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Na Quaresma, enquanto os fiéis começam a se preparar com mais força para a Páscoa, as imagens de nossas igrejas são cobertas com um véu. Mas de onde vem, afinal, esse costume e o que ele significa?

Permanece vivo em muitas igrejas o costume de cobrir com um véu roxo a cruz e as imagens sacras durante a última semana da Quaresma. Embora tal tradição já se tenha perdido em alguns lugares e em outras tantos não se saiba mais qual seu significado, a igreja ainda o recomenda.

Neste pequeno artigo apresentaremos algumas informações de caráter histórico sobre a origem desse costume e, ao fim, verificaremos nos livros litúrgicos restaurados por decreto do Concílio Vaticano II como se deve proceder atualmente.


De onde vem o costume católico de velar as imagens sacras durante o tempo litúrgico da Quaresma?

A resposta para essa questão deve ser encontrada na riquíssima arquitetura litúrgica da Igreja. Em primeiro lugar, não é verdade que as imagens sejam cobertas por toda a Quaresma, mas somente nos dias que precedem a Paixão do Senhor, mais exatamente a partir do 5.º Domingo da Quaresma.

Diferentemente do Missal Romano de 1962, as rubricas do Missal de Paulo VI não preveem mais a obrigatoriedade dessa prática (cf. Paschalis Sollemnitatis, n. 26). Cabe às Conferências Episcopais discernir a oportunidade de se manter esse costume em cada região, a depender da recepção cultural que o acompanha. Como o Brasil é um país de antiga tradição católica, não há problema algum na sua observância.

Mais importante que a letra da rubrica, porém, é compreender o seu significado. Ao velar o crucifixo, até a Sexta-feira Santa, e as imagens dos santos, até a Vigília Pascal, a Igreja antecipa o luto pela morte de seu Senhor, incutindo nos fiéis uma mortificação à sua visão.

O foco das leituras também é outro: nas primeiras semanas da Quaresma, os textos litúrgicos chamavam sobretudo à penitência e à conversão pessoais; a partir da 5.ª semana da Quaresma — que, no calendário antigo, se chamava simplesmente 1.º Domingo da Paixão —, os fiéis começam a ouvir as narrativas do Evangelho de São João, chamados a manter o olhar fixo em Jesus crucificado, não tanto com os olhos da carne, mas com os da alma.

Em sua pedagogia de mãe, portanto, a Igreja introduz-nos em um mistério. Neste fim de semana, as cruzes são veladas, mas, na Sexta-feira da Paixão, novamente elas são descobertas e dadas à adoração dos fiéis.

Com esse gesto, os católicos, evidentemente, não adoramos um pedaço de madeira ou de gesso (cf. S. Th., III, q. 25, a. 4), mas o amor de Cristo que se manifestou na Cruz. Aproveitemos esse tempo de silêncio e sobriedade, intensifiquemos a nossa vida de penitência e meditemos sobre o infinito amor do Senhor, o qual, “amando os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13, 1).

O velum quadragesimale

Para descobrir a origem do véu das imagens é preciso retroceder aos primeiros séculos do cristianismo, pois é a partir da prática penitencial antiga que se desenvolverá esse costume, como veremos. A disciplina penitencial da Igreja antiga era extremamente rígida: durante meses e até anos, ou em certos casos até ao fim da vida, o penitente deveria realizar atos ascéticos e não poderia participar plenamente da liturgia. Assim como os penitentes, todos os pagãos, hereges e os catecúmenos não podiam acompanhar toda a celebração eucarística.

Sinal disso é que, até a publicação do Missal de Paulo VI (1969), a missa era dividida em duas partes: a “missa dos catecúmenos” (orações ao pé do altar, intróito, kyrie, glória, oração coleta, leitura, salmo gradual, evangelho, prédica, credo) e missa dos fiéis (ofertório, cânon, ritos de comunhão, oração pós-comunhão, bênção final, último evangelho). De início a missa dos catecúmenos era concluída com uma oração de bênção e o convite do diácono para os “não-fiéis” já enumerados retirarem-se¹.

Tal convite – que num largo processo desembocou no atual “Ite, missa est”, “Ide, a missa terminou” ou “Ide, é a missa [missão, envio]” – marcava a saída dos catecúmenos e penitentes do recinto sagrado. Os penitentes eram reconciliados na manhã da Quinta-feira Santa, para participarem do Tríduo Pascal.

Segundo D. Prósper Guéranger e o Pe. João Batista Reus (p. 149-150), quando a penitência pública caiu em desuso e passou a ser praticada a penitência privada dada pelo confessor, o sentido da saída dos penitentes foi preservado com o uso litúrgico do “velum quadragesimale”, o “véu da quaresma”. Esse véu inicialmente recobria todo o presbitério, ocultando completamente o altar aos olhos de todos, como que advertindo-os de que é necessário fazer penitência antes de tomar parte nos Sagrados Mistérios.

O Pe. Edward McNamara conduz tal costume a uma tradição germânica: Em seguida, tal prática foi simplificada. Desapareceu o véu quaresmal, ficando apenas o véu da cruz e das imagens.

… a origem histórica desta prática […] provavelmente deriva do costume, existente na Alemanha desde o IX século, de estender um grande tecido na frente do altar desde o início da Quaresma. Este tecido, chamado “Hungertuch” (pano de fome), cobria inteiramente o altar para os fiéis durante a quaresma e não era removido até a leitura da Paixão na Quarta-feira Santa, às palavras “o véu do templo partiu-se em dois”. (tradução livre nossa – original em inglês)

Uma interpretação alegórica:“… mas Jesus escondeu-se” (Jo 8,59).

Após a explicação da origem histórica dos véus quaresmais, vejamos agora o significado alegórico e espiritual que foi atribuído a este rito e que ajuda a tomá-lo como auxílio visual na preparação à Páscoa do Senhor.

Na liturgia anterior ao Concílio Vaticano II, chamada agora de “Forma Extraordinária do Rito Romano”, a V Semana da Quaresma era chamada de Tempo da Paixão, estendendo-se até o início do Tríduo Sacro. Era um período profundamente austero.

Se no IV Domingo (Laetare²) a Igreja despojou-se das vestes penitenciais para vestir as da alegria pela proximidade da Páscoa, agora no Tempo da Paixão ela deve intensificar a penitência e estimular os piedosos pensamentos sobre a morte de Cristo.

Durante toda a Quaresma o “enlutamento” da Igreja pelo Noivo que é retirado vai tornando-se sempre maior. Durante o Tempo da Paixão, além do “Aleluia” e do “Glória a Deus nas alturas”, que não são entoados desde a Quarta-feira de Cinzas, também não é mais rezado o “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”. Ao aproximar-se o sacrifício do Cordeiro Pascal a Igreja mergulha na dor da sua morte. Os paramentos deste tempo ainda são roxos. Mas (sempre na liturgia anterior a 1969) na Sexta-feira Santa o luto chegará ao seu ápice: a Igreja vestir-se-á de preto, como faz por ocasião do falecimento de qualquer cristão (embora hoje dificilmente se veja um padre vestir paramentos pretos em celebrações exequiais…). É o dia da morte do Esposo. Dia de luto universal.

No Domingo da Paixão (hoje V Domingo da Quaresma) lia-se o evangelho de João 8,46-59, que apresenta o grande conflito de Jesus com os judeus. Ele apresenta-se como o Messias divino (“Eu sou” é o nome de Deus), anterior a Abraão (cf. Jo 8,58). O resultado é que os judeus tentam apedrejá-lo. Jesus tem de esconder-se e sair do templo.

Ao escolher este evangelho, a liturgia anterior ressaltava o clima de tensão que conduziria à condenação capital de Jesus. Para expressar simbolicamente esse mistério a liturgia cobria as imagens com um véu roxo. Este é o sentido espiritual apresentado por D. Prósper Guéranger, OSB:

Na espera desta hora [a hora da agonia do Filho, quando o Esposo será tirado], a santa Igreja manifesta os seus dolorosos pressentimentos velando antecipadamente a imagem do divino Crucificado. A própria Cruz fica invisível aos fiéis, desaparecendo através de um véu. Não se verão mais as imagens dos santos, porque é justo que o servo se esconda, quando se eclipsa a glória do Patrão. Os intérpretes da Liturgia ensinam que o austero uso de velar a Cruz no tempo da Paixão significa a humilhação do Redentor, que foi constrangido a esconder-se para não ser lapidado pelos judeus… (tradução livre nossa – original em italiano).

O véu das imagens no Missal de Paulo VI

Historicamente, como vimos, a velatio das imagens é uma adaptação do costume de impedir aos penitentes, hereges e não-batizados a participação, a “visão” dos Sagrados Mistérios: da expulsão dos penitentes passou-se ao véu amplo que escondia todo o presbitério e que foi reduzido, posteriormente, ao véu das cruzes e imagens sacras na Igreja.

Do ponto de vista espiritual o costume foi interpretado como sinal da penitência à qual todos os fiéis são chamados, ainda como sinal da antecipação do luto da Igreja pela morte do seu Esposo e da humilhação de Cristo, que teve de esconder-se para escapar da ameaça de morte.

Até a publicação do Missal de Paulo VI, em 1969, era obrigatório o costume de cobrir as imagens na V Semana da Quaresma. A reforma litúrgica, porém, ao contrário do que muitos imaginam, não aboliu este uso. Ele foi tornado facultativo, podendo ser mantido a juízo das conferências episcopais. É o que afirma a rubrica do sábado da IV Semana da Quaresma:

Pode-se conservar o costume de cobrir as cruzes e imagens da igreja, a juízo das Conferências Episcopais. As cruzes permanecerão veladas até o fim da celebração da Paixão do Senhor, na Sexta-feira Santa. As imagens, até o início da Vigília Pascal.

Note-se, contudo, que mesmo onde não se mantém o costume de cobrir com o véu roxo as imagens na última semana quaresmal, é recomendado cobrir ou retirar da igreja as cruzes no final da Missa na Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa, durante o Tríduo Pascal, de modo que na Celebração da Paixão apresente-se aos fiéis uma única cruz. No final da Celebração da Paixão todas as cruzes são desveladas. Eis a rubrica do Missal Romano:

Após alguns momentos de adoração silenciosa [ao Santíssimo Sacramento que foi levado em procissão após a oração depois da comunhão], o sacerdote e os ministros fazem genuflexão e voltam à sacristia. Retiram-se as toalhas do altar e, se possível, as cruzes da Igreja. Convém velar as que não possam ser retiradas.

Se na sua igreja este belo costume ainda é conservado, aproveite essas informações para explicar aos demais membros da comunidade o seu sentido. Assim, também com os sinais externos da penitência, do recolhimento, da purificação da visão e do coração de tudo o que é secundário ou mesmo supérfluo, poderemos concentrar o nosso sentir, pensar e agir no Cristo Crucificado. Com os olhos fixos no Senhor, percorrendo com ele a Via Dolorosa, chegaremos às núpcias do Cordeiro Redivivo, à Páscoa da Ressurreição.

Laersio da Silva Machado Seminarista da Diocese de Imperatriz,

Fonte: https://www.icatolica.com/2016/02/o-veu-quaresmal-das-imagens-e-cruzes.html?m=1

 
 
 

Tornou-se muito comum católicos desmerecerem as práticas penitenciais recomendadas para a quaresma. Logo dizem: “Fazer penitência é besteira, o jejum mais importante é o da língua!”

Será mesmo? Assista esta importante formação e descubra qual o ensinamento da Igreja acerca disso, para saber responder quando alguém vier com essa bobagem de jejum da língua…

Já adiantamos que, não fazer fofoca, ser humilde e ajudar o próximo é nossa obrigação! Não é penitência! Penitência é algo que não é pecado fazer e que você gosta de fazer mas, que livremente você renuncia para se disciplinar, reparar os seus pecados e se fortalecer espiritualmente! Nós temos que fazer jejum, abstinência e penitência SIM na Quaresma!

Antes de continuar a leitura, assista a formação:


Como viver bem o tempo da Quaresma?

Quando o mundo desperta no dia seguinte ao Carnaval, é Quarta-feira de Cinzas. Para os mundanos e pagãos, trata-se de mais um dia como qualquer outro. Para nós, católicos, porém, inicia-se um tempo forte de oração e penitência: o tempo da Quaresma.

A Igreja, mãe e mestra dos homens, tem o dever de ensinar-lhes o caminho da santidade. Por isso, ela possui toda uma pedagogia, com métodos e programas de ensino, que movem o coração do homem na direção do Céu.

A Quaresma faz parte dessa pedagogia como um tempo especial dedicado a um combate mais denso contra as nossas tendências pecaminosas. Não se trata, portanto, de um período em que a Igreja simplesmente se veste de roxo, mas de um kairós, ou seja, um tempo oportuno para nossa conversão.

Para viver bem esse período, o homem deve conhecer o seu fundo mau e reconhecer-se necessitado da graça divina. O tempo da Quaresma é esse tempo em que o homem passa quarenta dias meditando sobre a Paixão de Nosso Senhor, a fim de afastar-se do homem velho e, na Páscoa, ressurgir como um homem novo. Afinal, o que a Igreja deseja não é somente a nossa libertação do pecado, mas a nossa santificação e configuração a Cristo; ela quer, portanto, a nossa conversão mais profunda — uma espécie de segunda decolagem, por assim dizer —, que retira o cristão da lógica do mundanismo.

Na Quaresma, a Igreja nos exorta a praticar a esmola, o jejum e, sobretudo, a oração, como descrito no Sermão da Montanha (cf. Mt 6). Essas três práticas servem para “matar” o homem velho dentro de nós e abrir o nosso coração à graça santificante. Elas desligam o motor do pecado — isto é, aquilo que São João chama de concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida (cf. 1Jo 2, 16) — e dispõem as nossas almas a serem movidas pelo amor de Deus. O jejum mortifica a concupiscência da carne, a esmola mortifica a concupiscência dos olhos e a oração mortifica a soberba da vida.


Tudo que há no mundo é a concupiscência da carne. Essa carne de que fala São João não é bem o nosso corpo, mas aquela inclinação da alma a querer os prazeres ilícitos da criatura. A alma humana, quando dominada pelo pecado, vive uma desordem. Ela deixa de governar a vida do homem para submeter-se às paixões carnais. Por isso ela recebe o nome de “carne”.

O jejum serve justamente para moderar essa fuga da dor e busca pelo prazer, ordenando o nosso espírito, de modo que a alma domine sobre as paixões e não o contrário. Assim, privar-se de coisas agradáveis como doces, refrigerantes e o consumo de carne (brancas e vermelhas, atenção) é algo bastante recomendável.

A concupiscência dos olhos. O homem é a única criatura de Deus que possui uma sede de conhecimento, esse desejo que move o nosso olhar para tudo que seja “belo” e “interessante” às vistas. Por exemplo, nenhum outro animal é capaz de passar o dia inteiro no Facebook, ou mudando de canal, ou passeando no shopping sem comprar nada, como faz o ser humano.

O homem nasceu para conhecer a verdade. Porém, o pecado original causou uma desordem no seu interesse pelas coisas, de modo que as pessoas se perdem na curiosidade malsã. Daí a necessidade da esmola como exercício de desapego e abnegação.

A soberba da vida. O pecado original maculou o ser humano com o vício diabólico do orgulho, essa atitude de achar-se suficiente e dizer “eu me basto”. Na história da Igreja, esse vício se espalhou por heresias como o pelagianismo e o semipelagianismo, que pregavam a ideia de uma santificação sem a necessidade da graça de Deus, mas apenas por méritos humanos.

O método mais eficaz para combater o orgulho é a oração. Colocando-se de joelhos diante de Deus, o homem reconhece a sua debilidade e incapacidade para todo bem, qual um mendigo na soleira da porta de Deus. Isso abre o nosso coração para o dom da caridade, para a verdadeira esperança, que reside apenas em Deus, pois Ele é que vai nos capacitar a amar e santificar os nossos irmãos. De resto, o homem desespera-se de si mesmo para esperar apenas na providência divina.

Uma prática bastante recomendável para o tempo da Quaresma é a participação diária à Santa Missa, com Comunhões bem feitas, e a frequência à Confissão. Nessa dinâmica, a nossa alma vai se identificando mais depressa à vontade do Divino Mestre, que toca o nosso corpo e a nossa alma por meio dos sacramentos. Com essa força, tornamo-nos mais resistentes às tentações, às concupiscências da carne e dos olhos e à soberba da vida.

Não podemos nos esquecer ainda que o tempo da Quaresma é também o tempo de Nossa Senhora, a mulher do Apocalipse que se retirou para o deserto, a fim de vencer o dragão, a serpente maligna que pretendia devorar seu Filho. Peçamos, pois, o auxílio da Mãe Divina e vivamos esses quarenta dias na expectativa de novos céus e nova terra, no dia da ressurreição.

Formas de penitência e suas razões

Numa sociedade que cria os seus filhos sem limites e como “crianças mimadas”, fica realmente muito difícil entender o porquê de se fazer penitência. Neste vídeo, Pe. Paulo Ricardo fala sobre as formas de mortificação e explica como podemos educar o nosso corpo para crescermos na vida em Deus.

O corpo humano pode ser comparado a uma criança mimada, aquela que deseja ter todas as suas vontades satisfeitas e, mesmo que isso ocorra, ela ainda é irritadiça, preguiçosa e indolente. Assim é o ser humano, assim é o corpo humano.

Quanto mais come, mais letárgico fica; quanto mais dorme, mais sono tem; e assim por diante. Trata-se da primeira consequência do pecado original, da mãe de todas as doenças: a filáucia, que pode ser definida como o amor de si contra si e cujo lema é “foge da dor, busca o prazer”.

Esse lema está muito presente na sociedade moderna, que incentiva a busca desenfreada pelo prazer, pela satisfação de todos os desejos, representado pela “liberdade”. Enquanto isso, o ser humano se torna cada vez mais vazio e menos resistente à dor. Não suporta ser contrariado e se desestrutura quando perde algo ou alguém. Pudera, não foi ensinado a isso, não exercitou a moderação, não praticou a ascese e a disciplina.

O tempo da Quaresma está chegando. A Igreja ensina e estimula o católico a praticar o jejum, a oração e a esmola. Essas três formas de penitência são um remédio para o combate das doenças espirituais, sendo que o jejum auxilia no combate à gula, a oração no combate ao orgulho e à soberba, e a esmola no combate à avareza. São exercícios que, se feitos com seriedade, têm a capacidade de arrancar o cristão católico das garras do relativismo que domina o mundo atualmente.

Assista também:


Como o cristão de hoje deve se mortificar?

A mortificação é um elemento tão necessário à vida cristã, que quem não quiser renunciar a si mesmo jamais poderá ser santo. Mas quais são, no fim das contas, as formas de mortificação mais adequadas para os dias de hoje?

A direção espiritual de hoje é dedicada ao tema das mortificações. O problema aqui tratado, de modo mais particular, consiste em saber quais são as formas de mortificação mais adequadas aos tempos e às condições em que vivemos atualmente. Porque se é verdade, por um lado, que a mortificação é parte integrante da vida cristã e, portanto, um elemento indispensável a quem almeja chegar à perfeição no amor, nem por isso devemos afirmar, por outro, que todas as práticas penitenciais do passado sejam oportunas e convenientes ao cristão de hoje. Os tempos mudam e, com eles, os critérios do que é ou não confortável e incômodo, fácil e difícil, agradável e custoso tendem também a passar por sensíveis variações.

Seja como for, é importante ter sempre em mente que a mortificação ativa, em suas diversas manifestações, é, sim, uma necessidade, não só para repararmos os muitos pecados com que ofendemos a Deus, mas ainda para a nossa própria purificação e santificação. Precisamos mortificar-nos, no corpo e no espírito, a fim de pormos em ordem nossos afetos e dirigirmos nossa vida ao seu único e último fim: a glória a Deus. Por isso, o motivo principal da nossa mortificação não deve ser outro senão dispor o nosso coração, matando nele o que há de egoísmo e apego às criaturas, para amar o verdadeiro Amor.

Pois bem, feitas essas considerações iniciais, podemos encontrar em ninguém menos que S. Teresinha do Menino Jesus um guia mais do que confiável para saber como e em que medida devemos mortificar-nos. S. Teresinha, com efeito, foi um grande mensageiro enviado pelo Espírito Santo para iluminar os fiéis dos tempos modernos. E isso, antes de tudo, devido à sua profunda compreensão do espírito de ascese de S. João da Cruz. Para ela, assim como para o Doutor Místico, as mortificações extraordinárias, embora possam ter o seu valor, tendem muitas vezes a converter-se num caminho para o pior dos orgulhos, o orgulho espiritual de crer-se e sentir-se mais santo e virtuoso, e isto à custa das próprias forças e flagelos.

Daí que o principal vício que temos de combater não é tanto a gula ou a preguiça quanto esta soberba, que nos nossos dias se expressa como uma revolta sobranceira da inteligência e da razão. Com Lutero surge a pretensão do livre exame, em que cada um é para si mesmo palavra final e infalível; com o Iluminismo, do outro lado, deifica-se a razão humana e se lhe presta um culto que é a marca da nossa civilização laicista. É preciso, pois, ir direito ao pecado deste século — o orgulho da inteligência, virada de costas para Deus —, combatendo-o com humildade de espírito e coração.

Isso significa que, mais do que em praticar mortificações ativas, a nossa vida espiritual deve estar centrada em aceitar as mortificações passivas que Deus quiser-nos enviar. Não se trata, como é óbvio, de renunciar por completo à purificação dos sentidos e das potências da alma mediante privações justas e razoáveis, moderando os apetites, sabendo negar o que mais agrada ao paladar etc. Trata-se, isso sim, de uma infância espiritual, ou seja, da perfeita abnegação de si mesmo, inclusive nos menores e mais “insignificantes” detalhes de vida diária.

A nossa mortificação, nesse sentido, consistirá sobretudo em vencer-se a si mesmo e suportar, com ânimo resignado e docemente entregue à vontade divina, as dificuldades do dia-a-dia, as calúnias e detrações, as injustiças que nos atingem somente a nós, as humilhações e vexações que nos expõem a ridículo etc. Consistirá, noutras palavras, em querer ser esquecido e desprezado por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo: Pati et contemni pro Te. Será uma renúncia diária, descoberta apenas aos olhos do Pai, em que os sofrimentos involuntários se veem como uma visita amorosa de Deus. Será, enfim, um martírio continuado, às “alfinetadas”, pois quem não quer vencer o orgulho que lateja dentro de si, pela abnegação dos próprios caprichos e critérios, jamais se santificará, por maiores que sejam as mortificações ativas com que sulque a própria carne.


 
 
 

O tempo da Quaresma é um tempo de graças especiais. O seu objetivo é a renovação da nossa vida espiritual, para nos aproximar do pensamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, para adquirir os Seus sentimentos, especialmente o Seu amor ardente por Deus e a salvação das almas, e a Sua humildade de coração. A humildade de coração é alcançada também por meio de um arrependimento sincero e contrição pelos nossos próprios pecados. A jornada de renovação espiritual da nossa alma significa também uma batalha espiritual.

Dom Prosper Guéranger deu-nos a seguinte explicação do significado espiritual do tempo da Quaresma: «O Filho de Deus, feito Homem para a nossa salvação e desejando sujeitar-se ao sofrimento do jejum, escolheu o número de Quarenta Dias. A instituição da Quaresma é, assim, apresentada diante de nós com tudo o que pode impressionar a mente com o seu carácter solene e com o seu poder de apaziguar a Deus e purificar as nossas almas. Vamos, portanto, olhar além do pequeno mundo que nos rodeia e ver como todo o universo cristão está, neste exacto momento, a oferecer esta penitência de Quarenta Dias como um sacrifício de propiciação à ofendida Majestade de Deus; e esperemos que, como no caso dos Ninivitas, Ele aceite misericordiosamente a oferta deste ano da nossa expiação e nos perdoe os nossos pecados. A Igreja, na Quarta-feira de Cinzas, chama a Quaresma o combate cristão. Sim, – para que possamos ter aquela novidade de vida que nos fará dignos de cantar, mais uma vez, o nosso Aleluia –, devemos vencer os nossos três inimigos: o diabo, a carne e o mundo. Somos companheiros de combate com o nosso Jesus, pois Ele também se submete à tripla tentação, que Lhe foi sugerida pessoalmente por Satanás. Portanto, devemos ter a nossa armadura e vigiar incessantemente» (Ano Litúrgico, Prefácio. Quaresma).

A Quaresma é o tempo para nos lembrarmos da nossa regeneração para a vida divina da graça que uma vez recebemos no Santo Baptismo. Dom Guéranger explica: «Devemos lembrar-nos de que a festa da Páscoa deve ser o dia do novo nascimento dos nossos catecúmenos; e como, nos primeiros tempos da Igreja, a Quaresma foi a preparação imediata e solene dada aos candidatos ao Baptismo. A sagrada Liturgia da época actual retém muito das instruções que costumava dar aos Catecúmenos; e, ao ouvirmos as suas magníficas Lições do Antigo e do Novo Testamento, por meio das quais completou a sua iniciação, devemos pensar, com gratidão, em como não fomos obrigados a esperar anos antes de sermos feitos Filhos de Deus, mas fomos misericordiosamente admitidos ao Baptismo ainda na nossa infância. Seremos levados a orar por esses novos Catecúmenos, que neste mesmo ano, em países longínquos, estão a receber instruções dos seus zelosos Missionários e aguardam, como os postulantes da Igreja primitiva, aquela grande festa da vitória de Nosso Senhor sobre a Morte, quando devem ser purificados nas águas do Baptismo e receber, por meio deste, contacto com a regeneração» (Ano Litúrgico, Prefácio. Quaresma).

Cada tempo da Quaresma deve aproximar-nos um pouco mais à conformação interior com os pensamentos e sentimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os três principais meios no caminho desta renovação espiritual são: a oração (meditação da Paixão de Cristo), a esmola (amor ao próximo, paciência), o jejum (penitência corporal). Ao executar exteriormente estes três actos, devemos ser movidos e sustentados pela virtude do amor e da humildade. Estas duas virtudes deveriam ser para nós um elemento concreto para o exame de consciência todas as noites da Quaresma. Quanto amor e humildade tive, hoje, na minha oração, no meu jejum, em fazer boas obras para com o próximo?

1) A oração e a meditação da Paixão de Cristo devem acender em nós a verdadeira contrição pelos nossos pecados, que foram a única causa dos amargos sofrimentos do Senhor, mas, ao mesmo tempo, esta meditação deve acender em nós o fogo do amor ao Senhor.

2) Sobre o jejum durante a Quaresma, São Francisco de Sales fala-nos assim: «Pensei em falar-vos das condições que tornam o jejum bom e meritório. Entendam que o jejum por si só não é uma virtude. É uma virtude apenas quando acompanhada de condições que a tornam agradável a Deus. Encontramos algumas pessoas que pensam que, para jejuar bem durante a época sagrada da Quaresma, basta abster-se de comer alguns alimentos proibidos. Bem sabemos que não basta jejuar exteriormente se não jejuarmos também interiormente e se não acompanharmos o jejum do corpo com o do espírito. Agora, entre todas as condições exigidas para jejuar bem, seleccionarei três principais… A primeira condição é que devemos jejuar de todo o coração, de boa vontade, de todo o coração, universal e inteiramente. A segunda condição é nunca jejuar por vaidade, mas sempre por humildade. A terceira condição necessária para jejuar bem é olhar para Deus e fazer tudo para agradá-Lo» (Sermão durante a Quaresma de 1622). O jejum do corpo é alimento para a alma. Santo Atanásio ensinou: «Vejam o que o jejum faz: cura doenças, expulsa demónios, remove pensamentos perversos, purifica o coração. Se alguém foi tomado por um espírito impuro, diga-lhe que esta espécie, de acordo com a palavra do Senhor, “não se expulsa senão à força de oração e de jejum” (Mt 17, 21)». São Basílio, o Grande, explicou o significado do jejum com as seguintes palavras: «Há um jejum físico e espiritual. No jejum físico, o corpo abstém-se de comida e bebida. No jejum espiritual, o jejuador abstém-se de más intenções, palavras e acções. Aquele que jejua verdadeiramente abstém-se de raiva, malícia e vingança. Aquele que realmente jejua abstém-se de conversa fiada e suja, retórica vazia, calúnia, julgamentos, lisonja, mentira e todo o tipo de conversa rancorosa. Numa palavra, um verdadeiro jejuador é aquele que se afasta de todo o mal. Por mais que subtraias do corpo, tanto adicionarás à força da alma».

3) Sobre a esmola e a caridade, diz São João Maria Vianney: «Há um certo tipo de esmola que todos podem fazer. Vês bem que dar esmola não consiste apenas em alimentar os famintos e em dar roupas aos que não têm. Consiste em todos os serviços que alguém presta ao próximo, seja de corpo ou alma, quando o faz com espírito de caridade. Quando temos pouco, muito bem, vamos dar um pouco; e quando não temos nada, vamos emprestar, se pudermos. Se não puderes fornecer aos que estão doentes tudo o que seria bom para eles, bem, então, podes visitá-los, podes dizer-lhes palavras de consolo, podes rezar por eles para que façam bom uso da sua doença. Tudo é bom e precioso aos olhos de Deus quando agimos por motivos de religião e de caridade, porque Jesus Cristo diz-nos que um copo de água não ficaria sem recompensa. Vês, portanto, que, embora possamos ser muito pobres, ainda podemos facilmente dar esmolas. Eu disse-te que, por mais exigente que seja o nosso trabalho, há um certo tipo de oração que podemos fazer continuamente sem, ao mesmo tempo, perturbar o nosso trabalho, e é assim que é feito. É procurar, em tudo o que fazemos, fazer apenas a vontade de Deus. Diz-me, é tão difícil procurar apenas fazer a vontade de Deus em todas as nossas acções, por menores que sejam? Com essa oração, tudo se torna meritório para o Céu e, sem essa vontade, tudo está perdido. Ai de mim! Quantas coisas boas, que nos ajudariam tão bem a ganhar o Céu, não são recompensadas simplesmente por não cumprirmos os nossos deveres normais com a intenção correcta!».

A virtude da caridade tem de ser o comandante, o general do exército, em todos os nossos actos exteriores e, especialmente, durante a Quaresma. São Francisco de Sales dá-nos essa explicação, dizendo: «O amor divino é o general das virtudes. Só ele pode ganhar o céu e vencer o inferno. Ele conquista pessoalmente o inimigo e, ao mesmo tempo, comanda as demais virtudes a actuarem em todo o campo de batalha. Muitas virtudes agem mesmo sem as ordens explícitas de caridade. Essas também afirmam a caridade como suas. São Paulo escreve: “A caridade tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Cor 13, 7). Embora a caridade faça tudo isso, distribuímos o elogio a muitas virtudes. A Escritura diz que somos salvos pela fé, ou pela esmola, ou pela oração, ou pela humildade, ou pela esperança ou pela castidade. Certamente, essas virtudes salvam-nos, mas apenas porque estão unidas à caridade. Só a caridade dá a cada virtude a sua santidade. “A caridade tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Cor 13, 7). São Paulo escreve isso porque a caridade anima cada virtude a realizar as suas acções únicas. Algumas pessoas amam excessivamente uma virtude e deixam a caridade de lado. Tertuliano, por exemplo, amava tanto a castidade que violou a caridade. Deixou a Igreja Católica para praticar a castidade de acordo com as suas próprias ideias. Alguns amavam tanto a pobreza que se tornaram hereges. Muitos entusiastas exaltam a oração e deixam a caridade para trás! Alguns hereges exaltam o amor pelos pobres e deixam de lado o amor a Deus, dizendo que o homem só é salvo pela esmola. Isso viola o ensinamento de São Paulo. “Ainda que eu distribua todos os meus bens, se não tiver amor, de nada me vale” (1 Cor 13, 3). “Deus erga diante de mim a sua bandeira de amor”, diz o livro Cântico dos Cânticos (Ct 2, 4). O amor é o estandarte no exército de Deus, a única bandeira sob a qual lutamos pelo nosso Salvador. Que todas as virtudes obedeçam à caridade. Amemos cada virtude apenas porque agrada a Deus. Desta forma, o amor divino dará vida a todas as virtudes» (Tratado sobre o amor de Deus, 11, 4; 11, 14).

Poderíamos propor os seguintes meios práticos para viver com mais benefícios espirituais este tempo de Quaresma.

Quanto à oração: rezar, pelo menos todas as sextas-feiras, a Via-Sacra. Poderíamos participar num serviço comum numa igreja ou capela. Seria bom percorrer a Via-Sacra, talvez também fora, onde é possível. Poderíamos rezar, uma vez por semana, a Via-Sacra, adicionalmente em família, com toda a família em casa. Poderíamos rezar, individualmente, todos os dias, os mistérios dolorosos do Rosário. Às sextas-feiras, às três horas da tarde, na hora da morte de Nosso Senhor, poderíamos fazer uma breve reflexão sobre a santa Morte do Senhor, com uma oração, agradecendo ao Senhor pela Sua morte redentora e confiando-Lhe a nossa própria morte, a de todos os nossos caros e a de todos os pecadores impenitentes que estão a morrer neste momento. Poderíamos recitar a seguinte oração: «Senhor, por mim e por outros como eu, levastes, uma vez, a cruz vergonhosa, os cravos, a lança. Uma coroa de espinhos perfurou a Vossa fronte sagrada, que suor de sangue escorria de cada membro. Esse então era, é, o Vosso amor por mim. Esse é, e continuará a ser, o meu amor por Vós».

Quanto ao jejum: Os nossos irmãos e irmãs das Igrejas Orientais dão-nos um exemplo de jejum concreto durante todos os 40 dias da Quaresma. Abstêm-se totalmente de todos os produtos de origem animal, pois observam a tradição do jejum que era observada desde os primeiros séculos e era comum a todos os cristãos, e também na Igreja Romana até ao início do século XX. Poderíamos, por exemplo, abster-nos de carne e alimentos caros durante toda a Quaresma. E o que economizamos em dinheiro, por causa dessa abstinência, poderíamos dar aos pobres. Às sextas-feiras, podíamos observar um jejum estrito, ou seja, uma refeição completa e dois lanches leves. Alguém poderia fazer alguma outra penitência corporal, como ajoelhar-se ou usar o cilício. Uma saudável obra de penitência seria também abster-se de ver televisão e restringir ao mínimo o uso da Internet durante a Quaresma.

Quanto a dar esmolas e fazer obras de caridade: Poderíamos visitar, metodicamente, alguns pobres, solitários e enfermos. Passar algum tempo ao lado do leito dos enfermos para consolá-los, rezar com eles e por eles. Visitar pessoas na prisão, se tal for permitido e possível.

O Papa Leão Magno deixou-nos as seguintes admoestações inspiradoras do tempo da Quaresma: «A mente de todos os homens deve ser movida, com maior zelo, pelo progresso espiritual e animada por maior confiança quando o retorno do dia em que fomos redimidos nos convida a todos os deveres da piedade: para que possamos conservar o sublime mistério da paixão do Senhor com corpos e corações purificados. Esses grandes mistérios realmente exigem de nós tal devoção e reverência incansável que devemos permanecer à vista de Deus assim como devemos ser encontrados na própria festa da Páscoa. Mas porque poucos têm esta constância e porque enquanto a observância mais estrita é relaxada em consideração à fragilidade da carne, e enquanto os interesses de alguém se estendem por todas as várias acções desta vida, até mesmo os corações piedosos devem obter algumas manchas do pó do mundo, a Providência Divina cuidou com grande beneficência para que a disciplina dos quarenta dias nos curasse e restaurasse a pureza das nossas mentes, durante a qual as faltas de outros tempos poderiam ser redimidas por actos piedosos e removidas por jejum casto» (Sermão 42).

Entremos neste tempo sagrado com fé, confiança, com uma alma que anseia por Deus, dizendo, em analogia com as palavras do Salmo 42, que são ditas no início de cada Santa Missa: “Entrarei no tempo sagrado da Quaresma de Deus, do Deus que é a alegria da minha vida” e acrescentando estas palavras do Salmo 103: «Bendiz, ó minha alma, o Senhor, e todo o meu ser louve o seu nome santo. Bendiz, ó minha alma, o Senhor, e não esqueças nenhum dos seus benefícios. É Ele quem perdoa as tuas culpas e cura todas as tuas enfermidades. É Ele quem resgata a tua vida do túmulo e te enche de graça e de ternura. É Ele quem cumula de bens a tua existência e te rejuvenesce como a águia» (Sl 103, 2-5).

A todos nos seja concedida uma santa e abençoada Quaresma, vivida na companhia da Bem-aventurada Virgem Maria, nossa Mãe dolorosa, com São José, os nossos santos padroeiros especiais e com os nossos Anjos da Guarda.

† Athanasius Schneider, Bispo auxiliar de Maria Santíssima em Astana

Texto do site diesirae.pt

 
 
 
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