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Deus existe? O argumento cosmológico.

26 de out. de 2018
8 min de leitura

Iremos começar por uns dos principais questionamentos de todos, a existência de Deus.

A existência de Deus é objeto de questionamento há séculos, por milhares de anos o homem se pergunta se existe um Deus, ou deuses, e se de fato existem, qual o papel deles na vida humana.  Esse é um questionamento fundamental a todo ser humano, pois a existência de Deus é a chave de como enxergamos e vivemos toda nossa vida.

Pretendo utilizar 3 argumentos conhecidos para abordar a questão, o argumento cosmológico ou da causa primeira, o argumento do ajuste-fino e o argumento moral. Irei explicar o que é cada um deles e como podemos a partir dessa argumentação demonstrar a existência de Deus. Os outros dois serão postados em breve.

O argumento cosmológico ou da causa primeira

O Argumento Cosmológico ou Argumento da Primeira Causa é um argumento filosófico para a existência de Deus que visa a buscar uma causa primeira para o Universo. Esse argumento tem suas raízes nos filósofos gregos Platão e Aristóteles e foi desenvolvido por pensadores muçulmanos, judeus e cristãos da idade média.

Dentro do cristianismo, este argumento foi mais bem elaborado por Tomás de Aquino na Suma Teológica.

Filosoficamente falando, é errado dizer que Deus existe. A etimologia  da palavra existir, significa “provir de”. Pois tudo que existe procede de algo que não a si mesmo. O objeto não pode ser sua própria causa. Então nesse sentido, Deus não existe, pois tudo aquilo que existe, veio a ser, é temporal, finito, causado por alguma coisa. Ou seja, nada disso descreve a um Deus eterno do qual cremos.

Deus não existe, Deus É! Pois Ele é a própria essência do ser e de toda existência. O próprio Deus disse a Moisés na sarça quando Moisés o perguntou quem Ele era, e Deus respondeu: “EU SOU.” Pois tudo aquilo que É, não possui causa, é eterno, assim como nosso Criador. Deus é o motor imóvel, a causa primeira, como dizia São Tomás de Aquino. Então existir, é parte da essência de Deus, pois Ele é o ser. Nós meros humanos, não somos o Ser, mas o recebemos como dádiva do Criador e o deixamos de ser quando morremos. Somos finitos, mortais, meras criaturas.

Por isso a pergunta frequente dos ateus “quem criou Deus?” não possui lógica alguma. É como dizer 1+1= sapato. Não faz sentido. Pois algo eterno não pode ser criado.

Então temos o argumento:

Tudo que veio a existência teve uma causa.

O próprio universo veio à existência, portanto, teve uma causa.

Se o objeto não pode ser sua própria causa, ‘algo’ externo ao universo o causou.

Para ser externo ao universo, é necessário ser eterno e imaterial.

Então a lógica nos conduz a concluir que Deus é o criador universo.

Essa é uma referência a chamada primeira via de São Tomás de Aquino para demonstrar a existência de Deus.

Mas vamos falar mais sobre a versão do argumento chamado “kalam“, essa palavra deriva da língua árabe e quer dizer discurso. Seu objetivo é demonstrar que o universo teve um princípio num momento determinado no passado, com uma causa transcendente e com todas as características que apontam para Deus. Ele segue princípios filosóficos de Tomás de Aquino, com a diferença de que ele é também confirmado pela ciência moderna.

A Bíblia nos diz, desde o primeiro versículo, que Deus criou o universo; “No princípio, criou Deus os céus e a terra…”[1] E por causa disso, desde sempre, judeus e posteriormente cristãos sempre creram que o universo não era eterno, mas teve um início, ao contrário da grande maioria das tradições religiosas que sempre afirmaram que o universo era eterno. Sendo eterno, não haveria a necessidade de um Criador, então é de suma importância essa diferença.

A partir dessa contradição entre a tradição judaico-cristã e as outras religiões, veremos como o argumento cosmológico nos mostra que de fato o universo teve um começo e que Deus foi necessariamente sua causa.

O argumento é o seguinte:

1- Tudo que veio a existir, teve uma causa.

2 – O universo veio a existir.

Conclusão: O universo teve uma causa.

As linhas 1 e 2 são chamadas premissas, e se as premissa estiverem certas, a conclusão também estará. Vamos analisa-las.

  1. Tudo que veio a existir teve uma causa.

Essa parece meio óbvia, tudo que veio a existir é finito e possui um causa da sua existência. As coisas não aparecem simplesmente do nada sem nenhuma causa e sem nenhuma explicação. A própria etimologia da palavra existir significa “provir de”. Achar que as coisas aparecem do nada, é acreditar em mágica. As evidências científicas e nossa própria experiência nos garantem que isso é falso. Se assim fosse, veríamos a todo tempo coisas aparecendo e desaparecendo diante de nós. Então, uma vez que reconhecemos que nosso universo é constituído de matéria e energia, temos que encarar a realidade de que elas devem ter vindo de algum lugar, elas não são eternas e não vieram do nada. Então fica claro que as coisas possuem uma causa da sua existência.

2 – O universo veio a existir Como expliquei acima, na crença judaico-cristã, há mais de 2000 anos se acredita que o universo foi criado por Deus, que ele não era eterno como se acreditavam em muitas outras religiões. A eternidade do universo é impossível, pois se o passado é infinito, o presente nunca chegaria, pois só existe o dia de hoje, porque o de ontem terminou. Se houvesse uma regressão infinita, o dia de hoje nunca chegaria. A moderna Teoria do Big Bang tenta explicar o início do universo, ela é apoiada por uma séria de descobertas científicas que demonstram isso, o universo teve um início determinado no passado.

Segunda lei da Termodinâmica – Afirma que o universo está ficando sem energia utilizável, caso o universo fosse eterno e estivesse aqui desde sempre, esse tempo já teria chegado. Ou seja, a segunda lei da termodinâmica nos diz que o universo não pode ser eterno, mas que teve um início.

O Universo em expansão – Em 1929, o telescópio espacial Hubble fez uma descoberta fantástica. Um desvio para o vermelho na luz de galáxias distantes mostrou que o Universo está expandindo-se. Mas de que maneira isso prova que o Universo teve um início? Se ele está se expandindo hoje, é porque ele não é eterno, ele não existe desde sempre – se assim fosse, ele seria estático – mas teve um começo.

Radiação do Big Bang – Em 1965, Arno Penzias e Robert Wilson detectaram uma estranha radiação na antena do Laboratório Bell, em Holmdel, nos Estados Unidos. Por mais que eles mudassem a direção da antena, aquela radiação permanecia. Primeiramente eles acharam que aquilo era resultado de dejetos de pombos, mas aquilo permanecia mesmo após a antena ser limpa, e vinha de todas as direções. Depois de muito trabalho, eles descobriram aquilo que seria uma das maiores descobertas científicas do século XX, que chegou a ganhar o Prêmio Nobel: eles tinham descoberto o brilho vermelho da explosão da bola de fogo do Big Bang.

Geisler e Frank Turek discorreram sobre essa descoberta nas seguintes palavras:

“Tecnicamente conhecida como radiação cósmica de fundo, esse brilho é realmente luz e calor emanados da explosão inicial. A luz não é mais visível porque o seu comprimento de onda foi esticado pela expansão do Universo para um tamanho pouco menor do que aquele que é produzido por um forno de micro-ondas. Mas o calor ainda pode ser detectado. Voltando a 1948, três cientistas predisseram que, se o Big Bang realmente tivesse acontecido, essa radiação estaria em algum lugar. Mas, por alguma razão, ninguém havia tentado detectá-la antes de Penzias e Wilson terem tropeçado nela por acaso há cerca de 30 anos. Ao ser confirmado, essa descoberta lançou por terra qualquer sugestão de que o Universo esteja num estado eterno de passividade.”[2] Como o cientista Robert Jastrow declara: “ Qual é a última conclusão a respeito da origem do Universo? As respostas oferecidas pelos astrônomos são desconcertantes e notáveis. E o mais notável de tudo é o fato de que na ciência, como na Bíblia, o mundo começa como um ato de criação.” [3]

A teoria da relatividade de Einstein – A teoria da relatividade de Einstein implica em um início absoluto do tempo, espaço e matéria, que são correlacionados, o que significa que você nunca pode ter um sem os outros. Isso significa apenas duas coisas: ou o nada criou a matéria e tudo aquilo que existe hoje, ou alguém a criou. Como o nada não é nada e nem pode criar nada, é evidente que o Universo teve um Criador.

Até agora demostramos que o universo de fato teve um início, que foi criado, que é impossível que o universo tenha sido sua própria causa, pois como ele seria sua própria causa antes de existir? Então algo o causou, mas o que poderia ter causado o universo?

Sabemos que essa causa do universo deve ser: Atemporal e Eterna – Não está limitada ao tempo e ao espaço do nosso universo, pois como a teoria do Big Bang e a teoria da relatividade de Einstein afirmam, a própria dimensão do tempo passou a existir após o Big Bang, então antes do Big Bang, o que quer que tenha existido, não poderia estar preso ao tempo, precisaria ser eterno para que pudesse o causar, pois, somente algo eterno pode ser “a causa das causas não causada”, isto é, a Causa primeira, a causa de si mesmo.

Auto-existente – Uma implicação lógica do fato de ser a causa de si mesmo.

Imaterial – Por ser externa ao Universo físico, não poderia ser matéria, já que a matéria não é eterna e também está condicionada com o espaço-tempo.

Onipotente – Para criar todo o Universo a partir do nada é preciso imenso poder.

Pessoal – a personalidade da causa do universo é implicada por sua eternidade e imaterialidade, pois as únicas entidades conhecidas possuidoras dessas propriedades são mentes ou coisas abstratas, e coisas abstratas não existem em relações causais. Portanto, a causa transcendente da origem do universo deve ser da ordem da mente.

O que é eterno, atemporal, pessoal, imaterial e onipotente? Isso mesmo, Deus.

Todas as evidências da causa do universo apontam para Deus, o Deus que nós conhecemos como o Criador dos céus e da terra.

Então resumindo: “ a causa do universo deve ser uma causa transcendente que esteja além do universo. Essa causa tem de ser ela mesma não causada, pois já vimos que uma cadeia de causas infinitas é algo impossível. Ela é, portanto, a causa primeira não causada. Deve transcender o tempo e o espaço, uma vez que foi ela quem criou a ambos. Logo, deve ser imaterial e não física. E deve ser inimaginavelmente poderosa, uma vez que criou toda matéria e energia.”[4]

Mas o ateu pode dizer “Se o universo tem um causa, então o que causou Deus, quem criou Deus”? Isso demonstra a completa falta de entendimento do que Deus é e de tudo que falamos até aqui. Foi logicamente demonstrado que Deus é eterno, ou seja, não-causado, perguntar a causa de algo não-causado é como pedir o nome de casado de uma pessoa solteira. O universo teve uma causa, e a causa do universo é necessariamente não-causada. Falar sobre “deuses criados” é falar sobre o que no cristianismo chamamos de ídolos, que são os deuses feitos à imagem e semelhança do homem.

Conclusão:

Esse é o argumento cosmológico, ou pelo menos uma das formas de apresentá-lo, ele  busca mostrar que Deus é a causa do universo através de argumentação lógica e da utilização de algumas evidências científicas. O universo possui uma causa e essa causa é Deus.

[1] Gênesis 1:1

[2] TUREK, Frank; GEISLER, Norman. Não tenho fé suficiente para ser ateu.

[3] Citado por Wiester em The Genesis Connection p.24

[4] Em Guarda – William Lance Craig, p. 108.

Ramon Serrano

 
 
 

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