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Um grupo de cardeais tornou públicas cinco dubia (plural de “dúvida” em latim) que enviaram ao papa Francisco para pedir esclarecimentos sobre temas de doutrina e disciplina, dois dias antes do início do Sínodo da Sinodalidade.

Por ACI Digital – Em uma declaração enviada ao jornal National Catholic Register, os cardeais relataram que tinham apresentado cinco perguntas, chamadas dubia, pedindo clareza sobre temas relacionados ao desenvolvimento doutrinal, a bênção das uniões de pessoas do mesmo sexo, a autoridade do Sínodo da Sinodalidade, a ordenação de mulheres e a absolvição sacramental.

As dubia são perguntas formais apresentadas ao papa e ao Dicastério para a Doutrina da Fé (DDF) para obter uma resposta “sim” ou “não”, sem argumentação teológica. A palavra dubia é o plural de dubium, que significa “dúvida” em latim. Normalmente, as dubia são levantadas por cardeais ou outros membros de alto escalão da hierarquia eclesiástica e têm como objetivo buscar esclarecimentos sobre questões de doutrina ou ensino da Igreja.

Os cardeais Juan Sandoval Íñiguez, do México, Robert Sarah, da Guiné, Joseph Zen Ze-kiun, da China, Raymond Leo Burke, dos EUA, e Walter Brandmüller, da Alemanha, dizem que enviaram as dubia para esclarecer o que consideram uma “grande confusão” causada por “várias declarações de alguns altos prelados relativas à celebração do próximo Sínodo dos Bispos, evidentemente contrárias à doutrina e à disciplina constantes da Igreja”.

Os signatários dizem que diante “da queda no erro, manifestamos ao Romano Pontífice a nossa profundíssima preocupação”.

As cinco dubia abordam temas teológicos questionadas por alguns bispos, padres e teólogos durante o primeiro processo de “escuta sinodal”, cujas conclusões serão debatidas a partir da quarta-feira (4) no Vaticano.

Os cardeais, vindos de diferentes continentes, enviaram as dubia em carta ao Dicastério para a Doutrina da Fé em 10 de julho de 2023 e receberam resposta do papa apenas um dia depois, em 11 de julho.

No entanto, — dizem — a resposta do papa “não seguiu a prática das responsa ad dubia [respostas às dúvidas]”, na qual o papa responde com sim ou não às perguntas feitas e por isso decidiram reformular as suas perguntas em uma nova carta dirigida ao papa Francisco, “para suscitar uma resposta clara, baseada na doutrina e na disciplina perenes da Igreja”.

Estas “dubia reformuladas” foram enviadas em 21 de agosto de 2023 e até o momento não foram respondidas pelo papa Francisco.

Os cardeais não aceitaram o pedido para mostrar a resposta enviada pelo papa Francisco datada de 11 de julho, porque acreditam que esta foi dirigida apenas a eles e não se destinava ao público.

Hoje (2), os cardeais signatários tornaram públicas as cinco perguntas que enviaram em agosto através de uma notificação dirigida aos fiéis. “Julgamos ser nosso dever informar-vos, fiéis (Cân. 212 § 3), para que não sejais sujeitos à confusão, ao erro e ao desânimo, mas rezeis pela Igreja universal e, em particular, pelo Romano Pontífice, para que o Evangelho seja ensinado cada vez mais claramente e seguido cada vez mais fielmente”, dizem.

As 5 dubia apresentadas ao papa Francisco

Estas são, em resumo, as cinco dubia enviadas pelos cardeais em julho ao papa Francisco através do Dicastério para a Doutrina da Fé, cujo texto completo pode ser ao final.

1. Dubium sobre a afirmação de que a Revelação Divina deve ser reinterpretada tendo por base as mudanças culturais e antropológicas em voga.

2. Dubium sobre a afirmação de que a prática difusa da bênção das uniões com pessoas do mesmo sexo estaria de acordo com a Revelação e o Magistério (CIC 2357).

3. Dubium sobre a afirmação de que a sinodalidade é uma «dimensão constitutiva da Igreja» (Const. Ap. Episcopalis communio 6), de modo que a Igreja, pela sua natureza, seria sinodal.

4. Dubium sobre o apoio dado por pastores e teólogos à teoria de que «a teologia da Igreja mudou» e, portanto, de que se poderia conferir a ordenação sacerdotal às mulheres.

5. Dubium sobre a afirmação «o perdão é um direito humano» e a insistência do Santo Padre no dever de absolver a todos e sempre, pelo que o arrependimento não seria condição necessária para a absolvição sacramental.

As reformulações das dubia

Embora os cardeais não tenham divulgado a resposta que o papa Francisco lhes enviou no dia 11 de julho, na reformulação das dubia – dirigidas em 23 de agosto ao papa Francisco – expressam ao papa que as suas “respostas não resolveram as dúvidas que tínhamos levantado, mas, quando muito, aprofundaram-nas” e por isso “voltamos a propor-Vos as nossas perguntas, para que a essas se possa responder com um simples «sim» ou «não»”.

Leia abaixo a carta assinada pelos cardeais e em seguida o texto completo das DUBIA

Notificação aos fiéis de Cristo (cân. 212 § 3) sobre Dubia submetida ao Papa Francisco

Irmãos e Irmãs em Cristo,

Nós, membros do Sagrado Colégio dos Cardeais, de acordo com o dever de todos os fiéis “de manifestar aos sagrados pastores a sua opinião sobre os assuntos que dizem respeito ao bem da Igreja” (cân. 212 § 3) e, sobretudo, , de acordo com a responsabilidade dos Cardeais “de ajudar o Romano Pontífice… individualmente… especialmente no cuidado quotidiano da Igreja universal” (cân. 349), tendo em conta diversas declarações de Prelados de alto nível, relativas à celebração do próximo Sínodo dos Bispos, que são abertamente contrários à constante doutrina e disciplina da Igreja, e que geraram e continuam a gerar grande confusão e a queda no erro entre os fiéis e outras pessoas de boa vontade, manifestaram a nossa mais profunda preocupação para o Romano Pontífice.

Pela nossa carta de 10 de julho de 2023, empregando a prática comprovada de submeter dubia [perguntas] a um superior para proporcionar ao superior a ocasião de deixar clara, por meio de sua responsa [respostas], a doutrina e a disciplina da Igreja, nós submeti cinco dubia ao Papa Francisco, [selecione o link nos comentários]. Por sua carta de 11 de julho de 2023, o Papa Francisco respondeu à nossa carta.

Tendo estudado a sua carta que não seguia a prática da responsa ad dubia [respostas às perguntas], reformulámos as dubia para obter uma resposta clara baseada na doutrina e disciplina perenes da Igreja. Por nossa carta de 21 de agosto de 2023, submetemos as dubia reformuladas [selecione o link nos comentários], ao Romano Pontífice. Até o momento não recebemos resposta às dubia reformuladas.

Dada a gravidade da questão das dubia, especialmente tendo em vista a iminente sessão do Sínodo dos Bispos, julgamos ser nosso dever informar-vos, fiéis (cân. 212 § 3), para que não fiqueis sujeitos a confusão, erro e desânimo, mas sim rezar pela Igreja universal e, em particular, pelo Romano Pontífice, para que o Evangelho seja ensinado cada vez mais claramente e seguido cada vez mais fielmente.

D U B I A

1) Dubium sobre a afirmação de que a Revelação Divina deve ser reinterpretada tendo por base as mudanças culturais e antropológicas em voga.

Depois das afirmações de alguns bispos, que não foram corrigidas nem retratadas, pergunta-se se, na Igreja, a Revelação Divina deve ser reinterpretada segundo as mudanças culturais do nosso tempo e segundo a nova visão antropológica que tais mudanças promovem; ou se a Revelação Divina é vinculante para sempre, imutável e que, portanto, não é de se contradizer, de acordo com o ditame do Concílio Vaticano II de que a Deus que revela é devida «a obediência da fé» (Dei Verbum 5); que o que é revelado para a salvação de todos deve permanecer para sempre «íntegro» e vivo, e deve ser «transmitido a todas as gerações» (7); e que o progresso da compreensão não implica qualquer mudança da verdade das coisas e das palavras, porque a fé foi transmitida «duma vez para sempre» (8), e o Magistério não é superior à palavra de Deus, mas ensina apenas o que foi transmitido (10).

2) Dubium sobre a afirmação de que a prática difusa da bênção das uniões com pessoas do mesmo sexo estaria de acordo com a Revelação e o Magistério (CIC 2357).

Segundo a Revelação Divina, atestada na Sagrada Escritura, que a Igreja «por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, […] ouve piedosamente, […] guarda religiosamente e expõe fielmente» (Dei Verbum 10): «No princípio», Deus criou o homem à sua imagem, macho e fêmea os criou, e abençoou-os, para que fossem fecundos (cfr. Gn 1, 27-28), pelo que o Apóstolo Paulo ensina que negar a diferença sexual é consequência da negação do Criador (Rm 1, 24 – 32).

Pergunta-se: pode a Igreja derrogar este “princípio”, considerando-o, em contraste com o que ensina Veritatis splendor 103, como um simples ideal, e aceitando como “bem possível” situações objectivamente pecaminosas, como as uniões com pessoas do mesmo sexo, sem assim atentar contra a doutrina revelada?

3) Dubium sobre a afirmação de que a sinodalidade é uma «dimensão constitutiva da Igreja» (Const. Ap. Episcopalis communio 6), de modo que a Igreja, pela sua natureza, seria sinodal.

Dado que o Sínodo dos Bispos não representa o colégio episcopal, mas é um mero órgão consultivo do Papa, porquanto os bispos, como testemunhas da fé, não podem delegar a sua confissão da verdade, pergunta-se se a sinodalidade pode ser o supremo critério regulador do governo permanente da Igreja sem assim se convulsionar a sua configuração constitutiva tal como foi querida pelo seu Fundador, e segundo a qual a autoridade suprema e plena da Igreja há-de ser exercida tanto pelo Papa, em virtude do seu ofício, como pelo colégio dos bispos juntamente com a sua cabeça, o Romano Pontífice (Lumen gentium 22).

4) Dubium sobre o apoio dado por pastores e teólogos à teoria de que «a teologia da Igreja mudou» e, portanto, de que se poderia conferir a ordenação sacerdotal às mulheres.

No seguimento das afirmações de alguns prelados, que não foram corrigidas nem retractadas, segundo as quais, com o Concílio Vaticano II, teria mudado a teologia da Igreja e o significado da Missa, pergunta-se se ainda é válido o ditame do Concílio Vaticano II de que “o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial diferem essencialmente e não apenas em grau” (Lumen gentium 10) e de que os prebíteros, em virtude do «sagrado poder da Ordem para oferecer o Sacrifício e perdoar pecados» (Presbyterorum Ordinis 2), agem em nome e na pessoa de Cristo mediador, e por meio dele torna-se perfeito o sacrifício espiritual dos fiéis?

Pergunta-se, além disso, se ainda é válido o ensinamento da carta apostólica de São João Paulo II Ordinatio sacerdotalis, que ensina como verdade a ser mantida de forma definitiva a impossibilidade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, pelo que este ensinamento já não está sujeito a mudança nem à livre discussão de pastores ou teólogos.

5) Dubium sobre a afirmação «o perdão é um direito humano» e a insistência do Santo Padre no dever de absolver a todos e sempre, pelo que o arrependimento não seria condição necessária para a absolvição sacramental.

Pergunta-se se ainda está em vigor o ensinamento do Concílio de Trento segundo o qual, para a validade da confissão sacramental, é necessária a contrição do penitente, que consiste em detestar o pecado cometido com o propósito de não pecar mais (Sessão XIV, Capítulo IV: DH 1676), de modo que o sacerdote deve adiar a absolvição quando for claro que esta condição não está cumprida.

Cidade do Vaticano, 10 de Julho de 2023 Walter Card. BRANDMÜLLER Raymond Leo Card. BURKE Juan Card. SANDOVAL ÍÑIGUEZ Robert Card. SARAH Joseph Card. ZEN ZE-KIUN, S.D.B

 
 
 

O Cardeal Burke escreveu o prefácio do livro “O Processo Sinodal, Caixa de Pandora”, onde se junta ao Bispo Strickland e critica abertamente o próximo Sínodo da Sinodalidade.

Burke escreve sobre o Sínodo que “é uma situação que preocupa, com razão, todo católico atencioso e toda pessoa de boa vontade que observa o dano evidente e sério que está sendo infligido ao Corpo Místico de Cristo”. O cardeal americano afirma que “ele nos diz que a Igreja que professamos —em comunhão com os nossos antepassados ​​na fé desde o tempo dos Apóstolos— como una, santa, católica e apostólica, será agora definida pela sinodalidade, termo que não tem uma história na doutrina da Igreja e para a qual não existe uma definição razoável”.

«A sinodalidade e o seu adjetivo, sinodal, tornaram-se slogans com os quais se forja uma revolução para mudar radicalmente a autocompreensão da Igreja, de acordo com uma ideologia contemporânea que nega muito do que a Igreja sempre ensinou e praticou.», lamenta o cardeal.

Raymond Burke escreve que “não é uma questão puramente teórica, uma vez que esta ideologia já foi posta em prática há alguns anos na Igreja na Alemanha, espalhando amplamente a confusão e o erro e o seu fruto, a divisão – na verdade, o cisma”. graves danos a muitas almas».

Burke acusa “o iminente Sínodo sobre a Sinodalidade” e defende que “é razoável temer que a mesma confusão, erro e divisão possam afetar a Igreja universal. Na verdade, isso já começou a acontecer através da preparação do Sínodo a nível local.

“Somente a verdade de Cristo, tal como nos foi transmitida na doutrina e disciplina perene e imutável da Igreja, pode resolver eficazmente a situação, revelando a ideologia subjacente, corrigindo a confusão mortal, o erro e a divisão que se está a espalhar, e inspirando os membros da Igreja para empreender a verdadeira reforma, que é a conversão diária a Cristo que vive para nós no ensino da Igreja, na sua oração, na sua adoração e na prática das virtudes e da disciplina”, sentenciou o Cardeal Burke.

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Por que tememos o Sínodo da Sinodalidade?

Por Por Carlos Estêvão | InfoVaticana

O entusiasmo oficial com o Sínodo da sinodalidade que nos chega de Roma, em contraste com a recepção fria entre os fiéis, tenta em vão vender a sugestão de uma “refundação” da Igreja, para alarme de muitos.

Chesterton disse que se pede ao católico que tire o chapéu ao entrar na igreja, e não a cabeça. Na verdade, a nossa Igreja não é uma seita que segue cegamente as instruções de um guru ou que pode mudar ao sabor de quem a governa a qualquer momento.

Você pode pensar. O que temos diante dos nossos olhos pode ser admitido. E você pode ver à primeira vista o que é ‘fraude’ sobre o que tentam nos vender com tanta insistência.

“Abrimos as nossas portas, oferecemos a todos a oportunidade de participar, levamos em conta as necessidades e sugestões de todos”, disse Francisco em Lisboa, referindo-se ao Sínodo que começa em outubro. “Queremos contribuir juntos para construir uma Igreja onde todos se sintam em casa, onde ninguém esteja excluído. Aquela palavra do Evangelho que é tão importante: todos. Todos, todos: não há católicos de primeira, segunda ou terceira classe, não. Todos juntos. Todos. É o convite do Senhor”. E nesta breve invocação notamos duas falácias bastante óbvias.

A primeira refere-se à representatividade do Sínodo. Por toda parte ouvimos a sugestão de que o que é discutido nas assembleias refletirá pela primeira vez a opinião dos leigos, dos fiéis comuns. E já é difícil precisar o que a Igreja ganha, Mater et Magistra, aprendendo em vez de ensinar, que é a missão específica ordenada por Cristo, como se a doutrina católica fosse uma especulação intelectual e não uma mensagem imutável. Mas nem é verdade.

O processo de recolha de opiniões dos fiéis tem sido mais enganador do que um filme chinês. Para começar, apenas entre 1% e 2% dos católicos em todo o mundo participaram nas “sessões de escuta”, e entende-se que a maior parte dos activistas e dos “renovadores” estão concentrados nesta pequena proporção. Continuando, não se trata de dar aos fiéis uma página em branco para que possam expressar livremente a sua visão da Igreja, mas de serem especificamente consultados sobre questões muito específicas que podem não ser do interesse da maioria, e com questões que Freqüentemente, eles geravam as respostas certas por conta própria. Não é estranho que a maioria dos fiéis não saiba que um sínodo está acontecendo, e muito menos um de tamanha importância.

A segunda falácia do parágrafo é mais uma sugestão; é a sugestão, constante ao longo de todo este pontificado, de que as coisas finalmente são como sempre foram. As palavras e mensagens transmitem a sensação de que a misericórdia de Deus é algo inédito na Igreja, quando tem sido um refrão constante.

Ou, para nos atermos ao parágrafo citado, que só agora todos serão aceitos na Igreja. Todos sempre foram chamados, todos sempre foram aceitos. Só que, até agora, foi feita uma distinção nítida entre a pessoa e a conduta, o pecado e o pecador, e o segundo foi abraçado sem condenar o primeiro.

Tudo isto faz pensar no Sínodo como um pequeno teatro gigantesco, com o guião já escrito até à última vírgula, organizado para apresentar como ‘exigências’ do Povo de Deus mudanças que, vindas diretamente da cabeça, soariam intoleráveis.

Traduzido de InfoVaticana

 
 
 

As conferências de imprensa no avião de regresso a Roma depois das Viagens Apostólicas tornaram-se os momentos mais interessantes, do ponto de vista jornalístico, das viagens de Francisco.

A celebração do Sínodo da sinodalidade se aproxima e isso é perceptível. Os jornalistas a bordo do avião centraram as suas perguntas neste assunto que suscita não pouca polémica.

Esta preocupação e medo que muitos católicos sentem está difundido em todo o planeta, como o próprio Francisco confessou. O Santo Padre, quando questionado sobre o prólogo do Cardeal Burke, no qual critica abertamente o Sínodo, contou como recentemente, ao falar com uma freira, ela confessou o seu medo pelo que poderia acontecer depois de Outubro. “Temos medo de que a doutrina nos mude”, confessou a freira ao Pontífice.

O Papa respondeu a outras perguntas sobre o Sínodo, lembrando que “no Sínodo não há lugar para a ideologia , é outra dinâmica. O Sínodo é diálogo, entre os baptizados, entre os membros da Igreja, sobre a vida da Igreja, sobre o diálogo com o mundo, sobre os problemas que afectam hoje a humanidade.

Referindo-se ao Sínodo, o Bispo de Roma afirmou que “este não é um programa de televisão em que falamos de tudo” e que “ o Sínodo não é um parlamento ”.

Oferecemos-lhe a conferência de imprensa completa da viagem de regresso do Papa a Roma publicada pelo Vatican News:

Antonio Pelayo (Vida Nova)

Santo Padre, o senhor acaba de falar do Sínodo e todos concordamos consigo que este Sínodo suscita grande curiosidade e interesse. Infelizmente, também suscita muitas críticas por parte dos círculos católicos. Quero referir-me a um livro com prefácio do Cardeal Burke que diz que o Sínodo é a caixa de Pandora da qual surgirão todas as calamidades para a Igreja. O que você acha dessa posição? Você acha que isso será superado pela realidade ou que condicionará o Sínodo?

Papa Francisco: Não sei se já disse isso. Há alguns meses liguei para uma carmelita. «Como estão as freiras, Madre Superiora?». Ele era um Carmelo não italiano. E a prioresa me respondeu. E no final ele me diz: «Santidade. Temos medo do Sínodo”. “Mas o que acontece? – digo brincando – você quer mandar uma freira ao Sínodo?». “Não, temos medo de que a doutrina nos mude”. E é isso que você diz: existe essa ideia… Mas se você for à raiz dessas ideias você encontrará ideologias. Sempre, quando a Igreja quer desvincular-se do caminho da comunhão, o que sempre emerge é a ideologia. E acusam a Igreja disto ou daquilo, mas nunca a acusam do que é verdadeiro: pecaminoso. Nunca dizem pecador… Defendem uma doutrina entre aspas, que é uma doutrina como a água destilada, não tem gosto de nada e não é a verdadeira doutrina católica que está no Credo. E isso tantas vezes escandaliza; quão escandalosa é a ideia de que Deus se fez carne, que Deus se fez homem, que a Virgem preservou a sua virgindade. Isso escandaliza.

Cindy Madeira (CNS)

Bom dia, Santidade, gostaria de continuar com a pergunta do meu colega francês sobre o Sínodo e a informação. Muitos fiéis leigos dedicaram muito tempo, rezaram, envolveram-se falando, ouvindo. Querem saber o que acontece durante o Sínodo, a assembleia. E você falou da sua experiência do Sínodo sobre os religiosos, durante a qual alguns membros do Sínodo disseram “não coloque isso”, “você não pode dizer isso…”. Nós, jornalistas, nem sequer temos acesso à assembleia e às sessões gerais, como podemos ter a certeza de que o que nos é dado como “pappa” (papa) é verdade? Não há possibilidade de ser um pouco mais aberto com os jornalistas?

Papa Francisco: Mas muito aberto, querido, é muito aberto! Há uma comissão presidida pelo Ruffini que vai dar notícias todos os dias, mas não sei até que ponto é aberta, não sei até que ponto é aberta… e é bom que esta comissão respeite muito as intervenções de todos e tenta não tagarelar, mas sim dizer coisas precisamente na marcha sinodal que sejam construtivas para a Igreja. Se quiser, se alguém quiser que a notícia seja: este descontou naquele por isto ou por aquilo, isso é conversa política. A comissão não tem tarefa fácil, dizer: hoje a reflexão vai por aqui, vai por ali, e transmite o espírito eclesial, não o político. Um parlamento é diferente de um Sínodo. Não esqueçais que o protagonista do Sínodo é o Espírito Santo. E como isso pode ser transmitido? É por isso que a orientação eclesial deve ser transmitida.

Jargalsaikhan Dambadarjaa (The Defacto Gazete):

Muito obrigado, Santidade, pela sua visita à Mongólia. A minha pergunta é: qual foi o seu principal objetivo com esta visita e está satisfeito com o resultado obtido?

Papa Francisco: «A ideia de visitar a Mongólia surgiu-me pensando na pequena comunidade católica. Faço estas viagens para visitar a comunidade católica e também para entrar em diálogo com a história e a cultura da cidade, com a mística de uma cidade. É importante que a evangelização não seja concebida como proselitismo. O proselitismo sempre restringe. O Papa Bento XVI disse que a fé não cresce pelo proselitismo, mas pela atração. O anúncio do Evangelho entra em diálogo com a cultura. Há uma evangelização da cultura e também uma inculturação do Evangelho. Porque os cristãos também expressam os seus valores cristãos com a cultura do seu próprio povo. Isto é o oposto do que seria uma colonização religiosa. Para mim a viagem foi conhecer esse povo, dialogar com esse povo, acolher a cultura deste povo e acompanhar a Igreja no seu caminho com grande respeito pela cultura deste povo. E estou satisfeito com o resultado.”

Ulambadrakh Markhaakhuu (ULS Suld Tv)

O actual conflito de civilizações só pode ser resolvido através do diálogo, como disse Sua Santidade. Pode Ulaanbaatar oferecer-se como plataforma para um diálogo internacional entre a Europa e a Ásia?

Papa Francisco: «Acho que sim. Mas temos uma coisa muito interessante, que também incentiva este diálogo, e deixem-me chamar-lhe a “mística do terceiro vizinho”, que o faz avançar com uma política do terceiro vizinho. Pense que Ulaanbaatar é a capital do país mais afastado do mar, e podemos dizer que a sua terra está entre duas grandes potências, a Rússia e a China. E é por isso que a sua mística é tentar dialogar até com os seus “terceiros vizinhos”: não por desprezo por estes dois, porque mantém boas relações com ambos, mas por um desejo de universalidade, de mostrar os seus valores aos o mundo inteiro, e também receber dos outros os seus valores para poder dialogar. É curioso que na história sair em busca de outras terras tenha sido muitas vezes confundido com colonialismo, ou entrar para dominar, sempre. Em vez disso você, com esta mística do terceiro vizinho, Eles têm essa filosofia de sair procurando conversar. Gostei muito dessa expressão do terceiro vizinho. É a sua riqueza.”

Cristina Cabrejas (EFE)

Ontem o senhor enviou uma mensagem ao povo chinês e pediu aos católicos que fossem bons cidadãos, depois que as autoridades do país não permitiram que os bispos viessem à Mongólia. Como estão as relações com a China neste momento? E há novidades sobre a viagem do Cardeal Zuppi a Pequim e a missão na Ucrânia?

Papa Francisco: “A missão do Cardeal Zuppi é uma missão de paz que lhe confiei. E planejou visitar Moscou, Kiev, Estados Unidos e também Pequim. O Cardeal Zuppi é um homem de grande diálogo e visão universal, tem na sua história a experiência do trabalho realizado em Moçambique na busca da paz e por isso o enviei. As relações com a China são muito respeitosas, muito respeitosas. Eu pessoalmente tenho uma grande admiração pelo povo chinês, os canais são muito abertos, para a nomeação dos bispos existe uma comissão que trabalha há muito tempo com o governo chinês e o Vaticano, então são muitos, ou melhor, existem há alguns padres católicos ou intelectuais católicos que são frequentemente convidados para ministrar cursos em universidades chinesas. Acredito que devemos avançar no aspecto religioso para nos compreendermos melhor e que os cidadãos chineses não pensem que a Igreja não aceita a sua cultura e os seus valores e que a Igreja depende de outra potência estrangeira. A comissão presidida pelo Cardeal Parolin está indo bem neste caminho amigável: está fazendo um bom trabalho, também por parte da China, as relações estão no caminho certo. Tenho grande respeito pelo povo chinês.

Gerard O’Connell (Revista América)

Santidade, as relações entre o Vietname e a Santa Sé são neste momento muito positivas, deram recentemente um notável passo em frente. Muitos católicos vietnamitas pedem-lhe que os visite, como fez na Mongólia. Existe agora a possibilidade de visitar o Vietname, existe algum convite do governo? E que outras viagens você tem agendadas?

Papa Francisco: “O Vietname é uma das mais belas experiências de diálogo que a Igreja teve nos últimos tempos. Eu diria que é como uma simpatia no diálogo. Ambas as partes tiveram a boa vontade de se entenderem e encontrarem caminhos, houve problemas, mas no Vietname acredito que mais cedo ou mais tarde os problemas serão ultrapassados. Recentemente falámos livremente com o Presidente do Vietname. Estou muito positivo em relação às relações com o Vietname, há anos que tem funcionado bem. Lembro-me que há quatro anos um grupo de parlamentares vietnamitas veio visitar-nos: tivemos com eles um diálogo agradável e muito respeitoso. Quando uma cultura é aberta, existe possibilidade de diálogo; se há encerramento ou suspeita, o diálogo é muito difícil. Com o Vietname, o diálogo é aberto, com os seus prós e contras, mas é aberto e estamos a avançar lentamente. Houve alguns problemas, mas foram resolvidos. Quanto à viagem ao Vietname, se eu não for, tenho a certeza que João XXIV irá. Sobre as outras viagens há Marselha e depois há uma num pequeno país da Europa e estamos a ver se conseguimos mas, digo-vos a verdade, para mim agora fazer uma viagem não é tão fácil como no início, há limitações para caminhar e isso limita, mas veremos”.

Fausto Gasparroni (ANSA)

Santidade, as suas declarações aos jovens católicos russos sobre a grande mãe Rússia, a herança de figuras como Pedro, o Grande e Catarina II, suscitaram recentemente debates. Estas são declarações que – digamos assim – irritaram muito os ucranianos, tiveram também consequências na esfera diplomática e foram vistas de certa forma quase como uma exaltação do imperialismo russo e uma espécie de endosso à política de Putin. Queria perguntar-lhe porque é que sentiu necessidade de fazer estas afirmações, se considerou fazê-las, se as repetiria; e também, por uma questão de clareza, se pudesse dizer-nos o que pensa dos imperialismos e, em particular, do imperialismo russo?

Papa Francisco: «Coloquemos isto no seu devido lugar: um diálogo com os jovens russos. E no final do diálogo dei-lhes uma mensagem, uma mensagem que repito sempre: que se encarreguem da sua herança. Primeiro ponto: assuma o controle de sua herança. Digo o mesmo em todos os lugares. E mesmo com esta visão procuro criar um diálogo entre avós e netos: que os netos se encarreguem da herança. Digo isso em todos os lugares e esta tem sido a mensagem. Um segundo passo, para explicitar a herança: na verdade eu disse a ideia da grande Rússia, porque a herança russa é muito boa, é muito bonita. Pensemos no campo da literatura, no campo da música, até num Dostojewski que hoje nos fala de humanismo maduro; assumiu esse humanismo, que se desenvolveu, na arte e na literatura. Isso ficaria em segundo plano, já que falei sobre herança, Não? A terceira, talvez não totalmente correta, mas falando da grande Rússia no sentido talvez não tanto geográfico, mas cultural, lembrou-me o que nos ensinaram na escola: Pedro I, Catarina II. E veio esse terceiro (elemento, ndr), o que pode não estar totalmente correto. Não sei. Deixe que os historiadores nos digam. Mas foi um acréscimo que me ocorreu porque o havia estudado na escola. O que eu disse aos jovens russos é para cuidarem da sua própria herança, assumirem a sua própria herança, o que significa não a comprarem noutro lugar. Tome sua própria herança. E que legado a grande Rússia deixou: a cultura russa é linda, muito profunda; e não deve ser eliminado por razões políticas. Na Rússia houve anos sombrios, mas a herança sempre permaneceu assim, à mão. Então você fala sobre imperialismo. E eu não estava pensando em imperialismo quando disse isso, estava falando de cultura, e a transmissão da cultura nunca é imperial, nunca; É sempre diálogo, e eu estava falando sobre isso. É verdade que existem imperialismos que querem impor a sua ideologia. Vou parar por aqui: quando a cultura é destilada em ideologia, esse é o veneno. A cultura é usada, mas destilada em ideologia. Isto deve ser distinguido quando se trata da cultura de uma cidade e quando são as ideologias que mais tarde surgem para algum filósofo, algum político dessa cidade. E digo isto para todos, também para a Igreja. Muitas vezes são postas em prática dentro da Igreja ideologias que distanciam a Igreja da vida que vem das raízes e sobe; eles distanciam a Igreja da influência do Espírito Santo. Uma ideologia é incapaz de ser incorporada, é apenas uma ideia. Mas a ideologia toma o seu lugar e torna-se política, normalmente torna-se uma ditadura, torna-se incapaz de dialogar, de avançar com as culturas. E os imperialismos fazem isso. O imperialismo consolida-se sempre com base numa ideologia. Também na Igreja devemos distinguir entre doutrina e ideologia: a verdadeira doutrina nunca é ideológica, nunca; está enraizado no povo santo e fiel de Deus; Por outro lado, a ideologia não tem relação com a realidade, não tem relação com o povo… Não sei se respondi. O imperialismo consolida-se sempre com base numa ideologia. Também na Igreja devemos distinguir entre doutrina e ideologia: a verdadeira doutrina nunca é ideológica, nunca; está enraizado no povo santo e fiel de Deus; Por outro lado, a ideologia não tem relação com a realidade, não tem relação com o povo… Não sei se respondi. O imperialismo consolida-se sempre com base numa ideologia. Também na Igreja devemos distinguir entre doutrina e ideologia: a verdadeira doutrina nunca é ideológica, nunca; está enraizado no povo santo e fiel de Deus; Por outro lado, a ideologia não tem relação com a realidade, não tem relação com o povo… Não sei se respondi.

Robert Messner (DPA)

Bom Dia. Uma pergunta sobre sua atualização Laudato si’. Pode ser entendido como uma demonstração de solidariedade para com activistas ambientais como a “Última Geração”, aqueles que fazem protestos espectaculares? Talvez haja também uma mensagem nesta atualização para os jovens ativistas que saem às ruas?

Papa Francisco: «Um pouco em geral: não vou com estes extremistas. Mas os jovens estão preocupados. Um bom cientista italiano – tivemos uma reunião na Academia – fez um bom discurso e terminou assim: «Não gostaria que a minha neta, que nasceu ontem, vivesse num mundo tão feio daqui a trinta anos». Os jovens pensam no futuro. E nesse sentido gosto que eles lutem bem. Mas quando a ideologia ou a pressão política têm algo a ver, não funciona. A minha Exortação Apostólica sairá no dia de São Francisco, 4 de outubro, e é uma revisão do que aconteceu desde a COP de Paris, que foi talvez a mais fecunda, até hoje. Há algumas novidades sobre algumas COPs e algumas coisas que ainda não foram resolvidas e há urgência em resolvê-las. Não é tão grande quanto a Laudato si’, mas está levando a Laudato si’ para coisas novas.

Etienne Loraillére (KTO TV)

Vocês querem uma Igreja sinodal, na Mongólia e no mundo. A assembleia de outubro já é fruto do trabalho do povo de Deus. Como será possível envolver nesta fase os batizados de todo o mundo? Como será evitada a polarização ideológica? E, os participantes poderão falar e compartilhar publicamente o que estão vivenciando, para que possamos caminhar com eles? Ou todo o processo será secreto?

Papa Francisco: «Você falou em evitar pressões ideológicas. No Sínodo não há lugar para ideologia, é outra dinâmica. O Sínodo é diálogo, entre os baptizados, entre os membros da Igreja, sobre a vida da Igreja, sobre o diálogo com o mundo, sobre os problemas que afectam hoje a humanidade. Mas quando se pensa (em seguir) um caminho ideológico, o Sínodo termina. No Sínodo não há lugar para ideologia, há espaço para diálogo. Enfrentar-nos, entre irmãos, e confrontar a doutrina da Igreja. Seguir em frente. Depois quero sublinhar que a sinodalidade não é uma invenção minha: foi de São Paulo VI. Quando terminou o Concílio Vaticano II, ele percebeu que no Ocidente a Igreja havia perdido a dimensão sinodal; a Igreja do Oriente tem isso. Por isso criou o Secretariado do Sínodo dos Bispos, que nestes sessenta anos a reflexão foi realizada de forma sinodal, com progresso contínuo, avançando. No cinquentenário desta decisão de São Paulo VI, assinei e publiquei um documento sobre o que é o Sínodo, sobre o que foi feito. E agora avançou, amadureceu mais, e por isso pareceu muito bom ter um Sínodo sobre a sinodalidade, que não é uma moda passageira, é algo antigo, a Igreja do Oriente sempre o teve. Mas como viver a sinodalidade? É vivê-lo como cristão. E, como disse antes, sem cair em ideologias. O processo de assembleia: há uma coisa que devemos cuidar: o ambiente sinodal. Este não é um programa de TV onde falamos sobre tudo. Não. Existe um momento religioso, existe um momento de intercâmbio religioso. Pense que nas introduções sinodais falarão de três a quatro minutos cada, três (intervenções, ndr) e depois haverá três a quatro minutos de silêncio para oração. Depois, mais três e oração. Sem este espírito de oração não há sinodalidade, é política, é parlamentarismo. O Sínodo não é um parlamento. Sobre o sigilo: há um departamento chefiado pelo Dr. Ruffini, que está aqui, e que fará comunicados de imprensa sobre o andamento do Sínodo. Num Sínodo é preciso manter a religiosidade e preservar a liberdade das pessoas que falam. É por isso que haverá uma comissão, presidida pelo Dr. Ruffini, que será responsável por informar sobre o andamento do Sínodo. Sem este espírito de oração não há sinodalidade, é política, é parlamentarismo. O Sínodo não é um parlamento. Sobre o sigilo: há um departamento chefiado pelo Dr. Ruffini, que está aqui, e que fará comunicados de imprensa sobre o andamento do Sínodo. Num Sínodo é preciso manter a religiosidade e preservar a liberdade das pessoas que falam. É por isso que haverá uma comissão, presidida pelo Dr. Ruffini, que será responsável por informar sobre o andamento do Sínodo. Sem este espírito de oração não há sinodalidade, é política, é parlamentarismo. O Sínodo não é um parlamento. Sobre o sigilo: há um departamento chefiado pelo Dr. Ruffini, que está aqui, e que fará comunicados de imprensa sobre o andamento do Sínodo. Num Sínodo é preciso manter a religiosidade e preservar a liberdade das pessoas que falam. É por isso que haverá uma comissão, presidida pelo Dr. Ruffini, que será responsável por informar sobre o andamento do Sínodo.

Vincenzo Romeo (RAI TG 2)

Bom dia Santidade. Você é o Papa das periferias e as periferias, especialmente na Itália, sofrem muito. Tivemos alguns episódios preocupantes de violência, de degradação… por exemplo, perto de Nápoles, um pároco, Dom Patriciello, que até o convidou para ir, depois para Palermo… O que pode ser feito? Ele visitou as favelas de Buenos Aires, então tem experiência nisso. O nosso primeiro-ministro também visitou uma dessas periferias, há muita discussão sobre isso. O que pode ser feito, o que podem fazer a Igreja e as instituições do Estado para superar esta degradação e tornar as periferias verdadeiramente parte de um país?

Papa Francisco: «Tu con esto hablas de las periferias como de las favelas: se debe seguir adelante, ir allí y trabajar allí, como se hizo en Buenos Aires con los curas que trabajaban allí: un equipo de curas con un obispo auxiliar a la cabeza y se trabaja allí. Debemos estar abiertos a esto, los gobiernos deben estar abiertos, todos los gobiernos del mundo, pero hay periferias que son trágicas. Vuelvo a una periferia escandalosa que se intenta tapar: la de los Rohingya. Los rohingya sufren, no son cristianos, son musulmanes, pero sufren porque los han convertido en una periferia, los han expulsado. Tenemos que ver los diferentes tipos de periferias y también aprender que la periferia es donde la realidad humana es más evidente y menos sofisticada – (también hay ndr) malos momentos no quiero idealizar – pero se percibe mejor. Un filósofo dijo una vez algo que me impactó mucho: «La realidad se comprende mejor desde las periferias». Hay que hablar con las periferias y los gobiernos tienen que hacer verdadera justicia social, verdadera justicia social, con las distintas periferias sociales y también con las periferias ideológicas ir a hablar, porque muchas veces es alguna periferia ideológica exquisita la que provoca a las periferias sociales. El mundo de las periferias no es fácil. Gracias».

(Transcrição não oficial da mídia do Vaticano)

 
 
 
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