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O Sangue de Cristo é o preço do nosso resgate: é por ele que o mundo é salvo; a Igreja, redimida; o demônio, vencido; e nós, inebriados de amor e misericórdia. Conheça as origens dessa devoção!

Existe uma devoção particular na Igreja Católica que está ligada à Paixão de Jesus Cristo: é a honra do seu Precioso Sangue.

Trata-se de um reconhecimento do sacrifício de Jesus e como ele derramou seu sangue para a salvação da humanidade. Além disso, este sangue é feito presente através do dom da Eucaristia e é algo que podemos comungar na Missa, juntamente com o corpo de Cristo, sob a aparência de pão e vinho.

Com o passar do tempo, a Igreja desenvolveu várias festas do Preciosíssimo Sangue, mas foi no século 19 que uma festa universal foi estabelecida.

Durante a Primeira Guerra Italiana pela Independência, em 1849, o Papa Pio IX foi para o exílio em Gaeta. Ele estava com Don Giovanni Merlini, terceiro superior geral dos Padres do Preciosíssimo Sangue.


Enquanto a guerra ainda estava em fúria, Merlini sugeriu ao Papa Pio IX que ele criasse uma festa universal ao Precioso Sangue para implorar a ajuda celestial de Deus para acabar com a guerra e trazer a paz a Roma. Pio IX, posteriormente, fez uma declaração em 30 de junho de 1849 que ele pretendia criar uma festa em honra ao Precioso Sangue. A guerra logo terminou e ele retornou a Roma pouco depois.

Em 10 de agosto, ele oficializou e proclamou que o primeiro domingo de julho seria dedicado ao Preciosíssimo Sangue de Jesus Cristo. Mais tarde, o Papa Pio X atribuiu o dia 1º de julho como a data fixa dessa celebração.

Depois do Vaticano II, a festa foi removida do calendário, mas uma Missa votiva em honra do Preciosíssimo Sangue foi estabelecida e pode ser celebrada no mês de julho (assim como na maioria dos outros meses do ano).

Por estas razões, todo o mês de julho é tradicionalmente dedicado ao Preciosíssimo Sangue, e os católicos são encorajados a meditar sobre o profundo sacrifício de Jesus e o derramamento de seu sangue para a humanidade. Leia também Reze a Ladainha em honra ao Preciosíssimo Sangue de Jesus

Abaixo está a oração de abertura da Missa votiva, bem como uma oração adicional que pode ser usada como meditação pessoal ou oração durante o mês de julho:

“Ó Deus, que pelo Precioso Sangue do teu Filho Unigênito redimiu o mundo inteiro, preserva em nós o trabalho de tua misericórdia, para que, sempre honrando o mistério da nossa salvação, possamos merecer obter bons frutos. Por nosso senhor Jesus Cristo, teu filho, que vive e reina na unidade do Espírito Santo, um só Deus, para todo o sempre. Amém.”“Admitidos à vossa mesa sagrada, ó Senhor, com alegria extraímos água das fontes do Salvador: que o vosso sangue, pedimos a vós, torne dentro de nós uma fonte de água que salta para a vida eterna. Amém.”

Fonte: Aleteia

 
 
 

SANTO DO DIA – 24 DE JUNHO – NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA Profeta e mártir (século I)

A Bíblia nos diz que Isabel era prima e muito amiga de Maria, e elas tinham o costume de visitarem-se. Uma dessas ocasiões foi quando já estava grávida: ‘Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo'(Lc 1,41). Ainda no ventre da mãe, João faz uma reverência e reconhece a presença do Cristo Jesus.

Assim os evangelistas apresentam com todo rigor a figura de João como precursor do Messias, cujo dia do nascimento é também chamado de ‘Aurora da Salvação’. É o único santo, além de Nossa Senhora, em que se festeja o nascimento, porque a Igreja vê nele a preanunciação do Natal de Cristo.

Ele era um filho muito desejado por seus pais, Isabel e Zacarias, ambos de estirpe sacerdotal e já com idade bem avançada. Isabel haveria de dar à luz um menino, o qual deveria receber o nome de João, que significa ‘Deus é propício’. Assim foi avisado Zacarias pelo anjo Gabriel.


Conforme a indicação de Lucas, Isabel estava no sexto mês de gestação de João, que foi fixado pela Igreja três meses após a Anunciação de Maria e seis meses antes do Natal de Jesus. O sobrinho da Virgem Maria foi o último profeta e o primeiro apóstolo. ‘É mais que profeta, disse ainda Jesus. É dele que está escrito: eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti’. Ou seja, o primo João inicia sua missão alguns anos antes de Jesus iniciar a sua própria missão terrestre.

Lucas também fala a respeito da infância de João: o menino foi crescendo e fortificando-se em espírito e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel.

Com palavras firmes, pregava a conversão e a necessidade do batismo de penitência. Anunciava a vinda do Messias prometido e esperado, enquanto de si mesmo deu este testemunho: ‘Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitarei o caminho do Senhor…’ Aos que o confundiam com Jesus, afirmava com humildade: ‘Eu não sou o Cristo’ e ‘Não sou digno de desatar a correia de sua sandália’. Sua originalidade era o convite a receber a ablução com água no rio Jordão, prática chamada batismo. Por isso o seu apelido de Batista.

João Batista teve a grande missão de batizar o próprio Cristo. Ele apresentou oficialmente Cristo ao povo como Messias com estas palavras: ‘Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo… Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo’.

Jesus, falando de João Batista, tece-lhe o maior elogio registrado na Bíblia: ‘Jamais surgiu entre os nascidos de mulher alguém maior do que João Batista. Contudo o menor no Reino de Deus é maior do que ele’.

Ele morreu degolado no governo do rei Herodes Antipas, por defender a moralidade e os bons costumes. O seu martírio é celebrado em 29 de agosto, com outra veneração litúrgica. São João Batista é um dos santos mais populares em todo o mundo cristão.


Conheça mais sobre São João Batista

A liturgia faz-nos celebrar a Natividade de São João Batista, o único Santo do qual se comemora o nascimento, porque marcou o início do cumprimento das promessas divinas.

João é aquele «profeta», identificado com Elias, que estava destinado a preceder imediatamente o Messias para preparar o povo de Israel para a sua vinda …

Depois de Nossa Senhora, talvez seja João Batista o santo mais venerado pelos Cristãos. Como a Santa Mãe de Deus, dele também se celebra a data de dois nascimentos: para a vida terrena, em 24 de junho, e para a vida eterna em 29 de agosto. Aliás, São João e Maria Santíssima eram parentes bem próximos.

Já no Antigo Testamento encontramos trechos que se referem a São João Batista, o Precursor: estrela da manhã que com o seu brilho excedia o brilho de todas as outras estrelas e anunciava a manhã do dia abençoado, iluminado pelo Sol espiritual de Cristo (Mal. 4:2). Ver Isaías.

Por causa de suas pregações, São João foi logo tido como profeta. Aquela categoria de homens especialmente escolhidos pela Providencia que, falando por inspiração divina, prenunciam os acontecimentos, ouvem e interpretam os passos do Criador na história, orientando o caminhar do povo de Deus.

Os Santos Evangelhos referem-se a ele como sendo um desses homens. Talvez como sendo o maior deles (Lc 7, 26-28), uma vez que com São João Batista a missão profética atingiu sua plenitude e ele é um dos elos de ligação entre o Antigo e o Novo Testamento.

Os outros profetas foram um prenúncio do Batista. Só ele pôde apresentar o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo em pessoa como sendo o messias prometido, o salvador e redentor da humanidade.

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O Evangelista São Lucas nos conta que João, o “Batista”, o “Precursor”, nasceu numa cidade do reino de Judá, perto de Hebron, nas montanhas, ao sul de Jerusalém e que era descendente do santo patriarca Abraão, iniciador da historia do povo de Israel.

Seu pai foi o sacerdote São Zacarias (da geração de Aarão) e sua Mãe foi Santa Isabel (da geração de Davi), prima da Virgem Maria, mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. São Lucas ressalta também as circunstâncias sobrenaturais que precederam o nascimento de João Batista: Isabel, estéril e já idosa, viu ser possível realizar seu justo desejo de ter um descendente quando o arcanjo São Gabriel anunciou a Zacarias, seu esposo, que ela daria a luz a um filho. O menino deveria chamar-se João e seria o precursor do Salvador.

Pela graça de Deus o menino não foi morto no massacre dos inocentes quando milhares de crianças foram assassinadas na região de Belém a mando de Herodes. Alguns meses depois de engravidar-se, Isabel recebeu a visita de Nossa Senhora: “Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.

E exclamou em alta voz: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.” (Lc 1:39-44).

Essas circunstâncias, impregnados de um clima sobrenatural, foram preparadas sabiamente pela Divina Providencia para que o papel de João Batista fosse realçado como precursor de Cristo. Esses fatos aconteceram por volta do ano 5, antes de Cristo, no território onde habitava a tribo de Judá.

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Estando ainda em sua juventude, João retirou-se para o deserto. Nesse ambiente austero, recolhido e afastado dos homens ele preparou-se para sua missão. Vestido de pêlos de camelo e um cinturão de couro, ele alimentava-se apenas de mel silvestre e gafanhotos. Com jejuns e orações, colocou-se por inteiro na presença do Altíssimo, levando uma vida extremamente coerente com seus ensinamentos. Permaneceu no deserto até por volta de seus trinta anos quando iniciou suas pregações às margens do rio Jordão.

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A relevância do papel de São João Batista reside no fato de ter sido ele o “precursor” de Cristo. Foi ele a voz que clamava no deserto anunciando a chegada do Messias não cessando, jamais, de chamar os homens à conversão: “Arrependei-vos e convertei-vos, pois o reino de Deus está próximo”. Em suas pregações Insistia sempre para que os judeus, pela penitência, se preparassem pois estava próxima a chegada do Messias prometido.

João passou a ser conhecido como “Batista” por causa da importância que dava ao batismo, um ritual de purificação corporal onde a imersão na água simbolizava a mudança de vida interior do batizado.

Não deixava nunca de salientar aos seus ouvintes e discípulos que “Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque antes de mim ele já existia! Eu também não o conhecia, mas vim batizar com água para que ele fosse manifestado a Israel”.

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João pregou também na corte de Herodes Antipas, tetrarca da Galiléia. Foi ai que ele teve oportunidade de denunciar a vida escandalosa que o governante levava. E foi também essa denuncia que serviu de motivo para que João Batista fosse preso. Ele só não foi condenado à morte nessa ocasião porque o tetrarca sabia da popularidade do já muito conhecido pregador e temia a reação do povo diante dessa medida extrema.

Porém, como relata o evangelista São Marcos (6: 21-29), aconteceu que durante as comemorações do aniversário de Herodes, Salomé, filha de Herodíades – mulher com a qual o governante mantinha um relacionamento irregular e imoral – agradou tanto ao aniversariante que este prometeu atender qualquer pedido feito pela moça.

Instigada pela mãe, ela pediu a cabeça de João Batista. Herodes cumpriu o que havia prometido: mandou degolar João Batista e sua cabeça foi trazida numa bandeja e entregue a Salomé.

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“Entre os filhos de mulher, ninguém ultrapassa João Batista” (Lc 7,28): a vaidade, o orgulho, a soberba, jamais encontraram lugar em seu coração. Por causa de sua austeridade e de sua fidelidade cristã, ele foi confundido com o próprio Jesus Cristo, mas, imediatamente, ele retruca: “Eu não sou o Cristo, mas fui enviado diante dele.” (Jo 3, 28) e “não sou digno de desatar a correia de sua sandália”. (Jo 1,27). João batizou Jesus, embora não quisesse fazê-lo, dizendo: “Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim ?” (Mt 3:14).

Quando seus discípulos hesitantes não sabiam a quem seguir, ele apontava na direção daquele que é o único caminho: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. (Jo 1,29).

E dava testemunho de Jesus: “Eu vi o Espírito descer do céu, como pomba, e permanecer sobre ele. Pois eu não o conhecia, mas quem me enviou disse-me: Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, é ele que batiza com Espírito Santo. Eu vi, e por isso dou testemunho: ele é o Filho de Deus!”

 
 
 

Comemora-se no dia 8 de maio a aparição de São Miguel Arcanjo sobre o Monte Gargano (em Apúlia, Itália). A história do mais antigo santuário do Ocidente dedicado a São Miguel está cheia de misterioso encanto. De lá se espalhou para toda a Igreja a devoção ao combativo Arcanjo. Será ela hoje apenas a pitoresca lembrança de um passado remoto?

Situado a oitocentos metros de altura, sobre um imponente promontório que avança em direção ao Mar Adriático, o Santuário de São Miguel Arcanjo do Monte Gargano chama a atenção por sua singular arquitetura e posição geográfica.

Um conjunto de pequenos edifícios pitorescamente sobrepostos na cresta da montanha o compõem, tendo por centro a pequena gruta onde o Custódio da Igreja apareceu no início da Idade Média.

Ao tomarem conhecimento do ocorrido, os habitantes de Siponto pediram ao seu Bispo, São Lourenço Maiorano, que lhes interpretasse o misterioso fato

Desde aquela remota época, o local tornou-se um centro de irradiação da devoção ao Santo Arcanjo para toda a Igreja. Ao longo dos tempos milhões de peregrinos, entre os quais muitos Papas, reis e Santos, visitaram o célebre santuário, cuja história, porém, se perde na bruma dos séculos.

A flecha se volta contra o arqueiro

Narram as antigas crônicas que, no ano 490, um nobre de Siponto, hoje parte da comuna italiana de Manfredônia, pôs-se a procurar nos arredores da cidade um de seus touros que havia se segregado dos demais. Passou várias horas buscando-o e só conseguiu encontrá-lo quando, vencido pelo cansaço, já decidira retornar para casa.

O animal achava-se na entrada de uma gruta pedregosa de difícil acesso, situada na parte mais alta do monte que domina a cidade. Seu resgate tornava-se quase impossível. Tomado de impaciência, o nobre disparou-lhe uma flecha com a intenção de matá-lo, mas esta, para surpresa dos que presenciavam a cena, retornou ao ponto do qual fora lançada, ferindo o próprio arqueiro.

Ao tomarem conhecimento do ocorrido, os sipontinos pediram ao seu Bispo, São Lourenço Maiorano, que lhes interpretasse o misterioso fato. Como resposta, o piedoso prelado decretou três dias de jejum, durante os quais todos deviam pedir a Deus que lhes revelasse seus sublimes desígnios em relação ao acontecido.

O atendimento às preces e sacrifícios não se fez esperar. Na aurora do quarto dia, 8 de maio de 490, enquanto São Lourenço rezava na Igreja de Santa Maria Maggiore, antiga catedral de Siponto, apareceu-lhe o glorioso Príncipe da Milícia Celeste, dizendo: “Bem fizeste em procurar descobrir o mistério de Deus escondido aos homens, razão pela qual os golpeei com minha lança. Sabei, porém, que esta é a minha expressa vontade. Eu sou Miguel Arcanjo e estou sempre na presença de Deus. Venho habitar este lugar, guardá-lo e provar por meio de um sinal que serei seu vigia e custódio”.1

O espírito angélico ainda prometeu que concederia qualquer favor que ali lhe rogassem em oração e pediu que se dedicasse a gruta ao culto cristão. E, como prova do seu poder, fez com que o nobre atingido pela flecha ficasse prodigiosamente curado, a ponto de desaparecerem todos os vestígios do ferimento.

São Miguel lhes obtém a vitória

A notícia do acontecido espalhou-se pela Europa e pelo Mediterrâneo, até atingir a longínqua Constantinopla. Enquanto isso, em Siponto, os fiéis tomaram por costume subir o Monte Gargano a fim de pedir a intercessão do Santo Arcanjo, que lhes obtinha graças com grande munificência.

Um dos maiores favores por ele concedidos deu-se dois anos depois da primeira aparição. Tendo sido a cidade cercada por um poderoso exército bárbaro, São Lourenço subiu à celeste gruta para implorar ao Arcanjo a vitória, e aconselhou ao povo pedir uma trégua de três dias, durante os quais deveriam fazer jejuns e preces em honra ao Deus dos exércitos.

Os invasores aceitaram o armistício e, completado o tempo assinalado, São Miguel apareceu novamente ao prelado enquanto rezava na catedral de Siponto. Era a aurora de 29 de setembro de 492. Vinha anunciar-lhe a vitória e o advertia de não atacar os invasores senão depois da hora quarta daquele mesmo dia.

O santo Bispo convocou o povo e transmitiu-lhe as instruções recebidas do Céu. Inundados de alegria, os defensores da cidade passaram as primeiras horas do dia em oração e, no momento determinado pelo Arcanjo, dirigiram-se ao encontro dos seus adversários. Os invasores, conta um cronista, confiavam no próprio orgulho, e os sipontinos, na promessa angélica.2

Cenas do retábulo de São Miguel Arcanjo – Capela Santa Inês, Museu Diocesano e Catedralício, Valladolid (Espanha)

Iniciada a batalha, uma espessa nuvem cobriu o Gargano. A terra começou a tremer, o mar agitou-se rugindo com furor e desabou uma terrível tempestade, cujos raios atingiam os bárbaros e poupavam os sipontinos. Aterrorizado, o exército inimigo logo se pôs em fuga.

Em agradecimento, o Bispo saiu com o povo em procissão até a gruta do Arcanjo, em frente à qual encontraram gravadas na rocha pegadas semelhantes às de um homem. Imediatamente as atribuíram a São Miguel e, não ousando entrar, puseram-se a venerar os vestígios deixados pelo espírito angélico como sinal inequívoco de sua presença e proteção.

“Eu mesmo consagrei este lugar”

No oitavo dia do mês de maio de 493, o Bispo Lourenço subiu novamente à gruta para comemorar o terceiro aniversário da primeira aparição. Preocupava-lhe a ideia de transformar aquele solitário local em um verdadeiro santuário, onde Deus fosse louvado e a Santa Missa celebrada com frequência, mas não sabia qual seria o melhor modo de fazê-lo.

Para resolver o dilema, decidiu levar o problema ao Papa São Gelásio, que acabava de assumir o Sólio Pontifício. Este acolheu com benevolência os mensageiros do Bispo, mas, em lugar de dar-lhe uma solução para a questão, convidou-o a descobrir a vontade do Arcanjo com estas palavras: “Se competisse a nós determinar o dia da dedicação da igreja escolhida por São Miguel, diríamos que se fizesse no dia da vitória contra os bárbaros; mas, cabendo ao Santo Príncipe defini-lo, esperamos o seu oráculo”.3

Nessa mesma missiva, o Pontífice pedia a São Lourenço que proclamasse em Siponto um jejum de três dias, no qual deveriam acompanhá-lo sete virtuosos prelados de dioceses vizinhas, que enumerava a seguir. O próprio Santo Padre prometia unir-se em Roma às orações assim proferidas.

As preces de um Papa santo, unidas às de tão virtuosos prelados, não podiam deixar de ser atendidas. No dia 26 de setembro de 493, deu-se início ao tríduo solene preceituado por São Gelásio e, na noite do dia 29, São Lourenço recebia o terceiro oráculo do Arcanjo, que apareceu a ele dizendo: “Não compete a vós dedicar esta basílica que eu erigi, mas a mim, que coloquei seus fundamentos. À medida que suas paredes cresçam, os pecados dos homens que a visitem diminuirão, pois no seio desta casa tão especial as más ações desaparecem. Entrai nela, orai assiduamente no seu interior, assistidos por mim, seu padroeiro. E, quando sejam celebradas Missas, que o povo comungue conforme o costume. Eu mesmo me encarregarei de santificar este lugar”.4

Na aurora do dia seguinte, prelados e fiéis dirigiram-se à gruta e os sinais prometidos pelo Arcanjo começaram já no caminho, ao longo do qual o sol era muito forte. Em determinado momento, quatro enormes águias passaram a acompanhá-los: duas faziam sombra para os Bispos e o povo, e as outras duas produziam com suas asas uma agradável brisa.

Ao chegar à gruta, depararam-se com a efígie de São Miguel impressa na parede e, ao penetrar no seu interior, encontraram um altar escavado na rocha e ornado com uma cruz de cristal, como símbolo da prometida consagração.

Séculos de devoção a São Miguel

Quando o Papa Gelásio soube por São Lourenço das maravilhas acontecidas nesse dia, estabeleceu para todo o sempre que o dia 29 de setembro fosse dedicado a São Miguel na Igreja universal. Mais tarde se comemorariam também nessa data São Gabriel e São Rafael, dando origem assim à atual memória litúrgica dos três Arcanjos.

Nos séculos sucessivos, a história do santuário acompanha as vicissitudes da época, marcada pelas lutas entre bizantinos e lombardos. No século XI erige-se a antiga igreja, cujos vestígios ainda hoje contemplamos.

Entre os Papas e Santos medievais que visitaram o santuário, cabe mencionar São Bernardo, São Guilherme de Vercelli, São Tomás de Aquino, Santa Catarina de Siena e São Francisco de Assis. Este último, não se sentindo digno de ingressar na gruta, recolheu-se em oração à entrada do recinto, osculou o chão e gravou numa das pedras o sinal do tau.

Em 1656 haveria de dar-se ainda uma quarta aparição, motivada pela terrível peste que então se alastrava pela Itália, levando consigo inúmeras vítimas. Nessa ocasião Dom Giovanni Alfonso Puccinelli, Arcebispo de Manfredônia, determinou que fossem feitos jejuns e orações, a fim de implorar o auxílio do protetor celeste, e deixou nas mãos da imagem de São Miguel uma súplica por escrito. Enquanto rezava, o Arcanjo se manifestou a ele ordenando que abençoasse fragmentos de pedras da gruta, nos quais deveria esculpir o seu nome e o sinal da cruz. Todo aquele que os utilizasse seria curado da peste, e assim sucedeu.

“Eu sou Miguel Arcanjo e estou sempre na presença de Deus. Venho habitar este lugar, guardá-lo e provar por meio de um sinal que serei seu vigia e custódio” Leia também A verdadeira história da oração a São Miguel Arcanjo do Papa Leão XIII

Unidos a São Miguel, venceremos

Em nossos dias, o Santuário do Monte Gargano continua sendo um concorrido centro de peregrinação, potenciado pela sua proximidade a San Giovanni Rotondo. Entretanto, a mentalidade moderna parece ter relegado sua venerável história e a devoção ao Arcanjo ali praticada à pitoresca lembrança de um passado remoto, sem maior utilidade para os tempos atuais.

Nada de mais errôneo. Hoje a Igreja está envolvida numa terrível guerra espiritual, durante a qual o demônio tem levado consigo um número cada vez maior de almas. Nessa luta, São Miguel possui um importantíssimo papel. Sendo não apenas o escudo da Igreja, como também seu gládio, o Príncipe dos exércitos do Senhor é chamado não só a nos proteger contra as insídias do inimigo, mas a lhe infligir uma de suas mais amargas derrotas.

Cabe-nos, portanto, crescer na devoção a este celeste Arcanjo, certos de que, unidos a tão invicto general, tornar-nos-emos invencíveis e fortes como a milícia celeste o foi, fazendo ecoar por todo o império de satanás o decisivo e triunfante brado: “Quis ut Deus!”

Uma curiosa coincidência?

O Santuário do Monte Gargano faz parte de um conjunto de sete construções relacionadas com o Custódio da Igreja que, embora separadas por grandes distâncias, encontram-se enfileiradas no mapa. Formam assim o que tem sido chamado de Linha Sacra de São Miguel Arcanjo.

O extremo noroeste desta reta situa-se numa despovoada ilha da Irlanda, onde o Príncipe da Milícia Celeste apareceu a São Patrício. Ali foi levantado em fins do século VI o Mosteiro de Skellig Michael, um dos mais antigos e remotos do mundo cristão. Continuando em direção ao sul, deparamo-nos na Cornualha, Inglaterra, com a ilha de Saint Michael’s Mount na qual, segundo uma antiga tradição, o Arcanjo se manifestou no século V a um grupo de pescadores.

Após atravessar o Canal da Mancha, chegamos à famosíssima Abadia do Mont Saint-Michel, local da aparição ao Bispo de Avranches, Santo Autberto. De lá avançamos até uma grande rocha que domina o Piemonte, do outro lado dos Alpes, sobre a qual se ergue a Sacra di San Michele, antiquíssimo mosteiro dedicado ao Custódio da Igreja. E ainda dentro do território italiano, mas já nas margens do Adriático, está o Santuário do Monte Gargano.

Na ilha grega de Symi, próxima à costa da Turquia, encontramos o mosteiro ortodoxo de Panormitis, edificado sobre uma antiga igreja cristã de meados do século V dedicada a São Miguel. E, no extremo sudeste desta linha reta, ergue-se o Monte Carmelo, morada do profeta Elias e também de alguma forma relacionado com o Arcanjo. É digno de nota que as duas construções mais importantes deste conjunto – Mont Saint-Michel e Monte Gargano – estejam à beira-mar, exatamente à mesma distância da Sacra di San Michele, situada bem no coração da Europa.

Cabe perguntar se esta linha de santuários constitui apenas uma curiosa coincidência. Ou corresponderá ela, como certos espíritos imaginativos afirmam, a um terrível golpe de espada dado pelo Arcanjo sobre Lúcifer no decurso do prælio magno ocorrido no Céu? Impossível é para nós conjeturar sobre tão misteriosos arcanos. Deus, porém, nada faz por acaso; grande ou pequeno, tudo para Ele tem seu significado. Algum dia o conheceremos. (Revista Arautos do Evangelho, Setembro/2019, n. 213, p. 34-37) Leia também “A batalha no Céu”: A história de São Miguel Arcanjo

Breviário Romano

“Vede, não desprezeis um só destes pequeninos, pois vos declaro que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 18, 10).

São Miguel é honrado como o protetor especial da Igreja contra os ataques do demônio. A festa de hoje foi instituída em memória de uma aparição do santo Arcanjo no Monte Gárgano, no reino de Nápoles. Nesse milagre o arcanjo disse ao bispo de Siponto a existência de uma caverna em forma de igreja, dizendo que este lugar deveria ser consagrado ao culto de Deus e seus anjos. Cercado por grande audiência o bispo celebrou a missa na gruta, que se tornou um centro de peregrinação, ilustre por muitos milagres. Este acontecimento ocorreu por volta do ano 490.

MEDITAÇÃO SOBRE A IMITAÇÃO DOS ANJOS

I. Os anjos estão sempre prontos para executar os mandamentos de Deus. Quer tenham sucesso ou não naquilo que fazem, são sempre felizes, porque em tudo são conformes com a vontade de Deus. Não ficarias feliz se em tudo tivesses essa sagrada vontade em vista? Não te inquietarias o resultado de teus negócios, porque não depende de ti a coroa de teu sucesso, mas de Deus que ordena tudo conforme seu agrado.

II. Mantêm-se os anjos em uma pureza admirável em meio à corrupção do mundo. Esta pureza que possuem por natureza, tu poderias possuir por virtude se, por exemplo, pensar continuamente em presença de Deus, e se evitares ocasiões perigosas toda vez que não te obrigue a te expores a elas a glória de Deus e a salvação do próximo. Pede a teu Anjo custódio que te ensine este dois modos e conservar a pureza.

III. Os anjos se preocupam tanto dos pecadores quanto dos justos, com os pobres como com os ricos. Vós apóstolos, vós cristãos, todos devem amar todos os homens igualmente; deveis velar pela salvação do teu próximo, seja ele quem for. Não odeies o pecador, ele é uma criatura à imagem de Deus; trabalhe em sua conversão sem nunca desanimar; Em uma palavra, te comporte com o teu próximo como o teu anjo faz contigo. Deus se tornou homem para que o homem se tornasse um anjo. (Santo Agostinho).

Devoção aos Santos Anjos. Ore pela paz entre os cristãos.

ORAÇÃO

Ó Deus, que administrais os ministérios com ordem admirável dos anjos e dos homens, fazei, em vossa bondade, que nesta vida sejamos protegidos por aqueles no céu continuamente vos oferecem sem cessar a homenagem de seus serviços. Por J. C. N. S. Amém.

 
 
 
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