Deus existe? O argumento do ajuste-fino.
Continuando nossa série sobre a existência de Deus.
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O argumento do ajuste-fino
“Pois os seus atributos invisíveis, seu eterno poder e divindade, são vistos claramente desde a criação do mundo e percebidos mediante as coisas criadas.” Rm 1:20
O argumento do ajuste-fino é um argumento que se baseia na criação do universo e seu propósito. O argumento procura mostrar que o universo foi finamente ajustado para suportar a vida na Terra, e que são tantas as “coincidências”, que levou ate mesmo o ateu Richard Dawkins admitir que o universo “tem aparência de ter sido projetado”.[1]
A vida na Terra é um verdadeiro milagre, pois foram necessárias uma cadeia enorme de eventos altamente improváveis, e alguns até mesmo matematicamente impossíveis, tivessem acontecido para que a vida pudesse prosperar aqui na Terra. E não foram eventos isolados, a maioria era interdependente, como um castelo de cartas, se houvesse uma única falha, tudo iria por água abaixo.
Desde a antiguidade os filósofos sempre se impressionaram com a ordem do universo, eles dedicavam boa parte de seu tempo à observação e contemplação dos cosmos. Platão usou esse entendimento para concluir que deveria haver uma “alma superior” que transformou todo o caos em ordem. Aristóteles levando o argumento adiante, concluiu que deveria haver a “causa primeira” de tudo aquilo, como vimos no argumento cosmológico.
“Essa ordem impressionou o famoso cientista Isaac Newton, que disse: “Este belíssimo sistema no qual estão o Sol, os planetas e os cometas somente poderia proceder do desígnio e do poder absoluto de um Ser inteligente e poderoso”.[2]
Mas o que quer dizer ajuste fino? As leis físicas da natureza, ao receber expressão matemática, contêm várias constantes ou quantidades — como a constante gravitacional ou a densidade do universo — , cujos valores não são determinados pelas leis em si; o universo governado por tais leis deve ser caracterizado por qualquer valor de uma ampla variedade possível dessas variáveis. O que se quer dizer ao usar a expressão “ajuste fino” é que os valores reais presumidos pelas constantes e quantidades em questão são tais que pequenos desvios neles tornariam o universo inapto para a vida. Vários exemplos de ajuste fino cósmico podem ser citados. Veremos alguns deles, no livro: “Não tenho fé suficiente para ser ateu”, Norman Geisler e Frank Turek expõem algumas dessas constantes.
Constante antrópica 1 – Nível de oxigênio. Aqui na Terra, o oxigênio responde por 21 % da atmosfera. Esse número preciso é uma constante antrópica que torna possível a vida no planeta. Se o oxigênio estivesse numa concentração de 25%, poderia haver incêndios espontâneos; se fosse de 15%, os seres humanos ficariam sufocados.
Constante antrópica 2 – O grau de transparência da atmosfera é uma constante antrópica. Se a atmosfera fosse menos transparente, não haveria radiação solar suficiente sobre a superfície da Terra. Se fosse mais transparente, seríamos bombardeados com muito mais radiação solar aqui embaixo (além da transparência atmosférica, a composição da atmosfera, com níveis precisos de nitrogênio, oxigênio, dióxido de carbono e ozônio, é, por si só, uma constante antrópica).
Constante antrópica 3 – Interação gravitacional entre a Terra e a Lua. Essa constante está relacionada à interação gravitacional que a Terra tem com a Lua. Se essa interação fosse maior do que é atualmente, os efeitos sobre as marés dos oceanos, sobre a atmosfera e sobre o tempo de rotação seriam bastante severos. Se fosse menor, as mudanças orbitais provocariam instabilidades no clima. Em qualquer das situações, a vida na Terra seria impossível.
Constante antrópica 4 – Nível de dióxido de carbono. Se o nível de CO2 fosse mais alto do que é agora, teríamos o desenvolvimento de um enorme efeito estufa (todos nós seríamos queimados). Se o nível fosse menor, as plantas não seriam capazes de manter uma fotossíntese eficiente (todos nós ficaríamos sufocados.
Constante antrópica 5 – Gravidade. Se a força gravitacional fosse alterada em 0,00000000000000000000000000000000000001 por cento, nosso Sol não existiria e, portanto, nós também não. Isso é que é precisão.
Constante antrópica 6 – Se a força centrífuga do movimento planetário não equilibrasse precisamente as forças gravitacionais, nada poderia ser mantido numa órbita ao redor do Sol.
Constante Antrópica 7 – A Terra é imensa – seu diâmetro equatorial é cerca de 12.700 quilômetros, e sua massa é de 6,6 x10 21 toneladas. Se a Terra se movimentasse com maior velocidade ao redor do Sol, em sua órbita de cerca de 952 milhões de quilômetros de comprimento, a inércia a impeliria para longe do Sol, e se ela se deslocasse para muito longe, toda a vida cessaria de existir. Se a Terra se movimentasse com uma velocidade pouco menor, ela se aproximaria do Sol em sua trajetória, e se chegasse muito perto, de igual maneira toda a vida pereceria.
Constante Antrópica 8 – Equilíbrio do ciclos Geoquímicos. O equilíbrio é necessário não só para os ganhos e perdas de energia, mas também para os numerosos ciclos geoquímicos. São bem conhecidos os ciclos do Carbono e da água, e mais pelo menos 50 outros ciclos minerais são igualmente importantes para toda a vida sobre a Terra. Se não fosse o intemperismo constante atuando sobre as rochas, muito Fósforo (que é um elemento mineral crítico tanto para plantas como para animais, como parte do sistema ATP de transferência de energia) ficaria incorporado às rochas química ou fisicamente, sendo assim removido do ciclo respectivo. Esse ciclos são primordiais para a vida na Terra.
Constante Antrópica 9 – A chamada força fraca, uma das quatro forças fundamentais da natureza, que opera dentro do núcleo de um átomo, é algo tão precisamente ajustado que uma alteração em seu valor que fosse de uma parte em 10100 teria impedido a existência de vida no universo! De modo semelhante, uma alteração na chamada constante cosmológica, que dirige a aceleração da expansão do universo, que fosse de uma parte em 10120 teria resultado em um universo onde a vida não seria possível.
O astrofísico Hugh Ross calculou a probabilidade de que essas e outras constantes — 122 ao todo — pudessem existir hoje em qualquer outro planeta no Universo por acaso (i.e., sem um projeto divino). Partindo da ideia de que existem 1022 planetas no Universo (um número bastante grande, ou seja, o número 1 seguido de 22 zeros), sua resposta é chocante: uma chance em 10138 — isto é, uma chance em 1 seguido de 138 zeros![3] Existem apenas 1070 átomos em todo o Universo. Com efeito, existe uma chance zero de que qualquer planeta no Universo possa ter condições favoráveis à vida que temos, a não ser que exista um Projetista inteligente por trás de tudo.
O ganhador do Prêmio Nobel Arno Penzias, um dos descobridores da radiação posterior ao Big Bang, expõe as coisas da seguinte maneira:
“A astronomia nos leva a um acontecimento único, um Universo que foi criado do nada e cuidadosamente equilibrado para prover com exatidão as condições requeridas para a existência da vida. Na ausência de um acidente absurdamente improvável, as observações da ciência moderna parecem sugerir um plano por trás de tudo ou, como alguém poderia dizer, algo sobrenatural.”[4]
O professor e físico Paul Davies escreveu na revista New Scientist uma matéria sobre outra constante antrópica, sobre a força dos núcleos: “Poucos são os cientistas que não se impressionam com a quase inconcebível simplicidade e elegância dessas leis… Até mesmo mínimas variações nos valores de algumas delas alterariam drasticamente a aparência do Universo. Por exemplo, Freeman Dyson enfatizou que, se a força entre os núcleos (prótons e nêutrons) fosse apenas alguns por cento mais forte, o Universo ficaria sem hidrogênio. Estrelas, como o sol – para não mencionar a água – talvez não existissem. A vida, como a conhecemos, seria impossível. Brandon Carter mostrou que mudanças muitíssimo menores na constante ‘G’ transformariam todas as estrelas em gigantes azuis ou anãs vermelhas, com consequências igualmente funestas sobre a vida”.
Diante desses e de outros milhares exemplos espetaculares semelhantes de sintonia fina, Paul Davies conclui: “Tem-se a impressão de que alguém sintonizou muito bem os números da natureza para criar o Universo […]. A impressão de um projeto é avassaladora.” [5]
“Dentre todos os lugares possíveis no Universo, a Terra desfruta de condições que não só a tornam habitável, mas ao mesmo tempo são extremamente adequadas para produzir uma assombrosa diversidade de medidas, desde a cosmologia e astronomia galáctica até a geofísica e a astrofísica estelar.”. Essa é a opinião dos cientistas Gonzales e Richards exposta na obra “O planeta privilegiado“.
O astrônomo Allan Sandage comenta: “Acho muito improvável que essa ordem seja proveniente do caos. Deve haver algum princípio organizador. Para mim Deus é um mistério, mas é a explicação para o milagre da existência – por que existe alguma coisa em vez do nada“.
Em seu livro ”Um ateu garante: Deus existe” Antony Flew, que foi um dos maiores ateus do século XX diz: ”Se aceitamos o fato de que há leis que governam o Universo, então temos de aceitar que existe alguma coisa que impõe essa regularidade no universo”.
Assim, a questão que enfrentamos é esta: Qual é a melhor explicação para o ajuste preciso do universo? Muitos acreditam que o motivo de o universo ser precisamente ajustado para a vida está no fato de ele ter sido desenhado ou projetado por um designer inteligente de modo a permitir a existência de vida, outros preferem acreditar que tudo não passa de mero acaso, mesmo com as estatísticas sendo extremamente cruéis. Muitos ateus postulam explicações para se esquivar da conclusão óbvia, mas são apenas especulações infundadas.
Para reforçar ainda mais o argumento, vamos supor um cenário. Você vai para uma ilha deserta, foi falado que nunca nenhum ser humano pisou lá antes, durante uma volta pela ilha, você encontra uma placa escrita “Cuidado, propriedade particular.” Você nunca iria pensar que aquele placa simplesmente apareceu ali, sem nenhuma explicação ou causa. Obviamente a primeira coisa que lhe passaria pela cabeça seria, “Alguém já esteve aqui e escreveu a placa.” Nenhuma mente racional acharia que o acaso produziu aquilo ou que isso não possui nenhuma explicação.
O universo foi intencionalmente projetado, e todo projeto requer um projetista, e o projetista e criador do universo é Deus.
Não perca o próximo argumento a ser abordado, o argumento moral.
Referências:
[1] Richard Dawkins, The Blind Watchmaker.
[2] General Scholium”, in: Mathematical Principles of Natural Philosophy (1687).
[3] Hugh Ross, Why I Believe in Divine Creation”, 138-41.
[4] Apud Walter BRADLEY, ”The ‘Just-so’ Universe: The Fine-Tuning of Constants and Conditions in the Cosmos
[5] The Cosmic Blueprint, p.203
















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