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A RELIGIÃO EM BELÉM DO PARÁ Belém do Pará não era um lugar muito amistoso para com a “verdadeira religião”, qualquer que fosse esta. Até certo ponto, sua população não era, de modo algum, diferente do resto da população brasileira, que de um ponto de vista ortodoxo ou teológico, tendia mais a ser “supersticiosa” do que “religiosa”. Nesse ponto, tanto os missionários protestantes como os clérigos católicos ultramontanos estavam em acordo – para ambos os grupos, os brasileiros não eram “cristãos verdadeiros”, A descrição das práticas religiosas brasileiras, deixadas pelos primeiros missionários protestantes são muito parecidas com os relatos dos internúncios para Roma, sobre o mesmo assunto. Da mesma maneira, James Cooley Fletcher, escrevendo ao pai sobre a religião no Brasil, asseverou que, de todos os povos que tinha conhecido, os brasileiros eram os que menos se importavam com a religião. Não tinham entusiasmo pela religião católica e eram sumamente indiferentes às questões espirituais, sua vida religiosa limitando-se a foguetórios e procissões O presbiteriano Ashbel Green Simonton, treze anos mais tarde, também fez uma observação semelhante no Rio de Janeiro. Escreveu que os católicos romanos no Brasil não eram como seus irmãos nos Estados Unidos e na Inglaterra, e acrescentou.”Não estou exagerando quando digo que, para achar aqui um católico romano verdadeiro, é preciso procurá-lo com cuidado. Creio que ainda não encontrei um, a menos que o encontre entre os que recusam expressar-se”. Richard Holden, ano e meio depois de ter chegado ao Pará, expressou uma observação semelhante, não somente sobre o povo como também sobre os padres, declarando: “Ainda não me encontrei com um só padre que parecesse ser sincero ou que de algum modo se importasse com as coisas divinas”. Em Belém, assim como em toda a diocese do Pará, que incluía não só o Pará, como também a província recém-formada do Amazonas, não somente a “infidelidade” era predominante entre a classe um tanto educada, como a mais completa ignorância do catolicismo existia entre as massas analfabetas. “Religião” naquela área, como em todo o Brasil, como já foi exposto acima, era uma espécie de sincretismo entre um catolicismo puramente simbólico do camponês português e os conceitos religiosos dos índios e dos africanos. Essa religião popular consistia, principalmente, na adoração de gravuras e de imagens de santos. A “adoração” dos santos ia além do conceito teológico católico de dulia (render mais do que homenagem) e chegou a ser mais semelhante à latria (adorar como se adora a Deus). Nos templos, a religião limitava-se à missa em latim e a procissões que eram precedidas ou acompanhadas de foguetes e, às vezes, de irmandades dançantes, como a “Irmandade dos Velhos Dançarinos”, de Belém, que tomavam parte na procissão da “Festa dos Círios”, conforme os anúncios publicados no Diário do Grão Pará e outros jornais de Belém. A religião no lar dos analfabetos era, e em muitas partes continua a ser, marcada por uma associação íntima entre o adorador e seu “santo” particular. Havia uma relação muito pessoal entre o adorador e essa divindade menor que era conservada em casa. O santo era “bem tratado” apenas se as coisas andassem normalmente e fielmente concedesse à família o que esta lhe pedia. Se deixasse de cumprir o seu dever, poderia terminar com a cabeça enterrada na areia ou amarrado numa árvore do quintal recebendo uma série de cipoadas como castigo, ou qualquer outra sorte de ultraje, até que fizesse o que o devoto desejasse (C. Fletcher, Rio, 3 de abril de 1852. 43 BFMPCUSA, VOL 3, n. 13, A.G. Simonton a David Irving, Rio, 8 de agosto de 1865). Todas as gravuras de santos, ou que se parecessem com santos eram usadas como santinhos”. Certa vez, Holden sentiu-se obrigado a suspender a venda de ilustrações bíblicas”, que eram cópias de quadros célebres de grandes artistas representando cenas bíblicas. Informou à Sociedade de Literatura Religiosa de Londres que as “ilustrações estavam em perigo” de irem parar nos altares domésticos como santinhos. A ignorância do povo, especialmente o do Alto Amazonas era tal que, como registrou Holden, um d te astucioso que recebera em Belém um astucioso que recebera em Belém um carregamento de cartas de baralho danificados, recuperou seu prejuízo e ainda obteve grande lucro vendendo, como santinhos, ao povo daquela região, os valetes, rainhas e reis não estragados (Diário de Holden, 5 de abril 46 Ibid. 1861). Cumpre salientar que a devoção extremada do povo do Pará à sua padroeira, Nossa Senhora de Nazaré, na sua forma de imagem (como encontrada no local que foi chamado a “Hermidazinha”) causou grande dificuldade ao Bispo Dom Macedo Costa. O bispo reconheceu que aquela devoção era realmente “adoração” (latria) e que a maioria do povo naquela região acreditava que a imagem era a própria Virgem Maria, O povo indignou-se contra o bispo, e até um homem educado e esclarecido como Tito Franco de Almeida assumiu a causa das massas e, evidentemente por demagogia e motivos políticos, asseverou que o bispo estava profanando o nome da Virgem (Tito Franco de Almeida, Fase Atual do Conflito Religioso no Pará, Com Todos o documentos Necessários. (Pará: Tip. do Liberal, 1880), p. 186-191). Talvez, Tito Franco estivesse escrevendo com ironia, apesar da aparência sincera de seus argumentos. Todavia, ainda que estivesse escrevendo em zombaria, na verdade estava expressando um sentimento muito popular. Como o jornalista asseverou, o bispo havia atacado o jornal maçônico O Liberal por ter chamado de “ídolo” à imagem, “mas o próprio bispo tinha comparado a adoração da imagem de Nossa Senhora de Nazaré com a adoração de Isis”. Ainda mais (o que parece ter sido o ponto crucial da questão), o bispo tinha feito ataques contra o festival em honra da padroeira da cidade, que durava duas semanas, chamando-o de “libertinagem”; para uma visão hodierna da Festa dos Círios, ver Isidoro Alves, “O Carnaval Devoto”. Um Estudo Sobre a Festa do Nazaré, em Belém. (Petrópolis; Editora Vozes Ltda, 1980). Alguns dos padres locais pareciam ter sido apenas um pouco mais instruídos do que as massas. Ao menos, em uma ocasião, Holden encontrou um clérigo em Ponta de Pedra, no Pará que era tão sem instrução que parecia ser, mesmo para um padre brasileiro, demasiadamente ignorante. Ante essa ignorância, os bispos paraenses nem sempre foram bem tratados. Assim, na época da chegada de Holden a Belém, a diocese tinha estado sem bispo por mais de três anos. O último bispo, Dom José Afonso de Moraes Torres (1805-1865), depois de catorze anos de combate aos padres políticos “ímpios” e, depois de sofrer toda sorte de indignidades, privações e até fome, renunciou ao episcopado, com a idade de 52 anos, sentindo-se “velho”, doente e fraco (Joaquim Manuel de Macedo, Extrato do Discurso do Orador do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil… na Sessão Solene de 13 de dezembro de 1866. (Rio: J. Villeneuve, 1867);Lino do Monte Carmelo Luna, Elogio do Bispo Resignatário do Pará, Dom José Afonso Moraes Torres. (Rio: s. ed. s.d.); Blake, op. cit., IV, pp. 266-267). POLÍTICOS E PADRES “ÍMPIOS” Os políticos paraenses que mais tarde tomariam parte saliente na Questão Religiosa em Belém e que entraram em contato com Holden no Pará, eram tanto leigos como clérigos: Tito Franco de Almeida, José Henrique Cordeiro de Castro, Padre Eutiquio Pereira da Rocha e o Cônego Ismael de Sena Ribeiro Nery. A união entre os clérigos e políticos no século XIX, no Brasil, como um dos elementos que contribuíram para a destruição da Igreja nacional, já foi mais do que exaustivamente estudada (Padre Júlio Maria, op. cit., pp, 172-181, Thornton, op. cit., pp. 45-54.). Essa união era um fato contra o qual os núncios e internúncios clamaram e tentaram infrutiferamente corrigir. O Internúncio Domenico Sanguigni escreveu que enquanto essa aliança existisse, a posição da Igreja no Brasil seria fraca. Para ele, a Igreja deveria impor-se do alto em vez de descer ao nível dos políticos e ajudá-los a golpear as cabeças da oposição. Padres políticos havia por todo o Brasil, porém eram mais numerosos nas áreas mais atrasadas, visto serem em geral as pessoas mais instruídas no local, e como tais, os líderes naturais da comunidade. Numa diocese atrasada como a do Pará, o problema que a Igreja tinha com os padres políticos era sobremaneira difícil. Por isso, encontramos Dom Macedo Costa, escrevendo ao Imperador, queixando-se dos políticos que estavam apoiando os padres rebeldes, e destruindo completamente a disciplina eclesiástica que tinha tentado impor. A queixa amarga do bispo era que havia suspendido de ordens dois padres. que se recusaram a abandonar suas amantes e os políticos os tinham trazido de volta como professores de escolas públicas. Então, outros padres rebelaram-se e diversos deles tinham desacatado o bispo no recinto do templo durante os serviços religiosos. Dom Macedo solicitava o auxílio do Imperador (MIP, Doc. n° 6763, Dom Antônio de Macedo Costa, Bispo do Pará a Dom Pedro II, Belém, 8 de abril de 1866), Entre os políticos paraenses que estavam ajudando os padres rebeldes na sua luta contra o bispo, estava o Deputado Tito Franco de Almeida.

 
 
 

Em 1860, Dom Pedro II, que ficara muito impressionado com um sermão de Dom Macedo Costa, indicou seu nome para bispo de Belém do Pará. Apesar da juventude do padre baiano (30 anos), Pio IX aceitou-lhe a indicação e o novo bispo foi consagrado pelo Internúncio Mariano Falcinelli, no Rio de Janeiro em 1861. Todos os estudiosos da Questão Religiosa são acordes em que a experiência européia do novo bispo, especiamente sua permanência em Roma e sua observação pessoal do movimento de unificação da Itália e da destruição do poder papal, teve uma grande influência na sua interpretação dos acontecimentos políticos que resultaram na Questão Religiosa em 1872. E minha opinião que as primeiras experiências de Dom Macedo Costa no seu bispado, seu conflito com Holden, que era apoiado, auxiliado e instigado pelos maçons, tais como Tito Franco e José Henriques, somente serviu para fortalecer as idéias que o bispo havia adquirido na Europa acerca da natureza conspiratória da maçonaria. E mais, que até certo ponto a colonia de confederados em Santarém e os continuados ataques de James H. Henderson a ele, à Igreja e ao papado, através da impresa maçônica, fortificaram ainda mais sua impressão de que existia um movimento maçônico-protestante para destruir a igreja Católica no Brasil como um primeiro passo para a invasão do Amazonas pelos Estados Unidos da América. Como Holden anotou, o bispo achou a diocese em condições precárias. Não somente teve de lidar com os perigos que ameaçam sua igreja internamente, na forma de padres rebeldes e amancebados, como também teve de enfrentar o perigo externo, representado pelo pastor protestante estrangeiro, vendendo Bíblias adulteradas e folhetos e pregando em português – um pastor protestante favorecido em seu trabalho pelos líderes maçônicos locais. O primeiro ato do bispo, que Holden registrou como se segue, foi disciplinar o clero: Ouço dizer que o Bispo está bem desanimado com o estado das coisas. Está começando a guerra contra o clero, pedindo-lhes que mandem embora de suas casas as concubinas. Veremos se terá melhor éxito do que o seu antecessor que em desespero resignou a Sé. A tentativa de disciplinar o clero foi abertamente aludida pelo próprio bispo na sua primeira carta pastoral, na qual invectivou contra os clérigos que estavam envolvidos em política e lembrou-lhes que sua única tarefa era a salvação de almas 01 Dom Antônio de Almeida Lustosa, Dom Macedo Costa – Bispo do Pard (Rio: Cruzada da Boa Imprensa, 1939), pg.22-25. Diário de Holden, 14 de agosto de 1861 Dom Antônio de Macedo, carta do Exm.º Revm.º Sr. Bispo do Pará, por ocasião de sua entrada na Diocese, 1° de agosto de 1861(Pará: tio. de Santos & Irmão, 1861) p.4

 
 
 

Este é um artigo que aborda um dos piores ramos do movimento Protestante. Esse grupo deu origem aos batistas, uma vertente do protestantismo altamente ignorante. Tal grupo tem ódio das imagens sacras além de pregar nas suas missões que o batismo é só para adultos. Vamos verificar um pouco sobre a raiz podre desse movimento bem como sobre sua influência sobre os pentencostais, outro ramo que tem uma doutrina herética e nociva ao bom convívio social. Dos anabatistas Dos anabatistas, que negavam o Batismo das crianças. 1. Seus chefes, rebelião e derrota. 42. Outra derrota sob Munzer, seu chefe; o qual, ao morrer, se converte. Nova rebelião sob João de Leiden, que se fez coroar rei, mas depois, condenado a uma morte cruel, morreu penitente. Erros dos anabatistas. Diversas seitas em que se dividiram. Receberam os anabatistas de Lutero suas primeiras sementes. A primeira máxima desses hereges, pela qual ganharam depois o nome de anabatistas, foi dizer que as crianças não devem ser batizadas na infância, porque, não tendo o uso da razão, não podem ter crença e salvação, pois, como diz o Evangelho, Qui crediderit, et baptizatus fuerit, salvus erit [Quem crer, e for batizado, será salvo] (Mc 16, 16). Por isso dizem que todos aqueles que haviam sido batizados na infância deviam rebatizar-se. Ora, essa máxima falsa ganhou voga a partir daquilo que dizia Lutero, a saber, que era melhor deixar as criancinhas sem Batismo a batizá-las quando não têm fé própria. Mas deviam todos esses incréus observar que no Evangelho citado se fala dos adultos, que são capazes de ter a fé atual; mas as criancinhas, que não são capazes dela, recebem a graça do sacramento pela fé da Igreja em que são batizados. Assim como as criancinhas são capazes de contrair o Pecado Original sem culpa atual, assim também é justo que sejam capazes de receber a graça de Jesus Cristo sem a fé atual: Quoniam, diz Santo Agostinho,” quod aegri sunt, alio peccante, praegravantur: sic cum hi sani sunt, alio pro confitente, salvantur (Pois, assim como estão doentes pelo pecado de outrem, assim também se salvam pela Confissão de outrem). Temos, ademais, que disse São Mateus (19, 14): Sinite parvulos …) ad me venire; talium st enim regnum caelorum (Deixai vir a mim as criancinhas […] delas é o reino do céu). Assim como, portanto, as criancinhas podem conquistar o reino do céu, assim também podem receber o Batismo, sem o qual não se entra no céu. Batizar as criancinhas é também tradição tomada dos Apóstolos, como escreveu Origenes:’? Ecclesia traditionem ab Apostolis suscepit, etiam parvulis dari baptismus [A Igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de dar também às criancinhas o Batismo]. E o mesmo escreveram Santo Irineu, Tertuliano, São Gregório Nazianzeno, Santo Ambrósio, São Cipriano e Santo Agostinho. Por isso, mais tarde, o Concilio de Trento (sessão sete, c. 3) condenou com anátema aqueles que diziam dever rebatizar-se os que tiverem sido batizados antes do uso da razão, com as seguintes palavras: Si quis dixerit parvulos, eo quod actum credendi non habent, suscepto baptismo inter fideles computandos non esse; ac propterea cum ad annos discretionis per venerint, esse rebaptizandos; aut praestare omittere eorum baptisma, quam eos non actu proprio credentes baptized in sola fide Ecclesia; anathema sit. [Se alguém disser que as criancinhas, por não terem o ato de crer, não devem ser contadas entre os fiéis depois de receberem o Batismo e, portanto, devem ser rebatizadas quando chegarem à idade de discrição, ou que mais vale omitir seu Batismo do que batizá-las apenas na fé da Igreja, sem crer por ato próprio, seja anátema). Aqui, o cânone condenou claramente o erro dos anabatistas e de Lutero. O chefe dos anabatistas foi Nicolau Stork, também chamado de Pelargo, o qual foi antes discípulo de Lutero, mas depois começou a pregar essa sua nova heresia no ano de 1522, dizendo que assim lhe fora revelado pelo céu. Por isso foi expulso de Wittenberg e foi pregar na Turíngia, onde somou outros erros ao primeiro, dizendo: todos os homens nascem livres; todos os bens são comuns e devem ser divididos igualmente e todos os bispos e magistrados ou príncipes que se opunham à sua igreja deviam ser extirpados do mundo.” A Stork uniu-se Thomas Munzer, o qual também havia sido seguidor de Lutero e sacerdote, e ostentava uma vida mortificada e também se gabava de êxtases e comunicações extraordinárias com Deus. Falava mal do Papa porque ensinava uma lei dura demais, e falava também de Lutero, por ensinar uma lei frouxa demais; assim, começou a desacreditar em toda a parte os costumes e a estima de Lutero, dizendo que era dado à comilança e às impudicícias, e por isso jamais se poderia ditar que Deus quisesse ver reformada a sua Igreja por meio de um homem tão vicioso. Lutero fez que fosse expulso também da Turíngia e, em especial de Munster, onde disseminava os mesmos erros de Stork, insinuando os camponeses que não se devia obedecer aos prelados, nem aos príncipes. Fez crescer muito o partido dos anabatistas e chegou a reunir trezentos mil pobres camponeses ignorantes,” incentivando-os a largar o arado e tomar armas, enganando-os ao dizer que Deus combateria em favor deles. Aqueles míseros e tolos camponeses no começo causaram grandes desordens, mas depois, quando foram atacados por soldados, embora fossem muitos, por terem poucos conhecimentos da arte militar, logo foram desbaratados. Boa parte foi morta; a que sobreviveu se dirigiu para a Lorena, com intenção de saqueá-la; mas o conde Claude de Guise, irmão do duque de Lorena, obteve três vitórias contra eles, passando vinte mil deles a fio de espada.” Escreve Sleidan” que os pobres lavradores, quando foram atacados pelos soldados. como se tivessem perdido o cérebro, sequer se defenderam ou tentavam fugir, mas cantavam certa melodia popular, com que imploravam a ajuda do Espírito Santo, de quem, confiantes nas promessas de Munzer, esperamos socorro do céu. No entanto, enquanto Munzer, com seus outros anabatistas mandava saquear a Turíngia, avançou contra eles o exército comandado pelo duque Jorge da Saxônia, o qual lhes ofereceu a paz se quisessem depor as armas. Mas Munzer, que se julgava perdido se os camponeses aceitassem a paz, tanto os encorajou à guerra que mataram o oficial que viera tratar da paz. Isso fez que os soldados crescessem sobre eles com grande fúria. No começo eles se defenderam com energia, animados pela esperança que lhes dera Munzer de receber ele nas suas mangas as balas dos canhões; por isso, alguns deles, iludidos, se postaram firmes à frente dos canhões inimigos: por fim, muitos começaram a fugir todos os demais foram feitos prisioneiros. Munzer também fugiu e foi incógnito recuperar-se numa casa em Frankenhausen, fingindo-ser doente; mas foi reconhecido e preso, e depois condenado a ser decapitado na cidade de Mulhausen, junto com Pfeiffer, religião apóstata da ordem dos premonstratenses. Essa guerra durou cinco meses e se estima que nela morreram 130 mil daqueles pobres camponeses. Pfeiffer morreu obstinado na sua heresia. De Munzer, alguns pretendem que permaneceu impávido diante da morte e até provocava os juízes e os principes, dizendo-lhes para lerem a Bíblia e ali aprenderem a palavra de Deus, e que foram essas as suas últimas palavras. Outros, porém, em maior número, dizem que Munzer, antes de morrer, se retratou de seus erros, se confessou a um sacerdote, tomou o viático e, depois de algumas preces devotas, ofereceu a cabeça ao carrasco; e isso é dado por Noël Alexandre como coisa certa. Mas nem mesmo com a morte de Munzer e com tanta carnificina se extinguiu essa seita maldita. No ano de 1534, nove anos depois do falecimento de Munzer, muitos de Westfalia se rebelaram contra o príncipe e se apoderaram da cidade de Munster, onde se fez seu chefe um tal de João de Leiden, filho de um alfaiate holandês. Ele mandou expulsar o bispo e todos os católicos que ali estavam e, enganando os seus com falsas revelações, chegou a fazer-se coroar rei, declarando que fora eleito para o trono por Deus e, por isso, se fazia chamar de Rex justitiae hujus mundi [Rei da justiça deste mundo). Aprovava a poligamia e tinha dezesseis mulheres; não cria de modo algum no sacramento da Eucaristia, pois, sentado à mesa, distribuía aos seus um pedacinho de pão, dizendo: Accipite et comedite, et mortem Domini annuntiabitis [Tomai e comei, e anunciareis a morte do Senhor]; e ao mesmo tempo a rainha, isto é, uma de suas mulheres, distribuia o vinho, dizendo: Bibite, et mortem Domini annuntiabitis [Bebei, e a morte do Senhor anunciareis). Escolheu, depois, vinte discípulos para enviá-los a Pregar os seus erros, como apóstolos de Deus, mas quase todos esses desgraçados foram, depois, presos com ele e, no ano de 1535, condenados à morte * Mas seja sempre louvado Deus, que em João de Leiden quis manifestar a sua misericórdia, pois João demonstrou um verdadeiro arrependimento e uma paciência admirável ao sofrer a morte acerba que lhe foi dada. Foi torturado três vezes por dois carrascos por duas horas inteiras, e ele suportou esse tormento sem sequer queixar-se; mais não fazia que dizer-se merecedor por seus pecados e implorar a divina piedade. Mas os seus sócios quiseram 99 morrer obstinados, sem confessar-se culpados.” Acrescenta Hermant que essa maldita seita não deixou de subsistir em várias províncias cristãs. Foram os seguintes os erros dos anabatistas: 1. Pueri non sunt bapti. zandi, sed tantum adulti rationis capaces. 2. Non potest a christian is admin. strari magistratus politicus. 3. Nunquam licet jurare christianis. 4. Illicitum est christianis bellum gerere. [1. Não se devem batizar as crianças, só os adultos capazes de razão. 2. O cristão não pode ser um magistrado civil, 3 Ao cristão jamais é permitido jurar. 4. A guerra é ilícita aos cristãos]. Depois disso, os anabatistas se dividiram em diversas seitas. Há quem conte catorze; outros, setenta. Uns se chamam munzerianos, por causa de Thomas Munzer; outros, huttitas, por Hans Hutt, que professavam a pobreza voluntária; outros, agostinianos, de Augustin Boehm, o qual dizia que o céu só se abrirá depois do dia do juízo; outros, buholdinos, de João Buhold, ou seja, de Leiden, acima citado, os quais tinham várias mulheres e queriam extirpar todos os ímpios, outros, melchioritas, de Melchior Hofmann, o qual dizia que Cristo tinha uma só natureza e não nascera de Maria, além de outros erros; menonitas, de Mennon, que tinham opiniões erradas sobre a Trindade; os davidianos, de um certo Jorge que se dizia o terceiro Davi e o verdadeiro Messias e filho bem-amado de Deus gerado pelo espírito e não pela carne, e que perdoava os pecados; morreu no ano de 1556, dizendo que em três anos deveria ressuscitar; essa profecia não se mostrou totalmente infundada, porque três anos depois o senado da Basiléia o mandou desenterrar e queimar com todos os seus escritos, os clancolares, que, perguntados se eram anabatistas, o negavam; freqüentavam as igrejas, mas as casas e os jardins, onde pregavam; os demoníacos, que diziam que no fim do mundo os demônios deviam salvar-se, erro igual ao de Orígenes; adamitas, que caminhavam nus, constituídos, como eles não queriam fazer crer, na inocência, como Adão; servetianos, de Michel Servet, que aos erros dos anabatistas acrescentou as blasfêmias contra a Trindade e contra Jesus Cristo; os condormientes, que dormiam todos juntos, homens e mulheres, professando uma nova caridade evangélica, ou seja, uma nova torpeza; os ejulantes, ou seja, os chorosos, que dizem não haver devoção mais grata a Deus que estar sempre chorando e lamentando-se. Sobre outros semelhantes a esses ímpios extravagantes se pode ler em Noël Alexandre e Van-Ranst Trecho retirado da obra de Santo Afonso de Ligório, História das Heresias e suas refutações

 
 
 
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