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Muitas pessoas deixam de conhecer a Doutrina da Igreja pois consideram o Catecismo da Igreja Católica longo e com uma linguagem difícil. Porém a Igreja sempre buscou formas de facilitar o acesso à sua Doutrina, e uma dessas formas é o Catecismo de São Pio X

O Catecismo de São Pio X é um pequeno e simples catecismo, escrito pelo Papa São Pio X em 1905, com o importante objetivo de popularizar o ensino do catecismo na Igreja Católica e tornar os católicos mais informados e conhecedores da sua fé e doutrina. Este catecismo tinha também a função de resumir o Catecismo Romano, que foi um produto importante do Concílio de Trento.

O Catecismo de São Pio X é um excelente resumo do Catecismo Romano, mais adequado à formação dos jovens e adultos. Em linguagem clara e concisa, e com o formato de perguntas e respostas, ele ajuda a reter a essência da doutrina católica de todos os tempos.

Em 2003, o então cardeal Joseph Ratzinger (mais tarde, Papa Bento XVI), afirmou que o Catecismo de São Pio X continua ainda válido, porque: A fé como tal é sempre idêntica. Portanto, o Catecismo de São Pio X conserva sempre o seu valor. O que pode mudar é a maneira de transmitir os conteúdos da fé. […] Mas isso não impede que possa haver pessoas ou grupos de pessoas que se sintam mais à vontade com o Catecismo de São Pio X. É preciso não esquecer que aquele Catecismo […] era fruto da experiência catequética pessoal de Giuseppe Sarto […]. Também por isso, o Catecismo de São Pio X poderá continuar a ter no futuro alguns amigos“. Ratzinger ressalvou também que o novo Catecismo da Igreja Católica e o seu Compêndio “possam responder da melhor maneira às exigências de hoje“.

Esse livro também está disponível para venda nas melhores livrarias católicas. Com uma simples pesquisa no google é possível encontrar algumas edições disponíveis para venda.

 
 
 

Na formação especial de hoje o sacerdote faz um importante alerta sobre os falsos profetas do nosso tempo, listando um por um dos grandes perígos que assolam os católicos na atualidade. Além dos perigos externos, também alerta para pontos que podem significar um perigo ainda maior para nós mesmos e para nossa santificação.

Para essa formação, recomendamos que, além de assistir o vídeo do começo ao fim, aproveitem para fazer a leitura da transcrição da homilia. É uma homilia densa e com tantas informações importantes que vale a pena refletir ponto a ponto para que não sejamos enganados pelos falsos profetas. Clique aqui para assistir e depois faça a leitura da transcrição:


Homilia: “O falso profeta que está em nós” Padre Daniel Pinheiro, IBP Hoje é o clássico evangelho dos falsos profetas. No exercício de nosso Ofício de Pastores constantemente denunciamos os falsos profetas e as falsas doutrinas que trazem.

Ainda recentemente fizemos um sermão sobre a integridade da fé e os erros internos, erros daqueles que se dizem efetivamente católicos, assinalando a necessidade de se guardar a fé católica intacta, tal como ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo e transmitida pelos Apóstolos e pela igreja ao longo dos séculos por meio de seu magistério infalível.

Nosso Jesus Cristo, no evangelho de hoje, nos dá efetivamente um critério: pelos frutos conhecereis a árvore. Uma árvore boa não pode dar um mau fruto, e uma árvore má não pode dar bom fruto.

Porém, para usarmos esse critério de Nosso Senhor Jesus Cristo, precisamos saber o que é um fruto bom e o que é um fruto mal. E precisamos saber muitas vezes com perspicácia e com certo nível de profundidade, porque o demônio, na sua inteligência para perder as almas, não vai evidentemente nos dar um furo um fruto inteiramente e tão aparentemente podre, vai usar um fruto com uma bela aparência e com pequeno veneno escondido. Precisamos então estar atentos aos falsos profetas com suas falsas profecias.

Lembremos então, brevemente, desses erros propagadas por falsos profetas. Insistimos com regularidade na indicação desses erros porque insistem os falsos profetas na propagação deles, e em seguida veremos um falso profeta de que ainda não falamos explicitamente como falso profeta que é.

Temos os falsos profetas que querem, por exemplo, fim do celibato Eclesiástico. Os falsos profetas que defendem a igualdade entre sacerdotes e leigos às vezes mesmo nos meios católicos de missa tridentina (isso se faz de maneira mais sutil).

Falsos profetas que defendem a colegialidade na igreja como se a igreja não fosse monárquica e hierárquica.

Falsos profetas que defendem o ecumenismo e o indiferentismo religioso, como se pudéssemos nos salvar em qualquer religião, ou como se pudéssemos receber a graça de Deus em qualquer religião.

Falsos profetas aderentes à teologia da libertação.

Falsos profetas que defendem a contracepção, que defendem o divórcio, que defendem a união entre pessoas do mesmo sexo.

Os profetas que colocam a santidade nos dons carismáticos e que se deixam levar pelo sentimentalismo na vida espiritual como se a fé fosse sentimento, como se a graça fosse sentimento, como se o importante fossem os dons extraordinários e não a nossa conformidade com a vontade de Deus.

Temos ainda os falsos profetas que negam autoridade do papa e dos bispos em face da crise e de eventuais erros cometidos, alguns deles sérios. Na verdade devemos saber que guardam autoridade naquilo que correto.

Temos os falsos profetas que negam o Papa Francisco seja o papa. É um erro grave contra a fé afirmar que ainda seja Bento 16 o papa reinante. Um católico não pode aceitar isso.

Temos os falsos aos profetas que defendem e da astrologia, qualquer que seja o tipo, como se fossemos tolos, e defendem com argumentos de supostos grandes conhecimentos do cristianismo, medieval e antigo, invocando de maneira deturpada e falaciosa alguns santos da igreja.

Falsos profetas que defendem o erro da astrocaracterologia, o erro das camadas da personalidade, o erro da formação do imaginário, colocando a literatura como base de todo outro estudo e como base primordial do conhecimento do mundo, o que é verdadeiramente loucura.

Temos os falsos profetas que defendem, na maioria das vezes sutilmente, o erro do perenialismo do tradicionalismo, com sua visão simbólica do mundo e da religião, com seu exoterismo mais ou menos escancarado, defendendo o que todas as religiões são manifestações de uma metafísica primordial e acessível somente alguns iniciados. E frequentam as missas para ter acesso a essa religião escondida, a essa metafísica acessível apenas a alguns iniciados, e que no fundo só pode vir do demônio, pois a religião de Cristo não tem segredos e é acessível a todos.

Temos os falsos profetas do conservadorismo, tão distante do magistério da igreja, da doutrina da igreja sobre o papel do estado da família e do indivíduo. São os falsos profetas que propagam os erros da direita que se forma no Brasil e no mundo.

Temos os falsos profetas que defendem as liberdades individuais modernas como se fossem um bem, sendo que essas liberdades, tais como apresentadas e vividas, foram condenadas pela igreja, é o erro do liberalismo, portanto. O erro também do liberalismo econômico tão reiteradamente condenado pela igreja e que faz nascer dele o socialismo e o comunismo.

Temos os falsos profetas que querem formar o nosso pensamento e a nossa moral à base de posts do Instagram, a base de grupos de WhatsApp, e de postagens de Facebook, e de outras redes sociais.

Temos os falsos profetas que levam a não raciocinar com base em princípios da fé e da razão natural.

Temos os falsos profetas que querem formar grupos de estudos sem orientação sólida da igreja.

Temos aqueles que aceitam vários erros a fim de combater outros erros, como por exemplo, para combater o aborto e o comunismo.

Temos os falsos profetas que querem nos fazer pensar que se trata, antes de tudo, de uma guerra cultural e não espiritual. Como se a guerra cultural fosse também a nossa principal arma. Temos os falsos profetas que propagam a alta cultura que é pretexto para a difusão de ideias erradas.

Temos os falsos profetas da masculinidade bem mal compreendida, colocada na bebida, no tabaco, uma barba, ou no estilo de vida.

Temos os falsos profetas que propagam a heresia das obras, que fazem cair a solução na ação, no apostolado pura e simplesmente, e não naquilo que precede a ação e ao apostolado, e que é a alma de todo apostolado, que é a oração. Gritam ou escrevem Viva Cristo Rei, mas cuidam bem menos da própria vida, da própria castidade, e da humildade, seus deveres de estado, e da própria santificação.

Temos os falsos profetas que colocam a política em primeiro lugar, como se a política fosse resolver tudo, como se não fosse uma questão de religião em primeiro lugar, e da verdadeira religião: a católica.

Temos os falsos profetas que acham que o que importa é amar os cidadãos e que isso é uma obrigação moral de um cristão, enquanto a verdadeira obrigação está na armadura espiritual.

Temos os falsos profetas que apoiam um político, ou políticos, por serem supostamente o mal menor, aceitando tudo ou quase tudo para isso, ou defendendo-o em tudo tornando-se cego para evitar uma suposta volta do esquerdismo. O erro é o erro, a mentira é a mentira, a desonestidade é a desonestidade. Não podemos compactuar com isso nem sequer para evitar o retorno de um mau.

Nós temos os falsos profetas que acham que uma forma de governo é a solução para tudo, em geral a monarquia.

Temos os falsos profetas, das teorias da conspiração que nos fazem cair no ridículo perdendo a credibilidade diante dos outros, e permitindo que avance a conspiração real contra a Igreja de Cristo. Temos os falsos profetas que se auto-proclamam o grupo que vai salvar o Brasil a igreja. Infelizmente devemos constatar que os católicos muitas vezes se deixam levar facilmente. Basta alguém citar São Tomás o algum outro santo, apresentar-se como católico, dizer duas ou três coisas boas e as pessoas começam a seguir aquilo que escreve aquilo que diz. E depois vem o erro mais ou menos sutil misturado com a verdade e o católico desse preparado segue manchando a sua fé perdendo a integridade dela.

Porém, caros católicos, precisamos falar do pior dos falsos profetas, sem o qual todos esses falsos profetas e todas essas falsas doutrinas que mencionamos não alcançariam tanto fruto na difusão de seus erros.

O pior dos falsos profetas somos nós mesmos, e sem isso nenhuma falsa profecia e nenhum erro teria sucesso. O pior dos falsos profetas somos nós mesmos quando não procuramos levar a sério a nossa vida de oração, e a partir de isso toda a nossa vida espiritual vai desmoronando pouco a pouco, todas as nossas defesas vão desaparecendo quando deixamos de buscar uma vida de oração constante, ordenada, séria, sobretudo com a meditação e o terço diário.

O pior dos falsos profetas para os católicos somos nós mesmos quando não combatemos seriamente o pecado, quando não fugimos das ocasiões de pecado.

O pior dos falsos profetas somos nós quando não procuramos praticar a virtude, mas nos conformamos com a mediocridade.

O pior dos falsos profetas somos nós quando não entendemos, ou quando não queremos entender como Deus age no governo do mundo e de nossa vida, e então o murmuramos, reclamamos, não querendo nos conformar com a Vontade Divina.

O pior dos falsos profetas somos nós quando negligenciamos nossos deveres de estado por ignorância ou por comodismo.

P pior dos falsos profetas somos nós quando apegamos às nossas próprias inclinações desordenadas e para justificá-las vamos aderindo a um erro e a outro, sob algum pretexto que encontramos. E assim dizermos: tal pessoa faz assim então também posso fazer, tal pessoa que vai à missa tridentina pensa assim, então também posso fazer, também posso pensar. Tal pessoa católica age assim no seio da família, então também posso agir, assim com grosseria, com impaciência. Tal pessoa católica age assim no namoro então também posso fazer. Tal fulano católico postou o tal coisa sobre política, então também posso ter essa visão, e no fundo sabendo que estamos errados, mas encontramos ali a justificativa para viver como queremos e não como devemos.

Não há dúvidas, caros católicos, os falsos profetas não teriam sucesso no ataque a nossa alma e a nossa sociedade se nós como católicos não dessemos o gancho para que nos iludissem. Não teriam tanto sucesso se procurássemos, com toda sinceridade, servir a Deus em primeiro lugar e não se buscássemos pretextos, meios e modos para justificar simplesmente o que queremos.

O pior dos falsos profetas, se assim podemos dizer para os católicos, está em nós mesmos, os nossos pecados não combatidos, a nossa inteligência mal formada dentro da doutrina católica e mesmo do que é a razão natural, a lei natural.

O pior dos Profetas está nos nossos pecados não combatidos. E esse falso profeta está dentro de nós esperando qualquer sopro de doutrina conforme ao que gostamos, ao que queremos nas nossas desordens, para poder então seguir encontrar um argumento.

É preciso expulsar esse falso profeta dentro de nós, e devemos expulsá-lo pela vida sincera e esforçada de oração, organizando a nossa vida de oração, tendo uma rotina de oração nossa com horários e também de nossa família, é preciso expulsar o nosso falso profeta pelo combate sincero ao pecado e à ocasião de pecado. É preciso expulsar o nosso falso profeta com a doutrina católica sólida de livros católicos provados pelo tempo com as encíclicas papais sobre os erros modernos e sobre a vida espiritual, com catecismo sólido com livros de espiritualidade realmente informados com sermões e com formações sólidas.

É preciso expulsar o nosso falso profeta com a prática da humildade, com aceitação serena das humilhações. É preciso expulsar o nosso falso profeta com muita docilidade à igreja ou seja com muita disposição de seguir aquilo que a igreja sempre ensinou e sempre mandou. É preciso expulsar o nosso falso profeta pela prática simples, serena e discreta dos nossos deveres de estado no cotidiano.

É preciso expulsar o nosso falso profeta com a frequência aos sacramentos. Nas orações ao pé do altar pedimos a Deus que nos livre do homem iníquo e fraudulento. Podemos interpretar este homem iníquo e doloso como sendo também o nosso velho homem, como sendo esse falso profeta que está em nós apenas esperando alguém falar alguma coisinha para podermos justificar uma inclinação desordenada nossa, apenas esperando um falso raciocínio para encontrarmos um pretexto para fazermos o que queremos, para fazermos o que está simplesmente de acordo com a nossa vontade, mas não de acordo com a vontade de Deus.

Sejamos honestos com nós mesmos e com Deus, não nos enganemos e nem zombemos de Deus, e aí então poderemos viver como bons católicos e com esperança firme de nossa salvação e do bem para nossa sociedade. Poderemos viver as bem-aventuranças já aqui na terra neste vale de lágrimas, em vista da felicidade perfeita no céu. Livremo-nos desse falso profeta que está em nós, para que seja Nosso Senhor Jesus Cristo que viva inteiramente em nós!

 
 
 

Obra de misericórdia é aquela com que se socorre o nosso próximo nas suas necessidades corporais ou espirituais. As obras de misericórdia são quatorze: sete corporais e sete espirituais, conforme são corporais ou espirituais as necessidades que se socorrem.

As obras de misericórdia são ações caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais. Instruir, aconselhar, consolar, confortar, são obras de misericórdia espirituais, como também o são perdoar e sofrer com paciência. As obras de misericórdia corporais consistem especialmente em dar de comer a quem tem fome, albergar quem não tem teto, vestir os nus, visitar os doentes e os presos, sepultar os mortos. Entre estes gestos, a esmola dada aos pobres é um dos principais testemunhos da caridade fraterna e também uma prática de justiça que agrada a Deus.”

As obras de misericórdia corporais são: 1ª Dar de comer a quem tem fome; 2ª Dar de beber a quem tem sede; 3ª Vestir os nus; 4ª Dar pousada aos peregrinos; 5ª Assistir aos enfermos; 6ª Visitar os presos; 7ª Enterrar os mortos.

As obras de misericórdia espirituais são: 1ª Dar bom conselho; 2ª Ensinar os ignorantes; 3ª Corrigir os que erram; 4ª Consolar os aflitos; 5ª Perdoar as injúrias; 6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; 7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.

Veja mais abaixo uma breve explicação de cada uma das 14 obras de misericórdia

As obras de misericórdia corporais, na sua maioria, surgem de uma lista feita por Jesus Cristo na sua descrição do Juízo Final.

A lista das obras de misericórdia espirituais foi elaborada pela Igreja a partir de outros textos que se encontram ao longo da Bíblia e de atitudes e ensinamentos do próprio Cristo: o perdão, a correcção fraterna, o consolo, suportar o sofrimento, etc…

Qual é o efeito das obras de misericórdia em quem as pratica?

O exercício das obras de misericórdia comunica graças a quem as pratica. No evangelho de Lucas Jesus diz: “Dai, e dar-se-vos-á”. Portanto, com as obras de misericórdia fazemos a Vontade de Deus, damos algo nosso aos outros e o Senhor promete-nos que nos dará também a nós o que necessitemos.

Por outro lado, uma maneira de ir apagando a pena que fica na alma pelos nossos pecados já perdoados é mediante boas obras. Boas obras são, obviamente, as Obras de Misericórdia. “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5, 7), é uma das Bem-aventuranças.

Além disso as Obras de Misericórdia vão-nos ajudando a avançar no caminho para o Céu, porque nos vão tornando parecidos com Jesus, nosso modelo, que nos ensinou como deve ser a nossa atitude para com os outros. “Em Mateus, recolhem-se as seguintes palavras de Cristo: “Não façais tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem, e onde os ladrões minam e furtam; fazei antes tesouros no Céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. Ao seguir este ensinamento do Senhor trocamos os bens temporais pelos eternos, que são os que valem verdadeiramente.

Breve explicação das Obras de Misericórdia Corporais:

1) Dar de comer a quem tem fome e 2) dar de beber a quem tem sede. Estas duas primeiras complementam-se e referem-se à ajuda que devemos procurar em alimento e outros bens para os mais necessitados, para aqueles que não têm o indispensável para poder comer cada dia. Jesus, como recolhe o evangelho de São Lucas recomenda: «Quem tem duas túnicas dê uma ao que não tem; e quem tem que comer, faça o mesmo» (Lc 3, 11).

3) Vestir os nus. Esta obra de misericórdia é dirigida a satisfazer outra necessidade básica: o vestuário. Muitas vezes é-nos facilitada com as recolhas de roupa que se fazem nas Paróquias e outros centros. À hora de entregar a nossa roupa é bom pensar que podemos dar do que nos sobra ou já não nos serve, mas também podemos dar do que ainda é útil. A carta de Santiago anima- nos a sermos generosos: «Se um irmão ou uma irmã estão nus e carecem de sustento diário e algum de vós lhe diz: “Ide em paz, aquecei-vos ou fartai-vos”, mas não lhes dais o necessário para o corpo, de que é que serve?» (St 2, 15-16).

4) Dar pousada aos peregrinos. Na antiguidade dar pousada aos peregrinos era um assunto de vida ou de morte, pelo complicado e arriscado das travessias. Não é hoje o caso. Mas, ainda assim, poderá tocar-nos receber alguém na nossa casa, não por pura hospitalidade de amizade ou de família, mas por alguma verdadeira necessidade.

5) Visitar os enfermos Trata-se de uma verdadeira atenção aos enfermos e idosos, tanto no aspecto físico, como em fazer-lhes um pouco de companhia. O melhor exemplo da Sagrada Escritura é o da Parábola do Bom Samaritano, que curou o ferido e, ao não poder continuar a tratá-lo directamente, confiou os cuidados de que necessitava a outro a quem ofereceu pagamento. (ver Lc. 10, 30-37).

6) Visitar os presos Consiste em visitar os presos e prestar-lhes não só ajuda material mas assistência espiritual que lhes sirva para melhorar como pessoas, para se emendarem, aprender a desenvolver um trabalho que lhes possa ser útil quando terminem de cumprir o tempo imposto pela justiça, etc… Significa também resgatar os inocentes e sequestrados. Na antiguidade os cristãos pagavam para libertar escravos ou trocavam-se por prisioneiros inocentes.

7) Enterrar os mortos Cristo não tinha lugar para ser sepultado. Um amigo, José de Arimateia, cedeu-lhe o seu túmulo. Mas não só isso, teve a valentia de se apresentar diante de Pilatos e pedir-lhe o corpo de Jesus. Nicodemos também participou, ajudando a sepultá-lo (Jo 19, 38-42). Enterrar os mortos parece um mandato supérfluo, porque – de facto – todos são enterrados. Mas, por exemplo, em tempo de guerra, pode ser um mandato muito exigente. Porque é importante dar sepultura digna ao corpo humano? Porque o corpo humano foi alojamento do Espírito Santo. Somos “templos do Espírito Santo” (1 Cor 6, 19).

Breve explicação das Obras de Misericórdia Espirituais:

1) Dar bons conselhos Um dos dons do Espírito Santo é o dom de conselho. Por isso, quem pretenda dar um bom conselho deve, em primeiro lugar, estar em sintonia com Deus, já que não se trata de dar opiniões pessoais, mas de aconselhar bem quem esteja necessitado de orientação.

2) Ensinar os ignorantes Consiste em ensinar os ignorantes em qualquer matéria; também sobre temas religiosos. Estes ensinamentos podem fazer-se através de escritos ou de palavra, por qualquer meio de comunicação ou directamente. Como diz o livro de Daniel, “os que ensinam a justiça à multidão, brilharão como as estrelas na perpétua eternidade” (Dan. 12, 3b).

3) Corrigir os que erram Esta obra de misericórdia refere-se sobretudo ao pecado. De facto, outra maneira de formular esta obra de misericórdia é “Corrigir o pecador”. A correcção fraterna é explicada pelo próprio Jesus no evangelho de Mateus: “”Se o teu irmão peca, vai falar com ele a sós para o corrigir. Se te escuta, ganhaste o teu irmão”. (Mt. 19, 15-17) Devemos corrigir o nosso próximo com mansidão e humildade. Muitas vezes será difícil fazê-lo mas, nesses momentos, podemos recordar-nos do que diz o apóstolo Santiago no final da sua carta: “quem converte um pecador do seu extravio, salvará a sua alma da morte e cobrirá uma multidão de pecados”(St. 5, 20).

4) Consolar os tristes O consolo para os tristes, para os que sofrem alguma dificuldade, é outra obra de misericórdia espiritual. Muitas vezes, complementar-se-á com dar um bom conselho, que ajude a superar essas situações de dor ou de tristeza. Acompanhar os nossos irmãos em todos os momentos, mas sobretudo nos mais difíceis, é pôr em prática o comportamento de Jesus que se compadecia da dor alheia. Um exemplo está recolhido no evangelho de Lucas. Trata-se da ressurreição do filho da viúva de Naím: “Quando se aproximava da porta da cidade, levavam um morto a sepultar, filho único da sua mãe, que era viúva, que era acompanhada por muita gente da cidade. Ao vê-la o Senhor, teve compaixão dela, e disse-lhe: Não chores. E, aproximando-se, tocou no féretro. Os que o levavam pararam, e Ele disse: Jovem, a ti te digo: Levanta-te. O morto levantou-se e começou a falar, e Ele entregou-o à sua mãe.”

5) Perdoar as injúrias No Pai-nosso dizemos: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido “”e o próprio Senhor esclarece: “se vós perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas, se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não perdoará as vossas ofensas (Mt. 6, 14-15). Perdoar as ofensas significa superar a vingança e o ressentimento. Significa tratar amavelmente quem nos ofendeu. O melhor exemplo de perdão no Antigo Testamento é o de José, que perdoou aos seus irmãos que tivessem procurado matá-lo e a seguir vendê-lo. “” Agora, pois, não vos entristeçais nem vos pese o ter-me vendido aqui; pois Deus enviou-me para preservar vidas diante de vós” (Gen. 45, 5). E o maior perdão do Novo Testamento é o de Cristo na Cruz, que nos ensina que devemos perdoar tudo e sempre: “”Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. (Lc. 23, 34).

6) Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo A paciência diante dos defeitos alheios é virtude e é uma obra de misericórdia. No entanto, há um conselho muito útil: quando suportar esses defeitos causa mais dano do que bem, com muita caridade e suavidade, deve fazer-se a advertência.

7) Rezar por vivos e defuntos São Paulo recomenda orar por todos, sem distinção, também pelos governantes e por pessoas com responsabilidades, pois “Ele quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. (ver 1 Tim 2, 2-3). Os defuntos que estão no Purgatório dependem das nossas orações. É uma boa obra rezar por eles para que fiquem livres dos seus pecados. (ver 2 Mac. 12, 46).

(Catecismo de S. Pio X. Capítulo IV. “Das obras de misericórdia”)

Cada um dentro de suas possibilidades e dons, pode em diversos momentos da vida fazer obras de misericórdia.

Para uns é mais fácil visitar enfermos, para outros é mais fácil ensinar os ignorantes. Mas para todos em alguma fase da vida surgirão os momentos de “perdoar as injúrias” e “sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo”.

No Diário de Santa Faustina algo nos chama a atenção: “O Amor é a flor e a Misericórdia é o fruto”. Todo ato de amor resulta em misericórdia, não há como fugir desta verdade! O menor ato de amor que você praticar, terá como resultado a misericórdia!

Praticar, obras de Misericórdia, é amar concretamente a Jesus nos irmãos. Que recompensa há em amar somente aos que nos amam? Por isso, todos são incluídos nesta condição. Ame os que te perseguem, os que te caluniam, os que não gostam de você, etc. Seus gestos de amor transformarão os corações: primeiro o seu, e em consequência, o do próximo.

Fonte: SezaPagare

 
 
 
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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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