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É muito comum ouvirmos falar em missas dos doentes, missa carismática, missa dos idosos, missa afro, ou mesmo missas de cura e libertação. Entretanto nenhuma delas é prevista!

Não existem missas mais poderosas que outras, porque “toda missa tem um valor infinito diante de Deus”, afirmou o cardeal John Onaiyekan, arcebispo emérito de Abuja, Nigéria, na catequese desta quinta-feira, 9, no Congresso Eucarístico Internacional em Budapeste, na Hungria.

“Em alguns lugares do mundo, com frequência, ouvimos sobre alguns sacerdotes que afirmam possuir poderes especiais e que a santa missa que eles celebram são mais poderosas que outras, com suas implicações monetárias para fiéis devotos, mas crédulos. Nada disso tem a ver com a nossa fé católica. Toda missa tem um valor infinito diante de Deus”, disse Onaiyekan. Leia também Padre carismático pede perdão por abusos litúrgicos: “Não celebrava a Missa da Igreja”

“Esse é o motivo pelo qual, independentemente de quem celebre a missa, deve observar um mesmo ritual, especialmente no que diz respeito aos elementos centrais da oração eucarística”, explicou. “Não importa quem seja o ministro. Se é o papa, um bispo ou um sacerdote recém-ordenado. Jesus é quem está celebrando”.

O cardeal fez um apelo para que a celebração seja respeitosa, pois “a celebração da Eucaristia é a recriação do que Jesus realizou na Última Ceia. Quando nos reunimos ao redor da mesa da celebração eucarística, é Jesus que está celebrando a Eucaristia”. Leia também O piedoso uso do Véu na santa missa e a beleza da tradição

Para ele, “a liturgia católica não tem espaço para extravagâncias teatralizadas e representações criativas que roçam o entretenimento vulgar que não é digno do culto cristão.”

“O sacerdote é um ministro humano que celebra na pessoa de Cristo”, disse Onaiyekan, “mas, junto com o sacerdote, toda a congregação se une também à celebração da Eucaristia, já que a Eucaristia é celebrada por todo o corpo de Cristo, tanto pela sua cabeça como pelos seus membros”.

“É por isso que o Concílio Vaticano II insiste na participação ativa de todos os que estão presentes na missa. Não assistimos à missa para ver um espetáculo como espectadores. Vamos à missa para participar da ação sagrada na qual se recria plena e completamente a refeição eucarística de Jesus na Última Ceia”, disse o cardeal.

Na sua catequese, intitulada “A Eucaristia, ápice da nossa vida cristã e fonte de toda a nossa esperança”, o cardeal Onaiyekan disse que “a Eucaristia é objeto da nossa fé” e “só podemos chegar a saber algo sobre o sacramento se estamos dispostos a submeter nossa mente, nosso coração e vontade ao que a revelação de Deus nos deu a conhecer sobre sua ação de amor por nós neste sacramento”. Leia também Qual é o significado da missa de sétimo dia?

O cardeal recordou que, “na Eucaristia, temos a presença real de Deus entre nós. É claro, Deus está sempre presente conosco o tempo todo e em todo lugar. Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, é a presença física histórica de Deus no nosso mundo. Essa é a base da presença real de Deus em Cristo na sagrada Eucaristia”.

“Jesus está verdadeiramente presente nos elementos eucarísticos” e, portanto, “a Eucaristia não é apenas para ser comida, mas também para ser adorada”, explicou ele. “A presença real de Jesus na Eucaristia tem implicações não só para nós que cremos nela e a celebramos. O que se torna o Corpo e o Sangue de Cristo são os frutos da terra e do trabalho do homem. De algum modo, toda a criação se eleva pelo fato de que estes objetos criados, colocados sobre o altar, por invocação do Espírito Santo, se convertam no corpo e no sangue de Cristo”, acrescentou.

“Embora agora tenhamos a celebração da Eucaristia segundo uma variedade de ritos, o coração da Eucaristia permanece igual. Da mesma forma, ainda hoje, mesmo mantendo o coração da celebração eucarística, a Igreja fomenta a adaptação da celebração segundo a diversidade de culturas e épocas. Assim, a celebração da Eucaristia tornou-se um objeto muito importante da inculturação da liturgia, da qual tanto se falou”, disse o cardeal. Leia também São João Paulo II sobre os abusos litúrgicos: “A liturgia nunca é propriedade privada de alguém”

Onaiyekan advertiu contra os perigos de colocar muita ênfase na inculturação: “Não devemos esquecer que, independentemente do que façamos com a inculturação, não deve ser uma simples ou primária promoção da nossa cultura, embora isso também seja importante. Pelo contrário, o objetivo principal dela deve ser assegurar que o coração da mensagem e o significado da Eucaristia possam ser transmitidos com maior clareza aos povos de diferentes culturas e épocas”.

O cardeal insistiu sobre a necessidade de recorrer à comunhão num estado espiritual de graça: “Faz parte da doutrina católica que a sagrada Eucaristia é também medicinal. Porque nos limpa dos pecados veniais e nos protege contra os pecados mortais. Dito isso, também faz parte da doutrina da Igreja que não deve aproximar-se para receber a sagrada Comunhão quem saiba que se encontra em estado de pecado grave que o afaste do amor de Deus. Primeiro, deve se aproximar ao sacramento da reconciliação com Deus por meio da confissão. A doutrina da Igreja não mudou nesse ponto”.

Segundo ele, “infelizmente, o que vemos é um fluxo geral de pessoas que vêm comungar na missa sem se preocupar se estão em um correto estado espiritual para recebê-la”. Leia também Assista o emocionante filme curta-metragem “Sob o Véu do Sacramento”

“O caso mais comum é em relação ao estado matrimonial”, afirmou. “Considerados pela lei da Igreja como irregulares e que, portanto, devem manter-se afastados da sagrada Comunhão, são, por exemplo, aqueles que vivem juntos em concubinato aberto ou secreto, sem o sacramento do matrimônio, e aqueles que se casaram, divorciado e casado novamente sem passar pelo processo de nulidade canônica”.

“Mas devemos estar conscientes de que não só as questões sobre o matrimônio irregular podem fazer com que um católico não seja apto a receber a comunhão. Qualquer um que se encontre numa vida imoral de forma estável deveria decidir manter-se afastado até que possa mudar a sua situação”, disse o cardeal. “Uma situação recente, que gerou grande debate, foi a da responsabilidade dos políticos católicos de respeitar as leis da Igreja em suas decisões políticas, especialmente no que diz respeito ao pecado grave do aborto”, acrescentou. Leia também Cardeal Sarah: A missa “virtual” não substitui a participação pessoal na igreja

Infelizmente, “por mais grave que seja o pecado do aborto, foi legalizado de forma generalizada e considerado como algo normal em vários lugares, especialmente nas chamadas nações desenvolvidas”. Não obstante, “a posição da Igreja Católica, que insiste de forma clara em que o aborto é um atentado contra a matança de crianças inocentes não nascidas, se mantém. Qualquer católico que cometa um aborto ou que coopere na prática de um aborto, deve saber que cometeu um assassinato e deve manter-se afastado da sagrada Comunhão até que, pelo menos, tenha se confessado”, afirmou.

No caso específico dos católicos com responsabilidade política, “se votar uma lei imoral, mesmo em um estado secular, equivale a se tornar cúmplice de um crime, então estaríamos diante de uma decisão moral incompatível com a recepção da sagrada Comunhão”.

“Mas, de um ponto de vista pastoral, não está tão claro que, se essa pessoa se apresenta para comungar, devamos nos negar publicamente a dar-lhe a comunhão, provocando assim um grande alvoroço e escândalo”, disse o cardeal. Fonte: ACI Digital Leia também Guardar domingos e festas de guarda, aprenda como viver este mandamento?

 
 
 

“Tudo que é sagrado a Igreja cobre com um véu.”

Mesmo com o espírito de modernidade que invadiu a igreja, ainda há muitas jovens moças e senhoras que mantém este belo espirito de ritualidade e adoração, que é o uso do véu na Santa Missa.

O uso do véu na Santa Missa vem desde o inicio do cristianismo no Oriente. Além de ser um preceito bíblico se preservou na Igreja de Cristo por milênios. O véu, quando abençoado pelo sacerdote, é um sacramental. “A santa mãe Igreja instituiu os sacramentais, que são sinais sagrados pelos quais, à imitação dos sacramentos, são significados efeitos principalmente espirituais, obtidos pela impetração da Igreja. Pelos sacramentais os homens se dispõem a receber o efeito principal dos sacramentos e são santificadas as diversas circunstâncias da vida.” (CIC, 1667).

Nesta formação disponibilizamos alguns vídeos para ajudar a compreender melhor o piedoso uso do véu na Igreja Católica. Assista ao primeiro vídeo antes de continuar a leitura:


O Uso do véu na Santa Missa, além de ser um belo costume, é importante para manter a modéstia dentro da Igreja, e o devido respeito à presença do Senhor

O uso do véu é obrigatório?

Hoje em dia muito se discute se é ou não permitido que a mulher use o véu dentro da Igreja. Porém, a pergunta correta acerca do uso do véu seria: é ainda obrigatório para a mulher o uso do véu dentro da Igreja? Esta sempre foi a disciplina da Igreja atestada ao longo de dois mil anos.

Atualmente já não existe obrigação canônica para o uso do véu. O que existe é uma longa tradição que insere a mulher num espírito de ritualidade e adoração, fazendo com que ela esconda a própria beleza e glória para dar glória à beleza de Deus.

A última vez que a Igreja se manifestou a esse respeito foi em 1917, no Código de Direito Canônico, conhecido como Pio Beneditino. O Cânon 1262 dizia que:

Os varões na igreja ou fora da Igreja enquanto assistem os sagrados ritos estejam com a cabeça descoberta, a não ser que os legítimos costumes dos povos ou as circunstâncias peçam diversamente.

Assista também antes de continuar a leitura:


Quanto aos costumes é possível citar os Bispos que usam mitra ou os padres que usam o barrete, e quanto às circunstâncias poderiam ser citadas as celebrações ao ar livre, sob um sol causticante ou ainda sob a chuva. Nesses casos, permitia-se a cabeça coberta para os homens.

As mulheres, por sua vez, “estejam com a cabeça coberta e vestidas modestamente, especialmente quando se aproximam da mesa do Senhor”, é o que diz o mesmo Código.

O uso do véu para as mulheres sempre foi uma obrigação unânime ao longo dos séculos. Escritos dos Santos Padres já dão notícia dessa disciplina e a própria Sagrada Escritura. Essa tradição continuou ao longo de toda a Idade Média, nos escritos de Santo Agostinho, ainda que ele não tenha se manifestado enfaticamente sobre o tema.

Recentemente, nasceu a ideia de que o uso do véu estaria ligado à cultura do local e que poderia ser deixado de lado, já que não está enraizado na natureza humana, mas seria tão somente uma circunstância cultural descartável. Seja como for, atualmente, não existe a obrigação canônica do uso do véu. O Código de Direito Canônico reformado por João Paulo II não traz o cânon mencionado.

O Cardeal Raymond Burke, presidente da Assinatura Apostólica, respondendo à pergunta de uma fiel sobre a obrigação do uso do véu, afirma que não existe a obrigação, mas se a pessoa vai participar do rito extraordinário seu uso seria muito pertinente, pois este rito possibilita uma expressão ritual mais adoradora que o rito ordinário.


A raiz teológica do uso piedoso do véu está na I Carta de São Paulo aos Coríntios, no Capítulo 11, versículos 2 a 16. São Paulo fala claramente sobre a obrigação do véu e o que se nota no restante do texto é que em toda a sua argumentação, São Paulo sempre relaciona a cobertura da cabeça da mulher com a glória.

“A própria natureza não vos ensina que para o homem é vergonhoso deixar o cabelo crescer, ao passo que para a mulher é honroso ter os cabelos compridos?” (14-15), nesse trecho, São Paulo demonstra que não se trata apenas de algo cultural, mas de algo natural. É próprio do feminino a elegância, a busca da expressão da beleza interior pelo cuidado e zelo com a aparência exterior. Da mesma forma, é tipicamente feminino o cuidado com os cabelos.

Diante disso, a mulher cobrir sua cabeça no momento dar glória a Deus é esconder a sua própria reverenciando Aquele que merece toda a glória. Usar o véu em atenção aos anjos, como diz São Paulo, significa que ela está participando de um culto de adoração a Deus juntamente com os anjos. Todas as criaturas, homens, mulheres e anjos, se prostram diante de Deus para adorá-lo e, nesse momento, todas elas devem esconder sua glória e dar glória a Deus. Cobrindo a cabeça, a mulher realiza isso de forma visível e ritual.

Portanto, não existe obrigação canônica para o uso do véu. O que existe é uma longa tradição que insere a mulher num espírito de ritualidade e adoração, fazendo com que diante de Deus ela esconda a própria beleza, a própria glória para dar glória à beleza de Deus.


De forma prática, o uso do véu requer prudência. Sobre ele recai a pecha de ser obsoleto, tradicionalista, contrário à dignidade da mulher, mas, embora seja justamente o contrário, é importante que a pessoa aja com prudência, principalmente se exercer na paróquia alguma função, como ministra extraordinária, catequista etc. Não se deve por em risco a oportunidade de prestar um grande serviço a Cristo.

Contudo, se a pessoa não está engajada e sente o desejo de usar o véu, que seja corajosa e use, ainda que sozinha. Em muitos casos semelhantes o que se viu foi que outras mulheres se interessaram por essa piedade e, após a devida instrução passaram a praticá-la.

De qualquer forma, o uso do véu é uma disciplina que, ao longo do tempo, santificou muitas mulheres e diante do mundo secularizado e imodesto que se vive hoje ensinar as meninas desde pequenas a usar o véu pode resultar em frutos excelentes nas próximas gerações.

O véu e a modéstia

O uso do véu é um desdobramento no caminho da vivência da virtude da modéstia, assim, não é possível vivenciar uma prática sem a outra ou ainda sem o entendimento real e verdadeiro do que é a modéstia, passando a praticá-la como uma virtude e não como uma moda. O uso piedoso do véu está unido a vivência da virtude da modéstia. Caso não tenha entendido o que é a virtude da modéstia ou tenha a idéia falha de que trata-se de usar saia e roupas com determinadas medidas, veja esta catequese que te fará entender a razão da modéstia ser uma virtude tão importante atualmente. Assista:


E quanto às cores dos véus?

Sempre foi tradição da Igreja no Brasil as moças solteiras usarem o véu branco, como sinal de pureza. E as casadas podem usar o véu preto. Porém não é regra estabelecida, nada impede que a casada por exemplo use um véu na cor cinza, ou bege (o branco para casadas não é adequado). Até mesmo cores como azul claro, ou rosa podem ser usados (sempre usando o bom senso e com cautela).

Há quem diga que o uso do véu na missa é uma atitude machista, nada mais falso e errado. Como dizem alguns padres, “tudo o que é sagrado a Igreja cobre com um véu”. Ele nos ajuda a nos manter mais centradas sem olhar para o lado, e a assistir a Santa Missa com maior devoção.

O objetivo do véu é para nos escondermos, que nós não sejamos o centro, mas sim apenas o Senhor, aquele que tudo pode e nem o universo inteiro pode conter.

São Padre Pio de Pietrelcina é um santo recente e na porta da sua Igreja ele proibia as mulheres de entrarem mal vestidas na Igreja, ou sem o seu véu. Veja o cartaz fixado na porta da sua paróquia:

“A Igreja é a casa de Deus. É proibido para os homens entrar com os braços nus ou usando shorts. É proibido para as mulheres entrarem usando calças, sem um véu sobre sua cabeça, com roupas curtas, decotes baixos, roupas sem mangas ou vestidos imodestos.”


Com informações de padrepauloricardo.org

 
 
 

“Versus Deum” significa “De frente para Deus”, e Ad orientem” (em direção ao Oriente, ou seja, Jerusalém). É uma forma do sacerdote celebrar o santo sacrifício do altar.

O motivo da celebração versus Deum, ad Orientem, é principalmente o reforço do caráter do sacerdote como sendo o próprio Cristo, seu sacerdócio unido, pela Ordem, ao de Nosso Senhor e Salvador. Assim, “de costas para o povo”, o padre está, na verdade, à sua frente, como líder, como aquele que, em nome da humanidade, mostra-se diante de Deus, e, agindo Cristo por Ele, oferece um sacrifício. Virando-se para os fiéis nos momentos oportunos, é o representante de Deus que nos dá a bênção. E, desse modo, por ser Cristo Deus e Homem ao mesmo tempo, o padre, se é Seu ministro, age ora representando a humanidade ora a divindade, e a Única Pessoa de Jesus, em Suas duas naturezas, mediante o sacerdócio dos que Lhe são especialmente consagrados pelo sacramento da Ordem, oferece Seu sacrifício por nossos pecados.

Muitos pensam que o Missal de 1970, o Novus Ordo, instituindo a nova forma de celebrar a Missa romana, modificou a direção a qual deve estar voltado o sacerdote celebrante. Ledo engano, a posição do ofertante foi mantida a mesma. É o que informam recentes documentos da Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, bem como o próprio Papa Bento XVI, à época Cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, em entrevista por ocasião do lançamento de seu livro “O espírito da liturgia”. Também das próprias rubricas do Missal Romano de Paulo VI encontramos as informações que confirmam tal ensino: o sacerdote deve, segundo tais textos, durante a Liturgia Eucarística, “voltar-se para o povo” durante alguns atos; isto significa que, se deve voltar-se ao povo, é porque antes estava voltado ad Orientem.

“Estes avisos que em certos momentos o sacerdote esteja ‘voltado para o povo’ seriam supérfluos, se o sacerdote durante toda a celebração ficasse atrás do altar e frente ao povo.” (RUDROFF, Pe. Francisco. Santa Missa, Mistério de nossa Fé. 1996, Serviço de Animação Eucarística Mariana, Anápolis, com apresentação de Dom Manoel Pestana Filho, Bispo Diocesano de Anápolis, p. 110, nota 37; cf. ELLIOTT, Mons. Peter. Cerimonies of the Modern Roman Rite, 1995, Ignatius Press, San Francisco, p. 23)

Isso, aliás, não é nenhuma surpresa, uma vez que nunca a posição ad Orientem foi expressamente proibida por algum decreto, nem esse foi o desejo dos Padres do Concílio Vaticano II, autor da reforma litúrgica. Outrossim, essa é a forma histórica de oferecimento da Missa, observada inclusive pelos ritos orientais.

Mesmo assim, ainda que a norma seja a manutenção da direção do sacerdote ad Orientem, também conhecida como versus Deum foi permitida pela reforma a posição versus populum, i.e., voltado para o povo, atrás do altar, forma, aliás, que se disseminou mundialmente, tornando-se bastante popular, por força da Instrução Geral do Missal Romano.

Uma nota publicada, em 1993, pela Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos , em seu boletim Notitiae, reafirmou o valor de ambas as opções, celebração versus populum ou versus Deum, de modo que quaisquer dúvidas devem ser dissipadas.

O motivo da celebração versus Deum, ad Orientem, é principalmente o reforço do caráter do sacerdote como sendo o próprio Cristo, seu sacerdócio unido, pela Ordem, ao de Nosso Senhor e Salvador. Assim, “de costas para o povo”, o padre está, na verdade, à sua frente, como líder, como aquele que, em nome da humanidade, mostra-se diante de Deus, e, agindo Cristo por Ele, oferece um sacrifício. Virando-se para os fiéis nos momentos oportunos, é o representante de Deus que nos dá a bênção. E, desse modo, por ser Cristo Deus e Homem ao mesmo tempo, o padre, se é Seu ministro, age ora representando a humanidade ora a divindade, e a Única Pessoa de Jesus, em Suas duas naturezas, mediante o sacerdócio dos que Lhe são especialmente consagrados pelo sacramento da Ordem, oferece Seu sacrifício por nossos pecados.

“(…) a imolação incruenta, por meio da qual, depois de pronunciadas as palavras da Consagração, Jesus Cristo torna-se presente sobre o altar no estado de Vítima, é levada a cabo somente pelo sacerdote, enquanto representante da Pessoa de Cristo, e não enquanto representante da pessoa dos fiéis.” (Sua Santidade, o Papa Pio XII. Encíclica Mediator Dei)

Além do quê, na Missa, mesmo versus populum, sempre estamos “de costas” uns para os outros. Que mal há no padre também ficar?

Mais ainda, ele não está simplesmente dando as costas ao povo, mas virando-se, junto com ele, para a mesma direção. O sacerdote, na Missa versus Deum, posiciona-se exatamente com o restante dos fiéis: todos miram o mesmo alvo, todos olham para o mesmo lugar, todos estão alinhados, como um verdadeiro povo, à frente do qual está o sacerdote, seu líder. Interessante é observar que os setores liberais e progressistas, defendendo a exclusividade da Missa versus populum, acabam criando um clericalismo que eles mesmos criticam, opondo sacerdote e fiéis uns aos outros.

Além disso, por óbvio centra a atenção do povo no sacerdote e a atenção do sacerdote no povo, ao invés de ambos centrarem-se em Deus. O culto versus populum acaba, na prática, favorecendo o antropocentrismo. Evidentemente, nem todos os que celebram versus populum assim o fazem, pois é perfeitamente possível a Missa externamente voltada para o povo e, ao mesmo tempo, espiritualmente centrada em Deus. “Quando o sacerdote celebra versus populum, sua orientação espiritual deveria ser sempre versus Deum per Iesum Christum [para Deus, por meio de Jesus Cristo].” (Cardeal Joseph Ratzinger, A introdução do decano do Sacro Colégio ao livro de Uwe Michael Lang, in 30 Dias) Entretanto, ainda que a versus populum não seja, em si, antropocêntrica ou negadora da absoluta centralidade de Cristo na Eucaristia, não há como negar que a celebração versus Deum favorece, pela posição do sacerdote, a centralização da Missa em Deus.

Sem dúvida que em qualquer posição, o padre olha para Deus. Mas a posição versus Deum é mais simbólica nesse sentido. Até porque, por tal argumento, deveríamos, então, em vez de olhar para o altar, olharmos todos uns para os outros. O padre não fica “de costas, propriamente, mas “olhando na mesma direção que nós”.

Posição esta que é tradicional não só no rito romano (seja o tradicional, seja o novo – apesar de, nesta última forma, não ser tão comum), como nos ritos orientais (e mesmo nos demais ritos latinos).

“Sobre a orientação do altar para o povo, não há sequer uma palavra no texto conciliar. Ela é mencionada em instruções pós-conciliares. A mais importante delas é a Institutio generalis Missalis Romani, a Introdução Geral ao novo Missal Romano, de 1969, onde, no número 262, se lê: “O altar maior deve ser construído separado da parede, de modo a que se possa facilmente andar ao seu redor e celebrar, nele, olhando na direção do povo [versus populum]”. A introdução à nova edição do Missal Romano, de 2002, retomou esse texto à letra, mas, no final, acrescentou o seguinte: “Isso é desejável sempre que possível”. Esse acréscimo foi lido por muitos como um enrijecimento do texto de 1969, no sentido de que agora haveria uma obrigação geral de construir – “sempre que possível” – os altares voltados para o povo. Essa interpretação, porém, já havia sido repelida pela Congregação para o Culto Divino, que tem competência sobre a questão, em 25 de setembro de 2000, quando explicou que a palavra “expedit” [é desejável] não exprime uma obrigação (…).” (Ratzinger, op. cit.)

“Por último, penso que se o sacerdote rezasse, em algumas ocasiões, a Liturgia Eucarística versus Deum – algo perfeitamente possível segundo as normas atuais –, isso também ajudaria a perceber qual é a orientação espiritual da Liturgia – em direção a Deus, o que não significa nenhum desprezo do Povo. Aliás, alguém diz para a pessoa do banco da frente: ‘você está de costas para mim’?; ou que os noivos, no sacramento do Matrimônio, estão de ‘costas para o povo’?”

Em resumo, no Novus Ordo Missae, na forma de rito romano promulgada por Paulo VI, em uso na Igreja Ocidental desde então, pode o sacerdote, sem problema algum nem oposição dos superiores ou dos Ordinários, celebrar “de costas aos fiéis”, na posição versus Deum, tradicional, própria, e muito mais rica dos pontos-de-vista teológico, histórico e mesmo espiritual. Longe de afastar os fiéis, essa prática só os faz crescer ainda mais na compreensão do mistério da Cruz, tornado presente em cada Santa Missa. Tomara essa posição do sacerdote seja revalorizada, para que o antropocentrismo dê lugar a quem de direito, ainda mais na Missa, Cristo Rei, que no altar, invisível e incruentamente, se imola ao Pai por nós.

Mais elevados espiritualmente, melhores cristãos sairão os fiéis de uma Missa em que se observe até mesmo esse aparente detalhe da posição do celebrante: embora, substancialmente, a Missa seja a mesma, tal elemento acidental muito favorece a que tenhamos a correta apreensão da idéia de sacrifício, além de acrescentar à sacralidade do rito e à piedade de todos os que dela tomam parte, transmitindo a riqueza multissecular da Santa Igreja Católica.

Fonte: Veritatis Splendor

 
 
 
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