partir e estar com Cristo, ele escolheu estar ali, muito mais ele mostrará uma afeição mais calorosa lá. Eu amo Roma mesmo por isso, embora na verdade alguém tenha outras razões para elogiá-lo, tanto pela sua grandeza, e sua antiguidade, e sua beleza, e sua popularidade, e por seu poder, e sua riqueza, e por seus sucessos na guerra, mas deixei tudo isso passar, e apreciei sua benção por causa disso, que tanto durante a vida ele escreveu para eles, e amou-os assim, e conversou com eles enquanto ele estava conosco, e trouxe sua vida para um termo lá. Portanto, a cidade é mais notável sobre esta terra, do que sobre todas as outras juntas.E como um corpo grande e forte, tem como dois olhos brilhantes os corpos desses Santos. Não tão brilhante é o céu, quando o sol envia seus raios, como é a cidade de Roma, enviando essas duas luzes para todas as partes do mundo. De lá Paulo será arrebatado, e daí Pedro. Apenas pense bem, … que visão Roma verá, quando Paulo se levantar de repente daquele depósito, junto com Pedro, e for levantado para encontrar o Senhor. Que rosa Roma mandará a Cristo! que duas coroas a cidade terá por isso! Com que correntes de ouro ela será cingida! que fontes possuirão! Portanto, eu admiro a cidade, não pelo muito ouro, não pelas colunas, não por outra exibição ali, mas por estas colunas da Igreja “. Crisóstomo, Epístola aos Romanos, Homilia 32 (391 DC), em NPNFI, XI: 561-562 São Gregório de Nissa (335-394 d.C) “Que era do interesse da Igreja em Roma, que fosse ser presidida por algum senador arrogante e pomposo, ou pelo pescador Pedro, que não tinha nenhuma vantagem deste mundo para atrair homens para ele? “ Gregório de Nissa, À Igreja em Nicomédia, Epístola 13 (394 DC), NPNF2, V: 535 Santo Agostinho (354-4230 d.C) “Pois se a sucessão linear dos bispos é para ser levada em conta, com quanto mais certeza e benefício para a Igreja consideramos até chegarmos ao próprio Pedro, a quem, como tendo uma figura toda a Igreja, o Senhor disse : ‘Sobre esta rocha edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela!’ O sucessor de Pedro foi Lino, e seus sucessores em continuidade ininterrupta foram estes: – Clemente, Anacleto, Evaristo, Alexandre, Sisto, Telésforo, Higino, Aniceto, Pio, Sotério, Eleutério, Vitor, Zeferino, Calisto,, Urbano, Pônciano, Antero, Fabiano, Cornélio, Lúcio, Estevão, Sisto, Dionísio, Félix, Eutiquiano, Caio, Marcelino, Marcelo, Eusébio, Milcíades, Silvestre, Marcos, Júlio, Libério, Dâmaso, e Sirício, cujo sucessor é o atual Bispo Anastácio. Essa ordem de sucessão não é encontrada em nenhum bispo donatista, mas, revertendo o curso natural das coisas, os donatistas enviaram a Roma da África um bispo ordenado que, colocando-se à frente de alguns africanos na grande metrópole, deu alguma notoriedade ao nome de ‘homens da montanha’, ou Cutzupitas, pelo qual eles eram conhecidos. “ Agostinho, Para Fortunato, Epístola 53 (AD 400), em NPNFI, I: 298 São João Cassiano (360-435 d.C) “Mas algumas pessoas em alguns países do Ocidente, e especialmente na cidade, [ou seja, Roma] não sabendo o motivo dessa indulgência, pensam que uma dispensa do jejum certamente não deveria ser permitida no sábado, porque dizem que neste dia o apóstolo Pedro jejuou antes de seu encontro com Simão [Mago]. ” João Cassiano, Instituições, X (435 DC), em NPNF2, XI: 218 São Leão Magno (400-461 d.C) “O mundo inteiro, querido-amado, de fato toma parte em todos os aniversários santos [de Pedro e Paulo], e a lealdade à única Fé exige que tudo que é registrado como feito para a salvação de todos os homens seja celebrado com alegrias comuns. Além da reverência que a festa de hoje ganhou de todo o mundo, é para ser honrado com exultação especial e peculiar em nossa cidade, que pode haver uma predominância de alegria no dia de seu martírio no lugar onde o chefe dos apóstolos encontraram o seu fim glorioso, pois estes são os homens, através dos quais a luz do evangelho de Cristo brilhou sobre ti, ó Roma, e através de quem tu, que eras a mestra do erro, foste feita discípula da Verdade. Esses são os vossos santos Padres e verdadeiros pastores, que te deram o direito de serem contados entre os reinos celestiais, e te edificaram sob muito melhores e mais felizes auspícios do que eles, por cujo zelo foram lançados os primeiros fundamentos de teus muros: e de quem aquele que te deu teu Nome te contaminou com o sangue de seu irmão. ” Papa Leão Magno (Reg. 440-461 DC), Sermão LXXXII (461 d.C.), em NPNF2, XII: 194 Alguns historiadores não católicos “Alguns controversistas protestantes afirmaram que Pedro nunca esteve em Roma … Eu acho que a probabilidade histórica é que ele esteve… Os campeões protestantes tinham empreendido a tarefa impossível de provar o negativo, que Pedro nunca esteve em Roma. Eles poderiam também se comprometer a provar da Bíblia que São Bartolomeu nunca pregou em Pequim … Para mim, estou disposto, na ausência de qualquer tradição oposta, a aceitar o relato atual de que Pedro sofreu o martírio em Roma. Se Roma, que tão cedo reivindicou ter testemunhado aquele martírio, não era o cenário dele, onde então aconteceu? Qualquer cidade seria contente reivindicar tal conexão com o nome do Apóstolo, e ninguém além de Roma fez a afirmação… Se esta evidência para o martírio de Pedro não pode ser considerada suficiente, há poucas coisas na história da Igreja primitiva que será possível demonstrar “ G. Salmon “Infalibilidade da Igreja” (Grand Rapids: Baker, 1959) pp. 348-9 (um crítico da fé católica) “… negar a permanência romana de Pedro é um erro que hoje é claro para todo erudito que não é cego. A morte dos mártires de Pedro em Roma já foi contestada em razão do preconceito protestante.” A. Harnack ‘É suficiente deixar-nos incluir o martírio de Pedro em Roma em nossa imagem histórica final da Igreja primitiva, de fato, que é relativamente, embora não absolutamente, assegurada. Aceitamos, no entanto, fatos da antiguidade que são universalmente aceitos como históricos. Se exigíssemos para todos os fatos da história antiga um maior grau de probabilidade, deveríamos ter que extrair de nossos livros de história uma grande parte de seu conteúdo “. Oscar Cullman “Pedro, Discípulo, Apóstolo, Mártir” (London: SCM, 1962) p. 114 “Que Pedro e Paulo foram os mais eminentes de muitos cristãos que sofreram o martírio em Roma sob Nero é certo …” F.F. Bruce “História do NT” (Nova York: Doubleday, 1971) p. 410 “Parece certo que Pedro passou seus últimos anos em Roma” JND Kelly “O Dicionário Oxford dos Papas” (Oxford: Oxford, 1986) p. 6 “O martírio de Pedro e Paulo em Roma … tem sido freqüentemente questionado por críticos protestantes, alguns dos quais argumentam que Pedro nunca esteve em Roma. Mas as pesquisas arqueológicas do historiador protestante Hans Lietzmann, complementadas pelo estudo bibliotecário de o exegeta protestante Oscar Cullman, tornou extremamente difícil negar a tradição da morte de Pedro em Roma sob o imperador Nero. O relato do martírio de Paulo em Roma, que é apoiado por muitas das mesmas evidências, não provocou ceticismo similar. “ Jaroslav Pelikan, “O enigma do catolicismo”, (Nova York: Abingdon, 1959) p. 36
- O COMUNISMO EM RESUMO (11) – Bispo Fulton J. Scheen
O conceito cristão do homem é ativo — o homem é livre; o conceito comunista do homem é, necessàriamente, passivo — o homem é um animal social obediente, cuja mais alta função é realizar o Piatiletka (Plano Qüinqüenal). Assim sucede que o Comunismo, que começou por protestar contra a desumanidade do capitalismo, acabou por descapitalizar o capitalismo com a sua própria desumanidade. O homem, para o Comunismo, não é um espírito livre, uma personalidade, porém função de um processo social. O que é primário no Comunismo é o Partido, e o Partido controla o Estado. Criando uma opinião pública que ele representa como a única possível, o Estado Soviético torna impotente a vontade do indivíduo, e guia na direção que bem lhe aprouver a vontade, aparentemente espontânea e livre, das massas. Mesmo na nova Constituição proposta na Rússia, aos cidadãos não será permitido votar em diferentes partidos, mas somente em diferentes homens do mesmo partido. Que protesto não fariam os brasileiros se cada eleição fosse uma nomeação, e se eles só pudessem votar numa chapa! Como Troud, o órgão oficial dos operários soviéticos, o expõe: “A diferença essencial entre a existência de partidos no Mundo Ocidental e no nosso pais é a seguinte: um partido está no poder e todos os outros estão na prisão” (13 de Novembro de 1927). O Comunismo criou uma instituição especial para tornar o homem passivo ao Partido, e tão cruel foi a perversidade dela, que, por amor da opinião mundial, julgou-se necessário mudar-lhe o nome de vez em quando; primeiramente foi a Cheka, depois a Ogpu, e agora é o Comissariado Interno. Em 1931, quando Lady Astor se encontrou com Stalin, perguntou-lhe à queima-roupa: “Por quanto tempo ainda vai o sr. continuar matando gente?” Apanhado desprevenido, Stalin respondeu: “Por tanto tempo quanto for necessário”. (Em: Bispo Fulton J. Scheen. Comunismo: ópio do povo. Petrópolis, Vozes, 1952).
- PARALELO ENTRE CRISTIANISMO E COMUNISMO (10) – Bispo Fulton J. Scheen.
Note-se a diferença entre a visão Cristã e a visão Comunista do homem: a) Para o Cristão, o homem é livre, porque a sua iniciativa vem de dentro, a saber, da sua alma. Ele pode ser comparado a um capitão de navio, que é livre de traçar o seu próprio curso e de escolher o seu próprio porto. b) Para o Cristão, o homem é um sujeito. Um sujeito pode determinar suas ações, como o artista pode livremente pintar quaisquer pinturas que escolher. c) Para o Cristão há duas espécies de unidade: unidade político-econômica, e unidade orgânico-espiritual, pela qual nós somos membros uns dos outros no Corpo Místico de Cristo. d) Para o Cristão, o homem é um cidadão de dois mundos, e, em virtude do segundo, ele possui certos direitos inalienáveis, tais como a vida, a liberdade e a propriedade, dos quais nenhum Estado pode privá-lo. e) Para o Cristão, o homem existe não somente no presente, mas também no futuro. A personalidade é independente do tempo, porque tem um valor intrínseco em todos os tempos. f) Para o Cristão, o homem deve determinar a natureza da sociedade e ser o senhor desta. E para o Comunista? a) Para o Comunista, o homem não é livre, porque a sua iniciativa vem de fora, i. é, do Partido, que dita não somente o que ele deverá fazer, mas também o que deverá pensar. Ele é como o leme de um navio, que vai para onde quer que o dirija o comandante, que é o ditador do Partido. b) Para o Comunista, o homem é um objeto. Um objeto não pode agir, mas é acionado como um autômato social, e torna-se como o cinzel na mão de um escultor. c) Para o Comunista, só há uma espécie de unidade — a unidade político-econômica, que é realizada não de dentro, por laços espirituais, mas de fora, pela força, pelo terror e pela propaganda. d) Para o Comunista, o homem é cidadão de um só mundo, e, desde que o Estado é tudo, daí se segue que o homem não tem direitos salvo aqueles que o Estado lhe deu. Por conseguinte, quando o entender, pode o Estado tirar-lhe esses direitos. e) Para o Comunista, a personalidade é relacionada ao tempo. O homem é alienado da sua humanidade no presente, para atingir uma humanidade duvidosa num paraíso terrestre no futuro. Tal como o expõe Lenine: “Durante o período da ditadura em que não haveria liberdade, o povo acostumar-se-ia às novas condições e sentir-se-ia livre numa sociedade comunista” (O Estado e a Revolução). f) Para o Comunista, o homem é determinado pela sociedade, completamente absorvido e possuído por ela, e nela perde a sua identidade como uma gota de água perde a sua identidade num copo de vinho. Em vez de ser o senhor da sociedade, ele é o escravo dela. Em resumo: O conceito cristão do homem é ativo — o homem é livre; o conceito comunista do homem é, necessàriamente, passivo — o homem é um animal social obediente, cuja mais alta função é realizar o Piatiletka (Plano Qüinqüenal). Destarte sucede que o Comunismo, que começou por protestar contra a desumanidade do capitalismo, acabou por descapitalizar o capitalismo com a sua própria desumanidade. O homem, para o Comunismo, não é um espírito livre, uma personalidade, porém função de um processo social. O que é primário no Comunismo é o Partido, e o Partido controla o Estado. Criando uma opinião pública que ele representa como a única possível, o Estado Soviético torna impotente a vontade do indivíduo, e guia na direção que bem lhe aprouver a vontade, aparentemente espontânea e livre, das massas. Mesmo na nova Constituição proposta na Rússia, aos cidadãos não será permitido votar em diferentes partidos, mas somente em diferentes homens do mesmo partido. Que protesto não fariam os brasileiros se cada eleição fosse uma nomeação, e se eles só pudessem votar numa chapa! Como Troud, o órgão oficial dos operários soviéticos, o expõe: “A diferença essencial entre a existência de partidos no Mundo Ocidental e no nosso pais é a seguinte: um partido está no poder e todos os outros estão na prisão” (13 de Novembro de 1927). O Comunismo criou uma instituição especial para tornar o homem passivo ao Partido, e tão cruel foi a perversidade dela, que, por amor da opinião mundial,, julgou-se necessário mudar-lhe o nome de vez em quando; primeiramente foi a Cheka, depois a Ogpu, e agora é o Comissariado Interno. Em 1931, quando Lady Astor se encontrou com Stalin, perguntou-lhe à queima-roupa: “Por quanto tempo ainda vai o sr. continuar matando gente?” Apanhado desprevenido, Stalin respondeu: “Por tanto tempo quanto for necessário”. (Em: Bispo Fulton J. Scheen. Comunismo: ópio do povo. Petrópolis, Vozes, 1952).
- O COMUNISMO ESCRAVIZA O CIDADÃO, REDUZINDO-O A MERO INSTRUMENTO DO PARTIDO (9) – Bispo Fulton
O Comunismo é o ópio do povo porque, colocando toda iniciativa e responsabilidade sobre o Partido, destrói a personalidade do homem, e o torna passivo. Nos países do mundo, tais como o nosso, onde o governo é distinto de um partido, um homem é livre de afirmar a sua personalidade e de escolher o seu destino. Sob o Comunismo, só há um partido, e é o Partido Comunista. Suponhamos por exemplo que no Brasil o Partido Democrático estivesse no poder; suponhamos que os membros desse partido exilassem ou matassem todos os membros dos outros partidos como “contra-revolucionários”; poderíamos dizer que um cidadão sob tal regime era livre de afirmar a sua personalidade? E, no entanto, tal é a filosofia do Comunismo, onde há somente um partido, e esse partido é o governo. Necessariamente o homem tem de ser passivo sob um sistema que também afirma que as leis econômicas são as determinantes da cultura, e que não são as idéias, porém as mudanças de ferramentas, que determinam as mudanças de civilização. (Em: Bispo Fulton J. Scheen. Comunismo: ópio do povo. Petrópolis, Vozes, 1952).
- Os Católicos São Cristãos?
Tradução: Are Catholics Christian? Os católicos são cristãos? Um amigo evangélico nos perguntou: “qual é a diferença entre católicos e cristãos?” É bom que os evangélicos e católicos tenham discussões animadas sobre a interpretação das Escrituras. Os evangélicos fazem isso uns com os outros o tempo todo. É por isso que existem tantas denominações diferentes. No entanto, qualquer organização que diga “católicos não são cristãos” está ignorando a história do Cristianismo. O nome cristão antecede todas as Igrejas Protestantes e Evangélicas por mais de um milênio. Muitos evangélicos que pensam que os católicos não são cristãos podem se surpreender ao saber que aceitam a autoridade de vários concílios católicos toda vez que pegam sua Bíblia. A Bíblia não caiu do céu, espiralada com um adesivo da NVI. Tem uma a rica história católica. Qualquer tempo gasto estudando os Pais da Igreja deixará muito claro que as crenças cristãs primitivas eram católicas. Sua unidade completa sobre a presença real de Jesus na Eucaristia é apenas um exemplo. Por que vocês se chamam católicos e não simplesmente cristãos? Recebemos um email que dizia: “Eu estou querendo saber se você é verdadeiramente cristão, então por que você se chama católico? Os crentes eram chamados cristãos em Atos 11 e nenhuma outra denominação ou religião.” Alguém poderia fazer a mesma pergunta: “Por que os batistas, os pentecostais, os unidos, os metodistas, ou mesmo as comunidades não denominacionais usam essas palavras e não simplesmente se dizem cristãos?” A palavra católica foi usada no ano 110 dC para distinguir a Igreja dos Apóstolos dos ensinamentos heréticos. Santo Inácio de Antioquia, foi discípulo de São João, junto com São Policarpo. O historiador da Igreja Teodoreto diz que Inácio foi consagrado bispo por São Pedro, o apóstolo, que foi o primeiro bispo de Antioquia antes de retornar a Roma. Inácio foi martirizado em Roma sob o governo do Imperador Trajano. Foi durante a viagem a Roma que ele escreveu suas famosas cartas que contêm informações valiosas sobre a Igreja primitiva. Ele foi o primeiro a documentar o termo “católico” em sua forma atual para descrever a Igreja. Isso significa “universal”. O uso da palavra por Inácio mostra que era de uso comum. Sua é a primeira escrita existente que tem “ekklesia katholicos”, onde o católico é um adjetivo que modifica “Igreja” no nominativo. Em Atos 5:11 e 15:22 encontramos “holen ten ekklesian”. É derivado da mesma raiz que katholicos e está no nominativo e é traduzido como “A Igreja Inteira” e então em Atos 9:21 encontramos εκκλησια καθ’ολης (ekklesia kathholes) e aqui católico é também um adjetivo, mas não modifica “Igreja” porque modifica as palavras que a seguem, melhor traduzidas como “a Igreja ao longo de todo o …” Católico, referindo-se à Igreja Inteira era um termo de uso comum na época, mas a escrita de Inácio é simplesmente o mais antigo texto ainda existente que contém uma forma específica da frase que ainda usamos hoje como um nome próprio. Sendo “ekklesia katholicos”, que significa “Igreja Universal”. Os termos “holen ten ekklesian”, que significa “A Igreja Inteira” e “ekklesia kathholes”, que significa “A Igreja em toda a totalidade”, também estavam em uso, e por ninguém menos que os Apóstolos. A Igreja Católica definiu a “Trindade” e lutou contra a heresia do “arianismo” Em 325 DC., a Igreja Católica discerniu a voz do Espírito Santo para a doutrina da Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo, três pessoas em uma), um termo não encontrado na Bíblia, 1200 anos antes de qualquer igreja evangélica existir. A Igreja Católica protegeu o cristianismo da heresia ariana que quase destruiu o cristianismo no século IV, quando muitos começaram a acreditar que Jesus não era “totalmente Deus” e “totalmente humano”. A Igreja Católica protegeu a Bíblia A Igreja Católica protegeu a Bíblia através dos tempos até que a imprensa de Gutenberg foi inventada no século XVI. Século após século, monges em mosteiros copiavam fielmente as Escrituras. Cada monge levaria dez anos para copiar uma Bíblia e milhares de fiéis católicos dedicavam suas vidas a esse trabalho. Os católicos protegiam a Bíblia ao longo dos séculos de guerras, fomes, pragas, a queda de Roma, incêndios e ameaças de todos os lados. Isso foi muito antes de qualquer outra denominação existir. Eles eram tão precisos que os Manuscritos do Mar Morto, descobertos em 1940, datados de 200 a.C combinam com eles quase letra por letra. A Igreja Católica escolheu quais livros incluir na Bíblia Isso ocorreu no Sínodo de Hipona (393 dC) e foi confirmado no Concílio de Cartago (397 dC). O estudioso bíblico não-católico Peter Flint, que ganhou o “melhor livro popular” da Sociedade de Arqueologia Bíblica por sua tradução dos Manuscritos do Mar Morto, nos diz que não havia Bíblia até 397 quando a Igreja Católica decidiu quais livros pertenciam a ela. Antes disso, havia centenas de cartas e a Septuaginta. Ele disse: “Sem a Igreja Católica, você não tem Bíblia!” (Peter Flint – tradutor protestante dos Manuscritos do Mar Morto) A história das decisões de livros para incluir na Bíblia está aqui . Até a palavra Bíblia não está na Bíblia. Foi cunhada pelos católicos. Significa livros da palavra grega βυβλος-byblos que significa “papiro”, da antiga cidade fenícia de Byblos que exportava papiro, o “papel” dos tempos. Nós amamos a Bíblia. Honestamente! Os evangélicos têm uma conexão direta com a Igreja primitiva independente do catolicismo? O movimento evangélico moderno é o resultado de inúmeras divisões que ocorreram após a Reforma, nos anos 1500. As únicas outras Igrejas que não estavavam em união com Roma antes disso são a Igreja Ortodoxa que se separou em 1054 DC e a Igreja Copta (431 DC). Havia também várias heresias que iam e vinham, como o arianismo que dizia que Jesus não era totalmente humano e totalmente Deus. Alguns evangélicos afirmam que eles têm uma conexão direta com a Igreja primitiva dos primeiros séculos que contornam o catolicismo. Se for assim, alguém poderia pensar que as crenças dos evangélicos modernos refletiriam as crenças da Igreja primitiva. No entanto, qualquer tempo gasto estudando os Padres da Igreja deixará muito claro que as crenças cristãs primitivas eram católicas. Os Padres da Igreja acreditavam na presença real de Jesus na Eucaristia, honravam Maria, tinham cerimônias elaboradas, rezavam pelos mortos, respeitavam a hierarquia da Igreja, , batizavam bebês, nomeavam bispos, reconheciam Pedro como a Rocha, construíam a Igreja sobre ele com sucessores e seguiam uma rica tradição do cristianismo. Esse foi o cristianismo dos primeiros dias, e é a Igreja Católica de hoje. Uma linha do tempo da Igreja Católica de 1-500 DC pode ser vista aqui. Começando com os apóstolos, século após século, os católicos morreram para que a mensagem de Cristo chegasse às nações. Sim, somos cristãos, os originais. Se alguém concorda ou não com a doutrina católica é sua prerrogativa. Mas todos os que olham para a história admitem que os católicos são claramente cristãos. “Ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor senão pelo Espírito Santo” (1 Cor 12: 3) Jesus chamou os cristãos à unidade “para que todos sejam um, como você Pai, está em mim e eu estou em você”. (Jo 17:21) Espero que possamos amar uns aos outros como Ele nos amou. (Jo 13:34) Jesus Cristo é o Senhor de todos. Se você nunca tomou uma decisão pessoal por Cristo, nós imploramos que você faça isso agora. Foi a melhor coisa que eu (Hugh) fiz. Aqui está um artigo que mostra como fazer isso. Na Igreja primitiva, na Bíblia, não se chamava “o caminho”? O termo “o caminho” foi usado pelos cristãos judeus para descrever a fé cristã da nova aliança para os judeus não-cristãos. Do ponto de vista cristão judaico (e de fato do ponto de vista tanto da Igreja Católica quanto da Igreja Ortodoxa Oriental hoje) a Igreja de Jesus Cristo não é algo separado de Israel, mas é o verdadeiro Israel – a verdadeira manifestação de o povo escolhido (ver Gl 6:16, 1 Pedro 2: 9-10, etc.). É por isso que a Igreja Oriental está correta em se referir aos santos do Antigo Testamento como “Santo Abraão” e “São Moisés”, etc. Pois, nós não somos um substituto para Israel de antigamente, mas uma continuação ininterrupta de Israel sob o prometido Rei e Messias de Israel, e Sua Igreja é o Seu Reino de Israel, expandido para incluir todos os povos gentios da terra. E assim, em Atos dos Apóstolos, quando você tem cristãos judeus dirigindo-se a seus companheiros judeus que ainda não são cristãos completos, você os verá se referirem a eles como “o Caminho” – isto é, a verdadeira manifestação de Israel – a “seita” que verdadeiramente representa Israel, em oposição às outras seitas judaicas (fariseus, saduceus, essênios, fanáticos etc.) que não reconhecem o verdadeiro rei de Israel, o único “caminho”. O “caminho, a verdade e a vida”. Mas, quando os cristãos gentios falaram da Igreja, eles enfatizaram sua verdade e sua universalidade; e é por isso e como os termos “ortodoxos” e “católicos” foram aplicados à Igreja. E esses dois termos existem hoje. A igreja primitiva era chamada de “ortodoxa” e “católica”. Santo Inácio de Antioquia, um discípulo dos apóstolos, chama a Igreja por esses dois nomes já em 107 d.C. Uma oração sugerida ao nosso Senhor sobre a Igreja Católica Para aqueles que estão lutando com a Igreja Católica, sugerimos esta simples oração: “Senhor Jesus, eu te amo e entrego a minha vida à sua santa vontade. Você se importaria de compartilhar comigo seu coração sobre o catolicismo? Me direcione para fontes que possam responder às minhas perguntas do jeito que você quer. Mas acima de tudo, toque meu coração e compartilhar comigo seus sentimentos sobre a Igreja Católica “. Oramos para que você descubra onde Deus quer que você esteja, e estamos confiantes de que sua simples oração, algo como o que foi dito acima, o levará até lá. Nos informe sobre o desfecho. Estamos confiantes de que Ele vai guiá-lo para a Igreja que está conosco desde os apóstolos. Os ministérios que vêm e vão muitas vezes têm personalidades fervorosas, magnéticas e dinâmicas perdem o brilho, e parecem sem brilho na simples experiência eterna de Jesus na Eucaristia. Padres da Igreja descrevendo a Catolicidade da Igreja Aqui estão algumas citações dos primeiros padres: “Vede que todos sigam o bispo, assim como Cristo Jesus faz o Pai, e o presbitério como vós seguiriam os apóstolos. Fazei também reverência aos diáconos, como aqueles que realizam a designação de Deus. Que nenhum homem faça nada relacionado com a Igreja sem o bispo, que seja considerada uma Eucaristia adequada, administrada pelo bispo ou por alguém a quem ele tenha confiado, onde quer que o bispo esteja, esteja também a multidão, assim como, onde quer que Jesus Cristo esteja, esteja a Igreja Católica “. Inácio de Antioquia, Epístola aos Esmirnionitas, 8: 2 (c. A.D. 110). “Todas as pessoas se admiravam de haver tal diferença entre os incrédulos e os eleitos, dos quais este admirável Policarpo era um, tendo em nossos tempos sido um mestre apostólico e profético, e bispo da Igreja Católica que está em Esmirna, pois toda palavra que saiu de sua boca foi ou ainda será realizada. ” Martírio de Policarpo, 16: 2 (155 DC). “… Para ser honrado, porém, com a Igreja Católica pelo ordenamento da disciplina eclesiástica … uma para os laodicenses, outra para os alexandrinos, ambas forjadas em nome de Paulo para se adequar à heresia de Marcião, e várias outras, que não podem ser recebidas na Igreja Católica; porque não é apropriado que fel seja misturado com mel. A Epístola de Judas, sem dúvida, e o casal que leva o nome de João, são aceitos pela Igreja Católica … Mas de Ársimo, também chamado de Valentino, ou de Milcíades, nada recebemos. ”O fragmento de Muratori (177 dC) ). “Nem consiste nisso, que ele deve novamente falsamente imaginar, como estando acima deste [suposto ser], um Pleroma em um tempo deveria conter trinta, e em outro tempo uma inumerável tribo de Éons, como esses mestres que são destituídos da sabedoria verdadeiramente divina, enquanto a Igreja Católica possui uma e a mesma fé em todo o mundo, como já dissemos. Irineu, Contra as Heresias, 1: 10,3 (180 DC). Porque é evidente que esses homens viveram não muito tempo atrás – no reinado de Antonino em sua maior parte – e que, a princípio, eram crentes na doutrina da Igreja Católica, na igreja de Roma sob o episcopado do abençoado Eleutério, até que por causa de sua curiosidade sempre inquieta, com a qual eles até infectaram os irmãos, eles foram mais de uma vez expulsos. ”Tertuliano, Sobre a Prescrição Contra Hereges, 22,30 (200 dC). ”Por isso você deve saber que o bispo está na Igreja e a Igreja no bispo; e se alguém não estiver com o bispo, ele não está na Igreja, e aqueles que se lisonjeiam em vão, que não entram em paz com os sacerdotes de Deus, e pensam que se comungam secretamente com alguns; enquanto a Igreja, que é católica e uma, não é cortada nem dividida, mas é de fato conectada e unida pelo cimento dos sacerdotes que são coerentes entre si. ”Cipriano, A Florêncio. Epístola 66/67 (254 d.C.). “Mas para aqueles que dizem, houve quando Ele não Era, e, Antes de nascer Ele não Era, e que Ele veio a existência do nada, ou que afirmam que o Filho de Deus é de uma diferente hipóstase ou substância, a Igreja católica e apostólica anatematiza. ”Credo de Nicéia (325 dC). “Com relação àqueles que se chamam Cathari, se eles vierem à Igreja Católica e Apostólica, o grande e santo Sínodo decreta que os que são ordenados continuarão como estão no clero. Mas é antes de tudo que é necessário que eles professem por escrito, que observarão e seguirão os dogmas da Igreja Católica e Apostólica, em particular que se comunicarão com pessoas que já foram casadas duas vezes, e com aquelas que caíram por perseguiçãi e tiveram um período de penitência e um tempo [de restauração] fixado para que em todas as coisas eles sigam os dogmas da Igreja Católica … “Concílio de Nicéia I (325 dC). “Sobre esta Santa Igreja Católica, Paulo escreve a Timóteo: ‘Para que saibas que deverias te comportar na Casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade’” Cirilo de Jerusalém, Sermões Catequéticos , 18: 25 (350 DC). “O Artigo, Em uma Santa Igreja Católica”, sobre o qual, embora se possa dizer muitas coisas, nós falaremos brevemente. Ela é chamada de católica porque se estende por todo o mundo, de uma extremidade à outra; e porque ensina universalmente e completamente uma e todas as doutrinas que devem vir ao conhecimento dos homens, concernentes a coisas visíveis e invisíveis, celestiais e terrenas … por esta causa, a Fé, seguramente, entregou a ti agora o Artigo, E em uma santa Igreja Católica; para que você evite suas infelizes reuniões, e sempre permaneça com a Santa Igreja Católica na qual você foi regenerado.E se alguma vez você estiver peregrinando nas cidades, indague não apenas onde está a Casa do Senhor (pois as outras seitas dos profanos também tentam chamar suas próprias casas do Senhor), nem apenas onde a Igreja está, mas onde está a Igreja Católica, pois este é o nome peculiar desta Santa Igreja, a mãe de todos nós, que é a esposa de nosso Senhor Jesus Cristo. , o Filho Unigênito de Deus. ”Cirilo de Jerusalém, Sermões Catequéticos, 18: 23,26 (350 dC). “Eu Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.” Credo dos Apóstolos (360 DC). “E no Espírito Santo, o Senhor, o doador de vida, que procede do Pai, que juntamente com o Pai e o Filho são adorados e juntos glorificados, que falaram através dos profetas, em uma santa Igreja Católica e Apostólica. ” Credo Constantinopolitano (381 d.C.). “Aqueles que, de heresia, recorrem à ortodoxia e à porção daqueles que estão sendo salvos, recebemos de acordo com o seguinte método e costume: Arianos, Macedônios, Sabatianos e Novacianos, que se chamam Cathari ou Aristori, e Quartodecimanos ou Tetraditas, e Apolinarianos, recebemos, ao darem uma renúncia por escrito [de seus erros] e anatematizar toda heresia que não esteja de acordo com a Santa, Católica e Apostólica Igreja de Deus. ” Concílio de Constantinopla I, Canon 7 (381 AD). “Devemos nos apegar à religião cristã e à comunhão em sua Igreja, que é católica e que é chamada católica não apenas por seus próprios membros, mas até mesmo por todos os seus inimigos. Pois quando os hereges ou os seguidores de cismas falam dela, não entre si, mas com estranhos, querendo ou não, a chamam de católica. Pois eles não serão compreendidos a menos que eles a distingam por este nome que o mundo inteiro emprega em relação a ela. ”Agostinho, Da Verdadeira Religião, 7:12 (390). “De resto, repito, como é o caso, creio também na Santa Igreja, [pretendendo-se com isso] seguramente católico. Tanto os hereges quanto os cismáticos denominam suas igrejas congregacionais. Mas os hereges, ao manterem opiniões falsas a respeito de Deus, prejudicam a própria fé; enquanto os cismáticos, por outro lado, nas separações perversas se desprendem da caridade fraterna, embora possam acreditar exatamente no que acredito. Portanto, nem os hereges pertencem à Igreja católica, que ama a Deus; nem os cismáticos fazem parte da mesma. ”Agostinho, Sobre a fé e o credo, 10:21 (393 d.C.). “Pois na Igreja Católica, para não falar da mais pura sabedoria, o conhecimento dos quais alguns espirituais, homens alcançam nesta vida … –não falando dessa sabedoria, que você não acredita que esteja na Igreja Católica, há muitas outras coisas que mais justamente me guardam em seu seio: o consentimento de povos e nações, assim como sua autoridade … a sucessão de sacerdotes … e, por último, o próprio nome da Igreja Católica, que, não sem motivo, em meio a tantas heresias, a Igreja assim reteve, de modo que, embora todos os hereges desejem ser chamados católicos, quando um estranho pergunta onde a Igreja Católica se encontra, nenhum herege se arrisca a apontar para sua própria capela ou casa. Tais então em número e importância são os preciosos laços pertencentes ao nome cristão que mantêm um crente na Igreja Católica … Agora, se a verdade é tão claramente provada que não deixa nenhuma possibilidade de dúvida, ela deve ser colocada diante de todas as coisas que me guardam na Igreja Católica … De minha parte, eu não creria no evangelho exceto como movido pela autoridade da Igreja Católica … pois foi através dos católicos que eu obtive minha fé nele; e assim, tudo o que você trouxer do evangelho não terá mais peso algum para mim. Portanto, se nenhuma prova clara do apostolado dos Maniqueus for encontrada no evangelho, eu acreditarei nos católicos e não em vocês. “Agostinho, Contra a Epístola dos Maniques, 4: 5,5: 6 (397 dC). “Você pensa que faz uma observação muito aguda quando afirma o nome católico como universal, não em respeito à comunhão como abrangendo o mundo inteiro, mas em respeito à observância de todos os preceitos Divinos e de todos os sacramentos, como se nós (mesmo aceitando a posição de que a Igreja é chamada de católica porque retém honestamente toda a verdade, da qual fragmentos aqui e acolá se encontram em algumas heresias) repousassemos sobre o testemunho da significação desta palavra, e não sobre as promessas de Deus, e tantos testemunhos incontestáveis da própria verdade, nossa demonstração da existência da Igreja de Deus em todas as nações “. Agostinho, A Vicente, o Rogatista 93: 7,23 (403 DC). “Filipe, o presbítero e legado da Sé Apostólica, disse: Não há dúvida, e de fato tem sido conhecido em todas as épocas, que o santo e abençoado Pedro, príncipe e chefe dos Apóstolos, pilar da fé e fundação da Igreja Católica, recebeu as chaves do reino de nosso Senhor Jesus Cristo, o Salvador e Redentor da raça humana, e que a ele foi dado o poder de ligar e desligar os pecados: que até mesmo hoje e para sempre vi vee julga em seus sucessores “. Concílio de Éfeso, Sessão III (431 DC). “Muitas vezes inquiri com seriedade e atenção de muitos homens eminentes quanto à santidade e à aprendizagem, como e por que certeza e por assim dizer a regra universal eu posso ser capaz de distinguir a verdade da fé católica da falsidade da depravação herética; e eu Sempre, e em quase todos os casos, recebi uma resposta para esse efeito: Que eu ou qualquer outra pessoa desejando detectar as fraudes e evitar as armadilhas dos hereges quando elas surgirem, e para continuarmos sólidos e completos na fé católica, nós devemos, o Senhor ajudando, fortificar nossa própria crença de dois modos: primeiro, pela autoridade da Lei Divina, e depois, pela Tradição da Igreja Católica. Portanto, é muito necessário, por causa de tão grandes complexidades de tais vários erros, que a regra para o entendimento correto dos profetas e apóstolos deve ser enquadrado de acordo com o padrão de interpretação eclesiástica e católica “Vincente de Lérins, Commonitorium para a Antiguidade e Universalidade do Fé católica, 2: 4,5 (d.C. 434). “Portanto, o mais santo e abençoado Leão, arcebispo da grande e velha Roma, através de nós, e através deste presente santo Sínodo junto com o triplo e glorioso Pedro Apóstolo, que é a rocha e o fundamento da Igreja Católica e o fundamento da fé ortodoxa o despojou do episcopado e alienou-o de toda dignidade hierarquica. Portanto, que este santo e grande sínodo condene Dióscoro antes mencionado às penas canônicas. ” Concílio de Calcedônia, Sessão III (451 DC).
- O COMUNISMO ENGANA O POBRE COM A ESPERANÇA FALAZ DE UM PARAÍSO TERRESTRE (8) – Bispo Fulton J.
O Comunismo é realmente o ópio dos pobres quando lhes diz que aboliu completamente o desemprego na Rússia, embora ocultando o trágico fato de que qualquer país estaria sem desemprego se houvesse nele conscrição de trabalho em massa. Lá, o homem desempregado tem de aceitar trabalho onde quer que este lhe seja oferecido, mesmo quando a mil milhas de distância, porque não há senão o Estado que emprega; e, se o operário recusar o emprego, não poderá ir para nenhum outro lugar. O Brasil também poderia abolir o desemprego se o Presidente assumisse poderes ditatoriais e declarasse que cada cidadão tinha de fazer para o Estado um trabalho prescrito, em troca de comida e de roupa. Chamberlin, que passou doze anos na Rússia, declarou que as famílias socorridas na América estão em melhores condições do que muitos dos lavradores russos. Knickerbocker, jornalista americano, comparando o custo de vida na URSS e nos Estados Unidos, avaliou o salário diário de um kolkhozian (lavrador numa fazenda coletivista) em oito centavos americanos. Para que essa estimativa não seja considerada falsa, seria bom reportar-se ao Jornal de Instrução Comunista (publicação comunista, 18 de Novembro de 1934), onde é declarado que um lavrador que conserva consigo uma vaca deve dar ao Estado, por esse privilégio, 136 quartilhos de leite e 50 libras de carne. O salário médio de um trabalhador na Rússia é de 225 rublos por mês. Uma indicação do poder de compra desse salário é proporcionada pelo fato de ser preciso o salário de três semanas para comprar um par de sapatos (Sovietskaia Torgovlia, Ns. 99 e 110, 1936). Há algumas cidades na Rússia onde é quase impossível comprar umas calças, p. e., Kharkov, Gorki, Rostov (Izvestia, 10 de Março de 1936). O diário oficial de Moscou diz: “Nenhum armazém em Moscou pode dizer quando será possível fornecer mercadoria” (Izvestia, 28 de Junho de 1936). Mikoyan, o Comissário da Indústria de Alimentação, disse: “Na República Soviética estamos acostumados a ter somente mercadorias de má qualidade, e sempre em quantidades insuficientes” (Izvestia, 27 de Dezembro de 1935). Soulimov, Presidente dos Comissários do Povo, disse: “Tudo está a um nível muito baixo, exceto os preços, que são exorbitantes” (Pravda, 31 de Julho de 1936). E assim a citação de fatos poderia prosseguir indefinidamente. Todos eles contam a mesma história, a saber: o Comunismo é o ópio do povo porque explora os pobres prometendo-lhes o impossível, mesmo nesta vida. A Religião, é verdade, faz crer numa vida futura; mas nunca pediu aos homens que, na esperança de uma sorte futura, se resignassem a condições tais como existem na Rússia. Quem quer que leia o autorizado livro do Dr. Ewald Ammende, A Vida Humana na Rússia (Alien and Unwin, 1936, Londres), verá como os russos se acham mal sob o domínio dos comunistas. As fotografias das vítimas da fome por si só contam uma história, independentemente do texto. Ali não somente sofre a vida humana, mas sofre até mesmo a vida animal. (Em: Bispo Fulton J. Scheen. Comunismo: ópio do povo. Petrópolis, Vozes, 1952).
- QUEM PERTENCE A CRISTO? – 26º Domingo do Tempo Comum
“Moisés escolhe o Conselho dos setenta anciãos”, de Jacob de Wit (1737) Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “Por que é tão grave o pecado de escândalo?”, clicar AQUI. No Evangelho deste domingo, Jesus Cristo diz, de quem causa escândalos, que “melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço”. Mas por que se serve Nosso Senhor de uma linguagem tão dura? Do que Ele está realmente querendo falar? Nesta meditação, Padre Paulo Ricardo explica o que é o pecado de escândalo e dá exemplos bem práticos de como ele se dá, principalmente em nossos dias. Assista e deixe de se conformar a este mundo! PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Números 11, 25-29) O apostolado de todos Naqueles dias, o Senhor desceu na nuvem e falou a Moisés. Retirou um pouco do espírito que Moisés possuía e o deu aos setenta anciãos. Assim que repousou sobre eles o espírito, puseram-se a profetizar, mas não continuaram. Dois homens, porém, tinham ficado no acampamento. Um chamava-se Eldad e o outro Medad. O espírito repousou igualmente sobre os dois, que estavam na lista mas não tinham ido à Tenda, e eles profetizavam no acampamento. Um jovem correu a avisar Moisés que Eldad e Medad estavam profetizando no acampamento. Josué, filho de Nun, ajudante de Moisés desde a juventude, disse: “Moisés, meu Senhor, manda que eles se calem!” Moisés respondeu: “Tens ciúmes por mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta, e que o Senhor lhe concedesse o seu espírito!” SALMO 18 A perfeição da Palavra de Deus (Antífona): A lei do Senhor Deus é perfeita, alegria ao coração. A lei do Senhor Deus é perfeita, Conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, Sabedoria dos humildes. É puro o temor do Senhor, Imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos E justos igualmente. E vosso servo, instruído por elas, Se empenha em guardá-las. Mas quem pode perceber suas faltas? Perdoai as que não vejo! E preservai o vosso servo do orgulho: Não domine sobre mim! E assim puro, eu serei preservado Dos delitos mais perversos. SEGUNDA LEITURA DA MISSA (São Tiago 5, 1-6) O único tesouro é a Palavra de Deus E agora, ricos, chorai e gemei, por causa das desgraças que estão para cair sobre vós. Vossa riqueza está apodrecendo, e vossas roupas estão carcomidas pelas traças. Vosso ouro e vossa prata estão enferrujados, e a ferrugem deles vai servir de testemunho contra vós e devorar vossas carnes, como fogo! Amontoastes tesouros nos últimos dias. Vede: o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos, que vós deixastes de pagar, está gritando, e o clamor dos trabalhadores chegou aos ouvidos do Senhor todo-poderoso. Vós vivestes luxuosamente na terra, entregues à boa vida, cevando os vossos corações para o dia da matança. Condenastes o justo e o assassinastes; ele não resiste a vós. EVANGELHO (São Marcos Mc 9, 38-43.45.47-48) Todos são chamados à Igreja de Cristo Naquele tempo, João disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não nos segue”. Jesus disse: “Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nosso favor. Em verdade eu vos digo: quem vos der a beber um copo de água, porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa. E, se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço. Se tua mão te leva a pecar, corta-a! É melhor entrar na Vida sem uma das mãos, do que, tendo as duas, ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. Se teu pé te leva a pecar, corta-o! É melhor entrar na Vida sem um dos pés, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno. Se teu olho te leva a pecar, arranca-o! É melhor entrar no Reino de Deus com um olho só, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno, ‘onde o verme deles não morre, e o fogo não se apaga’”. PERTENCER A CRISTO (Comentário de Scott Hahn) O Evangelho deste domingo apresenta uma cena que lembra outro momento da história de Israel: o episódio que ouvimos na primeira leitura. Os setenta anciãos que recebem o Espírito de Deus por meio de Moisés, antecipam o ministério dos apóstolos. Como Josué na primeira leitura, João está errado em supor que apenas alguns poucos serão inspirados e encarregados de executar os planos de Deus. O Espírito sopra onde quer (v. Jo 3, 8) e Deus deseja concedê-lo a todo o seu povo, em todas as nações abaixo do céu (v. At 2, 5,38). Deus pode e poderá agir com grande poder através das pessoas comuns, de quem não se espera muita coisa. Somos todos chamados a realizar até as tarefas mais simples, como dar a alguém um copo de água em Seu nome e por causa de Seu reino. João acredita que está protegendo a pureza do nome do Senhor. No entanto, na realidade, está defendendo apenas seus próprios privilégios e status. Percebe-se que os apóstolos querem obstruir o ministério de um exorcista. Isso porque a autoridade para expulsar demônios e espíritos imundos era um dos poderes específicos concedidos aos Doze (v. Mc 3,14-15; 6 ,7.13). “Mas quem pode perceber suas faltas? Perdoai as que não vejo!”, rezamos no salmo de hoje. Muitas vezes, como Josué e Juan, talvez sem perceber, escondemos nossas faltas e medos sob o pretexto de defender a Cristo ou a Igreja. No entanto, como Jesus nos diz no Evangelho, em vez de nos preocuparmos com quem é um verdadeiro cristão e quem não é, devemos antes nos empenhar em viver de acordo com a nossa vocação de discípulos (v. Ef 1, 4). O conselho que damos, ou o nosso testemunho de vida, são causa de escândalo, fazendo com que os outros duvidem ou percam a fé? Fazemos o que devemos por amor à vontade do Pai ou por outras razões? Precisamos continuar meditando em sua Lei, como cantamos no salmo de hoje. Devemos pedir em oração a graça de enxergar nossas próprias faltas e superá-las. https://stpaulcenter.com/pertenecer-a-cristo-scott-hahn-scott-hahn-reflexiona-sobre-el-26o-domingo-de-tiempo-ordinario/ https://stpaulcenter.com/to-belong-to-christ-scott-hahn-reflects-on-the-twenty-sixth-sunday-ordinary-time/
- 5 Motivos para se Acreditar na Assunção da Virgem Maria
Tradução: Five Reasons to Believe in the Assumption of Mary – Shameless Popery 1. Não há argumentos positivos contra a assunção de Maria O que quero dizer aqui é simplesmente que não há nada que os cristãos devam ficar chocados ou escandalizados. Nada no dogma da Assunção de Maria é contrário a qualquer coisa ensinada no cristianismo. Os melhores argumentos contra a Assunção tendem a ser argumentos do silêncio: as Escrituras não ensinam explicitamente, portanto, talvez isso não tenha acontecido. Mas observe quão fraco é esse argumento do silêncio. Quando e onde a Virgem Maria morreu? A Escritura não diz. Maria morreu? A Escritura não diz. Fascinante que, embora duas cidades diferentes (Éfeso e Jerusalém) afirmassem ser o lugar onde São João levou a Virgem Maria depois da Crucificação (João 19:27), ninguém reivindica ter seu corpo. Para um protestante moderno, que não pensa em relíquias sagradas, isso pode não parecer estranho. Mas os primeiros cristãos amavam as relíquias (como os católicos hoje). O problema que a Igreja sempre enfrentou é o de muitas relíquias, com os impostores tentando passar seus ossos locais como algum grande santo ou outro (um poderoso atrativo para os peregrinos). Mas aqui há poucas relíquias. No que diz respeito aos argumentos do silêncio, isso me parece pelo menos tão poderoso quanto o argumento “não mencionado explicitamente”. Alguns protestantes irão além e alegarão que é errado crer em qualquer coisa que não seja explicitamente ensinada nas Escrituras. Esse padrão é literalmente impossível de manter. O cânon das Escrituras (isto é, quais livros são inspirados) não é ensinado nas Escrituras, e ainda assim os protestantes acreditam que seus 66 livros são inspirados. Maria morrendo não está explicitamente nas Escrituras, e ainda assim eles acreditam que isso aconteceu. Assim, a posição “não acredito em nada que não seja explicitamente ensinado” invariavelmente acaba sendo “estou certo, a menos que as Escrituras me contradigam explicitamente”. Assista a um debate intra-protestante e você pode ver essa má hermenêutica: instrumentos na adoração cristã não são explicitamente mencionados e, portanto, são … proibidos? permitidos? Você pode usar esse padrão para justificar praticamente qualquer coisa. Tudo isso é para dizer que não há motivos convincentes para rejeitar a hipótese. Mas por que deveríamos aceitá-la? 2. A Escritura Apresenta Maria como a Arca da Nova Aliança Para ver a imagem de Maria como a Arca da Nova Aliança, volte para Lucas 1. Na verdade, volte muito mais adiante, para 2 Samuel 6: 2. Lá, as Escrituras dizem que o rei Davi “se levantou e partiu com todo o povo que estava com ele de Baaléia-Judá, para trazer de lá a arca de Deus, que é chamada pelo nome do Senhor dos Exércitos, que está sentado no trono sobre os querubins. ”Esta Arca é tão santa que nem pode ser tocada, como Uzá descobre da maneira mais difícil (2 Sam. 6: 7). Davi então acampou a Arca lá na região montanhosa de Judá, na “casa de Obededom, o geteu” por três meses (2 Samuel 6:11). É lá que está a grande cena do “Rei Davi pulando e dançando diante do Senhor” (2 Samuel 6:16). Agora volte para Lucas 1. Depois que a Virgem Maria ouve que sua prima Isabel está grávida, Lucas diz que ela “se levantou e partiu com pressa para a região montanhosa, para uma cidade de Judá” (Lucas 1:39). Observe que até mesmo o verbo “se levantou e partiu” é retirado de 2 Samuel 6 – a única vez que a construção é usada em todo o Novo Testamento. E observe que ela vai para o mesmo lugar: a região montanhosa de Judá. Ela então vai para “a casa de Zacarias” onde fica por… você adivinhou, três meses (Lucas 1:40, 56). E é aí que há a grande cena em que “quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre” (Lucas 1:41). E a resposta de Isabel para isso é tratar Maria como santa (Lucas 1: 41-45): “Ora, Isabel ouviu uma saudação de Maria, uma criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e o bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem a honra de vir a mim mesmo, a mãe do meu amor? Pois bem, a voz de tua saudade chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio Bem-aventurada és tu que creste, porque se hão de cumprir como coisas que da parte do Senhor te foram ditas! ” Acredite ou não, “por que isso me é concedido que a mãe do meu Senhor venha a mim?” É outro paralelo a 2 Samuel 6, onde o rei Davi pergunta: “Como a arca do Senhor pode vir até mim? ? ”(2 Sam. 6: 9). E, claro, tudo isso faz sentido. A Arca da Aliança era sagrada e intocável porque abrigava o maná, os Dez Mandamentos e a vara de Aarão. Maria abrigou a Segunda Pessoa da Trindade em seu ventre. É claro que ela é mais sagrada do que a primeira Arca. (Se você não está pronto para admitir isso, pelo menos você pode ver que a Escritura a apresenta como a nova Arca). 3. A Escritura Promete Que o Senhor Assumirá Sua Arca no Paraíso O Salmo 132: 8 diz: “Levante-se, ó Senhor, e vá para o seu lugar de repouso, tu e a arca da tua força.” Na superfície, esta é uma referência ao Templo, mas está apontando para o céu. Isso, afinal de contas, é o supremo descanso de Deus (Hebreus 4: 1, 8-11): Enquanto, pois, subsiste a promessa de entrar no seu descanso, tenhamos cuidado em que ninguém de nós corra o risco de ser excluído. […] “Se Josué lhes houvesse dado repouso, não teria depois disso falado dum outro dia. Por isso, resta um repouso sabático para o povo de Deus. E quem entrar nesse repouso descansará das suas obras, assim como descansou Deus das suas. Assim, apressemo-nos a entrar neste descanso para não cairmos por nossa vez na mesma incredulidade.” Assim, o Salmo, em última análise, prefigura Cristo entrando no Céu … e levando Sua Arca com Ele. 4. Maria Reinar com Cristo é Extremamente Bíblico. Alguns protestantes estão escandalizados com os católicos referindo-se a Maria como a Rainha do Céu. Então, por exemplo, GotQuestions proclama: Não há rainha do céu. Nunca houve uma rainha do céu. Certamente há um Rei do Céu, o Senhor dos Exércitos. Ele sozinho governa no céu. Ele não compartilha seu governo ou seu trono ou sua autoridade com ninguém. A idéia de que Maria, a mãe de Jesus, é a rainha do céu, não tem base bíblica alguma. Muito simplesmente, este debate sobre a Assunção de Maria aponta para duas concepções radicalmente diferentes de Deus. A visão de Deus apresentada por Gotquestions é de um Deus que parece quase inseguro, temeroso de que os Seus santos vão diminuir sua própria glória. Para um católico, essa preocupação é incoerente, como da Vinci se preocupando que as pessoas não o respeitassem porque gostavam muito da Mona Lisa. Nossa visão de Deus é de um Deus que compartilha alegremente sua glória. E ao contrário de GotQuestions, temos a Bíblia do nosso lado… explicitamente. São Paulo diz em 2 Timóteo 2: 11-12: “Eis uma declaração de confiança: Se tivermos morrido com ele, também viveremos com ele; se perseverarmos, também reinaremos com ele. ”Apocalipse 2: 26-29 é tão explícito quanto: Aquele que conquistar e que mantiver minhas obras até o fim, eu lhe darei poder sobre as nações, e ele as regerá com uma vara de ferro, como quando panelas de barro são quebradas em pedaços, assim como eu mesmo recebi o poder do meu Pai; e eu darei a ele a estrela da manhã. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Portanto, ou os protestantes anti-Marianos estão certos de que Deus reina sozinho, ou a Bíblia está certa, que Deus compartilha seu reinado com os santos. E se os católicos e a Bíblia estão certos, então não há nada de errado em dizer que Maria é a Rainha dos Céus. 5. Há uma boa razão bíblica direta para acreditar na suposição Se você quiser ver os pontos 2-4 todos ligados, conectando diretamente a Arca no Céu e a Mãe de Deus, veja Apocalipse 11: 19-12: 2. Diz: Então o templo de Deus no céu foi aberto, e a arca do seu pacto foi vista dentro do seu templo; e houve relâmpagos, ruídos altos, trovões, terremoto e granizo. E um grande presságio apareceu no céu, uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas; ela estava grávida e chorou de dor, angustiada pelo parto. Então, quem é essa mulher entronizada no céu? Bem, seu Filho é o “que deve governar todas as nações com uma vara de ferro” (Apocalipse 12: 5), que é uma referência tanto a Cristo (Salmos 2: 9; Apoc. 19:15) como a os santos (Apocalipse 2:27). Aqui, o Filho parece ser Cristo, visto que Apocalipse 12:17 menciona “o restante de sua descendência”, que são “aqueles que guardam os mandamentos de Deus e prestam testemunho a Jesus”. Agora, o livro do Apocalipse é rico em simbolismo, e eu não quero desconsiderar que essa mulher entronada também possa ser a Igreja na glória. Ela é nossa mãe também. Assim como quem tem a “vara de ferro” é uma referência dupla a Cristo e aos santos, não há razão para pensar que a Mãe não pode ser Maria e a Igreja. Mas negar que a Mãe de Jesus em Apocalipse 12 possa ser a Virgem Maria é rejeitar o significado mais óbvio e explícito da Escritura. Conclusão Então, onde isso nos deixa? Não existem argumentos positivos contra a Assunção de Maria (muitos dos argumentos, como os da Gotquestestão, são baseados em mal-entendidos heréticos e anti-bíblicos de Deus), e os argumentos do silêncio não são particularmente fortes (e há argumentos igualmente fortes do silêncio na direção oposta). Enquanto isso, há argumentos positivos para a Assunção, em que Maria é a Arca da Nova Aliança, as Escrituras apontam para Deus trazendo Sua Arca para o Céu, e Maria parece estar entronizada no Céu em Apocalipse 12.
- Orações para os Santos e Mortos: Seis Provas Bíblicas
Tradução: Prayers to Saints & for the Dead: Six Biblical Proofs | Dave Armstrong Se você está em uma discussão com um protestante que nega essas duas coisas e quer mostrar que elas estão expressamente indicadas explicitamente na Bíblia, veja como você pode fazer isso de maneira rápida e eficaz. Eu também forneço mais material de leitura relacionado, a fim de entrar em maior profundidade. 1) Orando aos Santos (ou seja, pedindo-lhes para interceder): Homem Rico e Lázaro A) O homem rico na história de Jesus (conhecido na tradição como “Dives”) pede a Abraão para interceder, fazendo dois pedidos: a) alívio de seu sofrimento na parte “má” do Hades / Sheol (Lc 16:24), e 2) enviar Lázaro à terra para advertir seus cinco irmãos a se arrependerem, de modo a não terminarem no mesmo lugar e estado (Lc 16: 27-28). Em Lucas 16:27 na versão King James, ele usa as palavras: “Eu te peço”. B) Se isso é uma parábola ou não (muitos comentaristas protestantes dizem que não é, porque as parábolas não incluem nomes próprios), Jesus não poderia ensinar erro doutrinário por meio da história. C) A recusa de Abraão em responder a oração não prova que ele não deveria ter sido rezado em primeiro lugar. Orações podem ser recusadas. Ele nunca disse: “Você não pode rezar para mim !!!!! Orem só a Deus! D) Nem a sua recusa prova que ele não tem o poder para cumprir a oração (em última análise, devido ao poder de Deus, é claro). Ele disse que não nos primeiros casos, porque a punição de Dives na vida após a morte já foi determinada por Deus. Ele recusou na segunda instância porque a “proposta” não ia funcionar, de qualquer forma. Ele não disse: “Eu não tenho o poder de mandar Lázaro e é uma blasfêmia para você pensar assim.” Ele disse, ao contrário, que se ele mandasse, não faria nenhuma diferença quanto ao resultado. Abraão esperava (Lc 16, 21: “Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco se convencerão de que alguém deve ressuscitar dos mortos” [RSV]). E) Assim, só podemos concluir que os seres humanos em vida após a morte podem receber orações e que eles têm o poder (delegado por Deus, usando-os como vasos ou intermediários) para cumprir os pedidos: em outras palavras, exatamente o que a comunhão católica dos santos / invocação dos santos. E é diretamente do nosso Senhor Jesus. F) Se Abraão tivesse cumprido o pedido, seria também outro exemplo de comunicação permitida entre os que estão no céu ou na vida após a morte (neste caso, Hades) e aqueles na terra, pois o Lázaro morto teria voltado à terra para falar com os cinco. irmãos. Os protestantes nos dizem que isso é anti-bíblico e contra a vontade de Deus (e é o equivalente à necromancia), mas ali está, certo nas Escrituras, de Jesus. Para mais informações, veja Bible on Asking Dead Men to Intercede (Luke 16) [7-8-14] Dialogue on Praying to Abraham (Luke 16) [5-22-16] Dialogue: Rich Man’s Prayer to Abraham (Luke 16) and the Invocation of Saints (vs. Lutheran Pastor Ken Howes) [5-3-17] e alguém perguntar por que pensaríamos em fazer isso em primeiro lugar, em vez de ir direto a Deus, eu também dirijo isso (destacando Tiago 5:16: “A oração de um homem justo tem grande poder em seus efeitos”) “One Mediator” (1 Tim 2:5) vs. All Human Mediation? [10-14-08] * “Why pray to a saint rather than to God?” [4-1-10] * Why Pray to Saints Rather than God? [9-4-15] 2) Orando a Santos: Petições de Saul ao Profeta Samuel Depois da Morte do Último 1 Samuel 28: 15-16 Então Samuel disse a Saul: Por que me perturbaste levantando-me? Respondeu Saul: Estou em grande angústia; porque os filisteus estão guerreando contra mim, e Deus se desviou de mim e não mais me responde, seja por profetas ou por sonhos; por isso, convoquei-te para dizer-me o que farei. ”E Samuel disse:“ Por que, então, você me pergunta, visto que o Senhor se afastou de você e se tornou seu inimigo? ” O princípio / cenário aqui é o mesmo que em # 1: Samuel poderia ser peticionado corretamente ou, com efeito, “orado para”, mas ele também poderia recusar o pedido, e ele fez isso. Como Samuel explicou, ele não questionou o pedido como errado e pecaminoso, mas recusou, porque o pedido para salvar Saul era contra a vontade expressa de Deus: que Samuel também conhecia, como um santo morto. Além disso, Samuel sabia (após sua morte) que Saul seria derrotado em batalha no dia seguinte e morreria (1Sm 28.18-19). * A Bíblia supõe casualmente que grandes profetas como Moisés e Samuel estarão orando por aqueles que estão na Terra depois que morreram: Jeremias 15: 1 Então o SENHOR me disse: Ainda que Moisés e Samuel estivessem diante de mim, meu coração não se voltaria para este povo. Mande-os fora da minha vista e deixe-os ir! (cf. Hb 12: 1; Ap 6: 9-10) Novamente, não é que eles não pudessem ou não devessem orar; antes, mesmo suas grandes orações (como poderosos intercessores: Êx 32: 11-12; 1 Sm 7: 9; Salmos 99: 6; Je 15: 1) não poderiam realizar algo se já fosse contra a vontade de Deus. Se eles de fato não estavam orando a Deus após a morte deles, ou não deveriam, então Deus não teria dito que eles fizeram isso; e / ou teria condenado isto, tendo levantado isto em revelação inspirada. Ver: Samuel Appearing to Saul: Argument for Communion of Saints? [7-1-07] * Bible on Invocation of Angels & Saved Human Beings [6-10-08] * Dialogue on Samuel Appearing to Saul (Witch of Endor) [5-6-17] 3) Orando aos Santos: Possibilidade de Jesus Orando a Elías para salvá-lo Mateus 27: 46-50 E por volta da nona hora, Jesus clamou com grande voz: “Eli, Eli, lama sabach-tha’ni”, isto é, “Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?” [47] E alguns dos que ouviam isso disseram: “Este homem está chamando Elias”. [48] E um deles imediatamente correu e pegou uma esponja, encheu-a de vinagre e a colocou em um cabo, e deu a ele para beber. [49] Mas os outros disseram: “Espere, vamos ver se Elías virá para salvá-lo.” [50] E Jesus gritou novamente com uma voz alta e entregou seu espírito. (cf. Mc 15, 34-36) Os “espectadores” são apresentados como aliados de Jesus, uma vez que um deles lhe deu uma bebida, no verso seguinte (Mateus 27:48). O próximo verso (27:49) mostra novamente que era crença comum na época: “Mas os outros disseram: ‘Espere, vamos ver se Elías virá para salvá-lo’”. Assim, acreditava-se que alguém poderia orar a um tal como Elias (que já havia aparecido com Jesus na transfiguração), e que ele tinha poder para vir e dar ajuda; para “salvar” uma pessoa (neste caso, Jesus de uma morte horrível). Não é apresentado como se estivessem errados e, à luz de outras Escrituras relacionadas, é mais provável que estejam corretos ao pensar que esse era um cenário permitido. Jesus, afinal de contas, já havia se referido a Elias, dizendo que ele era o protótipo de João Batista (Mt 11.14; 17.10-13; cf. Lc 1.17 do anjo Gabriel), e também poderia ter sabido que Elias e Moisés apareceram com Jesus na transfiguração (Mt 17: 1-6), se estes fossem seus seguidores. Ver: Prayer to Saints: “New” [?] Biblical Argument [5-23-16] 4) O apóstolo Paulo orou pelos mortos 2 Timóteo 1: 16-18 (RSV): “O Senhor conceda misericórdia à casa de Onesíforo, porque muitas vezes me refrescou; ele não se envergonhava das minhas cadeias, [17] mas quando chegou a Roma, procurou-me avidamente e encontrou-me – [18] que o Senhor lhe conceda que encontre misericórdia do Senhor naquele dia – e você bem sabe todo o serviço que ele prestou em Éfeso. ”(cf. 4:19) Para mais informações, veja: Paul Prayed for Dead Onesiphorus (Protestant Commentaries) [7-14-09] Cardinal Newman on Onesiphorus and Prayer for the Dead [Facebook, 3-18-15] St. Paul Prayed for a Dead Man: Onesiphorus [8-19-15] Was Onesiphorus Dead When Paul Prayed (Or, “Wished” as it Were) for Him? Data from 16 Recent Protestant Commentaries (1992-2016) [Facebook, 3-20-17] 5) O apóstolo Paulo ensinou a penitência (basicamente o mesmo que a oração) pelos mortos 1 Coríntios 15:29 “De outra maneira, que intentam aqueles que se batizam em favor dos mortos? Se os mortos realmente não ressuscitam, por que se batizam por eles?” Ver: Baptizing the Dead? (Odd Verse 1 Corinthians 15:29) [6-5-02] Fasting for the Dead in the Old Testament (Not Unlike Praying) [11-4-12] 6) Jesus e Pedro Oraram Simultaneamente aos Santos e pelos Mortos Tábita foi uma discípula em Joppa que morreu. Pedro orou a ela quando disse “Tabita, levante-se”. Veja Atos 9: 36-41. Ela estava morta e ele estava se dirigindo a ela. Não há muro impenetrável entre o céu e a terra. Isto não é apenas rezar para os mortos, mas para os mortos, já que a passagem diz que Pedro “orou” antes de se dirigir a Tabita em primeira pessoa. E ele estava rezando para ela voltar à vida. Nosso Senhor Jesus faz a mesma coisa com respeito a Lázaro. Ele ora por Lázaro (um homem morto: João 11: 41-42) e depois fala diretamente a um homem morto (com efeito, “orando” a ele): “Lázaro, sai” (João 11:43). Ver: New (?) Biblical Argument: Prayers for the Dead [2004] Raising of Tabitha: Proof of Purgatory (Tony Gerring) (see also in-depth Facebook discussion) [3-20-15]
- ”Altar”: Uso Protestante Inconsistente da Palavra
Tradução: “Altar”: Inconsistent Protestant Use of the Word | Dave Armstrong Um púlpito não é um altar; é simplesmente uma tabela para notas de sermão e Bíblias. A frente do interior de uma igreja protestante também não é um altar. Como evangélico (de 1977 a 1990), eu mesmo tive pouco ou nenhum sentido do “altar” como um lugar sagrado. Lembro-me de fazer argumentos contra amigos católicos de que não havia tal coisa: que todo lugar é igualmente sagrado, porque é tudo criação de Deus. A terminologia da ”chamado do altar” é um remanescente do catolicismo. Se alguém pensa que todos os lugares e espaços são igualmente sagrados, então, é claro, a frente de uma igreja seria incluída nisso. Mas isso erra o ponto. Deus é onipresente também, mas não se segue que Ele não esteja presente de maneira mais profunda na Eucaristia e em uma capela eucarística. Os católicos acreditam nesse sentido de espaço particularmente sagrado precisamente porque acreditamos na Presença Real e na adoração eucarística, e no Sacrifício da Missa. O último foi veementemente rejeitado por todos os protestantes, com exceção de muito poucos anglicanos. Isso é o que “altar” – literalmente falando, é sobre. Ele remete ao sistema sacrificial do Antigo Testamento, Jesus como o Cordeiro de Deus, a mesa do Senhor (vs. a mesa dos demônios: São Paulo). Uma vez que isso acontece, a noção de “altar” é destruída. “Altar” não significa simplesmente o lugar em frente à igreja onde o pastor faz seu sermão ou onde (em algumas igrejas) as pessoas vêm se dedicar ao Senhor. É muito mais que isso. O termo ainda é frequentemente usado, como algo transmitido do catolicismo, mas eu acho que é lamentável, porque implica uma redefinição radical do que a palavra tem significado historicamente. Não se segue que estamos dizendo que nenhum protestante pensa que algo é sagrado, etc. Não! Claro que não. Eu não era dessa mente, e ouso dizer que poucos convertidos católicos do protestantismo foram também. Essa não é a questão. Os protestantes acreditam no espaço sagrado quando vão a Jerusalém. Eles não considerariam profanar nenhum dos locais sagrados. Mas ao rejeitar a noção tradicional do Sacrifício da Missa, o altar também vai, mesmo que ainda seja chamado assim. A contínua presença real de Cristo em uma igreja católica é o motivo pelo qual esse espaço é sagrado; porque nós nos ajoelhamos; por que adoramos a Cristo na adoração eucarística; por que o santuário em frente ao altar é uma área limitada durante a missa e tratada com grande reverência em todos os momentos. Esse não é o caso mesmo em igrejas onde a Presença Real é acreditada (luteranos e anglicanos tradicionais), porque eles pensam que a Presença cessa assim que o culto termina ou depois que todos recebem a comunhão. Os protestantes respeitarão a área do santuário de sua igreja, mas ela está em um sentido diferente; não é porque eles acham que Jesus está realmente presente de uma maneira muito especial. Ele está presente apenas no sentido de que Ele é onipresente em Sua natureza divina. Como isso se aplica a todos os lugares da Terra e do universo, não há muita diferença na frente de uma igreja. Vemos a aversão protestante a altares no sentido que descrevi, por exemplo, João Calvino, onde ele escreve: “sabemos que os altares cessaram, os sacrifícios foram abolidos, dos quais havia algum uso no tempo da lei. . . ” Não há dúvida de que a tradição calvinista (da qual derivam grandes porções da tradição batista) desprezava os altares e agia consistentemente na medida em que altares e outros itens católicos eram frequentemente destruídos pelos iconoclastas calvinistas. Isto foi verdade na igreja em Genebra, onde Calvino pregou (St. Pierre ou St. Pedro). Por isso, uma página da web sobre a igreja observou: A catedral católica de São Pedro tornou-se uma igreja protestante em 1536. João Calvino pregou aqui de 1536 a 1564, e a catedral tornou-se o centro orientador do protestantismo. Como os reformadores de toda a Europa, os seguidores de Calvino despojaram a catedral de Genebra de seus altares, estátuas, pinturas e móveis. Apenas os vitrais permaneciam. . . . A nave é geralmente austera mas quente, com uma agradável mistura de arquitetura românica e gótica. A austeridade é devida à transformação da antiga catedral em uma Igreja Protestante em 1536. Os calvinistas tinham pouca tolerância para imagens religiosas e qualquer tipo de excesso, então destruíram quase tudo, exceto a arquitetura nua e caiadas de branco sobre os murais. Felizmente, houve alguns sobreviventes de toda essa destruição – os vitrais da capela-mor e as maravilhosas capitais romanescas na nave, que representam figuras humanas e uma variedade de criaturas míticas. Os luteranos não fizeram isso. Mas os calvinistas fizeram porque eram iconoclastas, e parte disso era considerar um altar um remanescente idólatra do catolicismo. E isso porque os católicos acreditavam na Presença Real e no Sacrifício da Missa. Em um artigo sobre a influência de Calvino na “Reforma” inglesa, aparece o seguinte: Acrescente a isto, que, de acordo com o dito Heylyn, a ordem para remover altares, e colocar mesas de comunhão em seu cômodo, foi principalmente devido à influência de Calvino. “O grande negócio deste ano (1550) foi a derrubada de altares em muitos lugares, pela autoridade pública: que, em alguns poucos lugares, haviam sido derrubados pelo avanço irregular do povo comum. O principal motivo foi, em primeiro lugar, a opinião de alguns desgostos que foram tomados por Calvino contra a (primeira) liturgia. Eu até encontrei um batista online que concorda exatamente com o que estou dizendo sobre como a maioria dos protestantes vê um “altar” no sentido católico completo: Altar-Baptista Em seu post “Fads and Fixtures: The Seven Deadly Trappings of Evangelicalism”, Joe Carter escreve que um dos acessórios que ele acha problemático é o chamado do altar. Embora eu também ache que a metodologia do apelo ao altar é preocupante, isso traz uma questão maior em minha mente para a minha própria denominação: “Por que tantas igrejas batistas se referem à frente da igreja como o altar? Eu ouvi essa terminologia usada em inúmeras igrejas batistas, até mesmo de pastores que deveriam conhecer melhor. A última vez que verifiquei, a transubstanciação não estava em nenhuma confissão de fé batista que eu conheça. Os batistas acreditam que Cristo foi sacrificado de uma vez por todas. Na Ceia do Senhor, Cristo não é continuamente sacrificado, como acreditam os católicos romanos, os ortodoxos orientais e outros. Nós não queimamos ofertas, e eu nunca vi nenhum tipo de estrutura elevada além de um púlpito. Está claro que na prática batista, o termo altar se tornou sinônimo da frente do santuário da igreja, mas por que retemos o termo? Somo batistas, afinal. Nós não fazemos altares. Algum de vocês, historiadores da igreja mais estudados, podem me esclarecer? A visão Batista, juntamente com a de muitos outros evangélicos, é que, uma vez que Cristo foi sacrificado uma vez, não precisa ser reapresentado, como você diz. Seu sacrifício nos foi apresentado uma vez para todas as idades. Em nossa opinião, essa reapresentação é semelhante a um novo sacrifício. Afinal de contas, poderíamos argumentar, por que há necessidade de um altar se não houver sacrifício? O Batista Ken Blue faz basicamente o mesmo ponto: Tendo sido salvo e criado em igrejas batistas durante toda a minha vida, nunca me ocorreu que muito do que fazemos é imerso na tradição. Nós as pegamos emprestados do judaísmo e da Igreja Católica. Um deles é o chamado altar.
- Bispos Casados (I Timóteo 3) e Celibato Católico: Contradição?
Esta foi uma conversa (atualmente expandida) com um crítico do meu artigo no National Catholic Register: “Celibato Sacerdotal: Antigo, Bíblico e Paulino” (9-18-17). ***** “Paulo & Timóteo postou: O celibato é um belo presente e devidamente exortado por São Paulo. No entanto, há 1 Timóteo 3, 2-5 também referente às ordens sagradas que me faz questionar a exigência de que somente aqueles que prometem o celibato possam ser ordenados ao sacerdócio e ao episcopado: Um bispo deve ser… casado apenas uma vez… Ele deve administrar bem sua própria casa, mantendo seus filhos sob controle com perfeita dignidade; pois se um homem não sabe administrar sua própria casa, como pode ele cuidar da Igreja de Deus? Acho interessante como poucos católicos conhecem 1 Timóteo 3… e ficam chocados quando lêem e como parecemos ser “seletivos” interpretando ou “defendendo” o celibato como a única norma. Não compreender corretamente a Sagrada Escritura requer ler toda a Escritura para interpretá-la plenamente? Eu respondi: Eu estou bem familiarizado com isso. Não é mais um problema para a posição católica do que o casamento de Pedro. O celibato não foi mandatório nem requerido na Igreja apostólica, mas logo veio a ser muito amplamente. A Igreja, a princípio, seguiu a posição de Paulo expressa em 1 Timóteo 3, e então (no Ocidente) optou por preferir sua posição ao celibato com o propósito de devoção sincera ao Senhor sem lealdades divididas, conforme expresso em 1 Coríntios 7 (como parte de seu recomendado “ler toda a Escritura”), e seu desejo de que todos os homens fossem como ele é (celibatário). Este último é um chamado mais alto e mais heróico (envolvendo os conselhos evangélicos), e o Rito Latino da Igreja Católica decidiu que é o que ela queria para seus padres e bispos. Comentário Bíblico de Navarra afirma sobre esta passagem: “Marido de uma só mulher”: isso é também uma exigência dos “anciãos” (cf. Tit 1: 6) e dos “diáconos” (1 Tim 3:12); isso não significa que a pessoa esteja obrigada a casar-se, mas ele não deve ter se casado mais de uma vez. Do contexto, isso claramente não significa que os candidatos sejam proibidos de serem polígamos (a poligamia é proibida a todos); a condição de que alguém seja casado apenas uma vez garante que os candidatos sejam pessoas muito respeitáveis e exemplares; na cultura da época, os segundos casamentos, exceto em circunstâncias especiais, eram vistos com desconfiança entre os gentios e os judeus. Na era apostólica, o celibato não era um requisito para aqueles que presidiam as primeiras comunidades cristãs. No entanto, logo se tornou costume exigir o celibato. “Na antiguidade cristã, os Padres e os escritores eclesiásticos testemunham a propagação através do Oriente e do Ocidente da prática voluntária do celibato pelos ministros sagrados por causa de sua profunda adequação para sua total dedicação ao serviço de Cristo e sua Igreja. A Igreja do Ocidente, desde o início do século IV, fortaleceu, difundiu e aprovou essa prática por meio de vários concílios provinciais e dos Sumos Pontífices ”(Paulo VI, Sacerdotalis caelibatus, pp. 35–36). A partir de então, todos os sacerdotes do rito latino eram obrigados a ser celibatários. O celibato é apropriado ao sacerdócio por muitas razões: “Ao preservar a virgindade ou o celibato por causa do reino dos céus, os sacerdotes são consagrados de uma maneira nova e excelente a Cristo. Agarram-se mais prontamente a ele com coração indiviso e dedicam-se mais livremente nele e através dele ao serviço de Deus e dos homens. Eles estão menos sobrecarregados em seu serviço ao seu reino e à tarefa da regeneração celestial. Desta forma, eles se tornam mais adequados para uma aceitação mais ampla da paternidade em Cristo ”(Vaticano II, Presbyterorum ordinis, 16).} O apologista católico Tim Staples comentou a mesma passagem da seguinte forma: Até mesmo o erudito evangélico das escrituras Dr. Ralph Earle, em The Expositor’s Bible Commentary, diz que São Paulo em 1 Timóteo 3 não está exigindo que os bispos se casem. Ao declarar suas razões, ele primeiro oferece a posição mais antiga – que sabemos como católicos da origem apostólica na forma escrita no final do segundo século – que diria que este texto está limitando o número de casamentos que um bispo poderia ter em sua vida. Ele só poderia ter sido casado uma vez. Esta é a posição da Igreja Católica hoje. Se um homem foi casado mais de uma vez, mesmo que de forma lícita, ele não pode ser admitido no episcopado. . . . Naquele mesmo comentário bíblico, desta vez comentando sobre Tito 1: 6, que faz aos anciãos e bispos a mesma proibição contra casamentos múltiplos, outro erudito evangélico, Dr. Edmond Hiebert, acrescenta: “Se Paulo quis dizer que o ancião deve ser casado, a leitura teria sido ‘a’ não ‘one’ esposa ‘. Eu iria mais longe e diria que provavelmente diria, “O bispo deve ser casado.” O termo uma indica que ele está limitando o número , não mandando casamento. Claro, você deve saber que o celibato é uma disciplina, não um dogma, e assim pode mudar e mudou na história. E você deve saber que os católicos do oriente são totalmente tão católicos quanto os ocidentais, e que eles permitem padres casados. E você pode ou não saber que mesmo no Rito Latino exceções são feitas para alguns sacerdotes, como aqueles recebidos do anglicanismo. Por isso, o falecido pe. Ray Ryland e pe. Dwight Longenecker (ainda conosco) foram ambos ordenados no Rito Latino como homens casados. É por isso que esse suposto comentário de “te peguei” ou “pegadinha” é muito alvoroço por nada; não prova nada do que você acha que isso prova.
- Batismo Infântil: Um Diálogo Fictício
Tradução: Infant Baptism: A Fictional Dialogue | Dave Armstrong Zeke o “Jesus Freak”: Ei Cathy, por que os católicos batizam bebês? É inútil, pois eles não sabem o que está acontecendo e não conseguem se arrepender, de acordo com Atos 2:38 e Marcos 6:16. Cathy, o Católico: Mas onde na Bíblia proíbe especificamente o batismo de bebês? Zeke: Bem. . . Eu acho que nunca diz isso. Mas . . . Cathy: Mas você não segue apenas o que é ensinado nas páginas das Escrituras? Zeke: É uma conclusão que decorre de ideias que estão claramente nas Escrituras. Ainda é uma doutrina bíblica. Cathy: Ah! Isso é uma grande diferença. Agora estamos no mesmo barco, já que a Bíblia não ensina explicitamente sobre o batismo de crianças. Nós devemos fazer inferências. Os católicos sustentam que há muitos indícios fortes de nossa visão. Zeke: Onde? Eu nunca vi nenhum em 17 anos sendo salvo. Cathy: Em Atos 16: 15,33, 18: 8 (cf. 11:14) e 1 Coríntios 1:16 afirma-se que um indivíduo e sua “família inteira” foram batizados. Seria difícil dizer que isso não envolveu crianças pequenas. Paulo em Colossenses 2: 11-13 faz uma conexão entre o batismo e a circuncisão. Israel era a igreja antes de Cristo (Atos 7:38, Romanos 9: 4). A circuncisão, dada aos meninos de 8 dias, era o selo da aliança que Deus fez com Abraão, que também se aplica a nós (Gálatas 3: 14,29). Foi um sinal de arrependimento e fé futura (Romanos 4:11). Os bebês eram tão parte da aliança quanto os adultos (Gênesis 17: 7, Deuteronômio 29: 10-12, cf. Mateus 19:14). Da mesma forma, o batismo é o selo da Nova Aliança em Cristo. Significa purificação do pecado, assim como a circuncisão era (Dt 10:16, 30: 6, Jeremias 4: 4, 9:25, Romanos 2: 28-9, Fp 3: 3). Os bebês são totalmente salvos pela graça de Deus, assim como os adultos, apenas separados de seu consentimento racional e voluntário. Seus pais agem em favor deles. Zeke: Isso não é possível. Você tem que se arrepender e nascer de novo para receber a salvação, como diz João 3: 5. Cathy: Isso não diz exatamente isso. Ele diz que é preciso “nascer da água e do Espírito.” Os católicos, juntamente com os Padres da Igreja, como Santo Agostinho e muitos protestantes (por exemplo, luteranos e anglicanos), interpretam isso como uma referência ao batismo, e uma prova da necessidade do batismo infantil. Zeke: Isso não faz sentido. A água aqui se refere ao saco amniótico quando um bebê nasce. Bebês não podem nascer de novo. Jesus está contrastando nascimento natural com nascimento espiritual. Cathy: Você está dizendo que um bebê não pode ser salvo e irá para o inferno se morrer antes da “idade da razão”? Zeke: Não, não, eu nunca diria isso. Deus é misericordioso demais para deixar isso acontecer com um bebezinho inocente. Cathy: Mas você acredita no pecado original (1 Coríntios 15:22), herdado por todas as pessoas da queda de Adão e Eva, certo? Zeke: Bem, sim. Onde você quer chegar? Cathy: Uma vez que você diz que um bebê pode ser salvo, então claramente há uma justificativa para batizar crianças, uma vez que existem outros fatores além do seu próprio consentimento que entram na questão de sua salvação. Assim, você chegou a uma visão mais comum, aliança de salvação (ver, por exemplo, 1 Coríntios 07:14, 12:13), em vez da noção individualista que muitos evangélicos têm. A realidade do pecado original torna o batismo desejável o quanto antes, pois elimina o castigo e a culpa devidos ao pecado e infunde a graça santificante. É por isso que a maioria dos protestantes ao longo da história, incluindo luteranos, anglicanos, metodistas, reformados e presbiterianos, batizaram crianças. Zeke: Agora espere um minuto. Certamente você não acredita que o batismo realmente faz alguma coisa, não é? É apenas um símbolo. Cathy: Vocês, evangélicos, parecem sempre negar que a matéria pode ser um transportadora da graça, e muitas vezes desaprovam a idéia dos sacramentos, que são meios físicos e visíveis pelos quais a graça é conferida. Zeke: Nós não acreditamos nessas coisas porque elas são anti-bíblicas. A Bíblia fala sobre o Espírito dando graça (João 6:63, Romanos 8: 1-10), não matéria. Os católicos estão sempre fazendo coisas estranhas como estátuas, relíquias, rosário, a bolacha da comunhão e água benta. Isso geralmente degenera em idolatria. Cathy: Eu não concordo. Deus mesmo tomou carne em Cristo. Os lenços de Paulo curaram os doentes (Atos 19:12), assim como a sombra de Pedro (Atos 5:15)! Da mesma forma, diz-se que o batismo regenera os pecadores. Atos 2:38 fala de ser batizado “para perdão dos seus pecados”. 1 Pedro 3:21 diz “batismo. . . agora te salva ”(cf. Marcos 16:16, Romanos 6: 3-4). Paulo relembra como Ananias lhe disse para ser batizado e lavar os seus pecados (Atos 22:16). Em 1 Coríntios 6:11, Paulo certamente parece implicar uma conexão orgânica entre o batismo (lavado), a santificação e a justificação, enquanto os evangélicos separam os três. Tito 3: 5 diz que “ele nos salvou. . . pela lavagem da regeneração ”. Que mais prova bíblica é necessária? Tudo isso é explicado como “simbólico”? Zeke: Eu tenho que correr. Eu tenho algumas perguntas para o meu pastor. . .
- Resposta a um Protestante Sobre o Batismo Infântil e Miscelâneas
Tradução: Reply to Protestant on Infant Baptism & Miscellany | Dave Armstrong Recebi uma carta por e-mail de um ex-católico com crenças do tipo Batista, em resposta ao meu artigo, Batismo infantil: um diálogo fictício. Entrou em algumas outras controvérsias católicas-protestantes típicas também. Suas palavras estarão em azul. ***** Obrigado por tomar o tempo para escrever uma carta bem definida. Eu gostaria de responder a maior parte disso. Eu forneço links para muitos dos meus trabalhos relevantes. Em seu diálogo fictício, você chamou o personagem Zeke, um Jesus Freak. Isso é [como] os católicos se referem aos cristãos nascidos de novo? Se Zeke está citando versículos da Bíblia fora de contexto, como o seu artigo sugere, ele não está falando como Satanás fez com Jesus em Mateus 4: 1-11? Poderia Zeke estar representando o diabo nesse diálogo? Não; esse é o meu próprio uso humorístico. Eu me chamava de “Jesus Freak” quando eu era um protestante evangélico (1977-1990) e acreditava muito como a pessoa que eu retratei no diálogo. “Cathy, o Católico” também foi um uso humorístico. Eu diria que é um termo de honra e ficaria orgulhoso de ser chamado hoje de católico. Eu sou um “fanático a Jesus”. Eu não posso ter o suficiente dele! Eu nasci de novo em 1977: se por isso queremos dizer uma profunda experiência de conversão e dedicação de nós mesmos totalmente a Cristo. Os católicos não interpretam isso como a própria salvação. Mas não se segue que ignoramos o compromisso feito e desejamos ser um discípulo radical de Jesus. Isso se tornou realidade em 1977 para mim e permanece verdadeiro hoje, como eu dediquei o trabalho da minha vida à defesa do cristianismo e particularmente do cristianismo católico, como um apologista. Zeke representa no diálogo erros muito típicos cometidos pelos evangélicos (especificamente batistas e outros que acreditam no batismo de “crentes adultos”). Toda falsidade é do diabo. Acredito que a maior parte da falsidade é sincera, como é o caso, creio eu, da vasta maioria dos protestantes. Como um ex-católico e agora um cristão nascido de novo (desde 1983) eu acredito que é inapropriado batizar crianças. As igrejas protestantes (cristãs) não batizam crianças, elas dedicam seus recém-nascidos a Deus. Isso não é verdade como uma declaração geral. É verdade sobre as denominações que se apegam ao batismo de adultos. Muitas seitas protestantes batizam crianças: incluindo luteranos, anglicanos, metodistas e presbiterianos. Muitos desses também acreditam na regeneração batismal, como nós, e eles o fazem, porque é um ensino bíblico claro. Seguimos o exemplo do que Maria e José fizeram com Jesus em Lucas 2: 22-40. Eles levaram Jesus ao Templo para ser dedicado, não batizado. Então, quando Jesus era um adulto, Ele nos deu o melhor exemplo de escolher se submeter e foi batizado por João Batista em Mateus 3:17. O batismo não era a norma no judaísmo naquela época. A circuncisão era o rito de entrada de jovens meninos na comunidade da aliança. É por isso que o apóstolo Paulo na Bíblia faz analogias estendidas entre a circuncisão e o batismo. João Calvino depois fez o mesmo, como já observei. João Batista iniciou o novo rito do batismo; daí Jesus seguiu o exemplo ao ser batizado como um exemplo. Ele era um adulto porque é quantos anos ele tinha quando João Batista começou seu ministério. Mas, é claro, se estamos falando de exemplos, temos que considerar também os muitos que dei no Novo Testamento, de famílias inteiras sendo batizadas (certamente incluindo crianças). Você escolheu ignorar completamente isso em sua resposta, mas a Bíblia é a Bíblia, mesmo que você opte por ignorar partes inconvenientes dela (ou seja, para sua teologia) ou não. Quanto a mim, sigo a revelação inspirada aonde quer que vá. Depois da idade da responsabilidade (não sei qual é a idade, talvez 13), cada pessoa pode e deve escolher Jesus como seu Salvador (nascer de novo). Então, logo em seguida, escolher ser batizado como um sinal externo daquele ato interior de ser salvo. Eu não encontrei tal ensinamento na Bíblia. Seria válido para um adulto convertido que nunca tivesse sido batizado. A Bíblia fala sobre essa idade. Mas refere-se ao batismo infantil e ao batismo regenerativo. Assim, você está seguindo meras tradições de homens. Eu estou seguindo o que a Bíblia explicitamente estabelece. * No nosso primeiro nascimento, somos todos criação de Deus, mas só nos tornamos seus filhos por escolha, nascendo de novo, o segundo nascimento. Deus só tem filhos, não tem netos. De acordo com a Bíblia como autoridade final, Jesus diz a Nicodemos… “É necessário nascer de novo” João 3: 1-21 Então, como adultos, ser batizado (por uma escolha consciente) deveria ser mais do que apenas ser aspergido. O batismo de imersão total na água é o mais simbólico do que realmente acontece depois que alguém nasce de novo. Morrendo em Cristo, sendo sepultado com Ele e ressuscitando, como nova criação. Os bebês não têm capacidade para escolher isso. Nem devem seus pais escolher para eles. Pais judeus escolheram circuncidar seus filhos, que também não sabiam o que estava acontecendo. Isso incluía Jesus. De acordo com Deus, isso tornou os filhos judeus membros da comunidade do pacto. Da mesma forma, com o batismo infantil. A Bíblia mostra bebês sendo batizados. Isso deve resolver isso, mas por alguma razão a Bíblia é insuficiente para você. Em seu artigo, Cathy, o católico diz a Zeke “Você está dizendo que um bebê (não batizado) não pode ser salvo e irá para o inferno se morrer antes da idade da razão?” Por que você acha isso? Não…. Cristãos (protestantes) não acreditam nisso. Se um bebê morre antes da idade da razão, ele vai para o céu. Nenhum batismo é necessário. Alguns protestantes extremos (incluindo pelo menos alguns calvinistas, com sua dupla predestinação) realmente acreditam nisso. A maioria não. É por isso que fiz o protestante responder: “Não, eu nunca diria isso. Deus é misericordioso demais para deixar isso acontecer com um bebezinho inocente. ”Você destaca minha pergunta e ignora a resposta que eu coloquei na boca do protestante. Nem os católicos acreditam que o batismo é absolutamente necessário em todos os casos. Nós também acreditamos no batismo de desejo, baseado em dados como o ladrão na cruz, que sabemos que foi salvo. Mas era uma crença católica romana de muito tempo (superstição) que os bebês não batizados iam para um lugar chamado Limbo. E o que aconteceu com o ensino do Limbo? Como você deve saber, foi silenciosamente descartado por volta de 2006. O limbo nunca foi uma doutrina oficial da Igreja Católica. Era um lugar fictício, em nenhum lugar encontrado na Bíblia. Mas a Igreja Católica acaba de fazer a inferência (inventada) para fazer com que os católicos tenham urgência em batizar seus filhos. Isso era mais para fazer os recém-nascidos membros da Igreja Católica, do que crentes em Jesus. Ou os pais podem nunca mais ver seu filho (no céu) se ele morrer prematuramente, sem ser batizado. Você está certo de que o limbo nunca foi uma doutrina católica oficial e vinculante; apenas uma especulação teológica (como escrevi em 2007). Por isso, poderia ser “rebaixado” por assim dizer, como tem sido (o que eu acho que foi ótimo, porque eu nunca acreditei nisso, eu mesmo). Hades ou Sheol é um estado na vida após a morte, além do céu ou do inferno, que é discutido, por exemplo, em Lucas 16 (Lázaro e o homem rico). Isso não está longe de como seria o limbo, se realmente existisse. Outro lugar altamente inferido pela Igreja Romana é o Purgatório. Também não encontrado em qualquer lugar da Bíblia. Mas ao contrário do Limbo, a existência e propósito do Purgatório é a Doutrina Católica oficial. Mas Jesus nunca falou do Purgatório em nenhum dos Evangelhos. Nem aparece nas Epístolas ou no Antigo Testamento. Pelo contrário, eu encontrei seus aspectos essenciais e natureza em cinquenta passagens bíblicas, e eu também tenho me aprofundado em várias pessoas individuais, e o que os padres da Igreja pensavam sobre elas. * Foi o abuso de indulgências (relacionado ao encurtamento da estadia no Purgatório) que levou o ex-monge agostinho Martinho Lutero a “protestar” em 1517. O purgatório, juntamente com outros 94 ensinamentos católicos não justificados na Bíblia, é sobre o que foram suas teses. As indulgências eram apenas uma questão, e Lutero a distorceu. De modo algum foram todas as 95 teses inconsistentes com o catolicismo. É muito mais complexo do que isso, como observou o apologista Jimmy Akin. Lutero ainda era católico e ficaria por quase quatro anos depois de escrever isso. Lutero foi excomungado porque se afastou da fé católica em pelo menos 50 anos antes da época da Dieta de Worms em 1521. Jesus só falou do céu e do inferno. . . Isso não é verdade. Ele se referiu ao que é conhecido como Hades / Sheol em Lucas 16. RSV usa a palavra “Hades” em 16:23. Hades é referido nove vezes no Novo Testamento. Sheol (hebraico para o grego, Hades) é mencionado 63 vezes no Antigo Testamento. “Inferno” nem aparece no Antigo Testamento no RSV. e crer no Pai através do Filho Jesus como o único caminho de salvação. Está certo. É por isso que nós o chamamos de Salvador, assim como você faz! Nós somos salvos por Sua morte na cruz por nossa causa. Eu visitei o local em Jerusalém, onde Jesus morreu na cruz em 2014. Nenhuma outra pessoa está envolvida na transação da salvação. * Nós cremos. Temos que aceitá-lo e nos apropriar dessa salvação em nossa vida. Assim, quando a Bíblia se refere ao juízo final, 50 vezes menciona nossas obras e nunca a fé somente. Muito estranho e marcante, né? Mais uma vez, os católicos são completamente bíblicos e os protestantes não podem explicar por que seria esse estado de coisa a respeito do julgamento. O purgatório é outra invenção católica exclusiva: outro lugar fictício, digno de mais diálogos fictícios. Talvez [haverá] outro artigo seu sobre o futuro. Eu tenho um diálogo fictício sobre o purgatório, postado no meu blog! E tenho toneladas de argumentos sobre isso em uma das minhas páginas da web. É muito mais bíblico do que os dois pilares protestantes das Escrituras Sozinhas (eu escrevi dois livros sobre isso, e outro em breve: um / dois) e Somente a Fé: que não têm nenhuma Escritura para se apoiar. A única vez que a frase “fé somente” aparece nas Escrituras, é expressamente negada: Tiago 2:24 (RSV) Você vê que um homem é justificado pelas obras e não somente pela fé.} Deus abençoe!
- Morte de Judas: Suposta Contradição Bíblica Refutada
Tradução: Death of Judas: Alleged Bible Contradictions Debunked | Dave Armstrong Dave Van Allen dirige o grande site ExChristian.Net [ou pelo menos ele fazia em setembro de 2007, quando isso foi escrito]. Suas palavras estarão em azul. As palavras do Dr. Jim Arvo estarão em verde. * * * * * Uma das maiores contradições que eu não pude retificar foi se Judas jogou ou não seu dinheiro no templo e se enforcou ou comprou um campo e caiu de cabeça nele. Vamos examinar esta alegada contradição: Mateus 27: 5-10: “Ele jogou então no templo as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se. Os príncipes dos sacerdotes tomaram o dinheiro e disseram: Não é permitido lançá-lo no tesouro sagrado, porque se trata de preço de sangue. Depois de haverem deliberado, compraram com aquela soma o campo do Oleiro, para que ali se fizesse um cemitério de estrangeiros. Esta é a razão por que aquele terreno é chamado, ainda hoje, Campo de Sangue. Assim se cumpriu a profecia do profeta Jeremias: Eles receberam trinta moedas de prata, preço daquele cujo valor foi estimado pelos filhos de Israel;. e deram-no pelo campo do Oleiro, como o Senhor me havia prescrito.” Atos 1:18: “Este homem adquirira um campo com o salário de seu crime. Depois, tombando para a frente, arrebentou-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram.” Agora, essas duas descrições necessariamente contradizem formalmente? Não. Por exemplo, aqui está uma maneira de explicar a aparente discrepância da compra do campo: Em relação à “compra” do “campo”… ambos os relatos são verdadeiros. Os governantes do templo compraram o terreno, como diz Mateus. Atos não contradiz Mateus. Lembre-se que os sacerdotes disseram: “não é lícito colocá-los no tesouro”. Em outras palavras, eles não estavam recebendo o “recebimento” real do dinheiro, desviando-o, em vez disso, para comprar o terreno. Assim, em um sentido “legal” (?), Uma vez que eles não estavam tomando “posse” do dinheiro, ainda era o dinheiro de Judas. E quando Pedro fala de “salário de iniqüidade”, não é que Judas tenha comprado o terreno … mas que o dinheiro que ele recebeu para trair Jesus o comprou. O dinheiro era o “salário” de Judas … mas ele jogou de volta, e os sacerdotes não estavam aceitando. Essas “30 peças” eram como a proverbial “batata quente” do Sangue sujo de Sangue que ambas as partes estavam tentando se livrar. Tecnicamente ainda era o dinheiro de Judas, que os sacerdotes usavam para comprar o terreno. Assim, em um sentido legal, pode-se dizer que Judas o comprou, porque foi “seu dinheiro” que o comprou. . . . E então, Judas se enforcou… ou ele “caiu de cabeça”? Ambos são obviamente verdadeiros. Ele se enforcou. Quando ele caiu de cabeça? A corda quebrou? Ou suas “entranhas jorraram” quando outros vieram para cortá-lo da árvore (supondo que ele realmente se enforcasse em um galho de árvore)… e ele se abriu quando bateu no chão? Há muitos dados que a Bíblia não nos diz. Quão alta era a árvore? Se ele se enforcasse em um galho alto, talvez não fosse possível alguém segurar o corpo enquanto outro cortava a corda. Então, se uma única pessoa subisse e cortasse a corda, e o corpo caísse a uma grande distância do chão (não suavemente), as chances seriam boas de que o corpo pousaria, fazendo uma “bagunça”. [fonte] A suposta contradição da compra também é esclarecida ao se observar as palavras gregas envolvidas, como explica outro site cristão dedicado a supostas discrepâncias bíblicas: Uma vez que examinamos o grego original, vemos Mateus e Lucas diferenciando entre os termos de propriedade. Mateus usa a palavra ajgoravzw (posse legal) enquanto Lucas usa ktaomai (posse física). Em outras palavras, Judas comprou o campo em seu nome e foi, portanto, o dono legal, mas depois de sua morte, os sacerdotes obtiveram o campo para uso comunal e ainda não possuíam os direitos legais para ele. Em termos leigos, Judas comprou o campo, mas os sacerdotes adquiriram o campo após a sua morte. E o modo de morte de Judas é especulado por outra página da web, sem cair em contradição necessária: 1. Primeiro, Judas tentou se matar se enforcando. E isso nem sempre é um caminho de sucesso. Talvez ele tenha tentado e falhado (como muitos outros que tentaram se suicidar enforcando). Então, depois de algum tempo, ele se jogou de um penhasco e caiu sobre algumas rochas pontiagudas. Tenha em mente que não é incomum que pessoas que se suicidam tenham tentado antes. 2. Judas poderia ter amarrado uma corda a um galho de árvore que se estendia sobre um penhasco (afinal, você tem que ter algum espaço entre seus pés e o chão para se enforcar). Nessa situação, a corda / galho poderia ter quebrado antes ou depois da morte, e Judas caiu no chão e caiu em algumas pedras irregulares. Certamente, essas explicações são plausíveis, portanto, uma contradição não foi estabelecida. Mateus 27: 5-8 Então ele jogou as moedas de prata no templo e partiu, e foi enforcar-se. Mas os principais sacerdotes pegaram as moedas de prata e disseram: “Não é lícito colocá-las no tesouro, porque são o preço do sangue”. E consultaram e compraram com elas o campo do oleiro, para enterrar os estrangeiros. Esse campo foi chamado de Campo de Sangue até hoje. Primeiro de tudo, observe que o texto não diz que Judas morreu como resultado de enforcamento. Tudo o que diz é que ele “foi enforcado”. Lucas, no entanto, em Atos, nos diz que “e caindo de cabeça, ele se abriu no meio e todas as suas entranhas jorraram”. Esta é uma indicação bem clara (junto com os outros detalhes dados em Atos – o discurso de Pedro, a necessidade de escolher um novo apóstolo, etc.) que pelo menos depois da queda de Judas, ele estava morto. Assim, todo o conceito que Mateus e Lucas relatam a morte de Judas é altamente provável, mas não claro. Portanto, se eu fosse tomar uma abordagem exegética radical aqui, eu poderia invalidar sua alegada contradição de que existem dois relatos diferentes de como Judas morreu. Note o versículo 5. “Então ele … foi e se enforcou”. Mateus não diz que Judas morreu, não é? Devemos assumir que ele morreu como resultado do enforcamento? O que diz Atos? ATOS 1:18 (Ora, este homem comprou um campo com o salário da iniqüidade; e, precipitando-se, abriu-se ao meio e todas as suas entranhas jorraram. Atos 1:20 “Pois está escrito no livro dos Salmos: ‘Deixe a sua morada desolada, E ninguém viva nela’; e, “Deixe outro tomar seu ofício”. Aqui podemos ter uma explicação gráfica da morte de Judas. Claro, talvez alguém possa encontrar alguma fonte médica em algum lugar que discuta a possibilidade de alguém ter suas entranhas jorrando depois de ser aberto no meio, e ainda sobreviver. 🙂 Então, minha linha de raciocínio para dissipar o mito da contradição é: os “dois” relatos da morte de Judas são estes. Mateus não explica necessariamente como Judas morreu; ele diz que Judas “se enforcou”, mas ele não disse especificamente que Judas morreu no incidente. No entanto, Atos parece nos mostrar sua morte gráfica. Portanto, não há contradição entre Mateus e Atos re: a morte de Judas. Nós sabemos de Mateus que ele se enforcou e Atos provavelmente registra sua morte. É possível e plausível que ele caiu do enforcamento e bateu em algumas pedras, abrindo-se assim. No entanto, Mateus não disse que Judas morreu como resultado do enforcamento, não é? A maioria dos estudiosos acredita que ele provavelmente fez, mas… Um ateu que debati ao longo destas linhas disse … a palavra grega “apagchw” (ie: enforcar a si mesmo) é traduzida como um enforcamento bem-sucedido. Respondi: Não, você não pode concluir isso, embora … esse tenha sido um resultado altamente provável. Mas Mateus não declara a morte como sendo um resultado. A palavra grega é APAGCHO. Mateus 27: 5 é a única ocorrência no Novo Testamento. Na Septuaginta (a tradução grega do AT usada na época de Jesus), ela é usada apenas em 2 Samuel 17:23: “Quando Aitofel viu que seu conselho não foi seguido, selou um jumento, levantou-se e foi para casa. para a casa dele, para a cidade dele. Então ele colocou sua casa em ordem, enforcou-se e morreu; e ele foi sepultado no túmulo de seu pai. ”Observe que não só é afirmado que Aitofel“ se enforcou ”[Gr. LXX, APAGCHO], mas acrescenta explicitamente “e morreu”. Aqui não temos dúvidas do resultado. Em Mateus, não nos é dito explicitamente que Judas morreu. Além disso, não há nada no grego que sugira sucesso ou fracasso. Significa simplesmente “enforcar-se”. A mesma página discute o aspecto da compra: Talvez aqui, a máxima que se segue afirme – “Aquele que faz uma coisa por outra, faz a ele mesmo”. Isto é, sim, foram os principais sacerdotes que realmente compraram o campo, mas Judas havia fornecido a ocasião para sua compra. Assim, o verso em Atos poderia estar empregando uma figura de linguagem onde atribuímos ao próprio homem qualquer ato que ele tenha direta ou indiretamente procurado para ser feito. Afinal, atribuímos o “plano de saúde de Clinton” a Bill Clinton, quando, na realidade, é um plano elaborado por outros associados a Bill Clinton. Assim, vemos que explicações cristãs muito plausíveis podem ser e foram avançadas para essas coisas. Duvido que o jovem Dave tenha procurado isso. Ele apenas fez perguntas a pessoas que geralmente não estavam preparadas para dar uma defesa adequada e contra-explicação. Então Dave usou sua não-resposta como pretexto para supor erroneamente que nenhum cristão poderia fornecer qualquer explicação plausível, levando assim à conclusão mais injustificada de que a Bíblia era indigna de confiança (daí o próprio cristianismo). Em contraste, aqui está a contra-explicação de Dave da combox: O ponto real é que nem o escritor de Mateus nem o escritor de Lucas realmente viram nada disso – foi tudo boato. Parece óbvio que cada escritor simplesmente adaptou os detalhes da fábula para demonizar os líderes judeus ou Judas, dependendo do motivo pessoal do escritor. Além disso, já ouvi centenas de desculpas desgastadas e, por muitos anos, até tentei acreditar. Tenho vergonha de dizer que até mesmo preguei para os outros. No entanto, ambas as histórias não podem ser verdadeiras – ponto. Como há alguma medida de imprecisão em pelo menos uma das histórias, isso sugere que a Bíblia não é inerrante. Se a Bíblia não é inerrante em apenas uma frase, então há erro, e isso significa que NÃO é a palavra de um deus. . . . a evidência permanece que Judas se enforcou em um campo que ele comprou, ou ele teve uma queda desagradável em um campo que alguém comprou. É mais do que provável que nenhuma das histórias tenha um fragmento de verdade e os escritores dos dois evangelhos simplesmente sentiam que Judas precisava acabar morto depois do seu horrível pecado “mortal” de beijar a Deus nos lábios. Você (seja você ateu ou cristão ou qualquer outra coisa) decide qual é o mais racional e plausível, e qual é mera negação dogmática baseada em preconceitos preconcebidos. Obviamente, qualquer um poderia rejeitar qualquer coisa se utilizasse tal “método” e se recusasse a procurar os proponentes mais informados do dito sistema de crenças antes de achar que estava querendo. Esse é o pseudo-intelectualismo do Mickey Mouse, não o pensamento sério e a busca da verdade. Se Dave Van Allen admitiu (hoje) que este não é um caso de duas contradições óbvias, então ele teria que remover essa objeção da coleção daqueles que o levaram a rejeitar o cristianismo. Se o cristão pudesse (falando hipoteticamente por enquanto) desmascarar sistematicamente todas as suas objeções similares, isso significa que sua desconversão é anulada e ele se tornaria novamente um cristão? Talvez sim, mas isso é, em última instância, uma questão de graça e fé de Deus. Os apologistas só podem remover os obstáculos das falsas objeções. Podemos levar o cavalo até o riacho e mostrar que não há impedimentos inatacáveis para chegar ao riacho, mas não podemos forçar o cavalo a beber. Escrevi para um ministério de rádio evangelista em Richmond Virginia, pedindo orientação sobre esses aparentes problemas. Eu tinha apenas treze anos e eles responderam ao meu pedido de ajuda com uma nota curta. Em vez de uma apologética intelectualmente satisfatória, eles apenas advertiram que algumas coisas só poderiam ser respondidas através dos olhos da fé. Eu praticamente recebi a mesma resposta em todos os lugares que fui. Exatamente meu ponto. Mas ele não procurou respostas suficientes. Há livros inteiros escritos sobre essas coisas, como, por exemplo, volumes dos eruditos bíblicos Gleason Archer e William Arndt. É ainda mais fácil agora com a Internet (encontrei as explicações acima em pouco tempo no Google). Dave não tinha isso naquela época, mas existiam livros naqueles dias, nos anos 60 e 70. Mas, em vez disso, o jovem Dave estabeleceu-se por não-respostas de tipos fundamentalistas pouco familiarizados com a apologética e com uma base intelectual para sua fé. Talvez ele não soubesse nada melhor e pudesse receber alguma folga (pelo menos ele tentou obter respostas de alguém), mas ele deveria agora, especialmente depois de ler isso (supondo que ele já tenha feito isso). É um caso clássico, no entanto, da ausência de apologética, onde era crucial que estivesse presente, a fim de ajudar um jovem cristão zeloso a harmonizar a fé e a razão sem contradição ou sérias dificuldades. Não estava lá, e por sua própria admissão, isso o levou a rejeitar mais tarde o cristianismo. É por isso que faço o que faço. A apostasia pode ser evitada em parte por uma compreensão das razões pelas quais acreditamos no que acreditamos. Isso é apologética. É extremamente importante na vida de um cristão. Como diz o provérbio: “o coração não pode aceitar o que a mente acredita ser falso”. *** Tendo estudado os argumentos de muitos apologistas que pretendem desmantelar as chamadas “contradições”, posso dizer com pouca hesitação que considero seus argumentos artificiais e repletos de petições especiais, muitas vezes de raciocínios circulares. (Veja abaixo um exemplo) Como eu encontrei os argumentos céticos banais e triviais, que muitas vezes são tão tolos que nem sequer entendem que uma clara contradição formal não está presente no todo, mas simplesmente desejada nos textos, como resultado do preconceito predisponencial usual do crítico textual. Eu tenho vários exemplos no meu site. Eu não nego que há questões textuais difíceis. É claro que existem (e há argumentos cristãos tolos a serem encontrados), e os estudiosos cristãos dedicam carreiras inteiras a eles em alguns casos. Mas muitas “dificuldades” são, de fato, nenhuma. Sobre como Judas conheceu sua morte, DA disse “… E então, Judas se enforcou… ou ele caiu de cabeça? Ambos são obviamente verdadeiros ”. Obviamente?! Por que isso é óbvio? O que é óbvio é que não é uma contradição formal. Apenas não é. Como professor, certamente você pode ver e reconhecer isso. As duas passagens podem ser facilmente sintetizadas de várias maneiras diferentes. Uma verdadeira contradição seria algo nos moldes de: 1) Judas foi enforcar-se e morreu em cinco minutos, e seu corpo morto tinha apenas uma marca em seu pescoço. 2) Judas não se enforcou em uma árvore, mas caiu de cabeça em pedras afiadas e suas entranhas jorraram e ele morreu. Isso é claramente uma contradição, e ninguém negaria isso. Mas os textos bíblicos sob consideração não são. Claro que não é uma contradição “formal”! É improvável que você encontre muitas contradições formais na prosa! Se eu dissesse que estava doente com gripe, e tivesse febre 110 durante todo o dia na quarta-feira, e mais tarde eu afirmei ter corrido uma maratona em menos de três horas no mesmo dia, não há contradição formal. É concebível que ambos sejam verdadeiros. No entanto, sem alguma explicação, seria bastante justo pensar que algo estava errado em minhas afirmações – que ambas não são verdadeiras. Assim como também é “bastante justo” supor que não houve contradição de qualquer tipo se não é óbvio. Quanto aos relatos de Judas, ambos parecem oferecer uma explicação sobre COMO Judas morreu; isto é, ambos transmitem o fato de que Judas morreu e dão detalhes de um evento de final de vida. Uma é bastante explícita ao afirmar que a morte foi suspensa. Isso é falso. O texto (se quisermos ser técnicos, como sempre acontecem nas discussões sobre as “contradições da Bíblia”) diz que ele “se enforcou”. Não diz que ele morreu enforcado. Ele pode muito bem ter, é claro, e não é de modo algum razoável supor que sim, mas também é igualmente razoável e plausível harmonizar os dois relatos de uma das várias maneiras que apresentei. Ele poderia, por exemplo, ter morrido enforcado e então o corpo pode ter caído, com suas entranhas saindo. E isso não é contradição. É mencionar aspectos diferentes do que aconteceu com ele, em dois relatos. O outro menciona um evento bizarro de estripação. A leitura natural do segundo é que esse evento bizarro foi a causa da morte. Sem mais explicações, há uma aparente contradição. Pode ter sido a verdadeira causa da morte (com sua queda da árvore enquanto ele estava pendurado, mas antes de ele ter morrido) ou pode não ter sido, como no meu exemplo hipotético acima. É tudo especulação de ambos os lados, mas uma contradição não foi estabelecida; ponto. Fim da sentença. A alegação é de que uma contradição está presente e não foi provada. *** Certamente não por uma simples leitura do texto. Você acha impróprio alguém apontar os dois relatos diferentes e sugerir que eles se contradizem? Eles poderiam possivelmente, mas não necessariamente. Quando alguém aborda textos com tamanha hostilidade e animosidade, ansiosos por encontrar uma contradição, eles as “verão” onde não há nenhuma. Isso é ad hominem. Eu não estou interessado em tais recursos. Você pode não estar interessado, e pode ou não ser ad hominem, mas continua sendo um fato predominante da exegese ateu / agnóstica / cética. Eu já vi cem vezes. Você pode não ser culpado disso, mas muitos são, e eu estava fazendo uma observação geral, como geralmente faço no meio das discussões. Parece-me que Christian, embora tendencioso em favor da harmonização dos textos bíblicos, pelo menos aborda ele com um objetivo positivo de compreendê-lo de uma maneira coerente. Mas o crítico assume que é um feixe de contradições, escritas por idiotas nômades e pastores ingênuos, e assim encontram o que eles querem encontrar. Ele se enforcou. Quando ele caiu de cabeça? A corda quebrou? Ou suas “entranhas jorraram” quando outros vieram para cortá-lo da árvore (supondo que ele realmente se enforcasse em um galho de árvore) … e ele se abriu quando bateu no chão? Há muitos dados que a Bíblia não nos diz. Certo, muitos detalhes estarão faltando em qualquer história. No entanto, isso não lhe dá licença para adicionar qualquer detalhe que você deseja. Neste caso, você está assumindo que os detalhes ausentes harmonizarão os dois relatos. Por que você assume isso? Porque estou dando aos textos o benefício da dúvida, que ambas as partes estavam dizendo a verdade de acordo com as informações disponíveis para eles. Por que você assume isso? Expliquei abaixo, pela analogia dos processos judiciais; também porque é a maneira mais sensata de abordar qualquer coisa, despretensiosa e caridosa do que cinismo. Então, mesmo que seja assim, por que você assume que as informações são precisas? Certamente, é possível que as histórias sejam informações honestas e precisas escritas por aqueles que estavam em posição de saber realmente o que aconteceu. Mas essa é uma possibilidade entre muitas. Seguindo meu método acima, suponho que seja preciso, a menos que haja evidência convincente do contrário. Além disso, sabe-se que os escritores bíblicos transmitiam informações com extraordinária precisão. Sabemos disso de fora de evidências históricas e arqueológicas. Histórias podem e são passadas de forma imprecisa, parafraseadas e embelezadas. Elas também podem ser sintetizados a partir de textos mais antigos, através do midrash. No outro extremo temos o totalmente infundado fabricado, embora eu não veja nenhuma razão para pensar que o último seja provável neste caso. Como eu disse, a exatidão da Bíblia foi verificada repetidas vezes à medida que dados independentes adicionais são coletados (muitas vezes fazendo com que críticos mais elevados pareçam tolos em suas afirmações ousadas que mais tarde se provaram falsas). * * * . . . os dois podem ser sintetizados e harmonizados, assim como faríamos com duas testemunhas em um julgamento, de bom caráter e reputação. Não presumimos que os relatos de testemunhas oculares entrem em conflito ou que alguém esteja mentindo porque há alguns detalhes que não se harmonizam à primeira vista. Não, claro que não. Nem simplesmente assumimos que as coisas ocorreram exatamente como descrito. Particularmente, quando não está claro como o escritor chegou a saber o que está na história. Não é preciso pular ao extremo de “mentir” para duvidar legitimamente de um relato, de acordo com meus comentários acima. Seja como for, esta discussão em particular tem a ver com a existência de uma evidente contradição. Lembre-se, Dave afirmou que esse era um dos exemplos mais claros disso. Eu afirmo que ele não conseguiu demonstrar isso. Também é possível que os detalhes ausentes tornem ainda mais difícil harmonizar os relatos. Claro. Mas o cristão que harmoniza está basicamente expandindo o que sabemos nos textos. Nada de errado com isso, assim como a ficção histórica é considerada válida até onde vai: como uma especulação se baseando no que sabemos. Detalhes faltando estão FALTANDO. Nós não sabemos o que são. Se você afirma que não há contradição, porque os fatos podem ser inseridos para harmonizá-los, então você está peticionando a questão- ou seja, você afirma que não há contradição porque o fato X pode ser inserido para harmonizar os relatos. Mas se a sua razão para assumir X é que ela harmoniza os relatos, isso é circular. Não é bem isso. Estou dizendo que não houve contradição em primeiro lugar. Uma contradição formal não foi estabelecida; como na maioria dos argumentos ateus desse tipo, é assumido com garantia insuficiente. Você tem que provar primeiro que uma contradição formal está presente no texto. Não, isso é uma afirmação especiosa. A palavra “formal” está completamente fora de lugar nesta discussão. Se estivéssemos discutindo provas matemáticas, buscaríamos contradições formais. O que temos diante de nós são relatos escritos por pessoas que não podemos questionar. Se o significado superficial óbvio do texto leva a um cenário improvável (ou seja, uma pessoa que morre de duas maneiras diferentes), então há garantia suficiente para duvidar de que ambas são verdadeiras. E tentamos mostrar que não é necessário interpretar no sentido de que existem duas histórias conflitantes e contraditórias. As pessoas podem diferir em qual cenário é mais plausível. Fico feliz em deixar isso para o julgamento da pessoa justa. Ambos os lados foram apresentados; deixe as pessoas decidirem por si mesmas. É isso que eu quero. Cada um de nós pode afirmar que a nossa opinião é melhor durante todo o dia, mas no final essas alegações são sem sentido. Outros terão que decidir quem tem a melhor interpretação. * * * Quando o cristão especula sobre detalhes desconhecidos, é um argumento de plausibilidade ou possibilidade, não de lógica estrita. Isso é permissível, mas alegar contradições quando elas não podem ser provadas é o que está fora de linha e pensamento sujo. Quando um cristão especula, não é automaticamente “plausível”; ainda é especulação. Claro. A plausibilidade depende de muitos outros fatores, e as pessoas diferem em julgar isso. Meu ponto é que argumentos de plausibilidade são superiores a alegações errôneas de contradição que não podem ser substanciadas. Se houver algo para comprovar, pode ou não ser considerado “plausível”. Sim, exatamente. E mais uma vez, sua afirmação sobre “provar” contradições é ilusória. Não se pode “provar” que algo é uma contradição em um sentido formal na maioria das prosas. Estes não são argumentos formais. Em geral, eles não podem ser. Há sempre um elemento de probabilidade envolvido. E não, não é “pensamento sujo”. Você pode fazer melhor que um gracejo assim. Os cristãos estão sujeitos a muitos gracejos. Tenho o direito de julgar a força dos argumentos, assim como os nossos são rotineiramente julgados por vocês. Estou confiante de que você sobreviverá à pressão da crítica. * * * Eu admito que o aspecto dos textos relacionados com a compra da terra é mais provável que seja uma contradição, e as explicações que oferecemos são menos plausíveis e fortes. Mas eu não acho que eles sejam maus argumentos ou implausíveis. Mas a atitude que vem ao texto irá influenciar muito esses julgamentos. Eu sou parcial em favor; você é tendencioso contra. Eu me aproximo do escritor como uma pessoa inteligente (e Lucas certamente era isso). Vocês costumam considerá-los como simplórios ingênuos primitivos (parte disso é “esnobismo cronológico”, como C. S. Lewis o chama), e assim esperam encontrar erros e contradições em massa. Essa é uma generalização grosseira. Certamente é uma generalização, por natureza. Se é “grosseira” ou não depende se é uma verdadeira observação geral. Eu digo que é. Eu sei, pela minha longa experiência, como eu mesmo fui tratado, e já li dezenas de postagens ateístas ad hominem. Minha experiência com os ateus é tão válida quanto a sua experiência com os cristãos. Eu sou o primeiro a admitir que há muitos cristãos que têm visões injustas, sem caridade, até mesmo pecaminosas de ateus em massa. Ateus e agnósticos também devem admitir o óbvio em relação à visão extremamente negativa que é tomada por muitos ateus e agnósticos em relação aos cristãos e escritores bíblicos. Deixe-me fazer minha avaliação, então você não precisa especular. Usarei o autor de “Marcos” como exemplo. Eu suspeito que o autor realmente acreditasse no que ele escreveu, e foi bastante bem educado. Eu não detecto nenhuma fabricação completa em seu relato – não pelos padrões dos tempos. Bom. Isso é mais justo do que a maioria das tentativas ateus de exegese que tenho visto. No entanto, parece que o autor manteve uma crença comum da época: essa escritura era um veículo que Deus fala (no tempo presente) para os crentes. É uma crença bastante comum hoje também. É chamado de “inspiração bíblica”. Obviamente, a aceitação ou negação disso também influencia a forma como as pessoas interpretam. Para nós, a Bíblia é composta de palavras inspiradas, em última análise, de Deus. Para você que não acredita em Deus nem no sobrenatural, é apenas um livro antigo. Grande diferença . . . Ele e seus contemporâneos, rotineiramente, procuravam responder a questões históricas olhando a escritura. Se algo foi “prefigurado” nas escrituras, então deve ter acontecido. Isso não é falsificação. Isso não é desonestidade. No entanto, também não é uma maneira confiável de conduzir pesquisas históricas (pelo menos não pelos padrões de hoje). Eu acho que isso é excessivamente simplista. Os escritores do evangelho e Lucas no livro de Atos estavam escrevendo narrativas com o objetivo de produzir o que chamamos de “história da salvação”. Mas pode-se julgar a exatidão histórica desses livros completamente à parte das alegações cristãs que vão além da mera escrita histórica. A história de Judas, a propósito, pode ter sido inventada dessa maneira também. Essa é uma possibilidade que sempre considero quando leio a Bíblia. Bem, você faria, com base em suas pressuposições. Obrigado pela sua honestidade. Nós, cristãos, simplesmente aceitamos o texto pelo valor de face, como faríamos com qualquer outro texto. Judas morreu, e há dois relatos dessa morte, e eles não contradizem, como é afirmado. O ponto é que pode haver outras razões legítimas para adicionar alguns detalhes em falta – não descarto isso. Mas não vejo qualquer indicação de tal argumento no que você escreveu. No entanto, você não lidou com meus próprios argumentos. Você acabou de lidar com as bordas e se envolveu em “meta-análise”. Isso geralmente é um indício de que uma pessoa não quer lidar com o argumento e quer mudar a discussão para fatores externos ou pressuposicionais. Às vezes isso é bom, mas no presente caso, acho que é ofuscação. Ok, agora você se tornou bastante rude. Você o diz. Vou deixar o leitor julgar se isso é verdade ou não. Isso geralmente é uma deculpa também. Geralmente indica medo de ser ofuscado. Isso é um ataque ad hominem? Diz-me tu. Meu suposto “medo” imaginário tem algo a ver com a discussão em mãos? Eu fui bem claro que li apenas parte de seus escritos e respondi apenas a parte deles. Se você realmente tem algo substancial para oferecer, por favor, dirija-me a ele ou recapitule-o aqui. Eu sinceramente não tenho tempo para vasculhar tudo o que você escreveu procurando por algo que possa fazer sentido para mim. Bem, eu gostei, mesmo que você não tenha. Obrigado pelo seu tempo. A propósito, apontei uma circularidade muito clara em seu argumento; a menos que você consiga substanciar os detalhes que deseja adicionar à história de Judas de alguma maneira independente, seu argumento é falacioso. Por favor, não belisque as bordas. Enderece isso diretamente se você quiser. Obrigado. Eu já fiz. obrigado novamente Se você não pode admitir que o significado claro da superfície dos dois relatos de Judas é problemático, então parece-me que você não pode nem mesmo entrar no debate de maneira significativa IMHO. Certo. E é isso que quase sempre acontece nesses tipos de discussões. O ponto de vista ateísta (em mais uma alegada contradição bíblica) é, segundo nos dizem, evidentemente verdadeiro. Se o cristão não pode ver isso, então não há discussão. Basicamente, discordar é impedir qualquer discussão significativa. E isso é “lógica” tão viciosamente circular quanto possível. . . ***

















































