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Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos, bispo de Sobral (CE) e presidente do Regional Nordeste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), repudiou o carnaval fora de época promovido pela prefeitura de Aracati (CE) na Semana Santa. (Leia a nota de repúdio na íntegra no final da matéria)

A prefeitura de Aracati (CE) anunciou um grande evento com shows durante a Semana Santa, intitulado “Paixão no Aracati”. Católicos criticaram a iniciativa por “ferir a sensibilidade religiosa do povo cristão” e pediram respeito aos horários e locais das celebrações religiosas.

O município não teve programação de carnaval por causa das medidas sanitárias impostas por causa da covid-19. Mas, no dia 4 de março, o governo do Ceará liberou a realização de eventos sociais e esportivos, com a apresentação de comprovante de vacinação da 3ª dose e uso obrigatório de máscara. Então, a prefeitura de Aracati decidiu promover os shows na Semana Santa. O prefeito Bismarck Maia (PTB) anunciou em 10 de março em seu perfil no Facebook: “Se não teve carnaval, terá super Semana Santa”. O cartaz do evento afirma que “vem aí a melhor Semana Santa do Estado”. A programação será de 15 a 17 de abril e contará com shows de famosos como Bell Marques, Leo Santana, entre outros.

Em uma nota, o bispo destaca o grande desrespeito à piedade e fé do povo cristão em uma época destinada ao recolhimento e oração. A programação do carnaval intitulado “Paixão em Aracati” está prevista para os dias 15 de abril, sexta-feira da Paixão, a 17 de abril, domingo de Páscoa com shows dos cantores Bell Marques, Leo Santana, e outros.

Assim que o evento foi anunciado, as paróquias de Nossa Senhora do Rosário e de Santo Antônio, de Aracati, lançaram uma nota em conjunto criticando a decisão da prefeitura. “Esperamos que o poder público municipal, ao menos, use de outros termos para suas propagandas e que garanta, por escrito, o respeito e salvaguarda de dias, horários e locais para as celebrações religiosas”, afirmaram as paróquias locais.

Outras cidades também anunciaram a mudança nas datas dos desfiles de carnaval. As prefeituras de Rio de Janeiro e São Paulo informaram por meio de uma nota em conjunto que “optaram por adiar a realização dos desfiles das escolas de samba para o fim de semana do feriado de Tiradentes, em abril”. Leia também Bispo Católico alerta: Carnaval não combina com Jesus Cristo

No Rio, os desfiles irão acontecer entre 20 e 24 de abril, incluindo grupo de acesso, grupo especial e escolas mirins. Em São Paulo, haverá desfiles de escolas do grupo de acesso e grupo especial entre os dias 21 e 23 de abril e também haverá um desfile de grupo de acesso no dia 16 de abril, quando os católicos irão celebrar o Sábado de Aleluia.

A prefeitura de Vitória decidiu adiar os desfiles das escolas de samba, que aconteceria entre 17 e 19 de fevereiro, para os dias 7, 8 e 9 de abril, por causa do aumento dos casos de covid-19. A nova data irá coincidir com a última semana da Quaresma e véspera do Domingo de Ramos, que será celebrado em 10 de abril.

Nota sobre o carnaval fora de época de Aracati-CE

A Semana Santa é a celebração do Mistério central da fé cristã. Nela vivenciamos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. A importância dessa Grande Semana não se verifica apenas na Liturgia da Igreja Católica, se revela também nas inúmeras manifestações de piedade e devoção popular, uma herança inestimável, que tanto enriquece a espiritualidade dos fiéis, encaminhado-os e motivando-os a celebrar dignamente o Mistério Pascal na Sagrada Liturgia.

A grandeza desse tempo sagrado e a intensidade com que é vivido e celebrado pelo povo cristão em todo o país, levaram diversos municípios e estados brasileiros a reconhecer, através dos órgãos competentes, às celebrações próprias desta semana como patrimônio cultural imaterial. Indo ainda mais longe, o Estado Brasileiro estabeleceu que a Sexta-Feira Santa seja feriado nacional (Lei n° 9.093, de 12 de setembro de 1995). Aliás, mesmo sendo um estado laico, o Brasil, por ser formado por uma população preponderantemente cristã, em respeito à identidade cristã do seu povo e da sua história, estabeleceu diversos feriados religiosos nacionais: Natal do Senhor (25 de dezembro), Confraternização Universal (1° de janeiro), Dia de Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro), Dia de Finados (2 de novembro), Sexta-Feira Santa e Corpus Christi.

O feriado religioso tem um sentido muito preciso: não é um dia destinado ao descanso ou aos passeios turísticos, mas ao recolhimento e à oração. No caso da Sexta-Feira Santa, é destinado à meditação sobre o sofrimento, a paixão e morte de Cristo por amor à humanidade. Neste dia, portanto, não se trabalha e não se estuda para que todas as pessoas cristãs possam celebrar e vivenciar a sua fé. Leia também O que significa o apoio de religiosos à exposição de símbolos cristãos no Carnaval?

Conscientes disso, não há como a Igreja do Ceará, representada por seus Bispos, silenciar diante do Carnaval promovido pela Prefeitura Municipal de Aracati-CE em plena Semana Santa. Trata-se, no mínimo, de um grande desrespeito à piedade e à fé do povo cristão, de uma enorme desconsideração da longa e rica tradição cristã desta terra abençoada.

A presidência do Regional Nordeste 1 da CNBB une-se, portanto, a Dom André Vital, Bispo Diocesano de Limoeiro do Norte, ao clero e ao povo cristão daquela amada Diocese, no seu mais do que justificado protesto, repudiando também nós está infeliz iniciativa do poder público municipal de Aracati-CE. Semana Santa, como é sabido por todos, não é tempo de carnaval, é tempo de recolhimento, de oração e piedade!

Esperamos, vivamente, que os responsáveis por este carnaval fora de época revejam a decisão tomada e encontrem outra data para a realização desta festa!

Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos Bispo da Diocese de Sobral

Dom André Vital Félix da Silva Bispo da Diocese de Limoeiro do Norte    Leia também O CARNAVAL E A COLHEITA MALDITA

Fonte: ACI Digital

 
 
 

O deputado estadual Frederico D’Ávila (PSL) pediu desculpas “pelas palavras e exagero” em seu discurso no dia 14 de outubro na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), quando xingou o papa Francisco, o arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes, e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). D’Ávila, no entanto, reafirmou que seu discurso foi em resposta a “líderes religiosos que ultrapassam os limites da propagação da fé e da espiritualidade para fazer proselitismo político”. Na segunda-feira, 18 de outubro, representantes da CNBB entregaram ao presidente da Alesp, deputado Carlão Pignatari (PSDB), a carta aberta na qual pedem que a casa legislativa tome medidas cabíveis contra o discurso de D’Ávila.

Durante a sessão plenária na Alesp em 14 de outubro, o deputado Frederico D’Ávila se referiu à homilia de dom Orlando Brandes no dia 12 de outubro, no Santuário de Aparecida, quando o arcebispo disse que “para ser pátria amada não pode ser pátria armada” numa de várias alusões claras a políticas do presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar usou termos como “safados”, “vagabundos” e “pedófilos” ao se referir ao arcebispo, ao papa e à conferência episcopal brasileira.

Após o episódio, a CNBB publicou uma carta aberta pedindo que a Alesp adote “medidas internas eficazes, legais e regimentais, para que esse ultrajante desrespeito seja reparado em proporção à sua gravidade”. A entidade também disse que “tratará esse assunto grave nos parâmetros judiciais cabíveis”. A carta foi entregue ao presidente da Alesp na segunda-feira pelo presidente do Regional Sul 1 da CNBB e bispo de Mogi das Cruzes (SP), dom Pedro Luiz Stringhini.

Também na segunda-feira, o deputado Frederico D’Ávila publicou em seu site uma carta aberta e afirmou que seu pronunciamento motivado pela homilia de dom Orlando Brandes “foi inapropriado e exagerado pelo calor do momento”. “Lembro, no entanto, que o mesmo clérigo que fez críticas à política armamentista do Presidente, disse outrora que a ‘Direita é Injusta e Violenta’, frase esta que ofendeu a mim e muitas outras pessoas. Portanto a minha manifestação tratou-se, pois, de uma reação a injustas agressões contra o Presidente da República e os 57 milhões de brasileiros que o elegeram”, afirmou.


O deputado estadual citou ainda uma publicação feita pelo bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG), dom Vicente Ferreira, no Twitter, “chamando o MST para a luta, invocando Pátria Livre e que para vencer o primeiro passo seria o ‘#FORABOLSONARO’”. Na postagem de 16 de outubro, dom Ferreira comentou sobre o discurso de D’Ávila. “Deputado bolsonarista chamando o papa e o arcebispo de vagabundos, a CNBB de câncer e incitando a violência contra as vias campesinas. Se os ricos estão nervosos é porque estamos no caminho certo. MST! A Luta é pra valer. Pátria livre! Venceremos. Primeiro passo: #ForaBolsonaro”, escreveu o bispo. Leia também Quem não concorda com o Papa é desobediente?

Em sua carta, D’Ávila também disse que não teve a intenção de “desrespeitar o Papa Francisco, líder sacrossanto e chefe de Estado”. “Inserir o Papa em minha fala foi um erro, pelo qual humildemente peço desculpas a todos os católicos do Brasil e do mundo, pois não considerei a figura espiritual que ele representa”.

Segundo o deputado, seu discurso foi “inflamado por problemas havidos nos dias anteriores”. Ele contou que no dia 12 de outubro quase foi “vítima de homicídio” em frente à sua esposa e filhos em São Paulo. No mesmo dia, disse, soube da homilia de “dom Orlando Brandes, referente à política contra o armamento das pessoas de bem”. Outro episódio que inflamou seu discurso, segundo D’Ávila, foi “a invasão da APROSOJA” (Associação dos Produtores de Soja) em Brasília “pelo MST e Via Campesina”. Tais fatos, disse, “me geraram grande inconformismo”.

Na Alesp, durante abertura da sessão plenária de segunda-feira, o deputado Carlão Pignatari se manifestou sobre o caso. “Em nome de todo o parlamento paulista, como presidente desta Casa, repudio todo e qualquer uso da palavra que vá além da crítica e que se constitua em ataques, extrapolando os limites da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar, concedida aos representantes públicos eleitos”, disse. Também pediu desculpas ao papa Francisco, a dom Orlando Brandes e “a todos que se sentiram ofendidos pelas palavras que não representam a opinião da Assembleia Legislativa de São Paulo”.

Segundo o jornal ‘O Globo’, só na segunda-feira, o deputado Frederico D’Ávila foi alvo de quatro representações por quebra de decoro no Conselho de Ética da Alesp. Ao site, a presidente do Conselho, deputada Maria Lucia Amary (PSDB), disse que “os pedidos serão encaminhados a todos os integrantes do Conselho de Ética, o deputado Frederico D’Ávila será notificado para apresentar a defesa em até cinco dias”. Após a apresentação da defesa, o conselho vota se as representações serão aceitas ou não e, então, tem início o processo por quebra de decoro.

Fonte: ACI Digital

 
 
 

O arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer, celebrou na sexta-feira, 20 de agosto, missa pelos 75 anos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Na ocasião, disse que a instituição é chamada a contribuir para a missão da Igreja “à sua própria maneira”, isto é, “aberta à universalidade de pensamentos, ao confronto de ideias e à colaboração e ao acolhimento”.

Durante sua homilia, o arcebispo, que também é grã-chanceler da PUC-SP, afirmou que celebrar os 75 anos da instituição é um tempo para “projetar para o futuro” e, por isso, “como instituição ligada à Igreja, a PUC é chamada a dar sua parte, à sua própria maneira, para a missão da Igreja”. “Quero destacar que é à sua própria maneira que a PUC-SP fará isso, ou seja, não como um colégio, uma paróquia ou um mosteiro, mas como universidade, que está aberta à universalidade de pensamentos, ao confronto de ideias e à colaboração e ao acolhimento”.Segundo dom Odilo, “todos estes são sinais da sociedade que desejamos, na qual em vez de brigar as pessoas dialoguem, busquem juntas soluções, estejam atentas às pessoas mais fragilizadas. Uma sociedade que viva em paz, não por passar por cima dos conflitos, mas por resolvê-los da melhor maneira”.

A PUC-SP foi fundada em 22 de agosto de 1946, a partir da união da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bento e da Faculdade Paulista de Direito. A entidade é mantida pela Fundação São Paulo e recebeu o título de pontifícia em 1947 pelo papa Pio XII. Com isso, deve ter em seus estatutos o compromisso com os “princípios da doutrina católica”, como afirma na descrição de sua missão. “Dentro desse espírito, assegura a liberdade de investigação, de ensino e de manifestação de pensamento, objetivando sempre a realização de sua função social, considerada a natureza e o interesse público de suas atividades”, diz em seu site.

O cardeal Scherer disse na missa celebrada na Paróquia Imaculado Coração de Maria, também conhecida como capela da PUC, que o fato de a universidade ser pontifícia “significa que está ligada ao papa, portanto está no coração da Igreja e a serviço daquilo que é próprio da missão da Igreja”.Segundo ele, a PUC-SP carrega “uma história, uma comunidade na qual todos são chamados a fazer sua parte, a fim de que a universidade também contribua para a edificação do Reino de Deus, que um grande sonho que, se acolhido, não fará mal a ninguém, porque é de paz, justiça, luz, alegria, solidariedade e fraternidade”.

Para o cardeal, uma universidade ligada à Igreja serve para propor “os valores do Reino de Deus, mesmo a quem não é católico, que não é cristão, que crê diversamente ou não crê”. “Esta é a razão de ser da nossa PUC-SP aos 75 anos”, disse.

Dom Odilo afirmou também que, “como comunidade acadêmica e ambiente cultural”, a PUC-SP “pode ser uma imagem da sociedade que busca valores altos e que não se satisfaz em rastejar nas trevas, seguindo valores inconfessáveis”. “Pode representar, justamente, a busca de uma convivência de muitas diversidades, onde, enfim, reconhecemos as diferenças com respeito, mas tomamos consciência de que algo ainda mais importante nos une: somos todos humanos, filhos de Deus e revestidos de uma dignidade que ninguém nos deve tirar ou manchar”.

Ao final da missa, a reitora da PUC-SP, Maria Amalia Pie Abib Andery, disse que o cardeal Scherer “representou a PUC-SP como ela quer e pretende ser”. Segundo ela, tudo o que deseja para a instituição “devemos à Igreja Católica e ao compromisso dela com a universidade, com a formação de consciências”. “Eu não sou especialista em religiões, mas diria que apenas a Igreja Católica tem o compromisso com o conhecimento, com a universidade, com a formação de consciências”.

Segundo Maria Amalia Andery, “as universidades são instituições para o bem, que pretendem mudar as consciências das pessoas, formando consciência coletiva, solidária, comprometidas com a justiça, a igualdade e a alegria de produzir conhecimento, reflexão e de causar impacto na vida das pessoas”.

A reitora afirmou que, “desde o surgimento das universidades, há 800 anos, a Igreja Católica esteve presente. É uma Igreja que oferece ao mundo, e não apenas à sua comunidade, a oportunidade que as instituições universitárias oferecem às sociedades”. “Esse compromisso nós sentimos na pele e a PUC-SP, nesse sentido, continua agradecendo à Igreja Católica, pelo contínuo compromisso com a construção de uma universidade” que tenha as características citadas pelo grão-chanceler.

A comemoração dos 75 anos da PUC-SP terá uma sessão solene na terça-feira, 24 de agosto, às 18h,com a participação de dom Odilo Scherer, da reitora Maria Amalia Andrey, do secretário estadual da Educação, Rossieli Soares da Silva, e do secretário municipal de Educação, Fernando Padula. O evento será transmitido pelo youtube da TV PUC e pelo facebook oficial da Universidade.

 
 
 
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