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SANTO DO DIA – 12 DE DEZEMBRO – NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

Por volta de 1531, os missionários espanhóis haviam já aprendido a língua dos indígenas para fins de evangelização. Conforme a antiga tradição, foi justamente nesse ano que a Virgem Mãe de Deus apareceu ao recém convertido Juan Diego (João Diogo, em Português), um piedoso índio, na colina de Tepeyac, perto da capital do México. Com muita afabilidade o exortou a ir ter com o Bispo e pedir-lhe que nesse lugar erguessem um Santuário em sua honra. O Bispo da diocese, Dom Frei João de Zumárraga retardou a resposta a fim de averiguar, cuidadosamente, o que tinha acontecido. Quando Juan, movido por uma segunda aparição e nova insistência da Santíssima Virgem, renovou as suas súplicas, entre lágrimas, ordenou-lhe o bispo que pedisse um sinal que comprovasse de que a ordem vinha realmente da grande Mãe de Deus.

Vindo Juan, certo dia, de um lugar mais distante, por um caminho que não passa pela colina de Tepeyac e dirigindo-se à capital, à procura de um sacerdote que administrasse os últimos sacramentos ao tio moribundo, a Virgem veio ao seu encontro, pela terceira vez, e consolou-o com a notícia do completo restabelecimento do tio, colocando-lhe no manto estendido belíssimas flores que haviam desabrochado há pouco tempo, apesar da esterilidade do terreno e do inverno: “Escuta, meu filho, não temas; não fiques preocupado ou assustado; não tens que temer essa doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui ao teu lado? Eu sou a Mãe dadivosa. Não te escolhi para mim e não te tomei ao meu cuidado? Não permitas que nada te aflija ou perturbe. Quanto à doença do teu tio, não é mortal. Acredita: agora mesmo ficará curado.”

Ao ouvir estas palavras, o piedoso vidente voltou a renovar o seu oferecimento para levar o sinal ao Bispo.

A SS. Virgem mandou-o ao lugar onde a tinha visto pela primeira vez, dizendo-lhe que lá encontraria uma grande variedade de flores. Que as colhesse e as trouxesse.

Subiu Juan Diego ao alto da colina. No frio mês de Dezembro, naquela terra árida e rochosa, onde nem vegetação havia, tinham brotado abundantes rosas de cor e perfume maravilhosos. Nossa Senhora colocou-as no “poncho” (manta com um buraco no meio por onde enfiavam a cabeça) e mandou levá-las ao Bispo que com este sinal se havia de convencer.

Juan Diego obedeceu e, ao despejar as flores perante o Bispo, apareceu uma linda pintura de Nossa Senhora tal como ela se mostrara na colina perto da cidade. O bispo acompanhou Juan ao local designado por Nossa Senhora e depois foi ver o tio dele, já curado. Este, ouvindo descrever a Senhora, assentiu sorrindo: “Eu também a vi. Ela veio a esta casa e falou-me. Disse-me também que desejava a construção de um templo na colina de Tepeyac. Disse que sua imagem seria chamada Santa Maria de Guadalupe, embora não tenha explicado o porquê.”

A fama do milagre espalhou-se rapidamente por todo o território. Os cidadãos, profundamente impressionados por tão grande prodígio, procuraram guardar respeitosamente a santa Imagem na capela do paço episcopal. Mais tarde, após várias construções e ampliações, chegou-se ao magnífico templo actual. De toda a parte e não só do México, acorrem os homens à Senhora de Guadalupe.

Em 1754, escrevia o Papa Bento XIV: “Nela tudo é milagroso: uma imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros; uma Imagem estampada num tecido tão transparente que se pode ver através dele facilmente o povo e a nave da Igreja: uma imagem em nada deteriorada, nem no seu supremo encanto, nem na nitidez das cores, pelas emanações da humidade do lago vizinho que já corroeram a prata, o ouro e o bronze… Deus não procedeu assim com nenhuma outra nação.”

Em outros santuários marianos, a fé move os devotos, mas em Guadalupe a celestial visão nunca cessa. Junto a essa presença maternal, ninguém se sente como um filho culpado de Adão; cada qual experimenta a inocente simplicidade e o doce aconchego de um filho amoroso.


Conheça mais sobre Nossa Senhora de Guadalupe

Em 9 de dezembro de 1531, João Diego estava nos arredores da colina Tepeyac, atual cidade do México. Repentinamente, ouviu uma música suave, sonora e melodiosa… era Nossa Senhora de Guadalupe

Pensa-se geralmente que João Diego era um indígena “pobre” e de “baixa condição social”. Contudo, sabemos hoje, por diversos testemunhos, que ele era filho do rei de Texcoco, Netzahualpiltzintli, e neto do famoso rei Netzahualcóyolt. Sua mãe era a rainha Tlacayehuatzin, descendente de Moctezuma e senhora de Atzcapotzalco e Atzacualco. Nestes dois lugares João Diego possuía terras e outros bens de herança.

A este representante das etnias indígenas do Novo Mundo, a Mãe de Deus apareceu há quase quinhentos anos, trazendo uma mensagem de benquerença, doçura e suavidade, cuja luz se prolonga até nossos dias.

Para compreendermos a magnitude da bondosa mensagem de Nossa Senhora, devemos transladar-nos ao ambiente psico-religioso daquele tempo.

De um lado, as numerosas etnias que habitavam o vale de Anahuac, atual Cidade do México, haviam vivido durante décadas sob a tirania dos astecas, tribo poderosa, dada à prática habitual de sangrentos ritos idolátricos. Anualmente, sacrificavam milhares de jovens para manter aceso o “fogo do sol”. A antropofagia, a poligamia e o incesto faziam parte da rotina de vida desse povo.

Os dedicados missionários, chegados ali com os conquistadores espanhóis, viam a necessidade imperiosa de evangelizar aquela gente, extirpando de modo categórico tão repugnantes costumes. Entretanto, os maus hábitos adquiridos, a dificuldade do idioma e, sobretudo, um certo orgulho indígena de não aceitar o “Deus do conquistador” em detrimento de suas divindades, tornavam difícil a tarefa de introduzir nesse ambiente a Luz do mundo.

Deus Nosso Senhor, todavia, em sua infinita misericórdia, querendo que todos os homens “se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tim 2, 4), preparava uma maravilhosa solução para esse impasse.

Nossa Senhora aparece a São João Diego

Em 9 de dezembro de 1531, João Diego estava nos arredores da colina Tepeyac, na atual Cidade do México. Repentinamente, ouviu uma música suave, sonora e melodiosa que, pouco a pouco, foi-se extinguindo. Nesse momento escutou ele uma lindíssima voz, que no idioma nahualt o chamava pelo nome. Era Nossa Senhora de Guadalupe.

Depois de cumprimentá-lo com muito carinho e afeto, Ela lhe dirigiu estas palavras cheias de bondade: “Porque sou verdadeiramente vossa Mãe compassiva, quero muito, desejo muito que construam aqui para mim um templo, para nele Eu mostrar e dar todo o meu amor, minha compaixão, meu auxílio e minha salvação a ti, a todos os outros moradores desta terra e aos demais que me amam, me invoquem e em mim confiem. Neste lugar quero ouvir seus lamentos, remediar todas as suas misérias, sofrimentos e dores.”

Em seguida, Nossa Senhora pediu a João Diego que fosse ao palácio do Bispo do México, e lhe comunicasse que Ela o enviava e pedia a construção do templo.

Sem hesitar, o “mensageiro da Virgem” foi entrevistar-se com Dom Luís de Zumárraga, e contou-lhe o que havia acontecido. Mas o Bispo não lhe deu crédito e mandou-o voltar outro dia.

Segunda e terceira aparições

Nesse mesmo dia, ao pôr-do-sol, João Diego, pesaroso, foi comunicar a Nossa Senhora o fracasso de sua missão. Com encantadora inocência, pediu a Ela que escolhesse um embaixador mais digno, estimado e respeitado. A Mãe de Deus lhe respondeu: “Escuta, ó menor de meus filhos! Tem por certo que não são poucos os meus servidores, meus mensageiros, aos quais Eu possa encarregar de levar minha mensagem e fazer minha vontade. Mas é muito necessário que vás tu, pessoalmente, e que por teu intermédio se realize, se efetive meu querer, minha vontade. E muito te rogo, filho meu, o menor de todos, e firmemente te ordeno, que vás amanhã outra vez ver o Bispo. E de minha parte faze-o saber, faze-o ouvir o meu querer, a minha vontade, para que este a realize, faça meu templo, que lhe peço. E outra vez dize-lhe que eu, pessoalmente, a sempre Virgem Santa Maria, Mãe de Deus, te envio.”

No dia seguinte, depois de assistir à Missa, João Diego voltou a procurar o Bispo Dom Zumárraga, que o recebeu com atenção, porém mais céptico ainda, dizendo-lhe ser necessário um “sinal” para demonstrar que era realmente a Rainha do Céu que o enviava. Com toda naturalidade, o indígena respondeu que sim, ia pedir à Senhora o sinal solicitado.

Ao cair do sol, como das vezes anteriores, apareceu a João Diego Nossa Senhora, radiante de doçura. Ela aceitou sem a menor dificuldade conceder-lhe o sinal pedido. Para isto, convidou-o a voltar no dia seguinte.

Ele foge, Ela vai ao seu encontro

Todavia, na segunda-feira, dia 11, João Diego não se apresentou à hora marcada. Seu tio, João Bernardino, caiu repentinamente doente, e Diego tentou todos os recursos medicinais indígenas para curá-lo. Foi em vão. Quando o enfermo percebeu a aproximação da morte, sendo já cristão fervoroso, pediu a seu sobrinho que lhe tentasse trazer um sacerdote.

Pressuroso, João Diego saiu ao amanhecer do dia 12 em busca do confessor. Mas decidiu tomar um caminho diferente do habitual, para que a “Senhora do Céu” não lhe aparecesse, pois pensava: “Ela vai me pedir satisfação de sua incumbência e não poderei buscar o sacerdote.”

Mas sua artimanha não funcionou. Para seu espanto, a Mãe de Deus lhe apareceu nesse caminho. Envergonhado, João Diego tratou de se desculpar com fórmulas de cortesia próprias do costume indígena: “Minha jovenzinha, filha minha, a pequenina, menina minha, oxalá estejas contente.” E depois de explicar-Lhe a enfermidade de seu tio, como causa de sua falta de diligência, concluiu: “Rogo-te que me perdoes, que tenhas ainda um pouco de paciência comigo, porque com isso não A estou enganando, minha filha pequenina, menina minha. Amanhã sem falta virei a toda pressa.” Ao que lhe respondeu Nossa Senhora, com bondade e carinho próprios à melhor de todas as Mães: “Escuta, e põe em teu coração, filho meu, o menor: o que te assusta e aflige não é nada. Não se perturbe teu rosto, teu coração; não temas esta enfermidade, nem qualquer outra enfermidade e angústia. Não estou eu aqui, tua Mãe? Não estás sob minha sombra e minha proteção? Não sou eu a fonte de tua alegria? Não estás porventura em meu regaço? Tens necessidade de alguma outra coisa? Que nenhuma outra coisa te aflija, nem te perturbe. Não te assuste a enfermidade de teu tio, porque dela não morrerá por agora. Tem por certo que já sarou.”

Sinal para o “Mensageiro da Virgem”

Assim que ouviu essas belíssimas palavras, João Diego, muito consolado, creu em Nossa Senhora. Mas era preciso cumprir a missão. Qual era o sinal? Ela lhe ordenou subir à colina de Tepeyac e cortar as flores que ali encontrasse. Esse encargo era impossível, uma vez que lá nunca elas nasciam, e menos ainda nesse tempo de inverno. Mas Diego não duvidou. Subiu a colina e no seu cume encontrou as mais belas e variadas rosas, todas perfumadas e cheias de gotas de orvalho como se fossem pérolas. Cortou-as e as guardou em sua tilma (o poncho típico dos índios mexicanos). Ao chegar embaixo, João Diego apresentou as flores a Nossa Senhora, que as tocou com suas mãos celestiais e voltou a colocá-las na tilma.

“Filhinho meu, o menor, esta variedade de flores é a prova e sinal que levarás ao Bispo. Tu lhe dirás de minha parte que veja nela a minha vontade e que ele tem de cumpri-la. Tu és meu embaixador, no qual absolutamente deposito toda a confiança. Com firmeza te ordeno que diante do Bispo abras tua manta e mostres o que levas.”

João Diego se dirigiu novamente ao palácio de Dom Zumárraga. Depois de muito esperar e insistir, os criados o deixaram chegar à presença do Bispo. O “Mensageiro da Virgem” começou a narrar todo o sucedido com Nossa Senhora e em certo momento estendeu sua tilma, descobrindo o sinal. Caíram as mais preciosas e perfumadas flores e, no mesmo instante, estampou-se milagrosamente no tecido a portentosa Imagem da Perfeita Virgem Santa Maria Mãe de Deus, que se venera até hoje no Santuário de Guadalupe.

Profundo sentido eclesial e missionário

Assim foi a grande aparição cujo primeiro resultado foi a conversão em grande escala dos indígenas. “O Acontecimento Guadalupano – assinala o episcopado do México – significou o início da evangelização, com uma vitalidade que extravasou todas as expectativas. A mensagem de Cristo, por meio de sua Mãe, tomou os elementos centrais da cultura indígena, purificou-os e deu-lhes o definitivo sentido de salvação.” E o Papa completa: “É assim que Guadalupe e João Diego tomaram um profundo sentido eclesial e missionário, sendo um modelo de evangelização perfeitamente inculturada” (Missa de Canonização, 31/7/2002).

Por isso, determinou Sua Santidade que no dia 12 de dezembro seja celebrada, em todo o Continente, a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe e Evangelizadora da América (Exortação Apostólica Ecclesia in América). ²

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Na homilia de 31 de julho de 2002, o Santo Padre dirigiu ao recém-canonizado São João Diego esta comovedora oração:

Ditoso Juan Diego, índio bondoso e cristão, em quem o povo simples sempre viu um homem santo! Nós te suplicamos que acompanhes a Igreja peregrina no México, para que seja cada dia mais evangelizadora e missionária. Encoraja os Bispos, sustenta os presbíteros, suscita novas e santas vocações, ajuda todas as pessoas que entregam a sua própria vida pela causa de Cristo e pela difusão do seu Reino.

Bem-aventurado Juan Diego, homem fiel e verdadeiro! Nós te recomendamos os nossos irmãos e as nossas irmãs leigos a fim de que, sentindo-se chamados à santidade, penetrem todos os âmbitos da vida social com o espírito evangélico. Abençoa as famílias, fortalece os esposos no seu matrimônio, apoia os desvelos dos pais empenhados na educação cristã dos seus filhos. Olha com solicitude para a dor dos indivíduos que sofrem no corpo e no espírito, de quantos padecem em virtude da pobreza, da solidão, da marginalização ou da ignorância. Que todos, governantes e governados, trabalhem sempre em conformidade com as exigências da justiça e do respeito da dignidade de cada homem individualmente, para que desta forma a paz seja consolidada.

Amado Juan Diego, a “águia que fala”! Ensina-nos o caminho que conduz para a Virgem Morena de Tepeyac, para que Ela nos receba no íntimo do seu coração, dado que é a Mãe amorosa e misericordiosa que nos orienta para o Deus verdadeiro. (Homilia no dia da canonização Oração a São João Diego)

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Nossa Senhora de Guadalupe: Uma prova de amor para com os povos americanos

Os povos pré-hispanos do México, transmitiam e conservavam a memória da sua história de geração em geração através de canções e poemas que foram transcritas pelos números e símbolos hieroglíficos, rudes fibras de cactos, algodão, couros ou cascas de árvore. Estes são chamados de “códices”.

Por sua parte, os historiadores são unânimes em afirmar que a figura de Nossa Senhora de Guadalupe ou impresso na Tilman Ayate , poncho típico dos povos indígenas do México, cujo proprietário era São Juan Diego, e esta repleto de figuras simbólicas. Característica que torna ainda mais exclusivo, porque foi destinado a pessoas que comunicaram precisamente através de imagens e símbolos. Na opinião Indígena, a estampa da “Mãe de Deus” não era apenas um retrato, bonito e extraordinário, como o foi para os missionários e conquistadores, mas era uma mensagem, ou um “códice” vindo dos céus.

Através desta demonstração sobrenatural, Nossa Senhora de Guadalupe, expressou sua afeição por todas aquelas pessoas especiais, sua bondade e misericórdia sem limites e uma suavidade que até então os índios nunca tinha provado.

Analisemos alguns destes símbolos presentes na imagem de Nossa Senhora de Guadalupe.O cinto e o resplendor

Nossa Senhora de Guadalupe é apresentada com um cinto que não está localizado em sua cintura, mas, acima. Foi o sinal para os índios que estava grávida. A quem dará à luz? Ao sol resplandecente. O grande resplendor que Nossa Senhora tem por trás dela, e que saia Dela é o sol. Para os habitantes do México, esse astro é um símbolo da divindade. Logo, a senhora da figura não era outra senão a Mãe de Deus.

Data da aparição

Existe um fato significativo, ligado ao símbolo do sol. E está relacionado com o chamado solstício de inverno. Em todo o hemisfério sul, ocorre em 22 de junho. Por causa da inclinação do eixo da Terra, o Sol atinge o seu máximo de distância do equador. É o início do inverno, e também o dia mais tarde quando o sol nasce e se poe mais tarde. Por essa razão, aliás, é o mais curto dia e a noite mais longa do ano. No hemisfério norte, que fica localizado no México, neste inverno solstício ocorre em 22 de dezembro. Desde tempos imemoriais, os povos pagãos acreditavam que a data como a mais importante do ano, pelo simbolismo do sol que depois de se pôr volta a crescer. Os povos pré-colombianos do México, muito conhecedores da astronomia tinham naquele dia na mais alta consideração religiosa, era o dia em que o sol moribundo recobrava vigor, era o retorno a vida, era o surgimento da luz, a vitoria sobre as trevas.

A aparição de Nossa Senhora de Guadalupe se deu exatamente nessa ocasião. Embora, nesse momento, como registrado em 12 de dezembro (e por respeito pela tradição é a data que se mantém até hoje), foi um erro do calendário Juliano então em vigor, e que foi corrigida mais tarde.

Para reforçar a impressão que causou, ao mesmo tempo o famoso cometa Halley’s atingiu o seu Zenit nos céus mexicanos.

Seu manto de estrelas

De acordo com estudos recentes que podem ser comprovadas com precisão admirável, no manto de Nossa Senhora, estão representadas as mais brilhantes estrelas das principais constelações visíveis no Vale de Anahuac -atual cidade do México- no dia da aparição. Foi mais uma prova aos índios que a senhora vinha do céu.

A flor de Quatro Pétalas

Se tivermos um olhar para o manto de Nossa Senhora, abaixo da cintura deve ver uma pequena flor de quatro pétalas. Esta flor é Nahui-Hollín, de grande importância na perspectiva indígena do universo. Ela representa a antiga cidade de Tenochtitlán, a capital asteca, e em particular a colina do Tepeyac, onde se deu a aparição de Nossa Senhora. Também representadas, a plenitude da presença de Deus. Era outra indicação, que a senhora com o manto de estrelas, levava em seu puríssimo seio o Deus único e verdadeiro.

O resto das flores e figuras impressas em suas vestes não estão colocadas ali ao acaso. Correspondem às diferenças geográficas do México, que os indígenas interpretavam à perfeição.

O cabelo

Nossa Senhora traz o cabelo solto que entre todos os Astecas era um sinal de virgindade. Portanto, a mostra de que a senhora é virgem e mãe.O Rosto

Por fim, Nossa Senhora quis mostrar-se com traços mestiços, rosto moreno e ovalado, dizendo que ela quer ser a mãe amorosa de todos os habitantes da América.

Muitos outros símbolos podem ser vistos na extraordinária figura de Nossa Senhora de Guadalupe, e nenhuma delas é aleatória, porque tudo isso está em um altíssimo nível de Sabedoria. Por outro lado, existe uma infinidade de belezas que a virgem oculta, que a ciência com todos os seus avanços tecnológicos não conseguem explicar. Por exemplo, o fenômeno das pupilas, na qual se distinguem com lupa minúsculas figuras humanas. A durabilidade inexplicável do rude manto, nem mesmo o acido sulfúrico caído por acidente conseguiu destruir.

O modo misterioso que foi impressa a figura de nossa Senhora e outros aspectos que proximamente abordaremos. São as maravilhas da “Sempre Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus” como ela mesma se definiu quando falou pela primeira vez com São Juan Diego.

 
 
 

Santo do Dia – 08 de Dezembro – Imaculada Conceição de Nossa Senhora

A esta criatura dileta entre todas, superior a tudo quanto foi criado, e inferior somente à humanidade santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus conferiu um privilégio incomparável, que é a Imaculada Conceição.

O vocabulário humano não é suficiente para exprimir a santidade de Nossa Senhora. Na ordem natural, os Santos e os Doutores A compararam ao sol. Mas se houvesse algum astro inconcebivelmente mais brilhante e mais glorioso do que o sol, é a esse que A comparariam. E acabariam por dizer que este astro daria d’Ela uma imagem pálida, defeituosa, insuficiente. Na ordem moral, afirmam que Ela transcendeu de muito todas as virtudes, não só de todos os varões e matronas insignes da Antiguidade, mas – o que é incomensuravelmente mais – de todos os Santos da Igreja Católica.

Imagine-se uma criatura tendo todo o amor de São Francisco de Assis, todo o zelo de São Domingos de Gusmão, toda a piedade de São Bento, todo o recolhimento de Santa Teresa, toda a sabedoria de São Tomás, toda a intrepidez de Santo Inácio, toda a pureza de São Luiz Gonzaga, a paciência de um São Lourenço, o espírito de mortificação de todos os anacoretas do deserto: ela não chegaria aos pés de Nossa Senhora.

Mais ainda. A glória dos Anjos é algo de incompreensível ao intelecto humano. Certa vez, apareceu a um santo o seu Anjo da Guarda. Tal era sua glória, que o Santo pensou que se tratasse do próprio Deus, e se dispunha a adorá-lo, quando o Anjo revelou quem era. Ora, os Anjos da Guarda não pretendem habitualmente às mais altas hierarquias celestes. E a glória de Nossa Senhora está incomensuravelmente acima da de todos os coros angélicos.

Poderia haver contraste maior entre esta obra-prima da natureza e da graça, não só indescritível mas até inconcebível, e o charco de vícios e misérias, que era o mundo antes de Cristo?


A Imaculada Conceição

A esta criatura dileta entre todas, superior a tudo quanto foi criado, e inferior somente à humanidade santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus conferiu um privilégio incomparável, que é a Imaculada Conceição.

Em virtude do pecado original, a inteligência humana se tornou sujeita a errar, a vontade ficou exposta a desfalecimentos, a sensibilidade ficou presa das paixões desordenadas, o corpo por assim dizer foi posto em revolta contra a alma.

Ora, pelo privilégio de sua Conceição Imaculada, Nossa Senhora foi preservada da mancha do pecado original desde o primeiro instante de seu ser. E, assim, n’Ela tudo era harmonia profunda, perfeita, imperturbável. O intelecto jamais exposto a erro, dotado de um entendimento, uma clareza, uma agilidade inexprimível, iluminado pelas graças mais altas, tinha um conhecimento admirável das coisas do Céu e da Terra.

A vontade, dócil em tudo ao intelecto, estava inteiramente voltada para o bem, e governava plenamente a sensibilidade, que jamais sentia em si, nem pedia à vontade algo que não fosse plenamente justo e conforme à razão. Imagine-se uma vontade naturalmente tão perfeita, uma sensibilidade naturalmente tão irrepreensível, esta e aquela enriquecidas e super-enriquecidas de graças inefáveis, perfeitissimamente correspondidas a todo o momento, e se pode ter uma idéia do que era a Santíssima Virgem. Ou antes se pode compreender por que motivo nem sequer se é capaz de formar uma ideia do que a Santíssima Virgem era.

“Inimicitias Ponam”

Dotada de tantas luzes naturais e sobrenaturais, Nossa Senhora conheceu por certo, em seus dias, a infâmia do mundo. E com isto amargamente sofreu. Pois quanto maior é o amor à virtude, tanto maior é o ódio ao mal.

Ora, Maria Santíssima tinha em si abismos de amor à virtude, e, portanto, sentia forçosamente em si abismos de ódio ao mal. Maria era pois inimiga do mundo, do qual viveu alheia, segregada, sem qualquer mistura nem aliança, voltada unicamente para as coisas de Deus.

O mundo, por sua vez, parece não ter compreendido nem amado Maria. Pois não consta que lhe tivesse tributado admiração proporcionada à sua formosura castíssima, à graça nobilíssima, a seu trato dulcíssimo, à sua caridade sempre exorável, acessível, mais abundante do que as águas do mar e mais suave do que o mel.

E como não haveria de ser assim? Que compreensão poderia haver entre Aquela que era toda do Céu, e aqueles que viviam só para a Terra? Aquela que era toda fé, pureza, humildade, nobreza, e aqueles que eram todos idolatria, ceticismo, heresia, concupiscência, orgulho, vulgaridade? Aquela que era toda sabedoria, razão, equilíbrio, senso perfeito de todas as coisas, temperança absoluta e sem mácula nem sombra, e aqueles que eram todo desmando, extravagância, desiquilíbrio, senso errado, cacofônico, contraditório, berrante a respeito de tudo, e intemperança crônica, sistemática, vertiginosamente crescente em tudo? Aquela que era a fé levada por uma lógica adamantina e inflexível a todas as suas consequências, e aqueles que eram o erro levado por uma lógica infernalmente inexorável, também a suas últimas consequências? Ou aqueles que, renunciando a qualquer lógica, viviam voluntariamente num pântano de contradições, em que todas as verdades se misturavam e se poluíam na monstruosa interpenetração de todos os erros que lhe são contrários?

“Imaculado” é uma palavra negativa. Ela significa etimologicamente a ausência de mácula, e pois de todo e qualquer erro por menos que seja, de todo e qualquer pecado por mais leve e insignificante que pareça. É a integridade absoluta na fé e na virtude. E, portanto, a intransigência absoluta, sistemática, irredutível, a aversão completa, profunda, diametral a toda a espécie de erro ou de mal. A santa intransigência na verdade e no bem, é a ortodoxia, a pureza, enquanto em oposição à heterodoxia e ao mal. Por amar a Deus sem medida, Nossa Senhora correspondentemente amou de todo o Coração tudo quanto era de Deus. E porque odiou sem medida o mal, odiou sem medida Satanás, suas pompas e suas obras, o demônio e a carne. Nossa Senhora da Conceição é Nossa Senhora da santa intransigência.

Verdadeiro ódio, verdadeiro amor

Por isto, Nossa Senhora rezava sem cessar. E segundo tão razoavelmente se crê, Ela pedia o advento do Messias, e a graça de ser uma serva daquele que fosse escolhida para Mãe de Deus.

Pedia o Messias, para que viesse Aquele que poderia fazer brilhar novamente a justiça na face da Terra, para que se levantasse o Sol divino de todas as virtudes, espancando por todo o mundo as trevas da impiedade e do vício.

Nossa Senhora desejava, é certo, que os justos vivendo na Terra encontrassem na vinda do Messias a realização de seus anseios e de suas esperanças, que os vacilantes se reanimassem, e que de todos os pauis, de todos os abismos, almas tocadas pela luz da graça, levantassem voo para os mais altos píncaros da santidade. Pois estas são por excelência as vitórias de Deus, que é a Verdade e o Bem, e as derrotas do demônio, que é o chefe de todo erro e de todo o mal. A Virgem queria a glória de Deus por essa justiça que é a realização na Terra da ordem desejada pelo Criador.

Mas, pedindo a vinda do Messias, Ela não ignorava que este seria a Pedra de escândalo, pela qual muitos se salvariam e muitos receberiam também o castigo de seu pecado. Este castigo do pecador irredutível, este esmagamento do ímpio obcecado e endurecido, Nossa Senhora também o desejou de todo o Coração, e foi uma das consequências da Redenção e da fundação da Igreja, que Ela desejou e pediu como ninguém. Ut inimicos Santae Ecclesiae Humiliare digneris, Te rogamus audi nos, canta a Liturgia. E antes da Liturgia por certo o Coração Imaculado de Maria já elevou a Deus súplica análoga, pela derrota dos ímpios irredutíveis. Admirável exemplo de verdadeiro amor, de verdadeiro ódio.

Onipotência suplicante

Deus quer as obras. Ele fundou a Igreja par ao apostolado. Mas acima de tudo quer a oração. Pois a oração é a condição da fecundidade de todas as obras. E quer como fruto da oração a virtude.

Rainha de todos os apóstolos, Nossa Senhora e entretanto principalmente o modelo das almas que rezam e se santificam, a estrela podar de toda meditação e vida interior. Pois, dotada de virtude imaculada, Ela dez sempre o que era mais razoável, e se nunca sentiu em si as agitações e as desordens das almas que só amam a ação e a agitação, nunca experimentou em si, tampouco, as apatias e as negligências das almas frouxas que fazem da vida interior um pára-vento a fim de disfarçar sua indiferença pela causa da Igreja. Seu afastamento do mundo não significou um desinteresse pelo mundo. Quem fez mais pelos ímpios e pelos pecadores do que Aquela que, para os salvar, voluntariamente consentiu na imolação crudelíssima de seu Filho infinitamente inocente e santo? Quem fez mais pelos homens, do que Aquela que consentiu se realizasse em seus dias a promessa da vinda do Salvador?

Mas, confiante sobretudo na oração e na vida interior, não nos deu a Rainha dos Apóstolos uma grande lição de apostolado, fazendo de uma e outra o seu principal instrumento de ação?

Aplicação a nossos dias

Tanto valem aos olhos de Deus as almas que, como Nossa Senhora, possuem o segredo do verdadeiro amor e do verdadeiro ódio, da intransigência perfeita, do zelo incessante, do completo espírito de renúncia, que propriamente são elas que podem atrair para o mundo as graças divinas.

Estamos numa época parecida com a da vinda de Jesus Cristo à Terra. Em 1928 escreveu o Santo Padre Pio XI que “o espetáculo das desgraças contemporâneas é de tal maneira aflitivo, que se poderia ver nele a aurora deste início de dores que trará o Homem do pecado, elevando-se contra tudo quanto é chamado Deus e recebe a honra de um culto” (Enc. Miserentissimus Redemptor, de 8 de maio de 1928).

Que diria ele hoje? E a nós, que nos compete fazer? Lutar em todos os terrenos permitidos, com todas as armas lícitas. Mas antes de tudo, acima de tudo, confiar na vida interior e na oração. É o grande exemplo de Nossa Senhora.

O exemplo de Nossa Senhora, só com o auxílio de Nossa Senhora se pode imitar. E o auxílio de Nossa Senhora só com a devoção a Nossa Senhora se pode conseguir. Ora, a devoção a Maria Santíssima no que de melhor pode consistir, do que em lhe pedirmos não só o amor a Deus e o ódio ao demônio, mas aquela santa inteireza no amor ao bem e no ódio ao mal, em uma palavra aquela santa intransigência, que tanto refulge em sua Imaculada Conceição?

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A Imaculada Conceição da Maria Virgem – singular privilégio concedido por Deus, desde toda a eternidade, Àquela que seria Mãe de seu Filho Unigênito – preside a todos os louvores que Lhe rendemos na recitação de seu Pequeno Ofício. Assim, parece-nos oportuno percorrer rapidamente a história dessa “piedosa crença” que atravessou os séculos, até encontrar, nas infalíveis palavras de Pio IX, sua solene definição dogmática.

Onze séculos de tranqüila aceitação da “piedosa crença”

Os mais antigos Padres da Igreja, amiúde se expressam em termos que traduzem sua crença na absoluta imunidade do pecado, mesmo o original, concedida à Virgem Maria. Assim, por exemplo, São Justino, Santo Irineu, Tertuliano, Firmio, São Cirilo de Jerusalém, Santo Epifânio, Teódoro de Ancira, Sedulio e outros comparam Maria Santíssima com Eva antes do pecado. Santo Efrém, insigne devoto da Virgem, A exalta como tendo sido “sempre, de corpo e de espírito, íntegra e imaculada”. Para Santo Hipólito Ela é um “tabernáculo isento de toda corrupção”. Orígenes A aclama “imaculada entre imaculadas, nunca afetada pela peçonha da serpente”. Por Santo Ambrósio é Ela declarada “vaso celeste, incorrupta, virgem imune por graça de toda mancha de pecado”. Santo Agostinho afirma, disputando contra Pelágio, que todos os justos conheceram o pecado, “menos a Santa Virgem Maria, a qual, pela honra do Senhor, não quero que entre nunca em questão quando se trate de pecados”.

Cedo começou a Igreja – com primazia da Oriental – a comemorar em suas funções litúrgicas a imaculada conceição de Maria. Passaglia, no seu De Inmaculato Deiparae Conceptu, crê que a princípios do Século V já se celebrava a festa da Conceição de Maria (com o nome de Conceição de Sant’Ana) no Patriarcado de Jerusalém. O documento fidedigno mais antigo é o cânon de dita festa, composto por Santo André de Creta, monge do mosteiro de São Sabas, próximo a Jerusalém, o qual escreveu seus hinos litúrgicos na segunda metade do século VII.

Tampouco faltam autorizadíssimos testemunhos dos Padres da Igreja, reunidos em Concílio, para provar que já no século VII era comum e recebida por tradição a piedosa crença, isto é, a devoção dos fiéis ao grande privilégio de Maria (Concílio de Latrão, em 649, e Concílio Constantinopolitano III, em 680).

Em Espanha, que se gloria de ter recebido com a fé o conhecimento deste mistério, comemora-se sua festa desde o século VII. Duzentos anos depois, esta solenidade aparece inscrita nos calendários da Irlanda, sob o título de “Conceição de Maria”.

Também no século IX era já celebrada em Nápoles e Sicílias, segundo consta do calendário gravado em mármore e editado por Mazzocchi em 1744. Em tempos do Imperador Basílio II (976-1025), a festa da “Conceição de Sant’Ana” passou a figurar no calendário oficial da Igreja e do Estado, no Império Bizantino.

No século XI parece que a comemoração da Imaculada estava estabelecida na Inglaterra, e, pela mesma época, foi recebida em França. Por uma escritura de doação de Hugo de Summo, consta que era festejada na Lombardia (Itália) em 1047. Certo é também que em fins do século XI, ou princípios do XII, celebrava-se em todo o antigo Reino de Navarra.

Séculos XII-XIII: Oposições

No mesmo século XII começou a ser combatido, no Ocidente, este grande privilégio de Maria Santíssima. Tal oposição haveria ainda de ser mais acentuada e mais precisa na centúria seguinte, no período clássico da escolástica. Entre os que puseram em dúvida a Imaculada Conceição, pela pouca exatidão de idéias à matéria encontram-se doutos e virtuosos varões, como, por exemplo, São Bernardo, São Boaventura, Santo Alberto Magno e o angélico São Tomás de Aquino.

Século XIV: Escoto e a reação a favor do dogma

O combate a esta augusta prerrogativa da Virgem não fez senão acrisolar o ânimo de seus partidários. Assim, o século XIV se inicia com uma grande reação a favor da Imaculada, na qual se destacou, como um de seus mais ardorosos defensores, o beato espanhol Raimundo Lulio.

Outro dos primeiros e mais denodados campeões da Imaculada Conceição foi o venerável João Duns Escoto (seu país natal é incerto: Escócia, Inglaterra ou Irlanda; morreu em 1308), glória da Ordem dos Menores Franciscanos, o qual, depois de bem fixar os verdadeiros termos da questão, estabeleceu com admirável clareza os sólidos fundamentos para desvanecer as dificuldades que os contrários opunham à singular prerrogativa mariana.

Sobre o impulso dado por Escoto à causa da Imaculada Conceição, existe uma tocante legenda. Teria ele vindo de Oxford a Paris, precisamente para fazer triunfar o imaculatismo. Na Universidade da Sorbonne, em 1308, sustentou uma pública e solene disputa em favor do privilégio da Virgem.

No dia dessa grande ato, Escoto, quando chegou ao local da discussão, prosternou-se diante de uma imagem de Nossa Senhora que se encontrava em sua passagem, e lhe dirigiu esta prece: “Dignare me laudare te, Virgo sacrata: da mihi virtutem contra hostes tuos”. A Virgem, para mostrar seu contentamento com esta atitude inclinou a cabeça – postura que, a partir de então, Ela teria conservado…

Depois de Escoto, a solução teológica das dificuldades levantadas contra a Imaculada Conceição se tornou casa dia mais clara e perfeita, com o que seus defensores se multiplicaram prodigiosamente. Em seu favor escreveram inúmeros filhos de São Francisco, entre os quais se podem contar os franceses Aureolo (m. em 1320) e Mayron (m. em 1325), o escocês Bassolis e o espanhol Guillermo Rubión. Acredita-se que esses ardorosos propagandistas do santo mistério estejam na origem de sua celebração em Portugal, nos primórdios do século XIV.

O documento mais antigo da instituição da festa da Imaculada nesse país é um decreto do Bispo de Coimbra, D. Raimundo Evrard, datado de 17 de Outubro de 1320. A par dos doutores franciscanos, cumpre ainda mencionar, entre os defensores da Imaculada Conceição nos séculos XIV-XV, o carmelita João Bacon (m. em 1340), o agostiniano Tomás de Estrasburgo, Dionísio, o Cartuxo (m. em 1471), Gerson (m. em 1429), Nicolau de Cusa (m. em 1464) e outros muitos esclarecidos teólogos pertencentes a diversas escolas e nações.

Séculos XV-XVI: acirradas disputas

Em meados do século XV, a Imaculada Conceição foi objeto de renhido combate durante o Concílio de Basiléia, resultando num decreto de definição sem valor dogmático, posto que este sínodo perdeu a legitimidade ao se desligar do Papa.

Entretanto, crescia cada dia mais o número das cidades, nações e colégios que celebravam oficialmente a festa da Imaculada. E com tal fervor, que nas cortes da Catalunha, reunidas em Barcelona entre 1454 e 1458, decretou-se pena de perpétuo desterro para quem combatesse o santo privilégio.

O autêntico Magistério da Igreja não tardou a dar satisfação aos defensores do dogma e da festa. Pela bula Cum proeexcelsa, de 27 de Fevereiro de 1477, o Papa Sixto IV aprovou a festa da Conceição de Maria, enriqueceu-a de indulgências semelhantes às festas do Santíssimo Sacramento e autorizou ofício e missa especial para essa solenidade.

Pelos fins do século XV, porém, a disputa em torno da Imaculada Conceição de tal maneira acirrou os ânimos dos contendores, que o mesmo Papa Sixto IV se viu obrigado a publicar, em data de 4 de setembro de 1483, a Constituição Grave Nimis, proibindo sob pena de excomunhão que os de uma parte chamassem hereges aos da outra.

Por essa época, festejavam a Imaculada célebres universidades, como as de Oxford, de Cambridge e a de Paris, a qual, em 1497, instituiu para todos os seus doutores o juramento e o voto de defender perpetuamente o mistério da Imaculada Conceição, excluindo de seus quadros quem não os fizesse. De modo semelhante procederam as universidades de Colônia (em 1499), de Magúncia (em 1501) e a de Valência (em 1530).

No Concílio de Trento (1545-1563) se ofereceu nova ocasião para denodado combate entre os dois partidos. Sem proferir uma definição dogmática da Imaculada Conceição, esta assembléia confirmou de modo solene as decisões de Sixto IV. A 15 de Junho de 1546, na sessão V, em seguida aos cânones sobre o pecado original, acrescentaram-se estas significativas palavras: “O sagrado Concílio declara que não é sua intenção compreender neste decreto, que trata do pecado original, a Bem-aventurada e imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, mas que devem observar-se as constituições do Papa Sixto IV, de feliz memória, sob as penas que nelas se cominam e que este Concílio renova”.

Por esse tempo, começaram a reforçar as fileiras dos defensores da Imaculada Conceição os teólogos da recém-fundada Companhia de Jesus, entre os quais não se achou um só de opinião contrária. Aliás, pelos primeiros missionários jesuítas no Brasil temos notícia de que, já em 1554, celebrava-se o singular privilégio mariano em nosso País. Além da festa comemorada no dia 8 de Dezembro, capelas, ermidas e igrejas eram edificadas sob o título de Nossa Senhora da Conceição.

Entretanto, a piedosa crença ainda suscitava polêmicas, coibidas pela intervenção do Sumo Pontífice. Assim, em outubro de 1567, São Pio V, condenando uma proposição de Bayo que afirmava ter morrido Nossa Senhora em conseqüência do pecado herdado de Adão, proibiu novamente a disputa acerca do augusto privilégio da Virgem.

Séculos XVII e seguintes: consolidação da “piedosa crença”

No século XVII, o culto da Imaculada Conceição conquista Portugal inteiro, desde os reis e os teólogos até os mais humildes filhos do povo. A 9 de Dezembro de 1617, a Universidade de Coimbra, reunida em claustro pleno, resolve escrever ao Papa manifestando-lhe a sua crença na imaculabilidade de Maria.

Naquele mesmo ano, Paulo V, decretou que ninguém se atrevesse a ensinar publicamente que Maria Santíssima teve pecado original. Semelhante foi a atitude de Gregório XV, em 1622.

Por essa época, a Universidade de Granada se obrigou a defender a Imaculada Conceição com voto de sangue, quer dizer, comprometendo-se a dar a vida e derramar o sangue, se necessário fosse, na defesa deste mistério. Magnífico exemplo que foi imitado, sucessivamente, por grande número de cabidos, cidades, reinos e ordens militares.

A partir do século XVII também foram se multiplicando as corporações e sociedades, tanto religiosas como civis, e até mesmo estados, que adotaram por padroeira à Virgem no mistéiro de sua Imaculada Conceição.

Digna de particular referência é a iniciativa de D. João IV, Rei de Portugal, proclamando Nossa Senhora da Conceição padroeira de seus “Reinos e Senhorios”, ao mesmo tempo que jura defendê-La até à morte, segundo se lê na provisão régia de 25 de março de 1646. A partir deste momento, em homenagem à sua Imaculada Soberana, nunca mais os reis portugueses puseram a coroa na cabeça.

Em 1648, aquele mesmo Monarca mandou cunhar moedas de ouro e prata. Foi com estas que se pagou o primeiro feudo a Nossa Senhora. Com o nome de Conceição, tais moedas tinham no anverso a legenda: JOANNES IIII, D. G. PORTUGALIAE ET ALBARBIAE REX, a Cruz de Cristo e as armas lusitanas. No reverso: a imagem da Senhora da Conceição sobre o globo e a meia lua, com a data de 1648 e, nos lados, o sol, o espelho, o horto, a casa de ouro, a fonte selada e a Arca da Aliança, símbolos bíblicos da Santíssima Virgem.

Outro decreto de D. João IV, assinado em 30 de junho de 1654, ordenava que “em todas as portas e entradas das cidades, vilas e lugares de seus Reinos”, fosse colocada uma lápide cuja inscrição exprimisse a fé do povo português na imaculada Conceição de Maria.

Igualmente a partir do século XVII imperadores, reis e as cortes dos reinos começaram a pedir com admirável constância, e com uma insistência de que há poucos exemplos na História, a declaração dogmática da Imaculada Conceição.

Pediram-na a Urbano VIII (m. em 1644) o Imperador Fernando II da Áustria; Segismundo, Rei da Polônia; Leopoldo, Arquiduque do Tirol; o eleitor de Magúncia; Ernesto de Baviera, eleitor de Colônia.

O mesmo Urbano VIII a pedidos do Duque de Mântua e de outros príncipes, criou a ordem militar dos Cavaleiros da Imaculada Conceição, aprovando ao mesmo tempo seus estatutos. Por devoção à Virgem Imaculada, quis ele ser o primeiro a celebrar o augusto Sacrifício na primeira igreja edificada em Roma sob o título da Imaculada, para uso dos menores capuchinhos de São Francisco.

Porém, o ato mais importante emanado da Santa Sé, no século XVII, em favor da Imaculada Conceição, foi a bula Sollicitude omnium Ecclesiarum, do Papa Alexandre VII, em 1661. Neste documento, escrito de sua própria mão, o Pontífice renova e ratifica as constituições em favor de Maria Imaculada, ao mesmo tempo que impõe gravíssimas penas a quem sustentar e ensinar opinião contrária aos ditos decretos e constituições. Esta bula memorável precede diretamente, sem outro decreto intermediário, a bula decisiva de Pio IX.

Em 1713, Felipe V de Espanha e as Cortes de Aragão e Castela pediram a solene definição a Clemente XI. E o mesmo Rei, com quase todos os Bispos espanhóis, as universidades e Ordens religiosas, a solicitaram a Clemente XII, em 1732.

   No pontificado de Gregório XVI, e nos primeiros anos de Pio IX, elevaram-se à Sé Apostólica mais de 220 petições de Cardeais, Arcebispos e Bispos (sem contar as dos cabidos e ordens religiosas) para que se fizesse a definição dogmática. (Monsenhor João Clá Dias, EP, Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado, Volume I, 2° Edição – Agosto 2010, p. 436 à 441)

 
 
 

Festa de Nossa Senhora das Graças e a Medalha Milagrosa – 27 de Novembro

Colunas de mármore, impecavelmente brancas, destacam a alvura do ambiente, iluminado pelos raios do sol que penetram pelas amplas janelas. A idéia de uma pureza imaculada, aliada a uma sensação de densa unção sobrenatural domina até hoje a capela da Congregação das Filhas da Caridade (mais conhecidas no Brasil como Irmãs Vicentinas), na Rue du Bac, em Paris, 170 anos depois de ela haver abrigado a mais augusta visitante que se possa imaginar: a própria Mãe de Deus. E ainda agora, reinando sobre esse ambiente abençoado, uma alva imagem de Nossa Senhora, coroada como Rainha, espargindo raios de suas mãos, parece ainda dizer a quem a contempla: “Venha ao pé deste altar. Aqui serão derramadas graças sobre todos os que as pedirem”.

Foi essa humilde irmã de caridade o instrumento escolhido por Deus para impulsionar em todo o mundo a devoção a Maria, por meio dessa medalha que, de fato, fez jus ao nome de “milagrosa”.Ainda se encontra na Capela a cadeira na qual Nossa Senhora sentou-se, para conversar longamente com a humilde religiosa do convento. E quem é esta? A resposta está sob um altar lateral, onde se vê um esquife de vidro, dentro do qual jaz uma freira miúda, tão serena que parece adormecida. É Santa Catarina Labouré que, em 1830, recebeu da Santíssima Virgem a mensagem sobre a Medalha Milagrosa.

A história dessa santinha francesa e de seus encontros – pois foram vários – com Nossa Senhora, narração de uma encantadora simplicidade, de uma candura virginal e de um celestial esplendor, não poderá deixar de nos maravilhar e atrair, despertando em nós o desejo de maior devoção a Maria, o meio mais seguro de chegarmos a Jesus Cristo, Nosso Senhor.


Santa Catarina Labouré

Ela se chamava Catarina, ou Zoé, para os mais íntimos. Sua maior alegria era levar a ração diária para a multidão de pombos que habitava a torre quadrada do pombal de sua casa. Ao avistarem a camponesinha, as aves se lançavam em direção a ela, envolvendo-a,submergindo-a, parecendo querer arrebatá-la e arrastá-la para as alturas. Cativa daquela palpitante nuvem, Catarina ria, defendendo-se contra as mais afoitas, acariciando as mais ternas, deixando sua mão deslizar pela brancura daquelas macias penugens. Durante toda a vida, guardará nostalgia dos pombos de sua infância: “Eram quase 800 cabeças”, costumava dizer, não sem uma pontinha de tímido orgulho…

Catarina Labouré (pronuncia-se “Laburrê”) veio ao mundo em 1806, na província francesa da Borgonha, sob o céu de Fain-les-Moutiers, onde seu pai possuía uma fazenda e outros bens. Aos nove anos perdeu a mãe, uma distinta senhora pertencente à pequena burguesia local, de espírito cultivado e alma nobre, e de um heroísmo doméstico exemplar. Abalada pelo rude golpe, desfeita em lágrimas, Catarina abraça uma imagem da Santíssima Virgem e exclama: “De agora em diante, Vós sereis minha mãe!”

Nossa Senhora não decepcionará a menina que se entregava a Ela com tanta devoção e confiança. A partir de então, adotou-a como filha dileta, alcançando-lhe graças superabundantes que só fizeram crescer sua alma inocente e generosa. Essa encantadora guardiã de pombos, em cujos límpidos olhos azuis se estampavam a saúde, alegria e vida, assim como a gravidade e sensatez advindas das responsabilidades que cedo pesaram sobre seus jovens ombros, essa pequena dona-de-casa modelo (e ainda iletrada) teve seus horizontes interiores abertos para a contemplação e a ascese, conducentes a uma hora de suprema magnificência.


Com as Filhas de São Vicente de Paulo

Certa vez, um sonho deixou Catarina intrigada. Na igreja de Fain-les-Moutiers, ela vê um velho e desconhecido sacerdote celebrando a Missa, cujo olhar a impressiona profundamente. Encerrado o Santo Sacrifício, ele faz um sinal para que Catarina se aproxime. Temerosa, ela se afasta, sempre fascinada por aquele olhar. Ainda em sonho, sai para visitar um pobre doente, e reencontra o mesmo sacerdote, que desta vez lhe diz: “Minha filha, tu agora me foges… mas um dia serás feliz em vir até mim. Deus tem desígnios sobre ti. Não te esqueças disso”. Ao despertar, Catarina repassa em sua mente aquele sonho, sem o compreender…

Algum tempo depois, já com 18 anos, uma imensa surpresa! Ao entrar no parlatório de um convento em Châtillon-sur-Seine, ela depara com um quadro no qual está retratado precisamente aquele ancião de penetrante olhar: é São Vicente de Paulo, Fundador da congregação das Filhas da Caridade, que assim confirma e indica a vocação religiosa de Catarina.

Com efeito, aos 23 anos, vencendo todas as tentativas do pai para afastá-la do caminho que o Senhor lhe traçara, abandona para sempre um mundo que não estava à sua altura, e entra como postulante naquele mesmo convento de Chântillon-sur-Seine. Três meses depois, em 21 de abril de 1830, é aceita no noviciado das Filhas da Caridade, situado na rue du Bac*, em Paris, onde tomará o hábito em janeiro do ano seguinte.


Primeira aparição de Nossa Senhora

Desde a sua entrada no convento da rue du Bac, Catarina Labouré foi favorecida por numerosas visões: o Coração de São Vicente, Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, o Cristo Rei e a Santíssima Virgem. Apesar da importância das outras aparições, devemos nos deter nas da Rainha Celestial. A primeira teve lugar na noite de 18 para 19 de julho de 1830, data em que as Filhas da Caridade celebram a festa de seu santo Fundador. De tudo quanto então sucedeu, deixou Catarina minuciosa descrição:

A Madre Marta nos falara sobre a devoção aos santos, em particular sobre a devoção à Santíssima Virgem – o que me deu desejo de vê-La – e me deitei com esse pensamento: que nessa noite mesmo, eu veria minha Boa Mãe. Como nos haviam distribuído um pedaço do roquete de linho de Sã Vicente, cortei a metade e a engoli, adormecendo com o pensamento de que São Vicente me obteria a graça de contemplar a Santíssima Virgem. Enfim, às onze e meia da noite, ouvi alguém me chamar:

– Irmã Labouré! Irmã Labouré!

Acordando, abri a cortina e vi um menino de quatro a cinco anos, vestido de branco, que me disse:

– Levantai-vos depressa e vinde à Capela! A Santíssima Virgem vos espera.

Logo me veio o pensamento de que as outras irmãs iam me ouvir. Mas, o menino me disse:

– Ficai tranqüila, são onze e meia; todas estão profundamente adormecidas. Vinde, eu vos espero.


Vesti-me depressa e me dirigi para o lado do menino, que permanecera de pé sem se afastar da cabeceira de meu leito. Eu o segui. Sempre à minha esquerda, ele lançava raios de claridade por todos os lugares onde passávamos, nos quais os candeeiros estavam acesos, oque muito me espantava. Porém, muito mais surpresa fiquei ao entrar na capela: logo que o menino tocou a porta com a ponta do dedo, ela se abriu. E meu espanto foi ainda mais completo quando vi todas as velas e castiçais acesos, o que me recordava a missa de meia-noite. Entretanto, eu não via a Santíssima Virgem.

O menino me conduziu para dentro do santuário, até o lado da cadeira do diretor espiritual*. Ali me ajoelhei, enquanto o menino continuou de pé. Como o tempo de espera estava me parecendo longo, olhei para a galeria para ver se as irmãs encarregadas da vigília noturna não passavam por ali.

Por fim, chegou o momento. O menino me alertou, dizendo:

– Eis a Santíssima Virgem! Ei-La!

Nesse instante, Catarina ouve um ruído, como o frufru de um vestido de seda, vindo do alto da galeria. Levanta os olhos e vê uma senhora com um traje cor de marfim, que se prosterna diante do altar e vem se sentar na cadeira do Padre Diretor.

A vidente estava na dúvida se Aquela era Nossa Senhora. O menino, então, não mais com timbre infantil, mas com voz de homem e em tom autoritário, disse:

– Eis a Santíssima Virgem!

A Irmã Catarina recordaria depois:

Dei um salto para junto d’Ela, ajoelhando-me ao pé do altar, com as mãos apoiadas nos joelhos de Nossa Senhora… Ali se passou o momento mais doce de minha vida. Ser-me-ia impossível exprimir tudo quanto senti.

Ela disse como me devo conduzir face a meu diretor espiritual, como me comportar em meus sofrimentos vindouros, mostrando-me com a mão esquerda o pé do altar, onde eu devo vir me lançar e expandir meu coração. Lá receberei todas as consolações de que necessito. Eu Lhe perguntei o que significavam todas as coisas que vira e Ela me explicou tudo:

– Minha filha, Deus quer te encarregar de uma missão. Terás muito que sofrer, porém hás de suportar, pensando que o farás para a glória de Deus. Saberás (discernir) o que é de Deus. Serás atormentada, até pelo que disseres a quem está encarregado de te dirigir. Serás contraditada, mas terás a graça. Não temas. Dize tudo com confiança e simplicidade. Serás inspirada em tuas orações. O tempo atual é muito ruim. Calamidades vão se abater sobre a França. O trono será derrubado. O mundo inteiro se verá transtornado por males de todo tipo (a Santíssima Virgem tinha um ar muito entristecido ao dizer isso). Mas venham ao pé deste altar: aí as graças serão derramadas sobre todas as pessoas, grandes e pequenas, particularmente sobre aquelas que as pedirem com confiança e fervor. O perigo será grande, porém não deves temer: Deus e São Vicente protegerão esta Comunidade.


Os fatos confirmam a aparição

Uma semana depois dessa bendita noite, explodia nas ruas de Paris a revolução de 1830, confirmando a profecia contida na visão de Santa Catarina. Desordens sociais e políticas derrubaram o rei Carlos X, e por toda a parte se verificaram manifestações de um anti-clericalismo violento e incontrolável: igrejas profanadas, cruzes lançadas por terra, comunidades religiosas invadidas, devastadas e destruídas, sacerdotes perseguidos e maltratados. Entretanto, cumpriu-se fielmente a promessa de Nossa Senhora: os padres Lazaristas e as Filhas da Caridade, congregações fundadas por São Vicente de Paulo, atravessaram incólumes esse turbulento período.

Graças abundantes e novas provações

Retornemos àqueles maravilhosos momentos na capela da rue du Bac, na noite de 18 para 19 de julho, quando Santa Catarina, com as mãos apoiadas sobre os joelhos de Nossa Senhora, ouvia a mensagem que Ela lhe trazia do Céu. Dando prosseguimento às suas narrativas, a vidente recorda estas palavras da Mãe de Deus:

– Minha filha, agrada-me derramar minhas graças sobre esta Comunidade em particular. Eu a amo muito. Sofro, porque há grandes abusos e relaxamento na fidelidade à Regra, cujas disposições não são observadas. Dize-o ao teu encarregado. Ele deve fazer tudo o que lhe for possível para recolocar a Regra em vigor. Comunica-lhe, de minha parte, que vigie sobre as más leituras, as perdas de tempo e as visitas.

Retomando um aspecto tristonho, Nossa Senhora acrescentou:


– Grandes calamidades virão. O perigo será imenso. Não temas, Deus e São Vicente protegerão a comunidade. Eu mesma estarei convosco. Tenho sempre velado por vós e vos concederei muitas graças. Momento virá em que pensarão estar tudo perdido. Tende confiança, Eu não vos abandonarei. Conhecereis minha visita e a proteção de Deus e de São Vicente sobre as duas comunidades. Não se dará o mesmo, porém, com outras Congregações. Haverá vítimas (ao dizer isto, a Santíssima Virgem tinha lágrimas nos olhos). Haverábastante vítimas no clero de Paris… O Arcebispo morrerá. Minha filha, a Cruz será desprezada e derrubada por terra. O sangue correrá. Abrir-se-á de novo o lado de Nosso Senhor. As ruas estarão cheias de sangue. O Arcebispo será despojado de suas vestimentas (aqui a Santíssima Virgem não podia mais falar; o sofrimento estava estampado em sua face). Minha filha, o mundo todo estará na tristeza.

Ouvindo estas palavras, pensei quando isto ocorreria. E compreendi muito bem: quarenta anos.

Nova confirmação: a “Comuna de Paris”

De fato, quatro décadas depois, no fim de 1870, a França e a Alemanha se enfrentaram num sangrento conflito, em que a superioridade de armamentos e de disciplina militar deram às forças germânicas uma fulminante vitória sobre o mal treinado exército francês. Em conseqüência da derrota, novas convulsões político-sociais arrebentaram em Paris, perpetradas por um movimento conhecido sob o nome de “Comuna”. Tais desordens deram lugar a outras violentas perseguições religiosas.

Conforme Nossa Senhora previra, foi fuzilado no cárcere o Arcebispo de Paris, Monsenhor Darboy. Pouco depois, os rebeldes assassinaram vinte dominicanos e outros reféns, clérigos e soldados. Entretanto, os Lazaristas e as Filhas da Caridade mais uma vez atravessaram incólumes esse período de terror, exatamente como a Santíssima Virgem prometera a Santa Catarina: “Minha filha, conhecereis minha visita e a proteção de Deus e de São Vicente sobre as duas comunidades. Mas, não se dará o mesmo com outras Congregações.”

Enquanto as demais irmãs eram tomadas de pavor em meio aos insultos, injúrias e perseguições dos anarquistas da Comuna, Santa Catarina era a única a não ter medo: “Esperai” – dizia?-?, “a Virgem velará por nós… Não nos acontecerá nenhum mal!” E mesmo quando os desordeiros invadiram o convento das Filhas da Caridade e as expulsaram de lá, a santa vidente não apenas assegurou à Superiora que a própria Santíssima Virgem guardaria a casa intacta, mas previu que todas estariam de volta dentro de um mês, para celebrar a festa da Realeza de Maria. Ao retirar-se, Santa Catarina apanhou a coroa da imagem do jardim e disse a ela: “Eu voltarei para vos coroar no dia 31 de maio”.

Estas e outras revelações concernentes à Revolução da Comuna realizaram-se pontualmente, conforme foram anunciadas quarenta anos antes por Nossa Senhora.

Mas, retrocedamos àquela bendita noite de julho de 1830, na capela da rue du Bac. Após o encontro com a Mãe de Deus, Santa Catarina não cabia em si de tanta consolação e alegria. Ela recordaria mais tarde:

Não sei quanto tempo lá permaneci. Tudo o que sei é que, quando Nossa Senhora partiu, tive a impressão de que algo se apagava, e apenas percebi uma espécie de sombra que se dirigia para o lado da galeria, fazendo o mesmo percurso pelo qual Ela havia chegado. Levantei-me dos degraus do altar e vi o menino onde ele havia ficado. Disse-me:

– Ela partiu.

Retomamos o mesmo caminho, de novo todo iluminado, o menino conservando-se à minha esquerda. Creio que era meu Anjo da Guarda, que se tornara visível para me fazer contemplar a Santíssima Virgem, atendendo as insistentes súplicas que eu lhe fizera neste sentido. Ele estava vestido de branco e levava consigo uma luz miraculosa, ou seja, estava resplandecente de luz. Sua idade girava em torno de quatro ou cinco anos.

Retornando a meu leito (eram duas horas da manhã, pois ouvi soar a hora), não consegui mais dormir…


Segunda aparição: a Medalha Milagrosa

Quatro meses transcorreram desde aquela prodigiosa noite em que Santa Catarina contemplara pela primeira vez a Santíssima Virgem. Na inocente alma da religiosa cresciam as saudades daquele bendito encontro e o desejo intenso de que lhe fosse concedido de novo o augusto favor de rever a Mãe de Deus. E foi atendida.

Era 27 de novembro de 1830, sábado. Às cinco e meia da tarde, as Filhas da Caridade encontravam-se reunidas na sua capela da rue du Bac para o costumeiro período de meditação. Reinava perfeito silêncio nas fileiras das freiras e noviças. Como as demais, Catarina se mantinha em profundo recolhimento. De súbito…

Pareceu-me ouvir, do lado da galeria, um ruído como o frufru de um vestido de seda. Tendo olhado para esse lado, vi a Santíssima Virgem à altura do quadro de São José. De estatura média, sua face era tão bela que me seria impossível dizer sua beleza.


A Santíssima Virgem estava de pé, trajando um vestido de seda branco-aurora, feito segundo o modelo que se chama à la Vierge, mangas lisas, com um véu branco que Lhe cobria a cabeça e descia de cada lado até embaixo. Sob o véu, vi os cabelos repartidos ao meio, e por cima uma renda de mais ou menos três centímetros de altura, sem franzido, isto é, apoiada ligeiramente sobre os cabelos. O rosto bastante descoberto, os pés pousados sobre uma meia esfera. Nas mãos, elevadas à altura do estômago de maneira muito natural, Ela trazia uma esfera de ouro que representava o globo terrestre. Seus olhos estavam voltados para o Céu… Seu rosto era de uma incomparável formosura. Eu não saberia descrevê-lo…

De repente, percebi em seus dedos anéis revestidos de belíssimas pedras preciosas, cada uma mais linda que a outra, algumas maiores, outras menores, lançando raios para todos os lados, cada qual mais estupendo que o outro. Das pedras maiores partiam os mais magníficos fulgores, alargando-se à medida que desciam, o que enchia toda a parte inferior do lugar. Eu não via os pés de Nossa Senhora.

Nesse momento, quando eu estava contemplando a Santíssima Virgem, Ela baixou os olhos, fitando-me. E uma voz se fez ouvir no fundo de meu coração, dizendo estas palavras:

– A esfera que vês representa o mundo inteiro, especialmente a França… e cada pessoa em particular…

Não sei exprimir o que senti e o que vi nesse instante: o esplendor e a cintilação de raios tão maravilhosos…

– Estes (raios) são o símbolo das graças que Eu derramo sobre as pessoas que mas pedem – acrescentou Nossa Senhora, fazendo-me compreender quão agradável é rezar a Ela, quanto Ela é generosa para com seus devotos, quantas graças concede às pessoas que Lhas rogam, e que alegria Ela sente ao concedê-las.

– Os anéis dos quais não partem raios (dirá depois a Santíssima Virgem), simbolizam as graças que se esquecem de me pedir.

Nesse momento formou-se um quadro em torno de Nossa Senhora, um pouco oval, no alto do qual estavam as seguintes palavras: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”, escritas em letras de ouro. Uma voz se fez ouvir então, dizendo-me:

– Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todos os que a usarem, trazendo-a ao pescoço, receberão grandes graças. Estas serão abundantes para aqueles que a usarem com confiança…

Nesse instante, o quadro me pareceu girar e vi o reverso da medalha: no centro, o monograma da Santíssima Virgem, composto pela letra “M” encimada por uma cruz, a qual tinha uma barra em sua base. Embaixo figuravam os Corações de Jesus e de Maria, o primeirocoroado de espinhos, e o outro, transpassado por um gládio. Tudo desapareceu como algo que se extingue, e fiquei repleta de bons sentimentos, de alegria e de consolação.

Santa Catarina dirá, mais tarde, a seu Diretor Espiritual ter visto as figuras do verso da medalha contornadas por uma guirlanda de doze estrelas. Tempos depois, pensando se algo mais devia lhes ser acrescentado, ouviu durante a meditação uma voz que dizia:

– O M e os dois corações são suficientes.

Terceira aparição de Nossa Senhora

Passado alguns dias, em dezembro de 1830, Nossa Senhora apareceu pela terceira e última vez a Santa Catarina. Como na visão anterior, Ela veio no período da meditação vespertina, fazendo-se preceder por aquele característico frufru de vestido de seda. Dali a pouco, a vidente contemplava a Rainha do Universo, em seu traje cor da aurora, revestida do véu branco, segurando novamente um globo de ouro encimado por uma pequena cruz. Dos anéis ornados de pedras preciosas jorra, com intensidades diversas, a mesma luz, radiosa como a do sol. Contou depois Santa Catarina:

É impossível exprimir o que senti e compreendi no momento em que a Santíssima Virgem oferecia o Globo a Nosso Senhor. Como estava com a atenção voltada em contemplar a Santíssima Virgem, uma voz se fez ouvir no fundo de meu coração: Estes raios são símbolo das graças que a Santíssima Virgem obtém para as pessoas que Lhas pedem. Estava eu cheia de bons sentimentos, quando tudo desapareceu como algo que se apaga. E fiquei repleta de alegria e consolação…

A cunhagem das primeiras medalhas

Encerrava-se assim o ciclo das aparições da Santíssima Virgem a Santa Catarina. Esta, entretanto, recebeu uma consoladora mensagem: “Minha filha, doravante não mais me verás, porém ouvirás minha voz durante tuas orações”. Tudo quanto presenciara e lhe fora transmitido, Santa Catarina relatou ao seu diretor espiritual, o Padre Aladel, que muito hesitou em lhe dar crédito. Ele considerava uma sonhadora, visionária e alucinada essa noviça que tudo lhe confiava e insistentemente implorava:

– Nossa Senhora quer isto… Nossa Senhora está descontente… é preciso cunhar a medalha!


Dois anos de tormento se passaram. Por fim, o Padre Aladel resolve consultar o Arcebispo de Paris, Dom Quelen, que o encoraja a levar adiante esse santo empreendimento. Só então encomenda à Casa Vachette as primeiras vinte mil medalhas. A cunhagem já iacomeçar, quando uma epidemia de cólera, vinda da Rússia através da Polônia, irrompeu em Paris em 26 de março de 1832, espalhando a morte e a calamidade. A devastação foi tal que, num único dia, registraram-se 861 vítimas fatais, sendo que o total de óbitos elevou-se a mais de vinte mil.

As descrições da época são aterradoras: o corpo de um homem em perfeitas condições de saúde reduzia-se ao estado de esqueleto em apenas quatro ou cinco horas. Quase num piscar de olhos, jovens cheios de vida tomavam o aspecto de velhos carcomidos, e logodepois não eram senão horripilantes cadáveres.

Nos últimos dias de maio, quando a epidemia pareceu recuar, iniciou-se de fato a cunhagem das medalhas. Todavia, na segunda quinzena de junho, novo surto da tremenda enfermidade lançava uma vez mais o pânico entre o povo. Finalmente, a Casa Vachette entregou no dia 30 desse mês as primeiras 1500 medalhas, que logo foram distribuídas pelas Filhas da Caridade e abriram um interminável cortejo de graças e milagres.

Conversão do jovem Ratisbonne

Os prodígios da misericórdia divina operados através da Medalha correram de boca em boca por toda a França. Em poucos anos, já se difundia pelo mundo inteiro a notícia de que Nossa Senhora havia indicado pessoalmente a uma freira, Filha da Caridade, o modelo de uma medalha que mereceu imediatamente o nome de “Milagrosa”, pois imensos e copiosos eram os favores celestiais alcançados pelos que a usavam com confiança, segundo a promessa da Santíssima Virgem.

Em 1839, mais de dez milhões de medalhas já circulavam pelos cinco continentes, e os registros de milagres chegavam de todos os lados: Estados Unidos, Polônia, China, Etiópia…

Nenhum, porém, causou tanta surpresa e admiração quanto o noticiado pela imprensa em 1842: um jovem banqueiro, aparentado com a riquíssima família Rotschild, judeu de raça e religião, indo a Roma com olhos críticos em relação à Fé Católica, converteu-se subitamente na Igreja de Santo André delle Fratte. A Santíssima Virgem lhe aparecera com as mesmas características da Medalha Milagrosa: “Ela nada disse, mas eu compreendi tudo”, declarou Afonso Tobias Ratisbonne, que logo rompeu um promissor noivado e se tornou, no mesmo ano, noviço jesuíta. Mais tarde se ordenou sacerdote e prestou relevantes serviços à Santa Igreja, sob o nome de Padre Afonso Maria Ratisbonne.

Quatro dias antes de sua feliz conversão, o jovem israelita aceitara, por bravata, a imposição de seu amigo, o Barão de Bussières: prometera rezar todo dia um Lembrai-vos (conhecida oração composta por São Bernardo) e levar ao pescoço uma Medalha Milagrosa. E ele a trazia consigo quando Nossa Senhora lhe apareceu…

Essa espetacular conversão comoveu toda a aristocracia européia e teve repercussão mundial, tornando ainda mais conhecida, procurada e venerada a Medalha Milagrosa. Entretanto, ninguém – nem a Superiora da rue du Bac e nem mesmo o Papa – sabia quem era a religiosa escolhida por Nossa Senhora para canal de tantas graças. Ninguém… exceto o Padre Aladel, que envolvia tudo no anonimato. Por humildade, Santa Catarina Labouré manteve durante toda a vida uma absoluta discrição, jamais deixando transparecer o celeste privilégiocom que fora contemplada.

Para ela importava apenas a difusão da medalha: era sua missão… e estava cumprida!

A figura de Nossa Senhora na Medalha

A propósito da figura de Nossa Senhora, com as mãos e os braços estendidos, tal como aparece na Medalha Milagrosa, levanta-se uma delicada e controvertida questão.

Dos manuscritos de Santa Catarina pode-se inferir que Nossa Senhora lhe apareceu três vezes, duas das quais oferecendo o globo a Nosso Senhor. Em nenhum desses numerosos autógrafos há qualquer menção ao momento em que a Mãe de Deus teria estendido seus braços e suas virginalíssimas mãos, como se vê na Medalha Milagrosa e nos primeiros quadros representativos das aparições.


Essa divergência entre as descrições de Santa Catarina e a representação da Medalha Milagrosa foi logo apontada pelo biógrafo da vidente, Monsenhor Chevalier, ao declarar em 1896 no processo de beatificação: “Não chego a compreender por que o Padre Aladel suprimiu o globo que a Serva de Deus sempre afirmou a mim ter visto nas mãos da Santíssima Virgem. Sou levado a crer que ele agiu assim para simplificar a medalha”.

Porém, se lamentável é esta “simplificação” feita pelo Padre Aladel, ela não deve causar a menor perturbação. Sobre a Medalha Milagrosa, tal qual é conhecida e venerada hoje no mundo inteiro, pousaram as bênçãos da Santíssima Virgem. É o que, indubitavelmente, se deduz das incontáveis e insignes graças, dos fulgurantes e inúmeros milagres que tem ocasionado, bem como da reação de Santa Catarina ao receber as primeiras medalhas cunhadas pela Casa Vachette, dois anos depois das aparições: “Agora é preciso propagá-la!”, exclamou ela.

Ainda acerca do globo que não figura na Medalha, uma decisiva confidência afasta qualquer dúvida. Em 1876, pouco antes de falecer, sendo interrogada pela sua Superiora, Madre Joana Dufès, Santa Catarina respondeu categoricamente: – Oh! Não se deve tocar na Medalha Milagrosa!

A glorificação de Catarina

Durante 46 anos de uma vida toda interior e escrupulosamente recolhida, Santa Catarina permaneceu fiel a seu anonimato. Miraculoso silêncio! Seis meses antes de seu fim, impossibilitada de ver seu confessor, recebeu do Céu a autorização – quiçá a exigência – de revelar à sua Superiora quem era a freira honrada pela Santíssima Virgem por um ato de confiança sem igual.

Diante da idosa e já claudicante irmã, em relação à qual havia sido por vezes severa, a Superiora se ajoelhou e se humilhou. Tanta simplicidade na grandeza confundia sua soberba.

Santa Catarina faleceu docemente em 31 de dezembro de 1876, sendo enterrada três dias depois numa sepultura cavada na capela da rue du Bac. Passadas quase seis décadas, em 21 de março de 1933, seu corpo exumado apareceu incorrupto à vista dos assistentes. Um médico ergueu as pálpebras da santa e recuou, reprimindo a custo um grito de espanto: os magníficos olhos azuis que contemplaram a Santíssima Virgem pareciam ainda, após 56 anos de túmulo, palpitantes de vida.

A Igreja elevou Santa Catarina Labouré à honra dos altares em 27 de julho de 1947. Aos tesouros de graças e misericórdias espargidos pela Medalha Milagrosa em todo o mundo, iam se acrescentar doravante as benevolências e favores obtidos pela intercessão daquela que vivera na sombra, escondida com Jesus e Maria.

Hoje, qualquer fiel pode venerar o corpo incorrupto da santa, exposto na Casa das Filhas da Caridade, em Paris. Antigamente ali, nas horas de oração e recolhimento, o balouçar das alvas coifas das religiosas ajoelhadas em fileiras diante do altar, lembrava um disciplinado vôo de pombos brancos…

 
 
 
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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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