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SANTO DO DIA – 28 DE MARÇO – SÃO GONTRÃO Rei da Burgúndia ou Borgonha (+529)

Os francos emergem dos anos de trevas da primeira Idade Média com o rei Clóvis (482-511), que conseguiu eliminar o parco domínio romano na Gália. Graças à influência da mulher, a princesa burgúndia Crodechildes (santa Clotilde), católica fervorosa, Clóvis fez batizar com todos os seus soldados pelo bispo são Remígio, depois de haver vencido os alamanos e os próprios burgúndios, aumentando assim os limites do reino que, a sua morte, foi dividido entre os quatro filhos.

A Gontrão coube a própria terra dos burgúndios. Os outros irmãos, em guerra uns com os outros, acabaram por eliminar-se reciprocamente. Apenas Gontrão sobreviveu, por se ter dedicado mais aos prazeres da vida do que à espada.

Sua conduta não foi exemplar. Repudiou a primeira esposa – culpada de ter-lhe dado apenas um filho, natimorto. A segunda esposa não teve melhor sorte. Nem a terceira, Austrechildes, que caiu em desgraça quando os dois filhos morreram em tenra idade.


Era grande a tentação de mudar de novo de mulher, mas, convencido de que a morte havia batido repetidamente a sua porta por causa dos seus pecados, Gontrão mudou radicalmente de conduta. Adotou o sobrinho Childelberto, escolheu como capital do reino a cidade de Chalon-sur-Saône e promoveu a evangelização dos territórios do Jura. Fundou igrejas e mosteiros em vários lugares. E como fizera enforcar o médico da família por não ter conseguido curar seus filhinhos, favoreceu os estudos, instituindo as primeiras escolas nas proximidades dos mosteiros.

Mostrou-se respeitoso dos direitos da igreja, sem jamais se intrometer na nomeação dos bispos, mas convocou seis concílios regionais para promover algumas reformas. Dedicou-se pessoalmente a socorrer se povo, afligido por repetidas pestes e pela fome; ofereceu-se a Deus como vítima de expiação por seus próprios pecados e pelos dos outros. Parece ter vestido o hábito monacal em razão da assídua frequência ao mosteiro de São Marcelo de Chalon. Tudo isso lhe valeu a auréola de santidade.

São Gontrão

Filho de Clotário I, rei de França e neto de Clóvis I e de Santa Clotilde, Clotário era senhor de França e de uma parte da Alemanha, quando a doença o prostrou, e ele se viu obrigado a tudo deixar. “Que pensais, dizia aos cortesãos, quem é esse rei celeste que faz morrer assim tão grandes reis?” Morreu, dessa forma, em Compiegne, no ano de 561, após ter reinado cinqüenta anos.Seus quatro filhos lançaram a sorte sobre o reino. Cariberto teve Paris e a Aquitânia. Gontrão recebeu Orleans, a Borgonha e estabeleceu a capital em Châlon-sobre-o-Saône. A Sigeberto, o mais jovem, coube a Austrásia, e em Metz estabeleceu a capital.

Era uma época de revoluções e de assassínios políticos. Cariberto morreu em 567, sem deixar filho. Seus três irmãos dividiram entre si o reino que lhe cabia. Sigeberto foi assassinado, deixando um filho de cinco anos. Chilperico morreu da mesma maneira, deixando um filho de dois meses. Gontrão serviu de pai aos dois sobrinhos. No começo de seu reinado, cometeu maus de uma falta por fraqueza e induzimento. Mas expirou-as pela penitência. O traço dominante de seu caráter era a bondade e a piedade.

Morrendo Chilperico, foi a Paris e dedicou-se à reparação das injustiças que seu irmão cometera. Fez com que fossem restituídos aos particulares os bens que Chilperico lhes havia tomado, ordenou a execução dos testamentos em favor da Igreja, que ele tinha cassado e mostrou-se de grande liberalidade para com os pobres. Advertiram-no, todavia, de que sua vida corria perigo. Foi a causa de andar sempre rodeado de guardas, mesmo quando ia à igreja, durante a estada em Paris.

Um domingo em que assistia à missa, o diácono fez com que o povo mantivesse silêncio para começar o sacrifício. Gontrão voltou-se para o povo e disse: ” – Eu vos conjuro, homens e mulheres que aqui estais, a guardar-me fidelidade inviolável e não me matar, como fizestes recentemente a meus irmãos. Que me seja permitido, ao menos durante três anos, educar meus sobrinhos que são meus filhos adotivos. Tenho receio – o que Deus queira evitar – de que se eu morrer, venhais a perecer com essas crianças, não tendo um homem feito em nossa família para vos defender”. A essas palavras, todo o povo dirigiu a Deus preces pelo rei. Seus dois sobrinhos eram Childeberto da Austrásia, filho de Sigeberto e de Brunehaut, e Clotário II, filho de Chilperico e de Fredegunda.

Gontrão recebeu o jovem rei da Austrásia com ternura paternal. Colocando-lhe uma lança na mão, disse-lhe, diante de todos: “É este o sinal que te dou da entrega de meu reino. Para o futuro, submete à tua autoridade todas as minhas cidades como se fossem as tuas, porque, por causa dos nossos pecados, não resta de nossa família senão tu, que és filho de meu irmão. Serás meu herdeiro e meu sucessor em todo o reino, com exclusão de todos os outros.” Depois, tomando-o em separado e recomendando-lhe o mais profundo silêncio sobre o que ia lhe dizer, fê-lo conhecer em pormenores quais os homens que devia, ou não, honrar com sua confiança.

Um dia, quando se dirigia para fazer orações, às diversas igrejas de Orleans, o rei Gontrão rumou para a residência de São Gregório de Tours, que morava na igreja de Santo Avito. Gregório levantou-se cheio de alegria ao reconhecê-lo e, depois de lhe ter dado a benção, rogou-lhe houvesse por bem aceitar com ele alguns elogios de São Martinho. Gontrão aceitou. Entrou com muita cordialidade, bebeu um copo de vinho, lembrou a Gregório que devia estar presente no jantar para o qual havia convidado todos os bispos e retirou-se alegre. O que ele fazia por Gregório de Tours, fazia-o por todos os cidadãos de Orleans. Aceitou o convite, compareceu ao jantar e encantou-os como sua bondade. Chamavam-no geralmente o bom rei.

Gregório pedira-lhe indulto para alguns senhores implicados em uma insurreição política e que se haviam refugiado na igreja de São Martinho de Tours. Mas nada conseguiu, Não se agastou. Voltou no dia seguinte e disse ao rei: “Escutai-me príncipe. Fui enviado a vós como emissário de meu senhor. Que resposta quereis que lhe dê, desde que não vos dignais dá-la a mim?” O rei surpreendido perguntou-lhe: “Quem é o senhor que vos envia?” O bispo lhe disse sorrindo: “São Martinho”. A esse nome, Gontrão fez com que os culpados lhe viessem à presença, repreendeu-os por causa da perfídia, chamou-os de raposas malignas e, depois, lhes concedeu o indulto, bem como os bens que lhes haviam sido subtraídos.

O zelo de Gontrão sustinha e animava o dos prelados de seu reino. Perdendo os dois filhos que deviam suceder-lhe, aplicou-se mais do que nunca a toda sorte de boas obras. Parecia, diz Fredegário, um bispo entre os bispos, tal o zelo pelos interesses da Igreja. Os exemplos de um rei tão bom santificaram a família. As duas princesas, suas filhas, Clodoberge e Clotilde, renunciaram às grandezas e aos prazeres do mundo, para se consagrarem a Deus, na sua virgindade. E Clodoberge não tardou em receber a recompensa celeste.

Gontrão distinguiu-se especialmente pala magnificência com que fundava e dotava as igrejas. Deu diversas terras ao mosteiro de São Sinfrônio de Autun e ao de São Benigno de Dijon. Neste último estabeleceu os salmos perpétuos, a exemplo do mosteiro de Agaune, onde os monges, divididos em vários grupos, se revezavam dia e noite, para cantarem, sem interrupção, os louvores de Deus. Mandou construir uma igreja magnífica e um mosteiro nos arredores de Châlon-sobre-o-Saône, em honra de São Marcelo, mártir, e instituiu também um coro contínuo querendo com isso que a ordem dos salmos fosse a mesma a ser observada na igreja de Tours. Fez com que o regulamento por ele estabelecido fosse aprovado por quarenta bispos.

Nada mais edificante do que a maneira pela qual o príncipe fala na ata da fundação desse mosteiro. Começa assim: “Gontrão, pela disposição da Divina Providência, rei sob o reino de Deus, servidor dos servidores do Senhor, a todos os filhos da nossa Mãe, a santa Igreja, saudações. Vejo com sentimento que para punição dos nossos pecados, nossas igrejas, fundadas para o serviço de Deus, definham por causa da ambição desmedida dos príncipes e pela exagerada negligência dos prelados. E estou penetrado de dor de não poder bastar para tudo. Todavia, para não comparecer de mãos vazias diante do Senhor, resolvemos dotar com as mais belas terras a basílica que erguemos em honra do glorioso São Marcelo de Châlon.” Indica a seguir, vários lugares, cujos habitantes encarregou de construir os diversos edifícios necessários aos mosteiros e termina com estas palavras: “Se alguém violar estas disposições, seja varrido do livro da vida.”

O rei Gontrão reuniu vários concílios, não somente para regular os negócios da Igreja, como também para tratar dos bens temporais dos povos, para conciliar as diferenças do reino a outro, e prevenir, dessa forma, as guerras vivis entre os francos. Para ele, os concílios eram ainda conselhos de Estado. Sua caridade se mostrou sobretudo nessa circunstância.

Um navio que chegara da Espanha, espalhara em Marselha a peste, enquanto Teodoro, bispo dessa cidade se encontrava na corte de Childeberto. O santo bispo retornou imediatamente para consolar o povo, e aliviar-lhe o sofrimento. Não omitiu nenhum dos socorros espirituais e temporais que podia dar. E quando a doença e a deserção reduziram os habitantes da grande cidade a um pequeno número, encerrou-se no recinto da igreja de São Vítor, com os que restavam, passando os dias e as noites em orações, para acalmar a cólera divina. O mal contagioso passou de Marselha para Lião.

Gontrão desempenhou, ao mesmo tempo, as funções de um bom rei e de um piedoso bispo. Ordenou que fossem celebradas as rogações e que, durante três dias, tempo que deviam durar, se jejuasse, comendo pão de cevada e bebendo água. Foi o primeiro a dar exemplo, redobrando as austeridades, as orações e as esmolas costumeiras. Seus súditos o olhavam com veneração e respeitavam nele mais a qualidade de santo do que a de rei. Arrancavam-lhe pedaços das vestes para aplicá-los aos doentes.

Uma mulher curou dessa forma, seu filho de uma febre. Levavam-lhe até os possessos, e Gregório de Tours disse que fora testemunha do poder que tinha sobre eles. Gontrão era, sobretudo, o protetor da inocência oprimida pelos grandes, como o demonstrou no ano seguinte, 589, tomando a defesa de uma jovem virgem, a quem o amor ao pudor havia inspirado a coragem de uma heroína.

O duque de Amolon, na ausência da esposa, tomou-se de paixão criminosa por uma jovem e fez que lhe conduzissem, durante a noite, os seus criados, estando ele bêbado. Como ela resistisse com todas as forças, os criados lhe deram pancadas, a ponto de arrancar-lhe sangue. O duque, tomado pelo álcool, recebeu-a nesse estado. Mas, imediatamente ela agarrou uma espada que percebeu na cabeceira da cama e desferiu-lhe um golpe vigoroso na cabeça, como outrora Judite fizera a Holofernes.

Aos gritos do duque, os criados acorreram, querendo matá-la. Mas o duque lhes disse: “Não lhe façais nada. Eu é que pequei, querendo manchar-lhe a honra. O que ela fez merece antes que a vida lhe seja conservada”. A jovem heroína, aproveitando-se da tristeza em que se encontrava a família, escapou da casa em de noite mesmo, dói refugiar-se na igreja de São Marcelo. Lá, atirando-se aos pés do rei Gontrão, contou-lhe o que acontecera. O príncipe a recebeu com bondade, concedeu-lhe não somente a vida, mas, em seu favor, expediu uma ordem pela qual declarava que a tomava sob sua proteção e proibia aos parentes do duque que a importunassem.

Enfim, o bom rei Gontrão – assim chamavam os contemporâneos – morreu em 28 de março de 593, em Châlon-sobre-o-Saône, onde foi sepultado na igreja de São Marcelo, que ele mesmo havia fundado.

Com sua morte, o sobrinho Childeberto, rei da Austrásia, herdou-lhe o reino da Borgonha. A igreja colocou o nome do rei Gontrão entre os santos e celebra-lhe a memória no dia 28 de Março.

 
 
 

SANTO DO DIA – 27 DE MARÇO – SÃO RUPERTO, PRIMEIRO BISPO DE SALISBURGO Bispo (séculos VII e VII)

Ruperto era um nobre descendente dos condes que dominavam a região do médio e do alto Reno, rio que percorre os Alpes europeus. Os Rupertinos eram parentes dos Carolíngios e o centro de suas atividades estava em Worms, onde Ruperto recebeu sua formação junto aos monges irlandeses.

No ano 700, sua vocação de pregador se manifestou e ele dirigiu-se à Baviera, na Alemanha, com este intuito. Com o apoio do conde Téodo da Baviera, que era pagão e foi convertido por Ruperto, fundou uma igreja dedicada a São Pedro, perto do lago Waller, a dez quilômetros de Salzburgo. Mas, o local não condizia ainda com os objetivos de Ruperto, que conseguiu do conde outro terreno, próximo do rio Salzach, nos arredores da antiga cidade romana de Juvavum.


Nesse terreno, o mosteiro que o bispo Ruperto construiu é o mais antigo da Áustria e veio a ser justamente o núcleo de formação da nova cidade de Salzburgo. Teve para isso o apoio de doze concidadãos, dois dos quais também se tornaram santos: Cunialdo e Gislero. Fundou, ao lado deste, um mosteiro feminino, que entregou a direção para sua sobrinha, a abadessa Erentrudes. Foi o responsável pela conversão total da Baviera e, é claro, de toda a Áustria.

Morreu no dia 27 de março de 718, um domingo de Páscoa, depois de rezar a missa, no mosteiro de Juvavum. Antes, como percebera que a morte estava próxima, fez algumas recomendações e pedido de orações à sua sobrinha, e irmã espiritual, Erentrudes. Suas relíquias estão guardadas na belíssima catedral de Salzburgo, construída no século XVII. Ele é o padroeiro de seus habitantes e de suas minas de sal.

São Ruperto, reconhecido como o fundador da bela cidade de Salzburgo, cujo significado é cidade do sal, aparece retratado com um saleiro na mão, tamanha sua ligação com a própria origem e desenvolvimento da cidade. Foi seu primeiro bispo e sua influência alastrou-se tanto, que é festejado nesse dia, não só nas regiões de língua alemã, como também na Irlanda, onde estudou, porque ali foi tomado como modelo pelos monges irlandeses.

São Gontrão

São Ruperto ou Roberto era da raça dos reis de França e bispo de Worms, no segundo ano de Childerico III, no ano de 696. Sua reputação chegou até Teodão, duque da Baviera. Este lhe enviou emissário para lhe rogar insistentemente que viesse ensinar na Província de Nórica. O santo bispo enviou, a princípio, alguns missionários, depois foi pessoalmente para lá.

O duque, pleno de alegria, veio-lhe ao encontro, recebendo-o em Ratisbona, com grandes homenagens. São Ruperto ensinou tanto a moral como a fé católica, batizou-os juntamente com muitos súditos, tanto nobres como plebeus.

É certo que, desde o tempo do rei Teodorico I, os bávaros haviam recebido a religião cristã, como consta de suas leis; mas vemos ao mesmo tempo, sobretudo pelo capitulário do Papa Gregório, que não havia nenhuma organização de bispados sob uma metrópole, nem, por conseguinte, nenhuma sucessão assegurada aos bispos. Concebe-se que, em tal estado de coisas, sobretudo em meio a resoluções políticas do reino da Austrásia, as gerações novas da Baviera, sem serem precisamente idólatras, nem sempre eram cristãs. Era a isso que o Papa Gregório procurava remediar, por seus legados.

Convertendo-se o duque Teodão prometeu a São Ruperto escolher um lugar para estabelecer uma sede episcopal e construir igrejas e alojamentos para os eclesiásticos. O santo bispo embarcou no Danúbio e foi até as fronteiras da Panônia inferior, pregando a fé.

Ao voltar, passou por Laureac, atualmente Lorch, antiga metrópole de Nórica onde curou vários doentes por suas orações e converteu inúmeras pessoas. Em seguida, sabendo que um lugar chamado Juvave havia existido quantidade apreciável de edifícios maravilhosos, mas, então, quase que em ruínas e cobertos de árvores, foi para lá e pediu esse lugar ao duque de Teodão. Esse lhe concedeu de boa vontade, com as terras dos arredores, em uma extensão de duas léguas. São Ruperto, estabeleceu sua sede episcopal, construiu uma igreja muito bonita em honra de São Pedro, com um claustro e alojamentos para os clérigos, para celebrarem o ofício todos os dias. Foi assim que, à voz do pontífice, a antiga Juvave saiu das ruínas para reviver séculos sob o nome de Salisburgo.

Esse santo bispo tinha necessidade de operários que pregassem o Evangelho. Por isso voltou a seu país e trouxe consigo doze, com sua sobrinha Erentrude, que se havia consagrado a Deus. Fundou para ela um mosteiro em honra da santa Virgem sobre uma montanha vizinha, do qual ela foi a primeira abadessa. Ele continuou a visitar assiduamente todo o país, a construir igrejas e a ordenar clérigos.

Enfim, após ter ordenando seu sucessor, morreu em 718, no dia da Páscoa, 27 de Março, dia em que a Igreja lhe honra a memória.

 
 
 

SANTO DO DIA – 26 DE MARÇO – SÃO LUDGERO Bispo (742-809)

Ludgero nasceu no ano 742 em Zuilen, Friesland, atual Holanda, e foi um dos grandes evangelizadores do seu tempo. Era descendente de família nobre e, dedicado aos estudos religiosos desde pequeno. Ordenou-se sacerdote em 777, em Colônia, na Alemanha. Seu trabalho de apóstolo teve início em sua terra natal, pois começou a trabalhar justamente nas regiões pagãs da Holanda, Suécia, Dinamarca, ponto alto da missão de São Bonifácio, que teve como discípulos São Gregório e Alcuíno de York, dos quais foi seguidor também Ludgero.

Mais tarde, foi chamado pelo imperador Carlos Magno para evangelizar as terras que dominava. Entretanto, este empregava métodos de conversão junto aos povos conquistados, não condizentes com os princípios do cristianismo. Logo de início, por exemplo, obrigava os soldados vencidos a se converterem pela força, sob pena de serem condenados à morte se não se batizassem.

Como consequência, dessa atitude autoritária estourou a revolta de Widukindo e Ludgero teve que fugir, seguindo para Roma. Depois foi para Montecassino, onde aprimorou seus estudos sobre o catolicismo e vestiu o hábito de monge, sem contudo emitir os votos.

A revolta de Widukindo foi a muito custo dominada em 784 e o próprio Carlos Magno foi a Montecassino pedir que Ludgero retornasse para seu trabalho evangelizador, que então produziu muitos frutos. Pregou o evangelho na Saxônia e em Vestfália. Carlos Magno ofereceu-lhe o bispado de Treves, mas ele recusou. Ludgero emitiu os votos tomando o hábito definitivo de monge e fundou um mosteiro, ao redor do qual cresceu a cidade de Muester, cujo significado, literalmente, é mosteiro, e da qual foi eleito o primeiro bispo.

Ludgero não parou mais, fundou várias igrejas e escolas, criou novas paróquias e as entregou aos sacerdotes que ele mesmo formara. Ainda encontrou tempo para retomar a evangelização na Frísia, realizando o seu sonho de contribuir para a conversão de sua pátria, a Holanda, e fundar outro mosteiro, este beneditino, em Werden, antes de morrer, que ocorreu no dia 26 de março de 809.

O corpo de Ludgero foi sepultado na capela do mosteiro de Werden. Os fiéis tornaram o local mais uma meta de peregrinação pedindo a sua intercessão para muitas graças e milagres, que passaram a ocorrer em abundância. O culto à São Ludgero, que ocorre neste dia é muito intenso especialmente na Holanda, Suécia, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Itália, países cujo solo pisou durante seu ministério.

São Ludgero

Ludigero, contemporâneo de Carlos Magno, era natural de Frisa, e descendia de família nobre. Seus pais eram cristãos. A mãe fora conservada por benefício singular da Providência.

Tinha uma avó pagã, a qual, irritada pelo fato de seu filho ter apenas filhas, ordenou que a matassem antes de ser amamentada. Isso porque esses pagãos acreditavam ser permitido matar uma criança, uma vez que não houvesse tomado nenhum alimento. A criada encarregada da execução quis afundar a criança em um balde cheio de água, começando pela cabeça. Mas a pequena, estendendo os braços contra os bordos do balde, resistiu durante muito tempo, acabando por obter a compaixão de uma mulher vizinha, que a tomou, levou, para casa e lhe fez engolir imediatamente um pouco de mel. Após o que, desapareceu o perigo de morrer. Foi mãe de dois santos bispos, Ludigero e Hildegrimo, e de várias filhas, mães de inúmeros outros bispos.

Desde a infância, São Ludigero, pedia aos pais que lhe dessem instrução por meio de algum homem de Deus. E eles o colocaram sob a direção de São Gregório de Utrecht, que vendo-o avançar na virtude, deu-lhe o hábito e o colocou em um mosteiro. Era uma escola de onde saíram inúmeros bispos e sacerdotes.

Em seguida o enviou à Inglaterra com o inglês Aluberto, que viera trabalhar com ele na Frísia, o qual Gregório desejava fosse sagrado bispo. Ludigero lá passou um ano estudando, sob a direção de Alcuíno e foi ordenado diácono, sendo Aluberto bispo. Após o que, voltou para a Frísia para junto do abade Gregório. Mas algum tempo depois, obteve a permissão para retornar à Inglaterra, a fim de se instruir ainda com Alcuíno, que ensinava em York.

Depois de três anos, estava de volta, trazendo grande quantidade de livros. Santo Alberico o ordenou sacerdote em Colônio, ao mesmo tempo em que foi sagrado bispo, e o encarregou da igreja de Dokem, onde São Bonifácio sofrera o martírio. Mas não deixava de governar o mosteiro de Utrecht, trimestralmente, com dois outros sacerdotes e o bispo Alberico, que o havia ordenado.

São Ludigero trabalhou durante sete anos na Frísia, depois da morte de São Gregório, ou seja, de 776 a 783. E durante esse tempo, operou grande número de conversões, fundou várias igrejas e inúmeros mosteiros. As coisas estavam nesse pé, quando a invasão dos saxões o obrigou a deixar a Frísia. Distribuiu seus discípulos entre diversos lugares, em grande número, e levou dois consigo: Hildegrimo, seu irmão, e Gerberto, cognominado o Casto.

Foi em Roma, seja com São Willehade, como dizem alguns, seja no ano seguinte, e passou pelo monte Cassino, onde se deteve, para aprender a regra de São Bento, porque desejava fundar um mosteiro em um terreno que lhe pertencia. Decorridos dois anos e meio, voltou a Frísia.

Carlos Magno, que ouvira falar de Ludigero, encarregou-o da instrução dos frisões, dos cinco cantões a oriente do rio de Labec. A conselho do príncipe, passou para uma ilha, situada entre a Frísia e a Dinamarca, onde se adorava um deus chamado Sosise. Ele lhes derrubou os templo, construiu uma igreja, e, após converter os habitantes, batizou-os em uma fonte, onde São Willebrod, por superstição não bebiam a água, senão em silêncio.

Entre os frisões que Ludigero teve a felicidade de converter, encontrava-se Landerico, filho do príncipe desses país. O santo missionário, que foi seu padrinho, instruiu-o com dedicação nas letras santas e, em seguida, o ordenou sacerdote. Landerico correspondeu a todas as esperanças. Foi, por longo tempo, chefe da escola dos frisões, e o mais firme sustentáculo dessa comunidade cristã, tanto pelo zelo como pelo crédito que lhe dava o nascimento.

Deus autorizou por prodígios a pregação de Ludigero. Um dia, em que se encontrava à mesa com os discípulos em casa de uma senhora natural da Frísia, apresentaram-lhe um homem que ficava cego havia três anos, de nome Bernlef, conhecidíssimo e estimadíssimo em toda a região, porque sabia cantar com graça os combates dos antigos reis de sua nação. Essas canções, conservadas de cor, por tradição, eram os únicos monumentos da história entre a maior parte desses povos bárbaros.

E Carlos Magno foi o primeiro que os fez escrevê-las. Ludigero, olhando para ele com ar jovial, perguntou-lhe senão queria confessar-se e receber a penitência. Bernlef, que não esperava pela pergunta, aceitou-a todavia. Ludigero, marcou-lhe, um encontro para o dia seguinte.

O santo missionário montou a cavalo. Bernlef se fez onduzir sobre um cavalo até o lugar onde devia encontrar Ludigero. Esse tomou o cavalo Fo cego pelas rédeas e o levou a certa distância, onde ouviu o cego em confissão e lhe impôs uma penitência. Depois, fazendo-lhe o sinal da cruz sobre os olhos, colocou-lhe, diante, a mão, perguntando se estava vendo alguma coisa. Ele respondeu, cheio de alegria que estava vendo a mão.

Continuando a caminho, aproximaram-se de uma vila chamada Werthem. Ludigero perguntou-lhe se reconhecia aquele lugar. Bernlef disse o nome do lugar e assegurou que distinguia as casas das árvores. Então o santo missionário o conduziu a um oratório vizinho e, após fazê-lo agradecer a Deus, lhe disse: ” Jura que, enquanto for vivo, não dirás a ninguém que fui eu que te curei.” Bernlef jurou e cumpriu a palavra. Durante algum tempo, fez-se ainda cego, para melhor esconder o autor da cura. E não contou o milagre senão depois da morte do santo.

São Ludigero foi obrigado a deixar a Frísia durante uma segunda perseguição. Encarregou Bernlef, que sabia ser benquisto por toda a parte, de ir de casa em casa batizar, com o consentimento das mães, as crianças moribundas, por imersão ou por infusão. Batizou, assim, dezoito, que morreram logo após, exceto duas, às quais Ludigero, em seguida, deu a confirmação. O que aqui é dito do batismo por infusão prova somente que ele era usado para os doentes. Bernlef morreu santamente, em idade avançada. Sua esposa, vendo-o no leito de morte, afirmava que não poderia sobreviver-lhe, desfazendo-se em lágrimas. “Consola-te, disse-lhe ele, se tiver algum poder junto de Deus, tu me seguirás em breve”. Ela morreu com efeito, quinze dias depois.

Quando a colheita se tornou mais abundante na Saxônia, Carlos Magno encarregou Ludigero de cultivar a parte ocidental dessa região. E isso deixar o cuidado da missão de Frísia. Para facilitar o progresso do Evangelho, propôs ordenar bispo um dos seus discípulos. Mas Hildebrando, bispo de Colônia, forçou-o a aceitar ele mesmo o episcopado. Respondeu com estas palavras do apóstolo: “Pobre de mim! Respondeu Hildebrando, essa regra serve bem para mim!” Mas, novamente insistiu com Ludigero, que, finalmente, se viu obrigado a ceder aos desejos do povo e à ordem do imperador. Foi sagrado em 801, primeiro bispo de Mimigardtfort, que mais tarde veio a se chamar Münster, por causa de um mosteiro de cônegos que o santo bispo lá fez construir.

Alguns ano antes, mandara construir em terras de sua propriedade, o mosteiro de Werden, cuja fundação é dada como sendo de 796. Fez também ser construído um em Helmstat. Carlos Magno, que conhecia o santo costume que ele fazia dos bens da igreja, deu-lhe, com o bispado de Mimigardtfort, o mosteiro de Leuza em Brabante. Como Ludigero, não tivesse feito profissão de vida monástica, embora a praticasse, desde que fora sagrado bispo, passou a comer carne e abandonou a cogula. Mas não deixou de usar o cilício, que trazia escondido sob as roupas.

Como bispo, curou mais um cego. Durante o tempo em que visitava a diocese, encontrando-se um dia à mesa em certa localidade da Saxônia, um cego veio gritar-lhe à porta. Enviou-lhe um diácono que cuidava dos pobres, para dar-lhe pão e carne. O cego não quis. O diácono procurou fazê-lo beber, o que ele também recusou, dizendo que desejava somente comparecer à presença do bispo, para que este o socorresse. O diácono que não compreendia o que ele desejava, deixou-o e o cego começou a gritar mais alto do que antes.

Ludigero lhe enviou dinheiro que foi também recusado. O cego insistia somente em querer ser levado à presença do bispo. Foi, então, introduzido e Ludigero lhe disse: “Meu irmão que desejas de mim?” Respondeu o cego: “Fazei que eu veja por amor de Deus!” tornou Ludigero, espantando-se com o pedido. E, no mesmo instante, embora não tivesse repetido essas palavras senão para dar a entender o espanto, o cego recuperou a visão. E, colocando-se à mesa, bebeu e comeu com grande alegria.

O santo bispo teve ardente desejo de ir pregar o Evangelho aos normandos, ou seja, dinamarqueses e outros povos do norte. Mas não conseguiu obter permissão de Carlos Magno, que o achava necessário para a Germânia. Em uma época em que não temia nada, o santo homem teve revelação das invasões que os normandos fariam um dia no império dos francos. Predisse-o à irmã Heriburga, chorando copiosamente. Ela exclamou: “Praza a Deus levar-me deste mundo antes que tais calamidades aconteçam!” Ludigero respondeu: “Não será assim. Essas infelicidades acontecerão enquanto fores viva. Eu, porém, não as verei no meu corpo.” E de fato, quando o bispo Alfrido, segundo sucessor de São Ludigero, escrevia esses pormenores, ditados por Heriburga, os normandos daquelas paragens, reduzindo os campos e os desertos.

As grandes caridades que Ludigero praticava deram ocasião a alguns invejosos de o caluniarem. Pelo fato de distribuir com liberalidade, aos pobres todas as suas rendas, foi acusado junto de Carlos Magno de dissipar os bens da igreja. Foi chamado a prestas contas de suas administração. Dirigiu-se à corte e hospedou-se perto do palácio. Carlos Magno, ao saber de sua chegada, mandou chamá-lo logo pela manhã. Ludigero estava recintando o ofício. Respondeu que iria a audiência, quando tivesse feito suas orações. O imperador, impaciente por vê-lo, mandou por três vezes seus emissários apressarem o bispo. Mas não conseguiu que ele interrompesse as orações.

Ao terminá-las, foi saudar o imperador, que lhe disse com um pouco de emoção: “Bispo, de onde vem essa consideração às minhas ordens e por que obrigar-me a enviar tantos recados?”

“- Príncipe, respondeu Ludigero, é que eu creio dever preferir Deus a vós e aos homens todos, é o que vós mesmo me mandastes fazer, quando me destes meu bispado”.

” – Bispo, replicou imediatamente Carlos Magno, agradeço-vos por vos encontrar tal qual vos acreditava, Alguns interpretaram mal vossas boas obras. Mas eu vos prometo não escutá-los mais.”

Hildegrimo, irmão de São Ludigero, distinguia-se de maneira apreciável pela piedade. Carlos magno lhe deu o bispado de Châlons-sobre o Marne. Mas, ao que parece, o deixou após a morte de São Ludigero, que aconteceu em 26 de Março de 809, dia em que é lembrado.

Ludigero, embora enfermo no fim da vida, celebrava todos os dias a missa e no domingo da Paixão, que precedeu a noite em que morreu, pregou por duas vezes, a primeira na missa da manhã, e a segunda na que celebrou às nove horas. Seus discípulos quiseram enterrá-lo em Werden, segundo ele mesmo havia mandado.

O povo, porém, se opôs a isso e deliberou-se deixar o corpo na igreja de Mimigardtfort, como em depósito. Durante esse tempo, Hildegrimo obteve ordem do imperador de fazer executar as últimas vontades de seu irmão. Sucedeu-lhe na direção do mosteiro de Werden, e Gefredo, seu sobrinho, na assembléia de Münster.

A vida de São Ludigero, foi escrita por Altfrido, seu segundo sucessor, com base nas memórias que lhe foram fornecidas por Hildegrimo, irmão do santo, pela religiosa Heriburga, sua irmã e Gefredo, seu sobrinho.

 
 
 
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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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