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A Igreja celebra hoje (22) são Tomás More, político, professor de direito e advogado do século XVI, cuja vida pode dar ensinamentos para profissionais do direito e da política do século XXI. Veja também na segunda parte da matéria 7 dados sobre a vida e a obra de são Tomás More.

Por ACI Digital Tomás More pode ensinar aos políticos e advogados do século XXITomás More, padroeiro dos políticos e governantes, costumava dizer que “o homem não pode ser separado de Deus, nem a política da moral”.

O advogado e mestre em Direito, Alberto González Cáceres, presidente do Centro de Estudos Jurídicos Santo Tomás More, do Peru, falou da férrea “defesa da consciência e da verdade” deste santo.

“Refiro-me à única verdade: aquela que nos diz que Eu sou a verdade, o Caminho e a Vida. Não a verdade relativista do mundo atual que não hesita em justificar seus vícios com meias verdades e nos apresenta falsos caminhos”, disse em entrevista à ACI Prensa, do grupo EWTN, ao qual pertence a ACI Digital.

O advogado comentou que embora Tomás More tenha sido um advogado com “muito talento jurídico”, antes disso era “um homem de família, muito dedicado à mulher e aos filhos e comprometido nas suas obrigações profissionais”.

“Especificamente, ele era um homem correto”, disse.

Tomás More nasceu em Londres em 1477. Formou-se como advogado na Universidade de Oxford e teve uma carreira de sucesso que acabou levando-o ao parlamento inglês e depois ao cargo de chanceler de Henrique VIII, rei da Inglaterra.

Ele foi casado com Jane Colt, com quem teve quatro filhos; também é lembrado por defender com a vida a indissolubilidade do casamento.

Tomás More foi preso e morreu mártir por permanecer fiel ao primado do papa e por não aceitar que Henrique VIII se separasse da Igreja Católica para se divorciar e se casar novamente.

“À medida em que Henrique VIII vai se entregando às suas paixões e em que o mundo de seu tempo vai se rendendo com pouca oposição ao poder e às leis que justificam suas imoralidades, surge o momento dos homens de verdade, aqueles que não se submetem ao poder efêmero e à bajulação dos poderosos”, disse González.

“Diante dessas circunstâncias, são Tomás More entrega a vida dele em defesa de sua própria consciência. Sua consciência reta o obrigava a permanecer firme na defesa da verdadeira Igreja de Jesus Cristo: a Igreja Católica Apostólica Romana”, disse.

Depois de passar 14 meses na prisão, Tomás More foi decapitado e morreu como mártir em 6 de julho de 1535. Na forca, antes de ser executado, o santo disse à multidão: “Morro como bom servidor do rei, mas primeiro como servidor de Deus”.

Para González, o que mais lhe impressiona sobre seu padroeiro é “a sua firmeza durante o martírio”.

“Sua firmeza enquanto estava preso, sozinho e abandonado na Torre de Londres e seu brilho e calma total quando ele finalmente foi decapitado”, disse ele.

Por fim, o advogado católico lembrou que “os cristãos são chamados a ser outros Cristos”, assim como o fez Tomás More.

“Ele é o modelo do mártir, mas vamos abordar o martírio não como a morte que acaba com as nossas vidas terrenas”, disse ele.

“Refiro-me ao martírio do homem que nega a si mesmo por amor à esposa, ao martírio do filho que se nega por amor aos pais, ao martírio do governante pelo amor e pelo bem do seu povo, ao martírio do funcionário que faz a coisa certa para o bem da comunidade”, disse.

González disse que isso “é o que Jesus Cristo e sua mãe Maria Santíssima nos ensinaram”.


Sete dados sobre a vida e a obra de são Tomás More

A Igreja celebra hoje (22) são Tomás More, advogado e escritor inglês que se destacou pela defesa do matrimônio na Igreja Católica contra o divórcio do rei Henrique VIII, que no século XVI fundou a Igreja da Inglaterra, separando-a de Roma.

São Tomás More trabalhou toda a sua vida como pai e político para que os cidadãos respeitassem a fé, a ética e a moral católicas. Ele costumava dizer que “o homem não pode ser separado de Deus, nem a política da moral”.

1. Ele é padroeiro dos políticos

Em 31 de outubro de 2000, são João Paulo II declarou são Tomás More o padroeiro dos políticos e governantes.

“São Tomás More se distinguiu pela sua constante fidelidade à Autoridade e às instituições legítimas, porque pretendia servir nelas, não ao poder, mas ao ideal supremo da justiça. A sua vida ensina-nos que o governo é, primariamente, um exercício de virtude”, disse João Paulo II.

2. Foi um pai e marido exemplar

São Tomás More foi casado com Jane Colt, com quem teve quatro filhos: um homem e três mulheres. Após ficar viúvo, o santo casou-se pela segunda vez com Alice Middleton, que era viúva e tinha uma filha.

São João Paulo II disse que “diariamente, Tomás participava da missa na igreja paroquial,” e que “ao longo de toda a sua vida, foi um marido e pai afetuoso e fiel, cooperando intimamente na educação religiosa, moral e intelectual dos filhos”.

“A sua casa acolhia genros, noras e netos, e permanecia aberta a muitos jovens amigos que andavam à procura da verdade ou da própria vocação. Na vida de família dava-se largo espaço à oração comum e à lectio divina, e também a sadias formas de recreação doméstica”, acrescentou.

3. Defensor do matrimônio

São Tomás More destacou-se por defender com a vida a indissolubilidade do matrimônio, pois ocupando o cargo de chanceler de Henrique VIII, rei da Inglaterra, enfrentou a coroa ao se recusar a assinar a Ata de Sucessão e Supremacia.

Aqueles que assinavam este documento aceitavam a decisão do monarca de se separar da Igreja Católica para se divorciar da esposa e se casar novamente, e também o reconheciam como chefe supremo da Igreja Anglicana, substituindo o papa.

Como esta decisão ia contra a Igreja Católica e contra a natureza intrínseca do sacramento do matrimônio, o santo tentou dissuadi-lo, mas como não teve sucesso, renunciou a todos os seus cargos. Mais tarde, ele foi preso e condenado à morte.

4. Ele se destacou na literatura universal

São Tomás More, amigo de Erasmo de Roterdã e de Luis Vives, figuras ilustres da cultura renascentista, publicou em 1516 “Utopia”, uma crítica contundente às mazelas sociais de seu tempo.

A obra, essencial na história do pensamento ocidental por sua riqueza filosófica, política e teológica, chamou a atenção do monarca inglês Henrique VIII, que o convocou para fazer parte da administração pública.

5. Ele rezava a Deus para ter senso de humor

Entre os muitos de seus escritos, são Tomás More criou uma oração com a qual pedia bom ânimo a Deus.

“Dá-me, Senhor, senso de humor. Concedei-me a graça de compreender as brincadeiras, para que eu conheça um pouco da alegria da vida e possa comunicá-la aos outros”, rezava.

6. Ele escreveu obras na prisão

Durante os 14 meses que passou na prisão, o santo fez vários escritos que, em suma, testemunham “a fidelidade do ser humano à sua consciência, à verdade e aos seus princípios”.

Além de suas cartas, uma “Instrução para Receber o Corpo de Cristo” e várias orações, o santo escreveu duas importantes obras: “Um diálogo da fortaleza contra a tribulação” e a obra inacabada “A Agonia de Cristo”.

7. Morreu como mártir

São Tomás More foi decapitado e morreu como mártir em 6 de julho de 1535, após se opor à ruptura com a Igreja Católica.

Na forca, antes de ser executado, o santo disse à multidão: “Morro como bom servidor do rei, mas primeiro como servidor de Deus”.

Em 19 de maio de 1935, o papa Pio XI canonizou são Tomás More e o bispo são João Fisher, que o apoiou em sua luta pela defesa da indissolubilidade do matrimônio e também morreu decapitado poucos dias antes dele. Sua festa litúrgica é celebrada todo dia 22 de junho, junto com são João Fisher.


 
 
 

Santo Antônio é chamado “doutor do Evangelho”, pela grandeza com que soube pregá-lo

Quando entrou no convento foi incumbido das humildes funções de cozinheiro e viveu na obscuridade até que os seus superiores, percebendo seus extraordinários dons de pregador, enviaram-no pela Itália e pela França, a fim de pregar nos lugares onde a heresia dos Albigenses e Valdenses era mais forte. Até São Francisco de Assis o chamava informalmente de “o meu bispo”.

Santo Antônio foi declarado doutor pela Igreja e nos deixou muitos ensinamentos. Conheça alguns deles:

1. “É viva a Palavra quando são as obras que falam”.

2. “Quando te sorriem prosperidade mundana e prazeres, não te deixes encantar; não te apegues a eles; brandamente entram em nós, mas quando os temos dentro de nós, nos mordem como serpentes”.

3. “Uma água turva e agitada não espelha a face de quem sobre ela se debruça. Se queres que a face de Cristo, que te protege, se espelhe em ti, sai do tumulto das coisas exteriores, seja tranquila a tua alma”.

4. “A paciência é o baluarte da alma, ela a fortifica e defende de toda perturbação”.

5. “Ó Senhor, dá-me viver e morrer no pequeno ninho da pobreza e na fé dos teus Apóstolos e da tua Santa Igreja Católica”.

6. “Neste lugar tenebroso, os santos brilham como as estrelas do firmamento. E como os calçados nos defendem os pés, assim os exemplos dos santos defendem as nossas almas tornando-nos capazes de esmagar as sugestões do demônio e as seduções do mundo”.

7. “Quem não pode fazer grandes coisas, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças; certamente não ficará sem recompensa”.

8. “Como os raios se desprendem das nuvens, assim também dos santos pregadores emanam obras maravilhosas. Disparam os raios, enquanto cintilam os milagres dos pregadores; retornam os raios, quando os pregadores não atribuem a si mesmos as grandes obras que fazem, mas à graça de Deus”.

9. “Ó meu Senhor Jesus, eu estou pronto a seguir-te mesmo no cárcere, mesmo até a morte, a imolar a minha vida por teu amor, porque sacrificaste a tua vida por nós”.

10. “Deus é Pai de todas as coisas. Suas criaturas são irmãos e irmãs”.

Via O Segredo do Santo Rosário

 
 
 

A língua do santo que tinha proclamado com tanta eloquência a Palavra de Deus foi encontrada perfeitamente intacta.

Embora tenha nascido na cidade de Lisboa, em Portugal, Santo Antônio é normalmente referido com o nome do local em que morreu, a cidade de Pádua (Padova), na região nordeste da Itália. A sua morte se deu a 13 de junho de 1231, quando o santo contava com apenas 36 anos de idade.

Foi tão grande o luto que se mostrou por ocasião de seu falecimento, e tantos os milagres realizados, que o processo eclesiástico para verificar a sua santidade não chegou a durar sequer um ano: Santo Antônio de Pádua foi canonizado em 1232, por Gregório IX, o mesmo papa que o vira pregar e que lhe tinha dado o epíteto de “Arca do Testamento”, pelo conhecimento notável que exibia das Sagradas Escrituras. “Se permitíssemos privar da devoção humana por mais tempo aquele que foi glorificado pelo Senhor, pareceria que de algum modo lhe tirávamos a honra e a glória que lhe eram devidas” [1], disse na ocasião o sucessor de São Pedro.

Nesse mesmo ano, os confrades do santo, ajudados pelos moradores de Pádua, começaram a erigir uma basílica em sua honra. Em 1263, seu corpo foi transferido para o lugar, na presença de São Boaventura, então superior dos franciscanos. Quando o sarcófago foi aberto, a língua do santo que tinha proclamado com tanta eloquência a Palavra de Deus foi encontrada perfeitamente intacta:

“Nessa altura, uma personalidade tão venerável como o senhor Boaventura […] com todo o respeito pegou na língua do Santo em suas mãos, e comovido até às lágrimas, na presença de todos os circunstantes, dirigiu-se a essa relíquia com toda a devoção nestes termos: ‘Ó língua bendita, que sempre glorificaste o Senhor e levaste os outros a glorificá-lo, agora nos é permitido avaliar como foram grandes os teus méritos perante Deus!’ E beijando-a com ternura e piedade, determinou que fosse conservada à parte, com todas as honras, como era justo e conveniente.” [2]

A língua do grande pregador foi então colocada em um relicário dourado, de onde até os dias de hoje recebe a veneração de inúmeros devotos e peregrinos.

O corpo de Santo Antônio foi exumado ainda duas outras vezes: em 1350, quando o seu queixo e vários de seus ossos foram colocados em relicários próprios; e há poucos anos, em 1981, por ordem do Papa São João Paulo II, quando se descobriram incorruptas também as suas cordas vocais.

Mesmo reunindo em um só lugar uma multidão de 30 mil pessoas, “nem sequer se ouvia um sinal de clamor ou murmúrio” enquanto Santo Antônio falava.

A incorrupção dessas duas partes de seu corpo não deixa dúvidas sobre qual era a maior virtude de Santo Antônio: a da pregação. “Esta virtude era nele tão resplandecente que não havia olhos que não a vissem” [3], diz um de seus biógrafos. Tantas almas levaram a Deus aquela língua e aquelas cordas vocais que, certa Quaresma, que ele tinha decidido dedicar “à pregação quotidiana e ao confessionário” [4], “quando refazia com o benefício do sono os seus membros fatigados, atreveu-se o diabo a apertar com violência a garganta do homem de Deus e, depois de a apertar, tentou sufocá-lo” — uma clara amostra do perigo que o demônio vislumbrava no uso de sua voz. Antônio, por sua vez, “depois de invocar o nome da gloriosa Virgem, imprimiu na fronte o sinal da santa cruz e, afugentado o inimigo do gênero humano, imediatamente experimentou alívio” [5].

Para medir a qualidade da pregação de Santo Antônio, leve-se em conta o fato de que, às vezes, mesmo reunindo em um só lugar uma multidão de 30 mil pessoas, “nem sequer se ouvia um sinal de clamor ou murmúrio” enquanto ele falava. “Pelo contrário, num silêncio prolongado, como se fora um só homem, todos escutavam o orador com os ouvidos da mente e do corpo atentos” [6].

Mais importante do que isso, as palavras do frade realizavam na vida das pessoas o maior de todos os milagres, que é a conversão de coração. Depois que escutavam a sua pregação, eram tantos os homens e mulheres que corriam para o confessionário, que faltavam sacerdotes para atender tanta gente. Um frade franciscano anônimo, comentando os efeitos da pregação de Santo Antônio, diz o seguinte:

“Segundo a promessa de Cristo, os santos quase sempre dão dele testemunho duma forma muito mais sutil do que com a realização de prodígios visíveis. Por exemplo quando anunciam com convicção a Palavra de Deus, ou com a perfeição da própria vida mostram como se deve proceder, ou ainda quando, sem deixarem de atender as súplicas que lhes são dirigidas, realizam autênticos milagres noutra esfera mais elevada. Ao procederem assim, estão como a dar vista a cegos espirituais, permitindo-lhes descobrir a verdade; ou a desobstruir ouvidos de surdos, entupidos pela obstinação, possibilitando-lhes ouvir e obedecer aos mandamentos divinos. Da mesma forma estão a erguer às alturas das virtudes tantos trôpegos pela fatuidade de critérios e de ações; ou então a desembaraçar para uma salutar confissão certas bocas anteriormente caladas; ou a limpar leprosos da podridão contagiosa de algum mau hábito; ou a restituir tranquilidade e sossego a pessoas atormentadas pela crueldade diabólica; ou, enfim, a ressuscitar para uma vida espiritual presente e futura alguns a quem o veneno do pecado matara e fizera entrar em fétida putrefação.

Tudo isto são autênticos milagres, embora os descrentes e os materialistas não considerem tais eventos dignos de admiração em confronto com prodígios materiais. No entanto, se bem que para realizar quaisquer prodígios, tanto de ordem espiritual como material, tenha de intervir a mesma onipotência divina, aos olhos do Juiz misericordioso é muito mais importante converter um ímpio do seu pecado do que restituir-lhe a vida corporal.” [7]

É isto o que se pode dizer, em resumo, da língua de Santo Antônio de Pádua: que operou milagres muito maiores que todos os outros que ele fez, seja em vida, seja depois de sua morte. Antônio, por certo, não pode ser tido como um santo “discreto”: foi ele um verdadeiro taumaturgo, a ponto de haver nos livros relacionados à sua vida uma obra dedicada tão somente à narração de seus milagres. Mesmo assim, foram a sua língua e as suas cordas vocais, entre todos os membros de seu corpo, que experimentaram a incorrupção.

Com isso, Deus quer nos mostrar que, muito mais do que multiplicar pães, curar enfermos e ressuscitar defuntos, a grande obra dos santos, como Santo Antônio, é espiritual: levar as pessoas à conversão e à mudança de vida.

Fica para todos os devotos de Santo Antônio, portanto, esta importante lição deixada pelo próprio Cristo: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas em acréscimo” ( Mt 6, 33). Em nossas orações a este grande santo e doutor da Igreja, peçamos o que verdadeiramente nos convém, entregando a Deus a decisão última de tudo. Ele sabe o que é melhor para nós, não é virando uma imagem de cabeça para baixo que vamos mudar a Sua vontade para a nossa vida.

Para falar a verdade, a oração não foi feita para mudar a vontade de Deus, mas a nossa. O que precisa ser virada de ponta-cabeça não é a imagem de Santo Antônio, mas a nossa vida.

Santo Antônio de Lisboa e de Pádua, rogai por nós!

Fonte: Equipe Christo Nihil Praeponere


Santo Antonio: “Arca do Testamento” e “Martelo dos Hereges”

Santo Antônio de Pádua, Confessor e Doutor da Igreja é também chamado “Arca do Testamento” e “Martelo dos Hereges”, franciscano. Século XIII.

Neste dia 13 de junho a[s] igreja[s] [d]e todas as nações, do Ocidente pelo menos, encheram-se de fiéis e, amanhã ainda especialmente, que vão comemorar a festa de Santo Antônio e por toda parte as imagens de Santo Antônio estão sendo expostas para objeto de veneração dos fiéis.

Este fato me lembra que estando em 1950 em Assis, eu tive ocasião de me documentar a respeito de como era Santo Antônio. E ali se mostra, na Basílica de Assis, um quadro pintado por Giotto, que passa por ser o quadro mais próximo, mais provavelmente representativo da pessoa de Santo Antônio. E se trata de uma pessoa de corpo hercúleo, de pescoço taurino, forte, de expressão de fisionomia séria, de olhar imperioso e majestoso, e numa atitude assim [… inaudível] as pessoas, como Doutor da Igreja que ele era. Comprei então algumas fotografias dessa imagem.

Ao mesmo tempo, comprei uma pilha de estampas iguais que eram vendidas às pessoas que iam à igreja também, e que representavam Santo Antônio, não de acordo com a probabilidade histórica do quadro de Giotto, mas de acordo com uma concepção que figura nas imagens comuns. Então, um homenzinho imberbe, coradinho, com o Menino Jesus no braço, com um ar de quem não entende muito o que está fazendo com o Menino Jesus no braço; o Menino Jesus também com uma cara de quem não entende muito o que está fazendo no braço de Santo Antônio, sorrindo os dois um para o outro como que dizendo: desculpe, aqui deve haver algum equívoco.

Na fisionomia de Santo Antônio, nada que falasse no Doutor da Igreja, nada que representasse o homem que era tido como o maior conhecedor do Novo e Antigo Testamento, – as Sagradas Escrituras, – no tempo dele, porque conhecia as passagens mais raras, mais excepcionais, mais ignotas de todas e tirava delas efeitos de pregação extraordinários. E Santo Antônio, conhecido como o “Martelo dos Hereges”, como polemista, como homem que era capaz de discutir – não de “dialogar” (no sentido irenístico do termo *) – era capaz de entrar em debate com os hereges, de achatá-los – não havia ninguém como ele – e ainda coberto com os milagres que completavam sua pregação e faziam com que fosse o terror dos hereges.

O verdadeiro Santo Antônio histórico, e como é apontado pela Igreja para nosso modelo, portanto como o é no céu, desapareceu quase completamente. É uma figura física que nada tem a ver com ele, nada tem a ver sobretudo com sua fisionomia moral.

Santo Antônio, além de ser o “Martelo dos Hereges” e a “Arca do Testamento”, é venerado como o Patrono das Forças Armadas. E a razão disso – entre outros fatos – está em que Santo Antônio, em certa ocasião, foi objeto de um ato de devoção especial da parte de um almirante espanhol. Uma esquadra espanhola sitiava a cidade de Orán e não havia meio de conseguir resultado eficaz. Então, o almirante espanhol dirigiu-se a uma imagem de Santo Antônio, colocou o chapéu de almirante sobre a imagem, deu-lhe as insígnias de comando e pediu-lhe que investisse [contra] Orán. Os mouros fugiram inesperadamente e interrogados, disseram que tinha estado entre eles um frade vestido com o chapéu do almirante e que tinha ameaçado Orán com o fogo de céu, e que por causa disso eles tinham achado mais prudente ir embora. Quer dizer, este aspecto do “Martelo dos Hereges” que ao mesmo tempo incute terror aos mouros e que se apresenta a uma cidade infiel e a ameaça com o fogo do céu, todo esse aspecto foi abolido.

Aí vemos a lamentável deterioração da devoção aos santos em nossos dias. Quer dizer, como eles já não representam, na legenda que em torno deles se criou, a verdadeira santidade. Quem, por exemplo, comentará a respeito da vida de Santo Antônio, este fato que se deu no Rio de Janeiro e que foi o seguinte: o Rio de Janeiro estava sendo cercado pelos calvinistas franceses e já estava quase completamente rendido e a cidade não tinha meios de resistir. Os frades então tomaram a imagem de Santo Antônio, desceram com ela o morro, colocaram numa pilastra que se encontrava ali e a simples exibição da imagem, de um modo maravilhoso comunicou tal ardor na cidade, que grande número de jovens se alistaram, sendo possível reorganizar a resistência aos franceses e os franceses, depois de pouco tempo, foram embora. De maneira que o Rio de Janeiro não se tornou calvinista e talvez com repercussão em toda a História da América Latina, e portanto em toda a História da Igreja, por causa dessa ação simbólica de presença maravilhosa de Santo Antônio.

Todas essas são coisas que não se dizem, não se contam, não se comentam e os senhores podem, através disso, verificar duas coisas: em primeiro lugar, como é lamentável esta torção que a vida dos santos sofreu.

Mas, por outro lado, também, como é admirável lutar para restaurar todas essas coisas e mostrar os próprios santos no seu aspecto combativo, no seu aspecto guerreiro, no seu aspecto polêmico, no seu aspecto contra-revolucionário, que a Revolução tanto gosta de esconder e de disfarçar.

Fonte IPCO


 
 
 
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