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Uma seita (vem de sectário) é uma dissidência ou um grupo fechado que julga estar o mundo corrupto, e pretende ter a verdade como patrimônio seu e solução para todos os problemas da humanidade. Os membros das seitas são geralmente submetidos a um regime autoritário, imposto por um líder “iluminado”, que lhes dificulta o senso crítico. A multiplicação de seitas em nossos dias se explica, em grande parte, por duas causas:

1. o individualismo subjetivista e relativista da mentalidade moderna a partir de Martinho Lutero (século XVI);

2. a insegurança do homem contemporâneo, que sente angústia diante da crise da sociedade e se dá por feliz, quando alguém, em nome de um poder superior, o acolhe e lhe propõe certezas e garantias (ainda que fantasiosamente fundamentadas).

Além disto, parece haver interesses políticos estrangeiros a fomentar o avanço das seitas (PR n. 417, 1997, p. 56). O Documento de Santo Domingo (CELAM,12/10/1992) se expressou sobre o perigo atual das seitas:

“O problema das seitas adquiriu proporções dramáticas e chega a ser verdadeiramente preocupante sobretudo pelo crescente proselitismo. ” (n.139)

“As seitas fundamentalistas são grupos religiosos que insistem que somente a fé em Jesus Cristo salva e que a única base da fé é a Sagrada Escritura, interpretada de modo pessoal e fundamentalista, com exclusão da Igreja, portanto, e insistência na iminência do fim do mundo e juízo próximo.

Caracterizam-se por seu afã proselitista mediante insistentes visitas domiciliares, grande difusão de bíblias, revistas e livros; a presença e a ajuda oportunista em momentos críticos da vida das pessoas ou das famílias e uma grande capacidade técnica no uso dos meios de comunicação social. Contam com uma poderosa ajuda financeira proveniente do estrangeiro e do dízimo obrigatoriamente pago por todos os adeptos. Distinguem-se por um moralismo rigoroso, por reuniões de oração com um culto participativo e emotivo, baseado na Bíblia, e por sua agressividade contra a Igreja, valendo-se frequentemente da calúnia e do suborno. Ainda que o seu compromisso com o social seja débil, orientam-se para a participação política em vista à tomada do poder.

A presença dessas seitas religiosas fundamentalistas na América Latina aumentou de maneira extraordinária de Puebla até os nossos dias. ” (N. 140)

Cabe distinguir várias correntes ou tipos de fenômeno:

a) Formas paracristãs ou semicristãs, como Testemunhas de Jeová e Mórmons. Cada um destes movimentos tem suas características, mas em comum manifestam um proselitismo, um milenarismo e traços organizativos empresariais;

b) Formas esotéricas que buscam uma iluminação especial e compartilham conhecimentos secretos e um ocultismo religioso. Tal é o caso de correntes espíritas, rosa-cruz, gnósticos, teósofos, etc.

c) Filosofias e cultos com facetas orientais, mas que rapidamente estão adequando-se ao nosso continente, tais como Hare Krishna, a Luz Divina, Ananda Marga e outros, que trazem um misticismo e uma experiência de comunhão;

d) Grupos derivados das grandes religiões asiáticas, quer seja do budismo (seicho no iê, etc.) do hinduísmo (yoga, etc.) ou do islã (baha’i) que não só atingem migrantes da Ásia, mas também plantam raízes em setores de nossa sociedade;

e) Empresas sociorreligiosas, como a seita Moon ou a Nova Acrópolis, que têm objetivos ideológicos e políticos bem precisos, junto com suas expressões religiosas, levadas a cabo mediante meios de comunicação e campanhas proselitistas, que contam com apoio ou inspiração do Primeiro Mundo, e que religiosamente insistem na conversão imediata e na cura, é onde estão as chamadas “igrejas eletrônicas”;

f) Uma multidão de centros de “cura divina” ou atendimento aos mal-estares espirituais e físicos de gente com problemas e de pobres. Esses cultos terapêuticos atendem individualmente a seus clientes.

Diante da multiplicidade de novos movimentos religiosos, com expressões muito diversas entre si, queremos centrar nossa atenção sobre as causas de seu crescimento e os desafios pastorais que levantam.

São muitas e variadas as causas que explicam o interesse que despertam em alguns. Entre elas se devem assinalar:

a) A permanente e progressiva crise social que suscita certa angústia coletiva, a perda de identidade e o desenraizamento das pessoas.

b) A capacidade destes movimentos para adaptar-se às circunstâncias sociais e para satisfazer, momentaneamente, algumas necessidades da população. Em tudo isto não deixa de ter certa presença a curiosidade pelo inédito.

c) O distanciamento da Igreja de setores – populares ou abastados – que buscam novos canais de expressão religiosa, nos quais não se deve descartar uma evasão dos compromissos da fé. Sua habilidade para oferecer aparente solução aos desejos de “cura” por parte dos atribulados.

Nosso maior desafio está em avaliar a ação evangelizadora da Igreja e em determinar desse modo a quais ambientes humanos chega ou não essa ação.

a) Como dar uma resposta adequada às perguntas que as pessoas se fazem sobre o sentido de sua vida, sobre o sentido da relação com Deus, em meio à permanente e progressiva crise social.

b) Adquirir um maior conhecimento das identidades e culturas dos nossos povos. (n.141).

Falando a um grupo de bispos do Brasil, em visita “ad limina apostolorum”, em 05/9/1995, em Roma, o Papa João Paulo II destacou o desafio que as seitas significam hoje para a Igreja na América Latina.

Referindo-se às seitas, o papa disse que na América Latina deparamo-nos “com o grave problema das seitas, que se expandem, como uma mancha de óleo, ameaçando fazer ruir a estrutura de fé de tantas nações (…)”.

O CELAM (Conferência do Episcopado Latino-Americano) apresentou, em 1990, um documento elaborado pelos protestantes, que mostra as estratégias para tornar o mundo inteiro protestante. É o projeto Amanhecer, sagaz e inteligente, com 48 páginas, publicado por Jim Montgomery, gerente-editor de Global Church Groth Bulletin e diretor da Overseas Crusades, com sede na Califórnia. O Amanhecer traz o subtítulo “Estratégias Evangélicas para a Tomada Missionária do Mundo e da América Latina”. Na época, o CELAM alertou os bispos dizendo:

“É necessário que tomemos consciência da existência de uma estratégia evangélica bem arquitetada para a tomada missionária da América Latina, país por país (…). O que importa unicamente, é crescer em número de fiéis e templos. ” (Revista Pergunte e Responderemos, n. 333, 1990, pp.78-87).

Portanto, o Papa não estava exagerando quando falou em “ameaça para a Igreja Católica”.

Falando aos nossos bispos em Roma, ele apontou os pontos principais do ataque à fé católica:

“É notória a intenção, por vezes virulenta, destas seitas de minar as bases da fé do povo, de modo especial no que diz respeito ao culto do Mistério Eucarístico e da Santíssima Virgem, à estrutura hierárquica da Igreja e ao primado de Pedro, que perdura no pastoreio universal do bispo de Roma, e às expressões da piedade popular. ”

É notório que o Papa estava se referindo também às seitas protestantes que se multiplicam a cada dia. E ele questionou os bispos sobre as razões do crescimento delas:

“A difusão das seitas não nos interroga se tem sido manifestado suficientemente o senso do sagrado? ”.

O que o santo padre quis dizer com esta pergunta? Será que os fiéis católicos, não têm ido para as seitas, porque falta mais espiritualidade em nossas igrejas? Falta o senso do sagrado, que o povo tanto preza. Por faltar este “sagrado” em nossas igrejas, o povo foi buscá-lo nos templos protestantes.

Sabemos que durante muitos anos, a Igreja no Brasil e na América, por causa da perigosa “teologia da libertação”, de cunho marxista, dirigiu-se muito mais ao social, desprezando o espiritual e deixando o povo à mingua da catequese. Agora paga um alto preço. O povo não conhece a fé católica e é enganado facilmente pelos falsos profetas.

O Papa também falou sobre isso aos nossos bispos:

“Ele [o povo católico] quer ver a Igreja com as suas características religiosas, (…) que despertam a piedade e levam à oração, ao recolhimento e à contemplação do mistério de Deus (…). ”

“O ministério da Palavra (…) contenha sempre, do início ao fim, uma mensagem espiritual. É certo que muita gente não possui o suficiente para acalmar a própria fome, mas, ordinariamente, o povo tem mais fome de Deus do que do pão material, pois entende que “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). Ver a Igreja como Igreja, e não simples promotora da reforma social. ”

Nesta mesma linha, ele falou aos padres:

“Vosso povo, caríssimos irmãos no episcopado, quer ver os padres como verdadeiros Ministros de Deus, inclusive na sua veste e no seu modo externo de proceder. O que os homens querem, o que esperam, é que o sacerdote com o seu testemunho de vida e com sua palavra, lhes fale de Deus. ”

Para enfrentar o “desafio” das seitas e do secularismo, o Papa propôs, então, a Nova Evangelização:

“A evangelização a que a Igreja está sendo chamada neste final de milênio deve ser, como tantas vezes tenho repetido, nova em seu ardor, seus métodos e sua expressão. ”

“Não estaria havendo uma certa acomodação deixando de ir em busca das ovelhas que estão afastadas? Ao contrário da parábola evangélica, não é uma e outra que está tresmalhada, mas é uma parte do rebanho. ”

E o Papa dá o remédio para a Igreja ir buscar a “parte do rebanho” que foi embora para as seitas:

“Isso mostra, caríssimos irmãos, que não basta chamar, convocar e esperar que as pessoas venham. Como diz outro lema da ação pastoral de uma das vossas Dioceses, deveis ser ‘uma Igreja que vai ao encontro do Povo! ’. Deveis ser uma igreja que procure as pessoas, que as convide não somente no chamado geral dos meios de comunicação, mas no convite pessoal, de casa em casa, de rua em rua, num trabalho permanente, respeitoso, mas sempre presente em todos os lugares e ambientes. ”

Mas há também entre nós muitas seitas de origem oriental ou influenciadas pela Nova Era. Elas crescem, visivelmente, em cima da ignorância religiosa do nosso bom povo católico, facilmente influenciável por novos ventos de doutrina.

Muitas razões facilitam o crescimento das seitas, especialmente os que gostaria de expor:

1. O relativismo religioso – que se vive hoje, onde as pessoas, por falta de formação catequética, pensam que podem viver a fé e a moral “a seu modo”, sem precisar do ensinamento da Igreja;

2. A difícil situação do mundo atual – leva as pessoas a buscarem desesperadamente a solução dos seus problemas no campo sobrenatural; o povo é levado a buscar a fé, mas, muitas vezes em caminhos errados.

3. Secularismo – em poucas palavras pode ser expresso no que dizia Leão XIII: “Deus foi expulso da vida pública”. Com isto o paganismo retorna à sociedade, e esta precisa ser recristianizada.

4. Materialismo reducionista – para muitos hoje o que interessa é apenas ganhar o pão, e vive-se, como disse o Papa João Paulo II, “como se Deus não existisse”.

5. Destruição das famílias – que sempre foi o natural e primeiro berço da fé católica. Os pais já não ensinam os filhos a rezar e não lhes ensinam a doutrina católica.

6. Exigências morais do catolicismo – muitos preferem seguir as seitas porque elas apresentam uma moral cômoda, não exigente quanto a da Igreja, especialmente no que se refere ao casamento, separação, divórcio, limitação da natalidade, etc.

7. Esvaziamento político da fé – a politização da fé, especialmente por parte da teologia da libertação, deixou o povo à mingua da catequese e dos valores espirituais: oração, adoração do Santíssimo, sacramentos, terço, etc. Sem o saudável misticismo o povo foi buscar Deus nas seitas.

Além dessas causas, nota-se que há alguns fatores que dão origem às seitas, por parte do seu fundador. Muitas vezes são pessoas que se julgam “iluminadas”; movidas por um fundamentalismo bíblico que despreza a correta exegese (entendimento da Bíblia) e hermenêutica (interpretação da Bíblia); um certo messianismo (mania de salvador do mundo); autoritarismo, exibicionismo; forte emotividade e, às vezes, até chantagem.

Em seguida, vamos apresentar de modo resumido as religiões e igrejas cristãs e não cristãs, seitas orientais e muitas outras crenças, superstições, etc., que não se coadunam com a fé católica. Nosso objetivo não é desrespeitar a fé e a liberdade religiosa das pessoas, mas apenas informar aqueles que são católicos para que vivam coerentemente a sua fé. Usamos como fonte de consulta o vasto material que Dom Estêvão Bettencourt, osb, publicou na revista Pergunte e Responderemos, ao longo de muitos anos, o qual sou muito agradecido por me autorizar a usar livremente os seus escritos.

Retirado do livro: “Falsas Doutrinas – Seitas e Religiões”.

 
 
 

Pode um cristão ser espírita ou umbandista?

O espiritismo nega 40 verdades essenciais da doutrina cristã; ensina reencarnação; afirma a aparição dos espíritos do além, evocados pelos médiuns, e ensina muitas outras heresias opostas à doutrina cristã, negando principalmente o poder salvador de Jesus Cristo.

Falando mesmo de Santos, de caridade, de oração e boas obras, o espiritismo segue apenas as orientações de seu codificador, Allan Kardec, que (no seu livro de Médiuns, 2a edição, pág. 336) recomenda iludir os cristãos, aceitando no começo suas convicções para depois, pouco a pouco lhes tirar.

Já o famoso escritor do espiritismo no Brasil, Dr. Carlos Imbassahy, escreve claramente: “Nem a Bíblia prova (para nós) coisa alguma… O espiritismo não é um ramo do cristianismo, como as demais seitas cristãs. Não assenta seus princípios nas Escrituras (Sagradas)… “A nossa base é o ensino dos espíritos. Daí o nome espiritismo.” (A margem do Espiritismo, pág.219)

Dai vale para os cristãos a advertência de Jesus: “Cuidai-vos dos falsos profetas que se apresentam em pele de ovelha, mas por dentro são lobos vorazes.” (Mt 7, 15).

O que diz a Bíblia sobre as práticas espíritas?

Lemos em (Dt 18, 9-14): “Não se achará no meio de ti quem pratique a adivinhação, o sortilégio, a magia, o espiritismo, a evocação dos mortos: porque todo homem que fizer tais coisas constitui uma abominação para o Senhor”.

(Lev 20, 6-27): “Se uma pessoa recorrer aos espíritas, adivinhos, para andar atrás deles, voltarei minha face contra essa pessoa e a exterminarei do meio do meu povo.” “Qualquer mulher ou homem que evocar espíritos, será punido de morte.”

Nas sessões espíritas, há realmente contatos com os espíritos do além?

Não! Eis um de muito exemplos. Uma senhora nascida na Argentina, mas residente, há anos, em Curitiba, narra o seguinte: “Faz alguns anos morreu minha filha. Os espíritas me procuraram, prometendo-me que me poriam em comunicação com ela. Eu, aflitíssima como estava, aceitei e fui à sessão. Quando o chefe dos trabalhos me anunciou a presença dela, comecei, é claro, a falar em espanhol, língua essa que, em casa, nos era mais familiar. Mas para meu grande desapontamento, minha filha havia esquecido o espanhol e somente sabia falar em português. Minha decepção cresceu de ponto, atingindo o climax, quando pedi que ela me dissesse, para maior garantia de identificação, o apelido que ela tinha em casa. Até seu próprio apelido ela havia esquecido. Isto era demais. Levantei-me indignada, lançando em rosto dos responsáveis pela sessão, essa verdadeira palhaçada que estavam cometendo comigo. Em conseqüência disso, não quero nem falar em Espiritismo.”

A revista norte-americana, “Womans Companion”, para experimentar a veracidade ou mentira dos médiuns espíritas, inventou uma história sobre um tal soldado George Bertlett de 27 anos, falecido na invasão de Okinawa, que deixou a viúva, Bárbara, com dois filhos e 5.000 dólares.

Agora os repórteres desta revista, disfarçados, perguntaram a 20 diferentes médiuns espíritas, em nome da viúva Bárbara: O que devia fazer com os 5.000 dólares; e se devia casar-se novamente, com um funcionário do banco e ir morar em Nova York.

As respostas dos médiuns eram todas diferentes, às vezes contraditórias e fantásticas. Mas nenhum médium declarou: “Não consigo comunicar-me com o espírito de seu marido, porque este não existe, nem a inventada viúva Bárbara!” – E só esta resposta teria sido a verdadeira!

A Origem do Espiritismo Moderno

Em 1848, na cidade de Hydesville (Nova York), EUA, surgiu o primeiro nucleo do espiritismo moderno. Certa noite, o pastor protestante John Fox, sua esposa e suas duas filhas, Margarida e Catarina, estavam a conversar sobre estranhos fenômenos de assombração. Catarina então produziu estalos com os dedos; notaram todos então que alguém os repetia. Por sua vez, Margarida produziu estalos e encontrou eco. Apavorada, a Sra. Fox perguntou: É homem ou mulher que está batendo?, mas não obteve resposta. Insistiu então: “É espirito? Se é espirito bata duas vezes”. Produziram-se então duas braves pancadas. Conclui assim, que um espirito “desencarnado” estava em comunicação com a família.

As duas irmãs Fox, tidas como “médiuns”, confessaram posteriormente que recorreram a truques e fraudes para produzir as pancadas que a mãe, muito crédula, atribuiu a um espirito do além. O texto dessas confissões e retratações de Margaret e Catarina Fox foi publicado na imprensa norte americana – no New york Herald de 25-05-1888 e 10-09-1888, assim como no The World 22-10-1888. Acha-se tal texto reproduzido em fac-símile inglês e em tradução portuguesa no livro do frei Boaventura Kloppenburg, O Espiritismo no Brasil, Ed. Vozes, pgs 426-447) Apesar das fraudes ocorridas em sua origem, as novas praticas se espalharam pelos Estados Unidos, Canadá e México, atravessaram o Atlântico, chegando a Escócia e à Inglaterra. Em 1854, na França, León-Hippolyte-Denizart-Rivail (Allan Kardec) codificou a doutrina espirita em diversas obras muito divulgadas no Brasil. O espiritismo kardecista costuma professar os seguintes pontos:

1) O homem se compõe de alma e espirito, dotado de inteligência, vontade e consciência moral. A alma se acha encarnada num corpo, que vêm a ser “o alambique no qual o espirito tem que entrar para se purificar”. Existe também o perispirito, envoltório fluido, leve, imponderável,que serve de intermediário entre o espirito e o corpo.

As almas foram todas criadas simples e ignorantes, em igualdade de condições. Enveredaram-se, porém, pelos diversos caminhos do bem e do mal,em virtude da sua liberdade de arbitrio. Devem mediante sucessivas encarnações, purificar-se dos pecados e das paixões imoderadas a fim de atingir a perfeição – o que, por certo, necessita de muito tempo. A lei do karma, segundo o qual cada um, na encarnação seguinte paga os devios da vida anterior, rege as reencarnações do espirito.

2) Jesus cristo não passa de um espirito muito evoluido atraves das suas sucessivas reencarnações. Deus enviou o espirito de Jesus à terra não propriamente para que se purificasse, mas que ensinasse aos homens deste planeta pouco evoluido ocaminho do bem e do amor, na qualidade do Divino Missionario. Jesus foi o maior dos enviados de Deus e somente neste sentido pode ser dito Deus. Jesus se tornou, assim, “o governador espiritual deste planeta”.

Essa maneira de conceituar Jesus Cristo bem mostra que o espiritismo não pode ser fundido com o cristianismo, pois para os cristãos, é essencial professar que Jesus é Deus feito homem. A encarnação de Deus Filho nada tem a ver com a reencarnação espirita.

3) A salvação decorre não da graça de Deus, mas do esforço pessoal de cada individuo que procure se purificar do pecado original ou seja dos pecados cometidos em outras encarnações anteriores. Uma vez livre das reencarnações, o espirito do individuo deve gozar da felicidade no Reino dos Céus. Os espiritas rejeitam radicalmente o conceito biblico do inferno. Como se vê, não pode haver espiritismo cristão.

Em 1953, os Bispo do Brasil disseram que o espiritismo é o “desvio doutrinario mais perigoso” para o país, uma vez que ” nega não apenas ou outra verdade de nossa fé, mas todas elas, tendo, no entanto, a cautela de dizer-se cristão, de modo a deixar os catolicos menos avisados,a impressão erradissima de ser possivel conciliar catolicismo com espiritismo” (Espiritismo, orientação para os católicos, D.Boaventura Kloppenburg, Ed. Loyola,5ª edição, 1995,pag 11).

Fonte: Livro Falsas doutrinas , seitas e religiões Autor: Prof. Felipe Aquino

Principais diferenças entre Espiritismo e Cristianismo

Espiritismo: Negam a divindade de Jesus Cristo, o qual trata-se de “um espírito muito evoluído” apenas.

Cristianismo: Segundo a Bíblia Sagrada, Jesus é verdadeiramente Deus.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus.” João 1,1

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, a glória que o Filho único recebe de seu Pai, cheio de graça e de verdade.” João 1,14

? O Verbo refere-se à palavra eterna do Pai, constituindo a segunda pessoa da Santíssima Trindade.

“Entrando (os magos do oriente) na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostaram-se diante dele, o adoraram“.

“Depois os levou para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou. Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado para o céu. Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande Júbilo.” Lucas 24,50ss

Adoração é um culto prestado somente a Deus, se Jesus realmente não O fosse, os seus apóstolos e os magos do oriente teriam caído em grande heresia.

Espiritismo: Acreditam que Jesus veio com a missão de ensinar o caminho do bem aos espíritos pouco evoluídos, não necessariamente para purificar a terra, ou seja, não acreditam no poder redentor da cruz de Cristo.

Cristianismo: O Antigo Testamento já mostra referências à missão salvadora de Jesus. Cf. Isaías 53

“hoje vos nasceu na cidade de Davi um Salvador…” (Lc 2,11)

“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29), forma pela qual João Batista se refere a Cristo.

“Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso Sangue de Cristo.” 1 Pd 1,18

Espiritismo: Negam a existência do inferno.

Cristianismo: Para os cristãos, o inferno é o estado para qual os pecadores que se negaram a dizer “sim” a Deus, sentem a amargura de estarem longe Dele.O inferno é evidenciado nas Sagradas Escrituras:

“Voltar-se-á em seguida para os da esquerda e lhes dirá: ‘Retirai-vos de mim malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e seus anjos.” Mt 25,41

“E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna.” Mt 25,46

“Ele tem a pá na mão e limpará a sua eira e recolherá o trigo ao seu celeiro, mas queimará as palhas num fogo inextinguível” Lc 3,17

Vemos também na parábola do rico e Lázaro, que o rico recebe a condenação eterna . Confira Lc 16,19-26

“A fumaça do seu tormento subirá pelos séculos dos séculos. Não terão descanso algum, dia e noite, esses que adoram a Fera e a sua imagem, e todo aquele que acaso tenha recebido o sinal de seu nome.” Apoc 14,11

Espiritismo: Negam a ressurreição dos mortos.

Cristianismo: O que diz a Bíblia:

-Cristo verdadeiramente ressuscitou: Mt28,1-9; Mc 16,1-8; Jo 20,1-8; I Cor 15, 1-4

-A ressurreição de Jesus é um argumento da nossa própria ressurreição : At 2,14-36; 3,11-26; 4,1-22; I Cor 15,1-11; II Tim 2,8

– “Os teus corpos tornarão a viver, os teus cadáveres ressurgirão”Is 26,19

Espiritismo: Não acreditam na existência do demônio, o que para ele trata-se de um espírito pouco evoluído.

Cristianismo: A Bíblia traz diversas referências a Satanás, que também é chamado de tentador, dragão, antiga serpente, maligno.

– Os demônios pecam e são lançados do céu:

Apoc 12,7-12

-Tenta nossos primeiros pais: Gen 3,1-19 ; Apoc 12,9.14s; 20,2

-Tenta o Senhor Jesus: Mt 4,1-11; Lc 4,1-13.

Espiritismo: Professam a reencarnação, que significa a volta da mesma alma humana (também chamada espírito) a este mundo, assumindo formas sucessivas, a fim de evoluir e chegar a perfeição.

Cristianismo: Vejamos o que diz a Palavra:

– “Afastai de mim a vossa ira para que eu tome alento, antes que me vá para não mais voltar” Sl 38,14

– “Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo.” Hb 9,27

– “Antes que eu parta, para não mais voltar, ao tenebroso país das sombras da morte, opaca e sombria região, reino de sombra e de caos, onde a noite faz às vezes de claridade” Jó 10,21s

– “Enquanto o homem, se pode matar por sua maldade, não pode fazer voltar o espírito uma vez saído, nem chamar de volta a alma que o Hades já recebeu”. Sabedoria 16,14

Espiritismo: Afirmam ser a reencarnação necessária para “pagar” os pecados de vidas passadas.

Cristianismo: Em João 9,1-6 , na parábola do cego de nascença, Cristo é questionado por seus discípulos por que aquele homem nascera cego, queriam saber se era em virtude dos seus pecados ou de seus pais. Entretanto, Jesus responde que nem uma coisa e nem outra; ele nascera cego para que as obras de Deus fossem manifestadas. Isso mostra que Bíblia não concorda com qualquer doutrina que diga que alguém nasceu enfermo por algum castigo de uma suposta encarnação anterior.

 
 
 

Por que não sou protestante? São sete as razões principais pelas quais não sou protestante:

1. Somente a Bíblia… Os protestantes afirmam que seguem a Bíblia como norma de fé. Acontece, porém, que a Bíblia utilizada por todos os protestantes é uma só; em português, vem a ser a tradução de Ferreira de Almeida. Por que então não concordam entre si no tocante a pontos importantes (ver nº 2 adiante)? E por que não constituem uma só comunidade cristã, em vez de serem centenas e centenas de denominações separadas (e até hostis) entre si?

A razão disto é que, além da Bíblia, seguem outra fonte de fé e disciplina… fonte esta que explica as divergências do Protestantismo.

Tal fonte, chamamo-la Tradição oral; é esta que dá vida e atualidade à letra do texto. A tradição oral do Catolicismo começa com Cristo e os Apóstolos, ao passo que as tradições orais dos protestantes começam com Lutero (1517), Calvino (1541), Knox (1567), Wesley (1739), Joseph Smith (1830)…

Entre Cristo e os Apóstolos, de um lado, e os fundadores humanos das denominações protestantes, do outro lado, não há como hesitar: só se pode optar pelos ensinamentos de Cristo e dos Apóstolos, deixando de lado os “profetas” posteriores.

Notemos que o próprio texto da Bíblia recomenda a Tradição oral, ou seja, a Palavra de Deus que não foi consignada na Bíblia e que deve ser respeitada como norma de fé. Os autores sagrados não tiveram, em vista expor todos os ensinamentos de Jesus, como eles mesmos dizem:

“Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se elas fossem escritas, uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se teriam de escrever” (Jo 21,25, cf. 1 Ts 2,15).

“Muitos outros prodígios fez ainda Jesus na presença dos discípulos, os quais não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome” (Jo 20,30s).

São Paulo, por sua vez, recomenda os ensinamentos que de viva voz nos foram transmitidos por Jesus e passam de geração a geração no seio da Igreja, sem estarem escritos na Bíblia:

“Sei em quem acreditei.. Toma por norma as sãs palavras que ouviste de mim na fé e no amor do Cristo Jesus. Guarda o bom depósito com o auxílio do Espírito Santo que habita em nós” (2Tm 1, 12/14).

Neste texto vê-se que o depósito é a doutrina que São Paulo fez ouvir a Timóteo, e que Paulo, por sua vez, recebeu de Cristo. Tal é a linha pela qual passa o depósito:

Cristo -> Paulo -> Timóteo

A linha continua… conforme 2Tm 2,2:

“O que ouviste de mim em presença de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam capazes de o ensinar ainda a outros”.

Temos então a seguinte sucessão de portadores e transmissores da Palavra:

O Pai -> Cristo -> Paulo (Os Apóstolos) -> Timóteo (Os Discípulos imediatos dos Apóstolos) -> Os Fiéis -> Os outros Fiéis

Desta forma a Escritura mesma atesta a existência de autênticas proposições de Cristo a ser transmitidas por via meramente oral de geração a geração, sem que os cristãos tenham o direito de as menosprezar ou retocar. A Igreja é a guardiã fiel dessa Palavra de Deus oral e escrita.

Dirão: mas tudo o que é humano se deteriora e estraga. Por isto a Igreja deve ter deteriorado e deturpado a palavra de Deus; quem garante que esta ficou intacta através de vinte séculos na Igreja Católica?

Quem o garante é o próprio Cristo, que prometeu sua assistência infalível a Pedro e as luzes do Espírito Santo a todos os seus Apóstolos ou à sua Igreja; ver Mt 16, 16-18; Lc 22,31s; Jo 21,15-17; Jo 14, 26; 16,13-15.

Não teria sentido o sacrifício de Cristo na Cruz se a mensagem pregada por Jesus fosse entregue ao léu ou às opiniões subjetivas dos homens, sem garantia de fidelidade através dos séculos. Jesus não pode ter deixado de instituir o magistério da sua Igreja com garantia de inerrância.

2. Contradições 0 fato de que não seguem somente a Bíblia, explica as contradições do Protestantismo:

Algumas denominações batizam crianças; outras não as batizam;

Algumas observam o domingo; outras, o sábado;

Algumas têm bispos; outras não os têm;

Algumas têm hierarquia; outras entregam o governo da comunidade à própria congregação (congregacionalistas);

Algumas fazem cálculos precisos para definir a data do fim do mundo – o que para elas é essencial. Outras não se preocupam com isto.

Vê-se assim que a Mensagem Bíblica é relida e reinterpretada diversamente pelos diversos fundadores dos ramos protestantes, que desta maneira dão origem a tradições diferentes e decisivas.

Ademais, todos os protestantes dizem que a Bíblia contém 39 livros do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento, baseando-se não na Bíblia mesma (que não define o seu catálogo), mas unicamente na Tradição oral dos judeus de Jâmnia reunidos em Sínodo no ano 100 d.C.;

Todos os protestantes afirmam que tais livros são inspirados por Deus, baseando-se não na Bíblia (que não o diz), mas unicamente na Tradição oral.

Onde está, pois, a coerência dos protestantes?

Pelo seu modo de proceder, afirmam o que negam com os lábios; reconhecem que a Bíblia não basta como fonte de fé. É a Tradição oral que entrega e credencia a Bíblia.

3. Afinal a Bíblia… Sim ou Não? Há passagens da Bíblia que os fundadores do Protestantismo no século XVI não aceitaram como tais; por isto são desviadas do seu destino original muito evidente:

1. A Eucaristia… Jesus disse claramente: “Isto é o meu corpo” (Mt 26,26) e “Isto é o meu sangue” (Mt 26,28).

Em Jo 6,51 Jesus também afirma: “O pão que eu darei, é a minha carne para o mundo”. Aos judeus que zombavam, o Senhor tornou a afirmar: ”Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue verdadeiramente uma bebida”.

Apesar disto, os protestantes não aceitam o sacramento do perdão e da reconciliação! (Jo 21,17).

Se assim é, por que é que ”os seguidores da Bíblia” não aceitam a real presença de Cristo no pão e no vinho consagrados?

2. Jesus disse ao Apóstolo Pedro: “Tu és Pedro (Kepha) e sobre esta Pedra (Kepha) edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18).

Disse mais a Pedro: “Simão, Simão… eu roguei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. E tu, voltando-te, confirma teus irmãos” (Lc 22,31s).

Ainda a Pedro: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,15).

Apesar de tão explícitas palavras de Jesus, os protestantes não reconhecem o primado de Pedro! Por que será?

3. Jesus entregou aos Apóstolos a faculdade de perdoar ou não perdoar os pecados – o que supõe a confissão dos mesmos para que o ministro possa discernir e agir em nome de Jesus:

“Recebei o Espiríto Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem não os perdoardes, não serão perdoados” (Jo 20,22s).

4. Jesus disse que edificaria a sua Igreja (“a minha Igreja”, Mt 16,18) sobre Pedro. As denominações protestantes são constituídas sobre Lutero, Calvino, Knox, Wesley… Antes desses fundadores, que são dos séculos XVI e seguintes, não existia o Luteranismo, o Calvinismo (presbiterianismo), o Metodismo, o Mormonismo, o Adventismo… Entre Cristo e estas denominações há um hiato… Somente a Igreja Católica remonta até Cristo.

5. 0 Apóstolo São Paulo, referindo-se ao seu elevado entendimento da mensagem cristã, recomenda a vida una ou indivisa para homens e mulheres:

“Dou um conselho como homem que, pela misericórdia do Senhor, é digno de confiança… 0 tempo se fez curto. Resta, pois, que aqueles que têm esposa, sejam como se não a tivessem; aqueles que choram, como se não chorassem; aqueles que se regozijam, como se não se regozijassem; aqueles que compram, como se não possuíssem; aqueles que usam deste mundo, como se não usassem plenamente. Pois passa a figura deste mundo. Eu quisera que estivésseis isentos de preocupações. Quem não tem esposa, cuida das coisas do Senhor e do modo de agradar ao Senhor. Quem tem esposa, cuida das coisas do mundo e do modo de agradar à esposa, e fica dividido. Da mesma forma a mulher não casada e a virgem cuidam das coisas do Senhor, a fim de serem santas de corpo e de espírito. Mas a mulher casada cuida das coisas do mundo; procura como agradar ao marido” (1Cor 7,25/34).

Ora os protestantes nunca citam tal texto quando se referem ao celibato e à virgindade consagrada a Deus. É estranho, dado que eles querem em tudo seguir a Bíblia.

4. Esfacelamento Jesus prometeu à sua Igreja que estaria com ela até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20); prometeu também aos Apóstolos o dom do Espírito Santo para que aprofundassem a mensagem do Evangelho (cf. Jo 14,26; 16,13s).

Não obstante, os protestantes se afastam da Igreja assim assistida por Cristo e pelo Espírito Santo para fundar novas “igrejas”. São instituições meramente humanas, que se vão dividindo, subdividindo e esfacelando cada vez mais; empobrecem e pulverizam sempre mais a mensagem do Evangelho, reduzindo/a:

Ora a sistema de curas (curandeirismo), milagre serviço ao homem (Casa da Bênção, Igreja Socorrista, Ciência Cristã…);

Ora a um retorno ao Antigo Testamento, com empalidecimento do Novo; assim os ramos adventistas…;

Ora a um prelúdio de nova “revelação”, que já não é cristã. Tal é o caso dos Mórmons; tal é o caso das Testemunhas de Jeová, que negam a Divindade de Cristo, a SS. Trindade e toda a concepção cristã de história.

5. Deterioração da Bíblia 0 fato de só quererem seguir a Bíblia (que na realidade é inseparável de Tradição oral, que a berçou e a acompanha), tem como consequência o subjetivismo dos intérpretes protestantes. Alguns entram pelos caminhos do racionalismo e vêm a ser os mais ousados dilapidadores ou roedores das Escrituras (tal é o caso de Bultmann, Marxsen, Harnack, Reimarus, Baur…). Outros preferem adotar cegamente o sentido literal, sem o discernimento dos expressionismos próprios dos antigos semitas, o que distorce, de outro modo, a genuína mensagem bíblica.

Isto acontece, porque faltam ao Protestantismo os critérios da Tradição (“o que sempre, em toda a parte e por todos os fiéis foi professado”), critérios estes que o magistério da Igreja, assistido pelo Espírito Santo, propõe aos fiéis e estudiosos, a fim de que não se desviem do reto entendimento do texto sagrado.

6. Mal-Entendidos Quem lê um folheto protestante dirigido contra as práticas da Igreja Católica (veneração, não adoração das imagens, da Virgem Santíssima, celibato…), lamenta o baixo nível das argumentações: são imprecisas, vagas, ou mesmo tendenciosas; afirmam gratuitamente sem provar as suas acusações; não raro baseiam-se em premissas falsas, datas fictícias, anacronismos.

As dificuldades assim levantadas pelos protestantes dissipam-se desde que se estudem com mais precisão a Bíblia e as antigas tradições do Cristianismo. Vê-se então que as expressões da fé e do culto da Igreja Católica não são senão o desabrochamento homogêneo das virtualidades do Evangelho; sob a ação do Espírito Santo, o grão de mostarda trazido por Cristo à terra tornou-se grande árvore, sem perder a sua identidade (cf. Mt 13,31 s); vida é desdobramento de potencialidades homogêneo. Seria falso querer fazer disso um argumento contra a autenticidade do Catolicismo. Está claro que houve e pode haver aberrações; estas, porém, não são padrão para se julgar a índole própria do Catolicismo.

A dificuldade básica no diálogo entre católicos e protestantes está nos critérios da fé. Donde deve o cristão haurir as proposições da fé: da Bíblia só ou da Bíblia e da Tradição oral?

Se alguém aceita a Bíblia dentro da Tradição oral, que lhe é anterior, a berçou e a acompanha, não tem problema para aceitar tudo que a Palavra de Deus ensina na Igreja Católica, à qual Cristo prometeu sua assistência infalível.

Mas, se o cristão não aceita a Palavra de Deus na sua totalidade oral e escrita, ficando apenas com a escrita (Bíblia), já não tem critérios objetivos para interpretar a Bíblia; cada qual dá à Escritura o sentido que ele julga dever dar, e assim se vai diluindo e pervertendo cada vez mais a Mensagem Revelada. A letra como tal é morta; é a Palavra viva que dá o sentido adequado a um texto escrito.

7. Menosprezo da Igreja Jesus fundou sua Igreja e a entregou a Pedro e seus sucessores. Sim, Ele disse ao Apóstolo:

“Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus, e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,18s).

Notemos: Jesus se refere à sua Igreja (Ele só tem uma Igreja) e Ele a entregou a Pedro… A Pedro e a seus sucessores, pois Pedro é o fundamento visível (“sobre essa pedra edificarei…”); ora, se o edifício deve ser para sempre inabalável, o fundamento há de ser para sempre duradouro; esse fundamento sólido não desapareceu com a morte de Pedro, mas se prolonga nos sucessores de Pedro, os Papas.

Ora, Lutero e seus discípulos desprezaram a Igreja fundada por Jesus, e fundaram (como até hoje ainda fundam) suas “igrejas”. Em consequência, cada “igreja” protestante é uma sociedade meramente humana, que já não tem a garantia da assistência infalível de Jesus e do Espírito Santo, porque se separou do tronco original.

A experiência mostra como essas ”igrejas” se contradizem e ramificam em virtude de discórdias e interpretações bíblicas pessoais dos seus fundadores; predomina aí o “eu acho” dos homens ou de cada “profeta” de denominação protestante.

Mas… as falhas humanas da Igreja não são empecilho para crer?

Em resposta devemos dizer que o mistério básico do Cristianismo é o da Encarnação; Deus assumiu a natureza humana, deixou/se desfigurar por açoites, escarros e crucificação, mas desta maneira quis salvar os homens. Este mistério se prolonga na Igreja, que São Paulo chama “o Corpo de Cristo” (Cl 1,24; 1Cor 12,27). A Igreja é humana; por isto traz as marcas da fragilidade humana de seus filhos, mas é também divina; é o Cristo prolongado; por isto os erros dos homens da Igreja não conseguem destruí-la; são, antes, o sinal de que é Deus quem vive na Igreja e a sustenta.

Numa palavra, o cristão há de dizer com São Paulo: “A Igreja é minha mãe” (cf. Gl 4,26). Ao que São Cipriano de Cartago (+258) fazia eco, dizendo: “Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por Mãe” (“Sobre a Unidade de Igreja”, cap. 4).

Conclusão A grande razão pela qual o Protestantismo se torna inaceitável ao cristão que reflete, é o subjetivismo que o impregna visceralmente. A falta de referenciais objetivos e seguros, garantidos pelo próprio Espírito Santo (cf. Jo 14,26; 16,13s), é o principal ponto fraco ou o calcanhar de Aquiles do Protestantismo. Disto se segue a divisão do mesmo em centenas de denominações diversas, cada qual com suas doutrinas e práticas, às vezes contraditórias ou mesmo hostis entre si.

0 Protestantismo assim se afasta cada vez mais da Bíblia e das raízes do Cristianismo (paradoxo!), levado pelo fervor subjetivo dos seus “profetas”, que apresentam um curandeirismo barato (por vezes, caro!) ou um profetismo fantasioso ou ainda um retorno ao Antigo Testamento com menosprezo do Novo.

Esta diluição do Protestantismo e a perda dos valores típicos do Cristianismo estão na lógica do principal fundador, Martinho Lutero, que apregoava o livre exame de Bíblia ou a leitura da Bíblia sob as luzes exclusivas da inspiração subjetiva de cada crente; cada qual tira das Escrituras “o que bem lhe parece ou lhe apraz”!

Dom Estêvão Bettencourt

 
 
 
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